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Numero do processo: 10580.902407/2014-57
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Feb 25 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue May 07 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do fato gerador: 31/07/2000 PIS E COFINS. BASE DE CÁLCULO. INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. A declaração de inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei Federal 9.718/1998 não alcança as receitas operacionais das instituições financeiras, de forma que devem compor a base de cálculo das contribuições ao PIS e Cofins, em razão de provirem do exercício de suas atividades empresariais. JUROS SOBRE CAPITAL PRÓPRIO. EXCLUSÃO. POSSIBILIDADE. Durante a vigência da redação original da Lei Federal 9.718/1998, a remuneração sobre juros sobre o capital próprio, a despeito de ser tratada como “receita financeira”, não pode ser considerada uma receita típica de instituições financeiras, vez que se trata de efetiva receita decorrente de participações societárias perante outras pessoas jurídicas, não se coadunando com o objeto social da Recorrente.
Numero da decisão: 3401-005.841
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso, para reconhecer os créditos em relação a juros sobre o capital próprio, em função do REsp 1.104.184/RS, e receitas de locação de imóveis. O Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco acompanhou o relator pelas conclusões. O Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco indicou a intenção de apresentar Declaração de Voto, o que foi feito no processo paradigma. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lazaro Antônio Souza Soares, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Rodolfo Tsuboi, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente).
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN

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3401­005.841  –  4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária   Sessão de  25 de fevereiro de 2019  Matéria  COMPENSAÇÃO ­ PIS/COFINS  Recorrente  BANCO ALVORADA S.A.  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP  Data do fato gerador: 31/07/2000  PIS E COFINS. BASE DE CÁLCULO. INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS.   A  declaração  de  inconstitucionalidade  do  §  1º  do  art.  3º  da  Lei  Federal  9.718/1998 não alcança as receitas operacionais das instituições financeiras,  de  forma  que  devem  compor  a  base  de  cálculo  das  contribuições  ao  PIS  e  Cofins, em razão de provirem do exercício de suas atividades empresariais.  JUROS SOBRE CAPITAL PRÓPRIO. EXCLUSÃO. POSSIBILIDADE.  Durante  a  vigência  da  redação  original  da  Lei  Federal  9.718/1998,  a  remuneração  sobre  juros  sobre  o  capital  próprio,  a  despeito  de  ser  tratada  como  “receita  financeira”,  não  pode  ser  considerada  uma  receita  típica  de  instituições  financeiras,  vez  que  se  trata  de  efetiva  receita  decorrente  de  participações societárias perante outras pessoas jurídicas, não se coadunando  com o objeto social da Recorrente.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  dar  parcial provimento ao recurso, para reconhecer os créditos em relação a juros sobre o capital  próprio,  em  função do REsp 1.104.184/RS,  e  receitas de  locação de  imóveis. O Conselheiro  Leonardo  Ogassawara  de  Araújo  Branco  acompanhou  o  relator  pelas  conclusões.  O  Conselheiro  Leonardo  Ogassawara  de  Araújo  Branco  indicou  a  intenção  de  apresentar  Declaração de Voto, o que foi feito no processo paradigma.  (assinado digitalmente)  Rosaldo Trevisan ­ Presidente e Relator       AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 90 24 07 /2 01 4- 57 Fl. 174DF CARF MF Processo nº 10580.902407/2014­57  Acórdão n.º 3401­005.841  S3­C4T1  Fl. 3          2 Participaram do presente julgamento os conselheiros Mara Cristina Sifuentes,  Tiago  Guerra  Machado,  Lazaro  Antônio  Souza  Soares,  Maria  Eduarda  Alencar  Câmara  Simões,  Carlos  Henrique  de  Seixas  Pantarolli,  Rodolfo  Tsuboi,  Leonardo  Ogassawara  de  Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente).    Relatório  Trata­se de Recurso Voluntário contra decisão da DRJ/POR, que considerou  insubsistente  a  Manifestação  de  Inconformidade  contra  despacho  decisório  que  indeferiu  pedido de restituição de PIS.  Do Pedido de Compensação e do Despacho Decisório  O  contribuinte  pleiteou  compensação,  referente  a  pagamento  efetuado  indevidamente ou a maior,  transmitido através de PER. Em despacho decisório, o pedido  foi  indeferido sob a alegação que o “recolhimento apontado como origem do crédito encontra­se  integralmente alocado ao débito  informado pelo contribuinte, não  restando qualquer saldo de  pagamento a ser restituído. ”  Da Manifestação de Inconformidade  O Recorrente  apresentou manifestação  de  inconformidade,  argumentando  o  seguinte:  1.  O  Supremo  Tribunal  Federal  declarou  incidentalmente  a  inconstitucionalidade  do  alargamento  da  base  de  cálculo  do  PIS  e  da  Cofins,  contida  no  §1º  do  artigo  3º  da  Lei  nº  9.718,  de  1998  e  que  o  presente  pedido  de  restituição  se  mostra  subsistente,  pois  os  recolhimentos  da  contribuição  em  tela  foram  realizados  nos  estritos  lindes do artigo 3º, §1º da Lei nº 9.718/1998, cujo descompasso com o  sistema  normativo  acabou  por  provocar  o  recolhimento  a  maior  nesse  tocante  e,  por  conseguinte,  não  há  como  prosperar  o  indeferimento  do  presente pedido de restituição.  2.  O STF declarou a inconstitucionalidade do §1º do art. 3º da Lei 9.718/98  porque  reconheceu  que  as  contribuições  sociais  ao  PIS  e  à  Cofins  só  poderiam  incidir  sobre o  faturamento das empresas,  assim entendida “a  receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de  serviços de qualquer natureza”, não podendo  incluir na base de cálculo  receitas não operacionais.  3.  O conceito de faturamento não varia em função do objeto social de cada  contribuinte, pois a base de cálculo ficaria sujeita a um grau de incerteza  absolutamente incompatível com uma obrigação tributária. Assim sendo,  não  há  qualquer  relação  de  identidade  entre  o  conceito  de  faturamento  com a atividade principal dos contribuintes.  Fl. 175DF CARF MF Processo nº 10580.902407/2014­57  Acórdão n.º 3401­005.841  S3­C4T1  Fl. 4          3 4.  Mesmo  que  se  entenda  que  as  receitas  financeiras  auferidas  por  instituições financeiras têm natureza de receita de prestação de serviços,  integrando  o  conceito  de  faturamento,  o  que  se  admite  apenas  para  argumentar,  não  podem  integrar  referida  base  de  cálculo  as  receitas  financeiras  decorrentes  da  aplicação  de  seus  recursos  próprios  e  ou  de  terceiros em hipóteses que não envolvam intermediação financeira.  5.  A base de cálculo, deveria ficar restrita somente às receitas auferidas no  exercício de seu objeto social, com a prestação de serviços bancários, tais  como  administração  de  fundos  de  investimentos,  assessoria  em  operações de fusão e aquisição, intermediação financeira e concessão de  crédito, dentre outras atividades.  6.  As receitas financeiras obtidas com a aplicação de seu próprio capital de  giro  e  capital  de  terceiros,  bem  como  em  razão  da  remuneração  dos  depósitos  compulsórios  realizados  junto  ao Banco Central  e  aplicações  próprias,  realizadas  no  seu  único  e  exclusivo  interesse,  sem  intermediação,  não  configuram  prestação  de  serviços,  uma  vez  que  ninguém presta serviço para si próprio.  Junto  com  a  impugnação,  o  recorrente  apresentou  planilhas  de  cálculo,  e  balancete analítico do mês de referência.  Da Decisão de Primeiro Grau  O colegiado a quo  julgou  improcedente  a manifestação de  inconformidade,  nos termos do Acórdão 14­061.515.  Do Recurso Voluntário  Irresignado,  o  contribuinte  apresentou  Recurso,  reprisando  as  razões  apresentadas na Manifestação de Inconformidade.  É o relatório.  Voto             Conselheiro Rosaldo Trevisan, Relator  O  julgamento  deste  processo  segue  a  sistemática  dos  recursos  repetitivos,  regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo  II do RICARF, aprovado pela Portaria MF  343,  de  09  de  junho  de  2015.  Portanto,  ao  presente  litígio  aplica­se  o  decidido  no Acórdão  3401­005.809,  de  25  de  fevereiro  de  2019,  proferido  no  julgamento  do  processo  10580.902382/2014­91, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.  Transcrevem­se,  como  solução  deste  litígio,  nos  termos  regimentais,  os  entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão 3401­005.809):  "Da Admissibilidade  Fl. 176DF CARF MF Processo nº 10580.902407/2014­57  Acórdão n.º 3401­005.841  S3­C4T1  Fl. 5          4 O Recurso  é  tempestivo  e  reúne  os  demais  requisitos  de  admissibilidade; de modo que tomo seu conhecimento.    Do Mérito  O  núcleo  do  litígio  reside  na  forma  de  aplicação  da  declaração  de  inconstitucionalidade  do  §1º  do  art.  3º  da  Lei  Federal 9718/1998 pelo STF – quando do julgamento do RE nº  585.235,  sob  a  forma  do  art.  543­B,  do  CPC,  sobre  o  alargamento  da  base  de  cálculo  das  contribuições  PIS  e  COFINS, no que tange às instituições financeiras.  Naquela oportunidade, restou pacificado que, para fins de  incidência cumulativa das contribuições sociais, o faturamento é  o  resultado  das  atividades  típicas,  ou  seja,  que  decorram  do  objeto social do contribuinte.  Como  não  poderia  ser  diferente,  esse  vem  sendo  o  entendimento  adotado  nessa  Seção,  e  na  Câmara  Superior  de  Recursos Fiscais:    ASSUNTO:  CONTRIBUIÇÃO  PARA  O  FINANCIAMENTO  DA  SEGURIDADE  SOCIAL  COFINS  Período de apuração: 01/02/1999 a 31/12/2000  COFINS. FATURAMENTO. LEI 9.784/98  [SIC]. BASE  DE CÁLCULO. INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS.  Consoante  entendimento  firmado  pelo  STF,  as  receitas  operacionais  obtidas  pelas  instituições  financeiras,  decorrentes de  sua  atividade  fim,  integram o  conceito de  receita bruta utilizado pelo art. 3º da Lei nº 9.718/98.  RECUPERAÇÃO  DE  ENCARGOS  E  DESPESAS  E  REVERSÃO DE PROVISÕES OPERACIONAIS.  Lançamentos  que  não  representes  ingressos  de  receita  oriundos das atividades típicas das instituições financeiras  não podem ser alcançados pela incidência da COFINS.  (Acórdão  nº  3201004.445,  Relatora  Tatiana  Josefovicz  Belisário, sessão de 27.11.2018)    ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP   Data do fato gerador: 31/01/2004  PIS/PASEP.  BASE  DE  CÁLCULO.  LEI  9.718/98.  INCONSTITUCIONALIDADE.  DECISÃO  STF.  REPERCUSSÃO GERAL.  Fl. 177DF CARF MF Processo nº 10580.902407/2014­57  Acórdão n.º 3401­005.841  S3­C4T1  Fl. 6          5 As  decisões  proferidas  pelo  Supremo  Tribunal  Federal,  reconhecidas  como  de  Repercussão  Geral,  sistemática  prevista  no  artigo  543­B  do  Código  de  Processo  Civil,  deverão  ser  reproduzidas  no  julgamento  do  recurso  apresentado pelo contribuinte. Artigo 62­A do Regimento  Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais.  Declarado inconstitucional o § 1º do caput do artigo 3º da  Lei  9.718/98,  integra  a  base  de  cálculo  da  Contribuição  para o Financiamento da Seguridade Social COFINS e da  Contribuição  para  o  PIS/Pasep  o  faturamento  mensal,  representado  pela  receita  bruta  advinda  das  atividades  operacionais típicas da pessoa jurídica.  (Acórdão  nº  9303­002.934,  Redator  designado:  Ricardo  Paulo Rosa, sessão de 03.06.2014).    Acertadamente,  a decisão ora  recorrida destacou que as  atividades  operacionais  das  instituições  financeiras  se  encontram  elencadas  no  Plano  de  Conta  COSIF,  nos  termos  emanados pelo Banco Central do Brasil:    O Plano Contábil  das  Instituições  do  Sistema Financeiro  Nacional,  instituído  pela  Circular  do  Banco  Central  do  Brasil nº 1.273, de 29 de dezembro de 1987,  traz em seu  Capítulo  1  ­  Normas  Básicas,  Seção  17  ­  Receitas  e  Despesas,  item  3,  que  as  rendas  obtidas  tanto  com  as  operações ativas como com a prestação de serviços, ambas  referentes  a  atividades  típicas,  regulares  e  habituais  da  instituição  financeira,  são  classificadas  como  operacionais. Confira­se:  3  ­  As  rendas  operacionais  representam  remunerações  obtidas  pela  instituição  em  suas  operações  ativas  e  de  prestação  de  serviços,  ou  seja,  aquelas  que  se  referem  a  atividades típicas, regulares e habituais. (grifos nossos)  No Cosif, as contas de receitas operacionais são divididas  em:  7.1 ­ RECEITAS OPERACIONAIS  7.1.1.00.00­1 Rendas de Operações de Crédito  7.1.2.00.00­4 Rendas de Arrendamento Mercantil  7.1.3.00.00­7 Rendas de Câmbio  7.1.4.00.00­0  Rendas  de  Aplicações  Interfinanceiras  de  Liquidez  7.1.5.00.00­3 Rendas com Títulos e Valores Mobiliários e  Instrumentos Financeiros Derivativos  Fl. 178DF CARF MF Processo nº 10580.902407/2014­57  Acórdão n.º 3401­005.841  S3­C4T1  Fl. 7          6 7.1.7.00.00­9 Rendas de Prestação de Serviços  7.1.8.00.00­2 Rendas de Participações  7.1.9.00.00­5 Outras Receitas Operacionais  (...)  Portanto,  em  uma  instituição  financeira  as  receitas  financeiras  decorrem  de  serviços  prestados  aos  clientes  (financiamentos,  empréstimos,  operações  de  câmbio  na  importação  ou  exportação,  colocação  e  negociação  de  títulos  e  valores mobiliários,  aplicações  e  investimentos,  capitalização,  seguros,  arrendamento  mercantil,  administração  de  planos  de  previdência  privada  e  tantas  outras  mais)  não  constituindo  mero  ganho  financeiro  como acontece em outras empresas. São, portanto, receitas  operacionais, que compõem a base de cálculo do PIS e da  Cofins.  (...)  Especificamente  quanto  a  instituições  financeiras  e  contribuintes a ela equiparadas por força do artigo 22, § 1°  da  Lei  8.212/91,  deve­se  entender  por  faturamento  os  ganhos  obtidos  com  operações  financeiras  realizadas  por  tais  entidades,  quanto  à  captação,  movimentação  e  aplicação  de  ativos  que  proporcionem  alguma  forma  de  ganho  pecuniário,  posto  não  ser  outro  o  objeto  social  de  tais sociedades.    Observando  o  caso  concreto,  trata­se  de  instituição  financeira  que  tem  por  objeto  social  “efetuar  operações  bancárias em geral, inclusive câmbio”. Esse, portanto, é o limite  das  atividades  típicas  que  devem  ser  objeto  de  escrutínio  para  sua inclusão na base de cálculo das contribuições sociais.  No  presente  processo,  a  Recorrente  pleiteia  crédito  de  COFINS  no  montante  calculado  sobre  a  diferença  entre  a  totalidade de  receitas  operacionais e a  receita de prestação de  serviços bancários (conta 7.1.7.00.00.9), entendendo, a despeito  do entendimento acima esposado, que somente as atividades de  prestação  de  serviços  bancários  poderiam  vir  a  ser  objeto  de  incidência das contribuições sociais, ignorando que a atividade  bancária  per  si  não  se  restringe,  por  óbvio,  aos  serviços  prestados aos clientes.  Adicione­se aos argumentos anteriores que a própria Lei  Federal  9.718/1998  partiu  da  premissa  que  as  receitas  financeiras  geradas  nas  atividades  das  instituições  bancárias  eram  tributadas,  quando  previu,  em  seus  parágrafos  5º  e  6º,  hipóteses específicas de dedução:    Fl. 179DF CARF MF Processo nº 10580.902407/2014­57  Acórdão n.º 3401­005.841  S3­C4T1  Fl. 8          7 I ­ no caso de bancos comerciais, bancos de investimentos,  bancos  de  desenvolvimento,  caixas  econômicas,  sociedades  de  crédito,  financiamento  e  investimento,  sociedades  de  crédito  imobiliário,  sociedades  corretoras,  distribuidoras de títulos e valores mobiliários, empresas de  arrendamento mercantil e cooperativas de crédito:  a)  despesas  incorridas  nas  operações  de  intermediação  financeira;  b) despesas de obrigações por empréstimos, para repasse,  de recursos de instituições de direito privado;  c) deságio na colocação de títulos;  d) perdas com títulos de renda fixa e variável, exceto com  ações;  e)  perdas  com  ativos  financeiros  e  mercadorias,  em  operações de hedge;  II  ­  no  caso  de  empresas  de  seguros  privados,  o  valor  referente  às  indenizações  correspondentes  aos  sinistros  ocorridos,  efetivamente  pago,  deduzido  das  importâncias  recebidas  a  título  de  cosseguro  e  resseguro,  salvados  e  outros ressarcimentos.  III ­ no caso de entidades de previdência privada, abertas e  fechadas,  os  rendimentos  auferidos  nas  aplicações  financeiras  destinadas  ao  pagamento  de  benefícios  de  aposentadoria, pensão, pecúlio e de resgates;  IV ­ no caso de empresas de capitalização, os rendimentos  auferidos  nas  aplicações  financeiras  destinadas  ao  pagamento de resgate de títulos.    Assim,  todas  as  receitas  decorrentes  da  atividade  bancária,  seja  pela  prestação  de  serviços,  seja  pela  fruição  de  resultados financeiros dos ativos próprios e de terceiros, devem  ser  tributadas  pelas  contribuições  sociais,  observadas  das  deduções acima.  Por outro lado, a remuneração sobre juros sobre o capital  próprio,  a  despeito  de  ser  tratada  como  “receita  financeira”,  não  pode  ser  considerada  uma  receita  típica  de  instituições  financeiras,  vez  que  se  trata  de  efetiva  receita  decorrente  de  participações  societárias  perante  outras  pessoas  jurídicas,  não  se coadunando com o objeto social da Recorrente, nos termos do  RE 1.104.184/RS, do STJ, julgado sob efeitos do artigo 543­C do  antigo CPC.   Sob  a  mesma  ótica,  não  é  possível  admitir  na  base  de  cálculo das contribuições as receitas decorrentes da locação de  imóveis, eis que essa atividade não se encontra contemplada no  seu contrato social.   Fl. 180DF CARF MF Processo nº 10580.902407/2014­57  Acórdão n.º 3401­005.841  S3­C4T1  Fl. 9          8 Trata­se,  portanto,  de  resultados  que  não  decorre  da  atividade  bancária,  de  forma  que  a  parcela  do  lançamento  referente a essa rubrica deve ser cancelada.  Por  todo  o  exposto,  conheço  do  Recurso,  e  dou­lhe  parcial  provimento  para  afastar  a  glosa  sobre  as  receitas  decorrentes da remuneração de  juros sobre o capital próprio e  locação de imóveis próprios."    Importa  registrar  que  nos  autos  ora  em  apreço,  a  situação  fática  e  jurídica  encontra correspondência com a verificada no paradigma, de  tal  sorte que o entendimento  lá  esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado.  . Da mesma forma, a Declaração de Voto do  Conselheiro Leonardo Ogassawara  de Araújo Branco,  apresentada no  processo  paradigma,  é  extensível ao presente processo.  Aplicando­se  a  decisão  do  paradigma  ao  presente  processo,  em  razão  da  sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por  conhecer do  recurso voluntário, e dar­lhe parcial provimento para  reconhecer os  créditos  em  relação a juros sobre o capital próprio, em função do REsp 1.104.184/RS, e receitas de locação  de imóveis.  (assinado digitalmente)  Rosaldo Trevisan Fl. 181DF CARF MF Processo nº 10580.902407/2014­57  Acórdão n.º 3401­005.841  S3­C4T1  Fl. 10          9                             Fl. 182DF CARF MF

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7757907 #
Numero do processo: 10880.913891/2015-46
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 27 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue May 28 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Ano-calendário: 2010 COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. COMPROVAÇÃO. OBRIGATORIEDADE. Para fazer jus à compensação pleiteada, o contribuinte deve comprovar a existência do crédito reclamado à Secretaria da Receita Federal do Brasil, sob pena de restar seu pedido indeferido. Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3301-005.888
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator Participaram da presente sessão de julgamento os Conselheiros Winderley Morais Pereira (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Liziane Angelotti Meira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Marco Antonio Marinho Nunes e Semíramis de Oliveira Duro.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA

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3301­005.888  –  3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária   Sessão de  27 de março de 2019  Matéria  COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA ­ ÔNUS DA PROVA  Recorrente  HOUSE OF VISION COMERCIO E REPRESENTACOES LTDA  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO:  CONTRIBUIÇÃO  PARA  O  FINANCIAMENTO  DA  SEGURIDADE  SOCIAL ­ COFINS  Ano­calendário: 2010  COMPENSAÇÃO.  LIQUIDEZ  E  CERTEZA  DO  CRÉDITO.  COMPROVAÇÃO. OBRIGATORIEDADE.   Para  fazer  jus  à  compensação  pleiteada,  o  contribuinte  deve  comprovar  a  existência do crédito reclamado à Secretaria da Receita Federal do Brasil, sob  pena de restar seu pedido indeferido.   Recurso Voluntário Negado.       Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  negar  provimento ao recurso voluntário, nos  termos do relatório e do voto que integram o presente  julgado.  (assinado digitalmente)  Winderley Morais Pereira ­ Presidente e Relator  Participaram  da  presente  sessão  de  julgamento  os  Conselheiros Winderley  Morais  Pereira  (Presidente),  Marcelo  Costa  Marques  d'Oliveira,  Valcir  Gassen,  Liziane  Angelotti Meira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Marco Antonio Marinho  Nunes e Semíramis de Oliveira Duro.          AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 91 38 91 /2 01 5- 46 Fl. 76DF CARF MF Processo nº 10880.913891/2015­46  Acórdão n.º 3301­005.888  S3­C3T1  Fl. 3          2 Relatório  Trata­se  de  recurso  voluntário  contra  decisão  que  manteve  a  não  homologação da compensação do débito declarada pela contribuinte, em virtude de constar nos  sistemas  da RFB  que  o  alegado  recolhimento  indevido  já  tinha  sido  utilizado  integralmente  para quitação de outros débitos.   Confira­se o teor do Despacho Decisório na origem:  A  partir  das  características  do  DARF  discriminado  no  PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais  pagamentos,  abaixo  relacionados, mas  integralmente  utilizados  para  quitação  de  débitos  do  contribuinte,  não  restando  crédito  disponível  para  compensação  dos  débitos  informados  no  PER/DCOMP.  Em  manifestação  de  inconformidade,  sustentou  a  contribuinte  que  o  Despacho  Decisório  não  teria  fundamentação,  tampouco  motivação.  Por  isso,  teria  havido  cerceamento do seu direito de defesa.   A DRJ/BHE, no acórdão n° 02­072.947, negou provimento ao apelo.  Em recurso voluntário, a Recorrente aduz que:  a)  A  decisão  de  piso  não  levou  em  consideração  a  eficácia  dos  princípios  constitucionais da motivação dos atos administrativos e da ampla defesa, o  que  impediu  a  empresa  de  se  defender  adequadamente,  bem  como  demonstrar a existência do crédito;  b)  O  princípio  da  motivação  dos  atos  administrativos  foi  desrespeitado,  uma  vez que a autoridade indeferiu a homologação das compensações, utilizando  como  fundamento  a  inexistência  do  crédito,  sem  qualquer  esclarecimento  adicional;  c)  Restou violado o direito à ampla defesa, pois, como afirmado anteriormente,  sem conhecer os motivos pelos quais sua compensação não foi homologada,  a apresentação de qualquer defesa fica prejudicada.  Ao  final,  defende  a  reforma da decisão de primeira  instância,  para declarar  insubsistente o despacho decisório que não homologa a compensação e acolher o recurso para  homologá­la.   É o relatório.        Fl. 77DF CARF MF Processo nº 10880.913891/2015­46  Acórdão n.º 3301­005.888  S3­C3T1  Fl. 4          3 Voto             Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator  O  julgamento  deste  processo  segue  a  sistemática  dos  recursos  repetitivos,  regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo  II do RICARF, aprovado pela Portaria MF  343,  de  09  de  junho  de  2015.  Portanto,  ao  presente  litígio  aplica­se  o  decidido  no Acórdão  3301­005.882,  de  27  de  março  de  2019,  proferido  no  julgamento  do  processo  10880.903814/2014­05, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.  Transcrevem­se,  como  solução  deste  litígio,  nos  termos  regimentais,  os  entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão 3301­005.882):  "O  recurso  voluntário  reúne  os  pressupostos  legais  de  interposição, dele, portanto, tomo conhecimento.   Sustenta a empresa que o Despacho Decisório é nulo por  ausência  de  motivação,  o  que  lhe  impede  de  fazer  a  comprovação do direito ao crédito,  constituindo o cerceamento  de defesa.  Aduz: “como pode a recorrente argumentar e apresentar  defesa sem saber ao certo por qual motivo sua compensação não  foi homologada?”. A resposta a tal questão é límpida pelo teor  do ato administrativo:   A  partir  das  características  do  DARF  discriminado  no  PER/DCOMP  acima  identificado,  foram  localizados  um  ou  mais  pagamentos,  abaixo  relacionados,  mas  integralmente  utilizados  para  quitação  de  débitos  do  contribuinte,  não  restando  crédito  disponível  para  compensação dos débitos informados no PER/DCOMP.  Assim,  a  devida  motivação  reside  no  fato  de  que  o  alegado pagamento  indevido não  foi  restituído, porque  já  tinha  sido utilizado para quitar outros débitos.  Por outro lado, não se observa as hipóteses do art. 59, II,  do  Decreto  n°  70.235/72,  sendo  inexistente,  por  conseguinte,  qualquer nulidade.   Ademais,  a  Recorrente  não  traz  apontamento  da  origem  do indébito e tampouco qualquer elemento de prova. Limitou­se  em  sede  de  manifestação  de  inconformidade  apenas  a  afirmar  que:  A requerente, ao calcular o quantum debeatur da COFINS,  utilizou­se  de  base  de  cálculo  com  valores  que  indevidamente  a  integravam,  ou  seja,  de  base  de  cálculo  ampliada.  Fl. 78DF CARF MF Processo nº 10880.913891/2015­46  Acórdão n.º 3301­005.888  S3­C3T1  Fl. 5          4 Incluiu nesta base de cálculo, não só a  receita decorrente  de  seu  faturamento,  ou  seja,  de  suas  vendas, mas  sim  as  demais receitas que não devem compô­las.  Para  tanto,  utilizou­se  de  algumas  teses  tributárias  já  julgadas  pelo  Supremo  Tribunal  Federal  de  forma  favorável  aos  contribuintes,  a  exemplo  a  ampliação  da  base  de  cálculo  por  alterar  o  conceito  de  faturamento,  a  exclusão  da  base  de  cálculo  de  determinadas  despesas,  entre outros.   Por  esta  razão  é  que  postulou  a  restituição/compensação  do valor que pagou a maior desta exação.   Tais  afirmações  sequer  foram  reiteradas  no  recurso  voluntário.  É  sabido  que  a  contribuinte  tem  direito  subjetivo  à  compensação,  desde  que  prove  a  liquidez  e  certeza  de  seu  crédito.  Entretanto,  a  Recorrente  não  demonstrou  a  base  de  cálculo utilizada para apurar a COFINS paga.  Dessa forma, não houve demonstração da base de cálculo  utilizada na apuração da COFINS, para a verificação de que os  recolhimentos  abrangeram  receitas  mensais  que  não  faziam  parte da atividade da empresa.  Em pedido de iniciativa da contribuinte, cabia­lhe:   a) Apresentar planilha com base de cálculo da COFINS,  relativa ao valor da receita bruta mensal e o valor das receitas  indevidamente incluídas na apuração;  b) Apontar no livro razão/balancete os valores indicados;   c) Exibir DIPJ, DCTF original e o DARF;  d)  Mostrar  outros  documentos  fiscais  e  contábeis  que  permitissem  afirmar  que  houve  recolhimento  sobre  as  outras  receitas, que não compusessem o seu faturamento.  Isso  porque,  dispõe  o  art.  170,  do  CTN  que  a  compensação depende da comprovação da liquidez e certeza dos  créditos do sujeito passivo contra a Fazenda Pública.  Dessa  forma, na ausência de documentação referente ao  crédito,  entendo  que  a  pretensão  da  Recorrente  não  merece  acolhida, uma vez que, regra geral, considera­se que o ônus de  provar recai a quem alega o fato ou o direito, nos termos do art.  373 do CPC/15.  Logo, é da própria empresa o ônus de registrar, guardar e  apresentar os documentos e demais elementos que testemunhem  o seu direito ao creditamento.   Fl. 79DF CARF MF Processo nº 10880.913891/2015­46  Acórdão n.º 3301­005.888  S3­C3T1  Fl. 6          5 Então, restou demonstrado que a interessada se omitiu em  produzir  a  prova  que  lhe  cabia,  segundo  as  regras  de  distribuição  do  ônus  probatório  do  processo  administrativo  fiscal.  Não  o  fazendo,  acertadamente,  a  compensação  não  foi  homologada.   Do  exposto,  voto  por  negar  provimento  ao  recurso  voluntário."  Importa  registrar  que  nos  autos  ora  em  apreço,  a  situação  fática  e  jurídica  encontra correspondência com a verificada no paradigma, de  tal  sorte que o entendimento  lá  esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado.  Aplicando­se  a  decisão  do  paradigma  ao  presente  processo,  em  razão  da  sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por  negar provimento ao recurso voluntário.   (assinado digitalmente)  Winderley Morais Pereira                              Fl. 80DF CARF MF

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7733243 #
Numero do processo: 10880.914379/2006-26
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 21 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu May 09 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/04/2003 a 30/06/2003 NULIDADE DA DECISÃO RECORRIDA. INEXISTÊNCIA. Uma vez constatado que a decisão recorrida encontra-se suficientemente fundamentada, há de ser afastada a preliminar de nulidade suscitada. PER/DCOMP. CRÉDITOS DE IPI. FORNECEDOR OPTANTE PELO SIMPLES. CRÉDITO INDEVIDO. Deverá ser mantida a glosa combatida visto que, em razão de vedação legal expressa, são insuscetíveis de aproveitamento os créditos de IPI relacionado a insumos adquiridos de empresas optantes pelo SIMPLES.
Numero da decisão: 3002-000.671
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar apresentada e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Larissa Nunes Girard - Presidente (assinado digitalmente) Maria Eduarda Alencar Câmara Simões - Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Relatora) e Carlos Alberto da Silva Esteves. Ausente o Conselheiro Alan Tavora Nem.
Nome do relator: MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES

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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/04/2003 a 30/06/2003 NULIDADE DA DECISÃO RECORRIDA. INEXISTÊNCIA. Uma vez constatado que a decisão recorrida encontra-se suficientemente fundamentada, há de ser afastada a preliminar de nulidade suscitada. PER/DCOMP. CRÉDITOS DE IPI. FORNECEDOR OPTANTE PELO SIMPLES. CRÉDITO INDEVIDO. Deverá ser mantida a glosa combatida visto que, em razão de vedação legal expressa, são insuscetíveis de aproveitamento os créditos de IPI relacionado a insumos adquiridos de empresas optantes pelo SIMPLES.

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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar apresentada e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Larissa Nunes Girard - Presidente (assinado digitalmente) Maria Eduarda Alencar Câmara Simões - Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Relatora) e Carlos Alberto da Silva Esteves. Ausente o Conselheiro Alan Tavora Nem.

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decisão  recorrida  encontra­se  suficientemente  fundamentada, há de ser afastada a preliminar de nulidade suscitada.  PER/DCOMP.  CRÉDITOS  DE  IPI.  FORNECEDOR  OPTANTE  PELO  SIMPLES. CRÉDITO INDEVIDO.  Deverá ser mantida a glosa combatida visto que, em razão de vedação legal  expressa, são insuscetíveis de aproveitamento os créditos de IPI relacionado a  insumos adquiridos de empresas optantes pelo SIMPLES.        Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  rejeitar  a  preliminar apresentada e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário.  (assinado digitalmente)  Larissa Nunes Girard ­ Presidente   (assinado digitalmente)  Maria Eduarda Alencar Câmara Simões ­ Relatora      AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 91 43 79 /2 00 6- 26 Fl. 461DF CARF MF Processo nº 10880.914379/2006­26  Acórdão n.º 3002­000.671  S3­C0T2  Fl. 462          2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard  (Presidente),  Maria  Eduarda  Alencar  Câmara  Simões  (Relatora)  e  Carlos  Alberto  da  Silva  Esteves. Ausente o Conselheiro Alan Tavora Nem.  Relatório  Por bem relatar os fatos, adoto o relatório da decisão da DRJ, às fls. 401 dos  autos:  Trata o presente processo de Manifestação de Inconformidade interposta pela  empresa  epigrafada,  em  contrariedade  à  decisão  que  homologou  parcialmente  a  compensação declarada  no PER/DCOMP nº  03570.37987.080903.1.3.01­2265. Do  crédito pleiteado – R$ 51.113,33  (cinquenta e um mil,  cento e  treze  reais,  trinta  e  três  centavos)  de  ressarcimento  de  IPI  relativo  ao  2º  trimestre  de  2003  –  foram  reconhecidos  apenas R$ 44.351,04  (quarenta  e quatro mil,  trezentos  e  cinquenta e  um reais, e quatro centavos).  De acordo com o despacho decisório (e­fls. 3 e 332), o valor pleiteado não foi  integralmente  reconhecido em face da glosa de créditos e da constatação de que o  saldo credor passível de ressarcimento demonstrado era inferior ao valor pleiteado.  Instruindo  o  despacho  decisório  no  sentido  de  evidenciar  as  mencionadas  constatações, os pertinentes demonstrativos de apuração (e­fls. 4/9 e 333/335) foram  disponibilizados à  interessada no sítio eletrônico da RFB, conforme se  informa no  corpo do despacho decisório.  Cientificada do despacho decisório em 31/07/2008, a interessada manifestou a  sua  inconformidade  em  28/08/2008  (e­fls.  316/319).  Aduziu,  em  sua  defesa,  as  razões sumariamente expostas a seguir.  ●  A  empresa  Welldone  Ltda  (CNPJ  01.495.339/0001­79),  fornecedora  de  matéria­prima, não era optante pelo SIMPLES, pois destacava normalmente em suas  notas  fiscais o  IPI que compunha o preço da venda. Não há qualquer  indicação de  que se trata de ME/Microempresa, sendo, portanto,  impossível saber a natureza da  empresa.  Devem  ser  respeitadas  as  notas  fiscais  que  destacaram  o  IPI  porque  preenchem todos os requisitos formais exigidos pela lei.  ● Sobre o  crédito glosado  referente  à nota  fiscal  nº 18.341, esta  foi  emitida  pela própria Olimpus com a finalidade de dar entrada à devolução de venda efetuada  em  31/03/2003,  nota  fiscal  nº  114.240,  pois  o  cliente  não  mais  exercia  suas  atividades. Como a  inatividade do cliente  só  foi constatada no mês seguinte ao da  venda, a nota de saída nº 114.240 não pode ser cancelada a tempo, procedendo­se à  emissão da nota de entrada nº 18.341.  ● Aplica­se  ao  caso  a  conhecida  teoria de  legalidade  aparente dos negócios  jurídicos. Na vida dos negócios, não se pode imputar ao contratante a obrigação de  reclamar a prova da qualidade da pessoa com a qual contrata. Em respeito à boa fé e  à  aparência  na  negociação  com  terceiros,  como  é  o  caso  em  estudo,  não  pode  a  manifestante ser culpabilizada por não ter investigado o CNPJ, a condição de ME ou  optante do simples do fornecedor.  ● O art. 112 do Código Tributário Nacional determina que a lei tributária que  define infrações deve ser interpretada de maneira mais favorável ao acusado, sendo  este o caso em questão.  Fl. 462DF CARF MF Processo nº 10880.914379/2006­26  Acórdão n.º 3002­000.671  S3­C0T2  Fl. 462            3 O  contribuinte  juntou,  com  a  manifestação  de  inconformidade,  procuração,  documentos  de  identidade,  contrato  social,  despacho  decisório  e  notas  fiscais  (fls.  320/371).  Posteriormente,  por  meio  de  petição  protocolizada  em  23/08/2013,  o  contribuinte  anexou  outros  documentos  aos  autos,  no  intuito  de  comprovar  o  que  alega  (vide  fls.  375/397  dos  autos).  Ao  analisar  o  caso,  a  DRJ  entendeu,  por  unanimidade  de  votos,  julgar  parcialmente  procedente  a manifestação  de  inconformidade,  conforme decisão  (fls.  400/403)  que restou assim ementada:  ASSUNTO:  IMPOSTO SOBRE PRODUTOS  INDUSTRIALIZADOS  ­  IPI  Período de apuração: 01/04/2003 a 30/06/2003  PER/DCOMP.  CRÉDITOS  DE  IPI.  FORNECEDOR  OPTANTE  PELO  SIMPLES. CRÉDITO INDEVIDO.  São  insuscetíveis  de  aproveitamento  os  créditos  de  IPI  concernentes  aos  insumos  adquiridos  de  empresas  optantes  pelo  SIMPLES,  nos  termos  de  vedação legal expressa. Mantém­se a glosa de créditos.  PER/DCOMP.  ERRO NA PRESTAÇÃO DE  INFORMAÇÕES. CNPJ DO  EMITENTE DA NOTA FISCAL.  Comprovado  nos  autos  que  o  sujeito  passivo  cometeu  erro  de  fato  no  preenchimento  do  PER/DCOMP,  impõe­se  a  correção  dos  valores  e  a  homologação da compensação nos limites do crédito reconhecido.  Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte  Direito Creditório Reconhecido em Parte  O contribuinte foi intimado acerca desta decisão em 11/09/2015 (vide Termo de  ciência  à  fl.  410 dos  autos)  e,  insatisfeito  com o  seu  teor,  interpôs,  em 09/10/2015, Recurso  Voluntário (fls. 412/427).  Em  seu  recurso,  o  contribuinte  alegou  a  nulidade  da  decisão  de  primeira  instância, por falta de fundamentação, pois teria afirmado que as empresas emitentes das notas  fiscais seriam, à época da emissão, optantes do Simples Federal, sem demonstrar a origem da  afirmação. Arguiu o recorrente que a autoridade julgadora deveria  ter diligenciado para obter  tal comprovação, ou feito constar a origem da informação.  No mérito, alegou que a empresa emitente das notas fiscais objeto da glosa teria  sido optante do regime simplificado no ano de 2009, de acordo com o que consta do endereço  eletrônico do Simples Nacional, enquanto que o crédito pretendido teria se originado em 2003.  Faria jus, assim, ao crédito, pois à época da emissão das notas a empresa não seria optante do  Simples.   Rebateu a afirmação feita no acórdão de que, mesmo tendo havido destaque do  IPI  na  nota  fiscal  emitida  pela  empresa  optante  pelo  Simples,  não  há  direito  a  crédito.  A  contrariedade do contribuinte se baseia na sistemática da não cumulatividade do imposto, pois,  segundo  a  sua  argumentação,  uma  vez  tendo  o  IPI  sido  destacado  na  nota,  haveria  a  possibilidade de creditamento em razão da não cumulatividade.   Fl. 463DF CARF MF Processo nº 10880.914379/2006­26  Acórdão n.º 3002­000.671  S3­C0T2  Fl. 462,5            4 Pediu,  ao  fim,  o  afastamento  da  glosa,  ou,  na  hipótese  de  ser  mantida,  cancelamento  da  exigência  de  juros  e  multa.  Pugnou  pela  produção  probatória  e  pelo  deferimento  do  pedido  de  diligência,  caso  os  elementos  apresentados  não  sejam  suficientes  para provimento do recurso.   Juntou, com o seu recurso, instrumento de alteração e consolidação do contrato  social da empresa, documentos de identidade do signatário do recurso e consulta ao sistema do  Simples Nacional (fls. 428/458).   Os  autos,  então,  vieram­me  conclusos  para  fins  de  análise  do  Recurso  Voluntário interposto pelo contribuinte.   É o relatório.   Voto             Conselheira Maria Eduarda Alencar Câmara Simões ­ Relatora:  O  Recurso  Voluntário  é  tempestivo  e  reúne  os  demais  requisitos  de  admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento.  1. Da preliminar de nulidade da decisão recorrida  Preliminarmente, o contribuinte alegou em seu recurso a nulidade da decisão  de  primeira  instância,  por  falta  de  fundamentação,  visto  que  a  DRJ  teria  afirmado  que  as  empresas emitentes das notas fiscais seriam, à época da emissão, optantes do Simples Federal,  sem demonstrar a origem da afirmação. Arguiu o recorrente que a autoridade julgadora deveria  ter diligenciado para obter tal comprovação, ou feito constar a origem da informação.  Sobre  este  tema,  o  contribuinte  havia  afirmado  em  sua  manifestação  de  inconformidade  que  a  empresa Welldone  Ltda.  (CNPJ  01.495.339/0001­79),  fornecedora  de  matéria­prima,  não  era  optante  pelo  SIMPLES,  pois  destacava  normalmente  em  suas  notas  fiscais o IPI que compunha o preço da venda. Tendo em vista que não havia qualquer indicação  de  que  se  trata  de  ME/Microempresa,  defende  que  seria  impossível  saber  a  natureza  da  empresa, razão pela qual deveriam ser respeitadas as notas fiscais que destacaram o IPI porque  preenchem todos os requisitos formais exigidos pela lei.  Importante  destacar,  ainda,  que  em  petição  protocolizada  em  23/08/2013  o  contribuinte anexou aos autos, no intuito de comprovar o que alega, comprovante de Consulta  de Optantes extraída do site da Receita Federal, o qual comprovaria que, na ocasião das notas  fiscais  listadas  no  despacho  decisório,  os  fornecedores  não  eram  "Optantes  pelo  Simples  Nacional"  (vide  fl.  390),  em  que  consta  a  informação  de  que  a  data  inicial  da  opção  do  SIMPLES NACIONAL pela empresa Welldone Ltda. foi 01/01/2009.  Em seu Recurso Voluntário, então, voltou a afirmar que a empresa emitente  das notas fiscais objeto da glosa teria sido optante do regime simplificado no ano de 2009, de  acordo com o que consta do endereço eletrônico do Simples Nacional, enquanto que o crédito  pretendido teria se originado em 2003. Sendo assim, defende fazer jus ao crédito, pois, à época  da emissão das notas, a empresa não seria optante do Simples.  Fl. 464DF CARF MF Processo nº 10880.914379/2006­26  Acórdão n.º 3002­000.671  S3­C0T2  Fl. 463            5 Sobre o assunto, assim se manifestou a DRJ:  No  que  se  refere  ao CNPJ  01.495.339/0001­79,  a manifestante  alega  que  a  empresa Welldone  Tornearia  de  Produção  Ltda  não  é  optante  do  SIMPLES,  pois  destacou o IPI nas notas  fiscais. Argumenta ainda ser  terceiro de boa fé e que não  pode ser penalizada por não ter investigado a condição de seu fornecedor.  No entanto, a pesquisa cadastral nos sistemas de controle da RFB revela que  Welldone Tornearia de Produção Ltda, CNPJ 01.495.339/0001­79, esteve sujeito ao  regime  tributário  do  SIMPLES  Federal,  instituído  pela  Lei  nº  9.317,  de  5  de  dezembro de 1996, no período de 01/01/1997 a 30/06/2007, ou seja, durante todo o  período  em  que  este  regime  esteve  vigente  no  Sistema  Tributário  Nacional.  Por  oportuno, esclareça­se que o SIMPLES Federal não é exatamente o mesmo regime  do SIMPLES Nacional. O SIMPLES Federal foi extinto em 2007, ocasião em que  foi substituído pelo SIMPLES Nacional, um regime mais amplo, instituído pela Lei  Complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006.  Na  hipótese  de  aquisições  de  matérias  primas,  produtos  intermediários  e  materiais  de  embalagem  à  vista  de  notas  fiscais  emitidas  por  estabelecimentos  optantes  pelo  SIMPLES,  não  há  o  direito  ao  crédito,  muito  menos  o  direito  ao  ressarcimento. Na verdade,  em aquisições dessa natureza,  não deve haver  imposto  destacado nas notas fiscais, pois, no âmbito do SIMPLES, o IPI é calculado segundo  um  percentual  aplicado  sobre  o  faturamento  da  empresa:  o  “crédito”  jamais  pode  transitar pela escrita fiscal, já que se trata de um regime de tributação simplificada,  tendo, inclusive, o IPI­Simples um código de receita específico.  Deflui da lei a vedação à apropriação pelas empresas  industriais adquirentes  do IPI calculado conforme a sistemática do SIMPLES Federal:  Lei nº 9.317, de 1996:  Art. 5º (...)  §  5°  A  inscrição  no  SIMPLES  veda,  para  a  microempresa  ou  empresa  de  pequeno porte,  a  utilização  ou  destinação de  qualquer  valor  a  título  de  incentivo  fiscal, bem assim a apropriação ou a transferência de créditos relativos ao IPI e ao  ICMS.  Ainda  que,  equivocadamente,  tenha  havido  destaque  do  IPI  na  nota  fiscal  emitida pela empresa optante pelo SIMPLES, não há direito ao crédito, sendo que a  referida parcela deve ser agregada ao custo das mercadorias.  Ressalte­se  que  a  culpa  do  agente  é  irrelevante  para  que  se  configure  descumprimento à  legislação  tributária, posto que a  responsabilidade pela  infração  tributária é objetiva, nos temos em que estabelece o art. 136 do CTN.  Portanto,  a  glosa motivada  em  face  da  empresa  emitente  da  nota  fiscal  ser  optante do SIMPLES é procedente e deve ser mantida.  Da  leitura  da  passagem  do  voto  acima  transcrita,  é  possível  constatar  a  improcedência do argumento da Recorrente, no que tange à nulidade da decisão recorrida, por  falta de fundamentação. Em sua decisão, a DRJ fundamentou exaustivamente a sua negativa de  provimento ao pleito do contribuinte, tendo esclarecido que a adesão da empresa emitente das  notas  fiscais,  à  época,  estava  relacionada  ao  SIMPLES  FEDERAL  e  não  ao  SIMPLES  NACIONAL. Em que pese não ter anexado aos autos comprovante de tal opção ao SIMPLES  Fl. 465DF CARF MF Processo nº 10880.914379/2006­26  Acórdão n.º 3002­000.671  S3­C0T2  Fl. 463,5            6 FEDERAL,  entendo  que  tal  fato  não  torna  nula  a  decisão  recorrida,  a  qual  encontra­se  suficientemente fundamentada.  Sendo assim, voto no sentido de negar provimento à preliminar de nulidade  suscitada.  2. Do mérito  Quanto  ao  mérito  da  presente  contenda,  inicia  o  Recorrente  a  sua  defesa  alegando,  quanto  às  notas  fiscais  emitidas  pela  Welldone  Ltda.,  que  esta  empresa  não  era  optante  do  SIMPLES  NACIONAL  à  época  dos  fatos  geradores  indicados  no  despacho  decisório e que, tendo havido o destaque do IPI na nota fiscal emitida, haveria de ser admitido  o  direito  creditório,  em  razão  do  princípio  da  não  cumulatividade. Destacou  que,  não  tendo  havido  qualquer  indicação  de  que  se  trataria  de ME/Microempresa,  seria  impossível  saber  a  natureza da empresa, razão pela qual deveriam ser respeitadas as notas fiscais que destacaram o  IPI,  porque  preenchem  todos  os  requisitos  formais  exigidos  pela  Lei.  Sustentou,  ainda,  a  aplicação da teoria da legalidade aparente dos negócios jurídicos, defendendo que não poderia  se imputar ao contratante a obrigação de reclamar a prova da qualidade da pessoa com a qual  contrata. Por fim, pugnou pela aplicação do art. 112 do CTN, no sentido de que a lei tributária  que define infrações deve ser interpretada de maneira mais favorável ao acusado.  Consoante  acima  narrado,  o  Recorrente  traz  em  seu  recurso  argumentos  já  trazidos  em  sua manifestação  de  inconformidade  apresentada,  no  sentido  de  que  a  empresa  emitente das notas fiscais em tela não seria optante do SIMPLES NACIONAL.  Verifica­se, contudo, que esta argumentação não se adequa ao caso concreto  aqui  analisado.  Ora,  extrai­se  do  despacho  decisório  (fl.  09)  que  este  deixou  de  homologar  parte da compensação pretendida sob o fundamento de que a empresa emitente da nota fiscal  seria optante do SIMPLES. Observe­se que em nenhum momento o despacho decisório indicou  que a razão seria de que a empresa fosse optante do SIMPLES NACIONAL.  E nem poderia ser diferente, visto que, como é cediço, embora o SIMPLES  tenha sido criado em 1996, através de MP convertida na Lei º 9.317/1996, este fora substituído  pelo SIMPLES NACIONAL tão somente em 2006, quando a referida lei foi revogada pela Lei  Complementar nº 123/06. Nesse contexto, como os créditos aqui analisados estão relacionados  à  notas  fiscais  emitidas  em 2003,  é  certo  que não  possui  qualquer  relação  com  o SIMPLES  NACIONAL, mas sim com o SIMPLES vigente à época.  Tanto  que  a  DRJ,  ao  julgar  o  caso,  fez  uma  pertinente  distinção  entre  os  referidos  sistemas,  tendo  esclarecido  que  a  razão  para  a  não  homologação  de  parte  da  compensação estava relacionada ao fato de a fornecedora ser optante do SIMPLES FEDERAL,  que não se confunde com o SIMPLES NACIONAL.   Superado  este  argumento  inicial  de  que  a  empresa  não  seria  optante  do  SIMPLES NACIONAL, segue dispondo que, ainda que fosse optante do regime diferenciado  em questão,  a emitente das notas  fiscais poderia  ter ultrapassado o  limite da  receita auferida  para o período. Sendo  assim, defende que, para  fins de  avaliação da  regularidade do  crédito  também  seria  necessário  verificar  se  a  emitente  da  nota  permaneceu  no  regime  tributário  diferenciado,  pois,  caso  tenha  ultrapassado  o  limite,  poderia  ter  destacado  o  IPI  nas  notas  fiscais exatamente porque não fazia mais jus ao regime simplificado de tributação.  Fl. 466DF CARF MF Processo nº 10880.914379/2006­26  Acórdão n.º 3002­000.671  S3­C0T2  Fl. 464            7 Em  sua  defesa,  traz,  então,  em  seu Recurso Voluntário  decisão  da DRJ de  Juiz de Fora, com o seguinte teor (decisão esta mantida pelo CARF por meio do Acórdão nº  3102­002364):    Ou  seja,  trouxe  o  Recorrente  argumentação  relacionada  a  uma  situação  hipotética, sem qualquer tipo de comprovação de que esta foi de fato a situação aqui analisada.  Como  é  cediço,  nos  casos  de  pedidos  de  compensação,  o  ônus  da  prova  quanto  ao  direito  creditório  é  do  contribuinte,  o  qual  deverá  trazer  aos  autos  elementos  suficientes  à  comprovação  do  seu  direito  creditório.  No  caso  vertente,  em  que  pese  os  argumentos trazidos aos autos pelo Recorrente em sua manifestação de inconformidade e em  seu Recurso Voluntário, verifica­se que este não se desincumbiu deste ônus no caso concreto  ora  analisado,  visto  que  não  comprovou  que  a  empresa  não  era  optante  do  SIMPLES  FEDERAL à época da emissão das notas fiscais em referência.  É válido  registrar, outrossim, que o entendimento acima exposto não está a  invalidar por completo a teoria da legalidade aparente dos negócios jurídicos, sustentada pelo  Recorrente.  Tal  teoria  apresenta­se  válida  para  determinados  fins,  tal  qual  o  de  defender  os  interesses do Recorrente no âmbito cível perante a empresa emitente das notas fiscais. Não se  presta,  contudo,  para  fins  de  afastar  a  exigência  fiscal  relacionada  à  insuficiência  do  recolhimento  de  tributo  decorrente do  usufruto  de  direito  creditório  que  não  possui  respaldo  legal, tal qual se verificou na presente contenda.  Em  outras  palavras,  a  referida  teoria  não  poderia  impedir  a  exigência  do  imposto efetivamente devido. Até porque, nos termos do que dispõe o parágrafo único do art.  142  do  CTN,  o  ato  de  lançar  é  um  ato  administrativo  plenamente  vinculado,  em  que  a  fiscalização  não  possui  qualquer  margem  de  liberdade  de  decisão.  É  o  que  se  extrai  da  transcrição a seguir:  Fl. 467DF CARF MF Processo nº 10880.914379/2006­26  Acórdão n.º 3002­000.671  S3­C0T2  Fl. 464,5            8 Art.  142.  Compete  privativamente  à  autoridade  administrativa  constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido  o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência  do  fato  gerador  da  obrigação  correspondente,  determinar  a  matéria  tributável,  calcular  o  montante  do  tributo  devido,  identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da  penalidade cabível.  Parágrafo  único.  A  atividade  administrativa  de  lançamento  é  vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional.  Nesse  contexto,  diante  da  informação  de  que  o  emitente  da  nota  fiscal  em  referência  era  optante  do  SIMPLES,  não  há  como  se  admitir  o  direito  ao  creditamento  pleiteado,  em  razão  de  expressa  vedação  legal  prevista  no  parágrafo  5º  do  art.  5º  da  Lei  nº  9.317/1996, vigente à época dos fatos, in verbis:   §  5°  A  inscrição  no  SIMPLES  veda,  para  a  microempresa  ou  empresa  de  pequeno  porte,  a  utilização  ou  destinação  de  qualquer  valor  a  título  de  incentivo  fiscal,  bem  assim  a  apropriação ou a transferência de créditos relativos ao IPI e ao  ICMS.  Por  outro  lado,  verifica­se  que  o  art.  112  do  CTN,  ao  contrário  do  que  defende o Recorrente, não socorre a sua pretensão, visto que é aplicável tão somente aos casos  de  aplicação de penalidades,  quando a presente  demanda versa  sobre a  não homologação de  compensação apresentada, ocasionando, portanto, a exigência do tributo devido. Para que não  reste  qualquer  dúvida  quanto  ao  que  aqui  se  expõe,  transcrevo  o  conteúdo  do  referido  dispositivo legal:  Art.  112.  A  lei  tributária  que  define  infrações,  ou  lhe  comina  penalidades,  interpreta­se  da  maneira  mais  favorável  ao  acusado, em caso de dúvida quanto:  I ­ à capitulação legal do fato;  II  ­  à  natureza  ou  às  circunstâncias  materiais  do  fato,  ou  à  natureza ou extensão dos seus efeitos;  III ­ à autoria, imputabilidade, ou punibilidade;  IV ­ à natureza da penalidade aplicável, ou à sua graduação  Quanto  às  decisões  do  CARF  trazidas  pelo  Recorrente  em  seu  recurso  voluntário  à  fl.  425  dos  autos,  entendo  que  estas  não  são  aplicáveis  ao  caso  concreto  em  questão, visto que se limitam a dispor que o direito ao aproveitamento do crédito do IPI está  condicionado ao destaque do IPI nas notas fiscais. Ora, a existência desta condição para fins de  aproveitamento  do  crédito  não  possui  o  condão  de  impedir  a  glosa  do  crédito  quando  a  informação aposta na nota fiscal não condiz com a realidade fática analisada.   Nesse  mesmo  sentido  vem  decidindo  este  Conselho  Administrativo  de  Recursos Fiscais, a exemplo das decisões a seguir colacionadas:  Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados ­ IPI  Período de apuração: 01/04/2003 a 30/04/2003  Fl. 468DF CARF MF Processo nº 10880.914379/2006­26  Acórdão n.º 3002­000.671  S3­C0T2  Fl. 465            9 DIREITO CREDITÓRIO. PROVAS. DILIGÊNCIA. ANÁLISE.  Tendo a fiscalização verificado na diligência que os documentos  apresentados  pela  contribuinte  eram  suficientes  para  a  comprovação  parcial  do  crédito  alegado,  impõe­se  o  seu  reconhecimento nessa medida.  IPI.  CRÉDITOS.  FORNECEDORES.  OPTANTES  PELO  SIMPLES. IMPOSSIBILIDADE.  Em  face  de  determinação  expressa  na  lei,  é  vedado  o  creditamento do IPI sobre aquisições de empresas optantes pelo  SIMPLES.  Recurso Voluntário provido em parte. (Acórdão nº 3402­003.182  de 21/07/2016). (Grifos apostos).  ***  Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados ­ IPI  Período de apuração: 01/01/2003 a 31/03/2003  IPI.  CRÉDITOS.  FORNECEDORES  OPTANTES  PELO  SIMPLES.  A  legislação  em  vigor  não  permite  o  creditamento  do  IPI  calculado pelo contribuinte sobre aquisições de estabelecimento  optantes pelo SIMPLES.  Recurso  voluntário  negado  (Acórdão  nº  3202­001.592  de  18/03/2015). (Grifos apostos).  Diante do  acima  exposto,  voto no  sentido de negar provimento  ao Recurso  Voluntário interposto pelo Recorrente neste ponto.  3. Da conclusão  Com  fulcro  nas  razões  supra  expedidas,  voto  no  sentido  de  rejeitar  a  preliminar  apresentada  e,  no mérito,  em negar  provimento  ao Recurso Voluntário  interposto  pelo contribuinte no presente caso.   É como voto.  (assinado digitalmente)  Maria Eduarda Alencar Câmara Simões ­ Relatora                           Fl. 469DF CARF MF

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Numero do processo: 10580.727506/2012-81
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 23 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri May 10 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2009 IMPUGNAÇÃO INTEMPESTIVA. NÃO CONHECIMENTO. Não será conhecida a Impugnação apresentada após o prazo de trinta dias contados da data de ciência do lançamento.
Numero da decisão: 2002-000.968
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente (assinado digitalmente) Mônica Renata Mello Fereira Stoll - Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Mônica Renata Mello Fereira Stoll, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil.
Nome do relator: MONICA RENATA MELLO FERREIRA STOLL

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2002­000.968  –  Turma Extraordinária / 2ª Turma   Sessão de  23 de abril de 2019  Matéria  IRPF ­ DEDUÇÃO INDEVIDA DE DESPESAS MÉDICAS  Recorrente  ANA LUCIA PESSOA  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA ­ IRPF  Exercício: 2009  IMPUGNAÇÃO INTEMPESTIVA. NÃO CONHECIMENTO.  Não  será  conhecida  a  Impugnação  apresentada  após  o  prazo  de  trinta  dias  contados da data de ciência do lançamento.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  Colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  negar  provimento ao Recurso Voluntário.   (assinado digitalmente)  Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez ­ Presidente  (assinado digitalmente)  Mônica Renata Mello Fereira Stoll ­ Relatora  Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira  Passos da Costa Develly Montez, Mônica Renata Mello Fereira Stoll, Thiago Duca Amoni e  Virgílio Cansino Gil.  Relatório  Trata­se  de  Notificação  de  Lançamento  (e­fls.  39/43)  lavrada  em  nome  do  sujeito passivo acima  identificado, decorrente de procedimento de revisão de  sua Declaração  de  Ajuste  Anual  Retificadora  do  exercício  2009  (e­fls.  13/18),  onde  se  apurou:  Dedução  Indevida de Despesas Médicas.     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 75 06 /2 01 2- 81 Fl. 110DF CARF MF Processo nº 10580.727506/2012­81  Acórdão n.º 2002­000.968  S2­C0T2  Fl. 111          2 A contribuinte apresentou  Impugnação (e­fls. 02/03), cujas alegações foram  sintetizadas no relatório do acórdão recorrido (e­fls. 78):  A ciência do Lançamento ocorreu em 10/03/2012, por Edital (fls.  46/66)  e  a  contribuinte  apresentou  sua  impugnação  em  19/06/2012  (fls.  02/03),  acompanhada  de  documentação,  alegando, em síntese, que só tomou conhecimento do débito com  a  carta­cobrança.  Procurando  a  Receita  ficou  sabendo  da  existência  da  Notificação,  a  qual  não  foi  recebida,  tendo  sido  devolvida conforme consulta interna. Solicita a consideração de  sua impugnação e apresenta os documentos que comprovam que  está em dia com suas obrigações tributárias.  A  Impugnação  não  foi  conhecida  pela  3ª  Turma  da  DRJ/BSB  conforme  decisão assim ementada (e­fls. 76/81):  ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA ­  IRPF  Exercício: 2009  Ementa:  IMPUGNAÇÃO. INTEMPESTIVIDADE.  Considera­se  intempestiva  a  impugnação  apresentada  após  o  decurso do prazo de trinta dias a contar da data em que foi feita  a intimação da exigência, não havendo a faculdade, portanto, de  instaurar a fase litigiosa do procedimento fiscal.  Cientificada do acórdão de primeira  instância  em 16/10/2015  (e­fls. 102),  a  interessada  ingressou  com  Recurso  Voluntário  em  11/11/2015  (e­fls.  85/87)  com  os  argumentos a seguir sintetizados.  ­ Alega  que  tomou  conhecimento  do  débito  de  IRPF  2008/2009  através  de  uma  carta  cobrança  e,  ao  se  dirigir  à  Receita  Federal,  ficou  sabendo  da  existência  da  Notificação de Lançamento.  ­ Sustenta que mudou de endereço em agosto de 2011 e que essa alteração foi  informada na sua declaração do IRPF 2011/2012 transmitida em 14/04/2012.   ­ Expõe que, mesmo tomando conhecimento da existência de débito após o  dia  10/04/2012,  prazo  dado  pela  RFB  para  a  apresentação  de  sua  defesa,  ingressou  com  impugnação  acompanhada  de  todos  os  comprovantes  das  despesas médicas  contidas  em  sua  declaração do IRPF 2008/2009, demonstrando estar em dia com suas obrigações tributárias.  ­ Relaciona os documentos comprobatórios anexados ao Recurso.    Voto             Conselheira Mônica Renata Mello Ferreira Stoll  Fl. 111DF CARF MF Processo nº 10580.727506/2012­81  Acórdão n.º 2002­000.968  S2­C0T2  Fl. 112          3 O Recurso Voluntário é tempestivo e reúne os requisitos de admissibilidade,  portanto, dele tomo conhecimento.  Do exame dos autos verifica­se que a Notificação foi postada em 26/08/2011  e  devolvida  pelos  Correios  em  31/08/2011  (e­fls.  45),  motivo  pelo  qual  a  ciência  do  lançamento foi realizada através do Edital nº 00007/2012 (e­fls. 46/66), nos termos do art. 23,  §1º,  do  Decreto  70.235/72.  Cabe  mencionar  que,  de  acordo  com  a  decisão  recorrida,  a  correspondência  foi  devidamente  encaminhada  para  o  endereço  do  domicílio  da  contribuinte  constante do cadastro da RFB, conforme determina o art. 23,  II e §4º, do mesmo Decreto. A  recorrente  ratifica  essa  informação,  uma vez  que  afirma  ter  se mudado  em  2011 mas  só  ter  comunicado  essa  alteração  através  de  sua  declaração  do  exercício  2012  transmitida  em  14/04/2012, posteriormente ao envio da Notificação de Lançamento.  Dessa  forma,  conclui­se  que  a  ciência  do  lançamento  foi  devidamente  realizada, sendo válida, portanto, para a contagem do prazo para apresentação de Impugnação.   Segundo  o  art.  15  do  Decreto  70.235/72,  o  prazo  a  apresentação  de  Impugnação é de 30 dias contados da data em que for feita a intimação da exigência, ou seja,  da data do recebimento da Notificação de Lançamento. Por outro lado, extrai­se do seu art. 5º  que  os  prazos  são  contínuos  e  devem  começar  e  terminar  em  dias  úteis,  excluindo­se  da  contagem o dia do início e incluindo­se o dia do vencimento.  Sendo  assim,  uma vez  que  a  ciência  do  lançamento  se deu  por Edital  com  data de vencimento para apresentação de Impugnação em 11/04/2012 (e­fls. 46) e que esta só  foi  protocolada  em  19/06/2012  (e­fls.  02),  não  resta  dúvida  sobre  a  intempestividade  da  mesma.   Importa  observar  que  o  atendimento  da  preliminar  de  tempestividade  é  pressuposto necessário para que se instaure o contencioso administrativo e, conseqüentemente,  sejam analisadas as questões relativas ao mérito do processo, independentemente das razões de  cunho pessoal trazidas pela recorrente.   Por  todo o exposto, voto por conhecer do Recurso Voluntário e, no mérito,  negar­lhe provimento.    (assinado digitalmente)  Mônica Renata Mello Fereira Stoll                               Fl. 112DF CARF MF

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Numero do processo: 13017.720285/2014-75
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 12 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon May 13 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2013 NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. INOCORRÊNCIA. Não há que se falar em nulidade quando a autoridade fiscalizadora indicou expressamente as infrações imputadas ao sujeito passivo e observou todos os demais requisitos constantes do art. 10 do Decreto 70.235/72, reputadas ausentes as causas previstas no art. 59 do mesmo diploma. DEDUÇÃO INDEVIDA DE PENSÃO ALIMENTÍCIA. CÔNJUGES VIVENDO SOB O MESMO TETO. DEVER DE ASSISTÊNCIA PRESTADO. REGULAR MANUTENÇÃO DA FAMÍLIA São dedutíveis na Declaração de Imposto de Renda os pagamentos efetuados a título de pensão alimentícia, quando em cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente, nos termos do art. 8º, II, f, da Lei nº. 9.250/95. A oferta de alimentos à ex-esposa, a qual convive com o contribuinte sob o mesmo teto (não havendo separação de corpos do casal, portanto) e, sendo a alimentada detentora de patrimônio, não se ajusta à hipótese de dedutibilidade prevista na legislação.
Numero da decisão: 2202-004.930
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, vencidos os conselheiros Ludmila Mara Monteiro de Oliveira (relatora) e Virgílio Cansino Gil. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Martin da Silva Gesto. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson - Presidente (assinado digitalmente) Ludmila Mara Monteiro de Oliveira - Relatora (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto - Redator designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Leonam Rocha de Medeiros, Marcelo de Sousa Sáteles, Martin da Silva Gesto, Ricardo Chiavegatto de Lima, Rorildo Barbosa Correia, Ronnie Soares Anderson e Virgílio Cansino Gil (Suplente Convocado). Ausente a conselheira Andréa de Moraes Chieregatto.
Nome do relator: LUDMILA MARA MONTEIRO DE OLIVEIRA

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2202­004.930  –  2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária   Sessão de  12 de fevereiro de 2019  Matéria  IMPOSTO SOBRE A RENDA DA PESSOA FÍSICA   Recorrente  JOSÉ ARNILDO BORTOLAN   Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA ­ IRPF  Exercício: 2013  NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. INOCORRÊNCIA.  Não há que  se  falar  em nulidade quando  a  autoridade  fiscalizadora  indicou  expressamente as infrações imputadas ao sujeito passivo e observou todos os  demais  requisitos  constantes  do  art.  10  do  Decreto  70.235/72,  reputadas  ausentes as causas previstas no art. 59 do mesmo diploma.   DEDUÇÃO  INDEVIDA  DE  PENSÃO  ALIMENTÍCIA.  CÔNJUGES  VIVENDO  SOB  O  MESMO  TETO.  DEVER  DE  ASSISTÊNCIA  PRESTADO. REGULAR MANUTENÇÃO DA FAMÍLIA  São dedutíveis na Declaração de Imposto de Renda os pagamentos efetuados  a título de pensão alimentícia, quando em cumprimento de decisão judicial ou  acordo  homologado  judicialmente,  nos  termos  do  art.  8º,  II,  f,  da  Lei  nº.  9.250/95.   A oferta de alimentos à ex­esposa, a qual convive com o contribuinte sob o  mesmo teto (não havendo separação de corpos do casal, portanto) e, sendo a  alimentada  detentora  de  patrimônio,  não  se  ajusta  à  hipótese  de  dedutibilidade prevista na legislação.      Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  maioria  de  votos,  em  negar  provimento ao recurso, vencidos os conselheiros Ludmila Mara Monteiro de Oliveira (relatora)  e Virgílio Cansino Gil. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Martin da Silva  Gesto.  (assinado digitalmente)  Ronnie Soares Anderson ­ Presidente  (assinado digitalmente)     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 01 7. 72 02 85 /2 01 4- 75 Fl. 95DF CARF MF Processo nº 13017.720285/2014­75  Acórdão n.º 2202­004.930  S2­C2T2  Fl. 96          2 Ludmila Mara Monteiro de Oliveira ­ Relatora  (assinado digitalmente)  Martin da Silva Gesto ­ Redator designado  Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros  Ludmila  Mara  Monteiro de Oliveira, Leonam Rocha de Medeiros, Marcelo de Sousa Sáteles, Martin da Silva  Gesto,  Ricardo  Chiavegatto  de  Lima,  Rorildo  Barbosa  Correia,  Ronnie  Soares  Anderson  e  Virgílio  Cansino  Gil  (Suplente  Convocado).  Ausente  a  conselheira  Andréa  de  Moraes  Chieregatto.   Relatório  Trata­se de recurso voluntário interposto por JOSÉ ARNILDO BORTOLAN  contra acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro  (RJ) ­ DRJ/BHE, que rejeitou a impugnação apresentada para manter a cobrança tributária por  dedução indevida de pensão alimentícia e/ou por escritura pública – “vide” descrição dos fatos  e enquadramento legal às f. 7.   Transcrevo,  no  que  importa,  trechos  do  retromencionado,  para  melhor  compreensão da controvérsia devolvida a esta instância revisora:  “Glosa  do  valor  de  R$107.834,97,  indevidamente  deduzido  a  título de Pensão Alimentícia Judicial e/ou por Escritura Pública,  por  falta  de  comprovação,  ou  por  falta  de  previsão  legal  para  sua dedução.” (fl. 07)   (...)  [O]  interessado,  em  sua  impugnação  (fl.  04)  afirmou  com  relação  a  separação  e  a  doença  de  sua  ex­cônjuge:  (...)  “[a]o  tomar conhecimento, obviamente, fiquei abalado; afinal, foi uma  vida em comum; desentendimentos e separação não me retiram a  preocupação  com  a  saúde  e  bem  estar  da  ex­esposa,  mãe  de  meus filhos. Tentei retornar imediatamente, mas, em decorrência  de bloqueio do tráfego aéreo na Europa, ocasionado por cinzas  vulcânicas, somente consegui retornar no final do mês de abril.  E)  Por  pedido  dos  filhos,  que  não  queriam  deixar  a  genitora  sozinha, interrompi o novo relacionamento, e voltei a co­habitar  com  a  ex­cônjuge;  assim  estando  presente  enquanto  entender  necessário, com o que ela, afinal, concordou”.    (...)  Face  ao  exposto,  restou  clara  a  vontade  do  contribuinte  de  continuar a residir com sua ex­cônjuge mantendo todo o suporte  afetivo e  financeiro, com respeito e assistência mútua,  face aos  quase 50 anos de união existente entre ambos.  Com base na  legislação acima exposta  [art. 4º da Lei 9.250/95  c/c arts. 1.575 e 1.576, ambos do CC/02], bem como pelo contido  na  impugnação  em  análise,  restou  comprovado  que  o  contribuinte  e  sua  ex­cônjuge  residem  no mesmo  endereço,  ou  seja não ocorreu a separação de corpos, tendo ocorrido somente  a  separação  dos  bens.  Que  ambos  sobrevivem  com  a  mesma  renda originária do contribuinte e como ambos residem  juntos,  não  há  como  considerar  os  alegados  repasses  como  sendo  Fl. 96DF CARF MF Processo nº 13017.720285/2014­75  Acórdão n.º 2202­004.930  S2­C2T2  Fl. 97          3 Pensão para efeitos  tributários pretendidos, como bem apontou  a  Autoridade  Lançadora  na  Notificação  de  Lançamento  em  análise. Logo, assiste razão à Fiscalização ao glosar a Dedução  a  título  de  Pensão  Alimentícia  Judicial  e/ou  por  Escritura  Pública (f. 72­74; sublinhas deste voto).  Intimado  do  acórdão,  o  recorrente  apresentou,  em  03/03/2017,  recurso  voluntário (f. 86­93), alegando, preliminarmente, a nulidade do lançamento, ao argumento que  o embasamento  legal não se coadunaria com a situação fática. Quanto ao mérito, afirma, em  apertadíssima  síntese,  inexistir  qualquer  dispositivo  que  vede  a  coabitação  entre  separados.  Narra que repassa mensalmente a importância estipulada à ex­cônjuge, motivo pelo qual pode  deduzir esse valor do imposto a pagar, em conformidade com o art. 4º da Lei 9.250/95.   É o relatório.  Voto Vencido  Conselheira Ludmila Mara Monteiro de Oliveira ­ Relatora  Conheço do recurso, presentes os pressupostos de admissibilidade.     Preliminar   O recorrente, em suas razões, afirma que o lançamento  (...)  não  foi  efetuado  com  o  devido  embasamento  legal,  ou  melhor, o embasamento legal não se coaduna com a situação de  fato  existente.  (...)  Logo,  o  embasamento  legal  para  o  lançamento  está  equivocado,  devendo,  portanto,  o mesmo  (sic)  ser anulado (f. 87 e 89, passim).    Em  primeiro  lugar,  o  recorrente  se  furta  a  apontar,  de  forma  concreta,  de  qual nulidade padeceria o auto de infração. Falhou, portanto, em demonstrar que o lançamento  foi feito ao arrepio dos requisitos incrustados no art. 10 do Decreto nº 70.235/72 ou que tenha  ocorrido quaisquer das causas de nulidade prevista no art. 59 daquele mesmo diploma.  Rejeito, com essas considerações, a preliminar suscitada.   Mérito   Cinge­se  a  controvérsia  na  (im)possibilidade  de  abater  do  IRPF  os  valores  pagos a título de pensão alimentícia quando, apesar de separados, permanecem os ex­cônjuges  em coabitação.   Registro  ainda,  antes  de  adentrar  ao  cerne  da  questão,  que  tanto  o  fato  de  estarem  separados  quanto  a  efetividade  do  pagamento  não  foram  questionados. Confira­se  a  sintética descrição dos fatos ultimada pela autoridade fazendária (f. 7):  Conforme  consta  nas  DAAs  apresentadas  pelo  contribuinte  e  pela alimentanda, ambos residem no mesmo endereço, apesar de  serem  proprietários  de  inúmeros  imóveis.  Na  escritura  de  separação  consensual  foi  fixada  uma  pensão  à  separanda  no  percentual  de  50%,  sendo  que  ela,  como  portadora  de  cardiopatia  grave,  conforme  laudo  pericial  apresentado,  teria  direito  à  isenção  do  imposto  de  renda  sobre  tal  montante.  Fl. 97DF CARF MF Processo nº 13017.720285/2014­75  Acórdão n.º 2202­004.930  S2­C2T2  Fl. 98          4 Escritura de Separação e laudo pericial para fins de isenção por  moléstia  grave  ocorreram  no  mesmo  ano  (2010).  À  época,  residiam em Sarandi, mudando­se posteriormente para Canela.  Ocorre que o objetivo da prestação de alimentos é propiciar ao  outro  cônjuge  a  quantia  necessária  à  sua  manutenção.  Como  ambos  residem  juntos,  não  há  como  considerar  os  alegados  repasses  como  sendo  pensão  para  os  efeitos  tributários  pretendidos.  É  que  ambos  sobrevivem  com  a  mesma  renda  originária  do  Sr.  José  Arnildo  Bortolan,  que  não  faz  jus  a  isenção de IR.   Entendeu a fiscalização que a dedução ocorreu ao arrepio da al. “f” do inc. II  do art. 8º da Lei nº 9.250/1995, que autoriza a dedução da base de cálculo do IRPF das  (...)  importâncias  pagas  a  título  de  pensão  alimentícia  em  face  das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de  decisão judicial, inclusive a prestação de alimentos provisionais,  de acordo homologado judicialmente, ou de escritura pública a  que se refere o art. 1.124­A da Lei no 5.869, de 11 de janeiro de  1973 ­ Código de Processo Civil (Sublinhas deste voto).   Com base nos arts. 1.575 e 1.576, ambos do CC/02, entendeu a DRJ que a  glosa deveria ser mantida, eis que a sentença de separação judicial implicaria na separação de  corpos  e  partilha  de  bens,  além  de  colocar  termo  aos  deveres  de  coabitação  e  fidelidade  recíproca e ao regime de bens. Contudo, não vislumbro qualquer óbice nas normas do Direito  de Família para a coabitação de cônjuges separados.   Há alguns anos, o exc. Supremo Tribunal Federal foi instado a se manifestar  sobre  a  constitucionalidade  da  exigência  de  ausência  de  coabitação  para  transformar  a  separação judicial em divórcio. Por carência de repercussão geral, o tema de nº 560 (Ausência  de coabitação dos cônjuges  como prova da  separação de  fato – RE nº 633981)  foi  recusado,  mas no relatório fica implicitamente demonstrada a possibilidade de “(...) cônjuges resid[irem]  sob o mesmo teto e est[arem] separados de fato” (f. 4).   Ao  tratar das  causas que  ensejariam  a exoneração do dever de arcar  com a  prestação  alimentar,  estipulada quando da  separação  consensual,  o  col.  Superior Tribunal  de  Justiça asseverou que   (...) somente se mostra possível em uma das seguintes situações:  a)  convolação de  novas  núpcias  ou  estabelecimento  de  relação  concubinária pelo ex­cônjuge pensionado, não se caracterizando  como  tal  o  simples  envolvimento  afetivo,  mesmo  abrangendo  relações  sexuais;  b)  adoção  de  comportamento  indigno;  c)  alteração das condições econômicas dos ex­cônjuges em relação  às  existentes  ao  tempo  da  dissolução  da  sociedade  conjugal  (STJ.  REsp  nº  111.476/MG,  Rel.  MIN.  SALVIO  DE  FIGUEIREDO  TEIXEIRA,  QUARTA  TURMA,  julgado  em  25/03/1999, DJ 10/05/1999, p. 177).    Ademais, como o caso em tela não se trata de separação judicial, nos termos  da al. “f” do inc. II do art. 8º da Lei nº 9.250/1995, bastaria, a meu aviso, a apresentação “de  escritura  pública  a  que  se  refere  o art.  1.124­A  da  Lei  no 5.869,  de  11  de  janeiro  de  1973 ­  Código  de  Processo  Civil”  para  o  processamento  da  dedução  na  base  de  cálculo  do  IRPF.  Transcrevo  a  cláusula  nona  da  Escritura  Pública  de  separação  consensual  com  partilha  amigável de bens, firmada em 04 de fevereiro de 2010, que, apesar de não ter sido acostada aos  Fl. 98DF CARF MF Processo nº 13017.720285/2014­75  Acórdão n.º 2202­004.930  S2­C2T2  Fl. 99          5 autos,  costa  dos  processos  administrativos  de  nos  13017.720123/2016­07  e  13017.720124/2016­43:  O  primeiro  outorgante  e  reciprocamente  outorgado,  JOSÉ  ARNILDO BORTOLAN, a título de pensão alimentícia vitalícia,  desde  já  autoriza  a Caixa  de Previdência  dos Funcionários  do  Banco  do  Brasil,  a  pagar  em  favor  da  segunda  outorgante  e  reciprocamente  outorgada,  MARLI  TEREZINHA  IOPPI  BORTOLAN,  cinquenta  por  cento  (50%)  de  seus  rendimentos  brutos recebidos mensalmente (...) – sublinhas desta decisão.   Este Conselho já se debruçou sobre matéria idêntica a ora tratada:  IMPOSTO  SOBRE  A  RENDA  DE  PESSOA  FÍSICA  IRPF.  DEDUÇÃO DE PENSÃO ALIMENTÍCIA JUDICIAL E/OU POR  ESCRITURA PÚBLICA. COABITAÇÃO.  O  valor  pago  a  título  de  Pensão  Alimentícia,  decorrente  de  fixação por escritura pública, pode ser dedutível para efeito de  apuração  da  base  de  cálculo  do  imposto  de  renda.  A  continuidade  da  coabitação  não  impede  o  direito  à  dedução  (CARF.  Processo  nº  10166.725012/201768,  Acórdão  nº  2002000.250 – Turma Extraordinária / 2ª Turma, Sessão de 26 de  julho de 2018; sublinhas desta decisão).   Sendo  inquestionável  a  separação,  bem  como  o  pagamento  da  pensão  alimentícia, não se pode proceder à glosa da dedução ante a mera constatação de coabitação.  Registro, por derradeiro, ser cônscia de que, em certos casos, a separação é levada a cabo com  a  finalidade  de  deduzir  da  base  de  cálculo  do  imposto  os  valores  pagos  a  título  de  pensão  alimentícia. Entretanto, para que o ato fosse desconsiderado, deveria a autoridade fiscalizadora  trazido  elementos  robustos  para  efetuar  a  glosa.  Ao meu  aviso,  o  fato  de  não  ter  cessado  a  coabitação não se mostra suficiente, mormente considerando­se a idade avançada do recorrente  e sua ex­cônjuge que, conforme relatado, padece de suposta moléstia cardiopática.   Ante o exposto, dou provimento ao recurso.   (assinado digitalmente)  Ludmila Mara Monteiro de Oliveira ­ Relatora  Voto Vencedor  Conselheiro Martin da Silva Gesto, Redator designado.  Peço vênia à ilustre Relatora a divergir em parte com seu voto, porém ocorre  que meu entendimento é contrário ao seu em relação as dedução de pensão alimentícia judicial.   Conforme  relatado  pela  Conselheira  relatora,  restou  comprovado  que  o  contribuinte e sua ex­cônjuge residem no mesmo endereço, ou seja não ocorreu a separação de  corpos, tendo ocorrido somente a separação dos bens.   Cabe  salientar  o  constante  dos  artigos  1.575  e  1.576  da  Lei  nº  10.406  de  16/02/2002 (Código Civil) abaixo transcrito:  Art.  1.575.  A  sentença  de  separação  judicial  importa  a  separação de corpos e partilha de bens.  Fl. 99DF CARF MF Processo nº 13017.720285/2014­75  Acórdão n.º 2202­004.930  S2­C2T2  Fl. 100          6 Parágrafo  único.  A  partilha  de  bens  poderá  ser  feita mediante  proposta  do  cônjuges  e  homologada  pelo  juiz  ou  por  este  decidida.  Art.  1.576.  A  separação  judicial  põe  termo  aos  deveres  de  coabitação e fidelidade recíproca e ao regime de bens.  Parágrafo único. O procedimento  judicial da separação caberá  somente  aos  cônjuges,  e,  no  caso  de  incapacidade,  serão  representados pelo curador, pelo ascendente ou pelo irmão.  (grifou­se)  Portanto, nos caso dos autos, verifica­se que inexistindo separação de corpos,  contribuinte  e  sua  ex­cônjuge  sobrevivem  com  a  mesma  renda  originária  do  contribuinte.  Assim,  não  há  como  considerar  os  alegados  repasses  como  sendo  pensão  para  efeitos  tributários  pretendidos,  como  bem  apontou  a  Autoridade  Lançadora  na  Notificação  de  Lançamento  em  análise.  Logo,  assiste  razão  à  Fiscalização  ao  glosar  a  Dedução  a  título  de  Pensão Alimentícia Judicial e/ou por Escritura Pública.  Ainda, importante apontar a jurisprudência em casos semelhantes ao ora em  análise, cujas ementas já integraram o acórdão recorrido:   “APELAÇÃO  CÍVEL.  ACORDO  DE  ALIMENTOS.  PRETENSÃO  DE  HOMOLOGAÇÃO  JUDICIAL.  CÔNJUGES  VIVENDO SOB O MESMO TETO. DEVER DE ASSISTÊNCIA  PRESTADO. REGULAR MANUTENÇÃO DA FAMÍLIA.   A convivência harmoniosa da família, sob o mesmo teto, com a  regular  prestação  do  dever  de  assistência  e  de  sustento,  desautoriza  a  homologação  de  acordo  de  alimentos,  máxime  quando as circunstâncias narradas levam à conclusão de que,  antes  de  qualquer  outra  pretensão,  visa­se  à  obtenção  de  descontos  de  tributação  na  fonte  pagadora  do  cônjuge  varão,  com  evidente  prejuízo  ao  erário  (APC  20040110640184,  Relatora  Desa.  Carmelita  Brasil,  2ª  Turma  Cível,  julgado  em  14/11/2005, DJ 24/01/2006, pág. 93).”   (grifou­se)  “CIVIL.  ACORDO  DE  ALIMENTOS.  HOMOLOGAÇÃO.  IMPOSTO DE RENDA. RECURSO IMPROVIDO.   1. Restando patenteado nos autos que o objetivo da alimentante  se  reveste  do  nítido  desejo  de  benefício  tributário,  não  deve  o  Judiciário homologar acordo de alimentos.   2. As acordantes  informam que a filha cuida há vários anos da  mãe,  com  quem  gasta  quase  metade  de  seus  rendimentos.  Tal  fato,  mesmo  que  verídico,  não  enseja  isenção  do  Imposto  de  Renda,  mas,  tão­somente,  as  reduções  asseguradas  a  todos  os  contribuintes.   3. Recurso conhecido e improvido.   (20050110996055APC,  Relator  SANDOVAL  OLIVEIRA,  4ª  Turma  Cível,  julgado  em  22/11/2006,  DJ  17/04/2007,  pág.  124)”.   (grifou­se)  Fl. 100DF CARF MF Processo nº 13017.720285/2014­75  Acórdão n.º 2202­004.930  S2­C2T2  Fl. 101          7 “APELAÇÃO  CÍVEL.  ACORDO  DE  ALIMENTOS.  PRETENSÃO DE HOMOLOGAÇÃO JUDICIAL. PAI E FILHA  QUE  VIVEM  SOB  O  MESMO  TETO.  INTENÇÃO  DE  REGULARIZAÇÃO  DA  CONTRIBUIÇÃO  MENSAL  VOLUNTARIAMENTE  DEFERIDA  POR  MEIO  DE  DESCONTO EM FOLHA DE PAGAMENTO PARA OBTENÇÃO  DE DESCONTO NO IMPOSTO DE RENDA. HOMOLOGAÇÃO  NEGADA.   Não  se  vislumbrando  as  necessidades  do  alimentando,  cuja  filha,  voluntariamente,  paga  alimentos  ao  pai,  que  com  ela  reside  sob  o  mesmo  teto,  mas  tão­somente  a  obtenção  de  descontos  de  tributação  na  fonte  pagadora,  com  evidente  prejuízo  ao  erário,  indefere­se  o  pedido  homologatório  do  acordo  de  alimentos.  (20060111308808APC,  Relator  CARMELITA BRASIL, 2ª Turma Cível,  julgado em 18/07/2007,  DJ 14/08/2007, pág. 101)”   (grifou­se)  “DIREITO  CIVIL.  EX­CÔNJUGES.  ACORDO  DE  ALIMENTOS. IMPOSTO DE RENDA. IMPOSSIBILIDADE.   1. É firme a jurisprudência no sentido de que tendo o acordo de  alimentos  objetivos  meramente  fiscais,  não  deve  ser  homologado,  pois  implicaria  indevida  dedução  no  cálculo  do  Imposto de Renda.   2.  Subjacente  à  homologação,  está  o  acordo  de  vontades  que  haveria de servir à prevenção ou terminação de litígio (CC, art.  840), de modo que assim a transação somente pode referir­se a  direitos substanciais que admitam conflito de interesses.   3. Simples questões advindas de liberalidade não são passíveis  de  homologação  judicial,  até  mesmo  por  falta  de  interesse  jurídico dos interessados.   4. Recurso conhecido e improvido.   (Processo:  APC  20060111339348  DF,  Relator(a):  CARLOS  RODRIGUES,  Julgamento:  28/11/2007,  Órgão  Julgador:  2ª  Turma Cível, Publicação: DJU 21/02/2008, pág. 1475)”  (grifou­se)   Portanto,  deve  ser  mantida  a  glosa  da  dedução  de  pagamento  a  título  de  pensão alimentícia.  Ante o exposto, voto por negar provimento ao recurso.  (assinado digitalmente)  Martin da Silva Gesto ­ Redator designado                Fl. 101DF CARF MF

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Numero do processo: 10880.907296/2008-42
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 23 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon May 20 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3402-001.878
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Cynthia Elena de Campos e Thais De Laurentiis Galkowicz.
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA

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3402­001.878  –  4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária  Data  23 de abril de 2019  Assunto  PIS CUMULATIVO. DILIGÊNCIA.  Recorrente  BLUE ANGELS SEGURANCA PRIVADA E TRANSPOR  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    Resolvem  os  membros  do  Colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  converter  o  julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto da relatora.    (assinado digitalmente)  Waldir Navarro Bezerra ­ Presidente e Relator  Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Navarro Bezerra,  Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa  de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Cynthia Elena de Campos e Thais De Laurentiis  Galkowicz.  Relatório  Trata­se de Declaração de Compensação na qual a empresa declara a existência  de  crédito  de  PIS  recolhido  a  maior.  Uma  vez  que  o  valor  do  crédito  declarado  teria  sido  utilizado para quitar o valor do PIS do período, foi  transmitido despacho decisório eletrônico  não homologando a compensação declarada.  Inconformada, a empresa apresentou Manifestação de Inconformidade alegando  que, em conformidade com a DIPJ do período, o valor devido de PIS para o período em análise  foi  inferior  ao  valor  recolhido  em DARF. A  defesa  apresentada  foi  negada  por  ausência  de  provas do crédito.  Intimada  desta  decisão,  a  empresa  apresentou  o  Recurso  Voluntário  ora  em  apreço,  no  qual  complementaria  as  informações  apresentadas  com  documentos  que  respaldariam seu direito ao crédito e os valores declarados na DIPJ, que estariam corretos.     RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 80 .9 07 29 6/ 20 08 -4 2 Fl. 209DF CARF MF Processo nº 10880.907296/2008­42  Resolução nº  3402­001.878  S3­C4T2  Fl. 3          2 É o relatório.  Voto  Conselheiro Waldir Navarro Bezerra   O  julgamento  deste  processo  segue  a  sistemática  dos  recursos  repetitivos,  regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo  II do RICARF, aprovado pela Portaria MF  343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplica­se o decidido na Resolução  3402­001.875,  de  23  de  abril  de  2019,  proferido  no  julgamento  do  processo  10880.907293/2008­17, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.  Transcrevem­se,  como  solução  deste  litígio,  nos  termos  regimentais,  os  entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Resolução 3402­001.874):  "O  Recurso  Voluntário  é  tempestivo  e  merece  ser  conhecido.  Considerando as informações acostadas aos autos na Manifestação de  Inconformidade  e  no  Recurso  Voluntário,  entendo  que  há  elementos  que  apontam  para  uma  possível  existência  de  direito  creditório  em  favor  do  contribuinte  sendo  necessário,  contudo,  levantamento  documental  adicional  para  confirmar  os  fatos  depreendidos  destes  autos. Senão vejamos.  Como  se  depreende  do  Pedido  de  Compensação  formulado,  o  crédito seria decorrente do pagamento a maior em DARF de PIS, de  R$ 15.395,32 que, como indicado no pedido,  seria  relativo ao código  de receita 6912 (PIS ­ NÃO CUMULATIVO ­ LEI 10.637/02). Contudo,  observa­se  que  o  DARF  anexado  aos  autos,  à  e­fl.  101,  do  valor  indicado  no  PER/DCOMP,  tem  o  código  de  receita  8109  (PIS  ­  FATURAMENTO):     Vejam­se que o DARF traz como informação o valor da base de  cálculo de R$ 931.231,75, alcançando um valor de PIS devido de R$  15.365,32 pela aplicação de uma alíquota de 1,65%.  Contudo,  como  indicado  em  seu  contrato  social,  anexado  aos  autos (e­fl. 15) e na DIPJ 2003 retificadora (e­fl. 111), a Recorrente é  pessoa  jurídica  que  se  dedica  a  atividade  de  transporte  de  valores,  vigilância  e  segurança  privada.  Vejamos  pela  cláusula  terceira  do  contrato social da pessoa jurídica (e­fl. 15):  Fl. 210DF CARF MF Processo nº 10880.907296/2008­42  Resolução nº  3402­001.878  S3­C4T2  Fl. 4          3   Essas  atividades  são  referenciadas  no  art.  10  da  Lei  n.º  7.102/1983 e expressamente excepcionadas da apuração do PIS pela  sistemática  não  cumulativa,  na  forma  do  art.  8º,  I,  da  Lei  n.º  10.637/2002:  Lei n.º 10.637/2002  "Art.  8o  Permanecem  sujeitas  às  normas  da  legislação  da  contribuição para o PIS/Pasep, vigentes anteriormente a esta  Lei, não se lhes aplicando as disposições dos arts. 1o a 6o:  I – as pessoas jurídicas referidas nos §§ 6o, 8o e 9o do art. 3o  da  Lei  no  9.718,  de  27  de  novembro  de  1998  (parágrafos  introduzidos pela Medida Provisória no 2.158­35, de 24 de agosto  de 2001), e Lei no 7.102, de 20 de junho de 1983;" (grifei)  Lei n.º 7.102/1983  "Art. 10. São considerados como segurança privada as atividades  desenvolvidas  em  prestação  de  serviços  com  a  finalidade  de:  (Redação dada pela Lei nº 8.863, de 1994)  I  ­  proceder  à  vigilância  patrimonial  das  instituições  financeiras  e  de  outros  estabelecimentos,  públicos  ou  privados, bem como a segurança de pessoas físicas;  (Incluído  pela Lei nº 8.863, de 1994)  II  ­ realizar o transporte de valores ou garantir o transporte  de qualquer outro tipo de carga. (Incluído pela Lei nº 8.863, de  1994)" (grifei)  A manutenção  do  regime  cumulativo  para  as  pessoas  jurídicas  que se dedicam ao menos a uma das atividade identificadas na Lei n.º  7.102/1983 é indicada na solução de consulta COSIT n.º 345/2017:  "14. Em face do exposto, conclui­se que:  • a pessoa jurídica que realizar ao menos uma das atividades  referidas  na  Lei  nº  7.102,  de  1983,  com  alterações,  estará  excluída  do  regime  não  cumulativo  e  terá  todas  as  suas  receitas  sujeitas  a  cumulatividade  da  Cofins  e  da  Contribuição  para  o  PIS/Pasep,  submetendo­se  às  alíquotas  de 3% (três por cento) e 0,65% (sessenta e cinco centésimos  por cento), respectivamente;  •  considera­se  serviço  de  segurança,  conforme o  art.  10,  II,  da Lei  nº  7.102,  de  1983,  com  alterações,  o  monitoramento  à  distância  de  veículos de carga."  Fl. 211DF CARF MF Processo nº 10880.907296/2008­42  Resolução nº  3402­001.878  S3­C4T2  Fl. 5          4 Portanto,  a  Recorrente,  como  empresa  de  segurança  privada  e  vigilância  está  sujeita  ao  recolhimento  do  PIS  na  sistemática  cumulativa (DARF no código de receita 8109) e não na sistemática não  cumulativa da Lei n.º 10.637/2002 (DARF no código de receita 6912).  Pela  planilha  acostada  aos  autos  às  e­fl.  100,  a  empresa  busca  evidenciar que a sistemática que teria adotado para apurar o valor de  PIS  devido  em  dezembro/2002  de  R$  15.395,32,  na  base  de  cálculo  informada  no  DARF  de  R$  931.231,75,  foi  a  sistemática  não  cumulativa,  ainda  que  tenha  recolhido  com  o  código  DARF  correto  (8109). Vejamos o teor da planilha da e­fl. 100.    Cumpre  vislumbrar  que  o  valor  de  faturamento  indicado  na  planilha  é  o  mesmo  indicado  na  DIPJ  retificadora  apresentada.  A  empresa procedeu com as exclusões previstas para a  sistemática não  cumulativa  e  aplicou  a  alíquota  de  1,65%.  Contudo,  sujeita  à  sistemática  cumulativa,  bastaria aplicar a alíquota de 0,65% sobre a  receita bruta aferida, em conformidade com a Lei n.º 9.718/98. E essa  foi a sistemática adotada na DIPJ 2003, na qual a Recorrente informa  as  receitas  aferidas  no  campo  "BASE  DE  CÁLCULO  DA  Fl. 212DF CARF MF Processo nº 10880.907296/2008­42  Resolução nº  3402­001.878  S3­C4T2  Fl. 6          5 CONTRIBUIÇÃO  ­  PIS/PASEP  FATURAMENTO",  alcançando  um  valor  de  PIS  devido  de  R$  6.146,95  pela  aplicação  da  alíquota  da  sistemática  Cumulativa  (0,65%),  sobre  a  base  de  cálculo  por  ela  informada (R$ 945.683,97). Vejamos o teor da DIPJ 2003 retificadora  do mês de dezembro/2002 (e­fl. 139)     Assim, vislumbra­se que a documentação acostada pela empresa  aos autos aponta uma possível existência de equívoco cometido quando  da  edificação  do  valor  de  PIS  devido  na  competência  de  dezembro/2002,  apurando  pela  sistemática  não  cumulativa  (com  a  aplicação da alíquota de 1,65%) e não pela  sistemática cumulativa a  qual  se  sujeita.  Em  seu  pedido  de  compensação,  a  empresa  aparentemente buscou evidenciar o equívoco cometido ao indicar que o  crédito  seria  decorrente  de  DARF  com  o  código  de  receita  da  sistemática não cumulativa (6912).  Contudo,  observa­se  que  constam  dos  autos  apenas  planilha  elaborada  pela  empresa  e  a  DIPJ  retificadora  apresentada  após  o  recebimento  do  despacho  decisório.  Não  obstante  esteja  claro  o  equívoco cometido, não é possível identificar se o valor de PIS a pagar  indicado  na  DIPJ  retificadora  está  correto,  sendo  certo  que  não  constam  dos  autos  DACON  do  período,  DCTF  do  período  e  documentos contábeis que respaldam os valores declarados.  Ora, como bem salientado pela Conselheira Thais De Laurentiis  Galkowicz  no  Acórdão  3402­005.034  "este  Conselho  possui  pacífica  jurisprudência,  tanto  nas  turmas  ordinárias  (e.g.  Acórdãos  3801­004.289, 3801­004.079, 3803­003.964) como na Câmara Superior  de Recursos Fiscais (e.g. Acórdão 9303­005.519), no sentido de que a  retificação  posterior  ao  Despacho  Decisório  não  impediria  o  deferimento  do  crédito  quando  acompanhada  de  provas  documentais  comprovando  o  erro  cometido  no  preenchimento  da  declaração  original". No presente caso, o erro cometido pelo sujeito passivo pode  ser  evidenciado  pela  planilha  e  pelo  DARF  acostado  aos  autos  não  sendo possível, contudo, atestar o direito creditório sem o respaldo das  informações na documentação fiscal e contábil.  Para  confirmar  a  efetiva  existência  de  recolhimento  à  maior,  essencial  que  seja  confirmado  se  o  valor  indicado  de  PIS  devido  na  DIPJ retificadora (R$ 6.146,95) está correto para que seja confirmada  o  pagamento  indevido  originário  de  R$  9.248,37,  informado  na  DCOMP objeto do presente processo (R$ 9.218,37 ­ e­fl. 8).  Fl. 213DF CARF MF Processo nº 10880.907296/2008­42  Resolução nº  3402­001.878  S3­C4T2  Fl. 7          6 Diante  dessas  considerações,  à  luz  do  art.  29  do  Decreto  n.º  70.235/721, proponho a conversão do presente processo em diligência  para que a autoridade fiscal de origem (DERAT São Paulo/SP):  (i)  intime  a  Recorrente  para  apresentar  cópia  dos  documentos  fiscais  e  contábeis  entendidos  como  necessários  para  que  a  fiscalização possa confirmar o crédito tomado pelo contribuinte  informado  em  sua DIPJ  retificadora  (notas  fiscais  emitidas,  as  escritas contábil e fiscal, DACON do período, DCTF do período  e outros documentos que considerar pertinentes). Importante que  sejam  anexados  aos  autos  a  DIPJ,  o  DACON  e  a  DCTF  originais,  com  os  esclarecimentos  pela  empresa  de  quais  informações  foram modificadas  na  apuração  do  PIS  devido  no  mês  (comparação  entre  a  declaração  original  e  a  declaração  retificadora).  (ii)  elaborar  relatório  fiscal  conclusivo  considerando  os  documentos  e  esclarecimentos  apresentados,  informando  se  os  dados  trazidos  pelo  contribuinte  na DIPJ  retificadora  estão  de  acordo  com  sua  contabilidade,  veiculando  análise  quanto  à  validade do crédito informado pelo contribuinte e a possibilidade  de seu reconhecimento no presente processo.  Concluída  a  diligência  e  antes  do  retorno  do  processo  a  este  CARF, intimar a Recorrente do resultado da diligência para, se for de  seu interesse, se manifestar no prazo de 30 (trinta) dias."  Importante  frisar  que  as  situações  fática  e  jurídica  presentes  no  processo  paradigma  encontram  correspondência  nos  autos  ora  em  análise. Desta  forma,  os  elementos  que  justificaram  a  conversão  do  julgamento  em  diligência  no  caso  do  paradigma  também  a  justificam no presente caso.  Aplicando­se  a  decisão  do  paradigma  ao  presente  processo,  em  razão  da  sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por  converter o julgamento em diligência, para que a autoridade fiscal de origem:  (i) intime a Recorrente para apresentar cópia dos documentos fiscais e contábeis  entendidos como necessários para que a  fiscalização possa confirmar o crédito  tomado  pelo  contribuinte  informado  em  sua  DIPJ  retificadora  (notas  fiscais  emitidas, as escritas contábil e fiscal, DACON do período, DCTF do período e  outros documentos que considerar pertinentes). Importante que sejam anexados  aos autos a DIPJ, o DACON e a DCTF originais, com os esclarecimentos pela  empresa de quais informações foram modificadas na apuração do PIS devido no  mês (comparação entre a declaração original e a declaração retificadora).  (ii)  elaborar  relatório  fiscal  conclusivo  considerando  os  documentos  e  esclarecimentos apresentados, informando se os dados trazidos pelo contribuinte  na DIPJ retificadora estão de acordo com sua contabilidade, veiculando análise  quanto  à  validade  do  crédito  informado  pelo  contribuinte  e  a  possibilidade  de  seu reconhecimento no presente processo.                                                              1  "Art.  29.  Na  apreciação  da  prova,  a  autoridade  julgadora  formará  livremente  sua  convicção,  podendo  determinar as diligências que entender necessárias."  Fl. 214DF CARF MF Processo nº 10880.907296/2008­42  Resolução nº  3402­001.878  S3­C4T2  Fl. 8          7 Concluída  a diligência  e  antes do  retorno do processo  a  este CARF,  intimar a  Recorrente do resultado da diligência para, se for de seu interesse, se manifestar no prazo de 30  (trinta) dias  (assinado digitalmente)  Waldir Navarro Bezerra.  Fl. 215DF CARF MF

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Numero do processo: 10976.000714/2008-18
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 09 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon May 27 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Ano-calendário: 2004 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO Verificada a existência de obscuridade/contradição no julgado é de se acolher os embargos de declaração apresentados pelo contribuinte. SEGURO DE VIDA EM GRUPO. NÃO CONHECIMENTO Tratando-se de matéria que não foi objeto do lançamento fiscal, logo não há litígio a ser discutido na esfera administrativa.
Numero da decisão: 2202-005.215
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração para, sanando a obscuridade/contradição apontada, retificar o Acórdão nº 2202-004.721, de 09/08/2018, atribuindo-lhes efeitos infringentes, para alterar a decisão anterior, de modo a conhecer em parte o recurso, por não ser objeto de litígio a rubrica seguro de vida em grupo, re-ratificando os demais aspectos do julgado. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson - Presidente. (assinado digitalmente) Marcelo de Sousa Sáteles - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Virgilio Cansino Gil (Suplente convocado), Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Leonam Rocha de Medeiros, Marcelo de Sousa Sáteles (Relator), Martin da Silva Gesto, Ricardo Chiavegatto de Lima, Rorildo Barbosa Correia e Ronnie Soares Anderson (Presidente). Ausente a conselheira Andréa de Moraes Chieregatto.
Nome do relator: MARCELO DE SOUSA SATELES

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2202­005.215  –  2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária   Sessão de  09 de maio de 2019  Matéria  CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS  Embargante  FAZENDA NACIONAL   Interessado  JAMEF TRANSPORTES EIRELI    ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS  Ano­calendário: 2004  EMBARGOS DE DECLARAÇÃO  Verificada a existência de obscuridade/contradição no julgado é de se acolher  os embargos de declaração apresentados pelo contribuinte.  SEGURO DE VIDA EM GRUPO. NÃO CONHECIMENTO   Tratando­se de matéria que não foi objeto do lançamento fiscal, logo não há  litígio a ser discutido na esfera administrativa.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os  embargos de declaração para, sanando a obscuridade/contradição apontada, retificar o Acórdão  nº  2202­004.721,  de  09/08/2018,  atribuindo­lhes  efeitos  infringentes,  para  alterar  a  decisão  anterior, de modo a conhecer em parte o recurso, por não ser objeto de litígio a rubrica seguro  de vida em grupo, re­ratificando os demais aspectos do julgado.  (assinado digitalmente)  Ronnie Soares Anderson ­ Presidente.  (assinado digitalmente)  Marcelo de Sousa Sáteles ­ Relator.  Participaram da sessão de  julgamento os conselheiros: Virgilio Cansino Gil  (Suplente  convocado),  Ludmila  Mara  Monteiro  de  Oliveira,  Leonam  Rocha  de  Medeiros,  Marcelo  de  Sousa  Sáteles  (Relator),  Martin  da  Silva  Gesto,  Ricardo  Chiavegatto  de  Lima,     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 97 6. 00 07 14 /2 00 8- 18 Fl. 504DF CARF MF     2 Rorildo Barbosa Correia e Ronnie Soares Anderson (Presidente). Ausente a conselheira Andréa  de Moraes Chieregatto.    Relatório  Por  bem  descrever  os  fatos,  adoto  o  relatório  do  Despacho  de  Admissibilidade de Embargos (efls. 499 e ss.) que assim os relatou:  Trata­se  de  Embargos  de Declaração  (efls.  492  a  496)  opostos  pela  Fazenda  Nacional  em  face  do  Acórdão  n°  2202­004.721,  proferido  em  sessão  plenária  de  09/08/2018,  pela  2a  Turma  Ordinária da 2a Câmara da 2a Seção de Julgamento do Conselho  Administrativo  de  Recursos  Fiscais  ­  CARF  (efls.  243  a  247),  assim ementado:  ASSUNTO:  CONTRIBUIÇÕES  SOCIAIS  PREVIDENCIÁRIAS  Período  de  apuração:  01/01/2004  a  31/12/2004  ASSISTÊNCIA  MÉDICA.  Para que os valores pagos pela empresa relativos a Assistência  Médica  sejam  excluídos  do  salário  de  contribuição,  os  planos  correspondentes  devem  abranger  todos  os  empregados  e  dirigentes  SEGURO DE VIDA EM GRUPO  O  seguro  de  vida  em  grupo  contratado  pelo  empregador  em  favor  de  um  grupo  de  empregados,  sem  que  haja  a  individualização do montante que beneficia a cada um deles, não  se inclui no conceito de salário, desde que extensivo a todos os  empregados.  ABONO ÚNICO  De  acordo  com  o  Parecer  PGFN  n°  2114/2011  "o  abono  previsto  em  Convenção  Coletiva  de  Trabalho,  sendo  desvinculado do  salário  e pago  sem habitualidade, não  sofre a  incidência de contribuição previ den ciaria  PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS PLR  Os  instrumentos  de  negociação  devem  adotar  regras  claras  e  objetivas,  de  forma  a  afastar  quaisquer  dúvidas  ou  incertezas,  que possam vir a frustrar o direito do trabalhador quanto a sua  participação  na  distribuição  dos  lucros.  A  ausência  de  estipulação  do  programa  de  metas  é  motivo  para  descaracterização do PLR.  A decisão foi registrada nos seguintes termos:  Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  maioria  de  votos,  em  dar provimento parcial ao recurso, para fins de excluir da base  de cálculo do lançamento os valores vinculados ao abono CCT,  vencidos  os  conselheiros  Júnia  Roberta  Gouveia  Sampaio  (relatora)  e  Martin  da  Silva  Gesto,  que  deram  provimento  ao  Fl. 505DF CARF MF Processo nº 10976.000714/2008­18  Acórdão n.º 2202­005.215  S2­C2T2  Fl. 505          3 recurso  também  no  que  se  refere  ao  PLR.  Designado  para  redigir  o  voto  vencedor,  o  conselheiro  Dilson  Jatahy  Fonseca  Neto.  O processo foi encaminhado à PGFN em 01/11/2018 (Despacho  de  Encaminhamento  de  efls.  491).  Em  07/11/2018,  tempestivamente,  foram  opostos  os  Embargos  de  Declaração  (Despacho  de  Encaminhamento  de  efls.  497),  com  fundamento  no art. 65 do Anexo II do RICARF.  Os Embargos de Declaração estão previstos no art. 65, do Anexo  II do RICARF:  Art.  65.  Cabem  embargos  de  declaração  quando  o  acórdão  contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e  os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual deveria  pronunciar­se a turma. (Grifei.)  A  embargante  alega  a  existência  de  contradição/obscuridade  verificada  entre  a  parte  dispositiva  da  ementa  com  os  votos  vencido e vencedor, nos seguintes termos:  Trata­se  de  lançamento  referente  às  contribuições  devidas  à  Seguridade  Social,  incidentes  sobre  as  remunerações  pagas,  devidas ou creditadas aos segurados empregados e contribuintes  individuais a serviço da empresa em relação às parcelas pagas a  título  de  PLR,  Abono  CCT,  Abono  Emergência!,  Assistência  Médica, Pró­labore Indireto e Seguro de Vida Diretoria.  Da  leitura  do  voto  vencido,  conclui­se  que  a  i.  relatora  dava  provimento  parcial  ao  recurso  "para  que  fossem  excluídos  os  valores pagos à título de Seguro de vida em grupo. Abono CCT  e Participação nos Lucros e Resultados PLR " Veja­se:  "2) SEGURO DE VIDA EM GRUPO  Alega a Recorrente que o seguro de vida contratado pela empresa  e  custeado  pelos  funcionários  foi  extensivo  à  todos.  E,  em  relação  ao  seguro  de  vida  específico,  pago  pela  empresa  para  seus  sócios,  abrangeu  a  totalidade  dos  dirigentes  que,  naquela  época, eram apenas quatro dos que exerciam cargos de direção,  de um quadro societário composto por dez integrantes.  E farta a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça (STJ) no  sentido  de  que  o  seguro  de  vida  em  grupo  contratado  pelo  empregador em favor de um grupo de empregados, sem que haja  a  individualização  do montante  que  beneficia  a  cada  um  deles,  não  se  inclui  no  conceito  de  salário,  afastando­se,  assim  a  incidência da contribuição providenciaria sobre a referida verba,  conforme se verifica pelas decisões abaixo transcritas:  [...]  Ademais,  o  art.  458,  §  2°.,  do  Decreto  Lei  n.  5.452/43  (Consolidação  das  Leis  do  Trabalho)  foi  alterado  pela  Lei  n.  10243/2001,  passando  a  dispor  expressamente  que  seguro  de  vida não se inclui no conceito de salário.  Fl. 506DF CARF MF     4 Diante  do  posicionamento  do  STJ,  a  PGFN  editou  o  Parecer  PGFN/CRJ n.. 2.119, de 10 de novembro de 2011, esclarecendo  que o seguro de vida em grupo contratado pelo empregador em  favor do grupo de empregados, sem que haja a individualização  do  montante  que  beneficia  a  cada  um  deles  não  se  inclui  no  conceito  de  salário,  afastando­se,  assim  a  incidência  da  contribuição previdenciária sobre a referida verba.  Na sequência, a PGFN editou o Ato Declaratório n. 12, de 20 de  dezembro de 2011 aprovado pelo Senhor Ministro de Estado da  Fazenda  conforme  despacho  publicado  no DOU  de  24/11/2011  declarando  que  fica  autorizada  a  dispensa  de  apresentação  de  contestação,  de  interposição  de  recursos  e  a  desistência  dos  já  interpostos, desde que inexista outro fundamento relevante:  [...]  Os  atos  declaratórios  da  PGFN  aprovados  pelo  Ministro  de  Estado  da  Fazenda,  nos  termos  dos  arts.  18  e  19  da  Lei  n.  10.522/2002, são de observância obrigatório neste Conselho em  razão  do  previsto  no  art.  62,  §1°.,  E,  alínea  "c",  do  RICARF  (Portaria MF n. 343/2015)  [...]  3) CONCLUSÃO  Em face do exposto, dou parcial provimento ao recurso para  que  sejam  excluídos  os  valores  pagos  à  título  de  Seguro  de  vida  em  grupo,  Abono  CCT  e  Participação  nos  Lucros  e  Resultados PLR."  Acontece  que  a  referida  matéria  (SEGURO  DE  VIDA  EM  GRUPO) não consta no resultado do Acórdão como matéria que  tenha sido votada. O provimento foi apenas para "excluir da base  de cálculo do lançamento os valores vinculados ao abono CCT".  Com isso, se poderia pensar que a i. relatora teria restado vencida  a  respeito  do  terma.  Porém,  lendo  o  voto  vencedor  é  possível  constatar que  a discordância do  colegiado se  resumiu às verbas  'PLR".  E  o  que  se  depreende  do  seguinte  trecho  do  voto  vencedor:  "Parabenizo  a  i.  Relatora  pelo  seu  excelente  voto.  Entretanto,  entendo  ser  necessário  divergir  no  que  toca  especificamente  ao  PLR.  Conforme o relatório e o voto vencido, o  instrumento constante  nos autos que teria o condão de estabelecer um programa de PLR  seria a cláusula 2a da Convenção Coletiva do Trabalho.  [...]  Nessa linha, entendo que no caso concreto não há critério, razão  pela qual não pode ser aceito o "acordo".  Dispositivo  Fl. 507DF CARF MF Processo nº 10976.000714/2008­18  Acórdão n.º 2202­005.215  S2­C2T2  Fl. 506          5 Diante  do  exposto,  voto  por  dar  provimento  parcial  ao  recurso  para  que  sejam  excluídos  os  valores  pagos  à  título  de  Abono  CCT."  A conclusão do voto vencedor está de acordo com a que consta  no Acórdão, ou seja, pelo provimento recursal no que tange aos  valores pagos a título de Abono CCT.  Não se sabe, porém, qual foi a efetiva conclusão do colegiado a  respeito do "seguro de vida em grupo " Houve concordância com  a  relatora?  Houve  discordância?  Se  houve  divergência,  tal  matéria  deveria  constar  também  do  voto  vencedor  e  da  parte  dispositiva do Acórdão, o que não aconteceu no caso concreto.  Do Acolhimento dos Embargos   Os  embargos  de  declaração  foram  acolhidos  pelo  Ilustre  Presidente  da  2ª  Turma  Ordinária  da  2ª  Câmara  da  2ª  Seção  de  o  CARF,  para  que  seja  sanada  a  contradição/obscuridade apontada mediante a prolação de novo acórdão.  É o relatório.  Voto             O  recurso  foi  apresentada  tempestivamente,  atendendo  também  aos  demais  requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento.  Trata­se  de  Embargos  de  Declaração  opostos  pelo  Fazenda  Nacional,  relativos ao Acórdão nº2202­004.721 , de 09 de agosto de 2018.  Na  parte  acolhida,  o  Embargante  afirma  que  o  acórdão  possui  obscuridade/contradição entre a decisão e seus fundamentos, uma vez que o voto vencedor em  seu dispositivo concluiu " por dar provimento parcial ao recurso para que sejam excluídos os  valores pagos à titulo de Abono CCT", sendo que nos fundamentos do voto vencedor diverge  do voto vencido apenas na rubrica Participação nos Lucros e Resultados PLR, contudo, o voto  vencido  teve  como  seu  dispositivo:  "dou  parcial  provimento  ao  recurso  para  que  sejam  excluídos os valores pagos à título de Seguro de vida em grupo, Abono CCT e Participação nos  Lucros e Resultados PLR".  Conclui  então  o  Embargante  que  o  acórdão  possui  obscuridade/contradição  entre a decisão e seus fundamentos no que se refere à rubrica seguro de vida em grupo, não  sendo possível concluir se houve concordância ou discordância do colegiado com a relatora.  Os  embargos  de  declaração  são  cabíveis  quando  visa  sanar  obscuridade,  omissão ou contradição entre a decisão e seus fundamentos, ou quando for omitido ponto sobre  o qual a Turma deveria pronunciar­se (art. 65, do Anexo II, do RICARF)  Entendo que assiste razão ao Embargante em relação à obscuridade/contradição  entre  a  decisão  e  seus  fundamentos,  posto  que  no  voto  vencedor  da  decisão  embargada  não  consta em seus  fundamentos nenhuma análise no que se  refere à  rubrica  seguro de vida em  grupo, divergindo então de sua conclusão que excluiu apenas a rubrica "Abono CCT".  Fl. 508DF CARF MF     6 Diante disso, não sabendo a decisão do colegiado em relação a rubrica seguro  de vida em grupo, necessária a análise deste levantamento.  Compulsando os autos, especificamente os Relatórios Discriminativo Analítico  de Débito (DAD­ efls. 07/14), Discriminativo Sintético de Débito (DSD­15/19) e Relatório de  Lançamentos  (RL  ­  efls.  22/26),  constata­se  que,  na  verdade,  não  existe  levantamento  relativo à rubrica seguro de vida em grupo no crédito tributário lançado no valor total de R$  68.000,99.  Os levantamentos existentes são: CI (Contribuinte Individual), ABO (ABONO  CCT)  ABE  (ABONO  EMERGENCIAL),  AMC  (ASSIST  MEDI  CLINIPAM),  PLR  (PARTICIP LUCROS E RESULT) e MAS (ASSIST MEDICA SEISA).  Portanto, equivocado está o Relatório do Auto de Infração ­AI (efls. 106/108)  quando  informa  haver  a  existência  de  um  levantamento  relativo  à  seguro  de  vida  em  grupo  (SEG), em seu  item 4.4.3,  tendo em vista que nos cálculos apresentados pela  fiscalização no  crédito tributário levantado, conforme DAD, DSD e RL, não existe esse levantamento.   Sendo  assim,  entendo  que  não  foi  objeto  de  levantamento  por  parte  da  fiscalização nenhum valor a título de seguro de vida em grupo, não havendo então o litígio  em  questão,  por  isso,  essa  rubrica  não  deve  ser  objeto  de  análise  por  esta  Turma  de  Julgamento,  por  conseqüência,  foram  indevidas  todas  as  análises  anteriores  feitas,  seja  por  parte da decisão de origem, ou do acórdão embargado constante do voto vencido da Relatora,  especificamente no item "2) SEGURO DE VIDA EM GRUPO".   Deste modo,  a matéria  atinente  a  seguro  de  vida  em  grupo  não  deve  ser  conhecida por esta Colenda Turma de Julgamento.  Diante disso, deve ser retificada a ementa do acórdão embargado:  DE:   SEGURO DE VIDA EM GRUPO  O  seguro  de  vida  em  grupo  contratado  pelo  empregador  em  favor  de  um  grupo  de  empregados,  sem  que  haja  a  individualização  do  montante  que  beneficia  a  cada  um  deles,  não  se  inclui  no  conceito  de  salário,  desde  que  extensivo a todos os empregados.  PARA:  SEGURO DE VIDA EM GRUPO. NÃO CONHECIMENTO   Tratando­se de matéria que não foi objeto do lançamento fiscal, logo não há  litígio a ser discutido na esfera administrativa.          Conclusão  Fl. 509DF CARF MF Processo nº 10976.000714/2008­18  Acórdão n.º 2202­005.215  S2­C2T2  Fl. 507          7 Diante  do  exposto,  acolho  os  embargos  de  declaração  para  sanando  a  obscuridade/contradição  apontada,  retificar  o  Acórdão  nº  2202­004.721,  de  09/08/2018,  atribuindo­lhes  efeitos  infringentes,  para  alterar  a  decisão  anterior,  de  modo  a  conhecer  em  parte o recurso, por não ser objeto de litígio a rubrica seguro de vida em grupo, re­ratificando  os demais aspectos do julgado.  (assinado digitalmente)  Marcelo de Sousa Sáteles ­ Relator                                Fl. 510DF CARF MF

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Numero do processo: 10070.001232/98-19
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 26 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu May 09 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3301-001.072
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento em diligência, para que o órgão preparador informe os cálculos referentes ao acórdão que foi parcialmente procedente à Recorrente, consoante disciplina o art. 45, do Decreto nº 70.235/72 e o Parecer Normativo Cosit nº 02/2016. Vencidos os Conselheiros Marcelo Costa Marques D´Oliveira e Salvador Cândido Brandão Júnior, que votaram por não conhecer o recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente (assinado digitalmente) Liziane Angelotti Meira Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D' Oliveira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Júnior, Marco Antônio Marinho Nunes, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente). Relatório Visando à elucidação do caso, adoto e cito o relatório do constante da decisão recorrida: Trata-se de pedidos de compensação e pedido de restituição fundamentados na alegação de pagamentos a maior de Finsocial em virtude das majorações de sua alíquota julgadas inconstitucionais pelo Supremo Tribunal Federal. Apensos a este processo administrativo encontram os de nº 10070.001404/97-83 e nº 10070.000256/2002-17, tendo em vista que os pedidos de compensação objetos desses outros autos se referem ao mesmo direito creditório. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Maiores Contribuintes – Demac – no Rio de Janeiro, por meio do despacho decisório de fl. 403 (a numeração de referência é sempre a da versão digital do processo), assim decidiu: 1. DETERMINAR sejam excluídos do presente processo (fl. 102) e do processo apenso de n° 10070.000256/2002-17 (fl. 01) os débitos de COFINS indevidamente cadastrados, por não caber o controle desses por processo, tendo em vista que sua compensação com FINSOCIAL, contribuição da mesma espécie e destinação constitucional, independia de requerimento à Receita Federal para ser efetuada, bastando que se operasse a compensação nos livros contábeis do contribuinte; 2. NÃO RECONHECER o direito creditório com origem em suposto pagamento a maior que o devido de FINSOCIAL (código de receita 6120) de janeiro de 1990 a março de 1992; 3. INDEFERIR o pedido de restituição objeto do presente processo; 4. RECONHECER a homologação tácita, consoante o disposto no artigo 74, parágrafo 5o da Lei n° 9.430/96, dos pedidos de compensação de folhas 01,39,45,58,75,83 e 113 do presente processo convertidos em Declaração de Compensação nos termos do artigo 74, parágrafo 5o da Lei n° 9.430/96. Esse despacho decisório teve por base o Parecer DIORT/DEMAC/ RJO nº 055/2012, juntado às fls. 399/402, o qual, por sua vez, teve por fundamento os seguintes argumentos: 6 Relatório de diligência de fls. 130 a 135, em seu item 7, atestou um montante referente a recolhimentos da contribuição para o F1NSOCIAL efetivados com alíquota superior a 0,5%, no período de 112.022.141,58 UF1R. Inspeção do referido relatório permite concluir que tal montante foi levantado sem considerar qualquer utilização em compensação contábil nos termos do art. 66 da Lei 8.383/91. Deve ser observado, contudo, que a interessada efetuou diversas compensações com contribuição de mesma espécie, como consta nos demonstrativos de fls. 63 a 65 e 108 a 110 dos presentes autos e demonstrativo de fls. 04 a 05 do processo 10070.001404/97-83. 7 Demonstrativo de folhas 182 apura um montante de 21.005.248,52 UFIR, correspondente ao total dos débitos de COFINS dos períodos de apuração de abril de 1992 a dezembro de 1995, compensados contabilmente pela interessada, nos termos do artigo 66 da Lei 8.383/914. Tal compensação independente de requerimento à Receita Federal, nos termos do artigo 14 da IN SRF N° 21/97) e foi informada pela interessada no demonstrativo de fls. 04 a 05 do processo 10070.001404/97-83, juntamente com débitos de COFINS de períodos posteriores à 31/12/95. 8 Deduzindo-se do valor levantado pela fiscalização conforme item 6 os débitos de tributos da mesma espécie e destinação constitucional (débitos de COFINS) apurados até 31.12.95, conforme item anterior, chegamos a um valor de 91.016.893,06 UFIR que, convertido para reais em 01.01.96 (UFIR de Dez/95 - R$ 0,8287), monta a quantia de RS 75.425.699,27. 9 Do valor levantado pela fiscalização conforme item 6 e deduzido das compensações contábeis efetuadas pela empresa conforme item anterior, deduziram-se os demais débitos de COFINS relativos a período de apuração posterior à 31.12.95 compensados contabilmente conforme demonstrativo de fls. 146 e pedido de compensação de fls. 102 do presente processo e de folhas 01 do processo 10070.000256/2002-171. Após tais compensações contábeis, conforme relatórios de folhas 182 A 186, restou um saldo de R$ 24.980.564,02 que constitui no valor de finsocial referente a recolhimentos da contribuição para o FINSOCIAL efetivados com alíquota superior a 0,5% após às compensações contábeis com tributo da mesma espécie e natureza tributária, nos moldes do art. 66 da Lei 8.383/91. 10 Neste ponto, cabe comentar que, conforme folha 174 do presente processo e folha 16 do processo 10070.000256/2002-17, estão cadastrados no PROF1SC débitos oriundos de compensações contábeis de FINSOCIAL com COFINS (contribuições da mesma espécie e destinação constitucional). Tais débitos não devem estar controlados neste processo, tendo em vista que estas compensações independem de requerimento à RFB, nos termos do artigo 14 da IN SRF N° 21/97, não se constituindo em compensação administrativa. 11 Em que pese a fiscalização ter atestado haver recolhimentos para o FINSOCIAL efetivados com alíquota superior a 0,5%, referentes aos períodos de apuração de janeiro/90 a março/92, deve se considerar que os mesmos foram efetuados em conformidade com a legislação vigente à época do respectivo fato gerador, não havendo que se falar em indébito. 12 Neste ponto cumpre observar que a decisão proferida no RE 150.764/PE (citada pela interessada às folhas 07 do processo 10070.001404/97-83), em cujo teor consta declaração de inconstitucionalidade da norma que majorou a alíquota da exação, na via de defesa, não atinge automaticamente situações concretas formadas sob a égide e durante a vigência da norma impugnada. Isto porque o Senado não conferiu eficácia erga omnes à decisão do Supremo, proferida no RE 150.764/PE 11 , que declarou a inconstitucionalidade de artigos de leis dispondo sobre a Contribuição para o FINSOCIAL. 13 É de se repisar que a declaração de inconstitucionalidade proferida em sede de recurso extraordinário, portanto em controle difuso, como é o caso do RE 150.764/PE, enquanto não suspensa a execução da lei pelo Senado Federal, não irradia efeitos erga omnes nem faz coisa julgada, senão entre partes do processo no qual foi proclamada. Terceiro, eventualmente prejudicado, ainda que venha demandar em juízo, caso ainda não tenha operado a prescrição, para reaver o que lhe teria sido cobrado por força da lei julgada inconstitucional, por certo não logrará êxito, em razão da intangibilidade das situações jurídicas concretas, as quais não poderão ser alcançadas pelos efeitos da declaração de inconstitucionalidade proferida pelo STF em sede de Recurso Extraordinário. 14 Sobre o caso, não é excesso citar o que consta na conclusão do PARECER N°. 3.401 DE 31 /10 /2002, assinado pelo Ministro de Estado da Fazenda e publicado no DOU em 02/01/2003. Transcreve-se: "(...) 43. Diante do exposto, a síntese do entendimento doutrinário acima esposado conduz, inexoravelmente, à conclusão de que os efeitos da decisão proferida pelo Supremo Tribunal Federal no RE 150.764/PE não tem o condão de alcançar as situações jurídicas concretas decorrentes de decisões judiciais transitadas em julgado, favoráveis à União (Fazenda Nacional). Assim, pode-se concluir que a questão submetida a esta Procuradoria-Geral deve ser harmonizada no sentido de que: (...)b) repetindo, a decisão do STF que fulminou a norma no controle difuso de constitucionalidade também não poderá ser invocada para o fim de automática e imediatamente desfazer situações jurídicas concretas e direitos subjetivos, porque não foram objeto da pretensão declaratória de inconstitucionalidade; c) os contribuintes que porventura efetuaram pagamento espontâneo, ou parcelaram ou tiveram os depósitos convertidos em renda da União, sob a vigência de norma cuja eficácia tenha vindo a ser, posteriormente, suspensa pelo Senado Federal, não fazem jus, em sede administrativa, à restituição, compensação ou qualquer outro expediente que resulte em renúncia de crédito da União;" (grifei) 15 Além do mais, já que as leis outrora vigentes não tiveram sua execução suspensa pelo Senado Federal, eventual pedido de repetição de indébito referente a suposto pagamento a maior deveria respeitar o prazo de 5 (cinco) anos previsto no artigo 165, inciso I, combinado com o artigo 168,1, ambos do Código Tributário Nacional (CTN, Lei LEI N° 5.172, DE 25 DE OUTUBRO DE 1966). 16 Tal é o entendimento esposado no Ato Declaratório SRF n° 096, de 26 de novembro de 1999: (...)17 Apesar de não caber direito ao interessado, forçoso é admitir que os débitos controlados pelos presente processo e pelos respectivos apensos são incobráveis, tendo em vista que: 17.1 Os débitos informados no pedido de folhas 1 e referido anexo I de folhas 2 e 3 do processo 10070.001404/97-83 relativos ao PIS das competências não se encontram nem controlados nem constituídos no presente processo, tendo em vista que o pedido de compensação de folhas 01 foi apresentado em 12/09/1997 e não se converteu em Declaração de Compensação. Ademais, todos os débitos de PIS confessados em DCTF/DIRPJ relativos aos períodos de 01/1990 a 04/1997 se encontram extintos por liquidação nos sistemas da RFB, conforme observa-se nos relatórios de folhas 188 a 193; 17.2 O débito de COFINS constante do pedido de compensação de folhas 01 do processo 10070.000256/2002-17 é débito de mesma espécie e destinação constitucional que o FINSOCIAL e portanto não dependia de requerimento à Receita Federal para que fosse compensado contábilmente, não devendo estar controlado em processo. 17.3 Os débitos de COFINS constantes do pedido de compensação de folhas 102 do do presente processo são débitos de mesma espécie e destinação constitucional que o FINSOCIAL e portanto não dependiam de requerimento à Receita Federal para que fossem compensados contabilmente, não devendo estar controlado em processo. 17.4 Os demais Pedidos de Compensação de folhas 01, 39, 45, 58, 75, 83 e 113 do presente processo se converteram cm Declaração de Compensação nos termos do § 4o do artigo 74 da Lei 9.430/96, sendo que tendo decorrido mais de 5 (cinco) anos da sua protocolização, seus débitos se encontram homologados tacitamente, consoante o que dispõe o art. 74, § 5o da Lei n° 9.430/96. 17.5 Até a presente data, não há DCOMP eletrônica vinculada ao presente processo, nem aos seus apensos, conforme consulta de fls. 194. 1 O pedido de folhas 102 do presente processo deve ser tomado como compensação contábil nos termos do artigo 66 da 8.383/91, já que foi efetuado com tributo da mesma espécie e destinação constitucional. Tal compensação independia de autorização da Receita Federal nos termos do artigo 14 da Instrução Normativa nº 21/97. (nota do original) Cientificada do despacho decisório em 04/02/2016 (fl. 412), a contribuinte apresentou, em 07/03/2016 (fl. 523), manifestação de inconformidade (fls. 417/439), na qual, depois de dizer da tempestividade de sua defesa, alega que: ? a origem do crédito foram recolhimentos a maior a título de Finsocial. Os valores a maior foram recolhidos durante a vigência das Leis nº 7.689, de 1988, nº 7.689, de 1988, nº 7.787, de 1989, nº 7.894, de 1989 e nº 8.147, de 1990. Todos os normativos constantes daquelas leis que determinaram acréscimos no tocante ao recolhimento do Finsocial foram declarados inconstitucionais pelo plenário do STF, nos autos do Recurso Extraordinário nº 150.764/PE. O descabimento daquelas exigências, bem assim a autorização para que não restassem constituídos quaisquer créditos tributários que tivessem amparo nas leis anteriormente mencionadas foram consignados nos Decretos nºs 1.601, de 1995 e 2.346, de 1997, bem como na Instrução Normativa SRF nº 31, de 1997. Aliás, foram justamente esses atos legais e normativos que respaldaram o pedido de restituição e as declarações de compensação apresentados; ? a autoridade fiscal faz tabula rasa dos Decretos nºs 1.601, de 1995 e 2.346, de 1997, bem como da Instrução Normativa SRF nº 31, de 1997; ? a revisão dos valores pendentes de julgamento, determinada no art. 2º, § 1º, da Instrução Normativa SRF nº 31, de 1997, é nítido reconhecimento de que não deveria ser cobrado nenhum valor que tivesse supedâneo nas normas declaradas inconstitucionais pelo STF; ? desnecessária a manifestação do Senado Federal, pois o próprio Fisco reconheceu o descabimento das exigências, determinando que não fossem constituídos créditos tributários que tivessem por objeto aqueles normativos que majoraram a alíquota; ? formalizou seus pedidos de restituição e declarações de compensação dentro do prazo prescrito pelos arts. 165 e 168 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional, em clara observância à tese dos "cinco mais cinco", plenamente aplicável para pretensões antes da vigência da Lei Complementar nº 118, de 2005, como já reconhecido pelo Superior Tribunal de Justiça, em sede de recursos repetitivos, pelo STF e pela jurisprudência do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais; ? antes do reconhecimento da tese dos "cinco mais cinco", a jurisprudência administrativa fixou que o termo inicial para formalização do pedido de restituição deveria ser contado a partir da data de publicação da Medida Provisória nº 1.110, de 1995, ou seja, teria início em 31/08/1995 (cf. Acórdão nº 03-04.487); ? a higidez e a plausibilidade de sua pretensão eram tão evidentes que a autoridade Fiscal determinou a realização de todas as diligências necessárias à aferição dos pagamentos realizados a maior e o montante dos débitos compensados; ? todos os valores recolhidos a maior foram reconhecidos como efetivamente realizados e, após as compensações efetivadas, foi apurado saldo credor no montante de R$ 24.980.564,02; ? era desnecessária a propositura de qualquer medida judicial para a recuperação dos valores recolhidos a maior, bastando a apresentação dos pedidos de restituição e das declarações de compensação, em homenagem aos princípios da segurança jurídica, da isonomia e da celeridade; ? no julgamento do RE nº 566.621, o STF firmou entendimento de que o prazo de cinco anos seria aplicável aos pedidos e ações judiciais formalizados após a vigência da Lei Complementar nº 118, de 2005. Assim, para todas as pretensões manifestadas antes da edição dessa lei complementar, e que se refiram a tributos sujeitos a lançamento por homologação, como era o caso do Finsocial, deve ser aplicada a tese dos cinco mais cinco. Com isso, a requerente deve obter o reconhecimento, em seu favor, do equivalente a R$ 24.980.564,02. Analisada a manifestação de inconformidade, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento julgou procedente em parte a manifestação de inconformidade, com a seguinte ementa : ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Período de apuração: 01/01/1990 a 31/03/1992 RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. PRAZO. Estabelecido, pelo plenário do STF, que o prazo a ser observado para pedidos de restituição/compensação protocolados até 08/06/2005 é de dez anos contados a partir dos fatos geradores, em julgamento submetido à sistemática prevista no art. 543-B do CPC e tendo a PGFN já adotado os procedimentos estabelecidos na Portaria PGFN/RFB nº1, de 2014, as unidades da RFB devem reproduzir tal entendimento. FINSOCIAL. ALÍQUOTA SUPERIOR A 0,5%. RESTITUIÇÃO. Cabível a restituição/compensação dos valores recolhidos a maior a título de Finsocial com alíquota superior a meio por cento, nos períodos de janeiro/1990 a março/1992. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte Foi apresentado Recurso Voluntário, às fls 568/560. É o relatório. Voto
Nome do relator: LIZIANE ANGELOTTI MEIRA

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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento em diligência, para que o órgão preparador informe os cálculos referentes ao acórdão que foi parcialmente procedente à Recorrente, consoante disciplina o art. 45, do Decreto nº 70.235/72 e o Parecer Normativo Cosit nº 02/2016. Vencidos os Conselheiros Marcelo Costa Marques D´Oliveira e Salvador Cândido Brandão Júnior, que votaram por não conhecer o recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente (assinado digitalmente) Liziane Angelotti Meira Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D' Oliveira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Júnior, Marco Antônio Marinho Nunes, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente). Relatório Visando à elucidação do caso, adoto e cito o relatório do constante da decisão recorrida: Trata-se de pedidos de compensação e pedido de restituição fundamentados na alegação de pagamentos a maior de Finsocial em virtude das majorações de sua alíquota julgadas inconstitucionais pelo Supremo Tribunal Federal. Apensos a este processo administrativo encontram os de nº 10070.001404/97-83 e nº 10070.000256/2002-17, tendo em vista que os pedidos de compensação objetos desses outros autos se referem ao mesmo direito creditório. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Maiores Contribuintes – Demac – no Rio de Janeiro, por meio do despacho decisório de fl. 403 (a numeração de referência é sempre a da versão digital do processo), assim decidiu: 1. DETERMINAR sejam excluídos do presente processo (fl. 102) e do processo apenso de n° 10070.000256/2002-17 (fl. 01) os débitos de COFINS indevidamente cadastrados, por não caber o controle desses por processo, tendo em vista que sua compensação com FINSOCIAL, contribuição da mesma espécie e destinação constitucional, independia de requerimento à Receita Federal para ser efetuada, bastando que se operasse a compensação nos livros contábeis do contribuinte; 2. NÃO RECONHECER o direito creditório com origem em suposto pagamento a maior que o devido de FINSOCIAL (código de receita 6120) de janeiro de 1990 a março de 1992; 3. INDEFERIR o pedido de restituição objeto do presente processo; 4. RECONHECER a homologação tácita, consoante o disposto no artigo 74, parágrafo 5o da Lei n° 9.430/96, dos pedidos de compensação de folhas 01,39,45,58,75,83 e 113 do presente processo convertidos em Declaração de Compensação nos termos do artigo 74, parágrafo 5o da Lei n° 9.430/96. Esse despacho decisório teve por base o Parecer DIORT/DEMAC/ RJO nº 055/2012, juntado às fls. 399/402, o qual, por sua vez, teve por fundamento os seguintes argumentos: 6 Relatório de diligência de fls. 130 a 135, em seu item 7, atestou um montante referente a recolhimentos da contribuição para o F1NSOCIAL efetivados com alíquota superior a 0,5%, no período de 112.022.141,58 UF1R. Inspeção do referido relatório permite concluir que tal montante foi levantado sem considerar qualquer utilização em compensação contábil nos termos do art. 66 da Lei 8.383/91. Deve ser observado, contudo, que a interessada efetuou diversas compensações com contribuição de mesma espécie, como consta nos demonstrativos de fls. 63 a 65 e 108 a 110 dos presentes autos e demonstrativo de fls. 04 a 05 do processo 10070.001404/97-83. 7 Demonstrativo de folhas 182 apura um montante de 21.005.248,52 UFIR, correspondente ao total dos débitos de COFINS dos períodos de apuração de abril de 1992 a dezembro de 1995, compensados contabilmente pela interessada, nos termos do artigo 66 da Lei 8.383/914. Tal compensação independente de requerimento à Receita Federal, nos termos do artigo 14 da IN SRF N° 21/97) e foi informada pela interessada no demonstrativo de fls. 04 a 05 do processo 10070.001404/97-83, juntamente com débitos de COFINS de períodos posteriores à 31/12/95. 8 Deduzindo-se do valor levantado pela fiscalização conforme item 6 os débitos de tributos da mesma espécie e destinação constitucional (débitos de COFINS) apurados até 31.12.95, conforme item anterior, chegamos a um valor de 91.016.893,06 UFIR que, convertido para reais em 01.01.96 (UFIR de Dez/95 - R$ 0,8287), monta a quantia de RS 75.425.699,27. 9 Do valor levantado pela fiscalização conforme item 6 e deduzido das compensações contábeis efetuadas pela empresa conforme item anterior, deduziram-se os demais débitos de COFINS relativos a período de apuração posterior à 31.12.95 compensados contabilmente conforme demonstrativo de fls. 146 e pedido de compensação de fls. 102 do presente processo e de folhas 01 do processo 10070.000256/2002-171. Após tais compensações contábeis, conforme relatórios de folhas 182 A 186, restou um saldo de R$ 24.980.564,02 que constitui no valor de finsocial referente a recolhimentos da contribuição para o FINSOCIAL efetivados com alíquota superior a 0,5% após às compensações contábeis com tributo da mesma espécie e natureza tributária, nos moldes do art. 66 da Lei 8.383/91. 10 Neste ponto, cabe comentar que, conforme folha 174 do presente processo e folha 16 do processo 10070.000256/2002-17, estão cadastrados no PROF1SC débitos oriundos de compensações contábeis de FINSOCIAL com COFINS (contribuições da mesma espécie e destinação constitucional). Tais débitos não devem estar controlados neste processo, tendo em vista que estas compensações independem de requerimento à RFB, nos termos do artigo 14 da IN SRF N° 21/97, não se constituindo em compensação administrativa. 11 Em que pese a fiscalização ter atestado haver recolhimentos para o FINSOCIAL efetivados com alíquota superior a 0,5%, referentes aos períodos de apuração de janeiro/90 a março/92, deve se considerar que os mesmos foram efetuados em conformidade com a legislação vigente à época do respectivo fato gerador, não havendo que se falar em indébito. 12 Neste ponto cumpre observar que a decisão proferida no RE 150.764/PE (citada pela interessada às folhas 07 do processo 10070.001404/97-83), em cujo teor consta declaração de inconstitucionalidade da norma que majorou a alíquota da exação, na via de defesa, não atinge automaticamente situações concretas formadas sob a égide e durante a vigência da norma impugnada. Isto porque o Senado não conferiu eficácia erga omnes à decisão do Supremo, proferida no RE 150.764/PE 11 , que declarou a inconstitucionalidade de artigos de leis dispondo sobre a Contribuição para o FINSOCIAL. 13 É de se repisar que a declaração de inconstitucionalidade proferida em sede de recurso extraordinário, portanto em controle difuso, como é o caso do RE 150.764/PE, enquanto não suspensa a execução da lei pelo Senado Federal, não irradia efeitos erga omnes nem faz coisa julgada, senão entre partes do processo no qual foi proclamada. Terceiro, eventualmente prejudicado, ainda que venha demandar em juízo, caso ainda não tenha operado a prescrição, para reaver o que lhe teria sido cobrado por força da lei julgada inconstitucional, por certo não logrará êxito, em razão da intangibilidade das situações jurídicas concretas, as quais não poderão ser alcançadas pelos efeitos da declaração de inconstitucionalidade proferida pelo STF em sede de Recurso Extraordinário. 14 Sobre o caso, não é excesso citar o que consta na conclusão do PARECER N°. 3.401 DE 31 /10 /2002, assinado pelo Ministro de Estado da Fazenda e publicado no DOU em 02/01/2003. Transcreve-se: "(...) 43. Diante do exposto, a síntese do entendimento doutrinário acima esposado conduz, inexoravelmente, à conclusão de que os efeitos da decisão proferida pelo Supremo Tribunal Federal no RE 150.764/PE não tem o condão de alcançar as situações jurídicas concretas decorrentes de decisões judiciais transitadas em julgado, favoráveis à União (Fazenda Nacional). Assim, pode-se concluir que a questão submetida a esta Procuradoria-Geral deve ser harmonizada no sentido de que: (...)b) repetindo, a decisão do STF que fulminou a norma no controle difuso de constitucionalidade também não poderá ser invocada para o fim de automática e imediatamente desfazer situações jurídicas concretas e direitos subjetivos, porque não foram objeto da pretensão declaratória de inconstitucionalidade; c) os contribuintes que porventura efetuaram pagamento espontâneo, ou parcelaram ou tiveram os depósitos convertidos em renda da União, sob a vigência de norma cuja eficácia tenha vindo a ser, posteriormente, suspensa pelo Senado Federal, não fazem jus, em sede administrativa, à restituição, compensação ou qualquer outro expediente que resulte em renúncia de crédito da União;" (grifei) 15 Além do mais, já que as leis outrora vigentes não tiveram sua execução suspensa pelo Senado Federal, eventual pedido de repetição de indébito referente a suposto pagamento a maior deveria respeitar o prazo de 5 (cinco) anos previsto no artigo 165, inciso I, combinado com o artigo 168,1, ambos do Código Tributário Nacional (CTN, Lei LEI N° 5.172, DE 25 DE OUTUBRO DE 1966). 16 Tal é o entendimento esposado no Ato Declaratório SRF n° 096, de 26 de novembro de 1999: (...)17 Apesar de não caber direito ao interessado, forçoso é admitir que os débitos controlados pelos presente processo e pelos respectivos apensos são incobráveis, tendo em vista que: 17.1 Os débitos informados no pedido de folhas 1 e referido anexo I de folhas 2 e 3 do processo 10070.001404/97-83 relativos ao PIS das competências não se encontram nem controlados nem constituídos no presente processo, tendo em vista que o pedido de compensação de folhas 01 foi apresentado em 12/09/1997 e não se converteu em Declaração de Compensação. Ademais, todos os débitos de PIS confessados em DCTF/DIRPJ relativos aos períodos de 01/1990 a 04/1997 se encontram extintos por liquidação nos sistemas da RFB, conforme observa-se nos relatórios de folhas 188 a 193; 17.2 O débito de COFINS constante do pedido de compensação de folhas 01 do processo 10070.000256/2002-17 é débito de mesma espécie e destinação constitucional que o FINSOCIAL e portanto não dependia de requerimento à Receita Federal para que fosse compensado contábilmente, não devendo estar controlado em processo. 17.3 Os débitos de COFINS constantes do pedido de compensação de folhas 102 do do presente processo são débitos de mesma espécie e destinação constitucional que o FINSOCIAL e portanto não dependiam de requerimento à Receita Federal para que fossem compensados contabilmente, não devendo estar controlado em processo. 17.4 Os demais Pedidos de Compensação de folhas 01, 39, 45, 58, 75, 83 e 113 do presente processo se converteram cm Declaração de Compensação nos termos do § 4o do artigo 74 da Lei 9.430/96, sendo que tendo decorrido mais de 5 (cinco) anos da sua protocolização, seus débitos se encontram homologados tacitamente, consoante o que dispõe o art. 74, § 5o da Lei n° 9.430/96. 17.5 Até a presente data, não há DCOMP eletrônica vinculada ao presente processo, nem aos seus apensos, conforme consulta de fls. 194. 1 O pedido de folhas 102 do presente processo deve ser tomado como compensação contábil nos termos do artigo 66 da 8.383/91, já que foi efetuado com tributo da mesma espécie e destinação constitucional. Tal compensação independia de autorização da Receita Federal nos termos do artigo 14 da Instrução Normativa nº 21/97. (nota do original) Cientificada do despacho decisório em 04/02/2016 (fl. 412), a contribuinte apresentou, em 07/03/2016 (fl. 523), manifestação de inconformidade (fls. 417/439), na qual, depois de dizer da tempestividade de sua defesa, alega que: ? a origem do crédito foram recolhimentos a maior a título de Finsocial. Os valores a maior foram recolhidos durante a vigência das Leis nº 7.689, de 1988, nº 7.689, de 1988, nº 7.787, de 1989, nº 7.894, de 1989 e nº 8.147, de 1990. Todos os normativos constantes daquelas leis que determinaram acréscimos no tocante ao recolhimento do Finsocial foram declarados inconstitucionais pelo plenário do STF, nos autos do Recurso Extraordinário nº 150.764/PE. O descabimento daquelas exigências, bem assim a autorização para que não restassem constituídos quaisquer créditos tributários que tivessem amparo nas leis anteriormente mencionadas foram consignados nos Decretos nºs 1.601, de 1995 e 2.346, de 1997, bem como na Instrução Normativa SRF nº 31, de 1997. Aliás, foram justamente esses atos legais e normativos que respaldaram o pedido de restituição e as declarações de compensação apresentados; ? a autoridade fiscal faz tabula rasa dos Decretos nºs 1.601, de 1995 e 2.346, de 1997, bem como da Instrução Normativa SRF nº 31, de 1997; ? a revisão dos valores pendentes de julgamento, determinada no art. 2º, § 1º, da Instrução Normativa SRF nº 31, de 1997, é nítido reconhecimento de que não deveria ser cobrado nenhum valor que tivesse supedâneo nas normas declaradas inconstitucionais pelo STF; ? desnecessária a manifestação do Senado Federal, pois o próprio Fisco reconheceu o descabimento das exigências, determinando que não fossem constituídos créditos tributários que tivessem por objeto aqueles normativos que majoraram a alíquota; ? formalizou seus pedidos de restituição e declarações de compensação dentro do prazo prescrito pelos arts. 165 e 168 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional, em clara observância à tese dos "cinco mais cinco", plenamente aplicável para pretensões antes da vigência da Lei Complementar nº 118, de 2005, como já reconhecido pelo Superior Tribunal de Justiça, em sede de recursos repetitivos, pelo STF e pela jurisprudência do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais; ? antes do reconhecimento da tese dos "cinco mais cinco", a jurisprudência administrativa fixou que o termo inicial para formalização do pedido de restituição deveria ser contado a partir da data de publicação da Medida Provisória nº 1.110, de 1995, ou seja, teria início em 31/08/1995 (cf. Acórdão nº 03-04.487); ? a higidez e a plausibilidade de sua pretensão eram tão evidentes que a autoridade Fiscal determinou a realização de todas as diligências necessárias à aferição dos pagamentos realizados a maior e o montante dos débitos compensados; ? todos os valores recolhidos a maior foram reconhecidos como efetivamente realizados e, após as compensações efetivadas, foi apurado saldo credor no montante de R$ 24.980.564,02; ? era desnecessária a propositura de qualquer medida judicial para a recuperação dos valores recolhidos a maior, bastando a apresentação dos pedidos de restituição e das declarações de compensação, em homenagem aos princípios da segurança jurídica, da isonomia e da celeridade; ? no julgamento do RE nº 566.621, o STF firmou entendimento de que o prazo de cinco anos seria aplicável aos pedidos e ações judiciais formalizados após a vigência da Lei Complementar nº 118, de 2005. Assim, para todas as pretensões manifestadas antes da edição dessa lei complementar, e que se refiram a tributos sujeitos a lançamento por homologação, como era o caso do Finsocial, deve ser aplicada a tese dos cinco mais cinco. Com isso, a requerente deve obter o reconhecimento, em seu favor, do equivalente a R$ 24.980.564,02. Analisada a manifestação de inconformidade, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento julgou procedente em parte a manifestação de inconformidade, com a seguinte ementa : ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Período de apuração: 01/01/1990 a 31/03/1992 RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. PRAZO. Estabelecido, pelo plenário do STF, que o prazo a ser observado para pedidos de restituição/compensação protocolados até 08/06/2005 é de dez anos contados a partir dos fatos geradores, em julgamento submetido à sistemática prevista no art. 543-B do CPC e tendo a PGFN já adotado os procedimentos estabelecidos na Portaria PGFN/RFB nº1, de 2014, as unidades da RFB devem reproduzir tal entendimento. FINSOCIAL. ALÍQUOTA SUPERIOR A 0,5%. RESTITUIÇÃO. Cabível a restituição/compensação dos valores recolhidos a maior a título de Finsocial com alíquota superior a meio por cento, nos períodos de janeiro/1990 a março/1992. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte Foi apresentado Recurso Voluntário, às fls 568/560. É o relatório. Voto

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1459; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3­C3T1  Fl. 588          1 587  S3­C3T1  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  10070.001232/98­19  Recurso nº            Voluntário  Resolução nº  3301­001.072  –  3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária  Data  26 de março de 2019  Assunto  OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES  Recorrente   RAIZEN COMBUSTIVEIS S.A.   Recorrida  Fazenda Nacional    Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Resolvem  os  membros  do  colegiado,  por  maioria  de  votos,  converter  o  julgamento  em  diligência,  para  que  o  órgão  preparador  informe  os  cálculos  referentes  ao  acórdão  que  foi  parcialmente  procedente  à  Recorrente,  consoante  disciplina  o  art.  45,  do  Decreto  nº  70.235/72  e  o  Parecer  Normativo  Cosit  nº  02/2016.  Vencidos  os  Conselheiros  Marcelo Costa Marques D´Oliveira e Salvador Cândido Brandão Júnior, que votaram por não  conhecer o recurso voluntário.     (assinado digitalmente)  Winderley Morais Pereira Presidente       (assinado digitalmente)   Liziane Angelotti Meira     Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Liziane Angelotti  Meira,  Marcelo  Costa  Marques  D'  Oliveira,  Ari  Vendramini,  Salvador  Cândido  Brandão  Júnior,  Marco  Antônio  Marinho  Nunes,  Semíramis  de  Oliveira  Duro,  Valcir  Gassen  e  Winderley Morais Pereira (Presidente).      Relatório  Visando à elucidação do caso, adoto e cito o  relatório do constante da decisão  recorrida:     RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 00 70 .0 01 23 2/ 98 -1 9 Fl. 588DF CARF MF Processo nº 10070.001232/98­19  Resolução nº  3301­001.072  S3­C3T1  Fl. 589            2 Trata­se  de  pedidos  de  compensação  e  pedido  de  restituição  fundamentados  na  alegação  de  pagamentos  a  maior  de  Finsocial  em  virtude das majorações de sua alíquota julgadas inconstitucionais pelo  Supremo  Tribunal  Federal.  Apensos  a  este  processo  administrativo  encontram  os  de  nº  10070.001404/97­83  e  nº  10070.000256/2002­17,  tendo em vista  que  os pedidos  de  compensação  objetos  desses  outros  autos se referem ao mesmo direito creditório.   A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Maiores Contribuintes –  Demac – no Rio de Janeiro, por meio do despacho decisório de fl. 403  (a numeração de referência é sempre a da versão digital do processo),  assim decidiu:   1. DETERMINAR sejam excluídos do presente processo (fl. 102) e do  processo  apenso  de  n°  10070.000256/2002­17  (fl.  01)  os  débitos  de  COFINS  indevidamente cadastrados, por não caber o controle desses  por processo,  tendo em vista que sua compensação com FINSOCIAL,  contribuição da mesma espécie e destinação constitucional, independia  de requerimento à Receita Federal para ser efetuada, bastando que se  operasse a compensação nos livros contábeis do contribuinte;   2.  NÃO  RECONHECER  o  direito  creditório  com  origem  em  suposto  pagamento  a  maior  que  o  devido  de  FINSOCIAL  (código  de  receita  6120) de janeiro de 1990 a março de 1992;   3. INDEFERIR o pedido de restituição objeto do presente processo;   4.  RECONHECER  a  homologação  tácita,  consoante  o  disposto  no  artigo  74,  parágrafo  5o  da  Lei  n°  9.430/96,  dos  pedidos  de  compensação de  folhas 01,39,45,58,75,83 e 113 do presente processo  convertidos em Declaração de Compensação nos termos do artigo 74,  parágrafo 5o da Lei n° 9.430/96.   Esse despacho decisório teve por base o Parecer DIORT/DEMAC/ RJO  nº  055/2012,  juntado  às  fls.  399/402,  o  qual,  por  sua  vez,  teve  por  fundamento os seguintes argumentos:   6 Relatório de diligência de fls. 130 a 135, em seu item 7, atestou um  montante  referente  a  recolhimentos  da  contribuição  para  o  F1NSOCIAL efetivados  com alíquota  superior a 0,5%, no período de  112.022.141,58 UF1R. Inspeção do referido relatório permite concluir  que tal montante foi levantado sem considerar qualquer utilização em  compensação contábil nos termos do art. 66 da Lei 8.383/91. Deve ser  observado, contudo, que a interessada efetuou diversas compensações  com contribuição de mesma espécie,  como consta nos demonstrativos  de fls. 63 a 65 e 108 a 110 dos presentes autos e demonstrativo de fls.  04 a 05 do processo 10070.001404/97­83.   7 Demonstrativo  de  folhas  182  apura  um montante  de  21.005.248,52  UFIR, correspondente ao total dos débitos de COFINS dos períodos de  apuração  de  abril  de  1992  a  dezembro  de  1995,  compensados  contabilmente  pela  interessada,  nos  termos  do  artigo  66  da  Lei  8.383/914.  Tal  compensação  independente  de  requerimento  à Receita  Federal, nos termos do artigo 14 da IN SRF N° 21/97) e foi informada  pela  interessada  no  demonstrativo  de  fls.  04  a  05  do  processo  Fl. 589DF CARF MF Processo nº 10070.001232/98­19  Resolução nº  3301­001.072  S3­C3T1  Fl. 590            3 10070.001404/97­83, juntamente com débitos de COFINS de períodos  posteriores à 31/12/95.   8 Deduzindo­se do  valor  levantado pela  fiscalização conforme  item 6  os  débitos  de  tributos  da  mesma  espécie  e  destinação  constitucional  (débitos  de COFINS)  apurados  até  31.12.95,  conforme  item  anterior,  chegamos  a  um  valor  de  91.016.893,06  UFIR  que,  convertido  para  reais em 01.01.96 (UFIR de Dez/95 ­ R$ 0,8287), monta a quantia de  RS 75.425.699,27.   9 Do valor levantado pela fiscalização conforme item 6 e deduzido das  compensações  contábeis  efetuadas  pela  empresa  conforme  item  anterior,  deduziram­se  os  demais  débitos  de  COFINS  relativos  a  período de apuração posterior à 31.12.95 compensados contabilmente  conforme  demonstrativo  de  fls.  146  e  pedido  de  compensação  de  fls.  102  do  presente  processo  e  de  folhas  01  do  processo  10070.000256/2002­171. Após  tais compensações  contábeis, conforme  relatórios de  folhas 182 A 186,  restou um saldo de R$ 24.980.564,02  que  constitui  no  valor  de  finsocial  referente  a  recolhimentos  da  contribuição  para  o  FINSOCIAL  efetivados  com  alíquota  superior  a  0,5% após às compensações contábeis com tributo da mesma espécie e  natureza tributária, nos moldes do art. 66 da Lei 8.383/91.   10 Neste  ponto,  cabe  comentar  que,  conforme  folha  174  do  presente  processo  e  folha  16  do  processo  10070.000256/2002­17,  estão  cadastrados no PROF1SC débitos oriundos de compensações contábeis  de  FINSOCIAL  com  COFINS  (contribuições  da  mesma  espécie  e  destinação  constitucional).  Tais  débitos  não  devem  estar  controlados  neste processo, tendo em vista que estas compensações independem de  requerimento à RFB, nos termos do artigo 14 da IN SRF N° 21/97, não  se constituindo em compensação administrativa.   11 Em que pese a fiscalização ter atestado haver recolhimentos para o  FINSOCIAL  efetivados  com  alíquota  superior  a  0,5%,  referentes  aos  períodos  de  apuração  de  janeiro/90  a  março/92,  deve  se  considerar  que  os  mesmos  foram  efetuados  em  conformidade  com  a  legislação  vigente à época do respectivo fato gerador, não havendo que se  falar  em indébito.   12  Neste  ponto  cumpre  observar  que  a  decisão  proferida  no  RE  150.764/PE  (citada  pela  interessada  às  folhas  07  do  processo  10070.001404/97­83),  em  cujo  teor  consta  declaração  de  inconstitucionalidade da norma que majorou a alíquota da exação, na  via  de  defesa,  não  atinge  automaticamente  situações  concretas  formadas sob a égide e durante a vigência da norma impugnada. Isto  porque  o  Senado  não  conferiu  eficácia  erga  omnes  à  decisão  do  Supremo,  proferida  no  RE  150.764/PE  11  ,  que  declarou  a  inconstitucionalidade de artigos de leis dispondo sobre a Contribuição  para o FINSOCIAL.   13 É de se repisar que a declaração de inconstitucionalidade proferida  em sede de recurso extraordinário, portanto em controle difuso, como é  o  caso  do RE 150.764/PE,  enquanto  não  suspensa  a  execução  da  lei  pelo  Senado  Federal,  não  irradia  efeitos  erga  omnes  nem  faz  coisa  julgada,  senão  entre  partes  do  processo  no  qual  foi  proclamada.  Terceiro,  eventualmente  prejudicado,  ainda  que  venha  demandar  em  Fl. 590DF CARF MF Processo nº 10070.001232/98­19  Resolução nº  3301­001.072  S3­C3T1  Fl. 591            4 juízo,  caso ainda não  tenha operado a prescrição, para  reaver o que  lhe  teria  sido  cobrado  por  força  da  lei  julgada  inconstitucional,  por  certo  não  logrará  êxito,  em  razão  da  intangibilidade  das  situações  jurídicas concretas, as quais não poderão ser alcançadas pelos efeitos  da declaração de inconstitucionalidade proferida pelo STF em sede de  Recurso Extraordinário.   14  Sobre  o  caso,  não  é  excesso  citar  o  que  consta  na  conclusão  do  PARECER  N°.  3.401  DE  31  /10  /2002,  assinado  pelo  Ministro  de  Estado da Fazenda e publicado no DOU em 02/01/2003. Transcreve­ se:   "(...)  43.  Diante  do  exposto,  a  síntese  do  entendimento  doutrinário  acima esposado conduz, inexoravelmente, à conclusão de que os efeitos  da  decisão  proferida  pelo  Supremo  Tribunal  Federal  no  RE  150.764/PE  não  tem  o  condão  de  alcançar  as  situações  jurídicas  concretas  decorrentes  de  decisões  judiciais  transitadas  em  julgado,  favoráveis à União (Fazenda Nacional). Assim, pode­se concluir que a  questão submetida a esta Procuradoria­Geral deve ser harmonizada no  sentido de que:   (...)b) repetindo, a decisão do STF que  fulminou a norma no controle  difuso de constitucionalidade também não poderá ser invocada para o  fim  de  automática  e  imediatamente  desfazer  situações  jurídicas  concretas e direitos subjetivos, porque não foram objeto da pretensão  declaratória de inconstitucionalidade;   c)  os  contribuintes  que  porventura  efetuaram  pagamento  espontâneo,  ou parcelaram ou tiveram os depósitos convertidos em renda da União,  sob  a  vigência  de  norma  cuja  eficácia  tenha  vindo  a  ser,  posteriormente, suspensa pelo Senado Federal, não fazem jus, em sede  administrativa,  à  restituição,  compensação  ou  qualquer  outro  expediente que resulte em renúncia de crédito da União;" (grifei)   15  Além  do  mais,  já  que  as  leis  outrora  vigentes  não  tiveram  sua  execução suspensa pelo Senado Federal, eventual pedido de repetição  de indébito referente a suposto pagamento a maior deveria respeitar o  prazo  de  5  (cinco)  anos  previsto  no  artigo  165,  inciso  I,  combinado  com o artigo 168,1, ambos do Código Tributário Nacional  (CTN, Lei  LEI N° 5.172, DE 25 DE OUTUBRO DE 1966).   16 Tal é o entendimento esposado no Ato Declaratório SRF n° 096, de  26 de novembro de 1999:   (...)17 Apesar  de  não  caber  direito  ao  interessado,  forçoso  é  admitir  que os débitos controlados pelos presente processo e pelos respectivos  apensos são incobráveis, tendo em vista que:   17.1 Os débitos informados no pedido de folhas 1 e referido anexo I de  folhas  2  e  3  do  processo  10070.001404/97­83  relativos  ao  PIS  das  competências não se encontram nem controlados nem constituídos no  presente  processo,  tendo  em  vista  que  o  pedido  de  compensação  de  folhas  01  foi  apresentado  em  12/09/1997  e  não  se  converteu  em  Declaração  de  Compensação.  Ademais,  todos  os  débitos  de  PIS  confessados  em  DCTF/DIRPJ  relativos  aos  períodos  de  01/1990  a  Fl. 591DF CARF MF Processo nº 10070.001232/98­19  Resolução nº  3301­001.072  S3­C3T1  Fl. 592            5 04/1997  se  encontram  extintos  por  liquidação  nos  sistemas  da  RFB,  conforme observa­se nos relatórios de folhas 188 a 193;   17.2  O  débito  de  COFINS  constante  do  pedido  de  compensação  de  folhas  01  do  processo  10070.000256/2002­17  é  débito  de  mesma  espécie e destinação constitucional que o FINSOCIAL e portanto não  dependia  de  requerimento  à  Receita  Federal  para  que  fosse  compensado contábilmente, não devendo estar controlado em processo.    17.3 Os débitos de COFINS constantes do pedido de compensação de  folhas  102  do  do  presente  processo  são  débitos  de mesma  espécie  e  destinação constitucional que o FINSOCIAL e portanto não dependiam  de  requerimento  à  Receita  Federal  para  que  fossem  compensados  contabilmente, não devendo estar controlado em processo.   17.4 Os demais Pedidos de Compensação de folhas 01, 39, 45, 58, 75,  83  e  113  do  presente  processo  se  converteram  cm  Declaração  de  Compensação nos termos do § 4o do artigo 74 da Lei 9.430/96, sendo  que tendo decorrido mais de 5 (cinco) anos da sua protocolização, seus  débitos  se  encontram  homologados  tacitamente,  consoante  o  que  dispõe o art. 74, § 5o da Lei n° 9.430/96.   17.5  Até  a  presente  data,  não  há  DCOMP  eletrônica  vinculada  ao  presente  processo,  nem  aos  seus  apensos,  conforme  consulta  de  fls.  194.   1 O pedido de folhas 102 do presente processo deve ser tomado como  compensação contábil nos termos do artigo 66 da 8.383/91, já que foi  efetuado com tributo da mesma espécie e destinação constitucional. Tal  compensação  independia  de  autorização  da  Receita  Federal  nos  termos  do  artigo  14  da  Instrução  Normativa  nº  21/97.  (nota  do  original)   Cientificada  do  despacho  decisório  em  04/02/2016  (fl.  412),  a  contribuinte  apresentou,  em  07/03/2016  (fl.  523),  manifestação  de  inconformidade  (fls.  417/439),  na  qual,  depois  de  dizer  da  tempestividade de sua defesa, alega que:     a  origem  do  crédito  foram  recolhimentos  a  maior  a  título  de  Finsocial. Os valores a maior foram recolhidos durante a vigência das  Leis nº 7.689, de 1988, nº 7.689, de 1988, nº 7.787, de 1989, nº 7.894,  de 1989 e nº 8.147, de 1990. Todos os normativos constantes daquelas  leis  que  determinaram  acréscimos  no  tocante  ao  recolhimento  do  Finsocial foram declarados inconstitucionais pelo plenário do STF, nos  autos  do  Recurso  Extraordinário  nº  150.764/PE.  O  descabimento  daquelas  exigências,  bem assim a  autorização para que não  restassem  constituídos quaisquer créditos tributários que tivessem amparo nas leis  anteriormente mencionadas foram consignados nos Decretos nºs 1.601,  de 1995 e 2.346, de 1997, bem como na  Instrução Normativa SRF nº  31, de 1997. Aliás, foram justamente esses atos legais e normativos que  respaldaram o pedido de  restituição  e  as declarações de  compensação  apresentados;    a autoridade fiscal faz tabula rasa dos Decretos nºs 1.601, de 1995 e  2.346, de 1997, bem como da Instrução Normativa SRF nº 31, de 1997;   Fl. 592DF CARF MF Processo nº 10070.001232/98­19  Resolução nº  3301­001.072  S3­C3T1  Fl. 593            6  a  revisão dos valores pendentes de julgamento, determinada no art.  2º,  §  1º,  da  Instrução  Normativa  SRF  nº  31,  de  1997,  é  nítido  reconhecimento  de  que  não  deveria  ser  cobrado  nenhum  valor  que  tivesse supedâneo nas normas declaradas inconstitucionais pelo STF;     desnecessária  a  manifestação  do  Senado  Federal,  pois  o  próprio  Fisco  reconheceu  o  descabimento  das  exigências,  determinando  que  não  fossem  constituídos  créditos  tributários  que  tivessem  por  objeto  aqueles normativos que majoraram a alíquota;    formalizou seus pedidos de restituição e declarações de compensação  dentro do prazo prescrito pelos arts. 165 e 168 da Lei nº 5.172, de 25 de  outubro de 1966, Código Tributário Nacional,  em clara observância  à  tese dos "cinco mais cinco", plenamente aplicável para pretensões antes  da  vigência  da  Lei  Complementar  nº  118,  de  2005,  como  já  reconhecido  pelo  Superior  Tribunal  de  Justiça,  em  sede  de  recursos  repetitivos, pelo STF e pela jurisprudência do Conselho Administrativo  de Recursos Fiscais;     antes  do  reconhecimento  da  tese  dos  "cinco  mais  cinco",  a  jurisprudência  administrativa  fixou  que  o  termo  inicial  para  formalização  do  pedido  de  restituição  deveria  ser  contado  a  partir  da  data  de  publicação  da Medida  Provisória  nº  1.110,  de  1995,  ou  seja,  teria início em 31/08/1995 (cf. Acórdão nº 03­04.487);    a higidez e a plausibilidade de sua pretensão eram tão evidentes que  a  autoridade  Fiscal  determinou  a  realização  de  todas  as  diligências  necessárias à aferição dos pagamentos realizados a maior e o montante  dos débitos compensados;     todos  os  valores  recolhidos  a  maior  foram  reconhecidos  como  efetivamente  realizados  e,  após  as  compensações  efetivadas,  foi  apurado saldo credor no montante de R$ 24.980.564,02;     era  desnecessária  a  propositura  de qualquer medida  judicial  para  a  recuperação  dos  valores  recolhidos  a  maior,  bastando  a  apresentação  dos  pedidos  de  restituição  e  das  declarações  de  compensação,  em  homenagem  aos  princípios  da  segurança  jurídica,  da  isonomia  e  da  celeridade;    no julgamento do RE nº 566.621, o STF firmou entendimento de que  o  prazo  de  cinco  anos  seria  aplicável  aos  pedidos  e  ações  judiciais  formalizados  após  a  vigência  da  Lei  Complementar  nº  118,  de  2005.  Assim, para todas as pretensões manifestadas antes da edição dessa lei  complementar,  e  que  se  refiram  a  tributos  sujeitos  a  lançamento  por  homologação,  como  era  o  caso  do Finsocial,  deve  ser  aplicada  a  tese  dos  cinco  mais  cinco.  Com  isso,  a  requerente  deve  obter  o  reconhecimento, em seu favor, do equivalente a R$ 24.980.564,02.   Analisada a manifestação de inconformidade, a Delegacia da Receita Federal do  Brasil  de  Julgamento  julgou  procedente  em  parte  a manifestação  de  inconformidade,  com  a  seguinte ementa :   ASSUNTO:  OUTROS  TRIBUTOS  OU  CONTRIBUIÇÕES  Período  de  apuração:  01/01/1990  a  31/03/1992  RESTITUIÇÃO.  COMPENSAÇÃO. PRAZO.   Fl. 593DF CARF MF Processo nº 10070.001232/98­19  Resolução nº  3301­001.072  S3­C3T1  Fl. 594            7 Estabelecido, pelo plenário do STF, que o prazo a  ser observado para  pedidos  de  restituição/compensação  protocolados  até  08/06/2005  é  de  dez  anos  contados  a  partir  dos  fatos  geradores,  em  julgamento  submetido à sistemática prevista no art. 543­B do CPC e tendo a PGFN  já adotado os procedimentos estabelecidos na Portaria PGFN/RFB nº1,  de 2014, as unidades da RFB devem reproduzir tal entendimento.   FINSOCIAL. ALÍQUOTA SUPERIOR A 0,5%. RESTITUIÇÃO.   Cabível  a  restituição/compensação  dos  valores  recolhidos  a  maior  a  título de Finsocial com alíquota superior a meio por cento, nos períodos  de janeiro/1990 a março/1992.   Manifestação  de  Inconformidade  Procedente  em  Parte  Direito  Creditório Reconhecido em Parte   Foi apresentado Recurso Voluntário, às fls 568/560.  É o relatório.    Voto   Conselheira Liziane Angelotti Meira ­ Relatora.  Necessário retomar algumas informações:  O Acórdão  recorrido  reconheceu o direito  creditório pleiteado pela Recorrente  no montante de R$ 24.980.564,02. Contudo o provimento foi parcial, nos seguintes termos (fl. 554):  Em face do exposto, voto pela procedência em parte da manifestação  de  inconformidade,  reconhecendo o direito creditório no montante de  R$  24.980.564,02,  valor  este  em  01/01/1996,  homologando  as  compensações relativas aos pedidos de fls. 3, 64, 71, 86, 106, 116 e 148  deste  processo  administrativo  e  o  pedido  de  fl.  3  do  processo  administrativo nº 10070.001404/97­83, além das demais compensações  previstas em lei, até o limite desse crédito e, restando saldo disponível,  deferindo  a  restituição  deste  à  contribuinte  Conforme  assevera  a  Recorrente, a decisão foi ilíquida, pois determinou "abatimento com os  débitos relativos aos pedidos de compensação de fls. 3, 64, 71, 86, 106,  116  e  148  do  processo  administrativo  nº  10070.001.232/98­19  e  o  pedido  de  fl.  3  do  processo  administrativo  nº  10070.001404/97­83,  além de outras compensações previstas em Lei".  No entanto, conforme defende a Recorrente, a determinação relativa ao processo  nº 10070.001404/97­83 é contraditória, pois consta da decisão recorrida o seguinte:   17.1. Os débitos informados no pedido de folhas 1 e referido anexo I de  folhas  2  e  3  do  processo  10070.001404/97­83  relativos  ao  PIS  das  competências não se encontram nem controlados nem constituídos no  presente  processo,  tendo  em  vista  que  o  pedido  de  compensação  de  folhas  1  foi  apresentado  em  12/09/1997  e  não  se  converteu  em  Declaração  de  Compensação.  Ademais,  todos  os  débitos  de  PIS  Fl. 594DF CARF MF Processo nº 10070.001232/98­19  Resolução nº  3301­001.072  S3­C3T1  Fl. 595            8 confessados  em  DCTF/DIRPJ  relativo  aos  períodos  de  01/1998  a  04/1997 se encontram extintos por  liquidação nos  sistemas da RFB,  conforme  se  observa  nos  relatórios  de  folhas  188  a  193.  (Grifos  da  Recorrente)  Nesse  contexto,  propõe­se  que  seja  determinada  a  baixa  do  processo  em  diligência,  para  que  o  órgão  preparador  informe  os  cálculos  referentes  ao  acórdão  que  foi  parcialmente procedente à Recorrente, consoante disciplina o art. 45, do Decreto nº 70.235/72 e  o Parecer Normativo Cosit nº 02/2016.  Após  concluída  a  diligência,  a  unidade  de  origem  deverá  cientificar  o  contribuinte, dando­lhe prazo de 30 dias para se pronunciar.  Concluídas  as  etapas  anteriores  o  processo  deve  ser  devolvido  ao CARF  para  que se prossiga no julgamento.    (assinado digitalmente)  Liziane Angelotti Meira      Fl. 595DF CARF MF

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Numero do processo: 10880.972164/2010-14
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 27 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon May 20 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/04/2003 a 30/06/2003 COMPENSAÇÃO. CONCOMITÂNCIA. SÚMULA N° 1 DO CARF. Restando toda a matéria objeto do processo administrativo submetida à apreciação do Poder Judiciário, não há que se conhecer o recurso voluntário, por imperativo da Súmula CARF n° 1. Recurso Voluntário Não Conhecido.
Numero da decisão: 3301-005.945
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer o recurso voluntário, em razão da concomitância com o processo judicial n° 2009.61.00.015835-9. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira – Presidente (assinado digitalmente) Semíramis de Oliveira Duro - Relatora Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Liziane Angelotti Meira, Marco Antonio Marinho Nunes, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior e Semíramis de Oliveira Duro.
Nome do relator: SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO

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3301­005.945  –  3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária   Sessão de  27 de março de 2019  Matéria  CONCOMITÂNCIA SÚMULA CARF N° 1  Recorrente  EDITORA ABRIL S/A  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS ­ IPI  Período de apuração: 01/04/2003 a 30/06/2003  COMPENSAÇÃO. CONCOMITÂNCIA. SÚMULA N° 1 DO CARF.   Restando  toda  a  matéria  objeto  do  processo  administrativo  submetida  à  apreciação do Poder Judiciário, não há que se conhecer o recurso voluntário,  por imperativo da Súmula CARF n° 1.  Recurso Voluntário Não Conhecido.       Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer  o  recurso  voluntário,  em  razão  da  concomitância  com  o  processo  judicial  n°  2009.61.00.015835­9.   (assinado digitalmente)  Winderley Morais Pereira – Presidente  (assinado digitalmente)  Semíramis de Oliveira Duro ­ Relatora  Participaram  da  presente  sessão  de  julgamento  os  conselheiros  Winderley  Morais  Pereira  (Presidente),  Marcelo  Costa  Marques  d'Oliveira,  Valcir  Gassen,  Liziane  Angelotti Meira, Marco Antonio Marinho Nunes, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão  Junior e Semíramis de Oliveira Duro.  Relatório     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 97 21 64 /2 01 0- 14 Fl. 380DF CARF MF Processo nº 10880.972164/2010­14  Acórdão n.º 3301­005.945  S3­C3T1  Fl. 381          2 Adoto o relatório da decisão recorrida, por bem descrever os fatos:  O  contribuinte  em  epígrafe  pediu  o  ressarcimento  do  saldo  credor do IPI apurado no período em destaque, com base na Lei  nº 9.779/99, a  fim de ser utilizado na compensação dos débitos  que declarou.  Apurado em procedimento fiscal que os créditos escriturados se  referiam  a  insumos  aplicados  na  industrialização  de  produtos  não  tributado  pelo  imposto  (Livros,  jornais  e  periódicos)  foi  exarado  o  Despacho  Decisório  não  reconhecendo  o  direito  creditório e não homologando as compensações.  Atente­se  que,  depois  da  transmissão  da  PERDCOMP,  porém  antes do Despacho Denegatório o contribuinte ingressou com o  mandado de segurança nº 2009.61.00.015835­9, com o objetivo  de  assegurar  o  direito  à  manutenção  do  saldo  credor  de  IPI  oriundo  dos  créditos  decorrentes  da  aquisição  de  insumos  tributados,  empregados  em  processo  industrial  cuja  posterior  saída  se  dá  com  imunidade,  bem  como  a  compensação  dos  créditos com outros tributos federais administrados pela Receita  Federal do Brasil.  Tempestivamente, o interessado apresentou sua manifestação de  inconformidade  alegando  que  seu  direito  creditório  é  constitucionalmente  garantido,  porque,  tratando­se  de  saída  imune,  não  há  sequer  necessidade  de  previsão  em  lei  para  o  exercício do direito ao  eventual  crédito,  sob pena de  se onerar  pelo  IPI atividade que o  constituinte  expressamente desonerou,  assim,  a  lei  n°  9.779/99  entendeu  necessário  incluir  expressamente  isenção  e  alíquota  zero,  já  que  para  imunidade  não havia dúvida,  sendo que a  IN SRF nº 33/99 expressamente  teria  admitido  o  ressarcimento  do  saldo  credor  do  IP  no  caso  dos produtos imunes.  Mesmo  que  esse  entendimento  não  fosse  aceito,  só  se  poderia  limitar  o  direito  do  interessado  a  partir  da  publicação  do  Ato  Declaratório  Interpretativo  SRF  n°  05/2006,  por  isso,  citando  legislação  e  julgados  defende  que mesmo  tendo  ingressado  no  Poder  Judiciário  para  discutir  a  constitucionalidade  administrativa deste Ato, entende que sua manifestação deve ser  apreciada  no  via  administrativa,  ou  que  o  presente  processo  deve  ter  seu  curso  suspenso  até  a  sentença  transitada  em  julgado.  A  2ª  Turma  da  DRJ/RPO  negou  provimento  à  manifestação  de  inconformidade, acórdão nº 14­45.715, com decisão assim ementada:  IPI. RESSARCIMENTO. PRODUTO N/T.  Inexiste  direito  de  crédito  pela  entrada  de  insumos  para  fabricação de  produtos  que  estão  fora  do  campo de  incidência  do  imposto,  pois  neste  caso  o  IPI  deve  ser  contabilizado  como  custo.  Fl. 381DF CARF MF Processo nº 10880.972164/2010­14  Acórdão n.º 3301­005.945  S3­C3T1  Fl. 382          3 CONCOMITÂNCIA DE OBJETO.  As  decisões  do  Poder  Judiciário  prevalecem  sobre  o  entendimento da esfera administrativa, assim, não se discute na  esfera  administrativa  a  mesma  matéria  discutida  em  processo  judicial.  Em seu recurso voluntário, a Recorrente alega a ausência de concomitância e  repisa  a  argumentação  quanto  à  interpretação  da  legislação  que  lhe  garantiria  a  tomada  de  crédito de IPI.  Ao final, requer seja dado provimento integral ao recurso voluntário ou que  se aguarde o desfecho da ação judicial.    É o relatório.  Voto             Conselheira Semíramis de Oliveira Duro, Relatora  Na  origem,  a  Recorrente  apresentou  PER/DCOMP,  solicitando  o  ressarcimento de créditos de IPI, decorrentes de aquisição de insumos tributados, empregados  no processo industrial cuja saída posterior se dá com imunidade, nos termos do art. 11 da Lei  n° 9.779/99 e IN SRF n° 33/99.  A autoridade fiscal considerou esses créditos indevidos, com fundamento no  RIPI  e  no  ADI  SRF  n°  5/2006,  pois  “produtos  amparados  por  imunidade  encontram­se  excluídos do campo de incidência do IPI, sendo vedada a manutenção de suposto credito de  IPI  sobre  insumos,  por  falta  de  previsão  legal  pata  tanto  e  porque  o  art.  164,  inc.  I,  do  RIPI/2002  restringe a manutenção do  credito  sobre  insumos àqueles aplicados  em produtos  tributados”.  A  DRJ  reconheceu  a  concomitância  entre  as  instâncias  administrativa  e  judicial, nos seguintes termos:  Diante disso, é claro nos autos que o interessado ingressou com  o  MS  nº  2009.61.00.015835­9,  com  o  objetivo  de  assegurar  o  direito  à  manutenção  do  saldo  credor  de  IPI  oriundo  dos  créditos  decorrentes  da  aquisição  de  insumos  tributados,  empregados em processo industrial cuja posterior saída é imune.  Logo,  ocorreu  a  concomitância  entre  o  processo  judicial  e  o  processo  administrativo,  portanto,  impende  destacar  o  teor  do  Ato Declaratório Normativo COSIT nº 3, de 14 de  fevereiro de  1996, assim transcrito: (...)  Conforme as alíneas “a” e “c” do ato normativo em comentário,  a autoridade administrativa não  toma conhecimento de matéria  suscitada  em  impugnação  com  mesmo  objeto  de  matéria  submetida  a  pedido  de  prestação  jurisdicional,  anterior  ou  posterior  à  autuação,  como  é  o  caso  do  direito  creditório  pleiteado,  cabendo  a  imediata  cobrança  do  débito  cuja  Fl. 382DF CARF MF Processo nº 10880.972164/2010­14  Acórdão n.º 3301­005.945  S3­C3T1  Fl. 383          4 exigibilidade  não  esteja  suspensa.  A  Lei  nº  6.830,  de  22  de  setembro  de  1980,  art.  38,  §  único,  traça  os  contornos  gerais  desta regulamentação administrativa.  A conclusão da regra em referência tem natureza legal e lógica  porque  a  decisão  do  Poder  Judicial  se  sobrepõe  à  decisão  administrativa.  Não  teria nenhum sentido a Administração decidir matéria que  esteja  sob  a  apreciação  do  Poder  Judiciário,  pois  sua  decisão  não tem nenhum valor perante a decisão final daquele Poder. A  via judicial é uma opção adotada pela contribuinte no seu livre  exercício de escolha. Nesse sentido, o artigo 5º, inciso XXXV, da  Constituição Federal  de  1988,  declara  que  “a  lei  não  excluirá  da apreciação do Poder Judiciário lesão ou ameaça a direito”.   Afinal, o ordenamento jurídico brasileiro não alberga o instituto  da  dualidade  de  jurisdição,  não  podendo  haver,  sob  nenhuma  hipótese,  a  sobreposição  da  decisão  administrativa  à  sentença  judicial como direito público subjetivo.  O  exercício  dessa  faculdade  produz,  como  efeito  processual  obrigatório, a perda do poder de continuar a parte a  litigar na  esfera administrativa. Destarte, em se discutindo o mesmo objeto  concomitantemente  em  ambas  esferas,  o  legislador  reputou  prudente  a  abstenção  da  autoridade  administrativa  em  face  da  supremacia do Poder Judiciário.  Por  isso,  a  opção  da  contribuinte  pela  via  judicial  encerra  o  processo  administrativo  fiscal  em  definitivo,  em  qualquer  fase.  Somente ao Poder Judiciário é dada a capacidade de examinar  as questões a ele  submetidas de  forma definitiva, com efeito de  coisa julgada. Consagra­se, assim, o monopólio da jurisdição ao  Poder Judiciário e o direito de invocar a atividade jurisdicional.  (...)  Dessa  maneira,  não  cabendo  decidir  de  modo  diverso  ao  proferido  pelo  Poder  Judiciário,  não  pode  o  julgador  administrativo  conhecer  da  impugnação  relativamente  às  matérias sub judice.  Por  conseguinte,  só  surgirá  a  necessidade  de  auditoria  fiscal,  com minuciosa análise do direito creditório apresentado, após a  sentença  transitada  em  julgado,  caso  esta  seja  favorável  ao  contribuinte.  A  despeito  da  r.  decisão  da  DRJ/RPO  ter  reconhecido  a  concomitância,  passou à análise da legislação do direito creditório, apontando que o art. 11, da Lei nº 9.779/99  e  a  IN  SRF  nº  33/99,  que  admitem  a  possibilidade  de  se  aproveitar  o  saldo  credor  do  IPI  oriundos  da  entrada de matéria­prima,  produto  intermediário  ou material  de  embalagem,  via  ressarcimento, não se aplicam ao presente caso, já que os insumos foram destinados a produtos  não  tributados  pelo  imposto  em  virtude  da  imunidade.  E  ao  final,  negou  provimento  à  manifestação de inconformidade.  Fl. 383DF CARF MF Processo nº 10880.972164/2010­14  Acórdão n.º 3301­005.945  S3­C3T1  Fl. 384          5 Entendo  que  a  discussão  judicial  envolve  exatamente  o  mesmo  objeto  do  presente  processo  administrativo.  Dessa  forma,  não  restam  outras  matérias  para  serem  apreciadas, como se demonstra a seguir.  A  concomitância  pressupõe  identidade  de  objeto  nas  discussões  administrativa  e  judicial,  nesse  sentido  o  Parecer  Normativo  COSIT  nº  7,  de  22/08/2014,  verbis:  (...)  6.1.  Vê­se  que  é  possível  a  apreciação  do  processo  na  esfera  administrativa  quando  seu  objeto  seja  diferente  ou mais  amplo  que o da ação judicial, como, por exemplo, na concomitância de  um processo judicial em que se discute a constitucionalidade da  norma impositiva da exação e um processo administrativo fiscal  cujo objeto seja alguma questão de fato, tal como a apuração do  valor  devido  ou  outra  forma  de  verificação  do  controle  de  legalidade  do  lançamento  do  crédito  tributário  porventura  existente.  Da identidade de objetos dos processos administrativo e judicial  9.  Poder­se­ia  questionar  quanto  à  definição  da  expressão  “mesmo objeto” a que se reportam o ADN Cosit nº 3, de 1996, a  Súmula  nº 1 do CARF e  a Portaria MF nº 341,  de  2011.  Aqui,  faz­se mister diferenciar o objeto da relação jurídica substancial  ou  primária  do  objeto  da  relação  jurídica  processual.  Aquele  consiste  no  bem da  vida  sobre  o  qual  recaem os  interesses  em  conflito, in casu, o patrimônio do contribuinte; este, por sua vez,  diz  respeito  ao  serviço  que  o Estado  tem o  dever  de prestar,  e  nos procedimentos de que este se utiliza para  tanto, resultando  no  proferimento  de  decisões  administrativas  ou  judiciais  em  cada  processo,  guardando  relação  de  instrumentalidade  com  a  real  demanda  do  autor  (JUNIOR,  Nelson  Nery;  NERY,  Rosa  Maria de Andrade. Constituição Federal Comentada. 2. ed. São  Paulo: Editora Revista dos Tribunais, 2009. p. 179).  9.1.  Assim,  só  produz  o  efeito  de  impedir  o  curso  normal  do  processo administrativo a existência de processo judicial para o  julgamento de demanda idêntica, assim caracterizada aquela em  que  se  verificam  as  mesmas  partes,  a  mesma  causa  de  pedir  (fundamentos de fato – ou causa de pedir remota ­ e de direito –  ou  causa  de  pedir  próxima)  e  o  mesmo  pedido  (postulação  incidente  sobre  o  bem  da  vida)  ­  a  chamada  teoria  dos  três  eadem, conforme definida no art. 301, § 2º da Lei nº 5.869, de 11  de  janeiro  de  1973  (Código  de Processo Civil  – CPC),  o  qual  ora se aplica por analogia.  9.2.  Leva­se  em  consideração  o  objeto  da  relação  jurídica  substancial;  se  a  discussão  judicial  se  refere  a  questões  instrumentais  do  processo  administrativo,  contra  as  quais  se  insurge o sujeito passivo da obrigação tributária, não há que se  falar  em  desistência  da  instância  administrativa  nem  em  definitividade  da  decisão  recorrida,  quando  nesta  se  discute  alguma questão de direito material. Se, no entanto, a discussão  Fl. 384DF CARF MF Processo nº 10880.972164/2010­14  Acórdão n.º 3301­005.945  S3­C3T1  Fl. 385          6 administrativa  gira  em  torno  de  alguma  questão  processual,  como  a  tempestividade  da  impugnação,  por  exemplo,  questão  esta  também  levada  à  apreciação  judicial,  configura­se  a  renúncia à esfera administrativa quanto a este ponto específico.  9.3.  Seguindo  esse  raciocínio,  encontra­se  entendimento  na  doutrina  e  na  jurisprudência  de  que  só  se  caracteriza  a  identidade  de  ações  quando  se  verificam  as  mesmas  partes,  o  mesmo pedido e a mesma causa de pedir:  19. Identidade de ações: caracterização. As partes devem ser as  mesmas, não importando a ordem delas nos pólos das ações em  análise.  A  causa  de  pedir,  próxima  e  remota  [...],  deve  ser  a  mesma  nas  ações,  para  que  se  as  tenha  como  idênticas.  O  pedido,  imediato  e mediato,  deve  ser  o mesmo:  bem  da  vida  e  tipo de sentença judicial. Somente quando os três elementos, com  suas  seis  subdivisões,  forem  iguais  é  que  as  ações  serão  idênticas.  (JUNIOR,  Nelson  Nery;  NERY,  Rosa  Maria  de  Andrade.  Código  de  Processo  Civil  Comentado.  11.  ed.  São  Paulo: Editora Revista dos Tribunais, 2010. p. 595)  Litispendência.  Identidade  de  pedidos.  A  identidade de  pedidos  não  caracteriza  a  litispendência.  Somente  se  verifica  a  litispendência  com a  identidade de  ações:  as mesmas  partes,  o  mesmo  pedido  e  a  mesma  causa  de  pedir.  (TRF­5ª,  1ª  T.,  Ap  17299­RN,  rel.  Juiz  Ridalvo  Costa,  v.u.,  j.  10.12.1992,  JSTJ  47/583)  9.4. Vale reproduzir o seguinte excerto do Parecer PGFN/Cocat  nº 2/2013:  49. Dito disso, conferimos ao instituto da concomitância no PAF  o mesmo  tratamento da  litispendência no processo  civil,  pois a  verificação da ausência desses dois pressupostos negativos  têm  como  finalidade  precípua  evitar  o  processamento  de  causas  iguais quando houver: (i) identidade das partes, (ii) da causa de  pedir e  (iii) do pedido (art. 301, §§ 1º e 2º, do CPC; e Súmula  nº 1/CARF).  50. Com efeito, na linha do que foi afirmado no item 26, tanto a  concomitância  quanto  a  litispendência  constituem  requisitos  de  validade  objetivos  extrínsecos  da  relação  processual.  São  pressupostos  negativos,  ou  seja,  fatos  que  não  podem  ocorrer  para que o procedimento se  instaure validamente. Representam  acontecimentos  estranhos  à  relação  jurídica  processual  (daí  o  adjetivo  "extrínseco")  que,  uma  vez  existentes,  impedem  a  formação válida do processo (procedimento).   9.5.  Feitos  esses  esclarecimentos,  e  à  vista  da  terminologia  utilizada  nos  normativos  retromencionados,  adotar­se­á,  neste  parecer, o entendimento de que a expressão “mesmo objeto” diz  respeito àquilo sobre o qual recairá o mérito da decisão, quando  sejam idênticas as demandas. Portanto, tem­se como critérios de  aplicação  da  impossibilidade  do  prosseguimento  do  curso  normal  do  processo  administrativo,  em  vista  da  concomitância  Fl. 385DF CARF MF Processo nº 10880.972164/2010­14  Acórdão n.º 3301­005.945  S3­C3T1  Fl. 386          7 com processo judicial, tanto o pedido como a causa de pedir, e  não somente o pedido.  9.6. Seguindo essa lógica, caso o processo administrativo fiscal  contenha pedido mais abrangente que o do processo judicial, ele  deve ter seguimento somente em relação à parte que não esteja  sendo discutida  judicialmente. Se, por exemplo, a ação  judicial  requer a anulação de um lançamento em relação a determinada  multa,  mas  nada  diz  sobre  a  base  de  cálculo  do  tributo,  e  a  impugnação administrativa tratar também da discussão sobre a  base  de  cálculo,  esta  parte  deverá  ser  objeto  de  julgamento  administrativo.  No  caso  concreto,  a  empresa  sustenta  o  direito  ao  creditamento  sob  os  seguintes pilares: princípio constitucional da não­cumulatividade; impossibilidade de retroação  do ADI SRF n° 5/2006; art. 11 da Lei n° 9.779/99 e IN SRF n° 33/99.  Ao final conclui:  é  indiscutível  a  inaplicabilidade  do  Ato  Declaratório  Interpretativo  n°  5/2006  ao  presente  caso,  que  evidencia,  por  decorrência,  falta  de  qualquer  razão  à  decisão  recorrida,  consubstanciado na negativa no  reconhecimento dos  créditos a  que  faz  jus  a Recorrente  na  aquisição  de  insumos  tributados  e  posterior saída de produtos com imunidade, especificamente no  que tange ao segundo trimestre de 2003.    Confira­se os limites da ação judicial:    Sentença    Vistos  etc.  EDITORA  ABRIL  S/A,  qualificada  na  inicial,  impetrou  o  presente  mandado  de  segurança  contra  ato  do  DELEGADO  DE  ADMINISTRAÇÃO  TRIBUTÁRIA  DA  RECEITA  FEDERAL  DO  BRASIL  EM  SÃO  PAULO,  pelas  razões a seguir expostas: A impetrante afirma que, no exercício  de suas atividades, adquire grande quantidade de papel e outros  insumos  para,  posteriormente,  dar  saída  de  seus  produtos  com  imunidade à  incidência de  impostos,  nos  termos  do artigo 150,  inciso  VI,  alínea  "d"  da  Constituição  Federal.  Alega  que  tais  insumos estão sujeitos à tributação do IPI, que é sujeito à não­ cumulatividade, mas  que,  em  razão  da  imunidade  conferida  na  saída  dos  seus  produtos,  há  somente  o  estabelecimento  de  créditos  na  entrada,  sem  a  posterior  utilização.  Sustenta  ser  devida a tomada de créditos decorrentes da entrada tributada de  insumos  com  posterior  saída  imune,  com  acúmulo  de  saldo  credor  de  IPI,  a  ser  utilizado  na  quitação  de  tributos  administrados pela Receita Federal do Brasil. Alega que, apesar  disso,  foi  editado o Ato Declaratório  Interpretativo nº 06/2006,  que  impede  a manutenção  e  o  aproveitamento  do  saldo  credor  correspondente  aos  créditos  de  IPI  nas  situações  em  que  há  a  aquisição  de  produtos  tributados  com posterior  saída  imune,  o  que  entende  ser  ilegal  e  inconstitucional.  Acrescenta  que  não  Fl. 386DF CARF MF Processo nº 10880.972164/2010­14  Acórdão n.º 3301­005.945  S3­C3T1  Fl. 387          8 discute  o  direito  ao  crédito  em  período  anterior  à  Lei  nº  9.779/99, pretendendo, somente, o reconhecimento da existência  de créditos posteriores à edição da referida lei, que formaram o  saldo credor de IPI, a fim de utilizá­los na quitação de tributos  federais.  Pede  a  concessão  da  segurança  para  que  seja  assegurado  o  direito  líquido  e  certo  à  manutenção  do  saldo  credor  de  IPI  oriundo  de  créditos  decorrentes  da  aquisição  de  insumos  tributados,  empregados  em  processo  industrial  cuja  posterior saída se dá com imunidade, bem como a compensação  dos  créditos  com  outros  tributos  federais  administrados  pela  Receita  Federal  do  Brasil.  A  liminar  foi  indeferida  às  fls.  6033/6035.  Contra  essa  decisão,  foi  interposto  agravo  de  instrumento  pela  impetrante,  ao  qual  foi  concedido  o  efeito  suspensivo pretendido (fls. 6114/6117). Notificada, a autoridade  impetrada prestou informações, às fls. 6042/6056. Nestas, afirma  que a pretensão da impetrante afronta a sistemática de apuração  do IPI e busca arbitrar um valor para os créditos sem que haja  previsão  legal.  Alega  que  o  IPI  é  um  imposto  indireto  e  quem  arca com ele é o adquirente. Por fim, pede que seja denegada a  segurança. A digna representante do Ministério Público Federa  opinou  pelo  prosseguimento  do  feito  (fls.  6058/6059).  É  o  relatório.   Passo a decidir.   A ordem é de ser negada. Vejamos. Verifico que a matéria já foi  apreciada  pelo Colendo Superior Tribunal  de  Justiça. Confira­ se:   "TRIBUTÁRIO.  RECURSO  ESPECIAL.  IPI.  PRETENSÃO  DE  APROVEITAMENTO  DE  VALOR  PAGO  NA  AQUISIÇÃO  DE  MATÉRIAS­PRIMAS,  INSUMOS  E  MATERIAIS  DE  EMBALAGENS  EMPREGADOS  NA  INDUSTRIALIZAÇÃO DE  PRODUTOS  ISENTOS,  IMUNES,  NÃO­TRIBUTADOS  OU  SUJEITOS  À  ALÍQUOTA  ZERO.  PREVISÃO  LEGAL  QUE  CONTEMPLA  SOMENTE  OS  PRODUTOS  FINAIS  ISENTOS  OU  TRIBUTADOS  À  ALÍQUOTA  ZERO.  ART.  11  DA  LEI  9.779/99.  CONCESSÃO  DE  BENEFÍCIO  TRIBUTÁRIO.  PRINCÍPIO DA LEGALIDADE ESTRITA. ARTS. 150,  I, CF/88  E  97  DO  CTN.  INTERPRETAÇÃO  LITERAL.  ART.  111  DO  CTN.  ART.  49  DO  CTN  E  ART.  153,  IV,  3º,  DA  CF/88.  MATÉRIA  CONSTITUCIONAL.  PRINCÍPIO  DA  NÃO­ CUMULATIVIDADE.  IMPOSSIBILIDADE  DE  APRECIAÇÃO.  PRESCRIÇÃO  QÜINQÜENAL.  DL  20.910/32.  CORREÇÃO  MONETÁRIA  E  JUROS.  INCIDÊNCIA.1.  A  impetrante/recorrente,  pessoa  jurídica  de  direito  privado,  tem  por objeto social a  fabricação e comercialização de calçados e  suas  partes,  peças  e  componentes,  assim  como  de  artigos  de  vestuário em geral e a prestação de serviços industriais nos dois  ramos.  Impetrou  mandado  de  segurança  com  vistas  ao  aproveitamento  (pedido  de  compensação  com  tributos  de  espécies  distintas  administrados  pela  Secretaria  da  Receita  Federal,  com  atualização monetária  e  juros)  do  valor  pago,  a  título  de  IPI,  na  aquisição  de  matérias­primas,  insumos  e  materiais  de  embalagens  utilizados  na  industrialização  de  Fl. 387DF CARF MF Processo nº 10880.972164/2010­14  Acórdão n.º 3301­005.945  S3­C3T1  Fl. 388          9 produtos  finais  isentos,  sujeitos  à  alíquota  zero,  não­tributados  ou  imunes.(...)3. O aresto recorrido entendeu que não se extrai  da  hipótese  legal  (art.  11  da  Lei  9.779/99)  o  direito  ao  creditamento quando o produto final for imune ou não­tributado,  mas apenas quando isento ou tributado à alíquota zero. Ao final,  concluiu pelo não­provimento da apelação da contribuinte. 4. O  art. 11 da Lei 9.779/99 prevê duas hipóteses para o creditamento  do IPI: quando o produto final for isento ou tributado à alíquota  zero.  Os  casos  de  não­tributação  e  imunidade  estão  fora  do  alcance da norma, sendo vedada a sua  interpretação extensiva.  5. O princípio da legalidade, insculpido no texto constitucional,  exalta que ninguém é obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma  coisa  senão em virtude de  lei  (art.  5º,  II). No campo  tributário  significa que nenhum tributo pode ser criado, extinto, aumentado  ou  reduzido sem que o  seja por  lei  (art.  150,  I, CF/88 e 97 do  CTN).  É  o  princípio  da  legalidade  estrita.  Igual  pensamento  pode ser atribuído a benefício concedido ao contribuinte, como  no  presente  caso.  Não  estando  inscrito  na  regra  beneficiadora  que na saída dos produtos não­tributados ou imunes podem ser  aproveitados os créditos de IPI recolhidos na etapa antecessora,  não  se  reconhece  o  direito  do  contribuinte  nesse  aspecto,  sob  pena de ser atribuída eficácia extensiva ao comando legal. 6. O  direito  tributário,  dado  o  seu  caráter  excepcional,  porque  consiste em ingerência no patrimônio do contribuinte, não pode  ter  seu  campo  de  aplicação  estendido,  pois  todo  o  processo de  interpretação  e  integração  da  norma  tem  seus  limites  fixados  pela  legalidade.  7.  A  interpretação  extensiva  não  pode  ser  empregada porquanto destina­se a permitir a aplicação de uma  norma  a  circunstâncias,  fatos  e  situações  que  não  estão  previstos,  por  entender  que  a  lei  teria  dito  menos  do  que  gostaria.  A  hipótese  dos  autos,  quanto  à  pretensão  relativa  ao  aproveitamento de créditos de IPI em relação a produtos finais  não­tributados ou  imunes, está  fora do alcance  expresso da  lei  regedora,  não  se  podendo  concluir  que  o  legislador  a  tenha  querido  contemplar.  (...)11.  Recurso  especial  parcialmente  conhecido e, nessa parte, parcialmente provido para reconhecer,  tão­somente,  o direito  da  contribuinte  à  utilização  dos  créditos  de  IPI  adquiridos  entre  08/01/1999  e  08/01/2004  em  razão  da  industrialização  de  produtos  finais  isentos  ou  tributados  à  alíquota  zero."(RESP  nº  200702994178,  1ª  T.  do  STJ,  j.  em  08/04/2008,  DJE  de  30/04/2008,  Relator:  JOSÉ  DELGADO  ­  grifei)  Em  seu  voto,  no  julgado  acima  citado,  o  ilustre Ministro  José  Delgado assim se manifestou:  "O texto do art. 11 da Lei 9.779/99 concede às empresas que não  puderam  utilizar  os  seus  créditos  de  IPI,  quando  da  saída  do  produto do estabelecimento  industrial, ou equiparado, o direito  de realizarem compensação por meio do mecanismo definido na  Lei 9.430/96. Na redação do dispositivo, consigna­se que o saldo  credor  do  IPI  deve  ser  o  decorrente  da  aquisição  de  matéria­ prima,  produto  intermediário  e  material  de  embalagem  aplicados  na  industrialização,  inclusive  de  produto  isento  ou  tributado à alíquota zero. O preceito normativo, como se vê, não  Fl. 388DF CARF MF Processo nº 10880.972164/2010­14  Acórdão n.º 3301­005.945  S3­C3T1  Fl. 389          10 contempla  hipótese  quando  o  produto  final  é  não­tributado  ou  imune. (...)Examina­se neste momento, portanto, situação em que  a  aquisição  das  matérias­primas,  insumos  e  materiais  de  embalagem  foram  tributados, mas o produto  final não  sofreu a  incidência  da  exação.  Poderíamos  tecer  considerações  no  sentido de que estamos diante de caso em que o IPI foi recolhido  anteriormente, existindo, por conseguinte, valor certo da quantia  que poderia ser compensada em etapa ulterior. Porém, o art. 11  da Lei 9.779/99 não contempla hipótese em que o produto final é  não­tributado  ou  é  imune,  sendo  taxativo  quanto  aos  produtos  isentos  ou  tributados  à  alíquota  zero.  Firmo  convicção,  assim,  pelo  imprescindível  respeito  ao  princípio  da  legalidade,  insculpido  nos  arts.  150,  I,  da  Constituição  Federal  e  97  do  CTN,  que  impõe  proibição  expressa  à  criação,  extinção,  majoração  ou  redução  de  tributo  sem  lei  definidora.  Igual  pensamento  pode  ser  atribuído  a  benefício  concedido  ao  contribuinte,  como  no  caso  presente.  Não  estando  inscrito  na  regra beneficiadora que, na saída dos produtos não­tributados e  imunes  podem­se  aproveitar  os  créditos  de  IPI  recolhidos  na  etapa  antecessora,  não  se  reconhece  o  direito  do  contribuinte  nesse  aspecto,  sob  pena  de  ser  atribuída  eficácia  extensiva  ao  comando legal. (grifei)"  Esse  é  também  o  entendimento  do  Egrégio  TRF  da  3ª  Região.  Confiram­se os seguintes julgados:  "TRIBUTÁRIO  ­  IPI  ­  CREDITAMENTO  DECORRENTE  DA  AQUISIÇÃO  DE  MATÉRIAS­PRIMAS,  PRODUTOS  INTERMEDIÁRIOS  E  MATERIAIS  DE  EMBALAGEM  TRIBUTADOS  ­  PRODUTO  FINAL  ISENTO,  IMUNE,  NÃO­ TRIBUTADO OU  SUJEITO À  ALÍQUOTA  ZERO  ­  ESTORNO  DOS CRÉDITOS ­ DECRETO 2.637/98 ­ LEI 9.779/99, ARTIGO  11  ­  INSTRUÇÃO  NORMATIVA  SRF  33/99  ­  IMPOSSIBILIDADE.  Visando  atender  ao  princípio  da  não­ cumulatividade, adota­se o sistema do crédito físico fazendo­se a  compensação  do  montante  devido  em  cada  operação  com  o  montante que  foi pago na operação anterior, razão pela qual o  aproveitamento  do  crédito  somente  pode  ocorrer  quando  há  pagamento  do  tributo  na  saída  da  mercadoria.  A  não­ cumulatividade  visa  evitar  que  ao  final,  o  consumidor  acabe  sofrendo  o  impacto  decorrente  da  reiterada  tributação  no  processo produtivo, com a somatória dos valores pagos a título  de IPI.A majoração e extinção de  tributos  (art.150, I,  III, a e b  da  CF),  assim  como  subsídio,  isenção,  redução  da  base  de  cálculo,  concessão  de  crédito  presumido,  anistia  ou  remissão,  relativos a impostos, taxas ou contribuições (art.150, parágrafo  6º, CF) deve ser sempre prevista em lei, entendida como espécie  normativa  contendo  preceitos  vinculantes.  Caso  não  exista  pagamento a  ser  feito nesta  etapa do processo produtivo,  nada  há  a  compensar. O montante  que  já  foi  recolhido  na  operação  anterior  passa  a  integrar o  preço  do  produto  e  será  suportado  pelo  consumidor  final.  Para  a  compensação,  essencial  a  verificação  do  ônus  tributário,  razão  pela  qual  inviável  nos  casos de não­incidência, alíquota zero ou isenção dos produtos,  quando não há representação econômica do IPI.A Lei 9.779/99  Fl. 389DF CARF MF Processo nº 10880.972164/2010­14  Acórdão n.º 3301­005.945  S3­C3T1  Fl. 390          11 não  veio  confirmar  a  tese  do  creditamento.  Pelo  contrário,  apenas  a  partir  dessa  lei  é  que  o  legislador,  atendendo  a  interesses  de  política  fiscal,  veio  autorizar  expressamente  o  creditamento,  com  efeitos  a  partir  de  01.01.1999,  pois  embora  seja  de  19.01.99,  é  fruto  da  conversão  da  medida  provisória  n.1.788  de  29.12.1.998  e,  em  atenção  ao  princípio  da  anterioridade,  não  pode  ser  interpretada  retroativamente.  Não  se extrai do artigo 11 da Lei 9.779/99, o direito ao creditamento  quando  o  produto  final  for  não­tributado,  mas  apenas  quando  tributado,  ainda  que  à  alíquota  zero,  ou  isento."(AMS  nº  200461070002120,  6ª  T.  do TRF da  3ª Região,  j.  em 20/09/06,  DJU de 04.12.2006, Relator: MIGUEL DI PIERRO ­ grifei)   "TRIBUTÁRIO.  MANDADO  DE  SEGURANÇA.  IPI.  LEI  Nº  9.779/99. ATO DECLARATÓRIO Nº 05/06. INEXISTÊNCIA DE  VÍCIO.  1.  Consoante  se  infere  da  leitura  do  art.  11  da  Lei  nº  9.779/99,  o  contribuinte  pode  creditar­se  do  IPI  pago  na  aquisição de insumos necessários à industrialização de produtos  isentos  ou  tributados  à  alíquota  zero.  2.  A  norma  em  comento  não contempla o aproveitamento do tributo na saída de produtos  imunes,  uma  vez  que,  em  se  tratando  de  benefício  fiscal,  o  dispositivo  deve  ser  interpretado  restritivamente.  3. Da  análise  conjunta do art. 2º do Ato Declaratório nº 05/06 e do art. 11 da  Lei nº 9.779/99, verifica­se que o que fez aquele foi simplesmente  confirmar  este,  ao  dispor  que  ele  não  se  aplica  aos  produtos  amparados  por  imunidade,  comprovando,  portanto,  o  teor  do  referido  artigo. O parágrafo  único  do  aludido  ato  declaratório  estabelece  uma  exceção  à  regra  da  Lei  nº  9.779/99,  não  havendo,  portanto,  que  se  falar,  como  quer  a  impetrante,  em  modificação da norma até então vigente sobre a manutenção dos  créditos  de  que  trata  a  mencionada  lei,  nem  tampouco  na  sua  restrição aos produtos amparados pela imunidade decorrente de  exportação  para  o  exterior.  4.  Conclui­se,  portanto,  não  haver  qualquer ilegalidade no Ato Declaratório SRF nº 05/06, que em  nada  influenciou  no  direito  ao  creditamento  do  IPI  decorrente  da  aquisição  de  insumos  utilizados  na  industrialização  de  produtos isentos ou tributados à alíquota zero. 5. Agravo retido,  apelação  e  remessa  oficial,  tida  por  ocorrida,  a  que  se  dá  provimento,  para  reformar  a  sentença,  cassando,  assim,  a  liminar deferida."(AMS nº 200661000177470, 3ª T. do TRF da 3ª  Região,  j.  em  14/05/2009,  DJF3  CJ1  de  09/06/2009,  p.  75,  Relatora: CECILIA MARCONDES ­ grifei)  Na esteira destes julgados, não há como acolher os argumentos  da impetrante.  Diante  do  exposto,  DENEGO  A  SEGURANÇA,  extinguindo  o  feito, com resolução de mérito, nos termos do artigo 269, inciso I  do  Código  de  Processo  Civil.  Sem  honorários,  conforme  estabelecido  no  art.  25  da  Lei  n.  12.016/09.Custas  ex  lege.  Transitada esta em julgado, arquivem­se os autos, observadas as  formalidades legais. P.R.I.C.     Apelação  Fl. 390DF CARF MF Processo nº 10880.972164/2010­14  Acórdão n.º 3301­005.945  S3­C3T1  Fl. 391          12   Cuida­se  de  agravo  inominado  interposto  em  face  de  decisão  monocrática  que  negou  seguimento  à  apelação,  nos  termos  do  artigo 557, caput, do Código de Processo Civil.  A decisão proferida tem embasamento legal, já que o Código de  Processo  Civil  permite  a  prolação  de  decisão  definitiva  pelo  Relator do processo, quando a jurisprudência já se posicionou a  respeito do assunto em debate, em homenagem aos princípios da  celeridade e da economia processuais.  Restou  consignado decisum que  somente  os  insumos  aplicados  na industrialização de produtos isentos ou tributados à alíquota  zero  podem  ser  reconhecidos  e  apurados,  em  obediência  ao  princípio da não­cumulatividade, conforme abaixo transcrito:  Assim, prescreve o artigo 11 da Lei 9.779, de 19.1.1999:  "O  saldo  credor  do  Imposto  sobre  Produtos  Industrializados  ­  IPI,  acumulado  em  cada  trimestre  calendário,  decorrente  de  aquisição de matéria­prima, produto intermediário e material de  embalagem, aplicados na  industrialização,  inclusive de produto  isento ou tributado à alíquota zero, que o contribuinte não puder  compensar  com  o  IPI  devido  na  saída  de  outros  produtos,  poderá ser utilizado de conformidade com o disposto nos arts. 73  e 74 da Lei nº 9.430, de 1996, observadas normas expedidas pela  Secretaria da Receita Federal ­ SRF, do Ministério da Fazenda."  O  artigo  excepcionava,  dispondo  que  o  saldo  credor  do  IPI  acumulado, decorrente de aquisição de matéria­prima, produto  intermediário  e  material  de  embalagem,  aplicados  na  industrialização, em que o produto  final  se apresente  isento ou  tributado à alíquota zero.  A  Instrução  Normativa  n.º  210/2002  permite,  portanto,  a  compensação  ou  repetição,  em  se  tratando  de  matéria  prima  isenta.  Merece  ser  mantida  a  decisão  proferida,  já  que  não  foram  trazidos no agravo legal argumentos suficientes para a mudança  de posicionamento.  Assim, as razões do quanto decidido encontram­se arrojadas de  modo  firme  em  alentada  jurisprudência  que  expressa  o  pensamento absoluto desta Turma, em consonância com o supra  esposado.  Há que se aplicar, por conseguinte a Súmula CARF nº 1:   Importa  renúncia  às  instâncias  administrativas  a  propositura  pelo  sujeito  passivo  de  ação  judicial  por  qualquer  modalidade  processual,  antes  ou  depois  do  lançamento  de  ofício,  com  o  mesmo  objeto  do  processo  administrativo,  sendo  cabível  apenas  a  apreciação,  pelo  Fl. 391DF CARF MF Processo nº 10880.972164/2010­14  Acórdão n.º 3301­005.945  S3­C3T1  Fl. 392          13 órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da  constante do processo judicial.  Ademais,  a  concomitância  não  admite  a  suspensão  do  processo  até  julgamento final da ação, pleito registrado pelo contribuinte.  Entretanto, em consulta ao site do TRF da 3ª Região, é possível facilmente se  verificar que a ação já está encerrada.  Conclusão  Como  já  dito,  toda  a  matéria  deste  presente  processo  administrativo  está  submetida à apreciação do Poder Judiciário.  Do  exposto,  voto  por  não  conhecer  o  recurso  voluntário,  em  razão  da  concomitância com o processo judicial n° 2009.61.00.015835­9.  (assinado digitalmente)  Semíramis de Oliveira Duro ­ Relatora                              Fl. 392DF CARF MF

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Numero do processo: 11020.002052/00-36
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu May 09 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed May 29 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Exercício: 1997, 1998, 1999 RECURSO ESPECIAL. REQUISITOS DE ADMISSIBILIDADE. NÃO CONHECIMENTO. 1- De acordo com o § 3º do art. 67 do Anexo II da Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015, que aprovou o atual Regimento Interno do CARF, c/c o art. 5º dessa mesma portaria, não cabe recurso especial de decisão de qualquer das turmas que adote entendimento de súmula de jurisprudência dos Conselhos de Contribuintes, da CSRF ou do CARF, ainda que a súmula tenha sido aprovada posteriormente à data da interposição do recurso. 2- Súmula CARF nº 84: É possível a caracterização de indébito, para fins de restituição ou compensação, na data do recolhimento de estimativa.
Numero da decisão: 9101-004.183
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo - Presidente. (assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araujo - Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luis Fabiano Alves Penteado, Viviane Vidal Wagner, Lívia De Carli Germano, Daniel Ribeiro Silva (suplente convocado), Adriana Gomes Rêgo (Presidente). Ausente o conselheiro Demetrius Nichele Macei, substituído pelo conselheiro Daniel Ribeiro Silva.
Nome do relator: RAFAEL VIDAL DE ARAUJO

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9101­004.183  –  1ª Turma   Sessão de  9 de maio de 2019  Matéria  COMPENSAÇÃO  Recorrente  FAZENDA NACIONAL  Interessado  RANDON S/A IMPLEMENTOS E SISTEMAS AUTOMOTIVOS    ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL  Exercício: 1997, 1998, 1999  RECURSO  ESPECIAL.  REQUISITOS  DE  ADMISSIBILIDADE.  NÃO  CONHECIMENTO.   1­ De acordo com o § 3º do art. 67 do Anexo II da Portaria MF nº 343, de 09  de  junho de 2015, que  aprovou o  atual Regimento  Interno do CARF,  c/c o  art.  5º  dessa  mesma  portaria,  não  cabe  recurso  especial  de  decisão  de  qualquer das turmas que adote entendimento de súmula de jurisprudência dos  Conselhos de Contribuintes, da CSRF ou do CARF, ainda que a súmula tenha  sido aprovada posteriormente à data da interposição do recurso.  2­ Súmula CARF nº 84: É possível a caracterização de indébito, para fins de  restituição ou compensação, na data do recolhimento de estimativa.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  não  conhecer do Recurso Especial.   (assinado digitalmente)  Adriana Gomes Rêgo ­ Presidente.   (assinado digitalmente)  Rafael Vidal de Araujo ­ Relator.  Participaram  do  presente  julgamento  os  conselheiros:  André  Mendes  de  Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luis Fabiano Alves Penteado, Viviane     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 00 20 52 /0 0- 36 Fl. 3372DF CARF MF Processo nº 11020.002052/00­36  Acórdão n.º 9101­004.183  CSRF­T1  Fl. 3          2 Vidal Wagner, Lívia De Carli Germano, Daniel Ribeiro Silva (suplente convocado), Adriana  Gomes Rêgo  (Presidente). Ausente o  conselheiro Demetrius Nichele Macei,  substituído pelo  conselheiro Daniel Ribeiro Silva.   Relatório  Trata­se  de  recurso  especial  de  divergência  interposto  pela  Procuradoria­ Geral da Fazenda Nacional (PGFN), fundamentado atualmente no art. 67 e seguintes do Anexo  II  da  Portaria  MF  nº  343,  de  09/06/2015,  que  aprova  o  Regimento  Interno  do  Conselho  Administrativo  de  Recursos  Fiscais  (CARF),  em  que  se  alega  divergência  jurisprudencial  relativamente  ao  que  foi  decidido  sobre  compensação  tributária  realizada  com  base  em  pagamento  indevido ou a maior de estimativas mensais do  Imposto sobre a Renda de Pessoa  Jurídica ­ IRPJ e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido ­ CSLL.  A recorrente insurge­se contra o Acórdão nº 1302­00.608, de 29/06/2011, por  meio do qual a 2a Turma Ordinária da 3ª Câmara da 1a Seção de  Julgamento do CARF, por  unanimidade  de  votos,  entre  outras  questões,  decidiu  dar  provimento  parcial  a  recurso  voluntário  da  contribuinte  acima  identificada,  para  fins  de  reconhecer  que  o  pagamento  indevido de estimativa é passível de restituição/compensação desde a data de seu recolhimento.  O acórdão recorrido contém a ementa e a parte dispositiva descritas abaixo:  ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA ­ IRPJ   Exercício: 1997, 1998, 1999   Ementa:  COMPENSAÇÃO  TRIBUTÁRIA.  DÉBITOS  E  CRÉDITOS.  CIRCULARIDADE.  Na  compensação  tributária,  como  regra  geral,  o  débito  apontado  para  o  encontro  de  contas,  nos  termos  da  legislação  de  regência,  deve  ser  superveniente ao crédito. No caso  vertente,  em que se almeja  compensar  débito do ano de 1996 com crédito apurado no ano de 1998, crédito esse  constituído a partir do débito que se pretendeu compensar, resta evidente a  ocorrência de circularidade impeditiva do acolhimento do pedido.  ESTIMATIVA. RECOLHIMENTO INDEVIDO.  Restando  configurado  o  recolhimento  indevido  de  estimativas,  há  que  se  acolher  a  pretensão  do  contribuinte  de  fazer  incidir  os  juros  com base na  taxa  selic  a  partir  do  momento  em  que  os  pagamentos  foram  efetivados.  Inaplicável, no caso, o disposto no artigo 10 (in fine) da Instrução Normativa  RFB nº 600, de 2005.  Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  ACORDAM  os  membros  da  3ª  câmara  /  2ª  turma  ordinária  da  primeira  SEÇÃO  DE  JULGAMENTO,  por  unanimidade  de  votos,  dar  provimento  PARCIAL  ao  recurso  para  reconhecer,  adicionalmente,  os  créditos  nos  montantes de R$ 92.555,96, R$ 5.073,90 e R$ 35.006,36, relativos aos juros  selic incidentes sobre as estimativas recolhidas indevidamente.  Fl. 3373DF CARF MF Processo nº 11020.002052/00­36  Acórdão n.º 9101­004.183  CSRF­T1  Fl. 4          3 A  PGFN  afirma  que  o  acórdão  recorrido  deu  à  lei  tributária  interpretação  divergente  da  que  tem  sido  dada  em  outros  processos,  relativamente  à  matéria  acima  mencionada.  Para o processamento de seu recurso, ela desenvolve os argumentos descritos  abaixo:     DO CABIMENTO DO RECURSO ESPECIAL  ­  observa­se  a  existência  de  dissídio  jurisprudencial  entre  o  entendimento  encampado  pela  Segunda  Turma  Ordinária  da  Terceira  Câmara  da  Primeira  Seção  de  Julgamento  do  CARF,  em  contraposição  ao  posicionamento  firmado  por  outros  órgãos  julgadores deste eg. Conselho Administrativo;  ­ o Colegiado a quo entendeu ser possível ao contribuinte optante pelo lucro  real anual restituir os valores recolhidos a maior a título de estimativa mensal, com acréscimo  de juros pela taxa SELIC, calculados a partir do momento de recolhimento da estimativa;  ­  diversamente,  a  Terceira  Turma  Especial  da  Primeira  Seção  do  CARF  decidiu que não são as estimativas, mas o saldo negativo apurado em 31/12 que constituem o  direito creditório passível de restituição, contando­se o  termo inicial para aplicação dos  juros  calculados com base na  taxa Selic a partir de janeiro do exercício seguinte, e não da data do  pagamento da estimativa. É o que se extrai da ementa do acórdão paradigma nº 1803­00.776:  Acórdão nº 1803­00.776  COMPENSAÇÃO. PAGAMENTOS POR ESTIMATIVA.  A opção pelo pagamento mensal por estimativa difere para o ajuste anual a  possibilidade de os pagamentos efetuados se caracterizarem como indevidos.  O valor a ser restituído corresponde ao saldo negativo apurado ao final do  exercício,  sobre  o  qual  incidem  juros  calculados  com base  na  taxa  Selic  a  partir do mês subsequente ao do encerramento do período de apuração.  ­  a  fim  de  melhor  demonstrar  a  divergência  transcreve­se  trecho  do  voto  condutor  do  acórdão  paradigma,  da  lavra  do  ilustre Conselheira  Selene  Ferreira  de Moraes:  [...];  ­ assim, está devidamente caracterizada a divergência, considerando que o v.  acórdão  ora  recorrido  diferentemente  do  paradigma  admite  a  compensação  do  valor  pago  a  maior a título de estimativas, acrescido de juros, antes mesmo da apuração final do respectivo  período­base;  DOS FUNDAMENTOS PARA REFORMA DO ACÓRDÃO RECORRIDO  ­ inicialmente, consideremos o disposto na Lei nº 9.430, de 1996: [...];  ­  a  apuração  do  IRPJ  para  as  empresas  optantes  pelo  lucro  real  ocorre  trimestralmente, nos dias 31 de março, 30 de junho, 30 de setembro e 31 de dezembro de cada  ano­calendário. Contudo, a legislação vigente facultou a apuração do IRPJ anualmente, desde  que  as  empresas  efetuassem  a  antecipação  do  IRPJ  e  CSLL  mensalmente  no  decorrer  do  período, mediante regras específicas. Esta antecipação pode ocorrer de duas formas:  Fl. 3374DF CARF MF Processo nº 11020.002052/00­36  Acórdão n.º 9101­004.183  CSRF­T1  Fl. 5          4 a) mediante aplicação de percentual estimado sobre a  receita bruta apurada,  assegurada  ao  contribuinte  a  dedução  do  imposto/contribuição  retido  diretamente  pela  fonte  pagadora;  b) levantamento de balanço/balancete de redução/suspensão, quando então é  efetuada  apuração  do  lucro  real,  apurado  o  imposto  devido,  deduzindo  o  imposto  já  recolhido/antecipado até então  (durante o ano calendário em curso). Este procedimento pode  ser executado em quaisquer meses do ano­calendário, respeitadas as regras específicas para o  procedimento.  ­ para as empresas optantes pelo lucro real anual, é obrigatória a apuração do  IRPJ ao final do período, ou seja, 31 de dezembro como regra geral. Somente nesta data ocorre  a apuração efetiva do IRPJ para o período, quando então são deduzidas todas as antecipações  efetuadas no decorrer deste período, tais como, pagamentos, retenções e outras permitidas pela  legislação de regência;  ­ neste contexto, quaisquer pagamentos ou retenções ocorridas no decorrer do  período  em  curso  somente  podem  dar  origem  a  “saldo  negativo”  (pagamento  a  maior)  no  encerramento do período de apuração;  ­  este  procedimento  consta  da  Lei  nº  9.430,  de  1996,  e  a  restituição/  compensação dos pagamentos a maior decorrentes das antecipações mensais em comento estão  disciplinadas  nas  Instruções  Normativas  (IN)  editadas  pela  SRF  afetas  ao  procedimento.  A  norma atualmente vigente reporta­se à IN SRF nº 600, de 2005, da seguinte forma: [...];  Art. 10. A pessoa jurídica tributada pelo lucro real, presumido ou arbitrado  que  sofrer  retenção  indevida  ou  a maior  de  imposto  de  renda ou  de CSLL  sobre  rendimentos  que  integram  a  base  de  cálculo  do  imposto  ou  da  contribuição,  bem  assim  a  pessoa  jurídica  tributada  pelo  lucro  real  anual  que efetuar pagamento indevido ou a maior de imposto de renda ou de CSLL  a título de estimativa mensal, somente poderá utilizar o valor pago ou retido  na dedução do IRPJ ou da CSLL devida ao final do período de apuração em  que  houve  a  retenção  ou  pagamento  indevido  ou  para  compor  o  saldo  negativo de IRPJ ou de CSLL do período.  ­  com  a  devida  vênia  em  relação  à  interpretação  dada  ao  dispositivo  pelo  Colegiado a quo, a norma transcrita é clara no sentido de que o recolhimento a maior a título  de estimativas somente pode ser utilizado para fins de restituição ou compensação ao final do  período de apuração;  ­  e  não  poderia  ser  de  outra  maneira,  afinal,  deve­se  ter  em  conta  que  as  antecipações, como o próprio nome diz, não equivalem ao  tributo efetivamente devido, mas,  consoante a jurisprudência pacificada do CARF, são meros adiantamentos do tributo, que será  calculado  ao  final  do  ano.  Em  virtude  do  caráter  temporário  –  dependente  de  ajuste  final  – somente ao final do período de apuração, quando se verificar a existência de saldo negativo de  imposto  de  renda,  é  que  se  torna  possível  discutir  a  restituição/compensação,  bem  como  o  pagamento de juros;  ­ enquanto o contribuinte está efetuando recolhimento de estimativas mensais  durante o ano­calendário – ainda que esse recolhimento seja realizado a maior – não há que se  falar em juros, porque ainda não está configurado o pagamento indevido;  Fl. 3375DF CARF MF Processo nº 11020.002052/00­36  Acórdão n.º 9101­004.183  CSRF­T1  Fl. 6          5 ­ frise­se: estimativas sequer têm caráter jurídico de pagamento;  ­  o  pagamento  mensal  por  estimativa  posterga  para  o  ajuste  anual  a  possibilidade  de  os  pagamentos  efetuados  se  caracterizarem  com  indevidos.  Não  há  como  surgir  pagamento  indevido  de  estimativa  de  IRPJ  pela  simples  razão  de  que  o montante  do  tributo devido apenas surge em 31/12 de cada ano calendário;  ­  a  conseqüência  inarredável  dessa  sistemática  é  que  não  se  pode  falar  em  juros  devidos  por  recolhimento  a  maior  de  estimativas,  durante  o  período  de  apuração  do  imposto. É por essa razão que merece reforma a decisão a quo, que conferiu ao contribuinte o  recebimento de juros calculados pela taxa SELIC, nos montantes de R$ 92.555,96, R$ 5.073,90  e R$ 35.006,36 incidentes sobre as estimativas recolhidas a maior;  DO PEDIDO   ­ diante de todo o exposto, a União (Fazenda Nacional) requer seja conhecido  e  provido  o  presente  recurso  especial  para  reformar  o  r.  acórdão  recorrido,  afastando  a  aplicação dos juros sobre os valores recolhidos a maior a título de estimativa.  Quando  do  exame  de  admissibilidade  do Recurso Especial  da  PGFN,  o  Presidente  da  3ª  Câmara  da  1ª  Seção  de  Julgamento  do  CARF,  por  meio  do  Despacho  nº  133/2012,  exarado  em 17/10/2012,  deu  seguimento  ao  recurso  com base  na  seguinte  análise  sobre a divergência suscitada:  [...]  Examinando o acórdão paradigma em seu inteiro teor verifica­se que o  mesmo traz o entendimento de que a opção pelo pagamento de estimativas  mensais remete a apuração de eventuais valores indevidos ou a maior para  o ajuste anual, incidindo juros selic apenas a partir do mês subsequente ao  encerramento do período de apuração.  De  outra  parte,  o  acórdão  recorrido  diverge  desta  interpretação  ao  dispor  que  configurado  o  pagamento  a maior  de  estimativa  caracteriza­se  indébito na data de seu recolhimento,  incidindo juros selic desde a data do  pagamento mensal.  Portanto,  as  conclusões  sobre  a  matéria  ora  recorrida  nos  acórdãos  examinados  revelam­se  divergentes,  restando  plenamente  configurada  a  divergência jurisprudencial apontada pela recorrente.  Ante  ao  exposto,  e  tendo  em  vista  que  a  uniformização  da  jurisprudência  administrativa  é  o  escopo  do  recurso  especial,  opino  no  sentido de que se DÊ SEGUIMENTO ao presente recurso.  Em  30/11/2012,  a  contribuinte  foi  cientificada  do  despacho  que  deu  seguimento  ao  recurso  especial  da PGFN,  e  em 14/12/2012,  ela  apresentou  tempestivamente  suas contrarrazões, defendendo a possibilidade da formação de indébito a título de estimativa  no próprio curso do ano­calendário; e a incidência de juros Selic desde a data do recolhimento  indevido.     É o relatório.  Fl. 3376DF CARF MF Processo nº 11020.002052/00­36  Acórdão n.º 9101­004.183  CSRF­T1  Fl. 7          6 Voto             Conselheiro Rafael Vidal de Araujo, Relator.  Não há condições para conhecer do recurso especial da PGFN.  O presente processo tratou de pedidos de restituição cumulados com pedidos  de compensação, em que se utilizou direitos creditórios de IRPJ e de CSLL apurados nos anos­ calendário de 1996, 1997 e 1998.  A análise do crédito envolveu uma série de questões ao  longo do processo,  com reconhecimento de uma grande parte dos valores reivindicados, mas nessa fase de recurso  especial  o  que  se  pretende  é  suscitar  divergência  jurisprudencial  especificamente  sobre  a  definição do momento a partir do qual os recolhimentos de estimativas mensais de IRPJ e de  CSLL podem se apresentar como indébito passível de restituição/compensação.   Em  seu  recurso,  a  PGFN  defende  a  tese  de  que  pagamento  indevido  ou  a  maior a título de estimativa mensal não constitui indébito passível de restituição/compensação  desde  a  data  de  seu  recolhimento.  Na  linha  do  que  está  sendo  defendido  no  recurso,  as  estimativas  são meras  antecipações,  e  só podem ser  aproveitadas para  redução do  tributo no  ajuste anual, ou para formação de saldo negativo.  Entretanto,  a matéria  objeto  da  divergência  jurisprudencial  está  atualmente  pacificada, inclusive com edição de súmula pelo CARF:  Súmula CARF nº 84: É possível a caracterização de  indébito, para  fins de  restituição  ou  compensação,  na  data  do  recolhimento  de  estimativa.  (Súmula  revisada  conforme  Ata  da  Sessão  Extraordinária  de  03/09/2018,  DOU de 11/09/2018).  De acordo com o art. 5º da Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015, que  aprovou  o  atual  Regimento  Interno  do  CARF,  o  exame  de  admissibilidade  dos  recursos  especiais deverá observar o nela disposto, o que alcança inclusive os  recursos que  já haviam  sido apresentados antes dela.  Essa mesma portaria estabelece no § 3º do art. 67 de seu Anexo II que:   Art. 67 [...]  [...]  §  3º  Não  cabe  recurso  especial  de  decisão  de  qualquer  das  turmas  que  adote  entendimento  de  súmula  de  jurisprudência  dos  Conselhos  de  Contribuintes,  da  CSRF  ou  do  CARF,  ainda  que  a  súmula  tenha  sido  aprovada posteriormente à data da interposição do recurso.  O  acórdão  recorrido  destacou  que,  restando  configurado  o  recolhimento  indevido de estimativas, há que se acolher a pretensão do contribuinte de fazer incidir os juros  com base na taxa selic a partir do momento em que os pagamentos foram efetivados, e ainda  que seria inaplicável, no caso, o disposto no artigo 10 da Instrução Normativa RFB nº 600, de  2005.  Fl. 3377DF CARF MF Processo nº 11020.002052/00­36  Acórdão n.º 9101­004.183  CSRF­T1  Fl. 8          7 Assim, tratando­se de acórdão que adotou entendimento de súmula do CARF,  voto no sentido de NÃO CONHECER do recurso especial da PGFN.     (assinado digitalmente)  Rafael Vidal de Araujo                              Fl. 3378DF CARF MF

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