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Numero do processo: 10183.720553/2007-10
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 13 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed May 08 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2005
ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. EXIGÊNCIA DE ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL (ADA) POR LEI. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO.
A partir do exercício de 2001, com a introdução do art. 17 na Lei nº 6.938, de 1981, por força da Lei nº 10.165, de 2000, o Ato Declaratório Ambiental (ADA) passou a ser obrigatório para fins de exclusão da área de preservação permanente da base de cálculo do ITR.
ÁREA DE UTILIZAÇÃO LIMITADA / RESERVA LEGAL. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO.
A área de utilização limitada/reserva legal, para fins de exclusão do ITR, se faz necessária ser reconhecida como de interesse ambiental pelo IBAMA/órgão conveniado, ou pelo menos, que seja comprovada a protocolização, em tempo hábil, do requerimento do competente Ato Declaratório Ambiental (ADA), fazendo-se, também, necessária a sua averbação à margem da matrícula do imóvel até a data do fato gerador do imposto.
VALOR DA TERRA NUA (VTN). ARBITRAMENTO COM BASE NO SISTEMA DE PREÇOS DE TERRAS (SIPT). UTILIZAÇÃO DO VTN MÉDIO DITR. EM DETRIMENTO DA UTILIZAÇÃO DO VTN MÉDIO POR APTIDÃO AGRÍCOLA.
Incabível a manutenção do Valor da Terra Nua (VTN) arbitrado pela fiscalização, com base no Sistema de Preços de Terras (SIPT), utilizando VTN médio das DITR entregues no município de localização do imóvel, por contrariar o disposto no art. 14 da Lei nº 9.393, de 1996.
Recurso provido em parte.
Numero da decisão: 2202-002.217
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, dar provimento parcial ao recurso para restabelecer o Valor da Terra Nua declarado pela Recorrente. Vencidos os Conselheiros Rafael Pandolfo, Odmir Fernandes e Pedro Anan Junior, que proviam o recurso., nos termos do voto do Relator.
(Assinado digitalmente)
Nelson Mallmann Presidente
(Assinado digitalmente)
Antonio Lopo Martinez Relator
Composição do colegiado: Participaram do julgamento os Conselheiros Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Rafael Pandolfo, Antonio Lopo Martinez, Odmir Fernandes, Pedro Anan Junior e Nelson Mallmann.
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Nome do relator: ANTONIO LOPO MARTINEZ
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2005 ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. EXIGÊNCIA DE ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL (ADA) POR LEI. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO. A partir do exercício de 2001, com a introdução do art. 17 na Lei nº 6.938, de 1981, por força da Lei nº 10.165, de 2000, o Ato Declaratório Ambiental (ADA) passou a ser obrigatório para fins de exclusão da área de preservação permanente da base de cálculo do ITR. ÁREA DE UTILIZAÇÃO LIMITADA / RESERVA LEGAL. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO. A área de utilização limitada/reserva legal, para fins de exclusão do ITR, se faz necessária ser reconhecida como de interesse ambiental pelo IBAMA/órgão conveniado, ou pelo menos, que seja comprovada a protocolização, em tempo hábil, do requerimento do competente Ato Declaratório Ambiental (ADA), fazendose, também, necessária a sua averbação à margem da matrícula do imóvel até a data do fato gerador do imposto. VALOR DA TERRA NUA (VTN). 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Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, dar provimento parcial ao recurso para restabelecer o Valor da Terra Nua declarado pela Recorrente. Vencidos os Conselheiros Rafael Pandolfo, Odmir Fernandes e Pedro Anan Junior, que proviam o recurso., nos termos do voto do Relator. (Assinado digitalmente) Nelson Mallmann – Presidente (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez – Relator Composição do colegiado: Participaram do julgamento os Conselheiros Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Rafael Pandolfo, Antonio Lopo Martinez, Odmir Fernandes, Pedro Anan Junior e Nelson Mallmann. . Fl. 381DF CARF MF Impresso em 08/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 03/05/201 3 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 02/05/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10183.720553/200710 Acórdão n.º 2202002.217 S2C2T2 Fl. 3 3 Relatório Em desfavor da contribuinte, TAQUARI EMPREENDIMENTOS AGROPECUÁRIOS LTDA., foi lavrada a Notificação de Lançamento e respectivos demonstrativos de fls. 01 a 06, por meio do qual se exigiu o pagamento do ITR do Exercício 2005, acrescido de multa de oficio e juros moratórios, totalizando o crédito tributário de R$ 1.183.679,31, relativo ao imóvel rural denominado Fazenda Sao Pedro, com área total de 9.392,5 ha., NIRF 60930853, localizado no município de Alto Araguaia/MT. Constou da Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal a citação da fundamentação legal que amparou o lançamento e as seguintes informações, em suma: que, após regularmente intimada, a contribuinte não comprovou a isenção das Áreas declaradas a titulo de utilização limitada no imóvel rural, não tendo comprovado averbação de área de reserva legal junto à matricula do imóvel e nem apresentado comprovante da solicitação de emissão do ADA, protocolizado junto ao Ibama no prazo de até seis meses, contado do término do prazo para entrega da DITR, e não comprovou, por meio de Laudo de Avaliação do Imóvel, conforme estabelecido na NBR 14.653 da ABNT, o valor da terra nua declarado, o qual foi alterado com base nas informações do Sistema de Pregos de Terra da Receita Federal — SIPT. Cientificada do lançamento em 02/01/2008 (fls. 203), a interessada apresentou a impugnação de fls. 162 a 183, em 16/01/2008, acompanhada dos documentos de fls. 184 a 195, onde argumentou, em suma, o que segue: • A reserva legal, como limitação administrativa, tem a finalidade de atender ao principio da função social da propriedade e não há necessidade de sua averbação junto ao Registro Imobiliário, por ser imposição legal, geral, unilateral e gratuita, e sua publicidade é conferida por lei; • As áreas de interesse ambiental de preservação permanente e reserva legal e as ocupadas por benfeitorias não podem ser incluídas na base de cálculo do ITR; • A Lei dispensa a prévia comprovação, por parte do declarante, das áreas declaradas como isentas, conforme §7° do art. 10 da Lei n.° 9.393/1996, acrescido pela Medida Provisória n.° 2.166 67, de 2001, imputando ao fisco a obrigação de comprovar a falsidade dos dados contidos na declaração; assim, é ilegal a exigência de declaração do órgão competente como requisito da exclusão dessas áreas da base de cálculo do ITR; as Instruções Normativas SRF n.° 60/2001 e 256/2002, ao exigir a apresentação do ADA ao Ibama como requisito para isenção do ITR, extrapolam os limites do §7° do art. 10 da Lei n.° 9.393/1996; • Transcreveu jurisprudência judicial e administrativa para amparar seu entendimento; Fl. 382DF CARF MF Impresso em 08/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 03/05/201 3 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 02/05/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 4 • Pela atual legislação, para serem isentas de ITR, basta o fato de as Areas estarem cobertas por florestas nativas, primarias ou secundárias em estágio médio ou avançado de regeneração, conforme letra "e" do art. 10, inciso II, da Lei n.° 9.393/1996, incluído pela lei n.° 11.428, de 2006; e essa legislação retroage à tributação em pauta, por não estar concluído o procedimento administrativo de lançamento tributário, como autorizado pelos artigos 105, 106 e 116 do Código Tributário Nacional; • E detentor apenas do domínio do imóvel, mas não está na posse; e, por não estar na posse do imóvel, encontrase impossibilitado de cumprir com diversos itens e exigências técnicas constantes da intimação mencionada, tais como: identificação/medição do imóvel, ADA e Laudo de Avaliação do Imóvel; • Constam dos anexos do Laudo Técnico extrato/cópia de ações judiciais que tem o imóvel por objeto, entre elas, de usucapião e desapropriação, que comprovam que a requerente está alijada da posse do imóvel; • No ano de 2004 protocolizou projeto junto â. SEMA, visando obtenção da LAU, que se encontra suspensa em razão de várias sobreposições verificadas pelo órgão; como não obteve a LAU, não há como comprometerse em relação às APPs e ARLs, que ainda não estão definidas ou homologadas junto ao órgão ambiental; • Não tem como adentrar no imóvel para realizar avaliação e limitouse determinação expedita do valor do domínio, tomando por base avaliação dada pela Prefeitura Municipal de Alto Araguaia/MT; o Auditor informou na Notificação de Lançamento que teria sido solicitada informação sobre pregos de terras no município de localização do imóvel, não atendida; e é desnecessária diligência por constar do autos AVALIACÃO PARA EFEITOS FISCAIS DA PREFEITURA, PARA A FAZENDA SAO FRANCISCO, quando de sua aquisição, que comprova o preço vigente na regido e que foi base par ao lançamento do ITBI, perfazendo R$ 76,48/ha, incluindo benfeitorias, o que demonstra que o valor declarado é maior que o da avaliação da prefeitura, incluindo benfeitorias, e deve ser adotado. Ao final, a interessada protestou pela juntada de todas as provas admitidas em lei, inclusive pericial e documental e apresentou quesitos e indicou perito, para o caso de não serem atendidos os pedidos formulados. A DRJ/CampoGrande julgou o lançamento procedente, nos termos da ementa a seguir: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2005 LEGITIMIDADE PASSIVA. Fl. 383DF CARF MF Impresso em 08/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 03/05/201 3 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 02/05/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10183.720553/200710 Acórdão n.º 2202002.217 S2C2T2 Fl. 4 5 São contribuintes do Imposto Territorial Rural o proprietário, o possuidor ou o detentor a qualquer titulo de imóvel rural, assim definido em lei. AREAS ISENTAS. TRIBUTAÇÃO. Para exclusão da tributação sobre areas de reserva legal e preservação permanente é necessária a comprovação da existência efetiva dessas áreas e cumprimento de exigência legal de entrega do ADA ao Ibama, no prazo fixado na legislação, e de averbação da reserva legal junto ao Registro de Imóveis em data anterior a da ocorrência do fato gerador do ITR. VALOR DA TERRA NUA. A base de cálculo do imposto será o valor da terra nua apurado pela fiscalização, com base no SIPT, se não existir comprovação que justifique reconhecer valor menor. Lançamento procedente. Insatisfeito o contribuinte interpõe recurso voluntário reiterando as razões da impugnação. Em 25/10/2011, o processo foi convertido em diligência para que fosse anexado os extratos do SIPT. É o relatório. Fl. 384DF CARF MF Impresso em 08/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 03/05/201 3 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 02/05/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 6 Voto Conselheiro Antonio Lopo Martinez, Relator O presente recurso voluntário reúne os pressupostos de admissibilidade previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal e deve, portanto, ser conhecido por esta Turma de Julgamento. A discussão principal de mérito diz respeito à área de preservação permanente e área de utilização limitada/reserva legal, e o nó da questão restringese a exigência relativa ao ADA — Ato Declaratório Ambiental, que deve conter as informações de tais áreas e ter sido protocolado tempestivamente junto ao IBAMA/órgão conveniado, para fins de exclusão dessas áreas da tributação. Outro ponto é sobre a suposta nulidade do arbitramento com base no valor da VTN. Como o recorrente questiona primeiramente o critério usado, alegando cerceamento de direito de defesa, analisase primeiro a questão da VTN. Da ADA/Averbação como exigências para Isenção No tocante à apuração do imposto, de acordo com as instruções de preenchimento da DITR, podem ser excluídas, da área total do imóvel, para determinar a área tributável, as áreas de preservação permanente e de utilização limitada, sendo essas últimas compostas pela área de reserva legal, pelas áreas de reserva particular do patrimônio natural, e pelas áreas imprestáveis para a atividade produtiva, se declaradas de interesse ecológico, mediante ato do órgão competente federal ou estadual; Como é de notório conhecimento, o ITR incide sobre: (i) o direito de propriedade do imóvel rural; (ii) o domínio útil; (iii) a posse por usufruto; (iv) a posse a qualquer título, tudo conforme ditado pela Lei nº 9.393, de 1996. Conquanto, este tributo será devido sempre que no plano fático se configurar a hipótese de incidência ditada pela norma (Lei 9393/96): (i) a norma dita que a obrigação tributária nasce sempre em primeiro de janeiro de cada ano uma vez que a periodicidade deste tributo é anual; (ii) o imóvel deve estar localizado em zona rural; (iii) os demais requisitos já constam acima posse, propriedade ou domínio útil. Tenho para mim que para excluir as áreas de Interesse Ambiental de Preservação Permanente e as de Utilização Limitada da base de cálculo do ITR e anular a sua influência na determinação do Grau de Utilização, duas condições têm de ser atendidas. Uma é a sua averbação a margem da escritura no Cartório de Registro de Imóveis outra é a sua informação no Ato Declaratório Ambiental – ADA. Destaquese que ambas devem ser atendidas à época a que se refere a Declaração do ITR. É de se ressaltar, que em nenhum momento estou questionando a existência e o estado das Reservas Preservacionistas, relatórios técnicos que atestam a sua existência não atingem o âmago da questão. Mesmo aquelas possíveis áreas consideradas inaproveitáveis, para integrarem as reservas da propriedade, para fins de cálculo do ITR, devem, no meu ponto de vista, obrigatoriamente, atender as exigências legais. Fl. 385DF CARF MF Impresso em 08/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 03/05/201 3 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 02/05/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10183.720553/200710 Acórdão n.º 2202002.217 S2C2T2 Fl. 5 7 Um dos objetivos precípuos da legislação ambiental e tributária é, indubitavelmente, estimular a preservação do meio ambiente, via beneficio fiscal. No entanto, o beneficio da exclusão do ITR, inclusive em áreas de proteção e/ou interesse ambiental como os Parques Estaduais, não se estende genérica e automaticamente a todas as áreas do imóvel por ele abrangidas. Somente se aplica a áreas especificas da propriedade, vale dizer, somente para as áreas de interesse ambiental situadas no imóvel como: área de preservação permanente, área de reserva legal, área de reserva particular do patrimônio natural e área de proteção de ecossistema bem como área imprestável para a atividade rural, desde que reconhecidas de interesse ambiental e desde que haja o reconhecimento dessas áreas por ato especifico, por imóvel, expedido pelo IBAMA, o Ato Declaratório Ambiental (ADA). Não tenho dúvidas de que a obrigatoriedade da apresentação do ADA para fins de exclusão das áreas de preservação permanente e de utilização limitada (reserva legal) da base de cálculo do ITR, surgiu no ordenamento jurídico pátrio com o art. 1º da Lei nº 10.165, de 2000 que incluiu o art. 17, § 1º na Lei nº 6.938, de 31 de agosto de 1981, para os exercícios a partir de 2001, verbis: Art. 17 O Os proprietários rurais que se beneficiarem com redução do valor do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR, com base em Ato Declaratório Ambiental ADA, deverão recolher ao Ibama a importância prevista no item 3.11 do Anexo VII da Lei no 9.960, de 29 de janeiro de 2000, a título de Taxa de Vistoria." (NR) (...) § 1o A utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagar do ITR é obrigatória. Tal dispositivo teve vigência a partir do exercício de 2001, anteriormente a este, a imposição da apresentação do ADA para tal fim era definido por ato infralegal, que contrariava o disposto no § 1º do inciso II do art. 97, do Código Tributário Nacional. Os presentes autos tratam do lançamento de ITR do exercício de 2005, portanto, a exigência do ADA para fins de exclusão da base de cálculo daquele tributo encontra respaldo legal, pelo quê, deve ser mantido quanto a este ponto, já o recorrente não comprovou nos autos a protocolização tempestiva do requerimento/ADA, junto ao IBAMA/órgão conveniado. É oportuno salientar, que Conselho Administrativo de Recursos Fiscais tem entendido em suas decisões de que a dispensa de comprovação relativa às áreas de interesse ambiental (preservação permanente/utilização limitada), conforme redação do parágrafo 7°, do art. 10, da Lei n° 9.363, de 1996, introduzido originariamente pelo art. 3º da MP n° 1.95650, de 2000, e mantido na MP n° 2.16667, de 2001, ocorre quando da entrega da declaração do ITR, o que não dispensa o contribuinte de, uma vez sob procedimento administrativo de fiscalização, comprovar as informações contidas em sua declaração por meio dos documentos hábeis previstos na legislação de regência da matéria. Enfim, a solicitação tempestiva do ADA constituiuse um ônus para o contribuinte. Assim, caso não desejasse a incidência do ITR sobre as áreas de preservação permanente e de utilização limitada/reserva legal, o proprietário do imóvel deveria ter providenciado, dentro do prazo legal, o requerimento do ADA. Fl. 386DF CARF MF Impresso em 08/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 03/05/201 3 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 02/05/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 8 Portanto, não há outro tratamento a ser dada às áreas de preservação permanente e de utilização limitada/reserva legal glosadas pela fiscalização, por falta de comprovação da exigência tratada anteriormente, que devem realmente passar a compor as áreas tributável e aproveitável do imóvel, respectivamente, para fins de apuração do VTN tributado e do seu Grau de Utilização (do imóvel). Desta forma, não tendo sido comprovada a protocolização tempestiva do Ato Declaratório Ambiental — ADA, junto ao IBAMA/órgão conveniado, cabe manter as glosas efetuadas pela fiscalização em relação às áreas de preservação permanente e de utilização limitada/reserva legal. Em relação à obrigatoriedade, para fins de não incidência do ITR, da averbação no registro de imóveis competente, de área declarada pelo contribuinte como sendo de reserva legal, realizada previamente à data de ocorrência do fato gerador (condição prevista no Código Florestal Brasileiro (Lei nº 4.771, de 1965), incluída pelo § 2º do art. 16 da lei nº 7.803, de 1989. A legislação aplicável à matéria estabelece que não serão consideradas para a formação da base de cálculo do ITR as áreas de reserva legal, ex vi da alínea “a” do inciso II do § 1º do art. 10 da lei nº 9.393/1996, supra transcrito. Conforme visto, a definição do que seja “área de reserva legal” encontrase estabelecida no § 2º do art. 16 da lei nº 4.771, de 1965, com redação incluída pelo art. 1º da lei nº 7.803, de 1989: § 2º A reserva legal, assim entendida a área de, no mínimo, 20% (vinte por cento) de cada propriedade, onde não é permitido o corte raso, deverá ser averbada à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, sendo vedada, a alteração de sua destinação, nos casos de transmissão, a qualquer título, ou de desmembramento da área. A reserva legal é uma restrição ao direito de exploração das áreas de vegetações nativas e sua discutida averbação tem a função de dar publicidade a terceiros daquela restrição. Tal posicionamento é corroborado pelo Supremo Tribunal Federal a partir do julgamento do Mandado de Segurança nº 22.688/PB (Tribunal Pleno, sessão de 28 de abril de 2000) em que se discutia tal tema relativamente à produtividade de imóvel em processo de desapropriação para fins de reforma agrária. Vejase o tratamento dado à matéria em voto vista do Ministro Sepúlveda Pertence: A questão, portanto, é saber, a despeito de não averbada se a área correspondente à reserva legal deveria ser excluída da área aproveitável total do imóvel para fins de apuração da sua produtividade (...) A reserva legal não é uma abstração matemática. Há de ser entendida como uma parte determinada do imóvel. Sem que esteja determinada, não é possível saber se o proprietário vem cumprindo as obrigações positivas e negativas que a legislação ambiental lhe impõe. Por outro lado, se sabe onde concretamente se encontra a reserva, se ela não foi medida e demarcada, em caso de divisão Fl. 387DF CARF MF Impresso em 08/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 03/05/201 3 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 02/05/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10183.720553/200710 Acórdão n.º 2202002.217 S2C2T2 Fl. 6 9 ou desmembramento de imóvel o que dos novos proprietários só estaria obrigado a preservar vinte por cento da sua parte. Desse modo, a cada nova divisão ou desmembramento, haveria uma diminuição do tamanho da reserva, proporcional à diminuição do tamanho do imóvel, com o que restaria frustrada a proibição da mudança de sua destinação nos casos de transmissão a qualquer título ou de desmembramento, que a lei florestal prescreve. Estou assim em que, sem a averbação determinada pelo §2º do art. 16 da lei nº 4.771/1965 não existe reserva legal. Esta posição continua sendo adotado pelo STF, conforme se pode verificar nos autos do MS 28.156/DF, cujo acórdão foi publicado no Diário de Justiça de 02 de março de 2007. Assim sendo, a afirmativa de que a existência da área declarada como de reserva legal ou de que sua comprovação por outros meios, ou ainda de que sua averbação posteriormente à ocorrência do fato gerador, supriria a condição estabelecida na lei não condiz com a norma que emana da análise conjunta da alínea “a” do inciso II do § 1º do art. 10 da lei nº 9.393, de 1996 e do § 2º do art. 16 da lei nº 4.771, de 1965, com redação incluída pelo art. 1º da lei nº 7.803, de 1989. Tal norma estabelece a obrigação de dar publicidade a terceiros da criação de área correspondente a, no mínimo, 20% da propriedade rural protegida do uso indiscriminado, impondo ao proprietário um controle social em relação à conservação da cobertura vegetal daquela área. Quando a Lei nº 9.393, de 1996 reproduziu a obrigatoriedade de averbação estabelecida no Código Florestal, não estava criando obrigação acessória, com vista no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos, mas, sim, repercutindo condição essencial à instituição de área de reserva legal, que deve ser cumprida pelo interessado para fruição da exclusão de tais áreas da base de cálculo do ITR. O conceito de obrigação acessória, à luz do §2º do artigo 113 do CTN, confirma a conclusão trazida no parágrafo anterior, posto que a obrigatoriedade da averbação não foi criada por legislação tributária, sendo assim não há que se falar em obrigação tributária acessória: 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. (…) 2º A obrigação acessória decorrente da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. Neste sentido, entendo ser condição essencial para a constituição de reserva legal a averbação de tal área à margem da matrícula do imóvel no registro de imóveis competente. Apenas cumprida tal condição será possível a exclusão de tal área da base de cálculo do tributo. Fl. 388DF CARF MF Impresso em 08/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 03/05/201 3 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 02/05/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 10 Sendo assim, apenas posteriormente à averbação considerase constituída a área de reserva legal, não produzindo efeitos para períodos de apuração anteriores. Na forma do art. 144 do CTN, o lançamento tributário reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. Tendo em vista a inexistência de prova da averbação da área de reserva legal no Registro de Imóveis competente, entendo que está correto o procedimento da autoridade lançadora. Caso se considerasse como área de interesse ecológico, crucial seria a identificação do ato especifico que definiu aquela área como preenchendo aqueles requisitos, não a apresentação de norma geral, tal como o Decreto. 1.356/92. Urge registrar que para a comprovação da área de relevante interesse ecológico para a proteção dos ecossistemas, fazse necessário que ela seja declarada em caráter específico, para determinadas áreas da propriedade particular, não podendo ser aceitas como de interesse ecológico as áreas declaradas em caráter geral – exatamente o pleito do contribuinte, ao mencionar as Lei n° 9.985/2060 —:SNUC, conforme art. 10, § 6º, da Instrução Normativa SRF nº 43/1997, com a redação dada pelo art. 1º, II, da Instrução Normativa SRF nº 67/1997: “Art. 10. (...) § 6º Para efeito de exclusão do ITR, não serão aceitas como de interesse ecológico as áreas declaradas,em caráter geral, por região local ou nacional, mas, sim, apenas as declaradas, em caráter específico, para determinadas áreas da propriedade particular.”. Do VTN Na parte atinente ao cálculo do Valor da Terra Nua VTN, entendeu a autoridade lançadora que houve subavaliação, tendo em vista o valor constante do Sistema de Preço de Terras (SIPT), instituído pela então SRF em consonância ao art. 14, caput, da Lei n° 9.393, de 1996, razão pela qual o VTN declarado para o imóvel. Em síntese, podemos dizer que o VTNm/ha representa a média ponderada dos preços mínimos dos diversos tipos de terras de cada microrregião, observandose nessa oportunidade o conceito legal de terra nua previsto na legislação de regência sobre o assunto, utilizandose como data de referência o último dia do ano anterior ao do lançamento. A utilização da tabela SIPT, para verificação do valor de imóveis rurais, a princípio, teria amparo no art. 14 da Lei nº 9.393, de 1996. Como da mesma forma, o valor do SIPT só é utilizado quando, depois de intimado, o contribuinte não apresenta elementos suficientes para comprovar o valor por ele declarado, da mesma forma que tal valor fica sujeito à revisão quando o contribuinte comprova que seu imóvel possui características que o distingam dos demais imóveis do mesmo município. Não tenho dúvidas de que as tabelas de valores indicados no SIPT, quando elaboradas de acordo com a legislação de regência, servem como referencial para amparar o trabalho de malha das declarações de ITR e somente deverão ser utilizados pela autoridade fiscal se o contribuinte não lograr comprovar que o valor declarado de seu imóvel corresponde ao valor efetivo na data do fato gerador. Para tanto, a fiscalização deve enviar uma intimação Fl. 389DF CARF MF Impresso em 08/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 03/05/201 3 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 02/05/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10183.720553/200710 Acórdão n.º 2202002.217 S2C2T2 Fl. 7 11 ao contribuinte solicitando a comprovação dos dados declarados antes de proceder à formalização do lançamento. Vivemos em um Estado de Direito, onde deve imperar a lei, de tal sorte que o indivíduo só se sentirá forçado a fazer ou não fazer alguma coisa compelido pela lei. Daí porque o lançamento ser previsto no art. 142 do Código Tributário Nacional como atividade plenamente vinculada, isto é, sem possibilidade de a cobrança se firmar em ato discricionário, e, por outro lado, obrigatória, isto é o órgão da administração não pode deixar de cobrar o tributo previsto em lei. Assim, sendo se faz necessário uma análise preliminar sobre a possibilidade da utilização dos valores constantes da tabela SIPT, quando elaborada tendo por base as DITR do município onde se localiza o imóvel. Ou seja, se faz necessário enfrentar a questão da legalidade da forma de cálculo que é utilizado, nestes caso, para se encontrar os valores determinados na referida tabela. Razão pela qual, se faz necessário verificar qual foi metodologia utilizada para se chegar aos valores constantes da tabela SIPT, principalmente, nos casos em que restar comprovado, nos autos do processo, que a mesma foi elaborada tendo por base a média dos VTN das DITR entregues no município da localização do imóvel. Esta forma de valoração do VTN atenderia as normas legais para se proceder ao arbitramento do VTN a ser utilizado, pela autoridade fiscal, na revisão da DITR? Sem dúvidas, que tal ponto não deixa de ser importante, posto que, em se entendendo que as normas de cálculo utilizadas para a confecção da Tabela SIPT, tomada como base para o arbitramento do VTN pela autoridade fiscal, não se demonstram adequadas à lei, tal situação faria prevalecer o VTN indicado pelo contribuinte em laudo técnico ou de sua Declaração. Este é o caso questão, onde o VTN extraído do SIPT referese à média dos VTNs das DITRs apresentadas para o mesmo município e não do VTN médio por aptidão agrícola, onde se avalia os preços médios por hectare de terras do município onde esta localizado o imóvel, apurado através da avaliação pela Secretaria Estadual de Agricultura os preços de terras levando em conta de existência de lavouras, campos, pastagens, matas. O VTN, segundo a fls 367, é calculado sem aptidão agrícola. Analisando o conteúdo das normas reguladoras para a fixação dos preços médios de terras por hectare só posso concluir, que o levantamento do VTN, levando conta a média dos VTN constantes da DITRs, não condiz com o proposto pelo art. 14 da Lei nº 9.393, de 1996, verbis: Art. 14. No caso de falta de entrega do DIAC ou do DIAT, bem como de subavaliação ou prestação de informações inexatas, incorretas ou fraudulentas, a Secretaria da Receita Federal procederá à determinação e ao lançamento de ofício do imposto, considerando informações sobre preços de terras, constantes de sistema a ser por ela instituído, e os dados de área total, área tributável e grau de utilização do imóvel, apurados em procedimentos de fiscalização. § 1º As informações sobre preços de terra observarão os critérios estabelecidos no art. 12, § 1º, inciso II da Lei nº 8.629, Fl. 390DF CARF MF Impresso em 08/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 03/05/201 3 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 02/05/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 12 de 25 de fevereiro de 1993, e considerarão levantamentos realizados pelas Secretarias de Agricultura das Unidades Federadas ou dos Municípios. Assim se manifesta o art. 12 da Lei nº 8.629, de 1993: Artigo 12 Considerase justa a indenização que permita ao desapropriado a reposição, em seu patrimônio, do valor do bem que perdeu por interesse social. § 1º A identificação do valor do bem a ser indenizado será feita, preferencialmente, com base nos seguintes referenciais técnicos e mercadológicos, entre outros usualmente empregados: I valor das benfeitorias úteis e necessárias, descontada a depreciação conforme o estado de conservação; II valor da terra nua, observados os seguintes aspectos: a) localização do imóvel; b) capacidade potencial da terra; c) dimensão do imóvel. § 2º Os dados referentes ao preço das benfeitorias e do hectare da terra nua a serem indenizados serão levantados junto às Prefeituras Municipais, órgãos estaduais encarregados de avaliação imobiliária, quando houver, Tabelionatos e Cartórios de Registro de Imóveis, e através de pesquisa de mercado. (o grifo não é do original) Resta claro, que com a publicação da Lei nº 9.393, de 1996, em seu art. 14 dispõe que as informações sobre preços de terras observarão os critérios estabelecidos no artigo 12, § 1°, inciso II, da Lei n 8.629, de 25 de fevereiro de 1.993, e considerarão levantamentos realizados pelas Secretarias de Agricultura das Unidades Federadas ou dos municípios. Ora, se a fixação do VTNm não teve por base esse levantamento (por aptidão agrícola), o que está comprovado nos autos, já que a autoridade fiscal lançadora se utilizou do VTN médio das DITRs entregues no município, então não se cumpriu o comando legal e o VTNm adotado para proceder ao arbitramento pela autoridade lançadora não é legítimo, sendo inservível para o fim da recusa do valor declarado ou pretendido pelo contribuinte. Diante do entendimento que o VTN médio utilizado pela autoridade fiscal lançadora não cumpre as exigências legais determinadas pela legislação de regência, penso ser irrelevante continuar a discussão da questão do Laudo de Avaliação do VTN, já que compartilho com o entendimento, que nesses casos, deve ser restabelecido o VTN declarado pelo recorrente em sua DITR glosado pela autoridade fiscal. Ante ao exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário para restabelecer o valor da terra nua tal como declarado. (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez Fl. 391DF CARF MF Impresso em 08/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 03/05/201 3 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 02/05/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10183.720553/200710 Acórdão n.º 2202002.217 S2C2T2 Fl. 8 13 Fl. 392DF CARF MF Impresso em 08/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 03/05/201 3 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 02/05/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ
score : 1.0
Numero do processo: 10680.921049/2008-13
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 09 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Exercício: 2004 SALDO NEGATIVO DE IRPJ. A pessoa jurídica tributada pelo lucro real que sofrer retenção a maior de imposto de renda sobre rendimentos que integram a base de cálculo do imposto, ou efetuar pagamento a maior de imposto de renda, a título de estimativa mensal, poderá utilizar o valor pago ou retido na dedução do IRPJ devido ao final do correspondente período de apuração ou para compor o saldo negativo de IRPJ do período. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. CANCELAMENTO A Declaração de Compensação somente poderá ser retificada ou cancelada enquanto pendente de decisão administrativa, ou seja, enquanto o sujeito passivo ainda não tenha sido intimado de despacho decisório proferido pelo titular da DRF competente para decidir a respeito
Numero da decisão: 1801-001.014
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: EDGAR SILVA VIDAL
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Exercício: 2004 SALDO NEGATIVO DE IRPJ. A pessoa jurídica tributada pelo lucro real que sofrer retenção a maior de imposto de renda sobre rendimentos que integram a base de cálculo do imposto, ou efetuar pagamento a maior de imposto de renda, a título de estimativa mensal, poderá utilizar o valor pago ou retido na dedução do IRPJ devido ao final do correspondente período de apuração ou para compor o saldo negativo de IRPJ do período. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. CANCELAMENTO A Declaração de Compensação somente poderá ser retificada ou cancelada enquanto pendente de decisão administrativa, ou seja, enquanto o sujeito passivo ainda não tenha sido intimado de despacho decisório proferido pelo titular da DRF competente para decidir a respeito
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2004 SALDO NEGATIVO DE IRPJ. A pessoa jurídica tributada pelo lucro real que sofrer retenção a maior de imposto de renda sobre rendimentos que integram a base de cálculo do imposto, ou efetuar pagamento a maior de imposto de renda, a título de estimativa mensal, poderá utilizar o valor pago ou retido na dedução do IRPJ devido ao final do correspondente período de apuração ou para compor o saldo negativo de IRPJ do período. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. CANCELAMENTO A Declaração de Compensação somente poderá ser retificada ou cancelada enquanto pendente de decisão administrativa, ou seja, enquanto o sujeito passivo ainda não tenha sido intimado de despacho decisório proferido pelo titular da DRF competente para decidir a respeito Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. (documento assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva – Presidente em Exercício (documento assinado digitalmente) Edgar Silva Vidal Relator Fl. 121DF CARF MF Impresso em 13/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2012 por EDGAR SILVA VIDAL, Assinado digitalmente em 27/06/2012 po r CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 26/06/2012 por EDGAR SILVA VIDAL Processo nº 10680.921049/200813 Acórdão n.º 180101.014 S1TE01 Fl. 123 2 Composição do Colegiado:Participaram do presente julgamento os conselheiros Maria de Lourdes Ramirez, Marcos Vinicius Barros Ottoni, Jaci de Assis Junior, Edgar Silva Vidal, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Carmen Ferreira Saraiva. Relatório Adoto o Relatório da DRJ/BHE: O presente processo trata de Manifestação de Inconformidade contra Despacho Decisório n° rastreamento 811457805 emitido eletronicamente em 11/12/2008 (fl.04), referente aos PER/DCOMPs n° 21126.86376.281106.1.7.024530 (doe. de fls. 59/61), n° 27852.15532.290308.1.3.023904 (doe. de fls. 12/16), n° 32034.80545.270508.1.7.023620 (doe. de fls. 17/21), n° 14173.51261.290408.1.3.029079 (doe. de fls. 22/26) e n° 09455.50270.291107.1.2.023209. As Declarações de Compensação foram geradas pelo programa PER/DCOMP transmitidas com o objetivo de ter reconhecido o direito creditório, correspondente ao Saldo Negativo de IRPJ do Exercício de 2004 (verso de fl. 59), e de compensar o(s) débito(s) discriminado(s) nos referidos PER/DCOMPs. De acordo com o Despacho Decisório analisadas as informações do PER/DCOMP n° 21126.86376.281106.1.7.024530 (doc. de fls. 59/61) e considerando que a soma das parcelas de composição do crédito informadas na declaração de compensação deve ser suficiente para comprovar a quitação do imposto devido e a apuração do saldo negativo, verificouse que o valor original do saldo negativo informado no PER/DCOMP com demonstrativo de crédito foi de R$280.747,21, o somatório das parcelas de composição do crédito na Declaração de Informações Econômico Fiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ) foi de R$406.479,60 e o IRPJ devido foi de R$125.732,39. O valor do saldo negativo disponível foi de R$155.014,82. Assim, diante do exposto, a declaração de compensação n° 27852.15532.290308.1.3.023904 FOI HOMOLOGADA PARCIALMENTE, as declarações de compensação n° 32034.80545.270508.1.7.023620 e n° 14173.51261.290408.1.3.029079 NÃO FORAM HOMOLOGADAS, NÃO HAVENDO VALOR A SER RESTITUÍDO/RESSARCIDO no PER/DCOMP n° 09455.50270.291107.1.2.023209. Como enquadramento legal citouse: art. 168 do Código Tributário Nacional CTN (Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966), inciso II do §1° do art. 6o e art. 28 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, art. 5o da Instrução Normativa n° 600, de 28 de dezembro de 2005, art. 74 da Lei n° 9.430, de 1996. DA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE Fl. 122DF CARF MF Impresso em 13/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2012 por EDGAR SILVA VIDAL, Assinado digitalmente em 27/06/2012 po r CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 26/06/2012 por EDGAR SILVA VIDAL Processo nº 10680.921049/200813 Acórdão n.º 180101.014 S1TE01 Fl. 124 3 Cientificado do Despacho Decisório em 06 de janeiro de 2009, conforme doe. de fl. 62, o interessado apresenta manifestação de inconformidade de folhas 01/03, protocolizada em 02/02/2009, documentação de fls. 04/58, com as argumentações a seguir sintetizadas: alega que recebeu em 08/01/2009 o Despacho Decisório n° rastreamento 811457805 referente ao PER/DCOMP n° 21126.86376.281106.1.7.024530. o que gerou a não homologação foi a não constatação do saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 2003, pelo erro de preenchimento da DIPJ/2004, devidamente retificada em 14/01/2009. o PER/DCOMP n° 09455.50270.291107.1.2.023209 pedido de restituição foi apresentada à Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) apenas para garantir o direito creditório de compensação, estando ciente que uma vez utilizados os valores para a compensação, não terá valores a restituir. nos termos do art. 165 do CTN ""o sujeito passivo tem o direito, independentemente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo, seja qual for a modalidade do seu pagamento, ressalvado o disposto no §4º do art. 162, nos seguintes casos: I cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou a maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato ocorrido". Fica demonstrado que tem o direito de haver o valor pago indevidamente. não há prescrição do direito ao crédito uma vez que o contribuinte manifestouse tempestivamente para reaver o valor recolhido à maior. Frente as fatos e fundamentos acima expostos, requer: a) que seja reconhecido seu direito a utilização do(s) crédito(s) que outrora utilizou no(s) pedido(s) de compensação; b) que seja(m) aceita(s) e homologada(s) a(s) declaração (ões) de compensação (PER/DCOMP) anexa(s). Compensando integralmente os débitos contidos nos PER/DCOMPs 27852.15532.290308.1.3.023904 (doe. de fls. 12/16), n° 06628.74743.270508.1.3.020070 e n° 14173.51261.290408.1.3.029079. Em sessão de 08 de setembro de 2010, a 2ª Turma da DRJ/BHE julgou a Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte e o Direito Creditório em Parte. Intimada do Acórdão em 11 de maio de 2011, interpôs Recurso Voluntário em 26 de maio de 2011, onde concorda com a compensação de ofício prevista no Acórdão recorrido, desde que dela seja excluído o processo nº 10680.920944/200811, referente a CSLL, cód. 2484, PA 01/2004, no valor original de R$ 11.219,93, pois após consulta ao e Fl. 123DF CARF MF Impresso em 13/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2012 por EDGAR SILVA VIDAL, Assinado digitalmente em 27/06/2012 po r CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 26/06/2012 por EDGAR SILVA VIDAL Processo nº 10680.921049/200813 Acórdão n.º 180101.014 S1TE01 Fl. 125 4 CAC, constatou também a existência do processo nº 10680.920742/200861, para o mesmo tributo, no mesmo período de apuração e no mesmo valor, portanto em duplicidade, o que implicaria em bis in idem; e pede: A a reforma do Acórdão para que se já excluída da compensação o débito do processo 10680.920.944/200811 e a respectiva extinção do processo; B que a compensação seja limitada aos débitos dos processo 10680.920742/200861, 10680.920943/200868, 10680.920945/200857, /10680.920946/2008 00, 10680.930551/200998, 10680.931367/200965 e 10680.931368/200918; e C que o saldo do crédito disponível seja utilizado para compensação ou restituição. É o relatório. Voto Conselheiro Edgar Silva Vidal – Relator, O Recurso Voluntário é tempestivo e dele conheço. De acordo com o Despacho Decisório, o valor original do saldo negativo informado no PER/DCOMP com demonstrativo de crédito foi de R$ 280.7,47,21, o somatório das parcelas de.composição do crédito DIPJ: foi de R$ 406.479,60 e o IRPJ devido foi de R$125. 732,39 , restando o valor do saldo negativo disponível de R$ R$ 155.014,82, o que levou à homologação parcial das compensações pretendidas pela Recorrente. Todas as alegações da Recorrente foram consideradas e analisadas pela DRJ/BH, inclusive a comparação dos valores constantes da DIPJ Original e da Retificadora, concluindo pelo reconhecimento de mais crédito no valor de R$ 110.062,68, que deverá ser utilizado para homologação das compensações declaradas pela contribuinte. A Recorrente concorda com a decisão da DRJ/BHE no tocante ao valor do crédito reconhecido e com a compensação de ofício prevista no Acórdão, mas rejeita a compensação do valor de R$ 11.219,93 do processo nº 10680.920944/200811, referente a CSLL, cód. 2484, PA 01/2004, pugnando pela sua extinção, pois após consulta ao eCAC, constatou também a existência do processo nº 10680.920742/200861, para o mesmo tributo, no mesmo período de apuração e no mesmo valor, portanto em duplicidade, o que implicaria em bis in idem; e pede (fls. 78 e 83). Entendo que a existência de dois processos de compensação para o mesmo tributo, referente ao mesmo PA e no mesmo valor, tenha sido originada pela própria contribuinte, conforme se verifica nas. fls. 83, com nºs d DCOMPs diferentes. O que a recorrente pede é o cancelamento de um PER DCOMP e Recurso Voluntário não é a via adequada para cancelamento de PER/DCOMP, que deve ser feito pelo próprio contribuinte, observadas as normas que regem a matéria, previstas no artigo 82 da Fl. 124DF CARF MF Impresso em 13/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2012 por EDGAR SILVA VIDAL, Assinado digitalmente em 27/06/2012 po r CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 26/06/2012 por EDGAR SILVA VIDAL Processo nº 10680.921049/200813 Acórdão n.º 180101.014 S1TE01 Fl. 126 5 Instrução Normativa RFB nº 900, de 30 de dezembro de 2008, e por meio do programa adequado disponibilizado pela RFB: Art. 82. A desistência do pedido de restituição, do pedido de ressarcimento, do pedido de reembolso ou da compensação poderá ser requerida pelo sujeito passivo mediante a apresentação à RFB do pedido de cancelamento gerado a partir do programa PER/DCOMP ou, na hipótese de utilização de formulário em meio papel, mediante a apresentação de requerimento à RFB, o qual somente será deferido caso o pedido de restituição, o pedido de ressarcimento, o pedido de reembolso ou a compensação se encontre pendente de decisão administrativa à data da apresentação do pedido de cancelamento ou do requerimento. Parágrafo único. O pedido de cancelamento da Declaração de Compensação será indeferido quando formalizado após intimação para apresentação de documentos comprobatórios da compensação. Diante do exposto voto para negar provimento ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Edgar Silva Vidal – Relator. Fl. 125DF CARF MF Impresso em 13/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2012 por EDGAR SILVA VIDAL, Assinado digitalmente em 27/06/2012 po r CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 26/06/2012 por EDGAR SILVA VIDAL
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Numero do processo: 10680.004561/2003-81
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 22 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PROVISÓRIA SOBRE MOVIMENTAÇÃO OU TRANSMISSÃO DE VALORES E DE CRÉDITOS E DIREITOS DE NATUREZA FINANCEIRA - CPMF
Período de apuração: 21/07/1999 a 27/07/2001
MULTA DE OFÍCIO. LANÇAMENTO. SUJEITO PASSIVO.
Exceto no caso de sucessão, o lançamento da multa de ofício, pelo
descumprimento da legislação tributária, deve ser feito em nome do sujeito passivo que praticou a infração fiscal, e dele exigido o seu pagamento.
JUROS DE MORA. SUJEITO PASSIVO CONTRIBUINTE. RESPONSABILIDADE.
O sujeito passivo contribuinte da CPMF que não suportou o ônus do
pagamento da contribuição no prazo previsto na legislação, por omissão do sujeito passivo responsável, é responsável pelo pagamento do principal e dos juros de mora.
JUROS DE MORA. TAXA SELIC. LEGITIMIDADE.
É legítima a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa Selic.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 3302-001.602
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
Nome do relator: WALBER JOSE DA SILVA
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LANÇAMENTO. SUJEITO PASSIVO. Exceto no caso de sucessão, o lançamento da multa de ofício, pelo descumprimento da legislação tributária, deve ser feito em nome do sujeito passivo que praticou a infração fiscal, e dele exigido o seu pagamento. JUROS DE MORA. SUJEITO PASSIVO CONTRIBUINTE. RESPONSABILIDADE. O sujeito passivo contribuinte da CPMF que não suportou o ônus do pagamento da contribuição no prazo previsto na legislação, por omissão do sujeito passivo responsável, é responsável pelo pagamento do principal e dos juros de mora. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. LEGITIMIDADE. É legítima a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa Selic. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Fl. 271DF CARF MF Impresso em 17/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 31/05/2012 por WALBER JOSE DA SILVA 2 WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente e Relator. EDITADO EM: 31/05/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes e Fábia Regina Freitas. Relatório Contra a cooperativa BHCOOP foi lavrado auto de infração para exigir o pagamento de CPMF não retida e nem recolhida pelo Banco Bandeirantes, por força de decisões liminares concedidas em ação civil pública e em mandado de segurança, posteriormente cassadas. Inconformada, a interessada impugnou o lançamento alegando que o Banco Bandeirantes tomou ciência, em 24/03/2000, da cassação da liminar no mandado de segurança (a liminar da ação civil pública já havia sido cassada antes dessa data) e mesmo assim continuou sem efetuar a retenção da CPMF e, também, deixou de efetuar a retenção, em 29/09/2000, dos valores não retidos na vigência das liminares cassadas, como determina o art. 45 da Medida Provisória nº 2.15835, de 24/08/2001 (MP nº 2.03722, de 26/09/2000), razão pela qual as penalidades (multa de ofício e juros de mora) devem ser imputados ao Banco Bandeirantes e não à recorrente, que reconhece o valor do principal. A 1a Turma de Julgamento da DRJ em Belo Horizonte MG julgou procedente o lançamento, nos termos do Acórdão no 0213.489, de 05/03/2007, por entender que a falta de retenção da contribuição, por qualquer motivo, não afasta a responsabilidade do contribuinte pelo seu pagamento, bem como dos encargos legais decorrentes da mora (fls. 96/102). Ciente desta decisão em 29/06/2007 (AR de fl. 113), a interessada ingressou, no dia 20/07/2007, com o recurso voluntário de fls. 114/118, no qual ratifica o reconhecimento do débito principal (juta prova do seu pagamento) e renova seus argumentos a respeito da responsabilidade pelos acréscimos legais (multa de ofício e juros de mora), que entender ser do Banco Bandeirantes, que deu causa à inadimplência. Na forma regimental, o recurso voluntário foi distribuído a este Conselheiro Relator. Na sessão do dia 17/11/2009, nos termos da Resolução nº 330200.025, a Turma de Julgamento resolveu baixar o processo em diligência à repartição de origem da RFB para as seguintes providências: 1 dar ciência prévia desta resolução à recorrente e ao Banco Bandeirantes ou a seu sucessor/incorporador; 2 dar ciência ao Banco Bandeirantes, ou a seu sucessor/incorporador, do inteiro teor do recurso voluntário (fls. Fl. 272DF CARF MF Impresso em 17/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 31/05/2012 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10680.004561/200381 Acórdão n.º 330201.602 S3C3T2 Fl. 2 3 114/118) e dos documentos de fls. 26/29 e 74/87, relacionados ao mandado de segurança impetrado pela recorrente; 3 intimar o Banco Bandeirantes, ou seu sucessor/incorporador, a: 3.1 informar, e juntar prova, se existia outra ordem judicial suspendendo a retenção da CPMF da BHCOOP, além da proferida na ação civil pública e da proferida no Mandado de Segurança nº 1999.38.00.00333288; 3.2 informar as razões, e juntar as provas, pelas quais a CPMF da BHCOOP não foi retida e nem recolhida a partir do dia 24/03/2000, data da ciência da cassação da liminar proferida no mandado de segurança acima referido. 3.3 informar, e juntar provas, se no dia 29/09/2000 havia saldo na(s) conta(s) corrente(s) da BHCOOP suficiente para suportar o débito da CPMF não retida até 24/03/2000, acrescido dos juros de mora e da multa de mora, como determinava os arts. 45 e 46 da Medida Provisória nº 2.03722/00; 3.4 informar, e juntar prova, se os valores não retidos quando das movimentações financeiras feitas pela BHCOOP, constantes das declarações CPMF apresentadas pelo Banco Bandeirantes foram posteriormente retidos e recolhidos pelo Banco. Em caso positivo, informar a data da retenção e do recolhimento, bem como o valor retido e recolhido, destacando o principal, a multa de mora e os juros de mora; 3.5 informar se a BHCOOP apresentou manifestação expressa contra a retenção a que se refere os subitens 3.3 e 3.4. Em caso positivo, apresentar cópia. 4 preparar relatório da diligência, relatando os fatos e provas colhidas e manifestandose sobre os mesmos e sobre tudo o mais que julgar oportuno para o deslinde da pendenga; 5 dar ciência do relatório à recorrente e ao Banco Bandeirantes, ou a seu sucessor/incorporador, abrindo a ambos prazo para manifestação. Para a realização da diligência, este Conselheiro Relator fundamentou a decisão nos seguintes termos: No caso em tela, a cooperativa alega que o auto de infração foi lavrado e a contribuição não foi paga porque o Banco Bandeirantes deixou de reter e de recolher a exação na forma determinada pela legislação. Ou seja, o Banco Bandeirantes continuou não retendo a CPMF após a ciência da cassação da liminar que suspendia a retenção e, mais ainda, deixou de reter e recolher a CPMF não retida na vigência da liminar cassada antes de 31/08/2000, como determinava os artigos 45 e 46 da Medida Provisória nº 2.03722, de 26/09/2000 (atual MP nº 2.15835/2001). O Banco Bandeirantes deixou de reter a CPMF até o dia 27/06/2001 e, mesmo depois de voltar a efetuar a Fl. 273DF CARF MF Impresso em 17/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 31/05/2012 por WALBER JOSE DA SILVA 4 retenção, não cumpriu o que determina o art. 45 da Medida Provisória nº 2.15835/2001. Ocorre que tudo que se disse acima são meras conjeturas. E o são porque são apenas meio verdade. A verdade só pode vir à tona quando se ouvir o Banco Bandeirantes. Razão pela qual o julgamento deve ser convertido em diligência para que o Banco Bandeirantes (ou seu sucessor/incorporador) tenha oportunidade de se pronunciar sobre as acusações que lhes foram imputadas pela recorrente. Intimado pela UL da RFB sobre os quesitos acima, o Unicard Banco Múltiplo S/A, sucessor do Banco Bandeirantes S/A, respondeu nos seguintes termos: i) Que não há o conhecimento da existência de outra ação judicial suspendendo a retenção da CPMF da Cooperativa de Saúde de Belo Horizonte; ii) Que não reteve a CPMF da BHCOOP tendo em vista que cumpria decisão do Mandado de Segurança n° 1999.38.00.00333288, e que apesar da existência no processo de documento que demonstra a ciência do gerente da agência 095 quanto ao teor do oficio da seção judiciária que comunicava a cassação da liminar, a área tributária do Banco somente ficou ciente em fevereiro de 2001, ocasião em que efetuou a devida denúncia. iii) Que havia saldo suficiente na conta corrente da BHCOOP em 29/09/2000 para suportar o débito da CPMF não retida até 24/03/2000, e respectivos encargos. iv) Que não foram localizados em seus arquivos, ativos ou inativos, documento que expresse oposição por parte da BHCOOP quanto à retenção da CPMF, e que devido ao longo tempo decorrido desde os fatos ora em diligência (10 a 11 anos), é possível ter ocorrido a incineração de tal documento. Do relatório da diligência o Unicard Banco Múltiplo S/A (sucessor do Banco Bandeirantes S/A) tomou ciência e não se manifestou. É o Relatório. Voto Conselheiro Walber José da Silva, Relator. O julgamento do recurso voluntário teve início na sessão do dia 17/11/2009, quando foi convertido em diligência. Como se disse no relatório, a recorrente está contestando o lançamento contra sua pessoa da multa de ofício e dos juros de mora. Entende ela que foi o Banco Bandeirantes, na qualidade de sujeito passível responsável, quem violou a legislação tributária ao deixar de Fl. 274DF CARF MF Impresso em 17/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 31/05/2012 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10680.004561/200381 Acórdão n.º 330201.602 S3C3T2 Fl. 3 5 efetuar a retenção, em 29/09/2000, dos valores não retidos por força de decisão judicial revogada até 31/08/2000 e por ter deixado de efetuar a retenção da CPMF após tomar ciência, em 24/03/2000, da cassação da liminar que vedava a retenção, concedida em mandado de segurança. Realizado a diligência, o banco Unicard Banco Múltiplo S/A, sucessor do Banco Bandeirantes S/A, confirmou que: (i) foi notificado da decisão judicial que revogou a liminar concedida no Mandado de Segurança nº 1999.38.00.00333288; (ii) deixou de efetuar a retenção da CPMF porque a área tributária do Banco somente ficou ciente da referida decisão em fevereiro de 2001; (iii) havia saldo suficiente na conta corrente da BHCOOP em 29/09/2000 para suportar o débito da CPMF não retida até 24/03/2000, e respectivos encargos; (iv) não foram localizados em seus arquivos, ativos ou inativos, documento que expresse oposição por parte da BHCOOP quanto à retenção da CPMF. O resultado da diligência deixou claro (i) que não houve oposição da recorrente à retenção da CPMF lançada, (ii) que havia saldo suficiente em sua conta corrente para suportar o débito das contribuições não retidas e (iii) que o Banco Bandeirantes tomou ciência da decisão judicial que cassou a liminar que suspendia a retenção da CPMF da recorrente. No voto condutor da resolução acima referida, este Conselheiro Relator disse: Em princípio, não vejo como o disposto no § 3º, do art. 5º, da Lei nº 9.311/96, pode alcançar a penalidade (multa de ofício) quando o Banco deu causa à falta de retenção. Se assim fosse, estaríamos diante de uma situação em que o Banco viola a legislação da CPMF e ao contribuinte é imposto a sanção do ato ilícito praticado pelo Banco. O Banco Bandeirantes é sujeito passivo da CPMF, na qualidade de responsável (art. 121, inciso II, do CTN), por expressa determinação do art. 5º da Lei nº 9.311/96, conforme autoriza o art. 128 do CTN, mantida a responsabilidade da recorrente, em caráter supletivo. Art. 5° É atribuída a responsabilidade pela retenção e recolhimento da contribuição: I às instituições que efetuarem os lançamentos, as liquidações ou os pagamentos de que tratam os incisos I, II e III do art. 2° ; II às instituições que intermediarem as operações a que se refere o inciso V do art. 2° ; III àqueles que intermediarem operações a que se refere o inciso VI do art. 2°. § 1° A instituição financeira reservará, no saldo das contas referidas no inciso I do art. 2° , valor correspondente à Fl. 275DF CARF MF Impresso em 17/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 31/05/2012 por WALBER JOSE DA SILVA 6 aplicação da alíquota de que trata o art. 7° sobre o saldo daquelas contas, exclusivamente para os efeitos de retiradas ou saques, em operações sujeitas à contribuição, durante o período de sua incidência. § 2° Alternativamente ao disposto no parágrafo anterior, a instituição financeira poderá assumir a responsabilidade pelo pagamento da contribuição na hipótese de eventual insuficiência de recursos nas contas. § 3° Na falta de retenção da contribuição, fica mantida, em caráter supletivo, a responsabilidade do contribuinte pelo seu pagamento. A infração fiscal descrita no auto de infração foi praticada pelo sujeito passivo responsável (Banco Bandeirantes) e não pelo sujeito passivo contribuinte (BHCOOP). É ao autor da infração fiscal que se deve impor a penalidade e não a terceiros, mesmo tendo vinculação com o fato. A única hipótese em que se admite a imputação de penalidade a pessoa diversa daquela que praticou o delito fiscal é no caso de sucessão de pessoas jurídicas, nos termos da Súmula CARF nº 47, abaixo reproduzida. Súmula nº 47 – Cabível a imputação da multa de ofício à sucessora, por infração cometida pela sucedida, quando provado que as sociedades estavam sob controle comum ou pertenciam ao mesmo grupo econômico. O lançamento da multa de ofício deve ser feito contra o sujeito passivo responsável que praticou o delito fiscal “falta de retenção e recolhimento da CPMF”, o Banco Bandeirantes S/A ou seu sucessor. Improcedente, portanto, o lançamento da multa de ofício contra a cooperativa recorrente. Quanto aos juros de mora, a recorrente é o sujeito passivo contribuinte (art. 121, inciso I, do CTN) e tinha pleno conhecimento de que o Banco Bandeirantes (sujeito passivo responsável) não estava retendo a CPMF e, portanto, ficou em poder da recorrente o valor da CPMF não retirado de sua conta corrente mantida no referido Banco Bandeirantes e desses recursos usufruiu, sendo sua a responsabilidade pelos juros de mora compensatórios. Em razão do disposto no § 3º, do art. 5º, da Lei nº 9.311/96, c/c o art. 161 do CTN, não procede a alegação da recorrente de que não lhe pode ser exigido o pagamento dos juros de mora porque não deu causa à mora do pagamento da exação. Tivesse o Banco Bandeirantes retido e não recolhido a CPMF, dele seria a obrigação de ressarcir o erário pelo uso dos recursos da CPMF. Não é o caso dos autos. Com relação à utilização da taxa Selic no cálculo dos juros de mora, o CARF firmou entendimento de que a mesma é cabível, a teor da Súmula CARF no 4 (DOU de 22/12/2009) abaixo reproduzida: Súmula CARF no 4 A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no Fl. 276DF CARF MF Impresso em 17/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 31/05/2012 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10680.004561/200381 Acórdão n.º 330201.602 S3C3T2 Fl. 4 7 período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Ainda sobre a utilização da taxa Selic no cálculo dos juros de mora, na sessão do dia 18/05/2011, o Pleno do STF julgou o RE 582.461, cujas matérias questionadas foram reconhecidas como de repercussão geral. Nesse julgamento o STF reconheceu legítima a incidência da taxa Selic como índice de atualização dos débitos tributários pagos em atraso. Tal decisão é de aplicação obrigatório por parte deste CARF, nos termos do art. 62A do seu Regimento Interno. No mais, com fulcro no art. 50, § 1o, da Lei no 9.784/19991, adoto e ratifico os fundamentos do acórdão de primeira instância. Isto posto, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso voluntário para declarar improcedente o lançamento da multa de ofício. (assinado digitalmenta) Walber José da Silva 1 Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: [. . .] § 1o A motivação deve ser explícita, clara e congruente, podendo consistir em declaração de concordância com fundamentos de anteriores pareceres, informações, decisões ou propostas, que, neste caso, serão parte integrante do ato. Fl. 277DF CARF MF Impresso em 17/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 31/05/2012 por WALBER JOSE DA SILVA
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Numero do processo: 10907.001421/2006-00
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 19 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2005
OMISSÃO DE RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS. DISTRIBUIÇÃO DE LUCROS EM VALOR EXCEDENTE AO ESCRITURADO.
Tendo ficado comprovado nos autos que a pessoa jurídica distribuiu, aos sócios, lucros em montante superior ao escriturado, cabível a tributação da renda na pessoa física do sócio beneficiário.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DISTRIBUIÇÃO ANTECIPADA DE LUCROS.
Os valores pagos aos sócios a título de adiantamento de lucros a serem auferidos por pessoas jurídicas equivalem a verdadeiros empréstimos, não podendo ser considerados como rendimentos tributáveis, mormente quando restar comprovado que os lucros antecipadamente pagos foram distribuídos
dentro do mesmo ano-calendário.
Numero da decisão: 2101-001.681
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento em parte ao recurso, para considerar não tributável na pessoa física o valor de R$ 30.000,00, correspondente a distribuição antecipada de lucros, tendo em vista que os lucros foram distribuídos dentro do mesmo ano-calendário. Vencido o Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos, que votou por negar provimento ao recurso.
Nome do relator: CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY
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DISTRIBUIÇÃO DE LUCROS EM VALOR EXCEDENTE AO ESCRITURADO. Tendo ficado comprovado nos autos que a pessoa jurídica distribuiu, aos sócios, lucros em montante superior ao escriturado, cabível a tributação da renda na pessoa física do sócio beneficiário. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DISTRIBUIÇÃO ANTECIPADA DE LUCROS. Os valores pagos aos sócios a título de adiantamento de lucros a serem auferidos por pessoas jurídicas equivalem a verdadeiros empréstimos, não podendo ser considerados como rendimentos tributáveis, mormente quando restar comprovado que os lucros antecipadamente pagos foram distribuídos dentro do mesmo anocalendário. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento em parte ao recurso, para considerar não tributável na pessoa física o valor de R$ 30.000,00, correspondente a distribuição antecipada de lucros, tendo em vista que os lucros foram distribuídos dentro do mesmo anocalendário. Vencido o Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos, que votou por negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) _______________________________________________ LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Presidente. (assinado digitalmente) Fl. 141DF CARF MF Impresso em 13/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 25/ 06/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 13/07/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS 2 __________________________________________ CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), José Raimundo Tosta Santos, Gonçalo Bonet Allage, Alexandre Naoki Nishioka, Gilvanci Antonio de Oliveira Sousa e Celia Maria de Souza Murphy (relatora). Relatório Trata o presente processo de o Auto de Infração emitido contra o contribuinte em epígrafe, no qual é cobrado o imposto sobre a renda de pessoa física (IRPF) correspondente ao ano calendário 2004 (exercício 2005) no valor de R$ 47.323,26. O valor total do crédito tributário exigido, incluída a multa de lançamento de ofício de 75% sobre o valor do imposto e juros de mora calculados até 31.5.2006 é de R$ 91.513,71. Na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal (fls. 30), a Fiscalização apurou ter havido distribuição ao contribuinte, sócio da empresa Mares do Sul Serviços Marítimos Ltda., de lucro em valor excedente ao escriturado, nos termos da Instrução Normativa SRF n.º 93, de 1997. De acordo com o Termo de Verificação Fiscal (fls. 27), a empresa distribuidora dos lucros iniciou o ano de 2004 com um saldo de lucros acumulados (conta 1031) de R$ 349.188,06 e um saldo de prejuízos acumulados (conta 1040) de R$ 97.811,21. Em 5.1.2004, a empresa procedeu à transferência do saldo da conta de prejuízos acumulados para a conta lucros acumulados, sendo demonstrado nessa data o saldo de lucros acumulados disponíveis para distribuição: R$ 251.376,85. Segundo a Fiscalização, durante o ano de 2004, a empresa Mares do Sul Serviços Marítimos Ltda. distribuiu as seguintes parcelas de lucros: Data Valor Total Sócio Márcio Silva Xavier Sócio Celso Roberto Xavier 31.3.2004 1.410.350,00 1.269.315,00 141.035,00 31.3.2004 (*) 300.000,00 270.000,00 30.000,00 31.3.2004 (**) 300.000,00 270.000,00 30.000,00 * Contabilizado na conta Lucros Acumulados (1031). **Contabilizado na conta Dist. Antecip. Lucros 2004 (2721). Ainda de acordo com o apurado pelo Fisco, após estas contabilizações, a conta "Lucros Acumulados" encerrou o trimestre com um saldo devedor de R$ 1.458.973,15 e a conta "Dist. Antecip. Lucros" com um saldo devedor de R$ 300.000,00. A Fiscalização alega que, conforme as regras da Instrução Normativa SRF n.º 93, de 1997, os lucros distribuídos por pessoa jurídica optante pela tributação pelo regime do lucro presumido e que possui escrituração contábil são os decorrentes do resultado do exercício (no caso, o primeiro trimestre de 2004), assim como os lucros acumulados de exercícios anteriores. Já os lucros creditados acima da soma destes valores são tributados com base na Fl. 142DF CARF MF Impresso em 13/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 25/ 06/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 13/07/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 10907.001421/200600 Acórdão n.º 210101.681 S2C1T1 Fl. 142 3 tabela progressiva e estão sujeitos ao ajuste anual. Salienta que a empresa não elaborou Balanço Patrimonial relativo ao primeiro trimestre de 2004; logo, nenhum resultado foi considerado para fins de distribuição de lucros. Concluiu, assim, que: Discriminação Valor (R$) Valor de lucros acumulados de exercícios anteriores disponíveis para distribuição (R$) 251.376,85 Parcela correspondente ao sócio Marcio Silva Xavier (90%) (R$) 226.239,17 Parcela correspondente ao sócio Celso Roberto Xavier (10%) (R$) 25.137,68 Total dos lucros distribuídos em 31/03/2004 (R$) 2.010.350,00 Parcela distribuída a Marcio Silva Xavier (R$) 1.809.315,00 Parcela distribuída a Celso Roberto Xavier (R$) 201.035,00 Excedente distribuído a Marcio Silva Xavier (R$) 1.583.075,83 Excedente distribuído a Celso Roberto Xavier (R$) 175.897,32 Com base nessas conclusões, o valor R$ 175.897,32 foi objeto de lançamento a titulo de "lucro distribuído a sócio ou acionista excedente ao escriturado". Em 21.7.2006, o contribuinte apresentou impugnação (fls. 41 a 47), na qual alega que, nos anoscalendário de 1999 a 2003, a empresa Mares do Sul Serviços Marítimos Ltda. distribuiu lucros no montante de R$ 300.000,00, cabendolhe R$ 30.000,00 (fls. 50) e, no anocalendário de 2004, antecipou a distribuição de lucros no montante de R$ 300.000,00, competindolhe o valor de R$ 30.000,00, distribuição esta amparada pelo art. 204, da Lei 6.404, de 1976. Salienta que, no ano de 2004, a empresa apurou lucro líquido de R$ 309.828,75, estando o valor distribuído dentro do limite de isenção, conforme demonstrações financeiras às fls. 51 a 57. Ainda em 2004, complementa, a empresa Mares do Sul Serviços Marítimos Ltda. fezlhe um empréstimo de R$ 81.027,11, conforme contrato de Mútuo (fls. 65 e 66), que foi contabilizado no ativo realizável a longo prazo (fls. 58 a 64). Enfatiza que os créditos que lhe foram concedidos pela empresa totalizaram R$ 141.027,11, não estando, portanto, em consonância com os valores apurados pela fiscalização. Argumenta que, em relação à distribuição de lucros no valor de R$ 30.000,00 (1999 a 2003), foram constatados erros nos lançamentos contábeis da conta de lucros acumulados da empresa Mares do Sul o que, provavelmente, ocasionou equívoco de interpretação por parte do Fisco, conforme documentos às fls. 68 e 69, nos quais aparecem lançamentos a débito no montante de R$ 2.010.450,00, dos quais R$ 201.035,00 lhe corresponderiam. Entretanto, tais lançamentos não lhe pertencem, porquanto lhe foi creditado apenas R$ 141.027,11, como já esclarecido anteriormente, assim, improcede a exigência imposta. Insurgese contra a cobrança de juros de mora equivalentes à taxa Selic e transcreve ementas de julgados. Ao examinar o pleito, a 4.ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Curitiba decidiu pela improcedência da Impugnação, por meio do Acórdão n.º 0619.031, de 26 de agosto de 2008, assim ementado: Fl. 143DF CARF MF Impresso em 13/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 25/ 06/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 13/07/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS 4 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2005 DISTRIBUIÇÃO DE LUCROS. PARCELA EXCEDENTE. ISENÇÃO. A não incidência de imposto de renda sobre a parcela excedente ao valor da base de cálculo do imposto, diminuída de todos os impostos e contribuições a que estiver sujeita a pessoa jurídica, depende de demonstração de que o lucro efetivo é maior que o determinado segundo as normas para apuração da base de cálculo do imposto pela qual houver optado, ou seja, o lucro presumido ou arbitrado, e deverá ser feita mediante escrituração contábil que observe a lei comercial. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. Os tributos e contribuições sociais não pagos até o seu vencimento, com fatos geradores ocorridos a partir de 01/01/1995, serão acrescidos na via administrativa ou judicial, de juros de mora equivalentes, a partir de 01/04/1995, A taxa referencial do Selic para títulos federais. DECISÕES ADMINISTRATIVAS E JUDICIAIS. EFEITOS. As decisões administrativas e as judiciais, não proferidas pelo STF sobre a inconstitucionalidade das normas legais, não se constituem em normas gerais, razão pela qual seus julgados não se aproveitam em relação a qualquer outra ocorrência, senão àquela objeto da decisão. O contribuinte interpôs Recurso Voluntário em 14.10.2008 (fls. 82 a 92), no qual reitera ter recebido da empresa Mares do Sul Serviços Marítimos Ltda., da qual é sócio, apenas a quantia de R$ 141.027,11, na qual estão englobadas as parcelas de R$ 81.027,11, por conta de empréstimo com ela contraído (fls. 58/64), R$ 30.000,00, por conta de lucros acumulados de exercícios anteriores a 2004 e R$ 30.000,00, como antecipação de lucros do exercício corrente de 2004. Alega ter comprovado que a pessoa jurídica possuía escrituração contábil de acordo com a legislação comercial. Entende ter demonstrado que, com exceção da parcela de R$ 30.000,00, referente a lucros acumulados de exercícios anteriores a 2004, os valores que lhe foram pagos correspondem a empréstimo pactuado através de contrato de mútuo e de antecipação de lucros por conta do resultado do exercício de 2004. Sustenta que, com base no artigo 48, § 2°, II e § 3° da IN SRF n° 93, de 1997, ainda que pagos antes do término do seu exercício social, não há incidência do imposto sobre os lucros distribuídos pela pessoa jurídica quando esta disponha de escrituração contábil que atenda a legislação comercial e não excedam ditos lucros o valor apurado pela referida escrituração, nos termos do § 3° do art. 48 da citada IN SRF n° 93, de 1997. Sendo assim, é isenta do imposto a distribuição de lucros ainda que por conta do resultado do exercício, mas desde que apurado de acordo com a legislação comercial. Pontua que a apuração trimestral do imposto é exigência da lei fiscal artigo 10 da Lei n° 9.430/96 – somente para efeito de incidência da antecipação do imposto de renda da pessoa jurídica. No entanto, para a lei comercial, é obrigatório somente o levantamento anual, Fl. 144DF CARF MF Impresso em 13/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 25/ 06/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 13/07/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 10907.001421/200600 Acórdão n.º 210101.681 S2C1T1 Fl. 143 5 tanto do balanço patrimonial como do resultado do exercício, ao término do exercício social, tal como prescrevem o artigo 1.179 do Código Civil e os artigos 175 e 177 da Lei n.º 6.404, de 1976. Afirma que o caput do artigo 48 da IN SRF n° 93, de 1997, referese a pagamento ou crédito, e o único pagamento ou crédito efetuado ao recorrente foi de R$ 141.027,11, e a autoridade julgadora de primeira instância confunde débito na conta de Dist. Antec. de Lucros, de cujo registro diz competir ao recorrente o valor de R$ 201.035,00, com crédito que lhe fora efetivamente pago (R$ 141.027,11). Alega que a jurisprudência é pacifica no sentido de que as antecipações de lucro por conta do resultado do exercício, desde que inferiores ao lucro apurado no período, constituem empréstimo e não distribuição de lucro. Entende que a decisão recorrida deixa de analisar todos os pontos da impugnação e tira ilações que refogem à prova dos autos. Pede seja julgado improcedente o Auto de Infração. O julgamento do recurso voluntário foi convertido em diligência, para que fossem juntados aos autos extratos dos sistemas de controle da Secretaria da Receita Federal do Brasil correspondentes aos valores dos recolhimentos da CPMF de todas as contas bancárias do contribuinte Celso Roberto Xavier, CPF 547.921.69968 e da empresa Mares do Sul Serviços Marítimos Ltda., CNPJ 00.086.649/000177, no primeiro semestre do anocalendário de 2004, e ainda documentos hábeis e idôneos nos quais se fundamentam as alterações levadas a efeito na contabilidade da empresa e extratos de todas as contas bancárias do contribuinte e da empresa Mares do Sul Serviços Marítimos Ltda., abrangendo o primeiro semestre do ano de 2004, nos quais constassem os valores que o Recorrente alega ter recebido (R$ 81.027,11, R$ 30.000,00 e R$ 30.000,00). O contribuinte foi intimado por meio do Termo de Intimação n.º 1, de 8.12.2011 (fls. 104 e 105), recebido em 20.1.2012 (fls. 107), tendo prestado os seguintes esclarecimentos: a) está impossibilitado de apresentar cópias da nova versão do Livro Diário da empresa Mares do Sul Serviços Marítimos Ltda., haja vista que sua versão original encontrase apreendida pela Fiscalização; b) o processo administrativo no qual se discute o lançamento levado a efeito junto àquela pessoa jurídica encontrase aguardando julgamento no CARF; c) tanto o contribuinte quanto a pessoa jurídica Mares do Sul mantinham contacorrente bancária apenas no Banco Itaú no anocalendário 2004, conforme demonstra por meio dos extratos do primeiro semestre de 2004, que anexa; d) o único pagamento feito ao contribuinte foi de R$ 141.035,00, sendo R$ 81.035,00 a título de mútuo e duas parcelas de R$ 30.000,00, uma por conta de distribuição antecipada de lucros e outra de lucros acumulados. A Fiscalização lavrou Termo de Encerramento de Diligência (fls. 136 e 137), no qual aponta que, diferentemente do alegado pelo contribuinte, havia, no anocalendário de Fl. 145DF CARF MF Impresso em 13/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 25/ 06/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 13/07/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS 6 2004, mais de uma conta bancária em nome da empresa Mares do Sul Serviços Marítimos Ltda., o que demonstra por meio dos Dossiês Integrados do contribuinte e da pessoa jurídica (fls. 132 a 135). Intimado a se manifestar sobre as informações constantes da DCPMF referentes ao anocalendário de 2004 apresentadas pelo Banco Itaú Unibanco S/A e pelo Banco do Brasil S/A, o contribuinte nada apresentou. É o relatório. Voto Conselheira Celia Maria de Souza Murphy O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos legais previstos no Decreto n° 70.235, de 1972. Dele conheço. Tratase de lançamento de imposto sobre a renda de pessoa física por distribuição ao contribuinte, sócio da empresa Mares do Sul Serviços Marítimos Ltda, de lucro em valor excedente ao escriturado. Em sede de recurso voluntário, o contribuinte não mais se insurgiu contra a utilização da taxa Selic para o cálculo dos juros de mora. Sendo assim, consolidase, neste ponto, a decisão administrativa de primeira instância administrativa. Na segunda instância, a defesa fundamentase basicamente nos seguintes aspectos: a) o recorrente recebeu da empresa Mares do Sul Serviços Marítimos Ltda., apenas a quantia de R$ 141.027,11 (R$ 81.027,11, por conta de empréstimo com ela contraído, R$ 30.000,00, de lucros acumulados de exercícios anteriores a 2004 e R$ 30.000,00, como antecipação de lucros do exercício de 2004; b) ainda que pagos antes do término do exercício social, não há incidência do imposto sobre os lucros distribuídos pela pessoa jurídica quando esta disponha de escrituração contábil que atenda a legislação comercial e não excedam ditos lucros o valor apurado pela referida escrituração; c) a apuração trimestral do imposto é exigência da lei fiscal, mas não da lei comercial d) o único pagamento ou crédito efetuado em seu nome foi de R$ 141.027,11. Tendo em vista que algumas cópias das folhas dos livros contábeis e fiscais da empresa Mares do Sul Ltda. não estavam legíveis, a Fiscalização prestou os seguintes esclarecimentos no Termo de Verificação Fiscal (fls. 18), que não foram contestados pelo recorrente: “Deste modo relacionamos pelo presente termo as respectivas datas relativas ao livro Razão: Fl. 146DF CARF MF Impresso em 13/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 25/ 06/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 13/07/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 10907.001421/200600 Acórdão n.º 210101.681 S2C1T1 Fl. 144 7 Fl. 83, conta "Banco Itaú S/ANR. 361120", dia 31/03/2004: R$ 1.269.315,00; R$ 141.035,00; R$ 270.000,00; R$ 30.000,00. Fl. 179, conta "Clientes Diversos", dia 31/12/2004: R$ 1.458.973,15. Fl. 183, conta "Lucros Acumulados", dia 05/01/2004: R$ 47.736,28 R$ 50.074,93. Fl. 183, conta "Lucros Acumulados", dia 31/03/2004: R$ 1.269.315,00; R$141.035,00; R$270.000,00; R$30.000,00. Fl. 183, conta "Lucros Acumulados", dia 31/12/2004: R$1.458.973,15. Fl. 183, conta "Lucros Acumulados", dia 31/12/2004: R$309.828,75. Fl. 184, conta “Dist. Antecip. Lucros 2004”, dia 31/03/2004: R$270.000,00 e R$30.000,00. Fl. 236, conta "Apur. Result. do Exercício", 31/12/2004: R$ 309.828,75.” No tocante ao primeiro item (a), verificase, no Livro Diário da empresa Mares do Sul Serviços Marítimos Ltda (fls. 06), distribuição de lucros para Celso Roberto Xavier, em 31.3.2004, no valor de R$ 141.035,00, assim como duas antecipações de distribuição de lucros no valor de R$ 30.000,00 cada. Consta ainda contrato de mútuo entre as partes Mares do Sul Serviços Marítimos Ltda. e Celso Roberto Xavier, no valor de R$ 81.027,11. No Razão Analítico, pág. 83 (fls. 20), na conta Banco Itaú S/ANR. 361120", dia 31/03/2004: distribuição, para o contribuinte, de lucros auferidos: R$ R$ 141.035,00; antecipação de distribuição de lucros para Celso Roberto Xavier: R$ 30.000,00 e R$ 30.000,00; contrato de mútuo entre as partes Mares do Sul Serviços Marítimos Ltda. e Celso Roberto Xavier: R$ 81.027,11. Na sua peça impugnatória (fls. 44), o contribuinte sustenta o seguinte: “2.9 Dos lançamentos acima demonstrados são procedentes os seguintes em relação ao lmpugnante: Distribuição antecipada de lucros no valor de R$ 30.000,00, comprovado pelo lançamento constante do razão contábil, cópia em anexo (doc. 06); (ii) Mútuo no valor de R$ 81.027,11, comprovado pelo lançamento constante do razão contábil, cópia em anexo (doc. 05); (iii) Distribuição de Lucros no valor de R$ 30.000,00; 2.10 Com relação ao item (iii) acima, foram constatados erros nos lançamentos contábeis da conta de lucros acumulados da empresa Mares do Sul, o que, provavelmente pode ter gerado erro de interpretação por parte da Sra. Auditora Fiscal ao proceder o presente lançamento. Vejase cópia em anexo (doc. 07). 2.11 As irregularidades nos lançamentos contábeis somente poderão ser retificados após o encerramento do procedimento fiscal que encontrase em andamento na empresa Mares do Sul.” Fl. 147DF CARF MF Impresso em 13/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 25/ 06/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 13/07/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS 8 No entanto, intimado, em diligência realizada pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Curitiba (fls. 104 a 106), o contribuinte não apresentou documentos que comprovassem ou justificassem tal alteração na contabilidade da empresa, para a correção dos erros apontados, alteração essa que seria supostamente feita após o término da ação fiscal. Alegou impossibilidade de fazêlo tendo em vista não estar de posse da escrituração anterior em virtude de sua retenção pela Fiscalização. Em cumprimento da diligência, apresentou cópias de extratos bancários, correspondentes ao primeiro semestre de 2004, das seguintes contas, mantidas na Agência n.° 118 do Banco Itaú S/A: a) n.º 361120, em nome de Mares do Sul Serv. Marít. Ltda., no qual consta, no dia 31.3.2004, saída “AG. TEF 0118 329721” no valor de R$ 141.035,00 (fls. 123); b) n.º 329721, em nome de Celso Roberto Xavier, no qual consta, no dia 31.3.2004, ingresso“AG. TEF 0118 361120” no valor de R$ 141.035,00 (fls. 127). Em seu arrazoado (fls. 109 e 110), o contribuinte afirma que, no ano calendário de 2004, tanto ele quanto a pessoa jurídica Mares do Sul mantinham contacorrente apenas no Banco Itaú S/A. Constatase, do exame dos autos, que a afirmativa não é verdadeira. Ficou comprovado, às fls. 134, que a empresa tinha contacorrente em outra instituição financeira (Banco do Brasil S/A., vide fls. 134). Além disso, aquela pessoa jurídica já havia reconhecido a existência, no anocalendário de 2004, de mais de uma contacorrente na agência 118 do Banco Itaú S/A (Conta n.° 330448, vide fls. 30 do processo n.° 10907.003126/2006 80). Verificase, do exposto, que o contribuinte não forneceu cópias dos extratos bancários de todas as contascorrentes da pessoa jurídica, conforme intimação. Em sua peça recursal, o contribuinte admite ter recebido da empresa Mares do Sul Serviços Marítimos Ltda: “apenas a quantia de R$ 141.027,11, na qual estão englobadas as seguintes parcelas: R$ 81.027,11, por conta de empréstimo com ela contraído (fls. 58/64), R$ 30.000,00, por conta de lucros acumulados de exercícios anteriores a 2004 e R$ 30.000,00, como antecipação de lucros do exercício corrente de 2004.” Os extratos bancários apresentados pelo contribuinte comprovam que houve um depósito, na sua contacorrente do Banco Itaú S/A, de R$ 141.035,00, feito pela empresa Mares do Sul Serviços Marítimos Ltda., no dia 31.3.2004. O valor depositado não corresponde ao somatório de R$ 81.027,11 (contrato de mútuo) mais duas vezes R$ 30.000,00 (duas parcelas de distribuição antecipada de lucros), montante que o contribuinte admite ter recebido da empresa Mares do Sul. O resultado da operação aritmética “R$ 81.027,11 + R$ 30.000,00 + R$ 30.000,00” é R$ 141.027,11, e não R$ 141.035,00. Apesar de serem próximos, os números são diferentes. Não se pode afirmar que R$ 141.027,11 é igual a R$ 141.035,00. O valor de R$ 141.035,00 foi lançado na declaração anual de ajuste do contribuinte, correspondente ao anocalendário de 2004 (fls. 35), como rendimento isento/não tributável. Este procedimento também não se coaduna com o que foi alegado na defesa, de que este montante seria integrado por uma parcela recebida em decorrência de contrato de mútuo firmado entre o contribuinte e a empresa Mares do Sul Serviços Marítimos Ltda. (R$ 81.027,11) e outras duas parcelas de R$ 30.000,00 cada, recebidas a título de antecipação de lucros da empresa. Fl. 148DF CARF MF Impresso em 13/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 25/ 06/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 13/07/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 10907.001421/200600 Acórdão n.º 210101.681 S2C1T1 Fl. 145 9 Os lançamentos contábeis da empresa Mares do Sul Serviços Marítimos Ltda. e as informações prestadas pelo contribuinte na sua declaração de ajuste correspondente ao anocalendário 2004 apresentada pelo contribuinte não permitem concluir que o valor do mútuo pactuado entre o contribuinte e a empresa (R$ 81.027,11) e as duas parcelas de R$ 30.000,00, correspondentes a antecipação de distribuição de lucros, encontramse inseridas no montante de R$ 141.035,00, tal como pretendido. Ante o exposto, não procede a alegação do contribuinte, no item (d), de que o depósito feito em sua contacorrente corresponde a R$ 141.027,11, porque tal afirmativa não encontra respaldo nas provas dos autos. Já os montantes de R$ 30.000,00 e R$ 30.000,00, lançados na contabilidade da empresa Mares do Sul Serviços Marítimos Ltda. a título de antecipação de lucros ao sócio Celso Roberto Xavier, não foram contestados pelo contribuinte. Ele próprio, em sua peça recursal, reafirma ter recebido esses valores. Sendo assim, entendo ter ficado demonstrado nos autos que o montante creditado ao contribuinte pela empresa Mares do Sul Serviços Marítimos Ltda. a título de distribuição de lucros e lucros antecipados perfaz um somatório de R$ 201.035,00 (R$ 141.035,00 + R$ 30.000,00 + R$ 30.000,00). Ressaltese que o montante de R$ 141.035,00 é igual ao lançado na contabilidade da empresa Mares do Sul Serviços Marítimos Ltda. a título de distribuição de lucros auferidos. Foram lançados ainda, em benefício do contribuinte, R$ 60.000,00, a título de antecipação de lucros (duas parcelas de R$ 30.000,00). A Fiscalização apurou que, em janeiro de 2004, o saldo de lucros acumulados disponíveis para distribuição na empresa Mares do Sul Serviços Marítimos Ltda. era de R$ 251.376,85, nos seguintes termos: “A empresa iniciou o ano de 2004 com um saldo de lucros acumulados (conta 1031) de R$ 349.188,06 e um saldo de prejuízos acumulados (conta 1040) de R$ 97.811,21. Em data de 05/01/2004 procedeu a transferência do saldo da conta de prejuízos acumulados para a conta lucros acumulados, sendo demonstrado nesta data o saldo de lucros acumulados disponíveis para distribuição: R$ 251.376,85.” Tendo em vista que a empresa não apresentou balanço patrimonial em 31.12.2003, foi considerado disponível para distribuição, com isenção de imposto de renda na pessoa física dos sócios beneficiários, o valor de R$ 251.376,85 (lucros acumulados de exercícios anteriores). No entanto, o valor total dos lucros distribuídos pela empresa Mares do Sul Serviços Marítimos Ltda. para os sócios, em 31.3.2004, foi de R$ 2.010.350,00, do qual R$ 201.035,00 (R$ 141.035,00 + R$ 30.000,00 + R$ 30.000,00) para o contribuinte. Para este, foi apurado um excedente de R$ 175.897,32, resultado da operação: R$ 201.035,00 – R$ 25.137,68, montante este tributável pelo imposto sobre a renda de pessoa física. No final do exercício de 2004, foi apurado lucro de R$ 309.828,75, do qual distribuiuse para os sócios R$ 300.000,00 (fls. 12). Fl. 149DF CARF MF Impresso em 13/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 25/ 06/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 13/07/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS 10 O contribuinte alega que a jurisprudência é pacifica no sentido de que as antecipações de lucro por conta do resultado do exercício, desde que inferiores ao lucro apurado no período, constituem empréstimo e não distribuição de lucro. Neste ponto, parece assistir razão ao contribuinte. Em circunstância similar à configurada nos autos, a distribuição antecipada de lucros foi considerada empréstimo ao sócio beneficiário porque comprovouse que os lucros antecipadamente pagos foram distribuídos dentro do mesmo anocalendário. Vejamos a ementa do Acórdão: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 2000 IRPF OMISSÃO DE RENDIMENTOS DISTRIBUIÇÃO ANTECIPADA DE LUCROS Os valores pagos aos sócios a título de adiantamento dos lucros a serem auferidos por pessoas jurídicas equivalem a verdadeiros empréstimos, não podendo ser considerados como rendimentos tributáveis, mormente quando restar comprovado que os lucros antecipadamente pagos foram distribuídos dentro do mesmo anocalendário. Recurso voluntário provido. (Primeiro Conselho de Contribuintes. 6ª Câmara. Turma Ordinária. Acórdão nº 10616902. Data: 28.5.2008) Nos autos do presente processo, ficou comprovado que a pessoa jurídica apurou lucro de R$ 309.828,75 e distribuiu, ao final do anocalendário, R$ 300.000,00 de lucro, R$ 30.000,00 para o recorrente (fls. 12). O montante de R$ 30.000,00 não deve, portanto, ser tributado pelo imposto sobre a renda de pessoa física. Por fim, o contribuinte sustenta que a decisão recorrida deixa de analisar todos os pontos da impugnação e tira ilações que refogem à prova dos autos: “a) de que o valor efetivamente pago ao contribuinte foi de R$ 201.035,00; b) sem mencionar as respectivas contrapartidas dos lançamentos contábeis tampouco a prova da sua escrituração no Diário, sofisma que a empresa pagara ao recorrente, além dos R$ 141.027,11, a parcela de R$ 60.000,00 (fls. 74/5).” Examinando os autos, constatei que o relator do voto condutor da decisão a quo analisou os argumentos suscitados pelo interessado frente às provas dos autos e à legislação tributária e manifestouse de acordo com a sua convicção. Não vislumbro qualquer omissão na decisão administrativa de primeira instância; vejo somente uma divergência de entendimentos. O fato de o contribuinte discordar do entendimento do julgador, em seu voto, não significa que o aspecto suscitado pela defesa não tenha sido devidamente analisado. A decisão combatida baseouse na escrita contábil da empresa Mares do Sul Serviços Marítimos Ltda., na qual existem lançamentos distintos e inconfundíveis para cada um dos valores considerados no lançamento tributário e mantidos na referida decisão. Fl. 150DF CARF MF Impresso em 13/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 25/ 06/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 13/07/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 10907.001421/200600 Acórdão n.º 210101.681 S2C1T1 Fl. 146 11 Conclusão Ante todo o exposto, voto dar provimento em parte ao Recurso Voluntário para considerar não tributável na pessoa física o valor de R$ 30.000,00, correspondente a distribuição antecipada de lucros. (assinado digitalmente) ________________________________ Celia Maria de Souza Murphy Relatora Fl. 151DF CARF MF Impresso em 13/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 25/ 06/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 13/07/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS
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Numero do processo: 18471.000040/2008-36
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 10 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu May 16 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Exercício: 2003, 2004, 2005, 2006, 2007
MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO. MULTA OBJETO DE AUTO DE INFRAÇÃO ANTERIOR.
Devem ser canceladas as multas de períodos-base já devidamente exigidas em auto de infração eletrônico cientificado à contribuinte em data anterior ao do lançamento objeto do julgamento.
Numero da decisão: 1301-001.187
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento,por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao Recurso de Ofício, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator.
(assinado digitalmente)
Plínio Rodrigues Lima
Presidente
(assinado digitalmente)
Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior
Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros: Plínio Rodrigues Lima , Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier.
Nome do relator: EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Exercício: 2003, 2004, 2005, 2006, 2007 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO. MULTA OBJETO DE AUTO DE INFRAÇÃO ANTERIOR. Devem ser canceladas as multas de períodos-base já devidamente exigidas em auto de infração eletrônico cientificado à contribuinte em data anterior ao do lançamento objeto do julgamento.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento,por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao Recurso de Ofício, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator. (assinado digitalmente) Plínio Rodrigues Lima Presidente (assinado digitalmente) Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior Relator Participaram do julgamento os Conselheiros: Plínio Rodrigues Lima , Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1767; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C3T1 Fl. 2 1 1 S1C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 18471.000040/200836 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1301001.187 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 10 de abril de 2013 Matéria Multa Entrega Declaração Recorrente FAZENDA NACIONAL. Recorrida INDUSTRIA E COMERCIO REI LTDA ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Exercício: 2003, 2004, 2005, 2006, 2007 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO. MULTA OBJETO DE AUTO DE INFRAÇÃO ANTERIOR. Devem ser canceladas as multas de períodosbase já devidamente exigidas em auto de infração eletrônico cientificado à contribuinte em data anterior ao do lançamento objeto do julgamento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento,por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao Recurso de Ofício, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator. (assinado digitalmente) Plínio Rodrigues Lima Presidente (assinado digitalmente) Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior Relator Participaram do julgamento os Conselheiros: Plínio Rodrigues Lima , Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 47 1. 00 00 40 /2 00 8- 36 Fl. 582DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 26/04/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 30/04/2013 p or PLINIO RODRIGUES LIMA 2 Relatório Cuidase de Recurso de Ofício manuseado na forma regimental contra decisão proferida pela 5ª Turma da DRJ no Rio de Janeiro/RJ que exonerou parcela do crédito tributário contido no presente processo. Depreendese do presente processo administrativo que em desfavor da contribuinte foi lavrado auto de infração (fl. 470 – 479), por meio do qual são exigidas as multas por atraso na entrega das Declarações de Débitos e Créditos Tributários FederaisDCTF do mês de novembro de 2003, fevereiro de 2004, março a dezembro de 2005, janeiro a dezembro de 2006 e janeiro a setembro de 2007, que perfazem originário de RS 3.619.759,01. Cientificada das exigências acima referidas, a contribuinte apresentou Impugnação (fls. 483 – 493), alegando em síntese que o lançamento seria nulo, por inobservância do disposto nos artigos 15 e 16 da Portaria SRF n° 3.007, de 26 de novembro de 2001, uma vez que, o Mandado de Procedimento FiscalMPF, precedente da fiscalização da qual resultou o auto de infração objeto do presente processo, foi lavrado em 12 de maio de 2006, autorizado em 15 de maio de 2006, e os trabalhos fiscais somente tiveram início em 18 de setembro de 2006, quando então foi dada ciência ao contribuinte, ou seja, após o transcurso do prazo de 120 dias estabelecido pelo inciso II do art. 15, combinado com os arts. 12 e 13 da Portaria n° 3.007/2001, que resultaria em ação fiscal desprovida do necessário MPF, uma vez que extinto. Aduziu ainda, que segundo o art. 16 da mesma Portaria, a ação fiscal poderia ter tido prosseguimento com novo MPF, que não foi lavrado, e, mesmo que o fosse, por imposição do parágrafo único daquele artigo, não poderia têlo sido com o mesmo Auditor Fiscal designado para o MPF anterior, Sr. Walter Winkler, como ocorreu, de sorte que a ação fiscal teria sido desprovida do necessário MPF, uma vez que extinto o inicial e novo não lhe sobreveio e por retirada da legitimidade da autoridade fiscal originalmente designada para proceder à ação fiscal e que lavrou o auto de infração. Argumentou que não foi observado o art. 10 da Portaria SRF n° 6.087/2005, uma vez que não lhe foi dada ciência do MPFC de n° 07.1.90.00.2006.0076643 que estendeu a exigência fiscal a tributo distinto do estabelecido no MPF original, o que também provocaria a nulidade de todo o processo fiscal. Quanto ao mérito, afirmou que tentou entregar sua DCTF, em data pretérita, não obtendo sucesso, em função de períodos anteriores aos exercícios de 2005 e 2006, para os quais optou pela entrega mensal da DCTF quando o correto seria a apresentação semestral, conforme retificação das DIPJ entregues em 15/05/2006, mencionando que quando da apresentação mensal, o sistema operacional da Receita Federal acusava a ocorrência de erro, por conta da incompatibilidade dos dados pesquisados com a situação da empresa e que o mesmo erro, reconhecido pelo Delegado da Receita Federal, determinou, por parte da referida autoridade, o cancelamento do auto de infração gerado em 11/12/2006, sob o n° 656538636. Afirmou que em 10/10/2006 protocolou justificativa para não apresentação das DCTFs dos exercícios de 2005 e 2006 que gerou o Memorando n° 14/2007, de 15/01/2007, elaborado pelo CAE PenhaRJ, que resultou na notificação que determinou, em síntese, que o contribuinte deveria apresentar, a partir de janeiro de 2007, mensalmente, de forma centralizada, pelo estabelecimento matriz, a DCTF Mensal relativa a fatos geradores que Fl. 583DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 26/04/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 30/04/2013 p or PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 18471.000040/200836 Acórdão n.º 1301001.187 S1C3T1 Fl. 3 3 ocorreram a partir de 01 de janeiro de 2007, em razão de seu enquadramento, nos termos do art. 3º da Instrução Normativa SRF n° 695, de 14 de dezembro de 2006. Assentou que teria compreendido que em decorrência de tal documento protocolado em 06/11/2006, justificando a impossibilidade de apresentar os documentos exigidos em lei, referentes aos exercícios de 2005 e 2006, e em função de decisão anterior do Delegado da Receita Federal, anulando autuação gerada indevidamente em situação assemelhada, finalizando com a notificação determinando a entrega da DCTF mensal somente a partir de janeiro de 2007, foram acatadas as justificativas do contribuinte, que tentou entregar as DCTFs sem êxito, acrescentando que em relação ao exercício de 2005, já foi autuado pela suposta infração, conforme cópia dos autos de infração eletrônicos que junta às folhas 516 a 527, requerendo a nulidade do auto de infração ou a improcedência do feito fiscal. A 5ª Turma da DRJ no Rio de Janeiro/RJ, nos termos do acórdão e voto de folhas 536 a 542, julgou o lançamento parcialmente procedente, assentando para tanto que não haveria falar em nulidade decorrente de vícios no Mandado de Procedimento Fiscal, porquanto este se consiste em mero instrumento de controle administrativo, não trazendo a nulidade do lançamento. Quanto ao mérito, atestou a decisão recorrida que a contribuinte, obrigada à apresentação das Declarações de Débitos e Créditos Tributários FederaisDCTF do mês de novembro de 2003, fevereiro de 2004, março a dezembro de 2005, janeiro a dezembro de 2006 e janeiro a setembro de 2007, somente o fez em atraso, ensejando, portanto, a aplicação das multas exigidas no auto de infração objeto do presente processo e que o Despacho Decisório de 02/02/2007 (fl. 515), evocado pela interessada em sua impugnação, referese especificamente ao cancelamento do auto de infração número 656538636, emitido em 11/12/2006, que tinha como objeto a multa por atraso na entrega da Declaração de Informações da Pessoa Jurídica DIPJ do exercício de 2004, anocalendário 2003, e, portanto, nada tem a ver com entrega de Declarações de Débitos e Créditos Tributários FederaisDCTF, muito menos do anocalendário de 2005. Concluise ainda, que a notificação encaminhada à interessada pela Delegacia da Receita Federal de Administração Tributária do Rio de Janeiro, datada de 15/01/2007 e juntada à folha 15, determina expressamente que a contribuinte deveria passar a apresentar mensalmente suas DCTFMensal relativamente aos fatos geradores que ocorressem a partir de 1º de janeiro de 2007, e não "somente" a partir daquela data, como diz ter compreendido a interessada, bem como aquela notificação não teria qualquer motivação no documento protocolado pela interessada em 15/01/2007 no CAC/Penha (fl. 514). Dito isso, assentouse que tal notificação trata da sistemática obrigatória para apresentação das DCTF a partir do anocalendário de 2007, não fazendo qualquer menção nem alterando ou disciplinando a forma de apresentação das DCTFs de períodos anteriores, como a objeto de análise na presente autuação, concluindose que tanto o Despacho Decisório quanto a notificação evocadas pela interessada em sua peça impugnatória são irrelevantes para apreciação da matéria objeto do presente processo. Já as DCTFs semestrais juntadas à petição datada de 15/01/2007, (fl. 514), protocolada pela interessada no CAC/Penha, segundo entendimento da decisão recorrida, não teria validade, uma vez que, por força do artigo 5º da Instrução NormativaSRF n° 482, de 21 de dezembro de 2004, as DCTF do anocalendário de 2005 somente poderiam ser apresentadas mediante transmissão pela internet, com utilização do programa Receitanet. Fl. 584DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 26/04/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 30/04/2013 p or PLINIO RODRIGUES LIMA 4 Por fim, com relação às multas por atraso na entrega das Declarações de Débitos e Créditos Tributários FederaisDCTF dos meses de março a dezembro de 2005, no total de R$ 1.321.623,49, assentouse que estas já seriam objeto, respectivamente, dos processos n°s 15469.002123/200730, 15469.000037/200873, 15469.002131/200786, 15469.000052/200811, 15469.002121/200741, 15469.002124/200784, 15469.002125/2007 29, 15469.002126/200773, 15469.002127/200718, 15469.002128/200762, 15469.002129/200715 e 15469.002130/20073, originados nas impugnações a autos de infração eletrônicos cientificados à interessada em 03/12/2007, julgados procedentes por esta Delegacia de Julgamento em 06/11/2008, conforme Acórdãos de n°s 1221.716 a 1221.727, decidindo, desta forma, excluir tais períodosbase do lançamento objeto do presente processo. À folha 554 temse Certidão dando conta de a contribuinte em questão é optante pelo parcelamento da Lei 11.941/09, conforme tela consulta PAEX folha 552, sendo o feito encaminhado para apreciação do Recurso de Ofício (fl. 569). É o relatório. Fl. 585DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 26/04/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 30/04/2013 p or PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 18471.000040/200836 Acórdão n.º 1301001.187 S1C3T1 Fl. 4 5 Voto Conselheiro Edwal Casoni de Paula Fernandes Jr., Relator. Atendo aos pressupostos regimentais admito o Recurso de Ofício. Tal como registrado no relatório acima a contribuinte foi autuada pelo atraso na entrega das Declarações de Débitos e Créditos Tributários FederaisDCTF do mês de novembro de 2003, fevereiro de 2004, março a dezembro de 2005, janeiro a dezembro de 2006 e janeiro a setembro de 2007, que perfazem originário de RS 3.619.759,01. A parcela do crédito tributário que fora mantida pela decisão recorrida, como atestado às 552 e 554 foram objeto de parcelamento pela contribuinte. Já a parcela exonerada do crédito tributário somente o foi ante a constatação da Turma Julgadora de que eram tratadas as mesmas exigências em autos de infração diversos, já julgados e mantidos pelo mesmo órgão julgador. Com efeito, a decisão recorrida apenas afastou a dupla exigência, porquanto reconheceu que em relação às multas por atraso na entrega das Declarações de Débitos e Créditos Tributários FederaisDCTF dos meses de março a dezembro de 2005, no total de R$ 1.321.623,49, já seriam objeto, respectivamente, dos processos n°s 15469.002123/200730, 15469.000037/200873, 15469.002131/200786, 15469.000052/200811, 15469.002121/2007 41, 15469.002124/200784, 15469.002125/200729, 15469.002126/200773, 15469.002127/200718, 15469.002128/200762, 15469.002129/200715 e 15469.002130/20073, originados nas impugnações a autos de infração eletrônicos cientificados à interessada em 03/12/2007, julgados procedentes, conforme Acórdãos de n°s 1221.716 a 1221.727. Não há reparos, portanto, a serem feitos na decisão recorrida, que cuidou apenas de impedir que as mesmas competências tivessem múltiplas exigências de multa por atraso, a revelar que o Recurso de Ofício deve ser DESPROVIDO. Sala das Sessões, em 10 de abril de 2013. (assinado digitalmente) Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior. Fl. 586DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 26/04/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 30/04/2013 p or PLINIO RODRIGUES LIMA 6 Fl. 587DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 26/04/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 30/04/2013 p or PLINIO RODRIGUES LIMA
score : 1.0
Numero do processo: 13808.000479/2002-19
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Jan 26 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ.
Fato gerador: 1996.
DECADÊNCIA. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. EXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. APLICAÇÃO, AO RESPECTIVO PRAZO DECADENCIAL, DO ARTIGO 150, PARÁGRAFO 4º. DO CTN. OBSERVÂNCIA DA DECISÃO DO STJ PROFERIDA EM JULGAMENTO DE RECURSO REPETITIVO.
Nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação, se houve pagamento antecipado, o respectivo prazo decadencial é regido pelo artigo 150, parágrafo 4º. do CTN, nos termos do entendimento pacificado pelo STJ, em julgamento de recurso especial, sob o rito de recurso repetitivo, tendo em vista o previsto no artigo 62A do Regimento Interno do CARF.
Numero da decisão: 9101-001.299
Decisão: ACORDAM os membros da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos
FISCAIS, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a).
Matéria: IRPJ - glosa de compensação de prejuízos fiscais
Nome do relator: SUSY GOMES HOFFMANN
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ. Fato gerador: 1996. DECADÊNCIA. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. EXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. APLICAÇÃO, AO RESPECTIVO PRAZO DECADENCIAL, DO ARTIGO 150, PARÁGRAFO 4º. DO CTN. OBSERVÂNCIA DA DECISÃO DO STJ PROFERIDA EM JULGAMENTO DE RECURSO REPETITIVO. Nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação, se houve pagamento antecipado, o respectivo prazo decadencial é regido pelo artigo 150, parágrafo 4º. do CTN, nos termos do entendimento pacificado pelo STJ, em julgamento de recurso especial, sob o rito de recurso repetitivo, tendo em vista o previsto no artigo 62A do Regimento Interno do CARF.
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Fato gerador: 1996. DECADÊNCIA. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. EXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. APLICAÇÃO, AO RESPECTIVO PRAZO DECADENCIAL, DO ARTIGO 150, PARÁGRAFO 4º. DO CTN. OBSERVÂNCIA DA DECISÃO DO STJ PROFERIDA EM JULGAMENTO DE RECURSO REPETITIVO. Nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação, se houve pagamento antecipado, o respectivo prazo decadencial é regido pelo artigo 150, parágrafo 4º. do CTN, nos termos do entendimento pacificado pelo STJ, em julgamento de recurso especial, sob o rito de recurso repetitivo, tendo em vista o previsto no artigo 62A do Regimento Interno do CARF. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos FFIISSCCAAIISS, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a). (assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo Presidente Fl. 0DF CARF MF Impresso em 26/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 26/03/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 20/06/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 13808.000479/200219 Acórdão n.º 9101001299 CSRFT1 Fl. 2 2 (assinado digitalmente) Susy Gomes Hoffmann Relatora Participaram do julgamento os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo, Susy Gomes Hoffmann, Karem Jureidini Dias, José Ricardo da Silva, João Carlos de Lima Júnior, Alberto Pinto Souza Júnior, Valmar Fonsêca de Menezes, Jorge Celso Freire da Silva, Valmir Sandri e Claudemir Rodrigues Malaquias. Relatório Tratase de recurso especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional. O contribuinte foi autuado, tendo sido apurado o seguinte: Glosa de dedução de IRRF dos R$ 656.548,46 deduzidos a título de IRRF, o contribuinte não comprovou R$ 485.808,50. Esta matéria não gerou reflexo de CSLL. Documentos às fls. 92/111; Glosa de despesas consideradas desnecessárias por falta de comprovação: a) despesas com viagens e estadias, para as quais foram apresentados apenas os comprovantes de pagamentos, não restando comprovado que essas ocorreram em viagens de negócios, no estrito interesse da empresa (R$ 112.571,19); b) despesas com serviços prestados por terceiros, para as quais foram apresentados apenas os comprovantes de pagamentos, deixando de exibir os respectivos contratos de prestação e as evidências da efetiva prestação dos serviços contratados; Glosa de despesas operacionais indedutiveis — Provisão para crédito de liquidação duvidosa Perdas com clientes — além dos relatórios às fls. 297/302, correspondentes às dívidas de clientes baixadas em 31/12/1996, o contribuinte não apresentou relatório comprovando o cumprimento dos limites fixados nos arts. 9°. a 14 da Lei no. 9.430/96 e nos arts. 24 a 28 da IN SRF no. 93/97, nem os comprovantes da préexistência dessas dívidas dos clientes (duplicatas, notas fiscais etc.). A contribuinte apresentou impugnação às fls. 372/391 e fls. 1459/1479. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento julgou o lançamento procedente, nos termos da seguinte ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 1996 Fl. 1DF CARF MF Impresso em 26/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 26/03/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 20/06/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 13808.000479/200219 Acórdão n.º 9101001299 CSRFT1 Fl. 3 3 Ementa: DECADÊNCIA. Em havendo descumprimento do disposto no art. 150 do CTN, cabe o lançamento de ofício, sendo que a contagem do prazo decadencial é efetuada consoante o inciso I do art. 173 do mesmo código. No caso não ocorreu a decadência. IRRF. O sujeito passivo logrou comprovar parcialmente o IRRF cuja dedução foi glosada. GLOSA DE DESPESAS NÃO NECESSÁRIAS. Não foi comprovada a necessidade à atividade da empresa das despesas realizadas com viagens e estadias e com prestadores de serviços. GLOSA DE DEDUÇÃO DE PERDAS COM CLIENTES. O sujeito passivo não logrou comprovar como chegou ao montante deduzido como despesa. TAXA SELIC. INCONSTITUCIONALIDADE E ILEGALIDADE. MATÉRIA DE ESFERA JUDICIAL. A autoridade administrativa, por força de sua vinculação ao texto da norma legal e ao' entendimento que a ele dá o Poder Executivo, deve limitarse a aplicála, sem emitir qualquer juízo de valor acerca da sua constitucionalidade ou outros aspectos de sua validade. CSLL Mantidas as infrações que geraram o lançamento' de IRPJ, das quais originouse por ser reflexo. Cabe considerar o lançamento de CSLL procedente. Lançamento Procedente em Parte O contribuinte interpôs recurso voluntário (fls. A 2° Câmara da 2° Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento do CARF deu provimento ao recurso do contribuinte, acolhendo a preliminar de decadência. Eis a ementa do julgado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1996 CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. SÚMULA VINCULANTE N° 8 DO STF. APLICAÇÃO. Tratandose de lançamento de crédito tributário efetuado com arrimo no art. 45 da Lei n° 8.212/1991 aplicase a súmula vinculante n° 8 do STF: São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5 0 do Decretolei 1569/77 e os Fl. 2DF CARF MF Impresso em 26/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 26/03/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 20/06/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 13808.000479/200219 Acórdão n.º 9101001299 CSRFT1 Fl. 4 4 artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário. DECADÊNCIA. Tributo sujeito a lançamento por homologação se rege (decadência) pelo art. 150 do CTN. Preliminar Acolhida. A Procuradoria da Fazenda Nacional interpôs o presente recurso especial (fls. 2667/2675), com fundamento em divergência jurisprudencial. Defendeu a incidência, para a contagem do prazo decadencial, do artigo 173, inciso I, do CTN, tendo em vista a ausência de pagamento antecipado. Voto Conselheira Susy Gomes Hoffmann, Relatora O presente recurso especial é tempestivo. Preenche, também, os demais requisitos de admissibilidade, tendo em vista que a recorrente logrou demonstrar a divergência jurisprudencial suscitada. A discussão referese ao artigo de regência do prazo decadencial nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação, quando não se verificou o pagamento antecipado por conta do contribuinte. Sucede, no entanto, que houve, de fato, pagamento antecipado, ainda que a menor, o que restou constatado em face da glosa de despesas operacionais consideradas indedutíveis, de despesas consideradas desnecessárias por falta de comprovação. De fato, o pagamento antecipado parcial do imposto em questão efetivamente ocorreu, o que se depreende dos termos expressos do Termo de Constatação presente às fls. 357/360 dos autos, do qual se tem que “ficou configurado, portanto, que o contribuinte reduziu indevidamente o imposto de Renda a pagar relativo ao anocalendário de 1996, em igual montante, de R$ 485.808,50”. Além disso, a própria decisão da DRJ verifica a ocorrência de pagamento (fls 2575 dos autos), nos seguintes termos: IRRF 13. Nesta parte do lançamento, a autoridade fiscal glosou parte do IRRF deduzido do imposto devido na declaração de imposto de renda. Consoante documentos às fls. 92/111, o sujeito passivo logrou comprovar apenas o montante de R$ 170.740,36 dos R$ 656.548,46 declarados. 14. Em sua impugnação o sujeito passivo alegou ter anexado aos autos os documentos necessários à comprovação do IRRF declarado (fls. 1444/1459). Fl. 3DF CARF MF Impresso em 26/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 26/03/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 20/06/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 13808.000479/200219 Acórdão n.º 9101001299 CSRFT1 Fl. 5 5 15. Após análise dos documentos apresentados, elaborei a planilha (em R$) abaixo para fins de apurar o montante de IRRF comprovado pelo contribuinte: .... 16. Como o sujeito declarou R$ 656.548,46 e comprovou R$ 456.621,32, resta considerar devida a glosa de R$ 199.927,14, e não mais de R$ 485.808,50, conforme lançamento efetuado: excluída a infração de R$ 285.694,18. Ao final do voto será recalculado o montante de IRPJ. Frisese que a alteração aqui procedida não afeta o lançamento de CSLL. O entendimento desta relatora sempre foi no sentido de que, nos termos do artigo 150, parágrafo 4o., do CTN o que se homologa é a atividade do contribuinte e não o pagamento, de tal forma que, para o julgamento, não interessava a ocorrência ou não do pagamento. Conforme recente alteração do Regimento Interno do CARF, impõese a este tribunal administrativo a reprodução dos julgados definitivos proferidos pelo STF e pelo STJ, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C do Código de Processo Civil. Diante disso, temse que o STJ já enfrentou o tema objeto do presente recurso especial, julgandoo sob o rito dos recursos repetitivos, no seguinte sentido: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o Fl. 4DF CARF MF Impresso em 26/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 26/03/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 20/06/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 13808.000479/200219 Acórdão n.º 9101001299 CSRFT1 Fl. 6 6 pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Desta forma, é de se ter que, em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, o prazo decadencial será regido pelo artigo 173, inciso I, do Código Tributário Nacional, no caso de não ter havido o pagamento antecipado do tributo por parte do contribuinte e que será regido pelo artigo 150, parágrafo 4º, no caso da ocorrência do pagamento antecipado. Assim prevaleceu o entendimento segundo o qual o que se homologa é o pagamento. Como efeito prático da adoção do julgamento do STJ em recurso repetitivo, está que para os casos de Imposto sobre a Renda, o entendimento é que o prazo decadencial, neste caso em que houve o pagamento antecipado, começou a fluir na data da ocorrência do fato gerador 31.12.1996. Desta feita o prazo decadencial terminou em 31/12/2001. A cientificação do Auto de Infração ocorreu em 20/03/2002, de tal maneira, que sob a égide deste entendimento, ocorreu a decadência. Fl. 5DF CARF MF Impresso em 26/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 26/03/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 20/06/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 13808.000479/200219 Acórdão n.º 9101001299 CSRFT1 Fl. 7 7 Diante do exposto, adotando o entendimento do Egrégio Superior Tribunal de Justiça, por força do disposto no artigo 62A do regimento interno, nego provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. Sala das Sessões, em 26 de janeiro de 2012 26 de janeiro de 2012 (assinado digitalmente) Susy Gomes Hoffmann Fl. 6DF CARF MF Impresso em 26/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 26/03/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 20/06/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO
score : 1.0
Numero do processo: 13893.000411/2009-86
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 12 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri May 10 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2006
DESPESAS MÉDICAS. RECIBOS E DECLARAÇÕES. EXIGÊNCIAS DO INCISO III, § 2° DO ART. 8° DA LEI N. 9.250/95.
Somente se reconhece a força probante de recibos e declarações, para fins de reconhecimento da dedutibilidade de despesas médicas, se cumpridas as exigências do inciso III, § 2° do art. 8° da lei n. 9.250/95 (inciso III do art. 80 do RIR/99).
Recurso Negado.
Numero da decisão: 2802-002.185
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário nos termos do voto do relator. Vencido o Conselheiro Carlos André Ribas de Mello que dava provimento parcial.
(assinado digitalmente)
Jorge Claudio Duarte Cardoso - Presidente.
(assinado digitalmente)
German Alejandro San Martín Fernández - Relator.
EDITADO EM: 24/04/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente), Marcio de Lacerda Martins, Jaci de Assis Junior, German Alejandro San Martín Fernández e Carlos André Ribas de Mello.
Nome do relator: GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2006 DESPESAS MÉDICAS. RECIBOS E DECLARAÇÕES. EXIGÊNCIAS DO INCISO III, § 2° DO ART. 8° DA LEI N. 9.250/95. Somente se reconhece a força probante de recibos e declarações, para fins de reconhecimento da dedutibilidade de despesas médicas, se cumpridas as exigências do inciso III, § 2° do art. 8° da lei n. 9.250/95 (inciso III do art. 80 do RIR/99). Recurso Negado.
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score : 1.0
Numero do processo: 10840.000704/2005-67
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 20 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Ano-calendário: 2001
RENDIMENTOS ISENTOS OU NÃO-TRIBUTÁVEIS. MOLÉSTIA
GRAVE. Não entrarão no cômputo do rendimento bruto os proventos de
aposentadoria, desde que percebidos pelos portadores de moléstia indicada na legislação de regência.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2101-001.703
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
Matéria: IRPF- auto de infração eletronico (exceto multa DIRPF)
Nome do relator: JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1630; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C1T1 Fl. 1 1 0 S2C1T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10840.000704/200567 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 210101.703 – 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 20 de junho de 2012 Matéria IRPF Recorrente NOÊMIA LORENZO GOMES SILVA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2001 RENDIMENTOS ISENTOS OU NÃOTRIBUTÁVEIS. MOLÉSTIA GRAVE. Não entrarão no cômputo do rendimento bruto os proventos de aposentadoria, desde que percebidos pelos portadores de moléstia indicada na legislação de regência. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) ___________________________________ Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente (assinado digitalmente) ___________________________________ José Raimundo Tosta Santos Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos, José Raimundo Tosta Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Célia Maria de Souza Murphy, Gilvanci Antonio de Oliveira Sousa e Gonçalo Bonet Allage. Relatório Fl. 141DF CARF MF Impresso em 16/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 06/0 7/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 05/07/2012 por JOSE RAIMUNDO TO STA SANTOS 2 O recurso voluntário em exame pretende a reforma do Acórdão nº 1727.394 (fl. 78), que, por unanimidade de votos, julgou procedente o lançamento, realizado para incluir na tributação rendimentos informados pelo contribuinte em sua DIRPF do exercício de 2002, anocalendário de 2001, como isentos, auferidos do INSS e do IPMINST, nos valores R$15.432,30 (IRRF de R$694,74) e R$17.951,60 (IRRF de R$896,57), sob o fundamento de que a contribuinte não apresentou Laudo Médico Oficial comprobatório da moléstia grave e a data do início desta. Foi constatada a omissão de rendimento auferido da Prefeitura Municipal de Ribeirão Preto, no valor de R$6.019,93 e IRRF de R$138,96. Na impugnação ao lançamento, às fls. 01/07, a contribuinte faz as seguintes considerações, resumidas na decisão de primeiro grau nos seguintes termos: 1. É portadora de doença degenerativa da visão, qual seja, retinose pigmentar, que causa cegueira, conforme comprovam o laudo médico oficial e os documentos confeccionados pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) e pela Prefeitura Municipal de Ribeirão Preto; 2. Encontravase incapaz de exercer atividades laborativas desde fevereiro de 1996, o que resultou na concessão da aposentadoria por invalidez pela Prefeitura Municipal de Ribeirão Preto (Portaria n° 711/01),recebendo também a partir dessa data, pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), auxíliodoença; 3. Os pagamentos efetuados a título de auxíliodoença e pensão são rendimentos isentos e não tributáveis, não podendo ser enquadrados como tributáveis. Assim, a exação é contrária ao disposto no inciso XXXIII, do artigo 39, do RIR199, sendo, inclusive, contrária ao entendimento reiterado dos nossos tribunais. Reproduz o art. 39 do RIR/99, o art. 50 da IN/SRF n° 15, de 06/02/2001, o art. 48 da Lei n° 8.5471/92, o art. 6° da Lei n° 7.713/88, além de jurisprudência judicial sobre a matéria; 4. Requer, então, que seja cancelado o Auto de Infração em questão, reconhecendose a inexistência de relação jurídica obrigacional apta a compelir a impugnante a efetuar o pagamento de imposto de renda sobre os proventos advindos da Prefeitura Municipal de Ribeirão Preto, do IPMINST — Prev. Mun. de Rib. Preto, e do INSS, por se tratar de rendimentos isentos e não tributáveis. A decisão recorrida possui a seguinte ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física – IRPF Anocalendário: 2001 ISENÇÃO. RENDIMENTOS AUFERIDOS POR PORTADOR DE MOLÉSTIA GRAVE. A isenção de imposto de renda sobre proventos de aposentadoria, pensão ou reforma percebidos por portador de moléstia grave só poderá ser concedida se houver comprovação de que a doença que acometeu o contribuinte encontrase entre aquelas tipificadas em lei. Lançamento Procedente Fl. 142DF CARF MF Impresso em 16/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 06/0 7/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 05/07/2012 por JOSE RAIMUNDO TO STA SANTOS Processo nº 10840.000704/200567 Acórdão n.º 210101.703 S2C1T1 Fl. 2 3 Em seu apelo ao CARF a recorrente reitera as mesmas questões suscitadas perante o Órgão julgador a quo. É o Relatório. Voto Conselheiro José Raimundo Tosta Santos, Relator. O recurso atende os requisitos de admissibilidade. Conforme assentado na decisão recorrida, para serem isentos do imposto de renda pessoa fisica, os rendimentos deverão necessariamente ser provenientes de pensão, aposentadoria ou reforma, assim como deve estar comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios, que o interessado é portador de uma das moléstias apontadas na legislação de regência, conforme excerto do acórdão a seguir transcrito: Da análise do texto legal, inferese que há duas condições básicas indispensáveis à concessão da isenção. A primeira reportase à comprovação do estado de moléstia grave, mediante laudo médico oficial, e a segunda relacionase à natureza dos rendimentos recebidos, que devem ser oriundos de aposentadoria, reforma ou pensão. No caso presente, a contribuinte fez prova, mediante a Portaria n° 711, exarada pela Prefeitura Municipal de Ribeirão Preto, em 12/02/2001 (fls. 26), de que foi aposentada por invalidez, a partir de 01/03/2001. Além disso, os documentos de fls. 22 e 24 evidenciam que a impugnante foi aposentada por invalidez pelo INSS, a partir de março de 1999. É importante observar, contudo, que a simples percepção de rendimento a título de aposentadoria por invalidez não dá causa à isenção pleiteada, exceto quando motivada por acidente em serviço ou qualquer das moléstias relacionadas no texto legal. Ocorre que a patologia Retinose Pigmentar identificada nos Laudos de fls. 13 e 14 não decorreu de acidente em serviço nem está relacionada entre as moléstias tipificadas no art. 6°, inciso XIV da Lei n° 7.713/88, para efeito de isenção do Imposto sobre a Renda, em relação aos proventos de aposentadoria, reforma ou pensão. Do exame das peças processuais, entendo que nenhum reparo merece a decisão recorrida. Conforme se constata na DIRF à fl. 32, apresentada pela Prefeitura Municipal Estância Balneária Peruíbe, CNPJ nº 46.578.514/000120, no Comprovante de Rendimentos Pagos e de Imposto de Renda Retido na Fonte (fl. 33) e por informação da própria recorrente em sua DIRPF do exercício de 2002, nas peças impugnatória e recursal, no anocalendário de Fl. 143DF CARF MF Impresso em 16/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 06/0 7/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 05/07/2012 por JOSE RAIMUNDO TO STA SANTOS 4 2001, auferiu rendimentos do trabalho assalariado, sendo tal afirmação prova cabal de que não é portadora de cegueira, nos termos artigo 6º, inciso XIV, da Lei n° 7.713, de 1988: Art. 6º Ficam isentos do imposto de renda os seguinte rendimentos percebidos por pessoas físicas: (...) XIV — os proventos de aposentadoria ou reforma motivada por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, hepatopatia grave, estados avançados da doença de Paget (osteite deformante), contaminação por radiação, síndrome da imunodeficiência adquirida, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma; Com efeito, a aposentadoria por invalidez é devida quando o segurado for considerado incapaz para o trabalho e insuscetível de reabilitação para o exercício de atividade que lhe garanta subsistência, nos termos previstos no artigo 42 da Lei nº 8213/91: Art. 42. A aposentadoria por invalidez, uma vez cumprida a carência exigida, quando for o caso, será devida ao segurado que, estando ou não em gozo de auxíliodoença, for considerado incapaz para o trabalho e insuscetível de reabilitação para o exercício de atividade que lhe garanta a subsistência, e serlheá paga enquanto permanecer nessa condição. Conforme já asseverado na decisão de primeiro grau, não há provas nos autos de que a contribuinte auferiu auxíliodoença no anocalendário de 2001, razão pela qual inaplicável a isenção prevista no art. 48 da Lei n° 8.541, de 23/12/1992, com a redação dada pelo art. 27 da Lei n° 9.250, de 26/12/1995. Em face ao exposto, nego provimento ao recurso. (assinado digitalmente) JOSÉ RAIMUNDO TOSTA SANTOS Fl. 144DF CARF MF Impresso em 16/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 06/0 7/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 05/07/2012 por JOSE RAIMUNDO TO STA SANTOS
score : 1.0
Numero do processo: 10840.906593/2009-28
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 10 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon May 06 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 1999
RESTITUIÇÃO DO INDÉBITO TRIBUTÁRIO. PROVA. ÔNUS.
O ônus da prova do crédito tributário pleiteado no Per/Dcomp - Pedido de Restituição é da contribuinte (artigo 333, I, do CPC). Não sendo produzida nos autos, indefere-se o pedido e não homologa-se a compensação pretendida entre crédito e débito tributários.
LUCRO PRESUMIDO. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS EM GERAL. COM EMPREGO DE MATERIAIS. COEFICIENTE.
As prestadoras de serviços em geral, com ou sem fornecimento de materiais na execução dos serviços, estão obrigadas a aplicar o coeficiente de 32% sobre a receita bruta auferida para a apuração do Lucro Presumido, pelos serviços não caracterizarem prestação de serviço típico de construção civil, e pela empresa não ser especificamente deste ramo. Somente as obras de construção civil, com emprego de materiais, sem repasse de seus custos, realizadas na modalidade de empreitada são suscetíveis da utilização do coeficiente de 8% para a apuração do Lucro Presumido.
LUCRO PRESUMIDO. ATIVIDADES DIVERSIFICADAS, COEFICIENTES.
É dever da empresa que possui atividades diversificadas - prestação de serviços e comércio - segregar as receitas auferidas de forma a aplicar o coeficiente adequado para a apuração do Lucro Presumido e comprovar esta segregação e o oferecimento à tributação, contabilmente, ainda que na forma resumida permitida aos optantes pelo regime do Lucro Presumido.
Numero da decisão: 1801-001.386
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. Vencidos os Conselheiros Carmen Ferreira Saraiva e Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira que votaram pela conversão do julgamento na realização de diligências.
(assinado digitalmente)
Ana de Barros Fernandes Presidente e Relatora
Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Carmen Ferreira Saraiva, João Carlos de Figueiredo Neto, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes.
Nome do relator: ANA DE BARROS FERNANDES
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PROVA. ÔNUS. O ônus da prova do crédito tributário pleiteado no Per/Dcomp Pedido de Restituição é da contribuinte (artigo 333, I, do CPC). Não sendo produzida nos autos, indeferese o pedido e não homologase a compensação pretendida entre crédito e débito tributários. LUCRO PRESUMIDO. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS EM GERAL. COM EMPREGO DE MATERIAIS. COEFICIENTE. As prestadoras de serviços em geral, com ou sem fornecimento de materiais na execução dos serviços, estão obrigadas a aplicar o coeficiente de 32% sobre a receita bruta auferida para a apuração do Lucro Presumido, pelos serviços não caracterizarem prestação de serviço típico de construção civil, e pela empresa não ser especificamente deste ramo. Somente as obras de construção civil, com emprego de materiais, sem repasse de seus custos, realizadas na modalidade de empreitada são suscetíveis da utilização do coeficiente de 8% para a apuração do Lucro Presumido. LUCRO PRESUMIDO. ATIVIDADES DIVERSIFICADAS, COEFICIENTES. É dever da empresa que possui atividades diversificadas prestação de serviços e comércio segregar as receitas auferidas de forma a aplicar o coeficiente adequado para a apuração do Lucro Presumido e comprovar esta segregação e o oferecimento à tributação, contabilmente, ainda que na forma resumida permitida aos optantes pelo regime do Lucro Presumido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 84 0. 90 65 93 /2 00 9- 28 Fl. 72DF CARF MF Impresso em 06/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 15/04/2 013 por ANA DE BARROS FERNANDES 2 Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. Vencidos os Conselheiros Carmen Ferreira Saraiva e Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira que votaram pela conversão do julgamento na realização de diligências. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes – Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Carmen Ferreira Saraiva, João Carlos de Figueiredo Neto, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes. Relatório A empresa recorre do Acórdão nº 1430.722/10 exarado pela Quinta Turma de Julgamento da DRJ em Ribeirão Preto/SP, fls. 37 a 43, que julgou improcedente o direito creditório pleiteado pela contribuinte, bem como não homologar as pertinentes compensações deste crédito com débitos tributários, formalizados nos Per/Dcomp (pedidos de restituição e declaração de compensação) – fls. 01 a 03. Aproveito trechos do relatório e voto do aresto vergastado para historiar os fatos: “Tratase de Manifestação de Inconformidade interposta em face do Despacho Decisório em que foi apreciada Declaração de Compensação (PER/DCOMP), por intermédio da qual a contribuinte pretende compensar débitos de sua responsabilidade ( ...) com crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de tributo (IRPJlucro presumido, código de arrecadação 2089), concernente ao período de apuração 10/1999. Por despacho decisório, não foi reconhecido direito creditório a favor da contribuinte e, por conseguinte, não homologada a compensação declarada no presente processo, ao fundamento de que os pagamentos informados foram integralmente utilizados para quitação de débitos da contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Cientificada, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade alegando, em síntese, de acordo com suas próprias razões: que tendo optado pela apuração do imposto pela sistemática do lucro presumido, teria cometido erro ao efetuar o recolhimento relativo ao período de 10/1999, ao percentual de 32%, "como se só houvesse emprego de mãodeobra", quando o correto seria aplicar o percentual de 8%, "por ter utilizado materiais em suas notas fiscais'", nos termos do ADN Cosit nº 6, de 1997; que o alegado crédito teria sido compensado corretamente, sem margem para dúvidas quanto à veracidade da compensação. Ao final, requer seja provido o recurso, desconsiderado o indeferimento do pedido de compensação e extinto o débito apurado. [...] Fl. 73DF CARF MF Impresso em 06/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 15/04/2 013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10840.906593/200928 Acórdão n.º 1801001.386 S1TE01 Fl. 3 3 VOTO [...] A fim de comprovar a certeza e liquidez do crédito, a interessada deve, sob pena de preclusão, instruir sua manifestação de inconformidade com documentos respaldem suas afirmações, considerando o disposto nos artigos 15 e 16 do Decreto n° 70.235/1972, a seguir transcritos: [...] Vale ressaltar que as informações prestadas à RFB por meio de declarações previstas na legislação (DCTF, DIPJ ou PER/DCOMP) situamse na esfera de responsabilidade do próprio contribuinte, a quem cabe demonstrar, mediante adequada instrução probatória dos autos, os fatos eventualmente favoráveis às suas pretensões, consoante disciplina instituída pelo artigo 16, inciso III, do Decreto n.° 70.235/72 (PAF). Assim, uma vez constatada incongruência entre informações prestadas em declarações originais, e aquelas prestadas nas respectivas declarações retifícadoras, cabe ao contribuinte trazer aos autos os elementos probatórios hábeis a evidenciar a realidade dos fatos. No presente caso, caberia à interessada fazer prova do suposto recolhimento a maior do imposto que, no seu entender, decorreria de errônea mensuração da base de cálculo por aplicação indevida do percentual de 32% sobre a receita bruta, na determinação do IRPJ devido pela sistemática do lucro presumido, nos termos do art. 15 da Lei n.° 9.249, de 26 de dezembro de 1995, a seguir transcritos: [...] Para tanto, imprescindível a juntada, ao processo, dos registros contábeis e respectivos documentos fiscais capazes de demonstrar o quantum e a composição da base de cálculo do imposto no período em questão, os critérios adotados para aplicação, sobre a receita bruta mensal, dos percentuais previstos no art. 15 da Lei n.° 9.249, de 26 de dezembro de 1995, a apuração do imposto devido e eventuais deduções. Embora ausentes os registros contábeis, a interessada apresentou os seguintes elementos: a) "planilha de cálculo do IRPJ devido", à fl. 22; b) cópias de notas fiscais de prestação de serviços com fornecimento de materiais, numeração 237, 241, 238, 236, valor total de R$ 2.292,66, às fls. 31, 33, 36, 38; c) cópias de notas fiscais de aquisição de mercadorias junto a fornecedores, às fls. 32, 34, 35, 37, 39. Verificase, de plano, que as cópias de notas fiscais de aquisição de mercadorias junto a fornecedores não repercutem sobre a análise em curso, por não demonstrada sua correlação com a receita bruta auferida no período e respectiva apuração do imposto devido. Consta do documento intitulado “planilha de cálculo do IRPJ devido” informação de que parte da receita bruta estaria sujeita ao cálculo do IRPJ presumido por aplicação do percentual de 32%. Todavia não foram apresentadas as respectivas notas fiscais, o que impossibilita conhecimento da natureza das supostas operações, e respectivos valores. De outra parte, com base nos demais elementos probatórios, elaborase o seguinte demonstrativo: [...] Fl. 74DF CARF MF Impresso em 06/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 15/04/2 013 por ANA DE BARROS FERNANDES 4 Resta assim evidenciado (Coluna E) que o somatório dos valores das notas fiscais apresentadas na impugnação (Coluna D) não corresponde ao valor da receita bruta (Coluna C) considerado para determinação da base de cálculo e recolhimento do imposto, período de apuração em foco. Tal constatação remete à necessidade já apontada de verificação dos registros contábeis e respectivos documentos fiscais, concernentes ao período de apuração, os quais não foram juntados aos autos pela interessada. A ausência de tais elementos impossibilita exame da apuração da receita bruta e do IRPJ, na contabilidade da interessada, e seu cotejo com o montante efetivamente recolhido, restando assim prejudicada a comprovação do alegado direito creditório. As cópias de declarações prestadas à RFB e cálculos demonstrativos juntados à impugnação, embora relevantes, mostramse insuficientes à adequada instrução probatória dos autos, nos termos acima. [...] Nesse sentido, quanto à declaração de compensação em foco, o alegado indébito não contém os atributos necessários de liquidez e certeza, os quais são imprescindíveis para reconhecimento pela autoridade administrativa de crédito junto à Fazenda Pública, nos termos do artigo 170 do Código Tributário Nacional (CTN). E uma vez não comprovada, nos autos, a existência de direito creditório líquido e certo, do contribuinte contra a Fazenda Pública, passível de compensação, cabe indeferimento do pedido, pelo que não se há de cogitar reparos no despacho decisório recorrido.” A empresa interpôs tempestivamente (AR – 21/02/11, fls 52; Recurso – 18/03/11, fls. 53) o Recurso de fls. 53 a 64, reiterando os termos da defesa exordial. É o suficiente para o relatório. Passo ao voto. Voto Conselheira Ana de Barros Fernandes, Relatora Conheço do recurso interposto, por tempestivo. A recorrente, optante pela apuração do Lucro na forma Presumida, pretende por meio de diversos Per/Dcomp alterar o coeficiente de presunção de lucro de 32% para 8º, sob a argumentação de que é prestadora de serviços com emprego de materiais e, por esta circunstância, faz jus ao menor coeficiente, devendoselhe repetir as diferenças de tributos indevidamente recolhidas. Para comprovar o alegado junta ao processo cópia(s) de Nota(s) Fiscal(is) de Prestação de Serviços (receita) emitida para o período (trimestral) e Nota(s) Fiscal(is) de compras de mercadorias de terceiros (para revenda). A tese da recorrente não merece guarida. Como bem explicitado no acórdão vergastado, a recorrente não apresenta documentação hábil para comprovar que faz jus ao coeficiente de 8%, nos termos da legislação tributária vigente, por excepcionada do coeficiente de 32% para apuração de seu Lucro Presumido, coeficiente este determinado pela norma às prestadoras de serviço que optam por este regime de tributação. A norma é clara e expressa: Fl. 75DF CARF MF Impresso em 06/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 15/04/2 013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10840.906593/200928 Acórdão n.º 1801001.386 S1TE01 Fl. 4 5 Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995 Art. 15. A base de cálculo do imposto, em cada mês, será determinada mediante a aplicação do percentual de oito por cento sobre a receita bruta auferida mensalmente, observado o disposto nos arts. 30 a 35 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995. (Vide Medida Provisória nº 252, de 15/06/2005) § 1º Nas seguintes atividades, o percentual de que trata este artigo será de: [...] III trinta e dois por cento, para as atividades de: (Vide Medida Provisória nº 232, de 2004 ) a) prestação de serviços em geral, exceto a de serviços hospitalares;( Vide art.29 e art. 41 da Lei nº 11.727, de 23 de junho de 2008 ) a) prestação de serviços em geral, exceto a de serviços hospitalares e de auxílio diagnóstico e terapia, patologia clínica, imagenologia, anatomia patológica e citopatologia, medicina nuclear e análises e patologias clínicas, desde que a prestadora destes serviços seja organizada sob a forma de sociedade empresária e atenda às normas da Agência Nacional de Vigilância Sanitária Anvisa; ( Redação dada pela Lei nº 11.727, de 23 de junho de 2008 ) b) intermediação de negócios; c) administração, locação ou cessão de bens imóveis, móveis e direitos de qualquer natureza; d) prestação cumulativa e contínua de serviços de assessoria creditícia, mercadológica, gestão de crédito, seleção de riscos, administração de contas a pagar e a receber, compra de direitos creditórios resultantes de vendas mercantis a prazo ou de prestação de serviços (factoring). § 2º No caso de atividades diversificadas será aplicado o percentual correspondente a cada atividade. (grifos não pertencem ao original) Pelo teor da norma, as prestadoras de serviços em geral, com ou sem utilização de materiais nos serviços realizados, não foram excepcionadas pela norma de regência do coeficiente de 32%. A legislação tributária excepcionou às prestadoras de serviços a utilização do coeficiente de 8%, de forma expressa, somente para as construtoras civis, ainda assim, que, na modalidade de empreitada, e que utilizam materiais nas edificações, sem o repasse dos custos destes materiais (grifei), o que não é o caso. As excepcionalidades admitidas pela Receita Federal do Brasil foram normatizadas na Instrução Normativa RFB nº 480, de 2004, em razão da natureza dos serviços prestados. Dispõe o artigo 1º, §7º, II, sobre o conceito de construção civil, na modalidade total, o empreeiteiro fornece todos os materiais indispensáveis à sua execução sendo incorporados à obra, o que não inclui os instrumentos de trabalho e materiais utilizados nesta execução (§9º): Fl. 76DF CARF MF Impresso em 06/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 15/04/2 013 por ANA DE BARROS FERNANDES 6 [...] § 7º Para os fins desta Instrução Normativa considerase: [...] II construção por empreitada com emprego de materiais, a contratação por empreitada de construção civil, na modalidade total, fornecendo o empreiteiro todos os materiais indispensáveis à sua execução, sendo tais materiais incorporados à obra. [...] § 9º Para efeito do inciso II do § 7º não serão considerados como materiais incorporados à obra, os instrumentos de trabalho utilizados e os materiais consumidos na execução da obra. O Ato Declaratório Normativo nº 06, de 19971, que versa sobre o percentual a ser aplicado sobre a receita bruta para determinação da base de cálculo do imposto de renda mensal na atividade de construção por empreitada, declara: INa atividade de construção por empreitada, o percentual a ser aplicado sobre a receita bruta para determinação da base de cálculo do imposto de renda mensal será: a)8% (oito por cento) quando houver emprego de materiais, em qualquer quantidade; b)32% (trinta e dois por cento) quando houver emprego unicamente de mãodeobra, ou seja, sem o emprego de materiais. (grifos não pertencem ao original) A recorrente tem como objeto social, consoante a Consolidação das Cláusulas Contratuais de fls. 18 a 20: “IIDO OBJETO SOCIAL A sociedade tem como objetivo o ramo de "Projetos, consultoria, instalações e administração na área de engenharia elétrica e comércio de materiais elétricos em geral". Em nenhum momento dos autos verificase que a recorrente tenha comprovado que opera no ramo de construção civil. A atividade da empresa descrita no Contrato Social, pois, de realizar projetos, consultoria, instalações elétricas e/ou a venda de materiais elétricos não pode ser equiparada a obras de construção civil e, implicitamente, 1 019 Qual a base de cálculo para as empresas que executam obras de construção civil e optam pelo lucro presumido? O percentual a ser aplicado sobre a receita bruta para apuração da base de cálculo do lucro presumido na atividade de prestação de serviço de construção civil é de 32% (trinta e dois por cento) quando houver emprego unicamente de mãodeobra, e de 8% (oito por cento) quando se tratar de contratação por empreitada de construção civil, na modalidade total, fornecendo o empreiteiro todos os materiais indispensáveis à sua execução, sendo tais materiais incorporados à obra. http://www.receita.fazenda.gov.br/Publico/perguntao/dipj2011/CapituloXIIIIRPJLucroPresumido2011.pdf Fl. 77DF CARF MF Impresso em 06/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 15/04/2 013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10840.906593/200928 Acórdão n.º 1801001.386 S1TE01 Fl. 5 7 contratadas na modalidade de empreitada, de pronto. Mister é a realização de provas neste aspecto. À receita proveniente da venda de mercadorias, por ser atividade de comércio, deve ser aplicado o coeficiente de 8% para a apuração do Lucro Presumido, mas a legislação tributária impõe às empresas que exercem atividades mistas (prestadoras de serviços e comércio) o dever de segregarem as receitas de cada atividade para efeito de aplicação do coeficiente pertinente, o que a empresa não comprova ter feito § 2º do artigo 15 da lei nº 9.249/95. A mera apresentação de Nota Fiscal de receitas auferidas e Notas de mercadorias adquiridas de terceiros, que inclusive podem corresponder ao estoque da empresa destinado à venda de mercadorias, na forma isolada apresentadas, sem o devido respaldo na contabilidade, ainda que escriturada de forma resumida, e mais documentos que a embasam, primordialmente eventuais os contratos de empreitadas de edificações, não possui qualquer valor probatório para o fim que a recorrente almeja, ou seja, ser considerada empresa do ramo de construção civil e, por conseguinte, fazer jus ao coeficiente de 8% para a apuração de seu lucro. Cito para robustecer este voto, Soluções de Consultas2, como fonte subsidiária na interpretação da norma tributária, em casos práticos análogos: PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS COM EMPREGO DE MATERIAIS É de 32% o percentual a ser aplicado sobre a receita bruta para apuração da base de cálculo do imposto de Renda no lucro presumido, na atividade de prestação de serviços de reforma ou manutenção de motores elétricos com emprego de materiais (SRRF/6ª RF, Solução de Consulta nº 70/05) PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS COM EMPREGO DE MATERIAL, EXCETO CONSTRUÇÃO CIVIL Aplicase o percentual de 32% sobre a receita bruta das empresas prestadoras de serviços, com emprego ou não de materiais, para apuração do lucro presumido, [...] (SRRF/6ª RF, Solução de Consulta nº 170/03) INSTALAÇÃO E MANUTENÇÃO DE SISTEMAS DE AR CONDICIONADO E REFRIGERAÇÃO. As atividades de instalação e manutenção de sistemas de ar condicionado e refrigeração, ainda que realizadas sob a modalidade de empreitada, com fornecimento de materiais, não caracterizam obras de construção civil, estando sujeitas as receitas assim auferidas à aplicação do percentual de 32% (trinta e dois por cento) para determinar a base de cálculo do IRPJ sob regime de tributação com base no lucro presumido. (SRRF/9ª RF, Solução de Consulta nº 305/06). 2 PEIXOTO, Marcelo Magalhães (coord) et al, Regulamento do Imposto de Renda Anotado e Comentado 2011, 6ª ed, MP Editora Fl. 78DF CARF MF Impresso em 06/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 15/04/2 013 por ANA DE BARROS FERNANDES 8 INSTALAÇÃO, MANUTENÇÃO E EXTRAÇÃO DE DADOS DE EQUIPAMENTOS DE COMUNICAÇÃO E DE CONTROLE DE TRÁFEGO. As atividades de instalação, manutenção e extração de dados de equipamentos de comunicação [...] , ainda que realizadas sob a modalidade de empreitada, com fornecimento de materiais, não caracterizam obras de construção civil, estando sujeitas as receitas assim auferidas à aplicação do percentual de 32% para determinar a base de cálculo do IRPJ sob o regime de tributação com base no lucro presumido (SRRF/9ª RF, Solução de Consulta nº 94/06) A jurisprudência deste colegiado tem se manifestado no mesmo sentido, ora espelhado no Acórdão, cuja ementa transcrevese3: 140201.027, de 08 de maio de 2012 (2ª TO da Quarta Câmara da Primeira Seção do CARF) LUCRO PRESUMIDO. PERCENTUAIS SOBRE A RECEITA BRUTA. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. Regular é a aplicação do coeficiente de 32% para determinação do lucro presumido em r elação a receitas decorrentes de prestação de serviços em geral, tais como: serviços de consultoria, serviços de limpeza, serviço d e locação de containers, serviço de queima de madeira, contrata ção de funcionários, e a autuada não logra comprovar que se tra tou de construção civil com emprego de materiais. Recurso Voluntário Negado. Com relação ao outro tópico aventado pela recorrente, deve ser esclarecido que as empresas que optam pelo regime do Lucro Presumido estão obrigadas, sim, a manter registros contábeis – ao menos o Livro de Inventário e Livro Caixa com toda a movimentação financeira –, dos quais são apurados os tributos devidos artigo 527 do Regulamento do Imposto de Renda vigente (RIR/99 – Decreto nº 3.000/99): Art. 527. A pessoa jurídica habilitada à opção pelo regime de tributação com base no lucro presumido deverá manter (Lei nº 8.981, de 1995, art. 45): I escrituração contábil nos termos da legislação comercial; II Livro Registro de Inventário, no qual deverão constar registrados os estoques existentes no término do anocalendário; III em boa guarda e ordem, enquanto não decorrido o prazo decadencial e não prescritas eventuais ações que lhes sejam pertinentes, todos os livros de escrituração obrigatórios por legislação fiscal específica, bem como os documentos e demais papéis que serviram de base para escrituração comercial e fiscal. Parágrafo único. O disposto no inciso I deste artigo não se aplica à pessoa jurídica que, no decorrer do anocalendário, mantiver Livro Caixa, no qual deverá estar escriturado toda a movimentação financeira, inclusive bancária (Lei nº 8.981, de 1995, art. 45, parágrafo único) 3 http://carf.fazenda.gov.br/sincon/public/pages/ConsultarJurisprudencia/listaJurisprudenciaCarf.jsf Fl. 79DF CARF MF Impresso em 06/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 15/04/2 013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10840.906593/200928 Acórdão n.º 1801001.386 S1TE01 Fl. 6 9 Outro ponto relevante, é que para a recorrente proceder à retificação das declarações prestadas ao fisco em tempo hábil, é necessário, igualmente, comprovar de forma cabal a existência de erro de fato dos valores originalmente declarados à Administração Tributária (cujos créditos tributários já foram inclusive extintos pelo pagamento). Determina o artigo 11 da Instrução Normativa RFB nº 903/08: DA RETIFICAÇÃO DE DECLARAÇÕES Art. 11. A alteração das informações prestadas em DCTF será efetuada mediante apresentação de DCTF retificadora, elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada. § 1º A DCTF retificadora terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, substituindoa integralmente, e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos vinculados. § 2º A retificação não produzirá efeitos quando tiver por objeto alterar os débitos relativos a impostos e contribuições: I cujos saldos a pagar já tenham sido enviados à Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN) para inscrição em DAU, nos casos em que importe alteração desses saldos; II cujos valores apurados em procedimentos de auditoria interna, relativos às informações indevidas ou não comprovadas prestadas na DCTF, sobre pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, já tenham sido enviados à PGFN para inscrição em DAU; ou III em relação aos quais a pessoa jurídica tenha sido intimada de início de procedimento fiscal. § 3º A retificação de valores informados na DCTF, que resulte em alteração do montante do débito já enviado à PGFN para inscrição em DAU, somente poderá ser efetuada pela RFB nos casos em que houver prova inequívoca da ocorrência de erro de fato no preenchimento da declaração. § 4º Na hipótese do inciso III do § 2º, havendo recolhimento anterior ao início do procedimento fiscal, em valor superior ao declarado, a pessoa jurídica poderá apresentar declaração retificadora, em atendimento a intimação fiscal e nos termos desta, para sanar erro de fato, sem prejuízo das penalidades calculadas na forma do art. 9º. Para comprovar o erro de fato mister é a apresentação da contabilidade escriturada à época dos fatos, repito, ainda que na forma simplificada do Livro Caixa com a movimentação financeira registrada por completo e Inventário (possibilita a verificação do faturamento da empresa e a consequente tributação devida). Fl. 80DF CARF MF Impresso em 06/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 15/04/2 013 por ANA DE BARROS FERNANDES 10 E o ônus probatório da existência do crédito tributário no caso de pedido de repetição do indébito é da empresa. Este princípio é consagrado pelo art. 333, inciso I, do Código de Processo Civil – CPC, aplicado subsidiariamente ao processo administrativo fiscal – Decreto nº 70.235/72 (PAF): Art. 333 O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; [...] Desta forma, há, nos autos, absoluta ausência de provas hábeis para comprovar que os tributos recolhidos à época própria não foram devidos. A recorrente não logra comprovar possuir o crédito que alega no Per/Dcomp objeto deste litígio e que o tributo já recolhido não é devido aos cofres públicos, por fazer jus à utilização do coeficiente de 8% para apuração do Lucro Presumido. Corretos os cálculos dos tributos originalmente recolhidos que incidiram sobre 32% do faturamento da empresa. E no presente caso não há que se falar em qualquer inovação de fundamento nas razões de decidir do acórdão combatido, pois o despacho denegatório fundamentouse justamente na carência de prova da existência do crédito, asseverando que o tributo fora recolhido de forma devida e legalmente exigida, impassível de repetição. Argumento reforçado pela turma julgadora de primeira instância e ora adotado neste decisório para manter tanto o decidido no referido despacho a quo, quanto no acórdão vergastado. No mais, adoto as razões de decidir da turma julgadora de primeira instância por não confrontadas pontualmente pela recorrente. Por todo o exposto, voto em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Fl. 81DF CARF MF Impresso em 06/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 15/04/2 013 por ANA DE BARROS FERNANDES
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Numero do processo: 24519.000101/87-89
Turma: Terceira Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Wed Aug 27 00:00:00 UTC 1997
Data da publicação: Wed Aug 27 00:00:00 UTC 1997
Ementa: RESTITUIÇÃO - Direito a Correção. Possibilidade. Precedentes Judiciais. Parecer AGU. Recurso provido.
Numero da decisão: 203-03379
Nome do relator: DANIEL CORRÊA HOMEM DE CARVALHO
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ADO NO D. O. U. 2.g oe .0 E1 os / 19 g grOk,u,Xet:Lwx.- c „ MINISTÉRIO DA FAZENDA C Rubrica ntEi' SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo : 24519.000101/87-89 Sessão • 27 de agosto de 1997 Acórdão : 203-03.379 Recurso : 100.005 Recorrente : CANINHA 51 INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE BEBIDAS LTDA. Recorrida : DRF em Limeira - SP RESTITUIÇÃO - Direito a Correção. Possibilidade. Precedentes Judiciais. Parecer AGU. Recurso provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por: CANINHA 51 INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE BEBIDAS LTDA. ACORDAM os Membros da Terceira Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. Sala das Sessões, em 27 de agosto de 1997 (itik‘ °Will() Da ‘.s Cartaxo Presidente L) A Daniel Corrêa Homem de Carvalho Relator Participaram, ainda, do presente julgamento os Conselheiros Francisco Sérgio Nalini, F. Maurício R. de Albuquerque Silva, Renato Scalco Isquierdo, Ricardo Leite Rodrigues, Mauro Wasilewski e Sebastião Borges Taquary. CHS/CF/RS 1 1,4 MINISTÉRIO DA FAZENDA vtpl-`,./ %,•ft 41' SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo : 24519.000101/87-89 Acórdão : 203-03.379 Recurso : 100.005 Recorrente : CANINHA 51 INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE BEBIDAS LTDA. RELATÓRIO A empresa foi autuada em 1997, na esfera do Ministério do Trabalho. Dentro das instâncias próprias daquele Ministério o auto foi considerado insubsistente, tendo sido dado razão à empresa. Pelo fato daquela empresa, no momento de recorrer na instância própria do Ministério do Trabalho, ter recolhido o valor da multa após esta ter sido cancelada, requereu à Receita Federal a substituição dos valores pagos. A Delegacia da Receita Federal em Limeira - SP, às fls. 42/44, entendeu que, não obstante ter razão a contribuinte, considerando as diversas alterações da expressão monetária ocorridas no País nos últimos anos; considerando que estas alterações tornaram o valor a ser restituído inexpressivo; considerando que anteriormente à Lei n° 8.383/91 não havia previsão da legislação tributária para a incidência de correção monetária; e considerando que a autoridade fiscal opinou pelo arquivamento do pedido. A empresa recorreu à instância superior, no caso, este Colegiado entendendo possuir o direito ao recolhimento dos valores acrescidos da correção monetária. É o relatório. 2 7 1 J• t,( MINISTÉRIO DA FAZENDA nílj4ni, Wto SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo : 24519.000101/87-89 Acórdão : 203-03.379 VOTO DO CONSELHEIRO-RELATOR DANIEL CORRÊA HOMEM DE CARVALHO A matéria cinge-se à questão do direito ou não da recorrente à correção dos valores recolhidos ao Tesouro Nacional, em razão de auto de infração na esfera do Ministério do Trabalho, que posteriormente foi considerado insubsistente. A matéria está disciplinada no art. 66, § 3°, da Lei n° 8.383/91, verbis: "Art. 66 (..). § 3°. A compensação ou restituição será efetuada pelo valor do imposto ou contribuição corrigido monetariamente com base na variação da UFIR." A matéria nos parece de simples solução, sobretudo à luz do que estabeleceu o Parecer n° AGU/MF-01/96 (anexo ao Parecer n° 60/96), DOU de 18/01/96, cuja ementa é a seguinte: "Mesmo na inexistência de expressa previsão legal, é devida correção monetária de repetição de quantia indevidamente recolhida ou cobrada a título de tributo. A restituição tardia e sem atualização é restituição incompleta e representa enriquecimento ilícito do Fisco. Correção monetária não constitui um plus a exigir expressa previsão legal. É, apenas, recomposição do crédito corroído pela inflação. O dever de restituir o que se recebeu indevidamente inclui o dever de restituir o valor atualizado. Se a letra fria da lei não cobre tudo o que no seu espírito se contém, a interpretação integrativa se impõe como medida de Justiça. Disposições legais anteriores à Lei n° 8.383/91 e princípios superiores do Direito brasileiro autorizam a conclusão no sentido de ser devida a correção na hipótese em exame. A jurisprudência unânime dos Tribunais reconhece, nesse caso, a atualização do valor reclamado. O Poder Judiciário não cria, mas tão-somente aplica o direito vigente. Se tem conhecimento desse direito é porque ele existe". O acima citado parecer decorreu do Parecer PFN CJ/N° 698/95, assim ementado: 3 C' MINISTÉRIO DA FAZENDA Nr4 It4-9* SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo : 24519.000101/87-89 Acórdão : 203-03.379 "Incidência de correção monetária nas parcelas devidas em razão da repetição de indébito tributário nos períodos anteriores à Lei n° 8.383/91. Dispositivos legais anteriormente existentes autorizam a incidência de correção monetária". Pelo exposto, dou provimento ao recurso para determinar a correção dos valores pagos pela recorrente. É o meu voto. Sala das Sessões, em 27 de agosto de 1997 L-4 4 DANIEL CORRÊA HOMEM DE CARVALHO 4
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