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Numero do processo: 14485.000785/2007-12
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Oct 22 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Sat Dec 06 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Classificação de Mercadorias
Período de apuração: 01/01/2000 a 31/01/2002
NORMAS GERIAS. DECADÊNCIA. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. ANTECIPAÇÃO DE PAGAMENTO. AUSÊNCIA DE OCORRÊNCIA DE DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL REGIDO PELO § 4°, ART. 150, DO CTN.
Comprovada a ocorrência de pagamento parcial, a regra decadencial expressa no CTN a ser utilizada deve ser a prevista no § 4°, Art. 150 do CTN, conforme inteligência da determinação do Art. 62-A, do Regimento Interno do CARF (RICARF), em sintonia com o decidido pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), no Recurso Especial 973.733.
No presente caso, há comprovação de recolhimento parcial, motivo da conseqüente aplicação da regra decadencial determinada no Art. 150 do CTN e da negativa de provimento do recurso apresentado.
Numero da decisão: 9202-003.425
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
OTACÍLIO DANTAS CARTAXO
Presidente
(assinado digitalmente)
Marcelo Oliveira
Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Marcelo Oliveira, Adriano Gonzales Silverio (suplente convocado), Pedro Anan Junior (suplente convocado), Maria Helena Cotta Cardozo, Gustavo Lian Haddad, Elias Sampaio Freire.
Nome do relator: MARCELO OLIVEIRA
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DECADÊNCIA. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. ANTECIPAÇÃO DE PAGAMENTO. AUSÊNCIA DE OCORRÊNCIA DE DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL REGIDO PELO § 4°, ART. 150, DO CTN. Comprovada a ocorrência de pagamento parcial, a regra decadencial expressa no CTN a ser utilizada deve ser a prevista no § 4°, Art. 150 do CTN, conforme inteligência da determinação do Art. 62A, do Regimento Interno do CARF (RICARF), em sintonia com o decidido pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), no Recurso Especial 973.733. No presente caso, há comprovação de recolhimento parcial, motivo da conseqüente aplicação da regra decadencial determinada no Art. 150 do CTN e da negativa de provimento do recurso apresentado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 48 5. 00 07 85 /2 00 7- 12 Fl. 188DF CARF MF Impresso em 08/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA 2 (assinado digitalmente) OTACÍLIO DANTAS CARTAXO Presidente (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Marcelo Oliveira, Adriano Gonzales Silverio (suplente convocado), Pedro Anan Junior (suplente convocado), Maria Helena Cotta Cardozo, Gustavo Lian Haddad, Elias Sampaio Freire. Fl. 189DF CARF MF Impresso em 08/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 14485.000785/200712 Acórdão n.º 9202003.425 CSRFT2 Fl. 3 3 Relatório Tratase de Recurso Especial de divergência, fls. 0129, interposto pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN) contra acórdão que decidiu dar provimento a recurso voluntário do sujeito passivo, nos seguintes termos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2000 a 01/01/2002 DECADÊNCIA.CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. ART. 45 DA LEI 8.212/91. SUMULA VINCULANTE Nº 08 DO STF. O prazo decadencial das contribuições previdenciárias é de 05 (cinco) anos, nos termos dos arts. 150, § 4º do CTN, contando da data do fato gerador, por força da Súmula Vinculante nº 08, do Supremo Tribunal Federal que declara inconstitucional o art. 45, da Lei 8.212/91, dispositivo esse que previa prazo de decadência de 10 (dez) anos para as contribuições previdenciárias. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acatar a preliminar de decadência total com base nos critérios estabelecidos no Art. 150, § 4º, CTN. Votaram pelas conclusões os conselheiros Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro e Carlos Alberto Mees Stringari Esclarecendo, o litígio em questão versa sobre a definição de qual regra decadencial, expressa no Código Tributário Nacional (CTN) deve ser aplicada ao caso. Em seu recurso especial a PGFN alega, em síntese, que: 1. Há divergência entre a decisão recorrida e a paradigma; 2. Só deve ser aplicada a regra decadencial prevista no Art. 150 do CTN quando há recolhimento parcial efetuado, na competência, conforme decidiu a decisão paradigma; 3. Solicita, por fim, acolhimento e provimento de seu recurso. Por despacho, fls. 0159, deuse seguimento ao recurso especial. Fl. 190DF CARF MF Impresso em 08/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA 4 O sujeito passivo apresentou suas contra razões, fls. 0166, argumentando, em síntese, que a decisão recorrida deve ser mantida. Os autos retornaram ao Conselho, para análise e decisão. É o Relatório. Fl. 191DF CARF MF Impresso em 08/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 14485.000785/200712 Acórdão n.º 9202003.425 CSRFT2 Fl. 4 5 Voto Conselheiro Marcelo Oliveira, Relator Presentes os pressupostos de admissibilidade – recurso tempestivo e divergência confirmada e não reformada conheço do Recurso Especial e passo à análise de suas razões recursais. O cerne da questão sobre a decadência é a discussão sobre qual das regras decadenciais, presentes no CTN, aplicarseá, a expressa no § 4°, Art. 150 do CTN, como decidido no acórdão recorrido, ou a constante do I, Art. 173 do CTN. Para a recorrente, a regra a ser aplicada deve ser a prevista no Art. 173, nem que seja em algumas competências, pois não houve a necessária e obrigatória antecipação parcial de pagamento. Creio que já temos resposta sobre esta dúvida. O Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), através de alteração promovida pela Portaria do Ministro da Fazenda n.º 586, de 21.12.2010 (Publicada no em 22.12.2010), passou a fazer expressa previsão no sentido de que “As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF” (Art. 62A do anexo II). No que diz respeito a decadência dos tributos lançados por homologação temos o Recurso Especial nº 973.733 SC (2007/01769940), julgado em 12 de agosto de 2009, sendo relator o Ministro Luiz Fux, que teve o Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC e da Resolução STJ 08/2008, assim ementado: “PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL .ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, Fl. 192DF CARF MF Impresso em 08/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA 6 julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Portanto, o STJ, em Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC definiu que “o dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação” (Recurso Especial nº 973.733). Cabe destacar que na análise dos autos encontramos informação, do Fisco, de eu valores foram recolhidos no período, fls. 019. Fl. 193DF CARF MF Impresso em 08/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 14485.000785/200712 Acórdão n.º 9202003.425 CSRFT2 Fl. 5 7 Antes de decidir sobre qual regra decadencial utilizar, cabe deixar claro que o fato gerador da contribuição previdenciária é a totalidade da remuneração paga ou creditada pelos serviços, independentemente do título que se lhe atribua, tanto em relação ao tomador do serviço (empresa), quanto do segurado contribuinte. Portanto, para a definição da regra decadencial, devemos levar em conta se houve alguma antecipação de pagamento, não por tipo de remuneração (levantamento) pois é a totalidade desses pagamentos que se denomina SaláriodeContribuição (SC), que é todo e qualquer pagamento ou crédito feito ao segurado, em decorrência da prestação de serviço, de forma direta ou indireta, em dinheiro ou sob a forma de utilidades, habituais em relação ao segurado empregado. Elucidativo o texto contido em decisão proferida na Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), processo 10640.001896/200747, pelo nobre Conselheiro Francisco Assis de Oliveira Júnior: “Feitas essas considerações, para solução da lide ora proposta, ainda resta dirimir a questão relacionada ao recolhimento específico da rubrica eventualmente lançada, conforme defende a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional, ou se seria suficiente para caracterização de pagamento antecipado o recolhimento genérico relativo aos valores consolidados na folha de pagamento elaborada pelo sujeito passivo. Em relação à essa matéria, creio que a solução mais adequada deve considerar a regra matriz relacionada efetivamente à definição de qual seria a base de cálculo das contribuições previdenciárias. Nesse sentido, observamos que à luz do que dispõe o inciso I do art. 22 da Lei nº 8.212, de 1991, o elemento jurídico a ser considerado para efeito de análise do recolhimento total ou parcial referese à remuneração total paga, devida ou creditada aos segurados pelo empregador: Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: 6 I vinte por cento sobre o total das remunerações pagas, devidas ou creditadas a qualquer título, durante o mês, aos segurados empregados e trabalhadores avulsos que lhe prestem serviços, destinadas a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços, nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa. (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). Nesse sentido, se eventualmente o sujeito passivo não recolhe o tributo em relação a determinada rubrica que acredita não ter incidência da contribuição previdenciária, tal fato não descaracteriza a antecipação de pagamento para o restante calculado e recolhido indicado pela folha de pagamento do empregador. Fl. 194DF CARF MF Impresso em 08/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA 8 Em verdade, o fracionamento dessas rubricas revelase necessário para identificação dos requisitos estabelecidos para verificação da não incidência do salário de contribuição em conformidade com as inúmeras previsões do § 9º do art. 28 da Lei nº 8.212, de 1991. Contudo, o conjunto de situações e específicas que caracterizam a contraprestação onerosa do empregado pela empresa em nada altera a natureza jurídica de cada uma dessas rubricas que são, em seu conjunto, a remuneração devida ao segurado. Em outras palavras, cada rubrica é espécie do gênero remuneração. Desse modo, para efeito de identificação do pagamento antecipado, não deve ser exigido o recolhimento específico de uma ou outra rubrica paga pelo empregador, mas sim a consolidação desses valores relativos aos itens discriminados na folha de pagamento.” Portanto, como há recolhimentos, deve ser aplicada ao caso a regra esculpida no § 4º, Art. 150 do CTN, conforme decidido no acórdão recorrido. CTN: Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. ... § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. CONCLUSÃO: Em razão do exposto, voto em NEGAR PROVIMENTO ao recurso da nobre PGFN, nos termos do voto. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Fl. 195DF CARF MF Impresso em 08/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA
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Numero do processo: 19740.000091/2006-41
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 11 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Jan 06 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/03/1996 a 31/08/2005
PRAZO DE DECADÊNCIA. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP E COFINS. CRITÉRIO DO PAGAMENTO ANTECIPADO. TERMO INICIAL.
O prazo decadencial para a constituição de créditos relativos à Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins é de 5 (cinco) anos, contado da ocorrência do fato gerador (art.150, § 4º, do CTN), se existente pagamento antecipado, ou primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado (art. 173, I, do CTN), se não existente pagamento antecipado.
CRÉDITO TRIBUTÁRIO. FALTA DE RECOLHIMENTO. VALORES DECLARADOS EM DCTF. CONFISSÃO DE DÍVIDA. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. IMPOSSIBILIDADE.
Por ter natureza de confissão de dívida e se revestir de instrumento hábil e suficiente para fim de exigência, os débitos declarados em DCTF e não pagos pelo sujeito passivo prescinde de lançamento de ofício, podendo ser comunicados à Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional para fins de inscrição como Dívida Ativa da União.
CONTRIBUIÇÕES RETIDAS NA FONTE POR ÓRGÃO PÚBLICO. DEDUÇÃO DO VALOR DEVIDO. INFORMAÇÃO SALDO A PAGAR NA DCTF. POSSIBILIDADE.
Os valores da Contribuição para o PIS/Pasep e a Cofins retidos na fonte por Órgãos Públicos são consideradas antecipações do devido e, nesta condição, podem ser deduzidos do valor devido apurado no respectivo período de apuração e declarado em DCTF apenas o valor remanescente a pagar.
Recurso de Ofício Negado.
Numero da decisão: 3102-002.312
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício, nos termos do voto do Relator. Fez sustentação oral o Dr. Ricardo Krakowiak, OAB/SP nº 138.192, advogado do sujeito passivo.
(assinado digitalmente)
Ricardo Paulo Rosa Presidente.
(assinado digitalmente)
José Fernandes do Nascimento - Relator.
Participaram do julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, José Fernandes do Nascimento, Andréa Medrado Darzé, José Paulo Puiatti, Miriam de Fátima Lavocat de Queiroz e Jacques Maurício Ferreira Veloso de Melo.
Nome do relator: JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/03/1996 a 31/08/2005 BASE DE CÁLCULO. VALOR ADICIONADO INDEVIDAMENTE PELA FISCALIZAÇÃO. EXCLUSÃO DETERMINADA PELA DECISÃO PRIMEIRA GRAU. POSSIBILIDADE. Não merece reparo a decisão de primeiro grau que determinou o cancelamento de débitos tributário calculados sobre valores adicionados a base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep não respaldados em documentação contábil e fiscal idônea. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/03/1996 a 31/08/2005 BASE DE CÁLCULO. VALOR ADICIONADO INDEVIDAMENTE PELA FISCALIZAÇÃO. EXCLUSÃO DETERMINADA PELA DECISÃO PRIMEIRA GRAU. POSSIBILIDADE. Não merece reparo a decisão de primeiro grau que determinou o cancelamento de débitos tributário calculados sobre valores adicionados a base de cálculo da Cofins não respaldados em documentação contábil e fiscal idônea. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/03/1996 a 31/08/2005 PRAZO DE DECADÊNCIA. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP E COFINS. CRITÉRIO DO PAGAMENTO ANTECIPADO. TERMO INICIAL. O prazo decadencial para a constituição de créditos relativos à Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins é de 5 (cinco) anos, contado da ocorrência do fato gerador (art.150, § 4º, do CTN), se existente pagamento antecipado, ou AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 74 0. 00 00 91 /2 00 6- 41 Fl. 4835DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 19 /12/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 21/12/2014 por RICARDO PAULO ROS A 2 primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado (art. 173, I, do CTN), se não existente pagamento antecipado. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. FALTA DE RECOLHIMENTO. VALORES DECLARADOS EM DCTF. CONFISSÃO DE DÍVIDA. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. IMPOSSIBILIDADE. Por ter natureza de confissão de dívida e se revestir de instrumento hábil e suficiente para fim de exigência, os débitos declarados em DCTF e não pagos pelo sujeito passivo prescinde de lançamento de ofício, podendo ser comunicados à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional para fins de inscrição como Dívida Ativa da União. CONTRIBUIÇÕES RETIDAS NA FONTE POR ÓRGÃO PÚBLICO. DEDUÇÃO DO VALOR DEVIDO. INFORMAÇÃO SALDO A PAGAR NA DCTF. POSSIBILIDADE. Os valores da Contribuição para o PIS/Pasep e a Cofins retidos na fonte por Órgãos Públicos são consideradas antecipações do devido e, nesta condição, podem ser deduzidos do valor devido apurado no respectivo período de apuração e declarado em DCTF apenas o valor remanescente a pagar. Recurso de Ofício Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício, nos termos do voto do Relator. Fez sustentação oral o Dr. Ricardo Krakowiak, OAB/SP nº 138.192, advogado do sujeito passivo. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa – Presidente. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Relator. Participaram do julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, José Fernandes do Nascimento, Andréa Medrado Darzé, José Paulo Puiatti, Miriam de Fátima Lavocat de Queiroz e Jacques Maurício Ferreira Veloso de Melo. Relatório Por bem descrever os fatos, reproduzse a seguir o relatório encartado na decisão de primeira grau: 1. Versa o presente processo sobre autos de infração de fls. 2358 a 2436, lavrados em nome do contribuinte Bradesco Seguros S/A, CNPJ nº 33.055.146/000193, decorrentes da falta e/ou insuficiência de recolhimento das Contribuições para o Programa de Integração Social (PIS) e para o Financiamento da Seguridade Social (COFINS), na qualidade de contribuinte e na de responsável por sucessão, face à incorporação da Companhia Fl. 4836DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 19 /12/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 21/12/2014 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 19740.000091/200641 Acórdão n.º 3102002.312 S3C1T2 Fl. 101 3 de Seguros Interatlântico. O presente processo consubstancia exigência de crédito tributário no valor total de R$ 270.875.601,56, autuado da seguinte forma: 1.1 Às fls. 2358 a 2374: auto de infração correspondente à Contribuição para o PIS, referente aos fatos geradores de julho/1996 a junho/2001 no valor de R$ 1.849.811,47, incluindo principal e juros de mora calculados até 24/02/2006. 1.2 Às fls. 2375 a 2384: auto de infração correspondente à Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social, referente aos fatos geradores de fevereiro/1999 a junho/2001 no valor de R$ 872.074,81, incluindo principal e juros de mora calculados até 24/02/2006. 1.3 Às fls. 2385 a 2414: auto de infração correspondente à Contribuição para o PIS, referente aos fatos geradores de março/1996 a junho/1997 e de março/1998 a agosto/2005 no valor de R$ 76.421.655,93, incluindo principal, multa proporcional e juros de mora calculados até 24/02/2006. 1.4 Às fls. 2415 a 2436: auto de infração correspondente à Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social, referente aos fatos geradores de fevereiro/1999 a agosto/2005 no valor de R$ 191.732.059,35, incluindo principal, multa proporcional e juros de mora calculados até 24/02/2006. 2. No campo Descrição dos Fatos dos autos de infração acima discriminados (fls. 2359, 2376, 2386 e 2416), a autoridade fiscal que procedeu aos trabalhos de apuração do lançamento esclarece que o valor foi apurado de acordo com o contido no Termo de Verificação Fiscal e planilhas. O Termo de Verificação Fiscal encontrase nos autos às fls. 2437 a 2488. Neste consta, em resumo, que: 2.1 A fiscalização compreendeu o período de fevereiro de 1996 a agosto de 2005 e abrangeu os recolhimentos da Bradesco Seguros na condição de contribuinte e na condição de responsável por sucessão, em virtude da incorporação da Companhia de Seguros Interatlântico (ex Companhia Seguros Tranqüilidade Brasil). 2.2 Abrange somente a parcela exigível (tanto na condição de contribuinte quanto na condição de responsável por sucessão) do crédito tributário, sendo que a parcela com a exigibilidade suspensa é objeto do processo administrativo nº 19740.000092/200696. 2.3 O contribuinte apresentou planilhas contendo as bases de cálculo do PIS e da COFINS de 1996 a 2005, tanto da Bradesco Seguros (fls. 215 a 229), como da pessoa jurídica incorporada Companhia de Seguros TranqüilidadeBrasil (fls. 1.204 a 1.209). 2.4 Tais planilhas foram analisadas confrontandose a documentação contábil da incorporadora (fls. 230 a 1.041) e da incorporada (fls. 1.210 a 1.809), bem como considerando a Fl. 4837DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 19 /12/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 21/12/2014 por RICARDO PAULO ROS A 4 legislação de regência dessas contribuições vigente no período abrangido pela fiscalização. 2.5 Relativamente à Bradesco Seguros, a autuação correspondeu à glosa de valores indedutíveis das bases de cálculo do PIS e da COFINS e à falta de recolhimento da contribuição para o PIS. 2.5.1 Quanto aos valores glosados verificouse que: a) durante todo o período fiscalizado, o contribuinte atribuiu às subcontas contábeis 3441, 34481, 34483, 34486 e 34487 natureza mista, ou seja, ora fazendo com que recebessem valores de receitas a crédito, ora fazendo com que recebessem valores de despesas a débito. b) de acordo com o Plano de Contas das Seguradoras, anexo à Circular SUSEP nº 09, de 20 de setembro de 1993, o grupo contábil “34 – Outras Receitas e Despesas Operacionais” é dividido em dois subgrupos distintos, um para registro de outras receitas com operações de seguros (344 – fls. 183 e 184) e outro para registro das outras despesas com operações de seguros (345 – fls. 184 a 187). c) Exemplificadamente, conforme documento de fls. 726, a Bradesco Seguros lançou valores a crédito das subcontas de despesa 314281 e 314286, valores esses representativos de receitas e que, por estarem sendo lançados a crédito de subcontas de despesa (reduzindoas), passaram a não ser oferecidos à tributação. Na planilha de fls. 226, na coluna relativa ao mês de janeiro/2003, são as receitas do subgrupo contábil 3141 que compõem a base de cálculo do PIS e da COFINS, e não as lançadas erroneamente a crédito do subgrupo de despesas 3142 (subcontas 314281 e 314286, dentre outras), que não compõem esta base por estarem incorretamente registradas no meio de um grupo contábil de despesas. d) Como essa prática adotada pelo contribuinte permaneceu até o fim do período auditado, nas planilhas de fls. 1.042 a 1.173, as quais indicam os valoresbase para lançamento, a partir de janeiro de 2003, passam a existir não apenas as totalizações dos valores glosados de despesas indedutíveis, mas também a totalização dos valores de receita que deveriam ter sido adicionados àquelas bases e que, ao contrário, estavam sendo lançados a crédito de contas de despesa que não as compunham. e) Apesar das inúmeras mudanças de códigos ao longo de todo o período fiscalizado, as contas contábeis do subgrupo Outras Receitas com Operações de Seguros (de código contábil original 344) mantiveram, de acordo com o Plano de Contas das Sociedades Seguradoras, sua função e funcionamento, recebendo apenas lançamentos a crédito por receitas auferidas. f) Inicialmente o contribuinte utilizou as subcontas do subgrupo contábil de receitas 344 para efetuar lançamentos a débito que deveriam ter sido efetuados nas subcontas de despesa correspondentes, pertencentes ao subgrupo contábil 345. E, posteriormente, a partir de janeiro de 2003 e em adição à prática anterior, efetuou lançamentos a crédito do subgrupo contábil de despesas 3142, de receitas que deveriam compor a Fl. 4838DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 19 /12/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 21/12/2014 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 19740.000091/200641 Acórdão n.º 3102002.312 S3C1T2 Fl. 102 5 base de cálculo do PIS e da COFINS mediante lançamento a crédito do subgrupo contábil 3141. g) A Bradesco Seguros não escriturou as despesas no subgrupo contábil específico (345), o qual não consta como dedução/exclusão na planilha anexa à IN SRF 47/99. Ao contrário, escriturouas a débito de um subgrupo de receitas (344), que faz parte dessa planilha. O subgrupo 344, conseqüentemente, passou a constar dessa planilha por um valor líquido, que de forma alguma corresponde ao real valor auferido de receitas a título de outras operações de seguros (esse engloba apenas os valores lançados a crédito no subgrupo 344). h) Em todos os meses em que o saldo do subgrupo contábil 344 é transportado dos balancetes contábeis (fls. 230 a 1.041) para as planilhas de apuração da base de cálculo do PIS e da COFINS elaboradas pelo contribuinte (fls. 215 a 229), o subgrupo contábil 345 não apresenta lançamentos a débito, pois estes foram efetuados no subgrupo 344, gerando redução no valor deste último no momento de apurar a base de cálculo das contribuições. i) A atribuição de natureza contábil mista ao subgrupo 344, o que contraria o disposto no Plano de Contas das Seguradoras, foi confirmada pelo próprio contribuinte quando das respostas às Intimações de nº 3, itens 07 e 08 (fl. 81) e nº 10, itens 08 a 11 (fls. 168 a 170). j) O contribuinte utilizou, não apenas no ano de 1999, mas em todo o período fiscalizado, o valor líquido do grupo contábil “Outras Receitas com Operações de Seguros” (e de suas respectivas subcontas, em especial as de códigos 34481 e 34486), para fins de determinação da base de cálculo do PIS e da COFINS. Tal prática é vedada pela legislação, de acordo com o preceituado na Lei nº 9718/98, que determina que essas contribuições sejam calculadas sobre a totalidade das receitas auferidas pelas pessoas jurídicas, sendo irrelevantes o tipo de atividade por elas exercida ou a classificação contábil adotada para suas receitas. k) Se os subgrupos que compõem o grupo “Outras Receitas com Operações de Seguros” possuem valores negativos, representativos de despesas incorridas pela pessoa jurídica, essas não podem diminuir a base de cálculo do PIS e da COFINS que incide sobre a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica. l) A partir de janeiro de 2003, com a alteração do código contábil do subgrupo “344Outras Receitas com Operações de Seguros” para 3141, os efeitos redutores da base de cálculo do PIS e da COFINS, deramse não só através de lançamentos a débito das contas de receita desse subgrupo (que aparecem como glosas nas planilhas de fls. 1042 a 1173), mas também através de lançamentos a crédito em contas de despesa do correspondente subgrupo “3142Outras Despesas com Fl. 4839DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 19 /12/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 21/12/2014 por RICARDO PAULO ROS A 6 Operações de Seguros” (que aparecem como adições nas planilhas de fls. 1042 a 1173). m) Situação idêntica foi verificada para o grupo contábil “35 Receitas Financeiras”, também constante das receitas tributáveis do PIS e da COFINS no Anexo I da IN 47/99. n) Não há permissão legal para a dedução das bases de cálculo do PIS e da COFINS de perdas em aplicações financeiras, e as únicas exclusões/deduções admitidas, além das previstas para as pessoas jurídicas em geral, são as mencionadas no inc. IV do art. 1º da Lei nº 9.701/98. De acordo com o disposto nos § 1º e 3º desse diploma legal, não são admitidas como deduções das bases de cálculo do PIS e da COFINS as perdas incorridas pela Bradesco Seguros nas diversas aplicações financeiras constantes do grupo contábil 35 de seu balancete. o) Tal prática foi adotada durante todo o período fiscalizado, isto é, de janeiro de 1996 a setembro de 2005. O contribuinte efetua lançamentos a débito de contas de receita, componentes do grupo 35 – Receitas Financeiras (fls. 189 a 205), quando deveria utilizar o grupo contábil específico para tal, ou seja, grupo 36 – Despesas Financeiras (fls. 205 a 213). p) É sempre o saldo do grupo 35 que é transportado dos balancetes (fls. 230 a 1.041) para compor as planilhas de apuração da base de cálculo do PIS e da COFINS (fls. 215 a 229), e que nos meses em que isso ocorre, não são efetuados lançamentos a débito das contas de despesa componentes do grupo 36 – Despesas Financeiras. q) De acordo com a legislação é permitido deduzir apenas as receitas financeiras geradas por ativos garantidores de provisões técnicas, e também apenas a partir da edição da MP nº 1.8586, que acrescentou os §§ 6º e 8º ao art. 3º da Lei nº 9.718/98. r) As respostas apresentadas pelo contribuinte às intimações de nº 03 e nº 10, às fls. 81 a 82 e 170 a 171, confirmam a atribuição pelo contribuinte de natureza mista às contas do grupo contábil “Receitas Financeiras”, cabendo a glosa dos valores negativos lançados, dada a impossibilidade de reduzirem a base de cálculo do PIS e da COFINS. s) As planilhas de fls. 1.042 a 1.173 contêm os valores negativos lançados a débito do subgrupo “344Outras Receitas com Operações de Seguros” e do grupo “35Receitas Financeiras”, que foram glosados quando do cômputo da base de cálculo das contribuições em tela. Tais planilhas também contêm os valores positivos lançados a crédito das subcontas do subgrupo “3142” (estes últimos a partir de janeiro de 2003), os quais foram adicionados às bases de cálculo do PIS e da COFINS, no período auditado. t) Tais valores, resultantes do somatório dos valores negativos glosados e da adição dos valores positivos anteriormente não oferecidos à tributação deram origem às bases de cálculo utilizadas para elaboração do auto de infração, constantes da Fl. 4840DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 19 /12/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 21/12/2014 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 19740.000091/200641 Acórdão n.º 3102002.312 S3C1T2 Fl. 103 7 coluna “Bradesco – Adição/Glosa PIS COFINS” da planilha de fls. 1.985 a 1.987. u) Relativamente ao período de março de 1996 a dezembro de 1998, há uma alteração na forma de apuração da base de cálculo do PIS por parte do contribuinte. Nas planilhas de fls. 215 a 217 e 219, incluiu apenas o saldo da conta contábil “34411 – Custos de Apólices”, não considerando as subcontas contábeis “34481Seguros”, “34486Retrocessões do IRB” e “34487Outras Despesas/Receitas Operacionais Exterior”. Para o período de março de 1996 a fevereiro de 1998 os valores dos saldos dessas subcontas são adicionados à base de cálculo do PIS para fins de lançamento. São também adicionados os saldos dessas subcontas à base de cálculo do PIS para o período de março a dezembro de 1998, com a diferença de que, como nesses meses o contribuinte incluiu o saldo das sucontas “34486 Retrocessões do IRB” e “34487Outras Despesas/Receitas Operacionais Exterior” na planilha de fls. 221, esses valores foram subtraídos da base de cálculo do PIS para fins de lançamento (linha “Valor da Planilha” nas planilhas de fls. 1066 a 1075) 2.5.2 Relativamente à falta de recolhimento da contribuição para PIS e da COFINS, informou que: a) Esta parcela do crédito tributário adveio da comparação entre os valores devidos de PIS e COFINS, conforme planilhas de fls. 215 a 229 (apresentadas pelo contribuinte e compatíveis com a sua contabilidade de fls. 230 a 1.041), e os valores efetivamente recolhidos dessas mesmas contribuições (fls. 1.174 a 1.203). b) A planilha de fls. 1.817 e 1.818 resume as bases de cálculo, os valores devidos e os valores recolhidos dessas contribuições. Após a obtenção dessas bases, seus valores foram transportados para as colunas “BradescoFalta de Recolhimento PIS” e “BradescoFalta de Recolhimento COFINS” da planilha de fls. 1.985 a 1.987. Nesta planilha, tais valores foram adicionados aos constantes da coluna ”Bradesco Adição/Glosa PIS COFINS” a fim de dar origem aos valores totais de base de cálculo para fins de lançamento e aplicação da multa de 75%. c) No período de julho de 1997 a fevereiro de 1998, o crédito tributário está com a sua exigibilidade suspensa por força de decisão judicial proferida no Mandado de Segurança nº 98.0000.2081. Tal lançamento foi objeto do processo administrativo nº (sic). 2.6 Relativamente à Companhia de Seguros Tranqüilidade, incorporada pela Bradesco Seguros, verificou que, no período de fevereiro de 1996 a junho de 2001,: 2.6.1 Não constam recolhimentos de contribuições para o PIS/PASEP em qualquer código de receita, tanto na 7ª quanto na 8ª Região Fiscal, salvo os de fls. 1.810 a 1.811. Fl. 4841DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 19 /12/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 21/12/2014 por RICARDO PAULO ROS A 8 2.6.2 No período de fevereiro de 1996 a dezembro de 1997, não constam declarações de débitos de PIS, seja em DCTF (fls.1.889 a 1.938), seja em DIPJ (fls. 1.819 a 1.840). 2.6.3 No ano de 1998, os débitos de PIS são declarados apenas em DIRPJ e com a exigibilidade suspensa (fls. 1.841 a 1.846 DIRPJ e fls. 1.927 a 1.938DCTF). 2.6.4 De janeiro de 1999 a junho de 2001 (incorporação), há apenas débitos de PIS declarados em DIRPJ (fls. 1.859 a 1.864, 1.871 a 1.876, 1.883 a 1.885 e fls. 1.939 a 1.976DCTF). 2.6.5 Quanto à COFINS, no período de fevereiro de 1999 a junho de 2001, os valores declarados em DCTF (fls. 1.973 a 1.976) mostraramse compatíveis com os recolhimentos efetuados dessa contribuição (fls. 1.812 a 1.816). Apenas os valores constantes das DIRPJs (fls. 1.877 a 1.882 e 1.886 a 1.888) mostraramse discrepantes em relação aos declarados em DCTF (fls. 1.973 a 1.976), no ano de 1999 e nos meses de janeiro a março de 2001, o que não influenciou o lançamento, efetuado com base nos valores recolhidos. 2.6.6 A tabela de fls. 1.977 a 1.978 resume essas informações. 2.6.7 Foram analisadas as planilhas de fls. 1.204 a 1.209, contendo as bases de cálculo do PIS e da COFINS de janeiro de 1996 a junho de 2001, elaboradas pela Bradesco Seguros e relativas à Cia de Seguros Tranqüilidade Brasil e os balancetes contábeis fornecidos pelo contribuinte (fls. 1.210 a 1.809). 2.6.8 Da análise das planilhas elaboradas pela Bradesco Seguros, relativas à Cia de Seguros Tranqüilidade Brasil, foram elaboradas novas planilhas retificandose eventuais erros e, ao mesmo tempo, efetuandose a glosa de valores negativos lançados a débito dos grupos contábeis “Outras Receitas com Operações de Seguros” e “Receitas Financeiras”. As novas planilhas constam às fls. 1.979 a 1.984. 2.6.9 Como não houve recolhimento de PIS pela Cia Tranqüilidade de janeiro de 1996 a junho de 2001, as bases de cálculo refeitas, constantes das planilhas de fls. 1.979 a 1.984, foram as utilizadas para efeito de lançamento. Essas bases constam da planilha de fls. 1.985 a 1.987 na “coluna “Incorporada Base PIS/COFINS’, que apresenta os mesmos valores da coluna “Lç Multa 0% PIS Incorporada”. Os valores devidos de PIS e COFINS relativos à empresa incorporada são lançados sem multa de ofício, pois esta tem caráter punitivo e pessoal não podendo ser transmitida à pessoa da incorporadora. 2.6.10 Relativamente à COFINS, após a retificação das bases de cálculo, foram calculados os valores devidos e deles abatidos os valores recolhidos. Baseandose na diferença de contribuição a recolher obtida, fezse a conta inversa, a fim de se obter os valores de base de cálculo correspondentes a essa diferença, utilizadas para fins de lançamento (fls. 1.982 a 1.984). Esses valores constam na planilha de fls. 1.985 a 1.987 na coluna “Lç COFINS multa 0% incorporada”. [...] Fl. 4842DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 19 /12/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 21/12/2014 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 19740.000091/200641 Acórdão n.º 3102002.312 S3C1T2 Fl. 104 9 2.8 Sobre os valores apurados incidem multa de ofício de 75% (somente nos autos onde a autuada figura como contribuinte) e juros de mora equivalentes à taxa SELIC. 3. O enquadramento legal das presentes autuações encontrase às fls. 2362, 2373, 2377, 2382, 2383, 2391, 2412, 2413, 2418, 2419, 2420, 2434 e 2435. 4. Irresignado com o lançamento consubstanciado nos Autos de Infração em comento, o interessado apresentou a peça impugnatória de fls. 2.538 a 2.588. Alegou, em síntese, que: 4.1 O levantamento fiscal, quer no que se refere à acusação de falta de recolhimento das contribuições, quer na parte da glosa de valores considerados indedutíveis da base de cálculo e da adição de valores nela não incluídos, contém vícios na apuração do “quantum” devido que conduzem à total nulidade dos autos de infração lavrados por absoluta falta de liquidez e certeza do crédito tributário que está sendo exigido; 4.2 Relativamente ao PIS, identificou pagamentos por DARF e por compensação com créditos de diversos tributos no valor principal de R$ 23.084.465,23, ou seja, o total exigido (Doc. 02 B, valor principal). 4.3 Trouxe aos autos documentos comprobatórios das informações dos débitos declarados em DCTF, bem como as PER/DCOMPs correspondentes. 4.4 O Fisco está exigindo o recolhimento de R$ 374.640,41 de PIS no período de 05/99 a 08/05, que corresponderiam a valores da contribuição em causa retidos na fonte por órgãos governamentais, conforme valores informados nas DIPJs respectivas e devidamente registrados na contabilidade, portanto, já devidamente recolhidos. Anexou documentos de numeração 02B e 12. 4.5 Relativamente à COFINS, identificou pagamentos mediante DARF´s e por compensação com créditos de diversos tributos no valor principal de R$ 65.209.291,16, exatamente o valor exigido a este título. (Doc. 13B, valor principal). Trouxe aos autos documentos comprobatórios das informações dos débitos declarados em DCTF, bem como as PER/DCOMPs correspondentes. 4.6 O Fisco está exigindo o recolhimento de R$ 1.163.883,77 de COFINS no período de 08/00 a 08/05, que corresponderiam a valores da contribuição em causa retidos na fonte por órgãos governamentais, conforme valores informados nas DIPJs respectivas e devidamente registrados na contabilidade, portanto, já devidamente recolhidos. Anexou documentos de numeração18. 4.7 Relativamente a glosa de valores considerados indedutíveis e à adição de valores considerados tributáveis o Fisco não fez uma análise da natureza dos lançamentos contábeis. Fl. 4843DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 19 /12/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 21/12/2014 por RICARDO PAULO ROS A 10 4.8 A partir de janeiro de 2003, a fiscalização computou na base de cálculo os valores credores lançados em contas de despesas 31421 e 31426, presumindo que se tratavam de “receitas” quando na verdade são meras reduções de despesas que com aquelas não se confundem. 4.9 O Fisco não o intimou a esclarecer ou justificar os lançamentos contábeis negativos e/ou positivos nas contas de receitas/despesas desses grupos de contas, relativos à totalidade dos valores negativos do período de 1996 a 2005 e positivos a partir de 2003. 4.10 Não houve tempo para analisar e justificar todos os valores negativos glosados e os valores positivos adicionados à base de cálculo das exações. 4.11 Realmente em 01/99 deduziu da base de cálculo, equivocadamente, o saldo negativo do grupo contábil “344 Outras Receitas de Seguros e Outras Despesas de Seguros”, o que foi glosado pela fiscalização num total de R$ 7.257.643,09. Nos meses seguintes em que o saldo da mesma conta também foi negativo, ou seja, 02/99, 05/99 a 10/99, 12/99, 01/00, 02/00, 04/00, 06/00, 07/00, 09/00, 11/00, 12/00 e 01/01, o impugnante nada deduziu da base de cálculo do PIS e da COFINS (fls. 215 a 229 dos autos), conforme demonstrado na planilha e documentos de numeração 22. E o Fisco glosou a totalidade do valor negativo registrado na conta em cada mês, resultando em glosas indevidas em todos os meses acima assinalados no valor dos saldo negativos apurados (doc. 22)I 4.12 Nos meses de 12/01, 05/02, 07/02 e 08/02, o Impugnante tributou valores maiores do que o movimento líquido credor da conta. E o Fisco continuou a glosar o valor total negativo registrado na conta, incorrendo em glosa indevida exatamente no valor a maior tributado pela empresa (doc. 22). 4.13 Nos meses de 11/02 e 12/02 tributou integralmente os valores positivos registrados na referida conta e o Fisco glosou integralmente os valores negativos registrados, incorrendo em glosa totalmente indevida (doc. 22). 4.14 Ainda que correto estivesse o entendimento do Fisco quanto ao mês de 01/99, e de acordo com o seu entendimento, teria havido glosa indevida de R$ 50.531.367,74 e tributação indevida deste valor adicionado pelo Fisco à base de cálculo das exações (doc. 22). 4.15 As glosas indevidas em cada mês em que o valor negativo superou o valor positivo registrado na conta 344 estão demonstrados nos desdobramentos do doc. 22 (doc. 22A a 22W). Conseqüentemente está havendo exigência indevida de contribuições, multa e juros, calculadas sobre as glosas indevidas em cada mês considerado. 4.16 O Fisco presumiu, relativamente aos grupos de contas “344Outras Receitas de Seguros e Outras Despesas de Seguros” e “35Receitas Financeiras”, a natureza jurídica de despesa de todos os lançamentos negativos efetuados, sem Fl. 4844DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 19 /12/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 21/12/2014 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 19740.000091/200641 Acórdão n.º 3102002.312 S3C1T2 Fl. 105 11 demonstrar que de fato eles teriam reduzido a base de cálculo das referidas contribuições. 4.17 A despeito das dificuldades em razão do curto espaço de tempo para elaboração de sua defesa e do volume de documentos para analisar, em face do grande período fiscalizado, e embora fosse dever do Fisco fazer essa análise, conseguiu identificar que esses valores negativos decorrem de: a) transferências entre contas tributadas; b) estornos de receitas em razão de erros na contabilização decorrentes de apropriação indevida em meses anteriores, erros de cálculo na apropriação de receitas pelo regime de competência, estorno de juros e correção monetária de prêmios prefixados ou de correção monetária de aplicações de renda fixa e outros, c) oscilações cambiais de depósitos e aplicações financeiras no exterior; d) ajuste de oscilações cambiais em operações de “swap”; e) oscilações em decorrência de índices pactuados (bolsa) ou taxa cambial em fundos de renda variável; f) repasses de receitas de prêmios de seguros cujo risco foi repassado para outras seguradoras, e outros. 4.18 O valor total da glosa que foi tributada neste item é de aproximadamente R$ 420.709.668,40 (doc. 13/A). Somente de transferência entre contas tributadas detectou mais de R$110.000.000,00 em apenas quatro meses analisados, o que corresponde a mais de 25% do total glosado (doc. 21A, 21B, 21C e 21D). 4.19 Foram detectadas outras transferências no mês de março de 1999 também para contas tributadas. 4.20 As transferências ocorrem de forma mais acentuada quando há reclassificação de contas e mudanças de códigos, o que ocorreu diversas vezes durante o período fiscalizado, como atesta o próprio fiscal autuante no Termo de Verificação Fiscal. 4.21 Quanto aos fundos de renda variável, efetua mensalmente o registro da oscilação do valor das quotas, conduzindo sempre à tributação antecipada dos valores positivos, ainda que não representem uma receita efetiva. 4.22 Quando antes do resgate das quotas ocorre uma oscilação do seu valor para baixo, registra um valor negativo ajustando a tributação antecipada à realidade da rentabilidade do fundo. 4.23 Ao glosar os valores negativos o Fisco está exigindo indevidamente exações sobre renda que jamais existiu. 4.24 As planilhas e razão juntados evidenciam inúmeros valores lançados a débito que são apenas reduções do saldo acumulado de valores anteriormente lançados a crédito e oferecidos à tributação (docs. 19 e 20). 4.25 Em relação aos ativos em dólar, a fiscalização glosou os valores negativos registrados na conta respectiva. Esses valores referemse a mera variação cambial negativa desses ativos em Fl. 4845DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 19 /12/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 21/12/2014 por RICARDO PAULO ROS A 12 moeda estrangeira, cuja variação positiva já havia sido oferecida à tributação (doc. 23). 4.26 Requer perícia, em função do seu direito de ampla defesa. 4.27 Os valores lançados a débito nas contas do grupo contábil 35 correspondem a reduções no valor das quotas de fundos de investimento de renda variável, que já haviam anteriormente sofrido uma valorização em montante superior aos lançamentos a débito, já regularmente oferecida à tributação, tratandose de mera redução de uma expectativa de receita antecipadamente tributada. 4.28 Deduz da base de cálculo das contribuições quando da redução do seu ganho, e quando da recuperação deste ganho ofereceu à tributação a receita correspondente. 4.29 Ainda que a fiscalização estivesse correta ao glosar a dedução dos valores lançados a débito da base de cálculo das contribuições ao PIS e COFINS, deixou de considerar que no caso concreto ocorreu mera postergação do pagamento dos tributos, hipótese em que seriam exigíveis, quando muito, juros de mora isolados, sendo nulo o lançamento da forma como efetuado por redundar na exigência de tributo em duplicidade, consoante jurisprudência do Conselho de Contribuintes. 4.30 Os valores negativos registrados no Grupo Conta Contábil 35Receitas Financeiras, em grande parte, referemse a diversos Fundos de Investimento de Renda Variável, aplicações e depósitos em moeda estrangeira. 4.31 As aplicações de renda variável (bolsas, dólar, etc..) caracterizamse por sofrer oscilações positivas e negativas durante o lapso de tempo desde a realização do investimento até o resgate das aplicações, apresentando neste período apenas uma expectativa de receita que irá se concretizar no resgate da aplicação, momento em que deveria ser tributada pelas contribuições ao PIS e COFINS a receita auferida. 4.32 Adotou o regime de competência para a apropriação dessas oscilações. A cada período mensal são registradas e tributadas as “receitas” quando a oscilação é positiva e as “perdas” quando a oscilação é negativa. Para que não haja tributação indevida, as “perdas” são abatidas das “receitas” já tributadas anteriormente. 4.33 A opção pelo regime de competência não poderá implicar na incidência sobre um valor que não represente “receita auferida pela pessoa jurídica”, o que em se tratando de variações cambiais e outros índices variáveis somente irá ocorrer na liquidação das operações, e apenas se houver ingresso novo que se acresça ao patrimônio do contribuinte. 4,34 Renomados tributaristas concluem pela impossibilidade de se tributar pelas contribuições ao PIS/COFINS meras expectativas de receitas, ainda não definitivamente auferidas, ou simples reduções de despesas. Fl. 4846DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 19 /12/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 21/12/2014 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 19740.000091/200641 Acórdão n.º 3102002.312 S3C1T2 Fl. 106 13 4.35 A impossibilidade de se entender como “receita”, para fins de tributação pela contribuição ao PIS e COFINS, a eventual redução do valor em reais de um investimento por conta da oscilação da taxa de câmbio e outras enquanto não resgatado, e de se constatar ter efetivamente sido auferida uma receita ao final do mesmo. 4.36 Quanto aos decréscimos sobre passivos, é evidente que não representam receita alguma, uma vez que inexiste qualquer ingresso novo, mas sim uma menor despesa. 4.37 Não poderiam, sem uma análise mais profunda, terem sido glosados os valores negativos registrados em contas de Fundos de renda variável, depósitos e aplicações em moeda estrangeira, bem como os valores positivos registrados em contas de despesas. 4.38 Não poderia também o Fisco glosar valores negativos lançados em contas de receitas/despesas operacionais que representam repasses de receitas a outras seguradoras ou ao IRB em razão do repasse de parcela do risco assumido (co seguros ou resseguros), porque ocorrendo tais repasses por força de imposições legais, esses valores não representam “receitas” do Impugnante. Neste sentido já decidiu o Conselho de Contribuintes no Acórdão 20308.793, mandando excluir da base de cálculo da COFINS tudo o que não faz parte da receita da pessoa jurídica. 4.39 O crédito tributário relativo ao período de 31.03.96 a 28.02.2001 está extinto em razão da decadência que se operou, posto que decorrido o prazo de cinco anos previsto no artigo 150, § 4º do CTN; 4.4O A inaplicabilidade do prazo decadencial de 10 anos previsto na Lei nº 8.212/91. 4.41 O Fisco desconsiderou os pagamentos das contribuições efetuados por meio de DARF´s e mediante compensações diversas; 4.42 As suas receitas, dentre elas as receitas financeiras, por não serem faturamento ou receita bruta da venda de bens e serviços, não integram a base de cálculo das contribuições em causa, conforme decisão do STF no RE 346.084; 4.43 A inconstitucionalidade da Lei nº 9718/98, considerando que o Fisco não poderia ter autuado o Impugnante exigindolhe contribuições sobre receitas financeiras e de seguros que não integram o faturamento, entendido como receita bruta da venda de bens e serviços. 4.44 Nos termos do Parecer PGFN nº 439/96, cabe estender ao presente caso, a decisão do Supremo Tribunal Federal, julgando improcedente a exigência pelo mérito. Fl. 4847DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 19 /12/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 21/12/2014 por RICARDO PAULO ROS A 14 4.45 Não houve deduções indevidas das bases de cálculo das contribuições ao PIS e à COFINS. Os valores tributados pelo Fisco a este título representam verdadeiras despesas, meras transferências para outras contas tributadas, ou representam expectativas de receitas anteriormente oferecidas à tributação e que a final não se concretizaram, ou, ainda, receitas de terceiros. Não houve valores que seriam tributados não adicionados à base de cálculo, pois, os valores creditados em contas de despesas não são “receitas”, mas deduções de despesas; 4.46 Prevalecendo a exigência fiscal e se não cancelada a multa de ofício aplicada, impugna desde já a pretensão da exigência de juros de mora sobre o valor da multa de ofício, por falta de suporte legal. Foi autuado por suposta falta de recolhimento da contribuição, e, se devidos, somente sobre esses valores podem ser calculados a multa e juros incidentes. 4.47 Os juros moratórios não podem ser cobrados com base na taxa SELIC. 4.48 A fim de confirmar as suas alegações quanto aos equívocos do levantamento fiscal e quanto ao mérito, protesta por realização de prova pericial. Indicou contador para atuar como assistente técnico e para responder aos quesitos: 4.48.1 Identificar nos grupos de contas 344 e 35 e naqueles que os sucederam por reclassificações contábeis, quais os eventos que deram origem aos valores negativos (em contas de receitas) glosados pelo Fisco na base de cálculo do PIS e da COFINS e aos valores positivos (em contas de despesas) adicionados à mesma base, bem como qual seria o valor correspondente a cada evento que foi adicionado à base de cálculo. 4.48.2 Identificados esses eventos e os valores respectivos, identificar a respectiva contrapartida e informar qual a repercussão na base de cálculo do PIS e da COFINS, tendo em vista a natureza de cada lançamento. 4.48.3 Responder se o critério utilizado pelo Fisco para glosar os valores negativos registrados no Grupo de Conta 344 é coerente com as premissas colocadas pelo próprio Fiscal. 4.48.4 Sendo negativa a resposta ao quesito 3, qual seria o resultado dessa incoerência. 4.48.5 Informar se houve glosa em valor superior ao que seria devido segundo o critério do próprio fiscal. 4.48.6 Indicar a natureza das receitas registradas nos Grupos de Contas 344 e 35 e nos que os sucederam em razão das reclassificações contábeis ocorridas no período fiscalizado. Esclarecer se estas receitas podem ser classificadas sob o aspecto contábil como faturamento ou receita bruta decorrente da venda de bens ou de serviços. 4.48.7 Considerando os lançamentos em contas que albergam várias aplicações de rendas variáveis, identificar o critério de contabilização/tributação adotado pelo impugnante. Houve Fl. 4848DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 19 /12/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 21/12/2014 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 19740.000091/200641 Acórdão n.º 3102002.312 S3C1T2 Fl. 107 15 antecipação de recolhimento de contribuição ao PIS e à COFINS em decorrência desse critério? 4.48.8 No período anterior aos débitos glosados pela fiscalização nas contas do grupo contábil 35, o Impugnante já não havia creditado a título de receita e oferecido à tributação valores superiores aos débitos glosados? 4.48.9 Para os mesmos fundos de investimento em que efetuados lançamentos a débito nas respectivas contas contábeis do grupo 35, quando da queda do valor das quotas correspondentes, informar se o Impugnante efetuou também lançamentos a crédito quando o valor dessas quotas posteriormente aumentou. 4.48.10 Em face dos ramos de atividade do impugnante – seguros – identificar qual a parcela dos valores glosados pelo Fisco que correspondem a débitos relativos a repasses de receitas a terceiros em razão de coseguro e resseguro. 4.48.11 Requer sejam trazidos outros esclarecimentos necessários ao deslinde do caso. 4.48.12 Protesta pela apresentação de quesitos suplementares e elucidativos. 5. A autuada requer, ao final, seja julgado insubsistente o auto de infração, se antes não for reconhecida a sua nulidade em face dos vícios que apresenta. 6. Ao analisar o presente processo e considerando as alegações da autuada, a 4ª Turma desta DRJII decidiu retornar o mesmo em diligência à Delegacia responsável pela autuação (fls. 2.619 a 2.620), a fim de que fosse providenciada a manifestação do fiscal autuante, bem como fossem prestados os esclarecimentos abaixo listados: 6.1 Relativamente aos débitos declarados em DCTF, fosse informado se os mesmos foram objeto de autuação. Em caso afirmativo, fosse esclarecido por qual motivo foram autuados valores já declarados e confessados pelo contribuinte, os quais deveriam ter sido objeto de cobrança e não de lançamento. Se, ao contrário, os valores objeto de declaração em DCTF não constituíram o crédito tributário que consubstancia o presente auto de infração, foi solicitado à fiscalização que elaborasse e apresentasse novo demonstrativo de apuração do lançamento fiscal, desta vez especificando a correta base de cálculo, o valor devido das contribuições, bem como registrando a exclusão dos débitos confessados em DCTF e os recolhimentos efetuados. 6.2 Quanto às contribuições de PIS e COFINS retidas na fonte por órgão público, reclamadas pelo contribuinte como não tendo sido consideradas quando da elaboração do lançamento, foi requisitado à fiscalização que esclarecesse se realmente não foram observadas quando da apuração do crédito tributário devido. Em caso afirmativo, foi solicitado à fiscalização que verificasse a veracidade destas retenções, bem como se as Fl. 4849DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 19 /12/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 21/12/2014 por RICARDO PAULO ROS A 16 mesmas foram devidamente registradas na escrituração contábil da impugnante. Acaso restasse comprovada a existência de tais retenções, um novo demonstrativo de apuração do valor devido deveria ser elaborado pela fiscalização, desta vez contemplando estes recolhimentos. 7. Em resposta ao pedido de diligência, às fls. 2.830 a 2.831, a fiscalização informou, em resumo, que: 7.1 Em relação ao crédito correspondente à “Falta de Recolhimento de Contribuição para o PIS”, foram lançados valores já declarados em DCTF, haja vista: a) Os saldos constantes das DCTF´s do contribuinte tinham saldos iguais a zero (fls. 2.622 a 2.826), sendo que somente seriam objeto de inscrição em Dívida Ativa os saldos não nulos confessados nesse tipo de declaração; b) O exíguo prazo para análise de eventuais inconsistências constantes das DCTF´s (valores inexatos, indevidos ou não comprovados, declarados como compensados, parcelados, etc.), face o iminente transcurso do prazo decadencial, o que impossibilitaria seu lançamento mesmo em procedimento posterior de auditoria interna desse tipo de declaração; c) Existir, à época, interpretação, com base no art. 90 da atual Medida Provisória nº 2.15835 (antiga MP nº 1.807/99), no sentido de ser necessário efetuar o lançamento de valores constantes em DCTF, quando na presença da situação descrita nos itens “a” e “b” acima, a fim de resguardar os interesses da Fazenda Nacional. d) Foi elaborada planilha de fls. 2.827 a 2.829, que lista os valores a serem lançados levandose em consideração os valores declarados em DCTF. e) As Contribuição para o PIS e à COFINS retidas na fonte por órgãos públicos não foram consideradas no lançamento, haja vista que os fatos geradores que o ensejaram em nada com elas se relacionam. f) Eventuais valores retidos a esse título devem ser objeto de pedido específico de compensação ou restituição pelo contribuinte, não sendo o Auto de Infração instrumento adequado para a redução de valores lançados com base nesse tipo de retenções. 8. O processo então retornou a esta 4ª Turma da DRJII para prosseguimento, sendo reencaminhado à DEINFSP, atual jurisdição da interessada, a fim de que a mesma fosse cientificada do resultado da diligência em questão. 9. A Bradesco Seguros S/A manifestouse quanto ao resultado da diligência, às fls. 2.843 a 2.854. Alegou, em resumo, que: 9.1 O auto de infração exige, em sua quase totalidade, valores de PIS e COFINS declarados em DCTF como compensados com créditos de pagamentos a maior ou pagos mediante DARF´s ali Fl. 4850DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 19 /12/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 21/12/2014 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 19740.000091/200641 Acórdão n.º 3102002.312 S3C1T2 Fl. 108 17 indicados, ou ainda valores de PIS/COFINS não informados em DCTF porque compensados com PIS/COFINS retido na fonte por órgãos públicos, conforme consignado pela Impugnante em suas DIPJs e DACONS. 9.2 As respostas da fiscalização à Diligência corroboram as alegações da Impugnante no sentido de que estão sendo exigidos valores declarados em DCTF como compensados, além de valores declarados como pagos, bem como foram ignorados os créditos decorrentes de PIS/COFINS retidos na fonte por órgãos públicos. 9.3 Quanto aos valores declarados como pagos em DCTF, os quais foram devidamente constatados pela fiscalização e considerando as novas planilhas de fls. 2.827 a 2.829, concluise que o auto de infração deve ser cancelado, porque a DCTF opera como confissão de dívida do sujeito passivo, estando devidamente comprovados os pagamentos efetuados pela documentação juntada com a defesa. 9.4 A autuação deve ser cancelada quanto aos valores declarados como compensados, visto não haver motivação no lançamento que justifique a desconsideração das compensações efetuadas e que possibilite a ele, contribuinte, manifestarse. 9.5 Quanto às contribuições retidas na fonte por órgãos públicos, desconsideradas pela fiscalização quando do lançamento, observase que, com algumas exceções, correspondem exatamente aos valores que constam das planilhas produzidas pela fiscalização sob as rubricas “Valor a lançar PIS base DCTF” e “Valor a lançar COFINS base DCTF”. 9.6 O “valor a lançar” mantido pela fiscalização em conclusão à diligência é exatamente o montante relativo ao PIS/COFINS retido na fonte por órgãos públicos. 9.7 De acordo com o art. 64 da Lei nº 9.430/96, esses créditos são tratados como antecipações do devido pelo contribuinte em relação às mesmas contribuições retidas, não havendo que se falar em “pedido específico de restituição ou compensação”, até porque no caso sempre compensou o crédito de PIS/COFINS retido com aquelas mesmas contribuições. 9.8 De acordo com a IN/SRF 480/2004, ao declarar em DCTF os valores devidos a título de PIS/COFINS a Impugnante já informou o valor líquido, após a dedução dos valores também de PIS/COFINS retidos por órgão públicos, declarando em sua DIPJ e DACON a “compensação” efetuada indicando expressamente o valor que lhe foi retido mês a mês. 9.9 Declarou em DCTF os valores “líquidos” das antecipações retidas porque o próprio programa de preenchimento da DCTF, em suas orientações gerais assim prevê. 9.10 Por este motivo é que o “valor a lançar PIS base DCTF” e “valor a lançar COFINS base DCTF” correspondem exatamente Fl. 4851DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 19 /12/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 21/12/2014 por RICARDO PAULO ROS A 18 aos valores retidos na fonte por órgãos públicos, nos termos do art. 64 da Lei nº 9.430/96. 9.10 A afirmação da fiscalização de que “eventuais valores retidos a esse título devem ser objeto de pedido específico de compensação ou restituição pelo contribuinte” somente seria cabível caso o montante retido antecipadamente superasse o valor apurado como devido naquele mês, o que não ocorreu no caso concreto. Cita a Solução de Consulta nº 195 de 17.11.2006. 9.11 Estarem comprovadas contabilmente as retenções por ela sofridas, demonstrandose a insubsistência do auto de infração também quanto a esse aspecto, servindo a diligência para apontar que embora esses valores não estejam em DCTF, representam valores já neutralizados em face das retenções antecipadamente sofridas pela Impugnante também a título de PIS/COFINS , as quais não poderiam ser desconsideradas no lançamento. 9.12 Através das planilhas anexadas como docs. 2A e 13A de sua impugnação (fls. 97/101 e 616/619 do anexo), a Impugnante segregou a parcela do valor autuado correspondente à adição/glosa de valores lançados a débito/crédito, dos valores correspondentes à suposta falta de recolhimento em relação ao valor declarado como devido pelo próprio impugnante. Sobreveio a decisão de primeira instância (fls. 3013/3075), em que, por unanimidade de votos, o lançamento foi julgado procedente em parte, com base nos fundamentos resumidos nos enunciados das ementas que seguem transcritos: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/07/1996 a 30/11/2000, 01/03/1996 a 30/06/1997, 01/03/1998 a 28/02/2001, 01/02/1999 a 28/02/2001 DECADÊNCIA. O prazo decadencial para a constituição de créditos relativos à contribuição para o PIS é de 05 (cinco) anos, nos termos do art.150 § 4º do CTN, quando se verificar a existência de pagamento antecipado, ou nos termos do art. 173, inc. I, do CTN, quando não tiver ocorrido qualquer pagamento. O prazo decadencial para a constituição de créditos relativos à contribuição para a COFINS é de 05 (cinco) anos, nos termos do art.150 § 4º do CTN, quando se verificar a existência de pagamento antecipado. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/12/2000 a 30/06/2001, 01/03/2001 a 31/08/2005 RECEITAS/DESPESAS OPERACIONAIS BASE DE CÁLCULO A base de cálculo da contribuição é a totalidade das receitas auferidas e não o saldo credor das contas de resultado. E, qualquer lançamento que importe em redução Fl. 4852DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 19 /12/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 21/12/2014 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 19740.000091/200641 Acórdão n.º 3102002.312 S3C1T2 Fl. 109 19 de receita, não legalmente prevista, há de ser desconsiderado para efeitos de tributação da contribuição. GLOSAS É de se excluir da base de cálculo glosas efetuadas pela fiscalização quando não se constatar o correspondente lançamento em balancete de verificação. É de se manter a glosa quando constatado lançamento negativo em conta de receita que tenha reduzido indevidamente a base de cálculo da contribuição. COSSEGUROS E RESSEGUROS De acordo com o Plano de Contas das Seguradoras, existe conta específica para o lançamento de cosseguros e resseguros cedidos, seja ao IRB ou a outra seguradora, cabendo eventual repasse ser devidamente comprovado pela empresa fiscalizada. RECEITAS FINANCEIRAS . As receitas financeiras integram a base de cálculo da contribuição e são tributadas pelo regime de competência, devendo ser reconhecidas mensalmente, independentemente da efetiva liquidação das operações que a geraram, não se admitindo a compensação dos ganhos financeiros com as perdas a que estão sujeitos os investimentos da autuada. Restando comprovado que as rentabilidades positivas foram oferecidas à tributação, os lançamentos negativos em conta de receita correspondentes a transferência entre contas de receita financeira, nos exatos valores destas rentabilidades, não enseja glosa para fins de autuação. Restando comprovado que os lançamentos negativos em conta de receita em nada se relacionam com a rentabilidade positiva em investimentos, mas sim com rentabilidade negativa, é de se manter a glosa para fins de autuação, pois tais lançamentos deveriam ter sido ser registrados em conta própria de despesa financeira. FALTA DE RECOLHIMENTO – DCTF CONFISSÃO DE DÍVIDA O débito declarado e não pago, desde que revestido dos atributos de confissão de dívida tributária, é exigível, tornandose dispensável o lançamento de ofício. CONTRIBUIÇÕES RETIDAS NA FONTE POR ÓRGÃO PÚBLICO A Legislação vigente considera que as contribuições retidas na fonte por Órgãos Públicos são consideradas antecipações do que for devido, devendo a contribuição para o PIS e a COFINS ser declarada em DCTF em valores líquidos, ou seja, já deduzida das retenções anteriormente efetuadas. ACRÉSCIMOS LEGAIS JUROS DE MORA TAXA SELIC A partir de 01/04/1995, por expressa disposição legal, os juros de mora serão equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia Selic. Fl. 4853DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 19 /12/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 21/12/2014 por RICARDO PAULO ROS A 20 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL – COFINS Período de apuração: 01/03/2001 a 31/08/2005 RECEITAS/DESPESAS OPERACIONAIS – BASE DE CÁLCULO A base de cálculo da contribuição é a totalidade das receitas auferidas e não o saldo credor das contas de resultado. E, qualquer lançamento que importe em redução de receita, não legalmente prevista, há de ser desconsiderado para efeitos de tributação da contribuição. GLOSAS É de se excluir da base de cálculo glosas efetuadas pela fiscalização quando não se constatar o correspondente lançamento em balancete de verificação. É de se manter a glosa quando constatado lançamento negativo em conta de receita que tenha reduzido indevidamente a base de cálculo da contribuição. COSSEGUROS E RESSEGUROS De acordo com o Plano de Contas das Seguradoras, existe conta específica para o lançamento de cosseguros e resseguros cedidos, seja ao IRB ou a outra seguradora, cabendo eventual repasse ser devidamente comprovado pela empresa fiscalizada. RECEITAS FINANCEIRAS . As receitas financeiras integram a base de cálculo da contribuição e são tributadas pelo regime de competência, devendo ser reconhecidas mensalmente, independentemente da efetiva liquidação das operações que a geraram, não se admitindo a compensação dos ganhos financeiros com as perdas a que estão sujeitos os investimentos da autuada. Restando comprovado que as rentabilidades positivas foram oferecidas à tributação, os lançamentos negativos em conta de receita correspondentes a transferência entre contas de receita financeira, nos exatos valores destas rentabilidades, não enseja glosa para fins de autuação. Restando comprovado que os lançamentos negativos em conta de receita em nada se relacionam com a rentabilidade positiva em investimentos, mas sim com rentabilidade negativa, é de se manter a glosa para fins de autuação, pois tais lançamentos deveriam ter sido ser registrados em conta própria de despesa financeira. FALTA DE RECOLHIMENTO – DCTF CONFISSÃO DE DÍVIDA O débito declarado e não pago, desde que revestido dos atributos de confissão de dívida tributária, é exigível, tornandose dispensável o lançamento de ofício. CONTRIBUIÇÕES RETIDAS NA FONTE POR ÓRGÃO PÚBLICO A Legislação vigente considera que as contribuições retidas na fonte por Órgãos Públicos são consideradas antecipações do que for devido, devendo a contribuição para o Fl. 4854DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 19 /12/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 21/12/2014 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 19740.000091/200641 Acórdão n.º 3102002.312 S3C1T2 Fl. 110 21 PIS e a COFINS ser declarada em DCTF em valores líquidos, ou seja, já deduzida das retenções anteriormente efetuadas. ACRÉSCIMOS LEGAIS JUROS DE MORA TAXA SELIC A partir de 01/04/1995, por expressa disposição legal, os juros de mora serão equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia Selic. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/12/2000 a 30/06/2001, 01/03/2001 a 31/08/2005 INTIMAÇÃO Não deve prosperar a alegação de nulidade do lançamento quando restar comprovada a existência de intimações para prestação de esclarecimentos, bem como o atendimento às mesmas por parte do contribuinte. PROVA DOCUMENTAL Cabe ao impugnante trazer nas suas alegações, em especial quanto à natureza dos lançamentos questionados, todos os elementos de prova que dêem a elas força probante, nos termos dos art. 15 e 16 do Decreto nº 70.235/72. PERÍCIA A autoridade julgadora de primeira instância indeferirá as diligências e perícias que considerar prescindíveis ou impraticáveis para a solução da lide. A autuada foi cientificada da decisão de primeira instância em 16/12/2009 (fl. 3132). Inconformada, em 15/1/2010, protocolou o recurso voluntário de fls. 3136/3156, em que, em relação à parcela dos lançamentos mantida, reafirmou os argumentos aduzidos na peça impugnatória. Como a parcela do crédito exonerada excedeu o limite de alçada, nos termos do art. 34, I, do Decreto 70.235/1972, com a redação dada pela Lei 9.532/1997, combinado com o disposto no art. 1º da Portaria do Ministro de Estado da Fazenda 3/2008, houve interposição de recurso de ofício. Por meio da petição de fls. 3164/3167, a autuada desistiu do recurso voluntário e, conforme despacho de fl. 4823, os débitos contestados no citado recurso foram parcelados e transferidos para o processo 16327.720601/201151, remanescendo neste processo apenas os débitos objeto do recurso de ofício. É o relatório. Voto Conselheiro José Fernandes do Nascimento, Relator. O recurso voluntário é tempestivo, trata de matéria da competência deste Colegiado e preenche os demais requisitos de admissibilidade, mas não deve ser conhecido, uma vez que a recorrente expressamente dele desistiu, o que implica renúncia ao direito sobre o qual se funda o recurso interposto, nos termos do art. 78, § 3º, do Anexo II do Regimento Interno des Conselho, aprovado pela Portaria MF 256/2009. Fl. 4855DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 19 /12/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 21/12/2014 por RICARDO PAULO ROS A 22 O recurso de ofício interposto também trata de matéria da competência deste Colegiado e preenche os requisitos de admissibilidade estabelecidos na legislação de regência, portanto, deve ser conhecido. As matérias contestadas no recurso de ofício foram as seguintes: a) decadência parcial do direito de constituir os débitos das contribuições lançadas; b) reconstituição da base de cálculo das referidas contribuições; c) lançamento de débitos já declarados em DCTF; e d) falta de dedução de valores das contribuições retidos na fonte por Órgãos Públicos do valor devido calculado no respectivo período de apuração. I Da Decadência Parcial dos Lançamentos Tratase de 4 (quatro) autos de infração (fls. 2404/2483), em que formalizada a cobrança da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, referente ao período de fevereiro de 1996 a agosto de 2005, sendo que 2 (dois) autos de infração foram lavrados contra a interessada, na condição de contribuinte, e os outros 2 (dois) lavrados contra interessada, na condição de responsável por sucessão, em virtude da incorporação da pesssoa jurídica Companhia de Seguros Interatlântico (exCompanhia de Seguros Tranquilidade Brasil). De acordo com o Termo de Verificação Fiscal de fls. 2484/2535, o lançamento foi realizado com base no entendimento de que o prazo de decadência do direito de lançar as referidas contribuições era de 10 (dez) anos, nos termos do art. 45 da Lei 8.212/1991. Ocorre que, na sessão de 12 de junho de 2008, o Pleno do Supremo Tribunal Federal (STF) editou o enunciado da Súmula Vinculante nº 8, declaranndo a inconsticionalidade do referido preceito, nos seguintes termos: São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do Decreto Lei nº 1.569/1977 e os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário. Em face da edição da referida Súmula, a PGFN editou o Parecer PGFN/CAT nº 1617/2008, aprovado pelo Ministro da Fazenda, no qual foram estabelecidas orientações aos órgãos da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) para que, na contagem do prazo decadencial, fosse observados a seguintes orientações: a) A Súmula Vinculante nº 8 não admite leitura que suscite interpretação restritiva, no sentido de não se aplicar efetivamente o prazo de decadência previsto no Código Tributário Nacional; é o regime de prazos do CTN que deve prevalecer, em desfavor de quaisquer outras orientações normativas, a exemplo das regras fulminadas; b) apresentada a declaração pelo contribuinte (GFIP ou DCTF, conforme o tributo) não há necessidade de lançamento pelo fisco do valor declarado, podendo ser lançado apenas a eventual diferença a maior não declarada (lançamento suplementar); c) na hipótese do subitem anterior, caso o Fisco tenha optado por lançar de ofício, por meio de NFLD, as diferenças declaradas e não pagas em sua totalidade, aplicase o prazo decadencial dos arts. 150, § 4º, ou 173 do CTN, conforme tenha havido antecipação de pagamento parcial ou não, respectivamente; o prazo prescricional, ainda, e por sua vez, contase da constituição definitiva do crédito tributário; Fl. 4856DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 19 /12/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 21/12/2014 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 19740.000091/200641 Acórdão n.º 3102002.312 S3C1T2 Fl. 111 23 d) para fins de cômputo do prazo de decadência, não tendo havido qualquer pagamento, aplicase a regra do art. 173, inc. I do CTN, pouco importando se houve ou não declaração, contandose o prazo do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; e) para fins de cômputo do prazo de decadência, tendo havido pagamento antecipado, aplicase a regra do § 4º do art. 150 do CTN; f) para fins de cômputo do prazo de decadência, todas as vezes que comprovadas as hipóteses de dolo, fraude e simulação deve se aplicar o modelo do inciso I, do art. 173, do CTN; Com base no entendimento exarado no referido Parecer e tendo em conta que a recorrente foi cientificada das citadas autuações em 31/3/2006, decidiu a Turma de Julgamento de primeiro grau reconhecer a decadência de parte dos débitos lançados, cujo período foi definido levando em consideração a existência ou não de pagamento das referidas contribuições. Com base nesse critério, definiu a referida Turma de Julgamento que, nos casos em que não houve pagamento antecipado, o período da autuação alcançado pela decadência compreendia desde o mês de março de 1996 até novembro de 2000 (aplicação da regra de contagem do art. 173, I, do CTN), ao passo que nos casos em que houve pagamento antecipado, o período atingido pela decadência compreendia desde o mês de março de 1996 até o mês de fevereiro de 2001 (aplicação da regra de contagem do art. 150, § 4º, do CTN). A decisão de primeiro grau não merece reparo, pois, o entendimento apresentado no julgado recorrido está em consonância com a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça (STJ), firmada no julgamento do Recurso Especial no 973.733/SC, na sistemática do artigo 543C da Lei 5.869/1973 Código de Processo Civil (CPC), cujo enunciado da ementa ficou assim redigido: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, Fl. 4857DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 19 /12/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 21/12/2014 por RICARDO PAULO ROS A 24 julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). [...] 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (STJ. 1ª Seção. REsp 973.733/SC. Rel. Min. LUIZ FUX. DJe 18/9/2009) E por se tratar de decisão definitiva de mérito, proferido na forma do regime do recurso repetitivo, por força do disposto no art. 62A1 do Regimento Interno deste Conselho, tal entendimento deve adotado pelos membros deste Conselho. No período da autuação (março de 1996 a agosto de 2005) só não houve recolhimento da Contribuição para o PIS/Pasep em nome da incorporada Companhia de Seguros Interatlântico (exCompanhia de Seguros Tranquilidade Brasil). Logo, em consonância com a decisão de primeiro grau, concluise que estão extintos pela decadência os débitos da Contribuição para o PIS/Pasep da incorporda, com fatos geradores até o mês de novembro de 2000, e os débitos da Contribuição para o PIS/Pasep da autuada e da Cofins da incorporada e autuada, com fatos geradores até o mês de fevereiro de 2001. Por essas razões, deve ser mantida a decisão que reconheceu a extinção por decadência dos valores dos débitos das referidas contribuições lançados até os referidos meses. 1 "Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF". Fl. 4858DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 19 /12/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 21/12/2014 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 19740.000091/200641 Acórdão n.º 3102002.312 S3C1T2 Fl. 112 25 II Da Apuração da Base de Cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins Inicialmente, cabe esclarecer que, no que tange apuração da base de cálculo das referidas contribuições, a controvérsia remanescente cingese apenas (i) à glosa de despesas indedutíveis e (ii) à adição de receitas trubutáveis à base cálculo das referidas do período de março de 2001 a agosto de 2005, restrito apenas às 2 (duas) autuações realizadas em no nome da recorrente. É oportuno esclarecer que, em relação ao período não alcançado pela decadência, não houve crédito tributário exonerado da incorporada. Dada essa circunstância, aqui será analisado apenas controvérsia em torno da apuração da base de cálculo, relativas a fatos geradores ocorridos a partir do mês de março de 2001, restritos apenas às 2 (duas) autuações realizadas em nome da contribuinte, ora recorrente, Bradesco Seguros S/A. Da Glosa dos Valores Indedutíveis e Adição dos Valores Tributáveis: grupo de contas “Outras Receitas/Despesas Operacionais” Segundo a Turma de Julgamento de primeiro grau, em relação ao grupo de contas “Outras Receitas/Despesas Operacionais”, a recorrente adicionava à base de cálculo das referidas contribuição apenas o saldo credor (valor líquido) do referido grupo, mas não procedia à exclusão da referida base de cálculo quando apurado saldo devedor no referido grupo de contas. Para o Órgão julgador, esse procedimento da recorrente era incorreto, pois, de acordo como legislação vigente na época dos fatos, a base de cálculo das citadas contribuições era a receita bruta, assim entendida a totalidade das receitas auferidas, independente da sua classificação contábil. Ademais, era permitida apenas as exclusões e deduções previstas na legislação de regência. Em relação às seguradoras, além das exclusões/deduções em geral permitidas para todas as pessoas jurídicas, no período de março a agosto de 2001, as exclusões permitidas diziam respeito apenas aos rendimentos auferidos em aplicações financeiras destinadas à garantia de provisões técnicas, durante o período de cobertura do risco (redação da MP 1858 6/2001); e a partir de setembro de 2001, as exclusões permitidas referiamse apenas às indenizações correspondentes aos sinistros ocorridos, efetivamente pagos, deduzidos das importâncias recebidas a título de cosseguro e resseguro, salvados e outros ressarcimentos (redação da MP 2.15835/2001). Com base no entendimento de que a base de cálculo das citadas contribuições não era o saldo credor (valor líquido) das contas de resultado integrantes do referido grupo de contas, como entendera a autuada, mas sim a totalidade das receitas auferidas no mês, a fiscalização considerou que, ao longo do período fiscalizado e apesar das diversas mudanças ocorridas nos códigos das contas contábeis, as contas pertencentes ao subgrupo Outras Receitas com Operações de Seguros (código original 344) mantiveram a sua função e funcionamento, devendo receber apenas lançamentos a crédito por receitas auferidas, conforme determinava o Plano de Contas das Seguradoras determinado pela Superintendência de Seguros Privados (Susep). No entanto, o que foi verificado pela fiscalização foi que a autuada atribuiu natureza mista às subcontas de código 3441, 34481, 34483, 34486 e 34487, ora recebendo valores de receitas a crédito, ora recebendo valores de despesas a débito. Fl. 4859DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 19 /12/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 21/12/2014 por RICARDO PAULO ROS A 26 Em decorrência, afirmou a fiscalização que o contribuinte utilizou as contas do subgrupo contábil 344 para efetuar lançamentos a débito, sendo utilizado, portanto, o valor líquido desta conta para fins de tributação, não correspondendo ao real valor auferido de receitas. Estes débitos, no entender da fiscalização, deveriam ter sido efetuados nas subcontas de despesas pertencentes ao subgrupo 345. Além disso, a partir de janeiro de 2003, além da prática já mencionada, o contribuinte passou a efetuar lançamentos a crédito nas contas do subgrupo de despesas 3142. Estes lançamentos, segundo a fiscalização, representavam receitas que deveriam compor a base de cálculo das mecionadas contribuições, mediante lançamentos a crédito do subgrupo 3141. Assim, a partir de janeiro/2003, nas planilhas de fls. 1.051/1.182 estão discriminadas não somente as totalizações dos valores glosados de despesas indedutíveis, mas também os valores de receita que deveriam ter sido adicionados à base de cálculo e que, ao contrário, foram lançados a crédito em contas de despesas. Na peça impugnatória, em relação aos meses de 12/2001, 5/2002, 7/2002 e 8/2002 a recorrente alegou que teria oferecido à tributação valores maiores do que o movimento líquido credor da conta e que a glosa efetuada pela fiscalização contemplava o valor total negativo registrado na conta 34281.0.0 ou 34281.0.1 (Seguros), incorrendo em glosa indevida, correspondente aos valores dos correspondentes saldos negativos apurados. A Turma de Julgamento a quo acatou parcialmente essa alegação, para determinar o cancelamento da glosa dos valores relativos aos seguintes meses: a) 12/2001: valor de R$ 89.928,00, registrado na conta 34281.0.1 (Seguros), ramo Automóvel, sem o correspondente lançamento no balancete de verificação; b) 5/2002: valor de R$ 534.613,16, que constava do balancete como saldo dos valores negativos e positivos efetuados na conta 34281.0.0, tendo sido considerado pela fiscalização como lançamento a débito; c) 7/2002: valor de R$ 471.815,32, que constava do balancete como saldo dos valores negativos e positivos efetuados na conta 34281.0.0, tendo sido considerado pela fiscalização como lançamento a débito; e d) 8/2002: valor de R$ 84.202,54, que constava do balancete como saldo dos valores negativos e positivos efetuados na conta 34281.0.1, tendo sido considerado pela fiscalização como lançamento a débito; Relativamente aos meses de 11/2002 e 12/2002, na peça impugnatória, a recorrente alegou que teria tributado integralmente os valores positivos registrados na conta 34281 (Seguros) e que a fiscalização teria indevidamente glosado todos os valores negativos registrados. A Turma de Julgamento a quo acatou parcialmente essa alegação, apenas em relação ao mês de 12/2002 , e considerou indevida a glosa do valor de R$ 2.710.042,58, correspondente a totalidade dos lançamentos negativos realizados na conta 34281 – Seguros, com base no argumento de que, se nada fora computado para fins de tributação, não poderia a fiscalização ter glosado o referido valor. Com base na planilha de fls. 1151/1182 e nas balancetes de fls. 235/1050 e no livro Razão, chegase a conclusão que os valores das glosas que foram restabelecidos pela Fl. 4860DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 19 /12/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 21/12/2014 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 19740.000091/200641 Acórdão n.º 3102002.312 S3C1T2 Fl. 113 27 decisão recorrida apenas corrige os equívocos cometidos pela fiscalização na apuração da base de cálculo das referidas contribuições. Por essa razão, deve ser mantido o restabelecimento dos valores glosados, conforme determinado pelo órgão julgador de primeiro grau. Da Glosa dos Valores Indedutíveis e Adição dos Valores Tributáveis: grupo de contas “Receitas Financeiras” Em relação às receitas financeiras, a recorrente incorreu nos mesmos equívocos cometidos em relação ao grupo de contas “Outras Receitas com Operações de Seguros”, isto é, no período fiscalizado, a recorrente efetuava lançamentos de despesas a débitos de constas de receita, componentes do grupo de contas 35 – Receitas Financeiras. E a partir de janeiro de 2003, os valores positivos (receitas) lançados indevidamente a crédito das subcontas de despesas do subgrupo 3142. Em relação às receitas financeiras, a autuada alegou que os valores negativos lançados e glosados pela fiscalização decorriam de: a) transferências entre contas tributadas; b) estornos de receitas, em razão de erros na contabilização, decorrentes de apropriação indevida em meses anteriores, erros de cálculo na apropriação de receitas pelo regime de competência, estorno de juros e correção monetária de prêmios prefixados ou de correção monetária de aplicações de renda fixa e outros, c) oscilações cambiais de depósitos e aplicações financeiras no exterior; d) ajuste de oscilações cambiais em operações de “swap”; e) oscilações em decorrência de índices pactuados (bolsa) ou taxa cambial em fundos de renda variável; f) repasses de receitas de prêmios de seguros cujo risco foi repassado para outras seguradoras, e outros. Alegou ainda que tais transferências ocorriam principalmente quando da reclassificação de contas e mudanças de seus códigos. A Turma de Julgamento primeira instância acatou parcialmente essa alegação e considerou indevida os valores das glosas seguir mencionadas: a) 06/2002 conta 35256.0.1 (Oscilação de valor de quotas): foram efetuadas transferências no valor total de R$ 22.760.601,88, a título de receitas obtidas em aplicações em fundos diversos e por reclassificação por ajustes da circular Susep e que as rentabilidades positivas lançadas a crédito no montante de R$ 3.532.600,49 foram oferecidas à tributação pela autuada, logo, era de se excluir da base de cálculo a glosa do valor de R$ 19.228.001,39; b) 06/2002 conta 35412.0.0 (Lucro na venda de Ações do Circulante): no saldo desta conta foi considerada a movimentação positiva ocorrida na conta 35412.0.3 (Ações disponíveis para venda) exatamente no mesmo valor debitado na conta 35412.0.0 (Lucro na venda de ações do circulante), ou seja, R$ 13.122.420,15, evidenciando, a princípio, uma transferência entre contas, logo, devia ser excluído da base de cálculo o montante de R$ 13.058.811,46; c) 06/2002 – conta 35456.0.4 (Fundo Invest. Ações Cart. Livre): no saldo desta conta foi considerada a movimentação positiva ocorrida na conta 35456.0.5 (Fundos Negociação), no valor de R$ 5.673.278,18, logo, devia ser excluído da base de cálculo o referido valor. Fl. 4861DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 19 /12/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 21/12/2014 por RICARDO PAULO ROS A 28 d) 06/2002 – conta 35215.0.0 (Receitas com Depósitos Bancários): foram glosados pela fiscalização os lançamentos negativos no total de R$ 1.597.672,01. Acontece que foi efetuada transferência no valor total de R$ 1.948.016,66, a título de receitas financeiras e o lançamento a crédito efetuado na conta 35215.0.0, no montante de R$ 350.344,65, foi oferecido à tributação, portanto, devia ser excluído da base de cálculo a glosa no valor de R$ 1.597.672,01; e) 12/2002 – conta 35256.0.3 (FRF Disponível para Venda): a autuada demonstra, a princípio, apenas o lançamento correspondente à transferência de receita de fundos no valor de R$ 44.544.949,18, logo, o referido valor devia ser excluído da base de cálculo; f) 02/2004 – conta 361311000000 (Rec.c/Tít.Div.Pub.Int.FedJuros): a documentação trazida aos autos, indicava que, a princípio, foram efetuadas transferências no valor total de R$ 2.146.164,15 entre contas de receitas financeiras, era de ser excluído da base de cálculo a glosa do referido valor. g) 02/2004 – conta 3614110030000 (Ações Disponíveis para Venda): O saldo da conta 361 constante do Balancete Mensal de Verificação, no valor de R$ 18.736.661,68 é idêntico ao oferecido à tributação e indicado na planilha de composição da base de cálculo. A documentação trazida aos autos, indica que foi efetuada uma transferência no valor total de R$ 17.518.701,08 entre contas de receitas financeiras, dessa forma, o fato de a autuação, aparentemente, ter se baseado apenas nos movimentos registrados nos balancetes mensais, deve ser excluída da base de cálculo a glosa de R$ 17.518.701,08; h) 07/2005 – conta 3614111010000 (Ações Negociáveis em Bolsa): No Livro Razão foi demonstrado ter ocorrido lançamento a débito na referida conta devido reclassificação para a conta 3614111000000 (Resultado na Venda). O saldo da conta 361 (Receitas Financeiras) constante do Balancete Mensal de Verificação, no valor de R$ 51.358.702,46 era idêntico ao oferecido à tributação e indicado na planilha de composição da base de cálculo. A documentação trazida aos autos, indica que fora efetuada uma transferência no valor de R$ 3.600.320,19 entre contas de receitas financeiras. Logo, dado o fato de que a autuação, aparentemente, baseouse apenas nos movimentos registrados nos balancetes mensais, era de se excluído da base de cálculo a glosa de R$ 3.600.320,19. A Turma de Julgamento de primeiro grau ainda acactou o argumento da autuada, relativamente às contas de receita financeira, alegando que as planilhas e o livro razão anexados ao processo, através dos documentos nº 19 e 20, evidenciavam valores lançados a débito que significavam reduções do saldo acumulado de valores anteriormente lançados a crédito e oferecidos à tributação. A seguir reproduzse trechos do voto condutor da decisão recorrida em que apresentdas as razões e o valores das glosas restabelecidas: 58.1 Da análise dos documentos de nº 19 e 20, constantes dos Anexos V, VI, e VII, mais especificamente do demonstrativo de fls. 1012 a 1014 (Anexo V), a autuada especificamente contesta glosas relativas a débitos em contas de fundos de investimentos, no período de agosto/1997 a abril/2004. Fl. 4862DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 19 /12/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 21/12/2014 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 19740.000091/200641 Acórdão n.º 3102002.312 S3C1T2 Fl. 114 29 58.2 No período não atingido pela decadência, ou seja, de março de 2001 a abril/2004, e da análise dos extratos do Razão, fls. 1015 a 1349 (Anexos V e VI), constatase que em sua maioria, as glosas contestadas referemse à rentabilidade de fundos lançadas a débito em contas de receita, indicando assim, uma rentabilidade negativa, que deveria ter sido contabilizada em conta de despesa. Exceção para a conta 35456.0.4, nos períodos de março/2001, maio/2001, agosto/2001 e setembro/2001, cujos extratos do Razão não foram trazidos aos autos, motivo pelo qual não foi possível averiguar a procedência das alegações apresentadas. 58.3 Todavia, para as contas abaixo listadas, a princípio, aduz razão à autuada, pelos motivos a seguir expostos: a) 361246.004 – P.A: fevereiro/2004: O valor glosado de R$ 258.009,26 referese à transferência de receita para a conta 3612460020000, valor este já apurado em janeiro/2004 (fls. 1013, do Anexo V e fls.1208, 1221, 1222 e 1237 do Anexo VI). Por tal motivo, e considerando o fato de que a autuação, aparentemente, baseouse apenas nos movimentos registrados nos balancetes mensais, deve ser a mencionada glosa excluída da base de cálculo. b) 361246.002 – P.A: fevereiro/2004: O valor glosado de R$ 11.113.214,78 referese a diferença de lançamento efetuado a débito nesta conta, a título de transferência de receita, em R$ 11.642.622,25 e o saldo credor da referida conta totalizando R$ 529.407,47. Ocorre que tal lançamento corresponde ao saldo credor desta mesma conta no mês de janeiro/2004, portanto já apurado para fins de tributação (fls. 1013 do Anexo V e fls. 1236 e 1237 do Anexo VI). Por tal motivo e considerando o fato de que a autuação, aparentemente, baseouse apenas nos movimentos registrados nos balancetes mensais, é de se excluir da base de cálculo a glosa de R$ 11.113.214,78 . c) 361431.005 – P.A: fevereiro/2004: A glosa de R$ 406.869,60 referese à transferência de receita, sendo que tal valor corresponde ao saldo credor da referida conta apurado em janeiro/2004 (fls.1013 do Anexo V e 1261e 1262 do Anexo VI). Por tal motivo, e considerando o fato de que a autuação, aparentemente, baseouse apenas nos movimentos registrados nos balancetes mensais, deve ser a mencionada glosa excluída da base de cálculo. Com base na planilha de fls. 1151/1182 e nas balancetes de fls. 235/1050 e no livro Razão, chegase a conclusão que os valores das glosas que foram restabelecidos pela decisão recorrida apenas corrige os equívocos cometidos pela fiscalização na apuração da base de cálculo das referidas contribuições. Fl. 4863DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 19 /12/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 21/12/2014 por RICARDO PAULO ROS A 30 Por essa razão, deve ser mantido o restabelecimento dos valores glosados, conforme determinado pelo órgão julgador de primeiro grau. III Do Lançamento dos Débitos Declarados na DCTF e Não Recolhidos A autuada insurgiuse quanto aos valores lançados a título de falta de recolhimento, pois tais valores ou já haviam sido pagos ou foram objeto de compensação. Foi realizada diligência com o intuito de esclarecer se os débitos declarados em DCTF foram objeto de autuação. Em resposta, informou a fiscalização (fls. 2899/2900), que o lançamento em questão abrangia valores já declarados em DCTF, pois, à época, assim interpretou o art. 90 da MP nº 2.15835/2001. Acrescentou, ainda, que atuou desta forma, porque os saldos constantes das DCTF eram iguais a zero, não sendo pois objeto de inscrição em Dívida Ativa, e considerou o exíguo prazo para análise de inconsistências e o iminente transcurso do prazo decadencial. Todavia, elaborou nova planilha (fls. 2.896/2898), desta feita contemplando os valores declarados em DCTF. A Turma de Julgamento a quo entendeu que, a partir da MP 135/2003, não era necessária a lavratura de auto de infração para lançamento de diferenças débitos apuradas declaradas em DCTF, logo, considerando que a ciência da autuação ocorrera em 31/3/2006, as DCTF apreentads durante o período fiscalizado, revestiase de liquidez e certeza, sendo desnecessária a elaboração do lançamento, visto que o valor devido pelo interessado, nos períodos abrangidos pelas autuações, já estava, desde antes da autuação, devidamente consignado em declaração que permitia ao Fisco cobrálo de forma plena e consentânea com a legislação de regência. Com base nesse entendimento, decidiu o Colegiado de primeiro grau considerar o lançamento de ofício como instrumento inadequado para cobrança dos valores dos débitos das contribuições declarados na DCTF e considerados certos e líquidos, devendo ser tornado improcedente a parcela dos lançamentos correspondente à falta de recolhimento, nos valores consubstanciados na planilha de fls. 2.896/2898, elaborada pela fiscalização, durante a fase de diligência. Não merece reparo essa decisão do Órgão de julgamento de primeiro grau, um vez que proferida em consonância com do disposto no art. 18 da Medida Provisória 135/2003, que alterou a redação do art. 90 da Medida Provisória 2.15835/2001. IV Da Dedução das Contribuições Retidas na Fonte por Órgãos Públicos Segundo a fiscalização (fls. 2899/2900), as contribuições retidas na fonte por Órgãos Públicos não foram consideradas para fins de apuração da base de cálculo, porque os fatos geradores que ensejaram o lançamento em nada com elas se relacionavam, em decorrência, tais valores deveriam ser objeto de pedido de restituição ou compensação a ser efetuado pelo contribuinte. Esclareceu ainda que o Auto de Infração não era o instrumento adequado para a redução de valores lançados com base nesse tipo de retenção. Por sua vez, a Turma de Julgamento de primeira instância concluiu que não procedia o entendimento fiscalização, pois, em conformidade com o disposto no art. 64 da Lei 9.430/96, na Instrução Normativa SRF 480/2004 e nas instruções de preenchimento da DCTF, o valor da contribuição a pagar deverá ser informado após a aplicação das deduções sobre a contribuição apuradam, isto é, o valor devido indicado na DCTF era valor “líquido”, sobre o Fl. 4864DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 19 /12/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 21/12/2014 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 19740.000091/200641 Acórdão n.º 3102002.312 S3C1T2 Fl. 115 31 qual já foram excluídas as deduções legais, nestas se incluindo as retenções efetuadas por Órgãos Públicos. E com base na documentação apresentadas pela autuada, constatou o Colegiado julgador a quo que os valores registrados livro Razão a título de “PIS Lei 9430. art. 64” também equivaliam aos lançados pela fiscalização na planilha de fls. 2.896/2898, no item “VALOR A LANÇAR PIS BASE DCTF”. Da mesma forma, os valores registrados livro Razão a título de “COFINS Lei 9430. art. 64” também equivaliam aos lançados pela fiscalização na referida planilha, no item “VALOR A LANÇAR COFINS BASE DCTF”. Logo, não devia prevalecer os lançamentos em questão. Assiste razão ao Órgão de julgamento de primeira instância. A referida decisão foi proferida com consonância com o disposto no art. 64 da Lei 9.430/96 e nos 1º e 7º Instrução Normativa SRF 480/2004, que têm a seguinte redação: Lei 9.430/1996: Art. 64. Os pagamentos efetuados por órgãos, autarquias e fundações da administração pública federal a pessoas jurídicas, pelo fornecimento de bens ou prestação de serviços, estão sujeitos à incidência, na fonte, do imposto sobre a renda, da contribuição social sobre o lucro líquido, da contribuição para seguridade social – COFINS e da contribuição para o PIS/PASEP. § 1º A obrigação pela retenção é do órgão ou entidade que efetuar o pagamento. § 2º O valor retido, correspondente a cada tributo ou contribuição, será levado a crédito da respectiva conta de receita da União. § 3º O valor do imposto e das contribuições sociais retido será considerado como antecipação do que for devido pelo contribuinte em relação ao mesmo imposto e às mesmas contribuições. § 4º O valor retido correspondente ao imposto de renda e a cada contribuição social somente poderá ser compensado com o que for devido em relação à mesma espécie de imposto ou contribuição. § 5º O imposto de renda a ser retido será determinado mediante a aplicação da alíquota de quinze por cento sobre o resultado da multiplicação do valor a ser pago pelo percentual de que trata o art. 15 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, aplicável à espécie de receita correspondente ao tipo de bem fornecido ou de serviço prestado. § 6º O valor da contribuição social sobre o lucro líquido, a ser retido, será determinado mediante a aplicação da alíquota de um por cento, sobre o montante a ser pago. Fl. 4865DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 19 /12/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 21/12/2014 por RICARDO PAULO ROS A 32 § 7º O valor da contribuição para a seguridade social – COFINS, a ser retido, será determinado mediante a aplicação da alíquota respectiva sobre o montante a ser pago. § 8º O valor da contribuição para o PIS/PASEP, a ser retido, será determinado mediante a aplicação da alíquota respectiva sobre o montante a ser pago. IN SRF 480/2004: Art. 1º Os órgãos da administração federal direta, as autarquias, as fundações federais, as empresas públicas, as sociedades de economia mista e as demais entidades em que a União, direta ou indiretamente detenha a maioria do capital social sujeito a voto, e que recebam recursos do Tesouro Nacional e estejam obrigadas a registrar sua execução orçamentária e financeira no Sistema Integrado de Administração Financeira do Governo Federal (Siafi) reterão, na fonte, o Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ), a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), a Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) e a Contribuição para o PIS/Pasep sobre os pagamentos que efetuarem às pessoas jurídicas, pelo fornecimento de bens ou prestação de serviços em geral, inclusive obras, observados os procedimentos previstos nesta Instrução Normativa. [...] Tratamento dos Valores Retidos Art. 7º Os valores retidos na forma desta Instrução Normativa poderão ser deduzidos, pelo contribuinte, do valor do imposto e contribuições de mesma espécie devidos, relativamente a fatos geradores ocorridos a partir do mês da retenção. Parágrafo único. O valor a ser deduzido, correspondente ao IRPJ e a cada espécie de contribuição social, será determinado pelo próprio contribuinte mediante a aplicação, sobre o valor do documento fiscal, da alíquota respectiva, constante das colunas 02, 03, 04 ou 05 da Tabela de Retenção (Anexo I). [...] (grifos não originais) Com a razão o Colegiado de primeiro grau, posto que a decisão em destaque está em perfeita confomidade com o disposto nos citados comando normativos e os valores das contribuições retidos na fonte por Órgãos Públicos encontramse devidamente comprovados nos autos. Assim, deve ser mantida as deduções determinada pelo citado Órgão julgador. V Da Conclusão. Por todo o exposto, votase por NEGAR PROVIMENTO ao recurso de ofício, para manter na íntegra a decisão recorrida. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Fl. 4866DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 19 /12/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 21/12/2014 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 19740.000091/200641 Acórdão n.º 3102002.312 S3C1T2 Fl. 116 33 Fl. 4867DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 19 /12/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 21/12/2014 por RICARDO PAULO ROS A
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Numero do processo: 16004.001135/2008-58
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 05 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Dec 10 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 2401-000.429
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência. Ausente justificadamente o Presidente, Conselheiro Elias Sampaio Freire.
Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira - Presidente
Kleber Ferreira de Araújo - Relator
Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
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RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência. Ausente justificadamente o Presidente, Conselheiro Elias Sampaio Freire. Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Presidente Kleber Ferreira de Araújo Relator Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 60 04 .0 01 13 5/ 20 08 -5 8 Fl. 846DF CARF MF Impresso em 11/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/11/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 28/11 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 01/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIR O E SILVA VIEIRA Processo nº 16004.001135/200858 Resolução nº 2401000.429 S2C4T1 Fl. 847 2 Relatório Tratase de recurso interposto pelo sujeito passivo e demais devedores solidários contra o Acórdão n.º 1431.494 de lavra da 9.ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento – DRJ em Ribeirão Preto (SP), que julgou improcedente a impugnação apresentada para desconstituir o Auto de Infração – AI n.º 37.135.3190. A lavratura em questão referese à exigência das contribuições patronais para outras entidades ou fundos. Os fatos geradores contemplados no lançamento foram as remunerações pagas a segurados empregados que prestaram serviços à autuada no período fiscalizado. Conforme o relato do fisco, a empresa exerceu exclusivamente a atividade de locação de mãodeobra, contrariando assim a legislação do Simples, razão pela qual foi excluída deste regime tributário, em 10/06/2008, mediante o Ato Declaratório Executivo n. 59, cujos efeitos retroagiram a 11/06/2003. Alerta o fisco que as contribuições descontadas dos segurados foram recolhidas e que a cota previdenciária contida nos recolhimentos efetuados sob a sistemática do Simples foram considerados na apuração. Passo a reproduzir trecho do relatório da decisão de primeira instância, no qual são narrados fatos que levaram o fisco a atribuir a responsabilidade solidária pelo crédito a diversas pessoas físicas e jurídicas: “Discorre acerca da operação "Grandes Lagos" desencadeada pela Policia Federal tendo como objeto a obtenção de provas de ilícitos praticados por organização constituída com objetivo de sonegar tributos e eximir os titulares de fato de suas responsabilidades trabalhista e previdenciária. Prossegue relatando a existência do "Núcleo Mozaquatro", indicando as pessoas físicas e jurídicas que o integravam, reportandose aos Anexos I e II, nos quais apresenta os fatos e documentos que caracterizam o grupo cm questão. Com base na análise da documentação a qual teve acesso a fiscalização, constatouse a existência de grupo econômico de fato formado pelas empresas: Coferfrigo ATC Ltda, Distribuidora de Carnes e Derivados Sao Luis Lida, Comercial de Carnes Boi Rio Ltda, Frigorífico Caromar Ltda, Nogueira e Poggi Lida, Pedretti e Magri Lida, Frigorífico Mega Boi Ltda, Friverde Indústria de Alimentos Ltda, Transverde Produtos Alimentícios Lida, CM4 Participações Ltda, Indústrias Reunidas CMA Ltda, Comercial Reis Produtos Bovinos Lida e Wood . Comercial Ltda, além das pessoas físicas Joao Pereira Fraga, Alfeu Crozato Mozaquatro, Marcelo Buzolin Mozaquatro e Patricia Buzolin Mozaquatro. Foram lavrados Termos de Sujeição Passiva Solidária em relação a todas essas pessoas jurídicas e físicas, encontrandose nos autos cópias dos referidos termos e dos comprovantes de recebimento dos mesmos pelos interessados. Fl. 847DF CARF MF Impresso em 11/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/11/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 28/11 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 01/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIR O E SILVA VIEIRA Processo nº 16004.001135/200858 Resolução nº 2401000.429 S2C4T1 Fl. 848 3 Tece considerações acerca da solidariedade existente entre empresas integrantes do grupo econômico, citando a legislação atinente. Afirma que a Comercial Reis foi constituída por intermédio de interpostas pessoas em seu quadro societário ("laranjas") exclusivamente para locar mãodeobra à empresa Indústrias Reunidas CMA Ltda. O sócio José Roberto Barbosa aparece no banco de dados institucional CNIS como empregado da CMA antes e depois do período de atividades da Comercial Reis. Apresenta relação de elementos juntados: (a) notas fiscais de prestação de serviços da Comercial Reis e demonstrativo de receitas e do SIMPLES; (b) documentos que apresentam a Sra. Deusa (encarregada do departamento pessoal da CMA) como pessoa da Comercial Reis para contato; (e) declarações de empregados da Comercial Reis. Finaliza mencionando os elementos que integram o Al, os demais AI lavrados, a caracterização, em tese, de ilícito de natureza penal. Afirma que foram enviadas cópias do Al aos sujeitos passivos solidários, assegurandolhes o exercício do direito de defesa. Integra a autuação o Anexo I no qual a fiscalização tece considerações inúmeras acerca das empresas ostensivas do "Grupo Mozaquatro" (empresas formalmente constituídas pelos membros da família Mozaquatro); das plantas frigoríficas utilizadas pelo grupo; das empresas constituídas por interpostas pessoas com o objetivo de fornecer a mãodeobra de que o grupo necessitava. Discorrese detalhadamente sobre cada empresa integrante do grupo, inclusive a Comercial Reis, e pessoas físicas vinculadas as mesmas, além da caracterização do grupo econômico e da solidariedade existente entre as empresas que o integram, procedendose, ainda, ajuntada de inúmeros documentos totalizando referido anexo 12 (doze) volumes. O Anexo II igualmente é composto por inúmeros documentos, tomando corpo em 21 (vinte e um) volumes, trazendo ao final o relatório denominado "VINCULAÇÃO ENTRE AS EMPRESAS NO GRUPO ECONÔMICO DE FATO — 'GRUPO MOZAQUATRO'", no qual são relacionados numerosos elementos probatórios que demonstram a vinculação entre as diversas empresas consideradas integrantes do grupo em questão, bem como, das pessoas físicas abrangidas pelo contexto fático.” As pessoas físicas Alceu Crozato Mozaquatro, Patrícia Buzolin Mozaquatro e Marcelo Buzolin Mozaquatro em conjunto com as empresas Indústrias Reunidas CMA Ltda e CM4 Participações Ltda impugnaram o crédito, lançando argumentos para questionar as suas inclusões no polo passivo da exigência mediante a utilização de presunção e de provas ilícitas. A autuada em sua defesa apresentou inconformismo contra a sua exclusão do Simples, primeiro porque não foi regularmente cientificada do Ato Declaratório e, depois, pelo fato do mesmo haver produzido efeitos retroativos. O Sr João Adson Fraga, na qualidade de inventariante do espólio de João Pereira Fraga, também apresentou peça impugnatória, na qual tenta afastar a responsabilidade imputada ao “de cujos” alegando que a única relação que possuía relação com o Grupo Fl. 848DF CARF MF Impresso em 11/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/11/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 28/11 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 01/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIR O E SILVA VIEIRA Processo nº 16004.001135/200858 Resolução nº 2401000.429 S2C4T1 Fl. 849 4 Mozaquatro foi o arrendamento de instalações industriais da Cofercarnes, da qual era sócio, para a empresa Coferfrigo, pertencente ao referido grupo. Sustenta que era, inclusive, inimigo do controlador do Grupo Mozaquatro, o Sr. Alceu Mozaquatro. Assevera que ocorreu decadência parcial do crédito, além de que teve o seu direito de defesa cerceado, posto que a lavratura foi totalmente edificada em presunções do fisco e não lhe foram apresentados os elementos necessários ao exercício da ampla defesa. Na apreciação das defesas, a DRJ declarou procedente o lançamento e manteve os vínculos de solidariedade imputados pela auditoria. Da mesma forma como na defesa, interpuseram recurso conjunto Alceu Crozato Mozaquatro, Patrícia Buzolin Mozaquatro e Marcelo Buzolin Mozaquatro e as empresas Indústrias Reunidas CMA Ltda e CM4 Participações Ltda. Na sua peça de inconformismo apresentaram as alegações abaixo. A prova emprestada do inquérito policial decorrente da “Operação Grandes Lagos” não é meio lícito para fundamentar a responsabilidade tributária dos recorrentes, uma vez que naquele procedimento não foram observados as garantias constitucionais do contraditório e da ampla defesa. Não sendo válidas as provas apresentadas, não se pode inverter o “onus probandi”, para se exigir dos recorrentes que demonstrem a inexistência dos fatos que deram ensejo a sua responsabilidade fiscal. De outra banda, o lançamento viola o princípio da presunção de inocência, uma vez que a ação penal baseada no referido inquérito ainda não teve trânsito em julgado. Ao final, pedem a anulação do AI. O inventariante de João Pereira Fraga manifestouse contra a decisão da DRJ, lançando os argumentos que se seguem. Deve prevalecer o entendimento expresso na declaração de voto do acórdão recorrido, que defendeu a conversão do julgamento em diligência para que fosse juntado o comprovante de ciência do ato que excluiu a autuada do Simples. O “de cujos” nunca foi sócio, administrador, colaborador ou preposto da empresa autuada, da qual sequer sabia a existência. A contribuinte possui patrimônio suficiente para fazer frente aos débitos lançados, portanto, não é razoável que se busque alcançar pessoas estranhas à empresa. O Sr. João Fraga apenas era procurador da empresa Coferfrigo em conta bancária utilizada para pagamento de gado por ela adquirido, não tendo sequer vínculo comercial com a autuada. Para que este pudesse assumir a condição de solidário pelas contribuições exigidas, o fisco teria que provar a sua relação com o contribuinte ou, ao menos, que teria interesse comum em seus negócios. A autoridade fiscal não conseguiu demonstrar o vínculo entre Comercial Reis Produtos Bovinos, Coferfrigo e João Fraga. Assim não há na espécie os requisitos legais para a responsabilização deste último. Fl. 849DF CARF MF Impresso em 11/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/11/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 28/11 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 01/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIR O E SILVA VIEIRA Processo nº 16004.001135/200858 Resolução nº 2401000.429 S2C4T1 Fl. 850 5 As contribuições relativas ao período de 07 a 12/2003 encontramse fulminadas pela decadência, haja vista que na falta de demonstração pelo fisco da ocorrência de dolo, fraude ou simulação, o prazo decadencial deve ser aferido pelo § 4. do art. 150 do CTN. A lavratura merece anulação pelo fato de faltar clareza e precisão quanto aos motivos que dariam ensejo à responsabilização do Sr. João Fraga. Esse fato demonstra o claro prejuízo da pessoa arrolada como devedora solidária. O Sr. João Fraga está impedido de se defender na medida em que não possui acesso aos documentos e à contabilidade da empresa autuada. A impossibilidade de defesa do administrado também é causa de nulidade da autuação. O fisco incorreu em total ilegalidade ao desconsiderar a personalidade jurídica da Comercial Reis Produtos Bovinos e atribuir ao espólio de João Pereira Fraga a responsabilidade pelas contribuições supostamente não adimplidas. Não se comprovou nos autos que a empresa autuada fora regularmente intimada a apresentar a comprovação de que recolhera as quantias exigidas, sendo que o espólio, na qualidade de pessoa estranha, não tem como verificar esse fato. Acrescenta que a lavratura mediante arbitramento com base em provas emprestadas somente é admitida quando fundamentada na legislação de regência, o que não ocorreu no presente caso. Ao final, pediu a decretação de nulidade do AI, a sua exclusão do polo passivo ou o reconhecimento da improcedência do lançamento. Esta Turma decidiu converter o julgamento em diligência, mediante a Resolução n.º 2401000.373, de 15/05/2014. Ali requereuse que a Delegacia da Receita Federal do Brasil de origem informasse acerca à cientificação da recorrente do Ato Declaratório de Exclusão do Simples Federal. Foi apensado ao presente processo o de n.º 16004.000454/200846, que trata da exclusão da empresa do regime tributário do Simples Federal. Conforme despacho à fl. 72 deste processo, a empresa foi cientificada em 01/07/2008 do Ato Declaratório de Exclusão n.º 59/2008 de lavra da Delegacia da Receita Federal do Brasil em São José do Rio Preto (SP), e não se manifestou dentro do prazo regulamentar. O processo retornou ao CARF sem ciência dos recorrentes acerca do resultado da diligência. É o relatório. Fl. 850DF CARF MF Impresso em 11/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/11/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 28/11 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 01/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIR O E SILVA VIEIRA Processo nº 16004.001135/200858 Resolução nº 2401000.429 S2C4T1 Fl. 851 6 Voto Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo, Relator Admissibilidade Os recursos merecem conhecimento, posto que preenchem os requisitos de tempestividade e legitimidade. Necessidade de conversão em diligência para ciência do sujeito passivo do resultado da diligência fiscal O motivo que levou esta Turma a determinar a realização da diligência comandada pela Resolução n.º 2401000.373 foi o argumento das recorrentes de que a autuada não teria sido regularmente intimada do Ato Declaratório de Exclusão do Simples. Ao se apensar ao presente processo o de n.º 16004.000454/200846, chegounos ao conhecimento que a empresa de fato fora cientificada do Ato Declaratório, conforme comprovante de AR acostado. Ocorre que outra preocupação demonstrada pela Turma na mencionada Resolução foi que as empresas arroladas no polo passivo pudessem se contrapor a informação prestada pelo fisco em sede de diligência. Isto porque aquelas poderiam questionar a própria validade do documento de intimação da exclusão do Simples. Assim, determinouse que fosse facultada às recorrentes a possibilidade de se manifestarem, no prazo legal, sobre o resultado da diligência. Sem essa providência, restará claramente ferido o Princípio Constitucional do Contraditório, que representa uma das garantias essenciais do devido processo legal, consagrado pela Carta Constitucional de 1988. Assim, devem os autos retornar à origem, de modo que todas as pessoas físicas e jurídicas incluídas no polo passivo da lavratura possam se manifestar sobre a existência do documento que comprova a intimação pela autuada do Ato Declaratório de Exclusão do Simples n.º 59/2008. Conclusão Diante do exposto, voto pela conversão do julgamento em diligência, nos termos acima propostos. Kleber Ferreira de Araújo. Fl. 851DF CARF MF Impresso em 11/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/11/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 28/11 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 01/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIR O E SILVA VIEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 13864.000505/2008-11
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 03 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Dec 17 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2003 a 01/01/2008
ERRO NO VALOR DA BASE DE CÁLCULO. SITUAÇÃO NÃO COMPROVADA. AUSENTE QUALQUER PROVA NOS AUTOS QUE PERMITA TAL CONCLUSÃO. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA. INOCORRÊNCIA. APENAS VERIFICOU-SE E AFIRMOU-SE A AUSÊNCIA DE PRODUÇÃO DE PROVAS PELO CONTRIBUINTE.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2803-003.922
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
(Assinado digitalmente).
Helton Carlos Praia de Lima. -Presidente
(Assinado digitalmente).
Eduardo de Oliveira. Relator
Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima, Eduardo de Oliveira, Ricardo Magaldi Messetti, Oseas Coimbra Júnior, Fabio Pallaretti Calcini, Gustavo Vettorato.
Nome do relator: EDUARDO DE OLIVEIRA
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EMPRESAS EM GERAL E REMUNERAÇÃO DE SEGURADOS: PARCELAS DESCONTADAS DOS SEGURADOS. Recorrente SANROCA INCORPORADORA E CONSTRUTORA LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2003 a 01/01/2008 ERRO NO VALOR DA BASE DE CÁLCULO. SITUAÇÃO NÃO COMPROVADA. AUSENTE QUALQUER PROVA NOS AUTOS QUE PERMITA TAL CONCLUSÃO. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA. INOCORRÊNCIA. APENAS VERIFICOUSE E AFIRMOUSE A AUSÊNCIA DE PRODUÇÃO DE PROVAS PELO CONTRIBUINTE. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. (Assinado digitalmente). Helton Carlos Praia de Lima. Presidente (Assinado digitalmente). Eduardo de Oliveira. – Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima, Eduardo de Oliveira, Ricardo Magaldi Messetti, Oseas Coimbra Júnior, Fabio Pallaretti Calcini, Gustavo Vettorato. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 86 4. 00 05 05 /2 00 8- 11 Fl. 186DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 16/12/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/12/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 13864.000505/200811 Acórdão n.º 2803003.922 S2TE03 Fl. 187 2 Relatório O presente Processo Administrativo Fiscal – PAF encerra o Auto de Infração de Obrigação Principal – AIOP DEBCAD 37.123.5600, que objetiva o lançamento das contribuições sociais previdenciárias, decorrentes da remuneração/rendimentos/retribuição paga, devida ou creditada aos trabalhadores da recorrente da categoria de contribuintes individuais autônomos – parte descontada, bem como relativa a retenção de 11%, do artigo 31, da Lei 8.212/91, e, ainda, em relação a remuneração paga, devida ou creditada aos trabalhadores da recorrente da categoria de empregados – parte descontada, conforme Relatório Fiscal da Atuação – REFISC, de fls. 45 a 57, com período de apuração de 01/1997 a 12/2006, conforme Termo de Intimação para Apresentação de Documentos TIAD MPF, de fls. 23 a 25. O sujeito passivo foi cientificado da autuação, em 30/07/2007, conforme Folha de Rosto do AIOP, fls. 01. O contribuinte apresentou sua defesa que encontrase acostada, as fls. 97 e 98, acompanhada dos documentos, de fls. 99 a 123, via remessa postal, em 20/01/2009, conforme envelope, de fls. 96. A impugnação foi considerada tempestiva, fls. 127 a 129. O órgão julgador de primeiro grau emitiu o Acórdão Nº 0525.418 9ª, Turma DRJ/CPS, em 14/04/2009, fls. 130 a 132. No qual a lançamento foi considerado procedente. O contribuinte tomou conhecimento da decisão da DRJ, em 17/07/2009, conforme AR, de fls. 134. Irresignado o contribuinte impetrou o Recurso Voluntário, petição de interposição com razões recursais, as fls. 139 e 141, recebida, em 13/08/2009, desacompanhado de qualquer documento. As razões recursais estão a seguir sumariadas. Mérito. · que o valor pago ao Sr. Fernando Daniel Alves dos Santos, o qual assinou a ART 92221220070185426 foi de R$ 850,00, conforme nota fiscal nº 28 apresentado junto à impugnação e que foi emitida pelo Sr. Edson Roberto Alves de Araújo, pai de Fernando; · que o acórdão a quo não analisou essa questão, a qual foi instruída com a devida prova, mas exigiu o julgador que a impugnante justificase a prova, numa clara inversão do ônus da prova; Fl. 187DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 16/12/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/12/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 13864.000505/200811 Acórdão n.º 2803003.922 S2TE03 Fl. 188 3 · que a recorrente apresentou prova documental e justificada do pagamento, razão pela qual nada mais tem a provar; · requer recebimento do recurso; · Dos pedidos e requerimentos: a) cancelamento da multa aplicada, pois o valor pago ao profissional está correto; b) provar o alegado por todos os meios admitidos em direito. A autoridade preparadora reconheceu a tempestividade do recurso, fls. 147; 148 e 150. Os autos foram remetidos ao CARF, fls. 150. Os autos foram sorteados e distribuídos a esse conselheiro, em 18/07/2014, Lote 09, fls. 185. É o Relatório. Fl. 188DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 16/12/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/12/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 13864.000505/200811 Acórdão n.º 2803003.922 S2TE03 Fl. 189 4 Voto Conselheiro Eduardo de Oliveira. O recurso voluntário é tempestivo e considerando o preenchimento dos demais requisitos de sua admissibilidade ele merece ser apreciado. O agente lançador discriminou de forma clara e precisa que na Anotação de Responsabilidade Técnica nº 92221229970185416, consta o valor de R$ 1.500,00, observese a transcrição abaixo do REFISC, de fls. 52. Anotação de Responsabilidade Técnica ART nr 221220070185416 de 15.03.2007 emitido para o profissional Fernando Daniel Santos Alves de Araújo, na qualidade Engenheiro Civil no valor de R$ 1.500,00. Embora, alegue a recorrente desde a impugnação que o pagamento foi realizado no importe de R$ 850,00 não há provas nos autos que deem fundamento a tal alegação a recorrente diz que juntou à impugnação de primeiro grau a Nota Fiscal nº 28 emitida por Edson Roberto Alves de Araújo, contudo não há nos autos tal documento, e a prova do fato impeditivo, extintivo ou modificativo do direito do fisco cabe ao contribuinte artigo 333, II, da Lei 5.869/73 e artigo 16, parágrafo 4º, do Decreto 70.235/72. A não apresentação da prova que a recorrente diz ter feito junto à impugnação já fora asseverada e afirmada pela DRJ, a passagem abaixo transcrita afasta qualquer duvida sobre o assunto. Alega a Autuada que o Sr. Fernando Daniel Santos Alves de Araújo recebeu pelos serviços de ventilação a quantia de R$ 850,00, mas que foi pago através de nota fiscal emitida pelo seu pai, razão pela qual requer que o valor da multa seja corrigido. Em face desse prestador de serviços a autoridade fiscal relata que foi verificado o pagamento de R$ 1.500,00 (fls. 52), isto é, na competência 03/2007. Com efeito, não há como dar crédito à alegação da autuada, uma vez que não apresenta qualquer prova. Razão pela qual o lançamento permanece inalterado e, por via de consequência, os acréscimos legais incidentes, assim entendido a multa e juros moratórios aplicados. (destaquei). Verifiquei ao compulsar os autos que a citada nota fiscal nº 28 jamais em tempo algum foi apresentada seja na impugnação ou no recurso. Ademais, tal prova deveria ser feita com o devido registro contábil na conta própria e não por mera nota, uma vez que o pagamento por nota pode ter sido dividido em mais de uma e a ART contém o total do honorários. Fl. 189DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 16/12/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/12/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 13864.000505/200811 Acórdão n.º 2803003.922 S2TE03 Fl. 190 5 O órgão julgador de primeiro grau não inverteu o ônus da prova apenas afirmou que não havia a prova alegada, como não há tal prova até esse momento, isto é, a pré falada nota fiscal nº 28 que cabia ao contribuinte juntar aos autos não consta deste. A prova – Nota Fiscal nº 28 nunca foi apresentada por óbvio, nos termos da lei cabe a ele contribuinte fazer tal prova, não o fazendo por sua livre e espontânea, vontade, conta e risco. Assim com esses esclarecimentos rejeito todas as alegações suscitadas pela recorrente, pois desprovidas de fundamentos fáticos e jurídicos. CONCLUSÃO: Pelo exposto voto por conhecer do recurso, para no mérito negarlhe provimento em razão da insubsistência das alegações da recorrente. (Assinado digitalmente). Eduardo de Oliveira. Fl. 190DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 16/12/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/12/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA
score : 1.0
Numero do processo: 10073.901490/2012-13
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 03 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Feb 12 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 1802-000.614
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, CONVERTER o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator.
(documento assinado digitalmente)
José de Oliveira Ferraz Correa - Presidente.
(documento assinado digitalmente)
Nelso Kichel- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: José de Oliveira Ferraz Correa, Darci Mendes Carvalho Filho, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Henrique Heiji Erbano. Ausentes, justificadamente, os conselheiros Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira e Ester Marques Lins de Sousa.
Relatório
Nome do relator: NELSO KICHEL
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, CONVERTER o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. (documento assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Correa Presidente. (documento assinado digitalmente) Nelso Kichel Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: José de Oliveira Ferraz Correa, Darci Mendes Carvalho Filho, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Henrique Heiji Erbano. Ausentes, justificadamente, os conselheiros Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira e Ester Marques Lins de Sousa. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 00 73 .9 01 49 0/ 20 12 -1 3 Fl. 147DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por JOS E DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por NELSO KICHEL Processo nº 10073.901490/201213 Resolução nº 1802000.614 S1TE02 Fl. 148 2 Relatório Cuidam os autos do Recurso Voluntário de efls. 91/92 contra decisão da 4ª Turma da DRJ/São Paulo I (efls.82/87) que julgou a Manifestação de Inconformidade improcedente, não reconhecendo o direito creditório pleiteado. Quanto aos fatos, consta dos autos que: em 17/07/2010, utilizando o programa gerador PER/DCOMP, a contribuinte transmitiu pela internet a declaração de compensação retificadora nº 14597.68574.190710.1.7.04.1501 (efls. 02/06), (PER/DCOMP Retificado: 03139.91933.301009.1.3.043875), informando: direito créditório utilizado na DCOMP: R$ 11.913,76 (valor original): que o direito creditório pleiteado decorreu de pagamento indevido ou a maior do IRPJ do período de apuração 30/09/2007, código de receita 0220 (Lucro Real trimestral), data de arrecadação 31/10/2007, valor original do recolhimento – DARF R$ 22.128,15; débitos compensados: a) PIS/PASEP (código de receita 6912) – Período de apuração maio 2005, data de vencimento 15/06/2005, assim discriminado: principal: R$ 2.662,55; multa: R$ 532,51; juros de mora: R$ 1.452,42 Total: R$ 4.647,48 b) Cofins (Código de receita 5856) Período de apuração maio/2005, data de vencimento 15/06/2005 , assim discriminado: Principal R$ 5.659,00; multa: R$ 1.131,80; Juros R$ 3.086,98; Total: R$ 9.877,78.. Em 03/07/2012, houve emissão do Despacho Decisório (eletrônico), efl. 08, pela DRF/Volta Redonda, denegando o direito creditório pleiteado, com a seguinte fundamentação: (...) Fl. 148DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por JOS E DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por NELSO KICHEL Processo nº 10073.901490/201213 Resolução nº 1802000.614 S1TE02 Fl. 149 3 3FUNDAMENTACÃO, DECISÃO E ENQUADRAMENTO LEGAL A análise do direito creditório está limitada ao “valor do crédito original na data da transmissão” informado no PER/DCOMP, correspondendo a 11.914,69. A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponivel para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. (...) Diante da inexistência do crédito, NÃO HOMOLOGO a compensação declarada (...). Enquadramento legal: Arts. 165 e 170 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN).Art. 74 da Lei 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (...) Ciente dessa decisão em 20/07/2012 – Aviso de Recebimento – AR (efls 13 e. 79), a contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade em 13/08/2012 (efl. 14), juntando ainda documentos de efls. 15/77, cujas razões, em resumo, são as seguintes: (...) O contribuinte verificou em seus registros contábeis/fiscais que o pagamento do DARF de fato foi plenamente indevido; todavia, após a transmissão da PER/DCOMP, não procedeu a retificação da DCTF do período onde o direito ao crédito se originou. A ação tomada a seguir foi de retificar a DCTF do 2° semestre/2007, excluindo o débito de IRPJ relativo ao mês de setembro/2007. DO MÉRITO A partir da retificação da DCTF, a leitura fiscal e sistêmica será do reconhecimento da RFB do recolhimento indevido e por conseguinte do direito ao crédito. (...) A 4ª Turma da DRJ/São Paulo I, enfrentanto o mérito das questões suscitadas pela contribuinte, julgou a manifestação de inconformidade improcedente, mantendo a denegação do crédito pleiteado conforme Acórdão, de 27/11/2013 (efls.82/87), cuja ementa transcrevo a seguir, in verbis: (...) Fl. 149DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por JOS E DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por NELSO KICHEL Processo nº 10073.901490/201213 Resolução nº 1802000.614 S1TE02 Fl. 150 4 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2007 DCOMP. PAGAMENTO INDEVIDO. A mera alegação da existência do crédito, desacompanhada de elementos cabais de prova quanto aos motivos determinantes das alterações nos débitos declarados originalmente por intermédio de DCTF, não é suficiente para reformar a decisão não homologatória de compensação. DESPACHO DECISÓRIO. AUSÊNCIA DE SALDO DISPONÍVEL. MOTIVAÇÃO. Motivada é a decisão que, por conta da vinculação total de pagamento a débito do próprio interessado, expressa a inexistência de direito creditório disponível para fins de compensação. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido (...) Ciente desse decisum em 09/12/2013 por AR (efl.. 89), a contribuinte apresentou Recurso Voluntário em 31/12/2013 (efls.91/92), juntando ainda documentos de e fls. 93/144, aduzindo em suas razões, in verbis: (...) 5. Ao verificar, portanto, que o darf com os dados de: período de apuração: 30/09/2007, código de receita 0220, valor total do DARF R$ 22.128,15 e data de arrecadação 31/10/2007, objeto do o crédito pleiteado, estava vinculado ao um débito inexistente na DCTF e, entendendo que esse era tão somente o motivo pelo qual a Receita Federal não encontrava subsídio para acatar o crédito, pareceu à empresa que sua ação seria exclusivamente a de corrigir a DCTF do 2º semestre/2007, o que de fato ocorreu. 6.O manifesto de inconformidade foi enfático em expressar o motivo da retificação da declaração. A inexistência do débito, (...) DCTF, poderia ser confrontada com a D1PJ, tendo em vista que o débito declarado inexistente se trata do IRPJ, cuja apuração é detalhada na DIPJ. 7. Foram apensados ao manifesto o recibo e cópia da declaração retificadora para a melhor compreensão da ação tomada. 8. Quanto ao fato da mesma ter sido transmitida após o despacho decisório, esclarece o contribuinte que ação não poderia ser diferente, pelo fato do despacho ter alertado o contribuinte para a incorreção cometida. 9. Entendendo que na denegação ao manifesto é que ficou expresso claramente que a Receita Federal desejava a presença de outros elementos ( Diário, etc ) que lhe dessem a certeza do direito ao crédito, Fl. 150DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por JOS E DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por NELSO KICHEL Processo nº 10073.901490/201213 Resolução nº 1802000.614 S1TE02 Fl. 151 5 o contribuinte entende que não cabe a aplicação da preclusão aludida para a apresentação desses elementos. 10. Tampouco não faria sentido o direito de interpor recurso que permita restaurar o direito ao crédito, se ao contribuinte não for dado o direito de apresentar provas. 11. Sendo assim, no exercício do direito de interpor recurso e mais ainda no objetivo de demonstrar que faz jus ao crédito requerido, anexa cópias autenticadas do livro Diário do ano de 2007 ( origem do crédito ) e do livro Diário de 2009, extraído do SPED contábil ( compensação do crédito ). (...) 12.Para tornar mais clara a identificação dos lançamentos do crédito no Diário de 2007, descreve abaixo as linhas relacionadas: a) Diário 2007, Livro 16, folha 333 Conta Banco Real S/A Ag. 0206 Miguel Pereira 1.01.01.02.0003 5492 Registro de pagamento do DARF no valor de R$ 22.128,15; b) Diário 2007, Livro 16, folha 334 Conta IRPJ a compensar 1.01.03.06.0003 320 Valor refeente a pagamento de IRPJ do 3º trimestre/2007 no valor de R$ 22.128,15 13. É oportuno mencionar, que o imposto excluído foi o IRPJ, e não a CSLL, conforme mencionado no item 8.3 do Acórdão. (...) É o relatório. Fl. 151DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por JOS E DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por NELSO KICHEL Processo nº 10073.901490/201213 Resolução nº 1802000.614 S1TE02 Fl. 152 6 Voto Conselheiro Nelso Kichel, Relator. O Recurso Voluntário, por ser tempestivo e atender aos demais requisitos de admissibilidade, merece ser apreciado, conhecido. Logo, dele conheço. Conforme relatado, a lide versa acerca do crédito utilizado na DCOMP objeto dos autos, e não reconhecido pela decisão a quo. Ou seja: a contribuinte alega que o crédito pleiteado de R$ 11.913,76 (valor original) decorre do pagamento indevido do IRPJ, DARF no valor de R$ 22.128,15, PA 30/09/2007, código de receita 0220 (Lucro Real trimestral), data de arrecadação 31/10/2007. A decisão a quo não reconheceu o crédito, pois: a) o pagamento/recolhimento está vinculado integralmente ao débito do IRPJ do referido PA confessado na respectiva DCTF, inexistindo crédito disponível para extinção, por compensação, do débito informado/confessado na DCOMP; b) que a juntada da DCTF retificadora, por ocasião da manifestação de inconformidade, não tem o condão de, por si só, comprovar o crédito pleiteado, pois a transmissão da DCTF retificadora, excluindo o débito confessado na DCTF primitiva, deuse posteriormente à ciência do despacho decisório que, por primeiro, denegou o direito creditório pleiteado; c) que a transmissão da DCTF retiticadora reduzindo ou excluíndo débito do imposto, após ciência do despacho decisório, requer a comprovação do erro de fato na apuração/preenchimento da DCTF primitiva, à luz da escrituração contábil/fiscal (CTN, art. 147, § 1º). Nesta instância recursal, a recorrente, então, busca a reforma da decisão a quo que não reconheceu o crédito pleiteado, insistindo na alegação da ocorrência do erro de fato. A DCTF retificadora, que retirou/anulou o débito informado/confessado na DCTF primititiva, como já dito, é posterior à data de ciência do despacho decisório. Vale dizer, a DCTF retificadora, para ser aceita, é necessário comprovar, primeiro, o alegado erro de fato apuração do imposto/preenchimento da DCTF primitiva (CTN, art. 147, § 1º). A divergência de apuração, quanto ao valor do IRPJ a pagar do 3º trimestre/2007 entre a DCTF primitiva e a DIPJ, não se resolve pela mera apresentação de DCTF retificadora. Tornase necessário a contribuinte comprovar o alegado erro de fato de preenchimento da DCTF primitiva, mediante apresentação/juntada aos autos de cópia da escrituração contábil/fiscal (livro Caixa, Razão, Diário, Lalur etc) do anocalendário 2007. Nesta instância recursal, compulsando os autos, observa falhas na instrução processual que não permitem ao julgador formar convicção acerca do mérito da lide, ou seja, acerca do liquidez e certeza do crédito pleiteado. Fl. 152DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por JOS E DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por NELSO KICHEL Processo nº 10073.901490/201213 Resolução nº 1802000.614 S1TE02 Fl. 153 7 Senão vejamos: a) não há nos autos cópia da DIPJ 2008, anocalendário 2007, quanto à apuração do IRPJ do 3º trimestre/2007 (Lucro Real trimestral); b) não há nos autos cópia da DCTF primitiva, quanto ao débito do IRPJ do 3º trimestre/2007; c) não há nos autos cópia da escrituração contábil/fiscal quanto à apuração da base de cálculo do imposto e do imposto apurado quanto ao 3º trimestre/2007 (livros Razão, Diário, LALUR etc) que pudesse comprovar o alegado erro de fato na apuração do imposto/ preenchimento da DCTF primitiva e que pudesse justificar a apresentação da DCTF retificadara de 30/12/2012 de efls. 17/50. Nesta instância recursal, a recorrente juntou aos autos, apenas, cópia de 02 (duas) folhas do Livro Diário (efls. 113/114), ou seja: a) Diário 2007, Livro 16, folha 333 Conta Banco Real S/A Ag. 0206 Miguel Pereira 1.01.01.02.0003 5492 Registro de pagamento do DARF no valor de R$ 22.128,15; b) Diário 2007, Livro 16, folha 334 Conta IRPJ a compensar 1.01.03.06.0003 320 Valor refeente a pagamento de IRPJ do 3º trimestre/2007 no valor de R$ 22.128,15. Como visto, há necessidade de saneamento do processo. Para evitar prejuízo à ampla defesa e ao contraditório e atento ao princípio da verdade material, propugno pela realização de instrução processual complementar, ou seja, baixar os autos do processo à unidade de origem da RFB, no caso DRF/Volta Redonda a fim de que a fiscalização da RFB: a) intime a contribuinte para, à luz da escrituração contábil, comprovar o alegado erro de fato no preenchimento da DCTF primitiva do PA objeto dos autos (eventual divergência dos dados dessa DCTF primitiva e a DIPJ 2008, anocalendário 2007), no sentido de justificar a DCTF retificadora apresentada, transmitida em 30/12/2012 (efls. 17/50) e o pleito de restituição do alegado pagamento a maio ou indevido; b) intime a contribuinte a comprovar pagamentos/recolhimentos do IRPJ do 3º trimestre/2007, quanto ao débito confessado na DCTF primitiva; c) junte cópia da DIPJ 2008, anocalendário 2007; d) junte cópia da DCTF primitiva do PA 3º trimestre/2007; e) confirme os pagamentos/recolhimentos. f) elabore, ao final do procedimento de diligência, relatório circuntanciado, pormenorizado, dos resultados da diligência em relação ao direito creditório pleiteado nos presentes autos (se o crédito demandado existe ou não, e se está ou não disponível para restituição); Fl. 153DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por JOS E DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por NELSO KICHEL Processo nº 10073.901490/201213 Resolução nº 1802000.614 S1TE02 Fl. 154 8 g) intime a contribuinte do relatório de diligência (resultado da diligência), abrindo prazo de 30 (trinta) dias a partir da ciência para manisfestação nos autos, caso queira. Decorrido o prazo com ou sem manifestação da contribuinte, retornem os autos ao CARF para julgamento da lide. Por tudo que foi exposto, voto para CONVERTER o julgamento em diligência. (documento assinado digitalmente) Nelso Kichel Fl. 154DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por JOS E DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por NELSO KICHEL
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Numero do processo: 16327.914295/2009-05
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 12 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Jan 14 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 3802-000.348
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da relatora.
MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano DAmorim, Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Fez sustentação oral pela recorrente o advogado, Flávio Machado Vilhena Dias. OAB/MG 99.110.
RELATÓRIO
Nome do relator: Não se aplica
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Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da relatora. MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano D’Amorim, Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Fez sustentação oral pela recorrente o advogado, Flávio Machado Vilhena Dias. OAB/MG 99.110. RELATÓRIO O interessado acima identificado recorre a este Conselho, de decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo/SP. Por bem descrever os fatos ocorridos, até então, adoto o relatório da decisão recorrida, que transcrevo, a seguir: RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 63 27 .9 14 29 5/ 20 09 -0 5 Fl. 226DF CARF MF Impresso em 14/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/01/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 4/01/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 16327.914295/200905 Resolução nº 3802000.348 S3TE02 Fl. 227 2 A interessada entregou via Internet a Declaração de Compensação de fls. 69 a 73 (PER/DCOMP nº23851.84435.060807.1.3.040159, na qual declara a compensação de pretenso crédito de pagamento indevido ou a maior da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – COFINS (código de receita 7987) relativo ao período de apuração ocorrido em outubro de 2004 (30/10/2004). Pelo Despacho Decisório de fls. 37 e 78, a contribuinte foi cientificada, em 19/10/2009 (fl. 74), de que “A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos Informados no PER/DCOMP”. Sendo que a utilização do crédito se encontrava assim discriminada: Número do Pagamento Valor Original Total Processo (PR)/PERDCOMP (PD)/Débitos (DB) Valor Original Utilizado 4756831698 149.864,39 Db: cód 7987 PA 30/10/2004 149.864,39 Valor Total 149.864,39 Em razão do acima descrito, não foi homologada a compensação declarada, tendo sido a interessada intimada a recolher o débito indevidamente compensado (principal: R$47.383,35). Irresignada, a contribuinte apresentou em 18/11/2009 a Manifestação de Inconformidade de fls. 02/07. Na peça de defesa, a contribuinte argumenta que a Manifestante é Entidade Fechada de Previdência Complementar e tem como objetivo instituir e administrar plano de previdência complementar e, por conseguinte, pagar aposentadorias complementares às pagas pela Previdência Social; tendo apurado crédito decorrente de pagamento a maior de tributos federais, apresentou, como lhe é facultado pela legislação de regência, a Declaração de Compensação de Tributos Federais n° 23851.84435.060807.1.3.040159; Nesta PER/DCOMP foi utilizado um crédito do código 7987 com período de apuração 31/08/2004, relativo à guia no montante total de R$ 149.864,39, com crédito histórico de R$ 33.600,45; A Manifestante apurou nesta competência o montante de R$ 167.006,40 que, quando confrontado com o valor recolhido na competência R$ 200.606,85 podese identificar como crédito exatamente o valor utilizado na PER/DCOMP conforme demonstrado à fl. 04; a Manifestante cometeu um equívoco formal, pois não demonstrou a existência do crédito no preenchimento da DCTF, sendo, contudo, o crédito, legítimo; Fl. 227DF CARF MF Impresso em 14/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/01/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 4/01/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 16327.914295/200905 Resolução nº 3802000.348 S3TE02 Fl. 228 3 o mero erro material na declaração não invalida a compensação efetuada, visto que o crédito tem origem licita, devendo ser julgada procedente a Compensação efetuada pela Manifestante, com a conseqüente extinção do débito tributário ora imputado; Uma vez demonstrada a origem dos pagamentos realizados a maior que a Manifestante pretendeu compensar, como restou comprovado acima, é claro o seu direito à restituição destas quantias, sob pena de afronta ao princípio da moralidade administrativa, tendo em vista que sua negativa configura enriquecimento ilícito por parte do Estado os equívocos nas declarações do contribuinte não criam tributos, não podendo, uma vez comprovado o erro de fato, gerar obrigação tributária, reportandose a ensinamentos de Ives Gandra da Silva Martins e Hugo de Brito Machado; A quantia recolhida a título de tributo a maior, que não. era devida, nem sequer pode ser considerada como receita do Estado, sob pena de afronta ao princípio da legalidade e da moralidade administrativa; Como mero ingresso de caixa e não verdadeira receita, não pode esta quantia a que se pretende compensar ser integrada ao patrimônio do Poder Público, o que implica no dever do Estado de restituir o indébito tributário ao seu legítimo proprietário; Tão logo apurado o recolhimento indevido, esta parcela foi compensada com outros tributos devidos, nos moldes da legislação federal, de maneira que não há razões a se negar tal compensação; vale ressaltar que se a confissão do contribuinte não estiver de acordo com a lei e com a realidade fática, nenhum valor terá para o juízo tributário. O tributo ou é devido, ou não é, se incidência não houve. Assim, se aquele que confessou o fez em virtude de erro, a confissão pode ser revogada, conforme determina o Código de Processo Civil em seu artigo 352; Considerando que o valor confessado pela Manifestante não corresponde às hipóteses de incidência tributária, à confissão de dívida e conseqüente pagamento são absolutamente irrelevantes, não gerando qualquer obrigação tributária, prevalecendo os fatos verdadeiros sobre o confessado; Demonstrado que o fato confessado não correspondia à hipótese de incidência tributária, este não era capaz de gerar a obrigação tributária tornando a confissão de dívida absolutamente irrelevante, o que possibilita,deste modo, a compensação pretendida. O pleito foi indeferido, no julgamento de primeira instância, nos termos do acórdão DRJ/SP 1 no 1649.268, de 08/08/2013, proferida pelos membros da 8ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo I/SP, cuja ementa dispõe, verbis: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIALCOFINS Data do fato gerador: 12/11/2004 Fl. 228DF CARF MF Impresso em 14/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/01/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 4/01/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 16327.914295/200905 Resolução nº 3802000.348 S3TE02 Fl. 229 4 COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. Não se reconhece o direito creditório quando o contribuinte não logra comprovar com documentos hábeis e idôneos que houve pagamento indevido ou a maior. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido. O julgamento foi no sentido de indeferir a manifestação de inconformidade e não homologar a compensação, por falta de certeza e liquidez. Ainda insatisfeito, o contribuinte protocolizou o Recurso Voluntário, tempestivamente, no qual, basicamente, reproduz as razões de defesa constantes em sua peça impugnatória. Requer a reforma da decisão recorrida, com objetivo de homologar as compensações pleiteadas. Argumenta que é de se notar que os valores declarados não existiam de fato, uma vez que a recorrente incorreu em erro material ao preencher suas DCTF, pois incluiu na base de cálculo valores que não deveriam ser inseridos, de receitas na base de cálculo do PIS e da COFINS, cometendo apenas um equívoco formal, apesar de não ter efetuado a retificação das DCTF. O processo digitalizado foi distribuído e encaminhado a esta Conselheira. É o Relatório. VOTO Conselheiro MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM O presente recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, razão por que dele tomo conhecimento. Pois bem, como é cediço, a entrega de DCTF, sem qualquer tipo de comprovação que demonstre a divergência na apuração do débito, não é suficiente para comprovar o indébito indicado. No entanto, ciente disso e visando comprovar os fatos alegados e primando pelo princípio da verdade material, a Recorrente em fase de Manifestação de Inconformidade, apresentou uma planilha para demonstração da base real apurada para os cálculos do COFINS e cópia do Balancete Analítico Consolidado, referente ao período de apuração de outubro de 2004. Agora, no texto do seu Recurso Voluntário, repisa um Demonstrativo, visando demonstrar para a Administração Tributária a “base real” do COFINS apurada pelo Recorrente no referido mês, versando que tais documentos são satisfatórios para a comprovação do direito do crédito alegado nos autos, ressaltando que declarou e recolheu valor a maior de COFINS para esta competência. Fl. 229DF CARF MF Impresso em 14/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/01/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 4/01/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 16327.914295/200905 Resolução nº 3802000.348 S3TE02 Fl. 230 5 Neste passo, não resta dúvida de que a adoção do princípio da verdade material no processo administrativo fiscal consiste numa providência que resulta na melhor aplicação do direito e da justiça e por isso deve sempre ser perseguida. Considerando que o Recorrente argumenta que o fato que gerou o despacho denegatório foi o erro de preenchimento na DCTF, em que constou valor maior que o apurado e que não apresentou DCTF retificadora, pois de acordo com a legislação, após a expedição de despacho decisório, a lei proíbe o contribuinte de retificar a declaração. Com base nessas considerações e o contido no recurso voluntário da recorrente bem como devido às particularidades do caso concreto e antes do julgamento do mérito, com fundamento no art. 29 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 (PAF), voto pela CONVERSÃO DO JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA, devendo os autos retornarem à DRF do domicílio tributário da recorrente, para proceder parecer sobre: a) diligenciar, com base nos dados registrados nos documentos contábeis apresentados (Balancete Analítico Consolidado, referente ao período de apuração do COFINS de outubro de 2004, e pronunciarse sobre a veracidade dos cálculos elaborados no demonstrativo do COFINS (recurso voluntário), visto que os mesmos foram trazidos extemporaneamente pelo contribuinte e, portanto, não foram analisados pelo Fisco, com isso emitindo informação sobre a comprovação do direito creditório alegado e bem como seu respectivo valor, e b) em seguida, seja cientificada a recorrente, para, querendo, dentro do prazo fixado, manifestese sobre as conclusões exaradas no citado parecer. Após, retornemse os autos a esta 2ª Turma Especial/3ª Seção, para prosseguimento do julgamento. (assinado digitalmente) MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Relator Fl. 230DF CARF MF Impresso em 14/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/01/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 4/01/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
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Numero do processo: 10380.729809/2012-95
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 20 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Fri Jan 23 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/09/2007 a 31/08/2008
APRESENTAÇÃO GFIP. DADOS NÃO CORRESPONDENTES AOS FATOS GERADORES. INFRAÇÃO.
Constitui infração à legislação previdenciária a apresentação de GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias.
RELEVAÇÃO OU ATENUAÇÃO DA MULTA.
Não se pode relevar ou atenuar falta que não foi corrigida dentro do prazo legal.
PEDIDO DE PERÍCIA. INDEFERIMENTO.
Despiciendo o requerimento de perícia sem quesitos, motivação e que não atende os requisitos legais.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2803-003.953
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
(Assinado digitalmente)
Helton Carlos Praia de Lima Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima, Oseas Coimbra Júnior, Gustavo Vettorato, Eduardo de Oliveira, Amilcar Barca Teixeira.
Nome do relator: HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA
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FATOS GERADORES. Recorrente CONCRETOPOLIS CONCRETO PREMOLDADO INDUSTRIAL DO NORDESTE LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/09/2007 a 31/08/2008 APRESENTAÇÃO GFIP. DADOS NÃO CORRESPONDENTES AOS FATOS GERADORES. INFRAÇÃO. Constitui infração à legislação previdenciária a apresentação de GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias. RELEVAÇÃO OU ATENUAÇÃO DA MULTA. Não se pode relevar ou atenuar falta que não foi corrigida dentro do prazo legal. PEDIDO DE PERÍCIA. INDEFERIMENTO. Despiciendo o requerimento de perícia sem quesitos, motivação e que não atende os requisitos legais. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima – Presidente e Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 72 98 09 /2 01 2- 95 Fl. 324DF CARF MF Impresso em 23/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 22/ 01/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA 2 Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima, Oseas Coimbra Júnior, Gustavo Vettorato, Eduardo de Oliveira, Amilcar Barca Teixeira. Fl. 325DF CARF MF Impresso em 23/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 22/ 01/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10380.729809/201295 Acórdão n.º 2803003.953 S2TE03 Fl. 324 3 Relatório DO LANÇAMENTO Tratase de infringência ao art. 32, IV, da Lei 8.212, de 1991, acrescentado pela Lei 9.528, de 1997 e redação da Medida Provisória MP 449, de 2008, convertida na Lei 11.941, de 2009, por ter o contribuinte acima mencionado apresentado as Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social – GFIP, com informações incorretas, período de 09/2007 a 08/2008, conforme descrito às fls.5 e no Relatório Fiscal às fls. 06/10. Em decorrência da infração foi aplicada a penalidade nos termos do artigo 32A, “caput”, inciso I e parágrafos 2º e 3º, da Lei 8.212, de 1991, acrescentados pela MP 449, de 2008, convertida na Lei 11.941, de 2009. O contribuinte foi cientificado da autuação fiscal, apresentando impugnação. DO RECURSO O órgão de primeira instância administrativa (6ª Turma da DRJ/BHE) julgou procedente a autuação fiscal. O contribuinte foi cientificado da decisão, inconformado apresentou recurso voluntário, alegando em síntese: houve cerceamento ao direito de defesa, pois ocorreram várias autuações e apenas 30 (trinta) dias para defesas. O contribuinte tem direito à defesa e contraditório, nos termos da Carta Magna; tem direito a compensação independentemente da contratante ter recolhido a retenção efetuada e só está obrigada a manter documentação dentro do prazo abarcado pela prescrição; não foi considerado o pedido de relevação da multa,apesar de implementadas as condições do art. 291, § 1o do Decreto 3.048/99; requer a insubsistência da autuação por falta de fundamentação legal e que outra seja produzida ao amparo da lei; requer a produção de prova, inclusive perícia, no sentido de aferir se os cálculos estão corretos É o relatório. Fl. 326DF CARF MF Impresso em 23/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 22/ 01/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA 4 Voto Conselheiro Helton Carlos Praia de Lima, Relator O recurso voluntário é tempestivo, preenche os requisitos de admissibilidade, razão pela qual será analisado. Consta do relatório fiscal da infração (fls. 6/10) que o contribuinte deixou de apresentar GFIP com informações incorretas/inexatas (Código Fundamentação Legal 78 – Lei 8.212/91, art.32, inciso IV e parágrafo 3° da Lei 8.212/91 acrescentado pela Lei 9.528/97 com redação dada pela Medida Provisória 449 de 03/12/2008, convertida na Lei 11.941, de 27/05/2009). Ficou constatado pela fiscalização (fls. 6/10) que: o contribuinte informou em GFIP nas competências 09/2007, 10/2007, 11/2007, 12/2007 (13 salário), 01/2008, 03/2008, 04/2008, 05/2008, 06/2008, 07/2008 e 08/2008 valores relativos a compensação, tendo em vista supostos recolhimentos indevidos de contribuições sociais já realizados anteriormente, deixando de recolher o total das contribuições sociais devidas nas referidas competências; o contribuinte não apresentou os esclarecimentos e documentos necessários referentes aos valores compensados informados em GFIP, mesmo intimado formalmente; da analise da situação fiscal da empresa nos últimos cinco anos anteriores ao período fiscalizado (07/2002 a 08/2007), ficou constatado que não haviam créditos (recolhimentos a maior) para justificar a compensação realizada durante o período fiscalizado (09/2007 a 12/2008). Anexa demonstrativo das diferenças apuradas; analisou todos documentos apresentados pelo contribuinte, realizou analise da situação fiscal da empresa e constatou que as compensações efetuadas pelo contribuinte não foram realizadas conforme o previsto na legislação vigente, sendo consideradas indevidas e objeto de glosa na ação fiscal; como não havia contribuições passível de compensação, restou constatado erros no preenchimento das GFIP’s, especificamente nos seguintes campos: VALOR SOLICITADO”, “VALOR COMPENSADO”, “VALOR A COMPENSAR” e “VALOR EXCEDENTE AO LIMITE DE 30%”; tais informações declaradas em GFIP não se ajustam ao previsto nos manuais da GFIP: MANUAL DA GFIP PARA USUÁRIOS DO SEFIP 7, Aprovado pela IN INSS/DC n° 107, de 22/04/2004, com as alterações da IN MPS/SRP n° 01, de 25/11/2004, e MANUAL DA GFIP/SEFIP PARA USUÁRIOS DO SEFIP 8, aprovado pela Instrução Normativa MPS/SRP 09/2005; respeitando a retroatividade benigna, o valor da multa foi aplicado de acordo com a legislação atual (Lei 8.212/91, art.32, IV e art.32A, caput, inciso I e parágrafos, alterados pela Medida Provisória 449 de 04/12/2008, convertida na Lei 11.941, de 27.05.2009, respeitado o disposto no art. 106, inciso II, alínea "c", da Lei n. 5.172, de 25.10.1966 CTN); Fl. 327DF CARF MF Impresso em 23/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 22/ 01/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10380.729809/201295 Acórdão n.º 2803003.953 S2TE03 Fl. 325 5 a fiscalização foi atendida pelo Sr. Pierpaolo Vacis (Gerente/Procurador da Empresa) e pela Sra. Patrícia Souta (Setor Contábil), a quem foram prestados todos os esclarecimentos necessários. Como se pode notar dos autos a autuação fiscal se encontra revestida das formalidades legais do art. 142 e § único, e artigos 97 e 115, todos do CTN, com a descrição da infração e dispositivo legal infringido, o valor da multa aplicada e sua fundamentação legal, período apurado, relatório fiscal da infração e da aplicação da multa, Instrução para o Contribuinte – IPC, e demais informações constantes das folhas 1 a 241, bem como, lavrado de acordo com os dispositivos legais e normativos que disciplinam o assunto, consoante o artigo 33 da Lei 8.212/91. Destarte, não houve cerceamento ao direito de defesa. O prazo legal de 30 (trinta) dias para apresentação de defesa e recurso foi respeitado. Todos os atos da fiscalização foram cientificados ao contribuinte que teve oportunidade de se manifestar. O direito à defesa e contraditório foram garantidos ao contribuinte. No mesmo sentido, não há que se falar em insubsistência da autuação por falta de fundamentação legal ou em produção de outra autuação ao amparo da lei. A autuação fiscal está devidamente constituída, fundamentada e demonstrada. Como relatado pela fiscalização, o contribuinte não demonstrou seu direito à compensação. Alega compensação de retenção efetuada, todavia, não demonstra de forma específica nos autos. A autuação fiscal não compreende período decadente, na forma dos artigos 150, § 4º e 173, inciso da Lei 5.172/66 (CTN). Quanto à relevação da penalidade imposta pela infração fiscal em comento, previstas no art. 291 do Decreto 3.048/99, atualmente revogado, temse que a multa será relevada se o infrator corrigir a falta dentro do prazo de impugnação (primeira instância administrativa), não se aplicando nos casos de multa decorrente de falta ou insuficiência de recolhimento tempestivo de contribuições previdenciárias. São os termos do artigo: Art.291.Constitui circunstância atenuante da penalidade aplicada ter o infrator corrigido a falta até o termo final do prazo para impugnação. (Redação dada pelo Decreto nº 6.032, de 2007) (Revogado pelo Decreto nº 6.727, de 2009) §1oA multa será relevada se o infrator formular pedido e corrigir a falta, dentro do prazo de impugnação, ainda que não contestada a infração, desde que seja o infrator primário e não tenha ocorrido nenhuma circunstância agravante. (Redação dada pelo Decreto nº 6.032, de 2007) (Revogado pelo Decreto nº 6.727, de 2009) §2º O disposto no parágrafo anterior não se aplica à multa prevista no art. 286 e nos casos em que a multa decorrer de falta ou insuficiência de recolhimento tempestivo de contribuições ou outras importâncias devidas nos termos deste Regulamento. (Revogado pelo Decreto nº 6.727, de 2009) §3oDa decisão que atenuar ou relevar multa cabe recurso de ofício, de acordo com o disposto no art. 366. (Redação dada pelo Fl. 328DF CARF MF Impresso em 23/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 22/ 01/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA 6 Decreto nº 6.032, de 2007) (Revogado pelo Decreto nº 6.727, de 2009) Com se vê, ainda que estivesse em vigor, não poderia ser aplicada relevação nem atenuação no caso em concreto, pois o contribuinte não apresentou a correção da falta da infração após o prazo para impugnação. Assim, não há respaldo legal para a relevação ou atenuação da multa atualmente nem durante a vigência do art. 291 do Decreto 3.048/99. Aguardada até o momento da decisão o contribuinte não acrescentou produção de prova aos autos. Despiciendo o requerimento de perícia sem quesitos, motivação e que não atende os requisitos previstos no artigo 16, inciso IV, c/c §1°, do Decreto 70.235/72. Não há necessidade de aferição de cálculos quando estão demonstrados nos autos e sem contestação específica do contribuinte. CONCLUSÃO Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima Fl. 329DF CARF MF Impresso em 23/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 22/ 01/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA
score : 1.0
Numero do processo: 13767.000428/2009-89
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 11 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Feb 11 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 16/11/2009
INEXISTÊNCIA DE RECURSO VOLUNTÁRIO. RECURSO NÃO CONHECIDO.
A simples apresentação de novo laudo médico não caracteriza formalização de recurso voluntário.
Realidade em que a interessada não formalizou o correspondente recurso voluntário, uma vez que, depois de cientificada da decisão da DRJ, apenas acostou aos autos novo laudo médico, cuja competência para análise não é do CARF, mas sim da correspondente unidade jurisdicionante.
Recurso não conhecido.
Numero da decisão: 3802-003.982
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Mércia Helena Trajano Damorim - Presidente.
(assinado digitalmente)
Francisco José Barroso Rios - Relator.
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Bruno Maurício Macedo Curi, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, Francisco José Barroso Rios, Mércia Helena Trajano Damorim, Solon Sehn e Waldir Navarro Bezerra.
Nome do relator: FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 16/11/2009 INEXISTÊNCIA DE RECURSO VOLUNTÁRIO. RECURSO NÃO CONHECIDO. A simples apresentação de novo laudo médico não caracteriza formalização de recurso voluntário. Realidade em que a interessada não formalizou o correspondente recurso voluntário, uma vez que, depois de cientificada da decisão da DRJ, apenas acostou aos autos novo laudo médico, cuja competência para análise não é do CARF, mas sim da correspondente unidade jurisdicionante. Recurso não conhecido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Mércia Helena Trajano Damorim - Presidente. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios - Relator. Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Bruno Maurício Macedo Curi, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, Francisco José Barroso Rios, Mércia Helena Trajano Damorim, Solon Sehn e Waldir Navarro Bezerra.
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RECURSO NÃO CONHECIDO. A simples apresentação de novo laudo médico não caracteriza formalização de recurso voluntário. Realidade em que a interessada não formalizou o correspondente recurso voluntário, uma vez que, depois de cientificada da decisão da DRJ, apenas acostou aos autos novo laudo médico, cuja competência para análise não é do CARF, mas sim da correspondente unidade jurisdicionante. Recurso não conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Mércia Helena Trajano Damorim Presidente. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios Relator. Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Bruno Maurício Macedo Curi, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, Francisco José Barroso Rios, Mércia Helena Trajano Damorim, Solon Sehn e Waldir Navarro Bezerra. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 76 7. 00 04 28 /2 00 9- 89 Fl. 62DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 27/ 01/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da 3ª Turma da DRJ Juiz de Fora (fls. 51/53), a qual, por unanimidade de votos, indeferiu a solicitação da interessada em acórdão assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Data do fato gerador: 16/11/2009 ISENÇÃO. IPI. DEFICIENTE VISUAL A isenção de que trata a Lei n° 8.989/95 e alterações posteriores deve observar, no que diz respeito à deficiência visual, os parâmetros determinados no § 2° do art. 1º da citada lei. É de se indeferir o pedido quando o laudo médico não se mostra eficaz para demonstrar o enquadramento da acuidade visual nos limites estabelecidos pelo texto legal. Manifestação de Inconformidade Improcedente Cientificada da referida decisão em 02/07/2010 (conf. AR de fls. 55), a autorizada, exclusivamente, acostou aos autos novo laudo médico, acompanhado de anexos (fls. 56/58). Às fls. 60 consta despacho da unidade de origem encaminhando o processo para este CARF. É o relatório. Voto Conselheiro Francisco José Barroso Rios Conforme relatado, vêse que o processo em epígrafe diz respeito a pedido de isenção de IPI Deficiente físico onde a manifestação de inconformidade formalizada pela interessada contra o indeferimento do pleito foi julgada improcedente pela DRJ Juiz de Fora (fls. 51/54). Ocorre que a interessada não formalizou o correspondente recurso voluntário, uma vez que, depois de cientificada da decisão da DRJ, apenas acostou aos autos novo laudo médico. Na sequência, o processo foi encaminhado para este CARF em 15/07/2010, "para análise e manifestação", nos termos do despacho de fls. 60. Evidentemente, a realidade acima apresentada demonstra que não houve formalização de recurso voluntário, isso mesmo tendose em alta conta o princípio da informalidade processual. Ademais, ao pleito foi agregado novo instrumento probante cuja competência para análise não é deste Conselho, mas sim da unidade jurisdicionante da interessada, ou seja, a DRF Vitória. Logo, a medida que se impõe é a devolução dos autos para a DRF Vitória para que esta, assim, adote as providências de sua alçada relativas ao exame do caso. Fl. 63DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 27/ 01/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM Processo nº 13767.000428/200989 Acórdão n.º 3802003.982 S3TE02 Fl. 62 3 Por todo o exposto, voto para não conhecer de recurso voluntário formalizado pela suplicante. Sala de sessões, em 11 de dezembro de 2014. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios – Relator Fl. 64DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 27/ 01/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM
score : 1.0
Numero do processo: 19647.019092/2008-90
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 31 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Jan 29 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 30/04/2005
DECADÊNCIA. TRIBUTO LANÇADO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTAGEM DO PRAZO.
A compensação declarada à SRF, assim corno o pagamento antecipado do tributo, extingue o crédito tributário sob condição resolutória de sua ulterior homologação. Tratando-se de tributo sujeito ao lançamento por homologação, o prazo decadencial de cinco anos, para lançamento de oficio, contado da data da ocorrência do fato gerador, nos termos do § 4º do art. 150 do CTN.
MULTA ISOLADA A multa de que trata o art. 18 da Lei 10.833, de 2003, é a multa de oficio prevista no art. 44 da Lei n° 9.430/96. A expressão "multa isolada" não significa que se trate de multa diversa da multa de oficio, mas sim, que a multa de oficio é aplicada isoladamente, ou seja, desacompanhada do principal sobre o qual incidiu.
MULTA DE OFÍCIO E MULTA DE MORA.- CUMULAÇÃO
A multa de oficio absorve a de mora, não sendo admissível a cumulação.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3302-001.953
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. Vencido o Conselheiro Walber José da Silva, que negava provimento. O conselheiro José Antonio Francisco apresentará declaração de voto. A Conselheira Maria da Conceição Arnaldo Jacó acompanhou o relator pelas conclusões.
(assinado digitalmente)
WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente.
(assinado digitalmente)
GILENO GURJÃO BARRETO Relator.
EDITADO EM: 27/12/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto.
Nome do relator: GILENO GURJAO BARRETO
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 30/04/2005 DECADÊNCIA. TRIBUTO LANÇADO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTAGEM DO PRAZO. A compensação declarada à SRF, assim corno o pagamento antecipado do tributo, extingue o crédito tributário sob condição resolutória de sua ulterior homologação. Tratando-se de tributo sujeito ao lançamento por homologação, o prazo decadencial de cinco anos, para lançamento de oficio, contado da data da ocorrência do fato gerador, nos termos do § 4º do art. 150 do CTN. MULTA ISOLADA A multa de que trata o art. 18 da Lei 10.833, de 2003, é a multa de oficio prevista no art. 44 da Lei n° 9.430/96. A expressão "multa isolada" não significa que se trate de multa diversa da multa de oficio, mas sim, que a multa de oficio é aplicada isoladamente, ou seja, desacompanhada do principal sobre o qual incidiu. MULTA DE OFÍCIO E MULTA DE MORA.- CUMULAÇÃO A multa de oficio absorve a de mora, não sendo admissível a cumulação. Recurso Voluntário Provido.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 30/04/2005 DECADÊNCIA. TRIBUTO LANÇADO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTAGEM DO PRAZO. A compensação declarada à SRF, assim corno o pagamento antecipado do tributo, extingue o crédito tributário sob condição resolutória de sua ulterior homologação. Tratandose de tributo sujeito ao lançamento por homologação, o prazo decadencial de cinco anos, para lançamento de oficio, contado da data da ocorrência do fato gerador, nos termos do § 4º do art. 150 do CTN. MULTA ISOLADA A multa de que trata o art. 18 da Lei 10.833, de 2003, é a multa de oficio prevista no art. 44 da Lei n° 9.430/96. A expressão "multa isolada" não significa que se trate de multa diversa da multa de oficio, mas sim, que a multa de oficio é aplicada isoladamente, ou seja, desacompanhada do principal sobre o qual incidiu. MULTA DE OFÍCIO E MULTA DE MORA. CUMULAÇÃO A multa de oficio absorve a de mora, não sendo admissível a cumulação. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. Vencido o Conselheiro Walber José da Silva, que negava provimento. O conselheiro José Antonio Francisco apresentará declaração de voto. A Conselheira Maria da Conceição Arnaldo Jacó acompanhou o relator pelas conclusões. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 64 7. 01 90 92 /2 00 8- 90 Fl. 306DF CARF MF Impresso em 29/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/12/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/12/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/01/2015 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 19647.019092/200890 Acórdão n.º 3302001.953 S3C3T2 Fl. 3 2 (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA – Presidente. (assinado digitalmente) GILENO GURJÃO BARRETO – Relator. EDITADO EM: 27/12/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto. Relatório Adotase o relatório da decisão recorrida, por bem refletir a contenda. 1. Contra a contribuinte acima identificada foi lavrado o Auto de Infração de fls. 04/07, em 05/11/2008, relativamente a Multa Regulamentar, no valor de R$ 147.743,34. 2. De acordo com as informações contidas no Termo de Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal de fls.04/05, foi apurada a seguinte infração praticadas pela pessoa jurídica autuada, assim descrita, em resumo: Multa isolada Compensação indevida efetuada em declaração Prestada pelo sujeito passivo O sujeito passivo efetuou compensações, conforme consta nos Per/Dcomp números 38749.33147.160405.1.3.01 6626 e 40837.53707.060905.1.3.018625, anexos às fls. 11 a 22. Estas compensações foram consideradas não formuladas conforme Despacho Decisório de fl.25, datado de 02/04/2007, com ciência contribuinte em 24/04/2007, conforme consta no Processo 19647.002698/200713, através de "AR", pelo fato de essas compensações terem sido com créditos decorrentes de ação judicial não transitada em julgado, portanto, em desacordo com o art. 170 da Lei nº 5.172, de 1966. Desta forma, foi lançada no presente Auto de infração, a multa isolada prevista no art. 18 da Lei n° 10.833, de 2003, com as alterações introduzidas pela Lei 11.051, de 2004, no percentual de 75% sobre a totalidade do tributo devido. 3. Acompanha o Auto de Infração o Termo de informação Fiscal e o Demonstrativo de Cálculos do valor da multa de fls. 33 a 35. 5. Devidamente cientificada da autuação, em 05/11/2008, na pessoa do seu sócio, Sr.Tracizo Cavalcanti Pedroza, a autuada apresenta, em 05/12/2008, por meio do seu Procurador (instrumento legal de fl. 52) a impugnação de fls. 40/49, com as seguintes argumentações, em síntese: Fl. 307DF CARF MF Impresso em 29/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/12/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/12/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/01/2015 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 19647.019092/200890 Acórdão n.º 3302001.953 S3C3T2 Fl. 4 3 5.1. DOS FATOS E DOS FUNDAMENTOS I noticia que os tributos (PIS e Cofins) cujas compensações não foram homologadas foram inscritos em dívida ativa desde 31/07/2007, conforme pode ser verificado nas CDA'S n°s 40.6.07.000548221 e 40.7.07.00055943 e que sobre os citados tributos está sendo cobrada a multa de mora de 20%. 5.2. PRELIMINAR DECADÊNCIA DE PARTE D O LANÇAMENTO I alega que parte do crédito tributário está extinto na forma do art. 150, § 4 o e 156 V e VII do CTN, uma vez que os fatos geradores dos tributos sobre os quais incidiu a multa isolada ocorreram em outubro e dezembro de 2002; II apresenta um longo arrazoado sobre o instituto da decadência tributária e transcreve ementas de Acórdãos do antigo Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda para reforçar a sua tese e conclui que, por esse fato é que se pede, de logo, seja conhecida a presente impugnação para excluir do lançamento os valores da multa isolada em discussão; 5.3. DA IMPOSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO CUMULADA DE MULTAS SOBRE O MESMO TRIBUTO I contesta a cumulação de sanções sobre um mesmo fato gerador, uma vez que aduz que, conforme já exposto anteriormente, os débitos cujas compensações não foram homologadas foram inscritos em dívida ativa da União desde 31/07/2007, e que sobre os citados tributos está sendo cobrada a multa de mora de 20%, tendo a autuação adicionalmente feito incidir a multa isolada de 75%; II acrescenta que a respeito da matéria, vários precedentes se mostram elucidativos no sentido da impossibilidade de incidência concomitante de várias multas, sobre a mesma base de incidência, demonstrando a dupla penalização e transcreve várias ementas de Acórdãos do Conselho de Contribuintes para corroborar a sua argumentação; III conclui, assim, com base nas decisões administrativas referenciadas que é completamente improcedente a presente autuação, pois implica em penalizar duplamente a impugnante, tendo como fundamento a mesma base de cálculo. 5.4. DA INADEQUAÇÃO LEGAL E DA RETROATIVIDADE BENIGNA I pondera que o art.18 da Lei 10.833, de 2003, que transcreve, só se torna possível quando se comprove a falsidade da declaração apresentada pelo contribuinte e na presente autuação em nenhum momento se cogita ou se demonstra que houve falsidade de declaração por parte da impugnante, o que remete à aplicabilidade da norma no presente caso, mostrandose, portanto, ilegal, a medida proposta pela autoridade autuante; II faz considerações sobre a retroatividade benigna prevista no art.106, II do CTN; III considera mais uma vez improcedente a aplicação da proposta multa isolada de 75% com base na Lei n° 9.430, de 1996, tendo em vista que esta sofreu alteração pela Lei n° 11.488, de 2007, que previu o percentual de 50%, nos casos de aplicação de multa isolada (art.44, inciso II, da Lei 9.430, de 1966, com a alteração efetuada pela Lei n° 11.488, de 2007, que transcreve. 5.5. Do Pedido Diante do exposto requer: a) que seja julgado Nulo o Auto de Infração ora combatido, em face da extinção do lançamento da multa isolada, em face da ocorrência da decadência nos termos do art.150, § 4º, do CTN; Fl. 308DF CARF MF Impresso em 29/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/12/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/12/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/01/2015 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 19647.019092/200890 Acórdão n.º 3302001.953 S3C3T2 Fl. 5 4 b) que seja julgado improcedente o Auto de Infração tendo em vista as razões já apresentadas; c) requer ainda, seja conferida a interpretação mais favorável à suplicante, na forma do art.112 do CTN; d) protesta e requer, ainda, todos os meios de provas permitidas em direito inclusive juntada posterior de provas, perícia e diligência, e apresenta os quesitos a serem respondidos, tendo em vista o disposto nos arts. 2° e 3º, III, da Lei n° 9.784, de 1999, termos em que aguarda deferimento. Os membros da 2ª Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, resolveram rejeitar a preliminar de decadência argüida e julgar improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário exigido. Intimada do acórdão supra em 28/02/2011, inconformada a Recorrente interpôs recurso voluntário em 30/03/2011. É o relatório. Voto Conselheiro GILENO GURJÃO BARRETO, Relator O presente recurso preenche os requisitos de admissibilidade, por isso dele conheço. Da Decadência parcial A exigência fiscal consubstanciada no auto de infração de fls. 06/07 decorre de ação fiscal promovida pela DRF de Recife — PE, que efetuou o lançamento de multa isolada no percentual de 75% sobre a totalidade dos tributos cujos pedidos de compensação foram considerados não formulados, pela Autoridade Fiscal. Em 16.04.2005 a Recorrente efetuou pedido de compensação, através de PER/DCOMP nº 38749.33147.160405.1.3.016626 e em 06.09.2005 efetuou outro pedido de compensação através de PER/DCOMP nº 40837.53707.060905.1.3.018625 (doe. 04 doe. 04 da impugnação). Cumpre esclarecer que as referidas compensações foram formuladas utilizandose créditos de terceiros – Usina Cruangi S.A. Todavia, os citados pedidos de compensação foram declarados como não formulados pela Delegacia da Receita federal do Brasil em Recife/PE, e inscritos em dívida ativa conforme CDA´s nº 40 6 07000548221 e nº 40 7 0700055943. Alega a Recorrente que parte do débito, mais precisamente, o montante referente ao PER/DCOMP nº 38749.33147.160405.1.3.016626, protocolado em 16.04.2005, referente ao período de outubro/02, novembro/02 e dezembro/02, estaria extinto em face da decadência perpetrada na forma do artigo 150, § 4º e 156, incisos V e VII do CTN. Neste ponto não assiste razão à Recorrente. Fl. 309DF CARF MF Impresso em 29/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/12/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/12/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/01/2015 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 19647.019092/200890 Acórdão n.º 3302001.953 S3C3T2 Fl. 6 5 Invocando o § 4º do art. 150 do CTN, este apenas seria aplicável, ou apreciável, caso estivéssemos analisando o próprio direito creditório, esse sim anterior a 2005. No caso concreto, ora se aplica a multa isolada, punitiva, por ato ilegal praticado em 2005, logo, não prescrita. Como visto, tanto a compensação corno o pagamento extingue a obrigação tributária sob condição resolutória da ulterior homologação pela autoridade administrativa, fixando a legislação o prazo de cinco anos para fazêla. No caso destes autos, o referido prazo seria contado da entrega na repartição das respectivas declarações de compensação ocorrida em dois momentos: 16.04.2005 e 06.09.2005, conforme estabelecido no citado art. 74 da Lei n° 9.430, de 1996: Art. 74. (...) §5º O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. Não tendo sido homologada a compensação, competia a Administração Tributária promover à cobrança dos referidos débitos. Da cumulação de multa de ofício e multa de mora Conforme exposto pelo Recorrente, os tributos sobre os quais estão sendo aplicados a punição já estão inscritos em dívida ativa, sendo que sobre os supostos créditos tributários incidiu a multa de mora de 20% sobre o valor do tributo. A presente autuação adicionalmente faz incidir uma multa isolada de 75% sobre o valor do tributo, comprovandose claramente a concomitância de imposição de multas sobre a mesma base de incidência. Neste ponto creio que a razão está com a Recorrente. Vejamos. Nos termos dos artigos 43 e 44 da Lei nº 9.430/96 temos que: Art. 43. Poderá ser formalizada exigência de crédito tributário correspondente exclusivamente a multa ou a juros de mora, isolada ou conjuntamente. Parágrafo único. Sobre o crédito constituído na forma deste artigo, não pago no respectivo vencimento, incidirão juros de mora, calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007) II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007) Fl. 310DF CARF MF Impresso em 29/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/12/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/12/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/01/2015 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 19647.019092/200890 Acórdão n.º 3302001.953 S3C3T2 Fl. 7 6 a) na forma do art. 8º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; (Incluída pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007) b) na forma do art. 2º desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. (Incluída pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007) § 1º O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007) § 2º Os percentuais de multa a que se referem o inciso I do caput e o § 1º deste artigo serão aumentados de metade, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007) I prestar esclarecimentos; (Renumerado da alínea “a” pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007) II apresentar os arquivos ou sistemas de que tratam os arts. 11 a 13 da Lei nº 8.218, de 29 de agosto de 1991; (Renumerado da alínea “b” com nova redação pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007) III apresentar a documentação técnica de que trata o art. 38 desta Lei. (Renumerado da alínea “c” com nova redação pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007) § 3º Aplicamse às multas de que trata este artigo as reduções previstas no art. 6º da Lei nº 8.218, de 29 de agosto de 1991, e no art. 60 da Lei nº 8.383, de 30 de dezembro de 1991. § 4º As disposições deste artigo aplicamse, inclusive, aos contribuintes que derem causa a ressarcimento indevido de tributo ou contribuição decorrente de qualquer incentivo ou benefício fiscal. § 5º Aplicase também, no caso de que seja comprovadamente constatado dolo ou máfé do contribuinte, a multa de que trata o inciso I do caput sobre: (Incluído pela Lei nº 12.249, de 11 de junho de 2010) (Vide Lei nº 12.249/2010, art. 139, inc I, d) I a parcela do imposto a restituir informado pelo contribuinte pessoa física, na Declaração de Ajuste Anual, que deixar de ser restituída por infração à legislação tributária; e (Incluído pela Lei nº 12.249, de 11 de junho de 2010) (Vide Lei nº 12.249/2010, art. 139, inc I, d) II (VETADO). (Incluído pela Lei nº 12.249, de 11 de junho de 2010) (Vide Lei nº 12.249/2010, art. 139, inc I, d) Fl. 311DF CARF MF Impresso em 29/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/12/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/12/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/01/2015 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 19647.019092/200890 Acórdão n.º 3302001.953 S3C3T2 Fl. 8 7 Por outro lado, o artigo 18 da Lei nº 10.833/03, com suas alterações posteriores prevê a aplicação da multa isolada, somente quando a falsidade da declaração apresentada pelo contribuinte, in verbis: Art. 18. O lançamento de ofício de que trata o art. 90 da Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001, limitarseá à imposição de multa isolada em razão de nãohomologação da compensação quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007) Conforme exposto pelo Recorrente: “Na presente autuação em momento algum se cogita ou se demonstra que houve falsidade de declaração por parte da Recorrente, o que remete à inaplicabilidade da norma ao presente caso, mostrandose portanto ilegal a medida proposta pela Autoridade autuante”. Outrossim, face a legislação supra temos que a “multa isolada” não significa uma nova multa, mas traduz a circunstância de que a formalização da exigência da multa (de ofício ou de mora) está sendo feita desacompanhada do tributo sobre o qual é calculada. Nos termos do § 1° do art. 44 da Lei 9.430/96, em sua redação original, não instituiu outra penalidade, mas apenas previu a possibilidade de a multa por lançamento de oficio ser exigida juntamente com o tributo ou isoladamente. Assim, a multa exigida não é outra senão a multa de oficio. Na realidade, duas são as multas que incidem sobre o débito não extinto na data do seu vencimento: (i) multa de mora, quando a extinção extemporânea do crédito se faz por iniciativa espontânea do sujeito passivo, sem necessidade de movimentar a máquina estatal; (ii) multa de oficio, quando há necessidade de movimentar a máquina estatal para persecução do crédito vencido e não pago. Admitir a cumulação da multa de oficio com a multa de mora caracterizarse ia o bis in idem, pois, a multa de ofício absorve a multa de mora. Fato que ocorreu à época foi a publicação da Lei no. 11.488 de 2007, cujo artigo 14 deu nova redação ao art. 44 da Lei no. 9.430/96. Diante disso, vem se posicionando esse E. CARF no sentido de que, à época desse lançamento, não poderia ter havido a mencionada cumulação, inclusive em benéfico de lançamentos efetuados anteriormente à sua mencionada publicação. Litteris: "(...)RETROATIVIDADE BENIGNA DA LEI EXTINÇÃO DE PENALIDADE MULTA DE OFÍCIO ISOLADA LANÇADA EM DECORRÊNCIA DE PAGAMENTO A DESTEMPO, SEM MULTA DE MORA A partir da Lei n° 11.488, de 2007, cujo artigo 14 deu nova redação ao artigo 44 da Lei n° 9.430, de 1996, revogouse a multa de ofício isolada que era exigível na hipótese de recolhimento de tributos em atraso sem o acréscimo da multa de mora. Portanto, as multas aplicadas com base nas regras anteriores devem ser adaptadas às novas determinações, conforme preceitua o art. 106, II, "a", do Código Tributário Nacional. Recurso de ofício parcialmente provido." (6a Câmara do 1° Conselho de Contribuintes, Recurso 158805, Relator Giovanni Christian Nunes Campos, sessão de 07/08/2008) Fl. 312DF CARF MF Impresso em 29/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/12/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/12/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/01/2015 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 19647.019092/200890 Acórdão n.º 3302001.953 S3C3T2 Fl. 9 8 Por todo exposto, considerando que o os tributos sobre os quais estão sendo cobrada a multa isolada, no presente auto de infração, já estão inscritos em dívida ativa, sendo que sobre os supostos créditos tributários está incidindo a multa de mora de 20% sobre o valor do tributo, voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário para excluir a presente multa isolada. Sala das Sessões, em 31 de janeiro de 2013. (assinado digitalmente) GILENO GURJÃO BARRETO Relator. Fl. 313DF CARF MF Impresso em 29/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/12/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/12/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/01/2015 por GILENO GURJAO BARRETO
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Numero do processo: 11516.003529/2006-95
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 24 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Dec 01 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/09/2001 a 30/06/2006
Ementa:
SÚMULAS CARF. OBSERVÂNCIA OBRIGATÓRIA. AÇÃO JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA DE OBJETO. RENÚNCIA À INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. SÚMULA Nº 1 do CARF.
A matéria já suscitada perante o Poder Judiciário não pode ser apreciada na via administrativa.
A concomitância caracteriza-se pela irrefutável identidade entre o pedido e a causa de pedir dos processos administrativos e judiciais.
Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo.
ATOS COOPERATIVOS. EXCLUSÕES NA BASE DE CÁLCULO.
A isenção da Cofins relativa aos atos cooperativos, concedida pelo art. 6°, I, da Lei Complementar n° 70/91, encontra-se revogada pela MP n° 2.l58- 35/2001, com efeitos a partir de novembro de 1999, mês a partir do qual as receitas auferidas pelas cooperativas compõem a base de cálculo da Contribuição, com as exclusões estabelecidas no art. 15 da Medida Provisória n° 2.158-35/2001, na Lei n°10.676/2003 e no a .17 da Lei n° 10.684/2003.
Numero da decisão: 3402-001.739
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 4ª câmara / 2ª turma ordinária da terceira seção de julgamento, por unanimidade de votos, em não se conhecer da matéria preclusa. Na parte conhecida, em afastar a preliminar de nulidade, declarar a concomitância referente às receitas tributáveis pelo PIS e pela Cofins e negar a exclusão das despesas financeiras e administrativas das bases de cálculo das exações.
GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Relator e Presidente Substituto
EDITADO EM: 28/11/2014
Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros João Carlos Cassuli Junior, Silvia de Brito Oliveira, Fernando Luiz da Gama Lobo D Eca, Francisco Mauricio Rabelo de Albuquerque Silva. O Presidente Substituto da Turma assina o presente acórdão em face da impossibilidade, por motivos de saúde, da Presidente Nayra Bastos Manatta.
Nome do relator: GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/09/2001 a 30/06/2006 Ementa: SÚMULAS CARF. OBSERVÂNCIA OBRIGATÓRIA. AÇÃO JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA DE OBJETO. RENÚNCIA À INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. SÚMULA Nº 1 do CARF. A matéria já suscitada perante o Poder Judiciário não pode ser apreciada na via administrativa. A concomitância caracteriza-se pela irrefutável identidade entre o pedido e a causa de pedir dos processos administrativos e judiciais. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo. ATOS COOPERATIVOS. EXCLUSÕES NA BASE DE CÁLCULO. A isenção da Cofins relativa aos atos cooperativos, concedida pelo art. 6°, I, da Lei Complementar n° 70/91, encontra-se revogada pela MP n° 2.l58- 35/2001, com efeitos a partir de novembro de 1999, mês a partir do qual as receitas auferidas pelas cooperativas compõem a base de cálculo da Contribuição, com as exclusões estabelecidas no art. 15 da Medida Provisória n° 2.158-35/2001, na Lei n°10.676/2003 e no a .17 da Lei n° 10.684/2003.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 4ª câmara / 2ª turma ordinária da terceira seção de julgamento, por unanimidade de votos, em não se conhecer da matéria preclusa. Na parte conhecida, em afastar a preliminar de nulidade, declarar a concomitância referente às receitas tributáveis pelo PIS e pela Cofins e negar a exclusão das despesas financeiras e administrativas das bases de cálculo das exações. GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Relator e Presidente Substituto EDITADO EM: 28/11/2014 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros João Carlos Cassuli Junior, Silvia de Brito Oliveira, Fernando Luiz da Gama Lobo D Eca, Francisco Mauricio Rabelo de Albuquerque Silva. O Presidente Substituto da Turma assina o presente acórdão em face da impossibilidade, por motivos de saúde, da Presidente Nayra Bastos Manatta.
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OBSERVÂNCIA OBRIGATÓRIA. AÇÃO JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA DE OBJETO. RENÚNCIA À INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. SÚMULA Nº 1 do CARF. A matéria já suscitada perante o Poder Judiciário não pode ser apreciada na via administrativa. A concomitância caracterizase pela irrefutável identidade entre o pedido e a causa de pedir dos processos administrativos e judiciais. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo. ATOS COOPERATIVOS. EXCLUSÕES NA BASE DE CÁLCULO. A isenção da Cofins relativa aos atos cooperativos, concedida pelo art. 6°, I, da Lei Complementar n° 70/91, encontrase revogada pela MP n° 2.l58 35/2001, com efeitos a partir de novembro de 1999, mês a partir do qual as receitas auferidas pelas cooperativas compõem a base de cálculo da Contribuição, com as exclusões estabelecidas no art. 15 da Medida Provisória n° 2.15835/2001, na Lei n°10.676/2003 e no a .17 da Lei n° 10.684/2003. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 4ª câmara / 2ª turma ordinária da terceira SSEEÇÇÃÃOO DDEE JJUULLGGAAMMEENNTTOO, por unanimidade de votos, em não se conhecer da matéria preclusa. Na parte conhecida, em afastar a preliminar de nulidade, declarar a concomitância referente às AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 00 35 29 /2 00 6- 95 Fl. 1583DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/11/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 2 8/11/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 11516.003529/200695 Acórdão n.º 3402001.739 S3C4T2 Fl. 296 2 receitas tributáveis pelo PIS e pela Cofins e negar a exclusão das despesas financeiras e administrativas das bases de cálculo das exações. GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO – Relator e Presidente Substituto EDITADO EM: 28/11/2014 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros João Carlos Cassuli Junior, Silvia de Brito Oliveira, Fernando Luiz da Gama Lobo D Eca, Francisco Mauricio Rabelo de Albuquerque Silva. O Presidente Substituto da Turma assina o presente acórdão em face da impossibilidade, por motivos de saúde, da Presidente Nayra Bastos Manatta. Relatório Trata o presente processo de autuação do PIS e da Cofins referentes aos fatos geradores ocorridos de setembro de 2001 a junho de 2006. Constatouse que o recorrente somente recolheu o PIS sobre a folha de pagamento e, a partir de 2003, promoveu recolhimentos sobre parte de suas receitas com não associados, sendo que os demais valores faturados ficaram à margem da tributação e não foram declarados em DCTF. Os valores apurados pela Autoridade Fiscal foram retratados nas planilhas de fls. 151/152. Nelas estão discriminadas a base de cálculo de cada exação. Seguindo as normas contidas na Legislação, a base de cálculo foi obtida pelo total das receitas de fornecimento de energia e serviços, receitas financeiras, deduzidos os custos de energia elétrica, os custos de manutenção da rede de distribuição e as sobras. O Sujeito Passivo apresentou impugnação aos lançamentos, argumentando, em breve síntese, que: a) No demonstrativo de receita tributável de fls. 151/152 não há como determinar quais foram os custos que serviram de exclusão para a tributação do PIS e da Cofins. Na determinação da base imponível das exações não foi discriminada conta por conta b) As contribuições para o Pis e para a Cofins não incidem sobre ato cooperativo, por ausência de faturamento ou receita bruta nas operações de distribuição de energia elétrica a associados. A relação entre cooperativa e associado não produz receitas, pois o resultado pertence ao associado e não à cooperativa; Fl. 1584DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/11/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 2 8/11/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 11516.003529/200695 Acórdão n.º 3402001.739 S3C4T2 Fl. 297 3 c) Para fins de tributação das contribuições, o compartilhamento da infraestrutura por meio do aluguel de postes deve ser considerado ato cooperativo e, consequentemente, excluído da base imponível, já que é ato próprio do ramo da recorrente, que deve por imposição legal ceder ou compartilhar os postes; d) Houve erro na determinação da base de cálculo das contribuições, pois devem ser excluídos os valores oriundos da cobrança da tarifa elétrica, em obediência ao disposto no art. 17 da Lei nº 10684/2003, que prevê a exclusão dos valores dos serviços prestados pelas cooperativas de eletrificação rural a seus associados; e) A fiscalização não considerou todos os custos previstos na Legislação. A impugnante refez os cálculos do demonstrativo da receita tributável, contemplando os custos nos moldes da IN nº 358/2003 e 635/2006; f) Os Pareceres Normativos nº 77/76 e 66/86 tratam da exclusão da base de cálculo de valores advindos do ato cooperativo, que levariam à exclusão dos ingressos da tarifa de energia elétrica tanto para o PIS como para a Cofins; g) Pelo princípio da hierarquia das leis, o dispositivo da Lei Complementar nº 70/91 que confere isenção do Pis e da Cofins às cooperativas não pode ser revogado por medida provisória e lei ordinária; h) Deve ser aplicado ao caso a Solução de Consulta nº 352/04 da 9º Região Fiscal, que, ao interpretar a Lei nº 10684/2003 e a IN 358/2003, reconheceu a exclusão dos custos administrativos e financeiros dos atos relacionados internamente (atos cooperativos). Termina sua impugnação requerendo que sejam reconhecidos como exclusão da base de cálculo tributável os custos do setor elétrico, advindos do parágrafo 1º do art.2º do decreto 774/93. Foi solicitada diligência com fins de apurar o objeto do processo judicial nº 99.00.098501. Em resposta, constatouse que na ação judicial discutiase: a impossibilidade de uma medida provisória instituir ou alterar tributos; a necessidade de lei complementar para alterar a Lei Complementa nº 70/91 e tributar o ato cooperativo; a ilegalidade da alíquota de 3% da Cofins e a ampliação da base de cálculo da Cofins – receita bruta e faturamento. A Delegacia de Julgamento de São Paulo julgou a impugnação improcedente, proferindo o Acórdão nº 1632734, de 21 de julho de 2011, cuja ementa abaixo reproduzo: ARGUIÇÃO DE NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA. Fl. 1585DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/11/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 2 8/11/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 11516.003529/200695 Acórdão n.º 3402001.739 S3C4T2 Fl. 298 4 Não há fundamento na alegação de impossibilidade de identificação das contas contábeis consideradas na base de cálculo, quando basta examinar os balancetes fornceidos pela própria autuada para verificar que os valores que serviram de base para autuação forma dali extraídos. CONCOMITÂNCIA DE AÇÃO JUDICIAL. FATURAMENTO DA SOCIEDADE COOPERATIVA. ART. 6º, I, DA LC 70/91. REVOGAÇÃO PELA MP 1.858/99. LEI Nº 9.718/98. AMPLIAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. A propositura pela contribuinte de ação judicial contra a Fazenda, antes ou posteriormente à autuação, com o mesmo objeto, importa renúncia às instâncias administrativas, no que concerne às questões submetidas à apreciação do judiciário. INCIDÊNCIA. SOCIEDADES COOPERATIVAS. A contribuição para o PIS/Pasep devida pelas sociedades cooperativas deve ser calculada com base no faturamento mensal, que corresponde à receita bruta conforme definida no art. 3º da Lei n.° 9.718, de 1998, permitindose, estritamente, as exclusões previstas na legislação vigente à época dos fatos geradores. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO. CUSTOS DOS SERVIÇOS PRESTADOS. COOPERATIVA DE ELETRIFICAÇÃO RURAL. Os custos dos serviços prestados pela cooperativa de eletrificação rural abrangem os gastos de geração, transmissão, manutenção, distribuição e comercialização de energia elétrica, quando repassados aos associados. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Inconformado com a decisão de primeira instância, o sujeito passivo protocolou recurso voluntário, onde teceu longas linhas acerca de toda legislação do setor elétrico. Contudo, com o intuito de não desviar o rumo do processo, reproduzo abaixo apenas as questão que guardam relevância com a lide posta nos autos. Em brevíssima síntese, o recorrente alega que: a) O auto de infração não obedeceu os requisitos de validade, pois faltou um elemento essencial, qual seja: a determinação da base de cálculo. Este fato teria cerceado seu amplo direito de defesa. b) Não houve a renúncia a instância administrativa, em vista da incongruência entre as demandas administrativa e judicial. Requer que “sejam reconhecidos os custos do setor elétrico cooperativista, Fl. 1586DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/11/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 2 8/11/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 11516.003529/200695 Acórdão n.º 3402001.739 S3C4T2 Fl. 299 5 contemplados na legislação tributária da Receita Federal, repassados ao associado como causa de exclusa na base imponível do Pis e da Cofins, (...). Estamos nos referindo a especificidade de normativo do setor elétrico. Se a legislação, em geral, não contempla as despesas administrativas ou financeiras como custos (exclusão da base imponível), não está a dizer que não contemple as “especificidades de setores” como é o caso do setor elétrico cooperativista, que as classifica como custos do setor, o que noutro setor pode ser despesas. c) Todos os custos relativos à operacionalidade para a entrega da energia aos associados; investimentos em linhas de redes de transmissão de energia e despesas administrativas, manutenção, comercialização, necessárias ao funcionamento da cooperativa, poderão ser excluídos da base de cálculo das contribuições sociais por força da legislação do setor, em especial, o art. 2º § 1º do Decreto nº 774/93 – que considera como exclusão os gastos de distribuição repassados ao associado.; e d) O art. 3, § 1º da Lei nº 9.718/98, que ampliou o conceito de receita, é inconstitucional. Termina seu recurso pedindo a anulação do auto de infração por falta de elemento essencial, a base de cálculo. Alternativamente, pede que a exclusão dos custos gerenciáveis e nãogerenciáveis do setor elétrico cooperativista da base imponível e a exclusão da multa de ofício e juros de mora. É o Relatório. Voto Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho, Relator A impugnação foi apresentada com observância do prazo previsto. Multa de Ofício e Juros de Mora. O recorrente requer a exclusão da multa de ofício e dos juros de mora aplicados pelo Ato Fiscal. Ressalto o recorrente traz essa matéria aos autos nesta fase processual. Na impugnação, momento que inaugura o litígio e delimita as matérias que serão debatidas nas instâncias administrativas, o recorrente não trouxe a baila este ponto. Não há uma única menção sobre a impossibilidade de aplicação da multa de ofício e dos juros de mora. Fl. 1587DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/11/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 2 8/11/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 11516.003529/200695 Acórdão n.º 3402001.739 S3C4T2 Fl. 300 6 Posta assim a questão, sintome obrigado a não conhecer destas matérias em vista da falta de interesse recursal. Quanto as demais matérias, identifico os pressupostos de admissibilidade de forma que tomo conhecimento e passo à análise. Nulidade O recorrente alega cerceamento do direito de defesa, pois o auto de infração não teria identificado a correta base de cálculo, elemento essencial de validade do ato administrativo. Ao meu sentir, carece de razão o recorrente, pois no termo de encerramento de verificação fiscal, a Autoridade autuante discrimina o modus operandi utilizado para a obtenção da base de cálculo e as respectivas exclusões, senão vejamos: (...) partimos do total do faturamento apresentado pelo contribuinte, composto pelas receitas de fornecimento de energia elétrica, outras receitas de serviços e receitas financeiras e receitas de aluguel de postes e deduzimos dos custos da energia elétrica e o custo de distribuição, deduzimos ainda as sobras que trata a IN 358/2003. Os valores apurados Receita Tributável, ou seja, a base de cálculo para o PIS e para a Cofins são os apresentados no quadro constante das fls. 151/152. Como se pode notar, foram perfeitamente identificadas as receitas utilizadas para fins de apuração das bases de cálculo das exações, bem como os valores delas deduzidos. Noutro giro, como pode o recorrente falar em cerceamento do direito de defesa, se foram protocolados dois extensos recursos impugnação e recurso voluntário onde o sujeito passivo discorre minuciosamente acerca de todos os pontos que serviram de base para o lançamento tributário? Portanto, não vislumbro qualquer hipótese que contemplaria a nulidade do auto de infração. Mérito No acórdão vergastado, a primeira instância separou as matérias em dois grupos, tendo por base a detecção de identidade de demandas administrativa e judicial. A DRJ concluiu que parte da matéria referente a receita tributável que compôs a base de cálculo das exações foi levada a discussão no Poder Judiciário. Afastou desse entendimento as receitas oriundas do fornecimento de energia, outras receitas, receitas financeiras e receitas de compartilhamento de postes. Bem como a matéria referente a exclusão de custos das bases de cálculo. Diante desse panorama, identifico duas matérias a serem discutidas pelo Colegiado neste recurso, a saber: a existência de concomitância e a possibilidade de excluir da base de cálculo todos os custos da cooperativa que foram repassados aos seus associados. Concomitância Fl. 1588DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/11/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 2 8/11/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 11516.003529/200695 Acórdão n.º 3402001.739 S3C4T2 Fl. 301 7 Saliento que, na minha opinião, a primeira instância se equivocou na identificação das matérias levadas ao Poder Judiciário, senão vejamos. O recorrente se insurge contra a decisão da concomitância da forma que abaixo subscrevo: Não houve a renúncia a instância administrativa, em vista da incongruência entre as demandas administrativa e judicial. (...) A matéria impugnada envolve erro sobre a base de cálculo imponível, aspectos formais, ilegalidades, nulidades, desconhecimento dos custos do setor cooperativista de eletrificação rural e jurisprudência do STJ sobre não incidência do PIS/Cofins no ato cooperativo firmado em 2005. O MS 99.00.098501 versa sobre: impossibilidade de uma medida provisória instituir ou alterar tributos; necessidade de lei complementar para alterar a LC 90/71 para tributar ato cooperativo; superioridade hierárquica da lei complementar; ilegalidade da alíquota de 3% da Cofins e ampliação da base da Cofins – receita bruta e faturamento. (...) Ao analisar as razões jurídicas apresentadas na peça recursal administrativa e cotejar com as fundamentações jurídicas do MS nº 99.00.098501, fico convencido que toda a discussão que envolve receitas tributáveis foram levadas ao clivo do Poder Judiciário. Portanto, não resta dúvida da identidade entre as demandas administrativa e judicial no que diz respeito a composição das receitas que fizeram parte das bases de cálculo das exações. Chamo a atenção para o fato de que o próprio contribuinte, na parte final do arrazoado sobre concomitância, não solicita que seja afastada a concomitância quanto a análise das receitas tributáveis. Seu pedido cingese no afastamento da concomitância quanto ao aproveitamento dos custos do setor elétrico cooperativista repassados ao associado, conforme texto reproduzido abaixo, in verbis: Requer que “sejam reconhecidos os custos do setor elétrico cooperativista, contemplados na legislação tributária da Receita Federal, repassados ao associado como causa de exclusão na base imponível do Pis e da Cofins, (...). Estamos nos referindo a especificidade de normativo do setor elétrico. Se a legislação, em geral, não contempla as despesas administrativas ou financeiras como custos (exclusão da base imponível), não está a dizer que não contemple as “especificidades de setores” como é o caso do setor elétrico cooperativista, que as classifica como custos do setor, o que noutro setor pode ser despesas Na realidade, não precisaria fazer este pedido, pois a própria DRJ entendeu que essa matéria não foi levantada na esfera judicial. Fl. 1589DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/11/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 2 8/11/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 11516.003529/200695 Acórdão n.º 3402001.739 S3C4T2 Fl. 302 8 Conforme podese notar, o recorrente optou discutir o tema “receitas tributáveis” na via judicial, o que leva a renúncia ao direito de discutir a mesma matéria na via administrativa. Nestes casos, quando o sujeito passivo opta pela via judicial para a discussão de matéria tributária implica na renúncia ao poder de recorrer nesta instância, nos termos do parágrafo único do art. 38 da Lei nº 6.830/80 e do § 2º, art. 1º do Decretolei nº 1.737, de 1979. Sabemos que o objetivo de determinar a renúncia administrativa nestes casos é para respeitar o modelo da jurisdição una, que rege o ordenamento jurídico pátrio. Processos paralelos, com objeto e finalidade idênticos, podem resultar em efeitos redundantes ou antagônicos. Em qualquer das hipóteses, prevalecerá a decisão judicial, motivo pelo qual a concomitância de processos ofende o princípio da economia processual. Em face disso, a opção do contribuinte pela via judicial encerra o processo administrativo fiscal em definitivo, em qualquer das fases em que ele se encontre. Ratificando este entendimento, foi aprovado o enunciado de Súmula CARF nº 01, publicada no DOU de 22/12/2009, in verbis: Súmula CARF nº 1 Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Registrese que a coisa julgada a ser proferida no âmbito do Poder Judiciário jamais poderia ser alterada no processo administrativo, pois tal procedimento feriria a Constituição Federal, que adota, como já mencionado, o modelo de jurisdição una, onde são soberanas as decisões judiciais. Portanto, reformo a decisão da primeira instância, incluindo como concomitante toda a matéria referente à receita tributável, pela identidade de causa de pedir e pedido entre as demandas administrativa e judicial. Custos a serem deduzidos da Base de Cálculo Na mesma linha da DRJ, entendo que a análise dos custos que podem ser deduzidos base de cálculo não fez parte da demanda judicial, restando afastada a concomitância. A recorrente se insurge contra a não exclusão da base de cálculo da contribuição apurada das despesas administrativas e financeiras. Afirma que a exclusão dos valores está condicionada ao repasse dos custos aos associados. A solução da lide passa necessariamente pela evolução legislativa das regras que regem as cooperativas. Fl. 1590DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/11/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 2 8/11/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 11516.003529/200695 Acórdão n.º 3402001.739 S3C4T2 Fl. 303 9 Sobre esse assunto, o Conselheiro Emanuel Carlos Dantas de Assis foi relator do Acórdão nº 34010680, que é uma verdadeira aula sobre cooperativa. Na ocasião, participava do colegiado e, depois de uma discussão calorosa, votei com o relator, de forma que retrata meu entendimento sobre o tema, fato que me permite utilizar o voto como razão de decidir. O período em litígio nesta instância recursal, referente a períodos de apuração posteriores a outubro de 1999 (os dois Autos de Infração são relativos aos fatos geradores de 01/01/2001 a 31/12/2003), encontrase sob a égide da MP 1.858 6, de 29/06/99, reeditada até a edição sob o n° 2.15835, de 24/08/2001. A MP nº 1.8586 e suas reedições trouxe uma série de alterações na legislação do PIS e Cofins das sociedades cooperativas, a culminarem com a revogação da isenção de forma ampla para o ato cooperativo e a instituição de uma tributação incidente sobre uma base de cálculo reduzida, com diversas exclusões específicas. As modificações, veiculadas pelas medidas provisórias adiante, aconteceram como segue: MP n° 1.8586, de 29/06/99, que no seu art. 23, I, revogou, a partir de 28/09/99, o inc. II do art. 2° da Lei n° 9.715/98 — segundo o qual as "entidades sem fins lucrativos definidas como empregadoras pela legislação trabalhista e as fundações", contribuíam com o PIS sobre a folha de salários , e no inciso II, "a", do mesmo artigo, revogou, a partir de 30/06/99, o inciso I da Lei Complementar n° 70/91, referente à isenção da COFINS. Esclareço que as cooperativas vinham contribuindo com o PIS sobre a folha de salários com base na LC n° 7/70, art. 3°, § 4°, Resolução do Conselho Monetário Nacional n° 174/71, art. 4°, § 6°, e ADN Cosit n° 14/85; MP n° 1.8587, de 29/07/99, que no seu art. 15 introduziu a sistemática de exclusões na base da COFINS (não há menção ao PIS), e no art. 16 possibilitou, com relação ao PIS e às receitas de não associados, exclusões idênticas às da COFINS. Antes, a Lei n° 9.715/98, oriunda da MP n° 1.212, de 28/11/95, com eficácia a partir de março de 1996, no seu art. 2°, § 1°, já determinara que as cooperativas, além da contribuição sobre a folha de pagamento mensal, contribuíam, também, com o PIS Faturamento, em relação às receitas decorrentes de operações praticadas com não associados; MP n° 1.8588, de 27/08/99, que apenas repetiu as disposições da MP n° 1.858. 6; MP n° 1.8589, de 24/09/99, que no seu art. 15 passou a mencionar também o PIS/Pasep, acrescentou novas exclusões na base da COFINS e do PIS Faturamento, referindose desta feita às operações com cooperados, e manteve o PIS sobre a folha de salários na hipótese das cooperativas efetuarem tais exclusões (§ 2°, I, do art. 15). Assim, cumulativamente com o PIS Fl. 1591DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/11/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 2 8/11/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 11516.003529/200695 Acórdão n.º 3402001.739 S3C4T2 Fl. 304 10 Faturamento incidente sobre a base de cálculo reduzida, as cooperativas continuaram a pagar o PIS sobre a folha. Somente na hipótese de não haver exclusão específica, é que inexiste contribuição para o PIS sobre a folha. As disposições da MP n° 1.85810, de 26/10/99, foram mantidas nas reedições posteriores, até, afinal, a MP n° 2.15835, de 24/08/2001, que continua em vigor com eficácia de lei, consoante o art. 2° da Emenda Constitucional n° 32/2001. Conforme o art. 15 da MP n°2.15835/2001, as exclusões são as seguintes: I os valores repassados aos associados, decorrentes da comercialização de produto por eles entregue à cooperativa; II as receitas de venda de bens e mercadorias a associados; III as receitas decorrentes da prestação, aos associados, de serviços especializados, aplicáveis na atividade rural, relativos a assistência técnica, extensão rural, formação profissional e assemelhadas; IV as receitas decorrentes do beneficiamento, armazenamento e industrialização de produção do associado; V as receitas financeiras decorrentes de repasse de empréstimos rurais contraídos junto a instituições financeiras, até o limite dos encargos a estas devidos. Além das exclusões acima, a IN SRF n° 145, de 10/12/99, consolidando a legislação à época, mencionava no seu art. 3° as exclusões previstas para as demais pessoas jurídicas, constantes dos incisos I, II e III do art. 3° da Lei n° 9.718/98, bem como as "Sobras Líquidas" apuradas na Demonstração do Resultado do Exercício, após a destinação para constituição da Reserva de Assistência Técnica, Educacional e Social (RATES) e para o Fundo de Assistência Técnica, Educacional e Social (FATES). As sobras, quando excluídas após a destinação aos fundos RATES e FATES, implicavam em incidência do PIS e COFINS sobre os valores desses fundos. Daí a correção levada a cabo pelo Decreto n° 4.524, de 17/12/2002 (Regulamento do PIS/Pasep e COFINS), que no seu art. 32, VI, já previa a exclusão do valor das sobras antes de deduzidos os montantes das reservas obrigatórias. A Lei n° 10.676, de 22/05/2003, conversão da MP n° 101, de 30/12/2002, eliminou qualquer dúvida, repetindo o texto do Decreto. Além do mais, a Lei n° 10.276/2003, no seu art. 1°, § 3°, deixou expresso que a nova exclusão alcança os fatos geradores ocorridos a partir da vigência da MP n° 1.85810, de 26/10/99, ou, vale dizer, desde novembro de 1999. Observese a redação da Lei n° 10.676/2003: Art. 1º As sociedades cooperativas também poderão excluir da base de cálculo da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, sem prejuízo do disposto no art. 15 da Medida Fl. 1592DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/11/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 2 8/11/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 11516.003529/200695 Acórdão n.º 3402001.739 S3C4T2 Fl. 305 11 Provisória no 2.15835, de 24 de agosto de 2001, as sobras apuradas na Demonstração do Resultado do Exercício, antes da destinação para a constituição do Fundo de Reserva e do Fundo de Assistência Técnica, Educacional e Social, previstos no art. 28 da Lei no 5.764, de 16 de dezembro de 1971. §1º As sobras líquidas da destinação para constituição dos Fundos referidos no caput somente serão computadas na receita bruta da atividade rural do cooperado quando a este creditadas, distribuídas ou capitalizadas pela sociedade cooperativa de produção agropecuárias. §2º Quanto às demais sociedades cooperativas, a exclusão de que trata o caput ficará limitada aos valores destinados a formação dos Fundos nele previstos. §3º O disposto neste artigo alcança os fatos geradores ocorridos a partir da vigência da Medida Provisória no 1.858 10, de 26 de outubro de 1999. Outra exclusão tardia diz respeito às sociedades cooperativas de produção agropecuária e de eletrificação rural, que podem reduzir da base de cálculo das duas Contribuições "os custos agregados ao produto agropecuário dos associados, quando da sua comercialização e os valores dos serviços prestados pelas cooperativas de eletrificação rural a seus associados." Tal permissivo foi introduzido pelo art. 17 da Lei n° 10.684, de 30/05/2003, que de todo modo também prevê em seu parágrafo único aplicação retroativa a partir de novembro de 1999. Feita a retrospectiva das alterações, cabe agora mencionar o Ato Declaratório SRF n° 88, de 17/11/99, segundo o qual "as contribuições para o PIS/Pasep e para financiamento da seguridade social — Cofins, devidas pelas sociedades cooperativas, serão apuradas de conformidade com o disposto na Medida Provisória n° 1.8587, de 29 de julho de 1999, relativamente aos fatos geradores ocorridos a partir do mês de novembro de 1999." A eficácia a partir do mês de novembro de 1999 atende à anterioridade nonagesimal determinada pelo art. 195, § 6°, da Constituição, se contado o prazo a partir da MP n° 1.8587, de 29/07/99. Como referida anterioridade precisa ser obedecida, andou bem o AD SRF n° 88/99, em estabelecer como verdadeiro ponto de corte para início das alterações o período de apuração de novembro de 1999. Afinal, redução ou fim de isenção implica em aumento de tributo, para o que se pede o interstício mínimo de noventa dias entre a data da lei nova e o início de eficácia, no caso das contribuições para a seguridade social como o PIS e a COFINS, tudo conforme o dispositivo constitucional mencionado. Agora digo eu. Fl. 1593DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/11/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 2 8/11/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 11516.003529/200695 Acórdão n.º 3402001.739 S3C4T2 Fl. 306 12 Como já mencionado, com o advento da Lei 10.684/03, as cooperativas de eletrificação rural puderam excluir da base de cálculo do PIS e da COFINS os valores dos serviços prestados a seus associados, tudo conforme disposto no art. 17 que transcrevemos: Art. 17. Sem prejuízo do disposto no art. 15 da Medida Provisória n° 2.15835, de 24 de agosto de 2001, e no art. 1° da Medida Provisória nº 101, de 30 de dezembro de 2002 as sociedades cooperativas de produção agropecuária e de eletrificação rural poderão excluir da base de cálculo da contribuição para o Programa de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público PIS/PASEP e da Contribuição Social para o Financiamento da Seguridade Social COFINS os custos agregados ao produto agropecuário dos associados, quando da sua comercialização e os valores dos serviços prestados pelas cooperativas de eletrificação rural a seus associados. Parágrafo único, O disposto neste artigo alcança os fatos geradores ocorridos a partir da vigência da Medida Provisória nº 1.85810, de 26 de outubro de 1999. A Instrução Normativa n° 247/02, com a redação dada pela Instrução Normativa 358/03 ao dispor sobre a contribuição para o PIS e a COFINS das empresas em geral assim dispôs: Art. 33. As sociedades cooperativas, para efeito de apuração base de cálculo das contribuições, podem excluir da receita bruta o valor: (...) § 8º As sociedades cooperativas de eletrificação rural poderão excluir da base de cálculo, os valores: (Incluído pela IN SRF nº 358, de 09/09/2003) I das sobras e dos fundos de que trata o inciso VI do caput; (Incluído pela IN SRF 358, de 09/09/2003) II dos custos dos serviços prestados pelas cooperativas de eletrificação rural a seus associados. (Incluído pela IN SRF nº 358, de 09/09/2003) § 9° Considerase custo agregado ao produto agropecuário os dispêndios pagos ou incorridos com matériaprima mãode obra, encargos sociais, locação, manutenção, depreciação e demais bens aplicados na produção, beneficiamento ou acondicionamento e os decorrentes de operações de parcerias e integração entre a cooperativa e o associado, bem assim os de comercialização ou armazenamento do produto entregue pelo cooperado. (incluído pela IN SRF 358, de 09/09/2003) § 10. Os custos dos serviços prestados pela cooperativa de eletrificação rural abrangem os gastos de geração, transmissão, manutenção e distribuição de energia elétrica, quando repassados aos associados. (Incluído pela IN SRF nº 358, de 09/09/2003) Fl. 1594DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/11/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 2 8/11/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 11516.003529/200695 Acórdão n.º 3402001.739 S3C4T2 Fl. 307 13 § 11. A exclusão permitida às demais sociedades cooperativas limitase aos valores destinados a formação dos fundos previstos no inciso VI do caput. (Incluído pela IN SRF 358, de 09/09/2003) § 12. O disposto nos §§ 7°, 8° e II aplicase a fatos geradores ocorridos a partir de 1° de novembro de 1999. (Incluído pela IN SRF 358, de 09/09/2003) Conforme se verifica da leitura dos dispositivos legais acima transcritos poderão ser excluídos da base de cálculo os custos com serviços prestados pela cooperativa de eletrificação rural aos seus associados. Contudo, não são todos os serviços considerados passíveis de exclusão, apenas os previstos na lista fechada contida no § 10, a saber: gastos de geração, transmissão, manutenção e distribuição. Voltando aos autos, o recorrente busca a exclusão das despesas administrativas e financeiras da base de cálculo das exações. Infelizmente, sua pretensão não encontra amparo legal, pois essas despesas não foram contempladas pela legislação. Forte nestes argumentos, nego a possibilidade de exclusão das despesas administrativas e financeiras da base de cálculo das exações. Ex positis, não conheço da matéria referente ao afastamento da multa de ofício e dos juros de mora, pois foram trazidas aos autos nessa fase processual, caracterizando a preclusão consumativa. Na parte conhecida, declaro a concomitância da matéria referente às receitas tributáveis pelo PIS e pela Cofins e nego a exclusão das despesas financeiras e administrativas das bases de cálculo das exações. É como voto. Sala das Sessões, em 24 de abril de 2012.24 de abril de 2012 Gilson Macedo Rosenburg Filho Fl. 1595DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/11/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 2 8/11/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO
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