Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,283)
- Segunda Câmara (27,810)
- Primeira Câmara (25,087)
- Segunda Turma Ordinária d (18,060)
- Primeira Turma Ordinária (16,567)
- Primeira Turma Ordinária (16,459)
- Primeira Turma Ordinária (16,358)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (16,296)
- Segunda Turma Ordinária d (16,086)
- Segunda Turma Ordinária d (14,575)
- Primeira Turma Ordinária (13,128)
- Primeira Turma Ordinária (12,614)
- Segunda Turma Ordinária d (12,554)
- Primeira Turma Ordinária (11,521)
- Quarta Câmara (11,514)
- Quarta Câmara (85,999)
- Terceira Câmara (68,521)
- Segunda Câmara (57,460)
- Primeira Câmara (21,771)
- 3ª SEÇÃO (16,296)
- 2ª SEÇÃO (11,369)
- 1ª SEÇÃO (6,889)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (128,887)
- Segunda Seção de Julgamen (116,175)
- Primeira Seção de Julgame (78,015)
- Primeiro Conselho de Cont (49,053)
- Segundo Conselho de Contr (48,969)
- Câmara Superior de Recurs (38,150)
- Terceiro Conselho de Cont (25,980)
- IPI- processos NT - ressa (5,020)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,062)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,963)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,868)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,251)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,102)
- IRPJ - restituição e comp (2,088)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,430)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,612)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,273)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- PEDRO SOUSA BISPO (4,232)
- HELCIO LAFETA REIS (3,928)
- ROSALDO TREVISAN (3,243)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,937)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,875)
- RODRIGO LORENZON YUNAN GA (2,791)
- WILDERSON BOTTO (2,683)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,636)
- 2020 (41,088)
- 2021 (35,847)
- 2019 (30,961)
- 2018 (26,046)
- 2024 (25,925)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,477)
- 2014 (22,376)
- 2013 (21,088)
- 2011 (20,979)
- 2025 (19,674)
- 2010 (18,059)
- 2008 (17,137)
- 2017 (16,841)
- 2026 (16,704)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2026 (20,932)
- 2025 (19,745)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,857)
- 2022 (13,225)
Numero do processo: 10715.008474/2009-43
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 21 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Oct 21 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Data do fato gerador: 02/11/2005, 30/11/2005
NORMAS PROCESSUAIS. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. INEXISTÊNCIA.
Não havendo omissão, contradição ou obscuridade no acórdão proferido devem ser rejeitados os embargos opostos. Os embargos de declaração não se prestam a mera manifestação de inconformismo com a decisão prolatada ou à rediscussão dos fundamentos do julgado, uma vez que não se trata do remédio processual adequado para reexame da lide.
O livre convencimento do julgador permite que a decisão proferida seja fundamentada com base no argumento que entender cabível, não sendo necessário que se responda a todas as alegações das partes, quando já se tenha encontrado motivo suficiente para fundar a decisão, nem se é obrigado a ater-se aos fundamentos indicados por elas ou a responder um a um todos os seus argumentos.
Embargos acolhidos em parte e improvidos.
Numero da decisão: 3202-000.877
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher em parte os Embargos de Declaração, para ratificar a decisão embargada. O Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Junior declarou-se impedido.
Irene Souza de Trindade Torres Presidente
Luís Eduardo Garrossino Barbieri - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Irene Souza da Trindade Torres, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Thiago Moura de Albuquerque Alves, Charles Mayer de Castro Souza e Octávio Carneiro Silva Corrêa.
Nome do relator: LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201308
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Data do fato gerador: 02/11/2005, 30/11/2005 NORMAS PROCESSUAIS. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. INEXISTÊNCIA. Não havendo omissão, contradição ou obscuridade no acórdão proferido devem ser rejeitados os embargos opostos. Os embargos de declaração não se prestam a mera manifestação de inconformismo com a decisão prolatada ou à rediscussão dos fundamentos do julgado, uma vez que não se trata do remédio processual adequado para reexame da lide. O livre convencimento do julgador permite que a decisão proferida seja fundamentada com base no argumento que entender cabível, não sendo necessário que se responda a todas as alegações das partes, quando já se tenha encontrado motivo suficiente para fundar a decisão, nem se é obrigado a ater-se aos fundamentos indicados por elas ou a responder um a um todos os seus argumentos. Embargos acolhidos em parte e improvidos.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Oct 21 00:00:00 UTC 2013
numero_processo_s : 10715.008474/2009-43
anomes_publicacao_s : 201310
conteudo_id_s : 5300888
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Oct 21 00:00:00 UTC 2013
numero_decisao_s : 3202-000.877
nome_arquivo_s : Decisao_10715008474200943.PDF
ano_publicacao_s : 2013
nome_relator_s : LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI
nome_arquivo_pdf_s : 10715008474200943_5300888.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher em parte os Embargos de Declaração, para ratificar a decisão embargada. O Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Junior declarou-se impedido. Irene Souza de Trindade Torres Presidente Luís Eduardo Garrossino Barbieri - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Irene Souza da Trindade Torres, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Thiago Moura de Albuquerque Alves, Charles Mayer de Castro Souza e Octávio Carneiro Silva Corrêa.
dt_sessao_tdt : Wed Aug 21 00:00:00 UTC 2013
id : 5124421
ano_sessao_s : 2013
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:14:57 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046175131631616
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2034; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C2T2 Fl. 176 1 175 S3C2T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10715.008474/200943 Recurso nº Embargos Acórdão nº 3202000.877 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 21 de agosto de 2013 Matéria ADUANEIRO. MULTA ISOLADA Embargante SOCIÉTÉ AIR FRANCE Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Data do fato gerador: 02/11/2005, 30/11/2005 NORMAS PROCESSUAIS. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. INEXISTÊNCIA. Não havendo omissão, contradição ou obscuridade no acórdão proferido devem ser rejeitados os embargos opostos. Os embargos de declaração não se prestam a mera manifestação de inconformismo com a decisão prolatada ou à rediscussão dos fundamentos do julgado, uma vez que não se trata do remédio processual adequado para reexame da lide. O livre convencimento do julgador permite que a decisão proferida seja fundamentada com base no argumento que entender cabível, não sendo necessário que se responda a todas as alegações das partes, quando já se tenha encontrado motivo suficiente para fundar a decisão, nem se é obrigado a aterse aos fundamentos indicados por elas ou a responder um a um todos os seus argumentos. Embargos acolhidos em parte e improvidos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher em parte os Embargos de Declaração, para ratificar a decisão embargada. O Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Junior declarouse impedido. Irene Souza de Trindade Torres – Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 71 5. 00 84 74 /2 00 9- 43 Fl. 176DF CARF MF Impresso em 21/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 23/09/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 21/10/2013 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES 2 Luís Eduardo Garrossino Barbieri Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Irene Souza da Trindade Torres, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Thiago Moura de Albuquerque Alves, Charles Mayer de Castro Souza e Octávio Carneiro Silva Corrêa. Relatório Tratase de Embargos de Declaração interpostos pela contribuinte, em face do Acórdão nº 320200.342, de 11/08/2011, relatado pelo Conselheiro José Luiz Novo Rossari, proferido por esta Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção de Julgamento deste CARF, o qual decidiu, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário. Alega a embargante que teria havido omissões e contradições no voto condutor do Acórdão, em relação aos seguintes pontos: i. O auto de infração lavrado seria nulo em decorrência da ausência de prova da infração imputada à embargante, uma vez que a autoridade fiscal para fundamentar a autuação apresentou uma simples relação na qual consta o número da Declaração de Exportação, cujo registro de embarque de mercadorias seria supostamente intempestivo, o número do voo, o dia do embarque das mercadorias e o dia em que os dados de embarque relativos a estas mercadorias forma registradas no Siscomex; ii. O auto de infração seria nulo por incorreta tipificação das ocorrências e também pela falta de subsunção dos fatos à norma. No entender da Embargante a fundamentação legal da penalidade aplicada está errada, tornando nulo o auto de infração, e neste sentido, requer a manifestação sobre a suposta contradição apontada; iii. Embora tenha demonstrado em seu Recurso que o Siscomex apresenta “falhas técnicas”, que por vezes geram sua indisponibilidade, o acórdão recorrido teria se limitado apenas a afirmar que “a empresa deveria ter indicado os fatos considerados pela empresa autuada como prejudicial ao cumprimento da sua obrigação”, deste modo, entende que deveriam ser sanadas as omissões quanto à comprovação das falhas no Siscomex; iv. Em decorrência da alteração trazida pela Lei nº 12.350/2010 teria havido modificação no instituto da denúncia espontânea, para abranger, também, as infrações de natureza administrativa. Assim, a multa administrativa aplicada deveria fazer “jus ao benefício do afastamento da responsabilidade pela prática do ilícito tributário”. Neste sentido, ainda que a Embargante não tenha suscitado esta questão em sua defesa perante a instância inicial, nos termos do artigo 65 da Lei nº 9.784/99, requer a revisão do processo, a pedido da parte ou, ainda, de ofício. v. A Turma não teria conhecido matérias sob a alegação de preclusão, entretanto, no entender da Embargante, as mesmas teriam sido objeto de suas alegações. Aduz que o acórdão recorrido foi omisso quanto às alegações “acerca da prova imperfeita da infração em razão de indisponibilidade do sistema Siscomex e em vista da ausência das tentativas de inserção de dados no sistema, sob a alegação de que tais matérias estariam preclusas, nos termos dos artigos 14, 16 e 17 do Decreto nº 70.235/72 (...)”; Requer, por fim, que os presentes Embargos sejam conhecidos e providos, para que sejam sanadas as alegadas omissões e contradições apontadas. Fl. 177DF CARF MF Impresso em 21/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 23/09/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 21/10/2013 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10715.008474/200943 Acórdão n.º 3202000.877 S3C2T2 Fl. 177 3 É o Relatório. Voto Os embargos de declaração estão disciplinados no art. 65 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais nos seguintes termos: Art. 65. Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciarse a turma. Destarte, temos que os embargos declaratórios têm por finalidade tornar clara a decisão embargada ou trazer à discussão matéria que foi omitida ou contraditória no julgamento, de tal sorte que a solução dada pelo órgão encarregado de resolver a controvérsia demonstre, com clareza, haver enfrentado o objeto do litígio. O que se verifica da leitura do Acórdão embargado é que neste não há qualquer contradição, obscuridade ou omissão a serem supridas em relação aos itens (i), (ii), (iii), e (iv) especificados no Relatório. O voto condutor do Acórdão enfrentou todos os pontos trazidos pela embargante. As questões levantadas nos Embargos foram devidamente apreciadas e submetidas à análise do Colegiado, de modo que a decisão foi devidamente motivada. A Embargante busca apenas reabrir a discussão sobre matérias que restou vencida no julgado. Senão vejamos: i. Em relação à suposta ausência de provas da infração, tratase de matéria atinente à valoração da prova feita pelo julgador. Assim, o juízo de valor em relação às provas apresentadas já foi efetuado quando do julgamento pela Turma, não cabendo fazer a sua reapreciação em sede de embargos de declaração; ii. Quanto ao suposto erro na tipificação das condutas ou da incorreta adequação dos fatos à norma, como alega pela Embargada, também foi matéria devidamente apreciada no acórdão recorrido, não cabendo, de igual modo, reapreciála nesta fase processual; iii. Em relação à matéria considerada preclusa pela Turma (“indisponibilidade do sistema Siscomex e em vista da ausência das tentativas de inserção de dados no sistema”), não entendo ter havido omissão no julgado. Compulsandose os autos, verificase que a Embargante faz alusão, genericamente, a indisponibilidades no Siscomex, entretanto, não demonstra e nem apresenta qualquer prova da ocorrência efetiva das indisponibilidades do Siscomex especificamente para as operações em litígio. iv. Quanto ao benefício da denúncia espontânea pleiteado pela Embargante, também não vislumbro qualquer omissão ou contradição no acórdão embargado. Tratase, na verdade, de discussão sobre a interpretação e aplicação da norma ao caso concreto, ou seja, se cabe ou não a aplicação do instituto da denúncia espontânea no caso da penalidade objeto de discussão nestes autos. O Relator do Acórdão entendeu que não caberia, não o aplicando, portanto, não é o caso de omissão ou contradição, e sim, mais uma vez, de discordância com o entendimento adotado pela Turma julgadora. Fl. 178DF CARF MF Impresso em 21/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 23/09/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 21/10/2013 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES 4 Em relação ao item (v) – “falhas no Siscomex”, os embargos devem ser acolhidos. Entretanto, a meu ver, o resultado do julgamento deve ser mantido. Isto porque quanto às alegadas “falhas no Siscomex”, a própria embargante reconhece que restou assentado no acórdão recorrido que “a empresa deveria ter indicado os fatos considerados pela empresa autuada como prejudicial ao cumprimento da sua obrigação”. Portanto, este é o motivo pelo não provimento do recurso: não houve a apresentação de elementos probantes que demonstrassem a relação lógica existente entre as eventuais falhas no Siscomex especificamente em relação às operações objeto do presente litígio. Deveria demonstrar que quando tentou averbar os dados no sistema o mesmo apresentou alguma falha que tenha dado causa ao atraso, e não simplesmente alegar genericamente que o sistema apresenta falhas ocasionais. Aliás, o relator do acórdão embargado, muito embora tenha enunciado que a matéria estaria preclusa (efolha 138), fundamentou seu voto nos seguintes termos: “De outra parte, a alegada existência de falhas do Siscomex não pode ser aceita como prejudicial à obrigação estabelecida no ato normativo em questão, visto que, mesmo existentes, tais falhas ou erros de sistema não resultam em impossibilidade absoluta de cumprimento da referida obrigação. No caso presente, se existente situação concreta que venha a ser considerada pela empresa autuada como prejudicial ao cumprimento de sua obrigação, o remédio cabível é a indicação do fato em todos os seus pormenores por ocasião de sua defesa, de forma a possibilitar o correto exame por parte da autoridade julgadora da ação fiscal, e não a apresentação de citações genéricas e abrangentes que não especifiquem perfeitamente o erro fiscal”. A meu ver, a Embargante não concorda com o entendimento exarado no acórdão. Repitase: não cabem embargos de declaração para expressar discordância com os fundamentos da decisão. Não houve omissão. Há mero inconformismo com o resultado proferido no julgado, uma vez que o votocondutor apenas não adotou as teses defendidas pela Recorrente, pelos fundamentos constantes do próprio voto. Descabe rediscutir a matéria, em sede de embargos declaratórios, a pretexto de que os fundamentos do julgado contêm contradição ou omissão. Dúvidas e contradições são postas pela embargante, sem que estejam contidas no acórdão. Este, como dito, resolveu todos os temas do recurso, descabendo apontar em seus fundamentos, em si completos e consistentes, motivos para reabrir o julgamento. No sistema de livre convencimento motivado, adotado no nosso ordenamento jurídico, permitese que a decisão proferida seja fundamentada com base nos argumentos que o julgador entender cabíveis, o que foi feito no caso concreto. Não houve, por tais razões, contradição ou omissão no Acórdão embargado, o que demonstra a impossibilidade de se reformar essa decisão em sede de embargos de declaração. Em outro giro, registrese que os embargos de declaração não se prestam a mera manifestação de inconformismo com a decisão prolatada ou à rediscussão dos fundamentos do julgado, uma vez que não se trata do remédio processual adequado para reexame da lide. Destarte, não há como ser reapreciada a questão da alegada decadência do direito do Fisco, por meio deste instrumento processual. Neste sentido, pronunciouse o STJ: AgRg no REsp 179411 / SP Data da decisão: 19/06/2012 DJe 27/06/2012 Ementa: Fl. 179DF CARF MF Impresso em 21/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 23/09/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 21/10/2013 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10715.008474/200943 Acórdão n.º 3202000.877 S3C2T2 Fl. 178 5 PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. ART. 535 DO CPC. INEXISTÊNCIA DE VÍCIOS. TENTATIVA DE REDISCUSSÃO DA MATÉRIA DE MÉRITO DECIDIDA. IMPOSSIBILIDADE EM SEDE DE EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. 1. Nos termos do art. 535 do CPC, os embargos de declaração apenas são cabíveis quando constar no julgamento obscuridade ou contradição ou quando o julgador for omisso na análise de algum ponto. Admitese, por construção jurisprudencial, também a interposição de aclaratórios para a correção de erro material. 2. A omissão a ser sanada por meio dos embargos declaratórios é aquela existente em face dos pontos em relação aos quais está o julgador obrigado a responder; enquanto a contradição que deveria ser arguida seria a presente internamente no texto do aresto embargado, e não entre este e o acórdão recorrido. Já a obscuridade passível de correção é a que se detecta no texto do decisum, referente à falta de clareza, o que não se constata na espécie.(EDcl no AgRg no REsp 1.222.863/PE, Rel. Ministro Castro Meira, Segunda Turma, DJe 13/6/2011) 3. Embargos manejados com nítido caráter infringente, onde se objetiva rediscutir a causa já devidamente decidida. 4. Embargos de declaração rejeitados. (grifamos) Com essas considerações, encaminho meu voto no sentido de rejeitar os Embargos de Declaração opostos pela interessada em relação aos itens (i), (ii), (iii), e (iv) especificados no Relatório e acolher os embargos de declaração apenas em relação ao item (v) tão somente para complementálo, eliminando a contradição e ratificando o Acórdão embargado no sentido de negar provimento. É assim que voto. Luís Eduardo Garrossino Barbieri Fl. 180DF CARF MF Impresso em 21/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 23/09/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 21/10/2013 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES
score : 1.0
Numero do processo: 10183.003824/2006-98
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Aug 06 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Sep 09 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2002
NORMAS PROCEDIMENTAIS/REGIMENTAIS. RECURSO ESPECIAL. ACÓRDÃO PARADIGMA CONTEMPLANDO FATOS DIVERSOS DO QUE TRATA O DECISUM RECORRIDO. NÃO CONHECIMENTO.
Com arrimo no artigo 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/2009, somente deverá ser conhecido o Recurso Especial, escorado naquele dispositivo regimental, quando devidamente comprovada a divergência arguida entre o Acórdão recorrido e o paradigma, a partir da demonstração fundamentada, acompanhada da cópia da publicação da ementa do Acórdão paradigma ou do seu inteiro teor, impondo, ainda, a comprovação do pré-questionamento a respeito do tema. Não se presta à comprovação/caracterização da divergência de teses pretendida o Acórdão paradigma que analisa fatos diversos daqueles adotados no decisório combatido, na esteira dos preceitos contidos no § 6o do dispositivo regimental supra.
Recurso especial não conhecido.
Numero da decisão: 9202-002.770
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso.
(Assinado digitalmente)
Otacílio Dantas Cartaxo - Presidente
(Assinado digitalmente)
Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira Relator
EDITADO EM: 14/08/2013
Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Gonçalo Bonet Allage, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka (suplente convocado), Marcelo Oliveira, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Manoel Coelho Arruda Junior e Susy Gomes Hoffmann.
Matéria: ITR - ação fiscal (AF) - valoração da terra nua
Nome do relator: RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA
1.0 = *:*
toggle all fields
materia_s : ITR - ação fiscal (AF) - valoração da terra nua
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201308
camara_s : 2ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Exercício: 2002 NORMAS PROCEDIMENTAIS/REGIMENTAIS. RECURSO ESPECIAL. ACÓRDÃO PARADIGMA CONTEMPLANDO FATOS DIVERSOS DO QUE TRATA O DECISUM RECORRIDO. NÃO CONHECIMENTO. Com arrimo no artigo 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/2009, somente deverá ser conhecido o Recurso Especial, escorado naquele dispositivo regimental, quando devidamente comprovada a divergência arguida entre o Acórdão recorrido e o paradigma, a partir da demonstração fundamentada, acompanhada da cópia da publicação da ementa do Acórdão paradigma ou do seu inteiro teor, impondo, ainda, a comprovação do pré-questionamento a respeito do tema. Não se presta à comprovação/caracterização da divergência de teses pretendida o Acórdão paradigma que analisa fatos diversos daqueles adotados no decisório combatido, na esteira dos preceitos contidos no § 6o do dispositivo regimental supra. Recurso especial não conhecido.
turma_s : 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Mon Sep 09 00:00:00 UTC 2013
numero_processo_s : 10183.003824/2006-98
anomes_publicacao_s : 201309
conteudo_id_s : 5289496
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Sep 10 00:00:00 UTC 2013
numero_decisao_s : 9202-002.770
nome_arquivo_s : Decisao_10183003824200698.PDF
ano_publicacao_s : 2013
nome_relator_s : RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA
nome_arquivo_pdf_s : 10183003824200698_5289496.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso. (Assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo - Presidente (Assinado digitalmente) Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira Relator EDITADO EM: 14/08/2013 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Gonçalo Bonet Allage, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka (suplente convocado), Marcelo Oliveira, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Manoel Coelho Arruda Junior e Susy Gomes Hoffmann.
dt_sessao_tdt : Tue Aug 06 00:00:00 UTC 2013
id : 5053161
ano_sessao_s : 2013
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:13:28 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046175136874496
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1982; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT2 Fl. 327 1 326 CSRFT2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10183.003824/200698 Recurso nº Especial do Procurador Acórdão nº 9202002.770 – 2ª Turma Sessão de 06 de agosto de 2013 Matéria ITR SIPT ARBITRAMENTO Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado ARROSSENSAL AGROPECUÁRIA E INDUSTRIA S/A ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2002 NORMAS PROCEDIMENTAIS/REGIMENTAIS. RECURSO ESPECIAL. ACÓRDÃO PARADIGMA CONTEMPLANDO FATOS DIVERSOS DO QUE TRATA O DECISUM RECORRIDO. NÃO CONHECIMENTO. Com arrimo no artigo 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/2009, somente deverá ser conhecido o Recurso Especial, escorado naquele dispositivo regimental, quando devidamente comprovada a divergência arguida entre o Acórdão recorrido e o paradigma, a partir da demonstração fundamentada, acompanhada da cópia da publicação da ementa do Acórdão paradigma ou do seu inteiro teor, impondo, ainda, a comprovação do pré questionamento a respeito do tema. Não se presta à comprovação/caracterização da divergência de teses pretendida o Acórdão paradigma que analisa fatos diversos daqueles adotados no decisório combatido, na esteira dos preceitos contidos no § 6o do dispositivo regimental supra. Recurso especial não conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 18 3. 00 38 24 /2 00 6- 98 Fl. 1DF CARF MF Impresso em 10/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 05/09/2 013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 15/08/2013 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA 2 (Assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo Presidente (Assinado digitalmente) Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira – Relator EDITADO EM: 14/08/2013 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Gonçalo Bonet Allage, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka (suplente convocado), Marcelo Oliveira, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Manoel Coelho Arruda Junior e Susy Gomes Hoffmann. Relatório ARROSSENSAL AGROPECUÁRIA E INDUSTRIA S/A, contribuinte, pessoa jurídica de direito privado, já devidamente qualificada nos autos do processo administrativo em epígrafe, teve contra si lavrado Auto de Infração, em 30/10/2006 (AR fl. 85), exigindolhe crédito tributário concernente ao Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR, em relação ao exercício de 2002, incidente sobre o imóvel rural denominado “Fazenda São João”, localizado no município de Poconé/MT, inscrita na RFB sob nº 1932519 3, conforme peça inaugural do feito, às fls. 01/09, e demais documentos que instruem o processo. Após regular processamento, interposto recurso voluntário à Segunda Seção de Julgamento do CARF contra Decisão da 1a Turma da DRJ em Campo Grande/MS, Acórdão nº 0411.817/2007, às fls. 123/130, que julgou procedente o lançamento fiscal em referência, a Egrégia 1ª Turma Ordinária da 2a Câmara, em 09/02/2011, por maioria de votos, achou por bem DAR PROVIMENTO AO RECURSO VOLUNTÁRIO DA CONTRIBUINTE, o fazendo sob a égide dos fundamentos inseridos no Acórdão nº 220100.962, sintetizados na seguinte ementa: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL – ITR Exercício: 2002 ITR. AREAS DE UTILIZAÇÃO LIMITADA/RESERVA LEGAL ERRO DE FATO. No caso de evidente erro de fato no preenchimento do ADA, comprovado com documentais hábeis, cabe A. autoridade administrativa rever o lançamento para adequálo A realidade fática do imóvel. VALOR DA TERRA NUA. ARBITRAMENTO. 0 VTN médio extraído do SIPT, obtido com base nos valores informados na Fl. 2DF CARF MF Impresso em 10/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 05/09/2 013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 15/08/2013 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 10183.003824/200698 Acórdão n.º 9202002.770 CSRFT2 Fl. 328 3 DITR, não pode ser utilizado para fins de arbitramento, pois notoriamente não atende ao critério da capacidade potencial da terra. 0 arbitramento deve ser efetuado com base nos valores fornecidos pelas Secretarias Estaduais ou Municipais e nas informações disponíveis nos autos em relação aos tipos de terra que compõem o imóvel.” Irresignada, a Procuradoria da Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial, às fls. 201/206, com arrimo nos artigos 64, inciso II, e 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, procurando demonstrar a insubsistência do Acórdão recorrido, desenvolvendo em síntese as seguintes razões: Após breve relato das fases ocorridas no decorrer do processo administrativo fiscal, insurgese contra o Acórdão atacado, por entender ter contrariado entendimento levado a efeito por outras Câmaras do Conselho a respeito da mesma matéria, conforme se extrai do Acórdão nº 210200.609, impondo seja conhecido o recurso especial da recorrente, porquanto comprovada a divergência arguida. Sustenta que o entendimento inscrito no Acórdão encimado, ora adotado como paradigma, diverge do decisum guerreado, uma vez admitir como base do arbitramento do VTN inscrito no SIPT a aptidão agrícola da terra, ao contrário do que restou decidido pela Turma recorrida, a qual firmou entendimento no sentido de que o VTN médio estabelecido no SIPT não pode levar em consideração valores informados em DITR. Em defesa de sua pretensão, assevera que o arbitramento do VTN com base no SIPT encontra lastro no artigo 14 da Lei n° 9.393/96, c/c a Portaria SRF n° 447/2002, possibilitando expressamente, esta última, a adoção dos valores da terra nua constantes da base de declarações do ITR, corroborando, assim, o procedimento eleito pela autoridade lançadora. Traz à colação Nota COSIT/COTIR n° 330/2002, em consonância com a tese encimada. Por fim, requer o conhecimento e provimento do Recurso Especial, impondo a reforma do decisum ora atacado, nos termos encimados. Submetido a exame de admissibilidade, o ilustre Presidente da 2ª Câmara da 2a SJ do CARF, entendeu por bem admitir o Recurso Especial da Fazenda Nacional, sob o argumento de que a recorrente logrou comprovar que o Acórdão guerreado divergiu de outras decisões exaradas pelas demais Câmaras dos Conselhos de Contribuintes/CARF a propósito da mesma matéria, conforme Despacho n° 220000.461/2011, às fls. 215/220. Instada a se manifestar a propósito do Recurso Especial da Fazenda Nacional, a contribuinte apresentou suas contrarrazões, às fls. 227/234, corroborando os fundamentos de fato e de direito do Acórdão recorrido, em defesa de sua manutenção. É o Relatório. Fl. 3DF CARF MF Impresso em 10/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 05/09/2 013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 15/08/2013 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA 4 Voto Conselheiro Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Relator Com a devida vênia ao ilustre Presidente da 2a Câmara da 2ª Seção de Julgamento do CARF, ouso divergir do despacho que deu seguimento ao Recurso Especial da Procuradoria, por não vislumbrar na hipótese vertente requisito regimental amparando a pretensão da recorrente, não merecendo ser conhecida sua peça recursal, como passaremos a demonstrar. Conforme se depreende da análise do Recurso Especial, pretende a recorrente a reforma do Acórdão em vergasta, alegando, em síntese, que as razões de decidir ali esposadas contrariaram a jurisprudência administrativa traduzida no decisum paradigma trazido à colação (Acórdão n° nº 210200.609), bem como a legislação de regência, uma vez admitir como base do arbitramento do VTN inscrito no SIPT a aptidão agrícola da terra, ao contrário do que restou decidido pela Turma recorrida, a qual firmou entendimento no sentido de que o VTN médio estabelecido no SIPT não pode levar em consideração valores informados em DITR. Em defesa de sua pretensão, assevera que o arbitramento do VTN com base no SIPT encontra lastro no artigo 14 da Lei n° 9.393/96, c/c a Portaria SRF n° 447/2002, possibilitando expressamente, esta última, a adoção dos valores da terra nua constantes da base de declarações do ITR, corroborando, assim, o procedimento eleito pela autoridade lançadora. Traz à colação Nota COSIT/COTIR n° 330/2002, em consonância com a tese encimada. Como se observa, resumidamente, o cerne da questão posta nos autos é a discussão a propósito das bases que devem/podem alimentar o Sistema de Preços de Terras – SIPT, para feito do arbitramento do Valor da Terra Nua de cada Região, o que passaremos a analisar. Não obstante o esforço da recorrente, corroborado quanto ao conhecimento pelo nobre Presidente subscritor do Despacho que deu seguimento ao especial, seu inconformismo, contudo, não tem o condão de prosperar. Da análise dos elementos que instruem o processo, constatase que a Procuradoria não logrou comprovar a divergência entre teses arguida, na forma que os dispositivos regimentais exigem, in verbis: “Art. 67. Compete à CSRF, por suas turmas, julgar recurso especial interposto contra decisão que der à lei tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria CSRF. § 1º Para efeito da aplicação do caput, entendese como outra câmara ou turma as que integraram a estrutura dos Conselhos de Contribuintes, bem como as que integrem ou vierem a integrar a estrutura do CARF. § 2º Não cabe recurso especial de decisão de qualquer das turmas que aplique súmula de jurisprudência dos Conselhos de Contribuintes, da Câmara Superior de Recursos Fiscais ou do CARF, ou que, na apreciação de matéria preliminar, decida pela anulação da decisão de primeira instância. Fl. 4DF CARF MF Impresso em 10/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 05/09/2 013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 15/08/2013 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 10183.003824/200698 Acórdão n.º 9202002.770 CSRFT2 Fl. 329 5 § 3º O recurso especial interposto pelo contribuinte somente terá seguimento quanto à matéria prequestionada, cabendo sua demonstração, com precisa indicação, nas peças processuais. § 4º Na hipótese de que trata o caput, o recurso deverá demonstrar a divergência arguida indicando até duas decisões divergentes por matéria. § 5º Na hipótese de apresentação de mais de dois paradigmas, caso o recorrente não indique a prioridade de análise, apenas os dois primeiros citados no recurso serão analisados para fins de verificação da divergência. § 6º A divergência prevista no caput deverá ser demonstrada analiticamente com a indicação dos pontos nos paradigmas colacionados que divirjam de pontos específicos no acórdão recorrido. § 7º O recurso deverá ser instruído com a cópia do inteiro teor dos acórdãos indicados como paradigmas ou com cópia da publicação em que tenha sido divulgado ou, ainda, com a apresentação de cópia de publicação de até 2 (duas) ementas. § 8º Quando a cópia do inteiro teor do acórdão ou da ementa for extraída da Internet deve ser impressa diretamente do sítio do CARF ou da Imprensa Oficial. § 9º As ementas referidas no § 7º poderão, alternativamente, ser reproduzidas no corpo do recurso, desde que na sua integralidade e com identificação da fonte de onde foram copiadas. § 10. O acórdão cuja tese, na data de interposição do recurso, já tiver sido superada pela CSRF, não servirá de paradigma, independentemente da reforma específica do paradigma indicado.” Como se verifica, a Procuradoria ao formular o Recurso Especial utilizou como fundamento à sua empreitada os dispositivos encimados, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/2009, sem conquanto observar os requisitos ali insculpidos, especialmente aqueles constantes do § 6o, capaz de ensejar o conhecimento de sua peça recursal. Com efeito, perfunctória leitura do especial da Procuradoria, conjugada com os Acórdãos confrontados, é capaz de demonstrar que os pressupostos para conhecimento de seu recurso, insculpidos nas normas supratranscritas, não foram observados. Isto porque a situação contemplada pelo Acórdão recorrido não encontra consonância com a hipótese tratada no decisório paradigma, de maneira a demonstrar a divergência de teses pretendida, partindo de uma mesma situação fática. Destarte, no caso vertente, a ilustre autoridade lançadora entendeu por bem promover o lançamento adotando como lastro informações do SIPT, que fora alimentado exclusivamente com a média de VTN’s declarados por outros contribuintes em suas DITR’s, consoante se infere do resultado da diligência determinada pela então 3a Câmara do 3o Fl. 5DF CARF MF Impresso em 10/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 05/09/2 013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 15/08/2013 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA 6 Conselho, consubstanciada na Informação Fiscal, às fls. 182/184, uma vez que a Secretaria de Desenvolvimento Rural do Estado de Mato Grosso, através do OF/SEDER/GS/441/2005, de 21/07/2005, às fls. 105 e 106, informou que não teria condições de fornecer os valores de terra nua. Neste sentido, toda discussão travada nos autos do processo se fixou a determinar qual seria o VTN a ser admitido para efeito do cálculo do imposto devido, se aquele constante da DITR da autuada, lastreado em Laudo de Avaliação, ou arbitrado pela fiscalização com base no SIPT, alimentado pela média dos valores informados em DITR’s de outros contribuintes. Por outro lado, no caso contemplado pelo Acórdão paradigma a fiscalização, ao promover o lançamento, adotou o VTN constante do SIPT, o qual fora alimentado pela Secretaria Estadual de Agricultura, Pecuária e Abastecimento de Minas Gerais, a partir de levantamento dos extensionistas da Emater, na forma que a legislação tributária possibilita. Como se observa, não há se falar em divergência entre teses, eis que no Acórdão recorrido à discussão centrase na possibilidade de alimentação do SIPT com dados informados em DITR’s, diante da ausência de informação por parte das Secretarias de Estado. Em outra via, no decisum paradigma o SIPT adotado no lançamento fora alimentado exatamente com dados fornecidos pela Secretaria de Agricultura do Estado de Minas Gerais. Ou seja, inexiste qualquer identidade fática nos julgados sob análise, tendente a amparar a divergência suscitada pela nobre Procuradoria da Fazenda Nacional. Na esteira desse entendimento, não se pode cogitar em dissídio jurisprudencial na hipótese dos dois julgados confrontados analisarem fatos absolutamente distintos, inclusive, com resultados, igualmente, diversos. Nesse sentido, com a devida vênia ao ilustre Presidente subscritor do r. Despacho que deu seguimento ao Recurso Especial da Procuradoria, não entendemos ser possível (regimentalmente) admitir aludida peça recursal quando não estiverem presentes os requisitos regimentais para tanto, os quais não podem ser afastados, sob pena de se estabelecer uma análise de admissibilidade pautada em subjetividade. Assim, escorreito o Acórdão recorrido devendo ser mantido o provimento ao recurso voluntário da contribuinte, na forma decidida pela 1ª Turma Ordinária da 2a Câmara da 2a SJ do CARF, uma vez que a recorrente não logrou infirmar os elementos que serviram de base ao decisório atacado, mormente em relação os requisitos de admissibilidade de seu recurso. Por todo o exposto, estando o Recurso Especial da Procuradoria em dissonância com as normas regimentais, VOTO NO SENTIDO DE NÃO CONHECÊLO, pelas razões de fato e de direito acima esposadas. (Assinado digitalmente) Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira Fl. 6DF CARF MF Impresso em 10/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 05/09/2 013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 15/08/2013 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 10183.003824/200698 Acórdão n.º 9202002.770 CSRFT2 Fl. 330 7 Fl. 7DF CARF MF Impresso em 10/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 05/09/2 013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 15/08/2013 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 10875.905322/2009-58
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 24 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Oct 08 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 3801-000.532
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcos Antonio Borges - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Jacques Mauricio Ferreira Veloso De Melo, Neudson Cavalcante Albuquerque, Marcos Antonio Borges, Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Flávio De Castro Pontes (Presidente).
Nome do relator: MARCOS ANTONIO BORGES
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201309
turma_s : Primeira Turma Especial da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Oct 08 00:00:00 UTC 2013
numero_processo_s : 10875.905322/2009-58
anomes_publicacao_s : 201310
conteudo_id_s : 5296947
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Oct 08 00:00:00 UTC 2013
numero_decisao_s : 3801-000.532
nome_arquivo_s : Decisao_10875905322200958.PDF
ano_publicacao_s : 2013
nome_relator_s : MARCOS ANTONIO BORGES
nome_arquivo_pdf_s : 10875905322200958_5296947.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes - Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Jacques Mauricio Ferreira Veloso De Melo, Neudson Cavalcante Albuquerque, Marcos Antonio Borges, Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Flávio De Castro Pontes (Presidente).
dt_sessao_tdt : Tue Sep 24 00:00:00 UTC 2013
id : 5103695
ano_sessao_s : 2013
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:14:24 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046175140020224
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1408; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE01 Fl. 1.697 1 1.696 S3TE01 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10875.905322/200958 Recurso nº Voluntário Resolução nº 3801000.532 – 1ª Turma Especial Data 24 de setembro de 2013 Assunto Solicitação de Diligência Recorrente TRELLEBORG AUTOMOTIVE DO BRASIL INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE AUTOPEÇAS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Jacques Mauricio Ferreira Veloso De Melo, Neudson Cavalcante Albuquerque, Marcos Antonio Borges, Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Flávio De Castro Pontes (Presidente). RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 75 .9 05 32 2/ 20 09 -5 8 Fl. 1697DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 07/10/201 3 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 03/10/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES Processo nº 10875.905322/200958 Resolução nº 3801000.532 S3TE01 Fl. 1.698 2 Relatório Tratase de Declaração de Compensação (DCOMP) com aproveitamento de suposto pagamento a maior a título de COFINS. A Delegacia da Receita Federal de origem emitiu Despacho Decisório Eletrônico de não homologação da compensação (fl. 32), tendo em vista que o pagamento apontado como origem do direito creditório estaria integralmente utilizado na quitação de débito da contribuinte, não restando crédito disponível para a compensação dos débitos informados no PERDCOMP. Inconformada com o despacho decisório, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, na qual alega, em síntese: · O Despacho Decisório deve ser declarado nulo, uma vez que não cumpre os requisitos essenciais de validade do ato administrativo, qual seja, a motivação; · A REQUERENTE informou em seu Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais (DACON), que teria apurado COFINS a recolher no valor de R$ 395.669,47, para o mês de Jan/2006, recolhendo o DARF no mesmo valor, conforme cópia anexa (doc.04); · A REQUERENTE encontrou equívocos em sua contabilidade e chegou a conclusão que o valor da COFINS a pagar era, na verdade, de R$ 326.905,99, conforme DACON entregue em 05/10/2006 e se tornou detentora de crédito no valor de R$ 68.763,48, decorrente da diferença entre o valor apurado inicialmente e o valor retificado, parte do qual foi utilizado para a compensação em debate nesses autos; · Requer a realização de diligencia, afim de comprovar os fatos acima descritos, o acolhimento da presente e a reforma do r. despacho decisório. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campinas (SP), às fls. 85/93, julgou improcedente a manifestação de inconformidade, conforme ementa abaixo: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2006 a 31/01/2006 DIREITOS CREDITÓRIOS PLEITEADOS VIA DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. Nos termos do artigo 170 do Código Tributário Nacional, essencial a comprovação da liquidez e certeza dos créditos para a efetivação do encontro de contas. Fl. 1698DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 07/10/201 3 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 03/10/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES Processo nº 10875.905322/200958 Resolução nº 3801000.532 S3TE01 Fl. 1.699 3 DCTF e DCOMP CONFISSÃO DE DÍVIDA. DACON. NATUREZA JURÍDICA. Considerase confissão de divida os débitos declarados em DCTF, motivo pelo qual qualquer alegação de erro nos valores nela declarados deve vir acompanhada de declaração retificadora munida de documentos hábeis e suficientes para justificar as alterações realizadas no cálculo dos tributos devidos. 0 Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais DACON por si não configura documento suficiente a comprovar qualquer erro nas informações prestadas na DCTF. DCOMP. CRÉDITO INTEGRALMENTE ALOCADO. PROVA. Correto o despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte por inexistência de direito creditório, quando o recolhimento alegado como origem do crédito estiver integralmente alocado na quitação de débitos confessados. 0 reconhecimento do direito creditório aproveitado em DCOMP não homologada requer a prova de sua existência e montante. Faltando ao conjunto probatório carreado aos autos elementos que permitam a verificação da existência de pagamento indevido ou a maior frente à legislação tributária, o direito creditório não pode ser admitido. Inconformada, a contribuinte recorre a este Conselho, conforme recurso de fls. 97 a 117, no qual repisa as alegações apresentadas em sua Manifestação de Inconformidade, acrescentando que o pagamento indevido se deu por ter deixado de considerar em sua apuração o crédito da contribuição para a COFINS que foi retida na fonte em decorrência de operações realizadas com montadoras de veículos automotores, tecendo ainda considerações sobre a verdade material e colacionando precedentes. Também traz aos autos demonstrativo de apuração das bases de cálculo das contribuições a serem compensadas, cópia do livro de apuração do IPI que reflete o faturamento e cópia de parte do Livro Razão que reflete os lançamentos contábeis relativos à apropriação indevida. É o relatório. Fl. 1699DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 07/10/201 3 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 03/10/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES Processo nº 10875.905322/200958 Resolução nº 3801000.532 S3TE01 Fl. 1.700 4 Voto Conselheiro Marcos Antonio Borges. O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, portanto dele tomase conhecimento. A recorrente tem por objeto social a industrialização, comercialização,, importação, exportação e representação de. produtos e componentes para veículos, bem como à prestação de serviços correlatos, conforme consta de seu Contrato Social. A recorrente sustenta que o seu direito creditório decorre da apuração da COFINS, referente ao mês de janeiro/2006, que teria sido paga a maior. Alega ainda que a apuração correta referente à esse débito estaria refletida na DACON entregue em 05/10/2006, conforme cópia às fls. 42/68. Conforme Despacho Decisório de fls. 32 a compensação declarada foi não homologada sob a seguinte fundamentação: A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP O direito creditório não existiria, segundo despacho decisório inicial e o acórdão de primeira instância, porque os pagamentos constantes do pedido estariam todos vinculados a débitos declarados e não teriam sido demonstradas a liquidez e a certeza dos indébitos. Posteriormente, em sede de recurso voluntário, alegou que esse pagamento indevido se deu por ter deixado de considerar em sua apuração o crédito da contribuição para a COFINS que foi retida na fonte em decorrência de operações realizadas com montadoras de veículos automotores e anexou nova documentação que, à princípio, embasaria seu direito, às fls. 127/1693. Segundo alega a recorrente, foi apurado um débito de COFINS, período de apuração de janeiro/2006, no montante de R$ 395.669,47, recolhido em 15/02/2006, conforme cópia de Comprovante de Arrecadação à fl. 39. No entanto, o valor apurado na DACON referente à COFINS nesse mesmo período foi no montante de R$ 326.905,99, conforme Ficha 25B às fls. 64. Em confronto com o valor recolhido daria ensejo a um pagamento a maior de PIS no montante de R$ 68.763,48. Este foi o valor do crédito informado no PERDCOMP e parcialmente utilizado para compensação com débito de COFINS, às fls 70/75. Essa diferença apurada seria decorrente de valores a serem deduzidos a titulo de COFINS Retida na Fonte por Fabricantes de Veículos e Maquinas (Lei n.° 10.485/2002, artigo 3°, §3º), o que daria origem ao direito creditório pleiteado, uma vez que não foram inicialmente deduzidos, o que, a princípio, é corroborado pela documentação colacionada. Vejamos a legislação que trata do assunto. Fl. 1700DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 07/10/201 3 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 03/10/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES Processo nº 10875.905322/200958 Resolução nº 3801000.532 S3TE01 Fl. 1.701 5 O artigo 3°, §3º da Lei n.° 10.485/2002, assim dispõe: Art. 3º As pessoas jurídicas fabricantes e os importadores, relativamente às vendas dos produtos relacionados nos Anexos I e II desta Lei, ficam sujeitos à incidência da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS às alíquotas de: (...) § 3º Estão sujeitos à retenção na fonte da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS os pagamentos referentes à aquisição de autopeças constantes dos Anexos I e II desta Lei, exceto pneumáticos, quando efetuados por pessoa jurídica fabricante: I de peças, componentes ou conjuntos destinados aos produtos relacionados no art. 1º; II de produtos relacionados no art. 1º. § 4º O valor a ser retido na forma do § 3º constitui antecipação das contribuições devidas pelas pessoas jurídicas fornecedoras e será determinado mediante a aplicação, sobre a importância a pagar, do percentual de um décimo por cento para a Contribuição para o PIS/PASEP e cinco décimos por cento para a COFINS. Ou seja, os valores retidos nas hipóteses da retrocitada lei seriam considerados como antecipação do que for devido pelo contribuinte que sofreu a retenção, em relação as respectivas contribuições, podendo ser deduzidos, pelo contribuinte, das contribuições de mesma espécie, devidas relativamente a fatos geradores ocorridos a partir do mês de retenção. É o que dispõe ainda a norma regulamentadora IN SRF n° 594, de 2005: Art. 1 º.. (...) XI autopeças relacionadas nos Anexos I e II da Lei n o 10.485, de 2002, e alterações posteriores. (...) Art. 45. Está sujeito à retenção na fonte da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins o pagamento referente à aquisição das autopeças de que trata o inciso XI do art. 1 ° , quando efetuado por pessoa jurídica fabricante: I de peças, componentes ou conjuntos destinados aos produtos de que trata o inciso IX do art. 1 ° ; e II de produtos de que trata o inciso IX do art. 1 ° (...) Art. 46. Os valores retidos na forma do art. 45 constituem antecipação das contribuições devidas pela pessoa jurídica beneficiária dos pagamentos no encerramento do respectivo período de apuração. Fl. 1701DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 07/10/201 3 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 03/10/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES Processo nº 10875.905322/200958 Resolução nº 3801000.532 S3TE01 Fl. 1.702 6 § 1 ° A pessoa jurídica beneficiária pode deduzir, do valor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins devidas, os valores retidos na forma do art. 45. § 2 ° A dedução de que trata o § 1 ° pode ser efetuada em relação às contribuições decorrentes de fatos geradores ocorridos a partir do mês da retenção. Do exame do despacho decisório que indeferiu a compensação, verificase que essa matéria não foi apreciada. A autoridade fiscal, em síntese, apenas considerou os dados apresentados na DCTF original. Tal fundamentação, por certo, decorre de análise superficial, realizada nos limites de sistema informatizado de informações, no qual não se está analisando efetivamente o mérito da questão, cuja análise somente será viável a partir da manifestação de inconformidade apresentada pelo requerente, na qual, esperase, seja descrita a origem do direito creditório pleiteado e sua fundamentação legal. Apesar das alegações da recorrente e a correspondente documentação comprobatória terem sido apresentadas apenas em sede de Recurso Voluntário, o que, em tese, estaria atingida pela preclusão consumativa, o entendimento predominante deste Colegiado é no sentido da prevalência da verdade material, com respaldo ainda na alínea “c” do § 4º art. 16 do PAF (Decreto nº 70.235/1972), mormente quando a Turma de Julgamento de primeira instância manteve a decisão denegatória da compensação, com base no argumento de que não foram apresentadas as provas adequadas e suficientes à comprovação do crédito compensado, quando tal questão não fora abordada no âmbito do Despacho Decisório guerreado. Desse modo, deve ser considerada como elemento de prova os documentos comprobatórios apresentados, os quais, em tese, ratificam os argumentos apresentados. Em que pese o direito da interessada, do exame dos elementos comprobatórios, constata se que, no caso vertente, os documentos apresentados são insuficientes para se apurar o valor correto da contribuição COFINS referente ao período de apuração em discussão e o conseqüente direito creditório advindo do pagamento a maior. Ante ao exposto, voto no sentido de converter o presente julgamento em diligência para que a Delegacia de origem: · apure o valor devido a título de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, período de apuração de janeiro/2006, com base nos documentos acostados aos autos e na escrituração fiscal e contábil; · cientifique a interessada quanto ao teor dos cálculos para, desejando, manifestarse no prazo de dez dias. É assim que voto. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Fl. 1702DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 07/10/201 3 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 03/10/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES
score : 1.0
Numero do processo: 11080.928325/2009-79
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 25 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Aug 22 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 3403-000.484
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência.
Antonio Carlos Atulim - Presidente.
Rosaldo Trevisan - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da turma), Rosaldo Trevisan (relator), Alexandre Kern, Marcos Tranchesi Ortiz, Ivan Allegretti e Domingos de Sá Filho.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201307
camara_s : Quarta Câmara
turma_s : Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Aug 22 00:00:00 UTC 2013
numero_processo_s : 11080.928325/2009-79
anomes_publicacao_s : 201308
conteudo_id_s : 5285565
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Aug 22 00:00:00 UTC 2013
numero_decisao_s : 3403-000.484
nome_arquivo_s : Decisao_11080928325200979.PDF
ano_publicacao_s : 2013
nome_relator_s : ROSALDO TREVISAN
nome_arquivo_pdf_s : 11080928325200979_5285565.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência. Antonio Carlos Atulim - Presidente. Rosaldo Trevisan - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da turma), Rosaldo Trevisan (relator), Alexandre Kern, Marcos Tranchesi Ortiz, Ivan Allegretti e Domingos de Sá Filho.
dt_sessao_tdt : Thu Jul 25 00:00:00 UTC 2013
id : 5026637
ano_sessao_s : 2013
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:12:51 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046175143165952
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2119; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T3 Fl. 550 1 549 S3C4T3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11080.928325/200979 Recurso nº Voluntário Resolução nº 3403000.484 – 4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária Data 25 de julho de 2013 Assunto CONTRIBUIÇÃO PARA O PISPASEP Recorrente CGTEECIA DE GERACAO TERMICA DE ENERGIA ELETRICA Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência. Antonio Carlos Atulim Presidente. Rosaldo Trevisan Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da turma), Rosaldo Trevisan (relator), Alexandre Kern, Marcos Tranchesi Ortiz, Ivan Allegretti e Domingos de Sá Filho. Relatório Versa o presente sobre pedido de ressarcimento de contribuições (para o PIS/PASEP e COFINS processo no 11080.003212/200969), cumulado com solicitações de compensação (a solicitação de que trata especificamente o presente processo é a DCOMP de final 3344, relativa a crédito de Contribuição para o PIS/PASEP referente a abril de 2003, conforme documentos de fls. 406, e 409 a 4131), por recolhimento a maior em virtude de mudança no regime de tributação da forma cumulativa para a não cumulativa, tendo em vista o permissivo de aplicação do regime cumulativo a receitas de contratos firmados antes de 31/10/2003, com prazo superior a um ano, de construção por empreitada ou de fornecimento, a 1 Todos os números de folhas indicados nesta decisão são baseados na numeração eletrônica da versão digital do processo (eprocessos). RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 10 80 .9 28 32 5/ 20 09 -7 9 Fl. 551DF CARF MF Impresso em 22/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/08/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 12/08/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 09/08/2013 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 11080.928325/200979 Resolução nº 3403000.484 S3C4T3 Fl. 551 2 preço predeterminado, de bens ou serviços (Lei no 10.833/2003, art. 10, XI). Com o advento da Lei no 11.196/2005 e da Instrução Normativa RFB no 658/2006, e com base em orientação da ANEEL, a empresa retificou as DCTF, declarando pela forma cumulativa as referidas contribuições, gerando o crédito em discussão. Narrase na informação fiscal de fls. 395 a 398 que o interessado efetuou consulta (processo no 11080.006335/200951) sobre o tema, obtendo como resposta (Solução de Consulta no 228 SRRF10/Disit, de 14/12/2009) que a situação se enquadrava no disposto na Nota Técnica Cosit no 1, de 16/02/2007, e no Parecer PGFN/CAT no 1.610, de 01/08/2007, que manifestaram entendimento de que os contratos mantidos com as concessionárias de energia elétrica não possuem caráter predeterminado, em virtude de o reajuste de preços se dar com a utilização de IGPM. Em 10/02/2010 foi interposto recurso especial de divergência à Cosit, tendo em vista a existência de Solução de Consulta em sentido diverso. Como o recurso de divergência não possui efeito suspensivo, a empresa foi fiscalizada e autuada em relação ao anocalendário de 2006 (processo no 11080.722655/201096). Narrase ainda ter havido equívoco por parte do contribuinte em interpretar que a Lei no 11.196/2005 retroagiu a dezembro de 2002, quando o art. 93 de tal lei deixa claro que a retroatividade é a fevereiro de 2004. Assim, o despacho decisório de fls. 389 a 394, emitido em 05/11/2010, não reconhece o direito creditório apresentado no pedido de restituição, e não homologa as declarações de compensação efetuadas com base em tal direito creditório. Em sua manifestação de inconformidade (fls. 3 a 65), a empresa esclarece inicialmente que o despacho decisório analisou conjuntamente (nos autos do processo no 11080.003212/200969) diversos processos de compensação da empresa, entre os quais o presente. Preliminarmente, sustenta a nulidade do despacho decisório, por carência de motivação e análise detalhada das compensações solicitadas. No mérito, argumenta que se aplica à empresa o disposto no art. 10, XI da Lei no 10.833/2003, especificamente em relação a contratos de fornecimento de energia elétrica e prestação de serviços conexos, celebrados anteriormente a 31/10/2003, com prazo superior a um ano, e a preços predeterminados (há três contratos celebrados em 1997, com vigência de 15 anos, e com preço predeterminado que inclui reajuste automático pelo poder concedente, havendo cláusula alterada em 2001 para estabelecer que o reajuste seria calculado de acordo com o IGPM, não afetando o preço inicialmente acordado, mas tãosomente preservando o equilíbrio contratual). As cláusulas remuneratórias dos contratos são reproduzidas na peça de defesa, sendo que a ANEEL, autoridade competente sobre a matéria, atestou que o preço é predeterminado, e que o índice de reajuste (IGPM) reflete o reajuste dos preços em função do custo da produção. Não obstante devesse recolher pelo regime cumulativo, a empresa continuou a recolher as contribuições na sistemática da não cumulatividade de dezembro de 2002 a fevereiro de 2006. Com o advento da Instrução Normativa SRF no 468/2004 (posteriormente revogada pela Instrução Normativa RFB no 658/2006, sendo que ambas criam restrições não impostas pela Lei, destoando da aceitação de reajuste reconhecida pela Instrução Normativa SRF no 21/1979), da Lei no 11.196/2005, e com a edição da Nota Técnica ANEEL no 224/2006 (endossada pelo Ofício no 1.431/2006), reforçouse o entendimento de que as receitas decorrentes dos contratos deveriam ser tributadas pela sistemática cumulativa, o que justificou os pedidos de ressarcimento/compensação. Por fim, sustenta que o comando do art. 15, V (e por consequência, a exceção estabelecida no art.10, XI) da Lei no 10.833/2003 é aplicável à contribuição para o PIS/PASEP, seja pela redação de tais dispositivos, seja em homenagem à coerência do sistema, e que a afirmação pela inexistência de direito creditório para meses de janeiro e fevereiro de 2006 é prematura, tendo em vista que ainda não foi objeto de julgamento a autuação a que se refere o processo no 11080.722655/201096. Fl. 552DF CARF MF Impresso em 22/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/08/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 12/08/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 09/08/2013 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 11080.928325/200979 Resolução nº 3403000.484 S3C4T3 Fl. 552 3 Em 05/07/2012 ocorre o julgamento de primeira instância (fls. 419 a 433), no qual se acorda unanimemente que o procedimento fiscal não é nulo, e que é improcedente a manifestação de inconformidade, por não ser o IGPM um índice que obedeça ao disposto no art. 109 da Lei no 11.196/2005 (o IGPM é um índice geral, e não um índice específico para determinada categoria de produtos), e por ser possível a manutenção da cumulatividade para a Contribuição para o PIS/PASEP a receitas oriundas de contratos a preço determinado, celebrados anteriormente a 31/10/2003, apenas a partir de 01/02/2004. Cientificada da decisão de piso em 20/07/2012 (AR à fl. 437), a empresa apresenta recurso voluntário em 20/08/2012 (fls. 439 a 491), no qual reitera a argumentação exposta na manifestação de inconformidade, e agrega que a definição do que seria o “preço predeterminado” a que se refere a lei não incumbe à RFB, tendo em conta o princípio da legalidade para instituição ou majoração de tributos, e que o comando do art. 92 da Lei no 10.833/2003 não autoriza que a norma infralegal altere o fato gerador da obrigação tributária, e se o fizesse seria inconstitucional. Afirma ainda que caso a RFB desejasse aplicar à lei um conceito de “preço predeterminado”, este já existia, dado pela Instrução Normativa SRF no 21/1979, no sentido de contemplar os reajustes. Sustenta derradeiramente que “preço predeterminado”, conforme interpretação sistemática do direito civil, é aquele em que “as partes contratantes têm conhecimento objetivo e real do preço acordado no exato instante em que celebrado o negócio jurídico, ainda que este preço esteja sujeito a eventuais ajustes futuros”, e, sendo o IGPM um índice de recomposição de preço, inclusive regulamentado pelo órgão regulador (ANEEL), não há descaracterização da predeterminação do preço, sendo nesse sentido a jurisprudência dominante. Pedese ainda que o julgamento do presente processo seja conjunto com o do processo no 11080.003212/200969, por serem os feitos intrinsecamente relacionados, tendo por base os mesmos fatos e as mesmas razões jurídicas. É o relatório. Voto O recurso preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele se toma conhecimento. Conforme narra a recorrente, o despacho decisório que dá origem à discussão aqui travada toma em consideração, conjuntamente, nos autos do processo no 11080.003212/200969 (processo principal), diversos processos de compensação da empresa, entre os quais o presente. Por isso o pedido ao final do recurso voluntário, para que o presente processo seja apreciado em conjunto com o de no 11080.003212/200969. Realmente, observandose o despacho decisório, percebese que foi emitido em relação ao processo indicado como principal (referente ao pedido de restituição de no 11080.003212/200969), informandose como processos apensados os relacionados na coluna “proc. no da planilha do Anexo 03”. Em tal Anexo constam , v.g., os processos no 11080.928325/200979 (que é o presente processo); no 11080.928321/200991, no 11080.928322/200935, no 11080.928323/200980, no 11080.928324/200924, no 11080.928326/200913, no Fl. 553DF CARF MF Impresso em 22/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/08/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 12/08/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 09/08/2013 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 11080.928325/200979 Resolução nº 3403000.484 S3C4T3 Fl. 553 4 11080.928327/200968, no 11080.900179/201051 e no 11080.907305/201006 (todos estes a mim distribuídos em sorteio realizado durante sessão de março de 2013); e ainda outros processos já distribuídos a outros conselheiros (como os de no 11080.935242 a 247..., distribuídos ao Cons. Solon Sehn, da 2a TE da 2a Câmara desta 3a Seção2) ou não distribuídos. Acrescentese que o Auto de Infração referido na informação fiscal que ampara o despacho decisório, em relação ao anocalendário de 2006 (processo no 11080.722655/2010 96), encontrase distribuído ao Cons. Luís Marcelo Guerra de Castro, da 2a TO da 1a Câmara desta 3a Seção3. Contudo, inexiste vinculação entre tal processo e o presente, visto que não se trata aqui das compensações referentes aos meses de janeiro e fevereiro de 2006 (a discussão referente a tais períodos é travada somente nos processos no 11080.003212/200969, no 11080.928336/200959 e no 11080.934541/200953). A lista integral de processos abarcados pelo teor do despacho decisório encontrase no referido Anexo III, às fls. 405 a 407. Como todos estes processos derivam de uma mesma manifestação fiscal, em um mesmo processo principal, de no 11080.003212/200969, ainda pendente de distribuição no âmbito desta Terceira Seção4, voto pela baixa em diligência, aguardandose o julgamento do processo principal para apreciação dos recursos voluntários em relação aos demais processos, como o presente. Rosaldo Trevisan 2 Segundo consulta efetuada no "eprocesso" em 19.jul.2013. 3 Segundo consulta efetuada no "eprocesso" em 19.jul.2013. 4 Segundo consulta efetuada no "eprocesso" em 19.jul.2013. Fl. 554DF CARF MF Impresso em 22/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/08/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 12/08/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 09/08/2013 por ROSALDO TREVISAN
score : 1.0
Numero do processo: 10494.001158/2004-88
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Jun 20 00:00:00 UTC 2013
Ementa: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS
Período de apuração: 08/11/1999 a 28/10/2003
CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS. VIGÊNCIAS DAS NORMAS. FATO GERADOR.
Para fins de classificação de mercadorias, é correto o uso das normas vigentes à data do fato gerador e não da lavratura do auto de infração.
CLASSIFICAÇÃO FISCAL DO LAVREX 100
O Ácido dodecilbenzenossulfônico e seus sais se apresentam misturados com outros produtos, como é o caso do LAVREX 100 e 200 são excluídos do Capítulo 29 e classificados no código NCM 3402.11.90, conforme consta no Anexo da IN/SRF n o 99/99.
Recurso Especial do Procurador Provido.
Numero da decisão: 9303-002.319
Decisão: Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em dar provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Ivan Allegretti, que dava provimento em parte para excluir a multa por falta de LI e, ainda, os Conselheiros Maria Teresa Martínez López, Nanci Gama, Rodrigo Cardozo Miranda e Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, que também votaram por excluir a qualificação da multa sobre o tributo.
Nome do relator: Rodrigo da Costa Pôssas
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201306
camara_s : 3ª SEÇÃO
ementa_s : CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Período de apuração: 08/11/1999 a 28/10/2003 CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS. VIGÊNCIAS DAS NORMAS. FATO GERADOR. Para fins de classificação de mercadorias, é correto o uso das normas vigentes à data do fato gerador e não da lavratura do auto de infração. CLASSIFICAÇÃO FISCAL DO LAVREX 100 O Ácido dodecilbenzenossulfônico e seus sais se apresentam misturados com outros produtos, como é o caso do LAVREX 100 e 200 são excluídos do Capítulo 29 e classificados no código NCM 3402.11.90, conforme consta no Anexo da IN/SRF n o 99/99. Recurso Especial do Procurador Provido.
turma_s : 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
numero_processo_s : 10494.001158/2004-88
conteudo_id_s : 5301432
dt_registro_atualizacao_tdt : Sun Jun 07 00:00:00 UTC 2020
numero_decisao_s : 9303-002.319
nome_arquivo_s : Decisao_10494001158200488.pdf
nome_relator_s : Rodrigo da Costa Pôssas
nome_arquivo_pdf_s : 10494001158200488_5301432.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em dar provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Ivan Allegretti, que dava provimento em parte para excluir a multa por falta de LI e, ainda, os Conselheiros Maria Teresa Martínez López, Nanci Gama, Rodrigo Cardozo Miranda e Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, que também votaram por excluir a qualificação da multa sobre o tributo.
dt_sessao_tdt : Thu Jun 20 00:00:00 UTC 2013
id : 5126929
ano_sessao_s : 2013
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:15:00 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046175164137472
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 17; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1966; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT3 Fl. 2.176 1 2.175 CSRFT3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10494.001158/200488 Recurso nº Especial do Procurador Acórdão nº 9303002.319 – 3ª Turma Sessão de 20 de junho de 2013 Matéria CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado Quimicamar Ind. e Com. de Produtos Quimicos Ltda. ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Período de apuração: 08/11/1999 a 28/10/2003 CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS. VIGÊNCIAS DAS NORMAS. FATO GERADOR. Para fins de classificação de mercadorias, é correto o uso das normas vigentes à data do fato gerador e não da lavratura do auto de infração. CLASSIFICAÇÃO FISCAL DO LAVREX 100 O Ácido dodecilbenzenossulfônico e seus sais se apresentam misturados com outros produtos, como é o caso do LAVREX 100 e 200 são excluídos do Capítulo 29 e classificados no código NCM 3402.11.90, conforme consta no Anexo da IN/SRF no 99/99. Recurso Especial do Procurador Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em dar provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Ivan Allegretti, que dava provimento em parte para excluir a multa por falta de LI e, ainda, os Conselheiros Maria Teresa Martínez López, Nanci Gama, Rodrigo Cardozo Miranda e Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, que também votaram por excluir a qualificação da multa sobre o tributo. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente Substituto) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 49 4. 00 11 58 /2 00 4- 88 Fl. 2238DF CARF MF Impresso em 01/10/2013 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 09/09/2 013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SA NTOS 2 (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Maria Teresa Martínez López, Ivan Allegretti (Substituto convocado) e Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente Substituto). Relatório Tratase de recurso especial por maioria e por divergência interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional, contra a decisão da Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes que, por maioria de votos, deu provimento quanto à classificação e a origem do produto Lavrex 100, deu provimento parcial quanto à classificação do produto Rexamida para excluir tão somente a multa por falta de licenciamento, e deu provimento quanto ao subfaturamento. Por unanimidade de votos, deu provimento parcial ao recurso voluntário quanto à multa por falta de GI relativa à inexistência de indicação do destaque 050, mediante o Acórdão n° 30334.801. Foi realizado na empresa identificado em epígrafe o procedimento de fiscalização amparado em Mandato de Procedimento Fiscal (fls.01/03) com objetivo de verificar a regularidade de importações realizadas no período de novembro/99 a maio/04, do que resultou a lavratura dos autos de infração anexos às fls.04/15 e 16/20, para cobrança de Imposto de Importação (I I), IPIvinculado, multas de ofício correspondentes e outras penalidades administrativas específicas, tendo em vista a constatação de declaração inexata para fins de classificação fiscal, para a valoração aduaneira, bem como indevida indicação de destaque para anuência da autoridade aduaneira. Segundo descrito nos autos foram os seguintes os motivos das autuações: 1. Erro de Classificação na NCM dos produtos LAVREX e REXAMIDA (Planilha II, fls.89/91); 2. Importações com utilização indevida do destaque 999, quando deveria ter sido declarado o destaque 050 (Planilha III, fls.92/98, relação das DI’s com destaque 999); 3. Em uma série de DI’s foram declarados (conforme licenciamento obtido), destaques distintos para o mesmo tipo de mercadoria, em algumas “999”, e em outras “050” (Planilha IV, relação das DI’s com o problema especificado, fls.99/101); 4. Algumas DI’s referentes a importação do produto SORBITOL foram registradas com preço subfaturado (Planilha V, relação das DI’s com declaração de preço subfaturado, fls.102/103); Fl. 2239DF CARF MF Impresso em 01/10/2013 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 09/09/2 013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SA NTOS Processo nº 10494.001158/200488 Acórdão n.º 9303002.319 CSRFT3 Fl. 2.177 3 5. Outras importações registradas com subfaturamento nos preços declarados (Planilha VI, fls.104); Efetuados os lançamento e intimada a contribuinte em 13.10.2004, esta apresentou em 12.11.2004 sua tempestiva impugnação, conforme consta às fls.1.819/1.873. A DRJ/Florianópolis, por sua 2ª Turma de Julgamento, decidiu por unanimidade de votos ser procedente em parte o lançamento, reconhecendo como correta a descrição correspondente ao LAVREX, e eximindo o importador da multa de lançamento de ofício neste caso. Porém, quanto ao restante, manteve o lançamento. A fraude por subfaturamento foi minuciosamente descrita pela fiscalização às fls.40/46. Entre outras irregularidades se constatou que nas cotações de preços expostas às fls.1.707/1.708, constavam respectivamente os preços do SORBITOL de US$ 640/tonelada, e de US$ 594/tonelada, enquanto que na confirmação do pedido, às fls.1.764, constava US$ 600,00/tonelada. Entretanto nas cinco DI’s referidas os valores declarados para esse produto ficaram muito abaixo, ou seja, US$ 20,00 e US$ 205,00 (falta a unidade!!!). Revendo o texto transcrito às fls.1.978/1.979 a partir do constante às fls.44/45 destes autos, concluise, pelo conjunto das provas (sic), que houve fraude no preço declarado nas cinco DI’s de fls.07. A fiscalização, então, em face da fraude, procedeu ao arbitramento do VA com base no art.88 da MP 2.15835/2001 (ver texto legal às fls.1.980). Irresignada com a decisão da DRJ, a interessada apresentou tempestivo recurso voluntário nos termos constantes às fls. 1.996/2.049, no qual além de reapresentar as razões aduzidas na fase de impugnação buscou ressaltar aspectos que entende não terem sido considerados na decisão recorrida Em sede recuso voluntário, a recorrente teve o seu recurso provido, nos termos acima mencionados. A PGFN interpôs Recurso Especial, que foi parcialmente admitido e o recorrido apresentou contra razões. É o Relatório. Voto O recurso atende aos pressupostos de admissibilidade e deve ser admitido. Em contra razões a recorrida alega intempestividade do Recurso Especial Interposto pela Fazenda Nacional Fl. 2240DF CARF MF Impresso em 01/10/2013 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 09/09/2 013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SA NTOS 4 O acórdão foi recebido na PGFN no dia 28/03/2008 e a ciência do procurador se deu no dia 29/04/2008. O processo foi restituído em 07/05/2008. Vejamos como a lei processual tributária dispõe sobre os prazos aplicados à Fazenda Nacional: Art. 23. Farseá a intimação: (...) § 7º Os Procuradores da Fazenda Nacional serão intimados pessoalmente das decisões do Conselho de Contribuintes e da Câmara Superior de Recursos Fiscais, do Ministério da Fazenda na sessão das respectivas câmaras subseqüente à formalização do acórdão.(Incluído pela Lei nº 11.457, de 2007) § 8º Se os Procuradores da Fazenda Nacional não tiverem sido intimados pessoalmente em até 40 (quarenta) dias contados da formalização do acórdão do Conselho de Contribuintes ou da Câmara Superior de Recursos Fiscais, do Ministério da Fazenda, os respectivos autos serão remetidos e entregues, mediante protocolo, à Procuradoria da Fazenda Nacional, para fins de intimação.(Incluído pela Lei nº 11.457, de 2007) § 9º Os Procuradores da Fazenda Nacional serão considerados intimados pessoalmente das decisões do Conselho de Contribuintes e da Câmara Superior de Recursos Fiscais, do Ministério da Fazenda, com o término do prazo de 30 (trinta) dias contados da data em que os respectivos autos forem entregues à Procuradoria na forma do § 8o deste artigo. (Incluído pela Lei nº 11.457, de 2007) Podemos concluir que o Recurso especial da PGFN foi interposto pela procuradora no prazo regimental de quinze dias, não havendo que se falar em intempestividade. Rejeito a preliminar. As matérias admitidas pela presidente da Terceira Câmara do terceiro conselho de contribuintes foram: a classificação fiscal do LAVREX e desqualificação do Certificado de Origem; a desqualificação do certificado de origem do Rexamida e o não reconhecimento do subfaturamento do produto Sorbitol. Não foi admitida a matéria do Recurso Especial de Divergência interposto pela PGFN. Em relação à classificação fiscal do LAVREX 100, essa turma tem decidido, por unanimidade de votos, ser correta a classificação atribuida pela fiscalização no código NCM 3402.11.90, conforme consta no Anexo da IN/SRF no 99/99. Na sessão de fevereito do presente ano, esse colegiado teve a oprtunidade de se manisfestar em vários processos da relatoria da Conselheira Nancy Gama, que pela concisão e precisão dos argumentos, adotoo como razão de decidir. Assunto: Classificação Fiscal Fl. 2241DF CARF MF Impresso em 01/10/2013 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 09/09/2 013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SA NTOS Processo nº 10494.001158/200488 Acórdão n.º 9303002.319 CSRFT3 Fl. 2.178 5 Período de Apuração: 21/09/1999 Ementa. RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. CONHECIMENTO. Não é necessário que o contribuinte junte a cópia do inteiro teor ou da ementa ou da publicação do acórdão utilizado como paradigma para fins de admissibilidade de recurso especial de divergência interposto com base no Regimento Interno do CARF aprovado pela Portaria MF nº 256/2009, o qual deve ser conhecido quando o recorrente transcrever integralmente a ementa do acórdão paradigma no corpo do seu recurso, bem como indicar o número do processo, o número do acórdão, a Câmara, a data da sessão de julgamento, o nome do Conselheiro Relator, o tipo de recurso e a matéria. CLASSIFICAÇÃO FISCAL. LAVREX 100. INEXISTÊNCIA DE INTRODUÇÃO DE NOVO CRITÉRIO JURÍDICO PELA DIRETRIZ 03/2003 DO MERCOSUL. O produto denominado “LAVREX 100” deve ser classificado no código NCM 3402.11.90, independentemente de a data do registro da DI ter sido anterior à Diretriz 03/2003 do Mercosul, eis que o mesmo se trata de “mistura de ácidos alquilbenzenossulfônicos”, de composição química não definida, que jamais poderia ter sido enquadrado no código NCM 2904.10.20, o qual se refere a “ácido dodecilbenzenossulfônico biodegradável”, de composição química definida. A Diretriz 03/2003 apenas teve caráter interpretativo para esclarecer que a posição e subposição 3402.11 seria a correta para a mercadoria. Conselheira NANCI GAMA O recurso especial de divergência interposto pelo contribuinte é tempestivo, razão pela qual passo a analisar a sua admissibilidade no que concerne à classificação fiscal do produto LAVREX 100. Semelhante ao presente processo, são os processos administrativos de números 11042.000231/200302, 11042.000313/200349, 11042.000315/200338 e 11042.000316/200382, sobre o mesmo assunto e relativos ao mesmo contribuinte, os quais estão sob minha relatoria. Tanto nos presentes autos como nos autos dos processos administrativos supramencionados, o contribuinte não juntou cópia do acórdão utilizado como paradigma ou da cópia da publicação em que o mesmo tenha sido divulgado, tendo, entretanto, transcrito sua ementa na peça recursal com indicação do número do recurso, Câmara, número do processo, tipo de recurso, matéria, nome do recorrido, data e hora da sessão de julgamento, nome do Relator e número do acórdão. Segundo o artigo 67, §7º, do Regimento Interno do CARF, “o recurso deverá ser instruído com a cópia do inteiro teor dos acórdãos indicados como paradigmas ou com cópia da Fl. 2242DF CARF MF Impresso em 01/10/2013 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 09/09/2 013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SA NTOS 6 publicação em que tenha sido divulgado ou, ainda, com a apresentação de cópia de publicação de até 2 (duas) ementas”. Para relativizar referida exigência, o §9º desse mesmo artigo, prevê que “as ementas referidas no § 7º poderão, alternativamente, ser reproduzidas no corpo do recurso, desde que na sua integralidade e com identificação da fonte de onde foram copiadas”. Nos presentes autos, o contribuinte não menciona expressamente a fonte de onde a ementa foi copiada (qual o link do site da internet, de qual periódico foi extraído, etc.), entretanto, o mesmo identifica todas as características do acórdão paradigma, sendo plenamente possível localizálo no site do CARF. Dessa forma, entendo terem sido preenchidos todos requisitos de admissibilidade, bem como ter sido devidamente configurada a divergência, razão pela qual conheço do recurso especial interposto pelo contribuinte. A controvérsia consiste em analisar se o produto LAVREX 100 deveria ter sido classificado, à época do registro da DI, ou seja, em 21/09/1999, no código NCM 2904.10.20, como fez o contribuinte, ou no código NCM 3402.11.90, como aduz a fiscalização. A relevância se dá em razão do período em que foi realizada a importação pelo contribuinte, ou seja, em época anterior à Diretriz Mercosul nº 03/2003, a qual teria estabelecido definitivamente que o produto LAVREX 100 consistiria em uma “mistura de ácidos alquilbenzenossulfônicos”, produto de constituição química não definida que deve ser classificado no Capítulo 34, no código 3402.11.90.00, e não no Capítulo 29 da NCM. Referida Diretriz teria sido emanada em resposta à “proposta de alteração da Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM)” encaminhada à Coana/Cotac/Dinom por meio do Memorando SRRF09/Diana nº 224, de 26/08/2002 (Protocolo Coana 2002/01145), no qual a SRRF09 sugere a criação de item específico para o LAVREX 100 e LAVREX 200 dentro da subposição 3402.11. Ao ser analisada referida proposta de alteração da NCM pelo Comitê Técnico nº 01 do Mercosul, foi aprovado o “Ditame de Classificação Tarifária nº 02/03”, o qual dispôs sobre a classificação tarifária de “misturas de ácidos alquibenzenossulfônicos”, atribuída ao código NCM 3402.11.90.00, tendo sido editada a Diretriz 03/2003 nesse sentido. E, em razão do fato de referida diretriz ter sido realizada apenas em 2003, o contribuinte aduziu que a mesma não poderia ser aplicada retroativamente para a importação realizada por meio da DI objeto dos presentes autos, por sua vez registrada em 21/09/1999, tendo em vista que a Diretriz teria introduzido novo critério jurídico para a codificação fiscal da mercadoria. Fl. 2243DF CARF MF Impresso em 01/10/2013 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 09/09/2 013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SA NTOS Processo nº 10494.001158/200488 Acórdão n.º 9303002.319 CSRFT3 Fl. 2.179 7 A meu ver, o fato de o Comitê Técnico do Mercosul ter criado um subitem específico, ao adicionar o códigoitem/subitem “90.00”, aos códigos posição (3402) e subposição (11) da NCM/SH, não se resvalam em alteração do critério jurídico para fins da classificação fiscal do produto. A Diretriz em referência, por sua vez incorporada nacionalmente pelo Ato Declaratório Executivo COANA nº 14/2004, teve apenas como finalidade a de eliminar qualquer dúvida acerca da interpretação sobre a classificação do produto LAVREX 100, se tratando de um ato de cunho meramente interpretativo que teve como objeto apenas esclarecer a classificação de produto que vinha sendo descrito e classificado de forma incorreta, com base em entendimento de que se tratava de produto diverso. Além disso, a composição do LAVREX 100 sempre se tratou de uma mistura de ácidos e não de um único ácido com impurezas de composição química definida, como são aqueles incluídos no Capítulo 29, não podendo, por conseguinte, esse produto ser enquadrado no código 2904.10.20. Vejase que a discussão sequer é dada entre subposições ou itens/subitens do Capítulo 34 do Sistema Harmonizado, mas sim, antes disso, a mesma se dá entre Capítulos, ou seja, entre gêneros, não havendo que se falar em alteração de critério jurídico, o qual sempre foi o mesmo, em conformidade ao Sistema Harmonizado já existente. Segundo Paulo de Barros Carvalho, em seu artigo sobre “IPI – Comentários sobre as Regras Gerais de Interpretação da Tabela NBM/SH (TIPI/TAB)” divulgado na Revista Dialética de Direito Tributário de nº 12, “o Sistema Harmonizado, tal qual aprovado na Convenção Internacional, opera com seis dígitos, correspondendo a posições e subposições de mercadorias, mas a NBM/SH (TIPI/TAB) sobrepõese àquele sistema para acrescentarlhe matriz de subespécies, mediante a particularização de itens e subitens.” Referido Sistema Harmonizado, segundo o mesmo autor, “se volta ao objetivo de oferecer um panorama genérico de produtos, considerados na conformidade de critérios técnicos internacionais para atender às exigências de uniformização do comércio entre as nações”. Assim, já sendo existentes, à época da importação, tanto o Capítulo 34 como a posição e subposição 3402.11, não haveria como se afastar a classificação fiscal do LAVREX 100 de referidas posições e subposições como fez o Recorrente, tendo a Diretriz 03/2003 do Mercosul sido editada apenas para esclarecer que a posição e subposição 3402.11 seria a correta para a mercadoria. Face ao exposto, conheço do recurso especial de divergência interposto pelo contribuinte e, no mérito, voto no sentido de lhe negar provimento, mantendo o acórdão a quo. Fl. 2244DF CARF MF Impresso em 01/10/2013 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 09/09/2 013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SA NTOS 8 Realmente não há como aceitar a argumentação feita no recurso voluntário e em contrarazões que na data do auto de infração a legislação previa a classificação adotada pelo contribuinte e que não haveria razão para se retroagir a legislação. Primeiramente não se trata de retroagir ou não, mas de se aplicar a legislação vigente à época do fato gerador. O Brasil já adotava a classificação fiscal na posição 3402.11.90 quando foram registradas as Declarações de Importação e não cabe também a argumentação que até a lavratura do AI, a mercadoria foi intensamente comercializada com a indicação da posição 2904.10.90. Como dito não se trata de reclassificação fiscal, já que o AI foi lavrado em abril de 2004, mas sim de acerto para que se cumpra o preceituado no CTN em seu art. 116: Art. 116. Salvo disposição de lei em contrário, considerase ocorrido o fato gerador e existentes os seus efeitos: I – tratandose de situação de fato, desde o momento em que se verifiquem as circunstâncias materiais necessárias a que produza os efeitos que normalmente lhe são próprios; II – tratandose de situação jurídica, desde o momento em que esteja definitivamente constituída, nos termos do direito aplicável. Com efeito, não há retração ou aplicação ex tunc de legislação tributária. A edição da norma brasileira da codificação adotada pela RFB é o marco normativo para a sua aplicação e não a data da normatização no MERCOSUL. Também não se pode aplicar a nova legislação aos fatos geradores anteriores, por se tratar de mera mudança de critério jurídico, como é a classificação fiscal. As simples modificações de critérios jurídicos adotados pela autoridade administrativa no exercício do lançamento somente pode ser efetivada, em relação a um mesmo sujeito passivo, quanto a fato gerador ocorrido após a sua introdução. É o que preceitua o art. 146 do CTN. Não se trata também de revisão de lançamento por alteração de critério adotado pelo fisco. Ocorreu simplesmente a correção da classificação adotada pelo contribuinte dentro do prazo decadencial previsto em lei. Se o fisco tivesse homologado expressamente a classificação adotada pelo contribuinte, não poderia haver a correção, mas não foi o que ocorreu in casu. É bom enfatizar que a classificação proposta pelo contribuinte, em declaração de importação, não foi aceita pela administração tributária. O correto seria a empresa seguir os ditames da lei processual tributária, Decreto 70235/72 e fazer um processo de consulta. Assim agiria ao abrigo da lei e se resguardaria de eventuais mudanças de critérios jurídicos. Esse seria o caminho processual adequado. Fl. 2245DF CARF MF Impresso em 01/10/2013 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 09/09/2 013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SA NTOS Processo nº 10494.001158/200488 Acórdão n.º 9303002.319 CSRFT3 Fl. 2.180 9 Como dito acima adoto integralmente o voto da relatora Nancy Gama, aprovado por unanimidade de votos, na sessão de fevereiro, acrescido das considerações expostas. Quanto a aplicação da multa por classificação errônea, realmente restou caracterizada a prática infracional, pois houve a classificação incorreta por parte do contribuinte. Em que pese as explanações da recorente não ter seguido esta linha argumentativa e as contrarazões ter se baseado somente na exoneração da referida multa por não ter o contribuinte classificado de forma errônea a mercadoria em questão, não há como deixar de analisar também a questão da intenção do agente em se praticar a infração. A multa prevista no art. 84 da MP 215835, tem como núcleo do tipo a própria classificação incorreta na Nomenclatura Comum do Mercosul, nas nomenclaturas complementares ou em outros detalhamentos instituídos para a identificação da mercadoria. A própria conduta de classificar incorretamente, por si, já é suficiente para a caracterização da infração administrativa. Não interessa o resultado. É o que se chama do ato infracional de mera conduta que é idêntico ao crime de mera conduta no direito penal que se conceitua como crimes sem resultado, em que a conduta do agente, por si só, configura o crime, independentemente de qualquer alteração do mundo exterior. Segundo o conceito dado por Damásio de Jesus crimes de mera conduta são aqueles em que “o legislador só descreve o comportamento do agente”. Art. 84. Aplicase a multa de um por cento sobre o valor aduaneiro da mercadoria: I classificada incorretamente na Nomenclatura Comum do Mercosul, nas nomenclaturas complementares ou em outros detalhamentos instituídos para a identificação da mercadoria; ou II quantificada incorretamente na unidade de medida estatística estabelecida pela Secretaria da Receita Federal. § 1o O valor da multa prevista neste artigo será de R$ 500,00 (quinhentos reais), quando do seu cálculo resultar valor inferior. § 2o A aplicação da multa prevista neste artigo não prejudica a exigência dos impostos, da multa por declaração inexata prevista no art. 44 da Lei no 9.430, de 1996, e de outras penalidades administrativas, bem assim dos acréscimos legais cabíveis. Como ficou decidido que a classificação fiscal foi feita incorretamente, não há porque se exonerar a multa de 1% constante no art. 84, porque somente o erro na classificação é suficiente para a caracterização da infração administrativa, por se tratar de um ato infracional de mera conduta. O fato típico é exatamente a conduta do agente em classificar a mercadoria de forma incorreta. Fl. 2246DF CARF MF Impresso em 01/10/2013 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 09/09/2 013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SA NTOS 10 Ademais o CTN veda expressamente a aplicação da teoria finalista da ação, que diz que, para haver a infração farseá necessária a comprovação do agente em lesar o sujeito passivo da conduta infracional, no caso, a Fazenda Pública. Art. 136. Salvo disposição de lei em contrário, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. Com efeito, ressalvada a hipótese da lei tributária dispor em contrário, a responsabilidade por infrações à legislação tributária independe da intenção do agente ou responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. É o que os penalistas chamam de teria finalista da ação. Isso significa que a violação da lei tributária pode até não incorrer em prejuízo para a Fazenda Pública que, assim mesmo, estará tipificada a conduta infracional. Isso normalmente acontece quando há a inobservância da forma por qual deva ser cumprida certas obrigações tributárias ou formalidades exigidas por lei, como acontece no caso em tela. Pode até haver o correto recolhimento do tributo, mas o mero descumprimento da exigência legal caracterizará a prática da infração. Desqualificação do certificado de origem do Rexamida. Em que pese o recurso Voluntário ter sido negado quanto a classificação fiscal do REXAMIDA, mantendose a classificação adotada pela fiscalização, considerou se o licenciamento válido, excluindose a multa por falta de licenciamento, porque, segundo o entendimento do colegiado a quo, in verbis: Os certificados de origem mencionam o número da fatura comercial, estas, por sua vez, indicam expressamente o nome comercial REXAMIDA bem como seus números estão informados nas DI's, com o que se pode concluir que os certificados de origem identificam corretamente os produtos descritos nas faturas correspondentes que se vinculam as DI's. Licenciamento válido, e o certificado de origem cumpre sua finalidade precipua. Não adentraremos aqui na discussão acerca da equivalência entre a Guia de Importação e a Licença de Importação, visto que esta CSRF tem firmado jurisprudência de não caber a multa por falta de LI (prevista no art 526, II do RS/85 ou art. 633, II, a do RA/2002) nos casos em que a autoridade fiscal não comprovar que a mercadoria estava sujeita ao licenciamento nãoautomático. No presente caso, por se tratar de medicamente, sempre o licenciamento será nãoautomático e caberá a multa por falta de LI. Assim, dou provimento ao recurso da Fazenda quanto a esse quesito. Passemos agora à análise da multa qualificada por fraude na valoração aduaneira do Sorbitol. Compulsandose os autos podemos depreender que a autoridade fiscal declara que a importadora praticou subfaturamento no preço declarado em cinco declarações de importação do produto SORBITOL, conforme explicação constante no Relatório de Fl. 2247DF CARF MF Impresso em 01/10/2013 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 09/09/2 013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SA NTOS Processo nº 10494.001158/200488 Acórdão n.º 9303002.319 CSRFT3 Fl. 2.181 11 Fiscalização. Além da diferença dos tributos e das multas de lançamento de ofício foi exigida a multa administrativa, nos termos do art. 633, I do Decreto no 4.543 de 26/12/2002 DOU 27/12/2002 (Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal de fl. 14). A impugnante alega que no que concerne ao subfaturamento, na tentativa de demonstrar sua ocorrência, a autoridade fiscal procede ao confronto de meras cotações de preços com negócios efetivamente realizados em quantidades diferentes das simulações. Transcreve às fls. 1.837 a 1.839 trechos do Decreto no 2.498/1998 e da IN/SRF no 16/1998 para argumentar que o procedimento adotado pela fiscalização contraria as regras de obtenção do valor aduaneiro. O Decreto no 2.498, de 13/02/1998, revogado pelo Decreto no 4.543, de 27/12/2002, dispõe sobre a aplicação do Acordo sobre a Implementação do Artigo VII do Acordo Geral sobre Tarifas e Comércio GATT 1994. A IN/SRF no 16, de 16/02/1998 – DOU de 17/02/1998, pág. 20, revogada pela IN/SRF no 327, de 09/05/2003 estabelece normas e procedimentos para o controle do valor aduaneiro da mercadoria importada. Essa legislação transcrita pela impugnante às fls. 1.838/1.839 referese à valoração aduaneira nas importações em que não são constatadas fraudes. Por exemplo, quando uma firma procede a uma importação de empresa vinculada os preços praticados, ainda que verdadeiros, podem ser muito baixos. A fim de que tal firma não se beneficie adicionalmente de baixos valores de tributação do II e IPI vinculado, prejudicando, dessa forma, ainda mais seus concorrentes com o estabelecimento de uma injusta diferenciação tributária, a legislação internacional instituiu o valor aduaneiro. O valor aduaneiro, portanto, é aquele real ou calculado sobre o qual são aplicados os acréscimos previstos, transformandoo, assim, em base de cálculo do II. Quando a mudança ex officio do valor aduaneiro tem por origem a constatação de fraude a legislação a ser aplicada não é mais a mencionada pela peticionária, conforme se verá, mais adiante. No que se refere à fraude por subfaturamento a autoridade fiscal, às fls. 40 a 46, procede a uma completa e minuciosa explanação. Entre outras coisas ela verificou que nas cotações de preços de fls. 1.707 e 1.708 os valores referentes ao Sorbitol constavam, respectivamente, como US$ 640/ton. e US$ 594/ton., sendo que na confirmação do pedido de fl. 1.764 constava o valor de US$ 600.00/ton. Nas cinco DI, já referidas os valores declarados desses produtos estavam muito abaixo disso, ou seja, US$ 200,00 e US$ 205,00. Da explicação de fls. 40 a 46 destaquese o que consta às fls. 44/45, in verbis: Uma planilha intitulada IMPORTAÇÃO POSIÇÃO FINANCEIRA, encontrada na empresa (fls. 1705 a 1706), revela que para a operação identificada com a referência 874/03, que corresponde à DI 03/08858896 (fls. 1611 a 1624), há uma previsão de pagamento de US$ 9.258,88, além do valor de US$ 8.051,20 declarado na importação.O fornecedor é a empresa K. D. FEDDERSEN, da Alemanha. Consultando esta referência nos controles informatizados da empresa, mais especificamente no Cadastro de Ordens de Compra de Importados (fls. 1758 e 1808), verificamos que esta operação foi registrada como sendo a compra de 40.256 Kg de Sorbitol, ao preço unitário de US$ 0,430 por kg, totalizando US$ 17.310,08, que corresponde exatamente ao somatório dos dois valores que constam na Fl. 2248DF CARF MF Impresso em 01/10/2013 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 09/09/2 013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SA NTOS 12 planilha citada. O preço unitário declarado na importação foi de US$ 200,00. Em relação à importação referenciada pelo código 859/03 que corresponde à DI 03/07906528 (fls. 1599 a 1610), os controles internos da empresa revelam que a operação se deu também ao preço unitário de US$ 0,430 por kg de Sorbitol (fls. 1759 e 1807), totalizando US$ 17.310,00. A DI, no entanto, foi registrada pelo preço unitário de US$ 200,00, totalizando US$ 8.051,20. O sistema de controle informatizado da empresa (SISTEMA, DATABOFF) é utilizado para controlar, dentre outras coisas, todas as operações de compra de mercadorias, segundo informação do Sr. Albino Aragonez (fls. 267). Foram encontradas, na empresa, as vias originais do Pedido 14.502 de 19/02/2004, e a Proforma Invoice 14.502, datada de 12/02/2004, ambos emitidos pela empresa K.D. FEDDERSEN em nome da Quimicamar, relacionados a uma operação que estava ainda em andamento por ocasião da diligência inicial da fiscalização e que correspondem à referência 916/04 (fls. 1774 a 1775). No pedido, o valor unitário aparece como sendo US$ 435,00 e na proforma, aparece como US$ 245,00. Estes dois documentos foram transmitidos, via fax, pela K.D. Feddersen para a Quimicamar no dia 20/02/2004 (fls. 1768 a 1770). Na pasta suspensa que continha estes documentos, identificada pelos dizeres "IMP 916/04 SORBITOL 40 TON K D FEDDERSEN", consta grampeado na capa uma folha contendo a seguinte anotação manuscrita: "SORBITOL 70% FECHADO US$ 470,00 PROFORMA US$ 280,00 DIFERENÇA US$ 190,00" (fls. 1767). Sobre esta operação, foram encontrados também os seguintes documentos: Uma mensagem eletrônica enviada por Quimicamar para KDF Land, em 17/02/2004, confirmando o pedido das 40 toneladas do Sorbitol, ao preço unitário de US$ 0,461 (fls. 1776). Nesta mensagem, o valor unitário aparece riscado à caneta, e consta ao lado, manuscrito, também à caneta, o valor de US$ 0,47. Um comprovante de encaminhamento de fax para a empresa Transcontinental, no dia 20/02/2004, dando conta do envio da fatura proforma 14502 para efeito de emissão de LI, referente à importação 916/04 (fls. 1777). Uma mensagem eletrônica enviada por Ana Mallmann, da Quimicamar, para K. D. F., Sr. Land, no dia 16/03/2004, solicitando informar a data do embarque do Sorbitol referente à fatura 14502 (fls.1772). E uma mensagem enviada por fax, pela KDF do Brasil, para Quimicamar, no dia 24/03/2004, em resposta à mensagem citada anteriormente, informando que o embarque dos 40.256 Kg de Sorbitol, estava com data prevista para o dia 20/04/2004 (fls. 1771). Como se observa, tal operação estava efetivamente em andamento por ocasião da primeira diligência fiscal, ocorrida em 07/04/2004, e a empresa já dispunha dos documentos necessários para os procedimentos administrativos e fiscais, inclusive com valores subfaturados, enviados pelo próprio fornecedor. Fl. 2249DF CARF MF Impresso em 01/10/2013 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 09/09/2 013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SA NTOS Processo nº 10494.001158/200488 Acórdão n.º 9303002.319 CSRFT3 Fl. 2.182 13 Em diligência posterior na empresa, verificouse que a citada operação constava nos registros informatizados como tendo sido cancelada (fls. 1812 a 1813). Todavia, os documentos encontrados revelam que o importador articulava com o fornecedor, ou, pelo menos, com o seu agente no Brasil, a emissão de documentos comerciais com valores subfaturados, senão qual a razão de a empresa KDF ter enviado por fax, no mesmo dia, em uma mesma transmissão, um pedido e uma fatura proforma com numeração idêntica, para as mesmas mercadorias, mas com valores distintos? Salientase que nos sistemas informatizados de controle interno da empresa, esta operação consta registrada pelo valor de US$ 11.271,68 (fls. 1811 a 1812), que corresponde ao valor constante na fatura proforma cujo preço unitário encontravase subfaturado. Portanto, para três das cinco importações realizadas por preços de US$ 200,00 e US$ 205,00 por Kg, foram encontrados documentos que demonstram os preços efetivamente praticados. Os preços praticados nas outras duas operações (DI 03/00159298 e DI 03/03476120), ambas do fornecedor K. D. FEDDERSEN, no entanto, tiveram que ser arbitrados nos termos do que dispõe o artigo 88 da Medida Provisória 2.15835, de 24 de agosto de 2001, utilizandose como parâmetro o preço praticado por mercadoria idêntica, produzida pelo mesmo fabricante, em outra operação de importação. Em relação à DI 03/00159298, utilizamos o preço praticado na DI 03/0018914 6, de US$ 370,00, haja vista que as duas importações são de produtos fabricados pela empresa ROQUETTE FRERES S/A e, em relação a DI 03/03476120, utilizamos como parâmetro o preço efetivamente praticado na DI 03/07906528, de US$ 430,00, pois tratase de mercadorias produzidas pelo mesmo fabricante, a empresa CERESTAR DEUTSCHLAND GMBH. Os elementos apresentados acima demonstram claramente que os preços unitários declarados US$ 200,00 e US$ 205,00 encontramse artificialmente manipulados. Os preços efetivamente praticados são os preços constantes dos documentos encontrados, conforme demonstra o quadro abaixo: (grifos acrescidos) Como houve imputação de atos infracionais que ensejam a aplicação de penalidades ao sujeito passivo cabe ao fisco o ônus de provar a fraude a fim de se aplicar a multa prevista no art. 633, I do RA/85 Quando se constata fraude, não há que se obedecer às regras de valoração dos art. 1º a 7º do GATT/1994, conforme pretende a impugnante, pois o seu art. 17 permite que os países signatários tenham legislação nacional especial própria para proceder a valoração em tais casos. Correta, portanto, a aplicação do art. 88 da Medida Provisória 2.15835/2001, que previu, também a multa do art. 633, I do RA, conforme se pode observar na transcrição abaixo, in verbis: Fl. 2250DF CARF MF Impresso em 01/10/2013 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 09/09/2 013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SA NTOS 14 Art. 633. Aplicamse, na ocorrência das hipóteses abaixo tipificadas, por constituírem infrações administrativas ao controle das importações, as seguintes multas (Decretolei no 37, de 1966, art. 169 e § 6o, com a redação dada pela Lei no 6.562, de 18 de setembro de 1978, art. 2o): I de cem por cento sobre a diferença entre o preço declarado e o preço efetivamente praticado na importação ou entre o preço declarado e o preço arbitrado (Medida Provisória no 2.15835, de 2001, art. 88, parágrafo único); Neste caso, tal comprovação é um ônus da autoridade fiscal. Isso porque não existe uma presunção total de legitimidade do ato exarado pela autoridade tributária, pois existe o dever de se demonstrar cabalmente todos os motivos que ensejaram à ocorrência do fato gerador e das hipóteses de aplicação de penalidade. Tal presunção há que estar prevista em lei. Também corrobora deste entendimento a Doutora e Conselheira Susy Gomes Hoffmann, que diz que “havendo impugnação ao lançamento tributário não há que prevalecer a presunção em seu favor, visto que sua legitimidade não se encontra no fato de sido emitida por agente competente, mas, em corresponder a um enunciado fático que se enquadra em uma hipótese legal. Para tanto, é preciso que o relato constante do antecedente da norma individual e concreta do lançamento tributário esteja corroborado pelo relato sobre os fatos tributários e que se constituem em meios de prova aceitos pelo direito”. Com efeito, o que se busca são excludentes jurídicas para a aplicação da presente multa. O fisco apresentou as provas do dolo em seu relatório fiscal e o fez de foma detalhada conforme ficou demonstrado acima O sujeito passivo tem que provar, no caso, fatos que fatos impeditivos, modificativos ou extintivos do direito da Fazenda Nacional. Entendo que o sujeito passivo não logrou êxito em fazêlo. Art. 333. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Parágrafo único. É nula a convenção que distribui de maneira diversa o ônus da prova quando: I recair sobre direito indisponível da parte; II tornar excessivamente difícil a uma parte o exercício do direito. A comprovação de uma das partes de determinado fato ou situação jurídica decorre das distribuição legal do ônus da prova. Há que se “convencer” o julgador da existência do fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do sujeito ativo. O que ocorre é a assunção dos riscos de uma decisão desfavorável de quem efetivamente tinha o ônus probatório, ou seja, o encargo jurídico de demonstrar a veracidade de fatos ou a existência de situações jurídicas que ensejassem que os julgadores tomassem uma decisão que lhe fosse favorável. Não há a obrigatoriedade das partes em se produzir a prova. È Fl. 2251DF CARF MF Impresso em 01/10/2013 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 09/09/2 013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SA NTOS Processo nº 10494.001158/200488 Acórdão n.º 9303002.319 CSRFT3 Fl. 2.183 15 interesse de ambas as parte em fazêlo. Mas se o ônus decaí em uma parte e ela não o faz, assume os riscos e as conseqüências estabelecidos no arcabouço jurídico relacionado àquela matéria. O ônus da prova não é um dever e nem um comportamento necessário da parte interessada, mas um direito de a parte poder convencer os julgadores acerca da veracidade de suas alegações, aumentando as chances de uma decisão favorável. In casu, o sujeito passivo é que teria interesse em provar o seu direito a desconstituição da infração e não o fez. Assim não há como se decidir pela não aplicação da multa administrativa. Assim, o conjunto das provas anexadas aos autos provas leva a concluir que houve fraude relativamente ao preço declarado nas cinco DI listadas às fl. 07, sob a rubrica “declaração inexata do valor da mercadoria”. A fiscalização, para proceder ao arbitramento, valeuse dos termos do art. 88 da Medida Provisória 2.15835, de 24 de agosto de 2001. Transcrevese referido texto legal, in verbis: Art. 88. No caso de fraude, sonegação ou conluio, em que não seja possível a apuração do preço efetivamente praticado na importação, a base de cálculo dos tributos e demais direitos incidentes será determinada mediante arbitramento do preço da mercadoria, em conformidade com um dos seguintes critérios, observada a ordem seqüencial: I preço de exportação para o País, de mercadoria idêntica ou similar; II preço no mercado internacional, apurado: a) em cotação de bolsa de mercadoria ou em publicação especializada; b) de acordo com o método previsto no Artigo 7 do Acordo para Implementação do Artigo VII do GATT/1994, aprovado pelo Decreto Legislativo no 30, de 15 de dezembro de 1994, e promulgado pelo Decreto no 1.355, de 30 de dezembro de 1994, observados os dados disponíveis e o princípio da razoabilidade; ou c) mediante laudo expedido por entidade ou técnico especializado. Parágrafo único. Aplicase a multa administrativa de cem por cento sobre a diferença entre o preço declarado e o preço efetivamente praticado na importação ou entre o preço declarado e o preço arbitrado, sem prejuízo da exigência dos impostos, da multa de ofício prevista no art. 44 da Lei no 9.430, de 1996, e dos acréscimos legais cabíveis. (grifos acrescidos) Fl. 2252DF CARF MF Impresso em 01/10/2013 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 09/09/2 013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SA NTOS 16 Correta, portanto, a aplicação do art. 88 da Medida Provisória 2.15835/2001, que previu, também a multa do art. 633, I do RA, conforme se pode observar na transcrição abaixo, in verbis: Art. 633. Aplicamse, na ocorrência das hipóteses abaixo tipificadas, por constituírem infrações administrativas ao controle das importações, as seguintes multas (Decretolei no 37, de 1966, art. 169 e § 6o, com a redação dada pela Lei no 6.562, de 18 de setembro de 1978, art. 2o): I de cem por cento sobre a diferença entre o preço declarado e o preço efetivamente praticado na importação ou entre o preço declarado e o preço arbitrado (Medida Provisória no 2.15835, de 2001, art. 88, parágrafo único); Em relação ao agravamento da multa em relação à emissão de DI com preços subfaturados, cabe ao fisco a produção das provas que houve o intuito de fraude, ou seja, o dolo. A prova do dolo é um dos institutos jurídicos mais difíceis de se estudar e aplicar. A própria literatura pátria e internacional é carente de tais estudos. Alguns autores falam que é necessária a reiteração dos atos infracionais. Porém somente a reiteração não seria o suficiente para a configuração do dolo. No caso em tela a fiscalização trouxe vários indícios de que houve a intenção de fraudar a fazenda nacional e, consequantemente, o erário. Ocorre que nas cinco DI subfaturadas se apontou documentos paralelos que demonstram o indício da fraude. É extremamete difícil se provar a intenção do agente em praticar certos atos. Porém o julgador tem a obrigação de julgar e para isso deve analisar e, principalmente, valorear as provas existentes nos autos. No presente caso .a fiscalização demosntrou, conforme relatado acima, controles paralelos de valores indicado nas DI. Inclusive foi verificada e existência de bilhetes que indicavam o valor real das mercadorias. Tais fatos trazem uma presunção do intuito de fraude e as presunções são importantes no precesso cognitivo decisório. Nesse casos de dolo a presunção e a regra de experiência são fartamente usadas na formação do convencimento do julgador. Assim as regras de experiência devem incidir sobre os indícios, na formação das presunções, e sobre as presunções, na formação do juízo sobre o mérito. Nas palavras do professor Luiz Guilherme Marinoni “a presunção constitui a conclusão do raciocínio judicial (dito presuntivo) que parte do fato indiciário e da sua prova indiciária. Para o juiz formar a presunção, deduzindo o fato probandum a partir do fato indiciário, raciocina com base nas regras de experiência. Portanto, é basrante claraa distinçao entra a presunção e a regra de experiência, pois a última é uma regra que serve para se chegar à primeira (na conclusão ou na presunção.” Assim, não há como dizer que não houve a intenção de subfaturar as mercadorias, em que pese tal comportamento estivesse presente em um pequeno número de DI em relação a todas registradas pela empresa. Pelos motivos já expostos também se deve manter a de multa de lançamento de ofício agravada do Imposto sobre a Importação, pelo evidente intuito de fraude, no percentual de 150% (cento e cinquenta por cento) do imposto devido, nos termos do art. 44, II, da Lei no 9.430 de 27/12/1996 DOU 30/12/1996, modificado pela Lei 11.488/2007. Assim, voto pelo provimento do presente recurso. Fl. 2253DF CARF MF Impresso em 01/10/2013 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 09/09/2 013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SA NTOS Processo nº 10494.001158/200488 Acórdão n.º 9303002.319 CSRFT3 Fl. 2.184 17 Rodrigo da Costa Possas Relator Fl. 2254DF CARF MF Impresso em 01/10/2013 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 09/09/2 013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SA NTOS
score : 1.0
Numero do processo: 18050.005144/2008-98
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 17 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Sep 12 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004
OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DOLO. PRESCINDIBILIDADE DE COMPROVAÇÃO.
A infração disposta no art. 32, § 5º, da Lei nº. 8.212/91, independe da comprovação de dolo, sendo esta eventual circunstância agravante, prevista no art. 290, II, do Decreto nº. 3.048/99.
ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO.
Não cabe a este Conselho afastar a aplicação de uma lei sob a alegação de inconstitucionalidade, nos termos da Súmula n. 2 do CARF.
MULTA. RECÁLCULO.
Recálculo da multa para que seja aplicada a mais benéfica ao contribuinte por força do art. 106, II, c do CTN.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2403-002.165
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recursos para determinar o recálculo da multa, de acordo com o determinado no art. 32-A, da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei 11.941/2009, prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte, na forma descrita no corpo do voto.
Carlos Alberto Mees Stringari - Presidente
Marcelo Magalhães Peixoto - Relator
Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Freitas de Souza Costa, Ivacir Julio de Souza, Maria Anselma Coscrato dos Santos, Marcelo Magalhães Peixoto e Paulo Maurício Pinheiro Monteiro.
Nome do relator: MARCELO MAGALHAES PEIXOTO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201307
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DOLO. PRESCINDIBILIDADE DE COMPROVAÇÃO. A infração disposta no art. 32, § 5º, da Lei nº. 8.212/91, independe da comprovação de dolo, sendo esta eventual circunstância agravante, prevista no art. 290, II, do Decreto nº. 3.048/99. ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO. Não cabe a este Conselho afastar a aplicação de uma lei sob a alegação de inconstitucionalidade, nos termos da Súmula n. 2 do CARF. MULTA. RECÁLCULO. Recálculo da multa para que seja aplicada a mais benéfica ao contribuinte por força do art. 106, II, c do CTN. Recurso Voluntário Provido em Parte.
turma_s : Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Sep 12 00:00:00 UTC 2013
numero_processo_s : 18050.005144/2008-98
anomes_publicacao_s : 201309
conteudo_id_s : 5290765
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Sep 12 00:00:00 UTC 2013
numero_decisao_s : 2403-002.165
nome_arquivo_s : Decisao_18050005144200898.PDF
ano_publicacao_s : 2013
nome_relator_s : MARCELO MAGALHAES PEIXOTO
nome_arquivo_pdf_s : 18050005144200898_5290765.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recursos para determinar o recálculo da multa, de acordo com o determinado no art. 32-A, da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei 11.941/2009, prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte, na forma descrita no corpo do voto. Carlos Alberto Mees Stringari - Presidente Marcelo Magalhães Peixoto - Relator Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Freitas de Souza Costa, Ivacir Julio de Souza, Maria Anselma Coscrato dos Santos, Marcelo Magalhães Peixoto e Paulo Maurício Pinheiro Monteiro.
dt_sessao_tdt : Wed Jul 17 00:00:00 UTC 2013
id : 5056950
ano_sessao_s : 2013
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:13:38 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046175171477504
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1561; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T3 Fl. 2 1 1 S2C4T3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 18050.005144/200898 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2403002.165 – 4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária Sessão de 17 de julho de 2013 Matéria CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA Recorrente SERVIÇO SOCIAL DA INDÚSTRIA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DOLO. PRESCINDIBILIDADE DE COMPROVAÇÃO. A infração disposta no art. 32, § 5º, da Lei nº. 8.212/91, independe da comprovação de dolo, sendo esta eventual circunstância agravante, prevista no art. 290, II, do Decreto nº. 3.048/99. ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO. Não cabe a este Conselho afastar a aplicação de uma lei sob a alegação de inconstitucionalidade, nos termos da Súmula n. 2 do CARF. MULTA. RECÁLCULO. Recálculo da multa para que seja aplicada a mais benéfica ao contribuinte por força do art. 106, II, “c” do CTN. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 05 0. 00 51 44 /2 00 8- 98 Fl. 1508DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 15/08 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 02/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 2 ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recursos para determinar o recálculo da multa, de acordo com o determinado no art. 32A, da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei 11.941/2009, prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte, na forma descrita no corpo do voto. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente Marcelo Magalhães Peixoto Relator Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Freitas de Souza Costa, Ivacir Julio de Souza, Maria Anselma Coscrato dos Santos, Marcelo Magalhães Peixoto e Paulo Maurício Pinheiro Monteiro. Fl. 1509DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 15/08 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 02/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 18050.005144/200898 Acórdão n.º 2403002.165 S2C4T3 Fl. 3 3 Relatório Cuidase de Recurso Voluntário interposto em face do Acórdão proferido pela DRJ de Salvador/BA, a qual julgou improcedente a impugnação, mantendose o crédito tributário, lançado no importe equivalente a R$ 309.612,15 (trezentos e nove mil seiscentos e doze reais e quinze centavos). A presente autuação, consubstanciada no DECBAD nº. 37.184.4061, em fiscalização no período de 01/2004 a 12/2004, foi lavrada em razão da infração à obrigação acessória estabelecida no art. 32, inciso IV e § 5º da Lei nº. 8.212/91 c/c art. 225, inciso IV, § 4º, do Decreto nº. 3.048/99, qual seja, a apresentação de GFIP’s com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias. Consta no Relatório Fiscal, fls. 06/46, in verbis: 2.2. No período janeiro a dezembro/2004 a notificada apresentou Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Declaração à Previdência Social – GFIP, entretanto, deixou de declarar os fatos geradores adiante identificados, infringindo o disposto na Lei nº 8.212, de 24/07/1991, art. 32, inciso IV e § 5º (acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10/12/1997), combinado com o art. 225, inciso IV e § 4º, do Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto nº. 3.048, de 06/05/1999: (...) 2.3. Os fatos geradores identificados como não declarados em GFIP foram apurados mediante batimento realizado entre os documentos adiante relacionados: Escrituração contábil disponibilizada em arquivos digitais, identificados nos Recibos de Entrega de Arquivos Digitais dos dias 18/03/2008 e 21/05/2008; Folhas de Pagamento a segurados empregados e contribuintes individuais disponibilizadas em arquivo digital, identificado no Recibo de Entrega de Arquivo Digital do dia 04/06/2008; Demonstrativo da Composição da Base de Cálculo – DCBC do exercício de 2004, relatório que relaciona as remunerações dos trabalhadores declaradas em Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social – GFIP, por estabelecimento, FPAS, categoria dos segurados e grau de exposição a gentes nocivos que possibilitem aposentadoria, gerado pelo sistema de Cadastro Nacional de Informações Sociais – CNIS em 11/02/2008; Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte – DIRF do exercício 2004. Fl. 1510DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 15/08 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 02/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 4 2.4. As informações apresentadas no DCBC são resultantes de agregação dos dados informados pelo contribuinte nos arquivos do SEFIP – Sistema Empresa de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social anteriores a versão 8.0, submetidos à normalização do sistema, que consiste na verificação da consistência dos dados e solução dos conflitos de informações divergentes; 2.5. Não ficaram configuradas circunstâncias agravantes previstas no artigo 290 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto 3.048/99, e nem atenuante prevista no artigo 291 do mesmo Regulamento. DA IMPUGNAÇÃO Inconformada com o lançamento efetuado, a empresa contestou a autuação fiscal por meio do instrumento de fls. 53/64. DA DECISÃO DA DRJ Após analisar os argumentos da então Impugnante, a 5ª Turma da Delegacia da Receita do Brasil de Julgamento em Salvador/BA, DRJ/SDR, prolatou o Acórdão n° 15 24.463, fls. 1477/1486, julgando a impugnação improcedente para manter incólume o crédito tributário lançado, conforme ementa abaixo transcrita. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. GFIP – OMISSÃO DE FATOS GERADORES. Constitui infração à legislação previdenciária apresentar GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido DO RECURSO Irresignado, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário, fls. 1492/1503, utilizandose, para tanto, dos seguintes argumentos: Para que se configurasse a infração ao art. 32, IV, § 5º, é necessária a comprovação de dolo; A multa no percentual de 100% afronta princípios constitucionais, tais como a vedação ao confisco, propriedade e capacidade contributiva. É o relatório. Fl. 1511DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 15/08 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 02/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 18050.005144/200898 Acórdão n.º 2403002.165 S2C4T3 Fl. 4 5 Voto Conselheiro Marcelo Magalhães Peixoto, Relator DA TEMPESTIVIDADE Conforme registro de fl. 1505, o recurso é tempestivo e reúne os pressupostos de admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. INFRAÇÃO À OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA A Recorrente, em sua defesa, alega que a infração disposta no art. 32, IV, § 5º, da Lei nº. 8.212/91, objeto da autuação em epígrafe, consiste em ilícito penal, de modo que para que a sua caracterização está diretamente relacionada à intenção do agente. Para isso, pauta seu argumento na inexistência de fraude, simulação, etc. Ocorre, entretanto, que a infração ali contida dispõe acerca de ilícito tributário penal, na medida em que apresenta uma punição (pena pecuniária) consubstanciada na multa quando da ocorrência de violação ao art. 32, IV, da Lei nº. 8.212/91. Não se trata crime. Independe da intenção do contribuinte de “ludibriar” o Fisco, termo utilizado pela Recorrente, bastando apenas que o contribuinte não apresente a GFIP com todos os fatos geradores das contribuições previdenciárias. Neste caso, a existência de dolo, fraude, máfé, bem como outros elementos, é apta para incidir circunstâncias agravantes nos termos do art. 290 do RPS, o que, conforme aduziu a autoridade fiscal em seu relatório, não foi constatada. ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE Adiante, a Recorrente alega que o percentual de 100% aplicado, conforme dispõe o Regulamento da Previdência Social, em seu art. 284, II, é flagrantemente inconstitucional por violar os princípios da propriedade, capacidade contributiva e vedação ao confisco. Entretanto, não cabe ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, afastar a aplicação de uma lei sob a alegação de inconstitucionalidade, nos termos da Súmula n. 2 do CARF, verbis: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a constitucionalidade de lei tributária.” Mister destacar que os incisos I e II do Parágrafo único do art. 62 do Regimento Interno do CARF trazem exceções a essa regra, contudo, não sem aplicam ao caso em tela. Por esses motivos, este julgador não irá se pronunciar acerca da alegação de inconstitucionalidades que não estiverem nas exceções acima. Portanto, não sendo hipótese do dispositivo acima, não há a possibilidade de apreciação do argumento em análise. Fl. 1512DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 15/08 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 02/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 6 DA MULTA APLICADA A multa imputada pela autoridade fiscal foi a contida no art. 32, IV e parágrafo 5º da Lei 8.212/91 c/c art. 284, II, do RPS, na qual estipulava a aplicação no percentual de 100% do valor devido relativo à contribuição não declarada. No entanto, a multa merece reforma. É que se faz necessário tecer algumas considerações em face da edição da MP nº 449/08, convertida na Lei n° 11.941/09. Ela inseriu o art. 32A na Lei n° 8.212/91 e alterou a sistemática de cálculo de multa por infrações relacionadas ao inciso IV do art. 32 da Lei n° 8.212/91, in verbis: Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitar seá às seguintes multas: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3º deste artigo.(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). § 1º Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II docaputdeste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). § 2º Observado o disposto no § 3º deste artigo, as multas serão reduzidas:(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). § 3º A multa mínima a ser aplicada será de:(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). II–R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). Fl. 1513DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 15/08 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 02/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 18050.005144/200898 Acórdão n.º 2403002.165 S2C4T3 Fl. 5 7 Logo, quando houver descumprimento da Obrigação Acessória prevista no art. 32, IV da Lei nº 8.212/91, aplicase a multa prevista acima. Ocorre que ela deverá ser aplicada da seguinte forma: 1. Somase o total das informações incorretas ou omitidas; 2. Dividese o total em grupos de 10. Para cada grupo de 10 informações incorretas ou omitidas será aplicada a multa de R$ 20,00 (art. 32A, I); 3. Além dessa multa, aplicase a multa de 2% ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (art. 32A, II); 4. A multa mínima a ser aplicada será de R$ 500,00, para o caso da multa prevista no inciso I e R$ 500,00 para a multa prevista no inciso II, ambos do art. 32A da Lei nº 8.212/91 (art. 32A, § 3º, II). Considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106, inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. Para efeitos da apuração da situação mais favorável, há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte, conforme o art. 106, II, “c”, do CTN: (a) a norma anterior, com a multa prevista no art. 32, § 5º da Lei nº 8.212/91 ou (b) a norma atual, nos termos do art. 32A, Lei nº 8.212/1991, na redação dada pela Lei 11.941/2009, nos moldes transcritos acima. CONCLUSÃO Ante o exposto, voto pelo provimento parcial do presente Recurso Voluntário, para determinar o recálculo da multa, de acordo com o determinado no art. 32A, da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei 11.941/2009, prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte, na forma descrita no corpo do voto. Marcelo Magalhães Peixoto Fl. 1514DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 15/08 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 02/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI
score : 1.0
Numero do processo: 10935.901554/2009-85
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 21 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Oct 03 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Período de apuração: 01/03/2000 a 31/03/2000
PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. INDEFERIMENTO DO PEDIDO DE RESSARCIMENTO. IMPOSSIBILIDADE DE HOMOLOGAÇÃO DE COMPENSAÇÃO SEM QUE HAJA O RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO DO CONTRIBUINTE.
Não há como homologar pedido de compensação feito pelo contribuinte, quando o seu direito creditório não foi reconhecido pela administração fazendária. Não existindo crédito para quitar os débitos indicados no pedido de compensação, este deve ser indeferido.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3801-002.067
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Flavio de Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Maria Inês Caldeira Pereida da Silva Murgel - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), Marcos Antonio Borges, José Luiz Feistauer de Oliveira, Sidney Eduardo Stahl, Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira e Maria Inês Caldeira Pereira da Silda Murgel.
Nome do relator: MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201308
ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Período de apuração: 01/03/2000 a 31/03/2000 PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. INDEFERIMENTO DO PEDIDO DE RESSARCIMENTO. IMPOSSIBILIDADE DE HOMOLOGAÇÃO DE COMPENSAÇÃO SEM QUE HAJA O RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO DO CONTRIBUINTE. Não há como homologar pedido de compensação feito pelo contribuinte, quando o seu direito creditório não foi reconhecido pela administração fazendária. Não existindo crédito para quitar os débitos indicados no pedido de compensação, este deve ser indeferido. Recurso Voluntário Negado
turma_s : Primeira Turma Especial da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Oct 03 00:00:00 UTC 2013
numero_processo_s : 10935.901554/2009-85
anomes_publicacao_s : 201310
conteudo_id_s : 5296282
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Oct 03 00:00:00 UTC 2013
numero_decisao_s : 3801-002.067
nome_arquivo_s : Decisao_10935901554200985.PDF
ano_publicacao_s : 2013
nome_relator_s : MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL
nome_arquivo_pdf_s : 10935901554200985_5296282.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Flavio de Castro Pontes - Presidente. (assinado digitalmente) Maria Inês Caldeira Pereida da Silva Murgel - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), Marcos Antonio Borges, José Luiz Feistauer de Oliveira, Sidney Eduardo Stahl, Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira e Maria Inês Caldeira Pereira da Silda Murgel.
dt_sessao_tdt : Wed Aug 21 00:00:00 UTC 2013
id : 5097458
ano_sessao_s : 2013
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:14:18 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046175177768960
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1642; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE01 Fl. 11 1 10 S3TE01 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10935.901554/200985 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3801002.067 – 1ª Turma Especial Sessão de 21 de agosto de 2013 Matéria IPI Recorrente C. VALE COOPERATIVA AGROINDUSTRIAL Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/03/2000 a 31/03/2000 PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. INDEFERIMENTO DO PEDIDO DE RESSARCIMENTO. IMPOSSIBILIDADE DE HOMOLOGAÇÃO DE COMPENSAÇÃO SEM QUE HAJA O RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO DO CONTRIBUINTE. Não há como homologar pedido de compensação feito pelo contribuinte, quando o seu direito creditório não foi reconhecido pela administração fazendária. Não existindo crédito para quitar os débitos indicados no pedido de compensação, este deve ser indeferido. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Flavio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Maria Inês Caldeira Pereida da Silva Murgel Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 5. 90 15 54 /2 00 9- 85 Fl. 59DF CARF MF Impresso em 03/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 23/09/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 02 /10/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10935.901554/200985 Acórdão n.º 3801002.067 S3TE01 Fl. 12 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), Marcos Antonio Borges, José Luiz Feistauer de Oliveira, Sidney Eduardo Stahl, Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira e Maria Inês Caldeira Pereira da Silda Murgel. Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da DRJCuritiba/PR, abaixo transcrito: Trata o processo de manifestação de inconformidade apresentada em 05/05/2009, em face da não homologação da compensação declarada por meio do Per/Dcomp nº 08047.02829.030805.1.3.041728,nos termos do despacho decisório emitido em 25/03/2009 pela DRF em Cascavel/PR (rastreamento nº 825035095). Na aludida Dcomp, transmitida eletronicamente em 03/08/2005, a contribuinte indicou um crédito de R$ 30.207,20 (que corresponde a uma parte do pagamento efetuado em 14/04/2000, sob o código 8109, no valor de R$ 55.745,51), vinculado ao Per/Dcomp nº 04033.96993.140305.1.2.042076, de 14/03/2005, objetivando a extinção de débitos de PIS (cód. 8109, R$ 107,24, período: 06/2005), Cofins (cód. 2172, R$ 494,99, período: 06/2005) e IRRF (cód. 0561, R$ 57.268,21, período: 5ª semana de julho de 2005). Segundo o despacho decisório, cientificado em 06/04/2009 (fl. 18), a compensação não foi homologada porque o crédito indicado para a compensação havia sido totalmente utilizado na extinção, por pagamento, do débito de PIS (8109) de março de 2000, no valor de R$ 55.745,51. Na manifestação apresentada, a interessada alega que “considerando que a apuração deuse através de estimativa mensal, constatouse que o valor recolhido era maior que o devido.” Informa que houve um pedido de “ressarcimento” em 14/03/2005 (Per 04033.96993.140305.1.2.042076) e que a compensação foi feita com débitos próprios, em obediência ao disposto nas instruções normativas de regência. Analisando o litígio, a DRJ Curitiba/PR considerou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada, conforme ementa abaixo transcrita: COMPENSAÇÃO. CRÉDITO ORIUNDO DE RESTITUIÇÃO INDEFERIDA. NÃO HOMOLOGAÇÃO. A Compensação de crédito vinculado a uma restituição indeferida com débitos administrados pela Receita Federal, de responsabilidade do contribuinte, não pode ser homologada. Fl. 60DF CARF MF Impresso em 03/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 23/09/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 02 /10/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10935.901554/200985 Acórdão n.º 3801002.067 S3TE01 Fl. 13 3 Manifestação de Inconformidade improcedente. Direito Creditório não reconhecido. No recurso voluntário apresentado tempestivamente, o Recorrente alega, em síntese, que (i) que houve a homologação tácita do pedido de ressarcimento; (ii) que o crédito pleiteado existe e pode ser utilizado em compensações e (iii) que não há que se falar em coisa julgada administrativa. É o relatório. Voto Conselheiro Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel O Recurso é tempestivo e preenche os requisitos para sua admissibilidade. Portanto, dele conheço. É fato incontroverso nos autos que, no processo administrativo de nº 04033.96993.140305.1.2.042076, no qual o Recorrente requer a restituição de tributos pagos indevidamente ou a maior, houve o indeferimento do pedido por parte da Receita Federal do Brasil. Tanto a Delegacia de Julgamento, no acórdão recorrido, como o próprio Recorrente, no Recurso Voluntário apresentado, atestam que houve o trânsito em julgado do procedimento administrativo e que os créditos não foram reconhecidos pela fiscalização. Neste passo, não poderia mesmo ser homologada compensação, em que os créditos indicados para pagar débitos próprios do contribuinte não foram reconhecidos pela Receita Federal. Nas razões recursais do Recorrente, este alega que houve a homologação tácita do pedido de restituição e, por isso, os créditos devem ser reconhecidos. Contudo, deveria, o Recorrente, ter suscitado tal matéria nos autos do próprio procedimento administrativo ou, se fosse o caso, pedido o reconhecimento desse direito perante o Poder Judiciário. O que, a princípio, não aconteceu. No presente procedimento de compensação, não existem elementos para analisar a afirmação de homologação tácita alegada. E mesmo que houvesse, não se poderia alterar decisão proferida em outro PA. Por outro lado, também não assiste razão ao Recorrente ao tentar demonstrar a liquidez do crédito revindicado em outro processo administrativo. Como mencionado, no presente processo administrativo de compensação, discutese a possibilidade de o contribuinte liquidar débitos próprios com supostos créditos originados de pagamentos indevidos ou a maior. Uma vez não reconhecido o direito creditório, não há como se homologar o pedido de compensação. Fl. 61DF CARF MF Impresso em 03/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 23/09/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 02 /10/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10935.901554/200985 Acórdão n.º 3801002.067 S3TE01 Fl. 14 4 Por fim, em que pese o Recorrente afirmar que não existe “trânsito em julgado administrativo”, não foi acostado aos autos nenhuma prova, inclusive de medida judicial, capaz de reformar a decisão proferida no processo administrativo nº 04033.96993.140305.1.2.042076. Assim, também não assiste razão ao contribuinte neste ponto. Desta forma, sem maiores delongas, pela simplicidade da questão analisada, conhecendo do Recurso Voluntário apresentado, voto por negar provimento a este. (assinado digitalmente) Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel Relator Fl. 62DF CARF MF Impresso em 03/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 23/09/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 02 /10/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
score : 1.0
Numero do processo: 10120.001389/2008-63
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Aug 07 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Oct 16 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/07/1997 a 31/07/1998
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS - RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA - CESSÃO DE MÃO-DE-OBRA - TRIBUTOS SUJEITOS AO LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO - DECADÊNCIA.
As contribuições previdenciárias são tributos sujeitos ao regime do denominado lançamento por homologação, sendo que, na visão deste julgador, exceto para as hipóteses de dolo, fraude ou simulação, o prazo decadencial para a constituição de créditos tributários é de cinco anos contados do fato gerador, que ocorre em cada competência. Ultrapassado esse lapso temporal, sem a expedição de lançamento de ofício, opera-se a decadência, a atividade exercida pelo contribuinte está tacitamente homologada e o crédito tributário extinto, nos termos do artigo 150, § 4° e do artigo 156, inciso V, ambos do CTN.
Contudo, por força do artigo 62-A do RICARF, este Colegiado deve reproduzir a decisão proferida pelo Egrégio STJ nos autos do REsp n° 973.733/SC, ou seja, O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) conta-se do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito.
No caso, relativamente ao período em apreço, a empresa efetuou recolhimentos de contribuições previdenciárias, sendo que inexiste a acusação pela fiscalização de dolo, fraude ou simulação, ou seja, teria aplicação a este feito a regra do artigo 150, § 4°, do CTN.
Não obstante, a decisão recorrida entendeu aplicável ao caso o artigo 173, inciso I, do CTN. Apenas a Fazenda Nacional recorreu, insurgindo-se com relação ao termo inicial do prazo previsto neste dispositivo legal, no que se refere à competência 12/1997.
Impossibilidade de haver reformatio in pejus.
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS EXIGIDAS DE OFÍCIO - PENALIDADE - RETROATIVIDADE BENIGNA.
A penalidade exigida da interessada estava prevista no artigo 35, inciso II, da Lei n° 8.212/91. Com o advento da Lei n° 11.941/2009, que inseriu o artigo 35-A na Lei n° 8.212/91, as multas para situações como esta seguem o disposto no artigo 44 da Lei n° 9.430/96. O lançamento está correto e, de acordo com artigo 106, inciso II, alínea c, do CTN, a nova regra só se aplica ao caso se for mais benéfica à autuada.
Recurso especial provido em parte.
Numero da decisão: 9202-002.794
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso para restabelecer a multa lançada. Vencidos os Conselheiros Manoel Coelho Arruda Junior e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira que negavam provimento ao recurso.
(Assinado digitalmente)
Henrique Pinheiro Torres - Presidente em exercício
(Assinado digitalmente)
Gonçalo Bonet Allage Relator
EDITADO EM: 16/08/2013
Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres (Presidente em exercício), Gonçalo Bonet Allage, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka (suplente convocado), Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Ausente, justificadamente, a Conselheira Susy Gomes Hoffmann.
Nome do relator: GONCALO BONET ALLAGE
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201308
camara_s : 2ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/07/1997 a 31/07/1998 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS - RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA - CESSÃO DE MÃO-DE-OBRA - TRIBUTOS SUJEITOS AO LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO - DECADÊNCIA. As contribuições previdenciárias são tributos sujeitos ao regime do denominado lançamento por homologação, sendo que, na visão deste julgador, exceto para as hipóteses de dolo, fraude ou simulação, o prazo decadencial para a constituição de créditos tributários é de cinco anos contados do fato gerador, que ocorre em cada competência. Ultrapassado esse lapso temporal, sem a expedição de lançamento de ofício, opera-se a decadência, a atividade exercida pelo contribuinte está tacitamente homologada e o crédito tributário extinto, nos termos do artigo 150, § 4° e do artigo 156, inciso V, ambos do CTN. Contudo, por força do artigo 62-A do RICARF, este Colegiado deve reproduzir a decisão proferida pelo Egrégio STJ nos autos do REsp n° 973.733/SC, ou seja, O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) conta-se do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito. No caso, relativamente ao período em apreço, a empresa efetuou recolhimentos de contribuições previdenciárias, sendo que inexiste a acusação pela fiscalização de dolo, fraude ou simulação, ou seja, teria aplicação a este feito a regra do artigo 150, § 4°, do CTN. Não obstante, a decisão recorrida entendeu aplicável ao caso o artigo 173, inciso I, do CTN. Apenas a Fazenda Nacional recorreu, insurgindo-se com relação ao termo inicial do prazo previsto neste dispositivo legal, no que se refere à competência 12/1997. Impossibilidade de haver reformatio in pejus. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS EXIGIDAS DE OFÍCIO - PENALIDADE - RETROATIVIDADE BENIGNA. A penalidade exigida da interessada estava prevista no artigo 35, inciso II, da Lei n° 8.212/91. Com o advento da Lei n° 11.941/2009, que inseriu o artigo 35-A na Lei n° 8.212/91, as multas para situações como esta seguem o disposto no artigo 44 da Lei n° 9.430/96. O lançamento está correto e, de acordo com artigo 106, inciso II, alínea c, do CTN, a nova regra só se aplica ao caso se for mais benéfica à autuada. Recurso especial provido em parte.
turma_s : 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Wed Oct 16 00:00:00 UTC 2013
numero_processo_s : 10120.001389/2008-63
anomes_publicacao_s : 201310
conteudo_id_s : 5299856
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Oct 17 00:00:00 UTC 2013
numero_decisao_s : 9202-002.794
nome_arquivo_s : Decisao_10120001389200863.PDF
ano_publicacao_s : 2013
nome_relator_s : GONCALO BONET ALLAGE
nome_arquivo_pdf_s : 10120001389200863_5299856.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso para restabelecer a multa lançada. Vencidos os Conselheiros Manoel Coelho Arruda Junior e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira que negavam provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Henrique Pinheiro Torres - Presidente em exercício (Assinado digitalmente) Gonçalo Bonet Allage Relator EDITADO EM: 16/08/2013 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres (Presidente em exercício), Gonçalo Bonet Allage, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka (suplente convocado), Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Ausente, justificadamente, a Conselheira Susy Gomes Hoffmann.
dt_sessao_tdt : Wed Aug 07 00:00:00 UTC 2013
id : 5119680
ano_sessao_s : 2013
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:14:51 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046175191400448
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 13; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2633; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT2 Fl. 248 1 247 CSRFT2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10120.001389/200863 Recurso nº 260.159 Especial do Procurador Acórdão nº 9202002.794 – 2ª Turma Sessão de 07 de agosto de 2013 Matéria DECADÊNCIA E MULTA Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado CONSTRUTORA CENTRAL DO BRASIL LTDA. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/07/1997 a 31/07/1998 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA CESSÃO DE MÃODEOBRA TRIBUTOS SUJEITOS AO LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO DECADÊNCIA. As contribuições previdenciárias são tributos sujeitos ao regime do denominado lançamento por homologação, sendo que, na visão deste julgador, exceto para as hipóteses de dolo, fraude ou simulação, o prazo decadencial para a constituição de créditos tributários é de cinco anos contados do fato gerador, que ocorre em cada competência. Ultrapassado esse lapso temporal, sem a expedição de lançamento de ofício, operase a decadência, a atividade exercida pelo contribuinte está tacitamente homologada e o crédito tributário extinto, nos termos do artigo 150, § 4° e do artigo 156, inciso V, ambos do CTN. Contudo, por força do artigo 62A do RICARF, este Colegiado deve reproduzir a decisão proferida pelo Egrégio STJ nos autos do REsp n° 973.733/SC, ou seja, “O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito.” No caso, relativamente ao período em apreço, a empresa efetuou recolhimentos de contribuições previdenciárias, sendo que inexiste a acusação pela fiscalização de dolo, fraude ou simulação, ou seja, teria aplicação a este feito a regra do artigo 150, § 4°, do CTN. Não obstante, a decisão recorrida entendeu aplicável ao caso o artigo 173, inciso I, do CTN. Apenas a Fazenda Nacional recorreu, insurgindose com AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 00 13 89 /2 00 8- 63 Fl. 1DF CARF MF Impresso em 17/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/10/2 013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 18/09/2013 por GONCALO BONET ALLAGE Processo nº 10120.001389/200863 Acórdão n.º 9202002.794 CSRFT2 Fl. 249 2 relação ao termo inicial do prazo previsto neste dispositivo legal, no que se refere à competência 12/1997. Impossibilidade de haver reformatio in pejus. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS EXIGIDAS DE OFÍCIO PENALIDADE RETROATIVIDADE BENIGNA. A penalidade exigida da interessada estava prevista no artigo 35, inciso II, da Lei n° 8.212/91. Com o advento da Lei n° 11.941/2009, que inseriu o artigo 35A na Lei n° 8.212/91, as multas para situações como esta seguem o disposto no artigo 44 da Lei n° 9.430/96. O lançamento está correto e, de acordo com artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, a nova regra só se aplica ao caso se for mais benéfica à autuada. Recurso especial provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso para restabelecer a multa lançada. Vencidos os Conselheiros Manoel Coelho Arruda Junior e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira que negavam provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Henrique Pinheiro Torres Presidente em exercício (Assinado digitalmente) Gonçalo Bonet Allage – Relator EDITADO EM: 16/08/2013 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres (Presidente em exercício), Gonçalo Bonet Allage, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka (suplente convocado), Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Ausente, justificadamente, a Conselheira Susy Gomes Hoffmann. Relatório Em face de Construtora Central do Brasil Ltda., CNPJ n° 02.156.313/0001 69, foi lavrada a notificação fiscal de lançamento de débito n° 35.642.6173 (fls. 0113), para a exigência de contribuições previdenciárias por responsabilidade solidária, relativamente a serviços que lhe foram prestados por empresa cedente de mãodeobra (Marildo da Silva, CNPJ n° 00.887.665/000169), quanto a fatos ocorridos entre as competências 07/1997 e 07/1998. Fl. 2DF CARF MF Impresso em 17/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/10/2 013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 18/09/2013 por GONCALO BONET ALLAGE Processo nº 10120.001389/200863 Acórdão n.º 9202002.794 CSRFT2 Fl. 250 3 A ciência do lançamento se deu em 03/12/2003 (fls. 01). Apreciando o recurso voluntário interposto pela empresa, a Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF proferiu o acórdão n° 230101.958, que se encontra às fls. 179188, cuja ementa é a seguinte: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/07/1997 a 31/07/1998 DECADÊNCIA. PRAZO DE CINCO ANOS. DISCUSSÃO DO DIES A QUO NO CASO CONCRETO. De acordo com a Súmula Vinculante nº 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional (CTN). O prazo decadencial, portanto, é de cinco anos. O dies a quo do referido prazo é, em regra, aquele estabelecido no art. 173, inciso I do CTN (primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado), mas a regra estipulativa deste é deslocada para o art. 150, §4º do CTN (data do fato gerador) para os casos de lançamento por homologação. Constatandose dolo, fraude ou simulação, a regra decadencial é reenviada para o art. 173, inciso I do CTN. No caso dos autos, não foram encontrados pagamentos referentes aos fatos geradores que interessam para a discussão da decadência, logo impõese a aplicação da regra do art. 173, inciso I. CONSTITUCIONALIDADE DE DISPOSITIVOS LEGAIS. Não cabe à instância administrativa decidir questões relativas à constitucionalidade de dispositivos legais, competência exclusiva do Poder Judiciário. CESSÃO DE MÃO DE OBRA. OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA EXCLUSIVA DO TOMADOR DE SERVIÇOS PELA RETENÇÃO DE 11% SOBRE O VALOR DA NOTA FISCAL OU DA FATURA. O art. 31 da Lei nº 8.212/1991 impõe ao tomador de serviços a obrigação exclusiva de reter e recolher o valor correspondente a 11% sobre o montante pago ao cedente da mão de obra. A exigência do valor que deveria ter sido retido deve ser feita tão somente ao tomador de serviços, sendo irrelevante o recolhimento das contribuições previdenciárias pelo prestador dos serviços. DISCUSSÃO NO RECURSO VOLUNTÁRIO SOBRE MATÉRIA NÃO ALEGADA NA IMPUGNAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. PRECLUSÃO. ART. 17 DO DECRETO 70.235/1972. Recai sobre o contribuinte o ônus da prova relativa ao cumprimento das obrigações que lhes foram atribuídas. Fl. 3DF CARF MF Impresso em 17/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/10/2 013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 18/09/2013 por GONCALO BONET ALLAGE Processo nº 10120.001389/200863 Acórdão n.º 9202002.794 CSRFT2 Fl. 251 4 Não cabe apreciar, em via recursal, matéria divergente da referida na peça de defesa administrativa, uma vez que afetada pela preclusão. MULTA MORATÓRIA. PENALIDADE MAIS BENÉFICA. As contribuições sociais previdenciárias estão sujeitas à multa de mora, na hipótese de recolhimento em atraso devendo observar o disposto na nova redação dada ao artigo 35, da Lei 8.212/91. Eis a anotação do resultado do julgamento: “I) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao recurso, nas preliminares, para excluir devido a regra decadencial expressa no Inciso I, Art. 173 do CTN as contribuições apuradas até 12/1997, anteriores a 01/1998, nos termos do voto do Redator designado.Vencidos os Conselheiros Leonardo Henrique Pires Lopes e Damião Cordeiro de Moraes, que votaram para aplicar a regra expressa no § 4º, Art. 150 do CTN; b) em dar provimento parcial ao recurso, no mérito, para que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram pela manutenção da multa aplicada; II) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento às demais alegações apresentadas pela Recorrente, nos termos do voto do Relator. Redator designado: Mauro José Silva.” Intimada do acórdão em 15/08/2011 (fls. 189), a Fazenda Nacional opôs embargos de declaração às fls. 192199 apontando obscuridade/erro material com relação à decadência. Nos termos da manifestação de fls. 200201 os embargos restaram rejeitados. A Fazenda Nacional, então, interpôs recurso especial às fls. 205224, acompanhado dos documentos de fls. 225245, onde defendeu, inicialmente, que o termo inicial da contagem do prazo decadencial, de acordo com a regra do artigo 173, inciso I, do CTN, é o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ser efetuado. Indicou como paradigma o acórdão n° 240101.759. Alegou, ainda, que: a) Com relação à incidência do artigo 35A da Lei n° 8.212/91, há nítida divergência entre a decisão recorrida e o acórdão n° 240100.120; b) Cumpre observar que o acórdão indicado como paradigma, assim como o acórdão recorrido, foram proferidos após o advento da MP n° 449, de 03/12/2008, convertida na Lei n° 11.941 de 27/05/2009, e, portanto, a análise da matéria ocorreu à luz da alteração da redação do caput do art. 35 da Lei n°8.212/91; c) Insta aqui consignar que a hipótese em análise no acórdão paradigma é idêntica a que ora se reporta. Isso porque o que se encontrava em julgamento era o lançamento de contribuições devidas à Seguridade Social e se travou discussão acerca da retroatividade benigna, nos termos do art. 106, do CTN, em virtude das alterações promovidas pela Lei n° 11.941/2009 (fruto da conversão da MP n° 449/2008) no art. 35 da Lei n°8.212/91; d) Contudo, embora diante de situações semelhantes, os órgãos julgadores prolatores do acórdão recorrido e do paradigma encamparam conclusões Fl. 4DF CARF MF Impresso em 17/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/10/2 013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 18/09/2013 por GONCALO BONET ALLAGE Processo nº 10120.001389/200863 Acórdão n.º 9202002.794 CSRFT2 Fl. 252 5 diversas acerca da aplicação e interpretação da norma jurídica, em especial do art. 35, caput (redação revogada e com a novel redação dada pela MP n° 449/2008 posteriormente convertida na Lei n° 11.941/2009) e do art. 35A da Lei n°8.212/1991. Ao examinar a matéria pertinente à multa aplicada, o acórdão recorrido entendeu que deveria ser aplicada ao caso a retroatividade benigna, sob o fundamento de que o artigo 35, caput, da Lei n° 8.212/1991 deveria ser observado e comparado com a atual redação emprestada pela Lei n° 11.941/2009; e) Ao revés, o paradigma adotou solução diametralmente oposta. Para o órgão prolator do paradigma, o art. 35 da Lei n° 8.212/1991 deveria agora ser observado à luz da norma introduzida pela Lei n° 11.941/2009, qual seja, o art. 35A que, por sua vez, faz remissão ao art. 44, da Lei n° 9.430/96. No julgado paradigma, a aplicação da retroatividade benigna na forma de aplicação do art. 61 da Lei n° 9.430/1996 (norma à qual a atual redação do caput do art. 35 com a redação dada pela Lei n° 11.941/2009 faz remissão) foi rechaçada de forma expressa; f) Dessa forma, uma vez evidenciada a divergência jurisprudencial no que toca ao diploma legal a reger a aplicabilidade da multa no caso em testilha, passase a demonstrar doravante as razões pelas quais merece ser adotado o entendimento exarado no paradigma, reformandose, assim, o v. acórdão ora recorrido; g) O artigo 35 da Lei n° 8.212/91 na nova redação conferida pela MP n° 449/2008, convertida na Lei n° 11.941/2009, não pode ser entendido de forma isolada do contexto legislativo no qual esta inserido, sobretudo de forma totalmente dissociada das alterações introduzidas pela MP n° 449 à legislação previdenciária; h) Para a solução destes questionamentos, devese lembrar que "não se interpreta o Direito em tiras, aos pedaços. (...) um texto de direito isolado, destacado, desprendido do sistema jurídico, não expressa significado normativo algum"; i) Nesse contexto, impende considerar que a Lei n° 11.941, de 2009 (fruto da conversão da MP n° 449 de 2008), ao mesmo tempo em que alterou a redação do artigo 35, introduziu na Lei de Organização da Previdência Social o artigo 35A, a fim de instituir uma nova sistemática de constituição dos créditos previdenciários e respectivos acréscimos legais de forma similar a sistemática aplicável para os demais tributos federais; j) A redação do art. 35A é clara. Efetuado o lançamento de ofício das contribuições previdenciárias indicadas no artigo 35 da Lei n° 8.212/91, deverá ser aplicada a multa de ofício prevista no artigo 44 da Lei n° 9.430/96; k) Assim, à semelhança do que ocorre com os demais tributos federais, verificado que o contribuinte não realizou o pagamento ou o recolhimento do tributo devido, cumpre a fiscalização realizar o Fl. 5DF CARF MF Impresso em 17/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/10/2 013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 18/09/2013 por GONCALO BONET ALLAGE Processo nº 10120.001389/200863 Acórdão n.º 9202002.794 CSRFT2 Fl. 253 6 lançamento de ofício e aplicar a respectiva multa (de ofício) prevista no artigo 44 da Lei n° 9.430/96; l) Por outro lado, como sói ocorrer com os demais tributos federais, a incidência da multa de mora ocorrerá naqueles casos expressos no art. 61 da Lei n° 9.430/96. Ou seja, nas hipóteses em que o contribuinte incorreu na mora e efetuou o recolhimento em atraso, de forma espontânea, independente do lançamento de ofício, efetuado com esteio no art. 149 do CTN; m) Assim, no lançamento de ofício, diante da falta de pagamento ou recolhimento do tributo e/ou falta de declaração ou declaração inexata, são exigidos, além do principal e dos juros moratórios, os valores relativos às penalidades pecuniárias que no caso consistirá na multa de ofício. A multa de ofício será aplicada quando realizado o lançamento para a constituição do crédito tributário. A incidência da multa de mora, por sua vez, ficará reservada para aqueles casos nos quais o sujeito passivo, extemporaneamente, realiza o pagamento ou o recolhimento antes do procedimento de ofício (ou seja, espontaneamente — o que não foi o caso). Essa mesma sistemática deverá ser aplicada às contribuições previdenciárias, em razão do advento da MP n° 449 de 2008, posteriormente convertida da Lei n° 11.941/09. É o que se percebe pela simples leitura do art. 35A da Lei n° 8.212; n) Logo, diante da redação explícita da norma, fica claro que, tratandose de lançamento de ofício, considerandose que não houve o recolhimento ou pagamento do tributo devido, a multa a ser aplicada é aquela prevista no art. 44 da Lei n° 9.430/96; o) A multa de mora, diante da novel sistemática, tanto no microssistema previdenciário, quanto de acordo com a disciplina da Lei n° 9.430 aplicável em relação aos demais tributos federais, não terá lugar nesse lançamento de ofício. A multa de mora e a multa de ofício são excludentes entre si. E deve prevalecer, na hipótese de lançamento de ofício, configurada a falta ou recolhimento do tributo e/ou a falta de declaração ou declaração inexata, a multa de ofício prevista no art. 44 da Lei n° 9.430/96, diante da literalidade do art. 35A; p) Nessa esteira, não há como se adotar outro entendimento senão o de que a multa de mora prevista no art. 35, da Lei n° 8.212/91 em sua redação antiga (revogada) está inserida em sistemática totalmente distinta da multa de mora prescrita no art. 61 da Lei n° 9.430/96. Logo, por esse motivo não se poderia aplicar à espécie o disposto no art. 106 do CTN, pois, para a interpretação e aplicação da retroatividade benigna, a comparação é feita em relação à mesma conduta infratora praticada, em relação à mesma penalidade; q) Como conclusão, para se averiguar sobre a ocorrência da retroatividade benigna no caso concreto, a comparação entre normas deve ser feita entre o art. 35, da Lei n° 8.212/91 em sua redação antiga (revogada) e o art. 35A da LOPS; Fl. 6DF CARF MF Impresso em 17/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/10/2 013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 18/09/2013 por GONCALO BONET ALLAGE Processo nº 10120.001389/200863 Acórdão n.º 9202002.794 CSRFT2 Fl. 254 7 r) A tese encampada pelo acórdão recorrido no sentido de que há retroatividade benigna em razão do advento da MP n° 449/2008 (convertida na Lei n° 11.941/2009) que conferiu nova redação ao art. 35 da Lei n° 8.212/91, portanto, não merece prevalecer, pois a forma de cálculo ali defendida somente pode ser utilizada no caso em que o contribuinte incorreu na mora e efetuou o recolhimento em atraso espontaneamente. Na espécie, não houve recolhimento espontâneo do tributo devido. Houve isto sim lançamento de ofício, logo, inarredável a aplicação das disposições específicas da legislação previdenciária; s) O lançamento em testilha deve ser mantido, com a ressalva de que, no momento da execução do julgado, a autoridade fiscal deverá apreciar a norma mais benéfica: se a multa anterior (art. 35, II, da norma revogada) ou o art. 35A da Lei n°8212/1991, introduzido pela Lei n°11.941/2009; t) Requer seja admitido e provido o recurso para, na parte objeto de inconformismo, reformar o acórdão recorrido, no sentido de se afastar a decadência em relação às contribuições previdenciárias apuradas em 12/1997, aplicandose, quanto ao cálculo da multa, a disciplina do art. 35A da Lei n° 8.212/91, se mais benéfico. Admitido o recurso por meio do despacho n° 2300271/2012 (fls. 232), a contribuinte foi intimada e, devidamente representada, apresentou contrarrazões às fls. 242 245, onde defendeu, fundamentalmente, a necessidade de manutenção do acórdão recorrido. É o Relatório. Voto Conselheiro Gonçalo Bonet Allage, Relator O Recurso Especial da Fazenda Nacional cumpre os pressupostos de admissibilidade e deve ser conhecido. Reitero que o acórdão proferido pela Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção do CARF, por maioria de votos, acolheu a decadência para os fatos ocorridos até a competência 12/1997, pela regra do artigo 173, inciso I, do CTN (os Conselheiros vencidos estenderam a decadência até a competência 07/1998, por força do artigo 150, § 4°, do CTN) e determinou a aplicação da multa prevista no artigo 61 da Lei n° 9.430/96, se mais benéfica à empresa. Nas demais questões, negou provimento ao recurso, por unanimidade de votos. Com relação à decadência, a insurgência da recorrente está relacionada à competência 12/1997 e sua pretensão é no sentido de que a contagem do prazo decadencial previsto no artigo 173, inciso I, do CTN, tenha início no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ser efetuado, lembrando que a ciência da exigência se deu em 03/12/2003. Fl. 7DF CARF MF Impresso em 17/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/10/2 013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 18/09/2013 por GONCALO BONET ALLAGE Processo nº 10120.001389/200863 Acórdão n.º 9202002.794 CSRFT2 Fl. 255 8 Segundo a legislação e de acordo com a jurisprudência pacífica desta Corte Administrativa, as contribuições previdenciárias em apreço são tributos sujeitos ao regime do chamado lançamento por homologação, já que cabe aos contribuintes a apuração das suas base de cálculo e o recolhimento dos montantes devidos, submetendo, posteriormente, esse procedimento à autoridade administrativa, que deverá, homologar ou não, expressa ou tacitamente, a atividade exercida pelo obrigado. A homologação expressa, para os tributos sujeitos ao regime do lançamento por homologação, deve se dar no prazo de 5 (cinco) anos, a contar da ocorrência do fato gerador, que ocorre em cada competência. Ultrapassado esse prazo, sem ter sido lavrado lançamento de ofício pela autoridade administrativa, considerase homologada tacitamente a atividade exercida pelo contribuinte e extinto o crédito tributário, nos termos do artigo 150, § 4°, do CTN, que prevê: Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. (...) § 4°. Se a lei não fixar prazo à homologação, será ele de 5 (cinco) anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. O decurso do prazo de 5 (cinco) anos, a contar da ocorrência do fato gerador, implica na homologação tácita da atividade exercida pelo contribuinte e, em razão do instituto da decadência, previsto no artigo 156, inciso V, do CTN, extingue o crédito tributário. Considerando que o caso em apreço envolve fatos geradores ocorridos nas competências compreendidas entre 07/1997 e 07/1998 e diante do fato de que o sujeito passivo da obrigação tributária tomou ciência da notificação fiscal de lançamento de débito em 03/12/2003 (fls. 01), concluo que a decadência impede a manutenção do lançamento. Na visão deste julgador, como não se imputou à empresa as condutas de dolo, fraude ou simulação, inexiste fundamento legal que justifique a contagem do prazo decadencial da forma prevista no artigo 173, inciso I, do Código Tributário Nacional. Entendo que para o início da contagem do prazo decadencial relativamente aos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, a existência ou não de pagamento antecipado é irrelevante. A homologação é da atividade e não do pagamento. Esta é a minha posição a respeito da matéria. Fl. 8DF CARF MF Impresso em 17/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/10/2 013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 18/09/2013 por GONCALO BONET ALLAGE Processo nº 10120.001389/200863 Acórdão n.º 9202002.794 CSRFT2 Fl. 256 9 Contudo, por força do que determina o artigo 62A do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, não posso deixar de reproduzir aqui o julgamento proferido pelo Egrégio Superior Tribunal de Justiça – STJ nos autos do REsp n° 973.733/SC, cuja ementa tem o seguinte teor: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Fl. 9DF CARF MF Impresso em 17/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/10/2 013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 18/09/2013 por GONCALO BONET ALLAGE Processo nº 10120.001389/200863 Acórdão n.º 9202002.794 CSRFT2 Fl. 257 10 Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (STJ, Primeira Seção, REsp n° 973.733/SC, Relator Ministro Luiz Fux, DJE de 18/09/2009) Portanto, segundo o Egrégio STJ, para os tributos sujeitos ao lançamento por homologação, quando inexistir pagamento antecipado o prazo decadencial qüinqüenal contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, sendo que “O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o ‘primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado’ corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, ...”. Dessa forma, tornase importante analisar a comprovação quanto à existência ou não de pagamento de contribuições previdenciárias no período em apreço. No Termo de Encerramento de Ação Fiscal – TEAF de fls. 22 a autoridade lançadora informa que examinou comprovantes de recolhimento. Assim, tenho como inquestionável a existência de pagamento antecipado. Ademais, ainda que assim não fosse, entendo que o deslocamento da regra geral dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação do artigo 150, § 4°, do CTN para o mandamento do artigo 173, inciso I, do CTN exige da autoridade lançadora o ônus da prova de que o contribuinte não efetuou nenhum recolhimento de contribuições previdenciárias. E isso não ocorreu. Não se pode presumir a ausência de pagamento. Por fim, não se pode deixar de ressaltar, novamente, que o caso em apreço envolve responsabilidade solidária em razão de utilização de serviços por cessão de mãode obra. Não se exige nada além disso. Fl. 10DF CARF MF Impresso em 17/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/10/2 013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 18/09/2013 por GONCALO BONET ALLAGE Processo nº 10120.001389/200863 Acórdão n.º 9202002.794 CSRFT2 Fl. 258 11 Na visão deste julgador, portanto, a regra aplicável ao caso é aquela prevista no artigo 150, § 4°, do CTN, de modo que o lançamento está fulminado pela decadência, pois envolve fatos ocorridos entre as competências 07/1997 e 07/1998 e a ciência se deu em 03/12/2003. Explicado isso tudo, destaco que o recurso especial é da Fazenda Nacional e discutese apenas a decadência para a competência 12/1997. Para que não ocorra reformatio in pejus, devo, apenas, negar provimento ao recurso, por fundamento diverso daquele adotado pela decisão de segunda instância. Superado esse ponto, passo a apreciar a questão da penalidade. As multas incidentes sobre as contribuições previdenciárias em atraso sofreram significativa alteração com o advento da Lei n° 11.941/2009, resultado da conversão da Medida Provisória n° 449/2008, sendo que a controvérsia trazida à apreciada deste Colegiado envolve a retroatividade benigna do artigo 106, inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional – CTN. No caso, a penalidade exigida da interessada estava prevista no artigo 35, incisos II e III, da Lei n° 8.212/91, nos seguintes termos: Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: (...) II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; b) trinta por cento, após o 15º dia do recebimento da notificação; c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; d) cinqüenta por cento, após o 15º dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa; III para pagamento do crédito inscrito em Dívida Ativa: a) sessenta por cento, quando não tenha sido objeto de parcelamento; b) setenta por cento, se houve parcelamento; Fl. 11DF CARF MF Impresso em 17/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/10/2 013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 18/09/2013 por GONCALO BONET ALLAGE Processo nº 10120.001389/200863 Acórdão n.º 9202002.794 CSRFT2 Fl. 259 12 c) oitenta por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito não foi objeto de parcelamento; d) cem por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito foi objeto de parcelamento. Com a edição da Lei n° 11.941/2009, a Lei n° 8.212/91 passou a ter o artigo 35A, dispondo que: Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996. A redação atual do artigo 44 da Lei n° 9.430/96 é a seguinte: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (...) § 1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. A pretensão da recorrente é no sentido de que se aplique ao caso a regra do artigo 35A da Lei n° 8.212/91, devendose verificar, no momento da execução do julgado qual norma é mais benéfica à autuada (se a multa anterior prevista no artigo 35, inciso II, da norma revogada ou a do artigo 35A da Lei n° 8.212/91). O acórdão recorrido, por sua vez, entendeu que a penalidade prevista no artigo 35, inciso II, da Lei n° 8.212/91 restou substituída pela norma do artigo 35 da Lei n° 8.212/91, na redação dada pela Lei n° 11.941/2009, segundo a qual: Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas “a”, “b” e “c”, do parágrafo único, do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Importante trazer à colação o referido artigo 61 da Lei n° 9.430/96, cuja redação é a seguinte: Art.61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, Fl. 12DF CARF MF Impresso em 17/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/10/2 013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 18/09/2013 por GONCALO BONET ALLAGE Processo nº 10120.001389/200863 Acórdão n.º 9202002.794 CSRFT2 Fl. 260 13 cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. §1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. §2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. §3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Para o acórdão recorrido, portanto, a penalidade estaria limitada a 20%. Segundo penso, estáse diante de multa de ofício, na medida em que a exigência em apreço é feita através de NFLD. Entendo, pois, que o lançamento está correto e tenho como aplicável ao caso a regra do artigo 35A da Lei n° 8.212/91, desde que mais benéfica ao contribuinte, de modo que o acórdão recorrido não pode prevalecer. A penalidade decorrente deste feito não pode exceder 75%, nos termos do artigo 44, inciso I, da Lei n° 9.430/96. Diante do exposto, voto no sentido de dar parcial provimento ao recurso especial interposto pela Fazenda Nacional para restabelecer a multa lançada. (Assinado digitalmente) Gonçalo Bonet Allage Fl. 13DF CARF MF Impresso em 17/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/10/2 013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 18/09/2013 por GONCALO BONET ALLAGE
score : 1.0
Numero do processo: 10660.722209/2010-98
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 16 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Aug 19 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/02/2009 a 28/02/2009
Os embargos de declaração são cabíveis quando houver no acórdão, omissão, contradição ou obscuridade ou para sanar erro material, nos termos dos arts. 65 e 66 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela portaria GMF nº 256, de 22 de junho de 2009.
Verificada a contradição entre os fundamentos e a conclusão do julgado, impõe-se o acerto devido.
Embargos de declaração da Fazenda Nacional acolhidos, alterando-se a conclusão e ementa, que passam a ter a seguinte redação:
CONCLUSÃO
Pelo exposto, voto por CONHECER do recurso para, no mérito, NEGAR-LHE PROVIMENTO para manter o crédito lançado, ressalvado que a RFB deve proceder a apropriação dos recolhimentos efetuados vinculados a matrícula da obra (CEI)objeto do processo em questão. Vencido(a) o(a) Conselheiro(a) Amilcar Barca Teixeira Junior e Gustavo Vettorato.
E a ementa:
OBRA PESSOA FÍSICA. RECOLHIMENTO EM GPS APÓS LAVRATURA DA NFLD.
Cabe aos órgãos de cobrança da Receita Federal do Brasil efetivar as devidas apropriações de recolhimentos efetuados em GPS após o término da ação fiscal.
Recurso Voluntário Negado
Embargos Acolhidos.
Numero da decisão: 2803-002.514
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos, nos termos do voto proferido, que passa a integrar a decisão embargada, para sanar a contradição configurada.
assinado digitalmente
Helton Carlos Praia de Lima - Presidente.
assinado digitalmente
Oséas Coimbra - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima, Oséas Coimbra Júnior, Gustavo Vettorato, Amílcar Barca Teixeira Júnior, Eduardo de Oliveira e Fábio Pallaretti Calcini.
Nome do relator: OSEAS COIMBRA JUNIOR
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201307
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/02/2009 a 28/02/2009 Os embargos de declaração são cabíveis quando houver no acórdão, omissão, contradição ou obscuridade ou para sanar erro material, nos termos dos arts. 65 e 66 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela portaria GMF nº 256, de 22 de junho de 2009. Verificada a contradição entre os fundamentos e a conclusão do julgado, impõe-se o acerto devido. Embargos de declaração da Fazenda Nacional acolhidos, alterando-se a conclusão e ementa, que passam a ter a seguinte redação: CONCLUSÃO Pelo exposto, voto por CONHECER do recurso para, no mérito, NEGAR-LHE PROVIMENTO para manter o crédito lançado, ressalvado que a RFB deve proceder a apropriação dos recolhimentos efetuados vinculados a matrícula da obra (CEI)objeto do processo em questão. Vencido(a) o(a) Conselheiro(a) Amilcar Barca Teixeira Junior e Gustavo Vettorato. E a ementa: OBRA PESSOA FÍSICA. RECOLHIMENTO EM GPS APÓS LAVRATURA DA NFLD. Cabe aos órgãos de cobrança da Receita Federal do Brasil efetivar as devidas apropriações de recolhimentos efetuados em GPS após o término da ação fiscal. Recurso Voluntário Negado Embargos Acolhidos.
turma_s : Terceira Turma Especial da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Aug 19 00:00:00 UTC 2013
numero_processo_s : 10660.722209/2010-98
anomes_publicacao_s : 201308
conteudo_id_s : 5284876
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Aug 19 00:00:00 UTC 2013
numero_decisao_s : 2803-002.514
nome_arquivo_s : Decisao_10660722209201098.PDF
ano_publicacao_s : 2013
nome_relator_s : OSEAS COIMBRA JUNIOR
nome_arquivo_pdf_s : 10660722209201098_5284876.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos, nos termos do voto proferido, que passa a integrar a decisão embargada, para sanar a contradição configurada. assinado digitalmente Helton Carlos Praia de Lima - Presidente. assinado digitalmente Oséas Coimbra - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima, Oséas Coimbra Júnior, Gustavo Vettorato, Amílcar Barca Teixeira Júnior, Eduardo de Oliveira e Fábio Pallaretti Calcini.
dt_sessao_tdt : Tue Jul 16 00:00:00 UTC 2013
id : 5017542
ano_sessao_s : 2013
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:12:43 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046175212371968
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2020; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2TE03 Fl. 192 1 191 S2TE03 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10660.722209/201098 Recurso nº Embargos Acórdão nº 2803002.514 – 3ª Turma Especial Sessão de 16 de julho de 2013 Matéria Embargos de Declaração. Embargante UNIÃO (FAZENDA NACIONAL) Interessado EDIGAR CORDEIRO BARROS ESPÓLIO E OUTROS ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/02/2009 a 28/02/2009 Os embargos de declaração são cabíveis quando houver no acórdão, omissão, contradição ou obscuridade ou para sanar erro material, nos termos dos arts. 65 e 66 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela portaria GMF nº 256, de 22 de junho de 2009. Verificada a contradição entre os fundamentos e a conclusão do julgado, impõese o acerto devido. Embargos de declaração da Fazenda Nacional acolhidos, alterandose a conclusão e ementa, que passam a ter a seguinte redação: CONCLUSÃO Pelo exposto, voto por CONHECER do recurso para, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO para manter o crédito lançado, ressalvado que a RFB deve proceder a apropriação dos recolhimentos efetuados vinculados a matrícula da obra (CEI)objeto do processo em questão. Vencido(a) o(a) Conselheiro(a) Amilcar Barca Teixeira Junior e Gustavo Vettorato. E a ementa: OBRA PESSOA FÍSICA. RECOLHIMENTO EM GPS APÓS LAVRATURA DA NFLD. Cabe aos órgãos de cobrança da Receita Federal do Brasil efetivar as devidas apropriações de recolhimentos efetuados em GPS após o término da ação fiscal. Recurso Voluntário Negado Embargos Acolhidos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 66 0. 72 22 09 /2 01 0- 98 Fl. 101DF CARF MF Impresso em 19/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2013 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/08/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 14/08/2013 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 10660.722209/201098 Acórdão n.º 2803002.514 S2TE03 Fl. 193 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos, nos termos do voto proferido, que passa a integrar a decisão embargada, para sanar a contradição configurada. assinado digitalmente Helton Carlos Praia de Lima Presidente. assinado digitalmente Oséas Coimbra Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima, Oséas Coimbra Júnior, Gustavo Vettorato, Amílcar Barca Teixeira Júnior, Eduardo de Oliveira e Fábio Pallaretti Calcini. Fl. 102DF CARF MF Impresso em 19/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2013 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/08/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 14/08/2013 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 10660.722209/201098 Acórdão n.º 2803002.514 S2TE03 Fl. 194 3 Relatório Tratase de embargos, fls. 94 e ss, opostos tempestivamente, contra acórdão 280301.626. Entende a recorrente, em síntese, que o acórdão foi obscuro e contraditório, pois decide por manter integralmente a decisão recorrida e, passo seguinte, dá provimento parcial ao recurso apresentado. Por fim, a recorrente solicita que os embargos sejam conhecidos e providos. É o relatório. Fl. 103DF CARF MF Impresso em 19/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2013 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/08/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 14/08/2013 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 10660.722209/201098 Acórdão n.º 2803002.514 S2TE03 Fl. 195 4 Voto Conselheiro Oséas Coimbra A decisão embargada expressamente informa que a decisão de primeiro grau deve ser integralmente mantida, nesses termos: Dessa feita, a decisão de primeiro grau ser mantida em sua integralidade. A conclusão e a ementa se afastam desse entendimento, afirmando que houve parcial provimento, o que deve ser reparado. Ante o exposto, a nova conclusão do julgado passa a ter a seguinte redação: CONCLUSÃO Pelo exposto, voto por CONHECER do recurso para, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO para manter o crédito lançado, ressalvado que a RFB deve proceder a apropriação dos recolhimentos efetuados vinculados a matrícula da obra (CEI)objeto do processo em questão. Vencido(a) o(a) Conselheiro(a) Amilcar Barca Teixeira Junior e Gustavo Vettorato. E a ementa: OBRA PESSOA FÍSICA. RECOLHIMENTO EM GPS APÓS LAVRATURA DA NFLD. Cabe aos órgãos de cobrança da Receita Federal do Brasil efetivar as devidas apropriações de recolhimentos efetuados em GPS após o término da ação fiscal. Recurso Voluntário Negado CONCLUSÃO Pelo exposto, voto pelo acolhimento dos embargos apresentados, nos termos do voto proferido, que passa a integrar a decisão embargada, para sanar a contradição apontada. Oséas Coimbra Relator Fl. 104DF CARF MF Impresso em 19/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2013 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/08/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 14/08/2013 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 10660.722209/201098 Acórdão n.º 2803002.514 S2TE03 Fl. 196 5 Fl. 105DF CARF MF Impresso em 19/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2013 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/08/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 14/08/2013 por OSEAS COIMBRA JUNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 10680.721750/2010-41
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 17 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Oct 14 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007
PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES CADASTRAIS, FINANCEIRAS E CONTÁBEIS AO FISCO. OBRIGATORIEDADE. APRESENTAÇÃO DE PLANILHA INCOMPLETA. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE INFRAÇÃO. EMISSÃO DE MAIS DE UMA INTIMAÇÃO. POSSIBILIADE.
Do comando que respaldou o lançamento é possível observar que a empresa, sob o ponto de vista do inciso III do art. 32 da Lei nº 8.212/91, prestou todas as informações cadastrais, financeiras e contábeis à fiscalização.
A questão controvertida diz respeito apenas à confecção de planilha que não atendeu de forma satisfatória as exigências do Fisco.
Se a planilha não estava a contento, não seria o caso de a fiscalização exigir do contribuinte a apresentação de outra planilha que lhe satisfizesse? Na leitura do Relatório Fiscal da Infração e da Aplicação da Multa não consta qualquer informação a esse respeito.
Com efeito, se não existe dispositivo legal que determine à auditoria emitir uma segunda intimação, obviamente que o Termo de Intimação em questão não poderia ter sido o de número 03. O correto, então, seria ele ter o número 01, situação que desqualifica os argumentos utilizados pelo julgador a quo para sustentar o lançamento.
De outra parte, independentemente de a planilha não ter sido apresentada exatamente na forma pretendida pela fiscalização, não resta qualquer dúvida de que com a disponibilização das informações cadastrais, financeiras e contábeis, a autoridade administrativa poderia ter levantado todos os dados necessários para concluir o seu trabalho, situação que não se vislumbra nos autos.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2803-002.693
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. Vencido o Conselheiro Helton Carlos Praia de Lima. O Conselheiro Oseas Coimbra votou pelas conclusões.
(Assinado digitalmente)
Helton Carlos Praia de Lima Presidente
(Assinado digitalmente)
Amílcar Barca Teixeira Júnior Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Oseas Coimbra Júnior, Eduardo de Oliveira, Amilcar Barca Teixeira Junior, Gustavo Vettorato e Natanael Vieira dos Santos.
Nome do relator: AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201309
ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007 PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES CADASTRAIS, FINANCEIRAS E CONTÁBEIS AO FISCO. OBRIGATORIEDADE. APRESENTAÇÃO DE PLANILHA INCOMPLETA. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE INFRAÇÃO. EMISSÃO DE MAIS DE UMA INTIMAÇÃO. POSSIBILIADE. Do comando que respaldou o lançamento é possível observar que a empresa, sob o ponto de vista do inciso III do art. 32 da Lei nº 8.212/91, prestou todas as informações cadastrais, financeiras e contábeis à fiscalização. A questão controvertida diz respeito apenas à confecção de planilha que não atendeu de forma satisfatória as exigências do Fisco. Se a planilha não estava a contento, não seria o caso de a fiscalização exigir do contribuinte a apresentação de outra planilha que lhe satisfizesse? Na leitura do Relatório Fiscal da Infração e da Aplicação da Multa não consta qualquer informação a esse respeito. Com efeito, se não existe dispositivo legal que determine à auditoria emitir uma segunda intimação, obviamente que o Termo de Intimação em questão não poderia ter sido o de número 03. O correto, então, seria ele ter o número 01, situação que desqualifica os argumentos utilizados pelo julgador a quo para sustentar o lançamento. De outra parte, independentemente de a planilha não ter sido apresentada exatamente na forma pretendida pela fiscalização, não resta qualquer dúvida de que com a disponibilização das informações cadastrais, financeiras e contábeis, a autoridade administrativa poderia ter levantado todos os dados necessários para concluir o seu trabalho, situação que não se vislumbra nos autos. Recurso Voluntário Provido
turma_s : Terceira Turma Especial da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Oct 14 00:00:00 UTC 2013
numero_processo_s : 10680.721750/2010-41
anomes_publicacao_s : 201310
conteudo_id_s : 5298461
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Oct 14 00:00:00 UTC 2013
numero_decisao_s : 2803-002.693
nome_arquivo_s : Decisao_10680721750201041.PDF
ano_publicacao_s : 2013
nome_relator_s : AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR
nome_arquivo_pdf_s : 10680721750201041_5298461.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. Vencido o Conselheiro Helton Carlos Praia de Lima. O Conselheiro Oseas Coimbra votou pelas conclusões. (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima Presidente (Assinado digitalmente) Amílcar Barca Teixeira Júnior Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Oseas Coimbra Júnior, Eduardo de Oliveira, Amilcar Barca Teixeira Junior, Gustavo Vettorato e Natanael Vieira dos Santos.
dt_sessao_tdt : Tue Sep 17 00:00:00 UTC 2013
id : 5109059
ano_sessao_s : 2013
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:14:42 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046175215517696
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2546; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2TE03 Fl. 2 1 1 S2TE03 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10680.721750/201041 Recurso nº 10.680.721750201041 Voluntário Acórdão nº 2803002.693 – 3ª Turma Especial Sessão de 17 de setembro de 2013 Matéria AUTO DE INFRAÇÃO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS EM GERAL Recorrente COMPANHIA ATUAL DE TRASNPORTES Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007 PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES CADASTRAIS, FINANCEIRAS E CONTÁBEIS AO FISCO. OBRIGATORIEDADE. APRESENTAÇÃO DE PLANILHA INCOMPLETA. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE INFRAÇÃO. EMISSÃO DE MAIS DE UMA INTIMAÇÃO. POSSIBILIADE. 1. Do comando que respaldou o lançamento é possível observar que a empresa, sob o ponto de vista do inciso III do art. 32 da Lei nº 8.212/91, prestou todas as informações cadastrais, financeiras e contábeis à fiscalização. 2. A questão controvertida diz respeito apenas à confecção de planilha que não atendeu de forma satisfatória as exigências do Fisco. 3. Se a planilha não estava a contento, não seria o caso de a fiscalização exigir do contribuinte a apresentação de outra planilha que lhe satisfizesse? Na leitura do Relatório Fiscal da Infração e da Aplicação da Multa não consta qualquer informação a esse respeito. 4. Com efeito, se não existe dispositivo legal que determine à auditoria emitir uma segunda intimação, obviamente que o Termo de Intimação em questão não poderia ter sido o de número 03. O correto, então, seria ele ter o número 01, situação que desqualifica os argumentos utilizados pelo julgador a quo para sustentar o lançamento. 5. De outra parte, independentemente de a planilha não ter sido apresentada exatamente na forma pretendida pela fiscalização, não resta qualquer dúvida de que com a disponibilização das informações cadastrais, financeiras e contábeis, a autoridade administrativa poderia ter levantado todos os dados necessários para concluir o seu trabalho, situação que não se vislumbra nos autos. Recurso Voluntário Provido AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 72 17 50 /2 01 0- 41 Fl. 209DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2013 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 1 2/10/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 04/10/2013 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 10680.721750/201041 Acórdão n.º 2803002.693 S2TE03 Fl. 3 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. Vencido o Conselheiro Helton Carlos Praia de Lima. O Conselheiro Oseas Coimbra votou pelas conclusões. (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima – Presidente (Assinado digitalmente) Amílcar Barca Teixeira Júnior – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Oseas Coimbra Júnior, Eduardo de Oliveira, Amilcar Barca Teixeira Junior, Gustavo Vettorato e Natanael Vieira dos Santos. Fl. 210DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2013 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 1 2/10/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 04/10/2013 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 10680.721750/201041 Acórdão n.º 2803002.693 S2TE03 Fl. 4 3 Relatório Tratase de Auto de Infração de Obrigação Acessória lavrado em desfavor do contribuinte acima identificado, por infringência ao disposto no art. 32, III e parágrafo 11, da lei nº 8.212/91 c/c o art. 225, III, do RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99, tendo em vista que a empresa deixou de apresentar documento nos moldes solicitados por meio de Termo de Intimação Fiscal, referente ao período de 01/2007 a 12/2007. O Contribuinte devidamente notificado apresentou defesa tempestiva. A impugnação foi julgada em 03 de maio de 2011e ementada nos seguintes termos: ASSUNTO: Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007 INFRAÇÃO À LEGISLAÇÃO PREVIDENCIÁRIA. OBRIGAÇÃO DA EMPRESA DE APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS NOS MOLDES DA LEGISLAÇÃO PERTINENTE. MULTA. CABIMENTO. A empresa é obrigada a apresentar à fiscalização, na forma por ela requerida e de acordo com a legislação, toda a documentação necessária para que se constate a regularidade da apuração e recolhimento da contribuição previdenciária, sob pena de aplicação da penalidade pecuniária cabível. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Inconformado com resultado do julgamento da primeira instância administrativa, o Contribuinte apresentou recurso tempestivo, onde alega, em síntese, o seguinte: A Recorrente apresentou impugnação demonstrando não ter sido configurada a infração alegada pela Fiscalização, não havendo nem mesmo que se falar em ausência de prestação de informações. Em que pese a solidez dos argumentos deduzidos a Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Belo Horizonte/MG a julgou improcedente. Ocorre que a r. decisão recorrida não apresentou a melhor solução jurídica à presente controvérsia, de modo que deve ser reformada por este Eg. Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, para que o lançamento seja integralmente cancelado. Dentre inúmeras outas, a solicitação de que fosse apresentada planilha com dados referentes à assistência médica e odontológica proporcionada aos funcionários da Recorrente, planilha essa que deveria conter sete colunas. Fl. 211DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2013 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 1 2/10/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 04/10/2013 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 10680.721750/201041 Acórdão n.º 2803002.693 S2TE03 Fl. 5 4 Como afirma a própria Fiscalização, de todas as intimações e solicitações apresentadas á Recorrente, ela teria deixado apenas de incluir uma coluna em uma das planilhas solicitadas. O relatório que consta do acórdão recorrido detalha um pouco mais a suposta falha cometida pela recorrente, verbis: De acordo com o Relatório Fiscal da Infração e da Aplicação da Multa (fls. 04 a 07) foi solicitado, por meio do Termo de Intimação Fiscal nº 03 (fls. 16/17), que a empresa apresentasse planilha, individualizando por segurado e os respectivos descontos efetuados, por competência. Entretanto, a empresa somente apresentou à Fiscalização, planilha contendo os descontos efetuados de cada segurado referentes aos planos de saúde e odontológicos. Em decorrência do atendimento à intimação fiscal de forma não satisfatória, foi lavrado o presente Auto de Infração. Ora, diante do resultado do trabalho fiscal, que deu origem a oito autos de infração (três com exigência de valores de contribuições previdenciárias) no valor total de R$625.881,90, sem que fosse necessário á Fiscalização efetuar qualquer arbitramento ou diligências em outras empresas ou órgãos, apresentase razoável afirmar que a recorrente não prestou as informações e esclarecimentos cadastrais, financeiras e contábeis de interesse da Receita federal? Qual seria a justificativa para se afirmar que a Recorrente não arquivou e conservou à disposição da Fiscalização seus registros eletrônicos sobre seus negócios e atividades econômicas, escrituração de livros ou produção de documentos de natureza contábil, fiscal, trabalhista e previdenciária? A fiscalização não teve acesso a todos esses dados e efetuou os lançamentos com base neles? Todas essas infrações estariam configuradas pelo simples fato de que faltou uma coluna em uma das planilhas solicitadas pela Fiscalização? Esse único fato pode justificar a afirmação de que a Recorrente não atendeu à intimação fiscal de forma satisfatória? O objetivo das normas acima descritas é nitidamente punir aqueles contribuintes que atuam com desleixo ou buscando omitir ou negar informações á Fiscalização, dificultado o trabalho de verificação do cumprimento das obrigações tributárias principais e acessórias. Não podem ser invocadas em casos como o presente, no qual não há dúvidas de que a Fiscalização teve acesso a todos os dados e registros fiscais e contábeis da recorrente, tendo condições de concluir em pouco mais de dois meses seu trabalho de apuração e levantamento dos pretensos créditos tributários, decorrentes de variada gama de acontecimentos, verificados em inúmeros estabelecimentos. Há que se indagar, ainda, qual teria sido o prejuízo causado ao trabalho fiscal. Afinal, é notório que a contratação de planos dessa natureza pelas empresas gera custos fixos e equivalentes para cada funcionário. No caso dos autos, a Fiscalização teve acesso ao Fl. 212DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2013 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 1 2/10/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 04/10/2013 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 10680.721750/201041 Acórdão n.º 2803002.693 S2TE03 Fl. 6 5 contrato firmado pela Recorrente com a administradora, não tendo apontado qualquer distinção nos planos entre os funcionários. Merece destaque o fato de que a recorrente sequer recebeu nova intimação indicando o vício existente na planilha que fora por ela apresentada á Fiscalização, bem como que a Fiscalização nem mesmo mencionou em seu relatório qual foi o prejuízo trazido ao trabalho fiscal a ausência dos dados mencionados. Por todo o exposto, requerse a reforma do r. acórdão recorrido, para que seja cancelado o lançamento fiscal, ainda que para tanto seja aplicado o art. 112 do CTN. Não apresentadas as contrarrazões. É o relatório. Fl. 213DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2013 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 1 2/10/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 04/10/2013 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 10680.721750/201041 Acórdão n.º 2803002.693 S2TE03 Fl. 7 6 Voto Conselheiro Amílcar Barca Teixeira Júnior, Relator. O recurso voluntário é tempestivo, e considerando o preenchimento dos demais requisitos de sua admissibilidade, merece ser apreciado. A empresa foi autuada por deixar de prestar à Secretaria da Receita Federal do Brasil todas as informações cadastrais, financeiras e contábeis de interesse da mesma, na forma estabelecida, bem como os esclarecimentos necessários a fiscalização, conforme previsto na Lei nº 8.212/91, art. 32, III e parágrafo 11, com redação da MP nº 449/08 (convertida na Lei nº 11.941/09) c/c o art. 225, III, do Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99. A falta apontada pela fiscalização foi a seguinte (fls. 04): 1 – através do Termo Intimação Fiscal – TIF nº 03 de 27/05/2010 anexo, foi solicitado que a empresa apresentasse planilha, individualizando por segurado, os valores pagos pela empresa relativos a assistência médica e odontológica de cada segurado e os respectivos descontos efetuados por competência. A empresa somente apresentou à fiscalização, planilha contendo os descontos efetuados de cada segurado referentes aos planos de saúde e odontológico. Em decorrência do atendimento à intimação fiscal de forma não satisfatória está sendo lavrado o presente Auto de Infração. Do comando que respaldou o lançamento é possível observar que a empresa, sob o ponto de vista do inciso III do art. 32 da Lei nº 8.212/91, prestou todas as informações cadastrais, financeiras e contábeis à fiscalização. A questão controvertida diz respeito apenas à confecção de planilha que não atendeu de forma satisfatória as exigências do Fisco. Ora, se a planilha não estava a contento, não seria o caso de a fiscalização exigir do contribuinte a apresentação de outra planilha que lhe satisfizesse? Na leitura do Relatório Fiscal da Infração e da Aplicação da Multa não consta qualquer informação a esse respeito. De outra parte, discordo da rigidez dos julgadores de primeira instância administrativa, notadamente nos seguintes pontos do acórdão recorrido (fls. 89 e 90), verbis: Cabe esclarecer que não há dispositivo legal que determine á auditoria emitir uma segunda intimação quando esta já o fez de forma clara e documentada. Vejase que o Termo de Intimação de nº 3 detalha os dados que devem constar da Fl. 214DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2013 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 1 2/10/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 04/10/2013 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 10680.721750/201041 Acórdão n.º 2803002.693 S2TE03 Fl. 8 7 planilha e informa o prazo para que o contribuinte entregue o documento solicitado. A infração foi efetivamente cometida pela empresa, que apresentou à auditoria fiscal planilha sem todos os dados solicitados. Há, como se vê, correlação entre o fato que motivou a autuação e o enquadramento legal. Deste modo, não há que se falar em aplicação do art. 112 do CTN, pois não há dúvida quanto ao descumprimento do previsto no art. 32, inciso III da Lei nº 8.212/91. Com efeito, se não existe dispositivo legal que determine à auditoria emitir uma segunda intimação, obviamente que o Termo de Intimação em questão não poderia ter sido o de número 03. O correto, então, seria ele ter o número 01, situação que desqualifica os argumentos utilizados pelo julgador a quo para sustentar o lançamento. De outra parte, independentemente de a planilha não ter sido apresentada exatamente na forma pretendida pela fiscalização, não resta qualquer dúvida de que com a disponibilização das informações cadastrais, financeiras e contábeis, a autoridade administrativa poderia ter levantado todos os dados necessários para concluir o seu trabalho, situação que não se vislumbra nos autos. Destarte, discordo dos posicionamentos da fiscalização e dos julgadores a quo, e entendo que o contribuinte não cometeu a infração apontada nestes autos. CONCLUSÃO. Pelo exposto, voto por CONHECER do recurso para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO. É como voto. (Assinado digitalmente) Amílcar Barca Teixeira Júnior – Relator. Fl. 215DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2013 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 1 2/10/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 04/10/2013 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR
score : 1.0
