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Numero do processo: 13433.000333/2005-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 31 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Mar 31 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IM POSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ
Ano-calendário: 2003
DIVERGÊNCIAS NA APURAÇÃO. FALTA DE RECOLHIMENTO.
ADICIONAL. Correta a exigência de adicional se o lucro tributável no trimestre supera R$ 60.000,00. REDUÇÃO POR REINVESTIMENTO.
Ausente motivação especifica, deve ser admitida a redução considerada pela contribuinte em sua apuração informada na DIPJ.
ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE 0 LUCRO LÍQUIDO - CSLL
Ano-calendário: 2003
DIVERGÊNCIAS NA APURAÇÃO. FALTA DE RECOLHIMENTO. RECUPERAÇÃO DE CRÉDITOS DECORRENTES DE BASES DE CÁLCULO NEGATIVAS. Ausente motivação especifica, deve ser admitida a dedução considerada pela contribuinte em sua apuração informada na DIRJ.
Numero da decisão: 1101-000.447
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR
PROVIMENTO PARCIAL ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Matéria: IRPJ - AF - lucro real (exceto.omissão receitas pres.legal)
Nome do relator: Edeli Pereira Bessa
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FALTA DE RECOLHIMENTO. ADICIONAL. Correta a exigência de adicional se o lucro tributável no trimestre supera R$ 60.000,00. REDUÇÃO POR REINVESTIMENTO. Ausente motivação especifica, deve ser admitida a redução considerada pela contribuinte em sua apuração informada na DIPJ. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE 0 LUCRO LÍQUIDO - CSLL Ano-calendário: 2003 DIVERGÊNCIAS NA APURAÇÃO. FALTA DE RECOLHIMENTO. RECUPERAÇÃO DE CRÉDITOS DECORRENTES DE BASES DE CÁLCULO NEGATIVAS. Ausente motivação especifica, deve ser admitida a dedução considerada pela contribuinte em sua apuração informada na DIRE Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ - Presidente. (assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA - Relatora íii digit::;!!Y.::ilf.. ,, err, `„;1 ;',;/(1/1in 11 pot L. 2f,) I I por FR:CISCO ';,() DE Au1ertlic gita:mc, nie 8ITI 30.'04/20'11 por EDEL I PEREIRA f3:7S:3A 1 F;szor1:1;: DF CA R:7 M7 Fl. 2 Processo n° 13433.000333/2005-11 S1 -C1T1 Acórdão IL° 1101-00.447 Fl. 492 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz (presidente da turma), Alexandre Andrade Lima da Fonte Filho (vice- presidente), Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro, Ede li Pereira Bessa, José Ricardo da Silva e Diniz Raposo e Silva. 1 PERE1R :)210612011 por FRAJCiSCO RnEl 301042011 por EDY:LIPEREIRAE;SSA Efvodo (,:tr 03/0612C11 CA.R.F Process o n° 13433.000333/2005-11 SI -CIT1 Acórdão n. ° 1101 -00.447 Fl. 493 Relatório AQUARIUM AQUICULTURA DO BRASIL LTDA, já qualificada nos autos, recorre de decisão proferida pela 5' Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Recife/PE que, por maioria de votos, julgou IMPROCEDENTE a impugnação interposta contra lançamento formalizado em 12/0512005, inicialmente exigindo crédito tributário no valor total de R$ 1.152.669,30, mas do qual foram apartadas as exigências correspondentes à Contribuição ao PIS e à COFINS, nos montantes totais, respectivos, de R$ 181.277,71 e R$ 836.668,35. Consta do Termo de Encerramento As -fls. 62/65 que, tendo em conta os valores escriturados a titulo de receita bruta e cancelamento de vendas no Livro Razão, foi elaborada nova demonstração de resultados, e, considerando também os valores apresentados no LAL UR, nos balancetes do Livro Diário e os valores constantes da DIPJ, a autoridade lançadora apurou novas bases tributáveis. Para tanto, também aplicou na planilha a redução de 75% do IRPJ, como incentivo fiscal e a compensação dos prejuízos anteriores, além de considerar nos cálculos os valores apresentados em n DCTF. 0 demonstrativo de fl. 70 evidencia a recomposição do resultado tributável pelo IRPJ e a CSLL nos trimestres de 2003, considerando os novos valores apurados a titulo de receita operacional bruta no demonstrativo de fl. 68, apontando débitos de 1RPJ e CSLL no I ° e no 3 ° trimestres, nos valores respectivos de R$ 8.584,23 e R$ 16.951,50 a titulo de 1RPJ e R$ 14.521,29 e R$ 26.570,16 a titulo de CSLL. As fls. 67 e 69 constam demonstrativos de apuração de receita em 2002 e 2004, mas nestes períodos não houve exigência de IRPJ e CSLL. A autoridade lançadora também se reporta, no Termo de Encerramento, aos aspectos relacionados aos benefícios decorrentes de exportação, no âmbito da apuração não- cumulativa e da não incidência na apuração das Contribuições ao PIS e a COFINS, indicando a comercialização, pela empresa, de camarões a empresas que não são comerciais exportadoras (C1NA — Cia. Nordeste de Agricultura e Alimentação, BRAMEX — Brasil Mercantil S/A, Crustáceos do Brasil Indústria e Comércio Ltda e Frigomaris Ltda). Os demonstrativos de fls. 71/91 confrontam as contribuições calculadas a partir das receitas apuradas as fls. 67/69 com os pagamentos promovidos e os débitos declarados pela contribuinte, e assim resultam nos valores exigidos a titulo de Contribuição ao PIS e de COFINS, de maio/2002 a dezembro/2004. Tais exigências porém, como dito, foram apartadas destes autos, em razão de despacho da autoridade julgadora de la instancia de seguinte teor: Examinando-se as peças processuais, verifica-se que, consoante descrito pela autoridade lançadora, a irregularidade tributária consistiu nas diferenças encontradas entre, de um lado, os valores declarados pela contribuinte à Receita Federal e, de outro, os valores escriturados em seus livros fiscais. Configurou-se, assim, a falta ou insuficiência de recolhimento dos tributos em face de declaração inexata prestada pelo sujeito passivo. A$sinad cçtoo 000iao'1 FDELI pcREIRA BESSA, 02103/2011 pw ITZANC,1S(X) SALES F' RC) DE Autenticado cãL ionE ; , m 30f0412011 or [DELI : ,EFZEM BESCA Emakio ern 02/C6120 .11 pelo 3 !iF CA F0-2 MI' Processo n° 13433.000333/2005-11 S 1 -C11. 1 Acórdão 11. 0 1101 -00.447 Fl. 494 Desta fbrnia, os lançamentos da CSLL, do PIS e da COF1NS, embora se alicercem nos mesmos elementos de prova, não são decorrentes do lançamento do IRPJ, em razão do que devem ser apartados os autos relativos ao PIS e a COFINS; para que formem um processo distinto do atinente ao IRPJ e à CSLL, na forma cio artigo I° da Portaria SRF n° 6.129, de 2 de dezembro de 2005. Procedida a apartação, os autos retornaram à autoridade julgadora, que assim relatou a impugnação apresentada: Tempestivamente, a contribuinte apresentou peça impugnalória de fl. 427 juntamente com documentação de fls. 428 a 451), onde formula as seguintes razões de defesa. ALEGAÇÕES INICIAIS Quanto à informação da autoridade fiscal, segundo a qual as empresas CINA — Companhia Nordeste de Aquicultura e Alimentação, BRAMEX — Brasil Mercantil S/A, Crustáceos do Brasil Ind. e Com. Lida e Frigoniaris Ltda., pura as quais a empresa autuada efetuou vendas coin o fim especifico de exportação, não são empresas comerciais exportadores em suas atividades principais, a contribuinte alega que: a) as empresas acima citadas efetuaram as exportações das mercadorias a elas vendidas pela Aquarium Aquicultura do Brasil Ltda. (autuada), conforme ficou comprovado através de memorandos de exportação apresentados no decorrer do processo de fiscalização; b) fica evidenciado que como essas empresas efetuaram exportações, estavam credenciadas e registradas no órgão competente para tal operação e que, além disso, o fato da atividade principal dessas empresas não ser de empresa comercial exportadora não inibe o fato de ter em seu contrato social a atividade de exportação. LEGISLAÇÃO PERTINENTE Segundo a imp ugnante, a Lei Kandir determina que as exportações diretas ou indiretas são isentas de todo e qualquer imposto nos âmbitos municipais, estaduais e federal. • contribuinte afirma ainda que o Decreto-lei n° 1.248/1972 estabelece que se equiparam a empresa comercial exportadora as saídas coin destino a empresa exportadora com o fim especifico de exportação. Sendo assim, conclui a impugnante, as operações realizadas pela empresa autuada estão de acordo com o que determina a legislação em vigor, enquadrada no beneficio da isenção, excluindo-se da base de cálculo de todos os tributos, as receitas oriundas da exportação de mercadorias. Diante do que expõe, a contribuinte requer sejam cancelados os autos de infração ora impugnados. É o que importa relatar. A Turma Julgadora considerou irrelevantes estes argumentos, na medida em que não há previsão legal de exclusão, na base de cálculo do IRPJ, de receitas oriundas de exportação não incentivada. 0 invocado beneficio concedido pelo Decreto-lei n° 1.248/72 encontra-se extinto desde o exercício financeiro de 1988. Declarou também que, nos termos da Constituição Federal, a imunidade conferida às receitas de exportação não alcança a CSLL. Por fim, esclareceu que a Lei Kandir (Lei Complementar n° 87/96) dispõe exclusivamente sobre o ICMS, imposto de competência dos Estados e do Distrito Federal. Assinack's ce \, 3412011 1:ZO DE Auçado 301r, '7201 r EDEM PLREri, EESSA z 031G31201 I DF CA R Processo n° 13433.000333/2005-11 Si -C1T1 Acórdão n.° 1101-00.447 Fl. 495 Divergiu apenas ojulgador Zenaldo Loibman, que em face da imunidade das receitas c/c exportação, entendia que deviant ser excluídas na apuração do lucro que serve de base de cálculo à contribuição para a seguridade social. Cientificada da decisão de primeira instância em 27/08/2009 (fl. 471), a contribuinte interpôs recurso voluntário, tempestivamente, em 25/09/2009 (fls. 472/473). Argumenta que não excluiu receitas de exportação na determinação do lucro real, mas apenas fez uso do incentivo fiscal descrito nas linhas 10 e li da Ficha 12 A da D1PJ, muito embora entenda que as receitas de exportação devem ser isentas de impostos e contribuições. Da mesma forma, no âmbito da CSLL, não houve a referida exclusão, mas sim uma recuperação de créditos de CSLL (MP n° 1807/99 art. e), conforme consta na DIRT pertinente en: sua linha 39 ficha 17. Assiciado ci:v;' 39/04/20 - I por IMELI RO DE Ack,ntk:ado dg amcnrs ofr 3C8.?!.) 11 Tx EU"'' 7 , :IREnA bES",‘A Emitido cm 03/06101 I poloMicflzTérk; dcFazznda FRANCISCO SA! E"...3 CAR? Processo n° 13433.000333/2005-11 SI -CIT1 Actird5o n.° 1101 -00.447 Fl. 496 Voto Conselheira EDELI PEREIRA BESSA Observa-se na impugnação oferecida pela contribuinte que os argumentos all deduzidos restringiram-se à extensão dos benefícios fiscais conferidos à exportação, aspecto aventado apenas nas exigências da Contribuição ao PIS e a COFINS. Afastada sua aplicação relativamente As exigências de IRPJ e CSLL, nada mais restou para infirmar a exigência aqui formalizada. Em recurso voluntário, a interessada confirmou que não excluiu receitas de exportação na determinação do lucro real ou da base de cálculo da CSLL, e que no âmbito desta, a diferença decorreria dos créditos tratados no art. 8° da Medida Provisória n° 1.807/99. Invoca, também, os incentivos registrados nas linhas 10 e 11 da apuração do IRPJ na DIPJ correspondente. Assim, importa inicialmente registrar que não se verifica, nestes autos, hipótese de sobrestamento determinado pela recente alteração promovida no Anexo II do Regimento Interno do CARF, por meio da Portaria MF n°586/2010: Art. 62-A. [...1 ,sç 1° Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgumento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nus termos do art. 543-B. § 2° 0 sobrestamento de que trata o § 1° será feito de oficio elo relator ou por provocação das partes. Como a própria recorrente afastou do debate a possibilidade de exclusão das receitas de exportação da base de cálculo da CSLL, não será apreciada, aqui, a matéria relativamente à qual o Supremo Tribunal Federal reconheceu a existência de repercussão geral de questão constitucional suscitada, em decisão de 28/10/2007, assim ementada: IMUNIDADE — EXPORTAÇÕES — CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE 0 LUCRO. Surge com repercussão geral definir o alcance de imunidade quanto a Contribuição Social sobre o Lucro no que a Corte de origem refutou a não- incidência do tributo. No demonstrativo de fl. 68, amparado pela juntada de cópia dos livros contábeis e fiscais da contribuinte, a autoridade lançadora evidenciou a apuração de receita operacional bruta no I ° e no 3 ° trimestre/2003 nos valores de R$ 2.195.002,40 e R$ 1.790.884,30, respectivamente. Transportados estes valores para o demonstrativo de fl. 70, e ali considerando as mesmas deduções informadas na DIPJ, a autoridade lançadora determinou os valores exigíveis a titulo de IRPJ e CSLL, como a seguir demonstrado, comparativamente com as informações prestadas pela contribuinte em DIPJ: Asshacio c 3010412011 pot &Dal pr...y.RDRAucssA, 32;00/201i pc,a. FRANCISCO Di SALES 14 RO DE .:019, 14/2;YI Er,'.rodo ern ;FAo f.)14 CAR MF . 7 Processo n° 13433.000333/2005-11 SI -C1T1 Accircido n.° 1101 -00.447 Fl. 497 I° trimestre/2003 3 0 trimestre/2003 Lançamento DIPJ Lançamento DIPJ Receita Operacional Bruta 2.195.002,40 2.192.632,40 1.790.884,30 1.789.139,02 Deduções (1.384,65) (1.384,65) (1.145,13) (1.145,13) Vendas Canceladas (540,00) (540,00) Receita Operacional Liquida 2.193.617,75 2.191.247,75 1.789.199,17 1.787.453,89 Custos dos Produtos Vendidos (1.597.536,45) (1.597.536,45) (945.577,39) (945.577,39) Lucro Bruto 596.081,30 593.711,30 843.621.78 841.876,50 Despesas/Receitas Operacionais (365.584,61) (363.214,61) (421.873,22) (420.127,94) Resultado 230.496,69 230.496,69 421.748,56 421.748,56 Prejuízos Compensar (69.149,00) (69.149,00) (126.524.56) (126.524,56) BCN Compensar _ - - - Lucro Tributável 161.347,69 161.347,69 295.224,00 295.224,00 1RPJ - 15% 24.202,15 24.202,15 44.283,60 44.283,60 Adicional - 10% 10.134,77 - 23.522,40 - CSLL 9% 14.521,29 14.521,29 26.570,16 26.570,16 Redução Incent. 75% • 1RPJ a recolher 8.584,23 6.050,54 16.951,50 11.070,90 Redução por Reinvestimento (6.050,54) (11.070,90) CSLL a recolher 14.521,29 14.521,29 26.570,16 26.570,16 Recup. Cred. (art. 8° da MP 1807/99) (14.521,29) (26.570,16) Corno se pode observar, a autoridade lançadora apura lucro tributável idêntico ao informado pela contribuinte em sua DIPJ. Embora constatando receita operacional bruta superior à declarada pela contribuinte, a diferença deixa de existir em razão do cômputo da diferença no grupo de despesas/receitas operacionais. Assim, de fato, como alega a contribuinte, não houve exclusão de receitas da base tributável do IRPJ e da CSLL. Em verdade, o demonstrativo acima evidencia outras divergências entre a apuração da fiscalização e da contribuinte, as quais se resumem ao adicional de IRPJ e As deduções de redução por reinvestimento, no âmbito do IRPJ e de créditos autorizados pelo art. 8 ° da Medida Provisória n° 1.807/99, no âmbito da CSLL. Relativamente ao adicional de IRPJ, correto está o cálculo da autoridade lançadora, consoante dispõe o Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto n° 3.000/99 — RIR/99: Art. 542. A parcela do lucro real, presumido ou arbitrado que exceder o valor resultante da multiplicação de vinte mil reais pelo número de meses do respectivo período de apuração, sujeita-se a incidência de adicional de imposto a aliquota de dez por cento (Lei n°9.249, de 1995, art. 3°, § 1', e Lei n°9.430, de 1996, art. 4°). AssinoJo ;'' RO O. ::(fl104/20 . 11 per EIDELI P2 LI 7 anilido em 03/0Wk01 I -17 Processo n° 13433.000333/2005-1 I Si-C1T1 Acárddo n.° 1101-00.447 Fl. 498 ,sç 1° 0 disposto neste artigo aplica-se, inclusive, nos casos de incorporação, fusão ou cisão e de extinção da pessoa jurídica pelo encerramento da liquidação (Lei n° 9.249, de 1995, art. 3°„sç 2°, e Lei n° 9.430, de 1996, art. 4°, § 2°). ,sç 2° 0 disposto aplica-se, igualmente, a pessoa jurídica que explore atividade rural de que trata a Lei n°8.023, de 1990 (Lei n°9.249, de 1995, art. 3°, § 3°). 6S. 3° Na hipótese do art. 222, a parcela da base de calculo, apurada mensalmente, que exceder a vinte mil reais, está sujeita a incidência de adicional de que trata este artigo (Lei n°9.430, de 1996, art. 2°, § 2°). § 4° 0 adicional será pago juntamente coin o imposto de que trata o art. 541 (Decreto-Lei n°1.967, de 1982, art. 24, § 3°). Art. 543. 0 valor do adicional de que trata este Subtítulo sera recolhido integralmente como receita da União, não sendo permitidas quaisquer deduções (Lei n°9.249, de 1995, art. 3°, ,sç 4°, e Lei n°9.718, de 1998, art. 8°, § 1'). Relevante observar que, embora o art. 543 do R1R199 vede a redução do adicional em razão de deduções, os arts. 546 e 547 do mesmo Regulamento, ao tratarem dos incentivos no âmbito da SUDENE, assim dispõem: Novos Empreendimentos Art. 546. As pessoas jurídicas que tiverem projetos aprovados ou protocolizados até 14 de novembro de 1997, na Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste - SUDENE, relativamente a instalação de empreendimentos industriais ou agrícolas nu área de sua atuação, ficarão isentas do imposto e adicionais não restituiveis incidentes sobre o lucro da exploração (art. 544) do empreendimento, pelo prazo de dez anos a contar do período de apuração em que o empreendimento entrar em fase de operação (Lei n°4.239, de 27 de junho de 1963, art. 13, Decreto-Lei n°1.564, de 29 de julho de 1977, art. 1°, Decreto-Lei n°1.598, de 1977, art. 19, § I°, alínea "a ", Decreto-Lei n° 1.730, de 1979, art. 1°, inciso I, Lei n° 7.450, de 1985, art. 59, Decreto-Lei n°2.454, de 19 de agosto de 1988, art. I°, Lei n°8.874, de 29 de abril de 1994, art. 1°, e Lei n° 9.532, de 1997, art. 3°, § 1°). § I° A fruição da isenção fica condicionada à observância, pela empresa beneficiaria, dos dispositivos da legislação trabalhista e social e das normas de proteção e controle do meio ambiente, podendo a SUDENE, a qualquer tempo, verificar o cumprimento do disposto neste parágrafo. § 2° A SUDENE expedirá laudo constitutivo do beneficio referido neste artigo (Decreto-Lei n°1.564, de 1977, art. 3°, parágrafo único). § Não se consideram empreendimentos novos, para efeito do beneficio de que trata este artigo, os resultantes da alteração de razão ou de denominação social, transformação ou fusão de empresas existentes. § 4" Para os projetos aprovados a partir de 1" de janeiro de 1998, nas condições deste artigo e demais normas pertinentes, as pessoas jurídicas pagarão o imposto e adicionais não restituíveis, sobre o lucro da exploração (art. 544), com as reduções a seguir indicadas (Lei n°9.532, de 1997, art. 3°): I- setenta e cinco por cento, a partir de 1"de janeiro de 1998 até 31 de dezembro de 2003; II - cinqüenta por cento, a partir de 1° de janeiro de 2004 até 31 de dezembro de 2008; Assir RO DE Auteticm Etntido e -n 30/04/2011 poc RA EESSA, 02;03/2Ü 1 'I per CALES 'T.: 1 - e Et -yiEL1 P/IIA\ LA/SA 8 Fl. 9 Processo n° 13433.000333/2005-11 SI-C1T1 Acórao n." 1101-00.447 Fl. 499 III - vinte e cinco por cento, a partir de 1° de janeiro de 2009 até 31 de dezembro de 2013. § 5° Fica extinto, relativamente aos períodos de apuração encerrados a partir de 10 de janeiro de 2014, o benefício fiscal de que !alto este artigo (Lei n°9.532, de 1997, art. 3', § 3°). Projetos de Modernização, Ampliação ou Diversificação Art. 547. As pessoas jurídicas que tiverem projetos aprovados ou protocolizados ate 14 de novembro de 1997, na SUDENE, relativamente a modernização, ampliação ou diversificação de empreendimentos industriais ou agrícolas na área de sua atuação, ficarão isentas do imposto e adicionais não restituiveis incidentes sobre os resultados adicionais por eles criados, pelo prazo de dez anos a contar do período de apuração em que o projeto de modernização, ampliação ou diversificação entrar em fase de operação, segundo laudo constitutivo expedido pela SUDENE (Lei n° 4.239, de 1963, art. 13, Decreto-Lei n ° 1.564, de 1977, art. 1°, Decreto-Lei n° 2.454, de 1988, art. 1°, Lei n°7.450, de 1985, art. 59, e § 1 0, Lei n°8.874, de 1994, art. 1°, e Lei n°9.532, de 1997, art. 3°, ,sS 1°). § 1° Os projetos de modernização, ampliação ou diversificação somente poderão ser contemplados com a isenção prevista neste artigo quando acarretarem, pelo menos, cinqüenta por cento de aumento da capacidade instalada do respectivo empreendimento (Decreto-Lei n°1.564, de 1977, art. 1°, § 1°). § 2° Na hipótese prevista no parágrafo anterior, a Secretaria Executiva da SUDENE expedirá laudo técnico atestando a equivalência percentual do acréscimo da capacidade instalada (Decreto-Lei n° 1.564, de 1977, art. 1°, § 2°). § 3° A isenção concedida para projetos de modernização, ampliação ou diversificação não atribui ou amplia beneficios a resultados correspondentes et produção anterior (Decreto-Lei n° 1.564, de 1977, art. 1°, § 3°). § 4" 0 lucro isento será determinado mediante a aplicação, sobre o lucro da exploração (art. 544) do empreendimento, de percentagem igual et relação, no mesmo período de apuração, entre a receita liquida de vencias da produção criada pelo projeto e o total da receita liquida de vendas do empreendimento (Decreto -Lei n ° 1.564, de 1977, art. 1 °, § 4 °, Decreto-Lei n°1.598, de 1977, art. 19, § 1°, alínea " a ", e Decreto-Lei n° 1.730, de 1979, art. 1°, inciso 1). ,sS' 5' A fruição da isenção fica condicionada à observância, pela empresa beneficiária, dos dispositivos da legislação trabalhista e social e das normas de proteção e controle do meio ambiente, podendo a SUDENE, a qualquer tempo, verificar o cumprimento do disposto neste parágrafo. ,sç 6° Para os projetos aprovados a partir de 1° de janeiro de 1998, nas condições deste artigo e demais normas pertinentes, as pessoas jurídicas pagarão o imposto e adicionais não restituiveis, sobre o lucro da exploração (art. 544), coin as reduções a seguir indicadas (Lei n° 9.532, de 1997, art. 3°): I - setenta e cinco por cento, a partir de I° de janeiro de 1998 até 31 de dezembro de 2003; 11 - cinqüenta por cento, a partir de I° de janeiro de 2004 até 31 de dezembro de 2008; iii - vinte e cinco por cento, a partir de 1° de janeiro de 2009 até 31 de dezembro de 2013. § 7° Fica extinto, relativamente aos períodos de apuração encerrados a parfir de 1° de janeiro de 2014, o beneficio fiscal de que trata este artigo (Lei n°9.532, de 1997, art. 3', § 3°). (negrejou-se) Assinado dijEn em 30/04/2911 por viu PEREIRA BESSA, 02/05/2011 por FR,A!'40iScO DE. SAI ES RDE:i RO 9 Autonticaeo cn' 30f0,./201 EDELI 73REIRA E3SSA En otido em 03/0612011 pA D da E.Yr CA isz IVIE o Processo n° 13433.000333/2005-11 SI-CIT1 Acórdão n.° 1101-00.447 Fl. 500 A autoridade lançadora não fez qualquer reparo A. fruição, pela contribuinte, da redução de 75% do imposto de renda total devido, a qual possivelmente esta fundamentada em um dos dispositivos antes transcritos, tendo em conta que a contribuinte exerce a atividade de criação de camarões em Mossorõ/RN. De outro lado, a contribuinte nada esclareceu quanto ao fato de não ter calculado o adicional devido no 1 0 e no 3 ° trimestres/2003, subsistindo seu cômputo no cálculo pela autoridade fiscal. Já com referência à redução por reinvestimento, trata-se de outro incentivo também previsto no RIR/99: Art. 612. As empresas que tenham empreendimentos industriais e agro-industriais, inclusive os de construção civil, em operação nas areas de atuação da SUDENE e da SUDAM poderão depositor no Banco do Nordeste do Brasil S/A e no Banco da Amazônia S/A, respectivamente, para reinvestimento, os percentuais a seguir indicados, do imposto devido pelos referidos empreendimentos, calculados sobre o lucro da exploração (art. 544), acrescidos de cinqüenta por cento c/c recursos próprios, ficando, porém, a liberação desses recursos condicionada a aprovação, pelas Agências do Desenvolvimento Regional, dos respectivos projetos técnicos CC0176177/COS de modernização ou complementagCto de equipamento (Lei n°8.167, de 1991, arts. 1°, inciso II, 19 e 23, Lei n° 8.191, de 1991, art. 4°, e Lei n°9.532, de 1997, art. 2°): I - trinta por cento, relativamente aos períodos de apuração encerrados a partir de I° de janeiro de 1998 até 31 de dezembro de 2003; II - vinte por cento, relativamente aos períodos de apuração encerrados a partir de 1° de janeiro de 2004 até 31 de dezembro de 2008; III - dez por cento, relativamente aos períodos de apuração encerrados a partir de 1° de janeiro de 2009 até 31 de dezembro de 2013. § 1° 0 depósito referido neste artigo deverá ser efetuado no mestizo prazo fixado para pagamento do imposto. § 2° As parcelas não depositadas até o Ultimo dia útil do ano-calendário subseqüente ao de apuração do lucro real correspondente serão recolhidas como imposto. § 3° Em qualquer caso, a inobserváncia do prazo importará recolhimento dos encargos legais como receita da § 4° Na hipótese de o projeto não ser aprovado, caberá ao banco operador devolver empresa depositante a parcela de recursos próprios e recolher à União o valor depositado como incentivo (Lei n° 8.167, de 1991, art. 19, § 3°). § 5° 0 incentivo deste artigo não pode ser usufruído cumulativamente com outro idêntico, salvo quando expressamente autorizado em lei (Lei n°8.191, de 1991, art. 5°). § 6° Fica extinto, relativamente ao períodos de apuração encerrados a partir de 1° de janeiro de 2014, o beneficio fiscal de que trata este artigo (Lei n°9.532, de 1997, art. 2', § 2°). A autoridade lançadora, porém, não expressou qualquer motivação para desconsiderar, em seus cálculos, as reduções de R$ 6.050,54 e R$ 11.070,90 computadas pela contribuinte em sua D1PJ. De outro lado, a contribuinte também nada alegou no sentido de que estes valores deveriam ser reajustados em razão do cômputo do adicional no IRPJ total devido, até porque a redução esta vinculada à opção por reinvestimento, além de ser determinada mediante aplicação de percentual sobre o imposto devido calculado sobre o lucro da exploração, não sendo possível afirmar sua variação na mesma proporção do IRPJ total devido. 01041201 I pc.t• 'EDE.1..1 PEE.iA BF "6;A : C2f0612.011 i';,ANCIS (,0 DE SALES RISE) RO Auienticacio dRa erT. 0? ;;).O12. sC;().1120 . 1 .1 F.,ur EI)Eij BES3/., (13 10 DF (.7,A F4 Fl. Processo II' 13433.000333/2005-11 Si -CIT1 Acórdão ri.0 1101-00.447 Fl. 501 Com referência à dedução de créditos na apuração da CSLL, foi ela, de fato, prevista na Medida Provisória n° 1.807/99: Art. tr As pessoas jurídicas referidas no art, lo, que tiverem base de cálculo negativa e valores adicionados, temporariamente, ao lucro liquido, para efeito de apuração da base de cálculo da CSLL, correspondentes a períodos de apuração encerrados até 31 de dezembro de 1998, poderão optar por escriturar, em seu ativo, como crédito compensável com débitos da mesma contribuição, o valor equivalente a dezoito por cento da soma daquelas parcelas. § I" A pessoa jurídica que optar pela forma prevista neste artigo não poderá computar os valores que serviram de base de calculo do referido crédito na determinação da base de cálculo da CSLL correspondente a qualquer período de apuração posterior a 31 de dezembro de 1998. § 2° A compensação do crédito a que se refere este artigo somente poderá ser efetuada coin até trinta por cento do saldo da CSLL remanescente, em cada período de apuração, após a compensação de que trata o art. 8o da Lei No 9.718, de 1998, não sendo admitida, em qualquer hipótese, a restituição de seu valor ou sua compensação com outros tributos ou contribuiçães, observadas as normas expedidas pela Secretaria da Receita Federal do Ministério da Fazenda. sr 3" 0 direito a compensação de que trata o parágrafo anterior limita-se, exclusivamente, ao valor original do crédito, não sendo admitido o acréscimo de qualquer valor a titulo de atualização monetária ou de juros. Assim, também aqui, sem uma motivação especifica, não subsiste a exigência de crédito tributário decorrente da desconsideração da referida redução. Por estas razões, as exigências de CSLL devem ser integralmente canceladas, e as exigências de IRPJ reduzidas em R$ 6.050,54 e R$ 11.070,90, respectivamente, no 10 e 3 ° trimestres/2003. Diante do exposto, o presente voto é no sentido de DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário. EDELL PEREIRA BESSA — Relatora As-i,ina60 dig RO DE Autenticado drc tELl PEEI A nt:-., " A II E./1111x° em 03/0312C1
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Numero do processo: 35226.004095/2006-74
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 10 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Feb 10 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/07/2001 a 31/12/2002
Ementa:
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. FALTA DE CIÊNCIA SOBRE O RESULTADO DE DILIGÊNCIA E DOCUMENTOS JUNTADOS PELO FISCO.
A ciência ao contribuinte do resultado da diligência é uma exigência jurídico procedimental, dela não se podendo desvincular, sob pena de anulação da decisão administrativa por cerceamento do direito de defesa. Com efeito, este entendimento encontra amparo no Decreto nº 70.235/72 que, ao tratar das nulidades, deixa claro no inciso II, do artigo 59, que são nulas as decisões proferidas com a preterição do direito de defesa.
Decisão Recorrida Nula
Numero da decisão: 2302-000.826
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em anular a decisão de primeira instância, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Nome do relator: Liege Lacroix Thomasi
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ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/07/2001 a 31/12/2002 Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. FALTA DE CIÊNCIA SOBRE O RESULTADO DE DILIGÊNCIA E DOCUMENTOS JUNTADOS PELO FISCO. A ciência ao contribuinte do resultado da diligência é uma exigência jurídico procedimental, dela não se podendo desvincular, sob pena de anulação da decisão administrativa por cerceamento do direito de defesa. Com efeito, este entendimento encontra amparo no Decreto nº 70.235/72 que, ao tratar das nulidades, deixa claro no inciso II, do artigo 59, que são nulas as decisões proferidas com a preterição do direito de defesa. Decisão Recorrida Nula
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CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. FALTA DE CIÊNCIA SOBRE O RESULTADO DE DILIGÊNCIA E DOCUMENTOS JUNTADOS PELO FISCO. A ciência ao contribuinte do resultado da diligência é uma exigência jurídico procedimental, dela não se podendo desvincular, sob pena de anulação da decisão administrativa por cerceamento do direito de defesa. Com efeito, este entendimento encontra amparo no Decreto nº 70.235/72 que, ao tratar das nulidades, deixa claro no inciso II, do artigo 59, que são nulas as decisões proferidas com a preterição do direito de defesa. Decisão Recorrida Nula Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em anular a decisão de primeira instância, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Marco Andre Ramos Vieira Presidente. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 06/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/03/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI Assinado digitalmente em 22/03/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, 26/03/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEI RA 2 Liege Lacroix Thomasi Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Andre Ramos Vieira (Presidente), Liege Lacroix Thomasi, Arlindo da Costa e Silva, Thiago D’ Ávila Melo Fernandes,Manoel Coelho Arruda Junior, Adriana Sato Fl. 2DF CARF MF Emitido em 06/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/03/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI Assinado digitalmente em 22/03/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, 26/03/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEI RA Processo nº 35226.004095/200674 Acórdão n.º 230200.826 S2C3T2 Fl. 466 3 Relatório Trata a notificação, lavrada em 30/06/2003, de contribuições previdenciárias incidentes sobre as remunerações não declaradas em GFIP, pagas aos servidores municipais, aos contribuintes individuais, aos agentes políticos e a segurados que foram considerados empregados, tudo no período de 07/2001 a 12/2002. O relatório fiscal de fls. 56/59, diz que alguns segurados recebiam valores através de recibos e preenchiam as condições inerentes a de uma relação de emprego, sendo que lista em planilhas de fls. 60/65, por competência, o nome do segurado, a atividade desenvolvida e o valor pago. Após a apresentação de defesa os autos baixaram em diligência para saneamento quanto à nomenclatura do sujeito passivo, devendo constar Município de Alto Longa – Prefeitura Municipal ao invés de Prefeitura Municipal de Alto Longa. Sanada a irregularidade, fls. 363/401, foi reaberto o prazo de defesa, a notificada se pronunciou e nova diligência foi solicitada para que restasse evidenciados os valores relativos aos ocupantes de cargo eletivo, a fim de serem excluídos da notificação em face da inconstitucionalidade da exação. O fisco também deveria se pronunciar acerca da não dedução do saláriofamília, já que a notificada juntou documentos para comprovar o pagamento do benefício. Em resposta à diligência solicitada, fl. 417, a fiscalização diz da impossibilidade da separação dos valores, pois o levantamento FP4 engloba a remuneração dos empregados e agentes políticos, devendo, então, ser totalmente excluído e posteriormente lançada a remuneração dos segurados empregados em outra notificação, mediante novo Mandado de Procedimento Fiscal – MPF. Quanto ao saláriofamília, diz que correspondia apenas aos segurados empregados e , portanto, também deve ser excluído. DecisãoNotificação de fls. 424/431, julgou o lançamento procedente em parte. Inconformado, o contribuinte apresentou recurso tempestivo onde alega em síntese: a) que devem ser considerados os documentos apresentados relativos ao saláriofamília e deduzidas as parcelas pagas do débito; b) que não recolheu a contribuição para autônomos porque é ilegal a equiparação do município com empresa; c) a inconstitucionalidade do § 13º da Emenda Constitucional n.º 20; d) a ilegalidade da SELIC. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 06/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/03/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI Assinado digitalmente em 22/03/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, 26/03/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEI RA 4 Requer a anulação da notificação ou que seja refeita para deduzir os valores de saláriofamília, a exclusão dos juros com base na SELIC e a emissão de novo relatório para apurar os valores devidos. A DRP ofereceu as contrarrazões pela manutenção da decisão recorrida. É o relatório. Fl. 4DF CARF MF Emitido em 06/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/03/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI Assinado digitalmente em 22/03/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, 26/03/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEI RA Processo nº 35226.004095/200674 Acórdão n.º 230200.826 S2C3T2 Fl. 467 5 Voto Conselheiro Liege Lacroix Thomasi Sendo tempestivo, conheço do recurso e passo ao seu exame. Da Preliminar Analisando os autos verifiquei que não há provas de que a notificada tenha sido cientificada do resultado da diligência de fls.417, cuja resposta importou em retificação parcial do débito. A DecisãoNotificação pugnou pela procedência em parte do lançamento, sem a possibilidade do contraditório em relação à diligência fiscal. A impossibilidade de conhecimento dos fatos elencados pelo Auditor Fiscal ocasionou a supressão de instância. O recorrente possui o direito de apresentar suas contra razões aos fatos apontados pela fiscalização ainda na primeira instância administrativa. Da forma como foi realizado o procedimento, o direito do contribuinte ao contraditório foi conferido somente em grau de recurso. Há vários precedentes deste órgão colegiado neste sentido. Transcrevo a ementa do Acórdão nº 10515982 (relator Conselheiro Daniel Sahagoff; data da sessão 20/09/2006), verbis: CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA CONTRIBUINTE NÃO TOMOU CIÊNCIA DO RESULTADO DA DILIGÊNCIA A ciência ao contribuinte do resultado da diligência é uma exigência jurídicoprocedimental, dela não se podendo desvincular, sob pena de anulação do processo, por cerceamento ao seu direito de defesa. Necessidade de retorno dos autos à instância originária para que se dê ciência ao contribuinte do resultado da diligência, concedendolhe o prazo regulamentar para, se assim o desejar, apresentar manifestação. Recurso provido. E a ampla defesa, assegurada constitucionalmente aos contribuintes, deve ser observada no processo administrativo fiscal. A propósito do tema, é salutar a adoção dos ensinamentos de Sandro Luiz Nunes que, em seu trabalho intitulado Processo Administrativo Tributário no Município de Florianópolis, esclarece de forma precisa e cristalina: A ampla defesa deve ser observada no processo administrativo, sob pena de nulidade deste. Manifestase mediante o oferecimento de oportunidade ao sujeito passivo para que este, querendo, possa oporse a pretensão do fisco, fazendose serem conhecidas e apreciadas todas as suas alegações de caráter processual e material, bem como as provas com que pretende provar as suas alegações. Fl. 5DF CARF MF Emitido em 06/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/03/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI Assinado digitalmente em 22/03/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, 26/03/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEI RA 6 De fato, este entendimento também foi plasmado no Decreto nº 70.235/72 que, ao tratar das nulidades, deixa claro no inciso II, do artigo 59, que são nulas as decisões proferidas com a preterição do direito de defesa. Feitas estas considerações, entendo que a decisão recorrida deve ser anulada, uma vez que prolatada sem que o contribuinte tivesse a oportunidade de se manifestar, regularmente, em relação à informação fiscal carreada aos autos pelo fisco. Pelo princípio constitucional do contraditório, é facultado à parte manifestar sua posição sobre fatos trazidos ao processo pela outra parte vez que tomando conhecimento dos atos processuais, pode, se desejar, reagir contra os mesmos. Inseremse no princípio do contraditório a chamada regra da informação geral e também a regra da ouvida dos sujeitos ou audiência das partes. O princípio do contraditório é de índole constitucional, devendo ser observado inclusive em processos administrativos, consoante art. 5°, LV, da Constituição Federal vigente. Art. 5°, LV aos litigantes, em processo judicial ou administrativo, e aos acusados em geral são assegurados o contraditório e ampla defesa, com os meios e recursos a ela inerentes; Foi contemplado também no art. 2º, caput e parágrafo único, inciso X, da Lei nº 9.784/99, abaixo transcrito: Lei n° 9.784/99, art. 2° A Administração Pública obedecerá, dentre outros, aos princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência. Parágrafo único. Nos processos administrativos serão observados, entre outros, os critérios de: (...) X garantia dos direitos à comunicação, à apresentação de alegações finais, à produção de provas e à interposição de recursos, nos processos de que possam resultar sanções e nas situações de litígio; (grifo nosso) Nesse sentido, entendo que a decisão proferida é nula, por cerceamento ao direito de defesa, com fulcro no art. 31, II, da Portaria MPS n° 520/2004, abaixo transcrito. Art. 31. São nulos: (...) II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa; Por todo o exposto, voto pela anulação da decisão de primeira instância. devendo ser conferida ciência ao recorrente do resultado da diligência fiscal e do Discriminativo do Débito Retificado, abrindolhes prazo para manifestação. Fl. 6DF CARF MF Emitido em 06/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/03/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI Assinado digitalmente em 22/03/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, 26/03/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEI RA Processo nº 35226.004095/200674 Acórdão n.º 230200.826 S2C3T2 Fl. 468 7 Liege Lacroix Thomasi Relator Fl. 7DF CARF MF Emitido em 06/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/03/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI Assinado digitalmente em 22/03/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, 26/03/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEI RA
score : 1.0
Numero do processo: 10183.000286/2003-37
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Feb 28 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Mon Feb 28 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI
Período de apuração: 01/10/2002 a 31/12/2002
Ementa:
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO ACOLHIDOS COM EFEITOS INFRINGENTES, A FIM DE RERATIFICAR O ACÓRDÃO Nº 210100.180, PASSANDO A TER A SEGUINTE EMENTA E DECISÓRIO:
“PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE. PROCESSO ADMINISTRATIVO.
Não se aplica a prescrição intercorrente no processo
administrativo fiscal. (Súmula nº 7 do 2º Conselho de
Contribuintes).
DECLARAÇÃO DE INAPTIDÃO. EFEITOS TRIBUTÁRIOS EM RELAÇÃO A TERCEIROS INTERESSADOS. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DA OPERAÇÃO. Nos termos do art. 82, parágrafo único da Lei nº 9.430/96, a declaração de inaptidão não produzirá efeitos tributários em favor de terceiros interessados, exceto na hipótese de o adquirente comprovar a efetivação da operação.
EXPORTAÇÃO DE PRODUTOS NÃO SUBMETIDOS A
PROCESSO DE INDUSTRIALIZAÇÃO.
Não gera direito ao crédito presumido de IPI, nos termos do art.
1º da Lei nº 9.363/96, a produção e exportação de produtos
nacionais não submetidos a processo produtivo de
industrialização.
MULTA. VALORES DECLARADOS. Impossibilidade de
cobrança da multa de ofício sobre débitos declarados em DCTF.
Recurso Parcialmente Provido.
Embargos de Declaração acolhidos e providos.
Numero da decisão: 3301-000.815
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração para retificar o acórdão nº 210100180, com efeitos infringentes, e prover parcialmente o recurso, a fim tão somente excluir a multa de ofício sobre débitos
declarados em DECTF, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado, negando provimento em relação ao aproveitamento do crédito presumido de IPI reclamado no recurso.
Matéria: IPI- processos NT- créd.presumido ressarc PIS e COFINS
Nome do relator: ANTONIO LISBOA CARDOSO
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PROCESSO ADMINISTRATIVO. Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal. (Súmula nº 7 do 2º Conselho de Contribuintes). DECLARAÇÃO DE INAPTIDÃO. EFEITOS TRIBUTÁRIOS EM RELAÇÃO A TERCEIROS INTERESSADOS. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DA OPERAÇÃO. Nos termos do art. 82, parágrafo único da Lei nº 9.430/96, a declaração de inaptidão não produzirá efeitos tributários em favor de terceiros interessados, exceto na hipótese de o adquirente comprovar a efetivação da operação. EXPORTAÇÃO DE PRODUTOS NÃO SUBMETIDOS A PROCESSO DE INDUSTRIALIZAÇÃO. Não gera direito ao crédito presumido de IPI, nos termos do art. 1º da Lei nº 9.363/96, a produção e exportação de produtos nacionais não submetidos a processo produtivo de industrialização. MULTA. VALORES DECLARADOS. Impossibilidade de cobrança da multa de ofício sobre débitos declarados em DCTF. Recurso Parcialmente Provido.” Fl. 1DF CARF MF Emitido em 10/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/04/2011 por ANTONIO LISBOA CARDOSO Assinado digitalmente em 05/08/2011 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, 08/06/2011 por RODRIGO DA COSTA POSS AS 2 Embargos de Declaração acolhidos e providos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração para retificar o acórdão nº 210100180, com efeitos infringentes, e prover parcialmente o recurso, a fim tão somente excluir a multa de ofício sobre débitos declarados em DECTF, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado, negando provimento em relação ao aproveitamento do crédito presumido de IPI reclamado no recurso. RODRIGO DA COSTA PÔSSAS Presidente. ANTÔNIO LISBOA CARDOSO Relator. EDITADO EM: 26/04/2011 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio Lisboa Cardoso, José Adão Vitorino de Morais, Maurício Taveira e Silva, Maria Teresa Martínez López e Rodrigo da Costa Pôssas. Ausente o Conselheiro Rodrigo Pereira de Mello. Relatório Cuidase de embargos de declaração opostos pela Procuradoria da Fazenda Nacional em face do acórdão nº 210100.180 (fls. 337/349) prolatado na sessão de 3 de junho de 2009, cuja ementa é a seguir reproduzida: “Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Período de apuração: 01/10/2002 a 31/12/2002 Ementa: PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE. PROCESSO ADMINISTRATIVO. Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal. (Súmula nº 7 do 2º Conselho de Contribuintes). DECLARAÇÃO DE INAPTIDÃO. EFEITOS TRIBUTÁRIOS EM RELAÇÃO A TERCEIROS INTERESSADOS. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DA OPERAÇÃO. Nos termos do art. 82, parágrafo único da Lei nº 9.430/96, a declaração de inaptidão não produzirá efeitos tributários em favor de terceiros Fl. 2DF CARF MF Emitido em 10/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/04/2011 por ANTONIO LISBOA CARDOSO Assinado digitalmente em 05/08/2011 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, 08/06/2011 por RODRIGO DA COSTA POSS AS Processo nº 10183.000286/200337 Acórdão n.º 330100.815 S3C3T1 Fl. 2 3 interessados, exceto na hipótese de o adquirente comprovar a efetivação da operação. CRÉDITO PRESUMIDO. INSUMOS ADQUIRIDOS DE NÃO CONTRIBUINTES. Excluise da base de cálculo do crédito presumido de IPI as aquisições de insumos que não sofreram incidência das contribuições do PIS e Cofins. EXPORTAÇÃO DE PRODUTOS NÃO SUBMETIDOS A PROCESSO DE INDUSTRIALIZAÇÃO. Não gera direito ao crédito presumido de IPI, nos termos do art. 1º da Lei nº 9.363/96, a produção e exportação de produtos nacionais não submetidos a processo produtivo de industrialização. MULTA. VALORES DECLARADOS. Impossibilidade de cobrança da multa de ofício sobre débitos declarados em DCTF. Recurso Parcialmente Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, ACORDAM os membros da 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada. No mérito: 1 – Por maioria de votos, em negar provimento ao recurso relativamente aos insumos adquiridos de pessoa física, vencidos os Conselheiros Antônio Lisboa Cardoso (Relator), Ivan Allegretti (Suplente) e Maria Teresa Martinez López. Designado o Conselheiro Antônio Carlos Atulim para redigir o voto vencedor. 2 – Por unanimidade de votos, excluir a multa de ofício exigida.” De acordo com os embargos, o acórdão embargado incluiu matéria estranha ao processo, qual seja, o aproveitamento de insumos decorrentes de aquisições de pessoas físicas e cooperativas. Ensejando a necessidade de constar expressamente a negativa de provimento ao recurso voluntário no que tange ao pedido de retificação da glosa realizada pela autoridade fiscal referente às aquisições de empresas sem atividade junto à SRF, por não estarem comprovadas as respectivas operações com empresas inaptas, e, neste caso, haveria respaldo para incluir o entendimento de que sequer as aquisições de pessoas físicas vinculadas a tais empresas poderiam ser aceitas. Outro ponto que deixou de ser registrado claramente no decisório, se refere à negativa de provimento ao recurso voluntário no tocante às aquisições de produtos destinados à revenda, que não foram submetidas a qualquer processo de industrialização. É o relatório. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 10/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/04/2011 por ANTONIO LISBOA CARDOSO Assinado digitalmente em 05/08/2011 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, 08/06/2011 por RODRIGO DA COSTA POSS AS 4 Voto Conselheiro Antônio Lisboa Cardoso Os embargos merecem ser acolhidos, porquanto tempestivamente apresentado e apontada a contradição/omissão no acórdão embargado. De fato merece ser acolhido e provido o embargo, vez que as glosas discutidas nos presentes autos decorreram exclusivamente do fato de trataremse de produtos adquiridos de pessoas jurídicas inaptas, com situação irregular perante à Secretaria da Receita Federal do Brasil, bem como das aquisições de produtos “in natura” não submetidos a qualquer processo de industrialização. Por outro lado, ainda que o processo tratasse também de glosas decorrentes de aquisições de não contribuintes (pessoas físicas/cooperativas), o assunto teria sido definitivamente negado pelo acórdão embargado, conforme frisa o voto vencedor, cuja divergência teria sido somente em relação a esse ponto. Desta forma, voto no sentido de acolher os embargos de declaração, a fim de reratificar o acórdão nº 210100.180, prolatado na sessão de 3 de junho de 2009, a fim de que conste expressamente do dispositivo os pontos em que a recorrente logrou êxito em seu recurso bem como os que lhe foram negados, excluindo a fundamentação, ementa e decisório, as referências aos insumos adquiridos de não contribuintes do PIS/COFINS, passando a ementa e decisório ter a seguinte redação: “Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Período de apuração: 01/10/2002 a 31/12/2002 Ementa: PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE. PROCESSO ADMINISTRATIVO. Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal. (Súmula nº 7 do 2º Conselho de Contribuintes). DECLARAÇÃO DE INAPTIDÃO. EFEITOS TRIBUTÁRIOS EM RELAÇÃO A TERCEIROS INTERESSADOS. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DA OPERAÇÃO. Nos termos do art. 82, parágrafo único da Lei nº 9.430/96, a declaração de inaptidão não produzirá efeitos tributários em favor de terceiros interessados, exceto na hipótese de o adquirente comprovar a efetivação da operação. EXPORTAÇÃO DE PRODUTOS NÃO SUBMETIDOS A PROCESSO DE INDUSTRIALIZAÇÃO. Não gera direito ao crédito presumido de IPI, nos termos do art. 1º da Lei nº 9.363/96, a produção e exportação de produtos nacionais não submetidos a processo produtivo de industrialização. Fl. 4DF CARF MF Emitido em 10/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/04/2011 por ANTONIO LISBOA CARDOSO Assinado digitalmente em 05/08/2011 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, 08/06/2011 por RODRIGO DA COSTA POSS AS Processo nº 10183.000286/200337 Acórdão n.º 330100.815 S3C3T1 Fl. 3 5 MULTA. VALORES DECLARADOS. Impossibilidade de cobrança da multa de ofício sobre débitos declarados em DCTF. Recurso Parcialmente Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACÓRDÃO os membros da 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada. No mérito, por unanimidade de votos: 1 – negar provimento ao recurso em relação aos insumos decorrentes de aquisições de pessoas jurídicas com situação irregular (empresas inaptas) e os decorrentes de produtos exportados não submetidos a processo de industrialização. 2 – Dar provimento para excluir a multa de ofício exigida.” Antônio Lisboa Cardoso Relator Fl. 5DF CARF MF Emitido em 10/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/04/2011 por ANTONIO LISBOA CARDOSO Assinado digitalmente em 05/08/2011 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, 08/06/2011 por RODRIGO DA COSTA POSS AS
score : 1.0
Numero do processo: 10814.006090/2005-44
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu May 05 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu May 05 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO - II
Data do fato gerador: 19/10/2000
ISENÇÃO DE CARÁTER SUBJETIVO. EXIGÊNCIAS.
Na vigência da Lei n° 9.069, de 1995, o reconhecimento de qualquer incentivo ou beneficio fiscal, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal fica condicionada à comprovação pelo contribuinte, pessoa física ou jurídica, da quitação de tributos e contribuições federais. Não comprovada tal regularidade, afasta-se o beneficio.
MOMENTO DO RECONHECIMENTO
Em consonância com o art. 179 do CTN, a isenção em caráter especial é reconhecida a cada fato gerador, mediante aquiescência da autoridade tributária competente.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3102-01.010
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho, Wilson Sampaio Sahade Filho e Nanci Gama, que davam provimento.
Nome do relator: Luis Marcelo Guerra de Castro
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO - II Data do fato gerador: 19/10/2000 ISENÇÃO DE CARÁTER SUBJETIVO. EXIGÊNCIAS. Na vigência da Lei n° 9.069, de 1995, o reconhecimento de qualquer incentivo ou beneficio fiscal, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal fica condicionada à comprovação pelo contribuinte, pessoa física ou jurídica, da quitação de tributos e contribuições federais. Não comprovada tal regularidade, afasta-se o beneficio. MOMENTO DO RECONHECIMENTO Em consonância com o art. 179 do CTN, a isenção em caráter especial é reconhecida a cada fato gerador, mediante aquiescência da autoridade tributária competente. Recurso Voluntário Negado.
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EXIGÊNCIAS. Na vigência da Lei n° 9.069, de 1995, o reconhecimento de qualquer incentivo ou beneficio fiscal, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal fica condicionada à comprovação pelo contribuinte, pessoa física ou jurídica, da quitação de tributos e contribuições federais. Não comprovada tal regularidade, afastase o beneficio. MOMENTO DO RECONHECIMENTO Em consonância com o art. 179 do CTN, a isenção em caráter especial é reconhecida a cada fato gerador, mediante aquiescência da autoridade tributária competente. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho, Wilson Sampaio Sahade Filho e Nanci Gama, que davam provimento. (assinado digitalmente) Luis Marcelo Guerra de Castro Presidente e Relator Fl. 1DF CARF MF Impresso em 02/07/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 0 9/06/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Ricardo Rosa, Álvaro Almeida Filho, Paulo Sergio Celani, Wilson Sampaio Sahade Filho, Nanci Gama e Luis Marcelo Guerra de Castro. Ausente o Conselheiro Luciano Pontes de Maya Gomes.. Relatório Por bem descrever a matéria litigiosa, adoto relatório que embasou o acórdão recorrido, que passo a transcrever: Trata o presente processo de pedido de restituição de Imposto de Importação alegadamente recolhido a maior, pago através de débito automático em contacorrente bancária na data do registro da DI nº 00/10017946, em 19/10/2000 (fls. 6/10), no valor de R$ 139,26(Cento e trinta e nove reais e vinte e seis centavos). O pleito de reconhecimento de direito creditório está cumulado com o de compensação de tributos, conforme PER / DCOMP de nº 41959.29316.110805.1.3.048851, cujo extrato está anexado às fls. 158/159 dos autos, transmitida em 11/08/2005. Seguese um breve histórico dos fatos, conforme documentos nos autos. Alega o interessado ter direito ao benefício fiscal concedido pelo art. 5º das Medidas Provisórias nºs. 193924 (de 06/01/00), 206837 (de 27/12/00) e 206838 (de 25/01/01), convertidas em Lei nº 10.182, de 12 de fevereiro de 2001. Tal benefício consiste na redução de 40 % (quarenta por cento) do imposto de importação, para empresas devidamente habilitadas quanto ao mesmo no Sistema Integrado de Comércio Exterior SISCOMEX, referindose especificamente à importação de partes, peças, componentes, conjuntos e subconjuntos, acabados e semiacabados, e pneumáticos, destinadas aos processos produtivos das empresas e dos fabricantes de produtos relacionados no art. 5º, § 1º I a X (veículos leves: automóveis e comerciais leves, ônibus, caminhões, etc). Por entender que não se beneficiou de isenção a que fazia jus, tendo, portanto, recolhido tributos a maior que o devido, vinculou ao pleito de restituição o de compensação do mesmo com tributos diversos. Voltemos à síntese dos fatos: PEDIDO DE RETIFICAÇÃO DE DI INDEFERIMENTO Em 19/10/2000 o interessado submeteu a despacho aduaneiro mercadorias beneficiárias da mencionada redução, pela Declaração de Importação nº 00/10017946, tendo deixado de pleitear o benefício em questão, e recolhido integralmente o Imposto de Importação. Em 03/08/2005, por 139,26 (Cento e trinta e nove reais e vinte e seis centavos), pelo Pedido de Restituição de fls. 1/2 e Pedido de Cancelamento de Declaração Fl. 2DF CARF MF Impresso em 02/07/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 0 9/06/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10814.006090/200544 Acórdão n.º 3102001.010 S3C1T2 Fl. 2 3 de Importação e Reconhecimento de Direito Creditório de fls. 3/4. Anexou às fls. 37 documento comprobatório fornecido pelo DECEX, segundo o qual a empresa está habilitada a fruir o benefício da Lei 10.182/2001 desde 18/01/2000. O processo tramitou, inicialmente, pela Inspetoria da Receita Federal em São Paulo – (IRFSP), para revisão aduaneira e eventual retificação de Declaração de Importação. Dentro do procedimento de análise da retificação prevista no art. 45 da In nº 680/2006, o contribuinte em tela foi intimado a apresentar as certidões negativas de débito (CND, FGTS e Dívida Ativa da União) abrangendo as datas de registro da DI.. Em atendimento ao termo em questão o contribuinte apresentou tempestivamente resposta onde se manifestou pelo não cabimento da exigência de certidões negativas no caso em tela e também que caberia à administração verificar internamente se a empresa estaria ou não em regularidade com os tributos administrados pela União. Tendo em vista o previsto no artigo 134 do Regulamento Aduaneiro vigente à época dos fatos, aprovado pelo Decreto nº 91.030, de 05/03/85, combinado com o artigo 60 da Lei 9.069, de 29/06/1995, entendeu a autoridade aduaneira que, da combinação dos dois dispositivo legais, fica caracterizado que a exigência de prova de quitação se renova a cada despacho objeto de redução pretendida e que a comprovação em questão deve ser feita pelo contribuinte, não se aplicando aqui o disposto no art. 37, da Lei 9.784/99. Em decorrência do exposto, foi indeferido o pedido de retificação da Declaração de Importação (fls. 72/73). Em 04/10/2007 foi proferido despacho indeferindo a retificação da Declaração de Importação (v. fls. 72/73) – Despacho DecisórioIRF/SPO. PEDIDO DE RECONSIDERAÇÃO DE DESPACHO DENEGATÓRIO DA RETIFICAÇÃO DE DI INDEFERIMENTO Ciente da decisão denegatória de seu pleito (retificação da DI), o interessado apresentou seu pedido de reconsideração de despacho. Apresentou, tempestivamente, seu pedido de reconsiderado de despacho para ser encaminhada ao Sr. InspetorChefe, nos termos do § 4º . art; nº 45 da IN/SRF nº 680/2006. Em seu pedido de reconsideração o impetrante manteve posição pelo não cabimento da exigência de certidão negativa no caso em tela. 01 Argumentou que a Lei nº 10.182 não exige a apresentação de CND para fruição da redução do imposto, porém a Notícia Fl. 3DF CARF MF Impresso em 02/07/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 0 9/06/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO 4 Siscomex nº 21, de 23/07/2001 não deixa qualquer dúvida quanto a aplicabilidade do disposto no art. 60 da Lei nº 9.069, de 29/06/1995, para as retificações constantes no processo em tela. 02 Reapresentou jurisprudência das 1ª e 2ª Turmas do STJ, que, conforme já mencionado, ,não valem para o caso em tela, por tratarem de benefícios referentes a mercadorias beneficiadas por drawback, benefício este de caráter objetivo, e não à redução ora discutida, que é um benefício condicional do tipo objetivosubjetivo ou misto (vinculado à qualidade do importador e à destinação do bem). Diante do exposto, e levandose em conta o previsto no artigo 134 do Regulamento Aduaneiro vigente à época dos fatos, aprovado pelo Decreto nº 91.030, de 05/03/85, combinado com o artigo 60 da Lei 9.069, de 29/06/1995, foi mantido o indeferimento do pleito . O despacho denegatório do pleito encontrase às fls. 124/128– Despacho Decisório IRF/SPO nº 023/2009, de 12 de fevereiro de 2009. Tendo o interessado colocado diversos questionamentos quanto ao esgotamento administrativo de seu pedido de retificação de Declaração de Importação, após recurso ao Chefe da Unidade que o indeferiu inicialmente, foi solicitado Parecer da DIANA/SRRF08 nº 046/09, de 19/03/09 (fls. 129/130), cujo texto segue resumidamente transcrito: “O rito processual para o caso específico de recurso contra decisão que denega pedido de retificação de declaração de importação encontrase na IN SRF nº 680/06, em seu artigo 45: Art. 45. A retificação de declaração após o desembaraço aduaneiro, qualquer que tenha sido o canal de conferência aduaneira ou o regime tributário pleiteado, será realizada: I – de ofício, na unidade da SRF onde for apurada (...) II – mediante solicitação do importador, formalizada em processo (...) § 4º Do indeferimento do pleito de retificação caberá recurso, interposto no prazo de trinta dias, dirigido ao chefe da unidade da SRF onde foi proferida a decisão, nos termos dos artigos 56 a 65 da Lei nº 9;;784, de 29 de janeiro de 1999. ......................................................... Entretanto não há amparo legal para nova apreciação do assunto, já que a esfera administrativa se esgotou na decisão do InspetorChefe, conforme se conclui do parágrafo 4º do artigo da IN SRF 680/2006, acima transcrito.” (grifei) PEDIDO DE RECONHECIMENTO DE DIREITO CREDITÓRIO – INDEFERIMENTO Tendo o interessado tomado ciência do despacho decisório que manteve o indeferimento de seu pleito quanto à retificação da DI, e esgotado administrativamente o pedido de retificação, a providência seguinte , nos termos do artigo 58 da IN/RFB Fl. 4DF CARF MF Impresso em 02/07/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 0 9/06/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10814.006090/200544 Acórdão n.º 3102001.010 S3C1T2 Fl. 3 5 900/2008, foi a apreciação relativa ao reconhecimento ou não do direito creditório e conseqüências. Com base na mesma argumentação que servira de base ao indeferimento de seu pedido de retificação de DI ( posteriormente objeto de pedido de reconsideração), e levando em conta o referido indeferimento, que implicou em não ficar caracterizado terem os recolhimentos sido feitos a maior que o devido, foi indeferido também o pedido de reconhecimento de direito creditório. (fls. 132/134) – Despacho Decisório IRF/SPO nº 73/09, de 26 / 06 / 2009. COMPENSAÇÃO VINCULADA AO RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO – NÃO HOMOLOGADA. O pleito de compensação de tributos consubstanciado na PER / DCOMP nº41959.29316.110805.1.3.048851, cujo extrato encontrase anexado às fls 158/159 dos autos, também foi indeferido, já que estava vinculado ao reconhecimento do direito creditório aqui discutido, o que não ocorreu. A nãohomologação da compensação foi objeto do Despacho Decisório DRF/GUA/SEORT nº 34/2010,de 18 de janeiro de 2010 (fls. 162/164). Inconformado com o indeferimento de seus pleitos (reconhecimento de direito creditório e compensação de débitos), o interessado apresentou sua Manifestação de Inconformidade, tempestivamente. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE Analisandose a Manifestação de Inconformidade de fls. 137/151 – 166/181, constatase que são os seguintes os principais argumentos do recorrente: 01 – A Lei 10.182/01, que instituiu o benefício da redução de 40% do II na importação de determinados produtos , para empresas montadoras e dos fabricantes do setor automotivo não exige a apresentação de CND para a fruição da redução do imposto (comprovação já feita quando de sua habilitação ao regime , feita junto ao SECEX). 02 – Entende que não se aplica ao caso o art. 60 da Lei 9.069/95, que condiciona à apresentação de CND apenas a concessão ou reconhecimento de benefício fiscal. Entende que o dispositivo legal prevê a apresentação em somente uma das ocasiões, e ele já apresentara as CND’s quando da habilitação do benefício. 03 – Alega que, pela doutrina, lei posterior derroga lei anterior e lei especial derroga lei geral. Portanto, a Lei 10182/2001 teria prevalência sobre a Lei 9.069/1995, já que lei posterior derroga a anterior. Também a derrogaria por ser a Lei 9.069/1995 geral, e a lei 10182/2001 especial. Fl. 5DF CARF MF Impresso em 02/07/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 0 9/06/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO 6 04 – Considera que caberia à Receita Federal aferir a regularidade fiscal do interessado, pela simples verificação de seus sistemas informatizados, conforme art. 37 da Lei nº 9.784/99; 05 – Reapresenta jurisprudência administrativa e judicial, que entende reforçar seu ponto de vista. 06 – Entende que, sendo legítimo seu pleito quanto ao reconhecimento do direito creditório referido, isso dá legitimidade a seu pleito a ele vinculado, de compensação de débitos diversos. Resumindose os fatos, o indeferimento do pleito quanto à retificação da DI e do reconhecimento do direito creditório prendeuse basicamente à não apresentação das CNDs (Certidões Negativas de Débito) à época do fato gerador, e a Manifestação de Inconformidade de fls. 137/151 também foca o mesmo assunto, ou seja, a pretendida inadmissibilidade de exigência de CNDs (Certidões Negativas de Débito) a cada despacho aduaneiro de importação onde seja pleiteado benefício de redução ou isenção de tributo. O não reconhecimento do direito creditório pleiteado pelo interessado, tira a legitimidade de seu pleito de compensação de débitos Ponderando as razões aduzidas pela recorrente, juntamente com o consignado no voto condutor, decidiu o órgão de piso pelo indeferimento do pedido, conforme se observa na ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 19/10/2000 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO DE IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO. ALEGAÇÃO DE RECOLHIMENTO A MAIOR POR NÃO UTILIZAÇÃO DA REDUÇÃO PREVISTA NA LEI 10.182/2001 (REGIME AUTOMOTIVO). NÃO RECONHECIDO O DIREITO CREDITÓRIO TENDO EM VISTA A NÃO COMPROVAÇÃO DE REGULARIDADE QUANDO AOS TRIBUTOS E CONTRIBUIÇÕES FEDERAIS À ÉPOCA DO FATO GERADOR. COMPENSAÇÃO VINCULADA AO RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. Conforme art. 165 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional), cabe restituição de tributos recolhidos indevidamente ou a maior que o devido. Não caracterizado o recolhimento como indevido ou a maior que o devido, não cabe a restituição do mesmo ao sujeito passivo. Também não cabe compensar débitos oriundos de tributos diversos com direito creditório nãoreconhecido, o que implica na nãohomologação do pleito de compensação. APRESENTAÇÃO DE CND’s POR OCASIÃO DO DESPACHO ADUANEIRO DE MERCADORIA BENEFICIADA POR ISENÇÃO / REDUÇÃO DE CARÁTER SUBJETIVO OU MISTO. A concessão ou reconhecimento de qualquer incentivo ou benefício fiscal de caráter subjetivo (vinculado à qualidade do importador) ou misto (vinculado tanto à qualidade e destinação Fl. 6DF CARF MF Impresso em 02/07/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 0 9/06/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10814.006090/200544 Acórdão n.º 3102001.010 S3C1T2 Fl. 4 7 da mercadoria quanto à qualidade do importador), relativos a tributos e contribuições administrados pela Receita Federal fica condicionada à comprovação pelo contribuinte, pessoa física ou jurídica, da quitação de tributos e contribuições federais, sendo cabível o disposto no artigo 60 da Lei nº 9.069, de 29 de junho de 1995. Após tomar ciência da decisão de 1ª instância, comparece a autuada mais uma vez ao processo para, em sede de recurso voluntário, essencialmente, reiterar as alegações manejadas por ocasião da instauração da fase litigiosa. É o Relatório Voto Conselheiro Luis Marcelo Guerra de Castro, Relator Tomo conhecimento do presente recurso, que foi tempestivamente apresentado e trata de matéria afeta à competência desta Terceira Seção O ponto fulcral do litígio, como se percebe da leitura da ementa da decisão recorrida, é definir se, no momento do reconhecimento da isenção, o sujeito passivo reunia as condições exigidas pela legislação de regência. Para se chegar a tal definição é necessário que se responda a duas indagações: se o art. 60 da Lei nº 9.069/951 incide sobre a modalidade de isenção debatida e, caso incida, em qual momento se dá o reconhecimento da isenção de caráter subjetivo. Definido tal momento, definese, por consequência, quando o sujeito passivo deverá comprovar a quitação dos tributos federais. A redução em litígio encontrase prevista no art. 5º da Lei nº 10.181, de 2001, que criou o que se convencionou denominar “Novo Regime Automotivo”, em substituição àquele disciplinado pela Lei nº 9.449, de 1997, transcrevoos: Art. 5º Fica reduzido em quarenta por cento o imposto de importação incidente na importação de partes, peças, componentes, conjuntos e subconjuntos, acabados e semi acabados, e pneumáticos. §1oO disposto no caput aplicase exclusivamente às importações destinadas aos processos produtivos das empresas montadoras e dos fabricantes de: (...) X autopeças, componentes, conjuntos e subconjuntos necessários à produção dos veículos listados nos incisos I a IX, incluídos os destinados ao mercado de reposição. 1 Art. 60. A concessão ou reconhecimento de qualquer incentivo ou benefício fiscal, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal fica condicionada à comprovação pelo contribuinte, pessoa física ou jurídica, da quitação de tributos e contribuições federais. Fl. 7DF CARF MF Impresso em 02/07/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 0 9/06/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO 8 §2o O disposto nos arts. 17 e 18 do DecretoLei no 37, de 18 de novembro de 1966, e no DecretoLei no 666, de 2 de julho de 1969, não se aplica aos produtos importados nos termos deste artigo, objeto de declarações de importações registradas a partir de 7 de janeiro de 2000. O parágrafo 2º acima transcrito, a meu ver, enumera taxativamente quais são as condições de caráter geral excepcionadas pela norma que disciplina especificamente os benefícios do Novo Regime Automotivo: exame de similaridade (art. 17 e 18 do DL nº 37/66)2 e transporte em navio de bandeira brasileira (art. 2º do DL nº 666/69) 3: Como é possível verificar, o dispositivo é silente quanto às demais exigências de caráter geral, dentre as quais, evidentemente, está a comprovação da regularidade no pagamento dos tributos e contribuições, o que leva à conclusão de que tal exigência não foi afastada. Por outro lado, não vejo como aplicar a regra geral do art. 37 da Lei nº 9.784, de 19994 em detrimento da específica do art. 60 da Lei nº 9.069, de 1995, categórico ao determinar que o ônus de fazer prova da quitação de tributos federais é do Administrado. Subsistiria, portanto, dúvida acerca do momento em que o benefício é reconhecido, máxime em razão de que, a lei que o instituiu prevê a realização de um procedimento de habilitação prévia do importador, disciplinada no do seu art. 6º, que reza: (os grifos não constam do original) Art.6º A fruição da redução do imposto de importação de que trata esta Lei depende de habilitação específica no Sistema Integrado de Comércio Exterior SISCOMEX. Parágrafo único.A solicitação de habilitação será feita mediante petição dirigida à Secretaria de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, contendo: Icomprovação de regularidade com o pagamento de todos os tributos e contribuições sociais federais; II cópia autenticada do cartão de inscrição no Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica; III comprovação, exclusivamente para as empresas fabricantes dos produtos relacionados no inciso X do § 1o do artigo anterior, de que mais de cinqüenta por cento do seu faturamento líquido 2 Art. 17 A isenção do impôsto de importação somente beneficia produto sem similar nacional, em condições de substituir o importado. Art. 18 O Conselho de Política Aduaneira formulará critérios, gerais ou específicos, para julgamento da similaridade, à vista das condições de oferta do produto nacional, e observadas as seguintes normas básicas: 3 Art 2º Será feito, obrigatoriamente, em navios de bandeira brasileira, respeitado o princípio da reciprocidade, o transporte de mercadorias importadas por qualquer Órgão da administração pública federal, estadual e municipal, direta ou indireta inclusive emprêsas públicas e sociedades de economia mista, bem como as importadas com quaisquer favores governamentais e, ainda, as adquiridas com financiamento, total ou parcial, de estabelecimento oficial de crédito, assim também com financiamento externos, concedidos a órgãos da administração pública federal, direta ou indireta. 4 Art. 37. Quando o interessado declarar que fatos e dados estão registrados em documentos existentes na própria Administração responsável pelo processo ou em outro órgão administrativo, o órgão competente para a instrução proverá, de ofício, à obtenção dos documentos ou das respectivas cópias. Fl. 8DF CARF MF Impresso em 02/07/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 0 9/06/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10814.006090/200544 Acórdão n.º 3102001.010 S3C1T2 Fl. 5 9 anual é decorrente da venda desses produtos, destinados à montagem e fabricação dos produtos relacionados nos incisos I a X do citado § 1o e ao mercado de reposição. Diferentemente do que se tem invocado, não vejo como reconhecer que a comprovação levada a efeito no momento da habilitação ao regime dispense a importadora de comprovar a regularidade fiscal no momento do fato gerador. Para entender os efeitos da conclusão do procedimento realizado pela Secex, mais relevante do que o nome que lhe foi atribuído (habilitação) é preciso lembrar do que diz o art. 179 do Código Tributário Nacional (Lei nº 5.172/66): Art. 179. A isenção, quando não concedida em caráter geral, é efetivada, em cada caso, por despacho da autoridade administrativa, em requerimento com o qual o interessado faça prova do preenchimento das condições e do cumprimento dos requisitos previstos em lei ou contrato para concessão. § 1º Tratandose de tributo lançado por período certo de tempo, o despacho referido neste artigo será renovado antes da expiração de cada período, cessando automaticamente os seus efeitos a partir do primeiro dia do período para o qual o interessado deixar de promover a continuidade do reconhecimento da isenção. Com efeito, como é possível concluir, a partir da leitura conjunta dos dois dispositivos, o procedimento de habilitação constituise mais uma exigência para reconhecimento da isenção e, não o próprio reconhecimento do benefício. Em primeiro lugar, a leitura do caput do art. 179, lido conjuntamente com seu parágrafo 1º, deixa claro que a autoridade competente para reconhecimento do benefício deve ser manifestar a cada fato gerador ou, tratandose de tributo lançado por período certo, antes do encerramento de cada período. Ora, como é cediço, nos termos do art. 23 do DL 37/665, para efeito de cálculo do imposto de importação incidente sobre mercadoria despachada para consumo, considerase ocorrido o fato gerador na data do registro da correspondente DI. Assim, ainda que se admita que a Secretaria de Comércio Exterior possuísse competência para conceder isenção, certamente a habilitação não preencheria a exigência do dispositivo insculpido no art. 179 do CTN. Como se percebe, a habilitação ocorre uma única vez. Finalmente, mesmo se superada a exigência de manifestação prévia, equiparando a habilitação ao despacho da autoridade competente, não haveria como reconhecer a definitividade dessa manifestação. Cabe relembrar o que dizem o parágrafo 2º do art. 179 e o art. 155 do CTN: 5 Art. 23 Quando se tratar de mercadoria despachada para consumo, considerase ocorrido o fato gerador na data do registro, na repartição aduaneira, da declaração a que se refere o artigo 44. Fl. 9DF CARF MF Impresso em 02/07/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 0 9/06/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO 10 § 2º O despacho referido neste artigo não gera direito adquirido, aplicandose, quando cabível, o disposto no artigo 155. Art. 155. A concessão da moratória em caráter individual não gera direito adquirido e será revogado de ofício, sempre que se apure que o beneficiado não satisfazia ou deixou de satisfazer as condições ou não cumprira ou deixou de cumprir os requisitos para a concessão do favor, cobrandose o crédito acrescido de juros de mora: Ou seja, ainda que se considerasse que a isenção teria sido previamente concedida, verificado que a recorrente deixara de atender um dos requisitos para a sua concessão, revogado estaria o benefício. Com essas considerações, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. Sala das Sessões, em 5 de maio de 2011 (assinado digitalmente) Luis Marcelo Guerra de Castro Fl. 10DF CARF MF Impresso em 02/07/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 0 9/06/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO
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Numero do processo: 13411.000591/2004-67
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 13 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Apr 13 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF
Exercício: 2001, 2002
IRPF ACRÉSCIMO
PATRIMONIAL Tributa-se como omissão de rendimentos o descompasso observado no patrimônio do contribuinte não acobertado pelos rendimentos declarados.
IRPF. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO – RESGATE DE
APLICAÇÃO FINANCEIRA A disponibilidade apurada relativa a resgate
de aplicação financeira deve ser considerada como origem de recurso na apuração da variação patrimonial.
Numero da decisão: 2201-001.061
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade dar parcial provimento ao recurso para considerar como origem de recurso o valor de R$ 9.438,43, relativo a outubro de 2000, bem como o montante de R$ 9.952,20, relativo a dezembro de 2000.
Matéria: IRPF- ação fiscal - outros assuntos (ex.: glosas diversas)
Nome do relator: EDUARDO TADEU FARAH
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IRPF. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO – RESGATE DE APLICAÇÃO FINANCEIRA A disponibilidade apurada relativa a resgate de aplicação financeira deve ser considerada como origem de recurso na apuração da variação patrimonial. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade dar parcial provimento ao recurso para considerar como origem de recurso o valor de R$ 9.438,43, relativo a outubro de 2000, bem como o montante de R$ 9.952,20, relativo a dezembro de 2000. (Assinado Digitalmente) Francisco Assis de Oliveira Júnior Presidente. (Assinado Digitalmente) Eduardo Tadeu Farah Relator. Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Pedro Paulo Pereira Barbosa, Rayana Alves de Oliveira França, Eduardo Tadeu Farah, Guilherme Barranco de Souza, Gustavo Lian Haddad e Francisco Assis de Oliveira Júnior (Presidente). Fl. 100DF CARF MF Emitido em 06/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/06/2011 por EDUARDO TADEU FARAH Assinado digitalmente em 30/06/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU, 29/06/2011 por EDUARDO TADEU FARAH 2 Relatório Hondina Granja de Castro recorre a este Conselho contra a decisão de primeira instância proferida pela 2ª Turma de Julgamento da DRJ em Recife/PE, pleiteando sua reforma, nos termos do Recurso Voluntário apresentado. Tratase de Auto de Infração (fls. 05/07), relativo ao IRPF, exercícios 2001 e 2002, que se exige imposto no valor total de R$ 25.455,88, já acrescido de multa de ofício e de juros de mora. A fiscalização apurou Acréscimo Patrimonial a Descoberto. Omissão de rendimentos tendo em vista a variação patrimonial a descoberto, onde se verificou excesso de aplicações sobre origens, não respaldado por rendimentos declarados. Cientificada da exigência, a contribuinte apresenta Impugnação (fl. 01), alegando, conforme se extrai do relatório de primeira instância: I que na verdade, a aquisição do veículo fora feita em dezembro de 2000, e fora dado como entrada à Mavel Veículos Ltda., um outro caminhão MB 1418, ano 1996 devidamente declarado na DIRPF/2000, tendo esta recebido este bem por R$ 51.500,00 e mais R$ 10.000,00 em dinheiro proveniente da restituição do imposto de renda do exercício de 1999 que recebeu em outubro de 2000, totalizando a entrada de R$ 61.500,00; II que o saldo remanescente de R$ 10.000,00 fora liquidado através do cheque nº 2265 do Bradesco S/A, emitido para o dia 12/12/2000, conforme cópia em anexo; III que a transação fora feita não diretamente com a Mavel Veículos Ltda, e sim, com o vendedor autorizado pela referida empresa; IV que além disto, tinha valores consideráveis no fim do exercício de 1999 e durante o exercício de 2000, valores estes, provenientes da ação trabalhista nº 374/96 os quais estavam aplicados em contas de poupança e de investimento no Bradesco S/A, em conta conjunta com o seu marido; V que está a inteira disposição para maiores esclarecimentos e apresentação de comprovantes necessários para que se leve à extinção do processo, estando, inclusive, providenciando os extratos junto ao Bradesco dos saldos de investimentos em 31/12/1999 e 31/12/2000. A 2ª Turma de Julgamento da DRJ em Recife/PE julgou integralmente procedente o lançamento, consubstanciado nas ementas abaixo transcritas: ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. São tributáveis os valores relativos ao acréscimo patrimonial, quando não justificados pelos rendimentos tributáveis, isentos/não tributáveis, tributados exclusivamente na fonte ou objeto de tributação definitiva. Fl. 101DF CARF MF Emitido em 06/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/06/2011 por EDUARDO TADEU FARAH Assinado digitalmente em 30/06/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU, 29/06/2011 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 13411.000591/200467 Acórdão n.º 220101.061 S2C2T1 Fl. 2 3 ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. ÔNUS DA PROVA. Se o ônus da prova, por presunção legal, é do contribuinte, cabe a ele a prova da origem dos recursos informados para acobertar seus dispêndios gerais e aquisições de bens e direitos. JUNTADA POSTERIOR DE PROVAS. No processo administrativo FISCAL, a prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que ocorra um dos fatos previstos no § 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. Lançamento Procedente Intimada da decisão de primeira instância em 01/10/2007 (fl. 92), a autuada apresenta Recurso Voluntário em 29/10/2007 (fl. 93), sustentando, essencialmente, verbis: COM REFERÊNCIA AO PROCESSO EM QUESTÃO, VOLTO A AFIRMAR QUE NÃO HOUVE OMISSÃO DE MINHA PARTE COM RELAÇÃO AOS RECURSOS UTILIZADOS PARA AQUISIÇÃO DO CITADO VEÍCULO. NÃO TENHO COMO ENVIAR CÓPIA DA NOTA DE ENTRADA DO VEÍCULO 1416 NA MAVEL, UMA VEZ QUE O MESMO FOI ENTREGUE AO SR. MOISÉS EVANGELISTA CONFORME DECLARAÇÃO JÁ ENVIADA, E QUE O MESMO REPASSOU À EMPRESA ATRAVÉS DOS DEPÓSITOS POR ELA INFORMADA TALVEZ DE ACORDO COM AS CONDIÇÕES DE PAGAMENIO DA VENDA DO VEÍCULO. VOLTO A AFIRMAR. QUE ENTREGUEI AO MESMO O VEÍCULO, MAIS R$ 10.000,00 (DEZ MIL REAIS) EM ESPÉCIE. QUANTIA ESTA PROVENIENTE DA RESTITUIÇÃO DO IMPOSTO DE RENDA QUE AINDA ESTAVA EM MEU PODER. E UM RESTANTE DE R$10.000,00 EM CHEQUE CONFORME FAÇO PROVA MEDIANTE COPIA DO EXTRATO DO BANCO. ESTOU LOCALIZANDO O SR. MOISÉS PARA QUE ME PASSE OS DOCUMENTOS QUE SÃO SOLICITADOS COMO PROVA DE QUE NÃO HOUVE OMISSÃO E NEM MÁ FÉ DE MINHA PARTE, UMA VEZ QUE SOU UMA SIMPLES DONA DE CASA E QUE O VEÍCULO EM QUESTÃO É MEU ÚNICO MEIO DE SOBREVIVÊNCIA. NÃO SEI SE O QUE RELATO ME EXCLUI DESSE PROCESSO, QUE POR FALTA DE INFORMAÇÃO, NÃO TOMEI AS PROVIDÊNCIAS NECESSÁRIAS TAIS COMO CÓPIA DO RECIBO DE VENDA E RECIBO O SR. MOISÉS DA VENDA DO VEÍCULO PARA QUE PUDESSE HOJE PROVAR VERACIDADE NO QUE DIGO. INFORMO AINDA QUE NÃO POSSUO MEIOS FINANCEIROS DE PAGAR UMA MULTA TÃO ALTA, POIS MINHA ÚNICA FONTE DE RENDA SÃO OS FRETES QUE FAÇO COM O CAMINHÃO. ESPERO QUE V. EXA ANALISE A MINHA DEFESA E CONTINUO À INTEIRA DISPOSIÇÃO PARA MAIS ESCLARECIMENTOS. Fl. 102DF CARF MF Emitido em 06/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/06/2011 por EDUARDO TADEU FARAH Assinado digitalmente em 30/06/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU, 29/06/2011 por EDUARDO TADEU FARAH 4 É o relatório. Voto Conselheiro EDUARDO TADEU FARAH, Relator O recurso é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Segundo se colhe dos autos a autoridade fiscal lavrou a exigência sob o argumento de que a recorrente adquiriu um caminhão Mercedes Bens no valor de R$ 71.500,00 (R$ 49.000,00 em dezembro de 2000 e R$ 22.500,00 em janeiro de 2001) sem, contudo, ter comprovado a origem de recursos para a aquisição do referido bem (fl. 59). Por outro lado, alega a recorrente que “... não houve omissão de minha parte com relação aos recursos utilizados para aquisição do citado veículo, não tenho como enviar cópia da nota de entrada do veículo 1416 na Mavel, uma vez que o mesmo foi entregue ao Sr. Moisés Evangelista conforme declaração já enviada, e que o mesmo repassou à empresa através dos depósitos por ela informada, talvez de acordo com as condições de pagamento da venda do veículo, volto a afirmar que entreguei ao mesmo o veículo, mais R$ 10.000,00 (dez mil reais) em espécie, quantia esta proveniente da restituição do imposto de renda que ainda estava em meu poder, e um restante de R$10.000,00 em cheque conforme faço prova mediante copia do extrato do banco”. Pois bem, compulsandose a declaração da Mavel – Concessionária Mercedes Benz, relativo à compra do caminhão MercedesBenz, modelo L162051 ano/modelo 2001/2001, chassi 9BM6950141B259702, faturado através da Nota Fiscal n° 033651 emitida em 09/02/2001, verifico que o pagamento não se deu de acordo com a informação prestada pela recorrente. Em verdade, conforme se colhe da referida declaração, fl. 30, a quitação do citado veículo ocorreu da seguinte forma: No dia 11/12/2000 o valor de R$ 26.000,00; no dia 12/12/2000 o valor de R$ 10.000,00; no dia 22/12/2000 o valor de R$ 13.000,00; no dia 03/01/2001 o valor de R$ 3.000,00; no dia 04/01/2001 o valor de R$ 1.800,00; no dia 09/01/2001 o valor de R$ 6.500,00; no dia 12/01/2001 valor de R$ 1.200,00 e no dia 15/01/2001 o valor de R$ 10.000,00. Portanto, segundo informa a empresa Mavel Máquinas e Veículos Ltda na compra do veículo em questão não consta, como parte de pagamento, o recebimento de outro caminhão MB 1418, ano 1996, no valor de R$ 51.500,00. Assim, sem querer ser repetitivo, cumpre reproduzir as observações feitas pelo relator quando do julgamento de primeira instância: Assim, para comprovar a inveracidade das informações acima, deveria a contribuinte trazer aos autos outros elementos comprobatórios, tais como, a cópia da Nota Fiscal de Entrada do referido veículo, emitida pela própria empresa, ou mesmo um recibo assinado pelo representante legal desta (o Sr. Moisés Evangelista Leal não traz nenhuma identificação, na Declaração de fls.48, da sua função na empresa) ou, ainda, o Documento de Fl. 103DF CARF MF Emitido em 06/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/06/2011 por EDUARDO TADEU FARAH Assinado digitalmente em 30/06/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU, 29/06/2011 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 13411.000591/200467 Acórdão n.º 220101.061 S2C2T1 Fl. 3 5 Autorização Para Transferência do Veículo do DETRAN –DUT, por ela assinado, que faz parte de toda transação desta natureza. Entretanto, consta do processo, às fls.20, apenas a cópia do Certificado de Registro e Licenciamento do Veículo acima, fornecido pela contribuinte à fiscalização, na fase do procedimento fiscal, o que comprova, apenas, a propriedade do veículo a que se refere. Dessa forma, não há como acatar como origem da compra do veículo em discussão, a dação em pagamento alegada. Além do mais, analisando a declaração juntada aos autos pela suplicante (fl. 48), constato que o referido documento foi emitido em 10 de dezembro de 2000 e a entrega do veículo ao comprador deveria ocorrer até 05/01/2004, ou seja, até 3 anos após a efetiva venda. Contudo, em relação ao valor relativo à restituição de imposto de renda assiste razão a recorrente. Compulsando o “Extrato de Imposto de Renda”, fl. 21, verifico, pois, o que referido documento informa que a recorrente possui de fato uma restituição do imposto de renda com resgate em 16/10/2000, relativa ao anocalendário de 1999, no valor de R$ 9.438,43. Portanto, em função das provas carreadas aos autos o referido valor deve ser considerado como origem de recurso no mês de outubro de 2000. Quanto ao valor de resgate de aplicação financeira, conforme extrato carreado do Bradesco à fl. 85, constato que a recorrente efetivamente resgatou o valor de R$ 9.832,20, acrescido da quantia de R$ 120,00, razão pela qual o montante de R$ 9.952,20 deve ser incluído no valor correspondente a origem no mês de dezembro de 2000. Ressaltese que a conta objeto do resgate pertence a Francisco Jose Rocha, cônjuge e dependente da recorrente, conforme DIRPF/2000 acostada à fl. 25. Com efeito, consta dos autos transferência de recurso da conta da recorrente para a conta de seu cônjuge, Francisco Jose Rocha, no valor de R$ 42.150,00 em 24/03/1999. (fls. 81/8287) Ante ao exposto, voto no sentido de dar parcial provimento para considerar como origem de recurso o valor de R$ 9.438,43, relativo a outubro de 2000, bem como o montante de R$ 9.952,20, relativo a dezembro de 2000. (Assinado Digitalmente) Eduardo Tadeu Farah Fl. 104DF CARF MF Emitido em 06/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/06/2011 por EDUARDO TADEU FARAH Assinado digitalmente em 30/06/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU, 29/06/2011 por EDUARDO TADEU FARAH 6 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA CÂMARA DA SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº: 13411.000591/200467 Recurso nº: 163.597 TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no § 3º do art. 81 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovados pela Portaria Ministerial nº 256, de 22 de junho de 2009, intimese o (a) Senhor (a) Procurador (a) Representante da Fazenda Nacional, credenciado junto a Segunda Câmara da Segunda Seção, a tomar ciência do Acórdão nº220101.061. Brasília/DF, 13 de abril de 2011. ______________________________________ FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JUNIOR Presidente da Segunda Câmara / Segunda Seção Ciente, com a observação abaixo: (......) Apenas com ciência (......) Com Recurso Especial (......) Com Embargos de Declaração Data da ciência: _______/_______/_________ Procurador(a) da Fazenda Nacional Fl. 105DF CARF MF Emitido em 06/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/06/2011 por EDUARDO TADEU FARAH Assinado digitalmente em 30/06/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU, 29/06/2011 por EDUARDO TADEU FARAH
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Numero do processo: 12963.000535/2009-28
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 08 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Jun 07 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Data do fato gerador: 19/11/2009
AUTO DE INFRAÇÃO. INOBSERVÂNCIA DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. ARTIGO 32, INCISO I, LEI Nº 8.212/91. Constitui fato gerador de multa preparar o contribuinte folhas de pagamentos das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados empregados e
contribuintes individuais a seu serviço em desacordo com os padrões e normas previstas na legislação previdenciária.
NORMAS GERAIS DIREITO TRIBUTÁRIO. LIVRE CONVICÇÃO
JULGADOR. DECISÃO RECORRIDA. NULIDADE. INEXISTÊNCIA.
Nos termos do artigo 29 do Decreto nº 70.235/72, a autoridade julgadora de primeira instância, na apreciação das provas e razões ofertadas pela contribuinte, formará livremente sua convicção, podendo determinar diligência que entender necessária, não se cogitando em nulidade da decisão quando não comprovada a efetiva existência de preterição do direito de defesa do contribuinte.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2401-001.886
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos: I) rejeitar a preliminar de nulidade da decisão de primeira instância; e II) no mérito, negar provimento ao recurso.
Nome do relator: RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA
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ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Data do fato gerador: 19/11/2009 AUTO DE INFRAÇÃO. INOBSERVÂNCIA DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. ARTIGO 32, INCISO I, LEI Nº 8.212/91. Constitui fato gerador de multa preparar o contribuinte folhas de pagamentos das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados empregados e contribuintes individuais a seu serviço em desacordo com os padrões e normas previstas na legislação previdenciária. NORMAS GERAIS DIREITO TRIBUTÁRIO. LIVRE CONVICÇÃO JULGADOR. DECISÃO RECORRIDA. NULIDADE. INEXISTÊNCIA. Nos termos do artigo 29 do Decreto nº 70.235/72, a autoridade julgadora de primeira instância, na apreciação das provas e razões ofertadas pela contribuinte, formará livremente sua convicção, podendo determinar diligência que entender necessária, não se cogitando em nulidade da decisão quando não comprovada a efetiva existência de preterição do direito de defesa do contribuinte. Recurso Voluntário Negado.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1858; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T1 Fl. 133 1 132 S2C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 12963.000535/200928 Recurso nº 000.000 Voluntário Acórdão nº 2401001.886 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 8 de junho de 2011 Matéria DESCUMPRIMENTO OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Recorrente LIONS CLUBE DE POÇOS DE CALDAS URÂNIO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Data do fato gerador: 19/11/2009 AUTO DE INFRAÇÃO. INOBSERVÂNCIA DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. ARTIGO 32, INCISO I, LEI Nº 8.212/91. Constitui fato gerador de multa preparar o contribuinte folhas de pagamentos das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados empregados e contribuintes individuais a seu serviço em desacordo com os padrões e normas previstas na legislação previdenciária. NORMAS GERAIS DIREITO TRIBUTÁRIO. LIVRE CONVICÇÃO JULGADOR. DECISÃO RECORRIDA. NULIDADE. INEXISTÊNCIA. Nos termos do artigo 29 do Decreto nº 70.235/72, a autoridade julgadora de primeira instância, na apreciação das provas e razões ofertadas pela contribuinte, formará livremente sua convicção, podendo determinar diligência que entender necessária, não se cogitando em nulidade da decisão quando não comprovada a efetiva existência de preterição do direito de defesa do contribuinte. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos: I) rejeitar a preliminar de nulidade da decisão de primeira instância; e II) no mérito, negar provimento ao recurso. Elias Sampaio Freire Presidente Fl. 1DF CARF MF Emitido em 07/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/06/2011 por MARIA MADALENA SILVA Assinado digitalmente em 20/06/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE , 06/07/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Cleusa Vieira de Souza, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 07/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/06/2011 por MARIA MADALENA SILVA Assinado digitalmente em 20/06/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE , 06/07/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 12963.000535/200928 Acórdão n.º 2401001.886 S2C4T1 Fl. 134 3 Relatório LIONS CLUBE DE POÇOS DE CALDAS URÂNIO, contribuinte, pessoa jurídica de direito privado, já qualificada nos autos do processo administrativo em referência, recorre a este Conselho da decisão da 5a Turma da DRJ em Juiz de Fora/MG, Acórdão n° 09 29.021/2010, às fls. 121/124, que julgou procedente a autuação fiscal lavrada contra a empresa, nos termos do artigo 32, inciso I, da Lei nº 8.212/91, c/c artigo 225, inciso I, parágrafo 9º, do RPS, por não ter preparado as folhas de pagamento das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço de acordo com os padrões e normas estabelecidos pelo INSS, em relação ao período de 01/2005 e 03/2005 a 12/2005, conforme Relatório Fiscal da Infração, às fls. 08/11, e demais elementos que instruem o processo. Tratase de Auto de Infração, lavrado em 19/11/2009, nos termos do artigo 293 do RPS, contra a contribuinte acima identificada, constituindose multa no valor de R$ 1.329,18 (Um mil, trezentos e vinte e nove reais e dezoito centavos), com base nos artigos 283, inciso I, alínea “a”, e 373, do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto 3.048/99. De conformidade com o Relatório Fiscal, a autoridade lançadora constatou que a empresa remunerou diversos segurados contribuintes individuais (trabalhadores autônomos elencados no REFISC), que lhe prestaram serviços no período fiscalizado, sem conquanto incluílos nas respectivas folhas de pagamento, na forma que exige a legislação de regência. Inconformada com a Decisão recorrida, a contribuinte apresentou Recurso Voluntário, às fls. 128/131, procurando demonstrar a improcedência do lançamento, desenvolvendo em síntese as seguintes razões. Preliminarmente, pugna pela decretação da nulidade da decisão recorrida, aduzindo para tanto que a autoridade julgadora de primeira instância incorreu em preterição do direito de defesa da contribuinte, ao deixar de apreciar todas as alegações suscitadas na sua peça inaugural, especialmente quanto à pretensa extinção dos débitos de entidades beneficentes sem fins lucrativos, nos termos da Medida Provisória n° 446/2008. Ressalta que o fiscal autuante deixou bem claro no REFISC que os AI’s n°s 37.241.2530 e 37.241.2548 foram lavrados com a finalidade de prevenir a decadência, em razão do cancelamento do Certificado de Fins Filantrópicos da entidade, o que não representa a realidade dos fatos, uma vez que a recorrente teve referido CEBAS renovado, com validade até 2010, estando sub judice o certificado pertinente ao período objeto da presente autuação. Contrapõese à autuação, por entender que a contribuinte não está obrigada a proceder à retenção na fonte em relação aos valores pagos ao contribuinte individual Vitor Gabriel Cardinalli, uma vez que prestou pessoalmente os serviços de instrutor de banda da Guarda Mirim, o que afasta a observância da obrigação acessória objeto da autuação, com fulcro no artigo 148, incisos I e III, da Instrução Normativa SRP n° 03/2005. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 07/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/06/2011 por MARIA MADALENA SILVA Assinado digitalmente em 20/06/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE , 06/07/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 Relativamente os pagamentos realizados aos Srs. Vitor Antonio Camilo e José Osmar Luiz Pereira, assevera que não dizem respeito a serviços prestados, mas, sim, de produtos (placas de prata, materiais e utensílios, respectivamente), não se cogitando na obrigação de promover a retenção de 11%. Por sua vez, no que tange ao contribuinte individual Max Wilson B. Soares, a retenção de 11% incidente sobre a importância recebida é inferior ao mínimo determinado para referida obrigação tributária. Por fim, requer o conhecimento e provimento do seu recurso, para desconsiderar a autuação, tornandoa sem efeito e, no mérito, sua absoluta improcedência. Não houve apresentação de contrarrazões. É o relatório. Fl. 4DF CARF MF Emitido em 07/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/06/2011 por MARIA MADALENA SILVA Assinado digitalmente em 20/06/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE , 06/07/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 12963.000535/200928 Acórdão n.º 2401001.886 S2C4T1 Fl. 135 5 Voto Conselheiro Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Relator Presente o pressuposto de admissibilidade, por ser tempestivo, conheço do recurso e passo ao exame das alegações recursais. PRELIMINAR NULIDADE DECISÃO RECORRIDA Preliminarmente, requer a autuada à decretação da nulidade da decisão recorrida, por entender que a autoridade julgadora de primeira instância deixou de apreciar parte das alegações inseridas em sua defesa inaugural, sobretudo em relação à pretensa extinção dos débitos de entidades beneficentes sem fins lucrativos, nos termos da Medida Provisória n° 446/2008, em total preterição do direito de defesa da contribuinte. Muito embora a contribuinte lance referida assertiva, não faz prova ou indica qual a efetiva omissão que o julgador guerreado teria incorrido, capaz de ensejar a preterição do seu direito de defesa. Como se observa do decisum atacado, de fato, a autoridade julgadora não adentrou a todas as alegações suscitadas pela então impugnante. Tal fato isoladamente, porém, não tem o condão de configurar preterição do direito de defesa da contribuinte, mormente quando esta não afirma qual teria sido o prejuízo decorrente da conduta do julgador de primeira instância. Ademais, a jurisprudência de nossos Tribunais Superiores, a qual vem sendo seguida à risca por esta instância administrativa, entende que o simples fato de o julgador não dissertar a propósito de todas as razões recursais do contribuinte não implica em nulidade da decisão, mormente quando a recorrente lança uma infinidade de argumentos desprovidos de qualquer amparo legal ou lógico, com o fito exclusivo de protelar a demanda, o que se vislumbra no caso vertente. A corroborar esse entendimento, cumpre trazer à baila Acórdão exarado pela 5ª Turma do STJ, nos autos do HC 35525/SP, com sua ementa abaixo transcrita: “HABEAS CORPUS. PROCESSO PENAL. NEGATIVA DE AUTORIA. NULIDADE DA SENTENÇA. LIVRE CONVICÇÃO MOTIVADA DO MAGISTRADO. ORDEM PARCIALMENTE CONHECIDA E, NESSA EXTENSÃO, DENEGADA. [...] 2. O só fato de o julgador não se manifestar a respeito de um ou outro argumento da tese defendida pelas partes não tem o condão de caracterizar ausência de fundamentação ou qualquer outro tipo de nulidade, por isso que não o exigem, a lei e a Constituição, a apreciação de todos os argumentos apresentados, mas que a decisão judicial seja devidamente motivada, ainda que por razões outras (Princípio da Livre Convicção Motivada e Princípio da Persuasão Racional, art. Fl. 5DF CARF MF Emitido em 07/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/06/2011 por MARIA MADALENA SILVA Assinado digitalmente em 20/06/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE , 06/07/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 6 157 do CPP). [...]” (Julgamento de 09/08/2007, Publicado no DJ de 10/09/2007) Nesse sentido, basta que o julgador adentre as questões mais importantes suscitadas pelo contribuinte, decidindo de forma fundamentada e congruente, para que sua decisão tenha plena validade. No presente caso, extraise da defesa inaugural que a contribuinte traz à colação inúmeras alegações, inclusive, a propósito de sua condição de Entidade Beneficente, bem como outras que não são capazes de rechaçar a pretensão fiscal ou mesmo pertinentes a presente autuação, decorrente de descumprimento de obrigação acessória. Assim, não se pode exigir que o julgador exponha e refute tais razões infundadas ou ilógicas. MÉRITO No mérito, pretende a contribuinte a reforma da decisão recorrida, a qual manteve a exigência fiscal em sua plenitude, aduzindo para tanto que a obrigação de retenção de 11% sobre as notas fiscais ou faturas não se aplica nos casos em que os serviços são prestados pessoalmente pelo contratado, ou quando o valor da retenção seja inferior à importância de R$ 29,00, nos termos do artigo 148, incisos I e III, da Instrução Normativa SRP n° 03/2005, o que se vislumbra com os Srs. Vitor Gabriel Cardinalli (instrutor da Banda Marcial) e Max Wilson B. Soares, senão vejamos: “Art. 148. A contratante fica dispensada de efetuar a retenção e a contratada de registrar o destaque da retenção na nota fiscal, na fatura ou no recibo, quando: I o valor correspondente a onze por cento dos serviços contidos em cada nota fiscal, fatura ou recibo de prestação de serviços for inferior ao limite mínimo estabelecido pela SRP para recolhimento em documento de arrecadação; II a contratada não possuir empregados, o serviço for prestado pessoalmente pelo titular ou sócio e o seu faturamento do mês anterior for igual ou inferior a duas vezes o limite máximo do salário de contribuição, cumulativamente; III a contratação envolver somente serviços profissionais relativos ao exercício de profissão regulamentada por legislação federal, ou serviços de treinamento e ensino definidos no inciso X do art. 146, desde que prestados pessoalmente pelos sócios, sem o concurso de empregados ou outros contribuintes individuais.” Em que pesem as substanciosas razões ofertadas pela contribuinte, seu inconformismo, contudo, não tem o condão de prosperar. Do exame dos elementos que instruem o processo, concluise que o lançamento, corroborado pela decisão recorrida, apresentase incensurável, devendo ser mantido em sua plenitude. Na verdade, constatase que a contribuinte faz uma verdadeira confusão ao tratar da matéria, confundindo a exigência de preparação de folhas de pagamento contendo os contribuintes individuais/autônomos que lhe prestaram serviços (objeto da presente demanda), com a Retenção de 11% de que trata o artigo 31 da Lei n° 8.212/91, concernente à prestação de serviços por empresa mediante cessão de mãodeobra. Fl. 6DF CARF MF Emitido em 07/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/06/2011 por MARIA MADALENA SILVA Assinado digitalmente em 20/06/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE , 06/07/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 12963.000535/200928 Acórdão n.º 2401001.886 S2C4T1 Fl. 136 7 Destarte, o artigo 148 encontrase incluído no Capítulo IX da Instrução Normativa SRP n° 03/2005, que contempla a prestação de serviços, por empresa contratada, mediante cessão de mãodeobra, o que não se vislumbra no caso vertente, afastando a aplicação de referida desobrigação legal ao Auto de Infração em comento. Com efeito, o Relatório Fiscal é por demais enfático ao esclarecer que a recorrente preparou folhas de pagamento das remunerações pagas ou creditadas aos segurados empregados e contribuintes individuais a seu serviço em desacordo com os padrões e normas estabelecidos pelo INSS, deixando de incluir os prestadores de serviços pessoas físicas (autônomos) elencados naquele anexo, infringindo o disposto no artigo 32, inciso I, da Lei nº 8.212/91, ensejando a constituição do crédito previdenciário decorrente da multa aplicada nos termos do artigo 283, inciso I, alínea “a”, do RPS, que assim prescrevem: “ Lei nº 8.212/91 Art. 32. A empresa também é obrigada a: I preparar folhasdepagamento das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidos pelo órgão competente da Seguridade Social;” “Regulamento da Previdência Social – Aprovado pelo Decreto 3.048/99. Art. 283. Por infração a qualquer dispositivos das Leis 8.212 e 8.213, ambas de 1991, e 10.666, de 08 de mais de 2003, para a qual não haja penalidade expressamente cominada neste Regulamento, fica o responsável sujeito a multa variável [...], conforme gravidade da infração, aplicandoselhe o disposto nos arts. 290 a 292, e de acordo com os seguintes valores: I a partir de R$ 636,17 (seiscentos e trinta e seis reais e dezessete centavos) nas seguintes infrações: (Valor alterado para R$ 991,03, a partir de 06/2003, conforme Portaria MPS nº 727/03) a) deixar a empresa de preparar folha de pagamento das remunerações pagas, devidas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, de acordo com este Regulamento e com os demais padrões e normas estabelecidos pelo Instituto Nacional do Seguro Social;” Verificase que, de acordo com o Relatório Fiscal, o recorrente não apresentou a documentação exigida pela Fiscalização na forma que determina a legislação previdenciária, incorrendo na infração prevista nos dispositivos legais supracitados, o que ensejou a aplicação da multa, nos termos do Regulamento da Previdência Social, como procedeu, corretamente, o fiscal autuante, impondo a manutenção do lançamento. Quanto aos Srs. Vitor Antonio Camilo e José Osmar Luiz Pereira que a contribuinte sustenta que as importâncias pagas não se referem à prestação de serviços, mas, sim, compra de produtos (placas de prata, materiais e utensílios, respectivamente), além da recorrente não fazer prova de sua argumentação, ainda que procedente fosse seu inconformismo, não seria capaz de rechaçar a pretensão fiscal, eis que tratandose de auto de Fl. 7DF CARF MF Emitido em 07/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/06/2011 por MARIA MADALENA SILVA Assinado digitalmente em 20/06/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE , 06/07/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 8 infração cuja existência de uma única inobservância de obrigação acessória enseja a manutenção da autuação em sua integralidade, o fato de parte da infração ser corrigida ou comprovada sua não ocorrência, não tem o condão de afastar a multa imputada, como se vislumbra no caso sob análise. Na esteira desse entendimento, não se cogita em improcedência do feito, tendo em vista que o fiscal autuante agiu da melhor forma, com estrita observância da legislação tributária aplicável à espécie, impondo a manutenção da decisão recorrida em sua plenitude. No que tange às demais alegações da contribuinte, não cabe aqui tecer maiores considerações, porquanto não são capazes de rechaçar a exigência fiscal em comento, eis que desprovidas de qualquer amparo legal ou lógico, bem como já devidamente refutadas na decisão de primeira instância. Assim, escorreita a decisão recorrida devendo nesse sentido ser mantido o lançamento, uma vez que a contribuinte não logrou infirmar os elementos colhidos pela fiscalização que serviram de base à penalidade aplicada, não fazendo uso nem mesmo do benefício da relevação da multa, inscrito no artigo 291, § 1º, do RPS. Por todo o exposto, estando o Auto de Infração sub examine em consonância com os dispositivos legais que regulam a matéria, VOTO NO SENTIDO DE CONHECER DO RECURSO VOLUNTÁRIO, rejeitar a preliminar de nulidade da decisão recorrida e, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO, mantendo incólume a decisão de primeira instância, pelos seus próprios fundamentos. Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira Fl. 8DF CARF MF Emitido em 07/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/06/2011 por MARIA MADALENA SILVA Assinado digitalmente em 20/06/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE , 06/07/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
score : 1.0
Numero do processo: 16349.000396/2009-31
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu May 05 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed May 04 00:00:00 UTC 2011
Ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Período de apuração: 01/04/2007 a 30/06/2007
MATÉRIA CONSTITUCIONAL. APRECIAÇÃO IMPOSSIBILIDADE.
Descabe ao Carf manifestarse,
originalmente, em relação à matéria
constitucional, como pressuposto a afastar a aplicação da lei.
ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Período de apuração: 01/04/2007 a 30/06/2007
INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA E TRIBUTAÇÃO MONOFÁSICA.
PRODUTOS.
A tributação monofásica é específica e distinta da incidência não cumulativa,
que é geral, não havendo que se falar em créditos para a segunda decorrentes
de entradas sujeitas à primeira.
ALÍQUOTA ZERO E OUTRAS HIPÓTESES DESONERATIVAS.
MANUTENÇÃO DE CRÉDITO. LEI No 11.033, DE 2004.
A manutenção de créditos, que não se confunde com exclusões da base de
cálculo, prevista na Lei no 11.033, de 2004, referese
às hipóteses
desonerativas criadas pela própria Lei e não alteram o regime de tributação
monofásico previsto em legislação anterior.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3302-000.939
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em negar
provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Vencidos os conselheiros
Fabiola Cassiano Keramidas, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto. Os conselheiros
Fabiola Cassiano Keramidas e Gileno Gurjão Barreto apresentaram declaração de voto. Fez sustentação oral em abril de 2011, pela recorrente, o Dr. Rodrigo da Rocha Costa, OAB/SP no
203.988. Esteve presente ao julgamento em maio de 2011 o Dr. Rodrigo da Rocha Costa,
OAB/SP no 203988.
Nome do relator: JOSE ANTONIO FRANCISCO
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ementa_s : ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/04/2007 a 30/06/2007 MATÉRIA CONSTITUCIONAL. APRECIAÇÃO IMPOSSIBILIDADE. Descabe ao Carf manifestarse, originalmente, em relação à matéria constitucional, como pressuposto a afastar a aplicação da lei. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/04/2007 a 30/06/2007 INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA E TRIBUTAÇÃO MONOFÁSICA. PRODUTOS. A tributação monofásica é específica e distinta da incidência não cumulativa, que é geral, não havendo que se falar em créditos para a segunda decorrentes de entradas sujeitas à primeira. ALÍQUOTA ZERO E OUTRAS HIPÓTESES DESONERATIVAS. MANUTENÇÃO DE CRÉDITO. LEI No 11.033, DE 2004. A manutenção de créditos, que não se confunde com exclusões da base de cálculo, prevista na Lei no 11.033, de 2004, referese às hipóteses desonerativas criadas pela própria Lei e não alteram o regime de tributação monofásico previsto em legislação anterior. Recurso Voluntário Negado
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/04/2007 a 30/06/2007 MATÉRIA CONSTITUCIONAL. APRECIAÇÃO IMPOSSIBILIDADE. Descabe ao Carf manifestarse, originalmente, em relação à matéria constitucional, como pressuposto a afastar a aplicação da lei. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/04/2007 a 30/06/2007 INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA E TRIBUTAÇÃO MONOFÁSICA. PRODUTOS. A tributação monofásica é específica e distinta da incidência não cumulativa, que é geral, não havendo que se falar em créditos para a segunda decorrentes de entradas sujeitas à primeira. ALÍQUOTA ZERO E OUTRAS HIPÓTESES DESONERATIVAS. MANUTENÇÃO DE CRÉDITO. LEI No 11.033, DE 2004. A manutenção de créditos, que não se confunde com exclusões da base de cálculo, prevista na Lei no 11.033, de 2004, referese às hipóteses desonerativas criadas pela própria Lei e não alteram o regime de tributação monofásico previsto em legislação anterior. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Vencidos os conselheiros Fabiola Cassiano Keramidas, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto. Os conselheiros Fabiola Cassiano Keramidas e Gileno Gurjão Barreto apresentaram declaração de voto. Fez Fl. 125DF CARF MF Emitido em 19/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/05/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Assinado digitalmente em 25/05/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, 27/06/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 26/06/2011 por GILENO GURJAO BARRETO 2 sustentação oral em abril de 2011, pela recorrente, o Dr. Rodrigo da Rocha Costa, OAB/SP no 203.988. Esteve presente ao julgamento em maio de 2011 o Dr. Rodrigo da Rocha Costa, OAB/SP no 203988. (Assinado digitalmente) Walber José da Silva Presidente (Assinado digitalmente) José Antonio Francisco Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Alan Fialho Gandra, Fabiola Cassiano Keramidas, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto. Relatório Tratase de recurso voluntário (fls. 59 a 79) apresentado em 26 de março de 20100 contra o Acórdão no 1624.368, de 24 de fevereiro de 2010, da 6ª Turma da DRJ / SP1 (fls. 46 a 55), cientificado em 24 de março de 2010, que, relativamente a Declaração de Compensação sobre créditos de PIS do segundo trimestre de 2007, considerou improcedente a manifestação de inconformidade da Interessada, nos termos de sua ementa, a seguir reproduzida: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/04/2007 a 30/06/2007 CONCESSIONÁRIA DE VEÍCULOS. PEDIDO ELETRÔNICO DE RESSARCIMENTO. INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. AQUISIÇÃO DE PRODUTOS MONOFÁSICOS PARA REVENDA. INEXISTÊNCIA DE DIREITO A CRÉDITO. A aquisição de produtos monofásicos para revenda constitui exceção à regra geral da não cumulatividade, não gerando créditos por força da vedação contida no art. 3 , I, da lei nº 10.637/2002. Em razão disso, não se aplica a esses produtos — notadamente aos veículos automotores e autopeças comercializados pela recorrente — o art. 17 da lei nº 11.033/2004. DESPACHO DECISÓRIO. PRELIMINAR DE NULIDADE. DESCABIMENTO. Somente se reputa nulo o despacho decisório nas hipóteses previstas no art. 59, II, do Decreto nº 70.235/72. ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. COMPETÊNCIA DA AUTORIDADE ADMINISTRATIVA. Não compete ao julgador da esfera administrativa a análise de Fl. 126DF CARF MF Emitido em 19/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/05/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Assinado digitalmente em 25/05/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, 27/06/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 26/06/2011 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 16349.000396/200931 Acórdão n.º 330200.939 S3C3T2 Fl. 0 3 questões que versem sobre a constitucionalidade de norma legal regularmente editada. ANTINOMIA JURÍDICA. PREVALÊNCIA DO PRINCÍPIO DA ESPECIALIDADE SOBRE O CRITÉRIO CRONOLÓGICO. Segundo a regra de interpretação contida no brocardo latino lex posterior generalis non derogat legi priori speciali, o princípio da especialidade sempre prevalece sobre o critério cronológico. Manifestação de Inconformidade Improcedente A Primeira Instância assim resumiu o litígio: 4. O processo em exame versa sobre pedido eletrônico de ressarcimento formulado nas fls. 1/2, relativo a supostos créditos de Pis apurados no 2o trimestre de 2007. 5. Em despacho decisório de 26/05/2009 (fls. 7/9), a Divisão de Orientação e Análise Tributária (DIORT) da DERAT/SPO indeferiu o pleito, o que levou a recorrente a apresentar a manifestação de inconformidade anexa às fls. 14/34, cujo teor resumo a seguir. 5.1) Observa inicialmente que, com o advento da lei nº 10.485/2002, a receita proveniente da venda de veículos automotores passou a sujeitarse à incidência monofásica do Pis e da Cofins, recaindo sobre o montador ou importador a responsabilidade pelo recolhimento dessas contribuições. 5.2) Afirma que a lei nº 10.865/2004, ao alterar a lei nº 10.485/2002 — com reflexos nas leis nº 10.637/2002 (Pis) e nº 10.833/2003 (Cofins) — se por um lado reduziu a zero a alíquota de ambas as contribuições relativamente às receitas auferidas pelas concessionárias com a comercialização dos produtos sujeitos ao regime monofásico, por outro lado vetou o aproveitamento dos créditos correspondentes a essas operações. 5.3) Depreende daí que as alterações introduzidas pelas leis nº 10.485/2002 e nº 10.865/2004, a par de criar “exação muito superior ao usual” e vetar a não cumulatividade (regime a que faz jus), criaram “carga tributária além da capacidade contributiva do recorrente, em verdadeiro confisco tributário, exigência portanto inconstitucional”(fl. 17). 5.4) Ressalta que, procurando corrigir a distorção, o art. 17 da lei nº 11.033/2004, oriunda da MP nº 206/2004, autorizou de forma expressa o aproveitamento dos créditos vinculados a operações comerciais de venda realizadas com alíquota zero. 5.5) Alega que a Fazenda Pública, ao indeferir o pedido de ressarcimento, negou vigência ao referido dispositivo legal, “que alterou a Legislação atinente a espécie, negando coercitivamente o DIREITO do recorrente de utilizar seus créditos vinculados a suas vendas com alíquota ‘ZERO’, razão do inconformismo que traz o recorrente a esta Delegacia de Julgamento” (fl. 18). Fl. 127DF CARF MF Emitido em 19/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/05/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Assinado digitalmente em 25/05/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, 27/06/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 26/06/2011 por GILENO GURJAO BARRETO 4 5.6) Passando a discorrer sobre o princípio da não cumulatividade, reafirma que o entendimento da DIORT a impede de exercer “DIREITO LÍQUIDO E CERTO de creditar se dos valores recolhidos nas fases anteriores, sob pena de ver se autuado e cobrado judicialmente” (fl. 21). 5.7) Invocando o art. 195 da Constituição Federal e alegando que o sistema monofásico de tributação teria instituído novo imposto sem amparo legal, assevera que a lei nº 10.865/2004, embora determine que a recorrente promova os fatos geradores relativos ao Pis e à Cofins, não lhe permite aproveitar os créditos advindos dos produtos a serem vendidos com alíquota zero. Acrescenta que tal vedação — sobre ser ilegal e inconstitucional — constitui grave ofensa aos ditames da lei nº 11.033/2004. 5.8) Afirmando que a exclusão das operações de venda com alíquota zero do regime não cumulativo implica tributação excessiva ou confisco e que o art. 17 da lei nº 11.033/2004 teria por objetivo precisamente afastar a ilegalidade e a inconstitucionalidade ínsitas a essa sistemática, declara que o indeferimento do pedido de ressarcimento representa “flagrante afronta ao princípio da capacidade contributiva, da isonomia, da estrita legalidade e o desrespeito a vinculação dos atos públicos” (fl. 30). 5.9) Assinala ainda que, em face da recusa do recorrido em atender à determinação legal, não lhe restou alternativa senão recorrer ao Poder Judiciário para que este determine que a Delegacia de Arrecadação de São Paulo respeite a lei, vale dizer, o art. 17 da lei nº 11.033/2004, reconhecendolhe o direito líquido e certo ao crédito vinculado. 5.10) Discorrendo ligeiramente acerca dos princípios da capacidade contributiva, da isonomia e da legalidade, afirma ser “ilegal e nula a exigência” (fl. 32), uma vez que a autoridade administrativa age em desacordo com a lei, que permite à recorrente aproveitar integralmente seu crédito vinculado, inclusive os créditos vinculados a vendas com alíquota zero. 5.11) Acrescenta que, ao afirmar que o pedido da requerente, fundado no art. 17 da lei nº 11.033/2004, não se aplica, excepcionalmente, à revenda de veículos e peças, o chefe da DIORT pretende “fazer legislação anterior modificar a posterior em absoluto descompasso com a Lei natural”(fl. 33). 5.12) Rematando o arrazoado, requer que este órgão julgador lhe assegure o direito de apurar os débitos de Pis e Cofins vincendos mercê do aproveitamento dos créditos vinculados à compra de veículos “zero”, peças e acessórios, nos moldes do art. 17 da lei nº 11.033/2004, bem como a autorize, para determinar tais créditos, a aplicar as alíquotas de 1,65% para o Pis e 7,60% para a Cofins, segundo prevêem respectivamente as leis nº 10.637/2002 e nº 10.833/2003. Requer, em suma, a reforma do despacho decisório impugnado, bem como o ressarcimento “dos valores relativos ao crédito vinculado de PIS e COFINS nos termos do art. 17 da Lei 11.033” (fl. 34). Fl. 128DF CARF MF Emitido em 19/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/05/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Assinado digitalmente em 25/05/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, 27/06/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 26/06/2011 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 16349.000396/200931 Acórdão n.º 330200.939 S3C3T2 Fl. 0 5 No recurso, a Interessada alegou que “vedação ao aproveitamento do crédito vinculado ao faturamento relativo aos bens vendidos com alíquota zero fere a o art. 17 da Lei 11.033/2004 além do principio da igualdade tributária.” Após esclarecer que, “Anteriormente já havia previsão legal, Lei 10.485/2002, que determinava que a exigências, relativas ao PIS e a Cofins, fossem recolhidas por expressa responsabilidade do montador ou importador, ao que se denominou recolhimento por substituição tributária, monofásico, no entendimento do Fisco”, acrescentou que, “Com a transformação das exações, razão do inconformismo, em tributos não cumulativos, a Lei 10.865/04, inovou, determinando que o recorrente (concessionário de veículos) promovesse o fato gerador das contribuições, contudo, determinou que o PIS e a Cofins fossem tributados a alíquota ‘0’, uma vez recolhidos, em porcentagem superior a usual, pelo importador ou montador.” De acordo com a Interessada, “[...] hodiernamente, de forma geral, a exigência quanto ao recolhimento das exações ao PIS e a COFINS é calculada pelo resultado dos custos e despesas subtraídos da receita a que deu origem [...]”. Na sequência, aborda a questão principal do litígio, esclarecendo o seguinte: Ocorre que a mesma Lei 10.865/04, alterou a Lei 10.485/02 com reflexo nas Leis 10.637/02 e 10.833/03, determinando a alíquota zero para a venda de carros zero e vetando o aproveitamento do crédito vinculado, o que leva ao recorrente sofrer tratamento desigual. Tal tratamento desigual ocorreria, no entendimento da Recorrente, pelo fato de não poder utilizar o crédito em relação ao que dispôs as Leis nos 10.865, de 2004, e 10.485, de 2002, que “vetou a não cumulatividade, ainda que determinando o calculo da alíquota do PIS e da COFINS em ‘zero’ criando carga tributária além da capacidade contributiva do recorrente, em verdadeiro confisco tributário, exigência portanto inconstitucional.” Entretanto, segundo a Interessada, somente a partir de agosto de 2004, com a Medida Provisória no 206, foi autorizado o aproveitamento dos créditos vinculados a operações de alíquota zero. A seguir, analisou o princípio da não cumulatividade, citando doutrina e jurisprudência, que lhe daria o direito de “de somar todas os custos e despesas, quaisquer que seja[m], desde que vinculados ao seu faturamento, e diminuir de seu faturamento ou receita, o resultado apurado é a base de cálculo dessas exações incluindo nos valores agregados como despesas vinculadas ao faturamento, aquelas relativas às vendas com alíquota ‘zero’, assim determina a Lei [no 11.033, de 2004]”. Defendeu a tese de que a tributação monofásica seria uma substituição tributária disfarçada e que, continuando a ser tributada sobre o faturamento por determinação constitucional “e ainda em parte pelo valor de venda do veículo ao concessionário”, haveria a “inegável instituição de novo imposto, sem amparo legal.” Analisou, então, a legislação e reafirmou que o entendimento da primeira instância afrontaria vários princípios constitucionais. É o relatório. Fl. 129DF CARF MF Emitido em 19/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/05/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Assinado digitalmente em 25/05/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, 27/06/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 26/06/2011 por GILENO GURJAO BARRETO 6 Voto Conselheiro José Antonio Francisco, Relator O recurso é tempestivo e satisfaz os demais requisitos de admissibilidade, dele devendose tomar conhecimento. A Interessada não repetiu no recurso as alegações sobre nulidade do despacho decisório, cabendo, portanto, apenas a análise do mérito da matéria. Pretende excluir da base de cálculo da contribuição não cumulativa os custos decorrentes de aquisição de produtos sujeitos à alíquota zero em face de sujeitaremse ao regime monofásico. Primeiramente, há que se esclarecer que a não cumulatividade não é uma regra geral constitucional. A simples consulta ao texto constitucional e suas alterações permite concluir que a não cumulatividade aplicarseia irrestritamente apenas aos tributos criados na competência residual da União (art. 154, I). Em relação aos tributos originalmente previstos na Constituição, apenas o ICMS e o IPI eram sujeitos à não cumulatividade, que, segundo José Souto Maior Borges, seria uma “simples regra” e não um princípio como pretendido pela maioria da doutrina (Teoria Geral da Isenção Tributária. 3ª ed. São Paulo: Editora Malheiro, 2001, ps. 3412). Portanto, a regra (ou, se se preferir, o princípio) constitucional da não cumulatividade simplesmente não se aplicava às contribuições sociais no texto original da Constituição. Com a Emenda Constitucional no 47, de 2005, a Constituição passou a prever, no art. 195, § 9º, a possibilidade de diferenciação de alíquota e base de cálculo. Entretanto, à vista de matéria constitucional, o Carf não pode deixar de afastar a aplicação de lei, conforme sua Súmula no 2 (Portaria Carf no 106, de 2009): Súmula Carf nº 2: O Carf não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Ademais, tal impossibilidade é reforçada pelas disposições do art. 62 do seu Regimento Interno (Portaria MF no 256, de 2009). Dessa forma, somente é possível, em sede do presente recurso voluntário, apreciar as alegações da Interessada em relação ao que determina a lei, uma vez que sua aplicação não pode ser afastada. Entretanto, antes cabe esclarecer que, em alguns pontos, as alegações da Interessada são contraditórias, como nos exemplos a seguir. 1. Violação à não cumulatividade Parte dos produtos vendidos pela Interessada sujeitase ao regime monofásico, que, pelas próprias disposições legais, como se verá adiante, é um regime distinto Fl. 130DF CARF MF Emitido em 19/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/05/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Assinado digitalmente em 25/05/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, 27/06/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 26/06/2011 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 16349.000396/200931 Acórdão n.º 330200.939 S3C3T2 Fl. 0 7 do não cumulativo. Dessa forma, tratandose de um regime diverso, paralelo e específico de incidência da contribuição, não há como haver violação de regra aplicável a outro regime. 2. Violação ao princípio da isonomia Isonomia implica tratamento igual aos que estejam em igual situação. Portanto, não faz sentido argumentar violação à isonomia se a regra é aplicável não só à Recorrente como a todos os contribuintes que se encontram na mesma situação. 3. Violação à capacidade contributiva No caso em questão, não é possível violação à capacidade contributiva, uma vez que os produtos vendidos sujeitos à alíquota zero já foram tributados pelo regime monofásico anteriormente. Dessa forma, o valor da contribuição devida pela Recorrente, em relação a tais produtos, é zero. O que a Interessada pretende é, na realidade, ao incluir na dedução da base de cálculo da contribuição devida em relação aos demais produtos, reduzir a base de cálculo destes últimos, cuja contribuição devida nada tem a ver com daqueles. 4. Sugestão de bitributação Em suas alegações, a Interessada sugere aparentemente que estaria sujeita a duas tributações. De fato, está, mas, além de os produtos sujeitos à incidência monofásica não estarem sujeitos à incidência não cumulativa (inexiste bitributação), tais produtos sujeitamse à alíquota zero. De fato, para concluir que a forma de tributação por incidência monofásica seria tão injusta a ponto de exigir deduções das bases de cálculo do revendor, seria preciso demonstrar que o resultado dessa tributação, no geral, seria injustificadamente maior do que a dos demais produtos sujeitos à não cumulatividade, o que sequer foi abordado adequadamente pela Interessada. Feitas as observações acima, passase à análise da legislação. Conforme bem observado pela primeira instância, as leis que instituíram as contribuições não cumulativas previram expressamente que suas disposições não se aplicariam às receitas “decorrentes de saídas isentas da contribuição ou sujeitas à alíquota zero” e ainda aos casos de substituição tributária. Vale dizer, o regime de não cumulatividade é geral, enquanto que o regime de tributação concentrada ou monofásico é específico e apurado paralelamente àquele. O que se discute, a seguir, é a aplicação do art. 17 da Lei no 11.033, de 2004, ao caso dos autos: Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota ‘0’ (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. Tal dispositivo deve ser lido atentamente. Em primeiro lugar, por que não é uma disposição legal generalista como pretende a Interessada. Vale dizer, não se aplica à toda a legislação de PIS/Pasep e Cofins, por Fl. 131DF CARF MF Emitido em 19/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/05/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Assinado digitalmente em 25/05/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, 27/06/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 26/06/2011 por GILENO GURJAO BARRETO 8 dizer respeito somente às hipóteses previstas na própria lei, que trata do “Regime Tributário para Incentivo à Modernização e à Ampliação da Estrutura Portuária”. Nesse contexto, a própria lei prevê a incidência de “suspensão”, “isenção”, “não incidência” e especificamente de alíquota zero no art. 14, § 2º. Por isso, no art. 17, prevê a manutenção de créditos. Aí reside a segunda atenção que se deve ter ao ler o dispositivo, uma vez que, especificamente, prevê a “manutenção” dos créditos vinculados às vendas de produtos de alíquota zero. Vale dizer, não trata de exclusões de base de cálculo, mas de créditos que tenham sido escriturados e que, em função da incidência de alíquota zero e das demais hipóteses previstas na própria lei, poderiam ser objeto de uma eventual interpretação restritiva, como a que ocorre no IPI, quanto a seu aproveitamento. Então, a própria lei já previu, para que não houvesse dúvidas sobre a matéria, que a incidência das hipóteses desonerativas não implicaria glosa de créditos. Portanto, as alegações da Interessada fundamse em equívocos de interpretação da legislação, uma vez que as duas modalidades de apuração da contribuição coexistem mas não se comunicam. Por fim, observese que as referências posteriores da legislação ao referido dispositivo legal não têm o condão de estender sua abrangência. Na realidade, limitamse a regular o crédito do “Regime Tributário para Incentivo à Modernização e à Ampliação da Estrutura Portuária”, conforme esclarecido acima. À vista do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (Assinado digitalmente) José Antonio Francisco Declaração de Voto Conselheiro Gileno Gurjão Barreto Da atual possibilidade de tomada de créditos – Lei nº 11.727/08 Primeiramente, cabe relembrar que foi com o advento das Leis nº 10.637/02 e nº 10.833/03 (conversões das MP’s nº 66/02 e nº 135/03) que as contribuições para o PIS/PASEP e COFINS passaram a ter como regime geral o sistema de nãocumulatividade, entretanto, esse dispositivo foi além da aplicação desse regime e também admitiu o direito de descontar créditos calculados a partir das etapas anteriores de bens adquiridos para revenda, a saber, independentemente do sujeito detentor do crédito: Fl. 132DF CARF MF Emitido em 19/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/05/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Assinado digitalmente em 25/05/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, 27/06/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 26/06/2011 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 16349.000396/200931 Acórdão n.º 330200.939 S3C3T2 Fl. 0 9 “Art. 3º. Do valor apurado na forma do art. 2º, a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em ralação a: I – bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: a) – nos incisos III e IV do § 3º do art. 1º desta Lei (...) (...)§ 2º Não dará direito a crédito o valor: I de mãodeobra paga a pessoa física; e II da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição. (Redação do § 2º dada pela Lei nº 10.865/04)(...) (...) § 7º Na hipótese de a pessoa jurídica sujeitarse à incidência nãocumulativa da COFINS, em relação apenas à parte de suas receitas, o crédito será apurado, exclusivamente, em relação aos custos, despesas e encargos vinculados a essas receitas. § 8º Observadas as normas a serem editadas pela Secretaria da Receita Federal, no caso de custos, despesas e encargos vinculados às receitas referidas no § 7º e àquelas submetidas ao regime de incidência cumulativa dessa contribuição, o crédito será determinado, a critério da pessoa jurídica, pelo método de: I apropriação direta, inclusive em relação aos custos, por meio de sistema de contabilidade de custos integrada e coordenada com a escrituração; ou II rateio proporcional, aplicandose aos custos, despesas e encargos comuns a relação percentual existente entre a receita bruta sujeita à incidência não cumulativa e a receita bruta total, auferidas em cada mês. § 9º O método eleito pela pessoa jurídica para determinação do crédito, na forma do § 8º, será aplicado consistentemente por todo o ano calendário e, igualmente, adotado na apuração do crédito relativo à contribuição para o PIS/PASEP nãocumulativa, observadas as normas a serem editadas pela Secretaria da Receita Federal.(...)” “Art. 10. Permanecem sujeitas às normas da legislação da COFINS, vigentes anteriormente a esta Lei, não se lhes aplicando as disposições dos art. 1 a 8. VII – as receitas decorrentes das operações: a) referidas no inciso IV do § 3 do art. 1. Fl. 133DF CARF MF Emitido em 19/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/05/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Assinado digitalmente em 25/05/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, 27/06/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 26/06/2011 por GILENO GURJAO BARRETO 10 b) sujeitas à substituição tributária da COFINS”. Tais dispositivos legais vedavam, entretanto, a tomada de crédito de PIS e COFINS pelas pessoas jurídicas revendedoras, nas operações de revenda de mercadorias em relação às quais a contribuição fosse exigida da empresa vendedora, na condição de substituta tributária e também em relação à venda de álcool para fins carburantes. No entanto, essa situação perdurou até a edição da Lei nº 10.865/04 que alterou consideravelmente as Leis nº 10.637/02 e nº 10.833/03. Aquela lei, dentre outras alterações, ampliou o regime não cumulativo para que esse alcançasse também as receitas sujeitas à incidência monofásica do PIS e da COFINS, manteve as alíquotas diferenciadas dispersas na legislação do PIS/COFINS, inseriu as alíneas a e b nos incisos I dos arts. 3º das Leis nºs 10.637/02 e 10.833/03 e por fim, alterou os parágrafos 2º dos arts. 3º das mencionadas leis, no sentido de indicar a impossibilidade da tomada de crédito relativamente a bens e serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição. Posteriormente, em 2004 ainda, foi adicionado à MP nº 206/04, posteriormente convertida na Lei nº 11.033, o art. 16 (quando da conversão passou a ser o art. 17) que tratava sobre a manutenção de créditos nas vendas efetuadas com isenção, alíquota zero, suspensão e nãoincidência do PIS e COFINS. Esse dispositivo veio assim redigido: “Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações.(...)” Importantíssimo ressaltar que a partir desse momento, duas normas aparentemente contraditórias passaram a vigorar no ordenamento jurídico relativo às contribuições mencionadas. Porém, por regra geral de hermenêutica, norma específica sobrepõese à norma geral, e assim esses dispositivos deverão ser interpretados a partir da inserção do fato concreto à norma, dentro de suas especificidades. O dispositivo retro estendeu o alcance do direito de manutenção de crédito de PIS e COFINS, alcançando o vendedor, atacadista ou até mesmo varejista, que viesse a efetuar vendas com suspensão, isenção, alíquota zero ou não incidência do PIS e da COFINS como regra geral, exceto quanto a operação porventura estiver sob a égide de norma específica que disponha em contrário. Posteriormente, em janeiro de 2008, foi editada a MP nº 413, que resultou em sua conversão na Lei nº 11.727/08, cujo objetivo precípuo fora adotar medidas de natureza tributária destinadas a estimular os investimentos e a modernização do setor de turismo, reforçar o sistema de proteção tarifária brasileiro e estabelecer a incidência de forma concentrada da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS na produção e comercialização de álcool. Por meio dessa Medida Provisória, o Poder Executivo tentou inserir dispositivo alheio às operações inicialmente objeto da Medida, para obstar a tomada de créditos relativa às operações ora em comento, ao literalmente tentar aprovar o texto dos artigos 14 e 15 em que vedava a apropriação de créditos de PIS/COFINS sobre os custos, encargos e despesas relativos às vendas de produtos onde incidiam o regime monofásico, apropriação antes permitida, por meio da inserção do § 14 ao art. 3º das Leis nº 10.637 e § 15 ao art. 3º da Lei nº 10.833/03: Fl. 134DF CARF MF Emitido em 19/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/05/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Assinado digitalmente em 25/05/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, 27/06/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 26/06/2011 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 16349.000396/200931 Acórdão n.º 330200.939 S3C3T2 Fl. 0 11 “Art. 14. Os arts. 2o e 3o da Lei no 10.637, de 30 de dezembro de 2002, passam avigorar com a seguinte redação: .................................................................................... § 14. Excetuamse do disposto neste artigo os distribuidores e os comerciantes atacadistas e varejistas das mercadorias e produtos referidos no § 1o do art. 2o desta Lei, em relação aos custos, despesas e encargos vinculados a essas receitas, não se aplicando a manutenção de créditos de que trata o art. 17 da Lei no 11.033, de 21 de dezembro de 2004.” (NR) Art. 15. Os arts. 2o e 3o da Lei no 10.833, de 29 de dezembro de 2003, passam avigorar com a seguinte redação: “Art. 2o .................................................................... (...).................................................................................. § 22. Excetuamse do disposto neste artigo os distribuidores e os comerciantes atacadistas e varejistas das mercadorias e produtos referidos no § 1o do art. 2o desta Lei, em relação aos custos, despesas e encargos vinculados a essas receitas, não se aplicando a manutenção de créditos de que trata o art. 17 da Lei no 11.033, de 21 de dezembro de 2004.” (NR)” Tal pretensa vedação simplesmente foi retirada da MP nº 413 durante seu tramite legislativo, ao qual foram interpostas 185 emendas, de modo que sua conversão em lei (Lei nº 11.727/08) não contém tal vedação. Importante observar o reconhecimento pleno do direito ao crédito pela aplicação do art. 17 da lei nº 11.033/04. Outrossim, consideramos que a pretensa vedação à tomada dos créditos ora em discussão, prevista nos art. 3º, I, b, das Leis nº 10.637/2002 e nº 10.833/2003 restou totalmente superada com a nova redação conferida ao art. 24 da mencionada Lei nº 11.727/08. Previu esse dispositivo a possibilidade de os revendedores de produtos monofásicos tomarem créditos sobre a aquisição de produtos sujeitos à alíquota monofásica, pelos mesmos valores aos quais elas foram destacadas na etapa anterior, litteris: “Art. 24. A pessoa jurídica sujeita ao regime de apuração não cumulativa da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, produtora ou fabricante dos produtos relacionados no § 1º do art. 2º da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, pode descontar créditos relativos à aquisição desses produtos de outra pessoa jurídica importadora, produtora ou fabricante, para revenda no mercado interno ou para exportação. § 1º Os créditos de que trata o caput deste artigo correspondem aos valores da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins devidos pelo vendedor em decorrência da operação. § 2º Não se aplica às aquisições de que trata o caput deste artigo o disposto na alínea b do inciso I do caput do art. 3º da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e na alínea b do inciso I do caput do art. 3º da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003.” Fl. 135DF CARF MF Emitido em 19/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/05/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Assinado digitalmente em 25/05/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, 27/06/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 26/06/2011 por GILENO GURJAO BARRETO 12 Ademais, corrobora com todo esse entendimento o disposto no art. 16 da Lei nº 11.116/05, ao disciplinar a compensação e o ressarcimento de créditos de PIS e COFINS, referindose expressamente ao art. 17 da Lei nº 11.033/2004, sendo oportuna sua transcrição: “Art. 16. O saldo credor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurado na forma do art. 3º das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e do art. 15 da Lei nº 10.865, de 30 de abril de 2004, acumulado ao final de cada trimestre do anocalendário em virtude do disposto no art. 17 da Lei nº 11.033, de 21 de dezembro de 2004, poderá ser objeto de: I compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria; ou II pedido de ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. Parágrafo único. Relativamente ao saldo credor acumulado a partir de 9 de agosto de 2004 até o último trimestrecalendário anterior ao de publicação desta Lei, a compensação ou pedido de ressarcimento poderá ser efetuado a partir da promulgação desta Lei.” Nesse sentido, o entendimento atual é de que há o direito de crédito para as pessoas jurídicas que auferem receitas de vendas de produtos sobre os quais incide a alíquota zero, em sendo intrínseca ao regime de nãocumulatividade o direito desse. Ademais, inexiste qualquer vedação legal, prevalecendo o direito subjetivo das pessoas jurídicas à compensação ou recuperação dos créditos, mediante a aplicação das alíquotas pertinentes ao regime não cumulativo, previsto no art. 16 da Lei nº 11.116/2005. Cabe ressaltar que em 15 de dezembro de 2008 foi publicada a Medida Provisória nº 451, tratandose de mais uma tentativa do Governo em restringir os créditos de PIS e COFINS das distribuidoras e varejistas que comercializam produtos monofásicos. Tal MP em seus artigos 8 e 9 retirava a possibilidade de descontar créditos de PIS e COFINS dos distribuidores, dos comerciantes atacadistas e varejistas das mercadorias e produtos (produzidos e importados), quanto aos custos, despesas e encargos vinculados às receitas com a venda destes produtos. Dentre as 64 emendas apresentadas ressaltase a emenda supressiva número 09, apresentada pelo Deputado Eduardo Gomes, cuja justificativa: “Os artigos 8º e 9º da supracitada Medida Provisória inseriram novos parágrafos aos artigos 3º das Leis nº 10.637/02 e 10.833/03, vedando aos distribuidores e aos comerciantes varejistas e atacadistas de produtos sujeitos às alíquotas monofásicas o reconhecimento de créditos de PIS e COFINS sobre fretes, armazenagem, aluguéis, energia elétrica, dentre outros. Frisese que dispositivos semelhantes haviam sido também incluídos quando da edição da Medida Provisória nº 413, de 03 de janeiro de 2008, tendo sido suprimidos pelo Legislativo Federal quando de sua votação para conversão da MP na Lei nº 11.727, de 23 de junho de 2008. Fl. 136DF CARF MF Emitido em 19/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/05/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Assinado digitalmente em 25/05/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, 27/06/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 26/06/2011 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 16349.000396/200931 Acórdão n.º 330200.939 S3C3T2 Fl. 0 13 As alterações previstas na MP 451 resultariam em injustificado aumento da PIS/COFINS incidente na gasolina, diesel e querosene de aviação, que tem toda a carga tributária concentrada de forma monofásica na refinaria. A vedação dos créditos de PIS/COFINS incidente sobre esses custos inerentes a comercialização destes combustíveis, caracterizase como aumento da carga tributária, com impactos nos preços, e prejuízos para os consumidores finais.” Em parecer proferido em plenário, o Deputadorelator Sr. João Leão votou pela admissibilidade da MP nº 451, acolhendo a emenda nº 09. Por conseguinte, apresentou o Projeto de Lei de Conversão nº 04/2009 como substitutivo à Medida Provisória nº 451/08, que altera a legislação tributária federal, e dá outras providências. Esse Projeto foi aprovado pelo Plenário da Câmara dos Deputados em 07/04/2009 e convertida na Lei nº 11.945 em 05 de junho de 2009. Até que ocorra alguma alteração nos dispositivos retromencionados, entendemos que permanece o direito ao crédito sobre o qual discorremos. Nesse sentido, voto por dar provimento ao Recurso Voluntário (Assinado digitalmente) Gileno Gurjão Barreto Fl. 137DF CARF MF Emitido em 19/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/05/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Assinado digitalmente em 25/05/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, 27/06/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 26/06/2011 por GILENO GURJAO BARRETO
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Numero do processo: 13855.000730/2007-86
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 09 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Feb 09 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2004
IRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS CARACTERIZADA POR DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA.
AUSÊNCIA DA DE DOCUMENTAÇÃO QUE VINCULE A CONTA BANCÁRIA AO FISCALIZADO. AUSÊNCIA DE IDENTIFICAÇÃO DOS DEPÓSITOS. IMPOSSIBILIDADE DO LANÇAMENTO ANCORARSE NA PRESUNÇÃO DO ART. 42 DA LEI Nº 9.430/96. Considerando que a autoridade não sabia quando ocorreram os depósitos bancários, não poderia tomar os débitos pelos primeiros para efetuar a tributação do caput art. 42 da Lei nº 9.430/96 (Caracterizam-se também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações). Ora, é de conhecimento geral que apenas os depósitos bancários
podem ser presumidos como rendimentos omitidos, jamais eventuais débitos.
Não se conhecendo os depósitos, inviável se ancorar na presunção citada. Ademais, sequer se comprovou de forma iniludível que o fiscalizado era o real titular da conta bancária alienígena.
Recurso provido.
Numero da decisão: 2102-001.042
Decisão: Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos, em DAR provimento ao recurso. Fez sustentação oral o Dr. Gustavo Sampaio Vilhena, OAB-SP 165.462.
Matéria: IRPF- ação fiscal - Dep.Bancario de origem não justificada
Nome do relator: GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS
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OMISSÃO DE RENDIMENTOS CARACTERIZADA POR DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. AUSÊNCIA DA DE DOCUMENTAÇÃO QUE VINCULE A CONTA BANCÁRIA AO FISCALIZADO. AUSÊNCIA DE IDENTIFICAÇÃO DOS DEPÓSITOS. IMPOSSIBILIDADE DO LANÇAMENTO ANCORARSE NA PRESUNÇÃO DO ART. 42 DA LEI Nº 9.430/96. Considerando que a autoridade não sabia quando ocorreram os depósitos bancários, não poderia tomar os débitos pelos primeiros para efetuar a tributação do caput art. 42 da Lei nº 9.430/96 (Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações). Ora, é de conhecimento geral que apenas os depósitos bancários podem ser presumidos como rendimentos omitidos, jamais eventuais débitos. Não se conhecendo os depósitos, inviável se ancorar na presunção citada. Ademais, sequer se comprovou de forma iniludível que o fiscalizado era o real titular da conta bancária alienígena. Recurso provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos, em DAR provimento ao recurso. Fez sustentação oral o Dr. Gustavo Sampaio Vilhena, OABSP 165.462. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 24/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/03/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Assinado digitalmente em 11/03/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO 2 Assinado digitalmente GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Relator e Presidente. EDITADO EM: 11/03/2011 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Núbia Matos Moura, Vanessa Pereira Rodrigues Domene, Rubens Maurício Carvalho, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, Acácia Sayuri Wakasugi e Giovanni Christian Nunes Campos. Relatório Em face do contribuinte Eduardo Define, CPF/MF nº 015.232.36868, já qualificado neste processo, foi lavrado, em 24/04/2007, auto de infração (fls. 03 a 17), com ciência postal em 27/04/2007, a partir de ação fiscal iniciada em 16/02/2007 (fl. 156). Abaixo, discriminase o crédito tributário constituído pelo auto de infração antes informado, que sofre a incidência de juros de mora a partir do mês seguinte ao do vencimento do crédito: IMPOSTO R$ 334.513,92 MULTA DE OFÍCIO R$ 501.770,88 Ao contribuinte foi imputada uma omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, mantidos em contas no estrangeiro, no ano calendário 2003, conduta essa apenada com multa de ofício de 150%. Abaixo são reproduzidos excertos do relatório de encerramento da ação fiscal que esclarecem a infração (fls. 05, 11 a 13) (...) (...) Fl. 2DF CARF MF Emitido em 24/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/03/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Assinado digitalmente em 11/03/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Processo nº 13855.000730/200786 Acórdão n.º 210201.042 S2C1T2 Fl. 2 3 Fl. 3DF CARF MF Emitido em 24/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/03/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Assinado digitalmente em 11/03/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO 4 (...) Concluindo, a autoridade autuante qualificou a multa de ofício vinculada ao imposto lançado com a seguinte motivação (fl. 13), verbis: Fl. 4DF CARF MF Emitido em 24/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/03/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Assinado digitalmente em 11/03/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Processo nº 13855.000730/200786 Acórdão n.º 210201.042 S2C1T2 Fl. 3 5 Inconformado com a autuação, o contribuinte apresentou impugnação ao lançamento, dirigida à Delegacia da Receita Federal de Julgamento. A 5ª Turma de Julgamento da DRJSão Paulo II (SP), por unanimidade de votos, julgou procedente o lançamento, em decisão consubstanciada no Acórdão n° 1727.527, de 04 de setembro de 2008 (fls. 188 a 197). O contribuinte foi intimado da decisão a quo em 25/09/2008 (fl. 203). Irresignado, interpôs recurso voluntário em 21/10/2008 (fl. 207). No voluntário, o recorrente alega, em síntese, que: I. deve ser declarada a nulidade do lançamento pela ausência de tradução juramentada de documentos escritos em língua estrangeira; II. para o lançamento fiscal, a autoridade fiscal se baseou em documentos referentes à Comissão Parlamentar de Inquérito do Banestado, entendendo que o recorrente utilizou esquema de remessa ilegal de numerário via doleiros para a conta bancária nº 6550845306, do Bank of América de Nova York, administrada pela casa de câmbio Uruguai Lespan S/A, por meio do qual o numerário citado foi recebido pelo Citibank de Nova York, ordenadas as transferências por Antalux Corporation S/A MontevideoUruguay e Kingstur Brasil. Nos registros dessas operações aparecem as expressões “E DEFINE” ou “E/DEFIN” como beneficiários desses numerários, única prova a lastrear a acusação em desfavor do recorrente. “O que está havendo é que o nome do Recorrente ou de qualquer outro contribuinte homônimo foi citado por empresa de “doleiro” quando instada a se manifestar sobre a origem dos recursos enviados ao Bank Of America. Isto é, é um delírio imaginar que apenas com os documentos juntados aos autos possa se afirmar que o Recorrente tenha omitido receitas!” (fl. 214 – transcrição do recurso voluntário); III. foi utilizada uma presunção para imputar a responsabilidade tributária ao contribuinte no caso em debate, a partir de um documento enviado pela empresa Antalux Corporation S/A para a empresa Lespan S/A, que vinculou indevidamente os nomes “E DEFINE” ou “E/DEFIN” ao recorrente. Ora, inexiste essa presunção em lei, não podendo se amoldar ao art. 849 do Decreto nº 3.000/99 (art. 42 da Lei nº 9.430/96). Fl. 5DF CARF MF Emitido em 24/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/03/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Assinado digitalmente em 11/03/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO 6 É o relatório. Voto Conselheiro Giovanni Christian Nunes Campos, Relator Declarase a tempestividade do apelo, já que o contribuinte foi intimado da decisão recorrida em 25/09/2008, quintafeira (fl. 203), e interpôs o recurso voluntário em 21/10/2008 (fl. 207), dentro do trintídio legal, este que teve seu termo final em 27/10/2008, segundafeira. Dessa forma, atendidos os demais requisitos legais, passase a apreciar o apelo, como discriminado no relatório. Pelo que se vê nos autos, ao recorrente foram imputadas quatro remessas financeiras ocorridas no exterior, em junho, julho e novembro de 2003, no montante total de US$ 422.200,00 (R$ 1.216.414,26), estabelecidas através de débito na conta nº 6550845306, no Bank of America em Nova Iorque, administrada pela firma Lespan S/A, sendo que os valores debitados foram recebidos pelo Citibank de Nova Iorque, tendo como ordenante a Antalux Corp. S/A – MontevideoUruguay (US$ 322.200,00) e Kingstru Brasil (US$ 100.000,00). No registro das operações acima aparecem as expressões “E DEFINE” ou “E/DEFIN” como beneficiário, sendo que a identificação do autuado decorreu do nome aposto no documento enviado pela Antalux (doleiro) para a Lespan S/A, atendendo a solicitação do Bank of America, a partir de relatório interno de lavagem de dinheiro. O documento indica que as operações referemse a fundos enviados pelo Sr. Eduardo Define ou seu representante legal, do ramo de indústria e comércio de produtos alimentícios no mercosul, sob denominação “E DEFIN/CITIBANK”. Os recursos foram movimentados nas mesmas datas e valores pela Antalux e através da conta nº 6550845306, do Lespan (fls. 11, 145 a 153 c/c a fl. 104). Finalizando, a autoridade fiscal qualificou a multa de ofício para 150%, em decorrência de o contribuinte não ter informado na Declaração de ajuste anual do ano calendário 2003 todos as suas receitas ou rendimentos, resultando na supressão ou redução de tributos (fl. 13). O recorrente, em essência, pugna pela decretação de nulidade do procedimento fiscal, pela ausência de tradução juramentada dos documentos em língua estrangeira, e, avançando no mérito, nega que tenha efetuado as remessas ao exterior, afirmando que as provas dos autos são insuficientes para lhe imputar qualquer responsabilidade. Tudo pesado e medido, passase a apreciar diretamente o mérito da controvérsia, pois assiste razão ao contribuinte, como se demonstrará. Desde pelo menos 2007, o então Primeiro Conselho de Contribuintes, hoje CARF, vem apreciando a tributação de fatos geradores imputados a contribuintes, cuja documentação proveniente dos Estados Unidos foi assenhoreada pela Justiça Federal e Polícia Federal, no bojo da operação Farol da Colina, no caso denominado Banestado/Bacon Hill, com posterior repasse à Receita Federal do Brasil. A análise de múltiplos casos neste Conselho, inclusive sob relatoria deste conselheiro relator, demonstrou a necessidade de uma análise criteriosa desta documentação, Fl. 6DF CARF MF Emitido em 24/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/03/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Assinado digitalmente em 11/03/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Processo nº 13855.000730/200786 Acórdão n.º 210201.042 S2C1T2 Fl. 4 7 pois em diversos casos se verificou, no final, que a imputação fiscal aos contribuintes era indevida. Um dos casos que este Conselheiro relator julgou foi o Recurso nº 150.911, quando se prolatou o Acórdão nº 10616.978, Sexta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, sessão de 26 de junho de 2008, unânime para reconhecer a ilegitimidade passiva do fiscalizado. No caso se apreciava remessas feitas para o exterior por determinado contribuinte, em contas administradas pela mesma BHSC – Beacon Hill Service Corporation, quando, ao final, comprovouse que o doleiro havia imputado falsamente ao fiscalizado as remessas, encobrindo o real remetente, como se descobriu em inquérito levado a efeito pela Polícia Federal. Outro exemplo que demonstrou o cuidado que se deve ter com tal documentação ocorreu com o julgamento do recurso nº 158.453, Acórdão nº 210200366, Segunda Turma da Primeira Câmara da Segunda Seção do CARF, relator este Conselheiro, sessão de 29/10/2009, unânime para dar provimento ao recurso do contribuinte, quando se imputou uma remessa de mais de seis milhões de dólares ao então fiscalizado, quando parecia claro o despropósito dessa medida, como se vê no fundamento do voto, abaixo: Inicialmente, este Conselheiro relator, concluída a leitura do relatório, defendeu uma nova conversão do feito em diligência, visando acostar a estes autos a conclusão do Inquérito Policial nº 109/2007DPF/PNG/PR. Entretanto, nas discussões que se seguiram na Turma, formouse uma ampla maioria pelo provimento do recurso, em decorrência dos claros indícios de que o contribuinte não poderia ser o proprietário dos recursos expatriados, tudo aliado à ausência de comprovação de como o contribuinte teria se favorecido pelas remessas para exterior, por consumo ou acréscimo patrimonial, prova essa que deveria ter sido produzida pela autoridade autuante, o que não ocorreu no caso vertente. Assim, melhor ponderando, percebi que a posição da douta maioria melhor se adequava ao caso em discussão, o que me levou a retificar meu voto, aderindo ao entendimento dominante, como exposto a seguir. O presente lançamento foi o primeiro caso apreciado pela então Sexta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes em face de contribuintes autuados no bojo da chamada operação Beacon Hill (caso Banestado), com a composição de Conselheiros estabelecida a partir do segundo semestre de 2007. Na assentada que converteu o primevo julgamento em diligência, a Sexta Câmara entendeu por bem solicitar uma cópia assinada do Laudo da Polícia Federal, que fossem intimados os procuradores das contas off shore mantidas no exterior, nas quais transitaram os recursos, bem como fosse demandada a Justiça Federal, com o fito de trazer para estes autos cópia de eventual processo criminal em desfavor do recorrente, aqui com o intuito de aclarar quem seria o real proprietário dos recursos, já que era pouco plausível a responsabilidade do contribuinte pela movimentação alienígena, da ordem de mais de 6 milhões de dólares, quando se percebia o pequeno patrimônio do recorrente declarado ao fisco brasileiro, tudo aliado ao pequeno Fl. 7DF CARF MF Emitido em 24/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/03/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Assinado digitalmente em 11/03/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO 8 comércio no segmento de celulares e o diminuto crédito bancário do recorrente no Brasil. A diligência não trouxe elementos para uma conclusão definitiva sobre a propriedade dos recursos expatriados, mas apareceram inúmeros indícios que demonstram a impropriedade de se imputar ao recorrente como aplicação de recursos no fluxo de caixa o montante de US$ 6.010.477,00. Registramse os indícios: § rendimentos de pouca monta nas declarações de ajuste anual, aliado a pequeno patrimônio declarado; § participação societária na empresa Americana Comércio de Celulares LtdaME, pequena revenda da operadora CLARO, localizada exatamente no elemento de conexão (endereço) que permitiu vincular o contribuinte às transferências financeiras para o estrangeiro (informação trazida pela fiscalização – fl. 178 – e corroborada pela Polícia Federal – fls. 416 a 418); § a ordem judicial de quebra do sigilo bancário do aqui fiscalizado (fls. 425 a 428) trouxe um registro no título “Gastos no exterior efetuados com Cartão de Crédito Internacional”, no total de US$ 1.492,74, em nome do réu (fls. 433 e 434), informado pelo Banco Central, e extratos bancários da conta corrente do fiscalizado, mantida no Banco do Brasil, nos anos de 2001 a 2003 (fls. 468 a 539), com limite de crédito de R$2.000,00, tudo a demonstrar um pequeno dispêndio em moeda estrangeira, bem como um diminuto limite de crédito em bancos brasileiros, quando se compara aos montantes dos valores pretensamente de propriedade do contribuinte; § depoimento prestado pelo fiscalizado à Polícia Federal, em 07/02/2008, quando o depoente, sofrendo a imputação do tipo previsto no art. 22, § único, da Lei nº 7.492/86, negou que tivesse feitas remessas financeiras para o exterior e que nunca movimentou valores através da conta Gabanas Capital, mantida no MTB HUDSON BANK. Ainda, não conhecia as pessoas dos Srs. Sidney Catenaci, Sidney Catenaci Júnior e Alessandro Guarneri Catenaci. Por fim, recordou que seu tio Yassin Taha fora proprietário de uma casa de câmbio em Paranaguá, denominada Lamistur Cambio Turismo, tendo utilizado o endereço da loja da Rua Faria Sobrinho, nº 466, para receber correspondências que tinham a inscrição “BANK”, sendo certo que o Sr. Yassin tem um bom padrão de vida (fls. 436 a 438); § depoimento prestado pelo Sr.Yassin Taha a Polícia Federal, na qual o depoente asseverou que fora proprietário de uma casa de câmbio denominada Lamistur, porém nunca teria operado com contas CC5 e Dólarcabo, conhecendo de vista os Srs. Catenacis. Ainda afirmou que utilizara o endereço da Rua Faria Fl. 8DF CARF MF Emitido em 24/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/03/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Assinado digitalmente em 11/03/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Processo nº 13855.000730/200786 Acórdão n.º 210201.042 S2C1T2 Fl. 5 9 Sobrinho para receber correspondência, e que o seu sobrinho, aqui fiscalizado, não teria condições financeiras ou patrimoniais para fazer remessas de vulto para o exterior (fls. 462 e 463); § petição de 19/09/2008, na qual o Exmo. Sr. Procurador da República João Vicente Beraldo Romão solicitou ao Juízo do feito a execução de novas diligências, em decorrência de documentação entregue no Ministério Público Federal, em 09/06/2008, pelo Sr. Sami Mohamad Zahra, e, entre outras considerações, asseverou que os documentos que solicitam transferência de valores são assinados por pessoas jurídicas, sendo elas a Technomig e a Libras Ltd., e as assinaturas apostas parecem ser de Yassin Taha; § em novo interrogatório levado a efeito pelo Sr. Yassin Taha na Polícia Federal, acompanhado do advogado Victor Geraldo Jorge, o Sr. Yassin negou qualquer vinculação com a documentação entregue pelo Sr. Sami no MPF, sendo que reconheceu que as assinaturas nos documentos de movimentação financeira trazidas pelo Sr. Sami eram parecidas com a sua, porém afirmou que não partiram de seu punho (fls. 611 e 612). Aqui claramente transparece o objetivo do Sr. Taha em afastar sua responsabilidade pela movimentação, porém não houve imputação de tais condutas ao recorrente; § solicitação de exame pericial nos documentos de fls. 215 a 218 dos autos judiciais (Mandado de Procedimento Fiscal, com original juntado a estes autos administrativos – fl. 3), já que pretensamente constaria uma anotação feita pelo Sr. Yassin, assumindo a autoria das movimentações financeiras em debate, pela autoridade policial (vide as fls. 561 a 564 e 630 deste feito administrativo), datado de 06/04/2009. O conjunto de indícios acima parece indicar claramente que o recorrente, Sr. Sami Mohamad Zahra, não seria o real responsável pelas transferências financeiras no montante de US$ 6.010.477,00 para a instituição financeira estrangeira MTB Hudson Bank, e ainda transparece menos plausível que o Sr. Sami Zahra fosse o real proprietários dos valores expatriados. Ao revés, parece claro que o responsável pelas transferências financeiras seria o tio do recorrente, o Sr. Yassin Taha. Outro exemplo se viu no julgamento do recurso nº 156.898, Acórdão nº 210200.291, Segunda Turma da Primeira Câmara da Segunda Seção do CARF, relator este Conselheiro, sessão de 29/10/2009, unânime para dar provimento ao recurso do contribuinte, com a seguinte fundamentação: Inicialmente, devese reconhecer que a prova da autoria da pretensa infração é extremamente frágil. Pelo que consta dos autos, a partir da documentação enviada ao Brasil pelas autoridades norte americanas, extraiuse a informação de que Fl. 9DF CARF MF Emitido em 24/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/03/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Assinado digitalmente em 11/03/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO 10 uma pessoa física de nome Zaki Khouri havia feito 04 remessas financeiras para os Estados Unidos, nos anos de 2001 e 2002. Não há qualquer indicação adicional que identificasse de forma iniludível tal pessoa, como o número da carteira de identidade, do CPF ou mesmo o endereço. Ademais, não há qualquer documentação adicional que comprove a remessa, vinculandoa à pessoa, como uma ordem de pagamento assinada pelo remetente. Assim, quer parecer que a autoria das remessas ancorouse unicamente no fato de não existir qualquer outra pessoa na base CPF com o nome do pretenso remetente, o que demonstra cabalmente a fragilidade da prova da autoria das remessas. Ainda, como as remessas financeiras dessa espécie são comumente perpetradas por intermédio de doleiros, não é difícil que estes utilizem o nome de qualquer pessoa para mascarar o real remetente dos valores, como se viu no Acórdão nº 10616.978, Sexta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, sessão de 26 de junho de 2008, relator o Conselheiro Giovanni Christian Nunes Campos, quando se apreciava remessas feitas para o exterior por determinado contribuinte, em contas administradas pela mesma BHSC – Beacon Hill Service Corporation, quando, ao final, comprovou se que o doleiro havia imputado falsamente ao fiscalizado as remessas, encobrindo o real remetente. Obviamente, a fundada dúvida quanto à autorias das remessas, por si só, seria suficiente para fulminar o lançamento. Porém, como aqui se demonstrará, mesmo que se impute ao fiscalizado as remessas feitas para o exterior, a infração não detém materialidade tributária. A fiscalização imputou ao contribuinte uma acréscimo patrimonial a descoberto nos anoscalendário 2001 e 2002. Assim, considerou que as remessas financeiras não tinham lastro em rendimentos declarados ou comprovados. Ora, para apurar o acréscimo patrimonial a descoberto, a fiscalização deveria ter intimado o contribuinte a comprovar todas as suas fontes e aplicações de recursos nos anos calendário 2001 e 2002, confeccionando o competente fluxo de caixa mensal que demonstrasse a variação patrimonial a descoberto. Apesar de o contribuinte não ter declarado rendimentos expressivos nos anoscalendário em debate, percebese a existência de rendimentos isentos e a assunção de dívidas e ônus reais (fls. 03 a 07) que deveriam funcionar como fonte de recursos no fluxo de caixa, o que teria o condão de reduzir o acréscimo patrimonial calculado. Ocorre que a fiscalização em nenhum momento intimou o contribuinte a comprovar as origens e aplicações de recursos, somente intimandoo a comprovar as remessas para o exterior (fls. 33 a 36, 40 a 45 e a alienação de um bem imóvel (fls. 46 e 47). Com esse procedimento, a autoridade fiscal simplesmente considerou a integralidade das remessas como omissão de rendimentos. De plano, repisese, esse procedimento não pode prosperar, pois seria necessário confeccionar um fluxo de caixa mensal para indicar quando e quanto foi o excesso das aplicações sobre as fontes de recursos. Entretanto, há mais inconsistências no procedimento da autoridade fiscal, já que as remessas, em si mesmas, jamais poderiam figurar como dispêndio (ou como Fl. 10DF CARF MF Emitido em 24/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/03/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Assinado digitalmente em 11/03/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Processo nº 13855.000730/200786 Acórdão n.º 210201.042 S2C1T2 Fl. 6 11 omissão de rendimentos) sem a comprovação de que elas serviram para beneficiar o remetente, quer por consumo, quer para aquisição de bens e direitos. Explicase. No caso da imputação de acréscimo patrimonial a descoberto a contribuinte, sob a premissa de que inexistem rendimentos declarados a suportar o acréscimo patrimonial, firmouse a jurisprudência no âmbito do Conselho de Contribuintes de que é necessário comprovar o benefício auferido pelo contribuinte com o dispêndio lançado no rol das aplicações de recursos, não sendo possível, simplesmente, contabilizar saques ou transferências em contas bancárias (ou para contas bancárias) como aplicação de recursos nos Demonstrativos de Variação Patrimonial. Caberia a fiscalização comprovar que tais dispêndios favoreceram o recorrente, quer por consumo, quer por aumento patrimonial. Como exemplo de jurisprudência que rechaça a utilização de saques em contas bancárias sem a demonstração da despesa ou da aquisição patrimonial, citamse os Acórdãos seguintes (excertos de ementas): Porém, houve casos em que a Câmara ou Turma de julgamento manteve o lançamento a partir de documentação em discussão. Como exemplo, vejase o Acórdão nº 210200.432, relator este Conselheiro, sessão de 03 de dezembro de 2009, unânime apenas para desqualificar a multa de ofício, Segunda Turma da Primeira Câmara da Segunda Seção do CARF, com os seguintes excertos do relatório e do voto: Relatório (...) Ao contribuinte foi imputada uma omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, nos anoscalendário 2002 e 2003, em contas titularizadas pelo contribuinte no Brasil e no exterior, nos montantes de R$ 145.231,02 e R$ 1.563.019,58, respectivamente. O imposto incidente sobre a omissão vinculada aos depósitos mantidos nas contas estrangeiras foi secundado por multa qualificada de 150%; já o imposto incidente sobre a omissão vinculada aos depósitos mantidos nas contas nacionais foi secundado por multa ordinária de 75%. Em relação à conta corrente estrangeira, mantida no Delta National Bank and Trust Company em Nova Iorque, esta era titularizada pelo fiscalizado e pelos Srs. John Erik Gustafson, Vicente Lo Prete e Vinicius Nunes da Silva, todos sócios em diversos estabelecimentos de ensino no Rio de Janeiro, sendo que foi imputado ao fiscalizado 'Á dos créditos registrados nessa conta. Devese evidenciar que a documentação dessa conta foi enviada para a Receita Federal pelo Juízo Federal da 2 a Vara Criminal da Seção Judiciária do Paraná — PR (documentação de fls. 274 a 302 e todo anexo 1). Ainda, tal conta bancária não constou na declaração de bens e direitos do fiscalizado. Fl. 11DF CARF MF Emitido em 24/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/03/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Assinado digitalmente em 11/03/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO 12 (...) Voto (...) No tocante aos depósitos feitos na conta bancária alienígena, que sequer foi reconhecida pelo contribuinte, não houve qualquer comprovação das origens dos créditos. Obviamente, não parece plausível que rendimentos competentemente declarados no Brasil, pagos por fontes nacionais, tenham sido expatriados, com posterior recusa de reconhecimento de tal fato pelo fiscalizado. Aqui, registrese, não há qualquer dúvida de que o fiscalizado expatriou rendimentos para o exterior. A documentação do anexo I demonstra de forma absolutamente clara que o fiscalizado tinha uma conta no exterior, como se pode ver nos cartões de assinatura (autógrafos), documento em que o contribuinte e seus sócios nomeiam os beneficiários dessa conta (Declaration of Trust), documento do fisco americano e diversos call report (resumos de conversas mantidas entre os titulares da conta e o representante do Delta Bank). Assim, parece claro que os valores expatriados são oriundos de fontes não declaradas, estando à margem daqueles ofertados à tributação pelo fiscalizado. Caso contrário, este simplesmente informaria sua origem. Aqui, mais um ponto relevante, devese anotar que as principais fontes pagadoras do recorrente são empresas educacionais localizadas no Rio de Janeiro (fls. 04 e 09) e não há qualquer plausibilidade em se acatar a tese de que tais fontes teriam depositado os pro labores e distribuição de lucros dos sócios no Delta Bank. Com as considerações acima, rejeitase a defesa aqui deduzida. (...) Outro exemplo foi o Acórdão nº 210200410, relator este Conselheiro, sessão de 02 de dezembro de 2009, unânime para negar provimento ao recurso, Segunda Turma da Primeira Câmara da Segunda Seção do CARF, com os seguintes excertos do relatório e do voto: Relatório Ao contribuinte foi imputada uma omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada mantidos em instituição financeira estrangeira, nos anoscalendário 2001 e 2003, conduta essa apenada com multa de ofício de 75% (fl. 326). Pelo que se apreende dos autos, o contribuinte era co titular, juntamente com o Sr. Mohamad Said Manah, da conta bancária nº 116.682, mantida no Interaudi Bank, na cidade de Nova York. Aos autos foram juntados os documentos de abertura dessa conta corrente, seus extratos e cópias dos documentos pessoais dos cotitulares, estando toda essa documentação consularizada pelo ConsuladoGeral do Brasil em Nova York (fls. 32 a 46). Ainda, a transferência do sigilo bancário do Fl. 12DF CARF MF Emitido em 24/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/03/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Assinado digitalmente em 11/03/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Processo nº 13855.000730/200786 Acórdão n.º 210201.042 S2C1T2 Fl. 7 13 contribuinte para o fisco foi autorizada no bojo do processo criminal judicial nº 2003.70.000303334 (fls. 16 a 31). (...) Voto (...) Quanto a preliminar de que não teve acesso a todos os documentos, notadamente os arquivos magnéticos que geraram os dados que embasaram a ação fiscal, aliado a juntada de planilha apócrifa que vinculou o recorrente à conta bancária auditada (fl. 380), tudo a vulnerar seu direito de defesa, causa de nulidade da imposição fiscal, melhor sorte não socorre o recorrente. Aqui, apenas para contextualizar, devese lembrar que a presente ação fiscal teve origem a partir de dados bancários obtidos pela Polícia Federal, com autorização da Justiça Federal, nos Estados Unidos, como ramificação da notória operação Banestado. Nessa oportunidade, as autoridades policiais brasileiras se assenhorearam das movimentações financeiras e dados de contas bancárias de milhares de contribuintes brasileiros, mantidas na praça de Nova York, acusados posteriormente dos crimes de evasão de divisas e contra a ordem tributária. Por óbvio, ao tratar os dados e as documentações obtidas das autoridades norteamericanas, as autoridades brasileiras, fiscais e policiais, respeitando o sigilo bancário de tais operações, tiveram que segregar a documentação em nome de cada investigado. Assim, absolutamente desarrazoado a pretensão do recorrente de ter acesso a mídia magnética de toda a operação, já que assim acessaria dados sigilosos de terceiros contribuintes. Porém, no caso aqui em debate, a prova que lastreou fundamentalmente o lançamento é de uma simplicidade franciscana. Tratase do cadastro de abertura da conta nº 116682, cotitularizadas pelos Srs. Atef Said Manah e Mohamad Said Manah, mantida no Bank Audi, Nova York, com as competentes assinaturas desses senhores (fls. 33 a 39), tudo secundada por cópias de seus documentos pessoais (fls. 40 e 41) e por singelos extratos bancários dessa conta corrente (fls. 42 a 46). A partir desses extratos, a fiscalização imputou ao contribuinte 11 créditos bancários (01 em 2001 e 10 em 2003). Como regra geral, qualquer nulidade somente deverá ser declarada se ficar demonstrado o prejuízo para a defesa do recorrente (regra do pas de nullité sans grief). Ora, o recorrente não demonstrou qual o prejuízo sofrido pela ausência de acesso as mídias magnéticas, com dados de terceiros, já que o lançamento está estribado, essencialmente, na prova acima descrita. Incabível se falar em qualquer nulidade neste ponto. (...) Fl. 13DF CARF MF Emitido em 24/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/03/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Assinado digitalmente em 11/03/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO 14 Por fim, a defesa do item VIII (a autoridade se fiou em simples depósitos bancários para presumir a existência de renda omitida, sem demonstrar qualquer acréscimo patrimonial em favor do fiscalizado). Primeiramente, a presunção de omissão de rendimentos do art.42 da Lei nº 9.430/96 alberga depósitos mantidos em instituições financeiras no Brasil e no exterior. A Lei não restringe a presunção de omissão de rendimentos aos depósitos bancários mantidos em instituições financeiras nacionais. Assim, caso o contribuinte brasileiro mantenha depósitos em instituições alienígenas, sem comprovar a origem, poderá sofrer o ônus da presunção legal. Aqui, devese lembrar que a tributação da pessoa física no Brasil adotou o princípio da universalidade da tributação, conforme dispõe o art. 153, § 2º, I, da Constituição Federal de 1988, disciplinado pelo art. 3º, § 4º, da Lei nº 7.713/88. Assim, a tributação da pessoa física independe da localização ou nacionalidade da fonte, o que faz incidir, sem nenhum empeço, a presunção do art. 42 da Lei nº 9.430/96 sobre os depósitos de origem não comprovada mantidos no exterior por contribuintes residentes ou domiciliados no Brasil. Nesse diapasão, na jurisprudência administrativa, vejase o Acórdão nº 10248.084 (Segunda Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes), sessão de 06/12/2006, relator o Conselheiro Antonio José Praga de Souza, unânime no ponto aqui enfocado, para manter a incidência da presunção da omissão de rendimentos caracterizada por depósitos de origem não comprovada mantidos em instituição financeira estrangeira. (...) Nos casos em que a documentação alienígena foi considerada como hígida para comprovar a ocorrência dos fatos geradores, restou claro que os fiscalizados tinham alhures uma conta de depósito, tendo as autoridades brasileiras se assenhoreado das fichas de depositantes e extratos bancários, onde constavam iniludivelmente os fiscalizados como titulares das contas de depósitos. Ao revés, quando constavam os fiscalizados apenas como ordenantes ou beneficiários de pretensas remessas, os exemplos acima citados rejeitaram a tributação, essencialmente pela fraqueza da prova. No caso destes autos, restou claro que o contribuinte teria suporte para efetuar as transferências financeiras, como se pode ver pelas declarações de ajuste anual acostadas aos autos, porém não foi juntada cópia de extratos ou fichas de depositantes demonstrando que o recorrente fosse titular das contas bancárias alienígenas. Ainda, o documento de fl. 104 até indicaria que o contribuinte ou seu representante legal teria enviado os fundos para o exterior, porém, como acima assinalado, há sempre um grau de razoável dúvida nessas documentações de doleiros e off shore, como se viu nos 03 primeiros paradigmas citados neste voto. Ademais, para a tributação na via dos depósitos bancários, as remessas em si mesmas não podem funcionar como rendimentos omitidos, pois o que seria a presunção de omissão de rendimentos são os depósitos bancários. Para superar essa dificuldade, a autoridade fiscalizadora afirmou (fl. 13), verbis: Fl. 14DF CARF MF Emitido em 24/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/03/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Assinado digitalmente em 11/03/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Processo nº 13855.000730/200786 Acórdão n.º 210201.042 S2C1T2 Fl. 8 15 Acima, parece claro que a autoridade não sabia quando ocorreram os depósitos bancários, tomando os débitos pelos primeiros para efetuar a tributação do caput art. 42 da Lei nº 9.430/96 (Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações). Ora, é de conhecimento geral que apenas os depósitos bancários podem ser presumidos como rendimentos omitidos, jamais eventuais débitos. Não se conhecendo os depósitos, inviável se ancorar na presunção citada. Com todas as considerações acima, alicerçado nos exemplos antecedentes, temse fundada dúvida se efetivamente o contribuinte foi o real responsável pelas remessas financeiras. Mesmo que isso se supere, parece claro que a autoridade fiscal tomou os débitos pelos depósitos, para concretizar a tributação do art. 42 da Lei nº 9.430/96, o que não pode ser acatado. Ante o exposto, voto no sentido de DAR provimento ao recurso. Assinado digitalmente Giovanni Christian Nunes Campos Fl. 15DF CARF MF Emitido em 24/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/03/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Assinado digitalmente em 11/03/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO
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Numero do processo: 11634.000760/2007-61
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 16 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Mar 16 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005
AFERIÇÃO INDIRETA. FALTA DE REGISTRO DA MOVIMENTAÇÃO REAL DA REMUNERAÇÃO DOS SEGURADOS A SERVIÇO DA EMPRESA.
Aplicável a apuração do crédito previdenciário por aferição indireta quando, no exame da escrituração contábil e de qualquer outro documento da empresa, a fiscalização constatar que a contabilidade não registra o movimento real de remuneração dos segurados a seu serviço, invertendo-se o ônus da prova para o contribuinte.
Recurso Voluntário Negado.
Crédito Tributário Mantido.
Numero da decisão: 2301-001.903
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: DAMIAO CORDEIRO DE MORAES
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1242; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C3T1 Fl. 145 1 144 S2C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11634.000760/200761 Recurso nº 160.130 Voluntário Acórdão nº 230101.903 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 16 de março de 2011 Matéria Seguro de Acidente do Trabalho SAT/GILRAT/ADICIONAL Recorrente ROYAL LOTEADORA E INCORPORADORA S/S LTDA Recorrida DRP EM CURITIBA PR ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005 AFERIÇÃO INDIRETA. FALTA DE REGISTRO DA MOVIMENTAÇÃO REAL DA REMUNERAÇÃO DOS SEGURADOS A SERVIÇO DA EMPRESA. Aplicável a apuração do crédito previdenciário por aferição indireta quando, no exame da escrituração contábil e de qualquer outro documento da empresa, a fiscalização constatar que a contabilidade não registra o movimento real de remuneração dos segurados a seu serviço, invertendose o ônus da prova para o contribuinte. Recurso Voluntário Negado. Crédito Tributário Mantido. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 14/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/04/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Assinado digitalmente em 07/04/2011 por MARCELO OLIVEIRA, 04/04/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Presidente. (assinado digitalmente) Damião Cordeiro de Moraes Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Adriano Gonzales Silverio, Leoncio Nobre de Medeiros, Damiao Cordeiro de Moraes, Mauro Jose Silva, Leonardo Henrique Pires Lopes Fl. 2DF CARF MF Emitido em 14/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/04/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Assinado digitalmente em 07/04/2011 por MARCELO OLIVEIRA, 04/04/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 11634.000760/200761 Acórdão n.º 230101.903 S2C3T1 Fl. 146 3 Relatório 1. Tratase de recurso voluntário interposto pela empresa ROYAL LOTEADORA E INCORPORADORA S/S LTDA em oposição à decisão que julgou procedente lançamento de débito relativo às contribuições devidas à Seguridade Social, correspondentes à parte dos segurados empregados, à quota patronal, ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, e as destinadas aos terceiros, referente ao exercício de 2005. 2. Conforme narrado no relatório fiscal, “constituem fatos geradores das contribuições lançadas: as remunerações de segurados empregados não incluídas em folha de pagamento e na contabilidade”. 3. A decisão atacada restou ementada nos termos que transcrevo abaixo: “CONTABILIDADE. NÃO REGISTRO DO MOVIMENTO REAL DE REMUNERAÇÃO. AFERIÇÃO INDIRETA. A fiscalização constatando que a contabilidade não registra o movimento real de remuneração dos segurados a seu serviço, do faturamento e do lucro, apurará, por aferição indireta, as contribuições efetivamente devidas, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário. Lançamento Procedente.” (fl. 123) 4. Em sede recursal, o contribuinte, visando obter a alteração do lançamento, aduz, basicamente o que alegou em sua impugnação, conforme relata o decisum: “O cerceamento de defesa, pois o fisco não indicou em que dispositivos legais específicos está fundamentada a aferição, tampouco, o dispositivo legal na qual se funda a presunção de se considerar que a folhadepagamento estaria reduzida em 136% do seu valor contabilizado. Alega que o lançamento de ofício deveria conter a descrição dos fatos e a devida capitulação legal que fundamenta a exigência do tributo, bem como a aplicação da multa. Elenca o princípio da legalidade e da tipicidade como necessário à imposição dos tributos e das multas, ainda, cita os art. 5º, II, XLVI, c; LIV e LV e 150, I da Constituição. Afirma que a capitulação legal não pode ser genérica devendo ser arrolados dispositivos específicos para que o contribuinte saiba quais se aplicariam ao presente caso. Aduz que houve cerceamento de defesa não só pela falta de aferição da subsunção do fato tributado à hipótese legal de incidência, mas, também, pela não capitulação legal e específica da infração. Apresenta jurisprudência e doutrina visando robustecer a sua defesa no que pertine a nulidade da notificação pela não indicação dos dispositivos legais específicos Fl. 3DF CARF MF Emitido em 14/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/04/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Assinado digitalmente em 07/04/2011 por MARCELO OLIVEIRA, 04/04/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 4 infringido pelo contribuinte. Alega que dispositivos genericamente é como se nenhum dispositivo fosse indicado. No mérito, aduz que o raciocínio utilizado pelo auditor fiscal ao estabelecer o critério para a apuração do montante de mãodeobra pelo método da aferição indireta não resiste ao menos cálculo matemático. Portanto, bastaria à aplicação de 136% sobre as demais contas do balanço, receitas e despesas, para se encontrarem valores diferentes ao aplicado pelo fiscal. De outra banda a defendente entende que não há como presumir despesas fictícias em 136% menores do que a real pelo simples fato do lucro ter sido contabilidado a menor nos mesmos percentuais. Que não há como se escorar em lei a presunção de tal fato gerador e, que somente as presunções legais relativas é que amparariam um lançamento, nos termos que prescreve o art. 142 § único, do CTN. Nesse sentido traz as lições de Gustavo Miguez de Mello e de Rubens Gomes de Souza, que classificaria as presunções em ‘homini’ ou judiciais e presunções jurídicas. Aduz que somente se existisse previsão legal é que o auditor poderia concluir que o lucro foi de 136% menos, também as folhasdepagamento seriam 136% menores. Alega ainda que mesmo existindo lei prevendo tal fato, esta lei seria inválida, inconstitucional, pois estaria criando ficção legal e não presunção legal. Também colaciona em sua defesa à observação que corrobora com este entendimento feita pelo Min. Luz Gallotti no RE nº 71.758=GB, RTJ v. 66, p. 165. Requer a nulidade do lançamento efetuado e assim seja cancelada a NFLD contestada.” (fls. 124/125) 5. Embora ciente da apresentação de recurso por parte do contribuinte, o fisco não apresentou contrarrazões. É o relatório. Fl. 4DF CARF MF Emitido em 14/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/04/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Assinado digitalmente em 07/04/2011 por MARCELO OLIVEIRA, 04/04/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 11634.000760/200761 Acórdão n.º 230101.903 S2C3T1 Fl. 147 5 Voto Conselheiro Damião Cordeiro de Moraes PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 1. Conheço do recurso voluntário, uma vez que atende aos pressupostos de admissibilidade. DA AUSÊNCIA DE CERCEAMENTO DE DEFESA 2. Inicialmente, o contribuinte alega ter havido o cerceamento do seu direito de defesa, ante a ausência de indicação dos dispositivos que originaram a adoção do procedimento de aferição indireta. 3. Contudo, o inconformismo do recorrente não encontra guarida, tendo em vista que os fundamentos legais para o arbitramento encontramse plasmados nas fls. 25/27. Vale salientar também que foram devidamente demonstrados nos autos a descrição dos fatos e a respectiva capitulação legal que fundamentou a exigência tributária. 4. Sendo assim, afasto a preliminar suscitada. DA AFERIÇÃO INDIRETA 5. Narra corretamente o relatório fiscal que constituíram fatos geradores lançados as remunerações de segurados empregados não incluídas em folhas de pagamento e na contabilidade. 6. A informação fiscal também detalha, pormenorizadamente, os procedimentos adotados pela recorrente no sentido de justificar o lançamento do débito por intermédio da aferição indireta: “3.1. Na contabilidade do exercício de 2005, presente nos Livros Diários e Razão deste ano, foi indicado o saldo final de lucros acumulados em 31/12/05 no valor de R$ 688.296,86. A Demonstração de Lucros Acumulados na folha 160 do Diário de 2005 indica este saldo final, obtido a partir da soma do saldo inicial de R$ 405.131,08 em 01/01/05 e do lucro de R$ 283.165,78 que teria sido obtido no decorrer do ano de 2005 (cópia desta filha 160 foi incluída no Anexo 1 deste relatório fiscal). 3.2. O valor de R$ 283.165,78 é citado como o saldo credor final da conta 2801099 denominada de Resultado do Exercício, pertencente ao grupo de contas 2800000 – Lucros Acumulados dentro do patrimônio líquido. As folhas 178 e 179 do Razão de 2005 discriminam todos os lançamentos efetuados na conta 2800001 – Saldo no Início do Exercício, também pertencente ao grupo 2800000, que teve apenas um lançamento em 01/01/05 de R$ 405.131,08, mantido como saldo credor até o final do ano. Dessa forma, o saldo final em 31/12/05 no grupo 2800000 – Lucros Acumulados seria R$ 688.296,86 (405.131,08 + 283.165,78). Cópias das folhas 177 a 179 estão no Anexo I. Fl. 5DF CARF MF Emitido em 14/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/04/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Assinado digitalmente em 07/04/2011 por MARCELO OLIVEIRA, 04/04/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 6 3.3. O Livro Diário de 2005, que recebeu o número 10, foi registrado em 11/07/06 no 1º Ofício de Títulos e Documentos de Londrina – Paraná com o número de registro 221330. Os termos de abertura e encerramento deste livro foram assinados pelo sócioadministrador da empresa Henrique Favoretto de Oliveira e pelo contador Athayde Ramirez Berg. 3.4. No Anexo I foram incluídas cópias dos termos de abertura e encerramento dos Livros Diário e Razão de 2005, ambos assinados pelo sócio e contador citados acima, e de determinadas folhas do Diário deste ano: folha 37 com parte do plano de contas utilizado, mostrando as contas do patrimônio líquido, folhas 156 e 157 com o Balanço Patrimonial encerrado em 31/12/05, discriminando os saldos finais dos principais grupos de contas do ativo e do passivo (é citado o valor de R$ 688.296,86 como saldo final de lucros acumulados no patrimônio liquido), e folhas 158 e 159 com a Demonstração de Resultados, onde é indicado o lucro líquido de R$ 283.165,78 no exercício de 2005. 3.5. A folha 30 do Razão de 2005 cita o valor de R$ 48.309,12 como saldo final da conta do ativo circulante 1000000 – Caixa em 31/12/05 (cópia desta folha esta no Anexo 1). Este valor também é indicado no Balanço Patrimonial encerrado em 31/12/05, na folha 156 do Diário de 2005, como Caixa Geral, dentro do grupo Disponível do ativo circulante. 3.6. Se o saldo de lucros acumulados era de R$ 688.296,86 em 31/12/05 ele deveria ter o mesmo valor em 01/01/06, contudo, isto não aconteceu. A folha 223 do Livro Razão de 2006 mostra um lançamento a crédito de R$ 1.073.644,99 em 01/01/06 na conta 2800001 – Saldo no Início do Exercício, dentro do grupo 2800000 – Lucros Acumulados, com o histórico de “abertura do exercício”. Portanto, existe uma diferença de R$ 385.348,13 a maior não contabilizada em 2005 (1.073.644,399 – 688.296,86 = 385.348,13). Se a contabilidade de 2006 indica este saldo final de R$ 1.073.644,99 em 31/12/05 ele também deveria ter sido mostrado nos Livros Diário e Razão do exercício de 2005. Quando isto não ocorre é necessário considerar que a contabilidade formalizada em 2005 nestes dois livros não reflete a realidade das operações da empresa. Desta forma, devese procurar estabelecer os valores corretos das despesas efetuadas no decorrer do ano de 2005 de outra forma, pois os dois documentos fundamentais utilizados para verificar todos os pagamento e recebimentos da empresa, os Livros Diário e Razão de 2005, foram elaborados indevidamente. 3.7. No Anexo 1 foram incluídas cópias dos termos de abertura e encerramento dos Livros Diário e Razão de 2006, ambos assinados pelo sócio e contador citados acima. O Livro Diário de 2006, que recebeu o número 11, foi registrado em 12/07/07 no 1º Ofício de Títulos e Documentos de Londrina com o número de registro 226518. 3.8. A folha 69 do Razão de 2006 mostra um lançamento de R$ 433.657,25 a débito em 01/01/06, com o histórico ‘abertura do exercício’, na conta 1000000 – Caixa. Se est é o saldo de abertura em 2006, o mesmo valor deveria ter constado como saldo final em 31/12/05 nos Livros Diário e Razão de 2005. Contudo, como foi demonstrado acima, o saldo final indicado na contabilidade de 2005 foi de R$ 48.309,12 para a conta 1000000 – Caixa. Existe portanto uma diferença de R$ 385.348,13 a maior nesta conta, não contabilizada em 2005 (433.657,25 – 48.309,12 = 385.348,13). Este valor é igual à diferença encontrada no saldo de lucros acumulados de 31/12/05 para 01/01/06, demonstrando que foi efetuado um acréscimo igual a este valor nos totais de ativo e passivo que haviam sido indicados em 31/12/05. Esta diferença na conta Caixa também mostra que a contabilidade de 2005 não reflete a realidade. Fl. 6DF CARF MF Emitido em 14/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/04/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Assinado digitalmente em 07/04/2011 por MARCELO OLIVEIRA, 04/04/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 11634.000760/200761 Acórdão n.º 230101.903 S2C3T1 Fl. 148 7 3.9. No Anexo 1 foram colocadas cópias das folhas 69, 222 e 223 do Livro Razão de 2006. Também constam neste anexo diversas cópias de folhas do Livro Diário de 2006: folha 2, com saldo de abertura de R$ 433.657,25 na conta 1000000 – Caixa em 01/01/06, folha 8 com o saldo de abertura de 01/01/06 de R$ 1.073.644,99 em lucros acumulados (conta 2800001), folhas 81 e 82 com Balanço Patrimonial encerrado em 31/12/06, folha 83 com a Demonstração de Resultados do ano de 2006, folha 84 com a Demonstração de Lucros Acumulados de 01/01/06 a 31/12/06, onde é indicado o saldo inicial de R$ 1.073.644,99 para os lucros acumulados em 01/01/06, e folhas 89, 117 e 118, com relação das contas citadas acima no plano de contas utilizado. 3.10. Se o saldo acumulado de lucros em 31/12/05 foi R$ 385.348,13 maior do que o informado, este lucro foi gerado com as operações da empresa no ano de 2005. Portanto, o lucro líquido total obtido neste ano foi de R$ 283.165,78 (valor indicado na Demonstração de Resultados na folha 158 do Diário de 2005), mas sim R$ 668.513,91 (385.348,13 + 283.165,78). O lucro correto de 2005 é 136% maior do que o informado pois 385.348,13 representa 136% de 283.165,78. Se isto ocorreu, o valor da receita operacional bruta total em 2005, de R$ 988.690,20, citado também na Demonstração da folha 158, está incorreto. Para calcular a receita bruta correta é necessário utilizar o mesmo percentual de 136%, que ao ser acrescido no valor informado resulta em R$ 2.333.308,87. 3.11. Da mesma forma, não é possível aceitar como corretas as despesas informadas pela empresa como remunerações dos funcionários em 2005, necessários para sua atividade, nas folhas de pagamento de segurados apresentadas de 01/05 a 12/05, e 13/05, e contabilizadas nos Livros Diários e Razão de 2005. O mesmo percentual de 136% citado acima deve ser aplicado sobre os valores indicados nas folhas de pagamento para se obter as remunerações corretas. É necessário efetuar este método de cálculo, pois os documentos apresentados que a auditoria realizada na empresa utiliza para determinar a base de cálculo das contribuições destinadas à Seguridade Social estão incorretos e não refletem a realidade: as folhas de pagamento e os Livros Diário e Razão de 2005. 3.12. O Quadro 1 a seguir mostra nas colunas 1 e 3 as soma das remunerações de segurados empregados nas folhas de pagamento em cada competência: a coluna 1 indica os valores do estabelecimento de CNPJ 01.186.978/000152 (CNPJ 1) e a coluna 3 representa os valores da obra de construção civil de matrícula CEI 39.470.02395/71 (CEI: Cadastro Específico do INSS) denominada de Sun Lake. Estas remunerações já foram consideradas como fatos geradores nas NFLD’s – Notificações Fiscais de Lançamento de Débito de números 37.109.8467 e 37.109.8475, também emitidas nesta ação fiscal. 3.13. A empresa elaborou folhas de pagamento separadas para o CNPJ 1 e para obra citada, em cada competência. Para o CNPJ 1 também são efetuadas duas folhas de pagamento em cada mês, denominadas de ‘administração’ e ‘manutenção’, com os funcionários que trabalham neste estabelecimento (a coluna 1 do Quadro 1 mostra a soma das remunerações nestas duas folhas em cada competência). 3.14. As colunas 2 e 4 do Quadro 1 mostram as diferenças de remunerações não indicadas nas folhas de pagamento e na contabilidade, obtidas com aplicação do percentual de 136% sobre os valores das colunas 1 e 3. Como exemplo, o valor de R$ 6.254,25 em 01/05 representa 136% da remuneração de R$ 4.598,71 na coluna 3. Fl. 7DF CARF MF Emitido em 14/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/04/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Assinado digitalmente em 07/04/2011 por MARCELO OLIVEIRA, 04/04/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 8 3.15. Os valores das colunas 2 e 4, não declarados em GFIP’s, são mostrados no Relatório de Lançamentos em anexo, dentro do código de levantamento AF1. 3.16. Este procedimento efetuado pela empresa deverá ser objeto de uma Representação Fiscal para Fins Penais a ser encaminhado à autoridade competente.” (fls. 42/45) 7. E conforme dispõe a legislação, utilizada para justificar o débito conforme demonstrado no FLD às fls. 25/27, o fisco se valerá da aferição indireta sempre que houver a recusa na apresentação de documentos, ou quando a apresentação se der de forma deficiente, e se no exame da escrituração contábil e de qualquer outro documento for constatado que a contabilidade não registra o movimento real de remuneração dos segurados a seu serviço, nos termos do artigo 33, parágrafos 3º e 6º, da Lei 8.212/91: “Art. 33. Ao Instituto Nacional do Seguro Social – INSS compete arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar o recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11, bem como as contribuições incidentes a título de substituição; e à Secretaria da Receita Federal – SRF compete arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar o recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas d e e do parágrafo único do art. 11, cabendo a ambos os órgãos, na esfera de sua competência, promover a respectiva cobrança e aplicar as sanções previstas legalmente. (...) § 3º Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, o Instituto Nacional do Seguro SocialINSS e o Departamento da Receita FederalDRF podem, sem prejuízo da penalidade cabível, inscrever de ofício importância que reputarem devida, cabendo à empresa ou ao segurado o ônus da prova em contrário. (...) § 6º Se, no exame da escrituração contábil e de qualquer outro documento da empresa, a fiscalização constatar que a contabilidade não registra o movimento real de remuneração dos segurados a seu serviço, do faturamento e do lucro, serão apuradas, por aferição indireta, as contribuições efetivamente devidas, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário.” (g.n.) 8. No mesmo sentido, foi o acórdão prolatado na 1ª Turma, da 4ª Câmara, deste Conselho, que restou ementado nos seguintes termos: “PREVIDENCIÁRIO. NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO. REMUNERAÇÃO. CARTÕES DE PREMIAÇÃO PARCELA DE INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. PRECEDENTES. Integram o salário de contribuição os valores pagos a título de prêmios de incentivo. Por depender do desempenho individual do trabalhador, o prêmio tem caráter retributivo, ou seja, contraprestação de serviço prestado, razão pela qual, possui natureza jurídica salarial. Fl. 8DF CARF MF Emitido em 14/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/04/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Assinado digitalmente em 07/04/2011 por MARCELO OLIVEIRA, 04/04/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 11634.000760/200761 Acórdão n.º 230101.903 S2C3T1 Fl. 149 9 NORMAS PROCEDIMENTAIS. AFERIÇÃO INDIRETA. ARBITRAMENTO. Aplicável a apuração do crédito previdenciário por aferição indireta/arbitramento na hipótese de deficiência ou ausência de quaisquer documentos ou informações solicitados pela fiscalização, que lançará o débito que imputar devido, invertendose o ônus da prova ao contribuinte, com esteio no artigo 33, §§ 3º e 6º, da Lei 8.212/91, c/c artigo 233, do Regulamento da Previdência Social. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO. (1ª Turma, 4ª Câmara, CARF, Recurso 251.960, Processo n.º 11474.000055/200744, Acórdão 240100619, Relator Marcelo Freitas de Souza Costa)” 9. Dessa forma, depreendese das normas legais transcritas, bem como dos elementos que instruem o processo, que de fato, o presente lançamento se justifica nos termos em que declarado pelo auditor fiscal. DO MÉRITO 10. No mérito, sem razão também o contribuinte. O lançamento do débito foi efetuado de forma razoável e considerou os elementos disponibilizados pela empresa à fiscalização, conforme os valores descritos no documento inicial. 11. No mesmo sentido, os critérios estabelecidos para determinar os valores tributados não foram atacados suficientemente pelo contribuinte, notadamente devido à ausência de provas robustas que contrariem os cálculos apresentados pelo fisco. 12. Desta forma, merece prevalecer a decisão de primeira instância que corroborou a ação fiscal, ante a constatação de que a contabilidade não registrava o movimento real das remunerações pagas aos empregados segurados. CONCLUSÃO 12. Diante do exposto, CONHEÇO do recurso voluntário, para, no mérito, NEGARLHE provimento. (assinado digitalmente) Damião Cordeiro de Moraes Fl. 9DF CARF MF Emitido em 14/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/04/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Assinado digitalmente em 07/04/2011 por MARCELO OLIVEIRA, 04/04/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 10 Fl. 10DF CARF MF Emitido em 14/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/04/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Assinado digitalmente em 07/04/2011 por MARCELO OLIVEIRA, 04/04/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES
score : 1.0
Numero do processo: 13976.000205/2005-22
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 01 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Mar 01 00:00:00 UTC 2011
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2004
PIS NÃO CUMULATIVO. SALDO TRIMESTRAL CREDOR. RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA
Inexiste previsão legal para a atualização monetária do ressarcimento do saldo trimestral credor do PIS nãocumulativo e/ ou pagamento de uros
compensatórios à taxa Selic sobre o ressarcimento.
Numero da decisão: 3301-000.847
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar
provimento ao recurso nos termos do voto do Relator.
Matéria: PIS - proc. que não versem s/exigências de cred. Tributario
Nome do relator: JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2004 PIS NÃOCUMULATIVO. SALDO TRIMESTRAL CREDOR. RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA Inexiste previsão legal para a atualização monetária do ressarcimento do saldo trimestral credor do PIS nãocumulativo e/ ou pagamento de juros compensatórios à taxa Selic sobre o ressarcimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso nos termos do voto do Relator. Rodrigo da Costa Pôssas Presidente José Adão Vitorino De Morais Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso, Maurício Taveira e Silva, Rodrigo Pereira de Mello, Maria Teresa Martínez López e Rodrigo da Costa Pôssas. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão proferida pela DRJ Curitiba, PR, que julgou improcedente a manifestação inconformidade interposta contra Fl. 1DF CARF MF Emitido em 16/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/03/2011 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS Assinado digitalmente em 24/03/2011 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, 15/04/2011 por RODRIGO DA COST A POSSAS 2 despacho decisório que reconheceu e deferiu em parte pedido de ressarcimento de créditos de PIS nãocumulativo, apurado para o 3º trimestre de 2004. A DRF em Joinville, SC, glosou os créditos apurados sobre aquisições de pessoas físicas e sobre mercadorias transferidas entre estabelecimentos da recorrente. Cientificada do despacho decisória, inconformada, interpôs a manifestação de inconformidade às fls. 379, insurgindo contra a nãocorreção monetária do ressarcimento deferido, alegando, em síntese, que faz jus a atualização pela Selic a partir da data de protocolo do pedido. Analisada a manifestação de inconformidade, a DRJ Curitiba julgoua improcedente, conforme acórdão nº 0621.062, datado de 18/02/2009, às fls. 381/385, sob a seguinte ementa: “RESSARCIMENTO. JUROS EQUIVALENTES A TAXA SELIC. FALTA DE PREVISÃO LEGAL. É incabível a incidência de juros compensatórios com base na taxa Selic sobre valores deferidos a título de ressarcimento de créditos relativos ao PIS, por falta de previsão legal.” Cientificada dessa decisão, inconformada, a recorrente interpôs o recurso voluntário às fls. 388/392, requerendo a sua reforma a fim de que se reconheça a incidência de correção monetária, à taxa Selic, sobre o ressarcimento deferido, alegando, em síntese, a mesma razão de mérito expendida na impugnação, ou seja, de que o ressarcimento deve ser atualizado monetariamente desde a data do seu protocolo, conforme entendimento do Conselho de Contribuintes e em face do princípio da isonomia. É o relatório. Voto Conselheiro José Adão Vitorino de Morais O recurso apresentado atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Assim, dele conheço. A atualização monetária e/ ou o pagamento de juros compensatórios sobre o ressarcimento do saldo credor trimestral decorrentes de créditos da contribuição para o PIS com incidência nãocumulativa é expressamente veda em lei. A Lei nº 10.833, de 2003, que instituiu o regime de incidência não cumulativa da Cofins, determinou em seu artigo 15, inciso VI, a aplicação do disposto no art. 13 desta lei que veda de forma expressa a atualização monetária e/ ou o pagamento de juros compensatórios sobre o saldo credor trimestral dos créditos do PIS ressarcidos, assim dispondo, in verbis: “Art. 13. O aproveitamento de crédito na forma do § 4º do art. 3º, do art. 4º e dos §§ 1º e 2º do art. 6º, bem como do § 2º e inciso II do § 4º e § 5º do art. 12, não ensejará atualização monetária ou incidência de juros sobre os respectivos valores. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 16/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/03/2011 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS Assinado digitalmente em 24/03/2011 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, 15/04/2011 por RODRIGO DA COST A POSSAS Processo nº 13976.000205/200522 Acórdão n.º 330100.847 S3C3T1 Fl. 403 3 Art; 15. Aplicase à contribuição para o PIS/PASEP não cumulativa de que trata a Lei no 10.637, de 30 de dezembro de 2002, o disposto: (...); VI – no art. 13 desta Lei.” Assim, não há que se falar em atualização monetária do ressarcimento e/ ou no pagamento de juros compensatórios à taxa Selic. Em face do exposto e de tudo o mais que consta dos autos, nego provimento ao recurso voluntário. José Adão Vitorino de Morais Relator Fl. 3DF CARF MF Emitido em 16/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/03/2011 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS Assinado digitalmente em 24/03/2011 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, 15/04/2011 por RODRIGO DA COST A POSSAS
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