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Numero do processo: 10830.721832/2015-39
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 17 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Oct 07 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2012
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. DISCUSSÃO. IMPOSSIBILIDADE.
Incabível na esfera administrativa a discussão de que uma determinada norma legal não é aplicável por ferir princípios constitucionais, pois essa competência é atribuída exclusivamente ao Poder Judiciário, na forma dos artigos 97 e 102 da Constituição Federal. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2).
APRESENTAÇÃO DE PROVAS. PRECLUSÃO. INOCORRÊNCIA.
É cabível a apresentação de provas complementares em sede de recurso voluntário quando houve a apresentação na impugnação de outras provas indiciárias das alegações do contribuinte.
DEDUÇÃO DE DESPESAS COM SAÚDE. RECIBOS DE PAGAMENTO. AUSÊNCIA DOS REQUISITOS LEGAIS.
Os recibos de pagamento firmados por profissionais de saúde devem preencher requisitos mínimos legais para sua validade. Documentos que não estejam em consonância com a legislação, não se prestam para comprovar a regularidade da dedução da base de cálculo do Imposto de Renda sobre a Pessoa Física das despesas médicas efetuadas.
DEDUÇÃO DE PENSÃO ALIMENTÍCIA. AUSÊNCIA DE MOTIVO VÁLIDO. VÍCIO MATERIAL. NULIDADE.
O motivo do lançamento, para a dedução de pensão alimentícia paga a irmãos, foi a ausência de prova da incapacidade para o trabalho dos alimentandos ou da curatela obtida judicialmente, para o caso de incapazes. O elemento motivo do ato administração de lançamento não encontra correspondência no ordenamento jurídico, viciando o ato e fulminando a exação de nulidade quanto nesse tocante.
Numero da decisão: 2201-003.307
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para: i) admitir a despesa médica no valor de no valor de R$ 5.091,81; e ii) restabelecer a integralidade do valor deduzido a título de pensão alimentícia judicial. Votaram pelas Conclusões os Conselheiros Carlos César Quadros Pierre, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Carlos Henrique de Oliveira e Ana Cecília Lustosa da Cruz. Vencidos o Relator, Daniel Melo Mendes Bezerra e o Conselheiro Denny Medeiros da Silveira (Suplente convocado), que negavam a dedução da despesa médica. Designado para elaborar o voto vencedor quanto à despesa médica o Conselheiro Carlos Henrique de Oliveira.
Assinado digitalmente.
Carlos Henrique de Oliveira - Presidente e Relator do Voto Vencedor
Assinado digitalmente.
Daniel Melo Mendes Bezerra - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira (Presidente), Carlos Alberto do Amaral Azeredo, José Alfredo Duarte Filho (Suplente convocado), Maria Anselma Coscrato dos Santos (Suplente convocada), Denny Medeiros da Silveira (Suplente convocado), Daniel Melo Mendes Bezerra, Carlos César Quadros Pierre e Ana Cecília Lustosa da Cruz.
Nome do relator: DANIEL MELO MENDES BEZERRA
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PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. DISCUSSÃO. IMPOSSIBILIDADE. Incabível na esfera administrativa a discussão de que uma determinada norma legal não é aplicável por ferir princípios constitucionais, pois essa competência é atribuída exclusivamente ao Poder Judiciário, na forma dos artigos 97 e 102 da Constituição Federal. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2). APRESENTAÇÃO DE PROVAS. PRECLUSÃO. INOCORRÊNCIA. É cabível a apresentação de provas complementares em sede de recurso voluntário quando houve a apresentação na impugnação de outras provas indiciárias das alegações do contribuinte. DEDUÇÃO DE DESPESAS COM SAÚDE. RECIBOS DE PAGAMENTO. AUSÊNCIA DOS REQUISITOS LEGAIS. Os recibos de pagamento firmados por profissionais de saúde devem preencher requisitos mínimos legais para sua validade. Documentos que não estejam em consonância com a legislação, não se prestam para comprovar a regularidade da dedução da base de cálculo do Imposto de Renda sobre a Pessoa Física das despesas médicas efetuadas. DEDUÇÃO DE PENSÃO ALIMENTÍCIA. AUSÊNCIA DE MOTIVO VÁLIDO. VÍCIO MATERIAL. NULIDADE. O motivo do lançamento, para a dedução de pensão alimentícia paga a irmãos, foi a ausência de prova da incapacidade para o trabalho dos alimentandos ou da curatela obtida judicialmente, para o caso de incapazes. O elemento motivo do ato administração de lançamento não encontra AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 72 18 32 /2 01 5- 39 Fl. 163DF CARF MF Impresso em 07/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2016 por DANIEL MELO MENDES BEZERRA, Assinado digitalmente em 05/1 0/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 26/09/2016 por DANIEL MELO MENDES B EZERRA Processo nº 10830.721832/201539 Acórdão n.º 2201003.307 S2C2T1 Fl. 149 2 correspondência no ordenamento jurídico, viciando o ato e fulminando a exação de nulidade quanto nesse tocante. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para: i) admitir a despesa médica no valor de no valor de R$ 5.091,81; e ii) restabelecer a integralidade do valor deduzido a título de pensão alimentícia judicial. Votaram pelas Conclusões os Conselheiros Carlos César Quadros Pierre, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Carlos Henrique de Oliveira e Ana Cecília Lustosa da Cruz. Vencidos o Relator, Daniel Melo Mendes Bezerra e o Conselheiro Denny Medeiros da Silveira (Suplente convocado), que negavam a dedução da despesa médica. Designado para elaborar o voto vencedor quanto à despesa médica o Conselheiro Carlos Henrique de Oliveira. Assinado digitalmente. Carlos Henrique de Oliveira Presidente e Relator do Voto Vencedor Assinado digitalmente. Daniel Melo Mendes Bezerra Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira (Presidente), Carlos Alberto do Amaral Azeredo, José Alfredo Duarte Filho (Suplente convocado), Maria Anselma Coscrato dos Santos (Suplente convocada), Denny Medeiros da Silveira (Suplente convocado), Daniel Melo Mendes Bezerra, Carlos César Quadros Pierre e Ana Cecília Lustosa da Cruz. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra a decisão de primeira instância, que julgou improcedente a impugnação do contribuinte, ofertada em face da lavratura de Notificação de Lançamento de IRPF. Os aspectos principais do lançamento estão delineados no relatório da decisão de primeira instância, nos seguintes termos: Tratase de Notificação de Lançamento (fls. 49/55) em nome do sujeito passivo em epígrafe, decorrente de procedimento de revisão da sua Declaração de Ajuste Anual Retificadora do exercício 2012 (fls. 62/68), onde se constatou: A) Dedução Indevida de Pensão Alimentícia Judicial e/ou por Escritura Pública de R$ 68.820,00. B) Dedução Indevida de Despesas Médicas de R$ 22.960,81. Após a revisão, foi apurado o imposto suplementar de R$ 25.239,72 acrescido de juros de mora e multa de ofício de 75%. Cientificada do lançamento, por via postal, em 17/03/2015 (fls. 57), a interessada ingressou com impugnação em 14/04/2015 (fls. 02/05) Fl. 164DF CARF MF Impresso em 07/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2016 por DANIEL MELO MENDES BEZERRA, Assinado digitalmente em 05/1 0/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 26/09/2016 por DANIEL MELO MENDES B EZERRA Processo nº 10830.721832/201539 Acórdão n.º 2201003.307 S2C2T1 Fl. 150 3 ratificando as despesas declaradas e indicando a juntada dos documentos comprobatórios correspondentes. A DRJ julgou procedente em parte a impugnação do contribuinte sob o argumento principal de que não restou comprovado o pagamento da pensão alimentícia judicial. No que pertine à glosa de dedução de despesas médicas, o acórdão recorrido restabeleceu a dedução em relação às notas fiscais da CF & JV Clínica Odontológica Ltda (fls. 40/42), que comprovou o pagamento do valor de R$ 1.260,00 (um mil, duzentos e sessenta reais). Cientificada do acórdão da DRJ em 06/08/2015, a contribuinte apresentou Recurso Voluntário tempestivamente em 06/09/2015, alegando em síntese que: Por ocasião da impugnação apresentou todos os comprovantes de despesas médicas, os quais não foram aceitos pela decisão recorrida. As deduções são todas pertinentes, razão pela qual interpõe o presente recurso, objetivando a extinção do lançamento. Em relação ao pagamento de pensão alimentícia judicial, aduz haver comprovado que no ano de 2009 houve a determinação judicial da obrigação alimentar, sendo cabível a dedução dos pagamentos comprovadamente efetuados, nos temos do art. 34, § 4º, da Instrução Normativa SRF 15/2001. Aduz que o lançamento está eivado de nulidade, eis que não se buscou a verdade real. As provas apresentadas foram simplesmente desconsideradas sem nenhuma fundamentação, o que torna nulo o lançamento por cerceamento ao direito de defesa. A cobrança da multa no percentual de 75% (setenta e cinco por cento) afronta o art. 150, IV, da Constituição Federal, possuindo efeito confiscatório. Por fim, requer o recebimento e provimento integral do presente recurso, por ser medida de direito e justiça. É o Relatório. Voto Vencido Daniel Melo Mendes Bezerra, Conselheiro Relator Admissibilidade Como relatado, o Recurso Voluntário é tempestivo. Ademais, preenche os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. Fl. 165DF CARF MF Impresso em 07/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2016 por DANIEL MELO MENDES BEZERRA, Assinado digitalmente em 05/1 0/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 26/09/2016 por DANIEL MELO MENDES B EZERRA Processo nº 10830.721832/201539 Acórdão n.º 2201003.307 S2C2T1 Fl. 151 4 Da dedução das despesas com saúde A matéria de fundo se relaciona à presunção relativa dos recibos de pagamento firmados por profissionais de saúde para legitimar a dedução levada a cabo pelo sujeito passivo. A controvérsia reside no fato de que, para a decisão recorrida, não basta o mero recibo assinado pelo profissional de saúde. Referido documento deve preencher os requisitos estabelecidos pela legislação. Com exceção do pagamento a CF & JV Clinica Odontológica Ltda, no valor de R$ 1.260,00, todas as glosas de deduções efetuadas foram mantidas pelo acórdão a quo. O art. 8.º, I e II, “a”, da Lei n.º 9.250, de 26 de dezembro de 1995, estabelece que: Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: I de todos os rendimentos percebidos durante o anocalendário, exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais,bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias; (...) § 2º O disposto na alínea a do inciso II: I aplicase, também, aos pagamentos efetuados a empresas domiciliadas no País, destinados à cobertura de despesas com hospitalização, médicas e odontológicas, bem como a entidades que assegurem direito de atendimento ou ressarcimento de despesas da mesma natureza; II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Geral de Contribuintes CGC de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; (Grifouse). (...).” O recibo de despesa médica apresentado pelo Instituto Patrícia Lacombe não discriminou o paciente e a data da prestação do serviço, razão pela qual não se presta para comprovar a regularidade da dedução perpetrada. O recibo emitido por Eudes Gondim Júnior, por sua vez, não informa o endereço do emissor, deixando de preencher, portanto, um dos requisitos previstos pela legislação para a sua validade, a fim de comprovar a regularidade da dedutibilidade de despesas médicas. Os demais documentos comprobatórios não foram apresentados por ocasião da impugnação. Em sede recursal, pretende a contribuinte a revisão do lançamento através de um pedido de análise de documentos por este Colegiado, que supostamente comprovariam a regularidade da dedução efetuada no pagamento à Vera Cruz Associação de Saúde, no valor de R$ 5.091,81 (cinco mil, noventa e um reais e oitenta e um centavos). Fl. 166DF CARF MF Impresso em 07/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2016 por DANIEL MELO MENDES BEZERRA, Assinado digitalmente em 05/1 0/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 26/09/2016 por DANIEL MELO MENDES B EZERRA Processo nº 10830.721832/201539 Acórdão n.º 2201003.307 S2C2T1 Fl. 152 5 Todavia, entendo que analisar a prova documental carreada ao presente Recurso daria a opção à contribuinte de escolher a instância julgadora que melhor lhe aprouvesse para o julgamento do seu pedido, o que consistiria em uma inegável ofensa às normas adjetivas que norteiam o processo administrativo fiscal, com a supressão da primeira instância. Com isso, não estou a dizer que a regra inserta no o § 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235/1972 é absoluta. O julgador, que é um intérprete da lei, esta na acepção lato sensu deve aplicar o ordenamento jurídico. Assim, a mencionada regra processual deverá ser sopesada com o princípio da verdade material, que deve basilar o julgador ao dirimir as lides tributárias, quando possível. No caso que se cuida, não houve nenhuma justificativa apresentada para a não exibição de documentos no momento da impugnação, nem havia no momento do proferimento da decisão de piso, qualquer indício probatório para amparar as alegações no tocante a essa despesa médica específica. Desse modo, entendo que não merece reparo a decisão da DRJ no tocante às glosas de deduções com despesas médicas efetuadas. Da dedução da pensão alimentícia A dedução da base de cálculo relativa ao pagamento de pensão alimentícia encontra previsão no inciso II do caput do art. 4º, bem como na alínea “f” do inciso II do caput do art. 8º, ambos da Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995, abaixo transcritos: Art. 4º Na determinação da base de cálculo sujeita à incidência mensal do imposto de renda poderão ser deduzidas: (...) II as importâncias pagas a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão ou acordo judicial, inclusive a prestação de alimentos provisionais; Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: I de todos os rendimentos percebidos durante o anocalendário, exceto os isentos, os não tributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II das deduções relativas: (...) f) às importâncias pagas a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente, inclusive a prestação de alimentos provisionais; Fl. 167DF CARF MF Impresso em 07/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2016 por DANIEL MELO MENDES BEZERRA, Assinado digitalmente em 05/1 0/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 26/09/2016 por DANIEL MELO MENDES B EZERRA Processo nº 10830.721832/201539 Acórdão n.º 2201003.307 S2C2T1 Fl. 153 6 A autoridade lançadora glosou a dedução do valor pago a título de pensão alimentícia do sujeito passivo, pelos motivos de fato a seguir esposados: “Contribuinte apresentou pensão alimentícia para irmãos. Todavia, irmãos só podem ser dependentes quando incapacitados para o trabalho e, nos casos de incapazes, necessária apresentação de curatela, obtida judicialmente. Portanto, tendo em vista ausência de apresentação de documentação necessária, glosou se a dedução”. O Colegiado de primeira instância ao proferir sua decisão, por sua vez, fundamentou o motivo da improcedência da impugnação quanto a este aspecto do lançamento, pelo fato de a contribuinte não ter feito prova do pagamento da pensão alimentícia judicial. A decisão de piso não se pronunciou sobre a motivação do ato adminstrativo de lançamento, que foi definido pela autoridade lançadora com sendo a ausência de documentos que provassem a incapacidade para o trabalho dos irmãos da recorrente ou a curatela obtida judicialmente. Ocorre que, em relação aos alimentos, as normas de Direito de Família não vedam o pagamento de pensão alimentícia a irmãos, bastando a comprovação da necessidade alimentar do parente colateral. Nesse sentido, transcrevemos o aresto abaixo: APELAÇÃO CÍVEL. AÇÃO DE ALIMENTOS ENTRE IRMÃOS. ALEGAÇÃO DE NECESSIDADE NÃO COMPROVADA. POSSIBILIDADE DE MANUTENÇÃO DA PRÓPRIA SUBSISTÊNCIA. Segundo dispõe o artigo 1.694 do Código Civil , é possível aos parentes pleitearem alimentos uns aos outros. Contudo, em não se tratando de necessidade presumida, é imprescindível àquele que pleiteia os alimentos a prova da falta de condições de prover a própria subsistência. Ausente a prova de efetiva situação fazendária do alimentado, pois constatada que ela é superior à declarada quando do pedido, não há porque compelir irmão a ajudálo. NEGARAM PROVIMENTO AO APELO. (Apelação Cível Nº 70063175582, Oitava Câmara Cível, Tribunal de Justiça do RS, Relator: Alzir Felippe Schmitz, Julgado em 16/07/2015). Assim, entendo que autoridade lançadora explicitou a fundamentação legal do lançamento, estando presente, portanto, a motivação do ato administrativo de lançamento. No entanto, o motivo não encontra correspondência com a justificativa legal para a prática do ato. Assim, concluise que o lançamento está eivado de vício por ilegalidade no elemento do ato administrativo motivo. Segundo a festejada administrativista Odete Medauar, lecionando acerca do princípio da autotutela administrativa, “a Administração deve zelar pela legalidade de seus atos e condutas e pela adequação dos mesmos ao interesse público. Se a Administração verificar que atos e medidas contêm ilegalidades, poderá anulálos por si própria; se concluir no sentido da inoportunidade e inconveniência, poderá revogálos” (Medauar, 2008, p. 130). A fim de preservar a legalidade do ato administrativo de lançamento, deve a Administração, de ofício, anular os atos por ela praticados quando forem constatados vícios de legalidade, nos termos art. 53 da Lei nº 9.784/99, que dispõe: Fl. 168DF CARF MF Impresso em 07/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2016 por DANIEL MELO MENDES BEZERRA, Assinado digitalmente em 05/1 0/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 26/09/2016 por DANIEL MELO MENDES B EZERRA Processo nº 10830.721832/201539 Acórdão n.º 2201003.307 S2C2T1 Fl. 154 7 Art. 53. A Administração deve anular seus próprios atos, quando eivados de vício de legalidade, e pode revogálos por motivo de conveniência ou oportunidade, respeitados os direitos adquiridos. Destarte, entendo que a parte do lançamento referente à dedução da pensão alimentícia judicial está fulminada desde o seu nascedouro pela ocorrência de vício material insanável, sendo nulo o lançamento nesse tocante. Da multa Incabível na esfera administrativa a discussão de que uma determinada norma legal não é aplicável por ferir princípios constitucionais, pois essa competência é atribuída exclusivamente ao Poder Judiciário, na forma dos artigos 97 e 102 da Constituição Federal. A alegação recursal de efeito confiscatório da multa de ofício, em desobediência à Constituição Federal, não será apreciada pelo óbice previsto na Súmula CARF nº 02: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Conclusão Diante de todo o exposto, voto por dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, mantendo o acórdão recorrido quanto à apreciação da dedutibilidade de despesas médicas e restabelecer a integralidade do valor deduzido a título de pensão alimentícia judicial pela ocorrência da nulidade do lançamento nesse aspecto. Daniel Melo Mendes Bezerra Relator Fl. 169DF CARF MF Impresso em 07/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2016 por DANIEL MELO MENDES BEZERRA, Assinado digitalmente em 05/1 0/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 26/09/2016 por DANIEL MELO MENDES B EZERRA Processo nº 10830.721832/201539 Acórdão n.º 2201003.307 S2C2T1 Fl. 155 8 Voto Vencedor Conselheiro Carlos Henrique de Oliveira Redator designado Tratase de recurso voluntário proposto em face de acórdão que considerou procedente a notificação de lançamento de Imposto de Renda da Pessoa Física referente à revisão da Declaração de Ajuste Anual Retificadora do exercício 2012 (fls. 62/68), onde se constatou: i) dedução Indevida de Pensão Alimentícia Judicial e/ou por Escritura Pública de R$ 68.820,00; ii) dedução Indevida de Despesas Médicas de R$ 22.960,81; consoante o relatório e o voto do ilustre Conselheiro Daniel Melo Mendes Bezerra. Em apertada síntese, o voto do eminente Conselheiro Relator, na parte da divergência aqui apresentada que se restringe aos documentos referentes ao Plano de Saúde Vera Cruz, não acolhe, por apresentação intempestiva, a comprovação da dedutibilidade das despesas da contribuinte, uma vez que o documento comprobatório (folha 142 dos autos), é anexado após a impugnação, ofendendo assim o parágrafo 4º do artigo 16 do Decreto nº 70.235/72. Com o devido respeito e escusa, ouso discordar do ilustre relator. Passo a fundamentar minha opinião. “O Direito não socorre a quem dorme” é uma máxima jurídica cujo conhecimento é público, podese dizer, graças a sua imensa aplicabilidade. A decadência, a prescrição e a preclusão são institutos jurídicos fundados na falta de agir daqueles que possuem um direito, visando a estabilidade das relações jurídicas pela punição, em face da omissão, dos que não buscam a realização desse seu direito. Examinemos o que nos interessa para a decisão do caso em apreço: a preclusão. Sabemos que se trata da perda de um ato processual pela inércia ou intempestividade de sua prática. Como nos recorda De Plácido e Silva, “indica propriamente a perda de determinada faculdade processual...” (Vocabulário Jurídico, 27ª ed, Editora Forense, 2008, p. 1076). Tal instituto visa garantir agilidade processual por meio da impulsão, pelas próprias partes, do processo administrativo ou judicial, impedindo que a demora de determinada parte no dever de se desincumbir de determinado ônus, cause uma demora exagerada no tempo do processo administrativo ou judicial. Nesse sentido, a lei determina que tal mora seja penalizada com a própria perda do ato processual, “acarretando a superação daquele estágio do processo...”, conforme ensina Celso Antonio Bandeira de Mello (Curso de Direito Administrativo Brasileiro, 24ª ed., Malheiros Editores, 2007, p. 1016). Exatamente essa a inferência que se obtém da leitura do artigo 16, parágrafo 4º do Decreto nº 70.235/71: “Art. 16. A impugnação mencionará: ... Fl. 170DF CARF MF Impresso em 07/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2016 por DANIEL MELO MENDES BEZERRA, Assinado digitalmente em 05/1 0/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 26/09/2016 por DANIEL MELO MENDES B EZERRA Processo nº 10830.721832/201539 Acórdão n.º 2201003.307 S2C2T1 Fl. 156 9 § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazê lo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. § 5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior.” (negritamos) Não obstante todo o exposto, não podemos, no caso em apreço, adotar o entendimento acima explicitado. Nossa decisão deve ser tomada no âmbito do processo administrativo tributário, procedimento pelo qual a Administração Pública visa controlar a legalidade de seus atos. Importante, nesse ponto, explicitar a função do processo administrativo dentro do ordenamento jurídico pátrio recordando que, para tanto, é necessário abordarmos a função do Estado dentro da sociedade moderna. Em apertada síntese, podemos dizer, comungando a visão de Celso Antonio Bandeira de Melo (ob. cit., p. 29), que o Estado moderno desempenha três funções primordiais: legislativa, administrativa (ou executiva) e jurisdicional. Essas três funções se encontram distribuídas pelos Três Poderes, como se sabe, Legislativo, Executivo e Judiciário. Muito embora se reconheça que nenhum dos Poderes exerça somente sua função precípua, é, inegavelmente, essa que o consagra e determina seu regramento e modelo de atuação. Essa ressalva é importante para se analisar a função do processo administrativo dentro do Poder Executivo, pois é justamente nesse poder que se encontra uma função importantíssima para sua atuação e que pode parecer, para um leigo, verdadeiro desvio de função. A Administração Pública, exteriorização do Poder Executivo, tem a função precípua de realizar o interesse público, dando concretude aos comandos emanados dos Poderes Legislativo e Judiciário. Nesse sentido que se afirma serem princípios fundantes da Administração Pública a supremacia do interesse público sobre o privado e a indisponibilidade do interesse público. (Celso Bandeira de Melo suporta essa afirmação in ob. cit, p.53). Decorre desses princípios enfeixadores do sistema jurídico que embasa a Administração Pública Brasileira, princípios fundantes do Direito Administrativo pátrio, a primazia do princípio da legalidade nesse ramo do Direito Público, pois ao submeter à Administração à lei, o ordenamento jurídico “explicita a subordinação da atividade administrativa à lei e surge como decorrência natural da indisponibilidade do interesse Fl. 171DF CARF MF Impresso em 07/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2016 por DANIEL MELO MENDES BEZERRA, Assinado digitalmente em 05/1 0/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 26/09/2016 por DANIEL MELO MENDES B EZERRA Processo nº 10830.721832/201539 Acórdão n.º 2201003.307 S2C2T1 Fl. 157 10 público, noção esta que, conforme foi visto, informa o caráter da relação de administração”. (Celso Bandeira de Melo, ob. cit., p. 72). Nos dizeres de Hely Lopes Meirelles (Direito Administrativo Brasileiro, 32ª ed., Malheiros Editores, p. 87): “A legalidade como princípio de administração (CF, art 37, caput), significa que o administrador público está, em toda a sua atividade funcional, sujeito aos mandamentos da lei e às exigências do bem comum, e deles não pode se afastar ou desviar, sob pena de praticar ato inválido e exporse a responsabilidade disciplinar, civil e criminal, conforme o caso” (grifamos) É essa vinculação absoluta ao império da lei que exige que a Administração Pública controle a legalidade de seus próprios atos, independentemente de manifestação do particular, por meio do que se chama, princípio do controle administrativo ou tutela, ou ainda autotutela. Por isso, dizse com razão que, o processo administrativo resguarda os interesses dos administrados. Como todos os ramos do Direito Administrativo, também o ramo processual encontra seus limites interpretativos em seus princípios específicos. Muitos desses princípios se encontram positivados, embora denominados como “critérios” na Lei 9.784, de 1999, que regula o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal, especificamente no parágrafo único do artigo 2º, que preceitua: “Art. 2o A Administração Pública obedecerá, dentre outros, aos princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência. Parágrafo único. Nos processos administrativos serão observados, entre outros, os critérios de: I atuação conforme a lei e o Direito; II atendimento a fins de interesse geral, vedada a renúncia total ou parcial de poderes ou competências, salvo autorização em lei; III objetividade no atendimento do interesse público, vedada a promoção pessoal de agentes ou autoridades; IV atuação segundo padrões éticos de probidade, decoro e boafé; V divulgação oficial dos atos administrativos, ressalvadas as hipóteses de sigilo previstas na Constituição; VI adequação entre meios e fins, vedada a imposição de obrigações, restrições e sanções em medida superior àquelas estritamente necessárias ao atendimento do interesse público; Fl. 172DF CARF MF Impresso em 07/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2016 por DANIEL MELO MENDES BEZERRA, Assinado digitalmente em 05/1 0/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 26/09/2016 por DANIEL MELO MENDES B EZERRA Processo nº 10830.721832/201539 Acórdão n.º 2201003.307 S2C2T1 Fl. 158 11 VII indicação dos pressupostos de fato e de direito que determinarem a decisão; VIII – observância das formalidades essenciais à garantia dos direitos dos administrados; IX adoção de formas simples, suficientes para propiciar adequado grau de certeza, segurança e respeito aos direitos dos administrados; X garantia dos direitos à comunicação, à apresentação de alegações finais, à produção de provas e à interposição de recursos, nos processos de que possam resultar sanções e nas situações de litígio; XI proibição de cobrança de despesas processuais, ressalvadas as previstas em lei; XII impulsão, de ofício, do processo administrativo, sem prejuízo da atuação dos interessados; XIII interpretação da norma administrativa da forma que melhor garanta o atendimento do fim público a que se dirige, vedada aplicação retroativa de nova interpretação.” (grifamos) Além desses princípios positivados, a doutrina elenca outros, não menos importantes, como por exemplo, o princípio da verdade material que nos interessa para o caso em concreto. Lucas Rocha Furtado (Curso de Direito Administrativo, Ed. Fórum, 2007, p. 1209), com clareza que merece reprodução, assegura: “Nos processos administrativos, diversamente do que ocorre com os processos judiciais, especialmente no âmbito do processo civil, os responsáveis pela condução dos autos não devem se ater às informações constantes dos autos para a formação das suas convicções e para a construção das decisões a serem proferidas.” (negritamos) Continua o doutrinador: “Evidentemente que se espera que a denominada verdade formal, aquela que se extrai exclusivamente das informações constantes dos autos, corresponda a realidade dos fatos e a correta aplicação do direito. Ou seja, é de se esperar que a denominada verdade formal esteja em perfeita harmonia com a verdade material. Caso se constate eventual descompasso entre uma e outra, no entanto, os responsáveis pela condução do processo administrativo devem decidir com base na verdade material. Fl. 173DF CARF MF Impresso em 07/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2016 por DANIEL MELO MENDES BEZERRA, Assinado digitalmente em 05/1 0/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 26/09/2016 por DANIEL MELO MENDES B EZERRA Processo nº 10830.721832/201539 Acórdão n.º 2201003.307 S2C2T1 Fl. 159 12 A realização do principio da verdade material matem forte relação com o do formalismo moderado. Assim, exigências ou limitações formais não devem impedir que a Administração Pública decida com base na verdade material caso esta contrarie a verdade formal”. (os grifos não constam do original) Tal princípio, como sobredito, decorre do dever da Administração em buscar o interesse público que se atinge com a observância dos preceitos estabelecidos em lei. Nesse ponto nossa vinculação à observância do princípio da verdade material se torna majorada, em face de nossa atuação como Administração Tributária. Essa atuação, que tem por função precípua prover de recursos o Estado Democrático e Social de Direito, como se diz do Estado Brasileiro, para que este possa realizar os ditames constitucionais. Porém, não se pode exigir a transferência de recursos do contribuinte para o Estado, além daqueles definidos e quantificados pela lei. Ao analisar a questão sob a ótica da tributação como forma de manutenção do Estado de Direito e das liberdades individuais, Luis Eduardo Schoueri (Direito Tributário, 3ª ed., Ed. Saraiva, 2013, p. 31), reconheceu que: “O tributo surge, nessa perspectiva, como o preço dessa liberdade. Ele não se justifica como tal, mas somente na medida em que seja indispensável e na extensão em que se espera uma atuação estatal na construção de uma liberdade coletiva, de inclusão social.” Por isso as receitas derivadas do Estado, consoante expressa determinação do Constituinte, são controladas exclusivamente pela lei. Explicita a imposição constitucional o princípio da legalidade expresso no artigo 150, inciso I, da Carta Magna. Ao tratar do tema, Schoueri (ob cit., p. 279), recorda que: “Em matéria tributária, o Princípio da Legalidade é anterior mesmo ao Estado de Direito. É o direito de concordar com a tributação e controlar o modo como os recursos arrecadados, são empregados.” Verdadeira limitação constitucional ao poder de tributar, o Princípio da Legalidade é consubstanciado, segundo o artigo 146, II e III, por meio de lei complementar a quem cabe regular as limitações constitucionais ao poder de tributar e estabelecer normas gerais em matéria de legislação tributária, especialmente sobre o lançamento tributário, entre outros institutos. Coube ao Código Tributário Nacional, CTN, esse papel. Não nos desviemos de nosso objetivo. Não podemos nos esquecer que estamos diante do controle de legalidade do ato administrativo do lançamento tributário. Logo, devemos observar a disposição do CTN sobre a questão: “Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato Fl. 174DF CARF MF Impresso em 07/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2016 por DANIEL MELO MENDES BEZERRA, Assinado digitalmente em 05/1 0/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 26/09/2016 por DANIEL MELO MENDES B EZERRA Processo nº 10830.721832/201539 Acórdão n.º 2201003.307 S2C2T1 Fl. 160 13 gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível.” (grifamos) Cristalina a disposição codicista sobre o lançamento tributário, em especial quanto à necessidade do mesmo em quantificar o tributo devido. Como nos recorda Luis Eduardo Schoueri (ob. cit., p. 585), “a atividade do lançamento tem uma finalidade: apurar o “an" e o “quantum debeatur”: se é devido e o quanto é devido”. Indiscutível o comando legal: o lançamento tributário, assim entendida também a notificação de lançamento, deve observar a ocorrência do fato gerador e apurar a base de cálculo do tributo devido. No caso em apreço, evidenciouse a ocorrência do fato gerador, pois o contribuinte declarou a renda auferida no ano calendário 2011. Quando da determinação da base de cálculo do tributo, a Administração Tributária glosou uma despesa dedutível por falta de comprovação dessa dedutibilidade. Em defesa, o sujeito passivo se livra desse ônus, porém de forma intempestiva. Nesse sentido se observa no caso concreto, verdadeira colisão de normas, antinomia aparente, uma vez que as disposições do Decreto nº 70.235/72 vão de encontro às determinações do CTN explicitadas. Exsurge, portanto, a necessidade de interpretação por parte do aplicador do direito no sentido da solução da aparente antinomia. A interpretação sistêmica e principiológica, por todo o exposto, soluciona a questão. O princípio da verdade material, verdadeira materialização da observância da legalidade tributária, impõe ao julgador administrativo o dever de analisar a prova que tem o condão de impedir o lançamento tributário advindo da glosa da despesa médica. Por todo o acima exposto e restando incontroverso que os documentos, de pronto, evidenciam o direito à dedução da despesa médica, podemos concluir que, no caso em destaque, a forma (apresentação posterior à impugnação, em desatenção ao art. 16, § 4°, do Decreto n° 70.235/72) não deve se sobrepor ao conteúdo (decorrência direta do princípio da legalidade), de sorte que voto por dar provimento parcial ao recurso, para admitir a dedução da despesa médica no valor de R$ 5.091,81. Carlos Henrique de Oliveira Relator do Voto Vencedor Fl. 175DF CARF MF Impresso em 07/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2016 por DANIEL MELO MENDES BEZERRA, Assinado digitalmente em 05/1 0/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 26/09/2016 por DANIEL MELO MENDES B EZERRA Processo nº 10830.721832/201539 Acórdão n.º 2201003.307 S2C2T1 Fl. 161 14 Fl. 176DF CARF MF Impresso em 07/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2016 por DANIEL MELO MENDES BEZERRA, Assinado digitalmente em 05/1 0/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 26/09/2016 por DANIEL MELO MENDES B EZERRA
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Numero do processo: 13971.720793/2009-98
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 27 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Oct 06 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/07/2003 a 30/09/2003
CRÉDITO PRESUMIDO IPI. EXTEMPORÂNEO. RESSARCIMENTO RECONHECIDO.
Inexiste na legislação aplicável uma disciplina específica para a forma de ressarcimento do crédito identificado de forma extemporânea. O meio encontrado pela Recorrente para solicitar o ressarcimento foi realizado em conformidade com a disciplina normativa, com a correção das informações e documentos pertinentes (DCP, LRAIPI e Pedido de Ressarcimento) e observando o prazo prescricional aplicável. Análise das Instruções Normativas n.º 313/2003, 419/2004 e 420/2004, quanto ao crédito presumido, e da Instrução Normativa n.º 460/2004, quanto ao pedido de ressarcimento, vigentes à época.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3402-003.292
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, por dar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do voto da Relatora.
(Assinado com certificado digital)
Antonio Carlos Atulim - Presidente.
(Assinado com certificado digital)
Maysa de Sá Pittondo Deligne - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: MAYSA DE SA PITTONDO DELIGNE
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/07/2003 a 30/09/2003 CRÉDITO PRESUMIDO IPI. EXTEMPORÂNEO. RESSARCIMENTO RECONHECIDO. Inexiste na legislação aplicável uma disciplina específica para a forma de ressarcimento do crédito identificado de forma extemporânea. O meio encontrado pela Recorrente para solicitar o ressarcimento foi realizado em conformidade com a disciplina normativa, com a correção das informações e documentos pertinentes (DCP, LRAIPI e Pedido de Ressarcimento) e observando o prazo prescricional aplicável. Análise das Instruções Normativas n.º 313/2003, 419/2004 e 420/2004, quanto ao crédito presumido, e da Instrução Normativa n.º 460/2004, quanto ao pedido de ressarcimento, vigentes à época. Recurso Voluntário Provido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, por dar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do voto da Relatora. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim - Presidente. (Assinado com certificado digital) Maysa de Sá Pittondo Deligne - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 12; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1902; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T2 Fl. 214 1 213 S3C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13971.720793/200998 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3402003.292 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 27 de setembro de 2016 Matéria RESSARCIMENTO IPI. CRÉDITO PRESUMIDO EXTEMPORÂNEO Recorrente AKL MADEIRAS LTDA. EPP Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/07/2003 a 30/09/2003 CRÉDITO PRESUMIDO IPI. EXTEMPORÂNEO. RESSARCIMENTO RECONHECIDO. Inexiste na legislação aplicável uma disciplina específica para a forma de ressarcimento do crédito identificado de forma extemporânea. O meio encontrado pela Recorrente para solicitar o ressarcimento foi realizado em conformidade com a disciplina normativa, com a correção das informações e documentos pertinentes (DCP, LRAIPI e Pedido de Ressarcimento) e observando o prazo prescricional aplicável. Análise das Instruções Normativas n.º 313/2003, 419/2004 e 420/2004, quanto ao crédito presumido, e da Instrução Normativa n.º 460/2004, quanto ao pedido de ressarcimento, vigentes à época. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, por dar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do voto da Relatora. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim Presidente. (Assinado com certificado digital) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 1. 72 07 93 /2 00 9- 98 Fl. 214DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2016 por MAYSA DE SA PITTONDO DELIGNE, Assinado digitalmente em 04 /10/2016 por MAYSA DE SA PITTONDO DELIGNE, Assinado digitalmente em 05/10/2016 por ANTONIO CARLOS AT ULIM 2 Maysa de Sá Pittondo Deligne Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório Por trazer uma síntese clara e objetiva do processo, peço vênia para transcrever o relatório do voto do I. Conselheiro Relator Gilson Macedo Rosenburg Filho na Resolução n.º 3402000.521, na qual entendeu pela conversão do presente julgamento em diligência: "Como forma de elucidar os fatos ocorridos até a decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, colaciono o relatório do Acórdão recorrido, in verbis: 'Tratase de Manifestação de Inconformidade interposta em face do Despacho Decisório resultante da apreciação dos Pedidos de Ressarcimento e das Declarações de Compensação eletrônicos n° 34097.74570.301105.1.7.015647 (fls. 001/011), protocolado em 30/11/2005, n° 20352.84360.301105.1.1.016904 (fls. 012), protocolado em 30/11/2005, n° 11008.31705.131206.1.3.013646 (fls. 017/018), protocolado em 14/11/2006, e n. 01673.40448.141106.1.3.011109 (fls. 013/016), protocolado em 13/12/2006, por meio dos quais a contribuinte pretende compensar crédito no valor total de R$ 32.516,54, em débitos do estabelecimento. Conforme informado pela contribuinte, o crédito a ser compensado tem sua origem em créditos de insumos, fundamentado no art. 11 da Lei 9.779, de 19 de janeiro de 1999, e em crédito presumido, com base na Lei 10.276, de 10 de setembro de 2001, referentes ao 3º trimestre de 2003. A análise da liquidez e certeza do crédito pleiteado foi efetuada pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Blumenau SC, que, em 07/12/2009, emitiu Despacho Decisório (fls. 071/072), no qual a autoridade competente reconheceu apenas em parte o crédito no valor de R$ 10.406,11 e homologou apenas em parte as compensações em virtude da apuração e da escrituração extemporâneas de parte do crédito presumido pleiteado. Cientificada do Despacho Decisório, em 11/12/2009 (fl. 075), a contribuinte ingressou, em 08/01/2010, com a manifestação de inconformidade de fls. 076/082 e documentos anexos, na qual se manifesta, em síntese, conforme o disposto a seguir. 1. A diferença não reconhecida não se trata de crédito novo, mas de um complemento do crédito que já havia sido apurado. Tal diferença foi regularmente informada no momento em que foi identificada por meio das retificações correspondentes tanto do DCP como da declaração de compensação, tudo conforme as regras dos respectivos programas geradores. Assim, como o crédito original e o crédito complementar têm a mesma origem e não há razão para desvincular um do outro e, portanto, a justificativa utilizada pela fiscalização para indeferir o crédito não merece êxito, pois Fl. 215DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2016 por MAYSA DE SA PITTONDO DELIGNE, Assinado digitalmente em 04 /10/2016 por MAYSA DE SA PITTONDO DELIGNE, Assinado digitalmente em 05/10/2016 por ANTONIO CARLOS AT ULIM Processo nº 13971.720793/200998 Acórdão n.º 3402003.292 S3C4T2 Fl. 215 3 aplicase aos casos de apuração de crédito pela primeira vez e não de retificação, que é a situação presente. Conclui requerendo o reconhecimento do crédito integral, bem como o deferimento dos pedidos e a homologação das compensações vinculadas ao referido crédito.' A 8ª Turma da Delegacia de Julgamento em Ribeirão Preto (SP) considerou improcedente a manifestação de inconformidade, nos termos do Acórdão nº 1434282, de 21 de junho de 2011, cuja ementa foi vazada nos seguintes termos: 'Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Período de apuração: 01/07/2003 a 30/09/2003 CRÉDITO PRESUMIDO. ESCRITURAÇÃO EXTEMPORÂNEA. RESSARCIMENTO SUJEITO AO SALDO CREDOR DO TRIMESTRE – CALENDÁRIO DA ESCRITURAÇÃO. O crédito presumido extemporaneamente escriturado vinculase ao ressarcimento de eventual saldo credor do trimestrecalendário de sua escrituração, não podendo ser incluído em ressarcimentos de períodos anteriores por não ter submetido ao aproveitamento prioritário na dedução de débitos de IPI. RESSARCIMENTO. DESPACHO DECISÓRIO. ERRO DE FATO. Identificado erro de fato na análise do direito creditório que fundamenta o despacho decisório, cabe à autoridade julgadora da manifestação de inconformidade a sua correção e o eventual reconhecimento da diferença correspondente.' Inconformado com a decisão proferida, o sujeito passivo protocolou recurso voluntário, onde alega, em brevíssima síntese, que: 1) A empresa desde o ano de 2003 até o ano de 2005, nunca teve saldo devedor de créditos de IPI, ou seja, apurou sim débitos de IPI em alguns períodos, porém sempre encerrou os períodos com saldo credor da contribuição (sic). Assim, não procede a afirmação do Fisco de que a contribuinte não teria utilizado primeiramente o crédito presumido do IPI para abater os débitos de IPI, uma vez que não havia deduções para realizar; 2) A diferença não reconhecida não se trata de crédito novo, mas de um complemento do crédito que já havia sido apurado. Tal diferença foi regularmente informada no momento em que foi identificada por meio das retificações correspondentes tanto do DCP como da declaração de compensação, tudo conforme as regras dos respectivos programas geradores. Assim, como o crédito original e o crédito complementar têm a mesma origem e não há razão para desvincular um do outro e, portanto, a justificativa utilizada pela fiscalização para indeferir o crédito não merece êxito, pois aplicase aos casos de apuração de crédito pela primeira vez e não de retificação, que é a situação presente; 3) Caso seja indeferido o direito do contribuinte ao ressarcimento integral do crédito do 3º trimestre de 2003, a recorrente estaria impossibilitada de fazer novo pedido de ressarcimento em face de prescrição quinquenal que já teria sucumbido o seu direito creditório, nos termos do art. 1 ° do Decreto n ° 20.910, de 06/01/32; 4) Em 31/01/2006, transmitiu outro pedido de ressarcimento referente ao 4º trimestre de 2005. Assim, caso a empresa tivesse optado por fazer um novo pedido de ressarcimento em 2005 com período do 4º trim/2005, estaria pedindo créditos em duplicidade. Fl. 216DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2016 por MAYSA DE SA PITTONDO DELIGNE, Assinado digitalmente em 04 /10/2016 por MAYSA DE SA PITTONDO DELIGNE, Assinado digitalmente em 05/10/2016 por ANTONIO CARLOS AT ULIM 4 Termina a petição recursal requerendo o provimento do recurso para reconhecer o crédito integral referente ao 3º trimestre de 2003 no montante de R$ 32.239,17, bem como o deferimento do PER nº 0352.84360.301105.1.1.016904 e a homologação das compensações vinculadas ao referido crédito, sob nº 01673.40448.141106.1.3.011109 e n° 11008.31705.131206.1.3.013646." (fls. 183/185) Como mencionado, o julgamento foi convertido em diligência para que a Unidade de Origem identificasse informações não constante dos autos, quais sejam, "as datas das efetivas exportações ou vendas à comercial exportadora dos bens cujos custos dos insumos estão sendo incluídos na base de cálculo do incentivo fiscal previsto na Lei nº 10.276/2001." (fl. 186) Esta diligência se fez necessária diante do entendimento da Câmara Superior de Recursos Fiscais no sentido de que o sujeito passivo só poderá requisitar o ressarcimento do crédito presumido de IPI no trimestrecalendário seguinte à exportação ou à venda dos bens à comercial exportadora (momento no qual se adquire o direito ao crédito presumido). Em atendimento à diligência, após a apresentação das notas fiscais pela Recorrente, foi formulada a Informação Fiscal de fls. 206/207, nas quais foram trazidas as datas das efetivas exportações ou vendas a comercial exportadora, abaixo reproduzidas: Sem manifestação do sujeito passivo, os autos voltaram a esse CARF. Fl. 217DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2016 por MAYSA DE SA PITTONDO DELIGNE, Assinado digitalmente em 04 /10/2016 por MAYSA DE SA PITTONDO DELIGNE, Assinado digitalmente em 05/10/2016 por ANTONIO CARLOS AT ULIM Processo nº 13971.720793/200998 Acórdão n.º 3402003.292 S3C4T2 Fl. 216 5 É o Relatório. Voto Conselheira Relatora Maysa de Sá Pittondo Deligne Comprovada a tempestividade do Recurso Voluntário, passase à análise de suas razões. Antes, para uma devida compreensão do presente caso, essencial focar em alguns aspectos fáticos delineados pela fiscalização e pela Recorrente. Originariamente, a Recorrente transmitiu o Demonstrativo do Crédito Presumido do IPI DCP relativo ao 3º trimestre de 2003 com o valor total do crédito presumido de R$ 10.128,74. Este crédito foi registrado no livro Registro de Apuração do IPI e foi objeto do Pedido de Ressarcimento. Em novembro/2005 e antes da emissão do despacho decisório relativo ao pedido de ressarcimento, a Recorrente verificou equívoco em sua apuração do crédito presumido apurado naquele período, procedendo com a retificação do DCP para a indicar o valor total do crédito entendido como correto, no valor de R$ 32.239,17. Com essa retificação, o crédito complementar (de R$ 22.110,43) foi lançado no livro Registro de Apuração do IPI de novembro/2005 e foi apresentado o Pedido de Ressarcimento Retificador 34097.74570.301105.1.7.015647), substituindo o anteriormente emitido para a inclusão das notas fiscais correspondentes ao crédito complementar. Com a emissão do PER, o crédito foi estornado no LRAIPI de dezembro de 2005. Em análise dos créditos indicados no referido PER retificador, foi emitido o Despacho Decisório reconhecendo parcialmente o crédito pleiteado por entender que o crédito complementar não teria sido solicitado no trimestre calendário correto. No entendimento da fiscalização, este crédito complementar deveria compor o pedido de ressarcimento relativo ao 4º trimestre de 2005, momento da retificação do DCP e do LRAIPI quando, no entender fiscal, o crédito estaria disponível para ressarcimento. Vejamos o exato fundamento para a glosa no despacho decisório: "Analisando o Livro Registro de Apuração do IPI n° 14 (LRAIPI n° 14), no qual constam os registros do ano calendário 2003, vemos que ao longo dos meses de julho, agosto e setembro a interessada fez três lançamentos um em cada mês na rubrica "outros créditos, especificando tratarse de crédito presumido, cujos valores são respectivamente R$ 3.808,64, R$ 3.011,53 e R$ 3.308,57, o que totaliza R$ 10.128,74. O restante do valor do crédito presumido por ela demonstrado no DCP do 3º trimestre de 2003 R$ 22.110,43 foi escriturado apenas no mês de novembro de 2005 (fl. 46 do LRAIPI n.º 16). Considerando o momento da escrituração desta parcela do crédito presumido apurado no 3º trimestre de 2003, temse que eles devem compor o montante de crédito de IPI apurado ao longo do 4º trimestre de 2005. Fl. 218DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2016 por MAYSA DE SA PITTONDO DELIGNE, Assinado digitalmente em 04 /10/2016 por MAYSA DE SA PITTONDO DELIGNE, Assinado digitalmente em 05/10/2016 por ANTONIO CARLOS AT ULIM 6 A interessada incorreu em um equívoco quanto ao conceito "período de apuração" do credito de IPI objeto de Pedido de Ressarcimento . Uma vez que no que tange ao detalhamento do crédito de IPI objeto de Pedido de Ressarcimento/Declaração de Compensação, o conceito "período de apuração" indica o trimestrecalendário da escrituração do crédito, e não necessariamente trimestre calendário em que se deu o fato gerador do acúmulo dos referidos créditos. Tanto que a interessada só conseguiu gerar um documento que incluído no valor de crédito passível de ressarcimento para o 3º trimestre de 2003 o valor integral do crédito presumido informado no DCP do 3º trimestre de 2003, porque ela, no documento que detalha o crédito (PER/DCOMP n° 34097.74570.301105.1.7.01 5647) informou que escriturou no 3º decêndio de setembro de 2003, crédito presumido decorrente das operações de exportação do mês de setembro de 2003, no valor de R$ 32.239,17" (fl. 88 grifei) Assim, o único fundamento para a glosa foi o aparente equívoco quanto ao momento da disponibilidade do crédito: entendeu a fiscalização que o crédito somente estaria disponível no 4º trimestre de 2005, momento de sua escrituração no Livro de IPI (em decorrência da retificação dos cálculos) e não no 3º trimestre de 2003, momento da efetiva apuração do crédito. Como se depreende desse histórico, traçado pela própria fiscalização no Despacho Decisório, constatase que o presente caso difere de outros muito mais complexos que já foram analisados por este Conselho, vez que a discussão travada não abrange o valor do crédito apurado ou mesmo a sua validade diante dos requisitos legais. A lide se cinde em verificar qual é o período de apuração correto para o ressarcimento de créditos presumidos das Leis n° 9.363/1996 e n° 10.276/2001, apurados de forma extemporânea: aquele no qual foi feita a escrituração no Livro de IPI e no DCP retificador (4º trimestre de 2005, no entendimento da fiscalização e da decisão de primeira instância) ou aquele aos quais os créditos presumidos se referem (3º trimestre de 2003, no entendimento da Recorrente). E entendo que tem razão a Recorrente. Senão vejamos. Os artigos 4º a 6º da Lei n.º 9.363/1996 garantem o ressarcimento em dinheiro dos valores do crédito presumido de IPI que não for utilizado na apuração deste imposto pelo contribuinte exportador. Referida disciplina legal, igualmente aplicável ao crédito presumido apurado na forma da Lei n.º 10.276/2001 (art. 1º, §5º)1, expressa: "Art. 4º Em caso de comprovada impossibilidade de utilização do crédito presumido em compensação do Imposto sobre Produtos Industrializados devido, pelo produtor exportador, nas operações de venda no mercado interno, farseá o ressarcimento em moeda corrente. Parágrafo único. Na hipótese de crédito presumido apurado na forma do § 2º do art. 2º, o ressarcimento em moeda corrente será efetuado ao estabelecimento matriz da pessoa jurídica. 1 "Art. 1º Alternativamente ao disposto na Lei nº 9.363, de 13 de dezembro de 1996, a pessoa jurídica produtora e exportadora de mercadorias nacionais para o exterior poderá determinar o valor do crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), como ressarcimento relativo às contribuições para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público (PIS/PASEP) e para a Seguridade Social (COFINS), de conformidade com o disposto em regulamento. (...) § 5o Aplicamse ao crédito presumido determinado na forma deste artigo todas as demais normas estabelecidas na Lei no 9.363, de 1996." Fl. 219DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2016 por MAYSA DE SA PITTONDO DELIGNE, Assinado digitalmente em 04 /10/2016 por MAYSA DE SA PITTONDO DELIGNE, Assinado digitalmente em 05/10/2016 por ANTONIO CARLOS AT ULIM Processo nº 13971.720793/200998 Acórdão n.º 3402003.292 S3C4T2 Fl. 217 7 Art. 5º A eventual restituição, ao fornecedor, das importâncias recolhidas em pagamento das contribuições referidas no art. 1o, bem assim a compensação mediante crédito, implica imediato estorno, pelo produtor exportador, do valor correspondente. Art. 6º O Ministro de Estado da Fazenda expedirá as instruções necessárias ao cumprimento do disposto nesta Lei, inclusive quanto aos requisitos e periodicidade para apuração e para fruição do crédito presumido e respectivo ressarcimento, à definição de receita de exportação e aos documentos fiscais comprobatórios dos lançamentos, a esse título, efetuados pelo produtor exportador" (grifei) A disciplina normativa mencionada no art. 6º acima transcrito foi trazida pela Instrução Normativa n.º 313/2003, vigente à época dos fatos que deram ensejo ao crédito, e pelas Instruções Normativas n.º 419/2004 (quanto ao crédito da Lei n.º 9.363/1996) e n.º 420/2004 (quanto ao crédito da Lei n.º 10.256/2001), vigentes à época da retificação da apuração do crédito: · Instrução Normativa n.º 313/2003 "Art. 18. A utilização do crédito presumido darseá: I primeiramente, pela dedução do valor do IPI devido pelas operações no mercado interno do estabelecimento matriz da pessoa jurídica; II a critério do estabelecimento matriz da pessoa jurídica, o saldo resultante da dedução descrita no inciso I poderá ser transferido, no todo ou em parte, para outros estabelecimentos industriais, ou equiparados a industrial, da mesma pessoa jurídica; III não existindo os débitos de IPI referidos no inciso I ou remanescendo saldo credor após o aproveitamento na forma dos incisos I e II, é permitida a utilização, de conformidade com as normas sobre ressarcimento em espécie e compensação previstas em ato específico da SRF, a partir do primeiro dia subseqüente ao trimestrecalendário em que o crédito presumido tenha sido: a) escriturado no livro Registro de Apuração do IPI, caso se trate de matriz contribuinte do imposto; ou b) apurado, caso se trate de matriz não contribuinte do IPI. § 1º A utilização do crédito presumido de conformidade com o disposto nos incisos I e II poderá se dar ao final do mês em que foi apurado. § 2º O crédito presumido do IPI somente poderá ser utilizado na forma prevista no inciso III, após a entrega, pela pessoa jurídica cujo estabelecimento matriz tenha apurado o referido crédito, do Demonstrativo do Crédito Presumido (DCP) relativo ao trimestrecalendário de sua apuração." (grifei) · Instrução Normativa n.º 419/2004 "Art. 18. A utilização do crédito presumido darseá: I primeiramente, pela dedução do valor do IPI devido pelas operações no mercado interno do estabelecimento matriz da pessoa jurídica; II a critério do estabelecimento matriz da pessoa jurídica, o saldo resultante da dedução descrita no inciso I poderá ser transferido, no todo ou em parte, para outros estabelecimentos industriais, ou equiparados a industrial, da mesma pessoa jurídica; III não existindo os débitos de IPI referidos no inciso I ou remanescendo saldo credor após o aproveitamento na forma dos incisos I e II, é permitida a utilização Fl. 220DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2016 por MAYSA DE SA PITTONDO DELIGNE, Assinado digitalmente em 04 /10/2016 por MAYSA DE SA PITTONDO DELIGNE, Assinado digitalmente em 05/10/2016 por ANTONIO CARLOS AT ULIM 8 de conformidade com as normas sobre ressarcimento em espécie e compensação previstas em ato específico da SRF: a) a partir do primeiro dia subseqüente ao trimestrecalendário em que o crédito presumido tenha sido escriturado no livro Registro de Apuração do IPI, caso se trate de matriz contribuinte do imposto; ou b) a partir do primeiro dia subseqüente ao trimestrecalendário em que o crédito presumido tenha sido apurado, caso se trate de matriz não contribuinte do IPI. § 1º A utilização do crédito presumido de conformidade com o disposto nos incisos I e II poderá se dar ao final do mês em que foi apurado. § 2º O crédito presumido do IPI somente poderá ser utilizado na forma prevista no inciso III, após a entrega, pela pessoa jurídica cujo estabelecimento matriz tenha apurado o referido crédito, do demonstrativo do crédito presumido (dcp) relativo ao trimestrecalendário de sua apuração." (grifei) · Instrução Normativa n.º 420/2004 "Art. 22. A utilização do crédito presumido darseá: I primeiramente, pela dedução do valor do IPI devido pelas operações no mercado interno do estabelecimento matriz da pessoa jurídica; II a critério do estabelecimento matriz da pessoa jurídica, o saldo resultante da dedução descrita no inciso I poderá ser transferido, no todo ou em parte, para outros estabelecimentos industriais, ou equiparados a industrial, da mesma pessoa jurídica; III não existindo os débitos de IPI referidos no inciso I ou remanescendo saldo credor após o aproveitamento na forma dos incisos I e II, é permitida a utilização de conformidade com as normas sobre ressarcimento em espécie e compensação previstas em ato específico da SRF, a partir do primeiro dia subseqüente ao trimestrecalendário em que o crédito presumido tenha sido: a) escriturado no livro registro de apuração do IPI, caso se trate de matriz contribuinte do imposto; ou b) apurado, caso se trate de matriz não contribuinte do IPI. § 1º A utilização do crédito presumido de conformidade com o disposto nos incisos I e II poderá se dar ao final do mês em que foi apurado o crédito presumido. § 2º O crédito presumido do IPI somente poderá ser utilizado na forma prevista no inciso III, após a entrega, pela pessoa jurídica cujo estabelecimento matriz tenha apurado o referido crédito, do DCP relativo ao trimestrecalendário de sua apuração." (grifei) É possível depreender que a disciplina trazida pelos três diplomas normativos é idêntica quanto à possibilidade de ressarcimento do crédito presumido, exigindo, em se tratando de matriz contribuinte do IPI, que: 1) exista saldo credor de IPI no período / inexista débito de IPI; 2) o pedido de ressarcimento seja apresentado na forma exigida pelas normativas da Receita (à época, a Instrução Normativa n.º 460/2004); 3) o pedido de ressarcimento seja formulado a partir do primeiro dia subseqüente ao trimestrecalendário em que o crédito presumido tenha sido escriturado no livro registro de apuração do IPI; e 4) tenha sido entregue o DCP relativo ao trimestrecalendário de sua apuração. Sem se atentar para o fato que o presente caso envolve uma identificação extemporânea de crédito, a decisão de primeira instância se ateve com veemência na exigência Fl. 221DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2016 por MAYSA DE SA PITTONDO DELIGNE, Assinado digitalmente em 04 /10/2016 por MAYSA DE SA PITTONDO DELIGNE, Assinado digitalmente em 05/10/2016 por ANTONIO CARLOS AT ULIM Processo nº 13971.720793/200998 Acórdão n.º 3402003.292 S3C4T2 Fl. 218 9 indicada no item 3 acima, mantendo o entendimento no sentido de que o crédito presumido (cuja validade não foi rebatida, frisese novamente) deveria ter sido solicitado no primeiro dia subseqüente ao 4º trimestrecalendário de 2005, vez que o crédito foi escriturado no livro de apuração de novembro/2005: "No entanto, a parcela complementar do crédito presumido referente aos meses do 3º trimestre de 2003 somente está disponível para ressarcimento se implementadas duas condições, nos termos do art. 18 da IN SRF n.º 313/2003: 1. escrituração no RAIPI, para disponibilização desse crédito a eventual dedução de débitos do trimestrecalendário da escrituração; e 2. entrega do DCP em que esteja registrado o valor do crédito presumido apurado. Essas duas condições somente foram implementadas em novembro de 2005, com a escrituração da parcela complementar do crédito presumido e com a retificação do DCP original. Portanto, somente a partir do primeiro dia do trimestrecalendário seguinte, esse valor estaria disponível para ressarcimento referente ao 4º trimestre de 2005. Logo, não é possível incluílo em um pedido de ressarcimento referente ao 3º trimestre de 2003." (fl. 121) Entretanto, com grande respeito ao entendimento trazido na primeira instância, ele não merece prevalecer. Ora, todas as exigências normativas acima elencadas foram devidamente observadas pela Recorrente quando da elaboração do primeiro pedido de ressarcimento, elaborado em janeiro/2004, como atestado pela própria fiscalização. Foi, inclusive, observado o prazo para a formulação do pedido, a partir do primeiro dia subseqüente ao trimestre calendário em que o crédito presumido foi escriturado no livro registro de apuração do IPI. Contudo, após o transcurso de quase 2 anos, em novembro/2005, a Recorrente verificou que teria deixado de indicar créditos válidos na escrituração do livro e, observando o prazo prescricional de 5 anos contados da exportação/entrega para comercial exportadora, na forma do Decreto n.º 20.910/322, procedeu com a retificação da documentação pertinente para identificar os créditos presumidos complementares. Por se tratar de crédito de período pretérito, e inexistindo na legislação uma tratativa específica dessa situação, a Recorrente se utilizou das formas previstas nos próprias normas da Secretaria da Receita Federal para evidenciar o crédito e sua validade, procedendo com a retificação: (i) do DCP relativo ao 3º trimestre de 2003. A retificação do DCP é autorizada por seu programa gerador e pelas Instruções Normativas que tratam do crédito presumido sob análise. De fato, a única hipótese de vedação de retificação é trazida no art. 2º da IN n.º 420/20043, quanto à escolha da alternativa de apuração do crédito presumido da Lei n.º 10.276/2001. Por sua vez, todas as Instruções Normativas trazem previsão expressa quanto à exigência de retificação do DCP na hipótese do contribuinte verificar a 2 Aplicável à hipótese conforme Parecer Normativo CST n.º 515/1971 3 "Art. 2º A opção pelo regime alternativo de que trata esta Instrução Normativa abrangerá: I todo o anocalendário; II o período remanescente do anocalendário, na hipótese de exercício quando do início de atividades da pessoa jurídica. Parágrafo único. Não será admitida a retificação da opção de que trata o caput." Fl. 222DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2016 por MAYSA DE SA PITTONDO DELIGNE, Assinado digitalmente em 04 /10/2016 por MAYSA DE SA PITTONDO DELIGNE, Assinado digitalmente em 05/10/2016 por ANTONIO CARLOS AT ULIM 10 ocorrência de fato futuro que o impediria de apurar o crédito presumido (art. 35, IN n.º 313/20034, art. 37 da IN n.º 419/20045 e art. 41 da IN n.º 420/20046). (ii) da informação no Livro de Registro de Apuração do IPI. Uma vez que inexistia à época a possibilidade de retificação do Livro de Apuração de IPI, o registro do crédito presumido foi realizado no campo de observação do LRAIPI do mês quando identificou o equívoco na apuração (novembro/2005), com o correspondente estorno do crédito em dezembro/2005; (iii) do Pedido de Ressarcimento formulado quanto ao 3º trimestre de 2003, conforme autorizado pelos artigos 55 a 60 da IN n.º 460/2004 vigente à época da retificação. O pedido retificador, analisado pela fiscalização, relacionou todas as notas fiscais objeto do pedido (sejam aquelas que foram inicialmente indicadas no Livro de Apuração, sejam aquelas objeto da retificação incorrida em novembro/2005). E, na diligência realizada, a Recorrente apresentou todas as notas fiscais que respaldaram o crédito extemporâneo. Exatamente com fulcro nessas notas, a fiscalização conseguiu identificar todas as datas das efetivas exportações/vendas para as comerciais exportadoras, demonstrando, por conseguinte, o adimplemento de todas as condições legais e normativas necessárias ao gozo do crédito presumido, inclusive do prazo prescricional. Insta novamente frisar que a fiscalização em qualquer momento refutou a validade dos créditos presumidos, aduzindo, apenas, que o momento para o seu pleito estaria equivocado. Entretanto, o dispositivo legal no qual se respalda a fiscalização e a decisão de primeira instância não é aplicável ao presente caso por se tratar de hipótese distinta: de crédito presumido identificado em momento posterior ao período de apuração. Ora, inexistindo na legislação aplicável qualquer disciplina específica para esse crédito identificado de forma extemporânea, vislumbrase que o meio encontrado pela Recorrente para solicitar o ressarcimento do crédito presumido extemporâneo foi realizado em conformidade com a disciplina normativa, com a correção das informações e documentos pertinentes (DCP, LRAIPI e Pedido de Ressarcimento) e observando o prazo prescricional aplicável. Assim, inexiste razão para o não reconhecimento do crédito. 4 "Art. 35. No caso em que a pessoa jurídica esteja submetida ao regime de apuração da Contribuição para o PIS/Pasep de conformidade com o disposto nos arts. 1º a 6º da Lei nº 10.637, de 2002, e que, durante o trimestre de apuração do crédito presumido verifique a ocorrência de fato que impeça a utilização desse regime, deverá retificar as informações relativas à apuração do crédito presumido de todo o trimestrecalendário, inclusive no Livro Registro de Apuração do IPI, ainda que já tenha ocorrido o aproveitamento de parte desses créditos para dedução do valor do IPI devido em operações no mercado interno." 5 "Art. 37. No caso em que a pessoa jurídica esteja submetida ao regime nãocumulativo de apuração do PIS/Pasep e da Cofins e que, durante o trimestre de apuração do crédito presumido, verifique a ocorrência de fato que impeça a utilização desse regime, deverá retificar as informações relativas à apuração do crédito presumido de todo o trimestrecalendário, inclusive no Livro Registro de Apuração do IPI, ainda que já tenha ocorrido o aproveitamento de parte desses créditos para dedução co valor do IPI devido em operações no mercado interno. Parágrafo único. Caso já tenha sido entregue o DCP relativo ao trimestre de ocorrência do fato, a retificação de que trata o caput deverá ser informada em DCP retificador." 6 "Art. 41. No caso em que a pessoa jurídica esteja submetida ao regime nãocumulativo de apuração do PIS/Pasep e da Cofins e que, durante o trimestre de apuração do crédito presumido, verifique a ocorrência de fato que impeça a utilização desse regime, deverá retificar as informações relativas à apuração do crédito presumido de todo o trimestrecalendário, inclusive no Livro Registro de Apuração do IPI, ainda que já tenha ocorrido o aproveitamento de parte desses créditos para dedução do valor do IPI devido em operações no mercado interno." Fl. 223DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2016 por MAYSA DE SA PITTONDO DELIGNE, Assinado digitalmente em 04 /10/2016 por MAYSA DE SA PITTONDO DELIGNE, Assinado digitalmente em 05/10/2016 por ANTONIO CARLOS AT ULIM Processo nº 13971.720793/200998 Acórdão n.º 3402003.292 S3C4T2 Fl. 219 11 E aqui é importante salientar as incongruências do raciocínio proposto no Despacho Decisório e na decisão de primeira instância: se o contribuinte tem prazo prescricional em curso para o aproveitamento do seu crédito, qual a razão para a esperar até o primeiro dia subseqüente ao trimestrecalendário de escrituração do crédito, relativo à período pretérito, para aproveitar o crédito? Além disso, se já possuía pedido de ressarcimento sob análise e sem decisão administrativa, porque não poderia retificar seu pedido para devidamente incluir, com fulcro em DCP retificada, os valores pertinentes de crédito? Não há qualquer dispositivo legal que vede o procedimento adotado, afastado pela fiscalização. O aproveitamento de crédito extemporâneo pelos contribuintes passíveis de serem beneficiados pelo crédito presumido é plenamente aceito pela Secretaria da Receita Federal nas soluções de consulta abaixo, que trazem como exigência, apenas, a retificação da documentação suporte (DCP/DCTF) e a observância do prazo prescricional de 5 anos do Decreto n.º 20.910/32, ambos observados no presente caso: "ASSUNTO: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI EMENTA: CRÉDITO PRESUMIDO. APURAÇÃO E UTILIZAÇÃO EXTEMPORÂNEAS. RETIFICAÇÃO DE DCTF ANTES DA UTILIZAÇÃO DOS CRÉDITOS. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA. INAPLICABILIDADE. Não se aplica a multa prevista no art. 30 da IN SRF nº 419, de 2004, quando a pessoa jurídica que faça jus a créditos presumidos do IPI, não os tendo apurado nem utilizado, por qualquer forma, procede à revisão das correspondentes DCTF, apresentadas originalmente dentro do prazo, para apurar e utilizar créditos presumidos referentes a períodos em que as informações a eles relativas deviam ser prestadas nessa declaração, respeitado o prazo decadencial de 5 anos, contados da data da realização das exportações que tenham originado o direito ao benefício fiscal, e atendidas todas as obrigações acessórias estabelecidas na legislação pertinente." (Solução de Consulta n.º 267 de 12 de Agosto de 2004 grifei) "ASSUNTO: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI EMENTA: CRÉDITO PRESUMIDO. APURAÇÃO E UTILIZAÇÃO EXTEMPORÂNEAS. DEMONSTRATIVO DO CRÉDITO PRESUMIDO. OBRIGATORIEDADE DE APRESENTAÇÃO. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA . APLICABILIDADE. A pessoa jurídica produtoraexportadora pode, respeitado o prazo prescricional, utilizar o crédito presumido a que faz jus em qualquer tempo, devendo observar, entretanto, que, a partir do momento que o utilize, tornase obrigada à apresentação do Demonstrativo do Crédito Presumido(DCP), inclusive daqueles relativos a períodos anteriores à utilização do crédito presumido, sendo de se observar os prazos para entrega do referido demonstrativo, o qual tem início a partir do trimestre da utilização do respectivo crédito presumido. A multa por falta de entrega do DCP tornase devida a partir da utilização do crédito presumido, por qualquer forma, desde que não sejam observados os prazos de entrega, contados a partir da referida utilização. A versão do Programa Gerador da DCP a ser utilizada é a disponível na Internet, no endereço http://www.receita.fazenda.gov.br. Atualmente o Programa DCP 1.1 permite ao declarante o preenchimento, validação do conteúdo e gravação do Demonstrativo do Crédito PresumidoDCP, para entrega à SRF, de informações relativas à apuração do Crédito Presumido de IPI a partir do 4º trimestre de 2002." (Solução de Consulta n.º 120 de 02 de Abril de 2007 grifei) Fl. 224DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2016 por MAYSA DE SA PITTONDO DELIGNE, Assinado digitalmente em 04 /10/2016 por MAYSA DE SA PITTONDO DELIGNE, Assinado digitalmente em 05/10/2016 por ANTONIO CARLOS AT ULIM 12 Acrescese ainda o fato que a Recorrente não possuiu qualquer débito de IPI no período sob análise, como se depreende dos Livros de Apuração acostados aos presentes autos, autorizando o seu ressarcimento quando comprovada a validade do crédito presumido. Assim, sendo válido o crédito presumido (como reconhecido pela fiscalização) e inexistindo qualquer vedação normativa para o seu ressarcimento no 3º trimestre de 2003, período de apuração ao qual se refere (único fundamento para a glosa pela fiscalização), entendo que ele deve ser integralmente reconhecido para a correspondente homologação das compensações vinculadas. Diante do exposto, voto por dar provimento ao Recurso Voluntário para reconhecer a integralidade do crédito presumido glosado. É como voto. Maysa de Sá Pittondo Deligne Relatora Fl. 225DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2016 por MAYSA DE SA PITTONDO DELIGNE, Assinado digitalmente em 04 /10/2016 por MAYSA DE SA PITTONDO DELIGNE, Assinado digitalmente em 05/10/2016 por ANTONIO CARLOS AT ULIM
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Numero do processo: 10920.720650/2012-99
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Sep 26 00:00:00 UTC 2016
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2009 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO INTEMPESTIVO. DEFINITIVIDADE DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. O recurso interposto após o prazo 30 (trinta) dias, contados da ciência da decisão de primeira instância, na forma do art. 23 do Decreto nº 70.235/72, não deve ser conhecido pelo colegiado ad quem, convolando-se em definitiva a decisão de piso exarada. Recurso voluntário não conhecido.
Numero da decisão: 3401-003.274
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso em face de sua intempestividade.
Nome do relator: Robson José Bayerl
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RECURSO INTEMPESTIVO. DEFINITIVIDADE DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. O recurso interposto após o prazo 30 (trinta) dias, contados da ciência da decisão de primeira instância, na forma do art. 23 do Decreto nº 70.235/72, não deve ser conhecido pelo colegiado ad quem, convolandose em definitiva a decisão de piso exarada. Recurso voluntário não conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso em face de sua intempestividade. Robson José Bayerl – Presidente e relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Robson José Bayerl, Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel Jorge D’Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, Fenelon Moscoso de Almeida, Rodolfo Tsuboi e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 0. 72 06 50 /2 01 2- 99Fl. 572DF CARF MF Documento de 4 página(s) autenticado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP04.1116.14025.7LO1. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 2 Alberga o presente processo auto de infração de Cofins, período 01/01/2007 a 31/12/2009, lavrado para prevenir a decadência, em razão da suspensão/anulação dos Certificados de Entidade Beneficente de Assistência Social – CEBAS por determinação judicial, nos autos da Ação Popular nº 50007065.25.2010.404.7201/SC. Em impugnação o contribuinte defendeu o direito à imunidade da Cofins, por satisfazer as exigências do art. 14 do Código Tributário Nacional e art. 55 da Lei nº 8.212/91; que a ausência dos Certificados de Entidade Beneficente de Assistência Social – CEBAS não é razão para a perda imunidade; que durante a vigência da MP 446/2008 deveriam ser mantidos os seus efeitos e considerados válidos os CEBAS emitidos; e, que haveria erro na base de cálculo do tributo lançado, por inclusão de rubrica contábil não caracterizada como receita. A DRJ Florianópolis/SC negou provimento ao recurso em decisão assim ementada: “IMUNIDADE. ENTIDADES BENEFICENTES DE ASSISTÊNCIA SOCIAL. A imunidade prevista no art. 195, §7º da Constituição Federal contempla apenas as instituições beneficentes de assistência social que preencham os requisitos estabelecidos no art. 14 do CTN c/c art. 55 da Lei nº 8.212, de 1991, entre eles o de possuírem o Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social. LANÇAMENTO. ALTERAÇÃO DE INFORMAÇÕES PRESTADAS PELO FISCALIZADO. ÔNUS DA PROVA. Tendo sido os valores objeto do lançamento os mesmos calculados e demonstrados pelo próprio autuado, em conformidade com a escrituração contábil que apresentou, cabelhe trazer em sua impugnação as provas hábeis e suficientes para infirmar ou alterar as informações anteriormente prestadas ao Fisco.” O recurso voluntário reprisou os argumentos da impugnação, à exceção da inconsistência da base de cálculo. É o relatório. Voto Conselheiro Robson José Bayerl, Relator Examinando os elementos componentes dos autos constato que a ciência da decisão de primeiro grau efetuouse por via eletrônica, nos termos do art. 23 do Decreto nº 70.235/72, verbis “Art. 23. Farseá a intimação: (...) III por meio eletrônico, com prova de recebimento, mediante: (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) a) envio ao domicílio tributário do sujeito passivo; ou (Incluída pela Lei nº 11.196, de 2005) Fl. 573DF CARF MF Documento de 4 página(s) autenticado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP04.1116.14025.7LO1. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10920.720650/201299 Acórdão n.º 3401003.274 S3C4T1 Fl. 11 3 b) registro em meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo. (Incluída pela Lei nº 11.196, de 2005) (...) § 2° Considerase feita a intimação: (...) III se por meio eletrônico: (Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013) a) 15 (quinze) dias contados da data registrada no comprovante de entrega no domicílio tributário do sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013) b) na data em que o sujeito passivo efetuar consulta no endereço eletrônico a ele atribuído pela administração tributária, se ocorrida antes do prazo previsto na alínea a; ou (Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013) c) na data registrada no meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo; (Incluída pela Lei nº 12.844, de 2013)” Em 04/02/2015, às 17:16:12 hs., foi endereçada mensagem ao domicílio eletrônico do sujeito passivo contendo a intimação de resultado de julgamento e o acórdão de impugnação, consoante Termo de Registro de Mensagem na Caixa Postal – Comunicado (fl. 484). Em 12/02/2015, às 09:38:46 hs., ocorreu a ciência da mensagem e dos documentos relacionados, de acordo com Termo de Ciência por Abertura de Mensagem – Comunicado (fl. 488), tendo o contribuinte interposto o recurso voluntário apenas em 07/04/2015 (fl. 492), portanto, extemporaneamente, porquanto seu prazo vencera em 16/03/2015, conforme destaca, inclusive, o despacho de encaminhamento de fl. 543. Nesta senda, não observado o prazo estipulado pelo art. 33 do já referido Decreto nº 70.235/72, resta indiscutível a intempestividade da peça manobrada. Essa decisão, logicamente, não desobriga a unidade preparadora de acompanhar o trâmite da Ação Popular nº 50007065.25.2010.404.7201/SC, que ensejou o lançamento. Pelo exposto, voto por não conhecer do recurso voluntário apresentado. Robson José Bayerl Fl. 574DF CARF MF Documento de 4 página(s) autenticado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP04.1116.14025.7LO1. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 4 Fl. 575DF CARF MF Documento de 4 página(s) autenticado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP04.1116.14025.7LO1. Consulte a página de autenticação no final deste documento. PÁGINA DE AUTENTICAÇÃO O Ministério da Fazenda garante a integridade e a autenticidade deste documento nos termos do Art. 10, § 1º, da Medida Provisória nº 2.200-2, de 24 de agosto de 2001 e da Lei nº 12.682, de 09 de julho de 2012. Documento autenticado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001. Corresponde à fé pública do servidor, referente à igualdade entre as imagens digitalizadas e os respectivos documentos ORIGINAIS. Histórico de ações sobre o documento: Documento juntado por ROBSON JOSE BAYERL em 07/10/2016 15:07:00. Documento autenticado digitalmente por ROBSON JOSE BAYERL em 07/10/2016. Esta cópia / impressão foi realizada por EMANOEL WERCELENS PINHEIRO em 04/11/2016. Instrução para localizar e conferir eletronicamente este documento na Internet: EP04.1116.14025.7LO1 Ministério da Fazenda 1) Acesse o endereço: https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx 2) Entre no menu "Outros". 3) Selecione a opção "eAssinaRFB - Validação e Assinatura de Documentos Digitais". 4) Digite o código abaixo: 5) O sistema apresentará a cópia do documento eletrônico armazenado nos servidores da Receita Federal do Brasil. página 1 de 1 Página inserida pelo Sistema e-Processo apenas para controle de validação e autenticação do documento do processo nº 10920.720650/2012-99. Por ser página de controle, possui uma numeração independente da numeração constante no processo.
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Numero do processo: 11080.009073/2005-53
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 23 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Jan 02 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Ano-calendário: 2000, 2001
IPI. INDUSTRIALIZAÇÃO. CONFECÇÃO DE BOBINAS DE PAPEL PERSONALIZADAS.
A operação de cortar bobinas de papel adequando-as aos tamanhos próprios para sua utilização em máquinas registradoras ou calculadoras, com ou sem impressão de dizeres convenientes aos clientes, constitui operação de industrialização (beneficiamento).
IPI. INCIDÊNCIA. OPERAÇÃO MENCIONADA NA LISTA ANEXA AO DECRETO-LEI 406/68 E NA LISTA ANEXA À LEI COMPLEMENTAR 116/2003. CABIMENTO.
Consoante a melhor dicção do art. 156 da Carta Política, apenas está constitucionalmente impedida a incidência sobre a mesma operação, conceituada como serviço, do ISS e do ICMS. Assim, tanto o decreto-lei nº 406/68, recepcionado como Lei Complementar até a edição da Lei Complementar nº 116/2003, quanto esta última, ao regularem tal dispositivo, apenas estão afastando a incidência cumulativa de ISS e ICMS, nada regulando quanto ao IPI. Para a incidência deste último, basta que a operação realizada se enquadre em um dos conceitos de industrialização presentes na Lei 4.502/64.
MULTA. CIRCUNSTÂNCIA AGRAVANTE. EXISTÊNCIA DE CONSULTA CONTRÁRIA À CLASSIFICAÇÃO ADOTADA PELO CONTRIBUINTE.
A circunstância agravante prevista no artigo 449, II do RIPI/98 somente se aplica à multa relativa ao erro de classificação dos produtos sobre os quais a consulta pretérita versou.
Recurso parcialmente provido.
Numero da decisão: 3402-003.450
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, em dar provimento parcial ao recurso nos seguintes termos: a) pelo voto de qualidade, negou-se provimento quanto à sujeição da atividade do contribuinte ao IPI com base nos mesmos fundamentos declinados no Acórdão 9303-003.245; e b) por unanimidade de votos, afastou-se o agravamento da multa de ofício em relação aos produtos que não foram objeto da consulta formulada. Vencidos os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurenttis Galkowicz, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto. Designado o Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire.
(assinado digitalmente)
Antonio Carlos Atulim - Presidente.
(assinado digitalmente)
Carlos Augusto Daniel Neto - Relator.
(assinado digitalmente)
Jorge Olmiro Lock Freire - Relator designado
Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Antônio Carlos Atulim (Presidente), Jorge Olmiro Lock Freire, Carlos Augusto Daniel Neto, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra.
Nome do relator: CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Ano-calendário: 2000, 2001 IPI. INDUSTRIALIZAÇÃO. CONFECÇÃO DE BOBINAS DE PAPEL PERSONALIZADAS. A operação de cortar bobinas de papel adequando-as aos tamanhos próprios para sua utilização em máquinas registradoras ou calculadoras, com ou sem impressão de dizeres convenientes aos clientes, constitui operação de industrialização (beneficiamento). IPI. INCIDÊNCIA. OPERAÇÃO MENCIONADA NA LISTA ANEXA AO DECRETO-LEI 406/68 E NA LISTA ANEXA À LEI COMPLEMENTAR 116/2003. CABIMENTO. Consoante a melhor dicção do art. 156 da Carta Política, apenas está constitucionalmente impedida a incidência sobre a mesma operação, conceituada como serviço, do ISS e do ICMS. Assim, tanto o decreto-lei nº 406/68, recepcionado como Lei Complementar até a edição da Lei Complementar nº 116/2003, quanto esta última, ao regularem tal dispositivo, apenas estão afastando a incidência cumulativa de ISS e ICMS, nada regulando quanto ao IPI. Para a incidência deste último, basta que a operação realizada se enquadre em um dos conceitos de industrialização presentes na Lei 4.502/64. MULTA. CIRCUNSTÂNCIA AGRAVANTE. EXISTÊNCIA DE CONSULTA CONTRÁRIA À CLASSIFICAÇÃO ADOTADA PELO CONTRIBUINTE. A circunstância agravante prevista no artigo 449, II do RIPI/98 somente se aplica à multa relativa ao erro de classificação dos produtos sobre os quais a consulta pretérita versou. Recurso parcialmente provido.
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INDUSTRIALIZAÇÃO. CONFECÇÃO DE BOBINAS DE PAPEL PERSONALIZADAS. A operação de cortar bobinas de papel adequandoas aos tamanhos próprios para sua utilização em máquinas registradoras ou calculadoras, com ou sem impressão de dizeres convenientes aos clientes, constitui operação de industrialização (beneficiamento). IPI. INCIDÊNCIA. OPERAÇÃO MENCIONADA NA LISTA ANEXA AO DECRETOLEI 406/68 E NA LISTA ANEXA À LEI COMPLEMENTAR 116/2003. CABIMENTO. Consoante a melhor dicção do art. 156 da Carta Política, apenas está constitucionalmente impedida a incidência sobre a mesma operação, conceituada como serviço, do ISS e do ICMS. Assim, tanto o decretolei nº 406/68, recepcionado como Lei Complementar até a edição da Lei Complementar nº 116/2003, quanto esta última, ao regularem tal dispositivo, apenas estão afastando a incidência cumulativa de ISS e ICMS, nada regulando quanto ao IPI. Para a incidência deste último, basta que a operação realizada se enquadre em um dos conceitos de industrialização presentes na Lei 4.502/64. MULTA. CIRCUNSTÂNCIA AGRAVANTE. EXISTÊNCIA DE CONSULTA CONTRÁRIA À CLASSIFICAÇÃO ADOTADA PELO CONTRIBUINTE. A circunstância agravante prevista no artigo 449, II do RIPI/98 somente se aplica à multa relativa ao erro de classificação dos produtos sobre os quais a consulta pretérita versou. Recurso parcialmente provido. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 00 90 73 /2 00 5- 53 Fl. 1288DF CARF MF 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, em dar provimento parcial ao recurso nos seguintes termos: a) pelo voto de qualidade, negouse provimento quanto à sujeição da atividade do contribuinte ao IPI com base nos mesmos fundamentos declinados no Acórdão 9303003.245; e b) por unanimidade de votos, afastouse o agravamento da multa de ofício em relação aos produtos que não foram objeto da consulta formulada. Vencidos os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurenttis Galkowicz, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto. Designado o Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Atulim Presidente. (assinado digitalmente) Carlos Augusto Daniel Neto Relator. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire Relator designado Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Antônio Carlos Atulim (Presidente), Jorge Olmiro Lock Freire, Carlos Augusto Daniel Neto, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra. Relatório Tratase de Auto de Infração de IPI para exigência de imposto não lançado relativo aos anos de 2000 e 2001, cumulado com multa de ofício agravada e juros de mora. Constam as razões detalhadas da autuação no Termo de Verificação Fiscal de fls. 453/467. O contribuinte apresentou Impugnação de fls.479/521, alegando em síntese: i) nulidade do lançamento por esgotamento do prazo do MPF; ii) decadência do direito da Fazenda cobrar o tributo relativo aos períodos de Janeiro a Setembro de 2000; iii) excessividade da multa aplicada;; iv) retificação do saldo credor de IPI com base em auto de infração contestado administrativamente e ainda não julgado; v) descabimento do IPI na prestação de serviços gráficos. A DRJ de Porto AlegreRS julgou improcedente a impugnação. Irresignada, a Contribuinte apresentou Recurso Voluntário reiterando as razões de sua impugnação. O Conselheiro relator do processo, à época, votou pela conversão do julgamento em diligência, haja vista que dentre as questões controvertidas está uma acerca da reconstituição do saldo credor de IPI, para que se aguardasse a definitividade da constituição do crédito tributário no PAF nº 11080.004386/0067, e solicitando a juntada de seu inteiro teor Fl. 1289DF CARF MF Processo nº 11080.009073/200553 Acórdão n.º 3402003.450 S3C4T2 Fl. 3 3 aos autos quando transitar em julgado. Além disso, solicitou que fosse anexada cópia do inteiro teor do Processo de Consulta Fiscal nº 10494.001090/9819. Cumprida a diligência, os autos retornaram a esta Colegiado, sendo a mim sorteados. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Carlos Augusto Daniel Neto O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, devendo ser conhecido por este colegiado. Antes de adentrar ao mérito da questão, há que se enfrentar as diversas preliminares apresentadas pelo Recorrente. I) Preliminares a) Nulidade do Auto de Infração por vício no Mandado de Procedimento Fiscal De acordo com a decisão a quo, o MPF (o atual TDPF Termo de Distribuição de Procedimento Fiscal) é um documento de controle interno e disciplinamento das atividades fiscalizatórias da Secretaria da Receita Federal, não se constituindo como ato essencial à validade do procedimento fiscal de sorte que a falta de prorrogação do prazo nele estipulado não retira a competência do auditorfiscal, que é decorrente diretamente de lei, para fiscalizar e lavrar o auto de infração. Nesse sentido, inclusive, é a jurisprudência da CSRF, a exemplo do Acórdão CSRF/0105.330, que determina que esse documento somente será considerado essencial à validade do lançamento quando for efetuado com fundamento na Lei Complementar nº 105/2001 Lei 9.311/96, art.11, §3º, e Decreto nº 3.724/2001, por se tratarem de normas procedimentais que ampliam o poder de fiscalização com aplicação imediata, consoante o art.144, §1º do CTN. A despeito da posição consolidada, na jurisprudência administrativa, ousamos discordar de tal entendimento. Explicamonos abaixo. Repisando o Decreto 7574/2011, verificamse as causas de início do procedimento fiscal: Art.33.O procedimento fiscal tem início com (Decreto nº 70.235, de 1972, art. 7º): Io primeiro ato de ofício, por escrito, praticado por servidor competente, cientificado o sujeito passivo da obrigação tributária ou seu preposto; Fl. 1290DF CARF MF 4 O legislação é clara ao frisar que para iniciar o procedimento administrativo não basta ato de qualquer servidor de qualquer AuditorFiscal da RFB mas apenas daquele que possua competência para tanto, termo este que designa um feixe de poderes e deveres funcionais atribuídos a um determinado servidor público. Nesse caso, a competência específica para iniciar o procedimento fiscalizatório decorre do Mandado de Procedimento Fiscal (respeitadas as exceções expressas), conforme art.2º do Dec. 3.724/2001, verbis: Art.2oOs procedimentos fiscais relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil serão executados, em nome desta, pelos Auditores Fiscais da Receita Federal do Brasil e somente terão início por força de ordem específica denominada Mandado de Procedimento Fiscal (MPF), instituído mediante ato da Secretaria da Receita Federal do Brasil. Da leitura, depreendese que o MPF é ordem específica, isto é, não se trata de um cheque em branco dado ao agente administrativo, mas de um atoregra que determina as balizas específicas sob as quais aquela atividade fiscalizatória irá se desenvolver, apontando assim quem será o contribuinte, quem será o servidor competente, o prazo que deverá durar a fiscalização etc. Ultrapassadas os limites do MPF, cessa a competência específica do agente administrativo relativa àquele procedimento fiscalizatório. O MPF é, ao mesmo tempo, uma espada à mão da RFB, a ser apontada aos fiscalizados, e um escudo à mão dos Contribuinte, cuja sujeição encontrase a priori balizada de forma precisa em um ato administrativo prévio. Nesse sentido é a precisa lição de Maria Teresa Martínez e Marcos Vinícius Neder, em obra de fôlego sobre o tema (NEDER, Marcos Vinícius; LÓPEZ, Maria Teresa M. Processo Administrativo Fiscal Federal Comentado, 3ªed. São Paulo: Dialética, 2010. P.143): Nesse diapasão, os órgãos administrativos têm amplo poder de ser organizar, direcionando sua força de trabalho de forma a melhor cumprir sua atribuição. (...) Via de regra, esse disciplinamento é apenas interno, ou seja, seu descumprimento só acarreta responsabilização interna corporis. O MPF, contudo, inovou ao dar conhecimento do conteúdo dessas diretrizes internas ao contribuinte. Tratase de um instrumento que visa permitir ao fiscalizado assegurarse da autenticidade da ação fiscal contra si instaurada, pois dálhe conhecimento do tributo que será objeto de investigação, dos períodos a serem investigados, do prazo para a realização do procedimento fiscal e do agende que procederá à fiscalização. Nasce, a partir da ciência, o direito subjetivo de que esse procedimento seja efetivamente obedecido no curso dos trabalhos. (grifouse) Ora, ou o MPF tem eficácia vinculante para a Administração, ou se trata de ato administrativo despiciendo, desprovido de qualquer efeito normativo em relação à atividade fiscalizatória. Parecenos que esta última opção é largamente contrária à dicção da legislação citada anteriormente e à própria vereda da legalidade à qual está sujeito o agente público, podendo agir apenas em seu limites estritos. Caso assim não fosse, qualquer fiscal poderia realizar a fiscalização em qualquer contribuinte, pelo tempo que quisesse, e abrangendo sua atividade a quaisquer Fl. 1291DF CARF MF Processo nº 11080.009073/200553 Acórdão n.º 3402003.450 S3C4T2 Fl. 4 5 períodos e tributos que seu alvitre alcançasse. Estaríamos diante de um verdadeira arbítrio fiscal, sob o fundamento, invocado na argumentação que esvazia de normatividade o MPF, de que a competência do AuditorFiscal decorre da lei, e não daquele ato. Além disso, tal raciocínio não é de todo correto. A competência fiscalizatória do AuditorFiscal decorre parcialmente da sua investidura em tal cargo, mas deve ser integrada pela expedição do MPF, como condição de início da sua atividade de fiscalização em relação a determinado contribuinte. Basta que pensemos analogamente no princípio do juiz natural, usual no processo civil: a competência dos juízes para julgar decorre da investidura em tal cargo, mas não apenas disto, devendo ser integrada pelas regras estabelecidas de determinação da jurisdição de cada juiz, e estando absolutamente adstritos a elas, sob pena de nulidade da decisão. Com tal exposição, creio que tenhamos deixado claro o papel relevante e vinculante que o MPF possui dentro do contexto da atividade fiscalizatória da RFB, cabendo agora analisar o caso concreto. No caso em tela, o MPF findou seu prazo em 26/11/2005 (sábado), estendendose a ação fiscal até 29/11/2005 (terçafeira), sendo concluída pelo AuditorFiscal. Em razão dessa prorrogação por dois dias úteis, entendeu o Contribuinte pela nulidade de todo o procedimento fiscalizatório. Discordamos quanto a isto. A interpretação dos dispositivos relativos ao procedimento administrativo não deve se dar isoladamente, mas sempre contextualizada com princípios e finalidades constitucionais, mas também, especialmente, por metarregras que tratem desses procedimentos. No caso em tela, remetemos à Lei nº 9.784/99, especialmente em seu art. 2º: Art. 2o A Administração Pública obedecerá, dentre outros, aos princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência. Parágrafo único. Nos processos administrativos serão observados, entre outros, os critérios de: VIII – observância das formalidades essenciais à garantia dos direitos dos administrados; Como foi dito anteriormente, o MPF é, também, um escudo do contribuinte, e enquanto formalidade é imperativo sempre que sua observância seja essencial à proteção dos direitos do Contribuinte. A extensão da atividade fiscalizatória por três dias em relação à data final, realizada inclusive pelo mesmo auditorfiscal, não parece ter ofendido ao direito do Contribuinte, especialmente à garantia de legitimidade da atividade fiscalizatória. É absolutamente irrazoável que toda a atividade fiscalizatória seja desconsiderada quando não há qualquer prova ou indício de que alguma garantia essencial do Contribuinte foi violada pela prorrogação em tela. Da mesma forma que o interesse público não pode prevalecer sobre as garantias individuais, os rigorismos exagerados não podem prevalecer sobre o interesse Fl. 1292DF CARF MF 6 público, quando não se demonstre que essa formalidade estava essencialmente atrelada a alguma garantia do Contribuinte. Portanto, entendemos não haver qualquer nulidade no caso em tela, pelo que negamos provimento à preliminar apontada. b) Da decadência Alega o Recorrente a decadência do direito de lançar referente ao período entre Janeiro e Setembro de 2000, sob o argumento de que o exercício a ser considerado para a contagem do prazo do art. 173, I do CTN seria o período de apuração do IPI, e que não houve fundamento para a aplicação da mencionada regra, pois houve o lançamento por homologação, mas com apuração do montante a pagar igual a "zero", não havendo inadimplemento algum. Quanto ao primeiro argumento, entendemos que o termo "exercício" significa o anocalendário em que ocorreu o fato gerador, passandose a contar o prazo decadencial do art. 173, I do CTN a partir do ano seguinte é preciso que se diferencie o "exercício" do período de apuração do IPI. Desse modo, os fatos geradores ocorridos de Janeiro a Setembro de 2000 terão como dies a quo a data de 1º de Janeiro de 2001, se encerrando ao final de 2005 e, portanto, não estando decaídos em Novembro de 2005, data do lançamento. Quanto ao segundo argumento, ele pressupõe o deslinde da questão meritória acerca da incidência ou não do IPI sobre as atividades da empresa, razão pela qual não pode ser examinado na apreciação de preliminar. Diante disto, nego provimento à preliminar de decadência. c) Da multa agravada em razão da adoção de classificação fiscal em contrariedade a consulta formulada pela Recorrente A fiscalização alega que a multa de ofício deve ser majorada em 50%, em razão do contribuinte contrariar decisão de consulta formulada por ele próprio a respeito da classificação fiscal dos bens, incidindo no agravante do art. 449, inc. II c/c art. 451, I, "a" di Decreto nº 2.627/98 (RIPI/98). O Contribuinte alega, em sua defesa, que a consulta não versava sobre todos os bens, mas apenas sobre "bobinas autocopiativas", sem abranger "papel termoscript, papel apergaminhado e álbuns de fotografia". Tal matéria, todavia, não se constitui como preliminar, mas como questão meritória, acerca da aplicação das multas. Em razão disso, sua análise será feita posteriormente. d) Da retificação do saldo credor registrado na contacorrente fiscal Alega a Recorrente que não concorda com a retificação do saldo credor em 01/01/2000, porque tal redução teria sido feita com base em Auto de Infração anterior, ainda não definitivamente julgado na esfera administrativa. Tal fato, inclusive, foi responsável pelo longo sobrestamento deste feito, enquanto era aguardado o desfecho do Processo nº 11080.004386/0067. Fl. 1293DF CARF MF Processo nº 11080.009073/200553 Acórdão n.º 3402003.450 S3C4T2 Fl. 5 7 Verificase, ao fim do mencionado processo, que o julgamento foi contrário ao Contribuinte, mantendo administrativamente a retificação do saldo credor na data mencionada, conforme extrato de fl. 1225. A despeito do Recorrente ter obtido decisão em antecipação de tutela com o fito de suspender a exigibilidade do crédito tributário, tal decisão não tem o condão de infirmar a decisão administrativa do Processo nº 11080.004386/0067. Portanto, nego provimento à preliminar levantada. II) Do mérito A questão meritória a ser discutida neste processo é a incidência de IPI sobre a prestação de serviços de composição gráfica, relativo a dois serviços prestados pela Recorrente. O primeiro diz respeito à aquisição de "bobinas de papel" que serão submetidas à impressão e corte na rebobinadeira, conforme pedido personalizado de cada cliente, incluindo a impressão de logomarca própria, número de vias, largura das bobinas e outros dados específicos. O segundo diz respeito à aquisição de "papel em resma" para impressão de pedidos personalizados, sob encomenda, de mini álbuns fotográficos acabados com sacos plásticos soldados, com a aposição de logomarca, cores e demais características solicitadas pelo encomendante. Tais atividades se encontram dentro do objeto social da Recorrente, conforme se verifica em seu contrato social à fl. 557: O Recorrente sustenta que sobre tais serviços de composição gráfica somente poderá incidir o ISS, de competência municipal, com os seguintes fundamentos: a) a exclusividade da incidência do ISS sobre os serviços previstos no DecretoLei nº406/68, art.8º, §1º; b) a presença do serviço de composição gráfica na Lei Complementar nº 56/87; c) resposta de consulta formulada pela Recorrente à Prefeitura Municipal de Porto AlegreRS Já a decisão a quo adotou como base para a improcedência da impugnação apresentada os seguintes fundamentos: Fl. 1294DF CARF MF 8 a) Os produtos da autuada (álbum fotográfico e bobinas de papel) estão incluídos no Capítulo 48 da TIPI/96, não sendo obras de impressão gráfica. b) Ainda que fossem produtos gráficos, eles seriam produtos industrializados, nos termos do art.5º do RIPI/98, sujeitos à incidência do IPI na saída. c) Art. 6º da Lei nº 10.451/2002, e os Pareceres Normativos CST nºs 253/1970 e 83/1977. Podese afirmar, de plano, que há uma incongruência entre o raciocínio seguido pela decisão recorrida e o conteúdo do Termo de Verificação Fiscal, parte integrante do Auto de Infração. O relato desenvolvido pelo AuditorFiscal corrobora a posição sustentada pela Recorrente de que realiza serviços de composição gráfica, como se verifica nos seguintes trechos: Fl. 467 Falase aí em bobinas personalizadas com o nome e CNPJ do encomendante, de acordo com os requisitos técnicos solicitados, o que envolve atividade de impressão e corte sob encomenda. Fica absolutamente claro, e coerente com o restante dos elementos fáticos presentes no processo (consultas elaboradas pela Recorrente, registro do CNPJ, contrato social etc.) que se trata de um serviço de composição gráfica feito especificamente para cada cliente da Recorrente. FL. 293 e ss. Fl. 1295DF CARF MF Processo nº 11080.009073/200553 Acórdão n.º 3402003.450 S3C4T2 Fl. 6 9 Como se verifica nas notas fiscais de saída juntadas pelo próprio Auditor Fiscal, a Recorrente vendia álbuns personalizados, de acordo com a solicitação e as especificações do cliente, como logotipos, endereço, telefone, propaganda do laboratório fotográfico (Fujifilm, Kodak etc). É de sabido por todos que num passado recente, pouco antes do advento das máquinas fotográficas digitais, era comum que cada estabelecimento que realizasse a "revelação de fotos" possuísse um álbum próprio, feito sob medida. Esses álbuns eram produzidos, sob encomenda, pela Recorrente. Parece, portanto, que tanto em relação às bobinas quanto em relação aos álbuns estamos tratando de serviços de composição gráfica, infirmando a premissa assumida equivocadamente pela decisão a quo. Ultrapassado esse ponto, o seguinte se coloca como a questão central a ser enfrentada: em sendo serviços de composição gráfica, é cabível a incidência simultânea do ISS e do IPI, ou a incidência do ISS é exclusiva? Entendemos firmemente que a melhor razão jurídica está na segunda opção incidência exclusiva do ISS pelos motivos que serão expostos a seguir. O Sistema Tributário Nacional tem suas linhas mestras traçadas de forma especialmente analítica na CF/88, em um ordenamento constitucional que abarca não apenas o âmbito formal de normatização, mas também um âmbito material, caracterizandose não apenas pela profusão de disposições relativas ao regime jurídico da relação jurídicotributária, como também por três características: abertura, rigidez e exaustividade (Cf.). Trataremos primeiro de sua rigidez e exaustividade, que decorrem de dois fundamentos: por um lado, a existência de estritas regras de competência tributária e de repartição das receitas intensiva e minuciosamente reguladas, e por outro, o estabelecimento dessas regras a nível constitucional, conduzindo a uma rigidez modificativa em razão da especial hierarquia que ostentam (ÁVILA, Humberto. Sistema Constitucional Tributário, 4ªed. São Paulo: Saraiva, 2010. P.109110). A distribuição minuciosa das competências tributárias aos entes federados conduz a determinados corolários que são depreendidos dessa exaustão. Fl. 1296DF CARF MF 10 Uma delas talvez a principal é a impossibilidade de um ente invadir a competência destinada a outro, é dizer, todos devem respeitar os estritos limites nos quais a sua atividade tributante deve ser exercida, de modo que esse controle se dá ora pelo recurso aos conceitos constitucionais utilizados, ora pelo recurso à Lei Complementar, nos casos do art. 146, I da CF/88. Portanto, no momento que o constituinte determinou que determinada esfera de materialidades econômicas estaria sujeita à competência de um determinado ente federado, simultaneamente ele exclui os demais entes de exercer sua atividade tributária sobre estas bases, com vistas à garantia da autonomia financeira característica do Federalismo resguardado especialmente pelo art.60, §4º, I da CF. Nesse sentido é a sempre repetida lição do Professor Geraldo Ataliba: “A discriminação de rendas oferece um aspecto positivo – enquanto forma de outorga de competências – e outro negativo –enquanto inibe aos não contemplados pela outorga. Na verdade, a circunstancia de se conferir competência privativa a um ente, importa em por obstáculo erga omnes ao exercício da mesma competência.” (ATALIBA, Geraldo. Sistema constitucional tributário brasileiro. São Paulo: RT, 1968: p. 35). Portanto, ao determinar à União, por meio do art. 153, IV da CF, que ela teria competência para tributar operações com produtos industrializados, e determinar no art. 156, III, que os Municípios teriam competência para tributar a prestação de serviços de qualquer natureza (excepcionando os serviços sujeitos à competência estadual), pretendeu o constituinte originário estabelecer campos de competência distintos, sem intersecções. Naturalmente, da complexificação da realidade surgem situações não previstas inicialmente pelo legislador, que envolvem em uma só operação a prestação de um serviço particular a determinado sujeito e o fornecimento de mercadorias, o que levou a conflitos de competência. Nessas hipóteses, sempre que a tônica da prestação fosse o serviço prestado, e não o bem fornecido, os tribunais sempre decidiram pela prevalência da incidência do ISS, a exemplo do decidido pelo Superior Tribunal de Justiça, em Recurso Repetitivo, tratando especificamente dos casos de serviços de composição gráfica: CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. DELIMITAÇÃO DA COMPETÊNCIA TRIBUTÁRIA ENTRE ESTADOS E MUNICÍPIOS. ICMS E ISSQN. CRITÉRIOS. SERVIÇOS DE COMPOSIÇÃO GRÁFICA. SÚMULA 156 DO STJ. 1. Segundo decorre do sistema normativo específico (art. 155, II, § 2º, IX, b e 156, III da CF, art. 2º, IV, da LC 87/96 e art. 1º, § 2º, da LC 116/03), a delimitação dos campos de competência tributária entre Estados e Municípios, relativamente à incidência de ICMS e de ISSQN, está submetida aos seguintes critérios: (a) sobre operações de circulação de mercadoria e sobre serviços de transporte interestadual e internacional e de comunicações incide ICMS; (b) sobre operações de prestação de serviços compreendidos na lista de que trata a LC 116/03 (que sucedeu ao DL 406/68), incide ISSQN; e (c) sobre operações mistas, assim entendidas as que agregam mercadorias e serviços, incide o ISSQN sempre que o serviço agregado estiver compreendido na lista de que trata a LC 116/03 e incide ICMS sempre que o serviço agregado não estiver previsto na referida lista. Fl. 1297DF CARF MF Processo nº 11080.009073/200553 Acórdão n.º 3402003.450 S3C4T2 Fl. 7 11 2. As operações de composição gráfica, como no caso de impressos personalizados e sob encomenda, são de natureza mista, sendo que os serviços a elas agregados estão incluídos na Lista Anexa ao DecretoLei 406/68 (item 77) e à LC 116/03 (item 13.05).Consequentemente, tais operações estão sujeitas à incidência de ISSQN (e não de ICMS). Confirmase o entendimento da Súmula 156/STJ: "A prestação de serviço de composição gráfica, personalizada e sob encomenda, ainda que envolva fornecimento de mercadorias, está sujeita, apenas, ao ISS." Precedentes de ambas as Turmas da 1ª Seção. 3. Recurso especial provido. Recurso sujeito ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 08/08. (REsp 1092206/SP, Rel. Ministro TEORI ALBINO ZAVASCKI, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 11/03/2009, DJe 23/03/2009) Nos contratos mistos, que envolvam fornecimento de mercadorias, atividades de industrialização e prestação de serviços, a determinação da incidência deve ordinariamente obedecer ao critério da faceta preponderante da prestação. É essa a conclusão também alcançada por José Roberto Vieira, exConselheiro deste órgão e festejado estudioso do IPI, ao enfrentar o tema de industrialização por encomenda, vereda na qual os serviços de composição gráfica se inserem, assim se manifesta: ...identificamos, então, as áreas em que se aproximam os dois impostos: os serviços associados ao fornecimento de materiais (ISS) e as industrializações por encomenda (IPI); áreas em cuja interface surpreendemos a figura do contrato de empreitada de materiais; entidade jurídica de direito privado que, à luz daqueles critérios distintivos constitucionais (obrigações de dar e fazer), só se pode curvar à incidência do ISS, inadmitindose a tributação pelo IPI. (VIEIRA, José Roberto. RegraMatriz de Incidência do IPI: Texto e Contexto. Curitiba: Juruá, 1993. P.87) Absolutamente correto o entendimento esposado pelo autor citado e que goza de amplíssimo apoio da doutrina. A zona cinzenta que se estabelece entre a obrigação de dar típica das operações com produtos industrializados e a obrigação de fazer típica das prestações de serviço evoca a discussão da preponderância de atividade que, por sua vez, deve se socorrer de institutos do Direito Privado, conforme arts. 109 e 110 do Código Tributário, verbis: Art. 109. Os princípios gerais de direito privado utilizamse para pesquisa da definição, do conteúdo e do alcance de seus institutos, conceitos e formas, mas não para definição dos respectivos efeitos tributários. Art. 110. A lei tributária não pode alterar a definição, o conteúdo e o alcance de institutos, conceitos e formas de direito privado, utilizados, expressa ou implicitamente, pela Constituição Federal, pelas Constituições dos Estados, ou pelas Leis Orgânicas do Distrito Federal ou dos Municípios, para definir ou limitar competências tributárias. Fl. 1298DF CARF MF 12 Dos citados dispositivos resta claro que o recurso ao Direito Privado é essencial para determinar a que campo de competência pertencem os contratos complexos de serviços de composição gráfica. Nesse sentido, assume relevo a compreensão do contrato de empreitada. O artigo 610 do Código Civil, Lei nº 10.406/2002, ao iniciar a disciplina do contrato, dispõe: “O empreiteiro de uma obra pode contribuir para ela só com seu trabalho ou com ele e os materiais”. Dessa forma, ele estabelece duas espécies de empreitada, a que se limita ao trabalho, chamada empreitada de lavor, e a empreitada mista, que envolve o fornecimento de materiais. Sobre isto, esclarece Serpa Lopes: Se o empreiteiro fornece os materiais, não são estes em si o objeto do contrato, senão a matéria lavrada, trabalhada e transformada pelo trabalho do homem. Mesmo quando o empreiteiro fornece o material, o contrato de trabalho continua qualificado como tal, abrangendo, em princípio, duas obrigações: a de fazer, lavrando a coisa, e, como consectário lógico desta primeira, a de entregála ao dono da coisa. (SERPA LOPES, Miguel Maria de. Curso de Direito Civil, v. IV. Rio de Janeiro: Freitas Bastos, 1961. P.149.) Parecenos que os contratos de serviços de composição gráfica enquadramse perfeitamente no tratamento dado ao contrato de empreitada. A despeito da obrigação de dar a coisa pronta, o que constitui o cerne da operação é o lavor, a prestação de serviço para a elaboração de algo que atenda às especificidades solicitadas pelo encomendante. Isso fica perfeitamente delineado ao se descer do altiplano constitucional para analisar os âmbitos de incidência tributária. O aspecto material da hipótese de incidência do ISS não se confunde com a materialidade do IPI e do ICMS. Isto porque: i) excetuando as prestações de serviços de comunicação e de transporte interestadual e intermunicipal, o ICMS incide sobre operação mercantil (circulação de mercadoria), que se traduz numa "obrigação de dar" (artigo 155, II, da CF/88), na qual o interesse do credor encarta, preponderantemente, a entrega de um bem, pouco importando a atividade desenvolvida pelo devedor para proceder à tradição; e ii) na tributação pelo IPI, a obrigação tributária consiste num "dar um produto industrializado" pelo próprio realizador da operação jurídica. Como arremata Soares de Melo, "embora este, anteriormente, tenha produzido um bem, consistente em seu esforço pessoal, sua obrigação consiste na entrega desse bem, no oferecimento de algo corpóreo, materializado, e que não decorra de encomenda específica do adquirente" (MELO, José Eduardo Soares de."ICMS Teoria e Prática", 8ª Ed., Ed. Dialética, São Paulo, 2005. P.65). Já o ISS, na sua configuração constitucional, incide sobre uma prestação de serviço, cujo conceito pressuposto pela Constituição encarta algo bem diferente de uma obrigação de dar, de modo que o núcleo da hipótese de incidência desse imposto é a prestação de serviço, vale dizer: conduta humana consistente em desenvolver um esforço em favor de terceiro, visando a adimplir uma "obrigação de fazer" (o fim buscado pelo credor é o aproveitamento do serviço contratado). É clara a prevalência do fazer sobre o dar, sendo corolário disto a sua subsunção, a nível constitucional, à hipótese do art. 156, III e não do art. 153, IV, corroborada pela análise das normas de incidência dos respectivos impostos. Fl. 1299DF CARF MF Processo nº 11080.009073/200553 Acórdão n.º 3402003.450 S3C4T2 Fl. 8 13 Para além do cotejo dos conceitos constitucionais albergados pelas regras de competência, decorrentes de sua exaustividade, devese relembrar aqui outra das características do Sistema Tributário, mencionada anteriormente: a sua abertura. Por abertura, referimos à existência de diversas remissões à outros textos legais vocacionais à integração do conteúdo do Sistema Tributário Nacional, especialmente a chamada Lei Complementar, cujas funções são literalmente delineadas pelo art. 146 da CF, verbis: Art. 146. Cabe à lei complementar: I dispor sobre conflitos de competência, em matéria tributária, entre a União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios; II regular as limitações constitucionais ao poder de tributar; III estabelecer normas gerais em matéria de legislação tributária, especialmente sobre: (...) Isso conduz imediatamente à Lei Complementar nº 116/2003 e ao Decreto Lei nº 406/68, que lhe fazia as vezes antes, que trouxeram uma lista de serviços a serem tributados pelo ISS. Sem pretender entrar na extensa discussão acerca do caráter e eficácia dessa lista, devese frisar o ponto relevante para a presente discussão: essas listas não exercem apenas o papel de normas gerais para os Municípios que pretenderem instituir a cobrança de ISS em suas jurisdições, mas é também um dispositivo de resolução de conflitos de competência entre a União, Estados, Distrito Federal e Municípios. É dizer: uma vez que uma Lei Complementar, ou dispositivo que o equivalha, determine que uma materialidade pertence à competência dos Municípios, ela automaticamente exclui os demais entes tributantes, ainda que tal materialidade se encontre uma zona cinzenta. Tratase de uma função da Lei Complementar enunciada expressamente pela Constituição Federal que deve ser considerada não apenas como comando expresso, mas como diretriz interpretativas das competências tributárias. O DecretoLei 406/68 era absolutamente claro nesse sentido: Art 8º O impôsto, de competência dos Municípios, sôbre serviços de qualquer natureza, tem como fato gerador a prestação, por emprêsa ou profissional autônomo, com ou sem estabelecimento fixo, de serviço constante da lista anexa. §1º Os serviços incluídos na lista ficam sujeitos apenas ao impôsto previsto neste artigo, ainda que sua prestação envolva fornecimento de mercadoria. Ele determinava expressamente a incidência exclusiva do ISS sobre os serviços constantes na lista anexa de serviços. E mais, vejase que em relação ao ICM, o diploma era claro em trazer a possibilidade de incidência conjunta com o IPI, o que não ocorria em relação ao ISS: Art 2º A base de cálculo do impôsto é:(...) Fl. 1300DF CARF MF 14 § 5º O montante do impôsto sôbre produtos industrializados não integra a base de cálculo definida neste artigo: I Quando a operação constitua fato gerador de ambos os tributos; [ICM e IPI] II Em relação a mercadorias sujeitas ao impôsto sôbre produtos industrializados com base de cálculo relacionada com o preço máximo de venda no varejo marcado pelo fabricante. O tratamento tributário dos serviços previstos naquela lista anexa é absolutamente acessível pela tãosó literalidade do diploma. Argumentase, por exemplo, que o art.8º, §1º do DL nº 406/68 estaria abrangendo apenas o ICM, em razão da parte preliminar do texto falar que ele "Estabelece normas gerais de direito financeiro, aplicáveis aos impostos sôbre operações relativas à circulação de mercadorias e sôbre serviços de qualquer natureza, e dá outras providências". Tratase, todavia, de uma interpretação rasteira que contraria o próprio conteúdo do DecretoLei, que traz diversos dispositivos acerca do IPI, demonstrando que seu conteúdo vai bem além do que a parte preliminar indica, inclusive prevendo expressamente a incidência conjunto ao ICM, excluindo tal possibilidade para o ISS. A menção aos Pareceres Normativos CST nºs 253/70 e 83/77, que veiculam a interpretação rasa já rechaçada, tanto no parágrafo anterior quanto pela própria literalidade do dispositivo que pretenderam interpretar, indo muito além para não dizer contrariamente ao que dispõe o art. 8º, §1º do DL nº 406/68. Tão absurdas eram as diretrizes dos mencionados Pareceres que os antigo Tribunal Federal de Recursos, enfrentando essa questão, posteriormente à edição dos mesmos, sumulou o seguinte: Súmula: nº 143: Os serviços de composição e impressão gráfica, personalizados, previstos no art. 8º, § 1º, do Decreto Lei 406, de 1968, com as alterações introduzidas pelo Decreto Lei 834, de 1969, estão sujeitos apenas ao I.S.S., não incidindo o I.P.I. Verificase, pois, como pacífico o entendimento da Corte Superior pela impossibilidade de incidência do IPI nos serviços de composição gráfica. Mais específico que isso, impossível! Frisese que aqui não se tratará especificamente da Lei Complementar nº 116/03, que nada inovou a esse respeito, em razão dos fatos geradores do presente processo serem anteriores a sua vigência, estando sujeitos ao DecretoLei nº 406/68. Além do longo arrazoado apresentado, a Súmula nº 156 do Superior Tribunal de Justiça, que reitera a jurisprudência do extinto TFR: Súmula nº 156: A prestação de serviço de composição gráfica, personalizada e sob encomenda, ainda que envolva fornecimento de mercadorias, está sujeita, apenas, ao ISS. Mais ainda, cumpre ressaltar que a jurisprudência pacífica daquele tribunal se consolidou, nas suas duas turmas que analisam matéria tributária, no sentido de que a referida súmula abrange a exclusão tanto do ICMS quanto do IPI em relação às prestações de Fl. 1301DF CARF MF Processo nº 11080.009073/200553 Acórdão n.º 3402003.450 S3C4T2 Fl. 9 15 serviço de composição gráfica, o que também corrobora o que vem sido dito até agora, inclusive com precedentes recentíssimos: TRIBUTÁRIO. COMPOSIÇÃO GRÁFICA PERSONALIZADA E SOB ENCOMENDA. IPI. NÃO INCIDÊNCIA. SÚMULA 156/STJ. ACÓRDÃO EM CONSONÂNCIA COM JURISPRUDÊNCIA. SÚMULA 83/STJ. A jurisprudência do STJ é firme no sentido de que a prestação de serviço de composição gráfica, personalizada e sob encomenda, está sujeita apenas ao ISS, não se submetendo ao ICMS ou ao IPI. Agravo regimental improvido. (AgRg no AREsp 816.632/SP, Rel. Ministro HUMBERTO MARTINS, SEGUNDA TURMA, julgado em 02/02/2016, DJe 11/02/2016) TRIBUTÁRIO. IPI. SERVIÇOS DE COMPOSIÇÃO GRÁFICA PERSONALIZADA E SOB ENCOMENDA. NÃO INCIDÊNCIA.1. Não procede o objetivo de prequestionar dispositivos constitucionais, sobretudo porque a matéria fora debatida nas instâncias ordinárias e já houve interposição de Recurso Extraordinário contra o acórdão do Tribunal a quo (fls. 312326). 2. A jurisprudência dominante do STJ é no sentido de que os bens submetidos à prestação de serviço de composição gráfica, personalizada e sob encomenda, não se sujeitam ao IPI, mas apenas ao ISS. 3. Agravo Regimental não provido. (AgRg no REsp 1369577/RJ, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em 05/12/2013, DJe 06/03/2014) RECURSO ESPECIAL. AGRAVO REGIMENTAL. TRIBUTÁRIO. COMPOSIÇÃO GRÁFICA PERSONALIZADA E SOB ENCOMENDA. IPI. NÃO INCIDÊNCIA. SÚMULA 156/STJ. 1. A prestação de serviço de composição gráfica, personalizada e sob encomenda, está sujeita apenas ao ISS, não se submetendo ao ICMS ou ao IPI. Precedentes. 2. Aplicação analógica da Súmula n. 156/STJ. 3. Agravo regimental não provido. (AgRg no REsp 1308633/SP, Rel. Ministro CASTRO MEIRA, SEGUNDA TURMA, julgado em 17/09/2013, DJe 01/10/2013) PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. IPI. CONFECÇÃO DE CARTÕES MAGNÉTICOS E DE CRÉDITO. NÃO INCIDÊNCIA. APLICAÇÃO DA SÚMULA 156/STJ. 1. O Superior Tribunal de Justiça firmou o entendimento de que em casos como o dos autos, de empresa que produz cartões magnéticos personalizados, não há incidência de IPI. Aplicação, in casu, da Súmula 156/STJ: "a prestação de serviço de composição gráfica, personalizada e sob encomenda, ainda que envolva fornecimento de mercadorias, está sujeita, apenas, ao ISS." 2. Agravo Regimental não provido. (AgRg no REsp 966.184/RJ, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em 03/04/2008, DJe 19/12/2008) TRIBUTÁRIO. ISSQN. "INDUSTRIALIZAÇÃO POR ENCOMENDA". LEI COMPLEMENTAR 116/2003. LISTA DE SERVIÇOS ANEXA. PRESTAÇÃO DE SERVIÇO (OBRIGAÇÃO Fl. 1302DF CARF MF 16 DE FAZER). ATIVIDADE FIM DA EMPRESA PRESTADORA. INCIDÊNCIA. (...) 11. Destarte, a "industrialização por encomenda", elencada na Lista de Serviços da Lei Complementar 116/2003, caracteriza prestação de serviço (obrigação de fazer), fato jurídico tributável pelo ISSQN, não se enquadrando, portanto, nas hipóteses de incidência do ICMS (circulação de mercadoria obrigação de dar e prestações de serviço de comunicação e de transporte transmunicipal). 14. Recurso especial provido. (REsp 888.852/ES, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA TURMA, julgado em 04/11/2008, DJe 01/12/2008) Na mesma linha, o Supremo Tribunal Federal possui importante precedente vazado no AI 803.296 AgR, relatado pelo Min. Dias Toffoli, no qual a Corte consignou critérios objetivos para determinar as hipóteses em que a industrialização por encomenda estaria sujeita à incidência exclusiva do ISS. Senão vejamos: EMENTA Agravo regimental no recurso extraordinário. Serviço de composição gráfica com fornecimento de mercadoria. Conflito de incidências entre o ICMS e o ISSQN. Serviços de composição gráfica e customização de embalagens meramente acessórias à mercadoria. Obrigação de dar manifestamente preponderante sobre a obrigação de fazer, o que leva à conclusão de que o ICMS deve incidir na espécie. 1. Em precedente da Corte consubstanciado na ADI nº 4.389/DFMC, restou definida a incidência de ICMS “sobre operações de industrialização por encomenda de embalagens, destinadas à integração ou utilização direta em processo subsequente de industrialização ou de circulação de mercadoria”. 2. A verificação da incidência nas hipóteses de industrialização por encomenda deve obedecer dois critérios básicos: (i)verificar se a venda operase a quem promoverá nova circulação do bem e (ii) caso o adquirente seja consumidor final, avaliar a preponderância entre o dar e o fazer mediante a averiguação de elementos de industrialização. 4. À luz dos critérios propostos, só haverá incidência do ISS nas situações em que a resposta ao primeiro item for negativa e se no segundo item o fazer preponderar sobre o dar. 5. A hipótese dos autos não revela a preponderância da obrigação de fazer em detrimento da obrigação de dar. Pelo contrário. A fabricação de embalagens é a atividade econômica específica explorada pela agravante. Prepondera o fornecimento dos bens em face da composição gráfica, que afigurase meramente acessória. Não há como conceber a prevalência da customização sobre a entrega do próprio bem. 6. Agravo regimental não provido.(AI 803296 AgR, Relator(a): Min. DIAS TOFFOLI, Primeira Turma, julgado em 09/04/2013) Como se verifica da análise do acórdão, duas condições devem ser comprovadas para determinar a incidência do ISS na industrialização por encomenda. Em primeiro lugar, é preciso que o encomendante seja consumidor final, e em segundo lugar, que haja preponderância do fazer sobre o dar, mediante a averiguação dos elementos de industrialização. Fl. 1303DF CARF MF Processo nº 11080.009073/200553 Acórdão n.º 3402003.450 S3C4T2 Fl. 10 17 Quanto ao primeiro, ele resta claramente caracterizado nos autos e afirmado expressamente pelo Recorrente ainda em sua Impugnação, na fl.507, não sendo contestado ou infirmando em qualquer momento: Pelo contrário, a própria personalização dos produtos com os dados particulares, logomarca, CNPJ, nome e outros elementos identificadores dos encomendantes deixa claro que os mesmos seriam os consumidores finais, deixando claro o atendimento ao primeiro requisito delimitado pelo STF. Tal critério é, inclusive, corroborado em precedente da CSRF, no Acórdão CSRF/0202.339, como a ementa deixa evidente: IPI. INCIDÊNCIA – SERVIÇO DE COMPOSIÇÃO GRÁFICA. Antes da vigência da Lei Complementar nº 116/2003, estando a operação de Composição Gráfica, incluída na Lista de Serviços anexa ao DecretoLei nº 406/68, como status de Lei Complementar, sobre ela ocorre a incidência, apenas, do ISS, com exclusão, pois, da do IPI, isso quando o produto da operação não seja posteriormente destinado à industrialização ou comercialização, situação esta configurada nos autos. (CSRF/0202.339, rel. Cons. Antonio Bezerra Neto, julgado em 24/07/2006) Quanto ao segundo, o mesmo resta plenamente reconhecido nos autos. Não tem o encomendante interesse em qualquer bobina ou qualquer álbum de fotografias, mas apenas aquele personalizado, com elementos de identificação peculiares e exclusivos, que lá são postos por força da prestação de serviço da Recorrente e mais, o próprio fiscal e a decisão a quo em momento algum discutem a possibilidade da obrigação de fazer não ser preponderante na composição gráfica, pelo contrário, assumindo isto como premissa, mas divergindo equivocadamente nas conclusões. Na mesma linha decidia também o extinto Segundo Conselho de Contribuintes, conforme as decisões abaixo colacionadas: IPI. INDUSTRIALIZAÇÃO DE ADESIVOS POR ENCOMENDA. Os serviços gráficos personalizados, ainda quando envolvam o fornecimento de mercadorias, ficam sujeitos apenas ao ISS, não incidindo o IPI. In casu a atividade de elaboração de películas adesivas sob encomenda desenvolvida pela Recorrente não se enquadra na hipótese de incidência do IPI, posto que é nítida a prestação de serviço. Recurso provido. (Acórdão 20215523; Recurso 119196; Relator Marcelo Marcondes MeyerKozlowski; Data da Sessão 13/04/2004). CARTÃO MAGNÉTICO. SERVIÇO DE COMPOSIÇÃO GRÁFICA. A confecção de cartões de plástico (PVC) com tarja magnética, comumente denominados “cartões magnéticos”, Fl. 1304DF CARF MF 18 vendidos a clientes finais consiste na prestação de um serviço de composição gráfica e não se enquadra na hipótese de incidência do IPI. (Acórdão 20180.210; Recurso 104.692; Relator Maurício Taveira e Silva; Data da Sessão 29/03/2007). Já no âmbito do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, apontase também a existência de precedentes desta Turma de Julgamento a respeito da matéria, reconhecendo, por unanimidade, que no serviço de composição gráfica não há incidência de IPI, a exemplo do Acórdão CARF nº 3402002.024, de relatoria do Cons. João Carlos Cassuli Jr., julgado em 27/02/2013 e assim ementado: IPI. NÃO INCIDÊNCIA. SERVIÇOS DE COMPOSIÇÃO GRÁFICA PREPONDERÂNCIA DOS SERVIÇOS. LANÇAMENTO. DESCABIMENTO. Nos casos em a atividade empresarial se constitui em uma obrigação de fazer, personalizada, para uso próprio do encomendante, o que prepondera é o serviço e não a indústria, e, como tal, está realizada a hipótese de incidência do ISS, que grava os serviços, e não há lugar para estar concomitantemente gravada pela incidência do IPI pelo fato de ter havido “transformação”, pois que esta, no caso, é da essência (atividademeio) do próprio serviço (atividadefim). No mesmo sentido entendeu, por unanimidade, outras turmas desta Seção de Julgamento: EMBALAGEM. SERVIÇO DE COMPOSIÇÃO GRÁFICA PERSONALIZADA. PRESTAÇÃO DE SERVIÇO. A impressão gráfica personalizada em embalagem plástica para acondicionamento de ovo, feita para atender às necessidades específicas do cliente, tratase de prestação de serviço e não de industrialização. Quem a exerce é estabelecimento prestador de serviço e não estabelecimento industrial. (Acórdão nº 3302 00.582, Cons. Walber José da Silva, julgado em 29/09/2010) Além disso, tal posicionamento foi sufragado pela Câmara Superior de Recursos Fiscais deste CARF, como se depreende dos seguintes acórdãos: CARTÃO MAGNÉTICO. COMPOSIÇÃO GRÁFICA. A confecção de cartões de plástico com tarja magnética, comumente denominados "cartões magnéticos", vendidos a clientes finais consiste na prestação de um serviço de composição gráfica e não se enquadra na hipótese de incidência do IPI. (Ac. nº 0203.490, Rel. Cons. Josefa Maria Coelho Marques, julgado em 02/09/2008) IPI. DECISÃO JUDICIAL TRANSITADA EM JULGADO. EFEITOS. A existência de sentença judicial transitada em julgado, proferida pelo TFR, com decisão favorável ao contribuinte, a qual ainda prevalece, em face da inexistência de alteração legislativa, derrui a pretensão do Fisco. A Súmula 156 do STJ decidiu que a prestação de serviço de composição gráfica, personalizada e sob encomenda, ainda que envolva fornecimento de mercadorias, está sujeita, apenas, ao ISS. Portanto, os serviços de confecção de cartões magnéticos e de Fl. 1305DF CARF MF Processo nº 11080.009073/200553 Acórdão n.º 3402003.450 S3C4T2 Fl. 11 19 crédito se constituem em serviço de composição gráfica sujeito unicamente ao ISS. Precedente do TRF e do STJ. (CSRF/02 02.652, Rel. Cons. Maria Teresa Martinez López, julgado em 23/04/2007) CARTÃO MAGNÉTICO. SERVIÇO DE COMPOSIÇÃO GRÁFICA. A confecção de cartões de plástico (PVC) com tarja magnética, comumente denominados “cartões magnéticos”, vendidos a clientes finais consiste na prestação de um serviço de composição gráfica e não se enquadra na hipótese de incidência do IPI. Recurso provido. (Ac. nº 20180210, Rel. Cons. Maurício Taveira, julgado em 29/03/2007) IPI IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS. CONFECÇÃO DE CARTÕES MAGNÉTICOS, SOB ENCOMENDA. SERVIÇO DE COMPOSIÇÃO GRÁFICA. NÃO INCIDÊNCIA DE IPI. A confecção de cartões magnéticos, sob encomenda do consumidor final, não se enquadra na hipótese de incidência do IPI, por se caracterizar como serviço, nos termos do disposto no item 77 da Lista de Serviços aprovada pelo Decretolei nº 406/68. Recurso especial negado. (CSRF/02 02.556, Rel. Cons. Henrique Pinheiro Torres, julgado em 22/01/2007) Após este extenso levantamento jurisprudencial no âmbito do STF, STJ e CARF, abrangendo tanto câmaras baixas quanto câmara superior, resta evidente a existência de uma consolidação relativa aos fatos geradores tanto anteriores quanto posteriores à Lei Complementar nº 116/03 no sentido de não haver a incidência de IPI nos serviços de industrialização por encomenda, especialmente nos serviços de composição gráfica, quando se constatar que o encomendante será consumidor final e quando a prestação do fazer for preponderante, como no caso analisado neste processo administrativo. Poderseia alegar, aqui, que tratamse de decisões que não vinculam o julgamento, como aquelas decisões proferidas no âmbito das Repercussões Gerais e Recursos Repetitivos, por exemplo, e que por isso não exercem qualquer tipo de vinculação formal ao Colegiado. Todavia, não se pode olvidar também da construção de uma base de confiança para o Contribuinte, à partir de uma presunção material de correção que se caracteriza, no caso em tela, pela repetição de uma mesma decisão em diversos tribunais, de modo perene e sempre acompanhado de súmulas do STJ e do TFR, refletindo a existência de um consenso da comunidade jurídica acerca de determinado tema (nesse sentido, vide ÁVILA, Humberto. Teoria da Segurança Jurídica, 3ªed. São Paulo: Malheiros, 2016). Essa confiança não apenas é digna de proteção na condição de subprincípio corolário da segurança jurídica (Vertrauensschutzprinzip), mas especialmente no tocante à discussão relativa ao IPI, que traz em seu regulamento de 1998 previsão expressa de exclusão de multa em razão da proteção da confiança construída à partir de decisão de órgão da última instância administrativa (art. 459, II, "a" do RIPI/98). Não resta dúvida, pois, que não deve haver a incidência de IPI nos casos sujeitos a industrialização por encomenda, especialmente naqueles de serviços de composição gráfica, como no caso em tela, devendo ser julgado procedente o Recurso Voluntário. Fl. 1306DF CARF MF 20 Ad argumentandum, caso a posição pretérita não seja acatada pelo Colegiado, há que se observar que o AuditorFiscal aplicou a multa agravada do art. 449, II c/c com o art.451, I, "a", ambos do RIPI/98 sobre a totalidade do crédito tributário: Art. 449. São circunstâncias agravantes (Lei nº 4.502, de 1964, art. 68, § 1º, e DecretoLei nº 34, de 1966, art. 2º alteração 18ª); II o fato de o imposto, não destacado, ou destacado em valor inferior ao devido, referirse a produto cuja tributação e classificação fiscal já tenham sido objeto de decisão passada em julgado, proferida em consulta formulada pelo infrator (Lei nº 4.502, de 1964, art. 68, § 1º, inciso II, e DecretoLei nº 34, de 1966, art. 2º, alteração 18ª); Art. 451. A majoração da pena obedecerá aos seguintes critérios: I nas infrações nãoqualificadas (Lei nº 4.502, de 1964, art. 69, inciso I, e DecretoLei nº 34, de 1966, art. 2º, alteração 19ª): a) ocorrendo apenas uma circunstância agravante, exceto a reincidência específica, a pena básica será aumentada de cinqüenta por cento. Compulsandose o Termo de Verificação Fiscal observamos que o próprio auditor reconhece que o Recorrente protocolou consulta apenas sobre a classificação fiscal das bobinas em papel autocopiativo (proc. nº 10494.001090/9819), todavia, verificase no Auto de Infração a multa agravada foi aplicada sobre a totalidade do crédito tributário, e não apenas à parcela referente às saídas de bobinas em papel autocopiativo, configurando indevida extensão do agravamento da multa. III) Conclusão Por todo o exposto, voto por dar PROVIMENTO INTEGRAL ao Recurso Voluntário, nos termos do voto proferido. É como voto. Carlos Augusto Daniel Neto Relator Fl. 1307DF CARF MF Processo nº 11080.009073/200553 Acórdão n.º 3402003.450 S3C4T2 Fl. 12 21 Voto Vencedor Com a devida vênia, divirjo do ilustre relator, entendendo que a exigência fiscal deve ser mantida quanto à matéria de fundo. Contudo, quanto à multa aplicada na forma majorada, corroboro seu entendimento que a mesma só pode ser mantida em relação à classificação fiscal de produto que já tenha sido objeto de consulta, que, consoante sua análise, e nos termos do PAF 10494.001090/9819, foi a mercadoria "bobinas em papel autocopiativo". A matéria de fundo devolvida ao Colegiado, o ponto controverso, cingese, essencialmente, à questão da incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados sobre bobinas de papel personalizadas que a interessada fabrica. A Recorrente entende que efetua, tãosomente, serviço de composição gráfica, não sujeito ao IPI, com o que concorda o ilustre Conselheiro Carlos Daniel Neto Inicialmente, importa verificar as atividades realizadas pela contribuinte na fabricação das bobinas de papel personalizadas, segundo informações fornecidas pela própria recorrente: 1º) A Chies adquire de seus fornecedores BOBINAS DE PAPEL em rolos com pesos de 250 a 400 kg e larguras de 45,5cm a 48cm. 2º) As bobinas são colocadas numa máquina gráfica chamada de impressora que tem a função de imprimir os dados da gráfica (nome e o CNPJ/MF) e, no caso de impressos personalizados, além dos dados da gráfica mais os dados do cliente encomendante, tais como: nome, logotipo, marca, telefone, etc.. 3º) Após o processo de impressão as bobinas são cortadas em vários tamanhos, conforme solicitação dos clientes (89mm de largura por 20m de comprimento, 76mm x 20m, 69mm x 20m, 57mm x 20m, etc). A recorrente entende que as operações que realiza não se enquadram como operações de industrialização, segundo atesta o seguinte fragmento de seu recurso: Verificase, pois, que a recorrente compra e revende bobinas de papel que, pelo fato de terem passado por um processo de impressão e de redução das suas larguras e comprimentos, não perdem as suas características essenciais que as tipificam nas espécies bobina de papel. As atividades gráficas exercidas sobre as bobinas de papel não têm o condão de determinar que as mesmas se transformem em outras espécies novas, diferentes daquelas que foram adquiridas pela Impugnante.” Segundo informação da fiscalização, confirmadas pela empresa, a Chies adquire as bobinas de papel e efetua a impressão e o corte das bobinas, adequandoas às necessidades dos clientes. As bobinas de papel nas dimensões/formatos, tais quais adquiridas pela Chies de seus fornecedores, não estão em condições de serem utilizadas em máquinas registradoras ou calculadoras, utilização dada pelos clientes às bobinas produzidas pela Chies. Fl. 1308DF CARF MF 22 A simples operação de cortar as bobinas de papel para adequálas aos tamanhos próprios para sua utilização em máquinas registradoras ou calculadoras já constitui operação de industrialização (beneficiamento), segundo disposição do art. 3º, II, do RIPI/82, in literis (mesma redação do art. 4º, II, do RIPI/98): Art. 3º Caracteriza industrialização qualquer operação que modifique a natureza, o funcionamento, o acabamento, a apresentação ou a finalidade do produto, ou o aperfeiçoe para consumo, tal como (Lei n.º 4.502, de 1964, art. 3º, parágrafo único, e Lei n.º 5.172, de 25 de outubro de 1966, art. 46, parágrafo único): I a que, exercida sobre matériaprima ou produto intermediário, importe na obtenção de espécie nova (transformação); II a que importe em modificar, aperfeiçoar ou, de qualquer forma, alterar o funcionamento, a utilização, o acabamento ou a aparência do produto (beneficiamento); (...) Com muito mais razão, o corte das bobinas de papel associado à impressão, para produção das bobinas de papel personalizadas, também constitui operação de industrialização. Não há dúvidas de que tais operações promovem a modificação na apresentação e na finalidade das bobinas, quando comparadas com as bobinas adquiridas pela Chies. Gizese, inclusive, que a partir da TIPI/96, os papéis com dizeres impressos, estampados ou perfurados passaram a ter classificação fiscal distinta dos mesmos papéis sem impressão, perfuração ou estampagem, o que denota a ocorrência de transformação, além do beneficiamento pelo simples corte das bobinas às dimensões apropriadas a seu uso em calculadores/registradoras. Importante frisar que é a própria recorrente que adquire as bobinas de papel sobre as quais efetua as operações de corte e/ou impressão, além de outros insumos. Ressaltese que a autuada não recebe de seus clientes as bobinas, já nas dimensões apropriadas, apenas para a impressão dos dizeres convenientes, o que poderia caracterizar, essa atividade como exclusivamente de prestação de serviço de composição gráfica por encomenda, que os tribunais têm reconhecido como sujeito apenas ao Imposto Municipal (ISS), conforme longamente discorrido pelo Dr. Carlos Daniel. Mas, ao contrário, é a recorrente quem adquire os insumos, os industrializa e entrega o produto final ao cliente encomendante. Essa atividade, portanto, amoldase perfeitamente à uma das modalidades de industrialização prevista no art. 3º suso transcrito. Essa matéria não é nova neste Colegiado, e, apesar de ainda suscitar debates calorosos, a jurisprudência tem caminhado no sentido de se manter o entendimento fiscal. Como exemplo do aqui afirmado, transcrevo excertos do Acórdão 9303002.265, de 09/05/2013, cujo voto condutor sobre o tema em apreço é da lavra do ilustre Conselheiro Júlio César Alves Ramos, cujas razões de decidir, com a devida vênia, adoto como minhas. Registro que diversas decisões, tanto administrativas quanto judiciais, afirmaram que a atividade ora analisada – e outras assemelhadas – não seriam industrialização em face de ser exercida por encomenda e ter na mão de obra o seu principal elemento. Fl. 1309DF CARF MF Processo nº 11080.009073/200553 Acórdão n.º 3402003.450 S3C4T2 Fl. 13 23 Também quanto a isso peço vênia para divergir. É que, (...), a exclusão do conceito de industrialização que se poderia cogitar exige, cumulativamente, que a atividade seja exercida na residência do confeccionador ou em oficina e que o trabalho seja preponderante. Nenhuma dessas condições é comprovadamente preenchida pela recorrente. Com efeito, cediço que não se trata de residência, a condição relativa ao estabelecimento exigiria que se tratasse de uma mera oficina. Mas ela é precisamente definida na legislação do IPI: tratase de estabelecimento que empregue, no máximo, cinco operários e, caso utilize força motriz, não disponha de potência superior a cinco quilowatts. Não se tem tal informação nos autos, mas parece improvável que uma indústria (como a própria empresa se denomina) o atenda. De todo modo, há mais uma condição: que o trabalho seja preponderante. Ou seja, é aquele que contribuir no preparo do produto, para formação de seu valor, a título de mão de obra, no mínimo, com sessenta por cento. Ambas as definições constam de todos os Regulamentos do IPI. (...) Em verdade, é de industrialização que se cuida e, como tal, sujeita ao imposto que a ela grava. Por último, resta enfrentar a questão relativa à incidência do IPI sobre operações que constem da relação anexa ao Decretolei n° 406/68, ou seja, incidência concomitante do IPI e ISS. Essa discussão também foi travada no Acórdão 9303002.265, de 09/05/2013, que adotou os fundamentos da decisão a quo daqueles autos, que transcrevese por também aplicarse à presente lide: “O que se debate nos autos consiste em saber se existe alguma incompatibilidade entre a incidência do IPI, do ISS e do ICMS numa operação econômica em que para se prestar um serviço é necessário industrializar um produto e entregar uma mercadoria, tal como se dá no caso do serviço de artes gráficas. Tendo em conta que o debate versa sobre competência tributária, a investigação deve principiar pela Constituição Federal, pois os âmbitos de incidência dos tributos estão predefinidos na Carta pelos respectivos arquétipos constitucionais. O art. 153 da CF/88 ao dizer que ‘...Compete à União instituir impostos sobre: IV produtos industrializados;’ e que o IPI não incidirá sobre produtos industrializados destinados ao exterior; revela que o critério material da hipótese de incidência tributária é a execução de uma operação de industrialização. Esta é também o critério quantitativo da regra matriz de incidência, porquanto, Fl. 1310DF CARF MF 24 ao estabelecer que o IPI ‘...será nãocumulativo, compensando se o que for devido em cada operação com o montante cobrado nas anteriores;’ o dispositivo constitucional nada mais fez do que dizer que a base de cálculo do imposto é o valor de cada operação da qual resulte num produto industrializado. O art. 155 da CF/88, por seu turno, ao fixar a regramatriz de incidência do ICMS estabelece que ‘Compete aos Estados e ao Distrito Federal instituir impostos sobre: (...) II operações relativas à circulação de mercadorias e sobre prestações de serviços de transporte interestadual e intermunicipal e de comunicação, (...)’. Depreendese daí que o aspecto material da hipótese de incidência do imposto estadual é a realização de operações relativas à circulação de mercadorias ou sobre a prestação dos serviços indicados. O imposto não incide sobre a mercadoria e nem sobre a circulação, incide sobre operações relativas à circulação, ou seja, negócios jurídicos de natureza mercantil que importem a transferência de domínio sobre a mercadoria. Estas operações relativas à circulação de mercadorias, consubstanciando negócios jurídicos de natureza mercantil, encerram duas obrigações de dar (entregar a mercadoria e pagar o preço). Relativamente ao ISS, sua regramatriz insculpida no art. 156 da CF/88 estabelece que ‘.... Compete aos Municípios instituir impostos sobre: (...) III serviços de qualquer natureza, não compreendidos no art. 155, II, definidos em lei complementar.’ Ou seja, o imposto municipal incide sobre todos os serviços não inseridos na órbita de incidência do imposto estadual. (...) Conforme o termo de verificação, os clientes do autuado, ao encomendarem as etiquetas mediante o envio das especificações técnicas, estão em verdade encomendando uma prestação de serviço, consistente na execução personalizada de etiquetas impressas em suportes de plástico (art. 8° do DL n° 406/68). Para que a encomenda possa ser executada, o autuado é obrigado a adquirir insumos no mercado interno e a transformá los em um novo produto que, posteriormente, sairá do estabelecimento no momento da entrega ao cliente (arts. 4°, I e 32, II do RIPI/98). Finalmente, ao consumar a prestação do serviço, mediante a tradição da coisa e do recebimento do preço, promove a circulação de uma mercadoria (art. 2°, I, da LC n° 87/96). Inequívoco, portanto, que neste caso, a prestação de serviço (obrigação de fazer algo) não pode existir sem a execução de uma operação de industrialização, seguida da entrega de uma mercadoria (obrigação de dar). Logo, para poder prestar o serviço o autuado pratica os fatos geradores dos três impostos, IPI, ISS e ICMS, tudo dentro de uma mesma operação econômica. Fl. 1311DF CARF MF Processo nº 11080.009073/200553 Acórdão n.º 3402003.450 S3C4T2 Fl. 14 25 Resta verificar se existe alguma vedação constitucional para esta tríplice incidência tributária. A CF/69, quando tratava da competência dos Municípios para instituir impostos, excluía expressamente a competência municipal, diante de fatos sujeitos às competências da União e dos Estados, conforme se pode verificar em seu art. 25, verbis: Art 25 Compete aos Municípios decretar impostos sobre: I— (omissis); II serviços de qualquer natureza não compreendidos na competência tributária da União ou dos Estados, definidos em lei complementar. Como na CF/88 esta exclusão de competência foi mantida apenas em relação ao ICMS (art. 156, III, da CF88), a conseqüência jurídica disto é que nos casos como no dos autos, quando a obrigação de fazer consistente na prestação do serviço se consubstanciar numa operação de industrialização, é perfeitamente possível a incidência do IPI e do ISS, à luz das respectivas regrasmatrizes de incidência fixadas na constituição vigente.” Igualmente o Conselheiro Antônio Carlos Atulim, em análise ao presente processo decorrente de seu pedido de vistas, trilhou mesmo entendimento. Porém, acrescendo o que abaixo transcrevo: A alegação principal do contribuinte é de que sua atividade consiste na prestação de serviços personalizados e que, por tal motivo, está sujeito ao ISS e não ao IPI. Acontece que verificando os autos, constatei a existência de vários estornos de créditos por pedidos de ressarcimento no Livro de Apuração de IPI, conforme discriminado a seguir: fls. 339R$ 30.274,91 fls. 343R$ 55.516,35 fls. 349R$ 108.378,52 fls. 356R$ 127.042,79 fls. 362R$ 110.000,00 fls. 374R$ 57.000,00 fls. 380R$ 49.000,00 fls. 391R$ 80.000,00 fls. 400R$ 89.500,00 Portanto, a argumentação apresentada nos recursos está em descompasso com a realidade fática do negócio do contribuinte, uma vez que ao mesmo tempo em que alega não ser contribuinte Fl. 1312DF CARF MF 26 do IPI, escritura o Livro Modelo 8 e solicita de forma sistemática o ressarcimento de créditos desse imposto. Em outras palavras: o contribuinte declara não ser contribuinte para fins de recolher o imposto, mas é contribuinte quando se trata de obter o ressarcimento de créditos. Não bastassem esses fundamentos, há decisão definitiva da CSRF no Acórdão 9303003.245, de 03/02/2015, em relação ao mesmo contribuinte e mesma matéria, referente aos período de apuração 01/03/1996 a 31/08/1999, mantendo o lançamento, e com arrimo no qual fundamentamos este voto. E quanto a isso bem disse a Dra. Thais De Laurentis no Acórdão 3402003.434, de 29/09/2016, vazado nos seguintes termos: ...uma vez que o Novo Código de Processo Civil, cuja aplicação subsidiária ao Processo Administrativo Fiscal agora é expressa (artigo 15),2 determina em seu artigo 926 que “os tribunais devem uniformizar sua jurisprudência e mantêla estável, íntegra e coerente.” A decisão que lavro vai ao encontro, como dito, do que decidiu a CSRF em relação ao mesmo contribuinte e mesma matéria nos autos do processo administrativo 11080.0157779/200210, em consonância com o acima transcrito. CONCLUSÃO Ante todo o exposto, dou provimento parcial ao recurso para afastar a multa majorada em relação às mercadorias que NÃO sejam "bobinas para máquinas registradoras em papel autocopiativo", pois somente estas, dentre as mercadorias sob exação, foram objeto de consulta fiscal nos termos do PAF 10494.001090/9819 (fl. 685 687/689), e sobre as quais remanesce hígida a multa agravada. É como voto (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire relator designado Fl. 1313DF CARF MF
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Numero do processo: 13804.006489/2004-51
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 05 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Aug 16 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 1401-000.402
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Por unanimidade de votos, RESOLVERAM converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator.
Documento assinado digitalmente.
Antonio Bezerra Neto - Presidente.
Documento assinado digitalmente.
Marcos de Aguiar Villas-Bôas - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto (presidente da turma), Guilherme Mendes, Luciana Zanin, Ricardo Marozzi, Marcos Villas-Bôas (relator), Fernando Mattos e Aurora Tomazini.
Nome do relator: MARCOS DE AGUIAR VILLAS BOAS
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PERC regularidade. Recorrente Santander Brasil Participações e Empreendimentos Ltda. Recorrida Fazenda Nacional Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Por unanimidade de votos, RESOLVERAM converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. Documento assinado digitalmente. Antonio Bezerra Neto Presidente. Documento assinado digitalmente. Marcos de Aguiar VillasBôas Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto (presidente da turma), Guilherme Mendes, Luciana Zanin, Ricardo Marozzi, Marcos Villas Bôas (relator), Fernando Mattos e Aurora Tomazini. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 04 .0 06 48 9/ 20 04 -5 1 Fl. 426DF CARF MF Impresso em 16/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2016 por MARCOS DE AGUIAR VILLAS BOAS, Assinado digitalmente em 15 /08/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 04/08/2016 por MARCOS DE AGUIAR VILLAS B OAS Processo nº 13804.006489/200451 Resolução nº 1401000.402 S1C4T1 Fl. 7 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário em face do Acórdão nº 16221.447 da 8ª Turma da DRJ/SPO1 que julgou, por maioria, improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada pela Recorrente após indeferimento de um PERC Pedido de Revisão de Ordem de Emissão de Incentivos Fiscais realizado por ela. A Recorrente apresentou o referido PERC devido à não emissão de incentivo fiscal do FINAM relativo ao ano calendário de 2001, exercício de 2002, e o indeferimento se deu sob o fundamento de existirem débitos inscritos em dívida ativa, conforme intimação de fl. 108. A Recorrente apresentou, então, Manifestação de Inconformidade por meio da qual: a) alegou que o momento de verificação da (ir)regularidade é o da data da opção pelo incentivo fiscal, e não o do momento da apreciação do PERC, que ocorreu seis anos depois; b) para reforçar a referida alegação, afirma que é preciso respeito o princípio da eficiência e que é necessário recorrer à intenção do legislador no momento de interpretar; c) apresenta diversos precedentes do Conselho de Contribuintes no sentido de que a análise do PERC deve se dar no momento em que é feito; d) alega que a própria autoridade fiscal reconheceu, no extrato emitido por ela, que teria sido emitida uma certidão positiva com efeitos de negativa em favor da Recorrente; e) alega que alguns dos débitos apontados como óbices ao reconhecimento do direito estavam com a exigibilidade suspensa. O Acórdão da DRJ ficou ementado da seguinte forma: "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2001 PERC QUITAÇÃO DE TRIBUTOS E CONTRIBUIÇÕES FEDERAIS PROVA. Nos termos do art. 60 da Lei 9.069/95, a concessão ou reconhecimento de qualquer incentivo fiscal fica condicionada à comprovação pelo contribuinte da quitação de tributos e contribuições federais. Diante da ausência desta prova o PERC não pode ser deferido. Solicitação Indeferida O Acórdão da DRJ, basicamente, entendeu que o momento da análise da regularidade era mesmo aquele do exame do PERC e que, portanto, como ela não foi provada, o pedido não podia ser deferido". Inconformada, a contribuinte interpôs Recurso Voluntário por meio do qual repete os argumentos da Manifestação de Inconformidade e, como novidade, alega nulidade da decisão que indeferiu o PERC, uma vez que ela deveria ter sido intimada para comprovar a sua regularidade. Este processo administrativo é muito semelhante a outro (16327.002055/0076) da mesma contribuinte, julgado no mês de junho deste ano, que também tratava de suposta irregularidade em PERC relativo ao FINAM no ano calendário de 1997. Os processos, aparentemente, foram julgados juntos pela DRJ, uma vez que ambos foram decididos na mesma sessão de julgamento de 20 de maio de 2009 e o resultado foi o mesmo: o julgador José Antonino foi o único vencido por entender que não teria ficado comprovada a irregularidade em relação à data da opção. Naquele caso, a turma decidiu baixar o processo em diligência para que fossem obtidas mais informações acerca da irregularidade. Fl. 427DF CARF MF Impresso em 16/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2016 por MARCOS DE AGUIAR VILLAS BOAS, Assinado digitalmente em 15 /08/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 04/08/2016 por MARCOS DE AGUIAR VILLAS B OAS Processo nº 13804.006489/200451 Resolução nº 1401000.402 S1C4T1 Fl. 8 3 É o relatório. Voto Conselheiro MARCOS DE AGUIAR VILLASBÔAS Relator. O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos legais de cabimento, motivo pelo qual passo à sua análise. Nulidade da decisão sobre o PERC A Recorrente alega que teria havido nulidade, pois é dever da Autoridade Fiscal que analisa o PERC intimar o contribuinte para que ele possa fazer prova da sua regularidade. Na verdade, essa intimação ocorreu em 14/12/2005 e está juntada na fl. 108 dos autos deste processo administrativo. Por meio dela, fica intimada a contribuinte a regularizar suas pendências relativas a débitos inscritos na Dívida Ativa da União. Há, inclusive, nas fls. 109 e 110 dos autos, pedidos de alargamento do prazo, realizados pela Recorrente, datados de 02/02/2006 e 08/03/2006. A Recorrente teve muitos anos para comprovar a sua regularidade. Poderia têlo feito, ao menos, em sua Manifestação de Inconformidade ou em seu Recurso Voluntário, não havendo porque se falar em nulidade. O problema dos autos é, antes de tudo, como analisar a regularidade da contribuinte. Período em relação ao qual se deve comprovar a regularidade O Acórdão da DRJ e o Recurso Voluntário são anteriores à Súmula nº 37 do CARF, que foi publicada apenas no ano de 2010. Essa súmula sedimentou o seguinte: "Súmula CARF nº 37: Para fins de deferimento do Pedido de Revisão de Ordem de Incentivos Fiscais (PERC), a exigência de comprovação de regularidade fiscal deve se ater ao período a que se referir a Declaração de Rendimentos da Pessoa Jurídica na qual se deu a opção pelo incentivo, admitindose a prova da quitação em qualquer momento do processo administrativo, nos termos do Decreto nº 70.235/72". De acordo com a súmula, a regularidade deve existir no período ao qual se refere a Declaração de Rendimentos, ou seja, relativamente ao ano calendário de 2001 no presente caso. Fl. 428DF CARF MF Impresso em 16/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2016 por MARCOS DE AGUIAR VILLAS BOAS, Assinado digitalmente em 15 /08/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 04/08/2016 por MARCOS DE AGUIAR VILLAS B OAS Processo nº 13804.006489/200451 Resolução nº 1401000.402 S1C4T1 Fl. 9 4 Não interessa o momento em que há a análise do PERC, pois o contribuinte deveria estar irregular no período a que se refere o incentivo fiscal. Se não fosse assim, o contribuinte ficaria sujeito à sorte de ter o seu pedido analisado em um momento no qual ainda estivesse regular, o que, como se sabe, não é fácil no Brasil, país com a tributação mais extensa e complicada do mundo. De qualquer forma, ainda que irregular no período ao qual se refere a Declaração de Rendimentos, é dada a oportunidade ao contribuinte de comprovar, durante todo o processo administrativo, que ficou regular posteriormente. Esse entendimento vem sendo amplamente aplicado pelo CARF, tendo o sido feito, inclusive, por esta turma no seguinte recente julgamento: "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2005 Ementa: INCENTIVOS FISCAIS PEDIDO DE REVISÃO DE ORDEM DE EMISSÃO DE INCENTIVOS FISCAIS Conforme Súmula CARF nº 37, “Para fins de deferimento do Pedido de Revisão de Ordem de Incentivos Fiscais (PERC), a exigência de comprovação de regularidade fiscal deve se ater ao período a que se referir a Declaração de Rendimentos da Pessoa Jurídica na qual se deu a opção pelo incentivo, admitindose a prova da quitação em qualquer momento do processo administrativo, nos termos do Decreto nº 70.235/72” (1ª Seção, 4ª Câmara, 1ª Turma, Acórdão nº 1401 001.480, Rel. Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Sessão de 19 de janeiro de 2016). O referido Acórdão foi constituído por maioria, tendo ficado vencido apenas o Conselheiro Fernando Mattos. A Câmara Superior de Recursos Fiscais, em recentíssimo julgamento relatado pelo Presidente desta 4ª Câmara, nem sequer conheceu o Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional em processo no qual foi aplicada a Súmula nº 37 do CARF, conforme ementa abaixo transcrita: " [...] 2. De acordo com o § 3º do art. 67 do Anexo II da Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015, que aprovou o atual Regimento Interno do CARF, c/c o art. 5º dessa mesma portaria, não cabe recurso especial de decisão de qualquer das turmas que adote entendimento de súmula de jurisprudência dos Conselhos de Contribuintes, da CSRF ou do CARF, ainda que a súmula tenha sido aprovada posteriormente à data da interposição do recurso. Súmula CARF nº 37: Para fins de deferimento do Pedido de Revisão de Ordem de Incentivos Fiscais (PERC), a exigência de comprovação de regularidade fiscal deve se ater ao período a que se referir a Declaração de Rendimentos da Pessoa Jurídica na qual se deu a opção pelo incentivo, admitindose a prova da quitação em qualquer momento do processo administrativo, nos termos do Decreto nº 70.235/72 [...]" (CSRF, 1ª Turma, Acórdão nº 9101 002.339, Rel. Rafael Vidal de Araújo, Sessão de 05 de maio de 2016). Notase que há poucas discussões hoje no CARF a respeito do tratamento jurídico a ser dado à presente questão. Cabe analisar, portanto, se a Recorrente estava regular Fl. 429DF CARF MF Impresso em 16/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2016 por MARCOS DE AGUIAR VILLAS BOAS, Assinado digitalmente em 15 /08/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 04/08/2016 por MARCOS DE AGUIAR VILLAS B OAS Processo nº 13804.006489/200451 Resolução nº 1401000.402 S1C4T1 Fl. 10 5 no período ao qual se refere a sua Declaração ou se comprovou a regularidade em momento posterior. A regularidade da Recorrente No entendimento deste Relator, o processo administrativo fiscal carece de lastro probatório. A Receita Federal apontou irregularidades (débitos inscritos em dívida ativa da União) da Recorrente no momento em que analisou o PERC, não tendo comprovado que ela estava irregular no período ao qual se refere a Declaração. A partir da Súmula nº 37 do CARF, entendo que o PERC deveria ser negado se houvesse comprovação de irregularidade no período ao qual se refere Declaração de Rendimentos, e não em momento posterior. Por outro lado, a Recorrente menciona, sem fazer referência às respectivas folhas, na Manifestação de Inconformidade e no Recurso Voluntário, que haveria nos autos uma Certidão Positiva com Efeitos de Negativa, mas este Relator não encontrou o documento. Há nos autos apenas espelhos do sistema de consulta da Receita Federal os quais apresentam débitos da Recorrente aparentemente em aberto. Em outro momentos, a Recorrente afirma existir menção nos autos à emissão anterior de certidão conjunta e isso, de fato, pode ser confirmado em documento juntado à fl. 165, que traz a seguinte informação: "CNPJ : 02.736.455/000103 CERTIDAO POSITIVA COM EFEITOS DE NEGATIVA: 8D38.6119.C2A5.FB5E EMISSAO:10/03/2008 VALIDADE:06/09/2008 EMITIDA CONSIDERANDO A LIBERACAO PGFN" A respeito da emissão de certidão, informação que vem logo abaixo dessa transcrita acima, está registrado um "não consta". Aparentemente, a certidão referida dizia respeito tão somente à PGFN, não sendo conjunta com a Secretaria da Receita Federal. Para que a regularidade da Recorrente ficasse comprovada, ela precisava ter trazido aos autos certidão conjunta (Secretaria da Receita Federal e PGFN), certidão relativa às contribuições previdenciárias e de terceiros e a certidão relativa ao FGTS. Quanto ao FGTS, há espelhos juntados pela própria Receita Federal que dão conta da regularidade da Recorrente. Somente a partir de 3 de novembro de 2014, foi criada nova certidão conjunta, pela Portaria MF nº 358/2014, que unificou os débitos de contribuições previdenciárias e de terceiros na mesma certidão conjunta antes existente referente a débitos administrados pela Secretaria da Receita Federal e pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional. Fl. 430DF CARF MF Impresso em 16/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2016 por MARCOS DE AGUIAR VILLAS BOAS, Assinado digitalmente em 15 /08/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 04/08/2016 por MARCOS DE AGUIAR VILLAS B OAS Processo nº 13804.006489/200451 Resolução nº 1401000.402 S1C4T1 Fl. 11 6 A própria Recorrente admite em dado momento que há débitos pendentes, mas alega que eles não poderiam ser levados em consideração, uma vez que são posteriores ao ano calendário de 2001. Ocorre que, segundo a interpretação deste Relator em relação à Súmula nº 37 do CARF e aos precedentes em geral, é preciso que, ao longo do processo administrativo, o contribuinte comprove que estava regular no ano calendário da declaração ou, ao menos, que regularizou todas as pendências mais tarde, ainda que apenas suspendendo a sua exigibilidade, de modo que não serve a alegação de que surgiram outras pendências após o ano calendário. Tem sido muito comum no CARF, em casos de dúvidas sobre a regularidade do contribuinte no período ao qual se refere a Declaração de Rendimentos, a determinação de diligência para que a Autoridade de origem possa verificar essa informação, intimando o contribuinte para fazer prova, e, então, possa esclarecer aos conselheiros julgadores essa questão fática. Devido à falta de clareza fáticoprobatória dos autos e do fato de a jurisprudência do CARF ter vindo se consolidando apenas após a publicação do Acórdão e a interposição do Recurso Voluntário, essa é a proposta deste Relator, conforme detalhada em seguida. Conclusão Pelo exposto, voto no sentido de baixar o processo em diligência para que a Autoridade de origem: a) esclareça quais eram as pendências existentes na conta corrente da Recorrente no período ao qual se refere a opção pelo incentivo fiscal, que é o tempo adequado, segundo a Súmula nº 37 do CARF, para analisar a regularidade do contribuinte; b) caso não seja possível prestar o esclarecimento anterior, informe essa impossibilidade e exponha os motivos; c) intime a Recorrente a comprovar que estava regular, no período do incentivo fiscal ou em momento posterior, em relação a todo e qualquer débito federal, inclusive aos seus deveres relativos ao FGTS; d) esclareça se, de fato, houve algum momento durante o processo administrativo em que a Recorrente esteve completamente regular, mesmo que com situação positiva, mas com efeitos de negativa. e) preste quaisquer outros esclarecimentos que entenda pertinentes ao julgamento deste processo administrativo. Documento assinado digitalmente. Marcos de Aguiar VillasBôas Fl. 431DF CARF MF Impresso em 16/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2016 por MARCOS DE AGUIAR VILLAS BOAS, Assinado digitalmente em 15 /08/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 04/08/2016 por MARCOS DE AGUIAR VILLAS B OAS
score : 1.0
Numero do processo: 11080.916496/2012-51
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Sep 15 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Oct 18 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2010
RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA.
Nos termos do art. 67 da Portaria MF nº 256, de 22/06/2009, só se justifica quando, em situações idênticas, são adotadas soluções diversas. Não sendo o caso, o recurso não deve ser conhecido.
Recurso Especial não Conhecido.
Numero da decisão: 9303-004.304
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer o Recurso Especial do Contribuinte.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza, Andrada Márcio Canuto Natal, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Erika Costa Camargos Autran.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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Compensação. Recorrente VERDE ADMINISTRADORA DE CARTOES DE CREDITO S.A. Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2010 RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. Nos termos do art. 67 da Portaria MF nº 256, de 22/06/2009, só se justifica quando, em situações idênticas, são adotadas soluções diversas. Não sendo o caso, o recurso não deve ser conhecido. Recurso Especial não Conhecido. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer o Recurso Especial do Contribuinte. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza, Andrada Márcio Canuto Natal, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Erika Costa Camargos Autran. Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência interposto tempestivamente pela contribuinte contra o Acórdão nº 3802003.843, de 15/10/2014, proferido pela 2ª Turma Especial 3ª Seção do CARF, que traz a seguinte ementa: PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF. PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO. AUSÊNCIA. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 91 64 96 /2 01 2- 51 Fl. 243DF CARF MF Impresso em 18/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 14/10/2 016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 11080.916496/201251 Acórdão n.º 9303004.304 CSRFT3 Fl. 3 2 O contribuinte, a despeito ausência de retificação da DCTF, tem direito subjetivo à compensação, desde que apresente prova da liquidez e da certeza do direito de crédito. Ausentes estes pressupostos, não cabe a homologação da extinção do débito confessado em PER/Dcomp. Recurso Voluntário Negado. Crédito Tributário Mantido. No Recurso Especial, por meio do qual pleiteou, ao final, a reforma do decisum, a Recorrente aponta interpretações divergentes quanto à compensação lastreada em crédito oriundo de pagamento efetuado à maior, cuja DCTF retificadora, que aponta a existência de direito creditório, só foi apresentada após a não homologação da compensação pela unidade de origem (após a emissão do despacho decisório). Visando comprovar a divergência, apresentou dois paradigmas: Acórdãos nº 3802003.956, 21/01/2015, e 3403 003.343, de 05/01/2015. O recurso foi admitido por intermédio de despacho do Presidente da Câmara recorrida, e a Fazenda Nacional apresentou contrarrazões. É o relatório, em síntese. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303004.259, de 15/09/2016, proferido no julgamento do processo 11080.914807/201247, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 9303004.259 ): "Presentes os demais requisitos de admissibilidade, entendemos que o recurso não deve ser conhecido. Conforme se demonstrou no exame de admissibilidade, o primeiro acórdão utilizado para comprovar o dissídio jurisprudencial, o de nº 3802003.956, 21/01/2015, foi lavrado pela mesma Turma que prolatou o recorrido, fato que obsta a sua utilização como paradigma. Já o Acórdão nº 3403003.343, de 05/01/2015, a despeito de prolatado por Turma diversa, traz entendimento que, a nosso juízo, só reafirma, por outras palavras, o mesmo adotado no acórdão recorrido. É que, neste, como se passa a demonstrar, entendeuse que, mesmo diante da não retificação da DCTF (no caso em exame, a retificação só foi realizada após a ciência do Despacho Decisório), o contribuinte, por força do princípio da verdade material, teria direito à compensação, mas desde que apresentasse prova da existência do crédito compensado, fato de que não se desincumbira a Recorrente. Fl. 244DF CARF MF Impresso em 18/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 14/10/2 016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 11080.916496/201251 Acórdão n.º 9303004.304 CSRFT3 Fl. 4 3 No acórdão paradigma, decidiuse que “ainda que a DCTF não aponte o referido crédito, por lapso do contribuinte, se realmente houve pagamento a maior anteriormente, existe crédito, que passa a ser do conhecimento da Receita Federal a partir da retificação da documentação e da identificação documental, ainda que por meio eletrônico, da existência real do mencionado crédito”. A decisão foi assim ementada: PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. RETIFICAÇÃO DA DCTF APÓS O DESPACHO DECISÓRIO. ADMISSIBILIDADE. O crédito tributário do contribuinte nasce do pagamento indevido ou a maior que o devido, porém ele apenas se torna oponível à Receita Federal após a devida retificação e/ou correção das respectivas Declarações, quando então o Órgão Administrativa poderá tomar conhecimento daquele direito creditório em questão. De qualquer forma, em determinadas situações, em razão do procedimento eletrônico de compensação, em que não há espaço para emendas ou correções pelo contribuinte, há que se admitir e analisar a retificação da DCTF efetuada posteriormente ao despacho decisório, sob pena de excesso de rigorismo, que não resolve satisfatoriamente a lide travada e leva o contribuinte ao Poder Judiciário, apenas fazendo aumentar a condenável litigiosidade. Recurso Voluntário Provido. A toda evidência, diante dos mesmos fatos, as decisões recorrida e paradigma chegaram à mesma conclusão: ainda que não haja retificação tempestiva da DCTF, ou seja, ainda que a retificação se dê somente após a ciência do Despacho Decisório, uma vez comprovada a existência do crédito mediante a entrega de documentação idônea, tornase possível a restituição. Não há divergência, pois. Ante o exposto, não conheço do recurso especial." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, não se conhece do recurso especial. Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 245DF CARF MF Impresso em 18/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 14/10/2 016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS
score : 1.0
Numero do processo: 13888.901423/2014-66
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 28 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Oct 17 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2012
NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA.
A existência de despacho decisório contendo motivação clara, explícita e congruente, desautoriza a alegação de cerceamento de defesa.
BASE DE CÁLCULO. ICMS. EXCLUSÃO.
O valor do ICMS devido pela própria contribuinte integra a base de cálculo da COFINS.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3402-003.357
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(Assinado com certificado digital)
Antonio Carlos Atulim Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS ATULIM
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Inclusão do ICMS na base de cálculo. Recorrente AÇOVIA INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE ESTRUTURAS METÁLICAS E PRÉMOLDADOS DE CONCRETO LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2012 NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA. A existência de despacho decisório contendo motivação clara, explícita e congruente, desautoriza a alegação de cerceamento de defesa. BASE DE CÁLCULO. ICMS. EXCLUSÃO. O valor do ICMS devido pela própria contribuinte integra a base de cálculo da COFINS. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim – Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório Tratase de pedido eletrônico de restituição da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins, cumulado com declaração de compensação, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 90 14 23 /2 01 4- 66 Fl. 50DF CARF MF Impresso em 17/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2016 por MANUELLA BEATRIZ SANTOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 07/10/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 13888.901423/201466 Acórdão n.º 3402003.357 S3C4T2 Fl. 3 2 denegado em tempo hábil por meio de despacho decisório eletrônico, sob o fundamento de que o DARF representativo do pagamento indevido estava inteiramente alocado para a quitação de débitos anteriormente declarados pelo contribuinte. Em tempo hábil, foi apresentada manifestação de inconformidade na qual a defesa alegou, em síntese, que houve nulidade por cerceamento do direito de defesa e que o crédito do contribuinte decorre de pagamento indevido, em razão de ter sido incluído o ICMS na base de cálculo da contribuição. Afirmou que o ICMS é mero ingresso que não pode ser incluído no conceito de faturamento. Invocou o precedente consubstanciado no RE 240.785 do STF e informou que os artigos 73 e 74 da Lei nº 9.430/96 garantem seu direito de compensar o indébito apurado. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento rejeitou a preliminar de nulidade e, no mérito, decidiu o seguinte: a) o valor do DARF está inteiramente alocado para pagamento de débitos informados pelo próprio contribuinte; b) a lei apenas permite a exclusão da base de cálculo da contribuição do ICMS recolhido na condição de substituto tributário e da receita proveniente da alienação onerosa de créditos do ICMS; e c) o valor dos débitos declarados para compensação é de magnitude superior ao valor do único DARF vinculado a essas compensações. Regularmente notificado do Acórdão de primeira instância, o contribuinte apresentou em tempo hábil recurso voluntário a este Colegiado, alegando, em síntese, o seguinte: a) nulidade por cerceamento de defesa porque o despacho decisório não diz as razões pelas quais o contribuinte não tem o crédito que alega possuir. Essa omissão impediu o contribuinte de exercer a plena demonstração de seu crédito, pois não há como argumentar contra uma decisão que se mostra lacônica; b) a base de cálculo da contribuição sempre foi o faturamento e com o advento da Lei nº 10.833/2003 houve uma ampliação, passando a base de cálculo a abranger a totalidade das receitas auferidas pelo contribuinte. Entretanto, o valor do ICMS não pode ser considerado como receita do contribuinte, sob pena de violação do art. 110 do CTN, pois a lei não pode considerar receita o que não é receita. O ICMS representa para o contribuinte mero ingresso, pois o valor é posteriormente destinado ao fisco estadual. Tal interpretação foi cristalizada em caráter definitivo no RE 240.7852, que deve ser aplicado ao caso concreto. Reafirmou a existência do indébito e seu direito de compensálo com base nos arts. 73 e 74 da Lei nº 9.430/96. É o relatório. Voto Conselheiro Antonio Carlos Atulim, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402003.317, de 28 de setembro de 2016, proferido no julgamento do processo 10865.904904/201231, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3402003.317): Fl. 51DF CARF MF Impresso em 17/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2016 por MANUELLA BEATRIZ SANTOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 07/10/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 13888.901423/201466 Acórdão n.º 3402003.357 S3C4T2 Fl. 4 3 "O recurso preenche os requisitos formais para sua admissibilidade e, portanto, dele se toma conhecimento. Relativamente à preliminar de nulidade, não assiste razão à defesa. Isso porque, ao contrário do alegado, o despacho decisório declinou com todas as letras o motivo pelo qual a Administração Tributária denegou o pleito do contribuinte e não homologou as compensações declaradas. O Despacho Decisório apresenta a seguinte motivação: "(...) A partir das características do DARF discriminado no PER/DECOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando saldo disponível para compensação dos débitos informados no PER/DECOMP. (...)" No mesmo despacho encontramse perfeitamente identificados o número do PER/DECOMP, o número do DARF e o valor relativo ao suposto pagamento indevido. O texto acima transcrito revela que a compensação não foi homologada porque o valor do DARF está inteiramente alocado para o pagamento de débitos declarados pelo próprio contribuinte. Em outras palavras: o contribuinte não possui o crédito alegado no PER/DECOMP porque o valor já foi utilizado para extinguir débitos por ele próprio declarados. Portanto, o despacho decisório não foi lacônico, uma vez que declinou expressamente o motivo da não homologação da compensação: o contribuinte não tem o crédito alegado. Essa fundamentação está explícita de forma clara, precisa e congruente com a decisão de não homologar a compensação, o que atende às exigências do art. 50, § 1º, da Lei nº 9.784/99. Sendo assim, é improcedente a alegação de nulidade, pois o contribuinte não teve seu direito ao contraditório e à ampla defesa cerceados, mesmo porque a apresentação de impugnação e de recurso voluntário, deduzindo argumentos no sentido de demonstrar a existência jurídica do indébito desautorizam a invocação dessa preliminar. No mérito, deflui dos autos que o contribuinte apurou e recolheu a contribuição incluindo o ICMS na sua base de cálculo e agora comparece perante a Administração Tributária alegando que o recolhimento foi efetuado em montante superior ao devido porque a inclusão do ICMS no faturamento ou na receita é inconstitucional. O recolhimento efetuado pelo contribuinte, incluindo o ICMS na base de cálculo da contribuição, está calcado em entendimento sedimentado desde tempos imemoriais na seara tributária. Tal entendimento tem respaldo legal no art. 12 do DecretoLei nº 1.598/77 e na Instrução Normativa nº 51, de 03/11/1978, que a regulamentou. Fl. 52DF CARF MF Impresso em 17/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2016 por MANUELLA BEATRIZ SANTOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 07/10/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 13888.901423/201466 Acórdão n.º 3402003.357 S3C4T2 Fl. 5 4 O art. 12 do DecretoLei nº 1.598/77, na redação vigente na época do fato gerador relativo ao pagamento tido como indevido, estabelecia o seguinte: "Art 12 A receita bruta das vendas e serviços compreende o produto da venda de bens nas operações de conta própria e o preço dos serviços prestados. § 1º A receita líquida de vendas e serviços será a receita bruta diminuída das vendas canceladas, dos descontos concedidos incondicionalmente e dos impostos incidentes sobre vendas. (...)" (Fonte da transcrição: http://www.planalto.gov.br/ ccivil_03/decretolei/ del1598.htm) Já o item 4 da IN SRF nº 51/78, estabelece o seguinte: 4. A receita líquida de vendas e serviços é a receita bruta da vendas e serviços, diminuídas (a) das vendas canceladas, (b) dos descontos e abatimentos concedidos incondicionalmente e (c) dos impostos incidentes sobre as vendas. (...) 4.3 Para os efeitos desta Instrução Normativa reputamse incidentes sobre as vendas os impostos que guardam proporcionalmente (sic) com o preço da venda ou dos serviços, mesmo que o respectivo montante integra (sic) a base de cálculo, tais como o imposto de circulação de mercadorias, o imposto sobre serviços de qualquer natureza, o imposto de exportação, o imposto único sobre energia elétrica, o imposto único sobre combustíveis e lubrificantes etc. 4.3.1 Incluemse também neste item: a) taxas que guardam proporcionalidade com o preço de venda; b) a parcela de contribuição para o Programa de integração Social calculada sobre o faturamento; c) a quota de contribuição, ou retenção cambial, devida na exportação. (Fonte da transcrição: http://sijut.fazenda.gov.br/netahtml/ sijut/Pesquisa.htm) Portanto, o recolhimento efetuado pelo contribuinte está em conformidade com a legislação vigente e com entendimento sedimentado há anos na seara tributária, uma vez que o valor do ICMS integra o preço da mercadoria, sendo tal valor deduzido contabilmente como despesa operacional. O contribuinte alega, em síntese, a inconstitucionalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo da contribuição porque o imposto estadual não se enquadra no conceito de faturamento ou mesmo no de receita estabelecido pela constituição. Ao contrário do alegado pelo contribuinte, tal argumento não pode ser acatado pelos órgãos administrativos de julgamento, pois o art. 26A do Fl. 53DF CARF MF Impresso em 17/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2016 por MANUELLA BEATRIZ SANTOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 07/10/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 13888.901423/201466 Acórdão n.º 3402003.357 S3C4T2 Fl. 6 5 Decreto nº 70.235/72 proíbe este colegiado de negar vigência a texto legal com hierarquia superior a Decreto, em razão de arguição de inconstitucionalidade, in verbis: "Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade.(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) (...) § 6o O disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo:(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) I – que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal;(...)" O contribuinte invoca a seu favor o acórdão do STF proferido no RE 240.7852. Entretanto, esse recurso extraordinário ainda não foi definitivamente julgado, não se enquadrando no disposto no § 6º, I, acima transcrito, e nem nas disposições do Decreto nº 2.346/97, para que o entendimento possa ser estendido administrativamente a outros casos concretos. Não se olvide que essa questão é objeto do Tema 69 dos recursos submetidos à sistemática da repercussão geral no STF e será decidida no RE nº 574.706. Acrescentese que a Súmula CARF nº 2 estabelece que o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade da lei tributária. Considerando que os recolhimentos efetuados pelo contribuinte, com a inclusão do ICMS na base de cálculo da COFINS, estão conformes à legislação vigente, voto no sentido de negar provimento ao recurso." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, negase provimento ao recurso voluntário, para não reconhecer o direito creditório em litígio. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim Fl. 54DF CARF MF Impresso em 17/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2016 por MANUELLA BEATRIZ SANTOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 07/10/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM
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Numero do processo: 11618.002447/2003-32
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 05 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ
Exercício: 1999, 2000, 2001, 2002, 2003
LUCRO INFLACIONÁRIO. TRIBUTAÇÃO. PROCEDÊNCIA.
A simples alegação de inexistência da base de incidência do imposto, desprovida de elementos de comprovação, não tem o condão de afastar a exigência formalizada pela autoridade fiscal, mormente na situação em que, por meio de procedimento complementar, é oferecido ao contribuinte oportunidade para carrear ao processo a documentação que serve de lastro para a referida alegação.
Numero da decisão: 1301-001.121
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª câmara / 1ª turma ordinária da primeira
SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso nos termos do voto do Relator.
Matéria: IRPJ - AF- lucro presumido(exceto omis.receitas pres.legal)
Nome do relator: Wilson Fernandes Guimarães
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TRIBUTAÇÃO. PROCEDÊNCIA. A simples alegação de inexistência da base de incidência do imposto, desprovida de elementos de comprovação, não tem o condão de afastar a exigência formalizada pela autoridade fiscal, mormente na situação em que, por meio de procedimento complementar, é oferecido ao contribuinte oportunidade para carrear ao processo a documentação que serve de lastro para a referida alegação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª câmara / 1ª turma ordinária da primeira SSEEÇÇÃÃOO DDEE JJUULLGGAAMMEENNTTOO, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso nos termos do voto do Relator. “documento assinado digitalmente” Plínio Rodrigues Lima Presidente “documento assinado digitalmente” Wilson Fernandes Guimarães Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 61 8. 00 24 47 /2 00 3- 32 Fl. 560DF CARF MF Impresso em 10/01/2013 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 14/1 2/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 19/12/2012 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 11618.002447/200332 Acórdão n.º 1301001.121 S1C3T1 Fl. 550 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Plínio Rodrigues Lima, Paulo Jakson da Silva Lucas, Wilson Fernandes Guimarães, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Júnior e Carlos Augusto de Andrade Jenier. Fl. 561DF CARF MF Impresso em 10/01/2013 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 14/1 2/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 19/12/2012 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 11618.002447/200332 Acórdão n.º 1301001.121 S1C3T1 Fl. 551 3 Relatório SETOR SERVIÇOS TÉCNICOS E OBRAS RODOVIÁRIAS LTDA, já devidamente qualificada nestes autos, inconformada com a decisão da 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Recife, Pernambuco, que manteve, na íntegra, os lançamentos tributários efetivados, interpõe recurso a este colegiado administrativo objetivando a reforma da decisão em referência. Trata o processo de exigências de Imposto de Renda Pessoa Jurídica e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, relativas aos anoscalendário de 1998, 1999, 2001 e 2002, formalizadas em razão da imputação das seguintes infrações: 1. ausência de oferecimento à tributação do lucro inflacionário relativo aos terceiro e quarto trimestres de 1998 e ao primeiro trimestre de 1999; 2. falta de recolhimento do imposto e da contribuição apurados nos anos calendário de 1999, 2001 e 2002. Inconformada, a contribuinte apresentou impugnação ao feito fiscal (fls. 454/457), por meio da qual ofereceu, em síntese, os seguintes argumentos: que sempre apresentou Ativo Permanente inferior ao Patrimônio Líquido e que, por essa razão, não poderia apurar lucro inflacionário; que, em 1995, atualizou o capital social com recursos contábeis oriundos da correção monetária; que, no que dizia respeito ao não recolhimento do IRPJ e da CSLL, já teria incluído os valores no Parcelamento Especial – PAES. A 3a Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Recife, analisando os feitos fiscais e a peça de defesa, decidiu, por meio do Acórdão nº 1120.345, de 21 de setembro de 2007, pela procedência dos lançamentos. O referido julgado restou assim ementado: FALTA DE RECOLHIMENTO DO IRPJ E DA CSLL. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. A expressa aquiescência, por parte do contribuinte, quanto às infrações que lhe são atribuídas, configura ausência de litígio, tornandose definitivo o crédito tributário na esfera administrativa. PEDIDO DE PERÍCIA E DILIGÊNCIA. DESNECESSIDADE. INDEFERIMENTO. Indeferese o pedido de perícia e de diligência quando os documentos integrantes dos autos revelamse suficientes para formação de convicção e conseqüente julgamento do feito. Fl. 562DF CARF MF Impresso em 10/01/2013 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 14/1 2/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 19/12/2012 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 11618.002447/200332 Acórdão n.º 1301001.121 S1C3T1 Fl. 552 4 LUCRO INFLACIONÁRIO ACUMULADO REALIZADO. LIMITE MÍNIMO OBRIGATÓRIO. A falta ou insuficiência de realização do lucro inflacionário, apurada em procedimento fiscal, enseja o lançamento de ofício com os devidos acréscimos legais. LUCRO INFLACIONÁRIO DIFERIDO. OPÇÃO PELO LUCRO PRESUMIDO. REALIZAÇÃO INTEGRAL. Ao optar pela tributação com base no lucro presumido, a contribuinte fica obrigada a realizar integralmente, no primeiro período de apuração, o lucro inflacionário acumulado nos períodos anteriores. Inconformada, a contribuinte apresentou o recurso de folhas 483/490, por meio do qual renovou o argumento expendido na peça impugnatória nos sentido de que não existia lucro inflacionário a realizar porque o resultado da correção monetária sempre demonstrou prejuízo inflacionário, visto que o ATIVO PERMANENTE sempre foi inferior ao PATRIMÔNIO LÍQUIDO. Por meio da Resolução nº 130200.028, sessão de 08 de dezembro de 2009, a 2ª Turma Ordinária desta 3ª Câmara decidiu converter o julgamento em diligência para que a unidade administrativa de jurisdição da contribuinte promovesse a correlação entre o saldo credor de correção monetária que serviu de suporte para o lançamento e os registros contábeis da autuada, indicando, se possível, as folhas do livros indicadoras dos registros da correção monetária do ativo permanente e do patrimônio líquido (até 31 de dezembro de 1995). Em atendimento, a Delegacia da Receita Federal em João Pessoa, por meio do Relatório de Diligência Fiscal de fls. 536/545, esclareceu que a diligenciada: a) não conseguiu demonstrar a existência do prejuízo inflacionário; e b) não apresentou à Fiscalização qualquer livro contábil, livro de apuração e do lucro real LALUR ou documentação referente ao período de 01/10/1981 a 31/12/1999, capaz de comprovar a existência de prejuízo inflacionário, motivo pelo qual ficou impossibilitada de promover qualquer correlação do saldo credor de correção monetária que serviu de suporte ao lançamento de oficio. Ressalta ainda a referida unidade administrativa, que consta a conta LUCRO INFLACIONÁRIO nos balanços encerrados em 30/09/1980 e 30/09/1981, fls. 87 e 88. Às fls. 548, consta informação de que, apesar de intimada, a contribuinte não se pronunciou sobre o resultado da diligência. É o Relatório. Fl. 563DF CARF MF Impresso em 10/01/2013 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 14/1 2/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 19/12/2012 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 11618.002447/200332 Acórdão n.º 1301001.121 S1C3T1 Fl. 553 5 Voto Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães, Relator Atendidos os requisitos de admissibilidade, conheço do apelo. Trata a lide de exigências de Imposto de Renda Pessoa Jurídica e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, formalizadas em razão da imputação das seguintes infrações: a) ausência de oferecimento à tributação do lucro inflacionário relativo aos terceiro e quarto trimestres de 1998 e ao primeiro trimestre de 1999; e b) falta de recolhimento do imposto e da contribuição apurados nos anoscalendário de 1999, 2001 e 2002. De acordo com o RELATÓRIO DE TRABALHO FISCAL, fls. 29/45, a Recorrente: a) apresentou as seguintes declarações: anoCalendário de 1998: INATIVA anoCalendário de 1999: LUCRO PRESUMIDO (SEM MOVIMENTO) anoCalendário de 2000: LUCRO REAL (SEM RECEITA DECLARADA) anoCalendário de 2001: LUCRO PRESUMIDO anoCalendário de 2002: LUCRO PRESUMIDO b) entregou as seguintes DCTFs: referentes aos anoscalendário de 1999 e 2000, em 10 de agosto de 2001, sem débito informado; referente ao anocalendário de 2001, em 09 de agosto de 2002, sem débito informado; retificadora relativa ao anocalendário de 2001, em 29 de maio de 2003 (depois, portanto, do início da ação fiscal, eis que esta, conforme Termo de fls. 46/47, iniciou se em 08 de maio de 2003), informando débitos tributários; referente ao anocalendário de 2002, em 28 de maio de 2003 (depois do início da ação fiscal), informando débitos tributários. Em conformidade com os autos de infração de fls. 05/28, foram imputadas à Recorrente as seguintes matérias tributáveis: INFRAÇÃO FATO GERADOR MATÉRIA LUCRO INFLACIONÁRIO 30.09.98 65.627,47 Fl. 564DF CARF MF Impresso em 10/01/2013 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 14/1 2/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 19/12/2012 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 11618.002447/200332 Acórdão n.º 1301001.121 S1C3T1 Fl. 554 6 LUCRO INFLACIONÁRIO 31.12.98 63.986,78 LUCRO INFLACIONÁRIO 31.03.99 2.495.484,43 FALTA DE RECOLHIMENTO 31.12.99 25.830,00 FALTA DE RECOLHIMENTO 31.03.01 50.036,02 FALTA DE RECOLHIMENTO 30.06.01 22.354,80 FALTA DE RECOLHIMENTO 30.09.01 92.363,71 FALTA DE RECOLHIMENTO 31.12.01 421.545,35 FALTA DE RECOLHIMENTO 31.03.02 835.633,34 FALTA DE RECOLHIMENTO 30.06.02 755.003,36 FALTA DE RECOLHIMENTO 30.09.02 655.593,74 FALTA DE RECOLHIMENTO 31.12.02 1.002.375,95 Esclarece o já citado RELATÓRIO DE TRABALHO FISCAL que os valores tidos como não recolhidos foram levantados com base nos Livros Diário, Razão, Caixa e de Registro dos Serviços Prestados (fls. 306/440). O lucro inflacionário não oferecido à tributação, por sua vez, foi apurado com base no balanço encerrado em 31 de dezembro de 1999 (fls. 89/90), que apresenta para a conta de correção monetária do ativo permanente até 31 de dezembro de 1995 o valor de R$ 5.614.522,46 e para o patrimônio líquido o montante de R$ 2.219.243,76. Diante de tais valores, o saldo credor da conta de correção monetária em 31 de dezembro de 1995, representativa do lucro inflacionário em virtude da ausência de ajustes, foi de R$ 3.395.278,70 (R$ 5.614.522,46 – R$ 2.219.243,76). Em sede de recurso voluntário, a contribuinte, renovando a argumentação trazida por meio da peça impugnatória, sustenta que não existe lucro inflacionário a realizar porque o resultado da correção monetária sempre demonstrou prejuízo inflacionário, visto que o ATIVO PERMANENTE sempre foi inferior ao PATRIMÔNIO LÍQUIDO. Destaco de início, em consonância com o observado pela decisão recorrida, que a parcela das exigências que decorre da constatação de falta de recolhimento não foi contestada pela Recorrente, vez que ela se limitou a informar que a incluiu em parcelamento especial (PAES). A lide, pois, restringese ao crédito tributário decorrente do não oferecimento à tributação do lucro inflacionário realizado. Como visto, considerando o fato de que a apuração do lucro inflacionário levou em consideração tãosomente os dados existentes no balanço de fls. 89/90, não havendo indicação de que o valores ali consignados guardavam relação com registros feitos na escrituração contábil da autuada, o julgamento foi, inicialmente, convertido em diligência (Resolução nº 130200.028, de 08 de dezembro de 2009) para que a unidade local da Receita Federal promovesse a correlação entre o saldo credor de correção monetária que serviu de Fl. 565DF CARF MF Impresso em 10/01/2013 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 14/1 2/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 19/12/2012 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 11618.002447/200332 Acórdão n.º 1301001.121 S1C3T1 Fl. 555 7 suporte para o lançamento e os registros contábeis da contribuinte, indicando, se possível, as folhas do livros indicadoras dos registros da correção monetária do ativo permanente e do patrimônio líquido (até 31 de dezembro de 1995). Em atendimento, a Delegacia da Receita Federal em João Pessoa esclareceu que a diligenciada: a) não conseguiu demonstrar a existência do prejuízo inflacionário; e b) não apresentou à Fiscalização qualquer livro contábil, livro de apuração e do lucro real LALUR ou documentação referente ao período de 01/10/1981 a 31/12/1999, capaz de comprovar a existência de prejuízo inflacionário, motivo pelo qual ficou impossibilitada de promover qualquer correlação do saldo credor de correção monetária que serviu de suporte ao lançamento de oficio. Não obstante, destacou a referida unidade administrativa que consta a conta LUCRO INFLACIONÁRIO nos balanços encerrados em 30/09/1980 e 30/09/1981 (fls. 87 e 88). Apesar de intimada, a contribuinte não se pronunciou sobre o resultado da diligência. Diante de tal contexto, em que foram oportunizados à Recorrente meios para que carreasse ao processo elementos de comprovação para o alegado em sede de defesa, mas que, entretanto, nenhum documento adicional foi por ela aportado aos autos, penso que o lançamento tributário deve ser mantido. Assim, considerado o exposto, conduzo meu voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso. Sala das Sessões, em 05 de dezembro de 2012 Wilson Fernandes Guimarães Fl. 566DF CARF MF Impresso em 10/01/2013 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 14/1 2/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 19/12/2012 por PLINIO RODRIGUES LIMA
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Numero do processo: 10850.910045/2009-83
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 24 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Feb 06 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/10/2002 a 03/11/2002
IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. AQUISIÇÃO DE INSUMOS JUNTO A PESSOAS FÍSICAS.
As aquisições de matérias primas, produtos intermediários e materiais de embalagens de pessoas físicas. utilizadas na industrialização de produtos destinados exportação, devem compor a base de cálculo do crédito presumido de IPI previsto na Lei n° 9.363/96 e do REsp 993.164/MG, sujeito à sistemática dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105/2015.
CREDITO PRESUMIDO. BASE DE CALCULO. SÚMULA CARF Nº19.
Somente podem ser considerados como matéria-prima ou produto intermediário, além daqueles que se integram ao produto em fabricação, os bens que sofrem desgaste ou perda de propriedade, em função de ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, ou por este diretamente sofrida, e desde que no sejam bens do ativo permanente. Dessa maneira, os gastos com combustíveis, energia elétrica, lubrificantes, peças de manutenção e reposição etc., não se enquadram nos conceitos de matéria-prima ou produto intermediário (PN CST, n° 65, de 1979; Lei n°9.363, de 1996).
CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. INDUSTRIALIZAÇÃO POR ENCOMENDA DE INSUMO EMPREGADO NO PROCESSO PRODUTIVO DO BEM EXPORTADO. INCLUSÃO NA BASE DE CÁLCULO. POSSIBILIDADE.
Não contraria as disposições da Lei 9.363/96 a inclusão na base de cálculo do incentivo por ela instituído das despesas com industrialização por encomenda desde que esta seja realizada sobre bem a ser empregado como matéria prima, produto intermediário ou material de embalagem na fabricação do bem a ser exportado.
Numero da decisão: 3402-003.771
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso para: I) Reverter a glosa de créditos presumidos da aquisição de pessoas físicas, com base no REsp 993.164/MG; II) Reverter a glosa do crédito presumido referente aos serviços prestados por terceiros para o beneficiamento da matéria-prima, em industrialização por encomenda, nos termos do Acórdão CSRF nº 9303-003.836; III) Permitir a atualização dos créditos com a Taxa SELIC, com fundamento no REsp 993.164/MG, a partir da data de protocolo do pedido de ressarcimento; e IV) Manutenção das demais glosas, com fundamento no Parecer Normativo CST nº 65/79 e Súmula CARF nº19. Vencidos os Conselheiros Jorge Freire, Waldir Navarro Bezerra e Maria Aparecida Martins de Paula, quanto ao direito ao crédito presumido sobre o valor da industrialização por encomenda.
(assinado digitalmente)
Antonio Carlos Atulim - Presidente.
(assinado digitalmente)
Carlos Augusto Daniel Neto - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Antônio Carlos Atulim (Presidente), Jorge Olmiro Lock Freire, Carlos Augusto Daniel Neto, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra.
Nome do relator: CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO
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CRÉDITO PRESUMIDO. AQUISIÇÃO DE INSUMOS JUNTO A PESSOAS FÍSICAS. As aquisições de matérias primas, produtos intermediários e materiais de embalagens de pessoas físicas. utilizadas na industrialização de produtos destinados exportação, devem compor a base de cálculo do crédito presumido de IPI previsto na Lei n° 9.363/96 e do REsp 993.164/MG, sujeito à sistemática dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105/2015. CREDITO PRESUMIDO. BASE DE CALCULO. SÚMULA CARF Nº19. Somente podem ser considerados como matériaprima ou produto intermediário, além daqueles que se integram ao produto em fabricação, os bens que sofrem desgaste ou perda de propriedade, em função de ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, ou por este diretamente sofrida, e desde que no sejam bens do ativo permanente. Dessa maneira, os gastos com combustíveis, energia elétrica, lubrificantes, peças de manutenção e reposição etc., não se enquadram nos conceitos de matériaprima ou produto intermediário (PN CST, n° 65, de 1979; Lei n°9.363, de 1996). CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. INDUSTRIALIZAÇÃO POR ENCOMENDA DE INSUMO EMPREGADO NO PROCESSO PRODUTIVO DO BEM EXPORTADO. INCLUSÃO NA BASE DE CÁLCULO. POSSIBILIDADE. Não contraria as disposições da Lei 9.363/96 a inclusão na base de cálculo do incentivo por ela instituído das despesas com industrialização por encomenda desde que esta seja realizada sobre bem a ser empregado como matéria prima, produto intermediário ou material de embalagem na fabricação do bem a ser exportado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 0. 91 00 45 /2 00 9- 83 Fl. 391DF CARF MF 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso para: I) Reverter a glosa de créditos presumidos da aquisição de pessoas físicas, com base no REsp 993.164/MG; II) Reverter a glosa do crédito presumido referente aos serviços prestados por terceiros para o beneficiamento da matériaprima, em industrialização por encomenda, nos termos do Acórdão CSRF nº 9303003.836; III) Permitir a atualização dos créditos com a Taxa SELIC, com fundamento no REsp 993.164/MG, a partir da data de protocolo do pedido de ressarcimento; e IV) Manutenção das demais glosas, com fundamento no Parecer Normativo CST nº 65/79 e Súmula CARF nº19. Vencidos os Conselheiros Jorge Freire, Waldir Navarro Bezerra e Maria Aparecida Martins de Paula, quanto ao direito ao crédito presumido sobre o valor da industrialização por encomenda. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Atulim Presidente. (assinado digitalmente) Carlos Augusto Daniel Neto Relator. Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Antônio Carlos Atulim (Presidente), Jorge Olmiro Lock Freire, Carlos Augusto Daniel Neto, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra. Relatório Tratase de Pedido de Ressarcimento (fls. 143/217) combinado com Declarações de Compensação (fls. 130/140), por meio do qual o contribuinte pleiteia valores correspondentes a crédito presumido de Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) apurados no 4º trimestre de 2002. Por razões de economia, recorrese ao relatório elaborado pelo relator anterior desse processo, quando da elaboração de Resolução: A Delegacia da Receita Federal em São José do Rio Preto/SP (DRF) proferiu Despacho Decisório Eletrônico (fls. 130/140) recusando o direito de crédito. A contribuinte apresentou manifestação de inconformidade (fls. 2/89) alegando: 1) que a base de cálculo do crédito presumido, tal como prevista nos arts. 1º e 2° da Lei nº 9.363/96 deve levar em conta o valor total das aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, não permitindo qualquer exclusão, sendo indevida a inovação pretendida pelas Instruções Normativas nºs 23/1997 e 103/1997, ao estabelecerem que o crédito presumido de IPI será calculado, exclusivamente, em relação às aquisições efetuadas de pessoas jurídicas, Fl. 392DF CARF MF Processo nº 10850.910045/200983 Acórdão n.º 3402003.771 S3C4T2 Fl. 3 3 sujeitas à Cofins e ao PIS, excluindo as aquisições de pessoas físicas e de cooperativas. 2) o direito à atualização dos valores pleiteados pela aplicação da Taxa SELIC; 3) o direito à inclusão do valor referente aos serviços prestados por terceiros para o beneficiamento da matériaprima, em industrialização por encomenda. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto/SP (DRJ), por meio do Acórdão nº 1435.528, de 19 de outubro de 2011 (fls. 220/230), julgou improcedente a manifestação de inconformidade, conforme a seguinte ementa: ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Período de apuração: 01/10/2002 a 03/11/2002 CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI. Os valores referentes às aquisições de insumos de pessoas físicas, nãocontribuintes do PIS/Pasep e da Cofins, não integram o cálculo do crédito presumido por falta de previsão legal. CRÉDITO DO IPI. MATÉRIASPRIMAS, PRODUTOS INTERMEDIÁRIOS E MATERIAL DE EMBALAGEM Os conceitos de produção, matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem são os admitidos na legislação aplicável ao IPI, não bastando simplesmente participar do ciclo produtivo do estabelecimento. INDUSTRIALIZAÇÃO POR ENCOMENDA. MÃODEOBRA. A parcela de mãodeobra destacada na nota fiscal de retorno de industrialização por encomenda, com suspensão de IPI e sem a incorporação de insumos adquiridos ou importados pelo executor da encomenda, constitui mera cobrança a título de prestação de serviços, não abrangida pelo conceito de matéria prima, produto intermediário e material de embalagem, e é excluída do cálculo do benefício fiscal. INCONSTITUCIONALIDADE. A autoridade administrativa é incompetente para declarar a inconstitucionalidade da lei e dos atos infralegais. CRÉDITO PRESUMIDO. JUROS PELA TAXA SELIC. POSSIBILIDADE. Inexiste previsão legal para abonar atualização monetária ou acréscimo de juros equivalentes à taxa SELIC a valores objeto de ressarcimento de crédito de IPI. Manifestação de Inconformidade Improcedente Fl. 393DF CARF MF 4 A contribuinte interpôs recurso voluntário (fls. 239/287) reiterando os argumentos da manifestação de inconformidade e alegando que o benefício apurado na forma de crédito de IPI é utilizado para o efeito de desoneração da Contribuição ao PIS e da Cofins. Mas não existe qualquer distinção quanto ao fato de os fornecedores diretos destes insumos serem ou não contribuintes da Contribuição ao PIS e da Cofins. O objetivo deste benefício fiscal é estimular a exportação como um todo, de sorte que o benefício se aplica em relação a todos os insumos qualificados como MP, ME e PI, e não apenas aos insumos adquiridos de fornecedores sujeitos aos recolhimento da Contribuição para o PIS e da Cofins. O Colegiado entendeu que não havia nos autos prova de que o indeferimento tenha sido baseado nas matérias de direito alegadas pelo contribuinte, razão pela qual converteuse o julgamento em diligência para que fossem apresentados de forma analítica as razões do indeferimento do pedido de ressarcimento e a apresentação do termo de verificação fiscal. A fiscalização apresentou o relatório de diligência explicitando os fundamentos da autuação. Em razão da saída do ilustre Conselheiro Ivan Allegretti, este processo foi a mim distribuído. É o relatório. Voto Conselheiro Carlos Augusto Daniel Neto O recurso voluntário foi interposto em 18/11/2011 (fl. 289/290), dentro do prazo de 30 dias contados da data da notificação do acórdão da DRJ, em 18/11/2011, conforme Aviso de Recebimento (fl. 238). Por ser tempestivo e atender aos demais requisitos de admissibilidade, conheço do recurso. Diante da ausência de preliminares, passase ao mérito. 1) Do direito ao crédito presumido de IPI na aquisição de insumos de pessoas físicas e a correção dos créditos pela Taxa SELIC A primeira parte do fundamento para o indeferimento do ressarcimento consiste no seguinte, conforme explicação do fiscal em fl. 384: Com relação ao insumo “laranjas”, excluímos da base de cálculo do crédito presumido as aquisições de pessoas físicas de acordo com o que dispõe as Instruções Normativas citadas. A IN SRF nº 23/97 dispõe que o crédito presumido relativo a produtos oriundos da atividade rural utilizados como insumos na produção de produtos exportados será calculado, exclusivamente, em relação às aquisições, efetuadas de pessoas jurídicas, sujeitas às contribuições PIS/PASEP e COFINS. Fl. 394DF CARF MF Processo nº 10850.910045/200983 Acórdão n.º 3402003.771 S3C4T2 Fl. 4 5 Ademais, a respeito do pleito pela correção dos valores pleiteados pela aplicação da Taxa SELIC, afirmou a fiscalização que: Inexistia à época da análise do pedido (2010), previsão legal para atualização monetária ou acréscimo de juros SELIC a valores objeto de ressarcimento de créditos de IPI. Sempre me pareceu absolutamente claro que a IN SRF nº23/97 extrapolou largamente do conteúdo do incentivo fiscal atribuído pela Lei nº 9.363/96, ao restringir o crédito às hipóteses de aquisição de empresa contribuinte das contribuições ao Pis e a Cofins. Independente da possibilidade de confrontar diversas razões substantivas para afastar a posição adotada pela fiscalização, devemos obediência ao decidido pelo Superior Tribunal de Justiça no REsp nº 993.164/MG, julgado sob a sistemática de recursos repetitivos, e ementado nos seguintes termos: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. IPI. CRÉDITO PRESUMIDO PARA RESSARCIMENTO DO VALOR DO PIS/PASEP E DA COFINS. EMPRESAS PRODUTORAS E EXPORTADORAS DE MERCADORIAS NACIONAIS. LEI 9.363/96. INSTRUÇÃO NORMATIVA SRF 23/97. CONDICIONAMENTO DO INCENTIVO FISCAL AOS INSUMOS ADQUIRIDOS DE FORNECEDORES SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO PELO PIS E PELA COFINS. EXORBITÂNCIA DOS LIMITES IMPOSTOS PELA LEI ORDINÁRIA. SÚMULA VINCULANTE 10/STF. OBSERVÂNCIA. INSTRUÇÃO NORMATIVA (ATO NORMATIVO SECUNDÁRIO). CORREÇÃO MONETÁRIA. INCIDÊNCIA. EXERCÍCIO DO DIREITO DE CRÉDITO POSTERGADO PELO FISCO. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE CRÉDITO ESCRITURAL. TAXA SELIC. APLICAÇÃO. VIOLAÇÃO DO ARTIGO 535, DO CPC. INOCORRÊNCIA. 1. O crédito presumido de IPI, instituído pela Lei 9.363/96, não poderia ter sua aplicação restringida por força da Instrução Normativa SRF 23/97, ato normativo secundário, que não pode inovar no ordenamento jurídico, subordinandose aos limites do texto legal. 2. A Lei 9.363/96 instituiu crédito presumido de IPI para ressarcimento do valor do PIS/PASEP e COFINS, ao dispor que: "Art. 1º A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nos 7, de 7 de setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro de 1970, e de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo. Parágrafo único. O disposto neste artigo aplicase, inclusive, nos casos de venda a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação para o exterior." 3. O artigo 6º, do aludido diploma legal, determina, ainda, que "o Ministro de Estado da Fazenda expedirá as instruções necessárias ao Fl. 395DF CARF MF 6 cumprimento do disposto nesta Lei, inclusive quanto aos requisitos e periodicidade para apuração e para fruição do crédito presumido e respectivo ressarcimento, à definição de receita de exportação e aos documentos fiscais comprobatórios dos lançamentos, a esse título, efetuados pelo produtor exportador". 4. O Ministro de Estado da Fazenda, no uso de suas atribuições, expediu a Portaria 38/97, dispondo sobre o cálculo e a utilização do crédito presumido instituído pela Lei 9.363/96 e autorizando o Secretário da Receita Federal a expedir normas complementares necessárias à implementação da aludida portaria (artigo 12). 5. Nesse segmento, o Secretário da Receita Federal expediu a Instrução Normativa 23/97 (revogada, sem interrupção de sua força normativa, pela Instrução Normativa 313/2003, também revogada, nos mesmos termos, pela Instrução Normativa 419/2004), assim preceituando: "Art. 2º Fará jus ao crédito presumido a que se refere o artigo anterior a empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais. § 1º O direito ao crédito presumido aplicase inclusive: I Quando o produto fabricado goze do benefício da alíquota zero; II nas vendas a empresa comercial exportadora, com o fim específico de exportação. § 2º O crédito presumido relativo a produtos oriundos da atividade rural, conforme definida no art. 2º da Lei nº 8.023, de 12 de abril de 1990, utilizados como matériaprima, produto intermediário ou embalagem, na produção bens exportados, será calculado, exclusivamente, em relação às aquisições, efetuadas de pessoas jurídicas, sujeitas às contribuições PIS/PASEP e COFINS." 6. Com efeito, o § 2º, do artigo 2º, da Instrução Normativa SRF 23/97, restringiu a dedução do crédito presumido do IPI (instituído pela Lei 9.363/96), no que concerne às empresas produtoras e exportadoras de produtos oriundos de atividade rural, às aquisições, no mercado interno, efetuadas de pessoas jurídicas sujeitas às contribuições destinadas ao PIS/PASEP e à COFINS. 7. Como de sabença, a validade das instruções normativas (atos normativos secundários) pressupõe a estrita observância dos limites impostos pelos atos normativos primários a que se subordinam (leis, tratados, convenções internacionais, etc.), sendo certo que, se vierem a positivar em seu texto uma exegese que possa irromper a hierarquia normativa sobrejacente, viciarseão de ilegalidade e não de inconstitucionalidade (Precedentes do Supremo Tribunal Federal: ADI 531 AgR, Rel. Ministro Celso de Mello, Tribunal Pleno, julgado em 11.12.1991, DJ 03.04.1992; e ADI 365 AgR, Rel. Ministro Celso de Mello, Tribunal Pleno, julgado em 07.11.1990, DJ 15.03.1991). 8. Conseqüentemente, sobressai a "ilegalidade" da instrução normativa que extrapolou os limites impostos pela Lei 9.363/96, ao excluir, da base de cálculo do benefício do crédito presumido do IPI, as aquisições (relativamente aos produtos Fl. 396DF CARF MF Processo nº 10850.910045/200983 Acórdão n.º 3402003.771 S3C4T2 Fl. 5 7 oriundos de atividade rural) de matériaprima e de insumos de fornecedores não sujeito à tributação pelo PIS/PASEP e pela COFINS (Precedentes das Turmas de Direito Público: REsp 849287/RS, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, julgado em 19.08.2010, DJe 28.09.2010; AgRg no REsp 913433/ES, Rel. Ministro Humberto Martins, Segunda Turma, julgado em 04.06.2009, DJe 25.06.2009; REsp 1109034/PR, Rel.Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Turma, julgado em 16.04.2009, DJe 06.05.2009; REsp 1008021/CE, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 01.04.2008, DJe 11.04.2008; REsp 767.617/CE, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Turma, julgado em 12.12.2006, DJ 15.02.2007; REsp 617733/CE, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, Primeira Turma, julgado em 03.08.2006, DJ 24.08.2006; e REsp 586392/RN, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 19.10.2004, DJ 06.12.2004). 9. É que: (i) "a COFINS e o PIS oneram em cascata o produto rural e, por isso, estão embutidos no valor do produto final adquirido pelo produtorexportador, mesmo não havendo incidência na sua última aquisição"; (ii) "o Decreto 2.367/98 Regulamento do IPI , posterior à Lei 9.363/96, não fez restrição às aquisições de produtos rurais"; e (iii) "a base de cálculo do ressarcimento é o valor total das aquisições dos insumos utilizados no processo produtivo (art. 2º), sem condicionantes" (REsp 586392/RN). 10. A Súmula Vinculante 10/STF cristalizou o entendimento de que: "Viola a cláusula de reserva de plenário (CF, artigo 97) a decisão de órgão fracionário de tribunal que, embora não declare expressamente a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo do poder público, afasta sua incidência, no todo ou em parte." 11. Entrementes, é certo que a exigência de observância à cláusula de reserva de plenário não abrange os atos normativos secundários do Poder Público, uma vez não estabelecido confronto direto com a Constituição, razão pela qual inaplicável a Súmula Vinculante 10/STF à espécie. 12. A oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito de IPI (decorrente da aplicação do princípio constitucional da não cumulatividade), descaracteriza referido crédito como escritural (assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil), exsurgindo legítima a incidência de correção monetária, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco (Aplicação analógica do precedente da Primeira Seção submetido ao rito do artigo 543 C, do CPC: REsp 1035847/RS, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 24.06.2009, DJe 03.08.2009). 13. A Tabela Única aprovada pela Primeira Seção (que agrega o Manual de Cálculos da Justiça Federal e a jurisprudência do STJ) autoriza a aplicação da Taxa SELIC (a partir de janeiro Fl. 397DF CARF MF 8 de 1996) na correção monetária dos créditos extemporaneamente aproveitados por óbice do Fisco (REsp 1150188/SP, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 20.04.2010, DJe 03.05.2010). 14. Outrossim, a apontada ofensa ao artigo 535, do CPC, não restou configurada, uma vez que o acórdão recorrido pronunciouse de forma clara e suficiente sobre a questão posta nos autos. Salientese, ademais, que o magistrado não está obrigado a rebater, um a um, os argumentos trazidos pela parte, desde que os fundamentos utilizados tenham sido suficientes para embasar a decisão, como de fato ocorreu na hipótese dos autos. 15. Recurso especial da empresa provido para reconhecer a incidência de correção monetária e a aplicação da Taxa Selic. 16. Recurso especial da Fazenda Nacional desprovido. 17. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (REsp 993.164/MG, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 13/12/2010, DJe 17/12/2010) (grifos nossos) Nos termos do artigo 62, §2º do Anexo II do Regimento Interno do CARF, as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015, deverão observadas pelos Conselheiros, e reproduzidas no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Verificase, pois, que a decisão do STJ sepulta, de pronto, dois pontos de discordância entre o Fisco e o contribuinte, determinando: i) o direito ao crédito presumido do IPI das aquisições de pessoa física, e II) direito à atualização dos valores dos créditos pela Taxa SELIC. Desse modo, com razão o contribuinte. 2) Do direito à inclusão do valor referente aos serviços prestados por terceiros para o beneficiamento da matériaprima, em industrialização por encomenda. Controvertese sobre o direito a inclusão das despesas com industrialização por encomenda na base de cálculo do crédito presumido de IPI instituído pela Lei 9.363/96, negado pela decisão recorrida, sob o seguinte fundamento: Como preconiza a Lei nº 9.363, de 1996, art. 3º, § único, a legislação do IPI, mencionada no parágrafo precedente, deve ser consultada subsidiariamente para a fixação inequívoca dos conceitos de matériaprima, produtos intermediários e material de embalagem, e é por esta razão que os argumentos da contribuinte não podem ser acolhidos como verdadeiros. A prestação de serviços não pode ser incluída nestes conceitos, ainda que haja incidência de PIS e Cofins na formação do preço cobrado pelo executante do beneficiamento, pois a precitada lei, no art. 1º, dispõe que a empresa produtoraexportadora tem direito ao crédito presumido do IPI na forma de ressarcimento Fl. 398DF CARF MF Processo nº 10850.910045/200983 Acórdão n.º 3402003.771 S3C4T2 Fl. 6 9 das aludidas contribuições incidentes sobre as aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, pertinentes ao processo fabril dos produtos exportados; não há menção no dispositivo em questão acerca da inclusão da prestação de serviços existente na industrialização realizada por terceiros. Ousamos discordar do acórdão recorrido nesse aspecto. Tal matéria foi julgada recentemente pela CSRF da 3ª Seção, em acórdão relatado pelo ilustre Conselheiro Júlio César, na qual a turma, por maioria, entendeu no sentido oposto ao proposto pela fiscalização, senão vejamos a ementa do Acórdão CSRF nº 9303003.836, julgado em 28/04/2016: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 14/01/2004 CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. INDUSTRIALIZAÇÃO POR ENCOMENDA DE INSUMO EMPREGADO NO PROCESSO PRODUTIVO DO BEM EXPORTADO. INCLUSÃO NA BASE DE CÁLCULO. POSSIBILIDADE. Não contraria as disposições da Lei 9.363/96 a inclusão na base de cálculo do incentivo por ela instituído das despesas com industrialização por encomenda desde que esta seja realizada sobre bem a ser empregado como matéria prima, produto intermediário ou material de embalagem na fabricação do bem a ser exportado. No seu elucidativo voto, o conselheiro relator aduziu o seguinte: De fato, na maior parte das vezes em que um industrial recorre à industrialização por encomenda o faz por não reunir condições técnicas de realizar internamente tais operações, seja por falta de pessoal capacitado, seja por não possuir o equipamento adequado. A opção não está, assim, vinculada ao aproveitamento de um possível benefício fiscal. Está ligada, isto sim, à racionalidade econômica. Em outras palavras, ela decorre de uma decisão econômica de não verticalizar o processo produtivo, criando internamente uma linha ou divisão para realizar a operação em tela, seja porque infreqüente, seja porque é mais barato realizá la fora. Posta essa diferente premissa, o fato é que o item em discussão (couro, no caso concreto) só assume a condição de matéria prima para o postulante do benefício (fabricante de calçado) após ter sido submetida a essa industrialização parcial adicional. Antes, matéria prima ainda não é. Essa conclusão, a meu ver, se impõe pela própria definição de matéria prima tantas vezes por nós repetida: item que é utilizado no processo produtivo e aí é integral e imediatamente consumido, incorporandose fisicamente ao item fabricado. Ora, se no estado em que inicialmente adquirido o item não pode Fl. 399DF CARF MF 10 ainda participar do processo fabril do postulante, como pode ser, desde logo, considerado matéria prima? Só o é, a meu sentir, após submetido àquele tratamento adicional. E, como já disse, mesmo a interpretação literal do texto normativo permite sua inclusão nesse caso. Deveras, dispõem os arts. 1º e 2º da Lei 9.363: Art. 1º A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nos 7, de 7 de setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro de 1970, e 70, de 30 de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo. Parágrafo único. O disposto neste artigo aplicase, inclusive, nos casos de venda a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação para o exterior. Art. 2º A base de cálculo do crédito presumido será determinada mediante a aplicação, sobre o valor total das aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem referidos no artigo anterior, do percentual correspondente à relação entre a receita de exportação e a receita operacional bruta do produtor exportador. A meu ver, pois, o “valor total” a que se refere a lei tem de corresponder àquele que a empresa desembolsou para contar em seu estabelecimento com um item que empregará efetivamente na produção do produto a exportar. Vale repetir que esse acréscimo de valor – correspondente à aqui discutida “industrialização adicional” – inclui, no mais das vezes, não apenas despesas com mão de obra, mas também, e com destaque, depreciação de ativo fixo não existente no estabelecimento do encomendante, e, no mínimo, o lucro daquele que realiza a operação. A presença dessa última parcela é, por si só, suficiente para não fazer sentido pressupor – ao menos como regra – que um dado estabelecimento capaz de realizála internamente “opte” por contratála a terceiros e pagar mais por isso. (...) A celeuma, pois, vêse restrita às despesas com mãodeobra. De fato, em outros processos ela vem expressa em votos da primeira instância e em relatórios de verificação fiscal elaborados pelas autoridades incumbidas dos trabalhos fiscais. E pode ser resumida assim: se o postulante houvesse internalizado a operação, não haveria crédito presumido sobre essa parcela. Por “analogia” (ou “isonomia” ou “justiça fiscal” ou qualquer coisa semelhante) também não deveria haver se ele a “externaliza”. Fl. 400DF CARF MF Processo nº 10850.910045/200983 Acórdão n.º 3402003.771 S3C4T2 Fl. 7 11 Como já repeti, a validade do argumento tem como condições necessárias que 1) o postulante ao crédito presumido possa fazer internamente a operação; 2) o valor pago ao executor se resuma ao da mãodeobra empregada. Essa segunda condição só seria válida na ausência de qualquer capital. Do contrário, haverá, pelo menos, o “custo do capital” empregado, entendido como a sua depreciação mais lucro. Em outras palavras, apenas se fosse contratado algum(ns) trabalhador(es), sem qualquer equipamento, para “prestar o serviço”. Admitindo que isso fosse mesmo possível (e valesse a pena, do ponto de vista econômico) o argumento ganharia força pela nossa jurisprudência que limitava o incentivo às “aquisições realizadas a contribuintes dos tributos a ressarcir”.Desnecessário dizer que ela já não mais se sustenta em face das reiteradas decisões do STJ em sentido contrário De modo que, aclarados devidamente os contornos da restrição (...), acredito que a questão somente se coloca se: 1) houver uma contratação apenas de “serviços” de industrialização e 2) ela se der junto a pessoas físicas que não empreguem qualquer insumo ou equipamento nessa prestação. (...) Essa [prova da natureza de matériaprima ou produto intermediário do produto sujeito à industrialização por encomenda] é, em verdade, a única restrição que faço: dado que a lei fala em matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, não haveria tal possibilidade de inclusão se os materiais recebidos fossem exportados no mesmo estado. De fato, já tivemos oportunidade de examinar caso em que a “fábrica” de calçados de fábrica não tinha mais nada, “terceirizada” que fora toda a produção. Ela se limitava a exportar o produto pronto, assim recebido dos executores. Nessa hipótese, entendo eu, não há benefício algum. Mas aqui, ao contrário, a empresa emprega o couro beneficiado na efetiva fabricação dos calçados que exporta. Não vejo motivos então para que se exclua a parcela do beneficiamento realizado. Não muda essa minha conclusão o terceiro argumento do n.relator. É ele o fato de a Lei 10.276 ter expressamente autorizado a inclusão dessa parcela que não consta expressamente da Lei 9.363. A conclusão foi: se a partir daí pode, é porque antes não podia. Com a devida vênia, entendo que as regras de hermenêutica consagradas não permitem essa ilação. De fato, não faz sentido (lógico) deduzir uma proibição em uma lei porque de outra tal proibição não conste. A não ser que a nova lei esteja regulando a mesma matéria. Fl. 401DF CARF MF 12 Como se sabe, a Lei 10.276 institui uma forma alternativa de cálculo do benefício, como reconhece o relator. Assim, dela tudo o que decorre é que na sistemática por ela introduzida pode; nada se pode inferir quanto à outra modalidade de que ela não trata e cuja legislação cabe interpretar. (...) Como já afirmei no voto, nem mesmo se o encomendante não remeter nenhum insumo podese dizer que não haverá acréscimo de insumos ("mera prestação de serviços"). Com efeito, nem mesmo a conclusão extraída pela PFN da informação produzida pela SRF em seu site (questão nº 723, inserida na publicação "Perguntas e Respostas do Programa de Imposto de Renda PIR 2001"), vênia máxima, procede: mesmo quando o executor nenhum insumo acresce em seu processo industrial, ainda assim a operação é industrialização para efeito do IPI e sobre ela incide sim o imposto, consoante as disposições dos arts. 3º e 4º da Lei 4.502/64 na forma reiteradamente interpretada nos diversos decretos que a regulamentaram. Notese que, em meu entender isso não é condição para deferir ou não o incentivo. E, como digo em meu voto, nem mesmo nesse caso é lícito concluir que o valor da operação apenas corresponde ao valor da mão deobra empregada. O raciocínio esgrimido pelo Conselheiro Júlio César é irretocável, razão pela qual adiro às suas colocações e ao entendimento vigente e majoritário na CSRF para reconhecer a ilegalidade da glosa dos créditos presumidos relativo à inclusão do valor referente aos serviços prestados por terceiros para o beneficiamento da matériaprima, em industrialização por encomenda. Frisese que tal entendimento se encontra na mesma esteira da jurisprudência recente do Superior Tribunal de Justiça, como no AgRg no REsp 1230702/RS, julgado em 01/03/2011, e assim ementado: AGRAVO REGIMENTAL EM RECURSO ESPECIAL. DIREITO TRIBUTÁRIO. IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. BASE DE CÁLCULO. MATÉRIAPRIMA. BENEFICIAMENTO POR TERCEIROS. CORREÇÃO MONETÁRIA. TAXA SELIC. 1. "Faz jus ao crédito presumido do IPI o estabelecimento comercial que adquire insumos e os repassa a terceiros para beneficiálos, por encomenda, para posteriormente exportar os produtos. Precedentes." (REsp nº 752.888/RS, Relator Ministro Teori Albino Zavascki, Primeira Turma, in DJe 25/9/2009). 2. "É devida a correção monetária de tais créditos quando o seu aproveitamento, pelo contribuinte, sofre demora em virtude de resistência oposta por ilegítimo ato administrativo ou normativo do Fisco. Orientação ratificada no julgamento do Recurso Especial representativo de controvérsia 1.035.847/RS, examinado sob o rito do art. 543C do CPC e da Resolução STJ nº 08/2008." (REsp nº 1.150.188/SP, Relatora Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, in DJe 3/5/2010). 3. "Aplicase a taxa SELIC, a partir de 1º.1.1996, na atualização monetária do indébito tributário, não podendo ser cumulada, Fl. 402DF CARF MF Processo nº 10850.910045/200983 Acórdão n.º 3402003.771 S3C4T2 Fl. 8 13 porém, com qualquer outro índice, seja de juros ou atualização monetária." (REsp nº 1.111.175/SP, Relatora Ministra Denise Arruda, Primeira Seção, in DJe 1º/7/2009). 4. Agravo regimental improvido. (AgRg no REsp 1230702/RS, Rel. Ministro HAMILTON CARVALHIDO, PRIMEIRA TURMA, julgado em 01/03/2011, DJe 24/03/2011) Portanto, incorreta a glosa do crédito pleiteado pelo contribuinte. 3) Do direito ao crédito presumido em relação às aquisições de energia elétrica, combustíveis, lubrificantes e os demais insumos. Quanto à extensão do direito ao crédito na aquisição de insumos aplicáveis à produção, aderimos ao entendimento exarado no Parecer Normativo CST nº 65/79, que reflete muito bem o entendimento desta turma e da jurisprudência pacífica do CARF, verbis: “A partir da vigência do RIPI/79, "ex vi" do inciso I de seu artigo 66, geram direito ao crédito ali referido, além dos que se integram ao produto final (matériasprimas e produtos intermediários "stricto sensu", e material de embalagem), quaisquer outros bens, desde que não contabilizados pelo contribuinte em seu ativo permanente, que sofram, em função de ação exercida diretamente sobre o produto em fabricação, alterações tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas. Inadmissível a retroação de tal entendimento aos fatos ocorridos na vigência do RIPI/72 que continuam a se subsumir ao exposto no PN CST n° 181/74.” Essa matéria já foi enfrentada por este Colegiado no Acórdão 3402002.863, oportunidade em que foi negado por unanimidade provimento ao argumento do contribuinte, visto que tal matéria encontrase sumulada na Súmula CARF nº 19, verbis: Súmula CARF nº 19: Não integram a base de cálculo do crédito presumido da Lei nº 9.363, de 1996, as aquisições de combustíveis e energia elétrica uma vez que não são consumidos em contato direto com o produto, não se enquadrando nos conceitos de matériaprima ou produto intermediário. Frisese que se enquadra nesta súmula também o BAGAÇO DE CANA, insumo glosado cuja função no processo industrial seria de combustível para a geração de vapor. Da mesma forma, lubrificantes, formulários contínuos, materiais de consumo, de expediente, elétricos, peças de reposição e manutenção, produtos de limpeza e uniformes dos empregados, ainda que sejam consumidos pelo estabelecimento industrial, por não serem consumidos nem entrarem em contato físico diretamente com o produto não se enquadram no conceito de matériaprima, produto intermediário ou material de embalagem à luz da legislação do IPI, que se aplica expressamente ao crédito presumido instituído pela Lei n. 9.363. A aplicação da súmula é obrigatória, nos termos do art. 72 do RICARF (Art. 72. As decisões reiteradas e uniformes do CARF serão consubstanciadas em súmula de Fl. 403DF CARF MF 14 observância obrigatória pelos membros do CARF), razão pela qual se nega provimento ao contribuinte nesse ponto. 4) Conclusão Ante o exposto, voto por dar provimento parcial ao Recurso Voluntário do Contribuinte para: I) Reverter a glosa de créditos presumidos da aquisição de pessoas físicas, com base no REsp 993.164/MG. II) Reverter a glosa do crédito presumido referente aos serviços prestados por terceiros para o beneficiamento da matériaprima, em industrialização por encomenda, nos termos do Acórdão CSRF nº 9303003.836. III) Permitir a atualização dos créditos com a Taxa SELIC desde a data do protocolo do pedido, com fundamento no REsp 993.164/MG. IV) Manutenção das demais glosas, com fundamento no Parecer Normativo CST nº 65/79 e Súmula CARF nº19. É como voto. Carlos Augusto Daniel Neto Relator Fl. 404DF CARF MF
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Numero do processo: 10580.726069/2009-83
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jun 21 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Aug 26 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005, 2006, 2007
RECONHECIMENTO DE OFÍCIO DE VÍCIO MATERIAL. IMPOSSIBILIDADE.
Não cabe o reconhecimento de nulidade, por eventual vício material, quando a matéria não tiver sido devidamente admitida, como objeto do recurso especial.
IRPF. VALORES INDENIZATÓRIOS DE URV, CLASSIFICADOS A PARTIR DE INFORMAÇÕES PRESTADAS PELA FONTE PAGADORA. INCIDÊNCIA.
Incide o IRPF sobre os valores de natureza remuneratória, ainda que classificados como indenizatórios pela fonte pagadora.
Precedentes do STF e do STJ.
IRPF. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE.
Consoante decidido pelo STF através da sistemática estabelecida pelo art. 543-B do CPC no âmbito do RE 614.406/RS, o IRPF sobre os rendimentos recebidos acumuladamente deve ser calculado utilizando-se o regime de competência.
Recurso especial provido em parte.
Numero da decisão: 9202-004.077
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em não conhecer a preliminar de nulidade por vício material suscitada de ofício pela Conselheira Ana Paula Fernandes, vencidos os conselheiros Ana Paula Fernandes, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Patrícia da Silva, Gerson Macedo Guerra e Maria Teresa Martínez López. Por unanimidade de votos, em conhecer o Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, pelo voto de qualidade, em dar-lhe provimento parcial para determinar o cálculo do tributo de acordo com o regime de competência, vencidos os conselheiros Ana Paula Fernandes, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Patrícia da Silva, Gerson Macedo Guerra e Maria Teresa Martínez López, que lhe deram provimento integral. Votaram pelas conclusões os conselheiros Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Gerson Macedo Guerra.
(Assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente e Relator
EDITADO EM: 17/08/2016
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2005, 2006, 2007 RECONHECIMENTO DE OFÍCIO DE VÍCIO MATERIAL. IMPOSSIBILIDADE. Não cabe o reconhecimento de nulidade, por eventual vício material, quando a matéria não tiver sido devidamente admitida, como objeto do recurso especial. IRPF. VALORES INDENIZATÓRIOS DE URV, CLASSIFICADOS A PARTIR DE INFORMAÇÕES PRESTADAS PELA FONTE PAGADORA. INCIDÊNCIA. Incide o IRPF sobre os valores de natureza remuneratória, ainda que classificados como indenizatórios pela fonte pagadora. Precedentes do STF e do STJ. IRPF. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. Consoante decidido pelo STF através da sistemática estabelecida pelo art. 543-B do CPC no âmbito do RE 614.406/RS, o IRPF sobre os rendimentos recebidos acumuladamente deve ser calculado utilizando-se o regime de competência. Recurso especial provido em parte.
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IMPOSSIBILIDADE. Não cabe o reconhecimento de nulidade, por eventual vício material, quando a matéria não tiver sido devidamente admitida, como objeto do recurso especial. IRPF. VALORES INDENIZATÓRIOS DE URV, CLASSIFICADOS A PARTIR DE INFORMAÇÕES PRESTADAS PELA FONTE PAGADORA. INCIDÊNCIA. Incide o IRPF sobre os valores de natureza remuneratória, ainda que classificados como indenizatórios pela fonte pagadora. Precedentes do STF e do STJ. IRPF. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. Consoante decidido pelo STF através da sistemática estabelecida pelo art. 543B do CPC no âmbito do RE 614.406/RS, o IRPF sobre os rendimentos recebidos acumuladamente deve ser calculado utilizandose o regime de competência. Recurso especial provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 60 69 /2 00 9- 83 Fl. 268DF CARF MF Impresso em 26/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10580.726069/200983 Acórdão n.º 9202004.077 CSRFT2 Fl. 23 2 Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em não conhecer a preliminar de nulidade por vício material suscitada de ofício pela Conselheira Ana Paula Fernandes, vencidos os conselheiros Ana Paula Fernandes, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Patrícia da Silva, Gerson Macedo Guerra e Maria Teresa Martínez López. Por unanimidade de votos, em conhecer o Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, pelo voto de qualidade, em darlhe provimento parcial para determinar o cálculo do tributo de acordo com o regime de competência, vencidos os conselheiros Ana Paula Fernandes, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Patrícia da Silva, Gerson Macedo Guerra e Maria Teresa Martínez López, que lhe deram provimento integral. Votaram pelas conclusões os conselheiros Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Gerson Macedo Guerra. (Assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente e Relator EDITADO EM: 17/08/2016 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (VicePresidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra. Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do processo paradigma deste julgamento, n° 10580.720254/200964. O presente Recurso Especial trata de pedido de Análise de Divergência motivado pelo Contribuinte, em face de Acórdão proferido em julgamento de recurso voluntário. Tratase de lançamento de Imposto de Renda de Pessoa Física dos exercícios 2005, 2006 e 2007, anoscalendário 2004, 2005, e 2006, em razão de a autoridade fiscal ter classificado como rendimentos tributáveis, valores declarados como isentos ou não tributáveis tal como informado pela Fonte Pagadora Tribunal de Justiça do Estado da Bahia. Referidos rendimentos correspondem a diferença entre a transformação de Cruzeiros Reais para Unidade Real de Valor – URV, reconhecidas e pagas em 36 meses, de janeiro de 2004 a dezembro de 2006, com base na Lei Estadual nº 8.730/2003 do Estado da Bahia. As diferenças recebidas teriam natureza eminentemente salarial, pois decorreram de diferenças de remuneração ocorridas Fl. 269DF CARF MF Impresso em 26/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10580.726069/200983 Acórdão n.º 9202004.077 CSRFT2 Fl. 24 3 quando da conversão de Cruzeiro Real para URV em 1994, consequentemente, estariam sujeitas à incidência do imposto de renda, sendo irrelevante a denominação dada ao rendimento. Foi interposta impugnação foi indeferida em sede de julgamento de primeira instância. O Contribuinte interpôs Recurso, ao qual foi dado parcial provimento ao recurso para tão somente excluir a multa de ofício. O Contribuinte apresentou Recurso Especial ao qual foi dado parcial seguimento, para reapreciação apenas da matéria questão da natureza indenizatória, ou não. Em reexame, o exame de admissibilidade foi confirmado pelo Presidente da Câmara Superior de Recursos Fiscais. Apresentadas contrarrazões pela Fazenda Nacional, vieram os autos conclusos. É o relatório. Voto Conselheiro Carlos Alberto Freitas Barreto Relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9202004.026, de 21/06/2016, proferido no julgamento do processo 10580.720254/200964, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o inteiro teor do voto vencedor proferido naquela decisão (Acórdão 9202004.026): Em primeiro lugar, não conheço da preliminar de nulidade do lançamento, por vício material, suscitada de ofício pela Sra. Conselheira relatora. Com efeito, esta matéria não tendo sido admitida em sede de recurso especial, não está em discussão e, portanto, dela não conheço. Além disso, apenas para fins de esclarecimento, registrese que não vejo qualquer nulidade no lançamento da forma que ele foi realizado. Com efeito, o lançamento foi realizado com base em dispositivo vigente, cuja interpretação não havia sido considerada à época inconstitucional. Portanto, não há que se falar em nulidade. Entrando, agora, no mérito propriamente dito, entendo que a verba recebida tem caráter remuneratório e, assim, deve ser tributada. Questão dessa natureza já foi trazida, em 03/03/2015, Fl. 270DF CARF MF Impresso em 26/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10580.726069/200983 Acórdão n.º 9202004.077 CSRFT2 Fl. 25 4 à 2ª Turma desta Câmara Superior, no acórdão 9202003.585. Naquela ocasião, acompanhei o voto do relator Alexandre Naoki Nishioka, entendendo tratarse de verba de natureza remuneratória, e por isso peço vênia para adotar aqui os mesmos argumentos como razão de decidir, assim transcrevendoos: (...) Conforme dispõe o art. 2º da referida Lei, tais valores são relativos a “diferenças de remuneração ocorridas quando da conversão de Cruzeiro Real para Unidade Real de Valor – URV”. Da leitura do artigo, denotase que o pagamento de tais valores deveuse à necessidade de manutenção do valor real do salário, de forma a corrigir erros anteriores no cálculo da conversão da moeda nacional. A lei estadual acima citada não buscou, por meio do pagamento das diferenças, a recomposição de um prejuízo, ou dano material, sofrido pelo contribuinte, mas a compensação em razão da ausência de oportuna correção no valor nominal do salário, verificada quando da alteração da moeda. Portanto, tais valores integram a remuneração percebida pelo contribuinte, constituindo parte integrante de seus vencimentos. Estáse diante, pois, de acréscimo patrimonial tributável pelo Imposto de Renda, nos termos do art. 43 do Código Tributário Nacional, entendimento que fora inclusive salientado pelo acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Salvador (BA). Buscando reforçar o argumento, requereu o contribuinte a aplicação da Resolução n.º 245 do STF, assim como de consulta administrativa realizada pela Presidente do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia, os quais disporiam acerca da remuneração dos magistrados. No entanto, mencionadas normas não se aplicam ao fim pretendido pelo contribuinte, ao contrário do que decidiu o acórdão recorrido. Inicialmente, cumpre salientar que a dita resolução dispôs acerca da forma de cálculo do abono salarial variável e provisório de que trata o art. 2º e parágrafos da Lei n.º10.474/2002, considerandoo como de natureza indenizatória. Neste sentido, o inciso I do art. 1º trouxe a forma de cálculo deste abono: “I apuração, mês a mês, de janeiro/98 a maio/2002, da diferença entre os vencimentos resultantes da Lei nº 10.474, de 2002 (Resolução STF nº 235, de 2002), acrescidos das vantagens pessoais, e a remuneração mensal efetivamente percebida pelo Magistrado, a qualquer título, o que inclui, exemplificativamente, as verbas referentes a diferenças de URV, PAE, 10,87% e recálculo da representação (194%)”. A própria redação da Resolução excluiu do valor integrante do abono as verbas referentes à diferença de URV, de onde Fl. 271DF CARF MF Impresso em 26/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10580.726069/200983 Acórdão n.º 9202004.077 CSRFT2 Fl. 26 5 se interpreta que esta não tem natureza indenizatória, mas de recomposição salarial. Tal tema inclusive já foi enfrentado pelo Egrégio Superior Tribunal de Justiça, tendo este reconhecido as diferenças entre o abono salarial tratado pela norma e a diferença da URV, conforme se verifica de voto da Ministra Eliana Calmon: “Na jurisprudência desta Casa, colho os seguintes precedentes, que sempre distinguiram as hipóteses de percepção das diferenças remuneratórias da URV do abono identificado na Resolução 245/STF: (...)” (STJ, Recurso Especial n.º 1.187.109/MA, Segunda Turma, Ministra Relatora Eliana Calmon, julgado em 17/08/2010) E tal também foi o entendimento do Ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal, em decisão monocrática proferida nos autos do Recurso Extraordinário n.º 471.115, do qual se colaciona o seguinte excerto: “Os valores assim recebidos pelo recorrido decorrem de compensação pela falta de oportuna correção no valor nominal do salário, quando da implantação da URV e, assim, constituem parte integrante de seus vencimentos. As parcelas representativas do montante que deixou de ser pago, no momento oportuno, são dotadas dessa mesma natureza jurídica e, assim, incide imposto de renda quando de seu recebimento. No que concerne à Resolução no. 245/02, deste Supremo Tribunal Federal, utilizada na fundamentação do acórdão recorrido, temse que suas normas a tanto não se aplicam, para o fim pretendido pelo recorrido (...)” (STF, Recurso Extraordinário n.º 471.115, Ministro Relator Dias Toffoli, julgado em 03/02/2010) Concluise, portanto, pelo caráter salarial dos valores recebidos acumuladamente pelo Recorrente, razão pela qual deverão compor a base de cálculo do Imposto sobre a Renda de Pessoa Física, nos termos do art. 43 do Código Tributário Nacional. Assim, com base na argumentação exposta, sendo verbas remuneratórias as diferenças de URV recebidas, sobre elas incide imposto de renda da pessoa física. Todavia, cumpre verificar o quantum devido. Entendo que o tributo devido deva ser calculado de acordo com as tabelas vigentes à época em que seriam devidas as diferenças recebidas. Sobre o tema, cabe referir a discussão travada no processo 11040.001165/200591, com voto vencedor da lavra do conselheiro Heitor de Souza Lima Junior, cujos fundamentos, abaixo reproduzidos, acompanho. Fl. 272DF CARF MF Impresso em 26/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10580.726069/200983 Acórdão n.º 9202004.077 CSRFT2 Fl. 27 6 Verifico, a propósito, que a matéria em questão foi tratada recentemente pelo STF, no âmbito do RE 614.406/RS, objeto de trânsito em julgado em 11/12/2014, feito que teve sua repercussão geral previamente reconhecida (em 20 de outubro de 2010), obedecida assim a sistemática prevista no art. 543B do Código de Processo Civil vigente. Obrigatória, assim, a observância, por parte dos Conselheiros deste CARF dos ditames do Acórdão prolatado por aquela Suprema Corte em 23/10/2014, a partir de previsão regimental contida no art. 62, §2º do Anexo II do Regimento Interno deste Conselho, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015. Reportandome ao julgado vinculante, noto que, ali, se acordou, por maioria de votos, em manter a decisão de piso do STJ acerca da inconstitucionalidade do art. 12 da Lei no. 7.713, de 1988, devendo ocorrer a "incidência mensal para o cálculo do imposto de renda correspondente à tabela progressiva vigente no período mensal em que apurado o rendimento percebido a menor regime de competência (...)", afastandose assim o regime de caixa. Todavia, inicialmente, de se ressaltar que em nenhum momento se cogita, no Acórdão, de eventual cancelamento integral de lançamentos cuja apuração do imposto devido tenha sido feita obedecendo o art. 12 da referida Lei nº 7.713, de 1988, notese, diploma plenamente vigente na época em que efetuado o lançamento sob análise, o qual, ainda, em meu entendimento, guarda, assim, plena observância ao disposto no art. 142 do Código Tributário Nacional. A propósito, de se notar que os dispositivos legais que embasaram o lançamento constantes de efl. 12, em nenhum momento foram objeto de declaração de inconstitucionalidade ou de decisão em sede de recurso repetitivo de caráter definitivo que pudesse lhes afastar a aplicação ao caso in concretu. Deflui daquela decisão da Suprema Corte, em meu entendimento, inclusive, o pleno reconhecimento do surgimento da obrigação tributária que aqui se discute, ainda que em montante diverso daquele apurado quando do lançamento, o qual, repitase, obedeceu os estritos ditames da legalidade à época da ação fiscal realizada. Da leitura do inteiro teor do decisum do STF, é notório que, ainda que se tenha rejeitado o surgimento da obrigação tributária somente no momento do recebimento financeiro pela pessoa física, o que a faria mais gravosa, entendese, ali, inequivocamente, que se mantém incólume a obrigação tributária oriunda do recebimento dos valores acumulados pelo contribuinte pessoa física, mas agora a ser calculada em momento pretérito, quando o contribuinte fez jus à percepção dos rendimentos, de forma, assim, a restarem respeitados os princípios da capacidade contributiva e isonomia. Fl. 273DF CARF MF Impresso em 26/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10580.726069/200983 Acórdão n.º 9202004.077 CSRFT2 Fl. 28 7 Assim, com a devida vênia ao posicionamento do relator, entendo que, a esta altura, ao se esposar o posicionamento de exoneração integral do lançamento, se estaria, inclusive, a contrariar as razões de decidir que embasam o decisum vinculante, no qual, reitero, em nenhum momento, notese, se cogita da inexistência da obrigação tributária/incidência do Imposto sobre a Renda decorrente da percepção de rendimentos tributáveis de forma acumulada. Se, por um lado, manterse a tributação na forma do referido art. 12 da Lei nº 7.713, de 1988, conforme decidido de forma definitiva pelo STF, violaria a isonomia no que tange aos que receberam as verbas devidas "em dia" e ali recolheram os tributos devidos, exonerar o lançamento por completo a esta altura significaria estabelecer tratamento antiisonômico (também em relação aos que também receberam em dia e recolheram devidamente seus impostos), mas em favor daqueles que foram autuados e nada recolheram ou recolheram valores muito inferiores aos devidos, ao serem agora consideradas as tabelas/alíquotas vigentes à época, o que deve, em meu entendimento, também se rechaçar. Pelo exposto, voto no sentido de conhecer do RE do contribuinte na matéria admitida, por darlhe provimento em parte, para determinar o cálculo do crédito tributário devido, considerando o regime de competência. Em face do acima exposto, voto no sentido de não conhecer da preliminar de nulidade por vício material suscitada, conheço do Recurso Especial do Contribuinte para, no mérito, darlhe provimento parcial, para determinar o cálculo do tributo de acordo com o regime de competência. (Assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Fl. 274DF CARF MF Impresso em 26/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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