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Numero do processo: 10530.720200/2007-22
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 09 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri May 24 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2003
MATÉRIA NÃO SUSCITADA EM SEDE DE DEFESA/IMPUGNAÇÃO. PRECLUSÃO PROCESSUAL.
Afora os casos em que a legislação de regência permite ou mesmo nas hipóteses de observância ao princípio da verdade material, não devem ser conhecidas às razões/alegações constantes do recurso voluntário que não foram suscitadas na impugnação, tendo em vista a ocorrência da preclusão processual, conforme preceitua o artigo 17 do Decreto nº 70.235/72.
ITR. ÁREA UTILIZADA PARA EXPLORAÇÃO EXTRATIVA. NÃO COMPROVAÇÃO.
Para que se possa valer da benesse fiscal que implica a significativa redução de alíquota, não basta que demonstre a aprovação de um plano de manejo, há de se demonstrar, na forma da lei, o cumprimento do cronograma de exploração tal como rigorosamente aprovado pelo IBAMA. É uma condição, a Exploração Extrativa, que deve ser demonstrada a cada exercício que dela se pretende beneficiar.
Numero da decisão: 2401-006.562
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, conhecer em parte do recurso voluntário e, na parte conhecida, negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Presidente
(assinado digitalmente)
Rayd Santana Ferreira - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Matheus Soares Leite, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Rayd Santana Ferreira, Marialva de Castro Calabrich Schlucking, Andrea Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa e Miriam Denise Xavier.
Nome do relator: RAYD SANTANA FERREIRA
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PRECLUSÃO PROCESSUAL. Afora os casos em que a legislação de regência permite ou mesmo nas hipóteses de observância ao princípio da verdade material, não devem ser conhecidas às razões/alegações constantes do recurso voluntário que não foram suscitadas na impugnação, tendo em vista a ocorrência da preclusão processual, conforme preceitua o artigo 17 do Decreto nº 70.235/72. ITR. ÁREA UTILIZADA PARA EXPLORAÇÃO EXTRATIVA. NÃO COMPROVAÇÃO. Para que se possa valer da benesse fiscal que implica a significativa redução de alíquota, não basta que demonstre a aprovação de um plano de manejo, há de se demonstrar, na forma da lei, o cumprimento do cronograma de exploração tal como rigorosamente aprovado pelo IBAMA. É uma condição, a Exploração Extrativa, que deve ser demonstrada a cada exercício que dela se pretende beneficiar. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, conhecer em parte do recurso voluntário e, na parte conhecida, negarlhe provimento. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 53 0. 72 02 00 /2 00 7- 22 Fl. 73DF CARF MF Processo nº 10530.720200/200722 Acórdão n.º 2401006.562 S2C4T1 Fl. 3 2 (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Presidente (assinado digitalmente) Rayd Santana Ferreira Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Matheus Soares Leite, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Rayd Santana Ferreira, Marialva de Castro Calabrich Schlucking, Andrea Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa e Miriam Denise Xavier. Relatório STA ENGENHARIA FLORESTAL LTDA, contribuinte, pessoa jurídica de direito privado, já qualificada nos autos do processo em referência, recorre a este Conselho da decisão da 1a Turma da DRJ em Brasília/DF, Acórdão nº 0345.814/2011, às efls. 56/60, que julgou procedente o lançamento fiscal, referente ao Imposto sobre a Propriedade Rural ITR, em relação ao exercício 2003, conforme Notificação de Lançamento, às fls. 02/06, e demais documentos que instruem o processo. Tratase de Notificação de Lançamento, lavrada em 18/12/2007 (AR. fl. 11), nos moldes da legislação de regência, contra a contribuinte acima identificada, constituindose crédito tributário no valor consignado na folha de rosto da autuação, decorrente do seguinte fato gerador: Area objeto de plano de manejo sustentado informada não comprovada Descrição dos Fatos: Após regularmente intimado, o contribuinte não comprovou a implantação de plano de manejo sustentado para exploração extrativa ou o cumprimento do cronograma fisicofinanceiro previsto no plano. Desta forma, o Documento de Informação e Apuração (DIAT) foi alterado e os seus valores encontramse no Demonstrativo de Apuração do Imposto Devido, em folha anexa. Enquadramento Legal ART 10 PAR 5 L 9393/96 Fl. 74DF CARF MF Processo nº 10530.720200/200722 Acórdão n.º 2401006.562 S2C4T1 Fl. 4 3 Valor da Terra Nua declarado não comprovado Descrição dos Fatos: Após regularmente intimado, o contribuinte não comprovou por meio de laudo de avaliação do imóvel, conforme estabelecido na NBR 14.653 da ABNT, o valor da terra nua declarado. No Documento de Informação e Apuração do ITR (DIAT), o valor da terra nua foi arbitrado, tendo como base as informações do Sistema de Pregos de Terra SIPT da RFB. Os valores do DIAT encontramse no Demonstrativo de Apuração do Imposto Devido, em folha anexa. Enquadramento Legal ART 10 PAR 1 E INC I E ART 14 L 9393/96 Complemento da Descrição dos Fatos: Na DITR do exercicio fiscalizado, o contribuinte declarou existir uma Area de 6.943,3 ha de EXPLORAÇÃO EXTRATIVA, motivo pelo qual foi intimado a comprovar a existência dessa area e o cumprimento das obrigações acessórias necessárias A exclusão da mesma da incidência do ITR. Declarou também, que o valor da terra nua do imóvel rural fiscalizado era de R$ 6.000,00 em 1° de janeiro de 2004. Considerando que a propriedade possui uma Area total de 10.143,6 hectares, obtemse um valor declarado de R$ 0,5915 por hectare de terra nua. Por este motivo, foi intimado a comprovar o VTN declarado com apresentação de Laudo de avaliação do imóvel, conforme estabelecido na NBR 14.653, da Associação Brasileira de Normas Técnicas ABNT, com fundamentação e grau de precisão II, com anotação de responsabilidade técnica ART registrada no Crea, contendo todos os elementos de pesquisa identificados. Foi também informado que a falta de apresentação do laudo de avaliação ensejaria o arbitramento do valor da terra nua, com base nas informações do Sistema de Pregos de Terra SIFT da SRF. Em 13/07/2007, foi enviado para o endereço indicado na DITR o Termo de Intimação Fiscal N° 05102/00083/2007. 0 contribuinte regularmente intimado, com ciência no dia 16/07/2007, ate o momento NÃO APRESENTOU A DOCUMENTAÇÃO SOLICITADA. 0 lançamento está baseado nas informações e enquadramentos legais conforme descritos nesta Notificação de Lançamento. 1. SUBAVALIAÇÃO DO VALOR DA TERRA NUA (VTN): SIPT O contribuinte não apresentou o Laudo de Avaliação de Imóveis Rurais para comprovação do valor da terra nua VTN. A intimação discriminava que deveria ser apresentado Laudo de avaliação conforme NBR 14653 da ABNT, com grau de fundamentação e precisão II e amparado por ART Anotação de Responsabilidade Técnica devidamente registrada no CREA. Fl. 75DF CARF MF Processo nº 10530.720200/200722 Acórdão n.º 2401006.562 S2C4T1 Fl. 5 4 A Lei 9.393/96 estabelece, em seu art. 14, que no caso de subavaliagao do valor do imóvel, a Secretaria da Receita Federal procederá A determinação e ao lançamento de oficio do imposto, considerando informações sobre preços de terras, constantes de sistema a ser por ela instituído, e os dados de area total, Area tributável e grau de utilização do imóvel, apurados em procedimentos de fiscalização. Determina ainda, que as informações sobre pregos de terra observarão os critérios estabelecidos no art. 12, § 1, inciso II da Lei n° 8.629, de 25 de fevereiro de 1993. Dentro dessa determinação legal e devido ao contribuinte, regularmente intimado, não ter comprovado que o valor da terra nua declarado corresponde ao prego de mercado em 01/01/2004, considerouse os valores constantes do SIFT Sistema de Pregos de Terra, instituido através da Portaria SRF n° 447 de 28/03/02, para o município de BREJOLANDIA, conforme extrato anexo. Com base nesses dados, foi arbitrado o valor da terra nua VTN para o exercicio 2004 em R$ 84,82/ha, perfazendo um total de R$ 860.380,15, conforme demonstrado abaixo: Area Total declarada do Imóvel = 10.143,6 ha VTN/ha = R$ 84,82 VTN do imóvel = VTN/ha x Area do imóvel = 84,82 x 10.143,6 ha = R$ 860.380,15 Enquadramento Legal: Lei n° 9.393/96, artigos 8°,§1° e 2°, 10, 11 e 14. Portaria SRF n° 447/2002. Vale salientar que o INCRA Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária, informou, através do Oficio/INCRA/GAB/BA/N° 4010/2007, de 6 de novembro de 2007, os valores de terra nua (VTN) para os municípios do estado da Bahia. Nesse documento, verificase que o VTN para o município de localização do imóvel rural fiscalizado variava entre R$ 108,00 e R$ 201,00, no exercício de 2004, portanto superior ao valor constante do SIFT e que foi utilizado como base de calculo do VTN tributável. 2. EXPLORAÇÃO EXTRATIVA Area objeto de exploração extrativa é aquela servida para a atividade de extração e coleta de produtos vegetais nativos, não plantados, inclusive a exploração madeireira de florestas nativas, observados a legislação ambiental e os indices de rendimento por produto (RITR/2002, art. 27; IN SRF n° 256, de 2002, art. 26). Estão dispensados da aplicação dos indices de rendimento por produto, entre outras, as Areas do imóvel exploradas mediante plano de manejo sustentado, desde que aprovado pelo Ibama até 31 de dezembro do ano anterior ao de ocorrência do fato gerador do ITR, cujo cronograma esteja sendo cumprido pelo contribuinte. (Lei n° 9.393, de 1996, art. 10, § 3°; RITR/2002, Fl. 76DF CARF MF Processo nº 10530.720200/200722 Acórdão n.º 2401006.562 S2C4T1 Fl. 6 5 arts. 27, parágrafo único, e 28, § 2°; IN SRF n° 256, de 2002, art. 26, §§ 2° a 4°). 0 contribuinte declarou a existência de Plano de Manejo com aprovação do IBAMA em 21/12/1998, mas não apresentou tal plano, nem comprovou o cumprimento do cronograma, motivos pelos quais tal Area está sendo desconsiderada. O contribuinte, regularmente intimado, apresentou impugnação requerendo a decretação da improcedência do feito. Por sua vez, a 1ª Turma da DRJ em Brasília/DF entendeu por bem julgar improcedente a impugnação, mantendo a integralidade do crédito tributário, conforme já relatado. Inconformado com a Decisão recorrida, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário, às efls. 61/66, procurando demonstrar a total improcedência do Auto de Infração, desenvolvendo em síntese as seguintes razões. Após breve relato das fases processuais, bem como dos fatos que permeiam o lançamento, insurgindose acerca do argumento da DRJ de que não há previsão legal capaz de amparar a determinação judicial de paralisação das atividades extrativas, pensamento que não se coaduna com a norma jurídica, segundo a qual, determinação judicial não se discute, mas, cumprese. Esclarece que a desobediência ao preceito judicial constitui crime penal previsto no art. 330 do CP. Sendo incabível pensar em falta de previsão legal no ato de paralisação da atividade extrativa. Afirma não ter cometido nenhuma infração ou deixado de respeitar a norma legal vigente, pois, não estava mais na posse e nem no domínio dos imóveis, colacionando documentação comprobatória e jurisprudência correspondente. Por fim, requer o conhecimento e provimento do seu recurso, para desconsiderar a Notificação de Lançamento, tornandoo sem efeito e, no mérito, a sua absoluta improcedência. Não houve apresentação de contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheiro Rayd Santana Ferreira Relator Presente o pressuposto de admissibilidade, por ser tempestivo, conheço do recurso e passo ao exame das alegações recursais. DELIMITAÇÃO DA LIDE Como relato encimado, no procedimento de análise e verificação da documentação apresentada e das informações constantes da DITR/2003, a fiscalização resolveu glosar integralmente a área de exploração extrativa e arbitrar o VTN. Fl. 77DF CARF MF Processo nº 10530.720200/200722 Acórdão n.º 2401006.562 S2C4T1 Fl. 7 6 No recurso, apresentou inovação ao alegar que não detinha a posse e nem o domínio do imóvel em questão, assim não podendo ser penalizada pela infração. Nos termos da legislação processual tributária, esses argumentos recursais se encontram fulminados pela preclusão, uma vez que não foram suscitados por ocasião da apresentação da impugnação, conforme preceitua o artigo 17 do Decreto n. 70.235/72, senão vejamos: Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. Nessa toada, não merece conhecimento a matéria suscitada em sede de recurso voluntário, que não tenha sido objeto de contestação na impugnação, motivo pelo qual trataremos apenas sobre a glosa da área de exploração extrativa, o que fazemos a seguir: MÉRITO ÁREA DE EXPLORAÇÃO EXTRATIVA Na análise do presente processo, verificase que a área informada como utilizada na exploração extrativa na DITR/2003 (6.943,3 ha) foi integralmente glosada pela autoridade fiscal, por não constar dos autos a comprovação do cumprimento do cronograma físicofinanceiro de execução do plano de manejo sustentado, aprovado pelo órgão ambiental competente, tendo sido anexadas apenas as autorizações para desmatamento expedidas pelo IBAMA em 1995 (fls.23/24) e 1998 (fls.27/28). No que tange à área destinada a exploração extrativa, cabe observar o que dispõe a Lei nº 9.393 de 19 de dezembro de 1996: Art. 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitandose a homologação posterior. § 1º Para os efeitos de apuração do ITR, considerarseá: (...) IV área aproveitável, a que for passível de exploração agrícola, pecuária, granjeira, aqüícola ou florestal, excluídas as áreas: (...) V área efetivamente utilizada, a porção do imóvel que no ano anterior tenha: (...) c) sido objeto de exploração extrativa, observados os índices de rendimento por produto e a legislação ambiental; (...) § 5º Na hipótese de que trata a alínea "c" do inciso V do § 1º, será considerada a área total objeto de plano de manejo Fl. 78DF CARF MF Processo nº 10530.720200/200722 Acórdão n.º 2401006.562 S2C4T1 Fl. 8 7 sustentado, desde que aprovado pelo órgão competente, e cujo cronograma esteja sendo cumprido pelo contribuinte. (...) Ainda sobre o tema, assim dispõe o artigo 27 do Decreto 4.382/2002: Art. 27. Área objeto de exploração extrativa é aquela servida para a atividade de extração e coleta de produtos vegetais nativos, não plantados, inclusive a exploração madeireira de florestas nativas, observados a legislação ambiental e os índices de rendimento por produto estabelecidos em ato da Secretaria da Receita Federal, ouvido o Conselho Nacional de Política Agrícola (Lei nº 9.393, de 1996, art. 10, § 1º, inciso V, alínea "c", e § 3º). Depreendese da legislação encimada, além dos §§ 1° e 4° da IN/SRF n° 256/2002, que as áreas utilizadas na exploração extrativa estão sujeitas a índices de rendimentos mínimos por produto extrativo, sendo a área utilizada a ser aceita a menor entre a declarada e a apurada com base na quantidade de produtos extraídos, observados tais índices; admitese a dispensa desses índices apenas em relação às áreas objeto de plano de manejo sustentado aprovado em tempo hábil pelo IBAMA, e cujo cronograma físicofinanceiro esteja sendo cumprido pelo contribuinte. Não é difícil notar, pela dicção do dispositivo legal, que o aproveitamento de tal área como de utilização rural na forma intentada, impõe ao contribuinte a necessidade de se comprovar a aprovação do Plano de Manejo Florestal pelo IBAMA e o cumprimento do cronograma então aprovado. Salientese que as áreas utilizadas na exploração extrativa, mesmo que por meio de plano de manejo sustentado, são computadas para efeito de apuração da área utilizada do imóvel, pressupondose assim que no respectivo anobase realmente tenha havido extração de produtos vegetais/florestais, de acordo com o cronograma aprovado pelo órgão ambiental competente ou, caso inexistente, a extração de produtos florestais em quantidade suficiente para justificar a respectiva área declarada como utilizada na produção extrativa, observados os respectivos índices de rendimentos mínimos. No entanto, a declaração do IBAMA/BA (fls. 34) informa que essas atividades extrativas encontravamse paralisadas de 18/09/2000 a 21/02/2005 (fls. 29/30), por determinação judicial, revogada em 22/02/2005 (fls. 32), não subsistindo o impedimento judicial para o referido plano de manejo florestal, condicionando sua reativação a nova autorização, requerida em 05/12/2006 e ainda não expedida, conforme alega a própria contribuinte. Portanto, em que pese o plano de manejo sustentado ter sido aprovado pelo referido órgão ambiental, antes da data do fato gerador do imposto (1º/01/2003, art. 1º da Lei 9.393/1996), o seu cronograma físicofinanceiro não vinha sendo cumprido pela proprietária do imóvel à época, ainda que por impedimento judicial, para que pudesse justificar o acatamento da referida área como efetivamente utilizada na exploração extrativa para o exercício de 2003. Releva dizer: para que se possa valer da benesse fiscal que implica na significativa redução de alíquota, não basta que demonstre a aprovação de um plano de manejo, há de se demonstrar, frisese, na forma da lei, o cumprimento do cronograma de exploração Fl. 79DF CARF MF Processo nº 10530.720200/200722 Acórdão n.º 2401006.562 S2C4T1 Fl. 9 8 tal como rigorosamente aprovado pelo IBAMA. Veja, é uma condição, a exploração extrativa, que deve ser demonstrada a cada exercício que dela se pretende beneficiar. Não basta o potencial de exploração, há de se demonstrar a constância do exercício da atividade, por meio do cronograma que esteja sendo cumprido, como literalmente dispõe a lei. Assim, mesmo que a paralisação das atividades do referido PMFS tenha ocorrido por meio de despacho judicial, não há como considerar, por falta de previsão legal, que o seu cronograma estivesse sendo cumprido, à época do fato gerador do ITR/2003, para efeito de acatar a sua área como efetivamente utilizada na exploração extrativa. Dessa forma, entendo que deva ser mantida a glosa efetuada pela autoridade fiscal da área informada como utilizada na exploração extrativa. Por todo o exposto, estando a Notificação de Lançamento, sub examine, em consonância com as normas legais que regulamentam a matéria, VOTO NO SENTIDO DE CONHECER EM PARTE DO RECURSO VOLUNTÁRIO e, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO, pelas razões de fato e de direito acima esposadas. É como voto. (assinado digitalmente) Rayd Santana Ferreira. Fl. 80DF CARF MF
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Numero do processo: 13433.000230/2006-24
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 09 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Jun 05 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2001
INCONSTITUCIONALIDADES.
Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
PRELIMINAR. NULIDADE DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. NÃO OCORRÊNCIA
A decisão foi fundamentada, não havendo que se falar em nulidade quando o julgador proferiu decisão devidamente motivada, explicitando as razões pertinentes à formação de sua livre convicção. Ademais, o órgão julgador não está obrigado a se manifestar sobre todos os pontos alegados pela parte, mas somente sobre os que entender necessários ao deslinde da controvérsia, de acordo com o livre convencimento motivado.
Inexiste erro no julgado que enseje qualquer nulidade da decisão.
ILEGITIMIDADE PASSIVA. NÃO OCORRÊNCIA
Cabe ao contribuinte, como titular da disponibilidade econômica dos rendimentos, a responsabilidade pela correspondente tributação. E o entendimento pacífico deste Colegiado, consolidado de acordo com o enunciado da súmula CARF n° 12.
PAGAMENTO DE REAJUSTE. UNIDADE DE REFERÊNCIA DE PREÇOS (URP). NATUREZA SALARIAL.
O pagamento do reajuste de 26,05%, relativo à URP do mês de fevereiro/1989, recebido a partir de acordo homologado pela Justiça do Trabalho, é dotado de natureza salarial e sujeito à incidência do imposto de renda.
MULTA DE OFÍCIO. FONTE PAGADORA. ERRO ESCUSÁVEL. SÚMULA CARF Nº 73.
A classificação indevida de rendimentos como isentos e/ou não tributáveis na declaração de ajuste da pessoa física, causada por informação errada prestada pela fonte pagadora com base no acordo homologado na Justiça do Trabalho, não autoriza o lançamento de multa de ofício.
(Súmula CARF nº 73)
RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. REGIME DE COMPETÊNCIA. SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL (STF). RECURSO EXTRAORDINÁRIO (RE) Nº 614.406/RS. REPERCUSSÃO GERAL. APLICAÇÃO OBRIGATÓRIA.
A decisão definitiva de mérito no RE nº 614.406/RS, proferida pelo STF na sistemática da repercussão geral, deve ser reproduzida pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. O imposto de renda incidente sobre os rendimentos acumulados percebidos no ano-calendário 2001, relativamente ao pagamento do reajuste da URP, deve ser apurado com base nas tabelas e alíquotas das épocas próprias a que se refiram tais rendimentos tributáveis, calculado de forma mensal, e não pelo montante global pago extemporaneamente.
Numero da decisão: 2401-006.150
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para determinar o recálculo do Imposto sobre a Renda relativo aos rendimentos recebidos acumuladamente omitidos pelo contribuinte com base nas tabelas e alíquotas das épocas próprias a que se refiram tais rendimentos, observando a renda auferida mês a mês pelo contribuinte, conforme competências compreendidas na ação (regime de competência) e para excluir a multa de ofício. Vencidos os conselheiros Andréa Viana Arrais Egypto (relatora), Matheus Soares Leite e Rayd Santana Ferreira, que davam provimento ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Cleberson Alex Friess.
(Assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Presidente
(Assinado digitalmente)
Andréa Viana Arrais Egypto - Relatora
(Assinado digitalmente)
Cleberson Alex Friess - Redator Designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Matheus Soares Leite, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Rayd Santana Ferreira, Marialva de Castro Calabrich Schlucking, Andréa Viana Arrais Egypto e Miriam Denise Xavier (Presidente). Ausente a conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa.
Nome do relator: ANDREA VIANA ARRAIS EGYPTO
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Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. PRELIMINAR. NULIDADE DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. NÃO OCORRÊNCIA A decisão foi fundamentada, não havendo que se falar em nulidade quando o julgador proferiu decisão devidamente motivada, explicitando as razões pertinentes à formação de sua livre convicção. Ademais, o órgão julgador não está obrigado a se manifestar sobre todos os pontos alegados pela parte, mas somente sobre os que entender necessários ao deslinde da controvérsia, de acordo com o livre convencimento motivado. Inexiste erro no julgado que enseje qualquer nulidade da decisão. ILEGITIMIDADE PASSIVA. NÃO OCORRÊNCIA Cabe ao contribuinte, como titular da disponibilidade econômica dos rendimentos, a responsabilidade pela correspondente tributação. E o entendimento pacífico deste Colegiado, consolidado de acordo com o enunciado da súmula CARF n° 12. PAGAMENTO DE REAJUSTE. UNIDADE DE REFERÊNCIA DE PREÇOS (URP). NATUREZA SALARIAL. O pagamento do reajuste de 26,05%, relativo à URP do mês de fevereiro/1989, recebido a partir de acordo homologado pela Justiça do Trabalho, é dotado de natureza salarial e sujeito à incidência do imposto de renda. MULTA DE OFÍCIO. FONTE PAGADORA. ERRO ESCUSÁVEL. SÚMULA CARF Nº 73. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 43 3. 00 02 30 /2 00 6- 24 Fl. 149DF CARF MF Processo nº 13433.000230/200624 Acórdão n.º 2401006.150 S2C4T1 Fl. 3 2 A classificação indevida de rendimentos como isentos e/ou não tributáveis na declaração de ajuste da pessoa física, causada por informação errada prestada pela fonte pagadora com base no acordo homologado na Justiça do Trabalho, não autoriza o lançamento de multa de ofício. (Súmula CARF nº 73) RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. REGIME DE COMPETÊNCIA. SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL (STF). RECURSO EXTRAORDINÁRIO (RE) Nº 614.406/RS. REPERCUSSÃO GERAL. APLICAÇÃO OBRIGATÓRIA. A decisão definitiva de mérito no RE nº 614.406/RS, proferida pelo STF na sistemática da repercussão geral, deve ser reproduzida pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. O imposto de renda incidente sobre os rendimentos acumulados percebidos no anocalendário 2001, relativamente ao pagamento do reajuste da URP, deve ser apurado com base nas tabelas e alíquotas das épocas próprias a que se refiram tais rendimentos tributáveis, calculado de forma mensal, e não pelo montante global pago extemporaneamente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para determinar o recálculo do Imposto sobre a Renda relativo aos rendimentos recebidos acumuladamente omitidos pelo contribuinte com base nas tabelas e alíquotas das épocas próprias a que se refiram tais rendimentos, observando a renda auferida mês a mês pelo contribuinte, conforme competências compreendidas na ação (regime de competência) e para excluir a multa de ofício. Vencidos os conselheiros Andréa Viana Arrais Egypto (relatora), Matheus Soares Leite e Rayd Santana Ferreira, que davam provimento ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Cleberson Alex Friess. (Assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Presidente (Assinado digitalmente) Andréa Viana Arrais Egypto Relatora (Assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Matheus Soares Leite, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Rayd Santana Ferreira, Marialva de Fl. 150DF CARF MF Processo nº 13433.000230/200624 Acórdão n.º 2401006.150 S2C4T1 Fl. 4 3 Castro Calabrich Schlucking, Andréa Viana Arrais Egypto e Miriam Denise Xavier (Presidente). Ausente a conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa. Relatório Tratase de Recurso de Voluntário interposto em face da decisão da 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Recife PE (DRJ/REC), que, por unanimidade de votos, julgou procedente o lançamento, conforme ementa do Acórdão nº 11 26.218 (fls. 83/98): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 2001 RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS. ACORDO. São tributáveis, na fonte e na declaração de ajuste anual da pessoa física beneficiária, os juros compensatórios ou moratórios de qualquer natureza, inclusive os que resultarem de sentença condenatória ou acordo, e quaisquer outras indenizações por atraso no pagamento de rendimentos provenientes do trabalho assalariado, das remunerações por trabalho prestado no exercício de empregos, cargos e funções, e quaisquer proventos ou vantagens, exceto aqueles correspondentes a rendimentos isentos ou não tributáveis. FALTA DE RETENÇÃO DO IMPOSTO PELA FONTE PAGADORA. A falta de retenção do imposto pela fonte pagadora não exonera o beneficiário dos rendimentos da obrigação de oferecêlos à tributação na declaração de ajuste, quando se tratar de rendimentos tributáveis. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2001 DECISÕES JUDICIAIS. EFEITOS. A extensão dos efeitos das decisões judiciais, no âmbito da Secretaria da Receita Federal, possui como pressuposto a existência de decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal acerca da inconstitucionalidade da lei que esteja em litígio e, ainda assim, desde que seja editado ato específico do Secretário da Receita Federal nesse sentido. Não estando enquadradas nesta hipótese, as sentenças judiciais só produzem efeitos para as partes entre as quais são dadas, não beneficiando nem prejudicando terceiros. ISENÇÃO. INTERPRETAÇÃO LITERAL. Fl. 151DF CARF MF Processo nº 13433.000230/200624 Acórdão n.º 2401006.150 S2C4T1 Fl. 5 4 A legislação tributária que disponha sobre outorga de isenção deve ser interpretada literalmente. DECISÕES ADMINISTRATIVAS. EFEITOS. As decisões administrativas proferidas pelos órgãos colegiados não se constituem em normas gerais, posto que inexiste lei que lhes atribua eficácia normativa, razão pela qual seus julgados não se aproveitam em relação a qualquer outra ocorrência, senão àquela objeto da decisão. PEDIDO DE PERÍCIA E DILIGÊNCIA. INDEFERIMENTO. Estando presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários à adequada solução da lide, indeferese, por prescindível, o pedido de realização de perícia e diligência, mormente quando ele não satisfaz os requisitos previstos na legislação de regência. INCIDÊNCIA DE MULTA DE OFÍCIO. É cabível a incidência da multa de oficio de 75% sobre o valor do imposto apurado em procedimento de oficio, que deverá ser exigida juntamente com o imposto não pago espontaneamente pelo contribuinte. Não pode a autoridade administrativa negar se a aplicar multa de ofício prevista em lei vigente. LANÇAMENTO DE OFÍCIO.INCIDÊNCIA DE TAXA SELIC. É cabível a incidência da taxa Selic sobre o valor do crédito, quando este não for integralmente pago no vencimento, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis. Lançamento Procedente Este processo trata de Auto de Infração (fls. 05/09), lavrado em 03/04/2006, relativo ao anocalendário de 2001, decorrente de classificação indevida de rendimentos na DIRPF, no qual é exigido R$ 34.248,08 de Imposto de Renda Suplementar, R$ 25.686,06 de Multa Proporcional, passível de redução, e R$ 23.935,98 de Juros de Mora, calculados até 31/03/2006, ficando o Crédito Tributário no montante total de R$ 83.870,12. De acordo com a Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal (fls. 06/07), temos que: 1. O contribuinte recebeu em 20/04/2001 o valor de R$ 147.629,04 referente à decisão trabalhista, tendo sido descontado o valor de R$ 7.381,45 referente a honorários advocatícios, dessa forma recebendo o valor tributável líquido de R$ 140.247,58, conforme documento de fls. 18/24; 2. Os rendimentos recebidos foram indevidamente declarados como "Isentos e Não Tributáveis", em face da decisão da Juíza Gláucia Maria Gadelha Monteiro, nos termos do Provimento CG/TST 01/96 (fls. 28/29). Nesse mesmo Provimento consta do item 01 "a Fl. 152DF CARF MF Processo nº 13433.000230/200624 Acórdão n.º 2401006.150 S2C4T1 Fl. 6 5 incompetência da Justiça do Trabalho para deliberar acerca de valores eventualmente devidos pelos autores de reclamações trabalhistas ao Imposto de Renda, em virtude da liquidação de sentenças condenatórias"; 3. Em razão deste contraditório foi encaminhado para a Procuradoria da Fazenda Nacional o Ofício nº 262/2005/SORAT/DRF/MOS (fls. 12/17) a fim de que fosse emitido Parecer Jurídico; 4. A Fazenda Nacional emitiu o Parecer PFN/RN/RWSA n° 001/2006 (fls. 30/32) onde conclui que a decisão acerca da não incidência do Imposto de Renda não tem fundamento jurídico; 5. Assim, de acordo com o Parecer da Fazenda Nacional, foi feito o lançamento dos rendimentos classificados indevidamente com os devidos acréscimos legais. O Contribuinte foi cientificado do Auto de Infração, via Correio, em 07/04/2006 (AR fl. 37) e, em 09/05/2006, apresentou sua Impugnação de fls. 39/60, instruída com os documentos nas fls. 61 a 81. O Processo foi encaminhado à DRJ/REC para julgamento, onde, através do Acórdão nº 1126.218, em 14/05/2009 a 1ª Turma resolveu, por unanimidade de votos, pela PROCEDÊNCIA do Auto de Infração. O Contribuinte tomou ciência do Acórdão da DRJ/REC, via Correio, em 12/06/2009 (AR fl. 102) e, inconformado com a decisão prolatada, em 09/07/2009, tempestivamente, apresentou seu RECURSO VOLUNTÁRIO de fls. 103/144, por meio do qual contesta o lançamento e, em síntese, argumenta: 1. Preliminarmente sobre: a. A inexigibilidade de depósito prévio ou de arrolamento de bens para interposição de recursos ao conselho de contribuintes (fls. 104/105); b. O alcance da capacidade contributiva obrigado no Art. 145 § 1° da CF (fls. 105/110); c. O pedido de Nulidade da decisão de 1ª Instância (fl. 111); 2. Em relação ao Mérito sobre: a. A responsabilidade tributária (fls. 112/124); b. A natureza tributária das verbas recebidas decorrente de acordo judicial (fls. 124/131); c. A suposta incoerência no Provimento CG/TST nº 01/96, alegada pelo Julgador de 1ª Instância (fls. 131/134); d. A discriminação das parcelas do credito recebido (fls. 134/138); Fl. 153DF CARF MF Processo nº 13433.000230/200624 Acórdão n.º 2401006.150 S2C4T1 Fl. 7 6 e. O erro no cálculo do Imposto devido (fls. 138/139); f. A inaplicabilidade da Multa de Ofício por tratarse de "Erro Escusável" (fls. 139/140); g. O Reajustamento da Base de Cálculo do Imposto (fls. 141/143). Finaliza seu RV requerendo: 1. Que seja acolhida a preliminar de ilegitimidade passiva, e por conseguinte, a nulidade do procedimento fiscal e consequente arquivamento do mesmo; 2. Que sejam acolhidas as preliminares levandose em consideração os argumentos o Princípio da Capacidade Contributiva do Contribuinte e a progressividade tributária; 3. Que se reconheça a não incidência de imposto de renda sobre a quantia recebida, quer seja por sua natureza indenizatória, quer seja por se tratar de valor recebido em virtude de acordo homologado na Justiça do Trabalho; 4. Na remota hipótese do não acolhimento de uma das alternativas acima, seja acolhido o presente recurso para o fim de assim ser decidido, cancelandose o Débito Fiscal reclamado. Em 09/06/2011 foi determinado, pela 2ª Turma da 1ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, o sobrestamento do julgamento do Recurso Voluntário apresentado em razão deste ter como matéria de fundo a tributação de rendimento recebidos acumuladamente, com Repercussão Geral reconhecida pelo STF (fls. 147/148). É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Andréa Viana Arrais Egypto Relatora Juízo de admissibilidade O Recurso Voluntário foi apresentado dentro do prazo legal e atende aos requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Inconstitucionalidades Fl. 154DF CARF MF Processo nº 13433.000230/200624 Acórdão n.º 2401006.150 S2C4T1 Fl. 8 7 Cabe inicialmente esclarecer que as questões atinentes à inconstitucionalidade de lei tributária não são oponíveis na esfera do contencioso administrativo, conforme se destaca do enunciado da Súmula nº 2, assim redigida: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Nulidade da decisão de primeira instância O Recorrente pleiteia a nulidade da decisão de primeira instância por falta de apreciação de argumentos defensivos apresentados pelo contribuinte. No entanto, entendo que não assiste razão ao contribuinte. A decisão foi fundamentada, não havendo que se falar em nulidade quando o julgador proferiu decisão devidamente motivada, explicitando as razões pertinentes à formação de sua livre convicção. Em que pese a irresignação do contribuinte, foram enfrentados todos os argumentos defensivos apresentados em sede de impugnação e, consoante os elementos de fato e de direito contidos nos autos do processo administrativo o julgador formou seu livre convencimento, apresentando fundamentos suficientes e claros para refutar as alegações deduzidas. Ademais, cabe destacar que o órgão julgador não está obrigado a se manifestar sobre todos os pontos alegados pela parte, mas sim sobre a matéria debatida e sobre os pontos que entender necessários ao deslinde da controvérsia, de acordo com o livre convencimento motivado. 1 Inexiste erro no julgado que enseje qualquer nulidade da decisão. Portanto, rejeito a preliminar suscitada. Ilegitimidade passiva O Recorrente alega a impossibilidade jurídica de figurar no polo passivo da relação tributária, tendo em vista ser a fonte pagadora responsável pela retenção e recolhimento do Imposto de Renda retido na fonte, passando a ser o único devedor do tributo. Importa observar que no presente caso não se está discutindo a falta de retenção do imposto de renda pela fonte pagadora mas, sim, o fato de o contribuinte ter omitido da tributação, na Declaração de Ajuste Anual DAA, rendimentos auferidos no anocalendário de 2001, em virtude de classificação indevida de rendimentos na DIRPF. Neste caso, cabe ao contribuinte, como titular da disponibilidade econômica desses rendimentos, a responsabilidade pela correspondente tributação. 1 EDcl no AgRg no AREsp 575.844/GO, Rel. Ministro RIBEIRO DANTAS, QUINTA TURMA, julgado em 13/11/2018, DJe 22/11/2018 Fl. 155DF CARF MF Processo nº 13433.000230/200624 Acórdão n.º 2401006.150 S2C4T1 Fl. 9 8 Destarte, esse é o entendimento pacífico deste Colegiado, consolidado de acordo com o enunciado da súmula CARF n° 12: Constatada a omissão de rendimentos sujeitos à incidência do imposto de renda na declaração de ajuste anual, é legítima a constituição do crédito tributário na pessoa física do beneficiário, ainda que a fonte pagadora não tenha procedido à respectiva retenção. Assim, não procede o argumento do Recorrente. Mérito Com relação ao mérito, deve ser examinado, inicialmente, se ocorreu ou não o fato gerador do Imposto de Renda e, para tanto, necessário se faz a análise da natureza jurídica dos rendimentos recebidos. Com efeito, conforme se constata dos autos do processo administrativo, as verbas recebidas decorrem de reclamação trabalhista ajuizada contra a Caixa Econômica Federal, juntamente com mais 70 (setenta) empregados, na qual se pleiteou o recebimento da diferença correspondente ao índice de 26,05%, relativo à URP de fevereiro de 1989. Consoante estabelecido no art. 43 do CTN, o fato gerador do Imposto de Renda é a disponibilidade econômica ou jurídica de renda (produto do capital, do trabalho ou de ambos) ou proventos de qualquer natureza, entretanto, o conceito de renda é limitado e não abrange valores que não representem acréscimo ao patrimônio do contribuinte, como é o caso dos autos. Destarte, é pacífico tanto na doutrina como na jurisprudência dos tribunais superiores o entendimento de que a correção monetária não representa acréscimo patrimonial, pois é, na realidade, mecanismo de recomposição da efetiva desvalorização da moeda e seu objetivo é preservar o poder aquisitivo original em relação à inflação. No caso, foi justamente a inflação que motivou toda a sistemática de aplicação da própria URP. O Ministro Marco Aurélio, relator do Recurso Extraordinário nº 565.089, onde se discute (em sede de Repercussão Geral) a indenização por falta de revisão anual em vencimentos dos servidores públicos de São Paulo, externa em seu voto o seguinte entendimento: O Supremo já assentou que “a correção monetária não se constitui em um plus, não é uma penalidade, mas mera reposição do valor real da moeda corroída pela inflação” – Agravo Regimental na Ação Cível Originária nº 404, da relatoria do Ministro Maurício Corrêa. Cabe ainda ressaltar que questão dessa natureza já foi trazida, em 10/08/2017, à esta 1ª Turma, no Acórdão 2401005.031. Naquela ocasião, acompanhei o voto do Relator Rayd Santana Ferreira, entendendo tratarse de verba de natureza indenizatória, e por isso peço vênia para trazer os argumentos acrescentandoos como razão de decidir: (...) o STF ao se posicionar sobre o abono variável pago aos magistrados da União, nos termos do artigo 2º, da Lei 10.474/2002, que compreendia as diferenças de URV, dentre Fl. 156DF CARF MF Processo nº 13433.000230/200624 Acórdão n.º 2401006.150 S2C4T1 Fl. 10 9 outras verbas, manifestouse pela sua natureza indenizatória, conforme artigo 1º da Resolução 245/2002, que assim dispõe: Art. 1º É de natureza jurídica indenizatória o abono variável e provisório de que trata o artigo 2º da Lei nº 10.474, de 2002, conforme precedentes do Supremo Tribunal Federal. Conforme conclusões do STF nas decisões que ensejaram o nascimento da Resolução encimada, a regra de incidência tributária é excetuada quando a concessão do abono for "feita para reparação da supressão ou perda de direito, característica que lhe emprestaria o caráter de indenização", que foi, exatamente, o que ocorreu com o abono variável e provisório previsto pelo art. 6º da Lei nº 9.655, de 1998, com a alteração estabelecida no art. 2º da Lei nº 10.474, de 27 de junho de 2002. Na ocasião, a PGFN se pronunciou por meio dos Pareceres 529/2003 e 923/2003, concluindo que, tal qual o abono pago aos membros da magistratura da União, o abono concedido aos membros do Ministério Público da União possui natureza indenizatória, conforme Resolução 245/2002, do STF. Nesse contexto, considerando que o pagamento da diferença de URV tem o objetivo de reparação ou supressão de perda de direito, e esta característica lhe confere a natureza de verba indenizatória para os membros da magistratura e Ministério Público da União, entende este Conselheiro, que outra não pode ser sua natureza quando paga aos membros da Magistratura e Ministério Público Estadual. Observese que aqui não se está aplicando analogia para afastar o tributo devido, mas apenas dando a mesma interpretação jurídica a normas que só não são idênticas por provirem de fontes diversas União e Estado da Bahia, e, terem destinatários diferentes. Porém os efeitos do art. 2º da Lei federal nº 10.477/2002 e da Lei complementar estadual nº 20/2003 são idênticos, no caso das diferenças da URV, beneficiando destinatários diversos, não podendo o imposto de renda incidir sobre diferenças de uma, sendo afastado de outra. (...) Neste diapasão, entendo dever ser afastada a incidência do imposto de renda da pessoa física em relação aos valores recebidos a título de diferenças de URV por ter natureza indenizatória, conforme encimado. (Grifamos). Portanto, sob todos os prismas analisados, não vejo como possível afastar a natureza indenizatória das verbas recebidas pela Recorrente à título de "diferenças de URP", seja pela aplicação da Resolução nº 245 do STF, seja pelo fato de tal medida ter sido adotada no intuito de recompor seu patrimônio pela perda experimentada quando da conversação das moedas, restando clara a sua natureza indenizatória. Fl. 157DF CARF MF Processo nº 13433.000230/200624 Acórdão n.º 2401006.150 S2C4T1 Fl. 11 10 Ademais, o lançamento sequer poderia prosperar, haja vista ter ocorrido erro na realização da apuração do imposto, conforme Tema 368 do STF: Incidência do imposto de renda de pessoa física sobre rendimentos percebidos acumuladamente. Dessa forma, não pode prevalecer a exigência contida no lançamento. Conclusão Ante o exposto, CONHEÇO do Recurso Voluntário e, no mérito, DOULHE provimento. (Assinado digitalmente) Andréa Viana Arrais Egypto. Voto Vencedor Conselheiro Cleberson Alex Friess Redator Designado Peço licença à I. Relatora para discordar do seu voto quanto ao mérito do julgamento do recurso voluntário. Por outro lado, manifesto conformidade com a rejeição das questões preliminares. Tratase de lançamento do imposto de renda incidente sobre valores correspondentes ao pagamento do índice de 26,05% fixado para a Unidade de Referência de Preços (URP) do mês de fevereiro/1989, conforme acordo homologado pela Justiça do Trabalho. Segundo a autoridade fiscal, o contribuinte classificou indevidamente os rendimentos na sua declaração anual como isentos e/ou não tributáveis (fls. 05/09 e 33/35). A parcela recebida pelo recorrente no ano de 2001 possui nítida conotação salarial, caracterizando rendimento tributável e submetido à incidência do imposto de renda. Ainda que recebida em atraso, a verba é decorrente de pagamento de diferença salarial resultante de plano econômico instituído pelo Governo Federal, reconhecida como devida em virtude de ação judicial. Para concluir pela natureza indenizatória da parcela recebida pela pessoa física, a I. Relatora fez um paralelo com os valores do reajuste de 3,17% relativos à Unidade Real de Valor (URV). Contudo, em uma e outra hipótese os valores não escapam à tributação do imposto de renda, visto que são destinados à recomposição salarial e representam acréscimo Fl. 158DF CARF MF Processo nº 13433.000230/200624 Acórdão n.º 2401006.150 S2C4T1 Fl. 12 11 patrimonial para o beneficiário dos rendimentos. No tocante à URV, inclusive, a atual jurisprudência da 2ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais é firme no sentido da natureza remuneratória de tais pagamentos.2 A renúncia ao direito de incorporação do percentual de 26,05% ao salário do contribuinte, que havia sido pleiteado na petição inicial, não converte o rendimento pago em caráter indenizatório (fls. 63/64). Com efeito, por meio de acordo de conciliação, o recorrente e os demais autores da ação trabalhista aceitaram receber apenas parte das verbas salariais reclamadas, com a finalidade específica de chegar ao fim o longo processo judicial em curso, bem como incorporar as quantias já reconhecidas e depositadas em juízo pela Caixa Econômica Federal ao seu patrimônio. Quanto às importâncias vincendas, havia tão só a expectativa de incorporação do índice da URP de fevereiro/1989 aos salários dos trabalhadores, quando da decisão definitiva executória favorável aos reclamantes, após esgotados os meios recursais para discussão da matéria. Por cuidar de direito patrimonial disponível, os exeqüentes simplesmente optaram em ganhar menos, em prol da imediata liberação financeira, de maneira que o valor efetivamente pago na ação trabalhista não configura recomposição patrimonial e/ou compensação pela perda do direito à incorporação salarial do índice de 26,05% com base na URP. Conforme antes esclarecido na análise da preliminar, a constituição do crédito tributário se deu corretamente em nome da pessoa física beneficiária dos rendimentos (Súmula CARF nº 12). É certo que a falta de retenção do imposto sobre os rendimentos pagos poderia implicar o reajustamento da base de cálculo. No entanto, tal hipótese não produz efeitos sobre o polo passivo da relação tributária, apenas que o beneficiário dos rendimentos deveria oferecer o montante reajustado à tributação do imposto de renda. A decisão judicial acerca da não incidência do imposto de renda não obriga a Fazenda Pública, em atenção aos limites subjetivos do julgado, que vincula somente os acordantes. É dizer que a decisão homologatória produz efeitos "inter partes", de um lado, empregados e exempregados, via atuação do respectivo sindicato, e, de outro, a Caixa Econômica Federal. Por sua vez, no que toca ao afastamento da multa de ofício, merece reforma a decisão de piso. A falta de recolhimento do imposto de renda deuse pela natureza da classificação dos rendimentos na declaração de ajuste da pessoa física, a partir de informação prestada pela fonte pagadora e respaldada no acordo homologado em juízo. 2 Por exemplo, o Acórdão nº 920207.070, de 25/07/2018, cuja ementa está reproduzida parcialmente a seguir: (...) IMPOSTO DE RENDA. DIFERENÇAS SALARIAIS. URV. Os valores recebidos por servidores públicos a título de diferenças ocorridas na conversão de sua remuneração, quando da implantação do Plano Real, são de natureza salarial, razão pela qual estão sujeitos a incidência de Imposto de Renda nos termos do art. 43 do CTN. (...) Fl. 159DF CARF MF Processo nº 13433.000230/200624 Acórdão n.º 2401006.150 S2C4T1 Fl. 13 12 A documentação fornecida pela Caixa Econômica Federal, através do comprovante de rendimentos, foi decisiva para a conduta do recorrente, que nada mais fez do que declarar os valores relativos a exercícios anteriores de acordo com a mesma natureza atribuída pela fonte pagadora. Mais que isso, a fonte pagadora confiou na orientação da Justiça do Trabalho, que a desobrigou de efetuar a retenção, na medida em que a juíza da 1ª Vara do Trabalho de Mossoró deixou consignado a não incidência do imposto de renda sobre os valores homologados no termo de conciliação, numa interpretação, data vênia, equivocada do Provimento CG/TST 01/96 (fls. 75/81). Em que pese a falta de recolhimento e/ou declaração do imposto, punível com sanção pecuniária, é cabível a exoneração da multa de oficio em decorrência do erro escusável induzido pela interpretação errônea dada pela fonte pagadora à natureza dos rendimentos, com respaldo nas palavras do Poder Judiciário quando procedeu à homologação do acordo de conciliação entre as partes. Nesse sentido, é oportuna a reprodução do entendimento do verbete sumular nº 73 deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF): Súmula CARF nº 73: Erro no preenchimento da declaração de ajuste do imposto de renda, causado por informações erradas, prestadas pela fonte pagadora, não autoriza o lançamento de multa de ofício. Diferentemente, os juros de mora não possuem caráter de penalidade, incidindo sobre o crédito tributário que deixou de ser pago. Os efeitos da mora sobre o crédito tributário são automáticos, bastando a falta de pagamento no vencimento. Confirase o prescrito no art. 161 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, que veicula o Código Tributário Nacional (CTN): 3 Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. (...) Como não incidiu desconto do imposto na fonte por ocasião do recebimento dos rendimentos, o contribuinte utilizou dinheiro alheio, devendo, sob pena de enriquecimento sem causa, compensar a falta de disponibilidade dos recursos pelo Poder Público, mediante os juros de mora incidentes sobre o valor do imposto originário devido e não pago. Para fins de cobrança dos juros de mora, tornase indiferente o motivo que determinou a ausência do pagamento. 3 Quanto à incidência dos juros de mora, ressalvase a hipótese de depósito do crédito tributário, conforme a Súmula CARF nº 5: São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral. Fl. 160DF CARF MF Processo nº 13433.000230/200624 Acórdão n.º 2401006.150 S2C4T1 Fl. 14 13 Por derradeiro, assinalo que os rendimentos recebidos pelo contribuinte no anocalendário de 2001 são relativos a anoscalendário anteriores, vinculados ao reajustamento salarial com base no índice de 26,05% fixado para a URP, aplicado sobre prestações vencidas até a efetivação do pagamento na ação trabalhista. Em sessão do Supremo Tribunal Federal (STF) realizada no dia 23/10/2014, no julgamento do Recurso Extraordinário (RE) nº 614.406/RS, com repercussão geral reconhecida, redator para o acórdão Ministro Marco Aurélio, o Plenário da Corte admitiu a invalidade do art. 12 da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, no que tange à sistemática de cálculo para a incidência do imposto sobre os rendimentos recebidos acumuladamente, por violar os princípios da isonomia e da capacidade contributiva. Com efeito, afastando o regime de caixa, o Tribunal acolheu o regime de competência para o cálculo mensal do imposto de renda devido pela pessoa física, com a utilização das tabelas progressivas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos. Eis a ementa desse julgado: IMPOSTO DE RENDA – PERCEPÇÃO CUMULATIVA DE VALORES – ALÍQUOTA. A percepção cumulativa de valores há de ser considerada, para efeito de fixação de alíquotas, presentes, individualmente, os exercícios envolvidos. Em 09/12/2014, o Recurso Extraordinário nº 614.406/RS transitou em julgado, tornando definitiva a decisão. Diante desse contexto fático, o § 2º do art. 62 do Anexo II do Regimento Interno deste Conselho RICARF , aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015, com a redação dada pela Portaria MF nº 152, de 3 de maio de 2016, assim estabelece: Art. 62. (...) § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. A exigência de que o imposto incidirá no mês da percepção dos valores, sobre o total de rendimentos acumulados, aplicandose a tabela progressiva vigente no mês desse recebimento, foi considerada em descompasso com o texto constitucional, em decisão definitiva de mérito na sistemática do art. 543B do Código de Processo Civil. O entendimento da Corte Suprema deverá ser reproduzido no âmbito deste Conselho. Desse modo, a unidade da RFB encarregada da liquidação e execução deste acórdão deverá manter a incidência do imposto de renda no mês de recebimento, porém o cálculo deve considerar as tabelas e alíquotas das épocas próprias a que se refiram tais Fl. 161DF CARF MF Processo nº 13433.000230/200624 Acórdão n.º 2401006.150 S2C4T1 Fl. 15 14 rendimentos, realizandose a apuração de forma mensal, e não pelo montante global pago extemporaneamente. Conclusão Ante o exposto, DOU PARCIAL PROVIMENTO ao recurso voluntário interposto para: (i) excluir a aplicação da multa de ofício; e (ii) determinar o recálculo do imposto de renda tomando como base as tabelas e alíquotas das épocas próprias a que se refiram os rendimentos tributáveis, observando a renda auferida mês a mês pelo contribuinte (regime de competência). (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess Fl. 162DF CARF MF
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Numero do processo: 10880.909397/2013-15
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 09 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Apr 29 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 1001-000.090
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para que a unidade de origem confirme, nas DIRF das empresas indicadas pela recorrente, as retenções na fonte efetuadas por filiais.
(assinado digitalmente)
Sérgio Abelson Presidente
(assinado digitalmente)
Andréa Machado Millan - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sérgio Abelson, Andréa Machado Millan, e Jose Roberto Adelino da Silva.
Nome do relator: ANDREA MACHADO MILLAN
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para que a unidade de origem confirme, nas DIRF das empresas indicadas pela recorrente, as retenções na fonte efetuadas por filiais. (assinado digitalmente) Sérgio Abelson – Presidente (assinado digitalmente) Andréa Machado Millan Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sérgio Abelson, Andréa Machado Millan, e Jose Roberto Adelino da Silva. Relatório O presente processo trata de Declaração de Compensação formalizada em 21/08/2008 através do PER/DCOMP nº 25725.08881.210808.1.7.020353. Tem por objeto o Saldo Negativo de IRPJ apurado pela empresa no 4º trimestre do anocalendário de 2000, no valor de R$ 47.105,27. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 80 .9 09 39 7/ 20 13 -1 5 Fl. 120DF CARF MF Processo nº 10880.909397/201315 Resolução nº 1001000.090 S1C0T1 Fl. 121 2 Ao mesmo crédito vinculase também a PER/DCOMP nº 21508.64338.210808.1.7.023202. O pedido foi parcialmente deferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Administração Tributária de São Paulo (DeratSP), com fundamento no Despacho Decisório nº 048937357, eletrônico, de 04/04/2013 (fl. 17). O Despacho Decisório informou que, analisada a PER/DCOMP, dos R$ 47.105,27 informados como retenção na fonte, apenas R$ 31.792,16 haviam sido confirmados pelos sistemas da Receita Federal. Que o valor original do saldo negativo informado nos PER/DCOMP, confirmado na DIPJ, era de R$ 47.105,27. Que, considerandose apenas os valores de retenções na fonte confirmados, o valor do saldo negativo disponível era de R$ 31.792,16. Que o crédito reconhecido era insuficiente para compensar integralmente os débitos informados pelo sujeito passivo, razão pela qual homologava parcialmente a compensação declarada no PER/DCOMP nº 25725.08881.210808.1.7.020353, e não homologava a compensação declarada da PER/DCOMP nº 21508.64338.210808.1.7.023202. As retenções de imposto não confirmadas, no valor total de R$ 15.313,11 (R$ 47.105,27 – R$ 31.792,16), são detalhadas no quadro constante à fl. 21, denominado Parcelas Confirmadas Parcialmente ou Não Confirmadas. Cientificado do Despacho Decisório, o contribuinte apresentou a Manifestação de Inconformidade de fls. 23 a 59, alegando que as retenções na fonte informadas na PER/DCOMP são objeto de rigoroso controle por parte da empresa, conforme demonstrativo que apresenta às fls. 33 a 38, extraído de sua contabilidade. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro I – RJ, no Acórdão de Manifestação de Inconformidade às fls. 77 a 81, negou provimento à manifestação da empresa, confirmando o Despacho Decisório. Abaixo, sua ementa: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2008 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO DE IRPJ. QUARTO TRIMESTRE DE 2000. ANTECIPAÇÕES DE IRRF. FALTA DE PROVAS. Mantémse o Despacho Decisório se não elidido o fato que lhe deu causa. Argumentou que o interessado não trouxe ao processo os comprovantes das retenções não confirmadas pela DeratSP. Que não há provas de que as receitas correspondentes tenham sido oferecidas à tributação. Concluiu que, não comprovada a liquidez e a certeza do crédito tributário alegado, o Despacho Decisório eletrônico deveria ser mantido. Inconformado, o contribuinte apresentou o Recurso Voluntário de fls. 84 a 88. Nele alega que das retenções na fonte não confirmadas, num total de R$ 15.313,11, a maior parte (R$ 14.575,50) não foi confirmada porque declarada à Receita Federal pelo CNPJ da matriz, enquanto nos PER/DCOMP foram informados os CNPJ das filiais. Fl. 121DF CARF MF Processo nº 10880.909397/201315 Resolução nº 1001000.090 S1C0T1 Fl. 122 3 É o Relatório. Voto Conselheira Andréa Machado Millan, Relatora O recurso apresentado atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, que regula o processo administrativofiscal (PAF). Dele conheço. Como dito acima, a recorrente afirma que das retenções na fonte não confirmadas, num total de R$ 15.313,11, parte, no valor de R$ 14.575,50, não se confirmou porque foi declarada à Receita Federal, através de Declarações de Imposto de Renda Retido na Fonte – DIRF, no CNPJ das matrizes das fontes pagadoras, enquanto em seus PER/DCOMP as retenções foram informadas nos CNPJ das filiais. Junta, no corpo do recurso, planilha com a lista das referidas retenções, totalizando R$ 14.575,50, informando, para cada retenção, o CNPJ da filial que a efetuou e o CNPJ da matriz responsável pela DIRF. De fato, verificase que na PER/DCOMP (fls. 2 a 17) as retenções foram informadas pelos CNPJ das filiais. E, de fato, em obediência ao artigo 15, incisos I e IV, da Lei nº 9.779/1999, abaixo reproduzidos, os pagamentos de IRRF são efetuados, obrigatoriamente, de forma centralizada pela matriz da empresa, bem como a declaração a eles referente: Art. 15. Serão efetuados, de forma centralizada, pelo estabelecimento matriz da pessoa jurídica: I o recolhimento do imposto de renda retido na fonte sobre quaisquer rendimentos; (...) IV a apresentação das declarações de débitos e créditos de tributos e contribuições federais e as declarações de informações, observadas normas estabelecidas pela Secretaria da Receita Federal. Para confirmar a informação trazida pela recorrente, é necessário que se acesse as DIRF das fontes pagadoras, nas quais supostamente há o detalhamento das retenções na fonte de cada uma de suas filiais. Tratase de confirmação indispensável ao julgamento do processo. Tais informações, disponíveis nos sistemas da Receita Federal, independem de intimação à recorrente ou da apresentação de qualquer documento de sua parte. Caso se comprovem verdadeiras, influenciarão de forma decisiva o reconhecimento do direito de crédito, no valor retido informado nas DIRF. Caso houvessem sido detectadas pelos sistemas, ou verificadas manualmente na unidade de origem, os valores de crédito correspondentes teriam sido automaticamente homologados. Fl. 122DF CARF MF Processo nº 10880.909397/201315 Resolução nº 1001000.090 S1C0T1 Fl. 123 4 Diante do exposto, voto por CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA, determinando o retorno do processo à unidade de origem, para que esta confirme, nas DIRF das empresas indicadas pela Recorrente na planilha constante do Recurso Voluntário (planilha à fl. 85), as retenções na fonte efetuadas pelas filiais ali elencadas. A unidade de origem deverá elaborar relatório fiscal conclusivo sobre as apurações e cientificar o sujeito passivo do resultado da diligência realizada, conforme parágrafo único do art. 35 do Decreto nº 7.574, de 2011. (assinado digitalmente) Andréa Machado Millan Fl. 123DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13002.001420/2008-09
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 25 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu May 16 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2006
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. MATÉRIA DECIDIDA PELO STJ NA SISTEMÁTICA DO ART. 543C DO CPC.
O artigo 62-A do RICARF obriga a utilização da regra do REsp nº 1.306.393/DF, julgado em 24/10/2012, decidido na sistemática do art. 543C do Código de Processo Civil.
IRPF. ISENÇÃO SOBRE OS RENDIMENTOS AUFERIDOS POR TÉCNICOS A SERVIÇO DAS NAÇÕES UNIDAS. PNUD. DEVER DE COERÊNCIA NA ATUAÇÃO ADMINISTRATIVA.
Conforme decisão prolatada no Recurso Especial n.º 1.306.393/DF, eleito como representativo da controvérsia e julgado sob o rito do art. 543C do CPC, o STJ confirmou o entendimento firmado pela 1º Seção, no REsp nº 1.159.379/DF (Relator Ministro Teori Zavascki), no sentido de que são isentos do imposto de renda os rendimentos do trabalho recebidos por técnicos a serviço das Nações Unidas, contratados no Brasil para atuar como consultores no âmbito do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento PNUD.
Numero da decisão: 2002-001.045
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente.
(assinado digitalmente)
Virgílio Cansino Gil - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil, Thiago Duca Amoni e Mônica Renata Mello Ferreira Stoll.
Nome do relator: VIRGILIO CANSINO GIL
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2006 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. MATÉRIA DECIDIDA PELO STJ NA SISTEMÁTICA DO ART. 543C DO CPC. O artigo 62-A do RICARF obriga a utilização da regra do REsp nº 1.306.393/DF, julgado em 24/10/2012, decidido na sistemática do art. 543C do Código de Processo Civil. IRPF. ISENÇÃO SOBRE OS RENDIMENTOS AUFERIDOS POR TÉCNICOS A SERVIÇO DAS NAÇÕES UNIDAS. PNUD. DEVER DE COERÊNCIA NA ATUAÇÃO ADMINISTRATIVA. Conforme decisão prolatada no Recurso Especial n.º 1.306.393/DF, eleito como representativo da controvérsia e julgado sob o rito do art. 543C do CPC, o STJ confirmou o entendimento firmado pela 1º Seção, no REsp nº 1.159.379/DF (Relator Ministro Teori Zavascki), no sentido de que são isentos do imposto de renda os rendimentos do trabalho recebidos por técnicos a serviço das Nações Unidas, contratados no Brasil para atuar como consultores no âmbito do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento PNUD.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente. (assinado digitalmente) Virgílio Cansino Gil - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil, Thiago Duca Amoni e Mônica Renata Mello Ferreira Stoll.
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MATÉRIA DECIDIDA PELO STJ NA SISTEMÁTICA DO ART. 543C DO CPC. O artigo 62A do RICARF obriga a utilização da regra do REsp nº 1.306.393/DF, julgado em 24/10/2012, decidido na sistemática do art. 543C do Código de Processo Civil. IRPF. ISENÇÃO SOBRE OS RENDIMENTOS AUFERIDOS POR TÉCNICOS A SERVIÇO DAS NAÇÕES UNIDAS. PNUD. DEVER DE COERÊNCIA NA ATUAÇÃO ADMINISTRATIVA. Conforme decisão prolatada no Recurso Especial n.º 1.306.393/DF, eleito como representativo da controvérsia e julgado sob o rito do art. 543C do CPC, o STJ confirmou o entendimento firmado pela 1º Seção, no REsp nº 1.159.379/DF (Relator Ministro Teori Zavascki), no sentido de que “são isentos do imposto de renda os rendimentos do trabalho recebidos por técnicos a serviço das Nações Unidas, contratados no Brasil para atuar como consultores no âmbito do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento PNUD”. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 00 2. 00 14 20 /2 00 8- 09 Fl. 54DF CARF MF Processo nº 13002.001420/200809 Acórdão n.º 2002001.045 S2C0T2 Fl. 3 2 (assinado digitalmente) Virgílio Cansino Gil Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil, Thiago Duca Amoni e Mônica Renata Mello Ferreira Stoll. Relatório Tratase de Recurso Voluntário (fls. 32/37) contra decisão de primeira instância (fls. 22/28), que julgou improcedente a impugnação do sujeito passivo. Em razão da riqueza de detalhes, adoto o relatório da r. DRJ, que assim diz: Através de Notificação de Lançamento às fls. 11 a 14, exigese do contribuinte acima identificado a importância de R$ 2.121,56, a título de imposto suplementar (código 2904), a ser adicionada da multa de ofício _de 75% e de juros moratórios, relativo ao imposto de renda pessoa física, exercício 2007. O total do crédito tributário atinge a RS 3.908,76, calculado até 29.02.2008. A ação da Fiscalização decorreu de revisão da Declaração de Ajuste Anual, exercício 2007, DIRPF 2007, cópia às fls. 15 a 18, com o cruzamento e análise de informações constantes nas Declarações de Rendimentos Pagos a Consultores por Organismos Internacionais DERC, e o contrato celebrado entre o contribuinte e o organismo internacional, quando foi apurada irregularidade às normas tributárias, conforme relatada na “Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal” fl. 12, indicada a seguir: omissão de rendimentos recebidos do exterior DERC, decorrente de serviços prestados a organismos internacionais, no valor de RS 37.760,00, no anocalendário 2006. O enquadramento legal: arts. 1°, 2°, 3° e parágrafos, e 8°, da Lei n° 7.713/88; arts. 1° a 4°, da Lei n° 8.134/90; art. 6° da Lei n° 9.250/95; art. 55, inciso VII e 995, do Regulamento do Imposto de Renda RIR/99, aprovado pelo Decreto n“ 3.000/99, arts. 1° e 15 da Lei n° 10.451/02, Instrução Normativa SRF n° 166/2002 e Decreto n“ 3.751/2001. O contribuinte, inconformado com o lançamento, apresentou impugnação à Notificação de Lançamento, às fls. 01 a 05, informando, inicialmente, que foram declarados como rendimentos isentos e não tributáveis os valores percebidos do Programa das Nações Unidas para Fl. 55DF CARF MF Processo nº 13002.001420/200809 Acórdão n.º 2002001.045 S2C0T2 Fl. 4 3 o Desenvolvimento PNUD. Aduz, ainda, orientação emanada do Parecer Normativo n° 717/79 e do Parecer Normativo n° 03/96, ambos editados pela Receita Federal. Especificamente ao mérito, invoca o artigo 5°, parágrafo 2° , da Constituição Federal, os artigos 96 e 98 do Código Tributário Nacional CTN, Lei n° 5.172/66, 0 artigo V, do Decreto n° 27.784/50, o artigo 6° do Decreto n° 52.288/63 e o Decreto n° 59.308/66. Menciona, ainda, orientações em perguntas contidas na publicação “Perguntas e Respostas”, editada pela Receita Federal. Reproduz as ementas de acórdão do Egrégio Tribunal Regional Federal da 1” Região e de acórdãos do Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda. Requer, finalizando, o cancelamento do crédito tributário lançado. Preenchidos os requisitos formais de admissibilidade, conhecese da impugnação. O resumo da decisão revisanda está condensado na seguinte ementa do julgamento: RENDIMENTO TRIBUTÁVEL. São tributáveis os rendimentos decorrentes de prestação de serviço junto ao Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento PNUD, percebidos por pessoa física nacional, residente e contratada no País, que não detenha a condição de funcionário de organismo internacional. Súmula CARF n° 39: “Os valores recebidos pelos técnicos residentes no Brasil a serviço da ONU e suas Agências Especializadas, com vínculo contratual, não são isentos do imposto sobre a renda da pessoa física.” Inconformado, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário, reiterando as alegações da impugnação, juntando documentos. É o relatório. Passo ao voto. Voto Conselheiro Virgílio Cansino Gil Relator Recurso Voluntário aviado a modo e tempo, portanto dele conheço. O contribuinte foi cientificado em 08/11/2010 (fl. 31); Recurso Voluntário protocolado em 09/11/2010 (fl. 32), assinado pelo próprio contribuinte. Responde o contribuinte nestes autos, pela seguinte infração: a) Omissão de Rendimentos Recebidos do Exterior DERC Relata o Sr. AFRF que: Fl. 56DF CARF MF Processo nº 13002.001420/200809 Acórdão n.º 2002001.045 S2C0T2 Fl. 5 4 Confrontando o valor dos Rendimentos Recebidos do Exterior declarados, com o valor informado por Órgão/Entidade da Administração Pública Federal, em Declaração de Rendimentos Pagos a Consultores por Organismos Internacionais (Derc), para o titular e/ou dependentes, constatouse omissão de rendimentos no valor de R$ 37.760,00 , recebidos de Organismo Internacional. A r. decisão revisanda, entendeu que: Reafirmados os princípios da territorialidade e político na tributação de renda dos residentes no país, concluise que, no caso em apreço, os rendimentos recebidos pelo contribuinte pessoa física nacional, residente e contratada no Brasil, decorrentes de prestação de serviço ao Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento PNUD, quando não detenha a condição de funcionário desse organismo internacional, deverão integrar a base de cálculo na Declaração de Ajuste Anual, conforme determina o regramento tributário nacional supramencionado. A par disso, e por oportuno, cumpre salientar que o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, órgão do Ministério da Fazenda, editou, recentemente, a Súmula n° 39, consolidando entendimento acerca da matéria, nos seguintes termos: “Os valores recebidos pelos técnicos residentes no Brasil a serviço da ONU e suas Agências Especializadas, com vínculo contratual, não são isentos do imposto sobre a renda da pessoa física”. Irresignado, o contribuinte maneja recurso próprio, juntando documentos. Em sua peça de resistência o recorrente, alega razões preliminares que se confundem com o mérito, e com este serão analisadas. Alega o recorrente, que foi contratado pelo “PROGRAMA DAS NAÇÕES UNIDAS PARA O DESENVOLVIMENTO – PNUD/ONU, a fim de trabalhar com horário préestabelecido, sob subordinação hierárquica, em trabalho não eventual e mediante o recebimento de salários fixos mensais. Assim entende o recorrente, que conforme dispõe o art.3º da CLT o mesmo se enquadra como empregado. Verificando o documento de fl. 39, em seu item III verificamos que: “O CONTRATADO não estará isento do pagamento de imposto em virtude deste contrato, obrigandose ao pagamento de impostos, encargos, taxas e outros tributos devidos em função das importâncias recebidas sob este contrato, conforme legislação aplicável”. No item IV assim relata: “O CONTRATADO será considerado como consultor independente. O CONTRATADO não será considerado, sob nenhum aspecto membro do quadro de funcionários da Agência Nacional de Execução do Projeto ou do PNUD. Desde a decisão do STJ este CARF vem decidindo a matéria, conforme excertos colacionados: Fl. 57DF CARF MF Processo nº 13002.001420/200809 Acórdão n.º 2002001.045 S2C0T2 Fl. 6 5 IRPF. ISENÇÃO SOBRE OS RENDIMENTOS AUFERIDOS POR TÉCNICOS A SERVIÇO DAS NAÇÕES UNIDAS. Consoante entendimento consignado no Recurso Especial n.º 1.306.393/DF, eleito como representativo da controvérsia e julgado sob o rito do art. 543C do CPC, o STJ ratificou o entendimento firmado pela 1ª Seção, no REsp n.º 1.159.379/DF (Relator Ministro Teori Zavascki), no sentido de que “são isentos do imposto de renda os rendimentos do trabalho recebidos por técnicos a serviço das Nações Unidas, contratados no Brasil para atuar como consultores no âmbito do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento PNUD”. No referido julgamento, entendeu o relator que os "peritos" a que se refere o Acordo Básico de Assistência Técnica com a Organização das Nações Unidas, suas Agências Especializadas e a Agência Internacional de Energia Atômica, promulgado pelo Decreto 59.308/66, estão ao abrigo da norma isentiva do imposto de renda. Conforme decidido pela Primeira Seção, o Acordo Básico de Assistência Técnica atribuiu os benefícios fiscais decorrentes da Convenção sobre Privilégios e Imunidades das Nações Unidas, promulgada pelo Decreto 27.784/50, não só aos funcionários da ONU em sentido estrito, mas também aos que a ela prestam serviços na condição de "peritos de assistência técnica", no que se refere a essas atividades específicas. Recurso Provido”. (CARF, 2ª Seção de Julgamento, 1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária, relatora Conselheira Alice Grecchi, Acórdão nº 2102003.265, Sessão de 11 de fevereiro de 2015). PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. MATÉRIA DECIDIDA PELO STJ NA SISTEMÁTICA DO ART. 543C DO CPC. O art. 62A do RICARF obriga a utilização da regra do REsp nº 1.306.393/DF, julgado em 24/10/2012, decidido na sistemática do art. 543C do Código de Processo Civil. RENDIMENTOS AUFERIDOS POR TÉCNICOS A SERVIÇO DAS NAÇÕES UNIDAS, CONTRATADOS NO BRASIL PARA ATUAR COMO CONSULTORES NO ÂMBITO DO PNUD/ONU. ISENÇÃO. Isto posto, e pelo que mais consta dos autos, conheço do Recurso Voluntário, e no mérito dáse provimento. É como voto. (assinado digitalmente) Virgílio Cansino Gil Fl. 58DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10930.901639/2008-22
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 07 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu May 23 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2003
PRECLUSÃO ARGUMENTATIVA. MATÉRIA APRESENTADA EM SEDE DE RECURSO VOLUNTÁRIO NÃO PRESENTE NA IMPUGNAÇÃO.
A Recorrente apresenta novos argumentos em seu Recurso, não apresentada na manifestação de inconformidade, de modo que ocorreu a preclusão argumentativa
COMPENSAÇÂO. SALDO NEGATIVO. POSSIBILIDADE ATÉ O LIMITE DO CRÉDITO.
Tendo tomado ciência do valor de saldo negativo apurado em diligência pela DRF de origem, entende-se que a Recorrente concordou com o resultado.
Numero da decisão: 1003-000.662
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para reconhecer como crédito de saldo negativo de IRPJ do exercício 2004 o valor de R$ 4.821,38, com o retorno dos autos à unidade de origem para compensação do débito informado na PER/DCOMP até o limite do crédito aqui reconhecido.
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva - Presidente.
(assinado digitalmente)
Wilson Kazumi Nakayama - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Barbara Santos Guedes, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça, Wilson Kazumi Nakayama e Carmen Ferreira Saraiva( (Presidente)
Nome do relator: WILSON KAZUMI NAKAYAMA
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2003 PRECLUSÃO ARGUMENTATIVA. MATÉRIA APRESENTADA EM SEDE DE RECURSO VOLUNTÁRIO NÃO PRESENTE NA IMPUGNAÇÃO. A Recorrente apresenta novos argumentos em seu Recurso, não apresentada na manifestação de inconformidade, de modo que ocorreu a preclusão argumentativa COMPENSAÇÂO. SALDO NEGATIVO. POSSIBILIDADE ATÉ O LIMITE DO CRÉDITO. Tendo tomado ciência do valor de saldo negativo apurado em diligência pela DRF de origem, entende-se que a Recorrente concordou com o resultado.
turma_s : Terceira Turma Extraordinária da Primeira Seção
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para reconhecer como crédito de saldo negativo de IRPJ do exercício 2004 o valor de R$ 4.821,38, com o retorno dos autos à unidade de origem para compensação do débito informado na PER/DCOMP até o limite do crédito aqui reconhecido. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva - Presidente. (assinado digitalmente) Wilson Kazumi Nakayama - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Barbara Santos Guedes, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça, Wilson Kazumi Nakayama e Carmen Ferreira Saraiva( (Presidente)
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1526; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C0T3 Fl. 304 1 303 S1C0T3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10930.901639/200822 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1003000.662 – Turma Extraordinária / 3ª Turma Sessão de 7 de maio de 2019 Matéria DCOMP SALDO NEGATIVO IRPJ Recorrente MARCO AVICULTURA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2003 PRECLUSÃO ARGUMENTATIVA. MATÉRIA APRESENTADA EM SEDE DE RECURSO VOLUNTÁRIO NÃO PRESENTE NA IMPUGNAÇÃO. A Recorrente apresenta novos argumentos em seu Recurso, não apresentada na manifestação de inconformidade, de modo que ocorreu a preclusão argumentativa COMPENSAÇÂO. SALDO NEGATIVO. POSSIBILIDADE ATÉ O LIMITE DO CRÉDITO. Tendo tomado ciência do valor de saldo negativo apurado em diligência pela DRF de origem, entendese que a Recorrente concordou com o resultado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para reconhecer como crédito de saldo negativo de IRPJ do exercício 2004 o valor de R$ 4.821,38, com o retorno dos autos à unidade de origem para compensação do débito informado na PER/DCOMP até o limite do crédito aqui reconhecido. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Presidente. (assinado digitalmente) Wilson Kazumi Nakayama Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 0. 90 16 39 /2 00 8- 22 Fl. 304DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Barbara Santos Guedes, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça, Wilson Kazumi Nakayama e Carmen Ferreira Saraiva( (Presidente) Relatório Tratase de recurso voluntário em face do acórdão 0629.164, de 11 de novembro de 2010, da 1ª Turma da DRJ/CTA, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade da contribuinte. A Recorrente formalizou o Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação (PER/DCOMP) nº 14 644.01294.2 60204.1.3.02 8290, em 26/02/2004, efls. 37, utilizandose do crédito relativo a saldo negativo de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica relativo ao exercício 2004, para compensação dos débitos ali confessados. As compensações pleiteadas não foram homologadas pela DRF Londrina, pelo fato do valor de saldo negativo informado na DIPJ não corresponder ao valor declarado no PER/DCOMP. Inconformada, a Recorrente apresentou manifestação de inconformidade, julgada imporcedente pela DRJ/CTA, em acórdão assim ementado: INCONSISTÊNCIA DE INFORMAÇÕES IMPRESCINDÍVEIS. Não se reconhece o direito creditório quando o contribuinte, mesmo intimado, deixa de retificar informações inconsistentes imprescindíveis à análise do direito pleiteado. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Cientificada do acórdão em 18/05/2011 (efl. 133), irresignada a Recorrente apresentou recurso voluntário em 18/05/2011 (efls. 134137), no qual alega o seguinte: " O valor solicitado no PERD/COMP incorre em R$ 29.821,34 (conforme se demonstra na planilha anexa, devidamente acompanhada da DARF'S recolhidas neste montante). O valor compensado, como também se infere pela planilha juntada, atinge R$ 25.927,07. Fica demonstrando que ainda remanesce um saldo a compensar de R$ 3.894,27. Somandose o valor remanescente de R$ 3.894,27, com o valor informado na Ficha 12, linha 19 do DIPJ R$ 4.797,83, resultará em R$ 8.692,10, exatamente o que foi declarado no PERD/COMP, demonstrando perfeitamente a apuração do crédito." Fl. 305DF CARF MF Processo nº 10930.901639/200822 Acórdão n.º 1003000.662 S1C0T3 Fl. 305 3 Subiram os autos à este Colegiado, para julgamento pela 2ª Turma Especial, que houve por bem transformar o julgamento em diligência. em sessão do dia 11 de setembro de 2013., conforme assentado na Resolução n° 1802000.327. Transcrevo parte do voto proferido pela 2ª Turma Especial na Resolução n° 1802000.327, que esclarece a motivação e as informações requeridas na diligência: "Nessa fase recursal, a Contribuinte trouxe melhores esclarecimentos sobre a divergência entre os valores da DIPJ e do PER/DCOMP. A planilha apresentada juntamente com o recurso voluntário, às fls. 140/141, evidencia que o que ela pretende é agregar parcela remanescente do saldo negativo de 2002, ao saldo negativo de 2003. Mas isso não é possível, porque um saldo negativo só é “transferido” de um período para outro, ou melhor, só é levado para a frente, renovandose no tempo, na medida em que contribua para a formação de saldos negativos em períodos subseqüentes, o que se dá pela sua utilização na quitação de estimativas mensais destes outros períodos, via procedimento de compensação (é o que parece ter acontecido com a maior parte do saldo negativo de 2002). Se a compensação não é realizada pelo Contribuinte, não há como reconhecer um saldo negativo inexistente em um determinado período por haver saldo negativo de outro período que não foi aproveitado em tempo hábil. Está bastante claro que o PER/DCOMP deste processo tem como objeto o saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 2003, pelo que o exame do direito creditório deve se ater a esse período. Embora a DIPJ indique a apuração de saldo negativo de IRPJ para o ano de 2003, ainda não é possível atestar a certeza e liquidez deste crédito, uma vez que parte das estimativas de 2003 foi quitada mediante compensação (por outros PER/DCOMP), conforme indicado na planilha de fls. 140/141. O julgamento do presente processo demanda uma instrução complementar. É necessário que os autos sejam encaminhados à Delegacia de origem (DRF Londrina/PR), para que aquela unidade: 1) verifique e informe: a base de cálculo e a respectiva IRPJ devida no anocalendário de 2003; o valor das estimativas recolhidas em DARF referentes a 2003; a condição das estimativas de 2003 que teriam sido quitadas por meio de outros PER/COMP, conforme indicado na planilhas de fls. 140/141; 2) apresente relatório circunstanciado esclarecendo se há saldo negativo de IRPJ em 2003 a ser restituído/compensado, e qual o seu valor; 3) cientifique a Contribuinte deste relatório, para que ela possa se manifestar no prazo legal." Fl. 306DF CARF MF 4 A DRF Londrina procedeu a diligência, e elaborou Termo de Diligência (e fl. 294295), concluindo o seguinte: Tendo a empresa informado apurar, em sua DIPJ/2004, Imposto de Renda a pagar no valor total de R$ 36.067,28 (R$ 36.040,37 + R$ 26,91), deduzindose o valor de R$ 40.888,66 relativo às antecipações de IRPJ, fica comprovada a apuração de Saldo Negativo de IRPJ no período no valor de R$ 4.821,38 (quatro mil, oitocentos e vinte e um reais e trinta e oito centavos), valor esse ligeiramente maior que o apurado na Linha 19 da Ficha 12A da DIPJ/2004 (R$ 4.797,83), haja vista que a contribuinte compensou em DCOMP o débito de estimativa de IRPJ relativo a Setembro/2003 no valor de R$ 1.616,90 e não no valor de R$ 1.592,42, como informado na DIPJ. Segundo Demonstrativo Analítico de Compensação de folha 293, verificase que o direito creditório no valor de R$ 4.821,38 (quatro mil, oitocentos e vinte e um reais e trinta e oito centavos) é parcialmente suficiente para extinguir o débito declarado como compensado na Declaração de Compensação de folhas 220/224. A Recorrente tomou ciência do Termo de Diligência em 23 de dezembro de 2013. Não consta nos autos manifestação da Recorrente em face do referido Termo. É o relatório. Voto Conselheiro Wilson Kazumi Nakayama, Relator O recurso voluntário atende aos requisitos formais de admissibilidade, assim dele tomo conhecimento. Apenas em sede de recurso voluntário é que a Recorrente esclareceu como chegara ao crédito apontado no PER/DCOMP no valor de R$ 8.692,08. Uma parte (R$ 3.894,27) teria como origem o "restante" do saldo negativo de IRPJ do anocalendário 2002 e a outra parte (R$ 4.793,83) do saldo negativo de IRPJ do anocalendário 2003. A Recorrente transportou o saldo negativo do anocalendário de 2002 para o anocalendário 2003. Esclareçase que o aproveitamento do saldo negativo de um período para outro só pode ser feito via compensação das estimativas mensais desses períodos subsequentes via procedimento de compensação. A Recorrente informou em PER/DCOMP que a origem do crédito era saldo negativo de IRPJ do exercício 2004, e é isso que está sendo discutido nos autos. A informação que parte do crédito informado era de saldo negativo do exercício 2003 só foi prestada pela Recorrente em sede de recurso voluntário, não tendo sido trazida para apreciação pela DRJ e tampouco pela unidade de origem. Portanto ocorreu a preclusão argumentativa relativamente ao saldo negativo do exercício 2003. Fl. 307DF CARF MF Processo nº 10930.901639/200822 Acórdão n.º 1003000.662 S1C0T3 Fl. 306 5 Portanto passo a analisar apenas o saldo negativo do exercício 2004. A informação prestada no PER/DCOMP é que a origem do crédito é de saldo negativo de IRPJ do exercício 2004 no valor de R$ 8.692,08 e a informação prestada na DIPJ é de saldo negativo de R$ 4.797,83. Diante da inconsistência de valor entre a DIPJ e o PER/DCOMP a 2ª Turma Especial entendeu necessário a realização de diligência pela DRF Londrina para esclarecer se havia saldo negativo de IRPJ em 2003 a ser restituído/compensado, e qual o seu valor. A DRF Londrina procedeu a diligência determinada pela 2ª Turma Especial e concluiu que a Recorrente fazia juz a um crédito decorrente de saldo negativo de IRPJ do exercício 2004 no valor de R$ 4.821,38 (quatro mil, oitocentos e vinte e um reais e trinta e oito centavos), valor esse ligeiramente maior que o apurado na Linha 19 da Ficha 12A da DIPJ/2004 (R$ 4.797,83). Cientificada do resultado da diligência, a Recorrente não questionou o que foi apurado pelo Fisco, portanto entendo que o valor do crédito de saldo negativo de IRPJ do exercício 2004 a ser reconhecido é de R$ 4.821,38. Isso posto, voto em DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário, para determinar a reforma do acórdão a quo, reconhecendo como crédito de saldo negativo de IRPJ do exercício 2004 o valor de R$ 4.821,38, com o retorno dos autos à unidade de origem para compensação do débito informado na PER/DCOMP até o limite do crédito aqui reconhecido. (assinado digitalmente) Wilson Kazumo Nakayama Fl. 308DF CARF MF
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Numero do processo: 10630.001148/2006-01
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Oct 17 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2005
DEDUÇÃO. DESPESAS MÉDICAS. SOLICITAÇÃO DE OUTROS ELEMENTOS DE PROVA PELO FISCO. POSSIBILIDADE. Todas as deduções estão sujeitas à comprovação ou justificação, podendo a autoridade lançadora solicitar motivadamente elementos de prova da efetividade dos
serviços médicos prestados e dos correspondentes pagamentos.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2101-001.922
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
Nome do relator: José Raimundo Tosta Santos
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DESPESAS MÉDICAS. SOLICITAÇÃO DE OUTROS ELEMENTOS DE PROVA PELO FISCO. POSSIBILIDADE. Todas as deduções estão sujeitas à comprovação ou justificação, podendo a autoridade lançadora solicitar motivadamente elementos de prova da efetividade dos serviços médicos prestados e dos correspondentes pagamentos. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) ___________________________________ Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente (assinado digitalmente) ___________________________________ José Raimundo Tosta Santos Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), José Raimundo Tosta Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Célia Maria de Souza Murphy, Gilvanci Antonio de Oliveira Sousa e Gonçalo Bonet Allage. Relatório AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 63 0. 00 11 48 /2 00 6- 01 Fl. 93DF CARF MF Impresso em 29/12/2012 por MARIA APARECIDA PEREIRA DOS SANTOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/11/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 09/1 1/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 08/11/2012 por JOSE RAIMUNDO TO STA SANTOS 2 O recurso voluntário em exame pretende a reforma do Acórdão nº 0923.201 (fl. 48), que, por unanimidade de votos, julgou procedente em parte o lançamento de fls. 05 e 29 a 31, em razão da glosa da dedução com despesas médicas, em montante de R$ 27.149,40, por falta de comprovação ou por falta de previsão legal para sua dedução. Consoante descrição dos fatos, à fl. 29, Intimado, o contribuinte solicitou prorrogação do prazo para entregar os comprovantes até 20/09/2006. Não apresentou qualquer documento. Não comprovou as despesas, que são de valores significativos. Cientificado do lançamento, o contribuinte apresentou a impugnação de fls. 01/04, na qual, em síntese e entre outros aspectos argúi que as despesas médicas glosadas estão devidamente comprovadas, conforme faz prova a documentação juntada a defesa. Informa como o pagamento das despesas médicas foi efetuado, requerendo, ao final, diligência ou perícia, caso persistam dúvidas. Às fls. 43/44, o Despacho da 6ªª Turma da DRJ/JFA propôs o retorno dos autos à repartição de origem para juntada da intimação fiscal encaminhada ao contribuinte durante a fase de fiscalização. Em atendimento à referida solicitação foram juntados ao processo os elementos de fls. 45 a 47. Ao apreciar o litígio, o órgão julgador de primeiro grau entendeu que os documentos apresentados para comprovação das despesas médicas relativas ao profissional Sílvio Tadeu Bini (R$ 6.500,00) e Fundação AFFEMG de Assistência à Saúde (R$ 3.149,40) são hábeis e suficientes para comprovação dessas despesas médicas. Quanto aos documentos apresentados para comprovação das despesas médicas pleiteadas com o profissional Sérgio Aguiar de Lima, apenas a parcela de R$ 5.000,00 foi comprovada pelo contribuinte, conforme as cópias dos cheques nominativos acostados à defesa, restado sem comprovação o valor de R$ 12.500,00. A decisão recorrida possui a seguinte ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física – IRPF Exercício: 2005 DEDUÇÕES. DESPESAS MÉDICAS. À luz do art. 29 do Decreto n° 70.235, de 1972, na apreciação de provas a autoridade julgadora tem a prerrogativa de formar livremente sua convicção. Correta a glosa de valores deduzidos a título de despesas médicas, cujo pagamento, embora tenha sido objeto de intimação por parte da autoridade lançadora, não foi comprovado pela contribuinte. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 2005 DILIGÊNCIAS OU PERÍCIAS. A autoridade julgadora de primeira instância somente determinará, de oficio ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis. Lançamento Procedente em Parte Fl. 94DF CARF MF Impresso em 29/12/2012 por MARIA APARECIDA PEREIRA DOS SANTOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/11/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 09/1 1/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 08/11/2012 por JOSE RAIMUNDO TO STA SANTOS Processo nº 10630.001148/200601 Acórdão n.º 2101001.922 S2C1T1 Fl. 78 3 Em seu apelo ao CARF o recorrente reitera o pedido pelo restabelecimento integral da despesa médica. Argumenta que a prova efetiva da prestação dos serviços está evidenciada nos autos (fls. 07), com a apresentação de Declaração firmada pelo Dr. Sérgio Aguiar de Lima, onde o mesmo afirma, categoricamente, que prestou os serviços, bem como a forma como lhe foi efetuado o pagamento, parte com dinheiro em espécie e parte em cheques. Entende que não existe nenhuma lei que proíba o contribuinte de efetuar pagamentos em dinheiro, em espécie. É o relatório. Voto Conselheiro JOSÉ RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Relator O recurso atende os requisitos de admissibilidade. Do exame das peças processuais, firmo convencimento de que o lançamento e a decisão de primeiro grau não merecem qualquer reparo. Conforme já assentado neste Colegiado, as despesas médicas dedutíveis da base de cálculo do imposto de renda restringemse aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes, e limitamse a pagamentos especificados e comprovados. Sobre a dedução de despesas médicas, vejamos o que dispõe a legislação que rege a matéria, e como os Órgãos administrativos de julgamento a têm interpretado. Confirase o estabelecido na Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995: Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: (...). II das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no ano calendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias; (...). § 2º O disposto na alínea “a” do inciso II: (...). II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Geral de Contribuintes CGC de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, Fl. 95DF CARF MF Impresso em 29/12/2012 por MARIA APARECIDA PEREIRA DOS SANTOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/11/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 09/1 1/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 08/11/2012 por JOSE RAIMUNDO TO STA SANTOS 4 ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; Por sua vez, o Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999, Regulamento do Imposto de Renda, RIR/1999, art. 73, dispõe: Art.73. Todas as deduções estão sujeitas à comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 11, §3º). §1º Se forem pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte (Decreto lei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 4º). Por certo, a legislação, em regra, estabelece a apresentação de recibos como forma de comprovação das despesas médicas, a teor do que dispõe o art. 80, § 1º, III, do RIR/1999, mas não restringe a ação fiscal apenas a esse exame, numa visão sistêmica da legislação tributária. Verificase, inclusive, que a indicação do cheque nominativo, apesar de conter muito menos informação que o recibo, é também eleito como meio de prova, evidenciando a força probante da efetiva comprovação do pagamento. Em outros recursos que passaram por este Colegiado, com despesas médicas elevadas, a parte interessada apresentou elementos de prova abundantes da necessidade da realização das despesas (os serviços demandados, exames, laudos circunstanciados, etc), quando não o faziam em relação ao efetivo pagamento. O autuado é aposentado da Secretaria de Estado de Planejamento e Gestão do Estado de Minas Gerais e recebe a integralidade dos proventos declarados através de conta bancária, mas não consegue comprovar o efetivo pagamento da despesa mantida na decisão de primeiro grau, no valor de R$12.500,00, conforme recibo à fl. 08, emitido em 18/05/2004. O ordenamento legal permite que o contribuinte realize pagamentos em moeda corrente e, por seu turno, os beneficiários devem aceitálos. Só que, mesmo esse modal de cumprimento de obrigações permite comprovação, uma vez que, em razão dos valores envolvidos, não há como compreender que não ocorreriam saques coincidentes, ou aproximados, em datas e valores aos indicados no recibo. A decisão de primeiro grau expressamente manifestou o mesmo entendimento da fiscalização, conforme descrição dos fatos na Notificação de Lançamento (fl. 29) e Intimação à fl. 45, quanto à necessidade de comprovação do efetivo pagamento, conforme se constata pela leitura do voto conduto do acórdão recorrido (fls. 50/54), cujos fundamentos estão em consonância com reiterados julgamentos deste Colegiado. Com efeito, quando as deduções pleiteadas são elevadas, não basta o interessado apresentar recibos ou declarações que não comprovam o fato declarado, conforme dispõe o artigo 368 do Código de Processo Civil. Art. 368. As declarações constantes do documento particular, escrito e assinado, ou somente assinado, presumemse verdadeiras em relação ao signatário. Parágrafo único. Quando, todavia, contiver declaração de ciência, relativa a determinado fato, o documento particular prova a declaração, mas não o fato declarado, competindo ao interessado em sua veracidade o ônus de provar o fato. Fl. 96DF CARF MF Impresso em 29/12/2012 por MARIA APARECIDA PEREIRA DOS SANTOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/11/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 09/1 1/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 08/11/2012 por JOSE RAIMUNDO TO STA SANTOS Processo nº 10630.001148/200601 Acórdão n.º 2101001.922 S2C1T1 Fl. 79 5 Neste sentido, o Superior Tribunal de Justiça já teve oportunidade de afirmar que "a presunção juris tantun de veracidade do conteúdo do instrumento particular é invocável tãosomente em relação aos seus subscritores (STJ, Ac. Unân. 4a T. Resp. 33.2003/SP, rel. Min. Sálvio de Figueiredo Teixeira, in RSTJ 78:269). E também o entendimento da doutrina abalizada de Washington de Barros Monteiro: "Salientese, entretanto, que a presunção de veracidade só prevalece contra os próprios signatários, não contra terceiros, estranhos ao ato". (Curso de Direito Civil", 10 vol., 34a Edição, p. 257 e 258). É certo que o sistema protege o documento que se reveste de presunção de veracidade, permitindo redução do seu valor probatório somente diante de prova em contrário. Contudo, o documento que não se reveste de presunção de veracidade, como recibos e declarações particulares, são passíveis de serem rejeitados como prova, desde que haja outros motivos, pois a estes documentos atribuise valor probatório ordinário. Assim, o ônus da prova do fato declarado compete ao contribuinte interessado na prova da sua veracidade, sendo legitima a exigência pelo fisco de elementos complementares a estes documentos, com a finalidade de formar juízo de verossimilhança dos fatos declarados. Estas considerações objetivam analisar a matéria de forma ponderada, de acordo com a especificidade de cada caso. Não se trata de exigências descabidas ou ilegais, ou de atribuição indevida de ônus ao contribuinte, já que a legislação que rege a matéria (artigo 73 do RIR/99) dispõe que todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, sendo certo que o caso em exame não suscita qualquer dúvida a ensejar a aplicação do artigo 112 do CTN. Com efeito, diante da clareza da descrição dos fatos na Notificação de Lançamento do auto de infração e do voto condutor da decisão recorrida, esperavase que o contribuinte fosse mais diligente com a prova requerida, especialmente quando este informa que a quantia indicada no recibo à fl. 08, emitido pelo valor global de R$12.500,00, sobre o qual ainda permanece a glosa, foi paga em espécie. Sabemos que os recibos devem ser emitidos à medida que os pagamentos são recebidos, até porque o profissional liberal escritura o livro caixa, que tem base mensal, e os rendimentos auferidos de pessoa física estão sujeitos ao carnêleão, sendo certo que o desembolso de volumosa quantia permite ao interessado a sua comprovação. No caso vertente, o impugnante não se preocupou em apresentar quaisquer documentos/provas subsidiários que comprovassem o efetivo pagamento das despesas médicas no valor de R$ 12.500,00, conforme solicitado pela autoridade tributária. Para a situação revelada no caso em exame, há que se comungar com o entendimento manifestado pela fiscalização, que encontra suporte na jurisprudência majoritária deste Conselho, expresso nas ementas abaixo colacionadas, dentre muitas outras, no mesmo diapasão: IRPF DEDUÇÕES COM DESPESAS MÉDICAS COMPROVAÇÃO Para se gozar do abatimento pleiteado com base em despesas médicas, não basta a disponibilidade de um simples recibo, sem vinculação do pagamento ou a efetiva prestação de serviços. Essas condições devem ser comprovadas quando restar dúvida quanto à idoneidade do documento. (Ac. 1º CC 10243935/1999 e Ac. CSRF 011.458) DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS COMPROVAÇÃO A validade da dedução de despesas médicas, quando impugnadas pelo Fisco, depende da comprovação do efetivo pagamento e/ou Fl. 97DF CARF MF Impresso em 29/12/2012 por MARIA APARECIDA PEREIRA DOS SANTOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/11/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 09/1 1/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 08/11/2012 por JOSE RAIMUNDO TO STA SANTOS 6 da prestação dos serviços. (Acórdão 10422781, Sessão de 18/10/2007) DESPESAS MÉDICAS GLOSA Tendo a autoridade fiscal efetuado a glosa de despesas médicas por não comprovação dos gastos, não há justificativa para seu restabelecimento sem confirmação do efetivo desembolso e da prestação do serviço. (Acórdão 10248922, Sessão de 25/01/2008). Por fim, pacífico o entendimento deste Colegiado no sentido de que o indeferimento fundamentado do pedido para realização de diligência ou perícia, como o fez a decisão recorrida (fl. 54), não implica em cerceamento do direito de defesa, conforme dispõem os artigos 18 e 28 do Decreto nº 70.235, de 1972, com a redação que lhes foi dada pela Lei n° 8.748, de 1993. Com efeito, não há direito subjetivo do contribuinte à realização de diligência ou perícia, podendo a autoridade julgadora de primeira instância determinar, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis. Em face ao exposto, nego provimento ao recurso. (assinado digitalmente) José Raimundo Tosta Santos Fl. 98DF CARF MF Impresso em 29/12/2012 por MARIA APARECIDA PEREIRA DOS SANTOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/11/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 09/1 1/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 08/11/2012 por JOSE RAIMUNDO TO STA SANTOS
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Numero do processo: 10768.908978/2006-05
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 09 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed May 29 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2003
MOMENTO DE RETIFICAÇÃO DAS ESCRITURAÇÕES. PER/DCOMP. ÔNUS DA PROVA.
Não se admite retificação da DCOMP e da escrituração contábil por intermédio da Manifestação de Inconformidade, devendo proceder conforme os veículos formais próprios para tanto.
Cabe ao recorrente produzir o conjunto probatório de suas alegações nos autos, já que o procedimento de apuração do direito creditório não prescinde comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de tributo pago a maior.
Numero da decisão: 1002-000.703
Decisão: Recurso Voluntário Negado
Crédito Tributário Mantido
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Ailton Neves da Silva - Presidente.
(assinado digitalmente)
Breno do Carmo Moreira Vieira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Aílton Neves da Silva (Presidente), Breno do Carmo Moreira Vieira, Rafael Zedral e Marcelo José Luz de Macedo.
Nome do relator: BRENO DO CARMO MOREIRA VIEIRA
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PER/DCOMP. ÔNUS DA PROVA. Não se admite retificação da DCOMP e da escrituração contábil por intermédio da Manifestação de Inconformidade, devendo proceder conforme os veículos formais próprios para tanto. Cabe ao recorrente produzir o conjunto probatório de suas alegações nos autos, já que o procedimento de apuração do direito creditório não prescinde comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de tributo pago a maior. Recurso Voluntário Negado Crédito Tributário Mantido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Ailton Neves da Silva Presidente. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 76 8. 90 89 78 /2 00 6- 05 Fl. 306DF CARF MF 2 Breno do Carmo Moreira Vieira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Aílton Neves da Silva (Presidente), Breno do Carmo Moreira Vieira, Rafael Zedral e Marcelo José Luz de Macedo. Relatório Tratase de Recurso Voluntário (efls. 131 à 132) interposto contra o Acórdão n° 1226.666, proferido pela 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro/RJ1 (efls. 118 à 125), que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, mantendo não homologação da compensação pretendida. Por representar acurácia na análise dos fatos, faço uso do Relatório do Acórdão a quo: A interessada acima identificada apresentou Declaração de Compensação— DCOMP n° 30883.34596.300703.1.3.048497, em 30/07/2003 (fls.2/6), constando dito crédito de IRPJ no valor de R$ 689,00, oriundo de pagamento indevido ou a maior de CSLL do qual pretendia utilizar R$ 592,96 para compensar parcialmente débito de CSLL de estimativa mensal do PA de junho de 2003 no valor total de R$ 1.770,64. 2. A compensação foi não homologada e o direito creditório indeferido, nos termos do despacho decisório da DERAT de fls. 9, fundamentação legal dos art 165 e 170 da Lei n° 5.172, de 25/10/1966 — CTN e art 74 da Lei 9.430, de 27/12/1996, sob argumento de que foi localizado o pagamento no valor de R$ 689,00 (pagamento n° 0485378379), mas utilizado integralmente para quitação de débitos de CSLL (cód 2484) de mesmo valor do PA 30/06/2000 do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação do débito informado no PER/DCOMP. 3. Inconformada, a interessada ingressou tempestivamente com Manifestação de Inconformidade (fls. 11/2), alegando que: 3.1. o per/dcomp mencionado foi confeccionado na primeira versão instituída (1.0) que gerava dúvidas no preenchimento, o que a levou a interpretação incorreta; 3.2. o per/dcomp em questão se refere a um débito de CSLL, cod. 2484, PA 30/06/2003, vencimento 31/07/2003, no valor de R$ 1.770,64, compensado com o crédito existente em 3 DARF de recolhimento indevido a maior; 3.3. o per/dcomp incorreu no erro de informar o valor total de débito repetidamente nos três per/dcomp emitidos, um para cada DARF, não limitando o valor do débito ao valor do crédito existente em cada darf; 3.4. simulou um per/dcomp atual, que não mais pode ser transmitido, para melhor análise do erro ocorrido; Fl. 307DF CARF MF Processo nº 10768.908978/200605 Acórdão n.º 1002000.703 S1C0T2 Fl. 307 3 3.5. o crédito de R$ 689,00 utilizado na compensação constou indevidamente na DCTF do 2° trimestre de 2000, o que caracterizava a inexistência do crédito, pelo que foi retificada a DCTF para acerto; 3.7. só tomaram ciência de tais erros cinco anos após as transmissões, sendo impossível fazer qualquer retificação 3.8. pede que sejam consideradas as compensações, visto que não foi dado o direito de retificar os erros incorridos por falta de esclarecimento e que só os conheceu em 30/07/2008, data em que findava o prazo para transmissão dos relatórios retificadores. O teor meritório do Acórdão da DRJ consistiu na inviabilidade de se reconhecer o direito creditório, haja vista a ausência de liquidez e certeza (art. 170 do CTN), verbis: Voto (...) 5. A interessada contesta a decisão que não homologou a compensação declarada, mas admite que errou e só tomou conhecimento dos erros através do despacho decisório recepcionado em 30/07/2008, quando não havia mais tempo para efetuar as retificações. 6. Consultado o sistema SIEF/FISCEL verificamos que o pagamento n° 0485378379 se refere ao PA 30/06/2000 e código de receita 2484 (fl. 111). 7. A legislação de regência abrange o Código Tributário Nacional (CTN) —Lei 5.172/66, artigos 156 e 170, a Lei 9430/96, artigos 73 e 74 e Instruções Normativas da Secretaria da Receita Federal e da Receita Federal do Brasil: (...) 8. Ao tempo da transmissão da DCOMP sub análise, estava em vigor a Instrução Normativa SRF n° 210/02, alterada pela IN SRF n° 226/2002, mas a retificação pretendida pela interessada em 15/08/2008 e apresentada em 22/08/2008 foi feita quando em vigor a IN SRF 600, de 28/12/2005, abaixo reproduzida: (...) 9. A interessada admite ter cometido erro no preenchimento da PER/DCOMP n° 30883.34596.300703.1.3.048497 e pretende que seja feita a retificação desse documento, juntada em papel às fls. 40/3 para que o débito nela informado se amolde ao valor constante da DCTF retificada. 10. Da análise da legislação de regência, vemos que a retificação da DCOMP não é admitida quando já houve decisão administrativa ao tempo da elaboração do documento retificador. A ciência da decisão pela interessada da não Fl. 308DF CARF MF 4 homologação da DCOMP sub analise ocorreu em 30/07/2008 (fl.8) e a apresentação da DCOMP retificadora se deu em 22/08/2008 por ocasião da apresentação da manifestação de inconformidade. 11. Por outro lado, ao retificar a DCTF para modificar o valor de débito informado, não apresentou memória de cálculo da formação do débito, nem cópias dos seus livros contábeis e fiscais onde constassem valores que pudessem formar convicção inequivoca da veracidade dos fatos alegados, comprovando a liquidez e certeza do seu crédito. 12. Não havendo, no presente processo, condições de se averiguar a liquidez e certeza do crédito da interessada, como exige o CTN em seu artigo 170, não é possível homologar a compensação declarada pela PER/DCOMP n° 30883.34596.300703.1.3.048497. 12. Por todo o exposto, voto pela não homologação da DCOMP sub analise e pelo indeferimento dos pedidos constantes da manifestação de inconformidade. (GN) Em virtude do poder de síntese manifestado em Recurso Voluntário, transcrevo suas razões de mérito: DO DIREITO DA PRELIMINAR Os perdcomp's n°s 21628.93645.300703.1.3.040039; 30883.34596.300703.1.3.048497 e 28590.98726.300703.1.3.04 3070 (em anexo) foram confeccionados com o intuito de se compensar um débito de CSLL código da receita 2484 período de apuração 30/06/2003 vencimento 31/07/2003 no valor de R$ 1.770,64 (anexo DIPJ e DCTF do período para análise) utilizando para isto três darf s de recolhimento a maior. O equivoco ocorreu ao repetirmos nos três perdcomps o valor integral do débito (R$ 1.770,64) não o fracionando de acordo com o crédito existente em cada darf. Sendo cada documento processado individualmente nos controles da SRF, tivemos parte do primeiro crédito no valor principal de R$ 315,00 aceita através do despacho decisório (processo 10768908.979/200641) e a diferença no valor de R$ 1.295,15 não homologada, gerando assim a primeira cobrança deste tributo. A segunda cobrança do mesmo tributo ocorreu com a não homologação do perdcomp n° 30883.34596.300703.1.3.048497 (processo 10768908.978/200605) onde o valor nos foi cobrado integralmente, pois havíamos retificado a DCTF no momento em que tomamos ciência da falha cometida, o que causou duvidas a SRF sobre a existência do crédito, gerando assim uma segunda cobrança no valor de R$ 1.770,64 do referido débito. E por fim, a terceira cobrança deste mesmo tributo ocorreu com a não homologação do perdcomp 28590.98726.300703.1.3.04 Fl. 309DF CARF MF Processo nº 10768.908978/200605 Acórdão n.º 1002000.703 S1C0T2 Fl. 308 5 3070 (processo 10768908.980/200676) onde o mesmo valor de R$ 1.770,64 nos foi cobrado integralmente, em virtude de não ter sido mais possível o processamento dos perdcomps retificadores. Relatamos em nossas manifestações de inconformidade que existiam varias duvidas na confecção deste documento e que muitas vezes não conseguíamos compreender os esclarecimentos fornecidos nos plantões fiscais, diante disto pleiteávamos a analise da documentação e aceitação da retificação dos perdcomps a fim de que os mesmos fossem considerados homologados . Ao recepcionar em 27/11/2009 o indeferimento das manifestações de inconformidade, compreendemos as alegações transcritas e nos empenhamos no sentido de quitar o debito devido, aderindo ao parcelamento instituído pela Lei 11.941 de 2009, visto tal débito já constar disponível no site para quitação (processo 15374.721.6081200866). No entanto solicitamos neste recurso o estorno dos outros dois débitos gerados pela repetição do mesmo valor na confecção dos perdcomps n°s 30883.34596.300703.1.3.048497 e 28590.98726.300703.1.3.04 3070. DO MÉRITO Facultados pela Lei 10833/2003 que nos permite julgar parcialmente improcedente a decisão proferida a nossa manifestação de inconformidade , solicitamos a analise da DIPJ e DCTF do período em questão, que demonstra a existência de um só debito de IRPJ no valor de R$ 1.770,64, a fim de se proceder ao cancelamento dos perdcomp's n°s 30883.34596.300703.1.3.048497 e 28590.98726.300703. 1.3.043070, visto não ser possível mais a realização da compensação pretendida e com isto corrigir a cobrança indevida que originou os darfs nos valores de R$ 1.868,37; R$ 1.793 ,47; R$ 810, 11 e R$ 2 .851,74 (em anexo), que representam o valor original de R$ 3.541 ,28 (R$ 1.770,64 x 2), vide extratos dos processos recebidos da SRFMadureira , em anexo. Senhores Conselheiros, é este, em síntese, o ponto de discordância apontado neste Recurso: a) Cobrança de um único débito de CSLL cód. 2484 período apuração 30/06/2003 duas vezes mais. Fl. 310DF CARF MF 6 DO PEDIDO À vista do exposto, demonstrada a insubsistência e improcedência parcial da decisão de primeira instância , requer que seja dado provimento ao presente Recurso. (GN) É o Relatório. Voto Conselheiro Breno do Carmo Moreira Vieira, Relator Admissibilidade O Recurso Voluntário atende aos pressupostos de admissibilidade extrínsecos e intrínsecos. Demais disto, observo a plena competência deste Colegiado, na forma do art. 23 B, do Regimento Interno do CARF, com redação da Portaria MF n.º 329, de 2017. Portanto, opino por seu conhecimento. Preliminar Ab initio, o Contribuinte veicula exposição fática e jurídica em caráter preliminar. Contudo, seu teor é adstrito eminentemente ao espectro meritório, razão pela qual será conhecido e avaliado doravante, dentro das razões de mérito per se. Do reconhecimento do direito creditório e a forma de retificação No que cinge à compensação pretendida, não assiste razão ao Recorrente. De plano, é de se reconhecer a boafé do Contribuinte, conforme se ilustra nas provas acostadas aos autos; quanto ao mais, é inequívoca a dificuldade inerente ao preenchimento da DCOMP, o que se espelha na jurisprudência deste e. CARF, quando se confere muito mais valor à verdade material (escrituração contábil e respectivos comprovantes) frente ao adimplemento formal das Declarações transmitidas. Conforme se vê, o Contribuinte alega possuir crédito contra a Administração Tributária, sob condição resolutória de sua ulterior homologação pela Autoridade Fiscal, para fins de extinção do crédito tributário (CTN, art. 156, II). Afinal, como reza o Código Civil, se Fl. 311DF CARF MF Processo nº 10768.908978/200605 Acórdão n.º 1002000.703 S1C0T2 Fl. 309 7 duas pessoas forem ao mesmo tempo credor e devedor uma da outra, as duas obrigações extinguemse, até onde se compensarem (CC, art. 368). O regime jurídico compensatório tem fundamento no art. 170 do Código Tributário Nacional (CTN), dispondo que a lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública. Neste diapasão, inicialmente, o aludido instituto foi regido pelo art. 66 da Lei n.º 8.383, de 1991, sendo, posteriormente, fixadas novas regras para compensação de tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil no art. 74 da Lei n° 9.430, de 1996, com suas alterações. Para que se tenha a compensação tornase necessário que o contribuinte comprove que o seu crédito (montante a restituir) é líquido e certo. Cuidase de conditio sine qua non, isto é, sem a qual aquela não pode ocorrer. O ônus probatório do crédito alegado pelo Contribuinte contra a Administração Tributária é especialmente dele, devendo comprovar a liquidez e certeza de seu direito creditório. No entanto, conforme repisado no Acórdão de piso, o Recorrente não adimpliu tal mister documental, bem como a instrumentalidade necessária às retificações. Sabese que as DCOMPs são veiculadas individualmente, cada qual apresentando a compensação espelhada no formulário eletrônico; este, por seu turno, deve vir acompanhado das escriturações contábeis consentâneas ao pleito realizado. Contudo, em caso de constatação de equívocos, deve o Contribuinte proceder com as modificações, por intermédio de instrumento próprio para tanto. Ademais, ainda que se admitisse a conexão por prejudicialidade frente às outras DCOMPs prestadas e se aceitasse a avaliação do direito creditório sem a formalidade retificadora da Declaração, a verdade material não favorece o Recorrente. Nesse espeque, assiste razão o Acórdão a quo, o qual analisou com louvável detalhamento o pleito do Recorrente, pelo que transcrevo suas passagens relevantes, utilizando destas como fundamento para a presente decisão, em homenagem ao §1º do art. 50, da Lei nº 9.784/1999, e no § 3° do artigo 57 do Anexo II do RICARF: 9. A interessada admite ter cometido erro no preenchimento da PER/DCOMP n° 30883.34596.300703.1.3.048497 e pretende que seja feita a retificação desse documento, juntada em papel às fls. 40/3 para que o débito nela informado se amolde ao valor constante da DCTF retificada. 10. Da análise da legislação de regência, vemos que a retificação da DCOMP não é admitida quando já houve decisão administrativa ao tempo da elaboração do documento retificador. A ciência da decisão pela interessada da não homologação da DCOMP sub analise ocorreu em 30/07/2008 (fl.8) e a apresentação da DCOMP retificadora se deu em 22/08/2008 por ocasião da apresentação da manifestação de inconformidade. 11. Por outro lado, ao retificar a DCTF para modificar o valor de débito informado, não apresentou memória de cálculo da formação do débito, nem cópias dos seus livros contábeis e fiscais onde constassem valores que pudessem formar Fl. 312DF CARF MF 8 convicção inequivoca da veracidade dos fatos alegados, comprovando a liquidez e certeza do seu crédito. 12. Não havendo, no presente processo, condições de se averiguar a liquidez e certeza do crédito da interessada, como exige o CTN em seu artigo 170, não é possível homologar a compensação declarada pela PER/DCOMP n° 30883.34596.300703.1.3.048497. Quanto ao mais, assevero que esta 2ª Turma Extraordinária tem, inclusive, admitido as retificações após a prolação do Despacho Decisório (em observância à jurisprudência dominante do CARF); todavia, nem isso foi realizado pelo Contribuinte, tampouco foram acostadas provas aptas a superar essa formalidade, viabilizando a análise do direito creditório na presente instância recursal. Portanto, além das indigitadas retificações, deveria o Contribuinte ao menos ter apresentado coletânea documental apta a confirmar seu pleito ou rechaçar os aspectos abordados na decisão de piso especificamente quando à DCOMP ora sob exame; contudo, não o fez. Por fim, ad argumentandum, esta Turma Extraordinária já firmou entendimento que não cumpre ao Julgador proceder com uma análise contábil ou de auditoria nos pleitos efetuados pelo Recorrente, de modo que este deve apresentar seu direito de forma clara, objetiva e precisa. Para tanto, cito o precedente o i. Conselheiro Leonam Rocha de Medeiros, no Acórdão n° 1002000.405, de 13/09/2018: O primeiro passo do PER/DCOMP é exatamente a análise do pedido de restituição; apenas se houver crédito líquido e certo se efetuará a compensação com a extinção do crédito tributário que o próprio contribuinte confessa e indica para ser objeto da quitação via compensação. No caso dos autos, a Administração Tributária não homologou a compensação declarada, por não reconhecer o pagamento indevido ou a maior, negando a restituição, vale dizer, por não reconhecer o crédito. Para a análise que foi efetivada não se comprovou crédito líquido e certo, incontroverso, inclusive sendo apontada a alocação do DARF para extinção de débitos próprios do sujeito passivo. Logo, se havia alocação do DARF, assistiu razão ao conteúdo do despacho decisório, pelo que, quando a DRJ atestou correção naquele ato administrativo, agiu corretamente a primeira instância ao efetivar o controle de legalidade, não havendo razões para reformar o decisum vergastado. Quando da apresentação do relatório destes autos, na forma acima apresentada, constou o respectivo quadro sintético demonstrativo da situação de inexistência do crédito vindicado com as características do DARF discriminado no PER/DCOMP e a demonstração da sua efetiva alocação, de modo a não restar saldo residual como pretendido para restituição. Por isso, não vejo reparos a serem aplicados na decisão de primeira instância. A despeito das alegações do contribuinte quanto a retificação e a alegada surgência do crédito a partir da retificadora, ao meu ver não se desincumbiu o sujeito passivo de Fl. 313DF CARF MF Processo nº 10768.908978/200605 Acórdão n.º 1002000.703 S1C0T2 Fl. 310 9 demonstrar a contento o referido crédito, isto porque, com os elementos que constam dos autos, inexiste qualquer materialidade probatória para que se possa dar certeza e liquidez ao apontado crédito. Não houve a demonstração cabal de elementos documentais, de prova da escrita contábil e fiscal, que possibilitem efetivar de forma inconteste e transparente a respectiva comprovação, inclusive para justificar e validar a retificação invocada. E mais, não caberia ao julgador, em segunda instância do contencioso administrativo, realizar trabalho de auditoria, sem falar que eventuais provas documentais não poderia ser meramente colacionada ao processo, prescindindo de detalhamento, de articulação, de aclaramento e fundamentação, a fim de demonstrar o fato jurídico a ser provado. Ressaltese, neste aspecto, que existindo controvérsia quanto ao crédito a demonstração de sua efetiva existência, inclusive com a prova da escrituração contábil e fiscal, integra o ônus de prova atribuído ao contribuinte. Dessa forma, não cumpre ao presente Relator, sequer a este Colegiado, na condição de instância recursal, suprir o ônus do contribuinte, realizando uma verdadeira auditoria nos livros contábeis, que sequer foram apresentados, para, em substituição ao seu ônus, comprovar a certeza de liquidez do crédito perseguido no seu exclusivo interesse. Nesse sentido: Acórdão n.º 3001000.312 – Recurso Voluntário Relator: Orlando Rutigliani Berri – Sessão: 11/04/2018 Assunto: Processo Administrativo Fiscal Anocalendário: 2004 PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO. DIREITO DE CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA. INDISPENSABILIDADE. Nos processos que versam a respeito de compensação, a comprovação do direito creditório recai sobre aquele a quem aproveita o reconhecimento do fato, que deve apresentar elementos probatórios aptos a comprovar as suas alegações. Logo, deve o contribuinte demonstrar que o crédito que alega possuir é capaz de quitar, integral ou parcialmente, o débito declarado em Per/Dcomp. Saliente se que alegações desprovidas de indícios mínimos para ao menos evidenciar a verdade dos fatos ou colocar dúvida quanto à acusação fiscal de insuficiência de crédito, uma vez a análise fiscal é realizada sobre informações prestadas pelo contribuinte, colhidas nos sistemas informatizados da RFB, carece de elementos que justifica a autorização da realização de diligência, pois esta não se presta a suprir deficiência probatória. É dever primário do contribuinte, quando o onus probandi lhe compete, comprovar com elementos eficientes e com a finalidade própria a sua pretensão, sendo parte colaborativa para a resolução do caso. Dessa forma, como cumpria exclusivamente ao contribuinte o ônus de provar a liquidez e certeza de seu alegado crédito, como Fl. 314DF CARF MF 10 não o fez, não restando este devidamente comprovado, assim como considerando o até aqui esposado, entendo pela manutenção do julgamento da DRJ por não merecer quaisquer reparos. Dispositivo Ante o exposto, voto para conhecer do Recurso voluntário e, no mérito, negarlhe provimento. É como Voto. (assinado digitalmente) Breno do Carmo Moreira Vieira Fl. 315DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10860.721560/2012-77
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 23 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri May 17 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2010
IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. DEDUÇÃO. PENSÃO ALIMENTÍCIA JUDICIAL. COMPROVAÇÃO.
O pagamento de pensão alimentícia judicial é dedutível na apuração do imposto de renda devido, quando restar comprovado seu efetivo pagamento, como também o atendimento das normas do Direito de Família, em virtude do cumprimento de decisão judicial, acordo homologado judicialmente ou, a partir de 28 de março de 2008, da escritura pública a que se refere a Lei nº 5.869, de 1973, art. 1.124-A.
Afasta-se a glosa das despesas de pensão alimentícia judicial que o contribuinte comprova ter cumprido os requisitos exigidos para a respectiva dedutibilidade.
DOCUMENTO IDÔNEO APRESENTADO EM FASE RECURSAL
Admite-se documentação que pretenda comprovar direito subjetivo de que são titulares os contribuintes, quando em confronto com a ação do Estado, ainda que apresentada a destempo.
Numero da decisão: 2003-000.043
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para restabelecer a dedução com pensão alimentícia judicial no valor de R$ 28.000,00.
(Assinado digitalmente)
Sheila Aires Cartaxo Gomes - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Francisco Ibiapino Luz - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sheila Aires Cartaxo Gomes (Presidente), Wilderson Botto e Francisco Ibiapino Luz.
Nome do relator: FRANCISCO IBIAPINO LUZ
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DEDUÇÃO. PENSÃO ALIMENTÍCIA JUDICIAL. COMPROVAÇÃO. O pagamento de pensão alimentícia judicial é dedutível na apuração do imposto de renda devido, quando restar comprovado seu efetivo pagamento, como também o atendimento das normas do Direito de Família, em virtude do cumprimento de decisão judicial, acordo homologado judicialmente ou, a partir de 28 de março de 2008, da escritura pública a que se refere a Lei nº 5.869, de 1973, art. 1.124A. Afastase a glosa das despesas de pensão alimentícia judicial que o contribuinte comprova ter cumprido os requisitos exigidos para a respectiva dedutibilidade. DOCUMENTO IDÔNEO APRESENTADO EM FASE RECURSAL Admitese documentação que pretenda comprovar direito subjetivo de que são titulares os contribuintes, quando em confronto com a ação do Estado, ainda que apresentada a destempo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para restabelecer a dedução com pensão alimentícia judicial no valor de R$ 28.000,00. (Assinado digitalmente) Sheila Aires Cartaxo Gomes Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 0. 72 15 60 /2 01 2- 77 Fl. 84DF CARF MF 2 (Assinado digitalmente) Francisco Ibiapino Luz Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sheila Aires Cartaxo Gomes (Presidente), Wilderson Botto e Francisco Ibiapino Luz. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão de primeira instância, que julgou improcedente a impugnação apresentada pelo contribuinte com o fito de extinguir crédito tributário constituído mediante Notificação de Lançamento. Notificação de Lançamento Foi constituído crédito tributário no valor de R$ 13.652,07, referente a Imposto de Renda Pessoa Física IRPF do exercício de 2010, anobase de 2009, apurado em Notificação de Lançamento, decorrente de glosa de pensão alimentícia judicial no montante de R$ 32.900,00, por falta de comprovação do atendimento das normas do Direito de Família, eis que o acordo homologado judicialmente apresentado vale a partir de 30/04/2010 (fls. 08/11). Impugnação Inconformado, o contribuinte apresentou impugnação, solicitando juntada de documentos e alegando, em síntese, que a separação foi homologada em 27/07/2007, data do início do pagamento da pensão, que veio a ser alterada mediante o acordo homologado em 30/04/2010 (fls. 02/22). Julgamento de Primeira Instância A 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Porto Alegre, por unanimidade, julgou improcedente a pretensão externada por meio de mencionada contestação, sob os seguintes fundamentos (fls. 45/48): 1. no Termo de Audiência decorrente da Ação de Exoneração de Alimentos datado de 08/04/2010, foi ajustado que o Impugnante pagaria 5,1 (cinco virgula um) salários mínimos a partir de 30/04/2010, restando finalizada a Ação de Execução de Alimentos nº 2.911/2009 em tramite na Vara de Família de TaubatéSP; 2. em atendimento à intimação para comprovar o efetivo pagamento da pensão alimentícia por meio de comprovantes de depósitos bancários, transferências ou cópias de cheques, o interessado se limita a anexar declaração de Elisabete Chagas Kako, informando ter recebido, no anocalendário 2009, a quantia de R$ 32.900,00, referente a pensão alimentícia. Recurso voluntário Discordando da respeitável decisão, o Sujeito Passivo interpôs Recurso Voluntário, solicitando juntada de documentos e alegando em síntese (fls. 54/77): 1. ratifica os argumentos apresentados em primeira instância; Fl. 85DF CARF MF Processo nº 10860.721560/201277 Acórdão n.º 2003000.043 S2C0T3 Fl. 84 3 2. não deve prosperar o argumento de que provas não juntadas na impugnação devem ser rejeitadas; 3. a ação de exoneração que pôs fim à Ação de Execução de Alimentos serve como prova do pagamento, cuja quitação ali está prevista (documento juntado conforme previsto no item II da homologação); 4. o recibo de R$ 32.900,00 assinado por Elisabete Chagas Kako foi entregue em tempo hábil e faz prova do efetivo pagamento da pensão; 5. nada impedia que mencionada pensão fosse paga em moeda corrente, pois somente a partir de 30/04/2010, ficou estabelecido que a mesma seria depositada em conta corrente da pensionista; 6. alem da pensionista declarar que recebeu a pensão alimentícia, tais rendimentos foram por ela oferecidos à tributação exatamente como estabeleceu decisão judicial no Processo nº 1.724/70, sendo R$ 2.000,00 nos meses de janeiro a abril e agosto a novembro, como também de R$ 3.000,00 nos meses de maio a julho e dezembro, mais R$ 3.000,00 de 13º em dezembro o que se pode provar por meio da DIRPF/2010, entregue em 26/04/2010, juntada aos autos. É o relatório. Voto Conselheiro Francisco Ibiapino Luz Relator Admissibilidade O Recurso é tempestivo, pois a ciência da decisão recorrida se deu em 18/12/2014 (fls. 52), e a Peça recursal foi recebida em 16/01/2015 (fls. 53 e 78), dentro do prazo legal para sua interposição. Logo, já que atendidos os demais pressupostos de admissibilidade, dele tomo conhecimento. Preliminares Não se aplica, porquanto sem alegação na fase recursal. Documentação apresentada em fase recursal É pertinente registrar ser razoável a admissão de documentação que pretenda comprovar direito subjetivo de que é titular o contribuintes, quando em confronto com a ação do Estado, ainda se apresentada em fase recursal. Com efeito, tratase de entendimento que vem sendo adotado neste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, ao qual me filio, pois, como se há verificar, aplicáveis ao feito os seguintes princípios: 1. do devido processo legal (CF, de 1988, art. 5º, inciso LIV), vinculando a intervenção Estatal à forma estabelecida em lei; Fl. 86DF CARF MF 4 2. da ampla defesa e do contraditório (CF, de 1988, art. 5º, inciso LV), tutelando a liberdade de defesa ampla, “...com os meios e recursos a ela inerentes, englobados na garantia, refletindo todos os seus desdobramentos, sem interpretação restritiva”. Logo, correlata a apresentação de provas (defesa) pertinentes ao debate inaugurado no litígio (contraditório), já que inadmissível acatar este sem pressupor a existência daquela; (grifo nosso) 3. da verdade material (princípio implícito, decorrente dos princípios da ampla defesa e do interesse público), asseverando que, quanto ao alegado por ocasião da instauração do litígio, devese trazer aos autos aquilo que, realmente, ocorreu. Evidentemente, o documento extemporâneo deve guardar pertinência com a matéria controvertida na reclamação, sob pena de operarse a preclusão; 4. do formalismo moderado (Lei nº 9.784, de 1999, art. 2º, incisos VI, IX, X, XIII e Decreto nº 70.235, de 1972, art. 2º, caput), manifestando que os atos processuais administrativos, em regra, não dependem de forma , ou terão forma simples, respeitados os requisitos imprescindíveis à razoável segurança jurídica processual. Ainda assim, acatamse aqueles praticados de modo diverso do exigido em lei, quando suprido o desígnio legal. Mérito Posta assim a questão, é de se verificar que, consoante a Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, inciso II, alínea "f", o pagamento de pensão alimentícia judicial é dedutível na apuração do imposto de renda devido, quando restar comprovado seu efetivo pagamento, como também o atendimento das normas do Direito de Família, em virtude do cumprimento de decisão judicial, acordo homologado judicialmente ou, a partir de 28 de março de 2008, da escritura pública a que se refere a Lei nº 5.869, de 1973, art. 1.124A, nesses termos: Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: [...] II das deduções relativas: [...] f) às importâncias pagas a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão judicial, inclusive a prestação de alimentos provisionais, de acordo homologado judicialmente, ou de escritura pública a que se refere o art. 1.124A da Lei no 5.869, de 11 de janeiro de 1973 Código de Processo Civil; Como se pode notar, embora o contribuinte tenha apresentado uma declaração assinada pela Sra. Elisabete Chagas Kako firmando ter recebido pensão alimentícia na quantia de R$ 32.900,00, o conjunto probatório apresentado em fase recursal limita referida dedução ao montante de R$ 28.000,00, conforme consta no Acordo homologado judicialmente em 30/07/2007 e na comprovação de recebimento por parte de mencionada beneficiária (fls. 41, 62/68 e 72/77). Fl. 87DF CARF MF Processo nº 10860.721560/201277 Acórdão n.º 2003000.043 S2C0T3 Fl. 85 5 Conclusão Ante o exposto, voto por dar provimento parcial ao Recurso interposto, restabelecendo a dedução com pensão alimentícia judicial no valor de R$ 28.000,00. É como voto. (Assinado digitalmente) Francisco Ibiapino Luz Relator Fl. 88DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10980.009648/2009-55
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 13 00:00:00 UTC 2013
Ementa: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR
Exercício: 2005
IMÓVEL LOCALIZADO EM ÁREA DE PROTEÇÃO AMBIENTAL APA
O ato que cria, genericamente, uma Área de Proteção Ambiental APA
não exclui automaticamente o imóvel nela localizado da tributação do ITR.
No caso de imóvel inserido em Área de Proteção Ambiental, a exclusão da área para fins de apuração da base de cálculo do imposto depende de ato específico do Poder Público.
Na hipótese, não foi comprovada a existência de ato específico do Poder Público.
ITR. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. COMPROVAÇÃO.
ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL ADA
A partir da Lei n.º 10.165, de 2000, para a exclusão da área de preservação permanente da área total do imóvel rural, no cômputo do ITR, exige-se Ato Declaratório Ambiental ADA protocolado junto ao Ibama.
Tempestivamente protocolado, o ADA tem o condão de comprovar que a área de preservação permanente nele declarada pelo titular do imóvel rural é reconhecida pelo Ibama.
Na falta de protocolização tempestiva do ADA, a área de preservação permanente deve ser atestada pelo órgão ambiental.
Na hipótese, a área de preservação permanente não foi suficientemente comprovada.
VALOR DA TERRA NUA VTN.
ARBITRAMENTO.
Não se desincumbindo o recorrente de comprovar o Valor da Terra Nua declarado, mantém-se o VTN arbitrado pela autoridade fiscal com base no SIPT Sistema
de Preço de Terras.
Numero da decisão: 2101-002.270
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar
provimento ao recurso. Vencida a Conselheira Eivanice Canário da Silva, que votou por dar provimento ao recurso.
Nome do relator: Celia Maria de Souza Murphy
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2005 IMÓVEL LOCALIZADO EM ÁREA DE PROTEÇÃO AMBIENTAL APA O ato que cria, genericamente, uma Área de Proteção Ambiental APA não exclui automaticamente o imóvel nela localizado da tributação do ITR. No caso de imóvel inserido em Área de Proteção Ambiental, a exclusão da área para fins de apuração da base de cálculo do imposto depende de ato específico do Poder Público. Na hipótese, não foi comprovada a existência de ato específico do Poder Público. ITR. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. COMPROVAÇÃO. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL ADA A partir da Lei n.º 10.165, de 2000, para a exclusão da área de preservação permanente da área total do imóvel rural, no cômputo do ITR, exige-se Ato Declaratório Ambiental ADA protocolado junto ao Ibama. Tempestivamente protocolado, o ADA tem o condão de comprovar que a área de preservação permanente nele declarada pelo titular do imóvel rural é reconhecida pelo Ibama. Na falta de protocolização tempestiva do ADA, a área de preservação permanente deve ser atestada pelo órgão ambiental. Na hipótese, a área de preservação permanente não foi suficientemente comprovada. VALOR DA TERRA NUA VTN. ARBITRAMENTO. Não se desincumbindo o recorrente de comprovar o Valor da Terra Nua declarado, mantém-se o VTN arbitrado pela autoridade fiscal com base no SIPT Sistema de Preço de Terras.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 11; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2165; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C1T1 Fl. 2 1 1 S2C1T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10980.009648/200955 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2101002.270 – 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 13 de agosto de 2013 Matéria ITR Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural Recorrente João Baptista Ferreira da Cruz Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2005 IMÓVEL LOCALIZADO EM ÁREA DE PROTEÇÃO AMBIENTAL APA O ato que cria, genericamente, uma Área de Proteção Ambiental APA não exclui automaticamente o imóvel nela localizado da tributação do ITR. No caso de imóvel inserido em Área de Proteção Ambiental, a exclusão da área para fins de apuração da base de cálculo do imposto depende de ato específico do Poder Público. Na hipótese, não foi comprovada a existência de ato específico do Poder Público. ITR. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. COMPROVAÇÃO. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL ADA A partir da Lei n.º 10.165, de 2000, para a exclusão da área de preservação permanente da área total do imóvel rural, no cômputo do ITR, exigese Ato Declaratório Ambiental ADA protocolado junto ao Ibama. Tempestivamente protocolado, o ADA tem o condão de comprovar que a área de preservação permanente nele declarada pelo titular do imóvel rural é reconhecida pelo Ibama. Na falta de protocolização tempestiva do ADA, a área de preservação permanente deve ser atestada pelo órgão ambiental. Na hipótese, a área de preservação permanente não foi suficientemente comprovada. VALOR DA TERRA NUA VTN. ARBITRAMENTO. Não se desincumbindo o recorrente de comprovar o Valor da Terra Nua declarado, mantémse o VTN arbitrado pela autoridade fiscal com base no SIPT Sistema de Preço de Terras. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 00 96 48 /2 00 9- 55 Fl. 128DF CARF MF Impresso em 22/10/2013 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 15/ 08/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencida a Conselheira Eivanice Canário da Silva, que votou por dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) ___________________________________ CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY Relatora e Presidente Substituta. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Francisco Marconi de Oliveira, Alexandre Naoki Nishioka, Eivanice Canário da Silva e Celia Maria de Souza Murphy (Relatora). Ausente o Conselheiro Gilvanci Antonio de Oliveira Sousa. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos. Relatório Trata o presente processo de Auto de Infração contra o contribuinte em epígrafe, no qual foi apurado Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural suplementar do exercício 2005, relativo ao imóvel de NIRF 6.573.0720, em decorrência da falta de comprovação da área de preservação permanente e do Valor da Terra Nua – VTN declarados. O espólio do contribuinte, por sua inventariante, impugnou o lançamento, esclarecendo que o imóvel objeto da autuação corresponde a três áreas contíguas, de acordo com as matrículas n.° 16.335, 19.730 e 48.550, localizandose em um lugar denominado Castelhanos, próximo ao ribeirão da Vaca, dentro da APA Estadual de Guaratuba, mais precisamente na Zona P2, tratandose, portanto, de área de preservação permanente. Por esse motivo, entende que a área do imóvel está legalmente excluída do campo de incidência do ITR, independentemente de prévia comprovação. Além disso, alegou que o imóvel possui muito baixo valor comercial, pois nele são proibidas, entre outras atividades: (a) comércio de qualquer tipo; (b) serviços vicinais; (c) mineração; (d) manejo florestal ou agropecuário; (e) agricultura de qualquer tipo, (f) indústrias de qualquer tipo; (g) empreendimentos turísticos com taxa de ocupação maior do que 30%. A 1.ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) em Campo Grande (MS) julgou a impugnação improcedente, por meio do Acórdão n.º 04 25.618, de 15 de agosto de 2011, que contou com a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2005 Área de Proteção Ambiental APA Fl. 129DF CARF MF Impresso em 22/10/2013 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 15/ 08/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY Processo nº 10980.009648/200955 Acórdão n.º 2101002.270 S2C1T1 Fl. 3 3 Legalmente, a Área de Proteção Ambiental APA é uma área em geral extensa, com certo grau de ocupação humana, dotada de atributos abióticos, bióticos, estéticos ou culturais, especialmente importantes para a qualidade de vida e o bem estar das populações humanas, e tem como objetivos básicos proteger a diversidade biológica, disciplinar o processo de ocupação e assegurar a sustentabilidade do uso dos recursos naturais. Por isso, a sua exploração tem especial controle pelos órgãos ambientais. Porém, o fato de um imóvel estar localizado em uma APA, por si só, não o torna, automaticamente, isento de ITR; somente para as Áreas de Preservação Permanente APP nela contidas, sejam as definidas pelo só efeito do Código Florestal ou assim declaradas por Ato do Poder Público em caráter especifico para determinada área da propriedade, e desde que cumpridas as demais exigências legais, se concederá a exclusão tributária. Áreas de Florestas Preservadas Requisitos de Isenção A concessão de isenção de ITR para as Áreas de Preservação Permanente APP ou de Utilização Limitada AUL, como Área de Reserva Legal ARL, está vinculada à comprovação de sua existência, como laudo técnico específico e averbação na matrícula até a data do fato gerador, respectivamente, e de sua regularização através do Ato Declaratório Ambiental ADA, cujo requerimento deve ser protocolado no Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis IBAMA em até seis meses após o prazo final para entrega da Declaração do ITR. A prova de uma não exclui a da outra. Isenção Hermenêutica A legislação tributária para concessão de benefício fiscal deve ser interpretada literalmente, assim, se não atendidos os requisitos legais para a isenção, a mesma não deve ser concedida. Valor da Terra Nua VTN Laudo Técnico O lançamento que tenha alterado o VTN declarado, utilizando valores de terras constantes do Sistema de Preços de Terras da Secretaria da Receita Federal SIPT, nos termos da legislação, é passível de modificação somente se, na contestação, forem oferecidos elementos de convicção, embasados em Laudo Técnico, elaborado em consonância com as normas da Associação Brasileira de Normas Técnicas ABNT, que apresente valor de mercado diferente ao do lançamento, relativo ao mesmo município do imóvel e ao ano base questionado. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Inconformado, o interessado interpôs recurso voluntário, no qual, repisando os argumentos da impugnação, alegou ter havido cerceamento ao seu direito de defesa, eis que Fl. 130DF CARF MF Impresso em 22/10/2013 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 15/ 08/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY 4 o órgão julgador a quo não aceitou documentos trazidos aos autos após a apresentação da impugnação, porém antes do seu julgamento. Pede sejam apreciados os documentos já anexados aos autos e os que estão sendo juntados com o recurso voluntário e, no mérito, requer sejam considerados os valores apresentados no laudo da Emater e da Prefeitura de São José dos Pinhais, cancelandose o crédito lançado. É o Relatório. Voto Conselheira Celia Maria de Souza Murphy O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos legais previstos no Decreto n° 70.235, de 1972. Dele conheço. O lançamento perpetrado nos autos do presente processo, veiculado pelo Auto de Infração às fls. 20 a 28, teve origem na falta de comprovação, pelo contribuinte, do Valor da Terra Nua (VTN) e da área de preservação permanente, declarados em sua Declaração do ITR (DIAT) correspondente ao exercício 2005 (fls. 14 e seguintes). Na impugnação tempestiva, apresentada em 4 de janeiro de 2010, o espólio do contribuinte, por sua inventariante, argumentou que a área do imóvel estaria legalmente excluída do campo de incidência do ITR, independentemente de prévia comprovação, eis que se localiza dentro da APA Estadual de Guaratuba, mais precisamente na Zona P2, em um lugar denominado Castelhanos, próximo ao ribeirão da Vaca. Esclareceu que o imóvel objeto da autuação corresponde a três áreas contíguas, de acordo com as matrículas n.° 16.335, 19.730 e 48.550. A fim de dar suporte às razões de impugnação, em 5 de junho de 2010, a interessada formulou pedido de juntada de documento novo (fls. 73), fazendo anexar aos autos os papeis às fls. 74 a 77. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campo Grande (MS), ao apreciar a defesa, indeferiu o pedido, eis que entendeu que a interessada deveria ter juntado os documentos comprobatórios dentro do prazo para impugnação, nos termos do artigo 15 do Decreto n.º 70.235, de 1972, já que, não havia acontecido qualquer fato que se enquadrasse nas hipóteses previstas no § 4.º do artigo 16 do mesmo diploma legal. Em sede de recurso, a interessada informou que o Sr. João Baptista Ferreira da Cruz faleceu em 20 de julho de 2009 (o óbito, a rigor, ocorreu em 15 de julho daquele ano, conforme Certidão anexada às fls. 39), após longo período de enfermidade, o que impossibilitou o recebimento das intimações e comprometeu a pronta produção de documentos comprobatórios dos seus argumentos. Do exame dos autos, observase que a primeira intimação (Termo de Intimação Fiscal N° 09101/00335/2009), emitida em 27.7.2009, foi devolvida ao remetente em 4.8.2009 (fls. 8 a 11). A segunda (Termo de Intimação Fiscal N° 09101/00388/2009), foi emitida em 17.8.2009 e entregue no domicílio do contribuinte no dia 27.8.2009 (vide fls. 2 a Fl. 131DF CARF MF Impresso em 22/10/2013 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 15/ 08/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY Processo nº 10980.009648/200955 Acórdão n.º 2101002.270 S2C1T1 Fl. 4 5 5). O Auto de Infração foi entregue em 14 de dezembro de 2009 (vide fls. 33). A solicitação dos documentos comprobatórios das razões de impugnação junto ao órgãos públicos competentes foi feita somente em 16 de abril de 2010 (fls. 74). Conforme se verifica, o procedimento fiscal não transcorreu na ocasião da enfermidade do contribuinte, mas após o seu falecimento. Sendo assim, a justificativa apresentada pela parte não se coaduna exatamente com os fatos. Todavia, tendo em vista o princípio da verdade material, que rege o processo administrativo, o princípio da ampla defesa e, considerando que, mesmo que os documentos não tenham sido apresentados juntamente com a peça impugnatória, foram recepcionados na repartição da Secretaria da Receita Federal do Brasil antes do julgamento da impugnação, devem ser considerados no julgamento do recurso. Na impugnação, assim como no recurso voluntário, a defendente argumenta que não só a área declarada de preservação permanente, mas toda a área abrangida pelo imóvel rural objeto da autuação perpetrada neste processo inserese na área de proteção ambiental (APA) de Guaratuba (PR), nos termos do Decreto do Estado do Paraná n.º 1.234, de 27 de março de 1992, o que a caracterizaria como área de preservação permanente. A fim de comprovar seus argumentos, anexou documentos aos autos. No cômputo do ITR, no exercício 2005, podiam ser excluídas da área tributável as seguintes áreas discriminadas no artigo 10 da Lei n.º 9.393, de 1996 (transcrito, a seguir, com a redação vigente na época dos fatos): Art. 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitandose a homologação posterior. § 1º Para os efeitos de apuração do ITR, considerarseá: [...] II área tributável, a área total do imóvel, menos as áreas: a) de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei nº 4.771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei nº 7.803, de 18 de julho de 1989; b) de interesse ecológico para a proteção dos ecossistemas, assim declaradas mediante ato do órgão competente, federal ou estadual, e que ampliem as restrições de uso previstas na alínea anterior; c) comprovadamente imprestáveis para qualquer exploração agrícola, pecuária, granjeira, aqüícola ou florestal, declaradas de interesse ecológico mediante ato do órgão competente, federal ou estadual; d) as áreas sob regime de servidão florestal.(Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) Fl. 132DF CARF MF Impresso em 22/10/2013 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 15/ 08/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY 6 Da leitura do texto, concluise que a lei não prevê expressamente estarem fora do campo de incidência do ITR todos os imóveis localizados em áreas de proteção ambiental. A lei também não equipara as Áreas de Proteção Ambiental (APA) ou os imóveis rurais nelas inseridos às Áreas de Preservação Permanente (APP), tal como pretende a interessada. O fato de estar localizado em uma Área de Proteção Ambiental (APA), portanto, não é condição suficiente para que a área do imóvel fique excluída da incidência do ITR. Não basta, portanto, que o imóvel rural esteja inserido em uma área de proteção ambiental para que a totalidade de sua área seja não tributável pelo imposto. Para que uma área rural seja considerada de interesse ecológico, para o fim de ser excluída da área tributável pelo Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural, é preciso que o Poder Público, por meio do órgão competente, federal, estadual ou municipal, assim a declare, com base no artigo 10 da Lei n.º 9.393, de 1996, acima reproduzido. Este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais tem entendido que o fato de um imóvel rural estar inserido em Área de Proteção Ambiental não o exclui automaticamente da tributação do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural, a exemplo dos Acórdãos a seguir transcritos: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR Exercício: 2004, 2005 Ementa: ÁREA DE INTERESSE ECOLÓGICO. EXCLUSÃO. REQUISITO. O ato que, genericamente, cria uma Área de Proteção Ambiental não exclui, automaticamente, a possibilidade de exploração econômica da propriedade, apenas a submete a um regime especial. Assim, no caso de imóvel, total ou parcialmente, contido em Área de Proteção Ambiental, a exclusão dessa área para fins de apuração da base de cálculo não é automática, dependendo para tanto de ato específico do Poder Público. (art. 11, parágrafo 1º, inciso II, alienas b e c da Lei nº 9.393, de 1996). Recurso Voluntário Negado. (CARF, 1ª Turma Ordinária, 2ª Câmara, 2.ª Seção de Julgamento. Acórdão n.º 2201001.838, de 16 de outubro de 2012) *** ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2004 [...] ÁREA DE INTERESSE ECOLÓGICO. ÁREA DE PROTEÇÃO AMBIENTAL. DIFERENÇAS. Área de Interesse Ecológico difere de Área de Proteção Ambiental, sendo aquela excluída da base de cálculo por haver previsão legal expressa. Área de Interesse Ecológico difere essencialmente da Área de Proteção Ambiental no quesito de constituição, pois esta é constituída em caráter geral e extensivo, Fl. 133DF CARF MF Impresso em 22/10/2013 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 15/ 08/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY Processo nº 10980.009648/200955 Acórdão n.º 2101002.270 S2C1T1 Fl. 5 7 e aquela é constituída em caráter específico e restrito. Ainda, as restrições para o primeiro tipo são superiores às restrições a que se sujeita o segundo. Inexiste, para o exercício analisado, previsão de exclusão de Áreas de Proteção Ambiental da base de cálculo do tributo. (CARF, 2ª Turma Ordinária, 2ª Câmara, 2.ª Seção de Julgamento. Acórdão n.º 2202001.966, de 15 de agosto de 2012) Assim como nas decisões cujas ementas foram acima reproduzidas, entendemos que o Decreto do Estado do Paraná n.º 1.234, de 1992, que instituiu a Área de Proteção Ambiental de Guaratuba, “com objetivo de compatibilizar o uso racional dos recursos ambientais da região e a ocupação ordenada do solo, proteger a rede hídrica, os remanescentes de Floresta Atlântica e de manguezais, os sítios arqueológicos e a diversidade faunística, bem como disciplinar o uso turístico e garantir a qualidade de vida das comunidades caiçaras e da população local”, não é, por si só, capaz de constituir a área do imóvel sob análise nem como área de preservação permanente, nem como área de interesse ecológico nem como imprestável para qualquer exploração agrícola, pecuária, granjeira, aqüícola ou florestal. A defendente juntou aos autos declaração da Emater Secretaria de Estado da Agricultura e Abastecimento do Estado do Paraná (fls. 123, numeração eletrônica), no qual aquele órgão atesta que os imóveis com matrículas 16.335, 48.550 e 19.730 têm topografia acentuada a montanhosa, com fortes restrições para uso agrícola e pecuário. No entanto, o documento não se presta para os fins pretendidos pela recorrente, vez que constatar que a área rural tem restrições para a utilização visando a determinadas finalidades não é o mesmo que comprovar sua imprestabilidade, tal como exige a alínea “c” do inciso II do § 1.º do artigo 10 da Lei n.º 9.393, de 1996, para que a área correspondente seja excluída da área tributável pelo imposto sobre a propriedade territorial rural. Salientase, por fim, que trabalhos acadêmicos, tais como os apresentados pela interessada nos autos do presente processo, podem orientar a decisão do julgador; porém, sem comprovação específica não são úteis para demonstrar que a área do imóvel rural objeto da autuação não é tributável pelo Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural. 1. Área de Preservação Permanente APP No exercício 2005, foi declarada na DIAC/DIAT correspondente ao imóvel rural NIRF 6.573.0720 (fls. 12 a 15), área não tributável de 71,7 hectares, classificados como área de preservação permanente. Em procedimento fiscal, a interessada, regularmente intimada, não comprovou a entrega tempestiva do ADA – Ato Declaratório Ambiental ou qualquer outro documento comprobatório da área de preservação permanente declarada perante a Administração Tributária, razão pela qual a Fiscalização promoveu a sua glosa, e alterou a área tributável do imóvel rural de 100,0 hectares para 171,7 hectares. Na impugnação, a defendente aduziu que, ante o fato de a integralidade da área do imóvel rural inserirse na APA Estadual de Guaratuba, na zona P2, seria considerada Área de Preservação Permanente, independentemente de prévia comprovação, sem a Fl. 134DF CARF MF Impresso em 22/10/2013 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 15/ 08/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY 8 necessidade de apresentação de Ato Declaratório Ambiental, tal como decidido pelo Superior Tribunal de Justiça, nos REsp 812.104/AL e REsp 665.123/PR. No recurso, repisou o argumento. Cumpre, primeiramente, ressaltar que as decisões proferidas pelos Tribunais pátrios são, via de regra, válidas somente entre as partes no litígio. As decisões do Poder Judiciário que vinculam o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais são aquelas proferidas nas sistemáticas previstas nos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, nos termos do artigo 62A do Regimento Interno deste Conselho, aprovado pela Portaria do Ministro da Fazenda n.º 256, de 2009. Diante disso, este Conselho não está vinculado às decisões exaradas nos Resp citados. Por outro lado, a Lei n.º 10.165, de 2000, ao alterar a redação do § 1.º do artigo 17O da Lei n.° 6.938, de 1981, tornou obrigatória a apresentação do Ato Declaratório Ambiental – ADA para efeito da isenção do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR, nos seguintes termos: Art. 17O. Os proprietários rurais que se beneficiarem com redução do valor do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR, com base em Ato Declaratório Ambiental ADA, deverão recolher ao IBAMA a importância prevista no item 3.11 do Anexo VII da Lei no 9.960, de 29 de janeiro de 2000, a título de Taxa de Vistoria.(Redação dada pela Lei nº 10.165, de 2000) [...] § 1o A utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagar do ITR é obrigatória.(Redação dada pela Lei nº 10.165, de 2000) (grifouse) [...] § 5o Após a vistoria, realizada por amostragem, caso os dados constantes do ADA não coincidam com os efetivamente levantados pelos técnicos do IBAMA, estes lavrarão, de ofício, novo ADA, contendo os dados reais, o qual será encaminhado à Secretaria da Receita Federal, para as providências cabíveis. (Redação dada pela Lei nº 10.165, de 2000). Com isso, após o advento da Lei n.° 10.165, de 2000, o Ato Declaratório Ambiental ADA, protocolizado junto ao Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis Ibama, passou a ser exigível para que se possa excluir, da base de cálculo do ITR, as áreas previstas nas alíneas “a” a “f” do inciso II do § 1.º do artigo 10 da Lei n.º 9.393, de 1996, dentre as quais a área de preservação permanente (alínea “a”). Sendo assim, é condição para a concessão da isenção do ITR sobre as áreas de preservação permanente que o Ibama, órgão de controle do meio ambiente, seja previamente informado sobre essas áreas, por meio do ADA. Há, assim, uma presunção legal em favor do contribuinte: uma vez apresentado o ADA ao Ibama, ficam comprovados os dados nele declarados, nos quais se incluem as áreas isentas, a exemplo da área de preservação permanente. Tratase, contudo, de uma presunção relativa. Com efeito, o § 5.º do artigo 17O da Lei n.º 6.938, de 1981, acima transcrito, previu que, com base no Ato Declaratório Ambiental entregue, o Ibama pode realizar vistoria por amostragem nos imóveis rurais, e, caso Fl. 135DF CARF MF Impresso em 22/10/2013 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 15/ 08/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY Processo nº 10980.009648/200955 Acórdão n.º 2101002.270 S2C1T1 Fl. 6 9 os dados declarados no ADA não coincidam com aqueles levantados por seus técnicos, novo ADA será lavrado de ofício e encaminhado à Secretaria da Receita Federal do Brasil. Nessa presunção, o fato indiciado é a protocolização tempestiva do ADA junto ao Ibama; o fato indiciário é a coincidência das áreas de preservação permanente nele declaradas pelo titular do imóvel com aquelas constantes dos levantamentos do Ibama, ficando as áreas declaradas, neste caso, comprovadas pela só protocolização do Ato Declaratório Ambiental. Nesse diapasão, caso o contribuinte tenha protocolizado ADA junto ao Ibama, tempestivamente, comprovada está, por presunção legal, a área de preservação permanente nele declarada, até que, em vistoria, o órgão ambiental comprove a imprecisão das informações prestadas pelo titular (e tome as providências necessárias). Todavia, na hipótese de o contribuinte não entregar o ADA ao órgão ambiental até a data do início da fiscalização, tal presunção não se estabelece. E, não se estabelecendo esta presunção em favor do contribuinte, é necessário, para o fim de comprovar, perante a administração tributária, o seu direito à isenção do ITR, relativamente às áreas de preservação permanente, a constatação de que a área declarada coincide, efetivamente, com aquela levantada pelo órgão ambiental ou está, por outros meios, suficientemente comprovada junto àquele órgão. No presente caso, a parte interessada não protocolizou Ato Declaratório Ambiental junto ao Ibama em data anterior à do início da ação fiscal. Desse modo, para que se pudesse conferir isenção do ITR sobre a área de preservação permanente declarada, no caso, seria necessário que o Ibama atestasse que a área declarada pelo contribuinte efetivamente coincide com a área de preservação permanente apurada nos levantamentos daquele órgão ou que tal área está, perante ele, por outros meios, suficientemente comprovada. A recorrente juntou aos autos (fls. 75 a 77) documentos emitidos pelo órgão de controle do meio ambiente do Estado do Paraná, nos quais se declara que os imóveis de matrículas 16.335, 48.550 e 19.730 encontramse na zona da Área de Proteção Ambiental APA de Guaratuba, criada pelo Decreto Estadual n° 1.234, de 27 de março de 1992, sendo 116,56 hectares (66% ) de área na zona P2 (zona de proteção) e 60,61 ha (34%) de área na zona C4 (zona de conservação). No entanto, como visto, encontrarse em Área de Proteção Ambiental – APA não é condição suficiente para que a área rural seja excluída da incidência do ITR. Na tentativa de corroborar suas razões, a recorrente anexou ainda declaração de técnico agropecuário da Secretaria de Estado de Agricultura e do Abastecimento do Estado do Paraná Emater, no qual se declara, de forma genérica, que os imóveis com matrículas 16.335, 48.550 e 19.730 têm topografia acentuada a montanhosa, com fortes restrições para uso agrícola e pecuário. Todavia, tal declaração também não se presta aos propósitos pretendidos, eis que não comprova a existência de áreas de preservação permanente. Diante das razões colocadas, tendo em conta que: (i) não ficou comprovado nos autos que, por meio de ADA, a área de preservação permanente que o contribuinte pretende seja declarada isenta foi tempestivamente informada ao Ibama; e (ii) também não se comprovou que, na falta de cumprimento da exigência legal, o Ibama tenha reconhecido a área Fl. 136DF CARF MF Impresso em 22/10/2013 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 15/ 08/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY 10 declarada como sendo de preservação permanente, não há como excluir as áreas declaradas da área do imóvel rural no cômputo do ITR. O Ato Declaratório Ambiental juntado aos autos, no qual se declarou área de interesse ecológico de 171,7 hectares (igual à área total do imóvel), foi protocolado somente em 9.11.2010, data muito posterior à do início da ação fiscal (27.8. 2009), quando o contribuinte já tinha perdido a espontaneidade, nos termos do § 1.º do artigo 7.º do Decreto n.º 70.235, de 1972. Por esse motivo, não comprova a existência da área de preservação permanente nele declarada para o exercício 2005, objeto do Auto de Infração constante deste processo. Sendo assim, os documentos acostados são insuficientes para comprovar a área de preservação permanente, para o fim de excluíla da apuração do ITR do exercício de 2005. 2. Valor da Terra Nua VTN Diante da falta de comprovação do Valor da Terra Nua declarado na DITR/2005, a Fiscalização promoveu o seu arbitramento, tomando por referência as informações sobre preços de terras constantes do SIPT Sistema de Preços de Terra, para o Município de São José dos Pinhais, conforme informado pela Secretaria Estadual de Agricultura. Com base nestes dados, o valor adotado para fins de retificação foi de R$ 2.450,00 por hectare (valor para terras mistas não mecanizáveis). Discordando do arbitramento feito pela autoridade autuante, a recorrente alegou que o imóvel possui valor comercial muito baixo, pois nele são proibidas, entre outras atividades: (a) comércio de qualquer tipo; (b) serviços vicinais; (c) mineração; (d) manejo florestal ou agropecuário; (e) agricultura de qualquer tipo, (f) indústrias de qualquer tipo; (g) empreendimentos turísticos com taxa de ocupação maior do que 30%. Com a finalidade de provar o alegado, juntou aos autos, entre outros documentos, pesquisas de preços de terras, às fls. 59 a 63, que incluem oferta de chácara pela corretora de imóveis Justina Sikidum e outras ofertas feitas por vários outros corretores de imóveis. Ocorre que tais pesquisas não se mostram úteis para o propósito pretendido, eis que os julgadores tributários não têm conhecimento técnico fazer a comparação entre o valor da área do imóvel sob análise e os valores das áreas avaliadas nas referidas pesquisas, de modo a chegar a qualquer conclusão abalizada. A propósito, para esse fim, a autoridade fiscal exigiu laudo técnico de avaliação do Valor da Terra Nua do imóvel emitido por engenheiro agrônomo ou florestal, conforme estabelecido na NBR 14.653 da Associação Brasileira de Normas Técnicas ABNT com grau de fundamentação e precisão II, com anotação de responsabilidade técnica ART registrada no CREA, contendo todos os elementos de pesquisa identificados e planilhas de cálculo e preferivelmente pelo método comparativo direto de dados de mercado. Alternativamente, informou que o contribuinte poderia se valer de avaliação efetuada pelas Fazendas Públicas Estaduais (exatorias) ou Municipais, assim como aquelas efetuadas pela Emater, apresentando os métodos de avaliação e as fontes pesquisadas que levaram à convicção do valor atribuído ao imóvel. Tais documentos deverim comprovar o VTN na data de 1° de janeiro de 2005, a preço de mercado. Fl. 137DF CARF MF Impresso em 22/10/2013 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 15/ 08/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY Processo nº 10980.009648/200955 Acórdão n.º 2101002.270 S2C1T1 Fl. 7 11 A interessada pediu, no recurso, que fossem considerados os valores apresentados no laudo da Emater e da Prefeitura de São José dos Pinhais. Sobre o assunto, cumpre salientar que o documento emitido pela Emater, Secretaria de Estado da Agricultura e Abastecimento, anexado às fls. 123 (numeração eletrônica) não é um laudo e não atribui qualquer valor à terra nua do imóvel sob análise. Já a Tabela (sem ateste) anexa às fls. 125 (numeração eletrônica) vem corroborar o valor da terra nua por hectare, para tipo de terra mista, não mecanizável, arbitrado pela Fiscalização para a área de São José dos Pinhais, em 2005, de R$ 2.450,00. Indica ainda o valor de R$ 420,00 para as áreas inaproveitáveis, mas, conforme visto anteriormente, essa condição não ficou comprovada para as terras sob análise. Por outro lado, a Certidão emitida pela Secretaria Municipal de Finanças (fls. 124, numeração eletrônica) a qual certifica que o valor da área correspondente ao imóvel cuja matrícula é 19.730, tendo como referência a Tabela para Cálculo do valor do ITBI/2010, válida para maio de 2010, é R$ 500,00 por alqueire, também não serve para a finalidade pretendida, eis que não comprova o Valor da Terra Nua na data da ocorrência do “fato gerador” do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural do exercício 2005, objeto do lançamento, isto é, 1.º de janeiro de 2005. Constatase, dessarte, que o Valor da Terra Nua atribuído pela Secretaria Municipal de Finanças não é contemporâneo ao “fato gerador”. Dispõe § 2° do artigo 80 da Lei n.° 9.393, de 1996, que o referido valor deve refletir o preço de mercado da terra nua em 1° de janeiro do ano ao qual se refere. Não se pode inferir que o valor da terra nua atribuído em 2010 seja o mesmo que vigorou nos anos anteriores. Sendo assim, conforme demonstrado, a interessada não apresentou documentos que permitissem uma efetiva comprovação do valor da terra nua declarado em 1.º de janeiro de 2005. Por essa razão, não logrou desconstituir o valor da terra nua arbitrado pela Fiscalização, com base no SIPT – Sistema de Preços de Terra. Conclusão Ante todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) _________________________________ Celia Maria de Souza Murphy Relatora Fl. 138DF CARF MF Impresso em 22/10/2013 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 15/ 08/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY
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Numero do processo: 10166.726198/2016-91
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 27 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Apr 26 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2007
COMPENSAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE.
O instituto da denúncia espontânea, prevista no art. 138 do CTN não pode ser aplicado aos casos de compensação tributária, que depende de posterior homologação, pois não equivalente a um pagamento. Em consequência, mantém-se a multa moratória imposta pela fiscalização
Numero da decisão: 3302-006.604
Decisão:
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Walker Araújo, José Renato Pereira de Deus, Raphael Madeira Abad e Muller Nonato Cavalcanti Silva (Suplente Convocado).
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Walker Araújo, Jose Renato Pereira de Deus, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Muller Nonato Cavalcanti Silva (Suplente Convocado) e Corintho Oliveira Machado.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE. O instituto da denúncia espontânea, prevista no art. 138 do CTN não pode ser aplicado aos casos de compensação tributária, que depende de posterior homologação, pois não equivalente a um pagamento. Em consequência, mantémse a multa moratória imposta pela fiscalização Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Walker Araújo, José Renato Pereira de Deus, Raphael Madeira Abad e Muller Nonato Cavalcanti Silva (Suplente Convocado). (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Walker Araújo, Jose Renato Pereira de Deus, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Muller Nonato Cavalcanti Silva (Suplente Convocado) e Corintho Oliveira Machado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 72 61 98 /2 01 6- 91 Fl. 160DF CARF MF Processo nº 10166.726198/201691 Acórdão n.º 3302006.604 S3C3T2 Fl. 3 2 Relatório Tratam os autos de análise da Declaração de Compensação (Dcomp), por intermédio da qual o contribuinte compensou débito(s) próprios, com suposto crédito de pagamento indevido ou a maior. Como resultado da análise foi proferido o Despacho Decisório, que reconheceu integralmente o direito creditório, porém homologou parcialmente a compensação declarada, vez que o crédito indicado revelouse insuficiente para quitar o(s) débito(s) confessado(s), tendo em vista que o contribuinte não considerou a multa de mora incidente em decorrência do atraso na quitação deste(s). Cientificado da decisão o contribuinte apresentou a manifestação de inconformidade, onde argumentou, em síntese, o que segue: Não foi observada a denúncia espontânea estabelecida no art. 138 do Código Tributário Nacional (CTN). Com a transmissão da Dcomp, antecipouse a qualquer procedimento fiscal, declarando e quitando débito não questionado pela Receita Federal, com acréscimo de juros moratórios. Transmitiu a DCTF retificadora onde declara o débito e o pagamento feito via Dcomp; Apresenta sentenças judiciais favoráveis aos Correios em casos análogos. Indica também jurisprudência dos tribunais onde não foi parte. Lista acórdãos das DRJs à época da transmissão da Dcomp, onde é aplicada a Nota Técnica (NT) Cosit nº 01, de 18/01/2012, vez que os Correios se enquadram na situação nela tratada. A manifestação de inconformidade foi julgada improcedente pelo colegiado a quo, nos termos do Acórdão nº 11057.649. Irresignado com a decisão da primeira instância administrativa, o recorrente interpôs recurso voluntário ao CARF, no qual argumenta que: a) Em que pese a controvérsia acerca da possibilidade ou não de restar configurada a denúncia espontânea quando a extinção do crédito tributário se dá por compensação, a Receita Federal do Brasil, através da Nota Técnica nº 1 COSIT de 18/01/2012, com fundamento no Ato Declaratório PGFN nº 4 de 2011 e Ato Declaratório PGFN nº 8 de 2011, reconheceu que a declaração de compensação, se atendidos os demais requisitos, poderia caracterizála. E isto porque a compensação ou quaisquer outras formas de adimplemento de obrigação são formas de pagamento que acarretam a extinção da obrigação. Sendo forma de pagamento, a compensação atende às exigências do artigo 138 do CTN; b) A denúncia espontânea exclui a responsabilidade pela infração tributária cometida pelo contribuinte, pressupondo a comunicação pertinente a fato desconhecido por parte do Fisco antes de qualquer iniciativa da Administração Tributária, devendo ser acompanhado do pagamento do tributo e dos juros de mora, se for o caso. A intenção do Fl. 161DF CARF MF Processo nº 10166.726198/201691 Acórdão n.º 3302006.604 S3C3T2 Fl. 4 3 legislador ao editar a norma não fora outra senão estimular o contribuinte a regularizar a sua situação, recebendo em seu benefício o afastamento da responsabilidade pela infração à legislação tributária. Dessa forma, se o contribuinte antecipase a qualquer procedimento fiscalizatório da administração, efetuando o pagamento dos tributos em atraso e dos juros de mora, não lhe pode ser imposta multa de mora, seja ela punitiva ou moratória. Como os Correios anteciparamse à qualquer procedimento administrativo, fazem jus ao benefício da denúncia espontânea com os consectários do artigo 138, do CTN. Termina o recurso requerendo a vigência e a validade da Nota Técnica Cosit nº 01 ao período em que foi entregue a Dcomp, para fins de reconhecer a configuração da denúncia espontânea de forma que os valores indicados na Dcomp sejam considerados quitados. É o breve relatório. Voto Conselheiro Paulo Guilherme Deroulede, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Acórdão nº 3302006.586, de 27 de março de 2019, proferido no julgamento do processo 10166.726132/201600, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão nº 3302006.586): "O recurso é tempestivo e apresenta os demais pressupostos de admissibilidade, de forma que dele conheço e passo à análise do mérito. O cerne da questão está em definir se a compensação se equipara ao pagamento para fins de fruição do benefício da denúncia espontânea. Essa questão foi tratada de forma didática e precisa no Acórdão nº 1402003.600, da lavra do conselheiro Marco Rogério Borges, de forma que peço vênia para utilizar a ratio decidendi daquele acórdão para fundamentar esse, in verbis: Como de costume, o voto da ilustre Conselheira Júnia Roberta Gouveia Sampaio está muito bem fundamentado. Contudo, este colegiado, após ampla discussão, divergiu do seu entendimento, no tocante à equiparação de compensação à pagamento para fins de constatação de denúncia espontânea, e por consequência da não aplicação do alegado artigo 100 do CTN. Fl. 162DF CARF MF Processo nº 10166.726198/201691 Acórdão n.º 3302006.604 S3C3T2 Fl. 5 4 O art. 138 do CTN é taxativo na sua disposição que a denúncia espontânea deve ser acompanhada do pagamento do tributo. Não há condições de considerar a compensação como forma de pagamento por se tratar de uma extinção do crédito tributário, pois há outras modalidades de extinção elencados no art. 156 do CTN. Igualmente, não há, até o momento, nenhuma norma no âmbito do Ministério da Fazenda e nem precedente que vincule este Conselho para tal entendimento de se aceitar tal situação. Inclusive, há decisão do E. STJ do tema em sentido contrário ao pleiteado pela recorrente: "AgInt no REsp 1568857/PR AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL 2015/02977680 Relator: Ministro OG FERNANDES Órgão Julgador: SEGUNDA TURMA Data do Julgamento: 16/05/2017 Data da Publicação: DJe 19/05/2017 EMENTA: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL. DEFICIÊNCIA NA ALEGAÇÃO DE CONTRARIEDADE AO ART. 535 DO CPC/73. INCIDÊNCIA DA SÚMULA 284/STF. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. ART. 138 DO CTN. DENÚNCIA ESPONTÂNEA NÃO CARACTERIZADA. 1. É deficiente a fundamentação do recurso especial em que a alegação de ofensa ao art. 535 do CPC/73 se faz de forma genérica, sem a demonstração exata dos pontos pelos quais o acórdão incorreu em omissão, contradição ou obscuridade. Aplicase, na hipótese, o óbice da Súmula 284 do STF. 2. A compensação tributária não se equipara a pagamento de tributo para fins de aplicabilidade do instituto da denúncia espontânea regido pelo art. 138 do CTN. Precedentes: EDcl nos EDcl no AgRg no REsp 1.375.380/SP, Rel. Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe30/11/2016; AgRg no REsp 1.461.757/RS, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe 17/9/2015; AgRg no AREsp 174.514/CE, Rel. Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Turma, Dje 10/9/2012. 3. Agravo interno a que se nega provimento. (grifamos) ACÓRDÃO Fl. 163DF CARF MF Processo nº 10166.726198/201691 Acórdão n.º 3302006.604 S3C3T2 Fl. 6 5 Vistos, relatados e discutidos os autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da Segunda Turma do Superior Tribunal de Justiça, por unanimidade, negar provimento ao agravo interno, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Mauro Campbell Marques, Assusete Magalhães (Presidente), Francisco Falcão e Herman Benjamin votaram com o Sr. Ministro Relator. REsp 1657437/RS RECURSO ESPECIAL 2017/00461010 Relator: Ministro HERMAN BENJAMIN Órgão Julgador: SEGUNDA TURMA Data do Julgamento: 04/04/2017 Data da Publicação: DJe 25/04/2017 EMENTA: TRIBUTÁRIO. COMPENSAÇÃO. ART. 138 DO CTN. DENÚNCIA ESPONTÂNEA NÃO CONFIGURADA. 1. Hipótese em que o Tribunal local consignou: "o instituto da denúncia espontânea é perfeitamente aplicável aos casos em que o pagamento do tributo é realizado através da compensação" (fl. 665, eSTJ). 2. A Segunda Turma do STJ no julgamento do REsp 1.461.757/RS, de relatoria do Ministro Mauro Campbell Marques, firmou o entendimento de que "a extinção do crédito tributário por meio de compensação está sujeita à condição resolutória da sua homologação. Caso a homologação, por qualquer razão, não se efetive, temse por não pago o crédito tributário declarado, havendo incidência, de consequência, dos encargos moratórios. Nessa linha, sendo que a compensação ainda depende de homologação, não se chega à conclusão de que o contribuinte ou responsável tenha, espontaneamente, denunciado o não pagamento de tributo e realizado seu pagamento com os acréscimos legais, por isso que não se observa a hipótese do art. 138 do CTN". 3. Recurso Especial provido.(grifamos) Ou seja, tal decisão segue a linha que difere a situação de pagamento e compensação para fins de reconhecimento da denúncia espontânea. Neste sentido, deve haver a aplicação de multa de mora no caso concreto, o que acarretaria um crédito menor do que o débito declarado/confessado em PER/Dcomp. Seria um caso de imputação proporcional, que está perfeitamente legal, como já emanado no voto vencido do nobre relator. No que tange à eventual aplicação do artigo 100 do CTN ao caso, o caso in concretu apresentado não se configura como denúncia espontânea nos termos do artigo 138 do Fl. 164DF CARF MF Processo nº 10166.726198/201691 Acórdão n.º 3302006.604 S3C3T2 Fl. 7 6 mesmo CTN, as evocadas Notas Técnicas (NTs), de caráter meramente interpretativo, como bem analisados na decisão a quo, não são aplicáveis. Quando da emissão da NT Cosit nº 01, de 18/01/2012, a qual a recorrente se baseia para ter adotado a postura pleiteada no presente processo, a mesma foi criada com objetivo de orientação internamente a Receita Federal do Brasil, e identificado a sua impropriedade, foi cancelara por meio da NT Cosit nº 19, de 12/06/2012, corrigindoa. Ao transmitir sua Per/Dcomp em 30/05/2012, entre a data de expedição de ambas NTs. não criou uma vinculação nos termos do artigo 100 do CTN, pois as NTs não são atos normativos, e, por consequência, nem houve a prática reiterada pela autoridade administrativa pois não foram direcionadas aos contribuintes, muito menos nem pessoalmente à recorrente. Como salienta a decisão a quo, as NTs não são publicadas no DOU, seja no site da Receita Federal, não tendo alcance para o público externo (no caso, contribuintes). Assim, não podem ser evocadas para a postura adotada pela recorrente. Com base no que fora exposto, entendo que não ocorreu a denúncia espontânea em relação aos débitos julho de 2008 e agosto de 2008, por não terem sido pagos e sim compensados." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Deroulede Fl. 165DF CARF MF
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