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Numero do processo: 10925.002191/2009-12
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 27 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Jul 07 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/10/2008 a 31/12/2008
Ementa:
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. EXISTÊNCIA DE OMISSÃO.
Devem ser acolhidos os embargos de declaração quando se constata a existência de omissão do colegiado em ponto sobre o qual deveria pronunciar.
Embargos acolhidos
Direito Creditório Reconhecido em Parte.
Numero da decisão: 3302-004.371
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos opostos para rerratificar o acórdão embargado e corrigir o erro material alegado.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède
Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), José Fernandes do Nascimento, Walker Araújo, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Rodrigues Prado, Charles Pereira Nunes, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e José Renato Pereira de Deus.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/10/2008 a 31/12/2008 Ementa: EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. EXISTÊNCIA DE OMISSÃO. Devem ser acolhidos os embargos de declaração quando se constata a existência de omissão do colegiado em ponto sobre o qual deveria pronunciar. Embargos acolhidos Direito Creditório Reconhecido em Parte.
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EXISTÊNCIA DE OMISSÃO. Devem ser acolhidos os embargos de declaração quando se constata a existência de omissão do colegiado em ponto sobre o qual deveria pronunciar. Embargos acolhidos Direito Creditório Reconhecido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos opostos para rerratificar o acórdão embargado e corrigir o erro material alegado. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), José Fernandes do Nascimento, Walker Araújo, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Rodrigues Prado, Charles Pereira Nunes, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e José Renato Pereira de Deus. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 5. 00 21 91 /2 00 9- 12 Fl. 3726DF CARF MF Processo nº 10925.002191/200912 Acórdão n.º 3302004.371 S3C3T2 Fl. 3.727 2 Trata o presente de embargos opostos pela contribuinte em face do Acórdão nº 3302003.098. Conforme relatado no despacho de admissibilidade, a embargante alegou que o crédito pleiteado referente ao item 6.a serviços utilizados como insumos relacionados diretamente com o processo produtivo foi de R$ 541.186,48, enquanto que a fiscalização, em diligência, manteve a glosa de R$ 417.206,62, restando assim comprovado pela própria fiscalização que a diferença de R$ 123.979,86 seria relacionada diretamente com o processo produtivo. Informou que em julgamento, o acórdão embargado manteve a glosa de R$ 237.763,47, admitindo crédito de R$ 179.443,15 dos R$ 417.206,62 glosados pela fiscalização. Assim, a embargante alegou equívoco no resultado do julgamento, pois o crédito total admitido seria a soma de R$ 123.979,86, já admitidos em diligência, com R$ 179.443,15, admitidos em julgamento, ou seja, R$ 303.423,01. Os embargos foram admitidos pelo Presidente deste colegiado. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède. Os embargos atendem aos pressupostos de admissibilidade e deles tomo conhecimento. Reconhecese, de fato, o equívoco cometido no julgamento. A informação fiscal resultante da diligência confirmou a apresentação de documentos objetivando comprovar as alegações da recorrente no montante de R$ 541.186,48, relativo ao item 6.a) serviços utilizados como insumos, efl.3502. Na análise do referido item, a fiscalização manteve a glosa de R$ 417.206,62, admitindo, pois, que a diferença de R$ 123.979,86 restaria comprovada e o admitida, conforme efl. 3515. Este valor, somado ao admitido no julgamento, totalizou R$ 303.423,01 de créditos em relação ao item 6.a, importando o reconhecimento da reversão deste valor relativa à glosa de serviços utilizados como insumos. Destarte, voto no sentido de retificar o acórdão embargado nos seguintes termos: 1. Excluamse os parágrafos abaixo da efl. 3617: "Assim, as glosas totalizam 237.763,47, ou seja, do total de R$ 417.206,62, devem ser admitidos créditos sobre R$ 179.443,15. Concernente ao item 6.b tratamse de serviços relativos a exames admissionais, radiológicos, transporte de funcionários, elaboração de projetos, ginástica laboral, hospedagem, Fl. 3727DF CARF MF Processo nº 10925.002191/200912 Acórdão n.º 3302004.371 S3C3T2 Fl. 3.728 3 monitoramento, sistema de alarme, manutenção de ramais telefônicos etc, que não possuem inerência ao processo produtivo, devendo ser mantida a glosa de R$ 52.498,87. Relativamente ao item 6.c, a recorrente reconhece a procedência da glosa de R$ 12.125,36. Portanto, é admissível o creditamento sobre serviços utilizados como insumos de R$ 179.443,15." Para incluir os seguintes parágrafos: "Assim, as glosas totalizam 237.763,47, ou seja, do total de R$ 417.206,62, devem ser admitidos créditos sobre R$ 179.443,15, que somados aos R$ 123.979,86, reconhecidos pela fiscalização em diligência, totalizam R$ 303.423,01 a serem admitidos em relação ao item 6.a. Concernente ao item 6.b tratamse de serviços relativos a exames admissionais, radiológicos, transporte de funcionários, elaboração de projetos, ginástica laboral, hospedagem, monitoramento, sistema de alarme, manutenção de ramais telefônicos etc, que não possuem inerência ao processo produtivo, devendo ser mantida a glosa de R$ 52.498,87. Relativamente ao item 6.c, a recorrente reconhece a procedência da glosa de R$ 12.125,36. Portanto, é admissível o creditamento sobre serviços utilizados como insumos de R$ 303.423,01." 2. Excluir o dispositivo abaixo de efl. 3623: "Diante do exposto, voto para dar provimento parcial ao recurso voluntário, reconhecendo o direito creditório sobre embalagens de R$ 2.349.240,12, material de reposição de R$ 811.454,52, amônia no valor de R$ 1.512,00, combustíveis e lubrificantes de R$ 65.260,71, serviços como insumos de R$ 179.443,15, fretes de R$ 10.406.381,40 e encargos de depreciação de R$ 43.128,47, todos valores referentes a base de cálculo." Para incluir o dispositivo abaixo: "Diante do exposto, voto para dar provimento parcial ao recurso voluntário, reconhecendo o direito creditório sobre embalagens de R$ 2.349.240,12, material de reposição de R$ 811.454,52, amônia no valor de R$ 1.512,00, combustíveis e lubrificantes de R$ 65.260,71, serviços como insumos de R$ 303.423,01, fretes de R$ 10.406.381,40 e encargos de depreciação de R$ 43.128,47, todos valores referentes a base de cálculo." (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 3728DF CARF MF Processo nº 10925.002191/200912 Acórdão n.º 3302004.371 S3C3T2 Fl. 3.729 4 Fl. 3729DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13854.000035/2005-62
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 29 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Jul 11 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/01/2005
ACOLHIMENTO DOS EMBARGOS. OMISSÕES NÃO IDENTIFICADAS.
Devem ser rejeitados os embargos de declaração, uma vez que não se verificaram as omissões indicadas.
Embargos Rejeitados
Numero da decisão: 3301-003.908
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os embargos de declaração, nos termos do voto do relator.
Luiz Augusto do Couto Chagas - Presidente.
Marcelo Costa Marques d'Oliveira - Relator.
Participaram do julgamento os conselheiros: Luiz Augusto do Couto Chagas (Presidente), Semíramis de Oliveira Duro, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Jose Henrique Mauri, Liziane Angelotti Meira e Maria Eduarda Alencar Câmara Simões.
Nome do relator: MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA
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OMISSÕES NÃO IDENTIFICADAS. Devem ser rejeitados os embargos de declaração, uma vez que não se verificaram as omissões indicadas. Embargos Rejeitados Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os embargos de declaração, nos termos do voto do relator. Luiz Augusto do Couto Chagas Presidente. Marcelo Costa Marques d'Oliveira Relator. Participaram do julgamento os conselheiros: Luiz Augusto do Couto Chagas (Presidente), Semíramis de Oliveira Duro, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Jose Henrique Mauri, Liziane Angelotti Meira e Maria Eduarda Alencar Câmara Simões. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 85 4. 00 00 35 /2 00 5- 62 Fl. 222DF CARF MF Processo nº 13854.000035/200562 Acórdão n.º 3301003.908 S3C3T1 Fl. 223 2 Relatório Foram opostos embargos de declaração em face do Acórdão n° 3801 004.610, datado de 11 de novembro de 2014, cujo relatório reproduzo, para fins de economia processual: "Adoto o relatório do acórdão recorrido, por retratar suficientemente a lide. 'A interessada pleiteia, por meio de Declaração de Compensação, o crédito relativo à contribuição da COFINS, mercado externo, (...), apurado de conformidade com o art. 6° da Lei n° 10.833/2003, que após a dedução com a COFINS devida, nos termos do art. 6°, §1°, Inciso I da mesma Lei, resultou, segundo entendimento da empresa, em um remanescente a compensar de (...). O Serviço de Fiscalização, da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Ribeirão Preto procedeu à fiscalização e por meio da Informação Fiscal (...), constatou créditos indevidos de bens que não foram utilizados como insumo na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda; despesas indevidas de depreciação de máquinas e equipamentos; apuração incorreta do crédito presumido relativo aos estoques de abertura; inclusão indevida na base de cálculo de receita de álcool para fins carburante; créditos quanto à aquisição de canadeaçúcar em desacordo com a legislação de contribuinte pessoa física e jurídica e receita de variação cambial. O Auditor fiscal juntou à informação fiscal, além da cópia do DACON entregue pele empresa via internet (fls. 47/51) e cópia parcial dos balancetes mensais analíticos contábil (...), os seguintes demonstrativos: I Demonstrativo de Apuração da Proporcionalidade entre as Vendas de Álcool para Fins Carburantes e as Receitas de Vendas no Mercado Interno e Externo (fl. 71); II Demonstrativo de Apuração do Crédito da Contribuição para a COFINS não Cumulativa (fl....); III Demonstrativo de Apuração do Débito da Contribuição para a COFINS não Cumulativa (fl....); IV Demonstrativo de Apuração da Contribuição Devida a COFINS não Cumulativa (fl....); V Demonstrativo Mensal de Vendas Equiparadas à Exportação (fls....). VI – Demonstrativo da Variação Cambial e Cópia, por amostragem, de Notas Fiscais de Complemento de Preço – Variação Cambial (fls. ...). Por fim, foi reconhecido o crédito [parcial], para compensação, conforme a legislação vigente. Cientificada do Despacho Decisório de fls. ..., e inconformada, a contribuinte apresentou a Manifestação de Inconformidade, de fls. .... Fl. 223DF CARF MF Processo nº 13854.000035/200562 Acórdão n.º 3301003.908 S3C3T1 Fl. 224 3 Preliminarmente, disserta sobre a sistemática da não cumulatividade e alega cerceamento ao direito de defesa, tendo em vista que “referida informação fiscal faltalhe especificações fáticas, no sentido de demonstrar a conduta adotada pelo fiscal e de como se chegou aos resultados informados, faltandolhes substâncias.” Na mesma esteira, alega “ausência de elementos substanciosos” na apuração das despesas de depreciação de máquinas e equipamentos. No mérito, a contribuinte afirma que tem direito ao regime não cumulativo quanto ao álcool comercializado no mercado interno e externo e tem direito ao crédito de todos os insumos, inclusive canadeaçúcar, por estarem inseridos no artigo 149 da Constituição Federal. Defende o direto à totalidade do crédito dos estoques de abertura de bens destinados à venda e de bens e serviços utilizados como insumos. Por fim, alega inconstitucionalidade na aplicação das normas que tratam da variação cambial, defendendo que “o legislador infraconstitucional extrapolou a sua competência para instituir PIS/COFINS, equiparando e incluindo na base de cálculo o evento – variação cambial que não possui, essencialmente, natureza de “receita” ao qual se refere a Constituição Federal.” e pede o deferimento da manifestação de inconformidade' A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto DRJ/ RPO julgou improcedente a manifestação de inconformidade conforme ementa a seguir: 'Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/12/2004 a 31/12/2004 CRÉDITOS A DESCONTAR. INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. INSUMOS. PROCESSO PRODUTIVO. UTILIZAÇÃO. Para efeitos de apuração dos créditos da Cofins não cumulativa, entendese como insumos utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda apenas as matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado. CRÉDITOS A DESCONTAR. INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. ESTOQUE DE ABERTURA. Na determinação da Cofins não cumulativa, a pessoa jurídica tem direito a desconto de crédito correspondente ao estoque de abertura dos bens referidos nos incisos I e II do art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003, existentes na data de início da incidência da Cofins não cumulativa, calculado na forma prevista no art. 12 da citada Lei. ÁLCOOL PARA FINS CARBURANTES. REGIME. Fl. 224DF CARF MF Processo nº 13854.000035/200562 Acórdão n.º 3301003.908 S3C3T1 Fl. 225 4 A receita de venda de álcool para fins carburantes teve mantida sua forma de tributação, cumulativa, mesmo após a instituição do regime não cumulativo de apuração. CRÉDITOS. CRITÉRIO DE DETERMINAÇÃO. Inexistindo sistema de contabilidade de custos integrada e coordenada com a escrituração, a apropriação dos créditos deve ser feita por rateio proporcional. VARIAÇÃO CAMBIAL RECEITA FINANCEIRA As variações monetárias ativas dos direitos de crédito e das obrigações do contribuinte, em função da taxa de câmbio, são consideradas receitas financeiras. Assunto: Normas de Administração Tributária Período de apuração: 01/12/2004 a 31/12/2004 ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. COMPETÊNCIA. A arguição de inconstitucionalidade não pode ser oponível na esfera administrativa, por transbordar os limites de sua competência o julgamento da matéria, do ponto de vista constitucional' Contra esta decisão, a contribuinte apresentou recurso voluntário, no qual repete as alegações da impugnação, com exceção da preliminar de nulidade da decisão da DRF e da questão sobre os estoques de abertura, que não foram abordadas. É o relatório." A 1° Turma Especial do CARF julgou o recurso voluntário parcialmente procedente. Assim foram redigidos os Acórdão n° 3801004.610 (fls. 181 a 200) e dispositivo: "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/12/2004 a 31/12/2004 NÃO CUMULATIVIDADE. GASTOS COM BENS E SERVIÇOS. INSUMO. Gastos com bens e serviços não efetivamente aplicados ou consumidos na fabricação ou produção de produtos destinados à venda ou na prestação de serviços ou que não estejam amparados por expressa disposição legal não dão direito a créditos da contribuição para o PIS/Pasep não cumulativa. REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. MÉTODO DE RATEIO PROPORCIONAL. Fl. 225DF CARF MF Processo nº 13854.000035/200562 Acórdão n.º 3301003.908 S3C3T1 Fl. 226 5 No cálculo do rateio proporcional para atribuição de créditos no regime da não cumulatividade da Cofins e da contribuição para o PIS/Pasep, no valor da receita bruta total incluemse as receitas da vendas de bens e serviços e todas as demais receitas, inclusive as financeiras. VARIAÇÃO CAMBIAL POSITIVA. RECEITA DE EXPORTAÇÃO. REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. MÉTODO DE RATEIO PROPORCIONAL. RECURSO REPETITIVO. REPRODUÇÃO DA DECISÃO DO STF. A reprodução de decisão do STF em julgamento na sistemática do recurso repetitivo, que baseouse no entendimento de que a receita originada da variação cambial positiva obtida nas operações de exportação de produtos é considerada receita decorrente de exportação, implica considerar tal receita como receita de mercado externo, devendo ser incluída, no cálculo do rateio proporcional para atribuição de créditos no regime da não cumulatividade da Cofins e da contribuição para o PIS/Pasep, como receita de exportação e como receita bruta total, acrescendo tanto o numerador quanto o denominador da rateio. ÁLCOOL PARA FINS CARBURANTES. INCIDÊNCIA CUMULATIVA DA CONTRIBUIÇÃO. A receita de venda de álcool para fins carburantes não pode ser incluída no cálculo de receitas de exportação para apuração da relação percentual a ser aplicada à soma dos gastos que dão direito a crédito presumido mercado externo, porque se enquadra no regime não cumulativo de apuração. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DIREITO DE CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA. Quem alega um direito deve provar os fatos em que ele se fundamenta. INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado: I) Por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para incluir os valores das variações cambiais decorrentes de operações de exportação como receita de mercado externo e, no cálculo do rateio proporcional, no numerador e no denominador; II) Pelo voto de qualidade, negar provimento em relação as demais matérias. Vencidos os Conselheiros Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Cássio Schappo e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira que davam provimento integral ao recurso em face das demais matérias. Fl. 226DF CARF MF Processo nº 13854.000035/200562 Acórdão n.º 3301003.908 S3C3T1 Fl. 227 6 (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Sergio Celani Relator." Foram opostos embargos de declaração (fls. 210 a 214), em face do acima colacionado Acórdão n° 3801004.610 (fls. 181 a 200), os quais foram admitidos pelo Presidente da 1° Turma Especial da 3° Seção do CARF (fls. 219 e 220), em razão de a turma do CARF ter supostamente deixado de apreciar documentos apresentados pelo contribuinte no curso da fiscalização, que legitimariam o registro de créditos de COFINS de janeiro de 2005, derivados de "bens e serviços utilizados como insumos". É o relatório. Fl. 227DF CARF MF Processo nº 13854.000035/200562 Acórdão n.º 3301003.908 S3C3T1 Fl. 228 7 Voto Conselheiro Marcelo Costa Marques d'Oliveira Foram opostos embargos de declaração (fls. 210 a 214), em face do Acórdão n° 3801004.610 (fls. 181 a 200), os quais foram admitidos pelo Presidente da 1° Turma Especial da 3° Seção do CARF. De acordo com o Despacho de Admissibilidade (fls. 219 e 220), a respectiva turma do CARF teria deixado de apreciar documentos apresentados pelo contribuinte no curso da fiscalização, que legitimariam o registro de créditos de COFINS no mês de janeiro de 2005, derivados de "bens e serviços utilizados como insumos". Nos embargos de declaração, o contribuinte apontou que as supostas omissões teriam ocorrido em relação à análise de dois tipos específicos de custo: compras de lubrificantes e depreciação de torre de processamento de massa. Como não obtivera êxito no recurso voluntário, justamente por não ter apresentado os valores dos custos que teriam sido glosados, nos embargos menciona os valores e os correspondentes documentos apresentados ao Fisco durante a fiscalização e que supostamente não teriam sido analisados pela autoridade julgadora de segunda instância: a) Notas fiscais n° 814.417 (11/01/2005), 420.010 (11/01/2005) e 421.192 (24/01/2005), referente a compras de óleo da Cia Brasileira de Petróleo Ipiranga, nos valores de, respectivamente, R$ 42.284,00, R$ 679,90 e R$ 3.618,00. Referências a estas notas fiscais encontramse na "Relação de Notas Fiscais de Aquisição de Insumos e Serviços Pessoa Jurídica PISPASEP" (fl. 58), preparada pela embargante e revisada pelo agente fiscal. b) Nota fiscal n° 2.871 (fl. 60), referente à compra de Torre de Processamento de Massa da Planusi Equipamentos Industriais Ltda., datada de 19/05/2004, no valor de R$ 1.207.500,00. Este documento acompanha demonstrativo preparado pela embargante (fl. 59), onde indica que o crédito de PIS do mês de janeiro de 2005, calculado sobre a respectiva quota mensal de depreciação do bem, seria de R$ 415,08. Os trabalhos das fiscalização e DRJ não merecem qualquer reparo. E não houve omissão alguma do colegiado do CARF. Na peça recursal, a Recorrente alegou que o Fisco ajustou as bases de cálculo dos créditos de PIS e COFINS, porém não indicou os insumos que nelas teriam sido indevidamente computados. Discorreu acerca da possibilidade de calcular créditos de PIS e COFINS sobre bens e serviços necessários ao desenvolvimento de suas atividades. E fez menção específica à imprescindibilidade dos custos com óleos e lubrificantes. Não relatou, contudo, ter sofrido glosa de gastos desta natureza. Fl. 228DF CARF MF Processo nº 13854.000035/200562 Acórdão n.º 3301003.908 S3C3T1 Fl. 229 8 Dispôs, de forma semelhante, acerca dos custos com depreciação de máquinas e equipamentos indispensáveis à produção do açúcar., dando como exemplos a torre de processamento de açúcar, a caldeiras etc.. Entretanto, desta feita, afirma que houve glosas de créditos, porém não indicou os valores dos custos, cujos créditos teriam sido negados. O relator do voto condutor do Acórdão embargado, sob o ponto de vista conceitual, concordou com a então recorrente. Contudo, em razão de a então recorrente não ter mencionado os valores glosados pelo Fisco, assim concluiu: tópico "gastos com óleo diesel e lubrificantes" (fls 194 e 195): "(. . .) uma vez que a recorrente não apontou exclusões de gastos com aquisição destes bens, não há reparo a fazer na decisão administrativa". tópico ao "depreciação" (fl. 195): "(. . .) Também neste caso, não foi apontada nenhuma exclusão na apuração dos custos, despesas e encargos passíveis de gerarem crédito da contribuição social, motivo pelo qual não há que se alterar o despacho decisório (. . .)". Fui aos autos e compulsei os demonstrativos de cálculo e documentos apresentados pelo contribuinte no curso da fiscalização (fls. 49 a 65). E também os cálculos realizados pela fiscalização (fls 66 a 74). E depareime com o seguinte: não houve glosa dos valores de lubrificantes e depreciação de torre de processamento apontados pela embargante, porém adoção de critérios para a apropriação destes créditos que divergiram dos adotados pela embargante. O Fisco, com base nos elementos providos pelo contribuinte, segregou as receitas da embargante em tributadas pelos regimes cumulativo e não cumulativo. Identificou os custos que não davam direito a créditos integrais, porém presumidos (35% da alíquota regular, art. 8° da Lei n° 10.925/04) compras de canadeaçúcar de pessoas físicas e jurídicas pois estes, ainda que dessem origem a exportações, os excedentes de créditos à época não podiam ser objeto de ressarcimento ou compensação. Por fim, no âmbito das receitas tributadas sob o regime não cumulativo, identificou as relativas a vendas nos mercados interno e externo (neste último caso, o excedente de créditos podia ser objeto de ressarcimento ou compensação) e apurou as respectivas participações percentuais na receita total. E realizou os pertinentes rateios proporcionais dos custos que poderiam gerar créditos de PIS e COFINS e identificação dos saldos a serem ressarcidos ou compensados. Com efeito, vale mencionar, inclusive, que a decisão embargada alterou o cálculo do referido rateio, de forma favorável ao contribuinte, promovendo a inclusão das variações cambiais como receita no mercado externo. Tratase de evidência de que o julgador de segunda instância revisou os cálculos da fiscalização. Assim sendo, o Acórdão não foi omisso quanto à análise dos documentos indicados nos embargos como suportes de custos glosados, relativos a compras de lubrificantes e depreciação de torre de processamento. Se a totalidade dos valores daqueles custos não foram computados nos cálculos dos créditos passíveis de ressarcimento ou compensação, o motivo, definitivamente, Fl. 229DF CARF MF Processo nº 13854.000035/200562 Acórdão n.º 3301003.908 S3C3T1 Fl. 230 9 não foi a falta de análise de documentos tempestivamente carreados aos autos. Foi, todavia, a divergência entre os critérios adotados pela fiscalização, detalhadamente descritos nos demonstrativos de cálculo e na Informação Fiscal, e pelo contribuinte. Dos recurso voluntário (fls. 157 a 175) e acórdão embargado (fls. 180 a 200), constatase que tais critérios foram contestados pelo contribuinte e os respectivos argumentos devidamente enfrentados pelo colegiado do CARF. Contudo, não foram acatados. E, em sede de embargos, não há que se reabrir discussões já exauridas nos momentos processuais devidos. De todo o exposto, concluo, consignando meu voto no sentido de rejeitar os embargos de declaração, opostos em face do Acórdão CARF n° 3801004.610, uma vez que não ocorreram as omissões apontadas pela embargante. É como voto. Conselheiro Marcelo Costa Marques d'Oliveira Fl. 230DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16327.902744/2010-06
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 12 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon May 22 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Exercício: 1999
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PRAZO.
Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplica-se o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador. Aplicação da Súmula CARF nº 91.
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PROVA DO DIREITO ALEGADO. ÔNUS DA PROVA.
O ônus da prova recai sobre quem alega o direito. No caso concreto, não restou comprovada, nos autos, a identidade entre a pessoa jurídica interessada no processo administrativo e aquela que figurava como litisconsorte no processo judicial, nem a existência de eventos societários que permitissem considerar a primeira como sucessora da segunda em direitos e obrigações.
Numero da decisão: 1301-002.309
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
[assinado digitalmente]
Waldir Veiga Rocha Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Flávio Franco Corrêa, José Eduardo Dornelas Souza, Roberto Silva Júnior, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Waldir Veiga Rocha.
Nome do relator: WALDIR VEIGA ROCHA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Exercício: 1999 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PRAZO. Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplicase o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador. Aplicação da Súmula CARF nº 91. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PROVA DO DIREITO ALEGADO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova recai sobre quem alega o direito. No caso concreto, não restou comprovada, nos autos, a identidade entre a pessoa jurídica interessada no processo administrativo e aquela que figurava como litisconsorte no processo judicial, nem a existência de eventos societários que permitissem considerar a primeira como sucessora da segunda em direitos e obrigações. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. [assinado digitalmente] Waldir Veiga Rocha – Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Flávio Franco Corrêa, José Eduardo Dornelas Souza, Roberto Silva Júnior, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Waldir Veiga Rocha. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 90 27 44 /2 01 0- 06 Fl. 232DF CARF MF Processo nº 16327.902744/201006 Acórdão n.º 1301002.309 S1C3T1 Fl. 3 2 BANCO VOLKSWAGEN S.A., já devidamente qualificada nestes autos, recorre a este Conselho contra a decisão prolatada pela 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo I / SP, que indeferiu os pedidos veiculados através de manifestação de inconformidade apresentada contra a decisão da DEINF/SP. Trata a lide de Pedido de Restituição (PER/DCOMP), no qual o alegado direito creditório é decorrente de pagamento indevido ou a maior da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL). Posteriormente, o contribuinte usou esse alegado direito creditório para a compensação com débito de sua titularidade, mediante a Declaração Eletrônica de Compensação (PER/DCOMP), transmitida em 2008. Consta dos autos intimação, informando ao contribuinte que o DARF por ele especificado não teria sido localizado nos sistemas da RFB e instandoo à regularização. Não consta do processo qualquer resposta ou providência do contribuinte. A unidade administrativa que primeiro analisou os pedidos formulados pela empresa (DEINF/SP) negou homologação à compensação. O motivo foi a não localização do DARF nos sistemas da RFB, mesmo após a intimação acima referida. Em sua manifestação de inconformidade contra o Despacho Decisório, a interessada, inicialmente, junta comprovante de arrecadação obtido no sítio eletrônico da Receita Federal. Na sequência, esclarece: Esse recolhimento foi indevidamente efetuado pelo Recorrente, uma vez que ele dispunha de decisão judicial definitiva, proferida nos autos do Mandado de Segurança n° 89.00112058, que o exonerava do recolhimento da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, no período de 1988 a 09/1997 (data do trânsito em julgado da decisão judicial). Nem se alegue que o pagamento foi efetuado após o trânsito em julgado da decisão judicial exoneratória e com os benefícios previstos na Lei n° 9779/99, tendo em vista que, além desses fatos não servirem de fundamento para a negativa do pedido de restituição, o recolhimento se deu porque a própria Secretaria da Receita Federal, mesmo em face da decisão judicial favorável ao Recorrente, insistia na cobrança de tais valores, ao argumento de que os efeitos da decisão judicial alcançavam apenas a CSLL relativa ao exercício de 1989. Apenas com a decisão do 1º Conselho de Contribuintes (acórdão n° 101 93.610), proferida em 19/09/01, com acórdão formalizado em 11/12/01, que reconheceu expressamente o direito de um dos litisconsortes do ora Recorrente, no Mandado de Segurança n° 89.00112058, de não recolher a CSLL, no período de 1990 a 1997, ou seja, desde a propositura da medida judicial até o trânsito em julgado da decisão favorável, o que se deu em 02/09/97, é que o Recorrente obteve a comprovação de que também estava desobrigado do recolhimento da CSLL nesse período e que, portanto, tinha direito de reaver os montantes indevidamente recolhidos: "Ementa: IRPJ Normas Gerais. Lançamento Tributário. Sentença Judicial. Trânsito em Julgado. Efeitos. A sentença judicial reconhecendo a inconstitucionalidade dos artigos 1º, 2º, 3º e 8º, da Lei n° 7689, de 1988, e, de consequência, desobrigando a pessoa jurídica do recolhimento da CSLL, irradia seus efeitos jurídicos até o período no qual tenha ocorrido seu trânsito em julgado. Fl. 233DF CARF MF Processo nº 16327.902744/201006 Acórdão n.º 1301002.309 S1C3T1 Fl. 4 3 Recurso conhecido e provido. Trecho do Voto do Conselheiro Sebastião Rodrigues Cabral — Relator: Nesta linha de raciocínio, e considerando que no presente caso: i) A sentença judicial que acolheu a pretensão da Recorrente, no sentido de desobrigála do recolhimento da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido instituída pela Lei n° 7689, de 1988, transitou em julgado em 02 de setembro de 1997, tal qual atestado na Certidão fornecida pela 10ª Vara Federal, anexa aos autos às fls.; ii) O Mandado de Segurança interposto pela Recorrente, em 1989, objetivou a dispensa do recolhimento da referida Contribuição sob alegação de inconstitucionalidade da lei que a instituiu (n° 7689, de 1988), o que foi integralmente reconhecido pela referida sentença transitada em julgado; iii) O auto de infração guerreado no presente processo pretende exigir da Recorrente a Contribuição Social relativa aos períodosbase de 1990 a 1994, portanto, anteriores ao trânsito em julgado da sentença judicial; só nos resta concluir que referidos períodos estão albergados pela 'coisa julgada', sendo defeso ao Fisco exigir a Contribuição em causa relativamente àqueles períodosbase." Assim, deve ser prontamente revisto o despachodecisório, ora recorrido, ante a comprovação do recolhimento indevido, a ensejar o direito à restituição, nos termos do artigo 165, I, do Código Tributário Nacional. A 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo I / SP analisou a manifestação de inconformidade apresentada pela contribuinte e indeferiu a solicitação. Ciente da decisão de primeira instância e com ela inconformada, a interessada apresentou recurso voluntário, mediante o qual oferece, em apertada síntese, os seguintes argumentos: Acerca do prazo para pleitear o indébito, a recorrente se reporta ao Pedido Eletrônico de Restituição, ao Pedido de Restituição protocolado na Deinf e sustenta que estaria plenamente respeitado, no caso, o prazo prescricional de cinco anos, previsto no art. 168, I, do CTN. A recorrente afirma ter anexado aos autos cópia do Mandado de Segurança nº 89.00112058, em que foi proferida a decisão transitada em julgado que a exonerava do recolhimento da CSLL de 1988 até 09/1997 (data do trânsito em julgado). Da mesma forma, anexa documentos que comprovam ser a recorrente a sucessora de Autolatina Financiadora S/A, que foi parte no processo judicial. A interessada reitera, ainda, os argumentos trazidos na Manifestação de Inconformidade, acerca da decisão proferida pelo 1º Conselho de Contribuintes em 2001. Conclui com o pedido de provimento de seu recurso e homologação da compensação declarada. É o Relatório. Voto Fl. 234DF CARF MF Processo nº 16327.902744/201006 Acórdão n.º 1301002.309 S1C3T1 Fl. 5 4 Conselheiro Waldir Veiga Rocha, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 1301002.287, de 12/04/2017, proferido no julgamento do processo 16327.900370/201248, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 1301002.287): O recurso voluntário e tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Dele conheço. Gira a lide em torno de pedido de restituição, posteriormente cumulado com declaração de compensação. No atual estágio da discussão administrativa, o alegado direito creditório não foi reconhecido por dois fundamentos autônomos, ou seja, cada um deles é suficiente, por si só, para o não reconhecimento do direito creditório. O primeiro fundamento adotado pelo julgador de primeira instância, de caráter preliminar, foi o transcurso do prazo para pleitear o indébito. Alega a recorrente que deveria ter sido considerado o período transcorrido entre a data do recolhimento, em 1999, e a data do protocolo do pedido de restituição, em 2004. Com isso, restaria atendido o prazo de cinco anos de que trata o art. 168, I, do CTN. Examinando a decisão recorrida, constatase que, efetivamente, houve um equívoco do julgador ao não considerar o pedido de restituição originalmente formulado em 2004. Isso fica evidenciado na afirmação de que “... observase que somente em 2008 veio pleitear compensação do referido crédito, ou seja, cerca de sete anos após ‘obter a comprovação’, e nove após a extinção do débito, pelo pagamento”. Ora, a declaração de compensação é datada de 2008, mas reportase ao anterior pedido de restituição, e é esse pedido que deve ser considerado, para fins da contagem do prazo para a repetição de indébito. No entanto, como se verá a seguir, a correção desse equívoco não trará modificação na conclusão. Esse prazo, se de cinco ou dez anos, bem assim a determinação dos termos inicial e final para a contagem, já foram objeto de acirrados debates, tanto no âmbito administrativo quanto no judicial. A inovação legislativa (arts. 3º e 4º da Lei Complementar nº 118/2005) tentou pacificar a questão, mas somente aumentou as divergências, tanto doutrinárias quanto jurisprudenciais. Finalmente, a questão foi pacificada pelo Poder Judiciário. De especial interesse, o Recurso Especial nº 1.002.932, de 25/11/2009, prolatado pelo STJ no regime do art. 543C do CPC então vigente, e o Recurso Extraordinário nº 566.321, de 04/08/2011, proferido pelo STF no regime do art. 543B do mesmo diploma legal. A reiterada aplicação administrativa dessas decisões conduziu à aprovação, em 09/12/2013, pelo Pleno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, da súmula CARF nº 91, a seguir reproduzida. Súmula CARF nº 91: Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplicase o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador. Fl. 235DF CARF MF Processo nº 16327.902744/201006 Acórdão n.º 1301002.309 S1C3T1 Fl. 6 5 As súmulas CARF são de observância obrigatória pelos membros deste órgão administrativo, a teor do art. 72 do Anexo II do Regimento Interno, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015 e alterações supervenientes. No caso concreto, o pedido de restituição foi protocolado em 2004, antes da data limite prevista na súmula, aplicandose, portanto, o prazo prescricional de dez anos. O termo inicial da contagem é, também nos termos da súmula, a data do fato gerador. O fato gerador foi fixado pela própria interessada no pedido de restituição. Desta forma, para fatos geradores completados anteriormente a 12/02/1994 o prazo prescricional já se encontrava encerrado no momento do pedido de restituição. Observese que a data do recolhimento não é considerada para este fim, muito menos a circunstância alegada pela interessada acerca do julgamento administrativo de um auto de infração no qual o sujeito passivo seria um dos litisconsortes na ação judicial. Não se vislumbra qual a relação entre aquele julgamento administrativo e o prazo para a formulação do pedido de restituição aqui discutido. A constatação que se impõe é de que o decurso do prazo prescricional impede que seja atendido o pleito da interessada, independentemente de quaisquer considerações de mérito, negandose provimento ao recurso voluntário. O segundo fundamento adotado pelo julgador de primeira instância para o indeferimento do pleito foi a falta de comprovação do direito. O seguinte excerto do voto condutor do acórdão recorrido é elucidativo: Observese que a empresa não trouxe a petição inicial e nenhuma peça do processo judicial que afirma amparala, de forma a se poder verificar a correção de sua alegação central de mérito, o que, como demonstrado acima, seria ônus da empresa. E, em consulta ao sítio do TRF da 3ª Região, utilizandose do número de processo judicial fornecido pela Interessada, na opção “Consulta Processual – Visualizar Processo” a empresa não aparece como parte, mas sim as seguintes empresas: Consórcio Nacional Ford Ltda., Autolatina S/A, Autolatina Financiadora S/A Crédito Financiamento e Investimentos e Ford Brasil S/A. Junto com o recurso voluntário, a interessada faz acostar aos autos peças do processo judicial, e documentos que, segundo ela, comprovariam ser a recorrente sucessora da Autolatina Financiadora S/A, que foi parte no processo judicial. Compulsando os autos, especialmente as peças processuais do Mandado de Segurança nº 89.112058, constato que a impetrante foi Consórcio Nacional Ford Ltda., e que posteriormente foram admitidos como litisconsortes: (i) Autolatina S/A; (ii) Autolatina Financiadora S/A – Crédito, Financiamento e Investimentos; e (iii) Ford Brasil S/A. Prosseguindo na análise, encontro Ata da AGE de 31/05/1996 de Banco Autolatina S.A., na qual se registra a cisão parcial dessa pessoa jurídica, com a versão de parcela de seu patrimônio para o Banco Ford S/A e a mudança do nome da parcela remanescente da cisão do Banco Autolatina S/A para Banco Volkswagen S/A (a interessada). Na sequência, encontro também o Protocolo da cisão e versão do patrimônio. No entanto, não encontro prova de que Banco Autolatina S/A fosse parte da ação judicial. No documento datado de 17/02/2004, dirigido à DEINF/SP, a interessada se identifica como “BANCO VOLKSWAGEN S/A., atual denominação de BANCO AUTOLATINA S.A., anteriormente denominado AUTOLATINA Fl. 236DF CARF MF Processo nº 16327.902744/201006 Acórdão n.º 1301002.309 S1C3T1 Fl. 7 6 FINANCIADORA S.A., ...”. Mas tratase de mera afirmação, da qual não encontro prova documental nos autos. Apesar de saber que esse ponto foi um dos fundamentos adotado pelo julgador de primeira instância para negar seu pedido, a interessada apresentou apenas o documento da cisão parcial de Banco Autolatina S/A e posterior mudança de nome da parcela remanescente para Banco Volkswagen S/A, não se preocupando em rastrear e comprovar os eventos societários desde a litisconsorte na ação judicial (Autolatina Financiadora S/A – Crédito, Financiamento e Investimentos) até a atual pessoa jurídica, nem os direitos que teriam sido transmitidos em cada um desses eventos. Em se tratando de pedido de restituição, é ônus de quem alega o direito creditório comprovar o que alega, especialmente, no caso sob análise, que a pessoa jurídica que efetuou o recolhimento seria a sucessora em todos os direitos e obrigações da pessoa jurídica que foi parte na ação judicial. Ao não se encontrar nos autos essa comprovação, também por esse motivo o recurso voluntário há que ser negado. Os dois fundamentos autônomos anteriormente discutidos já seriam (e são) suficientes para que o recurso voluntário seja desprovido. Penso, entretanto, que uma consideração adicional há de ser feita. É que o pagamento em questão foi feito em 1999, ao amparo do art. 17 da Lei nº 9.779/1999. Confirase seu teor (grifos não constam do original): Art.17.Fica concedido ao contribuinte ou responsável exonerado do pagamento de tributo ou contribuição por decisão judicial proferida, em qualquer grau de jurisdição, com fundamento em inconstitucionalidade de lei, que houver sido declarada constitucional pelo Supremo Tribunal Federal, em ação direta de constitucionalidade ou inconstitucionalidade, o prazo até o último dia útil do mês de janeiro de 1999 para o pagamento, isento de multa e juros de mora, da exação alcançada pela decisão declaratória, cujo fato gerador tenha ocorrido posteriormente à data de publicação do pertinente acórdão do Supremo Tribunal Federal.(Vide Medida Provisória nº 1.807, de 1999)(Vide Medida Provisória nº 215835, de 2001) §1oO disposto neste artigo estendese:(Vide Medida Provisória nº 1.807, de 1999)(Incluído pela Medida Provisória nº 2158 35, de 2001) Iaos casos em que a declaração de constitucionalidade tenha sido proferida pelo Supremo Tribunal Federal, em recurso extraordinário;(Vide Medida Provisória nº 1.807, de 1999)(Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) IIa contribuinte ou responsável favorecido por decisão judicial definitiva em matéria tributária, proferida sob qualquer fundamento, em qualquer grau de jurisdição;(Vide Medida Provisória nº 1.807, de 1999)(Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) IIIaos processos judiciais ajuizados até 31 de dezembro de 1998, exceto os relativos à execução da Dívida Ativa da União.(Vide Medida Provisória nº 1.807, de 1999)(Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) Fl. 237DF CARF MF Processo nº 16327.902744/201006 Acórdão n.º 1301002.309 S1C3T1 Fl. 8 7 §2oO pagamento na forma do caput deste artigo aplicase à exação relativa a fato gerador:(Vide Medida Provisória nº 1.807, de 1999)(Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) Iocorrido a partir da data da publicação do primeiro Acórdão do Tribunal Pleno do Supremo Tribunal Federal, na hipótese do inciso I do § 1o;(Vide Medida Provisória nº 1.807, de 1999)(Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) IIocorrido a partir da data da publicação da decisão judicial, na hipótese do inciso II do § 1o;(Vide Medida Provisória nº 1.807, de 1999)(Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) IIIalcançado pelo pedido, na hipótese do inciso III do § 1o.(Vide Medida Provisória nº 1.807, de 1999)(Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) §3oO pagamento referido neste artigo:(Vide Medida Provisória nº 1.807, de 1999)(Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) Iimporta em confissão irretratável da dívida;(Vide Medida Provisória nº 1.807, de 1999)(Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) IIconstitui confissão extrajudicial, nos termos dos arts. 348, 353 e 354 do Código de Processo Civil;(Vide Medida Provisória nº 1.807, de 1999)(Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) [...] Insisto: os pagamentos nesses termos são confissão irretratável da dívida e confissão extrajudicial. Ou seja, ainda que pudessem ser superados os dois fundamentos anteriormente expostos, o pedido de restituição encontraria obstáculo inarredável na disposição expressa da lei acima transcrita. Supondose, como hipótese argumentativa, que a interessada fosse, como afirma, sucessora da litisconsorte na ação judicial, o fato é que espontaneamente decidiu abrir mão do direito conquistado na ação judicial (possivelmente por vêlo ameaçado por reiteradas manifestações do STF no sentido da inconstitucionalidade da CSLL apenas para o primeiro ano de sua vigência) e parcelar o valor da contribuição para os anos subsequentes. A recorrente afirma que somente fez os pagamentos porque a Receita Federal insistia na cobrança, mesmo em face da decisão judicial que havia obtido. Ora, esse era o entendimento administrativo à época, atualmente ainda mais reforçado, tanto pelo sucesso obtido em ações rescisórias diversas propostas perante o Poder Judiciário, quanto por Pareceres da douta PGFN. Se a interessada tivesse plena convicção de seu direito, seu procedimento teria sido o de aguardar o lançamento e discutilo administrativa e judicialmente, nunca o de se antecipar, confessando a dívida de forma irretratável e recolhendo o tributo. A recorrente reclama, ainda, que esse aspecto não teria sido fundamento para a negativa do pedido de restituição, pelo que não poderia, agora, ser abordado. Observese que a DEINF/SP originalmente negou o pedido porque o pagamento (DARF) não foi identificado nos sistemas da RFB. Apesar de intimada, a interessada não se preocupou em trazer aos autos os esclarecimentos que Fl. 238DF CARF MF Processo nº 16327.902744/201006 Acórdão n.º 1301002.309 S1C3T1 Fl. 9 8 permitissem essa correta identificação. Essa questão foi plenamente superada em primeira instância. Somente então foi possível avançar e questionar outros aspectos, a saber, o prazo para pleitear o indébito e a comprovação do direito alegado. Quanto a este último aspecto, o julgador a quo se deteve na falta das peças do processo judicial e na falta de comprovação de que a interessada no processo administrativo fosse também uma das partes do processo judicial. Penso que as considerações aqui tecidas sobre esse ponto nada mais são do que um aprofundamento acerca da análise de mérito do pedido. Seriam, talvez, dispensáveis, como dito anteriormente, mas em nada prejudicam, antes reforçam a conclusão. Por todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. [assinado digitalmente] Waldir Veiga Rocha Fl. 239DF CARF MF
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Numero do processo: 10865.905018/2012-25
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 27 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Jul 27 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2006
COMPENSAÇÃO. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. DCTF RETIFICADORA. PRAZO. NÃO COMPROVADO.
Verifica-se no presente caso que o contribuinte não logrou comprovar o crédito que alega fazer jus, pelo que deve ser indeferida a compensação realizada.
Não deve ser admitida a apresentação de DCTF retificadora após decorrido o prazo de 5 (cinco) anos contados do fato gerador.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3301-003.572
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto do Couto Chagas - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto do Couto Chagas, Semíramis de Oliveira Duro, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Jose Henrique Mauri, Liziane Angelotti Meira e Maria Eduarda Alencar Câmara Simões.
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS
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AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DE DIREITO DE CREDITO. Recorrente O. G. SISTEMAS DE EXAUSTÃO LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2006 COMPENSAÇÃO. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. DCTF RETIFICADORA. PRAZO. NÃO COMPROVADO. Verificase no presente caso que o contribuinte não logrou comprovar o crédito que alega fazer jus, pelo que deve ser indeferida a compensação realizada. Não deve ser admitida a apresentação de DCTF retificadora após decorrido o prazo de 5 (cinco) anos contados do fato gerador. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto do Couto Chagas Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto do Couto Chagas, Semíramis de Oliveira Duro, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Jose Henrique Mauri, Liziane Angelotti Meira e Maria Eduarda Alencar Câmara Simões. Relatório Trata o presente processo de Manifestação de Inconformidade contra Despacho Decisório que não homologou a compensação declarada em PER/DCOMP pela contribuinte acima qualificada, sob o fundamento de que, a partir das características do DARF AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 5. 90 50 18 /2 01 2- 25 Fl. 157DF CARF MF Processo nº 10865.905018/201225 Acórdão n.º 3301003.572 S3C3T1 Fl. 3 2 descrito no PerDcomp, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PerDcomp. Inconformada com a não homologação de sua compensação, interpôs a contribuinte manifestação de inconformidade, conforme relatado na decisão recorrida, alegando que após análise efetuada junto a seus arquivos verificou que pediu restituição para o período em discussão e solicitou futura compensação, na qual a empresa se beneficia de tributação monofásica de alguns produtos que comercializa, daí a origem do crédito. Por não ter feito a retificação da DCTF, houve o indeferimento. Solicita que seja feita a retificação na DCTF, uma vez que não há tempo hábil nem permitido para devida retificação, pois assim se fará um ato de justiça. Requerendo, ainda, a reavaliação do Despacho Decisório. Ao analisar o caso, a DRJ entendeu por julgar improcedente a manifestação de inconformidade, nos termos do Acórdão 02049.478. O fundamento adotado, em síntese, foi a necessidade de comprovação pelo contribuinte do direito creditório pretendido. Inconformado, o contribuinte apresentou recurso voluntário, através do qual alega, resumidamente: (i) que o crédito pleiteado decorre do pagamento indevido da contribuição sobre receitas decorrentes de produtos tributados pelo regime monofásico (alíquota de 0%); (ii) que o indébito em questão estaria comprovado por meio da documentação acostada em seu recurso voluntário (faz pedido alternativo de diligência, caso se entenda necessário); (iii) que a verdade material deve prevalecer sobre a verdade formal. Requer, então, que o recurso seja provido, a fim de reformar a r. decisão de primeira instância, culminando com o reconhecimento do direito creditório e a consequente homologação das compensações vinculadas. Posteriormente, o contribuinte protocolizou nova petição aos autos, através da qual requereu a juntada de notas fiscais, no intuito de comprovar o seu direito creditório. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Augusto do Couto Chagas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3301003.443, de 27 de abril de 2017, proferido no julgamento do processo 10865.905013/201201, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3301003.443): "O Recurso Voluntário é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Fl. 158DF CARF MF Processo nº 10865.905018/201225 Acórdão n.º 3301003.572 S3C3T1 Fl. 4 3 Conforme relatado acima, a compensação apresentada pelo contribuinte fora indeferida por ausência de comprovação do crédito pleiteado. Os fundamentos do voto proferido pela DRJ consta da transcrição a seguir: No processo de restituição, de ressarcimento ou de compensação, é o contribuinte quem toma a iniciativa de viabilizar seu direito ao aproveitamento do crédito, mediante a apresentação do PerDcomp. No Processo Civil, o ônus da prova cabe ao autor quanto ao fato constitutivo do seu direito (Código do Processo Civil – CPC, art. 333). No Processo Administrativo Fiscal não há uma regra própria, por isso utilizase a existente no CPC. Por essa razão, cabe ao contribuinte provar a existência do crédito pretendido. A existência de crédito líquido e certo é requisito legal para a concessão da compensação (CTN, art. 170). Pelo princípio da Indisponibilidade do Interesse Público e pela vinculação da função pública, é inadmissível que a RFB aceite a extinção do tributo por compensação com crédito que não seja comprovadamente certo nem possa ser quantificado. Esse entendimento aplicase também à restituição. Se o Darf indicado como crédito foi utilizado para pagamento de um tributo declarado pelo próprio contribuinte, a decisão da RFB de indeferir o pedido de restituição ou de não homologar a compensação está correta. Assim, para modificar o fundamento desse ato administrativo, cabe ao recorrente demonstrar erro no valor declarado ou nos cálculos efetuados pela RFB. Se não o fizer, o motivo do indeferimento permanece. Feitas estas considerações, passemos ao exame da manifestação de inconformidade. RETIFICAÇÃO DA DCTF APÓS 5 ANOS DO FATO GERADOR A DCTF retificada após a ciência do despacho decisório não constitui prova nem tem nenhuma força de convencimento e só pode ser considerada como argumento de impugnação, não produzindo efeitos quando reduz débitos que tenham sido objeto de exame em procedimento de fiscalização (Instrução Normativa RFB 1.110/2010, art. 9º, § 2o, I, c). A declaração apresentada presumese verdadeira em relação ao declarante (CC, art. 131 e CPC, art. 368). A DCTF válida, oportunamente transmitida, faz prova do valor do débito contra o sujeito passivo e em favor do fisco. Entretanto, essa presunção é relativa, admitindose prova em contrário. No caso, o contribuinte não comprova o erro ou a falsidade da declaração entregue. Limitase a informar que se beneficia de tributação monofásica de “alguns produtos” que comercializa, mas não informa quais são os produtos. Além disso, não apresenta nenhum documento fiscal ou contábil que confirme seus argumentos. Ademais, o prazo estabelecido pela legislação para o direito de constituir o crédito tributário é o mesmo para que o contribuinte proceda Fl. 159DF CARF MF Processo nº 10865.905018/201225 Acórdão n.º 3301003.572 S3C3T1 Fl. 5 4 à retificação da respectiva declaração apresentada. Esse entendimento foi adotado pelo Parecer Cosit nº 48, de 7 de julho de 1999, que trata da declaração de rendimentos, mas que se aplica por analogia à presente situação: “Dos comandos legais citados, temos que extinguese no prazo de cinco anos, contado da data da apresentação da declaração de rendimentos ou da data em que se tornar definitiva a decisão que anulou, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado, o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário. Assim, da mesma forma que a Fazenda Pública submetese a um prazo final para rever de ofício seu lançamento ou para constituir o crédito tributário, o contribuinte deve igualmente dispor de um termo para que sejam corrigidos eventuais erros cometidos quando da elaboração de sua declaração de rendimentos.” (grifouse) O Conselho de Contribuintes (atual Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF) também já se pronunciou nesse sentido: “DECLARAÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES E TRIBUTOS FEDERAIS DCTF RETIFICAÇÃO PRELIMINAR DE DECADÊNCIA Nos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, o direito de o contribuinte proceder à retificação das DCTF trimestrais extinguese após 5 (cinco) anos contados da data da ocorrência dos correspondentes fatos geradores, como analogamente ao Fisco seria vedado o direito de proceder à sua revisão. IRPJ e CSLL COMPENSAÇÃO. INDEFERIMENTO A compensação de tributos em face de seu alegado pagamento a maior condicionase à demonstração efetiva da ocorrência do pagamento em excesso, mediante documentação hábil (1º CC; 8ª Câmara; processo 13707.001451/0087; Acórdão nº 10808913; data da sessão: 23/06/2006). (grifouse) Diante disso, verificase que já decaíra o direito de o contribuinte proceder à retificação da DCTF. APURAÇÃO DO TRIBUTO A apuração do PIS e da Cofins é consolidada no Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais (Dacon). O valor apurado no demonstrativo apresentado antes da ciência do Despacho Decisório, não evidencia a existência de pagamento indevido ou a maior. As verificações efetuadas nos sistemas da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) e nos autos desse processo confirmam os fatos relatados e podem ser assim consolidadas: (...). Em face do exposto, voto por julgar IMPROCEDENTE a manifestação de inconformidade, para não reconhecer o direito creditório postulado e não homologar as compensações em litígio. Fl. 160DF CARF MF Processo nº 10865.905018/201225 Acórdão n.º 3301003.572 S3C3T1 Fl. 6 5 Concordo com os termos da decisão recorrida, a qual entendo não merecer reparos. Como é cediço, é do contribuinte o ônus da prova do seu direito creditório. Tanto que este, em seu recurso voluntário, reconhece a ausência de comprovação do seu direito creditório nas fases anteriores do presente processo. Pleiteia, contudo, que a documentação apresentada quando do Recurso Voluntário seja levada em consideração por este Conselho, seja para fins de reconhecimento do crédito pleiteado, seja para fins de, ao menos, determinar diligência para fins de confirmação do direito requerido. Alega, para tanto, que a verdade material deve prevalecer sobre a verdade formal. É importante que se esclareça, em princípio, que esta turma julgadora tem, em determinadas situações, admitido a análise de documentos anexados pelo contribuinte a destempo, desde que aptas a comprovar o direito alegado, em atenção ao princípio da verdade material. Entendo, contudo, que não deve ser esta a conduta a ser adotada neste caso concreto. Isso porque, consoante bem assinalou a decisão recorrida, o contribuinte apresentou DCOMP indicando um suposto crédito oriundo de DARF já integralmente utilizado para fins de quitação de outro débito do contribuinte. Logo, não havia como se admitir a compensação apresentada, por ausência de direito creditório. Em sua manifestação de inconformidade, o contribuinte limitouse a alegar que o seu direito creditório decorreria do recolhimento indevido realizado em razão de tributação monofásica de alguns produtos que comercializa, e que o indeferimento teria se dado em razão da ausência de retificação da DCTF, uma vez que não havia tempo hábil para proceder à devida retificação. Neste ponto, entendeu corretamente a decisão recorrida no sentido de que não se deve admitir DCTF retificadora fora do prazo legal de 5 (cinco) anos contados do fato gerador. Verificase no caso concreto aqui analisado que o período que o contribuinte pretende retificar reportase ao 2º semestre de 2005, ao passo que a primeira manifestação de que haveria informação incorreta na referida DCTF outrora apresentada reportase a setembro de 2012, quando o contribuinte apresentou a sua manifestação de inconformidade, já comunicando a impossibilidade de apresentação da DCTF retificadora. Sendo assim, não havia mais tempo hábil para se admitir a retificação da DCTF pretendida pelo contribuinte, ou mesmo para se reanalisar as informações ali transmitidas pelo próprio contribuinte. Nesse sentido, inclusive, trazse à colação decisões deste Conselho, proferidas à unanimidade de votos: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do fato gerador: 30/09/2003 COMPENSAÇÃO. DCTF RETIFICADORA. INTEMPESTIVIDADE. AUSÊNCIA DE PROVA. Fl. 161DF CARF MF Processo nº 10865.905018/201225 Acórdão n.º 3301003.572 S3C3T1 Fl. 7 6 É ineficaz a DCTF retificadora transmitida após o decurso do prazo de 5 anos contados do fato gerador ou da entrega da declaração para fins de comprovação de pagamento indevido passível de compensação. O prazo para constituição do crédito tributário deve ser o mesmo para o Fisco e para o contribuinte. Também ineficaz a DCTF retificadora se desacompanhada de documentação comprobatória hábil e idônea que comprove a existência e a disponibilidade do crédito reclamado. (Acórdão n. 3802001.464). *** Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 31/05/2003 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. ÔNUS DA PROVA. CRÉDITO TRIBUTÁRIO NÃO COMPROVADO Compete àquele quem pleiteia o direito o ônus de sua comprovação, devendo ser indeferido pedido de compensação que se baseia em mera alegação de crédito sem que faça prova de sua liquidez e certeza. DCTF. RETIFICAÇÃO. PRAZO QUINQUENAL. Por aplicação do parágrafo único do art 149 do CTN, as novas informações trazidas em DCTF retificadora somente produzem efeito se a retificação ocorrer dentro do prazo de cinco anos, contados da data da ocorrência do fato gerador. Recurso Voluntário negado. (Acórdão n. 3202000.862). É importante que se tenha em mente que o direito não socorre aos que dormem. Nesse contexto, da mesma forma que a Fazenda possui prazos para fiscalizar o contribuinte, este possui prazos para retificar as suas declarações, no intuito de constituir direito creditório que entende fazer jus. A observância de tais prazos legais, inclusive, precisam ser observadas em benefício da sociedade como um todo, em prol da segurança jurídica. É importante que se esclareça que não se está aqui dispondo que a verdade material não deve prevalecer sobre a verdade formal. Contudo, a aplicação do princípio da verdade material possui limites que precisam ser observados, a exemplo dos prazos decadencial e prescricional, os quais devem ser observados sem distinção, às vezes a favor, às vezes contra o contribuinte/Fisco. E, uma vez encerrado o prazo legal para retificação da DCTF, resta forçoso reconhecer que a documentação apresentada pelo contribuinte em seu Recurso Voluntário não o socorre em seu pleito. Ainda que tivesse o contribuinte direito ao crédito pleiteado em razão do pagamento indevido da contribuição sobre receitas decorrentes de produtos tributados pelo regime monofásico (alíquota de 0%), não poderia o contribuinte pleitear tal crédito ad eternum. Existe um marco temporal que precisa ser observado e a apresentação de documentos comprobatórios quando já decorrido tal prazo não deve ser considerada. Fl. 162DF CARF MF Processo nº 10865.905018/201225 Acórdão n.º 3301003.572 S3C3T1 Fl. 8 7 É a mesma situação que ocorre quando um crédito tributário resta fulminado pela decadência. Ainda que a Receita Federal tenha provas cabais de que determinado montante é devido, não pode exigilo após o decurso do prazo quinquenal previsto na legislação. Diante das razões acima expostas, entendo que deverá ser negado provimento ao Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte, mantendo a decisão recorrida em sua integralidade, por seus próprios fundamentos." Da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo o contribuinte não logrou comprovar o crédito que alega fazer jus, em razão do pagamento indevido da contribuição sobre receitas decorrentes de produtos tributados pelo regime monofásico (alíquota de 0%), não se admitindo a DCTF retificadora e a documentação comprobatória apresentados a destempo. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto do Couto Chagas Fl. 163DF CARF MF
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Numero do processo: 11543.003511/2003-13
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 07 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Jul 11 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 1997, 1998, 1999, 2000, 2001
ART. 6º DA LEI COMPLEMENTAR Nº 105/2001. POSSIBILIDADE DE O FISCO REQUISITAR INFORMAÇÕES BANCÁRIAS DO CONTRIBUINTE DIRETAMENTE ÀS INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. DESNECESSIDADE DE PRÉVIA AUTORIZAÇÃO JUDICIAL.
Consoante consagrado no julgamento do Recurso Extraordinário nº 601.134/SP, com repercussão geral, pelo plenário do STF, ocorrido em 24/02/2016, afigura-se constitucional o disposto no art. 6º da Lei Complementar nº 105/2001, que permite aos Fiscos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames forem considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente, requisitar informações bancárias do contribuinte diretamente às instituições financeiras, sem necessidade de prévia autorização judicial.
USO DE INFORMAÇÕES DA CPMF PARA A CONSTITUIÇÃO DE CRÉDITO TRIBUTÁRIO RELATIVO A OUTROS TRIBUTOS. LEI Nº 10.174/2001. RETROATIVIDADE.
O art. 11, §3º da Lei nº 9.311/96, com a redação dada pela Lei nº 10.174/2001, que autoriza o uso de informações da CPMF para a constituição do crédito tributário de outros tributos, aplica-se retroativamente. Súmula CARF nº 35 e Recurso Extraordinário RE 601.314/SP, de repercussão geral.
IRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS.
O art. 42 da Lei nº 9.430/1996 autoriza a presunção de omissão de rendimentos tributáveis com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
Se o ônus da prova, por presunção legal, é do contribuinte, cabe a ele a prova da origem dos recursos utilizados para acobertar seus depósitos bancários, a qual não pode ser substituída por meras alegações.
Numero da decisão: 2301-005.056
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário, para negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Andréa Brose Adolfo Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Fábio Piovesan Bozza Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andréa Brose Adolfo (presidente em exercício), Júlio César Vieira Gomes, Fábio Piovesan Bozza, Jorge Henrique Backes, Alexandre Evaristo Pinto, Fernanda Melo Leal.
Nome do relator: FABIO PIOVESAN BOZZA
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POSSIBILIDADE DE O FISCO REQUISITAR INFORMAÇÕES BANCÁRIAS DO CONTRIBUINTE DIRETAMENTE ÀS INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. DESNECESSIDADE DE PRÉVIA AUTORIZAÇÃO JUDICIAL. Consoante consagrado no julgamento do Recurso Extraordinário nº 601.134/SP, com repercussão geral, pelo plenário do STF, ocorrido em 24/02/2016, afigurase constitucional o disposto no art. 6º da Lei Complementar nº 105/2001, que permite aos Fiscos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames forem considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente, requisitar informações bancárias do contribuinte diretamente às instituições financeiras, sem necessidade de prévia autorização judicial. USO DE INFORMAÇÕES DA CPMF PARA A CONSTITUIÇÃO DE CRÉDITO TRIBUTÁRIO RELATIVO A OUTROS TRIBUTOS. LEI Nº 10.174/2001. RETROATIVIDADE. O art. 11, §3º da Lei nº 9.311/96, com a redação dada pela Lei nº 10.174/2001, que autoriza o uso de informações da CPMF para a constituição do crédito tributário de outros tributos, aplicase retroativamente. Súmula CARF nº 35 e Recurso Extraordinário RE 601.314/SP, de repercussão geral. IRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. O art. 42 da Lei nº 9.430/1996 autoriza a presunção de omissão de rendimentos tributáveis com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 54 3. 00 35 11 /2 00 3- 13 Fl. 670DF CARF MF 2 Se o ônus da prova, por presunção legal, é do contribuinte, cabe a ele a prova da origem dos recursos utilizados para acobertar seus depósitos bancários, a qual não pode ser substituída por meras alegações. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário, para negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Andréa Brose Adolfo – Presidente em exercício (assinado digitalmente) Fábio Piovesan Bozza – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andréa Brose Adolfo (presidente em exercício), Júlio César Vieira Gomes, Fábio Piovesan Bozza, Jorge Henrique Backes, Alexandre Evaristo Pinto, Fernanda Melo Leal. Relatório Conselheiro Relator Fábio Piovesan Bozza Tratase de recurso voluntário interposto por Adriano Sisternas contra o acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro (DRJ/Rio de Janeiro), que negou provimento à impugnação e manteve o lançamento de ofício. A fiscalização lavrou auto de infração contra o ora Recorrente com o intuito de exigir o recolhimento de Imposto de Renda Pessoa Física – IRPF e consectários legais sobre (i) omissão de rendimentos recebidos de pessoas jurídicas e (ii) omissão de rendimentos oriundos de depósitos bancários de origem não comprovada em conta de depósito ou de investimento, mantida em instituição financeira no País, relativos aos anoscalendário 1997 a 2001. Houve lançamento de multa de ofício qualificada de 150% sobre o valor do IRPF, em virtude de a fiscalização vislumbrar no caso a existência de sonegação, fraude ou conluio. A ciência do auto de infração ocorreu em 03/10/2003. O Recorrente apresentou impugnação parcial, contestando somente a exigência fiscal relativa ao item (ii) supra, a qual foi julgada improcedente pela DRJ/Rio de Janeiro. A ementa do julgando encontrase redigida nos seguintes termos: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física – IRPF Fl. 671DF CARF MF Processo nº 11543.003511/200313 Acórdão n.º 2301005.056 S2C3T1 Fl. 671 3 Anocalendário: 1997, 1998, 1999, 2000, 2001 Ementa: MATÉRIA NÃO UMPUGNADA. Considerase não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante, nos termos do art. 17 do Decreto nº 70.235/72. ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA ADMIISTRATIVA PARA APRECIAÇÃO. As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no País, sendo incompetentes para a apreciação de arguições de ilegalidade e inconstitucionalidade de atos legais regularmente editados. RETROATIVIDADE DE LEI. AMPLIAÇÃO DE PODERES DE INVESTIGAÇÃO. Aplicase ao lançamento a legislação que, posteriormente à ocorrência do fato gerador da obrigação, tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliado os poderes de investigação das autoridades administrativas. CPMF. MEIOS DE OBTENÇÃO DE PROVAS. NULIDADE DO LANÇAMENTO. Os dados relativos à CPMF em poder da Receita Federal em face da competência legal administrativa, são meios lícitos de obtenção de provas tendentes à apuração de crédito tributário na forma do art. 42 da Lei nº 9.430/96. EXTRATOS BANCÁRIOS. MEIOS DE OBTENÇÃO DE PROVAS. Com a edição da Lei Complementar nº 105, de 10.01.2001, havendo procedimento administrativo instaurado, a prestação, por parte das instituições financeiras, de informações solicitadas pelos órgãos fiscais tributário do Ministério da Fazenda e dos Estados, não constitui quebra do sigilo bancário. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. Para os fatos geradores ocorridos a partir de 01/01/97, a legislação autoriza a presunção de omissão de rendimentos com base nos valores depositados em conta bancária, para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Lançamento Procedente Irresignado, o Recorrente apresentou recurso voluntário argumentando: (i) a nulidade do lançamento, porque ocorreu a violação do sigilo bancário do Recorrente, mediante a requisição fiscais diretamente a instituições financeiras; (ii) a nulidade do lançamento porque o procedimento que o originou baseouse na movimentação financeira de contas bancárias lastreada nos recolhimentos da CPMF havidos anteriormente a edição da Lei nº 10.174/2001, o que caracterizaria aplicação retroativa indevida da lei nova a fatos pretéritos; Fl. 672DF CARF MF 4 (iii) a improcedência do lançamento uma vez que a conciliação dos depósitos bancários realizados pelo Recorrente no ano de 1997 restariam não justificados apenas R$ 36.855,24, importância abaixo do limite legal de R$ 80.000,00 para aplicação da presunção contida no art. 42 da Lei nº 9.430/96; (iv) a decisão do acórdão recorrido, relativamente aos recursos provenientes da venda de imóveis, trata indevidamente o Recorrente como se fosse pessoa jurídica, sujeitandoo à elaboração e apresentação de contabilidade; (v) as justificativas apresentadas pelo Recorrente quanto à origem dos depósitos bancários no ano de 1997 não foram devidamente analisadas pelo acórdão recorrido; (vi) os depósitos bancários teriam origem em operações de desconto de cheques, caracterizandose deságio a diferença entre os valores entregues pelo Recorrente e os valores recebidos com a liquidação dos cheques; (vii) nesse tipo de operação, os recursos financeiros existentes em conta corrente bancária de quem faz empréstimos (descontos de cheques) circulam, ingressando e saindo de forma continuada, não sendo possível considerar cada depósito (retorno do capital) um ganho ou rendimento, sendo mero retorno dos valores sacados em momentos anteriores; É o relatório. Voto Conselheiro Relator Fábio Piovesan Bozza Tempestividade do Recurso Voluntário Após a prolação do acórdão de primeira instância, houve discussão sobre tempestividade da interposição do recurso voluntário. Ao final, a unidade preparadora reconheceu a tempestividade da interposição, uma vez que o Recorrente “foi citado equivocadamente em endereço divergente do constante em nossos sistemas, bem como, do domicílio fiscal por ele eleito, conforme determina o Dec. 70.235/72” (fls. 663). Em vista dessas informações e também por cumprir com as formalidades legais, eu tomo conhecimento do recurso voluntário. Quebra de Sigilo Bancário e Uso de Informações da CPMF nos Trabalhos de Fiscalização A primeira questão a ser analisada diz respeito à possibilidade de o Fisco federal solicitar informações sobre a movimentação bancárias de correntistas diretamente às instituições financeiras, com base no art. 6º da Lei Complementar nº 105/2001 e nos demais diplomas regulamentares. Fl. 673DF CARF MF Processo nº 11543.003511/200313 Acórdão n.º 2301005.056 S2C3T1 Fl. 672 5 A decisão proferida, em 24/02/2016, pelo plenário do Supremo Tribunal Federal, por ocasião do julgamento do Recurso Extraordinário nº 601.134/SP (com repercussão geral), põe uma pá de cal sobre a discussão e afirma ser constitucional tal possibilidade, nos seguintes termos: O Tribunal, por maioria e nos termos do voto do Relator, apreciando o tema 225 da repercussão geral, conheceu do recurso e a este negou provimento, vencidos os Ministros Marco Aurélio e Celso de Mello. Por maioria, o Tribunal fixou, quanto ao item “a” do tema em questão, a seguinte tese: “O art. 6º da Lei Complementar 105/01 não ofende o direito ao sigilo bancário, pois realiza a igualdade em relação aos cidadãos, por meio do princípio da capacidade contributiva, bem como estabelece requisitos objetivos e o translado do dever de sigilo da esfera bancária para a fiscal”; e, quanto ao item “b”, a tese: “A Lei 10.174/01 não atrai a aplicação do princípio da irretroatividade das leis tributárias, tendo em vista o caráter instrumental da norma, nos termos do artigo 144, §1º, do CTN”, vencidos os Ministros Marco Aurélio e Celso de Mello. Ausente, justificadamente, a Ministra Cármen Lúcia. Presidiu o julgamento o Ministro Ricardo Lewandowski. Plenário, 24.02.2016. De acordo com o artigo 62, § 2º do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF n° 343/2015, as decisões definitivas de mérito do STF e do STJ, na sistemática dos artigos 543B (repercussão geral) e 543C (recurso repetitivo), da Lei nº 5.869, de 1973 (CPC/73), devem ser reproduzidas pelas Turmas do CARF. Desse modo, é possível afirmar que a requisição direta feita pela fiscalização às instituições financeiras, a respeito da movimentação bancária levada a efeito pelo Recorrente durante o período fiscalizado, possui respaldo constitucional e serve de subsídio para a formalização da exigência constante do auto de infração. Por fim, o art. 11, §3º da Lei nº 9.311/96, com a redação dada pela Lei nº 10.174/2001, autoriza o uso de informações da CPMF para a constituição do crédito tributário de outros tributos, aplicase retroativamente, nos termos do Recurso Extraordinário nº 601.314/SP e da Súmula CARF nº 35: Súmula CARF nº 35: O art. 11, § 3º, da Lei nº 9.311/96, com a redação dada pela Lei nº 10.174/2001, que autoriza o uso de informações da CPMF para a constituição do crédito tributário de outros tributos, aplicase retroativamente. Com vista no exposto, afasto a preliminar de nulidade do auto de infração. Presunção Legal de Omissão de Rendimentos Oriunda de Depósitos Bancários sem Origem Comprovada Outra questão importante referese à validade da presunção constante do art. 42 da Lei nº 9.430/96 quanto à existência de omissão de rendimentos tributáveis pelo imposto de renda, em virtude de o Fisco ter identificado depósitos bancários em favor do contribuinte, sem origem comprovada. Fl. 674DF CARF MF 6 A redação do dispositivo, durante o período fiscalizado, era a seguinte: Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. § 1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. § 2º Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. § 3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: I os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; II no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$ 1.000,00 (mil reais), desde que o seu somatório, dentro do ano calendário, não ultrapasse o valor de R$ 12.000,00 (doze mil reais). (Vide Lei nº 9.481, de 1997) § 4º Tratandose de pessoa física, os rendimentos omitidos serão tributados no mês em que considerados recebidos, com base na tabela progressiva vigente à época em que tenha sido efetuado o crédito pela instituição financeira. Este CARF já foi instado a se manifestar inúmeras vezes sobre essa presunção legal contida nesse dispositivo. Muitas dessas manifestações tornaramse súmulas, cujo teor daquelas importantes para o deslinde do presente caso transcrevemos agora: Súmula CARF nº 26: A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. Súmula CARF nº 32: A titularidade dos depósitos bancários pertence às pessoas indicadas nos dados cadastrais, salvo quando comprovado com documentação hábil e idônea o uso da conta por terceiros. Súmula CARF nº 38: O fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do anocalendário. Súmula CARF nº 61: Os depósitos bancários iguais ou inferiores a R$ 12.000,00 (doze mil reais), cujo somatório não ultrapasse R$ 80.000,00 (oitenta mil reais) no anocalendário, Fl. 675DF CARF MF Processo nº 11543.003511/200313 Acórdão n.º 2301005.056 S2C3T1 Fl. 673 7 não podem ser considerados na presunção da omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, no caso de pessoa física. Pois bem. A fiscalização observou todos esses enunciados, não havendo qualquer mácula que pudesse afetar a validade do lançamento de ofício. Quanto ao mérito propriamente dito, o Recorrente não inova nas explicações nem confronta as razões do acórdão recorrido que manteve a exigência fiscal. E mais importante, não junta comprovação documental hábil e idônea capaz de afastar a presunção legal de omissão de rendimentos relativamente tanto à atividade de desconto de cheques, quanto ao recebimento pela venda de imóveis. Por esse motivo, restam incólumes as razões do acórdão recorrido, as quais merecem ser transcritas por confrontar os valores de depósitos sem origem comprovada, as alegações do Recorrente e os documentos juntos aos autos (grifos nossos): 44. Nesse sentido, entendo que as conciliações juntadas na impugnação, sem qualquer apoio documental para atestar a comprovação das operações, não são suficientes para afastar a presunção legal estabelecida em lei. Razão pela qual, devese manter os valores autuados. 45. Ressaltese, ainda, que não há que se falar em bitributação dos valores de 1997, se a omissão de rendimentos com base em depósitos bancários está sendo efetivada justamente com os depósitos de origem não comprovada que não integraram os cálculos da omissão de rendimentos por aquisição de cheques com deságio. 46. Em outro turno, no que se refere às alegadas vendas de imóveis que justificariam depósitos efetuados nas contas bancárias do contribuinte, os documentos citados pelo impugnante no item 1.1 de seus esclarecimentos à fl. 262, que justificariam o depósito de R$ 15.000.00 em 28/10/1998, não guardam qualquer relação de data e valor com referido o depósito. Eis que o recibo de fl. 265 confirma tãosomente o pagamento de R$ 9.000,00 em 24/05/1997, e os demais valores ali informados tratam de obrigações futuras com valor de R$ 10.000,00, previsto para 15/02/1998, e de R$ 25.714,80, previsto para 15/08/1998, cujos pagamentos, além de não estarem comprovados por recibos, também não têm qualquer relação de data e valor com o depósito realizado. 47. Da mesma forma, a Escritura e de Compra e Venda (fls. 271 a 273) citada pelo contribuinte no item 1.4 de seus esclarecimentos à fl. 259, que justificaria o depósito em dinheiro de R$ 30.000,00 (fl. 120), efetivado em 09/04/2001, e de R$ 13.000,00 (fl. 124), em 16/07/2001, também não guarda qualquer relação com as datas e quantias creditadas. A referida escritura, datada de 19/04/2001, informa que a venda foi de R$ 30.000,00, com pagamento de R$ 10.000,00, já recebidos anteriormente, e de R$ 20.000,00, representados pelo cheque nº 850119 a ser compensado na entrega do imóvel. Nesse aspecto, Fl. 676DF CARF MF 8 ressaltese que o pagamento de R$ 10.000,00 foi efetuado em data ignorada e é inferior ao valor do depósito de R$ 30.000,00, realizado anteriormente à data da escritura; e o pagamento de R$ 20.000,00, previsto na escritura, foi efetivado indivisivelmente por um único cheque identificado à fl. 269, não se prestando, pois, para justificar um depósito de R$ 13.000,00, por total incompatibilidade de valores. Por esse motivo, o Recorrente não conseguiu afastar a presunção legal de omissão de rendimentos a que se refere o art. 42 da Lei nº 9.430/96, constante do auto de infração. Não trouxe elementos probatórios hábeis e idôneos para comprovar suas alegações. Por esse motivo, a exigência fiscal deve ser mantida. Conclusão Em face do exposto, voto por conhecer e negar provimento ao recurso voluntário, mantendose a exigência contida no auto de infração. É como voto. (assinado digitalmente) Fábio Piovesan Bozza – Relator Fl. 677DF CARF MF
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Numero do processo: 11128.006970/2007-83
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu May 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Jun 20 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 22/12/2003
REGISTRO EXTEMPORÂNEO DOS DADOS DE EMBARQUE NA EXPORTAÇÃO. NORMA POSTERIOR AO EMBARQUE. VIGÊNCIA. INAPLICABILIDADE
Inaplicável a multa prevista na alínea e do inciso IV do artigo 107 do Decreto-Lei nº 37, de 1966, com redação dada pelo artigo 77 da Lei nº 10.833, de 2003, visto que à época do embarque a IN SRF nº 28, de 1994, não dispunha de um prazo e sim de um conceito jurídico indeterminado, "imediatamente após realizado o embarque".
Somente com a IN SRF nº 510, de 14/02/2005, DOU de 15/02/2005, houve a determinação de um prazo para que o responsável pela carga, registrasse no Siscomex, os dados pertinentes ao embarque da mercadoria, com base nos documentos por ele emitidos.
Numero da decisão: 3302-004.303
Decisão: Recurso Voluntário Provido
Crédito Tributário Exonerado
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário.
[assinado digitalmente]
Ricardo Paulo Rosa - Presidente.
[assinado digitalmente]
Maria do Socorro Ferreira Aguiar - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, José Fernandes do Nascimento, Domingos de Sá Filho, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Prado, Paulo Guilherme Déroulède, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araújo.
Nome do relator: MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR
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OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Recorrente ALIANÇA NAVEGAÇÃO E LOGÍSTICA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 22/12/2003 REGISTRO EXTEMPORÂNEO DOS DADOS DE EMBARQUE NA EXPORTAÇÃO. NORMA POSTERIOR AO EMBARQUE. VIGÊNCIA. INAPLICABILIDADE Inaplicável a multa prevista na alínea “e” do inciso IV do artigo 107 do DecretoLei nº 37, de 1966, com redação dada pelo artigo 77 da Lei nº 10.833, de 2003, visto que à época do embarque a IN SRF nº 28, de 1994, não dispunha de um prazo e sim de um conceito jurídico indeterminado, "imediatamente após realizado o embarque". Somente com a IN SRF nº 510, de 14/02/2005, DOU de 15/02/2005, houve a determinação de um prazo para que o responsável pela carga, registrasse no Siscomex, os dados pertinentes ao embarque da mercadoria, com base nos documentos por ele emitidos. Recurso Voluntário Provido Crédito Tributário Exonerado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. [assinado digitalmente] Ricardo Paulo Rosa Presidente. [assinado digitalmente] Maria do Socorro Ferreira Aguiar Relatora. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 12 8. 00 69 70 /2 00 7- 83 Fl. 277DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, José Fernandes do Nascimento, Domingos de Sá Filho, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Prado, Paulo Guilherme Déroulède, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araújo. Relatório Por bem descrever os fatos ocorridos até o presente momento processual, os quais foram relatados de forma minudente, adoto o relatório do r. Acórdão de Recurso Voluntário nº 3102001.684, de fls.182/196, conforme a seguir transcrito: Por bem descrever os fatos, adoto o Relatório que embasou a decisão de primeira instância, que passo a transcrever. Trata o presente processo de auto de infração, lavrado em 19/09/2007, em face do contribuinte em epígrafe, formalizando a exigência de multa regulamentar, no valor de R$ 5.000,00, em face dos fatos a seguir descritos: • A empresa autuada procedeu ao registro de dados de embarque no sistema SISCOMEX fora do prazo estabelecido pela Receita Federal do Brasil RFB para o despacho aduaneiro vinculado à Declaração de Exportação DDE No.2031082631/4, cujo embarque se deu em 22/12/2003; • O registro de dados de embarque no sistema SISCOMEX pela empresa autuada ocorreu em 26/07/2004, conforme extrato juntado ao processo; • Face o descumprimento do artigo 37 da Instrução Normativa SRF No.28, de 27/04/1994, que determina o prazo do registro de dados de embarque em 07 dias, incorreu na infração prevista no artigo 107, inciso IV, alínea “e” do Decreto Lei 37/66; Cientificado do auto de infração, via Aviso de Recebimento AR, em 04/10/2007, (fls. 73verso),o contribuinte, protocolizou impugnação, tempestivamente na forma do artigo 15 do Decreto 70.235/72, em 16/10/2007, de fls. 74 e 75, instaurando assim a fase litigiosa do procedimento. Na forma do artigo 16 do Decreto 70.235/72 a impugnante alegou resumidamente que: • Através do Processo Administrativo No. 11128.005833/2004 89, a empresa foi autuada com multa de R$ 5.000,00 (cinco mil reais) por ter deixado de prestar informações referente à mesma DDE; • Tal processo já foi julgado pela 1ª Turma da DRJ/SPOII, em 02/08/2007, sendo declarado improcedente o lançamento e, por conseguinte, tendo exonerado o crédito tributário, uma vez que a obrigação foi cumprida a destempo. • Assim não procedeu a alegação de que a obrigação não tenha sido descumprida; Pugna o cancelamento da autuação fiscal. Fl. 278DF CARF MF Processo nº 11128.006970/200783 Acórdão n.º 3302004.303 S3C3T2 Fl. 278 3 Assim a Delegacia da Receita Federal de Julgamento sintetizou, na ementa correspondente, a decisão proferida. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Data do fato gerador: 26/07/2004 A empresa autuada procedeu ao registro de dados de embarque no sistema SISCOMEX fora do prazo estabelecido pela Receita Federal do Brasil RFB, face a determinação do artigo 37 da Instrução Normativa SRF No. 28, de 27/04/1994. A fiscalização entendeu estar tipificada a infração prevista no artigo 107, inciso IV, alínea “e” do Decreto Lei 37/66. Não se trata de “bis in iden”. A penalidade é aplicável. Considerouse como embaraço à atividade de fiscalização aduaneira o fato de o transportador não promover o registro de dados do embarque, no prazo estabelecido. Insatisfeita com a decisão de primeira instância, a empresa apresenta Recurso Voluntário a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. É o relatório. Através do Acórdão nº 3102001.684 foi dado provimento ao recurso voluntário, em sede preliminar, aplicando a denúncia espontânea para afastar a exigência da multa ora combatida. Cientificada do referido acórdão o Representante da Fazenda Nacional apresentou recurso especial suscitando divergência quanto à exoneração da penalidade em comento por aplicação da denúncia espontânea prevista no art. 102, § 2º, do DecretoLei nº 37, de 1966, com a nova redação dada pela Lei 12.350, de 2010. O recurso foi admitido por intermédio de despacho do Presidente da Câmara recorrida, e o contribuinte apresentou contrarrazões. Nos termos do acórdão nº 9303003.806, de 26/04/2016, fls. 257/265, a CSRF ao julgar o recurso especial, assim decidiu conforme excertos da ementa e voto a seguir transcritos: Ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/07/2007 a 31/07/2007 ADMISSIBILIDADE DO RECURSO ESPECIAL. COMPROVAÇÃO DA DIVERGÊNCIA. Os requisitos de admissibilidade do recurso especial exigem que se comprove a divergência jurisprudencial consubstanciada na similitude fática entre as situações discutidas em ambos os acórdãos, recorrido e paradigma, com decisões distintas; que tenham sido prolatadas na vigência da mesma legislação, que a matéria tenha sido prequestionada, que o recurso seja Fl. 279DF CARF MF 4 tempestivo e tenha sido apresentado por quem de direito. Justamente, o que ocorreu no caso sob exame, onde há similitude fática entre as situações discutidas no recorrido e no paradigma, a saber: exigência da multa pelo atraso na prestação de informações sobre veículo ou carga nele transportada. As decisões foram proferidas na vigência da mesma legislação após as alterações introduzidas pela Lei 12.350, de 2010. No recorrido, aplicouse a denúncia espontânea, já no acórdão paradigma, não. Acrescentese, ainda, que a matéria foi prequestionada e o recurso foi apresentado, no tempo regimental, por quem de direito. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/07/2007 a 31/07/2007 PENALIDADE ADMINISTRATIVA. ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO OU PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE. A denúncia espontânea não alcança as penalidades infligidas pelo descumprimento de deveres instrumentais, como os decorrentes da inobservância dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira, mesmo após o advento da nova redação do art. 102 do DecretoLei nº 37/1966, dada pelo art. 40 da Lei nº 12.350/2010. Recurso Especial do Procurador Provido em Parte. Excertos do voto: Todavia, assim como no Direito Penal, no Tributário algumas infrações não são suscetíveis de denúncia espontânea. São aquelas em que a mera conduta, por si só, já configura o ilícito, o qual, uma vez ocorrido, não há possibilidade jurídica, ou até mesmo física, de se evitar o resultado. O exemplo mais característico desse tipo de infração, é, justamente, a referente ao atraso no cumprimento de obrigação acessória, pois, no exato momento em que se exauriu o prazo legal sem que a obrigação tenha sido adimplida, a infração está configurada e o atraso não poderá ser reparado. Em outras palavras, atendose às normas do Direito Tributário, o dano relativo ao descumprimento de obrigação principal pode ser reparado, pagandose o tributo e os consectários legais. Todavia, se se tratar de infrações referentes a obrigações acessórias autônomas, a ser prestada em determinado prazo, o dano não pode ser sanado, posto que o núcleo do bem jurídico protegido, uma vez violado, não tem como ser restabelecido. Assim, por exemplo, se a obrigação era apresentar declaração até determinada data, e se esta não foi apresentada no prazo determinado, não há como cumprir a obrigação acessória tempestivamente, salvo se se voltar no tempo, ainda não possível com a tecnologia disponível hoje. Fl. 280DF CARF MF Processo nº 11128.006970/200783 Acórdão n.º 3302004.303 S3C3T2 Fl. 279 5 No caso dos autos, a obrigação acessória autônoma, descumprida pelo transportador ou seus representantes, consistia no dever de o sujeito passivo informar os dados de embarque de mercadorias no prazo estabelecido pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. Notese que, uma vez exaurido o prazo para se prestar as informações sem que elas tenham sido prestadas ao órgão competente, a infração restou configurada, não havendo mais possibilidade de se evitar o resultado. Notese que, se a sanção fosse destinada, apenas e tãosomente, a punir o não cumprimento da obrigação acessória, poderseia admitir que, o adimplemento a destempo, desde que espontâneo, poderia ser beneficiado com a norma excludente da penalidade. Entretanto, se a sanção é destinada a coibir o atraso no cumprimento da obrigação, uma vez ocorrida a mora, não há que se falar em denúncia espontânea. (...) Por isso, afastada a denúncia espontânea, deve o processo retornar à instância a quo para que sejam enfrentadas as questões de mérito trazidas pelo Sujeito Passivo no recurso voluntário. Com essas considerações, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso interposto pela Fazenda Nacional, para considerar inaplicável ao caso a denúncia espontânea, devendo o processo retornar à instância a quo para apreciação das demais questões trazidas no recurso voluntário e que não foram objeto de deliberação por aquele Colegiado." A empresa teve ciência do julgado em 07/06/2016, conforme Termo de Abertura de Documento, fl. 274. É o relatório. Voto Conselheira Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Relatora: PRELIMINAR Dos requisitos de admissibilidade O Recurso Voluntário é tempestivo, trata de matéria da competência deste Colegiado e atende aos pressupostos legais de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. MÉRITO Da multa pela extemporaneidade dos dados de embarque Fl. 281DF CARF MF 6 Verificase da Descrição dos Fatos, fl.04 que a empresa autuada procedeu ao registro de dados de embarque no sistema SISCOMEX fora do prazo estabelecido pela Receita Federal do Brasil RFB para o despacho aduaneiro vinculado à Declaração de Exportação DDE nº 2031082631/4, cujo embarque se deu em 22/12/2003. O registro de dados de embarque no sistema SISCOMEX pela empresa autuada ocorreu em 26/07/2004, conforme extrato juntado ao processo. Observase portanto que o lançamento decorre da multa capitulada no art. 107, IV, alínea “e”, do DecretoLei nº 37, de 1966, com a redação da Lei n.º 10.833, de 2003, pela não informação ou informação fora do prazo sobre a carga transportada, conforme dados do embarque, de fl. 20, o qual ocorreu em 22/12/2003. É de relevo destacar que estando a cominação de penalidades no campo da reserva legal, ou melhor, reserva absoluta da lei, ex vi do 1inciso V do artigo 97 do Código Tributário Nacional CTN, sendo exigível para a espécie, lei em sentido material e formal, significa que somente nas hipóteses expressamente delineadas no tipo legal pode ser aplicável uma penalidade. Esclarecida a situação fática, analisase a base legal aplicada. DecretoLei nº 37, de 1966, com redação dada pelo art. 77 da Lei 10.833, de 2003: Art. 107. Aplicamse ainda as seguintes multas: (...) IV de R$ 5.000,00 (cinco mil reais): (...) e) por deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada à empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de serviços de transporte internacional expresso porta a porta, ou ao agente de carga; (...)(grifei) Constatase que o dispositivo legal em comento remete à Secretaria da Receita Federal a disciplina da forma e prazo para a prestação, das informações nele explicitadas. Dispunha a IN SRF nº 28, de 1994, vigente à época do embarque: Art. 37. Imediatamente após realizado o embarque da mercadoria, o transportador registrará os dados pertinentes, no SISCOMEX, com base nos documentos por ele emitidos. Em cumprimento à determinação acima gizada, a então SRF, com o escopo de normatizar os procedimentos editou os seguintes atos: 1 Art. 97. Somente a lei pode estabelecer: I (omissis; .................................................................................................... V a cominação de penalidades para as ações ou omissões contrárias a seus dispositivos, ou para outras infrações nela definidas;” Fl. 282DF CARF MF Processo nº 11128.006970/200783 Acórdão n.º 3302004.303 S3C3T2 Fl. 280 7 IN SRF nº 510, de 2005, que definiu o prazo de comunicação em 02(dois) dias, aplicado no caso concreto para a exigência em lide: "Art. 37. O transportador deverá registrar, no Siscomex, os dados pertinentes ao embarque da mercadoria, com base nos documentos por ele emitidos, no prazo de dois dias, contado da data da realização do embarque.(grifei). IN RFB nº 1.096, de 2010: "Art. 37. O transportador deverá registrar, no Siscomex, os dados pertinentes ao embarque da mercadoria, com base nos documentos por ele emitidos, no prazo de 7 (sete) dias, contados da data da realização do embarque. Notese que, objetivamente estabelece o dispositivo legal ([artigo 107, IV, alínea “e”, do DecretoLei n.º 37, de 1966, com a redação da Lei n.º 10.833, de 2003) uma sanção quando da ocorrência do seguinte pressuposto fático: ....deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal. À época do embarque, ocorrido em 16.06.2004, vigia a IN SRF nº 28, de 1994, com o seguinte enunciado [Imediatamente após realizado o embarque da mercadoria, o transportador registrará os dados pertinentes, no SISCOMEX]. Ocorre que integra o núcleo infracional acima [deixar de prestar informação...] duas situações, na forma e prazo, cujo rito procedimental ficou à cargo da RFB, no entanto para a espécie dos autos, cuja cominação deveuse pela extrapolação de dois dias à data de embarque, utilizandose a definição de prazo estabelecida na IN SRF nº 510, de 2005, é inaplicável a multa exigida, visto que a IN SRF nº 28, de 1994, não dispunha de um prazo e sim de um conceito indeterminado [Imediatamente após realizado o embarque], ou melhor, um conceito jurídico indeterminado, cuja compreensão é incerta, ambígua, contrapondose assim a um conceito jurídico determinado como soí acontecer por exemplo com as medidas de grandezas, prazos, etc. Nesse mister, importa realçar que é princípio assente no seio constitucional o da não retroatividade da lei penal, exceto para beneficiar o réu (art. 5º, XL). O cânone interpretativo fundamental é o de que as leis devem ser interpretadas de acordo com as normas superiores da Constituição. Nesse sentido é importante ressaltar que em sede infraconstitucional, consagra o Código Tributário Nacional CTN no 2art. 106 a possibilidade de aplicação retroativa da legislação tributária a fatos pendentes nas hipóteses nele elencadas que são: a) lei expressamente interpretativa e; b) tratandose de ato 2 Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Fl. 283DF CARF MF 8 não definitivamente julgado: lei tributária penal que estabeleça penalidade mais branda; que deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; ou deixe de considerar determinado fato como infração. Assim deduzse da situação fática, que à época do embarque, a norma procedimental não dispunha do prazo a ser observado para a prestação das informações, requisito esse que só foi estabelecido pela IN SRF nº 510, de 14/02/2005, DOU de 15/02/2005, norma não vigente à época do embarque, portanto inaplicável ao caso, visto que a condição imposta pela lei, para a cominado da multa [deixar de prestar informação... no prazo estabelecido], inexistia à época do embarque, tampouco há que se falar em aplicação de norma mais benéfica, uma vez que ao caso sub examine são inaplicáveis as disposições do artigo 106 do CTN. Ante os fundamentos acima, podese concluir que somente com a IN SRF nº 510, de 14/02/2005, DOU de 15/02/2005, houve a determinação de um prazo para que o responsável pela carga, registrasse no Siscomex, os dados pertinentes ao embarque da mercadoria, com base nos documentos por ele emitidos. Ex positis, estando o auto de infração formalizado com o lançamento da multa, com base IN SRF nº 510, de 14/02/2005, DOU de 15/02/2005, norma não vigente à época do embarque, tornase incabível ao caso em apreço. Cabe ainda destacar que a interpretação acima encontra precedente neste E. Conselho, conforme dispõe o acórdão 3102002.040, de 25/09/2013, a seguir ementado: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 17/01/2004 a 26/01/2005 ILEGITIMIDADE PASSIVA A responsabilidade em relação as infrações é do representante do transportador estrangeiro, nos termos da legislação pátria. NULIDADE CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Não caracteriza. Necessidade de restar demonstrado o prejuízo a defesa. Acusação fiscal compreendida. MULTA REGULAMENTAR. REGISTRO EXTEMPORÂNEO DOS DADOS DE EMBARQUE. MATERIALIZAÇÃO DA INFRAÇÃO.IMPOSIÇÃO DA MULTA. POSSIBILIDADE. O descumprimento do prazo de 7 (sete) dias, fixado pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) para o registro, no Siscomex, dos dados do embarque, subsumese à hipótese da infração por atraso na informação sobre carga transportada, sancionada com a respectiva multa regulamentar. AUSÊNCIA DE NORMA ESTABELECENDO PRAZO PARA COMUNICAÇÃO DO EMBARQUE ANTES DE 15/02/2005. Até a edição da IN SRF nº 510/2005 não havia prazo estabelecendo data para comunicação de embarque. Expressão “imediatamente” é indeterminada.(grifei). Excluir a penalidade imposta decorrente dos embarques realizados antes de 15/02/2005. Recurso Voluntário Provido. Fl. 284DF CARF MF Processo nº 11128.006970/200783 Acórdão n.º 3302004.303 S3C3T2 Fl. 281 9 Ante o exposto, VOTO POR DAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. [Assinado digitalmente] Maria do Socorro Ferreira Aguiar Fl. 285DF CARF MF
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Numero do processo: 10880.727284/2011-31
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 09 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue May 30 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/04/1999 a 28/02/2001
DECADÊNCIA. LANÇAMENTO SUBSTITUTO. LANÇAMENTO SUBSTITUÍDO NÃO NOTIFICADO AO SUJEITO PASSIVO PRESTADOR DO SERVIÇO. INAPLICABILIDADE DA REGRA DO INC. II DO ART. 173 DO CTN. TRANSCURSO DO PRAZO DECADENCIAL.
1. O presente lançamento é substituto daquele realizado através da NFLD originária 35.409.566-8, anulada pelo Conselho de Contribuintes por vício formal justamente porque o sujeito passivo prestador do serviço não havia sido notificado.
2. Como o sujeito passivo não foi notificada do lançamento originário, a ele não é aplicável o comando do inc. II do art. 173 do CTN.
3. No tocante ao sujeito passivo retro mencionado, a contagem do prazo decadencial deve observar a regra do art. 150, § 4º, ou a regra do art. 173, inc. I, do Código.
4. Em ambas as hipóteses, de qualquer forma, o direito de a Fazenda Pública efetuar o lançamento está fulminado pelo transcurso do lustro decadencial.
CONTRIBUIÇÕES DEVIDAS À SEGURIDADE SOCIAL. SERVIÇOS DE EMPREITADA TOTAL. SOLIDARIEDADE. DETERMINAÇÃO DO CRITÉRIO MATERIAL DO FATO GERADOR. DEVER DA AUTORIDADE FISCAL. VÍCIO MATERIAL. EXISTÊNCIA.
1. Ao lançar as contribuições devidas solidariamente pelo proprietário, incorporador, dono da obra ou condômino de unidade imobiliária, a autoridade fiscal deve demonstrar que houve contratação por meio de empreitada total, identificando, ainda, se o responsável solidário, na qualidade de contratante, é o proprietário, o incorporador, o dono da obra ou o condômino de unidade imobiliária. Deve, igualmente, efetuar clara identificação do serviço prestado e se o serviço foi de construção, reforma ou acréscimo, levado a cabo por construtora ou por subempreiteira.
2. O art. 142 do Código Tributário Nacional impõe à autoridade administrativa a obrigação de verificar, isto é, de relatar e demonstrar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, devendo, ainda, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível.
3. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, de forma que é dever inafastável da autoridade fiscal o empreendimento de todos os esforços na determinação do critério material do fato gerador da obrigação tributária (ou critério material da regra matriz de incidência).
Numero da decisão: 2402-005.805
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer dos recursos, negar provimento ao recurso de ofício e dar provimento ao recurso voluntário, tendo votado pelas conclusões os Conselheiros Túlio Teotônio de Melo Pereira, Mário Pereira de Pinho Filho e Kleber Ferreira de Araújo.
(assinado digitalmente)
Kleber Ferreira de Araújo - Presidente
(assinado digitalmente)
João Victor Ribeiro Aldinucci - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Tulio Teotonio de Melo Pereira, Theodoro Vicente Agostinho, Mário Pereira de Pinho Filho, Bianca Felicia Rothschild e João Victor Ribeiro Aldinucci.
Nome do relator: JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI
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RESPONSABILIDADE DO DONO DA OBRA Recorrentes VIVO PARTICIPAÇÕES S.A. (SUCEDIDA POR TELEFÔNICA BRASIL S.A.) E OUTRO FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/04/1999 a 28/02/2001 DECADÊNCIA. LANÇAMENTO SUBSTITUTO. LANÇAMENTO SUBSTITUÍDO NÃO NOTIFICADO AO SUJEITO PASSIVO PRESTADOR DO SERVIÇO. INAPLICABILIDADE DA REGRA DO INC. II DO ART. 173 DO CTN. TRANSCURSO DO PRAZO DECADENCIAL. 1. O presente lançamento é substituto daquele realizado através da NFLD originária 35.409.5668, anulada pelo Conselho de Contribuintes por vício formal justamente porque o sujeito passivo prestador do serviço não havia sido notificado. 2. Como o sujeito passivo não foi notificada do lançamento originário, a ele não é aplicável o comando do inc. II do art. 173 do CTN. 3. No tocante ao sujeito passivo retro mencionado, a contagem do prazo decadencial deve observar a regra do art. 150, § 4º, ou a regra do art. 173, inc. I, do Código. 4. Em ambas as hipóteses, de qualquer forma, o direito de a Fazenda Pública efetuar o lançamento está fulminado pelo transcurso do lustro decadencial. CONTRIBUIÇÕES DEVIDAS À SEGURIDADE SOCIAL. SERVIÇOS DE EMPREITADA TOTAL. SOLIDARIEDADE. DETERMINAÇÃO DO CRITÉRIO MATERIAL DO FATO GERADOR. DEVER DA AUTORIDADE FISCAL. VÍCIO MATERIAL. EXISTÊNCIA. 1. Ao lançar as contribuições devidas solidariamente pelo proprietário, incorporador, dono da obra ou condômino de unidade imobiliária, a autoridade fiscal deve demonstrar que houve contratação por meio de empreitada total, identificando, ainda, se o responsável solidário, na AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 72 72 84 /2 01 1- 31 Fl. 17716DF CARF MF 2 qualidade de contratante, é o proprietário, o incorporador, o dono da obra ou o condômino de unidade imobiliária. Deve, igualmente, efetuar clara identificação do serviço prestado e se o serviço foi de construção, reforma ou acréscimo, levado a cabo por construtora ou por subempreiteira. 2. O art. 142 do Código Tributário Nacional impõe à autoridade administrativa a obrigação de verificar, isto é, de relatar e demonstrar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, devendo, ainda, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. 3. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, de forma que é dever inafastável da autoridade fiscal o empreendimento de todos os esforços na determinação do critério material do fato gerador da obrigação tributária (ou critério material da regra matriz de incidência). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 17717DF CARF MF Processo nº 10880.727284/201131 Acórdão n.º 2402005.805 S2C4T2 Fl. 3 3 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer dos recursos, negar provimento ao recurso de ofício e dar provimento ao recurso voluntário, tendo votado pelas conclusões os Conselheiros Túlio Teotônio de Melo Pereira, Mário Pereira de Pinho Filho e Kleber Ferreira de Araújo. (assinado digitalmente) Kleber Ferreira de Araújo Presidente (assinado digitalmente) João Victor Ribeiro Aldinucci Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Tulio Teotonio de Melo Pereira, Theodoro Vicente Agostinho, Mário Pereira de Pinho Filho, Bianca Felicia Rothschild e João Victor Ribeiro Aldinucci. Fl. 17718DF CARF MF 4 Relatório Inicialmente, adotase parte do relatório da decisão recorrida: De acordo com os elementos do processo, a VIVO PARTICIPAÇÕES S/A (INCORPORADORA DA TELEMIG S/A) E OUTRO foram autuados (Auto de Infração – AI nº 37.334.545 3) por contribuições patronais sobre a remuneração contida em Notas Fiscais de serviços de construção civil, contratados por empreitada total, apuradas por aferição indireta, em razão da empresa fiscalizada, contratante dos serviços, não ter elidido da responsabilidade solidária, prevista no inciso VI do artigo 30 da Lei nº 8.212, de 1991, para com a mãodeobra empregada pela empresa contratada, PROMON TELECOM LTDA. (CNPJ 43.102.946/000171), no período de 04/1999 a 02/2001. Cabe observar que o referido auto de infração foi lavrado em substituição a NFLD nº 35.409.5668, julgada nula pelo Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda em razão de vício formal quando de sua constituição. Por sua vez, quanto ao Auto de Infração – AI nº 37.334.5453, e através do Acórdão de nº 2401003.709, de 07/10/2014, às fls. 17528/17534, o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) Segunda Seção de Julgamento 4a Câmera 1a Turma Ordinária, anulou a Decisão de Primeira Instância, de nº 02 47.897, de 29/08/2013, que teria excluído do polo passivo solidário a empresa prestadora dos serviços, PROMON TELECOM LTDA., e mantido o lançamento tributário em desfavor da TELEFÔNICA BRASIL S/A, que é a empresa sucessora da VIVO PARTICIPAÇÕES S/A. A motivação que anulou a Decisão de Primeira Instância, em relação ao Auto de Infração – AI nº 37.334.5453 (processo de nº 10880.727284/201131), diz respeito à falta de apreciação, pela autoridade a quo, do pedido da recorrente, TELEFÔNICA BRASIL, de diligência junto à prestadora de serviços PROMON para verificar possíveis exclusões de valores de contribuições previdenciárias relativas às contratações de subempreiteiras. Na oportunidade, e em obediência ao princípio da economia processual, o Acórdão CARF determinou a realização de diligência para que fossem verificadas possíveis fiscalizações na empresa PROMON TELECOM LTDA. a afastar cobranças em duplicidade. Realizada a diligência requerida, a Informação Fiscal de fls. 17558/17559 registrou que os levantamentos de Notificação Fiscal de Lançamento de Débito – NFLD de nºs 35.373.6368 e 35.373.6376 referemse, em parte, aos serviços prestados pela PROMON à TELEMIG CELULAR S/A. Mas ainda ressaltou que, para o período do presente crédito previdenciário, compreendido de 01/04/1999 a 28/02/2001 Fl. 17719DF CARF MF Processo nº 10880.727284/201131 Acórdão n.º 2402005.805 S2C4T2 Fl. 4 5 (objeto do AI de nº 37.334.5453, em discussão), não teria identificado registro de auditoria do tipo fiscalização na empresa PROMON. Cientes dos documentos relativos à NFLD de nº 35.409.5668, substituída em razão de sua nulidade formal, de todas as Decisões Administrativas, de 1a e 2a Instância, inclusive da diligência requerida pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF quando do Acórdão de nº 2401003.709, de 07/10/2014, bem como de todas as demais peças processuais do presente processo, as empresas autuadas apresentaram impugnações [...]. [...] A DRJ julgou a impugnação procedente em parte, para retificar a competência 09/1999 e excluir do pólo passivo solidário a empresa PROMON TELECOM LTDA, em função da decadência, ficando mantido o crédito tributário retificado em desfavor da VIVO, conforme decisão assim ementada: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/04/1999 a 28/02/2001 DECADÊNCIA NA PRESTADORA DE SERVIÇOS. INOCORRÊNCIA DE CERCEIO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA DE DUPLICIDADE DE LANÇAMENTOS. FUNDAMENTO LEGAL. DILIGÊNCIA E PERÍCIA. AFERIÇÃO INDIRETA. PERCENTUAL SOBRE AS NOTAS FISCAIS DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. SERVIÇOS DE SOFTWARE. Exclusão da empresa prestadora de serviços em razão de que o lançamento contra ela foi formalizado após o prazo decadencial de cinco anos previsto na legislação tributária. O Termo de Sujeição Passiva Solidária cumpriu com o papel de informar da exigência imposta em razão de fiscalização na tomadora dos serviços, sendo que a formalização do crédito e a abertura do prazo de impugnação não são por ele realizado, mas sim pelos documentos que o acompanham, quando é oportunizado ao contribuinte impugnar a exigência, instaurando, assim, a fase litigiosa do procedimento, e não antes. A empresa prestadora dos serviços não foi fiscalizada no período objeto do lançamento em questão, portanto, não se fala em cobrança em duplicidade. Cumpriuse com o Parecer CJ/MPAS nº 2.376/2000, e com a Decisão do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. Fl. 17720DF CARF MF 6 O artigo 33 da Lei nº 8.212, de 1991, citado no Relatório Fiscal, autoriza a aferição indireta das contribuições previdenciárias quando da apresentação deficiente de documentos, na espécie, ausência de folhas de pagamento por empresa tomadora dos serviços. Desnecessária a realização de diligência / perícia quando os documentos para a elisão da responsabilidade solidária podem ser juntados ao processo, ou fazer parte do processo originário (cópias já juntadas aos autos). Na responsabilidade solidária do inciso VI do art. 30 da Lei nº 8.212/1991, em fiscalização junto à empresa tomadora dos serviços, ou na prestadora, tem o Fisco a prerrogativa de apurar o crédito tributário através de aferição indireta quando da inexistência de folhas de pagamento específicas para a mãodeobra empregada em obra de construção civil. De acordo com a legislação previdenciária, aplicase o percentual de 40% (quarenta por cento) sobre as notas fiscais de prestação de serviços que não discriminam e nem preveem a utilização de material e/ou equipamentos. Serviços de software não fazem parte de atividades na construção civil, não se podendo aplicar a responsabilidade solidariedade do inciso VI do artigo 30 da Lei nº 8.212, de 24/07/1991. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Houve a interposição de recurso de ofício, tendo em vista que a exclusão da PROMON do pólo passivo do processo a exonerou de crédito tributário em valor superior ao previsto no art. 1º da Portaria MF 03/08. A PROMON foi intimada da decisão em 26/04/2016 (fl. 17658), mas não apresentou contrarrazões ao recurso de ofício e nem qualquer tipo de manifestação. A VIVO foi intimada da decisão em 11/04/2016 (fl. 17656) e interpôs recurso voluntário em 11/05/2016 (fls. 17660 e 17661/17694), no qual reafirmou os seguintes argumentos de defesa: a) inexistência de responsabilidade solidária; · o lançamento é totalmente inválido, já que inexistentes os pressupostos legais; · há de se aplicar a Ordem de Serviço INSS/DAF nº 165/1997, que previa a elisão para as tomadoras de serviços que apresentassem cópias das GRPS genéricas ou Certidão de Regularidade Fiscal CND; · para as atividades relacionadas no referido Anexo I, as construtoras estavam dispensadas de apresentação de GRPS específica por obra, podendo apresentar GRPS genérica com recolhimento englobado em seu CNPJ; Fl. 17721DF CARF MF Processo nº 10880.727284/201131 Acórdão n.º 2402005.805 S2C4T2 Fl. 5 7 · a recorrente juntou as cópias das GRPS e GPS genéricas da PROMON; · também juntou cópia da certidão negativa de débitos da PROMON; · o acórdão recorrido negou vigência ao art. 144 do CTN, deixando de aplicar norma válida no momento do fato gerador; · nenhuma justificativa é capaz de fundamentar a simples desconsideração dos comprovantes juntados pela recorrente; · a PROMON sempre possuiu contabilidade regular e as notas fiscais emitidas para a recorrente foram adequadamente e corretamente contabilizadas; · além de a autoridade fiscal não ter apurado o valor devido pelo fornecedor da recorrente, ainda afastou indevidamente a vasta documentação apresentada; · há demonstração da necessidade de a autoridade demonstrar o real descumprimento da obrigação tributária pelo contribuinte; · a recorrente esclarece que não é a existência de contabilidade regular da PROMON que afasta o cabimento do lançamento fiscal, mas o fato de que pode ser comprovado que as contribuições que a fiscalização pretende cobrar já foram devidamente recolhidas pela PROMON; b) impossibilidade de arbitramento; · se fosse se fosse constatado que o fornecedor não tivesse escrituração contábil regular ou que sua escrituração não espelhasse a sua realidade econômicofinanceira, justo seria a aplicação do arbitramento com base nas notas fiscais ou em quaisquer outros documentos como contratos, dentre outros; · no caso concreto, observase que a PROMON efetivamente possui escrita contábil e fiscal regular, conforme declarações anexadas ao Documento nº 02 da Impugnação apresentada no Processo Administrativo nº 12045.000585/200713; · permaneceu pendente de esclarecimento o fato de a escrita fiscal da PROMON não ter sido devidamente considerada pela Fiscalização; c) equivocado indeferimento da diligência; · mesmo tendo sido juntados os comprovantes pertinentes nos autos, estes foram indevidamente desconsiderados pelos ilustres julgadores. Desse modo, caso não seja de pronto acolhimento os documentos apresentados, o que se admite apenas por argumentar, nada obsta que seja consultada diretamente a contabilidade da PROMON; Fl. 17722DF CARF MF 8 d) irregularidade da aplicação do percentual de 40% sobre o valor bruto da nota fiscal; · ainda que se admitisse a possibilidade de responsabilização da recorrente por solidariedade quanto às contribuições previdenciárias devidas pela PROMON e a legalidade da aferição indireta realizada pela fiscal, o que se admite apenas com propósito argumentativo, a aplicação da alíquota de 40% sobre o valor bruto da nota fiscal não seria o mais adequado de acordo com a legislação à época; · a Ordem de Serviço INSS/DAF nº 165/97 determinava a aplicação de um percentual de 12% no que se refere aos serviços prestados com a utilização de equipamentos mecânicos e de 20% para as situações em que as Notas Fiscais compreendam também o fornecimento de materiais, pois, nessas situações – que se verificam no presente caso concreto –, há uma considerável redução do valor da mão de obra; e) necessidade de verificação da efetiva exclusão dos valores já recolhidos pela PROMON; · a recorrente pleiteou que fosse averiguado em diligência se a Autoridade Fiscal excluiu da autuação os valores referentes às contribuições previdenciárias recolhidas pela PROMON relativas às contratações de subempreitadas; · contudo, essa verificação acerca das notas fiscais das subempreitadas não foi feita oportunamente pela Fiscalização ou determinada pela DRJ, de forma que esse Conselho deve converter o julgamento do presente Recurso Voluntário em diligência f) necessidade de exclusão dos serviços planejamento técnico financeiro, serviços de gerenciamento; · por não se configurarem como serviços de empreitada de construção civil, não pode ser utilizada a fundamentação do art. 33, VI, da Lei 8.212/91, para aplicação do instituto da solidariedade; · a respeito desse pedido, a DRJ decidiu corretamente em relação aos “serviços de software”. Sem contrarrazões pela Procuradoria. É o relatório. Fl. 17723DF CARF MF Processo nº 10880.727284/201131 Acórdão n.º 2402005.805 S2C4T2 Fl. 6 9 Voto Conselheiro João Victor Ribeiro Aldinucci Relator 1 Conhecimento O recurso de ofício deve ser conhecido, visto que a decisão recorrida exonerou a PROMON de tributo e encargos de multa em valor superior a R$ 2.500.000,00. Nesse sentido, eis o teor do art. 1º da Portaria MF 63/2017: Art. 1º O Presidente de Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) recorrerá de ofício sempre que a decisão exonerar sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total superior a R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais). § 1º O valor da exoneração deverá ser verificado por processo. § 2º Aplicase o disposto no caput quando a decisão excluir sujeito passivo da lide, ainda que mantida a totalidade da exigência do crédito tributário. Como sabido, ademais, a Súmula CARF nº 103 preleciona que o limite de alçada deve ser aferido na data de apreciação do recurso em segunda instância: Súmula CARF nº 103 : Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplicase o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância. Já o recurso voluntário é tempestivo e estão presentes os demais requisitos de admissibilidade, devendo, igualmente, ser conhecido. 2 Do recurso de ofício A decisão recorrida reconheceu à decadência em relação à PROMON, vez que, quando da constituição do crédito tributário, em 26 de janeiro de 2012, já havia se passado mais de cinco anos da ocorrência dos fatos geradores, que ocorreram de abril de 1999 a fevereiro de 2001. Nesse ponto, a decisão não merece qualquer reparo. Como relatado, o presente lançamento é substituto daquele realizado através da NFLD originária 35.409.5668, anulada pelo Conselho de Contribuintes por vício formal justamente porque a PROMON não havia sido notificada. Como a PROMON não foi notificada do lançamento originário, a ela não é aplicável o comando do inc. II do art. 173 do CTN, segundo o qual o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 anos, contados da data em que se Fl. 17724DF CARF MF 10 tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. No tocante ao sujeito passivo retro mencionado, a contagem do prazo decadencial deve observar a regra do art. 150, § 4º, ou a regra do art. 173, inc. I, do Código. Em ambas as hipóteses, de qualquer forma, o direito de a Fazenda Pública efetuar o lançamento estaria fulminado pelo transcurso do lustro decadencial, de maneira que a decisão a quo deve ser mantida, negandose, por conseguinte, provimento ao recurso de ofício. 3 Da inexistência de responsabilidade solidária Na fundamentação e no desfecho do seu recurso, a VIVO PARTICIPAÇÕES S.A., sucedida pela TELEFÔNICA BRASIL S.A., doravante denominada simplesmente de recorrente, de contribuinte ou de sujeito passivo, defende, amplamente, a impossibilidade de imputação daquilo que denominou de responsabilidade solidária. No entender da fiscalização, contudo, o Anexo I do relatório fiscal teria demonstrado "os serviços prestados com contratação por empreitada total, a dedução da base de incidência referente à subempreitada em que não há responsabilidade solidária, a base de cálculo para a exigência das contribuições previdenciárias devidas aferida em 40%(quarenta por cento) e incidente sobre o valor da mão de obra contida em notas fiscais de prestação de serviço, apuradas com base no instituto da solidariedade pelo fato da fiscalizada, ao efetuar pagamentos pela prestação de serviços, ter deixado de exigir a apresentação de GPS, folhas de pagamento e GFIP por tomador necessárias à elisão dessa responsabilidade, o valor da contribuição devida, a dedução dos valores de contribuição comprovadamente recolhidos pelos subempreiteiros / prestadores de serviços e a diferença a recolher" (como no original, fl. 16). O presente lançamento é substitutivo daqueles efetuados através das NFLDs 35.409.5676 e 35.409.5668, declarados nulos por vício formal pela 6ª Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, acórdãos 206.01.361 e 206.01.362. Pois bem. O inc. VI do art. 30 da Lei 8212/91 preleciona que o proprietário, o incorporador, o dono da obra ou condômino de unidade imobiliária, qualquer que seja a forma de contratação da construção, reforma ou acréscimo, são solidários com o construtor, e estes com a subempreiteira, pelo cumprimento das obrigações para com a Seguridade Social: Art. 30. A arrecadação e o recolhimento das contribuições ou de outras importâncias devidas à Seguridade Social obedecem às seguintes normas: (Redação dada pela Lei n° 8.620, de 5.1.93) VI o proprietário, o incorporador definido na Lei nº 4.591, de 16 de dezembro de 1964, o dono da obra ou condômino da unidade imobiliária, qualquer que seja a forma de contratação da construção, reforma ou acréscimo, são solidários com o construtor, e estes com a subempreiteira, pelo cumprimento das obrigações para com a Seguridade Social, ressalvado o seu direito regressivo contra o executor ou contratante da obra e admitida a retenção de importância a este devida para garantia do cumprimento dessas obrigações, não se aplicando, em qualquer hipótese, o benefício de ordem; (Redação dada pela Lei 9.528, de 10.12.97) Fl. 17725DF CARF MF Processo nº 10880.727284/201131 Acórdão n.º 2402005.805 S2C4T2 Fl. 7 11 O Regulamento Geral da Previdência Social, por sua vez, preleciona que tal hipótese se aplica à construção, reforma ou acréscimo que não envolvam cessão de mãode obra, mesmo porque a cessão de mãodeobra é objeto de regulamentação e incidência pelo art. 31 da Lei de Custeio. É elucidativo, nesse contexto, transcrever o art. 220 do Regulamento e o seu respectivo § 1º: Art.220. O proprietário, o incorporador definido na Lei nº4.591, de 1964, o dono da obra ou condômino da unidade imobiliária cuja contratação da construção, reforma ou acréscimo não envolva cessão de mãodeobra, são solidários com o construtor, e este e aqueles com a subempreiteira, pelo cumprimento das obrigações para com a seguridade social, ressalvado o seu direito regressivo contra o executor ou contratante da obra e admitida a retenção de importância a este devida para garantia do cumprimento dessas obrigações, não se aplicando, em qualquer hipótese, o benefício de ordem. §1º Não se considera cessão de mãodeobra, para os fins deste artigo, a contratação de construção civil em que a empresa construtora assuma a responsabilidade direta e total pela obra ou repasse o contrato integralmente. Como se pode observar pela leitura do caput e do § 1º, a construção, reforma ou acréscimo estarão excluídas da retenção de que trata o art. 31 da Lei (cessão de mãodeobra com retenção de 11%) caso haja contratação por meio da denominada empreitada total, uma vez que não há cessão de mãodeobra caso a construtora assuma a responsabilidade direta e total pela obra ou repasse o contrato integralmente. O Regulamento ainda contempla hipóteses de elisão e/ou exclusão da responsabilidade solidária, ex vi do § 3º do art. 220 e do art. 221: Art. 220. [...] §3º A responsabilidade solidária de que trata o caput será elidida: I pela comprovação, na forma do parágrafo anterior, do recolhimento das contribuições incidentes sobre a remuneração dos segurados, incluída em nota fiscal ou fatura correspondente aos serviços executados, quando corroborada por escrituração contábil; e II pela comprovação do recolhimento das contribuições incidentes sobre a remuneração dos segurados, aferidas indiretamente nos termos, forma e percentuais previstos pelo Instituto Nacional do Seguro Social. III pela comprovação do recolhimento da retenção permitida no caput deste artigo, efetivada nos termos do art. 219.(Incluído pelo Decreto nº 4.032, de 2001) [...] Fl. 17726DF CARF MF 12 ......................................................................................................... Art. 221. Excluise da responsabilidade solidária perante a seguridade social o adquirente de prédio ou unidade imobiliária que realize a operação com empresa de comercialização ou com incorporador de imóveis definido na Lei nº 4.591, de 1964, ficando estes solidariamente responsáveis com o construtor, na forma prevista no art. 220. Ao fazer o lançamento das contribuições devidas a esse título, portanto, a autoridade fiscal deve demonstrar que houve contratação por meio de empreitada total, identificando, ainda, se o responsável solidário, na qualidade de contratante, é o proprietário, o incorporador, o dono da obra ou o condômino de unidade imobiliária. Deve, igualmente, efetuar clara identificação do serviço prestado e se o serviço foi de construção, reforma ou acréscimo, levado a cabo por construtora ou por subempreiteira. Neste caso, todavia, o agente fiscal limitouse a afirmar que o Anexo I, que é uma mera relação dos serviços prestados, sem qualquer tentativa de subsunção deles à norma do inc. VI do art. 30, teria demonstrado os serviços prestados com contratação por empreitada total. Nem no relatório, muito menos no citado Anexo I, a autoridade se dignou de se esforçar para demonstrar a efetiva ocorrência, no mundo fenomênico, do fato gerador da hipótese de incidência das contribuições controvertidas e da hipótese de incidência da solidariedade. A importância do presente caso é totalmente incompatível com a caracterização extremamente sucinta e insuficiente dos fatos geradores. Também o arbitramento da base de cálculo, realizado à fração de 40% sobre o valor bruto da nota fiscal, foi efetuado sem maiores explanações fáticas e jurídicas, levantando sérias dúvidas sobre o procedimento efetuado e dando azo a inúmeras insurgências por parte de ambos os sujeitos passivos. A sucinta argumentação feita pelo agente administrativo, a propósito, levou a PROMON a aduzir, em impugnação, e equivocadamente, a nulidade da autuação por falta de demonstração da efetiva ocorrência de cessão de mãodeobra, ao passo que o presente lançamento não está calcado na necessidade de retenção por parte do contratante de serviços prestados mediante cessão de pessoal. O art. 142 do Código Tributário Nacional impõe à autoridade administrativa a obrigação de verificar, isto é, de relatar e demonstrar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, devendo, ainda, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo o caso, propor a aplicação da penalidade cabível. De forma análoga ao que se decidiu no Processo Administrativo Fiscal PAF 10880.727063/201163, oriundo do mesmo Mandado de Procedimento Fiscal MPF, o presente lançamento é indubitavelmente nulo por vício material, fazendo com que não se possa concluir acerca da efetiva ocorrência do fato gerador das contribuições e, consequentemente, sobre a correta aplicação da regra matriz de incidência. Fl. 17727DF CARF MF Processo nº 10880.727284/201131 Acórdão n.º 2402005.805 S2C4T2 Fl. 8 13 Naquele PAF se demonstrou o dever imposto ao Fisco de apurar a efetiva existência de cessão de mãodeobra, o que, noutro giro verbal, também se aplica ao presente lançamento: CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS MEDIANTE CESSÃO DE MÃODEOBRA. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA DO CONTRATANTE. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DE QUE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS OCORREU MEDIANTE CESSÃO DE MÃODE OBRA É dever do Fisco, sob pena de ocorrência de vício material, a comprovação de que houve a prestação de serviço mediante cessão de mão de obra, para que haja responsabilidade solidária entre o contratante e o prestador de serviços pelas obrigações decorrentes da Lei de Custeio da Seguridade Social, não se aplicando, em qualquer hipótese, o benefício de ordem. Art. 31 da Lei n° 8.212/91, na redação dada pela Lei n° 9.032/95. (CARF, PAF 11330.000963/200772, Acórdão 2201003.412, Redator Carlos Henrique de Oliveira, julgado em 07/02/2017) ......................................................................................................... [...] CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS. CESSÃO DE MÃODEOBRA. AUSÊNCIA DE PROVAS. CONCESSÃO DE SERVIÇO PÚBLICO DE TRANSPORTE COLETIVO DE PASSAGEIROS. RETENÇÃO. Nos contratos administrativos de concessão de serviço público de transporte coletivo de passageiros o particular executa em seu nome, por sua conta e risco, o serviço delegado. Assim, inexistindo provas de que a Administração Pública exercia qualquer interferência direta nos serviços desempenhados pelos trabalhadores contratados, descaracterizado está o conceito de cessão de mãodeobra para fins de aplicação da retenção prevista no art. 31 da Lei nº 8.212/91.Recurso Especial do Procurador Negado. (CSRF, PAF 19311.720414/201134, Acórdão 9202004.404, Relatora Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, julgado em 25/08/2016) Deste Colegiado, vale citar o seguinte precedente, julgado por unanimidade: PREVIDENCIÁRIO. RETENÇÃO 11%. INEXISTÊNCIA COMPROVAÇÃO CESSÃO DE MÃODEOBRA. IMPROCEDÊNCIA LANÇAMENTO. Somente na hipótese em que restar devidamente comprovada pela autoridade lançadora à prestação dos serviços mediante cessão de mãodeobra, será devida pela empresa contratante a retenção de 11% de que trata o artigo 31 da Lei n° 8.212/91, devendo o fiscal autuante demonstrar de maneira Fl. 17728DF CARF MF 14 pormenorizada/individualizada os serviços executados com o respectivo enquadramento nos casos previstos no rol constante do artigo 219, § 2º, do Decreto nº 3.048/99, sob pena da improcedência do lançamento, em face da ausência da perfeita descrição do fato gerador do tributo.Recurso Voluntário Provido. (CARF, PAF 10510.004019/200975, Acórdão 2402005.003, julgado em 16/02/2016, Relator Lourenço Ferreira do Prado) A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, na dicção do parágrafo único do art. 142 do Código, de forma que é dever inafastável da autoridade fiscal o empreendimento de todos os esforços na determinação do critério material do fato gerador da obrigação tributária (ou critério material da regra matriz de incidência). É nesse contexto que o art. 25 do Decreto 7574/2011 determina que os autos de infração ou as notificações de lançamento deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito. Destarte, e em função da descrição deficiente do fato gerador das contribuições, isto é, da insuficiente narração da materialidade do fato jurídico tributário, deve ser dado provimento ao recurso, para cancelar o lançamento por vício material, ficando prejudicada a análise das demais matérias. 4 Conclusão Diante do exposto, votase no sentido de: a) CONHECER e NEGAR PROVIMENTO ao recurso de ofício; e b) CONHECER e DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, para cancelar o lançamento por vício material. (assinado digitalmente) João Victor Ribeiro Aldinucci Fl. 17729DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16306.000024/2008-20
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Apr 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Jul 05 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Exercício: 2004
IRRF. DIREITO CREDITÓRIO. PER/DCOMP. SALDO NEGATIVO DE IRPJ. ERRO DE FATO NA DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO.
Tendo o contribuinte corrigido erro material na identificação do direito creditório, após a decisão de primeira instância deve o processo retornar a unidade de origem para manifestação, assegurando o amplo direito de defesa e contraditório das partes.
Numero da decisão: 9202-005.356
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento para anular o Acórdão recorrido nº 2101-002.187, com retorno dos autos à Unidade de Origem para análise do direito creditório, com ciência do sujeito passivo e posterior encaminhamento para análise no âmbito da 1ª Seção de Julgamento, considerando a competência Regimental.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em Exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, João Victor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado) e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
Nome do relator: ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA
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DIREITO CREDITÓRIO. PER/DCOMP. SALDO NEGATIVO DE IRPJ. ERRO DE FATO NA DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. Tendo o contribuinte corrigido erro material na identificação do direito creditório, após a decisão de primeira instância deve o processo retornar a unidade de origem para manifestação, assegurando o amplo direito de defesa e contraditório das partes. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento para anular o Acórdão recorrido nº 2101002.187, com retorno dos autos à Unidade de Origem para análise do direito creditório, com ciência do sujeito passivo e posterior encaminhamento para análise no âmbito da 1ª Seção de Julgamento, considerando a competência Regimental. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício (assinado digitalmente) Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira – Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 30 6. 00 00 24 /2 00 8- 20 Fl. 1052DF CARF MF 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em Exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, João Victor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado) e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Relatório Tratase de Declaração de Compensação nº 31278.73879.290904.1.3.069554 (fls. 01/03), apresentada em meio eletrônico em 29 de setembro de 2004, cujo crédito vinculado é de IRRF sobre Juros sobre o Capital Próprio retido em agosto de 2004 pelo CNPJ 60.522.000/000183. Inicialmente, a contribuinte COMPANHIA DE BEBIDAS DAS AMÉRICAS, já qualificada nos autos, recorreu da decisão proferida pela 4ª Turma da DRJ São Paulo I, que, por unanimidade de votos, INDEFERIU a manifestação de inconformidade interposta conta o despacho decisório que não homologou a compensação declarada. Consta daquela decisão recorrida o seguinte relato, fls. 210: “A interessada transmitiu, em 29/09/2004, PER/DCOMP (fls. 01 a 03) cujo crédito vinculado é de IRRF sobre Juros sobre o Capital Próprio – SCP, retido em agosto de 2004, pela empresa Companhia Brasileira de Bebidas, número de inscrição no CNPJ 60.522.000/000183. 1.1. O valor original do crédito informado foi de R$ 35.164.972,45, tendo sido utilizado naquela Declaração de Compensação; fl.03). 2. Foram anexadas consultas aos Sistemas IRPJ/Cons (DIPJ/2005: ac2004), Dirf/Sief, Sinal08, DCTF e CNPJ (fls.04 a 37). 3. Em 14/03/2008, a DERAT/SPO exarou DESPACHO DECISÓRIO, NÃO HOMOLOGANDO a Compensação, conforme a seguir resumido (fls. 38 a 41). [...] 4. O contribuinte teve ciência do Decisório em 22/03/2008 (AR; fl. 46v), e dele recorreu a esta DRJ, em 17/04/2008, por meio de procuradores (fls. 87 a 109, nos seguintes termos, resumidamente (fls. 60 a 87): [...] 4.14. O Fisco Federal deveria ter comprovado plenamente, por meios seguros e irrefutáveis, a incorreção dos procedimentos da Requerente. Não tendo isso ocorrido, nem havido o empenho necessário à verificação dos créditos, deve ser determinada a nulidade do Despacho Decisório, para que seja feita uma instrução probatória. Fl. 1053DF CARF MF Processo nº 16306.000024/200820 Acórdão n.º 9202005.356 CSRFT2 Fl. 3 3 (...) 4.30. A autoridade fiscal reconhece a retenção e o pagamento dos R$ 35.164.972,45, mas não reconhece o recolhimento dos R$ 36.923.421,92, relativos aos JSCP pagos em dezembro de 2004. 4.31. Como se pode observar pelo comprovante de arrecadação (dos. 03), a incorporada recolheu, em 05/01/2005, o referido valor sob o código de receita 5706 – recolhimento este feito dentro do prazo legal, conforme Agenda Tributária do mês de janeiro de 2005 (doc.05), bem como informou na sua DCTF de janeiro de 2005 a existência deste débito (doc. 04). 4.32. A Requerente anexa à presente o razão da Conta 21100009 – IRRF 5706 – Juros s/ Capita Próprio da Companhia Brasileira de Bebidas (doc.06), que registra o pagamento do referido valor a título de IRRF. Mas não é só. (...) [...] A autuada apresentou impugnação, tendo a Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo/SP encaminhando pelo indeferimento da solicitação, fls. 426. Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte – IRRF Ano calendário: 2004 IRRF. DIREITO CREDITÓRIO. COMPENSAÇÃO. No caso de beneficiária pessoa jurídica tributada com base no lucro real, o imposto de renda retido na fonte referente aos juros sobre o capital próprio poderá ser: (i) compensado com o retido por ocasião do pagamento ou crédito de juros, a título de remuneração de capital próprio, ou (ii) ser considerado como antecipação do IR devido na declaração de rendimentos, não sendo possível sua utilização em ambas as hipóteses. Solicitação Indeferida Apresentado Recurso Voluntário pela autuada, os autos foram encaminhados ao CARF para julgamento do mesmo. a) Por um lapso, a Recorrente preencheu a DCOMP de 29.09.2004 (doc.2 acima) com a informação “IRRF Juros sobre o Capital Próprio” no campo “Tipo de Crédito”, no valor de R$ 28.876.703,34, onde deveria constar “Saldo Negativo de IRPJ”. b) (...) conforme informado na DIPJ Especial, de incorporação (DIPJ 2004), o “Saldo Negativo de IRPJ” (ficha 12A) declarado pela Recorrente para o período de 1º.01. 2004 a 27.08.2004 foi de R$ 35.164.972,45 (doc.03). Fl. 1054DF CARF MF 4 Ou seja, não apenas havia saldo negativo de IRPJ a compensar, como ainda restou o saldo de R$ 6.288.269,11 ao final do mês de agosto de 2004. c) Ao final do anocalendário de 2004, exclusivamente no que tange ao período de 1º.09.2004 a 31.12.2004, a Recorrente também apurou saldo negativo de IRPJ, no valor de R$ 36.923.192,55. d) A Recorrente, porém, por equívoco no preenchimento da DIPJ do período de 1º.09.2004 a 31.12.2004 (DIPJ 2005), informou o valor de R$ 0,00 de “Saldo negativo de IRPJ” onde deveriam constar os R$ 36.923.192,55 (doc. 04). Assim, embora tal crédito não tenha relação com a DCOMP de 29.09.2004, eis que posterior, a Recorrente apresenta a anexa DIPJ retificadora (doc.05), em que se lançou o valor correto de R$ 36.923.192,55 a título de saldo negativo de IRPJ da DIPJ do período de 01.09.2004 a 31.12.2004 (DIPJ 2005). e) A partir do valor de R$ 36.923,192,55, somado ao saldo de R$ 6.288.269,11 remanescente ao final do mês de gosto de 2004, chegouse ao montante de R$ 43.211.461,66 a título de saldo negativo de IRPJ. f) A Recorrente não pretendeu compensar débitos utilizandose do mesmo crédito duas vezes, tendo apenas efetuado uma pequena incorreção no preenchimento da DCOMP de 29.09.2004 e da DIPJ de 1º.09.2004 a 31.12.2004 (DIPJ 2005). g) Se está diante de um erro material (erro de fato no preenchimento das declarações), o qual, em face do princípio da verdade material, não poderá prevalecer sobre a realidade dos fatos. Por fim, requer seja integralmente homologada a compensação efetuada por meio da DCOMP de 29.09.2004, cujo crédito adveio de saldo negativo de IRPF de R$ 35.164.972,45 do período de 1º.01.2004 a 27.08.2004, conforme corretamente informado na DIPJ Especial (DIPJ 2004). No Acórdão de Recurso Voluntário, o Colegiado, por unanimidade de votos, deu provimento ao recurso voluntário. Portanto, em sessão plenária de 14/05/2013, deuse provimento ao recurso, prolatandose o Acórdão nº 2101002.187, assim ementado: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE – IRRF Anocalendário: 2004 IRRF. DIREITO CREDITÓRIO. PER/DCOMP. SALDO NEGATIVO DE IRPJ. ERRO DE FATO NA DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. O imposto de renda retido na fonte que incidiu no pagamento dos juros sobre o capital próprio pode ser compensado com o Fl. 1055DF CARF MF Processo nº 16306.000024/200820 Acórdão n.º 9202005.356 CSRFT2 Fl. 4 5 saldo negativo de IRPJ. No caso houve erro material na identificação do direito creditório, devidamente corrigido. Recurso Voluntário Provido O processo foi encaminhado para ciência da Fazenda Nacional, em 14/10/2013, para cientificação em até 30 dias, nos termos da Portaria MF nº 527/2010. A Fazenda Nacional interpôs, tempestivamente, em 27/11/2013, o Recurso Especial. Em seu recurso visa a reforma da decisão e o retorno dos autos à origem para análise do suposto erro no preenchimento da DIPJ e o conjunto probatório a ele referente. Ao Recurso Especial foi dado seguimento, conforme o Despacho s/nº da 1ª Câmara, de 31/08/2015. · Em seu Recurso Especial, a Recorrente lembra que a decisão recorrida acatou a alegação de erro no preenchimento da DIPJ, passando a analisar o valor do crédito indicado na DCOMP, e que, ao aceitar a alegação de erro, os autos deveriam ser encaminhados à instância de origem para que seja analisado o mérito, sob pena de supressão de instância que, por seu turno, importa em inegável prejuízo ao direito a ampla defesa e ao contraditório da União (Fazenda Nacional). · Observa que, em casos análogos de erros no preenchimento de DCTF`s, o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais já tem se pronunciado inúmeras vezes no sentido de que deve se devolver os autos à DRF para que haja a apreciação da liquidez e certeza do crédito indicado no pedido de compensação. · Argumenta que a apreciação do mérito, pelo voto condutor do acórdão, resulta em contrariedade ao princípio do efeito devolutivo, visto que a matéria não foi objeto de apreciação pela DRF e DRJ e, logicamente, também não poderia ser apreciada pelo juízo ad quem, sob pena deste incorrer em supressão de instância. · Por fim, ressalta que é imprescindível o retorno dos autos à instância de origem para apreciação da certeza e liquidez do crédito, assim como a sua suficiência e legalidade da compensação pleiteada, não havendo qualquer razão para se dar tratamento diferenciado ao processo ora sob análise. Cientificado do Acórdão nº 2101002.187, do Recurso Especial da Fazenda Nacional e do Despacho de Admissibilidade admitindo o Resp da PGFN, em 02/10/2015, o contribuinte apresentou, tempestivamente, em 16/10/2015, suas contrarrazões, fls. 901, onde, preliminarmente, argumenta que o recurso da Fazenda Nacional não deve ser conhecido por ausência dos seus pressupostos de admissibilidade, conforme segue: · no acórdão trazido pela Recorrente como paradigma, em nenhum momento os julgadores entenderam que a remessa para a origem para apuração do crédito era fundamentada no princípio do efeito devolutivo, mas tão somente pela necessidade de diligências para Fl. 1056DF CARF MF 6 apuração dos valores; e por isso, esse acórdão não trataria de caso idêntico ao presente, já que aqui ficou confirmada a existência do crédito pela própria DRJ sem necessidade de novas diligências através do acórdão que julgou a Manifestação de Inconformidade (fls. 208/235). · em relação à discussão pendente em Recurso Voluntário sobre o aproveitamento em duplicidade do crédito utilizado, no próprio acórdão que julgou o recurso no CARF restou formalizado que os documentos apresentados confirmaram a utilização apenas no pedido de compensação ora apreciado. · Em relação ao mérito, o contribuinte ressalta que o pleito da Recorrente não prospera, já que, diferentemente do que alega em seu Especial, os questionamentos sobre a liquidez e certeza do crédito já haviam sido analisados pela DRJ; salienta que o acórdão do Recurso Voluntário teve o provimento reconhecido pela unanimidade dos julgadores, passando pela aprovação dos representantes do Fisco também a confirmação do mero erro formal do preenchimento da declaração. · Argumenta que a Primeira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais já se pronunciou em caso idêntico quando negou provimento ao Recurso Especial do contribuinte justamente pela desnecessidade de análise dos documentos na origem quando já apreciados no julgamento do Recurso Voluntário; que, alinhados à orientação da CSRF, existem inúmeros precedentes das Seções do CARF que acolheram o direito dos contribuintes pelo reconhecimento do princípio da verdade material através dos documentos apresentados sem a realização de novas diligências ou julgamentos na origem. · Diz que a própria DRJ confirmou as parcelas na origem, tendo esse exame sido reafirmado pelo CARF, inexistindo, portanto, dúvidas sobre o crédito e tampouco violação à jurisdição da instância de origem como quer fazer crer a Recorrente; que, se a tese da Recorrente for admitida, a conseqüência será a inviabilização, em desfavor também da própria Recorrente, da própria instância administrativa, que passará a ser morosa e ineficaz, bem como a própria competência do CARF, que ficaria limitada pela impossibilidade de entrar no mérito de compensações em sede de Recurso Voluntário, violando seu regimento. · Acrescenta, ainda, que o acolhimento do recurso da União para que se decida sobre o que já foi decidido, implicaria em violação à garantia fundamental constante do art. 5º, LXXVIII, da CF/88, cuja redação é a seguinte: “Art. 5º, LXXVIII. A todos, no âmbito judicial e administrativo, são assegurados a razoável duração do processo e os meios que garantam a celeridade de sua tramitação”. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004). É o relatório. Fl. 1057DF CARF MF Processo nº 16306.000024/200820 Acórdão n.º 9202005.356 CSRFT2 Fl. 5 7 Voto Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora Recurso Especial da Fazenda Nacional Pressupostos de Admissibilidade O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e inicialmente, atende aos demais pressupostos de admissibilidade, conforme despacho de Admissibilidade, fls. 888/890. Contudo, tendo sido suscitado o não conhecimento em contrarrazões, passamos a apreciar a questão. Do conhecimento No que diz respeito ao conhecimento, indica o recorrente trataremse de situações fáticas distintas, razão pela qual não restariam cumpridos os requisitos previsto no RICARF, conforme descrito abaixo: Em que pese as colocações do sujeito passivo, entendo que razão não lhe assiste. Vejamos os limites do recurso da Fazenda Nacional: A Fazenda Nacional afirma que o acórdão recorrido homologou as declarações de compensação, sob o entendimento de que teria sido comprovado o erro no preenchimento da DIPJ, sem que a DRF de origem, órgão competente para aferir a certeza e liquidez do crédito, houvesse se pronunciado sobre o erro alegado somente após o despacho decisório, em sede de recurso voluntário. Ou seja, o alvo do Recurso é atribuir relevância a manifestação da autoridade competente para pronunciarse acerca do direito a compensação. Notese, que não buscou a Fazenda Nacional, discutir, nesse momento, o direito creditório. O colegiado da 1ª turma ordinária da 1ª Câmara da Segunda Seção de Julgamento deu provimento ao recurso do contribuinte reconhecendo a ocorrência de erro material na identificação do Fl. 1058DF CARF MF 8 direito creditório conforme a decisão cuja ementa se transcreve a seguir: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Ano calendário: 2004 IRRF. DIREITO CREDITÓRIO. PER/DCOMP. SALDO NEGATIVO DE IRPJ. ERRO DE FATO NA DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. O imposto de renda retido na fonte que incidiu no pagamento dos juros sobre o capital próprio pode ser compensado com o saldo negativo de IRPJ. No caso houve erro material na identificação do direito creditório, devidamente corrigido. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso.” O r. acórdão, consoante será comprovado a seguir, merece pronta reforma. II DA DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL O v. acórdão ora recorrido homologou as declarações de compensação, sob o entendimento de que teria sido comprovado o erro no preenchimento da DIPJ, sem que a DRF de origem, órgão competente para aferir a certeza e liquidez do crédito, houvesse se pronunciado sobre o erro alegado somente após o despacho decisório, em sede de recurso voluntário. DIVERSAMENTE, a Colenda 2ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da 1ª Seção do CARF proferiu acórdão, sob o entendimento de que, diante da alegação de erro no preenchimento da DIPJ, devese determinar a remessa dos autos para a DRF a fim de se pronunciar acerca da liquidez e certeza dos créditos apresentados pelo contribuinte. Eis a ementa do julgado em sua integralidade: Conforme podemos observar da leitura dos textos transcritos, argumenta a Fazenda Nacional que, diversamente, o paradigma entendeu que diante da alegação de erro no preenchimento da DIPJ devese determinar a remessa dos autos para a DRF a fim de se pronunciar acerca da liquidez e certeza dos créditos apresentados pelo contribuinte. Eis a ementa do Acórdão n.º 110200.750: COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO DE IRPJ. ERRO DE INFORMAÇÃO EM DIPJ. Não é legítimo afastar definitivamente o direito do contribuinte à recuperação de créditos apenas pelo fato de este ter preenchido a DIPJ respectiva de forma incorreta. Por conseguinte, devem Fl. 1059DF CARF MF Processo nº 16306.000024/200820 Acórdão n.º 9202005.356 CSRFT2 Fl. 6 9 ser conhecidos e apreciados pela Autoridade Administrativa todos os argumentos aduzidos pelo contribuinte em manifestação de inconformidade sobre erros no preenchimento de DIPJ, os quais, se comprovados, conduzirão ao reconhecimento da existência do direito creditório e o conseqüente acolhimento do pedido de compensação. ERRO MATERIAL. Ocorre erro material suscetível de retificação quando há divergência facilmente perceptível entre o que foi escrito e aquilo que se queria ter escrito, normalmente revelada no próprio contexto da declaração ou através das circunstâncias em que a declaração é feita. COMPENSAÇÃO. PEDIDO DE RETIFICAÇÃO FORMULADO POSTERIORMENTE À DECISÃO DENEGATÓRIA DO PEDIDO PELA ADMINISTRAÇÃO. Não se admite a retificação de pedido de compensação formulado pelo contribuinte quando a pretensão respectiva já tenha sido negada pela Administração, mormente quando tal retificação significa, em verdade, apresentação de novo pleito. Recurso voluntário a que se dá parcial provimento para que seja determinado à Delegacia de Origem seja procedido o exame da procedência do direito creditório do Contribuinte informado na PER/DComp originária. Da mesma forma, não acato o argumento de que no paradigma não se fundamenta o efeito devolutivo, mas tão somente pela necessidade de diligências para apuração de valores. No meu entender, o retorno à autoridade responsável, de processo para apreciação de argumentos não apreciados anteriormente ou de documentos novos acostados para demonstração do direito creditório, fundamentamse na mesma premissa. Ou seja, no paradigma, entendeu o colegiado que o direito creditório do contribuinte dependeria de manifestação do órgão competente, vejamos o seguinte trecho do paradigma: Por conseguinte, entendo que devem ser conhecidos e apreciados pela Autoridade Administrativa todos os argumentos aduzidos pelo contribuinte em manifestação de inconformidade sobre erros no preenchimento de DIPJ, os quais, se comprovados, conduzirão ao reconhecimento da existência do direito creditório e o conseqüente acolhimento do pedido de compensação. Por tais fundamentos, oriento meu voto no sentido de conhecer do recurso voluntário da Contribuinte para, no mérito, darlhe parcial provimento para que seja determinado à Delegacia de Origem seja procedido o exame da procedência do direito creditório do Contribuinte informado na PER/DComp originária. Fl. 1060DF CARF MF 10 Notese que a manifestação trazida no paradigma é divergente da identificada no recorrido, onde consta que: "não tem sentido confirmar a decisão do despacho decisório eletrônico com base em supostas dúvidas acerca do direito creditório, uma vez que a única motivação do indeferimento foi a suposta dualiadade". Senão vejamos a transcrição do trecho do recorrido que traduz a questão:: Importa esclarecer que o crédito pleiteado, de início, teve como Tipo “IRRF Juros sobre o Capital Próprio”. Posteriormente, conforme demonstrado nos autos, tratavase, em verdade, de “Saldo Negativo de IRPJ”, saldo esse relativo ao período de 01.09.2004 a 31.12.1004, cuja DIPJ retificadora fora apresentada pela recorrente. Se é defensável sob o ponto de vista da Administração Tributária o método sumário e eletrônico de reconhecimento do direito creditório constante do PER/DCOMP com base tão somente das inconsistências apresentadas nas declarações entregues pelo sujeito passivo, tal limitação não pode e não deve ser observada na análise manual que deve ser realizada sempre que houver a existência de erro de fato como é o caso aqui apreciado. Destarte, não tem sentido confirmar a decisão do despacho decisório eletrônico com base em supostas dúvidas acerca do direito creditório uma vez que a única motivação do indeferimento foi a suposta dualidade de uso do imposto de renda retido de juros sobre o capital próprio, situação sanada com a apresentação da DIPJ retificadora (fls. 553 a 600) que, por sua vez, confirma a origem do crédito pleiteado e a efetiva utilização apenas uma vez. Enquanto no paradigma, o colegiado entendeu necessária o retorno para manifestação da unidade competente acerca do direito creditório para não ferir o direito do sujeito passivo de ter seus argumentos apreciados, o recorrido entendeu despiciendo o retorno, já que o contribuinte teria promovido a retificação da declaração. No meu entender, encontra se demonstrada a divergência entre os julgados. Dessa forma, CONHEÇO do Recurso da Fazenda Nacional. Do mérito Ao contrário do argumento trazido pelo acórdão recorrido, de que sendo a única motivação do indeferimento do direito a compensação "a suposta dualidade de uso do imposto de renda retido de juros sobre o capital próprio", devese acatar o pedido de compensação, uma vez que sanada a situação com a apresentação da DIPJ retificadora (fls. 553 a 600) confirmando a origem do crédito pleiteado, entendo de forma diversa. Assim, fundamentou o relator do acórdão recorrido: Com efeito, conforme se verifica do acórdão recorrido, o motivo e fundamento para não reconhecimento do direito creditório e não homologação da compensação foi que a recorrente teria pretendido utilizar crédito de IR/Fonte incidente sobre juros sobre o capital próprio com antecipação do IR devido ao final do período de apuração, e, ao mesmo tempo, para compensar Fl. 1061DF CARF MF Processo nº 16306.000024/200820 Acórdão n.º 9202005.356 CSRFT2 Fl. 7 11 com o IR que a empresa tem que reter e recolher, no caso de pagamento de rendimentos de juros sobre o capital próprio. Importa esclarecer que o crédito pleiteado, de início, teve como Tipo “IRRF Juros sobre o Capital Próprio”. Posteriormente, conforme demonstrado nos autos, tratavase, em verdade, de “Saldo Negativo de IRPJ”, saldo esse relativo ao período de 01.09.2004 a 31.12.1004, cuja DIPJ retificadora fora apresentada pela recorrente. Se é defensável sob o ponto de vista da Administração Tributária o método sumário e eletrônico de reconhecimento do direito creditório constante do PER/DCOMP com base tão somente das inconsistências apresentadas nas declarações entregues pelo sujeito passivo, tal limitação não pode e não deve ser observada na análise manual que deve ser realizada sempre que houver a existência de erro de fato como é o caso aqui apreciado. Destarte, não tem sentido confirmar a decisão do despacho decisório eletrônico com base em supostas dúvidas acerca do direito creditório uma vez que a única motivação do indeferimento foi a suposta dualidade de uso do imposto de renda retido de juros sobre o capital próprio, situação sanada com a apresentação da DIPJ retificadora (fls. 553 a 600) que, por sua vez, confirma a origem do crédito pleiteado e a efetiva utilização apenas uma vez. [...] Destaquese também que o Superior Tribunal de Justiça vem, a longa data, admitindo a possibilidade de se alegar a existência de erro material em qualquer fase do processo, mesmo após o trânsito em julgado da decisão, conforme se observa da ementa do RSTJ 34/378, dispondo que “o erro material é corrigível a qualquer tempo, de oficio ou a requerimento da parte, sem que dai resulte ofensa à coisa julgada" (RSTJ 34/378)" Dessa forma, deve prevalecer o princípio da verdade material e, por essa razão, dou provimento ao recurso. Ao contrário do entendimento a que chegou o colegiado a quo, entendo não ser essa a decisão mais acertada ao caso concreto. Sem adentrar ao mérito da argumentação do princípio da verdade material, ou mesmo da procedência ou não da compensação ora sob análise, fato é, que ocorreu verdadeira supressão de instância, na medida que produziu o recorrente, posteriormente a decisão da DRJ, fato novo, qual seja a retificação da DIPJ, sem que esse fato fosse levado ao conhecimento da autoridade responsável pela homologação do crédito. Tratase aqui, de cerceamento do direito de defesa, já que ao interpretar o relator do acórdão recorrido, restarem cumpridos os requisitos para homologação do crédito alegado, deveria baixar o processo em diligência, dando conhecimento a Delegacia da Receita Federal, para que a mesma como autoridade responsável, identificasse estarem afastados todos os fundamentos do indeferimento. Fl. 1062DF CARF MF 12 Isto, posto, entendo correta a decisão tomada no acórdão paradigma, que condiciona a apreciação do direito a compensação à manifestação da unidade da DRF responsável pela análise do crédito. Não se trata de mera formalidade, mas obediência as princípios da ampla defesa e do contraditório. Agindo dessa forma, não estou afastandome da jurisprudência citada no acórdão recorrido, qual seja: de que "comprovado o erro cometido no preenchimento da declaração, no tocante ao saldo da conta de correção monetária complementar de credor para devedor, esta pode ser retificada através iniciativa do próprio contribuinte antes de notificado do lançamento, mediante impugnação apresentada ou revisão de oficio pela administração tributária." (Acórdão n°10321.308, DOU 01.9.2003)". No caso concreto, não se está discutindo em que momento pode o contribuinte promover a retificação dos dados, mas tão somente que em sendo essa retificação posterior a decisão que indeferiu o direito, deve ter o Receita a oportunidade de apreciar as novas provas, mesmo que para ratificálas antes de promovida a decisão final sobre o direito creditório. O aspecto temporal presente no caso ora em análise, apenas confirma a necessidade de que as partes devem ter a oportunidade de ter acesso as documentos colacionados pela outra parte, para em desejando manifestarse. A DRJ manteve o despacho decisório quanto ao IRRF em decisão assim ementada (desta decisão o contribuinte teve ciência em 27/08/08): “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Ano calendário: 2004 IRRF. DIREITO CREDITÓRIO. COMPENSAÇÃO. No caso de beneficiária pessoa jurídica tributada com base no lucro real, o imposto de renda retido na fonte referente aos juros sobre o capital próprio poderá ser: (i) compensado com o retido por ocasião do pagamento ou crédito de juros, a titulo de remuneração de capital próprio, ou (ii) ser considerado como antecipação do IR devido na declaração de rendimentos, não sendo possível sua utilização em ambas as hipóteses.“ Em sede de recurso voluntário o contribuinte alegou equívoco no preenchimento da DCOMP de 29/09/2004 informando que no campo “tipo de crédito” onde se indicou “IRRF Juros sobre Capital Próprio” deveria terse informado “Saldo Negativo de IRPJ”. Por outro lado, o recuso voluntário foi instruído com declaração retificadora transmitida em 22/9/2008. Ou seja, de pronto, é possível verificar que somente após a decisão da DRJ, promoveu o recorrente a transmissão da declaração retificadora, acatada pelo acórdão recorrido, sem ao menos ter a unidade da Receita Federal tido a oportunidade de qualquer indagação a respeito. Da Competência quanto a matéria Por fim, esclareço, que embora não tenha havido questionamento acerca da competência regimental para apreciação da matéria, fazse fundamental esclarecer que a competência para manifestarse acerca do processo em questão é da 1ª Seção de Julgamento do Fl. 1063DF CARF MF Processo nº 16306.000024/200820 Acórdão n.º 9202005.356 CSRFT2 Fl. 8 13 CARF, razão pela qual, após a reapreciação pela unidade de origem, em existindo recurso a ser apreciado por este Conselho deverá o processo ser encaminhado à 1ª Seção de Julgamento, a qual possui competência para julgar a lide. Conclusão Face o exposto, considerando ter o acórdão recorrido incorrido em cerceamento do direito de defesa, voto por CONHECER do Recurso Especial da Fazenda Nacional, para no mérito DARLHE PROVIMENTO para anular a decisão proferida no acórdão 2101002.187, com retorno dos autos à Unidade de Origem para análise do direito creditório, com ciência do sujeito passivo e posterior encaminhamento para análise no âmbito da 1ª Seção de Julgamento, considerando a competência Regimental. É como voto. (assinado digitalmente) Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Fl. 1064DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13502.900520/2011-76
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri May 19 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 1401-000.440
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da relatora
Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin - Relatora
(assinado digitalmente).
Antonio Bezerra Neto - Presidente.
(assinado digitalmente).
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Antonio Bezerra Neto (Presidente), Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Jose Roberto Adelino da Silva, Livia De Carli Germano, Abel Nunes de Oliveira Neto, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa.
Nome do relator: LUCIANA YOSHIHARA ARCANGELO ZANIN
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da relatora Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin - Relatora (assinado digitalmente). Antonio Bezerra Neto - Presidente. (assinado digitalmente). Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Antonio Bezerra Neto (Presidente), Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Jose Roberto Adelino da Silva, Livia De Carli Germano, Abel Nunes de Oliveira Neto, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa.
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da relatora Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin Relatora (assinado digitalmente). Antonio Bezerra Neto Presidente. (assinado digitalmente). Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Antonio Bezerra Neto (Presidente), Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Jose Roberto Adelino da Silva, Livia De Carli Germano, Abel Nunes de Oliveira Neto, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 35 02 .9 00 52 0/ 20 11 -7 6 Fl. 241DF CARF MF Processo nº 13502.900520/201176 Resolução nº 1401000.440 S1C4T1 Fl. 242 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra o Acórdão 0644.243 da 2 ª Turma da DRJ Curitiba, que por unanimidade de votos, não acatar a preliminar de nulidade do despacho decisório e julgar procedente em parte a manifestação de inconformidade, reduzindo o valor a ser exigido para R$369.974,92. O relatório do acórdão da DRJ bem descreve todo o ocorrido até aquele momento: Trata o processo das Declarações de CompensaçãoPer/ Dcomp do quadro constante do voto, relativas à compensação de débitos com Crédito Saldo Negativo (SN) de IRPJ apurado em 31/12/2003, requerendo o crédito no valor original total de R$792.344,85. 2. A DRF em Camaçari/BA, emitiu o Despacho Decisório, págs. 2, 35/37, comunicando que não homologou as compensações declaradas porque o crédito de SN IRPJ requerido não foi confirmado, pois não se confirmaram as estimativas no total de R$792.344,79 informadas como recolhidas; apurou o saldo devedor consolidado correspondente aos débitos indevidamente compensados, para pagamento até 31/05/2011, no valor do principal de R$817.433,33, acrescido de multa e juros de mora. 3. Regularmente cientificada desse Despacho Decisório por via postal (AR recebido em 25/05/2011, pág. 3), o contribuinte apresentou, tempestivamente, a manifestação de inconformidade de págs. 38/46, por meio de seus representantes legais de págs. 55/57. 4. Primeiramente, requer a suspensão da exigibilidade do crédito, art. 151, III, do Código Tributário Nacional CTN, Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966. 5. Requer a nulidade do Despacho Decisório, porque está viciada, por não conter os motivos de fato e de direito que levaram à não homologação, motivação, com indicação dos fatos e fundamentos jurídicos, apenas descrição dos fatos genérica e deficiente, não ter havido intimação da Impugnante para eventual retificação do PER/DCOMP, o que atenderia os princípios da Eficiência e da Razoabilidade. 6. Afirma que o SN IRPJ 31/12/2003 requerido é resultante de retenções sofridas no valor de R$155.755,00 e de estimativas recolhidas no total de R$636.569,79. 7. Que o IRRF corresponde aos valores a seguir, cujos comprovantes assevera que juntará posteriormente: 8. Quanto às estimativas mensais, foram efetuados recolhimentos de R$102.407,56, R$463.043,76 e R$71.118,87, conforme comprovantes que anexa. Fl. 242DF CARF MF Processo nº 13502.900520/201176 Resolução nº 1401000.440 S1C4T1 Fl. 243 3 9. Discorre sobre o direito à compensação, do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, art. 2º da IN SRF nº 900, de 2008, e invoca os princípios da finalidade, adequação e simplicidade da Administração Pública. Após análise da Manifestação de Inconformidade, afastada a preliminar de nulidade de cerceamento de defesa pela presença dos requisitos legais no Despacho Decisório, foram entendidos como não compensados os créditos objetos dos seguintes Decomps: Nas razões de Recurso Voluntário, a recorrente requer o reconhecimento da homologação tácita ou subsidiariamente o reconhecimento da existência do crédito em valor suficiente para quitar os débitos objeto de compensação. VOTO Compulsando os autos, obervo que a DRJ consignou que: 16. Neste processo, as 5(cinco) Dcomp totalizam o crédito requerido de R$792.344,85. 17. Porém, conforme págs. 83/87, o contribuinte protocolizou mais outras Dcomp, objetos de outros processos, requerendo o mesmo crédito de SN IRPJ 31/12/2003; dessas, as seguintes Dcomp foram homologadas, com os seguintes valores do crédito tendo sido consumidos: 17.1 14842.46228.110407.1.7.021835 – R$89,075,96; 17.2 39885.37590.201207.1.7.024089 – R$214.591,30. 18. Dessa forma, tendo sido reconhecido o SN IRPJ 31/12/2003 de R$735.935,23, já foram consumidos R$303.667,26, resta o saldo de crédito R$() 432.267,97. 19. Os cálculos de págs. 88/90, evidenciam que o crédito foi insuficiente para quitar todos os débitos, restando R$85.984,28 a serem exigidos com multa e juros de mora. 20. Esses débitos não compensados são: Fl. 243DF CARF MF Processo nº 13502.900520/201176 Resolução nº 1401000.440 S1C4T1 Fl. 244 4 O descritivo trazido pela Recorrente, aponta para a origem da composição desses valores: Com relação à glosa parcial das retenções, a Recorrente colacionou aos autos cópias dos informes de rendimentos das fontes pagadoras para comprovação do valor creditório de R$ 56.408,56 e requer que tal valor seja homologado através deste acórdão para que o valor informado na DIPJ/2004 seja acrescido na importância aceita pela DRJ, referente ao saldo negativo que passaria de R$ 735.935,23 para R$ 792.344,79. Fl. 244DF CARF MF Processo nº 13502.900520/201176 Resolução nº 1401000.440 S1C4T1 Fl. 245 5 Esclarece que inexiste duplicidade de utilização de Perd/Decomp com o mesmo SN para abatimento de débitos diversos, uns do CNPJ 05.282.535/000116 e outros débitos vinculados com o CNPJ da Recorrente (27.515.154/000144), pois em meados de 2007, a ora Recorrente (antiga denominação social POLICARBONATOS DO BRASIL SA) INCORPOROU a PROQUIGEL QUIMICA SA e, posteriormente a incorporadora alterou sua denominação social para PROQUIGEL QUIMICA SA e também deliberou a transformação do estabelecimento matriz em filial. Nesse contexto, é possível verificar que na época das transmissões dos PER/DECOMPs haviam dois SN do ano calendário 2003 em dois CNPJs diversos: PROQUIGEL QUIMICA SA/CNPJ 05.282.535/000116 = R$ 859.474,08 POLICARBONATOS DO BRASIL SA/CNPJ 27.515.154/000144 =R$792.344,79 Conforme descrito e demonstrado pela Recorrente: A Recorrente demonstra ainda que as Dcomps citadas na Decisão da DRJ (n.s. 14842.46228.110407.1.021835 e 39885.37590.201207.1.7.024089) não foram quitadas por meio do SN da Recorrente, mas sim pelo valor oriundo de SN apurado pela Proquigel CNPJ 05.282.535/000116. Essas duas Dcomps foram quitadas por meio de SN da incorporadora referente ao mês de 12/2003, tendo sido informado na DIPJ 2004, o montante negativo de R$ 304.468,78, tanto que os dois Dcomps foram homologados pela fiscalização. Da referida incorporação remanesce uma soma de SN no importe de R$ 1.651.818,87, o que mostra que o valor de R$ 792.324,79 não foi utilizado em nenhuma outra oportunidade, cabendo a reforma da decisão recorrida para que este SN da Recorrente possa ser integralmente utilizado para quitação dos débitos aqui discutidos. Fl. 245DF CARF MF Processo nº 13502.900520/201176 Resolução nº 1401000.440 S1C4T1 Fl. 246 6 Por se tratar de questão indispensável para o bom deslinde da causa, conforme art. 29 do Decreto 70.235/72 voto pela conversão do processo em Diligência, para que autoridade fiscal verifique nos alegados créditos do IRRF o CNPJ apontado para o ano de 2003 relacionandoo ao CNPJ de origem em relação à fonte pagadora, bem como faça a aferição do montante do saldo negativo em cada um dos CNPJs para o ano de 2003 e se os respectivos saldos eram suficientes para homologar o crédito em questão, considerando o conteúdo da Súm. CARF 80, segundo qual: "Na apuração do IRPJ, a pessoa jurídica poderá deduzir do imposto devido o valor do imposto de renda retido na fonte, desde que comprovada a retenção e o cômputo das receitas correspondentes na base de cálculo do imposto". Promova também a verificação se realmente a DRJ fez confusão entre os CNPJs para verificar exclusivamente a existência de erro material. Ao final, a autoridade fiscal deverá elaborar relatório conclusivo das verificações, ressalvado o fornecimento de informações adicionais e a juntada de outros documentos que entender necessários, entregar cópia do relatório à interessada e conceder prazo de 30 (trinta) dias para que ela se pronuncie sobre as suas conclusões, após o que, o processo deverá retornar a este CARF para prosseguimento do julgamento. Ante o exposto, oriento meu voto no sentido de converter o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin Fl. 246DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11128.006391/2004-98
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 28 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Jun 01 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Classificação de Mercadorias
Data do fato gerador: 25/07/2001
Ementa:
CLASSIFICAÇÃO FISCAL
Produto denominado FLOODWAX CONCENTRADO AP2240, CERA DE PETRÓLEO MICROCRISTALINA, classificado na NCM 2712.90.00.
A produção de Laudo Técnico com atribuição de nova classificação fiscal, sem a participação do Sujeito Passivo, compromete o lançamento por desrespeito ao principio constitucional do contraditório e da ampla defesa.
Numero da decisão: 3201-002.621
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário.
WINDERLEY MORAIS PEREIRA - Presidente.
CÁSSIO SCHAPPO - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Cássio Schappo (Relator), Mércia Helena Trajano D'Amorim, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Tatiana Josefovicz Belisario, José Luiz Feistauer de Oliveira e Paulo Roberto Duarte Moreira.
Nome do relator: CASSIO SCHAPPO
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ementa_s : Assunto: Classificação de Mercadorias Data do fato gerador: 25/07/2001 Ementa: CLASSIFICAÇÃO FISCAL Produto denominado FLOODWAX CONCENTRADO AP2240, CERA DE PETRÓLEO MICROCRISTALINA, classificado na NCM 2712.90.00. A produção de Laudo Técnico com atribuição de nova classificação fiscal, sem a participação do Sujeito Passivo, compromete o lançamento por desrespeito ao principio constitucional do contraditório e da ampla defesa.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário. WINDERLEY MORAIS PEREIRA - Presidente. CÁSSIO SCHAPPO - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Cássio Schappo (Relator), Mércia Helena Trajano D'Amorim, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Tatiana Josefovicz Belisario, José Luiz Feistauer de Oliveira e Paulo Roberto Duarte Moreira.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1606; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C2T1 Fl. 452 1 451 S3C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11128.006391/200498 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3201002.621 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 28 de março de 2017 Matéria CLASSIFICAÇÃO FISCAL Recorrente HENKEL SURFACE TECHNOLOGIES BRASIL LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Data do fato gerador: 25/07/2001 Ementa: CLASSIFICAÇÃO FISCAL Produto denominado FLOODWAX CONCENTRADO AP2240, CERA DE PETRÓLEO MICROCRISTALINA, classificado na NCM 2712.90.00. A produção de Laudo Técnico com atribuição de nova classificação fiscal, sem a participação do Sujeito Passivo, compromete o lançamento por desrespeito ao principio constitucional do contraditório e da ampla defesa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário. WINDERLEY MORAIS PEREIRA Presidente. CÁSSIO SCHAPPO Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Cássio Schappo (Relator), Mércia Helena Trajano D'Amorim, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Tatiana Josefovicz Belisario, José Luiz Feistauer de Oliveira e Paulo Roberto Duarte Moreira. Relatório O presente processo reúne um histórico de fatos que partem da impugnação apresentada contra Auto de Infração, lavrado em face de haver entendimento do fisco contrário AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 12 8. 00 63 91 /2 00 4- 98 Fl. 471DF CARF MF Processo nº 11128.006391/200498 Acórdão n.º 3201002.621 S3C2T1 Fl. 453 2 ao do contribuinte, quanto a correta classificação fiscal de produto importado, incluindo duas Resoluções baixadas pelo CARF de conversão do julgamento em diligência. Nessa oportunidade dáse seguimento ao julgamento nos termos dos despachos de fls. 468 a 470, repisando o relatório e voto apresentado às fls. 284 a 286 Pelo Conselheiro Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto: Por bem descrever a matéria de que trata este processo, adoto e transcrevo abaixo o relatório que compõe a Decisão Recorrida. O importador, por meio da declaração de importação DI n° 01/07395295, de 25/07/2001, importou a mercadoria descrita como "FLOODWAX CONCENTRADO AP2240 CERA DE PETRÓLEO MICROCRISTALINA", classificando na NCM 2712.90.00, com alíquotas de 6,5 % de imposto de importação e 0,0 % do imposto sobre produtos industrializados. Segundo a fiscalização, a classificação fiscal correta para o produto é a NCM 3404.90.29, com alíquota do imposto de importação de 16,5% Baseouse a autuação no Laudo Labana n° 2875.01 de 16/11/2001, fls. 20 e seguintes. Através do Auto de Infração de fls. 01 a 27, cobraramse as diferenças de imposto de importação, imposto sobre produtos industrializados, juros, multa de ofício e multa pela falta de guia de importação. Intimada do Auto de Infração em 08/12/2004 (fl. 27), a interessada apresentou impugnação e documentos em 06/01/2005, juntados às folhas 30 e seguintes, alegando em síntese: 1. Preliminarmente, alega a nulidade do laudo realizado pois apenas os agentes do fisco puderam formular quesitos. Cita como fundamento o art. 18 do PAF (Decreto n° 70.235/72). Alega que a mercadoria está sobre procedimento fiscal desde o registro da declaração de importação, nos termos do art. 7 do mesmo PAF e art. 73, I e 485 do Regulamento Aduaneiro (Decreto n° 4.543/02). Cita jurisprudência administrativa e judicial sobre o tema. 2. Alega que o produto encontrasse corretamente enquadrado. Cita as NESH do capítulo 27, 34 e da subposição 3404.90. Cita as regras de classificação do Sistema Harmonizado 2 "b", 3 "a" e 6. 3. Alega que, na hipótese de não ver reconhecida sua classificação, também não estaria correta a adotada pela fiscalização. Alega que o produto importado não é uma cera preparada. Cita o art. 112 do CTN. Cita jurisprudência administrativa e judicial sobre o tema. Fl. 472DF CARF MF Processo nº 11128.006391/200498 Acórdão n.º 3201002.621 S3C2T1 Fl. 454 3 4. Alega ser incabível a multa do art. 44,1 da Lei n° 9.430/96, por aplicação do Parecer C.S.T. n° 477/88 e do ADI SRF n° 13/2002. Cita jurisprudência administrativa sobre o tema. 5. Alega ser incabível a multa por falta de guia de importação, tendo em vista que para ambas as classificações o licenciamento se processa de forma automática. Cita jurisprudência administrativa sobre o tema. 6. Alega a ilegalidade /inconstitucionalidade da taxa SELIC. 7. Solicita a produção de provas complementares, apresenta quesitos e indica assistente técnico. 8. Solicita, por fim, que seja considerada improcedente a presente autuação. Sobreveio decisão da 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo II/SP, que julgou, por unanimidade de votos, improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário exigido. Os fundamentos do voto condutor do acórdão recorrido encontramse consubstanciados na ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Data do fato gerador: 25/07/2001 Ementa: CLASSIFICAÇÃO FISCAL. O produto de denominação comercial FLOODWAX CONCENTRADO AP2240, presente neste auto de infração, encontra correta classificação tarifária na NCM 3404.90.29. Inconformada com a decisão apresentou a recorrente, tempestivamente, o presente recurso voluntário. Na oportunidade, reiterou os argumentos colacionados em sua defesa inaugural. A 1ª Turma da 2ª Câmara da 3ª Seção do CARF, em sessão de 30/06/2010, decidiu pela conversão do julgamento em diligência, para que fosse produzido novo laudo técnico, feito pelo Instituto Nacional de Tecnologia INT, no qual se responda os quesitos formulados pelo contribuinte no item 7.3 de sua impugnação (fls. 59 a 60), acrescidos dos quesitos formulados pela fiscalização (fls. 19). A recorrente foi intimada a apresentar os quesitos a serem respondidos pelo INT, bem como a fornecer o produto a ser periciado. Em resposta, reafirmou os quesitos já apresentados na impugnação, bem como informou que não dispõe mais de amostras dos produtos que ensejaram na autuação fiscal, requerendo que a perícia seja então realizada com a apresentação da amostra em poder do LABANA/8ª R.F.FALCÃO BAUER, à época da emissão do Laudo Técnico n° 2.875.1/2.001. O citado LABANA, intimado a se pronunciar acerca da amostra em seu poder, afirmou que o mesmo se encontra com a data de validade vencida. Fl. 473DF CARF MF Processo nº 11128.006391/200498 Acórdão n.º 3201002.621 S3C2T1 Fl. 455 4 A unidade de origem, com base nestes fatos, apresentou relatório de instrução, no qual considerou prejudicada a diligência, encaminhando o processo novamente a este Conselho. VOTO A informação fiscal de fls. 244/245 não foi cientificada as partes, não lhes sendo concedido prazo para manifestação. Desta forma, como o objetivo de sanar as falhas processuais, mostrasse necessário que as partes sejam cientificadas dos documentos anexados aos autos em sede de diligência fiscal, sendo lhes concedida a oportunidade de manifestarse acerca destes novos elementos trazidos aos autos. Diante do exposto, voto por que se CONVERTA O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA para que seja dada ciência à recorrente dos novos elementos trazidos aos autos em decorrência da diligência demandada, em respeito ao princípio do contraditório, bem como seja concedido prazo de 30 dias para manifestação. Por fim, devem os autos retornar a este conselheiro para prosseguimento no julgamento. Pela Intimação/GCOT 145/2016 (fls.308), foi dada ciência a Contribuinte dos termos da diligência realizada, conforme determinado pela Resolução nº 3201000.674 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, assegurandolhe o direito de se manifestar no prazo estabelecido. A Recorrente no uso de seu direito trouxe aos autos a manifestação de fls. 441 a 451, ratificando as razões do Recurso Voluntário e reforça questões, que no seu entender, são importantes para o deslinde da questão. Retornando aos autos ao CARF, este foi redistribuído a esse Conselheiro por meio de sorteio nos termos previstos no RICARF. É o relatório. Voto Conselheiro Cássio Schappo Apesar de questões preliminares levantadas pela Recorrente, entendo que as mesmas conduzem a uma análise prévia dos fatos e formas adotadas para declarar a inexatidão de declaração de mercadoria objeto de Importação. O Auto de Infração dá como fator determinante para justificar a acusação, de haver declaração inexata de mercadoria importada através da DI nº 01/07395295, registrada em 25/07/2001, do produto FLOODWAX CONCENTRADO AP 2240 – Cera de Petróleo Microcristalina, classificada no código NCM 2712.90.00. O fisco se valeu do Laudo nº 2875.01 de 16/11/2001, expedido pelo Laboratório Nacional de Análises Luiz Angerami (LABANA), onde ficou atestado que se tratava do produto CERA PREPARADA à base de Fl. 474DF CARF MF Processo nº 11128.006391/200498 Acórdão n.º 3201002.621 S3C2T1 Fl. 456 5 Parafina e Copolímero de Etileno e Acetato de Vinilla, na forma de pasta, enquadrandose no código tarifário NCM 3404.90.29: 3404 Ceras Artificiais e Ceras Preparadas 3404.10 De Linhita modificada 3404.20 De Poli(Oxietileno) 3404.90 Outras 3404.90.1 Ceras Artificiais 3404.90.2 Ceras Preparadas 3404.90.21 À base de vaselina e álcoois de lanilina 3404.90.29 Outras Essa mudança de enquadramento de código tarifário causou uma majoração de alíquotas do II de 6,5% para 16,5% e do IPI de 0% para 15%, sendo essas diferenças objeto do lançamento fiscal, acrescidos de multa de ofício e juros moratórios, além de atribuição de multa do controle administrativo. É inegável que atribuir ou enquadrar determinado produto em determinado código tarifário do Sistema Harmonizado – SH da Nomenclatura Comum do Mercosul – NCM, é de complexa atividade. Além do domínio da sistemática de estruturação da modulação de códigos, deverá estar presente a correta especificação técnica do produto. A contribuinte importadora, mediante informações técnicas e nomenclatura passadas pela frabricante exportadora, enquadrou e informou o código correspondente ao identificado no SH/NCM 2712.90.00 – Cera de Petróleo Microcristalina. O Serviço de Fiscalização Aduaneira do Porto de Santos resolveu então, encaminhar amostra do produto que havia sido retida quando do desembaraço aduaneiro para análise técnica junto ao LABANA. Esse laboratório concluiu dizendo que “Tratase de Cera Preparada à base de Parafina e Copolímero de Etileno e Acetato de Vinila, forma de pasta”. Com base no Laudo proferido pelo LABANA, os auditores fiscais emitiram o Demonstrativo de Cálculo de Lançamento Complementar nº 194/04 (fls. 25/26) e intimaram o contribuinte a pagar os valores apurados no prazo de 72 (setenta e duas) horas. Não havendo o registro de pagamento, em ato contínuo foi cadastrado o auto de infração para as providências cabíveis. A recorrente justifica na inicial, em suas razões de mérito, que o produto importado está em perfeita consonância com o descrito na TECNCM vigente e a transcreve: TECNCM 2712. Vaselina; parafina, cera de petróleo microcristalina, slack wax, ozocerite, cera de linhita, cera de turfa, outras ceras minerais e produtos semelhantes obtidos por síntese ou por outros processos, mesmo corados. 2712.90.00 – Outros. ............................ Segue sua exposição transcrevendo esclarecimentos contidos nos comentários ao Capítulo 27 das NESH, que eliminariam totalmente a pretensão do fisco: Fl. 475DF CARF MF Processo nº 11128.006391/200498 Acórdão n.º 3201002.621 S3C2T1 Fl. 457 6 B) Parafina, cera de petróleo microcristalina, slack wax, ozocerite, cera de linhita, cera de turfa, outras ceras minerais e produtos semelhantes obtidos por síntese ou por outros processos, mesmo corados. A parafina é constituída por misturas de hidrocarbonetos extraídos de certos produtos da destilação dos óleos de petróleo ou dos óleos de minerais betuminosos. É uma substância translúcida, branca ou amarelada, de estrutura cristalina bastante acentuada. A cera de petróleo microcristalina é uma cera composta de hidrocarbonetos. É extraída dos resíduos de petróleo ou de frações de óleos de lubrificação destilados no vácuo. É mais opaca que a parafina e de estrutura cristalina mais fina e menos aparente. O seu ponto de fusão é, usualmente, mais elevado do que o da parafina. A sua consistência pode variar entre mole e plástica e dura e quebradiça e a cor vai do branco até o amarelo ou castanhoescuro. ................................. Esta posição também compreende os produtos análogos à parafina ou aos outros produtos acima descritos e obtidos por síntese ou por qualquer outro processo, como, por exemplo, a parafina e a cera de petróleo, sintéticas. Esta posição não abrange, porém, as ceras de altos polímeros, tais como a cera de polietileno, que se incluem na posição 34.04. Convencido das questões de fato em relação a composição do produto importado e de sua correta classificação, a contribuinte apresentou também, em sua impugnação, questões preliminares de nulidade do lançamento, vez que, maculado por vícios formais insanáveis. Alega que o direito constitucional, assegurado pelo art. 5º, inciso LV da CF vigente, foi violado, pois restou caracterizado o cerceamento ao seu direito de defesa, pela inobservância ao “Devido Processo Legal”, na medida em que somente foi permitido aos Agentes Fiscais vinculados à Alfândega de Santos, terem acesso ao processo que culminou com a emissão do Laudo Técnico nº 2.875/2001 pelo LABANA/8ª R.F. Constatado esse fato, a 1ªTO da 2ªC da 3ªS, em sessão realizada em 30/06/2010, entendeu por bem, converter o julgamento em diligência nos termos da Resolução 320100.138, por ser possível atender ao contribuinte para melhor instruir este processo, para que: ... a autoridade preparadora providencie a intimação do recorrente desta decisão e, a fim de que, no prazo de 20 (vinte) dias, se quiser, indique novo assistente técnico para acompanhar o laudo técnico que será produzido ou confirme a indicação constante de sua impugnação (fls. 60), facultandolhe a formulação de quesitos suplementares naquele mesmo prazo. Fl. 476DF CARF MF Processo nº 11128.006391/200498 Acórdão n.º 3201002.621 S3C2T1 Fl. 458 7 Após a resposta do contribuinte ou o decurso do prazo acima fixado sem esta resposta, a autoridade preparadora deverá providenciar novo laudo técnico, feito pelo Instituto Nacional de Tecnologia INT, no qual se responda os quesitos formulados pelo contribuinte no item 7.3 de sua impugnação (fls. 59 a 60), acrescidos dos quesitos formulados pela fiscalização (fls. 19). A recorrente foi devidamente intimada (INTIMAÇÃO EQREV nº 001/2011, de 24/01/2011), folhas 220, conforme resolução e também, enviado o MEMORANDO Nº 004/2011, de 08/02/2011, para: GRALT/SEPOL (Grupo de Acompanhamento de Laudos Técnicos), folhas 224, “para que o técnico responsável informe se a amostra do produto guardada como contraprova referente ao Pedido LAB 2121/SETCOF correspondendo ao Laudo N° 2875.01 (cópia em anexo), de 16/11/2001, encontrase dentro do prazo de validade, estando apta, para ser, posteriormente, solicitado novo laudo técnico com outros quesitos a serem formulados”. Às folhas 225 encontrase resposta ao Memorando nº 004/2011, passado pelo Centro Tecnológico de Controle da Qualidade da empresa L.A. Falcão Bauer Ltda: Quanto aos questionamentos sobre o prazo de validade e se a mercadoria está apta para ser analisada e emissão de novo laudo, informamos: a) O aspecto da mercadoria encontrase alterado, ou seja, na época da emissão do Laudo, conforme consta nos Resultados das Análises, a mercadoria apresentase na forma de pasta amarelada, hoje a mercadoria apresentase na forma sólida de cor amarela, o que indica, em função do tempo decorrido, que algum componente mais volátil presente na mercadoria pode ter evaporado, alterando as características iniciais da mercadoria. b) A data de validade da amostra encontrase vencida, considerandose que de acordo com as informações constantes no item Embalagem dos Resultados das Análises constantes no Laudo n° 2875.01 Funcamp de 16/11/2001, a data de validade da mercadoria era 18/06/2002. A contribuinte respondeu inicialmente a intimação através do documento de fls. 230, confirmando seu Assistente Técnico e os quesitos já formulados (item 7.3 do recurso voluntário) e pede prazo para a apresentação de quesitos suplementares. Nesse ínterim, foi despachada à Recorrente a INTIMAÇÃO GRALT Nº 010/2011 (fls.238), para as seguintes providências: a) Manifestar, por escrito, concordância em arcar com os custos de um novo Laudo a ser emitido pelo INT Instituto Nacional de Tecnologia; b) Fornecer nova amostra do produto denominado "FLOODWAX CONCENTRADO AXP 2240 CERA DE PETRÓLEO CRISTALINA", produzido pelo mesmo fornecedor (produtor PFINDER KG / Alemanha, conforme D.I. N° 01/07395295 / adição 001), a qual será confrontada com a amostra contraprova guardada por esta Alfândega; c)Providenciar passagem (ida e volta) do funcionário indicado por esta Administração, para a entrega das amostras ao INT; d) Recolher ao FUNDAF o valor de R$ 336,30 código da receita 5469, referente à diária a ser ressarcida ao funcionário; Fl. 477DF CARF MF Processo nº 11128.006391/200498 Acórdão n.º 3201002.621 S3C2T1 Fl. 459 8 Em resposta a Intimação GRALT nº 010/2011, a Recorrente prontamente concordou com os itens “a”, “c”, “d”, e quanto ao item “b” expos o seguinte: Quanto ao item "b" A Requerente não dispõe de nova amostra do produto de nome comercial "FLOODWAX CONCENTRADO AP2240", desembaraçado por meio da Declaração de Importação n° 01/07395295, registrada junto ao SISCOMEX em 25.07.2.001, tendo em vista que o desde julho/2.004 o aludido produto deixou de ser importado do exterior. Assim sendo, a nova análise do produto importado pela Requerente do exterior, de nome comercial "FLOODWAX CONCENTRADO AP2240", desembaraçado através da Declaração de Importação n° 01/07395295, registrada junto ao SISCOMEX em 25.07.2.001, para embasar a emissão de um novo Laudo Técnico pelo Instituto Nacional de Tecnologia no Rio de JaneiroRJ., deverá ser realizada com a apresentação da amostra em poder do LABANA/8ª R.F.FALCÃO BAUER, à época da emissão do Laudo Técnico n° 2.875.1/2.001, sob pena de nulidade da prova, em face da nota constante do corpo do referido Laudo (fis. 20), vazado nos seguintes termos: "NOTA IMPORTANTE: Os resultantes das análises contidos neste documento têm significação restrita e se referem somente à amostra recebida por este Laboratório. ..................................” Já a Alfândega da RFB do Porto de Santos DICAT – GJUP, apresentou relatório de instrução às fls. 244/246, dizendo que a diligência restou prejudicada, devendo o processo ser encaminhado ao CARF para as providências cabíveis. Em face de ausência de cientificação à Contribuinte, do relatório de instrução de fls. 244/246, foi o processo baixado em diligência para sanar a falha processual, podendo inclusive, se manifestar a cerca de novos elementos trazidos aos autos. A recorrente em sua manifestação final sustenta em preliminar a prescrição intercorrente, nos termos do disposto no art.1º, parágrafo 1º da Lei nº 9.873/99, que desde já deve ser afastada e desconsiderada, pois em momento algum houve a inércia da autoridade coatora ou de qualquer órgão do contencioso administrativo, no sentido de apreciar e julgar o presente processo. Por outro lado, a questão de fato depõe contra a pretensão do fisco de atribuir nova classificação ao produto importado, objeto do auto de infração ora discutido. Como bem observado pela recorrente, este processo administrativo tramitou perante os órgãos administrativos jurisdicionados do Ministério da Fazenda ao longo de aproximadamente 12 (doze) anos, sem aterse aquilo que na impugnação já havia sido levantado, quanto ao cerceamento de defesa na elaboração do laudo técnico, elemento basilar para atribuição de nova classificação fiscal do produto importado. Da necessidade de novo laudo técnico, da produção de uma contra prova, me parece que esse fato virou consenso nos autos, para que houvesse um veredicto seguro e justo sobre a pretensa cobrança dos valores lançados. Fl. 478DF CARF MF Processo nº 11128.006391/200498 Acórdão n.º 3201002.621 S3C2T1 Fl. 460 9 Diversas questões técnicas sobre o produto e sua correta classificação fiscal poderiam ser apontadas e discutidas, como por exemplo, se na “Cera Preparada” integra ou não integra algum composto orgânico? Qual o elemento básico e característico da Cera de Petróleo Microcristalina? Além desses, outros quesitos importantes poderiam ser apresentados se na época da elaboração do laudo técnico o contribuinte envolvido fosse chamado a participar do processo. A objetividade do laudo técnico mostrouse excessiva e associada a não participação da parte envolvida, a recorrente, fez com que se buscasse a produção de um novo laudo. O fato de se concluir prejudica a possibilidade de se produzir um novo laudo técnico em razão de o produto estar com data de validade vencida, não pode, de forma alguma, ser atribuída como de responsabilidade do contribuinte. Afinal de contas, o material retido para produzir a contra prova, estava sob a guarda da Alfândega do Porto de Santos. Mantêla em boa ordem e em condições de uso no transcurso do processo não era de responsabilidade da Recorrente, já que existia grande possibilidade de ser requerida uma nova análise técnica. O contribuinte em sua manifestação firmou que desde julho de 2004 deixou de importar o aludido produto, não dispondo, portanto, de nova amostra. Além do que, nova transformação poderia ter sido aplicada ao produto, mantendose indefinidamente a dúvida sobre a veracidade dos fatos. O mesmo tratamento poderia aqui se contextualizado, quanto ao exame antidoping, caso se considere imprestável o material coletado. Seria recomendável nova coleta do material para exame? A Constituição da República de 1988, no inciso LV do art. 5°, assegura aos litigantes e acusados em geral, em processo judicial ou administrativo, o direito fundamental do contraditório e da ampla defesa, com os meios e recursos a ela inerentes, mote propulsor para o fenômeno de processualização da atuação administrativa brasileira. Essa inovação constitucional veio consignar que ninguém será privado da liberdade ou de seus bens sem o devido processo legal, oportunizando o contraditório e o amplo direito de defasa. Diante do exposto, voto pelo integral provimento do recurso voluntário. Cássio Schappo Relator Fl. 479DF CARF MF
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