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Numero do processo: 35189.001186/2006-41
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 09 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Aug 23 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/02/1999 a 31/08/2005
DECADÊNCIA - ARTS 45 E 46 LEI Nº 8.212/1991 -INCONSTITUCIONALIDADE - STF - SÚMULA VINCULANTE
De acordo com a Súmula Vinculante nº 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência o que dispõe o § 4º do art. 150 ou art. 173 e incisos do Código Tributário Nacional, nas hipóteses de o sujeito ter efetuado antecipação de pagamento ou não.
Nos termos do art. 103A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal.
TRATADO INTERNACIONAL DE ITAIPU - RELAÇÕES DE TRABALHO - LEI APLICÁVEL NO TERRITÓRIO DA CELEBRAÇÃO DO CONTRATO
As normas jurídicas aplicáveis às relações de trabalho e previdência social dos trabalhadores contratados pela Itaipu estão estabelecidas no Protocolo Adicional, que prevê que os direitos e obrigações dos trabalhadores em matéria de previdência social reger-se-ão pela lei do lugar da celebração do contrato individual do trabalho.
CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. RETENÇÃO. SUBSTITUIÇÃO TRIBUTÁRIA. RESPONSABILIDADE PELO RECOLHIMENTO.
O instituto da retenção de que trata o art. 31 da lei nº 8.212/91, na redação dada pela lei nº 9.711/98, configura-se como hipótese legal de substituição tributária, na qual a empresa contratante assume o papel do responsável tributário pela arrecadação e recolhimento antecipados do tributo em nome da empresa prestadora - a contribuinte de fato -, não lhe sendo lícito alegar omissão para se eximir do recolhimento, ficando diretamente responsável pela importância que deixou de receber ou que tenha arrecadado em desacordo com a lei.
Numero da decisão: 2301-005.013
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Voluntário, para dar-lhe parcial provimento, reconhecendo a decadência, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Andrea Brose Adolfo - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Alexandre Evaristo Pinto - Relator
EDITADO EM: 11/07/2017
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrea Brose Adolfo (Presidente), Júlio César Vieira Gomes, Fabio Piovesan Bozza, Jorge Henrique Backes, Fernanda Melo Leal e Alexandre Evaristo Pinto.
Nome do relator: ALEXANDRE EVARISTO PINTO
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Nos termos do art. 103A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal. TRATADO INTERNACIONAL DE ITAIPU RELAÇÕES DE TRABALHO LEI APLICÁVEL NO TERRITÓRIO DA CELEBRAÇÃO DO CONTRATO As normas jurídicas aplicáveis às relações de trabalho e previdência social dos trabalhadores contratados pela Itaipu estão estabelecidas no Protocolo Adicional, que prevê que os direitos e obrigações dos trabalhadores em matéria de previdência social regerseão pela lei do lugar da celebração do contrato individual do trabalho. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. RETENÇÃO. SUBSTITUIÇÃO TRIBUTÁRIA. RESPONSABILIDADE PELO RECOLHIMENTO. O instituto da retenção de que trata o art. 31 da lei nº 8.212/91, na redação dada pela lei nº 9.711/98, configurase como hipótese legal de substituição tributária, na qual a empresa contratante assume o papel do responsável tributário pela arrecadação e recolhimento antecipados do tributo em nome da AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 35 18 9. 00 11 86 /2 00 6- 41 Fl. 1405DF CARF MF 2 empresa prestadora a contribuinte de fato , não lhe sendo lícito alegar omissão para se eximir do recolhimento, ficando diretamente responsável pela importância que deixou de receber ou que tenha arrecadado em desacordo com a lei. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Voluntário, para darlhe parcial provimento, reconhecendo a decadência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Andrea Brose Adolfo Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Alexandre Evaristo Pinto Relator EDITADO EM: 11/07/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrea Brose Adolfo (Presidente), Júlio César Vieira Gomes, Fabio Piovesan Bozza, Jorge Henrique Backes, Fernanda Melo Leal e Alexandre Evaristo Pinto. Relatório Tratase de recurso voluntário em face da DecisãoNotificação nº 14.421.4/164/06, de 05/09/2006, (fls. 393 a 401). O processo se iniciou de crédito previdenciário lançado referente à obrigação da empresa, como contratante de serviço mediante cessão de mãodeobra, de reter 11 % sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura emitida pelo prestador de serviço. De acordo com o Relatório Fiscal (fls. 61 a 67), o recorrente contratou serviços sob a modalidade de cessão de mão de obra e/ou empreitada na atividade de construção civil junto às empresas ali mencionadas, sem, contudo, efetuar a retenção de 11% do valor bruto das notas/faturas emitidas pela contratada, ou efetuandoa sobre uma base de cálculo indevidamente reduzida, contrariando os normativos legais que regem a matéria. Na impugnação (fls. 342 a 363), foi alegado em síntese que: (i) a Lei 8.212/91 em seu art. 85A, determina que os tratados internacionais serão interpretados como lei especial. Nesse sentido, os arts. 12, 18 e 20 do Tratado Internacional entre Brasil e Paraguai de 26/04/1973, merecem observância, prevalecendo a regra específica de não incidência de qualquer imposição tributária sobre os pagamentos feitos a pessoa física ou jurídica pela Itaipu, conforme observado abaixo: Fl. 1406DF CARF MF Processo nº 35189.001186/200641 Acórdão n.º 2301005.013 S2C3T1 Fl. 1.406 3 "ARTIGO XII As altas Partes Contratantes adotarão, quanto á tributação, as seguintes normas: c) não aplicarão impostos, taxas e empréstimos compulsórios, de qualquer natureza, sobre os lucros da ITAIPU e sobre os pagamentos e remessas por ela efetuados a qualquer pessoas física ou jurídica, sempre que os pagamentos de tais impostos, taxas e empréstimos compulsórios sejam de responsabilidade legal da ITAIPU; d) não porão nenhum entrave e não aplicarão nenhuma imposição fiscal ao movimento de fundos da ITAIPU que resultar da execução do presente Tratado. " ARTIGO XVIII As altas Partes Contratantes, através de protocolos adicionais ou de atos unilaterais, adotarão todas as medidas necessárias ao cumprimento do presente Tratado, especialmente as que digam respeito a aspectos, c) de trabalho e previdência social, d) fiscais e aduaneiros; ARTIGO XX As altas Partes Contratantes adotarão, por meio de um protocolo adicional, a ser firmado dentro de noventa dias a partir da data da troca dos instrumentos de ratificação do presente Tratado, as normas jurídicas aplicáveis às relações de trabalho e previdência social dos trabalhadores contratados pela ITAIPU." (ii) sendo o tratado uma lei especial, então ele se sobrepõe às regras de outras leis por três razões: a) tratados representam regras jurídicas de cunho nacional (e não meramente federais) que se sobrepõem às leis internas. b) o CTN em seu Art. 98, atribui expressa prevalência dos tratados sobre as leis internas, c) o tratado é lei especial, então suas regras prevalecem sobre a lei genérica. Princípio "lex especiali derrogat lex general!"; (iii) a divergência deve ser resolvida pela forma diplomática conforme art. 22 do Tratado, conforme abaixo: "ARTIGO XXII Em caso de divergência quanto à interpretação ou à aplicação do presente Tratado e seus Anexos, as altas Partes Contratantes a resolverão pelos meios diplomáticos usuais o que não retardará ou interromperá a construção e/ou a operação do aproveitamento hidroelétrico e de suas obras e instalações auxiliares, " Fl. 1407DF CARF MF 4 (iv) como existem dúvidas quanto à exigência fiscal e previdenciária, tal divergência deve submeterse ao crivo do Exmo. Sr. Presidente da República. Assim sendo, mostrase inapropriado que o agente público hierarquicamente subordinado ao presidente faça lhe as vezes para decidir sobre a interpretação de tratado internacional; (v) a regra decadencial a ser aplicada ao caso é a do artigo 150, §4o, do CTN; (vi) no tocante aos serviços construção civil, não há que se falar em cessão de mãodeobra; (vii) na construção civil não se contrata a mãodeobra, mas sim a obra executada; (viii) não se admite a exigência das contribuições do tomador, uma vez que não houve fiscalização junto ao prestador dos serviços. Isto porque quem faz o destaque da retenção de 11 % é o prestador, nos termos do §1 °, do art. 31, da Lei 8212/91. A Delegacia da Receita Previdenciária em Cascavel/PR julgou a impugnação improcedente, e o acórdão recorrido (fls. 393 a 401) recebeu a seguinte ementa: CRÉDITO PREVIDENCIÁRIO. CONSTITUIÇÃO FEDERAL. TRATADO INTERNACIONAL. NÃO PREVALÊNCIA. A CF, não adota a supremacia dos tratados internacionais sobre as normas nacionais. Dita, tão somente, que os direitos e garantias fundamentais, inclusive os sociais, não se findam nos elencados em seu texto, podendo acrescer outras normas de mesma natureza previstos em tratados internacionais. CRÉDITO PREVIDENCIÁRIO. RETENÇÃO. INCIDÊNCIA TRIBUTÁRIA. A contratante de serviços na área da construção civil deve reter e repassar aos cofres da previdência o percentual de 11 %. LANÇAMENTO PROCEDENTE Contra a decisão, o recorrente interpôs recurso voluntário (fls. 409 a 440) reiterando as alegações anteriormente feitas na impugnação, sobretudo o entendimento de que o ato praticado pelo fiscal revelase ilícito e sem efeito jurídico, já que é inapropriado ao agente público decidir sobre a interpretação de tratado internacional e de que parte do débito foi alcançado pela decadência, nos termos do art. 150, § 4% do CTN. Ademais, o recorrente entende que não há nos documentos examinados pelos fiscais qualquer indício de que se trate de contrato de cessão de mão de obra, sendo essencial na relação contratual em exame o resultado do serviço, e não a mãodeobra. Nesse sentido, o recorrente solicita que o julgamento seja convertido em diligência para que sejam analisados documentos que demonstrariam que alguns dos serviços prestados se referiam a empreitada total. Em 6 de maio de 2009, o julgamento do recurso foi convertido em diligência conforme a Resolução n º 240100.017 (fls. 1376 a 1380) da 1ª Turma Ordinária, da 4ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento do CARF, uma vez que a recorrente alegou que vários dos serviços prestados não se enquadram como sendo de construção civil, havendo casos em que se trata de Fl. 1408DF CARF MF Processo nº 35189.001186/200641 Acórdão n.º 2301005.013 S2C3T1 Fl. 1.407 5 mero fornecimento de material ou equipamento, com instalação nas dependências da contratante, bem como há casos em que o serviço é de empreitada total, sendo que para a análise de tais alegações se faz necessária a realização de diligência para análise dos documentos juntados ao recurso voluntário. Em 24 de agosto de 2009, foi emitido documento de "Informação Fiscal" (fls. 1381 a 1383), no qual o auditor fiscal responsável pelo relatório de diligência assinala que uma análise mais profunda é prejudicada pela ausência dos contratos firmados entre as partes, assim ele afirma que toda a documentação em poder da Fiscalizada já foi objeto de análise minuciosa por parte da Fiscalização em etapa anterior, como forma de determinar a obrigação tributária, conforme pode ser observado abaixo: 1. Atendendo a Solicitação de Diligência expedida pela Quarta Câmara do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, passase à análise dos documentos juntados ao processo pela Recorrente. 2. O Contribuinte apresentou Notas Fiscais, Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social GFIP, Guias da Previdência Social GPS e Folhas de Medição relativas a serviços prestados por diversas empresa. 3. No desenvolvimento dos trabalhos de fiscalização, os Auditores Fiscais analisaram os Contratos e suas respectivas Notas Fiscais, verificando a existência ou não da OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA DA RETENÇÃO. Nos casos identificados no Relatório Fiscal (fls. 62), constatouse a exigência desta obrigação. 4. Uma análise mais profunda, como requer a Recorrente, é prejudicada pela ausência, nos Autos, dos Contratos firmados entre as partes, para detalhes como verificação dos valores de material e mãodeobra, entre outros. 5. Entretanto, toda a documentação em poder da Fiscalizada foi objeto de análise minuciosa por parte da Fiscalização, como forma de determinar a obrigação que deveria ser exigida. As planilhas e outros documentos anexados ao Relatório Fiscal (fls. 66 a 314), demonstram tal análise. Em 30 de setembro de 2009, a recorrente apresentou manifestação (fls. 1385 a 1386) assinalando que o agente fiscal, ao receber os autos em decorrência da conversão em diligência, não examinou tais documentos, restringindose a afirmar que toda a documentação disponibilizada teria sido objeto de análise minuciosa por parte da Fiscalização, como forma de determinar a obrigação que deveria ser exigida, assim como requereu (i) a dilação de prazo por mais 30 dias para apresentar os contratos firmados com os prestadores de serviços, para que possam ser verificados os valores de material e mãodeobra entre outros; e (ii) o cancelamento da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito. É o relatório. Fl. 1409DF CARF MF 6 Voto Conselheiro Alexandre Evaristo Pinto O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Dele conheço. Da Preliminar de Decadência Com relação à preliminar de decadência, esta merece acolhida. O lançamento em questão foi efetuado com fundamento no artigo 45 da Lei nº 8.212/1991. Todavia, o Supremo Tribunal Federal, ao julgar os Recursos Extraordinários nº 556664, 559882, 559943 e 560626, negou provimento aos mesmos por unanimidade, em decisão plenária que declarou a inconstitucionalidade dos artigos 45 e 46, da Lei n. 8212/91, sendo que, nesta oportunidade, os ministros ainda editaram a Súmula Vinculante nº 08 a respeito do tema, a qual pode ser observada baixo: Súmula Vinculante 8: “São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário". No que tange aos efeitos da súmula vinculante, cumpre lembrar o texto do artigo 103A, caput, da Constituição Federal que foi inserido pela Emenda Constitucional nº 45/2004. in verbis: “Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei". Dessa forma, é possível concluir que, a vinculação à súmula alcança a administração pública e, por conseqüência, os julgadores no âmbito do contencioso administrativo fiscal. A partir da análise do caso concreto, verificase que o lançamento "in casu" referese ao período compreendido entre 02/1999 a 08/2005 e foi efetuado em 30/05/2006, data de intimação do sujeito passivo (fl. 336). Conforme se depreende da planilha apresentada pelo recorrente no Recurso Voluntário (fls. 441 a 444), há diversos casos em que houve retenção parcial da contribuição previdenciária, de forma que se aplica a regra decadencial do artigo 150, §4º, do CTN, de forma que já estão decaídos os valores até a competência 04/2001, uma vez que o lançamento ocorreu em 30/05/2006. Fl. 1410DF CARF MF Processo nº 35189.001186/200641 Acórdão n.º 2301005.013 S2C3T1 Fl. 1.408 7 Do Pedido de Cancelamento da Notificação Fiscal em virtude da falta de análise dos documentos juntados no Recurso Voluntário após a conversão em diligência do julgamento Com relação ao pedido de cancelamento da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito. feito na manifestação da recorrente (fls. 1385 a 1386) de 30 de setembro de 2009, a recorrente assinala que o agente fiscal, ao receber os autos em decorrência da conversão em diligência, não examinou tais documentos, restringindose a afirmar que toda a documentação disponibilizada teria sido objeto de análise minuciosa por parte da Fiscalização, como forma de determinar a obrigação que deveria ser exigida, assim como requereu a dilação de prazo por mais 30 dias para apresentar os contratos firmados com os prestadores de serviços, para que possam ser verificados os valores de material e mãodeobra entre outros. Ocorre que desde então, já se passaram mais de sete anos e a recorrente não apresentou mais nenhuma documentação (ex.: contratos) ao processo, ainda que seus patronos tenham solicitado cópias do autos do processo em junho de 2014 (fl. 1399). Diante do exposto, não há razão para cancelamento da notificação fiscal como requereu a recorrente, uma vez que a fiscalização foi devidamente fundamentada e comprovada conforme o Relatório Fiscal (fls. 62 a 314). Da Aplicação do Tratado de Itaipu sobre as Contribuições Previdenciárias O recorrente alega de acordo com as regras contidas no Tratado Internacional de Itaipu, a notificação deveria ser cancelada para audiência prévia do presidente da república. A partir da análise do Tratado Internacional de Itaipu, verificase que não se aplicarão impostos, taxas e empréstimos compulsórios, de qualquer natureza sobre os pagamentos e remessas efetuados pela Itaipu a qualquer pessoa física ou jurídica, sempre que o pagamento de tais tributos seja de responsabilidade da Itaipu, "in verbis": "ARTIGO XII As altas Partes Contratantes adotarão, quanto á tributação, as seguintes normas: c) não aplicarão impostos, taxas e empréstimos compulsórios, de qualquer natureza, sobre os lucros da ITAIPU e sobre os pagamentos e remessas por ela efetuados a qualquer pessoas física ou jurídica, sempre que os pagamentos de tais impostos, taxas e empréstimos compulsórios sejam de responsabilidade legal da ITAIPU; d) não porão nenhum entrave e não aplicarão nenhuma imposição fiscal ao movimento de fundos da ITAIPU que resultar da execução do presente Tratado. " Assim, a isenção prevista no referido Tratado alcança expressamente somente as espécies tributárias: impostos, taxas e empréstimos compulsórios, de forma que não há previsão de alcance para as contribuições previdenciárias. Fl. 1411DF CARF MF 8 Vale lembrar, ainda, que os artigos XVIII e XX do Tratado dispõem que as partes celebrarão um protocolo adicional com as normas jurídicas aplicáveis às relações de trabalho e previdência social dos trabalhadores contratados pela ITAIPU, conforme observado abaixo: "ARTIGO XVIII As altas Partes Contratantes, através de protocolos adicionais ou de atos unilaterais, adotarão todas as medidas necessárias ao cumprimento do presente Tratado, especialmente as que digam respeito a aspectos, c) de trabalho e previdência social, d) fiscais e aduaneiros; ARTIGO XX As altas Partes Contratantes adotarão, por meio de um protocolo adicional, a ser firmado dentro de noventa dias a partir da data da troca dos instrumentos de ratificação do presente Tratado, as normas jurídicas aplicáveis às relações de trabalho e previdência social dos trabalhadores contratados pela ITAIPU". O Protocolo sobre Relações de Trabalho e Previdência Social relativo ao Tratado de Itaipu foi aprovado pelo Decreto Legislativo nº 40/74, que assim dispõe sobre os direitos e obrigações em matéria de previdência social dos trabalhadores de Itaipu, "in verbis": "Artigo 2º Regerseão pela lei do lugar da celebração do contrato individual de trabalho: (...) e) os direitos e obrigações dos trabalhadores e da ITAIPU em matéria de previdência social, bem como os relacionados com os sistemas cujo funcionamento dependa dos órgãos administrativos nacionais;" Assim, não há qualquer menção à isenção de contribuições previdenciárias no Protocolo sobre Relações de Trabalho e Previdência Social relativo ao Tratado de Itaipu, sendo que há inclusive previsão expressa que as obrigações previdenciárias serão regidas pela lei do lugar da celebração do contrato. Vale ressaltar que a questão sobre a possibilidade de isenção das contribuições previdenciárias para o recorrente com base no Tratado de Itaipu já foi analisada algumas vezes pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região, de forma que é possível observar que nos acórdãos relativos aos processos 500522558.2010.404.7002, 5002397 89.2010.404.7002 e 2006.70.05.0040800, houve o entendimento de que a isenção prevista no Tratado de Itaipu não alcança as contribuições previdenciárias, conforme pode ser observado abaixo: Processo: 500522558.2010.404.7002 Fl. 1412DF CARF MF Processo nº 35189.001186/200641 Acórdão n.º 2301005.013 S2C3T1 Fl. 1.409 9 Data da Decisão: 19/06/2013 AÇÃO ORDINÁRIA. TRATADO INTERNACIONAL DE ITAIPU. PREVALÊNCIA AFASTADA. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA A CARGO DA EMPRESA TOMADORA DE SERVIÇOS. LEI 8.212/91, ART. 22, IV, NA REDAÇÃO DADA PELA LEI 9.876/99. CONSTITUCIONALIDADE. SOLIDARIEDADE DO CONTRATANTE DOS SERVIÇOS. NECESSIDADE DE LANÇAMENTO CONTRA O DEVEDOR PRINCIPAL. 1 A norma isentiva constante do Tratado de Itaipu, firmado entre Brasil e Paraguai em 26.04.1973, trata apenas de impostos, taxas e empréstimos compulsórios, não recaindo sobre contribuições previdenciárias. 2 O inciso IV do art. 22 da Lei n.º 8.212, de 1991, incluído por força da Lei n.º 9.876, de 1999, inserese na dicção do art. 195, I, a, da CF/88, não sendo necessária sua edição por lei complementar. Precedentes deste Regional. 3 A base de cálculo da contribuição em tela não é o faturamento da cooperativa, mas sim a remuneração dos serviços prestados pelo profissional a ela associado, não se podendo falar em utilização do mesmo fato gerador de outra contribuição social. 4 A solidariedade pelo pagamento das contribuições previdenciárias prevista no art. 30, inciso VI, da Lei nº 8.212/91, não comporta benefício de ordem, consoante dispõe o art. 124 do CTN. 5 O benefício de ordem diz respeito ao momento da exigência do cumprimento da obrigação, e não à constituição do crédito tributário. 6 Somente após a constituição do crédito tributário perante o devedor principal, poderá seu pagamento ser exigido dele ou do obrigado solidário, indistintamente. 7 Considerando que a empresa prestadora do serviço apresentou GFIPS em relação à obra, temse como válida a houve a constituição do crédito. Processo: 500239789.2010.404.7002 Data da Decisão: 26/08/2015 TRIBUTÁRIO. TRATADO DE ITAIPU. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PAGAMENTOS EFETUADOS A DIRETORES/CONSELHEIROS SEM VÍNCULO EMPREGATÍCIO. GASTOS COM EDUCAÇÃO. AUXÍLIO ENFERMIDADE. Hipótese em que são devidas contribuições previdenciárias sobre verbas indenizatórias pagas a diretores/conselheiros. Diante das particularidades da Política Educacional da empresa ITAIPU BINACIONAL, os gastos com educação estão abrangidos pelo fato gerador da exação ante a natureza remuneratória. Incide a contribuição previdenciária nos valores pagos a título de auxílioenfermidade aos funcionários que não preenchem os requisitos para receber o auxíliodoença. Fl. 1413DF CARF MF 10 Processo: 2006.70.05.0040800 Data da Decisão: 19/09/2012 TRIBUTÁRIO. ANULATÓRIA. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. MULTA. PERÍCIA CONTÁBIL. DESNECESSIDADE. DECADÊNCIA. TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. ANTECIPAÇÃO DO PAGAMENTO. REGRA ESPECÍFICA. ITAIPU. SUJEIÇÃO AO PAGAMENTO DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. MEMBROS DA DIRETORIA EXECUTIVA. VÍNCULO EMPREGATÍCIO. NÃOCARACTERIZAÇÃO. AUSÊNCIA DE SUBORDINAÇÃO JURÍDICA. VERBAS PAGAS A CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS. NÃO COMPROVAÇÃO DO CARÁTER INDENIZATÓRIO. SUCUMBÊNCIA RECÍPROCA. (...) 4. O Tratado de Itaipu, de 26 de abril de 1973, apenas prevê a isenção tributária da entidade binacional quanto aos impostos, taxas e empréstimos compulsórios, não abrangendo as contribuições previdenciárias, sendo certo que, segundo o Protocolo Adicional ao Tratado, referendado pelo Decreto nº 74.431/74, regemse pela lei do lugar da celebração do contrato individual de trabalho as obrigações em matéria trabalhista e previdenciária. Desta forma, não calha a argumentação de nãosujeição ao pagamento de contribuições previdenciárias, bem como da necessidade de crivo do Presidente da República sobre a cobrança, sendo plenamente aplicáveis as disposições da Lei nº 8.212/91 e Decretos nºs 2.803/98 e 3.048/99. Diante do exposto, entendo que a isenção prevista no artigo XII do Tratado de Itaipu alcança somente as espécies tributárias: impostos, taxas e empréstimos compulsórios, de forma que as contribuições previdenciárias não são alcançadas pela isenção do Tratado de Itaipu. Da Desnecessidade de Fiscalização na Empresa Prestadora no Regime de Retenção Em primeiro lugar, cumpre distinguir o instituto da responsabilidade solidária entre o contratante e a prestadora de serviços, que decorria do texto do artigo 31 da Lei 8.212/91, que foi a regra aplicável aos processos anteriores à Lei 9.711/98. Todavia, no presente caso, tratase de situação regida pelo instituto da retenção, instituída pela Lei 9.711/98 que alterou o artigo 31 da Lei 8.212/91. Portanto, são duas situações distintas que não devem ser confundidas. Sendo assim, a obrigação de efetuar a retenção de 11% e de recolher a contribuição em nome da contratada é da contratante, que no caso é a Itaipu Binacional . Com a criação do instituto da retenção previdenciária, vale ressaltar que o serviço de construção civil encontrase arrolado entre as situações de sua aplicabilidade, conforme artigo 219, §2°, III, do Decreto 3.0481/99, assim como os serviços realizados com cessão de mãodeobra quanto na empreitada. É importante destacar que a retenção é opcional na contratação dos serviços de construção civil através da chamada empreitada total definida no art.220, §1º, do Decreto 3.0481/99. Fl. 1414DF CARF MF Processo nº 35189.001186/200641 Acórdão n.º 2301005.013 S2C3T1 Fl. 1.410 11 A retenção previdenciária tem por objetivo garantir o crédito previdenciário e facilitar a fiscalização, de modo que o tomador passou a ser o contribuinte responsável para que, efetuando a retenção, garantisse o recolhimento devido pelas prestadoras de serviço, sendo que as prestadoras compensamse deste crédito, afinal foram elas que sofreram o desconto, ou seja, arcaram com o custo. No tocante ao argumento de que o recorrente somente poderia ser sujeito passivo das contribuições previdenciárias caso verificada a omissão de recolhimento pelo prestador de serviço, entendo que ele não prospera, uma vez que o artigo 31 da Lei n° 8.212/91, na redação dada pela Lei n° 9.711/98, obrigaa diretamente a efetuar a retenção, atribuindo a responsabilidade principal, determinando a observação do disposto no artigo 33, § 5º, in verbis: "Art. 33. "Omissis" § 5° 0 desconto de contribuição e de consignação legalmente autorizadas sempre se presume feito oportuna e regularmente pela empresa a isso obrigada, não lhe sendo licito alegar omissão para se eximir do recolhimento, ficando diretamente responsável pela importância que deixou de receber ou arrecadou em desacordo com o disposto nesta Lei". Desse modo, a retenção de 11% sobre o total da fatura ou nota fiscal de prestação de serviços mediante empreitada ou cessão de mãodeobra consiste em antecipação de recolhimento, feita pelo tomador do serviço em nome do prestador. Por fim, vale ressaltar que o artigo 31 da Lei 8.212/91 determina a retenção e o recolhimento de 11% sobre o valor bruto das notas fiscais de serviços emitidas pelas empresas prestadoras, como uma obrigação pura da empresa contratante, isto é, na referida obrigação não há condição resolutiva de sua extinção, caso as empresas prestadoras recolham, no prazo legal, as contribuições incidentes sobre as suas folhas de pagamento. Ante o exposto, , não deve prosperar o argumento de que a contribuição previdenciária somente poderia ser exigida do contratante dos serviços na hipótese em que o prestador de serviço não tivesse recolhido a contribuição previdenciária. Conclusão Com base no exposto, voto por conhecer do recurso voluntário e darlhe parcial provimento para reconhecer preliminar de decadência no que tange aos valores até a competência 04/2001, uma vez que o lançamento ocorreu em 30/05/2006. (assinado digitalmente) Alexandre Evaristo Pinto Relator Fl. 1415DF CARF MF 12 Fl. 1416DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 12448.735838/2011-17
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 09 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Sep 20 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2006, 2009
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO.
Na existência de obscuridade, omissão ou contradição no acórdão proferido os embargos devem ser acolhidos.
OMISSÃO DE GANHO DE CAPITAL NA ALIENAÇÃO DE AÇÕES. DUPLICIDADE DE CAPITALIZAÇÃO DE LUCROS E RESERVAS.
Constatada a majoração artificial do custo de aquisição da participação societária alienada, mediante a capitalização de lucros e reservas oriundos de ganhos avaliados por equivalência patrimonial nas sociedades investidoras, seguida de incorporações reversas e nova capitalização, em nítida inobservância da primazia da essência sobre a forma, devem ser expurgados os acréscimos indevidos com a conseqüente tributação do novo ganho de capital apurado.
MULTA QUALIFICADA
A existência de correntes doutrinárias divergentes, bem como de precedentes jurisprudências favoráveis ao negócio jurídico praticado pelo contribuinte, demonstram, na verdade, uma hipótese de erro de proibição. Não há como ser reconhecido o dolo necessário à qualificação da multa, quando se percebe dos autos a convicção do recorrente no sentido de estar agindo segundo o permissivo legal, sem ocultação da prática e da intenção final dos seus negócios.
JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA.
A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de oficio, incidem juros de mora, devidos à taxa SELIC.
Recurso parcialmente provido
Numero da decisão: 2301-005.110
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer e acolher os embargos inominados para correção do número do Acórdão de 2202-002.569 para 2201-002.569.
(assinado digitalmente)
João Bellini Junior - Presidente
(assinado digitalmente)
Alexandre Evaristo Pinto - Relator
EDITADO EM: 08/09/2017
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Junior, Andrea Brose Adolfo, Fábio Piovesan Bozza, João Maurício Vital, Alexandre Evaristo Pinto, Denny Medeiros Silveira (suplente convocado), Wesley Rocha e Thiago Duca Amoni (suplente convocado).
Nome do relator: Relator
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Na existência de obscuridade, omissão ou contradição no acórdão proferido os embargos devem ser acolhidos. OMISSÃO DE GANHO DE CAPITAL NA ALIENAÇÃO DE AÇÕES. DUPLICIDADE DE CAPITALIZAÇÃO DE LUCROS E RESERVAS. Constatada a majoração artificial do custo de aquisição da participação societária alienada, mediante a capitalização de lucros e reservas oriundos de ganhos avaliados por equivalência patrimonial nas sociedades investidoras, seguida de incorporações reversas e nova capitalização, em nítida inobservância da primazia da essência sobre a forma, devem ser expurgados os acréscimos indevidos com a conseqüente tributação do novo ganho de capital apurado. MULTA QUALIFICADA A existência de correntes doutrinárias divergentes, bem como de precedentes jurisprudências favoráveis ao negócio jurídico praticado pelo contribuinte, demonstram, na verdade, uma hipótese de erro de proibição. Não há como ser reconhecido o dolo necessário à qualificação da multa, quando se percebe dos autos a convicção do recorrente no sentido de estar agindo segundo o permissivo legal, sem ocultação da prática e da intenção final dos seus negócios. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de oficio, incidem juros de mora, devidos à taxa SELIC. Recurso parcialmente provido AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 44 8. 73 58 38 /2 01 1- 17 Fl. 1319DF CARF MF 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer e acolher os embargos inominados para correção do número do Acórdão de 2202002.569 para 2201002.569. (assinado digitalmente) João Bellini Junior Presidente (assinado digitalmente) Alexandre Evaristo Pinto Relator EDITADO EM: 08/09/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Junior, Andrea Brose Adolfo, Fábio Piovesan Bozza, João Maurício Vital, Alexandre Evaristo Pinto, Denny Medeiros Silveira (suplente convocado), Wesley Rocha e Thiago Duca Amoni (suplente convocado). Relatório Tratamse de Embargos Inominados do Presidente da 2ª Câmara/1ª Turma Odinária opostos contra o Acórdão nº 2202002.569 (fls. 1286 a 1308), proferido em 04/11/2014, pela 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 2º Seção de Julgamento, que deu provimento parcial ao recurso voluntário, nos seguintes termos: "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário:2006, 2009 OMISSÃO DE GANHO DE CAPITAL NA ALIENAÇÃO DE AÇÕES. DUPLICIDADE DE CAPITALIZAÇÃO DE LUCROS E RESERVAS. Constatada a majoração artificial do custo de aquisição da participação societária alienada, mediante a capitalização de lucros e reservas oriundos de ganhos avaliados por equivalência patrimonial nas sociedades investidoras, seguida de incorporações reversas e nova capitalização, em nítida inobservância da primazia da essência sobre a forma, devem ser expurgados os acréscimos indevidos com a conseqüente tributação do novo ganho de capital apurado. MULTA QUALIFICADA A existência de correntes doutrinárias divergentes, bem como de precedentes jurisprudências favoráveis ao negócio jurídico Fl. 1320DF CARF MF Processo nº 12448.735838/201117 Acórdão n.º 2301005.110 S2C3T1 Fl. 3 3 praticado pelo contribuinte, demonstram, na verdade, uma hipótese de erro de proibição. Não há como ser reconhecido o dolo necessário à qualificação da multa, quando se percebe dos autos a convicção do recorrente no sentido de estar agindo segundo o permissivo legal, sem ocultação da prática e da intenção final dos seus negócios. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de oficio, incidem juros de mora, devidos à taxa SELIC. Recurso parcialmente provido". Em 06/07/15, a Presidente da 2ª Câmara/1ª Turma Ordinária apresentou Embargos Inominados, uma vez que foi identificado erro no número do acórdão, conforme pode ser observado a seguir: Em sessão plenária de 04/11/2014, foi julgado o Recurso Voluntário em epígrafe, proferindose a decisão consubstanciada no Acórdão nº 2201002.569. Formalizado o acórdão em 03/03/2015, a SECAM/2ª CAM/2ª SEJUL detectou erro no respectivo número – 2202002.569 ao invés de 2201002.569 – lapso este que acarreta inclusive a existência de dois julgados com a mesma numeração, um na Primeira Turma Ordinária e outro na Segunda Turma Ordinária, ambos da 2ª CAM/2ª SEJUL. Identificado o lapso, os autos foram devolvidos ao Relator, especificandose a necessidade de correção por meio de nota no sistema eprocesso. Entretanto, tendo em vista o tempo decorrido sem qualquer providência por parte do Relator no sentido de resolver a pendência, só resta a esta Presidência opor os presentes Embargos Inominados, previstos no art. 66, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 2015, que assim estabelece: “Art. 66. As alegações de inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os erros de escrita ou de cálculo existentes na decisão, provocados pelos legitimados para opor embargos, deverão ser recebidos como embargos inominados para correção, mediante a prolação de um novo acórdão.” Diante do exposto, encaminho ao Relator, para reinclusão em pauta de julgamento. É o relatório. Fl. 1321DF CARF MF 4 Voto Conselheiro Alexandre Evaristo Pinto Os embargos de declaração são tempestivos e, por cumprir com as demais formalidades legais, deles conheço. De acordo com o Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 2015, o cabimento dos embargos de declaração está disciplinado em seu art. 65, nos seguintes termos: Art. 65. Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual deveria pronunciarse a turma. Em 06/07/15, a Presidente da 2ª Câmara/1ª Turma Odinária apresentou Embargos Inominados, uma vez que foi identificado erro no número do acórdão, uma vez que há erro no número do acórdão 2202002.569 ao invés de 2201002.569 – lapso este que acarreta inclusive a existência de dois julgados com a mesma numeração, um na Primeira Turma Ordinária e outro na Segunda Turma Ordinária, ambos da 2ª CAM/2ª SEJUL. Não resta dúvida de que há um erro material passível de correção por meio de embargos, de modo que o número do Acórdão deve ser corrigido. Com base no exposto, voto por acolher dos embargos inominados para correção do número do Acórdão de . 2202002.569 para 2201002.569, de modo que o Acórdão nº 2201002.569 terá a seguinte ementa: "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário:2006, 2009 OMISSÃO DE GANHO DE CAPITAL NA ALIENAÇÃO DE AÇÕES. DUPLICIDADE DE CAPITALIZAÇÃO DE LUCROS E RESERVAS. Constatada a majoração artificial do custo de aquisição da participação societária alienada, mediante a capitalização de lucros e reservas oriundos de ganhos avaliados por equivalência patrimonial nas sociedades investidoras, seguida de incorporações reversas e nova capitalização, em nítida inobservância da primazia da essência sobre a forma, devem ser expurgados os acréscimos indevidos com a conseqüente tributação do novo ganho de capital apurado. MULTA QUALIFICADA A existência de correntes doutrinárias divergentes, bem como de precedentes jurisprudências favoráveis ao negócio jurídico praticado pelo contribuinte, demonstram, na verdade, uma hipótese de erro de proibição. Não há como ser reconhecido o dolo necessário à qualificação da multa, quando se percebe dos Fl. 1322DF CARF MF Processo nº 12448.735838/201117 Acórdão n.º 2301005.110 S2C3T1 Fl. 4 5 autos a convicção do recorrente no sentido de estar agindo segundo o permissivo legal, sem ocultação da prática e da intenção final dos seus negócios. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de oficio, incidem juros de mora, devidos à taxa SELIC. Recurso parcialmente provido". É como voto. (assinado digitalmente) Alexandre Evaristo Pinto Relator Fl. 1323DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15504.018256/2009-16
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 06 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Aug 23 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/06/2004 a 31/12/2005
DECADÊNCIA. PAGAMENTO ANTECIPADO DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. APLICAÇÃO DO ART. 150, §4º, DO CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL.
Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração.
Numero da decisão: 2301-005.047
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer do recurso voluntário, para acolher a preliminar de decadência do período de 09/2004 a 09/2005, dando-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Andrea Brose Adolfo - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Alexandre Evaristo Pinto - Relator
EDITADO EM: 14/07/2017
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrea Brose Adolfo (Presidente), Júlio César Vieira Gomes, Fabio Piovesan Bozza, Jorge Henrique Backes, Fernanda Melo Leal e Alexandre Evaristo Pinto.
Nome do relator: ALEXANDRE EVARISTO PINTO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/06/2004 a 31/12/2005 DECADÊNCIA. PAGAMENTO ANTECIPADO DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. APLICAÇÃO DO ART. 150, §4º, DO CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL. Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer do recurso voluntário, para acolher a preliminar de decadência do período de 09/2004 a 09/2005, dando-lhe provimento. (assinado digitalmente) Andrea Brose Adolfo - Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Alexandre Evaristo Pinto - Relator EDITADO EM: 14/07/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrea Brose Adolfo (Presidente), Júlio César Vieira Gomes, Fabio Piovesan Bozza, Jorge Henrique Backes, Fernanda Melo Leal e Alexandre Evaristo Pinto.
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PAGAMENTO ANTECIPADO DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. APLICAÇÃO DO ART. 150, §4º, DO CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL. Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer do recurso voluntário, para acolher a preliminar de decadência do período de 09/2004 a 09/2005, dandolhe provimento. (assinado digitalmente) Andrea Brose Adolfo Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Alexandre Evaristo Pinto Relator EDITADO EM: 14/07/2017 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 01 82 56 /2 00 9- 16 Fl. 573DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrea Brose Adolfo (Presidente), Júlio César Vieira Gomes, Fabio Piovesan Bozza, Jorge Henrique Backes, Fernanda Melo Leal e Alexandre Evaristo Pinto. Relatório Tratase de crédito lançado pela fiscalização no período de 06/04 a 12/05, consolidado em 18/11/2009, que, conforme informado no Relatório Fiscal (fls. 41 a 53), refere se a contribuições dos segurados, incidente sobre a remuneração paga aos segurados empregados por meio de cartão de premiação, apurado com base em notas fiscais e na contabilidade. Na impugnação (fls. 63 a 107), o contribuinte alegou, em síntese, que: (i) a decadência dos lançamentos relativos às competências junho/2004 a novembro/2004, nos termos do que dispõe o §4° do artigo 150 do CTN; e (ii) a nulidade do Auto de Infração, por ausência da fundamentação legal que ampara o lançamento por aferição indireta, vício insanável, nos termos do artigo 11, inciso III, do Decreto 70.235/72, pois o valor tributável foi apurado com base em valores nominais das notas fiscais ou faturas de serviços emitidas pela empresa SIM Incentive Marketing Ltda. Tendo em vista a impugnação do contribuinte, a instância "a quo" (fls. 247) determinou que a autoridade autuante procedesse Relatório Complementar (fls. 251 a 253) contendo a motivação ausente na autuação. Diante do Relatório Complementar o contribuinte apresentou nova impugnação (fls. 259 a 323), contestando a emissão do Relatório Complementar, uma vez que no seu entendimento não se pode considerar a emissão de relatório fiscal complementar como mero aditamento do Auto de Infração original por tratarse de novo lançamento em sede de revisão. Ademais, como decorrência de tal novo lançamento, o contribuinte alegou a decadência do período de 06/04 a 10/05, pois a impugnante apenas foi cientificada do relatório fiscal complementar em 18/10//2010. A DRJ julgou a impugnação procedente em parte para exclusão das competências 06/04 a 08/04 em função de decadência, e o acórdão recorrido recebeu a seguinte ementa: "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/06/2004 a 31/12/2005 CONTR1BUIÇÃO_PREVIDENCIÁRIA. DECADÊNCIA. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. CARTÕES DE PREMIAÇÃO. PARCELA DE INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. MULTA. RETROATIVIDADE BENIGNA. MOMENTO DO CALCULO. A regra de decadência é a prevista no Código Tributário Nacional. Entendese por salário de contribuição a remuneração auferida, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou Fl. 574DF CARF MF Processo nº 15504.018256/200916 Acórdão n.º 2301005.047 S2C3T1 Fl. 3 3 creditados a qualquer titulo, inclusive os ganhos habituais sob forma de utilidades. A verba paga pela empresa aos segurados por meio de programa de incentivo, administrado por intermédio de empresas de premiação, é fato gerador de contribuição previdenciária. A lei aplicase a fato pretérito quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. A comparação para determinação da multa mais benéfica apenas pode ser realizada por ocasião do pagamento." Em 13/09/2012, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário (fls. 436 a 459) reiterando as alegações feitas anteriormente nas impugnações. Em 30/12/2013, o Recorrente apresentou petição (fls. 466 a 468) informando a quitação de parte do crédito tributário discutido nestes autos competências de outubro, novembro e dezembro de 2015, com os benefícios da Lei 12.865/2013, na modalidade pagamento parcelado, requerendo, portanto, a desistência parcial da defesa apresentada com relação aos períodos quitados, no entanto, reiterou a manutenção da discussão quanto à decadência do lançamento relativo às competências de 06/2004 a 09/2005. Em 09/12/1015, a 1ª Turma da 3ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento do CARF aprovou a Resolução nº 2301000.554 (fls. 493 a 499), que converteu o julgamento em diligência para que a fiscalização verificasse e demonstrasse se efetivamente ocorreram os recolhimentos de contribuição previdenciária que foram indicados pelo Recorrente. Em 09/06/2016, foi emitida a Informação Fiscal (fls. 539 a 540), na qual foi constatada que no período entre junho de 2004 a dezembro de 2005 houve recolhimentos relativos a Contribuições Previdenciárias para todas as competências do referido período. Em 29/06/2016, o Requerente protocolou petição (fls. 546 a 551) reiterando a necessidade de aplicação, ao caso concreto, do disposto no artigo 150, §4º, do Código Tributário Nacional, de modo a excluir do lançamento as parcelas anteriores a outubro de 2005, uma vez que atingidas pelo prazo decadencial quinquenal, uma vez que o lançamento válido se deu apenas em 18/10/2010. É o relatório. Voto Conselheiro Alexandre Evaristo Pinto O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Dele conheço. Fl. 575DF CARF MF 4 Vale lembrar que o crédito lançado pela fiscalização abrangia o período de 06/04 a 12/05, no entanto a DRJ já havia decidido pela exclusão das competências 06/04 a 08/04 em função de decadência considerando que a própria DRJ entendeu que o lançamento se deu em 18/10/2010 (fl. 378). Dessa forma, a matéria discutida no âmbito do Recurso Voluntário somente abrangia as competências de 09/04 a 12/05. Ocorre que o Recorrente efetuou o adimplemento do crédito tributário relativo às competências de 10/05 a 12/05 mediante ingresso em programa de parcelamento no âmbito da Lei 12.865/2013, de forma que em 30/12/2013, o Recorrente apresentou petição (fls. 466 a 468) informando a referida quitação e requereu a desistência parcial da defesa apresentada com relação aos períodos quitados, no entanto, reiterou a manutenção da discussão quanto à decadência do lançamento relativo às competências de 06/2004 a 09/2005. Dessa forma, a matéria discutida no presente caso passou a abranger as competências e 09/04 a 09/05. Em 09/12/1015, a 1ª Turma da 3ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento do CARF aprovou a Resolução nº 2301000.554 (fls. 493 a 499), que converteu o julgamento em diligência para que a fiscalização verificasse e demonstrasse se efetivamente ocorreram os recolhimentos de contribuição previdenciária que foram indicados pelo Recorrente. Em 09/06/2016, foi emitida a Informação Fiscal (fls. 539 a 540), na qual foi constatada que no período entre junho de 2004 a dezembro de 2005 houve recolhimentos relativos a Contribuições Previdenciárias para todas as competências do referido período. Diante do exposto, verificouse que houve recolhimentos no período em que o crédito tributário permaneceu sendo discutido, de forma que cabe analisarmos se tal crédito tributário se encontra decaído ou não. Vale destacar que decidiu o STJ no REsp nº 973.733/SC sob rito do artigo 543C do CPC que a regra decadencial prevista no artigo 173, I, do Código Tributário Nacional somente é aplicável quando não houver pagamento antecipado da exação, conforme pode ser depreendido da ementa abaixo: REsp 973.733/SC (...). RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial quinquenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: (...)). (...) Fl. 576DF CARF MF Processo nº 15504.018256/200916 Acórdão n.º 2301005.047 S2C3T1 Fl. 4 5 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008.” (REsp 973.733/SC, Rel. Min. Luiz Fux, 1ª Seção, julgado em 12.08.2009, DJe 18.09.2009). Ademais, conforme o artigo 62, §2º do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09/06/2015, os entendimentos do STF e STJ deverão ser reproduzidos por essa turma: Art. 62 (...) § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973 Código de Processo Civil (CPC), deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Por fim, cumpre ressaltar que já há Súmula do CARF reiterando tal posicionamento, conforme pode ser observado abaixo: Súmula CARF nº 99: Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração.. Dessa forma, voto no sentido de reconhecer a decadência com base no artigo 150, §4º, do Código Tributário Nacional para o crédito tributário relativo ao período que vai de 09/04 a 09/05. Com base no exposto, voto por conhecer do recurso voluntário e darlhe provimento. É como voto. (assinado digitalmente) Alexandre Evaristo Pinto Relator Fl. 577DF CARF MF 6 Fl. 578DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11052.001138/2010-17
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 10 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Aug 21 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2005, 2006, 2007
NULIDADES NO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL.
Não se apresentando as causas elencadas no artigo 59 do Decreto nº 70.235/72, não há que se falar em nulidade.
SIGILO DAS OPERAÇÕES DE INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. LEI COMPLEMENTAR Nº 105/2001, LEI ORDINÁRIA Nº 10.174/01 E SEUS DECRETOS REGULAMENTARES (DECRETOS Nº 3.724, DE 2001, E Nº 4.489, DE 2009). CONSTITUCIONALIDADES DECLARADAS PELO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL.
1. O Pleno do Supremo Tribunal Federal, no julgamento conjunto das ADI 2.859, 2.390, 2.386 e2.397 e do Recurso Extraordinário 601.314, que questionavam dispositivos da Lei Complementar 105/2001, da Lei nº 10.174/01 e dos Decretos nº 3.724, de 2001, e nº 4.489, de 2009, que permitem à Receita Federal do Brasil receber dados bancários de contribuintes fornecidos diretamente pelas instituições financeiras, sem prévia autorização judicial, concluiu pela constitucionalidade das normas.
2. A Lei Complementar nº 105/2001 e os Decretos nº 3.724, de 2001, e nº 4.489, de 2009, consagram, de modo expresso, a permanência do sigilo das informações bancárias obtidas com espeque em seus comandos, não havendo neles autorização para a exposição ou circulação daqueles dados. Trata-se de uma transferência de dados sigilosos de um determinado portador, que tem o dever de sigilo, para outro, que mantém a obrigação de sigilo, permanecendo resguardadas a intimidade e a vida privada do correntista.
3. Na sistemática da repercussão geral, decidiu o STF (Tema 225): O art. 6º da Lei Complementar 105/01 não ofende o direito ao sigilo bancário, pois realiza a igualdade em relação aos cidadãos, por meio do princípio da capacidade contributiva, bem como estabelece requisitos objetivos e o translado do dever de sigilo da esfera bancária para a fiscal e A Lei 10.174/01 não atrai a aplicação do princípio da irretroatividade das leis tributárias, tendo em vista o caráter instrumental da norma, nos termos do artigo 144, §1º, do CTN.
PEDIDO DE PERÍCIA E DILIGÊNCIA.
A autoridade preparadora determinará, de ofício ou a requerimento do sujeito passivo, a realização de diligências, inclusive perícias quando entendê-las necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis. (Art. 18 do Decreto nº 70.235/72.)
JUROS RECEBIDOS NA LIQUIDAÇÃO DE CONTRATOS DE MÚTUO. ÔNUS DA PROVA.
Cabe ao contribuinte provar que estão incorretas as conclusões da autoridade lançadora respeitantes a valor lançado com base em contratos, transferências bancárias e recibos, nos quais figuram como partes o contribuinte e os mutuários.
MULTA ISOLADA DO CARNÊ-LEÃO E MULTA DE OFÍCIO. CONCOMITÂNCIA.
Somente a partir da vigência da Medida Provisória 351, de 2007 (convertida na Lei 11.488, de 2007) é devida a multa isolada pela falta de recolhimento do carnê-leão, independentemente da aplicação, relativamente ao mesmo período, da multa de ofício pela falta de recolhimento ou recolhimento a menor de imposto, apurado no ajuste anual.
IRPF. NUMERÁRIO DECLARADO EM ESPÉCIE NA DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. LEVANTAMENTO DO FLUXO DE CAIXA. ÔNUS DA PROVA
Cabe ao contribuinte comprovar o erro material referente aos valores declarados na Declaração de Ajuste Anual como dinheiro em espécie, aceitos pela fiscalização para justificar acréscimo patrimonial.
Numero da decisão: 2301-005.113
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado: (a) por maioria de votos, DENEGAR O PEDIDO DE DILIGÊNCIA; vencido o conselheiro Wesley Rocha, que o acatava; (b) por unanimidade de votos REJEITAR AS PRELIMINARES, e, (c) por unanimidade de votos, no mérito, DAR PARCIAL PROVIMENTO ao recurso voluntário, para cancelar a exigência da multa isolada pela falta de recolhimento do IRPF devido a título de carnê-leão no ano-calendário de 2005.
Acompanhou o julgamento o Dr. Lucas Porto Pereira, OAB/DF 51.307.
JOÃO BELLINI JÚNIOR Presidente e Relator.
EDITADO EM: 17/08/2017
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrea Brose Adolfo, Fabio Piovesan Bozza, João Maurício Vital, Alexandre Evaristo Pinto, Denny Medeiros Silveira, Wesley Rocha, Thiago Duca Amoni e João Bellini Júnior (Presidente).
Nome do relator: JOAO BELLINI JUNIOR
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camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2005, 2006, 2007 NULIDADES NO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. Não se apresentando as causas elencadas no artigo 59 do Decreto nº 70.235/72, não há que se falar em nulidade. SIGILO DAS OPERAÇÕES DE INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. LEI COMPLEMENTAR Nº 105/2001, LEI ORDINÁRIA Nº 10.174/01 E SEUS DECRETOS REGULAMENTARES (DECRETOS Nº 3.724, DE 2001, E Nº 4.489, DE 2009). CONSTITUCIONALIDADES DECLARADAS PELO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. 1. O Pleno do Supremo Tribunal Federal, no julgamento conjunto das ADI 2.859, 2.390, 2.386 e2.397 e do Recurso Extraordinário 601.314, que questionavam dispositivos da Lei Complementar 105/2001, da Lei nº 10.174/01 e dos Decretos nº 3.724, de 2001, e nº 4.489, de 2009, que permitem à Receita Federal do Brasil receber dados bancários de contribuintes fornecidos diretamente pelas instituições financeiras, sem prévia autorização judicial, concluiu pela constitucionalidade das normas. 2. A Lei Complementar nº 105/2001 e os Decretos nº 3.724, de 2001, e nº 4.489, de 2009, consagram, de modo expresso, a permanência do sigilo das informações bancárias obtidas com espeque em seus comandos, não havendo neles autorização para a exposição ou circulação daqueles dados. Trata-se de uma transferência de dados sigilosos de um determinado portador, que tem o dever de sigilo, para outro, que mantém a obrigação de sigilo, permanecendo resguardadas a intimidade e a vida privada do correntista. 3. Na sistemática da repercussão geral, decidiu o STF (Tema 225): O art. 6º da Lei Complementar 105/01 não ofende o direito ao sigilo bancário, pois realiza a igualdade em relação aos cidadãos, por meio do princípio da capacidade contributiva, bem como estabelece requisitos objetivos e o translado do dever de sigilo da esfera bancária para a fiscal e A Lei 10.174/01 não atrai a aplicação do princípio da irretroatividade das leis tributárias, tendo em vista o caráter instrumental da norma, nos termos do artigo 144, §1º, do CTN. PEDIDO DE PERÍCIA E DILIGÊNCIA. A autoridade preparadora determinará, de ofício ou a requerimento do sujeito passivo, a realização de diligências, inclusive perícias quando entendê-las necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis. (Art. 18 do Decreto nº 70.235/72.) JUROS RECEBIDOS NA LIQUIDAÇÃO DE CONTRATOS DE MÚTUO. ÔNUS DA PROVA. Cabe ao contribuinte provar que estão incorretas as conclusões da autoridade lançadora respeitantes a valor lançado com base em contratos, transferências bancárias e recibos, nos quais figuram como partes o contribuinte e os mutuários. MULTA ISOLADA DO CARNÊ-LEÃO E MULTA DE OFÍCIO. CONCOMITÂNCIA. Somente a partir da vigência da Medida Provisória 351, de 2007 (convertida na Lei 11.488, de 2007) é devida a multa isolada pela falta de recolhimento do carnê-leão, independentemente da aplicação, relativamente ao mesmo período, da multa de ofício pela falta de recolhimento ou recolhimento a menor de imposto, apurado no ajuste anual. IRPF. NUMERÁRIO DECLARADO EM ESPÉCIE NA DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. LEVANTAMENTO DO FLUXO DE CAIXA. ÔNUS DA PROVA Cabe ao contribuinte comprovar o erro material referente aos valores declarados na Declaração de Ajuste Anual como dinheiro em espécie, aceitos pela fiscalização para justificar acréscimo patrimonial.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado: (a) por maioria de votos, DENEGAR O PEDIDO DE DILIGÊNCIA; vencido o conselheiro Wesley Rocha, que o acatava; (b) por unanimidade de votos REJEITAR AS PRELIMINARES, e, (c) por unanimidade de votos, no mérito, DAR PARCIAL PROVIMENTO ao recurso voluntário, para cancelar a exigência da multa isolada pela falta de recolhimento do IRPF devido a título de carnê-leão no ano-calendário de 2005. Acompanhou o julgamento o Dr. Lucas Porto Pereira, OAB/DF 51.307. JOÃO BELLINI JÚNIOR Presidente e Relator. EDITADO EM: 17/08/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrea Brose Adolfo, Fabio Piovesan Bozza, João Maurício Vital, Alexandre Evaristo Pinto, Denny Medeiros Silveira, Wesley Rocha, Thiago Duca Amoni e João Bellini Júnior (Presidente).
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 16; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2323; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C3T1 Fl. 2 1 1 S2C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11052.001138/201017 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2301005.113 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 10 de agosto de 2017 Matéria DEPÓSITO BANCÁRIO DE ORIGEM NÃO COMPROVADA Recorrente EDUARDO JORGE CHAME SAAD Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2005, 2006, 2007 NULIDADES NO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. Não se apresentando as causas elencadas no artigo 59 do Decreto nº 70.235/72, não há que se falar em nulidade. SIGILO DAS OPERAÇÕES DE INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. LEI COMPLEMENTAR Nº 105/2001, LEI ORDINÁRIA Nº 10.174/01 E SEUS DECRETOS REGULAMENTARES (DECRETOS Nº 3.724, DE 2001, E Nº 4.489, DE 2009). CONSTITUCIONALIDADES DECLARADAS PELO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. 1. O Pleno do Supremo Tribunal Federal, no julgamento conjunto das ADI 2.859, 2.390, 2.386 e2.397 e do Recurso Extraordinário 601.314, que questionavam dispositivos da Lei Complementar 105/2001, da Lei nº 10.174/01 e dos Decretos nº 3.724, de 2001, e nº 4.489, de 2009, que permitem à Receita Federal do Brasil receber dados bancários de contribuintes fornecidos diretamente pelas instituições financeiras, sem prévia autorização judicial, concluiu pela constitucionalidade das normas. 2. A Lei Complementar nº 105/2001 e os Decretos nº 3.724, de 2001, e nº 4.489, de 2009, consagram, de modo expresso, a permanência do sigilo das informações bancárias obtidas com espeque em seus comandos, não havendo neles autorização para a exposição ou circulação daqueles dados. Tratase de uma transferência de dados sigilosos de um determinado portador, que tem o dever de sigilo, para outro, que mantém a obrigação de sigilo, permanecendo resguardadas a intimidade e a vida privada do correntista. 3. Na sistemática da repercussão geral, decidiu o STF (Tema 225): “O art. 6º da Lei Complementar 105/01 não ofende o direito ao sigilo bancário, pois realiza a igualdade em relação aos cidadãos, por meio do princípio da capacidade contributiva, bem como estabelece requisitos objetivos e o translado do dever de sigilo da esfera bancária para a fiscal” e “A Lei AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 05 2. 00 11 38 /2 01 0- 17 Fl. 1315DF CARF MF 2 10.174/01 não atrai a aplicação do princípio da irretroatividade das leis tributárias, tendo em vista o caráter instrumental da norma, nos termos do artigo 144, §1º, do CTN”. PEDIDO DE PERÍCIA E DILIGÊNCIA. A autoridade preparadora determinará, de ofício ou a requerimento do sujeito passivo, a realização de diligências, inclusive perícias quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis. (Art. 18 do Decreto nº 70.235/72.) JUROS RECEBIDOS NA LIQUIDAÇÃO DE CONTRATOS DE MÚTUO. ÔNUS DA PROVA. Cabe ao contribuinte provar que estão incorretas as conclusões da autoridade lançadora respeitantes a valor lançado com base em contratos, transferências bancárias e recibos, nos quais figuram como partes o contribuinte e os mutuários. MULTA ISOLADA DO CARNÊLEÃO E MULTA DE OFÍCIO. CONCOMITÂNCIA. Somente a partir da vigência da Medida Provisória 351, de 2007 (convertida na Lei 11.488, de 2007) é devida a multa isolada pela falta de recolhimento do carnêleão, independentemente da aplicação, relativamente ao mesmo período, da multa de ofício pela falta de recolhimento ou recolhimento a menor de imposto, apurado no ajuste anual. IRPF. NUMERÁRIO DECLARADO EM ESPÉCIE NA DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. LEVANTAMENTO DO FLUXO DE CAIXA. ÔNUS DA PROVA Cabe ao contribuinte comprovar o erro material referente aos valores declarados na Declaração de Ajuste Anual como “dinheiro em espécie, aceitos pela fiscalização para justificar acréscimo patrimonial. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado: (a) por maioria de votos, DENEGAR O PEDIDO DE DILIGÊNCIA; vencido o conselheiro Wesley Rocha, que o acatava; (b) por unanimidade de votos REJEITAR AS PRELIMINARES, e, (c) por unanimidade de votos, no mérito, DAR PARCIAL PROVIMENTO ao recurso voluntário, para cancelar a exigência da multa isolada pela falta de recolhimento do IRPF devido a título de carnêleão no anocalendário de 2005. Acompanhou o julgamento o Dr. Lucas Porto Pereira, OAB/DF 51.307. JOÃO BELLINI JÚNIOR – Presidente e Relator. EDITADO EM: 17/08/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrea Brose Adolfo, Fabio Piovesan Bozza, João Maurício Vital, Alexandre Evaristo Pinto, Denny Medeiros Silveira, Wesley Rocha, Thiago Duca Amoni e João Bellini Júnior (Presidente). Fl. 1316DF CARF MF Processo nº 11052.001138/201017 Acórdão n.º 2301005.113 S2C3T1 Fl. 3 3 Relatório Tratase de recurso voluntário em face do Acórdão 1247.678, exarado pela 18ª Turma da DRJ no Rio de Janeiro I (efls. 1.254 a 1.268). O auto de infração (efls. 1.127 a 1.139) é referente imposto sobre a renda da pessoa física (IRPF), e diz respeito a (efls. 1088 a 1126): a) omissão de rendimentos recebidos de pessoa física, decorrente de juros recebidos de pessoas físicas na liquidação de mútuos, nos anoscalendário 2005 e 2007; b) omissão de rendimentos tendo em vista a variação patrimonial a descoberto, por excesso de aplicações sobre origens não respaldadas por rendimentos declarados/comprovados, no anocalendário 2005; c) omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários realizados durante os anoscalendário 2005 e 2006 em contas bancárias mantidas nos bancos Bradesco (c/c 2283, agência 32280) e Real (c/c 7.7036815, agência 0003), em relação aos quais o contribuinte, regularmente intimado, não comprovou, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações; d) falta de recolhimento do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física (IRPF) devido a título de carnêleão, nos anoscalendário 2005 e 2007. Sobre o imposto apurado, no valor de R$548.222,20, foram aplicados multa proporcional, juros de mora regulamentares e lançada multa exigida isoladamente, com fulcro nos dispositivos legais apontados às efls. 1129 a 1132 e 1138, perfazendo um total de R$1.253.170,79. A DRJ julgou a impugnação improcedente em acórdão que recebeu as seguintes ementas: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2006, 2007, 2008 OMISSÃO DE RENDIMENTOS: JUROS RECEBIDOS DE PESSOAS FÍSICAS. Estão sujeitos ao carnêleão os rendimentos omitidos decorrentes de juros recebidos de pessoas físicas na liquidação de contratos de mútuo. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. São tributáveis as quantias correspondentes ao acréscimo do patrimônio da pessoa física quando este acréscimo não for justificado pelos rendimentos tributáveis, não tributáveis ou já tributados exclusivamente na fonte. Fl. 1317DF CARF MF 4 DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Para os fatos geradores ocorridos a partir de 01/01/1997, a Lei n° 9.430, de 1996, em seu art. 42, autoriza a presunção de omissão de rendimentos com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DOS DEPÓSITOS BANCÁRIOS. A Lei impõe exclusivamente ao sujeito passivo comprovar a origem dos depósitos mantidos em contas bancárias de sua titularidade, sendo obrigação do impugnante provar por meio de documentação hábil e idônea a procedência do depósito e a sua natureza. Tais elementos de prova devem coincidir em datas e valores com cada depósito que se pretenda comprovar. PEDIDO DE DILIGÊNCIA. Indeferese o pedido de diligência quando a sua realização revelese prescindível para a formação da convicção pela autoridade julgadora. Inclusive, compete unicamente ao contribuinte produzir as provas que julgar necessárias à sua defesa, sendo incorreto imputar tal obrigação à Fazenda Nacional. DECISÕES DO CONSELHO DE CONTRIBUINTES. EFEITOS. As decisões administrativas proferidas pelo extinto Conselho de Contribuintes não se constituem em normas gerais, não podendo seus julgados serem aproveitados em qualquer outra ocorrência senão naquela objeto da decisão. MULTA ISOLADA. MULTA DE OFÍCIO. CONCOMITÂNCIA. Tais penalidades estão previstas na legislação tributária e devem ser aplicadas nos moldes em que a norma legal determina. Não há nenhuma ilegalidade ao serem lançadas as duas multas no auto de infração, tendo em vista que o fato gerador e a base de cálculo das referidas penalidades são completamente distintos. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido A ciência dessa decisão pelo contribuinte ocorreu em 02/08/2012 (termo de vista de processo, efl. 1.270). Em 31/08/2012, foi apresentado recurso voluntário pelo contribuinte (efls. 1.280 a 1.296), sendo alegado, em síntese: (a) a nulidade do auto de infração pela quebra do sigilo bancário; (b) a necessidade de conversão em diligência para comprovação da origem dos recursos depositados em conta bancária; (c) haver erro de premissa, pois não há juros nos contratos de mútuo; Fl. 1318DF CARF MF Processo nº 11052.001138/201017 Acórdão n.º 2301005.113 S2C3T1 Fl. 4 5 (d) ser improcedente a aplicação da multa isolada por falta de recolhimento da antecipação do IRPF devido a título de carnêleão; (e) a ocorrência de erro material no preenchimento de declaração anual; Foi requerido: (1) o acolhimento da preliminar de nulidade do auto de infração; (2) a reforma da decisão recorrida, reconhecendo a inexistência de acréscimo patrimonial tributável; e (3) subsidiariamente, em nome do princípio da verdade material, acaso não se acolha os demais pedidos, diligência para se aferir a existência do crédito tributário, e, com o resultado desta, seja declarado improcedente o lançamento. É o relatório. Voto Conselheiro Relator João Bellini Júnior PRELIMINARES DA NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO É alegada a nulidade do auto de infração, uma vez que suas movimentações financeiras foram apuradas pela Fiscalização através de extratos bancários da recorrente, apresentados após coação fiscal; ocorre que os extratos bancários são documentos protegidos por sigilo fiscal, nos termos do art. 5º, incisos X e XII, da Constituição Federal e, como tal, só podem ser acessados após prévia autorização judicial, a qual inexiste no presente caso, de modo que não há dúvidas da ilicitude de tais provas, nos termos do art. 5º, inciso LVI, da Constituição Federal; sobre a matéria, o Recurso Extraordinário 601.314/RS e o Recurso Extraordinário 389.808/PR. Não assiste razão ao recorrente. No processo administrativo fiscal, as causas de nulidade se limitam às que estão elencadas no art. 59 do Decreto 70.235, de 1972, que não prevê a hipótese em comento: Art. 59. São nulos: I – os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II – os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. Fl. 1319DF CARF MF 6 § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. (Parágrafo acrescentado pela Lei 8.748, de 1993.) Não há sequer alegação da existência de ato ou termo lavrados por pessoa incompetente, nem existe qualquer despacho ou decisão proferido por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Além disso, não há qualquer ilegalidade, nulidade ou irregularidade na requisição e obtenção de documentos bancários pela Receita Federal do Brasil junto às instituições financeiras, pois, para tanto há suporte jurídico na Lei Complementar 105, de 2001, regulamentada pelo Decreto 3.724, de 2001, e na Lei 10.174, de 2001. Ademais, em 24/02/2016, o Pleno do Supremo Tribunal Federal (STF) concluiu o julgamento das ADI 2859, 2390, 2386 e 2397 e do Recurso Extraordinário 601.314, que questionavam dispositivos da Lei Complementar (LC) 105/2001 que permitem à Receita Federal receber dados bancários de contribuintes fornecidos diretamente pelos bancos, sem prévia autorização judicial, concluindo pela constitucionalidade das normas. No julgamento do Recurso Extraordinário 601.314, submetido à sistemática da repercussão geral, decidiu o STF (Tema 225): “O art. 6º da Lei Complementar 105/01 não ofende o direito ao sigilo bancário, pois realiza a igualdade em relação aos cidadãos, por meio do princípio da capacidade contributiva, bem como estabelece requisitos objetivos e o translado do dever de sigilo da esfera bancária para a fiscal” e “A Lei 10.174/01 não atrai a aplicação do princípio da irretroatividade das leis tributárias, tendo em vista o caráter instrumental da norma, nos termos do artigo 144, §1º, do CTN”. Transcrevo a ementa da ADI 2859: Ação direta de inconstitucionalidade. Julgamento conjunto das ADI nº 2.390, 2.386, 2.397 e 2.859. Normas federais relativas ao sigilo das operações de instituições financeiras. Decreto nº 4.545/2002. Exaurimento da eficácia. Perda parcial do objeto da ação direta nº 2.859. Expressão "do inquérito ou", constante no § 4º do art. 1º, da Lei Complementar nº 105/2001. Acesso ao sigilo bancário nos autos do inquérito policial. Possibilidade. Precedentes. Art. 5º e 6º da Lei Complementar nº 105/2001 e seus decretos regulamentadores. Ausência de quebra de sigilo e de ofensa a direito fundamental. Confluência entre os deveres do contribuinte (o dever fundamental de pagar tributos) e os deveres do Fisco (o dever de bem tributar e fiscalizar). Compromissos internacionais assumidos pelo Brasil em matéria de compartilhamento de informações bancárias. Art. 1º da Lei Complementar nº 104/2001. Ausência de quebra de sigilo. Art. 3º, § 3º, da LC 105/2001. Informações necessárias à defesa judicial da atuação do Fisco. Constitucionalidade dos preceitos impugnados. ADI nº 2.859. Ação que se conhece em parte e, na parte conhecida, é julgada improcedente. ADI nº 2.390, 2.386, 2.397. Ações conhecidas e julgadas improcedentes. 1. Julgamento conjunto das ADI nº 2.390, 2.386, 2.397 e 2.859, que têm como núcleo comum de impugnação normas relativas ao fornecimento, pelas instituições financeiras, de informações bancárias de contribuintes à administração tributária. Fl. 1320DF CARF MF Processo nº 11052.001138/201017 Acórdão n.º 2301005.113 S2C3T1 Fl. 5 7 2. Encontrase exaurida a eficácia jurídiconormativa do Decreto nº 4.545/2002, visto que a Lei n º 9.311, de 24 de outubro de 1996, de que trata este decreto e que instituiu a CPMF, não está mais em vigência desde janeiro de 2008, conforme se depreende do art. 90, § 1º, do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias ADCT. Por essa razão, houve parcial perda de objeto da ADI nº 2.859/DF, restando o pedido desta ação parcialmente prejudicado. Precedentes. 3. A expressão "do inquérito ou", constante do § 4º do art. 1º da Lei Complementar nº 105/2001, referese à investigação criminal levada a efeito no inquérito policial, em cujo âmbito esta Suprema Corte admite o acesso ao sigilo bancário do investigado, quando presentes indícios de prática criminosa. Precedentes: AC 3.872/DFAgR, Relator o Ministro Teori Zavascki, Tribunal Pleno, DJe de 13/11/15; HC 125.585/PE AgR, Relatora a Ministra Cármen Lúcia, Segunda Turma, DJe de 19/12/14; Inq 897AgR, Relator o Ministro Francisco Rezek, Tribunal Pleno, DJ de 24/3/95. 4. Os artigos 5º e 6º da Lei Complementar nº 105/2001 e seus decretos regulamentares (Decretos nº 3.724, de 10 de janeiro de 2001, e nº 4.489, de 28 de novembro de 2009) consagram, de modo expresso, a permanência do sigilo das informações bancárias obtidas com espeque em seus comandos, não havendo neles autorização para a exposição ou circulação daqueles dados. Tratase de uma transferência de dados sigilosos de um determinado portador, que tem o dever de sigilo, para outro, que mantém a obrigação de sigilo, permanecendo resguardadas a intimidade e a vida privada do correntista, exatamente como determina o art. 145, § 1º, da Constituição Federal. 5. A ordem constitucional instaurada em 1988 estabeleceu, dentre os objetivos da República Federativa do Brasil, a construção de uma sociedade livre, justa e solidária, a erradicação da pobreza e a marginalização e a redução das desigualdades sociais e regionais. Para tanto, a Carta foi generosa na previsão de direitos individuais, sociais, econômicos e culturais para o cidadão. Ocorre que, correlatos a esses direitos, existem também deveres, cujo atendimento é, também, condição sine qua non para a realização do projeto de sociedade esculpido na Carta Federal. Dentre esses deveres, consta o dever fundamental de pagar tributos, visto que são eles que, majoritariamente, financiam as ações estatais voltadas à concretização dos direitos do cidadão. Nesse quadro, é preciso que se adotem mecanismos efetivos de combate à sonegação fiscal, sendo o instrumento fiscalizatório instituído nos arts. 5º e 6º da Lei Complementar nº 105/ 2001 de extrema significância nessa tarefa. 6. O Brasil se comprometeu, perante o G20 e o Fórum Global sobre Transparência e Intercâmbio de Informações para Fins Tributários (Global Forum on Transparency and Exchange of Information for Tax Purposes), a cumprir os padrões Fl. 1321DF CARF MF 8 internacionais de transparência e de troca de informações bancárias, estabelecidos com o fito de evitar o descumprimento de normas tributárias, assim como combater práticas criminosas. Não deve o Estado brasileiro prescindir do acesso automático aos dados bancários dos contribuintes por sua administração tributária, sob pena de descumprimento de seus compromissos internacionais. 7. O art. 1º da Lei Complementar 104/2001, no ponto em que insere o § 1º, inciso II, e o § 2º ao art. 198 do CTN, não determina quebra de sigilo, mas transferência de informações sigilosas no âmbito da Administração Pública. Outrossim, a previsão vai ao encontro de outros comandos legais já amplamente consolidados em nosso ordenamento jurídico que permitem o acesso da Administração Pública à relação de bens, renda e patrimônio de determinados indivíduos. 8. À ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, órgão da AdvocaciaGeral da União, caberá a defesa da atuação do Fisco em âmbito judicial, sendo, para tanto, necessário o conhecimento dos dados e informações embasadores do ato por ela defendido. Resulta, portanto, legítima a previsão constante do art. 3º, § 3º, da LC 105/2001. 9. Ação direta de inconstitucionalidade nº 2.859/DF conhecida parcialmente e, na parte conhecida, julgada improcedente. Ações diretas de inconstitucionalidade nº 2390, 2397, e 2386 conhecidas e julgadas improcedentes. Ressalva em relação aos Estados e Municípios, que somente poderão obter as informações de que trata o art. 6º da Lei Complementar nº 105/2001 quando a matéria estiver devidamente regulamentada, de maneira análoga ao Decreto federal nº 3.724/2001, de modo a resguardar as garantias processuais do contribuinte, na forma preconizada pela Lei nº 9.784/99, e o sigilo dos seus dados bancários. (Grifouse.) DO PEDIDO DE DILIGÊNCIA PARA COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DOS RECURSOS DEPOSITADOS EM CONTA BANCÁRIA O recorrente afirma ser grande contribuinte do Fisco, tendo sempre cumprido plenamente com todas as suas obrigações fiscais; partindo dessa premissa, afirma que os rendimentos supostamente omitidos não se mostram deveras significativos, tendo em vista que no anocalendário de 2005 obteve rendimentos sujeitos à tributação exclusiva/definitiva no montante de cento e treze milhões, vinte e cinco mil, treze reais e noventa centavos; não obstante, a fim de comprovar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos em voga, necessita de maiores informações acerca dos créditos em sua conta, como, por exemplo, os nomes dos depositantes e/ou microfilmes dos cheques; afirma ter solicitado tais elementos de prova por diversas vezes às instituições financeiras em que mantém conta corrente ainda no curso da fiscalização, sendo que até aqui não logrou êxito em obtêlas, fato que inviabiliza por completo a comprovação da origem dos créditos no momento; solicita, assim, que Fisco diligencie junto às instituições financeiras, afirmando ser essa a única forma de se demonstrar a correção de seu procedimento. Fl. 1322DF CARF MF Processo nº 11052.001138/201017 Acórdão n.º 2301005.113 S2C3T1 Fl. 6 9 A tributação em exame tem como base legal o artigo 42 da Lei 9.430, de 1996, a seguir transcrito: Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. § 1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. § 2º Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. § 3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: I os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; II no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$ 1.000,00 (mil reais), desde que o seu somatório, dentro do ano calendário, não ultrapasse o valor de R$ 12.000,00 (doze mil reais). (Vide Medida Provisória nº 1.5637, de 1997) (Vide Lei nº 9.481, de 1997) § 4º Tratandose de pessoa física, os rendimentos omitidos serão tributados no mês em que considerados recebidos, com base na tabela progressiva vigente à época em que tenha sido efetuado o crédito pela instituição financeira. § 5º Quando provado que os valores creditados na conta de depósito ou de investimento pertencem a terceiro, evidenciando interposição de pessoa, a determinação dos rendimentos ou receitas será efetuada em relação ao terceiro, na condição de efetivo titular da conta de depósito ou de investimento.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) § 6º Na hipótese de contas de depósito ou de investimento mantidas em conjunto, cuja declaração de rendimentos ou de informações dos titulares tenham sido apresentadas em separado, e não havendo comprovação da origem dos recursos nos termos deste artigo, o valor dos rendimentos ou receitas será imputado a cada titular mediante divisão entre o total dos rendimentos ou receitas pela quantidade de titulares.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) Fl. 1323DF CARF MF 10 Pelo citado dispositivo legal, os valores creditados em conta de depósito ou de investimento presumem omissão de rendimentos, desde que a pessoa física ou jurídica, regularmente intimada, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados na operação. É o que ocorre no presente caso. Entendo não haver necessidade do deferimento do pedido de diligência no presente caso. No processo administrativo fiscal a autoridade julgadora não está obrigada a deferir pedidos de realização de diligência ou perícia requeridas. A teor do disposto no art. 18 do Decreto nº 70.235, de 1972, com redação dada pelo art. 1º da Lei nº 8.748, de 1993, tais pedidos somente são deferidos quando necessários à formação de convicção do julgador. Ou seja, a perícia ou a diligência só têm razão de ser quando há questão de fato ou de prova a ser elucidada, a critério da autoridade administrativa que realiza o julgamento do processo. Além do mais, descabe diligência ou perícia para averiguação de fato que possa ser comprovado com a juntada de prova documental, cuja guarda e/ou comprovação está a cargo do sujeito passivo, como se dá no presente caso. O próprio recorrente relata que já solicitou a documentação às instituições bancárias nas quais possui conta, sem sucesso. De fato, restou demonstrado que o recorrente realizou solicitações de informações às instituições financeiras (efls. 1.200 a 1.207); não foram juntadas aos autos, porém, a respostas das instituições financeiras. Ora, não é razoável supor que uma instituição financeira negue a seu correntista informação que possui concernente à conta corrente do solicitante, ainda mais quando esse for pessoa física cujos rendimentos sujeitos à tributação exclusiva em determinado ano sejam superiores a cento e quinze milhões de reais. Se, mesmo assim, as informações não foram fornecidas ao contribuinte/correntista, não é crível supor que elas seriam, várias anos mais tarde, fornecidas ao Fisco. O dever de fornecer a prova da origem de seus recursos é do contribuinte – o qual não o nega. Não tendo conseguido fazer tal prova no período de tempo que vai de 2009 (ano da fiscalização) até 2017 (ano deste julgamento), uma diligência à instituição financeira se revela, neste momento, inútil procedimento procrastinatório. DA ALEGAÇÃO DE ERRO DE PREMISSA POR NÃO HAVER JUROS NOS CONTRATOS DE MÚTUO O recorrente alega que realizou empréstimos a pessoas físicas durante o período fiscalizado; sustenta que, segundo a autoridade fiscal, os valores recebidos teriam sido acrescidos de juros, que não teriam sofrido a incidência do imposto de renda, violando, por conseguinte, o art. 55 do Regulamento de Imposto de Renda – Decreto 3.000, de 1999 (RIR 99); afirma que o fisco cometeu um erro de premissa, uma vez que realizou unicamente o cotejo entre os valores transferidos e posteriormente recebidos em sua conta corrente; no entanto, diz, foi desconsiderado o fato de que tais empréstimos poderiam ter sido feitos/complementados também em espécie, como ocorreu no presente caso; noutros termos, partiuse da equivocada premissa de que o contrato de mútuo firmado entre as partes tinha como obrigação do mutuante tão somente a obrigação de depósito em contas correntes, presumindo que a diferença entre os valores transferidos, via TED, e os posteriormente recebidos teriam a natureza de juros, pelo que incidiria o imposto de renda; contudo, essa diferença foi entregue em espécie (fls. 12091212), deixando de ser considerado pela fiscalização o valor utilizado em espécie para complemento dos contratos de mútuo entre as partes, fato que, por si só, comprova a inexistência de juros na operação e, por conseguinte, a Fl. 1324DF CARF MF Processo nº 11052.001138/201017 Acórdão n.º 2301005.113 S2C3T1 Fl. 7 11 inocorrência de acréscimo patrimonial; a título ilustrativo, vale mencionar que o mútuo entre pessoas físicas não se equipara às aplicações financeiras de renda fixa, mas que, ainda assim, seu rendimento encontrase sujeito ao imposto de renda carneleão e na declaração anual, por se enquadrar no conceito de rendimento expresso no art. 43, do Código Tributário Nacional. Não lhe assiste razão. A Fiscalização determinou o valor dos mútuos concedidos a Fernando Salles Teixeira de Mello, Olimpio Uchoa Vianna, José de Vasconcellos e Silva e Eugenio Pacelli Marques de Almeida Holanda com base em contratos escritos, denominados “Instrumento Particular de Mútuo” e recibos dos envolvidos nos negócios jurídicos (efls. 836 a 889), confrontandoos com as correspondentes transferências eletrônicas disponíveis (TED) – como exemplo, transferência do contribuinte para os mutuários às efls. 448 e 952, e recebimentos dos valores emprestados às efls. 451, 455, 960, 963 e 1020 (relação completa dos TED às e fls. 1.092 a 1.095, no Termo de Constatação Fiscal). Assim, os montantes lançados a título de juros, no valor de R$68.333,33 nos negócios celebrados com Fernando Salles Teixeira de Mello, Olimpio Uchoa Vianna e José de Vasconcellos e Silva (cujo valores objeto dos mútuos foram, respectivamente, R$2.180.294,10, R$1.917.104,25 e R$1.985.437,58) e de R$270.280,04 nos negócios celebrados Eugenio Pacelli Marques de Almeida Holanda (cujo valor objeto dos dois mútuos foi R$7.813.351,35) foram constatados e comprovados por documentação hábil e idônea. Entendo que as alegações do recorrente – que os valores repassados pelos mutuário a maior do que o recebido por estes não decorreriam de juros, mas da devolução de outros mútuos – não restaram provadas; não foram realizadas provas da existência de outros contratos de mútuos e as planilhas acostadas às efls. 1.209 a 1.212 (aparentemente elaboradas pelo contendente) não são suficientes para refutar as provas apresentadas pela Fiscalização. Ademais, o recorrente também foi lançado por acréscimo patrimonial a descoberto em 2005, mesmo anocalendário em que foram emprestados os valores a Fernando Salles Teixeira de Mello, Olimpio Uchoa Vianna e José de Vasconcellos e Silva; a alegação de que os valores emprestados foram maiores do que o contatado pela fiscalização poderia, em tese, vir a prejudicar o recorrente, na medida em que, caso comprovada a afirmação, o acréscimo patrimonial a descoberto necessariamente seria maior do que o já lançado. DA MULTA ISOLADA POR FALTA DE RECOLHIMENTO IRPF A TÍTULO DE CARNÊLEÃO O recorrente afirma que, se acolhidos os seus argumentos expostos na questão relativa ao lançamento dos juros, também não haverá a incidência da multa isolada sobre tais valores; caso contrário, a multa em comento encontrase absorvida pela multa proporcional de 75% (setenta e cinco por cento) constante no lançamento; a multa isolada do carnêleão não pode ser cobrada em conjunto com a multa de ofício incidente sobre o imposto lançado, pois ambas têm a mesma base de cálculo, como já decidiu este CARF. Os juros lançados, sobre os quais incidiu a multa por falta do recolhimento do carnêleão em comento são os seguintes: 1 R$ 204.999,99 em marco/2005, recebidos de Fernando Salles, Olimpio Uchoa e Jose de Vasconcellos; Fl. 1325DF CARF MF 12 2 R$ 270.280,04 em maio/2007, recebidos de Antonio José de Almeida Carneiro, em substituição ao devedor inicial Eugenio Pacelli Marques de Almeida Holanda. No respeitante à multa isolada em face da falta de recolhimento do IRPF devido a título de carnêleão, minha opinião coincide com a do conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos, relator (vencido) do acórdão 920202.297, as quais reproduzo assumindoas, mutatis mutandis, como razões de meu voto: Penso que a aplicação conjunta das duas multas é decorrência direta do art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, e de que não existe dupla penalidade pela mesma infração, uma vez que a multa isolada pune o não recolhimento mensal do carnêleão, nos termos do art. 8º da Lei no 7.713, de 22 de dezembro de 1988, enquanto a multa de ofício pune a falta de tributação dos rendimentos omitidos na declaração de ajuste anual, sendo necessárias punições diferentes para condutas ilícitas diversas. Do mesmo modo, não encontro qualquer óbice na legislação tributária para a adoção da mesma base de cálculo para penalidades relativas a duas infrações distintas. Não vejo qualquer semelhança com o fenômeno do bis in idem, onde se cobra o mesmo tributo de um mesmo contribuinte sobre um mesmo fato gerador. (...) No presente caso, cuidase de lançamento referente aos anoscalendário 2005 e 2007. Após a edição da Medida Provisória 351, de 22 de janeiro de 2007 (convertida na Lei 11.488, de 2007), a jurisprudência deste CARF se pacificou no sentido da legalidade na aplicação da referida multa isolada, mesmo que em concomitância com a multa de ofício, prevista no art. 44, I, da Lei n° 9.430, de 1996 (com a redação dada pela referida Medida Provisória n° 351, de 2007) Reproduzo, nesse sentido, o voto vencedor do Conselheiro Antônio Lopo Martinez no Acórdão 2202002.960, de 21/01/2015, assumindo como minhas as suas razões, mutatis mutandis: A Medida Provisória n° 351, de 2007, posteriormente convertida na Lei n° 11.488, de 2007, alterou a redação do art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996, instituindo a hipótese de incidência da multa isolada no caso de falta de pagamento do carnêleão. O Art. 44 passou a ter, então, a seguinte redação: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei n° 11.488, de 2007) 1 de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei n° 11.488, de 2007) II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: (Redação dada pela Lei n° 11.488, de 2007) a) na forma do art. 8º da Lei no 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; (Incluída pela Lei n° 11.488, de 2007) Fl. 1326DF CARF MF Processo nº 11052.001138/201017 Acórdão n.º 2301005.113 S2C3T1 Fl. 8 13 b) na forma do art. 2º desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no ano calendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. (Incluída pela Lei n° 11.488, de 2007) § 1º O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Redação dada pela Lei n° 11.488, de 2007) [... ] § 2º Os percentuais de multa a que se referem o inciso I do caput e o § 1o deste artigo serão aumentados de metade, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para: (Redação dada pela Lei n° 11.488, de 2007) I prestar esclarecimentos; (Renumerado da alínea "a", pela Lei n° 11.488, de 2007) apresentar os arquivos ou sistemas de que tratam os arts. 11 a 13 da Lei no 8.218, de 29 de agosto de 1991; (Renumerado da alínea "b", com nova redação pela Lei n° 11.488, de 2007) III apresentar a documentação técnica de que trata o art. 38 desta Lei. (Renumerado da alínea "c", com nova redação pela Lei n° 11.488, de 2007) § 3° Aplicamse às multas de que trata este artigo as reduções previstas no art. 6° da Lei n° 8.218, de 29 de agosto de 1991, e no art. 60 da Lei n° 8.383, de 30 de dezembro de 1991. § 4° As disposições deste artigo aplicamse, inclusive, aos contribuintes que derem causa a ressarcimento indevido de tributo ou contribuição decorrente de qualquer incentivo ou benefício fiscal. Como se vê, diferentemente do que se tinha antes, o art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996 passou a prever as duas penalidade: a primeira, de 75%, no caso de falta de pagamento ou pagamento a menor de imposto; a segunda, de 50%, pela falta de pagamento do carnêleão. Assim, a ressalva antes existente à aplicação simultânea das duas penalidades deixou de existir. Aliás, a questão nunca foi a impossibilidade jurídica de incidência concomitante de duas penalidades, mas a falta de previsão legal de incidência das duas multas, calculadas sobre a mesma base. Pois bem, a Lei n° 11.488, de 2007, criou esta previsão legal. Assim, em conclusão, entendo devida a multa isolada, para os anoscalendário de 2010 e 2011, independentemente da aplicação da multa pela falta de recolhimento do imposto devido quando do ajuste anual. (Grifouse.) Nesse sentido, decisões das seguintes Turmas deste CARF: Fl. 1327DF CARF MF 14 CSRF Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física – IRPF Anocalendário: 2007 MULTA ISOLADA DO CARNÊLEÃO. MULTA DE OFÍCIO. CONCOMITÂNCIA. É devida a multa isolada pela falta de recolhimento do carnê leão, aplicada concomitantemente com a multa de ofício pela falta de recolhimento ou recolhimento a menor de imposto, apurado no ajuste anual, eis que o dispositivo legal cabível tipifica duas condutas distintas (Acórdão 9202004.022, de 10/05/2016) 1º Turma da 3ª Câmara: MULTA ISOLADA DO CARNÊLEÃO E MULTA DE OFÍCIO. CONCOMITÂNCIA. PERÍODO DE APURAÇÃO A PARTIR DE 2007. A partir da vigência da Medida Provisória 351, de 2007 (convertida na Lei 11.488, de 2007) é devida a multa isolada pela falta de recolhimento do carnêleão, independentemente da aplicação, relativamente ao mesmo período, da multa de ofício pela falta de recolhimento ou recolhimento a menor de imposto, apurado no ajuste anual. (Ac. 2301004.789) No que tange à multa no anocalendário 2005, a jurisprudência dominante no CARF, é por sua improcedência. Embora mantendo respeitosa divergência quanto a essa orientação, penso ser adequado ajustarme a ela, em atenção ao princípio da colegialidade, evitando, assim, inúteis dilações na exigência de eventual crédito tributário vinculado a este processo. Pelo exposto, em relação à incidência da multa isolada, voto por dar parcial provimento, cancelando a multa referente aos fatos geradores ocorridos em 2005. DA ALEGAÇÃO DA OCORRÊNCIA DE ERRO MATERIAL NO PREENCHIMENTO DA DAA Nesse tópico, o recorrente afirma que incorreu em erro material ao ter declarado em no item "dinheiro em espécie" de sua declaração de ajuste anual (DAA) do ano calendário de 2005, o valor de R$1.000.000,00 (um milhão de reais) como dinheiro em espécie; diz que deveria ter declarado R$307.472,21 (trezentos e sete mil, quatrocentos e setenta dois reais e vinte e um centavos), e que o erro foi cometido por não ter computado as despesas incorridas durante o período, mas tão somente o recebido com os mútuos realizados com Fernando Salles Teixeira de Mello R$ 100.000,00 (cem mil reais) e Olímpio Uchoa Vianna R$ 50.000,00 (cinqüenta mil reais); consequentemente, como o valor declarado em espécie para o anocalendário de 2004 foi de R$ 850.000,00 (oitocentos e cinqüenta mil reais), apenas somou a esse os dois mútuos supracitados, atingindo o montante de R$ 1.000.000,00 (um milhão de reais) declarado para o anocalendário 2005; alega ainda que, após o esclarecimento de tais fatos, se limitou o Fiscal autuante em afirmar que após o início da ação fiscal não se mostra cabível a retificação da declaração; porém, em certos casos esta regra deve ser flexibilizada, mormente em razão de casos que necessitam de produção de prova negativa, Fl. 1328DF CARF MF Processo nº 11052.001138/201017 Acórdão n.º 2301005.113 S2C3T1 Fl. 9 15 como no presente caso, em que é impossível que se apresente prova do exato valor em espécie quando de sua declaração. Não lhe assiste razão. A presunção de veracidade dos fatos declarados em DAA somente pode ser elidida se realizada a prova do erro material, o que não sucede no caso em apreço. Nesse sentido, a própria jurisprudência citada pelo recorrente: IRPF NUMERÁRIO DECLARADO EM ESPÉCIE DECLARAÇÃO DE AJUSTE LEVANTAMENTO DO FLUXO DE CAIXA Os valores declarados como "dinheiro em espécie", "dinheiro em caixa", e outras rubricas semelhantes devem ser aceitos para acobertar acréscimos patrimoniais, salvo prova inconteste de sua inexistência no término do ano base em que tal disponibilidade for declarada, cuja prova deve ser produzida pela autoridade lançado. (Ac. 10419.282.) (Grifouse.) Assim, competia ao contribuinte provar a veracidade do que afirma, forte no disposto na Lei no 9.784, de 1999 (texto legal que regula o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal), art. 36: Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no artigo 37 desta Lei. (Grifou se.) Corroborando tal tese, a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça: Allegare nihil et allegatum non probare paria sunt — nada alegar e não provar o alegado, são coisas iguais. (Habeas Corpus nº 1.1710 — RJ, R. Sup. Trib. Just., Brasília, a. 4, (39): 211276, novembro 1992, p. 217) Alegar e não provar significa, juridicamente, não dizer nada.(Intervenção Federal Nº 83 — PR, R. Sup. Trib. Just., Brasília, a. 7, (66): 93116, fevereiro 1995. 99) Fl. 1329DF CARF MF 16 Conclusão Voto, portanto, por REJEITAR AS PRELIMINARES, e, no mérito, DENEGAR O PEDIDO DE DILIGÊNCIA e DAR PARCIAL PROVIMENTO ao recurso voluntário, para cancelar a exigência da multa isolada pela falta de recolhimento do IRPF devido a título de carnêleão no anocalendário de 2005. (assinado digitalmente) João Bellini Júnior Relator Fl. 1330DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10314.728321/2015-87
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 09 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jun 28 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2011 a 31/12/2011
NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA E DO CONTRADITÓRIO. INOCORRÊNCIA. Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, nos termos da legislação de regência, especialmente artigo 142 do CTN, não há que se falar em nulidade do lançamento.
AUDITOR-FISCAL DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL. ATUAÇÃO EM TODO O TERRITÓRIO NACIONAL. COMPETÊNCIA.
É valido o lançamento formalizado por Auditor-Fiscal da Receita Federal do Brasil de jurisdição diversa da do domicílio tributário do sujeito passivo.
PROCEDIMENTO FISCAL. DESNECESSIDADE DE MPF E DE AUTO DE INFRAÇÃO ESPECÍFICO PARA CADA FILIAL.
O procedimento fiscal se desenvolve junto ao sujeito passivo, assim entendida a pessoa jurídica em sua totalidade, não havendo necessidade de emissão de MPF e de auto de infração específico para cada filial.
INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. INCOMPETÊNCIA.
A instância administrativa é incompetente para afastar a aplicação da legislação vigente em decorrência da argüição de sua inconstitucionalidade ou ilegalidade.
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - AUTO DE INFRAÇÃO - AQUISIÇÃO DE PRODUTOR RURAL PESSOA FÍSICA - SUBROGAÇÃO - CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS INCIDENTES SOBRE A RECEITA DA COMERCIALIZAÇÃO DE SUA PRODUÇÃO. LEI Nº 10.256/2001 - CONTRIBUIÇÃO TERCEIROS - SENAR - INAPLICABILIDADE DO RE 363.852/MG DO STF
Não houve, no âmbito do RE 363.852/MG, apreciação dos aspectos relacionados a inconstitucionalidade do art. 30, IV da Lei no. 8.212, de 2001. O fato de constar no resultado do julgamento inconstitucionalidade do artigo 1º da Lei nº 8.540/92, que deu nova redação aos artigos 12, incisos V e VII, 25, incisos I e II, e 30, inciso IV, da Lei nº 8.212/91, com redação atualizada até a Lei nº 9.528/97 não respalda a interpretação extensiva de que fora declarada também a inconstitucionalidade do art. 30, IV, uma vez considerada a ausência de fundamentos jurídicos no próprio voto condutor. A Lei no. 10.256, de 2001, conferiu legitimidade à cobrança de contribuições sobre a aquisição do produtor rural pessoa física. Ainda, a sistemática de subrrogação e recolhimento das contribuições pela aquisição da produção rural de pessoas físicas encontra respaldo também no inciso III do art. 30 da Lei no. 8.212, de 1991, permanecendo incólume ainda que se adotasse a argumentação de declaração de inconstitucionalidade do art. 30, IV.
As contribuições destinadas ao SENAR não foram objeto de reconhecimento de inconstitucionalidade no Recurso Extraordinário no. 363.852/MG, não existindo questionamento acerca da legitimidade de sua cobrança.
CONTRIBUIÇÃO AO SENAR. SUBROGAÇÃO.
Tratando-se de contribuição para outras entidades ou fundos que tem a mesma base de incidência das contribuições previdenciárias, a sub-rogação da contribuição ao SENAR na pessoa do adquirente de produtos de pessoas físicas tem amparo no art. 30, IV, e 94, parágrafo único, da Lei 8.212, de 1991, combinado com o art. 6º da Lei 9.528, de 1997 e no Decreto 790, de 1993, art. 11, § 5º, a.
Numero da decisão: 2301-005.268
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, (i) por maioria de votos, conhecer parcialmente do recurso, unicamente quanto (i.1) à prejudicial de sobrestamento, (i.2) às preliminares de nulidade e (i.3) à questão envolvendo a contribuição para o Senar, vencido o conselheiro João Mauricio Vital que conhecia das demais questões do recurso. Na parte conhecida, por unanimidade de votos, (ii) denegar o pedido de sobrestamento do feito e (iii) rejeitar as preliminares e, (iv) no mérito, por maioria de votos, negar provimento ao recurso, vencidos os conselheiros Marcelo de Freitas de Souza Costa (relator), Alexandre Evaristo Pinto e Wesley Rocha, que davam provimento ao recurso. Designado por fazer o voto vencedor o conselheiro Antônio Sávio Nastureles.
(Assinado digitalmente)
João Bellini Júnior - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Marcelo Freitas de Souza Costa - Relator.
(Assinado digitalmente)
Antônio Sávio Nastureles - Redator Designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Junior, Marcelo Freitas de Souza Costa, Andréa Brose Adolfo, Wesley Rocha, João Maurício Vital, Juliana Marteli Fais Feriato, Antônio Sávio Nastureles e Alexandre Evaristo Pinto.
Nome do relator: MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 23; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1983; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C3T1 Fl. 5.929 1 5.928 S2C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10314.728321/201587 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2301005.268 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 9 de maio de 2018 Matéria CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS Recorrente JBS S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2011 a 31/12/2011 NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA E DO CONTRADITÓRIO. INOCORRÊNCIA. Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, nos termos da legislação de regência, especialmente artigo 142 do CTN, não há que se falar em nulidade do lançamento. AUDITORFISCAL DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL. ATUAÇÃO EM TODO O TERRITÓRIO NACIONAL. COMPETÊNCIA. É valido o lançamento formalizado por AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil de jurisdição diversa da do domicílio tributário do sujeito passivo. PROCEDIMENTO FISCAL. DESNECESSIDADE DE MPF E DE AUTO DE INFRAÇÃO ESPECÍFICO PARA CADA FILIAL. O procedimento fiscal se desenvolve junto ao sujeito passivo, assim entendida a pessoa jurídica em sua totalidade, não havendo necessidade de emissão de MPF e de auto de infração específico para cada filial. INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. INCOMPETÊNCIA. A instância administrativa é incompetente para afastar a aplicação da legislação vigente em decorrência da argüição de sua inconstitucionalidade ou ilegalidade. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO AUTO DE INFRAÇÃO AQUISIÇÃO DE PRODUTOR RURAL PESSOA FÍSICA SUBROGAÇÃO CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS INCIDENTES SOBRE A RECEITA DA COMERCIALIZAÇÃO DE SUA PRODUÇÃO. LEI Nº AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 31 4. 72 83 21 /2 01 5- 87 Fl. 5929DF CARF MF 2 10.256/2001 CONTRIBUIÇÃO TERCEIROS SENAR INAPLICABILIDADE DO RE 363.852/MG DO STF Não houve, no âmbito do RE 363.852/MG, apreciação dos aspectos relacionados a inconstitucionalidade do art. 30, IV da Lei no. 8.212, de 2001. O fato de constar no resultado do julgamento “inconstitucionalidade do artigo 1º da Lei nº 8.540/92, que deu nova redação aos artigos 12, incisos V e VII, 25, incisos I e II, e 30, inciso IV, da Lei nº 8.212/91, com redação atualizada até a Lei nº 9.528/97” não respalda a interpretação extensiva de que fora declarada também a inconstitucionalidade do art. 30, IV, uma vez considerada a ausência de fundamentos jurídicos no próprio voto condutor. A Lei no. 10.256, de 2001, conferiu legitimidade à cobrança de contribuições sobre a aquisição do produtor rural pessoa física. Ainda, a sistemática de subrrogação e recolhimento das contribuições pela aquisição da produção rural de pessoas físicas encontra respaldo também no inciso III do art. 30 da Lei no. 8.212, de 1991, permanecendo incólume ainda que se adotasse a argumentação de declaração de inconstitucionalidade do art. 30, IV. As contribuições destinadas ao SENAR não foram objeto de reconhecimento de inconstitucionalidade no Recurso Extraordinário no. 363.852/MG, não existindo questionamento acerca da legitimidade de sua cobrança. CONTRIBUIÇÃO AO SENAR. SUBROGAÇÃO. Tratandose de contribuição para outras entidades ou fundos que tem a mesma base de incidência das contribuições previdenciárias, a subrogação da contribuição ao SENAR na pessoa do adquirente de produtos de pessoas físicas tem amparo no art. 30, IV, e 94, parágrafo único, da Lei 8.212, de 1991, combinado com o art. 6º da Lei 9.528, de 1997 e no Decreto 790, de 1993, art. 11, § 5º, “a”. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, (i) por maioria de votos, conhecer parcialmente do recurso, unicamente quanto (i.1) à prejudicial de sobrestamento, (i.2) às preliminares de nulidade e (i.3) à questão envolvendo a contribuição para o Senar, vencido o conselheiro João Mauricio Vital que conhecia das demais questões do recurso. Na parte conhecida, por unanimidade de votos, (ii) denegar o pedido de sobrestamento do feito e (iii) rejeitar as preliminares e, (iv) no mérito, por maioria de votos, negar provimento ao recurso, vencidos os conselheiros Marcelo de Freitas de Souza Costa (relator), Alexandre Evaristo Pinto e Wesley Rocha, que davam provimento ao recurso. Designado por fazer o voto vencedor o conselheiro Antônio Sávio Nastureles. (Assinado digitalmente) João Bellini Júnior Presidente. (Assinado digitalmente) Marcelo Freitas de Souza Costa Relator. Fl. 5930DF CARF MF Processo nº 10314.728321/201587 Acórdão n.º 2301005.268 S2C3T1 Fl. 5.930 3 (Assinado digitalmente) Antônio Sávio Nastureles Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Junior, Marcelo Freitas de Souza Costa, Andréa Brose Adolfo, Wesley Rocha, João Maurício Vital, Juliana Marteli Fais Feriato, Antônio Sávio Nastureles e Alexandre Evaristo Pinto. Fl. 5931DF CARF MF 4 Relatório Tratase Auto de Infração por descumprimento de obrigação principal, lavrado contra a empresa acima identificada, referentes à contribuição social correspondente à a comercialização da produção rural com subrogação. De acordo com o Relatório Fiscal a os valores do lançamento são referentes as contribuições previdenciárias devidas pela empresa para a SEGURIDADE SOCIAL e contribuição social para os TERCEIROS incidentes sobre as aquisições de produtos rurais oriundos de produtores pessoas naturais não declarados na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia e Informações a Previdência Social – GFIP e referese ao período de 01/2011 a 12/2011. Após a impugnação, decisão de primeira instância julgou procedente a autuação com a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2011 a 31/12/2011 AUDITORFISCAL DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL. ATUAÇÃO EM TODO O TERRITÓRIO NACIONAL. COMPETÊNCIA. É valido o lançamento formalizado por AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil de jurisdição diversa da do domicílio tributário do sujeito passivo. PROCEDIMENTO FISCAL. DESNECESSIDADE DE MPF E DE AUTO DE INFRAÇÃO ESPECÍFICO PARA CADA FILIAL. O procedimento fiscal se desenvolve junto ao sujeito passivo, assim entendida a pessoa jurídica em sua totalidade, não havendo necessidade de emissão de MPF e de auto de infração específico para cada filial. INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. INCOMPETÊNCIA. A instância administrativa é incompetente para afastar a aplicação da legislação vigente em decorrência da argüição de sua inconstitucionalidade ou ilegalidade. PRODUTOR RURAL PESSOA FÍSICA. COMERCIALIZAÇÃO DE SUA PRODUÇÃO RURAL. EXIGÊNCIA FUNDADA EM LEGISLAÇÃO VIGENTE. São devidas as contribuições do empregador rural pessoa física e do segurado especial, incidentes sobre a receita bruta da comercialização de sua produção. Art. 25, I e II da Lei nº Fl. 5932DF CARF MF Processo nº 10314.728321/201587 Acórdão n.º 2301005.268 S2C3T1 Fl. 5.931 5 8.212, de 1991, com redação alterada pela Lei nº 10.256, de 2001. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. SENAR. PRODUTOR RURAL PESSOA FÍSICA. SUBROGAÇÃO DA EMPRESA ADQUIRENTE. A empresa adquirente de produtos rurais fica subrogada nas obrigações da pessoa física produtora rural pelo recolhimento da contribuição incidente sobre a receita bruta da comercialização de sua produção, inclusive as destinadas à entidade terceira SENAR, nos termos e nas condições estabelecidas pela legislação previdenciária. PRODUÇÃO RURAL. SUBROGAÇÃO. DISPENSA JUDICIAL. SUJEIÇÃO PASSIVA DO PRODUTOR RURAL PESSOA FÍSICA. Existindo decisão judicial, que dispensa a empresa adquirente da retenção e recolhimento da contribuição previdenciária, incidente sobre a produção adquirida de pessoa física, o lançamento do crédito, para prevenir decadência, deve ser procedido em nome do produtor rural pessoa física ou segurado especial. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE A alteração do crédito tributário deve ser baseado em fatos extintivos ou modificativos, argüidos como matéria de defesa, devidamente demonstrados pelo contribuinte mediante produção de provas. PEDIDO DE DILIGÊNCIA. A diligência requerida é indeferida, quando for considerada pela autoridade julgadora prescindível ou protelatória, a teor do disposto na legislação que rege o Processo Administrativo Fiscal. SUSTENTAÇÃO ORAL. PRIMEIRA INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. Não cabe sustentação oral pelo contribuinte na primeira instância do julgamento administrativo, por falta de previsão legal. Esse instrumento de defesa está previsto na fase recursal, perante o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, caso o autuado recorra da decisão e proteste por sua produção naquela instância. PROCURADOR. INTIMAÇÃO. As intimações devem ser feitas ao sujeito passivo, no domicílio tributário por ele eleito perante a Administração Tributária. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Fl. 5933DF CARF MF 6 Inconformado com a Decisão a empresa recorre a este conselho alegando em síntese: Inicialmente requer a suspensão do presente processo até o julgamento dos Recursos Extraordinários 363.852, com fulcro nos arts. 1036 e 1037 do novo CPC pois as discussões travadas nos autos referemse: (i) à exigência da contribuição a ser recolhida pelo empregador rural pessoa física sobre a receita bruta proveniente da comercialização de sua produção, e (ii) à contribuição destinada ao SENAR. A Recorrente destaca que ambas as discussões são objeto de Recurso Extraordinário cuja repercussão geral foi reconhecida pelo Supremo Tribunal Federal (STF); A nulidade da autuação por erro de fato pois a autoridade fiscaln]ao teria distinguido corretamente as aquisições provenientes de EMPREGADORES daquelas oriundas de SEGURADOS ESPECIAIS; Defende a ilegitimidade da recorrente pela não retenção dos valores lançados pois, não o fez por força de decisão judicial e pela própria inconstitucionalidade da exigência, devendo o lançamento ser efetuado em nome dos produtores rurais pessoa física. Que tendose em vista que não houve retenção e recolhimento, isto é, houve o pagamento do valor líquido da nota fiscal ao produtor rural – sem desconto das exações em tela – temse aqui situação jurídica irreversível que deve ser considerada para exigência dos tributos, o que desloca, necessariamente, o pólo passivo do lançamento fiscal para o produtor rural fornecedor do gado bovino, que recebeu o valor “líquido” e, portanto, deve suportar o ônus da presente exigência. Informa que diversos produtores rurais ingressaram com ações judiciais objetivando a declaração incidental de inconstitucionalidade dos artigos 25 da Lei nº 8212/91 e 25 da Lei nº 8.870/94, bem como a condenação da União Federal a restituir a quantia recolhida indevidamente e a DRJ, em sua decisão, não se manifestou em relação à todas as ações judiciais dos produtores rurais que a Recorrente acostou aos autos por amostragem; Sustenta que os Autos de infração impugnados padecem de nulidade, ainda, em razão da ausência de discriminação, de maneira correta e assertiva, das aquisições provenientes de EMPREGADORES daquelas oriundas de SEGURADOS ESPECIAIS. Nada obstante a Recorrente ter entregue à fiscalização a relação de todas as notas fiscais, contendo as informações dos produtores, entendeu a Autoridade Fiscal que todas pessoas físicas que emitiram notas fiscais com CPF, fornecedoras da Recorrente, não seriam empregadores. Em que pese a existência de planilhas distintas para aqueles produtores que possuem CNPJ e daqueles inscritos somente no CPF, a exigência do crédito tributário se deu considerando a totalidade das aquisições de pessoas físicas. Cita como exemplo a filial inscrita no CNPJ sob o n° 02.916.265/000593. A análise da Tabela I, na parte relativa a esta filial, permite constatar que no ano calendário 2011, a Recorrente adquiriu, por meio da referida filial, “GADO” na importância de R$ 325 Milhões, sendo oportuno destacar que a totalidade das referidas aquisições foi classificada como “Produtor Rural com CPF”, categorizado, portanto, como segurado especial (vale lembrar, segundo o critério equivocado da Fiscalização), o que demonstra a falta de razoabilidade da fiscalização. Fl. 5934DF CARF MF Processo nº 10314.728321/201587 Acórdão n.º 2301005.268 S2C3T1 Fl. 5.932 7 Que dos mais de R$ 8 BILHÕES DE REAIS de aquisições de gado relacionadas ano calendário 2011, a Autoridade Fiscal considerou 97% como sendo proveniente de pessoa física sem empregados. Colaciona tabela com os valores de aquisição dos 20 maiores fornecedores no ano 2011, bem como reclamações trabalhistas em desfavor de alguns fornecedores. Questiona o procedimento de arbitramento/aferição indireta por não constar na autuação a indicação de dispositivo que o autorize, sendo este excepcional par a aferição de base de cálculo. Advoga no sentido de que a autoridade fiscal não observou o princípio da verdade material acerca condição de empregadores dos produtores que lhe venderam mercadorias, não existindo provas de que os produtores não são empregadores; Afirma que o lançamento encontrase equivocado tendo em vista o pronunciamento da Suprema Corte que confirmou através do RE 363.8531/MG que entendeu inconstitucional o recolhimento do FUNRURAL o que serve também para o SENAR. Entende que sua situação se encontra nos mesmos moldes da inconstitucionalidade declarada em relação a venda de produção rural de bovinos, pois, figura tão somente como substituto legal tributário, que adquire a produção do produtor rural, pessoa física; Que tendo sido declarada inconstitucional a contribuição lançada bem como a do SENAR, o lançamento não merece prosperar; Questiona o lançamento efetuado contra a matriz, mas com fatos imponíveis relativos as filiais, o que vai de encontro com a autonomia dos estabelecimentos.e dificulta a defesa da recorrente; Defende que a decisão do RE 596.177 teve repercussão geral reconhecida devendo ser aplicada nos casos semelhantes conforme art. 62 do regimento Interno do CARF; Requer a realização de diligência para demonstrar que praticamente a totalidade dos produtores arrolados na autuação recebe ajuda de empregados, formal ou informalmente, sendo impossível atribuir à Recorrente a obrigação desta comprovação Pugna pela suspensão do julgamento e subsidiariamente pelo acolhimento e provimento do recurso. É o relatório. Fl. 5935DF CARF MF 8 Voto Vencido Conselheiro Marcelo Freitas de Souza Costa O recurso é tempestivo e estão presentes os pressupostos de admissibilidade. DAS PRELIMINARES Da concomitância Compulsando os autos, verificase uma questão prejudicial ao conhecimento total do recurso apresentado, tendo em vista que a parte da questão de mérito está diretamente vinculado à impetração pelo contribuinte do MS 2001.60.00.0000509, Apelação 500033397.2010.404.7102. Referida ação judicial proposta trata da inconstitucionalidade das contribuições previdenciárias dos produtores rurais que a recorrente teria a obrigação de reter e recolher. Sobre esses aspectos, trazidos também no recurso, não irei me posicionar uma vez que é matéria que já está sendo discutida no âmbito do Poder Judiciário devendo ser aplicada a Súmula nº 01 do CARF abaixo transcrita: Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Ademais, este posicionamento já fora adotado pela 2ª Turma da Câmara Superior de Recurso Fiscais quando do julgamento do Recurso Especial nº. 9202005.549, da mesma recorrente, que restou assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2002 a 31/07/2005 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. CONCOMITÂNCIA COM AÇÃO JUDICIAL. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial (Súmula CARF nº 1). Da Suspensão do Julgamento Sem razão à recorrente. Embora haja questões sendo debatidas nos tribunais superiores, o objeto da presente autuação não está com a exigibilidade suspensa. Não fora Fl. 5936DF CARF MF Processo nº 10314.728321/201587 Acórdão n.º 2301005.268 S2C3T1 Fl. 5.933 9 recepcionado em sede de recurso repetitivo ou de repercussão geral como alega em seu recurso, logo, não há óbice no prosseguimento do julgamento administrativo. Das Nulidades Apontadas Sem razão à recorrente. De acordo com o Decreto 70.235/72 em seus os arts. 59 e 60 somente em duas situações ocorrem a nulidade da autuação: i) quando pessoa incompetente profere uma ato ou decisão ou; ii) na ocorrência de cerceamento do direito de defesa ao contribuinte. Decreto 70.235 Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. No presente caso não foi verificada a existência de nenhuma destas hipóteses, tanto que a recorrente pode se defender plenamente da autuação, inclusive quando da interposição de presente recurso que, elogiese, vem com farta argumentação e teses em defesa dos direitos do contribuinte; Ora, o motivo do lançamento foi a ocorrência de fato gerador e o não recolhimento de contribuições a ele relacionadas, qual seja, na qualidade de substituto tributário, o dever de reter/recolher as contribuições entendidas pela fiscalização devidas por força de Lei. Com relação ao argumento de que a Autoridade Fiscal deveria ter promovido a busca da verdade material acerca da condição de empregadores dos produtores que lhe venderam mercadorias , entendo que esta obrigação caberia à recorrente, máxime quando o lançamento se baseou nas notas fiscais emitidas pela própria empresa. Ademias, a partir de Julho de 2012 a recorrente não tinha mais o amparo de decisão judicial que lhe favorecesse, não cabendo a inversão do ônus da prova. A recorrente foi intimada mais de uma vez a apresentar documentação que demonstrasse serem os produtores rurais empregadores mas não o fez. Fl. 5937DF CARF MF 10 O mesmo pode se dizer quanto a alegação de iliquidez trazida no recurso. Alega mas não faz prova de que os fornecedores tinham decisões judiciais que impediam a recorrente de efetuar as retenções. Do Mérito Trataremos aqui a questão da Ilegitimidade defendida pela recorrente juntamente com o mérito referente a contribuição para o SENAR em detrimento a inconstitucionalidade declarada pelo STF. O contribuinte insurgese contra a autuação aduzindo a inconstitucionalidade da contribuição declarada do julgamento do RE n. 363.852/MG. Já a autoridade fiscalizadora entende que o lançamento está correto e foi lançado com fulcro na Lei 10.256/01. Entendo que há razão ao contribuinte, pois, a decisão do STF quando do julgamento do RE n. 363.852/MG, foi no sentido de declarar da empresa adquirente, na condição de subrogado, inconstitucional a exigência das contribuições sociais sobre a aquisição da produção rural de pessoa física. Muito embora em março de 2017, o STF em julgamento do RE 718.874/RS ter julgado Constitucional a Lei 10.256/2001 com Repercussão Geral, devendo, portanto ser obedecida por este conselho, a lide passa pela delimitação do alcance do que ficou decidido pela Corte Máxima no bojo do RE n.º 363.852/MG, no qual discutiuse a constitucionalidade da exigência de contribuições sociais incidentes sobre a receita bruta da comercialização da produção rural do empregador pessoa física, prevista no art. 25, I e II, da Lei n.º 8.212/1991, com redação dada pela Lei n.º 8.540/1992, e da subrogação do adquirente na obrigação de recolher o tributo devido, conforme art. 30, IV, da Lei n.º 8.212/1991, na redação dada pela Lei n.º 9.528/1997. Ali a empresa recorrente, adquirente de produtos rurais de produtores pessoas físicas, não concordando com a exação suscitou ofensa do dispositivo atacado aos art. 195, e §§ 4. e 8., 154, I e 146, III, todos da Constituição Federal: Vejamos a referida decisão do STF: Decisão: O Tribunal, por unanimidade e nos termos do voto do Relator, conheceu e deu provimento ao recurso extraordinário para desobrigar os recorrentes da retenção e do recolhimento da contribuição social ou do seu recolhimento por subrrogação sobre a “receita bruta proveniente da comercialização da produção rural” de empregadores, pessoas naturais, fornecedores de bovinos para abate, declarando a inconstitucionalidade do artigo 1º da Lei nº 8.540/92, que deu nova redação aos artigos 12, incisos V e VII, 25, incisos I e II, e 30, inciso IV, da Lei nº 8.212/91, com a redação atualizada até a Lei nº 9.528/97, até que legislação nova, arrimada na Emenda Constitucional nº 20/98, venha a instituir a contribuição, tudo na forma do pedido inicial, invertidos os ônus da sucumbência. Em seguida, o Relator apresentou petição da União no sentido de modular os efeitos da decisão, que foi rejeitadta por maioria, vencida a Senhora Ministra Ellen Gracie. Votou o Presidente, Ministro Gilmar Mendes. Ausentes, licenciado, o Senhor Ministro Celso de Mello e, neste julgamento, o Senhor Ministro Joaquim Barbosa, com voto proferido na assentada anterior. Plenário, 03.02.2010. Fl. 5938DF CARF MF Processo nº 10314.728321/201587 Acórdão n.º 2301005.268 S2C3T1 Fl. 5.934 11 Após essa decisão a Procuradoria da Fazenda Nacional apresentou embargos de declaração, os quais foram rejeitados pela Corte, nos seguintes termos: A C Ó R D Ã O Vistos, relatados e discutidos estes autos, acórdão os Ministros do Supremo Tribunal Federal em rejeitar os embargos de declaração o recurso extraordinário, nos termos do voto do relator e por unanimidade, em sessão presidida pelo Ministro Cezar Peluzo, na conformidade da ata do julgamento e das respectivas notas taquigráficas. Do Acórdão exarado pelo STF no citado RE, percebese que ele é explícito em declarar a inconstitucionalidade da contribuição incidente sobre a receita bruta da comercialização dos produtores rurais pessoas física e, vai além, também afastando a possibilidade de se responsabilizar o adquirente na condição de subrogado. Eis as exatas palavras contidas na parte dispositiva do decisum: “... para desobrigar os recorrentes da retenção e do recolhimento da contribuição social ou do seu recolhimento por subrogação sobre a “receita bruta proveniente da comercialização da produção rural” de empregadores, pessoas naturais...” Logo, a decisão atingiu não somente as contribuições sociais previstas no art. 25, I e II, da Lei n.º 8.212/1991, mas também a forma de arrecadação, afastando a responsabilidade da empresa adquirente na condição de subrogada, esta estampado no inciso IV do art. 30 da mesma Lei, reconhecendo, todavia que haveria a possibilidade de que nova legislação, Compatível com a Emenda Constitucional nº 20/98 pudesse vir a ser editada instituindo a contribuição incidente sobre a receita do empregador sem a necessidade de Lei Complementar. Referida lei já existia, era a Lei 10.256/2001 que havia dado nova redação ao art. 25 da Lei 8.212/91 e passou a exigir as contribuições incidentes sobre a comercialização efetuada pelo produtor rural pessoa física. Como dito anteriormente, referida lei foi declarada constitucional quando do julgamento do RE 718.874/RS, conforme se verifica abaixo: RE 718.874 / RS Ementa: TRIBUTÁRIO. EC 20/98. NOVA REDAÇÃO AO ARTIGO 195, I DA CF. POSSIBILIDADE DE EDIÇÃO DE LEI ORDINÁRIA PARA INSTITUIÇÃO DE CONTRIBUIÇÃO DE EMPREGADORES RURAIS PESSOAS FÍSICAS INCIDENTE SOBRE A COMERCIALIZAÇÃO DA PRODUÇÃO RURAL. CONSTITUCIONALIDADE DA LEI 10.256/2001. 1.A declaração incidental de inconstitucionalidade no julgamento do RE 596.177 aplicase, por força do regime de repercussão geral, a todos os casos idênticos para aquela determinada situação, não retirando do ordenamento jurídico, entretanto, o texto legal do artigo 25, que, manteve vigência e eficácia para as demais hipóteses. Fl. 5939DF CARF MF 12 2.A Lei 10.256, de 9 de julho de 2001 alterou o artigo 25 da Lei 8.212/91, reintroduziu o empregador rural como sujeito passivo da contribuição, com a alíquota de 2% da receita bruta proveniente da comercialização da sua produção; espécie da base de cálculo receita, autorizada pelo novo texto da EC 20/98. 3. Recurso extraordinário provido, com afirmação de tese segundo a qual É constitucional formal e materialmente a contribuição social do empregador rural pessoa física, instituída pela Lei 10.256/01, incidente sobre a receita bruta obtida com a comercialização de sua produção. Contudo, com relação à subrogação do adquirente dos produtos rurais de pessoa física na obrigação de pagar o tributo, este continuou a ser considerado inconstitucional. Observese que o único dispositivo que autorizava essa técnica de arrecadação era o inciso IV do art. 30 da Lei n.º 8.212/1991, na redação dada pela Lei n.º 9.528/1997, o qual foi declarado inconstitucional pelo STF, como se pode ver da parte dispositiva do acórdão exarado no bojo do RE n.º 363.852, conforme se extrai do texto: “...declarando a inconstitucionalidade do artigo 1º da Lei nº 8.540/92, que deu nova redação aos artigos 12, incisos V e VII, 25, incisos I e II, e 30, inciso IV, da Lei nº 8.212/91, com a redação atualizada até a Lei nº 9.528/97...” Vejamos os textos do inciso IV do art. 30 da Lei de Custeio da Seguridade Social desde a redação original até a que vige atualmente: Art. 30. A arrecadação e o recolhimento das contribuições ou de outras importâncias devidas à Seguridade Social obedecem às seguintes normas: (...) IV o adquirente, o consignatário ou a cooperativa ficam sub rogados nas obrigações do segurado especial pelo cumprimento das obrigações do art. 25, exceto no caso do inciso X deste artigo, na forma estabelecida em regulamento; (redação original) IV o adquirente, o consignatário ou a cooperativa ficam sub rogados nas obrigações da pessoa física de que trata a alínea a do inciso V do art. 12 e do segurado especial pelo cumprimento das obrigações do art. 25 desta lei, exceto no caso do inciso X deste artigo, na forma estabelecida em regulamento; (Redação dada pela Lei nº 8.540, de 1992). IV a empresa adquirente, consumidora ou consignatária ou a cooperativa ficam subrogadas nas obrigações da pessoa física de que trata a alínea "a" do inciso V do art. 12 e do segurado especial pelo cumprimento das obrigações do art. 25 desta Lei, independentemente de as operações de venda ou consignação terem sido realizadas diretamente com o produtor ou com intermediário pessoa física, exceto no caso do inciso X deste artigo, na forma estabelecida em regulamento; (Redação dada pela Lei 9.528, de 10.12.97) Quando a decisão faz menção ao dispositivo declarado inconstitucional ela reportase também às atualizações legais trazidas ao ordenamento pela Lei n. 9.598/1997, posto Fl. 5940DF CARF MF Processo nº 10314.728321/201587 Acórdão n.º 2301005.268 S2C3T1 Fl. 5.935 13 que essas são anteriores a edição da EC n.º 20/1998. Assim, considerando que o inciso IV do art. 30 da Lei n.º 8.212/1991, nas redações dadas pelas Leis n.º 8.540/1992 e n.º 9.548/1997, foram declarados inconstitucionais, não pode subsistir o crédito tributário arrimado nesses dispositivos. É certo supremo não atingiu esse dispositivo, posto que na inicial foi requerida a declaração de inconstitucionalidade de todo o art. 1.º da Lei n.º 8.540/1992, o qual alterou dispositivos da Lei n.º 8.212/1991, inclusive trazendo a regra que previa a subrogação do adquirente de produtos rurais de pessoa física. Tendo sido declarada inconstitucional pelo STF, em decisão plenária, a norma que previa a subrogação do adquirente de produtos oriundos de produtor rural pessoa física na obrigação de recolher as contribuições sociais, deve este Tribunal Administrativo, em obediência ao seu Regimento Interno, declarar a improcedência do lançamento. O entendimento aqui adotado coaduna com a decisão recente proferida pelo Desembargador Wilson Zauhy do TRF da 3ª Região no Agravo de Instrumento nº 5017947.64.2017.4.03.0000, cujo trecho que se amolda ao presente caso transcrevemos:: (...) Como se percebe, a redação original do texto constitucional previa apenas a contribuição do empregador incidente sobre a folha de salários, faturamento e o lucro, não havendo qualquer previsão quanto à sua incidência sobre o valor da receita bruta. Assim é que a instituição de outras fontes de custeio da seguridade, além daquelas previstas pelo legislador constitucional, exigia a edição de Lei Complementar, nos termos do artigo 154, I da Constituição Federal. Ocorre, contudo, que as Leis nº 8.540/92 e nº 9.528/97 haviam promovido alterações na redação original do artigo 25 da Lei nº 8.212/91, passando a prever a exigência da contribuição sobre a receita bruta, em evidente descompasso com a previsão constitucional que não autorizava tal forma de tributação. Nesse contexto normativo é que o E. STF apreciou os Recursos Extraordinários nº 363.852 e nº 596.177 declarando a inconstitucionalidade das Leis nº 8.540/92 e nº 9.528/97, que deram nova redação aos artigos 12, V e VII, 25, I e II, e 30, IV, da Lei nº 8.212/91, até que legislação nova, arrimada na EC nº 20/98, institua a contribuição, desobrigando a retenção e recolhimento da contribuição social ou o recolhimento por subrrogação sobre a “receita bruta proveniente da comercialização da produção rural” de empregadores, pessoas naturais, orientação mantida por ocasião do julgamento do RE nº 596.177/RS, julgado sob o regime da repercussão geral, nos termos do art. 543B do CPC. Entretanto, a redação original do artigo 195 da Constitucional Federal foi modificada pela Emenda Constitucional nº 20/98, passando a viger nos seguintes termos: Fl. 5941DF CARF MF 14 Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I – do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre: a) a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício; b) a receita ou o faturamento; c) o lucro; II – do trabalhador e dos demais segurados da previdência social, não incidindo contribuição sobre aposentadoria e pensão concedidas pelo regime geral de previdência social de que trata o art. 201; III – sobre a receita de concursos de prognósticos. (...) Assim, com a alteração do texto constitucional, tornouse possível a incidência das contribuições destinadas à seguridade social relativamente ao empregador, empresa ou entidade a ela equiparada também sobre a receita, além da folha de salários. Em seguida, foi editada a Lei nº 10.256/01 que novamente modificou a redação do artigo 25, da Lei nº 8.212/91, prevendo como hipótese de incidência da contribuição do produtor rural pessoa física, a receita bruta da comercialização de sua produção. Por tal razão, não há que se falar em inconstitucionalidade da Lei nº 10.256/01, pois editada com fundamento de validade na Constituição Federal, o que faltava à legislação anterior (Lei nº 8.540/92), julgada inconstitucional pelo STF. No que toca à irresignação da agravante relativa ao fundamento legal que legitime o recolhimento por subrogação, tenho que lhe assiste razão. Com efeito, em 13.09.2017 foi publicado no DOU a Resolução Senado Federal nº 15 de 12/09/2017 dispondo o seguinte: Art. 1º É suspensa, nos termos do art. 52, inciso X, da Constituição Federal, a execução do inciso VII do art. 12 daLei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, e a execução do art. 1º daLei nº 8.540, de 22 de dezembro de 1992, que deu nova redação ao art. 12, inciso V, ao art. 25, incisos I e II, e ao art. 30, inciso IV, da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, todos com a redação atualizada até a Lei nº 9.528, de 10 de dezembro de 1997, declarados inconstitucionais por decisão definitiva proferida pelo Supremo Tribunal Federal nos autos do Recurso Extraordinário nº 363.852. Art. 2º Esta Resolução entra em vigor na data de sua publicação. Fl. 5942DF CARF MF Processo nº 10314.728321/201587 Acórdão n.º 2301005.268 S2C3T1 Fl. 5.936 15 Observo que o ato editado pelo Senado Federal encontra fundamento constitucional de validade no artigo 52, X da Constituição Federal que prevê se tratar de competência privativa do Senado Federal a suspensão da “execução, no todo ou em parte, de lei declarada inconstitucional por decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal”. Este é o caso dos autos, vez que, como vimos, o E. STF proferiu decisão publicada em 23.04.2010 “declarando a inconstitucionalidade do artigo 1º da Lei nº 8.540/92, que deu nova redação aos artigos 12, incisos V e VII, 25, incisos I e II, e 30, inciso IV, da Lei nº 8.212/91, com a redação atualizada até a Lei nº 9.528/97, até que legislação nova, arrimada na Emenda Constitucional nº 20/98”. Observo, ademais, que tanto na decisão proferida pelo E. STF como no ato editado pelo Senado Federal que, respectivamente, declarou a inconstitucionalidade do dispositivo legal e determinou a suspensão de sua execução não houve qualquer ressalva à manutenção do recolhimento por subrogação, daí depreendendose que a ordem legal para tal forma de recolhimento se encontra sem fundamento de validade, dado que deixou de produzir efeitos a partir da publicação da Resolução mencionada. Ante o exposto, defiro, parcialmente, o pedido de antecipação da tutela recursal para o fim de desobrigar a agravante ao recolhimento do tributo, na condição de responsável tributária (subrogada), nos termos da fundamentação. (...) Assim, entendo que o lançamento deveria ocorrer em face do produtor rural pessoa física e não do adquirente. Logo, entendo como indevida a contribuição ao SENAR Ante ao Exposto, Voto no sentido de CONHECER PARCIALMENTE DO RECURSO, para, na parte conhecida, Rejeitar as preliminares de nulidade da Autuação e no Mérito Darlhe provimento julgando improcedente o lançamento quanto ao SENAR. Marcelo Freitas de Souza Costa Fl. 5943DF CARF MF 16 Voto Vencedor EESSCCLLAARREECCIIMMEENNTTOOSS IINNIICCIIAAIISS 1. De início, fazse importante delimitar as matérias que serão examinadas no bojo deste voto vencedor, tendo em vista que na apreciação do conhecimento do recurso, foi prevalecente o entendimento consignado na parte inicial do dispositivo: Acordam os membros do colegiado, (i) por maioria de votos, conhecer parcialmente do recurso, unicamente quanto (i.1) à prejudicial de sobrestamento, (i.2) às preliminares de nulidade e (i.3) à questão envolvendo a contribuição para o Senar, vencido o conselheiro João Mauricio Vital que conhecia das demais questões do recurso. 2. Assim, a primeira delimitação a acentuar diz respeito à parcela da exigência fiscal que guarda pertinência com a contribuição ao Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar), prevista na legislação tributária, de que se destacam as Leis nº 8.315, de 23/12/91; 8.540, de 22/12/92 e 10.256, de 09/07/2001, e Decreto n° 566, de 10/06/92, haja vista o auto deinfração (efls 5403 e seguintes) se referir às competências de 01/2011 a 12/2011, consoante o demonstrativo de apuração anexado (efls 5413/5433). 3. Uma segunda delimitação, não menos importante, tem correspondência direta com a questão principal debatida em plenário durante a sessão de julgamento realizada em 9 de maio de 2018, e que está reproduzida no trecho do voto vencido, sob o título "Do Mérito", que, transcrevemos, por oportuno: Trataremos aqui a questão da Ilegitimidade defendida pela recorrente juntamente com o mérito referente a contribuição para o SENAR em detrimento a inconstitucionalidade declarada pelo STF. O contribuinte insurgese contra a autuação aduzindo a inconstitucionalidade da contribuição declarada do julgamento do RE n. 363.852/MG. Já a autoridade fiscalizadora entende que o lançamento está correto e foi lançado com fulcro na Lei 10.256/01. Entendo que há razão ao contribuinte, pois, a decisão do STF quando do julgamento do RE n. 363.852/MG, foi no sentido de declarar da empresa adquirente, na condição de subrogado, inconstitucional a exigência das contribuições sociais sobre a aquisição da produção rural de pessoa física. 4. Impende, entretanto, suscitar posicionamento divergente, "data vênia" do douto entendimento esposado pelo eminente Relator e dos demais Conselheiros que o acompanharam nesta questão. SSÍÍNNTTEESSEE DDAASS AALLEEGGAAÇÇÕÕEESS SSUUSSCCIITTAADDAASS NNAA PPEEÇÇAA RREECCUURRSSAALL,, QQUUEE GGUUAARRDDAAMM PPEERRTTIINNÊÊNNCCIIAA CCOOMM AA EEXXAAÇÇÃÃOO Fl. 5944DF CARF MF Processo nº 10314.728321/201587 Acórdão n.º 2301005.268 S2C3T1 Fl. 5.937 17 5. Da peça recursal (efls 5716/5920), extraemse as alegações deduzidas que tem pertinência com a exação sob exame, a contribuição devida ao Senar. 5.1. Consta referência ao leadind case Recurso Extraordinário 816.830, que está aguardando julgamento (efls Fl. 5720): Tema 801 – STF: Constitucionalidade da incidência da contribuição destinada ao SENAR sobre a receita bruta proveniente da comercialização da produção rural, nos termos do art. 2º da Lei 8.540/1992, com as alterações posteriores do art. 6º da Lei 9.528/1997 e do art. 3º da Lei 10.256/2001. O leading case é o Recurso Extraordinário 816.830, que está aguardando julgamento (DOC. 02). 5.2. No item 8 da peça recursal (efls 5754/5760), sob o título "Da ilegitimidade da Recorrente com relação ao SENAR", aduz ser parte ilegítima para responder pelo crédito tributário da contribuição para o Senar, sob o fundamento de que tal contribuição, prevista no art. 6° da Lei n° 9.528, de 1997, não se submete à responsabilidade por subrogação prevista no artigo 30, incisos III e IV da Lei n° 8.212/91, que se limita às obrigações do artigo 25 da Lei n° 8.212/91. 5.3. Noutra parte, já nas alegações de mérito, sustenta que é indubitável que a contribuição destinada ao SENAR também não possui autorização constitucional para incidir sobre a receita bruta proveniente da comercialização da produção rural. (efls 5774/5776). LLEEGGIITTIIMMIIDDAADDEE DDAA RREECCOORRRREENNTTEE PPAARRAA RREESSPPOONNDDEERR PPOORR SSUUBBRROOGGAAÇÇÃÃOO PPEELLAA CCOONNTTRRIIBBUUIIÇÇÃÃOO AAOO SSEENNAARR 6. A legitimidade da recorrente para responder por subrogação pela contribuição ao Senar está prevista nos artigos 30, IV, e 94, parágrafo único, da Lei 8.212, de 1991, combinado com o art. 6º da Lei 9.528, de 1997 e no Decreto nº 790, de 1993, art. 11, § 5: Lei 9.528, de 1997 Art. 6º A contribuição do empregador rural pessoa física e a do segurado especial, referidos, respectivamente, na alínea a do inciso V e no inciso VII do art. 12 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, para o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (SENAR), criado pela Lei no 8.315, de 23 de dezembro de 1991, é de 0,1%, incidente sobre a receita bruta proveniente da comercialização de sua produção rural. (Vigência até 01.11.01) Art. 6º A contribuição do empregador rural pessoa física e a do segurado especial, referidos, respectivamente, na alínea a do inciso V e no inciso VII do art. 12 da Lei no 8.212, de 24 de julho de 1991, para o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (SENAR), criado pela Lei no 8.315, de 23 de dezembro de 1991, Fl. 5945DF CARF MF 18 é de zero vírgula dois por cento, incidente sobre a receita bruta proveniente da comercialização de sua produção rural. (Redação dada pela Lei nº 10.256, de 9.7.2001) Lei 8.212, de 1991 Art. 30. A arrecadação e o recolhimento das contribuições ou de outras importâncias devidas à Seguridade Social obedecem às seguintes normas: (Redação dada pela Lei n° 8.620, de 5.1.93) (...) IV a empresa adquirente, consumidora ou consignatária ou a cooperativa ficam subrogadas nas obrigações da pessoa física de que trata a alínea "a" do inciso V do art. 12 e do segurado especial pelo cumprimento das obrigações do art. 25 desta Lei, independentemente de as operações de venda ou consignação terem sido realizadas diretamente com o produtor ou com intermediário pessoa física, exceto no caso do inciso X deste artigo, na forma estabelecida em regulamento; (Redação dada pela Lei 9.528, de 10.12.97) (...) Art. 94. O Instituto Nacional do Seguro SocialINSS poderá arrecadar e fiscalizar, mediante remuneração de 3,5% do montante arrecadado, contribuição por lei devida a terceiros, desde que provenha de empresa, segurado, aposentado ou pensionista a ele vinculado, aplicandose a essa contribuição, no que couber, o disposto nesta Lei. (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). Parágrafo único. O disposto neste artigo aplicase, exclusivamente, às contribuições que tenham a mesma base utilizada para o cálculo das contribuições incidentes sobre a remuneração paga ou creditada a segurados, ficando sujeitas aos mesmos prazos, condições, sanções e privilégios, inclusive no que se refere à cobrança judicial. (Grifouse.) 7. No mesmo sentido, o Decreto n° 566, de 10 de junho de 1992, art. 11, § 5º, “a”, com a redação dada pelo Decreto nº 790, de 1993, art. 1º: Art. 11. Constituem rendas do SENAR: (...) II contribuição compulsória, a ser recolhida à Previdência Social, de um décimo por cento incidente sobre a receita bruta proveniente da comercialização da produção da pessoa física, proprietária ou não, que explora atividade agropecuária ou pesqueira, em caráter permanente ou temporário, diretamente ou por intermédio de prepostos e com auxílio de empregados, utilizados a qualquer título, ainda que de forma não contínua; (...) § 5°A contribuição de que trata este artigo será recolhida: Fl. 5946DF CARF MF Processo nº 10314.728321/201587 Acórdão n.º 2301005.268 S2C3T1 Fl. 5.938 19 a) pelo adquirente, consignatário ou cooperativa que ficam sub rogados, para esse fim, nas obrigações do produtor; (Grifouse.) 8. Nesse sentido a jurisprudência unânime deste CARF: PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO – AUTO DE INFRAÇÃO – AQUISIÇÃO DE PRODUTOR RURAL PESSOA FÍSICA – SUB ROGAÇÃO – CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS INCIDENTES SOBRE A RECEITA DA COMERCIALIZAÇÃO DE SUA PRODUÇÃO. LEI Nº 10.256/2001 CONTRIBUIÇÃO TERCEIROS SENAR. A contribuição do empregador rural pessoa física e do segurado especial referidos, respectivamente, na alínea "a" do inciso V e no inciso VII do art. 12 desta Lei, destinada à Seguridade Social e ao financiamento das prestações por acidente do trabalho, é de 2% e 0,1% da receita bruta proveniente da comercialização da sua produção, respectivamente, nos termos do art. 25 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 10.256/2001. A não apreciação no RE 363.852/MG dos aspectos relacionados a inconstitucionalidade do art. 30, IV da Lei 8212/2001; sendo que o fato de constar no resultado do julgamento “inconstitucionalidade do artigo 1º da Lei nº 8.540/92, que deu nova redação aos artigos 12, incisos V e VII, 25, incisos I e II, e 30, inciso IV, da Lei nº 8.212/91, com redação atualizada até a Lei nº 9.528/97” não pode levar a interpretação extensiva de que fora declarada também a inconstitucionalidade do art. 30, IV, considerando a ausência de fundamentos jurídicos no próprio voto condutor. Segundo, o próprio dispositivo do Acórdão do RE 363.852/MG que declarou a inconstitucionalidade fez constar: “até que legislação nova, arrimada na Emenda Constitucional nº 20/98, venha a instituir a contribuição”. Ou seja, considerando que a lei 10.256/2001, cobriu de legitimidade a cobrança de contribuições sobre a aquisição do produtor rural pessoa física, por derradeiro, não tendo o RE 363.852 declarado a inconstitucionalidade do art. 30, IV da lei 8212/91, a subrrogação consubstanciada neste dispositivo encontrase também legitimada. As contribuições destinadas ao SENAR não foram objeto de reconhecimento de inconstitucionalidade no Recurso Extraordinário n 363.852. Desse modo, permanece a exação tributária. Acórdão nº 2401003.896, Sessão de 12 de janeiro de 2015. CONTRIBUIÇÃO AO SENAR. SUBROGAÇÃO. Tratandose de contribuição para outras entidades ou fundos que tem a mesma base de incidência das contribuições previdenciárias, a subrogação da contribuição ao SENAR na pessoa do adquirente de produtos de pessoas físicas tem amparo no inciso IV do art. 30 da Lei n. 8.212/1991 e demais normas de regência. (Acórdão 2402005.808, de 30/05/2017) Fl. 5947DF CARF MF 20 CONTRIBUIÇÃO AO SENAR. PRODUTOR RURAL PESSOA FÍSICA. SUBROGAÇÃO. A contribuição do produtor rural pessoa física e do segurado especial devida ao Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (SENAR) está prevista no art. 6º da Lei nº 9.528/1997, com a redação dada pela Lei nº 10.256/2001, e é devida por sub rogação pela pessoa jurídica que adquire a produção dessas pessoas naturais. (Acórdão 2202003.644, de 09/02/2017) CONTRIBUIÇÃO PARA O SENAR. RESPONSABILIDADE PELO RECOLHIMENTO. SUBROGAÇÃO. É devida a contribuição do empregador rural pessoa física e a do segurado especial, referidos, respectivamente, na alínea ‘a’ do inciso V e no inciso VII do art. 12 da Lei no 8.212/91, para o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural SENAR, à alíquota de 0,2% incidente sobre a receita bruta proveniente da comercialização de sua produção rural. As contribuições sociais incidentes sobre a receita bruta oriunda da comercialização da produção são devidas pelo produtor rural, sendo a atribuída à empresa adquirente, consumidora, consignatária ou à cooperativa, a responsabilidade pelo desconto e recolhimento, na condição de subrogada nas obrigações do empregador rural pessoa física e do segurado especial.(Acórdão 2401004.225, de 09/03/2016) DA ILEGITIMIDADE DA RECORRENTE COM RELAÇÃO AO SENAR Tratase de obrigação por subrogação expressa na lei, ou seja, contribuição devida a outras entidades e fundos, destinadas ao SENAR (0,2%), devidas pelos adquirentes de produto rural de produtor rural pessoa física, conforme determina o artigo 6º, da Lei 9.528/97, com redação data pela Lei 10.256/2001. (Acórdão 2301004.040, de 14/05/2014) CONTRIBUIÇÃO PARA O SENAR. RESPONSABILIDADE PELO RECOLHIMENTO. SUBROGAÇÃO. É devida a contribuição do empregador rural pessoa física e a do segurado especial, referidos, respectivamente, na alínea ‘a’ do inciso V e no inciso VII do art. 12 da Lei no 8.212/91, para o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural SENAR, à alíquota de 0,2% incidente sobre a receita bruta proveniente da comercialização de sua produção rural. As contribuições sociais incidentes sobre a receita bruta oriunda da comercialização da produção são devidas pelo produtor rural, sendo a atribuída à empresa adquirente, consumidora, consignatária ou à cooperativa, a responsabilidade pelo desconto e recolhimento, na condição de subrogada nas obrigações do empregador rural pessoa física e do segurado especial. (Acórdão 2302003.457, de 04/11/2014) 9. Ademais, a subrogação também é expressa no Decreto 566, de 1992, o que, por si só, vincula a decisão deste Colegiado, uma vez que o CARF não detém competência para negar vigência à interpretação dada ao sistema normativo tributário pelo Decreto 566, de 1992, Fl. 5948DF CARF MF Processo nº 10314.728321/201587 Acórdão n.º 2301005.268 S2C3T1 Fl. 5.939 21 uma vez que decretos, sendo emitidos pelo Presidente da República, possuem hierarquia superior, devendo ser observados por toda a Administração Pública Federal, inclusive pelo Ministério da Fazenda, do qual este CARF é parte integrante. 10. Por outro lado, diferentemente do que alega a recorrente [subitem 5.1 supra], a constitucionalidade da subrogação da contribuição para o Senar não foi objeto RE 363.852 ou do RE 596.177; transcrevo suas ementas: CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PREVIDENCIÁRIA. EMPREGADOR RURAL PESSOA FÍSICA. INCIDÊNCIA SOBRE A COMERCIALIZAÇÃO DA PRODUÇÃO. ART. 25 DA LEI 8.212/1991, NA REDAÇÃO DADA PELO ART. 1º DA LEI 8.540/1992. INCONSTITUCIONALIDADE. I – Ofensa ao art. 150, II, da CF em virtude da exigência de dupla contribuição caso o produtor rural seja empregador. II – Necessidade de lei complementar para a instituição de nova fonte de custeio para a seguridade social. III – RE conhecido e provido para reconhecer a inconstitucionalidade do art. 1º da Lei 8.540/1992, aplicandose aos casos semelhantes o disposto no art. 543B do CPC. (RE 596.177) EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO. FUNDAMENTO NÃO ADMITIDO NO DESLINDE DA CAUSA DEVE SER EXCLUÍDO DA EMENTA DO ACÓRDÃO. IMPOSSIBILIDADE DA ANÁLISE DE MATÉRIA QUE NÃO FOI ADEQUADAMENTE ALEGADA NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO NEM TEVE SUA REPERCUSSÃO GERAL RECONHECIDA. INEXISTÊNCIA DE OBSCURIDADE, CONTRADIÇÃO OU OMISSÃO EM DECISÃO QUE CITA EXPRESSAMENTE O DISPOSITIVO LEGAL CONSIDERADO INCONSTITUCIONAL. I – Por não ter servido de fundamento para a conclusão do acórdão embargado, excluise da ementa a seguinte assertiva: “Ofensa ao art. 150, II, da CF em virtude da exigência de dupla contribuição caso o produtor rural seja empregador”(fl. 260). II – A constitucionalidade da tributação com base na Lei 10.256/2001 não foi analisada nem teve repercussão geral reconhecida. III – Inexiste obscuridade, contradição ou omissão em decisão que indica expressamente os dispositivos considerados inconstitucionais. IV – Embargos parcialmente acolhidos, sem alteração do resultado. (ED no RE 596.177) RECURSO EXTRAORDINÁRIO PRESSUPOSTO ESPECÍFICO VIOLÊNCIA À CONSTITUIÇÃO ANÁLISE CONCLUSÃO. Porque o Supremo, na análise da violência à Constituição, adota entendimento quanto à matéria de fundo do extraordinário, a conclusão a que chega deságua, conforme sempre sustentou a melhor doutrina José Carlos Barbosa Moreira , em provimento ou desprovimento do recurso, sendo impróprias as nomenclaturas conhecimento e não conhecimento. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL COMERCIALIZAÇÃO DE BOVINOS PRODUTORES RURAIS PESSOAS NATURAIS Fl. 5949DF CARF MF 22 SUBROGAÇÃO LEI Nº 8.212/91 ARTIGO 195, INCISO I, DA CARTA FEDERAL PERÍODO ANTERIOR À EMENDA CONSTITUCIONAL Nº 20/98 UNICIDADE DE INCIDÊNCIA EXCEÇÕES COFINS E CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PRECEDENTE INEXISTÊNCIA DE LEI COMPLEMENTAR. Ante o texto constitucional, não subsiste a obrigação tributária subrogada do adquirente, presente a venda de bovinos por produtores rurais, pessoas naturais, prevista nos artigos 12, incisos V e VII, 25, incisos I e II, e 30, inciso IV, da Lei nº 8.212/91, com as redações decorrentes das Leis nº 8.540/92 e nº 9.528/97. Aplicação de leis no tempo considerações. (RE 363.852) 11. Para complementar o entendimento da jurisprudência administrativa tributária federal, oportuno acrescentar transcrição da ementa contida no Acórdão CSRF nº 9202 005.128 (sessão de julgamento: 24/01/2017) da lavra do ilustre Conselheiro Heitor de Souza Lima Junior: PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO AUTO DE INFRAÇÃO AQUISIÇÃO DE PRODUTOR RURAL PESSOA FÍSICA SUBRROGAÇÃO CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS INCIDENTES SOBRE A RECEITA DA COMERCIALIZAÇÃO DE SUA PRODUÇÃO. LEI Nº 10.256/2001 CONTRIBUIÇÃO TERCEIROS SENAR INAPLICABILIDADE DO RE 363.852/MG DO STF Não houve, no âmbito do RE 363.852/MG, apreciação dos aspectos relacionados a inconstitucionalidade do art. 30, IV da Lei nº. 8.212, de 2001. O fato de constar no resultado do julgamento “inconstitucionalidade do artigo 1º da Lei nº 8.540/92, que deu nova redação aos artigos 12, incisos V e VII, 25, incisos I e II, e 30, inciso IV, da Lei nº 8.212/91, com redação atualizada até a Lei nº 9.528/97” não respalda a interpretação extensiva de que fora declarada também a inconstitucionalidade do art. 30, IV, uma vez considerada a ausência de fundamentos jurídicos no próprio voto condutor. A Lei no. 10.256, de 2001, conferiu legitimidade à cobrança de contribuições sobre a aquisição do produtor rural pessoa física. Ainda, a sistemática de subrrogação e recolhimento das contribuições pela aquisição da produção rural de pessoas físicas encontra respaldo também no inciso III do art. 30 da Lei no. 8.212, de 1991, permanecendo incólume ainda que se adotasse a argumentação de declaração de inconstitucionalidade do art. 30, IV. As contribuições destinadas ao SENAR não foram objeto de reconhecimento de inconstitucionalidade no Recurso Extraordinário nº. 363.852, não existindo questionamento acerca da legitimidade de sua cobrança 12. Para concluir, detendonos nos preceitos da legislação tributária, e mais precisamente no disposto no parágrafo único do artigo 94 da Lei 8.212/1991 (renumerado para § 1º), na delimitação da abrangência do decisum prolatado nos RE 363.852/MG, assim como na jurisprudência administrativa tributária federal predominante, verificase que a contribuição Fl. 5950DF CARF MF Processo nº 10314.728321/201587 Acórdão n.º 2301005.268 S2C3T1 Fl. 5.940 23 ao SENAR não foi objeto de reconhecimento de inconstitucionalidade no âmbito do Recurso Extraordinário nº 363.852/MG. 13. Por outro lado, a constitucionalidade da contribuição para o Senar está sendo discutida pelo Supremo Tribunal Federal no tema de repercussão geral 801 – “Constitucionalidade da incidência da contribuição destinada ao SENAR sobre a receita bruta proveniente da comercialização da produção rural, nos termos do art. 2º da Lei 8.540/1992, com as alterações posteriores do art. 6º da Lei 9.528/1997 e do art. 3º da Lei 10.256/2001”; leading case RE 816.830, cujo julgamento, na questão de mérito, ainda se iniciou. DDAA IINNCCOONNSSTTIITTUUCCIIOONNAALLIIDDAADDEE DDAA CCOONNTTRRIIBBUUIIÇÇÃÃOO PPAARRAA OO SSEENNAARR 14. Alega a recorrente que os arts. 240 da CF/88 e 62 da ADCT exigem mesmos moldes das contribuições para Senai e Sesi, sendo inconstitucional a cobrança da Contribuição para o SENAR sobre a receita bruta da comercialização da produção rural dos produtores rurais pessoas físicas. 15. Não há como este colegiado se substituir a órgãos do Poder Judiciário, pelo que entendo ser aplicável ao caso a Súmula Carf 02 e o caput do art. 26A do Decreto nº 70.235, de 1972, e não reconheço a competência desta Turma para se manifestar sobre essa questão. Decreto nº 70.235, de 1972 Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. CCOONNCCLLUUSSÃÃOO 16. Por tais razões, com respeitosa "venia" do Conselheiro Relator, não é pertinente afastar a exigência da contribuição ao SENAR com fundamento na inconstitucionalidade declarada no julgamento do RE n. 363.852/MG, devendo prevalecer o entendimento da jurisprudência administrativa tributária federal, tal como decidido pelo Colegiado na sessão de julgamento realizada em 9 de maio de 2018. Voto, portanto, por negar provimento ao recurso voluntário. (Assinado digitalmente) Antônio Sávio Nastureles Redator Designado Fl. 5951DF CARF MF
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Numero do processo: 35226.001840/2006-23
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 04 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue May 15 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/2001 a 30/11/2004
PEDIDO DE DILIGÊNCIA. DESNECESSIDADE. CRITÉRIO DO JULGADOR.
A critério da autoridade julgadora os pedidos de realização de diligências consideradas prescindíveis ou impraticáveis poderão ser indeferidas.
Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2001 a 30/11/2004
NFLD. RELATÓRIO FISCAL. NÃO DISCRIMINAÇÃO DOS FATOS GERADORES. CERCEAMENTO DE DEFESA. INEXISTÊNCIA.
Não incorre em cerceamento do direito de defesa o lançamento tributário cujo Relatório Fiscal deixar arrolar, de forma discriminada, os fatos geradores lançados, nas hipóteses em que estes forem apurados, diretamente, a partir do exame das informações prestadas pelo sujeito passivo, ou por este declaradas em documentos elaborados pela própria empresa, confeccionados sob sua orientação, comando, domínio e responsabilidade, uma vez que são do seu inteiro conhecimento.
SERVIDOR PÚBLICO COMISSIONADO. VINCULAÇÃO COMPULSÓRIA AO RGPS NA QUALIDADE DE SEGURADO EMPREGADO.
A Emenda Constitucional nº 20/98 fez inserir na estrutura do art. 40 da CF/88 o parágrafo 13, o qual impôs ao servidor ocupante, exclusivamente, de cargo em comissão declarado em lei de livre nomeação e exoneração, bem como de outro cargo temporário ou de emprego público, sua filiação compulsória ao regime geral de previdência social, na qualidade de segurado empregado.
SERVIDOR PÚBLICO. VINCULAÇÃO CONCOMITANTE A RPPS E AO RGPS. POSSIBILIDADE. ART. 13, §1º DA LEI Nº 8.212/91.
O servidor civil ocupante de cargo efetivo na União, nos Estados, no Distrito Federal ou nos Municípios, nesses órgãos amparado por regime próprio de previdência social, que venha a exercer, concomitantemente, uma ou mais atividades abrangidas pelo Regime Geral de Previdência Social, tornar-se-á segurado obrigatório do RGPS em relação a essas atividades, ficando o segurado e os respectivos empregadores sujeitos às obrigações tributárias assentadas na Lei de Custeio da Seguridade Social.
Numero da decisão: 2301-005.245
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, denegar o pedido de diligência, rejeitar a preliminar e, no mérito, negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
João Bellini Junior - Presidente
(assinado digitalmente)
Andrea Brose Adolfo - Relatora
EDITADO EM: 16/04/2018
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrea Brose Adolfo, Alexandre Evaristo Pinto, João Maurício Vital, Wesley Rocha, Antônio Sávio Nastureles, Marcelo Freitas de Souza Costa, Juliana Marteli Fais Feriato e João Bellini Júnior (Presidente).
Nome do relator: ANDREA BROSE ADOLFO
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/01/2001 a 30/11/2004 PEDIDO DE DILIGÊNCIA. DESNECESSIDADE. CRITÉRIO DO JULGADOR. A critério da autoridade julgadora os pedidos de realização de diligências consideradas prescindíveis ou impraticáveis poderão ser indeferidas. Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2001 a 30/11/2004 NFLD. RELATÓRIO FISCAL. NÃO DISCRIMINAÇÃO DOS FATOS GERADORES. CERCEAMENTO DE DEFESA. INEXISTÊNCIA. Não incorre em cerceamento do direito de defesa o lançamento tributário cujo Relatório Fiscal deixar arrolar, de forma discriminada, os fatos geradores lançados, nas hipóteses em que estes forem apurados, diretamente, a partir do exame das informações prestadas pelo sujeito passivo, ou por este declaradas em documentos elaborados pela própria empresa, confeccionados sob sua orientação, comando, domínio e responsabilidade, uma vez que são do seu inteiro conhecimento. SERVIDOR PÚBLICO COMISSIONADO. VINCULAÇÃO COMPULSÓRIA AO RGPS NA QUALIDADE DE SEGURADO EMPREGADO. A Emenda Constitucional nº 20/98 fez inserir na estrutura do art. 40 da CF/88 o parágrafo 13, o qual impôs ao servidor ocupante, exclusivamente, de cargo em comissão declarado em lei de livre nomeação e exoneração, bem como de outro cargo temporário ou de emprego público, sua filiação compulsória ao regime geral de previdência social, na qualidade de segurado empregado. SERVIDOR PÚBLICO. VINCULAÇÃO CONCOMITANTE A RPPS E AO RGPS. POSSIBILIDADE. ART. 13, §1º DA LEI Nº 8.212/91. O servidor civil ocupante de cargo efetivo na União, nos Estados, no Distrito Federal ou nos Municípios, nesses órgãos amparado por regime próprio de previdência social, que venha a exercer, concomitantemente, uma ou mais atividades abrangidas pelo Regime Geral de Previdência Social, tornar-se-á segurado obrigatório do RGPS em relação a essas atividades, ficando o segurado e os respectivos empregadores sujeitos às obrigações tributárias assentadas na Lei de Custeio da Seguridade Social.
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DESNECESSIDADE. CRITÉRIO DO JULGADOR. A critério da autoridade julgadora os pedidos de realização de diligências consideradas prescindíveis ou impraticáveis poderão ser indeferidas. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2001 a 30/11/2004 NFLD. RELATÓRIO FISCAL. NÃO DISCRIMINAÇÃO DOS FATOS GERADORES. CERCEAMENTO DE DEFESA. INEXISTÊNCIA. Não incorre em cerceamento do direito de defesa o lançamento tributário cujo Relatório Fiscal deixar arrolar, de forma discriminada, os fatos geradores lançados, nas hipóteses em que estes forem apurados, diretamente, a partir do exame das informações prestadas pelo sujeito passivo, ou por este declaradas em documentos elaborados pela própria empresa, confeccionados sob sua orientação, comando, domínio e responsabilidade, uma vez que são do seu inteiro conhecimento. SERVIDOR PÚBLICO COMISSIONADO. VINCULAÇÃO COMPULSÓRIA AO RGPS NA QUALIDADE DE SEGURADO EMPREGADO. A Emenda Constitucional nº 20/98 fez inserir na estrutura do art. 40 da CF/88 o parágrafo 13, o qual impôs ao servidor ocupante, exclusivamente, de cargo em comissão declarado em lei de livre nomeação e exoneração, bem como de outro cargo temporário ou de emprego público, sua filiação compulsória ao regime geral de previdência social, na qualidade de segurado empregado. SERVIDOR PÚBLICO. VINCULAÇÃO CONCOMITANTE A RPPS E AO RGPS. POSSIBILIDADE. ART. 13, §1º DA LEI Nº 8.212/91. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 35 22 6. 00 18 40 /2 00 6- 23 Fl. 643DF CARF MF 2 O servidor civil ocupante de cargo efetivo na União, nos Estados, no Distrito Federal ou nos Municípios, nesses órgãos amparado por regime próprio de previdência social, que venha a exercer, concomitantemente, uma ou mais atividades abrangidas pelo Regime Geral de Previdência Social, tornarseá segurado obrigatório do RGPS em relação a essas atividades, ficando o segurado e os respectivos empregadores sujeitos às obrigações tributárias assentadas na Lei de Custeio da Seguridade Social. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, denegar o pedido de diligência, rejeitar a preliminar e, no mérito, negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) João Bellini Junior Presidente (assinado digitalmente) Andrea Brose Adolfo Relatora EDITADO EM: 16/04/2018 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrea Brose Adolfo, Alexandre Evaristo Pinto, João Maurício Vital, Wesley Rocha, Antônio Sávio Nastureles, Marcelo Freitas de Souza Costa, Juliana Marteli Fais Feriato e João Bellini Júnior (Presidente). Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra Acórdão nº 0814.482 (efls. 604/619), da DRJ em Fortaleza que julgou o lançamento procedente em parte, nos seguintes termos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2001 a 30/11/2004 NFLD. ÓRGÃO PÚBLICO. CONTRIBUIÇÕES INCIDENTES SOBRE REMUNERAÇÕES DE SEGURADOS EMPREGADOS (SERVIDORES EXCLUSIVAMENTE OCUPANTES DE CARGO EM COMISSÃO). PARTE DOS SEGURADOS. São devidas pelo órgão público as contribuições previdenciárias incidentes sobre as remunerações atribuídas a segurados empregados servidores públicos exercentes exclusivamente de cargos comissionados. Fl. 644DF CARF MF Processo nº 35226.001840/200623 Acórdão n.º 2301005.245 S2C3T1 Fl. 644 3 RELATÓRIO FISCAL COMPLEMENTAR. REABERTURA DO PRAZO EXORDIAL. REABILITAÇÃO DE PETIÇÃO INTEMPESTIVA. A confecção de relatório fiscal complementar enseja reabertura de prazo para Defesa. A apresentação de aditamento à defesa torna hábil defesa dantes declarada intempestiva. FATO SUPERVENIENTE. REVISÃO DE OFICIO. Fatos comprovados após o encerramento da ação fiscal ensejam revisão de oficio do crédito tributário. REQUERIMENTO DE DILIGENCIA. INDEFERIMENTO. JUNTADA DE DOCUMENTOS. PRECLUSÃO TEMPORAL. O momento para apresentação de provas é quando da impugnação, sob pena de assim não procedendo a Impugnante consumarse a preclusão temporal. Lançamento Procedente em Parte A presente Notificação Fiscal de Lançamento do Débito NFLD DEBCAD nº 37.735.1231 referente às contribuições previdenciárias parte patronal (20%) e destinada ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho SAT (1%), incidente sobre o salário decontribuição de segurados empregados (servidores ocupantes de cargos comissionados) que prestaram serviços para a Câmara Municipal (Assessoria Especial Folha de pagamento Lotação 07), referente às competências 01/2001 a 11/2004, sem declaração em GFIP (Levantamento L07 Asses. Gabinete s/ GFIP). O valor total do crédito constituído, consolidado em 28/10/2005, foi de R$ 593.852,22. Os servidores foram considerados segurados do Regime Geral de Previdência Social por força do art. 40, § 13, da Emenda Constitucional n° 20, de 15/12/1998. O sujeito passivo foi cientificado do lançamento em 03/01/2006 e em 07/04/2006 apresentou defesa, assinada por procurador municipal, declarada intempestiva com a lavratura do respectivo termo de revelia. Após foi colacionado aos autos impugnação protocolada em 18/01/2006, o que tomou sem efeito o termo de revelia informado acima. A unidade julgadora do INSS determinou a realização de diligência (efls. 512/514) para informar sobre: a) a existência ou não de Regime Próprio de Previdência Social, e caso o Regime Próprio não alcance a totalidade dos servidores, deverão ser evidenciados os não abrangidos; e b) o motivo do enquadramento como segurado do RGPS dos servidores incluídos nesta NFLD e, se possível, a relação dos nomes ou prova por amostragem. Fl. 645DF CARF MF 4 Após, foi emitido relatório fiscal complementar às efls. 588/590, acompanhado das planilhas de efls. 518/527, com a informação de retificação do débito, nos seguintes termos: 2. Durante os trabalhos de Auditoria constatouse que o Município de TeresinaPI possui regime próprio de previdência instituído pela Lei Complementar Municipal n° 2.029, de 31 de agosto de 1990, abrangendo apenas os servidores estatutários e que as folhas de pagamento da Câmara Municipal são elaboradas e totalizadas por lotação. 3. As referidas lotações, para efeito de gerenciamento interno a Edilidade, são distribuidas da seguinte forma: Lotação n° 2( cópia da folha competência 04/2001 fls 526 a 534), referente aos servidores estatutários vinculados ao Instituto de Previdência Municipal de Teresina; Lotação n° 4, referente aos servidores comissionados que prestam seus serviços junto aos Gabinetes dos Vereadores; Lotação n° 5, referente aos servidores comissionados que prestam seus serviços junto à Administração da Câmara Municipal; Lotação n° 7, referente àqueles denominados de Assessores de Gabinete; Lotação n° 8, referente aos Estagiários Mirins; Lotação n° 9, referente aos Vereadores e Lotação n° 11, referente àqueles denominados Assessores Especiais. 4. A fim de se obter um melhor entendimento no levantamento dos valores do débito, procedeuse este levantamento por Lotação subdividindoo posteriormente em dois grupos distintos referentes aos declarados e aos não declarados em GFIP. Obtendose esse dois grupos, efetuouse os lançamentos dos fatos geradores relativos às contribuições para o financiamento da seguridade social referentes à parte da empresa e aos relativos à parte do empregado, separadamente. 5. De efeito, para cada LOTAÇÃO restaram 4 (quatro) NFLD Notificações Fiscais de Lançamento Débito a ela vinculadas, quais sejam: I Não declarados em GFIP parte patronal; II Não declarados em GFIP parte do empregado; III Declarados em GFIP parte da empresa, e IV Declarados em GFIP parte do empregado. 6. Este Relatório especifico da NFLD 35.735.1231 de contribuições devidas á seguridade social, corresponde aos empregados que constam nas folhas de pagamento mensal Lotação 7 (assessores de gabinete) não declarados em GFIP . Fl. 646DF CARF MF Processo nº 35226.001840/200623 Acórdão n.º 2301005.245 S2C3T1 Fl. 645 5 Esses comissionados são vinculados ao RGPS e a instituição desconta regularmente, de seus salários as suas contribuições previdenciárias como prova por amostragem juntamos a cópia da folha de pagamento competência 07/2001 (fls 535 a 538). 7. Esclareçase, que no transcorrer dos trabalhos de Auditoria, muito embora tenha sido solicitado, a Câmara Municipal não apresentou relação dos servidores vinculados ao IPMT Instituto de Previdência Municipal de Teresina, nem a outro Regime Próprio de Previdência, que estivessem ocupando algum cargo em comissão na Câmara. Fazendoo somente em sede de defesa, conforme folhas de pagamento em anexo. (fls 539 a 585). 8. Juntase ,portanto, a este relatório planilhas Demonstrativo da Retificação do Débito (fls 516 a 525) ,com os nomes e salários contribuições dos segurados discriminados por competência, de servidores da Lotação 7, comprovadamente vinculados ao IPMT para que sejam excluídos deste Levantamento. 9. Informamos que os segurados constantes da lotação5 nas competências de 04/2001 ,05/2001 e 06/2001, (fIs 516 a 518)foram somados aos da lotação 7,cujo total deverá integrar ao salário contribuição a retirar,do débito. 10. Assim, solicitamos a retificação do débito com base nas planilhas anexas (fls 516 a 525). Após ciência do relatório fiscal complementar, o contribuinte apresentou aditamento à impugnação (efls.597/599). Transcrevo as alegações do contribuinte conforme descritas no relatório do acórdão da DRJ: Em síntese são as abaixo relacionadas as alegações contidas nas Defesas tempestiva e intempestiva: a) Os servidores da LOT 07, embora beneficiados com gratificação/vantagem, de livre nomeação e exoneração pela presidência da Câmara Municipal , são vinculados a regimes próprios de previdência; b) A fiscalização não observou a situação previdenciária de cada servidor, nem levou em conta atos administrativos que indicam que a quase totalidade dos servidores comissionados é oriunda de outros órgãos com regime próprio; c) A Auditoria não atentou para os Despachos emitidos pela Seção do Contencioso; d) O sujeito passivo recolheu as contribuições previdenciárias para os regimes próprios a que estavam vinculados os servidores; e) Houve bis in idem, uma vez que as NFLD de n°s 35.735.122 3; 35.735.1207; 35.735.1231 e 35.735.1258 referemse aos Fl. 647DF CARF MF 6 mesmos fatos geradores relacionados a servidores da Lotação 07; f) Colaciona Anexo, subscrito por Consultor Técnico, com guias da previdência social, quadros demonstrativos das notificações lavradas e de recolhimentos da Câmara Municipal, bem como diretriz da defesa a ser interposta por esta; g) Pugna pela posterior juntada de prova documental; h) Requer a procedência da Defesa. Mantido o lançamento em parte pela DRJ/FOR, o contribuinte foi cientificado da decisão em 15/01/2009, conforme AR à efl. 625 apresentando Recurso Voluntário (efls. 626/629), protocolado em 11/02/2009, alegando em síntese: a) cerceamento de defesa, pela falta de indicação precisa de quais trabalhadores estariam sujeitos ao Regime Geral de Previdência Social; b) subsidiariamente e em homenagem à legalidade e à busca da verdade material, a necessidade de realização de diligências perante os Institutos próprios de Previdência do Município de Teresina, do Estado do Piauí e da União para verificar se os servidores que foram considerados como sendo segurados obrigatórios do Regime Geral de Previdência estão, ou estiveram durante o período fiscalizado, vinculados a regimes próprios de previdência. É o relatório. Voto Conselheira Andrea Brose Adolfo TTEEMMPPEESSTTIIVVIIDDAADDEE Verificada a tempestividade do recurso voluntário, dele conheço. PPRREELLIIMMIINNAARR DDEE CCEERRCCEEAAMMEENNTTOO DDOO DDIIRREEIITTOO DDEE DDEEFFEESSAA Alega o recorrente que a fiscalização deixou de discriminar nominalmente os segurados abrangidos no lançamento, causando cerceamento no seu direito de defesa, uma vez que "desconhece as circunstâncias fáticas supostamente constatadas pela autoridade previdenciária". De acordo com o Relatório Fiscal (efls. 40/43), o saláriodecontribuição, base de cálculo das contribuições previdenciárias lançadas, foi apurado através da análise dos registros contábeis da Câmara Municipal de Teresina, mediante a verificação física realizada nos balancetes mensais (demonstrativos financeiros, demonstrativos valores empenhados/pagos, notas de empenho, folhas de pagamento e recibos de pagamento), lançados no levantamento L07 — referente a contribuição da empresa, não declarados em GFIP nas competências 012001 a 112004, e: 5. As parcelas consideradas na apuração do presente lançamento de débito foram totalizadas por competência das folhas de pagamento, conforme Relatório de Lançamentos, e Fl. 648DF CARF MF Processo nº 35226.001840/200623 Acórdão n.º 2301005.245 S2C3T1 Fl. 646 7 consignadas no Discriminativo Analítico de Débito DAD, anexos da NFLD; 6. Os recolhimentos efetuados em Guias de Recolhimento da Previdência Social GRPS foram devidamente considerados no levantamento do débito, conforme discriminado no Relatório de Documentos Apresentados RDA e Relatório de Apropriação de Documentos Apresentados RADA, anexos da NFLD, ressaltando que tais recolhimentos foram aproveitados como créditos no levantamento L07 Folha de Pagamento com desconto para Previdência. 7. Documentos que serviram de base para o lançamento do débito: notas de empenho; folhas de pagamento; guias de recolhimento — GPS. Por sua vez, no Relatório Fiscal Complementar (efls. 588/590), o auditor aponta as seguintes considerações: 2. Durante os trabalhos de Auditoria constatouse que o Município de TeresinaPI possui regime próprio de previdência instituído pela Lei Complementar Municipal n° 2.029, de 31 de agosto de 1990, abrangendo apenas os servidores estatutários e que as folhas de pagamento da Câmara Municipal são elaboradas e totalizadas por lotação. 3. As referidas lotações, para efeito de gerenciamento interno a Edilidade, são distribuidas da seguinte forma: ... Lotação n° 7, referente àqueles denominados de Assessores de Gabinete; ... 6. Este Relatório especifico da NFLD 35.735.1231 de contribuições devidas á seguridade social, corresponde aos empregados que constam nas folhas de pagamento mensal Lotação 7 (assessores de gabinete) não declarados em GFIP . Esses comissionados são vinculados ao RGPS e a instituição desconta regularmente, de seus salários as suas contribuições previdenciárias como prova por amostragem juntamos a cópia da folha de pagamento competência 07/2001 (fls 535 a 538). 7. Esclareçase, que no transcorrer dos trabalhos de Auditoria, muito embora tenha sido solicitado, a Câmara Municipal não apresentou relação dos servidores vinculados ao IPMT Instituto de Previdência Municipal de Teresina, nem a outro Regime Próprio de Previdência, que estivessem ocupando algum cargo em comissão na Câmara. Fazendoo somente em sede de defesa, Fl. 649DF CARF MF 8 conforme folhas de pagamento em anexo (fls 539 a 585).. (Grifamos.) Do exposto acima, revelase insubsistente o alegado cerceamento de defesa, uma vez que os fatos geradores lançados pela fiscalização foram apurados diretamente das folhas de pagamento do município e demais documentos apresentados pelo sujeito passivo. Portanto, podese concluir que o contribuinte tem conhecimento de todos os comissionados que prestam serviços de Assessoria Especial para o Município, na Lotação 07, objeto do presente lançamento. Ademais, o contribuinte conseguiu comprovar, no momento da impugnação, que parte dos comissionados incluídos no lançamento, estavam vinculados a RPPS, os quais foram, inclusive, excluídos do lançamento. Pelo exposto, a alegação do recorrente sobre suposto cerceamento do seu direito de defesa não merece prosperar, uma vez que o lançamento foi efetuado de forma direta e sobre base de cálculo apurada pelo próprio sujeito passivo. MMÉÉRRIITTOO SSEERRVVIIDDOORREESS CCOOMMIISSSSIIOONNAADDOOSS Alega o recorrente que os servidores seriam vinculados ao RPPS. Também aqui não merece prosperar a alegação do contribuinte. Vejamos. O lançamento decorre de contribuições devidas á seguridade social, correspondente aos segurados empregados que constam nas folhas de pagamento mensal Lotação 7 (assessoria especial) não declarados em GFIP. Por força da Emenda Constitucional nº 20, de 15/12/1998, a redação do § 13 do art. 40, determina que o servidor ocupante, exclusivamente, de cargo em comissão tenha sua filiação compulsória ao regime geral de previdência social, não mais podendo se vincular a RPPS, sendo regidos pela Lei nº 8.212/91. Tal lei dispõe em seu artigo 12, inciso I, alínea 'g', que os ocupantes de cargo em comissão são vinculados ao RGPS na categoria segurado empregado, verbis: Art. 12. São segurados obrigatórios da Previdência Social as seguintes pessoas físicas: I como empregado: ... g) o servidor público ocupante de cargo em comissão, sem vínculo efetivo com a União, Autarquias, inclusive em regime especial, e Fundações Públicas Federais; (Alínea acrescentada pela Lei n° 8.647, de 13.4.93) Por sua vez o Regulamento da Previdência Social dispõe em seu art. 9º o conceito de segurado empregado e as categorias de trabalhadores nele contidas: Fl. 650DF CARF MF Processo nº 35226.001840/200623 Acórdão n.º 2301005.245 S2C3T1 Fl. 647 9 Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Dec. nº 3.048/99 Art. 9º São segurados obrigatórios da previdência social as seguintes pessoas físicas: I como empregado: ... i) o servidor da União, Estado, Distrito Federal ou Município, incluídas suas autarquias e fundações, ocupante, exclusivamente, de cargo em comissão declarado em lei de livre nomeação e exoneração;(grifos nossos) j) o servidor do Estado, Distrito Federal ou Município, bem com o das respectivas autarquias e fundações, ocupante de cargo efetivo, desde que, nessa qualidade, não esteja amparado por regime próprio de previdência social; (grifos nossos) l) o servidor contratado pela União, Estado, Distrito Federal ou Município, bem como pelas respectivas autarquias e fundações, por tempo determinado, para atender a necessidade temporária de excepcional interesse público, nos termos do inciso IX do art. 37 da Constituição Federal; (grifos nossos) m) o servidor da União, Estado, Distrito Federal ou Município, incluídas suas autarquias e fundações, ocupante de emprego público; (grifos nossos) ... Ademais, o servidor civil ocupante de cargo efetivo na União, nos Estados, no Distrito Federal ou nos Municípios, amparado por regime próprio de previdência social nesses órgãos, que venha a exercer, concomitantemente, uma ou mais atividades abrangidas pelo Regime Geral de Previdência Social, tornarseá segurado obrigatório do RGPS em relação a essas atividades, ficando o segurado e os respectivos empregadores sujeitos às obrigações tributárias assentadas na Lei de Custeio da Seguridade Social, nos termos do art. 13 da Lei nº 8.212/91: Art. 13. O servidor civil ocupante de cargo efetivo ou o militar da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios, bem como o das respectivas autarquias e fundações, são excluídos do Regime Geral de Previdência Social consubstanciado nesta Lei, desde que amparados por regime próprio de previdência social. (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). § 1º Caso o servidor ou o militar venham a exercer, concomitantemente, uma ou mais atividades abrangidas pelo Regime Geral de Previdência Social, tornarseão segurados obrigatórios em relação a essas atividades. (Incluído pela Lei nº 9.876, de 1999). § 2º Caso o servidor ou o militar, amparados por regime próprio de previdência social, sejam requisitados para outro órgão ou Fl. 651DF CARF MF 10 entidade cujo regime previdenciário não permita a filiação nessa condição, permanecerão vinculados ao regime de origem, obedecidas as regras que cada ente estabeleça acerca de sua contribuição. (Incluído pela Lei nº 9.876, de 1999). (Grifamos.) Assim, resta patente que os exercentes de cargo em comissão são segurados obrigatórios do Regime Geral da Previdência Social, abrangidos pela Lei nº 8.212/91. Ademais, o recorrente não buscou comprovar documentalmente a sua alegação de que "quase todos os servidores da Câmara são vinculados a regimes próprios de Previdência, notadamente o IPMT — Instituto de Previdência do Município de Teresina". Por sua vez, daqueles que foi comprovada a vinculação ao IPTM, os respectivos saláriosdecontribuição foram excluídos do lançamento pelo próprio Acórdão da DRJ, conforme DADR Demonstrativo Analítico do Débito Retificado de efls. 642/649. Para os demais não foi colacionada nenhuma prova do alegado. Sem razão o recorrente. PPEEDDIIDDOO DDEE DDIILLIIGGÊÊNNCCIIAA O recorrente argumenta que deve ser realizada diligência perante os Institutos próprios de Previdência do Município de Teresina, do Estado do Piauí e da União para verificar se os servidores que foram considerados como sendo segurados obrigatórios do Regime Geral de Previdência estão, ou estiveram durante o período fiscalizado, vinculados a regimes próprios de previdência. Entendo que tal diligência revelase desnecessária. No caso ora examinado houve o lançamento de contribuições previdenciárias incidente sobre remunerações pagas ou creditadas a servidores ocupantes exclusivamente de cargo em comissão, cuja vinculação é obrigatória ao RGPS. A base de cálculo foi apurada de forma direta, extraída de documentos fornecidos pelo próprio recorrente e elaborados sob sua supervisão e comando. Portanto, resta patente a desnecessidade da diligência requerida pelo recorrente, uma vez que não se verifica a ocorrência de quaisquer equívocos no lançamento remanescente. Pedido de diligência indeferido. CCOONNCCLLUUSSÃÃOO Pelo acima exposto, voto por conhecer do recurso voluntário, para denegar o pedido de diligência, afastar a preliminar de cerceamento de defesa e, no mérito, negarlhe provimento. É como voto. Andrea Brose Adolfo Relatora Fl. 652DF CARF MF Processo nº 35226.001840/200623 Acórdão n.º 2301005.245 S2C3T1 Fl. 648 11 Fl. 653DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10580.727709/2014-30
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 10 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jun 28 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 31/01/2010 a 31/12/2010
APRECIAÇÃO DO ARGUMENTO DA DEFESA. OMISSÃO DA INSTÂNCIA RECORRIDA. IMPOSSIBILIDADE DE AFASTAMENTO DE NORMA POR ILEGALIDADE DO ATO ADMINISTRATIVO.
O julgador administrativo deve apreciar todos os fatos trazidos na impugnação, mas não poderá decidir sobre aqueles que a norma o obriga a se abster. A instância recorrida está vinculada aos atos administrativos expedidos pela Receita Federal. É vedado ao julgador da primeira instância administrativa o afastamento de norma hígida sob a alegação de ilegalidade. Não há omissão do acórdão a quo e nem nulidade da decisão quando o julgador não decide sobre a ilegalidade de decretos.
LEGALIDADE DE DECRETO. CARF. COMPETÊNCIA.
Os atos administrativos gozam de presunção de legitimidade, veracidade e legalidade. O afastamento de ato administrativo por ilegalidade é competência do Poder Judiciário. A Administração Pública pode rever, de ofício, seus próprios atos. A revisão de ofício do ato administrativo só pode se dar pela autoridade que o expediu, ou outra hierarquicamente superior. O Carf não é competente para avaliar a legalidade ou rever de ofício atos administrativos ou regulamentares expedidos pelo Presidente da República.
Numero da decisão: 2301-005.278
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer em parte do recurso, para, na parte conhecida, rejeitar a preliminar e, no mérito, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
João Bellini Júnior - Presidente.
(assinado digitalmente)
João Maurício Vital - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrea Brose Adolfo, Alexandre Evaristo Pinto, João Mauricio Vital, Wesley Rocha, Antonio Sávio Nastureles, Marcelo Freitas de Souza Costa, Juliana Marteli Fais Feriato, e João Bellini Junior (Presidente).
Nome do relator: JOAO MAURICIO VITAL
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OMISSÃO DA INSTÂNCIA RECORRIDA. IMPOSSIBILIDADE DE AFASTAMENTO DE NORMA POR ILEGALIDADE DO ATO ADMINISTRATIVO. O julgador administrativo deve apreciar todos os fatos trazidos na impugnação, mas não poderá decidir sobre aqueles que a norma o obriga a se abster. A instância recorrida está vinculada aos atos administrativos expedidos pela Receita Federal. É vedado ao julgador da primeira instância administrativa o afastamento de norma hígida sob a alegação de ilegalidade. Não há omissão do acórdão a quo e nem nulidade da decisão quando o julgador não decide sobre a ilegalidade de decretos. LEGALIDADE DE DECRETO. CARF. COMPETÊNCIA. Os atos administrativos gozam de presunção de legitimidade, veracidade e legalidade. O afastamento de ato administrativo por ilegalidade é competência do Poder Judiciário. A Administração Pública pode rever, de ofício, seus próprios atos. A revisão de ofício do ato administrativo só pode se dar pela autoridade que o expediu, ou outra hierarquicamente superior. O Carf não é competente para avaliar a legalidade ou rever de ofício atos administrativos ou regulamentares expedidos pelo Presidente da República. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer em parte do recurso, para, na parte conhecida, rejeitar a preliminar e, no mérito, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 77 09 /2 01 4- 30 Fl. 142DF CARF MF 2 João Bellini Júnior Presidente. (assinado digitalmente) João Maurício Vital Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrea Brose Adolfo, Alexandre Evaristo Pinto, João Mauricio Vital, Wesley Rocha, Antonio Sávio Nastureles, Marcelo Freitas de Souza Costa, Juliana Marteli Fais Feriato, e João Bellini Junior (Presidente). Relatório Tratase de lançamento de ofício, Auto de Infração nº 51.060.3858, para a exigência das contribuições para o financiamento das prestações concedidas em razão do Grau de Incidência de Incapacidade Laborativa decorrente dos Riscos Ambientais do Trabalho (Giil RAT), relativas ao período de 1/2010 a 12/2010. A Autoridade Lançadora identificou que a empresa declarou em Gfip, 1% de GillRAT e 1,66% de contribuição para o Fator Acidentário de Prevenção (FAP), embora, no período fiscalizado, a empresa estivesse enquadrada no CNAE 6190699, o que implicaria, respectivamente, nos percentuais de 2% e 1,6671%. Na impugnação, a Recorrente admitiu devidas as diferenças do FAP, porquanto não havia considerado as duas últimas casas decimais da alíquota. Porém, quanto ao GiilRAT, sustentou que a majoração da alíquota de 1% para 2% por meio dos decretos nºs. 6.042, 12 de fevereiro de 2007, e 6.957, de 9 de setembro de 2009, é indevida, pois não teria resultado de estudos que comprovassem o aumento de acidentes de trabalho nas atividades de telecomunicações a justificar a modificação do enquadramento de risco leve para risco médio. Por essa razão, estaria ferido o princípio da motivação e, portanto, os atos seriam inválidos. A instância a quo manteve integralmente o lançamento. No recurso voluntário, a Recorrente alegou que a turma de origem preferiu não adentrar aos argumentos ventilados pela recorrente (efl. 124, grifo do original), sob alegação de que seria incompetente para se manifestar quanto à legalidade ou constitucionalidade de normas vigentes. Entendeu, a Recorrente, que o colegiado a quo, embora estivesse impedido de se pronunciar quanto à constitucionalidade, deveria ter se manifestado quanto à legalidade dos decretos. No mais, a Recorrente repisou, no apelo voluntário, os exatos termos da impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro João Maurício Vital Relator. O recurso é tempestivo. Fl. 143DF CARF MF Processo nº 10580.727709/201430 Acórdão n.º 2301005.278 S2C3T1 Fl. 143 3 1 Do conhecimento 1.1 DA REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS A Recorrente solicitou o cancelamento da representação fiscal para fins penais decorrente da ação fiscal da qual derivou este processo. Cabe ao Carf a análise da controvérsia de natureza tributária, apreciando as matérias que estejam na lide. Não compete ao Carf avaliar a pertinência da representação penal oriunda da ação fiscal. Esse é o teor da Súmula Carf nº 28, de observância obrigatória a este colegiado. Súmula CARF nº 28: O CARF não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais. Portanto, não conheço da matéria. Conheço, pois, das demais matérias do apelo. 2 Das preliminares 2.1 PRELIMINAR DE NULIDADE DA DECISÃO RECORRIDA POR NÃO APRECIAR OS ARGUMENTOS DA IMPUGNAÇÃO A Recorrente afirmou que a decisão recorrida foi proferida sem que os argumentos apostos na impugnação fossem apreciados, sob a justificativa de que não caberia à instância a quo considerar a legalidade ou constitucionalidade dos decretos nºs. 6.042, de 2007, e 6.957, de 2009. Quanto à inconstitucionalidade das normas, a Recorrente admitiu a impossibilidade da discussão no âmbito administrativo; porém, sustentou que a DRJ/Juiz de Fora não estaria impedida de avaliar a legalidade dos atos, enfrentando a questão colocada na impugnação. Diante da omissão, a decisão teria sido nula Não assiste razão à Recorrente, pois a DRJ/Juiz de Fora, instância administrativa da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), pronunciouse sobre a questão apontada na impugnação nos seguintes termos (efl. 116): as normas inquinadas de ilegais pelo impugnante continuam válidas, não sendo lícito à autoridade administrativa absterse de cumprilas e nem declarar sua ilegalidade. A instância a quo apreciou o argumento contido na impugnação, abstendose, motivadamente, de se manifestar quanto à alegada ilegalidade suscitada pela Impugnante. Não há vício na decisão recorrida porque ela está vinculada aos atos expedidos pelo órgão de que faz parte, a Receita Federal. No contexto, consta da Portaria RFB nº 10.875, de 16 de agosto de 2007, a expressa vedação à autoridade julgadora daquele órgão para afastar a aplicação de decreto sob a alegação de ilegalidade: Art. 18. É vedado à autoridade julgadora afastar a aplicação, por inconstitucionalidade ou ilegalidade, de tratado, acordo internacional, lei, decreto ou ato normativo em vigor, ressalvados os casos em que: Fl. 144DF CARF MF 4 I tenha sido declarada a inconstitucionalidade da norma pelo Supremo Tribunal Federal (STF), em ação direta, após a publicação da decisão, ou pela via incidental, após a publicação da resolução do Senado Federal que suspender a sua execução; II haja decisão judicial, proferida em caso concreto, afastando a aplicação da norma, por ilegalidade ou inconstitucionalidade, cuja extensão dos efeitos jurídicos tenha sido autorizada pelo Presidente da República ou, nos termos do art. 4º do Decreto nº 2.346, de 10 de outubro de 1997, pelo Secretário da Receita Federal do Brasil ou pelo ProcuradorGeral da Fazenda Nacional. Não há, pois, qualquer nulidade no acórdão recorrido por haver deixado de se pronunciar acerca do argumento de ilegalidade apontado na impugnação. 3 Do mérito 3.1 APLICAÇÃO DOS DECRETOS NºS. 6.042, DE 2007, E 6.957, DE 2009 Não há questionamento quanto à diferença de contribuição ao FAP; portanto, a matéria resta incontroversa. A lide reside, pois, na reclassificação da atividade da empresa, que é de telecomunicações em que prepondera o código Cnae 61906/99, promovida pelo Decreto nº 6.042, de 2007, do grau de risco leve, correspondente à alíquota de 1%, para o grau de risco médio, cuja alíquota é de 2%. Posteriormente, pelo Decreto nº 6.957, de 2009, nova reclassificação manteve a atividade da empresa no grau mesmo grau de risco. Questionou, a Recorrente, a ausência de motivação para os reenquadramentos promovidos pelos decretos, sem que fossem acompanhados e justificados por estudos técnicos que apontassem a necessidade das modificações. Assim asseverou a Recorrente (efl. 135, item 26): À maneira do contribuinte que buscou guarida no Judiciário, não pretende a recorrente negar à administração o direito de reenquadramento do risco labora de cada atividade. Exige, apenas, com fulcro na lei, que este reenquadramento seja motivado, demonstrando que o aumento da alíquota decorre do aumento de acidentes de trabalho na atividade preponderante (telecomunicações). Essa comprovação técnica, contudo, não foi disponibilizada pelo Governo Federal, de modo a exsurgir a invalidade do ato normativo. Pretende, a Recorrente, que se afaste a aplicação dos decretos e, por conseguinte, que se lhe aplique a alíquota relativa ao grau de rico baixo, de 1%. É certo que os decretos em questão integram a legislação tributária, nos termos do art. 96 do CTN: Art. 96. A expressão "legislação tributária" compreende as leis, os tratados e as convenções internacionais, os decretos e as normas complementares que versem, no todo ou em parte, sobre tributos e relações jurídicas a eles pertinentes. (Sem grifo no original.) Fl. 145DF CARF MF Processo nº 10580.727709/201430 Acórdão n.º 2301005.278 S2C3T1 Fl. 144 5 Os atos administrativos, inclusive os de natureza regulamentar, como os decretos, gozam da presunção de legitimidade, veracidade e legalidade e a administração pública que, pelo princípio da hierarquia administrativa, não pode deixar de observálos. Essa presunção decorre do princípio da legalidade, inserto no art. 37 da Carta Magna, e pode ser afastada por decisão judicial. Também é lícito que a própria administração pública reveja, de ofício, os atos que entender viciados (Súmula STF nº 4731), inclusive por ausência de motivação, como pretende a Recorrente. Considerando, porém, que os atos apontados pela Recorrente como nulos foram expedidos pela Presidência da República, órgão máximo do Poder Executivo, somente nessa instância poderia se dar a revisão ou anulação. Sendo o Carf órgão subordinado diretamente ao Ministério da Fazenda e, indiretamente, à Presidência da República, não lhe seria possível, pelo princípio da hierarquia administrativa, a apreciação da legalidade dos atos expedidos pelo órgão ou autoridade subordinante. Ao afastar o ato presumidamente legal, por decisão própria, o Carf estaria a inobservar a hierarquia administrativa e a usurpar função própria Poder Judiciário, Nesse sentido, incovo o Acórdão nº 2301005.150, desta turma, no qual, unanimemente, os membros se posicionaram sobre a matéria, nos termos do voto do relator Conselheiro João Bellini Júnior: Ademais, como visto, a subrogação também é expressa no Decreto 566, de 1992, o que, por si só, vincula a decisão deste Colegiado, uma vez que o CARF não detém competência para negar vigência à interpretação dada ao sistema normativo tributário pelo Decreto 566, de 1992, uma vez que decretos, sendo emitidos pelo Presidente da República, possuem hierarquia superior, devendo ser observados por toda a Administração Pública Federal, inclusive pelo Ministério da Fazenda, do qual este CARF é parte integrante. Carf não pode rever ou deixar de aplicar ato administrativo presumidamente legítimo, verdadeiro e legal, de hierarquia superior, porquanto vinculante. Tampouco cabe ao Carf, apropriandose da função judicial, expurgar do mundo jurídico a norma tida por ilegal pela Recorrente. Sob esses argumentos, indefiro o pedido acerca da matéria. Conclusões Voto, pois, no sentido de conhecer em parte do recurso, para, na parte conhecida, rejeitar a preliminar e, no mérito, negar provimento ao recurso 1 A administração pode anular seus próprios atos, quando eivados de vícios que os tornam ilegais, porque dêles (sic) não se originam direitos; ou revogálos, por motivo de conveniência ou oportunidade, respeitados os direitos adquiridos, e ressalvada, em todos os casos, a apreciação judicial. Fl. 146DF CARF MF 6 (assinado digitalmente) João Maurício Vital Relator Fl. 147DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10580.728117/2009-78
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 16 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 2202-000.233
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, por unanimidade de votos, decidir pelo sobrestamento do processo, nos termos do voto da Conselheira Relatora. Após a formalização da Resolução o processo será movimentado para a Secretaria da Câmara
que o manterá na atividade de sobrestado, conforme orientação contida no § 3º do art. 2º, da Portaria CARF nº 001, de 03 de janeiro de 2012. O processo será incluído novamente em pauta
após solucionada a questão da repercussão geral, em julgamento no Supremo Tribunal Federal.
Nome do relator: Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga
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Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, por unanimidade de votos, decidir pelo sobrestamento do processo, nos termos do voto da Conselheira Relatora. Após a formalização da Resolução o processo será movimentado para a Secretaria da Câmara que o manterá na atividade de sobrestado, conforme orientação contida no § 3º do art. 2º, da Portaria CARF nº 001, de 03 de janeiro de 2012. O processo será incluído novamente em pauta após solucionada a questão da repercussão geral, em julgamento no Supremo Tribunal Federal. (Assinado digitalmente) Nelson Mallmann – Presidente (Assinado digitalmente) Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga - Relatora Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Eivanice Canário da Silva, Antonio Lopo Martinez, Odmir Fernandes, Pedro Anan Júnior e Nelson Mallmann. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Rafael Pandolfo e Helenilson Cunha Pontes. Fl. 117DF CARF MF Processo nº 10580.728117/2009-78 Resolução n.º 2202-00.233 S2-C2T2 Fl. 2 2 Relatório Contra o contribuinte acima qualificado foi lavrado o Auto de Infração de fls. 3 a 7, integrado pelos demonstrativos de fls. 8 a 10, pelo qual se exige a importância de R$59.057,40, a título de Imposto de Renda Pessoa Física – IRPF, acrescida de multa de ofício de 75% e juros de mora, referente aos anos-calendário 2004, 2005 e 2006. DA AÇÃO FISCAL O procedimento fiscal encontra-se resumido na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal de fls. 5 a 7, na qual o autuante esclarece que o contribuinte classificou indevidamente como Rendimentos Isentos e Não Tributáveis os rendimentos auferidos do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia, a título diferenças de remuneração ocorridas quando da conversão de Cruzeiro Real para a Unidade Real de Valor - URV em 1994, reconhecidas e pagas em 36 parcelas iguais no período de janeiro de 2004 a dezembro de 2006, com base na Lei do Estado da Bahia no 8.730, de 08 de setembro de 2003. DA IMPUGNAÇÃO Inconformado, o contribuinte apresentou a impugnação de fls. 32 a 66, cujo resumo se extraí da decisão recorrida (fls. 73 e 74): O contribuinte foi cientificado do lançamento fiscal e apresentou impugnação, alegando, em síntese, que: a) não classificou indevidamente os rendimentos recebidos a título de URV, pois o enquadramento de tais rendimentos como isentos de imposto de renda encontra-se em perfeita consonância com a legislação instituidora de tal verba indenizatória; b) o STF, através da Resolução n° 245, de 2002, reconheceu a natureza indenizatória das diferenças de URV recebidas pelos magistrados federais, e que por esse motivo estariam isentas da contribuição previdenciária e do imposto de renda. Este tratamento seria extensível aos valores a mesmo título recebidos pelos membro do magistrados estaduais; c) o Estado da Bahia abriu mão da arrecadação do IRRF que lhe caberia ao estabelecer no art. 5° da Lei Estadual da Bahia n° 8.730, de 2003, a natureza indenizatória da verba paga, sendo a União parte ilegítima para exigência de tal tributo. Além disso, se a fonte pagadora não fez a retenção que estaria obrigada, e levou o autuado a informar tal parcela como isenta em sua declaração de rendimentos, não tem este último qualquer responsabilidade pela infração; d) independentemente da controvérsia quanto à competência ou não do Estado da Bahia para regular matéria reservada à Lei Federal, o valor recebido a título de URV tem a natureza indenizatória. Neste sentido já se pronunciou o Supremo Tribunal Federal, o Presidente do Conselho da Justiça Federal, Primeiro Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda, Poder Judiciário de Rondônia, Ministério Publico do Estado do Maranhão, bem como, ilustres doutrinadores; e) caso os rendimentos apontados como omitidos de fato fossem tributáveis, deveriam ter sido submetidos ao ajuste anual, e não tributados isoladamente como no lançamento fiscal; Fl. 118DF CARF MF Processo nº 10580.728117/2009-78 Resolução n.º 2202-00.233 S2-C2T2 Fl. 3 3 f) ainda que as diferenças de URV recebidas em atraso fossem consideradas como tributáveis, não caberia tributar os juros e correção monetária incidentes sobre elas, tendo em vista sua natureza indenizatória; g) mesmo que tal verba fosse tributável, não caberia a aplicação da multa de ofício e juros moratórios, pois o autuado teria agido com boa-fé, seguindo orientações da fonte pagadora, que por sua vez estava fundamentada na Lei Estadual da Bahia n° 8.730, de 2003, que dispunha acerca da natureza indenizatória das diferenças de URV; h) o Ministério da Fazenda, em resposta à Consulta Administrativa feita pela Presidente do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia, também, teria manifestado-se pela inaplicabilidade da multa de ofício, em razão da flagrante boa-fé dos autuados, ratificando o entendimento já fixado pelo Advogado-Geral da União, através da Nota AGU/AV 12/2007. Na referida resposta, o Ministério da Fazenda reconhece o efeito vinculante do comando exarado pelo Advogado Geral da União perante à PGFN e a RFB. DO JULGAMENTO DE 1ª INSTÂNCIA Apreciando a impugnação apresentada, a 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Salvador (BA) manteve integralmente o lançamento, proferindo o Acórdão no 15-27.173 (fls. 72 a 77), de 18/05/2011, assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF Ano-calendário: 2004, 2005, 2006 DIFERENÇAS DE REMUNERAÇÃO. INCIDÊNCIA IRPF. As diferenças de remuneração recebidas pelos Magistrados do Estado da Bahia, em decorrência da Lei Estadual da Bahia n° 8.730, de 08 de setembro de 2003, estão sujeitas à incidência do imposto de renda. MULTA DE OFÍCIO. INTENÇÃO. A aplicação da multa de ofício no percentual de 75% sobre o tributo não recolhido independe da intenção do contribuinte. DO RECURSO VOLUNTÁRIO Notificado do Acórdão de primeira instância, em 26/07/2011 (vide AR de fl. 81), o contribuinte interpôs, em 04/08/2011, tempestivamente, o recurso de fls. 82 a 114, firmado por seu procurador (vide instrumento de mandato de fl. 69), expondo as razões de sua irresignação, que não serão aqui minudentemente relatadas em razão do que se prolatará no voto desta Resolução. DA DISTRIBUIÇÃO Processo que compôs o Lote no 16, distribuído para esta Conselheira na sessão pública da Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais de 28/11/2011, veio digitalizado até à fl. 1161. 1 Processo digital. Numeração do e-processo. Fl. 119DF CARF MF Processo nº 10580.728117/2009-78 Resolução n.º 2202-00.233 S2-C2T2 Fl. 4 4 Voto Conselheira Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Relatora. A apreciação do presente recurso encontra-se prejudicada por uma questão preliminar, suscitada de ofício por esta relatora com fulcro no art. 62-A, §1o, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (aprovado pela Portaria MF no 256, de 22 de junho de 2009, com as alterações introduzidas pela Portaria MF no 586, de 21 de dezembro de 2010). Com o advento da Portaria MF no 586, de 21 de dezembro de 2010, que alterou o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF (aprovado pela Portaria MF no 256, de 22 de junho de 2009), os julgados no âmbito deste Tribunal deverão observar o disposto nas decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543-B e 543-C do Código de Processo Civil, devido a inclusão do art. 62-A, in verbis: Art. 62-A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543-B e 543- C da Lei no 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1o Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543- B. §2o O sobrestamento de que trata o §1o será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. Importa registrar que este Colegiado, em outros processos em que foi apreciada a mesma matéria de fato, decidiu pelo sobrestamento do julgamento. Trata-se de lançamento de rendimentos recebidos acumuladamente, por pessoa física, em virtude de decisão judicial, a título de diferenças salariais recebidas do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia, relativo aos anos-calendário 2004, 2005 e 2006, conforme consignado na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal de fls. 5 a 7. Sobre o assunto, importa trazer à colação o julgamento dos Recursos Especiais nos 614.232/RS e 614.406/RS, de 20/10/2010, em que o Superior Tribunal Federal - STF reconheceu a existência de repercussão geral, nos termos do art. 543-A do Código de Processo Civil, no que diz respeito à constitucionalidade do art. 12 da Lei no 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que trata dos rendimentos recebidos acumuladamente. O mérito da questão não foi ainda julgado e, portanto, os demais processos que versam sobre a mesma matéria encontram- se sobrestados até o pronunciamento definitivo daquele Tribunal, de acordo com o disposto no art. 543-B, §1o, do Código de Processo Civil. Fl. 120DF CARF MF Processo nº 10580.728117/2009-78 Resolução n.º 2202-00.233 S2-C2T2 Fl. 5 5 Conclui-se, assim, que parte da discussão no presente processo refere-se à matéria reconhecida como de repercussão geral pelo Supremo Tribunal Federal, pendente de decisão definitiva daquele tribunal. Diante de todo o exposto, voto no sentido de SOBRESTAR o julgamento do presente recurso, conforme previsto no art. 62, §1o e 2o, do RICARF. (Assinado digitalmente) Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga Fl. 121DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 35226.001819/2006-28
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 04 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue May 15 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/2001 a 30/11/2004
PEDIDO DE DILIGÊNCIA. DESNECESSIDADE. CRITÉRIO DO JULGADOR.
A critério da autoridade julgadora os pedidos de realização de diligências consideradas prescindíveis ou impraticáveis poderão ser indeferidas.
Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2001 a 30/11/2004
NFLD. RELATÓRIO FISCAL. NÃO DISCRIMINAÇÃO DOS FATOS GERADORES. CERCEAMENTO DE DEFESA. INEXISTÊNCIA.
Não incorre em cerceamento do direito de defesa o lançamento tributário cujo Relatório Fiscal deixar arrolar, de forma discriminada, os fatos geradores lançados, nas hipóteses em que estes forem apurados, diretamente, a partir do exame das informações prestadas pelo sujeito passivo, ou por este declaradas em documentos elaborados pela própria empresa, confeccionados sob sua orientação, comando, domínio e responsabilidade, uma vez que são do seu inteiro conhecimento.
SERVIDOR PÚBLICO COMISSIONADO. VINCULAÇÃO COMPULSÓRIA AO RGPS NA QUALIDADE DE SEGURADO EMPREGADO.
A Emenda Constitucional nº 20/98 fez inserir na estrutura do art. 40 da CF/88 o parágrafo 13, o qual impôs ao servidor ocupante, exclusivamente, de cargo em comissão declarado em lei de livre nomeação e exoneração, bem como de outro cargo temporário ou de emprego público, sua filiação compulsória ao regime geral de previdência social, na qualidade de segurado empregado.
SERVIDOR PÚBLICO. VINCULAÇÃO CONCOMITANTE A RPPS E AO RGPS. POSSIBILIDADE. ART. 13, §1º DA LEI Nº 8.212/91.
O servidor civil ocupante de cargo efetivo na União, nos Estados, no Distrito Federal ou nos Municípios, nesses órgãos amparado por regime próprio de previdência social, que venha a exercer, concomitantemente, uma ou mais atividades abrangidas pelo Regime Geral de Previdência Social, tornar-se-á segurado obrigatório do RGPS em relação a essas atividades, ficando o segurado e os respectivos empregadores sujeitos às obrigações tributárias assentadas na Lei de Custeio da Seguridade Social.
Numero da decisão: 2301-005.243
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, denegar o pedido de diligência, rejeitar a preliminar e, no mérito, negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
João Bellini Junior - Presidente
(assinado digitalmente)
Andrea Brose Adolfo - Relatora
EDITADO EM: 16/04/2018
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrea Brose Adolfo, Alexandre Evaristo Pinto, João Maurício Vital, Wesley Rocha, Antônio Sávio Nastureles, Marcelo Freitas de Souza Costa, Juliana Marteli Fais Feriato e João Bellini Júnior (Presidente).
Nome do relator: ANDREA BROSE ADOLFO
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/01/2001 a 30/11/2004 PEDIDO DE DILIGÊNCIA. DESNECESSIDADE. CRITÉRIO DO JULGADOR. A critério da autoridade julgadora os pedidos de realização de diligências consideradas prescindíveis ou impraticáveis poderão ser indeferidas. Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2001 a 30/11/2004 NFLD. RELATÓRIO FISCAL. NÃO DISCRIMINAÇÃO DOS FATOS GERADORES. CERCEAMENTO DE DEFESA. INEXISTÊNCIA. Não incorre em cerceamento do direito de defesa o lançamento tributário cujo Relatório Fiscal deixar arrolar, de forma discriminada, os fatos geradores lançados, nas hipóteses em que estes forem apurados, diretamente, a partir do exame das informações prestadas pelo sujeito passivo, ou por este declaradas em documentos elaborados pela própria empresa, confeccionados sob sua orientação, comando, domínio e responsabilidade, uma vez que são do seu inteiro conhecimento. SERVIDOR PÚBLICO COMISSIONADO. VINCULAÇÃO COMPULSÓRIA AO RGPS NA QUALIDADE DE SEGURADO EMPREGADO. A Emenda Constitucional nº 20/98 fez inserir na estrutura do art. 40 da CF/88 o parágrafo 13, o qual impôs ao servidor ocupante, exclusivamente, de cargo em comissão declarado em lei de livre nomeação e exoneração, bem como de outro cargo temporário ou de emprego público, sua filiação compulsória ao regime geral de previdência social, na qualidade de segurado empregado. SERVIDOR PÚBLICO. VINCULAÇÃO CONCOMITANTE A RPPS E AO RGPS. POSSIBILIDADE. ART. 13, §1º DA LEI Nº 8.212/91. O servidor civil ocupante de cargo efetivo na União, nos Estados, no Distrito Federal ou nos Municípios, nesses órgãos amparado por regime próprio de previdência social, que venha a exercer, concomitantemente, uma ou mais atividades abrangidas pelo Regime Geral de Previdência Social, tornar-se-á segurado obrigatório do RGPS em relação a essas atividades, ficando o segurado e os respectivos empregadores sujeitos às obrigações tributárias assentadas na Lei de Custeio da Seguridade Social.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, denegar o pedido de diligência, rejeitar a preliminar e, no mérito, negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) João Bellini Junior - Presidente (assinado digitalmente) Andrea Brose Adolfo - Relatora EDITADO EM: 16/04/2018 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrea Brose Adolfo, Alexandre Evaristo Pinto, João Maurício Vital, Wesley Rocha, Antônio Sávio Nastureles, Marcelo Freitas de Souza Costa, Juliana Marteli Fais Feriato e João Bellini Júnior (Presidente).
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DESNECESSIDADE. CRITÉRIO DO JULGADOR. A critério da autoridade julgadora os pedidos de realização de diligências consideradas prescindíveis ou impraticáveis poderão ser indeferidas. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2001 a 30/11/2004 NFLD. RELATÓRIO FISCAL. NÃO DISCRIMINAÇÃO DOS FATOS GERADORES. CERCEAMENTO DE DEFESA. INEXISTÊNCIA. Não incorre em cerceamento do direito de defesa o lançamento tributário cujo Relatório Fiscal deixar arrolar, de forma discriminada, os fatos geradores lançados, nas hipóteses em que estes forem apurados, diretamente, a partir do exame das informações prestadas pelo sujeito passivo, ou por este declaradas em documentos elaborados pela própria empresa, confeccionados sob sua orientação, comando, domínio e responsabilidade, uma vez que são do seu inteiro conhecimento. SERVIDOR PÚBLICO COMISSIONADO. VINCULAÇÃO COMPULSÓRIA AO RGPS NA QUALIDADE DE SEGURADO EMPREGADO. A Emenda Constitucional nº 20/98 fez inserir na estrutura do art. 40 da CF/88 o parágrafo 13, o qual impôs ao servidor ocupante, exclusivamente, de cargo em comissão declarado em lei de livre nomeação e exoneração, bem como de outro cargo temporário ou de emprego público, sua filiação compulsória ao regime geral de previdência social, na qualidade de segurado empregado. SERVIDOR PÚBLICO. VINCULAÇÃO CONCOMITANTE A RPPS E AO RGPS. POSSIBILIDADE. ART. 13, §1º DA LEI Nº 8.212/91. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 35 22 6. 00 18 19 /2 00 6- 28 Fl. 676DF CARF MF 2 O servidor civil ocupante de cargo efetivo na União, nos Estados, no Distrito Federal ou nos Municípios, nesses órgãos amparado por regime próprio de previdência social, que venha a exercer, concomitantemente, uma ou mais atividades abrangidas pelo Regime Geral de Previdência Social, tornarseá segurado obrigatório do RGPS em relação a essas atividades, ficando o segurado e os respectivos empregadores sujeitos às obrigações tributárias assentadas na Lei de Custeio da Seguridade Social. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, denegar o pedido de diligência, rejeitar a preliminar e, no mérito, negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) João Bellini Junior Presidente (assinado digitalmente) Andrea Brose Adolfo Relatora EDITADO EM: 16/04/2018 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrea Brose Adolfo, Alexandre Evaristo Pinto, João Maurício Vital, Wesley Rocha, Antônio Sávio Nastureles, Marcelo Freitas de Souza Costa, Juliana Marteli Fais Feriato e João Bellini Júnior (Presidente). Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra Acórdão nº 0813.164 (efls. 636/649), da DRJ em Fortaleza que julgou o lançamento procedente em parte, nos seguintes termos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2001 a 30/11/2004 DIREITO PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO (NFLD). SERVIDORES PÚBLICOS EXCLUSIVAMENTE COMISSIONADOS. CONTRIBUIÇÕES DA EMPRESA. PARTE PATRONAL. SAT/RAT. RELATÓRIO FISCAL COMPLEMENTAR. REABERTURA DO PRAZO EXORDIAL. REABILITAÇÃO DE PETIÇÃO INTEMPESTIVA. FATO SUPERVENIENTE. REVISÃO DE OFICIO. DO REQUERIMENTO DE DILIGENCIA. INDEFERIMENTO. JUNTADA DE DOCUMENTOS. PRECLUSÃO TEMPORAL. Fl. 677DF CARF MF Processo nº 35226.001819/200628 Acórdão n.º 2301002.243 S2C3T1 Fl. 677 3 Os ocupantes de cargos exclusivamente comissionados são segurados do regime geral de previdência social, na categoria de empregados. Remunerações pagas, devidas ou creditadas, pela empresa a segurados empregados são bases de cálculo de contribuição previdenciária. A confecção de relatório fiscal complementar enseja reabertura de prazo inaugural. A apresentação de aditamento à defesa torna hábil defesa dantes declarada intempestiva. Fatos comprovados após o encerramento da ação fiscal ensejam revisão de oficio do crédito tributário. A autoridade julgadora de primeira instância indeferirá a realização de diligência considerada prescindível. A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que seja demonstrada uma das restritas hipóteses autorizadoras. Lançamento Procedente em Parte A presente Notificação Fiscal de Lançamento do Débito NFLD DEBCAD nº 35.735.1215 referente às contribuições previdenciárias parte patronal (20%) e destinada ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho SAT (1%), incidente sobre o salário decontribuição de segurados empregados (servidores ocupantes de cargos comissionados) que prestaram serviços junto aos Gabinetes da Câmara Municipal (Folha de pagamento Lotação 04), referente às competências 01/2001 a 11/2004, sem declaração em GFIP (Levantamento L04 Comission.GAB.s/GFIP L04). O valor total do crédito constituído, consolidado em 28/10/2005, foi de R$ 964.532.58. Os servidores foram considerados segurados do Regime Geral de Previdência Social por força do art. 40, § 13, da Emenda Constitucional n° 20, de 15/12/1998. O sujeito passivo foi cientificado do lançamento em 03/01/2006 e em 07/04/2006 apresentou defesa, assinada por procurador municipal, declarada intempestiva com a lavratura do respectivo termo de revelia. Após foi colacionado aos autos impugnação protocolada em 18/01/2006, o que tomou sem efeito o termo de revelia informado acima. A unidade julgadora do INSS determinou a realização de diligência (fls. 525/527) para informar sobre: a) a existência ou não de Regime Próprio de Previdência Social, e caso o Regime Próprio não alcance a totalidade dos servidores, deverão ser evidenciados os não abrangidos; b) o motivo do enquadramento como segurado do RGPS dos servidores incluídos nesta NFLD e, se possível, a relação dos nomes ou prova por amostragem; e Fl. 678DF CARF MF 4 c) também deverá ser corrigido no Relatório o valor do lançamento. Após, foi emitido relatório fiscal complementar às efls. 528/530, acompanhado das planilhas de efls. 531/540, com a informação de retificação do débito, nos seguintes termos: 2. Durante os trabalhos de Auditoria constatouse que o Município de TeresinaPI possui regime próprio de previdência instituído pela Lei Complementar Municipal n° 2.029, de 31 de agosto de 1990, abrangendo apenas os servidores estatutários e que as folhas de pagamento da Câmara Municipal são elaboradas e totalizadas por lotação. 3. As referidas lotações, para efeito de gerenciamento interno a Edilidade, são distribuidas da seguinte forma: Lotação n° 2( fotocópia da folha competência 04/2001), referente aos servidores estatutários vinculados ao Instituto de Previdência Municipal de Teresina; Lotação n° 4, referente aos servidores comissionados que prestam seus serviços junto aos Gabinetes dos Vereadores; Lotação n° 5, referente aos servidores comissionados que prestam seus serviços junto à Administração da Câmara Municipal; Lotação n° 7, referente àqueles denominados de Assessores de Gabinete; Lotação n° 8, referente aos Estagiários Mirins; Lotação n° 9, referente aos Vereadores e Lotação n° 11, referente àqueles denominados Assessores Especiais. 4. A fim de se obter um melhor entendimento no levantamento dos valores do débito, procedeuse este levantamento por Lotação subdividindoo posteriormente em dois grupos distintos referentes aos declarados e aos não declarados em GFIP. Obtendose esse dois grupos, efetuouse os lançamentos dos fatos geradores relativos às contribuições para o financiamento da seguridade social referentes à parte da empresa e aos relativos à parte do empregado, separadamente. 5. De efeito, para cada LOTAÇÃO restaram 4 (quatro) NFLD Notificações Fiscais de Lançamento Débito a ela vinculadas, quais sejam: I Não declarados em GFIP parte patronal; II Não declarados em GFIP parte do empregado; III Declarados em GFIP parte da empresa, e IV Declarados em GFIP parte do empregado. Fl. 679DF CARF MF Processo nº 35226.001819/200628 Acórdão n.º 2301002.243 S2C3T1 Fl. 678 5 6. Este Relatório especifico da NFLD 35.735.1215 de contribuições devidas á seguridade social, corresponde aos empregados que constam nas folhas de pagamento mensal Lotação 4 (comissionados do gabinete) não declarados em GFIP .Esses comissionados são vinculados ao RGPS e a instituição desconta regularmente, de seus salários as suas contribuições previdenciárias, como prova por amostragem juntamos a cópia da folha de pagamento competência 07/2001. 7. Esclareçase, que no transcorrer dos trabalhos de Auditoria, muito embora tenha sido solicitado, a Câmara Municipal não apresentou relação dos servidores vinculados ao IPMT Instituto de Previdência Municipal de Teresina, nem a outro Regime Próprio de Previdência, que estivessem ocupando algum cargo em comissão na Câmara. Fazendoo somente em sede de defesa, conforme folhas de pagamento em anexo. 8. Juntase portanto a este relatório uma planilha com os nomes e salários de contribuição discriminados por competência de servidores da Lotação4, (que foram incluídos nesta NFLD) comprovadamente vinculados ao IPMT para que sejam excluídos deste Levantamento. 9. Assim, solicitamos a retificação do débito com base nas planilhas anexas. (grifamos) Após ciência do relatório fiscal complementar, o contribuinte apresentou aditamento à impugnação (efls.629/631). Transcrevo as alegações do contribuinte conforme descritas no relatório do acórdão da DRJ: 12.1. os servidores em tela são efetivos e vinculados a regime próprio de previdência social, o que não foi observado pela Auditoria; 12.2. não foram observados os despachos decisórios que trataram de idêntico caso; 12.3. as contribuições previdenciárias foram recolhidas aos regimes próprios; 12.4. que houve bis in idem, pois outra notificação fiscal da mesma ação fiscal (35.735.1193) considerou fatos geradores ora expostos; 12.5. pedidos: a) redução/anulação dos valores estipulados nesta NFLD; b) posterior juntada de prova documental, tendo em vista o presente impedimento derivado do recesso administrativo e parlamentar; Fl. 680DF CARF MF 6 c) realização de diligência junto aos servidores ou órgãos previdenciários a que estão vinculados, a fim de identificar a condição de filiados a regime próprio; d) procedência da defesa. Mantido o lançamento em parte pela DRJ/FOR, o contribuinte foi cientificado da decisão em 14/04/2008, conforme AR à efl. 655, apresentando Recurso Voluntário (efls. 658/662), protocolado em 06/05/2008, alegando em síntese: a) cerceamento de defesa, pela falta de indicação precisa de quais trabalhadores estariam sujeitos ao Regime Geral de Previdência Social; b) subsidiariamente e em homenagem à legalidade e à busca da verdade material, a necessidade de realização de diligências perante os Institutos próprios de Previdência do Município de Teresina, do Estado do Piauí e da União para verificar se os servidores que foram considerados como sendo segurados obrigatórios do Regime Geral de Previdência estão, ou estiveram durante o período fiscalizado, vinculados a regimes próprios de previdência; e c) improcedência do lançamento em virtude de que "quase todos os servidores da Câmara são vinculados a regimes próprios de Previdência, notadamente o IPMT — Instituto de Previdência do Município de Teresina", enquanto a fiscalização considerouos como vinculados ao RGPS. Cita doutrina. Alega que os recolhimentos foram feitos para o RPPS. É o relatório. Voto Conselheira Andrea Brose Adolfo TTEEMMPPEESSTTIIVVIIDDAADDEE Verificada a tempestividade do recurso voluntário, dele conheço. PPRREELLIIMMIINNAARR DDEE CCEERRCCEEAAMMEENNTTOO DDOO DDIIRREEIITTOO DDEE DDEEFFEESSAA Alega o recorrente que a fiscalização deixou de discriminar nominalmente os segurados abrangidos no lançamento, causandolhe cerceamento no seu direito de defenderse, uma vez que "desconhece as circunstâncias fáticas supostamente constatadas pela autoridade previdenciária". De acordo com o Relatório Fiscal (efls. 48/51), o saláriodecontribuição, base de cálculo das contribuições previdenciárias lançadas, foi apurado através da análise dos registros contábeis da Câmara Municipal de Teresina, mediante a verificação física realizada nos balancetes mensais (demonstrativos financeiros, demonstrativos valores empenhados/pagos, notas de empenho, folhas de pagamento e recibos de pagamento), lançados no levantamento L04 — referente a contribuição da empresa, não declarados em GFIP nas competências 012001 a 112004, e: 5. As parcelas consideradas na apuração do presente lançamento de débito foram totalizadas por competência das Fl. 681DF CARF MF Processo nº 35226.001819/200628 Acórdão n.º 2301002.243 S2C3T1 Fl. 679 7 folhas de pagamento, conforme Relatório de Lançamentos, e consignadas no Discriminativo Analítico de Débito DAD, anexos da NFLD; 6. Os recolhimentos efetuados em Guias de Recolhimento da Previdência Social GRPS foram devidamente considerados no levantamento do débito, conforme discriminado no Relatório de Documentos Apresentados RDA e Relatório de Apropriação de Documentos Apresentados RADA, anexos da NFLD, ressaltando que tais recolhimentos foram aproveitados como créditos no levantamento L04 Folha de Pagamento com desconto para Previdência. 7. Documentos que serviram de base para o lançamento do débito: notas de empenho; folhas de pagamento; guias de recolhimento — GPS. Por sua vez, no Relatório Fiscal Complementar (efls. 528/530), o auditor aponta as seguintes considerações: 2. Durante os trabalhos de Auditoria constatouse que o Município de TeresinaPI possui regime próprio de previdência instituído pela Lei Complementar Municipal n° 2.029, de 31 de agosto de 1990, abrangendo apenas os servidores estatutários e que as folhas de pagamento da Câmara Municipal são elaboradas e totalizadas por lotação. 3. As referidas lotações, para efeito de gerenciamento interno a Edilidade, são distribuidas da seguinte forma: ... Lotação n° 4, referente aos servidores comissionados que prestam seus serviços junto aos Gabinetes dos Vereadores; ... 6. Este Relatório especifico da NFLD 35.735.1215 de contribuições devidas á seguridade social, corresponde aos empregados que constam nas folhas de pagamento mensal Lotação 4 (comissionados do gabinete) não declarados em GFIP .Esses comissionados são vinculados ao RGPS e a instituição desconta regularmente, de seus salários as suas contribuições previdenciárias, como prova por amostragem juntamos a cópia da folha de pagamento competência 07/2001. 7. Esclareçase, que no transcorrer dos trabalhos de Auditoria, muito embora tenha sido solicitado, a Câmara Municipal não apresentou relação dos servidores vinculados ao IPMT Instituto de Previdência Municipal de Teresina, nem a outro Regime Próprio de Previdência, que estivessem ocupando algum cargo Fl. 682DF CARF MF 8 em comissão na Câmara. Fazendoo somente em sede de defesa, conforme folhas de pagamento em anexo. (grifamos) Do exposto acima, revelase insubsistente o alegado cerceamento de defesa, uma vez que os fatos geradores lançados pela fiscalização foram apurados diretamente das folhas de pagamento do município e demais documentos apresentados pelo sujeito passivo. Portanto, podese concluir que o contribuinte tem conhecimento de todos os comissionados que prestam serviços à Câmara de Vereadores, na Lotação 4, objeto do presente lançamento. Ademais, o contribuinte conseguiu comprovar, no momento da impugnação, que parte dos comissionados incluídos no lançamento, estavam vinculados a RPPS, os quais foram, inclusive, excluídos do lançamento. Pelo exposto, a alegação do recorrente sobre suposto cerceamento do seu direito de defesa não merece prosperar, uma vez que o lançamento foi efetuado de forma direta e sobre base de cálculo apurada. MMÉÉRRIITTOO SSEERRVVIIDDOORREESS CCOOMMIISSSSIIOONNAADDOOSS Alega o recorrente que os servidores seriam vinculados ao RPPS. Também aqui não merece prosperar a alegação do contribuinte. Vejamos. O lançamento decorre de contribuições devidas á seguridade social, correspondente aos segurados empregados que constam nas folhas de pagamento mensal Lotação 4 (comissionados do gabinete) não declarados em GFIP. Por força da Emenda Constitucional nº 20, de 15/12/1998, a redação do § 13 do art. 40, determina que o servidor ocupante, exclusivamente, de cargo em comissão tenha sua filiação compulsória ao regime geral de previdência social, não mais podendo se vincular a RPPS, sendo regidos pela Lei nº 8.212/91. Tal lei dispõe em seu artigo 12, inciso I, alínea 'g', que os ocupantes de cargo em comissão são vinculados ao RGPS na categoria segurado empregado, verbis: Art. 12. São segurados obrigatórios da Previdência Social as seguintes pessoas físicas: I como empregado: ... g) o servidor público ocupante de cargo em comissão, sem vínculo efetivo com a União, Autarquias, inclusive em regime especial, e Fundações Públicas Federais; (Alínea acrescentada pela Lei n° 8.647, de 13.4.93) Por sua vez o Regulamento da Previdência Social dispõe em seu art. 9º o conceito de segurado empregado e as categorias de trabalhadores nele contidas: Fl. 683DF CARF MF Processo nº 35226.001819/200628 Acórdão n.º 2301002.243 S2C3T1 Fl. 680 9 Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Dec. nº 3.048/99 Art. 9º São segurados obrigatórios da previdência social as seguintes pessoas físicas: I como empregado: ... i) o servidor da União, Estado, Distrito Federal ou Município, incluídas suas autarquias e fundações, ocupante, exclusivamente, de cargo em comissão declarado em lei de livre nomeação e exoneração;(grifos nossos) j) o servidor do Estado, Distrito Federal ou Município, bem com o das respectivas autarquias e fundações, ocupante de cargo efetivo, desde que, nessa qualidade, não esteja amparado por regime próprio de previdência social; (grifos nossos) l) o servidor contratado pela União, Estado, Distrito Federal ou Município, bem como pelas respectivas autarquias e fundações, por tempo determinado, para atender a necessidade temporária de excepcional interesse público, nos termos do inciso IX do art. 37 da Constituição Federal; (grifos nossos) m) o servidor da União, Estado, Distrito Federal ou Município, incluídas suas autarquias e fundações, ocupante de emprego público; (grifos nossos) ... Ademais, o servidor civil ocupante de cargo efetivo na União, nos Estados, no Distrito Federal ou nos Municípios, amparado por regime próprio de previdência social nesses órgãos, que venha a exercer, concomitantemente, uma ou mais atividades abrangidas pelo Regime Geral de Previdência Social, tornarseá segurado obrigatório do RGPS em relação a essas atividades, ficando o segurado e os respectivos empregadores sujeitos às obrigações tributárias assentadas na Lei de Custeio da Seguridade Social, nos termos do art. 13 da Lei nº 8.212/91: Art. 13. O servidor civil ocupante de cargo efetivo ou o militar da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios, bem como o das respectivas autarquias e fundações, são excluídos do Regime Geral de Previdência Social consubstanciado nesta Lei, desde que amparados por regime próprio de previdência social. (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). § 1º Caso o servidor ou o militar venham a exercer, concomitantemente, uma ou mais atividades abrangidas pelo Regime Geral de Previdência Social, tornarseão segurados obrigatórios em relação a essas atividades. (Incluído pela Lei nº 9.876, de 1999). § 2º Caso o servidor ou o militar, amparados por regime próprio de previdência social, sejam requisitados para outro órgão ou Fl. 684DF CARF MF 10 entidade cujo regime previdenciário não permita a filiação nessa condição, permanecerão vinculados ao regime de origem, obedecidas as regras que cada ente estabeleça acerca de sua contribuição. (Incluído pela Lei nº 9.876, de 1999). (Grifamos.) Assim, resta patente que os exercentes de cargo em comissão são segurados obrigatórios do Regime Geral da Previdência Social, abrangidos pela Lei nº 8.212/91. Ademais, o recorrente não buscou comprovar documentalmente a sua alegação de que "quase todos os servidores da Câmara são vinculados a regimes próprios de Previdência, notadamente o IPMT — Instituto de Previdência do Município de Teresina". Por sua vez, daqueles que foi comprovada a vinculação ao IPMT, os respectivos saláriosdecontribuição foram excluídos do lançamento pelo próprio Acórdão da DRJ, conforme DADR Demonstrativo Analítico do Débito Retificado de efls. 642/649. Para os demais não foi colacionada nenhuma prova do alegado. Sem razão o recorrente. PPEEDDIIDDOO DDEE DDIILLIIGGÊÊNNCCIIAA O recorrente argumenta que deve ser realizada diligência perante os Institutos próprios de Previdência do Município de Teresina, do Estado do Piauí e da União para verificar se os servidores que foram considerados como sendo segurados obrigatórios do Regime Geral de Previdência estão, ou estiveram durante o período fiscalizado, vinculados a regimes próprios de previdência. Entendo que tal diligência revelase desnecessária. No caso ora examinado houve o lançamento de contribuições previdenciárias incidente sobre remunerações pagas ou creditadas a servidores ocupantes exclusivamente de cargo em comissão, cuja vinculação é obrigatória ao RGPS. A base de cálculo foi apurada de forma direta, extraída de documentos fornecidos pelo próprio recorrente e elaborados sob sua supervisão e comando. Portanto, resta patente a desnecessidade da diligência requerida pelo recorrente, uma vez que não se verifica a ocorrência de quaisquer equívocos no lançamento remanescente. Pedido de diligência indeferido. CCOONNCCLLUUSSÃÃOO Pelo acima exposto, voto por conhecer do recurso voluntário, denegar o pedido de diligência, afastar a preliminar de cerceamento de defesa e, no mérito, negarlhe provimento. É como voto. Andrea Brose Adolfo Relatora Fl. 685DF CARF MF Processo nº 35226.001819/200628 Acórdão n.º 2301002.243 S2C3T1 Fl. 681 11 Fl. 686DF CARF MF
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Numero do processo: 10580.721471/2009-71
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 08 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jun 19 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2004, 2005, 2006
DIFERENÇAS DE REMUNERAÇÃO. URV. INCIDÊNCIA IRPF.
As diferenças de remuneração recebidas pelos membros do Ministério Público do Estado da Bahia, em decorrência do art. 2º da Lei Complementar do Estado da Bahia nº 20, de 2003, estão sujeitas à incidência do imposto de renda.
IRPF. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. PERÍODO ATÉ ANO-BASE 2009. DECISÃO DO STF DE INCONSTITUCIONALIDADE SEM REDUÇÃO DE TEXTO DO ART. 12 DA LEI 7.713/88 COM REPERCUSSÃO GERAL RECONHECIDA. REPRODUÇÕES OBRIGATÓRIAS PELO CARF.
Conforme decidido pelo STF através da sistemática estabelecida pelo art. 543-B do CPC no âmbito do RE 614.406/RS, o IRPF sobre os rendimentos recebidos acumuladamente deve ser calculado utilizando-se as tabelas e alíquotas do imposto vigentes a cada mês de referência (regime de competência).
CARF. COMPETÊNCIA RECURSAL. AUSÊNCIA DE COMPETÊNCIA PARA CONHECER ORIGINARIAMENTE DE QUESTÕES NÃO SUSCITADAS NA INSTÂNCIA RECORRIDA.
1. Às instâncias julgadoras não compete o lançamento de tributos ou a sua revisão de ofício, mas tão somente o julgamento de matérias controversas, no limite em que impugnadas (art. 14 do Decreto nº 70.235, de 1972).
2. Questão não impugnada nem tratada pelo acórdão recorrido não é devolvida por meio de recurso voluntário ao CARF, que não possui competência originária para conhecê-la, uma vez que sua competência se restringe ao julgamento de recursos de ofício e voluntários de decisão de primeira instância, a teor do art. 1º do Anexo II do Ricarf.
ERRO NO PREENCHIMENTO DA DECLARAÇÃO DE AJUSTE CAUSADO POR INFORMAÇÕES ERRADAS DA FONTE PAGADORA NÃO AUTORIZA O LANÇAMENTO DA MULTA DE OFÍCIO.
Nos termos da Súmula CARF nº 73, o erro no preenchimento da declaração de ajuste do imposto de renda, causado por informações erradas, prestadas pela fonte pagadora, não autoriza o lançamento de multa de ofício.
Numero da decisão: 2301-005.208
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, dar parcial provimento ao recurso voluntário, para considerar tributáveis as parcelas recebidas a título de URV, determinar que o imposto sobre a renda incidente sobre rendimentos pagos acumuladamente seja calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, observando a renda auferida mês a mês pelo contribuinte e determinar a exclusão da multa de ofício incidente sobre o tributo devido em decorrência das parcelas recebidas a título de URV; vencidos os Conselheiros Alexandre Evaristo Pinto (Relator), Wesley Rocha, Marcelo Freitas de Souza Costa e Juliana Marteli Fais Feriato, que deram provimento em maior extensão. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro João Bellini Júnior
(assinado digitalmente)
João Bellini Junior - Presidente
(assinado digitalmente)
Alexandre Evaristo Pinto - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrea Brose Adolfo, Alexandre Evaristo Pinto, João Maurício Vital, Wesley Rocha, Antônio Sávio Nastureles, Marcelo Freitas de Souza Costa, Juliana Marteli Fais Feriato e João Bellini Júnior (Presidente).
Nome do relator: Relator
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2004, 2005, 2006 DIFERENÇAS DE REMUNERAÇÃO. URV. INCIDÊNCIA IRPF. As diferenças de remuneração recebidas pelos membros do Ministério Público do Estado da Bahia, em decorrência do art. 2º da Lei Complementar do Estado da Bahia nº 20, de 2003, estão sujeitas à incidência do imposto de renda. IRPF. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. PERÍODO ATÉ ANO-BASE 2009. DECISÃO DO STF DE INCONSTITUCIONALIDADE SEM REDUÇÃO DE TEXTO DO ART. 12 DA LEI 7.713/88 COM REPERCUSSÃO GERAL RECONHECIDA. REPRODUÇÕES OBRIGATÓRIAS PELO CARF. Conforme decidido pelo STF através da sistemática estabelecida pelo art. 543-B do CPC no âmbito do RE 614.406/RS, o IRPF sobre os rendimentos recebidos acumuladamente deve ser calculado utilizando-se as tabelas e alíquotas do imposto vigentes a cada mês de referência (regime de competência). CARF. COMPETÊNCIA RECURSAL. AUSÊNCIA DE COMPETÊNCIA PARA CONHECER ORIGINARIAMENTE DE QUESTÕES NÃO SUSCITADAS NA INSTÂNCIA RECORRIDA. 1. Às instâncias julgadoras não compete o lançamento de tributos ou a sua revisão de ofício, mas tão somente o julgamento de matérias controversas, no limite em que impugnadas (art. 14 do Decreto nº 70.235, de 1972). 2. Questão não impugnada nem tratada pelo acórdão recorrido não é devolvida por meio de recurso voluntário ao CARF, que não possui competência originária para conhecê-la, uma vez que sua competência se restringe ao julgamento de recursos de ofício e voluntários de decisão de primeira instância, a teor do art. 1º do Anexo II do Ricarf. ERRO NO PREENCHIMENTO DA DECLARAÇÃO DE AJUSTE CAUSADO POR INFORMAÇÕES ERRADAS DA FONTE PAGADORA NÃO AUTORIZA O LANÇAMENTO DA MULTA DE OFÍCIO. Nos termos da Súmula CARF nº 73, o erro no preenchimento da declaração de ajuste do imposto de renda, causado por informações erradas, prestadas pela fonte pagadora, não autoriza o lançamento de multa de ofício.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 13; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2050; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C3T1 Fl. 2 1 1 S2C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10580.721471/200971 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2301005.208 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 08 de março de 2018 Matéria Imposto de Renda da Pessoa Física IRPF Recorrente RAMIRES TYRONE DE ALMEIDA CARVALHO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2004, 2005, 2006 DIFERENÇAS DE REMUNERAÇÃO. URV. INCIDÊNCIA IRPF. As diferenças de remuneração recebidas pelos membros do Ministério Público do Estado da Bahia, em decorrência do art. 2º da Lei Complementar do Estado da Bahia nº 20, de 2003, estão sujeitas à incidência do imposto de renda. IRPF. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. PERÍODO ATÉ ANOBASE 2009. DECISÃO DO STF DE INCONSTITUCIONALIDADE SEM REDUÇÃO DE TEXTO DO ART. 12 DA LEI 7.713/88 COM REPERCUSSÃO GERAL RECONHECIDA. REPRODUÇÕES OBRIGATÓRIAS PELO CARF. Conforme decidido pelo STF através da sistemática estabelecida pelo art. 543B do CPC no âmbito do RE 614.406/RS, o IRPF sobre os rendimentos recebidos acumuladamente deve ser calculado utilizandose as tabelas e alíquotas do imposto vigentes a cada mês de referência (regime de competência). CARF. COMPETÊNCIA RECURSAL. AUSÊNCIA DE COMPETÊNCIA PARA CONHECER ORIGINARIAMENTE DE QUESTÕES NÃO SUSCITADAS NA INSTÂNCIA RECORRIDA. 1. Às instâncias julgadoras não compete o lançamento de tributos ou a sua revisão de ofício, mas tão somente o julgamento de matérias controversas, no limite em que impugnadas (art. 14 do Decreto nº 70.235, de 1972). 2. Questão não impugnada nem tratada pelo acórdão recorrido não é devolvida por meio de recurso voluntário ao CARF, que não possui competência originária para conhecêla, uma vez que sua competência se restringe ao julgamento de recursos de ofício e voluntários de decisão de primeira instância, a teor do art. 1º do Anexo II do Ricarf. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 14 71 /2 00 9- 71 Fl. 279DF CARF MF 2 ERRO NO PREENCHIMENTO DA DECLARAÇÃO DE AJUSTE CAUSADO POR INFORMAÇÕES ERRADAS DA FONTE PAGADORA NÃO AUTORIZA O LANÇAMENTO DA MULTA DE OFÍCIO. Nos termos da Súmula CARF nº 73, o erro no preenchimento da declaração de ajuste do imposto de renda, causado por informações erradas, prestadas pela fonte pagadora, não autoriza o lançamento de multa de ofício. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, dar parcial provimento ao recurso voluntário, para considerar tributáveis as parcelas recebidas a título de URV, determinar que o imposto sobre a renda incidente sobre rendimentos pagos acumuladamente seja calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, observando a renda auferida mês a mês pelo contribuinte e determinar a exclusão da multa de ofício incidente sobre o tributo devido em decorrência das parcelas recebidas a título de URV; vencidos os Conselheiros Alexandre Evaristo Pinto (Relator), Wesley Rocha, Marcelo Freitas de Souza Costa e Juliana Marteli Fais Feriato, que deram provimento em maior extensão. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro João Bellini Júnior (assinado digitalmente) João Bellini Junior Presidente (assinado digitalmente) Alexandre Evaristo Pinto Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrea Brose Adolfo, Alexandre Evaristo Pinto, João Maurício Vital, Wesley Rocha, Antônio Sávio Nastureles, Marcelo Freitas de Souza Costa, Juliana Marteli Fais Feriato e João Bellini Júnior (Presidente). Relatório RAMIRES TYRONE DE ALMEIDA CARVALHO interpôs recurso voluntário contra acórdão da DRJSALVADOR/BA que julgou procedente em parte lançamento, formalizado por meio de auto de infração, para exigência de Imposto sobre Renda de Pessoa Física – IRPF, referente aos exercícios de 2005. 2006 e 2007, no valor de R$ 64.313,67, acrescido de multa de ofício e de juros de mora, perfazendo um crédito tributário total lançado de R$ 136.479,99. A infração que ensejou o lançamento foi a classificação indevida de rendimentos como isentos, conforme descrição dos fatos do auto de infração, a seguir reproduzida: Rendimentos decorrentes do trabalho assalariado (e portanto tributáveis pelo imposto de renda) percebidos pelo sujeito passivo, rendo, como órgão pagador, o Ministério Público do Estado da Bahia (CNPJ 04.142.491/000166), foram classificados, indevidamente, Fl. 280DF CARF MF Processo nº 10580.721471/200971 Acórdão n.º 2301005.208 S2C3T1 Fl. 3 3 como Rendimentos Isentos e Não Tributáveis na Declaração de Ajuste Anual do imposto de Renda, a partir de informações a ele fornecidas pela fonte pagadora. Tais rendimentos decorrem de diferenças de remuneração decorrentes do trabalho assalariado ocorridas quando da conversação de Cruzeiro Real para a Unidade Real de Valor (URV) em 1994, reconhecidas e pagas em 36 parcelas iguais no período de janeiro de 2004 a dezembro de 2006, com base na Lei Complementar do Estado da Bahia (enfatiza se:uma lei estadual!) nº 20, de 08 de setembro de 2003. Transcrevese, parcialmente, a aludida Lei “[...] Art. 2º As diferenças de remuneração ocorridas quando da conversão de Cruzeiro Real para Unidade Real de Valor – URV, objeto da ação ordinária de nº 140.975921531, julgada pelo Tribunal de Justiça do Estado da Bahia, e em consonância com os precedentes do Supremo Tribunal Federal, especialmente nas Ações Ordinárias nºs 613 e 614, serão apuradas mês a mês de 1º de abril de 1994 a 31 de agosto de 2001, e o montante, correspondente a cada Procurador e Promotor de Justiça, será dividido em 36 parcelas iguais e consecutivas para pagamento nos meses de janeiro de 2004 a dezembro de 2006. Art. 3º. São de natureza indenizatória as parcelas da que trata o art. 2º desta Lei [...]. Estas diferenças recebidas têm natureza eminentemente salarial, e consequentemente, deveriam ser tributadas pelo Imposto de Renda, conforme disposto nos arts. 43 e 114 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1996, o Código Tributário Nacional (CTN), sendo irrelevante a denominação dada ao rendimento para sujeitálo ou não à incidência do imposto. Preceitua a Lei Complementar do Estado da Bahia nº 20, de 2003, dentre outras coisas, que a verba em questão é de natureza indenizatória. A única interpretação possível em harmonia com o ordenamento jurídico nacional e em especial com nosso sistema tributário, é a de que esta lei disciplina aquilo que é pertinente à competência do Estado, ou seja, seus efeitos não se estendem ao Imposto de Renda. Principalmente, porque não se fez, e nem se poderia estender seus efeitos ao âmbito federal. Não poderiam os Estados Federados versarem sobre o que não se lhes foi constitucionalmente outorgado, seja para criar, seja para isentar tributo. A lei aludida tem repercussão jurídica em outras matérias afeitas à competência legislativa estadual tão somente considerar que uma lei estadual possa afastar a incidência do Imposto de Renda (de competência federal) de determinadas verbas, denominandoas de indenizatórias, seria um descuido, demonstrando desconhecimento acerca dos limites impostos às competências tributárias dispostas na Carta Magna de 1988, particularmente nos artigos 153 e 154. Transcrevese a seguir, parcialmente, o mencionado art. 153: Art. 153: Compete à União instituir imposto sobre: [...] Fl. 281DF CARF MF 4 III – renda e proventos de qualquer natureza; [...] Ademais, o CTN dispõe, no art. 111, que se interpreta literalmente a legislação tributária pertinente à outorga de isenção. As isenções do imposto de renda da pessoa física são as expressamente especificadas no art. 39 do Decreto nº 3.000, de 1999 (RIR/99). Verificase que a legislação tributária não contempla a isenção a diferenças salariais reconhecidas posteriormente, ainda que recebam a denominação de indenização ou valores indenizatórios. Resta claro, pois, que os valores recebidos pelo autuado referentes a diferenças de remuneração ocorridas quando da conversão de Cruzeiro Real para a URV em 1994, denominadas valores indenizatórios de URV ou simplesmente URV são tributáveis pelo imposto de renda. O Contribuinte impugnou o lançamento e alegou, em síntese, que o lançamento é improcedente, pois teve como objeto valores recebidos pelo impugnante a título de diferenças de URV, que não estão sujeitos à incidência do imposto de renda, em razão do seu caráter indenizatório, não se enquadrando nos conceitos de renda ou proventos de qualquer natureza, previstos no art. 43 do CTN; que o STF, através da Resolução nº 245, de 2002, reconheceu a natureza indenizatória das diferenças de URV recebidas pelos magistrados federais, e que por esse motivo estariam isentas da contribuição previdenciária e do imposto de renda. Este tratamento seria extensível aos valores a mesmo título recebidos pelos membros dos magistrados estaduais; que o Estado da Bahia abriu mão da arrecadação do IRRF que lhe caberia ao estabelecer no art. 3º da Lei Estadual Complementar nº 20, de 2003, a natureza indenizatória da verba paga, sendo a União parte ilegítima para exigência de tal tributo. Além disso, se a fonte pagadora não fez a retenção que estaria obrigada, e levou o autuado a informar tal parcela como isenta em sua declaração de rendimentos, não tem este último qualquer responsabilidade pela infração; que caso os rendimentos apontados como omitidos de fato fossem tributáveis, deveriam ter sido submetidos ao ajuste anual, e não tributados isoladamente como no lançamento fiscal; que caso os rendimentos apontados como omitidos de fato fossem tributáveis, deveriam ter sido submetidos ao ajuste anual, e não tributados isoladamente como no lançamento fiscal; que parcelas dos valores recebidos a título de diferenças de URV se referiam à correção incidente sobre 13º salários e a férias indenizadas (abono férias), que respectivamente estão sujeitas à tributação exclusiva e isenta, portanto, não deveriam compor a base de cálculo do imposto lançado; que ainda que as diferenças de URV recebidas em atraso fossem consideradas como tributáveis, não caberia tributar os juros e correção monetária incidentes sobre elas, tendo em vista sua natureza indenizatória; que mesmo que tal verba fosse tributável, não caberia a aplicação da multa de ofício e juros moratórios, pois o autuado teria agido com boafé, seguindo orientações da fonte pagadora, que por sua vez estava fundamentada na Lei Estadual Complementar nº 20, de 2003, que dispunha acerca da natureza indenizatória das diferenças de URV. A DRJSALVADOR/BA julgou procedente o lançamento com base nas considerações a seguir resumidas. Inicialmente, a DRJSALVADOR/BA observou que as verbas em questão foram pagas em decorrência da Lei Complementar do Estado da Bahia nº 20 que se refere a diferenças de remuneração quando da conversão da URV, a qual era realizada mensalmente e visava á manutenção do valor real do salário. Daí concluiu que as diferenças recebidas tinham Fl. 282DF CARF MF Processo nº 10580.721471/200971 Acórdão n.º 2301005.208 S2C3T1 Fl. 4 5 natureza eminentemente salarial; que o recebimento extemporâneo de tais diferenças não altera a natureza das verbas, ainda que o beneficiário tenha tido que recorrer à Justiça e o acordo tenha sido implementado mediante lei complementar. Registra, ainda, que a tributação incide também sobre os complementos, juros e atualização monetária. Sobre o artigo 3º da Lei Complementar da Bahia nº 20, de 2003, que dispõe que as diferenças pagas teriam natureza indenizatória, observa que o Imposto de Renda é regido por legislação federal e, portanto, tal dispositivo não tem nenhum efeito em matéria tributária, destacando que a incidência do imposto de renda independe da denominação do rendimento e que indenizações não são indistintamente isentas, mas apenas aquelas previstas em lei específica como tal; que o art. 55, XIV, do RIR/99 prevê expressamente que tanto os juros moratórios quanto quaisquer outras indenizações por atraso de pagamento estão sujeitos à tributação, salvo se corresponderem a rendimentos isentos ou não tributáveis. Sobre a alegação de que deveria ser reconhecida a isenção com base na Resolução do STF nª 245, de 2002, que reconheceu a isenção do abono vinculado às diferenças de URV pagas aos magistrados federais, registra que o benefício não poderia ser estendido aos membros do Ministério Público Estadual, pois tal resultaria em isenção sem lei específica, e que também não seria o caso de se recorrer à analogia. Também não seria o caso de se aplicar a isonomia com relação aos magistrados federais, pois se trata de funcionários públicos sujeitos a leis específicas distintas, e que a isenção, no âmbito federal, decorreu de resolução expedida no âmbito do próprio Poder Judiciário. E sobre a responsabilidade da fonte pagadora pela retenção do IRRF, registra que esta se extingue com o término do prazo para a apresentação da declaração dos rendimentos pelo beneficiário dos rendimentos, conforme orientação da Receita Federal por meio da Instrução Normativa SRF nº 1, de 24 de setembro de 2002. Ainda sobre a retenção do imposto pela fonte pagadora, anota que, embora o produto da arrecadação do imposto pertença à fonte pagadora, no caso o Estado da Bahia, este fato não isenta o beneficiário dos rendimentos de oferecêlo à tributação; que, portanto, a competência para o lançamento tributário e o julgamento da lide são da União. Relativamente à multa de ofício, a DRJ rechaça a alegação de que, como os informes de rendimento apresentados pela fonte pagadora indicavam que se tratava de rendimentos isentos, sem a retenção do imposto, agiu de boafé e não poderia ser punido com a multa. Observa que a infração independe da intenção do agente e que a multa é devida pela omissão dos rendimentos e não pela prática de fraude. Finalmente, a DRJ acolheu a alegação da defesa quanto ao pedido de exclusão dos valores correspondentes aa férias indenizadas e 13º salário, retirando da base de cálculo os valores correspondentes, exonerando crédito tributário equivalente a R$ 1.083,04 em cada ano da autuação. O Contribuinte tomou ciência da decisão de primeira instância em 19/07/2011 e, em 27/07/2011, interpôs o recurso voluntário que ora se examina e no qual afirma, inicialmente, que a decisão recorrida não enfrentou a questão suscitada na impugnação quanto à falta de legitimidade da União para cobrar imposto de renda que pertence, por determinação constitucional, ao Estado; que também não enfrentou a questão da “quebra da Fl. 283DF CARF MF 6 capacidade contributiva da recorrente”. Afirma que tais omissões representam supressão de instância, afrontando o devido processo legal, o contraditório e ampla defesa. Reafirma, como preliminar, as alegações de ilegitimidade passiva da União para cobrar o imposto incidente na fonte e que não foi objeto de retenção pelo Estado; reafirma a alegação de quebra da capacidade contributiva do Contribuinte, que estaria caracterizada pelo fato de que o Fisco pretende receber o imposto em valor maior do que o que seria devido caso os rendimentos fossem recebidos no tempo próprio, com multa, correção e juros. Quanto ao mérito, reitera, em síntese, as alegações e argumentos da impugnação quanto à natureza indenizatórias das verbas recebidas; sobre a quebra do princípio constitucional da isonomia, em face do tratamento recebido pelo membros do Poder Judiciário Federal; questiona procedimentos de cálculos quanto á alíquota aplicável, as base de cálculo e a inclusão indevida de rendimentos que seria de 13º salário e abono de férias. Por fim, reitera alegações contra a aplicação da multa e dos juros de mora, sob o argumento de que declarou rendimentos segundo orientações da fonte pagadora, tanto pelos comprovantes de rendimentos por esta fornecidos quanto pela Lei Estadual que definiu que a verba em questão teria natureza indenizatória. Em 10 de julho de 2012, a 1a Turma Ordinária da 2â Câmara da 2a Seção de Julgamento do CARF julgou a matéria no Acórdão n. 2201001.691 (fls. 235). Em 22 de outubro de 2012, um dos conselheiros da referida Turma opôs embargos (fls. 250 e ss) ao referido Acórdão diante inexatidão material devida a lapso manifesto: o voto condutor do acórdão considerou que no lançamento aplicouse a tabela do imposto de renda vigente nas épocas próprias a que se referem os rendimentos (regime de competência), quando, pela descrição dos fatos do Auto de Infração, a tabela do imposto de renda aplicada foi a vigente na data do pagamento (regime de caixa). Em 22 de janeiro de 2013, a 1a Turma Ordinária da 2â Câmara da 2a Seção de Julgamento do CARF julgou os embargos no Acórdão n. 2201001.922 (fls. 252), acolhendo os Embargos de Declaração para anular o Acórdão nº 2201001.691, e sobrestar o julgamento do recurso, conforme a Portaria CARF nº 1, de 2012. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Alexandre Evaristo Pinto O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Dele conheço. Da Questão da Tributação das Diferenças de Remuneração decorrentes da Conversão de Cruzeiro Real para URV Tal qual exposto no Acórdão da DRJ, vale citar que os rendimentos objeto do lançamento fiscal foram recebidos em decorrência da Lei Complementar do Estado da Bahia nº 20, de 08 de 2003, que em seu art. 2º dispõe sobre “diferenças de remuneração quando da Fl. 284DF CARF MF Processo nº 10580.721471/200971 Acórdão n.º 2301005.208 S2C3T1 Fl. 5 7 conversão de Cruzeiro Real para Unidade Real de Valor – URV”. A referida conversão era realizada mês a mês no período de abril de 1994 a 31 de agosto de 2001, e visava a manutenção do valor real do salário. Verificase, portanto, que as diferenças reconhecidas através da citada lei tinham, em sua origem, natureza eminentemente salarial, por se incorporarem à remuneração dos membros do Ministério Público Estadual. Tanto é assim, que as parcelas recebidas no devido tempo foram espontaneamente oferecidas à tributação pelo contribuinte, que reconhecia a ocorrência do fato gerador do tributo, nos termos do art. 43, inciso I, do CTN. Com relação ao art. 3º da Lei Complementar do Estado da Bahia nº 20, de 2003, que dispõe expressamente que as diferenças em questão são de natureza indenizatória, cabe lembrar que o imposto de renda é regido por legislação federal, portanto, tal dispositivo não tem qualquer efeito tributário. Além disso, devese observar que a incidência do imposto independe da denominação do rendimento, e que as indenizações não gozam de isenção indistintamente, mas tão somente as previstas em lei específica que conceda a isenção, conforme previsto no art. 150, § 6º, da Constituição Federal. O art. 55, inciso XIV, do RIR/99 dispõe claramente que tanto os juros moratórios, quanto quaisquer outras indenizações por atraso de pagamento, estão sujeitos à tributação, a menos que correspondam a rendimentos isentos ou não tributáveis. No tocante à alegação de que caberia o reconhecimento da isenção com base na Resolução do STF nº 245, de 2002, que reconheceu a isenção do abono vinculado a diferenças de URV conferido aos magistrados federais. Entretanto, tal resolução não pode ser estendida às verbas pagas a funcionários do Poder Judiciário que não sejam os juízes federais. No que diz respeito à responsabilidade da fonte pagadora pela retenção do IRRF, o Parecer Normativo SRF nº 1, de 24 de setembro de 2002, dispõe que tal responsabilidade extinguese na data fixada para a entrega da declaração de ajuste anual pessoa física, e que a falta de oferecimento dos rendimentos à tributação por parte desta última, a sujeita à exigência do imposto correspondente, acrescido de multa de ofício e juros de mora É certo que, por determinação constitucional, se o Estado da Bahia tivesse efetuado a retenção do IRRF, o valor arrecadado lhe pertenceria. Entretanto, tal retenção não alteraria a obrigação do contribuinte de oferecer a integralidade do rendimento bruto à tributação do imposto de renda na declaração de ajuste anual. A exigência em foco se refere ao imposto de renda incidente sobre rendimentos da pessoa física (IRPF) e não ao IRRF que deixou de ser retido indevidamente pelo Estado da Bahia. Portanto, tanto a exigência do tributo, quanto o julgamento do presente lançamento fiscal, é da competência exclusiva da União. Da Questão dos Rendimentos Recebidos Acumuladamente Com relação à questão sobre a potencial ilegalidade da tributação integral dos valores de rendimentos recebidos de forma acumulada quando do efetivo recebimento, cumpre destacar que no anocalendário de recebimento de rendimentos pelo recorrente, vigia o artigo 12 da Lei nº 7.713, de 1988, que possuía a seguinte redação: Art. 12. No caso de rendimentos recebidos acumuladamente, o imposto incidirá, no mês do recebimento ou crédito, sobre o total dos rendimentos, diminuídos do valor das despesas com ação Fl. 285DF CARF MF 8 judicial necessárias ao seu recebimento, inclusive de advogados, se tiverem sido pagas pelo contribuinte, sem indenização. Todavia, a Lei 12.350, de 2010 introduziu o art. 12A da Lei nº 7.713, de 1988, que definiu como regra, a tributação exclusiva na fonte para os rendimentos recebidos acumuladamente, quando decorrentes de rendimentos do trabalho, aposentadoria, pensão, reserva remunerada ou reforma, pagos pelas entidades públicas de previdência social: Art. 12A. Os rendimentos do trabalho e os provenientes de aposentadoria, pensão, transferência para a reserva remunerada ou reforma, pagos pela Previdência Social da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, quando correspondentes a anoscalendário anteriores ao do recebimento, serão tributados exclusivamente na fonte, no mês do recebimento ou crédito, em separado dos demais rendimentos recebidos no mês. (Incluído pela Lei 12.350, de 2010) Não há dúvida sobre a aplicação do art. 12A da Lei nº 7.713/88 para os exercícios posteriores a 2010, no entanto, poderia haver dúvida sobre a aplicação do referido artigo para os exercícios anteriores a 2010, tal qual o caso em tela em que os rendimentos foram recebidos em 2006. Ocorre que a questão da tributação dos rendimentos recebidos acumuladamente de períodos até o anocalendário 2009 foi recentemente objeto do Acórdão CSRF 9202003.695, julgado em 27/01/2016, o qual recebeu a seguinte ementa: IRPF. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. Consoante decidido pelo STF através da sistemática estabelecida pelo art. 543B do CPC no âmbito do RE 614.406/RS, o IRPF sobre os rendimentos recebidos acumuladamente deve ser calculado utilizandose as tabelas e alíquotas do imposto vigentes a cada mês de referência (regime de competência). Vale destacar que decidiu o STJ nos Recursos Especiais REsp 1.470.720 e REsp n1.118.429, ambos julgados sob rito do artigo 543C do CPC que o Imposto de Renda incidente sobre os benefícios pagos acumuladamente deve ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos: RESP 1.470.720 1. O valor do imposto de renda, apurado pelo regime de competência e em valores originais, deve ser corrigido, até a data da retenção na fonte sobre a totalidade de verba acumulada, pelo mesmo fator de atualização monetária dos valores recebidos acumuladamente (em ação trabalhista, como no caso, o FACDT fator de atualização e conversão dos débitos trabalhistas). A taxa SELIC, como índice único de correção monetária do indébito, incidirá somente após a data da retenção indevida. RESP 1.118.429 TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. AÇÃO REVISIONAL DE BENEFÍCIO PREVIDENCIÁRIO. PARCELAS ATRASADAS RECEBIDAS DE FORMA ACUMULADA. 1. O Imposto de Renda incidente sobre os benefícios pagos acumuladamente deve ser calculado de acordo com as tabelas e Fl. 286DF CARF MF Processo nº 10580.721471/200971 Acórdão n.º 2301005.208 S2C3T1 Fl. 6 9 alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, observando a renda auferida mês a mês pelo segurado. Não é legítima a cobrança de IR com parâmetro no montante global pago extemporaneamente. Precedentes do STJ. 2. Recurso Especial não provido. Acórdão sujeito ao regime do art. 543C do CPC e do art. 8º da Resolução STJ 8/2008. Por fim, considerando que o presente caso estava sobrestado até o julgamento do Recurso Extraordinário 614406RS, pelo Supremo Tribunal Federal, conforme Resolução nº 2802000.134, e o referido Recurso Extraordinário foi julgado, sob rito do artigo 543B do CPC, salientamos que a percepção cumulativa de valores há de ser considerada, para efeito de fixação de alíquotas, presentes, individualmente, os exercícios envolvidos, "in verbis": RE 614.406 IMPOSTO DE RENDA – PERCEPÇÃO CUMULATIVA DE VALORES – ALÍQUOTA. A percepção cumulativa de valores há de ser considerada, para efeito de fixação de alíquotas, presentes, individualmente, os exercícios envolvidos. Ademais, conforme o artigo 62, §2º do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09/06/2015, o entendimento do STF e STJ deverão ser reproduzidos por essa turma: Art. 62 (...) § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973 Código de Processo Civil (CPC), deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Dessa forma, voto no sentido de que o imposto sobre a renda incidente sobre rendimentos pagos acumuladamente seja calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, observando a renda auferida mês a mês pelo contribuinte. Da Aplicação da Multa Tal qual exposto no Acórdão da DRJ, no tocante à alegação de que não caberia a imposição de multa de ofício em razão do Recorrente ter agido de boafé, seguindo informação prestada pela fonte pagadora, cumpre observar que a aplicação desta multa no percentual de 75% independe da intenção do agente, conforme estabelecido no art. 136, do CTN. Não se trata da multa qualificada no percentual de 150%, que depende da ocorrência de evidente intuito de fraude, conforme previsto no art. 44, inciso II, da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Todavia, cumpre ressaltar que a Súmula CARF n. 73 dispõe de forma específica sobre o tema afastando a multa de ofício quando houver erro no preenchimento da declaração de ajuste do imposto de renda, nos seguintes termos: Súmula CARF nº 73: Erro no preenchimento da declaração de ajuste do imposto de renda, causado por informações erradas, Fl. 287DF CARF MF 10 prestadas pela fonte pagadora, não autoriza o lançamento de multa de ofício. Considerando que somente houve lançamento de multa de ofício, não tendo havido lançamento de multa de mora, não se aplica multa alguma no presente caso. Conclusão Com base no exposto, voto por conhecer do recurso voluntário e darlhe provimento parcial (i) reconhecendo que o imposto sobre a renda incidente sobre rendimentos pagos acumuladamente seja calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, observando a renda auferida mês a mês pelo contribuinte; e (ii) aplicando a Súmula CARF n. 73, que não autoriza o lançamento da multa de ofício, de modo que como somente houve lançamento de multa de ofício, não tendo havido lançamento de multa de mora, não se aplica multa alguma no presente caso. É como voto. (assinado digitalmente) Alexandre Evaristo Pinto Voto Vencedor Conselheiro João Bellini Junior Ouso divergir do respeitado conselheiro Alexandre Evaristo Pinto no tocante a não ser exigível, conjuntamente com o tributo e juros de mora, qualquer tipo de multa. Por primeiro, cumpre assinalar que não houve na impugnação qualquer alusão à aplicação da multa de mora. Assim, por força do art. 17 do Decreto nº 70.235, de 1972, esta matéria, não contestada, considerase não impugnada, e, por conseguinte, estranha ao presente processo administrativo fiscal: Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) Registro que às instâncias julgadoras não compete o lançamento de tributos ou a sua revisão de ofício, mas tão somente o julgamento de matérias controversas, no limite em que impugnadas (art. 14 do Decreto nº 70.235, de 1972). Não tendo sido impugnada, tal questão não foi tratada pelo acórdão recorrido; não há como, por decorrência, ser devolvida por meio de recurso voluntário a este CARF, que não possui competência originária para conhecer da matéria, uma vez que sua competência se restringe ao julgamento de recursos de ofício e voluntários de decisão de primeira instância, a teor do art. 1º do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 2015 (Ricarf): Art. 1º Compete aos órgãos julgadores do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) o julgamento de recursos de ofício e voluntários de decisão de 1ª (primeira) instância, bem como os recursos de natureza especial, que Fl. 288DF CARF MF Processo nº 10580.721471/200971 Acórdão n.º 2301005.208 S2C3T1 Fl. 7 11 versem sobre tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB). (Grifouse.) Ademais, mesmo que a matéria pudesse ser conhecida, entendo que, ao ser cancelada a multa de ofício, a multa de mora é exigível por expressa disposição legal (art. 61, caput¸da Lei 9.430, de 1996), independentemente de constar no lançamento, sendo devida pela mera falta de recolhimento nos prazo previsto em legislação: Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (Grifou se.) Diferentemente da multa de ofício, que possui expressa previsão de ser lançada (art. 44 da Lei 9.439, de 1996), não há previsão legal para constituição da multa de mora pelo lançamento; por decorrência lógica, também não há previsão para sua exclusão em sede de julgamento de lançamento, não existindo, portanto, competência deste CARF para dispor sobre sua exclusão ou cancelamento. Sobre esta questão, assumo, como razões de decidir, mutatis mutandis, o voto do conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos, relator do Acórdão 9202004.244, da 2ª Turma da CSRF, que passo a transcrever. II.2 Sobre a conversão da multa de ofício em multa de mora No tocante à matéria recorrida pela Procuradoria da Fazenda Nacional, substituição da multa de ofício lançada pela multa de mora, é necessário fazer referência à legislação que disciplina as multas. A multa de ofício está prevista no art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996, conforme a seguir reproduzido, na parte que importa ao deslinde da questão em discussão: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: ... Da leitura do texto acima, reparase que não há previsão de lançamento de ofício de multa de mora. Fl. 289DF CARF MF 12 Contudo, a multa de mora está prevista no art. 61 do mesmo diploma legal, conforme a seguir reproduzido, também na parte que importa ao deslinde da questão em discussão: Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. §1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. §2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. ... Da leitura do texto acima, reparase que a exigência de multa de mora não está condicionada a qualquer lançamento de ofício, sendo devida a multa de mora pela mera falta de recolhimento nos prazo previsto em legislação. Portanto, não há previsão nem necessidade de conversão de multa de ofício em multa de mora em sede de julgamento de recurso o âmbito do Processo Administrativo Fiscal, para exigência do valor devido. A multa de mora, por expressa determinação legal, é exigível de pleno direito, sempre que houver recolhimento de tributo após o vencimento. Na verdade, a decisão a quo decidiu sobre tema que no entender deste conselheiro não tinha competência para discutir, a multa de mora, que é exigida de pleno direito, não compondo o lançamento. Ora, se não há previsão legal para constituição da multa de mora em sede de lançamento, também não há previsão para sua exclusão em sede de julgamento de lançamento. Dessa forma, pela impossibilidade jurídica da conversão das multas em sede de julgamento do lançamento tributário, é de se de dar provimento em parte ao Recurso da Fazenda Nacional, para afastar a exclusão da multa de mora, determinada pelo colegiado recorrido, devendo essa multa ser exigida de pleno direito em sede de cobrança / execução do crédito tributário, pela autoridade competente. (Grifouse.) Em conclusão, voto, nessa questão, por cancelar a multa de ofício, nos termos da Súmula CARF 73, não conhecendo da questão da incidência da multa de mora, que deve ter a regular aplicação determinada pela legislação tributária. João Bellini Junior Fl. 290DF CARF MF Processo nº 10580.721471/200971 Acórdão n.º 2301005.208 S2C3T1 Fl. 8 13 Fl. 291DF CARF MF
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