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Numero do processo: 10803.000067/2009-07
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 21 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Oct 25 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2004, 2005, 2006, 2007
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ERRO MATERIAL. ANÁLISE NECESSÁRIA. RETIFICAÇÃO DA DECISÃO.
Verificado o erro material apontado pelo embargante cabe o julgamento da parte com erro material e se for o caso, retificação do decidido, sanando-se a decisão administrativa.
Embargos Acolhidos.
Numero da decisão: 2201-003.340
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e acolher os embargos propostos para, sanando a decisão representada pelo Acórdão 2101-002.530 de 12/08/2014, alterar a ementa para conter os exercícios de 2004, 2005, 2006 e 2007 e, como resultado, "Recurso negado". Assim a ementa passa a ter a seguinte redação: "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF. Exercício: 2004, 2005, 2006, 2007. LANÇAMENTO. NULIDADE. AUSÊNCIA. POSSIBILIDADE DE UTILIZAÇÃO DE PROVAS PRODUZIDAS A PARTIR DE PROCEDIMENTO CRIMINAL. Nos termos do artigo 332 do CPC, a prova da verdade dos fatos poderá ser feita por todos os meios legais e moralmente legítimos, sendo lícita a utilização de provas produzidas a partir de procedimento criminal realizado com a observância do quanto disposto no artigo 5º, inciso XII, da Constituição da República. LANÇAMENTO. NULIDADE. AUSÊNCIA. Não havendo preterição do direito de defesa, com a descrição dos fatos e a observância dos elementos necessários à constituição do crédito tributário, não há que se falar em nulidade do lançamento. IRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DECADÊNCIA. TERMO INICIAL. DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO. Em se tratando de omissão de rendimentos, o prazo para o lançamento tributário efetuado nos casos em que haja comprovação de dolo, fraude ou simulação desloca o dies a quo do prazo decadencial para o primeiro dia útil do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, consoante determinado pela combinação dos arts. 150, §4º, e 173, I, do CTN. IRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS RECEBIDOS POR INTERPOSTA PESSOA, SENDO O CONTRIBUINTE O SEU BENEFICIÁRIO. O recebimento de rendimentos tributáveis por interposta pessoa não oferecidos à tributação nas correspondentes declarações de ajuste anual, sendo o contribuinte o seu beneficiário final, configura omissão de rendimento, sujeita ao lançamento de ofício. MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICAÇÃO. Comprovando-se o dolo, a fraude ou a simulação, impõe-se ao infrator a aplicação da multa qualificada no montante de 150% prevista na legislação de regência. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. Na forma da Súmula nº 4 deste Tribunal, a partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Recurso negado.".
Realizou sustentação oral, pelo Contribuinte o Dr. Bruno Baruel Rocha, OAB/SP 206.581.
Assinado digitalmente
Carlos Henrique de Oliveira - Presidente.
Assinado digitalmente
Carlos César Quadros Pierre - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira (Presidente), Carlos Alberto do Amaral Azeredo, José Alfredo Duarte Filho (Suplente Convocado), Maria Anselma Coscrato dos Santos (Suplente Convocada), Denny Medeiros da Silveira (Suplente Convocado), Daniel Melo Mendes Bezerra, Carlos César Quadros Pierre e Ana Cecília Lustosa da Cruz.
Nome do relator: CARLOS CESAR QUADROS PIERRE
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ERRO MATERIAL. ANÁLISE NECESSÁRIA. RETIFICAÇÃO DA DECISÃO. Verificado o erro material apontado pelo embargante cabe o julgamento da parte com erro material e se for o caso, retificação do decidido, sanandose a decisão administrativa. Embargos Acolhidos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e acolher os embargos propostos para, sanando a decisão representada pelo Acórdão 2101 002.530 de 12/08/2014, alterar a ementa para conter os exercícios de 2004, 2005, 2006 e 2007 e, como resultado, "Recurso negado". Assim a ementa passa a ter a seguinte redação: "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF. Exercício: 2004, 2005, 2006, 2007. LANÇAMENTO. NULIDADE. AUSÊNCIA. POSSIBILIDADE DE UTILIZAÇÃO DE PROVAS PRODUZIDAS A PARTIR DE PROCEDIMENTO CRIMINAL. Nos termos do artigo 332 do CPC, a prova da verdade dos fatos poderá ser feita por todos os meios legais e moralmente legítimos, sendo lícita a utilização de provas produzidas a partir de procedimento criminal realizado com a observância do quanto disposto no artigo 5º, inciso XII, da Constituição da República. LANÇAMENTO. NULIDADE. AUSÊNCIA. Não havendo preterição do direito de defesa, com a descrição dos fatos e a observância dos elementos necessários à constituição do crédito tributário, não há que se falar em nulidade do lançamento. IRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DECADÊNCIA. TERMO INICIAL. DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO. Em se tratando de omissão de rendimentos, o prazo para o lançamento tributário efetuado nos casos em que haja comprovação de dolo, fraude ou simulação desloca o dies a quo do prazo decadencial para o primeiro dia útil do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 80 3. 00 00 67 /2 00 9- 07 Fl. 2170DF CARF MF Processo nº 10803.000067/200907 Acórdão n.º 2201003.340 S2C2T1 Fl. 2.167 2 consoante determinado pela combinação dos arts. 150, §4º, e 173, I, do CTN. IRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS RECEBIDOS POR INTERPOSTA PESSOA, SENDO O CONTRIBUINTE O SEU BENEFICIÁRIO. O recebimento de rendimentos tributáveis por interposta pessoa não oferecidos à tributação nas correspondentes declarações de ajuste anual, sendo o contribuinte o seu beneficiário final, configura omissão de rendimento, sujeita ao lançamento de ofício. MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICAÇÃO. Comprovandose o dolo, a fraude ou a simulação, impõese ao infrator a aplicação da multa qualificada no montante de 150% prevista na legislação de regência. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. Na forma da Súmula nº 4 deste Tribunal, a partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Recurso negado.". Realizou sustentação oral, pelo Contribuinte o Dr. Bruno Baruel Rocha, OAB/SP 206.581. Assinado digitalmente Carlos Henrique de Oliveira Presidente. Assinado digitalmente Carlos César Quadros Pierre Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira (Presidente), Carlos Alberto do Amaral Azeredo, José Alfredo Duarte Filho (Suplente Convocado), Maria Anselma Coscrato dos Santos (Suplente Convocada), Denny Medeiros da Silveira (Suplente Convocado), Daniel Melo Mendes Bezerra, Carlos César Quadros Pierre e Ana Cecília Lustosa da Cruz. Relatório Tratam os presentes autos de Embargos de Declaração opostos pelo Contribuinte contra o Acórdão nº 2101002.530 (fls. 2075/2092 deste processo digital), no qual, negouse provimento ao recurso. Insurgese o embargante, argumentando que no acórdão embargado da 1ª Turma Ordinária da 1a Câmara de Segunda Seção de Julgamento, existiria omissão e obscuridade, alegou que ainda que houve erro material quanto a ocorrência de lapso manifesto na ementa do Acórdão ao mencionar "Recurso Provido em Parte". A 2a Câmara da Segunda Seção de Julgamento, em seu despacho de admissibilidade, às fls 2153, admitiu somente para que se sane através da prolação de novo Acórdão as incorreções quanto aos anoscalendário objeto de lançamento e do resultado (negativa de provimento) constantes da ementa, rejeitandose, todavia, os embargos de declaração quanto às suas outras argumentações acerca da ocorrência de omissão, obscuridade ou contradição. Fl. 2171DF CARF MF Processo nº 10803.000067/200907 Acórdão n.º 2201003.340 S2C2T1 Fl. 2.168 3 Destaco que, a 2a Câmara da Segunda Seção de Julgamento, às fls. 2158, verificou ainda, por ocasião do Despacho de admissibilidade do Embargo de declaração, observou, a existência de outro lapso na menção dos anoscalendário objeto de lançamento, o qual deve compreende os exercícios 2004, 2005, 2006, 2007 e não de 2006, 2007, 2008, conforme expresso na ementa. É o relatório. Voto Os embargos são tempestivos e atendem às demais condições de admissibilidade, portanto merecem ser conhecidos. Ainda que o parágrafo terceiro, do artigo 65 do regimento do CARF, disponha que a rejeição do embargo se dá em caráter definitivo, esclareço que concordo com o despacho de admissibilidade, no sentido de admitir os embargos somente em virtude dos erros materiais. § 3º O Presidente não conhecerá os embargos intempestivos e rejeitará, em caráter definitivo, os embargos em que as alegações de omissão, contradição ou obscuridade sejam manifestamente improcedentes ou não estiverem objetivamente apontadas. (Redação dada pela Portaria MF nº 39, de 2016) Aponta a Embargante que existe erro material quanto a ocorrência de lapso manifesto na ementa do Acórdão ao mencionar "Recurso Provido em Parte". A 2a Câmara da Segunda Seção de Julgamento às fls 2158, por ocasião do Despacho de admissibilidade do Embargo de declaração, observou ainda, a existência de outro lapso na menção dos anoscalendário objeto de lançamento, o qual deve compreende os exercícios 2004, 2005, 2006, 2007 e não de 2006, 2007, 2008, conforme expresso na ementa. No tocante a este aspecto, entendo que assiste razão ao Embargante. Observando os autos, verifico que a mencionada ementa informa “Recurso provido em parte” (fls. 2076 dos autos); quando na leitura do inteiro teor do acórdão se verifica que o recurso foi totalmente negado. Entendo, por esta razão, que deve ser alterada a decisão para constar na ementa “Recurso negado”. Observandose ainda os autos, verifico que existe um lapso na menção dos anoscalendário objeto de lançamento, o qual na verdade compreende os exercícios de 2004 a 2007 (e não de 2006, 2007, 2008, conforme expresso na ementa). Entendo, por esta razão, que deve ser alterada a decisão para constar na ementa “Exercício: 2004, 2005, 2006, 2007”. Conclusão Fl. 2172DF CARF MF Processo nº 10803.000067/200907 Acórdão n.º 2201003.340 S2C2T1 Fl. 2.169 4 Pelo exposto e com base nos fundamentos apontados, voto por conhecer dos embargos propostos pelo Contribuinte, e por acolhêlo, para, sanando os erros materiais apontados, retificar somente a ementa da decisão do Acórdão 2101002.530, proferido em 12 de agosto de 2014, que passa a ter a seguinte redação: " ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2004, 2005, 2006, 2007 LANÇAMENTO. NULIDADE. AUSÊNCIA. POSSIBILIDADE DE UTILIZAÇÃO DE PROVAS PRODUZIDAS A PARTIR DE PROCEDIMENTO CRIMINAL. Nos termos do artigo 332 do CPC, a prova da verdade dos fatos poderá ser feita por todos os meios legais e moralmente legítimos, sendo lícita a utilização de provas produzidas a partir de procedimento criminal realizado com a observância do quanto disposto no artigo 5º, inciso XII, da Constituição da República. LANÇAMENTO. NULIDADE. AUSÊNCIA. Não havendo preterição do direito de defesa, com a descrição dos fatos e a observância dos elementos necessários à constituição do crédito tributário, não há que se falar em nulidade do lançamento. IRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DECADÊNCIA. TERMO INICIAL. DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO. Em se tratando de omissão de rendimentos, o prazo para o lançamento tributário efetuado nos casos em que haja comprovação de dolo, fraude ou simulação desloca o dies a quo do prazo decadencial para o primeiro dia útil do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, consoante determinado pela combinação dos arts. 150, §4º, e 173, I, do CTN. IRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS RECEBIDOS POR INTERPOSTA PESSOA, SENDO O CONTRIBUINTE O SEU BENEFICIÁRIO. O recebimento de rendimentos tributáveis por interposta pessoa não oferecidos à tributação nas correspondentes declarações de ajuste anual, sendo o contribuinte o seu beneficiário final, configura omissão de rendimento, sujeita ao lançamento de ofício. MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICAÇÃO. Comprovandose o dolo, a fraude ou a simulação, impõese ao infrator a aplicação da multa qualificada no montante de 150% prevista na legislação de regência. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. Na forma da Súmula nº 4 deste Tribunal, a partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são Fl. 2173DF CARF MF Processo nº 10803.000067/200907 Acórdão n.º 2201003.340 S2C2T1 Fl. 2.170 5 devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Recurso negado.". Assinado digitalmente Carlos César Quadros Pierre Fl. 2174DF CARF MF
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Numero do processo: 10380.900758/2009-12
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Dec 07 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Jan 17 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2005
PREÇO PREDETERMINADO. REAJUSTE CONTRATUAL.
Constatado que a evolução acumulada do preço da energia elétrica se deu em proporção inferior à variação ponderada de seus insumos, não é descaracterizado o preço predeterminado, com a incidência cumulativa das contribuições de PIS e COFINS.
Numero da decisão: 9303-004.432
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional, nos termos do voto do Relator Designado. Vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito, Erika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello. No mérito, por unanimidade de votos, acordam em negar-lhe provimento. Votaram pelas conclusões os conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Andrada Marcio Canuto Natal, Demes Brito e Vanessa Marini Cecconello. A Conselheira Vanessa Marini Cecconello apresentou declaração de voto.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Érika Costa Camargos Autran - Relatora
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza Relator Designado
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza, Érika Costa Camargos Autran, Andrada Márcio Canuto Natal, Julio Cesar Alves Ramos, Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: ERIKA COSTA CAMARGOS AUTRAN
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Ano-calendário: 2005 PREÇO PREDETERMINADO. REAJUSTE CONTRATUAL. Constatado que a evolução acumulada do preço da energia elétrica se deu em proporção inferior à variação ponderada de seus insumos, não é descaracterizado o preço predeterminado, com a incidência cumulativa das contribuições de PIS e COFINS.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional, nos termos do voto do Relator Designado. Vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito, Erika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello. No mérito, por unanimidade de votos, acordam em negar-lhe provimento. Votaram pelas conclusões os conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Andrada Marcio Canuto Natal, Demes Brito e Vanessa Marini Cecconello. A Conselheira Vanessa Marini Cecconello apresentou declaração de voto. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Érika Costa Camargos Autran - Relatora (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Relator Designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza, Érika Costa Camargos Autran, Andrada Márcio Canuto Natal, Julio Cesar Alves Ramos, Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello.
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ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2005 PREÇO PREDETERMINADO. REAJUSTE CONTRATUAL. Constatado que a evolução acumulada do preço da energia elétrica se deu em proporção inferior à variação ponderada de seus insumos, não é descaracterizado o preço predeterminado, com a incidência cumulativa das contribuições de PIS e COFINS. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional, nos termos do voto do Relator Designado. Vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito, Erika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello. No mérito, por unanimidade de votos, acordam em negarlhe provimento. Votaram pelas conclusões os conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Andrada Marcio Canuto Natal, Demes Brito e Vanessa Marini Cecconello. A Conselheira Vanessa Marini Cecconello apresentou declaração de voto. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 90 07 58 /2 00 9- 12 Fl. 404DF CARF MF Processo nº 10380.900758/200912 Acórdão n.º 9303004.432 CSRFT3 Fl. 2.117 2 (assinado digitalmente) Érika Costa Camargos Autran Relatora (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza – Relator Designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza, Érika Costa Camargos Autran, Andrada Márcio Canuto Natal, Julio Cesar Alves Ramos, Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello. Relatório Tratase de recurso especial de divergência, tempestivo, de acordo com o disposto no art. 7º, §§ 3º e 5º, da Portaria MF n.º 527, de 2010, interposto pela Fazenda Nacional ao amparo do art. 67, Anexo II, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF, aprovado pela Portaria MF n.º 256, de 22 de junho de 2009, em face do acórdão n.º 3101001.718, que possui a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2005 PREÇO PREDETERMINADO. REAJUSTE CONTRATUAL. Constatado que a evolução acumulada do preço da energia elétrica se deu em proporção inferior à variação ponderada de seus insumos, não é descaracterizado o preço predeterminado, com a incidência cumulativa das contribuições de PIS e COFINS. Recurso Voluntário Provido em Parte A divergência foi suscitada pela Fazenda Nacional em razão do entendimento de que a previsão de cláusula de reajuste com base no IGPM não desnaturaria o requisito de “preço predeterminado” estatuído no art. 10, XI, “b” da Lei n.º 10.833/2003, condição necessária para manutenção da contribuinte no regime cumulativo do PIS/COFINS. Para comprovar o dissenso foram colacionados, como paradigmas no recurso, os Acórdãos nºs 210200.001 e 20219.497. O Contribuinte apresentou contrarrazões fl.365 postulando o não conhecimento do Recurso Especial e caso conhecido seja impróvido, para manter a decisão v. Acórdão. É o relatório. Voto Vencido Fl. 405DF CARF MF Processo nº 10380.900758/200912 Acórdão n.º 9303004.432 CSRFT3 Fl. 2.118 3 Conselheira Érika Costa Camargos Autran Relatora Da Admissibilidade O Recurso é tempestivo e, depreendendose da análise de seu cabimento, entendo pela não admissibilidade do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, em face da inexistência de divergência jurisprudencial entre o aresto Recorrido e os acórdãos invocados como paradigma senão vejamos: Apesar de os resultados dos acórdãos paradigmas serem contrários ao Contribuinte, verificase que o Acórdão n.º 2102.00001 reconheceu que "o preço predeterminado não é descaracterizado apenas quando o reajuste de preços se dá em percentual não superior ao correspondente ao acréscimo dos custos de produção”, e o Acórdão n° 20219497, que o "reajuste de preço, efetuado após 31/10/2003, só não descaracteriza o caráter predeterminado do preço para fins de aplicação do art.10, XI, da Lei n.º 10.833, de 2003, conforme prescrição do art.109 da Lei n.º11.196, de 2005, e do art.3°, §3°, da IN SRF n.º 658/2006, se efetivado apenas em função do custo de produção ou em percentual não superior àquele correspondente à variação de Índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados") O Acórdão recorrido reafirma precisamente esse mesmo entendimento, com fundamento nas prova nos autos (Laudo Pericial) comprobatória de que "a evolução acumulada do preço da energia elétrica se deu em proporção inferior à variação ponderada de seus insumos, ficando demonstrado que a correção no preço da energia elétrica praticada no periodo em questão (2005) não foi superior ao que ocorreu com seus insumos". Verificase que entendimento é o mesmo, no entanto, os resultados foram distintos exclusivamente em razão da prova pericial juntada aos presentes autos, a qual não existiu nos autos dos processos em que foram proferidos os acórdãos paradigmas, configurando contextos fático probatórios distintos. Fl. 406DF CARF MF Processo nº 10380.900758/200912 Acórdão n.º 9303004.432 CSRFT3 Fl. 2.119 4 De pronto, o confronto o teor dos votos evidencia que não houve a divergência jurisprudencial sobre a caracterização de preço contratualmente predeterminado e sujeição ou não ao regime cumulativo. Diante disto, nego o seguimento do recurso especial da Fazenda. Do Mérito A questão posta nos autos cingese a esclarecer se a receita advinda do contrato firmado, por ser anterior a 31 de outubro de 2003, estaria alcançado pelo comando dos artigos 10 e 15 da Lei nº n.º 10.833/03, em razão da Instrução Normativa n.º 468/04, aplicando se, portanto, a sistemática da nãocumulatividade. Por unanimidade de votos, a decisão recorrida reconheceu o direito do Contribuinte de compensar com débitos próprios os créditos de que é titular, decorrentes de pagamentos efetuados a maior realizados a título de COFINS nãocumulativa, sobre as receitas de vendas de energia elétrica, quando esse tributo deveria ter sido calculado no regime cumulativo, de acordo com a a alínea "b" do inciso XI do artigo 10 e no artigo 15 da Lei n.° 10.833/03, do § 3 do artigo 3 da IN SRF n.° 658/06 e do item 3.1 da IN SRF n.° 21/79, por resultarem de contrato firmado antes de 31.10.2003 a preço predeterminado, com prazo de vigência superior a 1 (um) ano (CONTRATO), celebrado com a Companhia Energética do Ceará ("COELCE"). Para melhor elucidar a questão, transcrevo a seguir os dispositivos que serão tratados na presente decisão, iniciando com a art. 10, inciso XI, alínea “b”, da Lei n.º10.833/03, in verbis: "Lei 10.833/03 (...) Art. 10. Permanecem sujeitas às Normas da legislação da COFINS, vigentes anteriormente a esta Lei, não se lhes aplicando as disposições dos arts. 1º a 8º: (...) Fl. 407DF CARF MF Processo nº 10380.900758/200912 Acórdão n.º 9303004.432 CSRFT3 Fl. 2.120 5 XI as receitas relativas a contratos firmados anteriormente a 31 de outubro de 2003: (...) b) com prazo superior a 1 (um) ano, de construção por empreitada ou de fornecimento, a preço predeterminado, de bens ou serviços;" E artigos 1º e 2º da IN SRF n.º 468/04, trazem a seguinte redação: "Art. 1º Permanecem tributadas no regime da cumulatividade, ainda que a pessoa jurídica esteja sujeita à incidência nãocumulativa da Contribuição para o PIS/Pasep e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins, as receitas por ela auferidas relativas a contratos firmados anteriormente a 31 de outubro de 2003: (...) II com prazo superior a 1 (um) ano, de construção por empreitada ou de fornecimento, a preço predeterminado, de bens ou serviços “Art. 2º Para efeito desta Instrução Normativa, preço predeterminado é aquele fixado em moeda nacional como remuneração da totalidade do objeto do contrato. § 1º Considerase também preço predeterminado aquele fixado em moeda nacional por unidade de produto ou por período de execução. § 2º Se estipulada no contrato cláusula de aplicação de reajuste, periódico ou não, o caráter predeterminado do preço subsiste somente até a implementação da primeira alteração de preços verificada após a data mencionada no art. 1º. (...)." Verificase que a Instrução Normativa da Receita Federal determina a alteração do regime tributário com a existência de cláusula de reajuste, ou seja, altera a situação da pessoa jurídica do regime tributário da cumulatividade para o não cumulativo. Acredito, que referida instrução normativa ultrapassou o poder regulamentar. Isto porque, ao definir a cláusula de reajuste como marco temporal para modificação do caráter Fl. 408DF CARF MF Processo nº 10380.900758/200912 Acórdão n.º 9303004.432 CSRFT3 Fl. 2.121 6 predeterminado do preço, acabou por conferir, de forma reflexa, aumento das alíquotas do PIS (de 0,65% para 1,65%) e da COFINS (de 3% para 7,6%). Cumpre asseverar que o entendimento jurisprudencial só admite alteração, aumento ou fixação de alíquota tributária por meio de lei, sendo inviável a utilização de ato infralegal para este fim, sob pena de violação ao princípio da legalidade tributária, senão vejamos: "PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. VIOLAÇÃO AO ART. 535 DO CPC. INOCORRÊNCIA. AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO. SÚMULA 211/STJ. FUSEX. NATUREZA TRIBUTÁRIA. FIXAÇÃO DA ALÍQUOTA POR PORTARIA. IMPOSSIBILIDADE. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. PRESCRIÇÃO QUINQUENAL. 1. É entendimento sedimentado o de não haver omissão no acórdão que, com fundamentação suficiente, ainda que não exatamente a invocada pelas partes, decide de modo integral a controvérsia posta. 2. 'Inadmissível recurso especial quanto à questão que, a despeito da oposição de embargos declaratórios, não foi apreciada pelo tribunal a quo' (Súmula 211/STJ). 3. 'O Fundo de Saúde do Ministério do Exército (FUSEX) é custeado pelos próprios militares que gozam, juntamente com seus dependentes, de assistência médicohospitalar. A contribuição de custeio, tendo em vista seu caráter compulsório, tem natureza jurídica tributária, sujeitandose ao princípio da legalidade. Precedente: REsp 789260/PR, Ministro Francisco Falcão, Primeira Turma, DJ 19.06.2006' (REsp 761.421/PR, 1ª Turma, Min. Luiz Fux, DJ de 01.03.2007). 4. '(...) por se tratar de lançamento de ofício, o prazo prescricional a ser aplicado às ações de repetição de indébito de contribuições ao FUSEX é o qüinqüenal, nos termos do art. 168, I, do CTN' (REsp 1.068.895/RS, 1ª Turma, Min. Francisco Falcão, DJe de 20/10/2008) 5. Recurso especial parcialmente provido. (REsp 857.464/RS, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, Primeira Turma, julgado em 17.2.2009, DJe 2.3.2009.) Diante, disto, o STJ e o TRF tem posicionado no sentido de declarar a ilegalidade do art. 2º, §2º, da Instrução Normativa SRF n.º 468/04 (redação repetida pelo art. 3º, §2º, da Instrução Normativa SRF n.º 658/06). Fl. 409DF CARF MF Processo nº 10380.900758/200912 Acórdão n.º 9303004.432 CSRFT3 Fl. 2.122 7 "TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL. CONTRIBUIÇÃO AO PIS E COFINS. NÃOCUMULATIVIDADE. REGRA DE TRANSIÇÃO. ART. 10, XI, "B", DA LEI N. 10.833/03. REGULAMENTAÇÃO. SECRETARIA DA RECEITA FEDERAL. ART. 92 DA LEI N. 10.833/03. CONCEITO DE "PREÇO PREDETERMINADO". ART. 2º, § 2º, DA IN/SRF N. 468/2004 E ART. 3º, §2º, DA IN/SRF N. 658/2006. ILEGALIDADE. RECURSO ESPECIAL NÃO PROVIDO (ART. 932, IV, CPC/2015 C/C ART. 255, § 4º, II, RISTJ). Processo REsp 1476922 Relator(a) Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES Data da Publicação DJe 29/06/2016." "TRIBUTÁRIO. COFINS. REGIME DE CONTRIBUIÇÃO. LEI N. 10.833/03. INSTRUÇÃO NORMATIVA N. 468/2004. VIOLAÇÃO DO PRINCÍPIO DA LEGALIDADE. 1. Cuidase de recurso especial interposto pelo contribuinte, questionando o poder regulamentar da Secretaria da Receita Federal, na edição da Instrução Normativa n. 468/04, que regulamentou o art. 10 da Lei n. 10.833/03. 2. O art. 10, inciso XI, da Lei n. 10.833/03 determina que os contratos de prestação de serviço firmados a preço determinado antes de 31.10.2003, e com prazo superior a 1 (um) ano, permanecem sujeitos ao regime tributário da cumulatividade para a incidência da COFINS. (Grifo meu.) 3. A Secretaria da Receita Federal, por meio da Instrução Normativa n. 468/04, ao definir o que é "preço predeterminado", estabeleceu que "o caráter predeterminado do preço subsiste somente até a implementação da primeira alteração de preços " e, assim, acabou por conferir, de forma reflexa, aumento das alíquotas do PIS (de 0,65% para 1,65%) e da COFINS (de 3% para 7,6%). 4. Somente é possível a alteração, aumento ou fixação de alíquota tributária por meio de lei, sendo inviável a utilização de ato infralegal para este fim, sob pena de violação do princípio da legalidade tributária. 5. No mesmo sentido do voto que eu proferi, o Ministério Público Federal entendeu que houve ilegalidade na regulamentação da lei pela Secretaria da Receita Federal, pois "a simples aplicação da cláusula de reajuste prevista em contrato firmado anteriormente a 31.10.2003 não configura, por si só, causa de indeterminação de preço, uma vez que não muda a natureza do valor inicialmente fixado, mas tão somente repõe, com Fl. 410DF CARF MF Processo nº 10380.900758/200912 Acórdão n.º 9303004.432 CSRFT3 Fl. 2.123 8 fim na preservação do equilíbrio econômicofinanceiro entre as partes, a desvalorização da moeda frente à inflação ." (Fls. 335, grifo meu.) Mantenho o voto apresentado, no sentido de dar provimento ao recurso especial (REsp. n. 1.089.998 RJ, Segunda Turma, Rel. Min. Humberto Martins, julgado em 18.10.2011). " "TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL. VIOLAÇÃO DO ART. 557 DO CPC. INEXISTÊNCIA. ALEGAÇÃO GENÉRICA. SÚMULA 284/STF. COFINS. REGIME DE CONTRIBUIÇÃO. LEI N. 10.833/03. INSTRUÇÃO NORMATIVA 468/2004. VIOLAÇÃO DO PRINCÍPIO DA LEGALIDADE. 1. A eventual nulidade da decisão monocrática calcada no art. 557 do CPC fica superada com a reapreciação do recurso pelo órgão colegiado, na via de agravo regimental, como bem analisado no REsp 824.406/RS de Relatoria do Min. Teori Albino Zavascki, em 18.5.2006. 2. A Secretaria da Receita Federal, por meio da Instrução Normativa 468/04, ao definir o que é "preço predeterminado", estabeleceu que "o caráter predeterminado do preço subsiste somente até a implementação da primeira alteração de preços" e, assim, acabou por conferir, de forma reflexa, aumento das alíquotas do PIS (de 0,65% para 1,65%) e da COFINS (de 3% para 7,6%). 3. Somente é possível a alteração, aumento ou fixação de alíquota tributária por meio de lei, sendo inviável a utilização de ato infralegal para este fim, sob pena de violação do princípio da legalidade tributária. Precedentes: REsp 1.089.998 RJ, DJe 30/11/2011; REsp 1.109.034PR, DJe 6/5/2009; e REsp 872.169RS, DJe 13/5/2009. Agravo regimental improvido (AgRg no REsp. n. 1.310.284 PR, Segunda Turma, Rel. Min. Humberto Martins, julgado em 06.09.2012)." "PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. ART. 535, II, DO CPC. ALEGAÇÕES GENÉRICAS. SÚMULA 284/STF. INTIMAÇÃO PESSOAL DA FAZENDA. FUNDAMENTO CONSTITUCIONAL. MANDADO DE SEGURANÇA. NATUREZA PREVENTIVA. SÚMULA 7/STJ. ART. 10, XI, "B' DA LEI 10.833/03. CONCEITO DE PREÇO PREDETERMINADO. IN SRF 468/04. ILEGALIDADE. PRECEDENTE. ART. 538, PARÁGRAFO ÚNICO, DO CPC. MULTA. AFASTAMENTO. Fl. 411DF CARF MF Processo nº 10380.900758/200912 Acórdão n.º 9303004.432 CSRFT3 Fl. 2.124 9 SÚMULA 98/STJ. 1. O provimento do recurso especial por contrariedade ao art. 535, II, do CPC pressupõe seja demonstrado, fundamentadamente, entre outros, os seguintes motivos: (a) a questão supostamente omitida foi tratada na apelação, no agravo ou nas contrarrazões a estes recursos, ou, ainda, que se cuida de matéria de ordem pública a ser examinada de ofício, a qualquer tempo, pelas instâncias ordinárias; (b) houve interposição de aclaratórios para indicar à Corte local a necessidade de sanear a omissão; (c) a tese omitida é fundamental à conclusão do julgado e, se examinada, poderia levar à sua anulação ou reforma; e (d) não há outro fundamento autônomo, suficiente para manter o acórdão. Esses requisitos são cumulativos e devem ser abordados de maneira fundamentada na petição recursal, sob pena de não se conhecer da alegativa por deficiência de fundamentação, dada a generalidade dos argumentos apresentados. Incidência da Súmula 284/STF. 2. Não cabe recurso especial quanto à controvérsia em torno da intimação pessoal da Fazenda, sob pena de usurparse competência reservada ao Supremo, nos termos do art. 102 da CF/88, já que o aresto recorrido decidiu com base em fundamentos essencialmente constitucionais. 3. Inadmissível recurso especial que demanda dilação probatória incompatível, nos termos da Súmula 7/STJ. No caso, a Corte de origem afirmou, expressamente, tratarse de impetração preventiva, o que afasta o prazo decadencial de 120 dias para a impetração, premissa que não pode ser revista neste âmbito recursal. 4. O preço predeterminado em contrato, previsto no art. 10, XI, "b", da Lei 10.833/03, não perde sua natureza simplesmente por conter cláusula de reajuste decorrente da correção monetária. Ilegalidade da IN n.º 468/04. Precedente. 5. A multa fixada com base no art. 538, parágrafo único, do CPC, deve ser afastada quando notório o propósito de prequestionamento dos embargos de declaração. Incidência da Súmula 98/STJ. 6. Recurso especial conhecido em parte e provido também em parte. Fl. 412DF CARF MF Processo nº 10380.900758/200912 Acórdão n.º 9303004.432 CSRFT3 Fl. 2.125 10 Acórdão Vistos, relatados e discutidos os autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da Segunda Turma do Superior Tribunal de Justiça, por unanimidade, conhecer em parte do recurso e, nessa parte, darlhe parcial provimento nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Humberto Martins, Herman Benjamin, Mauro Campbell Marques e Cesar Asfor Rocha votaram com o Sr. Ministro Relator.” Egrégio Superior Tribunal de Justiça no julgamento do REsp 1169088 MT 2009/02357184" Com efeito, inferese da leitura da legislação federal que não houve nenhuma previsão de alteração do regime de contribuição por aplicação de cláusula de reajuste nos contratos firmados, não podendo instrumento normativo hierarquicamente inferior determinar a alteração do regime tributário, em observância da princípio da legalidade. Ademais, as Instruções Normativas constituem espécies jurídicas de caráter secundário, cuja validade e eficácia resultam, imediatamente, de sua estrita observância dos limites impostos pelas leis. De conseqüência, à luz dos art. 97 e 99 do Código Tributário Nacional, Instruções Normativas não podem modificar Lei, inovar a ordem jurídica, mas apenas conferir executoriedade às leis, nos estritos limites estabelecidos por elas. Não obstante à essa constatação, temse que, posteriormente à IN SRF n.º 468/04, especificamente em 22.11.05, foi publicada a Lei n.º 11.196/05 que trouxe o seguinte dispositivo (Grifos meus): “Art. 109. Para fins do disposto nas alíneas b e c do inciso XI do caput do art. 10 da Lei no 10.833, de 29 de dezembro de 2003, o reajuste de preços em função do custo de produção ou da variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, nos termos do inciso II do § 1o do art. 27 da Lei no 9.069, de 29 de junho de 1995, não será considerado para fins da descaracterização do preço predeterminado. Parágrafo único. O disposto neste artigo aplicase desde 1o de novembro de 2003.” Fl. 413DF CARF MF Processo nº 10380.900758/200912 Acórdão n.º 9303004.432 CSRFT3 Fl. 2.126 11 Pela leitura desse dispositivo, confirmase que não havia nenhuma previsão legal, até o advento da Lei n.º 11.196/05, de alteração do regime de contribuição por aplicação de cláusula de reajuste nos contratos firmados. Vale ainda esclarecer que a introdução de cláusula de reajuste é admitida para assegurar às partes a manutenção do equilíbrio econômico e financeiro da avença. Deve haver uma permanente equivalência entre os encargos suportados pelo particular e a remuneração a ele paga pela Administração. E o artigo 40 da Lei n.º 8.666 de 21 de junho de 1993, que rege as licitações, estabelece a observância obrigatória de determinadas regras, das quais a cláusula de reajuste de preço deve constar não apenas do instrumento contratual, mas também do próprio ato convocatório do processo de licitação. A mesma lei, dispõe que a aplicação de reajuste apenas representa o repasse da correção monetária durante a vigência do contrato, e não o estabelecimento de um novo contrato. O reajuste não provoca alteração contratual, motivo pelo qual é registrado mediante simples apostila. "Art. 40. O edital conterá no preâmbulo o número de ordem em série anual, o nome da repartição interessada e de seu setor, a modalidade, o regime de execução e o tipo da licitação, a menção de que será regida por esta Lei, o local, o dia e a hora para recebimento da documentação e proposta, bem como para início da abertura dos envelopes, e indicará, obrigatoriamente, o seguinte: (...) XI – critério de reajuste, que deverá retratar a variação efetiva do custo de produção, admitida a adoção de índices específicos ou setoriais, desde a data prevista para apresentação da proposta, ou do orçamento a que essa proposta se referir, até a data do adimplemento de cada parcela; (...) Art. 55. São cláusulas necessárias em todo contrato as que estabeleçam: (...) III o preço e as condições de pagamento, os critérios, database e periodicidade do reajustamento de preços, os critérios da atualização monetária entre a data do adimplemento das obrigações e a do efetivo pagamento;" Fl. 414DF CARF MF Processo nº 10380.900758/200912 Acórdão n.º 9303004.432 CSRFT3 Fl. 2.127 12 "Art. 65. Os contratos regidos por esta Lei poderão ser alterados, com as devidas justificativas, nos seguintes casos: (...) § 8.º A variação do valor contratual para fazer face ao reajuste de preços previsto no próprio contrato , as atualizações, compensações ou penalizações financeiras decorrentes das condições de pagamento nele previstas, bem como o empenho de dotações orçamentárias suplementares até o limite do seu valor corrigido, não caracterizam alteração do mesmo , podendo ser registrados por simples apostila, dispensando a celebração de aditamento." (grifouse.) Dessa forma, o reajuste, resultante da simples aplicação do índice de correção monetária não tem o poder de alterar o preço predeterminado. Tanto é assim, que não implica em obrigatoriedade de aditamento do contrato, bastando a previsão de cláusula de reajuste com a estipulação de um índice oficial para a atualização monetária do preço. Quanto à IN SRF n.º 658/06, publicada posteriormente à Lei n.º 11.196/05 e que revogou a IN SRF n.º 468/04, que trouxe os arts. 3º e 4º, in verbis: "Art. 3º Para efeito desta Instrução Normativa, preço predeterminado é aquele fixado em moeda nacional como remuneração da totalidade do objeto do contrato. § 1º Considerase também preço predeterminado aquele fixado em moeda nacional por unidade de produto ou por período de execução. § 2º Ressalvado o disposto no § 3º, o caráter predeterminado do preço subsiste somente até a implementação, após a data mencionada no art. 2º, da primeira alteração de preços decorrente da aplicação: I de cláusula contratual de reajuste, periódico ou não; ou II de regra de ajuste para manutenção do equilíbrio econômicofinanceiro do contrato, nos termos dos arts. 57, 58 e 65 da Lei nº 8.666, de 21 de junho de 1993. § 3º O reajuste de preços, efetivado após 31 de outubro de 2003, em percentual não superior àquele correspondente ao acréscimo dos custos de produção ou à variação de índice que reflita a variação ponderada dos Fl. 415DF CARF MF Processo nº 10380.900758/200912 Acórdão n.º 9303004.432 CSRFT3 Fl. 2.128 13 custos dos insumos utilizados, nos termos do inciso II do § 1º do art. 27 da Lei nº 9.069, de 29 de junho de 1995, não descaracteriza o preço predeterminado. Art. 4º Na hipótese de pactuada, a qualquer título, a prorrogação do contrato, as receitas auferidas depois de vencido o prazo contratual vigente em 31 de outubro de 2003 sujeitarseão à incidência nãocumulativa das contribuições.” (Grifos meus) É de se considerar, em vista do exposto, que a IN SRF n.º 658/06, especificamente sem eu art. 3º, § 3º, está em consonância com o art. 109 da Lei n.º 11.196/05 ao dispor que o reajuste de preços, efetivado após 31 de outubro de 2003, em percentual não superior àquele correspondente ao acréscimo dos custos de produção ou à variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, nos termos do inciso II do § 1º do art. 27 da Lei n.º 9.069, de 29 de junho de 1995, não descaracteriza o preço predeterminado. No caso concreto dos autos a recorrente celebrou, em 31 de agosto de 2001, contrato de compra e venda de energia elétrica com a Companhia Energética do Ceará COELCE, por um prazo de 20 anos, contados a partir da data inicial de fornecimento, que foi devidamente aprovado pela ANEEL através do Oficio n° 243/2002SFF/ANEEL, de 09/04/2002. E através dos laudos apresentados foi comprovado que o Índice previsto para reajuste do preço predeterminado, constante do contrato de fornecimento de energia elétrica para a Companhia Energética do Ceará COELCE, não restou descaracterizado quando do primeiro reajuste, porquanto tal índice refletira os acréscimos dos custos de produção de energia elétrica, nos exatos termos condicionados pela legislação aplicável, tendo como consequência a tributação de suas receitas pelo PIS e COFINS no sistema cumulativo. E foi demonstrado que a fórmula de reajuste de preços não foi derivada de Índice refletor da variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, Fl. 416DF CARF MF Processo nº 10380.900758/200912 Acórdão n.º 9303004.432 CSRFT3 Fl. 2.129 14 Quanto a variação do custo de produção, os peritos ao analisar o Laudo apresentado pela recorrido, apresentaram a seguinte resposta: 'Nesse contexto de forte definição por parte do Estado, os reajustes aplicados desde o inicio do suprimento CGTFCOELCE não ultrapassaram os custos de produção ou a variação ponderada dos insumos pelas seguintes razões: 1As Regras de Reajuste Contratual foram estabelecidas na legislação setorial; 2O contrato foi analisado e aprovado pela ANEEL; 3As regras de reajuste contratual definidas pela legislação setorial visam a variação ponderada dos custos de produção ou dos insumos, em consonância estrita com o princípio da legalidade, observado com todo o natural zelo pelo Regulador, em especial obedecendo o que dispõe o art. 27 da Lei n° 9.069/1995 no que diz respeito às condições necessárias para a utilização de índice diferente do IPC; e 4A variação de preço de venda não foi superior à dos insumos. E posteriormente a recorrida apresentou, o complemento do Laudo Técnico, no qual consta a composição final do preço com base nos nesses insumos e também foi apresentada a evolução ponderada dos insumos e produto. Diante de todos esses elementos ficou comprovado que em todos os anos do período apresentado, a evolução acumulada do preço da energia elétrica se deu em proporção inferior à variação ponderada de seus insumos, ficando demonstrado que a correção no preço da energia elétrica praticada no período em questão (2005) não foi superior ao que ocorreu com seus insumos. Dessa forma, o reajuste praticado não será considerado para fins da descaracterização do preço predeterminado, sujeitandose a recorrente à alíquota cumulativa das contribuições, subsistindo indébito tributário passível de repetição e compensação. Fl. 417DF CARF MF Processo nº 10380.900758/200912 Acórdão n.º 9303004.432 CSRFT3 Fl. 2.130 15 Ademais, a Recorrida apresentou Ofício nº 1431/2006 da ANEEL, onde foi confirmado que os índices por ela aprovados ou homologados, bem como nos contratos celebrados nos moldes dos examinados nesses processos “visam exatamente refletir a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados”. Diante dos fatos apurados, nego provimento ao recurso especial da Fazenda, para manter a decisão recorrida. É como voto. (assinado digitalmente) Érika Costa Camargos Autran Fl. 418DF CARF MF Processo nº 10380.900758/200912 Acórdão n.º 9303004.432 CSRFT3 Fl. 2.131 16 Voto Vencedor Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Redator designado. Com a devida vênia, divirjo da il. Relatora. Entendemos que o recurso especial deve ser conhecido. É que, como restou comprovado no exame de sua admissibilidade, enquanto, no acórdão recorrido, entendeuse que o índice aplicado no contrato celebrado pela contribuinte – o mesmo de que se tratou no primeiro acórdão paradigma – não o desqualificava como predeterminado, neste último chegouse a uma conclusão diversa, ou seja, a de que a aplicação do mesmo índice desnaturou tal condição. Assim sendo, e sem necessidade de maiores digressões, entendemos que o recurso especial interposto pela Procuradoria deve ser conhecido. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Declaração de Voto Conselheira Vanessa Marini Cecconello No caso em exame, acompanhei, pelas conclusões, o voto da Ilustre Conselheira Relatora, motivo pela qual são apresentadas as razões por meio desta declaração. Adentrandose à análise dos autos, verificase tratarse de contrato de venda de energia elétrica para a Companhia Energética do Ceará COELCE, celebrado em Fl. 419DF CARF MF Processo nº 10380.900758/200912 Acórdão n.º 9303004.432 CSRFT3 Fl. 2.132 17 31/08/2001 e seus respectivos aditivos datados de 10/10/2001 e 22/11/2002, a preço predeterminado e com prazo de vigência superior a 1 (um) ano. Ocorre que, no período relativo ao ano de 2005, a Contribuinte equivocadamente recolheu o PIS e a COFINS com base no regime nãocumulativo de apuração das referidas contribuições. Posteriormente, entendeu estarem as mencionadas receitas de venda de energia elétrica sujeitas à sistemática cumulativa do PIS e da COFINS, conforme disciplina do art. 10, inciso XI, alínea "b" e art. 15, ambos da Lei nº 10.833/2003, por serem decorrentes de contrato firmado anteriormente a 31/10/2003, com prazo de duração superior a 1 (um) ano, de construção por empreitada ou de fornecimento, a preço predeterminado, de bens e serviços. Assim, efetuou a transmissão de pedidos de compensação, em 31/01/2006, objetivando verse restituída dos créditos tributários recolhidos a maior a título de PIS e COFINS, dos períodos de apuração de janeiro a outubro de 2005. Na apreciação do recurso voluntário, o Colegiado a quo entendeu por dar parcial provimento ao recurso voluntário para reconhecer a sujeição das receitas de vendas de energia elétrica ao regime cumulativo das contribuições para o PIS e a COFINS, uma vez que o reajuste do valor do contrato em proporção inferior à variação ponderada de seus insumos, conforme demonstrado em Laudo Pericial, não desnaturou a característica do preço predeterminado. Em face dessa decisão, insurgiuse a Fazenda Nacional por meio de Recurso Especial de divergência. Delimitase, assim, a controvérsia em torno da determinação do regime de tributação de PIS e COFINS (cumulativo ou não cumulativo) a que devem ser submetidas as receitas decorrentes de contratos do setor elétrico firmados anteriormente a 31/10/2003, após o reajuste pelo IGPM do preço predeterminado, previsto no art. 10, inciso XI, alínea "b", e art. 15, inciso V, ambos da Lei nº 10.833/2003: COFINS Fl. 420DF CARF MF Processo nº 10380.900758/200912 Acórdão n.º 9303004.432 CSRFT3 Fl. 2.133 18 Art. 10. Permanecem sujeitas às normas da legislação da COFINS, vigentes anteriormente a esta Lei, não se lhes aplicando as disposições dos arts. 1º a 8º: [...] XI as receitas relativas a contratos firmados anteriormente a 31 de outubro de 2003: [...] b) com prazo superior a 1 (um) ano, de construção por empreitada ou de fornecimento, a preço predeterminado, de bens ou serviços; [...](grifouse) PIS/PASEP Art. 15. Aplicase à contribuição para o PIS/PASEP nãocumulativa de que trata a Lei no 10.637, de 30 de dezembro de 2002, o disposto: [...] V nos incisos VI, IX a XXVII do caput e nos §§ 1o e 2o do art. 10 desta Lei; (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) [...] Inequívoco que, para permanência na sistemática de tributação do PIS e da COFINS pelo regime cumulativo, as receitas a serem tributadas devem ser de contratos que possuam as seguintes características: (i) tenham sido firmados em data anterior a 31/10/2003; (ii) seu prazo de duração seja superior a 1 (um) ano; (iii) conste como objeto a construção por empreitada ou o fornecimento de bens ou serviços; e (iv) seja estipulado preço predeterminado. A controvérsia posta neste, e em outros casos semelhantes, centrase no requisito referente ao "preço predeterminado", impondose a tarefa de se fazer emergir um conceito para o termo. Para tratar do tema, em novembro de 2005, foi editada a Lei nº 11.196/05 que, em seu artigo 109, definiu hipótese de reajuste do valor dos contratos que não descaracteriza a condição de preço predeterminado: Fl. 421DF CARF MF Processo nº 10380.900758/200912 Acórdão n.º 9303004.432 CSRFT3 Fl. 2.134 19 Art. 109. Para fins do disposto nas alíneas b e c do inciso XI do caput do art. 10 da Lei no 10.833, de 29 de dezembro de 2003, o reajuste de preços em função do custo de produção ou da variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, nos termos do inciso II do § 1o do art. 27 da Lei no 9.069, de 29 de junho de 1995, não será considerado para fins da descaracterização do preço predeterminado. Parágrafo único. O disposto neste artigo aplicase desde 1o de novembro de 2003. (grifouse) De outro lado, o §3º do art. 3º da Instrução Normativa SRF nº 658, de 4 de julho de 2006, ato normativo editado pela Secretaria da Receita Federal para interpretar os comandos legais que tratam do preço predeterminado, dispôs que: DO PREÇO PREDETERMINADO Art. 3º Para efeito desta Instrução Normativa, preço predeterminado é aquele fixado em moeda nacional como remuneração da totalidade do objeto do contrato. § 1º Considerase também preço predeterminado aquele fixado em moeda nacional por unidade de produto ou por período de execução. § 2º Ressalvado o disposto no § 3º, o caráter predeterminado do preço subsiste somente até a implementação, após a data mencionada no art. 2º, da primeira alteração de preços decorrente da aplicação: I de cláusula contratual de reajuste, periódico ou não; ou II de regra de ajuste para manutenção do equilíbrio econômicofinanceiro do contrato, nos termos dos arts. 57, 58 e 65 da Lei nº 8.666, de 21 de junho de 1993. § 3º O reajuste de preços, efetivado após 31 de outubro de 2003, em percentual não superior àquele correspondente ao acréscimo dos custos de produção ou à variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, nos termos do inciso II do § 1º do art. 27 da Lei nº 9.069, de 29 de junho de 1995, não descaracteriza o preço predeterminado. (grifouse) Fl. 422DF CARF MF Processo nº 10380.900758/200912 Acórdão n.º 9303004.432 CSRFT3 Fl. 2.135 20 Da leitura dos dispositivos, depreendese que o texto da Instrução Normativa SRF nº 658/2006 apenas reiterou o disposto no art. 109 da Lei nº 11.196/05, no sentido de que a simples aplicação de um índice de reajuste ao contrato não é suficiente para desnaturar a sua condição de "preço predeterminado". A lei nova teve por objetivo integrar a lei anterior conferindolhe a interpretação mais adequada. Esclareçase, ainda, que o inciso II, §1º, art. 27 da Lei nº 9.069/1995, citado nos dois comandos legais, em nada altera o conceito, apenas reproduz o mesmo texto: Art. 27. A correção, em virtude de disposição legal ou estipulação de negócio jurídico, da expressão monetária de obrigação pecuniária contraída a partir de 1º de julho de 1994, inclusive, somente poderá darse pela variação acumulada do Índice de Preços ao Consumidor, Série r IPCr. § 1º O disposto neste artigo não se aplica: [...] II aos contratos pelos quais a empresa se obrigue a vender bens para entrega futura, prestar ou fornecer serviços a serem produzidos, cujo preço poderá ser reajustado em função do custo de produção ou da variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados; (grifouse) Com relação a esse dispositivo, este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais já se manifestou no sentido de que o intuito da lei era possibilitar que os contratos pudessem ser corrigidos por outros índices que não aquele previsto no caput, conforme termos do acórdão nº 3403003.480 do qual se reproduz parte: [...] Vale perceber, ainda, que na sua origem remota, quando o conceito surgiu no art. 27 da Lei nº 9.069/95, pretendiase – em relação aos “contratos pelos quais a empresa se obrigue a vender bens para entrega futura, prestar ou fornecer serviços a serem produzidos, cujo preço poderá ser reajustado em função do custo de produção ou da variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados” – autorizar que nestes casos Fl. 423DF CARF MF Processo nº 10380.900758/200912 Acórdão n.º 9303004.432 CSRFT3 Fl. 2.136 21 se pudesse utilizar um critério de atualização diferente daquele índice específico fixado no caput. No presente caso, o art. 109 da Lei nº 11.196/2005 utiliza o mesmo conceito para dizer que o reajuste não configura uma alteração de preço, nem alteração de contrato, mas apenas a preservação dos ajustes necessários ao preço, justamente para permitir a duração do contrato pelo longo período de tempo para o qual foi concebido para durar. Assim, o reajuste por índice de correção previsto no próprio contrato original, firmado e vigente antes de 31 de outubro de 2003, não pode implicar na sua exclusão do conceito de contrato por preço determinado, prevista no art. 10, XI, “b” da Lei nº 10.833/2003. Entendo, por isso, que a aplicação do índice de atualização previsto no contrato não desqualificou o “preço predeterminado”, mantendose as receitas no tratamento previsto no art. 10, XI, da Lei nº 10.833/2003 [...]. Entendese, portanto, que a aplicação de um índice de correção monetária não descaracteriza o “preço determinado” referido pelo art. 10, inciso XI, da Lei nº 10.833/2003, mas apenas repõe a desvalorização da moeda frente à inflação, restabelecendo o equilíbrio econômico entre as partes do contrato. Nesse sentido, inclusive, já se manifestaram o Superior Tribunal de Justiça e o Tribunal Regional Federal da 1ª Região: TRIBUTÁRIO. COFINS. REGIME DE CONTRIBUIÇÃO. LEI N. 10.833/03. INSTRUÇÃO NORMATIVA N. 468/2004. VIOLAÇÃO DO PRINCÍPIO DA LEGALIDADE. 1. Cuidase de recurso especial interposto pelo contribuinte, questionando o poder regulamentar da Secretaria da Receita Federal, na edição da Instrução Normativa n. 468/04, que regulamentou o art. 10 da Lei n. 10.833/03. 2. O art. 10, inciso XI, da Lei n. 10.833/03 determina que os contratos de prestação de serviço firmados a preço determinado antes de 31.10.2003, e com prazo superior a 1 (um) ano, permanecem sujeitos ao regime tributário da cumulatividade para a incidência da COFINS. (Grifo meu.) Fl. 424DF CARF MF Processo nº 10380.900758/200912 Acórdão n.º 9303004.432 CSRFT3 Fl. 2.137 22 3. A Secretaria da Receita Federal, por meio da Instrução Normativa n. 468/04, ao definir o que é "preço predeterminado", estabeleceu que "o caráter predeterminado do preço subsiste somente até a implementação da primeira alteração de preços" e, assim, acabou por conferir, de forma reflexa, aumento das alíquotas do PIS (de 0,65% para 1,65%) e da COFINS (de 3% para 7,6%). 4. Somente é possível a alteração, aumento ou fixação de alíquota tributária por meio de lei, sendo inviável a utilização de ato infralegal para este fim, sob pena de violação do princípio da legalidade tributária. 5. No mesmo sentido do voto que eu proferi, o Ministério Público Federal entendeu que houve ilegalidade na regulamentação da lei pela Secretaria da Receita Federal, pois "a simples aplicação da cláusula de reajuste prevista em contrato firmado anteriormente a 31.10.2003 não configura, por si só, causa de indeterminação de preço, uma vez que não muda a natureza do valor inicialmente fixado, mas tão somente repõe, com fim na preservação do equilíbrio econômicofinanceiro entre as partes, a desvalorização da moeda frente à inflação." (Fls. 335, grifo meu.) Mantenho o voto apresentado, no sentido de dar provimento ao recurso especial. (REsp 1089998/RJ, Rel. Ministro HUMBERTO MARTINS, SEGUNDA TURMA, julgado em 18/10/2011, DJe 30/11/2011) (grifouse) TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. REGIME DA CUMULATIVIDADE. CONTRATO DE FORNECIMENTO DE ENERGIA ELÉTRICA. CLÁUSULA DE REAJUSTE. ART. 10, XI, DA LEI 10.833/2003. INSTRUÇÕES NORMATIVAS 468/2004 E 658/2006. ILEGALIDADE. PRECEDENTES DESTA CORTE E DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA. PEDIDO PROCEDENTE. 1. O Secretario da Receita Federal, ao editar as Instruções Normativas 468/2004 e 658/2006, inovou em relação à determinação anteriormente prevista na Lei 10.833/2003, alterando o conceito de caráter predeterminado do preço. Precedentes: (AC 200533000019491, JUIZ FEDERAL MÁRCIO LUIZ COÊLHO DE FREITAS, TRF1 1ª TURMA SUPLEMENTAR, eDJF1 DATA:17/12/2012 PAGINA:659; AGA, JUÍZA FEDERAL GILDA SIGMARINGA SEIXAS (CONV.), TRF1 SÉTIMA Fl. 425DF CARF MF Processo nº 10380.900758/200912 Acórdão n.º 9303004.432 CSRFT3 Fl. 2.138 23 TURMA, eDJF1 DATA:15/07/2011 PAGINA:145.) e AGRESP 201200355487, HUMBERTO MARTINS, STJ SEGUNDA TURMA, DJE DATA:17/09/2012..DTPB:.) 2. Apelação da autora provida para assegurar a sua sujeição ao regime cumulativo das contribuições para o PIS e COFINS, em relação às receitas provenientes dos contratos firmados com a CBEE, nos termos do disposto no art. 10, inciso XI, alínea b da Lei n. 10.833/2003, afastando as disposições do art. 3º, §2º, da Instrução Normativa n. 658/2006. 3. Apelação da União e remessa oficial, tida por interposta, às quais se nega provimento. (AC 00251919120054013400, JUIZ FEDERAL RODRIGO DE GODOY MENDES, TRF1 SÉTIMA TURMA, e DJF1 DATA:14/11/2013 PAGINA:1165.) (grifouse) A previsão de cláusula de reajuste do contrato, baseada no IGPM ou outro índice ou fórmula de correção monetária, não descaracteriza a condição de preço predeterminado, prestandose à simples manutenção do valor da moeda no tempo. Portanto, a previsão de reajuste do preço do suprimento de energia elétrica da CGTF à COELCE busca evitar que o valor predeterminado pelas partes contratantes seja corroído pelos efeitos da inflação. Portanto, não havendo a descaracterização da condição de preço predeterminado por cláusula contratual prevendo o reajuste por índice de correção monetária, estáse diante de contrato que preenche integralmente os requisitos estabelecidos na exceção do inciso XI, do art. 10 da Lei nº 10.833/2003, sendo imperiosa a manutenção da tributação das receitas dele decorrentes pelo regime de tributação do PIS e da COFINS cumulativo, havendo o direito da Contribuinte à restituição dos valores indevidamente recolhidos a tal título pela sistemática da nãocumulatividade. Além disso, reforçando o intuito de se manter no regime cumulativo e atendendo à solicitação de diligência do Colegiado a quo no primeiro julgamento do recurso voluntário, o Sujeito Passivo trouxe aos autos Laudo Pericial emitido por empresa especializada no sentido de que os reajustes nos preços de energia elétrica não superam a variação dos custos de geração de energia no período analisado. O Laudo apresentou as seguintes conclusões: Fl. 426DF CARF MF Processo nº 10380.900758/200912 Acórdão n.º 9303004.432 CSRFT3 Fl. 2.139 24 [...] A verificação de se os reajustes de preços no suprimento CGTFCOELCE ultrapassaram ou não os custos de produção ou a variação ponderada dos insumos não pode ser feita fora do contexto regulatório e legal do setor elétrico. Isso porque, uma vez que se trata de um serviço público concedido e fortemente regulado, as cláusulas econômicas dos contratos são definidas em regulamentos (resoluções da ANEEL, leis, portarias interministeriais e medidas provisórias), cabendo aos agentes apenas aceitar ou não operar sob essas condições estabelecidas. Nesse contexto de forte definição por parte do Estado, os reajustes contratuais aplicados desde o início do suprimento CGTFCOELCE não ultrapassaram os custos de produção ou a variação ponderada dos insumos pelas seguintes razões: · As Regras de Reajuste Contratual foram estabelecidas na legislação setorial; · O contrato foi analisado e aprovado pela ANEEL; · As regras de reajuste contratual definidas pela legislação setorial visam a variação ponderada dos custos de produção ou dos insumos, em consonância estrita com o princípio da legalidade, observado com todo o natural zelo pelo Regulador, em especial obedecendo o que dispõe o art. 27 da Lei nº 9.069/1995 no que diz respeito às condições necessárias para a utilização de índice diferente do IPC; e · A variação de preço de venda não foi superior à dos insumos. [...] Portanto, preenchidos os requisitos do inciso XI, do art. 10 da Lei nº 10.833/2003, estarseá diante de contrato de fornecimento de energia elétrica por preço predeterminado, cujas receitas dele decorrentes sujeitarseão à incidência do PIS e da COFINS pela sistemática da cumulatividade. A apresentação de Laudo Pericial, para esta Conselheira, apenas reforça a convicção de que a cláusula de reajuste de preços do contrato por índice de correção monetária não desnatura a sua característica de preço predeterminado, pois comprovadamente não ultrapassam os custos de produção ou a variação ponderada dos insumos. Fl. 427DF CARF MF Processo nº 10380.900758/200912 Acórdão n.º 9303004.432 CSRFT3 Fl. 2.140 25 Assim, assiste razão à Recorrida ao sujeitar as receitas decorrentes do fornecimento de energia elétrica para a COELCE às contribuições para o PIS e a COFINS pela sistemática da cumulatividade. Diante do exposto, negase provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. É o voto. (assinado digitalmente) Vanessa Marini Cecconello Fl. 428DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11020.004839/2007-80
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Dec 13 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Jan 30 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/07/1997 a 30/11/2004
CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. DECADÊNCIA. DECISÃO DEFINITIVA DO STJ SOBRE A MATÉRIA. PAGAMENTO PARCIAL. DECADÊNCIA ART. 150, §4ª DO CTN.
O Superior Tribunal de Justiça em decisão vinculante - Resp nº 973.733/SC, firmou entendimento de que a homologação do art. 150, §4º do CTN refere-se ao pagamento antecipado realizado pelo contribuinte.
Para contribuições previdenciárias, deve-se admitir como pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração.
APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVETIDA NA LEI Nº 11.941/2009.
Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta.
Havendo lançamento apenas da obrigação principal, a retroatividade benigna será aplicada se, na liquidação do acórdão, a penalidade anterior à vigência da MP 449, de 2008, ultrapassar a multa do art. 35-A da Lei n° 8.212/91, correspondente aos 75% previstos no art. 44 da Lei n° 9.430/96.
Recurso Especial da Fazenda Provido em Parte
Numero da decisão: 9202-005.103
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em dar-lhe provimento parcial para que a multa por descumprimento de obrigação principal seja limitada ao percentual previsto no art. 35-A, da Lei nº 8.212, de 1991.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
Nome do relator: RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI
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DECADÊNCIA. RETROATIVIDADE BENIGNA. FATO GERADOR ANTERIOR A MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI 11.941/2009 Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado FÁBRICA NACIONAL DE AMORTECEDORES LTDA ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/07/1997 a 30/11/2004 CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. DECADÊNCIA. DECISÃO DEFINITIVA DO STJ SOBRE A MATÉRIA. PAGAMENTO PARCIAL. DECADÊNCIA ART. 150, §4ª DO CTN. O Superior Tribunal de Justiça em decisão vinculante Resp nº 973.733/SC, firmou entendimento de que a homologação do art. 150, §4º do CTN refere se ao pagamento antecipado realizado pelo contribuinte. Para contribuições previdenciárias, devese admitir como pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVETIDA NA LEI Nº 11.941/2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Havendo lançamento apenas da obrigação principal, a retroatividade benigna será aplicada se, na liquidação do acórdão, a penalidade anterior à vigência da MP 449, de 2008, ultrapassar a multa do art. 35A da Lei n° 8.212/91, correspondente aos 75% previstos no art. 44 da Lei n° 9.430/96. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 00 48 39 /2 00 7- 80 Fl. 1394DF CARF MF 2 Recurso Especial da Fazenda Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em darlhe provimento parcial para que a multa por descumprimento de obrigação principal seja limitada ao percentual previsto no art. 35A, da Lei nº 8.212, de 1991. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício (assinado digitalmente) Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Relatório Tratase de Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD relativa à contribuição para o salárioeducação que de acordo com o relatório fiscal de fls. 42/46, é decorrente de glosa de deduções realizadas indevidamente pelo contribuinte à titulo de "indenização de dependentes" haja vista a omissão da entrega da respectiva RAI Relação de Alunos Indenizados. O lançamento compreende as competências de 07/1997 a 03/1999, 05/1999 a 11/2002, 01/2003 a 11/2004. O Contribuinte apresentou impugnação juntada às fls. 85/86, alegando que a notificação não espelha a realidade dos fatos, defendeu ter deduzido corretamente, por meio do "Comprovante de Arrecadação Direta de Salário Educação CAD", as quotas pagas aos funcionários beneficiados. A DRJ julgou improcedente a impugnação e manteve o lançamento, na oportunidade esclareceu (fls. 651): Consta às fls. 51 dos autos, cópia da Representação Administrativa n° 2643/2007 COASE/CGEOF/DIFIN/FNDE/MEC, expedida em 30/04/2007 pela Coordenação de Arrecadação do SalárioEducação, cujo original foi enviada ao contribuinte. O referido documento Fl. 1395DF CARF MF Processo nº 11020.004839/200780 Acórdão n.º 9202005.103 CSRFT2 Fl. 1.395 3 informa que foi constatado por aquele Órgão que o valor deduzido nas guias de arrecadação do salárioeducação, não corresponde a quantidade de alunos informados pela empresa na Relação de Alunos Indenizados — RAI. As fls. 52/57 consta o documento "Demonstrativo de Divergência por Estabelecimento" o qual faz a comparação entre as deduções realizadas e as informações dos alunos beneficiados. Não consta dos autos prova de que o contribuinte tenha prestado os esclarecimentos necessários ao FNDE no sentido de informar a razão da divergência apontada. Recurso Voluntário de fls. 656/657 requerendo o reconhecimento da decadência parcial do lançamento com base na Súmula Vinculante nº 08 do STF e renunciando a discussão de mérito em relação ao período de 01/2003 a 11/2004. Por meio do acórdão nº 2403001.900 a 4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária da 2ª Seção de Julgamento deste Conselho deu provimento parcial ao recurso declarando por força do art. 150, §4º do CTN a decadência até a competência de 11/2002 e determinando o recálculo da multa de mora de acordo com a redação do artigo 35 da Lei 8.212/91, dada pela Lei 11.941/2009, nos termos do art. 61 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, fazendo prevalecer a multa mais benéfica para o contribuinte. A Fazenda Nacional interpôs recurso especial questionando duas matérias: 1) Decadência: o discriminativo analítico de fls. 11/13 indica que a antecipação do recolhimento dos tributos não ocorreu nas competências descritas no lançamento, motivo pelo qual, tornase necessária para estas, a aplicação do prazo decadencial previsto no art. 173, I do CTN e não, do art. 150, § 4º do CTN. 2) Multa: o critério adotado na aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. Requer seja dado total provimento ao recurso a fim de que prevaleça o entendimento de que deve ser verificada qual a norma mais benéfica ao contribuinte: se a multa anterior (art. 35, II, da norma revogada) ou o art. 35A da MP nº 449/2008, atualmente convertida na Lei nº 11.941/2009. O contribuinte apresentou contrarrazões requerendo a manutenção do acórdão. É o relatório. Voto Conselheira Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Relatora O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto deve ser conhecido. Fl. 1396DF CARF MF 4 Vejamos cada uma das matérias devolvidas a esse Colegiado. Da decadência: No que tange ao reconhecimento da decadência, lembramos que o lançamento referese a cobrança de contribuição para o salárioeducação que de acordo com o relatório fiscal, de fls. 42/46, é decorrente de glosa de deduções realizadas indevidamente pelo contribuinte à titulo de "indenização de dependentes" haja vista a omissão da entrega da respectiva RAI Relação de Alunos Indenizados. O lançamento compreende as competências de 07/1997 a 03/1999, 05/1999 a 11/2002, 01/2003 a 11/2004. Contribuinte foi intimado em 06.12.2007 (fls. 83). Discutese por meio do presente recurso se haveria nos autos comprovação de pagamento, ainda que parcial, do tributo cobrado. Tal discussão é relevante na medida em que, após exaustivo debate, a jurisprudência se posicionou no sentido de para aqueles tributos classificados no modalidade de lançamento por homologação o prazo decadencial aplicável é o do art. 150, §4º do CTN, salvo nas hipóteses em que o contribuinte tenha agido com dolo, fraude ou simulação, ou se restar comprovado que não ocorreu a antecipação de pagamento. O Superior Tribunal de Justiça em decisão vinculante Resp nº 973.733/SC, firmou entendimento de que a homologação do art. 150, §4º do CTN referese ao pagamento antecipado realizado pelo contribuinte, nas palavras do Ministro Luiz Fux: "Assim é que o prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito". Referido julgado recebeu a seguinte ementa: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do Fl. 1397DF CARF MF Processo nº 11020.004839/200780 Acórdão n.º 9202005.103 CSRFT2 Fl. 1.396 5 débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). (...) 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (destaques do original) A doutrina se manifestava neste mesmo sentido, valendo citar o posicionamento da Doutora Christiane Mendonça, no artigo intitulado "Decadência e Prescrição em Matéria Tributária", publicado livro Curso de Especialização em Direito Tributário: estudos analíticos em homenagem a Paulo de Barros Carvalho, editora Forense: Nos lançamentos por homologação o prazo de cinco anos é contado da data da ocorrência do fato gerador, art. 150, §4º. Ocorre que quando o contribuinte não cumpre o seu dever de produzir a norma individual e concreta e de pagar tributo, compete à autoridade administrativa, segundo art. 149, IV do CTN efetuar o lançamento de ofício. Dessa forma, consideramos apressada a afirmação genérica que sempre que for lançamento por homologação o prazo será contado a partir da ocorrência do fato gerador, pois não é sempre, dependerá se houve ou não Fl. 1398DF CARF MF 6 pagamento antecipado. Caso não haja o pagamento antecipado, não há o que se homologar e, portanto, caberá ao Fisco promover o lançamento de ofício, submetendose ao prazo do art. 173, I do CTN. Nesse sentido, explica Sacha Colmon Navarro Coelho: "A solução do dia primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado aplicase ainda aos impostos sujeitos a homologação do pagamento na hipótese de não ter ocorrido pagamento antecipado... Se tal não houve, não há o que se homologar." Também a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça é firme no mesmo sentido de que na hipótese de ausência de pagamento de tributo sujeito a lançamento por homologação, o prazo decadencial para constituição do crédito tributário segue a regra do art. 173, I do CTN, contandose os cinco a anos a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em o lançamento poderia ter sido efetuado. Destacase que tendo o REsp nº 973.733/SC sido julgado sob a sistemática do Recurso Repetitivo deve este Conselho, por força do art. 62, §2º do seu Regimento Interno, reproduzir tal entendimento em seus julgados. Ocorre que, embora não haja mais dúvidas de que para se considerar como termo inicial da decadência a data da ocorrência do fato gerador se faz necessário verificar acerca da ocorrência de antecipação do pagamento do tributo, permanece sob debate qual seria a abrangência do termo 'pagamento' adotado por aquele Tribunal Superior. Em outras palavras, quais pagamentos realizados pelo contribuinte devem ser considerados para fins de aplicação do art. 150, §4º do CTN? No que tange as contribuições previdenciárias entendo que a resposta já foi construída por este Conselho quando da edição da Súmula CARF nº 99, que dispõe: Súmula CARF nº 99: Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração. Embora a referida Súmula não seja aplicada ao caso pois a mesma contempla lançamentos cujo objeto é cobrança da Contribuição Social incidente sobre pagamentos de salários tidos como indiretos o entendimento ali exposto é compatível com o caso em questão. Assim, a verificação da ocorrência de pagamento para fins de atração da regra o art. 150, §4º do CTN deve se dar pela análise de ter o contribuinte recolhido ao longo do período autuado contribuição previdenciária decorrente do mesmo fato gerador objeto do lançamento, ainda que os respectivos recolhimentos não se refiram propriamente aos fatos cujas hipóteses de incidência tenham sido questionadas pela fiscalização. Devese entender por 'mesmo fato gerador' as hipóteses de incidência que possuem identidade entre os critérios que compõem a respectiva regra matriz de incidência, ou Fl. 1399DF CARF MF Processo nº 11020.004839/200780 Acórdão n.º 9202005.103 CSRFT2 Fl. 1.397 7 seja, tributo previsto no mesmo dispositivo legal com coincidência de sujeito passivo e base de cálculo, ainda que esta última não tenha sido quantificada corretamente. Ora, conforme apurado ao longo do processo, no período fiscalizado o Contribuinte efetuou pagamentos no mesmo período apurado e em razão do mesmo fato gerador discutido no lançamento, qual seja, salário educação. Tal fato pode ser comprovado por meio dos seguintes documentos: 1) Relatório Fiscal (fls. 46) esclarece que se trata de lançamento para cobrança de complemento de contribuição em razão da glosa de valores indevidamente deduzidos: 5.2. O exame realizado pelo FNDE consistiu em verificar a regularidade das deduções realizadas na modalidade "indenização de dependentes", baseandose nas informações constantes do Sistema de Gestão da Arrecadação — SIGA da autarquia. Verificouse se o valor deduzido no documento de arrecadação do salário educação era equivalente ao número de alunos beneficiários informado pela empresa na Relação de Alunos Indenizados — RAI. 5.3. Nos casos em que não houve entrega da RAI, os valores apurados pelo FNDE foram integramente os deduzidos pela empresa no Comprovante de Arrecadação Direta — CAD. 2) Demonstrativos de recolhimentos de fls. 71/80 para os exercícios de 1997 a 2006. 3) Guias de recolhimento de fls. 133/644. Portanto, entendo estar caracterizado pagamento para fins de aplicação do art. 150, §4º do CTN devendo ser mantida a decadência do lançamento até a competência de 11/2002, inclusive. Da multa: Em relação ao período não decaído, nos resta ainda a discussão acera do critério adotado pelo Colegiado a quo em relação a retroatividade das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, quando mais benéfica ao sujeito passivo. A solução do litígio decorre do disposto no artigo 106, inciso II, alínea “a” do CTN, a seguir transcrito: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; Fl. 1400DF CARF MF 8 II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. (grifos acrescidos) Apesar de não ter sido o entendimento inicial desta relatora, após exaustivos debates sobre o tema, a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF) pacificou o entendimento de que na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Assim, a multa de mora prevista no art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, não é aplicável quando realizado o lançamento de ofício, conforme consta do Acórdão nº 9202004.262 (Sessão de 23 de junho de 2016), cuja ementa transcrevese: AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA MULTA APLICAÇÃO NOS LIMITES DA LEI 8.212/91 C/C LEI 11.941/08 APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL RETROATIVIDADE BENIGNA NATUREZA DA MULTA APLICADA. A multa nos casos em que há lançamento de obrigação principal lavrados após a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, mesmo que referente a fatos geradores anteriores a publicação da referida lei, é de ofício. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA COMPARATIVO DE MULTAS APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Se as multas por descumprimento de obrigações acessória e principal foram exigidas em procedimentos de ofício, ainda que em separado, incabível a aplicação retroativa do art. 32A, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, eis que esta última estabeleceu, em seu art. 35 A, penalidade única combinando as duas condutas. Assim, é entendimento pacífico deste Colegiado que na hipótese de lançamento apenas de obrigação principal, a retroatividade benigna será aplicada se, na liquidação do acórdão, a penalidade anterior à vigência da MP 449, de 2008, ultrapassar a multa do art. 35A da Lei n° 8.212/91, correspondente aos 75% previstos no art. 44 da Lei n° 9.430/96. Para ilustrar o entendimento cito, os fundamentos do voto proferido pela Ilustre Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo, no acórdão nº 9202003.909, os quais adoto como razões de decidir: Fl. 1401DF CARF MF Processo nº 11020.004839/200780 Acórdão n.º 9202005.103 CSRFT2 Fl. 1.398 9 No presente caso, os fatos geradores ocorreram à luz de legislação posteriormente alterada, de sorte que a aferição acerca de eventual retroatividade benigna deve ser levada a cabo mediante comparação da redação da Lei nº 8.212, de 1991, à época dos fatos geradores, com a sua nova redação, conferida pela Medida Provisória nº 449, de 2008, convertida na Lei nº 11.941, de 2009: Redação da Lei nº 8.212, de 1991, à época dos fatos geradores “Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). I para pagamento, após o vencimento de obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento: a) oito por cento, dentro do mês de vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) quatorze por cento, no mês seguinte; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) vinte por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). d) cinqüenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). III para pagamento do crédito inscrito em Dívida Ativa: a) sessenta por cento, quando não tenha sido objeto de parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). Fl. 1402DF CARF MF 10 b) setenta por cento, se houve parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) oitenta por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito não foi objeto de parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). d) cem por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito foi objeto de parcelamento. (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). § 1º Na hipótese de parcelamento ou reparcelamento, incidirá um acréscimo de vinte por cento sobre a multa de mora a que se refere o caput e seus incisos. (Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008) (Revogado pela Lei nº 11.941, de 2009) § 2º Se houver pagamento antecipado à vista, no todo ou em parte, do saldo devedor, o acréscimo previsto no parágrafo anterior não incidirá sobre a multa correspondente à parte do pagamento que se efetuar.(Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008) (Revogado pela Lei nº 11.941, de 2009) § 3º O valor do pagamento parcial, antecipado, do saldo devedor de parcelamento ou do reparcelamento somente poderá ser utilizado para quitação de parcelas na ordem inversa do vencimento, sem prejuízo da que for devida no mês de competência em curso e sobre a qual incidirá sempre o acréscimo a que se refere o § 1º deste artigo.(Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008) (Revogado pela Lei nº11.941, de 2009) § 4o Na hipótese de as contribuições terem sido declaradas no documento a que se refere o inciso IV do art. 32, ou quando se tratar de empregador doméstico ou de empresa ou segurado dispensados de apresentar o citado documento, a multa de mora a que se refere o caput e seus incisos será reduzida em cinqüenta por cento.” (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). Lei nº 8.212, de 1991, com as alterações da Medida Provisória nº 449, de 2008, convertida na Lei nº 11.941, de 2009: “Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). (...) Fl. 1403DF CARF MF Processo nº 11020.004839/200780 Acórdão n.º 9202005.103 CSRFT2 Fl. 1.399 11 Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” Esclareçase que, independentemente da denominação que se dê à penalidade, há que se perquirir acerca do seu caráter material, e nesse sentido não há dúvida de que, mesmo na antiga redação do art. 35, da Lei nº 8.212, de 1991, estavam ali descritas multas de mora e multas de ofício. As primeiras, cobradas com o tributo recolhido após o vencimento, porém espontaneamente. As últimas, cobradas quando do pagamento por força de ação fiscal, tal como ocorria com os demais tributos federais, nos lançamentos de ofício. Além disso, tanto os demais tributos como as contribuições previdenciárias têm seu regramento básico estabelecido pelo Código Tributário Nacional, que não só determina que a exigência tributária tem de ser formalizada por meio de lançamento, como também especifica as respectivas modalidades: lançamento por homologação, lançamento por declaração e lançamento de ofício. Cada uma dessas modalidades está ligada ao grau de colaboração verificado por parte do sujeito passivo. No caso dos tributos e contribuições federais, foi adotado de forma genérica o lançamento por homologação, que atribui ao sujeito passivo o dever de calcular o valor devido e efetuar o seu recolhimento, independentemente de prévia ação por parte da Autoridade Administrativa. Por outro lado, se o sujeito passivo deixa de cumprir com essas obrigações, o Fisco pode exigir o tributo por meio de lançamento de ofício. Nesta sistemática, qualquer que seja o tributo ou contribuição, e independentemente da denominação atribuída ao lançamento, claramente são visualizadas duas formas de recolhimento fora do prazo estabelecido: aquele efetuado espontaneamente, passível de aplicação de multa de mora; e aquele efetuado por força de ação fiscal, aplicável aí a multa de ofício, mais onerosa. Assim, embora a antiga redação do artigo 35, da Lei nº 8.212, de 1991, tenha utilizado apenas a expressão “multa de mora” para as contribuições previdenciárias, não há dúvida de que os incisos componentes do dispositivo legal já continham a descrição das duas condutas tipificadas nos dispositivos legais que regulavam os demais tributos federais: pagamento espontâneo e pagamento efetuado por força de ação fiscal, conforme os ditames do CTN. Nesse sentido, para aplicação da retroatividade benigna com base no art. 106 do CTN, quando da execução do julgado deverá a autoridade preparadora comparar a multa do art. 35, II da Lei nº 8.212/91 (com a redação dada pela Lei nº 9.876/99) e a 'nova' multa prevista no art. 35A a qual nos remete ao art. 44 da Lei nº 9.430/96. Com base nos fundamentos acima deve o acórdão recorrido ser alterado para fazer prevalecer a regra suscitada pela Recorrente caso esta seja mais benéfica ao Contribuinte. Fl. 1404DF CARF MF 12 Em face ao exposto, dou provimento parcial ao recurso interposto pela Fazenda Nacional, apenas para reconhecer a necessidade de reforma do acórdão no que tange ao critério da multa utilizado. (assinado digitalmente) Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Fl. 1405DF CARF MF
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Numero do processo: 10980.724631/2010-65
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Jul 13 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Oct 20 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2005, 2006, 2007, 2008
SUBVENÇÃO PARA INVESTIMENTO A TÍTULO DE CRÉDITO PRESUMIDO DE ICMS. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO DO IRPJ. REQUISITOS.
A União estabelece critérios próprios para dispor sobre a concessão de benefício aplicável ao IRPJ e à CSLL, tributos sob sua competência. A mera "intenção" do legislador estadual não é suficiente para caracterizar a subvenção recebida como subvenção para investimento, na acepção do §2º do artigo 38 do Decreto-Lei nº 1.598/1977, e não implica na fruição automática de benefício fiscal na esfera federal. A operação de subsunção às condições previstas no referido dispositivo legal não ocorre automaticamente. As subvenções para investimento que podem ser excluídas na determinação do lucro real são aquelas concedidas como estímulo à implantação ou expansão de empreendimentos econômicos. Afastado o fundamento do acórdão recorrido, que entendeu desnecessário o exame dos dispositivos da legislação estadual que vinculassem as subvenções a investimentos, e que levou em conta apenas a finalidade geral e abstrata da concessão da subvenção pelo ente federado, os autos devem retornar à turma a quo para exame de matérias cuja análise o colegiado entendeu que não estava em condições de julgamento (parte da causa não estava madura).
LANÇAMENTOS REFLEXOS. CSLL.
Aplicam-se aos lançamentos reflexos os mesmos fundamentos do IRPJ, no que couber.
Numero da decisão: 9101-002.393
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer o Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento parcial, determinando o retorno dos autos à turma a quo para: (1) apreciar as aplicações a título de pesquisa e desenvolvimento, (i) na própria empresa e (ii) em convênios, para verificar se podem ser considerados investimentos na acepção do §2º do artigo 38 do Decreto-Lei nº 1598, de 1977; (2) caso mantida a autuação fiscal parcial ou integralmente, apreciar as demais matérias; (2.1) multa isolada sobre insuficiência de estimativa mensal e (2.2) juros de mora sobre multa de ofício. Nos termos do artigo 60 do Anexo II do RICARF ficaram vencidos, em primeira votação, os Conselheiros Luis Flávio Neto, Ronaldo Apelbaum (suplente convocado) e Nathalia Correia Pompeu, que deram provimento parcial para que a turma a quo apreciasse a interpretação da lei estadual em tese antes mesmo de análise dos fatos, sob pena de preclusão de instância; e vencidos, em segunda votação, o conselheiro André Mendes de Moura (relator), Marcos Aurélio Pereira Valadão, Adriana Gomes Rêgo e Carlos Alberto Freitas Barreto, que conheceram e deram provimento integral ao recurso e determinaram o retorno dos autos à turma a quo apenas para apreciação das matérias 2.1 e 2.2. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Rafael Vidal de Araújo.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente
(assinado digitalmente)
André Mendes de Moura - Relator
(assinado digitalmente)
Rafael Vidal de Araújo - Redator Designado
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marcos Aurélio Pereira Valadão, Luís Flávio Neto, Adriana Gomes Rego, Ronaldo Apelbaum (Suplente convocado em substituição à conselheira Cristiane Silva Costa), André Mendes de Moura, Nathalia Correia Pompeu, Rafael Vidal de Araújo, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa (Suplente convocado em substituição à conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio), Hélio Eduardo de Paiva Araújo (Suplente convocado em substituição à conselheira Maria Teresa Martinez Lopez) e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente).
Nome do relator: ANDRE MENDES DE MOURA
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EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO DO IRPJ. REQUISITOS. A União estabelece critérios próprios para dispor sobre a concessão de benefício aplicável ao IRPJ e à CSLL, tributos sob sua competência. A mera "intenção" do legislador estadual não é suficiente para caracterizar a subvenção recebida como subvenção para investimento, na acepção do §2º do artigo 38 do DecretoLei nº 1.598/1977, e não implica na fruição automática de benefício fiscal na esfera federal. A operação de subsunção às condições previstas no referido dispositivo legal não ocorre automaticamente. As subvenções para investimento que podem ser excluídas na determinação do lucro real são aquelas concedidas como estímulo à implantação ou expansão de empreendimentos econômicos. 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Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer o Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 72 46 31 /2 01 0- 65 Fl. 2159DF CARF MF Impresso em 20/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/10/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 20/10/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10980.724631/201065 Acórdão n.º 9101002.393 CSRFT1 Fl. 2.160 2 provimento parcial, determinando o retorno dos autos à turma a quo para: (1) apreciar as aplicações a título de pesquisa e desenvolvimento, (i) na própria empresa e (ii) em convênios, para verificar se podem ser considerados investimentos na acepção do §2º do artigo 38 do DecretoLei nº 1598, de 1977; (2) caso mantida a autuação fiscal parcial ou integralmente, apreciar as demais matérias; (2.1) multa isolada sobre insuficiência de estimativa mensal e (2.2) juros de mora sobre multa de ofício. Nos termos do artigo 60 do Anexo II do RICARF ficaram vencidos, em primeira votação, os Conselheiros Luis Flávio Neto, Ronaldo Apelbaum (suplente convocado) e Nathalia Correia Pompeu, que deram provimento parcial para que a turma a quo apreciasse a interpretação da lei estadual em tese antes mesmo de análise dos fatos, sob pena de preclusão de instância; e vencidos, em segunda votação, o conselheiro André Mendes de Moura (relator), Marcos Aurélio Pereira Valadão, Adriana Gomes Rêgo e Carlos Alberto Freitas Barreto, que conheceram e deram provimento integral ao recurso e determinaram o retorno dos autos à turma a quo apenas para apreciação das matérias 2.1 e 2.2. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Rafael Vidal de Araújo. (assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto – Presidente (assinado digitalmente) André Mendes de Moura Relator (assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araújo Redator Designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marcos Aurélio Pereira Valadão, Luís Flávio Neto, Adriana Gomes Rego, Ronaldo Apelbaum (Suplente convocado em substituição à conselheira Cristiane Silva Costa), André Mendes de Moura, Nathalia Correia Pompeu, Rafael Vidal de Araújo, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa (Suplente convocado em substituição à conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio), Hélio Eduardo de Paiva Araújo (Suplente convocado em substituição à conselheira Maria Teresa Martinez Lopez) e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente). Fl. 2160DF CARF MF Impresso em 20/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/10/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 20/10/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10980.724631/201065 Acórdão n.º 9101002.393 CSRFT1 Fl. 2.161 3 Relatório Tratase de Recurso Especial interposto pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional PGFN (efls. 2014/2028) em face da decisão proferida no Acórdão nº 110100.661 (efls. 1943/2002), pela 1ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da Primeira Seção, na sessão de 31/01/2012, no qual foi dado provimento ao recurso voluntário da Contribuinte e negado provimento ao recurso de ofício. Resumo Processual A autuação fiscal, relativa ao anoscalendário de 2005, 2006, 2007 e 2008, discorre sobre contabilização, como subvenção para investimentos, de valores relativos a benefícios de ICMS concedidos pelo Estado do Paraná. Entendeu a Fiscalização que se tratavam de subvenções para custeio, razão pela qual foram lavrados os autos de infração de IRPJ e CSLL. Na recomposição da base de cálculo, também foram apuradas insuficiências de estimativas mensais, razão pela qual foram lançadas as multas isoladas. A decisão da primeira instância (DRJ) manteve parcialmente o lançamento fiscal, afastando, apenas, multas isoladas por estimativas referentes aos meses de julho e setembro de 2005. Em razão do crédito tributário exonerado, foi interposto recurso de ofício. A segunda instância (Turma Ordinária do CARF) negou provimento ao recurso de ofício e deu provimento ao recurso voluntário. A PGFN interpôs recurso especial em relação à matéria subvenção para investimentos, que foi admitido por despacho de exame de admissibilidade. Foram apresentadas contrarrazões pela Contribuinte. A seguir, maiores detalhes sobre a autuação fiscal e a fase contenciosa. Da Autuação Fiscal O Termo de Verificação e Encerramento da Fiscal (efls. 1254/1268) discorre sobre a falta de oferecimento à tributação de receitas operacionais oriundas de créditos presumidos de ICMS, com base no Decreto Estadual nº 5.375, de 28 de fevereiro de 2002, relativas a programa de incentivos fiscais do Governo do Estado do Paraná. Isso porque entendeu a autoridade autuante que as transferências referemse a subvenções para custeio, ao contrário da Contribuinte, que fez a contabilização dos recursos como subvenções para investimento. A autuação discorre que os recursos não foram aplicados especificamente em bens ou direitos para implantar ou expandir empreendimento econômico. Faz análise da legislação estadual para concluir que a aplicação dos valores em atividades de pesquisa e desenvolvimento em tecnologia da informação não se enquadrariam no conceito de expansão e ampliação do investimento definidos no Parecer Normativo Cosit nº 112/78. Ademais, informa que a empresa já estaria obrigada a aplicar os recursos por conta da Lei Federal nº 8.248, de 1991. Fl. 2161DF CARF MF Impresso em 20/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/10/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 20/10/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10980.724631/201065 Acórdão n.º 9101002.393 CSRFT1 Fl. 2.162 4 Assim, foram efetuados os lançamentos fiscais de IRPJ e CSLL, além de ter sido apurada insuficiência na apuração da estimativa mensal, razão pela qual foram lançadas multas isoladas sobre insuficiência de recolhimento de estimativa mensal. Da Fase Contenciosa A Contribuinte apresentou impugnação (efls. 1270 e segs), no qual protesta (1) que o benefício concedido tem como escopo o desenvolvimento do Estado do Paraná, mediante investimentos em pesquisa e desenvolvimento em tecnologia da informação, através de convênios com centros ou institutos de pesquisas ou entidades de ensino, ficando demonstrada a intenção do legislador em fomentar a economia da região; (2) que a sua contabilização atendeu á legislação tributária e contábil vigente, inclusive para o ano calendário de 2008, no qual foi tratado pelo Regime Tributário de Transição RTT; (3) que os investimentos em expansão e ampliação do empreendimento econômico podem ser caracterizados sem que haja, necessariamente, aplicação dos recursos em investimentos ativáveis, como, por exemplo, quando tais investimentos sejam direcionados a atividades de pesquisa e desenvolvimento; (4) sobre a fragilidade do PN CST nº 112/78; (5) que o benefício fiscal de IPI instituído pela Lei nº 8.248, de 1991, não prejudica a caracterização do incentivo como subvenção para investimento; (6) sobre a cumulação de multa de ofício com a multa isolada por estimativa e da decadência da multa isolada; (7) da aplicação do juros sobre a multa de ofício. A 1ª Turma da DRJ/Curitiba julgou o lançamento fiscal procedente em parte, nos termos do Acórdão nº 0631.231 (efls. 1613 e segs.), para afastar as multas isoladas por estimativas referentes aos meses de julho e setembro de 2005, conforme a ementa da decisão: IRPJ. SUBVENÇÃO PARA INVESTIMENTO. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO. REQUISITOS. Como regra geral, as Subvenções para Investimento são tributáveis; apenas podem ser excluídas da base de cálculo caso cumpridos os seguintes requisitos: a. recursos oriundos de pessoas jurídicas de direito público; b. possuírem destinação específica para investimentos em implantação ou expansão do empreendimento econômico projetado; c. sincronismo entre a intenção do subvencionador com a ação do subvencionado; d. o beneficiário da subvenção deve ser a pessoa jurídica titular do empreendimento econômico; e, antes da vigência da Lei nº e. deve ser registrada contabilmente a conta de reserva de capital que poderá somente ser utilizada para absorver prejuízos ou ser incorporada ao capital social. IRPJ. SUBVENÇÃO PARA INVESTIMENTO. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO. APLICAÇÃO EM ATIVO IMOBILIZADO. NECESSIDADE. O art. 443 do RIR/99 determina, para que sejam excluíveis da base de cálculo, que as subvenções sejam destinadas à “implantação ou expansão de empreendimentos econômicos”; Na esteira do que determinam os pareceres normativos da RFB, já referidos, e levando em conta a noção econômica de investimentos, a aplicação dos recursos precisa ser feita em bens Fl. 2162DF CARF MF Impresso em 20/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/10/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 20/10/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10980.724631/201065 Acórdão n.º 9101002.393 CSRFT1 Fl. 2.163 5 do ativo imobilizado, com as observações já expendidas no item 24, supra. IRPJ E CSLL POR ESTIMATIVA MENSAL. DECADÊNCIA. PRAZO DE CINCO ANOS. HOMOLOGAÇÃO DA ATIVIDADE EMPREENDIDA PELO CONTRIBUINTE. Acontece a decadência do direito de o Fisco lançar a multa isolada sobre o não pagamento de IRPJ e CSLL devidos por estimativa mensal, no regime do lucro real anual, em cinco anos contados da data do fato gerador, conforme o art. 150, §4º, do CTN, quando houve atividade do contribuinte tendente à extinção do crédito, seja por meio de pagamento ou compensação. LANÇAMENTOS REFLEXOS. CSLL. Aplicamse aos lançamentos reflexos os mesmos fundamentos do IRPJ, no que couber. Em razão do crédito tributário exonerado pela DRJ, foi interposto recurso de ofício. Também foi interposto recurso voluntário (efls. 1642 e segs) pela Contribuinte, repisando os argumentos da impugnação, e discorrendo que (1) ao contrário de recursos transferidos para a empresa fazer frente a custos comuns e ordinários, as transferências de capital destinadas a incentivar a instalação, manutenção ou expansão, inclusive mediante isenções ou reduções, tem a específica natureza de subvenções para investimentos; (2) documentos acostados aos autos demonstram que, de fato, houve incremento nas atividades, na atuação no mercado e no parque fabril e resultou em aumento do patrimônio e ampliação do empreendimento, e (3) o incremento da expansão não se mede unicamente considerandose o ativo imobilizado, e que no caso concreto registrouse aumento expressivo no número de contratações de empregados, aumento do capital de giro, expansão do parque fabril, aumento de importância da empresa em seu segmento, além de aumentos de investimentos do ativo permanente. A 1ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da Primeira Seção do CARF, na sessão de 31/01/2012, por meio do Acórdão nº 110100.661 (efls. 1943/2002), decidiu no sentido de negar provimento ao recurso de ofício e dar provimento ao recurso voluntário, conforme ementa a seguir. SUBVENÇÕES PARA INVESTIMENTO. CARACTERIZAÇÃO. CRÉDITOS PRESUMIDOS DE ICMS. As subvenções para investimento – in casu, correspondentes a créditos presumidos de ICMS – diferenciamse das subvenções de custeio, tão somente, na medida em que as primeiras são concedidas com o fito de estimular investimentos regionais ou setoriais, operados mediante instalação ou expansão – inclusive qualitativa – de empreendimentos econômicos. Ao contrário do quanto aduzido pelo Parecer Normativo CST nº 112/78, a caracterização de dado benefício fiscal como subvenção para investimento não pressupõe a aplicação direta e exclusiva das cifras subvencionadas a projeto predeterminado. No mais, para tais fins, irrelevante é a análise das contrapartidas impingidas Fl. 2163DF CARF MF Impresso em 20/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/10/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 20/10/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10980.724631/201065 Acórdão n.º 9101002.393 CSRFT1 Fl. 2.164 6 ao contribuinte, postas, pelo ente outorgante, como pré condições à fruição da benesse. A PGFN interpôs recurso especial (efls. 2014/2028), discorrendo que a subvenção fiscal concedida pelo Estado do Paraná enquadrase na modalidade de subvenção para custeio. Valese dos arts. 392 e 443 do RIR/99 e da interpretação dada pelo PN CST nº 112, de 1978, e da análise dos dispositivos do Decreto Estadual nº 5.375, de 2002, para concluir que não restou demonstrado nenhuma intenção do Poder Público para subsidiar a Contribuinte na instalação ou ampliação do empreendimento econômico. Teria havido, na realidade, incentivo para custear atividade de terceiros, mediante aplicação dos recursos em centros ou institutos de pesquisa visando desenvolver a tecnologia da informação, e custear atividades operacionais internas da própria empresa. O Despacho de Exame de Admissibilidade de efls. 2077/2080 deu seguimento ao recurso da PGFN, por entender ter restada caracterizada divergência em relação ao acórdão paradigma nº 9101001.094. Cientificada, a Contribuinte apresentou contrarrazões (efls. 2091 e segs). Primeiro, protesta sobre a admissibilidade do recurso especial, por entender não ter restada caracterizada a divergência com da decisão recorrida com o acórdão paradigma, e, no mérito, repisa as argumentações apresentadas no recurso voluntário, e requer, ad argumentandum que, caso do Recurso Especial seja provido, que os autos retornem à turma a quo para julgamento da multa isolada e dos juros sobre a multa de ofício, sob pena de supressão de instância. É o relatório. Fl. 2164DF CARF MF Impresso em 20/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/10/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 20/10/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10980.724631/201065 Acórdão n.º 9101002.393 CSRFT1 Fl. 2.165 7 Voto Vencido Conselheiro André Mendes de Moura Admissibilidade. Em relação à admissibilidade, foram apresentados no Recurso Especial da PGFN dois paradigmas. Quanto ao acórdão paradigma nº 10805.767, adoto as razões do Despacho de Admissibilidade de efls. 2077/2080, com fulcro no art. 50, § 1º da Lei nº 9.784, de 1999 1, que regula o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal, que entendeu que não restou caracterizada a divergência. Em relação ao outro acórdão paradigma nº 9101001.094, aduz a Contribuinte em contrarrazões que não teria restada caracterizada a divergência que, inclusive, a decisão foi favorável ao contribuinte autuado, ou seja, na ocasião foi negado provimento ao recurso especial interposto pela PGFN. Sobre o dispositivo da decisão, de fato foi favorável ao contribuinte. Contudo, não se pode olvidar que também são elementos essenciais da sentença o relatório e os seus fundamentos.2 Quanto aos fatos apresentados no relatório da decisão paradigma, tratase de recursos oriundos de redução ou concessão de crédito presumido referente ao ICMS, em benefício concedido pelo Estado da Bahia, que foram contabilizados como subvenção para investimento. Quanto aos fundamentos, o voto discorreu se os dispositivos da norma, em tese, do ente subvencionador (Estado da Bahia), e demais atos, seriam aptos a vincular a aplicação dos recursos à implantação ou expansão do empreendimento econômico. Transcrevo excerto do voto: (...) Realmente, o Decreto nº 6.734/97 do Estado da Bahia, que regulamentou a matéria não impõe qualquer vinculação entre a receita de subvenção a gastos específicos na implantação ou 1 Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: (...) V decidam recursos administrativos; (...) § 1º A motivação deve ser explícita, clara e congruente, podendo consistir em declaração de concordância com fundamentos de anteriores pareceres, informações, decisões ou propostas, que, neste caso, serão parte integrante do ato. 2 CPC, art. 489. São elementos essenciais da sentença: I o relatório, que conterá os nomes das partes, a identificação do caso, com a suma do pedido e da contestação, e o registro das principais ocorrências havidas no andamento do processo; II os fundamentos, em que o juiz analisará as questões de fato e de direito; III o dispositivo, em que o juiz resolverá as questões principais que as partes lhe submeterem. Fl. 2165DF CARF MF Impresso em 20/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/10/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 20/10/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10980.724631/201065 Acórdão n.º 9101002.393 CSRFT1 Fl. 2.166 8 expansão do empreendimento, se não vejamos com dispõe o § 5º do art. 1º: (...) Como se verifica, nas condições postas no § 5º acima transcrito, não há qualquer vinculação entre os valores obtidos com o benefício fiscal do ICMS e a aplicação específica desses recursos em bens ou direitos ligados à implantação ou expansão do empreendimento econômico, mas apenas parâmetros para calibragem do percentual do crédito presumido a ser concedido caso a caso. Por outro lado, o termo de compromisso firmado (vide transcrição a fls. 531) traz a seguinte disposição: “relações obrigacionais que entre si ajustam, como partes, ESTADO DA BAHIA (...) e a Indústria de Meias Scalina Ltda. (...), obrigações essas decorrentes do apoio de infraestrutura e da concessão de incentivos administrados pelo Poder Público Estadual e Municipal à aludida empresa, em virtude da implantação de uma indústria destinada à fabricação de meias, cuecas, malhas, confecções e congêneres, fios de algodão e produtos têxteis semiacabados (...)" Ora, houve, então, uma vinculação entre a obtenção do benefício e a implantação da indústria no Estado da Bahia. Resta, então, saber se, para o enquadramento como subvenção para investimento, havia de ter expressa disposição, no referido termo de compromisso, que todos os valores obtidos com o benefício deveriam ser aplicados integralmente nos gastos de implantação da indústria. Primeiramente, há que se perquirir se tal interpretação encontra amparo no § 2o do art. 38 do DL 1.598/77? (...) (grifei) Ao questionamento realizado, discorreu o voto do relator sobre o § 2º do DecretoLei nº 1.598, de 1977: O § 2º do art. 38 é uma norma excepcional, logo deve ser interpretada estritamente, sem qualquer ampliação dos seus parâmetros hermenêuticos. Assim sendo, implantação ou expansão de empreendimentos econômicos”, há que se entender que a concessão do benefício fica condicionada ao cumprimento pelo beneficiário da exigência de ampliar ou expandir o empreendimento. Agora, se o Estado abre mão de cobrar o tributo do contribuinte, sem que se exija dele qualquer obrigação de ampliar ou expandir seu empreendimento, tal benefício será enquadrável como subvenção para custeio, pois o beneficiário terá total liberdade para aplicar os valores oriundos do benefício. Situação diferente é esta em que o Estado, para conceder o benefício, obriga o contribuinte a ampliar ou expandir seu empreendimento. (...) Fl. 2166DF CARF MF Impresso em 20/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/10/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 20/10/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10980.724631/201065 Acórdão n.º 9101002.393 CSRFT1 Fl. 2.167 9 Natural, então, que o beneficiário da subvenção para investimento, em um primeiro momento, aplique recursos próprios na implantação do empreendimento, para depois, quando a empresa iniciar suas operações e, consequentemente, começar a pagar o ICMS ao Estado da Bahia, comece também a recompor seu caixa do capital próprio anteriormente imobilizado em ativo fixo e outros gastos de implantação. Daí, há que se entender que, na hipótese sub examine, o estímulo à implantação do empreendimento de que trata o § 2º do art. 38 do DL no 1598/77, darseá com o reforço do caixa da empresa, sem que com isso desnaturese a subvenção para investimento. Notese que não está em discussão se houve ou não investimento no montante de R$ 60 milhões alegado pela contribuinte. Toma se, assim, por verdade aquilo que não foi expressamente refutado. Assim, entendo que o compromisso de aplicação de R$ 60 milhões na implantação da indústria de malharia, atende a vinculação exigida, por lei, entre a concessão do benefício e a obrigação de ampliar ou expandir o empreendimento. Observase, com clareza, que o fundamento da decisão foi constatar se a legislação estadual e atos normativos complementares demonstrariam a vinculação entre os recursos subvencionados auferidos e a aplicação em ampliação ou expansão do empreendimento. E, analisando os fatos, constatou o relator que o termo de compromisso firmado entre subvencionador e subvencionado estabelecia a aplicação do importe de R$60 milhões para a implantação de uma indústria destinada à fabricação de meias, cuecas, malhas, confecções e congêneres, fios de algodão e produtos têxteis semiacabados. Por sua vez, no voto vencedor do acórdão recorrido, considerouse prescindível tal análise, como se pode observar da redação da ementa: SUBVENÇÕES PARA INVESTIMENTO. CARACTERIZAÇÃO. CRÉDITOS PRESUMIDOS DE ICMS. As subvenções para investimento – in casu, correspondentes a créditos presumidos de ICMS – diferenciamse das subvenções de custeio, tão somente, na medida em que as primeiras são concedidas com o fito de estimular investimentos regionais ou setoriais, operados mediante instalação ou expansão – inclusive qualitativa – de empreendimentos econômicos. Ao contrário do quanto aduzido pelo Parecer Normativo CST nº 112/78, a caracterização de dado benefício fiscal como subvenção para investimento não pressupõe a aplicação direta e exclusiva das cifras subvencionadas a projeto predeterminado. No mais, para tais fins, irrelevante é a análise das contrapartidas impingidas ao contribuinte, postas, pelo ente outorgante, como pré condições à fruição da benesse. (grifei) Em razão da interpretação da lei de forma divergente3 com o acórdão recorrido, demonstrada nos fundamentos da decisão, que apreciou fatos que guardam 3 RICARF, Anexo II, art. 67. Compete à CSRF, por suas turmas, julgar recurso especial interposto contra decisão que der à legislação tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria CSRF. Fl. 2167DF CARF MF Impresso em 20/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/10/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 20/10/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10980.724631/201065 Acórdão n.º 9101002.393 CSRFT1 Fl. 2.168 10 similitude com os presentes autos mediante cognições conflitantes, conheço do Recurso Especial da PGFN. Mérito. Espécie do gênero benefícios fiscais, as subvenções podem ser classificadas em (1) correntes para custeio ou operação ou (2) para investimentos. A primeira mereceu tratamento na Lei nº 4.320, de 17/03/1964, que estatuiu normas gerais de direito financeiro, para elaboração e controle dos orçamentos e balanços da União, Estados, Municípios e Distrito Federal, estabelecendo diretrizes gerais para a contabilidade pública. Sob a ótica do ente federativo, são consideradas as subvenções sociais e econômicas como despesas correntes, da espécie transferências correntes, destinadas a cobrir despesas de custeio das entidades beneficiadas. Observase que não havia nenhuma discriminação quanto à destinação que o ente subvencionado daria às receitas recebidas. E precisamente sob essa ótica, as receitas oriundas das transferências do ente subvencionador governamental, independente da destinação dada pelo subvencionado, foram consideradas como tributáveis, conforme art. 44, da Lei nº 4.506, de 30/11/1964, que atualmente encontrase recepcionado pelo art. 392 do RIR/99: Art. 392. Serão computadas na determinação do lucro operacional: I as subvenções correntes para custeio ou operação, recebidas de pessoas jurídicas de direito público ou privado, ou de pessoas naturais (Lei nº 4.506, de 1964, art. 44, inciso IV); Ocorre que, posteriormente, passou a ser adotar um tratamento específico para subvenções que tivessem uma destinação própria, particular, qual seja, que fossem concedidas como estímulo à implantação ou expansão de empreendimentos econômicos. Nesse caso, passaram a receber ser entendidas como transferências de capital, como se pode observar no art. 182, § 1º, alínea "d", da Lei nº 6.404, de 15/12/1976: Art. 182. A conta do capital social discriminará o montante subscrito e, por dedução, a parcela ainda não realizada. § 1º Serão classificadas como reservas de capital as contas que registrarem: a) a contribuição do subscritor de ações que ultrapassar o valor nominal e a parte do preço de emissão das ações sem valor nominal que ultrapassar a importância destinada à formação do capital social, inclusive nos casos de conversão em ações de debêntures ou partes beneficiárias; b) o produto da alienação de partes beneficiárias e bônus de subscrição; c) o prêmio recebido na emissão de debêntures (Revogado pela Lei nº 11.638,de 2007); Fl. 2168DF CARF MF Impresso em 20/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/10/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 20/10/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10980.724631/201065 Acórdão n.º 9101002.393 CSRFT1 Fl. 2.169 11 d) as doações e as subvenções para investimento (Revogado pela Lei nº 11.638,de 2007) 4(grifei). Fato é que a legislação tributária acompanhou o entendimento, como se pode observar pela redação do art. 38, do Decretolei nº 1.598, de 26/12/1977: Art 38 Não serão computadas na determinação do lucro real as importâncias, creditadas a reservas de capital, que o Contribuinte com a forma de companhia receber dos subscritores de valores mobiliários de sua emissão a título de: (Vide) I ágio na emissão de ações por preço superior ao valor nominal, ou a parte do preço de emissão de ações sem valor nominal destinadas à formação de reservas de capital; II valor da alienação de partes beneficiárias e bônus de subscrição; III prêmio na emissão de debêntures; (Revogado pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) IV lucro na venda de ações em tesouraria. § 1º O prejuízo na venda de ações em tesouraria não será dedutível na determinação do lucro real. § 2º As subvenções para investimento, inclusive mediante isenção ou redução de impostos concedidas como estímulo à implantação ou expansão de empreendimentos econômicos, e as doações, feitas pelo Poder Público, não serão computadas na determinação do lucro real, desde que: (Redação dada pelo Decretolei nº 1.730, 1979) (Vigência) a) registradas como reserva de capital, que somente poderá ser utilizada para absorver prejuízos ou ser incorporada ao capital social, observado o disposto nos §§ 3º e 4º do artigo 19; ou (Redação dada pelo Decretolei nº 1.730, 1979) b) feitas em cumprimento de obrigação de garantir a exatidão do balanço do Contribuinte e utilizadas para absorver superveniências passivas ou insuficiências ativas. (Redação dada pelo Decretolei nº 1.730, 1979) (grifei) Restou nítida a diferenciação imposta às subvenções de custeio e investimento. A primeira, entendida como transferência de renda, integra a base de cálculo para apuração do tributo, enquanto que a segunda, transferência de capital, não seria contabilizada como receita, mas sim como reserva de capital no patrimônio líquido, não submetida à tributação. 4 Apesar de o dispositivo em debate ter sido revogado pela Lei nº 11.638, de 2007, as subvenções para investimento, para fins de apuração do lucro real, continuaram fora do alcance da tributação do IRPJ e da CSLL, já que, apesar de ter o ingresso contabilizado em conta de resultado pelo regime de competência, integrando o lucro líquido do exercício, devem ser excluídas no LALUR. Fl. 2169DF CARF MF Impresso em 20/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/10/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 20/10/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10980.724631/201065 Acórdão n.º 9101002.393 CSRFT1 Fl. 2.170 12 Contudo, há que se registrar que a categorização de uma transferência como subvenção para investimento deve obedecer determinadas condições. A Receita Federal manifestouse sobre a questão no PN CST nº 112, de 1978: 2.11 Umas das fontes para se pesquisar o adequado conceito de SUBVENÇÕES PARA INVESTIMENTO é o Parecer Normativo CST n° 2/78 ...No item 5.1 do Parecer encontramos, por exemplo, menção de que a SUBVENÇÃO para INVESTIMENTO seria destinada à aplicação em bens ou direitos. Já no item 7, subentendese um confronto entre as SUBVENÇÕES PARA CUSTEIO ou OPERAÇÃO e as SUBVENÇÕES PARA INVESTIMENTO tendo sido caracterizadas as primeiras pela não vinculação a aplicações específicas. Já o Parecer Normativo CST n° 143/73 (...), sempre que se refere a investimento complementao com a expressão em ativo fixo. Desses subsídios podemos inferir que SUBVENÇÃO PARA INVESTIMENTO é a transferência de recursos para uma pessoa jurídica com a finalidade de auxiliála, não em suas despesas, mas sim, na aplicação específica em bens ou direitos para implantar ou expandir empreendimentos econômicos. 2.12 Observase que a SUBVENÇÃO PARA INVESTIMENTO apresenta características bem marcantes, exigindo até mesmo perfeita sincronia da intenção do subvencionador com a ação do subvencionado. Não basta apenas o "animus" de subvencionar para investimento. Impõese, também, a "efetiva e específica" aplicação da subvenção, por parte do beneficiário, nos investimentos previstos na implantação ou expansão do empreendimento econômico projetado. Por outro lado, a simples aplicação dos recursos decorrentes da subvenção em investimentos não autoriza a sua classificação como SUBVENÇÃO PARA INVESTIMENTOS. (grifei) Observase que, segundo interpretação do parecer, a subvenção para investimento estaria caracterizada quando, cumulativamente, (1) os recursos a serem transferidos seriam com o objetivo de auxiliar a pessoa jurídica não sem sua despesas, mas na aplicação específica em bens ou direitos para implantar ou expandir empreendimentos econômicos; (2) seria exigida uma perfeita sincronia da intenção do subvencionador com a ação do subvencionado; (3) não basta o "animus", mas também e efetiva e específica aplicação da subvenção nos investimentos previstos, e (4) mero registro contábil em conta própria de reserva de capital não é suficiente, por si só, para caracterizar a transferência como subvenção para investimento. Entendo que cabem observações sobre os itens (1) e (2). Aqui registro uma observação complementar em relação a voto apresentado na sessão anterior sobre o mesmo assunto (Acórdão nº 9101002.335), apenas para acrescentar uma observação em relação ao item (1). Fl. 2170DF CARF MF Impresso em 20/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/10/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 20/10/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10980.724631/201065 Acórdão n.º 9101002.393 CSRFT1 Fl. 2.171 13 Sobre o item (1), de fato não há que se considerar que tais recursos sejam empregados para auxiliar nas despesas do ente subvencionado. Devem ser aplicados em bens ou direitos visando a consecução da finalidade da subvenção para investimentos, qual seja, implantar ou expandir empreendimentos econômicos. Tal aplicação poderá estar refletida em diferentes ativos da empresa, como, por exemplo, estoques, ativo permanente, em proporções que dependerão do ramo de atividade do subvencionado, mas que deverão estar devidamente refletidos na contabilidade. Já em relação ao item (2), a necessidade de "perfeita sincronia" entre a intenção do subvencionador e a ação do subvencionado, merece uma ressalva, e se trata de conclusão que deve ser relativizada, interpretada numa acepção mais ampla. Isso porque, ao se falar na implantação de um novo investimento, naturalmente o subvencionado terá que aplicar recursos próprios para a construção do empreendimento. Apenas no futuro, a partir do momento em que o investimento gerar frutos, serão originadas as receitas, cuja parte será objeto de transferência para a empresa a título de subvenção 5. Por sua vez, quanto aos demais itens (3 e 4), entendo que consagram o disposto no § 2º do art. 38 do Decretolei nº 1.598, de 26/12/1977. Dispõese com clareza que as subvenções para investimento que podem ser excluídas na determinação do lucro real são aquelas concedidas como estímulo à implantação ou expansão de empreendimentos econômicos, além de terem de estar contabilizadas em conta reserva de capital e feitas em cumprimento de obrigação de garantir a exatidão do balanço do Contribuinte e utilizadas para absorver superveniências passivas ou insuficiências ativas 6. Quando se fala em estímulo á implantação ou expansão de empreendimentos econômicos, não basta a mera intenção do subvencionador. Se os recursos deve ser aplicados para estimular implantação e/ou expansão de empreendimentos econômicos, não basta uma mera disposição legislativa, editada pelo ente subvencionador, para que reste caracterizada a subvenção para investimento. Há que restar demonstrada, no mínimo, que a aplicação dos recursos será submetida a um acompanhamento, um controle de sua efetiva utilização. Resta completamente desvirtuado o instituto quando a lei estadual, por exemplo, ao mesmo tempo que estabelece condições para a transferência do recurso, deixa em campo cinzento quais seriam os mecanismos claros de controle para verificar se as condições estabelecidas para a fruição do benefício, no caso, implantação ou expansão de investimentos, estarão sendo cumpridas. 5 Vide acórdão nº 9101001.094, da CSRF, de 29/06/2011, do Conselheiro Alberto Pinto Souza Júnior: "Além disso, em regra, nenhum empreendimento vai ser implantado com receita oriunda da subvenção para investimento. Isso porque durante a implantação, a empresa encontrase em fase préoperacional, logo, ordinariamente, não aufere receitas e, consequentemente, não tem ICMS a pagar nem muito menos redução de ICMS em virtude de subvenção para investimento. Assim, na hipótese de implantação de empreendimento, há um descasamento entre o momento da aplicação do recurso e do gozo do benefício. Razão pela qual seria impossível, no caso em tela, constar do termo de compromisso firmado a obrigação de a indústria ser implantada, ainda que parcialmente, com os valores oriundos do benefício fiscal. Natural, então, que o beneficiário da subvenção para investimento, em um primeiro momento, aplique recursos próprios na implantação do empreendimento, para depois, quando a empresa iniciar suas operarações e, consequentemente, começar a pagar o ICMS ao Estado da Bahia, comece também a recompor seu caixa do capital próprio anteriormente imobilizado em ativo fixo e outros gastos de implantação. (...)" 6 Vide nota anterior. Fl. 2171DF CARF MF Impresso em 20/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/10/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 20/10/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10980.724631/201065 Acórdão n.º 9101002.393 CSRFT1 Fl. 2.172 14 Esclareço que aqui não se fala em comprovação imediata da aplicação das transferências. O que se quer dizer é que o papel do ente subvencionador não está restrito apenas a editar diploma legal concedendo a transferência mediante condições que ficarão apenas "no papel", submetidos unicamente à vontade do ente subvencionado. O diploma legal também deve dispor sobre mecanismos claros de controle e acompanhamento dos recursos transferidos. Não se fala em "carimbar o dinheiro", e que precisamente o recurso ingressado por meio de transferência seja aplicado na implantação/expansão do investimento. Não se fala em simultaneidade. Nada disso. O que se fala é assegurar que o montante de recursos derivados da transferência seja, em momento razoável, efetivamente aplicados, de acordo com projetos executivos de implementação e construção, controle que deve ser exercido pelo subvencionador, e, naturalmente, que tais investimentos sejam devidamente escriturados, de modo que possam refletir na contabilidade a aplicação dos recursos em ativo, e, dentro de um período de tempo determinado, em montante proporcional às transferências recebidas. Devese se identificar, mediante elaboração de um plano de contas os ativos que foram objeto de implementação ou expansão. Sim, a contabilidade se presta para refletir, com clareza e transparência, as mutações econômicas da empresa, ainda mais se tratando de um benefício fiscal dessa natureza. Dever de escrituração é obrigação do Contribuinte. Estabelecidas as premissas, passo para a análise do caso concreto. Vale transcrever a redação que interessa dos atos relativos ao benefício fiscal em debate. Primeiro, o Decreto do Estado do Paraná, n° 5.375/2002: Art. 3º. Fica concedido crédito presumido, opcionalmente ao previsto na Lei n° 13.214, de 29 de junho de 2001, ao estabelecimento industrial que atenda às disposições do artigo 4º da Lei Federal n° 8248, de 23 de outubro de 1991, por ocasião da saída dos produtos adiante discriminados, que estejam relacionados em portaria conjunta dos Ministérios da Ciência e Tecnologia e da Fazenda, baixada por força do artigo 6º do Decreto Federal n° 792, de 02 de abril de 1993, ou do artigo 2º da Lei n° 8387, de 30 de dezembro de 1991, regulamentada pelo Decreto Federal n° 1885, de 26 de abril de 1996, no percentual que resulte na carga tributária correspondente a 3%. (...) Parágrafo único A opção pela utilização do crédito presumido de que trata este artigo fica condicionada: a) à celebração de termo de acordo, na forma dos arts. 78 a 84, que estabelecerá os demais requisitos para a fruição do benefício; b) a que haja a indicação, no documento fiscal correspondente à operação, dos dispositivos da legislação federal pertinente e do número do termo de acordo referido na alínea anterior; c) a indústria tenha seus projetos de pesquisa e desenvolvimento em tecnologia da informação aprovados mediante portaria interministerial publicada no Diário Oficial da União e assinada Fl. 2172DF CARF MF Impresso em 20/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/10/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 20/10/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10980.724631/201065 Acórdão n.º 9101002.393 CSRFT1 Fl. 2.173 15 pelos Ministérios da Fazenda, do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior e da Ciência e Tecnologia; d) a indústria realize investimentos em atividades de pesquisa e desenvolvimento em tecnologia da informação, conforme definido no art. 11 da Lei Federal n° 8.248/91, sendo que: 1 percentual não inferior a 1%, de que trata o inciso I do parágrafo único do referido art. 11, deve ser aplicado mediante convênio com centros ou institutos de pesquisa ou entidades de ensino, oficiais ou reconhecidas, com sede no Estado do Paraná; 2 percentual não inferior a 2,7% dos investimentos fixados no referido art. 11, deve ser aplicado internamente na própria indústria, em atividades de pesquisa e desenvolvimento em tecnologia da informação, conforme disposto no parágrafo 5º do art. 9º do Decreto Federal n° 3.800, de 20 de abril de 2001. (grifei) Segundo, dos Termos de Acordo de Regime Especial (3.396/04, 3.655/06 e 3.878/07, com redação idêntica, diferenciandose último apenas quanto à fixação de período de validade, de 15/02/2007 a 14/02/2008): Cláusula primeira: Fica reconhecido o direito a utilização, pela Beneficiária, do crédito presumido previsto no Artigo 3º do Decreto 5375/02 relativamente às operações internas e interestaduais, com os produtos constantes da lista anexa ao mesmo, opcionalmente ao previsto na Lei 13.214/01. Parágrafo primeiro. Os produtos deverão atender ao PPB (processo produtivo básico) e constar de Portaria Conjunta emitida pelos Ministérios da Ciência e Tecnologia e da Fazenda, ainda que não diretamente para a Beneficiária, que deverá, neste caso, exigir a aposição do número da referida portaria nas notas de aquisições. Parágrafo segundo: A Beneficiária deverá manter, para apresentação ao fisco sempre que solicitado, cópia da Portaria relativa a seus produtos bem como dos produtos de seus fornecedores. Parágrafo terceiro: Nas notas de saída a Beneficiária deverá fazer constar a legislação federal pertinente e o número do presente Regime Especial. Cláusula segunda: Para a apropriação do crédito presumido de que trata este regime especial a beneficiária deverá: 1. emitir nota fiscal, modelo 1 ou 1A, fazendo constar no campo "Natureza da Operação" a expressão "Crédito Presumido" e, no quadro "Dados do Produto", o número, a data e o valor dos documentos relativos às operações que geraram direito ao crédito presumido; Fl. 2173DF CARF MF Impresso em 20/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/10/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 20/10/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10980.724631/201065 Acórdão n.º 9101002.393 CSRFT1 Fl. 2.174 16 2. lançar a nota fiscal a que se refere o item anterior no campo "Observações" do livro Registro de Saídas e o valor do crédito no campo "Outros Créditos" do livro Registro de Apuração do ICMS; Parágrafo único: os dados relativos ao número, a data e o valor dos documentos, referidos no "caput" poderá ser substituído por listagem que fará parte inseparável da nota fiscal. Cláusula terceira: O presente regime especial é concedido em caráter precário podendo ser revogado a qualquer tempo no interesse da administração tributária ou, automaticamente se colidente com norma posterior. Cláusula quarta: O presente regime especial terá validade de 1 (um) ano, quando então a Beneficiária deverá apresentar novamente comprovante de que as Portarias, próprias e de terceiros, estão plenamente em vigor e de que os investimentos próprios, previstos na letra "d" itens 1 e 2 do parágrafo único do Artigo 3º do Decreto 5.375/02, foram realizados. Parágrafo único: Caso os documentos apresentados pela beneficiária, exigidos por este Regime Especial, não prestarem ao fim a que foi proposto, o presente Termo de Acordo não terá validade desde o seu início de vigência, sem prejuízo das penalidades cabíveis. Cláusula quinta: A falta de comprovação de que trata a Cláusula anterior sujeita a Beneficiária ao recolhimento do crédito apropriado juntamente com os acréscimos legais devidos. Cláusula sexta: A concessão de regime especial não dispensa o cumprimento das demais obrigações, principal e acessórias, previstas na legislação e terá eficácia a partir da data da publicação do ato no Diário Oficial do Estado, devendo a Beneficiária lavrar termo, no livro Registro de Utilização de Documentos Fiscais e Termos de Ocorrências, mencionando, no mínimo, o número do Termo de Acordo e a descrição sucinta do regime concedido. Como se pode observar, encontramse no caput e no parágrafo único do art. 3º do Decreto n° 5375/2002 as condições para fruição dos recursos recebidos, na alínea "d", 1 e 2. O caput predica que o crédito presumido é concedido ao estabelecimento industrial que atenda ás disposições do art. 4º da Lei Federal nº 8248, de 1991 (que dispõe sobre a capacitação e competitividade do setor de informática e automação além de dispor sobre outras providências). No parágrafo único, estabelecese que a Contribuinte deve realizar investimentos em atividades de pesquisa e desenvolvimento em tecnologia da informação, conforme definido no art. 11 da Lei Federal n° 8.248/91, sendo que (1) percentual não inferior a 1% ao definido pelo inciso I do parágrafo único do referido art. 11 deve ser aplicado mediante convênio com centros ou institutos de pesquisa ou entidades de ensino, oficiais ou reconhecidas, com sede no Estado do Paraná, e (2) percentual não inferior a 2,7% dos investimentos fixados no referido art. 11, deve ser aplicado internamente na própria indústria, em atividades de pesquisa e desenvolvimento em tecnologia da informação, conforme disposto no § 5º do art. 9º do Decreto Federal n° 3.800, de 20 de abril de 2001. Fl. 2174DF CARF MF Impresso em 20/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/10/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 20/10/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10980.724631/201065 Acórdão n.º 9101002.393 CSRFT1 Fl. 2.175 17 Na realidade, o Decreto Estadual n° 5.375/2002 concede o crédito presumido estabelecendo condições que são uma compilação do que foi disposto no art. 4º da Lei Federal n° 8.248/91, que determina que as empresas de desenvolvimento ou produção de bens e serviços de informática e automação que investirem em atividades de pesquisa e desenvolvimento em tecnologia da informação farão jus aos benefícios de que trata a Lei nº 8.191, de 11 de junho de 1991. Por sua vez, a Lei nº 8.191, de 1991, dispõe sobre a isenção de IPI para equipamentos, máquinas, aparelhos e instrumentos novos, inclusive aos de automação industrial e de processamento de dados, importados ou de fabricação nacional, bem como respectivos acessórios, sobressalentes e ferramentas e a depreciação acelerada para máquinas, equipamentos, aparelhos e instrumentos novos destinados ao uso na produção industrial. O Decreto Federal nº 3.800, de 2001, regulamenta, dentre outros, precisamente o art. 4º da Lei Federal n° 8.248/91, para estabelecer no art. 9º, § 5º que observadas as aplicações mínimas previstas no § 1º do art. 11 da Lei nº 8.248, de 1991, o complemento de até dois inteiros e sete décimos por cento do percentual fixado no caput do referido artigo poderá ser aplicado em atividades de pesquisa e desenvolvimento realizadas diretamente pelas próprias empresas ou por elas contratadas com outras empresas ou instituições de ensino e pesquisa. Registrese que o Decreto Federal nº 5.906, de 2006, que sucedeu o Decreto nº 3.800, de 2001, continuou regulamentando, com diretrizes similares ao diploma anterior, o art. 4º da Lei Federal n° 8.248/91. E o caput do art. 11 da Lei nº 8.248, de 1991, estabelece a base de cálculo para a aplicação do investimento em pesquisa e desenvolvimento, qual seja, o faturamento bruto da empresa. Assim, em termos quantitativos, as condições são de se aplicar, tomandose por base o faturamento bruto, pelo menos 1% por meio de convênio com centros ou institutos de pesquisa ou entidades de ensino, oficiais ou reconhecidas, com sede no Estado do Paraná, e pelo menos 2,7% internamente na própria indústria, em atividades de pesquisa e desenvolvimento em tecnologia da informação. No caso em tela, devese apreciar se as condições estabelecidas em norma federal, para gozo de isenção de IPI, aplicadas em norma estadual, para gozo do crédito presumido de ICMS, também se mostram aptas para caracterizar os recursos com subvenção para investimentos. Fato incontroverso é que as condições para gozo da isenção do IPI e do crédito presumido de ICMS são conciliáveis. O Estado do Paraná pode estabelecer os critérios para concessão de benefícios de imposto sob sua competência. Optou, ao conceder o crédito presumido, aproveitar de condições previstas na norma federal que trata do IPI. Nenhum reparo ao procedimento adotado. A questão assume outros contornos quando a Contribuinte tenta qualificar o benefício estadual também como subvenção para investimento. Ora, ao contrário dos outros dois benefícios aqui apresentados, a operação de subsunção às condições previstas no § 2º do art. 38 do Decretolei nº 1.598, de 26/12/1977 não ocorre automaticamente. A União estabelece critérios próprios para dispor sobre a concessão de benefício aplicável ao IRPJ e CSLL, tributos sob sua competência. E, como já dito, não basta mera "intenção" do legislador ou cumprimento de requisitos contábeis formais. O diploma do Poder Público (no caso, Estado Fl. 2175DF CARF MF Impresso em 20/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/10/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 20/10/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10980.724631/201065 Acórdão n.º 9101002.393 CSRFT1 Fl. 2.176 18 do Paraná) deve dispor sobre condições claras de aplicação e estabelecer mecanismos de acompanhamento e controle para se consumar a implantação ou expansão do empreendimento econômico, e estabelecer parâmetros que possibilitem que a aplicação seja proporcional ao montante subvencionado, e, há que se verificar a efetiva utilização dos recursos. Não há sentido norma concessória de benefício estabelecer contrapartida meramente amparada na "intenção" do ente subvencionado em atender as condições estabelecidas. Não é o PN CST nº 112, de 1978 que diz isso, mas sim a redação do § 2º do art. 38 do Decretolei nº 1.598, de 26/12/1977, de que as subvenções para investimento que podem ser excluídas na determinação do lucro real são aquelas concedidas como estímulo à implantação ou expansão de empreendimentos econômicos. Da mesma forma carece de lógica entender que, se o montante dos recursos subvencionados foi de 100 unidades monetárias, seria "irrelevante" averiguar qual o valor efetivamente foi aplicado em nos termos da norma subvencionante, ou que a aplicação de 5, 10 ou 30 unidades seriam suficientes para que o valor de 100 unidades pudesse ser caracterizado como subvenção de investimento. Sob essa perspectiva, há que apreciar a norma do Estado do Paraná em tese, para verificar se a condição prevista, de aplicação em investimentos em pesquisa e desenvolvimento, poderia ser enquadrada como estímulo à implantação ou expansão de empreendimentos econômicos. Especialmente em razão do ramo de atividade da Contribuinte, de tecnologia de informação, entendo que aplicações de recursos em área de pesquisa e desenvolvimento podem ser consideradas como investimentos na acepção prevista pelo § 2º do art. 38 do Decretolei nº 1.598, de 26/12/1977. Passo seguinte é verificar se, de acordo com o prescritivo da norma estadual, os valores a título de Pesquisa e Desenvolvimento foram aplicados efetivamente na empresa e em montantes proporcionais àqueles escriturados como subvenção para investimento. De plano, constatase condição atípica prescrita pelo Poder Público, no sentido de que os recursos não deveriam ser aplicados em sua integralidade no ativo da Contribuinte. A legislação estadual deixou claro que, sobre o faturamento, pelo menos 2,7% deveriam ser investidos internamente na própria indústria, em atividades de pesquisa e desenvolvimento em tecnologia da informação, e 1% em outras pessoas jurídicas, por meio de convênio com centros ou institutos de pesquisa ou entidades de ensino. Merece registro também o fato de a que norma estadual, ao dispor sobre aplicação em Pesquisa e Desenvolvimento, toma como base de cálculo o faturamento da empresa, mediante aplicação de percentual (1% para terceiros, 2,7% para a própria empresa. Tal condição pode se mostrar apta para funcionar, automaticamente, para fins de gozo do crédito presumido (estadual) e para o gozo da isenção do IPI (federal). Mas não necessariamente se mostra suficiente para caracterizar os recursos como subvenção para investimentos. A aplicação de percentual sobre o faturamento da empresa, por si só, não se sustenta. Para que se possa caracterizar a subvenção para investimento, há que haver proporcionalidade entre os valores escriturados como subvencionados e os valores efetivamente empregados. Fl. 2176DF CARF MF Impresso em 20/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/10/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 20/10/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10980.724631/201065 Acórdão n.º 9101002.393 CSRFT1 Fl. 2.177 19 E, ao se comparar os valores empregados em Pesquisa e Desenvolvimento (P&D), expressamente previstos na norma do Poder Público como condição para o gozo do benefício, com aqueles que a Contribuinte contabilizou como subvenção para investimentos, verificase que as discrepâncias são evidentes, constatação que a autuação fiscal revela (efl. 1262): Do exame das respostas aos Termos de Intimação nº 04, 05 e 06, constatase que a fiscalizada aplicou em atividade de pesquisa e desenvolvimento em tecnologia de informação, valores que totalizaram R$63.807.738,51 em 2005, 2006, 2007 e 2008. Paralelamente, a empresa excluiu da tributação do IRPJ e da CSLL os seguintes valores oriundos de crédito presumido de ICMS: R$74.035.554,45, R$131.868.206,73, R$188.394.220,85 e R$173.637.682,23, em 2005, 2006, 2007 e 2008, respectivamente, que totalizaram R$567.935.664,26. (grifei) Na realidade, o montante de R$63.807.738,51, foram efetivamente aplicados internamente na empresa o montante de R$35.204.359,88 (conforme demonstrativo elaborado pela Contribuinte às efls. 190/191). Valores Aplicados 2005 2006 2007 2008 TOTAL Projetos em P&D Próprios 4.329.141,49 6.865.072,17 11.409.016,75 12.601.129,47 35.204.359,88 Reforço que não se fala em sincronia ou em "carimbar o dinheiro". Mas há que se haver proporcionalidade entre os recursos subvencionados e aqueles efetivamente aplicados. E foram aplicados, do montante subvencionado de R$567.935.664,26, apenas 6,19% (R$35.204.359,88) em atividades de Pesquisa e Desenvolvimento. Discorre a Contribuinte em contrarrazões que teria aplicado recursos também na geração de empregos e promovido incrementos significativos no ativo da empresa. Ocorre que a condição prevista na legislação do Estado do Paraná discorre, para o gozo do benefício, a aplicação dos recursos em Pesquisa e Desenvolvimento, de percentuais incidentes sobre o faturamento. E precisamente tais recursos são objeto de cognição. Não há como se qualificar, sem nenhuma previsão normativa, aplicações que estejam fora do escopo da legislação do Estado do Paraná. Aplicações em investimentos, estoques, equipamentos, edificações, recursos humanos, são inerentes à atividade operacional de qualquer empresa que vise o lucro. Tratase de esforço empreendido para gerar receitas, mediante regras compartilhadas por todos os agentes do mercado, em uma situação de equilíbrio. Por sua vez, o fomento à atividade econômica pelo Estado por meio de benefício fiscal, por ser uma renúncia do Estado na captação de receitas, é situação especial, no qual devem ser seguidas estritamente condições previstas pela legislação. Não se pode qualificar como benefício fiscal recursos que foram aplicados em todos os investimentos empreendidos pela empresa, esforços naturais à sua atividade, sem que haja previsão legal. E, no caso concreto, a norma do ente subvencionante é clara: os recursos subvencionados deverão ser aplicados em Pesquisa e Desenvolvimento. Fl. 2177DF CARF MF Impresso em 20/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/10/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 20/10/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10980.724631/201065 Acórdão n.º 9101002.393 CSRFT1 Fl. 2.178 20 Não há nenhum problema em a Contribuinte, ao mesmo tempo, mediante atendimento de condições previstas na legislação tributária, beneficiarse de isenção de IPI, mediante norma federal, de crédito presumido de ICMS, mediante norma estadual, e ter reconhecido os recursos derivados do crédito presumido como subvenção para investimentos. Mas o caso concreto demonstra que, se por um lado, as condições previstas na lei federal (isenção de IPI), mostraramse eficazes para o gozo do crédito presumido do ICMS, por outro, não se mostraram aptas a caracterizar os recursos como estímulo à implantação ou expansão de empreendimentos econômicos, nos termos do § 2º do art. 38 do Decretolei nº 1.598, de 26/12/1977. Nesse sentido, tanto mediante análise em tese do decreto estadual e atos normativos, quanto na aplicação efetiva de recursos, observase que não há que se falar em subvenções para investimento conforme entendimento exposto no § 2º do art. 38 do Decreto lei nº 1.598, de 26/12/1977. Aplicase à CSLL o decidido no IRPJ, vez que compartilham o mesmo suporte fático e matéria tributável. Enfim, em razão do resultado do julgamento da turma a quo que deu provimento ao recurso voluntário, não foram apreciadas as matérias relativas a (1) multa isolada sobre insuficiência de estimativa mensal e (2) juros de mora sobre multa de ofício. Portanto, determino o retorno dos autos para a turma a quo, estritamente para julgamento destas matérias. Conclusão Diante do exposto, voto no sentido de conhecer e dar provimento ao recurso da PGFN, e determinar o retorno dos autos à turma a quo para apreciação das matérias (1) multa isolada sobre insuficiência de estimativa mensal e (2) juros de mora sobre multa de ofício. (assinado digitalmente) André Mendes de Moura Relator Fl. 2178DF CARF MF Impresso em 20/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/10/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 20/10/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10980.724631/201065 Acórdão n.º 9101002.393 CSRFT1 Fl. 2.179 21 Voto Vencedor Conselheiro Rafael Vidal de Araújo, Redator Designado. Fui designado para a difícil tarefa de redigir o voto vencedor, tendo em vista ter adotado o voto médio7, que a turma acolheu por meio de votações sucessivas, proposto pelo Conselheiro Hélio Eduardo de Paiva Araújo, que não o pôde fazêlo em razão de ter deixado este Conselho, tendo sido esta a última sessão da qual participou. Apresentar os fundamentos do voto médio qualitativo desafia o redator do voto vencedor, pois há que se traçar uma divisória no voto relator que reflita o que foi acatado pelo colegiado no seu voto e o que não o foi, bem como contrapor o voto do relator com o voto da divergência, de forma a demonstrar onde fica o meio termo. Penso que desempenhei satisfatoriamente a tarefa; mas, para isso, tive que historiar o que ocorreu na sessão de julgamento. Passo à tarefa. Com a devida vênia ao nobre relator, do qual sou admirador, não só pela robustez dos posicionamentos técnicos, mas também pela habilidade com a qual os apresenta, ouso discordar do mesmo parcialmente para propor uma solução um pouco diferente da dele no caso concreto, o que me levará a ter que explorála em alguns capítulos. Capítulo 1º Do escopo do Recurso Especial de divergência: matéria que subiu à apreciação da Câmara Superior. O Recurso Especial da Fazenda Nacional foi conhecido por unanimidade pelo colegiado; assim, neste ponto, não divergi do relator. Não obstante, fazse necessário revisitar a discussão do conhecimento de forma a delimitar o escopo do Recurso Especial. Assim, fazse necessário consultar o paradigma admitido, o Acórdão CSRF nº 9101001.094, de 29/06/2011, que adotou uma metodologia que pode ser dividida em três fases: 1ª) necessidade de interpretação da legislação estadual; 2ª) necessidade de haverem dispositivos da legislação estadual que vinculem as subvenções a investimentos; e 3ª) análise dos fatos, para fins de verificação da efetiva vinculação recursosaplicação. Nas primeira e segunda fase, o paradigma considera necessário interpretar a legislação estadual (incluindose o ato complementar) e procede na hermenêutica destes instrumentos, tanto é que colaciona dispositivos do Decreto estadual e do ato complementar, para constatar que, embora não haja dispositivos no Decreto estadual da Bahia que vinculem as subvenções a investimentos, há esses dispositivos de vinculação no ato complementar (compromisso firmado), confirase: 7 Voto médio é a expressão utilizada em situação de divergência quantitativa (quando há várias quantias envolvidas), mas pode ser adotada por analogia e para fins didáticos/acadêmicos/jurisprudenciais, nos casos de divergência qualitativa, ainda que a dispersão de votos nos julgamentos colegiados seja resolvida por sucessivas votações, como é o caso do CARF. Fazse necessário apenas ressalvar, como agora se faz, que o voto médio qualitativo é assim denominado, não por construção de um voto intermediário, mas por convenção, o que não fragiliza o fato de ser o voto escolhido definitivamente pela turma de julgamento. Fl. 2179DF CARF MF Impresso em 20/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/10/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 20/10/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10980.724631/201065 Acórdão n.º 9101002.393 CSRFT1 Fl. 2.180 22 (...) Na terceira fase, o paradigma passa a análise dos fatos, para fins de comprovação da vinculação entre a concessão do benefício e as aplicações em investimentos, assim se manifestando: Foi exatamente a análise dos fatos que levou o paradigma a negar provimento ao recurso especial do Procurador (e não a questão da necessidade da interpretação da Fl. 2180DF CARF MF Impresso em 20/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/10/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 20/10/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10980.724631/201065 Acórdão n.º 9101002.393 CSRFT1 Fl. 2.181 23 legislação estadual ou da existência de dispositivos na mesma legislação de vinculação das subvenções a investimentos). Diferente foi a situação do recorrido, que entendeu desnecessários dispositivos da legislação estadual que vinculassem as subvenções a investimentos, bastando a finalidade geral e abstrata da concessão da subvenção (ou seja, a intenção do ente subvencionador), o que acabou tornando a questão da análise dos fatos uma questão prejudicada (não julgada). Por isso que a divergência não ficou prejudicada, embora o paradigma tenha sido favorável ao contribuinte autuado. Confirase o que disse o recorrido quanto à prescindibilidade da existência, na legislação estadual, de mecanismos de vinculação das subvenções aos investimentos: (...) (...) (...) Fl. 2181DF CARF MF Impresso em 20/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/10/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 20/10/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10980.724631/201065 Acórdão n.º 9101002.393 CSRFT1 Fl. 2.182 24 (...) A partir da leitura dos trechos colecionados, concluise que o voto vencedor do acórdão recorrido afasta a importância dos dispositivos da legislação estadual que vinculam as subvenções aos investimentos e confere relevância à finalidade da norma e à intenção do Estado concessor. É o que depreende das afirmações: “escopo visionado pela entidade pública concedente”, “tem por fim desenvolver”, “se tem simples finalidade nãodesenvolvimentista”, “objetivo desenvolvimentista de promoção de investimentos”, “chegou a querer direcionar”, “apresenta objetivo de promoção de investimentos no Estado”, “eventualmente, ... pode acontecer de o Estado subvencionador prescrever condições precedentes para o gozo da benesse ...”; “tal situação não tange, entretanto, a finalidade do incentivo”; “os prévios requisitos ... nada versam acerca do desiderato indutivo do investimento”; “não influem sobre a caracterização da subvenção”, etc. Ao examinar o paradigma conhecido, bem destacou o relator em seu voto quanto ao conhecimento: · Quanto aos fundamentos, o voto discorreu se os dispositivos da norma, em tese, do ente subvencionador (Estado da Bahia), e demais atos, seriam aptos a vincular a aplicação dos recursos à implantação ou expansão do empreendimento econômico. ... · “Observase, com clareza, que o fundamento da decisão foi constatar se a legislação estadual e atos normativos complementares demonstrariam a vinculação entre os recursos subvencionados auferidos e a aplicação em ampliação ou expansão do empreendimento. E, analisando os fatos, constatou o relator [do paradigma] que o termo de compromisso firmado entre Fl. 2182DF CARF MF Impresso em 20/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/10/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 20/10/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10980.724631/201065 Acórdão n.º 9101002.393 CSRFT1 Fl. 2.183 25 subvencionador e subvencionado estabelecia a aplicação do importe de R$60 milhões para a implantação de uma indústria destinada à fabricação de meias, cuecas, malhas, confecções e congêneres, fios de algodão e produtos têxteis semiacabados”; · Por sua vez, no voto vencedor do acórdão recorrido, considerouse prescindível tal análise,... · Em razão da interpretação da lei de forma divergente com o acórdão recorrido, demonstrada nos fundamentos da decisão, que apreciou fatos que guardam similitude com os presentes autos mediante cognições conflitantes, conheço do Recurso Especial da PGFN. O ilustre relator identificou a divergência, sendo acompanhado pela unanimidade da turma de julgamento, no tocante à importância dos dispositivos da legislação estadual que vinculam as subvenções aos investimentos: enquanto, para o paradigma, esses dispositivos são relevantes; para o recorrido, são irrelevantes. Esse o escopo do recurso especial a ser julgado pela primeira turma da Câmara Superior. Uma vez vencedora a tese do voto vencedor do acórdão recorrido, prejudicada ficou a análise dos fatos; ou seja, não houve necessidade de examinar os fatos, pois a tese vencedora independe dos mesmos e era anterior à análise destes, confirase: Capítulo 2º Da supressão de instância Supressão de instância, em breves palavras, sem querer apresentar uma definição final, ocorre quando instância superior julga matéria não examinada pela instância inferior. Devese evitála, tendo em vista a estruturação, pela legislação, da sistemática da impugnação e dos recursos, mas não há uma vedação expressa da mesma por regra normativa. Assim, pelo entendimento da sistemática recursal, penso que a melhor solução é entender que haja uma opção preferencial no sentido de se evitar a supressão de instância. A supressão de instância é feita, na maciça maioria das vezes, sem se perceber ou enunciar que se está fazendo. Somente quando se deixa de fazêla, é que se pode mais concretamente percebêla; uma rápida análise da jurisprudência judicial valida essa constatação, tendo em vista que é possível encontrar um sem número de precedentes judiciais que enunciam “sob pena de supressão de instância”. Nas minhas propostas de voto, opto sempre por não fazêla, se propus alguma vez, é porque inclusive eu não percebi que estava a fazêlo. Fl. 2183DF CARF MF Impresso em 20/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/10/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 20/10/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10980.724631/201065 Acórdão n.º 9101002.393 CSRFT1 Fl. 2.184 26 Entretanto, isso não chega a constituir um grave problema, pois a “não supressão de instância” não é um valor absoluto, seria um princípio a ser ponderado frente a outros. Há parte da doutrina e da jurisprudência que não a admite, pois haveria inobservância ao princípio do duplo grau de jurisdição. Ocorre que o referido princípio, de existência questionável e cada vez mais desmerecido pelo ordenamento jurídico (com criação de hipóteses de competência originária para os tribunais e com as recentes alterações do novo Código de Processo Civil), também não é um valor absoluto, pode ser flexibilizado. Portanto, uma vez tendo sido feita supressão de instância, por exemplo, na turma ordinária do CARF, isso não significa que a decisão tenha necessariamente que ser anulada, é caso de se avaliar, adotando também uma opção preferencial por validar uma decisão que tenha suprimido instância, o que vai ao encontro do princípio da celeridade processual. Mas essa discussão não diz respeito ao presente caso, tendo em vista que já houve uma decisão de primeira instância, assim impertinente é a discussão sobre duplo grau de jurisdição. E, no especial, não há se falar em ofensa a esse princípio, já que no CARF não há delegação de competência originária. Logo, a supressão de instância pode ser superada, expressa ou tacitamente. A superação tácita ocorre quando sequer a turma (ou até mesmo a parte) percebe que está fazendo; ou, caso o colegiado perceba, deixe de enunciála. A superação expressa da supressão de instância passa por uma discussão profunda e polêmica, que apresenta o risco de ocupar o espaço do julgamento do direito material. Foi o que, penso, ocorreu no presente caso. Capítulo 3º Da superação da supressão de instância Como disse antes, o melhor é entender que haja uma opção preferencial do ordenamento jurídico por não se suprimir instância, ou que exista um princípio de “não supressão de instância”. Assim, enquanto princípio, deve estar em harmonia com demais princípios; e, nessa linha e por estar diretamente relacionado, um princípio que ganha relevo é o consubstanciado no que se denomina teoria da causa madura. O conceito de teoria da causa madura é um tanto intuitivo, dotado de subjetividade e que requer um esforço de aplicação caso a caso. Sob o ponto de vista do direito positivo, não se pode encontrar legislação no âmbito do processo administrativo fiscal que trate desta teoria, mas se pode encontrar, no Código de Processo Civil anterior e atual, dispositivos aos quais a doutrina e a jurisprudência vêm associando como positivação da teoria da causa madura. Como exemplo de regra a que se atribui expressão da teoria da causa madura, temse parte do art. 515 da Lei nº 5.869, de 11/01/1973, antigo Código de Processo Civil, verbis: Art. 515. A apelação devolverá ao tribunal o conhecimento da matéria impugnada. § 1º Serão, porém, objeto de apreciação e julgamento pelo tribunal todas as questões suscitadas e discutidas no processo, ainda que a sentença não as tenha julgado por inteiro. Fl. 2184DF CARF MF Impresso em 20/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/10/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 20/10/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10980.724631/201065 Acórdão n.º 9101002.393 CSRFT1 Fl. 2.185 27 § 2º Quando o pedido ou a defesa tiver mais de um fundamento e o juiz acolher apenas um deles, a apelação devolverá ao tribunal o conhecimento dos demais. § 3º Nos casos de extinção do processo sem julgamento do mérito (art. 267), o tribunal pode julgar desde logo a lide, se a causa versar questão exclusivamente de direito e estiver em condições de imediato julgamento. (Incluído pela Lei nº 10.352, de 26.12.2001) Muito se escreveu na doutrina e na jurisprudência sobre o § 3º do citado art. 515, especialmente sobre o que seria questão exclusivamente de direito, bem como sobre a possibilidade, em razão da vontade do legislador (que buscou efetivar a razoável duração do processo, a economia processual e a efetividade do processo, entre outros valores), do conectivo lógico “e” na realidade representar e poder ser interpretado como o conectivo lógico “ou”, manifestando disjunção de condições ao invés de conjunção, o que permitiria maior campo de aplicação do dispositivo. Também as fontes do direito foram delineando o que se poderia entender por “condições de imediato julgamento”, sem objetivar em definitivo a expressão. Na sequência e no sentido de ampliação da aceitação da teoria da causa madura pelo legislador pátrio, o Novo Código de Processo Civil (NCPC, Lei nº 13.105, de 16/03/2015), por meio do art. 1.013, trouxe novas hipóteses de aplicação e suprimiu a restrição de a causa versar sobre questão exclusivamente de direito. Art. 1.013. A apelação devolverá ao tribunal o conhecimento da matéria impugnada. § 1º Serão, porém, objeto de apreciação e julgamento pelo tribunal todas as questões suscitadas e discutidas no processo, ainda que não tenham sido solucionadas, desde que relativas ao capítulo impugnado. § 2º Quando o pedido ou a defesa tiver mais de um fundamento e o juiz acolher apenas um deles, a apelação devolverá ao tribunal o conhecimento dos demais. § 3º Se o processo estiver em condições de imediato julgamento, o tribunal deve decidir desde logo o mérito quando: I reformar sentença fundada no art. 485; II decretar a nulidade da sentença por não ser ela congruente com os limites do pedido ou da causa de pedir; III constatar a omissão no exame de um dos pedidos, hipótese em que poderá julgálo; IV decretar a nulidade de sentença por falta de fundamentação. § 4º Quando reformar sentença que reconheça a decadência ou a prescrição, o tribunal, se possível, julgará o mérito, examinando as demais questões, sem determinar o retorno do processo ao juízo de primeiro grau. Entendo que o referido dispositivo seja útil como vetor interpretativo para superação da supressão de instância, permitindo uma harmonização entre princípios, e que possa ser aplicado ao processo administrativo fiscal, em razão de atender aos requisitos de subsidiariedade (art. 15 do NCPC) e de compatibilidade ou não colisão (inerente ao sistema). A discussão deslocase, portanto, para o que se pode entender por “condições de imediato julgamento”. O assunto é por demais recente, especialmente na Câmara Superior de Recursos Fiscais, para que se fixem orientações definitivas; mas penso que é de se esperar, no mínimo, que seja vencedor o entendimento do colegiado sobre estarem presentes estas Fl. 2185DF CARF MF Impresso em 20/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/10/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 20/10/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10980.724631/201065 Acórdão n.º 9101002.393 CSRFT1 Fl. 2.186 28 condições de imediato julgamento. E isso foi o que suscitou amplos debates no julgamento do presente processo. Capítulo 4º Do caso concreto Este processo teve julgamento iniciado em 14/06/2016. Na oportunidade, o relator pronunciou o seu voto, que foi acompanhado integralmente pelo Conselheiro Marcos Aurélio Pereira Valadão e, na sequencia, o Conselheiro Luis Flávio Neto pediu vista dos autos. Na sessão de 13/07/2016, foi retomado o julgamento e o colegiado reservou um tempo considerável discutindo sobre a interpretação de dispositivos específicos da legislação estadual e sobre a razoabilidade do montante efetivamente aplicado em investimentos. Primeira divergência Após o longo tempo dedicado ao debate sobre as questões acima, o Conselheiro que pediu vista inaugurou divergência, entendendo que estaria havendo supressão de instância, pois o acórdão recorrido refutou a necessidade de haverem dispositivos da legislação estadual que vinculem as subvenções a investimentos, o que tornaria despicienda a necessidade de interpretação da legislação estadual, enquanto que o paradigma não. Assim, bastaria para decidir o recurso tratar apenas desse racional. Essa primeira divergência restou consignada na parte dispositiva deste acórdão nos seguintes termos: Nos termos do artigo 60 do Anexo II do RICARF ficaram vencidos, em primeira votação, os Conselheiros Luis Flávio Neto, Ronaldo Apelbaum (suplente convocado) e Nathalia Correia Pompeu, que deram provimento parcial para que a turma a quo apreciasse a interpretação da lei estadual em tese antes mesmo de análise dos fatos, sob pena de preclusão de instância; Assim, a divergência inaugural concordou com o relator no provimento do recurso da Fazenda Nacional, mas apenas parcialmente, ou seja, em relação apenas à matéria objeto da divergência, qual seja, no seu entender: a de que a legislação estadual deve sim ser interpretada e que devem haver dispositivos desta legislação que tratem da vinculação das subvenções a investimentos. Inclusive esta divergência originária entendeu devida a reforma total do acórdão recorrido; que, através do voto do Conselheiro Benedicto Celso Benício Júnior, encampou a tese de que o que importa é apenas a intenção do ente subvencionador e a finalidade, por si só, do benefício por ele concedido. Foi no sentido contrário, entretanto, de que o provimento do recurso demandaria interpretação da lei estadual em tese pela própria turma da CSRF; por entender que, exceto naquela questão, no quanto ao mais o processo não estaria em condições de julgamento, ou seja, a causa não estaria madura para ser decidida em sede de especial. Assim, foi proposto um provimento parcial, para o fim de reformar integralmente o acórdão recorrido, de forma que a turma a quo procedesse a um julgamento onde a tese da mera intenção (ou a finalidade do benefício isoladamente considerada) do Estado concessor do benefício não pudesse ser oposta e no qual, consequentemente, a turma ordinária não pudesse se furtar ao processo hermenêutico da legislação estadual, sob pena de tornar inválido o presente julgamento. Fl. 2186DF CARF MF Impresso em 20/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/10/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 20/10/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10980.724631/201065 Acórdão n.º 9101002.393 CSRFT1 Fl. 2.187 29 Alguns dos Conselheiros abraçaram a divergência proposta pelo Conselheiro Luis Flávio Neto e outros acompanharam integralmente o relator. Segunda divergência Chegada a vez de votar do Conselheiro Hélio Eduardo de Paiva Araújo, este apresentou uma segunda divergência, explicada nos parágrafos a seguir. Por certo que o acórdão recorrido, especialmente no seu voto vencedor, desprezou a análise dos dispositivos da legislação estadual que vinculam as subvenções a investimentos, estando certo o relator (Conselheiro Moura) de que isso não está de acordo com o direito e devendo sim o recorrido ser reformado e ser dado provimento parcial ao Recurso da Fazenda Nacional. Entretanto, há que se considerar que o acórdão recorrido também traz um voto vencido e que este faz uma análise detalhada desses pontos. Assim, há que se atribuir efeitos ao voto vencido, não no sentido de que foi encampado subsidiariamente pela turma de julgamento a quo, pois estaria realmente suplantado e prejudicado o quanto ali decidido (já que foi superado quando a turma aderiu à tese do voto vencedor), mas pelo menos para fins de se permitir avançar um pouco mais na supressão de instância; ou seja, o voto vencido, em virtude da análise que empreendeu, forneceu maiores condições de julgamento e permitiu discutir um maior número de questões, embora não tantas quantas enfrentadas pelo relator. Nessa linha, a segunda divergência acompanhou o voto do relator numa maior extensão que a primeira divergência, mas não concordou com sua integralidade. Esse voto médio, da segunda divergência, acatou o quanto proposto pelo relator relativamente à interpretação da legislação estadual no que trata dos dispositivos que vinculam as subvenções a investimentos. Com efeito, em razão do ramo de atividade da Contribuinte, de tecnologia de informação, entendeuse que aplicações de recursos em área de pesquisa e desenvolvimento poderiam sim, em princípio, ser consideradas como investimentos na acepção prevista pelo § 2º do art. 38 do Decretolei nº 1.598, de 26/12/1977. Porém, em relação à definição de rubricas que poderiam ser assim computadas, para fins de se avaliar o montante dos investimentos feitos em pesquisa e desenvolvimento (na acepção do referido dispositivo legal), o entendimento foi de que esta parte não estaria em condições de julgamento (já que a turma a quo não se debruçou suficientemente sobre a matéria, e esta turma fazêlo neste momento demandaria um estudo profundo dos elementos do processo), ou seja, não estaria madura para ser decidida em sede de especial. Também quanto à segunda parte do voto do relator, que avançou na análise de efetiva aplicação dos recursos, esta segunda divergência não caminhou junto com o relator, por entender que a matéria restou prejudicada (pois posterior) pela tese do acórdão recorrido, não preenchendo a condição da teoria da causa madura: estar em condições de julgamento. Assim, não podem ser considerados vencedores os parágrafos do voto que sucedem o seguinte parágrafo: Passo seguinte é verificar se, de acordo com o prescritivo da norma estadual, os valores a título de Pesquisa e Desenvolvimento foram aplicados efetivamente na empresa e em Fl. 2187DF CARF MF Impresso em 20/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/10/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 20/10/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10980.724631/201065 Acórdão n.º 9101002.393 CSRFT1 Fl. 2.188 30 montantes proporcionais àqueles escriturados como subvenção para investimento. Capítulo 5º Resolução da dispersão dos votos Para fins de definição do resultado deste julgamento, foi aplicado o art. 60 do Regimento Interno do CARF – RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015, com o seguinte comando: Art. 60. Quando mais de 2 (duas) soluções distintas para o litígio, que impeçam a formação de maioria, forem propostas ao plenário pelos conselheiros, a decisão será adotada mediante votações sucessivas, das quais serão obrigados a participar todos os conselheiros presentes. Parágrafo único. O presidente da Turma relacionará todas as soluções propostas em 1ª (primeira) votação, e dessas identificará 2 (duas) das menos votadas para a escolha de 1 (uma) delas, e assim, sucessivamente, até a mais votada. Explicando o que ocorreu: foram propostas três soluções distintas para o litígio: a) a do relator; b) a da primeira divergência; e c) a da segunda divergência. O Presidente relacionou as três soluções propostas em primeira votação [“a” – cinco votos (quatro Conselheiros e voto de qualidade do Presidente); “b” – quatro votos; e “c” – dois votos], nenhuma dessas logrou maioria (seis votos), exigida pelo regimento. Identificadas as duas menos votadas: “b” e “c”, foram submetidas a votação sucessiva, resultando “b” com quatro votos e “c” com seis votos (seis Conselheiros). E, na última votação sucessiva, entre “a” e “c”, resultou “a” com quatro votos (quatro Conselheiros) e “c” com seis votos; lograndose vencedora a proposta “c”, a da segunda divergência. Capítulo 6º Dos argumentos apresentados contra essa solução Levantouse a crítica de que estaria havendo uma determinação da turma a quo de julgar sob o ponto de vista do colegiado superior. Essa pode ser considerada como uma forma de perspectivar o resultado. Entretanto, se assim for entendido, por coerência, será forçoso admitir que o objeto do recurso especial em julgamento é exatamente a ótica que se deve dar à lei estadual; então, consequentemente, o provimento do recurso será no sentido de que a legislação estadual seja vista por esta ótica, mas isso não conclui a lide, apenas a prorroga para outra fase de julgamento, a falta de consenso se deu entre qual colegiado deva proceder à cognição final sobre a legislação do Estado do Paraná. Ademais, essa afirmação somente estaria totalmente acertada se o escopo que o paradigma fixou não tivesse sido tão restrito, o que acabou por limitar a configuração da Fl. 2188DF CARF MF Impresso em 20/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/10/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 20/10/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10980.724631/201065 Acórdão n.º 9101002.393 CSRFT1 Fl. 2.189 31 divergência, em razão de o paradigma ter sido favorável ao contribuinte daquele caso, já que quanto à terceira fase (verificação da efetiva vinculação) a decisão no máximo seria convergente e não divergente. Mas nem convergente se pode classificar, já que os fatos não foram julgados no acórdão recorrido. Se, no acórdão recorrido, não houvesse prevalecido tese tão genérica e abstrata, que acabou por obscurecer a própria matéria de defesa do contribuinte (constante no recurso voluntário e que deixou de ser avaliada), poderseia progredir mais amplamente na interpretação do normativo estadual e na efetiva aplicação dos recursos. Outra oposição apresentada foi a de que a solução vencedora estaria cerceando o livre convencimento do julgador. A isso se responde que o efeito devolutivo do recurso especial depende da interpretação divergente da legislação tributária e que, no caso concreto, em que a divergência se deu apenas em relação aos dispositivos da legislação estadual que vinculam as subvenções a investimentos, em razão da parte da decisão que analisou a efetiva aplicação restar prejudicada, não se pode pretender atribuir um efeito devolutivo quanto à comprovação da efetiva vinculação recursosaplicação. Ademais, a decisão sobre as condições de imediato julgamento, para fins de aplicação da teoria da causa madura com a consequente superação da supressão de instância, é do colegiado (deve ser aferida através de votação) e não de apenas um de seus integrantes; ou seja, um julgador pode entender que há condições de imediato julgamento e ficar vencido neste seu racional. Isso não cerceia o seu livre convencimento, apenas demonstra que a fronteira que pretende avançar não está disponível para que exerça sua apreciação. Também não configura afronta ao livre convencimento do julgador a técnica de votações sucessivas em caso de dispersão de votos, pois o voto médio qualitativo deve ser encontrado. Tratase de sistemática adotada para decisões colegiadas em diversos tribunais brasileiros e com ampla aplicação no direito comparado. O fato de se ter que escolher uma dentre duas soluções com as quais não se concorda integralmente reflete apenas a busca da melhor solução e não que se está concordando com algo com que não se acredita totalmente. É decorrência também da impossibilidade de não poder se abster, conforme estatui o §2º do art. 59 do RICARF. § 2º Salvo na hipótese de o conselheiro não ter assistido à leitura do relatório feita na mesma sessão de julgamento, não será admitida abstenção. Feitas essas considerações, fazse necessário responder ainda uma última resistência, que penso ser a mais imponente, merecendo um capítulo. Capítulo 7º Do nível de cognição e da hermenêutica Sugestionouse que com esse tipo de precedente (qualificado de grave) se estaria inviabilizando os julgamentos na Câmara Superior; pois, a partir de agora, se os acórdãos recorridos não refutassem ponto a ponto a matéria de defesa ou se o acórdão paradigma não abordasse todas as possibilidades, não haveria mais nenhum recurso especial sem determinação de retorno à turma a quo. Fl. 2189DF CARF MF Impresso em 20/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/10/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 20/10/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10980.724631/201065 Acórdão n.º 9101002.393 CSRFT1 Fl. 2.190 32 Quanto a isso, devem ser realçadas mais uma vez as especificidades do caso concreto em razão dos seguintes elementos que confluíram para a modelagem deste voto médio, quais sejam: a) As subvenções para investimentos são subsídios estaduais, o que implica, em geral, na análise de suas características a partir da legislação estadual, assim penso que esse tipo de solução jamais seria adequada ao se interpretar exclusivamente e legislação federal (ainda que infralegal), que é a quase totalidade dos processos julgados; b) A imposição da necessidade de interpretação de legislações extrafederais (estaduais) surgiu como consequência da construção jurisprudencial do CARF que orientou a fiscalização da Receita Federal a assim proceder e, num processo de retroalimentação, a realidade adotou essas diretrizes; c) Não há possibilidade de se opor uma tese de irrelevância da legislação federal (como fez o acórdão recorrido dos autos em relação à legislação estadual) em um julgamento que envolva justamente a legislação federal; d) O problema aqui foi o paradigma que, embora útil para a configuração de uma divergência a ser de fato dirimida por esta turma da Câmara Superior, foi insuficiente para a conclusão da lide, já que, ao adentrar na discussão quanto à efetiva vinculação recursosaplicação decidiu de forma “convergente” (o paradigma foi favorável ao contribuinte na apreciação dos fatos) com o recorrido e não divergente, o que impediu o avanço do julgamento na terceira fase, como o que foi feito pelo ilustre relator; e) Em geral, na fase de recurso especial toda a matéria de defesa já se encontra explorada, de modo que o retorno de processo para se complementar a apreciação de matérias, como ocorreu aqui, é medida excepcional. Primeiro, porque a peça de autuação fiscal já delimita os aspectos favoráveis ao interesse da Fazenda, e que são contraditados pelo sujeito passivo. Em segundo lugar, porque o requisito do prequestionamento, exigido pelo §5º do art. 67 do RICARF para os recursos especiais dos contribuintes, evita que cheguem à Câmara Superior matérias de defesa ainda não examinadas; f) Não fosse tudo isso, a não supressão de instância é apenas um princípio, uma opção preferencial, mas que pode ser flexibilizada, desde que o colegiado de julgamento entenda que as condições de imediato julgamento estão presentes, de forma a aplicar a teoria da causa madura. Assim, o fato de neste julgamento esta turma ter entendido que a causa não estava madura não significa que em outros julgamentos não estarão. Ademais, não é preciso que se recorra sempre à teoria da causa madura para que haja uma cognição mais ampla das questões envolvidas em uma matéria, basta que se conheça a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça e as súmulas e jurisprudências do Supremo Tribunal Federal quanto à aplicação do direito à espécie, que pode servir de Fl. 2190DF CARF MF Impresso em 20/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/10/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 20/10/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10980.724631/201065 Acórdão n.º 9101002.393 CSRFT1 Fl. 2.191 33 orientação, com algumas ressalvas, para o recurso especial do processo administrativo fiscal. Contudo, não foi o presente caso, conforme se deduz do já explicado. Por todo o exposto, voto por conhecer o Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em darlhe provimento parcial, determinando o retorno dos autos à turma a quo para que ela: 1 reexamine se as aplicações feitas a título de pesquisa e desenvolvimento, (i) na própria empresa e (ii) em convênios, podem ser considerados investimentos na acepção do §2º do artigo 38 do DecretoLei nº 1598, de 1977, levando em conta, para isso, os aspectos legais do incentivo fiscal em questão, e também a natureza e os montantes dos valores efetivamente investidos; 2 aprecie, caso mantida a autuação fiscal (parcial ou integralmente), as demais matérias: (2.1) multa isolada sobre insuficiência de estimativa mensal e (2.2) juros de mora sobre multa de ofício. É como voto. (documento assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araujo Fl. 2191DF CARF MF Impresso em 20/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/10/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 20/10/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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Numero do processo: 10882.900417/2009-96
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jun 07 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Aug 17 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/04/2000 a 30/04/2000
PIS e COFINS. RECEITAS DE VENDAS A EMPRESAS SEDIADAS NA ZONA FRANCA DE MANAUS. INCIDÊNCIA.
Até julho de 2004 não existe norma que desonere as receitas provenientes de vendas a empresas sediadas na Zona Franca de Manaus das contribuições PIS e COFINS, a isso não bastando o art. 4º do Decreto-Lei nº 288/67.
Recurso Especial do Contribuinte Negado.
Numero da decisão: 9303-003.990
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Vanessa Marini Cecconello, Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran e Maria Teresa Martínez López, que davam provimento.
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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Incidência sobre receitas de vendas a empresas sediadas na ZFM. Recorrente SHERWINWILLIAMS DO BRASIL INDUSTRIA E COMERCIO LTDA. Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/04/2000 a 30/04/2000 PIS e COFINS. RECEITAS DE VENDAS A EMPRESAS SEDIADAS NA ZONA FRANCA DE MANAUS. INCIDÊNCIA. Até julho de 2004 não existe norma que desonere as receitas provenientes de vendas a empresas sediadas na Zona Franca de Manaus das contribuições PIS e COFINS, a isso não bastando o art. 4º do DecretoLei nº 288/67. Recurso Especial do Contribuinte Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Vanessa Marini Cecconello, Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran e Maria Teresa Martínez López, que davam provimento. Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 2. 90 04 17 /2 00 9- 96 Fl. 165DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10882.900417/200996 Acórdão n.º 9303003.990 CSRFT3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pela contribuinte com fulcro nos artigos 64, inciso II e 67 e seguintes do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/09, meio pelo qual busca a reforma do Acórdão nº 3801004.956, que negou provimento ao recurso voluntário. Decidiu o colegiado a quo pela incidência das contribuições sobre as receitas oriundas de vendas a empresas sediadas na Zona Franca de Manaus, no período tratado neste processo. Cientificado do mencionado acórdão o sujeito passivo apresentou recurso especial suscitando divergência jurisprudencial quanto à isenção das contribuições sobre as receitas decorrentes de vendas de mercadorias e serviços para empresas com domicílio na Zona Franca de Manaus. O recurso foi admitido por intermédio de despacho do Presidente da Câmara recorrida, e a Fazenda Nacional apresentou contrarrazões. É o relatório, em síntese. Voto Carlos Alberto Freitas Barreto, Relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303003.934, de 07/06/2016, proferido no julgamento do processo 10650.902444/201141, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 9303003.934): "A matéria, única, posta ao exame do colegiado não é nova. Com efeito, já tivemos oportunidade de nos pronunciar sobre ela em diversas ocasiões, tendo eu firmado convicção pela inaplicabilidade de qualquer medida desonerativa (seja isenção, imunidade ou alíquota zero) aos fatos geradores anteriores a julho de 2004. No relatório da Dra. Vanessa consta que o contribuinte aduziu em seu recurso: "que: (a) o DecretoLei nº 288/67 equipara os efeitos das operações de venda para a Zona Franca de Manaus às exportações para o estrangeiro, sendolhes aplicáveis as vantagens fiscais estabelecidas pela legislação para as exportações, nos termos do seu art. 4º; (b) o Superior Tribunal de Justiça pacificou o entendimento no sentido da não incidência de PIS sobre as receitas decorrentes das vendas para empresas sediadas na Zona Franca de Manaus; (c) o Supremo Tribunal Fl. 166DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10882.900417/200996 Acórdão n.º 9303003.990 CSRFT3 Fl. 4 3 Federal, ao proferir liminar na Ação Direta de Inconstitucionalidade nº 2.3489, suspendeu a eficácia da expressão ‘na Zona Franca de Manaus’, contida no inciso I, do §2º do art. 14 da MP nº 2.03724/00, expressão suprimida do diploma legal pelo Poder Executivo ao editar, na mesma data, a MP nº 2.03725/2000; e, por fim, (d) não incide o PIS para os fatos geradores ocorridos em fevereiro de 2002, tendo em vista a revogação da expressão ‘na Zona Franca de Manaus’ do inciso I, §2º do art. 14 da MP nº 2.03725/2000 e a equiparação dos efeitos fiscais das vendas para a Zona Franca de Manaus às exportações para o exterior". Consideroos todos abarcados no voto que segue, proferido em sessão de 2011, no qual enfrentei ainda outros argumentos. Reconheço haver decisões do STJ em sentido oposto, mas, como nenhuma delas cumpre os requisitos do art. 62 do atual regimento interno desta Casa, peço vênia para continuar teimando. Disseo eu naquela ocasião: Vale iniciálo reenunciando o criativo entendimento da recorrente: a) não há necessidade de previsão legal expressa concessiva da isenção porque o decretolei 288 e o Ato Complementar 35/67 bastam; b) deferida isenção para exportações em geral, a vendas à ZFM está imediata e automaticamente estendida; c) tendo o Ato Complementar à Constituição de 67 a natureza de lei complementar, como pacificado em nossos Tribunais,. nenhuma lei ordinária o poderia revogar; d) a “revogação” pretendida somente vigorou entre ___ e ___, sendo de rigor reconhecer a isenção, ao menos, nos períodos anterior e posterior. Ainda que criativo, o raciocínio desenvolvido na defesa não merece prosperar cabendo a manutenção da decisão recorrida pelos motivos que se expõem em seguida. Em primeiro lugar, a premissa de que o decretolei 288 teria assegurado que todo e qualquer incentivo direcionado a promover as exportações deveria, imediata e automaticamente, ser estendido à Zona Franca de Manaus não resiste sequer ao primeiro dos métodos interpretativos consagradamente admitidos: a literalidade. É que tal extensão somente caberia se o citado decreto tivesse afirmado que as remessas de produtos para a Zona Franca de Manaus são exportação. Nesse caso, a equiparação valeria mesmo para outros efeitos, não fiscais. Poderia, para o que interessa, restringila a “todos os efeitos fiscais”. Se o tivesse feito, dúvida não haveria de que qualquer mudança posterior na legislação que viesse a afetar as exportações, no que tange a tributos, afetaria do mesmo modo e na mesma medida aquela zona. Fl. 167DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10882.900417/200996 Acórdão n.º 9303003.990 CSRFT3 Fl. 5 4 Mas já foi repetidamente assinalado que o artigo 4º daquele ato legal, embora traga de fato a expressão acima, apôs a ressalva “constantes da legislação em vigor”. Não vejo como essa restrição possa ser entendida de modo diverso do que tem sido interpretado pela Administração: apenas os incentivos às exportações que já vigiam em 1 de fevereiro de 1967 estavam “automaticamente” estendidos à ZFM por força desse comando. E ponho a palavra entre aspas porque nem mesmo o Poder Executivo – e vale assinalar que estamos falando de um período de exceção, em que o Poder executivo quase tudo podia – pareceu estar tão seguro desse automatismo, visto que fez editar, na mesma data, o Ato Complementar 35, cujo artigo 7º assegurou aquela extensão ao ICM. Aliás, da interpretação dada pela recorrente a este último ato também divergimos. Deveras, pretende ela que ele teria alçado ao patamar de lei complementar a equiparação já prevista no decretolei. A meu ver, porém, tudo o que faz é definir com maior precisão o que se entende por produtos industrializados para efeito da não incidência de ICM nas exportações já prevista na Constituição de 67. Defineos no parágrafo 1º, recorrendo à tabela do então criado imposto sobre produtos industrializados (tabela anexa à Lei 4.502). No parágrafo segundo, estende, também para efeito de ICM, aquela imunidade às vendas a zonas francas. Essa interpretação me parece forçosa quando se sabe que, segundo a boa técnica legislativa, os parágrafos de um dado artigo não acrescentam matéria ao disposto no caput, apenas esclarecem sobre o alcance daquela matéria. E ao esclarecer podem impor uma definição restritiva, como no parágrafo primeiro, ou extensiva, como no segundo. O que não pode um simples parágrafo é tratar de matéria que não esteja contida no caput e nos seus incisos. E não parece haver dúvida de que aí apenas se cuida da imunidade do ICM. Assim, o ato legal nem previu imunidade genérica, nem estendeu ao IPI a imunidade do ICM, como afirma a empresa. Ora, se a previsão do decretolei deveria alcançar “todos os efeitos fiscais” e já havia previsão de imunidade de ICM sobre produtos industrializados, para que tal parágrafo no ato complementar? Há, contudo, razões mais profundas do que a mera literalidade. É que a zona franca de Manaus não é meramente uma área livre de restrições aduaneiras, característica das chamadas zonas francas comerciais. O que se buscou com a sua criação foi induzir a instalação naquele distante rincão nacional de empresas de caráter industrial, que gerassem emprego e renda para a região Norte. Para tanto, definiuse um conjunto de incentivos fiscais que, à época de sua criação, seria suficiente, no entender dos seus formuladores, para gerar aquela atração. Tais incentivos, e apenas eles, configuram diferenciação em favor dos produtos importados e industrializados naquela área. Fl. 168DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10882.900417/200996 Acórdão n.º 9303003.990 CSRFT3 Fl. 6 5 Foi essa diferença tributária que induziu a criação do parque industrial que ali se veio a instalar e, assim, é apenas a retirada de algum daqueles incentivos que pode ser taxada de “quebra de contrato”. A contrário senso, novos incentivos fiscais que se venham a instituir podem ou não ser a ela estendidos conforme entenda útil o legislador por ocasião de sua instituição. Isso não se dá automaticamente com os incentivos genéricos à exportação cujo objetivo comum tem sido a geração das divisas imprescindíveis ao pagamento dos compromissos internacionais durante tanto tempo somente alcançáveis por meio das exportações. Por óbvio, a ninguém escapa que vendas à ZFM não geram divisas. Diferentes, pois, os objetivos, nenhum automatismo se justifica. Prova desse raciocínio é que dois anos apenas após a criação da ZFM, inventaram os “legisladores executivos” de então novo incentivo à exportação, o malsinado “crédito prêmio” posteriormente tão combatido nos acordos de livre comércio a que o País aderia. Sua legislação expressamente incluiu a Zona Franca. Fêlo, no entanto, apenas para os casos em que, após serem “exportados” para lá, fossem dali efetivamente exportados para o exterior (“reexportados”, na linguagem do declei). Em outras palavras, já em 1969 dava o executivo provas de que aquela extensão nem era automática, nem tinha que se dar sem qualquer restrição. Logo, ainda que se avance na interpretação da norma, ultrapassando o método literal e adentrandose o histórico e o teleológico, se chega à mesma conclusão: o decretolei 288 apenas determinou a adoção dos incentivos fiscais à exportação já existentes e acresceu incentivos específicos voltados a promover o desenvolvimento da região menos densamente povoada de nosso território. Nessa linha de raciocínio, portanto, há de se buscar na legislação específica do PIS e da COFINS, tributos somente instituídos após a criação da ZFM, dispositivo que preveja alguma forma de desoneração nas vendas àquela região, seja a não incidência, alíquota zero ou isenção. E não se precisa ir longe para ver que ela somente começa a existir em 2004, com a edição da Medida Provisória 202. De fato, a “exclusão das receitas de exportação” da base de cálculo do PIS tratada na Lei 7.714 e a isenção da COFINS sobre receitas de exportação prevista na Lei Complementar 70 e objeto da Lei complementar 85 não incluíram expressamente as vendas à ZFM ainda que tenham estendido o benefício a outras operações equiparadas a exportação. Um exame cuidadoso dessas extensões vai revelar o que se disse acima: todas elas geram, imediata ou mediatamente, divisas internacionais. A conclusão que se impõe, assim, é que não havia, até o surgimento da Medida Provisória 1.858 qualquer benefício fiscal Fl. 169DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10882.900417/200996 Acórdão n.º 9303003.990 CSRFT3 Fl. 7 6 que desonerasse de PIS e de COFINS as receitas obtidas com a venda de produtos para empresas sediadas na ZFM. É certo que esse entendimento não era uníssono, muita peleja tendo se travado entre o fisco e os contribuintes que pretendiam estarem tais vendas amparadas pelos atos legais mencionados. E essas divergências somente se agravaram com a edição da MP, cuja redação padece de diversas inconsistências. Com efeito, tal MP, que revogou a Lei 7.714 e a Lei Complementar 85, disciplinando por completo a isenção das duas contribuições nas operações de exportação trouxe dispositivo expresso “excluindo” as vendas à ZFM. Isso, por óbvio, aguçou a interpretação de que já havia dispositivo isentivo e que esse dispositivo estava sendo agora revogado. Defendo que não, embora seja forçoso reconhecer que o dispositivo apenas criou desnecessário imbróglio. Com efeito, ouso divergir da conclusão exposta no Parecer PFGN 1789 no sentido de que tal ressalva se destinava apenas aos comandos insertos nos incisos IV, VI, VIII e IX. A razão para tanto é que aí ventilamse hipóteses intrinsecamente ligadas ao objetivo que o ato pretende incentivar: vendas para o exterior que trazem divisas para o país. Refirome aos incisos VIII (vendas com o fim de exportação a trading companies e demais empresas exportadoras) bem como o fornecimento de bordo a embarcações em tráfego internacional (ship’s Chandler). Além disso, a interpretação não apenas retira um incentivo, ela pressupõe um desincentivo: qualquer trading do decretolei 1.248/72, exportadora inscrita na SECEX ou ship’s Chandler instalada em outro ponto do território nacional terá vantagem em relação à que ali se instale. Não faz sentido tal discriminação contra a ZFM. A interpretação dada pela douta PGFN parece buscar um sentido para o comando do parágrafo de modo a não tornálo redundante. Fêlo, todavia, da pior forma, a meu sentir, pois fixouse no método literal esquecendose de considerar o motivo da norma. Realmente, uma cuidadosa leitura do parecer permite ler o artigo, com o respectivo parágrafo segundo, da seguinte forma: há isenção quando se vende com o fim específico de exportação, desde que a empresa compradora (trading ou simples exportadora inscrita na SECEX) NÃO esteja situada na ZFM. Com a exclusão do parágrafo: há isenção quando se vende com o fim específico de exportação, mesmo que a empresa compradora (trading ou simples exportadora inscrita na SECEX) esteja situada na ZFM. Ora, o objeto da isenção versada nesses dispositivos nada tem a ver com a localização da compradora mas com o que ela faz. É a atividade (exportação com conseqüente ingresso de divisas) que se quer incentivar. O que se tem de decidir é se a mera venda à ZFM, que não gera divisa nenhuma, deve a isso ser equiparado. Foi isso, em meu entender, que o parágrafo quis dizer: não é o que o Parecer da PGFN consegue nele ler. Fl. 170DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10882.900417/200996 Acórdão n.º 9303003.990 CSRFT3 Fl. 8 7 Em conseqüência desse parecer, surgem decisões como as que ora se examinam: o pedido tinha a ver com venda a ZFM. A decisão abre a possibilidade de que tenha mesmo havido recolhimento indevido, mas por motivo completamente diverso. E mais, atribui ao contribuinte a prova dessa outra circunstância, que não motivara o seu pedido. Nonsense completo. Esse meu reconhecimento implica aceitar que o malsinado parágrafo estava sim se referindo, genericamente, às vendas à ZFM, ou, mais claramente, está ele a dizer que, para efeito do incentivo de PIS e COFINS, a mera venda a empresa sediada na ZFM não se equipara à exportação de que cuida o inciso II do ato legal em discussão. Mas, ao fazêlo, não está revogando dispositivo isentivo anterior: está simplesmente cumprindo o seu papel esclarecedor, ainda que nesse caso melhor fosse nada ter tentado esclarecer... Aliás, idêntico dispositivo esclarecedor poderia ter estado presente na LC 85 e na Lei 7.714 como já estivera no decretolei 491. Com isso, muita discussão travada administrativamente teria sido evitada ou transferida para o Judiciário. É a ausência de tal dispositivo e sua presença na nova lei que cria o imbróglio. Ele não leva, contudo, em minha opinião, à interpretação simplória de que tal ausência implicasse haver isenção. Para isso, primeiro, se tem de admitir que basta o Decretolei 288. Essa interpretação, pareceme, está em maior consonância com o espírito legisferante, pois não faz sentido considerar que uma norma que procura incentivar as exportações tenha instituído uma discriminação contra uma região (região, aliás, que sempre se procurou incentivar) em operações que produzem o mesmo resultado: a geração de divisas internacionais. A minha conclusão é, assim, de que mesmo entre 1º de fevereiro de 1999 e 31 de dezembro de 2000 há, sim, isenção das contribuições naquelas hipóteses, ainda que a empresa esteja situada na ZFM. Em outras palavras, a localização da empresa não é impeditivo à fruição do incentivo à exportação, desde que cumprido o que está previsto naqueles incisos. Mas tampouco há isenção APENAS PORQUE A COMPRADORA LÁ ESTEJA. Nos recursos ora em exame, esse foi o fundamento do pedido e a ele deveria terse restringido a DRJ. Nesses termos, só causa mais imbróglio a afirmação constante no acórdão recorrido de que “haveria direito” no período de 1º de janeiro de 2001 a julho de 2004 mas não estava ele adequadamente comprovado. Simplesmente não há o direito na forma requerida. E por isso mesmo não cabe a pretensão do contribuinte de que a Administração adapte o seu pedido fazendo as pesquisas internas que permitam apurar se alguma das empresas por ele listadas na planilha referida se enquadra naquelas disposições. Fl. 171DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10882.900417/200996 Acórdão n.º 9303003.990 CSRFT3 Fl. 9 8 O máximo que se poderia admitir, dado o teor da decisão, era que, em grau de recurso, trouxesse a empresa tal prova. Não o fez, porém, limitandose a postular a nulidade da decisão porque não determinou aquelas diligências. Não sendo obrigatória a realização de diligências, como se sabe (art. __ do Decreto 70.235), sua ausência não acarreta nulidade da decisão proferida por quem legalmente competente para tal. Cabe sim manter aquela decisão dado que o contribuinte não comprovou o seu direito como lhe exigem o Decreto 70.235, a Lei 9.784 e o próprio Código Civil (art. 333). Com tais considerações, nego provimento ao recurso do contribuinte. Com essas mesmas considerações, votei, também aqui, pelo não provimento do recurso do contribuinte, sendo esse o acórdão que me coube redigir." Aplicandose as razões de decidir, o voto e o resultado acima do processo paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, negase provimento ao recurso especial do contribuinte, em razão da incidência das contribuições sobre as receitas oriundas de vendas efetuadas a empresas sediadas na Zona Franca de Manaus, no período tratado neste processo. Carlos Alberto Freitas Barreto Fl. 172DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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Numero do processo: 10865.904905/2012-86
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 24 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Oct 06 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Ano-calendário: 2004
COMPENSAÇÃO. REQUISITOS.
É vedada a compensação de débitos com créditos desvestidos dos atributos de liquidez e certeza.
ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO.
Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado.
PROVA DOCUMENTAL. PRECLUSÃO
A prova documental deve ser produzida até o momento processual da reclamação, precluindo o direito da parte de fazê-lo posteriormente, salvo prova da ocorrência de qualquer das hipóteses que justifiquem sua apresentação tardia.
PROVA DOCUMENTAL. PRINCÍPIO PROCESSUAL DA VERDADE MATERIAL.
A busca da verdade real não se presta a suprir a inércia do contribuinte que tenha deixado de apresentar, no momento processual apropriado, as provas necessárias à comprovação dos créditos alegados.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3201-002.323
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Tatiana Josefovicz Belisário e Cassio Shappo.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, José Luiz Feistauer de Oliveira, Paulo Roberto Duarte Moreira, Mércia Helena Trajano D'Amorim, Cássio Schappo, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Tatiana Josefovicz Belisário.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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DCOMP. Recorrente ELO COMERCIO DE COMPONENTES AUTOMOTIVOS LTDA EPP Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2004 COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. É vedada a compensação de débitos com créditos desvestidos dos atributos de liquidez e certeza. ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. PROVA DOCUMENTAL. PRECLUSÃO A prova documental deve ser produzida até o momento processual da reclamação, precluindo o direito da parte de fazêlo posteriormente, salvo prova da ocorrência de qualquer das hipóteses que justifiquem sua apresentação tardia. PROVA DOCUMENTAL. PRINCÍPIO PROCESSUAL DA VERDADE MATERIAL. A busca da verdade real não se presta a suprir a inércia do contribuinte que tenha deixado de apresentar, no momento processual apropriado, as provas necessárias à comprovação dos créditos alegados. Recurso Voluntário Negado. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Tatiana Josefovicz Belisário e Cassio Shappo. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente e Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 5. 90 49 05 /2 01 2- 86 Fl. 101DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2016 por EUNICE AUGUSTO MARIANO, Assinado digitalmente em 04/10/20 16 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 10865.904905/201286 Acórdão n.º 3201002.323 S3C2T1 Fl. 0 2 Participaram do presente julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, José Luiz Feistauer de Oliveira, Paulo Roberto Duarte Moreira, Mércia Helena Trajano D'Amorim, Cássio Schappo, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Tatiana Josefovicz Belisário. Relatório ELO COMERCIO DE COMPONENTES AUTOMOTIVOS LTDA transmitiu PER/DCOMP alegando indébito de Contribuição para o PIS/Pasep. A DRF LIMEIRA emitiu Despacho Decisório Eletrônico não homologando a compensação, em virtude de o pagamento informado ter sido integralmente utilizado para quitação de débitos declarados pelo contribuinte, não restando crédito disponível para a compensação declarada. Em Manifestação de Inconformidade a contribuinte alegou, em síntese, que comercializa alguns produtos sujeitos à tributação monofásica (alíquota zero sobre as suas vendas), que foram indevidamente tributados, o que deu origem aos créditos informados no PER/Dcomp. Procurando demonstrar a existência do direito creditório junta ao processo cópia da DCTF retificadora. A Manifestação de Inconformidade foi julgada improcedente, nos termos do Acórdão 08026.233. A DRJ fundamentou que a simples retificação da DCTF não é suficiente para comprovar o pagamento indevido ou a maior que o devido, e que a contribuinte não trouxe aos autos elementos comprobatórios do direito creditório utilizado na compensação declarada. Em seu recurso voluntário a Recorrente traz, em resumo, os seguintes argumentos: a) reitera que a origem de seu direito creditório decorre da inclusão indevida, na base de cálculo da contribuição, de receitas oriundas da venda de produtos sujeitos à alíquota 0%, conforme anexo I da Lei nº 10.485/2002 (SILENCIOSO componente do sistema de escapamento NCM 87.08.92.00), que já teriam sofrido tributação obedecendo ao critério monofásico; b) afirma que procurou comprovar o direito creditório com a manifestação de inconformidade acompanhada da DCTF retificadora, mas que, agora, junta aos autos demonstrativo mais detalhado e minucioso (listagem de notas fiscais com indicação dos produtos vendidos com respectivas alíquotas aplicáveis, cópia do Registro de Saídas e da GIA correspondentes), servindo para o reconhecimento de seu direito de crédito ou, pelo menos, para justificar a realização de diligência (cita a Resolução nº 3803000.330 como precedente); c) caso o Colegiado decida pela realização de diligência, informa que todas as notas fiscais relacionadas nos demonstrativos estão sob sua guarda, à disposição do Fisco; Fl. 102DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2016 por EUNICE AUGUSTO MARIANO, Assinado digitalmente em 04/10/20 16 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 10865.904905/201286 Acórdão n.º 3201002.323 S3C2T1 Fl. 0 3 d) sustenta que a decisão recorrida negou seu direito atendose a aspecto meramente formal, sem observar o princípio da verdade material, que norteia o processo administrativo fiscal. É o relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3201002.316, de 24/08/2016, proferido no julgamento do processo 10865.904904/201231, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201002.316): "Observados os pressupostos recursais, a petição de fls. 70 a 78 merece ser conhecida como recurso voluntário contra o Acórdão DRJ/Fortaleza/3ª Turma, nº 0826.232, de 20 de agosto de 2013. No presente caso, a decisão recorrida não acolheu a alegação de erro na apuração da contribuição social, nem a simples retificação da DCTF para efeito de alterar valores originalmente declarados, porque o declarante, em sede de manifestação de inconformidade, não se desincumbiu do ônus probatório que lhe cabia e não juntou nos autos seus registros contábeis e fiscais, acompanhados de documentação hábil, para infirmar o motivo que levou a autoridade fiscal competente a não homologar a compensação ou mesmo para eventualmente comprovar a alegada inclusão indevida de valores na base de cálculo das contribuições, que poderiam levar à reduções de valores dos débitos confessados em DCTF. Agora, já no recurso voluntário, o interessado aporta aos autos novos documentos, que não haviam sido oferecidos à autoridade julgadora de primeira instância. A possibilidade de conhecimento desses novos documentos, não oferecidos à instância a quo, deve ser avaliada à luz dos princípios que regem o Processo Administrativo Fiscal. O PAF, assim dispõe, verbis: Art. 14. A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento. Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. [...]Art. 16. A impugnação mencionará: [...]III – os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) Fl. 103DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2016 por EUNICE AUGUSTO MARIANO, Assinado digitalmente em 04/10/20 16 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 10865.904905/201286 Acórdão n.º 3201002.323 S3C2T1 Fl. 0 4 [...]§ 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997): b) refirase a fato ou a direito superveniente; (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997); c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) [...]Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997). O processo administrativo fiscal pode ser considerado como um método de composição dos litígios, empregado pelo Estado ao cumprir sua função jurisdicional, com o objetivo imediato de aplicar a lei ao caso concreto para a resolução da lide. Em razão de vários fatores, a forma como o processo se desenvolve assume feições diferentes. Humberto Theodoro Júnior em "Curso de Direito Processual Civil, vol. I" (ed. Forense, Rio de Janeiro, 2004, p.303) assim diz: “enquanto processo é uma unidade, como relação processual em busca da prestação jurisdicional, o procedimento é a exteriorização dessa relação e, por isso, pode assumir diversas feições ou modos de ser.”. Ensina o renomado autor que “procedimento é, destarte, sinônimo de ‘rito’ do processo, ou seja, o modo e a forma por que se movem os atos do processo”. Neste sentido, o procedimento está estruturado segundo fases lógicas, que tornam efetivos os seus princípios fundamentais, como o da iniciativa da parte, o do contraditório e o do livre convencimento do julgador. Conforme os antes transcritos artigos 14 e 15 do Decreto 70.235/1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal (PAF), é a impugnação da exigência, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, que instaura a fase litigiosa do procedimento. (grifei) Por sua vez, o art. 16, § 4º do Decreto nº 70.235/1972, estabelece que as provas devem ser apresentadas juntamente com a impugnação, precluindo o direito de fazêlo em outro momento processual. O sistema da oficialidade, adotado no processo administrativo, e a necessidade da marcha para frente, a fim de que o mesmo possa atingir seus objetivos de solução de conflitos e pacificação social, impõem que existam prazos e o estabelecimento da preclusão. Contudo, uma fria análise da norma pode vir a chocarse com os princípios da verdade material e da ampla defesa. Vejamos que a Lei nº 9.784/1999, que regula o processo administrativo em geral, no art. 3º, possibilita a apresentação de alegações e documentos antes da decisão e, no art. 38, permite que documentos probatórios possam ser juntados até a tomada da decisão administrativa. Entretanto, conforme a melhor doutrina, deve ser aplicada ao caso a lei específica existente, Decreto nº 70.235/1972, que determina o rito do processo administrativo fiscal, em detrimento da lei geral. Fl. 104DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2016 por EUNICE AUGUSTO MARIANO, Assinado digitalmente em 04/10/20 16 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 10865.904905/201286 Acórdão n.º 3201002.323 S3C2T1 Fl. 0 5 Neste ponto, sobre o momento da apresentação da prova no processo administrativo fiscal, cabe mencionar que de fato existe na jurisprudência uma tendência de atenuar os rigores da norma, afastando a preclusão em alguns casos excepcionais, que indicam trataremse daqueles que se referem a fatos notórios ou incontroversos, no tocante a documentos que permitem o fácil e rápido convencimento do julgador. Logo, o direito da parte à produção de provas posteriores, até o momento da decisão administrativa comporta graduação e será determinado a critério da autoridade julgadora, com fulcro em seu juízo de valor acerca da utilidade e da necessidade, bem como à percepção de que efetivamente houve um esforço na busca de comprovar o direito alegado, que é ônus daquele que objetiva a restituição, ressarcimento e/ou compensação de tributos. Como se vê, as alegações de defesa são faculdades do demandado, mas constituemse em verdadeiro ônus processual, porquanto, embora o ato seja instituído em seu favor, não sendo praticado no tempo certo, surgem para a parte conseqüências gravosas, dentre elas a perda do direito de fazêlo posteriormente, pois operase, nesta hipótese, o fenômeno da preclusão, isto porque, conforme já dito, o processo é um caminhar para a frente, não se admitindo, em regra, ressuscitar questões já ultrapassadas em fases anteriores. O § 4º do art. 16 do PAF estabelece que só é lícito deduzir novas alegações em supressão de instância quando: relativas a direito superveniente, demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior ou destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Compete ainda ao julgador administrativo conhecer de ofício de matérias de ordem pública, a exemplo da decadência; ou por expressa autorização legal. Finalmente, o § 5º do mesmo dispositivo legal exige que a juntada dos documentos deve ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. Especificamente no caso desses autos, o recorrente não se preocupou em produzir oportunamente os documentos que comprovariam suas alegações, ônus que lhe competia, segundo o sistema de distribuição da carga probatória adotado pelo Processo Administrativo Federal: o ônus de provar a veracidade do que afirma é do interessado, segundo o disposto na Lei no 9.784, de 29 de janeiro de 1999, art. 36: Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no artigo 37 desta Lei. No mesmo sentido o art. 330 da Lei no 5.869, de 11 de janeiro de 1973 (CPC): Art. 333. O ônus da prova incumbe: I – ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II – ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Fl. 105DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2016 por EUNICE AUGUSTO MARIANO, Assinado digitalmente em 04/10/20 16 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 10865.904905/201286 Acórdão n.º 3201002.323 S3C2T1 Fl. 0 6 O recorrente tampouco comprovou a ocorrência de qualquer das hipóteses das alíneas “a” a “c” do § 4º do art. 16 do PAF, que justificasse a apresentação tão tardia dos referidos documentos. No caso, o acórdão da DRJ foi bastante claro ao fundamentar suas conclusões pela insuficiência da comprovação do direito creditório alegado quando afirmou: "a simples retificação da DCTF sem que o contribuinte tenha juntado aos autos documentos hábeis e idôneos que comprovem as alterações efetuadas não pode servir como justificativa de eventual erro no preenchimento da DCTF" (grifei). Ao final, a decisão recorrida novamente destaca: "a manifestação de inconformidade procura justificar o erro na declaração DCTF Original mediante retificação da DCTF, após a ciência do Despacho Decisório, sem apresentação de elementos comprobatórios do direito creditório pleiteado no citado PER/DCOMP. (grifei) A propósito dos documentos que instruem a peça recursal (demonstrativos do faturamento mensal, do cálculo dos créditos de PIS e Cofins e das compensações, bem como cópia do registro de saídas e da apuração do ICMS), verificase que o contribuinte anexou uma relação de Notas Fiscais de 7 (sete) páginas de extensão, fls. 79 a 85, afirmando que tal providência o dispensaria da anexação de todas estas notas emitidas no período, em face de seu "grande volume". Quanto à esta alegação, deve ser contraposto que o presente processo já foi instaurado na forma digital, o que em muito facilitaria a juntada da totalidade das referidas notas fiscais. Embora ressalte que todas estas Notas estariam sob sua guarda e poderiam ser imediatamente disponibilizadas na hipótese de realização de diligência, o interessado sequer procurou juntar algumas Notas como amostragem, o que ao menos denotaria um mínimo esforço no sentido de comprovar o efetivo teor das mesmas. Ainda, também não se preocupou em demonstrar a origem das mercadorias que teria revendido, mediante a apresentação das Notas Ficais de aquisição das mesmas, no sentido de comprovar que de fato o fabricante/fornecedor operava sob o regime da tributação monofásica. No caso, optou por reiterar suas alegações quanto à supremacia da verdade material sobre a verdade formal, quando deveria procurar demonstrar de maneira efetiva suas alegações juntando cópias de pelo menos parte de todas estas notas, para que o julgamento ocorresse com base em elementos concretos, capazes de comprovar a veracidade do alegado direito creditório. O recorrente invoca o princípio processual da verdade material. O que deve ficar assente é que o referido princípio destinase à busca da verdade que está para além dos fatos alegados pelas partes, mas isto num cenário dentro do qual as partes trabalharam proativamente no sentido do cumprimento do seu ônus probandi. Em outras palavras, o principio da verdade material autoriza o julgador a ir além dos elementos de prova trazidos pelas partes, quando tais elementos de prova induzem à suspeita de que os fatos ocorreram não da forma como esta ou aquela parte afirma, mas de uma outra forma qualquer (o julgador não está vinculado às versões das partes). Mas isto, à evidência, nada tem a ver com propiciar à parte que tem o ônus de provar o que alega/pleiteia, a oportunidade de produzir algo que, do ponto de vista estritamente legal, já deveria compor, como requisito de admissibilidade, o pleito desde sua formalização inicial. Fl. 106DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2016 por EUNICE AUGUSTO MARIANO, Assinado digitalmente em 04/10/20 16 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 10865.904905/201286 Acórdão n.º 3201002.323 S3C2T1 Fl. 0 7 Dito de outro modo: da mesma forma que não é aceitável que um lançamento seja efetuado sem quaisquer provas e que se permita posteriormente, em sede de julgamento ou por meio de diligências, tal instrução probatória, também não é aceitável que um pleito, onde se objetiva a restituição de um alegado crédito, seja proposto sem a devida e minuciosa demonstração e comprovação da efetiva existência do indébito e que posteriormente, também em sede de julgamento, se oportunize tais demonstração e comprovação. Pelo exposto, entendo que deve ser afastada a insinuação recursal, implícita no brado pelo princípio da verdade material, de que esta instância de julgamento estaria obrigada a acolher todos e quaisquer documentos que por ventura acompanhem o recurso, primeiro porque existe um evidente limite temporal para a apresentação de provas no rito instituído pelo Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 – PAF que no presente caso é o momento processual da apresentação da manifestação de inconformidade, segundo porque o ônus probatório aqui é do contribuinte, quando este pleiteia um ressarcimento ou uma restituição de indébito, tem a obrigação de comprovar inequivocamente o seu alegado direito creditório no momento que contesta o despacho decisório e instaura o contencioso. Como se vê, a documentação juntada ao recurso voluntário não se revela suficiente para atestar liminarmente a liquidez e a certeza do crédito oposto na compensação declarada e demandaria a reabertura da dilação probatória, o que, de regra, como já visto, não se admite na fase recursal do processo, exceto em casos excepcionais. A comprovação do valor do tributo efetivamente devido (e, por conseqüência, do direito à restituição de eventual parcela recolhida a maior) no caso concreto deveria ter sido efetuada mediante apresentação de documentos contábeis e fiscais que patenteassem que o valor da contribuição do período de apuração de interesse não atingiu o valor informado na DCTF vigente quando da emissão do Despacho Decisório aqui analisado, mas apenas o valor informado na DCTF retificadora (que no presente caso sequer efeitos surte quanto à redução deste débito). Como tal documentação não foi juntada no momento processual oportuno e nem mesmo agora em sede de recurso voluntário foi integralmente apresentada, quedou sem comprovação a certeza e liquidez dos créditos do contribuinte contra a Fazenda Pública, atributos indispensáveis para a homologação da compensação pretendida, nos termos do art. 170 do CTN. Sobre a jurisprudência trazida à colação pelo recorrente, inclusive a citada Resolução nº 3803000.330, devese contrapor que se tratam de decisões isoladas, que não se enquadram ao caso em exame e nem vinculam o presente julgamento, podendo cada instância decidir livremente, de acordo com suas convicções. Além disso, tratamse de precedentes que não constituem normas complementares, não têm força normativa, nem efeito vinculante para a administração tributária, pela inexistência de lei nesse sentido, conforme exige o art. 100, II, do CTN. Alertandose para a estrita vinculação das autoridades administrativas ao texto da lei, no desempenho de suas atribuições, sob pena de responsabilidade, motivo pelo qual tais decisões não podem ser aplicadas fora do âmbito dos processos em que foram proferidas. Fl. 107DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2016 por EUNICE AUGUSTO MARIANO, Assinado digitalmente em 04/10/20 16 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 10865.904905/201286 Acórdão n.º 3201002.323 S3C2T1 Fl. 0 8 Com essas considerações, voto por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário do Contribuinte, para não reconhecer o direito creditório em litígio e manter a não homologação das compensações." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, negase provimento ao recurso voluntário, para não reconhecer o direito creditório em litígio e manter a não homologação das compensações. Winderley Morais Pereira Fl. 108DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2016 por EUNICE AUGUSTO MARIANO, Assinado digitalmente em 04/10/20 16 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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Numero do processo: 10580.722009/2008-19
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jun 21 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Aug 18 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005, 2006, 2007
IRPF. PARCELAS ATRASADAS RECEBIDAS ACUMULADAMENTE. MEMBROS MINISTÉRIO PÚBLICO DA BAHIA. URV. NULIDADE. INOCORRÊNCIA.
Não há que se cogitar de nulidade de lançamento, quando plenamente obedecidos pela autoridade lançadora os ditames do art. 142, do CTN e a lei tributária vigente.
IMPOSTO DE RENDA. DIFERENÇAS SALARIAIS. URV.
Os valores recebidos por servidores públicos a título de diferenças ocorridas na conversão de sua remuneração, quando da implantação do Plano Real, são de natureza salarial, razão pela qual estão sujeitos a incidência de Imposto de Renda nos termos do art. 43 do CTN.
IRPF. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE.
Consoante decidido pelo STF através da sistemática estabelecida pelo art. 543-B do CPC no âmbito do RE 614.406/RS, o IRPF sobre os rendimentos recebidos acumuladamente deve ser calculado de acordo com o regime de competência.
Recurso Especial do Procurador Provido em Parte
Numero da decisão: 9202-004.200
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer o Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por voto de qualidade, em dar-lhe provimento parcial para afastar a nulidade e determinar o cálculo do tributo de acordo com o regime de competência, com retorno dos autos à turma a quo para apreciação das demais questões, nos termos do voto da relatora, vencidos os conselheiros Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes, Gerson Macedo Guerra e Maria Teresa Martínez López, que lhe negaram provimento. Apresentará declaração de voto a conselheira Ana Paula Fernandes.
(Assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente
(Assinado digitalmente)
Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra.
Nome do relator: ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA
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PARCELAS ATRASADAS RECEBIDAS ACUMULADAMENTE. MEMBROS MINISTÉRIO PÚBLICO DA BAHIA. URV. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Não há que se cogitar de nulidade de lançamento, quando plenamente obedecidos pela autoridade lançadora os ditames do art. 142, do CTN e a lei tributária vigente. IMPOSTO DE RENDA. DIFERENÇAS SALARIAIS. URV. Os valores recebidos por servidores públicos a título de diferenças ocorridas na conversão de sua remuneração, quando da implantação do Plano Real, são de natureza salarial, razão pela qual estão sujeitos a incidência de Imposto de Renda nos termos do art. 43 do CTN. IRPF. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. Consoante decidido pelo STF através da sistemática estabelecida pelo art. 543B do CPC no âmbito do RE 614.406/RS, o IRPF sobre os rendimentos recebidos acumuladamente deve ser calculado de acordo com o regime de competência. Recurso Especial do Procurador Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 20 09 /2 00 8- 19 Fl. 332DF CARF MF Impresso em 18/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 12/08/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 18/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 17/08/2016 por ANA PAULA FERNANDES 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer o Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por voto de qualidade, em darlhe provimento parcial para afastar a nulidade e determinar o cálculo do tributo de acordo com o regime de competência, com retorno dos autos à turma a quo para apreciação das demais questões, nos termos do voto da relatora, vencidos os conselheiros Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes, Gerson Macedo Guerra e Maria Teresa Martínez López, que lhe negaram provimento. Apresentará declaração de voto a conselheira Ana Paula Fernandes. (Assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente (Assinado digitalmente) Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira – Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (VicePresidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra. Fl. 333DF CARF MF Impresso em 18/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 12/08/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 18/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 17/08/2016 por ANA PAULA FERNANDES Processo nº 10580.722009/200819 Acórdão n.º 9202004.200 CSRFT2 Fl. 3 3 Relatório Tratase de auto de infração relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física – IRPF correspondente aos anos calendário de 2004, 2005 e 2006, por meio do qual se exige crédito tributário no valor de R$ 149.973,98, incluídos multa de ofício no percentual de 75% (setenta e cinco por cento) e juros de mora. Conforme descrição dos fatos e enquadramento legal constantes no auto de infração, o crédito tributário foi constituído em razão de ter sido apurada classificação indevida de rendimentos tributáveis na Declaração de Ajuste Anual como sendo rendimentos isentos e não tributáveis. Os rendimentos foram recebidos do Ministério Público do Estado da Bahia a título de “Valores Indenizatórios de URV”, em 36 (trinta e seis) parcelas no período de janeiro de 2004 a dezembro de 2006, em decorrência da Lei Complementar nº 20 de 2003. Essas diferenças recebidas teriam natureza eminentemente salarial, pois decorreram de diferenças de remuneração ocorridas quando da conversão de Cruzeiro Real para URV em 1994, e conseqüentemente, estariam sujeitas à incidência do imposto de renda. A autuada apresentou impugnação, tendo a Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Salvador/BA julgado o lançamento procedente, 128 a 133. Apresentado Recurso Voluntário pela autuada, os autos foram encaminhados ao CARF para julgamento do mesmo. Em julgamento realizado em 16/05/2012 (Resolução 2801000.117) a Turma Julgadora entendeu por bem sobrestar o julgamento do recurso voluntário, por força do disposto nos §§ 1º e 2º do art. 62A do Regimento Interno do CARF, fls. 235 a 239. Com a revogação dos dispositivos regimentais que determinavam o sobrestamento de recursos sempre que o STF tomasse a mesma providência em relação aos recursos extraordinários que versassem sobre a mesma matéria, o presente processo foi, então, distribuído para relato e julgamento. No Acórdão de Recurso Voluntário, o Colegiado, por maioria de votos, deu provimento ao recurso para cancelar a exigência fiscal relativa à omissão de rendimentos recebidos acumuladamente. Portanto, em sessão plenária de 17/07/2014, deuse provimento ao recurso, prolatandose o Acórdão nº 2801003.595, assim ementado: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA – IRPF Exercícios: 2005, 2006, 2007 IRPF. RENDIMENTO RECEBIDO ACUMULADAMENTE. APLICAÇÃO DO REGIME DE COMPETÊNCIA. Fl. 334DF CARF MF Impresso em 18/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 12/08/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 18/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 17/08/2016 por ANA PAULA FERNANDES 4 Conforme entendimento fixado pelo STJ, em sede de recursos repetitivos, o imposto de renda incidente sobre rendimentos pagos acumuladamente deve ser calculado pelo regime de competência, tendo em vista que o art. 12 da Lei nº 7.713/1988 disciplina o momento da incidência, e não a forma de calcular o imposto. Recurso Voluntário Provido.” Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso para cancelar a exigência fiscal relativa à omissão de rendimentos recebidos acumuladamente. Votou pelas conclusões o Conselheiro Marcio Henrique Sales Parada. Vencido o Conselheiro Marcelo Vasconcelos de Almeida que dava provimento parcial ao recurso para excluir a multa de ofício de 75%. O processo foi encaminhado para ciência da Fazenda Nacional, em 12/08/2014 para cientificação em até 30 dias, nos termos da Portaria MF nº 527/2010. A Fazenda Nacional opôs, tempestivamente, em 12/09/2014, Embargos de Declaração alegando que o acórdão embargado foi omisso em relação à discussão principal, qual seja, a natureza jurídica das verbas recebidas pelo contribuinte a título de “Valores Indenizatórios de URV”. Tais embargos foram rejeitados por meio do despacho de fls. 248 a 252. Novamente intimada, em 14/10/2014, para cientificação em até 30 dias, nos termos da Portaria MF nº 527/2010, a Fazenda Nacional interpôs, tempestivamente, em 20/10/2014, o Recurso Especial. Em seu recurso visa restabelecer a exigência do crédito tributário, conforme decidido pelo órgão julgador de primeira instância. Ao Recurso Especial foi dado seguimento, conforme o Despacho s/nº da 1ª Câmara, de 30/06/2015, fls. 273 a 277. Em seu Recurso Especial, a Recorrente traz, preliminarmente, as seguintes alegações: · que a discussão principal dos autos seria a natureza jurídica das verbas recebidas pelo contribuinte a título de “Valores Indenizatórios de URV”, em 36 (trinta e seis) parcelas no período de janeiro de 2004 a dezembro de 2006, em decorrência da Lei Complementar do Estado da Bahia nº 20, de 08 de setembro de 2003. · que o segundo ponto de discussão, que somente deveria ser analisado caso ultrapassado o primeiro, seria a forma de cálculo do imposto de renda incidente sobre rendimentos recebidos acumuladamente, ou seja, se deveriam ser levados em consideração as tabelas e alíquotas das épocas próprias a que se referiam tais rendimentos, ou se o cálculo deveria se basear na legislação da época do efetivo recebimento dos valores. · que a Turma Julgadora não adentrou expressamente na discussão principal, e em resposta aos embargos declaratórios opostos, afirmou que “não há que se falar que foi omitido ponto sobre o qual devia pronunciarse a turma, pois o Julgador não é obrigado a rebater, um Fl. 335DF CARF MF Impresso em 18/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 12/08/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 18/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 17/08/2016 por ANA PAULA FERNANDES Processo nº 10580.722009/200819 Acórdão n.º 9202004.200 CSRFT2 Fl. 4 5 a um, os argumentos do Interessado, quando a decisão adota fundamentação suficiente para solucionar a controvérsia.” · que, ao analisar a forma de cálculo do imposto de renda incidente sobre rendimentos recebidos acumuladamente, a Turma Julgadora fez presumir que seu entendimento seria de que a natureza jurídica das verbas recebidas pelo contribuinte seria remuneratória, portanto tributáveis. Após essas preliminares, a Recorrente apresenta os fundamentos para a reforma do acórdão recorrido, onde, em síntese, alega: § que a Turma Julgadora do acórdão recorrido aplicou o entendimento fixado no REsp 1.118.429, julgado sob a sistemática dos recursos repetitivos, porém esse julgamento trata de rendimentos recebidos acumuladamente em decorrência de ação judicial, e o caso dos presentes autos trata de rendimentos recebidos pelo contribuinte decorrentes da Lei Complementar nº 20, de 08 de setembro de 2003, do Estado da Bahia, e que, portanto, o caso dos autos é absolutamente diverso daquele do qual tratou a Egrégia Corte Superior, não sendo aplicável ao presente caso o recurso repetitivo correspondente. § que há algum tempo foi publicado o Parecer PGFN/CRJ nº 2331/2010 (transcrito abaixo), cuja conclusão sugere a suspensão dos efeitos do Parecer PGFN/CRJ nº 287/2009 e do correspondente Ato Declaratório PGFN nº 1/2009, sob o fundamento de que a controvérsia relativa à alíquota do imposto de renda aplicável sobre rendimentos recebidos acumuladamente ganhou contornos constitucionais após o Supremo Tribunal Federal ter reconhecido a repercussão geral dessa matéria nos RE’s 614.406 e 614.232. “Rendimentos tributáveis recebidos acumuladamente. O imposto de renda incidente sobre rendimentos pagos acumuladamente deve ser calculado com base nas tabelas e alíquotas das épocas próprias a que se referem tais rendimentos. Ato Declaratório n. 1, de 27 de março de 2009 (DOU de 14.05.2009, Seção I, p. 15), editado pelo ProcuradorGeral da Fazenda Nacional com fundamento no PARECER PGFN/CRJ 2878/2009, aprovado pelo Ministério da Fazenda, conforme despacho publicado no DOU de 13.05.2009, Seção I, p. 9. Reconhecimento de Repercussão Geral nos RREE 614.406 e 614.232. Suspensão.” § que o art. 62A do RICARF dispõe que as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal, na sistemática prevista no art. 543B da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973 § que há dispositivo legal expresso determinando a aplicação do chamado “regime de caixa” no caso do IR incidente sobre verbas recebidas acumuladamente Fl. 336DF CARF MF Impresso em 18/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 12/08/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 18/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 17/08/2016 por ANA PAULA FERNANDES 6 § que esta norma é reproduzida no Decreto nº 3.000/1999, no seu art. 56 (in verbis), que regulamenta o imposto de renda: “Art. 56. No caso de rendimentos recebidos acumuladamente, o imposto incidirá no mês do recebimento, sobre o total dos rendimentos, inclusive juros e atualização monetária (Lei 7.713, de 1998, art. 12). Parágrafo único. Para os efeitos deste artigo, poderá ser deduzido o valor das despesas com ação judicial necessárias ao recebimento dos rendimentos, inclusive com advogados, se tiverem sido pagas pelo contribuinte, sem indenização (Lei 7.713 de 1998, art. 12)”. § que a definição de fato gerador do tributo, em consonância com o art. 38 e parágrafo único do Decreto nº 3000/99, é: “Art. 38. A tributação independe da denominação dos rendimentos, títulos ou direitos, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem dos bens produtores da renda e da fonte de a percepção das rendas ou proventos, bastando, para incidência do imposto, o benefício do contribuinte por qualquer forma e a qualquer título. (Lei 7713, de 1988, art. 3º, § 4º). Parágrafo único. Os rendimentos serão tributados no mês em que forem recebidos, considerado como tal o da entrega de recursos pela fonte pagadora, mesmo mediante depósito em instituição financeira em favor do beneficiário”. § que, de acordo com o art. 46 da Lei nº 8.541(in verbis), o momento da realização do fato gerador é a disponibilidade da renda: “Art. 46. O imposto sobre a renda incidente sobre os rendimentos pagos em cumprimento de decisão judicial será retido na fonte pela pessoa física ou jurídica obrigada ao pagamento, no momento em que, por qualquer forma, o rendimento se torne disponível para o beneficiário. § 1° Fica dispensada a soma dos rendimentos pagos no mês, para aplicação da alíquota correspondente, nos casos de: I – juros e indenizações por lucros cessantes; II – honorários advocatícios; III – remuneração pela prestação de serviços de engenheiro, médico, contador, leiloeiro, perito, assistente técnico, avaliador, síndico, testamenteiro e liquidante. § 2° Quando se tratar de rendimento sujeito à aplicação da tabela progressiva deverá ser utilizada a tabela vigente no mês de pagamento”. § que, de acordo com o art. 3º da Lei nº 9.250, os rendimentos acumulados serão calculados pela tabela vigente à época do recebimento efetivo da renda global: Fl. 337DF CARF MF Impresso em 18/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 12/08/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 18/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 17/08/2016 por ANA PAULA FERNANDES Processo nº 10580.722009/200819 Acórdão n.º 9202004.200 CSRFT2 Fl. 5 7 “Art. 3º O imposto de renda incidente sobre os rendimentos de que tratam os arts. 7°, 8° e 12, da Lei n° 7.713, de 22 de dezembro de 1988, será calculado de acordo com a seguinte tabela progressiva em Reais: (...) Parágrafo único. O imposto de que trata este artigo será calculado sobre os rendimentos efetivamente recebidos em cada mês.” § o fato gerador do imposto de renda é a disponibilidade econômica da renda, isto é o recebimento efetivo de renda e que tal estipulação vai ao encontro do conceito nuclear do imposto de renda, previsto pelo art. 43 do CTN: “Art. 43. O imposto, de competência da União, sobre a renda e proventos de qualquer natureza tem como fato gerador a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica: I de renda, assim entendido o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos;” § de acordo com o CTN, a disponibilidade econômica da renda como situação de fato se configurará quando: “Art. 116. Salvo disposição de lei em contrário, considera se ocorrido o fato gerador e existentes os seus efeitos: I tratandose de situação de fato, desde o momento em que o se verifiquem as circunstâncias materiais necessárias a que produza os efeitos que normalmente lhe são próprios;” § para os rendimentos que não foram percebidos na época própria, em relação ao período de inadimplemento, não há que se falar em fato gerador do IRPF, ou seja, a constatação do inadimplemento não possui o condão de precipitar o surgimento do fato gerador do Imposto de Renda., isto porque, como a realização do ato não se configurou, em razão do inadimplemento do benefício ou da verba remuneratória, não havia que se falar em disponibilidade econômica. § o fato gerador surge apenas com a disponibilidade advinda do recebimento de verba atrasada, não obstante se refiram a verbas remuneratórias que deveriam ter sido recebidas anteriormente, e apenas no momento em que recebida, surge o fato gerador tributário; e como o fato gerador advém apenas do efetivo recebimento da verba, aplicase o regime jurídico (alíquotas, base de cálculo) relativo ao fato gerador, nos termos do art. 144 do CTN: “Art. 144. O lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada.” Fl. 338DF CARF MF Impresso em 18/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 12/08/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 18/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 17/08/2016 por ANA PAULA FERNANDES 8 § na presente hipótese, é aplicável a alíquota vigente no momento da percepção da verba, por ocasião do recebimento de verba global, conforme os arts. 46 da Lei nº 8.541/92 e 12 da Lei nº 7.713/88, e inadequada a pretensão de se aplicar a tributação de acordo com o período em que as verbas deveriam ter sido pagas. Cientificado do Acórdão nº 2801003.595, do Recurso Especial da Fazenda Nacional e do Despacho de Admissibilidade admitindo o Resp da PGFN, em 21/08/2015, o contribuinte apresentou, tempestivamente, contrarrazões em 03/09/2015. Em suas contrarrazões, o contribuinte alega que: § o primeiro acórdão paradigma apresentado pela Fazenda Nacional (Acórdão nº 2802002.954), apesar de fazer referência á inaplicabilidade do entendimento do STJ quando os rendimentos recebidos acumuladamente decorrem de lei ordinária e não de decisão judicial, não tem qualquer relação com o caso concreto, já que diz respeito às verbas recebidas pelos Magistrados do estado da Bahia e não pelos membros do Ministério Público, como é o caso dos autos. § os rendimentos recebidos acumuladamente pelo contribuinte no caso dos presentes autos decorrem de ação judicial sim. § a Lei Complementar nº 20/2003 – utilizada pela Recorrente para afirmar que os rendimentos recebidos acumuladamente pelos membros do Ministério Público Estadual seriam decorrentes de Lei e não de decisão judicial – se limita a estabelecer a forma de pagamento das diferenças de remuneração ocorridas pela conversão da moeda Cruzeiro Real para Unidade Real de Valor (URV), reconhecidas no bojo de Ação Ordinária de nº 140.97.5921531. § o Supremo Tribunal de Justiça reconheceu a incidência de imposto de renda sobre o valor recebido em cada mês, aplicando as tabelas e as alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ser pagos, em respeito aos princípios da capacidade contributiva e isonomia tributária, e que, portanto, sustentar a possibilidade de aplicação do regime de caixa ou outra forma de cálculo do imposto de renda para os rendimentos recebidos pelo contribuinte é ir de encontro ao posicionamento pacificado do STJ. § o posicionamento do STJ é tão consolidado sobre a aplicação do regime de competência para os rendimentos recebidos de forma acumulada, que foi inserido o art. 12A na Lei n° 7.713/1998 sedimentando, de uma vez por todas, o entendimento jurisprudencial. § foi fixado o entendimento de que o art. 12 da Lei nº 7.713/1988 trata apenas do momento da incidência do imposto sendo este o recebimento dos rendimentos , mas não dispõe sobre a forma de cálculo para apuração do tributo. § com a publicação do acórdão referente ao julgamento do RE nº 614.406/RS, o mundo jurídico tomou conhecimento da declaração de inconstitucionalidade do art. 12 da Lei nº 7.713/88, que determinava a Fl. 339DF CARF MF Impresso em 18/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 12/08/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 18/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 17/08/2016 por ANA PAULA FERNANDES Processo nº 10580.722009/200819 Acórdão n.º 9202004.200 CSRFT2 Fl. 6 9 incidência do IR, no caso de rendimentos recebidos acumuladamente, no mês de recebimento ou crédito, sobre o total dos rendimentos. § a Lei nº 9.868/99, em seu artigo 27, estabelece a possibilidade do STF modular os efeitos de suas decisões que declaram a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo, restringindo os efeitos daquela declaração ou limitando a sua eficácia; mas que, no julgamento no RE nº 614.406/RS, o STF não se manifestou sobre uma eventual restrição dos efeitos da declaração de inconstitucionalidade do art. 12 da Lei nº 7.713/88, e que, portanto, ao caso concreto, devese aplicar a regra vigente no ordenamento jurídico brasileiro para os atos inconstitucionais, que determina a nulidade de pleno direito com a conseqüente desconstituição ex tunc de todos os seus efeitos. § havendo decisão de inconstitucionalidade sem modulação, os seus efeitos deverão retroagir até a entrada em vigor da norma declarada inconstitucional; e que nesse caso, tanto a lei é considerada inconstitucional desde a sua origem, como todos os atos praticados com base nela devem ser desconstituídos. § portanto, uma vez declarada a inconstitucionalidade do art. 12 da Lei nº 7.713/88 sem modulação, os efeitos desta decisão retroagem à data da entrada em vigor da lei, tornandose o mesmo, uma norma natimorta. § por esta razão, é absolutamente inviável e impreciso, tecnicamente, determinar que seja realizado o recálculo do valor devido, com base nas tabelas progressivas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido pagos ao contribuinte, como pretende a Recorrente. É o relatório. Fl. 340DF CARF MF Impresso em 18/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 12/08/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 18/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 17/08/2016 por ANA PAULA FERNANDES 10 Voto Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora RECURSO ESPECIAL DA FAZENDA NACIONAL Pressupostos de Admissibilidade O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, conforme despacho de Admissibilidade, fls. 273/277. Quanto ao conhecimento entendo que o despacho do presidente de câmara encontrase acertado, no que diz respeito a existência de divergência do acórdão recorrido em relação aplicabilidade do entendimento consubstanciado no RESP nº 1.118.429/SP. O argumento trazido pelo recorrente para inaplicabilidade dos paradigmas apresentados diz respeito a: [..] o primeiro acórdão paradigma apresentado pela Fazenda Nacional (Acórdão nº 2802002.954), apesar de fazer referência á inaplicabilidade do entendimento do STJ quando os rendimentos recebidos acumuladamente decorrem de lei ordinária e não de decisão judicial, não tem qualquer relação com o caso concreto, já que diz respeito às verbas recebidas pelos Magistrados do estado da Bahia e não pelos membros do Ministério Público, como é o caso dos autos. Ora, é do conhecimento de todos que tanto a Lei complementar nº20 de Estado da Bahia, como Lei Estadual da Bahia nº 8.730, de 08 de setembro de 2003 versam sobre a mesma questão, qual seja, os valores recebidos face diferenças de URV constituem ou não base de cálculo de IR, e mais, neste caso, é ou não aplicável o REsp nº 1.118.429/SP. Assim, entendo que devidamente demonstrada pelo recorrente a divergência entre as teses nos julgados, fato esse esclarecido no Despacho de admissibilidade de Recurso Especial, senão vejamos: Explica que o acórdão recorrido considerou que o entendimento fixado pelo STJ em sede de recurso repetitivo no âmbito do RESP nº 1.118.429/SP se aplicaria aos rendimentos recebidos acumuladamente em virtude de lei (e não de sentença judicial), ao passo que os acórdãos paradigmas posicionaramse no sentido de que, quando os rendimentos recebidos acumuladamente decorrem de lei (e não de decisão judicial), não se aplica o entendimento consubstanciado no RESP nº 1.118.429/SP. Os acórdãos apresentados a título de paradigma foram proferidos por colegiado distinto e não foram reformados quanto à matéria recorrida, prestandose portanto para análise da divergência alegada. Fl. 341DF CARF MF Impresso em 18/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 12/08/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 18/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 17/08/2016 por ANA PAULA FERNANDES Processo nº 10580.722009/200819 Acórdão n.º 9202004.200 CSRFT2 Fl. 7 11 Analisando o teor da divergência apontada pela recorrente, verificase que há identidade fática entre as situações apreciadas no acórdão recorrido e nos paradigmas indicados. De fato, as decisões em comento tratam de questões idênticas: crédito tributário constituído em razão de ter sido apurada classificação indevida de rendimentos tributáveis na Declaração de Ajuste Anual como sendo rendimentos isentos e não tributáveis, recebidos do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia a título de “Valores Indenizatórios de URV”, em decorrência da Lei Estadual da Bahia nº 8.730, de 08 de setembro de 2003. Concordo que compete ao recorrente, no caso a Fazenda Nacional, demonstrar que as decisões proferidas pelos colegiados distintos poderiam ter outro fim, casos invertidos os processos, o que entendo restou demonstrado. A lógica do recurso especial é justamente essa: demonstrar a possibilidade de outro colegiado, em relação ao mesmo processo, julgar de modo diverso. Desse modo, não assiste razão ao contribuinte em suas contrarrazões para o não conhecimento do recurso, conforme patente no despacho transcrito acima. Assim, concordando com os termos do despacho proferido, passo a apreciar o mérito da questão. DO MÉRITO DELIMITAÇÃO DA LIDE Em face dos pontos trazidos no Recurso especial da Fazenda Nacional e do conteúdo do acórdão recorrido entendo que a apreciação do presente recurso cingise a discussão em relação a nulidade do lançamento, frente a aplicação de decisão do STJ na sistemática de recurso repetitivo sobre rendimentos relativos aos pagamentos recebidos pelos membros do Ministério Público da Bahia. Um questão importante que ajudanos a delimitar o alcance da lide, referese ao fato de o relator do acórdão da Câmara a quo descrever em seu voto, mesmo que implicitamente que, o fundamento da declaração de nulidade diz respeito a decisão do STJ quanto ao regime de tributação aplicável e não ao caráter salarial ou indenizatório da verba. Podemos chegar a essa conclusão ao lermos os termos do voto abaixo transcrito: Cuida o presente lançamento de omissão de rendimentos recebidos acumuladamente, a título de "Valores Indenizatórios de URV” (diferenças de remuneração ocorridas quando da conversão de Cruzeiro Real para a Unidade Real de Valor URV em 1994), decorrentes de ação judicial movida contra o Ministério Público do Estado da Bahia, e cuja tributação ocorreu sob a regra estabelecida no art. 12 da Lei nº 7.713, de 1988. Em relação aos rendimentos recebido acumuladamente, cabe registrar que a Procuradoria da Fazenda Nacional – PGFN, diante da jurisprudência do STJ sobre rendimentos recebidos acumuladamente e com base no Parecer PGFN/CRJ/nº 287/2009, editou o Ato Declaratório nº 1/2009 publicado no Diário Oficial da União de 14/05/2009 e aprovado conforme Fl. 342DF CARF MF Impresso em 18/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 12/08/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 18/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 17/08/2016 por ANA PAULA FERNANDES 12 despacho do Ministro da Fazenda publicado em 13/05/2009, e que teve efeito vinculante sobre o Fisco, com determinação para o cálculo do imposto ser mensal e não global, tanto para rendimentos de aposentaria quanto para rendimentos do trabalho. O referido Ato Declaratório teve sua eficácia suspensa pelo Parecer PGFN/CRJ/nº 2.331/2010, em razão de o Supremo Tribunal Federal, em 20/10/2010, reconhecer repercussão geral aos Recursos Extraordinários nº 614232 e 614406 que versam sobre a tributação de rendimentos recebidos acumuladamente e cujos julgamentos ainda não foram concluídos. Aliás, Conforme exposição de motivos interministerial nº 111/MF/MP/ME/MCT/MDIC/MT/ de 23/10/2010, com a edição da Medida Provisória nº497, a qual, em seu art. 20, modificou a Lei nº 7.713/1988, acrescentando lhe o art 12A, a legislação foi alterada por iniciativa do Poder Executivo para contemplar a jurisprudência firmada pelo Superior Tribunal da Justiça, a qual já havia sido adotada pela Administração por meio da Aprovação do Ato Declaratório PGFN nº 1/2009, em relação aos rendimentos recebidos acumuladamente, seja do trabalho ou de aposentadoria. Importa que, após reiteradas decisões no sentido de que o art. 12 da Lei nº 7.713/1988 disciplina o momento da incidência, e não a forma de calcular o imposto, o Superior Tribunal de Justiça STJ fixou o entendimento, em sede de recurso repetitivo, de que o imposto de renda incidente sobre benefícios pagos acumuladamente deve ser calculado pelo regime de competência, nos termos da seguinte ementa: [...] É de se concluir, portanto, que, na espécie, existe erro de cunho material na apuração do imposto devido, por aplicação incorreta do art. 12 da Lei nº 7.713/1988, consoante interpretação dada pelo Superior Tribunal de Justiça em sede de Recurso Especial com a atribuição da sistemática do artigo 543– C do CPC, e que deve ser de aplicação obrigatória pelos Conselheiros do CARF, conforme disposto no art. 62A do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria nº 256, de 22 de junho de 2009, com as alterações das Portarias MF nºs 446, de 27 de agosto de 2009, e 586, de 21 de dezembro de 2010, in verbis: [...] A base do fundamento do acórdão recorrido encontrase na própria ementa do acórdão, fls. 240 e seguintes, assim descrita: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2005,2006,2007 IRPF. RENDIMENTO RECEBIDO ACUMULADAMENTE. APLICAÇÃO DO REGIME DE COMPETÊNCIA. Fl. 343DF CARF MF Impresso em 18/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 12/08/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 18/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 17/08/2016 por ANA PAULA FERNANDES Processo nº 10580.722009/200819 Acórdão n.º 9202004.200 CSRFT2 Fl. 8 13 Conforme entendimento fixado pelo STJ, em sede de recursos repetitivos, o imposto de renda incidente sobre rendimentos pagos acumuladamente deve ser calculado pelo regime de competência, tendo em vista que o art. 12 da Lei nº 7.713/1988 disciplina o momento da incidência, e não a forma de calcular o imposto. Recurso Voluntário Provido. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso para cancelar a exigência fiscal relativa à omissão de rendimentos recebidos acumuladamente. Votou pelas conclusões o Conselheiro Marcio Henrique Sales Parada. Vencido o Conselheiro Marcelo Vasconcelos de Almeida que dava provimento parcial ao recurso para excluir a multa de ofício de 75%. Da mesma forma, vale transcrever trecho do recurso especial da PGFN que destaca esse ponto: De início, registrese que a discussão principal dos autos seria a natureza jurídica das verbas recebidas pelo contribuinte a título de “Valores Indenizatórios de URV”, em 36 (trinta e seis) parcelas no período de janeiro de 2004 a dezembro de 2006, em decorrência da Lei Complementar do Estado da Bahia nº 20, de 08 de setembro de 2003. O segundo ponto de discussão, que somente deveria ser analisado caso ultrapassado o primeiro, seria a forma de cálculo do imposto de renda incidente sobre rendimentos recebidos acumuladamente, ou seja, se deveriam ser levados em consideração as tabelas e alíquotas das épocas próprias a que se referiam tais rendimentos, ou se o cálculo deveria se basear na legislação da época do efetivo recebimento dos valores. A Egrégia Turma, contudo, não adentrou expressamente na discussão principal, qual seja, a natureza jurídica das verbas recebidas pelo contribuinte a título de “Valores Indenizatórios de URV”, sendo que, em resposta aos embargos declaratórios opostos, afirmou que “não há que se falar que foi omitido ponto sobre o qual devia pronunciarse a turma, pois o Julgador não é obrigado a rebater, um a um, os argumentos do Interessado, quando a decisão adota fundamentação suficiente para solucionar a controvérsia.” Nada obstante, a Egrégia Turma analisou a forma de cálculo do imposto de renda incidente sobre rendimentos recebidos acumuladamente, o que faz presumir que seu entendimento é que a natureza jurídica das verbas recebidas pelo contribuinte a seria remuneratória, portanto tributáveis. Ou seja, embora entendesse o relator que a natureza da verba era remuneratória, o cerne da questão referese ao questionamento se a decisão do STJ e posteriormente a do STF que declarou a inconstitucionalidade parcial do art. 12 da 7.713/1988, em sede de repercussão geral, seria capaz de eivar de vício material o lançamento? Fl. 344DF CARF MF Impresso em 18/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 12/08/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 18/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 17/08/2016 por ANA PAULA FERNANDES 14 Entendo que não! Ao apreciarmos o inteiro teor da decisão do STF, e mais baseado na decisão do STJ, que ensejou o pronunciamento daquela corte máxima, observamos que toda a discussão cingee sobre o regime de tributação aplicável aos RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE RRA, se regime de caixa (como originalmente lançado no dispositivo legal), ou o regime de competência (forma adotada posteriormente pela própria Receita Federal calcada em pareceres, decisões do STJ que ensejaram inclusive alteração legislativa art. 12A da 12.530/2010. Entendo que a decisão do STJ descrita no Resp 1.118.429/SP, se coaduna com a do caso ora apreciado já que, em ambas, discutise a sistemática de cálculo aplicável na apuração do imposto devido: caixa ou competência. Dessa forma, entendo que a aplicação do repetitivo se amolda a questão trazida nos autos, já que a mesma apresentase em estrita consonância com a matéria objeto de repercussão geral no RE 614.406/RS. No que tange à tributação dos rendimentos recebidos acumuladamente, verificase que a autoridade lançadora aplicou sobre o total do rendimentos recebidos pelos membros do MP da Bahia, a tabela do imposto de renda vigente no mês do recebimento. Contudo, de acordo com o art. 62A do RICARF (Portaria MF nº 256/2009, vigente à época da interposição do recurso), devese aplicar à espécie o REsp nº 1.118.429/SP, julgamento sob o rito do art. 543C do CPC. Na ocasião, o STJ decidiu que a tributação dos rendimentos recebidos acumuladamente deve ser calculada de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos. Senão vejamos: TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. AÇÃO REVISIONAL DE BENEFÍCIO PREVIDENCIÁRIO. PARCELAS ATRASADAS RECEBIDAS DE FORMA ACUMULADA. 1. O Imposto de Renda incidente sobre os benefícios pagos acumuladamente deve ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, observando a renda auferida mês a mês pelo segurado. Não é legítima a cobrança de IR com parâmetro no montante global pago extemporaneamente. Precedentes do STJ. 2. Recurso Especial não provido. Acórdão sujeito ao regime do art. 543C do CPC e do art. 8º da Resolução STJ 8/2008. Resp 1.118.429/SP, julgado em 24/03/2010. (grifei) Pelo que se vê, o REsp nº 1.118.429/SP e o e RE 614.406/RS versam exatamente sobre o caso dos autos, ou seja, parcelas atrasadas recebidas acumuladamente. Assim, devese aplicar sobre os rendimentos pagos acumuladamente as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos. Na verdade a posição do STF, nada mais fez do que pacificar a questão que já vinha sendo observada pelo STJ em seus julgados e pela própria Receita Federal e PGFN, por meio de seus pareceres. Aliás, até no âmbito deste Conselho não é a primeira vez que essa questão é enfrentada por essa Câmara Superior. No Recurso Especial da PGFN processo nº 11040.001165/200561, julgado na 2ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais Câmara Superior de Recursos Fiscais CSRF, encontramos situação similar, cujo voto Fl. 345DF CARF MF Impresso em 18/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 12/08/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 18/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 17/08/2016 por ANA PAULA FERNANDES Processo nº 10580.722009/200819 Acórdão n.º 9202004.200 CSRFT2 Fl. 9 15 vencedor, do ilustre Conselheiro Heitor de Souza Lima Junior trata da matéria ora sob apreciação. Vejamos a ementa do acórdão nº 9202003.695: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2003 NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Não há que se cogitar de nulidade de lançamento, quando plenamente obedecidos pela autoridade lançadora os ditames do art. 142, do CTN e a lei tributária vigente. IRPF. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. Consoante decidido pelo STF através da sistemática estabelecida pelo art. 543B do CPC no âmbito do RE 614.406/RS, o IRPF sobre os rendimentos recebidos acumuladamente deve ser calculado utilizandose as tabelas e alíquotas do imposto vigentes a cada mês de referência (regime de competência). Ainda, como o objetivo de esclarecer a tese esposada no referido acórdão, transcrevo a parte do voto vencedor na parte pertinente ao tema: Verifico, a propósito, que a matéria em questão foi tratada recentemente pelo STF, no âmbito do RE 614.406/RS, objeto de trânsito em julgado em 11/12/2014, feito que teve sua repercussão geral previamente reconhecida (em 20 de outubro de 2010), obedecida assim a sistemática prevista no art. 543B do Código de Processo Civil vigente. Obrigatória, assim, a observância, por parte dos Conselheiros deste CARF dos ditames do Acórdão prolatado por aquela Suprema Corte em 23/10/2014, a partir de previsão regimental contida no art. 62, §2º do Anexo II do Regimento Interno deste Conselho, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015. Reportandome ao julgado vinculante, noto que, ali, se acordou, por maioria de votos, em manter a decisão de piso do STJ acerca da inconstitucionalidade do art. 12 da Lei no. 7.713, de 1988, devendo ocorrer a "incidência mensal para o cálculo do imposto de renda correspondente à tabela progressiva vigente no período mensal em que apurado o rendimento percebido a menor regime de competência (...)", afastandose assim o regime de caixa. Todavia, inicialmente, de se ressaltar que em nenhum momento se cogita, no Acórdão, de eventual cancelamento integral de lançamentos cuja apuração do imposto devido tenha sido feita obedecendo o art. 12 da referida Lei nº 7.713, de 1988, notese, diploma plenamente vigente na época em que efetuado o lançamento sob análise, o qual, ainda, em meu entendimento, guarda, assim, plena observância ao disposto no art. 142 do Código Tributário Nacional. A propósito, de se notar que os dispositivos legais que embasaram o lançamento constantes de efl. 12, em nenhum momento foram objeto de declaração de Fl. 346DF CARF MF Impresso em 18/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 12/08/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 18/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 17/08/2016 por ANA PAULA FERNANDES 16 inconstitucionalidade ou de decisão em sede de recurso repetitivo de caráter definitivo que pudesse lhes afastar a aplicação ao caso in concretu. Deflui daquela decisão da Suprema Corte, em meu entendimento, inclusive, o pleno reconhecimento do surgimento da obrigação tributária que aqui se discute, ainda que em montante diverso daquele apurado quando do lançamento, o qual, repitase, obedeceu os estritos ditames da legalidade à época da ação fiscal realizada. Da leitura do inteiro teor do decisum do STF, é notório que, ainda que se tenha rejeitado o surgimento da obrigação tributária somente no momento do recebimento financeiro pela pessoa física, o que a faria mais gravosa, entendese, ali, inequivocamente, que se mantém incólume a obrigação tributária oriunda do recebimento dos valores acumulados pelo contribuinte pessoa física, mas agora a ser calculada em momento pretérito, quando o contribuinte fez jus à percepção dos rendimentos, de forma, assim, a restarem respeitados os princípios da capacidade contributiva e isonomia. Assim, com a devida vênia ao posicionamento do relator, entendo que, a esta altura, ao se esposar o posicionamento de exoneração integral do lançamento, se estaria, inclusive, a contrariar as razões de decidir que embasam o decisum vinculante, no qual, reitero, em nenhum momento, notese, se cogita da inexistência da obrigação tributária/incidência do Imposto sobre a Renda decorrente da percepção de rendimentos tributáveis de forma acumulada. Se, por um lado, manterse a tributação na forma do referido art. 12 da Lei nº 7.713, de 1988, conforme decidido de forma definitiva pelo STF, violaria a isonomia no que tange aos que receberam as verbas devidas "em dia" e ali recolheram os tributos devidos, exonerar o lançamento por completo a esta altura significaria estabelecer tratamento antiisonômico (também em relação aos que também receberam em dia e recolheram devidamente seus impostos), mas em favor daqueles que foram autuados e nada recolheram ou recolheram valores muito inferiores aos devidos, ao serem agora consideradas as tabelas/alíquotas vigentes à época, o que deve, em meu entendimento, também se rechaçar. Com base nas questões levantadas pelo ilustre conselheiro Heitor de Souza Lima Junior aqui transcritas, e as quais uso como fundamento de razões para decidir, entendo que a posição tanto do STJ no REsp nº 1.118.429/SP como do STF no RE 614.406/RS não foi no sentido de inexistência ou inconstitucionalidade do dispositivo que definia os valores dos rendimentos recebidos acumuladamente como fato gerador de IR, mas tão somente no sentido de que a apuração da base de cálculo do imposto devido não seria pelo regime de caixa (na forma como descrito originalmente na lei, art. 12 da Lei 7783/88) já que conferiria tratamento diferenciado e prejudicial ao contribuinte, já definindo o novo regime a ser aplicável para apuração do montante devido. Por fim, considerando: os termos do acórdão proferido que encaminhou pela nulidade, embora entendesse possuir natureza remuneratória a verba "Diferenças de URV"; a inexistência de embargos de declaração pelo sujeito passivo questionando qualquer omissão; bem como, a delimitação da lide objeto deste Recurso Especial, encaminho pelo provimento parcial do Resp da Fazenda Nacional, para afastar a nulidade e que a apuração do imposto Fl. 347DF CARF MF Impresso em 18/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 12/08/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 18/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 17/08/2016 por ANA PAULA FERNANDES Processo nº 10580.722009/200819 Acórdão n.º 9202004.200 CSRFT2 Fl. 10 17 devido seja feita de acordo com o regime de competência, em face do julgado no âmbito do RE 614.406/RS, não comportando mais discussão a incidência sobre os rendimentos recebidos acumuladamente à título de diferenças de URV, contundo retornando o processo para câmara a quo para apreciação das demais questões trazidas no recurso voluntário ainda não apreciadas. CONCLUSÃO Diante do exposto, voto por conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional, para no mérito DARLHE PROVIMENTO PARCIAL, para afastar a nulidade e determinar o cálculo do tributo de acordo com o regime de competência, com retorno dos autos à turma a quo para apreciação das demais questões trazidas no recurso voluntário do contribuinte e ainda não apreciadas. É como voto. (Assinado digitalmente) Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Fl. 348DF CARF MF Impresso em 18/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 12/08/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 18/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 17/08/2016 por ANA PAULA FERNANDES 18 Declaração de Voto Conselheira Ana Paula Fernandes Em que pese o brilhante voto proferido pela conselheira ouso discordar em dois pontos: (a) quanto o afastamento da nulidade do auto de infração concedida a favor do contribuinte no acórdão recorrido e (b) quanto ao procedimento jurisdicional adotado que limita o conteúdo material a ser analisado pela instância a quo, no caso de retorno dos autos para instância ordinária. a QUANTO A NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO A nulidade do auto de infração em comento é insanável, pois se trata de nulidade absoluta, vez que este exige do contribuinte Imposto de Renda apurado conforme sistemática declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal Tema 368 Incidência do imposto de renda de pessoa física sobre rendimentos percebidos acumuladamente, o que para a doutrina "impacta diretamente na natureza do lançamento tributário". Estamos diante de vício que maculou o lançamento em sua essência, na própria aplicação da regra matriz, o que afasta qualquer possibilidade de recálculo do tributo. Desse modo, é nulo o auto de infração por erro material. b QUANTO AO RETORNO DOS AUTOS PARA INSTÂNCIA ORDINÁRIA LIMITAÇÃO DA MATÉRIA A SER APRECIADA. Restando vencida em meu posicionamento e voltando o processo para análise do mérito este deve ser devolvido integralmente para instância ordinária. A alegada preclusão da discussão quanto a natureza da verba, apontada pela relatora, prescinde de lógica processual. Observese que o acórdão recorrido tratou claramente da nulidade do auto de infração pelo prisma do lançamento estar eivado de vício. Mesmo que o relator do acórdão recorrido tenha manifestado sua opinião a respeito da matéria de mérito, o fez em sede de julgamento de uma preliminar – prejudicial de mérito, a qual, registrese, não se consubstancia no meio adequado para julgamento do mérito. Foi, portanto, mera alegação em seu voto, jamais sua razão de decidir, muito menos a dos demais conselheiros que integram o colegiado do acórdão recorrido. Pensar do modo exposto pela relatora impacta no direito de defesa do contribuinte, que tendo recebido uma decisão a seu favor de nulidade do auto de infração, motivo pelo qual não possuía interesse recursal em manejar Recurso Especial, tem esta decisão reformada pela Câmara Superior no sentido de afastar a nulidade objeto do recurso interposto pela Fazenda Nacional e julgar preclusa a matéria central de direito (matéria principal de mérito) que é a natureza da verba em discussão (remuneratória ou indenizatória). O que denota uma clara e prejudicial supressão de instância de julgamento, que não se coaduna com os princípios do Devido Processo Legal, o qual a Constituição Federal tratou de elencar no capítulo dos Direitos e Garantias Fundamentais, sendo repetido em todos os procedimentos do Processo Administrativo Federal. Assim, sendo entendimento da Câmara Superior em afastar uma prejudicial de mérito que consta do acórdão recorrido em sede de preliminar, a matéria de mérito sempre Fl. 349DF CARF MF Impresso em 18/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 12/08/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 18/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 17/08/2016 por ANA PAULA FERNANDES Processo nº 10580.722009/200819 Acórdão n.º 9202004.200 CSRFT2 Fl. 11 19 deverá ser devolvida à Câmara ordinária em sua integralidade, sob pena de prejuízo ao direito de defesa da parte recorrida. É como voto. (Assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes. Fl. 350DF CARF MF Impresso em 18/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 12/08/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 18/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 17/08/2016 por ANA PAULA FERNANDES
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Numero do processo: 10680.940875/2009-34
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 06 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Oct 25 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2005
ADMISSÃO DE DOCUMENTOS ACOSTADOS EXTEMPORANEAMENTE.
Admite-se apresentação de documentos pela interessada que se encontrem sob a guarda da Administração Tributária, ainda que eles tenham sido juntados pela interessada apenas quando do protocolo do recurso voluntário. As regras da preclusão processual devem ser temperadas com o princípio da verdade material.
ERRO DE FATO NO PREENCHIMENTO DA DCTF. VALOR CORRETO DECLARADO EM DIPJ. INTIMAÇÃO. OCORRÊNCIA
O descumprimento da obrigação de retificar a DCTF não enseja a perda do direito creditório, desde que o verdadeiro valor devido possa ser confirmado pela fiscalização através de outros meios que estivessem à disposição da Fiscalização e após intimação regular da interessada para realizar retificação de suas declarações. O não-atendimento pelo contribuinte desta intimação, gera a não-homologação da compensação declarada.
Numero da decisão: 1301-002.169
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Waldir Veiga Rocha - Presidente
(assinado digitalmente)
José Eduardo Dornelas Souza - Relator
(assinado digitalmente)
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Waldir Veiga Rocha, Flavio Franco Corrêa, José Eduardo Dornelas Souza, Roberto Silva Junior, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro e Milene de Araújo Macedo.
Nome do relator: JOSE EDUARDO DORNELAS SOUZA
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ementa_s : Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ano-calendário: 2005 ADMISSÃO DE DOCUMENTOS ACOSTADOS EXTEMPORANEAMENTE. Admite-se apresentação de documentos pela interessada que se encontrem sob a guarda da Administração Tributária, ainda que eles tenham sido juntados pela interessada apenas quando do protocolo do recurso voluntário. As regras da preclusão processual devem ser temperadas com o princípio da verdade material. ERRO DE FATO NO PREENCHIMENTO DA DCTF. VALOR CORRETO DECLARADO EM DIPJ. INTIMAÇÃO. OCORRÊNCIA O descumprimento da obrigação de retificar a DCTF não enseja a perda do direito creditório, desde que o verdadeiro valor devido possa ser confirmado pela fiscalização através de outros meios que estivessem à disposição da Fiscalização e após intimação regular da interessada para realizar retificação de suas declarações. O não-atendimento pelo contribuinte desta intimação, gera a não-homologação da compensação declarada.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha - Presidente (assinado digitalmente) José Eduardo Dornelas Souza - Relator (assinado digitalmente) Participaram do presente julgamento os Conselheiros Waldir Veiga Rocha, Flavio Franco Corrêa, José Eduardo Dornelas Souza, Roberto Silva Junior, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro e Milene de Araújo Macedo.
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Admitese apresentação de documentos pela interessada que se encontrem sob a guarda da Administração Tributária, ainda que eles tenham sido juntados pela interessada apenas quando do protocolo do recurso voluntário. As regras da preclusão processual devem ser temperadas com o princípio da verdade material. ERRO DE FATO NO PREENCHIMENTO DA DCTF. VALOR CORRETO DECLARADO EM DIPJ. INTIMAÇÃO. OCORRÊNCIA O descumprimento da obrigação de retificar a DCTF não enseja a perda do direito creditório, desde que o verdadeiro valor devido possa ser confirmado pela fiscalização através de outros meios que estivessem à disposição da Fiscalização e após intimação regular da interessada para realizar retificação de suas declarações. O nãoatendimento pelo contribuinte desta intimação, gera a nãohomologação da compensação declarada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha Presidente (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 94 08 75 /2 00 9- 34 Fl. 164DF CARF MF Processo nº 10680.940875/200934 Acórdão n.º 1301002.169 S1C3T1 Fl. 165 2 José Eduardo Dornelas Souza Relator (assinado digitalmente) Participaram do presente julgamento os Conselheiros Waldir Veiga Rocha, Flavio Franco Corrêa, José Eduardo Dornelas Souza, Roberto Silva Junior, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro e Milene de Araújo Macedo. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte acima identificado contra o acórdão 0235.485, proferido pela 2ª Turma da DRJ/BHE, na sessão de 11 de outubro de 2011, que, ao apreciar a Manifestação de Inconformidade apresentada pelo contribuinte, entendeu, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de nulidade e não reconhecer o direito creditório. Antes de proferido o Despacho Decisório, em 03 de abril de 2009, o contribuinte foi intimado, para verificar se todas as informações constantes do PER/DCOMP estavam corretas, e, havendo qualquer divergência, deveria transmitir PER/DCOMP retificador ou comparecer à unidade da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) de sua jurisdição com a intimação, o(s) DARF original(is) e eventuais REDARF, no prazo indicado ( fls. 50/51). Proferido o Despacho Decisório eletrônico, de fls. 08, a Per/Dcomp foi considerada improcedente e não homologada a compensação, por tratarse de inexistência de pagamento indevido ou a maior. A empresa manifestouse contrariamente ao despacho denegatório argumentando que cometeu o equívoco de solicitar restituição de estimativas mensais de tributos, quando deveria ter solicitado saldo negativo de CSLL apurado ao final do ano calendário. Critica o Despacho Eletrônico por extremamente sucinto e por não ter tido oportunidade de, antes de emitido, consertar o erro material de preenchimento, em apertada síntese. A manifestante juntou diversos documentos, tais como a Per/Dcomp, DCTF, DIPJ e outros para corroborar o que sustenta. Às fls. 55 a 60, a 2ª Turma da DRJ/BHE proferiu o Acórdão nº0235.485, entendendo, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de nulidade e não reconhecer o direito creditório, por tratarse de pedidos de restituição de estimativa mensal e por inadmitir a alteração do pedido de estimativa para saldo negativo de CSLL, após a expedição do despacho decisório. Transcrevo a ementa do julgado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Exercício: 2006 Fl. 165DF CARF MF Processo nº 10680.940875/200934 Acórdão n.º 1301002.169 S1C3T1 Fl. 166 3 Retificação da Declaração de Compensação. A retificação da DCOMP somente é possível na hipótese de inexatidões materiais cometidas no seu preenchimento, da forma prescrita na legislação tributária vigente e somente para as declarações ainda pendentes de decisão administrativa na data da sua apresentação. Declaração de Compensação Estimativa Mensal Paga a Maior. Segundo as normas infralegais de regência, no caso de pessoa jurídica tributada pelo lucro real anual, o valor pago indevidamente ou a maior a título de estimativas mensais somente poderá ser utilizado na dedução da CSLL devido ao final do respectivo período de apuração ou para compor o saldo negativo. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Ciente do acórdão recorrido em 19/11/2011 sábado (fls. 65/66), e com ele inconformado, a recorrente apresentou em 21/12/2011 (fls 67), tempestivamente, recurso voluntário, através de representante regularmente constituído, pugnando por provimento, onde apresenta argumentos que serão apreciados quando do julgamento: É o relatório. Voto Conselheiro José Eduardo Dornelas Souza, Relator. O recurso é tempestivo e atende aos pressupostos regimentais, portanto, dele conheço. A decisão recorrida manteve o Despacho Decisório ora contestado, que não homologou a compensação declarada, por inexistência de crédito disponível no PER/DCOMP. Antes, porém, de analisar os argumentos apresentados em sede de recurso, necessário pronunciarme sobre os novos documentos juntados pela recorrente, por ocasião do protocolo do recurso voluntário. DA EXCEPCIONAL ADMISSÃO DA JUNTADA DE PROVAS EM SEDE RECURSAL Uma questão inicial a ser considerada no presente feito, diz respeito à possibilidade da juntada, após a apresentação da competente impugnação, de documentos/provas necessários à defesa do contribuinte. Em relação a esse ponto, é importante destacar a disposição contida no §4o do art. 16 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, que trata da apresentação da prova documental na impugnação, precluindo o direito de fazêlo em outro momento processual. Contudo, a jurisprudência do CARF vem temperando essa disposição em nome do princípio da verdade material para a consecução dos fins processuais Fl. 166DF CARF MF Processo nº 10680.940875/200934 Acórdão n.º 1301002.169 S1C3T1 Fl. 167 4 No caso, penso ser possível a análise dos documentos juntados pela recorrente, em eu recurso, quais eles, DIPJ 2006 (AC 2005); DARF´s IRPJ (código 5993); DARF´s CSLL (código 2484), pois não se trata de novos documentos, vez que são documentos de pleno conhecimento e posse da Administração Tributária. Aliás, não vejo impedimento em eventual requisição, por parte do julgador administrativo, a seu critério, para trazer aos autos documentos se façam necessários e que se encontrem sob a guarda da Administração Tributária, ainda que eles não tenham sido juntados pela interessada quando do protocolo de sua peça de impugnação. Tal iniciativa só vem a assegurar o equilíbrio entre as partes, celeridade e oficialidade, e a busca do Princípio da Verdade Material. Nesse sentido se encontra o disposto no art. 37 , da Lei 9784/99, a seguir transcrito: Art. 37. Quando o interessado declarar que fatos e dados estão registrados em documentos existentes na própria Administração responsável pelo processo ou em outro órgão administrativo, o órgão competente para a instrução proverá, de ofício, à obtenção dos documentos ou das respectivas cópias. Diante dessas considerações, entendo admissível a juntada dos documentos apresentados pela recorrente quando da interposição de seu recurso voluntário, devendo estes serem aqui considerados na formulação deste julgamento. DA ANÁLISE DO RECURSO DA POSSIBILIDADE DA RETIFICAÇÃO DA DCOMP // DA COMPROVAÇÃO DOS CRÉDITOS APURADOS Trata o presente litígio de não reconhecimento de direito creditório decorrente de saldo negativo de CSLL e conseqüente não homologação de compensação entre crédito e débito. Conforme se vê na análise da decisão recorrida, a DRJ não homologou a compensação pleiteada sob dois fundamentos. O Primeiro: Esclarecese que a retificação de DCOMP só tem cabimento nos casos de inexatidão material, e enquanto pendente de decisão administrativa, com base nos artigos 57 e 58 da Instrução Normativa nº SRF nº 600, de 28 de dezembro de 2005, vigente à época da transmissão da DCOMP. No presente caso, o erro quanto à origem do crédito não se trata de inexatidão material. É uma questão de direito, posto que a natureza dos créditos é diferente. A análise eletrônica de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior é diferente do exame eletrônico para a aferição do saldo negativo. No caso de pagamento indevido, primeiramente é verificado a existência do pagamento representado pelo DARF e posteriormente é realizado o confronto com outros sistemas informatizados da RFB para verificar a disponibilidade de sua utilização. Já o saldo negativo requer a análise de todas as parcelas que compõem o referido saldo, entre elas, todos os pagamentos mensais das estimativas, o imposto de renda retido na fonte, as DCTFs de todo o período de apuração, etc. Além disso, a título de Fl. 167DF CARF MF Processo nº 10680.940875/200934 Acórdão n.º 1301002.169 S1C3T1 Fl. 168 5 exemplificação, destacase que as datas de valoração do crédito podem ser diferentes. Assim, para exercer o direito à restituição, o contribuinte tem a obrigação de indicar corretamente qual a origem do crédito. O Segundo: E, ainda, no presente caso, para o pagamento apontado como indevido, com código de receita 2484 (antecipação mensal por estimativa), deve ser observada a vedação estabelecida em norma para os contribuintes tributados pelo lucro real anual, inserida pelo art. 10 da Instrução Normativa nº 460, de 18 de outubro de 2004, abaixo transcrito (essa redação foi reproduzida, posteriormente, no art. 10 da Instrução Normativa SRF nº 600, de 28 de dezembro de 2005, que a sucedeu): Art. 10. A pessoa jurídica tributada pelo lucro real, presumido ou arbitrado que sofrer retenção indevida ou a maior de imposto de renda ou de CSLL sobre rendimentos que integram a base de cálculo do imposto ou da contribuição, bem assim a pessoa jurídica tributada pelo lucro real anual que efetuar pagamento indevido ou a maior de imposto de renda ou de CSLL a título de estimativa mensal, somente poderá utilizar o valor pago ou retido na dedução do IRPJ ou da CSLL devida ao final do período de apuração em que houve a retenção ou pagamento indevido ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou de CSLL do período. (grifos acrescentados) Sendo assim, não há como homologar a compensação declarada, tendo como crédito, a título de pagamento indevido ou a maior, valor de estimativa mensal de CSLL, que somente pode ser utilizado na dedução da CSLL devida ao final do período de apuração em que houve o pagamento indevido ou para compor o saldo negativo do período. Ou seja, o não reconhecimento do direito creditório teve como fundamento; i) não haver inexatidão material no caso, impossibilitando, a partir desta premissa, a retificação da PERD/COMP; ii) a impossibilidade do pleito, em face do dever de observar a vedação estabelecida no art. 10 da Instrução Normativa nº 460, de 18 de outubro de 2004, que estabelecia que qualquer recolhimento a título de estimativa, fosse utilizado apenas para redução do IRPJ/CSLL devido no final do período, ou para composição do eventual saldo negativo: O contribuinte, por sua vez, se insurgiu apenas quanto ao primeiro argumento, sustentando equívoco no preenchimento da DComp, pois ao invés de preencher campo noticiando crédito decorrente de "Saldo Negativo de CSLL" preencheu "Pagamento Indevido ou a Maior", chamando este equívoco de "inexatidão material". Para comprovar seu direito creditório, juntou aos autos DIPJ/2006 e comprovantes de pagamentos mensais de estimativa. Em outra ocasião, analisando pleito similar a este, inclusive, tendo como interessada a mesma pessoa jurídica, inclineime pela realização de diligência, para que fosse realizada a transmutabilidade de pagamento indevido para compensação de saldo negativo, pela Delegacia de Origem, em face de constatar o desprezo por parte da autoridade julgadora pelas informações registradas em DIPJ apresentada pelo contribuinte. Naquela oportunidade entendi que a fiscalização não poderia limitar sua análise apenas nas informações prestadas em Dcomp, já que existiam informações provenientes de outras declarações nos bancos de dados da Receita que permitiam a análise quanto ao Fl. 168DF CARF MF Processo nº 10680.940875/200934 Acórdão n.º 1301002.169 S1C3T1 Fl. 169 6 crédito pleiteado. Isto é, caberia à Fiscalização, ao menos, questionar a divergência existente entre as declarações (DIPJ e DComp) e proceder a intimação do contribuinte para retificar uma das declarações. Analisando as provas destes autos, encontro às fls. 50/51 um Termo de Intimação, no qual a fiscalização constatou irregularidade no preenchimento do PER/DCOMP em análise. De acordo com esta prova, o contribuinte foi intimado na data de 03/04/2009, nos seguintes termos: Fica o sujeito passivo acima Identificado INTIMADO a sanar a(s) Irregularidade(s) apontada(s) no quadro 4, no prazo de 20 dias contados da ciência desta Intimação. Não sanada(s) a(s) Irregularidade(s) apontada(s) no prazo estipulado, o PER/DCOMP em análise poderá ser Indeferido/nãohomologado. Não encontro qualquer providência saneadora adotada pela interessada, pelo que, em 10/12/2009 (8 meses após a intimação para regularização), foi lavrado o Despacho Decisório de fls. 8, negando homologação à compensação por ausência do alegado direito creditório. Diante disso, constatando que o erro alegado não foi corrigido pela interessada, quando intimada, o não atendimento gera a nãohomologação da compensação declarada. Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário (assinado digitalmente) José Eduardo Dornelas Souza Fl. 169DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11050.000043/99-66
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Dec 06 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Jan 17 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/10/1999 a 31/12/1999
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO. ACOLHIMENTO SEM EFEITOS INFRINGENTES.
Havendo contradição na decisão embargada, deve ser dado provimento aos embargos de declaração com vistas a sanear o vício apontado.
Embargos de declaração acolhidos sem efeitos infringentes
Numero da decisão: 9303-004.567
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e acolher os Embargos de Declaração opostos pela Fazenda Nacional, re-ratificando o Acórdão embargado, para sanar a contradição apontada na ementa, mantendo inalterado o resultado do julgamento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Vanessa Marini Cecconello - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: VANESSA MARINI CECCONELLO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e acolher os Embargos de Declaração opostos pela Fazenda Nacional, re-ratificando o Acórdão embargado, para sanar a contradição apontada na ementa, mantendo inalterado o resultado do julgamento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício (assinado digitalmente) Vanessa Marini Cecconello - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
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FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/10/1999 a 31/12/1999 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO. ACOLHIMENTO SEM EFEITOS INFRINGENTES. Havendo contradição na decisão embargada, deve ser dado provimento aos embargos de declaração com vistas a sanear o vício apontado. Embargos de declaração acolhidos sem efeitos infringentes Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e acolher os Embargos de Declaração opostos pela Fazenda Nacional, reratificando o Acórdão embargado, para sanar a contradição apontada na ementa, mantendo inalterado o resultado do julgamento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício (assinado digitalmente) Vanessa Marini Cecconello Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 05 0. 00 00 43 /9 9- 66 Fl. 374DF CARF MF 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas. Relatório Tratamse de embargos de declaração interpostos, tempestivamente, pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Pelotas RS (fl. 370), em face do Acórdão nº 9303 003.233 (fls. 363 a 367), com fulcro no art. 65, do RICARF, aprovado pela Portaria nº 343, de 09 de julho de 2015, buscando sanar vício de contradição existente na decisão, consistente na inversão dos resultados de julgamento dos recursos especiais da Fazenda Nacional e da Contribuinte consignados no acórdão. Os embargos de declaração da DRF em Pelotas/RS foram admitidos, nos termos do despacho s/nº, de 01 de junho de 2016 (fls. 372 a 373), por entender estar o acórdão de julgamento dos recursos especiais da Fazenda e da Contribuinte eivado do vício de contradição, in verbis: A Delegacia da Receita Federal do Brasil em Pelotas RS, Autoridade Administrativa regimentalmente incumbida da execução do Acórdão nº 9303 003.233, de 27 de novembro de 2014, fls. 363 a 367, argui, fl. 370, a inversão nos resultados dos julgamentos dos recursos da Fazenda Nacional e do contribuinte. Pede saneamento. A decisão teve ementa foi vazada nos seguintes termos: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/10/1999 a 31/12/1999 EMENTA: PRODUTO INTERMEDIÁRIO TAXA SELIC. O avental de napa tornase material imprescindível na fase de beneficiamento do produto final. A resistência do Fisco ao creditamento está comprovada nos autos. Recurso da Fazenda provido. Recurso do contribuinte negado. Consta do respectivo acórdão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional e negar provimento ao recurso especial do sujeito passivo. Ausentes, momentaneamente, as Conselheiras Nanci Gama e Maria Teresa Martínez López. A conclusão do voto condutor do acórdão, por sua vez, assim dispôs: Diante de todo o exposto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso da Fazenda Nacional para reconhecer os créditos referentes as aquisições de Fl. 375DF CARF MF Processo nº 11050.000043/9966 Acórdão n.º 9303004.567 CSRFT3 Fl. 1.792 3 avental de napa e de dar provimento ao Recurso da Contribuinte no sentido de fazer incidir a taxa Selic com o fim de atualizar o crédito ao qual fez jus. Sala das Sessões, 27 de novembro de 2014. Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva Relator São esses os fatos. Passo ao exame da admissibilidade do apelo. Nos termos do art. 65 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015, cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual deveria pronunciarse a Turma, e poderão ser interpostos, mediante petição fundamentada, no prazo de cinco dias contados da ciência do acórdão. A propósito, a contradição que “autoriza os embargos de declaração é aquela interna ao acórdão, verificada entre a fundamentação do julgado e a sua conclusão, ...” (STJ, REsp 322056). É exatamente esse o caso do Acórdão nº 9303003.233, que contém contradições que exigem saneamento. Com essas considerações, em face do que dispõe o § 7° do art. 65 do RICARF, dou seguimento aos embargos de declaração interpostos pela DRFPEL RS, para ser julgado pelo Colegiado. [...] (grifouse) O presente processo foi distribuído a essa Relatora por meio de sorteio regularmente realizado, estando apto o feito a ser relatado e submetido à análise desta Colenda 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais 3ª Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. É o Relatório. Voto Conselheira Vanessa Marini Cecconello, Relatora Os embargos de declaração opostos pela Delegacia da Receita Federal em Pelotas RS atendem aos requisitos do art. 65 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de julho de 2015, devendo, portanto, ter prosseguimento. Fl. 376DF CARF MF 4 Alega a embargante ter havido a inversão dos resultados de julgamento consignados no Acórdão nº 9303003.233 (fls. 363 a 367), assistindolhe razão, conforme será demonstrado. Conforme dispõe o art. 65 do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, admitese a interposição dos embargos de declaração "quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual deveria pronunciarse a turma". A contradição apta a ensejar a oposição dos aclaratórios é a interna, verificada entre as proposições e conclusões do próprio julgado (Superior Tribunal de Justiça. EDcl no REsp 1.114.066/BA, Rel. Min. SIDNEI BENETI, Terceira Turma, DJe 13/10/2010). Da análise do inteiro teor do acórdão ora embargado, depreendese ter restado decidido (a) ser passível a inclusão do avental de napa, utilizado no processo produtivo da Contribuinte, no cálculo do crédito presumido do IPI, por se caracterizar como produto intermediário de que trata a legislação do IPI, rechaçandose, assim, a pretensão recursal da Fazenda Nacional; e (b) haver a incidência da correção monetária pela taxa Selic sobre o crédito de IPI a ser ressarcido, com o consequente provimento do recurso especial da Contribuinte. A fundamentação e dispositivo do julgado deramse nos seguintes termos, in verbis: [...] Ambos os Recursos preenchem condições para admissibilidade, deles tomo conhecimento. Tratase de empresa que tem por objetivo empreendedor a captura e industrialização integral de peixes, com predominância na exportação. Iniciando pelo Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, quanto à inclusão no acórdão ora recorrido no cálculo do ressarcimento do IPI, avental de napa utilizado no processo produtivo sob o argumento de que sua finalidade estaria enquadrada no conceito de produto intermediário de que trata a legislação do IPI, mesmo que não integrando o produto final seria indispensável na fase de beneficiamento do pescado. A norma que para mim preenche os requisitos para o pronto entendimento do conceito sobre produto intermediário situase no art. 226 do Decreto nº 7.212/2010 – RIPI/2010, quando determina aos estabelecimentos industriais e equiparados a possibilidade de crédito mesmo que dito produto intermediário não se integre ao novo produto, porém consumido no processo de industrialização. Enfrento agora as razões da Contribuinte sobre a incidência ou não da taxa Selic. Já pacificada a matéria na direção de que deve incidir correção monetária ao creditamento do IPI quando há oposição ao seu aproveitamento decorrente de resistência ilegítima do Fisco, tudo na conformidade da Súmula 411 do E. STJ. A resistência do Fisco está comprovada na fl.149 onde consta o Acórdão DRJ/POÁ nº 3.091/2003. Diante de todo o exposto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso da Fazenda Nacional para reconhecer os créditos referentes as aquisições de Fl. 377DF CARF MF Processo nº 11050.000043/9966 Acórdão n.º 9303004.567 CSRFT3 Fl. 1.793 5 avental de napa e de dar provimento ao Recurso da Contribuinte no sentido de fazer incidir a taxa Selic com o fim de atualizar o crédito ao qual fez jus. [...] (grifouse) Evidenciase, portanto, a congruência entre as razões explicitadas no voto e o resultado consignado na parte dispositiva. No entanto, ao ser inserido o resultado do julgamento na ementa da decisão, houve, de fato, a inversão do desfecho atribuído aos recursos especiais da Fazenda Nacional e da Contribuinte, passando a constar, equivocadamente, ter sido dado provimento ao apelo especial da Fazenda Nacional e negado provimento ao recurso do Sujeito Passivo. Assim, presente a contradição, devem ser acolhidos os embargos de declaração para sanar o vício apontado, passando a constar na ementa e acórdão do julgado a redação correta, em consonância com a fundamentação e o dispositivo do voto, nos seguintes termos: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/10/1999 a 31/12/1999 EMENTA: PRODUTO INTERMEDIÁRIO TAXA SELIC. O avental de napa tornase material imprescindível na fase de beneficiamento do produto final. A resistência do Fisco ao creditamento está comprovada nos autos. Recurso da Fazenda negado. Recurso do contribuinte provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional e dar provimento ao recurso especial do sujeito passivo. Ausentes, momentaneamente, as Conselheiras Nanci Gama e Maria Teresa Martínez López. (grifouse) Diante do exposto, dáse provimento os embargos de declaração para sanar a contradição apontada, nos termos do presente voto, sem efeitos modificativos no julgado. É o Voto. (assinado digitalmente) Vanessa Marini Cecconello Fl. 378DF CARF MF 6 Fl. 379DF CARF MF
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Numero do processo: 10920.723396/2013-61
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 27 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Nov 10 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Importação - II
Data do fato gerador: 30/04/2012
MULTA PELA SUBSTITUIÇÃO DO PERDIMENTO. FRAUDE OU SIMULAÇÃO.
O tipo infracional que determina a aplicação da penalidade da multa substitutiva ao perdimento tem por requisito que a ocultação do real adquirente mediante fraude ou simulação. A falta da demonstração de que houve fraude ou simulação implica em acolher a hipótese alternativa de que o ocorrido não se enquadrou na infração.
Numero da decisão: 3401-003.248
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em sessão de 25/08/2016, negou provimento à declaração de nulidade da autuação, por vício formal, em razão da saneabilidade do defeito apontado e conhecido de ofício, vencidos os Conselheiros Eloy Eros da Silva Nogueira e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, designado o Conselheiro Fenelon Moscoso de Almeida para redigir o voto vencedor. Respeitante ao mérito, em sessão de 27/09/2016, por maioria de votos, deu-se provimento ao recurso, vencidos os Conselheiros Rosaldo Trevisan e Robson José Bayerl, que negavam provimento.
Robson José Bayerl - Presidente.
Eloy Eros da Silva Nogueira - Relator.
Fenelon Moscoso de Almeida - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Robson José Bayerl (Presidente), Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel Jorge d'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, Fenelon Moscoso de Almeida, Rodolfo Tsuboi, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (Vice Presidente).
Nome do relator: ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA
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FRAUDE OU SIMULAÇÃO. O tipo infracional que determina a aplicação da penalidade da multa substitutiva ao perdimento tem por requisito que a ocultação do real adquirente mediante fraude ou simulação. A falta da demonstração de que houve fraude ou simulação implica em acolher a hipótese alternativa de que o ocorrido não se enquadrou na infração. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em sessão de 25/08/2016, negou provimento à declaração de nulidade da autuação, por vício formal, em razão da saneabilidade do defeito apontado e conhecido de ofício, vencidos os Conselheiros Eloy Eros da Silva Nogueira e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, designado o Conselheiro Fenelon Moscoso de Almeida para redigir o voto vencedor. Respeitante ao mérito, em sessão de 27/09/2016, por maioria de votos, deuse provimento ao recurso, vencidos os Conselheiros Rosaldo Trevisan e Robson José Bayerl, que negavam provimento. Robson José Bayerl Presidente. Eloy Eros da Silva Nogueira Relator. Fenelon Moscoso de Almeida Redator designado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 0. 72 33 96 /2 01 3- 61Fl. 302DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Robson José Bayerl (Presidente), Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel Jorge d'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, Fenelon Moscoso de Almeida, Rodolfo Tsuboi, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (Vice Presidente). Relatório Trata este processo de auto de infração que constitui e exige as seguintes multas: 1. Multa de 100% do valor aduaneiro pela conversão da pena de perdimento dos bens importados (Declaração de Importação DI n. 12/07846645) prevista no artigo 23, inciso V, § 3º do Decreto lei n. 1.455, de 1976; a autoridade fiscal aponta a ocorrência de ocultação do real adquirente 2. Multa pela cessão de nome para ocultar o real adquirente em procedimento de importação, prevista no artigo 33 da Lei n. O auto de infração foi lavrado contra o contribuinte PAESE COMÉRCIO DE FERRAGENS LTDA. (doravante identificada como PAESE neste voto), titular da declaração de importação em apreço, tendo como responsável solidário a empresa ROTAFI TOOLS INDUSTRIA E COMERCIO DE FERRAMENTAS DO BRASIL LTDA. (doravante identificada como ROTAFI neste voto) exclusivamente para a multa apontada no item 1 acima, considerada como a REAL ADQUIRENTE e ocultada pela importadora PAESE nessa Declaração de Importação. Segundo o relato das autoridades fiscais, em síntese reproduzida pelos julgadores de 1º piso: Nos termos da autuação fiscal e dos documentos que instruem o processo, expõem as Autoridades Aduaneiras que a subscreveram, em apertada síntese, que: 1. A Paese Comércio de Ferragens Ltda. (doravante designada PAESE ou IMPUGNANTE) encontrase habilitada pela Receita Federal a operar no comércio exterior. Submeteu ao despacho aduaneiro de importação partes de máquina de afiar (motor elétrico trifásico caxis 96500590000SP e placa eletrônica e comando eletrônico DSD25 9190040004), da marca ANCA, nacionalizadas através da Declaração de Importação (DI) n° 12/07846645. Que foi praticada infração descrita como OCULTAÇÃO DO REAL SUJEITO PASSIVO EM OPERAÇÕES DE IMPORTAÇÃO, indubitavelmente comprovada após a execução de procedimentos de fiscalização instaurados pela Fl. 303DF CARF MF Processo nº 10920.723396/201361 Acórdão n.º 3401003.248 S3C4T1 Fl. 3 3 Alfândega da Receita Federal do Brasil no Porto de Rio Grande/RS na matriz da empresa Paese Comércio de Ferragens Ltda. (CNPJ 08.733.884/000103), situada na cidade de Bento Gonçalves/RS, bem como da diligência realizada pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Joinville/SC na empresa Rotafi Comércio de Ferramentas e Representações Ltda. (CNPJ 04.433.148/000170), real adquirente dos produtos importados (doravante designada ROTAFI0 importação falsidade ideológica das faturas comerciais; o desembaraço, mediante artifício doloso, de diversas mercadorias estrangeiras cujos tributos aduaneiros foram pagos apenas em parte; e a fraude no preço efetivamente pago ou a pagar pelas mercadorias subfaturamento foram objeto de 06 (seis) processos administrativos fiscais, (que lista à fl. 125 dos autos), bem como de comunicação ao Ministério Público Federal pela prática, em tese, de crime contra a ordem tributária e descaminho, por meio de de Representação Fiscal para Fins Penais. 3. Que além da constatação das infrações acima mencionadas, foi encontrada farta documentação que comprova, de forma indubitável, que a empresa Paese também atua na importação de mercadorias, registrando as respectivas declarações de importação como se tratassem de operações por conta própria, quando na verdade se tratavam de operações por conta e ordem de terceiros, ocultando, desta forma, os verdadeiros adquirentes e interessados nas importações. 4. Que embora a PAESE tenha declarado que a importação das mercadorias acobertada pela DI 12/07846645 tenha sido por conta própria, na análise dos documentos apresentados pela empresa em resposta ao termo de intimação, dos documentos retidos na diligência à ROTAFI e assim como dos documentos coletados no procedimento de fiscalização pela Alfândega de Rio Grande/RS, é possível destacar fatos e indícios relevantes à presente fiscalização, corroborando com a tese de OCULTAÇÃO DO REAL SUJEITO PASSIVO EM OPERAÇÕES DE IMPORTAÇÃO. 5. A Fiscalização apresenta com detalhes os referidos fatos e indícios relevantes da infração (às fls. 131 a 144) e, ao final, conclui que o importador (PAESE) simulou um negócio jurídico e processou os dados do despacho como importação por conta própria, propiciando a ocultação do real adquirente, subtraindo o controle aduaneiro da capacidade econômica do mesmo e evitando a linha tributária do IPI. A autuação apresenta uma síntese dos citados fatos, da seguinte forma: destacamse 05 (cinco) aspectos relevantes que corroboram com a tese de que, na importação das mercadorias declaradas na DI 12/07846645 realizada pela empresa PAESE, a real interessada era a empresa ROTAFI, a saber: · As faturas do exportador já mencionavam a ROTAFI como destinatária das mercadorias a serem importadas; · A proximidade das datas da nota fiscal de entrada e a nota fiscal de saída da importadora corroboram o entendimento de que o real adquirente das mercadorias já era conhecido; · Os recursos depositados na conta da PAESE pela ROTAFI, anteriores à declaração de importação das mercadorias; · A efetiva negociação entre a ANCA (exportadora) e a Fl. 304DF CARF MF 4 ROTAFI (real adquirente) das mercadorias importadas, assim como as informações prestadas pela PAESE que a importação seria para uma terceira empresa; e · A empresa ROTAFI não possuía habilitação no Siscomex para operar no comércio exterior à época dos fatos, fato que impediria uma importação regular por parte dela. 6. Dessa forma, diante da convicção das Autoridades Aduaneiras no sentido de que a operação de importação ocorreu por conta e ordem da empresa ROTAFI, que detinha a capacidade econômica para fazer vir do exterior as mercadorias e que adiantou a quase totalidade dos recursos (88,28% comprovados) à empresa PAESE para que a operação se concretizasse, foi lavrada a autuação em pauta. Com base nos fatos narrados, foi lavrado o Auto de Infração ora em exame, e impugnado pela PAESE. Foi ainda lavrada Representação Fiscal para Fins Penais, formalizada nos autos do processo administrativo n° 10983.720285/201440 (vide fl. 156 do eprocesso). Apenas a PAESE impugnou. Após apreciar essa impugnação e demais documentos que instruem este processo, os julgadores de 1º piso decidiram manter integralmente as exigências. O Acórdão n. 1663.647, proferido em 27/11/2014 pela respeitável 11 ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo ficou assim ementado: Acórdão 1663.647 11a Turma da DRJ/SPO Sessão de 27 de novembro de 2014 Processo 10920.723396/201361 Interessado PAESE COMERCIO DE FERRAGENS LTDA. E OUTRO. CNPJ/CPF 08.733.884/000286 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Data do fato gerador: 30/04/2012 INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA DE TERCEIROS. A importação de mercadorias destinadas a terceiro oculto o real responsável pela operação , caracteriza interposição fraudulenta e enseja a inflicção da pena de perdimento ou da multa no valor aduaneiro da mercadoria. Esta, a dicção do art. 4° da IN SRF 225, de 2002, que legalmente se funda no art. 105, inciso VI, do Decretolei n° 37, de 18 de novembro de 1966, combinado com art. 23, inciso V, do Decretolei n° 1.455, de 7 de abril de 1976. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. São solidariamente obrigadas as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal artigo 124 do Código Tributário Nacional (CTN). PRINCÍPIOS DA PROPORCIONALIDADE E DA RAZOABILIDADE. O emprego dos princípios da proporcionalidade e da razoabilidade não autoriza o julgador administrativo a dispensar ou reduzir multas expressas na lei, não havendo desrespeito a estes princípios quando a autuação se pauta pelo princípio da legalidade. Exegese do art. 142 do CTN. QUESTIONAMENTO DE ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE DA LEGISLAÇÃO. A ilegalidade e a inconstitucionalidade da legislação tributária não são oponíveis na esfera administrativa. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Fl. 305DF CARF MF Processo nº 10920.723396/201361 Acórdão n.º 3401003.248 S3C4T1 Fl. 4 5 Inconformada, a contribuinte ingressou com recurso voluntário por meio do qual apresenta as razões por que pede a reforma da exigência e da decisão recorrida, em breve síntese: 1. “não se verifica nenhum dano efetivo, capaz de configurar o ilícito, eis que os valores declarados estão corretos, bem como todas as obrigações tributárias foram devidamente cumpridas” 2. “a suposta ocultação do real importador, por si só, não pode ser tomada como núcleo causador do dano, havendo a necessária e obrigatória associação da conduta com outro elemento utilização do importador ostensivo com intuito de alterar o regime tributário, por exemplo para que se tenha devidamente caracterizada a interposição fraudulenta”. E alega, em arremate, que “mesmo que se admita a caracterização da cessão do nome da pessoa jurídica para acobertar o real beneficiário, como não houve nenhuma outra implicação nociva ao erário, resta, evidentemente, não configurada a interposição fraudulenta”. 3. a ora recorrente realizou a operação com recursos próprios, bem como não se verifica qualquer dano ao erário na importação realizada através da DI n° 12/07846645”. 4. “A empresa Rotafi, no caso concreto, é a adquirente e, consequentemente, é a real proprietária do bem adquirido”. “A Impugnante, por outro lado, acabou por realizar tão somente a importação do bem para revendêlo, conforme prévio acordo, à Rotafi”. E, com este fundamento, argumenta que a multa igual ao valor aduaneiro haveria que ser em tese imposta apenas ao real adquirente (a empresa ROTAFI), visto que as leis aduaneiras visam punir o sujeito oculto na operação, ou seja, apenas o real adquirente poderia ser punido. 5. “após o advento da multa por cessão de nome, deixou de ser imputável ao importador, em coautoria, a pena de perdimento, sob pena de afronta ao principio non bis in idem”. por decorrência do não cabimento da pena de perdimento ou da multa igual ao valor aduaneiro ao importador, mas apenas ao real adquirente da mercadoria, há vício formal na autuação fiscal, por enquadramento legal incorreto. 6. a multa aplicada é desproporcional, por exorbitante, e possui caráter confiscatório, violando princípios constitucionais, inclusive o da Capacidade Contributiva (art. 145, §1°, da CR/88). Em consulta (em 06/07/2016) no sistema CNPJ disponível no site da Receita Federal, de acesso público, podemos verificar que estão em situação ATIVA o n.º de CNPJ da PAESE e n.º do CNPJ da ROTAFI (data da situação Ativa em 03/11/2006). Nesse cadastro, para a ROTAFI, consta o endereço: Rua Dorothovio do Nascimento, n.º 700, Jardim Sofia, Joinville, Santa Catarina, CEP 89.223600. Fl. 306DF CARF MF 6 Em consulta ao sistema eprocesso, nesta data, pude encontrar um processo administrativo de titularidade da empresa ROTAFI, cujo objeto foi a concessão bem sucedida de sua habilitação ao sistema SISCOMEX. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Eloy Eros da Silva Nogueira Dos fatos e da acusação Os elementos reunidos pela autoridade fiscal e consideradas provas são os seguintes: "A autuação apresenta uma síntese dos citados fatos, da seguinte forma: destacamse 05 (cinco) aspectos relevantes que corroboram com a tese de que, na importação das mercadorias declaradas na DI 12/07846645 realizada pela empresa PAESE, a real interessada era a empresa ROTAFI, a saber": "As faturas do exportador já mencionavam a ROTAFI como destinatária das mercadorias a serem importadas"; "A proximidade das datas da nota fiscal de entrada e a nota fiscal de saída da importadora corroboram o entendimento de que o real adquirente das mercadorias já era conhecido"; "Os recursos depositados na conta da PAESE pela ROTAFI, anteriores à declaração de importação das mercadorias"; "A efetiva negociação entre a ANCA (exportadora) e a ROTAFI (real adquirente) das mercadorias importadas, assim como as informações prestadas pela PAESE que a importação seria para uma terceira empresa; e" "A empresa ROTAFI não possuía habilitação no Siscomex para operar no comércio exterior à época dos fatos, fato que impediria uma importação regular por parte dela." O entendimento da autoridade fiscal é de que houve simulação de negócio jurídico, que a PAESE declarou ser importação própria quando, na verdade, seria uma importação previamente destinada à ROTAFI, a real adquirente, que foi ocultada deliberadamente do controle aduaneiro. A autoridade fiscal relata que as investigações feitas junto às atividades da PAESE no comércio exterior revelaram ter ela cometido, em diversas importações que não a tratada neste processo, infrações do tipo: declaração falsa, subfaturamento, ocultamento do real adquirente. Fl. 307DF CARF MF Processo nº 10920.723396/201361 Acórdão n.º 3401003.248 S3C4T1 Fl. 5 7 A PAESE contesta essa interpretação. Explica que a importação era realmente por conta própria, embora reconheça que a ROTAFI era a destinatária do bem estrangeiro, a quem foi revendido. Mas que não houve fraude ou simulação ou dolo. que se tratava de um negócio sem intenção de ludibriar o controle aduaneiro ou a exigência dos tributos. E que não houve dano ao Erário ou prejuízo à Fazenda, e todos os tributos foram recolhidos. Antes de adentrarmos à apreciação do contraditório, peço licença aos Senhores Conselheiros para abordar questões referentes ao próprio processo administrativo, e que podem ser consideradas como matéria de ordem pública. Preliminares matérias de ordem pública e do direito processual O que encontro neste processo é a lavratura de um único auto de infração (em 27/02/2014) para, com base no mesmo fato empírico, apurar duas infrações e constituir duas penalidades: ocultação do real adquirente e cessão de nome para ocultar o real adquirente. No polo passivo desse auto de infração temos a PAESE e a ROTAFI. A primeira penalidade é imputada aos dois contribuintes; enquanto que a segunda penalidade (multa por cessão de nome), apenas à PAESE. Ocorre que somente pude encontrar intimação e ciência do auto de infração da PAESE, mas não da ROTAFI. Aventei a hipótese de que talvez existisse um segundo processo administrativo tratando separadamente uma das infrações referidas neste processo. Mas não encontrei outro processo administrativo tratando da situação da importação da DI n. 12/07846645. Ademais, apoiandome no n. do CNPJ da ROTAFI encontrei um processo administrativo concedendo habilitação ao sistema SISCOMEX para esta empresa em 28/02/2013. Em meu entendimento, o auto de infração somente se aperfeiçoa com a intimação e ciência válida do autuado. Enquanto isso não se dá, temos um ato administrativo carente da condição que lhe dá a eficácia de constituir o crédito tributário. No caso, a falta da ciência da ROTAFI é fatal para a validade da pretensão fiscal in totum. A ciência de apenas um dos autuados não supre a exigência legal para fins de garantir a efetividade da autuação. Entendo que a constituição e conseqüente exigência de crédito tributário através de auto de infração depende do cumprimento dos requisitos estabelecidos em Lei. Em uma identificação sintética, entre eles, eu destacaria: Lei 5.712, 1966 (CTN): Art. 142 ..... verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Decreto n. 70.235, de 1972 Art. 9 A exigência do crédito tributário e a aplicação de penalidade isolada serão formalizados em autos de infração ou notificações de lançamento, distintos para cada tributo ou penalidade, os quais deverão estar instruídos com todos os termos, Fl. 308DF CARF MF 8 depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito Art.10 O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Há que se notar que a impugnação da PAESE que levou o processo à apreciação dos julgadores de 1º piso, e o seu recurso voluntário contra o acórdão da DRJ, não têm o poder de superar esse vício originário. Não é possível haver um contraditório se não há uma constituição válida da exigência que o justificaria; e somente há uma constituição válida da exigência fiscal se todos os autuados têm ciência da autuação. Além disso, a falta de ciência da ROTAFI significa a sua impossibilidade do devido processo legal e de exercer minimamente seu direito de defesa, insuprível pelas contestações da PAESE ou pelas apreciações da Fazenda Nacional, ou mesmo pela apreciação das autoridades julgadoras. Entendo que a situação fere o disposto no artigo 59 e nos artigos 9 e10 do Decreto n. 70.235, de 1972, pois não houve ciência do autuado e houve prejuízo ao direito de defesa e ao contraditório, sem falar que o ato fiscal reuniu em um único auto de infração duas penalidades dirigidas a diversos contribuinte. Com essas razões, propus a este Colegiado fosse cancelado o auto de infração por vício originário. Mas, data vênia, este Colegiado decidiu por não acolher as razões postas nesta preliminar, e vamos adentrar a analisar o mérito, apesar de termos diante de nós um auto de infração em que um dos autuados não foi dele cientificado e termos um auto de infração para duas diferentes penalidades e tendo no pólo passivo uma pessoa jurídica para uma infração e duas para a outra infração. Prossigamos portanto na análise, indo ao mérito. Mérito Tempestivo o recurso apresentado pela PAESE e atendido os requisitos de admissibilidade com relação a este autuado. Do tipo infracional: Sinto ser necessário firmar um entendimento preliminar que sirva de base para o conhecimento da infração aqui em discussão. Para tanto, sirvome de uma breve descrição da história das normas que concorrem para a definição legal dessa infração. Fl. 309DF CARF MF Processo nº 10920.723396/201361 Acórdão n.º 3401003.248 S3C4T1 Fl. 6 9 Em um olhar retrospectivo, ponho em destaque a importância que ganhou, na última década do século XX, o combate à “lavagem de dinheiro e aos esquemas de ocultação de fluxos financeiros e de bens econômicos”. Nesse período vamos encontrar a criação de normas que pretendem proporcionar maior efetividade a esse combate, entre elas destaco, no âmbito penal, a Lei n. 9.613, de 1998. Lei n. 9.613, de 1998: Dispõe sobre os crimes de "lavagem" ou ocultação de bens, direitos e valores; a prevenção da utilização do sistema financeiro para os ilícitos previstos nesta Lei; cria o Conselho de Controle de Atividades Financeiras COAF, e dá outras providências Art. 1º Ocultar ou dissimular a natureza, origem, localização, disposição, movimentação ou propriedade de bens, direitos ou valores provenientes, direta ou indiretamente, de crime Art. 1o Ocultar ou dissimular a natureza, origem, localização, disposição, movimentação ou propriedade de bens, direitos ou valores provenientes, direta ou indiretamente, de infração penal. (Redação dada pela Lei nº 12.683, de 2012) Dentre as várias hipóteses previstas e tratadas nessa legislação, como meio, concorrente ou não, de cometimento do crime, estavam as fraudes em operações de comércio exterior, as simulações, as interposições fraudulentas. Lei n. 9.613, de 1998: Artigo 1º .... § 1o Incorre na mesma pena quem, para ocultar ou dissimular a utilização de bens, direitos ou valores provenientes de infração penal: (Redação dada pela Lei nº 12.683, de 2012) I os converte em ativos lícitos; II os adquire, recebe, troca, negocia, dá ou recebe em garantia, guarda, tem em depósito, movimenta ou transfere; III importa ou exporta bens com valores não correspondentes aos verdadeiros. § 2o Incorre, ainda, na mesma pena quem: (Redação dada pela Lei nº 12.683, de 2012) I utiliza, na atividade econômica ou financeira, bens, direitos ou valores que sabe serem provenientes de qualquer dos crimes antecedentes referidos neste artigo; I utiliza, na atividade econômica ou financeira, bens, direitos ou valores provenientes de infração penal; (Redação dada pela Lei nº 12.683, de 2012) Fl. 310DF CARF MF 10 II participa de grupo, associação ou escritório tendo conhecimento de que sua atividade principal ou secundária é dirigida à prática de crimes previstos nesta Lei. Em 2001, a Medida Provisória 2.15835 também acresceu ao ordenamento novas normas voltadas para esse objetivo de combater a fraude, a sonegação, conluio no âmbito do comércio exterior. MP 2.15835, de 2001: Art. 68. Quando houver indícios de infração punível com a pena de perdimento, a mercadoria importada será retida pela Secretaria da Receita Federal, até que seja concluído o correspondente procedimento de fiscalização. Parágrafo único. O disposto neste artigo aplicarseá na forma a ser disciplinada pela Secretaria da Receita Federal, que disporá sobre o prazo máximo de retenção, bem assim as situações em que as mercadorias poderão ser entregues ao importador, antes da conclusão do procedimento de fiscalização, mediante a adoção das necessárias medidas de cautela fiscal. .... Art. 80. A Secretaria da Receita Federal poderá: I estabelecer requisitos e condições para a atuação de pessoa jurídica importadora por conta e ordem de terceiro; e I estabelecer requisitos e condições para a atuação de pessoa jurídica importadora ou exportadora por conta e ordem de terceiro; e (Redação dada pela Lei nº 12.995, de 2014) II exigir prestação de garantia como condição para a entrega de mercadorias, quando o valor das importações for incompatível com o capital social ou o patrimônio líquido do importador ou do adquirente. .. Art. 86. O valor aduaneiro será apurado com base em método substitutivo ao valor de transação, quando o importador ou o adquirente da mercadoria não apresentar à fiscalização, em perfeita ordem e conservação, os documentos comprobatórios das informações prestadas na declaração de importação, a correspondência comercial, bem assim os respectivos registros contábeis, se obrigado à escrituração. Art. 87. Presumese a vinculação entre as partes na transação comercial quando, em razão de legislação do país do vendedor ou da prática de artifício tendente a ocultar informações, não for possível: I conhecer ou confirmar a composição societária do vendedor, de seus responsáveis ou dirigentes; ou II verificar a existência de fato do vendedor. Art. 88. No caso de fraude, sonegação ou conluio, em que não seja possível a apuração do preço efetivamente praticado na importação, a base de cálculo dos tributos e demais direitos incidentes será determinada mediante arbitramento do preço da mercadoria, em conformidade com um dos seguintes critérios, observada a ordem seqüencial: [....] Fl. 311DF CARF MF Processo nº 10920.723396/201361 Acórdão n.º 3401003.248 S3C4T1 Fl. 7 11 A Medida Provisória n. 66, de 2002, (posteriormente convertida na Lei n. 10.637, de 2002) trouxe definição para a hipótese da interposição fraudulenta e para a correspondente penalidade: Art. 59. O art. 23 do DecretoLei nº 1.455, de 7 de abril de 1976, passa a vigorar com as seguintes alterações: "Art. 23. ................................................................ .................................................................................................. V estrangeiras ou nacionais, na importação ou na exportação, na hipótese de ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros. § 1o O dano ao erário decorrente das infrações previstas no caput deste artigo será punido com a pena de perdimento das mercadorias. § 2o Presumese interposição fraudulenta na operação de comércio exterior a nãocomprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados. § 3o A pena prevista no § 1o convertese em multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria que não seja localizada ou que tenha sido consumida. § 4o O disposto no § 3o não impede a apreensão da mercadoria nos casos previstos no inciso I ou quando for proibida sua importação, consumo ou circulação no território nacional."(NR) Art. 60. O art. 81 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, passa a vigorar com as seguintes alterações: "Art. 81. ........................................................................ § 1o Será também declarada inapta a inscrição da pessoa jurídica que não comprove a origem, a disponibilidade e a efetiva transferência, se for o caso, dos recursos empregados em operações de comércio exterior. § 2o Para fins do disposto no § 1o, a comprovação da origem de recursos provenientes do exterior darseá mediante, cumulativamente: I prova do regular fechamento da operação de câmbio, inclusive com a identificação da instituição financeira no exterior encarregada da remessa dos recursos para o País; II identificação do remetente dos recursos, assim entendido como a pessoa física ou jurídica titular dos recursos remetidos. § 3o No caso de o remetente referido no inciso II do § 2o ser pessoa jurídica deverão ser também identificados os integrantes de seus quadros societário e gerencial. § 4o O disposto nos §§ 2o e 3o aplicase, também, na hipótese de que trata o § 2o do art. 23 do DecretoLei no 1.455, de 7 de abril de 1976."(NR) Art. 61. (VETADO) Fl. 312DF CARF MF 12 ..... Art. 66. A Secretaria da Receita Federal e a ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional editarão, no âmbito de suas respectivas competências, as normas necessárias à aplicação do disposto nesta Lei. Ponho em destaque que, na Exposição de Motivos dessa Medida Provisória n. 66, de 2002, em seguida convertida na Lei n. 10.637, de 2002 , consta positiva e indelevelmente que os artigos 59 e 60 têm o propósito de proporcionar mais recursos legais para o combate e à prevenção contra a fraude: Exposição de Motivos da MP n. 66, de 2002 [MF 0211 EM MPV PIS PASEP] 43 Os artigos 59 e 60 visam aperfeiçoar a legislação aduaneira no que concerne a prevenção e ao combate à fraude. Toda essa digressão faço para pontuar minha visão de que essas normas se alinham a uma busca de combater a lavagem de dinheiro, através do combate à fraude e à simulação. A Aduana, antes desse período, já tinha, na sua missão institucional mundial, o combate à prática desleal e à fraude, mas houve um substancial impulso nesses últimos anos. Desse conjunto de iniciativas, no âmbito do comércio exterior, resultaram a valorização do controle aduaneiro em geral e, especificamente, a eleição do conhecimento da origem, disponibilidade e destinação dos recursos usados nas importações e exportações como elemento tático de investigação. A meu ver, essa perspectiva é fundamental para se identificar princípios que orientem a interpretação e a aplicação dessa legislação. O texto legal (inciso V, artigo 23, do Decretolei n. 1.455, de 1976, com redação dada pelo artigo 59 da Lei n. 10.637/2002) estipula que se considera Dano ao Erário: V estrangeiras ou nacionais, na importação ou na exportação, na hipótese de ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros. A letra desse texto informa que se considera Dano ao Erário a ocultação mediante FRAUDE OU SIMULAÇÃO, inclusive quando não se comprova a origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados. Embora haja muitas teses desenvolvidas pelos aplicadores do direito em torno e a partir desse texto, adoto uma atitude conservadora e, na medida do possível, literal. Pareceme que não há dúvidas de que, para se configurar a infração há de se constatar pelo menos: · ocultação mediante fraude ou simulação, ou · ocultação mediante fraude ou simulação com falta de comprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados. Fl. 313DF CARF MF Processo nº 10920.723396/201361 Acórdão n.º 3401003.248 S3C4T1 Fl. 8 13 Essas definições das infrações servem de base para que eu possa identificar elementos que possivelmente concorram para descrevêlas e caracterizálas, que possam compor a configuração de provas e evidências. Nesse sentido, com brevidade, em meu entendimento: · Não constitui elemento essencial do tipo o não recolhimento/pagamento do tributo devido. O Dano ao Erário nessa hipótese não é tributário, embora a infração possa ter significado prejuízo tributário ao Erário; e que possa ser propósito do infrator obter resultado baseado na sonegação. · Não constitui elemento essencial do tipo a ocultação do real interessado na operação. A ocultação deve ter sido perpetrada mediante fraude ou simulação, ou interposição fraudulenta. · Não constitui elemento essencial do tipo a falta de informação do real interessado na operação nas declarações prestadas à autoridade aduaneira. É necessário que essa falta de informação se caracterize como falsa declaração, no propósito de ocultar, usando de fraude ou simulação. · A Lei criou as figuras da 'importação por conta e ordem' e da 'importação por encomenda', o que concorre para balancear as necessidades dos atores na operações de importação com as do controle aduaneiro. Essas figuras receberam normas que as disciplinam. A observação dessas normas pelos importadores atende o controle aduaneiro. Mas a desobediência dessas normas não constitui elemento essencial do tipo, embora o descumprimento das normas seja característica da infração. Há um aspecto a mais, um requisito no que se refere à constituição da multa prevista no § 3º deste inciso V do artigo 23 do Decretolei n. 1.455, de 1976: V estrangeiras ou nacionais, na importação ou na exportação, na hipótese de ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros. § 1o O dano ao erário decorrente das infrações previstas no caput deste artigo será punido com a pena de perdimento das mercadorias. § 2o Presumese interposição fraudulenta na operação de comércio exterior a não comprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados. § 3o A pena prevista no § 1o convertese em multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria que não seja localizada ou que tenha sido consumida. § 4o O disposto no § 3o não impede a apreensão da mercadoria nos casos previstos no inciso I ou quando for proibida sua importação, consumo ou circulação no território nacional."(NR) Constatada a infração descrita no inciso V, deve ser aplicada a pena de perdimento dos bens importados. Se a pena de perdimento não puder ser aplicada por que o bem não foi localizado ou tenha sido consumido ou revendido, deve se constituir e exigir a Fl. 314DF CARF MF 14 multa equivalente ao valor aduaneiro desse bem. Ou seja, a não localização do bem, ou a confirmação de que o bem foi consumido ou revendido, é requisito para a multa em tela. No caso em análise, a autoridade fiscal reuniu 5 aspectos relevantes e adotados como elementos de prova para a infração imputada. São eles, de acordo com a autoridade fiscal: "A autuação apresenta uma síntese dos citados fatos, da seguinte forma: destacamse 05 (cinco) aspectos relevantes que corroboram com a tese de que, na importação das mercadorias declaradas na DI 12/07846645 realizada pela empresa PAESE, a real interessada era a empresa ROTAFI, a saber": "As faturas do exportador já mencionavam a ROTAFI como destinatária das mercadorias a serem importadas"; "A proximidade das datas da nota fiscal de entrada e a nota fiscal de saída da importadora corroboram o entendimento de que o real adquirente das mercadorias já era conhecido"; "Os recursos depositados na conta da PAESE pela ROTAFI, anteriores à declaração de importação das mercadorias"; "A efetiva negociação entre a ANCA (exportadora) e a ROTAFI (real adquirente) das mercadorias importadas, assim como as informações prestadas pela PAESE que a importação seria para uma terceira empresa; e" "A empresa ROTAFI não possuía habilitação no Siscomex para operar no comércio exterior à época dos fatos, fato que impediria uma importação regular por parte dela." No caso em análise, a meu ver, as informações reunidas pela autoridade fiscal, embora concorram para demonstrar que a importação tratada pela Declaração de Importação DI n. 12/07846645 se referia a bens destinados à ROTAFI, por ela especificados, negociados e financiados através de pagamentos antecipados, não logrei reconhecer que esses elementos sejam suficientes para provar de que houve fraude ou simulação nesta operação. Eles não me parecem comprovar que a simulação seria a importação ter sido declarada como própria, quando de fato ela seria por conta e ordem (ou por encomenda). Este é o fato que está sob julgamento, e ele não pode servir como prova enquanto ele mesmo depende de provas que consiga tornar menos plausíveis explicações e hipóteses alternativas de que não seria uma fraude ou tentativa de burlar os controles aduaneiros. Não há outro dado ou informação que demonstre que houve simulação ou fraude e que concorra para afastar a hipótese alternativa de que a importação foi realizada pela PAESE com seus próprios recursos tendo previamente a ROTAFI como destinatária dos bens estrangeiros. Esse entendimento é mais evidente com relação à ROTAFI neste caso. Como já expliquei, a ocultação do real adquirente é resultado de ato deliberado, mormente de prática deliberada. Para a inclusão do real adquirente no polo passivo do fato imputado há que se demonstrar a sua participação e intenção, o dolo de agir para dissimular. O que expressa a determinação legal contida no inciso V do artigo 95 do Decreto lei n. 37, de 1966, não é de aplicação automática. Notem, senhores Conselheiros, que esse inciso esclarece que responde Fl. 315DF CARF MF Processo nº 10920.723396/201361 Acórdão n.º 3401003.248 S3C4T1 Fl. 9 15 CONJUNTA OU ISOLADAMENTE o real adquirente pela infração na importação por conta e ordem. A real adquirente, na situação de importação por conta e ordem, é designada como responsável, quando fica demonstrada que ela é co autora da prática. (por exemplo, ela orienta a importadora, ou controla o proceder da importadora, etc.) Para se eleger a adquirente e destinatária final e real dos bens importados como sendo co autora de (i) interposição fraudulenta ou (ii) ocultação do real destinatário mediante fraude ou simulação, se deve demonstrar que a importadora tinha agido com o conhecimento e a aprovação e a participação da real destinatária dos bens. Mas não é o que consigo encontrar nos autos. A meu ver, a autoridade fiscal conseguiu realizar demonstração competente com relação à ROTAFI. A autuação, com relação à ROTAFI, cingiu a ação fiscal em apenas uma declaração de importação e se limitou a demonstrar os repasses financeiros e que a mercadoria estrangeira era previamente A ELA destinada. Esses fatos podem se constituir em fortes evidências da co autoria na infração, mas não são suficientes para tal fim, tanto para o que dispõe o inciso I, quanto o inciso II do artigo 95 do Decretolei n. 37, de 1966. A meu ver, não ficou demonstrado que a ROTAFI: (a) tenha concorrido para a prática ou dela tenha se beneficiado; (b) tenha tido a intenção de obter o resultado da ocultação. Por essa razão, considero ilegítima a manutenção da ROTAFI no polo passivo da multa, e proponho que seja dado provimento ao recurso voluntário da PAESE por falta de comprovação da fraude e simulação. Conselheiro Eloy Eros da Silva Nogueira Relator Voto Vencedor Conselheiro Fenelon Moscoso de Almeida, Redator designado. Com as vênias de praxe, dissinto do entendimento do eminente Relator no sentido da declaração de nulidade da autuação, por vício formal originário na formação do ato administrativo. Compulsando os autos, o Relator identificou a lavratura de um único auto de infração com duas penalidades constituídas: ocultação do real adquirente (PAESE e ROTAFI) e cessão de nome para ocultar o real adquirente (PAESE), porém, somente encontrou intimação e ciência do auto de infração da PAESE, mas não da ROTAFI. Em razão da ausência de ciência de um dos solidários, entendeu o Relator estar diante de um ato administrativo carente da condição que lhe dá a eficácia de constituir o crédito tributário: "No caso, a falta da ciência da ROTAFI é fatal para a validade da pretensão fiscal in totum. A ciência de apenas um dos autuados não supre a exigência legal para fins de garantir a efetividade da autuação." (grifei) Concluindo que a situação de ausência de ciência de um dos solidários, fere o disposto nos artigos 9, 10 e 59, do Decreto nº 70.235/72, havendo prejuízo ao direito de defesa e ao contraditório, além do ato fiscal ter reunido em um único auto de infração duas Fl. 316DF CARF MF 16 penalidades dirigidas a ambos os contribuinte, quando a multa por cessão de nome é imputável apenas ao cedente (PAESE), e a multa por ocultação do real adquirente para o ocultante (PAESE), em solidariedade com o ocultado (ROTAFI). Com essas razões, propôs ao Colegiado fosse cancelado o auto de infração por vício originário. No âmbito do Processo Administrativo Fiscal as hipóteses de nulidade são tratadas de forma específica no art. 59, do Decreto nº 70.235/72 (PAF): Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. (...) § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. A leitura do artigo supracitado leva ao entendimento de que, no caso de auto de infração, ato administrativo formalizado por termo próprio e resultante do conjunto de outros atos e termos fiscais, só há nulidade se for lavrado por pessoa incompetente (art. 59, I), falandose em defesa cerceada somente quanto aos despachos e decisões (art. 59, II), não importando em nulidade, as irregularidades, incorreções e omissões sanáveis (art. 60). No presente caso, notase que não se trata de questão que eive o lançamento de vício de nulidade na sua formação. Os sujeitos passivos foram perfeitamente identificados e, se um dos solidários não foi cientificado e/ou não pode ser responsabilizados pela totalidade do crédito, isso passa ser uma questão de simples segregação do crédito, na execução do julgado, na via administrativa, ou no curso da execução fiscal. Perfeitamente possível a segregação dos montantes em relação aos quais cada solidário responde e, ainda que entendida juridicamente impossível a segregação, restaria ao julgador, apenas, por excluir o responsável solidário não cientificado e indevidamente incluso no pólo passivo da exação, não implicando a situação em nulidade total do auto de infração. Como ato administrativo, o auto de infração deve respeitar os requisitos mínimos de formação válida do artigo 10, do Decreto nº 70.235/72: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; Fl. 317DF CARF MF Processo nº 10920.723396/201361 Acórdão n.º 3401003.248 S3C4T1 Fl. 10 17 VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Estando o auto de infração revestido de suas formalidades essenciais, no que tange ao seu conteúdo necessário e respectivas provas, serão analisados junto com o mérito da tributação, não sendo causa preliminar de nulidade. Ainda mais, tendose em mente que: quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta, nos termos do (art. 59, § 3º). Com estas considerações, voto por negar provimento à declaração de nulidade da autuação, por vício formal, em razão da saneabilidade do defeito apontado. Conselheiro Fenelon Moscoso de Almeida Redator designado. Fl. 318DF CARF MF
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