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Numero do processo: 10932.000041/2008-02
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 26 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu May 15 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Ano-calendário: 2001, 2003, 2004, 2005, 2006
ARQUIVO ENVIADOS PARA A RECEITA FEDERAL. INEXISTÊNCIA DE DIVERGÊNCIA ENTRE REGISTROS E LAYOUT. ENVIO CONFORME ATO DECLARATÓRIO. INAPLICABILIDADE DA MULTA.
Afasta-se a penalidade aplicada por suposto não atendimento de forma dos arquivos enviados quando há evidências de que estes, embora em descompasso com o layout apresentado pelo fiscalizado, observam as especificações veiculadas no Ato Declaratório Executivo COFIS nº 15/2001.
RECURSO DE OFÍCIO NEGADO.
Numero da decisão: 3201-001.579
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade, negar provimento ao recurso de ofício, nos termos do voto do relator.
JOEL MIYAZAKI Presidente
LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES - Relator.
EDITADO EM: 25/03/2014
Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: Winderley Morais Pereira, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Carlos Alberto Nascimento e Daniel Mariz Gudiño.
Nome do relator: LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES
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ECO VIAS DOS IMIGRANTES SA ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2001, 2003, 2004, 2005, 2006 ARQUIVO ENVIADOS PARA A RECEITA FEDERAL. INEXISTÊNCIA DE DIVERGÊNCIA ENTRE REGISTROS E LAYOUT. ENVIO CONFORME ATO DECLARATÓRIO. INAPLICABILIDADE DA MULTA. Afastase a penalidade aplicada por suposto não atendimento de forma dos arquivos enviados quando há evidências de que estes, embora em descompasso com o layout apresentado pelo fiscalizado, observam as especificações veiculadas no Ato Declaratório Executivo COFIS nº 15/2001. RECURSO DE OFÍCIO NEGADO. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade, negar provimento ao recurso de ofício, nos termos do voto do relator. JOEL MIYAZAKI – Presidente LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES Relator. EDITADO EM: 25/03/2014 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 2. 00 00 41 /2 00 8- 02 Fl. 268DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2014 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 13/05/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORA ES 2 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: Winderley Morais Pereira, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Carlos Alberto Nascimento e Daniel Mariz Gudiño. Relatório Relatório Por bem descrever os fatos relativos ao contencioso, adoto o relato do órgão julgador de primeira instância até aquela fase: Trata o presente processo de Auto de Infração relativo a Multa por Atraso na Apresentação de Arquivos Magnéticos, formalizando crédito tributário no valor total de R$ 26.097.779,36, em virtude dos fatos assim descritos no Termo de Verificação e Constatação Fiscal de fls. 140/143: 1 No exercício das funções de AUDITOR FISCAL DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL, em cumprimento ao Mandado de Procedimento Fiscal n° 0811900.2006.007957, efetuamos a fiscalização junto ao contribuinte acima identificado, tendo como operação principal, a verificação da CIDE REMESSAS PARA O EXTERIOR do ano calendário de 2002, que resultou na apuração do Crédito Tributário (R$ 84.001,30), objeto do Processo Administrativo N° 10932.000905/200705. 2 O Mandado de Procedimento Fiscal n° 0811900.2006.007957 foi substituído pelo MPF eletrônico n° 08119002008000712, nos termos do artigo 20 da Portaria RFB n° 11.371, de 12 de dezembro de 2007. De acordo com o parágrafo 10 do referido artigo, a emissão do novo MPF, tem como objetivo, dar continuidade aos procedimentos fiscais iniciados anteriormente à vigência da nova Portaria, convalidando os atos já praticados. A ciência pelo sujeito passivo do MPF, nos termos do artigo 23 do Decreto n° 70.235, de 06 de março de 1972, com redação dada pelo artigo 67, da Lei n° 9.532, de 10 de novembro de 1997, darseá por intermédio da Internet, no endereço www.receita.fazenda.gov.br, com a utilização do código de acesso ao MPF: 70022. Foi encaminhada cópia do referido MPF ao contribuinte, cuja ciência ocorreu em 05/03/2008, conforme aviso de recebimento AR (fls. 130/131). 3A empresa tem por objeto social realizar, sob o regime de concessão, a exploração, nos termos e limites do contrato de concessão do Sistema Rodoviário AnchietaImigrantes, dos seguintes trechos: 1) Rodovia Anchieta (SP150), entre o Km 9+700m e o Km 65+600m; II) Rodovia dos Imigrantes (SP160), entre o Km 11+460m e Km 70+000m; III) Interligação planalto (SP41), entre o Km 0+000m e Km 8+000m; IV) Interligação baixada (SP59), entre o Km 0+000m e Km 1+800m;V) Rodovia Cônego Domenico Rangoni (SP248/55) entre o Km 0+000m; VI) Rodovia Padre Manoel da Nóbrega (SP55), entre o Km 270+600m e Km 292+200m; 4 Procedemos ao início da fiscalização do contribuinte acima identificado, mediante lavratura em 10/10/2006 do Termo de Inicio de Fiscalização, Termo de Intimação Fiscal e Mandado de Procedimento Fiscal Fiscalização, intimandoo a apresentar no prazo de 20 (vinte) dias, dentre outros documentos, os ARQUIVOS MAGNÉTICOS dos lançamentos contábeis, na forma do disposto nos artigos 265, 266 e 927 do Decreto n° 3.000 de 26/03/99, e Instruções Normativas n° 068/95 e 086/01. Fl. 269DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2014 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 13/05/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORA ES Processo nº 10932.000041/200802 Acórdão n.º 3201001.579 S3C2T1 Fl. 442 3 5 O contribuinte tomou ciência dos Termos em 17/10/2006 (fls.12). Nas datas, 25/10/2006, 01/11/2006 e 06/11/2006, (fls. 14/19), atendeu às intimações, apresentando dentre outros documentos, os arquivos magnéticos dos lançamentos contábeis. 6 Durante a análise da documentação entregue, especificamente no tocante aos Arquivos Magnéticos de lançamentos contábeis, constatamos que os mesmos estavam em desacordo com a legislação pertinente. I APRESENTAÇÃO DE ARQUIVOS MAGNÉTICOS EM DESACORDO COM A LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. A DOS FATOS 7 Diante do fato acima, elaboramos o Termo de Constatação Fiscal de 30/03/2007(fls. 114), com ciência ao contribuinte na mesma data, informando que os arquivos magnéticos, referentes aos anos calendários de 2001, 2003 a 2006, recepcionados em 06 de novembro de 2006 (data final para sua apresentação) não estavam de acordo com o disposto nas Instruções Normativas nos. 68/1995 e 86/2001, e, além disso, não estavam em conformidade com os layout apresentados pelo próprio contribuinte. Dessa forma, foi intimado à apresentação de novos arquivos, independentemente das penalidades previstas no artigo 980, do RIR/1999, com as modificações introduzidas pela Medida Provisória n° 2.15834/2001. 8 Em 04/04/2007, o contribuinte atendeu à intimação alegando que o Termo de Constatação Fiscal não faz nenhuma menção específica ao que exatamente deixou de ser atendido. Alega que contratou empresa com ampla experiência no preenchimento de tais formulários, e que não apenas elaborou versão validada por meio do website da Receita Federal, como também realizou nova análise dos métodos aplicáveis após o recebimento do Termo de Constatação e Verificação Fiscal, tendo apresentado parecer pela completa conformidade do layout utilizado. Resumindo, não apresentou nenhum fato novo limitandose apenas, na data, 04/04/2007, à reapresentação dos mesmos arquivos magnéticos com as inconsistências apresentadas anteriormente, na forma em que foram entregues na data de 06/11/2006, ou seja, os arquivos totalmente impossibilitados de serem lidos, e, em desacordo com a legislação pertinente (fls. 116/119). Vencido o prazo para a apresentação dos arquivos magnéticos, constatamos que o contribuinte incorreu em infração passível de multa, isto é, atraso na entrega dos arquivos magnéticos, pois o prazo inicial venceu em 06/11/2006 e a última entrega dos mesmos arquivos com as inconsistências mencionadas acima, ocorreu em 04/04/2007 (fls.119), cabendo no caso, a aplicação da multa diária de 2 (dois) centésimos, limitados a 1% da receita bruta. Pelo não atendimento à forma para apresentação dos arquivos, de acordo com o prescrito no inciso 1, do artigo 980 do Regulamento do Imposto de Renda RIR/99 (Decreto 3.000/99), cabe a aplicação da multa de 0,5% sobre a receita bruta, conforme demonstrado nos quadros abaixo: QUADRO I (Multa pelo atraso na entrega dos Arquivos Magnéticos) (Valores expressos em reais) ANO RECEIT VALOR Fl. 270DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2014 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 13/05/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORA ES 4 2001 2003 2004 2005 189.144. 903,30 294.017. 368,54 380.636. 1.891.449, 03 2.940.173, 69 3.806.367, QUADRO II (Multa pelo não atendimento à forma para apresentação dos Arquivos Magnéticos) (Valores expressos em reais) ANO RECEIT VALOR 2001 2003 2004 2005 189.144. 903,30 294.017. 368,54 380.636. 945.724,52 1.470.086, 84 1.903.183, 78 [...] B DO DIREITO A inobservância do prazo para entrega dos arquivos em meio magnético, acarretará a imposição de penalidade equivalente a 2 (dois) centésimos por cento por dia de atraso, calculada sobre a receita bruta da pessoa jurídica no período, até o máximo de 1 % (um por cento) dessa, aos que não cumprirem o prazo estabelecido para apresentação dos arquivos e sistemas (artigos 11 e 12, inciso III, da Lei n. 8.218/91, com a redação dada pelo artigo 72 da Medida Provisória n. 2.15834/2001 e reedições). O Regulamento do Imposto de Renda RIR/99 (Decreto 3.000/99), estabelece no artigo 980, inciso 1, que a inobservância do disposto nos arts. 265 e 266, § 1°, acarretará a imposição das seguintes penalidades (Lei n° 8.218, de 1991, art. 12, Lei n° 8.383, de 1991, art. 3°, inciso 1, e Lei n° 9.249, de 1995, art. 30): I multa de meio por cento do valor da receita bruta da pessoa jurídica no período, aos que não atenderem à forma em que devem ser apresentados os registros e respectivos arquivos; II DO ENQUADRAMENTO LEGAL O contribuinte infringiu os Artigos 11 e 12, incisos II e III, da Lei n. 8.218/91, com a redação dada pelo artigo 72 da Medida Provisória n. 2.15834/2001 e reedições e inciso 1 do artigo 980 do Regulamento de Imposto de Renda RIR/99 (Decreto 3.000/99) III DO VALOR DA MULTA O valor de R$ 26.097.779,36 (Vinte e seis milhões, noventa e sete mil, setecentos e setenta e nove reais e trinta e seis centavos), correspondente à multa demonstrada no quadro III acima, será objeto de lançamento através do respectivo Auto de Infração, conforme está preceituado no artigo 142 do Código Tributário Nacional (Lei n° 5.172/66), cujo presente "Termo de Verificação e Constatação Fiscal" instruirá o respectivo processo. IV DO ENCERRAMENTO (PARCIAL) Diante do exposto, encerramos, parcialmente, nesta data, a ação fiscal levada a efeito no contribuinte acima identificado, tendo sido verificado, o cumprimento das obrigações acessórias relativas aos ARQUIVOS MAGNÉTICOS, onde foi(ram) constatada(s) a(s) irregularidade(s) mencionada(s) no(s) presente Termo de Verificação e Constatação Fiscal. Fl. 271DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2014 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 13/05/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORA ES Processo nº 10932.000041/200802 Acórdão n.º 3201001.579 S3C2T1 Fl. 443 5 Da referida ação fiscal foi apurado o Crédito Tributário abaixo descrito, objeto do Processo Administrativo N° 10932.000041/200802. CRÉDITO TRIBUTÁRIO APURADO: Multa de Valor Fixo Falta/Atraso na entrega de ARQUIVOS MAGNÉTICOS............................................................................ R$ 26.097.779,36 A presente fiscalização se ateve exclusivamente à determinação do Mandado de Procedimento Fiscal n° 08119002008000712 e nos fatos constantes neste Termo, procedendose às verificações obrigatórias pertinentes abrangendo os períodos de 2001, e 2003 a 2006, motivo pelo qual ressalvamos o direito da Fazenda Nacional de proceder novas verificações, em virtude de outros programas ou fatos supervenientes não observados nesta oportunidade, inclusive no período objeto da presente verificação. Do que, para constar e surtir os efeitos legais, lavramos o presente Termo em três vias de igual teor, que vai assinado pelo AFRFB abaixo, cuja ciência ao contribuinte se dará por via postal com Aviso de Recebimento AR. Cientificado da exigência em 10/04/2008, o contribuinte, por seus advogados e procuradores, apresentou em 09/05/2008 a impugnação de fls. 168/185, na qual afirma a sua tempestividade e alega, em síntese, o que segue: Relata que em razão de ter sido intimada em 16/10/2006 a apresentar diversas informações fiscais por meio de arquivos magnéticos, nos termos das Instruções Normativas SRF nºs 68/95 e 86/01, disponibilizou à Fiscalização, tempestivamente, todas as informações solicitadas em meio magnético, como evidenciado nos autos e reconhecido pela autoridade fiscal. Não obstante, foi lavrada autuação fiscal para impor à Requerente duas multas por descumprimento de intimação, no valor total de R$26 milhões. Afirma que as multas decorrem de suposto atraso na apresentação dos referidos arquivos magnéticos e do alegado descumprimento do layout especificados nas INs SRF nºs 68/95 e 86/01 e, não podendo concordar com tal autuação, já que apresentou tempestivamente todas as informações solicitadas, em perfeita ordem e com observância do layout previsto, apresenta suas razões de fato e de Direito pelas quais entende que o lançamento de ofício mencionado acima não merece prosperar. Como questão prejudicial, aponta a decadência do direito de o Fisco constituir o crédito tributário, dado que o MPF que embasou o procedimento fiscal em referência foi aberto para a fiscalização da CIDERE eventualmente devida pela Requerente no exercício de 2002. Na medida em que o acessório segue o principal, e que as informações ora requisitadas tinham por objetivo fiscalizar o recolhimento da referida contribuição, aproveitase o mesmo prazo decadencial aplicável à CIDE para fins da determinação da base de cálculo das penalidades impostas ao contribuinte. Reportase ao art. 113 do CTN, e conclui pela inviabilidade de se aproveitar as receitas que foram auferidas pela Requerente antes de 10.05.2003 para fins da cominação de penalidades decorrentes de obrigações acessórias relativas aos tributos sob fiscalização, na medida em que o Auto de Infração foi lavrado apenas em 10.04.2008. Opõese, ainda, à aplicação do prazo de 10 (dez) anos previsto no art. 45 da Lei nº 8.212/91, citando julgado do Conselho de Contribuintes neste sentido. Também como questão prejudicial, reportase à inexistência de penalidades a serem aplicadas ante o comprovado cumprimento das intimações. Entende que as multas somente poderiam ser exigidas se (1) a Requerente tivesse deixado de Fl. 272DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2014 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 13/05/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORA ES 6 cumprir o prazo estabelecido para a apresentação dos arquivos magnéticos; e (2) tivesse apresentado os referidos arquivos sem atender ao layout previsto nas INs SRF nºs 68/95 e 86/01, situações estas infirmadas pelos fatos documentados nestes autos. Reportase às petições de fls. 14/18, dando conta da apresentação dos referidos arquivos magnéticos, dentro do prazo de 20 dias estipulado pela fiscalização e acrescenta: 18. Não obstante, em razão de supostos problemas técnicos nos CDROMs apresentados pela Requerente (que, frisese, foram devolvidos à empresa e não apresentaram quaisquer problemas quando acessados pelos seus computadores), em 30.03.2007 a fiscalização lavrou nova intimação (fl. 114), solicitando a reapresentação dos referidos arquivos magnéticos, o que também ocorreu de maneira tempestiva, conforme se verifica da petição de fls. 116/119. Cita trecho do Termo de Constatação e Verificação Fiscal no qual o próprio Agente Fiscal reconhece que a Requerente efetivamente cumpriu todas as intimações, e conclui que não pode o fisco impor à Requerente uma penalidade por atraso na entrega de informações fiscais quando todos os documentos e arquivos magnéticos foram comprovadamente apresentados dentro dos prazos estabelecidos. Subsidiariamente ainda argumenta que, mesmo se os CDROMs não pudessem ser abertos nos computadores da Receita Federal do Brasil, tal multa seria inaplicável, já que a entrega efetivamente ocorreu. E, nos termos do inciso III do art. 12 da Lei nº 8.218/91, tal penalidade está prevista apenas em caso de falta ou atraso na entrega, nada se mencionando com relação à acessibilidade ou não das informações apresentadas. 24. E não se diga, aliás, que o fato de as informações serem passíveis de acesso está implícito na materialidade da própria multa pois, como bem se sabe, os dispositivos que cominam penalidades devem ser interpretados de maneira literal. Aponta as disposições do art. 112, incisos I e II do CTN, bem como colaciona julgados administrativos como exemplos de aplicação do princípio da interpretação mais favorável ao contribuinte, e conclui pela improcedência da multa por atraso na entrega dos dados. Na seqüência, reportase à adequação do layout utilizado nos arquivos magnéticos, afirmando que a discussão está completamente prejudicada pelo fato de os CD ROMs apresentados pela Requerente em 04.04.2007 (fl. 119) não se encontrarem acostados aos presentes autos, sendo impossível verificar se, de fato, havia ou não algum problema de layout. Aduz que a inexistência da prova física que comprovaria a infração que supostamente teria sido cometida pela Requerente não representa apenas uma violação ao seu direito constitucional de ampla defesa e contraditório (artigo 5o, inciso LV, da Constituição Federal de 1988) como também implicam em NULIDADE da multa em questão, violação direta ao artigo 9o do Decreto nº 70.235/72. Reportase a decisão do Conselho de Contribuintes, em questão de prova bastante semelhante à verificada nos presentes autos, proferida no âmbito de exclusão do SIMPLES, afirmando que na ausência de provas não há que ser mantida a exclusão, sob pena de a mesma ser fundada em mera presunção de fato. Subsidiariamente, pede vênia para demonstrar a sua absoluta boafé no trato com a fiscalização e a diligência extrema que empregou para assegurar que todos os arquivos magnéticos franqueados ao fisco estivessem dentro dos padrões exigidos pelas normas administrativas em vigor. Menciona que todos os arquivos magnéticos apresentados no âmbito do presente MPF foram preparados pela TSL – Tecnologia em Sistemas de Legislação S A Fl. 273DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2014 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 13/05/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORA ES Processo nº 10932.000041/200802 Acórdão n.º 3201001.579 S3C2T1 Fl. 444 7 (“Mastersaf”), a qual já havia declarado à fl. 125 que formatou todas as informações fiscais da Requerente segundo o layout exigido pelo fisco. O impugnante também junta nova declaração (doc. nº 12), por meio da qual a Mastersaf reitera e ratifica todas as afirmações feitas anteriormente, e ainda informa ter utilizado o mesmo software empregado na formatação dos arquivos da Requerente em fiscalizações de outros contribuintes, não tendo recebido qualquer reclamação ou notícia de problemas semelhantes quanto ao layout ou acesso nesses outros casos. Ainda, a empresa LKM, parceira comercial da Mastersaf e responsável pela gravação de todos os CDROMs em questão, também presta declaração (doc. nº 13) afirmando que procedeu a todos os testes e verificações necessárias para confirmar que os referidos CDROMs estavam plenamente operacionais e livres de erros ou problemas de qualquer natureza quando da sua disponibilização à D. Autoridade Fiscal. Cita, também, que arquivos formatados no mesmo padrão foram fornecidos por outra empresa do Grupo Ecorodovias à DRF/Pelotas, não tendo ocorrido qualquer dificuldade técnica de acesso às informações ou desconformidade de layout naquela oportunidade. E acrescenta: 37. Além disso, não existe qualquer informação nos autos dando conta de qual seria a inadequação que o fisco alega ter verificado no layout dos arquivos magnéticos apresentados, muito embora a Requerente tenha feito questionamento nesse sentido, visando atender adequadamente a solicitação do fisco. 38. Não tendo recebido qualquer resposta quanto aos questionamentos feitos ou qualquer outra orientação da D. Autoridade Fiscal sobre quais alterações de layout seriam necessárias, somente restou à Requerente conferir novamente o arquivo magnético elaborado, inclusive por meio de validação do próprio website da Receita Federal (fl. 127/129), e reapresentar os mesmos CDROMs que já havia sido franqueados ao fisco em 06.11.2006 (fl. 119). 39. Frisese, ainda, que muito embora todos os arquivos magnéticos reapresentados estivessem em conformidade com a formatação e layout previstos nas INs SRF nºs 68/95 e 86/01, a Requerente foi diligente e teve o cuidado de oferecer todo o auxílio à fiscalização federal no acesso, manejo e análise quanto às informações prestadas, conforme ficou consignado à fl. 119 dos presentes autos. 40. Desse modo, resta claro que a Requerente procedeu com diligência e boafé junto à fiscalização federal, e somente não realizou os ajustes que eventualmente se fizessem necessários nos arquivos magnéticos apresentados por não ter sido capaz, por si ou pelas empresas especializadas que contratou, de identificar qual seria a suposta desconformidade de layout ora em discussão. 41. Assim, como no melhor do seu conhecimento todo o layout empregado se encontrava em linha com o exigido pela legislação federal, não existindo evidência em sentido contrário nos autos, (muito pelo contrário, pois todas as empresas envolvidas atestam a regularidade dos arquivos magnéticos), milita em favor da Requerente o disposto no art. 112 do CTN, em favor da improcedência da penalidade que lhe foi imputada: [...] 43. Isto posto, ainda que não seja reconhecida a nulidade da penalidade imposta com base no inciso I do artigo 980 do RIR/99, por falta de comprovação do ilícito nos autos, ainda assim a referida multa será improcedente, uma vez que não existe qualquer notícia de qual teria sido a inconformidade de layout verificada pelo fisco. Fl. 274DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2014 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 13/05/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORA ES 8 Por fim, aborda a onerosidade das multas aplicadas, dado que elas representam 1,5% da totalidade das receitas auferidas em 5 exercícios fiscais, caracterizando uma situação abusiva, extorsiva, expropriatória, além de confiscatória, em flagrante desrespeito ao art. 5o, inciso XXII , da Constituição Federal de 1988, mormente se considerado que a Requerente incorreu em despesas superiores a R$ 30 mil para contratar empresa especializada na elaboração de arquivos magnéticos para atendimento de fiscalização federal, conforme contratos que junta. Reportase a julgados do Supremo Tribunal Federal, e finaliza afirmando que tal penalidade está em total descompasso com o disposto nos artigos 5o, inciso XXII, artigo 37 (princípio da finalidade, razoabilidade e proporcionalidade), da Constituição Federal de 1988, e artigos 3o e 112, inciso IV, do CTN. Ainda, no pedido, inclui requerimento de diligência nos seguintes termos: (v) nesse sentido, caso ainda reste alguma dúvida quanto ao cumprimento das intimações fiscais e a regularidade do layout utilizado nos CDROMs, não obstante toda a documentação ora apresentada e as informações constantes dos presentes autos, a Requerente requer seja determinada diligência para averiguação dos CD ROMs em questão (que estão em poder da Delegacia da Receita Federal em São Bernardo do Campo), ou mesmo a verificação dos arquivos in loco, na sede da empresa; [...] Na decisão de primeira instância, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Campinas afastou o lançamento, conforme Decisão DRJ/CPS nº 23.887, de 22/08/2008: Assunto: Obrigações Acessórias Anocalendário: 2001, 2003, 2004, 2005, 2006 ARQUIVOS MAGNÉTICOS. MULTA. INOBSERVÂNCIA DE FORMA. IMPUTAÇÃO DE FALTA DE ENTREGA. IMPOSSIBILIDADE. Impróprio caracterizar como falta de apresentação dos arquivos magnéticos a sua entrega com inobservância de forma, se a legislação prevê punições específicas para cada uma destas condutas. A entrega de arquivos que não atendem à forma para sua apresentação somente permite cogitar da aplicação da multa prevista no art. 12, inciso I, da Lei nº 8.218/91. ARQUIVO DE LANÇAMENTOS CONTÁBEIS. DIVERGÊNCIA ENTRE REGISTROS E LAYOUT. COMPATIBILIDADE COM AS ESPECIFICAÇÕES GERAIS. INAPLICABILIDADE DA MULTA. Afastase a penalidade dirigida aos que não atenderem à forma em que devem ser apresentados os registros e respectivos arquivos, se há evidências de que estes, embora em descompasso com o layout apresentado pelo fiscalizado, observam as especificações veiculadas no Ato Declaratório Executivo COFIS nº 15/2001. Lançamento Improcedente. Em face da decisão, é interposto Recurso de Ofício.. É o relatório. Voto Conselheiro Luciano Lopes de Almeida Moraes Fl. 275DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2014 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 13/05/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORA ES Processo nº 10932.000041/200802 Acórdão n.º 3201001.579 S3C2T1 Fl. 445 9 O recurso atende aos requisitos de admissibilidade. Como podemos observar do processo, o lançamento se deu porque o recorrido, supostamente, teria enviado arquivos magnéticos com inobservância da forma prevista em lei, motivo pelo qual foi imputado ao mesmo Multa por Atraso na Apresentação de Arquivos Magnéticos, formalizando crédito tributário no valor total de R$ 26.097.779,36. A multa assim está prevista: As multas aqui aplicadas foram fundamentadas nos seguintes dispositivos legais: Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto nº 3.000/99: Art. 980. A inobservância do disposto nos arts. 265 e 266, § 1º, acarretará a imposição das seguintes penalidades (Lei nº 8.218, de 1991, art. 12, Lei nº 8.383, de 1991, art. 3º inciso I, e Lei nº 9.249, de 1995, art. 30): I multa de meio por cento do valor da receita bruta da pessoa jurídica no período, aos que não atenderem à forma em que devem ser apresentados os registros e respectivos arquivos; II multa de cinco por cento sobre o valor da operação correspondente, aos que omitirem ou prestarem incorretamente as informações solicitadas; III multa equivalente a cento e quinze reais e vinte e sete centavos, por dia de atraso, até o máximo de trinta dias, aos que não cumprirem o prazo estabelecido pela Secretaria da Receita Federal ou diretamente pelo AuditorFiscal do Tesouro Nacional, para apresentação dos arquivos e sistemas. (negrejou se) Lei nº 8.218, de 1991, com a redação dada pelo artigo 72 da Medida Provisória nº 2.15834, de 2001, e reedições: Art. 11. As pessoas jurídicas que utilizarem sistemas de processamento eletrônico de dados para registrar negócios e atividades econômicas ou financeiras, escriturar livros ou elaborar documentos de natureza contábil ou fiscal, ficam obrigadas a manter, à disposição da Secretaria da Receita Federal, os respectivos arquivos digitais e sistemas, pelo prazo decadencial previsto na legislação tributária. §1ºA Secretaria da Receita Federal poderá estabelecer prazo inferior ao previsto no caput deste artigo, que poderá ser diferenciado segundo o porte da pessoa jurídica. §2ºFicam dispensadas do cumprimento da obrigação de que trata este artigo as empresas optantes pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte SIMPLES, de que trata a Lei nº 9.317, de 5 de dezembro de 1996. Fl. 276DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2014 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 13/05/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORA ES 10 §3ºA Secretaria da Receita Federal expedirá os atos necessários para estabelecer a forma e o prazo em que os arquivos digitais e sistemas deverão ser apresentados. §4ºOs atos a que se refere o § 3o poderão ser expedidos por autoridade designada pelo Secretário da Receita Federal. Art. 12 A inobservância do disposto no artigo precedente acarretará a imposição das seguintes penalidades: I multa de meio por cento do valor da receita bruta da pessoa jurídica no período, aos que não atenderem à forma em que devem ser apresentados os registros e respectivos arquivos; II multa de cinco por cento sobre o valor da operação correspondente, aos que omitirem ou prestarem incorretamente as informações solicitadas, limitada a um por cento da receita bruta da pessoa jurídica no período; III multa equivalente a dois centésimos por cento por dia de atraso, calculada sobre a receita bruta da pessoa jurídica no período, até o máximo de um por cento dessa, aos que não cumprirem o prazo estabelecido para apresentação dos arquivos e sistemas. Parágrafo único. Para fins de aplicação das multas, o período a que se refere este artigo compreende o anocalendário em que as operações foram realizadas." (NR) (negrejouse) Como bem descrito no próprio processo, os arquivos enviados não foram de forma diferente do previsto legalmente, mas obedeceram expressamente ao disposto no Ato Declaratório Executivo COFIS nº 15/2001. Desta feita, não há como ser mantida a penalidade imputada, por não subsunção dos fatos à norma, razão pela qual tomo como fundamento de decidir os argumentos da decisão recorrida, que agora transcrevo: Observese, porém, que embora a autoridade fiscal tenha pretendido, neste ato, configurar a falta de entrega dos arquivos em razão de sua apresentação de forma inadequada, a instalação da mora a partir do prazo anteriormente fixado (06/11/2006) não se verificou, dado que foi concedido ao contribuinte novo prazo para adimplemento do dever instrumental. Ou seja, ao conceder um novo prazo para apresentação dos arquivos, acabouse por purgar a mora até ali ocorrente. E, em resposta, o contribuinte apresentouse no prazo concedido, reafirmando a adequação dos arquivos ao constante da IN SRF Nº 68/1995, IN SRF nº 86/2001 e Portaria CGST Nº 13/95, e exemplificando, com a reprodução de telas de validação extraídas do sítio da Receita Federal na Internet, a regularidade do arquivo que teria sido apresentado para o ano de 2004. Ainda, fez menção ao fato de alguns quadros excederem o tamanho prédeterminado por essa Fiscalização Federal, e à admissibilidade de tal circunstância, citando o item 2.1 do Ato Declaratório Executivo (ADE) do Coordenador Geral do Fl. 277DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2014 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 13/05/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORA ES Processo nº 10932.000041/200802 Acórdão n.º 3201001.579 S3C2T1 Fl. 446 11 Sistema de Tributação (COFIS) nº 15, de 23.10.2001 (fls. 117/129). Portanto, necessário se torna definir, neste ponto, qual(is) infração(ões) teria(m) sido praticada(s) pelo contribuinte e, em consequência, qual(is) penalidade(s) cabível(is). Ou seja, importa definir se o fiscalizado não atendeu à forma em que devem ser apresentados os registros e respectivos arquivos (multa de meio por cento do valor da receita bruta da pessoa jurídica no período) e/ou se ele não cumpriu o prazo estabelecido para apresentação dos arquivos e sistemas (multa equivalente a dois centésimos por cento por dia de atraso, calculada sobre a receita bruta da pessoa jurídica no período, até o máximo de um por cento dessa). A Fiscalização apontou que houve atraso na entrega dos arquivos magnéticos, pois o prazo inicial venceu em 06/11/2006 e a última entrega dos mesmos arquivos com as inconsistências mencionadas acima, ocorreu em 04/04/2007 (fls.119), bem como que verificou o não atendimento à forma para apresentação dos arquivos. As imputações, porém, são incompatíveis. De fato, ou se considera que houve a entrega dos arquivos, e que estes não atendem à forma para sua apresentação, ou concluise que não houve a entrega dos arquivos, sem se perquirir da regularidade de sua apresentação. Em suma: somente se aplica a penalidade por não atendimento à forma para apresentação dos arquivos quando estes são entregues; se não há entrega, apenas é possível a aplicação da penalidade por falta/atraso de entrega dos arquivos magnéticos. Do Termo de Constatação Fiscal de fl. 114 vêse que a Fiscalização vislumbrou falta de apresentação de arquivos magnéticos, na medida em que eles não se apresentavam com layout válido. E, mantendo este pressuposto, é de se concluir que o atraso mencionado no Termo de Verificação e Constatação Fiscal lavrado em 09/04/2008 corresponde à manutenção deste estado omissivo até o momento da imputação da penalidade. Todavia, para implementar as consequências desta constatação, necessário seria que a autoridade lançadora precisasse o termo inicial da mora, na medida em que a penalidade, como visto, é proporcional à quantidade de dias de atraso, e somente é aplicada no percentual de 1% se a quantidade de dias de atraso, multiplicada pelo percentual diário de dois décimos por cento (0,02%) supera aquele limite. Neste ponto recordese que, como dito, a Fiscalização acabou por purgar a mora que eventualmente poderia ser alegada a partir de 06/11/2006, na medida que, em 30/03/2007 concedeu ao fiscalizado novo prazo para apresentação dos arquivos. Assim, se admitida a falta de apresentação de arquivos magnéticos quando vencido o prazo de 3 (três) dias concedido em 30/03/2007, seria necessário contar os dias transcorridos a partir, e inclusive, de 05/04/2007, para aferir, em 09/04/2008, Fl. 278DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2014 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 13/05/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORA ES 12 qual o percentual a ser adotado para aplicação da multa por descumprimento do prazo estabelecido para apresentação dos arquivos e sistemas. Estimandose, porém, o transcurso de mais de um ano, ou 365 dias, entre as datas referidas, vêse que a multa alcançaria minimamente o percentual de 7,2% e estaria, portanto, efetivamente limitada a 1% da receita bruta da pessoa jurídica nos períodos de 2001 e 2003 a 2006. Entretanto, ainda que fosse possível integrar o ato de lançamento para evidenciar a regularidade do percentual aplicado para cálculo da multa, o fato é que tem razão o impugnante quando defende a inviabilidade de sua aplicação, face a apresentação dos arquivos magnéticos no prazo fixado pela Fiscalização. Se fosse possível imputar ao fiscalizado a falta de apresentação dos arquivos magnéticos nas situações em que estes são entregues com inobservância de forma, inexistiria motivo para a aplicação da multa prevista no inciso I do art. 12 da Lei nº 8.218/91, dirigida aos que não atenderem à forma em que devem ser apresentados os registros e respectivos arquivos. A apresentação dos arquivos magnéticos, mesmo que sem observância do disposto nos atos normativos ou legais, afasta ou interrompe a mora. Assim, uma vez não infirmada a alegação do impugnante de que apresentou tempestivamente todas as informações solicitadas, descabe a aplicação da multa correspondente a 1% da receita bruta nos períodos de 2001 e 2003 a 2006, no valor total de R$ 17.398.519,57, cumprindo avaliar se tal apresentação se deu em perfeita ordem e com observância do layout previsto, como também consignado na impugnação. Ocorre que, também neste ponto, não é possível sustentar a imputação fiscal. Isto porque, ao menos em parte, não se confirmam, nos autos, as afirmações da autoridade lançadora de que os arquivos magnéticos não estavam de acordo com o disposto nas Instruções Normativas nºs. 68/1995 e 86/2001, e, além disso, não estavam em conformidade com os layout apresentados pelo próprio contribuinte. De fato, vêse que, para execução de verificações obrigatórias: período de apuração de 11/2001 a 09/2006, dos tributos e contribuições administradas pela SRF, a autoridade fiscal formulou termo de intimação exigindo do contribuinte, dentre outros elementos, os arquivos de lançamentos contábeis, de acordo com as Instruções Normativas nº 068/95 e 086/01 (fl. 05). Ainda, termo de intimação fiscal específico consta à fl. 06, exigindo a apresentação de arquivos magnéticos ou assemelhados e documentos a seguir relacionados, na forma do disposto nos artigos 265, 266 e 927 do Decreto Nº 3.000 de 26/03/99, Instrução Normativa do Secretário da Receita Federal Nº 68 de 27/12/95 (DOU 29/12/95) e Portaria COFIS Nº 13 de 28/12/95 (DOU 29/12/95), relativamente ao Período de Referência: 01/01/2002 a 31/12/2002. Na seqüência estão relacionados os arquivos de: Plano de Contas, Lançamentos, Fl. 279DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2014 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 13/05/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORA ES Processo nº 10932.000041/200802 Acórdão n.º 3201001.579 S3C2T1 Fl. 447 13 Centro de Despesas, Tipo de Documento, Saldos de Contas, Centro de Custos, e Histórico Padrão, além das demais especificações para sua apresentação. Vêse, daí, que para os anos de 2001 e 2003 a 2006, a solicitação fiscal restringiuse aos arquivos de lançamentos contábeis, sem detalhálos como feito em relação ao ano calendário 2002. Tal arquivo de lançamentos contábeis, por sua vez, é um dos componentes do arquivo de registros contábeis, como definido no Ato Declaratório Executivo – ADE COFIS nº 15, de 23 de outubro de 2001: Art. 1º As pessoas jurídicas de que trata o art. 1º da Instrução Normativa SRF nº 86, de 2001, quando intimadas por Auditor Fiscal da Receita Federal (AFRF), deverão apresentar, a partir de 1º de janeiro de 2002, os arquivos digitais e sistemas contendo informações relativas aos seus negócios e atividades econômicas ou financeiras, observadas as orientações contidas no Anexo único. § 1º As informações de que trata o caput deverão ser apresentadas em arquivos padronizados, no que se refere a: I – registros contábeis; II – fornecedores e clientes; III documentos fiscais; IV comércio exterior; V controle de estoque e registro de inventário; VI relação insumo/produto; VII controle patrimonial; VIII folha de pagamento. § 2º As informações que não se enquadrarem no parágrafo anterior deverão ser apresentadas pelas pessoas jurídicas, atendido o disposto nos itens "Especificações Técnicas dos Sistemas e Arquivos" e "Documentação de Acompanhamento" do Anexo único. [...] Anexo Único 1. Especificações Técnicas dos Sistemas e Arquivos Os arquivos digitais solicitados por AFRF deverão obedecer às regras de armazenamento e formatação estabelecidas neste Ato. [...] 4.1 Registros Contábeis Fl. 280DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2014 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 13/05/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORA ES 14 A estrutura deste arquivo deve ser utilizada para os lançamentos registrados no Livro Diário Geral e em Diários Auxiliares. Havendo escrituração de Diários Auxiliares, estes deverão ser apresentados em arquivos distintos. Os arquivos deste sistema deverão ser acompanhados da Tabela de Plano de Contas (4.9.2) e da Tabela de Centro de Custo/Despesa (4.9.3). 4.1.1 Arquivo de Lançamentos Contábeis [...] 4.1.2 Arquivo de Saldos Mensais Às fls. 12/13 constam cópia do aviso de recebimento correspondente, e relatório de entrega do objeto em 16/10/2006. Na seqüência, em documento apresentado ao Serviço de Fiscalização da DRF/São Bernardo do Campo em 25/10/2006 o contribuinte atesta o recebimento do Termo de Início de Fiscalização em 16/10/2006 (fls. 14/15). Já às fls. 16/17 há nova correspondência do contribuinte, datada de 01/11/2006, afirmando estar apresentando arquivos magnéticos relativos ao Plano de Contas, Saldos de Contas, Lançamentos, Centro de Custos, Centro de Despesas, Histórico Padrão, Tipo de Documento, e à qual está juntada cópia do Termo de Intimação Fiscal de fl. 06. Às fls. 18/19 há correspondência recepcionada pelo autuante em 06/11/2006, na qual o contribuinte menciona apresentar, dentre outros elementos, arquivos dos lançamentos contábeis relativos ao período de 2001 a setembro de 2006. Seguese a esta correspondência cópia da intimação de fl. 05, e Relatório de Acompanhamento (IN86), com indicações dos anos 2001, 2002, 2003, 2004, 2005 e 2006, todos emitidos em 01/11/2006, relativos ao arquivo SAFR01 – Lancamentos Contábeis, e acompanhados de DUMP do Arquivo Lancamentos Contabeis e de Layout do Arquivo de Lancamentos Contábeis (SAFS01). Para o ano de 2002 ainda há, especificamente, Relatório de Acompanhamento (IN68) correspondente ao arquivo SAFS20 – Códigos e SAFR01 – Lancamentos Contábeis (fls. 21/113). Assim, embora a autoridade lançadora, de fato, não tenha acostado aos autos os CDROMs apresentados pela Requerente em 04.04.2007, há, em substituição a eles, os relatórios referidos, por meio dos quais é possível avaliar se está presente a irregularidade que o autuante imputou ao contribuinte. Centrando a análise nos elementos relativos a 2001 e 2003 a 2006, que ensejaram a aplicação da penalidade, inferese que, inclusive para o anocalendário de 2001, o contribuinte pretendeu apresentar os arquivos magnéticos em conformidade com a Instrução Normativa SRF nº 86/2001, possivelmente valendose da faculdade nela assim expressa: Art. 1o As pessoas jurídicas que utilizarem sistemas de processamento eletrônico de dados para registrar negócios e atividades econômicas ou financeiras, escriturar livros ou elaborar documentos de natureza contábil ou fiscal, ficam Fl. 281DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2014 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 13/05/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORA ES Processo nº 10932.000041/200802 Acórdão n.º 3201001.579 S3C2T1 Fl. 448 15 obrigadas a manter, à disposição da Secretaria da Receita Federal (SRF), os respectivos arquivos digitais e sistemas, pelo prazo decadencial previsto na legislação tributária. [...] Art. 3o Incumbe ao CoordenadorGeral de Fiscalização, mediante Ato Declaratório Executivo (ADE), estabelecer a forma de apresentação, documentação de acompanhamento e especificações técnicas dos arquivos digitais e sistemas de que trata o art. 2o. § 1o Os arquivos digitais referentes a períodos anteriores a 1o de janeiro de 2002 poderão, por opção da pessoa jurídica, ser apresentados na forma estabelecida no caput. § 2o A critério da autoridade requisitante, os arquivos digitais poderão ser recebidos em forma diferente da estabelecida pelo CoordenadorGeral de Fiscalização, inclusive em decorrência de exigência de outros órgãos públicos. § 3o Fica a critério da pessoa jurídica a opção pela forma de armazenamento das informações. (negrejouse) Isto porque, inclusive para o ano de 2001, os documentos apresentados são capeados por “Relatório de Acompanhamento (IN 86)”, na forma definida no Ato Declaratório Executivo COFIS nº 15/2001, in verbis: 2.4 Relatório de Acompanhamento Deverá ser entregue um relatório de acompanhamento para cada arquivo, conforme modelo definido no item 3. 3. Modelo de Relatório de Acompanhamento CNPJ: Nome Empresarial: Nome do Arquivo:Data da Geração : ____/ ____/ ___ Conteúdo do Arquivo (*): MEIO FÍSICO DE ENTREGA: (__)CD (__)Disquete (__)Conexão em rede local (LAN) (__)Transmissão direta (__)__________ (outro meio físico aceito pela autoridade requisitante) DUMP DOS 30 PRIMEIROS REGISTROS……: _____ (quantidade de páginas) Fl. 282DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2014 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 13/05/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORA ES 16 DUMP DOS 30 ÚLTIMOS REGISTROS……….: _____ (quantidade de páginas) DESCRIÇÃO DETALHADA DO ARQUIVO…: _____ (quantidade de páginas) QUANTIDADE DE VOLUMES………………..: QUANTIDADE DE REGISTROS………………..: TAMANHO DO ARQUIVO (EM BYTES) (**)…: OUTROS PARÂMETROS (***) ………………...: Local, data: Contribuinte/responsável ou preposto: NOME:ASSINATURA: CPF....: TELEFONE: FAX: EMAIL: Responsável técnico pela geração do arquivo: NOME:ASSINATURA: CPF....: TELEFONE: FAX: EMAIL: (*) Denominação de acordo com item 4 ou descrição sucinta do conteúdo do arquivo. (**) Se compactado, informar o tamanho do arquivo resultante da compactação. (***) Parâmetros técnicos necessários à leitura do arquivo, quando entregue em outros meios físicos. A este Relatório de Acompanhamento seguese “DUMP de Arquivo Lançamentos Contábeis”, que nos termos do ADE COFIS nº 15/2001, representa cópia impressa do conteúdo dos trinta primeiros e trinta últimos registros de cada arquivo. Por sua vez, nestes registros, evidenciase a sua compatibilidade com as especificações técnicas do citado ato, relativas aos registros contábeis, as quais são a seguir reproduzidas: 1. Especificações Técnicas dos Sistemas e Arquivos Os arquivos digitais solicitados por AFRF deverão obedecer às regras de armazenamento e formatação estabelecidas neste Ato. 1.1 Codificação de Dados e Organização dos Arquivos Codificação Texto codificado em ASCII ISO 88591 (Latin1). Não se aceitam campos compactados (packed decimal), zonados, binários, ponto flutuante (float point), etc., ou quaisquer outras codificações de texto, tais como EBCDIC. Fl. 283DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2014 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 13/05/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORA ES Processo nº 10932.000041/200802 Acórdão n.º 3201001.579 S3C2T1 Fl. 449 17 Organização Seqüencial. Tipo de registro LINHA terminando com os caracteres especiais CR/LF (carriage return / line feed = retorno do carro / alimentação de linha = hexa 0D0A). 1.2 Regras de Formatação Cada registro deve estar contido em uma linha e todas as linhas devem ter o mesmo tamanho. TIPO DE CAMPO CONTEÚDO FORMATO OBSERVAÇÕES Numérico Alinhado à direita, suprimidos vírgulas e pontos, com posições não significativas zeradas. Se comportar sinal, este deve estar em campo próprio e preenchido com "+" (hexa 2B) ou "" (hexa 2D) . N Na ausência de informação, os campos deverão ser preenchidos com zeros (hexa 30). Alfanumérico Alinhado à esquerda, com posições não utilizadas preenchidas com brancos . C Na ausência de informação, os campos deverão ser preenchidos com brancos (hexa 20). [...] 2. Documentação de Acompanhamento Os documentos mencionados nos itens 2.1 e 2.2 devem ser autenticados pelo contribuinte, mediante aposição de "visto" em todas as suas páginas. Os documentos mencionados nos itens 2.1 e 2.4 devem, também, ser gravados como arquivo texto denominado LEIAME.TXT e entregue juntamente com o arquivo a que se refere. 2.1 Descrição Detalhada do Arquivo: Descrição completa dos campos de cada registro do arquivo, incluindo sua seqüência e formato (tipo, posição inicial, tamanho e quantidade de casas decimais), seu significado, valores possíveis, com a descrição dos conceitos envolvidos na especificação deste valor, definição de seus componentes, incluindo fórmulas de cálculo e eventual relação com o conteúdo de outros campos. Quando, para manter a integridade e correção da informação, for necessária a apresentação de dados não previstos nos arquivos padronizados, eles deverão ser incluídos nos arquivos correspondentes, mediante acréscimo de campos ao final do registro. Caso qualquer campo seja de tamanho superior ao previsto neste Ato, prevalecerá o tamanho utilizado pela pessoa jurídica. Em ambas as situações, exigese, como parte da documentação de acompanhamento, a apresentação do leiaute correspondente aos arquivos. 2.2 "DUMP" Cópia impressa do conteúdo dos trinta primeiros e trinta últimos registros de cada arquivo. 2.3 Etiqueta de Identificação [...] 2.4 Relatório de Acompanhamento [...] 4. Leiaute dos Arquivos Padronizados Fl. 284DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2014 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 13/05/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORA ES 18 Além das regras de formatação previstas no item 1.2, os arquivos deverão atender as seguintes regras especiais de formatação: TIPO DE CAMPO CONTEÚDO OBSERVAÇÕES CPF Posições 1 a 3 brancos Posições 4 a 12 número de inscrição Posições 13 a 14 dígito verificador Deverá conter 11 dígitos CNPJ Posições 1 a 8 número básico Posições 9 a 12 – número de ordem Posições 13 a 14 dígito verificador Deverá conter 14 dígitos Data As datas deverão ser expressas no formato dia, mês e ano (DDMMAAAA). 4.1 Registros Contábeis A estrutura deste arquivo deve ser utilizada para os lançamentos registrados no Livro Diário Geral e em Diários Auxiliares. Havendo escrituração de Diários Auxiliares, estes deverão ser apresentados em arquivos distintos. Os arquivos deste sistema deverão ser acompanhados da Tabela de Plano de Contas (4.9.2) e da Tabela de Centro de Custo/Despesa (4.9.3). 4.1.1 Arquivo de Lançamentos Contábeis O registro no arquivo de lançamentos contábeis será considerado como partidas simples. Desta forma, temse: · no caso de um lançamento com um débito e um crédito, utilizase um registro que represente o débito e um registro que represente o crédito. O campo "Código da Contrapartida" deve ser preenchido em ambos os registros; · no caso de um lançamento com um débito e diversos créditos, utilizase um registro que represente o débito e tantos registros quantos sejam necessários para representar os créditos, deixando em branco o campo "Código da Contrapartida" no registro correspondente ao débito. Item CAMPO Posição Inicial Tamanho Formato OBSERVAÇÕES 1 Data do Lançamento 1 8 N 2 Código da Conta Analítica 9 28 C Conforme Tabela de Plano de Contas (4.9.2). 3 Código do Centro de Custo / Despesa 37 28 C Conforme Tabela de Centro de Custo/Despesa (4.9.3). 4 Código da Contrapartida 65 28 C Conforme Tabela de Plano de Contas (4.9.2). 5 Valor 93 17 N Valor do lançamento, sem sinal, pontos ou vírgulas e com 2 casas decimais. 6 Indicador de Débito ou Crédito 110 1 C Preencher com “D” ou “C”. 7 Número de Arquivamento 111 12 C Destinado à identificação e localização do documento lastreador da operação. 8 Número de Lançamento 123 12 C Destinado à identificação do CONJUNTO DE REGISTROS representativos do lançamento, assim considerado todos os débitos e seus respectivos créditos. 9 Histórico 135 150 C Histórico completo. Fl. 285DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2014 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 13/05/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORA ES Processo nº 10932.000041/200802 Acórdão n.º 3201001.579 S3C2T1 Fl. 450 19 Nos termos destas especificações, para o anocalendário 2001 (apenas novembro e dezembro/2001, como solicitado pela Fiscalização), notase apenas a ausência, nos primeiros registros do DUMP, dos códigos do centro de custo/despesa, que deveriam começar na posição 37, bem como do código da contrapartida, que deveria começar na posição 65. De fato, depois do código da conta analítica que começaria na posição 9, a próxima informação é o valor do lançamento, a partir da posição 93. Apenas nos 30 últimos registros verificase a existência, em alguns deles, de códigos a partir da posição 37, bem como, em outros registros, de códigos a partir da posição 65. A título de exemplo, vejase a comparação do primeiro e do último registro do anocalendário de 2001 com as especificações do ADE COFIS nº 15/2001: Item CAMPO Posição Tam. Formt RECORD 1 RECORD 26933 Inicial 1 Data do Lançamento 1 8 N 01112001 31122001 2 Código da Conta Analítica 9 28 C 110101001 130430001 3 Código do Centro de Custo 37 28 C 88404 4 Código da Contrapartida 65 28 C 210402001 5 Valor 93 17 N 00000000000014900 00000000000178700 6 Indicador de Débito ou Crédito 110 1 C C D 7 Número de Arquivamento 111 12 C FFR100000890 DREC100075200 8 Número de Lançamento 123 12 C FFR10000089 NF9438 9 Histórico 135 150 C VALOR MATERIAL LIMPEZA COMPRA DE MATERIAIS Ocorre que o código do centro de custo/despesa não é exigível em todos os lançamentos contábeis. Naqueles permutativos, por exemplo, ele é dispensável, na medida em que somente acarretam alterações em contas patrimoniais. Além disso, uma variação no resultado pode não estar necessariamente ligada a um centro de custo/despesa, onerando uniformemente a empresa. Já com referência ao código de contrapartida, o próprio ADE COFIS nº 15/2001 dispensa sua indicação no caso de um lançamento com um débito e diversos créditos (lançamentos contábeis que não sejam de 1a fórmula, nos quais há mais de um débito ou de um crédito associado à contrapartida), circunstância na qual utilizase um registro que represente o débito e tantos registros quantos sejam necessários para representar os créditos, deixando em branco o campo "Código da Contrapartida" no registro correspondente ao débito. É certo que, embora evidente tal coerência com as especificações do ADE COFIS nº 15/2001, há total descompasso com o que consignado como layout do arquivo de lançamentos contábeis relativo ao anocalendário 2001 (fl. 39), no qual o código do centro de custo/despesa é indicado com início na posição 79, e o código da contrapartida na posição 107, enquanto o valor do lançamento se iniciaria na posição 177. Fl. 286DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2014 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 13/05/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORA ES 20 Para maior clareza, vejase a comparação entre o que consta à fl. 39 e as especificações acima, que observam o ADE COFIS nº 15/2001: ADE COFIS nº 15/2001 LAYOUT 2001 Item CAMPO Posição Tam. Formt Posição Tam. Formt Inicial Inicial 1 Data do Lançamento 1 8 N 1 8 N 2 Código da Conta Analítica 9 28 C 9 70 A 3 Código do Centro de Custo 37 28 C 173 28 A 4 Código da Contrapartida 65 28 C 97 70 A 5 Valor 93 17 N 79 17 N 6 Indicador de Débito ou Crédito 110 1 C 96 1 A 7 Número de Arquivamento 111 12 C 355 50 A 8 Número de Lançamento 123 12 C 9 Histórico 135 150 C Tipo de Operação 167 6 A Centro de Despesa 201 28 A Histórico Padrão 229 6 A Histórico Complementar 235 120 A Código da Empresa 405 3 A Código do Estabelecimento 408 6 A Contudo, embora a conclusão fiscal seja parcialmente verdadeira, pois os arquivos magnéticos não estão em conformidade com os layout apresentados, nada há nos autos que infirme o fato de que eles estariam compatíveis com a Instrução Normativa SRF nº 86/2001 e correspondente ADE COFIS nº 15/2001. Tal circunstância, aliás, possivelmente motivou a alegada validação dos arquivos magnéticos por meio do website da Receita Federal, ocorrência relatada no Termo de Verificação e Constatação Fiscal, mas não considerada como fato novo pela Fiscalização. Neste sentido, inclusive, vêse que o leiaute ali apontado para validação do arquivo de 2004 é o padrão do ADE COFIS nº 15/2001, como indicado nos relatórios de DUMP referidos. Consignese que as mesmas circunstâncias são verificadas nos arquivos magnéticos dos demais períodos, como se vê nas correspondentes comparações entre as especificações do ADE COFIS nº 15/2001, o primeiro e o último registros do DUMP, a seguir apresentadas: 2003 (fls. 66/77): Item CAMPO Pos. Tam. Formt RECORD 1 RECORD 188495 Inic. 1 Data do Lançamento 1 8 N 01012003 31122003 2 Código da Conta Analítica 9 28 C 110103001 110102012 3 Código do Centro de Custo 37 28 C 4 Código da Contrapartida 65 28 C Fl. 287DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2014 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 13/05/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORA ES Processo nº 10932.000041/200802 Acórdão n.º 3201001.579 S3C2T1 Fl. 451 21 5 Valor 93 17 N 00000000028727655 00000000002786395 6 Indicador de Déb. ou Créd. 110 1 C C D 7 Número de Arquivamento 111 12 C 409100116340 409100197700 8 Número de Lançamento 123 12 C 40910011634 40910019770 9 Histórico 135 150 C REFERENTE ARRECADACAO VALOR REG. DE DIF. DE COLETA 01012002 a) 2004 (fls. 78/89): Item CAMPO Pos. Tam. Formt RECORD 1 RECORD 203417 Inic. 1 Data do Lançamento 1 8 N 01012004 31122004 2 Código da Conta Analítica 9 28 C 110103001 801000115 3 Código do Centro de Custo 37 28 C 4 Código da Contrapartida 65 28 C 5 Valor 93 17 N 00000000047445055 00000000000267633 6 Indicador de Déb. ou Créd. 110 1 C C D 7 Número de Arquivamento 111 12 C 409100196750 1205009712 8 Número de Lançamento 123 12 C 40910019675 120500971 9 Histórico 135 150 C REFERENTE ARRECADACAO 010103 CTAS TRANS FO.RET.G MED 12 CONT 170/03 NF 110 b) 2005 (fls. 90/101); Item CAMPO Pos. Tam. Formt RECORD 1 RECORD 208706 Inic. 1 Data do Lançamento 1 8 N 01022005 31122005 2 Código da Conta Analítica 9 28 C 110102016 801000115 3 Código do Centro de Custo 37 28 C 4 Código da Contrapartida 65 28 C 5 Valor 93 17 N 00000000001423070 00000000006043780 6 Indicador de Déb. ou Créd. 110 1 C C D 7 Número de Arquivamento 111 12 C 1201004891 1205005042 8 Número de Lançamento 123 12 C 120100489 120500504 9 Histórico 135 150 C BANCO UNIBANCO S.A. 20050201 BR3A1 CTAS TRANS FO.RET.G d) 2006 (102/112): Item CAMPO Pos. Tam. Formt RECORD 1 RECORD 169447 Inic. 1 Data do Lançamento 1 8 N 01012006 31082006 2 Código da Conta Analítica 9 28 C 110103001 410203071 3 Código do Centro de Custo 37 28 C 4 Código da Contrapartida 65 28 C 110202015 5 Valor 93 17 N 00000000000025160 00000000000114983 6 Indicador de Déb. ou Créd. 110 1 C C C 7 Número de Arquivamento 111 12 C 01000001202 18000001572 8 Número de Lançamento 123 12 C 0100000120 1800000157 9 Histórico 135 150 C ARRECADACAO CHEQUE RIACHO ACESSO AGOSTO GRANDE 01.01.2006 Fl. 288DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2014 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 13/05/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORA ES 22 Observese, ainda, que desta análise notase que os registros contábeis de 2005 começam em 01/02/2005, e os de 2006 terminam em 31/08/2006, o que permitiria concluir pela falta de apresentação de arquivos magnéticos relativos a dois meses contidos no intervalo solicitado (janeiro/2001 a setembro/2006). Todavia, na medida em que tal imputação não foi formalizada no lançamento, que se limitou a afirmar a incompatibilidade entre o layout indicado para os arquivos e a formatação apresentada por estes, sem perquirir da eventual aplicação da multa prevista no inciso II do art. 12 da Lei nº 8.218/91 (multa de cinco por cento sobre o valor da operação correspondente, aos que omitirem ou prestarem incorretamente as informações solicitadas, limitada a um por cento da receita bruta da pessoa jurídica no período), não seria possível inovar a exigência, em sede de julgamento, para agravála. Assim, evidenciandose nos elementos dos autos que os arquivos de lançamentos contábeis, apresentados para os anos de 2001 e de 2003 a 2006, apresentam formatação equivalente à determinada no ADE COFIS nº 15/2001, incabível também se mostra a multa de meio por cento do valor da receita bruta da pessoa jurídica no período, aplicável aos que não atenderem à forma em que devem ser apresentados os registros e respectivos arquivos. Ante o exposto, voto por negar provimento ao recurso de ofício. Sala de sessões, 26 de fevereiro de 2014. Luciano Lopes de Almeida Moraes Relator Fl. 289DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2014 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 13/05/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORA ES
score : 1.0
Numero do processo: 11080.934349/2009-67
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 26 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed May 28 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/06/2005 a 30/06/2005
CONTRATOS. PREÇO PREDETERMINADO. DESCARACTERIZAÇÃO. ÍNDICE DE REAJUSTE. IMPOSSIBILIDADE.
O preço predeterminado em contrato não perde sua natureza simplesmente pela previsão de reajuste decorrente da correção monetária. Se a pretensão do legislador, a partir da Lei nº 10.833/03, fosse não abarcar os contratos com cláusula de reajuste, o termo apropriado seria preço fixo, que não se confunde com o preço predeterminado. Precedentes judiciais e administrativos.
Numero da decisão: 3803-005.976
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, para reconhecer que os reajustes de preços do fornecimento de bens e serviços, pelo IGPM, de contratos firmados antes de 31 de outubro de 2003, com prazo superior a 1 (um) ano, não perdem o seu caráter de preço predeterminado. Vencido o Conselheiro Corintho Oliveira Machado, que convertia o julgamento em diligência.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente
(assinado digitalmente)
Belchior Melo de Sousa - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: BELCHIOR MELO DE SOUSA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, para reconhecer que os reajustes de preços do fornecimento de bens e serviços, pelo IGPM, de contratos firmados antes de 31 de outubro de 2003, com prazo superior a 1 (um) ano, não perdem o seu caráter de preço predeterminado. Vencido o Conselheiro Corintho Oliveira Machado, que convertia o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado - Presidente (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa - Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues.
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PREÇO PREDETERMINADO. DESCARACTERIZAÇÃO. ÍNDICE DE REAJUSTE. IMPOSSIBILIDADE. O preço predeterminado em contrato não perde sua natureza simplesmente pela previsão de reajuste decorrente da correção monetária. Se a pretensão do legislador, a partir da Lei nº 10.833/03, fosse não abarcar os contratos com cláusula de reajuste, o termo apropriado seria preço fixo, que não se confunde com o preço predeterminado. Precedentes judiciais e administrativos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, para reconhecer que os reajustes de preços do fornecimento de bens e serviços, pelo IGPM, de contratos firmados antes de 31 de outubro de 2003, com prazo superior a 1 (um) ano, não perdem o seu caráter de preço predeterminado. Vencido o Conselheiro Corintho Oliveira Machado, que convertia o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 93 43 49 /2 00 9- 67 Fl. 482DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 29/04/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues. Relatório Esta Contribuinte transmitiu a Declaração de Compensação utilizando como crédito pagamento a maior da contribuição para o PIS nos períodos de apuração julho a dezembro de 2004, maio de 2005 e julho a dezembro de 2005. Tais indébitos fundamse na apuração da contribuição pela sistemática da cumulatividade, sobre as receitas de contratos de fornecimento de bens e serviços a preço predeterminado, auferidas sob contratos com prazo superior a um ano, firmados anteriormente a 31 de outubro de 2003, conforme previsão contida no inciso XI, b, do artigo 10 e inciso V do artigo 15 da Lei nº 10.833/2003, e de acordo com orientações emanadas da Agência Nacional de Energia Elétrica ANEEL. Despacho Decisório proferido pela DRF/Porto Alegre reconheceu parte do direito creditório, porém, não pelas razões que estão na base do direito invocado pela declarante das compensações, mas por identificação de pagamentos a maior justificados por seus próprios critérios de apuração. Os fundamentos da declarante foram rejeitados pela DRF/Porto Alegre, sob o argumento de que os contratos dos segmentos de Geração e de Transmissão, nos períodos fiscalizados, não preenchem o conceito de preço predeterminado. No seu entender, a correção do preço pelo IGPM não se amoldaria à disciplina do art. 109 da Lei nº 11.196/2005[1]. Irresignada, a Interessada apresentou manifestação de inconformidade contra o indeferimento do seu pleito, sustentando que: a) existem exceções à regra da não cumulatividade, especialmente a prevista no inciso XI, b, do art. 10 da Lei nº 10.833/2003[2]; b) o IGPM enquadrase no conceito apresentado pelo art. 27 da Lei nº 9.069/95[3], consubstanciado no IPCr, uma vez que o substituiu; transcreve doutrina e jurisprudência que corroboram o entendimento de que a correção monetária do valor das tarifas não descaracteriza a condição de preço predeterminado; c) suas receitas foram tributadas pelo regime cumulativo até a primeira alteração de preço efetuada em suas tarifas, e, após este fato, pela não cumulatividade; 1 Art. 109. Para fins do disposto nas alíneas b e c do inciso XI do caput do art. 10 da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, o reajuste de preços em função do custo de produção ou da variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, nos termos do inciso II do § 1º do art. 27 da Lei nº 9.069, de 29 de junho de 1995, não será considerado para fins da descaracterização do preço predeterminado. Parágrafo único. O disposto neste artigo aplicase desde 1º de novembro de 2003. 2 Art. 10. [...] XI as receitas relativas a contratos firmados anteriormente a 31 de outubro de 2003: [...]l; b) com prazo superior a 1 (um) ano, de construção por empreitada ou de fornecimento, a preço predeterminado, de bens ou serviços; 3 Art. 27. A correção, em virtude de disposição legal ou estipulação de negócio jurídico, da expressão monetária de obrigação pecuniária contraída a partir de 1º de julho de 1994, inclusive, somente poderá darse pela variação acumulada do Índice de Preços ao Consumidor, Série r IPCr. Fl. 483DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 29/04/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 11080.934349/200967 Acórdão n.º 3803005.976 S3TE03 Fl. 483 3 d) a ANEEL, autarquia federal que regula o setor elétrico, firmou entendimento, por meio da Nota Técnica nº 224SFF, de 19/06/2006, de que os reajustes efetuados preenchiam os requisitos legais disciplinados pelo art. 10, XI, b da Lei nº 10.833/2003; e) em nenhum momento foram aferidos os custos de produção do contribuinte no período fiscalizado. Nesse caso, mesmo considerando que o IGPM desfigura o conceito normativo de preço predeterminado, não poderia ter sido ignorada outra prerrogativa legal, a qual estabelece um percentual não superior ao acréscimo do custo de produção; f) existem nulidades, como a ausência dos valores cobrados das contribuições, não expressos no despacho decisório de forma específica, e do montante do débito não homologado. Em julgamento da lide, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Porto Alegre/RS, julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela Manifestante, com base nos fundamentos resumidos na ementa seguinte: ASSUNTO: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/06/2005 a 30/06/2005 PRELIMINAR DE NULIDADE. IMPROCEDÊNCIA. Demonstrado que o Despacho Decisório foi formalizado de acordo com os requisitos de validade previstos em lei e que não ocorreu violação ao disposto no art. 59 do Decreto nº 70.235, de 1972, não deve ser acatado o pedido de nulidade formulado. PREÇO PREDETERMINADO. IGPM. ÍNDICE GERAL. Nos termos do disposto no art. 109 da Lei nº 11.196/2006, o reajuste de preços em função do custo de produção ou da variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, nos termos do inciso II do § 1º do art. 27 da Lei no 9.069, de 29 de junho de 1995, não será considerado para fins da descaracterização do preço predeterminado. O IGPM não é índice que obedeça ao disposto no art. 109 da Lei nº 11.196/2006, por ser índice geral de reajuste de preços. Cientificada da decisão em 11 de outubro de 2012, irresignada, apresentou recurso voluntário em 8 de novembro de 2012, em que maneja os mesmos argumentos da manifestação de inconformidade. É o relatório. Voto Conselheiro Relator Belchior Melo de Sousa Relator Fl. 484DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 29/04/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 4 O recurso é tempestivo, atende as demais condições de admissibilidade e dele tomo conhecimento. A controvérsia gira em torno da aplicação do disposto no art. 10, XI, “b” da Lei nº 10.833/2003, que mantém no regime cumulativo de apuração do PIS e da Cofins as receitas decorrentes de: (i) contratos para fornecimento de bens ou serviços; (ii) firmados antes de 31 de outubro de 2003; (iii) com prazo superior a 1 (um) ano;e (iv) a preço predeterminado. Reza o dispositivo: Art. 10. Permanecem sujeitas às normas da legislação da COFINS, vigentes anteriormente a esta Lei, não se lhes aplicando as disposições dos arts. 1º a 8º: (...) XI as receitas relativas a contratos firmados anteriormente a 31 de outubro de 2003: (...) b) empreitada ou de fornecimento, a preço predeterminado, de bens ou serviços; c) de construção por empreitada ou de fornecimento, a preço predeterminado, de bens ou serviços contratados com pessoa jurídica de direito público, empresa pública, sociedade de economia mista ou suas subsidiárias, bem como os contratos posteriormente firmados decorrentes de propostas apresentadas, em processo licitatório, até aquela data; Vêse que os três primeiros requisitos legais são objetivos, ao passo que a disputa se dá sobre o quarto item, que envolve um aberto e impreciso conceito: o de preço predeterminado. A Recorrente é Sociedade de Economia Mista; com participação mínima de 51% do capital social do Estado do Rio Grande do Sul, prevista no Estatuto Social, tem seus contratos regidos pela Lei nº 10.192/2001[4], que dispõe sobre medidas complementares ao Plano Real e dá outras providências, e regula a forma como os contratos administrativos são reajustados, verbis: Art. 2º. É admitida estipulação de correção monetária ou de reajuste por índices de preços gerais, setoriais ou que reflitam a variação dos custos de produção ou dos insumos utilizados nos contratos de prazo de duração igual ou superior a um ano.[grifei] Art. 3o. Os contratos em que seja parte órgão ou entidade da Administração Pública direta ou indireta da União, dos Estados, 4 E subsidiariamente pela Lei nº 8.666/93. Fl. 485DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 29/04/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 11080.934349/200967 Acórdão n.º 3803005.976 S3TE03 Fl. 484 5 do Distrito Federal e dos Municípios, serão reajustados ou corrigidos monetariamente de acordo com as disposições desta Lei, e, no que com ela não conflitarem, da Lei nº 8.666/93.[grifei] A proficiente e rígida regulação macroeconômica do Plano Real, que pôs sob controle a histórica inflação brasileira, permitiu – nos termos do art. 27, I, da Lei nº 9.069, de 1995 , a correção da expressão monetária de obrigação pecuniária contraída a partir de 1º de julho de 1994 em virtude de disposição legal ou estipulação de negócio jurídico , desde que se desse pela aplicação do Índice de Preços ao Consumidor, Série r/IPCr. Alternativamente, poderia haver reajuste em função do custo de produção ou variação de índice que refletisse a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, verbis: Art. 27. A correção, em virtude de disposição legal ou estipulação de negócio jurídico, da expressão monetária de obrigação pecuniária contraída a partir de 1º de julho de 1994, inclusive, somente poderá darse pela variação acumulada do Índice de Preços ao Consumidor, Série r IPCr. § 1º O disposto neste artigo não se aplica: I. omissis II. aos contratos pelos quais a empresa se obrigue a vender bens para entrega futura, prestar ou fornecer serviços a serem produzidos, cujo preço poderá ser reajustado em função do custo de produção ou da variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados; A citada lei, em seu art. 8º e § 1º, extinguiu o IPCr e permitiu a sua substituição por índice de preços gerais, setoriais ou que reflitam a variação dos custos de produção ou dos insumos utilizados nos contratos de prazo de duração igual ou superior a um ano: Art. 8º A partir de 1º de julho de 1995, a Fundação Instituto Brasileiro de Geografía e Estatística IBGE deixará de calcular e divulgar o IPCr. § 1º Nas obrigações e contratos em que haja estipulação de reajuste pelo IPCr, este será substituído, a partir de 1º de julho de 1995, pelo índice previsto contratualmente para este fim. A Nota Técnica SFF nº 224, de 19/06/96, da ANEEL[5], destaca que o índice utilizado nos Contratos de Suprimento de Energia Elétrica, bem como nos Contratos de Concessão do Serviço Público de Transmissão é o IGPM (índice Geral de Preços do Mercado), calculado pela Fundação Getúlio Vargas FGV. No entanto, a Instrução Normativa SRF nº 468/04, em regulamentação do inciso XI do art. 10 da Lei no 10.833/03, viabilizou uma definição de preço predeterminado, dispondo: 5 35. Neste ponto, cabe observar que o índice utilizado nos Contratos de Suprimento de Energia Elétrica (sejam eles Contratos Iniciais ou Contratos Bilaterais), bem nos Contratos de Concessão do Serviço Público de Transmissão é o IGPM (índice Geral de Preços do Mercado), apurado pela Fundação Getúlio Vargas FGV. O IGPM é índice que se enquadra no conceito apresentado pelo art. 27 da Lei n° 9.069/95. Fl. 486DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 29/04/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 6 IN SRF 468/04: Art. 2º Para efeito desta Instrução Normativa, preço predeterminado é aquele fixado em moeda nacional como remuneração da totalidade do objeto do contrato. § 1º. Considerase também preço predeterminado aquele fixado em moeda nacional por unidade de produto ou por período de execução. § 2º. Se estipulada no contrato cláusula de aplicação de reajuste, periódico ou não, o caráter predeterminado do preço subsiste somente até a implementação da primeira alteração de preços verificada após a data mencionada no art 1º. § 3º. Se o contrato estiver sujeito a regra de ajuste para manutenção do equilíbrio econômicofinanceiro, nos termos dos arts. 57, 58 e 65 da Lei nº 8.666, de 21 de junho de 1993, o caráter predeterminado do preço subsiste até a eventual implementação da primeira alteração nela fundada após a data mencionada no art 1º. Por essa disciplina, os atos de restaurar o equilíbrio econômicofinanceiro do contrato ou de aplicar sobre o preço da geração e transmissão de energia elétrica índice visando à recomposição do poder de compra, corroído pelo efeito da inflação, resultariam na submissão das receitas ao regime não cumulativo das contribuições PIS/Pasep e Cofins, por se descaracterizar o preço predeterminado. Em suma, o regulamento define preço predeterminado como preço fixo, uma condição que estabelece para que as receitas fossem mantidas no regime cumulativo de apuração. Entendo que a IN SRF nº 468/04 inovou a ordem jurídica, por extrapolar o seu poder regulamentar ao disciplinar a norma de preço predeterminado na Lei nº 10.833/03, Visando a estancar a disputa suscitada pelo limitado e controverso conceito de preço predeterminado por ela trazido foi introduzido entre as inúmeras disposições tributárias, na Lei nº 11.196/05, o art. 109, que dispôs, pontualmente, sobre o reajuste de preço na circunstância que indica. Da norma deflui que o ato do reajuste, por si, não descaracteriza o preço predeterminado. Aditese que esta norma do art. 109 não traz conceito novo de preço predeterminado, como aludido na decisão administrativa, uma vez que o seu efeito retroage para a data de início de vigência do regime da não cumulatividade da Cofins. Não há direito novo com efeito retroativo fora das hipóteses do art. 106 do Código Tributário Nacional. Veja se o seu teor: Art. 109. Para fins do disposto nas alíneas b e c do inciso XI do caput do art. 10 da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, o reajuste de preços em função do custo de produção ou da variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, nos termos do inciso II do § 1º do art. 27 da Lei nº 9.069, de 29 de junho de 1995, não será considerado para fins da descaracterização do preço predeterminado.[grifei] Parágrafo único. O disposto neste artigo aplicase desde 1º de novembro de 2003. Fl. 487DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 29/04/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 11080.934349/200967 Acórdão n.º 3803005.976 S3TE03 Fl. 485 7 Todos estes elementos acima instanos a enfrentar o nó de aferir em que medida foi acertada a decisão recorrida ao considerar improcedente a manifestação de inconformidade contra o despacho decisório da DRF/Porto Alegre, que descaracterizou como preço determinado as receitas dos contratos da Companhia Estadual de Geração e Transmissão de Energia Elétrica, pela utilização do índice de reajuste IGPM, sob o argumento de ferir a disposição do art. 27, § 1º, II, da Lei nº 9.069/95, referido pelo art. 109 da Lei nº 11.196/2005, na linha da antecedente decisão da Autoridade administrativa, verbis: Nesse passo, importa identificar três formas de fixação de preços nos contratos em andamento: a repactuação ou revisão, a recomposição e o reajuste. A autorizada doutrina de Marçal Justen Filho define o que vem a ser recomposição e reajuste. “A recomposição é o procedimento destinado a avaliar a ocorrência de evento que afeta a equação econômicofinanceira do contrato e promove adequação das cláusulas contratuais aos parâmetros necessários para recompor o equilíbrio original. Já o reajuste é procedimento automático, em que a recomposição se produz sempre que ocorra a variação de certos índices, independentemente de averiguação efetiva do desequilíbrio” [6] A recomposição, também chamada de revisão, decorre de fatos imprevisíveis: caso de força maior, caso fortuito, fato do príncipe ou álea econômica extraordinária. O reajuste objetiva reconstituir os preços praticados no contrato em razão de fatos previsíveis, é dizer, álea econômica ordinária, no momento da contratação, ante a realidade existente, como a variação inflacionária. Por decorrência, o reajuste deve retratar a alteração dos custos de produção a fim de manter as condições efetivas da proposta contratual, embora muitas vezes não alcance este desiderato relativamente a certo segmento ou agente econômico. A repactuação visa à adequação dos preços contratuais aos novos preços de mercado e, no âmbito da Administração Pública Federal, encontrase regulamentada no art. 5º do Decreto nº 2.271, de 7 de julho de 1997[7]. A possibilidade de repactuação prevista neste decreto não se faz acompanhar de disciplina acerca dos seus efeitos tributários, valendo a citação apenas para destacar a definição do signo repactuação. Em reforço à definição do termo reajuste, quanto ao seu propósito de manter o equilíbrio financeiro do contrato, vejase o que está assentado pelo Superior Tribunal de Justiça: PROCESSUAL CIVIL E ADMINISTRATIVO – CONTRATO ADMINISTRATIVO REAJUSTE DE PREÇOS AUSÊNCIA DE AUTORIZAÇÃO CONTRATUAL DESCABIMENTO. 6 Filho, Marçal Justen. Comentários à lei de licitações e contratos administrativos. São Paulo: Dialética, 10. ed., 2004, p. 389. 7 Art. 5º Os contratos de que trata este Decreto, que tenham por objeto a prestação de serviços executados de forma contínua poderão, desde que previsto no edital, admitir repactuação visando à adequação aos novos preços de mercado, observados o interregno mínimo de um ano e a demonstração analítica da variação dos componentes dos custos do contrato, devidamente justificada. Fl. 488DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 29/04/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 8 1. O reajuste do contrato administrativo é conduta autorizada por lei e convencionada entre as partes contratantes que tem por escopo manter o equilíbrio financeiro do contrato. 2. ... STJ – Resp. 730568 SP 2005/00363158. Aqui se está a tratar de reajuste, não de recomposição nem de repactuação. Ora, sob a égide da execução do Plano Real os contratos podiam ser reajustados sem ferir os cânones da estabilização econômica, desde que, obrigatoriamente, por meio do índice legalmente fixado, o IPCr, segundo o art. 27, caput, da Lei nº 9.069/95. Se, acaso, a empresa se obrigasse a vender bens para entrega futura, prestar ou fornecer serviços a serem produzidos, a obrigatoriedade do caput seria desconsiderada se o reajuste fosse efetuado em função do custo de produção ou da variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, conforme o § 1º, inciso II, deste mesmo artigo. Esta última alternativa de reajuste, art. 27, § 1º, inciso II, da Lei nº 9.069/95, claramente flexibiliza a regra do caput para permitir que o ajuste se dê a maior ou a menor que o índice oficial preconizado, podendo ser favorável a uma ou à outra parte contratantes. Este entendimento imanta a interpretação que a norma do art. 109 da Lei nº 11.196/2005 veio trazer[8][9]: impedir que se interprete a simples aplicação de reajuste como critério para descaracterizar o contrato a preço predeterminado. Assim, o reajuste de preço é possível, e na circunstância indicada é ato que não descaracteriza o preço predeterminado. A Instrução Normativa nº 658/06, ao disciplinar o dispositivo legal acima, segregou o parâmetro tomado como referência reajuste de preços em função do acréscimo dos custos de produção ou à variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos – de meros reajustes contratuais e ajustes contratuais para manutenção do equilíbrio econômicofinanceiro. No entanto, o teor de sua disciplina modifica os signos da regra legal, de “reajuste de preços em função” para “reajuste de preços em percentual não superior”. Ao fazêlo de modo aparentemente imperceptível dá ensejo a nova significação, vale dizer, para que o reajuste não perca o caráter de preço predeterminado tem que haver a demonstração pelo interessado de que o percentual não se deu em número superior aos custos de produção ou à variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos. E isso não é o que está legalmente estabelecido: IN/SRF nº 658, de 4 de julho de 2006, assim dispôs: Art. 3º Para efeito desta Instrução Normativa, preço predeterminado é aquele fixado em moeda nacional como remuneração da totalidade do objeto do contrato. § 1º Considerase também preço predeterminado aquele fixado em moeda nacional por unidade de produto ou por período de execução. § 2º Ressalvado o disposto no § 3º, o caráter predeterminado do preço subsiste somente até a implementação, após a data mencionada no art. 2º, da primeira alteração de preços decorrente da aplicação: I de cláusula contratual de reajuste, periódico ou não; ou 8 Por isso o seu efeito retroativo a novembro de 2003, 9 Combinando a norma das alíneas b e c do inciso XI do caput do art. 10 da Lei nº 10.833 com a do inciso II do § 1º do art. 27 da Lei nº 9.069, de 29 de junho de 1995. Fl. 489DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 29/04/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 11080.934349/200967 Acórdão n.º 3803005.976 S3TE03 Fl. 486 9 II de regra de ajuste para manutenção do equilíbrio econômicofinanceiro do contrato, nos termos dos arts. 57, 58 e 65 da Lei nº 8.666, de 21 de junho de 1993. § 3º O reajuste de preços, efetivado após 31 de outubro de 2003, em percentual não superior àquele correspondente ao acréscimo dos custos de produção ou à variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, nos termos do inciso II do § 1º do art. 27 da Lei nº 9.069, de 29 de junho de 1995, não descaracteriza o preço predeterminado. Dito isso, temse que índices de preços são números que agregam e representam os preços de determinada cesta de produtos. Sua variação mede, portanto, a variação média dos preços dos produtos dessa cesta. Podem se referir, por exemplo, a preços ao consumidor, preços ao produtor, custos de produção ou preços de exportação e importação10. O IGPM[11], segundo informa a Fundação Getúlio Vargas, registra a inflação de preços de matériasprimas agrícolas e industriais, e bens e serviços finais. Não obstante seja um índice geral está abarcado pela previsão da Lei nº 10.192/2001 para os contratos da espécie, como retrocitado. Entre os índices de preços este é o que é concebido com a maior carga de ponderação, eis que é composto com pesos diferenciados do Índice de Preços no AtacadoIPA (60%), Índice de Preços ao ConsumidorIPC (30%) e Índice Nacional de Custo da Construção CivilINCC (10%). Os índices que o integram, IPA e o INCC, por sua vez, são compostos por subíndices e grupos, respectivamente. Pelos fundamentos acima, convençome de que o reajuste dos contratos efetuados pelo IGPM cumpre o ditame do art. 109, não desnaturando o caráter de preço 10 Fonte: Banco Cenral do Brasil. http://www4.bcb.gov.br/pec/gci/port/focus /FAQ%202 %20%C3%8Dndices%20de%20Pre%C3%A7os%20no%20Brasil.pdf.<acesso em 30.10.2013.> 11 O IGPM é uma média ponderada de outros índices: o IPA, com peso de 60%, o IPC, com peso de 30%, e o INCC, com peso de 10%. A definição dos pesos, estabelecida quando da implantação do cálculo do índice, foi justificada com base no objetivo de reproduzir aproximadamente o valor adicionado de cada setor (atacado, varejo e construção civil) no PIB. O IPA é um índice de preços no atacado de abrangência nacional. Além do índice geral, o IPA desdobrase em outros subíndices, divididos em dois conjuntos: ∙ segundo a origem de produção: agropecuários, com peso de 24,2%, e industrial, com peso de 75,8%; ∙ segundo estágios de processamento: bens finais (36,0%), bens intermediários (39,9%), e matériasprimas brutas (24,2%); Sua pesquisa de preços desenvolvese diariamente, cobrindo sete das principais capitais do país: São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Salvador, Recife, Porto Alegre e Brasília. O índice geral é composto por sete grupos: alimentação; habitação; vestuário; saúde e cuidados pessoais; educação; leitura e recreação; transportes e despesas diversas. A cesta de consumo, a partir da qual se definiram os bens incluídos no índice e sua respectiva ponderação, foi selecionada da Pesquisa de Orçamentos Familiares POF, elaborada pelo IBRE no biênio 2002/2003 O INCC mede a evolução mensal de custos de construções habitacionais, a partir da média dos índices de sete capitais (São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Salvador, Recife, Porto Alegre e Brasília). A lista de itens componentes do INCC e respectivos pesos atualizados é feita com base em orçamentos de edificações previstas pela ABNT (materiais e equipamentos, serviços e mãodeobra). Além do índice geral, o INCC desdobrase em dois grupos: mãodeobra (16 itens) e de materiais, equipamentos e serviços (51 itens). Fl. 490DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 29/04/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 10 predeterminado e alinhome às decisões judiciais na matéria[12] e as no âmbito desta Corte, conquanto suas conclusões tenham se ancorado em outros fundamentos e premissas. Ante o exposto, voto por dar provimento ao recurso, para reconhecer que os preços do fornecimento de bens e serviços, pelo IGPM, de contratos firmados antes de 31 de outubro de 2003, com prazo superior a 1 (um) ano, reajustados pelo IGPM, não perdem o seu caráter de preço predeterminado. Sala das sessões, 26 de março 2014 (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa 12 TRF 3ª Região. AMS 200561000030246. DJ 06/12/2007, TRF 4ª Região. AMS 200572000072027. DJ 15/05/2007, TRF 3ª Região. AG 234522.DJU 21/03/2007, TRF 1ª Região. REOMS 200536000125322. DJ 9/3/2007. Fl. 491DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 29/04/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 11080.934349/200967 Acórdão n.º 3803005.976 S3TE03 Fl. 487 11 Fl. 492DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 29/04/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
score : 1.0
Numero do processo: 13931.000945/2008-28
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 30 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu May 22 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 3803-000.424
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, converteu-se o julgamento em diligência, para que o processo seja encaminhado à repartição de origem onde deverá aguardar até que sejam proferidas as decisões nos processos nº 12571.000200/2010-57 e 12571.000201/2010-00 as quais devem ser informadas em seu inteiro teor neste processo.
(Assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Jorge Victor Rodrigues -Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Belchior Melo de Sousa, Juliano Eduardo Lirani; Hélcio Lafetá Reis, Jorge Victor Rodrigues, João Alfredo Eduão Ferreira, e Corintho Oliveira Machado (Presidente).
Relatório
Nome do relator: JORGE VICTOR RODRIGUES
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, converteuse o julgamento em diligência, para que o processo seja encaminhado à repartição de origem onde deverá aguardar até que sejam proferidas as decisões nos processos nº 12571.000200/201057 e 12571.000201/201000 as quais devem ser informadas em seu inteiro teor neste processo. (Assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente. (Assinado digitalmente) Jorge Victor Rodrigues Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Belchior Melo de Sousa, Juliano Eduardo Lirani; Hélcio Lafetá Reis, Jorge Victor Rodrigues, João Alfredo Eduão Ferreira, e Corintho Oliveira Machado (Presidente). Relatório Retornam os autos diligência à repartição de origem para onde foram encaminhados por meio da Resolução nº 3803000.175, com a finalidade de obtenção do inteiro teor das decisões prolatadas nos processos de nº 12571.000200/201057 e RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 39 31 .0 00 94 5/ 20 08 -2 8 Fl. 437DF CARF MF Impresso em 22/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 11/03/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 13931.000945/200828 Resolução nº 3803000.424 S3TE03 Fl. 4 2 12571.000201/201000, respectivamente, haja vista a possibilidade de influência do resultado daquelas demandas em face desta, uma vez detectada que são conexas. Do Relatório anexo podese inferir que os acórdãos referentes a esses processos foram providos, para a anulação dos respectivos autos de infração, sob o fundamento de que as declarações de compensação constituem instrumentos de confissão de dívida bastante e suficiente para a exigência dos débitos e, que vindo a ser objeto de lançamento, ensejariam a duplicidade de cobrança entre os valores lançados e aqueles objeto das compensações não homologadas. Vale dizer que nos referidos acórdãos não foram analisadas a matéria atinente ao mérito das querelas, a saber: o pedido de ressarcimento de crédito relacionado à Cofins não cumulativa mercado externo 3º trimestre/2005. Outra informação relevante constante do citado relatório é que os acórdãos inda não são definitivos, pois em face do acórdão proferido nos autos do PAF 12571.000201/2010 00 foram interpostos embargos de declaração pela representação da Fazenda Nacional, o que se presume por conter matéria e decisão semelhante, deverá ocorrer em relação ao outro processo. A conclusão a que chegou o referido relatório é que os dois processos retrocitados deveriam ser reunidos ao presente e demais correlatos para análise em conjunto. É o relatório. VOTO. Conselheiro Jorge Victor Rodrigues Relator. O código de Processo Civil, utilizado subsidiariamente nos julgamentos de processos administrativos tributários pelos órgãos julgadores do CARF/MF, preceitua em seu artigo 103, que há conexão entre duas ou mais ações, quando lhes for comum o objeto ou a causa de pedir, havendo sido tal situação reconhecida pela Turma e convertido o julgamento em diligência, de onde retornaram os autos para este Juízo. Isto posto e considerando a pesquisa previamente realizada acerca dos autos, bem assim a conclusão a que chegou o relatório e, voto pela conversão em diligência, para que o processo seja encaminhado à repartição de origem, onde deverá aguardar até que sejam proferidas as decisões definitivas nos processos nºs 12571.000200/201057 e 12571.000201/201000, as quais devem ser informadas em seu inteiro teor neste processo. É como voto. Sala de sessões em 30 de janeiro de 2014. Fl. 438DF CARF MF Impresso em 22/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 11/03/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 13931.000945/200828 Resolução nº 3803000.424 S3TE03 Fl. 5 3 (Assinado digitalmente) Jorge Victor Rodrigues Relator. Fl. 439DF CARF MF Impresso em 22/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 11/03/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
score : 1.0
Numero do processo: 15504.721637/2013-62
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 13 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed May 28 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2009
ARBITRAMENTO DO LUCRO.
Apesar de intimada e retintimada a contribuinte para a apresentação de seus respectivos livros contábeis e fiscais, manteve-se ele completamente inerte em relação às expressas determinações dos agentes da fiscalização, sendo legítima, portanto, a aplicação da sistemática de arbitramento dos lucros, da forma como então efetivado.
MULTA DE OFÍCIO. OFENSA AOS PRINCÍPIOS DA CAPACIDADE CONTRIBUTIVA E DO NÃO-CONFISCO
De acordo com a inteligência da Sumúla CARF no 02, este Conselho não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Sendo os percentuais das multas e, ainda, de sua qualificação e/ou de agravamento elementos expressamente previstos em lei, não cabe ao CARF afastar a sua aplicação no caso concreto.
QUALIFICAÇÃO E AGRAVAMENTO DA MULTA DE OFÍCIO. PRESENÇA DOS REQUISITOS MATERIAIS.
Verificando-se, nos presentes autos, que a contribuinte agiu de forma a obstaculizar a atuação dos agentes da fiscalização, não apenas em relação ao não atendimento de nenhuma das determinações, mas, ainda, por ter apresentado Declarações Fiscais zeradas, legítimas se apresentam as exasperações das penalidades aplicadas.
Numero da decisão: 1301-001.449
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso. Vencido o Conselheiro Valmir Sandri que reduzia a multa qualificada para 75%. Ausente, momentaneamente o Conselheiro Valmar Fonsêca de Menezes, presente o Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado (Suplente Convocado). O Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães presidiu o julgamento.
(Assinado digitalmente)
WILSON FERNANDES GUIMARÃES - Presidente.
(Assinado digitalmente)
CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Valmar Fonsêca de Menezes (Presidente), Wilson Fernandes Guimarães, Valmir Sandri, Paulo Jakson da Silva Lucas, Edwal Casoni de Paula Fernandes Júnior, Carlos Augusto de Andrade Jenier e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Suplente Convocado).
Nome do relator: CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2009 ARBITRAMENTO DO LUCRO. Apesar de intimada e retintimada a contribuinte para a apresentação de seus respectivos livros contábeis e fiscais, manteve-se ele completamente inerte em relação às expressas determinações dos agentes da fiscalização, sendo legítima, portanto, a aplicação da sistemática de arbitramento dos lucros, da forma como então efetivado. MULTA DE OFÍCIO. OFENSA AOS PRINCÍPIOS DA CAPACIDADE CONTRIBUTIVA E DO NÃO-CONFISCO De acordo com a inteligência da Sumúla CARF no 02, este Conselho não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Sendo os percentuais das multas e, ainda, de sua qualificação e/ou de agravamento elementos expressamente previstos em lei, não cabe ao CARF afastar a sua aplicação no caso concreto. QUALIFICAÇÃO E AGRAVAMENTO DA MULTA DE OFÍCIO. PRESENÇA DOS REQUISITOS MATERIAIS. Verificando-se, nos presentes autos, que a contribuinte agiu de forma a obstaculizar a atuação dos agentes da fiscalização, não apenas em relação ao não atendimento de nenhuma das determinações, mas, ainda, por ter apresentado Declarações Fiscais zeradas, legítimas se apresentam as exasperações das penalidades aplicadas.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso. Vencido o Conselheiro Valmir Sandri que reduzia a multa qualificada para 75%. Ausente, momentaneamente o Conselheiro Valmar Fonsêca de Menezes, presente o Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado (Suplente Convocado). O Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães presidiu o julgamento. (Assinado digitalmente) WILSON FERNANDES GUIMARÃES - Presidente. (Assinado digitalmente) CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Valmar Fonsêca de Menezes (Presidente), Wilson Fernandes Guimarães, Valmir Sandri, Paulo Jakson da Silva Lucas, Edwal Casoni de Paula Fernandes Júnior, Carlos Augusto de Andrade Jenier e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Suplente Convocado).
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2009 ARBITRAMENTO DO LUCRO. Apesar de intimada e retintimada a contribuinte para a apresentação de seus respectivos livros contábeis e fiscais, mantevese ele completamente inerte em relação às expressas determinações dos agentes da fiscalização, sendo legítima, portanto, a aplicação da sistemática de arbitramento dos lucros, da forma como então efetivado. MULTA DE OFÍCIO. OFENSA AOS PRINCÍPIOS DA CAPACIDADE CONTRIBUTIVA E DO NÃOCONFISCO De acordo com a inteligência da Sumúla CARF no 02, este Conselho não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Sendo os percentuais das multas e, ainda, de sua qualificação e/ou de agravamento elementos expressamente previstos em lei, não cabe ao CARF afastar a sua aplicação no caso concreto. QUALIFICAÇÃO E AGRAVAMENTO DA MULTA DE OFÍCIO. PRESENÇA DOS REQUISITOS MATERIAIS. Verificandose, nos presentes autos, que a contribuinte agiu de forma a obstaculizar a atuação dos agentes da fiscalização, não apenas em relação ao não atendimento de nenhuma das determinações, mas, ainda, por ter apresentado Declarações Fiscais zeradas, legítimas se apresentam as exasperações das penalidades aplicadas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso. Vencido o Conselheiro Valmir Sandri que reduzia a multa qualificada para 75%. Ausente, momentaneamente o Conselheiro Valmar Fonsêca de Menezes, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 72 16 37 /2 01 3- 62 Fl. 2934DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 06/05/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 07/05/2014 por WILSON FE RNANDES GUIMARAES 2 presente o Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado (Suplente Convocado). O Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães presidiu o julgamento. (Assinado digitalmente) WILSON FERNANDES GUIMARÃES Presidente. (Assinado digitalmente) CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Valmar Fonsêca de Menezes (Presidente), Wilson Fernandes Guimarães, Valmir Sandri, Paulo Jakson da Silva Lucas, Edwal Casoni de Paula Fernandes Júnior, Carlos Augusto de Andrade Jenier e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Suplente Convocado). Fl. 2935DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 06/05/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 07/05/2014 por WILSON FE RNANDES GUIMARAES Processo nº 15504.721637/201362 Acórdão n.º 1301001.449 S1C3T1 Fl. 3 3 Relatório Da leitura do breve relatório, verificase: I Do Auto de Infração e Termo de Verificação Fiscal Mediante o processo em epigrafe foram lavrados os autos de infração Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica, Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, PIS e Cofins, relativos ao anocalendário de 2009, fls. 03 a 46, para exigência de crédito tributário por arbitramento, sob a fundamentação de falta de apresentação dos livros e documentos da sua escrituração, para o período 09/2009, receita da atividade escriturada e não declarada para o primeiro e segundo trimestre de 2009 e omissão de receita para os meses de julho a dezembro de 2009. O Termo de Verificação Fiscal, de fls. 47 a 56, registra que a empresa foi reiteradamente intimada, inclusive alertando que a falta de apresentação dos livros e documentos contábeis/fiscais ensejaria o arbitramento. Não havendo atendimento, procedeuse ao arbitramento. A fiscalização afirma ainda que, em consulta aos sistemas da RFB, verificou a falta de declaração e de pagamentos de débitos de IRPJ, PIS e COFINS em DCTF e DCOMP. Complementa que, da análise da DIPJ, constatou que a empresa prestou informações somente para os 1º e 2º trimestres de 2009. Houve agravamento da multa de lançamento de ofício, sob o fundamento da falta de atendimento das intimações e qualificação, sob o entendimento da ocorrência de fatos que, em tese, configuram crimes contra a ordem tributária. II – Da impugnação A empresa apresenta sua impugnação de fls. 262 a 275, propugnando pela nulidade, ilegalidade dos cálculos, exclusão da CSLL, inclusão do crédito tributário em eventual desconsideração da impugnação e realização de diligências, anexando documentos que entende comprobatórios de sua argumentação. Da análise dos argumentos desenvolvidos na impugnação, concluiu a douta 4ª Turma da DRJ/BHE pela IMPROCEDÊNCIA DA IMPUGNAÇÃO, em acórdão que assim então restou ementado: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2009 Ementa: LANÇAMENTO DE OFÍCIO. No desempenho das atividades de verificação da regularidade do cumprimento das obrigações tributárias principais e acessórias pelo contribuinte, e de formalização dos créditos tributários daí decorrentes, os agentes fiscais têm uma atuação estritamente vinculada à Lei. Verificada a ocorrência de infração à legislação tributária, por dever de ofício, esses agentes Fl. 2936DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 06/05/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 07/05/2014 por WILSON FE RNANDES GUIMARAES 4 públicos devem proceder à formalização da exigência dos tributos, acréscimos legais e penalidades aplicáveis. INTIMAÇÃO. AUSÊNCIA DE RESPOSTA. REITERAÇÃO. Quando, de forma reiterada, não houver resposta por parte do contribuinte às intimações feitas pela Fiscalização para prestar esclarecimentos, resta caracterizado o descaso com a autoridade da administração tributária, devendo ser agravada a multa de 150% para 225%. Parágrafo 2º, do artigo 44 da Lei 9.430 de 1996. MULTA CONFISCATÓRIA. Estando a multa devidamente prevista em lei, não cabe a discussão sobre a infringência a princípios constitucionais. A multa, para alcançar sua finalidade, deve representar um ônus significativamente pesado, de sorte a que as condutas que ensejam sua cobrança restem efetivamente desestimuladas. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2009 Ementa: INCONSTITUCIONALIDADE. Nos termos do art. 26A do Decreto nº 70.235, de 1972, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, no âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. NULIDADE DA AÇÃO FISCAL. Não provada violação das disposições contidas no art. 142 do CTN, nem dos arts. 10 e 59 do Decreto nº 70.235/72, não há que se falar em nulidade do lançamento formalizado através de auto de infração. NULIDADE. Não há que se falar de nulidade quando a exigência fiscal sustentase em processo instruído com todas as peças indispensáveis e não se vislumbra nos autos que o sujeito passivo tenha sido tolhido no direito que a lei lhe confere para se defender. FASE DE AUDITORIA. INOCORRÊNCIA DE CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NÃO OFENSA AO PRINCÍPIO DO DEVIDO PROCESSO LEGAL E DO CONTRADITÓRIO. Os procedimentos no curso da auditoria fiscal, cujo início foi regularmente cientificado ao contribuinte, não determinam nulidade, por cerceamento ao direito de defesa ou ofensa ao princípio do contraditório, do auto de infração correspondente, pois tais direitos só se estabelecem após a ciência do lançamento ou após a respectiva impugnação, conforme o caso, ainda mais quando todos os fatos que motivaram a autuação estão devidamente historiados nos autos. PEDIDO DE PERÍCIA. Deve ser indeferido o pedido de perícia, quando esta providência revelase prescindível para instrução e julgamento do processo e/ou o pedido for genérico, não indicando perito e os quesitos (art. 16, IV, do Decreto nº. 70.235, de 1972). ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2009 Ementa: Fl. 2937DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 06/05/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 07/05/2014 por WILSON FE RNANDES GUIMARAES Processo nº 15504.721637/201362 Acórdão n.º 1301001.449 S1C3T1 Fl. 4 5 ARBITRAMENTO DO LUCRO. É cabível arbitrar o lucro do sujeito passivo quando ele recusarse a apresentar os livros ou documentos da escrituração à autoridade tributária. E, quando conhecida a receita bruta, esse lucro será fixado em percentagem dela. ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Anocalendário: 2009 Ementa: LANÇAMENTO DECORRENTE. O decidido para o lançamento de IRPJ estendese aos lançamentos decorrentes com os quais compartilha o mesmo fundamento de fato e para o qual não há outras razões de ordem jurídica que lhes recomenda tratamento diverso. Impugnação Improcedente. Crédito Tributário Mantido. Regularmente intimada a contribuinte no dia 16/08/2013, por ela então foi interposto, em 13/09/2013, o seu competente recurso voluntário, aduzindo, em suas razões, as seguintes e específicas considerações: Que a contribuinte se constitui como empresa prestadora de serviço com o fornecimento de mão de obra, atuando em áreas diversas de administração predial residencial e comercial, conforme destacado em suas razões, tendo sido surpreendida com a lavratura do auto de infração referenciado, apontando como devido o montante de R$ 4.831.628,26 (Quatro milhões, oitocentos e trinta e um mil, seiscentos e vinte e oito reais e vinte e seis centavos), incluindo supostos valores de IRPJ, CSLL, PIS, COFINS, multa e juros de mora. Que, a título de exemplo, no mês de janeiro/2009 as notas fiscais emitidas pela contribuinte indicavam um total de R$ 57.715,38 (cinqüenta e sete mil, setecentos e quinze reais e trinta e oito centavos) de valore retidos a títulos de tributos (IRPJ/CSLL/PIS/COFINS), o que, conforme aponta, tendo sido devidamente recolhidos pelas “substitutas tributárias”, e, considerando as deduções possíveis (vales transporte e ticket refeição), verificarseia crédito da contribuinte e não valores a serem dela exigidos. Que, pelo teor da impugnação, restaram contraditados todos os termos e valores contidas na autuação, bem como, também, os cálculos apresentados, por conterem vícios insanáveis. Que foi também questionada a aplicação de multa no importe de 225% (duzentos e vinte e cinco por cento), por se tratar de multa de caráter confiscatório. Que teria havido cerceamento do direito de defesa, tendo em vista que teria sido rejeitada a produção da prova pericial pretendida. Que a CF/88 proíbe a tributação objetiva, resguardando o respeito à capacidade contributiva do sujeito passivo. Fl. 2938DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 06/05/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 07/05/2014 por WILSON FE RNANDES GUIMARAES 6 Que a Lei 11.898/09, em seu art. 24 reconhece que as empresas que prestam serviço na área de limpeza, conservação e manutenção e estão sob o regime nãocumulativo do PIS/COFINS, o direito de crédito destas em relação aos pagamentos das referidas verbas, o que, pelo que se verifica, não foi observado na autuação. No mais, a recorrente reafirma todas os elementos contidos em sua impugnação, pretendendo, assim, a reforma integral da decisão proferida. É o que se tem a relatar. Passo ao meu voto. Fl. 2939DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 06/05/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 07/05/2014 por WILSON FE RNANDES GUIMARAES Processo nº 15504.721637/201362 Acórdão n.º 1301001.449 S1C3T1 Fl. 5 7 Voto Conselheiro CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, relator. Sendo tempestivo o recurso voluntário, admitoo para julgamento. Pela análise sumária das circunstâncias discutidas nos autos, verificase que contra a contribuinte fora lavrado o apontado auto de infração, tendo em vista que, apesar de intimada e diversas vezes reintimada para a apresentação aos agentes da fiscalização de todos os elementos da sua contabilidade, para fins de análises e verificações pertinentes, a contribuinte simplesmente deixou de atender aos referidos requerimentos, acarretando, assim, o presente lançamento de ofício, fundado no arbitramento do lucro nos termos indicados no TVF. Regularmente intimada, a contribuinte, em sua impugnação, apresenta razões completamente dissonantes com os elementos aqui presentes, sobretudo porque destaca, em suas razões, que o valor da autuação seria absurdo, muito superior àquele por ela então efetivamente faturado, e, ainda, que não teria a fiscalização promovido a dedução de despesas supostamente devidas, e, ainda, que a penalidade aplicada seria confiscatória e abusiva, pretendendo, com essas razões, promover a desconstituição do lançamento. Apesar de todo esse esforço, da forma como inclusive encontrase perfeitamente delineado pela r. decisão de origem, o que pretende a contribuinte é a imposição de uma inversão na relação mantida com os agentes da fiscalização, sobretudo porque, quisesse ela que fosse de fato devidamente analisadas as circunstâncias próprias das atividades por ela praticadas, e, ainda, que fosse garantida a eventual dedutibilidade das apontadas despesas, a ela, exclusivamente, cabia o ônus de, atendendo às solicitações encaminhadas, apresentasse os respectivos documentos contábeis, possibilitando, inclusive, a eventual verificação da regularidade de seus procedimentos. Ao invés disso, o que se verifica é que a contribuinte simplesmente manteve se inerte quanto aos requerimentos da fiscalização, pretendendo agora, em suas defesas, buscar que seja imposto à fiscalização a “descoberta” das referidas informações, o que, definitivamente, apresentase no mínimo absurdo. Em seu recurso, a contribuinte simplesmente repete todas as considerações apresentadas em sua impugnação, não apresentando nenhum elemento específico que pudesse, de alguma forma, viabilizar a adequação e pertinência de sua pretensão, de sorte que, pelas efêmeras razões apontadas, sem que, para tanto, se verificasse qualquer prova efetivamente juntada aos autos, não cabe, de forma alguma, o acolhimento das razões sustentadas. Para que fique claro: a contribuinte, devidamente intimada quando da realização da fiscalização para que apresentasse seus respectivos livros e documentos contábeis, não atendeu a qualquer comando, sendo ainda apontado pela fiscalização que por ela foram ainda apresentadas como zeradas as suas respectivas declarações fiscais (DIPJ e DCTF), não havendo, assim, condições de acolhimento da pretensão recursal apresentada. Fl. 2940DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 06/05/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 07/05/2014 por WILSON FE RNANDES GUIMARAES 8 No que diz respeito ao montante da multa aplicada, melhor sorte não assiste à recorrente, sobretudo porque, conforme se verifica, a todo instante aponta ela que a penalidade aplicada (225%) teria desrespeitado o princípio da capacidade contributiva e representaria efetivo efeito de confisco, o que, segundo acredita, seria pois suficiente para o afastamento de sua aplicação. Ocorre que, conforme apontado pela própria decisão recorrida, tais critérios cingemse à análise de constitucionalidade das disposições legais que prevêem a aplicação das referidas penalidades (Art. 44 da Lei 9.430/96), o que, como se sabe, é vedado a esse CARF, conforme, inclusive, constante na Súmula 2 deste Conselho que assim, inclusive, expressamente determina: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Ademais, no que tange à análise dos critérios para a qualificação e exasperação da penalidade aplicada, relevante ainda observar que, no caso, além da reiterada ausência de informação prestada à fiscalização, o fato imputável como punível à contribuinte reside, especificamente, na mencionada apresentação de Declarções (DIPJ e DCTF) zeradas, o que, com toda a certeza, foi efetivado com o claro intuito de ludibriar a atuação fiscalizatória do Estado. A apresentação de “declarações zeradas” não se coaduna com a “ausência de declarações”, sendo certo que, com a falsidade da informação apresentada, perfeitamente enquadrável é a conduta – ao menos em tese nas disposições relativas à configuração de crimes contra a ordem tributária, o que, assim, perfeitamente possibilidade a aplicação da penalidade apontada no seu grau máximo, da forma, inclusive, expressamente promovida no voto vencedor constante da r. decisão recorrida. Em face dessas considerações, encaminho o meu voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, mantendo, assim, em todos os seus termos, a r. decisão de primeira instância proferida, e, também, os exatos termos do lançamento efetivado. É como voto. (Assinado digitalmente) CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER Relator Fl. 2941DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 06/05/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 07/05/2014 por WILSON FE RNANDES GUIMARAES
score : 1.0
Numero do processo: 10945.900078/2013-42
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 27 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu May 15 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 25/06/2010
EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO DO PIS.
Incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo do PIS, pois esse valor é parte integrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando referido imposto é cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário.
NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Aplicação da Súmula nº 2 do CARF.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3801-003.029
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes
(assinado digitalmente)
Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antônio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Flávio de Castro Pontes.
Nome do relator: PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
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Incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo do PIS, pois esse valor é parte integrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando referido imposto é cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Aplicação da Súmula nº 2 do CARF. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes (assinado digitalmente) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 94 5. 90 00 78 /2 01 3- 42 Fl. 68DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 05/05/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10945.900078/201342 Acórdão n.º 3801003.029 S3TE01 Fl. 10 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antônio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Flávio de Castro Pontes. Fl. 69DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 05/05/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10945.900078/201342 Acórdão n.º 3801003.029 S3TE01 Fl. 11 3 Relatório Conselheiro Paulo Antônio Caliendo Velloso Silveira. Tratase de Recurso Voluntário interposto contra o acórdão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Curitiba (DRJ/CTA), referente ao processo administrativo nem que foi julgada improcedente a manifestação de inconformidade apresentada, não sendo reconhecido o direito creditório. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da DRJ/CTA, que assim relatou os autos: Trata o processo de Despacho Decisório emitido pela DRF Cascavel/PR, que indeferiu o pedido de restituição formulado por meio do Per/Dcomp, devido à inexistência de crédito pleiteado, uma vez que o pagamento de PIS/PASEP (Código 6912), estaria totalmente utilizado na extinção, por pagamento, de débito da contribuinte do mesmo fato gerador. Cientificada da decisão, a interessada apresentou Manifestação de Inconformidade, alegando, em síntese, a inconstitucionalidade da cobrança do PIS e da Cofins sem a exclusão do ICMS da base de cálculo. Diz que o conceito de faturamento trazido pela Lei nº 9.718, de 1998, não pode ser elastecido a ponto de abarcar o conceito de “ingresso”, por isso, o ICMS não integra a base de cálculo das contribuições, por se tratar de mero ingresso de recursos, os quais devem ser repassados ao fisco estadual, e que o Supremo Tribunal Federal –STF tem entendido que o valor do ICMS não pode compor a base de cálculo do PIS e da Cofins. Dessa forma, solicita que os créditos sejam restituídos, acrescidos de juros de mora, desde seu pagamento indevido até a data da restituição/compensação. É o relatório. Assim, entendeu a DRJ/CTA por conhecer a manifestação de inconformada apresentada, por ser tempestiva e atender os demais pressupostos de admissibilidade. Entretanto, ao analisar o mérito da manifestação de inconformidade, entendeu a DRJ/CPS por indeferir a solicitação, ratificando a decisão da DRF de origem, não reconhecendo o direito creditório e, por conseqüência, não deferindo o pedido de restituição. O referido julgado contou com a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Fl. 70DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 05/05/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10945.900078/201342 Acórdão n.º 3801003.029 S3TE01 Fl. 12 4 PIS/PASEP. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. INEXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO INFORMADO EM PER/DCOMP. Inexistindo o direito creditório informado em PER/DCOMP, é de se indeferir o pedido de restituição apresentado. EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO. Incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo das contribuições ao PIS/Pasep e à Cofins, pois aludido valor é parteintegrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando for cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário. CONTESTAÇÃO DE VALIDADE DE NORMAS VIGENTES. JULGAMENTO ADMINISTRATIVO. COMPETÊNCIA. Compete à autoridade administrativa de julgamento a análise da conformidade da atividade de lançamento com as normas vigentes, às quais não se pode, em âmbito administrativo, negar validade sob o argumento de inconstitucionalidade ou ilegalidade. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido A contribuinte apresentou Recurso Voluntário postulando a reforma da decisão, por entender que o pedido de restituição de crédito tributário, oriundo da exclusão do ICMS da base de cálculo do PIS, se mostra legítimo, comportando a compensação desses créditos com débitos de tributos federais. Em sua fundamentação, fez a colação de trecho do voto proferido pelo Ministro Marco Aurélio, relator do RE 240.7852, onde este conclui que o valor correspondente ao ICMS não têm natureza de faturamento ou receita e por isso não incide na base de cálculo do PIS e da COFINS. É o relatório. Fl. 71DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 05/05/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10945.900078/201342 Acórdão n.º 3801003.029 S3TE01 Fl. 13 5 Voto Conselheiro Paulo Antônio Caliendo Velloso Silveira. O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. Tanto na manifestação de inconformidade apresentada, quanto no recurso voluntário interposto, a contribuinte manteve o argumento de que deveria ser excluído o ICMS da base de cálculo do PIS. Primeiramente, necessário destacar se há necessidade ou não de sobrestamento do processo. Ocorre que o Supremo Tribunal Federal, em ação declaratória de constitucionalidade proposta pelo Presidente da República (ADC n° 18), deferiu, por maioria, medida cautelar para determinar que juízos e tribunais suspendam o julgamento dos processos em trâmite que envolvam a aplicação do art. 3º, § 2º, I, da Lei 9.718/1998, até o julgamento final da ação pelo Plenário do STF. (MCADC 18/DF, rel. Min. Menezes Direito, 13.8.2008) Contudo, em sessão plenária do dia 4.2.2009, o Tribunal, resolvendo questão de ordem, por maioria, prorrogar o prazo da decisão liminar concedida, nos termos do voto do relator. (QOMCADC 18/DF, rel. Min. Menezes Direito) Após, em sessão plenária do dia 16.9.2009, o Tribunal, resolvendo questão de ordem, por maioria, decidiu novamente por prorrogar o prazo da decisão liminar concedida. (2ª QOMCADC 18/DF, rel. Min. Menezes Direito) Por fim, em sessão plenária do dia 25.03.2010, o Tribunal, por maioria, resolveu questão de ordem no sentido de prorrogar, pela última vez, por mais 180 dias (cento e oitenta) dias, a eficácia da medida cautelar anteriormente deferida. (3ª QOMCADC 18/DF, rel. Min. Celso de Mello) Deste modo, entendese que após decorrido o prazo de 180 dias, a contar de 25.03.2010, perdeu a eficácia da medida cautelar anteriormente deferida. Assim, entendese que não deve haver o sobrestamento da matéria. Cumpre ressaltar inclusive que a presente Turma ao apreciar a mesma matéria já se manifestou no sentido de não sobrestar o processo. Tal decisão ocorreu por unanimidade nos autos do processo administrativo n° 10950.003104/201071, de Relatoria do Conselheiro Jose Luiz Bordignon, em sessão de 27 de novembro de 2012, onde foi lavrado o acórdão n° 3801001.593. No referido acórdão, assim restou decidido: “Acordam os membros do colegiado: (I) Por unanimidade de votos, não sobrestar o processo; (II) Por unanimidade votos, negar provimento ao recurso em relação às preliminares de cerceamento de defesa e de que o crédito tributário já sido constituído pelo contribuinte; (III) Pelo voto de qualidade, negar Fl. 72DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 05/05/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10945.900078/201342 Acórdão n.º 3801003.029 S3TE01 Fl. 14 6 provimento ao recurso em relação à preliminar de vício do Mandado de Procedimento Fiscal (MPF). Vencidos os Conselheiros Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira que reconheciam a nulidade; (IV) Por unanimidade de votos, no mérito, negar provimento ao recurso.” (grifouse) Deste modo, entendo por não sobrestar o processo. Analisando o mérito, verificase que a recorrente alega que a inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS promovida pela Lei n° 9.718/98 violou dispositivos da Constituição Federal de 1988. Pretende, em suma, a inconstitucionalidade de lei tributária. Portanto, pretendendo a contribuinte a inconstitucionalidade de lei tributária, necessário que seja aplicada ao presente caso a Súmula n° 2 do CARF, que assim dispõe: SÚMULA Nº 2 do CARF: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Por se tratar de matéria constitucional, não sendo competência deste Conselho a sua análise, encaminho voto por negar provimento ao mérito do recurso, consoante o que vem sendo julgado por este Conselho Neste sentido as seguintes ementas deste Conselho: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. Período de apuração: 01/09/2001 a 30/09/2001PIS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DO ICMS. Sendo a base de cálculo da Cofins o faturamento, nele se incluindo todas as parcelas que o compõem, deve o ICMS integrála. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Aplicação da Súmula CARF nº 2. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. (Acórdão n° 3302 000.745, julgado em 10/12/2010, grifouse) PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2005, 2006, 2007 INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. INCOMPETÊNCIA PARA APRECIAÇÃO. As autoridades administrativas são incompetentes para apreciar argüições de inconstitucionalidade de lei regularmente editada, tarefa privativa do Poder Judiciário. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2005, 2006, 2007 MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. Nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis, será aplicada à multa de oficio de 150%. ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Anocalendário: 2005, 2006, 2007 PIS/PASEP. COFINS. BASE DE CÁLCULO. RECEITA BRUTA. EXCLUSÃO DO ISS E TPT. IMPOSSIBILIDADE. Para fins de determinação da base de cálculo do PIS e da Cofíns, os tributos que podem ser excluídos da receita bruta são o IPI e o ICMS, Fl. 73DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 05/05/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10945.900078/201342 Acórdão n.º 3801003.029 S3TE01 Fl. 15 7 quando cobrados pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário. (Acórdão 1102 000.519, julgado em 03/10/2011, grifouse) Deste modo, encaminho o voto por negar provimento ao recurso voluntário, em razão deste Conselho não ser competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula n° 02 do CARF). Contudo, em que pese as considerações acima trazidas, necessário igualmente analisar o mérito do recurso, que vai de encontro com a jurisprudência dominante e sumulada do STJ. Importante referir que o pedido da recorrente não possui respaldo no Superior Tribunal de Justiça, que já editou Súmula com o seguinte teor: STJ Súmula nº 68 15/12/1992 DJ 04.02.1993 ICM Base de Cálculo do PIS A parcela relativa ao ICM incluise na base de cálculo do PIS. Em igual sentido o Tribunal Regional Federal da 4ª. Região assim tem se manifestado: EMENTA: PIS. COFINS. ICMS. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO. INADMISSIBILIDADE. Os encargos tributários integram a receita bruta e o faturamento da empresa. Seus valores são incluídos no preço da mercadoria ou no valor final da prestação do serviço. Por isso, são receitas próprias da contribuinte, não podendo ser excluídos do cálculo do PIS/COFINS, que têm, justamente, a receita bruta/faturamento como sua base de cálculo. É constitucional e legal a inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS, nos termos do art. 3º, §2º, I, da Lei 9.718/98. (TRF4, AC 5008959 23.2010.404.7000, Primeira Turma, Relatora p/ Acórdão Maria de Fátima Freitas Labarrère, D.E. 12/09/2013) Deste modo, entendese que os encargos tributários integram a receita bruta e o faturamento da empresa. Assim, seus valores são incluídos no preço da mercadoria ou no valor final da prestação do serviço. Diante disso, são receitas próprias da contribuinte, não podendo deixar de ser incluídos no cálculo do PIS, que tem, justamente, a receita bruta/faturamento como sua base de cálculo. Assim, incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo do PIS, pois esse valor é parte integrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando referido imposto é cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário. Fl. 74DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 05/05/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10945.900078/201342 Acórdão n.º 3801003.029 S3TE01 Fl. 16 8 Em face do exposto, encaminho o voto para NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. É assim que voto. (assinado digitalmente) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator. Fl. 75DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 05/05/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
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Numero do processo: 10980.725831/2010-35
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 25 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri May 02 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre Operações de Crédito, Câmbio e Seguros ou relativas a Títulos ou Valores Mobiliários - IOF
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006
OPERAÇÕES DE CRÉDITO. MÚTUO DE RECURSOS FINANCEIROS ENTRE PESSOAS JURÍDICAS COLIGADAS.
As operações de crédito correspondentes a mútuo de recursos financeiros entre pessoas jurídicas coligadas sujeitam-se à incidência do IOF segundo as mesmas normas aplicáveis às operações de financiamento e empréstimos praticadas pelas instituições financeiras.
JUROS DE MORA. MULTA DE OFÍCIO. OBRIGAÇÃO PRINCIPAL
O crédito tributário corresponde a toda a obrigação tributária principal, incluindo a multa de oficio proporcional, sobre o qual, assim, devem incidir os juros de mora à taxa Selic
Recurso Voluntário negado.
Numero da decisão: 3202-001.076
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado em negar provimento ao recurso voluntário: a) pelo voto de qualidade, em relação à incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício. Vencidos Gilberto de Castro Moreira Junior, Thiago Moura de Albuquerque Alves e Tatiana Midori Migiyama; b) por unanimidade de votos, quanto às demais questões..
Irene Souza da Trindade Torres Oliveira Presidente
Luís Eduardo Garrossino Barbieri Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres Oliveira, Gilberto de Castro Moreira Junior, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Thiago Moura de Albuquerque Alves, Charles Mayer de Castro Souza e Tatiana Midori Migiyama.
Nome do relator: LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE OPERAÇÕES DE CRÉDITO, CÂMBIO E SEGUROS OU RELATIVAS A TÍTULOS OU VALORES MOBILIÁRIOS IOF Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006 OPERAÇÕES DE CRÉDITO. MÚTUO DE RECURSOS FINANCEIROS ENTRE PESSOAS JURÍDICAS COLIGADAS. As operações de crédito correspondentes a mútuo de recursos financeiros entre pessoas jurídicas coligadas sujeitamse à incidência do IOF segundo as mesmas normas aplicáveis às operações de financiamento e empréstimos praticadas pelas instituições financeiras. JUROS DE MORA. MULTA DE OFÍCIO. OBRIGAÇÃO PRINCIPAL O crédito tributário corresponde a toda a obrigação tributária principal, incluindo a multa de oficio proporcional, sobre o qual, assim, devem incidir os juros de mora à taxa Selic Recurso Voluntário negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado em negar provimento ao recurso voluntário: a) pelo voto de qualidade, em relação à incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício. Vencidos Gilberto de Castro Moreira Junior, Thiago Moura de Albuquerque Alves e Tatiana Midori Migiyama; b) por unanimidade de votos, quanto às demais questões.. Irene Souza da Trindade Torres Oliveira – Presidente Luís Eduardo Garrossino Barbieri – Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 72 58 31 /2 01 0- 35 Fl. 912DF CARF MF Impresso em 07/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 25/03/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 31/03/2014 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10980.725831/201035 Acórdão n.º 3202001.076 S3C2T2 Fl. 913 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres Oliveira, Gilberto de Castro Moreira Junior, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Thiago Moura de Albuquerque Alves, Charles Mayer de Castro Souza e Tatiana Midori Migiyama. Relatório O presente litígio decorre de lançamento de ofício, veiculado por auto de infração, para a cobrança do IOF imposto sobre operações de crédito, câmbio e seguro, ou relativas a títulos ou valores mobiliários, multa de ofício e juros moratórios, no montante de R$ 6.700.605,08, em decorrência da falta de recolhimento do imposto sobre operações de mútuo efetuadas entre a Recorrente e suas coligadas. Com o intuito de elucidar os fatos e destacar os argumentos trazidos pelas partes transcrevese o Relatório constante da decisão de primeira instância administrativa, verbis: Relatório: O auto de infração de fls. 6171, exige da contribuinte já identificada, imposto sobre operações de crédito, câmbio e seguro, ou relativas a títulos ou valores mobiliários – IOF, da ordem de R$ 3.043.805,99, acrescido de multa de ofício à razão de 75% e juros de mora, totalizando o crédito de R$ 6.700.605,08, haja vista a falta de cobrança e recolhimento do imposto sobre operações de repasse de recursos em dinheiro, concedido por pessoa jurídica não financeira a outras pessoas jurídicas, caracterizadas como operações de mútuo. 2. Foram os seguintes valores autuados: Fato Gerador Valor Tributável Fato Gerador Valor Tributável 31/01/2006 R$ 221.606,27 31/07/2006 R$ 263.638,43 28/02/2006 R$ 191.859,99 31/08/2006 R$ 234.613,20 31/03/2006 R$ 110.845,20 30/09/2006 R$ 259.055,37 30/04/2006 R$ 208.891,05 31/10/2006 R$ 313.280,07 31/05/2006 R$ 260.727,67 30/11/2006 R$ 329.341,12 30/06/2006 R$ 271.926,57 31/12/2006 R$ 378.021,05 3. O enquadramento legal para a exigência é o artigo 13 da Lei nº 9.779, de 1999, o Decreto nº 6.306, de 2007 (Regulamento do IOF) e a Instrução Normativa nº 907, de 2009. A multa de ofício está amparada pelo inciso I do artigo 44 da Lei nº 9.430, de 1996. 4. A ciência ao auto de infração foi dada ao advogado Giancarlo Rodrigues Mino, CPF 026.798.15981, em 15/12/2010. 5. Na impugnação de fls. 636664 a autuada afirma que a autoridade fiscal entendeu terem ocorrido durante o ano calendário de 2006, diversos atos que representaram a hipótese de incidência do IOF; que foram levados em conta, como elementos probatórios, duas contas do razão da reclamante e que, a partir da averiguação desses dados, e somente desses, concluiuse ter havido a prática de mútuos com empresas coligadas, sem o respectivo recolhimento do IOF. Fl. 913DF CARF MF Impresso em 07/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 25/03/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 31/03/2014 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10980.725831/201035 Acórdão n.º 3202001.076 S3C2T2 Fl. 914 3 6. Sustenta estar errado imputarlhe suposta prática de fato jurídico tributário posto que o que se apresenta não condiz com a realidade do caso e que tal atitude desdenha do princípio da tipicidade e da estrita legalidade tributária, pois que em momento algum houve a concessão de crédito via mútuo, mas, apenas, operações jurídicas mercantis de compra e venda de commodities, no caso soja; que a base de cálculo da presente exigência, levou em consideração a movimentação financeira diária, no período de trinta dias; que apresentou argumentos lastreados por documentos a fim de comprovar não ter praticado operações concessivas de créditos a empresas coligadas, sem ter obtido sucesso . 7. Transcreve boa parte do Termo de Verificação Fiscal e ao final afirma que o lançamento não foi elaborado corretamente. Afirma que a proposta da peça de defesa é demonstrar a inexigibilidade do crédito por meio da desconstrução dos argumentos contidos no auto de infração o que importará reconhecer que não houve atendimento da hipótese de incidência, então, não se pode falar em conseqüente normativo. 8. Diz ser necessário reconhecer que o critério adotado pela fiscalização deixou de respeitar a correta definição dos institutos estabelecidos pelo Direito Privado, os quais seriam obrigatórios quando da incidência do Direito Tributário, dada a superposição deste. Sustenta que a atitude do fisco pode causar sérios e indevidos prejuízos, em face do montante exigido e o caráter extrafiscal do IOF; que a exigência deve observar os critérios da regra matriz prevista no inciso V e parágrafo primeiro do artigo 153 da Constituição Federal que tem como critério material da sua hipótese de incidência “realizar operações de crédito”; que, é necessário que o ato praticado deve atender integralmente os critérios material, espacial e temporal, sob pena de atipicidade. 9. Partindo da expressão “realizar operações de crédito”, defende que somente as operações jurídicas válidas devem ser consideradas e que qualquer outra operação que não tenha essa característica fica fora da incidência da norma tributária; que por meio do disposto no artigo 13 da Lei nº 9.779, de 1999 o legislador estabeleceu o dever de pagamento de IOF a todas as pessoas jurídicas, instituições financeiras ou não; que existem correntes que defendem a inconstitucionalidade deste mandamento; que o enunciado do artigo 13 já referido encontrase replicado no artigo 7º e parágrafos, da Instrução Normativa RFB nº 907, de 2009; que a Receita qualificou as operações praticadas no período compreendido entre janeiro e dezembro de 2006, como concessivas de crédito, mútuo, porém, as operações praticadas tiveram intuito de comércio, ou seja, compra e venda de soja; portanto, somente se as operações jurídicas realizadas atenderem ao suporte fático dos artigos 586 e seguintes do Código Civil, é que poderá haver a incidência do IOF; que o legislador não pode manipular conceitos jurídicos de maneira a proporcionar aumento de receita. 10. Afirma que a análise de um grupo de documentos, pertencentes a uma classe finita, porém extensa, permite aferir a exata classificação das operações realizadas; que a fiscalização avaliou isoladamente as contas do razão 0111060030 – Imcopa 2000 e 0111060045 – Imcopa 4000, para tecer a conclusão de que todas as operações realizadas entre a Imcopa e suas coligadas eram operações financeiras concessivas de crédito (mútuo); que a análise de apenas estas contas não é suficiente à conclusão adotada; que a análise delimitou excessivamente o espaço temporal dos registros das operações; que não levou em consideração a comparação entre o ativo e passivo; que só após a correta avaliação do razão dos anos de 2005 e 2006, dos balancetes destes mesmos períodos, da amostra das notas fiscais emitidas e dos comprovantes de recolhimento/compensação de PIS Cofins, Fl. 914DF CARF MF Impresso em 07/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 25/03/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 31/03/2014 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10980.725831/201035 Acórdão n.º 3202001.076 S3C2T2 Fl. 915 4 chegarseá à conclusão de que: a) ou ocorreu antecipação de pagamento por parte da coligada fornecedora aos fornecedores, com o respectivo reembolso pela controladora; b) ou o pagamento imediato de uma coligada a outra pela compra ou, por fim, c) a antecipação de verba de uma coligada a outra pela compra de soja, com o conseqüente pagamento das verbas acessórias, como atualização monetária e juros; que tais fatos não permitem ao administrador público entender ter ocorrido a hipótese de incidência do IOF; que o método adotado vislumbrou apenas o ativo obtido nas operações entre as empresas e não fez o devido encontro de contas no passivo. 11. Afirma que a Imcopa Indústria é a única empresa do grupo a obter recursos junto às instituições financeiras e é a partir dela que ocorre o pagamento dos fornecedores ou o reembolso às demais coligadas quando da aquisição ou venda de soja, mas as condutas sempre estão relacionadas às operações de compra e venda de soja entre a Imcopa Indústria e as coligadas; que o encontro de contas nem sempre ocorria de forma imediata e, muitas vezes os procedimentos contábeis eram postergados e deixavam de ser praticados como quando das operações realizadas com terceiros, fato que levou o auditor a concluir pela existência de mútuo. 12. Volta a afirmar que a conta do razão 0111060030 (ATIVO) apresentou saldo de R$ 2.121.060,62 e, a conta 0111060045 (ATIVO) saldo de R$ 196.347.172,67, no período apurado de janeiro a dezembro de 2006 e que esse dado isolado é imprestável para caracterizar qualquer evento, de vez que outros elementos devem ser integrados para a consecução do processo investigativo, como o valor de R$ 138.609.189,29, sob a rubrica Fornecedores Nacionais – Comp. Ligadas, sendo possível perceber que os saldos das contas 0111060030 e 0111060045 têm contrapartida débito na conta 211022251, cuja origem decorre unicamente de comprar e vendas realizadas entre a Imcopa e a coligada mas, mesmo assim, fazse necessário complemento probatório que se encontra no razão do ano calendário de 2005, fornecedor 600035, Empresa 1000, Nome Incoex, Ind. Com. e Exp. Ltda, de onde se extrai a informação de que, no período entre 30.03.2005 e 31.12.2006, foram emitidas notas fiscais no importe de R$ 138.609.189,29, operações não passíveis de incidência do IOF. 13. Alega que, a autoridade fiscal desvirtuou a aplicação constitucional, usurpando sua capacidade unicamente para auferir vantagem indevida frente ao contribuinte, uma vez que estabeleceu ao seu bel prazer definição de mútuo para que os interesses fazendários fossem atendidos, quando os fatos praticados representam operações de compra e venda. Sustenta que, caso se mantenha o entendimento do fisco, à contribuinte será dado o direito de reaver, via repetição de indébito, o montante recolhido a título de PIS e Cofins, referentes às operações que fazem parte da discussão no presente processo. 14. Ao final requer o acolhimento da peça de defesa, a procedência de seu pedido, a produção de provas, a extinção do processo administrativo com o arquivamento dos autos ou, não sendo o entendimento pela inexistência do fato jurídico tributário, que a incidência do IOF fique restrito ao acréscimo percebido nas contas do razão 0111060030 Imcopa 2000 e 0111060045 – Imcopa 4000. Por fim, pede que a intimação de todo e qualquer ato seja realizada na pessoa dos procuradores. A 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Curitiba proferiu o Acórdão nº 0635.521 em 30/06/2011 (efolhas 8726/ss), o qual recebeu a seguinte ementa: Assunto: Imposto sobre Operações de Crédito, Câmbio e Seguros ou relativas a Títulos ou Valores Mobiliários IOF Fl. 915DF CARF MF Impresso em 07/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 25/03/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 31/03/2014 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10980.725831/201035 Acórdão n.º 3202001.076 S3C2T2 Fl. 916 5 Data do fato gerador: 31/01/2006, 28/02/2006, 31/03/2006, 30/04/2006, 31/05/2006, 30/06/2006, 31/07/2006, 31/08/2006, 30/09/2006, 31/10/2006, 30/11/2006, 31/12/2006 Ementa: OPERAÇÕES DE CRÉDITO. MUTUO DE RECURSOS FINANCEIROS ENTRE PESSOAS JURÍDICAS COLIGADAS. As operações de crédito correspondentes a mútuo de recursos financeiros entre pessoas jurídicas coligadas sujeitamse à incidência do IOF segundo as mesmas normas aplicáveis às operações de financiamento e empréstimos praticadas pelas instituições financeiras. OPERAÇÕES DE CRÉDITO. MÚTUO. BASE DE CÁLCULO. Nas operações de crédito com valor do principal não definido, realizadas por meio de conta corrente, a base de cálculo é o somatório dos saldos devedores diários apurado no último dia de cada mês. INTIMAÇÕES AO PROCURADOR. A legislação relativa ao processo administrativo fiscal preceitua que as intimações por via postal ou por qualquer outro meio devem ser feitas ao sujeito passivo, no domicílio tributário por ele eleito. Destarte, não é possível a intimação em nome de terceira pessoa e em endereço diverso daquele fornecido pelo interessado para fins cadastrais. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido A interessada cientificada do Acórdão em 18/07/2011, interpôs Recurso Voluntário em 17/02/2012 (efolhas 1.024/ss), onde repisa os argumentos já trazidos em sua impugnação. O processo digitalizado foi sorteado e, posteriormente, distribuído a este Conselheiro Relator na forma regimental. É o relatório Voto Conselheiro Luís Eduardo G. Barbieri, Relator. Admissibilidade O Recurso Voluntário é tempestivo e atende os requisitos de admissibilidade devendo, portanto, ser conhecido. Das operações de crédito correspondentes a mútuo de recursos financeiros O cerne do presente litígio referese à incidência do IOF sobre operações praticadas pela Recorrente, que segundo a autoridade fiscal consistiram em repasses de recursos em dinheiro concedidos às suas coligadas, caracterizado pelos seguintes fatos descritos no Termo de Verificação Fiscal (efl. 32): Fl. 916DF CARF MF Impresso em 07/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 25/03/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 31/03/2014 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10980.725831/201035 Acórdão n.º 3202001.076 S3C2T2 Fl. 917 6 (...) Em relação à Intimação Fiscal 0001 (doc. anexado), o contribuinte apresentou contratos de compromisso com fornecedores, por conta de adiantamentos para garantia futura de safra (fornecimento de soja). Com relação às contas correntes Imcopa 2000, 3000 e 4000, o contribuinte admite que referidas contas razão são utilizadas para registrar operações interempresas (grupo econômico), e decorrem de operações mercantis. Fazendo uma leitura mais minuciosa nos lançamentos contábeis das contas correntes que registraram as transações entre as empresas do grupo, especificamente nas contas razão 0111060030 0 Imcopa 2000 e 0111060045 Imcopa 4000 (cópias anexadas), contas essas que apresentavam elevados saldos devedores mensais para com a empresa fiscalizada ‘Imcopa industrial’, constatamos ao final de cada mês o registro de lançamentos contábeis com o histórico “apropriação de juros sobre mútuo” em contrapartida de “receitas financeiras”, e que eram calculados sobre os saldos devedores ao final de cada mês. Assim, intimamos o contribuinte através do Termo de Intimação Fiscal nº 0002 (doc. anexado), a prestar esclarecimentos sobre a cobrança de juros sobre mútuo. Esclarecendo os questionamentos demandados pela fiscalização (doc. anexado) o contribuinte admite tratarse de “rateio de juros decorrentes de passivos bancários contratados junto às instituições financeiras”, cujos recursos eram captados por empresas do grupo e repassados à empresa fiscalizada, por conta de fornecimento de soja (encontro de contas). Outros lançamentos como rateio de despesas das empresas do grupo, entre outras, são comuns nos registros das referidas contas correntes. (...) A Recorrente, por sua vez, após tecer considerações sobre os critérios de amostragem adotados pela fiscalização, defendese justificando as citadas operações com as seguintes palavras: (...) Para se ter ideia das operações que eram realizadas entre Imcopa e suas coligadas, apenas a Imcopa Indústria obtinha créditos, linhas de financiamento junto às instituições Financeiras, portanto, a Imcopa Indústria era o único canal de entrada de verbas decorrentes de operações financeiras. A partir dela é que havia o pagamento de fornecedores ou o reembolso às demais coligadas quando da aquisição ou venda de soja, mas as condutas sempre estavam relacionadas às operações jurídicas mercantis de compra e venda de soja entre Imcopa Indústria e suas coligadas. Não havia qualquer concessão de crédito às coligadas e viceversa, fato provado e lastreado pelas notas fiscais e respectivos registros contábeis (razão, diário e balancetes). Contudo devese esclarecer aos Ilustres Julgadores que nem todo encontro de contas ocorria de forma imediata, conforme orientação de prática de procedimentos contábeis, devido ao fato de que como as relações jurídicas se davam entre empresas coligadas, muitas vezes os procedimentos contábeis eram postergados e deixavam de ser praticados da mesma forma como quando das operações eram realizadas com terceiros. Esta circunstância infelizmente foi utilizada pelo Sr. Auditor para concluir erroneamente de que houve mútuo, pois a análise foi realizada por ele de forma isolada, ou seja, considerandose apenas um anocalendário, enquanto que para diversas contas da empresas, o encontro entre entradas e saídas, somente pode ser feito quando comparados os anoscalendários de 2005 e de 2006 como um todo. Apesar dos procedimentos utilizados pela Imcopa não terem sido os mais indicados e orientados por práticas contábeis convencionais, também não eram proibidos, Fl. 917DF CARF MF Impresso em 07/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 25/03/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 31/03/2014 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10980.725831/201035 Acórdão n.º 3202001.076 S3C2T2 Fl. 918 7 apenas poderiam causar tumulto quanto à forma de sua prática ou mesmo na eventual análise de auditoria ou fiscalização, como de fato aparenta ter ocorrido. Cabe a esta Turma decidir se os repasses de recursos efetuados pela empresa à suas coligadas podem ser enquadrados como operações de mútuo, como afirma a fiscalização, ou se, como alega a Recorrente, tratamse de meras operações mercantis de compra e venda de soja. Ab initio, importante transcrever o artigo 13 da Lei nº 9.779/99 que prescreve a incidência do IOF também sobre as operações de crédito correspondentes a mútuo de recursos financeiros entre pessoas jurídicas, mesmo que não financeiras, verbis: Art. 13 As operações de crédito correspondentes a mútuo de recursos financeiros entre pessoas jurídicas ou entre pessoa jurídica e pessoa física sujeitamse à incidência do IOF segundo as mesmas normas aplicáveis às operações de financiamento e empréstimos praticadas pelas instituições financeiras. § 1o Considerase ocorrido o fato gerador do IOF, na hipótese deste artigo, na data da concessão do crédito. § 2o Responsável pela cobrança e recolhimento do IOF de que trata este artigo é a pessoa jurídica que conceder o crédito. § 3o O imposto cobrado na hipótese deste artigo deverá ser recolhido até o terceiro dia útil da semana subseqüente à da ocorrência do fato gerador. Pois bem. Vejamos se os fatos subsomemse à hipótese de incidência contida na norma. A meu ver, os repasses de recursos financeiros efetuados pela Recorrente à suas coligadas, independentemente se destinado ao pagamento pela aquisição de bens junto aos seus fornecedores ou não, tratamse de operações de crédito correspondentes a mútuo, como corretamente entendeu a fiscalização. Isto porque o legislador não condicionou a incidência do IOF à formalização de um contrato de mútuo. Prescreveu, apenas, que houvesse a concretização de uma operação de crédito “correspondente” a tal figura contratual. A norma não exigiu, portanto, a existência de um contrato de mútuo formal. Basta que haja uma operação de crédito entre pessoas jurídicas, como ocorreu no caso em tela. A própria argumentação da Recorrente corrobora a acusação fiscal, ao reconhecer que era o “único canal entrada de verbas decorrentes de operações financeiras” e, por conseguinte, era ela, Recorrente, quem fazia o pagamento de fornecedores ou o reembolso às demais coligadas quando da aquisição ou venda de soja. Em outras palavras, a controladora, ora Recorrente, cedia recursos financeiros para suas controladas satisfazerem suas obrigações junto a terceiros (pagamento da soja aos fornecedores). Destarte, importante distinguir as duas operações: a primeira, a cessão de recursos financeiros feitos pela controladora às suas coligadas uma operação de crédito correspondente a mútuo; a segunda, o pagamento efetuado pelas coligadas aos seus fornecedores pela aquisição da soja – uma operação de compra e venda. Não se devem confundir as duas operações, como tenta fazer a Recorrente em sua argumentação. Veja, fato é que na primeira operação houve sim a cessão de recursos financeiros entre pessoas jurídicas (Recorrente e coligadas), independentemente da existência formal de um contrato de mútuo. Tanto houve que a fiscalização constatou “ao final de cada Fl. 918DF CARF MF Impresso em 07/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 25/03/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 31/03/2014 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10980.725831/201035 Acórdão n.º 3202001.076 S3C2T2 Fl. 919 8 mês o registro de lançamentos contábeis com o histórico ‘apropriação de juros sobre mútuo’ em contrapartida de ‘receitas financeiras’, e que eram calculados sobre os saldos devedores ao final de cada mês”. É fato inconteste: a apropriação de juros sobre mútuo só pode decorrer de operações de mútuo, formais ou informais. A própria empresa confirma que era a única supridora de recurso ao grupo econômico, recursos esses obtidos junto às instituições financeiras. É irrelevante se transferia o numerário para as coligadas ou se fazia os pagamentos diretamente aos fornecedores em nome delas. Logo, é descabida a alegação de que a autoridade fiscal fez incidir o imposto sobre operações mercantis de compra e venda de soja. Não foram tributadas estas operações, mas sim a operação de cessão de recursos da controladora para suas controladas. Ademais, como bem destacou o voto condutor da decisão recorrida, quando a Recorrente afirma que fazia “o rateio dos juros decorrentes dos passivos bancários contratados junto às instituições financeiras ou decorrentes de pré pagamentos de exportação” e que “este custo é cobrada mensalmente das empresas ligadas até que estes efetuem a entrega das mercadorias, diretamente à Imcopa Importação, Exportação e Indústria de Óleos S;a, ou à empresa terceira, de acordo com a indicação da empresa controladora”, nada mais está fazendo do que confirmar a existência do mútuo. Por fim, registrese que a Recorrente tanto na fase instrutória, como na fase recursal, não apresentou nenhuma evidência concreta e suficiente para descaracterizar a motivação do lançamento invocada pela fiscalização. A jurisprudência do CARF vem trilhando na mesma linha de entendimento articulada neste voto. Confiramse as ementas dos julgados abaixo transcritas: (i) Acórdão nº 310200.988, sessão de 04/05/2011, relator Conselheiro Luiz Marcelo Guerra de Castro: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE OPERAÇÕES DE CRÉDITO, CÂMBIO E SEGUROS OU RELATIVAS A TÍTULOS OU VALORES MOBILIÁRIOS IOF Período de apuração: 31/01/2004 a 30/11/2006 Operações de Crédito entre Pessoas Jurídicas Restando demonstrado, a partir dos elementos carreados ao processo, que a intenção dos contratantes era a realização de operação de crédito correspondente a mútuo de recursos financeiros, correta é a incidência do IOF sobre tais operações. (ii) Acórdão nº 340200.270, sessão de 17/09/2009, relator Conselheiro Fernando Luiz da Gama Lobo D'Eça: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE OPERAÇÕES DE CRÉDITO, CÂMBIO E SEGUROS OU RELATIVAS A TÍTULOS OU VALORES MOBILIÁRIOS IOF Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2003 OPERAÇÕES DE CREDITO. MUTUO DE RECURSOS FINANCEIROS ENTRE PESSOAS JURÍDICAS OU ENTRE PESSOA JURÍDICA E PESSOA FÍSICA. As operações de crédito correspondentes a mútuo de recursos financeiros entre pessoas jurídicas ou entre pessoa jurídica e pessoa física sujeitamse à incidência do IOF segundo as mesmas normas aplicáveis às operações de financiamento e empréstimos praticadas pelas instituições financeiras. Fl. 919DF CARF MF Impresso em 07/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 25/03/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 31/03/2014 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10980.725831/201035 Acórdão n.º 3202001.076 S3C2T2 Fl. 920 9 OPERAÇÕES DE CRÉDITO. MÚTUO. BASE DE CÁLCULO. Nas operações de crédito com valor do principal não definido, realizadas por meio de contacorrente, a base de cálculo é o somatório dos saldos devedores diários apurados no último dia de cada mês. Recurso Negado. (iii) Acórdão nº 330200.286, sessão de 03/12/2009, relator Conselheiro Walber José da Silva: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE OPERAÇÕES DE CRÉDITO, CÂMBIO E SEGUROS OU RELATIVAS A TÍTULOS OU VALORES MOBILIÁRIOS IOF Data do fato gerador: 28/05/2003 EMPRÉSTIMO. PROVA DE SUA OCORRÊNCIA. O contrato de empréstimo e o seu lançamento no livro Diário fazem prova suficiente da operação de mutuo realizada pela recorrente. EMPRÉSTIMO. RETENÇÃO E RECOLHIMENTO DE IOF. Nas operações de empréstimos feitos por pessoas jurídicas é obrigatório a retenção e o recolhimento do I0F, por força de expressa disposição legal. O descumprimento dessa obrigação enseja o lançamento de oficio para exigir o pagamento do crédito tributário Recurso Voluntário Negado. Da incidência de juros de mora sobre a multa de ofício A Recorrente questiona a incidência de juros de mora sobre a multa de ofício, sob o argumento de que o art. 61 da Lei nº 9.430/96 não autorizou a aplicação sua aplicação sobre a penalidade aplicada. A meu ver, há previsão legal para a cobrança dos juros moratórios inclusive sobre a multa de ofício. Vejamos, inicialmente, o que dispõe o art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996: Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (grifamos) Os defensores da tese da não aplicação de juros sobre a multa salientam a menção do legislador a débitos de “tributos e contribuições”, diferentemente de legislação anterior, que reportava a débitos de qualquer natureza (DecretoLei nº 2.323, de 1987, e Lei nº 8.218, de 1991). Assim, alegam que deve ser feita uma interpretação literal do texto normativo. Discordamos deste entendimento, até porque a interpretação literal, na maioria das vezes, é apenas o ponto de partida para a construção dos sentidos da norma a ser aplicada. Não devemos desprezar a expressão “decorrente de”, aposta antes dos vocábulos “tributos e contribuições”, constante do art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996. A melhor leitura que Fl. 920DF CARF MF Impresso em 07/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 25/03/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 31/03/2014 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10980.725831/201035 Acórdão n.º 3202001.076 S3C2T2 Fl. 921 10 se deve dar à expressão “decorrentes de tributos e contribuições”, a meu sentir, referese aos débitos “cuja origem remonta de tributos e contribuições”. A multa de ofício decorre do não pagamento do tributo! Diferente seria se o citado artigo 61 prescrevesse que “apenas os débitos de tributos e contribuições submeterse iam aos juros de mora”. Não foi essa, a meu ver, a intenção do legislador. Não devemos, portanto, interpretar o dispositivo legal desprezando o sentido da expressão “decorrente de”, constante do texto em vigor. E mais, uma interpretação exclusivamente literal não é a mais adequada como leciona Paulo de Barros Carvalho (in Direito Tributário, Linguagem e Método, 1ª edição, p. 201): “O critério sistemático da interpretação envolve os três planos (sintático, semântico e pragmático) e é, por isso mesmo, exaustivo da linguagem do direito. Isoladamente, só o último (sistemático) tem condições de prevalecer, exatamente porque ante supõe os anteriores. É assim, considerado o método por excelência”. Se fizermos uma interpretação teleológica, pautada na finalidade do dispositivo legal, ressalta sobremaneira a necessidade de incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício. É preciso ser dito que as multas encerram em si duas finalidades precípuas: uma finalidade punitiva, em razão da prática de uma conduta reprovada pelo ordenamento jurídico e uma finalidade educativa, na medida em que o contribuinte que cometeu o ilícito tributário, bem como os demais contribuintes, será compelido a não repetir tal conduta juridicamente indesejada. Temse, assim, que afastar a incidência de juros moratórios sobre as multas de ofício seria frustrar totalmente a finalidade dos dispositivos legais que cominam a multa de ofício. Em outro giro, se fizermos uma interpretação sistemática dos dispositivos do CTN, também chegaremos à conclusão que os juros moratórios incidem sobre a multa de ofício. Vejamos. Não adimplida a obrigação tributária no prazo legal, nasce para o contribuinte o dever de pagar o valor do tributo e mais a multa por sua mora. Por ocasião da constituição do crédito tributário, pelo lançamento de ofício, a multa de ofício correspondente passa a integrar aquele valor, composto do tributo e devidos acréscimos legais (juros de mora + multa de ofício), nos termos do que prescreve o artigo 113/CTN. Como se observa, a partir do lançamento, o tributo e a multa de ofício passam a ser devidos pelo contribuinte, e esse valor será uniformemente corrigido de acordo com a legislação. Não há possibilidade para a segregação das formas de correção deste montante total. Em outras palavras, não é lógico que apenas o valor do tributo sofra a incidência de juros moratórios, a multa de ofício não, sendo que ambas as verbas fazem parte de um mesmo todo crédito tributário. Como dispõe o artigo 139 do CTN, o crédito tributário possui a mesma natureza da obrigação principal e esta, por sua vez, é composta tanto pelo tributo quanto pela penalidade pecuniária. Após o lançamento, tributo e multa se convolam em crédito tributário, e é sobre essa quantia que os juros deverão incidir. Neste sentido, convém transcrever julgados do Superior Tribunal de Justiça que já decidiram por manter os juros sobre a multa de ofício, verbis: TRIBUTÁRIO. PROCESSO CIVIL. MULTA PUNITIVA. CORREÇÃO MONETÁRIA. JUROS DE MORA INCIDÊNCIA. 1. Incide juros de mora e correção monetária sobre o crédito tributário consistente em multa punitiva. Fl. 921DF CARF MF Impresso em 07/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 25/03/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 31/03/2014 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10980.725831/201035 Acórdão n.º 3202001.076 S3C2T2 Fl. 922 11 2. Perfeitamente cumuláveis os juros de mora, a multa punitiva e a correção monetária. Precedentes. 3. Recurso especial não provido. (STJ, 2ª T, REsp 1146859/SC, Rel. Ministra Eliana Calmon, publ. 11/05/2010) TRIBUTÁRIO. MULTA PECUNIÁRIA. JUROS DE MORA. INCIDÊNCIA. LEGITIMIDADE. 1. É legítima a incidência de juros de mora sobre multa fiscal punitiva, a qual integra o crédito tributário. 2. Recurso especial provido. (STJ, 2ª T, REsp 1129990/PR, Rel. Ministro Castro Meira, em 14/09/2009) No âmbito do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, há diversos julgados do CARF reconhecendo a incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício, dentre eles citamos os seguintes: JUROS DE MORA MULTA DE OFÍCIO OBRIGAÇÃO PRINICIPAL A obrigação tributária principal surge com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto tanto o pagamento do tributo como a penalidade pecuniária decorrente do seu não pagamento, incluindo a multa de ofício proporcional. O crédito tributário corresponde a toda a obrigação tributária principal, incluindo a multa de oficio proporcional, sobre o qual, assim, devem incidir os juros de mora à taxa Selic. (Acórdão CSRF/0400.651, de 18/09/2007; Relator: Alexandre Andrade Lima da Fonte Filho) JUROS DE MORA. TAXA SELIC. O crédito tributário não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora em percentual equivalente ã taxa SELIC. JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A incidência de juros de mora sobre a multa de ofício, após o seu vencimento, está prevista pelos artigos 43 e 61, § 3º, da Lei 9.430/96. (Acórdão 10322197, de 07/12/2005; Relator: Aloysio José Percínio da Silva) Entendo que o crédito tributário compreende o tributo e a penalidade pecuniária, interpretação esta que harmoniza os diversos dispositivos do CTN. Acrescentese, ainda, que a legislação ordinária (ex vi artigo 43 e 61, Lei nº 9.430/96) de há muito vem prevendo a incidência dos juros sobre a multa de oficio, sem que se tenha notícia da invalidação dessas normas pelo Poder Judiciário, por falta de fundamento de validade. Concluise, assim, que o art. 161 do CTN autoriza a cobrança de juros sobre o crédito tributário, incluindose nesta rubrica, como argumentado, a multa de oficio. O § 1º do artigo 161 prescreve que os juros de mora são calculados à taxa de 1% ao mês, salvo se lei Fl. 922DF CARF MF Impresso em 07/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 25/03/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 31/03/2014 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10980.725831/201035 Acórdão n.º 3202001.076 S3C2T2 Fl. 923 12 dispuser de modo diverso. E a lei dispôs de forma diversa. O artigo 61, parágrafo 3º, da Lei nº 9.430/96, determina que sobre os débitos incida juros de mora calculados à taxa a que se refere o §3º do art. 5º (juros equivalentes à Taxa Selic), a partir do primeiro dia do mês subsequente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. A dicção da Súmula nº 4 do CARF corrobora nossos argumentos, na medida em que fala genericamente em débitos tributários, verbis: Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Conclusão Ante ao exposto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário. É como voto. Luís Eduardo Garrossino Barbieri Fl. 923DF CARF MF Impresso em 07/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 25/03/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 31/03/2014 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES
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Numero do processo: 35301.005796/2007-61
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Nov 05 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Mar 31 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/11/1997 a 30/09/1998
ADMISSIBILIDADE. RECURSO ESPECIAL DIVERGÊNCIA. DISPOSITIVOS LEGAIS DIVERSOS. NÃO CONHECIMENTO.
Compete à Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF) julgar recurso especial interposto contra decisão que der à lei tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria CSRF.
A comprovação da existência de divergência requer que se verifique que as decisões conflitantes se deram ante a interpretação do mesmo dispositivo da legislação, em situações idênticas.
No caso, as decisões, recorrida e paradigma, decidiram casos diversos, com fatos diversos, motivo do não conhecimento do recurso.
Numero da decisão: 9202-002.922
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso.
(assinado digitalmente)
OTACÍLIO DANTAS CARTAXO
Presidente
(assinado digitalmente)
Marcelo Oliveira
Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Susy Gomes Hoffmann (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Gonçalo Bonet Allage, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Elias Sampaio Freire.
Nome do relator: MARCELO OLIVEIRA
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RECURSO ESPECIAL DIVERGÊNCIA. DISPOSITIVOS LEGAIS DIVERSOS. NÃO CONHECIMENTO. Compete à Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF) julgar recurso especial interposto contra decisão que der à lei tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria CSRF. A comprovação da existência de divergência requer que se verifique que as decisões conflitantes se deram ante a interpretação do mesmo dispositivo da legislação, em situações idênticas. No caso, as decisões, recorrida e paradigma, decidiram casos diversos, com fatos diversos, motivo do não conhecimento do recurso. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso. (assinado digitalmente) OTACÍLIO DANTAS CARTAXO Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 35 30 1. 00 57 96 /2 00 7- 61 Fl. 217DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 11/02/2014 por MARCELO OLIVEIRA 2 (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Susy Gomes Hoffmann (VicePresidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Gonçalo Bonet Allage, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Elias Sampaio Freire. Fl. 218DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 11/02/2014 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 35301.005796/200761 Acórdão n.º 9202002.922 CSRFT2 Fl. 200 3 Relatório Tratase de Recurso Especial por divergência, fls. 0164, interposto pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN) contra acórdão, fls. 0158, que decidiu dar provimento ao recurso voluntário do sujeito passivo, nos seguintes termos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS. Período de apuração: 01/11/1997 a 30/09/1998 NFLD. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS, HOMOLOGAÇÃO E DECADÊNCIA. OBSERVÂNCIA DAS REGRAS FIXADAS NO CTN. LANÇAMENTO POR SOLIDARIEDADE. EFICÁCIA. CIÊNCIA DO ÚLTIMO COOBRIGADO. 1 Segundo a súmula n° 8 do Supremo Tribunal Federal, as regas relativas a homologação e decadência das contribuições sociais, diante da sua reconhecida natureza tributária, seguem aquelas fixadas pelo Código Tributário Nacional; II Seja pela rega do art. 173 do CTN, seja pela do art. 150, § 4°, as contribuições ora lançadas estariam decadentes, tendo em vista o transcurso de ambos os prazos; III A partir do momento em que se tem dois ou mais contribuintes respondendo pelo mesmo crédito tributário, a eficácia do ato que o constitui, advinda da ciência dos seus destinatários, somente pode ser confirmada ou constatada no momento em que todos os envolvidos, e não apenas um deles, sejam notificados, dado ser este o instante em que lançamento passa a ter plena eficácia, aperfeiçoandose por completo. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 4' Câmara / 2 a Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, pois foi reconhecida a decadência do direito de exigibilidade da totalidade das contribuições apuradas, nos termos do voto do Relator. Esclarecemos, de forma sintética, que o litígio em questão versa sobre a aplicação da contagem decadencial, em lançamentos com responsabilidade solidária e qual regra decadencial, presente no CTN, deve ser aplicada ao caso, tratandose de solidariedade. Em seu recurso especial a Procuradoria alega, em síntese, que 1. Insurgese contra acórdão proferido, que, por unanimidade, deu provimento ao recurso, para declarar a decadência das contribuições lançadas relativas ao período de apuração de 01/11/1997 a 30/09/1998; Fl. 219DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 11/02/2014 por MARCELO OLIVEIRA 4 2. O fundamento da decisão é de que, por se tratar de responsabilidade solidária, estando dois ou mais contribuintes respondendo pelo mesmo crédito, a eficácia do ato de notificação somente se perfaz com a notificação do último coobrigado; 3. Diante desta tese, declarouse a decadência seja pelo art. 173, inc. I do CTN, seja pelo art. 150, §4° do CTN; 4. O acórdão merece reforma, eis que, na solidariedade tributária não há falar em perfectibilização da notificação com a notificação do último coobrigado, bem como diante da ausência de recolhimento do tributo, aplicase o art. 173, inc. I do CTN; 5. Quanto á divergência, a Primeira Turma da Quarta Câmara da Segunda Seção do CARF, nos termos do Acórdão n° 240100269, divergiu na questão da solidariedade; 6. Verificase, em verdade, a ausência de benefício de ordem na solidariedade, razão pela qual pode a União cobrar o tributo de qualquer um dos devedores, sendo contado o prazo decadencial individualmente, com relação a cada coobrigado; 7. Somase a esse fato que não há recolhimento parcial efetuado, motivo para a correção do acórdão recorrido, pela aplicação do Art. 173 do CTN; 8. Por todo exposto, requer o acolhimento e o provimento de seu recurso. Por despacho, fls. 0188, deuse seguimento ao recurso especial. O sujeito passivo apresentou suas contra razões, fls. 0214, argumentando, em síntese, que a decisão recorrida deve ser mantida. Os autos retornaram ao Conselho, para análise e decisão. É o Relatório. Fl. 220DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 11/02/2014 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 35301.005796/200761 Acórdão n.º 9202002.922 CSRFT2 Fl. 201 5 Voto Conselheiro Marcelo Oliveira, Relator Apesar da interessante matéria contida na decisão, refutada pelo recurso, o que geraria discussão nova, quanto à admissibilidade há questão a ser analisada. Como bem esclarecido pela recorrente, a matéria em questão referese à aplicação da contagem decadencial, em lançamentos com responsabilidade solidária, somente na ciência do último coobrigado. Para o acórdão recorrido, devese adotar como marco a fim de verificar a contagem do prazo decadencial a ciência do último coobrigado, o que acarretaria a decadência por qualquer regra expressa no CTN. Para o recurso, devese adotar como marco, a fim de verificar a contagem do prazo decadencial, a ciência do primeiro coobrigado, o que não acarretaria a decadência, diante da solidariedade tributária passiva, em que o prazo para lançamento é perquirido individualmente. Pois bem, para a comprovação da divergência entres decisões – requisito necessário e obrigatório para a análise do recurso, segundo o Regimento Interno do CARF (RICARF) – a recorrente apresenta o acórdão paradigma 2401.00269. Ocorre que pela leitura integral da decisão proferida no acórdão paradigma verificamos que esse não faz menção alguma sobre a questão em litígio, conforme abaixo: “A recorrente alega que teria ocorrido a decadência do direito de constituição de parte do crédito objeto da presente notificação. O lançamento em questão foi efetuado com amparo no art. 45 da Lei nº 8.212/1991, que trata da decadência das contribuições previdenciárias da seguinte forma: Art. 45. O direito da Seguridade Social apurar e constituir seus créditos extinguese após 10 (dez) anos contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o crédito poderia ter sido constituído; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, a constituição de crédito anteriormente efetuada. A constitucionalidade do dispositivo encimado sempre foi objeto de questionamento, seja no âmbito administrativo, como no caso em tela, seja no âmbito judicial. Fl. 221DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 11/02/2014 por MARCELO OLIVEIRA 6 Em sede do contencioso administrativo fiscal, em obediência ao princípio da legalidade e, considerando que o art. 45 da Lei nº 8.212/1991 encontrase vigente no ordenamento jurídico pátrio, as alegações a respeito da constitucionalidade do citado artigo não eram acolhidas. Entretanto, o Supremo Tribunal Federal, ao julgar os Recursos Extraordinários nº 556664, 559882, 559943 e 560626, negou provimento aos mesmos por unanimidade, em decisão plenária que declarou a inconstitucionalidade dos artigos 45 e 46, da Lei n. 8212/91. Em decisão unânime, o entendimento dos ministros foi no sentido de que o artigo 146, III, ‘b’ da Constituição Federal, afirma que apenas lei complementar pode dispor sobre prescrição e decadência em matéria tributária. Na oportunidade, os ministros ainda editaram a Súmula Vinculante nº 08 a respeito do tema, publicada em 20/06/2008, a qual transcrevo abaixo: Súmula Vinculante 8 “São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário” Vale lembrar que o art. 49 do Regimento Interno do Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda veda o afastamento de aplicação ou inobservância de legislação sob fundamento de inconstitucionalidade. Porém, em caráter excepcional, autoriza no inciso I do § único, a não aplicação de dispositivo que tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal, que é o caso. O dispositivo citado encontrase transcrito abaixo: “Art. 49. No julgamento de recurso voluntário ou de ofício, fica vedado aos Conselhos de Contribuintes afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; (g.n.)” Apenas o contido no Regimento Interno do Conselho de Contribuintes já autorizaria, nos julgados ocorridos a partir das decisões da Egrégia Corte, declarar a extinção dos créditos, cujo lançamento tenha ocorrido após o prazo de cinco anos previsto no art. 173 ou § 4º do art. 150 do Código Tributário Nacional, os quais passam a ser aplicados, conforme o caso, em razão da declaração de inconstitucionalidade dos arts 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991. Não obstante, ainda é necessário observar os efeitos da súmula vinculante, conforme se depreende do art. 103A e parágrafos, Fl. 222DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 11/02/2014 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 35301.005796/200761 Acórdão n.º 9202002.922 CSRFT2 Fl. 202 7 da Constituição Federal que foram inseridos pela Emenda Constitucional nº 45/2004. in verbis: “Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. § 1º A súmula terá por objetivo a validade, a interpretação e a eficácia de normas determinadas, acerca das quais haja controvérsia atual entre órgãos judiciários ou entre esses e a administração pública que acarrete grave insegurança jurídica e relevante multiplicação de processos sobre questão idêntica. § 2º Sem prejuízo do que vier a ser estabelecido em lei, a aprovação, revisão ou cancelamento de súmula poderá ser provocada por aqueles que podem propor a ação direta de inconstitucionalidade. § 3º Do ato administrativo ou decisão judicial que contrariar a súmula aplicável ou que indevidamente a aplicar, caberá reclamação ao Supremo Tribunal Federal que, julgandoa procedente, anulará o ato administrativo ou cassará a decisão judicial reclamada, e determinará que outra seja proferida com ou sem a aplicação da súmula, conforme o caso (g.n.)." Da leitura do dispositivo constitucional, podese concluir que, a vinculação à súmula alcança a administração pública e, por conseqüência, os julgadores no âmbito do contencioso administrativo fiscal. E mais, no termos do artigo 64B da Lei 9.784/99, com a redação dada pela Lei 11.417/06, as autoridades administrativas devem se adequar ao entendimento do STF, sob pena de responsabilização pessoal nas esferas cível, administrativa e penal. “Art. 64B. Acolhida pelo Supremo Tribunal Federal a reclamação fundada em violação de enunciado da súmula vinculante, darseá ciência à autoridade prolatora e ao órgão competente para o julgamento do recurso, que deverão adequar as futuras decisões administrativas em casos semelhantes, sob pena de responsabilização pessoal nas esferas cível, administrativa e penal” No caso, o lançamento compreende as competências de 01 a 12/1998 e foi efetuado em 19/05/2003, data da intimação do sujeito passivo. A decadência é tratada no Código Tributário Nacional, como regra geral, no art. 173 que estabelece o seguinte: Fl. 223DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 11/02/2014 por MARCELO OLIVEIRA 8 “Art.173 O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva à decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo Único O direito a que se refere este artigo extingue se definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento.” Ao tratar do lançamento por homologação, espécie em que se enquadra a contribuição previdenciária, o Códex Tributário definiu no art. 150, § 4º o seguinte: “Art.150 O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. ..................................... § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação.” Entretanto, tem sido entendimento constante em julgados do Superior Tribunal de Justiça, que nos casos de lançamento por homologação em que o sujeito passivo antecipa parte do pagamento da contribuição, aplicase o prazo previsto no § 4º do art. 150 do CTN, ou seja, o prazo de cinco anos passa a contar da ocorrência do fato gerador. Se, no entanto, o sujeito passivo não efetuar pagamento algum, nada há a ser homologado e, por conseqüência, aplicase o disposto no art. 173 do CTN, em que o prazo de cinco anos passa a ser contado do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Para corroborar o entendimento acima, colaciono alguns julgados no mesmo sentido: "TRIBUTÁRIO. EXECUÇÃO FISCAL. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL DE CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO. TERMO INICIAL. INTELIGÊNCIA DOS ARTS. 173, I, E 150, § 4º, DO CTN. 1. O prazo decadencial para efetuar o lançamento do tributo é, em regra, o do art. 173, I, do CTN, segundo o qual 'o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após Fl. 224DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 11/02/2014 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 35301.005796/200761 Acórdão n.º 9202002.922 CSRFT2 Fl. 203 9 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado'. 2. Todavia, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação —que, segundo o art. 150 do CTN, 'ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa' e 'operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa' —,há regra específica. Relativamente a eles, ocorrendo o pagamento antecipado por parte do contribuinte, o prazo decadencial para o lançamento de eventuais diferenças é de cinco anos a contar do fato gerador, conforme estabelece o § 4º do art. 150 do CTN. Precedentes jurisprudenciais. 3. No caso concreto, o débito é referente à contribuição previdenciária, tributo sujeito a lançamento por homologação, e não houve qualquer antecipação de pagamento. É aplicável, portanto, conforme a orientação acima indicada, a regra do art. 173, I, do CTN. 4. Agravo regimental a que se dá parcial provimento." (AgRg nos EREsp 216.758/SP, 1ª Seção, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, DJ de 10.4.2006) "TRIBUTÁRIO. EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECADÊNCIA. PRAZO QÜINQÜENAL. MANDADO DE SEGURANÇA. MEDIDA LIMINAR. SUSPENSÃO DO PRAZO. IMPOSSIBILIDADE. 1. Nas exações cujo lançamento se faz por homologação, havendo pagamento antecipado, contase o prazo decadencial a partir da ocorrência do fato gerador (art. 150, § 4º, do CTN), que é de cinco anos. 2. Somente quando não há pagamento antecipado, ou há prova de fraude, dolo ou simulação é que se aplica o disposto no art. 173, I, do CTN. Omissis. 4. Embargos de divergência providos." (EREsp 572.603/PR, 1ª Seção, Rel. Min. Castro Meira, DJ de 5.9.2005) No caso em tela, tratase de lançamento por solidariedade para com o prestador de serviços e, relativamente, a esse fato gerador, não houve qualquer antecipação por parte do sujeito passivo. Assim, aplicase a regra contida no art. 173 do CTN. Fl. 225DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 11/02/2014 por MARCELO OLIVEIRA 10 Considerando que o lançamento foi efetuado em maio de 2003, percebese que, não se operou a decadência, visto que para o lançamento em tela relativo ao período de 01 a 12/1998, o prazo decadencial começou a fluir em 01/01/1999.” Ora, se não houve discussão sobre o ponto em litígio, com decisão resultante, não há que se falar em divergência, devendo o recurso não ser acolhido, pois não cumpriu determinação do RICARF. RICARF: Art. 67. Compete à CSRF, por suas turmas, julgar recurso especial interposto contra decisão que der à lei tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria CSRF. ... § 6° A divergência prevista no caput deverá ser demonstrada analiticamente com a indicação dos pontos nos paradigmas colacionados que divirjam de pontos específicos no acórdão recorrido. CONCLUSÃO Devido ao exposto, voto pelo não conhecimento do recurso, nos termos do voto. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Fl. 226DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 11/02/2014 por MARCELO OLIVEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 10935.904547/2012-31
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 27 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Mar 10 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 13/08/2004
COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. IMPOSSIBILIDADE DE DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE EM SEDE ADMINISTRATIVA.
Não existindo, na legislação, norma que autorize a exclusão do valor do ICMS da base de cálculo da contribuição ao PIS e da COFINS, não pode o julgador administrativo declara a inconstitucionalidade da norma, já que esta é uma tarefa exclusiva do Poder Judiciário.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3801-002.348
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Os conselheiros Paulo Sérgio Celani e Flávio de Castro Pontes votaram pelas conclusões.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes - Presidente
(assinado digitalmente)
Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel- Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Sidney Eduardo Stahl, Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
.
Nome do relator: MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL
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DIREITO CREDITÓRIO. IMPOSSIBILIDADE DE DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE EM SEDE ADMINISTRATIVA. Não existindo, na legislação, norma que autorize a exclusão do valor do ICMS da base de cálculo da contribuição ao PIS e da COFINS, não pode o julgador administrativo declara a inconstitucionalidade da norma, já que esta é uma tarefa exclusiva do Poder Judiciário. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Os conselheiros Paulo Sérgio Celani e Flávio de Castro Pontes votaram pelas conclusões. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente (assinado digitalmente) Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 5. 90 45 47 /2 01 2- 31 Fl. 68DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por FLAVIO DE CASTR O PONTES Processo nº 10935.904547/201231 Acórdão n.º 3801002.348 S3TE01 Fl. 63 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Sidney Eduardo Stahl, Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. Fl. 69DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por FLAVIO DE CASTR O PONTES Processo nº 10935.904547/201231 Acórdão n.º 3801002.348 S3TE01 Fl. 64 3 . Relatório Tratase de pedido de restituição de crédito tributário pago indevidamente ou a maior formulado pelo ora Recorrente, Anhambi Alimentos Ltda., que não foi reconhecido pela Delegacia da Receita Federal de origem. Não concordando com o indeferimento do seu pleito, o Recorrente apresentou manifestação de inconformidade que foi julgada improcedente pela Delegacia de Julgamento. Restou assim ementado o acórdão: COFINS. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. INEXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO INFORMADO EM PER/DCOMP. Inexistindo o direito creditório informado em PER/DCOMP, é de se indeferir o pedido de restituição apresentado. EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO. Incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo das contribuições ao PIS/Pasep e à Cofins, pois aludido valor é parte integrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando for cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário. CONTESTAÇÃO DE VALIDADE DE NORMAS VIGENTES. JULGAMENTO ADMINISTRATIVO. COMPETÊNCIA. Compete à autoridade administrativa de julgamento a análise da conformidade da atividade de lançamento com as normas vigentes, às quais não se pode, em âmbito administrativo, negar validade sob o argumento de inconstitucionalidade ou ilegalidade. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Inconformado com a decisão proferida e repisando os argumentos apresentados em sua Manifestação de Inconformidade, o Recorrente apresentou Recurso Voluntário, no qual alegou, em síntese, que o seu direito creditório decorre da inconstitucional “cobrança do PIS e COFINS sem a exclusão do ICMS da base de cálculo”. É o relatório. Fl. 70DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por FLAVIO DE CASTR O PONTES Processo nº 10935.904547/201231 Acórdão n.º 3801002.348 S3TE01 Fl. 65 4 Voto Conselheira Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Relatora Presentes os requisitos de admissibilidade do Recurso Voluntário, dele conheço. O Recorrente, Anhambi Alimentos Ltda.., apresentou pedido de restituição de crédito tributário pago indevidamente ou a maior, sob o argumento de que o referido crédito decorre da inconstitucional inclusão, na base de cálculo do PIS e da COFINS, do valor do ICMS devido aos Estadosmembros. Sem trazer nenhum provimento jurisdicional favorável, em suas razões recursais, alega que o ICMS é tributo devido aos Estadosmembros e, por isso, não pode ser considerado como receita ou faturamento dos contribuintes. Coleciona vasta doutrina sobre o tema para embasar suas alegações. Em que pese essa Relatora ter o mesmo entendimento do Recorrente com relação à matéria, ou seja, o ICMS, de fato, não poderia compor a base de cálculo da contribuição do PIS e da COFINS, não pode esse Conselho Administrativo de Recursos Fiscais declarar inconstitucionalidade de norma vigente. Neste sentido, é a súmula nº 02 do CARF: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Assim, como muito bem colocado no acórdão recorrido, “cumpre registrar que não há na legislação de regência previsão para a exclusão do valor do ICMS das bases de cálculo do PIS e da Cofins, já que esse valor, ainda que assim não entenda a interessada, é parte integrante do preço das mercadorias e serviços vendidos, exceção feita para o ICMS recolhido mediante substituição tributária, pelo contribuinte substituto tributário, consoante se depreende da leitura dos arts. 2º e 3º da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998”. Inexistindo na legislação em vigor a possibilidade de o contribuinte excluir da base de cálculo das contribuições em comento o valor do ICMS, não há como reconhecer o direito creditório do Recorrente. Ademais, importante ressaltar que os Ministros do Supremo Tribunal Federal, em análise ao Recurso Extraordinário nº. 240.785, que discute a inconstitucionalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS, já haviam proferido seis votos a favor dos contribuintes. Contudo, o julgamento daquele RE teve seu andamento sobrestado por força da propositura, pela União Federal, da Ação Direta de Constitucionalidade nº. 18, ajuizada em 2007 e ainda pendente de julgamento. Assim, não há, até o presente momento, qualquer definição do Poder Judiciário acerca da questão. Fl. 71DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por FLAVIO DE CASTR O PONTES Processo nº 10935.904547/201231 Acórdão n.º 3801002.348 S3TE01 Fl. 66 5 Por todo o exposto, conheço do Recurso Voluntário e a ele nego provimento. (assinado digitalmente) Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel Fl. 72DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por FLAVIO DE CASTR O PONTES
score : 1.0
Numero do processo: 11831.000232/2003-52
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 27 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Mar 21 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/10/2000 a 31/10/2000
INCONSTITUCIONALIDADE.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2).
IPI. CRÉDITO PRESUMIDO SOBRE AQUISIÇÕES DE INSUMOS ISENTOS, IMUNES, COM ALÍQUOTA ZERO OU SEM INCIDÊNCIA DE IPI. VEDAÇÃO LEGAL. POSICIONAMENTO CONTRÁRIO PACIFICADO PELO STF.
Após período em que vigorou o entendimento do Supremo Tribunal Federal concedendo o direito ao crédito presumido nas aquisições isentas (RE nº 212.484/RS), posteriormente estendido para as aquisições com alíquota zero (RE nº 350.446/PR) que posteriormente veio a ser revista (RE nº 370.682), inverteu-se o entendimento passando a Corte Constitucional a posicionar-se no sentido de que nenhuma das aquisições desoneradas concede o referido direito ao crédito presumido de IPI (RE nº 566.819/RS).
IPI. CRÉDITO SOBRE AQUISIÇÕES DE ATIVO FIXO. VEDAÇÃO LEGAL. SÚMULA Nº 495 DO STJ.
Nos termos da Súmula nº 495, do STJ a aquisição de bens integrantes do ativo permanente da empresa não gera direito a creditamento de IPI.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3402-002.260
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Gilson Macedo Rosenburg Filho Presidente Substituto
(assinado digitalmente)
João Carlos Cassuli Junior - Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros GILSON MACEDO ROSENBURG (Presidente Substituto), ADRIANA OLIVEIRA RIBEIRO (SUPLENTE), SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, WINDERLEY MORAIS PEREIRA (SUBSTITUTO), JOÃO CARLOS CASSULI JUNIOR E FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, a fim de ser realizada a presente Sessão Ordinária. Ausente, justificadamente, a conselheira NAYRA BASTOS MANATTA. Ausente o conselheiro FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO DEÇA.
Nome do relator: JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/10/2000 a 31/10/2000 INCONSTITUCIONALIDADE. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2). IPI. CRÉDITO PRESUMIDO SOBRE AQUISIÇÕES DE INSUMOS ISENTOS, IMUNES, COM ALÍQUOTA ZERO OU SEM INCIDÊNCIA DE IPI. VEDAÇÃO LEGAL. POSICIONAMENTO CONTRÁRIO PACIFICADO PELO STF. Após período em que vigorou o entendimento do Supremo Tribunal Federal concedendo o direito ao crédito presumido nas aquisições isentas (RE nº 212.484/RS), posteriormente estendido para as aquisições com alíquota zero (RE nº 350.446/PR) que posteriormente veio a ser revista (RE nº 370.682), inverteu-se o entendimento passando a Corte Constitucional a posicionar-se no sentido de que nenhuma das aquisições desoneradas concede o referido direito ao crédito presumido de IPI (RE nº 566.819/RS). IPI. CRÉDITO SOBRE AQUISIÇÕES DE ATIVO FIXO. VEDAÇÃO LEGAL. SÚMULA Nº 495 DO STJ. Nos termos da Súmula nº 495, do STJ a aquisição de bens integrantes do ativo permanente da empresa não gera direito a creditamento de IPI. Recurso Voluntário Negado.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/10/2000 a 31/10/2000 INCONSTITUCIONALIDADE. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2). IPI. CRÉDITO PRESUMIDO SOBRE AQUISIÇÕES DE INSUMOS ISENTOS, IMUNES, COM ALÍQUOTA ZERO OU SEM INCIDÊNCIA DE IPI. VEDAÇÃO LEGAL. POSICIONAMENTO CONTRÁRIO PACIFICADO PELO STF. Após período em que vigorou o entendimento do Supremo Tribunal Federal concedendo o direito ao crédito presumido nas aquisições isentas (RE nº 212.484/RS), posteriormente estendido para as aquisições com alíquota zero (RE nº 350.446/PR) que posteriormente veio a ser revista (RE nº 370.682), inverteuse o entendimento passando a Corte Constitucional a posicionarse no sentido de que nenhuma das aquisições desoneradas concede o referido direito ao crédito presumido de IPI (RE nº 566.819/RS). IPI. CRÉDITO SOBRE AQUISIÇÕES DE ATIVO FIXO. VEDAÇÃO LEGAL. SÚMULA Nº 495 DO STJ. Nos termos da Súmula nº 495, do STJ “a aquisição de bens integrantes do ativo permanente da empresa não gera direito a creditamento de IPI”. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 83 1. 00 02 32 /2 00 3- 52 Fl. 481DF CARF MF Impresso em 21/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/0 2/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR 2 (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho – Presidente Substituto (assinado digitalmente) João Carlos Cassuli Junior Relator Participaram do julgamento os Conselheiros GILSON MACEDO ROSENBURG (Presidente Substituto), ADRIANA OLIVEIRA RIBEIRO (SUPLENTE), SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, WINDERLEY MORAIS PEREIRA (SUBSTITUTO), JOÃO CARLOS CASSULI JUNIOR E FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, a fim de ser realizada a presente Sessão Ordinária. Ausente, justificadamente, a conselheira NAYRA BASTOS MANATTA. Ausente o conselheiro FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D’EÇA. Fl. 482DF CARF MF Impresso em 21/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/0 2/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR Processo nº 11831.000232/200352 Acórdão n.º 3402002.260 S3C4T2 Fl. 482 3 Relatório Tratase de Pedido de Ressarcimento de saldo credor de IPI referente ao período de apuração de 01/10/2000 a 31/12/2000. A autoridade fiscal indeferiu o pedido sob o fundamento de que o suposto crédito era calculado sobre aquisição de produtos não onerados pelo IPI, bem como bens destinados ao ativo permanente, não possuindo respaldo o pretenso pleito. DA IMPUGNAÇÃO O contribuinte tomou ciência do indeferimento em 22/10/2007, apresentando impugnação tempestiva em 30/10/2007, na qual alega, após breve exposição dos fatos, em apertada síntese, possuir direito ao ressarcimento dos valores pertinentes aos créditos de IPI, oriundos das operações de aquisição de bens para o ativo fixo, bem como de insumos isentos, imunes ou tributados a alíquota zero. Ao final, pede que sejam considerados o conjunto normativo apresentado, bem como os princípios constitucionais invocados e a legislação aplicável, para que seja acolhida sua impugnação, anulando integralmente a decisão impugnada para admitir o referido ressarcimento. DO JULGAMENTO DE 1ª INSTÂNCIA Em análise e atenção aos pontos suscitados pela interessada na impugnação apresentada, a Segunda Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto (SP), proferiu o Acórdão de nº. 1421.129, indeferindo o pedido de ressarcimento, nos seguintes termos: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/10/2000 a 31/12/2000 DIREITO AO CRÉDITO. INSUMOS NÃO ONERADOS PELO IPI. É inadmissível, por total ausência de previsão legal, a apropriação, na escrita fiscal do sujeito passivo, de créditos do imposto alusivos a insumos isentos, não tributados ou sujeito à alíquota zero, uma vez que inexiste montante do imposto cobrado na operação anterior. IPI. RESSARCIMENTO. Fl. 483DF CARF MF Impresso em 21/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/0 2/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR 4 O direito ao aproveitamento/utilização, nas condições estabelecidas no art. 11, da Lei nº 9.779, de 1999, do saldo credor do IPI, decorrente somente de aquisições, pelo contribuinte do imposto, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, ingressados no estabelecimento a partir de 01/01/1999, onerados pelo imposto e aplicados na industrialização. INSUMOS COM DIREITO AO CRÉDITO DO IPI. Os conceitos de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem são admitidos na legislação aplicável do IPI, não abrangendo os bens destinados ao ativo permanente, o material de consumo e insumos utilizados na produção agrícola. RESSARCIMENTO DE IPI. INCIDÊNCIA DA TAXA SELIC. Inexiste previsão legal para abonar atualização monetária ou acréscimo de juros equivalentes à taxa SELIC a valores objeto de ressarcimento de crédito de IPI Solicitação indeferida.” Em síntese a DRJ negou o pleito do contribuinte aos créditos de IPI ao fundamento de que se não foi cobrado o imposto na operação anterior, seja por nãoincidência, isenção ou tributação à alíquota zero, não haverá direito ao crédito, bem como, quanto aos bens destinados ao ativo fixo do contribuinte, uma vez que encontramse compreendidos no ativo permanente, não estão incluídos no conceito de matériaprima e produto intermediário, não gerando, portanto, o respectivo direito ao crédito pleiteado. DO RECURSO Cientificado do Acórdão de 1ª Instância em 01/12/2008, conforme Aviso de Recebimento de fl. 396 – numeração eletrônica, o contribuinte apresentou tempestivamente, em 18/12/2008, Recurso Voluntário a este Conselho. Após nova explanação acerca dos fatos e ênfase à inocorrência de prescrição, o contribuinte reiterou, assim como o fez em sua impugnação, a possibilidade de creditarse de entradas de IPI isentas, imunes, não tributadas ou tributadas à alíquota zero, pois que os regulamentos de IPI não podem restringir o aproveitamento de crédito nas operações supracitadas, bem como as relativas à aquisição de bens para o ativo permanente, uma vez que, no que tange o tema, a Constituição Federal não impôs qualquer limitação. Acerca do arguido pela DRJ no que tange a necessidade do efetivo pagamento para que o contribuinte possa se creditar do IPI oriundo das aquisições beneficiadas pela imunidade, isenção ou tributação à alíquota zero, alega não haver sentido, uma vez que tal fato não exclui o direito ao crédito na operação seguinte porque, segundo aduz o contribuinte, atinge apenas a regramatriz de incidência do tributo, impedindo o nascimento da obrigação tributária. Apresenta quadro demonstrativo (fls. 433/435 – numeração eletrônica), no afã de elucidar o entendimento de que em não se evidenciando o aproveitamento de crédito relativo às operações imunes, isentas ou tributadas à alíquota zero, o IPI deverá incidir sobre o montante total, implicando a desconsideração dos benefícios concedidos constitucionalmente, Fl. 484DF CARF MF Impresso em 21/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/0 2/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR Processo nº 11831.000232/200352 Acórdão n.º 3402002.260 S3C4T2 Fl. 483 5 restando, segundo o contribuinte, clara a não necessidade de efetivo pagamento do IPI na operação anterior para gerar crédito aproveitável. Após todo o exposto pleiteia a reforma integral da decisão administrativa de primeiro grau, reconhecendose o direito ao ressarcimento dos valores relativos aos créditos de IPI, oriundos de operações de aquisição do ativo permanente, de insumos isentos, imunes ou tributados à alíquota zero de qualquer natureza, relativos ao quarto trimestre do ano de 2000, em atenção ao sistema da nãocumulatividade, atendendo aos preceitos do Direito e da justiça. DA DISTRIBUIÇÃO Tendo o processo sido distribuído a este relator por sorteio regularmente realizado, vieram os autos para relatoria, por meio de processo eletrônico, em 02 (dois) Volumes, numerado até a folha 480 (quatrocentos e oitenta), estando apto para análise desta Colenda 2ª Turma Ordinária, da 4ª Câmara, da 3ª Seção do CARF. É o relatório. Fl. 485DF CARF MF Impresso em 21/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/0 2/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR 6 Voto Conselheiro João Carlos Cassuli Junior, Relator. O Recurso atende aos pressupostos de admissibilidade e tempestividade, devendose dele tomar conhecimento. A análise dos autos dá conta de que o contencioso tributário envolve irresignação quanto ao indeferimento do pleito do contribuinte de verse ressarcido de crédito de IPI relativamente às aquisições de insumos decorrentes de operações imunes, isentas ou tributadas à alíquota zero – portanto crédito presumido , assim como decorrentes de aquisições destinadas ao ativo fixo do estabelecimento, matéria esta, atualmente, pacificada no âmbito desta Corte e também há muito debatida no Poder Judiciário. Tenho por separar as questões sob análise, para melhor focalizar os fundamentos que as norteiam. I.Crédito Presumido de IPI sobre aquisições desoneradas (isentas, imunes, alíquota zero ou sujeitas a não incidência): De início, quanto a toda a farta fundamentação relativamente à inconstitucionalidade das normas regulamentares que vedam a tomada de créditos nos casos sob análise, cumpre frisar que é vedado a este Conselho manifestarse sobre referidos preceitos, sendo esta incumbência reservada unicamente ao Poder Judiciário, segundo consta do enunciado de Súmula CARF nº 02, publicada no DOU de 22/12/2009, in verbis: Súmula CARF nº 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Assim sendo, considerando a existência de vedação regimental para o enfrentamento das matérias relativas a constitucionalidade de lei ou atos normativos, acabam por praticamente se esvaziarem as possibilidades de se reconhecer, no âmbito da Administração Pública, esse direito, até porque não há Súmula do Poder Judiciário (no caso, do STF) para se reconhecer referido direito, ou mesmo a matéria não é objeto de julgamento favorável proferido em Sede de Repercussão Geral ou de Recurso Repetitivo no STJ, caso em que seria excepcionalmente possível se conhecer de tais fundamentos de inconstitucionalidades, nos termos do art. 62A, do RICARF. Sobre o mérito do direito da Recorrente aos denominados créditos presumidos de IPI decorrentes de aquisições isentas, sob o regime de alíquota zero, imunes ou sem incidência, ou seja, desoneradas da tributação nas respectivas “entradas”, vale discorrer academicamente, apenas, de que não é estranho a este Relator que a vedação ao referido crédito importa efetivamente a oneração fiscal, bem como que não seria, à rigor, necessário o pagamento do tributo para que houvesse o crédito. Porém, a verdade é que após um período em que vigorou o entendimento do Supremo Tribunal Federal concedendo o direito ao crédito presumido nas aquisições isentas Fl. 486DF CARF MF Impresso em 21/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/0 2/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR Processo nº 11831.000232/200352 Acórdão n.º 3402002.260 S3C4T2 Fl. 484 7 (RE nº 212.484/RS), posteriormente estendido para as aquisições com alíquota zero (RE nº 350.446/PR) que posteriormente veio a ser revista (RE nº 370.682), finalmente, aquele entendimento inverteuse para um posicionamento diametralmente oposto, passando a entender a Corte Constitucional no sentido de que nenhuma das aquisições desoneradas concederia o referido direito ao crédito presumido (RE nº 566.819/RS). Assim, esse entendimento acaba por fulminar todas as formas de aquisição de insumos desonerados, além da isenção e alíquota zero, não havendo direito também sobre aquela sujeitas à não incidência, NT ou imunes. Atualmente a única discussão que pende de apreciação por aquela Corte Suprema, diz respeito as aquisições advindas da Zona Franca de Manaus, em face do reconhecimento da Repercussão Geral no RE nº 592.891/SP, de Relatoria da Ministra Rosa Weber. II.Crédito de IPI sobre aquisições de Ativo Fixo: Melhor sorte não socorre o direito sobre aquisições de bens destinados ao ativo permanente do contribuinte, pois que foi publicado no Diário Oficial Eletrônico o enunciado da Súmula nº 495 do Superior Tribunal de Justiça (STJ) dispondo que: Súmula 495 do STJ “A aquisição de bens integrantes do ativo permanente da empresa não gera direito a creditamento de IPI”. Para a edição do referido enunciado foram utilizados os precedentes contidos no AgRg nº REsp 1.082.522/SP, Rel. Ministro Humberto Martins, Segunda Turma, julgado em 16.12.2008, DJe 04.02.2009; AgRg nº REsp 1.063.630/RJ, Rel. Ministro Francisco Falcão, Primeira Turma, julgado em 16.09.2008, DJe 29.09.2008; REsp 886.249/SC, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Turma, julgado em 18.09.2007, DJ 15.10.2007; REsp 608.181/SC, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, Primeira Turma, julgado em 06.10.2005, DJ 27.03.2006; e REsp 497.187/SC, Rel. Ministro Franciulli Netto, Segunda Turma, julgado em 17.06.2003, DJ 08.09.2003. Consequentemente, também quanto as aquisições de bens destinados ao ativo fixo, o Judiciário acabou chumbando não haver o direito ao creditamento do IPI. É bem verdade que referidos precedentes não albergaram o inciso IV do §3, do art. 153, dado pela Emenda Constitucional nº 42, porém, seu enfrentamento de todo modo, fica obstado pela impossibilidade de se deixar de aplicar Súmula do STJ, bem como apreciar argumentos de inconstitucionalidade de preceito normativo infraconstitucional. III.Conclusão: Desta forma, com ressalva de meu entendimento pessoal, a verdade é que em decorrência do posicionamento contrário advindo da mais alta Corte judicial do país, bem como da vedação explícita de se conhecer de argumentos e fundamentos de Fl. 487DF CARF MF Impresso em 21/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/0 2/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR 8 inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula nº 02, do CARF), não merece guarida a irresignação contida no recurso do contribuinte. Assim, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário proposto pelo contribuinte. É como voto. (Assinado digitalmente) Joao Carlos Cassuli Junior Relator Fl. 488DF CARF MF Impresso em 21/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/0 2/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR
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Numero do processo: 10935.904604/2012-81
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 27 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Mar 10 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 19/07/2006
COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. IMPOSSIBILIDADE DE DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE EM SEDE ADMINISTRATIVA.
Não existindo, na legislação, norma que autorize a exclusão do valor do ICMS da base de cálculo da contribuição ao PIS e da COFINS, não pode o julgador administrativo declara a inconstitucionalidade da norma, já que esta é uma tarefa exclusiva do Poder Judiciário.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3801-002.387
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Os conselheiros Paulo Sérgio Celani e Flávio de Castro Pontes votaram pelas conclusões.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes - Presidente
(assinado digitalmente)
Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel- Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Sidney Eduardo Stahl, Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
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Nome do relator: MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL
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DIREITO CREDITÓRIO. IMPOSSIBILIDADE DE DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE EM SEDE ADMINISTRATIVA. Não existindo, na legislação, norma que autorize a exclusão do valor do ICMS da base de cálculo da contribuição ao PIS e da COFINS, não pode o julgador administrativo declara a inconstitucionalidade da norma, já que esta é uma tarefa exclusiva do Poder Judiciário. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Os conselheiros Paulo Sérgio Celani e Flávio de Castro Pontes votaram pelas conclusões. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente (assinado digitalmente) Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel Relatora. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 5. 90 46 04 /2 01 2- 81 Fl. 68DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por FLAVIO DE CASTR O PONTES Processo nº 10935.904604/201281 Acórdão n.º 3801002.387 S3TE01 Fl. 63 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Sidney Eduardo Stahl, Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. Fl. 69DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por FLAVIO DE CASTR O PONTES Processo nº 10935.904604/201281 Acórdão n.º 3801002.387 S3TE01 Fl. 64 3 . Relatório Tratase de pedido de restituição de crédito tributário pago indevidamente ou a maior formulado pelo ora Recorrente, Anhambi Alimentos Ltda., que não foi reconhecido pela Delegacia da Receita Federal de origem. Não concordando com o indeferimento do seu pleito, o Recorrente apresentou manifestação de inconformidade que foi julgada improcedente pela Delegacia de Julgamento. Restou assim ementado o acórdão: COFINS. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. INEXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO INFORMADO EM PER/DCOMP. Inexistindo o direito creditório informado em PER/DCOMP, é de se indeferir o pedido de restituição apresentado. EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO. Incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo das contribuições ao PIS/Pasep e à Cofins, pois aludido valor é parte integrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando for cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário. CONTESTAÇÃO DE VALIDADE DE NORMAS VIGENTES. JULGAMENTO ADMINISTRATIVO. COMPETÊNCIA. Compete à autoridade administrativa de julgamento a análise da conformidade da atividade de lançamento com as normas vigentes, às quais não se pode, em âmbito administrativo, negar validade sob o argumento de inconstitucionalidade ou ilegalidade. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Inconformado com a decisão proferida e repisando os argumentos apresentados em sua Manifestação de Inconformidade, o Recorrente apresentou Recurso Voluntário, no qual alegou, em síntese, que o seu direito creditório decorre da inconstitucional “cobrança do PIS e COFINS sem a exclusão do ICMS da base de cálculo”. É o relatório. Fl. 70DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por FLAVIO DE CASTR O PONTES Processo nº 10935.904604/201281 Acórdão n.º 3801002.387 S3TE01 Fl. 65 4 Voto Conselheira Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Relatora Presentes os requisitos de admissibilidade do Recurso Voluntário, dele conheço. O Recorrente, Anhambi Alimentos Ltda.., apresentou pedido de restituição de crédito tributário pago indevidamente ou a maior, sob o argumento de que o referido crédito decorre da inconstitucional inclusão, na base de cálculo do PIS e da COFINS, do valor do ICMS devido aos Estadosmembros. Sem trazer nenhum provimento jurisdicional favorável, em suas razões recursais, alega que o ICMS é tributo devido aos Estadosmembros e, por isso, não pode ser considerado como receita ou faturamento dos contribuintes. Coleciona vasta doutrina sobre o tema para embasar suas alegações. Em que pese essa Relatora ter o mesmo entendimento do Recorrente com relação à matéria, ou seja, o ICMS, de fato, não poderia compor a base de cálculo da contribuição do PIS e da COFINS, não pode esse Conselho Administrativo de Recursos Fiscais declarar inconstitucionalidade de norma vigente. Neste sentido, é a súmula nº 02 do CARF: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Assim, como muito bem colocado no acórdão recorrido, “cumpre registrar que não há na legislação de regência previsão para a exclusão do valor do ICMS das bases de cálculo do PIS e da Cofins, já que esse valor, ainda que assim não entenda a interessada, é parte integrante do preço das mercadorias e serviços vendidos, exceção feita para o ICMS recolhido mediante substituição tributária, pelo contribuinte substituto tributário, consoante se depreende da leitura dos arts. 2º e 3º da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998”. Inexistindo na legislação em vigor a possibilidade de o contribuinte excluir da base de cálculo das contribuições em comento o valor do ICMS, não há como reconhecer o direito creditório do Recorrente. Ademais, importante ressaltar que os Ministros do Supremo Tribunal Federal, em análise ao Recurso Extraordinário nº. 240.785, que discute a inconstitucionalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS, já haviam proferido seis votos a favor dos contribuintes. Contudo, o julgamento daquele RE teve seu andamento sobrestado por força da propositura, pela União Federal, da Ação Direta de Constitucionalidade nº. 18, ajuizada em 2007 e ainda pendente de julgamento. Assim, não há, até o presente momento, qualquer definição do Poder Judiciário acerca da questão. Fl. 71DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por FLAVIO DE CASTR O PONTES Processo nº 10935.904604/201281 Acórdão n.º 3801002.387 S3TE01 Fl. 66 5 Por todo o exposto, conheço do Recurso Voluntário e a ele nego provimento. (assinado digitalmente) Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel Fl. 72DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por FLAVIO DE CASTR O PONTES
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