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Numero do processo: 10909.002703/2009-49
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 27 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Nov 07 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 16/07/2004
LANÇAMENTO DE OFÍCIO PARA PREVENÇÃO DE DECADÊNCIA
O art. 63 da Lei 9.430/96 permite e determina o lançamento para prevenção de decadência, assim como a Súmula 48 do Carf.
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 16/07/2004
INCIDÊNCIA DE JUROS DE MORA NO LANÇAMENTO PARA PREVENÇÃO DE DECADÊNCIA. DEPÓSITO JUDICIAL PARCIAL. O depósito judicial suspende a exigibilidade do crédito até o valor por ele coberto, e afasta a imposição da multa de ofício e dos juros de mora sobre a parcela alcançada. A incidência de juros de mora sobre a parcela não depositada é cabível, nos termos da Súmula Carf nº 5.
Recurso Voluntário Conhecido em Parte, e Parcialmente Provido.
Numero da decisão: 3201-004.265
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer em parte do Recurso Voluntário, por concomitância de matéria na esfera judicial, e, na parte conhecida, em dar-lhe parcial provimento, para afastar a incidência de juros de mora sobre a parcela depositada judicialmente.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcelo Giovani Vieira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinícius Toledo de Andrade, Laércio Cruz Uliana Júnior.
Nome do relator: MARCELO GIOVANI VIEIRA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 16/07/2004 LANÇAMENTO DE OFÍCIO PARA PREVENÇÃO DE DECADÊNCIA O art. 63 da Lei 9.430/96 permite e determina o lançamento para prevenção de decadência, assim como a Súmula 48 do Carf. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 16/07/2004 INCIDÊNCIA DE JUROS DE MORA NO LANÇAMENTO PARA PREVENÇÃO DE DECADÊNCIA. DEPÓSITO JUDICIAL PARCIAL. O depósito judicial suspende a exigibilidade do crédito até o valor por ele coberto, e afasta a imposição da multa de ofício e dos juros de mora sobre a parcela alcançada. A incidência de juros de mora sobre a parcela não depositada é cabível, nos termos da Súmula Carf nº 5. Recurso Voluntário Conhecido em Parte, e Parcialmente Provido.
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ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 16/07/2004 INCIDÊNCIA DE JUROS DE MORA NO LANÇAMENTO PARA PREVENÇÃO DE DECADÊNCIA. DEPÓSITO JUDICIAL PARCIAL. O depósito judicial suspende a exigibilidade do crédito até o valor por ele coberto, e afasta a imposição da multa de ofício e dos juros de mora sobre a parcela alcançada. A incidência de juros de mora sobre a parcela não depositada é cabível, nos termos da Súmula Carf nº 5. Recurso Voluntário Conhecido em Parte, e Parcialmente Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer em parte do Recurso Voluntário, por concomitância de matéria na esfera judicial, e, na parte conhecida, em darlhe parcial provimento, para afastar a incidência de juros de mora sobre a parcela depositada judicialmente. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 90 9. 00 27 03 /2 00 9- 49 Fl. 272DF CARF MF 2 Marcelo Giovani Vieira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinícius Toledo de Andrade, Laércio Cruz Uliana Júnior. Relatório Reproduzo o relatório da primeira instância administrativa: O presente processo referese aos autos de infração de fls. 01/19, lavrados para a exigência das diferenças das contribuições PIS/Pasepimportação e Cofinsimportação, não recolhidas por ocasião do registro da DI n.º 04/06946587, tendo em vista a existência do mandado de segurança n.º 2004.72.08.0036510, com depósito judicial, e sentença no sentido da não exigência de tais contribuições por parte da autoridade fiscal sobre o valor aduaneiro com os acréscimos estabelecidos no art. 7.º da Lei n.º 10.865/04. Consta a informação nos autos de infração de que a exigência do crédito tributário encontrase suspensa. O total do crédito, que corresponde tributos e juros de mora, importa em R$200.000,93. Petição inicial judicial às fls. 29/66. Sentença que concedeu parcialmente a segurança às fls. 116/123. DI’s às fls. 20/25. Devidamente cientificada da autuação, a interessada apresentou a impugnação de fls. 139/159 alegando, em síntese: 1 O tema do processo mandamental encontrase sub judice, aguardando decisão pelo órgão máximo do Poder Judiciário, para dirimir a questão dos autos do MS. Observese que, como declarado por sentença e confirmado em sede de apelo, assim como, ante a ausência de efeitos suspensivos dos recursos excepcionais, não há o que se exigir da Impugnante de modo diverso do quanto decidido. Aliás, havendo depósito judicial, a exigibilidade dos tributos em questão encontrase suspensa, não havendo, vale repetir, o quê se exigir da Impugnante. 2 Expõe os argumentos levados a juízo trazendoos na impugnação e que implicam no êxito que decorre do Mandado de Segurança impetrado, restando reconhecidos pelo Judiciário vícios nas exigências do PIS/Pasepimportação e Cofins importação. A lavratura dos autos de infração consubstanciam desobediência à ordem judicial proferida que suspende a exigibilidade do crédito. Fl. 273DF CARF MF Processo nº 10909.002703/200949 Acórdão n.º 3201004.265 S3C2T1 Fl. 3 3 4 Ao final requer o cancelamento dos autos de infração indevidamente emitidos. A DRJ/Florianópolis/SC – 1ª Turma, por meio do Acórdão 0730.908, de 20/03/2013, decidiu pela improcedência da Impugnação. Transcrevo a ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 16/07/2004 CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. DEPÓSITO JUDICIAL. O Depósito judicial, ainda que seja uma medida suspensiva da exigibilidade do crédito tributário, não afasta a constituição do mesmo através de auto de infração ou lançamento, tendo em vista a prevenção da decadência. ESFERA JUDICIAL E ADMINISTRATIVA. CONCOMITÂNCIA. RENÚNCIA À ESFERA ADMINISTRATIVA. A propositura pelo contribuinte de ação judicial contra a Fazenda Nacional, com o mesmo objeto do auto de infração, configura renúncia às instâncias administrativas, cabendo à autoridade onde se encontra o processo de determinação e exigência do crédito tributário não conhecer da petição e declarar a definitividade da exigência na esfera administrativa. A empresa então apresentou o Recurso Voluntário, onde reforça os argumentos da Impugnação. Afirma a existência de depósitos judiciais. Em memorial apresentado após o Recurso Voluntário, noticia o julgamento do RE 565.886, em repercussão geral, tratando da base de cálculos das contribuições incidentes na importação, e pede seu cumprimento. É o relatório. Voto Conselheiro Marcelo Giovani Vieira, Relator O recurso é tempestivo. Delimitação do litígio A discussão da constitucionalidade da incidência de Pis e Cofins na importação, e sua base de cálculo, foi submetida ao Poder Judiciário, o que a recorrente não contesta. Nesse caso, o Carf não deve se pronunciar, aplicando a Súmula nº 1: Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação Fl. 274DF CARF MF 4 judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial A Receita Federal é que tratará de cumprir as determinações judiciais, sem que o Carf tenha qualquer papel de intermediador na relação Justiça/Receita Federal. Não obstante, resta ainda apreciar o cabimento de lançamento para prevenção de decadência, mesmo quando presentes condições de suspensão de exigibilidade, e a incidência de juros moratórios, mantida pela primeira instância de julgamento. Mérito Quanto ao cabimento do lançamento de ofício, na vigência de medida judicial suspensiva, tal matéria já se encontra sumulada no Carf: Súmula CARF nº 48: A suspensão da exigibilidade do crédito tributário por força de medida judicial não impede a lavratura de auto de infração. A incidência de juros de mora nessa circunstância também já foi sumulada: Súmula CARF nº 5: São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral. A súmulas do Carf são vinculantes para esse colegiado, por força do art. 72 do regimento interno. No presente caso, conforme se verifica às fls. 112/113 (guias de depósitos judiciais), os depósitos não foram no montante total exigido pelo Fisco (fl. 135). Sobre a parcela não depositada, incidem os juros de mora, conforme a Súmula Carf nº 5, já transcrita. Sobre a parcela depositada, não incidem os jurosm, porque em eventual conversão dos depósitos em renda da União, o valor será atualizado com juros. Vejase, para bem esclarecer, que, em extinguindose parcela de principal, por cumprimento de determinação judicial, tarefa que será efetivada pela Receita Federal, os juros também serão exonerados, acompanhando a exoneração do principal. Aqui se julga apenas a tese do cabimento da incidência de juros sobre o principal lançado para prevenção de decadência. Conclusão Pelo exposto, voto por conhecer somente das matérias relativas ao cabimento do lançamento de ofício para prevenção de decadência, e incidência de juros de mora no lançamento de ofício para prevenção de decadência, e da parte conhecida, dar parcial provimento para afastar a incidência de juros de mora sobre a parcela depositada judicialmente. (assinado digitalmente) Fl. 275DF CARF MF Processo nº 10909.002703/200949 Acórdão n.º 3201004.265 S3C2T1 Fl. 4 5 Marcelo Giovani Vieira Relator Fl. 276DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10855.002303/2005-82
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 06 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Dec 07 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2000
LANÇAMENTO. COMPETÊNCIA PRIVATIVA DA AUTORIDADE LANÇADORA. IMPOSSIBILIDADE DE MODIFICAÇÃO DOS CRITÉRIOS JURÍDICOS PELA DRJ.
O lançamento é de competência privativa da autoridade administrativa (art. 142 do CTN) e o órgão de julgamento não tem competência para alterá-lo mediante a utilização de novos critérios jurídicos.
IRPF. ISENÇÃO. DOENÇA GRAVE. PROVENTOS DE APOSENTADORIA, REFORMA OU PENSÃO.
Para fazer jus à isenção do IRPF, o contribuinte deve demonstrar, cumulativamente, que os proventos são oriundos de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão e que é portador de uma das moléstias graves arroladas no art. 39, inc. XXXIII, do Regulamento do Imposto de Renda, ou no inc. XIV do art. 6º da Lei 7713/88, de conformidade com laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios.
Numero da decisão: 2402-006.726
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Votou pelas conclusões o Conselheiro Maurício Nogueira Righetti.
(assinado digitalmente)
Denny Medeiros da Silveira - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
João Victor Ribeiro Aldinucci - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Denny Medeiros da Silveira, Mauricio Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, José Ricardo Moreira, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregorio Rechmann Junior.
Nome do relator: JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2000 LANÇAMENTO. COMPETÊNCIA PRIVATIVA DA AUTORIDADE LANÇADORA. IMPOSSIBILIDADE DE MODIFICAÇÃO DOS CRITÉRIOS JURÍDICOS PELA DRJ. O lançamento é de competência privativa da autoridade administrativa (art. 142 do CTN) e o órgão de julgamento não tem competência para alterá-lo mediante a utilização de novos critérios jurídicos. IRPF. ISENÇÃO. DOENÇA GRAVE. PROVENTOS DE APOSENTADORIA, REFORMA OU PENSÃO. Para fazer jus à isenção do IRPF, o contribuinte deve demonstrar, cumulativamente, que os proventos são oriundos de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão e que é portador de uma das moléstias graves arroladas no art. 39, inc. XXXIII, do Regulamento do Imposto de Renda, ou no inc. XIV do art. 6º da Lei 7713/88, de conformidade com laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios.
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MOLÉSTIA GRAVE. Recorrente GERALDO LAZARO DE BARROS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2000 LANÇAMENTO. COMPETÊNCIA PRIVATIVA DA AUTORIDADE LANÇADORA. IMPOSSIBILIDADE DE MODIFICAÇÃO DOS CRITÉRIOS JURÍDICOS PELA DRJ. O lançamento é de competência privativa da autoridade administrativa (art. 142 do CTN) e o órgão de julgamento não tem competência para alterálo mediante a utilização de novos critérios jurídicos. IRPF. ISENÇÃO. DOENÇA GRAVE. PROVENTOS DE APOSENTADORIA, REFORMA OU PENSÃO. Para fazer jus à isenção do IRPF, o contribuinte deve demonstrar, cumulativamente, que os proventos são oriundos de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão e que é portador de uma das moléstias graves arroladas no art. 39, inc. XXXIII, do Regulamento do Imposto de Renda, ou no inc. XIV do art. 6º da Lei 7713/88, de conformidade com laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Votou pelas conclusões o Conselheiro Maurício Nogueira Righetti. (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira Presidente em Exercício AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 5. 00 23 03 /2 00 5- 82 Fl. 99DF CARF MF Processo nº 10855.002303/200582 Acórdão n.º 2402006.726 S2C4T2 Fl. 100 2 (assinado digitalmente) João Victor Ribeiro Aldinucci Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Denny Medeiros da Silveira, Mauricio Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, José Ricardo Moreira, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregorio Rechmann Junior. Relatório O contribuinte foi autuado sob a acusação de ter declarado, indevidamente, rendimentos tributáveis como rendimentos isentos. No entender do agente autuante: Inconformado, o sujeito passivo apresentou impugnação tempestiva, na qual basicamente alegou que houve recolhimento de impostos e que ainda padece de doença grave. A DRJ julgou a impugnação procedente em parte, reconhecendo a existência da moléstia grave, mas entendendo que os rendimentos recebidos do BANESPA seriam provenientes de salário. O sujeito passivo foi intimado da decisão em 19/05/2009 e interpôs recurso voluntário em 18/06/2009, no qual basicamente alegou que os rendimentos do BANESPA seriam sim provenientes de aposentadoria, tendo anexado documentos ao recurso. Sem contrarrazões ou manifestação da Procuradoria. É o relatório. Voto Conselheiro João Victor Ribeiro Aldinucci Relator Fl. 100DF CARF MF Processo nº 10855.002303/200582 Acórdão n.º 2402006.726 S2C4T2 Fl. 101 3 1 Conhecimento O recurso voluntário é tempestivo, uma vez que interposto dentro do prazo legal de trinta dias, e estão presentes os demais requisitos de admissibilidade, devendo, portanto, ser conhecido. 2 Da moléstia grave Conforme relatado, a única controvérsia a ser dirimida neste colegiado é relativa à natureza dos rendimentos recebidos pelo contribuinte, da fonte pagadora BANESPA. É que a DRJ reconheceu a existência da moléstia grave e, portanto, não subsiste qualquer controvérsia nesse tocante. Vejase, nesse sentido, os seguintes trechos da fundamentação do voto condutor do acórdão (com destaques não presentes no original): Como se vê, o reconhecimento de que o contribuinte é portador de moléstia grave (neoplasia maligna) elencada no art. 6°, XIV, da Lei n° 7.713/1988 e alterações posteriores, está devidamente comprovado por meio dos documentos emitidos por serviço médico oficial (fls. 05 a 07), de conformidade com o disposto no art. 30 da Lei n° 9.250/1995 acima transcrito. Também restou comprovada a outra condição, qual seja a de que os rendimentos percebidos do Instituto Nacional do Seguro Social, CNPJ 29.979.036/000140, no anocalendário de 2000, no valor de R$13.970,04, com respectiva retenção na fonte de R$151,44 (fl. 42), são, de fato, relativos a rendimentos recebidos a título de proventos de aposentadoria, conforme documentos de fls. 39/40, que comprovam a concessão de aposentadoria, com data de início em 03.07.1989. Relativamente aos rendimentos recebidos do Banco do Estado de São Paulo SA, CNPJ 61.411.633/000187, no valor de R$45.536,64, com retenção do imposto na fonte de R$7.291,33, no anocalendário de 2.000, verificase do exame do Comprovante de Rendimentos Pagos ou Creditados e de Retenção na Fonte (fl. 48), que ditos recebimentos têm natureza de rendimento assalariado. Ocorre que o Auto de Infração não questionou, em nenhum momento, a natureza dos rendimentos recebidos e declarados pelo recorrente. O que se discutiu no lançamento foi a existência da moléstia grave, como já demonstrado no relatório desta decisão e como se vê no Auto de fls. 30/33 do PDF. A DRJ, por vias diretas, introduziu um novo fundamento na autuação, o que é defeso pelo ordenamento jurídico brasileiro. E mais, esse novo fundamento sequer ocorreu em função da defesa apresentada pelo contribuinte, tratandose, evidentemente, de inovação que não pode ser admitida. O lançamento é de competência privativa da autoridade administrativa (art. 142 do CTN) e o órgão de julgamento não tem competência para alterálo mediante a utilização de novos critérios jurídicos. E mesmo a eventual modificação introduzida, de ofício ou em conseqüência de decisão administrativa ou judicial, nos critérios jurídicos adotados pela Fl. 101DF CARF MF Processo nº 10855.002303/200582 Acórdão n.º 2402006.726 S2C4T2 Fl. 102 4 autoridade administrativa no exercício do lançamento, somente poderia ser efetivada, em relação ao contribuinte, quanto a fato gerador ocorrido posteriormente à sua introdução, na dicção do art. 146 do CTN. Há uma clara dissonância entre a fundamentação do Auto de Infração e a fundamentação do acórdão de impugnação. Enquanto que a autoridade lançadora havia questionado a existência da moléstia grave (como único fundamento para autuar), a DRJ reconheceu a existência da doença, mas questionou a natureza de parte dos rendimentos percebidos pelo sujeito passivo. Como a fiscalização sequer havia questionado a natureza dos rendimentos, a defesa centrou sua análise apenas na existência da moléstia, de forma que o acórdão de impugnação introduziu um novo fundamento, o que implica inovação a ser afastada por este Conselho, para dar provimento ao recurso voluntário, na medida em que a única acusação fiscal foi afastada pela DRJ. De toda forma, cabe acrescentar que os comprovantes de fls. 85 e seguintes, do BANESPA, demonstram que o recorrente recebeu os pagamentos na condição de aposentado e que não houve créditos de natureza salarial no anocalendário sob julgamento, mas sim proventos denominados "abonoaposentadoria", ainda que na DIRF a fonte pagadora tenha declarado os rendimentos como provenientes de salários (fl. 49). A CTPS do recorrente ainda demonstra que ele fora desligado do banco em 1989 e a carta de fl. 80 do PDF dá conta de que ele entrara "em gozo de aposentadoria", para receber, "a contar da data do seu desligamento", "o 'AbonoAposentadoria'". Logo, o recurso voluntário deve ser provido. 3 Conclusão Diante do exposto, votase no sentido de conhecer e dar provimento ao recurso voluntário, para cancelar o Auto de Infração. (assinado digitalmente) João Victor Ribeiro Aldinucci Fl. 102DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11040.900539/2008-76
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 16 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Nov 19 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/02/2001 a 28/02/2001
DÉBITOS QUITADOS POR DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. UTILIZAÇÃO DOS BENEFÍCIOS DA DENÚNCIA ESPONTÂNEA. IMPOSSIBILIDADE.
No caso de pagamento a destempo, mas anterior ao início de qualquer procedimento administrativo ou de fiscalização relacionado com a infração, é possível beneficiar-se da denúncia espontânea se efetuado o pagamento integral do tributo devido e dos juros de mora, nos termos do art. 138 do CTN.
A quitação do débito por compensação e pagamento não atende às condições previstas para fins de aplicação da denúncia espontânea.
Numero da decisão: 3002-000.369
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencidos os conselheiros Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (relatora) e Alan Tavora Nem, que lhe deram provimento. Designado para redigir o voto vencedor a conselheira Larissa Nunes Girard.
(assinado digitalmente)
Larissa Nunes Girard Presidente e Redatora Designada
(assinado digitalmente)
Maria Eduarda Alencar Câmara Simões Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Carlos Alberto da Silva Esteves, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões e Alan Tavora Nem.
Nome do relator: MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/02/2001 a 28/02/2001 DÉBITOS QUITADOS POR DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. UTILIZAÇÃO DOS BENEFÍCIOS DA DENÚNCIA ESPONTÂNEA. IMPOSSIBILIDADE. No caso de pagamento a destempo, mas anterior ao início de qualquer procedimento administrativo ou de fiscalização relacionado com a infração, é possível beneficiarse da denúncia espontânea se efetuado o pagamento integral do tributo devido e dos juros de mora, nos termos do art. 138 do CTN. A quitação do débito por compensação e pagamento não atende às condições previstas para fins de aplicação da denúncia espontânea. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencidos os conselheiros Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (relatora) e Alan Tavora Nem, que lhe deram provimento. Designado para redigir o voto vencedor a conselheira Larissa Nunes Girard. (assinado digitalmente) Larissa Nunes Girard – Presidente e Redatora Designada (assinado digitalmente) Maria Eduarda Alencar Câmara Simões – Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Carlos Alberto da Silva Esteves, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões e Alan Tavora Nem. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 04 0. 90 05 39 /2 00 8- 76 Fl. 137DF CARF MF Processo nº 11040.900539/200876 Acórdão n.º 3002000.369 S3C0T2 Fl. 138 2 Relatório Por bem relatar os fatos, adoto o relatório da decisão da DRJ, à fl. 96 dos autos: Trata o presente processo de manifestação de inconformidade contra Despacho Decisório emitido eletronicamente pela DRFB Pelotas relativo à Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins, em exame de Declaração de Compensação enviada pela empresa, na qual não foi homologado o encontro de contas por ausência/insuficiência de créditos oponíveis contra o Fisco. Na manifestação de inconformidade tempestivamente apresentada, alega a interessada que efetuou o recolhimento em atraso de valor devido a título de Cofins com acréscimo de multa moratória, antes de qualquer notificação por parte do Fisco. Entende que a multa não seria devida, uma vez que o pagamento equivaleria a uma denúncia espontânea. Pleiteia que seja reconhecido o efeito suspensivo ao crédito tributário declarado na DCOMP apresentada, tendo em vista a apresentação da presente manifestação de inconformidade. Por meio da sua manifestação de inconformidade (fl. 21 e seguintes), o contribuinte alegou ter pago R$ 4.000,60 em razão dos débitos tributários constituídos, e que, deste valor, a quantia de R$ 649,34 correspondia à multa de mora. Afirmou ser indevida a multa, visto que o pagamento fora realizado por meio de denúncia espontânea. Por isso, apresentou pedido de compensação do valor da multa, que teria sido pago indevidamente. Juntou os seguintes documentos: (i) recibo de entrega da DCTF (fl. 51); (ii) despacho decisório (fl. 53); (iii) PERDCOMP (fls. 55/65); (iv) DARF (fl. 67); iii) documentos de constituição da empresa (fls. 69/83). Ao analisar o caso, a DRJ entendeu, à unanimidade de votos, por julgar improcedente a manifestação de inconformidade, conforme decisão que restou assim ementada: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/02/2001 a 28/02/2001 Ementa: DENÚNCIA ESPONTÂNEA DÉBITOS DECLARADOS EM DCTF PAGAMENTO A DESTEMPO IMPROCEDËNCIA Pacífico o entendimento tanto no âmbito do Poder Judiciário como na esfera administrativa de que não constitui denúncia espontânea o pagamento de valores declarados em DCTF, sendo devida multa de mora pelo pagamento em atraso. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE TEMPESTIVA SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DOS DÉBITOS DECLARADOS EM DCOMP A apresentação tempestiva de manifestação de inconformidade contra a não homologação de Fl. 138DF CARF MF Processo nº 11040.900539/200876 Acórdão n.º 3002000.369 S3C0T2 Fl. 139 3 compensação suspende a exigibilidade dos débitos declarados na DCOMP. Solicitação indeferida. Em seus fundamentos, o acórdão (fls. 95/97) consignou que valores declarados em DCTF e recolhidos em atraso não configuram denúncia espontânea, pois tais débitos já eram de conhecimento do Fisco. Assim, entendeu inexistir direito creditório passível de compensação. O acórdão consignou, ainda, que a apresentação de manifestação de inconformidade suspende o crédito tributário, e que a DCOMP constitui confissão de dívida, dispensando a lavratura de auto de infração. O contribuinte foi intimado acerca desta decisão em 16/09/08 (vide AR à fl. 103 dos autos, no qual, embora tenha sido aposta como data da ciência o dia 16/09/06, verifica se que houve claro erro, visto que a correspondência fora enviada no ano de 2008). E, insatisfeito com o seu teor, interpôs, em 07/10/08, Recurso Voluntário (fl. 105 e seguintes). Em seu recurso, o contribuinte se insurgiu contra o acórdão, alegando que o entendimento nele consignado estaria em dissonância o entendimento deste Conselho sobre o assunto. Afirmou que a inclusão do valor da multa ofendeu o artigo 138 do CTN. Arguiu não ter realizado o pagamento de modo parcelado, mas ter quitado integralmente seu valor, impossibilitando aplicação de multa sancionatória, a qual não poderia incidir nos casos de denúncia espontânea. Por fim, pediu a reforma da decisão para que seja declarada indevida a multa paga e, consequentemente, deferida a compensação pretendida. Os autos, então, vieramse conclusos para fins de análise do Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte. É o relatório. Voto Vencido Conselheira Maria Eduarda Alencar Câmara Simões – Relatora O Recurso Voluntário é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Como se denota do exposto acima, a controvérsia posta na presente demanda gira em torno da configuração ou não da denúncia espontânea no caso vertente. Em sua manifestação de inconformidade, defendeu o contribuinte que "o fato da interessada ter efetuado o pagamento livremente, independentemente de qualquer notificação fiscal, equivale à denúncia espontânea, e, como tal, não cabe a incidência de multa". Ao analisar o caso, a DRJ entendeu que não assistia razão ao contribuinte, com fulcro no seguinte fundamento: "Pacífico é o entendimento, tanto no contencioso administrativo como no Poder Judiciário, de que valores declarados em DCTF e recolhidos em atraso não configuram denúncia espontânea, uma vez que tais débitos já eram de conhecimento Fl. 139DF CARF MF Processo nº 11040.900539/200876 Acórdão n.º 3002000.369 S3C0T2 Fl. 140 4 do Fisco". Verificase, contudo, que apesar de ter afirmado que a denúncia espontânea não poderia ser considerada nos casos de recolhimentos em atraso, não trouxe em sua decisão qualquer elemento fático que levasse à compreensão de que esta era a hipótese dos autos. Em seu Recurso Voluntário, então, o contribuinte volta a defender a configuração da denúncia espontânea no seu caso concreto. Feitas essas considerações iniciais, passo à análise do caso. Como é cediço, acerca da denúncia espontânea, o art. 138 do Código Tributário Nacional expressamente dispõe: Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração. Da análise de dito dispositivo legal extraise que há duas condições para que a denúncia espontânea seja reconhecida: (i) que esta seja acompanhada do pagamento do tributo; (ii) que ela se dê antes do início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização relacionados com a infração. Sobre o assunto, assim se manifestou o Superior Tribunal de Justiça, em decisão submetida ao regime do art. 543C do Código de Processo Civil, de observância obrigatória por parte deste Conselho por força do disposto no art. 62, §2º, do Anexo II, do RICARF: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IRPJ E CSLL. TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECLARAÇÃO PARCIAL DE DÉBITO TRIBUTÁRIO ACOMPANHADO DO PAGAMENTO INTEGRAL. POSTERIOR RETIFICAÇÃO DA DIFERENÇA A MAIOR COM A RESPECTIVA QUITAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. EXCLUSÃO DA MULTA MORATÓRIA. CABIMENTO. 1. A denúncia espontânea resta configurada na hipótese em que o contribuinte, após efetuar a declaração parcial do débito tributário (sujeito a lançamento por homologação) acompanhado do respectivo pagamento integral, retificaa (antes de qualquer procedimento da Administração Tributária), noticiando a existência de diferença a maior, cuja quitação se dá concomitantemente. Fl. 140DF CARF MF Processo nº 11040.900539/200876 Acórdão n.º 3002000.369 S3C0T2 Fl. 141 5 2. Deveras, a denúncia espontânea não resta caracterizada, com a consequente exclusão da multa moratória, nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação declarados pelo contribuinte e recolhidos fora do prazo de vencimento, à vista ou parceladamente, ainda que anteriormente a qualquer procedimento do Fisco (Súmula 360/STJ) (Precedentes da Primeira Seção submetidos ao rito do artigo 543C, do CPC: REsp 886.462/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.10.2008, DJe 28.10.2008; e REsp 962.379/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.10.2008, DJe 28.10.2008). 3. É que "a declaração do contribuinte elide a necessidade da constituição formal do crédito, podendo este ser imediatamente inscrito em dívida ativa, tornandose exigível, independentemente de qualquer procedimento administrativo ou de notificação ao contribuinte" (REsp 850.423/SP, Rel. Ministro Castro Meira, Primeira Seção, julgado em 28.11.2007, DJ 07.02.2008). 4. Destarte, quando o contribuinte procede à retificação do valor declarado a menor (integralmente recolhido), elide a necessidade de o Fisco constituir o crédito tributário atinente à parte não declarada (e quitada à época da retificação), razão pela qual aplicável o benefício previsto no artigo 138, do CTN. 5. In casu, consoante consta da decisão que admitiu o recurso especial na origem (fls. 127/138): "No caso dos autos, a impetrante em 1996 apurou diferenças de recolhimento do Imposto de Renda Pessoa Jurídica e Contribuição Social sobre o Lucro, anobase 1995 e prontamente recolheu esse montante devido, sendo que agora, pretende ver reconhecida a denúncia espontânea em razão do recolhimento do tributo em atraso, antes da ocorrência de qualquer procedimento fiscalizatório. Assim, não houve a declaração prévia e pagamento em atraso, mas uma verdadeira confissão de dívida e pagamento integral, de forma que resta configurada a denúncia espontânea, nos termos do disposto no artigo 138, do Código Tributário Nacional." 6. Consequentemente, merece reforma o acórdão regional, tendo em vista a configuração da denúncia espontânea na hipótese sub examine. 7. Outrossim, forçoso consignar que a sanção premial contida no instituto da denúncia espontânea exclui as penalidades pecuniárias, ou seja, as multas de caráter eminentemente punitivo, nas quais se incluem as multas moratórias, decorrentes da impontualidade do contribuinte. 8. Recurso especial provido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (REsp 1149022/SP, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 09/06/2010, DJe 24/06/2010) (Grifos apostos). Fl. 141DF CARF MF Processo nº 11040.900539/200876 Acórdão n.º 3002000.369 S3C0T2 Fl. 142 6 Ou seja, para que se possa verificar a configuração ou não da denúncia espontânea no caso concreto sob análise, apresentase imprescindível saber a data em que a DCTF foi transmitida pelo contribuinte e a data em que o pagamento foi efetuado. Caso o pagamento tenha se dado anteriormente ao início de qualquer procedimento fiscal e ao envio da DCTF, ou concomitante a esta, resta configurada a denúncia espontânea. De outro norte, caso o pagamento tenha sido realizado após o envio da DCTF ou do início de qualquer procedimento de fiscalização, não há que se falar em denúncia espontânea. Nesse sentido, tem se pronunciado este Conselho, a exemplo da decisão a seguir colacionada: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 2004 TRIBUTO RECOLHIDO FORA DO PRAZO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA MORATÓRIA. O instituto da denúncia espontânea, previsto no artigo 138 do Código Tributário Nacional, exclui a responsabilidade pela infração e impede a exigência de multa de mora. Para tanto, nos termos do REsp nº 1.149.022 (STJ), de observância obrigatória pelo CARF conforme o art. 62, §2º, do Anexo II ao seu RICARF, é necessário que o tributo devido seja pago, com os respectivos juros de mora, antes do início do procedimento fiscal e em momento anterior à entrega de DCTF, de GIA, de GFIP, entre outros. (Acórdão nº 1201002.230, de 11/06/2018). No caso dos presentes autos, verificase que o crédito alegado pelo contribuinte decorre do pagamento de multa que entende indevida, realizado em 15/05/2001 (vide DARF à fl. 67 dos autos), o qual indicava expressamente como valor do principal o importe de R$ 3.279,44, conforme declarado em DCTF (vide fl. 91 dos autos), e como valor da multa o montante de R$ 649,34. Verificase, ainda, que a DCTF fora transmitida neste mesmo dia 15/05/2001 (vide recibo de entrega à fl. 51 dos autos). Ou seja, embora o recolhimento tenha sido realizado com atraso em relação à data do seu vencimento originário (período de apuração de 28/02/2001, vencimento em 15/03/2001 e pagamento realizado em 14/05/2001), foi efetuado na mesma data em que o contribuinte, espontaneamente, declarou o valor como devido em DCTF. Nesse contexto, temse que o pagamento foi realizado concomitantemente à entrega da DCTF. Configurada, portanto, a denúncia espontânea, nos moldes do RESP 1149022/SP. A DRJ, em que pese ter adotado em sua decisão fundamento no sentido de que "valores declarados em DCTF e recolhidos em atraso não configuram denúncia espontânea", não esclareceu porque estava considerando que o recolhimento realizado in casu teria sido realizado em atraso, não tendo mencionado as datas consideradas na sua análise. De outro norte, verificase que o fundamento apresentado no sentido de que a denúncia espontânea não estaria configurada "uma vez que tais débitos já eram de conhecimento do Fisco" não se coaduna com o caso concreto aqui analisado, em que o pagamento se deu na mesma data da transmissão da declaração. Da mesma forma, a decisão Fl. 142DF CARF MF Processo nº 11040.900539/200876 Acórdão n.º 3002000.369 S3C0T2 Fl. 143 7 colacionada no julgado (AgRg no EREsp 804785/PR) tampouco se aplica ao presente caso, visto que trata de caso em que a DCTF havia sido transmitida previamente ao pagamento. Por fim, não é demais destacar que, ainda que parte do débito da competência em questão tenha sido quitada por meio de compensação, tal fato não afasta a configuração da denúncia espontânea. Sobre este tema, a Câmara Superior de Recursos Fiscais da 1ª Seção de Julgamento, em recente decisão proferida em 07/08/2018 no Acórdão nº 9101003.689, assim se manifestou: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 2006 COMPENSAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. COMPENSAÇÃO. A regular compensação realizada pelo contribuinte é meio hábil para a caracterização de denúncia espontânea, nos termos do art. 138 do CTN, cuja eficácia normativa não se restringe ao adimplemento em dinheiro do débito tributário. Nesse contexto, entendo que a decisão recorrida deverá ser reformada, para fins de se reconhecer o direito creditório pleiteado pelo contribuinte, face à configuração da denúncia espontânea. Da conclusão Diante do acima exposto, voto no sentido de dar provimento ao Recurso Voluntário do contribuinte, para fins reconhecer o direito creditório relacionado ao pagamento indevido da multa no importe de R$ 649,34 (DARF de fl. 67 dos autos), determinandose que seja homologada a compensação apresentada até o limite do direito creditório reconhecido. É como voto. (assinado digitalmente) Maria Eduarda Alencar Câmara Simões Voto Vencedor Conselheira Larissa Nunes Girard – Redatora Designada Com a devida vênia, divirjo da conselheira relatora em relação à possibilidade de aplicação da denúncia espontânea no caso presente. Ao contrário do que se afirma, por meio da DCTF juntada aos autos pela DRJ para fundamentar sua decisão denegatória (fl. 91), vemos que o Darf pago em atraso abrangia apenas uma parte dos débitos de Cofins do mês em questão. Consta da Declaração que, no período de apuração de fevereiro/2001, foi apurado débito de Cofins no total de R$ 12.648,00, quitados R$ 3.279,44 por meio de pagamento com Darf e R$ 9.368,56 por meio de compensação. Fl. 143DF CARF MF Processo nº 11040.900539/200876 Acórdão n.º 3002000.369 S3C0T2 Fl. 144 8 Dessa forma, temos que parte da quitação dos débitos se deu por meio de compensação, o que não configura o atendimento às condições previstas no art. 138 do Código Tributário Nacional (CTN) para a aplicação da denúncia espontânea. Se não, vejamos: Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração. (grifado) Há de se ter em mente que o CTN foi preciso ao elencar quais modalidades de extinção do crédito tributário, dentre as diversas previstas em seu art. 156, estão aptas a serem consideradas para fins de aplicação do instituto da denúncia espontânea: pagamento ou depósito administrativo. Somente. De fato, para ser mais precisa, o mero depósito não extingue o crédito, mas sim a sua conversão em renda, donde é possível concluir que apenas as situações em que o montante em dinheiro está disponível para a Administração Tributária foram consideradas como suficientes para a aplicação do Instituto. Corroborando esse entendimento, observese que nem a consignação judicial do pagamento, situação em que a Fazenda não detém a tutela do depósito, consta do artigo que trata da denúncia espontânea, devendo ser consideradas como modalidades igualmente inaptas a compensação, a remissão, etc. Cabe frisar que não estamos diante de lacuna legal que nos permita nos socorrermos da analogia ou de interpretação extensiva, motivo pelo qual considero que não se encontra na competência de um julgador incluir outras formas de extinção para além daquelas que a lei instituiu. Assim, entendo que ao procedimento saneador adotado pelo contribuinte não cabe a aplicação de denúncia espontânea, pois ele se utilizou de compensação e de pagamento. A jurisprudência que vincula este Colegiado, transcrita no voto vencido, estabelece claramente que é necessário o pagamento integral. Uma vez que a compensação de parte dos débitos se deu em atraso e os valores já estavam declarados em DCTF, está correto o acréscimo da multa de mora, não podendo esse valor ser utilizado como crédito para outras compensações. De se ressaltar que o entendimento que se adota tem prevalecido nos julgamentos da 3ª Seção da Câmara Superior de Recursos Fiscais, a ver os seguintes decisos: Acórdão nº 9303006.011 conselheiro Rodrigo Possas ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/03/2007 a 31032/2007 MULTA DE MORA. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO APRESENTADA EM ATRASO, MAS ANTES DO INÍCIO DO PROCEDIMENTO FISCAL. CABIMENTO, POIS AFASTADA Fl. 144DF CARF MF Processo nº 11040.900539/200876 Acórdão n.º 3002000.369 S3C0T2 Fl. 145 9 SOMENTE EM CASO DE PAGAMENTO DE VALOR NÃO PREVIAMENTE CONFESSADO. A compensação é forma distinta da extinção do crédito tributário pelo pagamento, cuja não homologação somente pode atingir a parcela que deixou de ser paga (art. 150, § 6º, do CTN), enquanto, na primeira, a extinção se dá sob condição resolutória de homologação do valor compensado. Como o instituto da denúncia espontânea do art. 138 do CTN e a jurisprudência vinculante do STJ demandam o pagamento, stricto sensu – ainda anterior ou concomitantemente à confissão da dívida (condição imposta somente por força de decisão judicial) , cabe a cobrança da multa de mora sobre o valor compensado em atraso. (grifado) Acórdão nº 9303006.010 conselheiro Demes Brito ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/10/2002 a 31/12/2002 COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. BENEFÍCIOS DA DENÚNCIA ESPONTÂNEA. IMPOSSIBILIDADE. Por se tratar de matéria sumulada (Súmula nº 208/TRF), no presente caso, a Contribuinte deveria ter recolhido em pecúnia os valores guerreados, nos termos do artigo 138 do Código Tributário Nacional, a jurisprudência do STJ está pacificada no sentido de que os valores devem ser recolhidos integralmente, caso contrário, será exigido o valor integral do crédito tributário acrescido de juros e multas punitivas. Precedentes STJ. (grifado) Pelos motivos expostos, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Larissa Nunes Girard Fl. 145DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10680.910622/2015-84
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 27 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Dec 21 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 25/07/2011
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. PRECLUSÃO.
Argumento trazido em sede de recurso voluntário não foi colocado ao tempo da manifestação de inconformidade, precluindo o direto fazê-lo em outro momento processual, nos termos do art. 17 do Decreto 70.235/72.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3301-005.287
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10680.904943/2015-40, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Cândido Brandão Júnior, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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PRECLUSÃO. Argumento trazido em sede de recurso voluntário não foi colocado ao tempo da manifestação de inconformidade, precluindo o direto fazêlo em outro momento processual, nos termos do art. 17 do Decreto 70.235/72. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 10680.904943/201540, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Cândido Brandão Júnior, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 91 06 22 /2 01 5- 84 Fl. 83DF CARF MF Processo nº 10680.910622/201584 Acórdão n.º 3301005.287 S3C3T1 Fl. 3 2 Relatório Trata o presente processo administrativo pedido de restituição formalizado por meio de PER/DCOMP para obter reconhecimento de direito creditório do tributo por suposto pagamento a maior ou indevido. Em análise ao referido documento, a autoridade tributária proferiu Despacho Decisório Eletrônico, formalizado no sentido do indeferimento da restituição pretendida pela interessada, explicando que o pagamento indicado já estava integralmente alocado, não restando, assim, crédito disponível para restituição e eventuais compensações vinculadas à esse crédito. Inconformado, o interessado apresentou manifestação de inconformidade tempestiva esclarecendo que durante procedimento de auditoria interna, realizada nas apurações dos tributos da companhia, foram identificados pagamentos a maior em determinados períodos e a menor em outros. Para regularizar a situação fiscal perante a Receita Federal do Brasil, providenciou a quitação dos débitos pagos a menor e solicitou a restituição dos pagamentos a maior, retificando as DCTF para informar os novos valores. Entende que a Per/Dcomp está em conformidade com o art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996 e com a Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 2012, restando demonstrada a insubsistência e improcedência do despacho decisório. A DRJ julgou a manifestação de inconformidade improcedente, nos termos do Acórdão nº 06058.427. Inconformada com decisão de primeira instância, a contribuinte apresentou recurso voluntário, em síntese, trazendo argumento novo, de que o pagamento indevido seria da conta de Sociedades em Conta de Participação da qual é sócia ostensiva. É o relatório. Fl. 84DF CARF MF Processo nº 10680.910622/201584 Acórdão n.º 3301005.287 S3C3T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3301005.223, de 27 de setembro de 2018, proferido no julgamento do processo 10680.904943/201540, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3301005.223): "O recurso voluntário apresentado é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade1. A acórdão recorrido desce a detalhes do ocorrido: Segundo a versão apresentada pela defesa, o crédito apontado (R$ 275,20) decorreu da revisão da base de cálculo da COFINS de 31/03/2010, conforme informado na DCTF retificadora apresentada em 06/11/2014. Constatouse que o despacho decisório foi emitido levando em conta as informações contidas na DCTF retificadora, transmitida em 06/11/2014, a qual, como se vê, tratase da DCTF retificadora que a contribuinte alega conter as informações corretas correspondente ao débito do período. Nessa DCTF, o débito de COFINS confessado do período de apuração de 31/03/2010 é de R$ 1.134.352,27 – que foi quitado por meio de vários pagamentos (DARF) que totalizam R$ 871.733,98 e compensações no valor de R$ 696,80 – restando, saldo a pagar de R$ 261.921,49 – conforme a tela extraída do sistema de controle de declarações: 1 Ressaltese ser desnecessário responder todos as questões levantadas pelas partes, em já havendo motivo suficiente para decidir (Lei n° 13.105/15, art. 489, § 1o , IV. STJ, 1ª Seção, EDcl no MS 21.315DF, julgado de 8/6/2016, rel. Min. Diva Malerbi). Fl. 85DF CARF MF Processo nº 10680.910622/201584 Acórdão n.º 3301005.287 S3C3T1 Fl. 5 4 Essas mesmas informações constam da DCTF que está ativa no sistema de controle de declarações, transmitida em 08/01/2015. No sistema de controle de arrecadação, verificouse que os pagamentos apontados na DCTF retificadora – no valor total de R$ 871.733,98 – foram validados e vinculados ao débito de Cofins do período (código 2172). No entanto, tendo em vista que os pagamentos validados foram insuficientes para a extinção do débito e verificada a existência de outros pagamentos para o mesmo período de apuração, dentre os quais o pagamento pleiteado no PER em tela, o sistema informatizado alocou esses pagamentos para amortizar parte do saldo devedor confessado na DCTF, como se vislumbra nas telas copiadas a seguir: Fl. 86DF CARF MF Processo nº 10680.910622/201584 Acórdão n.º 3301005.287 S3C3T1 Fl. 6 5 Desse modo, o pagamento por meio do DARF discriminado no PER – de R$ 275,20 – foi integralmente utilizado para quitar o débito de COFINS de 31/03/2010, em face das informações prestadas pela própria contribuinte na DCTF retificadora apresentada à Receita Federal, não restando crédito para a restituição pretendida: [...] Destaca ainda a decisão de piso que "desde a constituição da DCTF pela Instrução Normativa SRF nº 126, de 30/10/1998, e suas alterações posteriores, e de acordo com o disposto no DecretoLei nº 2.124, de 13/06/1984", tal declaração constituise em confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência do crédito tributário. A recorrente, alega que o pagamento indevido de R$275,20, seria provenientes e originário "de SCP’s (Sociedades em Conta de Participação), das quais" [...] "é sócia ostensiva". E acrescenta: O débito montante de R$ 1134352,27, declarado em DCTF, alberga valores devidos de Cofins de várias SCP’s que tem a Recorrente como sócia ostensiva e outras empresas como sócias participantes. A título de lembrete sabese que os sócios ostensivos de SCP’s são aquelas pessoas jurídicas que se obrigam perante terceiros, enquanto que os sócios participantes (antigos sócios ocultos), não têm essa obrigação. Em vista dessa situação, a Recorrente é responsável pelas obrigações acessórias tributárias, dentre elas, a apresentação de DCTF com os competentes recolhimentos tributários. Fl. 87DF CARF MF Processo nº 10680.910622/201584 Acórdão n.º 3301005.287 S3C3T1 Fl. 7 6 No caso em questão, o valor recolhido, R$ 275,2 é proveniente da atividade da SCP, "Laguna Beach" contrato anexo, Doc. 1, que recolheu este valor. Contudo, como já informado, tinha como valor devido a quantia de R$ 0 Ao manter a decisão que indeferiu o crédito pleiteado, a Receita Federal acaba violando a individualidade de outra pessoa jurídica, uma vez que o crédito solicitado diz respeito a uma sociedade em conta de participação específica que tem a Recorrente como sócia ostensiva. O quadro abaixo, demonstra muito bem a composição deste crédito. Tanto que o código do imposto é o 217208, cujo dígito identifica ser o crédito decorrente de sociedade em conta de participação. Portanto, no caso da decisão ser mantida, permanecerseá uma verdadeira invasão no patrimônio da SCP Laguna Beach, visto o desrespeito à sua individualidade e atividade empresarial, pois está sendo punida por conta de débitos tributários que não são dela. “Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica – IRPJ Anocalendário: 2008 SOCIEDADES EM CONTA DE PARTICIPAÇÃO. SUJEIÇÃO TRIBUTÁRIA. Na apuração dos resultados da sociedade em conta de participação serão observadas as normas aplicáveis às demais pessoas jurídicas. Tendo em vista que a sociedade em conta de participação não se confunde com o sócio ostensivo, os resultados daquela não podem ser tributados diretamente neste mas apenas distribuídos na proporção da participação.” (CARF, Recurso Voluntário Recurso de Ofício, PTA 15504.724276/201314, Acórdão 1402 002.208. Relator Dr. Leonardo de Andrade Couto , DJ 27.06.2016) (destacouse) Diante do exposto, não há que se falar na aplicação da IN SRF 126/98, pois o saldo a pagar da Recorrente não pode prejudicar uma SCP em que ela é a sócia ostensiva e que, por isso, é obrigada ao cumprimento das obrigações acessórias, dentre elas, a entrega de DCTF. Ocorre, no entanto, que tal argumento de defesa não foi trazido em sede de manifestação de inconformidade, precluindo o direto de fazêlo em outro momento processual, nos termos do art. 17 do Decreto 70.235/72. Também não localizei a prova da liquidez e certeza do crédito em foco, que não a DCTF retificada e o DARF dado como pago indevidamente. Tal Fl. 88DF CARF MF Processo nº 10680.910622/201584 Acórdão n.º 3301005.287 S3C3T1 Fl. 8 7 comprovação é exigência do art. 170 do Código Tributário Nacional e ônus do peticionário, nos termos do art. 373 do Código do Processo Civil. Assim, por todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o Colegiado decidiu negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 89DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13308.000194/2001-20
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 29 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Dec 14 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/1997 a 31/03/1997
IPI. SALDO CREDOR. RESSARCIMENTO. LIQUIDEZ E CERTEZA.
A manutenção e utilização do crédito de IPI relativo à aquisição de insumos, nos termos do art. 5º do Decreto-lei nº 491/69 e do art. 1º, II da Lei nº 8.402/92, requer a comprovação de que esses foram efetivamente utilizados na industrialização dos produtos exportados.
Quando dados ou documentos solicitados ao interessado forem necessários à apreciação de pedido formulado, o não atendimento no prazo fixado pela fiscalização implica encerramento da discussão correspondente.
A ausência de provas nos autos que indiquem a certeza e a liquidez do crédito acarreta o indeferimento do pleito de ressarcimento do saldo credor de IPI.
Recurso Voluntário negado
Numero da decisão: 3402-005.978
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente
(assinado digitalmente)
Maria Aparecida Martins de Paula - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Cynthia Elena de Campos, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes e Renato Vieira de Ávila (Suplente convocado em substituição a Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz). Ausente justificadamente a Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz.
Nome do relator: MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/01/1997 a 31/03/1997 IPI. SALDO CREDOR. RESSARCIMENTO. LIQUIDEZ E CERTEZA. A manutenção e utilização do crédito de IPI relativo à aquisição de insumos, nos termos do art. 5º do Decreto-lei nº 491/69 e do art. 1º, II da Lei nº 8.402/92, requer a comprovação de que esses foram efetivamente utilizados na industrialização dos produtos exportados. Quando dados ou documentos solicitados ao interessado forem necessários à apreciação de pedido formulado, o não atendimento no prazo fixado pela fiscalização implica encerramento da discussão correspondente. A ausência de provas nos autos que indiquem a certeza e a liquidez do crédito acarreta o indeferimento do pleito de ressarcimento do saldo credor de IPI. Recurso Voluntário negado
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra - Presidente (assinado digitalmente) Maria Aparecida Martins de Paula - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Cynthia Elena de Campos, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes e Renato Vieira de Ávila (Suplente convocado em substituição a Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz). Ausente justificadamente a Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/1997 a 31/03/1997 IPI. SALDO CREDOR. RESSARCIMENTO. LIQUIDEZ E CERTEZA. A manutenção e utilização do crédito de IPI relativo à aquisição de insumos, nos termos do art. 5º do Decretolei nº 491/69 e do art. 1º, II da Lei nº 8.402/92, requer a comprovação de que esses foram efetivamente utilizados na industrialização dos produtos exportados. Quando dados ou documentos solicitados ao interessado forem necessários à apreciação de pedido formulado, o não atendimento no prazo fixado pela fiscalização implica encerramento da discussão correspondente. A ausência de provas nos autos que indiquem a certeza e a liquidez do crédito acarreta o indeferimento do pleito de ressarcimento do saldo credor de IPI. Recurso Voluntário negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente (assinado digitalmente) Maria Aparecida Martins de Paula Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Cynthia Elena de Campos, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 30 8. 00 01 94 /2 00 1- 20 Fl. 849DF CARF MF 2 Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes e Renato Vieira de Ávila (Suplente convocado em substituição a Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz). Ausente justificadamente a Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz. Relatório Tratase de recurso voluntário em face da decisão da Delegacia de Julgamento em Belém que indeferiu a solicitação contida na manifestação de inconformidade da contribuinte. Versam os autos sobre pedidos de ressarcimento de créditos de IPI decorrentes de insumos utilizados na fabricação de produtos exportados, nos termos do art. 5º do Decretolei nº 491/69 e art. 1º, II da Lei nº 8.402/92, no valor de R$8.943,96, relativos ao período de apuração de janeiro de 1997. O pedido foi indeferido pela DRF em Fortaleza em face da ausência de comprovação do direito creditório, em especial, falta de informações relativas às industrializações, inexistência de controle de produção e estoque e impossibilidade de cálculo dos valores de créditos pleiteados nos documentos e livros fiscais em razão dos procedimentos de emissão e registro adotados pelo estabelecimento industrial. A interessada apresentou manifestação de inconformidade, sustentando a legitimidade de seus créditos e solicitando a realização de perícia para se constatar a veracidade dos documentos e cálculos relativos às aquisições de insumos e a devida escrituração fiscal e contábil. A Delegacia de Julgamento não acolheu os argumentos da manifestante, sob os seguintes fundamentos: A diligência fiscal realizada apontou incongruências insuperáveis na documentação exibida pela requerente como comprobatória do direito invocado. As exigências efetuadas pela fiscalização revelamse necessárias à efetiva comprovação do direito alegado pelo sujeito passivo, havendose de reconhecer que o atendimento das mesmas somente se faria impossível no caso da ausência de qualquer controle do processo produtivo, conclusão a que chegou a diligência fiscal. O interessado, limitandose a argumentar, deixou de instrumentalizar sua manifestação de inconformidade com qualquer prova segura da efetiva utilização em seu processo produtivo das MP, PI e ME cujo crédito de IPI invoca. Fazse imprescindível que reste demonstrado, por elementos mínimos de prova, que os insumos foram, de fato, destinados ao processo produtivo da interessada (próprio ou por sua conta e ordem), ou seja, que não sofreram destinação diversa. Não havendo sido carreada aos autos prova em contrário, resta a conclusão de que a interessada deixou de manter efetivo controle de entrada e saída de mercadorias, bem como não manteve escrituração, fiscal e contábil, controle de estoque e emissão de notas fiscais revestidas de adequado grau de coerência e confiabilidade, indispensáveis à apuração de eventual crédito de IPI. Cientificada, sem que tenha retornado o Aviso de Recebimento relativo à correspondência, a contribuinte interpôs o recurso voluntário em 08/02/2008, alegando e requerendo, em síntese: Fl. 850DF CARF MF Processo nº 13308.000194/200120 Acórdão n.º 3402005.978 S3C4T2 Fl. 850 3 a) As alegações, por parte da DRJBelém, da inexistência dos atributos de liquidez e certeza, para justificar a manutenção do indeferimento do pedido, foram baseadas em fatos e documentos de outros períodos que não o do Pedido de Ressarcimento. b) Não há qualquer dúvida de que a fiscalização estava de posse de todos os elementos necessários à avaliação dos diversos pedidos da Recorrente, não cabendo o indeferimento total desses pedidos. Mas, mesmo assim, ratificase, para o bem da verdade material, o pedido de realização de uma diligência para esclarecer os quesitos apontados. c) Requer que o ressarcimento do Crédito Presumido de IPI seja realizado, devidamente atualizado pelo índice obtido pela variação da Taxa Selic, entre a data do protocolo deste Processo e a data do efetivo ressarcimento. Mediante a Resolução n° 340200.026 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária, de 10 de julho de 2009, converteuse o julgamento em diligência para que fosse calculada a base de cálculo do crédito presumido. Na diligência a fiscalização concluiu pela impossibilidade de verificar os cálculos para a fruição dos créditos pleiteados diante do não atendimento da intimação pela recorrente e da insuficiência e inconsistência nas poucas informações apresentadas. Retornando os autos ao CARF, entendeu o Colegiado que a diligência anteriormente solicitada não se prestava a comprovar as alegações contidas nos autos, vez que o pedido da interessada não era relativo ao ressarcimento de créditos presumidos de IPI, mas de créditos do imposto sobre insumos utilizados nos produtos exportados. Assim, pela Resolução n° 3402000.458, de 25 de setembro de 2012, determinou o Colegiado a realização de nova diligência para a Unidade de Origem: a) aferir se os Livros Registros de Apuração do IPI estariam respaldados em escrituração empresarial e fiscal coerente, ou seja, se coincidem com os registros que devem existir nos Livros Registro de Entradas de Mercadorias, Movimentação de Estoque e de Saída de Mercadorias; b) verificar se as cópias juntadas coincidem com as versões originais dos Livros, inclusive com termos de abertura e encerramento e, se o caso, com registro perante o Órgão de Registro competente; e c) verificar se as Notas Fiscais escrituradas nos citados Livros tem efetivamente o destaque do IPI, se efetivamente diziam respeito a aquisições de MP, PI e ME para utilização no processo produtivo da Recorrente, e, por fim, se o produto final fora por ela exportado, através da verificação da autenticidade de seus memorandos e demais documentos de exportação. No Relatório de Diligência Fiscal, foi informado o que se segue: Foi enviado Termo de Início de Diligência Fiscal, através do Domicílio Tributário Eletrônico – DTE, em 16/03/2018, cuja ciência foi na mesma data. Nesse Termo foram relacionados Livros, documentos e informações a serem entregues à fiscalização, com prazo de 30 dias, para atender a referida Resolução. Findou o prazo de 30 dias em 19/04/2018 e até hoje 23/04, nenhum documento ou informação foi juntado aos autos ou entregue pelo contribuinte. Não houve sequer, por parte da empresa, solicitação de dilação do prazo para atendimento da intimação. Diante do acima exposto, em face da ausência das informações e documentos solicitados, não apresentados pelo interessado, a fiscalização fica impossibilitada de atender esta Resolução nº 3402000.458 antes referida. Fl. 851DF CARF MF 4 Intimada a se manifestar em face desse Relatório, a recorrente também nada trouxe aos autos, os quais retornaram a este CARF e foram redistribuídos por sorteio a esta Relatora em 24/07/2018. É o relatório. Voto Conselheira Maria Aparecida Martins de Paula, Relatora Nos termos do art. 23, II e §2º, II do Decreto nº 70.235/72, no caso de intimação pela via postal, a ciência é considerada como a data do recebimento, a qual consta no AR (Aviso de Recebimento). No caso, relativamente à correspondência expedida para intimação da decisão recorrida, o AR não retornou à repartição. Contudo, em conformidade como o disposto no art. 26, §5º da Lei nº 9.784/99, a falta de intimação ou sua irregularidade é considerada suprida pelo comparecimento do administrado. Diante da impossibilidade de verificação, considerase tempestivo o recurso voluntário, o qual, atendidos aos demais requisitos de admissibilidade, deve ser conhecido. Alega a recorrente que a DRJBelém teria se baseado em fatos e documentos de outros períodos, diversos do objetos de ressarcimento, o que teria, a seu ver, restringido o seu direito de defesa. Ocorre que o procedimento fiscal que originou o indeferimento do presente pedido de ressarcimento tratou também da análise de outros pedidos, contudo, conforme constou do Termo de Verificação Fiscal, a partir da sua página 27 (fl. 247), houve o tratamento em caráter específico do pedido do presente processo, nos seguintes termos: A seguir, tratamos especificamente do Processo 13.308.000194/200120: Diz a Legislação vigente acerca do assunto: (...) Como já vimos, na Fiscalização iniciada em 22.02.2001 e encerrada em 22.10.2002 MPF N°: 200100.0345, que examinou Pedidos de Ressarcimento de Crédito Presumido (Lei 9.363/96 e Portaria MF 38/97) e Pedidos de Ressarcimento de IPI (art. 11 Lei 9.779/99 e IN/SRF 033/99), verificamos procedimentos de emissão e registro de documentos e livros fiscais, pelo estabelecimento industrial, que impossibilitam a aplicação das legislações do Crédito Presumido IPI (Lei 9.363/96 e Portaria MF 38/97) e do Ressarcimento IPI Como já vimos, na Fiscalização iniciada em 22.02.2001 e encerrada em 22.10.2002 MPF N°: 2001 00.0345, que examinou Pedidos de Ressarcimento de Crédito Presumido (Lei 9.363/96 e Portaria MF 38/97) e Pedidos de Ressarcimento de IPI (art. 11 Lei 9.779/99 e IN/SRF 033/99), verificamos procedimentos de emissão e registro de documentos e livros fiscais, pelo estabelecimento industrial, que impossibilitam a aplicação das legislações do Crédito Presumido IPI (Lei 9.363/96 e Portaria MF 38/97) e do Ressarcimento IPI previsto no art. 11 da Lei 9.779/99 e IN/SRF 033/99, o cálculo dos valores de créditos pleiteados; em 27 de novembro de 2003, nesta Ação Fiscal, como também já vimos, solicitamos que o Interessado "confirmasse, ou não, nos seus aspectos qualitativo e quantitativo, se, até setembro/2002, mantiveramse, total ou parcialmente, inalterados os procedimentos, emissão e registro de documentos e livros fiscais do estabelecimento industrial, verificados pela fiscalização, o que foi confirmado em resposta ao Termo de Início Fl. 852DF CARF MF Processo nº 13308.000194/200120 Acórdão n.º 3402005.978 S3C4T2 Fl. 851 5 de Fiscalização, recebido em 27.11.2003. A impossibilidade de aplicação das legislações do Crédito Presumido IPI e do Ressarcimento IPI, como acabamos de constatar, tem origem no fato de que o Interessado não vem sendo capaz de apresentar os documentos hábeis comprobatórios do processo industrial a que teriam sido submetidos os insumos, que teriam, segundo alega, dado origem a produtos finais saídos de seu estabelecimento industrial e, segundo ainda alega, exportados, ora, de acordo com a legislação acima citada, haja vista o fato exposto, concluímos que, pelos mesmos motivos, permanece também impossibilitada, no Interessado, a aplicação do Decretolei n° 491, artigo 5º , de 5 de março de 1969, e da Lei 8.402/92, artigo 1º , inciso II. CONCLUSÃO Desta forma, haja vista o Interessado não haver comprovado absolutamente o alegado direito aos créditos pleiteados, e este estar sujeito à prova, através de documentos hábeis, comprobatórios da origem dos valores efetivamente utilizados no cálculo do benefício previsto na legislação, propomos o INDEFERIMENTO TOTAL dos pedidos. Como visto acima, a interessada, após regularmente intimada, confirmou que, para os demais períodos, adotava o mesmo procedimento de emissão e registro de documentos e livros fiscais do estabelecimento industrial que havia levado a fiscalização a concluir pela inabilidade dos seus documentos para comprovar a utilização dos insumos no processo industrial e o consequente indeferimentos dos pleitos anteriores. Dessa forma, o mesmo entendimento foi aplicado na análise do presente pedido de ressarcimento pela autoridade fiscal, o qual envolvia a mesma questão de comprovação de aplicação dos insumos no processo industrial, mas relativamente aos produtos exportados. Assim, a DRJBelém nada mais fez do que considerar o método já adotado na análise do presente pleito pela fiscalização para a apreciação da defesa contida na manifestação de inconformidade. De outra parte, a interessada, na manifestação de inconformidade ou no recurso voluntário, não logrou êxito em demonstrar que eventualmente os seus documentos e livros fiscais seriam emitidos ou registrados de forma diversa, que possibilitaria a análise de aplicação dos insumos no processo industrial, ainda que em sentido diverso à declaração prestada anteriormente à autoridade fiscal. Assim, não houve cerceamento do direito de defesa da contribuinte, mas a ausência de apresentação de elementos modificativos ou extintivos dos fatos e fundamentos expedidos no despacho decisório, o que, aliás, tratase de questão de mérito. Quanto ao pedido de perícia, a DRJ fundamentou, de forma legítima, seu indeferimento por considerála prescindível à demonstração que interessava ao julgamento, qual seja, o "efetivo emprego, no processo produtivo da recorrente, das MP, PI e ME respectivas, ou seja, que esses elementos originários não ganharam destinação diversa". Dessa maneira descabe qualquer reforma na decisão recorrida nesta parte. Quanto ao pedido subsidiário de diligência, essa foi deferida por este Colegiado, não obstante a interessada não tenha colaborado para as verificações solicitadas. O Colegiado, não obstante entendesse pela insuficiência da documentação constante nos autos para comprovar o direito creditório pleiteado, oportunizou à recorrente essa demonstração por intermédio da diligência, na qual as verificações a serem efetuadas pela Fl. 853DF CARF MF 6 fiscalização dependiam do fornecimento pela recorrente dos esclarecimentos e documentos apontados no Termo de Intimação. Como relatado, a interessada não atendeu à intimação efetuada em face da última diligência, nem tampouco manifestouse acerca do Relatório de Diligência Fiscal que concluiu pela impossibilidade de atender às solicitações contidas na Resolução n° 3402 000.458. Sobre a questão de não atendimento à intimação, dispõe o art. 40 da Lei nº 9.784/99 que: "Art. 40. Quando dados, atuações ou documentos solicitados ao interessado forem necessários à apreciação de pedido formulado, o não atendimento no prazo fixado pela Administração para a respectiva apresentação implicará arquivamento do processo". Dessa forma, tendo em vista que as informações e documentos solicitados à recorrente no Termo de Início de Diligência Fiscal eram essenciais à análise de seu pleito de ressarcimento e esse não foi atendido por ela, descabe a reforma pleiteada na decisão recorrida. Não havendo qualquer elemento consistente nos autos em sentido contrário, deve ser mantida a decisão recorrida na qual se concluiu que não restou demonstrado que os insumos teriam sido efetivamente destinados à industrialização dos produtos exportados. Diante da impossibilidade de reconhecer o direito creditório pleiteado, resta prejudicado o pedido da recorrente de correção monetária dos valores correspondentes. Assim, pelo exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Maria Aparecida Martins de Paula Fl. 854DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11539.720067/2011-73
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Nov 08 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/07/2007
MULTA POR ATRASO DA DACON. INCONSTITUCIONALIDADE. ABUSIVIDADE. PROPORCIONALIDADE. CONFISCATORIEDADE.
Conforme a Súmula CARF 02 o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Numero da decisão: 3302-005.913
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10830.725904/2013-55, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Orlando Rutigliani Berri (Suplente Convocado), Walker Araujo, Vinicius Guimaraes (Suplente Convocado), Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior e Raphael Madeira Abad.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/01/2007 a 31/07/2007 MULTA POR ATRASO DA DACON. INCONSTITUCIONALIDADE. ABUSIVIDADE. PROPORCIONALIDADE. CONFISCATORIEDADE. Conforme a Súmula CARF 02 o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10830.725904/2013-55, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Orlando Rutigliani Berri (Suplente Convocado), Walker Araujo, Vinicius Guimaraes (Suplente Convocado), Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior e Raphael Madeira Abad.
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Recorrente AGF ENGENHARIA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2007 a 31/07/2007 MULTA POR ATRASO DA DACON. INCONSTITUCIONALIDADE. ABUSIVIDADE. PROPORCIONALIDADE. CONFISCATORIEDADE. Conforme a Súmula CARF 02 o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 10830.725904/201355, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Orlando Rutigliani Berri (Suplente Convocado), Walker Araujo, Vinicius Guimaraes (Suplente Convocado), Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior e Raphael Madeira Abad. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 53 9. 72 00 67 /2 01 1- 73 Fl. 68DF CARF MF Processo nº 11539.720067/201173 Acórdão n.º 3302005.913 S3C3T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Processo Administrativo por meio do qual discutese a incidência de multa por atraso na entrega da DACON, prevista no art. 7º, da lei nº 10.426/2002, com redação dada pela Lei n. 11.051 de 2004. No caso concreto não há qualquer controvérsia acerca da ocorrência, no mundo fenomênico, do fato jurídico consistente no atraso da referida DACON. A Recorrente insurgese tão somente em relação ao montante exigido que, segundo ela seria excessivo e, por tal motivo violaria o postulado normativo da razoabilidade e da proporcionalidade, infringindo a norma constitucional que veda o confisco. A Delegacia Regional de Julgamento considerou PROCEDENTE o presente lançamento, mantendo a exigência, nos termos do Acórdão nº 0539.902. A Recorrente insurgiuse por meio de Recurso Voluntário no qual reitera os argumentos contidos na sua impugnação, merecendo destaque a razoabilidade, proporcionalidade, vedação ao confisco, trazendo relevantes julgados e doutrinas que embasam o seus argumentos. É o Relatório. Voto Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302005.906, de 25 de setembro de 2018, proferido no julgamento do processo 10830.725904/201355, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302005.906): "O Recurso Voluntário é tempestivo e revestese dos demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele conheço. A Recorrente reconhece que descumpriu a legislação que estabelece o prazo para entrega da DACON de que trata o Auto de Infração, limitandose a discutir a razoabilidade, proporcionalidade e confiscatoriedade da norma que estabelece a multa que lhe foi aplicada. Fl. 69DF CARF MF Processo nº 11539.720067/201173 Acórdão n.º 3302005.913 S3C3T2 Fl. 4 3 Os argumentos trazido pela Recorrente remontam à discussão suscitada por Daniel Webster durante o julgamento do caso McCulloch v. Maryland, perante a Suprema Corte NorteAmericana no já distante ano de 1819, e que foi a razão de decidir de ninguém menos que o seu Presidente John Marshall, que praticamente duzentos anos atrás afirmou que o poder de tributar envolve o poder de destruir e que até hoje ecoa no Supremo Tribunal Brasileiro, como bem ilustram interessantes julgados trazidos pela própria Recorrente. Contudo, por força da Súmula CARF n. 02, este Colegiado não é o foro específico para a discussão acerca de eventual inconstitucionalidade de legislação em vigor, merecendo destaque o fato de que a referida Súmula é de observância obrigatória, o que veda a análise da matéria no âmbito do CARF. Por tal motivo, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o Colegiado decidiu negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 70DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13054.720613/2013-14
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Nov 26 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2009
OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOA JURÍDICA. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. LANÇAMENTO PARA PREVENIR DECADÊNCIA
Só se mantém o lançamento fiscal referente a omissão de rendimentos quando demonstrado de forma inequívoca nos autos que se trata de rendimentos tributáveis auferidos pelo sujeito passivo, que não foram oferecidos a tributação. Fisco não poderá inscrever em dívida ativa ou ajuizar execução fiscal de crédito que esteja com sua exigibilidade suspensa, mas poderá efetuar o lançamento, exercendo o seu direito potestativo, nos termos do artigo 142 do CTN
Numero da decisão: 2001-000.707
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Jorge Henrique Backes - Presidente
(assinado digitalmente)
Fernanda Melo Leal - Relatora.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernanda Melo Leal, Jose Alfredo Duarte Filho, Jose Ricardo Moreira e Jorge Henrique Backes.
Nome do relator: FERNANDA MELO LEAL
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2009 OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOA JURÍDICA. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. LANÇAMENTO PARA PREVENIR DECADÊNCIA Só se mantém o lançamento fiscal referente a omissão de rendimentos quando demonstrado de forma inequívoca nos autos que se trata de rendimentos tributáveis auferidos pelo sujeito passivo, que não foram oferecidos a tributação. Fisco não poderá inscrever em dívida ativa ou ajuizar execução fiscal de crédito que esteja com sua exigibilidade suspensa, mas poderá efetuar o lançamento, exercendo o seu direito potestativo, nos termos do artigo 142 do CTN
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes - Presidente (assinado digitalmente) Fernanda Melo Leal - Relatora. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernanda Melo Leal, Jose Alfredo Duarte Filho, Jose Ricardo Moreira e Jorge Henrique Backes.
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RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. LANÇAMENTO PARA PREVENIR DECADÊNCIA Só se mantém o lançamento fiscal referente a omissão de rendimentos quando demonstrado de forma inequívoca nos autos que se trata de rendimentos tributáveis auferidos pelo sujeito passivo, que não foram oferecidos a tributação. Fisco não poderá inscrever em dívida ativa ou ajuizar execução fiscal de crédito que esteja com sua exigibilidade suspensa, mas poderá efetuar o lançamento, exercendo o seu direito potestativo, nos termos do artigo 142 do CTN Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Presidente (assinado digitalmente) Fernanda Melo Leal Relatora. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernanda Melo Leal, Jose Alfredo Duarte Filho, Jose Ricardo Moreira e Jorge Henrique Backes. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 05 4. 72 06 13 /2 01 3- 14 Fl. 95DF CARF MF 2 Relatório Contra o contribuinte acima identificado foi emitida Notificação de Lançamento, relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física, exercício de 2009, anocalendário de 2008, por meio da qual foi constatada omissão de rendimentos tributáveis recebidos acumuladamente, decorrentes de ação judicial, no valor de R$ 28.908,36. Foi considerada, para efeito do lançamento fiscal, a informação constante da DIRF apresentada pela Caixa Econômica. Contra o contribuinte foi lavrada a Notificação de Lançamento de fls. 7 a 12, relativa ao Imposto Sobre a Renda de Pessoa Física, anocalendário 2008, para cobrança do crédito tributário de R$ 24.927,02 (fl. 7). O lançamento é decorrente da omissão de rendimentos recebidos de Pessoa Jurídica decorrentes de Ação da Justiça Federal de R$ 49.285,32 tendo sido compensado o imposto de renda retido na fonte de R$ 1.972,96 (fls. 8 e 9). O enquadramento legal encontrase à fl. 08, bem assim, a Complementação da Descrição de Fatos às fls. 8 e 9. Na cobrança do crédito tributário devido (fls. 7 e 10), foi lançada a multa de ofício e juros de mora calculados até 30/09/2013. Inconformado, o procurador da inventariante do espólio da contribuinte (procuração de fl. 12) ingressou com a impugnação de fls. 1 a 5, argumentando em síntese que recebeu rendimentos de ação judicial, por meio de precatório, e que o pagamento do imposto devido ficou determinado para após o trânsito em julgado da decisão condenatória. Aduz que atualmente o processo encontrase sobrestado aguardando pronunciamento do STF do Recurso Extraordinário impetrado no qual foi reconhecida a repercussão geral da matéria. Por essa razão entende que a notificação de lançamento não pode prosperar devendo ser anulada para que se aguarde a decisão definitiva da ação judicial. A DRJ Rio de Janeiro, na análise da impugnação, entendeu que não há que se falar em nulidade do lançamento fiscal, eis que não encontrase eivado de nenhum vício formal ou material, e que a impugnação não deveria ser conhecida, eis que discutese judicialmente o mesmo objeto. Em sede de Recurso Voluntário, o contribuinte alega que deveria a impugnação ter sido conhecida e analisado o seu mérito, que a suspensão da exigibilidade do crédito tributário deve ser reconhecida e que o seu pleito deve ser provido para que seja declarada nula a ação fiscal. É o relatório. Voto Fl. 96DF CARF MF Processo nº 13054.720613/201314 Acórdão n.º 2001000.707 S2C0T1 Fl. 3 3 Conselheira Fernanda Melo Leal Relatora. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade. Portanto, merece ser conhecido. Mérito Lançamento de Crédito para evitar decadência Conforme mencionado no relatório acima, o lançamento foi efetuado com base na omissão de rendimentos recebidos acumuladamente,oriundos de ação judicial, para que seja evitada a decadência do direito do fisco de lançar o crédito tributário decorrente. Nesta senda, fulcral trazer a baila o posicionamento do Superior Tribunal de Justiça, que esclarece que o lançamento deve ser efetuado, visando a prevenir decadência, mesmo diante de uma causa de suspensão da exigibilidade do crédito tributário. Exatamente a hipótese em apreço. Esse posicionamento do STJ decorre do fato de que as hipóteses do artigo 151 do CTN não suspendem o prazo decadencial, para efetivação do lançamento, mas tão somente o prazo prescricional, para a cobrança judicial. Vale dizer, o Fisco não poderá inscrever em dívida ativa ou ajuizar execução fiscal de crédito que esteja com sua exigibilidade suspensa, mas poderá efetuar o lançamento, exercendo o seu direito potestativo, nos termos do artigo 142 do CTN. Vejamos o precedente do SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA: “RECURSO ESPECIAL. TRIBUTÁRIO. ART. 151 DO CTN. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. IMPOSSIBILIDADE DE O FISCO REALIZAR ATOS TENDENTES À SUA COBRANÇA, MAS NÃO DE PROMOVER O SEU LANÇAMENTO. ERESP 572.603/PR. RECURSO DESPROVIDO. 1. O Art. 151, IV, do CTN determina que o crédito tributário terá sua exigibilidade suspensa havendo a concessão de medida liminar em mandado de segurança. Assim, o Fisco fica impedido de realizar atos tendentes à sua cobrança, tais como inscrevêlo em dívida ativa ou ajuizar execução fiscal, mas não lhe é vedado promover o lançamento desse crédito. 2. A primeira Seção deste Superior Tribunal de Justiça, dirimindo a divergência existente entre as duas Turmas de Direito Público, manifestouse no sentido da possibilidade de a Fazenda Pública realizar o lançamento do crédito tributário, mesmo quando verificada uma das hipóteses previstas no citado art. 151 do CTN. Na ocasião do julgamento dos ERESP 572.603/PR, entendeuse que a “ suspensão da exigibilidade do crédito tributário impede a Administração de praticar qualquer ato contra o contribuinte visando à cobrança do seu crédito, tais como inscrição em dívida, execução e penhora, mas não impossibilita a Fazenda de proceder à sua regular constituição para prevenir a decadência do direito de lançar” (Rel. Min. Castro Meira, DJ de 5.09.05). 3. Recurso especial desprovido Fl. 97DF CARF MF 4 (grifos nossos). (RESP 736040/RS, Rel. Ministra Denise Arruda, Primeira Turma, DJ 11/06/2007) Notese que a questão está pacificada no STJ, face o julgamento dos Embargos de Divergência no RESP 572.603/PR, DJ 05/09/05. Do voto do Relator, destacase o seguinte trecho: “ (...) No que se refere à segunda questão, o entendimento segundo o qual a Fazenda está impedida de efetivar o lançamento do tributo, cuja exigibilidade encontrase suspensa em decorrência de ordem judicial, implica admitirse a interrupção do prazo decadencial, o que não se coaduna com a natureza do instituto. A suspensão da exigibilidade do crédito tributário impede a Administração de praticar qualquer ato contra o contribuinte visando à cobrança do seu crédito, tais como inscrição em dívida ativa, execução e penhora, mas não impossibilita a Fazenda de proceder à sua regular constituição para prevenir a decadência do direito de lançar.”1 (gn) Verificase, pois, diante do quanto colacionado que mesmo que haja suspensão da exigibilidade do crédito por força de decisão judicial, sem que tenha sido efetivado anterior lançamento do crédito tributário objeto da lide, deverá ser feito lançamento de ofício para prevenir a decadência nos termos do art. 149 do CTN. Merece repetir que o contribuinte não tem qualquer prejuízo com a efetivação do lançamento, pois poderá obter certidões positivas com efeitos de negativa, nos exatos termos do art. 206 do CTN. As hipóteses do art. 151 do CTN dão ensejo ao fornecimento desse tipo de certidão, que possui os mesmos efeitos da certidão negativa de débito. Ademais, vale repetir que o único veículo que pode ser utilizado pela Fazenda para a efetivação do lançamento a fim de evitar a decadência é Notificação de Lançamento ou Auto de Infração. Assim sendo, resta claro e repetido que as causas que suspendem a exigibilidade do crédito tributário (artigo 151 do CTN) não suspendem o prazo decadencial para efetivação do lançamento. Portanto, deve o fisco efetuar o lançamento para prevenir a decadência, salvo nos casos em que a decisão judicial expressamente impedir a constituição do crédito tributário através da realização do lançamento. O único caso em que o STJ dispensa a efetivação do ato formal do lançamento ocorre, em relação aos tributos lançados por homologação, quando o depósito for do montante integral do débito questionado (art. 151, II, do CTN). Nessa hipótese, o depósito integral corresponderia ao pagamento antecipado. Como se sabe, o prazo para efetivação do lançamento de ofício é de cinco anos. Nos tributos lançados por homologação (caso do ISS e do ICMS), se foi efetuado pagamento do tributo, ainda que a menor, o prazo começa a contar da ocorrência do fato gerador (art. 150, parágrafo quarto do CTN). Se o pagamento não foi efetuado/antecipado, ou se ele foi feito com dolo, simulação ou fraude (art. 150, parágrafo quarto, in fine, do CTN), o termo a quo do prazo é o primeiro dia do exercício seguinte ao que o lançamento poderia ter sido efetuado, ou seja, o exercício seguinte à ocorrência do fato gerador (art. 173, I, do CTN). Segundo a jurisprudência atual do STJ, não se somam mais os prazos dos dois artigos. Fl. 98DF CARF MF Processo nº 13054.720613/201314 Acórdão n.º 2001000.707 S2C0T1 Fl. 4 5 O lançamento para prevenir decadência não incluirá os acréscimos moratórios se a decisão judicial que determinar a suspensão da exigibilidade do crédito tributário (ex. liminar ou antecipação de tutela) for anterior ao vencimento da obrigação tributária. Se ela for posterior, deverão ser incluídas no lançamento, além do principal devidamente corrigido monetariamente, o valor referente aos juros de mora e à multa moratória de caráter indenizatório, ressarcitório ou compensatório, excluindose as sanções decorrentes de infrações à legislação tributária, que têm nítido caráter punitivo. Nesta senda, verificando falta absoluta de razão para excluir o lançamento fiscal, eis que feito para prevenir a decadência do crédito tributário, entendo que deve ser negado provimento ao Recurso Voluntário e mantido o lançamento fiscal. CONCLUSÃO: Diante tudo o quanto exposto, voto no sentido de, CONHECER e NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Fernanda Melo Leal. Fl. 99DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13811.003965/2008-17
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 07 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Dec 21 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/02/2000 a 30/09/2000
AÇÃO JUDICIAL.
Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial (Súmula CARF nº 1).
Numero da decisão: 2301-005.745
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer parcialmente do recurso voluntário, desconhecendo das questões envolvendo inconstitucionalidade de lei e sujeitas à concomitância com ação judicial, para, na parte conhecida, rejeitar as preliminares e no mérito, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
(Assinado digitalmente)
João Bellini Júnior - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Antonio Sávio Nastureles - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Maurício Vital, Alexandre Evaristo Pinto, Antonio Sávio Nastureles, Wesley Rocha, Reginaldo Paixão Emos, Marcelo Freitas de Souza Costa, Virgilio Cansino Gil (Suplente convocado) e João Bellini Júnior (Presidente).
Nome do relator: ANTONIO SAVIO NASTURELES
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/02/2000 a 30/09/2000 AÇÃO JUDICIAL. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial (Súmula CARF nº 1).
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer parcialmente do recurso voluntário, desconhecendo das questões envolvendo inconstitucionalidade de lei e sujeitas à concomitância com ação judicial, para, na parte conhecida, rejeitar as preliminares e no mérito, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (Assinado digitalmente) João Bellini Júnior - Presidente. (Assinado digitalmente) Antonio Sávio Nastureles - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Maurício Vital, Alexandre Evaristo Pinto, Antonio Sávio Nastureles, Wesley Rocha, Reginaldo Paixão Emos, Marcelo Freitas de Souza Costa, Virgilio Cansino Gil (Suplente convocado) e João Bellini Júnior (Presidente).
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/02/2000 a 30/09/2000 AÇÃO JUDICIAL. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial (Súmula CARF nº 1). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer parcialmente do recurso voluntário, desconhecendo das questões envolvendo inconstitucionalidade de lei e sujeitas à concomitância com ação judicial, para, na parte conhecida, rejeitar as preliminares e no mérito, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (Assinado digitalmente) João Bellini Júnior Presidente. (Assinado digitalmente) Antonio Sávio Nastureles Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Maurício Vital, Alexandre Evaristo Pinto, Antonio Sávio Nastureles, Wesley Rocha, Reginaldo Paixão Emos, Marcelo Freitas de Souza Costa, Virgilio Cansino Gil (Suplente convocado) e João Bellini Júnior (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 81 1. 00 39 65 /2 00 8- 17 Fl. 265DF CARF MF 2 Relatório 1. Chega à apreciação deste Colegiado o Recurso Voluntário (efls 98/110) interposto em 15/12/2005, em face de DecisãoNotificação n.° 21.404.4/0130/2005 (efls 74/87), exarada em 13/10/2005, que julgara procedente o lançamento de contribuições destinadas aos Terceiros SEBRAE, abrangendo o período de 02/2000 a 09/2000. 2. Afigurase, importante, destacar a sucessão de atos processuais praticados no âmbito do presente processo: 2.1. Em 12/08/2005 foi lavrada a NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DEBITO NFLD DEBCAD nº 35.787.8167 (efls 2). 2.1.1. Nos termos do Relatório Fiscal (efls 16/17), pelo fato da empresa ter questionado judicialmente a "a contribuição destinada ao SEBRAE conforme ação mandamental n° 2001.61.00.0131860, encontrandose a mesma com exigibilidade suspensa por força de decisão judicial." (efls 16), foi procedido o desmembramento de débito anterior (NFLD 35.230.7030) e a lavratura da NFLD 35.787.8167 referentes a contribuições sociais devidas a terceiros SEBRAE" (efls 17). 2.2. Em 05/09/2005, foi instaurado o contencioso administrativo com o ingresso da peça de impugnação (efls 22/33) acompanhada de documentos (efls 34/72). 2.3. Em 13/10/2005, foi exarada a DecisãoNotificação n.° 21.404.4/0130/2005 (efls 74/87) que decidiu "não conhecer da Impugnação no que diz respeito ao mérito das contribuições destinadas ao SEBRAE". 2.3.1. Cabe destacar trecho contido em tal decisão: "35. No que se refere às contribuições destinadas ao SEBRAE, conforme informado no Relatório Fiscal, estão sendo questionadas judicialmente pela empresa, através do Mandado de Segurança n° 2001.61.00.0131860, fato confirmado na impugnação e documentos de fls. 63/65. 36. Em que pese o direito da empresa em socorrerse da via judicial, conforme preceito insculpido no art. 142, parágrafo único, do CTN, a Administração tem o dever legal de formalizar o crédito tributário. Vejamos: 37. Sobre as alegações trazidas pela empresa quanto à inconstitucionalidade da contribuição ao SEBRAE, cabe destacar que o julgamento administrativo de matérias discutidas na esfera judicial se limita à parte diferenciada não submetida ao contencioso judicial. 38. Desta forma, forçoso é o reconhecimento da renúncia à via administrativa, no que toca ao direito de recorrer, bem como desistência da Impugnação apresentada no que diz respeito às contribuições ao SEBRAE, consoante dispõe o artigo 126, § 3° da Lei n° 8.213/91, reproduzido pelo artigo 307 do RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048/99." Fl. 266DF CARF MF Processo nº 13811.003965/200817 Acórdão n.º 2301005.745 S2C3T1 Fl. 266 3 2.4. Em 15/12/2005, foi interposto o recurso voluntário (efls 98/110) acompanhada da documentação anexada às efls 111/166. Dados específicos sobre questões suscitadas em tal recurso serão apresentados adiante (no tópico intitulado "DO RECURSO", a partir do item 21 contido no relatório da decisão citada no item 2.6.1 infra). 2.5. Em 23/03/2006, por meio do Despacho (efls 167) exarado pelo Serviço de Recuperação de Créditos (Serec) da Delegacia da Receita Previdenciária São Paulo Sul, os autos foram encaminhados ao Serviço de Contencioso Administrativo Previdenciário. 2.5.1. Os motivos do encaminhamento estão apresentados no item 5 do citado despacho: 5) Tendo em vista que a empresa acima mencionada encontrase amparada por LIMINAR em MANDADO DE SEGURANÇA ( 2005.61.00.0285984), garantindo a não efetivação do depósito de 30% para a interposição do recurso (fls.155/ 158), sugerimos a remessa do presente ao Serviço de Contencioso Administrativo Previdenciário, para apreciação. 2.6. Ato seguinte, despacho (efls 168) noticia a juntada do Discriminativo Analítico do Débito Retificado DADR (efls 169/170), emitido em 04/04/2006, relacionado à NFLD DEBCAD Nº 35.787.8167, em decorrência da REFORMA DE DECISÃO NOTIFICAÇÃO n° 21.404.4/0123/2006. (efls 171/183) de 04/04/2008, homologada em 19/04/2006 pela Senhora Delegada da Receita Previdenciária em São PauloSul. REFORMA DE DECISÃONOTIFICAÇÃO n° 21.404.4/0123/2006. DEBCAD: 35.787.8167 Interessado: VIAÇÃO BOLA BRANCA LTDA. CNPJ: 57.014.854/000144 Data da DN: 04/04/2006 Assunto(s): TERCEIROS Julgamento: Lançamento Procedente em Parte EMENTA: CONTRIBUIÇÕES DEVIDAS AOS TERCEIROS. RECOLHIMENTO PARCIAL. REFORMA PARCIALMENTE FAVORÁVEL AO RECORRENTE. A constatação de que os valores recolhidos parcialmente pela empresa não foram apropriados no lançamento original enseja a retificação do débito. Compete à autoridade julgadora que proferiu a decisão recorrida apresentar contrarazões ao recurso voluntário interposto, ou sendo cabível, reformar total ou parcialmente sua decisão – artigo 25, caput da Portaria MPS n.º 520, de 19/05/2004. LANÇAMENTO PROCEDENTE EM PARTE 2.6.1. Cabe fazer a transcrição do inteiro teor da Reforma da DecisãoNotificação: DA NOTIFICAÇÃO1 Tratase de crédito lançado pela Auditora Fiscal da Previdência Social – AFPS matrícula nº 0.954.125 contra a empresa acima identificada, de contribuições destinadas aos Terceiros – SEBRAE, abrangendo o período de 02/2000 a 09/2000, 1 E_Fls 171/173. Fl. 267DF CARF MF 4 no montante de R$ 162.329,95 (cento e sessenta e dois mil, trezentos e vinte e nove reais e noventa e cinco centavos), consolidado em 12/08/2005. 2. O Relatório Fiscal, fls. 15/16, informa que: 2.1. As contribuições lançadas foram calculadas sobre remunerações pagas aos empregados, conforme folhas de pagamento rubricadas pela fiscalização e Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social – GFIPs; 2. Para a apuração do débito, foi aplicada a alíquota de 0,6%; 2.3. As bases de cálculo das contribuições devidas estão discriminadas em anexo no DAD – Discriminativo Analítico do Débito; 2.4. A empresa recolheu parcialmente o valor devido a Terceiros nas competências 02/2000 e 03/2000. O recolhimento efetuado referente às rubricas integrantes deste levantamento foi deduzido do valor devido; 2.5. Os valores incluídos no presente levantamento estão contidos em GFIPs apresentadas à fiscalização e entregues na rede bancária antes da constituição do crédito, e tiveram redução na multa prevista em lei. 2.6. O levantamento foi efetuado com fulcro na Lei nº 8.212/91 e demais diplomas legais elencados no anexo FLD – Fundamentos Legais do Débito. 2.7. A empresa foi fiscalizada em outubro/2000, quando foi lavrada a NFLD 35.230.7030, consolidada em 23/10/2000, no valor de R$ 4.581.420,96, a qual, apurou, referente ao período de 02/2000 a 09/2000, as contribuições sociais devidas à Seguridade Social, correspondentes à parte da empresa, contribuição destinada ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho e Terceiros; 2.8. A empresa questiona judicialmente a contribuição destinada ao SEBRAE, conforme ação mandamental nº 2001.61.00.0131860, encontrandose a mesma com exigibilidade suspensa por força de decisão judicial. 2.9. Tendo em vista este fato superveniente, o débito está sendo desmembrado: 2.9.1. A NFLD 35.230.7030 foi mantida contendo os valores referentes às contribuições sociais devidas à Seguridade Social, correspondentes à parte da empresa e a contribuição destinada ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho, conforme DespachoDecisório nº 21.004.4/9038/2005 e DADR – Discriminativo Analítico do Débito Retificado, anexos para ciência. Os valores referentes às contribuições destinadas aos Terceiros foram excluídos do levantamento original, conforme demonstrado no DADR mencionado e estão sendo constituídos nas NFLDs a seguir; 2.9.2. Foi lavrada a NFLD 35.787.8159, referente às contribuições sociais destinadas aos Terceiros – SalárioEducação, INCRA, SEST e SENAT; 2.9.3. Foi lavrada a presente NFLD 35.787.8167, referente a contribuições sociais devidas a Terceiros – SEBRAE. 3. Complementam o Relatório Fiscal os anexos RL – Relatório de Lançamentos, fls. 08 e FLD – Fundamentos Legais do Débito, fls. 09/10. Fl. 268DF CARF MF Processo nº 13811.003965/200817 Acórdão n.º 2301005.745 S2C3T1 Fl. 267 5 DA IMPUGNAÇÃO2 4. A Notificada interpôs defesa tempestiva, através do instrumento de fls. 21/32, acompanhado de Procuração, fls. 33, cópia autenticada de Alteração de Contrato Social, fls. 34/39, cópia simples do DespachoDecisório nº 21.004.4/9038/2005 e DADR – Discriminativo Analítico do Débito Retificado, fls. 40/49, NFLD e anexos, fls. 50/62 e telas de consulta extraídas do site do TRF 3ª Região, fls. 63/65. Alega, em síntese, que: 5. Com a devida vênia, é entendimento da Requerente que o débito objeto da Notificação carece de procedência. 6. A Requerente estranha o procedimento da auditagem terse fundamentado tão somente nos elementos elencados, folhas de pagamento, GFIP e Guias de recolhimento, relegando e/ou ignorando o fundamental exame da contabilidade da Requerente, tal como prevê e impõe o artigo 231 do Decreto nº 3.048/99. 7. Conforme mencionado no Relatório Fiscal da NFLD nº 35.230.7030, que desmembrada, deu ensejo ao nascedouro da NFLD ora em objeção, está de forma clara e límpida, que a contabilidade da Requerente não foi objeto de verificação, o que vem senão viciar, pelo menos macular o lançamento patrocinado pela fiscalização. 8. Transcreve o item 5 do referido Relatório Fiscal, e alega que o período fiscalizado teve como abrangência competências de 02/2000 a 09/2000. Por conseguinte a fiscalização tinha não só acesso à contabilidade da empresa dentro do período auditado, como também a obrigação de fazêla gerando daí a inexatidão ou apuração correta de eventuais diferenças de contribuições previdenciárias a terceiros devidas pela Requerente. 9. Com efeito, a legislação aplicável, no que pertine aos procedimentos de fiscalização, impõe o exame da contabilidade da Requerente, para que a NFLD tenha sua eficácia plena e possa ser lançada, caso este que não ocorreu. 10. Desta forma, necessária se torna nova diligência, não só no que se refere ao levantamento efetivo do débito previdenciário a terceiro, como também para o aperfeiçoamento do ato, totalmente incorreto e improcedente, convalidando a forma e critério simplista e comodista utilizados pela auditora Fiscal, quando do levantamento do pretenso crédito previdenciário de terceiros, baseandose impropriamente, para o caso em questão, na “aferição indireta”. 11. Os salários de contribuição somente podem ser obtidos por aferição indireta, no caso em que a fiscalização venha constatar que a contabilidade da empresa não registre com exatidão o movimento real dos segurados a seu serviço, conforme preceitua o artigo 235 do Decreto nº 3.048/99. 12. A Requerente mantém contabilidade regular, de conformidade com os preceitos legais exigíveis, em todos os seus segmentos, portanto o levantamento de débito previdenciário fundamentado neste caso, na aferição indireta, com base única e exclusivamente nas GFIPs e folhas de pagamento é, no mínimo, arbitrário por parte da Sra. Agente Fiscal. 2 E_Fls 173/175. Fl. 269DF CARF MF 6 13. Assim, não houve por parte da Requerente recusa ou sonegação à apresentação de qualquer documento, houve sim comodismo da Auditora Fiscal, em lançar o pretenso débito previdenciário utilizandose da “aferição indireta”. 14. Além dos fatos já argüidos, devese enfatizar e rejeitar, de plano, a cobrança da alíquota de 0,6% do SEBRAE, pois essa contribuição é objeto de matéria específica discutida em nossos Tribunais, por não ser de ordem constitucional e, assim, não devida, pelo que a repugnamos no seu todo o valor lançado, embutido no montante desta NFLD. 15. Quanto à matéria, a Requerente impetrou em 15/05/2001 Mandado de Segurança de Suspensão de Cobrança quanto à contribuição ao SEBRAE, que tramita perante a 14ª Vara Cível Federal da Capital/SP, processo nº 2001.61.00.0131860, no qual obteve a segurança com abstenção do recolhimento da contribuição ao SEBRAE. ASSIM SENDO, ESTÁ SUBJUDICE A MATÉRIA, DEVENDO A NFLD SER CANCELADA, POR HAVER DECISÃO JUDICIAL A FAVOR DA REQUERENTE. 16. Quanto aos fundamentos legais do lançamento do débito, os mesmos retroagem há mais de 13 anos, e não são transcritos com a diligência e apuro requeridos, para dar base legal ao lançamento fiscal. Portanto, totalmente contestada a listagem de fundamentos legais apresentada, pois só tem a inequívoca ilação de confundir a Requerente. 17. Quanto à multa lançada de 15%, além de ser indevida por se basear em principal combatido e inexistente, tem a sua alíquota em valor extratosférica, totalmente fora da realidade econômica nacional, pois inclusive por legislação pertinente, o valor máximo da multa a ser aplicada é de 2%. 18. No que diz respeito aos juros lançados, além de não serem devidos por falta de valor principal que lhes de base, são os mesmos lançados pela abusiva taxa SELIC. Assim, totalmente improcedente a sua aplicação ao presente caso, pois a mesma é muito superior aos 12% de juros ao ano disciplinados pela nossa ordem legislativa. Exemplifica, com base no lançamento do mês de fevereiro de 2000. 19. Assim sendo, requer: 19.1. Que se determine a total improcedência da NFLD, cancelandose a mesma e tornandoa nula; 19.2. Que lhe seja deferido o direito constitucional assegurado do princípio pleno e irrestrito da ampla e plena defesa, pelos argumentos e prova apresentadas; 19.3. Que todas as questões argüidas sejam objeto de apreciação, exame e decisão fundamentada e motivada, inclusive abrindose as diligências que se fizerem necessárias, como já requerido anteriormente, com a devida exposição dos motivos; 19.4. Que lhe assegure o direito de complementação da defesa, com novas argüições provas e documentos. DA DECISÃONOTIFICAÇÃO3 20. Foi emitida a DecisãoNotificação nº 21.404.4/0130/2005, de 13/10/2005, fls. 67/80, que julgou o lançamento procedente, não conheceu da impugnação no que diz respeito ao mérito das contribuições destinadas ao SEBRAE, e indeferiu o pedido de diligência fiscal, nos termos do artigo 11 da Portaria MPS Nº 520/2004. DO RECURSO4 3 E_Fls 175. Fl. 270DF CARF MF Processo nº 13811.003965/200817 Acórdão n.º 2301005.745 S2C3T1 Fl. 268 7 21. A empresa foi cientificada da referida DecisãoNotificação em 16/11/2005, conforme tela do site dos Correios, fls. 84, e apresentou Recurso tempestivo em 15/12/2005, através do instrumento de fls. 91/103, acompanhado de Procuração, fls. 104, e cópia dos seguintes documentos: Termo de Recebimento de Informações e estabelecimento de prazo para pagamento de guia recursal, fls. 105, Guia da Previdência Social – GPS, fls. 106, Ofício n 1982/RFB/DRFBSPSUL, fls. 107, DecisãoNotificação nº 21.404.4/0130/2005, fls. 108/121, Relatório Fiscal, fls. 122/123, tela de Consulta Processual no site da Justiça Federal, referente ao Mandado de Segurança nº 2000.61.00.0494733, fls. 124/126, Petição Inicial referente ao MS nº 2000.61.00.0494733, fls. 129/142, DespachoDecisório nº 21.004.4/9038/2005 e DADR – Discriminativo Analítico do Débito Retificado, referentes à NFLD nº 35.230.7030, fls. 143/152, Relatório Fiscal da NFLD nº 35.787.8159, fls. 153/154. 22. Às fls. 155/159 foram anexadas cópias dos seguintes documentos: Ofício nº 35/2006, da Sétima Vara Federal de São Paulo, Ofício nº 4078/2005 e decisão proferida no Agravo de Instrumento nº 2005.03.00.0986326, referentes ao Mandado de Segurança nº 2005.61.00.0285984, que demonstram que a Recorrente está amparada por liminar concedida nos autos do Mandado de Segurança nº 2005.61.00.0285984, assegurando a interposição de Recurso administrativo independentemente do depósito prévio do valor de 30%, previsto no artigo 126 da Lei nº 8.213/91, introduzido pelo artigo 10 da Lei nº 9.639/98. DAS RAZÕES DE RECURSO 23. Inicialmente alega que está dispensada do depósito recursal para apresentação do Recurso, nos termos do Mandado de Segurança interposto e concedido nos autos do processo nº 2000.61.00.0494733, da 9ª Vara Cível, em anexo. 24. Apresenta, em síntese, as seguintes razões de recurso: I – OS FATOS 25. A Recorrente foi fiscalizada no período de 05/09/2000 a 23/10/2000, abrangendo o período de 02/2000 até 09/2000, quando foi lavrada a NFLD DEBCAD Nº 35.230.7030, de 23/10/2000, sob o escopo e fundamento de “Aferição Indireta” (Art. 233 do Decreto nº 3.048/99 – Regulamento da Previdência Social), o que jamais poderia corresponder à verdade fática ou jurídica. 26. A Recorrente apresentou defesa administrativa, sendo a mesma julgada improcedente e, por conseguinte, o débito foi mantido. 27. Após, recorreu ao CRPS, inclusive sem efetuar o depósito recursal, tendo em vista liminar concedida nos autos do Mandado de Segurança nº 2000.61.00.0494733, abrangendo a NFLD nº 35.230.7030, cujas cópias se anexa. 28. Por Revisão de Ofício procedida em 07/06/2005, foi a referida NFLD DEBCAD “mãe” nº 35.230.7030 desmembrada em outras duas NFLDs: 28.1. A presente NFLD / DEBCAD nº 35.787.8167, de 12/08/2005, abrangendo somente contribuição a terceiros relativas ao SEBRAE; 4 E_Fls 175/179 Fl. 271DF CARF MF 8 28.2. A NFLD DEBCAD nº 35.787.8159, também de 12/08/2005, abrangendo contribuições a terceiros relativas ao Salário Educação, INCRA, SEST e SENAT. 29. Em razão da não acolhida de sua defesa administrativa, oferece Recurso contestando a decisão prolatada. II – DO MÉRITO DO RECURSO II.1. – RELATÓRIO EXARADO À DEFESA ADMINISTRATIVA 30. O relatório apresentado pelo Serviço de Contencioso Administrativo carece, permissa vênia, de consistência, clareza e fundamentação, ensejando a ilação de que o mesmo foi elaborado com intenções tendenciosas, isto porque não analisou com atenção requerida a defesa apresentada pela Recorrente, como se verifica: a) convalida a forma e critério simplista e comodista utilizados pela Sra. Auditora Fiscal, quando do levantamento do pretenso crédito previdenciário, baseandose na “aferição indireta”. Os salários base de contribuição somente podem ser obtidos por “aferição indireta”, no caso em que a fiscalização venha constatar que a contabilidade da empresa não registre o movimento real dos segurados a seu serviço (Artigo 235 do Decreto nº 3.048/99 – Regulamento da Previdência Social). A Recorrente mantém contabilidade regular, de conformidade com os preceitos legais exigíveis, em todos os seus segmentos. Portanto, o levantamento de débito previdenciário fundamentado na “aferição indireta”, com base única e exclusivamente nas Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço – FGTSGRE's/Folhas de Pagamento é, no mínimo, arbitrário por parte da Sra. Agente Fiscal, corroborada pela decisão do(a) Sr. (a) Julgador(a) singular. Perguntase: Não seria oportuno ou até mesmo obrigação do(a) Sr.(a). Julgador(a), solicitar a competente diligência objetivando a constatação se a Recorrente possuía ou não contabilidade regular? Contudo se fez alheia de tal procedimento, indeferindo a diligência fiscal que se fazia necessária e era preponderante para a questão. A “aferição indireta” descaracteriza o valor real devido aos cofres previdenciários, pois deixa, principalmente, de considerar as deduções legalmente permitidas. b) No que se refere aos demais argumentos de fato e de direito mencionados e argüidos na contestação tempestiva apresentada pelo Recorrente, o(a) Sr.(a) Relator(a) foi lacônico(a), não oferecendo subsídios necessários e suficientes para que o(a) Sr.(a). Julgador(a) Singular decidisse com eqüidade o lançamento do débito previdenciário contrariado naquela oportunidade. II.2. – DA DECISÃO PROLATADA 31. Na decisão monocrática, louvouse e pautouse o(a) Sr.(a) Julgador(a) no Relatório da Sra. Fiscal Analista de Processos, do Serviço de Contencioso Administrativo do INSS, e óbvio, a Decisão foi pela procedência e mantença do débito da NFLD referida, ora contestada em grau de recurso. 32. Dentre o rol dos “considerandos” minudenciados na empírica decisão prolatada, salienta a Recorrente os equívocos cometidos pelo(a) Sr.(a) Julgador(a) Singular, quiçá protecionista, afastando, portanto, a premissa que o(a) mesmo(a) tenha desconhecimento da matéria por ela analisada. Fl. 272DF CARF MF Processo nº 13811.003965/200817 Acórdão n.º 2301005.745 S2C3T1 Fl. 269 9 § A Recorrente enfatizou em sua impugnação que o período fiscalizado que originou a NFLD, foi o abrangente aos meses de fevereiro/2000 a setembro/2000, portanto, a fiscalização tinha acesso aos livros contábeis (Diário/Razão), pois os mesmos estavam disponíveis a qualquer verificação por parte da Sra. Auditora Fiscal, como aliás, é imperativo legal. § Denotase que a NFLD DEBCAD nº 35.787.8167, de 12/08/2005, advindo de desdobro da NFLD DEBCAD nº 35.230.7030, de 23/10/2000, foi arbitrária e incoerente, pois uma empresa desse porte, obrigatoriamente, tem os registros e documentos legalmente exigíveis, os quais estão sempre à disposição, para qualquer fiscalização a que está sujeita, em qualquer esfera com poderes para tanto. § Não houve, por parte da Recorrente, recusa ou sonegação à apresentação de qualquer documento; a bem da verdade, houve sim, comodismo da Sra. Auditora Fiscal, em lançar o pretenso débito previdenciário, utilizandose do simplista recurso da “aferição indireta”. § A Recorrente deixou de juntar à impugnação inicial documentação necessária, por uma questão de lógica, visto que sua substancial quantidade teria como decorrência a impraticabilidade da análise, pois a Recorrente possui em média 2.500 funcionários/mês, Livros Diários, documentos de suporte, etc. § Totalmente insubsistente a assertiva do(a) Sr.(a) Julgador(a) no item 56 de sua decisão, de que os procedimentos não foram por “aferição indireta”. § Além de todos os fatos já argüidos, devese enfatizar e rejeitar, de plano, a cobrança da alíquota de 0,6% do Sebrae, pois essa contribuição é objeto de matéria específica discutida em nossos Tribunais, por não ser de ordem constitucional e, assim, não devida, pelo que a repugnamos no seu todo o valor lançado, embutido no montante desta NFLD. § Quanto à matéria, a REQUERENTE impetrou em 15/05/2001 Mandado de Segurança de Suspensão de cobrança quanto à contribuição ao SEBRAE, que tramita perante a 14ª Vara Cível Federal da Capital/SP, processo nº 2001.61.00.0131860, no qual se obteve a segurança com abstenção do recolhimento da contribuição ao Sebrae. ASSIM SENDO, ESTÁ “SUBJUDICE” A MATÉRIA, DEVENDO A NFLD SER CANCELADA, POR HAVER DECISÃO JUDICIAL A FAVOR DA REQUERENTE. § Outrossim, são totalmente equivocados e indevidos os valores de encargos, multas, juros e correção cobrados e incluídos na referida NFLD. § CONCLUINDO, a Recorrente contradita a “DECISÃO”, porque é aleatória e totalmente desmotivada, pois cabia à autoridade julgadora singular: apreciar todas as questões suscitadas na defesa, principalmente no que concerne quanto ao critério adotado pela Fl. 273DF CARF MF 10 fiscalização, ante o Regulamento da Previdência Social – artigos 231 a 237 do Decreto nº 3.048/99; § instituir diligência a fim de verificar as alegações da Recorrente; § prolatar decisã o motivada sobre cada uma dessas questões, que constaram expressamente na impugnação inicial da Recorrente, e não fundamentarse no critério sem nexo e incoerente utilizado pela fiscalização. 33. Se é certo que o ato administrativo só tem validade e eficácia jurídica quando praticado com motivação pertinente e adequada, dentro dos princípios da legalidade, da moralidade e da impessoabilidade do mesmo, seguese corolariamente que é nulo o ato administrativo que: i. alheiase completamente aos termos e questões relevantes que constaram expressamente da petição de defesa; ii. omitese totalmente em relação aos mesmos, ensejando interpretações difusas; iii. relega ao mais completo desprezo os pedidos requeridos; iv. quebra o princípio sagrado do contraditório assegurado pela Constituição Federal (art. 5º, LV), haja vista que houve: cerceamento de defesa e ausência de qualquer motivação do ato administrativo. III – O PEDIDO DA RECORRENTE 34. Isto posto, requer, através do CRPS, a quem compete decidir o recurso voluntário, o quanto segue: a) que recebido este, seja o mesmo processado e distribuído a um de seus ilustres membros nominadamente, Relator; b) que todas as circunstâncias fáticas, particulares e especiais aqui minudenciadas e mais as defesas anteriormente apresentadas na esfera administrativa e na de Recurso, sejam analisadas e sopesadas, como parte integrante desta, acatando os argumentos evocados, antes da decisão do E. CRPS; c) que seja acolhido o presente Recurso, para o fim de tornar insubsistente o levantamento feito pelo INSS contra a Recorrente, devidamente identificada no preâmbulo e na petição dirigida ao Sr. Delegado da Receita Previdenciária em São Paulo / Sul, e que integra o presente apelo voluntário; d) que em conseqüência, em decisão fundamentada, o Egrégio Conselho de Recursos da Previdência Social declare insubsistente o aludido levantamento, cancelando o respectivo processo administrativo fiscal daí originado, sem prejuízo de coletar informes e provas consentâneas; e) que seja deferida à ora Recorrente a oitiva de testemunhas a serem arroladas para que os fatos relevantes sejam devidamente corroborados, caso o “CRPS” assim julgar necessários como complementação do presente apelo e observado o princípio amplo e pleno do contraditório, sagrado direito do exercício de defesa de todo o cidadão brasileiro e de suas empresas. 35. É o relatório. Fl. 274DF CARF MF Processo nº 13811.003965/200817 Acórdão n.º 2301005.745 S2C3T1 Fl. 270 11 DA REFORMA DE DECISÃONOTIFICAÇÃO5 36. A presente Notificação Fiscal de Lançamento de Débito encontrase revestida das formalidades legais, tendo sido lavrada de acordo com os dispositivos legais e normativos que disciplinam o assunto, consoante ao disposto nos artigos 1º e 3º da Lei nº 11.098, de 13/01/2005 e artigo 37 da Lei nº 8.212/91. 37. A fiscalização, ao constatar que a empresa não efetuou o recolhimento das contribuições incidentes sobre a remuneração dos segurados empregados constantes das folhas de pagamento e declaradas em Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social – GFIP, lavrou a presente Notificação, em atendimento ao disposto no artigo 37 da Lei nº 8.212/91: "Constatado o atraso total ou parcial no recolhimento de contribuições tratadas nesta lei, ou em caso de falta de pagamento de benefício reembolsado, a fiscalização lavrará notificação de débito, com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, conforme dispuser o regulamento." 38. No entanto, no Relatório Fiscal, fls. 15/16, a AFPS Notificante informa que a empresa recolheu parcialmente os valores devidos aos Terceiros, nas competências 02/2000 e 03/2000, e que este recolhimento foi deduzido do valor devido. 39. No DAD – Discriminativo Analítico de Débito, fls. 04, verificase que nas competências 02/2000 e 03/2000, os valores recolhidos parcialmente pela empresa foram indevidamente lançados na Rubrica 22 – Deduções, destinado à informação dos valores de salário maternidade e saláriofamília, os quais somente são deduzidos dos valores apurados devidos à Previdência Social. 40. Desta forma, considerando que a presente NFLD referese às contribuições destinadas aos Terceiros – SEBRAE, os recolhimentos efetuados pela empresa a título de Terceiros nas competências 02/2000 e 03/2000 (R$ 246,68 e R$ 259,38, respectivamente) não foram abatidos dos valores apurados. 41. Assim, verificase a necessidade de retificação dos valores apurados nas referidas competências, em função dos recolhimentos parciais efetuados pela empresa. 42. Considerando o artigo 25 da Portaria MPS nº 520, de 19/05/2004, publicada no DOU de 20/05/2004, que trata do contencioso administrativo fiscal no âmbito da Previdência Social: Art. 25 O recurso voluntário interposto será apreciado, inicialmente, pela autoridade julgadora do Instituto Nacional do Seguro Social que deverá reformar total ou parcialmente a decisão, quando cabível. (...) § 2º Quando a reforma da decisão for parcialmente favorável ao recorrente, a autoridade julgadora, após a homologação do recurso de ofício da nova decisão, reabrirá novo prazo para recurso. DA RETIFICAÇÃO DO LANÇAMENTO6 5 E_Fls 180/181. Fl. 275DF CARF MF 12 43. Diante do exposto, os valores apurados nas competências 02/2000 e 03/2000 ficam alterados conforme abaixo demonstrado, mantendose os demais valores, de acordo com o DADR – Demonstrativo Analítico do Débito Retificado, fls. 162/163. Competência Valores apurados Valores excluídos Valores mantidos 02/2000 R$ 9.235,68 R$ 246,68 R$ 8.989,00 03/2000 R$ 9.599,83 R$ 259,38 R$ 9.340,45 04/2000 R$ 9.640,98 Zero R$ 9.640,98 05/2000 R$ 10.456,79 Zero R$ 10.456,79 06/2000 R$ 9.996,40 Zero R$ 9.996,40 07/2000 R$ 10.122,32 Zero R$ 10.122,32 08/2000 R$ 10.194,42 Zero R$ 10.194,42 09/2000 R$ 10.272,51 Zero R$ 10.272,51 44. Cabe ressaltar que a presente Reforma de DecisãoNotificação foi emitida em vista da constatação de equívocos no lançamento não verificados quando da emissão da DecisãoNotificação nº 21.404.4/0130/2005, de 13/10/2005, e não há quaisquer outras alterações a serem efetuadas no lançamento, em função das alegações trazidas pela Recorrente no Recurso de fls. 91/103. 45. Isto posto, e Considerando tudo o mais que dos autos consta, JULGO PROCEDENTE EM PARTE o presente lançamento fiscal, e DECIDO: a) Reformar a DecisãoNotificação nº 21.404.4/0130/2005, de 13/10/2005; b) Declarar o contribuinte devedor à Seguridade Social do crédito previdenciário de R$ 161.275,62 (cento e sessenta e um mil, duzentos e setenta e cinco reais e sessenta e dois centavos), consolidado na mesma data do lançamento originário, conforme demonstrativo DADR – Discriminativo Analítico do Débito Retificado, fls. 162/163; c) Recorrer de ofício desta Decisão à Sra. Delegada da Receita Previdenciária São PauloSul. ORDEM DE INTIMAÇÃO7 Ao Serviço de Orientação da Recuperação de Créditos Previdenciários, para cientificar o contribuinte desta Reforma de DecisãoNotificação, fornecendolhe cópia, acompanhada de cópia do DADR – Discriminativo Analítico do Débito Retificado, fls. 162/163, e intimálo a recolher o débito, no prazo de 30 (trinta) dias, conforme o parágrafo 1º do artigo 305 do Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99 (D.O.U. 07.05.99), na redação dada pelo Decreto nº 4.729, de 09/06/2003 (DOU de 10/06/2003), a contar da ciência, ressalvado o direito de interpor novo recurso voluntário ao Conselho de Recursos da 6 E_Fls 181. 7 E_Fls 182. Fl. 276DF CARF MF Processo nº 13811.003965/200817 Acórdão n.º 2301005.745 S2C3T1 Fl. 271 13 Previdência Social CRPS, no mesmo prazo, consoante termos do artigo 25, parágrafo 2º da Portaria MPS n.º 520, de 19/05/2004. Ressaltamos que a Recorrente está amparada por liminar concedida nos autos do Mandado de Segurança nº 2005.61.00.0285984, assegurando a interposição de Recurso administrativo independentemente do depósito prévio do valor de 30%, previsto no artigo 126 da Lei nº 8.213/91, introduzido pelo artigo 10 da Lei nº 9.639/98. Cabe ressaltar, ainda, que, caso não haja o recolhimento do débito, após a expiração do novo prazo de recurso, independentemente de apresentação de novo recurso, pelo contribuinte, os autos deverão retornar para este Serviço de Contencioso Administrativo Previdenciário, para posterior encaminhamento das contra razões ao CRPS. (Fim da transcrição da REFORMA DE DECISÃONOTIFICAÇÃO n° 21.404.4/0123/2006) 2.7. Na sucessão de atos processuais, inserese o Despacho (efls 190) prolatado em 12/09/2006 pelo Serviço de Orientação e Gerenciamento de Recuperação de Créditos (Serec). 2.7.1. Faço a transcrição: 1. Em virtude de Reforma da DecisãoNotificação nº 21.404.4/0123/2006 emitida pelo Serviço do Contencioso Administrativo Previdenciário SECAP foi reaberto o prazo de 30 ( trinta dias) para que a empresa apresentasse novo recurso ou complemento do recurso anteriormente apresentado, caso desejasse. 2. O contribuinte foi cientificado sobre esta reabertura de prazo através de Aviso de Recebimento anexado às fls. 132 dos autos, em 24/07/2006. § Data da ciência da reabertura de para recurso: 24/07/2006 fls. 182; § Data de expiração do prazo para apresentação de novo recurso: 23/08/2006; 3. Tendose expirado o prazo concedido e considerando que até a presente data não houve protocolo de novo recurso pela empresa, sugerimos o encaminhamento deste ao Serviço do Contencioso Administrativo Previdenciário SECAP, em prosseguimento, nos termos do item 2 de fls. 1798. 2.8. Em 03/10/2006, Despacho exarado pelo Serviço de Contencioso Administrativo Previdenciário (efls198/202), considera deserto o recurso apresentado (efls 98/110) e nega seguimento ao mesmo. 2.8.1. Fazse a transcrição parcial do citado despacho (itens 12 a 18, efls 201): 12. Foi informado na Reforma de DecisãoNotificação que após o retorno dos autos ao Serviço de Contencioso Administrativo Previdenciário, independentemente da apresentação de novo Recurso pela empresa, os mesmos seriam encaminhadas com contra razões ao Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, tendo em 8 Efls 186: "Ressaltamos que caso não haja o recolhimento do débito, após a expiração do novo prazo de recurso, independentemente de apresentação de novo recurso, peIo contribuinte, os autos deverão retornar para este Serviço de Contencioso Administrativo Previdenciário,J›ara posterior encaminhamento das contra razões ao CRPS." Fl. 277DF CARF MF 14 vista o fato da Recorrente estar amparada por liminar concedida nos autos do Mandado de Segurança n° 2005.61.00.0285984. 13. No entanto, conforme informações recebidas da Procuradoria Federal Divisão de Cobrança de Grandes Devedores, anexadas às fls. 184, foi proferida sentença na ação mandamental n° 2005.61.00.0285984, denegando a segurança, sendo a decisão publicada no Diário Oficial da União em 23/05/2006. 14. Às fls. 185/189, anexamos telas de consulta ao site da Justiça Federal, com o teor da sentença publicada em 23/05/2006, e histórico das fases do processo. 15. Assim, considerando que a Recorrente não se encontra mais amparada pela decisão proferida no Agravo de Instrumento n° 2005.03.00.0986326, configurase a deserção do Recurso apresentado. 16. Sendo deserto o recurso do sujeito passivo, não lhe será dado seguimento, em virtude do disposto no artigo 29 do Regimento Interno do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, aprovado pela Portaria MPS N° 88, de 22/01/2004. 17. Ressaltamos que a Reforma de DecisãoNotificação foi emitida em vista da constatação de equívocos no lançamento não verificados quando da emissão da DecisãoNotificação n° 21.404.4/0130/2005, de 13/10/2005, e não há quaisquer outras alterações a serem efetuadas no lançamento, em função das alegações trazidas pela Recorrente no Recurso de fls. 91/103. 18. Assim, negamos seguimento ao recurso de fls. 91/103,_em face de sua deserção, tendo em vista o disposto no § 1° do artigo 126, da Lei n° 8.213/91, acrescentado pela Lei n° 9.639. de 25/05/1998, bem como nos artigos 24 e 26 da Portaria MPAS/GM/n.° 520, de 19/05/2004, publicada no D.O.U de 20/05/2004, artigo 306. do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n° 3.058/99 e artigo 29 do Regimento Interno do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, aprovado pela Portaria MPS n° 88, de 22/01/2004. 2.9. Tendo se verificado uma série de incidentes processuais no âmbito da cobrança administrativa/judicial do crédito lançado, cumpre destacar dois atos conclusivos, em despachos manuscritos firmados por Procuradora da Fazenda Nacional (matrícula 480.994) em exercício na Divisão da Dívida Ativa da União vinculada à Procuradoria Regional da Fazenda Nacional da 3ª Região (efls 255/256) 2.9.1. No despacho de fls. 255: Consoante Parecer 891/2010 da PGFN/CRJ e da Súmula Vinculante 21, solicito a alteração de fase do Debcad 35.787.8167 para fase administrativa. Após, encaminhese o PA à Receita Previdenciária (Eqrec ou equipe responsável) para análise do recurso administrativo que não foi conhecido por deserção (fls. 190/194), decisão essa publicada em 03/10/2006. Solicito cautela com o prazo de decadência/prescrição 2.9.2. No despacho de fls. 255: Conforme despacho de fl anterior Fl. 278DF CARF MF Processo nº 13811.003965/200817 Acórdão n.º 2301005.745 S2C3T1 Fl. 272 15 1 Ao apoio Digra para alteração de fase para fase administrativa; 2 À Eqrec (ou outra equipe responsável para análise do recurso administrativo não conhecido por deserção em 10/2006. Tal recurso deve ser analisado em razão da Súmula Vinculante 21. 3. É o relatório. Voto Conselheiro Antonio Sávio Nastureles 4. O recurso é tempestivo. 5. Conforme relatado, não obstante ter sido o recurso ter sido considerado deserto pela falta de depósito recursal (item 2.8 supra), e o processo transitado pela Procuradoria Regional da Fazenda Nacional (item 2.9 supra), houve retorno do processo à fase administrativa, para fins de guardar estrita observância à Súmula Vinculante nº 21 do STF e às recomendações expostas no Parecer PGFN/CRJ/N°891/2010, de modo a restabelecer o fluxo processual com o devido processamento do Recurso Voluntário (efls 98/110) em face da DecisãoNotificação n.° 21.404.4/0130/2005 (efls 74/87). DDAA EEXXIIGGÊÊNNCCIIAA FFIISSCCAALL CCOONNTTRRIIBBUUIIÇÇÕÕEESS DDEESSTTIINNAADDAASS AAOOSS TTEERRCCEEIIRROOSS SSEEBBRRAAEE 6. A lavratura da NFLD 35.787.8167 decorre do fato da empresa ter questionado judicialmente "a contribuição destinada ao SEBRAE conforme ação mandamental n° 2001.61.00.0131860, encontrandose a mesma com exigibilidade suspensa por força de decisão judicial. 6.1. Ao compulsar os autos, verificase que o item 17.1 (efls 29) da peça impugnatória faz referência específica ao ingresso da ação judicial: 17.1 Quanto a matéria, a REQUERENTE impetrou em 15/05/2001 Mandado de Segurança de Suspensão de Cobrança quanto a contribuição ao Sebrae, que tramita perante a 14ª Vara Cível Federal da Capital/SP., processo n° 2001.61.00.0131860, no qual se obteve a Segurança com abstenção do recolhimento da contribuição ao Sebrae. ASSIM SENDO, ESTÁ "SUBJUDICE" A MATÉRIA DEVENDO A NFLD SER CANCELADA, POR HAVER DECISÃO JUDICIAL A FAVOR DA REQUERENTE. 6.2. Essa alegação está repetida na peça recursal com a mesma literalidade (efls 106/107). 6.3. Verificase, portanto, a higidez da análise feita pela decisão de primeira instância ao "não conhecer da Impugnação no que diz respeito ao mérito das contribuições destinadas ao SEBRAE". Fl. 279DF CARF MF 16 6.4. Em vista do exposto, não conheço do recurso concernente às questões de mérito relacionada às contribuições destinadas ao SEBRAE. 7. No que respeita às demais questões suscitadas no recurso, por serem idênticas às suscitadas na impugnação (efls 22/33), adoto como razões de decidir os mesmos fundamentos contidos no capítulo decisório9 da DECISÃONOTIFICAÇÃO N.° 21.404.4/0130/2005. DA DECISÃO 21. Em que pesem os esforços da Impugnante, seus argumentos não têm o condão de elidir ou alterar o lançamento fiscal, como restará demonstrado. 22. A presente Notificação Fiscal de Lançamento de Débito encontrase revestida das formalidades legais, tendo sido lavrada de acordo com os dispositivos legais e normativos que disciplinam o assunto, consoante ao disposto nos artigos 1° e 3° da Lei n° 11.098, de 13/01/2005 e artigo 37 da Lei n° 8.212/91, e como conseqüência, não há que se falar em improcedência ou nulidade do lançamento. 23. O enquadramento legal e a descrição dos fatos possibilitam a compreensão da origem da exigência lançada, bem como, a fiscalização demonstrou claramente como foram apurados os valores devidos. 24. O artigo 30, inciso I, alínea "b" da Lei n° 8.212/91, na redação dada pela Lei n° 9.876/99, estabelece que a empresa é obrigada a recolher as contribuições a seu cargo incidentes sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas, a qualquer titulo, aos segurados empregados a seu serviço, até o dia dois do mês seguinte ao da competência; dispositivo legal que não foi cumprido pela Notificada. 25. A fiscalização, ao constatar que a empresa não efetuou o recolhimento das contribuições incidentes sobre a remuneração dos segurados empregados constantes das folhas de pagamento e declaradas em Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social GFIP, lavrou a presente Notificação, em atendimento ao disposto no artigo 37 da Lei n° 8.212/91: "Constatado o atraso total ou parcial no recolhimento de contribuições tratadas nesta lei, ou em caso de falta de pagamento de beneficio reembolsado, a fiscalização lavrará notificação de débito, com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, conforme dispuser o regulamento." 26. Inicialmente, cabe ressaltar que não há qualquer procedência nas alegações da empresa de que o presente lançamento foi efetuado através do procedimento de aferição indireta. Conforme visto, os valores que serviram de base de cálculo para a constituição do crédito foram obtidos através das folhas de pagamento elaboradas pela própria empresa e apresentadas por ocasião da ação fiscal que resultou na lavratura da NFLD n° 35.230.7030, assim como foram declarados pela empresa em Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social GFIP, também apresentadas à fiscalização naquela ocasião. 27. Os documentos que serviram de base para o lançamento, folhas de pagamento e GFIPs são documentos devidamente estabelecidos em legislação previdenciária, conforme artigo 32, incisos I e IV, da Lei n° 8.212/91 e artigo 225, incisos I e IV, do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto 9 Efls. 78 em diante. Fl. 280DF CARF MF Processo nº 13811.003965/200817 Acórdão n.º 2301005.745 S2C3T1 Fl. 273 17 n° 3.048/99, cabendo destacar o disposto nos §§ 2° e 1° dos referidos artigos, respectivamente: Lei n° 8.212/91: . Art. 32. A empresa é também obrigada a: I preparar folhasdepagamento das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidos pelo órgão competente da Seguridade Social; (...) lV informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro SocialINSS, por intermédio de documento a ser definido em regulamento, dados relacionados aos fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS. (incluido pela Lei 9.528 de 10.12.97z (...) § 2° As informações constantes do documento de que trata o inciso IV, servirão como base de cálculo das contribuições devidas ao Instituto Nacional do Seguro SocialINSS, bem como comporão a base de dados para fins de cálculo e concessão dos benefícios previdenciários. (incluido pela Lei 9. 528. de 10.12.97) Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048/99: Art. 225. A empresa é também obrigada a: I preparar folha de pagamento da remuneração paga, devida ou creditada a todos os segurados a seu serviço, devendo manter, em cada estabelecimento, uma via da respectiva folha e recibos de pagamentos; (...) IV informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro Social, por intermédio da Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social, na forma por ele estabelecida, dados cadastrais, todos os fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações de interesse daquele Instituto; (...) § 1º As informações prestadas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social servirão como base de cálculo das contribuições arrecadadas pelo Instituto Nacional do Seguro Social, comporão a base de dados para fins de cálculo e concessão dos benefícios previdenciários, bem como constituirseão em termo de confissão de dívida, na hipótese do não recolhimento. 28. Desta forma, não há que causar estranheza à lmpugnante o procedimento da fiscalização em basearse nas folhas de pagamento e GFIPS apresentadas, uma vez que o mesmo encontrase totalmente amparado pela legislação em vigor, sendo o lançamento efetuado com base em documentos e informações fornecidos pela Fl. 281DF CARF MF 18 própria empresa, que não comprovou haver erro material a respeito, portanto, constituindose em perfeita confissão de divida, o que é previsto legalmente. 29. Ressaltase inclusive que embora até o presente momento as contribuições declaradas em GFIP e não recolhidas estejam sendo incluídas em Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD, já há previsão legal de cobrança automática destas contribuições, que dispensam o lançamento de ofício: Lei n° 8.212/91: Art. 33 (...) § 7° O crédito da Seguridade Social é constituído por meio de notificação de débito, auto de infração, confissão ou documento declaratório de valores devidos e não recolhidos apresentado pelo contribuinte. " (grifos nossos) Regulamento da Previdência Social RPS. aprovado pelo Decreto n° 3.048/99: Art. 242 (...) § 1° Os valores das contribuições incluídos na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social, não recolhidos ou não parcelados serão inscritos na Divida Ativa do Instituto Nacional do Seguro Social, dispensandose o processo administrativo de natureza contenciosa. " (destacamos) 30. Quanto aos protestos pela não verificação dos Livros Diários, ressaltamos que o item 5 do Relatório Fiscal da NFLD n° 35.230.7030, citado pela própria empresa em sua impugnação, esclarece que a fiscalização foi do tipo parcial (sem a verificação dos Livros Diários), tendo em vista que os mesmos foram apreendidos conforme "Auto de Exibição e Apreensão" IP 038/2000, lavrado em 14/08/2000, pelo 85° Distrito Policial/Jardim Mirna, onde consta a apreensão dos Livros Diários da empresa referentes ao período de 01/1996 a 12/1999. 31. Cabe lembrar que a legislação previdenciária determina no inciso II do artigo 32 da Lei n° 8.212/91: Art. 32. A empresa é também obrigada a: (...) II lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos; 32. Assim, caso a fiscalização tivesse verificado a contabilidade da empresa, é de se supor que nos Livros Diários deveriam estar registrados exatamente os mesmos valores constantes das folhas de pagamento e GFIP, que serviram de base para o levantamento. 33. Ademais, não trouxe a lmpugnante quaisquer documentos que comprovem suas alegações assim como não foram apresentados novos cálculos que pudessem demonstrar a inexatidão dos valores apurados. 34. Diante do exposto, não há qualquer necessidade de nova diligência à empresa, como solicitado na impugnação, uma vez que conforme já salientado o levantamento não foi efetuado por aferição indireta, mas sim com base em documentos oficiais da empresa, que tiveram sua credibilidade e correção aceitas. Fl. 282DF CARF MF Processo nº 13811.003965/200817 Acórdão n.º 2301005.745 S2C3T1 Fl. 274 19 35. No que se refere às contribuições destinadas ao SEBRAE, conforme informado no Relatório Fiscal, estão sendo questionadas judicialmente pela empresa, através do Mandado de Segurança n° 2001.61.00.0131860, fato confirmado na impugnação e documentos de fls. 63/65. 36. Em que pese o direito da empresa em socorrerse da via judicial, conforme preceito insculpido no art. 142, parágrafo único, do CTN, a Administração tem o dever legal de formalizar o crédito tributário. Vejamos: Art. 142 Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. 37. Sobre as alegações trazidas pela empresa quanto à inconstitucionalidade da contribuição ao SEBRAE, cabe destacar que o julgamento administrativo de matérias discutidas na esfera judicial se limita à parte diferenciada não submetida ao contencioso judicial. 38. Desta forma, forçoso é o reconhecimento da renúncia à via administrativa, no que toca ao direito de recorrer, bem como desistência da Impugnação apresentada no que diz respeito às contribuições ao SEBRAE, consoante dispõe o artigo 126, § 3° da Lei n° 8.213/91, reproduzido pelo artigo 307 do RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048/99, in verbis Lei n° 8.213/91: Art. 126 ............................................................... _. (...) § 3° A propositura, pelo beneficiário ou contribuinte, de ação que tenha por objeto idêntico pedido sobre o qual versa o processo administrativo importa renúncia ao direito de recorrer na esfera administrativa e desistência do recurso interposto. " Regulamento da Previdencia Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048/99: Art. 307. A propositura, pelo beneficiário ou contribuinte, de ação que tenha por objeto idêntico pedido sobre o qual versa o processo administrativo importa renúncia ao direito de recorrer na esfera administrativa e desistência do recurso interposto. 39. No mesmo sentido, o artigo 41 da Portaria MPS n° 520/2004, de 19/05/2004, D.O.U. de 20/05/2004, que dispõe sobre o contencioso administrativo fiscal no âmbito do INSS, assim dispõe: Art. 41. A propositura pelo sujeito passivo de ação judicial, por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento, que tenha por objeto idêntico pedido sobre o qual trate o processo administrativo importa renúncia ao contencioso regulado por este ato. Fl. 283DF CARF MF 20 40. Considerando ainda o artigo 10, inciso III, da referida Portaria n° 520/2004: Art. 10. Constituem razões de não conhecimento da impugnação: I a intempestividade; Il a ilegitimidade de parte; III a perda do objeto por renúncia ou desistência à utilização da via administrativa. (grifamos) 41. Quanto aos dispositivos legais que embasam o lançamento fiscal, conforme consta do Relatório Fiscal, o levantamento foi efetuado com fulcro na Lei n° 8.212/91 e demais diplomas legais elencados no anexo FLD Fundamentos Legais do Débito, que contém toda a legislação vigente à época de ocorrência dos fatos geradores, não se verificando qualquer intenção em confundir a lmpugnante. 42. Em relação aos acréscimos legais incidentes sobre o valor das contribuições devidas, os mesmos atendem às disposições do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048/99, em seu artigo 239 § 6°, tendo sido assim aplicadas as determinações da Lei vigente em cada competência, conforme comprova o anexo FLD Fundamentos Legais do Débito, que apresenta detalhadamente os fundamentos legais por período e o método de cálculo. 43. Quanto à multa aplicada, está fundamentada no artigo 35 da Lei n.° 8.212, de 24/07/1991, na redação dada pela Lei n.° 9.876, de 26/11/1999, transcrito a seguir, assim como demais dispositivos legais elencados no anexo Fundamentos Legais do Débito, especificamente como “Acréscimos Legais Multa”. Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: (Redação alterada pela Lei n° 9.876/99) (...) II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: (Redação dada pela Lei n° 9.528/97) a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; (Redação alterada pela Lei n° 9.876/99) b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da notificação,'(Redação alterada pela Lei n° 9.876/99) c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; (Redação alterada pela Lei n° 9.876/99) d) cinqüenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de . Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em D/vida Ativa; (Redação alterada pela Lei n° 9.876/99) (...) § 4º Na hipótese de as contribuições terem sido declaradas no documento a que se refere o inciso IV do art. 32, ou quando se tratar de empregador doméstico ou de empresa ou segurado dispensados de apresentar o citado Fl. 284DF CARF MF Processo nº 13811.003965/200817 Acórdão n.º 2301005.745 S2C3T1 Fl. 275 21 documento, a multa de mora a que se refere o caput e seus incisos será reduzida em cinqüenta por cento. (Acrescentado pela Lei n° 9.876/99) 44. Assim, tendo sido as contribuições em tela declaradas em GFIP pela empresa, o lançamento, vinculado ao texto do parágrafo 4° do artigo 35 da Lei n.° 8.212/91, incluído pela Lei n.° 9.876/99, foi realizado contemplando o benefício da redução da multa de mora em 50%. sendo aplicada efetivamente no percentual de 15%, conforme se pode verificar no anexo “DSD Discriminativo Sintético do Débito", de fls. 06/07. 45. Em relação à taxa SELIC, a mesma está expressamente prevista na legislação previdenciária, cabendo transcrever o artigo 34 da Lei n.° 8.212/91, constante do anexo FLD Fundamentos Legais do Débito FLD: Lei n° 8.212/91: Art. 34. As contribuições sociais e outras importâncias arrecadadas pelo INSS, incluídas ou não em notificação fiscal de lançamento, pagas com atraso, objeto ou não de parcelamento, ficam sujeitas aos juros equivalentes àtaxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia, SELIC, a que se_refere o art. 13 da Lei n° 9.065, de 20 de junho de 1995, incidentes sobre o valor atualizado, e multa de mora, todos de caráter irrelevável. (Artigo restabelecido, com nova redação dada pela Lei n° 9.528, de 10.12.97) 46. O Supremo Tribunal Federal, em Ação Declaratória de Inconstitucionalidade julgada improcedente por maioria de votos na ADIN 0000004/1 TAXA DE JUROS REAIS, concluiu que não é autoaplicável a norma do parágrafo 3° do artigo 192 da CF/88, exigindo regulamentação por lei complementar. Também decidiu o STF no AGRRE248116/RS: "TAXA DE JUROS REAIS LIMITE FIXADO EM 12% A.A. (CF, ART. 192, § 3°) NORMA CONSTITUCIONAL DE EFICÁCIA LIMITADA IMPOSSIBILIDADE DE SUA APLICAÇÃO IMEDIATA NECESSIDADE DA EDIÇÃO DA LEI COMPLEMENTAR EXIGIDA PELO TEXTO CONSTITUCIONAL APLICABILIDADE DA LEGISLAÇÃO ANTERIOR A CF/88 RECURSO DE AGRAVO PROVIDO. A regra inscrita no art. 192, § 3°, da Carta Política norma constitucional de eficácía limitada constitui preceito de integração que reclama, em caráter necessário, para efeito de sua plena incidência, a mediação legislativa concretizadora do comando nela positivado. Ausente a lei complementar reclamada pela Constituição, não se revela possivel a aplicação imediata da taxa de juros reais de 12% a.a. prevista no art. 192, § 3°, do texto constitucional. " (ver também: ADI04, RTJ147/719, RE160474, RTJ150/950, RTJ 151/6345, RTJ 1 52/666) 47. E a Emenda Constitucional n° 40 de 29/05/2003, publicada no D.O.U. de 30/05/2003, está de acordo com o entendimento anterior do STF de que o artigo 192, § 3° não era autoaplicável, necessitando de Lei Complementar para sua regulamentação: EMC n° 40 Fl. 285DF CARF MF 22 Art. 2° O art. 192 da Constituição Federal passa a vigorar com a seguinte redação: "Art. 192 O sistema financeiro nacional, estruturado de forma a promover o desenvolvimento equilibrado do Pais e a sen/ir aos interesses da coletividade, em todas as partes que o compõem, abrangendo as cooperativas de crédito, será regulado por leis complementares que disporão, inclusive, sobre a participação do capita/ estrangeiro nas instituições que o integram. I (Revogado). ll (Revogado). ll/ (Revogado) a) (Revogado) b) (Revogado) lV (Revogado) V (Revogado) Vl (Revogado) Vl/ (Revogado) VIII (Revogado) § 1° (Revogado) § 2° (Revogado) § 3° (Revogado) " 48. Finalmente, cabe ressaltar que as alegações de inconstitucionalidade e ilegalidades pela impugnante em sua defesa não podem ser objeto de discussão na esfera administrativa. Neste sentido, sendo a atividade administrativa plenamente vinculada aos ditames da lei, não pode a autoridade se furtar ao seu cumprimento enquanto não houver decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), guardião da Constituição Federal de 1988, conforme dispõe seu art. 102, inciso I, alínea “a": Art.102 Compete ao Supremo Tribunal Federal, precipuamente, a guarda da Constituição, cabendolhe: I processar e julgar, originariamente: a) a ação direta de inconstitucionalidade de lei ou ato normativo federal ou estadual e a ação declaratória de constitucionalidade de lei ou ato normativo federal; (Redação dada pela Emenda Constitucional 3/93 D. O. U. 18.03.93). 49. Além disso, 'a Portaria n° 520 de 19/05/2004 do Ministério da Previdência Social (MPS), que rege o contencioso administrativo no âmbito do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), também disciplinou a matéria em seu art. 20: Art. 20 É vedado ao Instituto Nacional do Seguro Social afastar a aplicação, por inconstitucionalidade ou ilegalidade, de tratado, acordo internacional, lei, decreto ou ato normativo em vigor, ressalvados os casos em que: I já tenha sido declarada a inconstitucionalidade da norma pelo Supremo Tribunal Federal, em ação direta, após a publicação da decisão, ou pela via incidental, após a publicação da resolução do Senado Federal que suspender a sua execução; Il haja decisão judicial, proferida em caso concreto, afastando a aplicação da norma, por ilegalidade ou inconstitucionalidade, cuja extensão dos efeitos jurídicos tenha sido autorizada pelo Presidente da República. 50. Portanto, a instância administrativa não é fórum adequado a discussões sobre inconstitucionalidade, devendo a Administração cumprir a lei, sob pena de responsabilidade funcional. Fl. 286DF CARF MF Processo nº 13811.003965/200817 Acórdão n.º 2301005.745 S2C3T1 Fl. 276 23 51. Cabe ressaltar que a observância da ampla defesa ocorre quando é dada ou facultada a oportunidade à parte interessada em ser ouvida e a produzir provas, no seu sentido mais amplo, com vistas a demonstrar a sua razão no litígio. Assim, foi plenamente assegurado à empresa o direito constitucional da ampla defesa, que dentro do prazo regulamentar, apresentou impugnação ao lançamento, da qual se depreende que soube a Notificada identificar perfeitamente os fatos geradores e as contribuições lançadas. 52. Finalmente, quanto à manifestação pelo direito de complementação da defesa, com novas argüições, provas e documentos, ressaltamos que o § 1° do artigo 9° da Portaria MPS n° 520/2004 assim dispõe: Art. 9°. A impugnação mencionará: (...) § 1°. "A prova documental será apresentada na impugnação, prec/uindo o direito de o impugnante fazéIo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. § 2° A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. 53. Por sua vez, o § 6° da mesma Portaria, dispõe que: §6°, Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada. Pedido de diligência indeferimento 54. Os motivos apresentados para justificar a diligência solicitada não demonstram a necessidade de atendimento ao pedido da empresa. 55. A Portaria MPS n° 520/2004 assim prevê em seu artigo 11: Art. 11. A autoridade julgadora determinará de of/cio ou a requerimento do interessado, a realização de diligência ou perícia, quando as entender necessárias, indeferindo, mediante despacho fundamentado ou na respectiva DecisãoNotificaçäo, aquelas que considerar prescindíveis, protelatórias ou impraticáveis. 56. E conforme já exposto no item 45 desta DecisãoNotificação, o presente lançamento não foi efetuado através do procedimento de aferição indireta, mas sim com base em folhas de pagamento e Guias do Recolhimento do FGTS e informações à Previdência Social, documentos oficiais da empresa, por ela emitidos e apresentados à fiscalização, sendo que os mesmos tiveram sua credibilidade e correção aceitas. ((FFIIMM DDAA TTRRAANNSSCCRRIIÇÇÃÃOO DDOO CCAAPPÍÍTTUULLOO DDEECCIISSÓÓRRIIOO DDAA DDEECCIISSÃÃOONNOOTTIIFFIICCAAÇÇÃÃOO NN..°° 2211..440044..44//00113300//22000055)) Fl. 287DF CARF MF 24 CCOONNCCLLUUSSÃÃOO 8. Em vista do exposto, voto por conhecer parcialmente do recurso voluntário, desconhecendo das questões envolvendo inconstitucionalidade de lei e sujeitas à concomitância com ação judicial, para, na parte conhecida, rejeitar as preliminares e no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. (Assinado digitalmente) Antonio Sávio Nastureles Relator Fl. 288DF CARF MF
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Numero do processo: 11020.903330/2015-21
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Dec 20 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Ano-calendário: 2010
DESPACHO DECISÓRIO. MOTIVAÇÃO SUFICIENTE E ADEQUADA. INEXISTÊNCIA DE CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE DA DECISÃO A QUO. IMPOSSIBILIDADE.
Não é passível de nulidade o despacho decisório que esteja devidamente motivado e fundamentado, possibilitando o pleno exercício do direito de defesa do contribuinte.
ÔNUS DA PROVA. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. DIREITO DE CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. ARTIGOS 16 E 17 DO DECRETO Nº 70.235/1972.
Nos processos em que as declarações de compensação não são homologadas por constar perante a Secretaria da Receita Federal do Brasil a utilização integral do crédito para quitação de outro débito, é ônus do Contribuinte apresentar e produzir todas as provas necessárias para demonstrar a liquidez e certeza de seu direito creditório, aplicando-se o artigo 373, inciso I do Código de Processo Civil.
MULTA E JUROS DE MORA.
Débitos indevidamente compensados por meio de Declaração de Compensação não homologada sofrem incidência de multa e juros de mora. Artigo 61 da Lei nº 9.430/1996.
INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMA. SÚMULA CARF Nº 2.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Recurso Voluntário Negado.
Direito Creditório Não Reconhecido.
Numero da decisão: 3402-005.731
Decisão:
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra (Presidente), Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Cynthia Elena de Campos, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes e Renato Vieira de Ávila (suplente convocado em substituição à conselheira Thais de Laurentiis Galkowicz). Ausente, justificadamente, a conselheira Thais de Laurentiis Galkowicz.
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. PIS Recorrente KEKO ACESSORIOS S.A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2010 DESPACHO DECISÓRIO. MOTIVAÇÃO SUFICIENTE E ADEQUADA. INEXISTÊNCIA DE CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE DA DECISÃO A QUO. IMPOSSIBILIDADE. Não é passível de nulidade o despacho decisório que esteja devidamente motivado e fundamentado, possibilitando o pleno exercício do direito de defesa do contribuinte. ÔNUS DA PROVA. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. DIREITO DE CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. ARTIGOS 16 E 17 DO DECRETO Nº 70.235/1972. Nos processos em que as declarações de compensação não são homologadas por constar perante a Secretaria da Receita Federal do Brasil a utilização integral do crédito para quitação de outro débito, é ônus do Contribuinte apresentar e produzir todas as provas necessárias para demonstrar a liquidez e certeza de seu direito creditório, aplicandose o artigo 373, inciso I do Código de Processo Civil. MULTA E JUROS DE MORA. Débitos indevidamente compensados por meio de Declaração de Compensação não homologada sofrem incidência de multa e juros de mora. Artigo 61 da Lei nº 9.430/1996. INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMA. SÚMULA CARF Nº 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 90 33 30 /2 01 5- 21 Fl. 158DF CARF MF Processo nº 11020.903330/201521 Acórdão n.º 3402005.731 S3C4T2 Fl. 0 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra (Presidente), Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Cynthia Elena de Campos, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes e Renato Vieira de Ávila (suplente convocado em substituição à conselheira Thais de Laurentiis Galkowicz). Ausente, justificadamente, a conselheira Thais de Laurentiis Galkowicz. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte/MG, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela Recorrente, rejeitando as preliminares da defesa e não homologando as compensações apresentadas por não reconhecer o direito creditório postulado. O Despacho Decisório negou a homologação por considerar que o crédito informado no PER/DCOMP foi integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, não restando saldo remanescente para a compensação declarada, resultando na cobrança do valor consolidado correspondente aos débitos indevidamente compensados. Em manifestação de inconformidade alegou preliminarmente a Contribuinte que é legítima detentora de créditos apresentados para compensação originados de pagamentos realizados de maneira indevida e a maior, sendo que o despacho decisório impugnado deve ser declarado nulo em razão de: i)Ausência de fundamentação, resultando em desvio de finalidade na busca pela verdade material, uma vez que não foi diligenciado para aferição do crédito pleiteado e não intimou a Contribuinte a prestar informações; ii) É dever da Autoridade fiscal, por aplicação do artigo 7º do Decreto nº 70.235/72, instruir o procedimento fiscal, como a solicitação de informações ao Contribuinte, apreensão de documentos fiscais, diligências até a sede da Empresa, entre outros expedientes; iii) Não foi respeitado o contraditório, o devido processo legal e a ampla defesa. Fl. 159DF CARF MF Processo nº 11020.903330/201521 Acórdão n.º 3402005.731 S3C4T2 Fl. 0 3 No mérito, alegou a Contribuinte que: iv) Deve ser possibilitada posterior juntada de documentos que comprovem as alegações trazidas em manifestação de inconformidade, em respeito ao princípio administrativo da verdade material, possibilitando a comprovação do direito creditório; v) É ilegal e inconstitucional a multa aplicada sobre o montante do tributo devido, devendo ser aplicados os princípios constitucionais do não confisco, razoabilidade e proporcionalidade; vi) O percentual de multa aplicado para o caso de descumprimento de obrigação principal, mesmo que expressamente previsto na legislação pertinente, deveria sempre guardar proporção com o valor da prestação tributária exigida, bem como adequarse e/ou assemelharse aos novos critérios de aplicação de multas estabelecidos para as relações contratuais que envolvem questões de direito privado. O Acórdão nº 02073.121 considerou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada face a ausência de comprovação de direito creditório líquido e certo. Regularmente cientificada desta decisão, a Recorrente interpôs tempestivamente o Recurso Voluntário ora em apreço, onde repisa os argumentos expostos em sua manifestação de inconformidade. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402005.721, de 24 de outubro de 2018, proferido no julgamento do processo 11020.900604/201610, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Resolução 3402005.721): "Pressupostos legais de admissibilidade O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais pressupostos legais de admissibilidade, devendo ser conhecido. Preliminares Fl. 160DF CARF MF Processo nº 11020.903330/201521 Acórdão n.º 3402005.731 S3C4T2 Fl. 0 4 A Recorrente alega preliminarmente que o despacho decisório é nulo por não ser fundamentado e ferir aos princípios constitucionais da ampla defesa, contraditório e devido processo legal, resultando em desvio de finalidade. Sem razão. Está correta a decisão recorrida ao concluir pela aplicação do artigo 16, § 4º, do Decreto nº 70.235/72. Com a detida análise dos autos é possível constatar que tanto o PERD/COMP, quanto a Manifestação de Inconformidade e o Recurso Voluntário, não estão instruídos com documentos passíveis de corroborar com as alegações da defesa. Ao invés de comprovar a certeza e liquidez ou, ainda, proceder à retificação da DCTF, demonstrando a suficiência do direito creditório para contrapor ao despacho decisório que não homologou a compensação, a Recorrente cingiuse em alegar a ausência das razões da não homologação, invocando os Princípios Constitucionais do Contraditório, Ampla Defesa e Devido Processo Legal, atribuindo o ônus da prova à Autoridade Fazendária. Ao contrário do que alega a Recorrente, aplicase o artigo 373, inciso I do Código de Processo Civil, que atribui o ônus da prova ao autor quanto ao fato constitutivo de seu direito. Neste sentido, a 4ª Câmara da 1ª Turma Ordinária da 3ª Seção deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais proferiu o Acórdão nº 3401003.907, acatando por unanimidade o voto do Conselheiro Relator Augusto Fiel Jorge D'Oliveira ao negar provimento ao Recurso Voluntário interposto no Processo Administrativo Fiscal nº 13832.000095/9970, conforme Ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/1991 a 30/06/1992 ÔNUS DA PROVA. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. ARTIGO 170 DO CTN. Em processos que decorrem do indeferimento de pedido de restituição/compensação, o ônus da prova recai sobre o contribuinte, que deverá apresentar e produzir todas as provas necessárias para demonstrar a liquidez e certeza de seu direito de crédito (artigo 170, do CTN). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao Recurso Voluntário interposto. Transcrevese abaixo parte do fundamento que embasou o respeitável voto do julgado acima citado: Fl. 161DF CARF MF Processo nº 11020.903330/201521 Acórdão n.º 3402005.731 S3C4T2 Fl. 0 5 Em se tratando de pedido de restituição combinado com pedido de compensação, é ônus do contribuinte provar que possui o direito de crédito e no montante por ele alegado, o que implica a guarda da documentação necessária para tanto não pelo prazo de 5 (cinco) anos da realização dos pagamentos, como pretende ver reconhecido o Recorrente, mas até o encerramento da discussão administrativa ou judicial em que pretende ver aquele direito de crédito reconhecido. Nesse sentido, vejam os dispositivos legais a seguir: CTN: "Art. 195. Para os efeitos da legislação tributária, não têm aplicação quaisquer disposições legais excludentes ou limitativas do direito de examinar mercadorias, livros, arquivos, documentos, papéis e efeitos comerciais ou fiscais, dos comerciantes industriais ou produtores, ou da obrigação destes de exibilos. Parágrafo único. Os livros obrigatórios de escrituração comercial e fiscal e os comprovantes dos lançamentos neles efetuados serão conservados até que ocorra a prescrição dos créditos tributários decorrentes das operações a que se refiram". (grifos nossos) Lei nº 10.406, de 2002 (Código Civil): "Art. 1.194. O empresário e a sociedade empresária são obrigados a conservar em boa guarda toda a escrituração, correspondência e mais papéis concernentes à sua atividade, enquanto não ocorrer prescrição ou decadência no tocante aos atos neles consignados" . (grifos nossos) Decreto nº 3.000, de 1999 (RIR/99): "Art. 264. A pessoa jurídica é obrigada a conservar em ordem, enquanto não prescritas eventuais ações que lhes sejam pertinentes, os livros, documentos e papéis relativos a sua atividade, ou que se refiram a atos ou operações que modifiquem ou possam vir a modificar sua situação patrimonial (DecretoLei nº 486, de 1969, art. 4º). (...) Art.923.A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais. (DecretoLei nº1.598, de 1977, art. 9º, §1º)". (grifos nossos) Neste caso, não se aplicam as hipóteses de nulidade previstas pelo artigo 59 do Decreto nº 70.235/1972, uma vez que tanto o despacho decisório, quanto o acórdão recorrido estão motivados pela ausência de crédito suficiente para compensação com os débitos declarados. E não há que se falar em preterição do direito de defesa da Contribuinte. Portanto, afasto as preliminares invocadas no recurso em análise. Mérito Do Princípio da Verdade Material Fl. 162DF CARF MF Processo nº 11020.903330/201521 Acórdão n.º 3402005.731 S3C4T2 Fl. 0 6 A Recorrente invoca o Princípio da Verdade Material para alegar que deveria o Agente Fiscal apurar os fatos independentemente de suposições ou indícios, possibilitando à manifestante a posterior juntada de documentos para comprovar o direito creditório. Com efeito, a busca pela verdade material deve prevalecer, possibilitando ao Contribuinte apresentar todos os meios de provas necessários para comprovação de seu direito. No entanto, é da Contribuinte o ônus da prova passível de contrapor a constatação de utilização dos créditos declarados para compensação, o que não ocorreu no presente caso, pois a Recorrente não apresentou qualquer documento passível de comprovar o direito alegado, tampouco procedeu à Retificação da DCTF no prazo concedido para manifestação de inconformidade. O Artigo 37 da Lei nº 9.430/1996 prevê que "Os comprovantes da escrituração da pessoa jurídica, relativos a fatos que repercutam em lançamentos contábeis de exercícios futuros, serão conservados até que se opere a decadência do direito de a Fazenda Pública constituir os créditos tributários relativos a esses exercícios". Reiterase a aplicação do artigo 373, inciso I do Código de Processo Civil, que atribui o ônus da prova ao autor quanto ao fato constitutivo de seu direito, bem como a incidência do artigo 16, § 4º, do Decreto nº 70.235/72. Neste sentido, citase o Acórdão nº 3302005.292, proferido pela 3ª Câmara da 2ª Turma Ordinária da 3ª Seção deste Tribuna Administrativo: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2005 a 31/03/2005 DA CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. AUSÊNCIA DE PROVA. INDEFERIMENTO. O direito creditório objeto de pedido de ressarcimento de créditos da Contribuição para o PIS/Pasep será indeferido se o contribuinte não apresentar os documentos necessários a análise e confirmação do valor do crédito pleiteado/compensado. Para esse fim, o postulante deve apresentar à fiscalização, quando solicitado, os arquivos digitais e os documentos fiscais e contábeis necessários à comprovação dos créditos apropriados. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2004 Fl. 163DF CARF MF Processo nº 11020.903330/201521 Acórdão n.º 3402005.731 S3C4T2 Fl. 0 7 CRÉDITO ESCRITURAL DA CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP E COFINS. DEDUÇÃO, RESSARCIMENTO OU COMPENSAÇÃO. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. IMPOSSIBILIDADE. O aproveitamento de crédito decorrente do regime não cumulativo da Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins, seja sob a forma de dedução, compensação ou ressarcimento, não ensejará atualização monetária ou incidência de juros moratórios. COMPENSAÇÃO DECLARADA. ANÁLISE ANTES DE COMPLETADO O PRAZO DE CINCO ANOS. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. IMPOSSIBILIDADE. Não há homologação tácita da compensação declarada quando o contribuinte é cientificado do despacho decisório não homologatório da compensação antes de completado o prazo de cinco anos, contado da data da apresentação da correspondente declaração de compensação. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2004 PEDIDO DE PERÍCIA/DILIGÊNCIA.. IMPRESCINDIBILIDADE DA NOVA PROVA. INDEFERIMENTO. Se nos autos há todos os elementos probatórios necessários e suficientes à formação da convicção do julgador quanto às questões de fato objeto da lide, indeferese, por prescindível, o pedido de diligência e perícia formulado. PEDIDO DE PERÍCIA E DILIGÊNCIA. INDEFERIMENTO PELA AUTORIDADE JULGADORA. MOTIVAÇÃO SUFICIENTE E ADEQUADA. INEXISTÊNCIA DE CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE DA DECISÃO A QUO. IMPOSSIBILIDADE. 1. No âmbito do processo administrativo fiscal, a produção da prova pericial somente se justifica nos casos a análise da prova exige conhecimento técnico especializado. Por não atender tal condição, a apreciação de documentos contábeis e fiscais prescinde de realização de perícia técnica. 2. O indeferimento de pedido de diligência ou perícia não configura vício de nulidade da decisão de primeira instância, por cerceamento ao direito de defesa, nos casos em que a autoridade julgadora, fundamentadamente, demonstra que a produção da prova pericial e realização da diligência eram desnecessárias e prescindíveis para o deslinde da controvérsia. Fl. 164DF CARF MF Processo nº 11020.903330/201521 Acórdão n.º 3402005.731 S3C4T2 Fl. 0 8 DIREITO CREDITÓRIO. PROVA IMPRESCINDÍVEL À COMPROVAÇÃO. NÃO APRESENTAÇÃO NA FASE PROCEDIMENTAL DE FORMA DELIBERADA E INTENCIONAL. PRINCÍPIO DO NEMO AUDITUR PROPRIAM TURPITUDINEM ALLEGANS. REABERTURA DA INSTRUÇÃO PROBATÓRIA NA FASE RECURSAL. NÃO CABIMENTO. Se no curso do procedimento fiscal, após ser intimada e reintimada a recorrente, de forma deliberada e como estratégia de defesa, omitese de apresentar os arquivos digitais e a documentação contábil e fiscal necessária à apuração da certeza e liquidez do crédito da Cofins pleiteado, a reabertura da instrução probatória na fase recursal, inequivocamente, implicaria clara afronta ao princípio jurídico de que ninguém pode se beneficiar de sua própria torpeza (ou nemo auditur propriam turpitudinem allegans). DESPACHO DECISÓRIO PROFERIDO POR AUTORIDADE COMPETENTE. CERCEAMENTO DE DIREITO DE DEFESA INEXISTENTE. NULIDADE. IMPOSSIBILIDAE. Não é passível de nulidade o despacho decisório proferido por autoridade competente da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) e que contenha todos os fundamentos fáticos e jurídicos suficientes para o pleno exercício do direito de defesa do contribuinte. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE. POSSIBILIDADE. No âmbito do processo administrativo fiscal, em que formalizado pedido de ressarcimento de direito creditório, o ônus da prova recai sobre o contribuinte autor pedido. Recurso Voluntário Negado. Com isso, está correta a decisão de primeira instância. Da alegação de Inaplicabilidade da multa em face do Princípio Constitucional do Não Confisco e dos Princípios Administrativos da Razoabilidade e da Proporcionalidade. A Recorrente questiona a multa aplicada, alegando tratar se de penalidade confiscatória, ilegal e inconstitucional. Alega que: O valor lançado a título de multa, flagrantemente ilegal como a seguir demonstrarseá, é manifestamente excessivo, ferindo, desta maneira o princípio constitucional do não confisco e dos princípios administrativos da razoabilidade e da proporcionalidade. Fl. 165DF CARF MF Processo nº 11020.903330/201521 Acórdão n.º 3402005.731 S3C4T2 Fl. 0 9 Neste contexto, é princípio básico que a pena, no caso a multa aplicada em face de infrações, não pode ultrapassar os estritos limites da lei – ou ainda, do direito como um todo valendo para o caso específico do direito tributário, a definição legal do tributo como insuscetível de servir como instrumento de penalização do contribuinte. (...) De outra banda, importa consignar que as obrigações acessórias, entre elas a multa, podem ter duas naturezas, sendo uma tributária e, neste caso, converterse em principal, e a outra de natureza punitiva, que, ipso jure, convertese também em principal. No primeiro caso, o que era princípio na legislação esparsa, convertese em mandamento constitucional e legal impeditivo da bitributação com a mesma base de cálculo, vedando o bis in idem a partir do mesmo fato gerador, expresso no art. 150, I da CF/88, antes focado. Ora ainda que tolerado durante a vigência da Constituição anterior e ainda que contrário ao princípio da tributação, o Código Tributário Nacional, como antes dito, mandava converter a obrigação acessória, qualquer que fosse sua natureza, administrativa ou punitiva, em obrigação principal. Contudo, a tolerância tinha origem na idéia de que a obrigação principal art. 113, 3º, do CTN surge com a ocorrência do fato gerador, e tinha por objeto não apenas o pagamento do tributo, mas também a penalidade pecuniária. (...) Assim, a multa em questão é totalmente inexigível, uma vez que fere explicitamente os princípios legais e constitucionais acima referidos, devendo ser reformado o acórdão recorrido também neste ponto. Ocorre que o artigo 61 da Lei nº 9.430/1996 é taxativo ao estabelecer a fixação de juros de mora e multa. Vejamos: Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. § 1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. Fl. 166DF CARF MF Processo nº 11020.903330/201521 Acórdão n.º 3402005.731 S3C4T2 Fl. 0 10 § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. A multa aplicada atende ao limite de 20% (vinte por cento) estabelecido pelo § 2º acima transcrito. Portanto, não há que se alegar caráter confiscatório, tampouco ausência de razoabilidade e proporcionalidade. Por outro lado, incide a Súmula CARF nº 2, uma vez que este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Dispositivo Ante o exposto, conheço o Recurso Voluntário, rejeito as preliminares suscitadas e, no mérito, NEGO PROVIMENTO para manter na íntegra o acórdão recorrido." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por rejeitar as preliminares suscitadas e, no mérito, negar provimento para manter na íntegra o acórdão recorrido. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Fl. 167DF CARF MF
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Numero do processo: 10875.000652/2005-21
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jan 07 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/01/2005
NORMAS LEGAIS. INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2. INCOMPETÊNCIA.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, posto que a apreciação de tal matéria é de competência exclusiva do Poder Judiciário.
Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/01/2005
PEDIDO DE PERÍCIA/DILIGÊNCIA.
Deve ser indeferido o pedido de perícia/diligência, quando tal providência se revela prescindível para instrução e julgamento do processo.
Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/01/2005
REGIME. NÃO CUMULATIVIDADE. DIREITO DE CRÉDITO. BENS E SERVIÇOS UTILIZADOS COMO INSUMOS. CONCEITO.
Os insumos utilizados na fabricação de produtos e prestação de serviços que dão direito de crédito da contribuição não cumulativa são somente aqueles que representem bens e serviços.
REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. GASTOS. MATERIAL E SERVIÇOS DE LIMPEZA, CONSERVAÇÃO E HIGIENE. UNIFORMES. LAVANDERIA. REMOÇÃO DE LIXO. IMPOSSIBILIDADE DE CRÉDITO.
Os gastos com vestuário, lavanderia, remoção e incineração de lixo e com serviços de conservação e limpeza não se enquadram como de insumos utilizados na produção de bens destinados a venda ou na prestação de serviços, impossibilitando, por consequência, a geração de crédito das contribuições não-cumulativas.
EMPRESA DE CATTERING. DESPESAS. ANÁLISE LABORATORIAL DE REFEIÇÕES. DIREITO AO CRÉDITO.
A análise laboratorial de refeições é efetuada em relação aos produtos que são empregados na prestação de serviço e o seu resultado, inclusive, também, no serviço prestado, de forma que se enquadra como insumo utilizado na prestação de serviço, gerando, por consequência, crédito das contribuições não-cumulativas.
Numero da decisão: 3001-000.649
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade suscitada no recurso e a proposta de conversão do julgamento em diligência. No mérito, por maioria dos votos, em dar provimento parcial, para reconhecer que os gastos com análise laboratorial de alimentos geram direito de crédito, vencido o conselheiro Renato Vieira de Avila que deu provimento ao recurso, por considerar que a totalidade dos gastos geram direito de crédito.
(assinado digitalmente)
Orlando Rutigliani Berri - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Marcos Roberto da Silva, Renato Vieira de Avila e Francisco Martins Leite Cavalcante.
Nome do relator: ORLANDO RUTIGLIANI BERRI
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/01/2005 a 31/01/2005 NORMAS LEGAIS. INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2. INCOMPETÊNCIA. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, posto que a apreciação de tal matéria é de competência exclusiva do Poder Judiciário. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/01/2005 a 31/01/2005 PEDIDO DE PERÍCIA/DILIGÊNCIA. Deve ser indeferido o pedido de perícia/diligência, quando tal providência se revela prescindível para instrução e julgamento do processo. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/01/2005 a 31/01/2005 REGIME. NÃO CUMULATIVIDADE. DIREITO DE CRÉDITO. BENS E SERVIÇOS UTILIZADOS COMO INSUMOS. CONCEITO. Os insumos utilizados na fabricação de produtos e prestação de serviços que dão direito de crédito da contribuição não cumulativa são somente aqueles que representem bens e serviços. REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. GASTOS. MATERIAL E SERVIÇOS DE LIMPEZA, CONSERVAÇÃO E HIGIENE. UNIFORMES. LAVANDERIA. REMOÇÃO DE LIXO. IMPOSSIBILIDADE DE CRÉDITO. Os gastos com vestuário, lavanderia, remoção e incineração de lixo e com serviços de conservação e limpeza não se enquadram como de insumos utilizados na produção de bens destinados a venda ou na prestação de serviços, impossibilitando, por consequência, a geração de crédito das contribuições não-cumulativas. EMPRESA DE CATTERING. DESPESAS. ANÁLISE LABORATORIAL DE REFEIÇÕES. DIREITO AO CRÉDITO. A análise laboratorial de refeições é efetuada em relação aos produtos que são empregados na prestação de serviço e o seu resultado, inclusive, também, no serviço prestado, de forma que se enquadra como insumo utilizado na prestação de serviço, gerando, por consequência, crédito das contribuições não-cumulativas.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2005 a 31/01/2005 NORMAS LEGAIS. INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2. INCOMPETÊNCIA. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, posto que a apreciação de tal matéria é de competência exclusiva do Poder Judiciário. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2005 a 31/01/2005 PEDIDO DE PERÍCIA/DILIGÊNCIA. Deve ser indeferido o pedido de perícia/diligência, quando tal providência se revela prescindível para instrução e julgamento do processo. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2005 a 31/01/2005 REGIME. NÃO CUMULATIVIDADE. DIREITO DE CRÉDITO. BENS E SERVIÇOS UTILIZADOS COMO INSUMOS. CONCEITO. Os insumos utilizados na fabricação de produtos e prestação de serviços que dão direito de crédito da contribuição não cumulativa são somente aqueles que representem bens e serviços. REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. GASTOS. MATERIAL E SERVIÇOS DE LIMPEZA, CONSERVAÇÃO E HIGIENE. UNIFORMES. LAVANDERIA. REMOÇÃO DE LIXO. IMPOSSIBILIDADE DE CRÉDITO. Os gastos com vestuário, lavanderia, remoção e incineração de lixo e com serviços de conservação e limpeza não se enquadram como de insumos AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 87 5. 00 06 52 /2 00 5- 21 Fl. 896DF CARF MF Processo nº 10875.000652/200521 Acórdão n.º 3001000.649 S3C0T1 Fl. 897 2 utilizados na produção de bens destinados a venda ou na prestação de serviços, impossibilitando, por consequência, a geração de crédito das contribuições nãocumulativas. EMPRESA DE CATTERING. DESPESAS. ANÁLISE LABORATORIAL DE REFEIÇÕES. DIREITO AO CRÉDITO. A análise laboratorial de refeições é efetuada em relação aos produtos que são empregados na prestação de serviço e o seu resultado, inclusive, também, no serviço prestado, de forma que se enquadra como insumo utilizado na prestação de serviço, gerando, por consequência, crédito das contribuições nãocumulativas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade suscitada no recurso e a proposta de conversão do julgamento em diligência. No mérito, por maioria dos votos, em dar provimento parcial, para reconhecer que os gastos com análise laboratorial de alimentos geram direito de crédito, vencido o conselheiro Renato Vieira de Avila que deu provimento ao recurso, por considerar que a totalidade dos gastos geram direito de crédito. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Marcos Roberto da Silva, Renato Vieira de Avila e Francisco Martins Leite Cavalcante. Relatório Cuidase de recurso voluntário (efls. 811 a 844) interposto contra o Acórdão 0528.441, da 3ª Turma Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campinas/SP DRJ/CPS que, na sessão de julgamento realizada em 29.03.2010, julgou improcedente a manifestação de inconformidade (efls. 801 a 807). Do relatório da decisão recorrida Por sua clareza e síntese, adoto o relatório da decisão recorrida, que transcrevo, verbis: Relatório Tratase de Declaração de Compensação apresentada em 25/02/2005, mediante a qual a contribuinte extinguiu, sob condição resolutória, débito de IRPJ no montante de RS 64.217,21, apurado em janeiro de 2005, com crédito de Cofins do mesmo período. O direito aproveitado tem origem na sistemática não cumulativa da contribuição e referese a créditos Fl. 897DF CARF MF Processo nº 10875.000652/200521 Acórdão n.º 3001000.649 S3C0T1 Fl. 898 3 vinculados as receitas de exportação, apurados na forma do art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003 e não utilizados na forma do artigo 6º, § 1º, da mesma lei. Em Despacho Decisório de fls. 710/713, a unidade local reconheceu direito creditório na cifra de R$ 50.149,80, homologando a compensação até esse montante. O motivo para o reconhecimento parcial do direito de crédito foi assim explicitado no parecer que orientou a decisão administrativa: Em análise mediante conferência dos valores dos Demonstrativos de Apuração dos créditos do DACON (fls. 28 a 38), em confronto com os registros contábeis do Balancete e demonstrativo apresentados, constatamos que algumas despesas lançadas como insumos não geram direita a créditos. Os custos ou despesas relativos a uniformes, material de higiene e limpeza, remoção de lixo, lavanderia e análise laboratorial de contidas, conservação e limpeza feitos pela empresa, em razão da natureza de seu serviço, não geram direito à apuração de créditos a serem descontados da COFINS por não se enquadrarem no conceito de insumos aplicados. consumidos ou daqueles que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida no processo de fabricação ou na produção de bens destinadas à venda. No quadro de fl. 712, a autoridade administrativa ajusta os valores dos créditos decorrentes dos insumos. apurando saldo passível de compensação no montante de R$ 50.149,80. Notificada da decisão em 12/01/2010, em 11/02/2010 a contribuinte apresentou a manifestação de inconformidade de fls. 72/741, onde alega, em síntese: a) a questão tratada no presente relacionase à tratada no processo 10875.000653/200576 motivando o seu julgamento em conjunto; b) a definição de insumo trazida pelo art. 8º, da Instrução Normativa nº 404 de 2004, é restritiva e contrária ao objetivo da sistemática da nãocumulatividade, que é justamente o de melhor distribuir a carga tributária ao longo da cadeia produtiva e comercial; c) o conceito de insumo aplicável ao regime não cumulativo não pode ser o mesmo adotado em relação ao Imposto sobre Produtos Industrializados, que foi a inspiração da IN nº 404, de 2004; no IPI, o método de descontos leva em conta a exação recolhida na etapa anterior; na sistemática da não cumulatividade o que deve ser considerado no conceito de insumo é sua inerência com a geração da receita que comporá a base de cálculo da contribuição, já que o método empregado pela legislação é o do confronto de base contra base; desta jeito, Fl. 898DF CARF MF Processo nº 10875.000652/200521 Acórdão n.º 3001000.649 S3C0T1 Fl. 899 4 o conceito de insumos na legislação da COFINS compreende a soma de todas as despesas incorridas, necessárias para o desenvolvimento das atividades comerciais do contribuinte, ou seja, essenciais para a geração da receita a ser tributada, não podendo sofrer limitações; d) recentemente a Lei nº 11.898/09 reconheceu às empresas do ramo de limpeza, conservação e manutenção, 0 direito de creditamento em relação às despesas com valetransporte, vale refeição ou vale alimentação e fardamento ou uniforme fornecidos aos empregados, ou seja, a tendência, cada vez mais, é distanciarse dos conceitos restritivas adotados pela legislação do IPI; e) os gastos efetuados a título de remoção de lixo, uniformes, lavanderia, análise laboratorial de comidas, material de higiene e limpeza e serviços de conservação e limpeza, cujos créditos da não cumulatividade não foram admitidos, constituem despesas as quais a empresa, para cumprir suas atividades fins, necessariamente deve suportar e por essa razão enquadramse no conceito de insumo habilitando a geração dos créditos correspondentes; a Lei nº 11.898/09 reconheceu o direito ao creditamento em relação às despesas com fardamento ou uniforme fornecidos aos empregados, motivo pelo qual não há como limitar ou glosar tal parcela que compõe o crédito aqui discutido; f) o erro conceitual cometido pelo despacho decisório quanto à extensão do conceito de insumo, uma vez superado, requer a verificação da verdade material quanto aos créditos da não cumulatividade gerados pelas citadas despesas, sendo medida necessária a conversão do julgamento em diligência com esse fim; o profissional indicado pela contribuinte para acompanhar o procedimento está qualificado à fl. 739, assim como os quesitos a serem respondidos. Da ementa do acórdão recorrido A 3ª Turma da DRJ/CPS, ao julgar improcedente a manifestação de inconformidade, exarou o referenciado acórdão, cuja ementa colacionase, verbis: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2005 a 31/01/2005 REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. GERAÇÃO DE CRÉDITOS. GASTOS NÃO CARACTERIZADOS COMO INSUMOS. IMPOSSIBILIDADE. Não geram créditos no regime da não cumulatividade os dispêndios com bens e serviços que não se enquadram no conceito de insumo definido na legislação. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. INSUFICIÊNCIA DE DIREITO DE CREDITÓRIO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. Fl. 899DF CARF MF Processo nº 10875.000652/200521 Acórdão n.º 3001000.649 S3C0T1 Fl. 900 5 Verificada a insuficiência de direito creditório, não se homologa a parcela indevidamente compensada. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Do recurso voluntário O contribuinte interpôs recurso voluntário para novamente contestar as glosas com despesas/gastos/dispêndios com material de limpeza e higiene, uniformes, lavanderia, remoção de lixo, análise laboratorial de alimentos e serviços de conservação e limpeza, efetuadas no âmbito da análise do pedido de compensação de crédito tributário de Cofins, incidência nãocumulativa, vinculado a receitas de exportação do mês de janeiro de 2005, no valor de R$ 64.217,21, com débitos de IRPJ, código 2362, ocasião em que foi exarado o Despacho Decisório DRF/GUA/SEORT nº 570/2009, que deferiu parcialmente o pleito do sujeito passivo, homologandose a compensação até o limite do crédito deferido, no montante de R$ 50.149,80 (efls. 725 a 730). Irresignado ainda com o feito, reafirma que o conteúdo e alcance do conceito de insumo fixado pela legislação, no que diz respeito ao regime da não cumulatividade das contribuições para o PIS/Pasep e Cofins, é mais extensiva do que aquela evidenciada no referido despacho decisório, abrangendo, por consequência, os itens que foram objeto de glosa. Desta feita, o acatamento dessa alegação já seria suficiente para o reconhecimento da validade do creditamento pretendido. Logo, a contrário senso, fazse necessária a conversão do julgamento em diligência, posto que analisadas as atividades que exerce, constatariase a aplicação dos itens glosados pela fiscalização no seu processo produtivo de venda de mercadorias e prestação de serviços, que resultaria no seu enquadramento ao conceito de insumo adotado pela legislação, ainda que se considerado de forma restritiva, como entendeu a decisão a quo. Salienta, em suma, que desenvolve basicamente duas atividades distintas, uma relativa à produção de bens destinados a venda e outra à prestação de serviços aeroportuários catering e handling. Logo (i) as atividades de compra e administração de insumos, seleção e higienização de alimentos, produção e montagem das refeições (catering) constituem produção de bens destinados a venda fornecimento de refeições a bordo (inciso I do § 4º do artigo 8º da IN SRF nº 404, de 2004), enquanto (ii) as atividades de serviços aeroportuários consistem no transporte, lavagem, montagem, embarque e desembarque de todos os equipamentos de propriedade das companhias aéreas nas aeronaves (handling) constituem prestação de serviços aeroportuários (inciso II do § 4º do artigo 8º da IN SRF nº 404, de 2004). Desta feita, por considerar que todos os bens e serviços objeto do presente feito, glosados pela fiscalização tributária da apuração do crédito da contribuição, enquadram se no conceito restritivo de insumo adotado pela autoridade fazendária com base na literalidade do que dispõe o § 4º do artigo 8º da norma regulamentar acima citada, motivo pelo qual entende que não há como manter a decisão recorrida, em atenção ao principio da verdade material; razão pela qual pleiteia, acaso persistam dúvidas em relação às atividades por si desenvolvidas e respectivo enquadramento dos itens glosados pela fiscalização ao conceito literal de insumos ora em evidência, a conversão do julgamento em diligência, sob pena de afrontar o principio da ampla defesa administrativa (CF, artigo 5º, incisos LV e LXXVIII). Fl. 900DF CARF MF Processo nº 10875.000652/200521 Acórdão n.º 3001000.649 S3C0T1 Fl. 901 6 Neste sentido, ao mesmo tempo em que destaca que a conversão do julgamento em diligência ou perícia está diretamente ligada ao principio da verdade material e visa possibilitar a formação do convencimento e da convicção da autoridade fiscal administrativa com competência julgadora, de acordo com os fatos efetivamente ocorridos, acentua que, com vista a cumprir os requisitos legais previstos no artigo 16 do Decreto nº 70.235 de 1972, reitera que tal procedimento se justifica em razão da necessidade de se validar, através da análise do seu processo produtivo e de sua contabilidade, a natureza dos itens (custos e despesas) glosados pela fiscalização tributária, qual seja, insumos passiveis de creditamento pelas contribuições PIS/Pasep e Cofins, sendo que para o caso de perícia técnica, desde já indica como seu assistente técnico, o Senhor Alan Gai da Silva, brasileiro, solteiro, contador, portador da cédula de identidade RG nº 21.666.8098, inscrito no CPF sob o nº 156.380.69836 e no CRC/SP sob o nº 254238/04, com endereço na Rua Padre João Manuel, nº 755, 8º andar, Cerqueira César, São Paulo SP, formulando os quesitos. Ultrapassada estas questões preliminares, o recorrente alega que a própria decisão a quo já reconheceu que os custos e despesas por ele apropriados possuem intrínseca relação com as receitas tributadas pelas contribuições. Logo, seguindo o raciocínio, verificase que a nãocumulatividade da Cofins foi instituída em nosso ordenamento com o advento da Lei nº 10.833 de 2003, que estabeleceu a metodologia de apuração dos créditos e débitos a ser observada, possuindo, ainda, guarida constitucional no § 12 do artigo 195 da CF, incluído pela Emenda Constitucional nº 42 de 2003. Desta feita, em que pese possuir fundamento constitucional, o arcabouço legislativo necessário para a determinação e imposição desse novo regime de apuração foi veiculado pela norma acima referida, sendo então disciplinada a possibilidade de apuração de créditos calculados sobre as aquisições de bens e serviços utilizados como insumos na prestação de serviços ou na produção ou fabricação de bens destinados à venda, o que foi regulamentado, ainda, pela IN SRF nº 404, de 2004. Porém, entende que não obstante a ausência de finalidade arrecadatória e também de qualquer definição restritiva quanto ao creditamento, tanto pela Constituição Federal, artigo 195, como pela Lei nº 10.833, artigo 3º, a Secretaria da Receita Federal do Brasil, por meio da IN nº 404 de 2004, ao pretexto de regulamentar a matéria, de certa forma limitou a tomada de créditos, "possibilitando uma gama de argumentos fiscalistas abusivos ao assim definir o conceito de insumos", haja vista que foi adotada a definição de insumos prevista no RIPI, reduzindo, assim, a extensão do seu conteúdo e alcance às premissas ali interpretadas restritivamente em relação ao que se entende por matériaprima, produto intermediário e material de embalagem, contrariando, com isso, o entendimento do conceito de insumos trazido pela Lei nº 10.833 de 2003. Assevera, no entanto, ser patente que o conceito de insumos para fins da legislação da Cofins não tem e nem pode ter a mesma dimensão conferida pela legislação do IPI, até porque, enquanto no regime de apuração nãocumulativo da primeira adotase o chamado método subtrativo indireto (“base contra base”, independentemente do montante da contribuição recolhida na etapa anterior), no regime da segunda adotase o método crédito de imposto (“imposto contra imposto”, levandose em consideração o quanto recolhido na etapa anterior). Desta feita, o conceito de insumos na legislação da Cofins compreende a soma de todos os custos e despesas incorridos, necessários para o desenvolvimento das atividades comerciais do contribuinte, ou seja, essenciais para a geração da receita a ser tributada, não podendo sofrer limitações. Não obstante ressalta que não pretende se afastar da Fl. 901DF CARF MF Processo nº 10875.000652/200521 Acórdão n.º 3001000.649 S3C0T1 Fl. 902 7 aplicação da IN SRF nº 404 de 2004, mesmo porque tal questão não seria apreciada no âmbito administrativo, como bem apontou a decisão a quo, mas sim conferir interpretação que respeite o sistema normativo concernente ao regime nãocumulativo do PIS e da Cofins. Neste passo, salienta que uma importante referência para a definição dos custos e despesas inerentes ou necessárias à obtenção de receitas, utilizada como parâmetro pela doutrina, pode ser encontrada nas disposições dos artigos 290 e 299 do RIR. Adverte também que a própria Secretaria da Receita Federal do Brasil, ao longo do tempo foi modificando os critérios de definição de insumos no que diz respeito às contribuições sociais, deixando de relacionálos com as alterações como desgaste, dano ou perda de propriedades químicas ou físicas em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, passando a relacionálos à aplicação no processo produtivo da empresa. Tal oscilação de posicionamentos se constata pelas edição de diversas soluções de consulta (que cita e reproduz em parte). Lembra que recentemente, inclusive, foi editada a Lei nº l 1.898 de 2009, por meio da qual se reconheceu, às empresas do ramo de limpeza, conservação e manutenção, o direito de creditamento das contribuições em comento em relação às despesas com vale transporte, valerefeição ou valealimentação e fardamento ou uniforme fornecidos aos empregados. Ou seja, concluiu que a tendência, cada vez mais, é distanciarse dos conceitos restritivos adotados pela legislação do IPI. Por fim, conclui que devese considerar todos os custos e despesas incorridas pelo recorrente, necessárias para o desenvolvimento das suas atividades finais, sem as quais seria impossível a auferição da receita, motivo pelo qual os itens glosados pela fiscalização tributária nos presentes autos não podem impedir o creditamento pleiteado, mesmo no caso de se entender que não teriam sido consumidos, aplicados ou desgastados no processo produtivo ou de prestação de serviços. Do encaminhamento O presente processo digital foi encaminhado em 16.06.2010 para ser analisado por este Carf (efl. 891), sendo, posteriormente, distribuído para este relator, na forma regimental. É o relatório. Voto Conselheiro Orlando Rutigliani Berri, Relator Da tempestividade O recurso voluntário atende aos pressupostos de admissibilidade, pois há regularidade formal e apresentase tempestivo, na medida em que foi protocolado na CAC/LUZ em 10.06.2010, conforme depreendese de sua "Folha de Rosto", após ciência em 11.05.2010, conforme observase do Aviso de Recebimento AR CDD/CUMBICA, juntado às efls. 809/810, uma vez que respeitouse o trintídio legal, conforme exige o artigo 33 do Decreto nº 70.235, de 1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal. Fl. 902DF CARF MF Processo nº 10875.000652/200521 Acórdão n.º 3001000.649 S3C0T1 Fl. 903 8 Da competência para julgamento do feito Observo, com espeque no artigo 23B, Anexo II, da Portaria MF nº 343, de 09.06.2015 RICARF, com redação da Portaria MF nº 329, de 2017, a competência deste Colegiado para prosseguir no feito. Do pedido de diligência Conforme esclarecido no relatório, restaram no litígio as glosas referentes aos gastos com material de limpeza e higiene, uniformes, lavanderia, remoção de lixo, análise laboratorial de alimentos e serviços de conservação e limpeza. O recorrente requereu realização de diligência ou perícia, argumentando que seriam necessárias caso não se considerassem devidamente demonstradas suas alegações. Entretanto, as alegações e os fundamentos que orientam a análise do recurso são de natureza legal e factual e não dependem necessariamente de provas para serem analisados. No presente caso, entendo que está suficientemente demonstrada a situação fática, que diz respeito aos serviços prestados pelo contribuinte e os custos e despesas neles incorridos. Cabe advertir, por oportuno, que a questão de como a lei trata custos e despesas como insumos é de outra natureza e a convicção do julgador não pode ser afastada por opiniões de peritos sobre fatos conhecidos. Diante do exposto, não vislumbro razoabilidade para o deferimento do pleito para a realização de diligência ou de perícia, devendo o recurso ser julgado. Das questões constitucionais Antes de adentrarmos ao exame do mérito, destaquese, quanto às questões constitucionais, a aplicação ao presente caso dos seguintes dispositivos do Regimento Interno do Carf (Ricarf, anexo II à Portaria MF nº 343, de 09.06.2015, com a redação dada pelas Portarias MF nº 39 e 152, ambas de 2016), verbis: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 1º O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; II que fundamente crédito tributário objeto de: a) Súmula Vinculante do Supremo Tribunal Federal, nos termos do art. 103A da Constituição Federal; Fl. 903DF CARF MF Processo nº 10875.000652/200521 Acórdão n.º 3001000.649 S3C0T1 Fl. 904 9 b) Decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, na forma disciplinada pela Administração Tributária; c) Dispensa legal de constituição ou Ato Declaratório da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) aprovado pelo Ministro de Estado da Fazenda, nos termos dos arts. 18 e 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002; d) Parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, nos termos dos arts. 40 e 41 da Lei Complementar nº 73, de 10 de fevereiro de 1993; e e) Súmula da AdvocaciaGeral da União, nos termos do art. 43 da Lei Complementar nº 73, de 1993. § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Ademais, aplicase também a Súmula Carf nº 2 (Portaria Carf nº 106, de 21.12.2009), verbis: Súmula Carf nº 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Portanto, deve ser aplicada ao caso dos presentes autos a lei/legislação em sua integralidade. Do mérito Do conceito de insumos e seu regramento As leis que tratam de PIS e Cofins não cumulativos (10.637 de 2002 e 10.833, de 2003) trazem diversas exclusões específicas e, genericamente, no inciso II do artigo 3º, tratam dos insumos, verbis: Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei nº 10.485, Fl. 904DF CARF MF Processo nº 10875.000652/200521 Acórdão n.º 3001000.649 S3C0T1 Fl. 905 10 de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) Citado dispositivo referese a bens e serviços utilizados como insumos na prestação de serviços ou na produção ou fabricação de produtos destinados a vendas. É no contexto desse conceito que se procura enquadrar os mais variados custos e despesas incorridos pela empresa produtora para o fim de creditamento das contribuições não cumulativas. Entretanto, é preciso terse em conta que, de um lado, tal conceito não se confunde com o de insumo de IPI, restrito a matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem. De outro, também, não é qualquer bem ou serviço adquirido que permite o direito de crédito. No caso do IPI, o aproveitamento de créditos ficou restrito aos insumos classificados como matériaprima, produto intermediário ou material de embalagem. Contextualizando, Matériaprima é o insumo que dá origem ao produto; produto intermediário, um produto obtido ou consumido no curso do processo de fabricação; material de embalagem, aquele utilizado no acondicionamento do produto. Enquanto que, relativamente ao material de embalagem, a única controvérsia restringese à diferenciação do RIPI entre embalagens para transporte e de apresentação, em relação aos produtos intermediários é que se formou uma grande discussão. Como o respectivo Regulamento dispõe que, para ser considerado produto intermediário, não precisa haver incorporação do bem ao produto acabado, desde que o bem também não se destine ao ativo permanente, abriuse oportunidade à interpretação de que seriam essas as únicas condições para caracterização do conceito. Entretanto, a RFB, ao tratar do tema, emitiu o entendimento, pelo Parecer CST nº 65 de 1979, de que seria necessário o consumo imediato e direto do insumo em contato com o produto fabricado. Nesse contexto, importa ressaltar que o Superior Tribunal de Justiça, em sede de recurso repetitivo (Resp nº 1.075.508) decidiu que os materiais que são consumidos no processo industrial, ainda que não integrem o produto final, geram direito ao crédito presumido de IPI, nos seguintes termos, verbis: PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IPI. CREDITAMENTO. AQUISIÇÃO DE BENS DESTINADOS AO ATIVO IMOBILIZADO E AO USO E CONSUMO. IMPOSSIBILIDADE. RATIO ESSENDI DOS DECRETOS 4.544/2002 E 2.637/98. 1. A aquisição de bens que integram o ativo permanente da empresa ou de insumos que não se incorporam ao produto final ou cujo desgaste não ocorra de forma imediata e integral durante o processo de industrialização não gera direito a Fl. 905DF CARF MF Processo nº 10875.000652/200521 Acórdão n.º 3001000.649 S3C0T1 Fl. 906 11 creditamento de IPI, consoante a ratio essendi do artigo 164, I, do Decreto 4.544/2002 (Precedentes das Turmas de Direito Público: AgRg no REsp 1.082.522/SP, Rel. Ministro Humberto Martins, Segunda Turma, julgado em 16.12.2008, DJe 04.02.2009; AgRg no REsp 1.063.630/RJ, Rel. Ministro Francisco Falcão, Primeira Turma, julgado em 16.09.2008, DJe 29.09.2008; REsp 886.249/SC, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Turma, julgado em 18.09.2007, DJ 15.10.2007; REsp 608.181/SC, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, Primeira Turma, julgado em 06.10.2005, DJ 27.03.2006; e REsp 497.187/SC, Rel. Ministro Franciulli Netto, Segunda Turma, julgado em 17.06.2003, DJ 08.09.2003). 2. Deveras, o artigo 164, I, do Decreto 4.544/2002 (assim como o artigo 147, I, do revogado Decreto 2.637/98), determina que os estabelecimentos industriais (e os que lhes são equiparados), entre outras hipóteses, podem creditarse do imposto relativo a matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, adquiridos para emprego na industrialização de produtos tributados, incluindose "aqueles que, embora não se integrando ao novo produto, forem consumidos no processo de industrialização, salvo se compreendidos entre os bens do ativo permanente’.. 3. In casu, consoante assente na instância ordinária, cuidase de estabelecimento industrial que adquire produtos "que não são consumidos no processo de industrialização (...), mas que são componentes do maquinário (bem do ativo permanente) que sofrem o desgaste indireto no processo produtivo e cujo preço já integra a planilha de custos do produto final", razão pela qual não há direito ao creditamento do IPI. 4. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008.” (grifei) Em seu voto, o Ministro relator deu ênfase ao seguinte, verbis: (...) Dessumese da norma insculpida no supracitado preceito legal que o aproveitamento do crédito de IPI dos insumos que não integram ao produto pressupõe o consumo, ou seja, o desgaste de forma imediata e integral do produto intermediário durante o processo de industrialização e que o produto não esteja compreendido no ativo permanente da empresa. (...) In casu, consoante assente na instância ordinária, cuidase de estabelecimento industrial que adquire produtos "que não são consumidos no processo de industrialização (...), mas que são componentes do maquinário (bem do ativo permanente) que sofrem o desgaste indireto no processo produtivo e cujo preço já integra a planilha de custos do produto final", razão pela qual não há direito ao creditamento do IPI. Fl. 906DF CARF MF Processo nº 10875.000652/200521 Acórdão n.º 3001000.649 S3C0T1 Fl. 907 12 (...) Conforme visto, somente geram direito a crédito de IPI os insumos que além de não se destinarem ao ativo permanente ou se incorporem ao produto fabricado ou cujo desgaste ocorra de forma imediata e integral durante o processo de industrialização. Portanto, para o IPI o critério para definição de insumo (mais restrito) é do consumo do bem no processo de produção. Tratandose das contribuições PIS e Cofins, no entanto, a condição expressamente prevista na lei é de que o bem ou serviço seja “utilizado” na prestação de serviços ou na produção e fabricação de produtos. Portanto, embora insumo seja genericamente qualquer elemento necessário para produzir mercadorias ou serviços, a lei exige que, para gerar crédito, ele seja utilizado na produção ou fabricação. Não é necessário seu consumo direto e imediato, como no caso do IPI. Entretanto, tal disposição, singela e bastante clara, restringe drasticamente as pretensões de interpretar a disposição legal citada como referente a todo e qualquer insumo de produção. A primeira conclusão é elementar: custos e despesas posteriores à produção ou à prestação de serviços não geram direito de crédito com base no dispositivo. Assim, somente os casos previstos em outros incisos específicos do citado artigo geram crédito, quando não enquadrados no conceito de insumo utilizado na produção. Além disso, o critério adotado pela lei para que uma despesa gere crédito não é a circunstância de se tratar de despesa necessária, imprescindível ou obrigatória para a obtenção do produto, que, para o caso, é irrelevante. Por fim, a legislação permite, ao contrário do IPI, o creditamento relativo aos encargos de depreciação e amortização, que representam, indiretamente, o creditamento diferido do ativo imobilizado (entretanto, tal creditamento também sofre restrições, a começar pela de que somente os bens adquiridos a partir de 1º de maio de 2004 podem gerar os créditos). Em linhas gerais, é esse o regramento que devem nortear a análise do direito de crédito de PIS e Cofins não cumulativos. Da análise do caso concreto sob exame Nesse contexto é que devem ser examinados os gastos que o recorrente defende serem passíveis de gerar créditos. No caso de uniformes, o inciso X do artigo citado estabeleceu que além do valetransporte, valerefeição ou alimentação e fardamento, as empresas de “de prestação de serviços de limpeza, conservação e manutenção” têm o direito de descontar créditos relativos aos respectivos gastos, a partir da Lei nº 11.198, de 08.01.2009. Por conseguinte, em relação aos serviços, somente haveria o direito a partir de 2009 e se trata de uma exceção específica à regra geral, o que já faz supor que uniformes não geram, em regra, direito a crédito. Fl. 907DF CARF MF Processo nº 10875.000652/200521 Acórdão n.º 3001000.649 S3C0T1 Fl. 908 13 E, de fato, não poderiam gerar, uma vez que não são bens utilizados como insumos na prestação de serviço ou na fabricação de produtos, pois dos uniformes não resultam os serviços prestados nem os produtos vendidos. Eles são indispensáveis, é claro, mas, como já argumentado anteriormente, não foi o critério da obrigatoriedade que norteou a definição em questão. Da mesma forma, gastos com lavanderia, remoção e incineração de lixo e serviços de conservação e limpeza não se enquadram na definição contida no dispositivo. Ademais, as duas últimas despesas são realizadas posteriormente à prestação do serviço. Tratase de despesas periféricas à prestação de serviço e que, assim, não geram crédito, uma vez que os produtos e serviços não são utilizados na prestação de serviço em si. Quanto à análise laboratorial de comidas, primeiramente aplicase a mesma conclusão quanto a se tratar de uma despesa obrigatório ou necessária. Entretanto, a análise é efetuada em relação aos produtos que serão empregados na prestação de serviço ou produtos destinados a venda e o seu resultado incluise, também, no serviço prestado, pois é por meio dele que ocorre o controle da qualidade do serviço. Nesse contexto, entendo tratarse de um serviço que representa insumo intangível (controle de qualidade), que, portanto, incorporase ao produto fornecido. Da conclusão Por todo o exposto, conheço do Recurso Voluntário, para rejeitar a preliminar de nulidade e o pedido de realização de diligência e/ou perícia e, no mérito, para darlhe provimento parcial, para reconhecer que os gastos com análise laboratorial dos alimentos geram direito de crédito. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri Fl. 908DF CARF MF
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