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Numero do processo: 11618.001227/2002-19
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 05 00:00:00 UTC 2010
Ementa: Ementa: PRELIMINAR NULIDADE. APLICAÇÃO RETROATIVA DE
LEI - Descabida a preliminar suscitada posto que a classificação das empresas em função de sua receita bruta como Microempresa – ME ou Empresa de Pequeno Porte – EPP rege-se pela lei vigente à época da aferição da receita bruta considerada e não pela Lei vigente à lavratura da autuação. Em não se tratando de infração, não se aplica a retroatividade disposta no art. 106 do CTN.
OMISSÃO DE REGISTRO DOS PAGAMENTOS EFETUADOS.
PRESUNÇÃO LEGAL DE OMISSÃO DE RECEITAS - Nas presunções
legais, onde se inverte o ônus da prova, cabe à interessada a prova em contrário dos fatos alegados. Admite-se a presunção da omissão de receitas, quando restam inequivocadamente comprovados as compras e pagamentos efetuados e o não registro das mesmas na escrituração da empresa adquirente.
MULTA QUALIFICADA. OMISSÃO DE RENDIMENTOS - A aplicação
da multa qualificada de 150% cabe para os casos em que reste demonstrada a reiterada omissão de receitas, e o contribuinte se utiliza de tal omissão para se aproveitar de benefício fiscal.
Numero da decisão: 1401-000.313
Decisão: ACORDAM os membros da 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da PRIMEIRA
SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
Matéria: PIS - proc. que não versem s/exigências de cred. Tributario
Nome do relator: Karem Jureidini Dias
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Recorrida 4ª TURMA/DRJ-RECIFE/PE Ementa: PRELIMINAR NULIDADE. APLICAÇÃO RETROATIVA DE LEI - Descabida a preliminar suscitada posto que a classificação das empresas em função de sua receita bruta como Microempresa – ME ou Empresa de Pequeno Porte – EPP rege-se pela lei vigente à época da aferição da receita bruta considerada e não pela Lei vigente à lavratura da autuação. Em não se tratando de infração, não se aplica a retroatividade disposta no art. 106 do CTN. OMISSÃO DE REGISTRO DOS PAGAMENTOS EFETUADOS. PRESUNÇÃO LEGAL DE OMISSÃO DE RECEITAS - Nas presunções legais, onde se inverte o ônus da prova, cabe à interessada a prova em contrário dos fatos alegados. Admite-se a presunção da omissão de receitas, quando restam inequivocadamente comprovados as compras e pagamentos efetuados e o não registro das mesmas na escrituração da empresa adquirente. MULTA QUALIFICADA. OMISSÃO DE RENDIMENTOS - A aplicação da multa qualificada de 150% cabe para os casos em que reste demonstrada a reiterada omissão de receitas, e o contribuinte se utiliza de tal omissão para se aproveitar de benefício fiscal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Viviane Vidal Wagner Presidente (assinado digitalmente) Fl. 1352DF CARF MF Emitido em 04/11/2010 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/11/2010 por KAREM JUREIDINI DIAS Assinado digitalmente em 03/11/2010 por KAREM JUREIDINI DIAS, 04/11/2010 por VIVIANE VIDAL WAGNER 2 KAREM JUREIDINI DIAS Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Viviane Vidal Wagner (Presidente), Antonio Bezerra Neto, Alexandre Antônio Alkmin Teixeira, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Maurício Pereira Faro, Karem Jureidini Dias (Vice-Presidente). Relatório Tendo em vista se tratar de retorno de diligência, adoto o relatório do acórdão que determinou a diligência. Trata-se de Autos de Infração relativos ao Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica - SIMPLES, à Contribuição ao PIS - SIMPLES, à COFINS – SIMPLES, à Contribuição Social Sobre Lucro Líquido – SIMPLES e à Contribuição para a Seguridade Social – INSS - SIMPLES, lavrados em 23/04/2002 e cientificada a Recorrente em 26/04/2002. O Auto de Infração principal (IRPJ - SIMPLES) contém os seguintes lançamentos: 001 – Omissão de Receitas – Pagamentos efetuados com recursos estranhos à escrituração – Multa de 150% - Ano-calendário 1997. 002 – Insuficiência de Recolhimento – Multa de 75% - Ano-calendário 1997. Os mesmos lançamentos do auto de infração principal também geraram lançamentos para Contribuição ao PIS - SIMPLES, COFINS – SIMPLES, CSLL - SIMPLES e INSS - SIMPLES. Segundo o Relatório Fiscal que embasou a autuação (fls. 51/70), a omissão de receitas (item 001) é decorrente da não contabilização no livro caixa dos pagamentos efetuados aos fornecedores de mercadorias adquiridas para revenda. Esclarece que, em decorrência da adição da receita omitida à receita bruta declarada, a receita bruta da Recorrente ultrapassou o limite de R$ 720.000,00 (artigo 2º, II da Lei 9.317/96) para as empresas de pequeno porte optantes do SIMPLES, o que levou a sua exclusão do regime, a partir do ano- calendário de 1998, conforme Ato Declaratório n° 25 de 17/12/2001. Assim, a Recorrente ficou sujeita, nos anos-calendário de 1998 e 1999, à apuração do IRPJ por meio do lucro real trimestral. Ainda, com base nos valores omitidos foi lançada multa de ofício agravada de 150%, nos termos do artigo 44, II da Lei n° 9.430/96, e formulada Representação Fiscal para Fins Penais, processo n° 11618.001288/2002-78, de acordo com o artigo 1º do Decreto nº 982/93 e artigo 1º da Portaria n° 1.805/98. Em relação ao item 002 do lançamento, houve insuficiência de recolhimento dos impostos e contribuições unificados do SIMPLES, cujos cálculos foram apurados pelo levantamento da receita bruta mensal declarada e dos respectivos tributos recolhidos. Intimada acerca do aludido Auto de Infração, a ora Recorrente apresentou sua Impugnação (fls. 809/833), alegando, em síntese, que: Fl. 1353DF CARF MF Emitido em 04/11/2010 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/11/2010 por KAREM JUREIDINI DIAS Assinado digitalmente em 03/11/2010 por KAREM JUREIDINI DIAS, 04/11/2010 por VIVIANE VIDAL WAGNER Processo nº 11618.001227/2002-19 Acórdão n.º 1401-00.313 S1-C4T1 Fl. 2 3 1-) Preliminarmente a) O artigo 2º, inciso II da Lei 9.317/98 que determinava o limite de receita bruta de R$ 720.000,00 para o SIMPLES foi alterado pelo artigo 3º da Lei 9.732/98, elevando o limite para R$ 1.200.00,00, valor inferior à receita bruta da Recorrente mesmo que adicionadas as receitas omitidas. b) o artigo 106, II, “a” do Código Tributário Nacional prevê a aplicação de lei a ato ou fato pretérito não definitivamente julgado, caso da autuação em discussão, devendo ser aplicada a Lei 9.317/98 no tocante ao limite de receita bruta. 2-) Dos pagamentos efetuados com recursos estranhos à contabilidade a) Em razão de a fiscalização ter intimado para apresentar documentos, as empresas Indústria e Comércio de Malhas Litle Rock Ltda., Têxtil e Confecções Otimotex Ltda. e Indústria e Confecções de Tecidos Finantex Ltda., pressupõe- se que tais documentos são imprescindíveis para a análise da situação tributária da Recorrente, não podendo as empresas intimadas deixar de prestar as informações, sob pena de frustrar o objetivo fiscal. Assim, passa a analisar o comportamento de cada uma das intimadas. b) A empresa Indústria e Comércio de Malhas Litle Rock não atendeu à intimação de fls. 389/390, conforme se observa do Relatório de Trabalho Fiscal (fls. 60), e não atendeu completamente à intimação de fls. 173/174, como se pode perceber no demonstrativo apresentado às fls. 814/815. Ademais, a empresa deixou de enviar os comprovantes referentes à entrega de mercadorias, bem como os atinentes às transportadoras e às folhas de Diário Razão em que estariam escrituradas as operações, apenas enviou cópias das liquidações dos títulos. c) A empresa Têxtil Confecções também não atendeu as intimações, uma vez que apresentou notas fiscais e duplicatas sem quaisquer indicações da transportadora e da empresa recebedora. Mesmo com a existência de lacunas, o Fisco entendeu ter elementos convincentes para considerar a omissão de receitas, o que se torna contraditório com o entendimento presente nos Termos de Intimação Fiscal em que foram solicitadas as comprovações citadas. d) A empresa Indústria e Confecções de Tecidos Finantex Ltda. apresentou três notas fiscais emitidas pela Recorrente e não escrituradas no livro Registro de Entradas da mesma. Porém, tais notas apresentam emissão em São Paulo em um determinado dia e recebimento em João Pessoa no dia seguinte, o que é humanamente impossível por via terrestre. Além disto, o pagamento à vista de vultosas quantias e de grande quantidade de peças, foge do comportamento normal da impugnante, que realiza compras de menor valor e em menor quantidade. Assim, afigura-se que as transações não ocorreram, pelo menos com a Recorrente. Por fim, apesar de não poder comprovar, a Recorrente afirma ter informação de que empresas localizadas em São Paulo, com problemas com o fisco, emitem notas fiscais em nome de firmas estabelecidas no Nordeste, sem que as mercadorias saiam daquele Estado. Fl. 1354DF CARF MF Emitido em 04/11/2010 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/11/2010 por KAREM JUREIDINI DIAS Assinado digitalmente em 03/11/2010 por KAREM JUREIDINI DIAS, 04/11/2010 por VIVIANE VIDAL WAGNER 4 3-) Da omissão de compras a) De acordo com o artigo 40 da Lei 9.430/96 e o artigo 281 do RIR/99, a presunção legal é de que o pagamento não escriturado seja efetuado com o produto de vendas anteriores igualmente não contabilizadas. b) Entretanto, a compra não contabilizada irá gerar um pagamento a maior de imposto no momento da venda da mercadoria, por não haver custo a compensar. Cita jurisprudência do Primeiro Conselho de Contribuintes e da Câmara Superior de Recursos Fiscais. c) Além disto, mesmo que fossem verdadeiras as compras descritas nas notas fiscais enviadas pelas empresas citadas, não registradas pela Recorrente e, ainda que os respectivos pagamentos não tenham sido contabilizados, caberia ao Fisco evidenciar se a receita da venda das mercadorias, cujos custos não foram contabilizados, deixou de ser oferecida à tributação. 4-) Da majoração da penalidade a) Não restou evidenciado o intuito de fraude, motivador da majoração da multa para 150% prevista no artigo 44, inciso II da Lei n° 9.430/96. b) A fiscalização apenas explicitou que a multa foi aplicada em relação aos pagamentos efetuados com recursos estranhos à fiscalização. Citou decisão proferida pela Câmara Superior de Recursos Fiscais e requereu que lhe seja cominada multa de 75%. 5-) Dos juros de mora a) A Recorrente insurgiu-se quanto à aplicação da taxa Selic, a qual já foi julgada inconstitucional pelo Superior Tribunal de Justiça. 6-) Conclusão a) Requereu a improcedência dos autos de infração em discussão ou, se houvesse dúvida, requereu que fosse realizada diligência nos estabelecimentos fornecedores com o intuito de se comprovar qual foi a empresa transportadora das mercadorias descritas nas notas fiscais e qual a empresa recebedora das mercadorias descritas em cada nota fiscal. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Recife/PE, ao apreciar a Impugnação apresentada, resolveu converter o julgamento em diligência (fls. 848/60), a fim de que fosse: a) instruído os autos com os elementos probatórios dos efetivos pagamentos, por parte da autuada, das mercadorias descritas nas diversas notas fiscais mencionadas na autuação (demonstrativo de fls. 800 a 805), de conformidade com os elementos probantes previstos em lei especial das duplicatas e mencionadas no voto; b) carreado aos autos documentação probatória do transporte e de efetiva entrega da mercadoria efetuados pelas transportadoras identificadas em algumas das notas fiscais informadas pelos fornecedores, quais sejam: Campinense Transp. Cargas Ltda e Etsul Transportes Ltda.; Fl. 1355DF CARF MF Emitido em 04/11/2010 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/11/2010 por KAREM JUREIDINI DIAS Assinado digitalmente em 03/11/2010 por KAREM JUREIDINI DIAS, 04/11/2010 por VIVIANE VIDAL WAGNER Processo nº 11618.001227/2002-19 Acórdão n.º 1401-00.313 S1-C4T1 Fl. 3 5 c) descrito o fato que suscitou a aplicação da multa agravada. Tendo em vista as solicitações feitas no Acórdão que determinou a diligência, foi elaborado Relatório de Diligência (fls. 1159/1169), por meio do qual foram anexados os seguintes documentos, nos termos descritos pelo Acórdão recorrido: 1-) em relação à Indústria e Comércio de Malhas Litle Rock: a) Quadro Demonstrativo dos pagamentos efetuados pela Pérola Indústria e Comércio Ltda., nos anos-calendário de 1997 e 1998 (fls. 975/976), tendo como fonte os livros caixa, Diário e Registro de Saída (fls. 976), bem como extratos bancários e borderôs de cobrança (Quadro elaborado pelo fiscal diligenciante da DRF/SP); b) Relatório do fiscal da DRF/SP, no qual, sucintamente descreve o procedimento de diligência e a conclusão sobre os pagamentos recebidos pela empresa em decorrência das vendas à empresa Pérola Indústria e Comércio, consubstanciada no quadro demonstrativo citado (fls. 977). 2-) Têxtil e Confecções: a-) Cópias de Extratos de Movimentação da Carteira de Descontos, do Banco Bradesco, no qual consta a liquidação de duplicadas ocorridas no ano-calendário de 1998, com a identificação da empresa Pérola Indústria e Comércio Ltda. como sacado (fls. 931/940). b) Cópias de Avisos de Movimento de Cobrança, do Banco do Brasil, no qual consta a liquidação de duplicatas ocorridas no ano-calendário de 1999, com a identificação da empresa Pérola Indústria e Comércio Ltda. como sacado (fls. 941/942). c) Quadro Demonstrativo dos pagamentos efetuados pela Pérola Indústria e Comércio Ltda., nos anos-calendário de 1997 a 1999, tendo como fonte o livro caixa, bem como extratos bancários e borderôs de cobrança e de descontos, dos Bancos do Brasil e Bradesco (fls. 982/989). d) Relatório do fiscal diligenciante da DRF/SP, no qual, sucintamente, descreve o procedimento de diligência e a conclusão sobre os pagamentos recebidos pela empresa diligenciada em decorrência das vendas à empresa Pérola Indústria e Comércio Ltda., consubstanciada no Quadro Demonstrativo acima mencionado. Ressalta que a empresa diligenciada optou pela tributação no lucro presumido (fls. 990). 3-) Confecções de Tecidos Finantex Ltda.: a) Resposta à intimação pela empresa FINANTEX, encaminhando cópias das duplicatas e de extratos bancários de sua conta corrente e informando que a quitação das duplicatas se deu mediante depósitos que identifica (fls. 953). Fl. 1356DF CARF MF Emitido em 04/11/2010 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/11/2010 por KAREM JUREIDINI DIAS Assinado digitalmente em 03/11/2010 por KAREM JUREIDINI DIAS, 04/11/2010 por VIVIANE VIDAL WAGNER 6 b) Cópias das duplicatas 7585, 8261 8663 sem chancelas mecânicas de liquidação, nas quais constam informações manuscritas de depósitos feitos no Banco Itaú (fls. 954, 956 e 958). c) Cópias de Extrato de Conta Corrente da empresa diligenciada, nos quais constam informações sobre depósitos efetuados em cheques, em valores superiores aos das duplicatas (fls. 955, 957 e 959). d) Correspondência da FINANTEX, em atendimento ao Termo de Diligência Fiscal de fl. 993, da DRF de São Bernardo do Campo, na qual identifica os cheques de terceiros que serviram para liquidar cada uma das duplicatas, todos eles inclusos nos valores de cada depósito que menciona (fls. 994 a 996). e) Repetição das cópias das duplicatas 7585, 8261 e 8663 já anexadas às fls. 954, 956 e 958. f) Repetição das cópias de Extratos de Conta Corrente da empresa diligenciada (fls. 1002/1004). g) Cópias de fitas de caixa bancários com números de cheques e valores correspondentes. h) Relatório do fiscal diligenciante da DRF/São Bernardo do Campo, no qual, sucintamente, descreve o procedimento de diligência e a conclusão de que a autuada efetuou as quitações das notas fiscais através de inúmeros cheques recebidos de terceiros, de variados valores, conforme demonstrado nas planilhas anexas e ressaltando que a empresa diligenciada, a FINANTEX, não tem como identificar os sacados (dos cheques). 4-) Campinense Transporte de Cargas Ltda. a) Cópias de conhecimentos de transporte do remetente Indústria Comércio Malhas Litle Rock Ltda., recebidas no ano-calendário de 1998 e 1999 (fls. 1013/1016, 1026, 1031, 1033, 1039, 1043, 1125 e 1126). b) Cópias de conhecimentos de transporte do remetente Indústria e Comércio Tecidos Finantex Ltda., recebidas no ano-calendário de 1999 (fls. 1036, 1037, 1040 e 1044). c) Correspondência na qual a transportadora esclarece a possibilidade de o transporte das mercadorias ser efetuada por outras transportadoras, apesar de constar o seu nome nas notas fiscais (fls. 1127). 5-) ETSUL Transportes Ltda. a) Correspondência informando tratar-se a empresa diligenciada massa falida, mediante o processo nº 980/99 que tramita na segunda vara da Fazenda Pública, Falências e Concordatas de Curitiba e sobre a impossibilidade de localizar os conhecimentos de transportes solicitados nos livros fiscais pertinentes à empresa em tela, deixando de atender ao solicitado, por absoluta falta dos documentos. Por fim, o relatório justifica que a aplicação da multa de 150% se deu em função de ter sido utilizado artifício doloso, qual seja, o contribuinte não registrou as compras efetuadas através das notas fiscais das relações de fls. 530/541 nem tampouco os seus Fl. 1357DF CARF MF Emitido em 04/11/2010 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/11/2010 por KAREM JUREIDINI DIAS Assinado digitalmente em 03/11/2010 por KAREM JUREIDINI DIAS, 04/11/2010 por VIVIANE VIDAL WAGNER Processo nº 11618.001227/2002-19 Acórdão n.º 1401-00.313 S1-C4T1 Fl. 4 7 pagamentos, como forma de ocultar o real faturamento e, conseqüentemente, pagar menos tributos e contribuições, ainda mais sendo optante pelo SIMPLES, cujas alíquotas são crescente em função do faturamento. Tendo em vista o “Termo de encerramento de diligência” (fls. 1157) e o Relatório de Diligência (fls. 1159/1169), a Recorrente apresentou manifestação (fls. 1170/1181), argumentando em relação a cada uma das empresas, em suma, que: 1) Têxtil e Confecções Otimotex Ltda.: a) a empresa atendeu insuficientemente a intimação para apresentar comprovantes dos pagamentos das vendas efetuadas à Recorrente, apresentando apenas o extrato da movimentação da carteira de descontos elaborado pela própria empresa, não constando os elementos probantes previstos na lei específica das duplicatas e da Resolução 61/02 dessa 4ª Turma da DRJ em Recife. b) Ademais, a empresa não atendeu a forma alternativa de comprovação, estabelecida na referida resolução, qual seja, “extrato de movimentação bancária de liquidação de duplicatas”, com identificação do sacado emitido pela própria instituição bancária. Ainda, a empresa esclareceu que o termo “sacado” é utilizado equivocadamente na resolução, em lugar de “sacador”. c) A diligência realizada pela Delegacia da Receita Federal em São Paulo nada esclareceu, uma vez que a elaboração de demonstrativo de fls. 982/989 continha os mesmos dados inseridos no extrato de fls. 931/942, apenas comprovando que as duplicatas foram pagas, mas não se demonstrou quem as liquidou. d) A empresa silenciou quanto à intimação para solicitar informação sobre qual a razão de algumas notas fiscais, em nome da Recorrente, conterem nome do transportador e outras não. 2-) Indústria e Comércio de Tecidos Finantex Ltda. a) A empresa foi intimada a apresentar comprovantes dos pagamentos das vendas efetuadas à Recorrente, apresentando, em resposta, extratos bancários referentes ao recebimento de duplicatas. b) Por considerar insuficiente, o fisco encaminhou pedido à Delegacia da Receita Federal de São Bernardo do Campo, que solicitou nova documentação, sendo juntados os mesmos documentos, bem como os de fls. 994/996, que detalha a forma de pagamentos das duplicatas 7585,8261 e 8663. c) Ao concluir que a adquirente Pérola efetuou as quitações das notas fiscais através de inúmeros cheques recebidos de terceiros, de variados valores e que a Finantex não tem como identificar os valores, a DRF de São Bernardo do Campo o faz sem documentos que comprovem quem realmente efetuou o pagamento das duplicatas. Fl. 1358DF CARF MF Emitido em 04/11/2010 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/11/2010 por KAREM JUREIDINI DIAS Assinado digitalmente em 03/11/2010 por KAREM JUREIDINI DIAS, 04/11/2010 por VIVIANE VIDAL WAGNER 8 d) A empresa informou não ter como identificar os sacadores, o que causa estranheza, além de que não soube ou não quis identificar os emitentes relacionados nas duplicatas 7585, 8261 e 8663. e) O demonstrativo de fls. 994/996 é irregular para a comprovação dos pagamentos efetuados pela Recorrente, uma vez que não seria crível a alguém de bom senso que a Recorrente remetesse, de João Pessoa para Diadema, um borderô de cheques emitidos por terceiros, para ali serem depositados em conta da Finantex e, no mesmo dia, antes da compensação, servirem de quitação para duplicatas. O correto seria depositar cheques em João Pessoa para, depois de compensados, efetuar com o produto deles o pagamento das duplicatas que aqui estivessem em cobrança. Ademais, no referido demonstrativo houve indicação do estabelecimento bancário referente aos cheques depositados, omitindo-se, entretanto, o código da agência, com a intenção de que sua localização não fosse identificada. f) Ainda assim, pode-se identificar em cinco cheques o estabelecimento bancário como sendo Banco Nossa Caixa S/A, de São Paulo, o qual não possui agência na Paraíba, sendo difícil pensar que o emitente desses cheques seja um cliente da Recorrente. g) Conclui que com relação à empresa Indústria e Comércio de Tecidos Finantex não se juntou documento probante previsto na lei de duplicatas, nem extrato de movimentação bancária de liquidação de duplicatas, com identificação dos sacadores, emitido pelo próprio estabelecimento bancário. 3-) Indústria e Comércio de Malhas Litle Rock a) A empresa foi intimada a apresentar comprovantes dos pagamentos das vendas efetuadas à Recorrente e informar qual a razão de algumas notas fiscais, em nome da Recorrente, conter o nome do transportador e outras não, porém, não juntou a referida documentação, sob a argumentação de que já as havia apresentado. b) Novamente intimada, apresentou demonstrativo de fls. 975/976, sem quaisquer comprovações. Ademais, no demonstrativo constavam notas fiscais com as peculiaridades já indicadas na impugnação. c) Conclui, também, que com relação a esta empresa, não foi apresentado documento probante previsto na lei de duplicatas, nem extrato de movimentação bancária de liquidação de duplicatas, com identificação dos sacadores, emitido pelo próprio estabelecimento bancário. 4-) Campinense Transportes de Cargas Ltda. a) Intimada a apresentar conhecimentos de transporte das mercadorias destinadas à Recorrente, apresentou documentos já analisados pelo Fisco no Relatório de diligência, que assim considerou: “da análise dos conhecimentos de transporte apresentados, fls. 1132/1148, verificamos que se referem às notas fiscais apuradas no livro de ‘Registro de entradas’”. 5-) Etsul Transportes Ltda. Fl. 1359DF CARF MF Emitido em 04/11/2010 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/11/2010 por KAREM JUREIDINI DIAS Assinado digitalmente em 03/11/2010 por KAREM JUREIDINI DIAS, 04/11/2010 por VIVIANE VIDAL WAGNER Processo nº 11618.001227/2002-19 Acórdão n.º 1401-00.313 S1-C4T1 Fl. 5 9 a) Não apresentou os conhecimentos de transporte da qual foi intimada por razões alegadas na correspondência. 6-) Quanto à majoração da penalidade, esclarece que não teve uma assessoria que a orientasse a responder a solicitação fiscal e que por ser empresa pequena não soube fazê-la. Porém, os fornecedores não comprovaram que a Recorrente fora a verdadeira pagadora das duplicatas objeto da ação fiscal. Por fim, acrescenta que mesmo existindo pagamentos não contabilizados, não restaria caracterizado o evidente intuito de fraude motivador da penalidade. Realizada a diligência e tendo o contribuinte se manifestado acerca do relatório, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento entendeu por bem rejeitar as preliminares e considerar procedentes em parte os lançamentos referentes aos impostos e contribuições apurados na sistemática do SIMPLES, em acórdão assim ementado: “Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte – Simples Ano-Calendário: 1997 Ementa: PRELIMINAR NULIDADE. APLICAÇÃO RETROATIVA DE LEI. Descabida a preliminar suscitada posto que a classificação das empresas em função de sua receita bruta como Microempresa – ME ou Empresa de Pequeno Porte – EPP rege-se pela lei vigente à época da aferição da receita bruta considerada e não pela Lei vigente à lavratura da autuação. Em não se tratando de infração, não se aplica a retroatividade disposta no art. 106 do CTN. OMISSÃO DE REGISTRO DOS PAGAMENTOS EFETUADOS. PRESUNÇÃO LEGAL DE OMISSÃO DE RECEITAS. Nas presunções legais, onde se inverte o ônus da prova, cabe à interessada a prova em contrário dos fatos alegados. Admite-se a presunção da omissão de receitas, quando restam inequivocadamente comprovados as compras e pagamentos efetuados e o não registro das mesmas na escrituração da empresa adquirente. MULTA QUALIFICADA DE 150%. A deliberada intenção da contribuinte em impedir o conhecimento, por parte da SRF, da ocorrência do real fato gerador, mediante a subtração de receitas da base de cálculo de tributação, impõe a aplicação de mula qualificada de 150%, na forma do art. 44, inciso II da Lei n° 9.430/1996.” Preliminarmente, o acórdão da DRJ rejeitou o argumento de que a receita não haveria excedido o limite máximo estabelecido em razão de mudança na legislação que elevou os limites de receita bruta, e da aplicação retroativa disposta no artigo 106 do Código Tributário Nacional. Argumentou a DRJ ser inaplicável o referido artigo, uma vez que não se trata de infração, mas de mera forma de aplicar às empresas um tratamento diferenciado. Assim, aplica-se a lei vigente à época da aferição da receita bruta, a qual estabelecia limites excedidos pela Recorrente. No mérito, o Acórdão recorrido buscou averiguar se está provado o fato (omissão de compras) do qual decorre a presunção (omissão de receitas) e se tal presunção está Fl. 1360DF CARF MF Emitido em 04/11/2010 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/11/2010 por KAREM JUREIDINI DIAS Assinado digitalmente em 03/11/2010 por KAREM JUREIDINI DIAS, 04/11/2010 por VIVIANE VIDAL WAGNER 10 amparada na legislação do Imposto de Renda. Neste sentido, o Acórdão admitiu a aplicação do artigo 228 do RIR/94, nos termos da jurisprudência administrativa à época, acatando a tributação por omissão de receitas quando constatada a omissão do registro de compras. Para tanto, essencial a comprovação de que as compras e pagamentos foram efetuados e de que não houve registro destas na escrituração da empresa. Esclarece o voto vencedor do Acórdão recorrido, que as apurações das omissões de receitas foram feitas com base em valores de duplicatas emitidas por três fornecedores da Recorrente: Indústria e Comércio de Malhas Litle Rock, Têxtil e Confecções Otimotex Ltda. e Confecções de Tecidos Finantex Ltda.. Esclarece ainda, que a duplicata é título causal, sendo proibida sua emissão quando inexistir uma das causas previstas em lei. Desta forma, em relação aos fornecedores Indústria e Comércio de Malhas Litle Rock e Têxtil e Confecções Otimotex Ltda., nos documentos anexados às fls. 92 a 105 e 931 a 942, consta a identificação da empresa Pérola Indústria e Comércio de Confecções Ltda. no nome do sacado, pessoa contra quem a ordem é emitida (adquirente de produtos ou contratante de serviços), sendo, portanto, documentos hábeis a comprovar a efetiva compra e venda de mercadorias e a liquidação das duplicatas neles destacados. Ademais, os quadros demonstrativos de fls. 975/976 e 982 a 989 são igualmente hábeis a comprovar os fatos indiciários da presunção legal de omissão de receita, haja vista que foram elaborados com base nos livros contábeis e nos extratos bancários e borderôs de cobrança e descontos de bancos. Em relação ao fornecedor Confecções de Tecidos Finantex Ltda., foram juntadas as cópias das duplicatas (fls. 954, 956 e 958), para documentar o saque do vendedor pela importância faturada ao comprador, sendo estas instrumentos de prova dos contratos de compra e venda, que indicam no nome do sacado a empresa Pérola Indústria e Comércio de Confecções Ltda., ou seja, representa aquele que efetuou as referidas compras e se obrigou ao pagamento. Restou demonstrado, também, que a quitação de tais duplicatas foi efetuada diretamente na conta bancária do vendedor, mediante depósitos com cheques de terceiros, que, embora não foram identificados os emitentes, não foi descaracterizada a quitação das duplicatas. Ademais, ainda que a Recorrente tenha alegado a invalidade das duplicatas apresentadas, não houve qualquer sentença judicial declarando a nulidade destas. São apresentadas, ainda, as tabelas 1 e 2 contendo os demonstrativos dos valores a excluir, em razão de não constar referência a pagamento de alguma das duplicatas relativa às faturas identificadas. São também apresentadas as tabelas 3, 4, 5 e 6, em que constam os valores das omissões de receitas mantidos pelo voto. Por fim, a DRJ manteve a multa qualificada de 150%, sob o argumento de que os fatos apontados nos autos de infração demonstram a deliberada intenção do contribuinte em impedir o conhecimento, por parte da SRF, da ocorrência do real fato gerador, mediante a subtração de receitas da base de cálculo da tributação, aplicando-se, assim, o artigo 44, II da Lei n° 9.430/96. Ainda, mantém a aplicação dos juros de mora com base na Taxa Selic, haja visto que não cabe aos órgãos administrativos apreciar argüição de ilegalidade e inconstitucionalidade. Cientificada, às fls. 1224, do Acórdão n° 11-17.241 prolatado pela DRJ/REC, a Recorrente apresentou Recurso Voluntário (fls. 1227/1243), reiterando os argumentos já apresentados na Impugnação e na Manifestação ao Relatório de Diligência Fiscal, juntando, ainda, DARF`s em que demonstra o recolhimento do débito tributário indicado em tabela do Acórdão 11-17241/06. Fl. 1361DF CARF MF Emitido em 04/11/2010 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/11/2010 por KAREM JUREIDINI DIAS Assinado digitalmente em 03/11/2010 por KAREM JUREIDINI DIAS, 04/11/2010 por VIVIANE VIDAL WAGNER Processo nº 11618.001227/2002-19 Acórdão n.º 1401-00.313 S1-C4T1 Fl. 6 11 Encaminhados os autos à então Oitava Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, esta converteu o julgamento em diligência, a fim de que a autoridade competente, partindo dos valores mantidos pela Delegacia de Julgamento (DRJ – Recife), ou seja, partindo dos valores que ainda se encontram em discussão, apresentasse uma planilha ou demonstrativo que individualizasse, por fornecedor, cada uma das provas que existem nos autos, identificando a quais valores lançados cada uma das provas se referem, ou visam comprovar (indicando fls. dos autos). Às fls. 1.273/1.276, a fiscalização juntou os demonstrativos solicitados, referentes às empresas Indústria e Comércio de Malhas Litel Rock Ltda., Têxtil e Confecções Otimotex e Indústria e Comércio de Tecidos Finantex, elaborando relatório de diligência às fls. 1.280. Devidamente intimado, o contribuinte se manifestou às fls. 1.281/1.285, no qual argumenta, em suma, que as notas fiscais relacionadas nos demonstrativos de fls. 1.273/1.276 não estão escriturados no Registro de Entradas porque as respectivas mercadorias não foram recebidas pela recorrente. É o relatório. Voto Conselheira Karem Jureidini Dias, Relatora DA EXCLUSÃO DO SIMPLES Conforme relata a fiscalização, a Recorrente foi excluída do Simples em razão de ter ultrapassado o limite de R$ 720.000,00, estabelecido pelo artigo 2º da Lei 9.317/96. Fl. 1362DF CARF MF Emitido em 04/11/2010 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/11/2010 por KAREM JUREIDINI DIAS Assinado digitalmente em 03/11/2010 por KAREM JUREIDINI DIAS, 04/11/2010 por VIVIANE VIDAL WAGNER 12 A Recorrente alega que tal limite foi ampliado pelo artigo 3º da Lei 9.732/98, valor inferior ao da receita bruta, mesmo quando adicionada a receita omitida, devendo tal limite ser aplicado a ato pretérito não definitivamente julgado, nos termos do artigo 106, II, “a” do Código Tributário Nacional. No entanto, não merecem prosperar as razões da Recorrente, uma vez que no ano-calendário de 1997, estava vigente o limite de R$ 720.000,00, já que a Lei 9.732/98 entrou em vigor apenas em 11 de dezembro de 1998. Desta forma, por não se tratar de lei interpretativa, tampouco de fato que deixou de se definir como infração e, por não se tratar de penalidade, mas de mero requisito vigente à época para opção favorecida, entendo correta a exclusão do Simples em razão de o Recorrente ter excedido o limite, que correspondia a requisito essencial para a opção do regime favorecido. Nada obstante, de se esclarecer que a exclusão do SIMPLES apenas afeta este julgamento de forma mediata, não sendo objeto direto deste processo, que só versa sobre o ano-calendário de 1997 e não sobre os anos seguintes. DA MULTA QUALIFICADA Antes de analisar as situações fáticas do caso, cumpre verificar a natureza da sanção tributária, em especial da multa qualificada. O vocábulo sanção é adotado pelo direito positivo brasileiro tanto para indicar a aprovação de uma lei, quanto para indicar uma coerção. A sanção, enquanto meio coercitivo, é o dever preestabelecido por uma regra jurídica que o Estado utiliza como instrumento jurídico para impedir ou desestimular diretamente um ato ou fato que a ordem jurídica proíbe 1 . Assim, a sanção corresponde à conseqüência jurídica pela desobediência a determinada norma jurídica, sendo elemento a ela inerente. A desobediência de um dever imposto por uma norma jurídica corresponde ao denominado ilícito, o qual é a razão da imposição da sanção, consequência jurídica. Na norma sancionadora, verifica-se no antecedente um fato jurídico correspondente a determinado evento ilícito vertido em linguagem competente. No conseqüente, está a própria sanção com as indicações precisas dos sujeitos do vínculo (in casu, o contribuinte e a fazenda) e a forma de calcular-se o montante da penalidade aplicável. Desta feita, a sanção é uma conseqüência jurídica que pode ser tanto de natureza indenizatória, anulando os efeitos do ato ilícito praticado, quanto penalizatória, apenando aquele que cometeu o ilícito. Sobre a natureza indenizatória e penalizatória da multa, Hector Villegas2 classifica-as como repressivas ou repressivo-compensatórias, dependendo da finalidade de castigar o infrator, ou castigá-lo e ressarcir o fisco pelos prejuízos sofridos. Em ambos os casos, a conseqüência jurídica deverá pretender coibir a ilicitude. Se a sanção é conseqüência jurídica da desobediência de uma determinada norma jurídica, então, a natureza da sanção está diretamente relacionada com a natureza da norma jurídica desobedecida, melhor dizendo, com o ilícito que tenta impedir. Dito isto, partindo do tipo de ilícito, passa-se ao elenco das espécies de sanções que se verificam em lançamentos de ofício de natureza tributária, mais 1 BECKER, Alfredo Augusto. Teoria Geral do Direito Tributário.Carnaval Tributário. São Paulo: Saraiva, 1989, p556. 2 Curso de direito tributário, ob cit., p.259. Fl. 1363DF CARF MF Emitido em 04/11/2010 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/11/2010 por KAREM JUREIDINI DIAS Assinado digitalmente em 03/11/2010 por KAREM JUREIDINI DIAS, 04/11/2010 por VIVIANE VIDAL WAGNER Processo nº 11618.001227/2002-19 Acórdão n.º 1401-00.313 S1-C4T1 Fl. 7 13 especificamente, as multas. As multas, no direito tributário, podem ser aplicadas em decorrência, principalmente, do não-pagamento de tributo, da mora ou da inobservância de obrigação acessória. Em lançamentos de ofício poderão ser encontradas, isolada ou cumulativamente, sanções de natureza tributária, administrativa ou penal-tributária. Será de natureza tributária, se aplicada em razão de descumprimento de uma obrigação tributária (obrigação de dar, entregar dinheiro aos cofres públicos). Será de natureza administrativa, se relacionada ao descumprimento de uma obrigação acessória (obrigação de fazer). E, será de natureza penal tributária a sanção aplicada às infrações decorrentes de atos dolosos, visando a fraude ou a sonegação fiscal. As multas de ofício são penalidades pecuniárias repressivo-compensatórias ou, por vezes, predominantemente repressivas, que normalmente asseguram o recebimento do crédito tributário pelo erário. Tais multas podem aparecer como valores fixos ou por limites (máximo e mínimo), mas, via de regra, as multas de ofício constituem-se em percentuais aplicáveis sobre o valor do tributo devido ou do fato jurídico. O percentual e a base (tributo devido ou fato jurídico), quantificadores da sanção, variam de acordo com a sua natureza predominantemente repressiva ou compensatória, dependendo das características do descumprimento da obrigação. No âmbito federal, a multa de ofício será agravada (percentual aumentado pela metade), nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para prestar esclarecimentos ou apresentar documentos. Será qualificada a penalidade (percentual duplicado), nos casos de sonegação e fraude. No caso de qualificação da penalidade, a Lei nº 9.430/96, em seu artigo 44, § 1º (na redação vigente à época do lançamento), estabelece que “o percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo [75%] será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis”. Ou seja, importante observar que a menção aos artigo 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/64 é feita para limitar a qualificação da multa apenas aos casos em que ocorrer sonegação, fraude ou conluio. Há, portanto, que se distinguir a fraude do mero erro ou entedimento do contribuinte acerca de determinado fato, ou seja, há que se distinguir a fraude da mera intenção do contribuinte de obter economia de impostos, por meios supostamente elisivos, mas que não evidenciam má-fé, inerente à prática de atos fraudulentos. Isto porque, a multa de ofício qualificada é sempre aplicada para os casos em que se pretende a fraude ou a sonegação. Por esta razão, a autoridade admininistrativa deve observar, para a imputação desta espécie de multa, a existência do elemento subjetivo, o dolo. O dolo se verifica pela vontade do agente de alcançar o resultado (in casu, fraude ou sonegação) ou assumir o risco de produzi-lo. Afirma-se que a autoridade administrativa precisa averiguar se efetivamente existiu dolo para que então possa imputar a multa qualificada, com base no próprio Código Penal Brasileiro, o qual assevera no parágrafo único do artigo 18 que: “Salvo os casos expressos em lei, ninguém pode ser punido por fato previsto como crime, senão quando o pratica dolosamente.” Fl. 1364DF CARF MF Emitido em 04/11/2010 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/11/2010 por KAREM JUREIDINI DIAS Assinado digitalmente em 03/11/2010 por KAREM JUREIDINI DIAS, 04/11/2010 por VIVIANE VIDAL WAGNER 14 Ainda que se verifique falta de pressuposto para a imputação do que ora se denomina multa qualificada, pode ser esta reduzida para multa de ofício sem qualificação, não impedindo a manutenção do crédito tributário. Isto porque a responsabilidade pelo pagamento do imposto é objetiva. O elemento subjetivo só alcança a qualificação da multa. A multa qualificada, que se ousa descrever de natureza “penal tributária”, tem característica repressiva e punitiva devido à grave natureza do evento ilícito que se configura em sua hipótese. Neste passo, a sanção administrativa de natureza predominantemente punitiva será aquela única, dentre as multas tributárias, de natureza subjetiva, na qual se identifica a vontade do agente (intuito doloso) e o nexo entre sua atitude e a sonegação, a fraude ou o conluio. O conluio é o ajuste doloso entre duas pessoas (físicas e/ou jurídicas), visando a sonegação ou a fraude. Tanto a sonegação quanto a fraude correspondem a ações ou omissões tendentes a impedir ou retardar, total ou parciamente, o conhecimento ou acontecimento do fato jurídico tributário, respectivamente. Na definição de Ruy Barbosa Nogueira, a sonegação impede a apuração da obrigação tributária principal enquanto a fraude impede o pagamento do tributo já devido3. Assim, sem dúvida necessária, ao menos, a distinção entre ilícito penal e ilícito fiscal, pois, enquanto para o primeiro aplica-se o elemento subjetivo (trata-se de sanção de caráter personalíssimo), para o segundo, aplica-se o critério objetivo. Enquanto as sanções penais e penais-tributárias se referem à conduta do agente, as sanções meramente fiscais, assim como as sanções administrativas, referem-se ao fato (ex. falta de pagamento de imposto). Já a aplicação da “multa qualificada” pressupõe uma ilicitude especialmente qualificada. Para a aplicação da sanção administrativa de natureza “penal tributária”, além da infração tributária haverá que ser verificada a participação e vontade do agente. Conclui-se, assim, que a qualificação pressupõe a existência de fraude ou sonegação. Portanto, sempre que houver qualificação, esta deve ser motivada em separado, já que não se confunde com o próprio motivo do lançamento, sendo certo que a motivação pressupõe uma ilicitude especialmente qualificada de natureza penal tributária. No presente caso, foi atribuída à Recorrente, multa de 150%, nos termos do artigo 44, inciso II da Lei 9.430/96, haja vista a suposta intenção da contribuinte em impedir o conhecimento, por parte da Secretaria da Receita Federal, da ocorrência do real fato gerador, mediante a subtração de receitas da base de cálculo de tributação. Embora no presente caso o lançamento se deu com base em presunção da omissão de receitas, dado a existência da não contabilização no livro caixa dos pagamentos efetuados aos fornecedores de mercadorias adquiridas para revenda, a fiscalização fundamentou a qualificação da penalidade com base em outros elementos, que não apenas a simples omissão de receita. O contribuinte, por reiterada vezes, omitiu receitas. Conforme consta do Termo de Verificação Fiscal, ao menos por três anos consecutivos (anos-calendário de 1997, 1998 e 1999) o contribuinte omitiu quantidade significativa de receitas. Ainda, a omissão reiterada possibilitou que o mesmo se aproveitasse de um “benefício fiscal”, qual seja, o SIMPLES, tanto que, verificada a omissão e efetuados os lançamentos, o contribuinte foi excluído do SIMPLES. 3 Curso de direito tributário, ob. cit., p.2O2. Fl. 1365DF CARF MF Emitido em 04/11/2010 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/11/2010 por KAREM JUREIDINI DIAS Assinado digitalmente em 03/11/2010 por KAREM JUREIDINI DIAS, 04/11/2010 por VIVIANE VIDAL WAGNER Processo nº 11618.001227/2002-19 Acórdão n.º 1401-00.313 S1-C4T1 Fl. 8 15 Desta forma, verificada a omissão de receitas de forma reiterada, em montante significativo, a fim de possibilitar a manutenção no SIMPLES, resta configurada o evidente intuito de fraude, razão pela qual voto pela manutenção da qualificação da penalidade em 150%. OMISSÃO DE RECEITAS No tocante aos valores mantidos pelo Acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento e ainda não pagos pela Recorrente, passo à análise das provas. O julgamento do Recurso Voluntário foi inicialmente convertido em diligência, a fim de que a autoridade competente, partindo dos valores mantidos pela Delegacia de Julgamento (DRJ – Recife), ou seja, partindo dos valores que ainda se encontram em discussão, apresentasse uma planilha ou demonstrativo que individualizasse, por fornecedor, cada uma das provas que existem nos autos, identificando a quais valores lançados cada uma das provas se referem, ou visam comprovar (indicando fls. dos autos). Às fls. 1.273/1.276, a fiscalização juntou os demonstrativos solicitados, referentes às empresas Indústria e Comércio de Malhas Litel Rock Ltda., Têxtil e Confecções Otimotex e Indústria e Comércio de Tecidos Finantex, elaborando relatório de diligência às fls. 1.280. Devidamente intimado, o contribuinte se manifestou às fls. 1.281/1.285, no qual argumenta, em suma, que as notas fiscais relacionadas nos demonstrativos de fls. 1.273/1.276 não estão escriturados no Registro de Entradas porque as respectivas mercadorias não foram recebidas pela recorrente. O lançamento objeto do presente processo foi efetuado mediante presunção da omissão de receitas, dada a não contabilização no livro caixa dos pagamentos efetuados aos fornecedores de mercadorias adquiridas para revenda. Para que reste configurada a omissão de receitas, deve haver comprovação da existência da mercadoria, por meio de nota fiscal/duplicata, bem como ter ocorrido o efetivo pagamento ao fornecedor. Verifico que, da planilha elaborada em diligência (fls. 1.273/1.276), restou demonstrado a existência de nota fiscal/duplicada, bem como o efetivo pagamento efetuado pela Recorrente, o qual está listado nos quadros de pagamentos elaborados durante o procedimento fiscalizatório: fls. 975/977 com relação à Indústria e Comércio de Malhas Litle Rock; fls. 982/984 com relação à Têxtil e Confecções Otimotex Ltda.; fls. 994/998 e 1009 com relação à Confecções de Tecidos Finantex Ltda.. Pelas cópias das duplicatas/notas fiscais está documentado o saque do vendedor pela importância faturada ao comprador, sendo estas instrumentos de prova dos contratos de compra e venda, que indicam no nome do sacado a empresa Pérola Indústria e Comércio de Confecções Ltda., ou seja, representa aquele que efetuou as referidas compras e se obrigou ao pagamento. Restou demonstrado, também, que houve o efetivo pagamento das notas fiscais/duplicatas. Entretanto, neste caso, a diligência se reporta a uma planilha que indica a data de pagamento, sem, contudo, anexá-lo na própria diligência. Fl. 1366DF CARF MF Emitido em 04/11/2010 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/11/2010 por KAREM JUREIDINI DIAS Assinado digitalmente em 03/11/2010 por KAREM JUREIDINI DIAS, 04/11/2010 por VIVIANE VIDAL WAGNER 16 Ressalto, contudo, que o contribuinte não nega que efetivou os pagamentos, mas alega apenas que não recebeu as mercadorias, razão pela qual argumenta que não registrou tais valores no Livro de Entrada. Desta forma, não havendo sequer negativa acerca dos fatos da diligência, entendo que deve ser mantido os valores relacionados pela diligência às fls. 1.273/1.276, referentes ao ano-calendário de 1997, os quais também haviam sido mantidos pela decisão da DRJ. Por todo o exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao presente Recurso, mantendo o crédito tributário nas feições em que mantido pela DRJ. Sala das Sessões, em 05 de Agosto de 2010.5 de agosto de 2010 (assinado digitalmente) Karem Jureidini Dias. Fl. 1367DF CARF MF Emitido em 04/11/2010 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/11/2010 por KAREM JUREIDINI DIAS Assinado digitalmente em 03/11/2010 por KAREM JUREIDINI DIAS, 04/11/2010 por VIVIANE VIDAL WAGNER
score : 1.0
Numero do processo: 12448.909823/2014-36
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 15 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Apr 24 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2012
ALIENAÇÃO DE PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA. DECRETO-LEI Nº 1.510/76. GANHO DE CAPITAL. ISENÇÃO. APLICAÇÃO DA LEGISLAÇÃO VIGENTE NA DATA DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR.
É inaplicável a isenção de que trata a alínea "d" do art. 4º do Decreto-lei nº 1.510, de 1976, relativamente ao ganho de capital, às alienações de participações societárias ocorridas sob égide da Lei nº 7.713, de 1988, uma vez que submetidas à legislação tributária vigente na data da ocorrência do fato gerador.
ALIENAÇÃO DE PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA. DECRETO-LEI Nº 1.510/76. ISENÇÃO. GANHO DE CAPITAL. AÇÕES BONIFICADAS ADQUIRIDAS APÓS 31/12/1983. INAPLICABILIDADE.
É inaplicável a isenção de que trata a alínea "d" do art. 4º do Decreto-lei nº 1.510, de 1976, relativamente ao ganho de capital, às ações bonificadas adquiridas após 31/12/1983, em decorrência de incorporação de reservas e/ou lucros ao capital social.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2401-004.663
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso e rejeitar a preliminar de nulidade. No mérito, por voto de qualidade, negar-lhe provimento. Vencidos os conselheiros Carlos Alexandre Tortato, Rayd Santana Ferreira, Andréa Viana Arrais Egypto e Luciana Matos Pereira Barbosa, que davam provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier Lazarini - Presidente
(assinado digitalmente)
Cleberson Alex Friess - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Miriam Denise Xavier Lazarini, Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Rayd Santana Ferreira, Márcio de Lacerda Martins, Andréa Viana Arrais Egypto e Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (suplente convocado).
Nome do relator: CLEBERSON ALEX FRIESS
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GANHO DE CAPITAL. ISENÇÃO. Recorrente REINALDO ARNAUD (ESPÓLIO) Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2012 ALIENAÇÃO DE PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA. DECRETOLEI Nº 1.510/76. GANHO DE CAPITAL. ISENÇÃO. APLICAÇÃO DA LEGISLAÇÃO VIGENTE NA DATA DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR. É inaplicável a isenção de que trata a alínea "d" do art. 4º do Decretolei nº 1.510, de 1976, relativamente ao ganho de capital, às alienações de participações societárias ocorridas sob égide da Lei nº 7.713, de 1988, uma vez que submetidas à legislação tributária vigente na data da ocorrência do fato gerador. ALIENAÇÃO DE PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA. DECRETOLEI Nº 1.510/76. ISENÇÃO. GANHO DE CAPITAL. AÇÕES BONIFICADAS ADQUIRIDAS APÓS 31/12/1983. INAPLICABILIDADE. É inaplicável a isenção de que trata a alínea "d" do art. 4º do Decretolei nº 1.510, de 1976, relativamente ao ganho de capital, às ações bonificadas adquiridas após 31/12/1983, em decorrência de incorporação de reservas e/ou lucros ao capital social. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 44 8. 90 98 23 /2 01 4- 36 Fl. 355DF CARF MF Processo nº 12448.909823/201436 Acórdão n.º 2401004.663 S2C4T1 Fl. 356 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso e rejeitar a preliminar de nulidade. No mérito, por voto de qualidade, negarlhe provimento. Vencidos os conselheiros Carlos Alexandre Tortato, Rayd Santana Ferreira, Andréa Viana Arrais Egypto e Luciana Matos Pereira Barbosa, que davam provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Lazarini Presidente (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Miriam Denise Xavier Lazarini, Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Rayd Santana Ferreira, Márcio de Lacerda Martins, Andréa Viana Arrais Egypto e Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (suplente convocado). Fl. 356DF CARF MF Processo nº 12448.909823/201436 Acórdão n.º 2401004.663 S2C4T1 Fl. 357 3 Relatório Cuidase de recurso voluntário interposto em face da decisão da 9ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Belo Horizonte (DRJ/BHE), cujo dispositivo tratou de considerar improcedente a manifestação de inconformidade, não reconhecendo o direito creditório pleiteado pelo interessado. Transcrevo a ementa do Acórdão nº 0263.917 (fls. 287/293): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF EXERCÍCIO: 2012 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR QUE O DEVIDO. O contribuinte somente tem direito à restituição total ou parcial do tributo quando restar comprovado erro ou recolhimento indevido do crédito tributário. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido 2. O espólio do contribuinte, ora recorrente, protocolou Pedido de Restituição relativamente à quantia recolhida, em 10/1/2012, sob o código de pagamento 4600, no valor original de R$ 11.625,52, relativo ao período de apuração de 31/12/2011, a título de Imposto sobre a Renda da Pessoa Física (IRPF) incidente sobre o ganho de capital na venda de participação societária negociada no ano de 2007. 2.1 Segundo expõe o interessado, o motivo do indébito reside no fato de que o pagamento foi efetuado indevidamente, visto que o ganho de capital foi calculado sobre a alienação de participação societária adquirida anteriormente ao prazo de 5 (cinco) anos contados da vigência da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, e, portanto, amparada pela regra de não incidência do imposto sobre a renda conferida pela alínea "d" do art. 4º do Decretolei nº 1.510, de 27 de dezembro de 1976. 3. A restituição foi requerida pelo sujeito passivo, em 20/8/2014, mediante utilização do programa Pedido de Restituição, Ressarcimento ou Reembolso e Declaração de Compensação (PER/DCOMP), sob o nº 04025.25923.200814.2.2.048241 (fls. 56/59). 3.1 A unidade local da RFB indeferiu a restituição pleiteada, por entender, em síntese, que (fls. 286): "Diante da inexistência do crédito, INDEFIRO o Pedido de Restituição" 4. Em face do despacho decisório da Delegacia da Receita Federal do Brasil no Rio de Janeiro, o espólio, por meio da inventariante e sucessora, Srª Alda Maria Confort Fl. 357DF CARF MF Processo nº 12448.909823/201436 Acórdão n.º 2401004.663 S2C4T1 Fl. 358 4 Arnaud, apresentou manifestação de inconformidade contra o indeferimento do pedido (fls. 2/28). 5. Intimado em 25/2/2015, por via postal, da decisão do colegiado de primeira instância, às fls. 294/295, o espólio apresentou recurso voluntário no dia 25/3/2015 (fls. 298/325): 5.1 Em sua petição, expõe os seguintes argumentos de fato e direito: (i) em preliminar, requer a nulidade do despacho decisório, pela inexistência de qualquer diligência e/ou intimação, bem como devido à carência de motivação da decisão, o que resultou no cerceamento do seu direito de defesa; (ii) no mérito, defende o direito adquirido à não incidência do IRPF sobre o resultado da alienação da participação societária detida antes de 1984 e à restituição integral do valor pago indevidamente; (iii) cumprida a condição prevista na alínea "d" do art. 4º do Decretolei nº 1.510, de 1976, ou seja, a titularidade da participação societária por 5 anos, o direito de não recolher o imposto por ocasião da venda da participação passou a fazer parte do patrimônio do sócio cotista, caracterizando o denominado "direito adquirido"; e (iv) a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça (STJ), do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf) e das Delegacias da Receita Federal do Brasil são favoráveis à tese da recorrente. É o relatório. Fl. 358DF CARF MF Processo nº 12448.909823/201436 Acórdão n.º 2401004.663 S2C4T1 Fl. 359 5 Voto Conselheiro Cleberson Alex Friess Relator Juízo de admissibilidade 6. Uma vez realizado o juízo de validade do procedimento, verifico que estão satisfeitos os requisitos de admissibilidade do recurso voluntário e, por conseguinte, dele tomo conhecimento. Preliminar 7. Em síntese, a recorrente alega a nulidade do despacho decisório ante a falta de intimação para a apresentação de documentos, bem como em razão da carência de motivação do ato administrativo, já que apenas indeferiu o pedido de restituição, sob a justificativa de inexistência do crédito. 8. Pois bem. Embora os ganhos de capital na alienação de bens ou direitos sejam apurados e tributados em separado, cujos rendimentos estão sujeitos à tributação definitiva, devem ser informados pelo contribuinte na respectiva declaração de ajuste anual do ano calendário. 9. Segundo a peça recursal, o Sr. Reinaldo Arnaud, após a negociação da alienação da participação societária da pessoa jurídica "Suíssa Industrial e Comercial Ltda", no ano de 2007, passou a recolher o imposto de renda à medida que recebia as parcelas correspondentes ao pagamento do preço ajustado entre as partes. 9.1 No ano de 2012, além do recolhimento do imposto devido sobre a parcela recebida, houve a informação do fato gerador na declaração de ajuste do anocalendário 2011, conforme esclareceu a decisão de piso, após consultar os dados do sistema informatizado da RFB (fls. 290). 10. Em consequência dos fatos, o pedido de restituição via PER/DCOMP dificilmente seria aceito pelos parâmetros de auditoria eletrônica da RFB, que confronta, entre outras análises, débitos e créditos em nome do interessado, dado que o pagamento indevido assinalado pelo contribuinte tinha sido integralmente utilizado para quitação de débitos declarados de mesma natureza. 11. Esta é exatamente a fundamentação que acompanha o Despacho Decisório, emitido, em 4/9/2014, pela Delegacia da Receita Federal do Brasil no Rio de Janeiro, acostado às fls. 286. Fl. 359DF CARF MF Processo nº 12448.909823/201436 Acórdão n.º 2401004.663 S2C4T1 Fl. 360 6 11.1 Ao não haver crédito disponível para restituição, pois alocado o pagamento para quitação de débito declarado pelo sujeito passivo, coerentemente concluiu a autoridade fazendária pela inexistência do direito creditório pleiteado e, por conseguinte, pelo indeferimento do pedido de restituição. 12. Provavelmente, se tivesse havido a prévia retificação da declaração de ajuste, com a indicação pelo sujeito passivo que os rendimentos não se sujeitavam ao imposto sobre a renda, outro caminho tomaria o procedimento de análise do pedido de restituição via PER/DCOMP, inclusive com a intimação, por parte da autoridade competente para decidir sobre a restituição, para que o interessado apresentasse os documentos comprobatórios do direito creditório. 13. Ao contrário do exposto na petição recursal, a Instrução Normativa (IN) RFB nº 1.300, de 20 de novembro de 2012, não determina, como ato obrigatório, a intimação do contribuinte para comprovar o seu direito de crédito, ou mesmo a realização de diligência fiscal. 13.1 Cuidase de uma faculdade, a critério da autoridade responsável pela análise do direito creditório, mediante avaliação se o caso concreto sob apreciação demanda a adoção de tais procedimentos instrutórios adicionais (art. 76, caput, e, mais recentemente, art. 107A, inc. I, da IN RFB nº 1.300, de 2012). 14. Por sua vez, até a manifestação da RFB, por intermédio do despacho decisório, não há litígio, nem litigantes. 15. O conflito de interesses aparece posteriormente à decisão administrativa, quando o Fisco negase a reconhecer o direito creditório pleiteado e indefere o pedido de restituição da importância recolhida aos cofres públicos. O início da situação conflituosa ocorre com a manifestação de inconformidade, apresentada pelo sujeito passivo no prazo legal. Presente o caráter litigioso, estabelecese o processo administrativo em sentido estrito. 16. Com o aperfeiçoamento do ato administrativo, mediante a ciência do despacho decisório, o requerente terá direito, propriamente, ao contraditório e à ampla defesa, nos termos estabelecidos no processo administrativo tributário. Como se sabe, o direito ao contraditório e à ampla defesa é garantido pelo inciso LV do art. 5º da Carta da República de 1988 apenas aos litigantes em processo administrativo e judicial, bem como aos acusados em geral. 17. Logo, não vislumbro a existência de vícios para se impor a declaração de nulidade do ato administrativo, quer sob a ótica de falta de intimação do contribuinte para apresentar documentos, quer pela motivação adotada pelo Fisco para fundamentar a decisão combatida. 18. Dessa forma, rejeito a preliminar de nulidade do ato administrativo. Fl. 360DF CARF MF Processo nº 12448.909823/201436 Acórdão n.º 2401004.663 S2C4T1 Fl. 361 7 Mérito 19. Nos últimos anos, o STJ firmou o entendimento, tendo em vista a isenção prevista na alínea "d" do art. 4º do Decretolei nº 1.510, de 1976, que o resultado da alienação de participações societárias detidas pelos contribuintes, no mínimo, cinco anos antes da entrada em vigor da Lei nº 7.713, de 1988, escapa à tributação do imposto sobre a renda, como ganho de capital. 1 19.1 Por se tratar de isenção concedida sob condição onerosa, estaria caracterizado o direito adquirido à isenção do imposto sobre a renda mesmo em relação às situações de alienações das participações societárias que ocorreram, ou ocorrem, na vigência da Lei nº 7.713, de 1988. 20. Tais precedentes, porém, ostentam apenas força persuasiva, e não vinculante nos moldes do § 2º do art. 62 do Anexo II do Regimento do Carf, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015, na medida em que desconheço, até o momento, a existência de decisão da Corte infraconstitucional na sistemática dos recursos repetitivos. 21. Assim, sintome confortável para discordar do entendimento aparentemente consolidado no STJ e manifestar ponto de vista pessoal contrário à orientação prevalente naquela Corte. 22. Pois bem. Cediço que a alínea "d" do art. 4º do Decretolei nº 1.510, de 1976, estipulava a não incidência do imposto sobre a renda nas alienações de participações societárias efetivadas após decorrido o período de cinco anos contados da data da subscrição ou aquisição da participação: Art 4º Não incidirá o imposto de que trata o artigo 1º: (...) d) nas alienações efetivadas após decorrido o período de cinco anos da data da subscrição ou aquisição da participação. 23. O dispositivo restou revogado pelo art. 58 da Lei nº 7.713, de 1988, a partir de 1º de janeiro de 1989, de maneira tal que as operações de alienação de participação societária, desde que configurado o resultado positivo patrimonial, passaram a ser tributadas pelo imposto sobre a renda. 24. A respeito de isenção, dispõe o art. 178 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, que veicula o Código Tributário Nacional (CTN), na redação dada pela Lei Complementar nº 24, de 7 de janeiro de 1975: Art. 178 A isenção, salvo se concedida por prazo certo e em função de determinadas condições, pode ser revogada ou modificada por lei, a qualquer tempo, observado o disposto no inciso III do art. 104. (GRIFEI) 1 Nesse sentido, REsp 1.570.781/RS, 2ª Turma, Relator Ministro Campbell Marques, julgado em 8/3/2016; EDcl no REsp 1.133.032/PR, 1ª Seção, Relator p/ acórdão Ministro Castro Meira, julgado em 14/9/2011; e EDcl no REsp 1.164.768/RS, 1ª Turma, Relator Ministro Benedito Gonçalves, julgado em 4/8/2011. Fl. 361DF CARF MF Processo nº 12448.909823/201436 Acórdão n.º 2401004.663 S2C4T1 Fl. 362 8 25. A isenção para configurar direito adquirido, de modo que torne insuscetível de revogação ou modificação por lei posterior, exige o atendimento de dois requisitos cumulativos, a saber: concedida por prazo certo e em função de determinadas condições. 26. Ainda que se admita que a isenção prevista na alínea "d" do art. 4º do Decreto lei nº 1.510, de 1976, foi outorgada a partir do implemento de condições para o seu gozo, não foi fixado, por outro lado, qualquer prazo para a fruição do benefício, caracterizandoa como isenção concedida por prazo indeterminado. 26.1 É bom que se esclareça que o período de cinco anos estabelecido na alínea "d" referiase ao lapso de tempo mínimo em que o detentor das participações societárias deveria permanecer com a titularidade das ações, hipótese diversa, portanto, de prazo de duração da isenção. 26.2 Por não ser por prazo determinado, não há que se falar em direito adquirido à isenção, uma vez que poderia ser revogada a qualquer momento pelo legislador. 27. Todavia, a rigor, nem mesmo foi onerosa a isenção, pois não se exigiu que houvesse ônus patrimonial ou dispêndios relacionados à necessidade de subscrição ou aquisição de novas ações ou quotas sociais, a partir do Decretolei nº 1.510, de 1976, mas tão somente a manutenção das participações societárias no patrimônio do contribuinte, pelo prazo de cinco anos. 28. Uma vez isenção não onerosa e por prazo indeterminado, a lei tributária aplicável é aquela do momento da ocorrência do fato gerador (arts. 105, 113, § 1º, e 144, do CTN). 29. Para as hipóteses de alienação de participação societária a partir do ano de 1989, como é o caso dos autos, o fato gerador se configura na vigência dos §§2º e 3º do art. 3º da Lei nº 7.713, de 1988, que determinam a incidência do imposto sobre a renda sobre o ganho de capital: Art. 3º (...) § 2º Integrará o rendimento bruto, como ganho de capital, o resultado da soma dos ganhos auferidos no mês, decorrentes de alienação de bens ou direitos de qualquer natureza, considerandose como ganho a diferença positiva entre o valor de transmissão do bem ou direito e o respectivo custo de aquisição corrigido monetariamente, observado o disposto nos arts. 15 a 22 desta Lei. § 3º Na apuração do ganho de capital serão consideradas as operações que importem alienação, a qualquer título, de bens ou direitos ou cessão ou promessa de cessão de direitos à sua aquisição, tais como as realizadas por compra e venda, permuta, adjudicação, desapropriação, dação em pagamento, doação, procuração em causa própria, promessa de compra e venda, cessão de direitos ou promessa de cessão de direitos e contratos afins. (...) Fl. 362DF CARF MF Processo nº 12448.909823/201436 Acórdão n.º 2401004.663 S2C4T1 Fl. 363 9 30. Tenho para mim que o raciocínio acima não conflita com o enunciado da Súmula 544 do Supremo Tribunal Federal (STF): Súmula 544: Isenções tributárias concedidas, sob condição onerosa, não podem ser livremente suprimidas. 30.1 A razão é bem singela. O enunciado sumulado pelo STF foi editado à luz da redação anterior do art. 178 do CTN, que estabelecia os dois requisitos de forma alternativa, bastando apenas a presença de um deles para configurar a impossibilidade de revogação da isenção. 30.2 Com a novel redação do art. 178 do CTN, a partir da Lei Complementar nº 24, de 1975, a caracterização da onerosidade da isenção passou a demandar, por opção do legislador, o cumprimento simultâneo dos dois requisitos estabelecidos no dispositivo de lei, condição e prazo certo, de maneira que a subsunção ao conceito de irrevogabilidade tornouse mais restrita. 31. Observo, igualmente, que a jurisprudência do STJ foi construída, embora não só, sob uma forte influência dos pronunciamentos reiterados no âmbito administrativo, em especial da Câmara Superior de Recursos Fiscais, que reconhecia o direito adquirido do contribuinte que alienou a participação societária após o decurso de cinco anos, ainda que a operação de venda tivesse ocorrido na vigência da lei revogadora da isenção do Decretolei nº 1.510, de 1976. 31.1 Nesse sentido, a título de exemplo, reproduzo a ementa do Recurso Especial (REsp) 1.133.032/PR, 1ª Seção, Relator Ministro Luiz Fux, Relator p/ acórdão Ministro Castro Meira, julgado em 14/3/2011: TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA. ALIENAÇÃO DE PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA. ISENÇÃO ONEROSA POR PRAZO INDETERMINADO. DECRETOLEI 1.510/76. DIREITO ADQUIRIDO. REVOGAÇÃO. ART. 178 DO CTN. 1. Os recorrentes impugnam acórdão proferido pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região, o qual entendeu não persistir a isenção conferida pelo art. 4º, alínea "d", do DecretoLei nº 1.510/76 ao acréscimo patrimonial decorrente da alienação de participação societária realizada após a entrada em vigor da Lei nº 7.713/88. 2. Não obstante as ponderáveis razões do voto apresentado pelo Sr. Ministro Relator, reconheço o direito adquirido do contribuinte que alienou a participação societária após o decurso de cinco anos, ainda que essa alienação tenha ocorrido na vigência da Lei nº 7.713/88, tendo em vista os reiterados pronunciamentos da Fazenda Nacional, pelo órgão máximo de sua instância administrativa, o Conselho Superior de Recursos Fiscais nesse sentido. (...) (GRIFEI) Fl. 363DF CARF MF Processo nº 12448.909823/201436 Acórdão n.º 2401004.663 S2C4T1 Fl. 364 10 32. Nada obstante ao histórico de decisões administrativas, a atual jurisprudência da Câmara Superior de Recursos Fiscais parece apontar em sentido diverso ao anterior, ou seja, contrário ao reconhecimento de direito adquirido às alienações posteriores à Lei nº 7.713, de 1988, conforme se pode verificar do recente Acórdão nº 9202003.882, julgado na sessão de 12/4/2016, e decidido pela maioria de votos do colegiado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2000, 2001 IRPF. PARTICIPAÇÕES SOCIETÁRIAS. AQUISIÇÃO SOBRE OS EFEITOS DA HIPÓTESE DE NÃO INCIDÊNCIA PREVISTOS NO DECRETO 1.510/76. NÃO OCORRÊNCIA DE DIREITO ADQUIRIDO. APLICAÇÃO DA LEGISLAÇÃO VIGENTE NA DATA DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR. Se a pessoa física titular da participação societária, sob a égide do art. 4°, "d", do DecretoLei 1.510/76, E subseqüentemente ao período de 5 (cinco) anos da aquisição da participação, alienou a, aplicase a legislação vigente na data do fato gerador. Não há direito adquirido à isenção por não ter sido deferida por prazo certo e legislação posterior tornou a alienação tributável, não havendo que se falar em direito adquirido a regime jurídico. Recurso especial provido. 33. As razões expostas até aqui neste voto são suficientes para negar o reconhecimento do direito creditório pleiteado pelo espólio do "de cujus" e manter o indeferimento do pedido de restituição. 34. Identifico, entretanto, que no caso concreto sob apreço há mais um elemento desfavorável ao reconhecimento do direito creditório do recorrente. 35. Ao compulsar os contratos sociais e alterações da empresa "Suíssa Industrial e Comercial Ltda, é possível constatar a aquisição de quotas pelo contribuinte em momento posterior ao ano de 1983, ou seja, menos de cinco anos da revogação da isenção do Decretolei nº 1.510, de 1976, distribuídas via bonificação, decorrentes da incorporação de reservas e/ou lucros ao capital social (fls. 62/221). 35.1 É o caso, por exemplo, da vigésima oitava alteração contratual, em que foi mantido o mesmo valor nominal das quotas, porém com alteração do número de quotas em nome do sócio cotista, devido à incorporação de reservas e/ou lucros (fls. 179/181). 35.2 Essa peculiaridade foi detectada em outras alterações de contrato, ao longo dos anos, as quais também adotaram procedimento similar para o aumento de capital social (fls. 184/186, 188/197, etc). 36. Nessas situações há um acréscimo patrimonial, resultado do aumento do patrimônio pessoal do sócio cotista igual ao valor das quotas novas recebidas em bonificação pela incorporação de reservas e/ou lucros ao capital social. É indiferente que, ao final, a participação relativa de cada um dos sócios no capital social da empresa permaneça inalterada, equivalente ao percentual que detinha antes da operação de 33,3%. Fl. 364DF CARF MF Processo nº 12448.909823/201436 Acórdão n.º 2401004.663 S2C4T1 Fl. 365 11 36.1 Cuidase de riqueza nova, portanto, advinda dos resultados da sociedade empresarial alcançados em períodos anteriores, e representa um produto do capital, rendimento tributável pelo imposto sobre a renda (art. 3º, § 1º, da Lei nº 7.713, de 1988). 37. Em outros dizeres, mesmo que fosse admitido o direito adquirido à isenção na alienação da participação societária detidas até 1983, isto é, cinco anos antes à revogação da alínea "d" do art. 4º do Decretolei nº 1.510, de 1976, a aquisição de quotas oriunda da incorporação de reservas e/ou lucros ao capital social, via bonificação, após 31/12/1983, não pode ser considerada, para fins de isenção tributária, extensão das quotas originalmente subscritas ou adquiridas. 38. De acordo com os autos, verifico que a negociação da alienação da participação societária, no ano de 2007, correspondeu à totalidade das quotas detidas pelo contribuinte na sociedade empresarial, tanto as originalmente existentes até 31/12/1983, quanto as adquiridas via bonificação com a emissão de novas quotas, após 31/12/1983 (fls. 233/245). 39. Dessa feita, mantenho intacta a decisão de piso que deixou de reconhecer o direito creditório pleiteado e indeferiu o pedido de restituição. Conclusão Ante o exposto, CONHEÇO do recurso voluntário e, no mérito, NEGO PROVIMENTO. É como voto. (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess Fl. 365DF CARF MF
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Numero do processo: 10925.722518/2011-91
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 29 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon May 08 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2004
COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE LIQUIDEZ E CERTEZA DO DIREITO CREDITÓRIO.
É ônus do contribuinte comprovar a liquidez e certeza de seu direito creditório, conforme determina o caput do art.170 do CTN, devendo demonstrar de maneira inequívoca a sua existência, e, por conseguinte, o erro em que se fundou a declaração original.
Numero da decisão: 3201-002.626
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira Presidente
(assinado digitalmente)
Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo- Relatora
Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Jose Luiz Feistauer de Oliveira, Mercia Helena Trajano Damorim, Cassio Schappo, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Cléber Magalhães, Tatiana Josefovicz Belisario.
Nome do relator: ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO
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AUSÊNCIA DE LIQUIDEZ E CERTEZA DO DIREITO CREDITÓRIO. É ônus do contribuinte comprovar a liquidez e certeza de seu direito creditório, conforme determina o caput do art.170 do CTN, devendo demonstrar de maneira inequívoca a sua existência, e, por conseguinte, o erro em que se fundou a declaração original. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira – Presidente (assinado digitalmente) Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo Relatora Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Jose Luiz Feistauer de Oliveira, Mercia Helena Trajano Damorim, Cassio Schappo, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Cléber Magalhães, Tatiana Josefovicz Belisario. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 5. 72 25 18 /2 01 1- 91 Fl. 453DF CARF MF 2 Referese o presente processo a pedido de ressarcimento de Cofins, relativo ao 3o trimestre de 2004. Para bem relatar os fatos, transcrevese o relatório da decisão proferida pela autoridade a quo: Tratase o presente processo de manifestação de inconformidade frente a despacho decisório de indeferiu pedido de ressarcimento de créditos apresentado pela contribuinte. O pedido de ressarcimento referese a créditos no regime da nãocumulatividade da Cofins referente ao terceiro trimestre de 2004, no valor de R$ 2.626.982,91. O indeferimento do pedido de ressarcimento foi motivado pela falta de comprovação da interessada de seu direito creditório. A autoridade fiscal esclarece ter intimado a contribuinte para comprovação da procedência de seu crédito, tendo a interessada solicitado por duas vezes a prorrogação de seu prazo para apresentação dos documentos. Conclui com a informação de que teriam se passado mais de 108 dias da data de ciência da Intimação Fiscal até a formalização do despacho decisório, não tendo sido apresentado nenhum dos documentos probatórios solicitados. A contribuinte, irresignada, apresentou manifestação de inconformidade ao despacho decisório com os argumentos abaixo expostos. Aduz a que teria ocorrido a decadência do direito do Fisco de questionar as compensações realizadas, pois teria transcorrido o prazo de 5 anos previsto no artigo 74 da Lei nº 9.430/96. Baseia seu argumento no fato da notificação da glosa ter sido realizada em 13/02/2012, e o crédito dizer respeito ao 2º trimestre de 2005. Entende que há cerceamento de defesa da impugnante, com consequente violação ao devido processo legal administrativo, tendo em vista a glosa decorrer de suposta ausência de comprovação de seus créditos. Argumenta que, diante das circunstâncias específicas do caso concreto, com a fiscalização exigindo documentos referentes a período significativamente antigo, a empresa sendo uma das maiores empresas de alimentos do mundo, e da impugnante ter sofrido em torno de 60 procedimentos de fiscalização por mês, deveria ter o Fisco aguardado mais um período antes de realizar a glosa. Defende ainda que, diante da não comprovação dos créditos, deveria a fiscalização proceder com o lançamento Fl. 454DF CARF MF Processo nº 10925.722518/201191 Acórdão n.º 3201002.626 S3C2T1 Fl. 94 3 de ofício, e não com a glosa de seu pedido de ressarcimento. Entende ser fundamental a conversão do julgamento em diligência com o objetivo de se confirmar a falta de comprovação ou a legitimidade de seus créditos. Quanto aos juros, entende que estes são devidos à razão de 1% (um por cento) ao mês, nos termos do artigo 161, § 1º, do Código Tributário Nacional, sendo de total improcedência o lançamento realizado. Ressaltar a impossibilidade de incidir juros sobre a multa. Argumenta que o valor da multa imputado é de evidente irrazoabilidade e confisco. Requer o reconhecimento da nulidade ou da improcedência do ato decisório. Requer ainda prova pericial destinada à avaliar, especialmente, se os bens, produtos/serviços e materiais adquiridos e glosados pela Fiscalização, diante da peculiaridade da atividade econômica despenhada pela impugnante se enquadram no conceito de insumo de PIS e Cofins, excluindose o critério exclusivo da legislação do IPI. Nomeia como assistente do perito Sérgio Luiz Lazzari, CPF: 423.505.30949. Requer, por fim, a juntada posterior de documentos, laudos, pareceres, perícias, caso seja necessário ao deslinde do presente caso, em cumprimento ao devido processo legal e verdade material A Delegacia de Julgamento julgou improcedente a manifestação de inconformidade, em decisão assim ementada: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2004 COMPROVAÇÃO DA EXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA A CARGO DO CONTRIBUINTE É ônus do contribuinte a comprovação minudente da existência do direito creditório. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA NO CURSO DA AÇÃO FISCAL. DESCARACTERIZAÇÃO. Os atos anteriores a emissão do despacho decisório referemse à investigação fiscal que tem caráter inquisitório e se destina a verificação da situação fiscal da Fl. 455DF CARF MF 4 contribuinte, sendo que o contraditório e a ampla defesa referemse a momento posterior à emissão da decisão administrativa. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PRAZO PARA HOMOLOGAÇÃO. O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo é de cinco anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Em síntese, entendeuse ausente a nulidade do ato administrativo, uma vez que fornecido à contribuinte todas as informações que embasaram a glosa de seus créditos, bem como lhe foi concedido o direito a se defender desta decisão. Sobre a decadência, entendeuse que em relação a pedidos de ressarcimento inexiste previsão específica, sendo incorreto o entendimento da contribuinte, além de que, não teria decorrido o prazo estabelecido pelo artigo 74 da Lei nº 9.430/96, no caso da declaração de compensação emitida. Quanto ao ônus probatório, afirmouse que incumbe ao contribuinte provar fatos impeditivos do nascimento da obrigação tributária ou de sua extinção, ou requisitos constitutivos de uma isenção ou outro benefício tributário. Ademais, não se poderia usar as diligências como meio de suprir o ônus probatório não cumprido pelas partes. Em sede de recurso voluntário, foram reiterados os argumentos iniciais, e juntados nessa ocasião, DVDs contendo, supostamente, todos os documentos comprobatórios do direito ao ressarcimento. Destarte, verificouse que, em 31/08/2012, houve termo de juntada física, contendo os seguintes dizeres: Informo que em data de 31/08/2012 foi incluído um ANEXO (Processo Papel) nº. 10925.722.208/201257 para guarda e arquivo de 06 CDR , contendo respostas da Intimação nº. 544 referente ao III trimestre 200 PIS/COFINS em nome da empresa SADIA S.A. Tais arquivos se referem aos processos 10925.722515/201157; 10925.722517/201146; 10925.722516/201100; 10925.722518/201191 E 10925.722519/201135. Foi juntado aos autos, da mesma forma, laudo do Instituto Nacional de Tecnologia, no qual se descreve o processo produtivo da Recorrente, bem como a forma em que os insumos, que gerariam o direito ao crédito, teriam sido empregados. Em vista da juntada dos documentos e do posicionamento desta Turma julgadora, no sentido de prestigiar a Verdade Material, aceitouse a juntada extemporânea, deliberandose por converter o julgamento em diligência, para que a Fazenda Nacional se manifestasse, de sorte a não corromper a dialética processual. Fl. 456DF CARF MF Processo nº 10925.722518/201191 Acórdão n.º 3201002.626 S3C2T1 Fl. 95 5 O processo retornou para o prosseguimento do julgamento, com informação fiscal da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Florianópolis, na qual conta a seguinte análise (os grifos são do original): O processo nº 10925.722208/201257 contém 6 (seis) CD, aqui nomeados CD 1 a CD 6, com as seguintes inscrições no envelope que os contém: No envelope que contém o CD 1, folha 5, está escrito “Intimação 544/2011 PIS/COFINS 2000 3º trim”. No envelope que contém o CD 2, folha 7, está escrito “Int 544/2011 – créd. PIS/COFINS 3º trim 2000”. No envelope que contém o CD 3, folha 9, está escrito “Int 544/2011 Pis e Cofins / 3º trim 2000”. No envelope que contém o CD 4, folha 11, está escrito “AA – INTIMAÇÃO 5442011 SAORT CRED. Pis e Cofins 3º trim 200”. No envelope que contém o CD 5, folha 13, está escrito “AA – INTIMAÇÃO 5442011 SAORT CRED. Pis e Cofins 3º trim 200”. No envelope que contém o CD 6, folha 15, não há nada escrito. Foi verificado que todos os 6 (seis) CD têm o mesmo conteúdo. [...] Verificase a presença do arquivo 02 – Termo de Intimação Saort nº 05442011 20 062011.pdf. Tal arquivo contém cópia do Termo de Intimação de mesmo número, que se refere ao período do 3º trimestre de 2006. Em breve análise do conteúdo do CD verificase que contém arquivos de imagens (.PDF) de algumas notas fiscais, agrupadas em pastas relativas a diversas filiais e uma pequena quantidade de arquivos Excel (.xls), um deles contendo amostragem, e alguns relatórios de imobilizado. Ainda, há alguns arquivos texto (.TXT) contendo relatórios como o Relatório 1030429941 CALDEIRA CHAPECÓ.txt, que é um relatório de acompanhamento das compras para as obras da citada caldeira. Considerando o conteúdo do arquivo 10 Relatório de Notas Fiscais Amostragem Fiscal RFB .xls, que contém listagem de pequeno número de notas fiscais, parece tratar se de listagem de documentos relativos ao 3º trimestre de 2006 cujas cópias foram solicitadas pela citada intimação Fl. 457DF CARF MF 6 0544/2011, período que não é objeto de nenhum dos processos em tela. Colo abaixo imagem do programa Excel da planilha Linha 02, contida no citado arquivo. Os documentos a que se referem as imagens e as próprias listagens existentes nos CD referemse a período de apuração diverso dos períodos tratados nos processos em tela. Cada um dos citados processos teve os mesmos documentos solicitados, relativos ao período analisado, através das intimações citadas abaixo: A ordem de grandeza da quantidade de notas fiscais de entrada com crédito de outros períodos de apuração já analisados desta empresa, por trimestre, costuma chegar a centenas de milhares (perto de cem mil por mês) e as notas fiscais de saída passam da marca do milhão. Não há nestes CD nenhuma informação que, mesmo remotamente, lembre o que foi solicitado nestas intimações, em especial a memória de cálculo solicitada no item 3 de cada uma das intimações e nem os arquivos digitais de notas fiscais (item 6), mesmo tendo sido facultada a apresentação no padrão do ADE COFIS nº 15/2001 ou formato SINTEGRA. 2.Dos DVDs contidos no processo 10925.720663/201218 Na folha 01 do processo nº 10925.720663/201218 está presente Termo de Inclusão de Anexo Físico, com o seguinte teor: Fl. 458DF CARF MF Processo nº 10925.722518/201191 Acórdão n.º 3201002.626 S3C2T1 Fl. 96 7 Por outro lado, verificando fisicamente os DVDs juntados à folha 2 daquele processo constatase que as capas dizem conter as respostas aos itens 3, 4, 5 e 6 das intimações citadas no quadro acima. Os dois DVDRW contidos no envelope da folha 2 daquele processo tem as seguintes inscrições a caneta no rótulo do disco: 1 “Intimações n.os 939941 e 945/2011 ANO 2004 Itens 3 456.” 2 “Intimações n.os 937940942/2011 ANO 2005 Itens 3 456” Embora não tenha sido determinada a juntada do conteúdo destes DVDs aos processos, em homenagem ao princípio da verdade material, juntei a cada um dos processos citados no início desta informação fiscal o inteiro teor destes dois DVDs. Devido ao tamanho do conteúdo e às limitações do sistema Eprocesso, o DVD do item 1 foi compactado em 4 (quatro) partes (~.zip.001.zip a ~.zip.004.zip, que devem ser baixadas, descompactadas para gerar a parcela original compactada (extensão .zip.001, .zip.002, .zip.003 e .zip.004) e então novamente descompactadas a partir do arquivo de extensão .zip.001. Da mesma forma, o DVD do item 2 foi compactado em 5 (cinco) partes. 3.Conclusão O conteúdo dos CDs juntados ao processo 10925.722208/201257 não tem relação com os processos em tela. Em cumprimento às resoluções citadas, juntei o conteúdo dos CDs a cada um destes processos apesar de não tratarem do mesmo período. As informações contidas nos CDs não têm qualquer relação com os períodos Fl. 459DF CARF MF 8 tratados nestes processos. Porém, o conteúdo dos DVDs juntados ao processo 10925.720663/201218 é relativo aos períodos tratados nos processos em questão. Por outro lado, não foi possível localizar nestes DVDs resposta ao item 2 das citadas intimações, onde são solicitadas cópias dos livros Registro de Apuração do IPI de todos os estabelecimentos de cada período. Não é possível verificar a correção das informações prestadas relativas ao item 6 das citadas intimações sem ter disponíveis as informações de totais de créditos e débitos por CFOP, existentes nos livros solicitados ou nos livros Registro de Apuração do ICMS do período. Assim, não é possível afirmar que o conteúdo dos DVDs atenda ao item 6 das intimações por falta de atendimento ao item 2. Mesmo assim, em homenagem ao princípio da verdade material, juntei o conteúdo dos DVDs presentes na folha 2 do processo 10925.720663/201218 a todos os processos em tela Não houve manifestação da Procuradoria da Fazenda Nacional, nem mesmo da Recorrente, retornando o processo para o julgamento do recurso voluntário. Tendo retornado o processo à essa turma de julgamento para apreciação do recurso voluntário, a Recorrente alegou que não teria sido oportunizada a manifestação em relação à informação fiscal. Novamente baixado o processo em diligência, para que fosse dada ciência à Recorrente da informação fiscal, tendo essa se manifestado no sentido de que: É o relatório. Voto Fl. 460DF CARF MF Processo nº 10925.722518/201191 Acórdão n.º 3201002.626 S3C2T1 Fl. 97 9 Conselheira Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Relatora O presente recurso preenche as condições de admissibilidade, pelo que dele tomo conhecimento. Inicialmente, rechaçase o argumento de nulidade por cerceamento do direito de defesa, em razão do indeferimento do pedido de realização de perícia, pois, como bem pontuado na decisão recorrida, foram concedidas diversas oportunidade para que a Recorrente comprovasse seu direito creditório, sem que se valesse de uma sequer. Observese que não se trata de acatar o pedido de perícia formulado, pelo fato de que a perícia pressupõe a necessidade de conhecimentos técnicos específicos para a análise documental, porém, tratase o caso em tela de pura e simples ausência de prova das alegações. Destarte, conforme consta dos autos, a Recorrente foi intimada para a comprovação da procedência de seu crédito, com a concessão de duas prorrogações para apresentação dos documentos, sendo que da intimação fiscal para o despacho decisório, transcorreramse mais de 108 dias. Esses fatos já seriam suficientes para descaracterizar um eventual cerceamento do direito de defesa, não obstante, novamente, em sede de recurso voluntário, foi concedida uma nova oportunidade para a apresentação de documentos, de maneira que deve ser rejeitada preliminar. Adentrandose no mérito da questão, verificase que a diligência resultou improfícua para os fins para o qual foi concedida, isto é, remanesceu incomprovado o direito creditório, pois a despeito da juntada de diversos DVDs, nenhum deles veiculou as informações necessárias para estribar o pedido de ressarcimento em tela, conforme minudente relatório fiscal, o qual se transcreveu no presente voto. Observese que mesmo o laudo técnico do Instituto Nacional de Tecnologia, que ilustra o processo produtivo da Recorrente com riqueza de detalhes, é estéril em face da inexistência da comprovação dos créditos, impossibilitando uma eventual vinculação entre as informações. Em se tratando de pedido de ressarcimento, é certo, apenas a documentação contábil completa trazida pela Recorrente, que reflita de maneira inconteste o seu direito creditório, seria hábil a fazer com que o princípio da verdade material laborasse a seu favor. Deve ser feita a observação de que com o advento no novo Código de Processo Civil, nos parágrafos do art.373, alteraram significativamente a disciplina do ônus da prova, em relação à Lei n. 5.689/1973 (em seu art.333), o anterior código processual. Destarte, os incisos I e II do referido dispositivo reproduzem o texto do diploma normativo anterior, prescrevendo que o ônus da prova é do autor “quanto ao fato constitutivo de seu direito” e do réu, “quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor”, de maneira estanque, ou seja, o critério de determinação do ônus probatório era objetivo. Contudo, os parágrafos do mencionado dispositivo, trazem hipótese em que a regra geral é relativizada, quando o juiz, em face ao caso concreto, entenda que a outra parte Fl. 461DF CARF MF 10 tem melhores condições de esclarecimento dos fatos, invertendo o ônus probatório, em decisão devidamente fundamentada. Nesse contexto, e, considerandose a aplicação subsidiária do Código de Processo Civil, por inexistir dispositivo específico aplicável ao processo administrativo, conforme determina o art.15, outra interessante novidade expressa no novo diploma, deverá ser sopesada a aplicação das novas regras de formação de provas, nos casos concretos submetidos à jurisdição administrativa. Contudo, o caso concreto apresentado, não dá brecha à inversão do ônus probatório. A Recorrente restringiuse, em seu recurso voluntário, a tecer ilações genéricas sobre o cerceamento do direito de defesa, bem como do volume expressivo de suas operações, que a impediriam de comprovar tempestivamente o seu direito subjetivo. No entanto, a hipótese é de ausência de comprovação e o volume de sas operações deve ser diretamente proporcional à sua capacidade de manter estrutura administrativa suficiente para lhe amparar juridicamente, em face do deverpoder do Fisco verificar o fundamento do crédito. Destarte, nos processos administrativos originados de decisões que não homologam declarações de compensação, restituição ou ressarcimento, o conflito originarseá do não reconhecimento da relação de débito do Fisco, por conseguinte, da não extinção da relação de seu crédito, pois na compensação concorrem duas relações jurídicas de cargas opostas – relação jurídica da obrigação tributária a relação de indébito do Fisco – que, combinadas, se anulam. A Medida Provisória nº 135, de 2003, convertida na Lei nº 10.833, de 2003 alterou a redação do art. 74 da Lei n° 9.430/96, para aplicar às situações de nãohomologação da compensação o rito do processo administrativo fiscal federal, prescrevendo que a manifestação de inconformidade é o veículo introdutor de conflito, no âmbito da jurisdição administrativa. Todavia, o contencioso administrativo originado da impugnação ao lançamento de ofício não se confunde com aquele decorrente de manifestação de inconformidade da decisão que não homologa o direito creditório nas compensações efetuadas pelo contribuinte. Com efeito, na impugnação o contribuinte visa a desconstituir o lançamento tributário, ato jurídico produzido pelo Fisco, nos termos do art.142 do CTN, ao passo que no caso da compensação, o marco inicial do contencioso é declaração produzida pelo próprio contribuinte, que constitui a relação de indébito do Fisco e promove atos para a extinção da obrigação tributária, nos termos do art. 156, II do CTN, que fica sujeita a posterior homologação, i.e., submetese ao deverpoder da Administração, de verificação de sua regularidade. Por essa razão, é ônus do contribuinte comprovar a liquidez e certeza de seu direito creditório, conforme determina o caput do art.170 do CTN, devendo demonstrar de maneira inequívoca a sua existência, e, por conseguinte, o erro em que se fundou a declaração original. Portanto, a despeito do princípio da verdade material ser importante vetor do processo administrativo fiscal, não pode ser aplicado sem base empírica, ou seja, à míngua das Fl. 462DF CARF MF Processo nº 10925.722518/201191 Acórdão n.º 3201002.626 S3C2T1 Fl. 98 11 provas competentes para constituir juridicamente o fato afirmado pela Recorrente, pois a “verdade” deve ser encontrada nos autos. Finalmente, em relação à alegação de inconstitucionalidade da multa de ofício, dos juros sobre multa, constitucionalidade da SELIC, como bem posto na decisão recorrida, é discussão que não é pertinente ao caso em tela, cujo objeto é a nãohomologação de pedido de ressarcimento. Em face do exposto, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo Fl. 463DF CARF MF
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Numero do processo: 19515.722329/2013-86
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 14 00:00:00 UTC 2017
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Exercício: 2008
PERÍCIA. INDEPENDÊNCIA.
Inexistindo nos autos qualquer evidência de atuação parcial da Autoridade lançadora, profissional a quem compete a elaboração de perícias no âmbito da Secretaria da Receita Federal do Brasil, não se justifica a submissão da lide administrativa a análise por pessoa independente, já que a autuação fiscal pressupõe impessoalidade, que é um Princípio que rege a Administração
Pública.
LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PAGAMENTO. DECADÊNCIA.
Nos casos de lançamento por homologação em que haja a antecipação do pagamento, a contagem do prazo decadencial de cinco anos inicia sua contagem a partir da ocorrência do fato gerador.
ERRO DE CONTABILIZAÇÃO. CORREÇÃO.
A mera identificação de erro de contabilização, por si só, não afasta a procedência do lançamento se todas as medidas necessárias à sua correção não foram levadas a termo.
VALE TRANSPORTE. PAGAMENTO EM ESPÉCIE
Súmula CARF nº 89: A contribuição social previdenciária
não incide sobre valores pagos a título de vale-transporte,
mesmo que em pecúnia.
PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA.
O lançamento se reporta à legislação vigente à época do fato gerador, considerando-se a legislação como um todo e não cada penalidade de forma isolada.
Numero da decisão: 2201-003.471
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento parcial ao recurso voluntário para: i) reconhecer a extinção pela decadência dos débitos relativos aos períodos de apuração de janeiro a novembro de 2008; e ii) excluir da base
de cálculo das contribuições previdenciárias o valor do vale transporte pago em pecúnia.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO DO AMARAL AZEREDO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Exercício: 2008 PERÍCIA. INDEPENDÊNCIA. Inexistindo nos autos qualquer evidência de atuação parcial da Autoridade lançadora, profissional a quem compete a elaboração de perícias no âmbito da Secretaria da Receita Federal do Brasil, não se justifica a submissão da lide administrativa a análise por pessoa independente, já que a autuação fiscal pressupõe impessoalidade, que é um Princípio que rege a Administração Pública. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PAGAMENTO. DECADÊNCIA. Nos casos de lançamento por homologação em que haja a antecipação do pagamento, a contagem do prazo decadencial de cinco anos inicia sua contagem a partir da ocorrência do fato gerador. ERRO DE CONTABILIZAÇÃO. CORREÇÃO. A mera identificação de erro de contabilização, por si só, não afasta a procedência do lançamento se todas as medidas necessárias à sua correção não foram levadas a termo. VALE TRANSPORTE. PAGAMENTO EM ESPÉCIE. Súmula CARF nº 89: A contribuição social previdenciária não incide sobre valores pagos a título de vale-transporte, mesmo que em pecúnia. PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. O lançamento se reporta à legislação vigente à época do fato gerador, considerando-se a legislação como um todo e não cada penalidade de forma isolada. Fl. 3.567Fl. 3.567 CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária março de 2017 março de 2017 CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA ALLIS SOLUÇÕES INTELIGENTES S.A. ALLIS SOLUÇÕES INTELIGENTES S.A. FAZENDA NACIONAL FAZENDA NACIONAL AA Fl. 3567DF CARF MF 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para: i) reconhecer a extinção pela decadência dos débitos relativos aos períodos de apuração de janeiro a novembro de 2008; e ii) excluir da base de cálculo das contribuições previdenciárias o valor do vale transporte pago em pecúnia. Carlos Henrique de Oliveira - Presidente. Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Relator. EDITADO EM: 30/03/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira (Presidente), Ana Cecilia Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, Jose Alfredo Duarte Filho (Suplente Convocado), Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. Relatório O presente processo trata de lançamento de ofício de créditos tributários relativos a contribuições sociais destinadas à Seguridade Social, apuradas para o período de 01 a 12/2008, a partir do cotejo das informações contidas na contabilidade, folhas de pagamentos GFIP, DIRF e em demais sistemas da RFB. Da ação fiscal resultaram os DEBCAD abaixo discriminados: AIOP–Patronal - DEBCAD: 37.296.164-9 – R$ 4.916.150,64, fl. 2918/2923; AIOP–Terceiros - DEBCAD 37.296.165-7 – R$1.296.076,10, fl. 2924/2931; AIOA– Obrig.Acess.- DEBCAD: 37.296.166-5 – R$ 893.037,60, fl. 2931. Ciente do lançamento em 04 de dezembro de 2013, conforme fl. 2918, 2924 e 2931, inconformado, o contribuinte formalizou, em 30 de dezembro de 2013, a impugnação de fl. 2966/2985, na qual apresentou suas inquietações estruturadas nos seguintes tópicos: DA DECADÊNCIA RELATIVA ÀS COMPETÊNCIAS DE JANEIRO A NOVEMBRO DE 2008, fl. 2969 a 2974 Sustenta que se operou a decadência do débitos lançados para o período de janeiro a novembro de 2008, já que tomou ciência da autuação fiscal em 04 de dezembro de 2013, quando já transcorrido mais de 5 anos contados dos respectivos fatos geradores. DO ERRO NA CONTABILIZAÇÃO DOS VALORES PAGOS A TÍTULO DE ADIANTAMENTO fl. 2974 a 2978 Alega que as divergências entre os valores das remunerações pagas registradas na contabilidade e aqueles informados em GFIP. na verdade, não existiram, tendo decorrido de incorreções de lançamentos contábeis que teriam registrado em duplicidade os valores relativos a adiantamento de salários. Fl. 3568DF CARF MF Processo nº 19515.722329/2013-86 Acórdão n.º 2201-003.471 S2-C2T1 Fl. 3.568 3 Após tentar demonstrar a contabilização equivocada, solicita a elaboração de perícia contábil, enumerando os quesitos que deveriam ser respondidos pelo perito. DA ILEGITIMIDADE DA COBRANÇA DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS E DE TERCEIROS SOBRE OS VALORES PAGOS A TÍTULO DE VALE TRANSPORTE fl. 2979 a 2981. Aduz que a atividade desenvolvida (locação de mão de obra temporária ou efetiva) não permite estabelecer, previamente, qual será o trajeto percorrido pelos empregados, sendo necessário que o pagamento do vale transporte ocorra em dinheiro, o que não desvirtuaria sua natureza de verba indenizatória. DA NECESSIDADE DE APLICAÇÃO DA MULTA MENOS ONEROSA EM RAZÃO DA RETROATIVIDADE BENIGNA fl. 2982 a 2984 Argumenta que as supostas omissões de informações em GFIP, de fato inexistentes como explicado nos tópicos anteriores, ainda que justificassem tais penalidades, deveriam ser punidas com a aplicação da lei menos severa para o contribuinte, afirmando que a situação mais benéfica seria aplicar, individualmente, a penalidade para descumprimento de obrigação principal prevista em regime anterior à MP 449/08 e para o descumprimento de obrigações acessórias, a prevista em regime posterior à citada MP. Em 07 de abril de 2014, fl. 3470/3472, buscando corroborar suas alegações de erro de contabilização dos adiantamento de salário, o contribuinte apresenta laudo elaborado pelo Perito Contador, Sr. Ricardo Júlio Rodil, CRC-SP nº 1SP111444-O/1, fl. 3474/3483. Na análise da impugnação, a 17ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto/SP, por unanimidade de votos, considerou-a improcedente, lastreada nas conclusões que podem ser assim resumidas: DA DECADÊNCIA É fato que o prazo para a constituição dos créditos da seguridade social é o previsto na Lei nº 5.172, de 25/10/1966 (CTN), e não mais o de que trata o art. 45 da Lei nº 8.212/91, tendo em vista a edição da Súmula vinculante nº 8, pelo Supremo Tribunal Federal (...) fl 3493 No presente caso, a fiscalização descreve a ocorrência, em tese, de crime de sonegação de contribuição previdenciária a justificar a lavratura de Representação Fiscal para Fins Penais (...) fl. 3494 Em virtude das constatações acima, o prazo decadencial deve ser contado na forma do inciso I, do art. 173 do CTN, uma vez que o § 4º do art. 150 do mesmo código estabelece que a regra ali insculpida não tem aplicabilidade “se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação” (...) fl. 3495 DO ERRO DE CONTABILIZAÇÃO Com relação à divergência de base de cálculo na conta “4.02.1.028 Salários e Ordenados”, o impugnante alega que o erro de lançamentos foi corrigido com ajuste no lançamento ao Fl. 3569DF CARF MF 4 final do exercício, porém afirma que o ajuste não se deu na conta “Salários e Ordenados”, mas a crédito na conta "4.01.5.900 - Gastos Indedutíveis", no valor de R$ 8.528.941,57, debitando-se a conta do passivo "2.01.9.001 - Salários a Pagar. Neste ponto, deve-se destacar que a forma proposta de retificação não encontra amparo nas normas contábeis pertinentes. (...) É totalmente irregular a utilização da conta “Gastos Indedutíveis” para correção de lançamento, o que deveria ter sido feito com estorno ou lançamento de transferência na conta apropriada “Salários e Ordenados”, ressaltando que a Norma Contábil acima referida, também dispõe que a “terminologia utilizada no registro contábil deve expressar a essência econômica da transação”. Além disto, o impugnante apesar de se utilizar da conta “Gastos Indedutíveis”, alocou os valores da retificação em conta de despesa dedutível para fins de apuração do IRPJ, conforme resposta ao TIF nº 01 que transcrevo: No entanto, ao se verificar a contrapartida do lançamento que objetivava corrigir o erro contido na rubrica 4.01.5.028 Salários e Ordenados, constata-se que a correção foi efetuada contra a conta 4.01.5.900 GASTOS INDEDUTÍVEIS, que para fins de montagem da DIPJ foi agrupada na linha 39 da Ficha 04 A Conforme se verifica da DIPJ juntada às fls.297/485, a linha 39 da Ficha 04-A da DIPJ corresponde a ficha de “Custo dos Bens e Serviços Vendidos” cujo valor é subtraído da Receita Liquida das Atividades na Apuração do Resultado do Exercício para se chegar ao valor do Lucro Bruto. (...) fl 3501/3502 Em realidade não houve correção do erro nas contas “Salários e Ordenados”, não constando dos autos qualquer documento a demonstrar estorno nestas contas, podendo se concluir que o montante registrado na contabilidade da empresa e apurado pela fiscalização remanescem íntegros (...) Além de a correção do “suposto erro” não ter sido efetivado na conta correspondente, acabou por manter no Resultado do Exercício uma despesa, ou seja, houve aplicação de um recurso (despesas) sem a correspondente contrapartida da origem deste recurso, que no caso, deveria ser de um ativo (caixa/bancos). (...) fl. 3502 Em relação ao laudo pericial contábil apresentado, este não altera em nada as conclusões da fiscalização quanto à divergência de base de cálculo apurada na contabilidade em confronto com a base declarada em GFIP. Como o próprio impugnante afirma “o objetivo do laudo é o de confirmar as informações apresentadas na impugnação a respeito do equivoco cometido pelo impugnante na contabilização de valores pagos a título de adiantamento de salários (em razão de erro de parametrização do sistema contábil)”. Fl. 3570DF CARF MF Processo nº 19515.722329/2013-86 Acórdão n.º 2201-003.471 S2-C2T1 Fl. 3.569 5 O laudo responde o que deveria ter sido feito, mas que de fato não foi, pois posteriormente à detecção dos erros nos lançamentos não houve efetivo estorno ou comprovação da correção no histórico da conta ‘Salários e Ordenados”(...) Ainda de se estranhar que o escopo do Laudo pericial exclui a análise da contabilidade quanto ao valor bruto da massa salarial dos empregados (...) fl. 3503 DO PEDIDO DE PERÍCIA (...) Primeiro deve-se esclarecer que compete ao auditor fiscal e não a auditor independente a realização da perícia, conforme dispõe o Decreto n° 7.754, de 29/09/2011, que regulamenta o processo administrativo fiscal no âmbito da União,(...) fl. 3504 Como já demonstrado no decorrer deste voto não houve comprovação de lançamento a maior na conta “Salários e Ordenados”, mas confirmação de erro na escrita contábil da autuada que promoveu a extinção de um passivo (salário a pagar) sem a correspondente fonte de recurso. Sendo assim, entendo que a perícia solicitada torna-se desnecessária para a comprovação requerida pelo impugnante, além do que, face aos suficientes elementos de prova carreados aos autos pelas partes, tal medida se revela como meio protelatório para a discussão do mérito objeto da exação. Indefere-se pois, o pedido. (...) fl. 3505 DA CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA SOBRE VALE TRANSPORTE (...) tendo a autuada efetuado o pagamento do vale-transporte dos seus empregados em desconformidade com a legislação própria, pois efetuou o pagamento do benefício em pecúnia, sem a comprovação da ocorrência de alguma das situações excepcionais previstas no parágrafo único, do art. 5º, do Decreto nº 95.247/87, tais valores são considerados como salário de contribuição para fins previdenciários, por não se enquadram na exclusão prevista no art. 28, § 9º, “f”, da Lei nº 8.212/91, (...) fl. 3506 DA RETROATIVIDADE BENIGNA (...) para a aplicação da retroatividade benigna deve-se comparar a multa de mora constante do artigo 35, II, da Lei nº 8.212/91 adicionada a multa a que diz respeito o artigo 32, § 5º, da referida Lei, com a multa de ofício de 75% prevista no artigo 44, inciso I, da Lei n° 9.430/96, exatamente como constou dos itens 6.18 a 6.24 do relatório fiscal e Anexo V, fl. 2896. Portanto, correto o procedimento adotado pela fiscalização, uma vez que aplicou a multa mais benéfica ao contribuinte em cada competência em que apurado o débito, conforme disciplina o artigo 106, inciso II, “c”, do Código Tributário Nacional e amparado no Parecer PGFN CAT nº 443/2009, que vincula a Fl. 3571DF CARF MF 6 administração nos termos do artigo 42 da Lei Complementar nº 73,(...) fl. 3508 Em relação a multa por descumprimento de obrigação acessória, como já demonstrado acima, o artigo 32-A da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei n° 11.941/2009, somente será aplicado isoladamente, quando o contribuinte não declarar todos os fatos geradores em GFIP, apesar de ter recolhido as contribuições em sua integralidade, o que não ocorreu no caso em questão. Assim, no presente caso, como não houve recolhimento das contribuições lançadas, pois o defendente contesta os fatos geradores que deram origem ao lançamento, e não houve declaração destes fatos geradores em GFIP, aplicou-se a multa do art. 32, § 5º da Lei nº 8.212/91 nas competências em que mais benéfica ao contribuinte, de acordo com o que prescreve a Instrução Normativa RFB nº 971, de 13/11/2009, na redação dada pela IN RFB nº 1.027, de 20/04/2010 (...) Ciente do Acórdão da DRJ em 29 de outubro de 2014, fl. 3524, ainda inconformado, o contribuinte apresentou, tempestivamente, o Recurso Voluntário de fl. 3527/3559, no qual reiterou os mesmos temas já expressos em sede de impugnação. É o relatório necessário. Voto Conselheiro Carlos Alberto do Amaral Azeredo Por ser tempestivo e por apresentar as demais condições de admissibilidade, conheço do Recurso Voluntário. Questão subsidiária - Indeferimento da perícia - Cerceamento ao direito de defesa. Embora o tema tenha sido abordado pelo contribuinte em momento posterior, por entender se tratar de matéria preliminar ao mérito, desloco sua análise para o início do presente voto. Alega o contribuinte que solicitou, em sua impugnação, a realização de perícia contábil para que ficasse comprovado por uma terceira pessoa independente que o ajuste de R$ 8.528.941,27 na conta de Gastos Indedutíveis seria uma reversão de despesas indevidamente contabilizadas como Salários e Ordenados. A questão de tal contabilização incorreta será oportunamente tratada, restando para o presente tópico apenas os aspectos relacionados ao alegado cerceamento do direito de defesa. Sustenta o recorrente que o pedido de perícia foi indeferido sob o argumento de que seria desnecessária, o que importaria a anulação da decisão recorrida. Fl. 3572DF CARF MF Processo nº 19515.722329/2013-86 Acórdão n.º 2201-003.471 S2-C2T1 Fl. 3.570 7 Como visto no Relatório acima, o próprio contribuinte, em data posterior à formalização da impugnação, juntou aos autos laudo particular elaborado por Perito Contábil, fl. 3470/3472, o qual foi devidamente analisado no julgamento de 1ª Instância. Entendo que tal fato, por si só, já evidenciaria a perda do objeto do pedido formulado na impugnação, mas, ainda assim, manifestou-se a Autoridade Julgadora entendendo desnecessária sua elaboração, em particular por ter a matéria sido submetida ao crivo não só dos membros da Turma de Julgamento, mas do Auditor-Fiscal autor do lançamento, profissional a quem compete a elaboração de perícias no âmbito da Secretaria da Receita Federal do Brasil, nos termos do art 37 do Decreto nº 7.574, de 29 de setembro de 2011. Adicionalmente, entender necessária a elaboração de perícia por "pessoa independente" importaria aceitar a existência de parcialidade na atuação da Autoridade responsável pelo lançamento, sem que se apontasse um único fato que pudesse macular o desempenho do Auditor-Fiscal. Assim, por entender que, de fato, é desnecessária a elaboração de nova perícia e por considerar que o seu indeferimento pela DRJ em nada prejudicou o exercício pleno do direito de defesa por parte do contribuinte, rejeito a preliminar arguida. Da decadência das contribuições relativas às competência de janeiro a novembro de 2008. Alega o contribuinte que se operou a decadência do débitos lançados para o período de janeiro a novembro de 2008, já que tomou ciência da autuação fiscal em 04 de dezembro de 2013, quando já transcorrido mais de 5 anos contados dos respectivos fatos geradores. Tal pleito foi indeferido pela decisão de piso, a qual, por conta da lavratura de Representação Fiscal para Fins Penais no curso do procedimento fiscal, entendeu que o marco inicial para contagem do prazo decadencial seria o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado (inciso I do art. 173 da Lei 5.172/66 - CTN), já que a regra do § 4º do art. 150 do mesmo diploma não teria aplicabilidade nos casos de dolo, fraude ou simulação. Vejamos, pois, os elementos utilizados pela Autoridade lançadora para justificar a lavratura da Representação Fiscal para Fins Penais: 11.1 - As infrações descritas neste relatório implicaram na emissão de representação fiscal para fins penais, pela prática, em tese, do crime de sonegação de contribuições previdenciárias, caracterizado, respectivamente, pela apresentação de GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias que deveriam ser declaradas, e pelo não recolhimento das contribuições sobre os mesmos fatos geradores. A seguir, importante socorrer-nos da legislação que trata da lavratura de Representações Fiscais para Fins Penais para comunicação ao Ministério Público Federal de fatos que, em tese, configurem crime, a Portaria RFB nº 2.439, de 21 de dezembro de 2010: Fl. 3573DF CARF MF 8 Art. 1º O Auditor-Fiscal da Receita Federal do Brasil (AFRFB) deverá formalizar representação fiscal para fins penais perante o Delegado ou Inspetor-Chefe da Receita Federal do Brasil responsável pelo controle do processo administrativo fiscal sempre que, no exercício de suas atribuições, identificar atos ou fatos que, em tese, configurem crime contra a ordem tributária ou contra a Previdência Social. Parece-me bastante claro que a Representação Fiscal em tela está absolutamente voltada à comunicação de fato que, em tese, configure prática de crime, para que o órgão competente para deflagrar a ação penal tenha em mãos as informações necessárias para o exercício de seu mister. Em se tratando de infração à lei penal, é importante a diferenciação das condutas culposas e dolosas, já que, embora, em regra, os tipos penais exijam a demonstração do dolo, existe a possibilidade da ocorrência de crime na modalidade culposa, cujas penas podem ser graduadas de forma diferenciada de acordo intenção do agente. Não obstante, ainda que graduadas de forma diferenciadas, há penalidade para condutas dolosas e para condutas culposas. Tal diferenciação em termos tributários, como regra geral, é integralmente desnecessária, conforme se verifica do teor do art. 136 da Lei 5.172/66(CTN), que prescreve que, salvo disposição de lei em contrário, a responsabilidade por infrações à legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. Lastreada no próprio permissivo do CTN, há previsões legais que excetuam esta regra, como é o caso do § 1º do art. 44 da Lei 9.430/96, que prevê a possibilidade de duplicação do percentual da penalidade de ofício nos casos previstos nos art. 71, 72 e 73 da Lei 4.502/64. A leitura de tais artigos evidencia que o conceito de sonegação, fraude ou conluio está vinculado à presença do elemento subjetivo (dolo) na conduta do contribuinte; de forma a demonstrar que este quis, de fato, alcançar os resultados capitulados pelo artigo 71 e 72 da Lei 4.502/64. Sobre o tema decadência, mister trazermos à balha, expressamente, o conteúdo dos citados § 4º do artigo 150 e art. 173, todos da Lei 5.172/66 (CTN): Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, opera-se pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. (...) § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considera-se homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. (...) Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extingue-se após 5 (cinco) anos, contados: I - do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; Grifou-se Fl. 3574DF CARF MF Processo nº 19515.722329/2013-86 Acórdão n.º 2201-003.471 S2-C2T1 Fl. 3.571 9 Não há dúvidas de que a regra geral para início da contagem do prazo decadencial é a prevista o inciso I do art. 173. Contudo, o § 4º do art. 150 abre uma exceção a essa regra geral ao definir que, nos casos de lançamento por homologação, o início da contagem do prazo para homologação definitiva do lançamento e extinção do crédito é de cinco anos contado da ocorrência do fato gerador. Mas não parou por aí, previu, ainda, que essa forma de contagem não se aplicaria aos casos em que fique comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. No meu sentir, quando o § 4º do citado art. 150 do CTN fala de dolo, fraude ou simulação, está mais uma vez nos conduzindo à necessidade de comprovação inequívoca de que a intenção do agente era praticar a conduta objetivando reduzir o tributo devido ou impedir ou retardar o conhecimento da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador. Interpretar a previsão de forma diversa, a ponto de entender que qualquer conduta, ainda que culposa, pudesse ensejar o deslocamento da contagem do prazo decadencial para o incido I do art. 173, seria extirpar toda a força normativa do § 4º do art. 150, já que, em todos os casos de infração à legislação tributária, não haveria de se falar em contagem do prazo decadencial a partir da ocorrência do fato gerador. Por outro lado, menos valia teria tal preceito em caso de inexistência de infração à legislação tributária. Assim, entendo que a formalização de uma Representação Fiscal para Fins penais, por si só, não tem o condão de afastar a regra de contagem da decadência a partir da ocorrência do fato gerador. Como destacado acima, a formalização da comunicação a ser encaminhada ao MPF ocorreu, basicamente, por conta da apresentação da GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores apurados e por conta do não recolhimento das contribuições sobre tais divergências. No Termo de Verificação Fiscal de f. 2899/2917, não houve qualquer manifestação da Autoridade Fiscal sobre a conduta dolosa do contribuinte na prática do que classificou, em tese, como crime de sonegação. Ademais, caso tivesse sido identificado o dolo, decerto que a autoridade fiscal teria qualificado a penalidade, nos termos do § 1º do art. 44 da Lei 9430/96. Ao contrário, há nos autos evidências de erros de contabilização que poderiam ter interferido nos valores levantados no lançamento em tela, o que, levaria a reafirmação da inexistência de dolo na infração apurada. Desta forma, entendo que merece acolhida o pleito de reforma da decisão a quo, de modo a reconhecer a extinção pela decadência dos débitos lançados para os períodos de apuração 01/2008 a 11/2008, tudo por conta da ciência do lançamento em 04 de dezembro de 2013 e em razão de que, para todos os meses em questão, houve antecipação de pagamento (fl. 3077/3244) a justificar o início da contagem do prazo decadencial a partir da ocorrência do fato gerador. Do erro na contabilização de valores pagos a título de adiantamento Alega o recorrente que passou despercebido pelos julgadores de 1ª Instância o fato de que o lançamento não cobrou contribuições sobre valores efetivamente pagos aos empregados e não declarados em GFIP, já que teria se baseado exclusivamente em registros Fl. 3575DF CARF MF 10 contábeis da recorrente que, por conta de inconsistências, espelhava um valor maior do que os efetivamente pagos, razão pela qual alega a existência de vício insuperável do lançamento. Sustenta que demonstrou por meio de perícia contábil particular que as divergências apontadas pela fiscalização decorrem de erro de parametrização contábil, mas que a decisão recorrida manteve a cobrança sob a justificativa de que "a retificação ou correção de erros nos lançamentos contábeis deve seguir o preconizado na Norma Brasileira de Contabilidade/NBC e estar lastreado com a devida comprovação". Aduz que, para justificar a divergência, em atendimento ao Termo de Intimação nº 01, expôs o erro de parametrização de lançamentos contábeis que inflava os valores das contas de Salários a Pagar e Salários e Ordenados, em quantia equivalente aos adiantamentos de salário efetuado em cada mês. Atesta que, por conta de tais erros, efetuou ajustes na conta salários a pagar contra um crédito na conta de despesas Gastos Indedutíveis. Com tal operação, entende que é possível afirmar que o saldo da contas Salários e Ordenados deveria ser de R$ 38.467.589,36, inferior ao efetivamente identificado pela Fiscalização de R$ 46.996.530,93. Alega que essas informações foram devidamente apresentadas no laudo elaborado pela recorrente, que acabou sendo completamente desconsiderado pela DRJ, que se prendeu a questões meramente formais. Feitos os destaques da peça recursal considerados necessários, cotejando os argumentos expressos pelo contribuinte sobre o tema com as razões expressas pela Delegacia de Julgamento, pode-se afirmar que o Julgador de 1ª Instância não tratou da matéria de forma tão superficial e descompromissada como tenta fazer crer o recorrente. A alegação de que os argumentos foram desconsiderados não encontram lastro nos autos, em particular por conta das dez páginas do Acórdão dedicadas pelo Relator ao tratamento da matéria, fl. 3496/3505. Foram sim verificadas as alegações de erro contábil e as respostas contidas no laudo elaborado pelo Perito Contador, Sr. Ricardo Júlio Rodil, 3470/3472. O indeferimento do pleito em sede de impugnação decorreu da constatação de que, não houve correção do erro alegado, permanecendo inalterados os valores da conta Salários e Ordenados considerados pela Fiscalização no lançamento. Ademais, constatou-se que o mesmo alegado erro alterou o resultado do exercício e, ainda que identificado, o contribuinte não teria adotado as medidas adequadas para correção do equívoco. Medidas essas que foram descritas pelo Perito que, em seu laudo, respondeu o que deveria ter sido feito, mas suas orientações teriam sido desconsideradas pelo contribuinte. Por fim, a DRJ questiona a afirmação do Perito de que o objetivo do laudo é o de confirmar as informações apresentadas na impugnação a respeito do equivoco cometido pelo impugnante na contabilização de valores pagos a título de adiantamento de salários em razão de erro de parametrização do sistema contábil. mas ressalta que o escopo do Laudo pericial exclui a análise da contabilidade quanto ao valor bruto da massa salarial dos empregados. Fl. 3576DF CARF MF Processo nº 19515.722329/2013-86 Acórdão n.º 2201-003.471 S2-C2T1 Fl. 3.572 11 Ora, tivesse o contribuinte dedicado suas energias a contrapor os argumentos expressos pelo julgador de 1ª Instância, naturalmente que suas considerações seriam avaliadas. Contudo, como se vê, o recorrente restringe-se a alegar o erro, cuja correção só teria levado a termo na parte que lhe interessaria, a diminuição de uma conta de passivo, Salários a Pagar, e o aumento de uma conta de despesas levadas ao Resultado do Exercício, Despesas indedutíveis. Ademais, o citado erro contábil já teria sido observado no curso do procedimento fiscal e, ainda assim, até hoje não foi devidamente corrigido. Assim, não merecem prosperar as alegações do contribuinte sobre o suposto erro de parametrização, tampouco a alegação de que o lançamento baseou-se exclusivamente nos registros contábeis e não considerou o que efetivamente foi pago aos empregados. Ora, o que está regularmente registrado na contabilidade faz prova contra o contribuinte. Ademais, entender que o Auditor-Fiscal precisaria confirmar um a um os atos e fatos contábeis passíveis de registro não teria o menor sentido, sob pena de inviabilizar a ciência social que tem o patrimônio das entidades como objeto. Da ilegitimidade da cobrança de contribuições previdenciárias e de terceiros sobre valores pagos em dinheiro a título de vale transporte. Aduz que a atividade desenvolvida (locação de mão de obra temporária ou efetiva) não permite estabelecer, previamente, qual será o trajeto percorrido pelos empregados, sendo necessário que o pagamento do vale transporte ocorra em dinheiro, o que não desvirtuaria sua natureza de verba indenizatória. Trata-se de matéria que dispensa maiores considerações, já que este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais já se manifestou uniforme e reiteradamente sobre o tema, tendo, inclusive, emitido Súmula de observância obrigatória, nos termos do art. 72 de seu Regimento Interno, aprovado pela Portaria do Ministério da Fazenda nº 343, de 09 de junho de 2015, cujo conteúdo transcrevo abaixo: Súmula CARF nº 89: A contribuição social previdenciária não incide sobre valores pagos a título de vale-transporte, mesmo que em pecúnia. Assim, assiste razão ao recorrente, devendo-se excluir dos levantamentos efetuados exclusivamente o valor do débito correspondente à rubrica vale transporte, que foi pago em pecúnia. Ressalte-se que a medida deverá ser adotada apenas em relação aos débitos que remanescerem à exclusão dos períodos considerados alcançados pela decadência. Da correta utilização da retroatividade benigna. A necessidade de aplicação da multa menos onerosa. Argumenta o recorrente que as supostas omissões de informações em GFIP, de fato inexistentes como explicado nos tópicos anteriores, ainda que justificassem tais penalidades, deveriam ser punidas com a aplicação da lei menos severa para o contribuinte, afirmando que a situação mais benéfica seria aplicar, individualmente, a penalidade para descumprimento de obrigação principal prevista em regime anterior à MP 449/08 e para o descumprimento de obrigações acessórias, a prevista em regime posterior à citada MP. Alega que embora a Fiscalização tenha invocado a aplicação da retroatividade benigna, o fez somando as multas por descumprimento de obrigações acessória e Fl. 3577DF CARF MF 12 principal, comparando-as de maneira conjunta para identificar qual seria a regra mais benéfica ao contribuinte. Entende que tal comparação deve ser feita de forma individual e não aglutinadas. De início cumpre destacar que os artigos 32 e 35 da Lei nº 8.212, de 1991, com as alterações da Lei n° 9.528, de 1997, previam as penalidades por descumprimento de obrigações principais e acessórias. É entendimento reiterado neste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais que, embora a antiga redação dos citados artigos 32 e 35 não contivesse a expressão “lançamento de ofício”, o fato de as penalidades serem exigidas por meio de Auto de Infração e NFLD não deixava dúvidas acerca da natureza material de multas de ofício. Assim, ainda que o lançamento se reporte à legislação vigente à época do fato gerador, no caso de penalidade, diante das alterações posteriores implementadas pela Lei nº 11.941, de 2009, necessária a verificação de qual penalidade resultaria mais benéfica ao contribuinte, hipótese que autorizaria a aplicação retroativa de lei nova, a teor do art. 106, II, do CTN. Contudo, tal aferição deve considerar a legislação como um todo e não cada penalidade de forma isolada. Foi nesse esforço de aplicação da legislação mais benéfica ao contribuinte que o lançamento considerou, para alguns levantamento, a penalidade de 75% prevista na nova legislação, para outros, as penalidades previstas na legislação anterior, sejam elas decorrentes de obrigações principais ou acessórias. Assim, neste tema, não merece retoques a decisão de piso. Conclusão Por tudo que consta nos autos, bem assim nas razões e fundamentos legais acima expostos, conheço do Recurso Voluntário e, no mérito, dou-lhe parcial provimento para: - reconhecer a extinção pela decadência dos débitos relativos aos períodos de apuração de janeiro a novembro de 2008; e - excluir da base de cálculo das contribuições previdenciárias o valor do vale transporte pago em pecúnia. Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Relator Fl. 3578DF CARF MF
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Numero do processo: 10935.005211/2007-26
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Dec 12 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Feb 08 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/09/2007 a 30/09/2007
APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009.
Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta.
O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
Recurso Especial do Procurador Provido.
Numero da decisão: 9202-004.856
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em dar-lhe provimento. Votou pelas conclusões a conselheira Patrícia da Silva.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. Recurso Especial do Procurador Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em darlhe provimento. Votou pelas conclusões a conselheira Patrícia da Silva. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 5. 00 52 11 /2 00 7- 26 Fl. 896DF CARF MF Processo nº 10935.005211/200726 Acórdão n.º 9202004.856 CSRFT2 Fl. 0 2 (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do processo paradigma deste julgamento, n° 10380.005876/200753. A divergência em exame reportase à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. A Fazenda Nacional interpôs recurso especial requerendo que a retroatividade benigna fosse aplicada, essencialmente, pelos critérios constantes na Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. Cientificado, o sujeito passivo não apresentou contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos Relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9202004.792, de 12/12/2016, proferido no julgamento do processo 10380.005876/200753, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido naquela decisão (Acórdão 9202004.792): O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto deve ser conhecido. Fl. 897DF CARF MF Processo nº 10935.005211/200726 Acórdão n.º 9202004.856 CSRFT2 Fl. 0 3 Cingese a controvérsia às penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, quando mais benéfica ao sujeito passivo. A solução do litígio decorre do disposto no artigo 106, inciso II, alínea “a” do CTN, a seguir transcrito: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. (grifos acrescidos) De inicio, cumpre registrar que a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), de forma unânime pacificou o entendimento de que na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Assim, a multa de mora prevista no art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, não é aplicável quando realizado o lançamento de ofício, conforme consta do Acórdão nº 9202004.262 (Sessão de 23 de junho de 2016), cuja ementa transcrevese: AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA MULTA APLICAÇÃO NOS LIMITES DA LEI 8.212/91 C/C LEI 11.941/08 APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL RETROATIVIDADE BENIGNA NATUREZA DA MULTA APLICADA. A multa nos casos em que há lançamento de obrigação principal lavrados após a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, mesmo que referente a fatos geradores anteriores a publicação da referida lei, é de ofício. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA COMPARATIVO DE MULTAS APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Fl. 898DF CARF MF Processo nº 10935.005211/200726 Acórdão n.º 9202004.856 CSRFT2 Fl. 0 4 Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Se as multas por descumprimento de obrigações acessória e principal foram exigidas em procedimentos de ofício, ainda que em separado, incabível a aplicação retroativa do art. 32A, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, eis que esta última estabeleceu, em seu art. 35A, penalidade única combinando as duas condutas. A legislação vigente anteriormente à Medida Provisória n° 449, de 2008, determinava, para a situação em que ocorresse (a) recolhimento insuficiente do tributo e (b) falta de declaração da verba tributável em GFIP, a constituição do crédito tributário de ofício, acrescido das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, respectivamente. Posteriormente, foi determinada, para essa mesma situação (falta de pagamento e de declaração), apenas a aplicação do art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991, que faz remissão ao art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996. Portanto, para aplicação da retroatividade benigna, resta necessário comparar (a) o somatório das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, e (b) a multa prevista no art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991. A comparação de que trata o item anterior tem por fim a aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106 do CTN e, caso necessário, a retificação dos valores no sistema de cobrança, a fim de que, em cada competência, o valor da multa aplicada no AIOA somado com a multa aplicada na NFLD/AIOP não exceda o percentual de 75%. Prosseguindo na análise do tema, também é entendimento pacífico deste Colegiado que na hipótese de lançamento apenas de obrigação principal, a retroatividade benigna será aplicada se, na liquidação do acórdão, a penalidade anterior à vigência da MP 449, de 2008, ultrapassar a multa do art. 35A da Lei n° 8.212/91, correspondente aos 75% previstos no art. 44 da Lei n° 9.430/96. Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela MP 449 (convertida na Lei 11.941, de 2009), tenham sido aplicadas isoladamente descumprimento de obrigação acessória sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, bem assim no caso de competências em que o lançamento da obrigação principal tenha sido atingida pela decadência. Neste sentido, transcrevese excerto do voto unânime proferido no Acórdão nº 9202004.499 (Sessão de 29 de setembro de 2016): Fl. 899DF CARF MF Processo nº 10935.005211/200726 Acórdão n.º 9202004.856 CSRFT2 Fl. 0 5 Até a edição da MP 449/2008, quando realizado um procedimento fiscal, em que se constatava a existência de débitos previdenciários, lavravase em relação ao montante da contribuição devida, notificação fiscal de lançamento de débito NFLD. Caso constatado que, além do montante devido, descumprira o contribuinte obrigação acessória, ou seja, obrigação de fazer, como no caso de omissão em GFIP (que tem correlação direta com o fato gerador), a empresa era autuada também por descumprimento de obrigação acessória. Nessa época os dispositivos legais aplicáveis eram multa art. 35 para a NFLD (24%, que sofria acréscimos dependendo da fase processual do débito) e art. 32 (100% da contribuição devida em caso de omissões de fatos geradores em GFIP) para o Auto de infração de obrigação acessória. Contudo, a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de nãoapresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. Fl. 900DF CARF MF Processo nº 10935.005211/200726 Acórdão n.º 9202004.856 CSRFT2 Fl. 0 6 § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Entretanto, a MP 449, Lei 11.941/2009, também acrescentou o art. 35A que dispõe o seguinte, “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata “ Com a alteração acima, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de forma espontânea pelo contribuinte, levando ao lançamento de ofício, a multa a ser aplicada passa a ser a estabelecida no dispositivo acima citado, ou seja, em havendo lançamento da obrigação principal (a antiga NFLD), aplicase multa de ofício no patamar de 75%. Essa conclusão levanos ao raciocínio que a natureza da multa, sempre que existe lançamento, referese a multa de ofício e não a multa de mora referida no antigo art. 35 da lei 8212/91. Contudo, mesmo que consideremos que a natureza da multa é de "multa de ofício" não podemos isoladamente aplicar 75% para as Notificações Fiscais NFLD ou Autos de Infração de Obrigação Principal AIOP, pois estaríamos na verdade retroagindo para agravar a penalidade aplicada. Por outro lado, com base nas alterações legislativas não mais caberia, nos patamares anteriormente existentes, aplicação de NFLD + AIOA (Auto de Infração de Obrigação Acessória) cumulativamente, pois em existindo lançamento de ofício a multa passa a ser exclusivamente de 75%. Tendo identificado que a natureza da multa, sempre que há lançamento, é de multa de ofício, considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há Fl. 901DF CARF MF Processo nº 10935.005211/200726 Acórdão n.º 9202004.856 CSRFT2 Fl. 0 7 que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. No presente caso, foi lavrado AIOA julgada, e alvo do presente recurso especial, prevaleceu o valor de multa aplicado nos moldes do art. 32A. No caso da ausência de informação em GFIP, conforme descrito no relatório a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/1991 também revogado, o qual previa uma multa no valor de 100% (cem por cento) da contribuição não declarada, limitada aos limites previstos no § 4º do mesmo artigo. Face essas considerações para efeitos da apuração da situação mais favorável, entendo que há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte: · Norma anterior, pela soma da multa aplicada nos moldes do art. 35, inciso II com a multa prevista no art. 32, inciso IV, § 5º, observada a limitação imposta pelo § 4º do mesmo artigo, ou · Norma atual, pela aplicação da multa de setenta e cinco por cento sobre os valores não declarados, sem qualquer limitação, excluído o valor de multa mantido na notificação. Levando em consideração a legislação mais benéfica ao contribuinte, conforme dispõe o art. 106 do Código Tributário Nacional (CTN), o órgão responsável pela execução do acórdão deve, quando do trânsito em julgado administrativo, efetuar o cálculo da multa, em cada competência, somando o valor da multa aplicada no AI de obrigação acessória com a multa aplicada na NFLD/AIOP, que não pode exceder o percentual de 75%, previsto no art. 44, I da Lei n° 9.430/1996. Da mesma forma, no lançamento apenas de obrigação principal o valor das multa de ofício não pode exceder 75%. No AI de obrigação acessória, isoladamente, o percentual não pode exceder as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Observese que, no caso de competências em que a obrigação principal tenha sido atingida pela decadência (pela antecipação do pagamento nos termos do art. 150, § 4º, do CTN), subsiste a obrigação acessória, isoladamente, relativa às mesmas competências, não atingidas pela decadência posto que regidas pelo art. 173, I, do CTN, e que, portanto, deve ter sua penalidade limitada ao valor previsto no artigo 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Fl. 902DF CARF MF Processo nº 10935.005211/200726 Acórdão n.º 9202004.856 CSRFT2 Fl. 0 8 Cumpre ressaltar que o entendimento acima está em consonância com o que dispõe a Instrução Normativa RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009, alterada pela Instrução Normativa RFB nº 1.027 em 22/04/2010, e no mesmo diapasão do que estabelece a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, que contempla tanto os lançamentos de obrigação principal quanto de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente. Neste passo, para os fatos geradores ocorridos até 03/12/2008, a autoridade responsável pela execução do acórdão, quando do trânsito em julgado administrativo, deverá observar a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 que se reporta à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias nos lançamentos de obrigação principal e de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. De fato, as disposições da referida Portaria, a seguir transcritas, estão em consonância com a jurisprudência unânime desta 2ª Turma da CSRF sobre o tema: Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 Art. 1º A aplicação do disposto nos arts. 35 e 35A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, às prestações de parcelamento e aos demais débitos não pagos até 3 de dezembro de 2008, inscritos ou não em Dívida Ativa, cobrados por meio de processo ainda não definitivamente julgado, observará o disposto nesta Portaria. Art. 2º No momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte, o valor das multas aplicadas será analisado e os lançamentos, se necessário, serão retificados, para fins de aplicação da penalidade mais benéfica, nos termos da alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN). § 1º Caso não haja pagamento ou parcelamento do débito, a análise do valor das multas referidas no caput será realizada no momento do ajuizamento da execução fiscal pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN). § 2º A análise a que se refere o caput darseá por competência. § 3º A aplicação da penalidade mais benéfica na forma deste artigo darseá: I mediante requerimento do sujeito passivo, dirigido à autoridade administrativa competente, informando e comprovando que se subsume à mencionada hipótese; ou Fl. 903DF CARF MF Processo nº 10935.005211/200726 Acórdão n.º 9202004.856 CSRFT2 Fl. 0 9 II de ofício, quando verificada pela autoridade administrativa a possibilidade de aplicação. § 4º Se o processo encontrarse em trâmite no contencioso administrativo de primeira instância, a autoridade julgadora fará constar de sua decisão que a análise do valor das multas para verificação e aplicação daquela que for mais benéfica, se cabível, será realizada no momento do pagamento ou do parcelamento. Art. 3º A análise da penalidade mais benéfica, a que se refere esta Portaria, será realizada pela comparação entre a soma dos valores das multas aplicadas nos lançamentos por descumprimento de obrigação principal, conforme o art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e de obrigações acessórias, conforme §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e da multa de ofício calculada na forma do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. § 2º A comparação na forma do caput deverá ser efetuada em relação aos processos conexos, devendo ser considerados, inclusive, os débitos pagos, os parcelados, os nãoimpugnados, os inscritos em Dívida Ativa da União e os ajuizados após a publicação da Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008. Art. 4º O valor das multas aplicadas, na forma do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, sobre as contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, deverá ser comparado com o valor das multa de ofício previsto no art. 35A daquela Lei, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009, e, caso resulte mais benéfico ao sujeito passivo, será reduzido àquele patamar. Art. 5º Na hipótese de ter havido lançamento de ofício relativo a contribuições declaradas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), a multa aplicada limitarseá àquela prevista no art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. Fl. 904DF CARF MF Processo nº 10935.005211/200726 Acórdão n.º 9202004.856 CSRFT2 Fl. 0 10 Em face ao exposto, dou provimento ao recurso para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. Em face do acima exposto, voto por conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, darlhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Fl. 905DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10166.729187/2015-82
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 14 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Mar 31 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2012
MOLÉSTIA GRAVE. PROVENTOS DE APOSENTADORIA OU PENSÃO. ISENÇÃO. COMPROVAÇÃO.
Para reconhecimento da isenção decorrente de moléstia grave prevista no inciso XIV do artigo 6º da Lei nº 7.713/1988 e alterações, os rendimentos precisam ser provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão e a moléstia deve ser comprovada mediante apresentação de laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios. Aplicação da Súmula nº 63 do CARF.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2202-003.705
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso.
(Assinado digitalmente)
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente
(Assinado digitalmente)
Rosemary Figueiroa Augusto - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Dílson Jatahy Fonseca Neto, Rosemary Figueiroa Augusto, Martin da Silva Gesto, Cecília Dutra Pillar, Márcio Henrique Sales Parada, Theodoro Vicente Agostinho (Suplente convocado).
Nome do relator: ROSEMARY FIGUEIROA AUGUSTO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2012 MOLÉSTIA GRAVE. PROVENTOS DE APOSENTADORIA OU PENSÃO. ISENÇÃO. COMPROVAÇÃO. Para reconhecimento da isenção decorrente de moléstia grave prevista no inciso XIV do artigo 6º da Lei nº 7.713/1988 e alterações, os rendimentos precisam ser provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão e a moléstia deve ser comprovada mediante apresentação de laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios. Aplicação da Súmula nº 63 do CARF. Recurso Voluntário Provido
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente (Assinado digitalmente) Rosemary Figueiroa Augusto - Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Dílson Jatahy Fonseca Neto, Rosemary Figueiroa Augusto, Martin da Silva Gesto, Cecília Dutra Pillar, Márcio Henrique Sales Parada, Theodoro Vicente Agostinho (Suplente convocado).
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PROVENTOS DE APOSENTADORIA OU PENSÃO. ISENÇÃO. COMPROVAÇÃO. Para reconhecimento da isenção decorrente de moléstia grave prevista no inciso XIV do artigo 6º da Lei nº 7.713/1988 e alterações, os rendimentos precisam ser provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão e a moléstia deve ser comprovada mediante apresentação de laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios. Aplicação da Súmula nº 63 do CARF. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente (Assinado digitalmente) Rosemary Figueiroa Augusto Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 72 91 87 /2 01 5- 82 Fl. 91DF CARF MF Processo nº 10166.729187/201582 Acórdão n.º 2202003.705 S2C2T2 Fl. 92 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Dílson Jatahy Fonseca Neto, Rosemary Figueiroa Augusto, Martin da Silva Gesto, Cecília Dutra Pillar, Márcio Henrique Sales Parada, Theodoro Vicente Agostinho (Suplente convocado). Relatório Tratase de notificação de lançamento de IRPF (fls. 33/37), relativa ao ano calendário 2011, exercício 2012, por omissão de rendimentos recebidos da fonte pagadora Corpo de Bombeiros Militar do Distrito Federal, no valor de R$ 181.121,28, declarados como isento pelo contribuinte sob a justificativa de ser portador de moléstia grave. A Solicitação de Retificação de Lançamento foi indeferida (fls. 39/40), em razão do contribuinte, apesar de ter comprovado ser portador de moléstia grave (neoplasia maligna) desde 13/08/2010, receber proventos da reserva remunerada, os quais não estão abrangidos pela isenção legal. Na impugnação (fls. 03/04 e 08/15), o contribuinte alegou que o valor dos rendimentos apurados na omissão é isento do imposto de renda, por se referir a proventos da reserva remunerada, que é uma condição de inatividade no militarismo, recebidos por portador de moléstia grave. Menciona a legislação aplicável à matéria e decisões dos tribunais para amparar o pedido de isenção e junta os documentos de fls. 05/07 e 16/24. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) em Brasília (DF), às fls. 47/51, entendeu comprovada a condição de portador de moléstia grave (conforme documento de fls. 20/21), mas julgou improcedente a impugnação por serem os rendimentos provenientes de reserva e a isenção se aplicar apenas sobre aposentadoria, reforma ou pensão. Inconformado, o sujeito passivo interpôs o recurso voluntário de fls. 61/66, acompanhado dos documentos de fls. 67/85, reafirmando, em síntese, que o militar transferido para a reserva remunerada é considerado inativo e, assim, passível de ser beneficiado com a isenção do imposto de renda. É o relatório. Voto Conselheira Rosemary Figueiroa Augusto, Relatora. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade. Portanto, merece ser conhecido. São necessárias duas condições para que os rendimentos recebidos por portadores de moléstias graves definidas em lei sejam isentos do imposto sobre a renda: (i) ser a moléstia atestada em laudo emitido por serviço médico oficial da União, Estados, DF ou Fl. 92DF CARF MF Processo nº 10166.729187/201582 Acórdão n.º 2202003.705 S2C2T2 Fl. 93 3 Municípios; (ii) os rendimentos serem provenientes de aposentadoria, pensão, reserva remunerada ou reforma, conforme Lei nº 7.713/1998 e Súmula CARF nº 63, a seguir: Lei nº 7.713/1988 : Art. 6º Ficam isentos do imposto de renda os seguinte rendimentos percebidos por pessoas físicas: (...) XIV – os proventos de aposentadoria ou reforma motivada por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, hepatopatia grave, estados avançados da doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome da imunodeficiência adquirida, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma; Súmula CARF Nº 63: Para gozo da isenção do imposto de renda da pessoa física pelos portadores de moléstia grave, os rendimentos devem ser provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão, e a moléstia deve ser devidamente comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. (destaquei) Na situação em análise, a autoridade lançadora e a DRJ já reconheceram que o contribuinte é portador de moléstia grave, com base na Ata da de Inspeção de Saúde emitida pela Junta Médica de Saúde do Corpo de Bombeiros do Distrito Federal (fls. 23 e 70), que atesta neoplasia maligna (CID C43.5 = melanoma maligno do tronco), desde 13/08/2010. Também foi reconhecido que os rendimentos considerados omitidos são provenientes de reserva, tendo em vista a publicação da transferência do contribuinte para a reserva remunerada em 12/06/2007 (fls. 18/19). A controvérsia reside na possibilidade dos valores recebidos em face da reserva remunerada serem passíveis da isenção prevista no inciso XIV, art. 6º, da Lei nº 8.813/88. Nesse sentido, a súmula nº 63 do CARF, acima transcrita, evidencia que a referida isenção também se aplica aos rendimentos oriundos da reserva remunerada. Assim, tendo em vista que, nos termos do art. 45, VI, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela MF nº 343/2015, as súmulas do CARF devem ser observadas pelos seus conselheiros, é necessário reconhecer o direito à isenção do contribuinte neste caso. Dessa forma, voto por DAR provimento ao recurso voluntário. Fl. 93DF CARF MF Processo nº 10166.729187/201582 Acórdão n.º 2202003.705 S2C2T2 Fl. 94 4 (Assinado digitalmente) Rosemary Figueiroa Augusto Relatora Fl. 94DF CARF MF
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Numero do processo: 13603.001210/2008-33
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 04 00:00:00 UTC 2011
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Ano calendário:2007
MULTA PELO ATRASO NA ENTREGA DE DCTF.
Somente podem elidir a aplicação de penalidade pelo descumprimento do prazo de entrega de declarações, falhas comprovadamente imputáveis aos sistemas de recepção das declarações não sendo oponíveis outras causas internas ou externas não reconhecidas oficialmente pela Administração Tributária.
Numero da decisão: 1803-001.022
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
Nome do relator: Walter Adolfo Maresch
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ementa_s : OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Ano calendário:2007 MULTA PELO ATRASO NA ENTREGA DE DCTF. Somente podem elidir a aplicação de penalidade pelo descumprimento do prazo de entrega de declarações, falhas comprovadamente imputáveis aos sistemas de recepção das declarações não sendo oponíveis outras causas internas ou externas não reconhecidas oficialmente pela Administração Tributária.
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Somente podem elidir a aplicação de penalidade pelo descumprimento do prazo de entrega de declarações, falhas comprovadamente imputáveis aos sistemas de recepção das declarações não sendo oponíveis outras causas internas ou externas não reconhecidas oficialmente pela Administração Tributária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Selene Ferreira De Moraes Presidente. (assinado digitalmente) Walter Adolfo Maresch Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Selene Ferreira de Moraes (Presidente), Sérgio Rodrigues Mendes, Walter Adolfo Maresch, Sérgio Luiz Bezerra Presta, Meigan Sack Rodrigues e Victor Humberto da Silva Maizman. Relatório Fl. 90DF CARF MF Emitido em 12/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/10/2011 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 12/10/201 1 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 10/10/2011 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 13603.001210/200833 Acórdão n.º 180301.022 S1TE03 Fl. 87 2 CENTRAIS DE ABASTECIMENTO DE MINAS GERAIS S/A, pessoa jurídica já qualificada nestes autos, inconformada com a decisão proferida pela DRJ BELO HORIZONTE (MG), interpõe recurso voluntário a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, objetivando a reforma da decisão. Adoto o relatório da DRJ por bem retratar os fatos. O auto de infração a folhas 11 impõe multa, no valor total de R$ 8.984,74, por atraso na entrega da declaração de débitos e créditos tributários federais (DCTF) referente ao mês de setembro de 2007, cujo prazo final de entrega era 08.11.2007, mas que foi entregue em 12.02.2008. Houve, portanto dois meses de atraso. Os impostos e contribuições informados na DCTF montaram a R$ 197.780,28. Enquadramento legal: artigo 7° da Lei n° 10.426, de 24.04.2002, com a redação dada pelo artigo 19 da lei n° 11.051, de 29.12.2004. A notificação do lançamento, conforme registro a folhas 12 e 13, foi feita eletronicamente em 13.02.2008, nos termos do artigo 23, inciso III, alínea "b", do Decreto n°70.235, de 1972, com a redação dada pela artigo 113 da Lei n° 11.196, de 21.11.2005. Em 12.03.2008 o sujeito passivo apresentou a impugnação juntada a folhas 1 a 4. Os enunciados seguintes resumem seu conteúdo. • Segundo o que determina o artigo 7° da Lei n° 10.426, de 2002, a impugnante deveria apresentar diversas declarações, entre elas a DCTF. A entrega de tais declarações somente é efetivada pelo Cadastro Sincronizado Nacional, com o fito de cumprimento das obrigações acessórias. Entretanto, a impugnante, em virtude da mudança na estrutura diretiva e na seção de contabilidade da empresa, deveria registrar na Receita Federal o DiretorPresidente e o Chefe do Departamento de Contabilidade. Tais providências foram devida e tempestivamente realizadas em 01.10.2007, 18.10.2007, 19.10.2007, 30.10.2007, 31.10.2007, 05.11.2007, 06.11.2007, 07.11.2007, 09.11.2007, 12.11.2007, 14.11.2007, 20.11.2007, 27.11.2007, 29.11.2007, 30.11.2007, 03.12.2007, 04.12.2007 e 27.12.2007, conforme demonstram os protocolos eletrônicos da Receita Federal. • A impugnante, portanto, ficou impedida de cumprir o artigo 7° da Lei n° 10.426, de 2002, pois a liberação do cadastro sincronizado nacional só é possível mediante a expedição, por parte da Secretaria da Fazenda Estadual de Minas Gerais (SefazMG), de "nada consta". • Em face da demora da SefazMG em prestar as informações necessárias à Receita Federal, com o fito de realização do cadastramento das pessoas mencionadas, fezse necessário notificar ambas as secretarias, a fim de resguardar direitos e evitar qualquer tipo de penalidade para a qual a impugnante não concorreu. Dessa forma, em 08.11.2007, 05.12.2007 e Fl. 91DF CARF MF Emitido em 12/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/10/2011 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 12/10/201 1 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 10/10/2011 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 13603.001210/200833 Acórdão n.º 180301.022 S1TE03 Fl. 88 3 08.01.2008, a impugnante notificou esses órgãos, conforme cópias anexas à presente peça. • Contudo, a situação da impugnante somente foi regularizada em 25.01.2008, conforme consta do documento básico de entrada do CNPJ, cópia anexa. • A multa imposta mostrase ilegal, pois não foi ela que deu causa ao descumprimento da obrigação, mas a própria Administração. • Tendo em vista que a Administração tem a prerrogativa de anular os próprios atos quando eivados de ilegalidade e as razões expostas, requerse a anulação da notificação de lançamento. Pedese também ajuntada de todos os documentos que acompanham a impugnação. A DRJ BELO HORIZONTE/MG, através do acórdão 0222.638, de 09 de novembro de 2007 (fls. 59/64), julgou procedente o lançamento, ementando assim a decisão: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2007 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DCTF A falta de entrega da DCTF ou sua entrega após o prazo fixado sujeita o contribuinte à multa de oficio prevista na legislação tributária. Ciente da decisão em 13/07/2009, conforme Aviso de Recebimento – AR (fl. 67), apresentou o recurso voluntário em 31/07/2009 fls. 68/711, onde reitera integralmente os argumentos da inicial. É o relatório. Voto Conselheiro Walter Adolfo Maresch O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos legais para sua admissibilidade, dele conheço. Trata o presente processo de notificação de lançamento eletrônica, exigindo a multa por atraso na entrega da DCTF relativa ao mês de Setembro/2007, cujo vencimento ocorreu em 09/11/2007, e a entrega foi efetuada em 12/02/2008. A recorrente se insurge quanto ao lançamento alegando a impossibilidade de entrega tempestiva tendo em vista a falta de liberação pela SEFAZMG de informações para alteração de novos dirigentes no Cadastro Sincronizado do CNPJ e com isso a utilização da certificação digital por parte dos novos dirigentes e responsáveis técnicos. Fl. 92DF CARF MF Emitido em 12/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/10/2011 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 12/10/201 1 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 10/10/2011 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 13603.001210/200833 Acórdão n.º 180301.022 S1TE03 Fl. 89 4 Não assiste razão à interessada. Conforme deixou assentada a decisão de primeira instância, não pode ser imputada à Secretaria da Receita Federal do Brasil, qualquer responsabilidade pela não transmissão das declarações no prazo estipulado ou mesmo qualquer causa reconhecida oficialmente como impeditiva ao regular cumprimento das obrigações acessórias. Como é natural os fatores internos ou externos mas alheios ao regular funcionamento dos sistemas de entrega da Secretaria da Receita Federal não elidem o regular cumprimento das obrigações acessórias de entrega de declarações como é o caso. No caso em tela, conforme se observa da movimentação no âmbito do cadastro sincronizado (fl. 15), o dever de cumprimento da obrigação acessória já estava inclusive vencido pois o vencimento na entrega era 09/11/2007 e o protocolo das alterações cadastrais ocorreu somente em 27/12/2007. Destarte, inexistindo no ordenamento jurídico tributário qualquer dispositivo que possa afastar a penalidade pelo descumprimento tempestivo da obrigação acessória, deve ser mantido o lançamento na íntegra. Ante o exposto, voto por negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Walter Adolfo Maresch Relator Fl. 93DF CARF MF Emitido em 12/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/10/2011 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 12/10/201 1 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 10/10/2011 por WALTER ADOLFO MARESCH
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Numero do processo: 10882.911107/2011-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Feb 17 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/2011 a 31/03/2011
CRÉDITO DE IPI. RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO PELA SELIC. OPOSIÇÃO ESTATAL.
A resistência ilegítima, oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito de IPI (decorrente da aplicação do princípio constitucional da não-cumulatividade), descaracteriza referido crédito como escritural (assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil), sendo legítima a incidência de correção monetária, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco (Aplicação analógica do precedente da Primeira Seção submetido ao rito do artigo 543C, do CPC: REsp 1035847/RS, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 24.06.2009).
Nos pedidos de ressarcimento para utilização em declaração de compensação, de forma diferente do que ocorre com pedidos de ressarcimento em espécie, não há que se falar em aplicação da taxa SELIC.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3401-003.379
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao Recurso Voluntário, sendo que os Conselheiros Eloy Eros da Silva Nogueira, Fenelon Moscoso de Almeida e Robson José Bayerl acompanharam pelas conclusões.
(assinado digitalmente)
Robson José Bayerl Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Robson José Bayerl, Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel Jorge DOliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Rodolfo Tsuboi e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco.
Nome do relator: ROBSON JOSE BAYERL
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/01/2011 a 31/03/2011 CRÉDITO DE IPI. RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO PELA SELIC. OPOSIÇÃO ESTATAL. A resistência ilegítima, oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito de IPI (decorrente da aplicação do princípio constitucional da não-cumulatividade), descaracteriza referido crédito como escritural (assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil), sendo legítima a incidência de correção monetária, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco (Aplicação analógica do precedente da Primeira Seção submetido ao rito do artigo 543C, do CPC: REsp 1035847/RS, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 24.06.2009). Nos pedidos de ressarcimento para utilização em declaração de compensação, de forma diferente do que ocorre com pedidos de ressarcimento em espécie, não há que se falar em aplicação da taxa SELIC. Recurso Voluntário Negado.
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RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO. SELIC. Recorrente PROCOLOR QUÍMICA INDUSTRIAL LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2011 a 31/03/2011 CRÉDITO DE IPI. RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO PELA SELIC. OPOSIÇÃO ESTATAL. A resistência ilegítima, oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito de IPI (decorrente da aplicação do princípio constitucional da nãocumulatividade), descaracteriza referido crédito como escritural (assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil), sendo legítima a incidência de correção monetária, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco (Aplicação analógica do precedente da Primeira Seção submetido ao rito do artigo 543C, do CPC: REsp 1035847/RS, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 24.06.2009). Nos pedidos de ressarcimento para utilização em declaração de compensação, de forma diferente do que ocorre com pedidos de ressarcimento em espécie, não há que se falar em aplicação da taxa SELIC. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao Recurso Voluntário, sendo que os Conselheiros Eloy Eros da Silva Nogueira, Fenelon Moscoso de Almeida e Robson José Bayerl acompanharam pelas conclusões. (assinado digitalmente) Robson José Bayerl – Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Robson José Bayerl, Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel Jorge D’Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Rodolfo Tsuboi e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 2. 91 11 07 /2 01 1- 11 Fl. 122DF CARF MF Processo nº 10882.911107/201111 Acórdão n.º 3401003.379 S3C4T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de PER/DCOMP cujo direito creditório utilizado na compensação é oriundo de saldo credor do IPI referente ao período de apuração de 01/01/2011 a 31/03/2011. Conforme despacho decisório exarado pelo Seort/DRF/Osasco, apesar de o crédito alegado pela Recorrente ter sido integralmente reconhecido (pelo valor original do saldo credor solicitado em ressarcimento PER), parte das compensações declaradas não foi homologada, pois o montante dos débitos informados para compensação, vinculados ao saldo credor do período de apuração sob análise, superou o valor do crédito solicitado e reconhecido. Após ser intimada, a ora Recorrente apresentou Manifestação de Inconformidade, julgada improcedente pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto por intermédio do Acórdão 14053.036, que possui a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2011 a 31/03/2011 NULIDADES. As causas de nulidade no âmbito do processo administrativo fiscal são somente aquelas elencadas na legislação de regência. O Despacho Decisório devidamente fundamentado é regularmente válido. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. JUROS SELIC. É incabível, por falta de previsão legal, a atualização monetária dos valores objeto de pedido de ressarcimento de créditos do IPI. Dessa decisão, a ora Recorrente foi intimada no dia 16/10/2014, apresentando tempestivo Recurso Voluntário no dia 14/11/2014, pelo qual requereu a reforma do acórdão recorrido, "para o fim de reconhecer e deferir o direito de correção monetária dos créditos de IPI, pois deixaram de ser escriturais, bem como aplicar a taxa SELIC, com a posterior homologação das compensações na integralidade", com base nos seguintes argumentos: (i) nulidade da decisão que não reconheceu o direito de crédito da Recorrente, por falta de fundamentação e por não ter intimado a Recorrente para esclarecer os motivos de ter pleiteado o ressarcimento; (ii) aplicação da correção monetária pela utilização da taxa SELIC em créditos objeto de pedidos de ressarcimento junto a Receita Federal. É o relatório. Fl. 123DF CARF MF Processo nº 10882.911107/201111 Acórdão n.º 3401003.379 S3C4T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Robson José Bayerl, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3401003.340, de 25 de janeiro de 2017, proferido no julgamento do processo 10882.908423/201114, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3401003.340): "O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos para a sua admissibilidade, de modo que dele tomo conhecimento. Como relatado, a interposição do Recurso Voluntário pelo contribuinte coloca duas matérias para exame desse Colegiado: (i) nulidade da decisão que não reconheceu o direito creditório da Recorrente; e (ii) aplicação da Taxa Selic para atualização de crédito básico de IPI em pedidos de ressarcimento. Nulidade O Recorrente defende a nulidade da decisão que não homologou as compensações declaradas e indeferiu o pedido de ressarcimento, alegando que a fundamentação da decisão não é adequada, pois não permite à Recorrente conhecer os seus motivos, e que não foi intimada para esclarecer aspectos do pedido de ressarcimento por ela realizado, o que seria determinado à autoridade fiscal pelo artigo 65 da Instrução Normativa nº 900/2008. Esse argumento foi rejeitado pela decisão recorrida, pelas seguintes razões: "De plano não constato qualquer irregularidade que possa acarretar a nulidade do Despacho Decisório, claramente foi demonstrado no Despacho Decisório (Divergências na Compensação) que o direito creditório oferecido e reconhecido era inferior ao montante de débitos que a interessada quer compensar. (...) Pois bem, atendendo ao princípio da eficiência, as PERDCOMPs são processadas eletronicamente visando atender ao contribuinte agilmente e, para atingir tal fim, a busca da certeza e liquidez do crédito se dá, num primeiro momento, pelo cruzamento das informações prestadas pelo próprio interessado à SRF, ou seja, confrontandose o direito creditório pedido com os dados fornecidos pelo interessado na PERDCOMP. Ou seja, a verificação da certeza e liquidez do direito creditório alegado pelo contribuinte, que nada mais é que o estrito cumprimento da lei e a obediência ao princípio da verdade material, baseiase nas obrigações acessórias realizadas pelo próprio". Fl. 124DF CARF MF Processo nº 10882.911107/201111 Acórdão n.º 3401003.379 S3C4T1 Fl. 5 4 No que se refere à fundamentação inadequada do despacho decisório eletrônico que, segundo a Recorrente, não permitiria o pleno conhecimento dos motivos para o indeferimento total do seu pleito, com os prejuízos daí decorrentes para o exercício regular de sua defesa, não vejo como acompanhar a Recorrente. Apesar de o despacho decisório de fls. 75 ser bem objetivo, pelo seu exame, é possível a compreensão dos motivos que levaram à decisão: a Recorrente apurou determinado saldo credor de IPI em seus livros e pleiteou o ressarcimento, que foi deferido até o exato montante do crédito por ela apurado e solicitado, sendo indeferido pelo despacho decisório a compensação de débitos, assim como um pedido de ressarcimento, em montante superior ao crédito solicitado. Desse modo, estando devidamente fundamentada, não há que se falar em prejuízo à defesa da Recorrente que, conhecendo os motivos do indeferimento, apresentou defesa explicando que a divergência entre crédito e débito se deu pela não aplicação da taxa SELIC nos créditos básicos de IPI objeto de ressarcimento que, uma vez, aplicados, segundo a Recorrente, permitiriam a validação de todas as compensações vinculadas ao crédito de IPI. Não há, portanto, qualquer violação ao artigo 59, inciso II, do Decreto nº 70.235/1972, a ensejar a decretação de nulidade da decisão. Com relação à necessidade de intimação da Recorrente antes de qualquer decisão indeferindo o seu direito creditório, oportuno citar o dispositivo invocado pela Recorrente, que tem a seguinte redação: "Art. 65. A autoridade da RFB competente para decidir sobre a restituição, o ressarcimento, o reembolso e a compensação poderá condicionar o reconhecimento do direito creditório à apresentação de documentos comprobatórios do referido direito, inclusive arquivos magnéticos, bem como determinar a realização de diligência fiscal nos estabelecimentos do sujeito passivo a fim de que seja verificada, mediante exame de sua escrituração contábil e fiscal, a exatidão das informações prestadas". (Instrução Normativa RFB nº 900/2008) Pela leitura do dispositivo, entendo que se trata de um direito da autoridade fiscal, que pode ser exercido ou não, não podendo ser encarado tal dispositivo como uma obrigação da autoridade fiscal de intimar o contribuinte antes de toda e qualquer análise de pedidos de reconhecimento de direito de crédito. A Receita Federal poderá, nas hipóteses em que entender cabível, intimar o contribuinte para apresentar esclarecimentos ou realizar diligências adicionais, para fim de confirmar a existência do direito de crédito pleiteado. Por conseguinte, a ausência de intimação da Recorrente antes do não reconhecimento de crédito por ela pleiteado não implica nulidade da decisão tomada nesse sentido, motivo pelo qual proponho ao Colegiado rejeitar a nulidade também por esse segundo fundamento. Aplicação da Taxa SELIC nos pedidos de ressarcimento de crédito de IPI A Recorrente alega que, se aplicada a correção monetária pela taxa SELIC no saldo credor, as compensações declaradas teriam sido homologadas, não havendo qualquer valor a ser cobrado pela Receita Federal. Fl. 125DF CARF MF Processo nº 10882.911107/201111 Acórdão n.º 3401003.379 S3C4T1 Fl. 6 5 Para tanto, invoca como fundamento o artigo 153, parágrafo 3º, inciso II, da Carta da República, artigo 49 do Código Tributário Nacional ("CTN"), artigo 11 da Lei nº 9.779/1999, afirmando que, na hipótese de ressarcimento e/ou compensação, "o crédito de IPI deixa de ser crédito escritural e passa a ser um crédito oponível à União Federal para restituição ou compensação, do qual deverá sofrer a incidência da correção monetária, como qualquer outro crédito passível de restituição/compensação". Além disso, defende a Recorrente que "será totalmente inócua a utilização de valores de créditos sem a cobertura do desgaste inflacionário, ou seja, a devida correção monetária entre o período em que houve o acúmulo do crédito até o momento da utilização, sob pena de enriquecimento ilícito por parte da União Federal", afirmando ser aplicável a taxa SELIC que é a mesma que é aplicada pelo Fisco na correção de seus créditos. A decisão recorrida rejeitou esse argumento da Recorrente, fazendo a distinção entre os casos de ressarcimento de IPI e restituição, conforme a seguir: "(...) a atualização monetária não é aplicável à hipótese vertente, isto é, de crédito escritural suscetível de ressarcimento, pois a norma do art. 66, § 3º da Lei nº 8.383, de 30 de dezembro de 1991, e alterações, conforme orientação interna transmitida pelo Boletim Central nº 46, de 25 de março de 1992, abarca tãosomente as hipóteses de atualização monetária referentes à restituição, nos casos em que menciona". Ademais, a decisão recorrida fundamenta a impossibilidade de correção monetária no ressarcimento de IPI, com base em normas infra legais como o artigo 38, § 2º, da IN SRF nº 210, de 2002; e artigo 51, § 5º, da IN SRF nº 460, de 2004, sucedida pelo artigo 52 da IN SRF nº 600, de 2005; artigo 72, § 5º, da IN RFB nº 900/2008 e alterações posteriores, manifestandose ainda pela impossibilidade de correção de créditos escriturais de IPI. Sobre o tema, pedido de atualização pela SELIC de valores objeto do pedido de ressarcimento de IPI, oportuno mencionar que já foi pacificado pelo e. Superior Tribunal de Justiça (STJ), no julgamento do Recurso Especial nº 1.035.847 RS, de relatoria do Ministro Luiz Fux, cujo acórdão foi submetido ao regime de recursos repetitivos do artigo 543C, do CPC. Essa decisão teve a seguinte ementa: "PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IPI. PRINCÍPIO DA NÃO CUMULATIVIDADE. EXERCÍCIO DO DIREITO DE CRÉDITO POSTERGADO PELO FISCO. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE CRÉDITO ESCRITURAL. CORREÇÃO MONETÁRIA. INCIDÊNCIA. 1. A correção monetária não incide sobre os créditos de IPI decorrentes do princípio constitucional da nãocumulatividade (créditos escriturais), por ausência de previsão legal. 2. A oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito oriundo da aplicação do princípio da nãocumulatividade, descaracteriza referido crédito como escritural, assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil. Fl. 126DF CARF MF Processo nº 10882.911107/201111 Acórdão n.º 3401003.379 S3C4T1 Fl. 7 6 3. Destarte, a vedação legal ao aproveitamento do crédito impele o contribuinte a socorrerse do Judiciário, circunstância que acarreta demora no reconhecimento do direito pleiteado, dada a tramitação normal dos feitos judiciais. 4. Consectariamente, ocorrendo a vedação ao aproveitamento desses créditos, com o consequente ingresso no Judiciário, postergase o reconhecimento do direito pleiteado, exsurgindo legítima a necessidade de atualizálos monetariamente, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco (Precedentes da Primeira Seção: EREsp 490.547/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.09.2005, DJ 10.10.2005; EREsp 613.977/RS, Rel. Ministro José Delgado, julgado em 09.11.2005, DJ 05.12.2005; EREsp 495.953/PR, Rel. Ministra Denise Arruda, julgado em 27.09.2006, DJ 23.10.2006; EREsp 522.796/PR, Rel. Ministro Herman Benjamin, julgado em 08.11.2006, DJ 24.09.2007; EREsp 430.498/RS, Rel. Ministro Humberto Martins, julgado em 26.03.2008, DJe 07.04.2008; e EREsp 605.921/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 12.11.2008, DJe 24.11.2008). 5. Recurso especial da Fazenda Nacional desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008". (REsp 1035847/RS, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 24/06/2009, DJe 03/08/2009) Em julgados mais recentes, o STJ deixou claro que (i) a atualização dos pedidos de ressarcimento de IPI aplicase também aos processos administrativos iniciados antes da vigência da Lei nº 11.457/2007, que estipula em seu artigo 24 que os pedidos administrativos deveriam ser apreciados dentro do prazo de 360 (trezentos e sessenta) dias1; e (ii) o termo inicial para aplicação da SELIC, índice a ser adotado a partir de 1996, é a data de protocolo do pedido de ressarcimento. Nesse sentido, podese citar o precedente abaixo, de relatoria do Ministro Mauro Campbell Marques: "TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. PEDIDO ADMINISTRATIVO DE RESSARCIMENTO DOS CRÉDITOS DE IPI. CORREÇÃO MONETÁRIA. TERMO INICIAL. PROTOCOLO DOS PEDIDOS ADMINISTRATIVOS DE RESSARCIMENTO. 1. Em que pese o julgamento do Recurso Representativo da Controvérsia REsp. n. 1.138.206/RS (Primeira Seção, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 9.8.2010), onde se definiu que o art. 24 da Lei 11.457/2007 se aplica também para os feitos inaugurados antes de sua vigência, o prazo de 360 (trezentos e sessenta) dias para o fim do procedimento de ressarcimento não pode ser confundindo com o termo inicial da correção monetária e juros SELIC. "Quanto ao termo inicial da correção monetária, este deve ser coincidente com o termo inicial da mora. Usualmente, tenho conferido o direito à correção monetária a partir da data em que os créditos poderiam ter sido aproveitados e não o foram em virtude da ilegalidade perpetrada pelo Fisco. Nesses casos, o termo inicial se dá com o protocolo dos pedidos administrativos de ressarcimento" (EAg nº 1.220.942/SP, 1 Art. 24. É obrigatório que seja proferida decisão administrativa no prazo máximo de 360 (trezentos e sessenta) dias a contar do protocolo de petições, defesas ou recursos administrativos do contribuinte. Fl. 127DF CARF MF Processo nº 10882.911107/201111 Acórdão n.º 3401003.379 S3C4T1 Fl. 8 7 Primeira Seção, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, julgado em 10.04.2013). 2. Agravo regimental não provido". (AgRg no REsp 1554806/PR, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 27/10/2015, DJe 05/11/2015) O assunto já foi, inclusive, apreciado pela Câmara Superior de Recursos Fiscais, que, em recente julgado2, negou provimento ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, pois "especificamente no presente caso, verificase que houve oposição estatal, mas, ou seja, o pedido de ressarcimento de créditos escriturais de IPI foi expressamente rejeitado pela autoridade competente (despacho decisório de fls. 480 a 499), o que ocasionou, portanto, oposição injustificada a impedir o gozo do direito. Existindo oposição estatal injustificada, há incidência de atualização pela SELIC do crédito de IPI". Esse posicionamento decorre da distinção entre créditos escriturais de IPI e créditos não escriturais. Os créditos escriturais, ou seja, aqueles recebidos e inseridos na escrita fiscal da empresa em um período de apuração para efeito de dedução dos débitos de IPI decorrentes das saídas de produtos industrializados em períodos de apuração subseqüentes, não são passíveis de atualização, por ausência de previsão legal. Situação distinta ocorre com os créditos escriturais que passam a ser objeto de pedido de ressarcimento, em razão da impossibilidade de serem utilizados na dedução de débitos de IPI, quando as saídas estão sujeitas à alíquota zero ou à isenção, ou quando a diferença entre o volume de créditos e débitos resulta na acumulação de saldo credor. Nessa hipótese, tais créditos deixam de ser escriturais e passam a ser um direito de crédito do contribuinte contra o Fisco, que deve ser atualizado, desde o protocolo do pedido, pois, caso contrário, haveria um enriquecimento sem causa do Fisco. É que, nessas hipóteses, em que há "pedido de ressarcimento de créditos de IPI, PIS/COFINS (em dinheiro ou via compensação com outros tributos) e esses créditos são reconhecidos pela Receita Federal com mora, essa demora no ressarcimento enseja a incidência de correção monetária, posto que caracteriza a chamada "resistência ilegítima" (REsp 1216129/SC, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 01/03/2011, DJe 15/03/2011), a atrair a aplicação da Súmula STJ nº 411, com a seguinte redação: "É devida a correção monetária ao creditamento do IPI quando há oposição ao seu aproveitamento decorrente de resistência ilegítima do Fisco". Oportuno destacar que a resistência ilegítima fica caracterizada pelo reconhecimento do pedido, com mora, porém, em valor histórico, o que gera uma defasagem no valor do crédito a ser recebido pelo contribuinte, não havendo que se esperar determinado lapso de tempo na apreciação do pedido para que a mora fique caracterizada. 2 Processo nº 13678.000141/0076; Acórdão nº 9303003.253; 3ª Turma; Sessão de 03 de fevereiro de 2015; Matéria TAXA SELIC; Recorrente FAZENDA NACIONAL. Fl. 128DF CARF MF Processo nº 10882.911107/201111 Acórdão n.º 3401003.379 S3C4T1 Fl. 9 8 A respeito, merece destaque a doutrina de Eduardo Domingos Bottallo3, ao tratar da correção monetária nos pedidos de restituição, mas que, pelos mesmos fundamentos, entendo se aplicar aos casos de pedidos de ressarcimento: "A ausência de correção monetária nas obrigações pecuniárias em geral, inclusive, as de índole tributária, acarreta enriquecimento ilícito do devedor, ao que se soma, quando se trata do Poder Público, verdadeiro confisco. Ao revés, sua incidência não configura aumento patrimonial, porém simples mecanismo tendente a retratar, em unidades monetárias atuais, o valor representado por uma quantia identificada no passado. Na antiga lição de Amílcar de Araújo Falcão, ela é a técnica pelo direito consagrada de traduziremse em termos de idêntico poder aquisitivo, quantias ou valores que, fixados pro tempore, se apresentam expressos em moeda sujeita à depreciação. (...) Portanto, se os débitos fiscais ficam sujeitos a atualização monetária a partir do momento que devem ser satisfeitos, o mesmo há de ocorrer com os créditos dos contribuintes, até por força da analogia (ubi eadem ratio, ibi eadem juris dipositio), e da própria regra de isonomia que deve orientar as ações do Poder Público em seu relacionamento com a sociedade: "mais do que ninguém, o administrador público tem o dever de probidade e de seriedade no trato com a coisa pública. Em conseqüência, não pode pensar em não pagar a correção monetária de seus débitos, sob pena de se beneficiar indevidamente com o atraso no pagamento". Como se verifica, se o contribuinte deixa de adimplir sua obrigação tributária dentro do prazo de vencimento está sujeito ao recolhimento do tributo com a aplicação da SELIC, correta a aplicação do mesmo índice para atualização do crédito detido pelo contribuinte contra a Fazenda, pago no âmbito de pedidos de ressarcimento de IPI. Ademais, o artigo 11, da Lei nº 9.779/1999 prevê que o saldo credor do IPI "poderá ser utilizado de conformidade com o disposto nos arts. 73 e 74 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996", que são as normas que tratam da compensação e restituição de tributos federais. Por sua vez, o artigo 39, § 4º, da Lei nº 9.250/1995, estabelece que "§ 4º A partir de 1º de janeiro de 1996, a compensação ou restituição será acrescida de juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente, calculados a partir da data do pagamento indevido ou a maior até o mês anterior ao da compensação ou restituição e de 1% relativamente ao mês em que estiver sendo efetuada". Desse modo, se a aplicação da SELIC aos pedidos de ressarcimento de IPI já não tivesse fundamento no princípio da isonomia e no que veda o enriquecimento sem causa, a própria remissão do artigo 11, da Lei nº 9.779/1999 às normas que tratam de restituição e compensação seria fundamento legal suficiente ao seu reconhecimento. 3 Bottalo, Eduardo Domingos. "Fundamentos do IPI". São Paulo. Editora Revista dos Tribunais. 2002. p. 136137. Fl. 129DF CARF MF Processo nº 10882.911107/201111 Acórdão n.º 3401003.379 S3C4T1 Fl. 10 9 Contudo, em que pese ter razão, em tese, o Recorrente quando defende a possibilidade de aplicação da taxa SELIC nos pedidos de ressarcimento, em seu caso concreto, fixado o entendimento de que a taxa SELIC deve ser aplicada desde a data de protocolo do pedido até o efetivo pagamento do ressarcimento pela Receita Federal, o pedido do Recorrente não merece prosperar. É que no caso da Recorrente não se trata de pedido de ressarcimento em espécie, mas de pedido de ressarcimento para utilização em declarações de compensação contemporâneas ao pedido de ressarcimento. Ora, nesse caso, não há que se falar em oposição injustificada da Receita Federal, pois o valor objeto de ressarcimento é utilizado no exato momento da apresentação do pedido. Em conseqüência, não há qualquer justificativa para a aplicação da taxa SELIC. E, se a Recorrente pretendia a aplicação da taxa SELIC desde a data da escrituração dos créditos nos livros fiscais até a data de apresentação do pedido de ressarcimento, o que não se depreende da defesa apresentada, tratarseia, de qualquer modo, de aplicação da taxa SELIC sobre o crédito escritural de IPI, o que é vedado, por ausência de previsão legal, como já exposto nas linhas acima. Ante o exposto, embora tenha o entendimento pela aplicação da taxa SELIC nos pedidos de ressarcimento de crédito de IPI, penso que esse entendimento não se aplica ao caso concreto, que trata de declaração de compensação contemporânea ao pedido de ressarcimento, motivo pelo qual voto pelo não provimento do Recurso Voluntário." Deixase de transcrever a íntegra da declaração de voto apresentada pelo Conselheiro Eloy Eros da Silva Nogueira por ter sido apresentada no Acórdão 3401003.340 (processo paradigma), e por não ser essencial à solução do presente litígio. Transcrevese, tão somente, o seguinte fragmento da declaração de voto, que resume o entendimento do Conselheiro sobre a questão: "Data vênia do entendimento esposado pelo ilustre relator, a jurisprudência que acomete a atualização SELIC para o ressarcimento do IPI é justificada pela resistência da administração em reconhecer o direito creditório e efetivar o ressarcimento. Mas ela não acolhe a SELIC para os casos em que não se configure essa resistência da administração fazendária. Vejamos trecho das ementas dos citados julgados: (...) Além disso, a contribuinte aproveitou o crédito do ressarcimento do IPI imediatamente por meio de declaração de compensação, não havendo oposição por parte da administração tributária para essa compensação, nem postergação do aproveitamento do crédito por parte da contribuinte. Não houve desrespeito ao prazo de 360 dias posto pela Lei 11.457 de 2007. Não há que se falar em resistência da administração ao caso de modo a se justificar aplicar o entendimento jurisprudencial. Fl. 130DF CARF MF Processo nº 10882.911107/201111 Acórdão n.º 3401003.379 S3C4T1 Fl. 11 10 O texto do artigo 24 da Lei n. 11.457, de 2007, invocado pela contribuinte, não a socorre. Além do fato que o prazo de 360 dias não foi desrespeitado, a simples leitura desse artigo afasta a proposição da contribuinte de que o descumprimento do prazo máximo para a autoridade administrativa decidir implicaria em reconhecimento do seu direito. Essa é uma interpretação equivocada. Basta ler o artigo citado para se ver, indubitavelmente, que esse texto não autoriza a aplicação da taxa SELIC aos casos de ressarcimento." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Robson José Bayerl Fl. 131DF CARF MF
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Numero do processo: 10283.720595/2011-17
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 11 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon May 08 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 1301-000.407
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência.
(assinado digitalmente)
Waldir Veiga Rocha - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Flávio Franco Corrêa, José Eduardo Dornelas Souza, Roberto Silva Júnior, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Waldir Veiga Rocha.
Nome do relator: WALDIR VEIGA ROCHA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Flávio Franco Corrêa, José Eduardo Dornelas Souza, Roberto Silva Júnior, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Waldir Veiga Rocha. Relatório HELIOS DA AMAZÔNIA INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE MATERIAIS DE ESCRITÓRIO LTDA. já qualificada nestes autos, inconformada com o Acórdão n° 0125.416, de 10/08/2012, da 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belém/PA, recorre voluntariamente a este Colegiado, objetivando a reforma do referido julgado. Por bem descrever o ocorrido, valhome do relatório elaborado por ocasião do julgamento do processo em primeira instância, a seguir transcrito. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 02 83 .7 20 59 5/ 20 11 -1 7 Fl. 1336DF CARF MF Processo nº 10283.720595/201117 Resolução nº 1301000.407 S1C3T1 Fl. 1.337 2 Trata o presente processo de Auto de Infração referente a Imposto de Renda Pessoa Jurídica R$ 3.217.027,21; PIS R$ 1.017.103,39; COFINS R$ 4.629.179,69; Contribuição Social R$ 1.511.219,69. Anos calendários 2006 e 2007. A fiscalização efetuou o lançamento dos tributos descritos acima, nos seguintes termos, conforme descrição constante deste processo: apurou o lucro tributável pela sistemática do “Lucro Arbitrado”, conforme textos excertos das folhas 50 a 77 do volume I do presente processo, e o PIS e o COFINS na sistemática da “não cumulatividade”; “...Como o contribuinte, apesar de reiteradas intimações, não apresentou os livros e documentos solicitados pelo fisco, nos valemos, então, das informações fornecidas pela SEFAZ/AM para intimálo em 17/09/2010 (Edital n° 108/2010), a prestar os esclarecimentos relativos aos seguintes fatos, vinculados ao período fiscalizado e devidamente discriminados no Termo de Solicitação de Esclarecimentos, lavrado em 02/09/2010: 1. A falta de apresentação à Receita Federal do Brasil das DIPJ referentes aos anoscalendário de 2006 e 2007, e a constatação de que a empresa fiscalizada auferiu, nesses mesmos anos, receita proveniente das vendas de produção do estabelecimento, conforme declarado à SEFAZ/AM, através dos respectivos Demonstrativos de Apuração Mensal (DAM). Seguem anexos, os Demonstrativos "VENDAS DECLARADAS NO DEMONSTRATIVO DE APURAÇÃO MENSAL DAM À SEFAZ/AM", referentes ao período janeiro de 2006 a dezembro de 2007, os quais são partes integrantes e inseparáveis deste Termo. Nesse mesmo Termo, informamos que, até então, o contribuinte não apresentara os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal. E acrescentamos que a não apresentação desses elementos implicaria na determinação do IRPJ com base nos critérios do lucro arbitrado, conforme art. 530 do RIR/99…” 3. REGIME DE TRIBUTAÇÃO DO IRPJ E A RECEITA BRUTA CONHECIDA Em consulta ao banco de dados da RFB verificamos, com relação ao ano calendário de 2006, que: • o contribuinte não entregou DIPJ, nem efetuou pagamentos de IRPJ e CSLL. A última DIPJ apresentada é referente ao ano calendário de 2005; • entregou DCTF mas não declarou débitos de IRPJ e CSLL, declarou apenas débitos do PIS e da COFINS; • entregou DACON de acordo com o regime da não cumulatividade para o PIS e a COFINS. E com relação ao ano calendário de 2007 verificamos que: • o contribuinte não entregou DIPJ, DACON nem DCTF; • não efetuou pagamento dos tributos (IRPJ, CSLL, PIS e COFINS). Portanto, a omissão do contribuinte quanto ao pagamento do IRPJ, significa que ele não optou pelo regime do lucro presumido, em vista do que dispõe a Lei n° 9.430/96, cujo art. 26, § 1º , determina que a Fl. 1337DF CARF MF Processo nº 10283.720595/201117 Resolução nº 1301000.407 S1C3T1 Fl. 1.338 3 opção pelo lucro presumido deva ser exercida com o pagamento do imposto. Transcrevemos: [...] Pela mesma razão (omissão de pagamento do IRPJ), deduzimos também que o contribuinte não recorreu ao regime de lucro arbitrado nos anos sob fiscalização, conforme preceitua a Lei n° 8.981/95, em seu art. 47, § 1º: [...] Sem exercer opção pelo lucro presumido, e sem adotar o regime do lucro arbitrado, concluímos que o contribuinte permaneceu, por exclusão, obrigatoriamente submetido à regra geral de tributação, configurada pela apuração do lucro real trimestral, de acordo com o caput do art. 1º, da Lei n° 9.430/96, reproduzido abaixo: […] Como conseqüência desse regime de apuração do IRPJ (lucro real), o contribuinte ficou obrigado a manter escrituração na forma das leis comerciais e fiscais. No entanto, tendo em vista que o contribuinte no decorrer do procedimento de fiscalização não apresentou qualquer documento ou livro solicitado, incorreu na situação prevista no art. 530, III, do RIR/99, conforme transcrição abaixo: [...] Dessa forma, adotamos neste ato de lançamento o regime do lucro arbitrado trimestral. Tomamos como receita bruta conhecida os valores das receitas mensais declarados no DACON, para o ano calendário de 2006. E para o ano calendário de 2007, adotamos como receita bruta conhecida os valores das vendas mensais extraídos das informações prestadas pelo contribuinte à Secretaria de Estado da Fazenda do Amazonas (SEFAZ/AM), nos Demonstrativos de Apuração Mensal do ICMS (DAM)...” No tocante ao PIS e à COFINS, a indicação do regime da “não cumulatividade está expressa no texto abaixo, à fl. 63 do volume I: “...Para o ano calendário de 2006, o contribuinte entregou DACON demonstrando a apuração dos valores do PIS e da COFINS de acordo com o regime da não cumulatividade, o que está em conformidade com o regime de apuração do IRPJ pelo lucro real trimestral. Na DCTF correspondente ao mesmo ano foram declarados débitos relacionados às duas contribuições. As diferenças apuradas na ação fiscal foram formalizadas neste ato de lançamento seguindo o regime da não cumulatividade. Com relação ao ano calendário de 2007, o contribuinte não entregou DACON nem DCTF, mas, em decorrência do regime de apuração do lucro real trimestral aplicável ao IRPJ nesse período, seguimos Fl. 1338DF CARF MF Processo nº 10283.720595/201117 Resolução nº 1301000.407 S1C3T1 Fl. 1.339 4 também o regime da não cumulatividade para o cálculo dos valores do PIS e da COFINS...” apurou multa de ofício em sua forma qualificada, no percentual de 150% (cento e cinqüenta por cento) ”, conforme textos excertos das folhas 66 e 67 do volume I do presente processo: “...E as condutas do contribuinte HÉLIOS DA AMAZÔNIA INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE MATERIAIS DE ESCRITÓRIO LTDA., às quais já nos referimos, subsumemse integralmente ao teor do ilícito fiscal denominado "sonegação", conforme podemos constatar no retrospecto sobre os ilícitos cometidos, feitos a seguir: a) Não entregou a DIPJ referente ao ano de 2006, sonegando informações sobre o IRPJ e CSLL; b) Em 2006 entregou DCTF com declarações inexatas de débitos em relação ao PIS e à COFINS, e nada declarou sobre os débitos do IRPJ e CSLL; c) Em 2007 o contribuinte informou à SEFAZ/AM o valor de R$ 20.976.895,72 como receita de vendas, mas, para a RFB, omitiu completamente a receita ao não entregar DIPJ, sonegando informações sobre o IRPJ e CSLL; d) No mesmo ano de 2007 não entregou DACON, omitindo informações tributárias relativas ao PIS e à COFINS; e) Ainda no ano de 2007 não entregou DCTF, omitindo declaração dos débitos tributários relativos ao IRPJ, CSLL, PIS e COFINS; f) A dissolução irregular da sociedade, comprovada pela inexistência de atividades e de representantes no domicílio da sociedade empresarial, e a consequente falta de apresentação dos livros e documentos solicitados no decorrer da fiscalização; g) A total falta de pagamento de tributos referentes ao ano de 2007, em decorrência dos ilícitos de sonegação. Todas essas infrações estão diretamente vinculados com a intenção de impedir ou retardar que a autoridade fazendária tomasse conhecimento da ocorrência do fato gerador das obrigações tributárias principais. Então, como consequência, o conjunto de ilícitos praticados pelo contribuinte, teve como resultado a supressão ou redução do pagamento de tributos federais...” apurou a sujeição passiva além do contribuinte, nos moldes dos arts.135 e 137 do CTN, nas pessoas dos sócios administradores, diretores, mandatários, prepostos e representantes, conforme textos excertos das folhas 68/69, e folhas 73/76, do volume I do presente processo: A impugnação deste Auto de Infração foi apresentada pelos sujeitos passivos: HÉLIO EUGENIO SACCHI, CPF 004.729.05872; OLAVO SACCHI (Espólio), CPF/MF n°. 008.305.69804; RAUL FERNANDES MARINHEIRO,CPF 007.939.57834, e EDER LUIS LOPES, CPF 076.300.64837. Fl. 1339DF CARF MF Processo nº 10283.720595/201117 Resolução nº 1301000.407 S1C3T1 Fl. 1.340 5 O sujeito passivo HÉLIO EUGÊNIO SACCHI foi representado por NERINGA SACCHI, brasileira, portadora da cédula de identidade n.1.482.5624, inscrita no CPF/MF sob o n. 039.1141.21831, que atua como inventariante de Hélio Eugênio Sacchi, e alegou em sua defesa que: que o autuado em questão, Hélio Eugênio Sacchi, faleceu em 12/11/2010, conforme atesta a certidão de óbito, ou seja, seria insubsistente a lavratura ocorrida em 27/06/2011, sete meses após o falecimento do suposto responsável; a autoridade administrativa incidiu em falha ao não identificar corretamente o sujeito passivo, que jamais seria o de cujus e a massa falida ou o espólio; o Auto de Infração formaliza a responsabilização tributária do autuado pelos débitos da empresa HELIOS DA AMAZONIA IND. E COM. DE MATERIAIS DE ESCRITORIOS LTDA, entretanto a falência de tal empresa foi decretada em 07/06/2011 nos autos do processo n. 022812528.2008.804.0001, em trâmite perante a 19ª Vara Cível da Comarca de Manaus/AM; assim, a futura e eventual cobrança judicial imporia habilitação como forma de garantir a satisfação do crédito; O sujeito passivo OLAVO SACCHI (Espólio), CPF/MF n°. 008.305.69804, foi representado por Roberto Soares Sacchi, brasileiro, divorciado, engenheiro civil, portador da cédula de identidade RG n°. 6.554.287SSP/ SP e inscrito no C P F / M F sob n°. 006.983.24803, alegando em síntese que: O Requerente foi notificado no dia 13/07/2011, tendo o prazo de 30 (trinta) dias para se manifestar quanto ao conteúdo do assunto em objeto, ou seja, o dia 12/08/2011; Conforme "Instrumento Particular de Alteração do Contrato Social da Sociedade por Quotas de Responsabilidade Limitada Hélios da Amazônia Indústria e Comércio de Materiais de Escritório Ltda.", de 31/03/1997, devidamente registrado perante a Junta Comercial do Estado do Amazonas sob n°. 17781.6, em 19/09/1997, OLAVO SACCHI teria se retirado do quadro de sócios em 31/03/1997; Olavo Sacchi não poderia ser responsabilizado por infrações fiscais que teriam ocorrido nos anos calendário de 2006 e 2007, como pretende a Fiscalização, posto que retirouse da Sociedade muitos anos antes, em 31/03/1997, a partir de quando deixou de manter qualquer relacionamento comercial, profissional ou de qualquer outro tipo com a empresa autuada; Conforme Certidão de Óbito expedida em 22/07/2011 pelo 13°. Cartório de Registro Civil do Butantã, São Paulo, SP, OLAVO SACCHI faleceu em 21/09/1999; RAUL FERNANDES MARINHEIRO, CPF 007.939.57834 alegou: que encaminhou dossiê, via Sedex, com os esclarecimentos que julgou “necessários e suficientes” para excluir seu nome de qualquer tipo de responsabilidade junto à empresa "Hélios da Amazônia", principalmente, aos atos e fatos ocorridos após a minha renúncia em 31/03/1999”; as diversas empresas vinculadas ao nome "HELIOS", foram sempre criadas e administradas (gestão) pelo "clã Sacchi" e os respectivos diretores nas diversas áreas eram nomeados, na maioria das vezes empregados regidos pela CLT; “No ano de 2003, entrou com um Processo Trabalhista contra a "Hélios Carbex" no Fórum de Barueri São Paulo e desde então não tem nenhum relacionamento com a "Família Sacchi" e as respectivas empresas”; Fl. 1340DF CARF MF Processo nº 10283.720595/201117 Resolução nº 1301000.407 S1C3T1 Fl. 1.341 6 sua renúncia ocorrera em 31/03/1999; Sujeito passivo EDER LUIS LOPES CPF 076.300.64837 alegou que: é admissível pelas Delegacias de Julgamento os recursos que versem sobre a Responsabilidade Tributária; é nulo o termo de responsabilidade tributária por inexistência de motivação; nulidade pela não emissão de Mandado de Procedimento Fiscal específico; não possuía poderes de decisão para assegurar pagamentos tributários; A empresa “PRESTO” deve ser a responsável pelos créditos tributários em virtude de ser a sucessora da HÉLIOS DA AMAZÔNIA; inexistência de sonegação fiscal que não deve ser confundida com inadimplência, assim como a mera “não apresentação” da Declaração Fiscal” não ter força de presunção da existência de sonegação; é necessária a comprovação, pela fiscalização, da conduta ilícita. A 1ª Turma da DRJ em Belém/PA analisou as impugnações apresentadas pelos sujeitos passivos e prolatou o Acórdão nº 0125.416, de 10/08/2012 (fls. 852/865), com a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2006, 2007 RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos, os mandatários, prepostos e empregados, os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. A parte dispositiva foi redigida como segue: Acordam os membros da 1ª Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, julgar improcedente a impugnação DOS SUJEITOS PASSIVOS HÉLIO EUGENIO SACCHI, CPF 004.729.05872; RAUL FERNANDES MARINHEIRO, CPF 007.939.57834, e EDER LUIS LOPES, CPF 076.300.64837, mantendo o crédito tributário exigido e mantendoos na sujeição passiva do mesmo crédito tributário. Acordam os membros da 1ª Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, julgar a impugnação procedente DO SUJEITO PASSIVO OLAVO SACCHI (Espólio), CPF/MF n°. 008.305.69804, excluindoo da sujeição passiva do crédito tributário exigido. Não houve recurso de ofício. A pessoa jurídica Hélios da Amazônia Indústria e Comércio de Materiais de Escritório Ltda. tomou ciência do acórdão de primeira instância mediante o Edital de fl. 873 (afixado em 10/01/2013, ciência em 25/01/2013), após ter falhado a tentativa de ciência por via postal (fls. 871/872). Não encontro nos autos recurso voluntário da pessoa jurídica. Fl. 1341DF CARF MF Processo nº 10283.720595/201117 Resolução nº 1301000.407 S1C3T1 Fl. 1.342 7 O sujeito passivo solidário Sr. Eder Luis Lopes tomou ciência do acórdão de primeira instância em 22/03/2013 (sextafeira), conforme AR à fl. 889. O recurso voluntário se encontra às fls. 1259/1292, e o carimbo de recepção de fl. 1259 registra a data de 25/04/2013 (quintafeira). O sujeito passivo solidário Sr. Raul Fernandes Marinheiro tomou ciência do acórdão de primeira instância em 26/03/2013, conforme AR à fl. 893. Às fls. 897/1031 encontro petição e cópias de documentos diversos, apresentada pela Sra. Rosely Fernandes Marinheiro, que se identifica como filha do Sr. Raul Fernandes Marinheiro. A peticionante se diz estarrecida com a indicação de seu pai como responsável solidário nestes autos e requer “nova análise inerente ao processo”. Na sequência, a requerente tece considerações que, a seu ver, seriam suficientes para afastar a responsabilidade tributária imputada a seu pai, e noticia a grave situação de saúde do Sr. Raul Fernandes Marinheiro. Não encontro nos autos qualquer documento que atribua poderes à Sra. Rosely Fernandes Marinheiro para representar seu pai, Sr. Raul Fernandes Marinheiro. O espólio do sujeito passivo solidário Sr. Hélio Eugênio Sacchi tomou ciência do acórdão de primeira instância em 25/03/2013, conforme AR à fl. 891. Em 22/04/2013 foi apresentado o recurso voluntário de fls. 1032/1046. O espólio é representado pela inventariante Sra. Neringa Sacchi, a qual outorgou poderes à advogada que subscreve a peça recursal, conforme documentos de fls. 1047/1053. Segue apertada síntese dos argumentos de recurso. Preliminarmente, o recorrente lembra que, no momento do recebimento do Termo de Responsabilidade Fiscal, não teria havido a indicação de que o nome do Sr. Hélio Eugênio Sacchi ainda constaria nos sistemas da Receita Federal como participante do capital votante da autuada. Sustenta que estaria apresentando documentos (fls. 1159/1255) que comprovariam que não faz parte do quadro societário da autuada desde setembro de 2005, pelo que pede sua exclusão do polo passivo da obrigação jurídicotributária. Protesta pela aplicação do art. 16, § 4º, alíneas “a” e “c” do Decreto nº 70.235/1972 e pelo princípio da verdade material. Os documentos ora trazidos teriam sido obtidos junto a terceiros, e teriam sido de difícil obtenção. No mérito, o recorrente sustenta que jamais poderia ser responsabilizado pois, no momento dos fatos geradores dos débitos tributários indicados no Termo de Responsabilização, não mais fazia parte do quadro societário da autuada. O recorrente discorre sobre o histórico societário da empresa autuada, conforme documentos obtidos na Junta Comercial do Estado do Amazonas (JUCEA), e afirma que, a partir da 14ª Alteração do Contrato Social da empresa autuada, efetivada em 23/09/2005, o Sr. Hélio Eugênio Sacchi e a empresa Hélios Empreendimentos e Participações Ltda. terseiam retirado da Hélios da Amazônia Indústria e Comércio de Materiais de Escritório Ltda (autuada). Conclui que, por não mais figurar no quadro societário, não poderia ser responsabilizado por débitos decorrentes de fatos geradores ocorridos em 2006 e 2007, muito menos por dissolução irregular da empresa. Colaciona jurisprudência que entende apoiar sua tese. O recorrente lembra, ao final, o falecimento do Sr. Hélio Eugênio Sacchi em 12/11/2010, a falência da empresa autuada em 07/06/2011 (processo nº 0228125 Fl. 1342DF CARF MF Processo nº 10283.720595/201117 Resolução nº 1301000.407 S1C3T1 Fl. 1.343 8 28.2008.804.001, 19ª Vara Cível da Comarca de Manaus/AM) e afirma a insubsistência da lavratura ocorrida em 27/11/2011, por incorreta indicação do sujeito que poderia ser responsabilizado, que jamais seria o de cujus, mas sim a massa falida ou o espólio. Requer, ainda: Caso Vossas Excelências entendam pela necessidade de apresentação dos documentos originais, requerse a conversão do julgamento em diligência, sendo determinado à JUCEA que apresente os documentos cujos registros foram indicados no presente Recurso. Especialmente porque a afirmação da JUCEA, admitida pelo i. Auditor Fiscal, de que apenas três atos da empresa autuada teriam sido registrados não corresponde com a verdade. Conclui com o pedido de afastamento do Sr. Hélio Eugênio Sacchi do polo passivo do presente lançamento. É o Relatório. Voto Conselheiro Waldir Veiga Rocha, Relator O Contribuinte Hélios da Amazônia Indústria e Comércio de Materiais de Escritório Ltda. já não havia apresentado impugnação e também não apresentou recurso voluntário. O sujeito passivo solidário Sr. Eder Luis Lopes tomou ciência do acórdão de primeira instância em 22/03/2013 (sextafeira), conforme AR à fl. 889. O prazo para a interposição de recurso se iniciou no primeiro dia útil seguinte, 25/03/2013, segundafeira, e expirou no dia 23/04/2013, terçafeira. O recurso voluntário de fls. 1259/1292 foi apresentado em 25/04/2013, sendo portanto intempestivo. Dele não conheço. A petição de fls. 897/1031 foi subscrita pela Sra. Rosely Fernandes Marinheiro, que se identifica como filha do responsável tributário Sr. Raul Fernandes Marinheiro. Desde que não identifico nos autos qualquer documento que outorgue poderes de representação à peticionante, é forçoso reconhecer que inexiste recurso voluntário apresentado por esse sujeito passivo. O recurso voluntário apresentado pelo espólio do Sr. Hélio Eugênio Sacchi é tempestivo e atende aos demais requisitos processuais. Dele conheço, e passo a apreciar os argumentos recursais. Salientese, de início, que o recorrente pretende tão somente seu afastamento do polo passivo da obrigação jurídicotributária ora discutida. Em momento algum apresenta qualquer questionamento ao auto de infração, em si. É sob esse prisma que será apreciado seu recurso voluntário. Em preliminares, pretende o acolhimento nos autos dos documentos de fls. 1159/1255, nos termos do art. 16, § 4º, alíneas “a” e “c” do Decreto nº 70.235/1972 e com base no princípio da verdade material. Alega que a apresentação dos documentos dependeria de Fl. 1343DF CARF MF Processo nº 10283.720595/201117 Resolução nº 1301000.407 S1C3T1 Fl. 1.344 9 terceiros e que, considerando que o domicílio fiscal do recorrente é na capital de São Paulo, a obtenção teria sido dificulatada. Eis os dispositivos legais em comento: Art. 16. A impugnação mencionará: [...]§ 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que:(Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) [...]c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) Os documentos são cópias do Contrato de Constituição da pessoa jurídica Hélios da Amazônia Indústria de Materiais de Escritório Ltda., CNPJ 34.503.615/000152, e diversas alterações posteriores. Ao que se pode depreender, essas cópias teriam sido obtidas no processo de falência da empresa (fl. 1255), constando das cópias tanto carimbos da 19ª Vara Cível quanto da Junta Comercial do Estado do Amazonas (JUCEA). Segundo o recorrente, tais documentos seriam indispensáveis à comprovação de suas afirmações quanto à ilegitimidade passiva do Sr. Hélio Eugênio Sacchi nos presentes autos, contrapondose ao quanto decidido em primeira instância. Considerando o falecimento do Sr. Hélio, e que o recorrente é o seu espólio, e que os documentos se destinam a contraditar a decisão de primeira instância, tenho por atendidos os requisitos das alíneas “a” e “c” do § 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235/1972, acima, e admito nos autos os documentos de fls. 1159/1255). No mérito, as alegações da recorrente são no sentido da ilegitimidade passiva do Sr. Hélio Eugênio Sacchi. Por sua ótica, esse Senhor jamais poderia ser responsabilizado pois, no momento dos fatos geradores tributários (anoscalendário 2006 e 2007), já não mais fazia parte do quadro societário da pessoa jurídica. A recorrente faz detalhada análise da evolução do quadro societário, com base no contrato social e alterações e, ao final, sustenta que sua retirada teria ocorrido em 23/09/2005, na 14ª Alteração Contratual, registrada na JUCEA em 30/09/2005. Não poderia, então, ser responsabilizado por fatos geradores tributários dos anos calendário 2006 e 2007, muito menos pela dissolução irregular da empresa. As afirmações da recorrente adquirem especial relevância diante do quanto consta do documento denominado Motivação do Ato de Lançamento, às fls. 73/74. Ali, o Fisco declina os motivos pelos quais atribuiu responsabilidade tributária, entre outros, ao Sr. Hélio (grifos não constam do original): De acordo com a JUCEA (Junta Comercial do Estado do Amazonas), os atos referentes ao contribuinte registrados na Junta, são apenas o ato de constituição da sociedade (com data de 18/04/1989), uma ata de reunião de sócios (com data de 15/01/2008) e uma sentença de decretação de falência (com data de 10/03/2008), os quais foram enviadas por ela à DRFMANAUS. Pela análise desses documentos é possível verificar que o contribuinte sonegou informações que deveriam ter sido levadas ao arquivamento na JUCEA, conforme mostramos a seguir. Fl. 1344DF CARF MF Processo nº 10283.720595/201117 Resolução nº 1301000.407 S1C3T1 Fl. 1.345 10 No contrato de constituição da sociedade aparecem como sócios: a pessoa jurídica Hélios S/A Indústria e Comércio (CNPJ 61.092.128/0001 17) com 99% do capital social; Hélio Eugênio Sacchi (CPF 004.729.05834, embora o contrato mencione o CPF 039.141.21831) com 0,5% do capital social e Olavo Sacchi (CPF 008.305.69804) com 0,5% do capital social (Cláusula 4a ) . Para a administração da sociedade foram nomeados: Hélio Eugênio Sacchi como Diretor Presidente; Olavo Sacchi como Diretor Superintendente e Raul Fernandes Marinheiro (CPF 007.939.578 34) como Diretor Financeiro com poderes delegados pela sócia cotista majoritária Hélios S/A Indústria e Comércio (Cláusula 5 a do contrato social). No entanto, na Ata da Reunião dos Sócios de 15 de janeiro de 2008, comparece como sócia cotista majoritária a pessoa jurídica Beath Participações S/A, com 99,99% do capital, e o sócio minoritário identificado como Arnaldo Bisoni, não compareceu. Nessa reunião foi aceita a renúncia de Eder Luiz Lopes dos cargos de Diretor Superintendente e Diretor Prasidente, e foram nomeados Luiz Antonio Del Nero Pires (CPF 563.572.49815) como novo Diretor Presidente e Antonio Viana Rosa e Silva (CPF 044.315.29853) como novo Diretor Financeiro. Ou seja, essa ata indica que houve alterações contratuais que não foram registradas na JUCEA, configurando outra irregularidade, pois o Código Civil em seu artigo 968, § 2 o , determina que quaisquer modificações na inscrição do empresário deverão ser averbadas à margem desta no Registro Público de Empresas Mercantis. Diante do exposto, e em decorrência da impossibilidade de determinar o período e a extensão da responsabilidade pessoal de cada um dos terceiros envolvidos com a administração da sociedade, foram arrolados como responsáveis tributários: a) todos os sócios, inclusive pessoas jurídicas, que não foram formalmente excluídos da sociedade; b) as pessoas mencionadas como administradoras nos documentos arquivados na JUCEA; c) além de outras pessoas que aparecem no quadro de sócios e administradores da sociedade, constantes do banco de dados da RFB, e que, por não constarem formalmente dos documentos arquivados na JUCEA, são considerados sócios ou administradores de fato, ou ainda, aquelas que aparecem como mandatárias nas informações prestadas pela SEFAZ/AM à RFB. Dessa forma, imputamos a responsabilidade pessoal pelos créditos tributários originados deste ato de lançamento, às seguintes pessoas: [...] A afirmação do Fisco, acima sublinhada e negritada, encontra fundamento na resposta da JUCEA (fl. 93) ao ofício (fl. 92) enviado pelo órgão fiscalizador. Essa resposta apresenta apenas o ato constitutivo original, “uma ata de reunião e uma falência”, cujas cópias estão às fls. 94/106. Foi com base nesses documentos, além das informações cadastrais da pessoa jurídica junto à Receita Federal, que foi proferida a decisão ora recorrida, mantendo a responsabilidade tributária imputada ao Sr. Hélio (fls. 859/861): SUJEITO PASSIVO HELIO SACCHI Em consulta ao sistema interno da Receita Federal Brasil, consta o Sr. HÉLIO EUGENIO SACCHI, CPF 004.729.05872 como participante do capital votante da empresa ora autuada na quota de 9,75% (nove inteiros e setenta e cinco centésimos) do capital votante da empresa. Fl. 1345DF CARF MF Processo nº 10283.720595/201117 Resolução nº 1301000.407 S1C3T1 Fl. 1.346 11 O Sr. HÉLIO EUGENIO SACCHI, CPF 004.729.05872, faleceu em 12/11/2010, não obstando, portanto que figurasse como responsável tributário de tributos devidos por empresa na qual figurava no quadro societário, como na situação em análise, cujos fatos geradores ocorreram em 2006 e 2007. A situação se enquadra no excerto do CTN, abaixo: [transcrição dos arts. 121 a 126 do Código Tributário Nacional CTN] A esta altura da análise, penso que o processo não reúne condições de julgamento. É que os efeitos dos atos constitutivos das sociedades empresárias, bem assim os de suas alterações, estão regulados pelo Código Civil (Lei nº 10.406/2002), confirase (grifos não constam do original): Art. 45. Começa a existência legal das pessoas jurídicas de direito privado com a inscrição do ato constitutivo no respectivo registro, precedida, quando necessário, de autorização ou aprovação do Poder Executivo, averbandose no registro todas as alterações por que passar o ato constitutivo. Art. 1.150. O empresário e a sociedade empresária vinculamse ao Registro Público de Empresas Mercantis a cargo das Juntas Comerciais, e a sociedade simples ao Registro Civil das Pessoas Jurídicas, o qual deverá obedecer às normas fixadas para aquele registro, se a sociedade simples adotar um dos tipos de sociedade empresária. Art. 1.151. O registro dos atos sujeitos à formalidade exigida no artigo antecedente será requerido pela pessoa obrigada em lei, e, no caso de omissão ou demora, pelo sócio ou qualquer interessado. § 1oOs documentos necessários ao registro deverão ser apresentados no prazo de trinta dias, contado da lavratura dos atos respectivos. § 2oRequerido além do prazo previsto neste artigo, o registro somente produzirá efeito a partir da data de sua concessão. § 3oAs pessoas obrigadas a requerer o registro responderão por perdas e danos, em caso de omissão ou demora. [...] Art. 1.154. O ato sujeito a registro, ressalvadas disposições especiais da lei, não pode, antes do cumprimento das respectivas formalidades, ser oposto a terceiro, salvo prova de que este o conhecia. Parágrafo único. O terceiro não pode alegar ignorância, desde que cumpridas as referidas formalidades. Considero, assim, que o julgamento deve ser convertido em diligência, para que a Unidade Preparadora oficie à Junta Comercial do Estado do Amazonas (JUCEA), encaminhandolhe cópia dos documentos de fls. 1159/1255 destes autos, e solicitandolhe manifestação expressa sobre o registro (ou não) naquele órgão de cada uma das alterações contratuais que ali constam e, caso tenham sido registradas, em que data isso teria ocorrido. Fl. 1346DF CARF MF Processo nº 10283.720595/201117 Resolução nº 1301000.407 S1C3T1 Fl. 1.347 12 Concluída a diligência, de suas conclusões deve ser dada ciência ao sujeito passivo, facultandolhe manifestarse nos autos, se assim desejar, conforme § único do art. 35 do Decreto nº 7.574/2011. Na sequência, o processo deverá retornar ao CARF para o prosseguimento do julgamento. (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha Fl. 1347DF CARF MF
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Numero do processo: 10480.910531/2012-52
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 22 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Mar 27 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 2007
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. ERRO EM DECLARAÇÃO.
O contribuinte possui o ônus de prova do direito invocado mediante a apresentação de escrituração contábil e fiscal, lastreada em documentação idônea que dê suporte aos seus lançamentos. As informações prestadas unicamente na DIPJ não têm o condão de provar o direito creditório que o contribuinte alega possuir.
Recurso Voluntário Negado.
Direito Creditório Não Reconhecido.
Numero da decisão: 3302-003.694
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente Substituto e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Orlando Rutigliani Berri, Domingos de Sá Filho, Lenisa Rodrigues Prado, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e Walker Araújo.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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ÔNUS DA PROVA. Recorrente ARMAZÉM CORAL LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2007 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. ERRO EM DECLARAÇÃO. O contribuinte possui o ônus de prova do direito invocado mediante a apresentação de escrituração contábil e fiscal, lastreada em documentação idônea que dê suporte aos seus lançamentos. As informações prestadas unicamente na DIPJ não têm o condão de provar o direito creditório que o contribuinte alega possuir. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente Substituto e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Orlando Rutigliani Berri, Domingos de Sá Filho, Lenisa Rodrigues Prado, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e Walker Araújo. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 48 0. 91 05 31 /2 01 2- 52 Fl. 201DF CARF MF Processo nº 10480.910531/201252 Acórdão n.º 3302003.694 S3C3T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de PER/DCOMP em que a Contribuinte informa ter efetuado recolhimento a maior que o devido. A DRF/Recife proferiu Despacho Decisório indeferindo o pleito sob o fundamento de que o DARF discriminado no PER/DCOMP foi localizado, mas encontrase integralmente utilizado para quitação de débitos declarados do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição/compensação. Cientificada da decisão, a Recorrente apresentou manifestação de inconformidade alegando, em síntese, que houve mera falha em não retificar a DCTF, mas que devem ser reconhecidas as informações de sua DIPJ retificadora, que atesta a ocorrência de pagamento a maior. Em análise dos argumentos apresentados pela Recorrente, a DRJ/Recife julgou improcedente a manifestação de inconformidade, nos termos do Acórdão 11040.582. O Colegiado a quo entendeu que a Contribuinte não havia comprovado o suposto pagamento a maior. Cientificada da decisão de piso, a Recorrente interpôs recurso voluntário sustentando, em síntese: (i) que o erro cometido pela Recorrente de não retificar as DCTFs não anula a existência dos créditos, vez que decorrem da realização de pagamento efetuados a maior; e (ii) que a existência de pagamento a maior é constatada pela simples verificação das DIPJs retificadoras, onde constam os ajustes necessários para atestar a existência do crédito pleiteado. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Guilherme Déroulede, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302003.657, de 22 de fevereiro de 2017, proferido no julgamento do processo 10480.910482/201258, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302003.657): "I Tempestividade Fl. 202DF CARF MF Processo nº 10480.910531/201252 Acórdão n.º 3302003.694 S3C3T2 Fl. 4 3 A Recorrente foi intimada da decisão de piso 25.06.2013 e protocolou Recurso Voluntário em 01.07.2013, dentro do prazo de 30 (trinta) dias previsto no artigo 33, do Decreto 70.235/721. Desta forma, considerando que o recurso preenche os requisitos de admissibilidade, dele tomo conhecimento. II Questões de Mérito Conforme exposto anteriormente, a Recorrente alega (i) que o erro cometido pela Recorrente de não retificar as DCTFs não anula a existência dos créditos, vez que decorrem da realização de pagamento efetuados a maior; e (ii) que a existência de pagamento a maior é constatada pela simples verificação das DIPJs retificadoras, onde constam os ajustes necessários para atestar a existência do crédito pleiteado. Com todo respeito aos argumentos explicitados pela Recorrente, não concordo com suas alegações. Isto porque, a alegação de que a existência do crédito poderia ser facilmente comprovado por meio das Declarações de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (DIPJ) em nada socorre a Recorrente, posto que além da DIPJ não se constituir em confissão de dívida como é o caso da DCTF, não consta dos autos qualquer documento, a exemplo de livros e documentos fiscais e contábeis, que viesse evidenciar a apuração da contribuinte na sua DIPJ retificadora. Com efeito, a DIPJ contêm dados e informações declarados pelo próprio contribuinte que devem ser lastreados com a correspondente documentação fiscal que comprove os lançamentos contábeis, do contrário, o direito ao crédito não deve ser reconhecido. Ora, a simples apresentação de cópias das referidas declarações são insuficientes para comprovar a origem do pretenso crédito almejado pela Recorrente, inviabilizando a confirmação dos valores registrados nas declarações. Não bastasse isso, os argumentos apresentados pela Recorrente não fazem prova de crédito algum, sequer demonstram qual a composição e/ou origem do crédito que ela alegar possuir. Mais uma vez, repitase, que é necessário que sejam colacionados aos autos excertos da escrituração contábil e fiscal do contribuinte, lastreados em documentação idônea que dê suporte a tais lançamentos. Logo, dúvida não há quanto a inexistência do direito creditório perseguido pela Recorrente. Diante deste cenário, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário." No que diz respeito à tempestividade, o recurso apresentado neste processo também é tempestivo (ciência em 25/06/2013, apresentação do RV em 01/07/2013). E, da mesma forma que no processo paradigma, a Contribuinte também não juntou nestes autos "excertos da escrituração contábil e fiscal do contribuinte, lastreados em documentação idônea" capaz de comprovar a legalidade e materialidade do direito creditório alegado. 1 Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. Fl. 203DF CARF MF Processo nº 10480.910531/201252 Acórdão n.º 3302003.694 S3C3T2 Fl. 5 4 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 204DF CARF MF
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