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Numero do processo: 13888.906850/2012-79
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jan 17 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 31/05/2007
NULIDADE DO DESPACHO DECISÓRIO E DA DECISÃO RECORRIDA. INOCORRÊNCIA.
Estando presentes os requisitos formais previstos nos atos normativos que disciplinam a compensação, que possibilitem ao contribuinte compreender o motivo da sua não homologação, bem como, o fato da decisão de primeira instância ter sido fundamentada na falta de documentação hábil, idônea e suficiente para comprovação de suposto erro no preenchimento inicial da DCTF, de modo a dar a conhecer à contribuinte as razões de fato e de direito que levaram ao indeferimento de sua manifestação de inconformidade, não há que se falar em nulidade do despacho decisório ou da decisão recorrida por cerceamento de defesa.
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DOS CRÉDITOS. CERTEZA E LIQUIDEZ.
Em sede de restituição/compensação compete ao contribuinte o ônus da prova do fato constitutivo do seu direito, cabendo a este demonstrar, mediante adequada instrução probatória dos autos, os fatos eventualmente favoráveis às suas pretensões.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3003-000.015
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Marcos Antonio Borges - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antonio Borges, Vinícius Guimarães, Márcio Robson Costa e Muller Nonato Cavalcanti Silva.
Nome do relator: MARCOS ANTONIO BORGES
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 31/05/2007 NULIDADE DO DESPACHO DECISÓRIO E DA DECISÃO RECORRIDA. INOCORRÊNCIA. Estando presentes os requisitos formais previstos nos atos normativos que disciplinam a compensação, que possibilitem ao contribuinte compreender o motivo da sua não homologação, bem como, o fato da decisão de primeira instância ter sido fundamentada na falta de documentação hábil, idônea e suficiente para comprovação de suposto erro no preenchimento inicial da DCTF, de modo a dar a conhecer à contribuinte as razões de fato e de direito que levaram ao indeferimento de sua manifestação de inconformidade, não há que se falar em nulidade do despacho decisório ou da decisão recorrida por cerceamento de defesa. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DOS CRÉDITOS. CERTEZA E LIQUIDEZ. Em sede de restituição/compensação compete ao contribuinte o ônus da prova do fato constitutivo do seu direito, cabendo a este demonstrar, mediante adequada instrução probatória dos autos, os fatos eventualmente favoráveis às suas pretensões. Recurso Voluntário Negado.
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INOCORRÊNCIA. Estando presentes os requisitos formais previstos nos atos normativos que disciplinam a compensação, que possibilitem ao contribuinte compreender o motivo da sua não homologação, bem como, o fato da decisão de primeira instância ter sido fundamentada na falta de documentação hábil, idônea e suficiente para comprovação de suposto erro no preenchimento inicial da DCTF, de modo a dar a conhecer à contribuinte as razões de fato e de direito que levaram ao indeferimento de sua manifestação de inconformidade, não há que se falar em nulidade do despacho decisório ou da decisão recorrida por cerceamento de defesa. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DOS CRÉDITOS. CERTEZA E LIQUIDEZ. Em sede de restituição/compensação compete ao contribuinte o ônus da prova do fato constitutivo do seu direito, cabendo a este demonstrar, mediante adequada instrução probatória dos autos, os fatos eventualmente favoráveis às suas pretensões. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 90 68 50 /2 01 2- 79 Fl. 105DF CARF MF Processo nº 13888.906850/201279 Acórdão n.º 3003000.015 S3C0T3 Fl. 3 2 Marcos Antonio Borges Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antonio Borges, Vinícius Guimarães, Márcio Robson Costa e Muller Nonato Cavalcanti Silva. Relatório Trata o presente processo de Declaração de Compensação gerada pelo programa PER/DCOMP cujo crédito seria decorrente de pagamento indevido ou a maior de PIS no valor original na data de transmissão de R$ 6.773,03, decorrente de recolhimento com Darf efetuado em 20/06/2007. Após processada foi exarado o Despacho Decisório no qual consta que o pagamento descrito no PER/DCOMP já havia sido integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados. Assim, diante da inexistência de crédito, a compensação declarada NÃO FOI HOMOLOGADA. Intimado, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade aonde alega, em síntese: Em preliminar, argui a nulidade do despacho decisório, ante a aplicação de decisão genérica, por cerceamento do direito de defesa e do exercício do contraditório, haja vista a insuficiente motivação para a nãohomologação da compensação declarada. No mérito, destaca os procedimentos administrativos motivadores do PER/DCOMP, tendo ressaltado que a empresa está submetida à incidência não cumulativa do PIS e da Cofins, nos termos das Leis 10.637/02 e 10.833/03, tendo procedido à revisão dos créditos da contribuição ao PIS/Pasep e da Cofins, do período de agosto/2006 a junho/2011, verificando que pagou de forma indevida e a maior. No presente caso, assevera que apurou pagamento indevido e a maior de PIS/PASEP, com base no Dacon original, tendo o débito sido reduzido com a retificação do Dacon, daí decorrendo o crédito apurado. Passa então a discorrer sobre a compensação com o débito especificado no PER/DCOMP. Destaca que procedeu de acordo com as disposições legais, art.165, I do CTN e art. 74 da Lei 9.430/96, apurando crédito passível de restituição, o qual pode ser compensado com débitos próprios do contribuinte, não havendo razão justificável para a não homologação da compensação declarada. Ao final, requer, preliminarmente, o reconhecimento da nulidade do despacho decisório e, caso não acolhida a preliminar, que a presente manifestação de inconformidade seja provida, culminando no reconhecimento integral da compensação. Fl. 106DF CARF MF Processo nº 13888.906850/201279 Acórdão n.º 3003000.015 S3C0T3 Fl. 4 3 A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte (MG) julgou improcedente a manifestação de inconformidade nos termos do Acórdão nº 02 056.376. O fundamento adotado, em síntese, foi o de rejeição da preliminar de nulidade e falta de comprovação do direito creditório pleiteado. Inconformada, a contribuinte recorre a este Conselho, através de Recurso Voluntário apresentado, no qual reproduz, na essência, as razões apresentadas por ocasião da manifestação de inconformidade e requer seja acolhida a preliminar alegada referente à nulidade tanto o despacho decisório quanto o acórdão recorrido e, caso não seja este o entendimento, requer seja dado provimento ao recurso, reconhecendose o seu direito creditório e homologandose a compensação pleiteada. É o Relatório. Voto Conselheiro Marcos Antonio Borges, Relator. O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, inclusive quanto à competência das Turmas Extraordinárias, portanto dele tomase conhecimento. A recorrente sustenta que o seu direito creditório decorre de recolhimento a maior, decorrente de revisão dos créditos da contribuição ao PIS/Pasep e da Cofins, do período de agosto/2006 a junho/2011, e não retificado em DCTF. Preliminarmente, quanto à alegação de nulidade no despacho decisório e da decisão recorrida por ausência de fundamentação e o conseqüente cerceamento ao direito de defesa entendo que não assiste razão à recorrente. O instituto da compensação está previsto no artigo 74 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, com redação dada pela Lei n° 10.637, de 30 de dezembro de 2002: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. § 1° A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados. Fl. 107DF CARF MF Processo nº 13888.906850/201279 Acórdão n.º 3003000.015 S3C0T3 Fl. 5 4 § 2° A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. In casu, o contribuinte apresentou declaração de compensação de débitos diversos e apontou o documento de arrecadação (DARF) referente a PIS, como origem do crédito, alegando “pagamento indevido ou a maior”, conforme disposto nas normas regulamentadoras. O direito creditório não existiria, segundo o despacho decisório inicial, porque os pagamentos constantes do pedido estariam integralmente vinculados a débitos já declarados. A fundamentação da não homologação da compensação pleiteada reside no cotejo entre as próprias declarações apresentadas pelo contribuinte e os documentos apontados como origem do direito creditório. A analise eletrônica do PERDCOMP se deu com base nas declarações ativas quando da apresentação do mesmo. Uma vez que o direito creditório não foi reconhecido, a compensação foi não homologada e o sujeito passivo foi cientificado e intimado a efetuar o pagamento dos débitos indevidamente compensados com os respectivos acréscimos legais. Tal procedimento, conforme o disposto no aludido diploma legal, foi disciplinado pela Receita Federal através de diversas Instruções Normativas ao longo do tempo, não se verificando no despacho decisório combatido qualquer inobservância das formalidades ali prescritas, não caracterizando assim o alegado vicio que poderia levar a eventual invalidade do ato administrativo. Embora os critérios dessa análise possam ser insuficientes para criar um juízo de certeza da inexistência ou insuficiência do crédito do contribuinte, esse fato por si só não ensejaria a decretação da nulidade do despacho por cerceamento de defesa, qual seja, a impossibilidade de o impugnante defenderse da não homologação, por falta de compreensão do motivo da não homologação. Por certo, na sistemática da análise dos PERDCOMPs de pagamento indevido ou a maior, na qual é feito um batimento entre o pagamento informado como indevido e sua situação no conta corrente – disponível ou não, não se está analisando efetivamente o mérito da questão, cuja análise somente será viável a partir da manifestação de inconformidade apresentada pelo requerente, na qual, esperase, seja descrita a origem do direito creditório pleiteado e sua fundamentação legal. Foi o que ocorreu no presente caso, em que a recorrente já na fase litigiosa informou a origem do indébito e, posteriormente, juntou a documentação comprobatória que entendeu embasar o seu direito. Não resta caracterizada a nulidade se o impugnante, a partir do despacho decisório, assimila as conseqüências do fato que deu origem à rejeição da compensação, que lhe possibilitem saber quais pontos devem ser esclarecidos em sua defesa, para comprovação de seu direito creditório, bem como, o fato da decisão de primeira instância ter sido fundamentada na falta de documentação hábil, idônea e suficiente para comprovação de suposto erro no preenchimento inicial da DCTF, de modo a dar a conhecer ao contribuinte as razões de fato e de direito que levaram ao indeferimento de sua manifestação de inconformidade. Fl. 108DF CARF MF Processo nº 13888.906850/201279 Acórdão n.º 3003000.015 S3C0T3 Fl. 6 5 Quanto ao mérito, melhor sorte não assiste à recorrente. Alega a Recorrente que efetuou revisão dos seus créditos da contribuição ao PIS/PASEP e da COFINS e deixou de tomar crédito das referidas contribuições sobre serviços de ferramentaria, usinagem de peças e de manutenção de máquinas; armazenagem de mercadorias; serviços de transporte (frete) e aquisições de materiais e peças para a manutenção de máquinas e equipamentos e outros insumos, o que resultou no pagamento das contribuições a maior durante todo o período revisado. Para embasar o seu direito juntou ao presente processo DACON original e retificador, demonstrativo dos cálculos e amostras de Notas Fiscais. Em sede de restituição/compensação compete ao contribuinte o ônus da prova do fato constitutivo do seu direito, consoante a regra basilar extraída do Código de Processo Civil, artigo 333, inciso I, reproduzido no art. 373 do Novo CPC (Lei nº 13.105/2015): Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; (...) Ou seja, é o contribuinte que toma a iniciativa de viabilizar seu direito à compensação, mediante a apresentação da PERDCOMP, de tal sorte que, se a RFB resiste à pretensão do interessado, não homologando a compensação, incumbe a ele, o contribuinte, na qualidade de autor, demonstrar seu direito. No entanto, a Recorrente não trouxe aos autos elementos suficientes para comprovar a origem do seu crédito. Não apresentou a prova do seu direito creditório, em especial, a escrituração fiscal e contábil do período de apuração em que se pleiteou o crédito. Se limitou, tãosomente, a apresentar o DACON retificador, demonstrativo e amostras de Notas Fiscais, porém sem documentos hábeis, idôneos e suficientes que os embasassem. As declarações retificadas e demonstrativos produzidos pelo contribuinte, bem como, provas apresentadas por amostragem desacompanhadas dos livros e documentos exigidos pela legislação são insuficientes para comprovar os fatos relatados e para conferir certeza e liquidez ao crédito pleiteado. A alegação de erro na apuração dos débitos que teriam dado ensejo ao crédito de pagamento indevido ou a maior não foram acompanhadas na peça impugnatória da retificação da respectiva DCTF, instrumento de confissão de dívida, que a princípio estaria na esfera de responsabilidade do contribuinte, ainda mais porque não foi acompanhada de qualquer alegação de impossibilidade na sua apresentação, bem como, dos documentos comprobatórios que poderiam até embasar uma eventual retificação de ofício. Para que se possa superar a questão de eventual erro de fato e analisar efetivamente o mérito da questão, deveriam estar presentes nos autos os elementos comprobatórios que pudéssemos considerar no mínimo como indícios de prova dos créditos alegados, o que não se verifica no caso em tela. Fl. 109DF CARF MF Processo nº 13888.906850/201279 Acórdão n.º 3003000.015 S3C0T3 Fl. 7 6 Assim, nos termos do artigo 170 do Código Tributário Nacional, falta ao crédito indicado pelo contribuinte certeza e liquidez, que são indispensáveis para a compensação pleiteada. Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário, para NÃO HOMOLOGAR as compensações. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Fl. 110DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15504.725140/2017-47
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 07 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jan 09 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2013 a 31/12/2014
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - AUTO DE INFRAÇÃO - AQUISIÇÃO DE PRODUTOR RURAL PESSOA FÍSICA - SUBRROGAÇÃO - CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS INCIDENTES SOBRE A RECEITA DA COMERCIALIZAÇÃO DE SUA PRODUÇÃO. CONTRIBUIÇÃO A TERCEIROS - SENAR
A contribuição do empregador rural pessoa física e do segurado especial destinada à Seguridade Social e ao financiamento das prestações por acidente do trabalho, é de 2% e 0,1% da receita bruta proveniente da comercialização da sua produção.
A não apreciação no RE 363.852/MG dos aspectos relacionados a inconstitucionalidade do art. 30, IV da Lei 8212/2001; sendo que o fato de constar no resultado do julgamento inconstitucionalidade do artigo 1° da Lei n° 8.540/92, que deu nova redação aos artigos 12, incisos V e VII, 25, incisos I e II, e 30, inciso IV, da Lei n° 8.212/91, com redação atualizada até a Lei n° 9.528/97 não pode levar a interpretação extensiva de que fora declarada também a inconstitucionalidade do art. 30, IV, considerando a ausência de fundamentos jurídicos no próprio voto condutor.
CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PARA A SEGURIDADE SOCIAL E PARA OS TERCEIROS. AQUISIÇÃO DE PRODUTOS RURAIS - SUB-ROGAÇÃO.
A aquisição de produtos rurais oriundos de produtores pessoas naturais ou intermediários, por pessoa jurídica, há sub-rogação desta como responsável tributário por substituição pelas contribuições sociais a SEGURIDADE SOCIAL e para TERCEIROS devidas pelos produtores pessoas naturais.
ALEGAÇÃO DE CONTRARIEDADE A PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. IMPOSSIBILIDADE. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF N°. 02.
Aplicação da Súmula CARF n°. 02: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO TAXA SELIC APLICAÇÃO À COBRANÇA DE TRIBUTOS.
Nos termos da Súmula CARF n°4, a partir de 1° de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais.
Numero da decisão: 2201-004.769
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento aos recursos de ofício e voluntário.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente
(assinado digitalmente)
Daniel Melo Mendes Bezerra - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushiyama, Debora Fofano, Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente).
Nome do relator: DANIEL MELO MENDES BEZERRA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2013 a 31/12/2014 PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - AUTO DE INFRAÇÃO - AQUISIÇÃO DE PRODUTOR RURAL PESSOA FÍSICA - SUBRROGAÇÃO - CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS INCIDENTES SOBRE A RECEITA DA COMERCIALIZAÇÃO DE SUA PRODUÇÃO. CONTRIBUIÇÃO A TERCEIROS - SENAR A contribuição do empregador rural pessoa física e do segurado especial destinada à Seguridade Social e ao financiamento das prestações por acidente do trabalho, é de 2% e 0,1% da receita bruta proveniente da comercialização da sua produção. A não apreciação no RE 363.852/MG dos aspectos relacionados a inconstitucionalidade do art. 30, IV da Lei 8212/2001; sendo que o fato de constar no resultado do julgamento inconstitucionalidade do artigo 1° da Lei n° 8.540/92, que deu nova redação aos artigos 12, incisos V e VII, 25, incisos I e II, e 30, inciso IV, da Lei n° 8.212/91, com redação atualizada até a Lei n° 9.528/97 não pode levar a interpretação extensiva de que fora declarada também a inconstitucionalidade do art. 30, IV, considerando a ausência de fundamentos jurídicos no próprio voto condutor. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PARA A SEGURIDADE SOCIAL E PARA OS TERCEIROS. AQUISIÇÃO DE PRODUTOS RURAIS - SUB-ROGAÇÃO. A aquisição de produtos rurais oriundos de produtores pessoas naturais ou intermediários, por pessoa jurídica, há sub-rogação desta como responsável tributário por substituição pelas contribuições sociais a SEGURIDADE SOCIAL e para TERCEIROS devidas pelos produtores pessoas naturais. ALEGAÇÃO DE CONTRARIEDADE A PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. IMPOSSIBILIDADE. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF N°. 02. Aplicação da Súmula CARF n°. 02: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO TAXA SELIC APLICAÇÃO À COBRANÇA DE TRIBUTOS. Nos termos da Súmula CARF n°4, a partir de 1° de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais.
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CONTRIBUIÇÃO A TERCEIROS SENAR A contribuição do empregador rural pessoa física e do segurado especial destinada à Seguridade Social e ao financiamento das prestações por acidente do trabalho, é de 2% e 0,1% da receita bruta proveniente da comercialização da sua produção. A não apreciação no RE 363.852/MG dos aspectos relacionados a inconstitucionalidade do art. 30, IV da Lei 8212/2001; sendo que o fato de constar no resultado do julgamento “inconstitucionalidade do artigo 1° da Lei n° 8.540/92, que deu nova redação aos artigos 12, incisos V e VII, 25, incisos I e II, e 30, inciso IV, da Lei n° 8.212/91, com redação atualizada até a Lei n° 9.528/97” não pode levar a interpretação extensiva de que fora declarada também a inconstitucionalidade do art. 30, IV, considerando a ausência de fundamentos jurídicos no próprio voto condutor. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PARA A SEGURIDADE SOCIAL E PARA OS TERCEIROS. AQUISIÇÃO DE PRODUTOS RURAIS SUBROGAÇÃO. A aquisição de produtos rurais oriundos de produtores pessoas naturais ou intermediários, por pessoa jurídica, há subrogação desta como responsável tributário por substituição pelas contribuições sociais a SEGURIDADE SOCIAL e para TERCEIROS devidas pelos produtores pessoas naturais. ALEGAÇÃO DE CONTRARIEDADE A PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. IMPOSSIBILIDADE. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF N°. 02. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 72 51 40 /2 01 7- 47 Fl. 1311DF CARF MF Processo nº 15504.725140/201747 Acórdão n.º 2201004.769 S2C2T1 Fl. 1.312 2 Aplicação da Súmula CARF n°. 02: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO TAXA SELIC APLICAÇÃO À COBRANÇA DE TRIBUTOS. Nos termos da Súmula CARF n°4, a partir de 1° de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento aos recursos de ofício e voluntário. (assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo Presidente (assinado digitalmente) Daniel Melo Mendes Bezerra Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushiyama, Debora Fofano, Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente). Relatório Tratamse de Recursos de Ofício e Voluntário interpostos em face do acórdão nº 1474.927 9a Turma da DRJ/RPO, que julgou procedente em parte a impugnação apresentada pela ora recorrente. Adotamos, em parte, o relatório da decisão de primeira instância, por bem sintetizar os fatos: Tratase de auto de infração lavrado pela fiscalização em relação ao contribuinte acima identificado, destinado ao lançamento da contribuição prevista no artigo 25, incisos I e II da Lei n° 8.212/91 (empresa e RAT), na redação dada pela Lei n° 10.256/2001, incidente sobre a comercialização da produção rural por produtores rurais pessoas físicas, devida pela empresa autuada em decorrência da subrogação da empresa adquirente, consumidora ou consignatária pelo cumprimento da obrigação respectiva, conforme determinação contida no inciso IV do artigo 30 da Lei n° 8.212/91. De acordo com os fatos relatados pela fiscalização, a base de cálculo foi obtida nas Notas Fiscais apresentadas pelo próprio Fl. 1312DF CARF MF Processo nº 15504.725140/201747 Acórdão n.º 2201004.769 S2C2T1 Fl. 1.313 3 sujeito passivo, em resposta ao Termo de Início de Procedimento Fiscal. Informa, ainda, que o contribuinte questionou judicialmente a constitucionalidade da contribuição em questão (processo n° 002512502.2010.4.01.3800/MG), descrevendo o histórico: Em 12/04/2010 o contribuinte ingressou com ação declaratória com requerimento de tutela antecipada na 10a. Vara Federal de Belo Horizonte pleiteando o reconhecimento da inexistência da relação jurídico tributária quanto à contribuição prevista no art. 25, inc. I e II da Lei 8.212/91, inconstitucional, no seu entender, se desonerando assim dos recolhimentos e retenções vinculados, requerendo ainda a antecipação de tutela do objeto do pleito. Em 11/05/2010 o Juiz Federal da 10a Vara de Belo Horizonte da Justiça Federal de 1a. Instância denegou o pedido de tutela antecipada, instando ainda a União para que apresentasse contestação e a Autora para apresentação de novas provas, caso necessário. Em 19/05/2010 o contribuinte interpôs Agravo de Instrumento contra a decisão que denegou a antecipação de tutela pleiteada. Em 16/07/2010 o contribuinte entrou com um segundo Agravo de Instrumento contra a decisão que denegou a antecipação de tutela através do processo 002927055.2010.4.010000. Em 15/08/2010 o TRF1 suspendeu a exigibilidade da contribuição previdenciária sobre o resultado da comercialização da produção oriunda dos produtores rurais pessoas físicas que possuam empregados permanentes e que exerçam a atividade em regime de economia não familiar. A Fazenda Nacional opôs embargos, mas em 26/05/2011 verificouse que foi proferida sentença de mérito no processo originário (25125 02.2010.4.01.3800/SJMG), o que caracteriza a falta de interesse da recorrente e a consequente perda superveniente de objeto do recurso extraordinário, cujo resultado não tem mais alcance prático. Diante do exposto, não foi admitido o recurso extraordinário, pela perda superveniente do interesse recursal. Em 27/04/2011 o Juiz Federal da 10a Vara de Belo Horizonte da Justiça Federal de 1a. Instância exarou sentença nos seguintes termos “julgo procedentes os pedidos para reconhecer a inexigibilidade do tributo e das retenções instituídas pela lei n° 821291 em seus art. 251 e II e 30IVcom redação dada pelas leis n° 854092 e 952897 Deste modo PARTE AUTORA fica livre da obrigação de qualquer retenção baseada nos dispositivos ora tidos por inconstitucionais ”. Em 11/07/2011 a PGFN apelou contra a sentença implicando na remessa dos autos para o TRF1 a. Região. Em 22/05/2012 a 7a. Turma do TRF1 negou provimento à apelação da PGFN. Fl. 1313DF CARF MF Processo nº 15504.725140/201747 Acórdão n.º 2201004.769 S2C2T1 Fl. 1.314 4 Em 07/12/2012 a PGFN entrou com Recurso Extraordinário no curso do processo. Em 16/10/2013 o Presidente do TRF1 julgando Agravo Regimental interposto pela União (PGFN), contra decisão que declarou prejudicado o Recurso Extraordinário determinou o sobrestamento do Agravo Regimental interposto nos presentes autos, no aguardo do julgamento do processo representativo (RE 718.874/RS) pelo STF. Por se tratar de crédito com exigibilidade suspensa nos termos do artigo 151, incisos IV e V do Código Tributário Nacional, não houve lançamento da multa de ofício, conforme previsão contida no artigo 63 da Lei n° 9.430/1996. IMPUGNAÇÃO Em impugnação ao débito a empresa autuada apresenta as seguintes alegações, abaixo sintetizadas. Menciona a declaração de inconstitucionalidade reconhecida pelo Supremo Tribunal Federal nos autos do RE 363.852, manifestando o entendimento de que mesmo após o advento da Lei n° 10.256/2001, a contribuição prevista em relação ao empregador rural pessoa física seria inconstitucional. Primeiro, devido à existência de bis in idem em relação à COFINS. Segundo, por contrariar a disposição contida no §8° do artigo 195 da Constituição Federal, que prevê tributação sobre a receita bruta somente do segurado especial. E terceiro, pela afronta aos princípios da igualdade e da razoabilidade, na medida em que a Constituição Federal veda o tratamento diferenciado entre trabalhadores urbanos e rurais. Além disso, afirma que a Lei n° 10.256/2001, ao alterar o artigo 25 da Lei n° 8.212/1991, não estabelece a base de cálculo e a alíquota do tributo, declarados inconstitucionais, entendendo pela impossibilidade de sustentar que essa lei reinstituiu a contribuição. Em relação à subrogação da empresa adquirente, tece os seguintes Na hipótese de suspensão da exigibilidade do crédito por decisão judicial em favor do produtor a fim de que o substituto não realize o desconto e recolhimento: a responsabilidade do substituto se extingue e eventual lançamento de ofício para prevenção da decadência deve ser realizada em face do contribuinte, conforme posicionamento da própria Receita Federal do Brasil na Solução de Consulta Interna COSIT n° 01, de 15 de janeiro de 2015. E no presente caso, não houve por parte da fiscalização qualquer avaliação a respeito das decisões em favor dos produtores rurais ou mesmo se estes realizaram o recolhimento das contribuições lançadas, o que entende se tratar de um equívoco. Fl. 1314DF CARF MF Processo nº 15504.725140/201747 Acórdão n.º 2201004.769 S2C2T1 Fl. 1.315 5 Na hipótese de suspensão da exigibilidade do crédito tributário por decisão judicial em favor do substituto (ora impugnante), a fim de que não seja imposto o desconto e recolhimento do tributo em questão, apesar de não estar prevista esta situação na Solução de Consulta mencionada, entende que a sistemática a ser aplicada deve ser a mesma, recaindo, eventual lançamento, sobre os contribuintes, uma vez que não houve o desconto dos valores por força de decisão judicial. Transcreve jurisprudência sobre o tema. Ainda em relação à subrogação, sustenta a declaração de inconstitucionalidade do artigo 30, IV da Lei n° 8.212/1991 pelo Supremo Tribunal Federal , ao julgar o RE 363.852. E reitera o posicionamento de que a Lei n° 10.256/2001, por não trazer novamente essa previsão, não pode servir como base legal para a cobrança do tributo por subrogação. No tocante aos acréscimos legais, afirma que, tratandose de crédito constituído para prevenção da decadência, é de rigor a exclusão da multa aplicada, mencionando o artigo 63 da Lei n° 9.430/1996, a Solução de Consulta Interna 01/2013 e a Súmula 17 do CARF. Insurgese contra os juros aplicados, afirmando que a disposição contida no Código Tributário Nacional, em seu artigo 161, §1°, limita os juros em 1%. Menciona, ainda, a necessidade de sua quantificação estar prevista em lei. Entendendo pela impossibilidade da utilização de taxas relativas ao mercado financeiro. Insurgese também contra a multa de 20%, alegando ofensa aos princípios da razoabilidade, da proporcionalidade e da proibição do confisco, previstos na Constituição Federal. Caso não se entenda desse modo, ressalta a impossibilidade de aplicação de juros sobre a multa de ofício. Requer, finalmente, a procedência da impugnação apresentada, reconhecendose a improcedência do auto de infração. É o relatório. A decisão de primeira instância restou ementada nos termos abaixo (fls. 1245/1251): LANÇAMENTO DE OFÍCIO. CRÉDITO TRIBUTÁRIO SUSPENSO. INAPLICABILIDADE DE MULTA DE OFÍCIO. Não se aplica a multa de ofício na constituição de crédito tributário destinada a prevenir a decadência, em relação ao crédito cuja exigibilidade houver sido suspensa. AÇÃO JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA. A propositura pelo contribuinte de ação judicial com o mesmo objeto impugnado administrativamente, importa em renúncia às Fl. 1315DF CARF MF Processo nº 15504.725140/201747 Acórdão n.º 2201004.769 S2C2T1 Fl. 1.316 6 instâncias administrativas ou desistência de eventual recurso interposto. INCONSTITUCIONALIDADE E ILEGALIDADE DE LEI OU ATO NORMATIVO. ARGÜIÇÃO. A instância administrativa é incompetente para se manifestar sobre inconstitucionalidade ou ilegalidade de lei ou ato normativo. Cientificado do inteiro teor da decisão em 04/12/2017 (fl. 1.265), o sujeito passivo interpôs Recurso Voluntário, tempestivamente, em 11/12/2017 (fls. 1.268/1.296), reiterando exatamente os mesmos argumentos apresentados por ocasião do protocolo da impugnação. Foi interposto Recurso de Ofício. Voto Daniel Melo Mendes Bezerra, Conselheiro Relator Admissibilidade O Recurso de Ofício preenche os requisitos de admissibilidade, uma vez que o valor exonerado é superior a R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais), devendo, pois, ser conhecido. O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche aos demais requisitos de admissibilidade, devendo, pois, ser conhecido. Do Recurso de Ofício A decisão de piso julgou parcialmente procedente a impugnação da contribuinte, para excluir do lançamento a multa de ofício, no percentual de 75% (setenta e cinco por cento). O relatório fiscal foi explícito ao informar que o presente crédito tributário estaria sendo lançado a fim de prevenir a decadência, já que a fiscalizada ingressara com ação judicial pleiteando a declaração de inconstitucionalidade dessa forma. Destarte, agiu com acerto a decisão recorrida, ao aplicar o disposto no art. 63 da Lei nº 9.430/1996, verbis: Art. 63. Na constituição de crédito tributário destinada a prevenir a decadência, relativo a tributo de competência da União, cuja exigibilidade houver sido suspensa na forma dos incisos IV e V do art. 151 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, não caberá lançamento de multa de ofício. (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) De acordo com a legislação de regência, não caberá multa de ofício na constituição de crédito tributário destinada a prevenir a decadência. Fl. 1316DF CARF MF Processo nº 15504.725140/201747 Acórdão n.º 2201004.769 S2C2T1 Fl. 1.317 7 Isto posto, voto por negar provimento ao Recurso de Ofício. Recurso Voluntário Considerações iniciais De início, impende ressaltar que a decisão recorrida deixou de conhecer as razões de defesa afetas à inconstitucionalidade de normas, bem como reconheceu a concomitância entre o discutido no processo judicial e administrativo. No que pertine a tais matérias, contidas na referida decisão, a contribuinte não recorreu expressamente, limitandose a reiterar os argumentos trazidos por ocasião do protocolo da impugnação, em vasta explanação acerca da inconstitucionalidade do art. 25 da Lei nº 10.256/2001, ainda que promulgada sob uma nova ordem constitucional. Destarte, o não conhecimento de matérias pertinentes à inconstitucionalidade e a concomitância dos processos judicial e administrativo, tornaramse definitivos, eis que não são objetos do inconformismo recursal. Não obstante, para a adequada análise dos efeitos da Resolução nº 15, do Senado Federal, sobre o presente processo administrativo fiscal, fazse necessária uma análise dos desdobramentos legislativos que culminaram na nova redação do art. 25 da Lei nº 8.212/91, dada pela Lei nº 10.256/2001, o que faço nos termos a seguir delineados. Da Lei nº 10.256/2001 A matriz legal da contribuição previdenciária do empregador rural pessoa física é o art. 25 da Lei 8.212/91, in verbis: Art. 25. A contribuição do empregador rural pessoa física, em substituição à contribuição de que tratam os incisos I e II do art. 22, e a do segurado especial, referidos, respectivamente, na alínea a do inciso V e no inciso VII do art. 12 desta Lei, destinada à Seguridade Social, é de: (Redação dada pela Lei nº 10.256, de 2001). I 2% da receita bruta proveniente da comercialização da sua produção; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). II 0,1% da receita bruta proveniente da comercialização da sua produção para financiamento das prestações por acidente do trabalho. (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). (...) Tendo sido criada antes da edição da Emenda Constitucional (EC) 20/98 por lei ordinária, tal exação teve sua constitucionalidade questionada no Supremo Tribunal Federal (STF), uma vez que, originalmente, a Carta Magna não previa a receita como fato gerador da contribuição previdenciária a ser criada por lei ordinária. Somente poderia ter sido instituída por Lei Complementar para incidir sobre fato gerador não enumerado no art. 195 da Constituição Federal. Fl. 1317DF CARF MF Processo nº 15504.725140/201747 Acórdão n.º 2201004.769 S2C2T1 Fl. 1.318 8 No RE 363.852/MG, julgado em 03/02/2010 e transitado em julgado em 08/06/2011, o plenário do STF enfrentou a questão, tendo concluído o julgamento com as seguintes ementa e decisão: Ementa: RECURSO EXTRAORDINÁRIO PRESSUPOSTO ESPECÍFICO VIOLÊNCIA À CONSTITUIÇÃO ANÁLISE CONCLUSÃO. Porque o Supremo, na análise da violência à Constituição, adota entendimento quanto à matéria de fundo do extraordinário, a conclusão a que chega deságua, conforme sempre sustentou a melhor doutrina José Carlos Barbosa Moreira , em provimento ou desprovimento do recurso, sendo impróprias as nomenclaturas conhecimento e não conhecimento. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL COMERCIALIZAÇÃO DE BOVINOS PRODUTORES RURAIS PESSOAS NATURAIS SUBROGAÇÃO LEI Nº 8.212/91 ARTIGO 195, INCISO I, DA CARTA FEDERAL PERÍODO ANTERIOR À EMENDA CONSTITUCIONAL Nº 20/98 UNICIDADE DE INCIDÊNCIA EXCEÇÕES COFINS E CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PRECEDENTE INEXISTÊNCIA DE LEI COMPLEMENTAR. Ante o texto constitucional, não subsiste a obrigação tributária subrogada do adquirente, presente a venda de bovinos por produtores rurais, pessoas naturais, prevista nos artigos 12, incisos V e VII, 25, incisos I e II, e 30, inciso IV, da Lei nº 8.212/91, com as redações decorrentes das Leis nº 8.540/92 e nº 9.528/97. Aplicação de leis no tempo considerações. (RE 363852, Relator(a): Min. MARCO AURÉLIO, Tribunal Pleno, julgado em 03/02/2010, DJe071 DIVULG 22042010 PUBLIC 23042010 EMENT VOL0239804 PP00701 RET v. 13, n. 74, 2010, p. 4169) Decisão: O Tribunal, por unanimidade e nos termos do voto do Relator, conheceu e deu provimento ao recurso extraordinário para desobrigar os recorrentes da retenção e do recolhimento da contribuição social ou do seu recolhimento por subrrogação sobre a “receita bruta proveniente da comercialização da produção rural” de empregadores, pessoas naturais, fornecedores de bovinos para abate, declarando a inconstitucionalidade do artigo 1º da Lei nº 8.540/92, que deu nova redação aos artigos 12, incisos V e VII, 25, incisos I e II, e 30, inciso IV, da Lei nº 8.212/91, com a redação atualizada até a Lei nº 9.528/97, até que legislação nova, arrimada na Emenda Constitucional nº 20/98, venha a instituir a contribuição, tudo na forma do pedido inicial, invertidos os ônus da sucumbência. Em seguida, o Relator apresentou petição da União no sentido de modular os efeitos da decisão, que foi rejeitada por maioria, vencida a Senhora Ministra Ellen Gracie. Votou o Presidente, Ministro Gilmar Mendes. Ausentes, licenciado, o Senhor Ministro Celso de Mello e, neste julgamento, o Senhor Ministro Joaquim Barbosa, com voto proferido na assentada anterior. Plenário, 03.02.2010. De fato, até a edição da EC 20/98, a exação em comento não poderia ter sido criada por lei ordinária para incidir sobre fato gerador não previsto até então no art. 195 da CF. Nesse aspecto, seguimos a decisão do RE 363.852 para concluir que o art. 25 da Lei nº 8.212/91 não pode ser aplicado até que lei nova, fundada na EC 20/98, tenha instituído validamente a contribuição. De nossa parte, entendemos que isso ocorreu com a edição da Lei nº 10.256/2001 que deu nova redação ao caput do art. 25 da Lei nº 8.212/91 em seu art. 1º. Ainda que a nova lei não tenha repetido ou reeditado os incisos e parágrafos do art. 25 da Lei nº 8.212/91 de modo a afastar qualquer dúvida sobre a constitucionalidade do dispositivo alterado, se assumíssemos que os incisos e parágrafos restaram excluídos do ordenamento jurídico estaríamos adotando interpretação por demais formalista e que resultaria em prejuízo para o financiamento solidário da seguridade social previsto no caput do art. 195 da CF. Logo, após a entrada em vigor da Lei nº 10.256/2001, respeitada anterioridade nonagesimal, o art. 25 da Lei nº 8.212/91 passa a estar em harmonia com a EC 20/98. Assim, a partir de 11/2001 a contribuição previdenciária do empregador rural pessoa física pode ser Fl. 1318DF CARF MF Processo nº 15504.725140/201747 Acórdão n.º 2201004.769 S2C2T1 Fl. 1.319 9 exigida. Eventuais lançamentos anteriores a tal data não podem prevalecer por falta de previsão legal. Contudo, a recorrente argumenta que mesmo com a promulgação da EC 20/98, o art. 25 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 10.256/2001, seria inconstitucional. Não obstante a vedação legal desse Conselho em pronunciarse sobre questões afetas à inconstitucionalidade de normas vigentes, é imperioso destacar que a inconstitucionalidade do art. 25 da Lei nº 8.212/91, na redação trazida pela Lei nº 10.256/2001, já foi aprecida pelo STF, através do julgamento do Recurso Extraordinário 718.874/RS, nos termos seguintes: TRIBUTÁRIO. EC 20/98. NOVA REDAÇÃO AO ARTIGO 195, I DA CF. POSSIBILIDADE DE EDIÇÃO DE LEI ORDINÁRIA PARA INSTITUIÇÃO DE CONTRIBUIÇÃO DE EMPREGADORES RURAIS PESSOAS FÍSICAS INCIDENTE SOBRE A COMERCIALIZAÇÃO DA PRODUÇÃO RURAL. CONSTITUCIONALIDADE DA LEI 10.256/2001. 1.A declaração incidental de inconstitucionalidade no julgamento do RE 596.177 aplicase, por força do regime de repercussão geral, a todos os casos idênticos para aquela determinada situação, não retirando do ordenamento jurídico, entretanto, o texto legal do artigo 25, que, manteve vigência e eficácia para as demais hipóteses. 2.A Lei 10.256, de 9 de julho de 2001 alterou o artigo 25 da Lei 8.212/91, reintroduziu o empregador rural como sujeito passivo da contribuição, com a alíquota de 2% da receita bruta proveniente da comercialização da sua produção; espécie da base de cálculo receita, autorizada pelo novo texto da EC 20/98. 3. Recurso extraordinário provido, com afirmação de tese segundo a qual É constitucional formal e materialmente a contribuição social do empregador rural pessoa física, instituída pela Lei 10.256/01, incidente sobre a receita bruta obtida com a comercialização de sua produção. Portanto, extraise da supra transcrita ementa que: é constitucional formal e materialmente a contribuição social do empregador rural pessoa física, instituída pela Lei 10.256/01, incidente sobre a receita bruta obtida com a comercialização de sua produção. O art. 30, IV, da Lei nº 8.212/91, que trata da subrogação na aquisição de produtores rurais pessoas naturais não foi objeto da declaração de inconstitucionalidade no RE 363.852/MG, permanecendo hígido para os fatos geradores a partir de 11/2001. Os fatos geradores objeto do presente lançamento correspondem ao período de 01/2013 a 12/2014. Assim, não há que se falar em aplicação ao decidido no RE 363.852/MG, porquanto a inconstitucionalidade ali declarada diz repeito à ordem jurídica anterior a entrada em vigor da Lei nº 10.256/2001, ou seja, fatos geradores anteriores a 11/2001. Diferentemente do argumento recursal, a publicação da Resolução nº 15/2017, do Senado Federal, em nada altera o presente lançamento. Dispõe a mencionada Resolução: “Art. 1º É suspensa, nos termos do artigo 52, inciso X, da Constituição Federal, a execução do inciso VII do artigo 12 da Fl. 1319DF CARF MF Processo nº 15504.725140/201747 Acórdão n.º 2201004.769 S2C2T1 Fl. 1.320 10 Leiº 8.212, de 24 de julho de 1991, e a execução do art. 1º da Leiº 8.540, de 22 de dezembro de 1992, que deu nova redação ao artigo 12, inciso V, ao art. 25, incisos I e II, e ao artigo 30, inciso IV, da Leiº 8.212, de 24 de julho de 1991, todos com a redação atualizada até a Leiº 9.528, de 10 de dezembro de 1997, declarados inconstitucionais por decisão definitiva proferida pelo Supremo Tribunal Federal nos autos do Recurso Extraordinário nº 363.852.” Por esta resolução, portanto, há suspensão da execução do inciso VII do artigo 12, da Lei 8.212/1991, bem como artigo 1º, Lei 8.540/92, que deu nova redação ao artigo 12, V, 25, incisos I e II, artigo 30, IV, da Lei 8.212/1991, com a redação atualizada até a Lei 9.528/97, por força decisão definitiva pelo pleno do Supremo Tribunal Federal no Recurso Extraordinário 363.852 (“caso Mataboi”). Como não poderia deixar de ser, a multicitada resolução senatorial tem por escopo conceder efeitos “erga omnes” a todas as situações jurídicas anteriores à promulgação da EC 20/98, não produzindo qualquer efeito em relação a fatos geradores ocorridos a partir de 11/2001, como é o caso dos autos. É certo que, após a edição da Resolução nº 15, do Senado Federal, foi criada uma expectativa para se saber o posicionamento do STF em relação ao tema, já que o acórdão do julgamento do RE 718.874/RS é anterior à aludida resolução. Todavia, o Pretório Excelso já teve a oportunidade de se pronunciar acerca do tema no julgamento de Embargos de Declação, em 23/05/2018, o que fez nos termos seguintes: EMENTA : PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE CONTRADIÇÃO, OBSCURIDADE OU OMISSÃO. IMPOSSIBILIDADE DE REDISCUSSÃO DE QUESTÕES DECIDIDAS PARA OBTENÇÃO DE CARÁTER INFRINGENTE. INAPLICABILIDADE DA RESOLUÇÃO 15/2017 DO SENADO FEDERAL QUE NÃO TRATA DA LEI 10.256/2001. NÃO CABIMENTO DE MODULAÇÃO DE EFEITOS PELA AUSÊNCIA DOS REQUISITOS LEGAIS. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO REJEITADOS. 1. Não existentes obscuridades, omissões ou contradições, são incabíveis Embargos de Declaração com a finalidade específica de obtenção de efeitos modificativos do julgamento. 2. A inexistência de qualquer declaração de inconstitucionalidade incidental pelo Supremo Tribunal Federal no presente julgamento não autoriza a aplicação do artigo 52, X da Constituição Federal pelo Senado Federal. 3. A Resolução do Senado Federal 15/2017 não se aplica a Lei nº 10.256/2001 e não produz qualquer efeito em relação ao decidido no RE 718.874/RS. 4. A inexistência de alteração de jurisprudência dominante torna incabível a modulação de efeitos do julgamento. Precedentes. 5. Embargos de Declaração rejeitados. Destarte, o entendimento do STF é expresso no sentido que que: a Resolução do Senado Federal 15/2017 não se aplica a Lei nº 10.256/2001 e não produz qualquer efeito em relação ao decidido no RE 718.874/RS. Fl. 1320DF CARF MF Processo nº 15504.725140/201747 Acórdão n.º 2201004.769 S2C2T1 Fl. 1.321 11 Assim, o ato senatorial, vinculado por natureza às declarações de inconstitucionalidade a que se refere, somente atinge a contribuição do empregador rural pessoa física no período anterior à Lei nº 10.256/01. Portanto, o art. 30, IV, da Lei nº 8.212/91, permanece hígido para regular as relações constantes da constituição do presente crédito tributário, estando a empresa recorrente subrogada na obrigação de reter e recolher a contribuição do produtor rural pessoa física incidente sobre a receita da comercialização de sua produção rural. Feitas essas necessárias ponderações, entendo que, no mais, não podem ser apreciados os argumentos baseados em inconstitucionalidade de tratado, acordo internacional, lei ou decreto pelas razões que a seguir serão expostas. A competência para decidir sobre a constitucionalidade de normas foi atribuída especificamente ao Judiciário pela Constituição Federal no Capítulo III do Título IV. Em tais dispositivos, o constituinte teve especial cuidado ao definir quem poderia exercer o controle constitucional das normas jurídicas. Decidiu que caberia exclusivamente ao Poder Judiciário exercêla, especialmente ao Supremo Tribunal Federal. Por seu turno, a Lei 11.941/2009 incluiu o art. 26A no Decreto 70.235/72 prescrevendo explicitamente a proibição dos órgãos de julgamento no âmbito do processo administrativo fiscal acatarem argumentos de inconstitucionalidade, in verbis: “Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade.” Dos Juros Taxa Selic A insurgência da recorrente contra a aplicação da Taxa Selic como juros moratórios não pode prosperar, uma vez que se trata de matéria sumulada neste Tribunal Administrativo no sentido de sua legalidade, nos seguintes termos: Súmula CARF nº 4 A partir de 1° de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Acrescentese que, para os tributos regidos pela Lei 8.212/91, o art. 34 do referido diploma legal prevê a aplicação da Taxa Selic. Assim sendo, improcede a insurgência da recorrente. Conclusão Diante de todo o exposto, voto por negar provimento aos recursos de ofício e voluntário. Fl. 1321DF CARF MF Processo nº 15504.725140/201747 Acórdão n.º 2201004.769 S2C2T1 Fl. 1.322 12 (assinado digitalmente) Daniel Melo Mendes Bezerra Fl. 1322DF CARF MF
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Numero do processo: 10235.001610/2009-77
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jan 10 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 1301-000.634
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto- Presidente.
(assinado digitalmente)
Nelso Kichel- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Roberto Silva Junior, Nelso Kichel, Bianca Felícia Rothschild, Giovana Pereira de Paiva Leite, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Carlos Augusto Daniel Neto, José Eduardo Dornelas Souza e Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente).
Relatório
Nome do relator: NELSO KICHEL
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TOBELEM ME Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente. (assinado digitalmente) Nelso Kichel Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Roberto Silva Junior, Nelso Kichel, Bianca Felícia Rothschild, Giovana Pereira de Paiva Leite, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Carlos Augusto Daniel Neto, José Eduardo Dornelas Souza e Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente). RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 02 35 .0 01 61 0/ 20 09 -7 7 Fl. 1402DF CARF MF Processo nº 10235.001610/200977 Resolução nº 1301000.634 S1C3T1 Fl. 1.403 2 Relatório Tratase do Recurso Voluntário (efls. 1304/1315) em face do Acórdão da 2ª Turma da DRJ/Belém (efls. 1284/1297) que julgou a Impugnação improcedente, ao manter o lançamento fiscal do SIMPLES Federal, anocalendário 2006. Quanto aos fatos, consta dos autos: que, em 18/03/2010, a Fiscalização da RFB, unidade DRF/Macapá, lavrou Autos de Infração SIMPLES Federal (IRPJ, PIS, Cofins, CSLL e Contrib. Seg. Social INSS), anocalendário 2006 (efls. 1142/1252), ao imputar as seguintes infrações, in verbis: (...) 001 OMISSÃO DE RECEITAS RECEITAS NÃO ESCRITURADAS Conforme descrito no Relatório Fiscal, fls. 983 a 989. Fato Gerador Valor Tributável (R$) Multa (%) 31/01/2006 40.019,96 75 28/01/2006 23.909,91 75 31/03/2006 31.493,01 75 30/04/2006 40.269,89 75 31/05/2006 102.545,72 75 30/06/2006 37.879,75 75 31/07/2006 61.823,86 75 31/08/2006 84.862,40 75 30/09/2006 90.897,37 75 31/10/2006 103.905,61 75 30/06/2006 34.063,69 75 31/12/2006 151.655,74 75 Obs: Omissão de receitas direta, dados extraídos a partir das vendas por cartão de crédito (vendas não registradas na escrituração e não declaradas ao fisco). ENOUADRAMENTO LEGAL: Art. 24 da Lei n° 9.249/95; arts. 2°, § 2°, 3°, § 1°, alínea "a", 5°, 7°, § 1°, 18, da Lei n° 9.317/96.; Art. 3° da Lei n° Arts. 186, 188 e 199, do RIR/99. 002 OMISSÃO RECEITAS DEPÓSITOS BANCÁRIOS NÃO ESCRITURADOS Conforme descrito no Relatório Fiscal,fls. 983 a 989. Fl. 1403DF CARF MF Processo nº 10235.001610/200977 Resolução nº 1301000.634 S1C3T1 Fl. 1.404 3 Fato Gerador Valor Tributável (R$) Multa (%) 31/01/2006 1.422.046,34 75 28/02/2006 241.896,24 75 28/02/2006 803.255,90 75 31/03/2006 1.221.742,52 75 30/04/2006 1.120.589,63 75 31/05/2006 1.179.749,16 75 30/06/2006 781.219,21 75 31/07/2006 1.038.815,12 75 31/08/2006 1.047.995,22 75 30/09/2006 704 .2l9,09 75 31/10/2006 1.387.658,81 75 30/06/2006 1.279.329,12 75 31/12/2006 1.168.391,67 75 Obs: Omissão de receitas por presunção legal., depósitos bancários não escriturados e de origem não comprovada. ENQUADRAMENTO LEGAL: Art. 24 da Lei n° 9.249/95; arts. 2°, § 2°, 3°, § 1°, alínea "a", 5°, 7°, § 1°, 18, da Lei n° 9.317/96; art. 42 da Lei n° 9.430/96.; Artz 3° da Lei n° 9.732/98.; Arts. 186, 188 e 199, do RIR/99. (...) que, ainda quanto aos fatos, consta do Relatório Fiscal, parte integrante dos autos de infração (efls. 1135/1141), in verbis: (...) I. DA INVESTIGAÇÃO FISCAL (...) 9. Em 1°/9/2009, fls. 185 a 187, a titular da fiscalizada foi intimada a: a) apresentar os extratos bancários das contascorrentes, poupanças, aplicações financeiras etc mantidas pela matriz e pelas filiais da fiscalizada, nos bancos ora identificados, que deram origem a movimentação financeira incompatível com o total da renda disponível declarada, no anocalendário de 2006, como a seguir descrito: (...) 10. Em resposta, a titular da fiscalizada informou não dispor dos documentos acima solicitados, alegando extravio do mesmos, fls. 189. Nesta oportunidade, infomiou ter procedido a atualização do endereço da fiscalizada junto ao cadastro da Receita Federal. l 1. Em face da não apresentação dos extratos bancários pela fiscalizada, foram emitidas, em 1°/ 10/2009, as Requisições de Inforrnações sobre Movimentação Financeira RMF (...). (...) Fl. 1404DF CARF MF Processo nº 10235.001610/200977 Resolução nº 1301000.634 S1C3T1 Fl. 1.405 4 22. Após realizada a auditoria nos extratos bancários fornecidos pelas supracitadas instituições financeiras, nos termos do art. 42 da Lei n° 9.430/1996, a fiscalizada foi intimada, na pessoa de sua titular, fls. 794 a 799, 802 a 908: a) a comprovar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nos depósitos efetuados, no anocalendário de 2006, nas seguintes contascorrentes: n° 31.4072, mantida na Agência n° 45446, do Banco do Brasil; n° 3736229, mantida na Agência n° 0191, do Banco ABN AMRO Real; n° 216450, mantida na Agência n° 1138, do Banco Itaú; n° 130005889, mantida na Agência n° 0697, do Banco Banespa/Santander; n° 101193, mantida na Agência n° 1529, do Unibanco; e n° 103853, mantida na Agência n° 0990, conforme planilha intitulada “Auditoria de Depósitos Bancários (Total dos créditos, após as exclusões previstas no art. 42, da Lei n° 9.430/ 1996)”; b) da planilha intitulada “Auditoria de Depósitos Bancários (Transferências entre contas da própria pessoa jurídica e outras exclusões; art. 42, da Lei n° 9.430/ 1996)”, contendo os valores de créditos excluídos (estornos e decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa jurídica); c) de que a não comprovação da origem dos recursos utilizados nos referidos depósitos caracteriza a omissão de receitas, sujeitando as mesmas à tributação (no regime do SIMPLES), por meio da lavratura de auto de infração, com a incidência de multa mínima de 75% sobre o total do tributo apurado. 23. Até a presente data a fiscalizada não procedeu a alteração do seu endereço fiscal junto à Receita Federal do Brasil, fls. 909. 24. Em 8/3/2010 a titular da fiscalizada informou não dispor dos documentos acima solicitados, alegando extravio do mesmos, fls. 910. II. DA DETERMINAÇÃO DA MATÉRIA TRIBUTÁVEL. A fiscalizada apresentou à Receita Federal uma Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica Simples (art. 7° da Lei n° 9.317/ 1996) relativa ao anocalendário de 2006, PJSI 2007, fls. 4 a 21, indicando sua condição de empresa de pequeno porte. 2. Na PJSI 2007 a fiscalizada consignou os seguintes valores de receitas brutas mensais (e respectivos valores de “Simples a pagar”): a) janeiro: R$ 66.514,80 (R$ 3.591,80); b) fevereiro: R$ 68.163,00 (R$ 3.680,80); c) março: R$ 70.232,10 (R$ 3.792,53); d) abril: R$ 72.729,00 (R$ 4.218,28); e) maio: R$ 72.915,10 (R$ 4.229,08); Í)junho: R$ 75.531,60 (R$ 4.682,96); g) julho: RS 75.142,30 (R$ 4.959,39); h) agosto: RS 75.956,20 (R$ 5.013,11); i) setembro: R$ 74.816,00 (R$ 5.237,12); j) outubro: R$ 78.204,31 (R$ 5.787,12); k) novembro: R$ 82.103,49 (R$ 6.075,66); l) dezembro: R$ 89.548,90 (R$ 6.984,81); totalizando RS 901.856,80, no anocalendário de 2006. 3. Como optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte Simples, a fiscalizada estava obrigada a, no minimo, escriturar o Livro Fl. 1405DF CARF MF Processo nº 10235.001610/200977 Resolução nº 1301000.634 S1C3T1 Fl. 1.406 5 Caixa (art. 7°, § 1°, alínea a, da Lei n° 9.317/1996), no qual deveria estar registrada toda sua movimentação financeira, inclusive bancária; bem como guardar todos os documentos e demais papéis (inclusive extratos bancários) que serviram de base para a escrituração do referido livro (art. 7°, § 1°, alínea c, da Lei n° 9.317/1996). 4. Devidamente intimada, fls. 34 a 36, 42, 100, 101, 115, 119 a 121, 123, 178, 183, 185 a 190, a fiscalizada não apresentou nem o Livro Caixa nem os extratos das contascorrentes, poupanças, aplicações financeiras etc mantidas pela ela e suas filiais, no Banco do Brasil S.A., no Banco ABN AMRO Real S.A., no Banco Itaú S.A., no Banco do Estado de São Paulo S.A. Banespa, no Banco Santander S.A., no Unibanco União dos Bancos Brasileiros S.A. e no Banco Bradesco S.A., ao longo do anocalendário de 2006. 5. O seguinte fato autorizou o Fisco, nos termos do art. 3°, inciso X1, c/c seus §§ 1° e 2°, inciso I, do Decreto n° 3.724/2001, a ter acesso às informações relativas à movimentação financeira da fiscalizada, (e, em decorrência do art. 11, § 3°, da Lei n° 9.311/1996, c/c o art. 42 da Lei n° 9.430/1996, a utilização das mesmas para fins do lançamento do Imposto de Renda da Pessoa Física), a saber: a movimentação financeira incompatível com o total da renda disponível declarada à Receita Federal, no anocalendário de 2006, nos seguintes termos: a) total da renda disponível declarada à Receita Federal: R$ 901.856,80 (conforme PJSI 2007, fls. 4 a 21); b) total da movimentação financeira: R$ 14.309.255,50, fls. 22, 28 e 30. (...) 8. Após a auditoria realizada nos documentos coligidos no curso do presente procedimento, a saber: extratos apresentados pelas supracitadas instituições financeiras, fls. 364 a399, 402 a 411, 412 a 431, 433 a 599, 602 a 608, 609 a 725, 726 a 755, 756 a 790; e os relatórios das vendas efetuadas pela fiscalizada, mediante a aceitação de cartão de crédito como meio de pagamento (nas modalidades de crédito e débito), mensalmente, durante o anocalendário de 2006, apresentados pela Companhia Brasileira de Meios de Pagamento (Visanet) e pela Redecard S. A. (Sistema Redecard: bandeiras Mastercard e Diners), fls. 240 a 324 e 338 a 361, foram constatadas duas situações que configuram omissões de receitas. 9. A primeira referese a omissões de receitas apuradas de forma direta, decorrentes das diferenças de valores de receitas declaradas na PJSI 2007, fls. 4 a 21, e dos valores constantes dos relatórios das vendas efetuadas pela fiscalizada, mediante a aceitação de cartão de crédito como meio de pagamento (nas modalidades de crédito e debito), mensalmente, durante o anocalendário de 2006, apresentados pela Companhia Brasileira de Meios de Pagamento (Visanet) e pela Redecard S. A. (Sistema Redecard: bandeiras Mastercard e Diners), fls. 240 a 324 e 338 a 361, conforme planilha intitulada “Demonstrativo de Apuração de Omissões de Receitas”, fls. 916 e 917, elaborada com o auxilio das planilhas “Demonstrativo de Apuração de Receitas (Operações Intermediadas pela Visanet)”, fls. 912 e 913, e “Demonstrativo de Apuração de Receitas (Operações Intermediadas pela Redecard)”, fls. 914 e 915. Fl. 1406DF CARF MF Processo nº 10235.001610/200977 Resolução nº 1301000.634 S1C3T1 Fl. 1.407 6 10. A segunda referese a omissões de receitas apuradas de forma indireta,`ou seja, por presunção legal (art. 42 da Lei n° 9.430/1996), caracterizadas pela falta de comprovação da origem dos recursos utilizados em depósitos bancários, no anocalendário de 2006, após as devidas exclusões, tanto as constantes da planilha intitulada “Auditoria de Depósitos Bancários (Transferências entre contas da própria pessoa jurídica e outras exclusões; art. 42, da Lei n° 9.430/ 1996”); contendo os valores de créditos excluídos (estornos e decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa jurídica); como os valores cujos históricos eram relativos a operações com cartões de crédito. As referidas omissões encontramse indicadas na planilha “Depósitos Bancários/Valores com Origem não Comprovada (Outros Créditos, após as Exclusões Previstas no art. 42 da Lei 11° 9.430/1996 e das Operações com Cartões de Crédito)”, fls. 918 a 982. 11. Os valores informados pela fiscalizada em sua PJ SI 2007 como “Simples a pagar”, fls. 6 a 17, sofreram majoração, mercê da "acumulação" da receita bruta mensal informada naquela declaração, com as receitas omitidas apuradas pela Fiscalização, acima mencionadas, dando origem, assim, a insuficiências de recolhimentos dos valores de “Simples a pagar”. (...) DEMONSTRATIVO DE PERCENTUAIS APLICÁVEIS SOBRE A RECEITA BRUTA Mês/Ano Receita Bruta Mensal (Decl.) (R$) Dif. Apuradas (R$) Receita Bruta Acumulada (R$) % Total SIMPLES 01/2006 66.514,80 1.462.066,30 1.528.581,10 9,80 02/2006 68.163,00 803.255,90 12,60 02/2006 0,00 265.806,15 15,12 2.665.806,15 03/2006 70.232,10 1.253.235,53 3.989.273,78 15,12 04/2006 72.729,00 1.160.859,52 5.222.862,30 15,12 05/2006 72.915,10 1.282.294,88 6.578.072,28 15,12 06/2006 75.531,60 819.098,96 7.472.702,84 15,12 07/2006 75.142,30 1.100.638,98 8.648.484,12 15,12 08/2006 75.956,20 1.132.857,62 9.857.297,94 15,12 09/2006 74.816,00 795.116,46 10.727.230,40 15,12 10/2006 78.204,31 1.491.564,42 12.296.999,13 15,12 11/2006 82.103,49 1.313.392,81 13.692.495,43 15,12 12/2006 89.548,90 1.320.047,41 15.102.091,74 15,12 que o crédito tributário lançado de ofício nos Sistema SIMPLES Federal, na data dos autos de infração, anocalendário 2006, perfaz o montante de R$ 4.530.204,24, assim discriminado: Fl. 1407DF CARF MF Processo nº 10235.001610/200977 Resolução nº 1301000.634 S1C3T1 Fl. 1.408 7 Auto de Infração Principal (R$) Juros de Mora (Calculados até 26/02/2010) (R$) Multa de ofício de 75% Total IRPJ Simples 149.698,14 57.617,04 112.273,55 319.588,73 CSLL Simples 149.698,14 57.617,04 112.273,55 319.588,73 PIS Simples 109.529,57 42.170, 37 82.147,13 233.847,07 Cofins Simples 439.835,52 169.344,95 329.876,58 939.057,05 Contrib. Seg. Social INSS Simples 1.273.141,93 490.124,34 954.856,39 2.718.122,66 Total 4.530.204,24 que foi imputada sujeição passiva solidária ao Sr. JOSÉ SAMUEL ALCOLUMBRE TOBELEM, CPF nº 324.873.55204, conforme Termo (efls. 1253/1259), in verbis: (...) IV. DA RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. O crédito apurado no presente Procedimento de Fiscalização corresponde às obrigações tributárias resultantes de atos praticados com infração de lei (o art. 1°, inciso I, da Lei n° 8.137/1990, que define crimes contra a ordem tributária; e o art. 1.179 da Lei n° 10.406/2002 Código Cívil) pela seguinte pessoa: o mandatário da fiscalizada, o senhor JOSÉ SAMUEL ALCOLUMBRE TOBELEM, CPF n° 324.873.55204, conforme Procuração de fls. 50. 2. Como responsável pelos negócios da fiscalizada, a pessoa supracitada deveria absterse da prática de atos tendentes a viabilizar o não pagamento dos tributos federais devidos pela empresa, a saber: omitir informação às autoridades fazendárias (apresentação da PJSI 2007, fls. 4 a 21, nela consignando valores a menor de receitas auferidas no anocalendário de 2006. Demais, não foi escriturado o Livro Caixa, a que estava obrigada a fiscalizada, no ano sob fiscalização, nem apresentados os documentos de guarda obrigatória. 3. Assim, a referida pessoa, no comando da fiscalizada, perpetrou infração tanto ao Código Civil, no tocante aos seus deveres de sócio gerente (art. 1179), tanto à lei que tutela penalmente a ordem tributária, razão pela qual devem responder pelo crédito tributário ora apurado, na forma dos arts. 135, inciso III, e l37,Í inciso III, alínea “c”, da Lei n° 5.172/1966, Código Tributário Nacional CTN. (...) Fundamentação Legal Face ao todo exposto restou caracterizada a sujeição passiva solidária nos temos dos arts. 124, inciso II, 135, inciso III, e 137, inciso III, Fl. 1408DF CARF MF Processo nº 10235.001610/200977 Resolução nº 1301000.634 S1C3T1 Fl. 1.409 8 alínea “c”, da Lei nº 5.172/66, Código Tributário Nacional CTN, c/c o art. I/l972.179 da Lei n° 10.406/2002 Código Civil. (...) Cientes do lançamento fiscal por via postal F.A.TOBLEM e Sr. JOSÉ SAMUEL ALCOLUMBRE TOBELEM em 25/03/2010 quintafeira (efls. 1260/1261), apenas a pessoa jurídica, firma individual, F. A. TOBELÉM ME (titular FRANCILENE ARAÚJO TOBELEM) apresentou impugnação em 26/04/2010 segunda feira (efls. 1269/1281), por intermédio do Sr. JOSÉ SAMUEL ALCOLUMBRE TOBELEM, procurador legal, cujas razões, em síntese, são as seguintes: 1 DA IMPROCEDÊNCIA DO LANÇAMENTO COM BASE EM MEROS DEPÓSITOS BANCÁRIOS: que se o lançamento decorre de mera constatação de depósitos bancários, sem maiores investigações sobre a ocorrência do fato gerador do imposto conforme definido no art. 43 do CTN, fere não só o princípio da Verdade Material, como o principio da estrita legalidade; que o legislador pretende tributar é aquela o que representa um efetivo e real acréscimo patrimonial verificado no período. E isto não restou comprovado no presente lançamento; que a lmpugnante tem como objetivo principal a atividade de venda de aparelhos de telefone celular e cartões para carga de celular da operadora Amazônia Celular S/A Pará. Na qualidade de representante comercial da operadora Amazônia Celular, a lmpugnante recebe uma comissão pelas vendas e serviços prestados; que a parceria comercial com a operadora Amazônia Celular funcionava assim: a Impugnante recebia aparelhos da Amazônia Celular e os vendia aos clientes, recebia também cartões de carga e recarga de celular. Do total das faturas, a Impugnante ficava apenas com 20% do total e o restante repassava à operadora Amazônia Celular; que, embora as vendas de cartões e aparelhos celulares fossem efetuados pela Impugnante e os depósitos das vendas via cartão de Crédito (Visanet, Redecard) fossem efetuados diretamente na conta bancária da Impugnante, fica evidente que não podem ser considerados receitas da empresa, posto que, dessas receitas, a maior parte dos valores era repassada para terceiros, ficando apenas com uma pequena parte relativa às comissões ou remunerações pelos serviços prestados; que não se pode pretender, in casu, que meros depósitos bancários, por si só, constituam fato gerador do imposto de renda, pois não caracterizam disponibilidade econômica de renda da Impugnante; que, mesmo depois da edição da Lei n° 9430, de 1996, meros depósitos em confronto com as provas e a indicação da empresa beneficiária de parte dos depósitos, não servem por si só para presumir que a integralidade dos depósitos são receitas tributáveis; que a Impugnante tinha várias contas em diversos bancos e, constantemente, fazia retiradas de uma conta para realizar alguma despesa ou investimento. Às vezes, as sobras eram depositadas em outra conta. Às vezes, o negócio não era realizado e o dinheiro era Fl. 1409DF CARF MF Processo nº 10235.001610/200977 Resolução nº 1301000.634 S1C3T1 Fl. 1.410 9 devolvido e depositado em outra conta. Também há casos de empréstimos de curto prazo, depositados diretamente na conta da Impugnante. Também há os saldos de depósitos de exercícios anteriores que justificam parte dos valores no inicio do ano. 2 RESSARCIMENTO DE VENDA PROMOCIONAL DE TELEFONE que quando a Amazônia Celular S/A queria fazer a promoção de um determinado aparelho, ela solicitava que a Impugnante vendessese o aparelho por um preço inferior ao que a ela havia comprado da operadora, e em contrapartida a operadora ressarcia a recorrente pela diferença do preço de venda e o preço promocional através de uma operação bancária; que, em suma, os depósitos realizados pela Amazônia Celular referentes a esses ressarcimentos, nada mais eram do que a reposição de um dinheiro que a recorrente já possuía, e, por conseguinte, já tributado. Por isso, analisandose apenas os depósitos bancários, temse a ilusão de que a Impugnante estaria movimentando um valor altíssimo e omitia receitas, entretanto, analisando operação por operação verificase grande parte delas pode ser explicada, como esta acima descrito; 3 DA IMPROCEDÊNCIA DO LANÇAMENTO ANTE A COMPROVAÇÃO EFETIVA DA ORIGEM DOS DEPÓSITOS (Ilegitimidade passiva): que a Impugnante funcionava como prestadora de serviços da operadora Amazônia Celular S/A Pará, e por esses serviços era remunerada de acordo com a Cláusula Quinta (Do Preço e Remuneração). A Impugnante atuava como distribuidora de cartões de recarga dos celulares, que os revendia aos chamados Pontos de Vendas para venda final ao consumidor. Conforme contrato, a “comissão a ser percebida a título de remuneração pelo serviço prestado" era de 10% (dez por cento) descontado na Nota Fiscal, sobre o montante adquirido, acrescida de mais 10%, se superadas as metas fixadas pela Amazônia Celular (5.3. da Cláusula Quinta). Em suma, do total faturado a Impugnante ficava efetivamente com apenas 20%, e o restante repassava à operadora Amazônia Celular, conforme contrato; que, embora a Impugnante não tenha entregue o Livro Caixa por motivos justificados, admitir que toda renda de venda de cartões e celulares é receita tributável da Impugnante, é, em última análise, pretender tributar duas vezes a mesma receita (bis in idem). Isto porque, a Impugnante, mediante contrato, opera como intermediária na venda de cartões e aparelhos celulares da operadora Amazônia Celular e, por força desse contrato, repassa 80% dessa receita a Amazônia Celular, que por sua vez , certamente, declara e paga os tributos incidentes sobre as mesmas. Repisando, o Fisco pretende exigir duas vezes tributos sobre a mesma receita, uma vez da Impugnante através destes lançamentos e outra vez da empresa Amazônia Celular que certamente declarou as receitas repassadas pela Impugnante; que o contrato é claro: a Impugnante presta serviços à Amazônia Celular S/A Pará e, por isso, recebe comissão de até 20% dessa operadora. Importante ressaltar que a Impugnante era a única distribuidora da operadora Amazônia Celular no Estado e vendia a maior parte dos cartões aos chamados Pontos de Vendas (varejistas); que essas informações foram passadas ao AuditorFiscal, o qual por atenção a princípio da verdade material, deveria intimar a empresa Amazônia Celular para que confirmasse as informações. Em suma, se a Impugnante prova que parte das receitas pertence a Fl. 1410DF CARF MF Processo nº 10235.001610/200977 Resolução nº 1301000.634 S1C3T1 Fl. 1.411 10 terceiros, por força de contrato, deveria aprofundar a investigação para excluir os valores não pertencentes a Impugnante, e citou precedente do CARF (Acórdão nº 10617.164); que soa “absurdo” pretender que todo o dinheiro depositado na conta corrente de uma empresa de representação comercial de outra corresponda à receita integral própria. Citou ainda precedente do CARF (Acórdão nº 10419.302); que o Fisco, ao exigir o tributo sobre os valores integrais depositados em conta corrente da Impugnante, estaria, em última análise, tributando o sujeito passivo (no caso a lmpugnante) de forma excessiva (ou indevidamente), na medida em que, a maior parte da receita pertence a empresa Amazônia Celular S.A. a qual, por sua vez, certamente, declarou essas receitas à Receita Federal e ofereceu à tributação; que não pode prosperar o presente lançamento, porquanto o Fisco exige tributo, sobre receitas que não pertencem integralmente a lmpugnante, configurando erro na identificação do sujeito passivo. Por isso deve ser considerado nulo o lançamento. 4 DA_IMPROCEDÊNCIA DO LANÇAMENTO DEPÓSiTOS DE UM MÊS JUSTIFICAM OS RECURSOS DO MÊS SEGUINTE: que não há “impedimento algum considerar que a omissão de rendimentos detectada e tributada em um mês seja suficiente para justificar a omissão presumida de rendimentos e caracterizada pelos depósitos bancários nos meses seguintes.". 5 DA IMPROCEDÊNCIA DOS LANÇAMENTOS REFLEXOS que a improcedência dos lançamentos alcançam não só as exigências de IRPJ como também do PIS, COFINS, CSLL e INSS, posto que, sendo reflexos de lançamento nulo ou improcedente no tocante ao IRPJ, diante da íntima relação de causa e efeito que os unem ao tributo principal, seguem a sorte deste. Por fim, a Impugnante pediu: a) nulidade de pleno direito o presente libelo fiscal ou declarálo improcedente pelos motivos acima expostos. Ou se assim não entender a Turma Julgadora que: b) reconheça como renda tributada os valores relativos as comissões fixadas em contrato no percentual de 20% dos depósitos levantados, por serem os valores realmente auferidos como renda pela Impugnante nas operações que realizou, determinando a reconstituição do crédito tributário com base nesses valores; c) protesta por todos os meios de provas admitidas em direito. Na sessão de 13/10/2010, a 2ª Turma da DRJ/Belém julgou a Impugnação improcedente, ao manter o lançamento fiscal, conforme Acórdão (efls. 1284/1297), cuja ementa e dispositivo transcrevo, in verbis: (...) Assunto: Simples (...) Fl. 1411DF CARF MF Processo nº 10235.001610/200977 Resolução nº 1301000.634 S1C3T1 Fl. 1.412 11 Exercício: 2007 Ementa: VENDA POR CARTÃO DE CRÉDITO OMISSÃO DE RECEITAS Verificada por indícios a omissão de receita, a autoridade tributária poderá, para efeito de determinação da base de cálculo sujeita à incidência do imposto, arbitrar a receita do contribuinte, tomando por base as receitas, apuradas em procedimento fiscal, correspondentes ao movimento diário das vendas, da prestação de serviços e de quaisquer outras operações. (Art.284 Decreto n° 3.000 de 26 de março de 1999 Regulamento do Imposto de Renda) DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. PRESUNÇÃO LEGAL. A Lei n° 9.430, de 1996, estabeleceu uma presunção legal de omissão de rendimentos que autoriza lançar o imposto correspondente sempre que o titular da conta bancária, regularmente intimado, não comprovar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta de depósito ou de investimento. Impugnação Irnprocedente Crédito Tributário Mantido (...) Acordam os membros da 2ª Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, julgar improcedente a manifestação de inconformidade. (...) Ciente desse decisum o sujeito passivo firma individual F. A. TOBELÉM ME, em 04/01/2011, por via postal Aviso de Recebimento AR (efl. 1303), apresentou Recurso Voluntário, em 02/02/2011, (efls. 1304/1315), por intermédio da titular da firma individual, Sra. FRANCILENE ARAÚJO TOBELEM, cujas razões, em síntese, são as seguintes: 1 PRELIMINAR DE NULIDADE. QUEBRA DO SIGILO BANCÁRIO SEM ORDEM JUDICIAL: que a regra é o respeito ao sigilo, sendo exceção a sua quebra, em face de circunstâncias que justifiquem a atribuição de maior peso aos princípios que justificam a fiscalização que aos que protegem a intimidade do fiscalizado; que é inconstitucional o dispositivo que praticamente torna o sigilo bancário inexistente, transformando a “quebra” do sigilo em uma regra sem exceções (LC 105, art. 6º); que, mesmo que assim não fosse, o artigo padeceria de outra inconstitucionalidade (que também vicia o art. 6° da mesma lei complementar), porquanto deixa nas mãos da Administração, parte interessada, e não do Poder Judiciário, em tese imparcial, o juízo acerca da presença das circunstâncias que justificam a quebra; que, considerando que no caso ora debatido, o Fisco Federal não possuía qualquer autorização judicial, e nem apresentou motivos para considerar indispensável a Fl. 1412DF CARF MF Processo nº 10235.001610/200977 Resolução nº 1301000.634 S1C3T1 Fl. 1.413 12 quebrar do sigilo bancário do contribuinte, resta inconteste a nulidade do lançamento pela quebra ilegal do sue sigilo bancário. 2 MÉRITO: 2.1 OFENSA AO PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL PRESUNÇÃO ILEGAL DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS: que, in casu, a contribuinte ainda na impugnação provou que mantinha contrato de exclusividade para prestar serviços à operadora de telefonia celular Amazônia Celular S/A Pará, e por esses serviços era remunerada de acordo com a Cláusula Quinta (Do Preço e Remuneração) do contrato anexado aos autos; que não se tratava de um contrato simples, em que a contribuinte apurava o dinheiro pela venda de cartões e repassava, no final do mês, o valor correspondente a 80%, ficando com 20%, como sugere O contrato. Na verdade, o funcionamento desse contrato não era simples assim, isto porque, o acordo se concretizava mediante operações comerciais com descontos concedidos na compra ou reembolsos indenizatórios, que no final, rendia à recorrente um ganho comercial equivalente a 20% de todo faturamento; que, embora a empresa ainda esteja com dificuldades para reunir todos os documentos de provas, nesta oportunidade, pretende com os documentos que consegui resgatar até agora, esclarecer melhor o funcionamento do contrato e a sua real renda tributável: a) remuneração pela venda de cartões de crédito: que os cartões telefônicos (celular) têm preços préfixados pela operadora: o cartão de 15 custa R$ 15,00; o cartão de 20 custa R$ 20,00, e assim por diante. Isto significa que a recorrente somente poderia vender os cartões pelos seus respectivos preços préfixados e impressos nos próprios cartões, nem um centavo a mais; que o ganho da empresa/recorrente está na compra dos cartões. Conforme documentos, em anexo, constatase que a empresa adquiria os referidos cartões com descontos de até 20%. Por exemplo: a NF n° 09045, emitida em 07/11/2006 pela Amazônia Celuzar S/A, informa que foram comprados 2.000 cartões de 16, totalizando o valor de R$ 32.000,00. Essa compra foi paga mediante duplicata vencida em 07/12/2006, com desconto de 15%, ou seja, a empresa pagou apenas R$ 27.200,00, conforme documentos anexos; que, assim, se a empresa/recorrente vendesse os 2.000 cartões faturando R$ 32.000,00 em novembro, pagaria no mês seguinte à Amazônia Celular R$ 27.200,00, tendo um lucro efetivo de R$ 4.800,00 que corresponde ao desconto concedido no momento da compra. E assim por diante; que, portanto, o ganho da empresa se concretizava quando da compra dos cartões e não nas vendas dos mesmos. Equivale dizer que, os depósitos resultantes das vendas de cartões não podem representar ganho da empresa/recorrente, posto que esses valores retornavam à empresa Amazônia Celular. b) remuneração pela venda de aparelhos e serviços de ativação de celular: Fl. 1413DF CARF MF Processo nº 10235.001610/200977 Resolução nº 1301000.634 S1C3T1 Fl. 1.414 13 que outras rendas realmente pertencentes à empresa/recorrente são as remunerações pelas vendas de aparelhos celulares e serviços de ativação de linhas. Por essas operações, a Amazônia Celular, com base em relatório periódico (cópias anexas), informava à empresa/recorrente o valor da comissão do período e, com base nesses relatórios, a recorrente era obrigada a emitir uma nota fiscal contra a Amazônia Celular, a qual, por sua vez, depositava o valor da comissão, já descontados o Imposto de Renda (retido na fonte), conforme destacado nos respectivos relatórios; que a empresa está sendo injusta e duplamente tributada em relação a esses valores depositados, pois se o I. R. já era retido na fonte pagadora, não pode a Fazenda tributar, novamente, esses mesmos valores. Daí, a necessidade de que se faça uma diligência na escrita da empresa Amazônia Celular (hoje TelemarOi) para apurar esses fatos, uma vez que esta empresa era a responsável pela retenção do imposto; que a diligência além de apurar os valores do I. Renda retidos e recolhidos, provará os valores efetivamente depositados pela Amazônia Celular como comissão e outras indenizações. c) ressarcimento de venda promocional de telefone: que o ganho da recorrente pela parceria comercial com a operadora Amazônia Celular se manifestava no momento das compras de cartões, remuneração pela venda de aparelhos celulares e ressarcimento (ou indenizações) promocionais; que, entre essas indenizações promocionais, se destacam o PRICE PROTECTION e CHURNING, que consistiam no seguinte: periodicamente, a Amazônia Celular S/A determinava que a recorrente promovesse um evento promocional para aumentar a venda de um determinado aparelho. Para tanto, mandava que o aparelho fosse vendido ao consumidor por valor inferior ao preço pago na sua aquisição pela recorrente. Por exemplo: a recorrente adquiria um modelo e marca de celular por R$ 314,00, colocandoo à venda por R$ 427,04. Posteriormente a Amazônia Celular mandava que esse aparelho fosse vendido por R$ 99,00. E, para compensar, o evidente prejuízo, a Amazônia Celular ressarcia a recorrente pela diferença do preço de compra e o preço promocional (ou seja, R$ 215,00); que, portanto, uma grande parte dos depósitos são simples ressarcimentos de dinheiro de aquisicao de aparelhos promocionais, não receitas de vendas. Isto é, em boa parte dos depósitos denominados “TED recebidos” estão inclusos valores que, na verdade, são devoluções de compras; e, portanto, não representam receitas de vendas, mas devolução de valores pagos a maior, quando da aquisição do aparelho promocional. Isso prova que a Amazônia Celular mantinha o controle das vendas e determinava o ganho da recorrente, assumindo, inclusive, os eventuais prejuízos. Prova também que é temeroso simplesmente presumir que o total dos depósitos eram receitas da recorrente. d) operações de churning: que outra operação com a Amazônia Celular realizada através de depósitos bancários se denomina CHURNING e que consistia basicamente no seguinte: a Amazônia Celular pagava a recorrente os serviços por ela prestados tais como: ativação de póspago, caixa postal, transferência de assinatura, migração para outro plano prestado, entre outros. Serviços esses pagos mensalmente através de notas fiscais de serviço. Entretanto, quando um cliente cancelava um determinado serviço dentro de 3 meses, ou deixava de utilizálo por mais Fl. 1414DF CARF MF Processo nº 10235.001610/200977 Resolução nº 1301000.634 S1C3T1 Fl. 1.415 14 de um mês, a Amazônia Celular descontava esses cancelamentos dos serviços já pagos a Recorrente. Em suma, se num mês a empresa recebia “X” e, no mês seguinte fosse punida, receberia então, “x1”. Era uma forma de punição por não conseguir “cativar melhor o cliente”. Essa operação era denominada “churning". 2.2 ILEGITIMIDADE PASSIVA TRIBUTOS JÁ PAGOS PELA AMAZÔNIA CELULAR DA IMPROCEDÊNCIA DO LANÇAMENTO: que, embora a Recorrente não tenha entregue o Livro Caixa por motivos justificados, admitir que toda renda de venda de cartões e celulares é receita tributável, em última análise, é pretender tributar duas vezes a mesma receita (bis in idem). Isto porque, a Recorrente mediante contrato, operava apenas como intermediária na venda de cartões, aparelhos celulares e ativações de linhas telefônicas da operadora Amazônia Celular e, por força desse contrato, tinha um ganho real de até 20% sobre essas receitas. que o contrato é claro: a empresa/recorrente prestava serviços Amazônia Celular S/A Pará e, por isso, recebia como comissão de até 20% desta operadora. Importante ressaltar que a Recorrente era a única distribuidora da operadora Amazônia Celular no Estado (até 2007) e vendia a maior parte dos cartões aos chamados Pontos de Vendas (varejistas); que, pelo menos, 80% da receita repassada foi devidamente escriturada e registrada na contabilidade da empresa Amazônia Celular. E, por conseqüência, ofertada à tributação pela citada empresa. E essa verdade pode ser provada com a verificação da escrita daquela empresa, inclusive com pagamento do respectivo tributo sobre esses valores. Portanto, se a recorrente apontou e provou a quem pertence 80% das “receitas” representadas pelos depósitos, deveria o órgão julgador, em obediência ao princípio da verdade material, mandar investigar com mais imparcialidade e concretamente a origem e o destino da presumida receita; que, se não agir assim, a Fazenda Nacional estará se aproveitando indevidamente de uma situação que lhe favorece. Convém lembrar que, no âmbito público, em razão do princípio da legalidade e moralidade, a Administração não pode se prevalecer dessas situações para cobrar tributo duas vezes sobre as mesmas receitas: uma da recorrente e outra da empresa Amazônia Celular; que, após verificados todos os elementos de prova, inclusive com a indicação do destino da maior parte das receitas, o feito se apresenta sem força suficiente para ensejar a condenação da contribuinte, uma vez que os indícios ou presunções, não podem mais subsistir incólume para firmar o crédito tributário; que soa absurdo pretender que todo o dinheiro depositado na conta corrente da representante comercial seja próprio. Qual a lógica (jurídica ou econômica) para se considerar que a empresa obteve um lucro bruto tributável de 100% sobre suas operações, considerando que a empresa atuava apenas como intermediária da Amazônia Celular? Segue, em anexo, cópias de duplicatas e notas fiscais recuperadas (efls. 1321/1388), onde se comprova que a recorrente comercializava apenas com a Amazônia Celular; que são robustas as provas e esclarecimentos acerca da origem dos depósitos e que nem todos os valores depositados podem ser arbitrariamente considerados com receitas da recorrente. Ainda citou precedente do CARF: Acórdão 10419302 ; Fl. 1415DF CARF MF Processo nº 10235.001610/200977 Resolução nº 1301000.634 S1C3T1 Fl. 1.416 15 que, para corroborar com esses fatos, enviou ofício à empresa Amazônia Celular S.A., para que a citada empresa forneça, disponibilize cópia dos livros onde constam registrados os valores repassados pela recorrente, e suas respectivas comissões, no sentido de provar que a maior parte das receitas não pertencem à recorrente. 2.3 DA IMPROCEDÊNCIA DOS LANÇAMENTOS REFLEXOS: que a improcedência dos lançamentos alcançam não só as exigências de IRPJ como também do PIS, COFINS e CSLL, posto que, sendo reflexos de lançamento nulo ou improcedente no tocante ao IRPJ, diante da íntima relação de causa e efeito que os unem ao tributo principal, seguem a sorte deste. Por fim, a recorrente pediu: a) que seja julgando nulo ou improcedente o lançamento, pelos motivos e provas apontadas na impugnação e neste recurso; b) para melhor formação da convicção deste E. Conselho seja determinado a realização de diligências junto a Oi/Telemar, sucessora da Amazônia Celular, para o fim de: identificar os valores retidos na fonte em nome da recorrente, e respectivas receitas já efetivamente tributadas; identificar os valores depositados em conta corrente da empresa/recorrente a título de indenização pelas vendas promocionais de aparelhos celulares. c) protesta por todos os meios de provas admitidas em direito. É o relatório. Fl. 1416DF CARF MF Processo nº 10235.001610/200977 Resolução nº 1301000.634 S1C3T1 Fl. 1.417 16 Voto Conselheiro Nelso Kichel, Relator. O Recurso Voluntário do sujeito passivo firma individual F.A. TOBELEM ME, apresentado pela própria titular FRANCILENE ARAÚJO TOBELEM, é tempestivo e preenche os demais pressupostos de admissibilidade. Portanto, conheço do recurso. A lide versa acerca do crédito tributário lançado de ofício do anocalendário 2006, regime de apuração do SIMPLES Federal (Autos de Infração do IRPJ, CSLL, PIS, Cofins e Contrib. Seguridade Social INSS), em face das infrações imputadas: a) omissão de receitas faturamento não oferecido à tributação (informações fornecidas pelas operadores de cartões de crédito) (prova direta); b) omissão de receitas depósitos bancários não escriturados e de origem não comprovada presunção legal (prova indireta); c) insuficiência de recolhimentos em razão da alteração, progressão das alíquotas, mudança de faixa de alíquota, efeito reflexo do faturamento total (receitas declaradas e receitas omitidas), em relação às receitas declaradas (contribuinte apurou e pagou os tributos do SIMPLES Federal quanto às receitas declaradas com alíquota menor). A Fiscalização, ainda, imputou sujeição passiva solidária ao Sr. JOSÉ SAMUEL ALCOLUMBRE TOBELEM, CPF nº 324.873.55204, procurador legal, conforme Termo de Responsabilidade Tributária, incurso nos arts. 124, inciso II, 135, inciso III, e 137, inciso III, alínea “c”, da Lei nº 5.172/66, Código Tributário Nacional CTN (efls. 1253/1259), o qual tomou ciência da imputação em 25/03/2010 por via postal, Aviso de Recebimento AR (efls. 1260/1261). Na primeira instância de julgamento, o sujeito passivo firma individual F.A. TOBELEM ME apresentou impugnação assinada pelo procurador legal Sr. JOSÉ SAMUEL ALCOLUMBRE TOBELEM (efls. 1269/1281). Já o Sr. JOSÉ SAMUEL ALCOLUMBRE TOBELEM, devedor solidário, embora ciente da imputação do fisco em 25/03/2010 por via postal, Aviso de Recebimento AR (efls. 1260/1261), não apresentou impugnação ao Termo de Responsabilidade Tributária (sujeição passiva solidária). Como visto, a matéria sujeição passiva solidária está preclusa, não foi impugnada na primeira instância de julgamento. Logo, não mais cabe agitála na órbita administrativa. Fl. 1417DF CARF MF Processo nº 10235.001610/200977 Resolução nº 1301000.634 S1C3T1 Fl. 1.418 17 NECESSIDADE DE SANEAMENTO DO PROCESSO Não obstante a preclusão da matéria sujeição passiva solidária, compulsando os autos, constatase, de plano, que não foi dada ciência ao Sr. JOSÉ SAMUEL ALCOLUMBRE TOBELEM, responsável solidário, do resultado do julgamento de primeira instância Acórdão da 2ª Turma da DRJ/Belém, sessão de 13/10/2010 (efls. 1284/1297). Frisese, embora preclusa a matéria sujeição passiva solidária, o coobrigado (responsável solidário) tem o direito, faculdade processual, de recorrer da decisão a quo, quanto às matérias que restou vencido o sujeito passivo F.A. TOBELEM ME, que julgou a impugnação improcedente. Assim, tornase necessário dar ciência do resultado do julgamento da decisão de primeira instância ao Sr. JOSÉ SAMUEL ALCOLUMBRE TOBELEM, responsável solidário, antes do julgamento do Recurso Voluntário da firma individual F.A. TOBELEM ME nesta instância recursal ordinária. Demonstrada a necessidade de saneamento do processo, propugno pela conversão do julgamento em diligência, ou seja, devolução dos autos à unidade de origem da RFB, no caso à DRF/Macapá, para que seja dada ciência da decisão de primeira instância ao Sr. JOSÉ SAMUEL ALCOLUMBRE TOBELEM, responsável solidário, abrindo prazo de trinta dias da ciência para, em querendo, apresentar recurso voluntário. Realizada a diligência fiscal, saneado o processo, transcorrido o prazo com ou sem manifestação da parte, a unidade de origem da RFB deverá remeter os autos ao CARF para julgamento da lide. Por tudo que foi exposto, voto para converter o julgamento em diligência para saneamento do processo. É como voto. (assinado digitalmente) Nelso Kichel Fl. 1418DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16327.910847/2011-12
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 27 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Jan 25 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 30/11/2000
PIS. BASE DE CÁLCULO.
No regime cumulativo, a base de cálculo do PIS e da Cofins é o faturamento do contribuinte, entendido como a receita bruta da venda de mercadorias e da prestação de serviços, originária da atividade típica da empresa, em consonância com o seu objeto social.
Numero da decisão: 3201-004.414
Decisão: Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade: a) indeferir a realização de diligência suscitada pela conselheira Tatiana Josefovicz Belisario, que foi acompanhada dos conselheiros Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior; b) rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, negar provimento ao Recurso Voluntário, vencida a conselheira Tatiana Josefovicz Belisario, que entendeu que se deveria afastar a incidência das receitas não operacionais, conforme definição do Plano de Contas Cosif, e os conselheiros Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior, que lhe deram provimento parcial em maior extensão, para também excluir da base de cálculo as receitas decorrentes da aplicação de recursos próprios.
(assinatura digital)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Laercio Cruz Uliana Junior e Orlando Rutigliani Berri (suplente convocado para substituir o conselheiro Leonardo Correia Lima Macedo).
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO. INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. Recorrente BRADESCO S/A CORRETORA DE TÍTULOS E VALORES MOBILIÁRIOS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 30/11/2000 PIS. BASE DE CÁLCULO. No regime cumulativo, a base de cálculo do PIS e da Cofins é o faturamento do contribuinte, entendido como a receita bruta da venda de mercadorias e da prestação de serviços, originária da atividade típica da empresa, em consonância com o seu objeto social. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade: a) indeferir a realização de diligência suscitada pela conselheira Tatiana Josefovicz Belisario, que foi acompanhada dos conselheiros Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior; b) rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, negar provimento ao Recurso Voluntário, vencida a conselheira Tatiana Josefovicz Belisario, que entendeu que se deveria afastar a incidência das receitas não operacionais, conforme definição do Plano de Contas Cosif, e os conselheiros Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior, que lhe deram provimento parcial em maior extensão, para também excluir da base de cálculo as receitas decorrentes da aplicação de recursos próprios. (assinatura digital) Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Laercio Cruz Uliana Junior e Orlando Rutigliani Berri (suplente convocado para substituir o conselheiro Leonardo Correia Lima Macedo). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 91 08 47 /2 01 1- 12 Fl. 163DF CARF MF Processo nº 16327.910847/201112 Acórdão n.º 3201004.414 S3C2T1 Fl. 3 2 Relatório Trata o presente processo de Pedido de Restituição de crédito de PIS, com lastro em pagamento efetuado indevidamente ou a maior que o devido, segundo informado no PER/Dcomp. A Deinf São Paulo indeferiu o pedido por meio de despacho decisório eletrônico, já que o pagamento indicado no PER/Dcomp teria sido integralmente utilizado para quitar débito declarado pelo contribuinte. Cientificado do despacho decisório, o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade alegando que antes do pleito ser indeferido deveria ter sido intimado a prestar esclarecimentos, pois o Pedido de Restituição seria referente à parcela do alargamento da base de cálculo das Contribuições para o PIS/Pasep e Cofins, implementada pela Lei nº 9.718/98 e julgada inconstitucional pelo STF. Afirmou que o STF já teria declarado a inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo do PIS e da Cofins nos Recursos Extraordinários nº 346.084, 357.390, 358.273 e 390.840. Alegou que seria corretora de títulos e valores mobiliários, e que o PIS e a Cofins incidiriam sobre suas principais receitas, ligadas ao seu objeto social e que seriam receitas de serviços prestadas a terceiros, como receitas de comissões de corretagem e administração de fundos de investimento. Argumentou que as receitas decorrentes de operações com recursos próprios, quando não haveria intermediação financeira, estariam excluídas do conceito de prestação de serviços. Defendeu que o conceito de faturamento não seria alterado em função do objeto social da empresa e que o STF teria reconhecido que o PIS e a Cofins só poderiam incidir sobre o faturamento, entendido como a receita bruta das vendas de mercadorias e de serviços. Argumentou que não haveria qualquer identidade entre tal conceito de faturamento e sua atividade principal. Ressaltou que qualquer empresa auferiria receitas financeiras em função do fluxo de caixa. Afirmou que a questão estaria sendo apreciada pelo STF, nos autos do Recurso Extraordinário nº 609.096 e que por tal motivo, o presente processo também deveria ser sobrestado, conforme os arts. 62A, §§ 1º e 2º do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Concluiu requerendo a procedência da manifestação de inconformidade e a reforma do despacho decisório, com o conseqüente deferimento do Pedido de Restituição. A 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto julgou improcedente a manifestação de inconformidade, proferindo o Acórdão DRJ/RPO n.º 14063.876, de 23/01/2017, assim ementado: Fl. 164DF CARF MF Processo nº 16327.910847/201112 Acórdão n.º 3201004.414 S3C2T1 Fl. 4 3 ASSUNTO: Contribuição para o PIS/Pasep Data do fato gerador: 30/11/2000 SOCIEDADE CORRETORA DE VALORES MOBILIÁRIOS. RECEITA BRUTA. RECEITA OPERACIONAL. O conceito de receita bruta sujeita à Contribuição para o PIS/Pasep compreende a receita de venda de mercadorias e da prestação de serviços, incluídas as receitas oriundas do exercício das atividades empresariais típicas da sociedade corretora de valores mobiliários. DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. FUNDAMENTAÇÃO. CERCEAMENTO DE DEFESA. Como o despacho decisório que indeferiu a restituição requerida teve como fundamento fático a verificação dos valores objeto de declarações do próprio sujeito passivo, não há que se falar em cerceamento de defesa. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. RESTITUIÇÃO. AUSÊNCIA DE SALDO A RESTITUIR. Verificado que o crédito pleiteado foi totalmente utilizado em momento anterior para quitação de débitos declarados em DCTF, resta impossibilitada a restituição por ausência de saldo. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 30/11/2000 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. SOBRESTAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. Inexiste a figura do sobrestamento de processo administrativo. O princípio da oficialidade obriga a administração a impulsionar o processo até sua decisão final. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Irresignada, a contribuinte apresentou, no prazo legal, recurso voluntário por meio do qual alega, em síntese, que devia ter sido intimada para apresentar esclarecimentos e documentos a respeito do crédito a ser restituído (cita atos normativos da RFB e a Lei nº 9.784, de 1999) e que a não retificação de DCTF não fulmina o seu direito. No mérito, traz as mesmas alegações de defesa já declinadas em sua manifestação de inconformidade. É o relatório. Fl. 165DF CARF MF Processo nº 16327.910847/201112 Acórdão n.º 3201004.414 S3C2T1 Fl. 5 4 Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3201004.399, de 28/11/2018, proferido no julgamento do processo 16327.910834/201143, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201004.399): "Presentes os demais requisitos de admissibilidade, entendemos que o recurso deve ser conhecido. A Recorrente apresentou e teve indeferido pedido eletrônico de restituição de crédito decorrente de pagamento a maior da Cofins, apurada em maio de 2000, ao fundamento de que, a partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP, localizouse pagamento integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, não restando saldo disponível para a restituição requerida. Em sua primeira peça de defesa, alega que devia ter sido intimada a apresentar esclarecimentos e documentos a respeito do crédito a ser restituído (cita atos normativos da RFB e a Lei nº 9.784, de 1999), e que a não retificação de DCTF não fulmina o seu direito. Com efeito, sabese que a só falta de retificação da DCTF, notadamente quando feita após a prolação do Despacho Decisório, não obsta o reconhecimento crédito, desde que venha acompanhada de informações e/ou documentos necessários à comprovação do valor reclamado. Não há, todavia, a necessidade da intimação prévia, quando a repartição fiscal já detém as informações necessárias à apreciação do pedido. Aplicável aqui, por analogia, a Súmula CARF nº 46, segundo a qual "O lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação ao sujeito passivo, nos casos em que o Fisco dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário". (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018). Vejam que o § 4º do art. 3º da Instrução Normativa IN RFB nº 900, de 2008, citado pela Recorrente em seus recursos, referese aos documentos mencionados no parágrafo anterior, que trata, especificamente, de pedido de restituição formulado por representante do sujeito passivo, o qual deverá apresentar à RFB o instrumento que respalda a sua representação: Art. 3º A restituição a que se refere o art. 2º poderá ser efetuada: I a requerimento do sujeito passivo ou da pessoa autorizada a requerer a quantia; ou II mediante processamento eletrônico da Declaração de Ajuste Anual do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física (DIRPF). § 1º A restituição de que trata o inciso I do caput será requerida pelo sujeito passivo mediante utilização do programa Pedido de Restituição, Ressarcimento ou Reembolso e Declaração de Compensação (PER/DCOMP). Fl. 166DF CARF MF Processo nº 16327.910847/201112 Acórdão n.º 3201004.414 S3C2T1 Fl. 6 5 § 2º Na impossibilidade de utilização do programa PER/DCOMP, o requerimento será formalizado por meio do formulário Pedido de Restituição, constante do Anexo I, ou mediante o formulário Pedido de Restituição de Valores Indevidos Relativos a Contribuição Previdenciária, constante do Anexo II, conforme o caso, aos quais deverão ser anexados documentos comprobatórios do direito creditório. § 3º Na hipótese de pedido de restituição formulado por representante do sujeito passivo, o requerente deverá apresentar à RFB procuração conferida por instrumento público ou por instrumento particular com firma reconhecida, termo de tutela ou curatela ou, quando for o caso, alvará ou decisão judicial que o autorize a requerer a quantia. § 4º Tratandose de pedido de restituição formulado por representante do sujeito passivo mediante utilização do programa PER/DCOMP, os documentos a que se refere o § 3º serão apresentados à RFB após intimação da autoridade competente para decidir sobre o pedido. (g.n.) Tratase de situação específica, não extensível a todos os casos. No mérito, vemos que a Recorrente, uma corretora de títulos e valores mobiliários (CTVM), pretende dar tratamento tributário diverso a suas receitas, conforme trabalhe com recursos próprios ou de terceiros. Argumenta que, como típica prestadora de serviços, não presta serviços a ninguém quando aplica recursos seus, de modo que a receita daí decorrente não pode ser tributada pelo PIS/Cofins. No passado, chegamos a adotar posição semelhante, mas hoje, depois de melhor meditar sobre o tema, colocamonos entre os que defendem que, na sistemática cumulativa (aqui aplicável!), a receita bruta de vendas de mercadorias e da prestação de serviços – o faturamento, nos termos do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998 – corresponde àquela originária da atividade típica da empresa. A matéria sobre se as receitas das instituições financeiras – as originadas da realização de sua atividade principal – se enquadram no conceito de receitas financeiras (não de faturamento), é objeto do Recurso Extraordinário – RE n.º 609.096/RS (ainda não decido), no qual o Supremo Tribunal Federal STF reconheceu a existência de repercussão geral. Todavia, quando o STF considerou incompatível com o então Texto Constitucional a ampliação da base de cálculo do PIS/Cofins (§ 1º do art. 3º da Lei n.º 9.718, de 1998), pacificou o entendimento de que o faturamento de fato correspondia apenas à receita bruta das vendas de mercadorias e da prestação de serviços (Rel. p/ Acórdão Min. Marco Aurélio Mello, RE 346.084, DJ de 1/09/2006). Mas alguns votos dos ministros que participaram do julgamento indicaram o verdadeiro sentido que a esta expressão deve ser conferido. Segundo o Min. Cezar Peluso, acompanhado pelo Min. Sepúlveda Pertence: Faturamento nesse sentido, isto é, entendido como resultado econômico das operações empresariais típicas, constitui a base de cálculo da contribuição, enquanto representação quantitativa do fato econômico tributado. Noutras palavras, o fato gerador constitucional da COFINS são as operações econômicas que se exteriorizam no faturamento (sua base de cálculo), porque não poderia nunca corresponder ao ato de emitir faturas, coisa que, como alternativa semântica possível, seria de todo absurda, pois bastaria à empresa não emitir faturas para se furtar à tributação. (g.n.). Fl. 167DF CARF MF Processo nº 16327.910847/201112 Acórdão n.º 3201004.414 S3C2T1 Fl. 7 6 E, concluindo, asseverou: Por todo o exposto, julgo inconstitucional o § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, por ampliar o conceito de receita bruta para “toda e qualquer receita”, cujo sentido afronta a noção de faturamento pressuposta no art. 195, I, da Constituição da República, e, ainda, o art. 195, § 4º, se considerado para efeito de nova fonte de custeio da seguridade social. Quanto ao caput do art. 3º, julgoo constitucional, para lhe da r interpretação conforme à Constituição, nos termos do julgamento proferido no RE nº 150.755/PE, que tomou a locução receita bruta como sinônimo de faturamento, ou seja, no significado de “receita bruta de venda de mercadoria e de prestação de serviços”, adotado pela legislação anterior, e que, a meu juízo, se traduz na soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais. (g.n.). Ainda mais preciso, o Min. Ayres Britto, a partir da redação original do art. 195 da Constituição Federal (anterior à promulgação da Emenda Constitucional – EC n.º 20, de 1998), identificou o conceito de faturamento com o de receita operacional: A Constituição de 88, pelo seu art.195, I, redação originária, usou do substantivo “faturamento”, sem a conjunção disjuntiva “ou” receita”. Em que sentido separou as coisas? No sentido de que faturamento é receita operacional, e não receita total da empresa. Receita operacional consiste naquilo que já estava definido pelo Decretolei 2397, de 1987, art.22, § 1º, “a”, assim redigido – parece que o Ministro Velloso acabou de fazer também essa remissão à lei: Art.22 [...] § 1º [...] a) a receita bruta das vendas de mercadorias e de mercadorias e serviços, de qualquer natureza, das empresas públicas ou privadas definidas como pessoa jurídica ou a elas equiparadas pela legislação do Imposto de Renda;” Por isso, estou insistindo na sinonímia “faturamento” e “receita operacional”, exclusivamente, correspondente àqueles ingressos que decorrem da razão social da empresa, da sua finalidade institucional, do seu ramo de negócio, enfim. Logo, receita operacional é receita bruta de tais vendas ou negócios, mas não incorpora outras modalidades de ingresso financeiro: royalties, aluguéis, rendimentos de aplicações financeiras, indenizações etc. (g.n.). E isso porque o inciso I do art. 195 da Constitucional, na redação anterior à EC n.º 20, de receita não falava, mas apenas de faturamento e lucro, como que a abraçar todas as dimensões de riqueza geradas pela pessoa jurídica a partir da realização de seu objeto social – a receita operacional. Acresçase o fato de que o próprio Supremo já consolidou o entendimento de que, às instituições financeiras, aplicase o Código de Defesa do Consumidor, pois considerou constitucional o § 2º do art. 3º do CDC (“Serviço é qualquer atividade fornecida no mercado de consumo, mediante remuneração, inclusive as de natureza bancária, financeira, de crédito e securitária, salvo as decorrentes das relações de caráter trabalhista.”), deixando claro que a atividade bancária se enquadra no conceito amplo de prestação de serviços, entre os quais se inclui a intermediação financeira (ADI n.º 2591, DJ de 29/9/2006). Mesmo que se entenda que o conceito vale apenas para a proteção que o Estado deve conferir ao consumidor – de ordinário hipossuficiente nas relações de consumo –, a verdade é que isso demonstra que a interpretação que se pretende conferir ao termo “faturamento”, em ordem a excluir, desse conceito, as receitas auferidas pelas instituições financeiras em face da Fl. 168DF CARF MF Processo nº 16327.910847/201112 Acórdão n.º 3201004.414 S3C2T1 Fl. 8 7 intermediação financeira que realizam, não é compatível com o entendimento que a própria Suprema Corte já entremostrou quando apreciou assuntos correlatos. Como último argumento em reforço à tese aqui exposta, ainda há o fato de que o legislador, ao instituir a Cofins apurada no regime cumulativo, excluiu o seu pagamento sobre o faturamento das entidades elencadas no § 1º do art. 23 da Lei n.º 8.212, de 1991, o que demonstra que se o conceito desta expressão de riqueza fosse o pretendido pela Recorrente, absolutamente desnecessário seria todo o parágrafo único do art. 11 da Lei Complementar n.º 70, de 1991, uma vez que não se exclui algo que incluído não estava. Vejamos: Art. 1° Sem prejuízo da cobrança das contribuições para o Programa de Integração Social (PIS) e para o Programa de Formação do Patrimônio do Servidor Público (Pasep), fica instituída contribuição social para financiamento da Seguridade Social, nos termos do inciso I do art. 195 da Constituição Federal, devida pelas pessoas jurídicas inclusive as a elas equiparadas pela legislação do imposto de renda, destinadas exclusivamente às despesas com atividadesfins das áreas de saúde, previdência e assistência social. (...) Art. 11. Fica elevada em oito pontos percentuais a alíquota referida no § 1° do art. 23 da Lei n° 8.212, de 24 de julho de 1991, relativa à contribuição social sobre o lucro das instituições a que se refere o § 1° do art. 22 da mesma lei, mantidas as demais normas da Lei n° 7.689, de 15 de dezembro de 1988, com as alterações posteriormente introduzidas. Parágrafo único. As pessoas jurídicas sujeitas ao disposto neste artigo ficam excluídas do pagamento da contribuição social sobre o faturamento, instituída pelo art. 1° desta lei complementar. (g.n.) Esse entendimento – o de que o conceito de faturamento corresponde, na verdade, à receita operacional da pessoa jurídica – também vem sendo reproduzindo noutros tribunais do Poder Judiciário: TRIBUTÁRIO. PIS/COFINS. PRESCRIÇÃO. BASE DE CÁLCULO. FATURAMENTO. INSTITUIÇÃO FINANCEIRA. INAPLICABILIDADE DAS LEIS 10.637/2002 E 10.833/2003. ART. 3º,§ 1º DA Lei 9.718/1998. INCONSTITUCIONALIDADE DECLARADA PELO STF. COMPENSAÇÃO. CORREÇÃO MONETÁRIA. 1. A segunda parte do art. 4º da LC 118/2005 foi declarada inconstitucional, e considerouse válida a aplicação do novo prazo de cinco anos apenas às ações ajuizadas a partir de 9/6/2005 após o decurso da vacatio legis de 120 dias (STF, RE 566621/RS, rel. ministra Ellen Gracie, Tribunal Pleno, DJe de 11/10/2011). 2. O Supremo Tribunal Federal firmou entendimento pela inconstitucionalidade da ampliação do conceito de faturamento, previsto no art. 3º, caput, § 1º, da Lei 9.718/1998 (repercussão geral, RE 585.235 QORG/MG). 3. As instituições financeiras estão obrigadas ao recolhimento do PIS e da COFINS de acordo com a base de cálculo estabelecida nas Leis Complementares 7/1970 e 70/1991. Apenas a eventual incidência dessas contribuições sobre receitas não operacionais é que será indevida. 4. Não se aplica a tais instituições às disposições das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003, consoante disposto no inciso I dos arts. 8º e 10, respectivamente. 5. Apelação da Fazenda Nacional e remessa oficial, tida por interposta, a que se nega provimento. 6. Apelação da parte autora a que se dá parcial provimento. (TRF1, DESEMBARGADORA FEDERAL MARIA DO CARMO CARDOSO, AC n.º 200638000070234, eDJF1 DATA:06/09/2013 ).(g.n.). Fl. 169DF CARF MF Processo nº 16327.910847/201112 Acórdão n.º 3201004.414 S3C2T1 Fl. 9 8 PROCESSO CIVIL. TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. ALTERAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE DO ARTIGO 3º, § 1º, DA LEI N. 9.718/98. RECURSO PROVIDO I O Supremo Tribunal Federal, concluindo o julgamento do RE 346.084 (rel. Min. Ilmar Galvão, DJU 9.11.2005), em que se questionava a constitucionalidade das alterações promovidas pela Lei n.º 9.718/98, que ampliou a base de cálculo da COFINS e do PIS, declarou, por maioria, a inconstitucionalidade do §1º do art. 3º da Lei n.º 9.718/98. II A Corte Constitucional entendeu que esse dispositivo, ao ampliar o conceito de receita bruta para toda e qualquer receita, violou a noção de faturamento prevista no art. 195, I, “b”, da Constituição Federal, na sua redação original, que equivaleria ao de receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza. III Em que pese ter sido declarada a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, as instituições financeiras e as demais equiparadas a elas, devem ter sua incidência de PIS e COFINS nos termos do art. 3º, caput e §§ 5º e 6º da Lei 9.718/98 sobre o faturamento da empresa, incluindose todas as receitas financeiras apuradas. IV Apelação e remessa providas. (TRF2, Desembargadora Federal LANA REGUEIRA, AMS n.º 200651010226515, EDJF2R Data: 12/07/2013). (g.n.). TRIBUTÁRIO. PEDIDO DE DESISTÊNCIA PARCIAL HOMOLOGADO. INCIDÊNCIA DE PIS, COFINS E IOF. EMPRESAS DE FOMENTO MERCANTIL. FACTORING. DIREITOS CREDITÓRIOS. 1. Cabível a homologação de pedido de desistência parcial da presente ação (fls. 370/371), relativamente ao ponto de incidência de PIS e COFINS,formulado pela Empresa ECX CARD ADMINISTRADORA E PROCESSADORA DE CARTÕES, em razão de exigência da desistência das ações judiciais e à renúncia do direito sobre o qual estas se fundam como condição para a adesão a programa de parcelamento. A empresa em comento, filiada ao sindicato impetrante, figura como substituída na presente ação mandamental, o que lhe confere legitimidade para deduzir referido pedido. 2. "Não há nenhum dispositivo na Constituição da República que atribua ao IOF natureza extrafiscal, não bastando para tal desiderato a exclusão deste tributo do campo de incidência dos princípios da legalidade e da anterioridade. Deve ser reforçado, ainda, que não há tributo com feição exclusivamente extrafiscal, como quer fazer crer a impetrante, podendo a exação ser utilizada como meio de obtenção de receita. Por outro lado, mister que se espanque qualquer alegação de inconstitucionalidade do artigo 13 da Lei nº 9.799/99, que submeteu as operações de crédito referentes a mútuos de recursos financeiros entre pessoas jurídicas ou entre pessoa jurídica e pessoa física à incidência do IOF, de acordo com as normas aplicáveis às operações de financiamento e empréstimos feitas pelas instituições financeiras, não obstante a finalidade de tal norma seja fiscal. O STF, na ADIMC 1763/DF, Rel. Min. Sepúlveda Pertence, Julgamento 20/08/1998, Tribunal Pleno,DJ 26/09/2003, decidiu que: "IOF: incidência sobre operações de factoring (L. 9.532/97, art. 58): aparente constitucionalidade que desautoriza a medida cautelar. O âmbito constitucional de incidência possível do IOF sobre operações de crédito não se restringe às praticadas por instituições financeiras, de tal modo que, à primeira vista, a lei questionada poderia estendêla às operações de factoring, quando impliquem financiamento (factoring com direito de regresso ou com adiantamento do valor do crédito vincendo conventional factoring); quando, ao contrário, não contenha operação de crédito, o factoring, de qualquer modo, parece substantivar negócio relativo a títulos e valores mobiliários, igualmente susceptível de ser submetido por lei à incidência tributária questionada." (grifo nosso)" (AMS 200001000252943, Relator JUIZ FEDERAL RAFAEL PAULO SOARES PINTO, DJ DATA:30/11/2007 PAGINA:187). 3. O c. STJ, no julgamento do REsp 776705/RJ, enfrentando a Fl. 170DF CARF MF Processo nº 16327.910847/201112 Acórdão n.º 3201004.414 S3C2T1 Fl. 10 9 mesma matéria de fundo da presente ação mandamental, na qual se questiona a higidez do disposto no Itens I, alínea "c", e II, do Ato Declaratório (Normativo) COSIT 31/97, que determinam que a base de cálculo da COFINS, devida pelas empresas de fomento comercial (factoring), é o valor do faturamento mensal, compreendida, entre outras, a receita bruta advinda da prestação cumulativa e contínua de "serviços" de aquisição de direitos creditórios resultantes das vendas mercantis a prazo ou de prestação de serviços, computandose como receita o valor da diferença entre o valor de aquisição e o valor de face do título ou direito adquirido, entendeu que " A Contribuição para Financiamento da Seguridade Social COFINS, ainda que sob a égide da definição de faturamento mensal/receita bruta dada pela Lei Complementar 70/91, incide sobre a soma das receitas oriundas do exercício da atividade empresarial de factoring, o que abrange a receita bruta advinda da prestação cumulativa e contínua de "serviços" de aquisição de direitos creditórios resultantes das vendas mercantis a prazo ou de prestação de serviços. A Lei 9.249/95 (que revogou, entre outros, o artigo 28, da Lei 8.981/95), ao tratar da apuração da base de cálculo do imposto de renda das pessoas jurídicas, definiu a atividade de factoring como a prestação cumulativa e contínua de serviços de assessoria creditícia, mercadológica, gestão de crédito, seleção de riscos, administração de contas a pagar e a receber, compra de direitos creditórios resultantes de vendas mercantis a prazo ou de prestação de serviços (artigo 15, § 1º,III, "d"). Deveras, a empresa de fomento mercantil ou de factoring realiza atividade comercial mista atípica, que compreende o oferecimento de uma plêiade de serviços, nos quais se insere a aquisição de direitos creditórios, auferindo vantagens financeiras resultantes das operações realizadas, não se revelando coerente a dissociação das aludidas atividades empresariais para efeito de determinação da receita bruta tributável. Conseqüentemente, os Itens I, alínea "c", e II, do Ato Declaratório (Normativo) COSIT 31/97, coadunamse com a concepção de faturamento mensal/receita bruta dada pela Lei Complementar 70/91 (o que decorra das vendas de mercadorias ou da prestação de serviços de qualquer natureza, vale dizer a soma das receitas oriundas das atividades empresariais, não se considerando receita bruta de natureza diversa, definição que se perpetuou com a declaração de inconstitucionalidade do § 1º, do artigo 3º, da Lei 9.718/98)." (AgRg na DESIS no REsp 776705 / RJ, Relator Ministro LUIZ FUX, Data da Publicação/Fonte DJe 05/10/2010). 4. Referido entendimento consagrado no âmbito do STJ ao apreciar a alegação quanto à COFINS, também se aplica ao PIS, pela similitude entre as duas contribuições sociais. 5. Remessa oficial e apelação providas. (TRF1, JUIZ FEDERAL NÁIBER PONTES DE ALMEIDA, eDJF1 DATA:08/05/2013). (g.n.) TRIBUTÁRIO. MANDADO DE SEGURANÇA. COFINS. LC 70/91. INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. LEI Nº 9.718/98. INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO SOBRE VERBAS OPERACIONAIS. NÃO VIOLAÇÃO AO PRINCÍPIO DA HIERARQUIA DAS NORMAS. ADVENTO DA LEI Nº 10./833/03. PRESCRIÇÃO. CORREÇÃO MONETÁRIA. 1 O excelso Supremo Tribunal Federal, por ocasião do julgamento do RE nº 566.621/RS, de relatoria da Ministra Ellen Gracie, de 04.08.11, publicado em 11.10.11, declarou a inconstitucionalidade do art. 4º, segunda parte, da Lei Complementar nº 118/2005, e fixou o entendimento de que é válida a aplicação do prazo prescricional quinquenal para as ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias da referida lei, ou seja, a partir de 09/06/2005. Vejamos o diz a ementa do referido julgamento: 2 O art. 195, § 4º, CR, ao determinar obediência ao artigo 154, I, o faz tãosomente em relação a “outras fontes destinadas a garantir a manutenção ou expansão da seguridade social”; não no tocante às contribuições que ela própria, Constituição, prevê. Desse modo, referese, por óbvio ao comando do art. 154, I, CR, porém, somente é aplicável às hipóteses “novas” de contribuições, isto é, que não estão previstas no texto constitucional vigente, tal como ocorre com a Fl. 171DF CARF MF Processo nº 16327.910847/201112 Acórdão n.º 3201004.414 S3C2T1 Fl. 11 10 COFINS, que se encontra, de forma prévia e expressa, prevista pelo Supremo Texto Legal. 3 A base de cálculo do PIS e da COFINS é o faturamento do contribuinte (no caso, a instituição financeira), entendido como a receita bruta da venda de mercadorias e da prestação de serviços, originária da atividade típica da empresa, em consonância com o seu objeto social. As receitas financeiras de natureza nãooperacional estão fora do faturamento das empresas comerciais ou prestadoras de serviços, não podendo, por isso, serem tributadas pelas contribuições em comento. 4 Com a posterior promulgação das Leis nºs 10.637/02 e 10.833/03, posterior à EC 20/98, pôsse fim às divergências sobre a base de cálculo do PIS e COFINS, alargadas pela Lei nº 9.718/98, positivando no ordenamento jurídico brasileiro o entendimento de que essa base de cálculo deve corresponder à receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica, conforme disposto no art. 1º, §1º daquele diploma legal. Não obstante, no caso em tela essa conclusão não se aplica, em princípio, dado que, segundo expressas disposições das leis em comento, as empresas financeiras encontramse excluídas de sua sistemática, estando submetidas às disposições da Lei nº 9.718/98. 5 Quanto à compensação, insta mencionar que poderá ser realizada, com correção unicamente pelo índice de correção da taxa SELIC, com os tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal, pela exegese do art. 74 da Lei nº 9.430/96, com redação alterada pela Lei nº 10.637/02, haja vista ter sido ajuizada a demanda após o advento deste diploma legal, ressaltandose, todavia, que caberá à administração fiscalizar a existência de recolhimento referente à COFINS incidente sobre as receitas ditas nãooperacionais. 6 Remessa necessária e recurso de apelação parcialmente providos. (TRF2, Desembargador Federal LUIZ ANTONIO SOARES, APELRE 200951010106419, EDJF2R Data:11/09/2012) (g.n.) TRIBUTÁRIO. COFINS. INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS E EQUIPARADAS. LEI 9.718/98. CONCEITO DE "RENDA BRUTA OPERACIONAL". INSUFICIÊNCIA DA LEGISLAÇÃO ORDINÁRIA. MISSÃO INTEGRATIVA DO PODER JUDICIÁRIO. INOVAÇÕES DO MERCADO FINANCEIRO MUNDIAL. NOVAS PERSPECTIVAS DE NEGÓCIOS. APLICAÇÕESFINANCEIRAS QUE SE AFIGURAM NOVAS OPÇÕES COMERCIAIS DOS BANCOS E SIMILARES. INSERÇÃO EM SUA ATIVIDADEFIM. RECEITAS FINANCEIRAS. INCLUSÃO NA RENDA BRUTA OPERACIONAL. 1. Controvérsia sobre o conceito de faturamento para o recolhimento do PISe da COFINS pelas instituições financeiras e entidades equiparadas. 2. A legislação pátria não contribui satisfatoriamente para esclarecer se as receitas financeiras integram ou não a receita bruta operacional dasinstituições financeiras e entidades equiparadas. 3. O que se percebe é que nenhum diploma legal esclarece perfeitamente o alcance da receita bruta operacional das instituições financeiras, pois servem quase exclusivamente à definição de faturamento das empresas que têm como objeto social o oferecimento de bens ou serviços convencionais, como se depreende do art. 44 da Lei 4.506/64, do art. 12 do Decretolei 1.598/77 e do art. 44 do Decreto 1.041/94 (RIR). 4. O mesmo ocorre com as Leis 9.701/98 e 9.718/98, as quais, em momento algum, excluem as receitas financeiras do faturamento ou receita operacional dos bancos e similares. 5. A missão de resolver esta controvérsia fica entregue ao Poder Judiciário, com o indispensável suporte da doutrina. 6. As instituições financeiras, por exigência do mercado, estão se despregando do modelo clássico de captação e intermediação de crédito pelos bancos comerciais e estão abrindo frente a novas operações, como os títulos interbancários, a securitização, o mercado de derivativos etc, que por vezes se apresentam mais lucrativas do que as tradicionais operações de intermediação entre depositantes e tomadores de empréstimos. 7. Há que se mencionar, ainda, as operações de aquisição pelasinstituições financeiras de títulos da dívida pública, remunerados no Brasil por atraentes juros, dentre os maiores Fl. 172DF CARF MF Processo nº 16327.910847/201112 Acórdão n.º 3201004.414 S3C2T1 Fl. 12 11 do mundo, como parte da política monetária, acentuadamente a partir do advento do Plano Real, em 1994. 8. Para as instituições financeiras, aplicar seus recursos em títulos públicos, no mercado de derivativos e em outras formas de investimento passou a ser parte de uma estratégia comercial, como forma de adaptação ao mercado financeiro mundial. 9. Enquanto para as empresas comuns as aplicações financeiras são uma garantia contra a desvalorização da moeda ou forma de angariar recursos adicionais, para as instituições financeiras elas consistem numa opção mercadológica de obter maiores lucros com os recursos disponíveis. 10. Estando inseridas na atividadefim dos bancos, não há como ignorar que as receitas financeiras também integram o seu faturamento e, nesta condição, devem ser incluídas na base de cálculo do PIS. 11. Não se vislumbra inconstitucionalidade da Lei 9.718/98 na parte em que cuida da matéria referente ao faturamento ou receita bruta das instituições financeiras e entidades equiparadas. 12. Cumpre observar que, nos termos da fundamentação acima, não se aplica às instituições financeiras o § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, pois é válido apenas para as empresas que operam com bens ou serviços, de modo que não pode subsistir a douta sentença. 13. Não conheço do agravo retido, nego provimento à apelação da impetrante e dou provimento à apelação da União e à remessa oficial, para denegar a segurança. (TRF3, JUIZ CONVOCADO RUBENS CALIXTO, AMS n.º 00350202220074036100, eDJF3 Judicial 1 DATA:14/02/2014). (g.n.). No caso em exame, porém, a Recorrente também aufere receitas decorrentes da aplicação de seus próprios recursos, daí defender que, nesta hipótese, não haveria prestação de serviços. Bem, se há ou não prestação de serviços, isso nos parece de nenhuma importância para o deslinde da questão, visto que, na acepção que vimos de dar, o faturamento de uma instituição financeira, como uma corretora de títulos e valores mobiliários, corresponde a soma das receitas oriundas das atividades empresariais, pouco importando se derivou da aplicação de recursos próprios ou de terceiros. Nesse contexto, não podem ser excluídas das bases de cálculo do PIS/Cofins, de forma a viabilizar a restituição pretendida, as receitas a que se refere a Recorrente. Por fim, ainda há de se registrar que, por tudo que dissemos anteriormente, e conforme consignado na Solução de Consulta Cosit nº 84, de 08/06/2016, a alteração promovida no art. 12 do Decretolei nº 1.598, de 1977, pela Medida Provisória MP nº 627, de 2013, convertida na Lei nº 12.973, de 2014, apenas veio para expressar o entendimento, já pacificado, acerca da abrangência das receitas decorrentes da atividade empresarial. De conseguinte, não há como admitilo válido apenas a partir do início da vigência da referida MP. Ante o exposto, rejeito a preliminar de nulidade e, no mérito, NEGO PROVIMENTO ao recurso voluntário." (...)1 1 Deixouse de transcrever a declaração de voto apresentada no acórdão do processo paradigma por manifestar entendimento que restou vencido, não se aplicando, portanto, à solução do litígio do presente processo. Todavia, sua íntegra consta do Acórdão 3201004.399 (processo 16327.910834/201143). Fl. 173DF CARF MF Processo nº 16327.910847/201112 Acórdão n.º 3201004.414 S3C2T1 Fl. 13 12 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado rejeitou a preliminar de nulidade e, no mérito, NEGOU PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 174DF CARF MF
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Numero do processo: 10935.005947/2008-85
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Jan 18 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Feb 05 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2003, 2004
DECADÊNCIA. RENDIMENTOS SUJEITOS AO AJUSTE ANUAL. FATO GERADOR COMPLEXIVO.
O direito de a Fazenda lançar o Imposto de Renda Pessoa Física devido no ajuste anual decai após cinco anos contados da data de ocorrência do fato gerador que, por ser considerado complexivo, se perfaz em 31 de dezembro de cada ano, desde que não seja constada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, nos termos do art. 150, §4º, do CTN.
DEPÓSITO BANCÁRIO. ÔNUS DA PROVA. MATÉRIA SUMULADA. SUJEITO PASSIVO É O TITULAR DA CONTA BANCÁRIA.
Para os fatos geradores ocorridos a partir de 1° de janeiro de 1997, o art. 42 da Lei n° 9.430, de 1996, autoriza a presunção legal de omissão de rendimentos com base em depósitos bancários de origem não comprovada pelo sujeito passivo. Não comprovada a origem dos depósitos em conta corrente bancária, deve ser mantido o lançamento tributário pois a presunção estabelecida pelo citado dispositivo legal dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada.
Nestes casos, o lançamento em razão da omissão de receita deve ser lavrado em desfavor do titular da conta bancária.
GANHO DE CAPITAL. CUSTO DE AQUISIÇÃO
A inclusão de despesas e dispêndios no custo de aquisição do imóvel apenas é possível mediante a apresentação de documentação hábil, nos termos do art. 17 da Instrução normativa nº 84/2001.
Numero da decisão: 2201-004.935
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar argüida e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente.
(assinado digitalmente)
Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushiyama, Debora Fofano, Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente).
Nome do relator: RODRIGO MONTEIRO LOUREIRO AMORIM
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2003, 2004 DECADÊNCIA. RENDIMENTOS SUJEITOS AO AJUSTE ANUAL. FATO GERADOR COMPLEXIVO. O direito de a Fazenda lançar o Imposto de Renda Pessoa Física devido no ajuste anual decai após cinco anos contados da data de ocorrência do fato gerador que, por ser considerado complexivo, se perfaz em 31 de dezembro de cada ano, desde que não seja constada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, nos termos do art. 150, §4º, do CTN. DEPÓSITO BANCÁRIO. ÔNUS DA PROVA. MATÉRIA SUMULADA. SUJEITO PASSIVO É O TITULAR DA CONTA BANCÁRIA. Para os fatos geradores ocorridos a partir de 1° de janeiro de 1997, o art. 42 da Lei n° 9.430, de 1996, autoriza a presunção legal de omissão de rendimentos com base em depósitos bancários de origem não comprovada pelo sujeito passivo. Não comprovada a origem dos depósitos em conta corrente bancária, deve ser mantido o lançamento tributário pois a presunção estabelecida pelo citado dispositivo legal dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. Nestes casos, o lançamento em razão da omissão de receita deve ser lavrado em desfavor do titular da conta bancária. GANHO DE CAPITAL. CUSTO DE AQUISIÇÃO A inclusão de despesas e dispêndios no custo de aquisição do imóvel apenas é possível mediante a apresentação de documentação hábil, nos termos do art. 17 da Instrução normativa nº 84/2001.
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OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS SEM ORIGEM COMPROVADA. Recorrente HILGON INOCENCIO LEITE Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2003, 2004 DECADÊNCIA. RENDIMENTOS SUJEITOS AO AJUSTE ANUAL. FATO GERADOR COMPLEXIVO. O direito de a Fazenda lançar o Imposto de Renda Pessoa Física devido no ajuste anual decai após cinco anos contados da data de ocorrência do fato gerador que, por ser considerado complexivo, se perfaz em 31 de dezembro de cada ano, desde que não seja constada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, nos termos do art. 150, §4º, do CTN. DEPÓSITO BANCÁRIO. ÔNUS DA PROVA. MATÉRIA SUMULADA. SUJEITO PASSIVO É O TITULAR DA CONTA BANCÁRIA. Para os fatos geradores ocorridos a partir de 1° de janeiro de 1997, o art. 42 da Lei n° 9.430, de 1996, autoriza a presunção legal de omissão de rendimentos com base em depósitos bancários de origem não comprovada pelo sujeito passivo. Não comprovada a origem dos depósitos em conta corrente bancária, deve ser mantido o lançamento tributário pois a presunção estabelecida pelo citado dispositivo legal dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. Nestes casos, o lançamento em razão da omissão de receita deve ser lavrado em desfavor do titular da conta bancária. GANHO DE CAPITAL. CUSTO DE AQUISIÇÃO A inclusão de despesas e dispêndios no custo de aquisição do imóvel apenas é possível mediante a apresentação de documentação hábil, nos termos do art. 17 da Instrução normativa nº 84/2001. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 5. 00 59 47 /2 00 8- 85 Fl. 595DF CARF MF Processo nº 10935.005947/200885 Acórdão n.º 2201004.935 S2C2T1 Fl. 596 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar argüida e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo Presidente. (assinado digitalmente) Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushiyama, Debora Fofano, Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente). Relatório Cuidase de Recurso Voluntário de fls. 566/592, interposto contra decisão da DRJ em Curitiba/PR, de fls. 546/553, a qual julgou procedente o lançamento de Imposto de Renda de Pessoa Física – IRPF de fls. 323/343, lavrado em 11/8/2008, relativo aos anos calendário de 2003 e 2004, com ciência do RECORRENTE em 13/8/2008 (fl. 347). O crédito tributário objeto do presente processo administrativo foi apurado por: (i) omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários sem origem comprovada; (ii) ganho de capital em virtude da alienação de imóveis; e (iii) omissão de rendimentos tributáveis recebidos de pessoa jurídica, no valor total de R$ 185.015,45, já inclusos juros de mora (até o mês da lavratura) e multa de ofício de 75%. De acordo com o Termo de Verificação Fiscal – TVF acostado às fls. 313/319, constatase que a fiscalização foi iniciada em decorrência de solicitação do Ministério Público Federal, que encaminhou diversos documentos do contribuinte, dentre os quais estavam extratos bancários do mesmo. O fiscalizado foi, então, intimado a apresentar documentos/esclarecimentos. O RECORRENTE apresentou os documentos de fls. 179/205 e afirmou que que os créditos em suas contas correntes se referem a salários pagos pela empresa Serraria Campos de Palmas SA. Em relação às operações com imóveis, apresentou apenas cópias de Escrituras Públicas e Certidões de Registro dos imóveis localizados no Loteamento Rio Vermelho. Quanto às demais operações imobiliárias, não apresentou nenhum esclarecimento, assim a autoridade fiscal oficiou os cartórios de Notas de Coronel José Domingos Soares e de Registro de Imóveis de Palmas para apresentação de documentos relativos aos imóveis transacionados pelo sujeito passivo (fls. 213 e 223). Em resposta, à Oficial do Registro de Imóveis de Palmas/PR encaminhou a documentação de fls. 233/303. Fl. 596DF CARF MF Processo nº 10935.005947/200885 Acórdão n.º 2201004.935 S2C2T1 Fl. 597 3 Os demonstrativos de rendimentos do trabalho solicitados também não foram apresentados. Em 21/05/2008 foi lavrada intimação solicitando do sujeito passivo a efetiva comprovação de que os depósitos realizados se referem a salários recebidos da Serraria Campos de Palmas (fls. 207/209), porém não houve atendimento a esta intimação. O lançamento de omissão de rendimentos relativos a depósitos bancários sem origem comprovada decorreu da análise da documentação, em especial os extratos bancários relativos às contas mantidas pelo contribuinte junto aos bancos Bradesco e Santander, uma vez que o contribuinte não comprovou a origem dos depósitos em suas contas mediante documentação hábil e idônea. Deste modo, assim procedeu a autoridade fiscal (fls. 317/319): “Em vista do exposto, foi elaborada a tabela do Anexo Único [e fl. 321], onde se demonstram os valores creditados nas contas correntes mês a mês, deduzidos dos valores das receitas da atividade rural e dos demais rendimentos informados pelo contribuinte em suas Declarações de Ajuste (fls. 02 a 09) [efls. 03/17] e apurados através do sistema DIRF. Para o ano de 2004 os valores dos demais rendimentos foram lançados mês a mês, conforme tela do sistema DIRF (fls. 155 e 156) [efls. 309/311]. Para o ano de 2003, aqueles rendimentos foram apropriados para o mês de dezembro. Também foi excluído dos créditos o valor de R$ 80.000,00 relativo à venda de um imóvel em 28/04/2004.” Quanto ao ganho de capital, a autoridade fiscalizadora entendeu que o contribuinte não declarou o ganho de capital proveniente da alienação dos imóveis constantes nas matrículas 4565,5921 e 2177. Segundo a fiscalização, o contribuinte alienou tais imóveis pelo valor de R$ 80.000,00 (conforme consta nas cópias das matrículas às efls. 255, 280 e 300) ao passo que o custo de aquisição foi de Cr$ 13.800.000,00 em 25/3/1992 (efls. 254, 279 e 299), este valor, atualizado pelo índice constante na tabela da instrução normativa da Receita Federal nº 84/2001 (1.141,1126) resulta no custo de aquisição de R$ 12.093,45. Portanto, foi lançado o imposto incidente sobre o ganho de capital, apurado em R$ 67.906,55. Por sua vez, quanto a omissão de rendimentos, a fiscalização entendeu que o contribuinte recebeu rendimentos tributáveis da Serraria Campos de Palmas (CNPJ nº 76.912/000153) no valor de R$ 9.596,71 e de Santander Seguros (CNPJ nº 87.376.109/0001 06) no valor de R$ 2.116,00, conforme tela do sistema DIRF (fls. 309/311), que não foram informados na Declaração de Ajuste anual, caracterizando omissão de rendimentos. Para o último rendimento, houve retenção do imposto na fonte de R$ 158,82. Da Impugnação O RECORRENTE apresentou sua Impugnação de fls. 349/371, em 18/9/2008. Ante a clareza e precisão didática do resumo da Impugnação elaborada pela DRJ em Curitiba/PR, adotase, ipsis litteris, tal trecho para compor parte do presente relatório Intimado, o contribuinte apresentou defesa tempestiva, alegando, preliminarmente, que os créditos anteriores a agosto de 2003 encontramse decaídos, por força do art. 150, §4° do CTN. Para tanto, sustenta a tese de que o fato gerador do imposto de renda Fl. 597DF CARF MF Processo nº 10935.005947/200885 Acórdão n.º 2201004.935 S2C2T1 Fl. 598 4 ocorre no mês em que o contribuinte adquire disponibilidade econômica ou jurídica da renda, devendo ser este o marco para a contagem do prazo de decadência. Aponta que os valores depositados em sua conta corrente tem origem em comissões pagas "por fora" pela empregadora, Serraria Campos de Palmas. Segue argumentando que ajuizou, inclusive, ação trabalhista contra a citada empresa pleiteando verbas salariais reflexas decorrentes dos citados valores. Aponta que é sabido que o lançamento fiscal teve início a partir da citada sentença trabalhista que oficiou a Receita Federal e outros órgãos. Cita a Súmula 368 do TST que determina que a competência para os descontos fiscais é da Justiça do Trabalho, bem como a responsabilidade pelo recolhimento dos tributos resultante da condenação judicial é do empregador. Cita, entre outros princípios trabalhistas, o da "proteção do trabalhador" para justificar a omissão de rendimentos em sua DIRPF. Para tanto, alega que se informasse em sua Declaração de Rendimentos o pagamento de salários e comissões "por fora", certamente no dia seguinte a empresa lhe despediria. Ressalta que a legislação define como responsável pelo recolhimento do tributo do trabalhador a empresa, ainda mais quando o empregado não deu causa a omissão do pagamento do imposto de renda correspondente. Quanto ao ganho de capital, alega que retificou a DIRPF informando que nos referidos imóveis foi efetuado um investimento em reflorestamento de pinus no valor de R$45.000,00, devendo essa importância ser descontada do ganho de capital. Ao final, pediu (a) a decadência dos valores apurados anteriores a agosto de 2003; (b) nulidade do lançamento, haja vista que os depósitos têm origem salarial, sendo que a Justiça do Trabalho a competente para decidir o recolhimento do imposto de renda; (c) não sendo este o entendimento, solicita a revisão do cálculo do imposto incidente sobre o ganho de capital em razão das despesas com reflorestamento. Requereu, ainda, que o Fisco oficiasse (i)a Justiça do Trabalho para envio de cópia integral dos autos da reclamatória trabalhista e (ii) os Bancos Santander e Bradesco para exibirem os cheques emitidos pelo seu empregador que foram depositados em sua contas bancárias. Da Decisão da DRJ Quando do julgamento do caso, a DRJ em Curitiba/PR julgou procedente o lançamento, conforme ementa abaixo (fls. 546/553). ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA — IRPF Fl. 598DF CARF MF Processo nº 10935.005947/200885 Acórdão n.º 2201004.935 S2C2T1 Fl. 599 5 Anocalendário: 2003, 2004 PRESUNÇÃO. RECEITA OMITIDA. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DOS RECURSOS. Caracterizamse omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantidos em instituição financeira, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. DIRPF RETIFICADORA. CONDIÇÕES PARA SUA APRESENTAÇÃO. A autoridade administrativa somente poderá autorizar a retificação da declaração de rendimentos, quando comprovado erro nela contido, desde que sem interrupção do pagamento do saldo do imposto e antes de iniciado o processo de lançamento de oficio. Lançamento Procedente Do Recurso Voluntário O RECORRENTE, devidamente intimado da decisão da DRJ em 16/6/2009, conforme AR de fl. 560, apresentou o recurso voluntário de fls. 566/592 em 14/7/2009 (conforme carimbo dos Correios à fl. 564). Em suas razões, reiterou os argumentos da impugnação. Este recurso voluntário compôs lote sorteado para este relator em Sessão Pública. É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim Relator O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos legais, razões por que dele conheço. Em princípio destaco que o RECORRENTE não contestou expressamente o lançamento decorrente da omissão de rendimentos recebidos das pessoas jurídicas Serraria Campos de Palmas, no valor de R$ 9.596,71, e Santander Seguros, no valor de R$ 2.116,00. Assim, tal matéria é considerada não impugnada nos termos do art. 17 do Decreto nº 70.235/72 Fl. 599DF CARF MF Processo nº 10935.005947/200885 Acórdão n.º 2201004.935 S2C2T1 Fl. 600 6 PRELIMINAR Decadência Afirma o RECORRENTE que, pela regra do art. 150, §4º do CTN, houve decadência dos créditos relativos ao período anterior a agosto de 2003 (omissão de rendimentos caracterizados por depósitos bancários sem origem comprovada), uma vez que somente foi intimado do auto de infração em 13/8/2008. Quanto à suposta decadência, é preciso esclarecer que o fato gerador do IRPF é complexivo. Ou seja, embora apurado mensalmente, está sujeito ao ajuste anual quando é possível definir a base de cálculo e aplicar a tabela progressiva, aperfeiçoandose no dia 31/12 de cada anocalendário. “Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Anocalendário: 2005,2006 IRPF. DECADÊNCIA. FATO GERADOR QUE SOMENTE SE APERFEIÇOA NO DIA 31 DE DEZEMBRO DE CADA ANO. O fato gerador do IRPF é complexivo, aperfeiçoandose no dia 31/12 de cada anocalendário. Assim, como não houve o transcurso do prazo de 5 (cinco) anos entre a ocorrência do fato gerador e a intimação do contribuinte da lavratura do auto de infração, devese afastar a alegação de decadência do crédito tributário. (...)” Portaria MF nº 383, de 12/07/2010, DOU de 14/07/2010). (acórdão nº 2402005.594; 19/01/2017) Além disto, todos os lançamentos anteriores a agosto/2003 foram lavrados por omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada. Portanto, atrai a regra insculpida na súmula nº 38 do CARF: Súmula CARF nº 38 O fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do anocalendário. No caso concreto, o lançamento de créditos sujeitos ao ajuste anual engloba o período de janeiro/2003 a dezembro/2004. Ou seja, o fato gerador mais remoto ocorreu em 31/12/2003. Aplicandose a regra decadencial do art. 150, §4º, do CTN (05 anos a partir do fato gerador), temse que o lançamento poderia ser realizado até 31/12/2008. Considerando que a data de intimação do RECORRENTE foi 13/8/2008, não houve o transcurso do prazo de 5 (cinco) anos entre a ocorrência dos fatos geradores e a Fl. 600DF CARF MF Processo nº 10935.005947/200885 Acórdão n.º 2201004.935 S2C2T1 Fl. 601 7 intimação do contribuinte da lavratura do auto de infração, devese afastar a alegação de decadência do crédito tributário. MÉRITO Depósitos Bancários sem Origem Comprovada Em princípio, devese esclarecer que o art. 42 da Lei nº 9.430/1996 prevê expressamente que os valores creditados em conta de depósito que não tenham sua origem comprovada caracterizamse como omissão de rendimento para efeitos de tributação do imposto de renda, nos seguintes termos: "Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações." A presunção de omissão de receita estabelecida pelo art. 42 da Lei nº 9.430/96 autoriza o lançamento quando a autoridade fiscal verificar a ocorrência do fato previsto, não sendo necessária a comprovação do consumo dos valores. A referida matéria já foi, inclusive, sumulada por este CARF, razão pela qual é dever invocar a Súmula nº 26 transcrita a seguir: “SÚMULA CARF Nº 26 A presunção estabelecida no art. 42 da Lei Nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada.” Portanto, ao contrário do que defende o RECORRENTE, é legal a presunção de omissão de rendimentos por depósitos bancários de origem não comprovada, a qual pode ser elidida por prova em contrário, o que não aconteceu no presente caso. A única forma de elidir a tributação é a comprovação, pelo contribuinte, da origem dos recursos depositados nas contas correntes mediante documentação hábil e idônea. Para afastar a autuação, o RECORRENTE deveria apresentar comprovação documental referente a cada um dos depósitos individualizadamente, nos termos do §3º do art. 42 da Lei nº 9.430/1996. O art. 15 do Decreto nº 70.235/72 determina que a defesa do contribuinte deve estar acompanhada de toda a documentação em que se fundamentar: "Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência." Fl. 601DF CARF MF Processo nº 10935.005947/200885 Acórdão n.º 2201004.935 S2C2T1 Fl. 602 8 Deveria, então, o RECORRENTE comprovar a origem dos recursos depositados na sua conta bancária durante a ação fiscal, ou quando da apresentação de sua impugnação/recurso, pois o crédito em seu favor é incontestável. Sobre o mesmo tema, importante transcrever acórdão do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF: “Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física – IRPF Anocalendário: 1998 (...) IMPOSTO DE RENDA TRIBUTAÇÃO EXCLUSIVAMENTE COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS REGIME DA LEI Nº 9.430/96 POSSIBILIDADE A partir da vigência do art. 42 da Lei nº 9.430/96, o fisco não mais ficou obrigado a comprovar o consumo da renda representado pelos depósitos bancários de origem não comprovada, a transparecer sinais exteriores de riqueza (acréscimo patrimonial ou dispêndio), incompatíveis com os rendimentos declarados, como ocorria sob égide do revogado parágrafo 5º do art. 6º da Lei nº 8.021/90. Agora, o contribuinte tem que comprovar a origem dos depósitos bancários, sob pena de se presumir que estes são rendimentos omitidos, sujeitos à aplicação da tabela progressiva. (...) Recurso voluntário provido em parte. (1ª Turma da 4ª Câmara da 1ª Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais; julgamento em 04/02/2009)” Esclareçase, também, que a atividade de lançamento é vinculada e obrigatória, devendo a autoridade fiscal agir conforme estabelece a lei, sob pena de responsabilidade funcional, nos termos do art. 142 do Código Tributário Nacional – CTN: “Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional.” Desta forma, as alegações do RECORRENTE de que os depósitos sem origem comprovada são comissões recebidas da empresa Serraria Campos de Palma não merecem prosperar. O Contribuinte deveria ter juntado aos autos documentação hábil e idônea, de maneira individualizada para justificar cada um dos depósitos tidos como omitidos. A simples alegação, desacompanhada de prova, não é suficiente para afastar a presunção legal insculpida no art. 42 da Lei nº 9.430/1996. Fl. 602DF CARF MF Processo nº 10935.005947/200885 Acórdão n.º 2201004.935 S2C2T1 Fl. 603 9 Desta feita, entendo como não comprovada a origem dos valores objetos do presente processo administrativo, mantendo a tributação incidente sobre a presunção legal de omissão de rendimentos. Ademais, quanto ao argumento de ausência de responsabilidade do RECORRENTE para recolher o tributo, pois seria de responsabilidade da fonte pagadora e de competência da Justiça do Trabalho, entendo que não merecem prosperar. Na Justiça do Trabalho, houve o reconhecimento de que as verbas recebidas “por fora”, como afirma o contribuinte, integrariam a sua remuneração para todos os fins. Assim, naquela ocasião, foram apuradas verbas que deixaram de ser pagas ao contribuinte (1/3 de férias, 13º salário, eventuais horas extras, etc.) em razão de terem sido inicialmente calculadas sobre uma remuneração defasada. Quando computadas as remunerações pagas “por fora”, verificouse que o contribuinte possuía saldo a receber e que integraram o valor por ele recebido após a condenação judicial. Sobre o montante recebido, foi calculado o respectivo imposto de renda. No entanto, o imposto calculado sobre a condenação trabalhista em nada se confunde com o imposto lançado neste processo, que tem por objeto os valores depositados na conta corrente do contribuinte, os quais este alega que foram os valores recebidos “por fora”. Percebese que o valor recebido após a condenação trabalhista não englobou esses chamados créditos “por fora” (até porque, por óbvio, eles já foram recebidos pelo RECORRENTE e serviram como prova para o cálculo da real remuneração do mesmo). Então, é de se notar que o presente lançamento em nada se confunde com o imposto pago sobre o montante da condenação trabalhista recebida pelo RECORRENTE. Ademais, apesar de não trazer provas de suas alegações (como já exposto acima), ao afirmar que os créditos em suas contas são valores pagos “por fora” em decorrência de sua relação de emprego, o RECORRENTE está atestando que omitiu rendimentos tributáveis, o que somente reforça a presunção legal que embasa o presente lançamento. Ao pretender afastar o lançamento com base nesta alegação, o contribuinte busca se beneficiar da própria torpeza, afinal ele é o titular do rendimento, quem auferiu renda e, portanto, sujeito passivo do crédito tributário. A respeito da alegação de que a responsabilidade pelo tributo caberia à fonte pagadora, entendo que não merecem prosperar as alegações de defesa. É que a incidência do imposto na fonte se dá por antecipação daquele a ser apurado na declaração da pessoa física. Portanto, o beneficiário dos rendimentos deve oferecelos à tributação no ajuste anual, independentemente de terem ou não sofrido a retenção do IR pela fonte pagadora. Neste sentido, cito ementa de acórdão do CARF: “DECADÊNCIA O prazo decadencial de 05 (cinco) anos, previstos no § 4º do art. 150 do CTN, deve ser aplicado nos casos de pagamentos a beneficiários não identificados, em que o imposto exigido é considerado exclusivamente na fonte. RENDIMENTOS TRIBUTAÇÃO NA FONTE ANTECIPAÇÃO RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. Em se tratando de imposto em que a incidência na fonte se dá por antecipação daquele a ser apurado na declaração, inexiste Fl. 603DF CARF MF Processo nº 10935.005947/200885 Acórdão n.º 2201004.935 S2C2T1 Fl. 604 10 responsabilidade tributária concentrada, exclusivamente, na pessoa da fonte pagadora, devendo o beneficiário, em qualquer hipótese, oferecer os rendimentos à tributação no ajuste anual. Preliminar acolhida. Recurso parcialmente provido. (Acórdão nº 10614.387; Data da Sessão: 26/01/2005)” Ainda sobre a possibilidade de lançar o crédito tributário em desfavor do contribuinte pessoa física e não contra a fonte pagadora, invoco os termos da Súmula CARF nº 12, que passou a ser vinculante conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018: “Súmula CARF nº 12 Constatada a omissão de rendimentos sujeitos à incidência do imposto de renda na declaração de ajuste anual, é legítima a constituição do crédito tributário na pessoa física do beneficiário, ainda que a fonte pagadora não tenha procedido à respectiva retenção. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018).” Assim, considerando que não há interposição de novas razões com o recurso voluntário, e tomando como arrimo o disposto no art. 57, §3º, do Regimento Interno do CARF, transcrevo abaixo trecho da decisão recorrida sobre o assunto (fls. 551/552), o qual adoto para reforçar as razões de decidir pela improcedência do argumento do RECORRENTE: Receita Federal do Brasil Arrecadação Ad argumentandum, mesmo que origem dos depósitos ser reportasse a valores pagos "por fora" pelo seu empregador, a competência diversamente do que sustenta o contribuinte permaneceria com a Receita Federal do Brasil para exigir o imposto correspondente. Isso porque, as verbas que são objeto da reclamatória trabalhista ajuizada pelo reclamante são as chamadas reflexas. Originamse dos pagamentos a latere de remunerações feitas pela empresa ao empregado. Logicamente, as remunerações recebidas em paralelo não são reclamadas novamente. A sua prova, contudo, motiva o pagamento de verbas delas decorrentes (férias, 13º salário, horasextras etc), mas que não foram conferidas pela empresa durante a vigência do contrato de trabalho, integrando o valor da "condenação judicial". São esse valores reflexos não pagos no tempo oportuno que sofrem incidência de tributação executadas pelo Justiça do Trabalho. Eis o entendimento do TST a esse respeito: Súmula n°368 TST Res. 129/2005 DJ2O, 22 e 25.04.2005 Conversão das Orientações Arisprudenciais n's 32, 141 e 228 da SD11 Fl. 604DF CARF MF Processo nº 10935.005947/200885 Acórdão n.º 2201004.935 S2C2T1 Fl. 605 11 Descontos Previdenciários e Fiscais Competência Responsabilidade pelo Pagamento Forma de Cálculo I A Justiça do Trabalho é competente para determinar o recolhimento das contribuições fiscais. A competência da Justiça do Trabalho, quanto à execução das contribuições previdenciárias, limitase às sentenças condenatórias em pecúnia que proferir e aos valores, objeto de acordo homologado, que integrem o saláriodecoíitribuição. (ex OJ n° 141 Inserida em 27.11.1998) (Alterado) Res. 138/2005, DJ 23, 24 e 25.11.2005 ii É do empregador a responsabilidade pelo recolhimento das contribuições previdenciárias e fiscais, resultante de crédito do empregado oriundo de condenação judicial, devendo incidir, em relação aos descontos fiscais, sobre o valor total da condenação, referente às parcelas tributáveis, calculado ao final, nos termos da Lei n°8.541/1992, art. 46 e Provimento da CGJT n° 01/1996. (ex OJ n° 32 Inserida em 14.03.1994 e OJ n° 228 Inserida em 20.06.2001) III Em se tratando de descontos previdenciários, o critério de apuração encontrase disciplinado no art. 276, § 40, do Decreto n ° 3.048/99 que regulamentou a Lei n° 8.212/91 e determina que a contribuição do empregado, no caso de ações trabalhistas, seja calculada mês a mês, aplicandose as alíquotas previstas no art. 198, observado o limite máximo do salário de contribuição. (exOJ n° 32 Inserida em 14.03.1994 e OJ 228 Inserida em20.06.2001) Apesar de o imposto de renda incidente sobre remunerações pagas pela empresa sem transitar pela sua contabilidade não ser exigido pela Justiça do Trabalho por não integrar "as parcelas já pagas por fora" o valor da condenação judicial submetem se, outrossim, a tributação. Não obstante, a competência para exigia, nesse caso, é do Fisco quando da realização de auditorias. Destarte, delimitado o campo de incidência do tributo sujeitas à cobrança pelo Justiça do Trabalho e daquelas lançadas pelo Fisco, chegase a conclusão de que este age dentro de suas funções, sem se apropriar das prerrogativas asseguradas àquela. O argumento do impugnante, a seu turno, de que não declarou a Receita Federal do Brasil a verba extraoficial paga pela Serraria Campos de Palmas, receando ser despedido, não convence. Se os depósitos, de fato, tem suas raízes em verbas salariais pagas a latere, o impugnante poderia têlas declarado em DIRPF retificadora após ter deixado a empresa, o que não foi feito. Desta feita, não merece guarida o inconformismo do contribuinte. Do Ganho de Capital Fl. 605DF CARF MF Processo nº 10935.005947/200885 Acórdão n.º 2201004.935 S2C2T1 Fl. 606 12 Alega o contribuinte que a autoridade julgadora se equivocou ao não considerar no custo de aquisição as despesas com reflorestamento de pinus no valor de R$ 45.000,00, inserido na Declaração Retificadora conforme recibo nº 22.13.19.43.3349. Em princípio, esclareço que o processo administrativo é regido pelo princípio da verdade material. Assim, se o §4º do art. 16 do Decreto nº 70.235/1972 autoriza o contribuinte a apresentar prova até a impugnação, não existe razão para desconsiderar supostas provas contidas na declaração retificadora, apresentada em 23/7/2008, antes da lavratura do auto de infração, porém durante a fiscalização. Contudo, ainda que afastada a razão de decidir da DRJ, entendo que não merecem prosperar os argumentos do contribuinte. Em princípio, a suposta declaração retificadora não está acosta aos presentes autos, o que impossibilita a análise do seu conteúdo. Em verdade, nas fls. 538/540 o Contribuinte junta duas folhas que aparentemente é a suposta declaração retificadora, contudo seu conteúdo está ilegível. Além disso, a simples declaração retificadora não é suficiente para autorizar que o dispêndio realizado seja computado no custo de aquisição. Neste sentido, assim dispõe o art. 17 da IN nº 84/2001: Art. 17. Podem integrar o custo de aquisição, quando comprovados com documentação hábil e idônea e discriminados na Declaração de Ajuste Anual, no caso de: I bens imóveis: a) os dispêndios com a construção, ampliação e reforma, desde que os projetos tenham sido aprovados pelos órgãos municipais competentes, e com pequenas obras, tais como pintura, reparos em azulejos, encanamentos, pisos, paredes; b) os dispêndios com a demolição de prédio construído no terreno, desde que seja condição para se efetivar a alienação; c) as despesas de corretagem referentes à aquisição do imóvel vendido, desde que tenha suportado o ônus; d) os dispêndios pagos pelo proprietário do imóvel com a realização de obras públicas, tais como colocação de meiofio, sarjetas, pavimentação de vias, instalação de redes de esgoto e de eletricidade que tenham beneficiado o imóvel; e) o valor do imposto de transmissão pago pelo alienante na aquisição do imóvel; f) o valor da contribuição de melhoria; g) os juros e demais acréscimos pagos para a aquisição do imóvel; h) o valor do laudêmio pago, etc.; Fl. 606DF CARF MF Processo nº 10935.005947/200885 Acórdão n.º 2201004.935 S2C2T1 Fl. 607 13 II outros bens ou direitos: os dispêndios realizados com a conservação e reparos, a comissão ou a corretagem quando não transferido o ônus ao adquirente, os juros e demais acréscimos pagos, etc. Desta forma, para autorizar a inclusão dos dispêndios com reflorestamento no custo de aquisição, deveria o contribuinte comprovar a despesa mediante a apresentação de documentação hábil e idônea, o que não foi feito. Além disso, o art. 17 da IN º 84/2001 elenca um rol exaustivo de dispêndios e despesas aptas a integrar o custo de aquisição do imóvel. Não se encontra dentro do supra referido rol a possibilidade de incluir no custo de aquisição das despesas com reflorestamento. Portanto, entendo como correto os valores estipulados pela autoridade lançadora para cálculo do custo de aquisição do imóvel, mantendo integralmente o lançamento neste tópico. CONCLUSÃO Em razão do exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, conforme razoes acima apresentadas. (assinado digitalmente) Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim Relator Fl. 607DF CARF MF
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Numero do processo: 12448.737118/2012-69
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Fri Jan 18 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Mar 01 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2007
EMBARGOS. CONTRADIÇÃO. ERRO MATERIAL.
Demonstrada a contradição provocada por erro material na redação do voto de exame de admissibilidade, que entrou em conflito com o decidido no voto do mérito, cabe ser sanada a irregularidade, no sentido de harmonizar o entendimento da decisão, por meio de embargos.
Numero da decisão: 9101-003.983
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e acolher os Embargos de Declaração, para sanar a contradição apontada, sem efeitos infringentes. Manifestou intenção de apresentar declaração de voto o conselheiro Rafael Vidal de Araújo.
(assinado digitalmente)
Adriana Gomes Rêgo - Presidente
(assinado digitalmente)
André Mendes de Moura - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Demetrius Nichele Macei, Viviane Vidal Wagner, Luis Fabiano Alves Penteado, Lívia De Carli Germano e Adriana Gomes Rêgo.
Nome do relator: ANDRE MENDES DE MOURA
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ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2007 EMBARGOS. CONTRADIÇÃO. ERRO MATERIAL. Demonstrada a contradição provocada por erro material na redação do voto de exame de admissibilidade, que entrou em conflito com o decidido no voto do mérito, cabe ser sanada a irregularidade, no sentido de harmonizar o entendimento da decisão, por meio de embargos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e acolher os Embargos de Declaração, para sanar a contradição apontada, sem efeitos infringentes. Manifestou intenção de apresentar declaração de voto o conselheiro Rafael Vidal de Araújo. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo Presidente (assinado digitalmente) André Mendes de Moura Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Demetrius Nichele Macei, Viviane Vidal Wagner, Luis Fabiano Alves Penteado, Lívia De Carli Germano e Adriana Gomes Rêgo. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 44 8. 73 71 18 /2 01 2- 69 Fl. 3110DF CARF MF Processo nº 12448.737118/201269 Acórdão n.º 9101003.983 CSRFT1 Fl. 3.111 2 Relatório Tratase de embargos de declaração e inominados, por contradição e/ou erro material (efls. 3098/3103) opostos pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional ("PGFN") em face do Acórdão nº 9101003.447, da sessão de 6 de março de 2018, da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais. Transcrevo ementa e resultado do julgamento: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2007 AUSÊNCIA DE SIMILITUDE FÁTICA. IMPOSSIBILIDADE DE DIVERGÊNCIA NA INTERPRETAÇÃO DA LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. Diante de falta de comunicação entre o suporte fático tratado pela decisão recorrida e paradigma, impossível atendimento do requisito de admissibilidade concernente à divergência na interpretação da legislação tributária previsto no artigo 67 do Anexo II do RICARF. NORMA GERAL ANTIELISIVA. EFICÁCIA. Perfeita a decisão recorrida, ao discorrer que o art. 116, parágrafo único, do CTN requer, com vistas a sua plena eficácia, que lei ordinária estabeleça os procedimentos a serem observados pelas autoridades tributárias dos diversos entes da federação ao desconsiderarem atos ou negócios jurídicos abusivamente praticados pelos sujeitos passivos. Na esfera federal, há na doutrina nacional aqueles que afirmam ser ineficaz a referida norma geral antielisiva, sob o argumento de que a lei ordinária regulamentadora ainda não foi trazida ao mundo jurídico. Por outro lado, há aqueles que afirmam ser plenamente eficaz a referida norma, sob o argumento de que o Decreto nº 70.235/72, que foi recepcionado pela Constituição de 1988 com força de lei ordinária, regulamenta o procedimento fiscal. Dentre as duas interpretações juridicamente possíveis deve ser adotada aquela que afirma a eficácia imediata da norma geral antielisiva, pois esta interpretação é a que melhor se harmoniza com a nova ordem constitucional, em especial com o dever fundamental de pagar tributos, com o princípio da capacidade contributiva e com o valor de repúdio a praticas abusivas. No mesmo sentido, precedente na 1ª Turma da CSRF, Ac. 9101002.953. MULTA ISOLADA. MULTA DE OFÍCIO. LEI. NOVA REDAÇÃO. FATOS GERADORES A PARTIR DE 2007. Tratam os incisos I e II do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996 de suportes fáticos distintos e autônomos com diferenças claras na temporalidade da apuração, que tem por consequência a Fl. 3111DF CARF MF Processo nº 12448.737118/201269 Acórdão n.º 9101003.983 CSRFT1 Fl. 3.112 3 aplicação das penalidades sobre bases de cálculo diferentes. A multa de ofício aplicase sobre o resultado apurado anualmente, cujo fato gerador aperfeiçoase ao final do anocalendário, e a multa isolada sobre insuficiência de recolhimento de estimativa apurada conforme balancetes elaborados mês a mês ou ainda sobre base presumida de receita bruta mensal. O disposto na Súmula nº 105 do CARF aplicase aos fatos geradores pretéritos ao ano de 2007, vez que sedimentada com precedentes da antiga redação do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, que foi alterada pela MP nº 351, de 22/01/2007, convertida na Lei nº 11.489, de 15/07/2007. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA. A multa de ofício, penalidade pecuniária, compõe a obrigação tributária principal, e, por conseguinte, integra o crédito tributário, que se encontra submetido à incidência de juros moratórios, após o seu vencimento, em consonância com os artigos 113, 139 e 161, do CTN, e 61, § 3º, da Lei 9.430/96. Precedentes no STJ (REsp nº 1.129.990PR, REsp 834.681MG e AgRg no REsp 1.335.688PR). (...) Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em acolher a preliminar de não conhecimento do Recurso Especial, para não conhecer do tema em relação ao erro de identificação de sujeição passiva, vencidos os conselheiros Luís Flávio Neto (relator), Cristiane Silva Costa, Daniele Souto Rodrigues Amadio e Gerson Macedo Guerra, que rejeitaram a preliminar e conheceram da matéria. Por maioria de votos, acordam em rejeitar a preliminar de não conhecimento do recurso quanto à matéria relativa à eficácia do parágrafo único do art. 116 do CTN, a fim de conhecer dessa matéria, vencidos os conselheiros Rafael Vidal de Araújo e Flávio Franco Corrêa, que acolheram a preliminar e não conheceram desse tema. Em relação às demais matérias, por unanimidade de votos, acordam em conhecer do recurso, nos termos do despacho de admissibilidade. No mérito, (i) em relação à eficácia do parágrafo único do art. 116 do CTN, por maioria de votos, acordam em negarlhe provimento, vencidos os conselheiros Luís Flávio Neto (relator), Daniele Souto Rodrigues Amadio e Gerson Macedo Guerra, que lhe deram provimento; (ii) em relação à concomitância da exigen̂cia da multa de ofício e da multa isolada, por maioria de votos, acordam em negarlhe provimento, vencidos os conselheiros Luís Flávio Neto (relator), Cristiane Silva Costa e Daniele Souto Rodrigues Amadio, que lhe deram provimento; (iii) em relação à incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício, por voto de qualidade, acordam em negarlhe provimento, vencidos os conselheiros Luís Flávio Neto (relator), Cristiane Silva Costa, Daniele Souto Fl. 3112DF CARF MF Processo nº 12448.737118/201269 Acórdão n.º 9101003.983 CSRFT1 Fl. 3.113 4 Rodrigues Amadio e Gerson Macedo Guerra, que lhe deram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro André Mendes de Moura. Manifestou intenção de apresentar declaração de voto o conselheiro Rafael Vidal de Araújo. Cientificada da decisão (efl. 3095) em 13/08/2018, a PGFN opôs embargos de declaração (efls. 3098/3103). Aduz que a decisão embargada: Entretanto, há evidente contradição entre os seguintes trechos do voto do Relator Conselheiro Luís Flávio Neto (vencedor quanto ao conhecimento) e do voto vencedor do Conselheiro André Mendes de Moura (que prevaleceu quanto ao mérito): Trecho do voto condutor quanto ao conhecimento: “Importante consignar que os Conselheiros Rafael Vidal de Araújo e Flávio Franco Corrêa votaram pelo não conhecimento dessa matéria, por compreender que o resultado do julgamento seria indiferente para a manutenção ou não do auto de infração, tendo em vista que a autoridade fiscal também fez referência ao artigo art. 149, VII, do CTN, para reputar ilegítima a reestruturação societária implementada. Entretanto, por maioria de votos, compreendeuse que, da forma como foi formulada, a autuação fiscal não substitiria caso afastada a aplicação do art. 116, parágrafo único, do CTN.” (grifo nosso; fls. 17) Trecho do voto vencedor quanto ao mérito: “Conforme colocado com bastante clareza pela jurisprudência colacionada, o ordenamento jurídico vigente torna prescindível a utilização do art. 116, parágrafo único, como fundamentação de autuação fiscal que trata da desconsideração de negócios jurídicos, especialmente se considerando o disposto no art. 149, inciso VII do CTN, inclusive expressamente citado pela autuação fiscal 24. De qualquer forma, tal constatação não retira a eficácia do dispositivo normativo.” (grifo nosso; fls. 47) A contradição diz respeito à prescindibilidade da utilização do art. 116, parágrafo único, do CTN, segundo o qual “a autoridade administrativa poderá desconsiderar atos ou negócios jurídicos praticados com a finalidade de dissimular a ocorrência do fato gerador do tributo ou a natureza dos elementos constitutivos da obrigação tributária, observados os procedimentos a serem estabelecidos em lei ordinária”. De acordo com o voto do Relator, a Turma teria entendido, por maioria, que, da forma como foi formulada, a autuação fiscal não subsistiria caso afastada a aplicação do art. 116, parágrafo único, do CTN. Por sua vez, o voto vencedor afirma que o ordenamento jurídico vigente torna prescindível a utilização do referido art. 116, parágrafo único, como fundamentação de autuação fiscal que trata da desconsideração de negócios jurídicos, especialmente se Fl. 3113DF CARF MF Processo nº 12448.737118/201269 Acórdão n.º 9101003.983 CSRFT1 Fl. 3.114 5 considerado o disposto no art. 149, inciso VII do CTN, expressamente citado pela autuação fiscal. Essa contradição leva à seguinte dúvida quanto ao entendimento da Turma: afinal de contas, é necessária a utilização do art. 116, parágrafo único, do CTN, como fundamento na autuação em questão, ou basta que esta faça menção ao art. 149, inciso VII, do CTN, como o fez? (Grifos originais) Despacho de Exame de Admissibilidade de Embargos de Declaração (efls. 3106/3108) deu seguimento ao recurso. É o relatório. Voto Conselheiro André Mendes de Moura, Relator. Tratase de embargos de declaração, admitidos pelo Despacho de Exame de Admissibilidade de Embargos de Declaração, recebidos nos termos dos arts. 64, inciso I, e 66, caput, do Anexo II da Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015, que aprovou o Regimento Interno do CARF (RI/CARF/2015). Foram opostos pela PGFN, especificamente em relação à matéria "aplicação do art. 116, parágrafo único, do CTN 1", no qual teria ocorrido uma contradição, entre o voto do Conselheiro Luís Flávio Neto no exame de admissibilidade, e o voto do exame de mérito, sob a responsabilidade do Conselheiro André Mendes de Moura. Explicase a existência de dois relatores para a mesma matéria porque, no exame de admissibilidade, o voto do relator, o Conselheiro Luís Flávio Neto, foi acompanhado pela maioria dos Conselheiros do Colegiado, enquanto que, no exame do mérito, o relator foi vencido, também pela maioria de votos, tendo sido designado como redator do voto vencedor o Conselheiro André Mendes de Moura. Passo ao exame. Discorre a embargante que, realizando o cotejo, em relação à matéria "aplicação do art. 116, parágrafo único, do CTN", emergiu dúvida, decorrente de uma contradição entre o voto do exame de admissibilidade e o voto do exame do mérito. No voto do exame de admissibilidade, discorreu o Conselheiro Luís Flávio Neto: 1 Art. 116 (...) Parágrafo único. A autoridade administrativa poderá desconsiderar atos ou negócios jurídicos praticados com a finalidade de dissimular a ocorrência do fato gerador do tributo ou a natureza dos elementos constitutivos da obrigação tributária, observados os procedimentos a serem estabelecidos em lei ordinária. (Incluído pela Lcp nº 104, de 2001) Fl. 3114DF CARF MF Processo nº 12448.737118/201269 Acórdão n.º 9101003.983 CSRFT1 Fl. 3.115 6 Importante consignar que os Conselheiros Rafael Vidal de Araújo e Flávio Franco Corrêa votaram pelo não conhecimento dessa matéria, por compreender que o resultado do julgamento seria indiferente para a manutenção ou não do auto de infração, tendo em vista que a autoridade fiscal também fez referência ao artigo art. 149, VII, do CTN, para reputar ilegítima a reestruturação societária implementada. Entretanto, por maioria de votos, compreendeuse que, da forma como foi formulada, a autuação fiscal não substitiria (sic) caso afastada a aplicação do art. 116, parágrafo único, do CTN. (Grifei) Por sua vez, no voto do mérito, o voto do redator designado discorreu: Conforme colocado com bastante clareza pela jurisprudência colacionada, o ordenamento jurídico vigente torna prescindível a utilização do art. 116, parágrafo único, como fundamentação de autuação fiscal que trata da desconsideração de negócios jurídicos, especialmente se considerando o disposto no art. 149, inciso VII do CTN, inclusive expressamente citado pela autuação fiscal (...). De qualquer forma, tal constatação não retira a eficácia do dispositivo normativo.” (Grifei) Assim, estaria concretizada a contradição, assim como ocorrência de erro material, em relação à prescindibilidade ou não do art. 116, parágrafo único, do CTN. Foi dito no voto do exame de admissibilidade (Conselheiro Luís Flávio Neto) que, da forma como foi formulada, a autuação fiscal não subsistiria, caso tivesse sido afastada a aplicação do art. 116, parágrafo único, do CTN. Por outro lado, o voto do mérito (Conselheiro André Mendes de Moura) aduziu que o art. 116, parágrafo único, do CTN, tem eficácia, além do que, nos presentes autos, havia um outro fundamento autônomo, o art. 149, inciso VII do CTN, que por si só seria suficiente para fundamentar a autuação fiscal. Ou seja, o voto do exame de mérito deu provimento ao recurso, por dois fundamentos, autônomos e independentes: primeiro, por entender que o art. 116, parágrafo único, do CTN, por si só, já tem eficácia, amparado na regulamentação do procedimento fiscal trazida pelo Decretolei nº 70.235, de 1972, recepcionado pela Carta de 1988 e pelos princípios constitucionais do dever fundamental de pagar tributos, de capacidade contributiva e do valor do repúdio a práticas abusivas, entendimento exarado pela decisão recorrida, e com base em precedente do presente Colegiado, Acórdão nº 9101002.953, com apresentou a seguinte ementa sobre o assunto: SIMULAÇÃO RELATIVA. VÍCIO DE VONTADE. CTN, ART. 116, PARÁGRAFO ÚNICO. GANHO DE CAPITAL. ALIENAÇÃO. É legítima a desconsideração de atos ou negócios jurídicos praticados com a finalidade de dissimular a ocorrência do fato gerador do IRPJ, nos termos do artigo 116, parágrafo único do CTN. Fl. 3115DF CARF MF Processo nº 12448.737118/201269 Acórdão n.º 9101003.983 CSRFT1 Fl. 3.116 7 segundo, porque a autuação fiscal, além de trazer como fundamento o art. 116, parágrafo único do CTN, também se valeu do art. 149, inciso VII, do CTN 2, que, por si só, mostrase suficiente para motivar o lançamento de ofício dos presentes autos. Inclusive, mencionase excerto do Acórdão nº 9101002.953 3, no sentido de que o disposto no art. 149, inciso VII, do CTN, já autorizava a desconsideração de negócios jurídicos dissimulados, e o art. 116, parágrafo único, veio reforçar tal previsão: De outro lado, como pondera Regina Helena Costa, atual Ministra do Superior Tribunal de Justiça, "o direito positivo já autorizava a desconsideração de negócios jurídicos dissimulados, à vista do disposto no art. 149, VII, CTN, que estabelece que o lançamento deva ser procedido de ofício na hipótese de o sujeito passivo, ou terceiro em benefício daquele, ter agido com dolo, fraude ou simulação" (Curso de Direito Tributário, Saraiva, 2009, p. 184). Em que pese interprete desta forma, a Ministra ainda leciona que "Além de parecer desnecessária, ante o disposto no art. 149, VII, CTN, abriga a referida norma demasiada generalidade e latitude, demandando, a nosso ver, que outra lei venha a estatuir as hipóteses de sua aplicação, sob pena de concederse demasiada liberdade ao administrador fiscal na desconsideração dos atos e negócios jurídicos" (obra citada, p. 185). Entendo que a norma do artigo 116 é eficaz, legitimando a desconsideração de atos simulados, reforçando a previsão contida no artigo 149, VII, do Código Tributário Nacional. 2 Art. 149. O lançamento é efetuado e revisto de ofício pela autoridade administrativa nos seguintes casos: (...) VII quando se comprove que o sujeito passivo, ou terceiro em benefício daquele, agiu com dolo, fraude ou simulação; 3 Julgado na sessão de 3 de julho de 2017, tendo sido a relatora a Conselheira Cristiane Silva Costa, que em relação à matéria art. 116, parágrafo único do CTN, foi acompanhada pela maioria dos Conselheiros, conforme resultado: (...) Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito (i) quanto à multa isolada, por unanimidade de votos, acordam em darlhe provimento; (ii) quanto à simulação, por maioria de votos, em negarlhe provimento, vencidos os conselheiros Luís Flávio Neto, Daniele Souto Rodrigues Amadio e Gerson Macedo Guerra, que lhe deram provimento; e (iii) quanto à multa qualificada e aos juros de mora sobre multa de ofício, por voto de qualidade, acordam em negarlhe provimento, vencidos os conselheiros Cristiane Silva Costa (relatora), Luís Flávio Neto, Daniele Souto Rodrigues Amadio e Gerson Macedo Guerra. Votaram pelas conclusões da relatora, quanto à multa qualificada, os conselheiros Luís Flávio Neto, Daniele Souto Rodrigues Amadio e Gerson Macedo Guerra. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro André Mendes de Moura. Manifestou intenção de apresentar declaração de voto, em relação à simulação e à multa qualificada, o conselheiro Luís Flávio Neto. Nos termos do Art. 58, §5º, Anexo II do RICARF, os conselheiros Daniele Souto Rodrigues Amadio e Marcos Aurélio Pereira Valadão não votaram quanto ao conhecimento, por se tratar de questão já votada em sessão anterior pelos conselheiros José Eduardo Dornelas Souza e Carlos Alberto Freitas Barreto, respectivamente. (Grifei) (...) Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Adriana Gomes Rego, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Luis Flavio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente em Exercício). Fl. 3116DF CARF MF Processo nº 12448.737118/201269 Acórdão n.º 9101003.983 CSRFT1 Fl. 3.117 8 O entendimento apresentado pelo redator designado para o voto vencedor do mérito foi acompanhado pela maioria dos Conselheiros do Colegiado. Transcrevo resultado do dispositivo do acórdão embargado sobre a matéria: (...) No mérito, (i) em relação à eficácia do parágrafo único do art. 116 do CTN, por maioria de votos, acordam em negarlhe provimento, vencidos os conselheiros Luís Flávio Neto (relator), Daniele Souto Rodrigues Amadio e Gerson Macedo Guerra, que lhe deram provimento; (...) ..................................................... Participaram da sessão de julgamento os conselheiros André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luís Flávio Neto, Flávio Franco Corrêa, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra, Adriana Gomes Rêgo (Presidente). Nesse contexto, evidenciase que a redação do voto do exame de admissibilidade (do Conselheiro Luís Flávio Neto), ao mencionar que por maioria de votos, compreendeuse que, da forma como foi formulada, a autuação fiscal não subsistiria caso afastada a aplicação do art. 116, parágrafo único, do CTN, padece de erro material. Não há nada na decisão embargada que confira lastro a tal transcrição. Pelo contrário. No corpo do voto vencedor, como já demonstrado, restou evidente o posicionamento da maioria do Colegiado no sentido de que, primeiro, o art. 116, parágrafo único, do CTN, é eficaz e por si só seria suficiente para fundamentar a autuação fiscal, e que, no caso concreto, ainda foi trazido outro dispositivo, art. 149, inciso VII do CTN, que também por si só já seria suficiente para motivar a desconsideração dos negócios jurídicos. E mais, no resultado da decisão embargada, não há nenhuma menção de que "a maioria dos Conselheiros" teria compreendido que a autuação fiscal não subsistiria "caso afastada a aplicação do art. 116, parágrafo único, do CTN". Transcrevo resultado na parte que interessa: (...) Por maioria de votos, acordam em rejeitar a preliminar de não conhecimento do recurso quanto à matéria relativa à eficácia do parágrafo único do art. 116 do CTN, a fim de conhecer dessa matéria, vencidos os conselheiros Rafael Vidal de Araújo e Flávio Franco Corrêa, que acolheram a preliminar e não conheceram desse tema. Em relação às demais matérias, por unanimidade de votos, acordam em conhecer do recurso, nos termos do despacho de admissibilidade. (...) Observase que não há nenhuma menção no resultado do acórdão de que a maioria dos conselheiros teria se manifestado sobre a imprescindibilidade do art. 116, parágrafo único do CTN para a presente autuação fiscal. Assim, diante da contradição devidamente demonstrada, decorrente de erro material na redação do voto do exame de admissibilidade do relator Conselheiro Luís Flávio Neto, devese promover a correção da decisão embargada. Cabe ser efetuada a seguinte alteração, do voto do exame de admissibilidade, em relação ao segundo parágrafo da decisão, efl. 3053: Fl. 3117DF CARF MF Processo nº 12448.737118/201269 Acórdão n.º 9101003.983 CSRFT1 Fl. 3.118 9 De: "Importante consignar que os Conselheiros Rafael Vidal de Araújo e Flávio Franco Corrêa votaram pelo não conhecimento dessa matéria, por compreender que o resultado do julgamento seria indiferente para a manutenção ou não do auto de infração, tendo em vista que a autoridade fiscal também fez referência ao artigo art. 149, VII, do CTN, para reputar ilegítima a reestruturação societária implementada. Entretanto, por maioria de votos, compreendeuse que, da forma como foi formulada, a autuação fiscal não substitiria (sic) caso afastada a aplicação do art. 116, parágrafo único, do CTN." Para: "Importante consignar que os Conselheiros Rafael Vidal de Araújo e Flávio Franco Corrêa votaram pelo não conhecimento dessa matéria, por compreender que o resultado do julgamento seria indiferente para a manutenção ou não do auto de infração, tendo em vista que a autoridade fiscal também fez referência ao artigo art. 149, VII, do CTN, para reputar ilegítima a reestruturação societária implementada." Diante do exposto, voto no sentido de acolher dos embargos de declaração, sem efeitos infringentes, para sanar a irregularidade apontada. (assinado digitalmente) André Mendes de Moura Fl. 3118DF CARF MF Processo nº 12448.737118/201269 Acórdão n.º 9101003.983 CSRFT1 Fl. 3.119 10 Declaração de Voto Conselheiro Rafael Vidal de Araujo. Acompanhei o relator neste julgamento, mas entendo necessária a apresentação desta declaração de voto, pelos motivos que passo a expor. O relator destes Embargos, acertadamente, encaminhou seu voto no sentido de efetuar a seguinte alteração, do voto do exame de admissibilidade, em relação ao segundo parágrafo da decisão do Acórdão Embargado, efl. 3053: De: "Importante consignar que os Conselheiros Rafael Vidal de Araújo e Flávio Franco Corrêa votaram pelo não conhecimento dessa matéria, por compreender que o resultado do julgamento seria indiferente para a manutenção ou não do auto de infração, tendo em vista que a autoridade fiscal também fez referência ao artigo art. 149, VII, do CTN, para reputar ilegítima a reestruturação societária implementada. Entretanto, por maioria de votos, compreendeuse que, da forma como foi formulada, a autuação fiscal não substitiria (sic) caso afastada a aplicação do art. 116, parágrafo único, do CTN." Para: "Importante consignar que os Conselheiros Rafael Vidal de Araújo e Flávio Franco Corrêa votaram pelo não conhecimento dessa matéria, por compreender que o resultado do julgamento seria indiferente para a manutenção ou não do auto de infração, tendo em vista que a autoridade fiscal também fez referência ao artigo art. 149, VII, do CTN, para reputar ilegítima a reestruturação societária implementada." Realmente, o trecho “Entretanto, por maioria de votos, compreendeuse que, da forma como foi formulada, a autuação fiscal não substitiria (sic) caso afastada a aplicação do art. 116, parágrafo único, do CTN” não poderia permanecer maculando a decisão; pois, além de causar contradição, não reflete nenhuma deliberação do colegiado; sendo apenas uma expressão que não corresponde à verdade e tendo surgido somente quando da formalização do acórdão pelo relator do acórdão embargado (exConselheiro Luis Flávio). Durante o julgamento destes Embargos, sugeri ao relator, acompanhado nas discussões por alguns conselheiros; que, ao invés de apenas suprimir a última frase, suprimisse também a frase anterior. O relator, Conselheiro André, com todo o rigor processual que lhe é característico, pontuou que a supressão desta outra frase não fora solicitada pela embargante e que atendêla, eventualmente, significaria em um provimento extra petita. Após a evolução dos debates, acabei por ser convencido também pela mudança nos termos em que apresentada pelo relator (Conselheiro André) e também por serem procedentes as colocações de alguns membros do colegiado de que, como a frase atribui a mim e a outro Conselheiro um entendimento, mas Fl. 3119DF CARF MF Processo nº 12448.737118/201269 Acórdão n.º 9101003.983 CSRFT1 Fl. 3.120 11 não ao colegiado, bastaria que eu me manifestasse em declaração de voto, como o faço agora, para expressar a falsidade das afirmações que a mim me foram atribuídas. Analisandose o regimento interno do CARF, não há, em nenhum de seus dispositivos, autorização para um conselheiro “falar em nome de outro” conselheiro e, tampouco, obrigação de que o entendimento vencido (neste caso o não conhecimento da matéria), quando não vencedor, seja evidenciado no Acórdão. A única permissão que o regimento interno do CARF concede (que, no caso, é obrigação), é que o relator, em sendo vencedor pelas conclusões, expresse as razões do colegiado (e não de conselheiros individualmente), conforme consta no § 8º do art. 63 do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015. § 8º Na hipótese em que a decisão por maioria dos conselheiros ou por voto de qualidade acolher apenas a conclusão do relator, caberá ao relator reproduzir, no voto e na ementa do acórdão, os fundamentos adotados pela maioria dos conselheiros. Isso se faz necessário quando o relator dá (ou nega) provimento a um recurso por determinadas razões e a maioria do colegiado (ou este em situação de qualidade), embora também entenda que o recurso deva ser provido (ou não ser provido), assim o entende por razões totalmente diversas às apresentadas pelo relator. Daí porque se faz necessário que o relator expresse as conclusões do colegiado, já que, se assim não o fizer, a decisão não estará motivada, sendo passível de nulidade, conforme dispõe o Acórdão nº 9101002.179. Visto isso, passemos ao detalhado exame da frase: “Importante consignar que os Conselheiros Rafael Vidal de Araújo e Flávio Franco Corrêa votaram pelo não conhecimento dessa matéria”; até aqui não há nenhum problema, é apenas uma informação inútil, despicienda, para constar no voto; dado que já consta na parte dispositiva do acórdão embargado: “Por maioria de votos, acordam em rejeitar a preliminar de não conhecimento do recurso quanto à matéria relativa à eficácia do parágrafo único do art. 116 do CTN, a fim de conhecer dessa matéria, vencidos os conselheiros Rafael Vidal de Araújo e Flávio Franco Corrêa, que acolheram a preliminar e não conheceram desse tema”. A explicação seguinte à informação de que eu e o exConselheiro Flávio Franco votamos pelo não conhecimento é que apresenta sérios problemas, por não corresponder à realidade. Vejamos: “por compreender que o resultado do julgamento seria indiferente para a manutenção ou não do auto de infração,...” Em momento algum do julgamento do acórdão embargado, eu afirmei que o resultado do julgamento seria indiferente para a manutenção ou não do auto de infração; atribuir a mim essa compreensão consiste num equivoco. Entretanto, antes de explicar minhas razões pelo não conhecimento da matéria (que não precisaria explicálas, já que permaneci em minoria neste entendimento, mas terei agora que fazêlo para demonstrar a improcedência da posição a mim atribuída), passo ao último trecho da frase que será útil para a completude da explicação: “tendo em vista que a autoridade fiscal também fez referência ao artigo art. 149, VII, do CTN, para reputar ilegítima a reestruturação societária implementada”. Fl. 3120DF CARF MF Processo nº 12448.737118/201269 Acórdão n.º 9101003.983 CSRFT1 Fl. 3.121 12 Pois bem, é fato incontestável que a autoridade fiscal se utilizou do art. 149, inciso VII, do CTN, para demonstrar que o sujeito passivo agiu com dolo, fraude e simulação. Art. 149. O lançamento é efetuado e revisto de ofício pela autoridade administrativa nos seguintes casos: (...) VII quando se comprove que o sujeito passivo, ou terceiro em benefício daquele, agiu com dolo, fraude ou simulação; Essa parte da acusação fiscal foi confirmada pela primeira instância administrativa; não tendo sido contestada pela via do recurso voluntário. Assim, todo o contencioso que se desenvolveu no CARF não seria capaz de infirmar o lançamento; tendo em vista que uma das bases de sustentação do lançamento permaneceu definitivamente julgada, aplicandose ao caso o art. 17 do Decreto nº 70.235, de 1972. Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) Ao ser julgado no CARF, a autuação teve apreciada a acusação fiscal sob a ótica do parágrafo único do art. 116 do CTN. Parágrafo único. A autoridade administrativa poderá desconsiderar atos ou negócios jurídicos praticados com a finalidade de dissimular a ocorrência do fato gerador do tributo ou a natureza dos elementos constitutivos da obrigação tributária, observados os procedimentos a serem estabelecidos em lei ordinária. (Incluído pela Lcp nº 104, de 2001) Pois bem, ao julgar o fundamento do art. 116 do CTN, a Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção de Julgamento manteve o lançamento também por essa base. Assim, a autuação teve os seus dois alicerces confirmados no contencioso: o art. 149, VII, do CTN, na primeira instância administrativa; e o parágrafo único do art. 116 do CTN na segunda instância administrativa. Uma vez interposto o recurso especial, o sujeito passivo pretendeu discutir a divergência relativa ao parágrafo único do art. 116 do CTN. Ora, é reiterada a jurisprudência dessa turma no sentido da insuficiência recursal. Exigese o atendimento do binômio necessidade e utilidade recursal, como pressuposto de recebimento de qualquer recurso. Ademais, é sabida a restrição do tempo de julgamento na instância especial, que deve primar para solucionar as lides que potencialmente alterem ou confirmem os resultados da segunda instância. Quando o lançamento pode se sustentar por uma base, não atende ao pressuposto da utilidade recursal um recurso que visa a discutir uma matéria insuficiente para exonerar o lançamento; daí porque votei no sentido de não conhecer do recurso. Há diversos precedentes desta turma neste sentido. Não obstante, como consta da parte dispositiva do acórdão embargado, eu e o exConselheiro Flávio Franco (confirmei seu entendimento nesse sentido) restamos vencidos quanto à insuficiência recursal e o colegiado decidiu conhecer da matéria. Fl. 3121DF CARF MF Processo nº 12448.737118/201269 Acórdão n.º 9101003.983 CSRFT1 Fl. 3.122 13 Vistos nossos motivos para não conhecer do recurso, passo a contestar o entendimento a que me foi atribuído, mas que não corresponde a verdade. Não é o fato de o recurso não atender ao pressuposto da utilidade recursal que a decisão quanto ao parágrafo único do art. 116 seria “indiferente para a manutenção do auto de infração” ou seria “indiferente para a não manutenção (exoneração) do auto de infração” – este último relativo ao entendimento na versão “ou não”. A decisão quanto ao parágrafo único do art. 116 não é indiferente para a manutenção do lançamento; tem relevância sim! Em sendo confirmada a aplicabilidade do parágrafo único do art. 116 do CTN (como, de fato, o foi no acórdão embargado), o lançamento tem confirmada o segundo alicerce da sua acusação (já que o primeiro desde a primeira instância estava definitivamente constituído), ou seja, o robustece, o torna ainda mais inatacável: isso não pode ser entendido como indiferença. Também o meu verdadeiro entendimento já exposto (insuficiência recursal) não corresponde ao parágrafo único do art. 116 do CTN ser “indiferente para a exoneração do auto de infração” (versão “ou não”); ao contrário, o parágrafo único do art. 116 do CTN, ainda que fosse afastado (como não foi nem na segunda instância nem no acórdão embargado), não seria capaz de resultar na exoneração do auto de infração (impossível essa possibilidade); e, em sendo mantido (como resultou confirmado pela instância especial), afasta para além do impossível a exoneração. Neste contexto, o colegiado também debateu em sessão sobre outra (ou melhor a mesma) falácia constante no voto vencido do acórdão embargado, à fl. 3.062, qual seja: Notese que, no caso concreto, a autuação fiscal fez referência também ao artigo art. 149, VII, do CTN, para reputar ilegítima a reestruturação societária implementada. Entretanto, o Colegiado da CSRF, por maioria de votos, compreendeu que, da forma como foi elaborada, a autuação fiscal não substitiria caso afastada a aplicação do art. 116, parágrafo único, do CTN. Veja que, em trecho do voto vencido, há atribuição de um entendimento ao colegiado, que não corresponde ao que foi deliberado, tampouco ao que constou na parte dispositiva do acórdão embargado. Traz o mesmo conteúdo da expressão que neste julgamento foi suprimida por unanimidade; e também por isso é errada e improcedente. Entretanto, essa referência deixou de ser suprimida porque, ao invés de estar situada na parte vencedora relativa a conhecimento (que gerou a contradição), está na parte vencida relativa ao mérito. E, como o que é dito no mérito do voto vencido não tem força de decisão, já que é vencido; por esse motivo não precisa ser suprimido, embora não deixe também de lhe faltar correspondência com a realidade. Visto isso, considero que está esclarecida a minha posição. (assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araujo Fl. 3122DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13749.000023/2005-35
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 30 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Feb 28 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2000
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. IMPOSTO SUPLEMENTAR.
Não compete ao CARF a decisão sobre pedido de remissão do crédito tributário.
Numero da decisão: 2002-000.741
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente.
(assinado digitalmente)
Virgílio Cansino Gil - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil, Thiago Duca Amoni e Mônica Renata Mello Ferreira Stoll.
Nome do relator: VIRGILIO CANSINO GIL
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IMPOSTO SUPLEMENTAR. Não compete ao CARF a decisão sobre pedido de remissão do crédito tributário. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente. (assinado digitalmente) Virgílio Cansino Gil Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil, Thiago Duca Amoni e Mônica Renata Mello Ferreira Stoll. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 74 9. 00 00 23 /2 00 5- 35 Fl. 54DF CARF MF Processo nº 13749.000023/200535 Acórdão n.º 2002000.741 S2C0T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário (fl. 45) contra decisão de primeira instância (fls. 33/37), que julgou improcedente impugnação do sujeito passivo. Em razão da riqueza de detalhes, adoto o relatório da r. DRJ, que assim diz: Contra o contribuinte foi lavrado o auto de infração de fls. 06 a 12, no qual é exigido o imposto sobre a renda de pessoa física (IRPF) suplementar, relativamente ao anocalendário 2000, no valor de R$ 3.685,08, acrescido de multa de lançamento de ofício e de juros de mora, decorrente da apuração de omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica, decorrentes de trabalho com vínculo empregatício, conforme declaração da Real Grandeza Func. Prev. Assist. Social CNPJ 34.269.803/000168. Tempestivamente, o interessado apresenta a impugnação da exigência, fls. 01 a 03. Suas alegações estão, em síntese, a seguir descritas. Não foi observada a parcela não tributável da contribuição para a Caixa de Previdência Privada (Fundação Real Grandeza), baseada no art. 6°, inciso VII, alínea b da Lei n°7713/88. Foi empregado de Furnas Centrais Elétricas durante 25 anos e através da Fundação Real Grandeza fez um pecúlio, contribuindo mensalmente, todo esse tempo, para que pudesse obter uma complementação de aposentadoria. Esclarece que a contribuição da empresa era de 1,7 e a do empregado 1,0, conforme resultado dos cálculos corretos apresentados em sua declaração. As contribuições da parte do empregado não eram na ocasião dedutíveis nos cálculos do imposto de renda de todos esses anos, sendo considerados como rendimentos tributáveis, e conseqüentemente pagou imposto de renda sobre o valor destas contribuições. Durante o processo de aposentadoria, era dada a opção de permanecer ou não associado a Fundação Real Grandeza. Caso deixasse de ser associado teria direito à devolução integral das contribuições com juros e correção monetária, não incidindo imposto de renda. Como optou em receber através de complementação de aposentadoria a devolução parcelada, correspondente ao seu pecúlio de 25 anos, se fosse considerado como rendimento tributável, haveria bi tributação. Não procede a multa de ofício, pois conforme obediência a lei citada, não fica sob os rigores do art. 44, inciso I da Lei 9.430/96. Com relação aos juros de mora, entregou sua declaração em abril de 2001, dentro do prazo, e somente em 18/01/2005 recebeu o auto Fl. 55DF CARF MF Processo nº 13749.000023/200535 Acórdão n.º 2002000.741 S2C0T2 Fl. 4 3 de infração. Assim, a morosidade não poderia ser atribuída ao contribuinte que cumpriu com os prazos legais. Sobre à isenção da aposentadoria complementar, transcreve jurisprudência judicial. O resumo da decisão revisanda está condensado na seguinte ementa do julgamento: RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS. PREVIDÊNCIA PRIVADA. São tributáveis os rendimentos provenientes do trabalho assalariado, as remunerações por trabalho prestado no exercício de empregos, cargos e funções, e quaisquer proventos ou vantagens percebidos, tais como os benefícios recebidos de entidades de previdência privada. MULTA DE OFÍCIO. JUROS DE MORA. APLICAÇÃO. Tendo o contribuinte apresentado a declaração de rendimentos inexata, legítima é a exigência da multa de ofício e juros de mora equivalentes à taxa Selic sobre os créditos tributários objeto da ação fiscal. Inconformado, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário, requerendo o cancelamento do auto de infração, bem como o arquivamento do processo. É o relatório. Passo ao voto. Voto Conselheiro Virgílio Cansino Gil Relator Recurso Voluntário aviado a modo e tempo. O contribuinte foi cientificado em 20/12//2008 (fl. 44); Recurso Voluntário protocolado em 06/01/2009 (fl. 45), assinado pelo próprio contribuinte. Em seu Recurso Voluntário o contribuinte pede apenas e tão somente que o crédito tributário seja remido, com base na MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, previsto no artigo 14. Pois bem, não é da competência do CARF a apreciação do pedido feito pelo recorrente, conforme o previsto no artigo 25, II, do Decreto nº 70.235/72, e do previsto nos artigos 1º, Anexo I, e 1º, Anexo II, do Regimento Interno do CARF. Mais que isso, o artigo 58, § 1º, inciso III, da Lei nº 11.941/2009 diz que será do órgão responsável pelo cobrança da dívida ativa da União a realização dos atos que visem as remissões. Assim, em razão da ausência de litígio no Recurso Voluntário, e ante a falta de competência do CARF para decisão a respeito da remissão pleiteada, não conheço do recurso interposto. Fl. 56DF CARF MF Processo nº 13749.000023/200535 Acórdão n.º 2002000.741 S2C0T2 Fl. 5 4 Isto posto, e pelo que mais consta dos autos, não conheço do Recurso Voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) Virgílio Cansino Gil Fl. 57DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11060.722991/2016-62
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 06 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jan 15 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2010, 2011
PRELIMINAR DE NULIDADE. COMPARTILHAMENTO DE PROVAS. FORO PRIVILEGIADO. LANÇAMENTO DE CRÉDITO TRIBUTÁRIO. POSSIBILIDADE.
A Constituição Federal, de 1988, assegura aos Deputados e Senadores a prerrogativa de que estes só serão submetidos a julgamento, em processo penal, perante o Supremo Tribunal Federal (art. 53, § 4º). No âmbito administrativo, tem a Secretaria da Receita Federal do Brasil o poder/dever de apurar as infrações à legislação tributária, lançando o devido crédito tributário, e, assegurando ao contribuinte o contraditório e a ampla defesa nas 1ª e 2ª instâncias administrativas. Neste mister, não se encontra albergado o instituto do foro privilegiado.
Sendo assim, não se mostra pertinente a alegação no sentido de que a D. Autoridade Fiscal agiu em desrespeito às suas competências legais, na medida em que não autorizada pelo STF, sendo a decisão judicial, prolatada pelo Judiciário de 1ª Instância, permissiva de que fossem compartilhadas provas com a RFB, suficiente para o encaminhamento das diligências e fiscalizações que culminaram na autuação objeto da presente defesa.
RECEITA DA PESSOA JURÍDICA. RECLASSIFICAÇÃO PARA RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS DA PESSOA FÍSICA. PRIMAZIA DA REALIDADE DOS FATOS.
Sob o prisma da primazia da realidade sobre a formalidade dos atos, cabe à fiscalização lançar de ofício o crédito correspondente à relação tributária efetivamente existente. Nesse escopo, é cabível a reclassificação da receita e sua imputação à pessoa física quando demonstrado que não houve prestação de serviços pela pessoa jurídica e que a pessoa física, revestida da condição de contribuinte, é a efetiva beneficiária dos rendimentos recebidos através da pessoa jurídica interposta.
MULTA QUALIFICADA. DOLO. FRAUDE. SIMULAÇÃO. COMPROVAÇÃO.
Cabível a multa de ofício qualificada quando comprovado que o contribuinte deslocou de forma dolosa a tributação da pessoa física para a pessoa jurídica, utilizando de estrutura artificial criada pela interposição de escritório de advocacia, conduta que resultou na modificação das características do fato gerador da obrigação tributária, de maneira a ocultar o verdadeiro beneficiário dos rendimentos e reduzir o montante do imposto de renda devido.
MULTA DE OFÍCIO. CARÁTER CONFISCATÓRIO. ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2.
Este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais é incompetente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade da lei tributária que fixa o patamar da multa de ofício sobre o tributo devido.
(Súmula CARF nº 2)
RECEITA DA PESSOA JURÍDICA. RECLASSIFICAÇÃO PARA RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS DA PESSOA FÍSICA. COMPENSAÇÃO DE TRIBUTO RECOLHIDO NA PESSOA JURÍDICA. MESMA NATUREZA. POSSIBILIDADE.
Cabível a dedução no lançamento de ofício do imposto de renda da pessoa física, antes da inclusão dos acréscimos legais, com relação aos valores arrecadados de mesma natureza a título de imposto de renda da pessoa jurídica, cuja receita foi desclassificada e considerada rendimentos tributáveis auferidos pela pessoa física.
Numero da decisão: 2401-005.826
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de nulidade. No mérito, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para que seja deduzido do lançamento o imposto de renda recolhido pelas pessoas jurídicas sobre os valores que foram considerados rendimentos da pessoa física. Vencido o conselheiro Rayd Santana Ferreira (relator), que dava provimento ao recurso. Vencidos os conselheiros José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll (Suplente Convocada) e Miriam Denise Xavier, que negavam provimento ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Cleberson Alex Friess. Julgamento realizado a portas fechadas devido à determinação judicial para que houvesse sigilo preservado.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Presidente
(assinado digitalmente)
Rayd Santana Ferreira - Relator
(assinado digitalmente)
Cleberson Alex Friess - Redator Designado
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Rayd Santana Ferreira, Monica Renata Mello Ferreira Stoll (Suplente Convocada), Andrea Viana Arrais Egypto, Matheus Soares Leite e Miriam Denise Xavier.
Nome do relator: RAYD SANTANA FERREIRA
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COMPARTILHAMENTO DE PROVAS. FORO PRIVILEGIADO. LANÇAMENTO DE CRÉDITO TRIBUTÁRIO. POSSIBILIDADE. A Constituição Federal, de 1988, assegura aos Deputados e Senadores a prerrogativa de que estes só serão submetidos a julgamento, em processo penal, perante o Supremo Tribunal Federal (art. 53, § 4º). No âmbito administrativo, tem a Secretaria da Receita Federal do Brasil o poder/dever de apurar as infrações à legislação tributária, lançando o devido crédito tributário, e, assegurando ao contribuinte o contraditório e a ampla defesa nas 1ª e 2ª instâncias administrativas. Neste mister, não se encontra albergado o instituto do “foro privilegiado”. Sendo assim, não se mostra pertinente a alegação no sentido de que a D. Autoridade Fiscal agiu em desrespeito às suas competências legais, na medida em que não autorizada pelo STF, sendo a decisão judicial, prolatada pelo Judiciário de 1ª Instância, permissiva de que fossem compartilhadas provas com a RFB, suficiente para o encaminhamento das diligências e fiscalizações que culminaram na autuação objeto da presente defesa. RECEITA DA PESSOA JURÍDICA. RECLASSIFICAÇÃO PARA RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS DA PESSOA FÍSICA. PRIMAZIA DA REALIDADE DOS FATOS. Sob o prisma da primazia da realidade sobre a formalidade dos atos, cabe à fiscalização lançar de ofício o crédito correspondente à relação tributária efetivamente existente. Nesse escopo, é cabível a reclassificação da receita e sua imputação à pessoa física quando demonstrado que não houve prestação de serviços pela pessoa jurídica e que a pessoa física, revestida da condição de contribuinte, é a efetiva beneficiária dos rendimentos recebidos através da pessoa jurídica interposta. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 0. 72 29 91 /2 01 6- 62 Fl. 5326DF CARF MF Processo nº 11060.722991/201662 Acórdão n.º 2401005.826 S2C4T1 Fl. 3 2 MULTA QUALIFICADA. DOLO. FRAUDE. SIMULAÇÃO. COMPROVAÇÃO. Cabível a multa de ofício qualificada quando comprovado que o contribuinte deslocou de forma dolosa a tributação da pessoa física para a pessoa jurídica, utilizando de estrutura artificial criada pela interposição de escritório de advocacia, conduta que resultou na modificação das características do fato gerador da obrigação tributária, de maneira a ocultar o verdadeiro beneficiário dos rendimentos e reduzir o montante do imposto de renda devido. MULTA DE OFÍCIO. CARÁTER CONFISCATÓRIO. ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2. Este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais é incompetente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade da lei tributária que fixa o patamar da multa de ofício sobre o tributo devido. (Súmula CARF nº 2) RECEITA DA PESSOA JURÍDICA. RECLASSIFICAÇÃO PARA RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS DA PESSOA FÍSICA. COMPENSAÇÃO DE TRIBUTO RECOLHIDO NA PESSOA JURÍDICA. MESMA NATUREZA. POSSIBILIDADE. Cabível a dedução no lançamento de ofício do imposto de renda da pessoa física, antes da inclusão dos acréscimos legais, com relação aos valores arrecadados de mesma natureza a título de imposto de renda da pessoa jurídica, cuja receita foi desclassificada e considerada rendimentos tributáveis auferidos pela pessoa física. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de nulidade. No mérito, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para que seja deduzido do lançamento o imposto de renda recolhido pelas pessoas jurídicas sobre os valores que foram considerados rendimentos da pessoa física. Vencido o conselheiro Rayd Santana Ferreira (relator), que dava provimento ao recurso. Vencidos os conselheiros José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll (Suplente Convocada) e Miriam Denise Xavier, que negavam provimento ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Cleberson Alex Friess. Julgamento realizado a portas fechadas devido à determinação judicial para que houvesse sigilo preservado. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Presidente Fl. 5327DF CARF MF Processo nº 11060.722991/201662 Acórdão n.º 2401005.826 S2C4T1 Fl. 4 3 (assinado digitalmente) Rayd Santana Ferreira Relator (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess Redator Designado Participaram do presente julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Rayd Santana Ferreira, Monica Renata Mello Ferreira Stoll (Suplente Convocada), Andrea Viana Arrais Egypto, Matheus Soares Leite e Miriam Denise Xavier. Relatório AFONSO ANTUNES DA MOTTA, contribuinte, pessoa física, já qualificado nos autos do processo em referência, recorre a este Conselho da decisão da 11a Turma da DRJ em São Paulo/SP, Acórdão nº 1679.512/2017, às efls. 5.115/5.177, que julgou procedente o Auto de Infração concernente ao Imposto de Renda Pessoa Física IRPF, decorrente da constatação de omissão de rendimentos recebidos de pessoas jurídicas, em relação aos anoscalendário 2010 e 2011, conforme peça inaugural do feito, às efls. 4.884/4.893, e demais documentos que instruem o processo. Tratase de Auto de Infração, lavrado em 24/11/2016 (AR efl. 5.007), nos moldes da legislação de regência, contra o contribuinte acima identificado, constituindose crédito tributário no valor consignado na folha de rosto da autuação. Conforme descrição dos fatos e enquadramento legal constantes do Auto de Infração e do Termo de Verificação Fiscal (que acompanha e é parte integrante do AI), foram apuradas infrações tributárias cometidas pelo contribuinte em razão da prática de omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica. Extraise do TVF que: Verificouse que naqueles anos o Fiscalizado recebeu rendimentos de empresas que compõem o GRUPO RBS, conglomerado de pessoas jurídicas atuantes Fl. 5328DF CARF MF Processo nº 11060.722991/201662 Acórdão n.º 2401005.826 S2C4T1 Fl. 5 4 preponderantemente no ramo de comunicação (rádio, televisão, jornais impressos e internet), onde atuara como Diretor Jurídico até 2009, dele se desligando quando da sua candidatura ao mandato eletivo de Deputado Federal. Para tanto, fez uso da pessoa jurídica MOTTA & CORREA ADVOGADOS ASSOCIADOSS, sem que se tenha efetivamente entregue qualquer serviço àquelas fontes pagadoras no período alcançado pela ação fiscal, conforme evidenciado em diligências. As empresas do Grupo RBS teriam efetuado os pagamentos a título de acordo amigável com o Fiscalizado, em razão de seu afastamento do conglomerado, não havendo, nem para esse fim, qualquer documentação de suporte. Além disso, a OPERAÇÃO ZELOTES, deflagrada conjuntamente pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, pelo Departamento da Polícia Federal, pelo Ministério Público Federal e pela Corregedoria Geral do Ministério da Fazenda, em 26 de março de 2015, descortinou um ardiloso esquema montado no CARF para manipulação de julgamentos de processos administrativos fiscais. (...) Ocorre que todos os rendimentos indevidamente atribuídos à pessoa jurídica MOTTA & CORREA ADVOGADOS ASSOCIADOSS, quer provenientes das empresas do Grupo RBS, quer em razão do desfecho favorável à RBS ADMINISTRAÇÃO E COBRANÇAS LTDA no Carf, são tributáveis na pessoa física do ora Autuado, AFONSO ANTUNES DA MOTTA: (...) Assim, no exercício das atribuições do cargo de AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, passamos a relatar os aspectos que apresentam contrariedade ao ordenamento jurídico e à legislação tributária vigente, fatos que ensejaram a lavratura de AUTO DE INFRAÇÃO do Irpf dos anoscalendário 2010 e 2011, dos quais o presente Relatório é parte integrante, contido no processo eletrônico de exigência fiscal de nº 11060.722991/201662. (...) Antecipamos algumas informações acerca de diversos atores presentes no “CASO RBS”. Teceremos, a partir daqui, maiores detalhes a respeito de cada um, a começar pela pessoa jurídica utilizada pelo Fiscalizado para recebimento de valores provenientes da RBS. É de se salientar que neste e nos demais casos investigados na ZELOTES se encontram presentes três personagens/núcleos básicos: o contribuinte autuado (RBS); Fl. 5329DF CARF MF Processo nº 11060.722991/201662 Acórdão n.º 2401005.826 S2C4T1 Fl. 6 5 os intermediários (advogados, consultores, conselheiros e ex conselheiros do Carf); e conselheiros do Carf, que de uma ou de outra maneira atuam em benefício do contribuinte na empreitada em tese delituosa. O sujeito passivo autuado, diretamente ou por meio de parcerias celebradas pela banca de renomados advogados que o patrocina no processo, contrata os intermediários no afã de se ver livre dos créditos tributários que lhe foram imputados pelo lançamento de ofício. Essas contratações se dão, em sua maioria, às vésperas de julgamentos de recursos tramitados no CARF e mediante “cláusula êxito” (o contribuinte só remunera se alcançado o seu interesse, que é o de ver tornados insubsistentes, no todo ou em parte, os autos de infração objeto do contencioso administrativo). Os intermediários atuam na seleção (tendo como principais requisitos o expressivo valor do crédito tributário e a viabilidade jurídica da discussão administrativa), na prospecção/captação e contratação do cliente, na manipulação de julgamento e na receptação e distribuição dos valores recebidos do contribuinte quando do sucesso do ardil. Operam nas sombras, com os demais atores ou não, a depender das circunstâncias, obtendo e oferecendo favores. Apesar do que consta nos contratos celebrados (e a despeito do notório saber jurídicotributário de alguns), os intermediários não entregam efetivamente serviço formal algum, de natureza evidentemente intelectual. Com o sucesso da demanda administrativa em favor do seu “cliente”, e o decorrente recebimento de seus “honorários”, os intermediários, ato contínuo, movimentam reiteradamente expressivas somas em espécie (“dinheiro vivo”) valores que por vezes simplesmente “evaporam”, sem qualquer vestígio ou documentação de suporte da sua aplicação e consumo. Quando os intermediários formalmente distribuem entre si os “lucros”, o fazem mediante transferências bancárias, deduzidos os “custos” da operação (valores expressivos, sem qualquer identificação do que se tratam, nem de quem são os reais beneficiários/destinatários). As tais pessoas jurídicas dos intermediários, no mais das vezes, oferecem as “receitas” auferidas à tributação, sendo essa mais uma etapa do cometimento, em tese, dos crimes de lavagem de dinheiro e contra a ordem tributária – a tributação sobre o rendimento da atividade ilícita deve recair sobre o agente, pessoa física, que a opera (art. 55, inciso X, do Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999, que encontra matriz legal no art. 26 da Lei nº 4.506, de 30 de novembro de 1964). Fl. 5330DF CARF MF Processo nº 11060.722991/201662 Acórdão n.º 2401005.826 S2C4T1 Fl. 7 6 4.1 – MOTTA & CORREA ADVOGADOS ASSOCIADOSS A dita pessoa jurídica foi constituída em setembro de 2004 e se encontra inscrita no Cnpj sob o nº 07.076.337/000121, sendo sempre o seu domicílio fiscal a residência de AFONSO ANTUNES DA MOTTA. As quotas representativas de seu capital social eram assim distribuídas7: (...) Por deliberação contida na Primeira Alteração de Contrato Social, GERALDO retirouse da sociedade em 15 de agosto de 2012, alienando suas quotas a AFONSO ANTUNES DA MOTTA a valor nominal, abrindo mão, inclusive dos lucros a distribuir e dos créditos em relação à sociedade, apurados naquela data, conforme se lê no parágrafo único da cláusula primeira daquele instrumento: Eventuais valores a título de lucros a distribuir ou crédito em relação à sociedade, apurados em 15 de agosto de 2012, em favor do sócio retirante, passarão a ser de titularidade do sócio remanescente. Em 2004, ano de início das atividades, declarou ter auferido R$ 370 mil em receitas, e distribuído lucros a AFONSO ANTUNES DA MOTTA de R$ 3.173.700,10, sem qualquer suporte8. Em 2005, declarou ter auferido R$ 1.178.169,68 em receitas, todas provenientes de empresas do Grupo RBS, distribuindo outros R$ 998 mil de lucros a AFONSO MOTTA9. Em 2006, informou na Declaração de Informações Econômico Fiscais da Pessoa Jurídica ter auferido R$ 840 mil em receitas, decorrentes de operações com empresas do Grupo RBS10. Em se tratando dos anoscalendário 2007, 2008 e 2009, declarouse INATIVA11. A ação fiscal que se encerra pelo lançamento de ofício ora realizado teve início nesta pessoa jurídica, quando em diligências coletamos elementos que além de atestar as provas compartilhadas no bojo da ZELOTES trouxe luz sobre o indevido deslocamento de rendimentos tributáveis da pessoa física para a MOTTA & CORREA ADVOGADOS ASSOCIADOSS. (...) Em resumo, detectouse que, com o deslinde favorável na esfera administrativa, RBS ADMINISTRAÇÃO E COBRANÇAS LTDA efetuou os expressivos pagamentos a seus contratados a seguir esquematicamente representados: Fl. 5331DF CARF MF Processo nº 11060.722991/201662 Acórdão n.º 2401005.826 S2C4T1 Fl. 8 7 (...) RBS ADMINISTRAÇÃO E COBRANÇAS LTDA declarou em DIRF36, o que foi posteriormente confirmado em procedimento fiscal, ter efetuado pagamentos, em 2011 e 2012, aos beneficiários indicados a seguir, em razão de seus envolvimentos no caso tramitado na esfera administrativa: (...) vide planilha Como já mencionado, todos esses beneficiários foram contratados pela RBS em período em que o Fiscalizado figurava como Diretor Jurídico da contratante. Percebese, sem dificuldades, que dos R$ 31,6 milhões desembolsados pela RBS, todos contabilizados, apenas R$ 8,8 milhões foram destinados a quem de fato defendeu os interesses da autuada no processo, inclusive nas sustentações orais. Desses, cerca de R$ 1,6 milhão foram repassados à MOTTA & CORREA. Em diligência fiscal, RBS ADMINISTRAÇÃO E COBRANÇAS LTDA apresentou cópia das notas fiscais emitidas pelos beneficiários dos pagamentos apontados em Dirf e os comprovantes de quitação de honorários, além de cópia de cópia de contratos e de propostas de honorários37. Nenhuma comprovação de serviços efetivamente prestados apresentou no que concerne às pessoas jurídicas SGR, MACEIRA e QUEIROZ, apesar de reiteradamente intimada38. 7.2 – DILIGÊNCIA FISCAL NA SGR CONSULTORIA EMPRESARIAL LTDA Antes de narrarmos os aspectos inerentes à ação fiscal desenvolvida na SGR, oportuno trazermos à colação trechos das Alegações Finais apresentadas pelo Ministério Público Federal no que diz respeito à perícia efetuada pela Polícia Federal nos documentos contábeis apreendidos em 2015, peça contida nos autos de nº 7009113.2015.4.01.3400 e inerente a fatos Fl. 5332DF CARF MF Processo nº 11060.722991/201662 Acórdão n.º 2401005.826 S2C4T1 Fl. 9 8 imputados por ilícitos, dentre outros, a JOSE RICARDO DA SILVA e EIVANY ANTONIO DA SILVA no tocante a compra de legislação. Importa precisamente neste ponto trazermos as evidências de que a contabilidade da SGR colocada à disposição da força tarefa da Zelotes limitavase ao que havia até o anocalendário 2009, considerada, de qualquer forma, imprestável. Restou afirmado que, para os anoscalendário 2010 em diante, a SGR não possuía escrituração contábil alguma45, apenas controles paralelos de entradas e saídas de recursos: 4.2. Considerações sobre o laudo pericial contábil da SGR Inicialmente, fazse necessário pontuar que, conforme declaração firmada por Adriano Luís Gengnagel (CRC – DF 9389), contador da empresa SGR, os responsáveis por esta pessoa jurídica raramente forneciam toda a documentação legalmente exigida para a correta escrituração contábil (fls. 04 do Laudo 1846/2015INC/DITEC/DPF) 9. O Auto de Apreensão de número 798/2015 traz, dentre elementos apreendidos, uma mídia contendo documentos financeiros/contábeis de períodos não seqüenciais da SGR Consultoria. 10. Nos autos principais é possível identificar ainda uma declaração firmada pelo Contador responsável pelo escritório de contabilidade ALG Contabilidade (CNPJ Nº 38.039.749/000115), senhor Adriano Luís Gengnagel (CRC – DF 9389). Nesse documento, o profissional incumbido de proceder à escrituração contábil da investigada e cumprir as formalidades impostas pela legislação correlata consigna que “os documentos necessários para efetuar a contabilidade e todas as obrigações para com o Fisco raramente eram entregues, o que justifica a entrega das obrigações sem movimento”. 11. A declaração reproduzida demonstra por que não havia nos sistemas da ALG Contabilidade a escrituração dos eventos econômicos entre os anos de 2010 e 2014, nos moldes requeridos pela legislação. Em verdade, a incompletude da escrituração contábil é forma de ocultar as ilicitudes perpetradas por meio da referida pessoa jurídica, bem como de dificultar posteriores investigações sobre tais fatos – como a ora em curso. De fato, dada a gravidade das irregularidades verificadas, repetidas por diversos exercícios fiscais, é pouco crível que se trate de mero equívoco administrativo, sobretudo à luz dos demais elementos de prova que denotam que a SGR destinavase a reciclar capital obtido ilicitamente. (...) Fl. 5333DF CARF MF Processo nº 11060.722991/201662 Acórdão n.º 2401005.826 S2C4T1 Fl. 10 9 Nenhuma comprovação de que tenha licitamente prestado serviço algum à RBS foi apresentada pela SGR, a exemplo do que também restou não comprovado por parte da contratante. (...) Ademais, DIAS DE SOUZA foi questionada pela Fiscalização acerca dos recursos, memoriais e demais peças produzidas face ao Caso RBS, em razão de sua atuação dentro e fora do processo. Foi especificamente intimada a informar os seus colaboradores. Nenhuma citação fez à SGR, nem a GRUGINSKI, como voltaremos a discorrer. É evidente que a SGR não foi contratada para, em colaboração com DIAS DE SOUZA, formular os argumentos necessários, na via administrativa, ou na judicial, à decretação de intempestividade da peça recursal da Fazenda. Se a cláusula êxito estivesse adstrita à questão preliminar discutida em sede do Recurso Especial da Fazenda, absolutamente nada a SGR teria a receber, pois a RBS saiu derrotada nesse quesito. O que trouxemos ao longo deste Relatório demonstra que a SGR foi contratada e generosamente remunerada pela influência que seus componentes exerciam no Conselho, agindo nas sombras, repassando valores aos que atendiam aos seus interesses escusos. O retrato da SGR como pintado por ALEXANDRE PAES DOS SANTOS, e reproduzido nas páginas 7/8 deste Relatório, aplica se com perfeição ao Caso RBS: uma atuação inicial aparentemente legítima, mediante elaboração de pareceres destinados à instrução processual na esfera administrativa e judicial; e outro modo de agir que visava à obtenção de, no Conselho de Contribuintes e na Câmara Superior de Recursos Fiscais, decisões favoráveis, através de critérios duvidosos e não necessariamente éticos, às contestações de contribuintes contra autuações do Fisco Federal, dentre outras ações. (...) Apesar do que consta nas notas fiscais, citando “cfe contrato”, nenhum documento dessa natureza foi apresentado por MOTTA & CORREA nem pelas empresas do Grupo RBS (todas diligenciadas, como será narrado adiante). (...) 8 – AFONSO ANTUNES DA MOTTA Repetindo: em 2007, 2008 e 2009, MOTTA & CORREA ADVOGADOS ASSOCIADOSS declarouse INATIVA. Tal inatividade condiz com as demais informações fiscais disponíveis: NENHUMA MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA, NENHUM serviço prestado, NENHUM rendimento informado por fontes pagadoras85. Fl. 5334DF CARF MF Processo nº 11060.722991/201662 Acórdão n.º 2401005.826 S2C4T1 Fl. 11 10 Por outro lado, a pessoa física vinha recebendo expressivos rendimentos do TRABALHO ASSALARIADO (código 0561) pagos por empresas do Grupo86: (...) TELEVISÃO GAÚCHA S/A foi incorporada em junho de 2008 por RBS PARTICIPAÇÕES S/A. Os rendimentos pagos a AFONSO MOTTA, VicePresidente e Diretor Jurídico do Grupo, portanto, eram centrados em holdings. Percebese, então, que os valores pagos pelas empresas do Grupo em 2010/2011, decorrentes de acordo amigável, referentes, segundo elas, a serviços gerais prestados em bases continuadas, eram, nos anoscalendário anteriores, remunerados a título de rendimentos do trabalho assalariado. Em razão do seu desligamento do Grupo RBS, declarou na Dirpf do anocalendário 2009 ter recebido R$ 1.200.333,47 a título de indenização de Fundo de Garantia por Tempo de Serviço. No anocalendário 2010, declarou em Dirpf rendimento isento oriundo de sua pessoa jurídica, no montante de R$ 99.000,00, a título de lucros, apurando saldo de imposto a pagar no valor de R$ 14.349,46. Na Dirpf do anocalendário 2011, informou ter recebido lucros de MOTTA & CORREA no total de R$ 303.925,40 e saldo de imposto a pagar de R$ 14.423,77. Digno de nota é o fato de que expressiva parcela dos valores colocados ao alcance e à disposição do Fiscalizado foi alocada em investimentos atrelados à conta bancária da interposta pessoa MOTTA & CORREA, o que se revela nos parcos valores distribuídos ao real titular dos rendimentos. Por sinal, nas Dipjs referentes aos anoscalendário 2012 e 2013 a tal “pessoa jurídica” declarou receitas provenientes apenas de aplicações financeiras87. Considerando os rendimentos recebidos por AFONSO ANTUNES DA MOTTA desde o anocalendário 2007, percebese que, como por encanto, em 2010 a sua pessoa jurídica teria passado a substituílo, sem prestar serviço algum, a prestador algum. Consulta aos sistemas previdenciários retorna que AFONSO ANTUNES DA MOTTA figurou como EMPREGADO de empresas do Grupo RBS desde a década de 80 até 31/12/2009, cujos vínculos empregatícios foram mantidos ao longo do tempo por TELEVISÃO GAUCHA S/A, RBS ZERO HORA EDITORA JORNALÍSTICA S/A e RBS PARTICIPAÇÕES S/A88. AFONSO ANTUNES DA MOTTA, advogado e parlamentar, conhecedor das normas tributárias aplicáveis, jamais poderia deliberada e reiteradamente deslocar seus rendimentos para a pretensa pessoa jurídica, pagos a qualquer título pelas fontes Fl. 5335DF CARF MF Processo nº 11060.722991/201662 Acórdão n.º 2401005.826 S2C4T1 Fl. 12 11 tratadas neste Relatório, também não se lhes aplicando o artigo 129 da Lei nº 11.196, de 21 de novembro de 2005. AFONSO MOTTA foi notificado de que a ação fiscal em curso na pessoa jurídica estava sendo para ele redirecionada, oportunidade em que lhe foram exigidos documentos necessários a eventuais arrolamentos de bens89 (o que não se aplica, face ao seu patrimônio declarado): No exercício das atribuições do cargo de AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, NOTIFICASE o contribuinte em epígrafe de que a ação objeto do Termo de Distribuição de Procedimento Fiscal – Diligência de n° 10.1.01.002016 001377, até então conduzida junto à pessoa jurídica MOTTA & CORREA ADVOGADOS ASSOCIADOSS, fica convertida em fiscalização do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física AFONSO ANTUNES DA MOTTA dos anoscalendário 2010 e 2011 Negouse a atender ao que lhe foi exigido90. Colhidos e consolidados os elementos necessários, estão sendo levados à tributação de Imposto sobre a Renda da Pessoa Física os rendimentos recebidos, ou colocados à disposição do Fiscalizado, por meio da interposta MOTTA & CORREA ADVOGADOS ASSOCIADOSS, aqui e no Auto de Infração totalizados por período de apuração: (...) Na autuação, estão sendo deduzidas as retenções de Imposto de Renda sofridas na fonte, calculadas a 1,5% do rendimento bruto, tal como destacadas em notas fiscais, tal como informadas pelas fontes pagadoras em Dirf. E a dedução, tal como processada, encontra guarida no art. 620, § 3º, do RIR/99 (Decreto nº 3.000, de 1999). Na seqüência, o AuditorFiscal qualificou a multa de ofício e lavrou representação fiscal para fins penais. O contribuinte, regularmente intimado, apresentou impugnação, requerendo a decretação da improcedência do feito. Por sua vez, a Delegacia Regional de Julgamento em São Paulo/SP entendeu por bem julgar procedente o lançamento, conforme relato acima. Regularmente intimado e inconformado com a Decisão recorrida, o autuado, apresentou Recurso Voluntário, às efls. 5.185/5.242, procurando demonstrar sua improcedência, desenvolvendo em síntese as seguintes razões: Após breve relato das fases processuais, bem como dos fatos que permeiam o lançamento, repisa às alegações da impugnação, preliminarmente pugnando pela nulidade do procedimento fiscal desde seu inicio, visto que não poderia ser ele deflagrado da forma como realizado, com base em decisão de juízo de primeiro grau, mormente ser o recorrente detentora da prerrogativa de foro, ficando portanto delineada a violação da competência prevista no art. 102, I, b, da CF. Fl. 5336DF CARF MF Processo nº 11060.722991/201662 Acórdão n.º 2401005.826 S2C4T1 Fl. 13 12 Ademais, é que ao STF, privativamente, compete autorizar o compartilhamento de provas entre o Ministério Público Federal e Receita Federal, enquanto detentores de foro privilegiado, anexando aos autos Decisão do Exmo. Ministro Ricardo Lewandowski que indeferiu o compartilhamento. Em relação ao mérito, esclarece não haver omissão, porque, antes de qualquer ação fiscal, os valores foram submetidos à tributação por Motta & Correa Advogados Associadoss, pessoa jurídica a que se vincula o recorrente, sendo os tributos respectivos recolhidos. Insurgese quanto a alegação de que ele, como advogado, jamais poderia deliberada e reiteradamente deslocar seus rendimentos para a pretensa pessoa jurídica, pagos a qualquer título pelas fontes tratadas neste Relatório, colacionando excerto da decisão de piso afirmando tal entendimento. Esclarece que as informações trazidas à lume pela ação fiscal revelam atividade advocatícia a latere da estrita função de diretorjurídico. Ao contrário do afirmado, tais elementos coligidos pelos fiscais falam por si mesmos, tornando absurdo sugerir inocorrência de atuação, a ensejar sua remuneração livremente acordada entre profissionais liberais, com os escritórios Dias de Souza e SGR. Expõe ser as imputações apoiadas em conjecturas unilaterais, lavradas com exorbitância de atribuições e por quem não poderia fazêlo, através de documentos compartilhados ilegalmente. Explicita que o material indiciário não passa de um conjunto mal arrumado de ilações tendenciosas, cujo ponto de partida é "o julgamento do recurso especial da fazenda". Contudo o cancelamento do auto de infração não ocorreu em 2008, em sede de recurso especial, mas já em 2003, em sede de recurso voluntário. Convenientemente, o relatório silencia sobre esse aspecto fundamental, embora reconheça que "não foram encontrados elementos de atuação do grupo até junho de 2008, ficando evidente a atuação de natureza exclusivamente profissional por parte do recorrente. Ademais, o recorrente, na condição de diretorjurídico do contribuinte, agiu com probidade, denodo e cuidado nos misteres de sua alçada. Intimado de lançamento, buscou formar equipe qualificada, formada por renomados e experientes profissionais. tais profissionais nada tinham em seu desabono. Mesmo nas peças unilateralmente produzidas por órgãos ministeriais, fiscais ou policiais, consta, por exemplo, que a SGR tinha uma carteira de clientes nacionais de grande reputação, de modo que não há como opor ao peticionário seque culpa in elegendo ou qualquer outra. Ainda, o relatório fiscal faz alarde em torno de fatos bastante triviais, como o recebimento de honorários, mediante nota fiscal regularmente oferecida à tributação e mediante depósito em contacorrente, por parte de dois escritórios. Ora, o recorrente, advogado regularmente habilitado, exerceu tarefas inerentes à advocacia; e o recebimento dos valores ocorreu quando já não integrava o Grupo RBS, beirando a máfé insinuar conflito ético. O que o relatório demonstra, objetivamente, é um árduo trabalho de natureza profissional, com a discussão em torno de minutas e estratégias com todos os advogados contratados. Não há só uma prova ou começo de prova sobre qualquer ilicitude e, muito menos, notícia de participação em qualquer irregularidade. Fl. 5337DF CARF MF Processo nº 11060.722991/201662 Acórdão n.º 2401005.826 S2C4T1 Fl. 14 13 Dito isso, passandose, então, aos rendimentos advindos da RBS, as provas carreadas pelo próprio fisco demonstram a materialidade da atuação do peticionário. Como exposto, as notas fiscais emitidas para as empresas integrantes do Grupo RBS referemse ao pagamento em ajuste estabelecido quando da sua saída do grupo, referente à sua atuação profissional jurídica em diversas demandas por mais de 20 anos. A propósito, basta atentar para o fato de que os recebimentos de outras empresas do Grupo RBS com os quais o recorrente não mantinha vínculo empregatício deixam clara a natureza diversa e nãotrabalhista. Insurgese quanto a impossibilidade de reclassificação de receitas auferidas pela pessoa jurídica e a extinção do crédito tributário pela prescrição, pois resta cristalino que após o dia 15 de novembro de 2016 todas as obrigações referentes às receitas auferidas pela Motta & Correa Advogados Associadoss restaram extintas pela homologação tácita, estando vedada a sua revisão e/ou reclassificação. Argumenta restar cabalmente comprovado que as receitas auferidas em razão dos serviços prestados pelo recorrente como advogado, nos termos do artigo 129 da Lei 11.196/2005, foram tributados corretamente na pessoa jurídica que é sócio, inexistindo fundamento e base legal para a desconsideração da pessoa jurídica e reclassificação das receitas para a pessoa física prestador de serviços. Considera indevida a aplicação da multa de ofício de 150%, pois agiu de acordo com a legislação, não restando comprovado qualquer intuito doloso, fraude ou simulação. Além de pleitear a inconstitucionalidade, uma vez exagerado o montante devido, que ultrapassa o limite do razoável, e, portanto, deve ser reduzida. Afirma que o lançamento referente ao anocalendário 2010 esta coberto pela decadência, de acordo com o artigo 150 do Código Tributário Nacional, uma vez que houve diversas antecipações de pagamento e, como demonstrado nos tópicos anteriores, não houve dolo, fraude ou simulação. Pugna também pela compensação dos valores pagos na pessoa jurídica, referentes aos fatos geradores reclassificados. Por fim, requer o conhecimento e provimento do seu recurso, para desconsiderar o Auto de Infração, tornandoos sem efeito e, no mérito, a sua absoluta improcedência. A Procuradoria da Fazenda Nacional apresentou contrarrazões (efls 19.471/19.503) aos Recursos Voluntários, aduzindo o que segue: a) Da inexistência de qualquer nulidade no compartilhamento de provas; b) O lançamento foi baseado em fatos concretos e não em presunções; c) Da competência da autoridade fiscal para identificar o fato gerador; d) Descabimento da desqualificação da multa de ofício pela existência de prova de dolo; e) Da inexistência da extinção do crédito pela decadência. Fl. 5338DF CARF MF Processo nº 11060.722991/201662 Acórdão n.º 2401005.826 S2C4T1 Fl. 15 14 Por fim, requer a Fazenda Nacional seja negado provimento ao recurso voluntário, mantendose a decisão recorrida. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Rayd Santana Ferreira Relator Presente o pressuposto de admissibilidade, por ser tempestivo, conheço do recurso e passo ao exame das alegações recursais. MÉRITO DA OMISSÃO DE RENDIMENTOS No curso da investigação denominada Operação Zelotes, apurouse a atuação ilícita de pessoas físicas e jurídicas, que trabalhavam para influir no resultado do julgamento de processos administrativos em julgamento no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais do Ministério da Fazenda. Houve o compartilhamento das informações e provas constantes em processos judiciais para a COGER/MF e COPEI/RFB. A partir de então, foram apurados fatos, descritos nos relatórios acostados no presente processo. A autoridade autuante entendeu ter o contribuinte recebido valores da RBS e coligadas, Dias de Souza Advogados e JR Advogados, pela interposta pessoa jurídica (Motta e Correia Advogados Associadoss) sem a devida prestação de serviços lícitos, em razão do deslinde do caso “RBS” no CARF, conforme quadro do TVF (fls. 4896/4897). O Sr. Fiscal aduz que nos idos de 2010 e 2011 o recorrente já havia se desligado das suas atividades profissionais junto à RBS. Não obstante, apurouse que a RBS e coligadas fizeram repasses de valores expressivos ao Impugnante, sem que houvesse qualquer contratação ou contraprestação de serviços. Feito esse breve resumo, passaremos a análise do mérito, propriamente dito. O contribuinte esclarece não haver omissão, porque, antes de qualquer ação fiscal, os valores foram submetidos à tributação por Motta & Correa Advogados Associadoss, pessoa jurídica a que se vincula o recorrente, sendo os tributos respectivos recolhidos. Insurgese quanto a alegação de que ele, como advogado, jamais poderia deliberada e reiteradamente deslocar seus rendimentos para a pretensa pessoa jurídica, pagos a qualquer título pelas fontes tratadas neste Relatório, colacionando excerto da decisão de piso afirmando tal entendimento. Esclarece que as informações trazidas à lume pela ação fiscal revelam atividade advocatícia a latere da estrita função de diretorjurídico. Ao contrário do afirmado, tais elementos coligidos pelos fiscais falam por si mesmos, tornando absurdo sugerir inocorrência de atuação, a ensejar sua remuneração livremente acordada entre profissionais liberais, com os escritórios Dias de Souza e SGR. Fl. 5339DF CARF MF Processo nº 11060.722991/201662 Acórdão n.º 2401005.826 S2C4T1 Fl. 16 15 Expõe ser as imputações apoiadas em conjecturas unilaterais, lavradas com exorbitância de atribuições e por quem não poderia fazêlo, através de documentos compartilhados ilegalmente. Explicita que o material indiciário não passa de um conjunto mal arrumado de ilações tendenciosas, cujo ponto de partida é "o julgamento do recurso especial da fazenda". Contudo o cancelamento do auto de infração não ocorreu em 2008, em sede de recurso especial, mas já em 2003, em sede de recurso voluntário. Convenientemente, o relatório silencia sobre esse aspecto fundamental, embora reconheça que "não foram encontrados elementos de atuação do grupo até junho de 2008, ficando evidente a atuação de natureza exclusivamente profissional por parte do recorrente. Ademais, o recorrente, na condição de diretorjurídico do contribuinte, agiu com probidade, denodo e cuidado nos misteres de sua alçada. Intimado de lançamento, buscou formar equipe qualificada, formada por renomados e experientes profissionais. tais profissionais nada tinham em seu desabono. Mesmo nas peças unilateralmente produzidas por órgãos ministeriais, fiscais ou policiais, consta, por exemplo, que a SGR tinha uma carteira de clientes nacionais de grande reputação, de modo que não há como opor ao peticionário seque culpa in elegendo ou qualquer outra. Ainda, o relatório fiscal faz alarde em torno de fatos bastante triviais, como o recebimento de honorários, mediante nota fiscal regularmente oferecida à tributação e mediante depósito em contacorrente, por parte de dois escritórios. Ora, o recorrente, advogado regularmente habilitado, exerceu tarefas inerentes à advocacia; e o recebimento dos valores ocorreu quando já não integrava o Grupo RBS, beirando a máfé insinuar conflito ético. O que o relatório demonstra, objetivamente, é um árduo trabalho de natureza profissional, com a discussão em torno de minutas e estratégias com todos os advogados contratados. Não há só uma prova ou começo de prova sobre qualquer ilicitude e, muito menos, notícia de participação em qualquer irregularidade. Dito isso, passandose, então, aos rendimentos advindos da RBS, as provas carreadas pelo próprio fisco demonstram a materialidade da atuação do peticionário. Como exposto, as notas fiscais emitidas para as empresas integrantes do Grupo RBS referemse ao pagamento em ajuste estabelecido quando da sua saída do grupo, referente à sua atuação profissional jurídica em diversas demandas por mais de 20 anos. A propósito, basta atentar para o fato de que os recebimentos de outras empresas do Grupo RBS com os quais o recorrente não mantinha vínculo empregatício deixam clara a natureza diversa e nãotrabalhista. Insurgese quanto a impossibilidade de reclassificação de receitas auferidas pela pessoa jurídica e a extinção do crédito tributário pela prescrição, pois resta cristalino que após o dia 15 de novembro de 2016 todas as obrigações referentes às receitas auferidas pela Motta & Correa Advogados Associadoss restaram extintas pela homologação tácita, estando vedada a sua revisão e/ou reclassificação. Argumenta restar cabalmente comprovado que as receitas auferidas em razão dos serviços prestados pelo recorrente como advogado, nos termos do artigo 129 da Lei 11.196/2005, foram tributados corretamente na pessoa jurídica que é sócio, inexistindo fundamento e base legal para a desconsideração da pessoa jurídica e reclassificação das receitas para a pessoa física prestador de serviços. Pois bem! Fl. 5340DF CARF MF Processo nº 11060.722991/201662 Acórdão n.º 2401005.826 S2C4T1 Fl. 17 16 A personalidade jurídica pode ser definida como a aptidão para aquisição de direitos e deveres na ordem civil. Noutras palavras, em regra, a pessoa jurídica é criada para que seus sócios não respondam com seus bens pessoais, uma vez que esta possui personalidade distinta da de seus membros. Há, contudo, algumas hipóteses excepcionais por meio das quais o legislador admite uma exceção a essa regra para responsabilizar os sócios, desde que comprovada existência de abuso da personalidade, o qual é caracterizado pelo desvio de finalidade ou confusão patrimonial. Esta é a redação do art. 50 do Código Civil: Art. 50. Em caso de abuso da personalidade jurídica, caracterizado pelo desvio de finalidade, ou pela confusão patrimonial, pode o juiz decidir, a requerimento da parte, ou do Ministério Público quando lhe couber intervir no processo, que os efeitos de certas e determinadas relações de obrigações sejam estendidos aos bens particulares dos administradores ou sócios da pessoa jurídica. Especificamente na seara tributária, o sujeito passivo da relação jurídica tributária é aquele de quem se exige o cumprimento da obrigação, geralmente sendo aquele sujeito que produz o fato gerador: o contribuinte. Ocorre, no entanto, que outra pessoa, que não aquela que praticou o fato gerador, pode também ser alçada à posição de sujeito passivo da obrigação tributária. A esta pessoa dáse o nome de responsável tributário. A responsabilidade pode ser imputada ao terceiro de três formas diferentes: pessoalmente, subsidiariamente ou solidariamente. A responsabilidade será pessoal quando competir exclusivamente ao terceiro adimplir a obrigação desde o nascimento desta. Ou seja, o responsável figurará como único sujeito passivo da obrigação e o contribuinte será, por conseguinte, afastado da obrigação de pagar o tributo. Com relação à responsabilidade subsidiária, nesta o terceiro será chamado para o pagamento somente se restar constatado a impossibilidade de pagamento pelo contribuinte, devedor originário/principal. Ou seja, se determinada responsabilidade for subsidiária, primeiro se cobrará do contribuinte e, somente no caso deste não cumprir com a obrigação tributária devida, se chamará o responsável subsidiário para efetuar o respectivo pagamento. Por fim, a responsabilidade será solidária quando mais de uma pessoa integra o pólo passivo da obrigação tributária, sendo todos responsáveis ao mesmo tempo pela integralidade da dívida tributária. O Código Tributário Nacional trata da responsabilidade tributária por meio dos seguintes dispositivos: Art. 134. Nos casos de impossibilidade de exigência do cumprimento da obrigação principal pelo contribuinte, respondem solidariamente com este nos atos em que intervierem ou pelas omissões de que forem responsáveis: Fl. 5341DF CARF MF Processo nº 11060.722991/201662 Acórdão n.º 2401005.826 S2C4T1 Fl. 18 17 I os pais, pelos tributos devidos por seus filhos menores; II os tutores e curadores, pelos tributos devidos por seus tutelados ou curatelados; III os administradores de bens de terceiros, pelos tributos devidos por estes; IV o inventariante, pelos tributos devidos pelo espólio; V o síndico e o comissário, pelos tributos devidos pela massa falida ou pelo concordatário; VI os tabeliães, escrivães e demais serventuários de ofício, pelos tributos devidos sobre os atos praticados por eles, ou perante eles, em razão do seu ofício; VII os sócios, no caso de liquidação de sociedade de pessoas. Parágrafo único. O disposto neste artigo só se aplica, em matéria de penalidades, às de caráter moratório. Art. 135. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos: I as pessoas referidas no artigo anterior; II os mandatários, prepostos e empregados; III os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. Tratandose, portanto, de atos praticados por pessoas jurídicas, a responsabilidade recairá sobre o patrimônio do sócio e/ou administrador apenas quando se verificar a ocorrência das condições previstas no art. 50 do Código Civil ou daquelas inscritas nos arts. 134 e 135 do Código Tributário Nacional. No presente caso, embora não tenha apontado a ocorrência de nenhum dos requisitos acima previstos, o Fiscal Autuante responsabiliza o recorrente pelo pagamento de impostos incidente sobre receitas inegavelmente recebidas pela pessoa jurídica. Tal fato é afirmado no próprio Termo de Verificação Fiscal: 9.2 – DA AUTUAÇÃO Salvo as exceções previstas em lei, o Irpf incide sobre a universalidade dos rendimentos, sendo irrelevantes a sua denominação, sua localização, sua condição jurídica e outras características, como expressamente disposto no artigo 3º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, bastando o benefício do contribuinte, por qualquer forma e a qualquer título: Art. 3º O imposto incidirá sobre o rendimento bruto, sem qualquer dedução, ressalvado o disposto nos arts. 9º a 14 desta Lei. (Vide Lei 8.023, de 12.4.90) Fl. 5342DF CARF MF Processo nº 11060.722991/201662 Acórdão n.º 2401005.826 S2C4T1 Fl. 19 18 § 1º Constituem rendimento bruto todo o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos, os alimentos e pensões percebidos em dinheiro, e ainda os proventos de qualquer natureza, assim também entendidos os acréscimos patrimoniais não correspondentes aos rendimentos declarados. § 2º omissis. § 3º omissis. § 4º A tributação independe da denominação dos rendimentos, títulos ou direitos, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem dos bens produtores da renda, e da forma de percepção das rendas ou proventos, bastando, para a incidência do imposto, o benefício do contribuinte por qualquer forma e a qualquer título. Apesar da inexistência de documentação de suporte aos valores pagos pelas empresas do Grupo RBS ao Fiscalizado, com interposição de sua pessoa jurídica de fachada sim, porquanto esta absolutamente nada produz, servindo apenas de veículo nos recebimentos de valores de AFONSO MOTTA , convém ainda citarmos que multas e vantagens recebidas em razão de rescisão de contrato são tributáveis, como expressamente prevê o art. 70 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996: Art. 70. A multa ou qualquer outra vantagem paga ou creditada por pessoa jurídica, ainda que a título de indenização, a beneficiária pessoa física ou jurídica, inclusive isenta, em virtude de rescisão de contrato, sujeitamse à incidência do imposto de renda na fonte à alíquota de quinze por cento. (...) § 3º O valor da multa ou vantagem será: I computado na apuração da base de cálculo do imposto devido na declaração de ajuste anual da pessoa física; I computado na apuração da base de cálculo do imposto devido na declaração de ajuste anual da pessoa física; II omissis III omissis. § 4º O imposto retido na fonte, na forma deste artigo, será considerado como antecipação do devido em cada período de apuração, nas hipóteses referidas no parágrafo anterior, ou como tributação definitiva, no caso de pessoa jurídica isenta. No tocante aos rendimentos pagos por SGR e DIAS DE SOUZA, em adição reproduzimos o artigo 26 da Lei nº 4.506, de 1964, cujo teor encontra respaldo no princípio de Direito Tributário pecunia non olet (“o dinheiro não tem cheiro”), espelhado no art. 118 do CTN: Fl. 5343DF CARF MF Processo nº 11060.722991/201662 Acórdão n.º 2401005.826 S2C4T1 Fl. 20 19 Art. 26. Os rendimentos derivados de atividades ou transações ilícitas, ou percebidos com infração à lei, são sujeitos à tributação, sem prejuízo das sanções que couberem. Ocorre, contudo, que essa conduta não encontra amparo na legislação brasileira. As únicas formas de se imputar responsabilidade aos sócios seriam em decorrência do cumprimento dos requisitos do Código Civil ou do CTN. Dessa forma, com a devida vênia ao ilustre fiscal autuante, não vislumbramos em seus argumentos fundamento suficientemente capaz de amparar o procedimento excepcional de desconsideração da personalidade jurídica da empresa prestadora de serviços advocatícios, cujo autuado é sócio. Como se sabe, a livre iniciativa, a liberdade negocial e de contratação são direitos do contribuinte, não cabendo à autoridade fiscal rechaçála tão somente porque considera (entende) fora de propósito às contratações. Tratandose de procedimento excepcional, a desconsideração da personalidade jurídica de empresas, deve ser devidamente fundamentado em fatos e documentos suscetíveis de comprovação. Não basta a fiscalização simplesmente inferir que não concorda com as condutas do contribuinte, imputando crimes a partir de uma operação da polícia federal, e por conta disso desconsiderálas, sem o devido fundamento legal (tributário). Para que o lançamento tivesse o devido amparo legal e fático, caberia ao fiscal autuante demonstrar que a contribuinte praticou atos simulados objetivando suprimir e/ou diminuir a CARGA TRIBUTÁRIA, ou mesmo suprimir ou maquiar a ocorrência do fato gerador do tributo. Impõese alegar e comprovar qual fora o benefício atingido pelo contribuinte nos seus atos praticados, bem como a conduta dolosa em simular contratações, para se esquivar da tributação. Isso não logrou o Fisco a comprovar na hipótese dos autos. Como se observa, mister se fazer à autoridade lançadora a observância dos parâmetros e condições básicas previstas na legislação de regência em casos de desconsideração da personalidade jurídica de empresas, que somente poderá ser levada a efeito quando àquela estiver convencida do cometimento do crime (dolo, fraude ou simulação TRIBUTÁRIOS), devendo, ainda, relatar todos os fatos de forma pormenorizada, possibilitando ao contribuinte a devida análise da conduta que lhe está sendo atribuída e, bem assim, ao procurador de que o delito fora efetivamente praticado. Em outras palavras, não basta à indicação da eventual conduta dolosa, fraudulenta ou simulatória (nos autos de processo crime), a partir de meras presunções e/ou subjetividades, impondo a devida comprovação por parte da autoridade fiscal da intenção pré determinada do contribuinte, demonstrada de modo concreto, sem deixar margem a qualquer dúvida, visando impedir/retardar o recolhimento do tributo devido. Aliás, o fato de existir inquérito/processo criminal, denúncia, etc em face do contribuinte, a partir de operação da Polícia Federal, in casu, Zelotes, não implica dizer, por si só, que sonegou tributos. Ora, devemos “separar o joio do trigo”. Com efeito, uma coisa são os reflexos do eventual processo criminal conduzido em face do contribuinte, onde serão apurados suas eventuais condutas criminosas, com as respectivas penas a serem aplicadas, inclusive, Fl. 5344DF CARF MF Processo nº 11060.722991/201662 Acórdão n.º 2401005.826 S2C4T1 Fl. 21 20 reparação ao erário, se restarem comprovadas as condutas atribuídas ao autuado. Outra coisa é o reflexo tributário de tais condutas, apuradas a partir de aludida operação da Polícia Federal, não bastando, basicamente, adotar o relatório da PF em relação à operação para concluir que houve sonegação tributária. Mesmo porque, se assim o fosse, estaríamos diante de uma verdadeira concomitância e impedidos de julgar na esfera administrativa, uma vez que os crimes atribuídos aos contribuinte no processo crime estariam, igualmente, sendo analisados nos autos do processo administrativo fiscal. Daí porque, importante que a fiscalização, nos autos do lançamento, demonstre qual crime de SONEGAÇÃO FISCAL o contribuinte incorreu de maneira a ensejar a desconsideração da personalidade jurídica de seu escritório com o desclassificação de auferimento de receitas para omissão de rendimentos. Em alguns casos, no decorrer da operação da Polícia Federal, comprovase a ocorrência da conduta conhecida como “Nota calçada”, Subfaturamento, Caixa 2, ocultação de patrimônio com utilização e movimentação financeira ou empresarial de terceiros (laranjas), etc. Nestas hipóteses, a própria conduta do contribuinte já tem um indicativo ou comprovação forte de sonegação tributária, o que justificaria a autuação fiscal, com multa qualificada, ou mesmo responsabilização solidária de terceiros interessados no fato gerador do tributo, ou reais sujeitos passivos da relação tributária. Não é o que se vislumbra no caso vertente, onde a fiscalização simplesmente considerou que os valores pagos pela contratante de serviços se destinou aos sócios pessoas físicas das empresas prestadoras de serviços advocatícios, com a respectiva desconsideração da personalidade jurídica dos escritórios, para atribuir ao autuado omissão de rendimentos, adotando basicamente os fundamentos do relatório da Polícia Federal a respeito da Operação Zelotes, o qual apura infrações na esfera criminal e não tributária. Com a devida vênia, o fato de o contribuinte, eventualmente, não ter comprovado a prestação de serviços, ter recebido valores ilegalmente, etc, não é capaz de deslocar a tributação da pessoa jurídica para a física. Aliás, qual seria a diferença? O que o contribuinte estaria pretendendo esconder ou simular ao receber valores em sua pessoa jurídica e não na física? Por que o fato gerador nesta hipótese ocorreria na pessoa física e não na jurídica, como entendeu o Fisco? Qual a conduta do contribuinte com o fito de sonegar tributos ao receber tais importâncias na pessoa jurídica? Aliás, tratandose de prestação de serviços de natureza personalíssima, a atividade desenvolvida pela pessoa jurídica, em verdade, é conduzida pelo sócio pessoa física, havendo uma verdadeira “confusão” de pessoas, razão pela qual dizer que não houve a comprovação dos serviços prestados pela pessoa jurídica implica concluir que a pessoa física, igualmente, não comprovou a sua realização, o que rechaça de pronto a própria ocorrência do fato gerador do tributo. Em outras palavras se não há, eventualmente, a comprovação dos serviços prestados pela pessoa jurídica, igualmente, não ocorre aludida demonstração por parte do sócio pessoa física, fatos que não tem o condão de justificar, motivar e/ou fundamentar a desconsideração da personalidade jurídica da empresa prestadora de serviços e, conseqüentemente, a própria tributação ora contestada. Com todo respeito ao nobre fiscal autuante, não há sentido lógico nesta desconsideração. Fl. 5345DF CARF MF Processo nº 11060.722991/201662 Acórdão n.º 2401005.826 S2C4T1 Fl. 22 21 Em verdade, o que se percebe, é que a fiscalização pretende penalizar o contribuinte pelo fato de (em tese) ter recebido propina. No entanto, não cabe ao Fisco tributar com espeque em fatos criminais, mas, sim, em fatos tributários. Não tivesse a empresa tributado aludidos valores, aí sim poderia ser objeto de autuação, na PJ, para se exigir os tributos devidos, mas nunca, em nosso entendimento, desconsiderar a personalidade jurídica da empresa prestadora de serviços, com base em fatos da seara criminal, para fins de deslocar a sujeição passiva. Como se observa, estamos diante de uma verdadeira ausência de comprovação da ocorrência do fato gerador do tributo ora lançado, qual seja, omissão de rendimentos, considerando os fatos acima elencados e, especialmente, que os valores ora tributados foram recebidos na própria pessoa jurídica prestadora de serviços advocatícios do autuado. Traçando um paralelo com as contribuições previdenciárias, nas hipóteses de desconsideração de personalidade jurídica (PJtização), o ônus tributário de tal procedimento excepcional recai, via de regra, sobre a empresa contratante de serviços, a qual se beneficiou com a contratação de pessoas físicas, por meio de jurídicas, simplesmente para não pagar as contribuições devidas. No caso dos autos, repitase, não conseguimos vislumbrar qual teria sido o benefício tributário, causando supressão de tributos indevidamente, com a conduta do contribuinte de receber as importâncias sob análise em sua pessoa jurídica, independentemente da questão criminal, que está sendo analisada em autos judiciais próprios. Em tese, em nosso entendimento, o ônus de tal conduta do contribuinte, especialmente o fato de não comprovar a prestação de serviços, na forma que o fiscal propôs e fundamentou a presente autuação, deveria dar margem à tributação da empresa contratante sob a roupagem de “IRF Pagamento sem Causa”, com tributação, inclusive, mais elevada que a presente. Ou seja, tal qual na desconsideração da personalidade jurídica no âmbito das contribuições previdenciárias, nos casos de “PJtização”, o ônus tributário do procedimento engendrado pelas partes seria da empresa contratante, por existir fundamento legal próprio ao efetuar despesas sem a comprovação da prestação de serviços, qual seja, IRF – Pagamento sem causa. Destarte, a prevalecer a conduta do Fiscal, chegarseia ao cenário de se imputar responsabilidade às pessoas físicas sempre que a Receita Federal do Brasil entender, sem respaldo judicial pelo Juízo Criminal competente, que houve ilícitos praticados por pessoas jurídicas – o que não é o caso. A meu ver, incabível tal entendimento. Por fim, referese que, nos termos do § 3º do artigo 59 do Decreto nº 70.235/72, com a redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993, "Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta.", logo, em razão disso, haja vista que está sendo decidido no mérito em favor do contribuinte, deixase de ser pronunciado sobre as preliminares invocadas. DAS DEMAIS QUESTÕES AVENTADAS NO RECURSO VOLUNTÁRIO Fl. 5346DF CARF MF Processo nº 11060.722991/201662 Acórdão n.º 2401005.826 S2C4T1 Fl. 23 22 Na hipótese de restar vencido quanto ao mérito, mister adentrar as demais alegações suscitadas pelo contribuinte em seu recurso voluntário, as quais passamos a contemplar. PRELIMINAR COMPARTILHAMENTO DE PROVAS AUTORIZAÇÃO PELO STF FORO PRIVILEGIADO O contribuinte pugna pela nulidade do procedimento fiscal desde seu inicío, visto que não poderia ser ele deflagrado da forma como realizado, com base em decisão de juízo de primeiro grau, mormente ser o recorrente detentora da prerrogativa de foro, ficando portanto delineada a violação da competência prevista no art. 102, I, b, da CF. Ademais, é que ao STF, privativamente, compete autorizar o compartilhamento de provas entre o Ministério Público Federal e Receita Federal, enquanto detentores de foro privilegiado, anexando aos autos Decisão do Exmo. Ministro Ricardo Lewandowski que indeferiu o compartilhamento. Sem razão o recorrente. O “privilégio de foro” representa um mecanismo constitucional conferido a determinadas autoridades em razão do cargo que ocupam, ao fundamento da necessidade de proteção ao exercício de determinada função ou mandato. Nesse sentido, a Constituição Federal vigente garante aos membros do Congresso Nacional (Deputados e Senadores) o julgamento pela prática de crimes comuns, no âmbito do direito penal, ao órgão de cúpula do Poder Judiciário Supremo Tribunal Federal – STF ( CF/88, art. 53, §§ 1º, 2º, 3º e 4º). Ocorre que, no presente caso, a D. Autoridade Fiscal conduziu a presente fiscalização, objetivando apurar eventual prática de infração tributária, comportamento diverso do alcançado pela norma constitucional garantista. O objeto da autuação consiste tãosomente na exigência do crédito tributário em decorrência da omissão de rendimentos tributáveis, que ocorre independentemente da intenção e da prática de crime. Na seara tributária, o elemento subjetivo é irrelevante, conforme se pode observar na regra geral prescrita no artigo 136 do Código Tributário Nacional: Art. 136. Salvo disposição de lei em contrário, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. Ou seja, basta a consumação do elemento objetivo para a caracterização da infração. Preciosas são as lições de Aliomar Baleeiro, na obra Direito Tributário Brasileiro, 11ª edição: Diferentemente do Direito Penal, ao CTN é indiferente a intenção do agente, seja contribuinte, responsável, etc., salvo quando a disposição legal determine o contrário. Fl. 5347DF CARF MF Processo nº 11060.722991/201662 Acórdão n.º 2401005.826 S2C4T1 Fl. 24 23 Luciano Amaro, em Direito Tributário Brasileiro, 10ª edição, ratifica o entendimento: O art. 136 afirma, como já vimos, o princípio de que a responsabilidade por infrações tributárias independe da intenção do agente ou do responsável. Se o agente atua em seu nome ou de outrem (responsável), a regra é, pois, desprezarse a pesquisa da intenção tanto do agente quanto daquele por conta de quem esteja eventualmente agindo. A doutrina costuma, à vista desse dispositivo, dizer que a responsabilidade por infrações tributária é objetiva, uma vez que não seria necessário pesquisar a eventual presença do elemento subjetivo (dolo ou culpa). Vejase, por exemplo, a lição de Ricardo Lobo Torres, Paulo de Barros Carvalho e Eduardo Marcial Ferreira Jardim. Ou seja, independente da intenção do agente, a infração tributária resta consumada pela ocorrência do fato típico, disposto objetivamente. Sendo assim, não se mostra pertinente a alegação no sentido de que a D. Autoridade Fiscal agiu em desrespeito às suas competências legais, na medida em que não autorizada pelo STF, sendo a decisão judicial, prolatada pelo Judiciário de 1ª Instância, permissiva de que fossem compartilhadas provas com a RFB, suficiente para o encaminhamento das diligências e fiscalizações que culminaram na autuação objeto da presente defesa. Todavia, não cabe ao CARF examinar a validade de decisão judicial. Sobredita matéria deve ser argüida em sede própria, junto ao Tribunal cuja competência supostamente foi usurpada, por meio da via processual adequada, a reclamação ou outro remédio processual cabível. Neste diapasão, existindo decisão judicial válida, temse que a autoridade lançadora agiu com estrita observância das normas legais que regem a matéria em questão. DA MULTA QUALIFICADA Preambularmente, cumpre transcrever a legislação que fundamentou a exigência da multa no presente lançamento de ofício: Lei nº 9.430, de 1996: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata. (...) § 1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, Fl. 5348DF CARF MF Processo nº 11060.722991/201662 Acórdão n.º 2401005.826 S2C4T1 Fl. 25 24 independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. Como se vê, a multa de 75%, prevista no inciso I, acima transcrito, é objetiva e independe da culpa ou dolo do agente. O artigo 136 do Código Tributário Nacional assim diz: Art. 136 Salvo disposição de lei em contrário, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. Contudo, a multa qualificada de 150%, em atendimento ao que disciplina o §1º, art. 44, da Lei nº 9.430, de 1996, poderá ser aplicada somente nos casos previstos nos art. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, 1964, que têm a seguinte redação: Art. 71 Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais do contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação principal ou o crédito tributário correspondente. Art. 72 Fraude é toda ação ou omissão, dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido, ou a evitar ou deferir o seu pagamento. Art. 73 – Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos no art. 71 e 72. A sonegação pode se dar em razão de uma ação ou omissão, de uma simulação ou ocultação, e pressupõe sempre a intenção de causar dano à fazenda pública, um propósito deliberado de se subtrair, no todo ou em parte, a uma obrigação tributária. Na sonegação sempre existe o dolo, um comportamento intencional, específico, de causar dano à fazenda pública. Para ser enquadrado neste conceito, basta o contribuinte agir com dolo na desobediência da lei fiscal. A sonegação impede a apuração da obrigação tributária principal diante da ocultação de bens ou de fatos jurídicos à incidência fiscal (fato gerador já realizado) enquanto na figura da fraude a ação ou omissão visa escamotear o pagamento do imposto devido reduzilo, evitálo ou retardálo. Depreendese dos dispositivos acima transcritos que para aplicação da multa qualificada deve existir o elemento fundamental de caracterização que é o evidente intuito de fraudar ou de sonegar. Ainda de acordo com os dispositivos legais acima transcritos, impõese à autoridade lançadora a observância dos parâmetros e condições básicas previstas na legislação Fl. 5349DF CARF MF Processo nº 11060.722991/201662 Acórdão n.º 2401005.826 S2C4T1 Fl. 26 25 de regência em casos de imputação da multa qualificada, que somente poderá ser levada a efeito quando àquela estiver convencida do cometimento do crime (dolo, fraude ou sonegação), devendo, ainda, relatar todos os fatos de forma pormenorizada, possibilitando ao contribuinte a devida análise da conduta que lhe está sendo atribuída e, bem assim, ao procurador de que o delito efetivamente praticado. Em outras palavras, não basta a indicação da conduta dolosa, fraudulenta, a partir de meras presunções e/ou subjetividades, impondo a devida comprovação por parte da autoridade fiscal da intenção prédeterminada do contribuinte, demonstrada de modo concreto, sem deixar margem a qualquer dúvida, visando impedir/retardar o recolhimento do tributo devido. Este entendimento, aliás, encontrase sedimentado no âmbito do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, conforme se extrai dos julgados com suas ementas abaixo transcritas: MULTA AGRAVADA – Fraude – Não pode ser presumida ou alicerçada em indícios. A penalidade qualificada somente é admissível quando factualmente constatada as hipóteses de fraude, dolo ou simulação. (8ª Câmara do 1° Conselho de Contribuintes – Acórdão n° 10807.561, Sessão de 16/10/2003) (grifamos) MULTA QUALIFICADA – NÃO CARACTERIZAÇÃO – Não tendo sido comprovada de forma objetiva o resultado do dolo, da fraude ou da simulação, descabe a qualificação da penalidade de ofício agravada. (2ª Câmara do 1° Conselho de Contribuintes – Acórdão n° 10245.625, Sessão de 21/08/2002) MULTA DE OFÍCIO – AGRAVAMENTO – APLICABILIDADE – REDUÇÃO DO PERCENTUAL – Somente deve ser aplicada a multa agravada quando presentes os fatos caracterizadores de evidente intuito de fraude, como definido nos artigos 71 a 73 da Lei n° 4.502/64, fazendose a sua redução ao percentual normal de 75%, para os demais casos, especialmente quando se referem à infrações apuradas por presunção. (8ª Câmara do 1° Conselho de Contribuintes – Acórdão n° 10807.356, Sessão de 16/04/2003) (grifamos) Na esteira desse raciocínio, ratificando posicionamento pacífico do então 1º Conselho de Contribuintes, o CARF consagrou de uma vez por todas o entendimento acima alinhavado, editando a Súmula nº 14, determinando que: Súmula CARF nº 14: A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a QUALIFICAÇÃO da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo Não é o que se vislumbra na hipótese dos autos, onde o fiscal autuante fundamentou sua pretensão (tanto a tributação como a qualificação da multa), basicamente, no Relatório da Operação Zelotes, deflagrada pela Polícia Federal, no intuito de investigar crimes incorridos em julgamentos no âmbito do CARF. Fl. 5350DF CARF MF Processo nº 11060.722991/201662 Acórdão n.º 2401005.826 S2C4T1 Fl. 27 26 E, como explicitado alhures, o fato de ocorrer apuração de infrações criminais por parte dos envolvidos, um dos quais o contribuinte autuado, por si só, não tem o condão de ensejar a tributação na forma proposta e, igualmente, a aplicação de multa qualificada. Destarte, ao meu ver, para aplicar a multa qualificada é necessária a prova da evidente intenção de sonegar ou fraudar, condição imposta pela lei. A prova deve ser material, pois o evidente intuito de sonegação não pode ser presumido. Não basta a prova da falta de recolhimento do tributo devido, tampouco meros indícios na esfera criminal; é necessária que estejam perfeitamente identificadas e comprovadas a circunstância material do fato, com vistas a configurar o evidente intuito de sonegar, relativamente a cada fato gerador do imposto. No caso em concreto, a autoridade lançadora fundamentou a exigência da multa de ofício no patamar de 150% nos seguintes termos: A conduta deliberada e reiterada do sujeito passivo, como largamente demonstrado neste Trabalho, denota evidente intuito de fraude, sendo que, nessa hipótese, a multa de ofício que acompanha os tributos constituídos pelos lançamentos (Irpf) é qualificada, nos termos do art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996 Como se observa, a fundamentação para a qualificação da multa de ofício foi exclusivamente ao fato da "conduta deliberada e reiterada", porquanto da suposta prestação de serviços ilícitos apurados no âmbito da Operação Zelotes. Observese, do trecho do Relatório Fiscal acima transcrito, que o nobre fiscal autuante se utilizou de apenas três linhas para imputar o crime de sonegação fiscal ao autuado, sob o argumento da existência de conduta deliberada e reiterada. Não havendo por parte do auditor fiscal a devida subsunção do fato a norma, porquanto qual seria essa conduta deliberada e reiterada? No entanto, em momento algum a fiscalização logrou comprovar o alegado, repousando sua tese no Relatório da Operação Zelotes da Polícia Federal que, em nosso entendimento, sequer se presta a justificar a presente tributação, como acima explicitado, quiçá justificar a qualificação da multa. Em que pese a validade das provas decorrentes da operação, o presente auto trata do lançamento de imposto de renda da pessoa física, o que não foi objeto específico da investigação. Os fatos relatados no procedimento junto ao Ministério Público não repercutiram em sonegação do imposto de renda da pessoa física, mediante sonegação ou fraude, especificamente com relação aos fatos geradores apurados no lançamento em epígrafe, mas sim, uma investigação acerca da atuação ilícita de pessoas físicas junto ao CARF no julgamento de alguns processos administrativos fiscais. Por sua vez, a interpretação do caso concreto deve ser levada a efeito de forma objetiva, nos limites da legislação específica. Em outras palavras, a autoridade fiscal e, bem assim, o julgador não poderão deixar de observar os pressupostos legais de caracterização da multa qualificada, a partir de suas especificidades conceituais, sendo defeso, igualmente, a Fl. 5351DF CARF MF Processo nº 11060.722991/201662 Acórdão n.º 2401005.826 S2C4T1 Fl. 28 27 atribuição de requisitos/condições que não estejam contidos nos dispositivos legais que regulamentam a matéria, a partir de meras subjetividades. Na hipótese dos autos, inobstante o esforço da autoridade lançadora, não conseguimos vislumbrar a existência de dolo e/ou fraude. Pelo menos na forma proposta pelo fiscal autuante. Não obstante a autoridade lançadora colacionar aos autos alguns indícios da existência de suposta fraude com base em informações e documentos decorrentes da Operação Zelotes, não contempla com especificidade esse dolo. Em verdade, no Relatório Fiscal, a autoridade autuante simplesmente aduz haver fraude pelo deslocamento da tributação da pessoa física para a pessoa jurídica, o que, ao meu ver, por si só, não tem o condão de demonstrar a existência de dolo capaz de ensejar a qualificação da multa de ofício. Mais a mais, escora sua pretensão em presunção, a qual, igualmente, no máximo, se prestaria a comprovação indiciária, mas nunca efetiva da qualificadora. Bom que se diga que não estamos aqui afirmando com toda segurança inexistir ato ilícito, até porque a autoridade responsável por este juízo de valor é a Esfera Criminal. Sustentamos, na verdade, que o fiscal autuante não se desincumbiu do ônus de comprovar com especificidade a existência do dolo, fraude e sonegação. Com a devida vênia, o nobre fiscal autuante, em seu Relatório Fiscal, fora por demais superficial, mais precisamente, um parágrafo para contemplar o crime imputado. Devemos considerar que a fiscalização não logrou comprovar ter o recorrente agido com dolo, através de atos ilícitos (tributários), já que toda a fundamentação da autuação se deu apenas e tão somente com base no conteúdo do relatório do MP sobre a Operação Zelotes, o qual se vincular a infrações na esfera criminal e não tributário, incumbindo, portanto, ao fiscal autuante proceder a devida subsunção dos fatos às normas que regulam os requisitos da qualificadora da multa, lastreado em infração tributária de sonegação fiscal, o que não se vislumbra na hipótese dos autos. Ademais, como já dito anteriormente, somente a Justiça poderá dispor sobre os supostos atos ilícitos na seara criminal. Neste diapasão, afasto a qualificação da multa. DA DECADÊNCIA Uma vez afastada a multa qualificada, impõese analisar o prazo decadencial em razão do possível descolamento da contagem do lapso temporal, do artigo 173, inciso I, para o artigo 150, § 4º, do Código Tributário Nacional, senão vejamos. Como é de conhecimento daqueles que lidam com o direito tributário, é cediço que o fato gerador do imposto de renda pessoa física, sobretudo tratandose de omissão de rendimentos recebidos de pessoas jurídicas, é complexivo, findandose no dia 31 de dezembro de cada anocalendário, submetendose, assim, a posterior ajuste anual, por meio da DIRPF. Fl. 5352DF CARF MF Processo nº 11060.722991/201662 Acórdão n.º 2401005.826 S2C4T1 Fl. 29 28 Ultrapassada e firmada a questão do fato gerador complexivo do imposto de renda pessoa física, a querela não se esgotou, passando a se fixar no dispositivo legal a ser aplicado no prazo decadencial, artigos 150, § 4º, ou 173, inciso I, do CTN, dependendo ou não de antecipação de pagamento. Afora posicionamento pessoal a propósito da matéria, por entender que o Imposto de Renda Pessoa Física deve observância ao prazo decadencial do artigo 150, § 4o, do Códex Tributário, independentemente de antecipação de pagamento, salvo quando comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, o certo é que com base no artigo 62, § 2º, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, os julgadores deste Colegiado estão obrigados a “reproduzir” as decisões do STJ tomadas por recurso repetitivo, razão pela qual deixaremos de abordar aludida discussão, mantendo o entendimento que a aplicação do dispositivo legal retro depende da existência de recolhimentos do mesmo tributo no período objeto do lançamento, na forma decidida por aquele Tribunal Superior nos autos do Resp n° 973.733/SC, assim ementado: “PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: Resp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). Fl. 5353DF CARF MF Processo nº 11060.722991/201662 Acórdão n.º 2401005.826 S2C4T1 Fl. 30 29 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008.” Na esteira desse raciocínio, uma vez delimitado pelo STJ e, bem assim, pelo Regimento Interno do CARF que nos lançamentos por homologação a antecipação de pagamento é indispensável à aplicação do instituto da decadência, nos cabe tão somente nos quedar a aludida conclusão e constatar ou não a sua ocorrência. Entrementes, a controvérsia em relação a referido tema encontrase distante de remansoso desfecho, se fixando agora em determinar o que pode ser considerado como antecipação de pagamento no Imposto de Renda Pessoa Física, sobretudo em face das diversas modalidades e/ou procedimentos adotados por ocasião do lançamento fiscal. In casu, porém, despiciendas maiores elucubrações a propósito da matéria, uma vez que a simples análise dos autos nos leva a concluir pela existência de antecipação de pagamento relativamente ao anocalendário 2010, a partir das retenções de IRPF efetuadas antecipadamente e submetidas à Declaração de Ajuste Anual – 2010 (Exercício 2011), às efls. 6.759. Aliás, o aproveitamento de aludidos pagamentos para fins da contagem do prazo decadencial fora consagrado pela aprovação da Súmula do CARF, na última reunião do Pleno das Turmas da CSRF, em 03/09/2018, com a seguinte redação: Fl. 5354DF CARF MF Processo nº 11060.722991/201662 Acórdão n.º 2401005.826 S2C4T1 Fl. 31 30 Imposto de Renda retido na fonte relativo a rendimentos sujeitos a ajuste anual caracteriza pagamento apto a atrair a aplicação da regra decadencial prevista no artigo 150, § 4º, do Código Tributário Nacional. Na esteira dessas considerações, vislumbrandose a ocorrência de recolhimentos – antecipação de pagamento , fato relevante para a aplicação do instituto da decadência, nos termos da decisão do STJ acima ementada, a qual estamos obrigados a observar, é de se manter a ordem legal no sentido de aplicar o prazo decadencial inscrito no artigo 150, § 4o, do CTN. Destarte, tendo a fiscalização constituído o crédito tributário em 24/11/2016, com a devida ciência do contribuinte constante do Aviso de Recebimento – AR, de efl. 5.007, a exigência fiscal resta parcialmente fulminada pela decadência, em relação ao ano calendário 2010, eis que o fato gerador ocorreu em 31/12/2010, fora do prazo decadencial de 05 (cinco) anos do artigo 150, § 4º, do Códex Tributário, impondo seja decretada a improcedência parcial do feito. DA COMPENSAÇÃO DOS TRIBUTOS RECOLHIDOS PELA PESSOA JURÍDICA DESCONSIDERADA Na hipótese de restar vencido no mérito, igualmente, há que se suscitar a necessidade de compensar os eventuais tributos pagos pelas pessoas jurídicas desconsideradas EM RELAÇÃO ÀS NOTAS FISCAIS objeto da presente autuação, sob pena de bis in idem. Em relação a matéria, a jurisprudência deste Tribunal é no sentindo da obrigatoriedade da compensação, conforme Acórdãos abaixo ementados: (...) RECLASSIFICAÇÃO DE RECEITA TRIBUTADA NA PESSOA JURÍDICA PARA RENDIMENTOS DE PESSOA FÍSICA. COMPENSAÇÃO DE TRIBUTOS PAGOS NA PESSOA JURÍDICA.Devem ser compensados na apuração de crédito tributário os valores arrecadados sob o código de tributos exigidos da pessoa jurídica, cuja receita foi desclassificada e convertida em rendimentos de pessoa física, base de cálculo do lançamento de oficio.(...) (Acórdão n° 2201003.302, Rel Ana Cecília Lustosa da Cruz, 17/08/2016) (...) TRIBUTOS FEDERAIS RECOLHIDOS NA PESSOA JURÍDICA, APROVEITAMENTO.Em face da declaração de ineficácia dos atos ou negócios celebrados em nome da pessoa jurídica, os valores de tributos federais por ela recolhidos devem ser compensados com o imposto apurado na pessoa física, antes da inclusão dos acréscimos legais.(...) (Acórdão n° 2801 002.733, Rel. Marcelo Vasconcelos de Almeida, 17/10/2002) Isto porque, se a desconsideração da personalidade jurídica de aludidas empresas prosperar, o reflexo deste procedimento deve atingir tanto o bônus quanto o ônus, de maneira que deslocandose a sujeição passiva da obrigação tributária ao sócio, ora autuado, impõese, da mesma forma, retirar da base de cálculo do tributo ora lançado o imposto pago por ocasião da entrada de tais importâncias, relativas as NF’s das contratantes encimadas. Fl. 5355DF CARF MF Processo nº 11060.722991/201662 Acórdão n.º 2401005.826 S2C4T1 Fl. 32 31 Por todo o exposto, por esse motivo resta evidente a improcedência do lançamento, especialmente porque não cumpridos os requisitos legais para imputação de responsabilidade a terceiros. Por todo o exposto, VOTO NO SENTIDO DE CONHECER DO RECURSO VOLUNTÁRIO para afastar a preliminar pleiteada e, no mérito, DARLHE PROVIMENTO, pelas razões de fato e de direito acima esposadas. É como voto. (assinado digitalmente) Rayd Santana Ferreira Voto Vencedor Conselheiro Cleberson Alex Friess Redator Designado Peço vênia ao I. Relator para discordar do seu voto no que tange ao mérito do recurso voluntário. Tratase, como visto, de auto de infração de Imposto de Renda de Pessoa Física (IRPF) lavrado em razão de omissão de rendimentos recebidos de pessoas jurídicas, relativamente ao anoscalendário de 2010 e 2011. Depreendese da acusação fiscal que o lançamento está pautado na reclassificação de rendimentos e imputação deles à pessoa física, visto que não houve prestação de serviços pela pessoa jurídica e o efetivo beneficiário dos rendimentos recebidos através de interposição da sociedade de advocacia foi a pessoa física de Afonso Antunes da Motta (fls. 4.895/5.003). Inicialmente, é importante assinalar que o arcabouço probatório tem origem nas investigações realizadas por intermédio da Operação Zelotes, em que se descobriu condutas ilícitas na manipulação de julgamentos no âmbito deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), mediante influência e/ou cooptação de conselheiros e ex conselheiros. A atividade de fiscalização tributária, contudo, não ficou restrita ao procedimento de natureza criminal, pois foram realizadas pesquisas e inúmeras diligências fiscais para fins de elucidação dos fatos e reunião de elementos de convicção sobre a matéria tributária. Mesmo que tenha havido compartilhamento do material coletado na Operação Zelotes com a Secretaria da Receita Federal do Brasil, após autorização da Justiça Federal do Distrito Federal, não haverá, necessariamente, dependência do resultado do procedimento fiscal ao que decidido na esfera penal. Fl. 5356DF CARF MF Processo nº 11060.722991/201662 Acórdão n.º 2401005.826 S2C4T1 Fl. 33 32 Evidentemente, a apuração de prática criminosa compete à esfera penal, porém a esfera tributária, que tem por incumbência a identificação do fato gerador e do sujeito passivo responsável pelo cumprimento da obrigação tributária, apenas utilizouse de prova emprestada para instruir o lançamento fiscal, não havendo que se falar em ilegalidade ou limitação ao seu valor probante. Segundo as fls. dos autos, apurouse que empresas que já contavam com profissionais contratados para defesa técnica em processos de auto de infração em tramitação no CARF também celebravam acordos, em algum momento posterior, com determinados escritórios de advocacia e/ou consultorias, cujos pagamentos representavam valores elevados, devidos tão somente na hipótese de sucesso no contencioso administrativo, através do provimento parcial ou total do recurso. Contudo, no que tange aos escritórios e consultorias contratados adicionalmente, o conjunto fáticoprobatório revela a falta de comprovação material da prestação de serviços lícitos, cujas pessoas jurídicas eram empregadas, nessas operações, apenas como subterfúgio para o recebimento pelas pessoas físicas do pagamento convencionado com as empresas autuadas. Especificamente no caso dos autos, a RBS Administração e Cobranças Ltda é mencionada como uma das empresas acusadas de obtenção de vantagem ilícita na desoneração de crédito tributário em julgamento no âmbito do CARF, pessoa jurídica em relação à qual a pessoa física autuada, ora recorrente, manteve vínculo de emprego e função de diretor jurídico do Grupo RBS até o final do ano de 2009, quando desligouse para assumir mandato de deputado federal. Observase com base no Termo de Verificação Fiscal que, ao longo dos anos, para fins de defesa da RBS Administração e Cobranças Ltda, foram contratados diversos escritórios para atuar no processo administrativo sob o nº 11080.008088/200171, em tramitação no CARF (fls. 4.898/4.905). Todavia, a fiscalização conseguiu confirmar apenas a prestação de serviços pelo escritório de advocacia Dias e Souza, contratado inicialmente e que subscreveu as peças apresentadas no âmbito do CARF, recebendo um total de R$ 8,8 milhões pela elaboração da defesa administrativa em todas as fases processuais. A despeito dos pagamentos realizados, não ficou comprovada materialmente a prestação de trabalho jurídico em relação aos demais escritórios de advocacia e/ou consultoria contratados. Além do contrato original com o escritório de advocacia Dias e Souza, a quase totalidade das contratações dos demais escritórios pela RBS, com exceção de uma, foi subscrita ou teve a anuência do autuado, Afonso Antunes da Motta, na condição de representante e diretor jurídico do Grupo RBS, o que não se mostra compatível, segundo a dinâmica apurada na Operação Zelotes, com a idéia de absoluta alienação quanto à finalidade das contratações adicionais. No contexto dos pagamentos vinculados à alguma atuação no processo administrativo sob o nº 11080.008088/200171, a pessoa jurídica Motta & Correa Advogados Associados, da qual o autuado era sócio, recebeu pagamentos do escritório de advocacia Dias e Souza, assim como da SGR Consultoria Empresarial Ltda, a qual detinha papel central no esquema criminoso de manipulação de julgamentos. Fl. 5357DF CARF MF Processo nº 11060.722991/201662 Acórdão n.º 2401005.826 S2C4T1 Fl. 34 33 Uma vez intimado a prestar esclarecimentos, o escritório Motta & Correa Advogados Associados respondeu que os pagamentos recebidos foram decorrentes de prestação de informações e acompanhamento no processo administrativo sob o nº 11080.008088/200171, em que a RBS Administração e Cobranças Ltda constava como interessada, atividade pactuada por meio de ajuste verbal pelas partes “conforme usos e costumes entre advogados” (fls. 4.981). Nada obstante, o que se tem, efetivamente, é que nenhuma das partes colacionou aos autos elementos materiais indicativos da prestação de serviços de natureza advocatícia. Juntase a isso um conjunto de significativas evidências colhidas pela autoridade fiscal no curso do procedimento de investigação que os valores recebidos mediante a interposição do escritório Motta & Correa Advogados Associados, ou ao menos parte deles, podem ter sido recebidos no âmbito das práticas criminosas investigadas na Operação Zelotes (fls. 4.914/4.994). Com efeito, a pessoa identificada como responsável pelos pagamentos destinados ao escritório Motta & Correa Advogados Associados, em nome da SGR Consultoria Empresarial Ltda, foi Edison Pereira Rodrigues, exconselheiro investigado na Operação Zelotes. Por sua vez, o conjunto probatório dos autos contém emails, obtidos a partir de quebra de sigilo telemático, nos quais há tratativas de formalização de contrato, pouco tempo antes do julgamento do processo administrativo, em que se pactua o pagamento "por fora" pela RBS Administração e Cobranças Ltda relativamente a algum serviço a ser prestado, com o objetivo de alcançar a desoneração do crédito tributário lançado. Dentre os interlocutores se encontra a filha de Edison Pereira Rodrigues, sócia dele no escritório Rodrigues e Advogados Associados S/S, que falava com anuência e orientação do pai, isto é, em associação familiar (fls. 4.914/4.938). Em verdade, ainda que as importâncias pagas ao escritório Motta & Correa Advogados Associados, vinculadas ao êxito no processo nº 11080.008088/200171, não tivessem conexão direta com a prática de condutas criminosas, o que se verifica é a interposição artificial de pessoa jurídica para recebimentos de tais valores, na medida em que os pagamentos se prestam a remunerar uma atividade denominada de acompanhamento processual e prestação de informações, aparentemente tarefas que são intrínsecas àquelas funções exercidas pela pessoa física, Afonso Antunes da Motta, na condição de diretor jurídico do Grupo RBS, no qual mantevese vinculado como empregado no período do alegado trabalho. É bom reforçar que não restou demonstrada pelo sociedade Motta & Correa Advogados Associados, apesar das oportunidades oferecidas pela fiscalização tributária, qualquer atividade autônoma direcionada aos interesses dos contratantes e responsáveis pelos pagamentos. De forma adicional, o presente lançamento fiscal também é composto de omissão de rendimentos relativas a notas fiscais emitidas pelo escritório Motta & Correa Advogados Associados para diversas empresas integrantes do Grupo RBS, as quais, segundo respostas prestadas em diligência fiscal, correspondem a retribuições financeiras com fundamento “em ajuste estabelecido quando da saída do advogado Afonso Motta do grupo RBS referente a sua atuação profissional jurídica em diversas demandas por cerca de 20 anos” (fls. 4.985). Fl. 5358DF CARF MF Processo nº 11060.722991/201662 Acórdão n.º 2401005.826 S2C4T1 Fl. 35 34 Os pagamentos de honorários foram viabilizados através do escritório Motta & Correa Advogados Associados, após o desligamento do Grupo RBS, onde trabalhou no período de 1987 a 2009, como recompensa pela atuação do advogado Afonso Antunes da Motta, providenciado o rateio de valores para quitação da obrigação entre as empresas atendidas pelos serviços jurídicos da pessoa física. De um lado, os autos estão despidos de qualquer comprovação de prestação de serviços ao Grupo RBS por parte do escritório Motta & Correa Advogados Associados. De outro, a sociedade de advogados foi constituída somente no ano de 2004 e permaneceu na condição de pessoa jurídica inativa, de acordo com as declarações entregues, durante os anos de 2007, 2008 e 2009. A toda a evidência, diante de tais elementos trazidos pela autoridade fazendária, fica caracterizada a interposição de pessoa jurídica para recebimento de valores devidos à pessoa física, por serviços prestados pelo autuado como funcionário de alto escalão ao grupo econômico da RBS, nos anos de 1987 a 2009, de maneira que é inviável considerar as importâncias pagas como receitas da atividade própria do escritório Motta & Correa Advogados Associados. Ao contrário do afirmado no recurso voluntário, a autoridade tributária não conduz o lançamento fiscal com base em presunções, mas em farto material probatório colacionado aos autos, que se constituem elementos indiciários sérios e convergentes que, ao final, são dotados de força probante para justificar o auto de infração em nome de Afonso Antunes da Motta. A fiscalização juntou aos autos um universo de documentos, tais como mensagens eletrônicas, memórias de cálculo, anotações sobre reuniões e divisão de valores, comprovantes de pagamento e transferências bancárias, além do material coletado nas diligências fiscais, de maneira a fundamentar a colocação da pessoa física no polo passivo da relação tributária. Por outro lado, o apelo recursal, via de regra, contém alegações de caráter genérico, além de não produzir prova para desconstituir os fatos trazidos pela equipe de fiscalização (fls. 5.185/5.242). Em contraponto ao I. Relator, entendo que não se trata de hipótese de imputação de responsabilidade tributária a sócios, nem o procedimento fiscal significou a desconsideração da personalidade jurídica da sociedade interposta. Sob a ótica da primazia da realidade e da verdade material, cabe à fiscalização lançar de ofício o crédito correspondente à relação tributária efetivamente existente, segundo sua natureza jurídica. No procedimento de verificar o cumprimento das obrigações tributárias, estritamente conforme as prerrogativas e competências estabelecidas em lei, não está a fiscalização refém da forma jurídica adotada pelo particular, nem daquilo que consta em documentos, acordos e instrumentos de controle. Mais que um ônus, é dever do Fisco, em face da legalidade, tipicidade e indisponibilidade do interesse público, investigar e verificar a ocorrência do fato jurídico tributário segundo sucedese no mundo fático. Prevalecerá a realidade dos fatos em detrimento Fl. 5359DF CARF MF Processo nº 11060.722991/201662 Acórdão n.º 2401005.826 S2C4T1 Fl. 36 35 da formalidade dos atos, cabendo à autoridade lançadora demonstrar em qualquer caso, apoiado na linguagem de provas, a ocorrência dos fatos jurídicos que servem de suporte à exigência fiscal. A pessoa física Afonso Antunes da Motta é a verdadeira beneficiária dos rendimentos, na proporção dos valores recebidos, mantendo relação pessoal e direta com a situação que constitui o fato gerador da obrigação tributária, caracterizado pelo acréscimo patrimonial resultado do auferimento de renda mediante a simulação de prestação de serviços por pessoa jurídica. Por sua vez, segundo o ordenamento jurídico, não se cogita de implementar uma prática criminosa mediante a utilização de pessoa jurídica para influenciar decisões administrativas e, como tal, os rendimentos percebidos, nessas situações, pertencem efetivamente às pessoas físicas que realizam as condutas ilícitas. O fato gerador da obrigação tributária independe da validade dos atos jurídicos praticados, porém o objeto da sociedade deve ser lícito, sob pena de invalidade do negócio, não produzindo efeitos perante a autoridade fiscal. É verdade que o art. 129 da Lei nº 11.196, de 21 de novembro de 2005, citado pelo autuado para amparar os pagamentos em nome do seu escritório de advocacia, estabelece a submissão da prestação de serviços intelectuais tão somente à legislação aplicável às pessoas jurídicas quando realizada pela sociedade prestadora de serviços. Contudo, o dispositivo não foi concebido para a finalidade de encobrir práticas simulatórias, como se afigura do conjunto fáticoprobatório dos autos. Realmente, a constituição de escritório de advocacia, sob a forma de pessoa jurídica no ano de 2004, não modifica a natureza do vínculo existente ao longo do tempo, na qualidade de direito jurídico do Grupo RBS. Levandose em consideração a tradicional distribuição do ônus probatório, não conseguiu o autuado mostrar quais os pontos de distinção do trabalho prestado como diretor jurídico para fins de justificar a possibilidade de existência de dois vínculos jurídicos diferentes e simultâneos de prestação de serviços, os quais poderiam dar lastro aos desembolsos financeiros realizados pelo escritório Motta & Correa Advogados Associados como resultado de uma ou mais atividade de natureza distinta daquelas atribuições inerentes à relação laboral mantida com o Grupo RBS. Não se cuida também, como sugere o I. Relator, de hipótese de pagamento sem causa, que possa atrair a incidência do art. 61 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995. Com efeito, a tributação do imposto de renda à alíquota de 35% é excepcional e pressupõe a sujeição passiva da pessoa jurídica pela entrega de recursos financeiros que lhe pertençam, quando não comprovada a natureza da operação realizada ou a causa do pagamento ou desembolso. Diferentemente, a quantia financeira destinada à pessoa física, desde o nascedouro, independentemente da forma de percepção, deve sofrer a tributação do imposto de renda na pessoa física, segundo a legislação específica (art. 3º, § 4º, da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988). Fl. 5360DF CARF MF Processo nº 11060.722991/201662 Acórdão n.º 2401005.826 S2C4T1 Fl. 37 36 Em vista do que foi exteriorizado, não há dúvidas da existência de conduta intencional e consciente do recorrente, caracterizada pelo dolo, no sentido de modificar as características do fato gerador da tributária principal, de maneira a reduzir o montante do imposto de renda devido. O contribuinte deslocou de forma dolosa a tributação da pessoa física para a pessoa jurídica, utilizandose de estrutura artificial criada com a interposição do escritório Motta & Correa Advogados Associados, para esconder a imputação de rendimentos ao verdadeiro sujeito passivo, tal como o recebimento de verbas de natureza salarial, revelando a intenção de evasão fiscal. Em tais circunstâncias, em que comprovada a utilização de interposta pessoa, é bastante para evidenciar o intuito doloso e justificar a manutenção da qualificação da multa de ofício no importe de 150%. Conforme assentado pela decisão de primeira instância, a graduação da penalidade é matéria alheia à vontade do julgador administrativo, não havendo margem para redução, porque determinado o percentual em lei. Tampouco prospera alegações sobre um caráter manifestamente confiscatório da multa de ofício lançada. A eventual ausência de compatibilidade do dispositivo de lei que estabelece a penalidade com a Constituição da República de 1988 é questão inoponível na esfera administrativa. Nesse sentido, não só o "caput" do art. 26A do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, como também o enunciado da Súmula nº 2, deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, assim redigida: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, como ora se cuida, a contagem do prazo decadencial de 5 (cinco) anos dáse nos termos do inciso I do art. 173 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, que veicula o Código Tributário Nacional (CTN). Em outras palavras, o termo inicial para contagem é a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Dessa feita, uma vez aperfeiçoado o lançamento fiscal no dia 24/11/2016, pela ciência do auto de infração, não se operou a decadência do crédito tributário, eis que o fato gerador mais antigo remonta ao dia 31/12/2010, momento em que se verifica o final do ano calendário. Por derradeiro, no que toca à compensação de valores pagos na pessoa jurídica, é cabível a dedução do lançamento fiscal tão somente em relação aos valores arrecadados a título de imposto de renda das pessoas jurídicas, cuja receita foi desclassificada e considerada rendimentos auferidos pela pessoa física. De fato, é razoável a dedução dos eventuais recolhimentos de mesma natureza efetuados a título de imposto sobre a renda pelo escritório Motta & Correa Advogados Associados, do qual o autuado era sócio, tendo em conta, nesse raciocínio, o tributo exigido da Fl. 5361DF CARF MF Processo nº 11060.722991/201662 Acórdão n.º 2401005.826 S2C4T1 Fl. 38 37 pessoa física no presente auto de infração, reconhecendose que parte dele foi efetivamente pago, ainda que por outrem. O aproveitamento do imposto de renda comprovadamente recolhido no ajuste da pessoa jurídica ou retido pela fonte pagadora, previamente ao início do procedimento de fiscalização, é apto a operar efeitos na base de cálculo da multa de ofício, ou seja, antes da inclusão dos acréscimos legais. No presente caso, cabe deixar consignado que a fiscalização já deduziu as retenções do imposto de renda sofridas na fonte, calculadas a 1,5% do rendimento bruto, tal como destacadas nas notas fiscais (fls. 4.997). Quanto aos demais tributos pagos, distintos do imposto de renda, o aproveitamento entre pessoas distintas, em qualquer hipótese, dependeria de previsão em lei específica autorizadora de sua realização. Como regra, a compensação no âmbito tributário implica a existência de duas pessoas, simultaneamente credoras e devedoras uma da outra desde a origem, havendo obrigações recíprocas entre as partes (art. 170 do CTN). À vista disso, não se deve transmudar o processo fiscal de controle do lançamento em procedimento de compensação. A via adequada é, portanto, o pedido de restituição, sem prejuízo da observância do prazo para repetição do indébito e do cumprimento dos demais requisitos estipulados na legislação. Conclusão Ante o exposto, rejeitada a preliminar de nulidade, conforme voto do I. Relator, DOU PARCIAL PROVIMENTO ao recurso voluntário para que sejam deduzidos do lançamento o imposto de renda recolhido pelas pessoas jurídicas sobre os valores que foram considerados rendimentos da pessoa física. (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess Fl. 5362DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11080.900029/2008-22
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 29 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Feb 14 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/05/2003 a 31/05/2003
RECURSO VOLUNTÁRIO NÃO CONHECIDO EM PARTE. MATÉRIA DEDUZIDA SEM QUALQUER PERTINÊNCIA COM O CASO EM JULGAMENTO.
Não merece conhecimento o recurso voluntário interposto com base em discussão que não apresenta qualquer substrato fático com o caso decidendo, ou seja, sem qualquer pertinência com a autuação perpetrada.
COMPENSAÇÃO. CRÉDITO. PAGAMENTO A MAIOR. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÕES. INEFICÁCIA DO DISPOSITIVO LEGAL.
Os valores que, computados como receita, tenham sido transferidos para outra pessoa jurídica, não devem ser excluídos na determinação da base de cálculo do PIS sob o regime cumulativo, em virtude da ineficácia do dispositivo legal (art. 3º inciso III, § 2º da Lei 9.718/98) que estabeleceu a sua previsão.
REVOGAÇÃO DO ART. 3º INCISO III, § 2º DA LEI 9.718/98 PELA MEDIDA PROVISÓRIA Nº 1991-18, DE 09 DE JUNHO DE 2000. OFENSA AO PRINCÍPIO DA IRRETROATIVIDADE TRIBUTÁRIA. INEXISTÊNCIA.
O disposto no art. 3º inciso III, § 2º da Lei 9.718/98 dependia de regulamentação normativa, a qual nunca foi exercida. Logo, uma vez revogado pela Medida Provisória nº 1991-18, de 09 de junho de 2000, tal dispositivo da lei 9.718/98 nunca surtiu efeitos no mundo jurídico, motivo pelo qual não há que se falar em irretroatividade da MP n. 1991-18/2000.
Numero da decisão: 3402-006.056
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, conhecer em parte do Recurso Voluntário e, na parte conhecida, em negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente.
(assinado digitalmente)
Diego Diniz Ribeiro- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Cynthia Elena de Campos e Thais De Laurentiis Galkowicz.
Nome do relator: DIEGO DINIZ RIBEIRO
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MATÉRIA DEDUZIDA SEM QUALQUER PERTINÊNCIA COM O CASO EM JULGAMENTO. Não merece conhecimento o recurso voluntário interposto com base em discussão que não apresenta qualquer substrato fático com o caso decidendo, ou seja, sem qualquer pertinência com a autuação perpetrada. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO. PAGAMENTO A MAIOR. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÕES. INEFICÁCIA DO DISPOSITIVO LEGAL. Os valores que, computados como receita, tenham sido transferidos para outra pessoa jurídica, não devem ser excluídos na determinação da base de cálculo do PIS sob o regime cumulativo, em virtude da ineficácia do dispositivo legal (art. 3º inciso III, § 2º da Lei 9.718/98) que estabeleceu a sua previsão. REVOGAÇÃO DO ART. 3º INCISO III, § 2º DA LEI 9.718/98 PELA MEDIDA PROVISÓRIA Nº 199118, DE 09 DE JUNHO DE 2000. OFENSA AO PRINCÍPIO DA IRRETROATIVIDADE TRIBUTÁRIA. INEXISTÊNCIA. O disposto no art. 3º inciso III, § 2º da Lei 9.718/98 dependia de regulamentação normativa, a qual nunca foi exercida. Logo, uma vez revogado pela Medida Provisória nº 199118, de 09 de junho de 2000, tal dispositivo da lei 9.718/98 nunca surtiu efeitos no mundo jurídico, motivo pelo qual não há que se falar em irretroatividade da MP n. 199118/2000. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 90 00 29 /2 00 8- 22 Fl. 86DF CARF MF 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, conhecer em parte do Recurso Voluntário e, na parte conhecida, em negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente. (assinado digitalmente) Diego Diniz Ribeiro Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Cynthia Elena de Campos e Thais De Laurentiis Galkowicz. Relatório 1. Por bem retratar o caso em julgamento adoto como meu o relatório desenvolvido pela DRJ de Porto Alegre/RS (acórdão n. 1016.081 fls. 3639), o que passo a fazer nos seguintes termos: Trata o presente processo fiscal de manifestação de inconformidade contra Despacho Decisório emitido eletronicamente pela DRFB Porto Alegre relativo à Contribuição para o PIS/Pasep, em virtude exame de declaração de compensação nos quais não foi homologado o encontro de contas por ausência/insuficiência de créditos oponíveis contra a Fazenda Pública. A interessada por sua vez, contesta o Parecer alegando que ao fazer levantamento de importâncias pagas a título de Pis (alíquota de 0,65%) e Cofins (alíquota de 3%) conforme disposição da Lei 9.718/98, constatou valores pagos a maior, conforme seu entendimento e documentos que teriam sido apresentados no presente processo. Contesta o conceito de receita bruta e a tributação sobre a totalidade das receitas, instituído pela lei acima referida. Afirma que houve tributação indevida sobre valores repassados a terceiros, que deveriam ter sido excluídos da base tributável com base no disposto no art. 3% §2, inciso III, da Lei 9.718/1998, o que teria gerado indébitos compensáveis. Também é alegado que houve burla à lei pela falta de regulamentação do dispositivo retrocitado, o que geraria majoração indevida do tributo. (...). 2. Devidamente processada, a manifestação de inconformidade apresentada pelo contribuinte (fls. 04/12) foi julgada improcedente pelo aludido voto, nos termos da ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/05/2003 a 31/05/2003 Ementa:.RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO Fl. 87DF CARF MF Processo nº 11080.900029/200822 Acórdão n.º 3402006.056 S3C4T2 Fl. 87 3 Direitos creditórios pleiteados via Declaração de Compensação — Nos termos do artigo 170 do Código Tributário Nacional, essencial a comprovação da liquidez e certeza dos créditos para a efetivação do encontro de contas. CONTROLE DE CONSTITUCIONALIDADE O controle de constitucionalidade da legislação que fundamenta o lançamento é de competência exclusiva do Poder Judiciário e, no sistema difuso, centrado em última instância revisional no STF. Compensação não Homologada. 3. Diante deste quadro, o contribuinte interpôs o recurso voluntário de fls. 44/73, oportunidade em que repisou os fundamentos desenvolvidos em manifestação de inconformidade. 4. É o relatório. Voto Conselheiro Relator Diego Diniz Ribeiro I. Do não conhecimento de parte do recurso voluntário interposto 5. Conforme se observa dos autos, um dos fundamentos desenvolvidos pelo recorrente seria quanto aos efeitos da declaração de inconstitucionalidade reconhecida na ADI n. 14170, assim ementada: Ementa Programa de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público PIS/PASEP. Medida Provisória. Superação, por sua conversão em lei, da contestação do preenchimento dos requisitos de urgência e relevância. Sendo a contribuição expressamente autorizada pelo art. 239 da Constituição, a ela não se opõem as restrições constantes dos artigos 154, I e 195, § 4º, da mesma Carta. Não compromete a autonomia do orçamento da seguridade social (CF, art. 165, § 5º, III) a atribuição, à Secretaria da Receita Federal de administração e fiscalização da contribuição em causa. Inconstitucionalidade apenas do efeito retroativo imprimido à vigência da contribuição pela parte final do art. 18 da Lei nº 8.71598. 6. Diante desta decisão e segundo o contribuinte em suas razões recursais: Fl. 88DF CARF MF 4 7. Independentemente de adentrar no mérito da decisão pretoriana, mister se faz destacar que ela é totalmente inaplicável ao presente caso, já que o valor pago a título de PIS e que o contribuinte entende por indevido referese ao mês de setembro de 2003, ou seja, já sob a vigência da lei n. 10.637/02. 8. Nesse sentido, por absoluta falta de pertinência da matéria desenvolvida com o caso em julgamento, tal tópico do presente recurso voluntário sequer merece ser conhecido. II. Do conhecimento de parte do recurso voluntário interposto 9. Não obstante, parte do recurso voluntário merece ser conhecida, já que apresenta pertinência com o caso decidendo, por ser a peça recursal tempestiva e por ainda preencher os demais pressupostos de admissibilidade. (ii.a) Do crédito vindicado pelo contribuinte com fundamento no inciso III, § 2º do art. 3º da Lei 9.718. de 1998 10. A questão de fundo não é nova neste Tribunal e diz respeito a (in)aplicabilidade imediata do inciso III, § 2º do art. 3º da Lei 9.718. de 1998, que assim prescreve: Art. 3º O faturamento a que se refere o artigo anterior corresponde à receita bruta da pessoa jurídica. (...). § 2º Para fins de determinação da base de cálculo das contribuições a que se refere o art. 2º, excluemse da receita bruta: [...] III os valores que, computados como receita, tenham sido transferidos para outra pessoa jurídica, observadas normas regulamentadoras expedidas pelo Poder Executivo; (...). (grifos nosso). 11. A questão aqui travada foi bem tratada pelo acórdão n. 3302004.903, de relatoria da Conselheira Maria do Socorro Ferreira Aguiar, que assim prescreveu em seu voto acompanhado a unanimidade pela turma julgadora: Esclarecida a situação a fática, examinase a seguir as normas objeto da controvérsia: Fl. 89DF CARF MF Processo nº 11080.900029/200822 Acórdão n.º 3402006.056 S3C4T2 Fl. 88 5 Lei nº 9.718, de 1998: Art. 3º O faturamento a que se refere o artigo anterior corresponde à receita bruta da pessoa jurídica. § 2º Para fins de determinação da base de cálculo das contribuições a que se refere o art. 2º, excluemse da receita bruta: [...] III os valores que, computados como receita, tenham sido transferidos para outra pessoa jurídica, observadas normas regulamentadoras expedidas pelo Poder Executivo;(grifei) A norma em destaque foi expressamente revogada pela alínea b do inciso IV da art. 47 da Medida Provisória n° 1.99118, de 2000: • Medida Provisória nº 199118, de 09 de junho de 2000 (DOU, de 10/06/2000): Art.47. Ficam revogados: [...] IV a partir da publicação desta Medida Provisória: (...); b) o inciso III do § 2º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998.(grifei). Dos atos acima transcritos constatase que o inciso III do § 2º do artigo 3º da Lei 9.718, de 1998 é uma norma que depende de regulamentação, tipificada portanto segundo a doutrina abalizada como norma de eficácia limitada, que é aquela que depende de uma regulamentação e integração por meio de normas infraconstitucionais. É digno de nota que a matéria em tela foi objeto de vários precedentes nesse E. Conselho, a exemplo dos acórdãos: 380200.893, de 20/03/2012, 3302002.174, de 26/06/2013 e 3202001.051, de 20/01/2014. Nesse sentido, adoto como fundamento decisório o voto proferido no Acórdão 3202001.051, de 20/01/2014, ex vi do §1º do art. 50 da Lei nº 9.784, de 1999: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/02/1999 a 30/09/2000 COFINS. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO. EFICÁCIA CONDICIONADA À EDIÇÃO DE NORMA REGULAMENTAR. IMPOSSIBILIDADE. Fl. 90DF CARF MF 6 A Lei nº 9.718/98 admitia, em seu artigo 3º, § 2º, inciso III, a exclusão da base de cálculo do PIS e da Cofins das receitas transferidas a outras pessoas jurídicas, exclusão esta, contudo, condicionada à edição de norma regulamentadora. Tal norma de eficácia limitada, embora vigente, nunca chegou a ter eficácia, já que não editado o decreto regulamentador.(grifei) RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. REQUISITOS Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação, nos termos do que dispõe o artigo 170 do Código Tributário Nacional. APLICAÇÃO DE PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. Não cabe a órgão administrativo apreciar arguição de inconstitucionalidade de leis ou mesmo de violação a qualquer princípio constitucional de natureza tributária. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de legislação tributária. Súmula CARF nº 02. Excertos do voto: Como visto, a decisão recorrida indeferiu o restituição solicitada e não homologou as compensações pleiteadas pela Recorrente, fundamentalmente, em decorrência da ausência de regulamentação, pelo Poder Executivo, da norma que previa a exclusão de valores computados como receitas e transferidos para terceiros (art. 3º, §2º, inciso III, da Lei nº 9.718/98). Por conseguinte, a declaração de compensação apresentada não pode ser homologada por falta de certeza e liquidez dos indébitos utilizados. Não há reparos a fazer na decisão recorrida. De fato, o dispositivo legal acima referenciado – que, posteriormente, foi expressamente revogado pelo artigo 47, inciso IV, alínea “b”, da MP no 1.99118, de 09/06/2000, posteriormente convertido na Medida Provisória no 2.15835, de 2001 – tratava da possibilidade de exclusão da base de cálculo da Cofins e do PIS dos valores que, computados como receita, fossem transferidos para outra pessoa jurídica, contudo, “observadas normas regulamentadoras expedidas pelo Poder Executivo”, conforme se observa da simples leitura do preceito em comento, verbis: (...) Tais normas regulamentadoras, no entanto, nunca chegaram a ser editadas. Destarte, a norma em comento, embora vigente, nunca produziu efeitos.(grifei). Por esse motivo, a Secretaria da Receita Federal, inclusive, editou o Ato Declaratório nº 056, de 20 de julho de 2000, nos seguintes termos: O SECRETÁRIO DA RECEITA FEDERAL, no uso de suas atribuições, e considerando ser a regulamentação, pelo Poder Executivo, do disposto no inciso III do § 2o do art. 3o da Lei no 9.718, de 27 de novembro de 1998, condição resolutória para sua eficácia; considerando que o referido dispositivo legal foi Fl. 91DF CARF MF Processo nº 11080.900029/200822 Acórdão n.º 3402006.056 S3C4T2 Fl. 89 7 revogado pela alínea b do inciso IV do art. 47 da Medida Provisória n° 1.99118, de 9 de junho de 2000; considerando, finalmente, que, durante sua vigência, o aludido dispositivo legal não foi regulamentado, declara: não produz eficácia, para fins de determinação da base de cálculo das contribuições para o PIS/PASEP e da COFINS, no período de 1° de fevereiro de 1999 a 9 de junho de 2000, eventual exclusão da receita bruta que tenha sido feita a título de valores que, computados como receita, hajam sido transferidos para outra pessoa jurídica. A meu ver, o próprio Poder Legislativo, ao criar a possibilidade de exclusão da base de cálculo do PIS e da Cofins das receitas transferidas para outra pessoa jurídica, condicionando a sua aplicação à edição de normas regulamentadoras a serem expedidas pelo Poder Executivo, demonstrou sua intenção de dar ao citado dispositivo natureza de norma de eficácia limitada. Por ausência de regulamentação tal norma tornouse inaplicável, já que não acompanhada dos comandos operacionais e disciplinadores que o Poder Legislativo outorgara ao Poder Executivo para tanto.(grifei) Desse modo, não cabe a este órgão de julgamento, ao alvedrio de norma regulamentadora específica, dada sua inexistência, usurpar de competência que não é a sua para fixar, segundo seu juízo, as particularidades necessárias à eficácia do comando então previsto em lei. Nesse sentido, é remansosa a jurisprudência do CARF. Confiramse os seguintes acórdãos: nº 20180596, de 20/09/2007; nº 20218928, de 09/04/2008; nº 220100.334, de 05/06/2009; nº 3302000.725, de 08/12/2010; 380200.893, de 20/03/2012. O mesmo cunho decisório tem sido adotado pelo Superior Tribunal de Justiça STJ, a exemplo do AgRg no Ag 977750 SC, Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES , SEGUNDA TURMA, julgado em 15/03/2011, DJe 22/03/2011, cuja ementa e excertos do voto a seguir se transcrevem: PROCESSUAL CIVIL. VÍCIO DE OMISSÃO. ALEGAÇÃO EM AGRAVO REGIMENTAL. VIOLAÇÃO AO PRINCÍPIO DA UNICIDADE RECURSAL. PIS. COFINS. BASE DE CÁLCULO. TRANSFERÊNCIA ENTRE PESSOAS JURÍDICAS. ART. 3º, § 2º, INC. III, DA LEI N. 9.718/98. NECESSIDADE DE REGULAMENTAÇÃO. 1. A via apropriada para questionar a existência de omissão, contradição ou obscuridade em decisão monocrática é a dos embargos de declaração, dirigido ao relator, e não a do agravo regimental. As finalidades dos recursos são diversas e a Segunda Turma não vem permitindo nestes casos a mescla de espécies recursais distintas, em atenção ao princípio da unicidade recursal. Precedentes. Fl. 92DF CARF MF 8 2. O art. 3º, § 2º, inciso III, da Lei 9.718/98, que excluía da base de cálculo do PIS e da Cofins os valores que, computados como receita, foram transferidos a outra pessoa jurídica , nunca teve eficácia, em virtude da ausência de norma regulamentadora exigida em tal dispositivo, posteriormente revogado com a edição da MP 1.99118/2000. (grifei). 3. Precedentes: AgRg no REsp 1074304/RS, Rel. Min. Hamilton Carvalhido, Primeira Turma, DJe 1.7.2010; AgRg no REsp 1072533/PR, Rel. Min. Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe 25.5.2009; AgRg no REsp 969.967/RS, Rel. Min. Humberto Martins, DJ 26.11.2007; AgRg no Ag 913.463/RS, Rel. Min. Castro Meira, DJ 18.10.2007; e AgRg no REsp 708.619/SC, Rel. Min. Denise Arruda, DJ 23.10.2006. 4. Agravo regimental parcialmente conhecido e, nessa parte, não provido Excertos do voto: Quanto ao mérito, a decisão merece ser mantida por seus próprios fundamentos, os quais transcrevo. Dessumese do exame dos autos que o entendimento sufragado pelo Tribunal de origem está perfeitamente alinhado com o posicionamento do STJ no sentido de não ser possível a exclusão da base de cálculo do PIS e da COFINS dos valores que fossem transferidos a outra pessoa jurídica, ao integrarem a receita da empresa, pois tal procedimento dependia de regulamentação sobre a matéria, em atenção ao princípio da legalidade. (grifei). Entrementes, com o advento da MP n. 1.99118/2000, houve a revogação da norma que previa a exclusão pretendida (art. 3º, §2º, III, da Lei n. 9.718/98), o que retirou totalmente a sua eficácia no plano jurídico.(grifei). E mais recentemente no AgInt no AREsp 288345/ RN, AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL2013/00189748: Data do Julgamento 02/02/2017 Data da Publicação/Fonte DJe 08/02/2017 EMENTA [...]PIS/PASEP E COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DOS VALORES COMPUTADOS COMO RECEITAS QUE TENHAM SIDO TRANSFERIDOS PARA OUTRAS PESSOAS JURÍDICAS. ART. 3º, § 2º, III, DA LEI Nº 9.718/98. NORMA DE EFICÁCIA LIMITADA. NÃO APLICABILIDADE. 12. A Corte Especial deste STJ já firmou o entendimento de que a restrição legislativa do artigo 3º, § 2º, III, da Lei n.º 9.718/98 ao conceito de faturamento (exclusão dos valores computados como receitas que tenham sido transferidos para outras pessoas jurídicas) não teve eficácia no mundo jurídico já que dependia de regulamentação administrativa e, antes da publicação dessa regulamentação, foi revogado pela Medida Provisória n. 2.15835, de 2001. Precedentes: [...] Fl. 93DF CARF MF Processo nº 11080.900029/200822 Acórdão n.º 3402006.056 S3C4T2 Fl. 90 9 13. Tese firmada para efeito de recurso representativo da controvérsia: "O artigo 3º, § 2º, III, da Lei n.º 9718/98 não teve eficácia jurídica, de modo que integram o faturamento e também o conceito maior de receita bruta, base de cálculo das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS, os valores que, computados como receita, tenham sido transferidos para outra pessoa jurídica". [...] (REsp 1144469 PR, Rel. Ministro NAPOLEÃO NUNES MAIA FILHO, Rel. p/ Acórdão Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 10/08/2016, DJe 02/12/2016) (...). 12. Ademais, convém destacar que, em outros períodos que não o aqui tratado, o próprio contribuinte já possui decisões no sentido de afastar sua pretensão. É o que se observa dos seguintes acórdão deste Tribunal: 3803006.885, 3803006.876 e 3803006.884, dentre outros. 13. Assim, empregando como meu as razões de decidir externadas no acórdão n. 3302004.903 acima reproduzido e, ainda, com fundamento no art. 50, § 1o da lei n. 9.784/99, encaminho meu voto para negar provimento ao recurso voluntário interposto. (ii.b) Da suposta irretroatividade do disposto no inciso III, § 2º do art. 3º da Lei 9.718. de 1998 14. Não obstante, outro fundamento desenvolvido pela recorrente, seria no seguinte sentido: 15. Com a devida vênia ao entendimento exarado pelo contribuinte, eventualmente falarseia em suposta ofensa ao princípio da irretroatividade apenas hipótese de o disposto no inciso III, § 2º do art. 3º da Lei 9.718. de 1998 ser suficiente para, per si, determinar as exclusões possíveis da base de cálculo da exação aqui tratada. 16. Acontece que, conforme desenvolvido no tópico imediatamente anterior do presente voto, o disposto no aludido prescritivo legal dependia de regulamentação, regulamentação esta que não foi exercida, sendo tal dispositivo revogado do ordenamento jurídico pela Medida Provisória nº 199118, de 09 de junho de 2000. Fl. 94DF CARF MF 10 17. Logo, não há que se falar em irretroatividade do disposto na citada Medida Provisória, já que o inciso III, § 2º do art. 3º da Lei 9.718. de 1998 nunca teve eficácia no ordenamento jurídico nacional, motivo pelo qual também afasto a pretensão da recorrente. Dispositivo 18. Ante o exposto, voto por não conhecer de parte do recurso voluntário interposto e, na parte conhecida, voto por negarlhe provimento. 19. É como voto. (assinado digitalmente) Diego Diniz Ribeiro. Fl. 95DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10830.720417/2010-53
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 30 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Feb 19 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/07/2009 a 30/09/2009
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO.
Cabível a homologação da compensação se o direito creditório declarado existir.
Numero da decisão: 3401-005.779
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso.
Rosaldo Trevisan - Presidente.
(assinado digitalmente)
Mara Cristina Sifuentes - Relatora.
(Assinado digitalmente)
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente), Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lázaro Antônio Souza Soares, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Rodolfo Tsuboi (suplente convocado) e Renato Vieira de Ávila (suplente convocado).
Nome do relator: MARA CRISTINA SIFUENTES
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Cabível a homologação da compensação se o direito creditório declarado existir. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. Rosaldo Trevisan Presidente. (assinado digitalmente) Mara Cristina Sifuentes Relatora. (Assinado digitalmente) Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente), Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lázaro Antônio Souza Soares, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Rodolfo Tsuboi (suplente convocado) e Renato Vieira de Ávila (suplente convocado). Relatório Por bem descrever os fatos adoto o relatório que consta na Resolução CARF nº 3401000.493, de 26/06/2012, que converteu o julgamento em diligência para que a unidade AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 72 04 17 /2 01 0- 53 Fl. 559DF CARF MF Processo nº 10830.720417/201053 Acórdão n.º 3401005.779 S3C4T1 Fl. 559 2 de origem aguardasse o julgamento do Processo nº 10830.014190/201011, que trata do recolhimento do IPI a menor , cuja apuração se deu mediante a reconstituição da escrita fiscal, a qual resultou em saldo credor a menor do aquele originalmente constante do Livro Registro de Apuração do IPI: Trata o presente processo de pedido de ressarcimento de crédito de IPI (saldo credor apurado conforme o artigo 11 da Lei nº 9.779, de 19 de janeiro de 1999 e IN SRF nº 33 de 1999), relativo ao 3º trimestre de 2009, no valor de R$ 8.028.683,86, o qual foi formulado mediante a entrega de PER/Dcomp em 25/11/2009, ao qual foram vinculadas declarações de compensação de débitos mediante a entrega de Dcomp em datas posteriores e em montante equivalente ao crédito postulado. A DRF em Campinas SP, todavia, acolhendo parecer emitido pelo seu Serviço de Fiscalização, reconheceu apenas de forma parcial o montante do crédito pleiteado, de sorte que não homologou todas as compensações declaradas. Na Informação Fiscal em que baseado o Despacho Decisório da DRF, observase que a glosa parcial decorreu da constatação de “falta de lançamento do IPI”, o que, por sua vez, teria se originado no “uso indevido de benefício fiscal previsto na Lei nº 8.248/91 e suas alterações, uma vez que não foram encontradas portarias conjuntas MCT/MF, em nome do contribuinte, identificando esses produtos/modelos”.(sic) Esclarece ainda a autoridade fiscal na sua informação que esse IPI recolhido a menor fora objeto de lançamento de oficio por meio de auto de infração autuado em outro processo administrativo, qual seja, o de nº 10830.014190/201011, cuja apuração se dera mediante a reconstituição da escrita fiscal, a qual resultou em saldo credor a menor do aquele originalmente constante do Livro Registro de Apuração do IPI. Assim, o crédito reconhecido montou a R$ 7.061.705,50 e foi esse o limite utilizado para a homologação das compensações declaradas, de sorte que os débitos exsurgidos foram objeto de cartas de cobrança. Na Manifestação de Inconformidade a interessada, preliminarmente, pediu a unificação do presente processo àquele em que autuado o mencionado lançamento de ofício do IPI, sob o argumento de que, ocorrendo o cancelamento do auto de infração, a reconstituição de seu saldo credor e que implicou na glosa ora em discussão também deixaria de existir. Para tanto, invocou a aplicação da regra contida no § 2º do art. 29 da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999, e no inciso II do art. 1o da Portaria Receita Federal do Brasil nº 666, de 2008. Ad argumentandum, pediu, alternativamente, que se sobrestasse o julgamento do presente feito até que se tenha uma decisão quanto aos rumos do referido processo nº 10830.014190/201011. Quanto ao mérito, a interessada reproduziu os seus argumentos de defesa lançados na impugnação ao referido lançamento de Fl. 560DF CARF MF Processo nº 10830.720417/201053 Acórdão n.º 3401005.779 S3C4T1 Fl. 560 3 oficio, os quais, em apertadíssima síntese, clamam pela nulidade da autuação por falha na busca da verdade dos fatos [ a fiscalização não teria demonstrado interesse em apurar a inexistência de produtos comercializados sem o benefício da isenção fiscal de que trata a Lei 8.248/91], e, quanto ao mérito, que nenhum dos produtos/modelos escolhidos pelo Fisco para motivar a imputação [não inclusão na portaria ministerial para a fruição do benefício] deixou de constar do referido ato infralegal, de sorte que a reconstituição de sua escrita fiscal não poderia ser dada como certa. A 8a Turma da DRJ em Ribeirão Preto SP, todavia, considerou improcedentes os termos da Manifestação de Inconformidade. Para afastar a regra constante do inciso II, do art. 1o da Portaria Receita Federal do Brasil nº 666, de 2008, de que “Serão objeto de um único processo administrativo: [...] II –...a não homologação de compensação e o lançamento de ofício de crédito tributário delas decorrentes;”, esclareceu a instância de piso que o referido processo nº 10830.014190/201011, que trata do auto de infração de IPI, “não decorreu da não homologação das compensações, como é o caso da multa isolada ou de glosas de créditos, ao contrário, a não homologação das compensação é que é decorrente do lançamento efetivado e da consequente diminuição do saldo credor de IPI, [...]”. Quanto ao pedido da interessada para a juntada ou anexação dos processos, alegou a DRJ não existir qualquer dispositivo legal a prever tais hipóteses, e, quanto ao pedido de sobrestamento, esclareceu não existir essa figura jurídica no processo administrativo tributário. No mérito, a instância de piso assim se manifestou, verbis: “[...]Com relação às questões de mérito levantadas pela contribuinte, estas serão julgadas no processo referente ao lançamento, não podendo ser analisadas neste, já que o presente se refere à compensação de créditos e débitos do sujeito passivo e não à infração verificada pelo Fisco. [...]”E foi justamente invocando os termos da decisão que essa mesma 8ª Turma da DRJ em Ribeirão Preto SP proferira no Acórdão nº 14032.958, de 22/03/2011, no bojo do referido processo administrativo nº 10830.014190/201011, ou seja, mantendo na íntegra no auto de infração, que a DRJ manteve as glosas e a não homologação das compensações tratadas no presente processo. No Recurso Voluntário a interessada, preliminarmente, suscitou a nulidade do “Despacho Decisório” (sic) [na verdade, pretendeu referirse ao Acórdão da DRJ, ora vergastado] sob o argumento de que não fora cientificada em tempo hábil [o fora em 06/05/2011] dos termos daquele Acórdão nº 14032.958, de sorte que sua defesa teria sido cerceada na medida em que não teve acesso aos fundamentos que, na verdade, foram utilizados Fl. 561DF CARF MF Processo nº 10830.720417/201053 Acórdão n.º 3401005.779 S3C4T1 Fl. 561 4 para manter o indeferimento de seu pleito contido na Manifestação de Inconformidade. Esclareço eu que, na verdade, a Recorrente pediu um novo prazo para a apresentação de suas considerações, desta feita, levando em conta os termos do Acórdão da DRJ proferido no processo que versa sobre o auto de infração. A Recorrente insistiu na juntada dos processos [este e o do auto de infração], ou, alternativamente, no sobrestamento do presente julgamento até que se decida sobre os rumos da lide envolvendo o auto de infração, de modo a se evitar prejuízo de sua parte. Explica que esse prejuízo ocorreria no caso de obter uma decisão desfavorável neste processo, situação que o obrigaria ao recolhimento imediato dos débitos cuja compensação não fora homologada, e, de outra parte, caso futuramente venha obter uma decisão favorável no processo que trata do lançamento dos débitos do IPI, o que evidenciaria a improcedência das glosas dos créditos; assim, teria havido um locupletamento ilegal por parte do Fisco. A DRF Campinas, em 08/06/2015, devolveu o processo ao CARF sob a seguinte argumentação: A Administração Pública tem o dever de impulsionar o processo até sua decisão final (Princípio da Oficialidade). Se até mesmo em caso de pendência de decisão definitiva no Poder Judiciário, instância superior e autônoma em relação à esfera administrativa, descabe o SOBRESTAMENTO do processo administrativo, igual conclusão se impõe quando há pendência de decisão administrativa definitiva relativa à exigência formalizada de ofício no período. Em não havendo diligência a ser tomada a cabo por esta DRF, retornese ao CARF para, se julgado conveniente, seja feita a análise em conjunto do presente com o que lhe precede. Nesse ínterim o Processo nº 10830.014190/201011 foi julgado procedente conforme acórdão CARF nº 3201003.372, de 31/01/2018: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Ano calendário: 2005, 2006, 2007, 2008, 2009 IPI. ISENÇÃO. LEI DE INFORMÁTICA. BENEFÍCIO FISCAL PARA PRODUTOS. Estão amparados pelo benefício fiscal da Lei de Informática, os produtos cujas alterações no processo fábril não implicam em alteração do modelo.conforme consta de parecer técnico emitido pelo Instituto Nacional de Tecnologia INT. Recurso Voluntário Provido Em resumo, as razões de decidir do acórdão citado foram: Fl. 562DF CARF MF Processo nº 10830.720417/201053 Acórdão n.º 3401005.779 S3C4T1 Fl. 562 5 A teor do relatado tratase de processo que discute o benefício da isenção prevista na lei de informática a telefones celulares fabricados pela Recorrente. A Fiscalização da Receita Federal entendeu que os produtos apresentavam alterações nos seus modelos que desqualificavam a habilitação inicial, promovida pela Motorola junto aos órgãos públicos e formalizada na Portaria Interministerial MCT/MDIC/MF n° 838/01. A extinta segunda turma ordinária desta Câmara, ao apreciar o recurso resolveu converter o julgamento em diligência para que fosse elaborado Parecer Técnico para avaliar se as alterações promovidas nos modelos de celulares desqualificariam os produtos para fruição do benefício da lei de informática. O Parecer Técnico nº 000.956/2013, elaborado pelo INT, concluiu que as modificações promovidas nos telefones celulares não foram suficientes para alterar o modelo dos referidos equipamentos, estando estes novos equipamentos qualificados nos modelos previstos na Portaria Interministerial MCT/MDIC/MF n° 838/01. ... O Parecer Técnico elaborado pelo INT conclui que os telefones celulares produzidos pela Recorrente e que foram objeto do presente lançamento, tratamse do mesmo produto e modelo daqueles previstos na Portaria Interministerial MCT/MDIC/MF n° 838/01, destarte não pode prosperar o lançamento fiscal. Diante do exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário. É o relatório. Voto Conselheira Mara Cristina Sifuentes , Relatora O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche as demais condições de admissibilidade por isso dele tomo conhecimento. A questão crucial do presente processo foi a não existência de crédito para homologar as compensações declaradas, conforme explicado na Resolução que converteu o julgamento em diligência: A Recorrente tem razão quanto à necessidade de se aguardar o desfecho na esfera administrativa da lide por ela instaurada em face do auto de infração contido no processo nº 10830.014190/201011. É que, embora não se tenha carreado para este processo os termos lavrados pela fiscalização naqueloutro, que trata da autuação de débitos do IPI, é certo que lá é que estão detalhados todos os procedimentos adotados pelo Fisco e que culminaram Fl. 563DF CARF MF Processo nº 10830.720417/201053 Acórdão n.º 3401005.779 S3C4T1 Fl. 563 6 na reconstituição da escrita fiscal da autuada e que resultou, de um lado, na apuração de saldo credor diferente [a menor] daquele constante do Livro Reg. Apuração do IPI, e, de outro, na necessidade de constituição de ofício de valores de IPI supostamente tidos como recolhidos a menor, em face da alegada utilização indevida de alíquota reduzida, por sua vez, resultante de uma alegada fruição também indevida dos benefícios da Lei nº 8.248, de 1991, para alguns produtos e modelos fabricados e comercializados. Então, não obstante a Recorrente aqui apresente contestação às glosas efetuadas em seu pedido de ressarcimento de IPI, o fato é que o fez reproduzindo as suas alegações lançadas na Impugnação apresentada naquele processo, que trata do auto de infração de IPI. Como relatei acima, a própria DRJ considerou que, verbis, “Com relação às questões de mérito levantadas pela contribuinte, estas serão julgadas no processo referente ao lançamento, não podendo ser analisadas neste, já que o presente se refere à compensação de créditos e débitos do sujeito passivo e não à infração verificada pelo Fisco”. Além disso, uma outra questão prejudicial suscitada pela Recorrente é, referindose aos procedimentos adotados pelo Fisco na auditoria fiscal que resultou no auto de infração, de que a autoridade fiscal teria incorrido em “patente falha na busca da verdade dos fatos”, e contra ou a favor desse argumento não é possível a este Relator apresentar considerações, haja vista a inexistência, neste processo, dos elementos e documentos necessários para tanto. Vêse, portanto, que a presente lide está na inteira dependência do que restar definitivamente decidido no processo que trata do auto de infração, pois, repitase, é lá que estão todos os fundamentos lançados pela fiscalização para vislumbrar uma fruição indevida de benefício fiscal e que resultou na reconstituição de ofício dos saldos credores apurados pela interessada. Portanto concluído no julgamento do processo que trata da autuação fiscal pela correção das anotações efetuadas pela recorrente no Livro de IPI, e pela existência do crédito alegado é de se homologar as compensações declaradas, já que esse foi o único impedimento para tanto. Pelo exposto voto por conhecer do Recurso Voluntário e no mérito por dar lhe provimento. Mara Cristina Sifuentes Relatora (assinado digitalmente) Fl. 564DF CARF MF Processo nº 10830.720417/201053 Acórdão n.º 3401005.779 S3C4T1 Fl. 564 7 Fl. 565DF CARF MF
score : 1.0
