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Numero do processo: 14485.000537/2007-63
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 16 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/1997 a 28/02/2006
DECADÊNCIA PARCIAL
De acordo com a Súmula Vinculante nº 08 do Supremo Tribunal Federal, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer as disposições da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional, no que diz respeito a prescrição e decadência.
Não havendo pagamento antecipado do tributo exigido no lançamento, aplica-se o prazo qüinqüenal previsto no artigo 173, inciso I, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional.
ISENÇÃO
Apurou-se durante a fiscalização que no período da ocorrência dos fatos geradores não foi concedida a isenção pleiteada pela recorrente, uma vez que não foram atendidos os requisitos da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991.
Ademais, verificou-se que a recorrente não possui o Certificado de Entidade de Assistência Social desde 1999 e pelo histórico levantado pelo fiscal autuante observou-se que a entidade teve indeferida a renovação do CEAS, por meio da Resolução nº 055/99 de 05 de março de 1999, publicada em 08 de março de 1999, e o indeferimento em grau de reconsideração foi definido
pela Resolução nº 100/99 de 26 de abril de 1999, publicado em 27 de abril de 1999.
VALE TRANSPORTE PAGO EM DINHEIRO
Para a Suprema Corte, o pagamento desse benefício em forma de vale ou dinheiro não lhe altera a natureza jurídica que é de indenização e, portanto, não sujeito à incidência da contribuição previdenciária.
INDENIZAÇÃO POR TEMPO DE SERVIÇO A indenização por tempo de serviço, tal como prevê as Convenções Coletivas anexadas aos autos, é devida aos professores ou auxiliares da administração
escolar que são demitidos sem justa causa, correspondente a três dias para cada ano letivo trabalhado.
Não estão presentes os critérios da habitualidade e da retributividade nesses
pagamentos, cuidandose
de valores os quais possuem nítida natureza
indenizatória, pois têm por objetivo reparar o trabalhador em situação de
rompimento do vínculo empregatício por vontade do empregador.
ABONO ESPECIAL
Abono anual linear para todos os professores e calculado sobre o respectivo
salário, conforme previsão das respectivas Convenções Coletivas.
São valores pagos anualmente e com habitualidade, em decorrência da
natureza da atividade exercida pelo empregado, previamente ajustada nas
Convenções Coletivas, revelando color salarial e, portanto, sujeitos à
incidência da contribuição previdenciária.
Numero da decisão: 2301-001.914
Decisão: Acordam os membros do colegiado, I) Por voto de qualidade: a) em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do Redator Designado. Vencidos os Conselheiros Leôncio Nobre de Medeiros, Mauro José Silva e Adriano Gonzáles Silvério; II) Por maioria de
votos: a) em conhecer das razões do recurso, nos termos do voto do Relator. Vencido o Conselheiro Mauro José Silva, que votou em não conhecer do recurso no que tange às alegações sobre isenção. Redator designado: Marcelo Oliveira. Declaração de voto: Mauro
José Silva e Damião Cordeiro de Moraes. Sustentação oral: Kildare Meira OAB: 15889 / DF.
Nome do relator: ADRIANO GONZALES SILVERIO
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ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1997 a 28/02/2006 DECADÊNCIA PARCIAL De acordo com a Súmula Vinculante nº 08 do Supremo Tribunal Federal, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer as disposições da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional, no que diz respeito a prescrição e decadência. Não havendo pagamento antecipado do tributo exigido no lançamento, aplica-se o prazo qüinqüenal previsto no artigo 173, inciso I, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional. ISENÇÃO Apurou-se durante a fiscalização que no período da ocorrência dos fatos geradores não foi concedida a isenção pleiteada pela recorrente, uma vez que não foram atendidos os requisitos da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991. Ademais, verificou-se que a recorrente não possui o Certificado de Entidade de Assistência Social desde 1999 e pelo histórico levantado pelo fiscal autuante observou-se que a entidade teve indeferida a renovação do CEAS, por meio da Resolução nº 055/99 de 05 de março de 1999, publicada em 08 de março de 1999, e o indeferimento em grau de reconsideração foi definido pela Resolução nº 100/99 de 26 de abril de 1999, publicado em 27 de abril de 1999. VALE TRANSPORTE PAGO EM DINHEIRO Para a Suprema Corte, o pagamento desse benefício em forma de vale ou dinheiro não lhe altera a natureza jurídica que é de indenização e, portanto, não sujeito à incidência da contribuição previdenciária. INDENIZAÇÃO POR TEMPO DE SERVIÇO A indenização por tempo de serviço, tal como prevê as Convenções Coletivas anexadas aos autos, é devida aos professores ou auxiliares da administração escolar que são demitidos sem justa causa, correspondente a três dias para cada ano letivo trabalhado. Não estão presentes os critérios da habitualidade e da retributividade nesses pagamentos, cuidandose de valores os quais possuem nítida natureza indenizatória, pois têm por objetivo reparar o trabalhador em situação de rompimento do vínculo empregatício por vontade do empregador. ABONO ESPECIAL Abono anual linear para todos os professores e calculado sobre o respectivo salário, conforme previsão das respectivas Convenções Coletivas. São valores pagos anualmente e com habitualidade, em decorrência da natureza da atividade exercida pelo empregado, previamente ajustada nas Convenções Coletivas, revelando color salarial e, portanto, sujeitos à incidência da contribuição previdenciária.
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Não havendo pagamento antecipado do tributo exigido no lançamento, aplicase o prazo qüinqüenal previsto no artigo 173, inciso I, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional. ISENÇÃO Apurouse durante a fiscalização que no período da ocorrência dos fatos geradores não foi concedida a isenção pleiteada pela recorrente, uma vez que não foram atendidos os requisitos da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991. Ademais, verificouse que a recorrente não possui o Certificado de Entidade de Assistência Social desde 1999 e pelo histórico levantado pelo fiscal autuante observouse que a entidade teve indeferida a renovação do CEAS, por meio da Resolução nº 055/99 de 05 de março de 1999, publicada em 08 de março de 1999, e o indeferimento em grau de reconsideração foi definido pela Resolução nº 100/99 de 26 de abril de 1999, publicado em 27 de abril de 1999. VALE TRANSPORTE PAGO EM DINHEIRO Para a Suprema Corte, o pagamento desse benefício em forma de vale ou dinheiro não lhe altera a natureza jurídica que é de indenização e, portanto, não sujeito à incidência da contribuição previdenciária. INDENIZAÇÃO POR TEMPO DE SERVIÇO Fl. 1DF CARF MF Impresso em 10/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/09/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 30/11 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/09/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assin ado digitalmente em 19/09/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 14/09/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 2 A indenização por tempo de serviço, tal como prevê as Convenções Coletivas anexadas aos autos, é devida aos professores ou auxiliares da administração escolar que são demitidos sem justa causa, correspondente a três dias para cada ano letivo trabalhado. Não estão presentes os critérios da habitualidade e da retributividade nesses pagamentos, cuidandose de valores os quais possuem nítida natureza indenizatória, pois têm por objetivo reparar o trabalhador em situação de rompimento do vínculo empregatício por vontade do empregador. ABONO ESPECIAL Abono anual linear para todos os professores e calculado sobre o respectivo salário, conforme previsão das respectivas Convenções Coletivas. São valores pagos anualmente e com habitualidade, em decorrência da natureza da atividade exercida pelo empregado, previamente ajustada nas Convenções Coletivas, revelando color salarial e, portanto, sujeitos à incidência da contribuição previdenciária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por voto de qualidade: a) em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do Redator Designado. Vencidos os Conselheiros Leôncio Nobre de Medeiros, Mauro José Silva e Adriano Gonzáles Silvério; II) Por maioria de votos: a) em conhecer das razões do recurso, nos termos do voto do Relator. Vencido o Conselheiro Mauro José Silva, que votou em não conhecer do recurso no que tange às alegações sobre isenção. Redator designado: Marcelo Oliveira. Declaração de voto: Mauro José Silva e Damião Cordeiro de Moraes. Sustentação oral: Kildare Meira OAB: 15889 / DF. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Presidente.e Redator designado (assinado digitalmente) Adriano Gonzales Silvério Relator. (assinado digitalmente) Mauro José Silva – Declaração de voto (assinado digitalmente) Damião Cordeiro de Moraes – Declaração de voto Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (presidente da turma), Damião Cordeiro de Moraes (vicepresidente), Leôncio Nobre de Medeiros, Leonardo Henrique Pires Lopes, Mauro José Silva e Adriano Gonzales Silvério. Fl. 2DF CARF MF Impresso em 10/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/09/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 30/11 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/09/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assin ado digitalmente em 19/09/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 14/09/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 14485.000537/200763 Acórdão n.º 2301001.914 S2C3T1 Fl. 625 3 Relatório Tratase de Notificação Fiscal de Lançamento de Débito nº 37.111.7003, a qual exige contribuições previdenciárias, parte da empresa, sobre pagamentos efetuados a título de abono, vale transporte em dinheiro e indenização por tempo de serviço. Narra, ainda, que a recorrente apesar de se declarar no código FPAS 639, destinado às entidades filantrópicas no gozo da isenção das quotas patronais, não está em gozo da isenção, pois seu primeiro pedido nesse sentido data de 05 de julho de 1978 e restou indeferido, naquele ano, pela Chefia do Serviço de Arrecadação. Sustenta que a despeito do contribuinte alegar que desde 1974 era entidade reconhecida como de utilidade pública federal, e que, na sua visão, faria jus à isenção conforme o DecretoLei nº 1.572, de 1º de setembro de 1977, somente obteve essa condição por meio de Decreto de 25 de maio de 1992, sem efeitos retroativos. O sujeito passivo apresentou sua impugnação alegando decadência de parte do débito, bem como ser entidade que goza de imunidade das contribuições previdenciárias, além de sustentar que o vale transporte não pode ser considerado como elemento de composição do salário de contribuição. A instância a quo manteve a autuação na sua integralidade, sendo que contra essa decisão a autuada interpôs recurso voluntário que, além de repisar a impugnação, alegou que os abonos não têm natureza remuneratória. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Adriano Gonzales Silvério O recurso reúne as condições de admissibilidade e dele conheço. Preliminarmente alega a decadência do direito do Fisco utilizar o prazo decenal, previsto no artigo 45 da Lei 8.212, de 24 de julho de 1991, cabendo, no caso, ser aplicado o prazo previsto no artigo 150 parágrafo quarto da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional. De acordo com a Súmula Vinculante nº 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional. Fl. 3DF CARF MF Impresso em 10/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/09/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 30/11 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/09/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assin ado digitalmente em 19/09/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 14/09/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 4 Nos termos do art. 103A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal. Verificase que a fiscalização lavrou a NFLD discutida com amparo na Lei 8.212, de 24 de julho de 1991 que, em seu art. 45, dispõe que o direito da Seguridade Social apurar e constituir seus créditos extinguese após 10 (dez) anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o crédito poderia ter sido constituído. No entanto, o Supremo Tribunal Federal, entendendo que apenas lei complementar pode dispor sobre prescrição e decadência em matéria tributária, nos termos do artigo 146, III, ‘b’ da Constituição Federal, negou provimento por unanimidade aos Recursos Extraordinários nº 5596664, 559882, 559943 e 560626, em decisão plenária que declarou a inconstitucionalidade dos artigos 45 e 46, da Lei nº 8212/91. Na oportunidade, foi editada a Súmula Vinculante nº 08 na respeito do tema, publicada em 20/06/2008, transcrita abaixo: Súmula vinculante 8 “São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário” Cumpre ressaltar que o art. 62, da Portaria 256/2009, que aprovou o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, veda o afastamento de aplicação ou inobservância de legislação sob fundamento de inconstitucionalidade. Porém, determina, no inciso I do § único, que o disposto no caput não se aplica a dispositivo que tenha sido declarado inconst6itucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal: “Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I – que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou” Portanto, em razão da declaração de inconstitucionalidade dos art. 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 pelo STF, restaram extintos os créditos cujo lançamento tenha ocorrido após o prazo decadencial e prescricional previsto nos artigos 173 e 150 do Código Tributário Nacional. É necessário observar ainda que as súmulas aprovadas pelo STF possuem efeitos vinculantes, conforme se depreende do art. 103A e parágrafo da Constituição Federal, que foram inseridos pela Emenda Constitucional nº 45/2004, in verbis: “Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de oficio ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, Fl. 4DF CARF MF Impresso em 10/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/09/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 30/11 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/09/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assin ado digitalmente em 19/09/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 14/09/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 14485.000537/200763 Acórdão n.º 2301001.914 S2C3T1 Fl. 626 5 nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. §1º A Súmula terá por objetivo a validade, a interpretação e a eficácia de normas determinadas, acerca das quais haja controvérsia atual entre órgãos judiciários ou entre esses e a administração pública que acarrete grave insegurança jurídica e relevante multiplicação de processos sobre questão idêntica. § 2º Sem prejuízo do que vier a ser estabelecido em lei, a aprovação, revisão ou cancelamento de súmula poderá ser provocada por aqueles que podem propor a ação direta de inconstitucionalidade. § 3º Do ato administrativo ou decisão judicial que contrariar a súmula aplicável ou que indevidamente a aplicar, caberá reclamação ao Supremo Tribunal Federal que, julgandoa procedente, anulará o ato administrativo ou cassará a decisão judicial reclamada, e determinará que outra proferida com ou sem a aplicação da súmula, conforme o caso (g.n.).” Da leitura do dispositivo constitucional acima, concluise que a vinculação à súmula alcança a administração pública e, por conseqüência, os julgadores no âmbito do contencioso administrativo fiscal. Ademais, nos termos do artigo 64B da Lei 9.784/99, com a redação dada pela Lei 11.417/06, as autoridades administrativas devem se adequar ao entendimento do STF, sob pena de responsabilidade pessoal nas esferas cível, administrativa e penal. “Art. 64B. Acolhida pelo Supremo Tribunal Federal a reclamação fundada em violação de enunciado da súmula vinculante, darseá ciência à autoridade prolatora e ao órgão competente para o julgamento do recurso, que deverão adequar as futuras decisões administrativas em casos semelhantes, sob pena de responsabilização pessoal nas esferas cível, administrativa e penal” Afastado, pois, o prazo previsto originalmente no citado artigo 45, cabe agora verificar o prazo aplicável, se aquele do 150, § 4º ou 173, inciso I, ambos da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional. Temos adotado a posição doutrinária e jurisprudencial no sentido de que havendo pagamento antecipado por parte do contribuinte, em relação ao fato gerador posto em discussão, deve incidir o prazo decadencial qüinqüenal previsto no mencionado artigo 150, § 4º. Nesse sentido a decisão proferida pelo Egrégio Superior Tribunal de Justiça nos autos do Recurso Especial 989.421/RS, publicado no Diário da Justiça de 10 de dezembro de 2008: “PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. ICMS. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. OCORRÊNCIA. ARTIGO 150, § 4º, DO CTN. (...) 5. A decadência do direito de lançar do Fisco, em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, quando ocorre Fl. 5DF CARF MF Impresso em 10/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/09/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 30/11 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/09/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assin ado digitalmente em 19/09/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 14/09/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 6 pagamento antecipado inferior ao efetivamente devido, sem que o contribuinte tenha incorrido em fraude, dolo ou simulação, nem sido notificado pelo Fisco de quaisquer medidas preparatórias, obedece a regra prevista na primeira parte do § 4º, do artigo 150, do Codex Tributário, segundo o qual, se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador: "Neste caso, concorre a contagem do prazo para o Fisco homologar expressamente o pagamento antecipado, concomitantemente, com o prazo para o Fisco, no caso de não homologação, empreender o correspondente lançamento tributário. Sendo assim, no termo final desse período, consolidamse simultaneamente a homologação tácita, a perda do direito de homologar expressamente e, conseqüentemente, a impossibilidade jurídica de lançar de ofício" (In Decadência e Prescrição no Direito Tributário, Eurico Marcos Diniz de Santi, 3ª Ed., Max Limonad pág. 170).” No caso dos autos a recorrente declaravase como entidade isenta das contribuições previdenciárias e, portanto, não efetuava qualquer recolhimento nesse sentido. Nessa situação, não há que se cogitar em lançamento por homologação, pois não havia o que o Fisco homologar, já que o sujeito passivo se auto enquadrava como isento das contribuições. Assim, o prazo decadencial a ser aplicado à espécie é aquele previsto no artigo 173, inciso I, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional, segundo o qual o prazo qüinqüenal tem como dies a quo o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido levado a efeito. Sabendose que no caso o período verificado está compreendido entre janeiro de 1997 a fevereiro de 2006 e que o sujeito passivo foi cientificado da autuação em 31 de julho de 2007, subsumindose o fato ao dispositivo legal acima apontado, verificase que está decaído o período compreendido entre janeiro de 1997 a dezembro de 2001. Ultrapassada essa preliminar cabe averiguarmos se a recorrente estava ou não albergada pela isenção, para somente então adentrar na análise das rubricas autuadas. A questão relativa à isenção da recorrente Conforme se depura dos autos do processo administrativo a recorrente, em 05 de julho de 1978, solicitou pela primeira vez o pedido de reconhecimento de isenção junto ao antigo IAPAS. Pedido esse que fora negado pela Chefia do Serviço de Arrecadação, por meio de despacho proferido em 12 de julho daquele ano, com base nos seguintes argumentos: i) o sujeito passivo não tinha sido reconhecido como de utilidade pública pelo governo federal até 01.09.77 e até aquela data, portanto, não era portadora de certificado de entidade de fins filantrópicos, com validade por prazo indeterminado, fornecido pelo Conselho Nacional de Serviço Social do Ministério da Educação e Cultura e, assim, isento das contribuições; e ii) não constava no IAPAS pedido anterior de reconhecimento de isenção. Fl. 6DF CARF MF Impresso em 10/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/09/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 30/11 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/09/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assin ado digitalmente em 19/09/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 14/09/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 14485.000537/200763 Acórdão n.º 2301001.914 S2C3T1 Fl. 627 7 Essa decisão proferida à época era fruto da interpretação do DecretoLei nº 1.572, de 1º de setembro de 1977, a qual, ao revogar a Lei nº 3.577, de 4 de julho de 1959, assim dispôs: “Art. 1º Fica revogada a Lei nº 3.577, de 4 de julho de 1959, que isenta da contribuição de previdência devida aos Institutos e Caixas de Aposentadoria e Pensões unificados no Instituto Nacional de Previdência Social INPS, as entidades de fins filantrópicos reconhecidas de utilidade pública, cujos diretores não percebam remuneração. § 1º A revogação a que se refere este artigo não prejudicará a instituição que tenha sido reconhecida como de utilidade pública pelo Governo Federal até à data da publicação deste Decreto lei, seja portadora de certificado de entidade de fins filantrópicos com validade por prazo indeterminado e esteja isenta daquela contribuição. § 2º A instituição portadora de certificado provisório de entidade de fins filantrópicos que esteja no gozo da isenção referida no caput deste artigo e tenha requerido ou venha a requerer, dentro de 90 (noventa) dias a contar do início da vigência deste decretolei, o seu reconhecimento como de utilidade pública federal continuará gozando da aludida isenção até que o Poder Executivo delibere sobre aquele requerimento. § 3º O disposto no parágrafo anterior aplicase às instituições cujo certificado provisório de entidade de fins filantrópicos esteja expirado, desde que tenham requerido ou venham a requerer, no mesmo prazo, o seu reconhecimento como de utilidade pública federal e a renovação daquele certificado. § 4º A instituição que tiver o seu reconhecimento como de utilidade pública federal indeferido, ou que não o tenha requerido no prazo previsto no parágrafo anterior deverá proceder ao recolhimento das contribuições previdenciárias a partir do mês seguinte ao do término desse prazo ou ao da publicação do ato que indeferir aquele reconhecimento.” Segundo a decisão que indeferiu o pedido de reconhecimento da isenção, portanto, a recorrente deveria possuir o reconhecimento como sendo de utilidade pública antes da alteração legislativa provocada pelo DecretoLei acima transcrito, uma vez que o seu § 1º assim exigia. Ressalto que sobre esses fatos não há controvérsia nos autos, isto é, a recorrente em momento algum contestou essas informações apuradas pela fiscalização. A divergência de posicionamento surge quando a recorrente alega que o Decreto de 25 de maio de 1992, o qual a reconheceu como entidade de Utilidade Pública Federal, teria efeitos retroativos a 10 de novembro de 1974, data do protocolo desse pedido. Contudo, a fiscalização apurou que: “20.A OSEC só obteve sua Titularidade Pública Federal em 25 de maio de 1992 mas insiste na alegação de que a utilidade Fl. 7DF CARF MF Impresso em 10/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/09/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 30/11 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/09/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assin ado digitalmente em 19/09/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 14/09/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 8 pública federal retroage à data de seu pedido em 10 de novembro de 1974. 21.Este ponto já foi amplamente esclarecido através da manifestação do próprio órgão responsável pela Titularidade Pública Federal, o Ministério da Justiça. 22. Certidão de Inteiro Teor (requisitada através do Ofício INSS/GEX SP SUL no 290/2003 de 15 dezembro de 2003) fls 83 a 85 esclareceu sobre os processos de solicitação de reconhecimento de Utilidade Pública Federal da OSEC. 23.A Secretaria Nacional de Justiça por intermédio do Departamento de Justiça, Classificação, Títulos e Qualificação emitiu a Certidão de Inteiro Teor Ofício no 007/2004 DIVOT/CJTQ/D3CTQ/SNJ/MJ de .6 de janeiro de 2004 que trouxe o seguinte relato: "o trâmite do processo ocorreu normalmente, inclusive com algumas diligências, inclusive cumpridas pela entidade, mas em março de 1980 ocorreu o arquivamento do processo conforme parecer". 24.0 Aviso no 188/80 de 27 de março de 1980 solicita ao Ministro da Justiça que seja determinado o arquivamento definitivo dos pedidos de declaração de Utilidade Pública Federal pendentes de decisão no Ministério. 25.A OSEC, em 30 de janeiro de 1985, protocolizou petição solicitando o desarquivamento do Processo MJ n o 010.813/74, apresentou novas peças aos autos, dando origem ao processo MJn o 001.597/85, que foi anexado ao principal. Após ser analisado, em Decreto de 25 de maio de 1992 é declarada de Utilidade Pública Federal. 26.A referida Certidão de Inteiro Teor ressalta ainda que o lapso temporal entre o exame do pedido e a data de publicação do deferimento não possui efeito suspensivo, ou seja, no período em que o processo era estudado na Divisão de Outorgas, Títulos e Qualificação a OSEC não detinha o título. Portanto não há o que se falar em retroatividade à data do Pedido. 27.0 setor próprio do Ministério da Justiça responsável pelo estudo e deferimento dos pedidos de Utilidade Pública Federal já se manifestou conclusivamente pela não retroação da data do deferimento da Titularidade Pública Federal à data do pedido.” A recorrente, por sua vez, não traz elementos que venham a infirmar essa análise, resumindose a afirmar que a decisão que lhe concedeu o reconhecimento de utilidade pública federal teria efeitos retroativos. Além disso, apurouse durante a fiscalização que no período da ocorrência dos fatos geradores não foi concedida a isenção pleiteada pela recorrente, uma vez que não foram atendidos os requisitos da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991. Ademais, verificouse que a recorrente não possui o Certificado de Entidade de Assistência Social desde 1999 e pelo histórico levantado pelo fiscal autuante observouse que a entidade teve indeferida a renovação do CEAS, por meio da Resolução nº 055/99 de 05 de março de 1999, publicada em 08 de março de 1999, e o indeferimento em grau de reconsideração foi definido pela Resolução nº 100/99 de 26 de abril de 1999, publicado em 27 de abril de 1999. Fl. 8DF CARF MF Impresso em 10/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/09/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 30/11 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/09/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assin ado digitalmente em 19/09/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 14/09/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 14485.000537/200763 Acórdão n.º 2301001.914 S2C3T1 Fl. 628 9 Impende ainda registrar, ao contrário do que defendido no recurso em análise, que o caso não se trata de imunidade conferida constitucionalmente, mas de isenção que depende, para ser concedida, do preenchimento dos requisitos legais, conforme aponta o § 7º do artigo 195 da Carta Magna. Por essas razões não procede, a meu ver, o argumento levantado pela recorrente no sentido de que a autuação padeceria de nulidade, eis que não houve ato cancelatório de isenção anterior à lavratura da NFLD. Isto porque se à recorrente, no período ora analisado, não havia sido concedida a isenção, não há que se falar em procedimento prévio para cancelar um ato que sequer existia. Por fim, não cabe falar na imunidade prevista no artigo 150, inciso VI, alínea “c”, da Constituição Federal, eis que essa encontrase adstrita aos impostos, não atingindo, portanto, as contribuições previdenciárias. Vale transporte pago em dinheiro A questão relativa ao pagamento do vale transporte em espécie já foi decidida pelo Plenário do Supremo Tribunal Federal nos autos do Recurso Extraordinário n. 478.410, cuja ementa reproduzimos: “EMENTA: RECURSO EXTRAORDINÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INCIDÊNCIA. VALETRANSPORTE. MOEDA. CURSO LEGAL E CURSO FORÇADO. CARÁTER NÃO SALARIAL DO BENEFÍCIO. ARTIGO 150, I, DA CONSTITUIÇÃO DO BRASIL. CONSTITUIÇÃO COMO TOTALIDADE NORMATIVA. 1. Pago o benefício de que se cuida neste recurso extraordinário em valetransporte ou em moeda, isso não afeta o caráter não salarial do benefício. 2. A admitirmos não possa esse benefício ser pago em dinheiro sem que seu caráter seja afetado, estaríamos a relativizar o curso legal da moeda nacional. 3. A funcionalidade do conceito de moeda revelase em sua utilização no plano das relações jurídicas. O instrumento monetário válido é padrão de valor, enquanto instrumento de pagamento sendo dotado de poder liberatório: sua entrega ao credor libera o devedor. Poder liberatório é qualidade, da moeda enquanto instrumento de pagamento, que se manifesta exclusivamente no plano jurídico: somente ela permite essa liberação indiscriminada, a todo sujeito de direito, no que tange a débitos de caráter patrimonial. 4. A aptidão da moeda para o cumprimento dessas funções decorre da circunstância de ser ela tocada pelos atributos do curso legal e do curso forçado. 5. A exclusividade de circulação da moeda está relacionada ao curso legal, que respeita ao instrumento monetário enquanto em circulação; não decorre do curso forçado, dado que este atinge o instrumento monetário enquanto valor e a sua instituição [do curso forçado] importa apenas em que não possa ser exigida do poder emissor sua conversão em outro valor. 6. A cobrança de contribuição previdenciária sobre o valor pago, em dinheiro, a título de vales transporte, pelo recorrente aos seus empregados afronta a Fl. 9DF CARF MF Impresso em 10/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/09/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 30/11 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/09/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assin ado digitalmente em 19/09/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 14/09/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 10 Constituição, sim, em sua totalidade normativa. Recurso Extraordinário a que se dá provimento.”(RE 478410, Relator(a): Min. EROS GRAU, Tribunal Pleno, julgado em 10/03/2010, DJe 086 DIVULG 13052010 PUBLIC 14052010 EMENT VOL 0240104 PP00822 RDECTRAB v. 17, n. 192, 2010, p. 145166) Para a Suprema Corte, o pagamento desse benefício em forma de vale ou dinheiro não lhe altera a natureza jurídica que é de indenização e, portanto, não sujeito à incidência da contribuição previdenciária. É importante ressaltar que a Portaria nº 256, de 22 de junho de 2009, a qual instituiu o Regimento Interno desse Egrégio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, foi alterado pela Portaria nº 586, de 21 de dezembro de 2010, a qual incluiu o artigo 62A, segundo o qual devem ser observados nos julgamentos desse Conselho as decisões definitivas de mérito do Pretório Excelso, proferidas na sistemática da repercussão geral, bem como as do C. Superior Tribunal de Justiça, na forma de recurso repetitivo. O que se extrai dessas alterações é que esse Conselho valhase, em suas decisões, daquelas já tomadas pelo Poder Judiciário e que consolidaram seu entendimento final sobre a matéria, pois no sistema jurídico brasileiro esse é o único órgão competente para “dizer o direito” com foros de definitividade. É certo que, até o presente momento, a Suprema Corte não julgou a questão ora posta em julgamento na forma de repercussão geral. Não obstante esse posicionamento está consolidado no Pretório Excelso que o julgou pelo seu Plenário. Indenização por tempo de serviço A indenização por tempo de serviço, tal como prevê as Convenções Coletivas anexadas aos autos, é devida aos professores ou auxiliares da administração escolar que são demitidos sem justa causa, correspondente a três dias para cada ano letivo trabalhado. A Constituição Federal, em seu artigo 195, inciso I, alínea “a” estabeleceu a competência do legislador ordinário de instituir contribuição destinada ao financiamento da seguridade social incidente sobre a “folha de salários” e “demais rendimentos do trabalho”. A Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, instituiu o plano de custeio da seguridade social, sendo que o seu artigo 22, inciso I, com a redação dada pela Lei nº 9.876, de 26 de novembro de 1999, determina a obrigação da empresa de recolher contribuição previdenciária nos seguintes moldes: “Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: I vinte por cento sobre o total das remunerações pagas, devidas ou creditadas a qualquer título, durante o mês, aos segurados empregados e trabalhadores avulsos que lhe prestem serviços, destinadas a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços, nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo Fl. 10DF CARF MF Impresso em 10/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/09/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 30/11 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/09/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assin ado digitalmente em 19/09/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 14/09/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 14485.000537/200763 Acórdão n.º 2301001.914 S2C3T1 Fl. 629 11 de trabalho ou sentença normativa. (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999).” Da redação acima citada podemos extrair que a legislação exige, para fins de incidência da contribuição previdenciária, em relação aos segurados empregados, como é o caso concreto, que as “remunerações pagas” sejam aquelas “destinadas a retribuir o trabalho” e com habitualidade. A habitualidade, além de ser exigência do dispositivo legal supra, é confirmada pelo artigo 28, § 9º, alínea “e”, item 7, da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, segundo o qual não se incluem no saláriodecontribuição, os ganhos eventuais e os abonos desvinculados do salário. Com efeito, a legislação mencionada utilizase de termo “remuneração” que ela própria não define e nem poderia por força do artigo 110 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional, o qual determina que à legislação tributária é vedada alterar o conteúdo, a definição e o alcance dos termos de direito privado. Dessa forma, surge a obrigação de recorrermos ao direito do trabalho para buscarmos o conceito de remuneração. Dispõe o artigo 457 do DecretoLei nº 5.452, de 1º de maio de 1943, na redação conferida pela Lei nº 1.999, de 1º de outubro de 1953: “Art. 457 Compreendemse na remuneração do empregado, para todos os efeitos legais, além do salário devido e pago diretamente pelo empregador, como contraprestação do serviço, as gorjetas que receber. (Redação dada pela Lei nº 1.999, de 1.10.1953) § 1º Integram o salário não só a importância fixa estipulada, como também as comissões, percentagens, gratificações ajustadas, diárias para viagens e abonos pagos pelo empregador. (Redação dada pela Lei nº 1.999, de 1.10.1953) § 2º Não se incluem nos salários as ajudas de custo, assim como as diárias para viagem que não excedam de 50% (cinqüenta por cento) do salário percebido pelo empregado. (Redação dada pela Lei nº 1.999, de 1.10.1953) § 3º Considerase gorjeta não só a importância espontaneamente dada pelo cliente ao empregado, como também aquela que fôr cobrada pela emprêsa ao cliente, como adicional nas contas, a qualquer título, e destinada a distribuição aos empregados.” Extraise do dispositivo supra transcrito que remuneração é a soma de salário (valor pago diretamente pelo empregador em decorrência da contraprestação do serviço, estipulada no contrato de trabalho) mais as gorjetas que o empregado receber. Importante aqui transcrever a nota dedicada a esse artigo por Eduardo Gabriel Saad na obra CLT Comentada, revista e atualizada por José Eduardo Duarte Saada e Ana Maria Saada C. Branco, Editora LTr, 42ª edição, 2009, pág. 563: “1) O caput do artigo acima transcrito faz distinção entre remuneração e salário. Este é contraprestação devida e paga Fl. 11DF CARF MF Impresso em 10/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/09/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 30/11 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/09/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assin ado digitalmente em 19/09/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 14/09/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 12 diretamente ao empregado; a remuneração compreende o salário e mais o que o empregado recebe de terceiros (gorjetas, por exemplo), em virtude do contrato de trabalho.” (grifamos) A remuneração, desse modo, resultado de salário mais gorjeta, é decorrente do contrato de trabalho firmado entre empregado e empregador. No caso das gorjetas, além do salário o empregado espera recebêlas, em decorrência da práxis da atividade exercida, sejam aquelas espontaneamente dadas pelo cliente, sejam aquelas cobradas pelo empregador nas contas e distribuídas aos empregados. Há nítida caracterização da habitualidade decorrente da própria atividade exercida pelo empregado, tornandose a gorjeta elemento seguro do seu orçamento. Além disso, não esquecendo do disposto no retro citado § 1º do artigo 457, integram o salário e, portanto, o conceito de remuneração, as comissões, percentagens e gratificações ajustadas. Aqui também podemos entender que se tratam de verbas pagas com habitualidade, em decorrência da natureza da atividade exercida pelo empregado, previamente ajustas no contrato de trabalho ou em acordos ou convenções coletivas. Nesse ponto transcrevemos a nota registrada por Eduardo Gabriel Saad na obra CLT Comentada, revista e atualizada por José Eduardo Duarte Saada e Ana Maria Saada C. Branco, Editora LTr, 42ª edição, 2009, pág. 564: “Ajustadas são aquelas exigíveis pelo empregado por constarem de seu contrato de trabalho, de cláusula de pacto coletivo ou de regulamento interno da empresa. Tais documentos exprimem um acordo de vontades ou revelam o compromisso do empregador de pagar a gratificação.” Portanto, identificamos que os critérios da habitualidade e da retributividade são da essência do conceito de remuneração e, assim, da própria incidência das contribuições previdenciárias. Ausente qualquer valor pago ao empregado sem que essas características estejam presentes, não haverá que se falar em remuneração (conceito jurídico) e, por conseguinte, em incidência de contribuições previdenciárias. No caso concreto, os valores previstos nas Convenções Coletivas têm por função proteger o empregado contra a dispensa arbitrária ou sem justa causa. Esses valores, nesse sentido, possuem nítida natureza indenizatória, pois têm por objetivo reparar o trabalhador que, em situação de rompimento do vínculo empregatício por vontade do empregador, seja surpreendido com uma diminuição abrupta do seu orçamento. Logo, também sobre a parcela paga a título de indenização por tempo de serviço, não deve incidir contribuição previdenciária. Abono Especial Como bem apontado no relatório fiscal, as Convenções Coletivas tratam de um pagamento anual a título de participação nos lucros ou abono especial. Verificando essas Convenções ficamos convencidos de que participação nos lucros não se trata, pois não reúne elementos mínimos exigidos pela Lei n. 10.101, de 19 de dezembro de 2000, como por Fl. 12DF CARF MF Impresso em 10/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/09/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 30/11 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/09/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assin ado digitalmente em 19/09/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 14/09/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 14485.000537/200763 Acórdão n.º 2301001.914 S2C3T1 Fl. 630 13 exemplo, a fixação de metas, ou mesmo de regras adjetivas ou substantivas em relação à apuração de desempenho e valores a serem percebidos. Tratase, em nosso sentir, de um abono anual, o qual é linear para todos os professores e calculado sobre o respectivo salário, conforme previsão das respectivas Convenções Coletivas. São valores pagos anualmente e com habitualidade, em decorrência da natureza da atividade exercida pelo empregado, previamente ajustada nas Convenções Coletivas, revelando color salarial e, portanto, sujeitos à incidência da contribuição previdenciária. Ante o exposto, VOTO no sentido de CONHECER o recurso voluntário e, no mérito, DARLHE PARCIAL PROVIMENTO para reconhecer a decadência do período compreendido entre janeiro de 1997 a dezembro de 2001, com base no artigo 173, inciso I, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional e, na parte restante, a não incidência das contribuições previdenciárias sobre o vale transporte pago em dinheiro e a indenização por tempo de serviço. Adriano Gonzales Silvério Relator Voto Vencedor Conselheiro Marcelo Oliveira, Redator Designado Com todo respeito ao nobre relator, discordo de suas conclusões unicamente quanto à matéria isenção. Antes, devemos tecer alguns comentários sobre a discussão da matéria. Conforme o Relatório Fiscal, a motivação para o lançamento foi de que a entidade não era isenta. Nos processos de entidades beneficentes de assistência social, consideradas, em tese, isentas, a prática nos leva a verificar se essa condição foi desconsiderada pelo Fisco, com o devido procedimento administrativo fiscal (ato cancelatório). Na verificação dos autos encontramos situação diversa, o Fisco fundamenta seu lançamento pelo fato da recorrente se considerar, mas não ser, em tese, isenta, devido ao cumprimento de regras anteriores a Lei 8.212/1991, possuindo o chamado direito adquirido. Art. 55. Fica isenta das contribuições de que tratam os arts. 22 e 23 desta Lei a entidade beneficente de assistência social que atenda aos seguintes requisitos cumulativamente: ... § 1º Ressalvados os direitos adquiridos, a isenção de que trata este artigo será requerida ao Instituto Nacional do Seguro SocialINSS, que terá o prazo de 30 (trinta) dias para despachar o pedido. Fl. 13DF CARF MF Impresso em 10/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/09/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 30/11 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/09/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assin ado digitalmente em 19/09/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 14/09/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 14 Esses “direitos adquiridos” referemse às entidades que, antes da publicação da Lei 8.212/1991, possuíam direito à isenção. Para essas entidades o direito já estava assegurado e o Fisco deveria verificar as condições e emitir o devido “Ato Cancelatório”, com a oportunidade ao direito de defesa e ao amplo contraditório. Art. 55. Fica isenta das contribuições de que tratam os arts. 22 e 23 desta Lei a entidade beneficente de assistência social que atenda aos seguintes requisitos cumulativamente: ... § 4o O Instituto Nacional do Seguro Social INSS cancelará a isenção se verificado o descumprimento do disposto neste artigo. Pois bem, por ser essa a razão do lançamento, por se tratar de matéria de ordem pública (Art. 267, CPC), por ser ela a razão da discussão e em respeito ao Princípios Constitucionais da Legalidade e da Eficiência, devemos analisar e decidir sobre a questão, conforme reconhece o nobre relator, em seu voto vencido. Art. 267. Extinguese o processo, sem resolução de mérito: ... IV quando se verificar a ausência de pressupostos de constituição e de desenvolvimento válido e regular do processo; V quando o juiz acolher a alegação de perempção, litispendência ou de coisa julgada; Vl quando não concorrer qualquer das condições da ação, como a possibilidade jurídica, a legitimidade das partes e o interesse processual; Portanto, conheço da matéria e passo a analisála. Como ressaltado por diversas vezes pelo Fisco no Relatório Fiscal (RF), devemos analisar a questão da isenção da cota patronal da entidade. Há divergências nas informações prestadas pelo Fisco e pela Recorrente. A primeira referese ao primeiro momento em que a recorrente foi considerada isenta da cota patronal previdenciária. Para o Fisco o primeiro pedido de isenção ocorreu em 05/07/1978, pedido que possuiu despacho da Chefia do Serviço de Arrecadação e Fiscalização contrário à concessão da isenção. Para a recorrente a sua conceituação como isenta data de 08/07/1974, data em que obteve o título de utilidade pública estadual (Lei Paulista 309/1974), destacando que obteve o Certificado de Fins Filantrópicos em 09/10/1974 e que possuiu desde 1974 o título de entidade pública federal (processo 08000.010813/7439), pois como a concessão do pedido possui como determinado por pareceres ministeriais, por decisões do STF e pela legislação – efeitos ex tunc, a decisão emanada em 1992 retroagiu a data de origem. Fl. 14DF CARF MF Impresso em 10/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/09/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 30/11 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/09/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assin ado digitalmente em 19/09/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 14/09/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 14485.000537/200763 Acórdão n.º 2301001.914 S2C3T1 Fl. 631 15 Para verificarmos qual das teses possui razão, devemos verificar a documentação e a legislação da época. Pelo período, a primeira legislação a tratar do assunto, como bem informado pelo Fisco e pela recorrente, foi a Lei 3.577, de 4 de julho de 1959. Lei 3.577/1959: Isenta da taxa de contribuição de previdência dos Institutos e Caixas de Aposentadoria e Pensões as entidades de fins filantrópicos reconhecidas de utilidade pública, cujos membros de suas diretorias não percebem remuneração. O Presidente da República: Faço saber que o Congresso Nacional manteve e eu promulgo nos têrmos do Art. 70, § 3º, da Constituição Federal, a seguinte Lei: Art. 1º Ficam isentas da taxa de contribuição de previdência aos Institutos e Caixas de Aposentadoria e Pensões as entidades de fins filantrópicos reconhecidas como de utilidade pública, cujos membros de suas diretorias não percebam remuneração. Art. 2º As entidades beneficiadas pela isenção instituída pela presente lei ficam obrigadas a recolher aos Institutos, apenas, a parte devida pelos seus empregados, sem prejuízo dos direitos aos mesmos conferidos pela legislação previdenciária. Art. 3º Esta lei entrará em vigor na data de sus publicação, revogadas as disposições em contrário. Rio de Janeiro, 4 de julho de 1959; 138º da Independência e 71º da República. Juscelino Kubitschek Como se nota, havia exigências para o reconhecimento como isenta: 1. Que a entidade fosse considerada de fins filantrópicos; e 2. Que possuísse a devida declaração de utilidade pública. Quanto ao reconhecimento como entidade de fins filantrópicos, verificamos em pesquisa no sítio da internet do Sistema de Informações do Conselho Nacional de Assistência Social (CNAS) (http://aplicacoes.mds.gov.br/sicnas/carregarApoioCadastro.action?codigoEntidade=94540&co digoTipo=20028) que a recorrente possui seu primeiro certificado em 04/10/1974 (processo 00000.239978/197400), renovado pelo processo 00000.256799/197700, com vigência do certificado até 31/12/1994. Portanto, sob a égide da Lei 3.577/1959 a recorrente possuía o certificado de fins filantrópicos. Fl. 15DF CARF MF Impresso em 10/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/09/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 30/11 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/09/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assin ado digitalmente em 19/09/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 14/09/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 16 Quanto à questão se a recorrente possuía a declaração de utilidade pública, a recorrente afirma que já possuía a declaração de utilidade pública estadual, o que bastaria para seu reconhecimento, e que a declaração de utilidade pública federal retroagiria seus efeito à data do pleito, em 1974. Analisaremos as duas questões. Quanto à afirmação de que possuía a declaração de utilidade pública estadual, verificaremos a legislação. Lei nº 309, de 8 de julho de 1974: Declara de utilidade pública a OSEC Organização Santamarense de Educação e Cultura, com sede na Capital O GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Faço saber que a Assembléia Legislativa decreta e eu promulgo a seguinte lei: Artigo 1º É declarada de utilidade pública a OSEC Organização Santamarense de Educação e Cultura, com sede na Capital Artigo 2° Esya lei entrará em vigor na data de sua publicação. Palácio dos Bandeirantes, 8 de julho de 1974. LAUDO NATEL Com essa informação, verificamos que a recorrente foi considerada de utilidade pública estadual em 08 de julho de 1974. A pergunta a ser respondida é se a declaração de utilidade pública estadual basta para os efeitos da Lei 3577/1959? Há Parecer Ministerial que esclarece essa situação (http://www010.dataprev.gov.br/sislex/paginas/60/1998/1405.htm ). PARECER/CJ Nº 1.405 REFERÊNCIA : Processos nºs 35330.006740/91 (CRPS nº 2.502.402), 35220.00563/8469 (CRPS nº 590.665), 35330.006341/91 (CRPS nº 2.167.077) e 35330.00564/94 (CRPS nº 590.673) INTERESSADO : Fundação Educacional Serra dos Órgãos ASSUNTO : Créditos Previdenciário NFLD n° 156.295, 017.151, 156.296 e 017.152 EMENTA: PREVIDENCIÁRIO FILANTRÓPICA REMUNERAÇÃO DE DIRETORES EMPREGADOS. UTILIDADE PÚBLICA RECONHECIDA. A remuneração de Diretores não constitui óbice de natureza intransponível na medida em que estes sejam remunerados na qualidade de diretoresempregados nas entidades mantidas, situação autorizada pela legislação previdenciária. Declaração de Utilidade Pública requerida em 1969. Pela reforma do Acórdão. Fl. 16DF CARF MF Impresso em 10/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/09/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 30/11 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/09/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assin ado digitalmente em 19/09/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 14/09/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 14485.000537/200763 Acórdão n.º 2301001.914 S2C3T1 Fl. 632 17 01. Cuidase de pedido de avocatória ministerial formulado pelo Presidente do CRPS, no qual propõe a anulação de acórdãos da 6ª ca, visando ao reconhecimento do direito à isenção da contribuição previdenciária referente à cota patronal da empresa (NFLD’s n° 156.295, 017.151, 156.296 e 017.152). 02. Houve recurso, este dirigido à 10ª JRPS, que restou conhecido mas, no mérito, improvido, ao argumento de que a entidade não possuía o reconhecimento de Utilidade Pública Federal, bem como remunerava seus diretores. 03. Contra esta decisão, interpôs novo recurso, este dirigido à 6ª CaJ, aduzindo que já possuía o Certificado de Filantropia expedido em 1973, anterior ao Decreto n° 1.572/77, e que desde 1969 era reconhecida como Utilidade Pública. Aquele eg. Colegiado, converteu o julgamento em diligência para averiguar o cancelamento da isenção da cota patronal, nos feitos em apenso. Após o cumprimento da solicitação, o feito retorna à 6ª Câmara de Julgamento, culminando no improvimento da pretensão deduzido no recurso, cujas decisões estão exaradas nos corpos dos Acórdãos n°s 9.352/97, 9.353/97, 3;354/97 e 9.356/97. 04. O feito chega a esta Consultoria Jurídica por força de pedido de avocatória formulado pelo Presidente do CRPS. 05. Merecem reforma, data venia, os Acórdãos. 06. Com efeito, no que pertine a remuneração de diretores, quando este ocupam cargos como empregados da entidade, esta Consultoria, em diversas oportunidades, temse manifestado pela inexistência de ilegalidade neste ponto, senão vejamos: 07. A mens legis, quando estabeleceu como requisito que “não percebam seus diretores, conselheiros, sócios, instituidores ou benfeitores remuneração e não usufruam vantagens ou benefícios a qualquer título”, almeja proibir que as pessoas que exerçam atividades administrativas recebam qualquer contraprestação por tais serviços. Todavia, não alcança a prestação de trabalho, sob vínculo empregatício ou autônomo, que seja necessário para a consecução das atividades fins da sociedade ou associação beneficente. Se emprestasse a interpretação dada pela Administração, essas entidades só estariam isentas quando toda e qualquer atividade prestada no seu seio o fosse de forma gratuita, situação que, na prática, inviabiliza o escopo constitucional que é estimular e preservar os empreendimentos beneficentes e filantrópicos. Não se pode conceber, pois, que as entidades prestadoras de grandes serviços sociais fossem movidas apenas pelo trabalho voluntário, limitado a incontínuo por sua natureza. Seria condenálas ao enfraquecimento ou insucesso, fazendo sobrar atividades cuja natureza exige trabalho constante (orfanatos, verbi gratia). 08. Desarte, questionase a possibilidade de pessoa física integrante de um dos órgãos diretivos da fundação (exercício de função prevista no estatuto jurídico da entidade) receber remuneração não pela função de diretor, conselheiro, sócio, Fl. 17DF CARF MF Impresso em 10/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/09/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 30/11 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/09/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assin ado digitalmente em 19/09/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 14/09/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 18 instituidor ou benfeitor, mas sim, pelo exercício de um emprego, com atribuições distintas e compatíveis com a sua habilitação profissional, em igualdade de condições com os demais empregados, sem dizer que tal proibição afrontaria o princípio constitucional do livre exercício da profissão. 09. Assim sendo, se um Superintendente figura no quadro de órgãos diretivos da fundação, mas exerce emprego com atribuições distintas daquelas exercidas pelos diretores e este cargo seja totalmente compatível com sua formação profissional, nada obsta ser a remuneração assalariada ou mesmo paga por trabalho, pois cuidase de profissional, cuja atuação deve estar em pé de igualdade com os demais empregados, hipótese dos autos. 10. Resta ao exame, analisar a validade da Declaração de Utilidade Pública apresentada pela empresa. Para tanto, passa se à análise sobre a filantropia. 11. Em 1959 entrou em vigor a Lei n° 3.577, que concedia isenção da taxa de contribuição de previdência aos Institutos e Caixas de Aposentadoria e Pensões às entidades de fins filantrópicos reconhecidas como de utilidade pública cujos membros de suas diretorias não percebessem remuneração. 12. Em 1977, passou a viger o DecretoLei n° 1.572, que revogou a Lei n° 3.577, de 1959, resguardando o direito da instituição que tinha sido reconhecida como de utilidade pública pelo Governo Federal até a data em que foi publicada, fosse portadora de certificado de entidade de fins filantrópicos com validade por prazo indeterminado e já estivesse isenta da contribuição. Este decreto deu prazo para que a entidade que não estivesse de posse de todos os documentos os pleiteasse junto aos órgãos competentes. 13. As entidades filantrópicas criadas entre setembro de 1977 a julho de 1991, por falta de previsão legal, contribuíram normalmente para a Previdência Social, ou seja, recolhiam a parte patronal e a relativa aos empregados. 14. A Constituição Federal, inovando nesta matéria, determinou que, nos termos da lei, a entidades beneficentes de assistência social são isentas de contribuição para a seguridade social. A lei que regulamenta este dispositivo constitucional foi publicada em 24 de julho de 1991, sob o n° 8.212, que em seu art. 55, elenca os requisitos para se usufruir desta isenção. 15. A partir de 1991, as entidades filantrópicas que não podiam requerer a isenção passaram a ter esse direito, desde que atendidos, cumulativamente, os requisitos legais. 16. Neste ponto, importa salientar que a entidade apresentou o Certificado de Entidade de Fins Filantrópicos do Conselho Nacional de Serviço Social CNSS, datado de 14.12.73 (fls. 14). O citado certificado foi substituído por outro (fls. 15), por ter sido a entidade declarada de utilidade pública federal, conforme Decreto n° 88.747, de 26.09.83 (fls. 16/18). Apresentou ainda, certidão do CNSS, datada de 02.05.85, informando a condição Fl. 18DF CARF MF Impresso em 10/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/09/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 30/11 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/09/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assin ado digitalmente em 19/09/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 14/09/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 14485.000537/200763 Acórdão n.º 2301001.914 S2C3T1 Fl. 633 19 de entidade de fins filantrópicos desde 1973, sem interrupção; cuja cópia se infere ás fls. 45/46 17. Sobre a matéria em apreço, leiase a manifestação do Dr. Clóvis Ramalhete, quando ConsultorGeral da República, cuja transcrição se faz oportuna: Ementa: (...) Quando a lei estabelece todos os requisitos constitutivos de um direito, o requerimento, de quem os atenda, vincula a Administração à lei vigente ao tempo pedido, o qual é ato jurídico perfeito, e, por isso, infenso à lei posterior que modifique ou extinga o direito, deflagrado pelo atocondição, presente no requerimento que faz logo incidir a norma vigente que o rege. II. ATO JURÍDICO PERFEITO, ANTE LEI NOVA. A lei nova não incide sobre o ato jurídico perfeito, que consiste naquele que já se consumou conforme a lei que era vigente ao tempo da sua manifestação. O processo informa que o “Lar Santa Filomena” atendia aos requisitos legais para a obtenção do Certificado de Fins Filantrópicos e aso de declaração de utilidade pública; e que a entidade requereu à Administração, um e outro, ao tempo da L. 3.559/79. O primeiro, o Certificado de Fins Filantrópicos, é meramente declaratório, porque constata a presença integral dos requisitos legais; e é preparatório do segundo. Este outro pedido, a declaração de ser de utilidade pública para os fins da L. 3.577/59, é ato constitutivo; por isso, e só após sua manifestação, tornará o requerente isento da contribuição previdenciária, tal como dispõe a L. 3.577/59. Viuse que a requerente atendia a todos os requisitos da L. 3.577/59, quando requereu o benefício. E que o requereu na vigência desta lei, que criou o benefício sem outra condição; O ato administrativo, provocado pelo requerimento, tem natureza vinculada. Não cabia, vigente ainda aquela outra lei, qualquer consideração discricionária de parte da Administração. O ato jurídico do administrador, ao requere, sendo perfeito e acabado ao tempo da vigência da ei. 3.577/59, esteve desde logo resguardado contra lei nova. Assim o que a Constituição (art. 153, § 3°). Atendidos que estavam os requisitos legais para o reconhecimento do direito estabelecido em lei, e tendo sido requerido esse direito ao tempo de sua vigência, ele deve ser deferido e com indiferença à sobrevinda da nova lei contrária, a qual não incide sobre a situação jurídica assim já constituída, entre o administrado e a Administração. este é modo de aplicação da lei, até mesmo bastante conhecido (STF, súmula 359, aqui referida, por analogia). Fl. 19DF CARF MF Impresso em 10/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/09/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 30/11 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/09/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assin ado digitalmente em 19/09/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 14/09/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 20 III A LEI NOVA, SUAS RESSALVAS, SEU PRAZO Sobreveio no entanto D.L. 1.572/79, que revogou, é certo a L. 3.577/59, a que isentava da contribuição previdenciária, “as entidades de fins filantrópicos reconhecidas como de utilidade pública”. Mas de outro lado, esta lei nova, ela própria garantia (1º) a situação das entidades em gozo efetivo da isenção, e ainda, (2º) as que, em 90 dias, requeressem o próprio reconhecimento como de utilidade pública, tivessem já o Certificado de Fins Filantrópicos (§ 2º), ou se, expirado, requeressem sua renovação em 90 dias. Temse que a lei nova assegurou as situações jurídicas já acabadamente constituída e até fez mais, garantiu aquelas outras, em curso de formação. Não importa que, na data do pedido, a requerente não estivesse de posse do Certificado de Fins Filantrópicos. Ato meramente declaratório e provisório, o direito a ele advém ao administrado, do fato de atende aos requisitos da lei. Ora, conforme o processo, a requerente satisfaziaos; e comprovouo. Mas sucede ainda que a peticionária ao pedir o Certificado ao tempo da lei anterior, também desde logo requereu a declaração de ser ela de utilidade pública, tendoo feito ao tempo em que a lei lhe assegurava esses direitos. Vêse que é de ser atendida, a requerente. Se a nova lei, o D.L. 1.572/77, assegurou o direito até mesmo a quem o requeresse em 90 dias pós sua vigência, perguntase, o que se deve dizer do caso da requerente, que a ambos requereu antes, ao tempo da vigência da lei anterior. À vista pois de que a L. 3.577/59 estabeleceu um direito certo, ao administrado que satisfizesse os requisitos que a norma legal descreveu, entendo que não cabe apreciação discricionária da Administração; e mais, que esse requerimento não atingido pela lei posterior. O direito da requerente, ao deferimento, vinculou a Administração à lei vigente, na data em que o requerimento foi protocolado. (Parecer nº 65 de 28/03/81, publicado no DOU de 01/04/81). 18. Com efeito, independentemente de requisição, a entidade era isenta ao tempo da Lei nº 3.577/59, posto que possuía a documentação necessária, qual seja o Certificado de Entidade de Fins Filantrópicos e as Declarações de Utilidade Pública Estadual e Municipal, e antes da revogação da citada Lei nº 3.577/59, requereu a Declaração de Utilidade Pública Federal. 19. Finalmente, vale consignar que a entidade já era portadora da declaração de utilidade pública Estadual, datada de 08 de setembro de 1969, e a declaração Municipal, datada de 31 de janeiro de 1966, ambas, anteriores ao ano de 1977, como se infere dos documentos juntados ao Processo/CRPS/nº 2.502.402, o que evidencia que a entidade sempre foi isenta da referida contribuição previdenciária referente à cota patronal da empresa. Fl. 20DF CARF MF Impresso em 10/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/09/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 30/11 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/09/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assin ado digitalmente em 19/09/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 14/09/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 14485.000537/200763 Acórdão n.º 2301001.914 S2C3T1 Fl. 634 21 20. Feitas estas ponderações, merecem reparos os Acórdãos que reconheceram os créditos lançado em desfavor da entidade. 21. Tais as circunstâncias, opino no sentido de que o Senhor Ministro desta Pasta avoque o presente processo para reformar os Acórdãos n°s 9.352/97, 9.353/97, 3.354/97 e 9.356/97, da 6ª CaJ, reconhecendo, via de conseqüência, o direito à isenção da contribuição previdenciária, em favor da FUNDAÇÃO EDUCACIONAL SERRA DOS ÓRGÃOS, nos termos do DecretoLei nº 1.572, de 1977. É o parecer que apresento à consideração superior. Brasília, 15 de julho de 1998. SOLON RAPOSO JUNIOR Chefe da 4ª Divisão de Assuntos Jurídicos Aprovo. À consideração do Senhor Consultor Jurídico. Brasília, 15 de julho de 1998. INDIRA ERNESTO SILVA CoordenadoraGeral de Direito Previdenciário em exercício Aprovo. À consideração do Senhor Ministro. Brasília, 15 de julho de 1998. JOSÉ BONIFÁCIO BORGES DE ANDRADA Consultor Jurídico AVOCATÓRIA MINISTERIAL REFERÊNCIA : Processos nºs 35330.006740/91 (CRPS nº 2.502.402), 35220.00563/8469 (CRPS nº 590.665), 35330.006341/91 (CRPS nº 2.167.077) e 35330.00564/94 (CRPS nº 590.673) INTERESSADO : Fundação Educacional Serra dos Órgãos EMENTA: PREVIDENCIÁRIO FILANTRÓPICA REMUNERAÇÃO DE DIRETORES EMPREGADOS. UTILIDADE PÚBLICA RECONHECIDA. A remuneração de Diretores não constitui óbice de natureza intransponível na medida em que estes sejam remunerados na qualidade de diretoresempregados nas entidades mantidas, situação autorizada pela legislação previdenciária. Declaração de Utilidade Pública requerida em 1969. Fl. 21DF CARF MF Impresso em 10/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/09/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 30/11 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/09/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assin ado digitalmente em 19/09/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 14/09/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 22 Decisão Vistos os processo em que é interessada a parte acima indicada. Com fundamento no Parecer/CJ/n° 1.405/98, da Consultoria Jurídica deste Ministério, que aprovo, avoco os presentes processos para reformar as decisões proferidas pela 6ª Câmara de Julgamento, nos Acórdãos n°s 9.352/97, 9.353/97, 9.354/97 e 9.356/97, e em conseqüência, reconhecer o direito à isenção da contribuição previdenciária à FUNDAÇÃO EDUACIONAL SERRA DOS ÓRGÃOS, nos termos do DecretoLei n° 1.572, de 1977. Publiquese. Brasília, 16 de julho de 1998. WALDECK ORNÉLAS Ministro da Previdência e Assistência Social (http://www010.dataprev.gov.br/sislex/paginas/60/1998/1405.ht m) Como se não bastasse o texto legal, que já exigia declaração de utilidade pública, sem especificar de qual ente federativo, o Parecer Ministerial acima deixa claro que a declaração de entidade pública estadual está em consonância com o que determina a legislação. Somase a isso a informação da recorrente – confirmada pelo Fisco no RF (fls. 0268) que solicitou a declaração de utilidade pública federal em 10/11/1974, obtendo a declaração em 25/05/1992. A definição dessa data é de relevância, devido à legislação que revogou a Lei 35571959. DecretoLei 1572/1977: O PRESIDENTE DA REPÚBLICA, usando da atribuição que lhe confere o artigo 55, item II, da Constituição, DECRETA: Art. 1º Fica revogada a Lei nº 3.577, de 4 de julho de 1959, que isenta da contribuição de previdência devida aos Institutos e Caixas de Aposentadoria e Pensões unificados no Instituto Nacional de Previdência Social INPS, as entidades de fins filantrópicos reconhecidas de utilidade pública, cujos diretores não percebam remuneração. § 1º A revogação a que se refere este artigo não prejudicará a instituição que tenha sido reconhecida como de utilidade pública pelo Governo Federal até à data da publicação deste Decretolei, seja portadora de certificado de entidade de fins filantrópicos com validade por prazo indeterminado e esteja isenta daquela contribuição. § 2º A instituição portadora de certificado provisório de entidade de fins filantrópicos que esteja no gozo da isenção Fl. 22DF CARF MF Impresso em 10/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/09/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 30/11 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/09/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assin ado digitalmente em 19/09/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 14/09/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 14485.000537/200763 Acórdão n.º 2301001.914 S2C3T1 Fl. 635 23 referida no caput deste artigo e tenha requerido ou venha a requerer, dentro de 90 (noventa) dias a contar do início da vigência deste decretolei, o seu reconhecimento como de utilidade pública federal continuará gozando da aludida isenção até que o Poder Executivo delibere sobre aquele requerimento. § 3º O disposto no parágrafo anterior aplicase às instituições cujo certificado provisório de entidade de fins filantrópicos esteja expirado, desde que tenham requerido ou venham a requerer, no mesmo prazo, o seu reconhecimento como de utilidade pública federal e a renovação daquele certificado. § 4º A instituição que tiver o seu reconhecimento como de utilidade pública federal indeferido, ou que não o tenha requerido no prazo previsto no parágrafo anterior deverá proceder ao recolhimento das contribuições previdenciárias a partir do mês seguinte ao do término desse prazo ou ao da publicação do ato que indeferir aquele reconhecimento. Art. 2º O cancelamento da declaração de utilidade pública federal ou a perda da qualidade de entidade de fins filantrópicos acarretará a revogação automática da isenção, ficando a instituição obrigada ao recolhimento da contribuição previdenciária a partir do mês seguinte ao dessa revogação. Art. 3º Este decretolei entrará em vigor na data de sua publicação. Art. 4º Revogamse as disposições em contrário. Brasília, 1 de setembro de 1977; 156º da Independência e 89º da República. ERNESTO GEISEL Para o Fisco só deve ser reconhecida a declaração de utilidade pública federal na data de sua concessão (1992). Para a recorrente, o reconhecimento da declaração de utilidade pública federal deve ocorrer da data do pedido. Na leitura da legislação, conforme consta no Parecer acima, já há determinação que pode resolver a questão. Ora, se o Decreto Lei 1.572/77 assegurou o direito até mesmo a quem o requeresse em 90 dias pós sua vigência, perguntase: o que se deve dizer do caso da requerente, que a ambos requereu antes, ao tempo da vigência da lei anterior? A resposta nos parece óbvia, mas, para reforçar nossas análise e decisão, analisaremos decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) e outro Parecer Ministerial que trata da questão. RECURSO EXTRAORDINÁRIO 115.5108. RECORRENTE: SOCIEDADE DE ENSINO SUPERIOR DE NOVA IGUAÇU. RECORRIDO: INSTITUTO DE ADMINISTRAÇÃO Fl. 23DF CARF MF Impresso em 10/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/09/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 30/11 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/09/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assin ado digitalmente em 19/09/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 14/09/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 24 FINANCEIRA DA PREVIDÊNCIA E ASSISTÊNCIA SOCIAL – IAPAS. EMENTA: CERTIFICADO DE FILANTROPIA. Isenção da contribuição patronal à previdência patronal. A expedição do certificado de filantropia tem caráter declaratório e como tal gera efeitos extunc. Se a entidade requere o certificado antes da determinação administrativa que arquivou os processos respectivos, mas veio têlo deferido anos depois, quando revogada a medida, o seu direito às vantagens conferidas pela lei retrotraem à data do requerimento, inclusive o da isenção da quota patronal da contribuição previdenciária. Recurso e provido.Brasília, 18 de outubro de 1988. Ministro Carlos Madeira – Relator. Se o STF decidiu, pela interpretação da legislação, que os efeitos do Certificado retroagem à data de seu requerimento, idêntica razão há na retroação à data do pedido da Declaração de utilidade pública federal, alias, essa é a interpretação do Ministério da Previdência, em diversos Pareceres Ministeriais, como abaixo. PARECER MPAS/CJ Nº 1.892 REFERÊNCIA : NFLDs nº 32.160.0703, 32.160.0711 e 32.160.0720. INTERESSADO : ACOMPAR AÇÃO COMUNITÁRIA PAROQUIAL. ASSUNTO : Avocatória Ministerial exofficio. EMENTA DIREITO PREVIDENCIÁRIO. ENTIDADE DE FINS FILANTRÓPICOS. ISENÇÃO. Considerando a existência do pedido de declaração de utilidade pública, fato esse ocorrido em 1977, a sua eventual concessão terá efeitos extunc. Não há como subsistir o lançamento do crédito previdenciário contra a entidade, vez que a mesma demonstrou o cumprimento dos requisitos exigidos por lei. Precedente do Supremo Tribunal Federal. Avocatória ex officio. O Senhor Ministro desta Pasta avocou os processos de interesse da Acompar Ação Comunitária Paroquial para melhor exame da questão suscitada. 2. A Notificação Fiscal de Lançamento de DébitoNFLD refere se a contribuição previdenciária referente a cota patronal destinada à Previdência Social e não recolhida pela Acompar Ação Comunitária Paroquial, localizada em Porto Alegre RS, no período de janeiro/85 a dezembro/94. 3. No relatório fiscal o INSS sustenta que a entidade não comprovou ser portadora da Declaração de Utilidade Pública, que requerido em 1973, não lhe foi fornecido pelo Ministério da Justiça, e, que tampouco, possui, em caráter definitivo, o Certificado de Fins Filantrópicos, apresentando, durante a ação Fl. 24DF CARF MF Impresso em 10/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/09/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 30/11 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/09/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assin ado digitalmente em 19/09/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 14/09/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 14485.000537/200763 Acórdão n.º 2301001.914 S2C3T1 Fl. 636 25 fiscal, o Certificado emitido em caráter provisório, em 09/12/74, e renovado em 20/10/77. 4. A interessada, contestou as notificações realizadas pela fiscalização do INSS, sustentando o preenchimento dos requisitos para a concessão da isenção. É o relatório. 5. É oportuno fazer aqui um breve retrospecto da legislação que cuida da isenção das entidades filantrópicas. 6. A Lei nº 3.577, de 01.07.59, no art. 1º, assim estabelecia: Art. 1º Ficam isentas da taxa de contribuição de previdência aos Institutos e Caixas de Aposentadoria e Pensões as entidades de fins filantrópicos, reconhecidas como de utilidade pública, cujos membros de suas diretorias não percebem remuneração. 7. Essa norma vigorou até a edição do DecretoLei nº 1.572, de 01.09.77, que a revogou expressamente, estabelecendo novas diretrizes para a concessão da isenção da cota patronal. Notese que a superveniência do referido decreto, ao assentar novas diretrizes sobre a matéria, não teve o condão de retirar das entidades já isentas a benesse em comento, restando preservadas as situações jurídicas consolidadas sob a égide do diploma anterior 8. Recentemente, a Lei nº 8.212, de 24.07.91, no seu art. 55, estabeleceu novos requisitos para a concessão da isenção da cota patronal, exigindo, dentre outros, o certificado e o registro de entidade de fins filantrópicos e ser reconhecida como de utilidade pública federal e estadual ou do Distrito Federal ou Municipal. 9. Feita tal explanação, analisemos a situação interessada. A entidade apresentou os seguintes documentos: a Certificado de Fins Filantrópicos emitido em 09/12/74 e renovado em 20/10/77; b Recadastramento e Renovação do Certificado de Entidade de Fins Filantrópicos, através da Resolução 61, do CNAS, publicada no DOU de 30.06.95; c Nova renovação do Certificado de Entidade de Fins Filantrópicos, sob o protocolo nº 44.006.005.819/9785, de 22.12.97, ainda em tramitação; d Declaração de Utilidade Pública Estadual, concedida pelo Decreto nº 19.659/69; e Declaração de Utilidade Pública Federal concedida pelo Decreto de 08.04.96 (processo nº 56003/77). 10. Da situação retro explanada, verificase que a entidade reuniu todas as condições quando protocolou no Ministério da Fl. 25DF CARF MF Impresso em 10/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/09/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 30/11 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/09/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assin ado digitalmente em 19/09/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 14/09/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 26 Justiça o pedido de Declaração de Utilidade Pública Federal em 1977. Considerando a existência desse pedido em 1977,a despeito de a declaração ter sido concedida somente em 1996, a sua eventual concessão terá efeitos extunc, tendo em vista seu caráter meramente declaratório, conferindo a ela efeito retroativo. 11. Por oportuno, confirase o RE nº 110838/SP do Supremo Tribunal Federal, Ministro Relator DJACI FALCÃO, in DJ 05.12.86, assim ementado: Execução Fiscal promovida pelo IAPAS contra entidade privada reconhecida de utilidade pública pela União. Os efeitos da declaração de utilidade pública retroagem à data do pedido, desde que, já então, satisfazia a entidade os requisitos necessários à sua obtenção. A morosidade da Administração não se coaduna com o invocado princípio da irretroatividade da lei (§ 3º , do art. 153, da Lei Magna). Dissídio jurisprudencial não comprovado, nos termos da Súmula 291. Recurso extraordinário não conhecido. 12. Assinalese ainda, que a instituição isenta antes do advento da Lei nº 8.212/91, tal como ocorre no presente caso, não precisava requerêla após esse diploma, bastando observar, cumulativamente, os requisitos elencados em seu art. 55 13. Ademais, tanto tratase de entidade filantrópica que renovou o Certificado em 1995, estando o novo pedido de renovação ainda em trâmite, o que vem a demonstrar a obediência das exigências da legislação atual. 14. Portanto, a entidade notificada beneficiavase da isenção pertinente à cota patronal, a despeito de o INSS não ter reconhecido essa sua qualidade quando da autuação fiscal. 15. Com efeito, não há como subsistir o lançamento do crédito previdenciário contra a entidade, vez que a mesma demonstrou o cumprimento dos requisitos exigidos por lei, quais sejam: o Certificado de Entidade de Fins Filantrópicos, a Declaração de Utilidade Pública Estadual e, ainda, o pedido de Declaração de Utilidade Pública Federal requerido em 1977 (Processo nº 56003/77). Ante o exposto, o Parecer desta Consultoria é no sentido de avocar ex officio os processos em epígrafe para declarar extintos os créditos lançados nas NFLDs nº 32.160.0703, 32.160.0711 e 32.160.0720. À consideração superior. Brasília, 22 de setembro de 1999. DANIELA HENRIQUES SARAIVA Assistente De acordo. À consideração superior Fl. 26DF CARF MF Impresso em 10/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/09/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 30/11 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/09/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assin ado digitalmente em 19/09/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 14/09/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 14485.000537/200763 Acórdão n.º 2301001.914 S2C3T1 Fl. 637 27 Brasília, 22 de setembro de 1999. FERNANDA MARIA ALVES GOMES 1ª Coordenadora de Consultoria Jurídica Aprovo. À consideração do Sr. Ministro. Brasília, 22 de setembro de 1999. JOSÉ BONIFÁCIO BORGES DE ANDRADE Consultor Jurídico AVOCATÓRIA MINISTERIAL REFERÊNCIA : NFLDs nº 32.160.0703, 32.160.0711 e 32.160.0720. INTERESSADO : ACOMPAR AÇÃO COMUNITÁRIA PAROQUIAL. EMENTA DIREITO PREVIDENCIÁRIO. ENTIDADE DE FINS FILANTRÓPICOS. ISENÇÃO. Considerando a existência do pedido de declaração de utilidade pública, fato esse ocorrido em 1977, a sua eventual concessão terá efeitos extunc. Não há como subsistir o lançamento do crédito previdenciário contra a entidade, vez que a mesma demonstrou o cumprimento dos requisitos exigidos por lei. Precedente do Supremo Tribunal Federal. Decisão Visto o processo em que é interessada a parte acima indicada. Com fundamento nos artigos 11, III e 42 da Lei Complementar nº 73, de 10 de fevereiro de 1993 e nos artigos 309, I e 324 do Regulamento da Previdência Social e no PARECER MPAS/CJ nº 1892/99, da Consultoria Jurídica deste Ministério, que aprovo, avoco ex officio os presentes processos para declarar extintos os créditos lançados nas NFLDs nº 32.160.0703, 32.160.0711 e 32.160.0720. Publiquese. Brasília, 22 de setembro de 1999. WALDECK ORNÉLAS Ministro da Previdência e Assistência Social Ressaltese, inclusive, o texto do Decreto de 1992, que concedeu o título de utilidade pública federal à recorrente, que remete ao processo de 1974 (http://www.in.gov.br/imprensa/visualiza/index.jsp?jornal=1&pagina=15&data=26/05/1992) . DECRETO DE 25 DE MAIO DE 1992 Fl. 27DF CARF MF Impresso em 10/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/09/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 30/11 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/09/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assin ado digitalmente em 19/09/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 14/09/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 28 Declara de utilidade pública federal a ASSOCIAÇÃO DE PROTEÇÃO E AMPARO AO DEFICIENTE FÍSICO E AO IDOSO CARENTE com sede na cidade de Porto Vitória, Estado do Paraná, e outras entidades. O Presidente da República, no uso da atribuição que lhe confere o art. 84, inciso IV, da Constituição, DECRETA: Art. 1° São declaradas de utilidade pública federal, nos termos do art. 1° da Lei 91, de 28 de agosto de 1935, combinado com o art. 1° do regulamento aprovado pelo Decreto N° 50.517, de 2 de maio de 1961, as seguintes instituições: ... ORGANIZAÇÃO SANTAMARENSE DE EDUCAÇÃO E CULTURA, com sede na cidade de Santo Amaro, Estado de São Paulo, portadora do CGC n°62.277.207/000165 (Processo MJ n° 10.813/74). Art. 29 Este Decreto entra em vigor na data de sua publicação. Brasília,25 de maio de 1992; 1719 da Independência e 1049 da República. FERNANDO COLLOR Célio Borja Portanto, resta claro que a recorrente manteve no período sua condição de isenta pois, como demonstrado por todas as decisões do Ministério da Previdência Social, da Consultoria Geral da República e do próprio STF, o pedido do certificado possuí efeitos extunc e como para que o lançamento pudesse prosperar haveria a necessidade de que se desconstituísse essa condição, pelo devido processo (Ato Cancelatório), como determinava a Lei 8.212/1991. Sem essa necessária medida, a recorrente permanece isenta, desde 1974, cabendo ao Fisco a tomada de medidas necessárias para a desconstituição, caso seja o caso, dessa condição, pois sem ela não há como exigir contribuições patronais da recorrente, já que essa medida é determinada pela Lei 8.212/1991. CONCLUSÃO: Pelo exposto, voto em conhecer e dar provimento ao recurso, nos termos do voto. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Fl. 28DF CARF MF Impresso em 10/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/09/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 30/11 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/09/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assin ado digitalmente em 19/09/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 14/09/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 14485.000537/200763 Acórdão n.º 2301001.914 S2C3T1 Fl. 638 29 Declaração de Voto Conselheiro Mauro José Silva Com a devida vênia, apresentamos nossas considerações sobre o caso. Observamos que a principal razão de decidir contida no Voto Vencedor referese à “isenção” da recorrente, bem como tal discussão ocupou parcela importante do voto vencido do Relator. Os dignos Conselheiros fundamentaram seus votos em resposta aos argumentos expendidos pela recorrente em seu Recurso Voluntário.. Ocorre que tal discussão não trazida pela recorrente no momento oportuno, posto que ausente de sua primeira peça de defesa: a impugnação. Na peça impugnatória, a então impugnante não demonstrou qualquer irresignação quanto a eventual violação de sua “isenção” ou imunidade. Sua defesa tratou de decadência, cerceamento de defesa por falta de verificação do recolhimento das contribuições sociais pelo contribuinte individual, e ausência de fundamentação legal relacionada à aferição indireta. Seguindo o que fora impugnado, o órgão julgador a quo nada tratou sobre a “isenção”, uma vez que a então impugnante não havia suscitado tal questão, apesar de o Relatório Fiscal fazer explícita e bem fundamentada menção ao histórico do contribuinte com relação a esse aspecto. Assim sendo, estamos diante de um caso no qual a recorrente pretende discutir em seu Recurso Voluntário aspecto que não está contido em sua impugnação. É uma situação típica de preclusão processual que deve resultar no não conhecimento do argumento não apresentado para discussão em primeira instância. Sobre o assunto, temos a lição de Marcus Vinícius Neder e Maria Teresa Martínes Lopez(Processo administrativo fiscal federal comentado, 2004, p. 78): “Em processo fiscal, a inicial e a impugnação fixam os limites da controvérsia, integrando o objeto da defesa às afirmações contidas na petição inicial e na documentação que a acompanha. Se o contribuinte não contesta alguma exigência feita pelo fisco, na fase de impugnação, não poderá mais contestála no recurso voluntário. A preclusão ocorre com relação à pretensão de impugnar ou recorrer à instância superior. Na sistemática do processo administrativo fiscal, as discordâncias recursais não devem ser opostas contra o lançamento em si, mas contra as questões processuais e de mérito decidias em primeiro grau. (....) Fl. 29DF CARF MF Impresso em 10/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/09/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 30/11 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/09/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assin ado digitalmente em 19/09/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 14/09/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 30 O artigo 17 do PAF considera não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante.” Este Tribunal Administrativo já se manifestou em diversas ocasiões acolhendo a preclusão: Câmara Superior de Recursos Fiscais. 1ª Turma Acórdão nº 40105778 do Processo 138190008639828 Data 04/12/2007 Ementa PRECLUSÃO O não questionamento pela contribuinte, quando da sua manifestação de inconformidade, de matéria, leva à consolidação administrativa desta parte, tornando precluso o recurso voluntário quanto a esta parte questionada. PROVAS A prova documental será apresentada na impugnação (manifestação de inconformidade), precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, salvo se demonstrada impossibilidade por motivo de força maior, refira se a fato ou direito superveniente, ou destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidos aos autos. Recurso especial negado. Acórdão nº 40105226 do Processo 108450006559911 Data 13/06/2005 Ementa PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL MATÉRIA NÃO IMPUGNADA PRECLUSÃO Ocorre a preclusão do direito de discutir no processo administrativo quando a parte não impugna determinada matéria, sendo que não é permitido inovar ou redirecionar a discussão com o recurso especial. Recurso especial negado. Turmas da 2ª Seção(antigo 2º Conselho de Contribuinte) Acórdão nº 20219095 do Processo 10120008451200333 Data 04/06/2008 Ementa Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/11/2002 a 30/09/2003 NORMAS PROCESSUAIS. NULIDADE. MPF. Quando ausentes as irregularidades argüidas pelo contribuinte no mandado de procedimento fiscal, rejeitase a preliminar. PRECLUSÃO. Matéria não suscitada pelo contribuinte na instância a quo não poderá ser apreciada em grau de recurso em face da preclusão do seu direito de contestála. Acórdão nº 20177158 do Processo 10980004441200137 Data 13/08/2003 Fl. 30DF CARF MF Impresso em 10/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/09/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 30/11 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/09/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assin ado digitalmente em 19/09/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 14/09/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 14485.000537/200763 Acórdão n.º 2301001.914 S2C3T1 Fl. 639 31 Ementa PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. MATÉRIA DIVERSA. PRECLUSÃO. Se o recurso voluntário protocolado pelo contribuinte referese a matéria diversa da tratada na decisão recorrida dele não se conhece. Acórdão nº 20216378 do Processo 108300071660011 Data 14/06/2005 Ementa PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRECLUSÃO. É vedado à Câmara do Conselho de Contribuintes tomar conhecimento de questão não alegada em primeira instância, pois os atos processuais estão sujeitos ao princípio da preclusão. Acórdão nº 20217319 do Processo 10830004658200161 Data 24/08/2006 Ementa PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. PRECLUSÃO. Matéria levantada pela autoridade e não contestada pelo contribuinte considerase não impugnada, nos termos do artigo 17 do Decreto nº 70.235/72. Recurso não conhecido. Acórdão nº 20216870 do Processo 108300098210075 Data 26/01/2006 Ementa PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRECLUSÃO. É vedada a manifestação do órgão ad quem se a questão de fundo que deu azo à cobrança não foi afrontada na impugnação. Turmas da 1ª Seção(antigo 1º Conselho de Contribuinte) Acórdão nº 10515297 do Processo 107350008429708 Data 13/09/2005 Ementa PRECLUSÃO A matéria não contestada de forma expressa na peça vestibular, argüida pela recorrente somente na peça recursal, não deve prosperar, considerandose definitivamente consolidada na esfera administrativa, em homenagem aos princípios da preclusão e do duplo grau de jurisdição, que norteiam o processo administrativo fiscal. Acórdão nº 10246391 do Processo 109800075650021 Data 17/06/2004 Ementa NORMAS PROCESSUAIS PRECLUSÃO O Conselho de contribuintes não possui competência originária. Os recursos voluntário e de ofício objetivam, sempre, a reapreciação de questões postas ao juízo das Delegacias de Julgamento da Receita Federal. Peça recursal contendo matéria não incluída na impugnação evidencia ofensa aos artigos 16, inciso III, e 17 do Decreto nº 70235/72. Fl. 31DF CARF MF Impresso em 10/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/09/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 30/11 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/09/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assin ado digitalmente em 19/09/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 14/09/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 32 Acórdão nº 10615057 do Processo 10140000253200211 Data 09/11/2005 Ementa PAF DUPLO GRAU DE JURISDIÇÃO PRECLUSÃO. As matérias não contestadas na impugnação e contidas em razões de recurso voluntário não podem ser apreciadas pelo Conselho de Contribuintes, face à preclusão processual. Recurso não conhecido. Ao não incluir na peça impugnatória seus argumentos sobre a “isenção”, a recorrente não permitiu que a questão fosse debatida no julgamento de primeira instância, provocando supressão de instância. Ademais, e mais importante, como esse Conselho só tem competência para julgar “recursos de ofício e voluntários de decisão de primeira instância” (art. 25, inciso II do Decreto 70.235/72), estamos impedidos de julgar questões que não constem da decisão de primeira instância por falta de competência para tanto. Pelo exposto, nosso voto é no sentido de não conhecer os argumentos relacionados com a “isenção” da recorrente. (assinado digitalmente) Mauro José Silva Conselheiro Fl. 32DF CARF MF Impresso em 10/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/09/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 30/11 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/09/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assin ado digitalmente em 19/09/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 14/09/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 14485.000537/200763 Acórdão n.º 2301001.914 S2C3T1 Fl. 640 33 Declaração de Voto Conselheiro Damião Cordeiro de Moraes 1. No tocante à incidência de contribuição previdenciária sobre os valores pagos a título de vale transporte, partilho do mesmo entendimento proferido pelo douto relator. Apenas a título de contribuição para o debate jurídico, exponho meu raciocínio sobre a matéria. 2. Tenho como certo que o fato de a empresa ter descontado valor sobre outras verbas além do salário base não tem o condão de modificar a natureza jurídica dessa verba, transformandoa em outro tipo de rendimento sujeito ao pagamento da contribuição previdenciária. 3. Sendo assim, a origem da verba paga tem natureza jurídica indenizatória, pois foi assim que a norma, que criou o benefício, deixou consignada. 4. Vejase que a norma previdenciária tratou da matéria da seguinte forma: “Art. 28 Entendese por salário de contribuição: (...) Parágrafo 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (...) f) a parcela recebida a título de vale transporte, na forma da legislação própria; (...)” (negritamos e sublinhamos) 5. Como se pode perceber, nos termos do art. 28, parágrafo 9º, alínea “f”, da Lei nº 8.212/91, a quantia (parcela) recebida a título de valetransporte não compõe o salário de contribuição, para fins de apuração da contribuição previdenciária. 6. De mais a mais, o fornecimento de transporte aos seus empregados é imprescindível para a execução do trabalho, e não pode compor a base de cálculo da contribuição previdenciária. 7. De outro lado, a Lei nº 10.243/2001, alterou o §2º do art. 458 da CLT, que passou a ter a seguinte redação: "Art. 458...................................................... § 2º Para os efeitos previstos neste artigo, não serão consideradas como salário as seguintes utilidades concedidas pelo empregador: I – vestuários, equipamentos e outros acessórios fornecidos aos empregados e utilizados no local de trabalho, para a prestação do serviço; Fl. 33DF CARF MF Impresso em 10/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/09/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 30/11 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/09/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assin ado digitalmente em 19/09/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 14/09/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 34 II – educação, em estabelecimento de ensino próprio ou de terceiros, compreendendo os valores relativos a matrícula, mensalidade, anuidade, livros e material didático; III – transporte destinado ao deslocamento para o trabalho e retorno, em percurso servido ou não por transporte público; ......................................................................” (NR) 8. Com isso, considerando o inciso III, acima transcrito, o transporte concedido como utilidade não será considerado como salário. Assim, se não é salário o transporte, não creio que os valores reembolsados pela empresa aos empregados, para o seu deslocamento para o trabalho e retorno, em percurso servido ou não por transporte público, seja considerado para efeito de incidência da contribuição social. 9. E sobre a natureza indenizatória do benefício o Supremo Tribunal Federal já firmou seu posicionamento considerando que, mesmo quando pago em pecúnia, o vale transporte não possui natureza salarial, in verbis: “EMENTA: RECURSO EXTRORDINÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INCIDÊNCIA. VALETRANSPORTE. MOEDA. CURSO LEGAL E CURSO FORÇADO. CARÁTER NÃO SALARIAL DO BENEFÍCIO. ARTIGO 150, I, DA CONSTITUIÇÃO DO BRASIL. CONSTITUIÇÃO COMO TOTALIDADE NORMATIVA. 1. Pago o benefício de que se cuida neste recurso extraordinário em valetransporte ou em moeda, isso não afeta o caráter não salarial do benefício. 2. A admitirmos não possa esse benefício ser pago em dinheiro sem que seu caráter seja afetado, estaríamos a relativizar o curso legal da moeda nacional. 3. A funcionalidade do conceito de moeda revelase em sua utilização no plano das relações jurídicas. O instrumento monetário válido é padrão de valor, enquanto instrumento de pagamento sendo dotado de poder liberatório: sua entrega ao credor libera o devedor. Poder liberatório é qualidade, da moeda enquanto instrumento de pagamento, que se manifesta exclusivamente no plano jurídico: somente ela permite essa liberação indiscriminada, a todo sujeito de direito, no que tange a débitos de caráter patrimonial. 4. A aptidão da moeda para o cumprimento dessas funções decorre da circunstância de ser ela tocada pelos atributos do curso legal e do curso forçado. 5. A exclusividade de circulação da moeda está relacionada ao curso legal, que respeita ao instrumento monetário enquanto em circulação; não decorre do curso forçado, dado que este atinge o instrumento monetário enquanto valor e a sua instituição [do curso forçado] importa apenas em que não possa ser exigida do poder emissor sua conversão em outro valor. 6. A cobrança de contribuição previdenciária sobre o valor pago, em dinheiro, a título de valestransporte, pelo recorrente Fl. 34DF CARF MF Impresso em 10/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/09/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 30/11 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/09/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assin ado digitalmente em 19/09/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 14/09/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 14485.000537/200763 Acórdão n.º 2301001.914 S2C3T1 Fl. 641 35 aos seus empregados afronta a Constituição, sim, em sua totalidade normativa. Recurso Extraordinário a que se dá provimento.” (RE 478410/ SP; Relator Ministro Eros Grau) 10. Dito isso, verificase que a exigência pretendida é descabida, razão pela qual deve a mesma ser afastada, vez que, como demonstrado, o pagamento realizado não constitui fato gerador das contribuições devidas a Seguridade Social e as destinadas a Terceiros. 11. Por todo o exposto, voto no sentido de CONHECER e DAR PROVIMENTO ao RECURSO VOLUNTÁRIO para reconhecer a nãoincidência das contribuições previdenciárias sobre o vale transporte pago em dinheiro. (assinado digitalmente) Damião Cordeiro de Moraes Fl. 35DF CARF MF Impresso em 10/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/09/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 30/11 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/09/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assin ado digitalmente em 19/09/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 14/09/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES
score : 1.0
Numero do processo: 10314.004961/2008-79
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 24 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Apr 15 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Data do fato gerador: 06/05/2008
NORMAS PROCESSUAIS. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO.
São cabíveis embargos de declaração quando constatada a ocorrência de omissão, obscuridade ou contradição no acórdão.
PIS COFINS IMPORTAÇÃO. ALÍQUOTA ZERO. RADIODIFUSÃO.
Será reduzida a zero as alíquotas do PIS-importação e COFINS-importação nas operações de importação de mercadorias destinadas aos serviços de radiodifusão, por força do artigo 8º, §12, V da Lei nº 10.865/2004.
EMBARGOS PROVIDOS.
Numero da decisão: 3101-001.279
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade, dar provimento parcial aos embargos de declaração, para sanar a contradição no acórdão embargado, com efeitos infringentes, e determinar a aplicação da alíquota zero.
Henrique Pinheiro Torres - Presidente
Luiz Roberto Domingo - Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Valdete Aparecida Marinheiro, Rodrigo Mineiro Fernandes (Suplente), Vanessa Albuquerque Valente, Luiz Roberto Domingo (Relator) e Henrique Pinheiro Torres (Presidente).
Nome do relator: LUIZ ROBERTO DOMINGO
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EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. São cabíveis embargos de declaração quando constatada a ocorrência de omissão, obscuridade ou contradição no acórdão. PIS COFINS IMPORTAÇÃO. ALÍQUOTA ZERO. RADIODIFUSÃO. Será reduzida a zero as alíquotas do PISimportação e COFINSimportação nas operações de importação de mercadorias destinadas aos serviços de radiodifusão, por força do artigo 8º, §12, V da Lei nº 10.865/2004. EMBARGOS PROVIDOS. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade, dar provimento parcial aos embargos de declaração, para sanar a contradição no acórdão embargado, com efeitos infringentes, e determinar a aplicação da alíquota zero. Henrique Pinheiro Torres Presidente Luiz Roberto Domingo Relator Participaram do julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Valdete Aparecida Marinheiro, Rodrigo Mineiro Fernandes (Suplente), Vanessa Albuquerque Valente, Luiz Roberto Domingo (Relator) e Henrique Pinheiro Torres (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 31 4. 00 49 61 /2 00 8- 79 Fl. 351DF CARF MF Impresso em 15/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2013 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 26/02/2013 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 15/04/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10314.004961/200879 Acórdão n.º 3101001.279 S3C1T1 Fl. 352 2 Relatório Tratase de embargos de declaração opostos pela Contribuinte, no qual pleiteia sanada contradição, obscuridade e omissão no Acórdão nº 310101.030, de 15/02/2012, quanto à alegação de aplicação da alíquota zero de PIS e COFINS importação para mercadorias destinadas à radiodifusão artigo 8º, §12, V da Lei nº 10.865/2004. Sustenta à Embargante que o houve omissão ao fato de que os bens importados foram destinados aos serviços de radiodifusão, contradição pelo fato do Acórdão ter reconhecido o benefício à empresas que visam lucro e afastou para uma entidade de assistência social, e obscuridade quanto à prova do atendimento aos requisitos da aplicação da alíquota zero. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Roberto Domingo, Relator Conheço do Recurso por atender aos requisitos de admissibilidade. Conforme se verifica dos fundamentos expostos pela Embargante, o Acórdão embargado possui contradição, obscuridade e omissão e merece ser sanado. Primeiramente, quanto à suposta contradição do Acórdão não assiste razão à Embargante. Isto porque, a redução da alíquota prevista no §12 do artigo 8º da Lei 10.865/2004 estabelece critérios objetivos para sua concessão, quais sejam, importação de “máquinas, equipamentos, aparelhos, instrumentos, suas partes e peças de reposição, e películas cinematográficas virgens, sem similar nacional, destinados à indústria cinematográfica e audiovisual, e de radiodifusão”, independentemente da qualidade do contribuinte – critério subjetivo. Veja que o Acórdão embargado não afastou o benefício da alíquota zero pelo fato da Embargante não buscar o lucro, e sim, porque não estaria enquadrada no ramo da indústria cinematográfica e audiovisual, e de radiodifusão. Os serviços de telecomunicações estão disciplinados pelo Código Brasileiro de Telecomunicações Lei nº 4.117/1962 , que define a radiodifusão como espécie do gênero telecomunicação destinado ao recebimento direto e livre pelo público em geral, que compreende radiodifusão sonora e televisiva1. Assim, para que haja a subsunção da norma que prevê a alíquota zero do PIS e COFINS importação, as mercadorias importadas tem de ser destinadas à radiodifusão sonora ou televisão. A obscuridade ocorre porque, conforme estabelecido no Estatuto Social da Embargante, a Fundação tem como objetivo social a execução de serviços de radiodifusão, em quaisquer de suas modalidades, e aberta ao público em geral. O fato é que o Acórdão não se atentou que as mercadorias importadas se destinavam ao serviço de radiodifusão exercido pela 1 Art. 6º Quanto aos fins a que se destinam, as telecomunicações assim se classificam: [...] d) serviço de radiodifusão, destinado a ser recebido direta e livremente pelo público em geral, compreendendo radiodifusão sonora e televisão; [...] Fl. 352DF CARF MF Impresso em 15/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2013 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 26/02/2013 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 15/04/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10314.004961/200879 Acórdão n.º 3101001.279 S3C1T1 Fl. 353 3 Embargante. Conforme bem definiu o MM. Juiz do Mandado de Segurança nº 2008.61.00.0076569 na decisão que deferiu o pedido de liminar para afastar a incidência dos tributos devidos na importação das mercadorias objeto da presente autuação sob o fundamento da imunidade, “no caso em tela, as mercadorias importadas pela Impetrante tratamse de equipamentos relacionados à tecnologia da comunicação inerentes aos projetos sociais mantidos pela entidade, dentre os quais é possível assinalar programações televisivas e de radiodifusão voltadas à abordagem de temas que visam melhorar, em diversos aspectos, a qualidade da população, e promover a capacitação profissional e a educação” (fls. 35/36). E tal informação se confirma pelas descrições das mercadorias informadas na Declaração de Importação, cujas características são de instrumentos utilizados para realização de serviços de radiodifusão. Nesse sentido, o Acórdão restou omisso na apreciação da prova e ensejam a aplicação da norma prevista na Lei 10.865/2004, que reduz a zero as alíquotas do PIS e COFINS importação nas operações de importação de mercadorias destinadas aos serviços de radiodifusão. Diante do exposto, acolho e dou provimento aos Embargos de Declaração, com efeitos infringentes, para reformar em parte o Acórdão embargado e reconhecer a alíquota zero de PISimportação e COFINSimportação incidentes na importação das mercadorias objeto da presente autuação. Luiz Roberto Domingo Fl. 353DF CARF MF Impresso em 15/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2013 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 26/02/2013 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 15/04/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES
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Numero do processo: 10530.723940/2009-82
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 28 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Mar 13 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 30/04/2008 a 30/06/2008
COFINS. REGIME DA NÃO-CUMULATIVIDADE. RESSARCIMENTO DE SALDO CREDOR ORIGINADO DE OPERAÇÕES VINCULADAS À VENDAS EFETUADAS COM INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO. IMPOSSIBILIDADE.
O saldo credor da Cofins obtido com base em créditos relacionados às operações vinculadas às vendas tributadas, regra geral, só pode ser aproveitado diminuindo o valor devido da contribuição.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3401-002.175
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
Júlio César Alves Ramos - Presidente
Odassi Guerzoni Filho - Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Emanuel Carlos Dantas de Assis, Ângela Sartori, Odassi Guerzoni Filho, Fernando Marques Cleto Duarte e Jean Cleuter Simões Mendonça.
Nome do relator: ODASSI GUERZONI FILHO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Júlio César Alves Ramos - Presidente Odassi Guerzoni Filho - Relator Participaram do julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Emanuel Carlos Dantas de Assis, Ângela Sartori, Odassi Guerzoni Filho, Fernando Marques Cleto Duarte e Jean Cleuter Simões Mendonça.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 30/04/2008 a 30/06/2008 COFINS. REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. RESSARCIMENTO DE SALDO CREDOR ORIGINADO DE OPERAÇÕES VINCULADAS À VENDAS EFETUADAS COM INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. O saldo credor da Cofins obtido com base em créditos relacionados às operações vinculadas às vendas tributadas, regra geral, só pode ser aproveitado diminuindo o valor devido da contribuição. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Júlio César Alves Ramos Presidente Odassi Guerzoni Filho Relator Participaram do julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Emanuel Carlos Dantas de Assis, Ângela Sartori, Odassi Guerzoni Filho, Fernando Marques Cleto Duarte e Jean Cleuter Simões Mendonça. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 53 0. 72 39 40 /2 00 9- 82 Fl. 89DF CARF MF Impresso em 13/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2013 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 05/03/201 3 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 06/03/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 2 Relatório Por meio de Pedido Eletrônico de Ressarcimento transmitido eletronicamente em 31/7/2008, a interessada, que atua no ramo de venda, no varejo, de combustíveis e lubrificantes, postulou o ressarcimento de saldo credor da Cofins apurado ao final do 2º trimestre de 2008 após a dedução, da soma dos créditos, do valor devido da contribuição em cada um dos períodos de apuração que compõem o referido trimestre. A DRF em Feira de SantanaBA indeferiu o pedido de ressarcimento sob o argumento de que os créditos em questão não se encaixam na norma prevista pelo artigo 16 da Lei nº 11.116, de 18 de maio de 2005, podendo ensejar apenas sua utilização na diminuição do valor da contribuição devida. Na Manifestação de Inconformidade a interessada defendeu a utilização do crédito em compensação (sic) citando como base legal o artigo 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996; os inciso I e II do artigo 16 da Lei nº 11.116, de 2005; o art. 34 da IN SRF nº 900, de 2008; e o art. 26 da IN SRF nº 460, de 2004. Reproduziu ementa de decisão do STJ sobre compensação de débitos, entendendo lhe socorrer, e, ao final, pediu o reconhecimento do crédito e a “extinção da dívida” (sic). A 4a Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em SalvadorBA manteve o indeferimento, na linha do entendimento da DRF. No Recurso Voluntário a interessada repetiu as mesmas argumentações de sua manifestação de inconformidade. É o Relatório. Fl. 90DF CARF MF Impresso em 13/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2013 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 05/03/201 3 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 06/03/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 10530.723940/200982 Acórdão n.º 3401002.175 S3C4T1 Fl. 3 3 Voto Conselheiro Odassi Guerzoni Filho Despacho da DRF em Feira de SantanaBA dá conta da tempestividade do Recurso Voluntário, que, preenchendo os demais requisitos de admissibilidade, deve ser conhecido. Inicialmente, de afastar da análise a aplicação dos dispositivos legais e infralegais, bem como decisão do STJ colacionada, equivocadamente invocados pela Recorrente em seu auxílio, porquanto não relacionados à matéria em julgamento. Refirome aqui ao artigo 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996; ao art. 34 da IN SRF nº 900, de 2008; e ao art. 26 da IN SRF nº 460, de 2004, visto que tratam eles de compensação de débitos, enquanto que o que está em julgamento é o ressarcimento de créditos da Cofins apurados sob o regime da nãocumulatividade. Créditos esses que, de acordo com as fichas do Demonstrativo de Apuração das Contribuições Sociais (Dacon) anexadas ao processo, tiveram como origem as aquisições no mercado interno e vinculadas à receita tributada no mercado interno, mais especificamente, sobre as rubricas Bens Adquiridos para Revenda, Despesas com Energia Elétrica, Despesas de Aluguéis de Prédios Locados de Pessoa Jurídica, Despesas de Contraprestação de Arrendamento Mercantil, e Depreciação de Bens do Ativo Imobilizado. Ou seja, os créditos em discussão não têm origem em operações que possuam vinculação com vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota zero ou não incidência da Cofins. Mas, a Recorrente entende que seu direito está lastreado nos seguintes dispositivos: à No art. 17 da Lei nº 11.033, de 2004: Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. à Combinandoo com o art. 16 da Lei nº 11.116, de 2005: Art. 16. O saldo credor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurado na forma do art. 3 o das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e do art. 15 da Lei nº 10.865, de 30 de abril de 2004, acumulado ao final de cada trimestre do anocalendário em virtude do disposto no art. 17 da Lei nº 11.033, de 21 de dezembro de 2004, poderá ser objeto de: I compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria; ou Fl. 91DF CARF MF Impresso em 13/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2013 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 05/03/201 3 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 06/03/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 4 II pedido de ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. Parágrafo único. Relativamente ao saldo credor acumulado a partir de 9 de agosto de 2004 até o último trimestrecalendário anterior ao de publicação desta Lei, a compensação ou pedido de ressarcimento poderá ser efetuado a partir da promulgação desta Lei. Ora, da leitura desses dois artigos, depreendese que o pedido de ressarcimento a que alude o inciso II do art. 16 da Lei nº 11.116, de 2005, é para aquele saldo credor que cumpre duas condições cumulativas, quais sejam, a primeira, que tenha sido apurado na forma do art. 3º da Lei nº 10.833, de 29/12/2003, e do art. 15 da Lei nº 10.865, de 2004, e, a segunda, que esse saldo credor tenha se acumulado em virtude da existência de créditos vinculados a operações de vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota zero ou não incidência da Cofins. E, como dito acima, a segunda das condições não foi atendida neste caso, já que os créditos que ensejaram o saldo credor objeto do pedido de ressarcimento estão vinculados apenas às operações de vendas tributadas. Ou, dito de outra forma, a interessada, acertadamente, não postula créditos calculados sobre as aquisições vinculadas às operações de venda efetuadas com suspensão, isenção, alíquota zero ou não incidência, pelo simples fato de que, referindose elas a gasolina, óleo diesel e álcool, há vedação expressa nesse sentido, a teor do contido no inciso I, alínea “a”, do art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003, com a redação dada pelo art. 21 da Lei nº 10.865, de 30 de abril de 2004. Vejamos de que tratam tais dispositivos: [...] Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) a) nos incisos III e IV do § 3o do art. 1o desta Lei; e (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) [...] Art. 1º A Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, com a incidência nãocumulativa, tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. § 3º Não integram a base de cálculo a que se refere este artigo as receitas: [...] III auferidas pela pessoa jurídica revendedora, na revenda de mercadorias em relação às quais a contribuição seja exigida da empresa vendedora, na condição de substituta tributária; IV de venda dos produtos de que tratam as Leis nos 9.990, de 21 de julho de 2000, 10.147, de 21 de dezembro de 2000, 10.485, de 3 de julho de 2002, e 10.560, Fl. 92DF CARF MF Impresso em 13/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2013 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 05/03/201 3 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 06/03/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 10530.723940/200982 Acórdão n.º 3401002.175 S3C4T1 Fl. 4 5 de 13 de novembro de 2002, ou quaisquer outras submetidas à incidência monofásica da contribuição; [...] Vêse, pois, que o saldo credor em discussão submetese à regra geral de aproveitamento dos créditos do regime da nãocumulatividade, qual seja, o da diminuição da contribuição devida, consoante, aliás, preceitua o caput do art. 3º da Lei nº 10.833, de 29/12/2003. Pelo exposto, nego provimento ao recurso. Odassi Guerzoni Filho Relator Fl. 93DF CARF MF Impresso em 13/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2013 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 05/03/201 3 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 06/03/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS
score : 1.0
Numero do processo: 13886.001373/2008-97
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 21 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Sat Mar 16 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2004
PRELIMINAR AFASTADA. NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA.
Somente são consideradas nulas as decisões proferidas com preterição do direito de defesa da parte, nos termos do art. 59, inc. II do Decreto nº 70.235/72.
IRPF. DEDUÇÃO. DESPESA MÉDICA.
Nos termos do art. 8º, § 2º, inc. III da Lei nº 9.250/95, somente podem ser deduzidas as despesas médicas comprovadas por meio de recibo que preencha os requisitos da lei (com indicação do nome, endereço e número de inscrição no CPF ou no CNPJ de quem os recebeu). Quando, porém, os recibos não forem suficientes à comprovação da despesa, cabe ao contribuinte fazer prova - por quaisquer outros meios - de que os recibos correspondem a serviços efetivamente prestados e pagos, sob pena de prevalecer a glosa das referidas despesas.
Numero da decisão: 2102-002.386
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em REJEITAR as preliminares e, no mérito, em NEGAR provimento ao recurso.
Assinado Digitalmente
Giovanni Christian Nunes Campos - Presidente
Assinado Digitalmente
Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti - Relatora
EDITADO EM: 05/12/2012
Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS (Presidente), RUBENS MAURICIO CARVALHO, NÚBIA MATOS MOURA, ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, EIVANICE CANÁRIO DA SILVA.
Nome do relator: ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2004 PRELIMINAR AFASTADA. NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Somente são consideradas nulas as decisões proferidas com preterição do direito de defesa da parte, nos termos do art. 59, inc. II do Decreto nº 70.235/72. IRPF. DEDUÇÃO. DESPESA MÉDICA. Nos termos do art. 8º, § 2º, inc. III da Lei nº 9.250/95, somente podem ser deduzidas as despesas médicas comprovadas por meio de recibo que preencha os requisitos da lei (com indicação do nome, endereço e número de inscrição no CPF ou no CNPJ de quem os recebeu). Quando, porém, os recibos não forem suficientes à comprovação da despesa, cabe ao contribuinte fazer prova - por quaisquer outros meios - de que os recibos correspondem a serviços efetivamente prestados e pagos, sob pena de prevalecer a glosa das referidas despesas.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em REJEITAR as preliminares e, no mérito, em NEGAR provimento ao recurso. Assinado Digitalmente Giovanni Christian Nunes Campos - Presidente Assinado Digitalmente Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti - Relatora EDITADO EM: 05/12/2012 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS (Presidente), RUBENS MAURICIO CARVALHO, NÚBIA MATOS MOURA, ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, EIVANICE CANÁRIO DA SILVA.
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NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Somente são consideradas nulas as decisões proferidas com preterição do direito de defesa da parte, nos termos do art. 59, inc. II do Decreto nº 70.235/72. IRPF. DEDUÇÃO. DESPESA MÉDICA. Nos termos do art. 8º, § 2º, inc. III da Lei nº 9.250/95, somente podem ser deduzidas as despesas médicas comprovadas por meio de recibo que preencha os requisitos da lei (com indicação do nome, endereço e número de inscrição no CPF ou no CNPJ de quem os recebeu). Quando, porém, os recibos não forem suficientes à comprovação da despesa, cabe ao contribuinte fazer prova por quaisquer outros meios de que os recibos correspondem a serviços efetivamente prestados e pagos, sob pena de prevalecer a glosa das referidas despesas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em REJEITAR as preliminares e, no mérito, em NEGAR provimento ao recurso. Assinado Digitalmente Giovanni Christian Nunes Campos Presidente Assinado Digitalmente Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 6. 00 13 73 /2 00 8- 97 Fl. 76DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2013 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 01/03/2013 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 03/03/2013 por GIO VANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS 2 EDITADO EM: 05/12/2012 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS (Presidente), RUBENS MAURICIO CARVALHO, NÚBIA MATOS MOURA, ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, EIVANICE CANÁRIO DA SILVA. Relatório Em face da contribuinte acima identificada foi lavrada a Notificação de Lançamento fls. 35/37 para exigência de IRPF em razão da glosa das despesas médicas deduzidas por ela (estas no total de R$ 76.556,00), no Exercício 2004. Cientificada do lançamento, a contribuinte apresentou a impugnação de fls. 01/16, por meio da qual requereu o seu cancelamento, alegando: a) nulidade do lançamento por falta de motivação; b) nulidade por ausência de suporte legal que o justificasse; c) no mérito, trouxe cópias dos recibos relacionados aos serviços cuja dedução pleiteou; e d) pugnou pela exclusão da aplicação da taxa Selic ao crédito tributário exigido. Na análise de suas alegações, os integrantes da DRJ em São Paulo decidiram pela manutenção parcial do lançamento. Foram rejeitadas as preliminares e, no mérito, foi revisto o valor das glosas de despesas médicas, tendo sido reputada como comprovada a despesa de R$ 740,00 com o Centro de Ultrassom e Radiologia Dr. Olivato Ltda S/C e o Radiologia Clinica de Campinas S/C Ltda.. A contribuinte teve ciência de tal decisão e contra ela interpôs o Recurso Voluntário de fls. 56/65, por meio do qual reiterou os pedidos contidos em sua impugnação no que diz respeito às preliminares de nulidade e também ao mérito (quanto à possibilidade de dedução das despesas). Os autos então foram remetidos a este Conselho para julgamento. É o Relatório. Voto Conselheira Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti, Relatora A contribuinte teve ciência da decisão recorrida em 16.04.2010 – sextafeira, como atesta o AR de fls. 48v.. O Recurso Voluntário foi interposto em 17.05.2010 (dentro do prazo legal para tanto), e preenche os requisitos legais por isso dele conheço. Conforme relatado, tratase de lançamento para exigência de IRPF em razão da glosa de despesas médicas declaradas pela Recorrente. Fl. 77DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2013 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 01/03/2013 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 03/03/2013 por GIO VANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 13886.001373/200897 Acórdão n.º 2102002.386 S2C1T2 Fl. 77 3 Como preliminares de seu recurso, a Recorrente reitera duas questões suscitadas em sede de Impugnação, ambas relacionadas a nulidades no lançamento. A primeira delas diz respeito a uma nulidade no lançamento por não ter o mesmo sido motivado, e a segunda diz respeito à ausência de suporte legal para o mesmo. A decisão recorrida afastou ambas as preliminares, pelos seguintes motivos: 0 contribuinte alega nulidade do lançamento por inobservância dos princípios da legalidade, finalidade, motivação, com ausência de descrição dos fatos geradores e fundamento jurídico de forma clara impossibilitando sua identificação e o exercício da ampla defesa, bem como por ausência de suporte legal. (...) Ao contribuinte foi dada a oportunidade de ampla defesa e do contraditório tanto que a utilizou ao impugnar o lançamento, discorrendo e apresentando cópias de documentos que demonstram seu pleno conhecimento dos fatos apurados pela fiscalização. Pelo exposto, temse, portanto, que a Autoridade Tributária Autuante agiu com estrita observância das normas legais que regem a matéria, não tendo como prosperar as alegações de nulidade do lançamento. Tal entendimento deve ser mantido. Isto porque o fundamento legal para o lançamento está devidamente elencado na Notificação, tanto é assim que a Recorrente teve chance de se defender, e menciona a norma que fundamenta o lançamento em sua Impugnação, de forma que não houve qualquer violação ao seu direito de ampla defesa. Da mesma forma, o lançamento não carece de motivação, pois esta motivação está contida no Código Tributário Nacional, que assim determina: Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Assim é que toda vez que a autoridade fiscal apurar uma infração à lei tributário (no caso, o art. 8º da Lei nº 9.250/95) deverá ela efetuar o lançamento de ofício, exatamente como ocorreu no caso vertente. Por estes motivos, as preliminares suscitadas pela Recorrente não merecem acolhida. Fl. 78DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2013 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 01/03/2013 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 03/03/2013 por GIO VANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS 4 No que diz respeito ao mérito do lançamento aqui em discussão, a Recorrente afirma que os valores gastos com profissionais médicos devem ser por ela deduzidos por se enquadrarem na hipótese legal de dedução. O fundamento para a glosa das despesas declaradas pela Recorrente fora a falta de comprovação das mesmas. Consta da Notificação que a Recorrente fora intimada a comprovar tais despesas, mas quedarase inerte, deixando de apresentar quaisquer documentos que as suportassem, o que implicou na referida glosa. Por ocasião da Impugnação, a Recorrente anexou aos autos os recibos que comprovariam tais despesas, no valor total de R$ 76.556,00, composto pelos seguintes pagamentos: Prestador Valor (R$) Recibo (fls.) CLINICA REIS NETO S/C LTDA 150,00 30 WALTER A. ROSIM 100,00 27 JONAS ANTONIO LIMA 18.000,00 21 AMERICANA SISTEMA ODONTOL.DE SAUDE LTDA 54.000,00 18/19/20 DINO MANUEL SANCHES 3.000,00 22/23/24 JOAO POTERIO FILHO 120,00 29 GUSTAVO A. DE SOUZA MURGEL 150,00 25 MANOEL LOPES BURGOS 80,00 28 EDSON EDUARDO BARBOSA 80,00 26 PREV LAB ANALISES CLINICAS 136,00 31 CENTRO DE ULTRASSON E RADIOL.OLIVATO LTDA 240,00 32 RADIOLOGIA CLINICA DE CAMPINAS S/C LTDA 500,00 33 Deste montante, a decisão recorrida reputou como comprovadas as despesas de R$ 240,00 e R$ 500,00 com o Centro de Ultrassom e Radiologia Dr. Olivato Ltda S/C e o Radiologia Clinica de Campinas S/C Ltda., já que os recibos apresentados preenchiam os requisitos legais para tanto. O argumento utilizado para justificar a não aceitação de todos os demais recibos apresentados foi: Em principio, admitese como prova idônea de pagamentos, os recibos fornecidos por profissional competente, legalmente habilitado e preenchidos com todos os requisitos legais exigidos. No entanto, é de se ter em conta, ao examinar esta questão, que a comprovação das despesas havidas por meio de recibos é muito frágil. A apresentação destes documentos, em muitos casos, deve servir apenas como ponto de partida para a Fl. 79DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2013 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 01/03/2013 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 03/03/2013 por GIO VANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 13886.001373/200897 Acórdão n.º 2102002.386 S2C1T2 Fl. 78 5 comprovação das despesas declaradas, não podendo a autoridade fiscal se satisfazer apenas com eles. Os pagamentos efetuados devem ser especificados e comprovados e os recibos devem conter a informação precisa dos serviços prestados e identificação do beneficiário dos mesmos. A simples apresentação dos recibos de despesas médicas não comprova a efetividade do pagamento ou dos serviços prestados pelos profissionais. A prova definitiva e incontestável das despesas é feita com a apresentação de documentos que comprovem a transferencia de numerário (o pagamento) e dos documentos que comprovem a realização do serviço (radiografias, receitas médicas, exames laboratoriais, notas fiscais de aquisição de remédios e outras). A apresentação de recibos, por si só, como já dito acima, não tem a capacidade de provar a prestação de serviços e o pagamento dos mesmos. Quanto aos documentos apresentados, temos que: a) Os recibos emitidos pela Americana Sistema Odontológico de Saúde Ltda, As fls. 18/20, não especificam o tratamento e não identificam o beneficiário de tais tratamentos. Observase que os recibos com datas mais recentes têm numeração menor; b) 0 recibo emitido por Jonas Antonio Lima, As fls. 21, não especifica o tratamento e não identifica o beneficiário do tratamento. c) Os recibos emitidos por Dino Manuel Sanches, às fls. 22/24, não especificam o tratamento realizado. d) O recibo emitido por Gustavo A de Souza Murgel, às fls. 25, identifica um beneficiário do tratamento que não foi declarado como dependente do contribuinte. e) 0 recibo emitido por Edson Eduardo Barbosa, As fls. 26, não identifica o beneficiário do tratamento e não consta o endereço do profissional. 1) O recibo emitido por Walter A Rosim, as fls. 27, não identifica o beneficiário do tratamento e não consta o endereço do profissional. g) 0 recibo emitido por Manoel Lopes Burgos, As fls. 28, não identifica o beneficiário do tratamento. h) 0 recibo emitido por João Potério Filho, às fls. 29, não especifica o tratamento realizado. i) A Nota Fiscal emitida por Clinica Reis Neto S/C Ltda, As fls. 30, não identifica o registro do profissional no Conselho Regional relativo 6. sua atividade. Fl. 80DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2013 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 01/03/2013 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 03/03/2013 por GIO VANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS 6 j) recibo emitido pela Prey Lab Análises Clinicas, as fls. 31, não apresenta o endereço do profissional/empresa. k) Quanto a Nota Fiscal emitida pelo Centro de Ultrassom e Radiologia Dr. Olivato Ltda S/C e o Recibo emitido por Radiologia Clinica de Campinas S/C Ltda, às fls. 32/33, por preencherem todos os requisitos legais em seu original, podem ser acolhidos para efeito de dedução de despesa pleiteada, no valor total de R$ 740,00. Tal decisão merece ser mantida. De fato, a legislação fiscal prevê que para que o contribuinte possa se beneficiar da dedução de suas despesas médicas do Imposto de Renda, deverá ele ter em mãos, além dos recibos competentes (que devem preencher os requisitos da lei), quaisquer outros documentos que demonstrem, ainda que minimamente, a efetividade dos serviços prestados, bem como o seu pagamento. Sem que tais provas sejam feitas, está correta a glosa das despesas médicas não comprovadas. É o que determina o art. 8º da Lei nº 9.250/95: Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: (...) II das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias; (...) § 2º O disposto na alínea a do inciso II: I aplicase, também, aos pagamentos efetuados a empresas domiciliadas no País, destinados à cobertura de despesas com hospitalização, médicas e odontológicas, bem como a entidades que assegurem direito de atendimento ou ressarcimento de despesas da mesma natureza; II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Geral de Contribuintes CGC de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; IV não se aplica às despesas ressarcidas por entidade de qualquer espécie ou cobertas por contrato de seguro; (...) No caso em exame, a Recorrente trouxe aos autos os recibos emitidos pelos profissionais em comento (cf. demonstrado acima), os quais – como salientado no trecho Fl. 81DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2013 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 01/03/2013 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 03/03/2013 por GIO VANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 13886.001373/200897 Acórdão n.º 2102002.386 S2C1T2 Fl. 79 7 acima, extraído da decisão recorrida não são aptos a comprovar que as despesas em questão são dedutíveis por ela. Vale ressaltar ainda que nos casos das despesas odontológicas, diante da expressividade dos valores despendidos, caberia à Recorrente ter trazido outros documentos que demonstrassem e justificassem as despesas em questão, mormente quando a decisão recorrida foi bastante enfática e explícita quanto às razões para que os recibos apresentados não fossem aceitos. Por isso, entendo que devem ser mantidas as glosas efetuadas através do lançamento em exame. Diante do exposto, VOTO no sentido de REJEITAR as preliminares suscitadas para, no mérito NEGAR provimento ao Recurso. Assinado Digitalmente Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti Fl. 82DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2013 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 01/03/2013 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 03/03/2013 por GIO VANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS
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Numero do processo: 10680.722860/2011-19
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 04 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF
Ano calendário: 2007
PAGAMENTO A BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO OU SEM CAUSA.
A lei prevê a tributação exclusiva na fonte, à alíquota de 35%, incidente sobre a base reajustada decorrente de todo pagamento efetuado pela pessoa jurídica,quando não for identificado o seu beneficiário, aplicando se também aos recursos entregues a terceiros ou sócios, acionista ou titular, contabilizado ou
não, quando não for comprovada a operação ou a sua causa.
Não existindo provas suficiente nos autos para corroborar o fundamento adotado pelo Fisco de “pagamento a beneficiário não identificado ou sem causa”, deve ser afastada essa tributação.
Assunto: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA – IRPJ
Ano calendário: 2007
OPERAÇÃO DE EXPORTAÇÃO PARA PESSOAS VINCULADAS. INTERMEDIAÇÃO INEXISTENTE.
As provas constantes dos autos evidenciam a ausência de efetividade das operações realizadas entre a matriz e a filial, de sorte que as receitas e despesas relacionadas à operação devem ser computadas pela matriz, no Brasil.
MULTA QUALIFICADA
A organização das atividades do contribuinte, quando não representam operações efetivas, devem ser desconsideradas para fins fiscais, mas não configuram ilícitos passíveis que qualificação da multa.ESTIMATIVAS. FALTA DE RECOLHIMENTO. MULTA ISOLADA.
A infração relativa ao não recolhimento da estimativa mensal caracteriza etapa preparatória do ato de reduzir o imposto no final do ano. Pelo critério da consunção, a primeira conduta é meio de execução da segunda. O bem jurídico mais importante é sem dúvida a efetivação da arrecadação tributária,atendida pelo recolhimento do tributo apurado ao fim do ano calendário,e o bem jurídico de relevância secundária é a antecipação do fluxo de caixa do governo, representada pelo dever de antecipar essa mesma arrecadação.
Precedentes.
TRIBUTAÇÃO DECORRENTE. Aplica se o decidido em relação ao tributo
principal ao lançamento de CSLL, em razão da estreita relação de causa e efeito.
Recurso de ofício desprovido.
Recurso voluntário parcialmente provido.
Numero da decisão: 1402-001.122
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para:1)reduzir a base de cálculo tributada ao valor do lucro apurado pela empresa Acesita IE no ano calendário de 2007, 2)reduzir a multa de ofício ao percentual de 75%; e 3)cancelar a multa isolada, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencido o Conselheiro Leonardo de Andrade Couto que votou por manter integralmente a exigência. Em primeira votação, ficaram vencidos os Conselheiros Moisés Giacomelli Nunes da Silva e Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira que davam provimento ao recurso. O Conselheiro Antonio José Praga de Souza apresentou declaração de voto.
Nome do relator: CARLOS PELA
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Recorrida 2ª Turma da DRJ/BHE ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 2007 PAGAMENTO A BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO OU SEM CAUSA. A lei prevê a tributação exclusiva na fonte, à alíquota de 35%, incidente sobre a base reajustada decorrente de todo pagamento efetuado pela pessoa jurídica, quando não for identificado o seu beneficiário, aplicandose também aos recursos entregues a terceiros ou sócios, acionista ou titular, contabilizado ou não, quando não for comprovada a operação ou a sua causa. Não existindo provas suficiente nos autos para corroborar o fundamento adotado pelo Fisco de “pagamento a beneficiário não identificado ou sem causa”, deve ser afastada essa tributação. Assunto: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA – IRPJ Anocalendário: 2007 OPERAÇÃO DE EXPORTAÇÃO PARA PESSOAS VINCULADAS. INTERMEDIAÇÃO INEXISTENTE. As provas constantes dos autos evidenciam a ausência de efetividade das operações realizadas entre a matriz e a filial, de sorte que as receitas e despesas relacionadas à operação devem ser computadas pela matriz, no Brasil. MULTA QUALIFICADA A organização das atividades do contribuinte, quando não representam operações efetivas, devem ser desconsideradas para fins fiscais, mas não configuram ilícitos passíveis que qualificação da multa. Fl. 5209DF CARF MF Impresso em 27/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/09/2012 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 13/09/2012 por CARL OS PELA, Assinado digitalmente em 25/09/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 14/09/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 10680.722860/201119 Acórdão n.º 1402001.122 S1C4T2 Fl. 2 2 ESTIMATIVAS. FALTA DE RECOLHIMENTO. MULTA ISOLADA. A infração relativa ao não recolhimento da estimativa mensal caracteriza etapa preparatória do ato de reduzir o imposto no final do ano. Pelo critério da consunção, a primeira conduta é meio de execução da segunda. O bem jurídico mais importante é sem dúvida a efetivação da arrecadação tributária, atendida pelo recolhimento do tributo apurado ao fim do anocalendário, e o bem jurídico de relevância secundária é a antecipação do fluxo de caixa do governo, representada pelo dever de antecipar essa mesma arrecadação. Precedentes. TRIBUTAÇÃO DECORRENTE. Aplicase o decidido em relação ao tributo principal ao lançamento de CSLL, em razão da estreita relação de causa e efeito. Recurso de ofício desprovido. Recurso voluntário parcialmente provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para:1)reduzir a base de cálculo tributada ao valor do lucro apurado pela empresa Acesita IE no ano calendário de 2007, 2)reduzir a multa de ofício ao percentual de 75%; e 3)cancelar a multa isolada, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencido o Conselheiro Leonardo de Andrade Couto que votou por manter integralmente a exigência. Em primeira votação, ficaram vencidos os Conselheiros Moisés Giacomelli Nunes da Silva e Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira que davam provimento ao recurso. O Conselheiro Antonio José Praga de Souza apresentou declaração de voto. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente (assinado digitalmente) Carlos Pelá Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Leonardo de Andrade Couto. Fl. 5210DF CARF MF Impresso em 27/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/09/2012 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 13/09/2012 por CARL OS PELA, Assinado digitalmente em 25/09/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 14/09/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 10680.722860/201119 Acórdão n.º 1402001.122 S1C4T2 Fl. 3 3 Relatório Tratase de autos de infração de IRPJ, CSLL, IRRF e de multas isoladas pela falta de recolhimento de estimativas mensais de IRPJ e CSLL, cumulados com multa de ofício qualificada, relativos a fatos geradores ocorridos nos meses de julho a dezembro de 2007. Contanos o Termo de Verificação Fiscal (“TVF”, fl. 60/132), que o procedimento de fiscalização focaliza operações de exportação efetuadas pela contribuinte autuada ao longo do ano de 2007, em especial as exportações cujos registros informavam como país de aquisição da mercadoria a região autônoma da Ilha da Madeira, em Portugal, implicando tal fiscalização nas constatações do extenso relatório fiscal que passo a resumir: Da empresa fiscalizada: Breve histórico corporativo e atuação no mercado internacional ArcelorMittal Inox Brasil S/A é a denominação atual da outrora chamada Acesita S/A, cuja atividade principal é a produção e distribuição de aços planos especiais (inoxidáveis). A contribuinte faz parte do grupo AcerlorMittal (“Grupo”), considerado o maior produtor de aço do mundo, com presença em cerca de 60 países da África, Ásia, Europa e Américas, cuja origem teve início em 2006, após fusão operada entre os dois gigantes mundiais do aço, o grupo europeu Arcelor e o grupo indiano Mittal Steel. No ano de 2007 a Acesita S/A (i) anunciou sua mudança de denominação para ArcelorMittal Inox Brasil S/A e (ii) fechou seu capital, passando seu controle societário para duas subsidiárias estrangeiras do Grupo, sendo o percentual de 30,50% pertencente à ArcelorMittal France (França) e 69,50% à ArcelorMittal Spain Holding (Espanha) (Vide demonstrações contábeis em 31/12/2007 e 2006 às fl. 4244/4293 e fls. 4370/4442, documentos societários fls. 4295/4328). A contribuinte, tal como sua controladora mundial, detinha, ao final de 2007, uma estrutura societária que contemplava a participação societária em diversas empresas no Brasil e no exterior (vide organograma às fl. 66 do TVF), destacandose a participação – iniciada naquele ano – em duas empresas estrangeiras então recém constituídas, a saber: Acesita Holding BV (Holanda) e Acesita Import e Exports Ltda. (Ilha da Madeira – doravante denominada “Acesita IE”). Conforme informação fornecida pela empresa em seu Relatório Anual, parcialmente reproduzido no TVF às fls. 63/66 (fl. 4443/4592), em 2007 a autuada destinou 42% de suas vendas ao mercado externo, contando com o apoio da empresa ArcelorMittal Stainless International (França), braço exportador do Grupo, na consecução de seus resultados (fl. 4593). Fl. 5211DF CARF MF Impresso em 27/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/09/2012 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 13/09/2012 por CARL OS PELA, Assinado digitalmente em 25/09/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 14/09/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 10680.722860/201119 Acórdão n.º 1402001.122 S1C4T2 Fl. 4 4 Quanto à atuação no mercado internacional, o TVF destacou, em especial, o fato divulgado pela empresa referente à sua estrutura de venda no exterior (escritório de vendas) mantida na cidade de São Paulo, com identificação dos emails, telefones de contato, área internacional de autuação e nome dos funcionários respectivos que respondiam pelas vendas externas (denominados traders) (fl. 4294 e 4329). Do paraíso fiscal: conceito, suas sociedades comerciais (offshore company) e reflexos no nosso ordenamento tributário. Após discorrer longamente sobre os conceitos de paraíso fiscal e de sociedade offshores, o TVF termina por concluir que a Ilha da Madeira encontrase devidamente enquadrada e listada pelo nosso ordenamento tributário como paraíso fiscal, conforme IN SRF nº. 188/2002 e IN RFB nº. 1.037/2010 (relaciona documentos sobre a Ilha da Madeira às fls. 4330/4337). Menciona ainda o acordo para evitar bitributação firmado entre Brasil e Portugal (ratificado pelo Decreto nº. 4012/2001, fls. 4655/4664), para registrar que este não alcança qualquer pessoa que tenha obtido vantagens fiscais sobre rendimentos auferidos na Zona Franca da Ilha da Madeira. Da controlada no exterior: Acesita IE Contanos o relatório que a Acesita IE foi adquirida em 3/07/2007 pela contribuinte, com a participação da Acesita Holding BV, sediada na Holanda, país com que o Brasil também mantém acordo para evitar bitributação. A aquisição se dera por meio da cessão de cotas, efetivadas pelas empresas Hermitage Worldwide Investments Inc. e a Multiventure Capital Inc., ambas sediadas nas Ilhas Virgens Britânicas (também paraíso fiscal). Tais empresas detinham o controle sobre a firma Vanburren Management – Consultoria e Serviços Ltda., constituída desde 30/12/1999, que, menos de dois meses após a cessão de cotas, teve sua denominação alterada para Acesita Imports e Exports Ltda (Acesita IE). No momento da alteração do contrato social da empresa para mudança de denominação não foram alterados seu endereço (Av. Arriaga, 77, Ed. Marina Fórum, sala 605, Funchal – Ilha da Madeira) ou seu objeto social, que continha a “atividade de importação e exportação de qualquer espécie de mercadorias”. Na oportunidade, as empresas que detinham seu controle societário cederam, cada uma, cotas no valor de 2.500 euros à Acesita Holding BV, passando esta à condição titular e única sócia, após a unificação autorizada das cotas da sociedade em cota única de 5.000 euros. Em ato concomitante, a Acesita IE fora transformada em sociedade unipessoal por cotas, ficando seu registro de firma na Zona Franca da Madeira identificado como Acesita – Imports e Exports, Sociedade Unipessoal Ltda (fl. 4351/4356). No mesmo documento que consagra tais alterações contratuais, verificouse a manutenção dos antigos gerentes (nãoremunerados e residentes em Funchal – Ilha da Madeira) da Vanburrem Management – Consultoria e Serviços Ltda, como gerentes da Acesita IE, a saber: João José de Freitas Rodrigues e Roberto Carlos Castro Abreu. Fl. 5212DF CARF MF Impresso em 27/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/09/2012 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 13/09/2012 por CARL OS PELA, Assinado digitalmente em 25/09/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 14/09/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 10680.722860/201119 Acórdão n.º 1402001.122 S1C4T2 Fl. 5 5 Diante disso, o TVF conclui que as pessoas (tanto físicas como jurídicas) envolvidas nessa seqüência de eventos são, na verdade, agentes que, sob um “escritório de negócios”, ofertam sociedades offshores na Ilha da Madeira a não residentes. Conclui, ainda, que, sendo a Acesita IE era controlada 100% pela Acesita Holding BV que, por sua vez, era controlada 100% pela autuada, as pessoas jurídicas indicadas estiveram, durante todo segundo semestre do anocalendário 2007, controladas pela mesma pessoa jurídica interessada. Pontua, também, os seguintes fatos: 1) Contando com o capital social integralizado de apenas 5.000 euros, a Acesita IE teria intermediado, a partir da Zona Franca da Madeira, um volume de venda de aço inox da ordem de 55 MM de euros, o que lhe proporcionara, no ano de 2007, um lucro líquido publicado de cerca de 3,5 MM de euros nas supostas operações de compra e venda. Questionada sobre a destinação do lucro obtido pela sua controlada Acesita IE naquele ano, a fiscalizada afirmou que o mesmo fora retido para transição ao exercício seguinte, quando então fora distribuído, sob a forma de dividendos isentos, à sua sócia única sediada na Holanda, informando ainda, na oportunidade, não ter havido distribuição do lucro no Brasil. 2) Com o objeto social voltado para operações de trading company, a controlada Acesita IE não possuía estrutura operacional compatível com o volume de operações que se propusera a executar. Sua estrutura física resumiase a alguns equipamentos e mobiliário, sendo que no local da sede da Acesita IE também eram formalmente sediadas outras empresas, tidas como “escritórios de negócios”. Em meados de 2008, o endereçosede da empresa foi alterado, migrando para o outro edifício da mesma avenida, quando passou a compartilhar a locação com outra sociedade intitulada MCS – Madeira Corporate Services S/A (“MCS”) que, por sua vez, oferece como serviço a constituição e gestão de sociedades offshore (fl. 4338). Tal empresa é representada/administrada por José Ambrosio Delgado Jardim, tendo, ainda, como objeto social a prestação dos serviços de contabilidade. Ademais, foi verificado que o novo endereçosede, que seria compartilhado com a MCS, já figurava como endereço sede de outra sociedade (Skadden – Consult. E Serviços Ltda), que também aparece suportando despesas administrativas de pequena monta, com o repasse do custo respectivo à Acesita IE, conforme detalhado mais adiante no TVF. 3) O endereçosede da Acesita IE ao longo do ano de 2007 também consta como sendo o mesmo de uma série de outras empresas, de constituição formal semelhante à Acesita IE, quase sempre representadas nos atos contratuais pela mesma pessoa, Sr. Roberto Carlos Castro Abreu, sendo tal pessoa também vinculada à supracitada sociedade MCS (fl. 4357/4369). 4) Em um dos registros averbados pela Acesita IE na Conservatória do Registro Comercial da ZF da Madeira, cujo conteúdo trata da deliberação sobre a transição do lucro obtido pela empresa em 2007 para o exercício seguinte, constara, como único representante a Acesita Holding BV, o mesmo José Ambrosio Delgado Jardim, com registro profissional no mesmo endereço já comentado. Essa mesma pessoa, na condição de administrador da MCS, assinou com a Acesita IE contrato de locação e cessão compartilhada, referente ao endereçosede para onde foi transferida a empresa em 2008 (fl.533/539). Além disso, essa mesma pessoa representa as empresas Multiventure e Hermitage (Ilhas Virgens Britânicas) no já mencionado evento em que tais empresas fizeram a cessão de cotas da Acesita IE à Acesita BV Holding. O endereçosede em referência também é sede da empresa Mulhacen Fl. 5213DF CARF MF Impresso em 27/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/09/2012 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 13/09/2012 por CARL OS PELA, Assinado digitalmente em 25/09/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 14/09/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 10680.722860/201119 Acórdão n.º 1402001.122 S1C4T2 Fl. 6 6 Consultadoria e Serviços S/A – mais uma sociedade representada por Roberto Carlos Castro Abreu (fl. 4361). 5) Os recursos humanos de que dispusera a Acesita IE para a prática do seu objeto social de intermediação comercial resumiase a gerentes “nãoremunerados”, cuja função era de representação da sociedade, quando não nomeados outros representantes legais. A Roberto Carlos Castro Abreu e João José de Freitas Rodrigues, vieram se juntar outros 5 (cinco) gerentes com poderes para praticar atos de gestão da sociedade, dos quais 4 (quatro) eram residentes no Brasil, remunerados e ocupantes de cargos de direção na empresa autuada. A ausência de corpo funcional próprio ficou latente durante a fiscalização, quando, intimada a apresentar comprovantes de despesas operacionais típicas de intermediação comercial, a fiscalizada apresentou uma nota de débito, indicativa de despesas terceirizadas, emitida contra a Acesita IE pela empresa Skadden – Consult. E Serviços Ltda. Do valor total da nota (9.968,77 euros), somente 700 euros mensais foram pagos a título de salários, valor irrisório se comparado ao volume de operações intermediadas pela trading (fl. 540/541). Ao afirmar ter utilizado os serviços previamente contratados da empresa Skadden, a fiscalizada atestou a inexistência de estrutura operacional. 6) A Acesita IE sequer tinha site na rede mundial de computadores (Internet) onde pudesse promover e divulgar sua atividade. 7) Um dia após sua constituição, a Acesita IE emitiu uma ordem de refaturamento, referente a um embarque de exportação de aço inox, saído de sua controladora no Brasil para um cliente no Equador, muito embora não tenha havido tempo hábil para a suposta intermediação de tal operação. 8) A fiscalizada não apresentou qualquer documento que demonstrasse a existência fática de um histórico negocial de intermediações comerciais realizadas pela Acesita IE. Provocada pela fiscalização a apresentar, dentre outros documentos, a lista de clientes com os quais a Acesita IE teria efetivado intermediação comercial, a autuada afirmou que “por se tratar de uma empresa do Grupo não pode praticar operações de importação junto a outra empresas no Brasil e no exterior”. 9) Não foram apresentados documentos que comprovassem a despesa com a manutenção de uma estrutura operacional mínima por parte da Acesita IE, compatível com o volume de exportações realizadas. A fiscalizada apresentou somente uma relação contendo os supostos gastos da Acesita IE com agentes de comércio exterior, cujo conteúdo desperta atenção, já que a maior prestadora de serviços foi outra subsidiária do Grupo Arcelor Stainless International (França), a quem cabe o papel de distribuidora mundial do segmento de aço inox produzido pelo Grupo (Fl. 542/554). 10) Uma vez verificada que a maior parcela das exportações em aço inox em 2007 foi remetida diretamente pela exportadora de fato no Brasil (a autuada) a compradores sediados em países das Américas Central e do Sul, não há razoabilidade econômica na posição geográfica da empresa intermediadora Acesita IE. Dentre os trechos de respostas apresentadas pela autuada à fiscalização no curso do procedimento fiscal, destacase a Resposta ao TIF º. 003 (fl. 308) em que foi solicitado à autuada apresentar as demonstrações financeiras levantadas pelas controladas (Acesita BV Holding e Acesita IE), que retratem eventuais lucros no exterior adicionados ao lucro líquido da controladora no Brasil (balanço final de 2007), ocasião em que a autuada Fl. 5214DF CARF MF Impresso em 27/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/09/2012 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 13/09/2012 por CARL OS PELA, Assinado digitalmente em 25/09/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 14/09/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 10680.722860/201119 Acórdão n.º 1402001.122 S1C4T2 Fl. 7 7 apresentou as demonstrações solicitadas e esclareceu que as mesmas não foram transcritas no Livro Diário tendo em vista entendimento de que referida obrigação acessória não se aplica ao caso concreto em razão do Tratado contra a dupla tributação celebrado entre o Brasil e a Holanda (Decreto nº. 355/91). É de se notar também, a Resposta ao TFV nº. 004 (fl.555/591) em que a autuada informa que os lucros auferidos pela Acesita IE, no exercício de 2007, totalizando 3.489.541,28 de euros foram, segundo deliberação da Gerência tomada em reunião de 21/05/2008, (i) parcialmente destinados à formação de reserva legal, no valor de 2.500,00 euros, nos termos do art. 218 do Código de Sociedades português; e (ii) parcialmente retidos, transitando o valor de 3.487.041,28 de euros , para o exercício seguinte pela Sociedade. Posteriormente, em 24/11/2008, a Sócia única, Acesita Holding BV, deliberou a distribuição de dividendos com base nos lucros retidos, no valor de 3.487.041,28 de euros, não tendo em 2008 ocorrido distribuição para o Brasil. Das operações de exportação e do modus operandi Durante o procedimento fiscal receberam especial atenção as exportações realizadas em 2007 pela autuada, cujos registros no Siscomex indicavam (i) país de aquisição: Portugal (Ilha da Madeira), (ii) importador: Acesita IE e (iii) país de destino diverso do país aquisição. Apurouse então o valor aproximado de 65 MM de dólares em operações, iniciados em julho, mês em que a autuada adquiriu a Acesita IE. A fiscalização recebeu cópias de documentos de exportação que demonstravam a operação triangular envolvendo a autuada, a Acesita IE (importadora formal) e os importadores finais (importadores de fato) localizados na América do Sul, os quais recebiam a mercadoria importada diretamente do Brasil. Tais documentos englobavam: 1) Notas fiscais que guiaram o produto da unidade industrial da autuada (TimóteoMG) até o ponto alfandegado de saída das mercadorias ao exterior, nas quais constava como cliente a Acesita IE; 2) Fatura comercial (Commercial Invoice) numerada, de emissão da autuada (então denominada Acesita S/A) contra a Acesita IE; 3) Refatura (reinvoicing), emitida pela Acesita IE, que, no entanto, contém o mesmo leiaute, numeração e data de emissão da Fatura Comercial emitida pela autuada; 4) Outros instrumentos instrutivos das Declarações de Exportação (“DDE”), tais como packing list, conhecimentos de carga, de transporte, etc. A autuada apresentou a relação de todos os embarques realizados no ano de 2007, que, por sua vez, foram planilhados pela fiscalização (Planilha de embarques e Receitas Omitidas – fl. 133/164). Tal planilha contempla também informações extraídas do Siscomex contendo, dentre outros: Fl. 5215DF CARF MF Impresso em 27/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/09/2012 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 13/09/2012 por CARL OS PELA, Assinado digitalmente em 25/09/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 14/09/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 10680.722860/201119 Acórdão n.º 1402001.122 S1C4T2 Fl. 8 8 1) O número do embarque, que representa a identificação interna conferida pela atuada à sua exportação e que, geralmente, foi o mesmo número atribuído aos documentos de Fatura Comercial e Refatura envolvidos na operação triangular; 2) Data do embarque da mercadoria, que, conforme o regulamento aduaneiro, também representa a data do fato gerador; 3) País de aquisição e país de destino; 4) O importador registrado no Siscomex, que in casu, é a Acesita IE; 5) O número da DDE e a identificação dos respectivos Registros de Exportação (“RE’s”) que a integram; 6) valor da mercadoria em dólares americanos (USD) e a correspondente conversão para reais na data da saída da mercadoria; 7) Valores apurados pela fiscalização a título de receitas omitidas pela autuada, obtidos a partir da diferença entre o valor efetivamente pago pelo cliente final e o valor declarado pela autuada em seus registros de exportação. Os documentos de exportação fornecidos pela autuada foram anexados ao TVF, devidamente identificados pelo número de embarque atribuído pela autuada (fl. 338 e sgts.). Através do cotejo de tais documentos e informações, foram mapeadas as operações de exportação envolvendo a autuada e a Acesita IE, apurandose que: a) Nos RE’s a autuada registrava como importadora formal a sua controlada Acesita IE. Entretanto, as mercadorias eram remetidas diretamente pela autuada, no Brasil, aos compradores finais localizados em diversos países. Para tanto, fazia uso de pontos de saída alfandegados no Brasil: fronteira terrestres, em especial Uruguaiana, Foz do Iguaçu e Santana do Livramento (quando envolvidos compradores do Mercosul), portos no RJ e ES (no caso de compradores localizados em países de acesso marítimo na América Latina, Europa e Ásia). b) Na saída física do país, especialmente nos pontos alfandegados de saídas terrestres, juntamente com extrato da DDE e as notas fiscais, a autuada entregava (i) Fatura Comercial, consignando a mercadoria à Acesita IE e (ii) outro documento (chamado pela fiscalização de Refatura) em que a Acesita IE destinava o produto ao comprador final, sediado em país terceiro. c) A Fatura Comercial e a Refatura eram confeccionadas com extrema semelhança em suas informações: mesmo leiaute e tipografia, mesmo número de referência e mesma data de emissão. E, nas vezes em que se encontravam “firmadas”, continham assinaturas da mesma grafia, indicando terem sido ambas confeccionadas no Brasil, conforme exemplos ilustrados no TVF. d) Na Refatura era registrado um valor em dólar americano entre 10 e 11% superior ao valor consignado na Fatura Comercial da autuada. Fl. 5216DF CARF MF Impresso em 27/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/09/2012 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 13/09/2012 por CARL OS PELA, Assinado digitalmente em 25/09/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 14/09/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 10680.722860/201119 Acórdão n.º 1402001.122 S1C4T2 Fl. 9 9 e) Na Refatura era sempre consignado um prazo para recebimento inferior ao prazo conferido para a Acesita IE pela autuada. Assim, os recursos dos compradores finais alimentavam primeiro a conta da Acesita IE no exterior que, posteriormente, transferia parte dos recursos para uma conta da autuada no exterior (ambas as contas no Banco JP Morgan Chase NY), lá permanecendo a diferença entre Fatura Comercial e Refatura, traduzida no lucro de aproximadamente 10%, obtido na operação triangular. As transferências parciais efetuadas no exterior dos recursos da conta da Acesita IE para a conta da autuada serviam para (i) que esta fechasse os contratos de câmbio afetos às exportações que ela formalmente consignara no Siscomex à Acesita IE e (ii) para pagamentos diretos à importações feitas pela autuada, conforme informações por ela prestadas. f) A autuada, através do seu escritório comercial em São Paulo, providenciava apólices de seguro para as mercadorias exportadas e enviadas diretamente aos compradores finais, incluindo, no valor do seguro, o lucro da operação adicionado de uma margem de 10% sobre o valor total da Refatura. Constavam no corpo do Certificado de Seguro de Transporte as informações de (i) beneficiário: Acesita IE, (ii) consignatário: comprador final, (iii) valor segurado: Valor em dólares contido na Fatura Comercial emitida pela autuada + lucro esperados (que juntos correspondiam ao valor da Refatura acrescidos de 10% de margem adicional, calculada sobre o valor total da Refatura). Os documentos analisados pela fiscalização, em especial Fatura Comercial, Refatura e Apólices de Seguros de Transporte, também se encontram anexados aos autos (fl.592/601, fl. 602/620, fl. 621/915, fl. 916/1295, fl. 1296/1761, fl. 1762/2170, fl. 2171/2496, fl. 2497/2879, fl. 2498/3273, fl. 3274/3660, fl. 3661/4071, fl. 4072/4115). Afirma a fiscalização que não existia venda efetiva entre a autuada e a Acesita IE, sendo que a falsa intermediação operada pela Acesita IE apenas camuflava uma venda direta de maior valor, realizada entre a autuada e seus clientes compradores finais. Acrescenta que a operação triangular estaria visando o alcance de vantagens tributárias ilícitas por parte da autuada. Em resumo, a fiscalização lista os elementos que a levaram a caracterizar a ilícita operação triangular, a saber: (i) mesma assinatura na Fatura Comercial emitida pela autuada e na Refatura supostamente emitida pela Acesita IE; (ii) mesmo leiaute; (iii) o valor da Fatura Comercial é 10% inferior ao efetivamente pago pelo comprador final; (iv) o prazo de recebimento da mercadoria constante da Refatura é sempre inferior ao prazo de recebimento fixado pela autuada para a Acesita IE; (v) a mercadoria é remetida diretamente pela autuada ao comprador final (a quem chama importador de fato); e (vi) ausência de racionalidade econômica na aparente intermediação comercial realizada pela Acesita IE, em face de sua localização desfavorável em relação aos importadores de fato. Dos ilícitos fiscais e da matéria tributável Neste tópico, a fiscalização conclui afirmando que a autuada, sob a prática de intermediação comercial simulada, utilizarase de sua controlada Acesita IE, sediada em Paraíso Fiscal, para que se interpusesse apenas formalmente entre as exportações por ela realizada a seus cliente importadores de fato, de forma a ocultar o valor real da operação de exportação, subfaturando e omitindo receitas, e viabilizando a transferência ao exterior de parcela de seu lucro não oferecida à tributação no Brasil. Fl. 5217DF CARF MF Impresso em 27/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/09/2012 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 13/09/2012 por CARL OS PELA, Assinado digitalmente em 25/09/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 14/09/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 10680.722860/201119 Acórdão n.º 1402001.122 S1C4T2 Fl. 10 10 Afirma que a Acesita IE atua como típica central de refaturamento, que pode ser traduzido na intervenção apenas formal nas operações de exportação, não tendo as mercadorias sequer transitado pela Ilha da Madeira. Assim, a Acesita IE, bem como fazem usualmente outras empresas situadas em paraísos fiscais, teria o objetivo único de refaturar o valor de operações comerciais com conseqüente evasão fiscal. Ressalta que, normalmente constituídas de direito, mas inexistentes de fato, esse tipo de empresa se caracteriza por não ter um corpo operacional efetivo, sendo as mercadorias envolvidas nas transações sempre remetidas diretamente da exportadora de fato às compradoras finais. Nota que a fiscalizada não comprovou ter havido qualquer intermediação comercial efetiva por parte da Acesita IE. Assim, sem histórico comercial e sem corpo operacional e funcional, a Acesita IE teria apenas reemitido o faturamento das exportações da autuada aos importadores de fato, efetuando o repasse financeiro dos valores envolvidos e fazendo parecer ter ocorrido o evento da intermediação. Entende que, para exercício desse papel protocolar, convergem as provas relativas às únicas despesas de maior vulto da Acesita IE, quais sejam: supostos pagamentos a agentes de comércio exterior, já que tais despesas correspondem a repasses financeiros à Arcelor Stainless International (França), que exercia, naquela oportunidade, papel de distribuidora mundial de aço inox do Grupo. Destaca que despesas de tal natureza também estão registradas na contabilidade da autuada, lembrando que esta ainda mantém uma estrutura própria para operacionalizar operações de comércio exterior sediada em São Paulo (traders). Nota também que toda essa estrutura triangular ocorreu no âmbito do mesmo grupo econômico. Ademais, destaca que não basta a comprovação da existência formal da offshore Acesita IE, sendo necessário que esta se apresente operativa no mundo real dos negócios, ou, do contrário, serviria de “fachada”, com propósito único de transferir lucros da autuada, não oferecidos à tributação no Brasil. Afasta a aplicação dos dispositivos afetos aos “preços de transferência” ou “tributação com bases mundiais”, pois entende demonstrada a inexistência fática da trading Acesita IE no mundo real dos negócios, e adota os dispositivos dos arts. 71 e 72 da Lei nº. 4.502/64, concluindo que a autuada incorreu nos ilícitos de “fraude e sonegação”. Afirma que a autuada praticou fraude ao interpor a sua controlada Acesita IE entre suas operações de comércio exterior e seus clientes importadores de fato, fazendo crer que estivesse ocorrendo intermediação comercial, sob deliberada intenção de subfaturar o valor de suas operações de exportação, reduzindo seu lucro tributável e os tributos a ele vinculados. Os lançamentos foram efetuados com base na receita supostamente omitida diferença apurada pela fiscalização, correspondente a 10% do valor de cada operação – cumulados com multa de ofício, juros de mora e multa qualificada de 150%. Como a autuada optou, no anocalendário em questão, pelo recolhimento mensal de IRPJ com base no Lucro Real apurado a partir de balancete ou balanço de suspensão Fl. 5218DF CARF MF Impresso em 27/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/09/2012 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 13/09/2012 por CARL OS PELA, Assinado digitalmente em 25/09/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 14/09/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 10680.722860/201119 Acórdão n.º 1402001.122 S1C4T2 Fl. 11 11 ou redução, foi recomposta a base estimada mensal, sujeitando as diferença encontradas à multa de ofício isolada (fl. 165/166). Fez incidir também IRRF, sob o entendimento de que a receita supostamente omitida configuraria receita transferida a terceiros no exterior, sem ter sido comprovada a operação ou a sua causa. Para conversão dos valores em dólares americanos para reais foi utilizada a taxa de câmbio de compra, fixada no boletim de abertura do BACEN, vigente na data de averbação dos embarques, conforme artigo 143 do CTN e art. 532 do Regulamento Aduaneiro. Finalmente, registrese que o valor apurado pela fiscalização, antes de ser levado à recomposição do lucro tributável no exercício para cálculo dos tributos lançados, tivera dedução referente ao saldo de prejuízo fiscal e base de cálculo negativa de CSLL acumulados pela autuada em períodos anteriores. Impugnação Inconformada, a contribuinte apresentou Impugnação (fls.4670/4705) aduzindo, em síntese, que: 1) A operação objeto de autuação consiste numa prática empresarial lícita, criteriosamente implementada pela administração da companhia, com suporte em opiniões emitidas por especialistas na matéria, tendo como propósito aumentar a competitividade dos produtos exportados no mercado internacional, capturando ganhos operacionais, logísticos e tributários. 2) O chamado “Projeto Exportação Acesita” foi empreendido com vistas a destinar certos volumes de exportações para uma empresa do Grupo com funções de trading, a qual seria responsável pela concretização de vendas para clientes localizados em países específicos, atuando como interface dos agentes de exportação, sediada num ambiente de negócios expedito e flexível, notadamente pela inexistência de restrições e controles de ordem cambial. A Acesita IE foi concebida, assim, para atuar exclusivamente no interesse de empresas do Grupo, como é caso da autuada. 3) A autuada enfrentava um grande desafio para expandir suas atividades no mercado internacional, para o qual se impunha uma redução de custos, dentre os quais se destacam os elevados custos fiscais brasileiros que, por adotar um sistema de tributação automática de lucros de controladas e coligadas no exterior (ainda que não distribuídos), penaliza o empreendedor que investe em negócios fora do país e pretende aplicar os lucros obtidos no exterior na expansão de suas atividades internacionais. 4) Nesse contexto, após estudos realizados com apoio de consultores externos, desenvolveu o modelo abrangendo uma sociedade situada na Ilha da Madeira, sendo esta sociedade constituída com o fim específico de se tornar um ponto de conexão operacional com os clientes externos (compra produtos da autuada e os revende para os clientes finais), independentemente de sua localização geográfica. 5) Destaca texto da Nota Técnica da Gerência de Auditoria Interna e Assuntos Corporativos e da Gerência de Contabilidade e Tributos de 17/07/2006, confirmando todas essas informações e indicando que a sociedade portuguesa operaria com adequada Fl. 5219DF CARF MF Impresso em 27/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/09/2012 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 13/09/2012 por CARL OS PELA, Assinado digitalmente em 25/09/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 14/09/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 10680.722860/201119 Acórdão n.º 1402001.122 S1C4T2 Fl. 12 12 substância institucional, ao passo que as operações mais críticas, ou seja, a definição da estratégia comercial, as negociações e os fluxos financeiros seriam monitorados e/ou conduzidos desde o Brasil, através das diretorias e unidades gerenciais (comerciais, financeiras e de governança). 6) Também ressalta trecho da Nota Técnica com a informação de que o modelo operacional adequado foi desenvolvido com apoio das empresas Madeira Corporate Service Teixeira de Freitas, Rodrigues, Moura Costa e Associados (advogados em Portugal) e MessPierson Intertrust/Fortis Bank da Holanda, assim como de importantes grupos empresariais brasileiros. 7) Todos os fatos revelariam, portanto, que a implementação do Projeto Exportação, com a criação da Acesita IE e da Acesita BV Holding foram decorrentes de uma decisão amadurecida da companhia, suficiente para revelar, em absoluto, a inexistência de qualquer intenção deliberada de fraude na sua implementação. 8) A Ilha da Madeira está longe de ser um paraíso fiscal (assim entendido como país de tributação favorecida definidos na Lei nº.9430/96) já que (i) não há uma exoneração absoluta e incondicionada, mas apenas uma isenção temporária (findando em 2011) da rendas de origem não portuguesa e (ii) não se ocultam a identidade dos sócios das sociedades ali estabelecidas, aproximandose muito mais do qualificativo “regime fiscal privilegiado” do art. 24A, parágrafo único, inciso III da Lei nº. 9430/96 (Documento comprobatório nº. 3 da Impugnação, fls. 4730/4738). 9) Não se nega que a motivação fiscal da estrutura em exame tenha tido um caráter determinante na opção feita pela sua adoção. No entanto, a simples motivação fiscal na interposição de uma pessoa jurídica é uma coisa, o caráter fictício da mesma é outra totalmente distinta. 10) A atuação da Acesita IE nas operações de exportação foi real e efetiva, em nada se distanciando do modus operandi das tradings, com a peculiaridade de, por se tratar de uma estrutura interna do Grupo ArcelorMittal, em fase de início (suas atividades se iniciaram em 2007), houve o aproveitamento de recursos materiais e humanos em comum, num sistema de rateios de custos (cost sharing). 11) Quanto à discrepância entre o seu capital social integralizado (5 mil euros) e o volume de vendas do ano de 2007 (55 MM de euros), a contribuinte recorda que a Acesita IE começou a operar no mês de julho de 2007, sendo certo que a dimensão de seu capital social em nada prejudica ou inibe a prática das operações de exportação, haja vista se tratar de uma aquisição intragrupo, com garantia de revenda, em que o risco de default do adquirente primário era inexistente. Acrescenta que o volume de vendas apontado é muito pouco significativo perto do seu volume total no período autuado, sendo certo que tal volume representou uma média de apenas 37,24% do seu total de vendas para o mercado externo, demonstrando que nunca houve a intenção de concentração deliberada de todas as suas receitas de exportação (Documentos comprobatórios nº. 4 e 5 da Impugnação, fls. 4739/4740). 12) Quanto ao fato de lucro obtido pela Acesita IE ter sido distribuído à sua sócia na Holanda, mas não transferido por esta ao Brasil, ressalta que era procedimento previsto no Projeto de Exportação. Fl. 5220DF CARF MF Impresso em 27/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/09/2012 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 13/09/2012 por CARL OS PELA, Assinado digitalmente em 25/09/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 14/09/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 10680.722860/201119 Acórdão n.º 1402001.122 S1C4T2 Fl. 13 13 No Projeto, a Acesita Holding BV tinha funções de holding e de gestão de tesouraria das operações internacionais, tendo sido domiciliada na Holanda em virtude, justamente, (i) de sua legislação interna estável e favorável ao investimento estrangeiro, (ii) localização privilegiada e estratégica no território europeu, e (iii) amplíssima rede de tratados internacionais contra a dupla tributação e proteção dos investimentos. Assim, a manutenção dos recursos junto à Acesita Holding BV teve como objetivo permitir o exercício efetivo de suas funções de gestão de tesouraria, assegurando a proteção adicional (hedge) contra eventuais flutuações na taxa de câmbio. 13) Quanto à alegada insuficiência da estrutura operacional da Acesita IE, recorda que a empresa estava dando início às suas atividades, sendo freqüente no mundo dos negócios a utilização de espaços físicos compartilhados, de escritórios virtuais e mesmo de alocação de empregados em suas próprias residências. Acresce que o rateio de despesas comuns (advogado, contabilidade, espaço, etc) também é prática corrente no mundo dos negócios, sendo indiscutível no Grupo a regra de economia de custos pelo compartilhamento de meios, como se deu no caso do aluguel compartilhado com a empresa Skadden (empresa trading do Grupo, atualmente denominada ArcelorMittal Trading Ltda.) e de outras despesas administrativas. 14) Destaca que não há nada de irregular no fato de haverem outras empresas sediadas no mesmo endereço onde funcionou provisoriamente a Acesita IE, corriqueiro no mundo dos negócios. 15) Afirma que os Srs. José Ambrosio Delgado e Roberto Carlos Castro Abreu são prestadores de serviço de representação locais, exercidas por instruções de seus clientes (como no caso da Acesita IE) ou na condição de administradores de empresa de management. Logo, não há nada de irregular no fato de terem assinado diversos documentos examinados pela fiscalização na condição de representantes da MCS, da Acesita IE ou de outras empresas. 16) Quanto à alegada insuficiência de recursos humanos, ressalta que a Acesita IE, além dos 4 gerentes localizados no Brasil, possuía 2 empregados (Sras. Catarina Gonçalves Freitas e Janette da Silva Dias) e 1 gerente local (Sr. Ciro Abreu), número compatível com a natureza das atividades realizadas localmente. Faz notar que, a ela mesma contava com 7 colaboradores envolvidos nas atividades de comércio exterior. (Documentos comprobatórios nº. 6 e 7 anexos à Impugnação – fl. 4742/4746). 17) Quanto ao regime de compartilhamento de custos com a Skadden e a contratação de serviços profissionais terceirizados, aduz que nada interferem na substância da Acesita IE, mostrandose, pelo contrário, adequado às funções que desempenha. Afirma que é prática comum da vida empresarial moderna a concentração de certas funções – designadas “serviços de grupo” , numa única entidade à escala global. Da mesma forma, é comum contratar empresas para prestar serviços de contabilidade e auditoria. 18) Afirma, ainda, que, embora não tenha site próprio, pois se utiliza do site do Grupo à escala mundial, dispõe do domínio de email português: @aceimport.pt. Fl. 5221DF CARF MF Impresso em 27/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/09/2012 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 13/09/2012 por CARL OS PELA, Assinado digitalmente em 25/09/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 14/09/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 10680.722860/201119 Acórdão n.º 1402001.122 S1C4T2 Fl. 14 14 19) Não merecem guaridas os argumentos de que a Acesita IE impressiona por ter operado um dia após sua criação e por não ter apresentado uma lista de outros clientes que não fossem a autuada, já que, sendo uma inhouse trading ela não pode adquirir mercadorias junto a empresas que não façam parte do Grupo. 20) No que toca à alegada falta de comprovação das despesas de intermediação incorridas pela Acesita IE, a autuada esclarece que atua como interface de agentes de exportação, realizando pagamentos a esses agentes em contrapartida do desempenho alcançado na função de negociadores comerciais junto aos clientes. Como exemplo, cita o pagamento de comissões ao agente “Preston Consulting” e à empresa “Juan Gonzalez Representación” (Uruguai). Acrescenta a ArcelorMittal Stainless International (França) recebeu o maior volume de pagamentos em virtude do fato de possuir escritórios de representação em diversos países, concentrando significativo volume de aquisições junto à Acesita IE (Documento comprobatório nº. 9 anexo à Impugnação – fls. 4747/4759). 21) Não prospera a alegação sobre a irracionalidade geográfica na localização da Acesita IE, posto que, com visto, suas funções no tocante às relações comerciais com os clientes eram executados por intermédio dos agentes comissionados. 22) Conforme resposta ao Termo de Intimação nº. 003, as operações de exportação contam com apólices corporativas globais, contratadas à escala mundial, que permitem a emissão de certificados de seguros para cada embarque que, naturalmente, deverão cobrir os riscos de danos físicos das mercadorias transportadas pelo seu valor final. A expressão “lucros esperados” nas apólices de seguro é termo comum neste tipo de documento, aparecendo sempre que houver uma margem de lucro de intermediação. 23) Quanto ao fato das Faturas da Acesita IE estarem assinadas por pessoas que também representam a autuada, explica que, em muitos casos, as faturas da Acesita IE são assinadas por procuradores no Brasil (Documentos comprobatórios nº. 10 anexos à Impugnação – fls. 5062/5063), que também prestam serviço para a autuada. Essa situação se verifica com mais freqüência nos casos de embarques terrestres, nos quais, por razões logísticas, é necessário que o “documental” da exportação concentrese no Brasil. Acrescenta que a padronização das faturas é regra institucional do Grupo, desmerecendo maiores comentários a esse respeito. 24) Quanto a chamada “operação triangular”, traduzida no fato de já haver uma venda subseqüente ao cliente final das exportações realizadas pela autuada para a Acesita IE, reclama que é justamente esse o intuito da trading na operação, aproximar a vendedores e compradores. As tranding companies à escala mundial tem alterado seu modus operandi, deixando de atuar como no passado, segundo o modelo japonês, comprando as mercadorias por conta própria e assumindo os riscos da revenda, com maiores custos (estocagem, armazenamento, seguros, transporte, etc), para passar a atuar a pedido dos clientes, por vezes em nome próprio, ao abrigo de um mandato sem representação (comissão mercantil), por vezes em nome do cliente, ao abrigo de um mandato com representação (prestação de serviços). Fl. 5222DF CARF MF Impresso em 27/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/09/2012 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 13/09/2012 por CARL OS PELA, Assinado digitalmente em 25/09/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 14/09/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 10680.722860/201119 Acórdão n.º 1402001.122 S1C4T2 Fl. 15 15 Essa última modalidade tem se revelado a mais freqüente nos dias atuais, consagrada no nosso direito interno como “operação por conta e ordem”. É natural que no modelo de operação por conta e ordem haja uma triangulação, já que a trading só realiza a operação quando já foi definido o destinatário final da mercadoria, e, nem por isso, tal operação pode ser considerada como simulada ou fraudulenta. 25) A autuada registra que todas as operações observaram as regras brasileiras de preços de transferência, conforme DIPJ (documento nº 11 anexo à Impugnação), falecendo qualquer pretensão fiscal de tributar eventuais diferenças de preços obtidos fora do Brasil. Nesse sentido, cita o acórdão nº. 10517.083. 26) Finalmente, a autuada ataca (i) as razões para lançamento de IRRF, demonstrando que os pagamentos tinham causa certa e destinatário, (ii) o descabimento da multa agravada pela inexistência de fraude, conforme argumentos fartamente expostos, e (iii) o descabimento da exigência de multas isoladas quando já exigida penalidade específica incidente sobre o tributo apurado através de lançamento de ofício, por caracterizar dupla penalização do contribuinte. Decisão da DRJ O acórdão recorrido, proferido pela 2ª Turma da DRJ/BHE julgou parcialmente procedente a impugnação para (i) cancelar os créditos tributários de IRRF e (ii) manter os créditos de IRPJ e CSLL e respectivas multas isoladas e de ofício. A DRJ/BHE entendeu que as operações de exportação realizadas pela contribuinte em que interveio como adquirente primária a sociedade Acesita Imports e Exports Ltda. (trading), controlada diretamente pela contribuinte, seriam fraudulentas, configurando uma simulação com intuito de subtrair recursos financeiros do Fisco brasileiro, justificando o agravamento da multa de ofício e a manutenção da multa isolada face aos valores não recolhidos à título de estimativas mensais. Quanto ao lançamento de IRRF, o julgador a quo entendeu que não existiam provas suficientes nos autos a corroborar o fundamento adotado pela fiscalização no sentido de que se tratariam de pagamentos efetuados a beneficiário desconhecido ou sem causa, razão pela qual, afastou a tributação. Irresignada, a contribuinte recorreu a este Conselho contra a decisão de primeira instância administrativa, pleiteando sua reforma exclusivamente quanto às exigências de IRPJ, CSLL e respectivas multas isoladas e de ofício. Por sua vez, o presidente da 2ª Turma de julgamento da DRJ/BHE recorreu de ofício haja vista que a parcela exonerada superou o limite de alçada, conforme prevê a Portaria MF nº. 3/2008. Recurso voluntário Ao combater o acórdão de primeira instância a contribuinte, em breve síntese, aduz que: (i) o acórdão da DRJ seria parcialmente nulo, uma vez que deixou de apreciar todos os argumentos trazidos pela contribuinte em sua peça impugnatória, (ii) as exigências mantidas pelo acórdão recorrido seriam absolutamente descabidas, e (iii) seria incabível a cobrança de Fl. 5223DF CARF MF Impresso em 27/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/09/2012 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 13/09/2012 por CARL OS PELA, Assinado digitalmente em 25/09/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 14/09/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 10680.722860/201119 Acórdão n.º 1402001.122 S1C4T2 Fl. 16 16 juros sobre multa, tal como verificada nas guias anexas à Carta de Cobrança recebida pela contribuinte. Quanto às razões de fato e de direito que afastariam as exigências de IRPJ e CSLL mantidas pelo acórdão recorrido, afirma a contribuinte que: (i) na simulação há uma divergência entre a vontade real e a vontade declarada, sendo que, no caso concreto isso não ocorre, já que todos os elementos demonstram ter sido real a intenção da contribuinte em constituir uma trading na Ilha da Madeira para desempenhar as operações de intermediação comercial; (ii) a receita de vendas da Acesita IE é muito menos significativa se comparada ao valor total de exportações realizadas pela Recorrente no ano de 2007, comprovando que jamais houve uma intenção de concentrar todas as receitas de exportação para uma entidade despida de propósito negocial; (iii) a distribuição de lucros apurados pela Acesita IE para a sua controladora Acesita Holding BV estava prevista no Projeto Exportação, bem como a manutenção de recursos junto à Acesita Holding BV, teve como objetivo permitir o exercício efetivo das funções de gestão de tesouraria, assegurando uma proteção adicional (hedge) contra eventuais flutuações na taxa de câmbio; (iv) justamente no período autuado a Acesita IE estava iniciando suas operações, o que justifica sua estrutura física operacional enxuta; (v) é lógico que uma empresa de “management” como a MCS, que constituiu a Acesita IE, utilizese de uma única sede para domiciliar diversas empresas; (vi) os recursos humanos utilizados pela Acesita IE mostramse totalmente compatíveis e adequados quando comparados com o quadro de pessoal brasileiro; (vii) o compartilhamento de custos e a contratação de profissionais terceirizados é razoável, uma vez que as atividades terceirizadas são perfeitamente delegáveis; (viii) a Acesita IE funciona como interface de agentes de exportação, realizando pagamentos a esses agentes em contrapartida do desempenho, em seu nome, das funções de negociação comercial junto aos clientes, (ix) as funções da Acesita IE no tocante às relações comerciais com os clientes locais eram executadas por intermédio dos agentes comissionados; (x) a Acesita IE é uma inhouse trading, com autonima limitada, e, logo, seu caráter “interno” explica a captura de sinergias, naturalmente proporcionadas pelo maior grau de especialização e aceso a recursos materiais e humanos presentes nas demais empresas do Grupo em que se insere. Quanto às razões de fato e de direito que afastariam a exigência da multa de ofício agravada, afirma a contribuinte que: (i) a intervenção da Acesita IE no desempenho das funções de trading intragrupo foi uma decisão amadurecida dos órgãos de administração da Acesita S/A, suportados por estudos técnicos qualificados, revelando a inexistência de qualquer simulação ou intuito de fraude, o que também ficou demonstrado pela transparência com que todas as informações foram prestadas à fiscalização; e (ii) em matéria de omissão de receitas, para cumulação da multa de ofício é necessário restar comprovado o evidente intuito de fraude. Já quanto à exigência das multas isoladas, defende a impossibilidade de se cumular multa de ofício com multa isolada, argüindo duplicidade de cobrança de multa sobre o mesmo tributo. É, no essencial, o Relatório. Fl. 5224DF CARF MF Impresso em 27/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/09/2012 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 13/09/2012 por CARL OS PELA, Assinado digitalmente em 25/09/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 14/09/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 10680.722860/201119 Acórdão n.º 1402001.122 S1C4T2 Fl. 17 17 Voto Conselheiro CARLOS PELÁ, Relator Conheço dos Recursos por atenderem aos requisitos de admissibilidade. Tratam os autos de operações de exportação envolvendo a Recorrente e sua controlada na Ilha da Madeira (Portugal), submetidas a um tratamento de país ou dependência com tributação favorecida ou sob regime fiscal privilegiado, conforme conceitos expostos nos arts. 24 a 24B da Lei nº. 9430/96 e alterações posteriores. Para logo, apresentemse algumas considerações sobre o tema dos planejamentos fiscais ora em debate. Não cabe à fiscalização a emissão de juízo de valor acerca das opções fiscais feitas pelos contribuintes na consecução de seu objeto social. As pessoas jurídicas estão livres para optar por qualquer conduta legítima autorizada pelo ordenamento jurídico, como é o caso de operações envolvendo offshores residentes ou domiciliadas em paraísos fiscais ou sob regime fiscal privilegiado. Tais opções serão sempre presumidamente válidas, até que se prove que algum fato da opção fiscal tenha sido simulado ou ilegítimo. Assim, à fiscalização cabe verificar se as atividades do contribuinte foram efetivamente realizadas e se existe algum indício que aponte estarse diante da prática de simulação, abuso de direito ou fraude a lei. Dito isso, passo a apreciar os recursos interpostos. Do recurso de ofício A parcela exonerada do crédito tributário motivadora do recurso em apreço deriva especificamente do lançamento de IRRF, supostamente pago pela autuada a beneficiário não identificado ou sem causa. Neste ponto, não merece reparo a decisão de primeira instância já que, no caso concreto, de fato, não se vê nenhum pagamento que tenha sido efetuado pela autuada. Os pagamentos apurados e indicados pela fiscalização no TVF foram efetuados pela Acesita IE a favor da autuada, em razão das operações de exportação operadas entre tais empresas. Não há prova nos autos da existência de pagamentos efetuados pela autuada a beneficiário não identificado ou sem causa. Insubsistente a tributação com base no art. 674 do RIR/99 (art. 61 da Lei 8.981/95), é de se negar provimento ao recurso de ofício. Fl. 5225DF CARF MF Impresso em 27/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/09/2012 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 13/09/2012 por CARL OS PELA, Assinado digitalmente em 25/09/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 14/09/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 10680.722860/201119 Acórdão n.º 1402001.122 S1C4T2 Fl. 18 18 Do recurso voluntário Alega a Recorrente que a decisão a quo, ao enfrentar a questão, não levou em consideração as provas carreadas aos autos, que, no seu entender, demonstrariam a legalidade do modelo operacional por ela adotado. Tenho como certo que a decisão combatida considerou os documentos e alegações apresentadas pela Recorrente, o que se verifica a partir da leitura do próprio relatório da decisão, concluindo, entretanto, pela imprestabilidade das provas para seus fins. Nesse contexto, não é demais frisar que, pelo princípio da livre convicção motivada na apreciação da prova, disposto no art. 29 do Decreto nº. 70.235/72, a autoridade julgadora pode apreciar livremente as provas apresentadas conforme sua convicção e juízo. O que se vê é que a autoridade julgadora privilegiou os elementos e argumentos reunidos nos autos pela fiscalização, que, no seu entender, evidenciariam a prática de intermediação simulada efetuada pela Recorrente, caracterizada pela intervenção da “Acesita IE” em cada uma das operações de exportações especificadas no lançamento. Para o deslinde da questão, passo, então, a resumir as principais provas e argumentos carreados pela autoridade fiscal, norteadoras da decisão recorrida: 1. Algumas Refaturas supostamente emitidas pela Acesita IE eram assinadas pelas mesmas pessoas físicas que assinavam as Faturas Comerciais emitidas pela autuada; 2. Fatura Comercial e Refatura tinham o mesmo leiaute; 3. O valor da Fatura Comercial emitida pela Recorrente é quase sempre 10% inferior ao valor da Refatura (valor efetivamente pago pelo comprador final); 4. O prazo de recebimento da mercadoria constante da Refatura é sempre inferior ao prazo de recebimento fixado pela autuada para o pagamento pela Acesita IE; 5. A mercadoria é remetida diretamente pela Recorrente ao comprador final; 6. A autuada é quem providencia a contratação de seguro para as mercadorias exportadas; 7. O endereçosede da Acesita IE ao longo do ano de 2007 também consta como sendo o mesmo de uma série de outras empresas; 8. O capital social integralizado da Acesita IE (5.000 euros) não condiz com o volume de operações por ela supostamente intermediados (55 MM de euros); 9. Não há racionalidade econômica na intermediação comercial realizada pela Acesita IE, dada sua localização desfavorável em relação aos compradores finais; 10. Não restou comprovada a suposta intermediação comercial realizada pela Acesita IE nas operações autuada; 11. A Acesita IE não possuía estrutura operacional física e de pessoal compatível com o volume de operações que supostamente executou. Intimada a apresentar Fl. 5226DF CARF MF Impresso em 27/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/09/2012 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 13/09/2012 por CARL OS PELA, Assinado digitalmente em 25/09/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 14/09/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 10680.722860/201119 Acórdão n.º 1402001.122 S1C4T2 Fl. 19 19 documentos que comprovassem a despesa com a manutenção de uma estrutura operacional mínima por parte da Acesita IE a fiscalizada apresentou apenas uma nota de débito, indicativa de despesas terceirizadas, emitida pela empresa Skadden – Consult. E Serviços Ltda, no valor de 9.968,77 euros. Analisando os elementos acima indicados entendo que não procede o primeiro argumento da fiscalização. Pelo que se verificou da operação em apreço, diversas vezes as faturas da Acesita IE foram assinadas por seus procuradores no Brasil, que são por ela remunerados e que também prestam serviço para a Recorrente. Não há nada nesse fato que indique simulação, fraude à lei ou abuso de direito, já que as mercadorias eram diretamente encaminhadas pela Recorrente ao destinatário final, sendo natural que isso ocorra, como de fato ocorre nos casos de operações de exportação triangulares. Além disso, é mais do que natural que haja uma padronização no modelo de notas fiscais emitidas por empresas do mesmo Grupo. Quanto aos valores e prazos para entrega das mercadorias indicadas nas Faturas Comerciais emitidas pela Recorrente e as chamadas Refaturas emitidas pela Acesita IE, também não estão aptos a demonstrar a ocorrência de qualquer ilegalidade. Menos ainda o fato de as mercadorias serem enviadas diretamente pela Recorrente ao destinatário final. Nada de suspeito pode ser apurado a partir de tal prática que é senão o modus operandi mais corriqueiro nas operações de exportação, importação e industrialização “por conta e ordem”. Nem o fato de ser a Recorrente responsável pela contratação do seguro das operações de transporte das mercadorias exportadas, aponta para qualquer simulação ou ilegalidade, já que se tratam de empresas do mesmo Grupo sendo, aliás, natural que os certificados de seguros para cada embarque alcancem os riscos de danos físicos das mercadorias transportadas pelo seu valor final. Também não há nada de irregular no fato de haverem outras empresas sediadas no mesmo endereço onde funcionou provisoriamente a Acesita IE. E, mesmo quanto à alegada insuficiência da estrutura operacional da Acesita IE, entendo descabidas as alegações, considerando que a empresa estava dando início às suas atividades no período autuado, sendo compreensível a utilização de espaços físicos compartilhados. Na verdade, como demonstrou a Recorrente, o quadro de pessoal da Acesita IE era compatível com o quadro de pessoal da Recorrente se comparados os volumes transacionados por cada empresa. É razoável admitir, como bem afirmou a Recorrente, que a dimensão do capital social da Acesita IE em nada prejudica ou inibe a prática das operações de exportação, ainda mais por se tratar de uma trading intragrupo. Fato que merece atenção e que não pode ser avaliado de forma isolada é aquele relacionado à suposta irracionalidade econômica na intermediação comercial realizada pela Acesita IE, dada sua localização desfavorável em relação aos compradores finais. Fl. 5227DF CARF MF Impresso em 27/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/09/2012 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 13/09/2012 por CARL OS PELA, Assinado digitalmente em 25/09/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 14/09/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 10680.722860/201119 Acórdão n.º 1402001.122 S1C4T2 Fl. 20 20 Tal fato somado à constatação de que a Recorrente não logrou comprovar a suposta intermediação comercial realizada pela Acesita IE, é suficiente para demonstrar a artificialidade da interposição da Acesita IE no contexto das operações analisadas. Não é razoável que a Acesita IE tenha tido uma despesa tão enxuta e que não existam provas que demonstrem de forma cabal a atividade por ela exercida. Não há documentos que comprovem a intermediação e a comercialização das mercadorias pela Acesita IE, tais como pedidos, contratos com clientes, correspondência, e mail ou telefonemas trocados entre funcionários da Acesita IE e os clientes compradores finais. É curioso que a Recorrente justifique tais fatos afirmando que a Acesita IE atua como interface de agentes de exportação, realizando pagamentos a esses agentes em contrapartida do desempenho alcançado na função de negociadores comerciais junto aos clientes. Ora, a Aceista IE está, portanto, a terceirizar sua atividade principal. A terceirização de atividadesmeio, como afirmou a própria Recorrente em sua peça de defesa, é normal e natural. O que não é natural é que a empresa terceirize a atividadefim do seu negócio. Afirmando isso, a própria Recorrente está a admitir a desnecessidade da intermediação da Acesita IE nas operações que, tal como visto, apenas acresce o preço da mercadoria ao comprador final, tornando a operação mais onerosa e complexa. Os documentos apresentados pela Recorrente demonstrando o pagamento de comissões a agentes comerciais que agiam em nome da Acesita IE, em nada contribuem para demonstrar a efetiva participação da Acesita IE na aquisição e posterior revenda dos produtos exportados pela Recorrente. Não se pode crer que a Recorrente venderia a mesma mercadoria, pelo mesmo preço, a uma parte independente, uma vez que toda a operação era realizada por ela. Somese isso ao já mencionado fato de que a operacionalização das transações comerciais (remessa de mercadorias, emissão de documentos fiscais, etc.) foi, no mais das vezes, realizado pela estrutura da Recorrente e não haverá como sustentar o propósito da empresa Acesita IE no bojo das operações analisadas. Os documentos e argumentos apresentados pela Recorrente podem, no máximo, comprovar a existência de direito da Acesita IE, mas, não, a efetiva intermediação nas exportações da Recorrente. Ou seja, no caso concreto, não se discute a existência da Acesita IE, mas, sim, se ela efetivamente promoveu a atividade de trading, revendendo os produtos da Recorrente. Ainda que esteja comprovado nos autos que as operações de exportação tal como praticadas pelas empresas foram oriundas de vontade declarada das partes e do Grupo ao qual pertencem, no que toca à comprovação fática, não existem elementos que comprovem que as intermediações efetivamente ocorreram. Fl. 5228DF CARF MF Impresso em 27/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/09/2012 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 13/09/2012 por CARL OS PELA, Assinado digitalmente em 25/09/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 14/09/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 10680.722860/201119 Acórdão n.º 1402001.122 S1C4T2 Fl. 21 21 Como dito em sede preliminar, nada impede que o contribuinte escolha, dentre as diversas opções fiscais, aquela que mais lhe aprouver, ainda que envolva empresas offshore, sediadas em países com regime de tributação favorecida ou sob regime fiscal privilegiado. A elisão fiscal é lícita, sendo, portanto, permitido aos contribuintes a utilização de estruturas em países com regime de tributação favorecida ou sob regime fiscal privilegiado, objetivando a redução de sua carga tributária, desde que observadas as regras impostas pela legislação brasileira nesse tocante. No entanto, diante da situação concreta, não cabe outra conclusão que não a de que a intermediação das operações pela Acesita IE não ocorreu. Assim, na situação em que os elementos apurados permitem concluir que as operações de exportação entre a Recorrente e sua controlada se revestem de mera aparência, não prosperam as alegações de observância às regras de preços de transferência. As regras de preço de transferência (introduzidas pela Lei nº 9.430/96) têm como objetivo principal inibir a transferência de lucro para empresas vinculadas no exterior através de operações de importação e exportação de bens, serviços e direitos, além de pagamento ou recebimento de juros entre essas empresas. Tais regras determinam, aqui, a adoção de um preço mínimo a ser observado nas operações de exportação envolvendo a Recorrentes e a Acesita IE, o que, por si só, não significa dizer que, praticado esse preço mínimo, qualquer preço superior está livre de glosa ou deixa de representar transferência indevida de lucro entre as partes vinculadas. Constatouse também que, no período sob exame, os lucros da Acesita IE foram distribuídos para a sua controladora Holandesa, que, por sua vez, não os disponibilizou ao Brasil. Assim, a Recorrente não submeteu à tributação no Brasil os lucros auferidos no exterior por sua controlada na Holanda. Sendo assim, notase que a operação, tal como levada a cabo, transferiu recursos para o exterior sem que os mesmos tenham sido, em qualquer momento, objeto de tributação no Brasil. Em sendo assim, a receita integral da atividade de exportação pertence à Recorrente, e deve ser computada na apuração do seu resultado, bem como as despesas comprovadamente incorridas com esta atividade, ainda que contabilizadas na Acesita IE. Multa Qualificada Forte nesses argumentos, a fiscalização entendeu que, diante da artificialidade na operação envolvendo a Acesita IE, não houve intermediação, mas, sim, venda direta pelo preço final. Logo, tais lucros não seriam da empresa Portuguesa e sim da Recorrente, ensejando a autuação por omissão de receitas. A autuação foi acrescida de multa qualificada, em virtude da suposta intenção deliberada do agente em fraudar o fisco. Nesse diapasão, cumpre notar que a simples apuração de omissão de receita, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessário, conforme preconiza Fl. 5229DF CARF MF Impresso em 27/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/09/2012 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 13/09/2012 por CARL OS PELA, Assinado digitalmente em 25/09/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 14/09/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 10680.722860/201119 Acórdão n.º 1402001.122 S1C4T2 Fl. 22 22 o artigo 44, inciso II, da Lei nº 9.430/96 e Súmula nº. 14 do CARF, a comprovação do evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº. 4.502/64. Em assim sendo, vale transcrever os artigos em referência: Art. 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II – das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art. 72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido, ou a evitar ou diferir o seu pagamento. Art. 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos art. 7l e 72. A fiscalização, ao agravar a multa de ofício, não justifica estarse diante de conluio, sonegação ou fraude, limitandose a afirmar seu cabimento em virtude da prática de simulação de intermediação comercial nas exportações efetuadas pela Recorrente. De plano, vêse que está afastada a possibilidade de conluio, já que a Fiscalização nada trouxe aos autos para provar que os adquirentes finais dos produtos vendidos pela contribuinte obtiveram vantagens ilícitas ou que, no mínimo, foram coniventes. Analisando os conceitos de sonegação e fraude, verificase que ambos pressupõe o dolo, conceito extraído do direito penal. Nessa linha, o dolo significa ter a plena consciência de que o ato praticado irá ocasionar o resultado criminoso. Exemplos de tipos dolosos se mostram quando nos deparamos, com uma falsificação de documentos comprobatórios (notas fiscais, contratos, escrituras públicas, dentre outros) ou de livros fiscais/contábeis, emissão de notas fiscais calçadas, notas fiscais frias, notas fiscais paralelas, notas fiscais fornecidas a título gracioso, contabilidade paralela (Caixa 2), conta bancária fictícia, falsidade ideológica, declarações falsas ou errôneas (quanto apresentadas reiteradamente), práticas que em nada não se assemelham à hipótese descrita nos autos. Destarte, não nos olvidemos que o chamado direito de se autoorganizar para pagar menos impostos não pode ser considerado conduta ilícita, já que é, sobretudo, emanação de uma liberdade individual. Fl. 5230DF CARF MF Impresso em 27/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/09/2012 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 13/09/2012 por CARL OS PELA, Assinado digitalmente em 25/09/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 14/09/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 10680.722860/201119 Acórdão n.º 1402001.122 S1C4T2 Fl. 23 23 Multa isolada cumulada com multa de ofício. Por fim, a Recorrente defende a impossibilidade de se cumular multa de ofício com multa isolada, argüindo duplicidade de cobrança de multa sobre o mesmo tributo. Com isso, entende que seria incabível a apuração, por parte da fiscalização, do IRPJ e da CSLL com base no regime de estimativa e, consequentemente, a exigência da multa isolada que compôs o presente auto de infração. Nesse ponto, assiste razão à Recorrente. É entendimento majoritário neste Conselho a impossibilidade de cobrança de multa isolada sobre débitos de estimativa de IRPJ e CSLL, já que estes débitos não são definitivos, não havendo, portanto, que se falar em atraso de seu recolhimento ou mora do contribuinte. As antecipações realizadas durante o anocalendário são apenas valores estimados, provisórios, sem caráter definitivo, cuja notória precariedade perdura até o final do correspondente período de apuração. Em se tratando de apuração anual, é somente em 31 de dezembro, que efetivamente ocorre o fato gerador do IRPJ e da CSLL, tornando a dívida destes tributos líquida e certa. Tributo, na acepção que lhe é dada no direito positivo (art. 3° do CTN), pressupõe a existência de obrigação jurídica tributária que não se confunde com valor calculado de forma estimada e provisória sobre ingressos da pessoa jurídica. Noutras palavras, o valor pago a título de estimativa não tem natureza de tributo, mas, sim, de prestações antecipadas. Citemse recentes julgados a respeito do tema, lastreados em entendimento firmado pela Câmara Superior de Recursos Fiscais do antigo Conselho de Contribuintes, Acórdão CSRF/0105.875, proferido em 23/06/2008, da Relatoria do exConselheiro Marcos Vinicius Neder de Lima: MULTA DE MORA ESTIMATIVAS DO IRPJ E DA CSLL RECOLHIDAS OU COMPENSADAS EM ATRASO INAPLICABILIDADE POR FALTA DE PREVISÃO LEGAL. A multa de mora, tipificada no art. 61, da Lei nº 9.430/1996, pressupõe a existência de uma obrigação líquida e certa, cujo fato gerador tenha efetivamente ocorrido, o que não se verifica no caso dos recolhimentos ou compensações mensais das estimadas do IRPJ e da CSLL, feitos com atraso, cujo fato gerador só ocorre ao final do períodobase de apuração, tornando ilegal, nesta circunstância, a aplicação da penalidade Fl. 5231DF CARF MF Impresso em 27/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/09/2012 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 13/09/2012 por CARL OS PELA, Assinado digitalmente em 25/09/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 14/09/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 10680.722860/201119 Acórdão n.º 1402001.122 S1C4T2 Fl. 24 24 moratória, em consonância com as disposições do art. 112, II do CTN. (...)(CARF 1ª Seção / 3ª Turma Especial / ACÓRDÃO 180300.663 em 10/11/2010 / DOU em 18/05/2011.) APLICAÇÃO CONCOMITANTE DE MULTA DE OFÍCIO E MULTA ISOLADA NA ESTIMATIVA. Incabível a aplicação concomitante de multa isolada por falta de recolhimento de estimativas no curso do período de apuração e de ofício pela falta de pagamento de tributo apurado no balanço. A infração relativa ao não recolhimento da estimativa mensal caracteriza etapa preparatória do ato de reduzir o imposto no final do ano. Pelo critério da consunção, a primeira conduta é meio de execução da segunda. O bem jurídico mais importante é sem dúvida a efetivação da arrecadação tributária, atendida pelo recolhimento do tributo apurado ao fim do anocalendário, e o bem jurídico de relevância secundária é a antecipação do fluxo de caixa do governo, representada pelo dever de antecipar essa mesma arrecadação. (...). (CARF 1ª Seção / 3ª Turma Especial / ACÓRDÃO 180300.823 em 23/02/2011 / DOU em 15/07/2011.) CONCLUSÃO Finalmente, aplicase o decidido em relação ao IRPJ aos lançamentos de CSLL, em razão da estreita relação de causa e efeito. Por tudo quanto exposto, conduzo meu voto no sentido de (i) negar provimento ao recurso de ofício, (ii) reduzir a base de cálculo tributada ao valor do lucro apurado pela empresa Acesita IE no ano calendário de 2007; (iii) reduzir a multa de ofício ao percentual de 75%; e (iiii) cancelar a multa isolada. (assinado digitalmente) Carlos Pelá Fl. 5232DF CARF MF Impresso em 27/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/09/2012 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 13/09/2012 por CARL OS PELA, Assinado digitalmente em 25/09/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 14/09/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 10680.722860/201119 Acórdão n.º 1402001.122 S1C4T2 Fl. 25 25 DECLARAÇÃO DE VOTO Conselheiro Antonio Jose Praga de Souza Nos debates entre os membros do Colegiado para julgamento deste processo, manifestei algumas divergências com o ilustre Relator, Conselheiro Carlos Pelá. Em relação a um desses dissídios, quanto a base de cálculo do auto de infração, o Relator e três outros Conselheiros da Turma, concordaram com meus fundamentos no sentido que deveria ser mantida a tributação apenas do “lucro apurado pela empresa Acesita IE no ano calendário de 2007”. Todavia, apesar de concordarmos no resultado, os motivos que levaram às exonerações permaneceram distintos, daí ter acompanhado o Relator pelas conclusões. Além disso, o douto representante da Fazenda Nacional, Procurador Paulo Riscado, em sua sustentação oral, contestou expressamente o Acórdão 140200.752, proferido em 30/11/2011, de minha relatoria, cujo litígio era bastante semelhante ao presente, tendo a Turma cancelado a exigência à integralidade. Diante disso, solicitei o registro em Ata desta declaração de voto. De inicio, vejamos a transcrição do “Resumo da Lide”, extraído do acórdão de 1a. instância: “Cuida o presente lançamento da exigência do Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica – IRPJ, e respectivo reflexo, a título da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL, bem como das respectivas Multas Isoladas pela falta do recolhimento mensal do imposto e da contribuição devidos com base em balancetes de suspensão ou redução. A tributação decorreu das infrações constatadas no curso do procedimento fiscal, caracterizadas pelo subfaturamento de operações de exportação ao exterior, o que acarretou omissão de receitas que reduziu o lucro tributável tanto do IRPJ como da CSLL. A ação fiscal encontrase minuciosamente narrada no TVF, cujas bases de cálculo levantadas foram detalhadas nos demonstrativos de fls. 133/164. Foi também formalizada a exigência do Imposto de Renda Retido na Fonte – IRRF, incidente sobre pagamentos a beneficiários não identificados ou sem a comprovação da causa da operação. As multas de ofício aplicadas foram qualificadas, no percentual de 150%, com base no art. 957, II, do RIR/1999 (cuja matriz legal é o art. 44, da Lei nº 9.430, de 1996), porque a Fiscalização entendeu que a conduta da Contribuinte, ao simular intermediação comercial em suas exportações ao exterior (fatos pormenorizadamente descritos no TVF), caracterizou o evidente intuito de fraude, como definido na Lei nº 4.502, de 1964, arts. 71 a 73. Discordando do lançamento, a Contribuinte apresentou argumentos de defesa, onde combateu todas as infrações ou irregularidades que o Fisco lhe imputou em decorrência das operações de exportação realizadas, nas quais interveio como adquirente primária a sociedade Acesita Imports & Exports Ltda (designada no TVF, por ‘Acesita IE’). Sintetizando, destacamse três alegações ou pontos da defesa: (i) as exportações ‘focadas’ pela Fiscalização foram regularmente Fl. 5233DF CARF MF Impresso em 27/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/09/2012 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 13/09/2012 por CARL OS PELA, Assinado digitalmente em 25/09/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 14/09/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 10680.722860/201119 Acórdão n.º 1402001.122 S1C4T2 Fl. 26 26 realizadas e que a participação nelas da Acesita IE (‘Projeto de Exportação’) longe de poder ser taxada de fraudulenta consistiu numa prática empresarial lícita, criteriosamente implementada pela administração da companhia, com suporte em opiniões emitidas por especialistas na matéria, que tinha como propósito aumentar a competitividade dos produtos exportados no mercado internacional, capturando ganhos operacionais logísticos e tributários; (ii) a Impugnante não nega que a escolha da Ilha da Madeira para o domicílio da ‘Acesita IE’ tenha assentado também em motivações de economia fiscal; e (iii) ressaltou ainda que todas as exportações realizadas para a ‘Acesita IE’ observaram as regras imperativas de preços de transferência, seja em razão do vínculo existente entre as duas empresas, seja em razão de a ‘Acesita IE’ estar domiciliada em ‘pais de tributação favorecida’.” Pois bem. O mestre Antonio Airton Ferreira1, de quem tive a oportunidade de ser aluno em 1996, sempre que veementemente questionado, tinha o hábito de repetir em suas aulas: “Eu posso estar errado, porém, espero jamais incorrer em contradição”. Desde então, tomei esse ensinamento como norte nas milhares de decisões administrativas que proferi. A meu ver, não há contradição no voto que proferi neste litígio com a decisão do Acórdão 140200.752, e sim convergência, sobretudo se levado em consideração meu posicionamento no Acórdão 10197.070 de 17/04/2008, conforme adiante demonstrado. Vejamos a ementas e decisão do Acórdão 140200.752 de 30/09/2011: “(...) IRPJ E CSLL. OPERAÇÕES COM CONTROLADAS NO EXTERIOR. FORMA DE TRIBUTAÇÃO. Inexistindo valores omitidos, haja vista que, em principio a operações foram efetivamente realizadas e os valores envolvidos foram regularmente contabilizados, incabível tratar o subfaturamento em vendas a subsidiárias no exterior como receita omitidas. Verificada a observância da legislação do preço de transferência, resta ao fisco, nessas hipóteses auditar os resultados tributáveis da controlada no exterior, à luz do art. 394 do RIR/99. (...) Acordam os membros do colegiado (...) Quanto ao recurso voluntário; (...) 6) Por unanimidade de votos, cancelar a tributação do IRPJ e da CSLL por erro na forma de constituição do crédito tributário. Tudo nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. As semelhanças fáticas verificadas neste processo com aquele de que trata o citado acórdão 140200.752, processo 11020.004863/200719 (Marcopolo S/A), são muitas. Em ambos os casos as contribuintes efetuaram as vendas de produtos para suas subsidiárias estabelecidas no exterior, em países considerados “paraísos fiscais”, que a seguir revendiam aos clientes finais, sem qualquer agregação de valor. Aliás, os produtos sequer passavam por esses países e eram remetidos diretos do Brasil aos compradores finais. Em ambos os processos verificase que não há uso de documentos fraudados, que todos os atos comerciais restaram formalmente cumpridos, que todas as operações estão registradas na respectivas contabilidades, e que foram observados as normas da legislação 1 AuditorFiscal aposentado, reconhecidamente um dos maiores conhecedores do IRPJ do País, coautor da obra: Regulamento do Imposto de Renda – Anotado e Comentado (Fiscosof Editora, 15a. Edição, 2012). Fl. 5234DF CARF MF Impresso em 27/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/09/2012 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 13/09/2012 por CARL OS PELA, Assinado digitalmente em 25/09/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 14/09/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 10680.722860/201119 Acórdão n.º 1402001.122 S1C4T2 Fl. 27 27 Brasileira de Preços de Transferências. De igual forma, não há dúvidas de que ambas as subsidiarias foram regularmente constituídas: em momento algum foi desconsiderada a personalidade jurídica da empresa AcesitaIE, tampouco sua existência formal e material, e principalmente, a efetividade dos negócios. Afirmam os Auditores que a intermediação não ocorreu, que as vendas foram diretas, logo, as operações entre Arcelomittal/Acesita IE/Clientes teriam sido simuladas. É certo que, tal qual a Marcopolo, a Arcelomittal jamais realizaria essas operações com outra empresa que não fosse sua subsidiária, afinal ambas transferiram as mesmas, parte de seus lucros. Outra certeza que extrai em ambos os casos é de que, mantendose o preço de venda ao adquirente final, se a diferença entre esse valor e o preço de repasse da controladora brasileira às sua subsidiária no exterior fosse da ordem de 0,1%, certamente inexistiria a acusação fiscal de subfaturamento, mesmo mantendo todas as demais características das operações. Logo, se os resultados AcesitaIE são da sua controladora, salvo outros aspectos secundários, relativos a movimentação de recursos no exterior, a empresa Arcelomittal poderia gerenciar esses preços a seu critério. Não se discute aqui a necessidade e conveniência da Arcelomittal, utilizarse da AcesitaIE nessas exportações; é certo, porém, que nada impediria que o preço do repasse você próximo do preço de venda ao adquirente final. Repito: é evidente que a empresa Arcelomittal poderia praticar o preço que entendesse adequado nas vendas à AcesitaIE, visando preservar seus interesses e propósitos negociais, pois, o que importaria mesmo para o resultado da empresa é o valor de venda ao adquirente final praticado pelas subsidiárias. Cumpre observar também que, para regular situações semelhantes à que está sendo debatida nestes autos, quais sejam, transações jurídicas com empresas constituídas no exterior e submetidas a um tratamento de país ou dependência com tributação favorecida ou sob regime fiscal privilegiado2, em 2009, foi editada a Medida Provisória 472, convertida na Lei 12.249, de 2010, que passou a exigir a comprovação da capacidade operacional da pessoa física ou entidade no exterior de realizar a operação. Todavia, à luz do art. 104 do CTN, tal norma não é aplicável ao caso presente em face do principio da irretroatividade (A lei vigente após o fato gerador, para a imposição do tributo, não pode incidir sobre o mesmo, sob pena de malferir os princípios da anterioridade e irretroatividade. ....” STJ. REsp 179966/RS. Rel.: Min. Milton Luiz Pereira. 1ª Turma.). Pois bem. Admitindose a prática do subfaturamento, verificase que a fiscalização tratou tais valores como omissão de receitas (tal qual no “Caso Marcopolo”). Porém, entendo que, no presente caso, o procedimento está parcialmente correto, residindo aqui a principal diferença como Acórdão 140200.752 e a maior semelhança com o Acórdão 10197.070, conforme adiante explicado. 2 Arts. 24 e 24A da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Fl. 5235DF CARF MF Impresso em 27/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/09/2012 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 13/09/2012 por CARL OS PELA, Assinado digitalmente em 25/09/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 14/09/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 10680.722860/201119 Acórdão n.º 1402001.122 S1C4T2 Fl. 28 28 Ao contrário do que ocorreu no acórdão 140200.752, onde a Marcopolo reconheceu e incluiu os resultados apurados pelas suas controladas3, pelo método da equivalência patrimonial, tendo em vista a tributação bases mundiais (art. 1o. da Lei 9.532/19974), a Arcelomittal considerou que os resultados da AcesitaIE seriam isento, em face de terem sido obtidos na Zona Franca da Ilha da Madeira de Portugal (País com que o Brasil mantém acórdão contra dupla tributação). Ocorre, que em verdade, esses lucros/resultados foram produzidos no Brasil e artificialmente transferidos para a subsidiária AcesitaIE, logo, devem mesmo sofrer tributação no país, tal qual decidido no Acórdão 10197.070, assim ementado: “LUCROS AUFERIDOS NO EXTERIOR POR INTERMÉDIO DE CONTROLADAS INDIRETAS Para fins de aplicação do art. 74 da MP n°215835, os resultados de controladas indiretas consideramse auferidos diretamente pela investidora brasileira, e sua tributação no Brasil não se submete às regras do tratado internacional firmado com o país de residência da controlada direta, mormente quando esses resultados não foram produzidos em operações realizadas no pais de residência da controlada evidenciando o planejamento fiscal para não tributálos no Brasil.” No processo em comento, restou evidenciado que a empresa EAGLE transferiu para sua controlada na Espanha, os resultados obtidos no Brasil, que antes passaram por outra subsidiária situada no Uruguai, no intuito de obter a isenção desses lucros ao serem remetidos de volta ao Brasil, em face do tratado BrasilEspanha para evitar dupla tributação. Vejamos a transcrição de um trecho do voto condutor do ilustre conselheiro Valmir Sandri, que redigiu o voto vencedor daquele acórdão: “(...) O LIMITE DO TRATADO BRASILESPANHA Não pode a Recorrente invocar em seu beneficio o tratado celebrado entre os Estados acima contratante, que visou evitar a dupla tributação dos lucros auferidos pelas sociedades residentes dos respectivos Estados, a fim de obter uma economia de imposto decorrente de lucros auferidos por outra sociedade controlada/interligada residente num terceiro Estado, os quais não fazem jus ao beneficio em razão de sua situação substancial. De fato, não há como considerar ao abrigo do tratado Brasil — Espanha, os lucros auferidos num terceiro país sem tratado, que tem apenas como passagem um dos Estados contratantes, eis que, pela regra disposta no art. 7°. do Tratado, os lucros por ele abrangido são apenas aqueles auferidos pelos Estados Contratantes, aliado ao fato de que pela lei societária e fiscal, os resultados auferidos por intermédio de outra pessoa jurídica, na qual a controlada ou coligada no exterior mantenha 3 No caso Marcopolo, a contribuinte compensou prejuízos que teriam sido apurado por sua subsidiária no exterior até 2001, daí a inexistência de valor a ser tributado em fase das exportações nos anos de 2001 e seguintes. No acórdão 140200.752 o colegiado decidiu que o correto teria sido a auditoria desses resultados e a glosa de eventuais custos/despesas, bem como prejuízos não compravados. 4 Art. 1o. da Lei 9.532/1997: Os lucros auferidos no exterior, por intermédio de filiais, sucursais, controladas ou coligadas serão adicionados ao lucro líquido, para determinação do lucro real correspondente ao balanço levantado no dia 31 de dezembro do anocalendário em que tiverem sido disponibilizados para a pessoa jurídica domiciliada no Brasil. Fl. 5236DF CARF MF Impresso em 27/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/09/2012 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 13/09/2012 por CARL OS PELA, Assinado digitalmente em 25/09/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 14/09/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 10680.722860/201119 Acórdão n.º 1402001.122 S1C4T2 Fl. 29 29 qualquer tipo de participação societária, ainda que indiretamente, serão considerados no balanço para efeito societário, bem como, para efeito de determinação do lucro real e da base de cálculo da CSLL da beneficiária no Brasil. Não se trata, portanto, como pode parecer num primeiro momento, no afastamento do tratado Brasil — Espanha, para tributar o lucro aderido por parte destes Estados contratantes, o que entendo inviável, mas sim, de dar efetividade aos preceitos definidos no referido convênio, eliminando a dupla tributação dos lucros neles auferidos e tributando os lucros alienígenas, decorrentes de estratagemas utilizadas pelas empresas com o fito de eximirse e/ou reduzir os tributos devidos, que, embora possam ser consideradas lícitas, seus resultados não se encontram contemplados nos tratados. O fato é que, a legislação brasileira determinou uma adição ao lucro líquido da sociedade controladora no Brasil, para efeito de determinação da base de cálculo do imposto de renda e contribuição social, os lucros auferidos no exterior por filial, sucursal, controlada ou coligada, considerados de forma individualizada, e sendo assim, não há como deixar de considerar isoladamente tais lucros, inclusive, para efeito da aplicação de tratados. Assim, entendo correta a decisão recorrida que manteve a exigência em relação ao presente item pela aplicação do worldwicle incarne taxation e afastamento do tratado Brasil— Espanha no caso in concreto. (...)” A Medida Provisória nº 2.15835/2001, Art. 74, estabeleceu que os lucros auferidos por controlada ou coligada no exterior serão considerados disponibilizados para a controladora ou coligada no Brasil na data do balanço no qual tiverem sido apurados. Logo, considerando a existência formal e fática da AcesitaIE, bem como a participação dessas nas operações, ao constatar irregularidades na apuração dos resultados das controladas no exterior, o procedimento correto do Fisco seria ajustar o valor para fins de tributação na Arcelomittal, observando o art. 394 do RIR/99. Ora, no presente caso há que prevalecer a coerência e razoabilidade, tributandose o Resultado da Acesita IE e não a diferença de receitas. Isso porque, a empresa AcesitaIE incorreu em custos e despesas para viabilizar as exportações da Arcelomittal. Tais valores compuseram o resultado da AcesitaIE no anocalendário de 2007, que em princípio foram regularmente contabilizados. A própria fiscalização registrou à fl. 18 do TVF (fl. 77 dos autos) que a AcesitaIE obteve cerca de 3,5 milhões de Euros de lucro liquido em 2007. Compulsando os autos, verificase que, conforme demonstrativo às fls. 187, esse valor foi exatamente de R$ 9.092.278,97 (lucro Liquido da Acesita I. E. em 2007), sendo este o valor a ser tributado no presente processo. Passo agora a discorrer sobre outras matérias em litígio. Em relação à aplicação da multa de ofício qualificada, entendo que não é cabível no presente caso. Fl. 5237DF CARF MF Impresso em 27/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/09/2012 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 13/09/2012 por CARL OS PELA, Assinado digitalmente em 25/09/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 14/09/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 10680.722860/201119 Acórdão n.º 1402001.122 S1C4T2 Fl. 30 30 Em síntese a Fiscalização concluiu que os procedimentos da contribuinte amoldamse á prática de “fraude tributária” e conluio, de que tratam o art. 72 e 73 da Lei 4.502/1964, respectivamente. De plano, afasto a possibilidade de conluio, isso porque a Fiscalização nada trouxe aos autos para provar que os adquirentes finais dos produtos vendidos pela contribuinte obtiveram vantagens ilícitas ou, no mínimo foram coniventes. Todas as ações descritas foram unilaterais, ou seja, realizadas pela própria autuada, seus diretores ou funcionários. Logo, não restou caracterizado o conluio entre as pessoas jurídicas que participaram diretamente dos fatos que ensejaram a tributação. Quanto a fraude, nos termos do art. 72 da Lei 4.502/64, já transcrito neste voto, a prática de fraude pressupõe o dolo. Entendese por dolo a consciência e a vontade de realização dos elementos objetivos (materiais) da conduta que se adjetiva como dolosa. Nas palavras do ilustre conselheiro Claudemir Malaquias, o dolo é “saber e querer a realização da conduta e não exige a consciência da ilicitude” 5. Observase que nos recentes julgamentos deste Conselho tem prevalecido considerarse a ocorrência de fraude em procedimentos que envolvam adulteração de documentos comprobatórios (notas fiscais, contratos, escrituras públicas, dentre outros), notas fiscais calçadas, notas fiscais frias, notas fiscais paralelas, notas fiscais fornecidas a título gracioso, contabilidade paralela (Caixa 2), conta bancária fictícia, falsidade ideológica, declarações falsas ou errôneas(quanto apresentadas reiteradamente). No caso presente, não há registros de documentos inidôneos ou fraudes em registros contábeis ou de qualquer natureza. Noutro diapasão todos os atos societários foram registrados nos órgãos competentes, assim como na escrituração contábil e fiscal da Contribuinte. Inexiste vedação expressa aos procedimentos adotados pelo contribuinte, logo, não há que se falar em fraude à lei, que aliás não pode ser confundido com erro de interpretação da lei. Na fraude a lei, o ato em si é ilícito tendo em vista que o ordenamento jurídico proíbe sua prática. Ora, não há dúvidas quanto a intenção da contribuinte em obter ganhos e economia de diversas ordens, tendo praticado todos os atos que entendeu válidos e amparados na lei. Há que ser analisado se incorreu em indevida redução dos tributos devidos , mas daí a se afirmar que estaria presente o dolo e configurada a fraude, data vênia, não comungo desse entendimento. A Arcelomittal contabilizou regularmente todas as operações. Foi na contabilidade da contribuinte que a Fiscalização apurou todas as irregularidades que imputa à empresa. Desde o primeiro atendimento à Fiscalização, durante a auditória, o contribuinte foi transparente e coerente em seus esclarecimentos, sobretudo no que diz respeito a seu entendimento quanto ao amparo legal para seus procedimentos. 5 "Multa Qualificada nos casos de Planejamento Tributário" http://www.ibdt.com.br/material/arquivos/Atas/IBDT_ABRIL_2011.pdf Fl. 5238DF CARF MF Impresso em 27/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/09/2012 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 13/09/2012 por CARL OS PELA, Assinado digitalmente em 25/09/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 14/09/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 10680.722860/201119 Acórdão n.º 1402001.122 S1C4T2 Fl. 31 31 Logo, ainda que a contribuinte possa ter realizado algum procedimento que se considere doloso, certamente não pode ser considerado “ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária”. Repito: foi a partir dos registros e operações da empresa que a fiscalização tomou conhecimento dos fatos e realizou a tributação. Em face do exposto, até mesmo diante do detalhamento e clareza do Termo de Verificação Fiscal, formei convencimento de que a qualificação da multa de ofício foi exacerbada, devendo ser reduzida a 75%. As multas isoladas por falta de recolhimento das estimativas mensais, tanto do IRPJ quanto da CSLL, também devem ser excluída, isso porque estão sendo exigida em concomitância com a multa de oficio proporcional sobre o tributo adicionado no ajuste anual, ambas derivadas da mesma infração e base de cálculo. Corroborando esse entendimento, citese o acórdão CSRF 910100.450, de 4/11/2009, cuja ementa transcrevo: MULTA ISOLADA NA FALTA DE RECOLHIMENTO POR ESTIMATIVA. É inaplicável a penalidade quando há concomitância com a multa de oficio sobre o ajuste anual, ou apuração inexistência de tributo a recolher no ajuste anual. Por fim, no que tange a exigência do IRFonte sobre pagamentos sem causa e/ou beneficiários não identificados, que já foi cancelada pela decisão de 1a. instância e foi objeto de recurso de oficio, entendo que, tal qual fundamentado no Acórdão 140200.752, tratase mesmo de equivoco da Fiscalização. Em verdade, a exigência do IRFonte chega a ser contraditória com as conclusões da própria Fiscalização, pois, mesmo que se considere que os pagamentos foram realizados pelos terceiros por conta da Acerlomittal, os pagamentos à AcesitaIE não só tiveram causa nos produtos vendidos, como também os beneficiários são identificados. Não há acusação nos autos de que os pagamentos são de outra natureza ou que tiveram outros destinatários; pelo contrário, afirmase que os recurso são da Arcelomittal e que teriam sido entregues à Acesita IE no exterior para evadir da tributação do IRPJ e CSLL no Brasil. Portanto, não cabe mesmo a incidência do IRFonte, pois, a Arcelormittal não fez qualquer pagamento a esses beneficiários, ainda que se considere que se tratam de receitas diretas da autuada. Noutro giro: se os valores tributados são mesmo receitas direta da Arcelormittal, então a AcesitaIE apenas recebeu essas diferenças por conta desta, logo, não se sustenta a acusação de que a Arcelormittal realizou “pagamentos sem causa” à sua controlada no exterior consubstanciado nos recursos entregues pelas empresas adquirentes. Nesse sentido já decidiu este colegiado no acórdão 140200.155, de 6/4/2010, cujas ementas elucidam: PAGAMENTO SEM CAUSA CARACTERIZAÇÃO DO ATO ÔNUS DA PROVA. A caracterização pela fiscalização, mediante provas, de que ocorreu pagamento é pressuposto material para o lançamento do Imposto de Renda Retido na Fonte incidente sobre pagamento sem causa ou a beneficiário não identificado, de que trata o caput do art. 61 da Lei 8.981/95. Correto, então, o cancelamento da exigência do IRFonte. Fl. 5239DF CARF MF Impresso em 27/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/09/2012 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 13/09/2012 por CARL OS PELA, Assinado digitalmente em 25/09/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 14/09/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 10680.722860/201119 Acórdão n.º 1402001.122 S1C4T2 Fl. 32 32 Conclusão Diante do exposto, oriento meu voto no sentido de: i) negar provimento ao recurso de ofício, confirmando o cancelamento integral da exigência do IRFonte; ii) dar provimento parcial ao recurso voluntário para: 1) reduzir a base de cálculo tributada do IRPJ e CSLL ao valor do lucro apurado pela empresa Acesita IE no ano calendário de 2007, correspondente a R$ 9.092.278,97 – demonstrativo de fl. 187; 2) reduzir a multa de ofício ao percentual de 75%; e 3) cancelar as multas isoladas do IRPJ e CSLL, por falta de recolhimento das estimativas, exigida em concomitância com a multa de ofício proporcional. (Assinado Digitalmente) Antonio Jose Praga de Souza. Fl. 5240DF CARF MF Impresso em 27/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/09/2012 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 13/09/2012 por CARL OS PELA, Assinado digitalmente em 25/09/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 14/09/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA
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Numero do processo: 10805.002689/2003-56
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Jan 30 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Mar 13 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 1990
TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO PARA REPETIÇÃO DE INDÉBITO.
O Supremo Tribunal Federal - STF fixou entendimento no sentido de que deva ser aplicado o prazo de 10 (dez) anos para o exercício do direito de repetição de indébito para os pedidos formulados antes do decurso do prazo da vacatio legis de 120 dias da LC n.º 118/2005, ou seja, antes de 9 de junho de 2005 (RE 566621).
O Superior Tribunal de Justiça - STJ firmou, ainda, entendimento no sentido de que o prazo para pleitear a repetição tributária, nos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, ainda que tenha sido declarada a inconstitucionalidade da lei instituidora do tributo em controle concentrado, pelo STF, ou exista Resolução do Senado (declaração de inconstitucionalidade em controle difuso), é contado da data em que se considera extinto o crédito tributário, acrescidos de mais cinco anos, em se tratando de pagamentos indevidos efetuados antes da entrada em vigor da LC 118/05 (09.06.2005).
No presente caso, o pedido de repetição de indébito deu-se antes do início da vigência da LC nº 118/2005 (22/12/2003), aplicando-se, portanto, o prazo decenal para a contagem do prazo para o exercício do direito de repetição de indébito.
Entretanto, o presente pedido deu-se em período superior a dez anos entre a data do fato gerador (31/12/1990) e a data do pedido de repetição do indébito. Portanto, o pedido formulado pelo contribuinte não merece prosperar, em virtude de ter ultrapassado o decênio posto a sua disposição para o exercício de seu direito.
Recurso especial provido.
Numero da decisão: 9202-002.505
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso.
(Assinado digitalmente)
Otacílio Dantas Cartaxo - Presidente
(Assinado digitalmente)
Elias Sampaio Freire - Relator
EDITADO EM: 18/02/2013
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Susy Gomes Hoffmann (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Gonçalo Bonet Allage, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo, Marcelo Freitas de Souza Costa (suplente convocado) e Elias Sampaio Freire.
Nome do relator: ELIAS SAMPAIO FREIRE
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PRAZO PARA REPETIÇÃO DE INDÉBITO. O Supremo Tribunal Federal STF fixou entendimento no sentido de que deva ser aplicado o prazo de 10 (dez) anos para o exercício do direito de repetição de indébito para os pedidos formulados antes do decurso do prazo da vacatio legis de 120 dias da LC n.º 118/2005, ou seja, antes de 9 de junho de 2005 (RE 566621). O Superior Tribunal de Justiça STJ firmou, ainda, entendimento no sentido de que o prazo para pleitear a repetição tributária, nos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, ainda que tenha sido declarada a inconstitucionalidade da lei instituidora do tributo em controle concentrado, pelo STF, ou exista Resolução do Senado (declaração de inconstitucionalidade em controle difuso), é contado da data em que se considera extinto o crédito tributário, acrescidos de mais cinco anos, em se tratando de pagamentos indevidos efetuados antes da entrada em vigor da LC 118∕05 (09.06.2005). No presente caso, o pedido de repetição de indébito deuse antes do início da vigência da LC nº 118/2005 (22/12/2003), aplicandose, portanto, o prazo decenal para a contagem do prazo para o exercício do direito de repetição de indébito. Entretanto, o presente pedido deuse em período superior a dez anos entre a data do fato gerador (31/12/1990) e a data do pedido de repetição do indébito. Portanto, o pedido formulado pelo contribuinte não merece prosperar, em virtude de ter ultrapassado o decênio posto a sua disposição para o exercício de seu direito. Recurso especial provido. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 80 5. 00 26 89 /2 00 3- 56 Fl. 164DF CARF MF Impresso em 13/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/03/2 013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 06/03/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo Presidente (Assinado digitalmente) Elias Sampaio Freire Relator EDITADO EM: 18/02/2013 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Susy Gomes Hoffmann (VicePresidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Gonçalo Bonet Allage, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo, Marcelo Freitas de Souza Costa (suplente convocado) e Elias Sampaio Freire. Relatório A Fazenda Nacional, inconformada com o decidido no Acórdão n.º 2802 00.512, proferido pela 2ª Turma Especial da 2ª Seção em 23/09/2010, interpôs, dentro do prazo regimental, recurso especial de divergência à Câmara Superior de Recursos Fiscais. A decisão recorrida, por maioria de votos, deu provimento ao recurso para rejeitar a decadência do direito de pedir do contribuinte, devolvendo os autos à origem para apreciação das razões de mérito. Segue abaixo sua ementa: “DECADÊNCIA. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. CONTROVÉRSIA JURÍDICA SOBRE A LEGALIDADE DA EXIGÊNCIA PARA FATO ANTERIOR À LEI COMPLEMENTAR 118, DE 2005. Nos casos de indébito que se exterioriza no contexto de solução jurídica conflituosa, o prazo para reclamar a restituição do pagamento indevido só tem inicio com a decisão definitiva da controvérsia. Em se tratando de tributos cuja obrigatoriedade é compulsória, mesmo que cobrados com base em norma que afronta a Constituição, estes são devidos até que se verifique uma das seguintes condições: a) Decisão do Supremo Tribunal Federal, em controle concentrado de constitucionalidade, declarando a inconstitucionalidade da norma que instituiu o tributo; b) Resolução do Senado Federal editada nos termos do artigo 52, X, da CF, suspendendo a execução, no todo ou em parte, da norma declarada inconstitucional por decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal e c) publicação pela Administração Pública de ato Fl. 165DF CARF MF Impresso em 13/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/03/2 013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 06/03/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10805.002689/200356 Acórdão n.º 9202002.505 CSRFT2 Fl. 9 3 através do qual ela passa a reconhecer a que o tributo é indevido. VERBAS INDENIZATÓRIAS. PROGRAMA DE DEMISSÃO VOLUNTÁRIA. PDV. RECONHECIMENTO DA NÃO INCIDÊNCIA. RESTITUIÇÃO. CONTAGEM DO PRAZO DECADENCIAL. A contagem do interstício decadencial para a perda do direito à restituição do valor pago ou retido a maior, nos casos de reconhecimento expresso da não incidência de tributo, tal como sobre verbas percebidas a guisa de PDV, é a data da publicação do ato administrativo que reconheceu o indébito, in casu, 2 a Instrução Normativa SRF n.º 165, tornada pública por meio do DOU de 06/01/1999. Não ocorrido lapso de tempo superior a 5 (cinco) anos entre o marco inicial e a data de protocolização do pedido, não há é de se avocar o instituto da decadência.” Afirma que o aresto recorrido diverge dos paradigmas que apresenta, cujas ementas serão reproduzidas a seguir: “FINSOCIAL. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. 0 dies a quo para contagem do prazo prescricional de repetição de indébito é o da data de extinção do crédito tributário pelo pagamento antecipado e o termo final é o dia em que se completa o qüinqüênio legal, contado a partir daquela data. Recurso Especial do Procurador Provido.” (AC 930300.080) “FINSOCIAL RESTITUIÇÃO / COMPENSAÇÃO A inconstitucionalidade reconhecida em sede de Recurso Extraordinário não gera efeitos erga omnes, sem que haja Resolução do Senado Federal suspendendo a aplicação do ato legal inquinado (art. 52, inciso X, da Constituição Federal). Tampouco a Medida Provisória n 2 1.110/95 (atual Lei n 2 10.522/2002) autoriza a interpretação de que cabe a revisão de créditos tributários definitivamente constituídos e extintos pelo pagamento. DECADÊNCIA O direito de pleitear a restituição extinguese com o decurso do prazo de cinco anos, contados da data de extinção do crédito tributário (art. 168, inciso I, do Código Tributário Nacional).” (AC 30235.782) Afirma que, em que pese a semelhança de situações fáticas pedidos de restituição de tributos sujeitos a lançamento por homologação , distintas foram as teses jurídicas empregadas no acórdão recorrido (que entendeu ser a data de edição da IN/SRF n.º 165 o marco inicial do prazo de prescrição) e nos paradigmas (nos quais houve posicionamento no sentido de que a data do pagamento indevido delimita o início do lastro prescricional). Entende que o aresto recorrido deixa de aplicar o art. 3º da LC 118/2005, à revelia do art. 4º da mesma Lei. Destaca que os paradigmas entenderam inafastáveis as previsões dos art. 165, I e 168, I do CTN, que determinam a contagem do prazo de restituição a partir do pagamento indevido. Argumenta que não há na lei nada que justifique ser considerada a data da publicação da IN SRF n.º 165 como termo inicial da contagem do prazo para se pleitear a restituição do IRPF. Fl. 166DF CARF MF Impresso em 13/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/03/2 013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 06/03/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 Ao final, requer o conhecimento e provimento de seu recurso especial. Nos termos do Despacho n.º 220000.506, foi dado seguimento ao pedido em análise. O contribuinte apresentou, tempestivamente, contrarazões. Requer a aplicação do Estatuto do Idoso ao presente feito. Afirma que a decadência prejudica as demais questões de mérito. Entende que não incide IR sobre verbas indenizatórias recebidas em função de adesão a plano de desligamento voluntário. Afirma que a fixação do termo inicial da prescrição deve estar diretamente relacionada ao momento em que o imposto passou a ser indevido. Uma vez reconhecida sua inexigibilidade, quer por decisão judicial transitada em julgado, quer por ato da administração pública, sem sombra de dúvidas, somente a partir de tal reconhecimento é que restará configurado o indébito tributário, gerando o direito a que se reporta o art. 165 do CTN. No caso, frisa que o marco inicial da prescrição para a repetição de indébito é a data do IN SRF 165/08. Sustenta que o art. 3º da LC 118/2005 aplicase apenas aos fatos posteriores à sua entrada em vigor. Diz, a título argumentativo, que no presente caso deve ser aplicada a tese dos 5 + 5, iniciandose do fato gerador. Pondera que tal prazo teria sido interrompido em face da aplicação do art. 174, IV do CTN c/c o art. 202, VI do NCC, posto que a IN SRF 165/98 reconheceu expressamente a não incidência do IR sobre as verbas indenizatórias referentes aos programas de demissão voluntária, iniciandose novamente a contagem do prazo prescricional de mais 5 anos a partir da data da publicação da referida IN (06/01/1999). Requer, ao final, que o recurso especial da Fazenda não seja provido. Eis o breve relatório. Fl. 167DF CARF MF Impresso em 13/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/03/2 013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 06/03/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10805.002689/200356 Acórdão n.º 9202002.505 CSRFT2 Fl. 10 5 Voto Conselheiro Elias Sampaio Freire, Relator Acerca da admissibilidade do recurso especial constatase que ao apreciar regra de norma geral acerca do prazo para repetição de indébito (art. 165, incisos I e II , e 168, inciso I, do CTN), ao contrário do decidido no acórdão recorrido, o acórdão paradigma considerou ser irrelevante que o indébito tenha por fundamento inconstitucionalidade ou simples erro, aplicando o prazo a partir da extinção do crédito tributário. Portanto, demonstrado o dissídio jurisprudencial e preenchidas as demais formalidades, conheço do recurso especial interposto pela Fazenda Nacional. O Supremo Tribunal Federal – STF fixou entendimento no sentido de que deva ser aplicado o prazo de 10 (dez) anos para o exercício do direito de repetição de indébito para os pedidos formulados antes do decurso do prazo da vacatio legis de 120 dias da LC n.º 118/2005, ou seja, antes de 9 de junho de 2005 (RE 566621), em acórdão assim ementado: “DIREITO TRIBUTÁRIO – LEI INTERPRETATIVA – APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005 – DESCABIMENTO – VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA – NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS – APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. Quando do advento da LC 118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, § 4º, 156, VII, e 168, I, do CTN. A LC 118/05, embora tenha se autoproclamado interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido. Lei supostamente interpretativa que, em verdade, inova no mundo jurídico deve ser considerada como lei nova. Inocorrência de violação à autonomia e independência dos Poderes, porquanto a lei expressamente interpretativa também se submete, como qualquer outra, ao controle judicial quanto à sua natureza, validade e aplicação. A aplicação retroativa de novo e reduzido prazo para a repetição ou compensação de indébito tributário estipulado por lei nova, fulminando, de imediato, pretensões deduzidas tempestivamente à luz do prazo então aplicável, bem como a aplicação imediata às pretensões pendentes de ajuizamento quando da publicação da lei, sem resguardo de nenhuma regra de transição, implicam ofensa ao princípio da segurança jurídica em seus conteúdos de proteção da confiança e de garantia do acesso à Justiça. Afastandose as aplicações inconstitucionais e resguardandose, no mais, a eficácia da Fl. 168DF CARF MF Impresso em 13/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/03/2 013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 06/03/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 6 norma, permitese a aplicação do prazo reduzido relativamente às ações ajuizadas após a vacatio legis, conforme entendimento consolidado por esta Corte no enunciado 445 da Súmula do Tribunal. O prazo de vacatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não apenas que tomassem ciência do novo prazo, mas também que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos seus direitos. Inaplicabilidade do art. 2.028 do Código Civil, pois, não havendo lacuna na LC 118/08, que pretendeu a aplicação do novo prazo na maior extensão possível, descabida sua aplicação por analogia. Além disso, não se trata de lei geral, tampouco impede iniciativa legislativa em contrário. Reconhecida a inconstitucionalidade art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tãosomente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 543B, § 3º, do CPC aos recursos sobrestados. Recurso extraordinário desprovido.” O Superior Tribunal de Justiça – STJ firmou, ainda, entendimento no sentido de que o prazo para pleitear a repetição tributária, nos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, ainda que tenha sido declarada a inconstitucionalidade da lei instituidora do tributo em controle concentrado, pelo STF, ou exista Resolução do Senado (declaração de inconstitucionalidade em controle difuso), é contado da data em que se considera extinto o crédito tributário, acrescidos de mais cinco anos, em se tratando de pagamentos indevidos efetuados antes da entrada em vigor da LC 118∕05 (09.06.2005): “TRIBUTÁRIO. TRIBUTO DECLARADO INCONSTITUCIONAL EM CONTROLE CONCENTRADO. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. PRESCRIÇÃO. TERMO INICIAL. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. REGRA DOS "CINCO MAIS CINCO". PRECEDENTES. SÚMULA 83/STJ. 1. A Primeira Seção desta Corte firmou entendimento de que, "mesmo em caso de exação tida por inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal, seja em controle concentrado, seja em difuso, ainda que tenha sido publicada Resolução do Senado Federal (art. 52, X, da Carta Magna), a prescrição do direito de pleitear a restituição, nos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, ocorre após expirado o prazo de cinco anos, contados do fato gerador, acrescido de mais cinco anos, a partir da homologação tácita ou expressa." 2. O entendimento jurisprudencial é a síntese da melhor exegese da legislação no momento da aplicação do direito, por isso é aceitável a sua mudança para o devido aprimoramento da prestação jurisdicional. Agravo regimental improvido.” (AgRg no Ag 1406333 / PE, Relator: Ministro Humberto Martins) “PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. IMPOSTO DE RENDA O SOBRE O LUCRO LÍQUIDO (ILL). PRESCRIÇÃO. TESE DOS "CINCO MAIS CINCO". RESP 1.002.932/SP (ART.543C DO CPC). COMPENSAÇÃO. LEGISLAÇÃO APLICÁVEL. DATA DO AJUIZAMENTO DA AÇÃO. RESP 1.137.738/SP (ART. 543C DO CPC). POSSIBILIDADE, IN Fl. 169DF CARF MF Impresso em 13/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/03/2 013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 06/03/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10805.002689/200356 Acórdão n.º 9202002.505 CSRFT2 Fl. 11 7 CASU, DE COMPENSAÇÃO COM TRIBUTO DA MESMA ESPÉCIE. CORREÇÃO MONETÁRIA. FEV/1991. IPC. 21,87%. 1. Agravos regimentais interpostos pelos contribuintes e pela Fazenda Nacional contra decisão que negou seguimento aos seus recursos especiais. 2. A Primeira Seção adota o entendimento sufragado no julgamento dos EREsp 435.835/SC para aplicar a tese dos "cinco mais cinco" à contagem do prazo prescricional, inclusive para a repetição de tributos declarados inconstitucionais pelo Supremo Tribunal Federal. Precedentes: EREsp 507.466/SC, Rel. Ministro Humberto Martins, Primeira Seção, julgado em 25/3/2009, DJe 6/4/2009; AgRg nos EAg 779581/SP, Rel. Ministro Herman Benjamin, Primeira Seção, julgado em 9/5/2007, DJe 1/9/2008; EREsp 653.748/CE, Rel. Ministro José Delgado, Rel. p/ Acórdão Ministro Luiz Fux, Primeira Seção, julgado em 23/11/2005, DJ 27/3/2006. 3. O Superior Tribunal de Justiça, em sede de recurso especial representativo de controvérsia (REsp 1.002.932/SP), ratificou orientação no sentido de que o princípio da irretroatividade impõe a aplicação da LC n. 118/05 aos pagamentos indevidos realizados após a sua vigência e não às ações propostas posteriormente ao referido diploma legal, porquanto é norma referente à extinção da obrigação e não ao aspecto processual da ação respectiva. 4. Em sede de compensação tributária, deve ser aplicada a legislação vigente por ocasião do ajuizamento da demanda. "[A] autorização da Secretaria da Receita Federal constituía pressuposto para a compensação pretendida pelo contribuinte, sob a égide da redação primitiva do artigo 74, da Lei 9.430/96, em se tratando de tributos sob a administração do aludido órgão público, compensáveis entre si" (REsp 1.137.738/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Seção, DJe 1º/2/2010, julgado sob o rito do art. 543C do CPC). 5. Na correção de indébito tributário incide o índice de 21,87% em fevereiro de 1991 (expurgo inflacionário, IPC/IBGE em substituição à INPC do mês). Precedentes: REsp 968.949/SP, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe 10/3/2011; EDcl no AgRg nos EDcl no REsp 871.152/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Turma, DJe 19/8/2010; AgRg no REsp 945.285/RS, Rel. Ministro Humberto Martins, Segunda Turma, DJe 7/6/2010; REsp 1.124.456/DF, Rel. Ministro Castro Meira, Segunda Turma, DJe 8/4/2010. 6. Agravo regimental das contribuintes parcialmente provido para assegurar a correção monetária no mês de fevereiro de 1991 pelo índice de 21,87%. 7. Agravo regimental da Fazenda Nacional não provido.” Fl. 170DF CARF MF Impresso em 13/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/03/2 013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 06/03/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 8 (AgRg no REsp 1131971 / RJ, Relator: Ministro Benedito Gonçalves) No presente caso, o pedido de repetição de indébito deuse antes do início da vigência da LC nº 118/2005 (22/12/2003), aplicandose, portanto, o prazo decenal para a contagem do prazo para o exercício do direito de repetição de indébito. Entretanto, o presente pedido deuse em período superior a dez anos entre a data do fato gerador (31/12/1990) e a data do pedido de repetição do indébito. Portanto, o pedido formulado pelo contribuinte não merece prosperar, em virtude de ter ultrapassado o decênio posto a sua disposição para o exercício de seu direito. Ante o exposto, voto por conhecer do recurso especial da Fazenda Nacional e darlhe provimento. É como voto. (Assinado digitalmente) Elias Sampaio Freire Fl. 171DF CARF MF Impresso em 13/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/03/2 013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 06/03/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
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Numero do processo: 10860.001359/99-13
Turma: PLENO DA CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: Pleno
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Aug 29 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Apr 09 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/04/1989 a 31/10/1995
TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECADÊNCIA. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ARTIGO 62A DO REGIMENTO INTERNO DO CARF.
Esta Corte Administrativa está vinculada às decisões definitivas de mérito proferidas pelo Supremo Tribunal Federal (STF), bem como àquelas proferidas pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) em Recurso Especial repetitivo. Assim, conforme entendimento firmado pelo STF no julgamento do RE nº 566.621, bem como aquele esposado pelo STJ no julgamento do REsp nº 1.002.932, para os pedidos de restituição/compensação de tributos sujeitos a lançamento por homologação - formalizados antes da vigência da Lei Complementar 118, de 2005, ou seja, antes do dia 09/06/2005 - o prazo para o sujeito passivo pleitear restituição/compensação, será de 5 (cinco) anos, previsto no artigo 150, § 4º, do Código Tributário Nacional (CTN), somado a 5 (cinco) anos, previsto no artigo 168, I, desse mesmo Código.
Numero da decisão: 9900-000.521
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Pleno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso.
(assinado digitalmente)
Otacílio Dantas Cartaxo - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcelo Oliveira - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo, Susy Gomes Hoffmann, Valmar Fonseca de Menezes, Alberto Pinto Souza Júnior, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, João Carlos de Lima Júnior, Jorge Celso Freire da Silva, José Ricardo da Silva, Karem Jureidini Dias, Valmir Sandri, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Elias Sampaio Freire, Gonçalo Bonet Allage, Gustavo Lian Haddad, Manoel Coelho Arruda Junior, Marcelo Oliveira, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Henrique Pinheiro Torres, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Júlio César Alves Ramos, Maria Teresa Martinez Lopez, Nanci Gama, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Possas, Mercia Helena Trajano Damorim que substituiu Marcos Aurélio Pereira Valadão.
Nome do relator: MARCELO OLIVEIRA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Pleno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso. (assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo - Presidente. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo, Susy Gomes Hoffmann, Valmar Fonseca de Menezes, Alberto Pinto Souza Júnior, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, João Carlos de Lima Júnior, Jorge Celso Freire da Silva, José Ricardo da Silva, Karem Jureidini Dias, Valmir Sandri, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Elias Sampaio Freire, Gonçalo Bonet Allage, Gustavo Lian Haddad, Manoel Coelho Arruda Junior, Marcelo Oliveira, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Henrique Pinheiro Torres, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Júlio César Alves Ramos, Maria Teresa Martinez Lopez, Nanci Gama, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Possas, Mercia Helena Trajano Damorim que substituiu Marcos Aurélio Pereira Valadão.
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Recorrente FAZENDA NACIONAL Recorrida CAM PEL PAPELARIA E LIVRARIA CAMPELLO LTDA ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/04/1989 a 31/10/1995 TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECADÊNCIA. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ARTIGO 62A DO REGIMENTO INTERNO DO CARF. Esta Corte Administrativa está vinculada às decisões definitivas de mérito proferidas pelo Supremo Tribunal Federal (STF), bem como àquelas proferidas pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) em Recurso Especial repetitivo. Assim, conforme entendimento firmado pelo STF no julgamento do RE nº 566.621, bem como aquele esposado pelo STJ no julgamento do REsp nº 1.002.932, para os pedidos de restituição/compensação de tributos sujeitos a lançamento por homologação formalizados antes da vigência da Lei Complementar 118, de 2005, ou seja, antes do dia 09/06/2005 o prazo para o sujeito passivo pleitear restituição/compensação, será de 5 (cinco) anos, previsto no artigo 150, § 4º, do Código Tributário Nacional (CTN), somado a 5 (cinco) anos, previsto no artigo 168, I, desse mesmo Código. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Pleno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso. (assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 0. 00 13 59 /9 9- 13 Fl. 392DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/03/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 09/03/2013 por MARCELO OLIVEIRA 2 (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo, Susy Gomes Hoffmann, Valmar Fonseca de Menezes, Alberto Pinto Souza Júnior, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, João Carlos de Lima Júnior, Jorge Celso Freire da Silva, José Ricardo da Silva, Karem Jureidini Dias, Valmir Sandri, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Elias Sampaio Freire, Gonçalo Bonet Allage, Gustavo Lian Haddad, Manoel Coelho Arruda Junior, Marcelo Oliveira, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Henrique Pinheiro Torres, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Júlio César Alves Ramos, Maria Teresa Martinez Lopez, Nanci Gama, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Possas, Mercia Helena Trajano Damorim que substituiu Marcos Aurélio Pereira Valadão. Fl. 393DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/03/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 09/03/2013 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 10860.001359/9913 Acórdão n.º 9900000.521 CSRFPL Fl. 3 3 Relatório Tratase de Recurso Extraordinário, fls. 0347 interposto dentro do prazo regimental pela nobre Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN) contra acórdão, fls. 0336, que decidiu em negar provimento ao recurso especial. O acórdão em questão possui as seguintes ementa e decisão: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/07/1989 a 30/09/1995 PIS. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. PRESCRIÇÃO. PRAZO. Tratandose de pedido de restituição/compensação da Contribuição para o Programa de Integração Social PIS exigido com base nos Decretos n°s 2.445/88 e 2.449/88, declarados inconstitucionais pelo Supremo Tribunal Federal nos autos do RE n° 148.754/RJ, o termo a quo do prazo prescricional de 05 (cinco) anos para o pleito da contribuinte é a data da publicação da Resolução do Senado Federal n° 49, 10/10/1995, que atribuiu efeito erga omnes à decisão da Suprema Corte, suspendendo a execução daqueles diplomas legais. Recurso especial negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros da Segunda Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso especial, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Em seu recurso extraordinário a PGFN alega, em síntese, que: 1. O acórdão recorrido diverge da jurisprudência mantida pela Quarta Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF/0400.810); 2. No acórdão recorrido foi decidido que o prazo prescricional para que o sujeito passivo possa pleitear a restituição e/ou compensação de valor pago indevidamente somente começa a fluir após a publicação da Resolução do Senado que reconhece e dá efeito erga omnes à declaração de inconstitucionalidade de lei ou a partir do ato da autoridade administrativa que concede ao contribuinte o efetivo direito de pleitear a restituição por considerar Fl. 394DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/03/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 09/03/2013 por MARCELO OLIVEIRA 4 que somente a partir desta data é que surge o direito a repetição do valor pago indevidamente; 3. Porém, a Quarta Turma da CSRF, no acórdão paradigma, perfilhou entendimento diverso; 4. A Quarta Câmara decidiu que o direito de pleitear a restituição de tributo indevido, pago espontaneamente, perece com o decurso do prazo de cinco anos, contados da data de extinção do crédito tributário, considerado este como a data do pagamento, sendo irrelevante que o indébito tenha por fundamento inconstitucionalidade ou simples erro; 5. O acórdão recorrido diverge das determinações do CTN (Art. 156 e 168) e da Lei Complementar 118/2005 (Arts. 3º e 4º); 6. Em razão do exposto, roga pelo conhecimento e pelo provimento do seu recurso. Por despacho, fls. 0375, deuse seguimento ao recurso extraordinário. O sujeito passivo, devidamente intimado, apresentou suas contra razões, solicitando, em síntese, a ratificação do decidido no acórdão recorrido. Os autos retornaram ao Conselho, para análise e decisão. É o Relatório. Fl. 395DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/03/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 09/03/2013 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 10860.001359/9913 Acórdão n.º 9900000.521 CSRFPL Fl. 4 5 Voto Conselheiro Marcelo Oliveira, Relator. Acerca da admissibilidade do recurso extraordinário constatase que ao apreciar regra de norma geral acerca do prazo para repetição de indébito (art. 165, incisos I e II , e 168, inciso I, do CTN), ao contrário do decidido no acórdão recorrido, o acórdão paradigma considerou ser irrelevante que o indébito tenha por fundamento inconstitucionalidade ou simples erro. Portanto, demonstrado o dissídio jurisprudencial e preenchidas as demais formalidades, conheço do recurso extraordinário interposto pela Fazenda Nacional. Inicialmente, cabe salientar que, embora não esteja previsto no atual Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22/06/2009, o Recurso Extraordinário, referente a acórdão prolatado em sessão de julgamento ocorrida até 30/06/2009, será, nos termos do artigo 4º do RICARF, processado de acordo com o rito previsto no Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 147, de 25/06/2007. A divergência entre os acórdãos recorrido e paradigma cingese, basicamente, à fixação da data inicial para a contagem do prazo decadencial para o contribuinte pleitear restituição/compensação de valores. Para esclarecimento da questão, o(s) fato(s) geradores ocorreram em 04/1989 a 10/1995, fls. 098, e o pedido de restituição ocorreu em 21/06/1999, fls. 001. A Fazenda Nacional pede que seja aplicado o prazo de cinco anos contados a partir da data de cada pagamento indevido eventualmente comprovado. No que tange ao objeto do presente recurso, houve pronunciamento do STF no julgamento do RE nº 566.621, bem como do STJ no julgamento do REsp nº 1.002.932, com efeito repetitivo, ao qual o CARF deve se curvar, conforme expressa disposição regimental. Conforme o artigo 62A do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 2009, esta Corte Administrativa deve reproduzir as decisões definitivas de mérito proferidas pelo STF, bem como aquelas proferidas pelo STJ em sede de Recurso Especial repetitivo. O entendimento exarado pelas Cortes Superiores é no sentido de que o prazo para o contribuinte pleitear restituição/compensação de tributos sujeitos a lançamento por homologação será, para os pedidos de compensação protocolados antes da vigência da Lei Complementar 118, de 2005, ou seja, antes do dia 09/06/2005, o de 5 (cinco) anos, previsto no artigo 150, § 4º, do CTN, somado ao de 5 (cinco) anos, previsto no artigo 168, I, desse mesmo código. O acórdão do Supremo Tribunal Federal restou assim ementado: Fl. 396DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/03/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 09/03/2013 por MARCELO OLIVEIRA 6 “DIREITO TRIBUTÁRIO – LEI INTERPRETATIVA – APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005 – DESCABIMENTO –VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA – NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS – APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. Quando do advento da LC 118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, § 4º, 156, VII, e 168, I, do CTN. A LC 118/05, embora tenha se autoproclamado interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido. Lei supostamente interpretativa que, em verdade, inova no mundo jurídico deve ser considerada como lei nova. Inocorrência de violação à autonomia e independência dos Poderes, porquanto a lei expressamente interpretativa também se submete, como qualquer outra, ao controle judicial quanto à sua natureza, validade e aplicação. A aplicação retroativa de novo e reduzido prazo para a repetição ou compensação de indébito tributário estipulado por lei nova, fulminando, de imediato, pretensões deduzidas tempestivamente à luz do prazo então aplicável, bem como a aplicação imediata às pretensões pendentes de ajuizamento quando da publicação da lei, sem resguardo de nenhuma regra de transição, implicam ofensa ao princípio da segurança jurídica em seus conteúdos de proteção da confiança e de garantia do acesso à Justiça. Afastando se as aplicações inconstitucionais e resguardando se, no mais, a eficácia da norma, permite se a aplicação do prazo reduzido relativamente às ações ajuizadas após a vacatio legis, conforme entendimento consolidado por esta Corte no enunciado 445 da Súmula do Tribunal. O prazo de vacatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não apenas que tomassem ciência do novo prazo, mas também que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos seus direitos. Inaplicabilidade do art. 2.028 do Código Civil, pois, não havendo lacuna na LC 118/05, que pretendeu a aplicação do novo prazo na maior extensão possível, descabida sua aplicação por analogia. Além disso, não se trata de lei geral, tampouco impede iniciativa legislativa em contrário. Reconhecida a inconstitucionalidade do art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerando se válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tão somente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Fl. 397DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/03/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 09/03/2013 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 10860.001359/9913 Acórdão n.º 9900000.521 CSRFPL Fl. 5 7 Aplicação do art. 543B, §3º, do CPC aos recursos sobrestados. Recurso extraordinário desprovido.” Assim, no caso em apreço, como o contribuinte protocolou seu pedido de restituição/compensação no dia 21/06/1999, fls. 001, concluise que os pagamentos relativos aos fatos geradores que ocorreram após 21/06/1989 são passíveis de restituição e/ou compensação. CONCLUSÃO: Diante do exposto, DOU PROVIMENTO PARCIAL ao Recurso Extraordinário interposto pela Fazenda Nacional, para afastar a decadência relativamente aos pagamentos referentes aos fatos geradores que ocorreram após 21/06/1989 e determinar o retorno dos autos à Autoridade Administrativa, para julgamento das demais questões objeto do pedido. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Fl. 398DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/03/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 09/03/2013 por MARCELO OLIVEIRA
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Numero do processo: 13819.003966/2003-87
Turma: PLENO DA CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: Pleno
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Aug 28 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Mar 07 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 1993
IRPF. PEDIDO DE DEMISSÃO VOLUNTÁRIA. REQUERIMENTO DE RESTITUIÇÃO ANTERIOR VIGÊNCIA LEI COMPLEMENTAR N° 118/2005. PRESCRIÇÃO. PRAZO DECENAL. TESE DOS 5 + 5. JURISPRUDÊNCIA UNÍSSONA STJ E STF.
De conformidade com a jurisprudência firmada no âmbito do Superior Tribunal de Justiça e corroborada pelo Supremo Tribunal Federal, a propósito da inconstitucionalidade da parte final do artigo 4° da Lei Complementar n° 118/2005, que prevê a aplicação retroativa dos preceitos de referido Diploma Legal, tratando-se de pedido de restituição de tributos sujeitos ao lançamento por homologação, in casu, Imposto Sobre a Renda de Pessoa Física, incidente sobre as verbas pagas em decorrência de adesão a Programa de Demissão Voluntária - PDV, formulado anteriormente à vigência de aludida LC, o prazo a ser observado é de 10 (Dez) anos (tese dos 5 + 5), contando-se da data da ocorrência do fato gerador.
Recurso extraordinário negado.
Numero da decisão: 9900-000.384
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Marcos Aurélio Pereira Valadão e Júlio César Alves Ramos.
(Assinado digitalmente)
Otacílio Dantas Cartaxo Presidente
(Assinado digitalmente)
Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira Relator
EDITADO EM: 28/11/12
Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo, Susy Gomes Hoffmann, Valmar Fonseca de Menezes, Alberto Pinto Souza Júnior, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, João Carlos de Lima Júnior, Jorge Celso Freire da Silva, José Ricardo da Silva, Karem Jureidini Dias, Valmir Sandri, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Elias Sampaio Freire, Gonçalo Bonet Allage, Gustavo Lian Haddad, Manoel Coelho Arruda Junior, Marcelo Oliveira, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Henrique Pinheiro Torres, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Júlio César Alves Ramos, Maria Teresa Martinez Lopez, Nanci Gama, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Possas e Marcos Aurélio Pereira Valadão.
Matéria: IRPF- restituição - rendim.isentos/não tributaveis(ex.:PDV)
Nome do relator: RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA
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PEDIDO DE DEMISSÃO VOLUNTÁRIA. REQUERIMENTO DE RESTITUIÇÃO ANTERIOR VIGÊNCIA LEI COMPLEMENTAR N° 118/2005. PRESCRIÇÃO. PRAZO DECENAL. TESE DOS 5 + 5. JURISPRUDÊNCIA UNÍSSONA STJ E STF. De conformidade com a jurisprudência firmada no âmbito do Superior Tribunal de Justiça e corroborada pelo Supremo Tribunal Federal, a propósito da inconstitucionalidade da parte final do artigo 4° da Lei Complementar n° 118/2005, que prevê a aplicação retroativa dos preceitos de referido Diploma Legal, tratandose de pedido de restituição de tributos sujeitos ao lançamento por homologação, in casu, Imposto Sobre a Renda de Pessoa Física, incidente sobre as verbas pagas em decorrência de adesão a Programa de Demissão Voluntária PDV, formulado anteriormente à vigência de aludida LC, o prazo a ser observado é de 10 (Dez) anos (tese dos 5 + 5), contandose da data da ocorrência do fato gerador. Recurso extraordinário negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Marcos Aurélio Pereira Valadão e Júlio César Alves Ramos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 81 9. 00 39 66 /2 00 3- 87 Fl. 1DF CARF MF Impresso em 12/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/12/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 14/12/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA 2 (Assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo – Presidente (Assinado digitalmente) Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira – Relator EDITADO EM: 28/11/12 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo, Susy Gomes Hoffmann, Valmar Fonseca de Menezes, Alberto Pinto Souza Júnior, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, João Carlos de Lima Júnior, Jorge Celso Freire da Silva, José Ricardo da Silva, Karem Jureidini Dias, Valmir Sandri, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Elias Sampaio Freire, Gonçalo Bonet Allage, Gustavo Lian Haddad, Manoel Coelho Arruda Junior, Marcelo Oliveira, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Henrique Pinheiro Torres, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Júlio César Alves Ramos, Maria Teresa Martinez Lopez, Nanci Gama, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Possas e Marcos Aurélio Pereira Valadão. Relatório BENEDITO FAVARETO, contribuinte, pessoa física, já devidamente qualificado nos autos do processo administrativo em epígrafe, apresentou Pedido de Restituição de Imposto de Renda Pessoa Física, em 30/12/2003, em relação ao anocalendário 1993, incidente sobre as verbas indenizatórias percebidas em virtude de adesão a Plano de Demissão Voluntária ocorrida em 05/01/1993(recolhido em 20/01/1993), conforme Petição Inicial, às fls. 01/16, e demais documentos que instruem o processo. Após regular processamento, interposto Recurso Especial pela Procuradoria contra Acórdão nº 10614.681, da 6a Câmara do então Primeiro Conselho de Contribuintes, que deu provimento ao recurso voluntário do contribuinte, a Egrégia 4ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, em 05/08/2008, por maioria de votos, achou por bem NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO ESPECIAL DA FAZENDA NACIONAL, o fazendo sob a égide dos fundamentos inseridos no Acórdão nº CSRF/0401.034, sintetizados na seguinte ementa: “Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 1994 Ementa: IRPF VERBAS INDENIZATÓRIAS – PROGRAMA DE DEMISSÃO VOLUNTÁRIA PDV RESTITUIÇÃO DECADÊNCIA O marco inicial do prazo decadencial para os pedidos de restituição de imposto de renda indevidamente retido ria fonte, decorrente do recebimento de verbas indenizatórias Fl. 2DF CARF MF Impresso em 12/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/12/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 14/12/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 13819.003966/200387 Acórdão n.º 9900000.384 CSRFPL Fl. 12 3 referentes à participação em PDV, se dá em 06.01.1999, data de publicação da Instrução Normativa SRF n° 165, a qual reconheceu que não incide imposto de renda na fonte sobre tais verbas. Recurso Especial Negado.” Ainda irresignada, a Procuradoria da Fazenda Nacional interpôs Recurso Extraordinário ao Pleno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, às fls. 126/132, com arrimo nos artigo 9º e 43, do então Regimento Interno da CSRF, aprovado pela Portaria MF nº 147/2007, procurando demonstrar a insubsistência do Acórdão recorrido, desenvolvendo em síntese as seguintes razões: Inicialmente, pretende seja conhecido seu Recurso Extraordinário, uma vez observados os requisitos para tanto, eis que o Acórdão atacado, ao determinar que o prazo para restituição do indébito tributário, nos casos de declaração de inconstitucionalidade, tem início no momento em que o Poder Executivo reconhece não mais ser devida a exação, divergiu de outras decisões exaradas pela Câmara Superior de Recursos Fiscais, conforme se extrai do Acórdão nº 930300.080, ora adotado como paradigma. Após breve relato das fases ocorridas no decorrer do processo administrativo fiscal, sustenta que o Acórdão encimado, ora adotado como paradigma, diverge do decisum guerreado, na medida em que admite como termo inicial para contagem do prazo decadencial do pedido de restituição a data da extinção do crédito tributário e não com a publicação de ato normativo ou prolação de decisão judicial, na forma que restou decidido pela Turma recorrida. Insurgese contra o Acórdão atacado, por entender ter contrariado os preceitos contidos nos artigos 165, inciso I e 168, inciso I, do Código Tributário Nacional. Assevera que a Instrução Normativa nº 165/1998, que reconheceu a não incidência de IRPF sobre as verbas pagas a título de PDV, em razão de sua natureza indenizatória, não exerce qualquer influência na contagem do prazo para repetição de indébito e/ou compensação, sobretudo quando referida norma secundária, por esse próprio caráter, não tem o condão de extinguir exigência tributária. Alega que foi editado pela Secretaria da Receita Federal o Ato Declaratório nº 096, de 26 de dezembro de 1999, o qual é expresso ao dispor que o direito a restituição do tributo pago indevidamente extinguese após o transcurso do prazo de cinco anos, contado da data da extinção do crédito tributário, não tendo a Instrução Normativa a capacidade de criar ou extinguir direitos, não inovando o lapso decadencial. Nesse sentido, sustenta que, para o CTN, a causa do recolhimento indevido é irrelevante, eis que não definiu como termo a quo para contagem da prescrição a edição de Instruções Normativas, Resolução do Senado Federal ou declaração de inconstitucionalidade pelo STF, não podendo o julgador dar à norma legal em comento interpretação que dela não decorre, sob pena de tornar indefinido o termo inicial do prazo para o pedido de restituição, destruindo o instituto da decadência, em total afronta a segurança jurídica. Defende que os artigos 3º e 4º da Lei Complementar nº 118/2005, c/c artigo 106, inciso I, do CTN, corroboram seu entendimento, possibilitando, inclusive, a aplicação retroativa do artigo 3º, da LC nº 118, em virtude de sua natureza interpretativa. Fl. 3DF CARF MF Impresso em 12/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/12/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 14/12/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA 4 A fazer prevalecer sua pretensão, traz à colação doutrina a propósito da matéria, consonante com o entendimento acima esposado. Por fim, requer o conhecimento e provimento do Recurso Extraordinário, impondo a reforma do decisum ora atacado, nos termos encimados. Submetido a exame de admissibilidade, o ilustre Presidente da Câmara Superior de Recursos Fiscais, entendeu por bem admitir o Recurso Extraordinário da Procuradoria, sob o argumento de que a recorrente logrou comprovar que o Acórdão recorrido divergiu do entendimento consubstanciado no decisum paradigma, Acórdão nº 930300.080, consoante se positiva do Despacho nº 011/2010, às fls. 168/169. Instado a se manifestar a propósito do Recurso Extraordinário da Procuradoria, o contribuinte não apresentou suas contrarrazões. É o Relatório. Voto Conselheiro Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Relator Presentes os pressupostos de admissibilidade, sendo tempestivo e acatada pelo ilustre Presidente da CSRF, a divergência suscitada pela Procuradoria da Fazenda Nacional, conheço do Recurso Extraordinário e passo à análise das razões recursais. Conforme se depreende da análise do Recurso Extraordinário, pretende a Procuradoria a reforma do Acórdão recorrido, alegando, em síntese, que as razões de decidir ali esposadas contrariaram de outras decisões exaradas pela Câmara Superior de Recursos Fiscais, conforme se extrai do Acórdão nº 930300.080, ora adotado como paradigma. Em defesa de sua pretensão, sustenta que o Acórdão atacado malferiu os preceitos contidos nos artigos 165, inciso I e 168, inciso I, do Código Tributário Nacional, os quais prescrevem que o direito de o sujeito passivo pleitear a restituição de tributo pago indevidamente ou a maior extinguese com o decurso do prazo de cinco anos, contados da data da extinção do crédito tributário. Nesse sentido, reitera que, para o CTN, a causa do recolhimento indevido é irrelevante, eis que não definiu como termo a quo para contagem da prescrição a edição de Resolução do Senado Federal, a declaração de inconstitucionalidade pelo STF ou outro ato administrativo qualquer, não podendo o julgador dar à norma legal em comento interpretação que dela não decorre. Infere, ainda, que os artigos 3º e 4º, da Lei Complementar nº 118/2005, c/c artigo 106, inciso I, do CTN, corroboram seu entendimento, possibilitando, inclusive, a aplicação retroativa do artigo 3º, da LC nº 118, em virtude de sua natureza interpretativa. Em que pesem os argumentos da recorrente, seu insurgimento, contudo, não tem o condão de prosperar. Do exame dos elementos que instruem o processo, concluise que o Acórdão recorrido apresentase incensurável, devendo ser mantido em sua plenitude. Antes mesmo de se adentrar ao mérito da questão, cumpre trazer à baila os dispositivos legais que regulamentam a matéria, que assim prescrevem: Fl. 4DF CARF MF Impresso em 12/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/12/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 14/12/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 13819.003966/200387 Acórdão n.º 9900000.384 CSRFPL Fl. 13 5 “ Art.165 O sujeito passivo tem direito, independentemente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo, seja qual for a modalidade do seu pagamento, ressalvado o disposto no § 4º do art. 162, nos seguintes casos: I cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido;” “Art.168 O direito de pleitear a restituição extinguese com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados: I nas hipóteses dos incisos I e II do art. 165, da data da extinção do crédito tributário;” Na hipótese dos autos, não há dúvidas quanto à existência do indébito, tendo em vista tratarse de pedido de restituição de Imposto de Renda Pessoa Física – IRPF incidente sobre as verbas concedidas em virtude de adesão a Programa de Demissão Voluntária PDV, reconhecidas como indenizatórias e, por conseguinte, não integrantes da base de cálculo do tributo sob análise, mediante edição da Instrução Normativa SRF nº 165, de 06/01/1999. Nesse sentido, a discussão centrase tão somente no prazo prescricional para o contribuinte exercer seu direito de repetição de indébito, mais precisamente em relação ao termo a quo de referido prazo. A Procuradoria da Fazenda Nacional, com amparo nos artigos 106, 165, inciso I, e 168, inciso I, do Códex Tributário, entende que o termo a quo do prazo prescricional em comento é a data do pagamento do tributo indevido. Por sua vez, a Turma recorrida, por maioria, determinou que o prazo para a contribuinte pleitear a restituição e/ou compensação dos tributos em referência (IRPF) iniciase na data da publicação da Instrução Normativa SRF nº 165, de 06/01/1999, entendimento compartilhado por este conselheiro, pelas razões de fato e de direito que passamos a desenvolver. Afora as várias discussões doutrinárias a propósito do tema, o certo é que o IRPF, cobrado sobre as verbas recebidas pela pessoa física em decorrência de adesão a PDV, só passou a ser indevido quando do definitivo reconhecimento pela autoridade fazendária da não incidência de tal imposto sobre aludidos valores, ou seja, a partir da publicação da Instrução Normativa SRF nº 165, de 06/01/1999. Em outras palavras, antes da IN SRF nº 165/1999, o tributo em debate era devido e deveria ser recolhido em época própria, ou melhor, os pagamentos foram efetuados com fulcro na legislação de regência vigente, só passando a ser indébito quando da edição daquela Instrução Normativa. Nessa toada, ao admitir como termo a quo do prazo prescricional sub examine a data do pagamento do tributo indevido, estamos privilegiando o contribuinte que não o pagou, eis que não cumpriu a legislação de regência válida à época e não suportará lançamento fiscal com o fito de exigir tal exação, porquanto declarada inconstitucional posteriormente. Fl. 5DF CARF MF Impresso em 12/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/12/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 14/12/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA 6 Em outra via, o contribuinte que cumpriu com suas obrigações tributárias, pagando o tributo em dia, será penalizado por seguir os preceitos dos malfadados dispositivos legais que regulamentavam a matéria. Mais a mais, repitase, à época dos pagamentos do IRPF incidentes sobre as importâncias recebidas em razão de adesão a Programa de Demissão Voluntária, tal tributo era efetivamente devido, só passando a ser indébito quando do reconhecimento de sua natureza indenizatória pela própria autoridade fazendária e, por conseguinte, fora do alcance do IRPF, mediante edição da Instrução Normativa SRF nº 165/1999. Na esteira desse entendimento, as razões de decidir do Acórdão atacado representam, além da observância ao princípio da legalidade, o cumprimento do dever legal do julgador de se fazer justiça. Assim, não se pode admitir como termo inicial do prazo prescricional em análise, a data do pagamento do tributo. Este, aliás, era o entendimento majoritário da doutrina e jurisprudência judicial e administrativa, conforme restou circunstanciadamente demonstrado no Acórdão recorrido, bem como nas peças recursais da contribuinte. A propósito da matéria, mister trazer à baila a jurisprudência, anteriormente consolidada nesse Colendo Tribunal Administrativo, oferecendo proteção ao pleito da contribuinte, senão vejamos: “IRPF – RESTITUIÇÃO – TERMO INICIAL – PROGRAMA DE DESLIGAMENTO VOLUNTÁRIO – Contase a partir da publicação da Instrução Normativa da Secretaria da Receita Federal nº 165, de 31 de dezembro de 1998, o prazo decadencial para a apresentação de requerimento de restituição dos valores indevidamente retidos na fonte, relativos aos planos de desligamento voluntário. . IRPF – PDV – PEDIDO DE RESTITUIÇÃO ALCANCE – Tendo a Administração considerado indevida a tributação dos valores percebidos como indenização relativos aos Programas de Desligamento Voluntário em 06/01/99, data da publicação da Instrução Normativa nº 165 de 31 de dezembro de 1998, é irrelevante a data da efetiva retenção, que não é marco inicial do prazo extintivo. – Recurso Especial negado.” (1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, Recurso nº 127.011, Acórdão nº CSRF/0104.174 – Sessão de 14/10/2002) “IRRF – RESTITUIÇÃO DE TRIBUTO. PRAZO DECADENCIAL – Nos casos de retenção pela fonte pagadora de importância a título de imposto de renda na fonte considerado indevido por legislação superveniente, o termo inicial para o sujeito passivo apresentar o pedido de restituição junto ao órgão competente é a data em que vigora os efeitos da nova legislação. PDV – PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. TERMO DE INÍCIO – No caso de retenções relativas a Programa de Demissão Voluntária ocorridas além do prazo de cinco anos, o termo inicial para protocolização de pedido de restituição ocorre em 06.01.1999, data da publicação de ato administrativo que reconheceu indevida referida exação. Recurso negado” (1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, Recurso nº 126.098, Acórdão nº CSRF/0105.133 – Sessão de 29/11/2004) Fl. 6DF CARF MF Impresso em 12/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/12/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 14/12/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 13819.003966/200387 Acórdão n.º 9900000.384 CSRFPL Fl. 14 7 Não obstante as razões de fato e de direito acima esposadas, as quais vinham sendo adotadas nos julgados por este Colegiado, ao contemplar a matéria, o certo é que o tema vem sendo objeto de inúmeras discussões no Judiciário, o qual já se manifestou das mais diversas formas, sobretudo após a edição da Lei Complementar nº 118, que em seus artigos 3o e 4o, assim prescreveu: “Art. 3o Para efeito de interpretação do inciso I do art. 168 da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional, a extinção do crédito tributário ocorre, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, no momento do pagamento antecipado de que trata o § 1o do art. 150 da referida Lei. Art. 4o Esta Lei entra em vigor 120 (cento e vinte) dias após sua publicação, observado, quanto ao art. 3o, o disposto no art. 106, inciso I, da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional.” Escorado nos dispositivos legais encimados, a Procuradoria reforça sua tese, mormente com arrimo no artigo 4º, que estabelece a retroatividade de aludidas determinações. Em face da edição da Lei Complementar nº 118/2005, inúmeras foram as discussões que permearam o Judiciário, especialmente no que tange a constitucionalidade do disposto na parte final do artigo 4º, relativamente à retroatividade daquela norma. Após muitas disceptações a propósito da matéria, o Superior Tribunal de Justiça firmou entendimento no sentido de que os preceitos inscritos na parte final do artigo 4º da Lei Complementar nº 118/2005, encontramse maculados por vício de inconstitucionalidade, não se cogitando na aplicabilidade retroativa do disposto no artigo 3°, consoante se infere da ementa do Acórdão exarado nos autos do Recurso Especial nº 1.002.932/SP, nos seguintes termos: “PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. AUXÍLIO CONDUÇÃO. IMPOSTO DE RENDA. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRESCRIÇÃO. TERMO INICIAL. PAGAMENTO INDEVIDO. ARTIGO 4º, DA LC 118/2005. DETERMINAÇÃO DE APLICAÇÃO RETROATIVA. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. CONTROLE DIFUSO. CORTE ESPECIAL. RESERVA DE PLENÁRIO. 1. O princípio da irretroatividade impõe a aplicação da LC 118, de 9 de fevereiro de 2005, aos pagamentos indevidos realizados após a sua vigência e não às ações propostas posteriormente ao referido diploma legal, posto norma referente à extinção da obrigação e não ao aspecto processual da ação correspectiva. 2. O advento da LC 118/05 e suas conseqüências sobre a prescrição, do ponto de vista prático, implica dever a mesma ser contada da seguinte forma: relativamente aos pagamentos efetuados a partir da sua vigência (que ocorreu em 09.06.05), o prazo para a repetição do indébito é de cinco a contar da data do pagamento; e relativamente aos pagamentos anteriores, a Fl. 7DF CARF MF Impresso em 12/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/12/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 14/12/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA 8 prescrição obedece ao regime previsto no sistema anterior, limitada, porém, ao prazo máximo de cinco anos a contar da vigência da lei nova. 3. Isto porque a Corte Especial declarou a inconstitucionalidade da expressão "observado, quanto ao art. 3º, o disposto no art. 106, I, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional", constante do artigo 4º, segunda parte, da Lei Complementar 118/2005 (AI nos ERESP 644736/PE, Relator Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 06.06.2007). 4. Deveras, a norma inserta no artigo 3º, da lei complementar em tela, indubitavelmente, cria direito novo, não configurando lei meramente interpretativa, cuja retroação é permitida, consoante apregoa doutrina abalizada: [...] 5. Consectariamente, em se tratando de pagamentos indevidos efetuados antes da entrada em vigor da LC 118/05 (09.06.2005), o prazo prescricional para o contribuinte pleitear a restituição do indébito, nos casos dos tributos sujeitos a lançamento por homologação, continua observando a cognominada tese dos cinco mais cinco, desde que, na data da vigência da novel lei complementar, sobejem, no máximo, cinco anos da contagem do lapso temporal (regra que se coaduna com o disposto no artigo 2.028, do Código Civil de 2002, segundo o qual: "Serão os da lei anterior os prazos, quando reduzidos por este Código, e se, na data de sua entrada em vigor, já houver transcorrido mais da metade do tempo estabelecido na lei revogada." ). 6. Desta sorte, ocorrido o pagamento antecipado do tributo após a vigência da aludida norma jurídica, o dies a quo do prazo prescricional para a repetição/compensação é a data do recolhimento indevido. 7. In casu, insurgese o recorrente contra a prescrição qüinqüenal determinada pelo Tribunal a quo, pleiteando a reforma da decisão para que seja determinada a prescrição decenal, sendo certo que não houve menção, nas instância ordinárias, acerca da data em que se efetivaram os recolhimentos indevidos, mercê de a propositura da ação ter ocorrido em 27.11.2002, razão pela qual forçoso concluir que os recolhimentos indevidos ocorreram antes do advento da LC 118/2005, por isso que a tese aplicável é a que considera os 5 anos de decadência da homologação para a constituição do crédito tributário acrescidos de mais 5 anos referentes à prescrição da ação. 8. Impende salientar que, conquanto as instâncias ordinárias não tenham mencionado expressamente as datas em que ocorreram os pagamentos indevidos, é certo que os mesmos foram efetuados sob a égide da LC 70/91, uma vez que a Lei 9.430/96, vigente a partir de 31/03/1997, revogou a isenção concedida pelo art. 6º, II, da referida lei complementar às sociedades civis de prestação de serviços, tornando legítimo o pagamento da COFINS. Fl. 8DF CARF MF Impresso em 12/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/12/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 14/12/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 13819.003966/200387 Acórdão n.º 9900000.384 CSRFPL Fl. 15 9 9. Recurso especial provido, nos termos da fundamentação expendida. Acórdão submetido ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 08/2008.” ” (STJ – 1a Seção – Resp n° 1.002.932/SP – Relator Ministro Luiz Fux, Julgado em 25/11/2009) Conforme se depreende da ementa acima transcrita, o Superior Tribunal de Justiça posicionouse no sentido de que, no caso de repetição de indébito de tributo sujeito ao lançamento por homologação, o prazo prescricional para protocolizar o pedido, após o advento da Lei Complementar n° 118, contase da seguinte forma: 1) Recolhimentos efetuados antes da LC 118/2005 – Prazo de 10 (dez) anos – tese dos 5 + 5 , contandose da ocorrência do fato gerador, limitado ao período máximo de cinco anos a contar da vigência da lei nova; 2) Recolhimentos realizados após a vigência da LC 118 (09/06/2005) – Prazo de 05 (cinco) anos a contar da data do pagamento indevido; No mesmo sentido, o Supremo Tribunal Federal, rechaçou de uma vez por todas qualquer dúvida quanto à matéria, ratificando a inconstitucionalidade da parte final do artigo 4° da Lei Complementar n° 118/2005, mantendo, portanto, o prazo prescricional com base na tese dos 5 + 5 para nos casos de recolhimentos indevidos ocorridos anteriormente à vigência de aludido Diploma Legal. É o que se extrai do Acórdão exarado nos autos do Recurso Extraordinário n° 566.621/RS, julgado sob o manto do rito previsto no artigo 543B do Código de Processo Civil, com a seguinte ementa: “DIREITO TRIBUTÁRIO. LEI INTERPRETATIVA – APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005. DESCABIMENTO .VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA . NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS. APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. Quando do advento da LC 118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, § 4º, 156, VII, e 168, I, do CTN. A LC 118/05, embora tenha se autoproclamado interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido. Lei supostamente interpretativa que, em verdade, inova no mundo jurídico deve ser considerada como lei nova. Inocorrência de violação à autonomia e independência dos Poderes, porquanto a lei expressamente interpretativa também se submete, como qualquer outra, ao controle judicial quanto à sua natureza, validade e aplicação. Fl. 9DF CARF MF Impresso em 12/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/12/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 14/12/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA 10 A aplicação retroativa de novo e reduzido prazo para a repetição ou compensação de indébito tributário estipulado por lei nova, fulminando, de imediato, pretensões deduzidas tempestivamente à luz do prazo então aplicável, bem como a aplicação imediata às pretensões pendentes de ajuizamento quando da publicação da lei, sem resguardo de nenhuma regra de transição, implicam ofensa ao princípio da segurança jurídica em seus conteúdos de proteção da confiança e de garantia do acesso à Justiça. Afastandose as aplicações inconstitucionais e resguardandose, no mais, a eficácia da norma, permitese a aplicação do prazo reduzido relativamente às ações ajuizadas após a vacatio legis, conforme entendimento consolidado por esta Corte no enunciado 445 da Súmula do Tribunal. O prazo de vacatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não apenas que tomassem ciência do novo prazo, mas também que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos seus direitos. Inaplicabilidade do art. 2.028 do Código Civil, pois, não havendo lacuna na LC 118/08, que pretendeu a aplicação do novo prazo na maior extensão possível, descabida sua aplicação por analogia. Além disso, não se trata de lei geral, tampouco impede iniciativa legislativa em contrário. Reconhecida a inconstitucionalidade art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tãosomente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 543B, § 3º, do CPC aos recursos sobrestados. Recurso extraordinário desprovido.” Como se observa do julgado acima ementado, o Supremo Tribunal Federal, ao contemplar a matéria, corroborou a inconstitucionalidade da parte final do artigo 4° da Lei Complementar n° 118/2005, ressalvando, porém, seu entendimento no sentido de que referido Diploma Legal somente poderá ser aplicado às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. No caso vertente, não se cogita em prescrição do direito do contribuinte, tendo em vista que apresentou pedido de restituição em 30/12/2003, antes da vigência da Lei Complementar n° 118/2005, relativamente a recolhimento indevido efetuado no ano calendário 1993, mais precisamente em 20/01/1993 (fato gerador complexivo em 31/12/1993), a título de IRPF sobre verbas indenizatórias percebidas em virtude de adesão a Plano de Demissão Voluntária (homologação em 05/01/1993), dentro, portanto, do prazo decenal, seja qual for o posicionamento a ser adotado, do STF ou STJ. Assim, escorreito o Acórdão recorrido devendo, nesse sentido, ser mantido o provimento ao recurso voluntário do contribuinte, por outros fundamentos, na forma decidida pela 6ª Câmara do 1º Conselho de Contribuintes, ratificado pela 4ª Turma da CSRF, uma vez que a recorrente não logrou infirmar os elementos que serviram de base ao decisório atacado. Fl. 10DF CARF MF Impresso em 12/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/12/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 14/12/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 13819.003966/200387 Acórdão n.º 9900000.384 CSRFPL Fl. 16 11 Por todo o exposto, estando o Acórdão guerreado em consonância com os dispositivos legais que regulam a matéria, VOTO NO SENTIDO DE NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO EXTRAORDINÁRIO DA PROCURADORIA, pelas razões de fato e de direito acima esposadas. (Assinado digitalmente) Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira Fl. 11DF CARF MF Impresso em 12/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/12/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 14/12/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA
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Numero do processo: 10283.005864/2009-99
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 20 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Mar 19 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2006
IRPF. PROVENTOS DE APOSENTADORIA OU PENSÃO PERCEBIDOS POR PORTADOR DE MOLÉSTIA GRAVE. ISENÇÃO.
Os proventos de aposentadoria, reforma ou reserva remunerada, motivadas por acidente em serviço e os percebidos por portador de moléstia profissional ou grave, ainda que contraída após a aposentadoria, reforma ou reserva remunerada, são isentos do imposto de renda. (Súmula CARF n. 43).
Para gozo da isenção do imposto de renda da pessoa física pelos portadores de moléstia grave, os rendimentos devem ser provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão e a moléstia deve ser devidamente comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. (Súmula CARF nº 63).
Constatada a moléstia grave, mediante laudo oficial, o marco inicial para o início da isenção dos proventos de aposentadoria ou pensão é a data de emissão do laudo ou a data do início da doença, se esta for indicada no laudo pericial.
Hipótese em que o Recorrente comprovou ter recebido proventos de aposentadoria ou pensão e ser portador de moléstia grave desde 2004.
Recurso provido.
Numero da decisão: 2101-002.074
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
Presidente
(assinado digitalmente)
ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA
Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), Alexandre Naoki Nishioka (Relator), José Raimundo Tosta Santos, Celia Maria de Souza Murphy, Gilvanci Antônio de Oliveira Sousa e Gonçalo Bonet Allage.
Nome do relator: ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2006 IRPF. PROVENTOS DE APOSENTADORIA OU PENSÃO PERCEBIDOS POR PORTADOR DE MOLÉSTIA GRAVE. ISENÇÃO. Os proventos de aposentadoria, reforma ou reserva remunerada, motivadas por acidente em serviço e os percebidos por portador de moléstia profissional ou grave, ainda que contraída após a aposentadoria, reforma ou reserva remunerada, são isentos do imposto de renda. (Súmula CARF n. 43). Para gozo da isenção do imposto de renda da pessoa física pelos portadores de moléstia grave, os rendimentos devem ser provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão e a moléstia deve ser devidamente comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. (Súmula CARF nº 63). Constatada a moléstia grave, mediante laudo oficial, o marco inicial para o início da isenção dos proventos de aposentadoria ou pensão é a data de emissão do laudo ou a data do início da doença, se esta for indicada no laudo pericial. Hipótese em que o Recorrente comprovou ter recebido proventos de aposentadoria ou pensão e ser portador de moléstia grave desde 2004. Recurso provido.
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PROVENTOS DE APOSENTADORIA OU PENSÃO PERCEBIDOS POR PORTADOR DE MOLÉSTIA GRAVE. ISENÇÃO. “Os proventos de aposentadoria, reforma ou reserva remunerada, motivadas por acidente em serviço e os percebidos por portador de moléstia profissional ou grave, ainda que contraída após a aposentadoria, reforma ou reserva remunerada, são isentos do imposto de renda.” (Súmula CARF n. 43). “Para gozo da isenção do imposto de renda da pessoa física pelos portadores de moléstia grave, os rendimentos devem ser provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão e a moléstia deve ser devidamente comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios.” (Súmula CARF nº 63). Constatada a moléstia grave, mediante laudo oficial, o marco inicial para o início da isenção dos proventos de aposentadoria ou pensão é a data de emissão do laudo ou a data do início da doença, se esta for indicada no laudo pericial. Hipótese em que o Recorrente comprovou ter recebido proventos de aposentadoria ou pensão e ser portador de moléstia grave desde 2004. Recurso provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 00 58 64 /2 00 9- 99 Fl. 63DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 12/03/ 2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 18/03/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10283.005864/200999 Acórdão n.º 2101002.074 S2C1T1 Fl. 58 2 (assinado digitalmente) LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Presidente (assinado digitalmente) ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Relator Participaram do julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), Alexandre Naoki Nishioka (Relator), José Raimundo Tosta Santos, Celia Maria de Souza Murphy, Gilvanci Antônio de Oliveira Sousa e Gonçalo Bonet Allage. Relatório Tratase de recurso voluntário (fl. 47) interposto em 19 de abril de 2011 contra acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belém (PA) (fls. 41/42), do qual o Recorrente teve ciência em 14 de abril de 2011 (fl. 46), que, por unanimidade de votos, julgou procedente em parte a notificação de lançamento de fls. 03/05, lavrada em 14 de setembro de 2009, em decorrência de dedução indevida de despesas médicas, verificada no anocalendário de 2005. O acórdão teve a seguinte ementa: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2006 DEDUÇÃO INDEVIDA DE DESPESAS MÉDICAS. FALTA DE COMPROVAÇÃO. A falta de comprovação por documentação hábil e idônea dos valores informados a título de dedução de despesas médicas na Declaração do Imposto de Renda importa na manutenção da glosa. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido” (fl. 41). Não se conformando, o Recorrente interpôs recurso voluntário (fl. 47), pedindo a reforma do acórdão recorrido, para cancelar a notificação de lançamento, em razão de ser beneficiário de norma de isenção (incisos XIV e XXI do art. 6º da Lei n.º 7.713/88) que ampara sua moléstia grave. É o relatório. Fl. 64DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 12/03/ 2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 18/03/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10283.005864/200999 Acórdão n.º 2101002.074 S2C1T1 Fl. 59 3 Voto Conselheiro ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Relator O recurso preenche os requisitos de admissibilidade, motivo pelo qual dele conheço. A notificação de lançamento foi lavrada em virtude da glosa de deduções a título de despesas médicas com plano de saúde, tendo em vista que os beneficiários não eram dependentes do Recorrente. No recurso voluntário, o Recorrente deixou de defender a possibilidade de dedução das despesas médicas e, visando ao cancelamento do auto de infração, afirmou ser beneficiário de norma de isenção (incisos XIV e XXI do art. 6º da Lei n.º 7.713/88) que ampara sua moléstia grave, qual seja, leucemia. De acordo com os dispositivos supra, ficam isentos do imposto de renda: “XIV – os proventos de aposentadoria ou reforma motivada por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, hepatopatia grave, estados avançados da doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome da imunodeficiência adquirida, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma”; “XXI – os valores recebidos a título de pensão quando o beneficiário desse rendimento for portador das doenças relacionadas no inciso XIV deste artigo, exceto as decorrentes de moléstia profissional, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída após a concessão da pensão”. Dispondo sobre essa isenção, a Lei 9.250/95, em seu art. 30, veio a exigir, a partir de 1º de janeiro de 1996, para reconhecimento de novas isenções, que a doença fosse comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios: “Art. 30. A partir de 1° de janeiro de 1996, para efeito do reconhecimento de novas isenções de que tratam os incisos XIV e XXI do art. 6° da Lei n° 7.713, de 22 de dezembro de 1988, com redação dada pelo art. 47 da Lei n° 8.541, de 23 de dezembro de 1992, a moléstia deverá ser comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial, da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios. § 1º. O serviço médico oficial fixará o prazo de validade do laudo pericial, no caso de moléstias passíveis de controle. § 2°. Na relação das moléstias a que se refere o inciso XIV do art. 6° da Lei n° 7713, de 22 de dezembro de 1988, com a redação dada pelo art. 47 da Lei n° 8.541, de 23 de dezembro de 1992, fica incluída a fibrosecística (mucoviscidose).” Fl. 65DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 12/03/ 2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 18/03/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10283.005864/200999 Acórdão n.º 2101002.074 S2C1T1 Fl. 60 4 Da simples leitura dos dispositivos supracitados concluise que o contribuinte para gozar da isenção ora em discussão deve cumprir três requisitos, cumulativamente, quais sejam: i) os rendimentos percebidos pelo interessado devem ser rendimentos de aposentadoria ou pensão; ii) o interessado deve estar acometido de moléstia grave prevista no rol do art. 6º, XIV, da Lei n.º 7.713/88; iii) a moléstia deve ser comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, Estado, Distrito Federal ou Município. Desta feita, atendese às Súmulas CARF nº 43 e 63, in verbis: Súmula CARF nº 43: “Os proventos de aposentadoria, reforma ou reserva remunerada, motivadas por acidente em serviço e os percebidos por portador de moléstia profissional ou grave, ainda que contraída após a aposentadoria, reforma ou reserva remunerada, são isentos do imposto de renda.” Súmula CARF nº 63: “Para gozo da isenção do imposto de renda da pessoa física pelos portadores de moléstia grave, os rendimentos devem ser provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão e a moléstia deve ser devidamente comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios.” No caso dos autos, verificase que o Recorrente é portador de leucemia, atestada por laudo oficial de entidade ligada ao Governo do Estado do Amazonas, qual seja, a Fundação de Hematologia e Hemoterapia do Amazonas (HEMOAM). Assim consta no site da referida entidade: “A Fundação de Hematologia e Hemoterapia do Amazonas (HEMOAM) é a instituição vinculada à Secretaria de Saúde do Governo do Estado do Amazonas, responsável pelos processos de captação, coleta, tratamento e distribuição de sangue. Atua na capital e nas Unidade de Coleta e Transfusão no interior. Integra a rede nacional de hemocentros e segue as diretrizes do Programa Nacional do Sangue e Hemoderivados (PróSangue) do Ministério da Saúde. O Hemoam é centro referencial de diagnóstico e tratamento de doenças hematológicas na região Norte. Conta com enfermarias e ambulatórios que oferecem tratamentos especializados, pronto atendimento, serviço odontológico, acompanhamento fisioterápico, psicológico e social, bem como terapia transfusional para os portadores de hemopatias.” (fonte: http://www.hemoam.org.br) Pois bem, no laudo de fls. 49/50, emitido por médico da referida entidade, consta expressamente que o Recorrente é portador de leucemia, doença que, em razão dos exames realizados, presumese existente desde 2004: “Porém durante a investigação revelou que tinha realizado hemograma em 18/06/04, e o mesmo já mostrava 18.000 WBC e 61% de Linfócitos maduros, o que nos faz presumir, que o paciente iniciou sua doença desde 2004.” (fl. 49) O referido laudo oficial é, ainda, complementado pelo relatório de consulta de fl. 51, no qual consta também expressamente o diagnóstico de leucemia linfocítica crônica, não havendo, pois, dúvidas em relação à existência da moléstia grave, fazendo jus à isenção do imposto de renda. Nesse sentido, como visto, cumpre salientar que a isenção aplicase exclusivamente aos rendimentos relativos à aposentadoria, pensão ou reforma (outros rendimentos não são isentos). Fl. 66DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 12/03/ 2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 18/03/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10283.005864/200999 Acórdão n.º 2101002.074 S2C1T1 Fl. 61 5 Verificase que o Recorrente, além de outros rendimentos, informou em sua Declaração de Ajuste Anual de fls. 06/12, rendimentos recebidos do INSS, o que demonstra que, ao menos em parte, seus rendimentos decorrem de aposentadoria ou pensão. Como esse valor é superior ao montante das despesas médicas glosadas, impõemse o cancelamento do lançamento. Eis os motivos pelos quais voto no sentido de DAR provimento ao recurso. (assinado digitalmente) ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Relator Fl. 67DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 12/03/ 2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 18/03/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
score : 1.0
Numero do processo: 13433.000242/2007-30
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 19 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
Ano calendário: 2002, 2003, 2004 ESCRITURAÇÃO DE RECEITA.
INOBSERVÂNCIA DO REGIME DE COMPETÊNCIA. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE OMISSÃO.
A inexatidão quanto ao período de escrituração de receita somente constitui fundamento para lançamento se dela resultar postergação do pagamento do imposto ou redução indevida do lucro, não havendo falar, nesse particular, em omissão de receita.
PAGAMENTO DO IMPOSTO APÓS O INICIO DA AÇÃO FISCAL.
ACRÉSCIMOS LEGAIS DO PROCEDIMENTO ESPONTÂNEO. REQUISITOS LEGAIS.
O gozo do benefício do art. 47 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, sujeita-se à prévia declaração dos tributos devidos.
ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Ano calendário: 2002
TRIBUTAÇÃO REFLEXA PIS, COFINS e CSLL.
Estende-se aos lançamentos decorrentes a decisão prolatada no lançamento matriz, em razão da íntima relação de causa e efeito que os vincula. IRRF
Ano calendário: 2002, 2003, 2004, 2005
FALTA DE RECOLHIMENTO. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. DARFs
NÃO CONDIZENTES COM OS VALORES APURADOS.
A falta de recolhimento do imposto dá ensejo a lançamento de ofício para formalização e cobrança do crédito que deixou de ingressar nos cofres públicos. À comprovação do recolhimento, é necessário apresentação de DARF coincidente em período de apuração, código e valor.
Recurso de Ofício desprovido.
Numero da decisão: 1401-000.664
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício, e por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário, vencida a Conselheira Meigan Sack Rodrigues.
Nome do relator: MAURICIO PEREIRA FARO
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camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Ano calendário: 2002, 2003, 2004 ESCRITURAÇÃO DE RECEITA. INOBSERVÂNCIA DO REGIME DE COMPETÊNCIA. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE OMISSÃO. A inexatidão quanto ao período de escrituração de receita somente constitui fundamento para lançamento se dela resultar postergação do pagamento do imposto ou redução indevida do lucro, não havendo falar, nesse particular, em omissão de receita. PAGAMENTO DO IMPOSTO APÓS O INICIO DA AÇÃO FISCAL. ACRÉSCIMOS LEGAIS DO PROCEDIMENTO ESPONTÂNEO. REQUISITOS LEGAIS. O gozo do benefício do art. 47 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, sujeita-se à prévia declaração dos tributos devidos. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano calendário: 2002 TRIBUTAÇÃO REFLEXA PIS, COFINS e CSLL. Estende-se aos lançamentos decorrentes a decisão prolatada no lançamento matriz, em razão da íntima relação de causa e efeito que os vincula. IRRF Ano calendário: 2002, 2003, 2004, 2005 FALTA DE RECOLHIMENTO. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. DARFs NÃO CONDIZENTES COM OS VALORES APURADOS. A falta de recolhimento do imposto dá ensejo a lançamento de ofício para formalização e cobrança do crédito que deixou de ingressar nos cofres públicos. À comprovação do recolhimento, é necessário apresentação de DARF coincidente em período de apuração, código e valor. Recurso de Ofício desprovido.
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INOBSERVÂNCIA DO REGIME DE COMPETÊNCIA. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE OMISSÃO. A inexatidão quanto ao período de escrituração de receita somente constitui fundamento para lançamento se dela resultar postergação do pagamento do imposto ou redução indevida do lucro, não havendo falar, nesse particular, em omissão de receita. PAGAMENTO DO IMPOSTO APÓS O INICIO DA AÇÃO FISCAL. ACRÉSCIMOS LEGAIS DO PROCEDIMENTO ESPONTÂNEO. REQUISITOS LEGAIS. O gozo do benefício do art. 47 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, sujeitase à prévia declaração dos tributos devidos. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2002 TRIBUTAÇÃO REFLEXA PIS, COFINS e CSLL. Estendese aos lançamentos decorrentes a decisão prolatada no lançamento matriz, em razão da íntima relação de causa e efeito que os vincula. IRRF Anocalendário: 2002, 2003, 2004, 2005 FALTA DE RECOLHIMENTO. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. DARFs NÃO CONDIZENTES COM OS VALORES APURADOS. A falta de recolhimento do imposto dá ensejo a lançamento de ofício para formalização e cobrança do crédito que deixou de ingressar nos cofres públicos. À comprovação do recolhimento, é necessário apresentação de DARF coincidente em período de apuração, código e valor. Recurso de Ofício desprovido. Fl. 845DF CARF MF Impresso em 05/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2012 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 08/05/201 2 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 13433.000242/200730 Acórdão n.º 140100.664 S1C4T1 Fl. 2 2 Recurso Voluntário negado. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício, e por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário, vencida a Conselheira Meigan Sack Rodrigues. Assinado digitalmente Jorge Celso Freire da Silva Presidente Assinado digitalmente Maurício Pereira Faro – Relator Participaram do julgamento os conselheiros Jorge Celso Freire da Silva, Orlando José Gonçalves Bueno , Mauricio Pereira Faro, Antonio Bezerra Neto, Fernando Luiz Gomes De Mattos e Meigan Sack Rodrigues. Relatório Por bem resumir a questão, adoto o relatório elaborado pelo órgão julgador a quo: Tratase de Autos de Infração do Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ, às fls. 294 a 296, da Contribuição para o Programa de Integração Social PIS, às fls. 310 a 313, da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins, às fls. 316 e 317, da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL, às fls. 320 a 322, e do Imposto de Renda Retido na Fonte, às fls. 327 a 330, lavrados para formalização e cobrança de crédito tributário no montante de R$ 9.465.854,98 (valores principais, multas e juros). 2. De acordo com o Relatório Fiscal, às fls. 286 a 291, constataramse as seguintes infrações: 2.1 omissão de receita, caracterizada pela falta ou insuficiência de escrituração de receitas financeiras; 2.2 redução indevida do IRPJ declarado em DCTF; e 2.3 declaração a menor, em DCTF, de imposto de renda retido na fonte decorrente de pagamentos de salários (trabalho com e sem vínculo empregatício) e de pagamentos de serviços prestados por pessoas jurídicas. Fl. 846DF CARF MF Impresso em 05/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2012 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 08/05/201 2 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 13433.000242/200730 Acórdão n.º 140100.664 S1C4T1 Fl. 3 3 3. A interessada apresentou as impugnações das fls. 339 a 345 (Cofins), 367 a 374 (PIS), 400 a 422 (IRPJ), 493 a 499 (CSLL), e 546 a 562 (IRRF), contrapondo, em síntese, que: 3.1 os autos do PIS e da Cofins não poderiam prosperar, vez que fundamentados em dispositivo legal declarado inconstitucional pelo STF; 3.2 a particularidade de as receitas financeiras terem sido oferecidas à tributação, quando do resgate das respectivas aplicações, não induziria a caracterização de omissão de receita, mas sim de postergação; 3.3 no cálculo da omissão não teriam sido considerados os valores do IRRF retidos mensalmente pelas instituições financeiras, à alíquota de 20%, o que configuraria bis in idem; fora pago com o acréscimo da multa e juros de mora, dentro dos 20 dias após o recebimento do Termo de Início de Fiscalização, como facultado pelo art. 47 da Lei 9.430, de 27 de dezembro de 1996, de modo que a exigência seria indevida; 3.5 não teria havido recolhimentos a menor do IRRF, o que já teria sido comprovado por meio da resposta ao Termo de Intimação Fiscal de 05 de março de 2007 (as explicações foram renovadas às fls. 551 a 562). Analisando a questão entendeu o órgão julgador a quo por acolher parcialmente a impugnação do contribuinte, nos seguintes termos: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2002, 2003, 2004 ESCRITURAÇÃO DE RECEITA. INOBSERVÂNCIA DO REGIME DE COMPETÊNCIA. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE OMISSÃO. A inexatidão quanto ao período de escrituração de receita somente constitui fundamento para lançamento se dela resultar postergação do pagamento do imposto ou redução indevida do lucro, não havendo falar, nesse particular, em omissão de receita. PAGAMENTO DO IMPOSTO APÓS O INICIO DA AÇÃO FISCAL. ACRÉSCIMOS LEGAIS DO PROCEDIMENTO ESPONTÂNEO. REQUISITOS LEGAIS. O gozo do benefício do art. 47 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, sujeitase à prévia declaração dos tributos devidos. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2002 TRIBUTAÇÃO REFLEXA PIS, COFINS e CSLL. Estendese aos lançamentos decorrentes a decisão prolatada no lançamento matriz, em razão da íntima relação de causa e efeito que os vincula. IRRF Anocalendário: 2002, 2003, 2004, 2005 Fl. 847DF CARF MF Impresso em 05/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2012 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 08/05/201 2 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 13433.000242/200730 Acórdão n.º 140100.664 S1C4T1 Fl. 4 4 FALTA DE RECOLHIMENTO. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. DARFs NÃO CONDIZENTES COM OS VALORES APURADOS. A falta de recolhimento do imposto dá ensejo a lançamento de ofício para formalização e cobrança do crédito que deixou de ingressar nos cofres públicos. À comprovação do recolhimento, é necessário apresentação de DARF coincidente em período de apuração, código e valor. Lançamento Procedente em Parte O contribuinte interpôs recurso voluntário reiterando os argumentos expostos e o Presidente do órgão julgador a quo recorreu de ofício. É o relatório. Voto Conselheiro Relator Mauricio Pereira Faro DO RECURSO DE OFÍCIO Conforme já exposto no voto recorrido a partir de 2002, a escrituração das receitas financeiras, decorrentes de aplicações em fundos de investimento, estava sendo feita indevidamente pelo regime de caixa, em vez do regime de competência, como determina a alínea "a" do §1° do art. 187 da Lei n° 6.404, de 15 de dezembro de 1976, c/c 274, § 1° do RIR, de 1999. Por conta de tal fato, a autoridade fiscal, apurou as receitas financeiras que deixaram de ser escrituradas nos dois últimos bimestres de 2002, tributandoas a título de omissão de receita. A defesa, não obstante ter reconhecido o erro, discordou da tributação a título de omissão de receita, por entender que a infração diria respeito à postergação do pagamento do imposto, o que implicaria apenas na cobrança de juros e multa de mora. A inobservância do regime de competência é tratada no art. 273 do RIR, de 1999, da seguinte forma: Art.273.A inexatidão quanto ao período de apuração de escrituração de receita, rendimento, custo ou dedução, ou do reconhecimento de lucro, somente constitui fundamento para lançamento de imposto, diferença de imposto, atualização monetária, quando for o caso, ou multa, se dela resultar (DecretoLei rt2 1.598, de 1977, art. 62, §92): I a postergação do pagamento do imposto para período de apuração posterior ao em que seria devido; ou II a redução indevida do lucro real em qualquer período de apuração. Fl. 848DF CARF MF Impresso em 05/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2012 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 08/05/201 2 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 13433.000242/200730 Acórdão n.º 140100.664 S1C4T1 Fl. 5 5 Da leitura do dispositivo, resta claro que a inexatidão da escrituração de receita só constitui fundamento para lançamento de imposto se dela resultar postergação do pagamento imposto ou redução indevida do lucro real . O § 4° do art. 60 do Decretolei n° 1.598, de 26 de dezembro de 1977, estabelece o procedimento a ser adotado nesse caso, que deve observado tanto pelo contribuinte como pelo fisco, como se vê do excerto do Parecer Normativo Cosit n° 2, de 28 de agosto de 1996 (que reproduz o citado § 4°), a seguir transcrito: § 4° Os valores que, por competirem a outro períodobase, forem, para efeito de determinação do lucro real, adicionados ao lucro líquido do exercício, ou dele excluídos, serão, na determinação do lucro real do período competente,excluídos do lucro líquido ou a ele adicionados, respectivamente. 5.2 O 4°, transcrito, é um comando endereçado tanto ao contribuinte quanto ao fisco. Portanto, qualquer desses agentes, quando deparar com uma inexatidão quanto ao período base de reconhecimento de receita ou de apropriação de custo ou despesa deverá excluir a receita do lucro líquido correspondente ao períodobase indevido e adicionála ao lucro líquido do períodobase competente; em sentido contrário, deverá adicionar o custo ou a despesa ao lucro líquido do períodobase indevido e excluílo do lucro líquido do períodobase de competência. Conforme verificou o acórdão recorrido, não houve recomposição do lucro, tampouco investigação se teria havido postergação do pagamento do imposto; os valores apurados, como dito, foram tributados a título de omissão de receita razão pela qual não há como se concordar com a tributação a este título.Conforme registrou o acórdão recorrido, não há falar em omissão de receitas quando estas são escrituradas de forma espontânea, mesmo que a destempo — a própria fiscalização afirmou que as receitas foram escrituradas, só que em períodos posteriores (quando do resgate dos títulos). Ante o exposto, nego provimento ao recurso de ofício. DO RECURSO VOLUNTÁRIO Consoante Relatório Fiscal, do cotejo entre as DCTFs e DlPjs relativas aos trimestres de 2002, 2003 e 2004, constatouse a interessada utilizavase • indevidamente de benefício de redução da SUDENE (75%), vez que não possuía portaria concessiva do benefício. Por conta disso, foi constituído crédito relativo ao imposto i ' devidamente abatido, à adstrita multa de ofício e aos juros de mora — não obstante t . r sido verificado pagamento do imposto com o acréscimo de multa e juros de mora dentro do interregno de vinte dias e o órgão julgador a quo entendeu que não houve declaração prévia. Fl. 849DF CARF MF Impresso em 05/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2012 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 08/05/201 2 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 13433.000242/200730 Acórdão n.º 140100.664 S1C4T1 Fl. 6 6 Na peça de defesa, substancialmente, a interessada contra argumentou que malgrado ter informado em DCTF valores do imposto com redução de 75%, os teria declarado, em DIPJ, e pago dentro do prazo previsto no sobredito dispositivo, de modo que não havia motivo para o lançamento. De fato, o imposto constituído no auto de infração foi pago com o acréscimo da multa e dos juros de mora dentro do prazo previsto no art. 47 da Lei n° 9.430, de 1996. Quanto a isso não existe discordância. A celeuma reside, entretanto, na particularidade de ele ter sido declarado, ou não. Para a defesa, o fato de o imposto ter sido consignado na DIPJ caracterizaria a sua declaração prévia. Conforme definido no acórdão recorrido, entendo que não assiste razão ao recorrente em razão do que dispõe o artigo 47 da Lei nº 9.430. No caso em questão, como dito, os valores informados em DCTF corresponderam apenas a 25% do imposto apurado. Esses valores é que foram entendidos como devidos, inclusive como imposto a pagar em DIPJ, de maneira que a diferença, ou seja, os 75% restantes, vez que amparados na contingência de a Portaria da SUDENE ter caráter retroativo, como propalado na defesa, não podem ser considerados como declarados. Os valores pagos pela Recorrente devem ser considerados quando da cobrança do crédito. Consoante peça de defesa das fls. 546 a 562 não teria havido recolhimentos a menor do IRRF, o que restaria demonstrado nas fls. 551 a 562. A indicação pura e simples de Darfs, mesmo que o somatório deles, em alguns casos, perfaça o montante escriturado, não é suficiente a comprovar o recolhimento do imposto. À comprovação deste, há de haver correspondência entre o período de apuração e código do IRRF dos DARF apresentados com o que foi escriturado, o que, efetivamente, não ocorre no caso em questão. Ante o exposto, nego provimento ao recurso voluntário. Assinado digitalmente Relator Maurício Pereira Faro Fl. 850DF CARF MF Impresso em 05/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2012 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 08/05/201 2 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA
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