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Numero do processo: 19311.720006/2013-44
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 15 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Nov 05 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009
PROVA. AUSÊNCIA. PRECLUSÃO. ALEGAÇÃO.
Cabe a quem alega provar os fatos constitutivos do seu direito, deixando-o de fazê-lo não há como acolhimento dos argumentos sustentados. No caso o contribuinte deixou de provar os cancelamentos das notas fiscais cujos valores foram excluídos da base de cálculo. Deixando de alegar no momento oportuno da defesa as razões contra a imputação atribuída pela fiscalização, configura a perda desse direito em fazer em razões recursais.
CIRCUNSTÂNCIAS QUALIFICATIVAS DA INFRAÇÃO. FALTA DE PROVA. REDUÇÃO DA PENALIDADE.
A falta de prova do evidente intuito de fraude e da ocorrência de circunstância qualificativa da infração justificam a redação da penalidade para o percentual básico.
MULTA MAJORADA. EXONERAÇÃO.
Constatado que o retardamento da entrega de documentos fiscais solicitados pela Fiscalização e a prestação dos esclarecimentos em tempo hábil não prejudicaram a ação fiscal, reduz-se a penalidade exasperada.
Recurso de Ofício Negado
Recurso Voluntário Provido em Parte
Crédito Tributário Mantido em Parte
Numero da decisão: 3403-003.330
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar-se provimento ao recurso de ofício e por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para afastar a circunstância qualificativa da infração. Vencidos os Conselheiros Domingos de Sá Filho e Luiz Rogério Sawaya Batista que deram provimento em maior extensão para deduzir da autuação os valores retidos na fonte. Designado para a redação do voto vencedor o Conselheiro Alexandre Kern.
(assinado digitalmente)
Antonio Carlos Atulim Presidente
(assinado digitalmente)
Domingos de Sá Filho Relator
(assinado digitalmente)
Alexandre Kern - Redator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Luiz Rogério Sawaya Batista e Ivan Allegretti. Sustentou pela recorrente a Drª. Maria Carolina Antunes de Souza, OAB/SP 163.292.
Nome do relator: DOMINGOS DE SA FILHO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009 ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009 PROVA. AUSÊNCIA. PRECLUSÃO. ALEGAÇÃO. Cabe a quem alega provar os fatos constitutivos do seu direito, deixandoo de fazêlo não há como acolhimento dos argumentos sustentados. No caso o contribuinte deixou de provar os cancelamentos das notas fiscais cujos valores foram excluídos da base de cálculo. Deixando de alegar no momento oportuno da defesa as razões contra a imputação atribuída pela fiscalização, configura a perda desse direito em fazer em razões recursais. CIRCUNSTÂNCIAS QUALIFICATIVAS DA INFRAÇÃO. FALTA DE PROVA. REDUÇÃO DA PENALIDADE. A falta de prova do evidente intuito de fraude e da ocorrência de circunstância qualificativa da infração justificam a redação da penalidade para o percentual básico. MULTA MAJORADA. EXONERAÇÃO. Constatado que o retardamento da entrega de documentos fiscais solicitados pela Fiscalização e a prestação dos esclarecimentos em tempo hábil não prejudicaram a ação fiscal, reduzse a penalidade exasperada. Recurso de Ofício Negado Recurso Voluntário Provido em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 31 1. 72 00 06 /2 01 3- 44 Fl. 2001DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/10/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digital mente em 19/10/2014 por ALEXANDRE KERN 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negarse provimento ao recurso de ofício e por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para afastar a circunstância qualificativa da infração. Vencidos os Conselheiros Domingos de Sá Filho e Luiz Rogério Sawaya Batista que deram provimento em maior extensão para deduzir da autuação os valores retidos na fonte. Designado para a redação do voto vencedor o Conselheiro Alexandre Kern. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Atulim – Presidente (assinado digitalmente) Domingos de Sá Filho – Relator (assinado digitalmente) Alexandre Kern Redator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Luiz Rogério Sawaya Batista e Ivan Allegretti. Sustentou pela recorrente a Drª. Maria Carolina Antunes de Souza, OAB/SP 163.292. Relatório Cuidam os autos de Recurso de Ofício e Voluntário, o primeiro decorre da exoneração da multa qualificada, quanto o segundo visa modificar a decisão que manteve o crédito tributário das contribuições da COFINS e PIS/PASEP no exercício de 2009. A contribuinte fiscalizada ao tempo da ação fiscal estava submetida aos regimes não cumulativos e cumulativos, sustenta o Fisco que no exercício de 2009 o contribuinte reconheceu na contabilidade a distinção dos regimes sobre suas receitas relativas às contas de resultado 43102003 – “PIS sobre Serviços Nãocumulativos – 431020013 – PIS sobre Serviços Cumulativos – 43102004 – COFINS sobre Serviços Não Cumulativos e 431020014 COFINS sobre Serviços Cumulativos. Acusa a empresa fiscalizada de declarar no DACON no período de apuração de janeiro a dezembro de 2009 receitas com valores diferentes daqueles escriturados na própria contabilidade, bem como os insumos em valores superiores. Denúncia também reiterada conduta de declarar valores significantemente inferiores aos apurados em DACON e aqueles escriturados na contabilidade. A fiscalização não se contentou com os esclarecimentos prestados, lavrou o auto de infração por inclusão à base de cálculo de insumos não permitido, bem como, em decorrência das receitas inferiores e insumos com valores alterados para mais. Transcrevese parte do Termo de Verificação Fiscal, no que reportei imprescindível ao esclarecimento da lide. “Constatouse, nos trabalhos de fiscalização, que: Fl. 2002DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/10/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digital mente em 19/10/2014 por ALEXANDRE KERN Processo nº 19311.720006/201344 Acórdão n.º 3403003.330 S3C4T3 Fl. 2.002 3 O contribuinte reconheceu na contabilidade a distinção dos regimes nãocumulativo e cumulativo sobre suas receitas, conforme se pode observar na escrituração SPED contábil das contas de resultado 431020003 PIS sobre serviços não cumulativos, 431020013 PIS sobre serviços cumulativos, 431020004 Cofins sobre serviços nãocumulativos e 431020014 Cofins sobre serviços cumulativos; Declarou nos Demonstrativos de Apuração das Contribuições Sociais Dacon, referentes aos períodos de apuração de janeiro a dezembro de 2009, receitas com valores diferentes dos escriturados na própria contabilidade; Também declarou nos Dacon valores a título de bases de crédito de insumos em valores superiores aos registrados na contabilidade e tampouco observou o rateio proporcional às receitas sujeitas ao regime nãocumulativo, determinado pelo art. 3o, § 8o, inciso II, da Lei n° 10.637, de 2002, e art. 3o, § 8o, inciso II, da Lei n° 10.833, de 2003, uma vez que não utilizou no anocalendário de 2009 contabilidade de custos que identifique, com exatidão, os insumos utilizados em cada produto ou serviço vendido; Declarou nas Declarações de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), de forma reiterada, débitos do PIS e da Cofins em valores significamente inferiores aos apurados nos Dacon e àqueles escriturados na contabilidade. Essas irregularidades na apuração do PIS e da Cofins foram apontadas ao contribuinte através do Termo de Constatação Fiscal n° 0001, de 04 de dezembro de 2012. Em resposta ao Termo de Constatação Fiscal n° 0001 supracitado, o contribuinte basicamente argumentou que sempre utilizou como "parâmetro" dos créditos do PIS e da Cofins os valores escriturados nas contas de resultado. Também respondeu que as informações divergentes entre Dacon e DCTF decorrem do fato de ter considerado equivocadamente as receitas segu ' 5 o regime de competência, quando o correto é o que encontrase escriturado na contabilidade, " Juim entendido como aquele decorrente da efetiva prestação dos serviços". Posicionouse ainda no sentido que o aproveitamento de créditos se deu cm conformidade com o art. t>j da IN SRF n° 247/2007, face as suas atividades econômicas informadas no CNJ_ Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica, quais sejam "Serviços de Engenharia" c "Comércio Atacadista de Materiais de Construção em Geral". Entretanto, as justificativas apresentadas pelo contribuinte não esclarecem quais outras contas de resultado, além daquelas mencionadas no Termo de Constatação Fiscal n° 0001, conteriam a escrituração de dispêndios que podem ser considerados insumos geradores de créditos das contribuições em vista das atividades econômicas desenvolvidas pelo fiscalizado. Também não comprovou a origem dos créditos Fl. 2003DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/10/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digital mente em 19/10/2014 por ALEXANDRE KERN 4 declarados nos Dacon nas fichas 15B e 25B, linha 28. Outras deduções. Na verdade, os dispêndios geradores dos créditos do PIS e da Cofins estão registrados nas contas de passivo 211100004 Leasing a pagar Banco Finasa (pagamentos lançados a débito); 211100009 Leasing a pagar Banco Itaú (pagamentos lançados a débito); 211100010 Banco Real (pagamentos lançados a débito); e 211100008 Banco Santander/Banespa (pagamentos lançados a débito); bem como nas contas de resultado 311010000 Compras de mercadorias para revenda; 311010002 Importações para revenda; 311010009 Energia elétrica; 3110100006 Fretes e carretos; 331080001 Materiais consumidos; 331080065 Serviços prestados por pessoa jurídica; 331080026 Energia Elétrica; 381120001 Aluguéis de imóveis (contratos de locação com pessoas jurídicas); 3811200003 Locação de equipamentos; 381120008 Manutenção de equipamentos; e 381180001 Depreciação. De fato, as outras contas de resultado existentes na contabilidade referemse a gastos não geradores de créditos das contribuições, tais como os relativos a mão de obra de pessoas físicas e respectivos encargos sociais, assistência médica a funcionários, alimentação, treinamento, vale transporte, uniformes, equipamentos de segurança do trabalho, despesas administrativas, serviços de pessoas jurídicas que não são considerados insumos, tais como consultorias, advocatícios, de contabilidade, desenvolvimento de software, corretagem de seguros, locação e manutenção de automóveis, locação e manutenção de extintores e outros equipamentos de prevenção a incêndio, laboratoriais, de recrutamento de pessoal e trabalho temporário. Especificamente quanto a dispêndios com combustível, também não há permissão legal para o aproveitamento de créditos das contribuições, uma vez que os registros contábeis na conta de resultado 331080021 Combustíveis e Lubrificantes correspondem principalmente a aquisições de combustíveis de postos de gasolina (comércio varejista), destinados via de regra à movimentação de veículos automotores. Além disso, as receitas de venda de gasolina e óleo diesel auferidas pelo comércio varejista estão sujeitas à alíquota zero do PIS e da Cofins e, conseqüentemente, seus clientes não podem aproveitar créditos das contribuições, nos termos do que dispõe o art. 42, inciso I, da Medida Provisória n° 2.15835, de 24 de agosto de 2001. Não há lançamentos segregados que permitam identificar gastos com lubrificantes destinados a máquinas e equipamentos utilizados diretamente nos serviços prestados pelo contribuinte. A respeito da impossibilidade do desconto de créditos sobre tais dispêndios, seguem transcritas as ementas de Soluções de Consultas expedidas pelas Divisões de Tributação das Superintendências Regionais da Receita Federal do Brasil..” “MULTA AGRAVADA Na aplicação das penalidades é considerado o disposto no art. 959, inciso II, do Decreto n° 3.000, de 1999 (Regulamento do Imposto de Renda), que implica na majoração em 50% Dá multa prevista no art. 957, inciso II, uma vez que o contribuinte não apresentou à fiscalização os arquivos digitais, no padrão da Instrução Normativa SRF n° 86 de 2001 e Ato Declaratório Executivo Cofis n° 15 de 20001, Fl. 2004DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/10/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digital mente em 19/10/2014 por ALEXANDRE KERN Processo nº 19311.720006/201344 Acórdão n.º 3403003.330 S3C4T3 Fl. 2.003 5 fora do prazo regulamentar (20 dias, prorrogável uma única vez por igual prazo). De fato, no Termo de Início do Procedimento Fiscal de 21/05/2012, o contribuinte foi intimado a apresentar os arquivos digitais, no prazo de 20 (vinte) dias. Em 06/06/2012, o contribuinte requereu dilação de prazo de 60 (sessenta) dias para a apresentação dos mencionados arquivos digitais. Por meio do Termo de Intimação Fiscal n° 0002, de 22/06/2012, a fiscalização indeferiu o pedido de prorrogação de prazo de 60 (sessenta dias), mas concedeu a dilação de 20 (vinte) dias, com base no arts. 264 e 266, parágrafo único, do Decreto n° 3.000/1999. Em 18/07/2012, o contribuinte requereu novamente dilação de prazo para a apresentação dos arquivos digitais. Através do Termo de Intimação Fiscal n° 0003, de 23/07/2012, o contribuinte foi intimado quanto ao indeferimento desse novo pedido de prorrogação, bem como cientificado de encontrarse em MORA quanto à entrega dos arquivos digitais. Somente em 07/08/2012 o fiscalizado apresentou à fiscalização os arquivos digitais. Apesar das dificuldades técnicas alegadas pelo contribuinte para a geração e apresentação dos arquivos digitais, a responsabilidade objetiva prevista no art. 957, inciso II, do RIR/1999 determina a majoração da multa em 50%. Ademais, a morosidade na apresentação desses dados acarretou sim dificuldades nos trabalhos de fiscalização, na medida que o início da auditoria dos itens das milhares de notas fiscais de entrada e de saída somente foi possível após a apresentação dos arquivos digitais no formato determinado pela IN SRF 86/2001. Ainda a esse respeito, segue abaixo reproduzido o teor do art. 265 e parágrafo único e do art. 266 e parágrafo único, do Decreto n° 3.000, de 1.999 (Regulamento do Imposto de Renda), bem como do art. 2o da Instrução Normativa SRF n° 86, de 2001”: Ciente do lançamento, impugnou, alegando: “Consta no referido Termo de Constatação Fiscal que a empresa fiscalizada teria considerado como base de cálculo dos créditos das contribuições ao PIS e a COFINS, no regime não cumulativo, valores que superam os gastos incorridos a título de insumo para sua atividade. Todavia, a empresa desconhece referida constatação, pois sempre utilizou como parâmetro os valores escriturados nas contas de resultados. Resposta : Porém, como informando em outra oportunidade, no início do exercício de 2009 era utilizado o faturamento fiscal Fl. 2005DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/10/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digital mente em 19/10/2014 por ALEXANDRE KERN 6 para apuração dos tributos federais, assim entendido como aquele decorrente da emissão de notas fiscais de prestação de serviços e venda de mercadorias, mediante regime de competência. Mas no meio do exercício passou a adotar o faturamento contábil, assim entendido como aquele decorrente da efetiva prestação de serviços. Dada a correta identificação do faturamento tributável para a empresa prestadora de serviço, podem ter ocorrido equívocos, como o já notificado em relação às informações prestadas na DACON. O mesmo ocorre em relação às informações prestadas em DCTF. Assim, a emprega fiscalizada atribui à adequação do faturamento tributável ao longo do exercício de 2.009 e à falta de retificação dos documentos fiscais devidos a constatação fiscal de qt a empresa teria considerado como base de cálculo dos créditos das contribuições ao PIS e a COFINS, no regime não cumulativo, valores que superam os gastos incorridos a titulo de insumo para sua atividade e a de que declarou de forma reiterada débitos em DCTF inferiores aos da DACON” Diz a Recorrente em sua peça contestatória que ao longo do exercício de 2009 alterou o critério de receita tributável, passando do faturamento fiscal para faturamento contábil, cuja mudança causou impacto nos regimes de apuração dos tributos federais, resultando na retificação dos documentos fiscais/contábeis. Reconhece, também, existência de inconsistência na apuração das contribuições, confessa que de fato houve insuficiência de recolhimento, ressalva,não na monta apurada pelo fiscal. Discorre sobre receita contábil, alegando, o vinculo de reconhecimento depende da aprovação das medições dos serviços pelos tomadores, e, só é considerado efetivamente prestados quando aprovado o Boletim de Medição de Serviços ou Relatório de Medição de Serviço”. Diz que as notas fiscais números 2532 e 2580, foram canceladas e substituídas por outras notas, no caso pelos documentos fiscais de número 2693 incluída na base de cálculo de dezembro de 2009 e a de número 2594 incluída à base de cálculo de novembro de 2009. Em sendo assim, a importância de R$ 93.250,94, referente as notas canceladas foram excluídas da base de cálculo por terem sido incluídas em duplicidade. Declara que o faturamento correto da empresa no exercício de 2009 são os consignados na planilha anexada com a defesa: “Assim, para fins de apuração das contribuições em comento, deve ser considerada a receita corrigida, que consta na planilha anexa (Doe. 09)”: “JaneiroR$13.475.137,08 FevereiroR$14.947.276,74 Março R$15.374.874,19 AbrilR$15.191.932,71 MaioR$ 15.637.861,63 JunhoR$16.281.396,61 JulhoR$16.760.170,41 AgostoR$18.481.349,52 SetembroR$16.330.955,24 Outubro R$20.018.072,19 NovembroR$15.068.879,53 DezembroR$ 21.112.582,01 Receita anualR$198.680.487,86” Assevera que o crédito tributário apurado no regime cumulativo mantevese praticamente inalterado ao apurado pelo Auditor Fiscal. Sustenta também erro no abatimento Fl. 2006DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/10/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digital mente em 19/10/2014 por ALEXANDRE KERN Processo nº 19311.720006/201344 Acórdão n.º 3403003.330 S3C4T3 Fl. 2.004 7 dos valores retidos pelos tomadores de serviços, sendo que, constou no SPED a quantia de R$ 6.182.017,88, quando o correto seria a quantia de R$ 6.946.449,58. Disse, ainda, com ajuste praticado por ela quanto as receitas e dos valores retidos, verificou ocorrência de pagamento a maior nos meses de: janeiro em R$ 3.709,04; abril em R$ 13.459,34, totalizando, assim, em R$ 17.168,38. Alega que do total devido R$ 163.234,81, deduzido os créditos acumulados decorrentes do recolhimento indevido a maior nos meses de janeiro e abril, chegase a quantia de R$ 146.066,43, portanto, bem inferior ao importe apontado como devido pela Fiscalização, isso é, R$ 740.423,77. Discorda da aplicação da multa qualificada, sustentando que, os erros cometidos entre informações do DACON e a DCTF não dá margem aplicação da multa qualificada. Sustenta também ausência de pressupostos capaz de justificar a Representação Penal. A decisão recorrida afastou os argumentos da Recorrente em relação erro entre as receitas por ela apuradas e aquelas apuradas pela fiscalização por falta de prova, vez que, as notas fiscais trazidas como prova do cancelamento não se coadunam aos números daquelas citadas na defesa, isto é, as notas fiscais cancelas foram as de números 2532 e 2580, no entanto, com a impugnação a título de comprovação vieram as notas fiscais de números 0003, 2840 e 2693 e 2532, todas com anotação de canceladas, emitidas em 09.11.2009, 10.03.2009, 13.01.2009 e 05.1.2009, respectivamente, mas inexiste identificação com o alegado. Seria essa a razão determinante por não ter sido aceitas como prova do alegado pela Recorrente. Em relação ao direito de deduzir do quanto a pagar os valores retidos pelos tomadores de serviços, sustenta a decisão recorrida que só apresentação dos informes de retenção e cópia da consulta ao Sistema DIRF da RFB, onde constam as retenções de PIS e COFINS do ano de 2009, doc. De fls. 1782/1791, servem para comprovar que de fato houve retenções na fonte, entretanto, não comprovam sua utilização ou não utilização como dedução durante o ano calendário, sustentando, além deduzidas dos valores a pagar, a retenção na fonte poderia ter sido compensadas ou restituídas. Mantém intacto a glosa dos créditos tomados sobre insumos considerados não permitido. Reduze a multa qualificada de 225% para 150%. Sobrevém o Voluntário, onde a Recorrente mantém os argumentos tecidos na fase impugnatória, dissente quanto a glosa dos créditos tomados sobre os insumos, afirma que há previsão legal autorizada pelas Leis nºs 10.637/02 e 10.833/03, em sendo assim, correta está inclusão do cálculo dos créditos dos insumos referentes: locação de imóveis, locação de veículos, combustíveis e óleos lubrificantes, sistemas de passe livre nos pedágios, tacógrafos, treinamento de pessoas ,vale refeição e plano de saúde. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Relator, Domingos de Sá Filho Fl. 2007DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/10/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digital mente em 19/10/2014 por ALEXANDRE KERN 8 Cuida de recurso tempestivo, preenche os requisitos de admissibilidade, devendo, portanto, ser conhecido. O cerne da lide revela controvérsia acerca de tomada de crédito, informações distorcidas de dados lançados no DACON e os débitos informados em DCTF, dedução de valores retidos pelos tomadores, multa agravada. Examinando a defesa contida na peça inaugural, em momento algum a Recorrente contraria a acusação de ter tomado crédito de aquisições não consideradas insumos capaz de gerar crédito de PIS e COFINS./ Esse assunto, em que pese, restou examinado pela DRJ que rechaçou, examinando detidamente a Manifestação de Inconformidade concluise que em momento algum houve defesa relativa a esse assunto. Mesmo assim em suas razões recursais sustenta o direito de tomar crédito, sem, contudo, demonstrar que tratava de insumos capaz de gerar crédito. Alegação de que a legislação pertinente assegura o direito, não é o suficiente, pois de fato o direito encontra assegurado pelas Leis nº s 10.637/2002 e 10.833/2003, em obediência a constitucionalização da não a cumulatividade do PIS e à COFINS, no entanto, a sistemática é distinta daqueles tributos destacados nos documentos fiscais de aquisição como um crédito escritural. A não cumulatividade não segue essa regra, adota método indireto subtrativo. Não se trata de obstacularizar o direito, para fazer jus ao crédito é preciso demonstrar que as aquisições caracterizamse como custo ou despesas necessária a realização de sua atividade, sendo certo o direito ao crédito sobre os montantes das aquisições. Ao deixar de contrariar acusação na fase inicial da contenda, deixou passar in albis a oportunidade de demonstrar que as aquisições, locação de imóveis, locação de veículos, combustíveis e óleos lubrificantes, despesas com passe livre nos pedágios, tacógrafos, treinamento de pessoas, vale refeição e plano de saúde, seriam custos e ou despesas necessárias a execução do seu objetivo. Além do que, em suas razões recursais também deixa de provar que essas despesas caracterizavam insumos, insistiu em dizer que era direito assegurado pelas legislações. Não há como prosperar o apelo nessa parte. Em relação à exclusão da base de cálculo de receita alegada lançada em duplicidade, também não logrou êxito em provar. Com bem firmado pela decisão, os documentos fiscais mencionados na defesa não são os mesmos trazidos como prova da alegação. Como restou claro trata de notas fiscais totalmente distintas daquelas citadas em defesa. Assim, acompanho o Julgador de Piso, mantenho o decidido. Dedução de Valores Retido. Nesse ponto ouso a discordar da decisão pelos fundamentos da negativa de reconhecer o montante indicado pela Recorrente. Assevera a decisão que o fato de apresentar os informes fornecidos pelos tomadores, bem como, a consulta ao Sistema DIRF da RFB não é o bastante para autorizar a dedução do quanto retido do débito a ser recolhido. Fl. 2008DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/10/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digital mente em 19/10/2014 por ALEXANDRE KERN Processo nº 19311.720006/201344 Acórdão n.º 3403003.330 S3C4T3 Fl. 2.005 9 Tenho que as declarações de retenção, obrigação atribuída por lei aos tomadores de serviço, configura documento hábil a comprovar existência do crédito, pois a retenção por si só, não pode, a meu ver, ser considerado pagamento. Além do que, conforme afirma o Julgador recorrido, a Interessada diligenciou junto ao Sistema de Consulta de DIRF da RFB e anexou relatório comprovando as retenções, isso é, confirmou a existência do crédito plausível a ser utilizado no abatimento do débito. O que é impossível de ser aceito é a presunção de que esses valores retidos pudessem ter sido compensados ou restituídos, prova essa que deveria a Administração Tributária ter realizada por meio de consulta aos controles internos com o objetivo de mostrar a inexistência de saldo possível de ser utilizado na dedução dos débitos de PIS e COFINS. Em sendo assim, diante da comprovação de que houve a retenção, corroborado por consulta da DIRF, e, inexistência de prova por parte da autoridade fiscal contradizendo o provado pelo contribuinte, impõe em reconhecer o direito de ele deduzir dos débitos o que restou comprovado. DA MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA (AGRAVADA). Essa é a multa de ofício aplicada quando se constata infração grave, assim como qualquer sanção jurídica, tem por finalidade dissuadir de prática contrária a Lei. “É a espécie de multa que por conteúdo a agravação de penalidade. É aplicada quando a Administração Pública demonstra, por elementos seguros de prova, no Auto de Infração, a existência da intenção do sujeito infrator de atuar com dolo, fraudar ou simular situação perante o fisco.” (CARVALHO, Paulo de Barros, Curso de Direito Tributário, 21ª Edição, Saraiva 2000, p. 58). No ambiente da Receita Federal do Brasil essa penalidade é de 150% (cento e cinquenta por cento), isto é, o dobro da multa de ofício de 75%, essa matéria está disciplinada pelo art. 44, § 1º, da Lei nº 9.430/96, forte remissão alusivo aos artigos 71 a 73 da Lei nº 4.502/66. Aplicase, desde que reste comprovado situação de gravidade, e, verificada à presença de sonegação, fraude, conluio, forte remissão. É focado nos elementos de convicção carreados aos autos que se deve examinar o assunto com o fim de verificar a presença dos elementos identificados nos artigos 71 a 73 da Lei º 4.503/64. Ao retornar a leitura do conteúdo do “Termo de Verificação Fiscal” constata o motivo a justificar a qualificação da Multa de Ofício, transcrevo para melhor compreensão: ““, uma vez que o contribuinte não apresentou à fiscalização os arquivos digitais, no padrão da Instrução Normativa SRF n° 86 de 2001 e Ato Declaratório Executivo Cofis n° 15 de 20001, fora do prazo regulamentar (20 dias, prorrogável uma única vez por igual prazo)”. Extraí, também, do relatório fiscal que o contribuinte solicitou dilação de prazo da entrega dos arquivos, alegando dificuldade, o que restou indeferido, constatase que os arquivos foram apresentados mesmo fora do prazo fixado: “Somente em 07/08/2012 o fiscalizado apresentou à fiscalização os arquivos digitais”. Fl. 2009DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/10/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digital mente em 19/10/2014 por ALEXANDRE KERN 10 Há precedentes a afirmar que o agravamento deve ser aplicado quando o contribuinte deixa de colaborar com a Administração Fiscal, deixando de prestar esclarecimentos e documentos relacionados com a possível infração cometida. Constatando a entrega dos arquivos solicitados pelo Fisco, seguinte a orientação alguns precedentes, seria o bastante para desonerar a multa qualificada. Tenho que o elemento ensejadores é a presença de fraude, sonegação e conluio. O motivo justificador da qualificação não parece enquadrar em qualquer um dos definidores da aplicação da pena agravada. Do “Termo de Verificação Fiscal” em momento algum se refere que tenha sido constatado fraude, sonegação e conluio, assim só pode ser visto como sendo meros erros e interpretação equivocada da legislação aplicável, atribuído a esses fatos como comportamento desnudado dos conceitos qualificadores dos elementos capaz de configurar conduta dolosa. Inexistindo por parte do trabalho fiscal prova contundente de que a atitude do contribuinte era de fraudar, sonegar, conluio, não se vislumbra a possibilidade manter a multa agravada. Assim, acolho os argumentos recursais para modificar a decisão nesse ponto para reduzir o percentual da Multa de Ofício Qualificada para multa comum de 75%. Do Recurso de Ofício. O recurso se refere ao agravamento da multa de ofício. O agravamento da penalidade impõe quando verificado os casos previstos nos artigos nos artigos 71 a 73 da Lei nº 4.502/66. Aplicase, desde que reste comprovado situação de gravidade, e, verificada à presença de sonegação, fraude, conluio, forte remissão. É focado nos elementos de convicção carreados aos autos que se deve examinar o assunto com o fim de verificar a presença dos elementos identificados nos artigos 71 a 73 da Lei º 4.503/64. Ao retornar a leitura do conteúdo do “Termo de Verificação Fiscal” constata o motivo a justificar a qualificação da Multa de Ofício. Esse assunto já decidi do não cabimento da penalidade agravada, matéria abordada pelo Recurso Voluntário. Acompanhou integralmente o Julgador de Piso que concluiu que pela inexistência de elementos capaz de justificar aplicação do agravamento. As intimações foram atendidas, o fato de solicitar dilação de prazo ou mesmo retardar os esclarecimentos e a entrega de documentos fiscais não podem ser considerados para efeito de apenar o contribuinte. Extraíse dos autos que os esclarecimentos foram prestados, além do que, o Auto de Infração foi lavrado 06 (seis) meses depois da entrega dos documentos e os esclarecimentos exigidos. Portanto, longe de ter causado prejuízo ao trabalho fiscal. Assim adoto as razões de dicidir do julgado de piso: “Quanto ao agravamento da multa de ofício, está comprovado nos autos que a contribuinte atendeu todas as intimações lavradas durante a ação fiscal, que prestou os esclarecimentos e que forneceu os arquivos e documentos solicitados. Ter atendido uma intimação vinte dias após o prazo determinado, não me parece que tenha causado prejuízo ao Fl. 2010DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/10/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digital mente em 19/10/2014 por ALEXANDRE KERN Processo nº 19311.720006/201344 Acórdão n.º 3403003.330 S3C4T3 Fl. 2.006 11 lançamento fiscal, mesmo porque o atendimento foi feito em 07/08/12 e os autos de infração foram lavrados apenas em 31/01/2013, quase seis meses após o recebimento da resposta à intimação. Entendese que a imposição da multa de ofício com agravamento em 50% de seu percentual original (75% ou 150%), elevandoa a patamares de 112,50% e 225,00%, exige a ausência total de atendimento, por parte do sujeito passivo, das intimações emitidas pela fiscalização no curso do procedimento de auditoria, o que não ocorreu nos presentes autos. Compartilha esse entendimento o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, já tendoo manifestado em diversos acórdãos como segue: AGRAVAMENTO O agravamento da multa de ofício pelo atraso ou não atendimento de intimações e pedidos de esclarecimentos só tem aplicação quanto efetivamente demonstrada a recusa ou efetivo prejuízo ao procedimento fiscal. AGRAVAMENTO DA MULTA Demonstrada, no caso, a desídia do contribuinte no cumprimento das intimações recebidas no curso da fiscalização, impõese o agravamento da multa, mormente quando lavrado termo de embaraço a fiscalização, apontando objetivamente a desídia do contribuinte. 1º CC. / 5a. Câmara / ACÓRDÃO 10517.092 em 25.06.2008. Publicado no DOU em: 06.03.2009.(grifei) Por fim, quanto ao pedido de declarar não caracterizada a suposta ocorrência de crime contra a ordem tributária, cabe dizer, tratase de matéria alheia à competência institucional desta DRJ. E quanto a encaminhar notificações e comunicações ao endereço da procuradora da impugnante, não será possível, pois, por força do disposto no art. 23 do Decreto nº 70.235/72, não é permitido que intimações, publicações ou notificações dirigidas à contribuinte ou ao seu procurador sejam encaminhadas a endereço diverso de seu domicílio fiscal. Pelo exposto, dáse provimento parcial à impugnação, reduzindose as multas de ofício aplicadas de 225% para 150,00%, nos termos do art. 44 da Lei 9.430/96.” Com esses fundamentos conheço do Recurso de Ofício e negado provimento. Diante do exposto, conheço do recurso e dou provimento parcial para autorizar a dedução dos valores retidos pela fonte tomadora de serviços constantes nos documentos fiscais emitidos pela Recorrente que restaram comprovados pela DIRF, e, reduzir a multa agravada de 150% para o patamar de 75% (setenta e cinco por cento). Quanto ao Recurso de Ofício, conheço e nego provimento. Fl. 2011DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/10/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digital mente em 19/10/2014 por ALEXANDRE KERN 12 É como voto. Domingos de Sá Filho Voto Vencedor Conselheiro Alexandre Kern . Não há como discordar do relator quanto à necessidade de desagravamento da penalidade (ou desqualificála, como preferem alguns atecnicamente, já que qualificada é a infração e não a penalidade). O Termo de Verificação Fiscal, fls. 996 a 1.031, pródigo em desfilar textos de normas tributárias, quando se ocupa de tipificar a penalidade aplicável resumese a isso (fl. 1.012): MULTA QUALIFICADA A declaração reiterada nas DCTF relativas aos períodos do anocalendário de 2009, de valores a título de débitos do PIS e da Cofins, sempre significativamente inferiores aqueles [sic] apurados tanto nos Dacon como na escrituração contábil (vide Demonstrativo da Insuficiência da Apuração do PIS e da Cofins), evidencia a vontade do contribuinte de ocultar, dificultar ou retardar o conhecimento do fisco das contribuições realmente devidas, o que impõe a aplicação da multa qualificada prevista no art. 957, inciso II, do Decreto n° 3.000, de 1999 (Regulamento do Imposto de Renda). O mencionado dispositivo regulamentar referese a evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964. A autoridade fiscal, no entanto, não se preocupou em demonstrar o evidente intuito de fraude, nem mesmo em precisar a circunstância qualificativa detectada, se sonegação, fraude ou conluio. Limitouse a denunciar a reiterada redução dos valores confessados na DCTF, ônus que lhe cabia segundo o sistema de distribuição da carga probatória adotado no Processo Administrativo Fiscal federal. Com isso, deu azo à alegação de erro na declaração, hábil para o efeito de afastar a circunstância qualificativa em face da debilidade do quadro probatório. Foi somente o voto condutor da decisão recorrida, fls. 1.937 e 1.938, que se ocupou em demonstrar que, além da reiteração – que pode sim ser decorrência de erro – havia também uma sistematicidade na redução dos valores confessados (“Comparandose os valores calculados nos Dacons com os débitos confessados nas DCTFs vemos que, curiosamente, os valores do PIS e da Cofins de janeiro de 2009, de ambos os regimes de apuração, confessados em DCTF são exatamente 20% dos calculados no Dacon. Sem arredondamentos numéricos.”). Infelizmente, ao aperfeiçoar o lançamento, a autoridade julgadora, travestindose de autoridade lançadora, agravou a exigência inicial, sem competência para tanto. Nesse ponto, a decisão recorrida é nula ipso iure. O Colegiado, majoritariamente, dissentiu do relator exclusivamente quanto à possibilidade de dedução dos valores das contribuições devidas pelo autuado retidas na fonte. O recorrente alegou que os valores de PIS e de Cofins que lhe foram retidos na fonte não foram totalmente lançados no SPED, nem considerados na apuração fiscal. A Fl. 2012DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/10/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digital mente em 19/10/2014 por ALEXANDRE KERN Processo nº 19311.720006/201344 Acórdão n.º 3403003.330 S3C4T3 Fl. 2.007 13 comprovar sua alegação, apresenta informes emitidos pelas fontes pagadoras e consulta ao Sistema Dirf da RFB, onde constam as retenções de PIS e Cofins do ano de 2009 sobre pagamentos à contribuinte, referentes a prestação de serviços, fls. 1.782 a 1.791. Forçoso concluir que se, de um lado, esses documentos comprovam, de fato, que houve retenções na fonte em 2009, de outro, não comprovam que já não aproveitados em deduções, compensações ou restituições durante o ano calendário. Como bem apontado na decisão recorrida, os documentos apresentados não comprovam datas e valores de dedução informados nas planilhas de demonstração da apuração das Contribuições, conciliação necessária e indispensável em se tratando de provar suas alegações, segundo a distribuição do onus probandi, adotado no Processo Administrativo Federal: o ônus de provar a veracidade do que afirma é do interessado, segundo o disposto na Lei no 9.784, de 29 de janeiro de 1999, art. 36: Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no artigo 37 desta Lei. No mesmo sentido o art. 330 da Lei no 5.869, de 11 de janeiro de 1973 (CPC): Art. 333. O ônus da prova incumbe: [...] II – ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Em sede de prova, nada alegar e alegar, mas não provar o alegado se equivalem (allegare nihil et allegatum non probare paria sunt). Nesse sentido, a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça: Allegare nihil et allegatum non probare paria sunt — nada alegar e não provar o alegado, são coisas iguais.(HABEAS CORPUS Nº 1.1710 — RJ, R. Sup. Trib. Just., Brasília, a. 4, (39): 211276, novembro 1992, p. 217) Alegar e não provar significa, juridicamente, não dizer nada.(INTERVENÇÃO FEDERAL Nº 83 — PR, R. Sup. Trib. Just., Brasília, a. 7, (66): 93 116, fevereiro 1995. 99) RECURSO ORDINÁRIO EM MANDADO DE SEGURANÇA – APOSENTADORIA – NEGATIVA DE REGISTRO – TRIBUNAL DE CONTAS – ATOS ADMINISTRATIVOS NÃO COMPROVADOS – ART. 333, INCISO II, DO CPC – PAGAMENTO DOS PROVENTOS DE NOVEMBRO/96 E DÉCIMO TERCEIRO SALÁRIO DAQUELE MESMO ANO – IMPOSSIBILIDADE – SÚMULAS 269 E 271 DA SUPREMA CORTE – 1. O ônus da prova incumbe ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor (art. 333, II, do Código de Processo Civil). Incumbe às Secretarias de Educação e da Fazenda a demonstração de que a professora havia sido notificada da suspensão de sua aposentadoria. 2. Não cabe em mandado de segurança para cobrança de proventos não recebidos, a teor das súmulas 269 e Fl. 2013DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/10/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digital mente em 19/10/2014 por ALEXANDRE KERN 14 271 da Suprema Corte. 3. Recurso parcialmente provido. (STJ – ROMS 9685 – RS – 6ª T. – Rel. Min. Fernando Gonçalves – DJU 20.08.2001 – p. 00538)JCPC.333 JCPC.333.II TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL – IMPOSTO DE RENDA – VERBAS INDENIZATÓRIAS – FÉRIAS E LICENÇAPRÊMIO – NÃO INCIDÊNCIA – COMPENSAÇÃO – AJUSTE ANUAL – ÔNUS DA PROVA – O ônus da prova incumbe ao autor quanto ao fato constitutivo de seu direito e ao réu quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Cabe ao contribuinte comprovar a ocorrência de retenção na fonte do imposto de renda incidente sobre verbas indenizatórias e à Fazenda Nacional incumbe a prova de eventual compensação do imposto de renda retido na fonte no ajuste anual da declaração de rendimentos. Recurso provido. (STJ – REsp 229118 – DF – 1ª T. – Rel. Min. Garcia Vieira – DJU 07.02.2000 – p. 132) PROCESSO CIVIL E TRIBUTÁRIO – EXECUÇÃO FISCAL – EMBARGOS DO DEVEDOR – NOTIFICAÇÃO DO LANÇAMENTO – IMPRESCINDIBILIDADE – ÔNUS DA PROVA – 1. Imprescindível a notificação regular ao contribuinte do imposto devido. 2. Incumbe ao embargado, réu no processo incidente de embargos à execução, a prova do fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor (CPC, art. 333, II). 3. Recurso especial conhecido e provido. (STJ – REsp 237.009 – (1999/00996607) – SP – 2ª T. – Rel. Min. Francisco Peçanha Martins – DJU 27.05.2002 – p. 147) TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL – IRPF – REPETIÇÃO DE INDÉBITO – VERBAS INDENIZATÓRIAS – RETENÇÃO NA FONTE – ÔNUS DA PROVA – VIOLAÇÃO DE LEI FEDERAL CONFIGURADA – DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL NÃO COMPROVADA – SÚMULA 13/STJ PRECEDENTES – Cabe ao autor provar que houve a retenção do imposto de renda na fonte, por isso que é fato constitutivo do seu direito; ao réu competia a prova de eventual compensação na declaração anual de rendimentos dos recorrentes, do imposto de renda retido na fonte, fato extintivo, impeditivo ou modificativo do direito do autor – Incidência da Súmula 13 STJ – Recurso especial conhecido pela letra a e provido. (STJ – RESP 232729 – DF – 2ª T. – Rel. Min. Francisco Peçanha Martins – DJU 18.02.2002 – p. 00294) Assim sendo, não havendo comprovação que as retenções na fonte não teriam sido aproveitadas, não há como prover o recurso também quanto a essa matéria. Sala de sessões, em 15 de outubro de 2014 Alexandre Kern Redator designado. Fl. 2014DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/10/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digital mente em 19/10/2014 por ALEXANDRE KERN Processo nº 19311.720006/201344 Acórdão n.º 3403003.330 S3C4T3 Fl. 2.008 15 Fl. 2015DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/10/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digital mente em 19/10/2014 por ALEXANDRE KERN
score : 1.0
Numero do processo: 16327.001434/2009-21
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 13 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Nov 18 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Data do fato gerador: 31/12/2004
PEDIDO DE PARCELAMENTO. DESISTÊNCIA DO RECURSO. PERDA DE OBJETO. NÃO CONHECIMENTO.
A opção do contribuinte a parcelamento após a lavratura do lançamento importa em desistência da discussão administrativa e renúncia ao direito sobre o qual se funda a defesa, impondo-se o não conhecimento do recurso.
Numero da decisão: 1301-001.409
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NÃO CONHECER do recurso por falta de objeto.
(Assinado digitalmente)
VALMAR FONSECA DE MENEZES - Presidente.
(Assinado digitalmente)
CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Valmar Fonsêca de Menezes (Presidente), Wilson Fernandes Guimarães, Valmir Sandri, Paulo Jakson da Silva Lucas, Edwal Casoni de Paula Fernandes Júnior, Carlos Augusto de Andrade Jenier e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Suplente Convocado).
Nome do relator: CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER
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DESISTÊNCIA DO RECURSO. PERDA DE OBJETO. NÃO CONHECIMENTO. A opção do contribuinte a parcelamento após a lavratura do lançamento importa em desistência da discussão administrativa e renúncia ao direito sobre o qual se funda a defesa, impondose o não conhecimento do recurso. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NÃO CONHECER do recurso por falta de objeto. (Assinado digitalmente) VALMAR FONSECA DE MENEZES Presidente. (Assinado digitalmente) CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Valmar Fonsêca de Menezes (Presidente), Wilson Fernandes Guimarães, Valmir Sandri, Paulo Jakson da Silva Lucas, Edwal Casoni de Paula Fernandes Júnior, Carlos Augusto de Andrade Jenier e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Suplente Convocado). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 14 34 /2 00 9- 21 Fl. 755DF CARF MF Impresso em 18/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 07/05/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VALMAR FO NSECA DE MENEZES 2 Relatório Tratam os autos de Recurso Voluntário interposto pela contribuinte contra os termos da r. decisão exarada pela 8a Turma da DRJ/SP1, que julgara pela IMPROCEDÊNCIA DA IMPUGNAÇÃO, destacando, na ementa do Acórdão, as seguintes e especificas considerações: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica I R P J Data do fato gerador: 31/12/2004 LANÇAMENTO. NULIDADE. ILEGITIMIDADE PASSIVA. INOCORRÊNCIA. Não caracterizada a nulidade do lançamento, uma vez que a ciência do lançamento foi dada a representante do sucessor, perfeitamente identificado, não acarretando prejuízo algum à apresentação da defesa, nem aos procedimentos de cobrança do crédito tributário. PERDAS NO RECEBIMENTO DE CRÉDITOS. DEDUTIBILIDADE Na determinação do lucro real, a dedutibilidade, como despesa, de perdas no recebimento de créditos decorrentes das atividades da pessoa jurídica requer a observância das condições específicas impostas pela legislação tributária. OPERAÇÕES DE CRÉDITO. DESCONTOS CONCEDIDOS. DEDUÇÃO. NORMA APLICÁVEL. Ao desconto concedido em operações de crédito, em face do princípio da especificidade, deve ser aplicada a regra objetiva de dedutibilidade de perdas em recebimento de créditos decorrentes da atividade da pessoa jurídica, prevista na Lei n° 9.430, de 1996. POSTERGAÇÃO DE PAGAMENTO. DENUNCIA ESPONTÂNEA. MULTA DE MORA. A multa de mora é devida sempre que o pagamento de tributo ou contribuição se der após o vencimento, como ocorre nos casos de postergação de pagamento. O instituto da denúncia espontânea, previsto no art. 138 do CTN, aplicase apenas às penalidades de natureza punitiva, não às de natureza moratória. JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A multa de ofício, porquanto parte integrante do crédito tributário, está sujeita à incidência dos juros de mora a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao do vencimento. Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL Data do fato gerador: 31/12/2004 Fl. 756DF CARF MF Impresso em 18/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 07/05/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VALMAR FO NSECA DE MENEZES Processo nº 16327.001434/200921 Acórdão n.º 1301001.409 S1C3T1 Fl. 3 3 LANÇAMENTO. NULIDADE. ILEGITIMIDADE PASSIVA. Não caracterizada a nulidade do lançamento, uma vez que a ciência do lançamento foi dada a representante do sucessor, perfeitamente identificado, não acarretando prejuízo algum à apresentação da defesa, nem aos procedimentos de cobrança do crédito tributário. PERDAS NO RECEBIMENTO DE CRÉDITOS. Na determinação da base de cálculo da CSLL, a dedutibilidade, como despesa, de perdas no recebimento de créditos decorrentes das atividades da pessoa jurídica requer a observância das condições específicas impostas pela legislação tributária. OPERAÇÕES DE CRÉDITO. DESCONTOS CONCEDIDOS. DEDUÇÃO. NORMA APLICÁVEL. Ao desconto concedido em operações de crédito, em face do princípio da especificidade, deve ser aplicada a regra objetiva de dedutibilidade de perdas em recebimento de créditos decorrentes da atividade da pessoa jurídica, prevista na Lei n° 9.430, de 1996. POSTERGAÇÃO DE PAGAMENTO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA DE MORA. A multa de mora é devida sempre que o pagamento de tributo ou contribuição se der após o vencimento, como ocorre nos casos de postergação de pagamento. O instituto da denúncia espontânea, previsto no art. 138 do CTN, aplicase apenas às penalidades de natureza punitiva, não às de natureza moratória. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA DE MORA. A multa de mora é devida sempre que o pagamento de tributo ou contribuição se der após o vencimento, como ocorre nos casos de postergação de pagamento. O instituto da denúncia espontânea, previsto no art. 138 do CTN, aplicase apenas às penalidades de natureza punitiva, não às de natureza moratória. JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A multa de ofício, porquanto parte integrante do crédito tributário, está sujeita à incidência dos juros de mora a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao do vencimento. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Regularmente intimada a contribuinte dos termos da decisão proferida (18/05/2011), por ela foi então interposto o seu competente Recurso Voluntário em 10/06/2011, pretendendo a reforma da decisão e, com isso, a total desconstituição do lançamento, aduzindo em suas razões, para tanto, o seguinte: PRELIMINARMENTE Nulidade da autuação por ilegitimidade passiva do recorrente (sociedade extinta por incorporação) No momento da lavratura do auto de infração (21/09/2009) o BANCO ABN AMRO REAL S/A (na condição de sucessor por incorporação do Banco Fl. 757DF CARF MF Impresso em 18/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 07/05/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VALMAR FO NSECA DE MENEZES 4 Sudameris Brasil S/A), já se encontrava extinto, em face de sua incorporação pelo BANCO SANTANDER (BRASIL) S.A., efetivada em 30/04/2009. Nulidade da decisão da DRJ. Ausência de apreciação de todos os argumentos de defesa. Cerceamento do direito de defesa A turma julgadora de primeira instância teria se furtado de analisar todos os documentos acostados pela impugnante, apenas fazendo referência às perdas vinculadas aos contratos de Marcelo Gomes de Paiva, João da Silva Santos, Sérgio Domingos Felipe, João Santos Araújo, R. Alvarenga Constr Adm SCL e da Agrocampo, afirmando que em relação aos demais contratos, não teria sido verificado os documentos hábeis a comprovar a regularidade da dedução realizada. Ocorre que, em relação a todos os demais, teria sido juntada pela impugnante os documentos necessários respectivos, representando, assim, nulidade da decisão por cerceamento de defesa a negativa perpetrada. DO DIREITO Dos Descontos concedidos e a aplicação do Artigo 299 do RIR/99 A recorrente apresenta a análise a respeito do conceito de “despesas operacionais dedutíveis”, extraído a partir da interpretação do conteúdo do dispositivo apontado, destacando que assim devem ser entendidos aqueles que se mostrem normais, usuais e necessárias para o empreendimento, levandose em conta, sempre, as atividades próprias desenvolvidas pela empresa, não se lhe aplicando, no caso, as disposições do art. 9o da Lei 9.430/96. Cita precedentes do CARF. Das perdas no recebimento de créditos e preenchimento dos pressupostos da legislação específica Conforme mencionado na preliminar destacada, a Turma julgadora não teria apreciado os documentos acostados pela contribuinte, alegando, falsamente, que nenhum documento havia sido apresentado para justificar o cumprimento das condições legais relativa à dedutibilidade apontada, de acordo com as disposições do Art. 9o, inciso II, alínea b da Lei 9.430/96. Além do mais, especificamente em relação ao crédito relativo ao cliente João Santos Araújo, o valor do crédito baixado era de R$ 4.379,63, logo, sendo inferior a R$ 5.000,00, e, ainda, estava vencido há mais de seis meses, sendo, portanto, inexigível a apresentação de qualquer documentação comprobatória. O valor relativo à empresa AGROCAMPO apresenta valor diferente, exclusivamente, por força das atualizações aplicadas, existindo, em relação a ela, uma ação monitória proposta, devidamente comprovada nos autos, tendo sido o valor baixado na contabilidade um ano depois de proposta a referida ação. Nesses termos, havendo nos autos toda a documentação comprobatória da regularidade das deduções efetivadas, completamente insubsistente o lançamento efetivado. Da inaplicabilidade da postergação do pagamento em razão do cumprimento dos requisitos da dedutibilidade Fl. 758DF CARF MF Impresso em 18/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 07/05/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VALMAR FO NSECA DE MENEZES Processo nº 16327.001434/200921 Acórdão n.º 1301001.409 S1C3T1 Fl. 4 5 Havendo, nos autos, a comprovação da regularidade das deduções realizadas, não se haveria falar em postergação de pagamento de tributos devidos, que, insiste, estaria em plena regularidade. Da inexigibilidade da multa de mora nos casos de pagamentos postegados Em caráter alternativa, não sendo admitida a regularidade dos procedimentos pelos pontos antes destacados, requer ainda que seja reconhecida a caracterização das hipóteses de denúncia espontânea (art. 138 do CTN), afastandose, assim, a aplicação da penalidade de multa sobre os valores então devidamente recolhidos. Cita precedente do Conselho de Contribuintes, destacando que, em caso de pagamento de tributo a destempo, somente seria devido o lançamento dos juros de mora, não podendo incluir a multa de mora, não havendo fundamento legal para a sua imposição. Da ilegalidade da cobrança de juros sobre a multa Destaca a diferença entre “tributo” e “multa”, ressaltando que, pelas disposições do art. 13 da Lei 9.065/95 c/c com o art. 84 da Lei 8.981/95, somente seria possível a aplicação da taxa SELIC sobre o valor dos “tributos”, inexistindo, portanto, previsão legal para fazêla incidir sobre as penalidades pecuniárias. A partir dessas considerações, pretende então a recorrente a reforma integral da decisão proferida, requerendo, ao final, o reconhecimento da total insubsistência do lançamento efetivado. Esse é o relatório. Fl. 759DF CARF MF Impresso em 18/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 07/05/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VALMAR FO NSECA DE MENEZES 6 Voto Conselheiro CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, relator. Antes de analisar os termos do recurso interposto, relevante observa que, em sede de julgamento, fora manifestado pelos representantes da recorrente que esta teria promovido a adesão ao parcelamento ordinário de que tratam as disposições da Lei 11.941/2009, manifestando, assim, a sua desistência em relação ao recurso interposto. A teor do que apontam as disposições da referida norma, a opção pelo parcelamento de que trata importa em confissão irrevogável e irretratável da dívida, importando, assim, na perda do objeto no presente feito. Vejamos: Art. 5o A opção pelos parcelamentos de que trata esta Lei importa confissão irrevogável e irretratável dos débitos em nome do sujeito passivo na condição de contribuinte ou responsável e por ele indicados para compor os referidos parcelamentos, configura confissão extrajudicial nos termos dos arts. 348, 353 e 354 da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973 Código de Processo Civil, e condiciona o sujeito passivo à aceitação plena e irretratável de todas as condições estabelecidas nesta Lei. Art. 6o O sujeito passivo que possuir ação judicial em curso, na qual requer o restabelecimento de sua opção ou a sua reinclusão em outros parcelamentos, deverá, como condição para valer se das prerrogativas dos arts. 1º, 2º e 3º desta Lei, desistir da respectiva ação judicial e renunciar a qualquer alegação de direito sobre a qual se funda a referida ação, protocolando requerimento de extinção do processo com resolução do mérito, nos termos do inciso V do caput do art. 269 da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973 Código de Processo Civil, até 30 (trinta) dias após a data de ciência do deferimento do requerimento do parcelamento. § 1º Ficam dispensados os honorários advocatícios em razão da extinção da ação na forma deste artigo. § 2º Para os fins de que trata este artigo, o saldo remanescente será apurado de acordo com as regras estabelecidas no art. 3º desta Lei, adotandose valores confessados e seus respectivos acréscimos devidos na data da opção do respectivo parcelamento. Em face dessas considerações, verificase que, presente a confissão irrevogável e irretratável da divida, completamente prejudicada resta a apreciação das razões Fl. 760DF CARF MF Impresso em 18/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 07/05/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VALMAR FO NSECA DE MENEZES Processo nº 16327.001434/200921 Acórdão n.º 1301001.409 S1C3T1 Fl. 5 7 recursais nesta oportunidade, sendo, portanto, forçosa a conclusão pela completa perda do objeto no presente feito, nos termos aqui então devidamente destacados. Diante disso, encaminho o meu voto no sentido de NÃO CONHECER do recurso interposto, em face de sua flagrante perda do objeto. É como voto. (Assinado digitalmente) CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER Relator Fl. 761DF CARF MF Impresso em 18/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 07/05/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VALMAR FO NSECA DE MENEZES
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Numero do processo: 10980.729154/2012-96
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 04 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Nov 19 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2008, 2009
IRPF - LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS - CONTA CONJUNTA - Tratando-se de conta bancária conjunta de fato, a tributação com fulcro em omissão de rendimentos calcada em depósitos bancários, deve se dar rateando-se os valores dos depósitos de origem não justificada entre os co-titulares.
OMISSÃO DE RECEITAS. CRÉDITOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA EM CONTA BANCÁRIA. CONTA CONJUNTA DE FATO. No caso de omissão de receitas identificada com base em depósitos em conta bancária conjunta de fato, esta constatada e comprovada pelo Fisco, embora registrada como individual, - o valor das receitas será imputado a cada titular de fato mediante divisão entre o total das receitas pela quantidade de titulares de fato.
IRPF.OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITO BANCÁRIO.CONTA CONJUNTA DA FATO. FALTA DE INTIMAÇÃO DE TODOS OS CO-TITULARES. IMPROCEDÊNCIA.
Todos os co-titulares da conta bancária devem ser intimados para comprovar a origem dos depósitos nela efetuados, na fase que precede à lavratura do auto de infração com base na presunção legal de omissão de receitas ou rendimentos, sob pena de improcedência do lançamento. Aplicação da Súmula CARF nº 29.
Recurso Provido
Numero da decisão: 2102-003.160
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso.
(Assinado digitalmente)
Jose Raimundo Tosta Santos - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Alice Grecchi - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Alice Grecchi, Jose Raimundo Tosta Santos, Bernardo Schmidt, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti, Núbia Matos Moura e Carlos André Rodrigues Pereira Lima.
Nome do relator: ALICE GRECCHI
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2008, 2009 IRPF - LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS - CONTA CONJUNTA - Tratando-se de conta bancária conjunta de fato, a tributação com fulcro em omissão de rendimentos calcada em depósitos bancários, deve se dar rateando-se os valores dos depósitos de origem não justificada entre os co-titulares. OMISSÃO DE RECEITAS. CRÉDITOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA EM CONTA BANCÁRIA. CONTA CONJUNTA DE FATO. No caso de omissão de receitas identificada com base em depósitos em conta bancária conjunta de fato, esta constatada e comprovada pelo Fisco, embora registrada como individual, - o valor das receitas será imputado a cada titular de fato mediante divisão entre o total das receitas pela quantidade de titulares de fato. IRPF.OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITO BANCÁRIO.CONTA CONJUNTA DA FATO. FALTA DE INTIMAÇÃO DE TODOS OS CO-TITULARES. IMPROCEDÊNCIA. Todos os co-titulares da conta bancária devem ser intimados para comprovar a origem dos depósitos nela efetuados, na fase que precede à lavratura do auto de infração com base na presunção legal de omissão de receitas ou rendimentos, sob pena de improcedência do lançamento. Aplicação da Súmula CARF nº 29. Recurso Provido
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OMISSÃO DE RECEITAS. CRÉDITOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA EM CONTA BANCÁRIA. CONTA CONJUNTA DE FATO. No caso de omissão de receitas identificada com base em depósitos em conta bancária conjunta de fato, esta constatada e comprovada pelo Fisco, embora registrada como individual, o valor das receitas será imputado a cada titular de fato mediante divisão entre o total das receitas pela quantidade de titulares de fato. IRPF.OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITO BANCÁRIO.CONTA CONJUNTA DA FATO. FALTA DE INTIMAÇÃO DE TODOS OS CO TITULARES. IMPROCEDÊNCIA. Todos os cotitulares da conta bancária devem ser intimados para comprovar a origem dos depósitos nela efetuados, na fase que precede à lavratura do auto de infração com base na presunção legal de omissão de receitas ou rendimentos, sob pena de improcedência do lançamento. Aplicação da Súmula CARF nº 29. Recurso Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 72 91 54 /2 01 2- 96 Fl. 1991DF CARF MF Impresso em 19/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2014 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 17/11/2014 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS 2 (Assinado digitalmente) Jose Raimundo Tosta Santos Presidente. (Assinado digitalmente) Alice Grecchi Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Alice Grecchi, Jose Raimundo Tosta Santos, Bernardo Schmidt, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti, Núbia Matos Moura e Carlos André Rodrigues Pereira Lima. Relatório Tratase de Auto de Infração lavrado em 06/12/2012 (fls. 1.803/1.807), contra o contribuinte acima qualificado, relativo aos Anoscalendário 2007, 2008, Exercícios 2008, 2009, que exige crédito tributário no valor de R$ 5.907.328,86, incluída multa qualificada de 150% e juros de mora, calculados até 30/11/2012. Conforme “Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal” às fls. 1.805, o Fisco apurou Omissão de Rendimentos caracterizada por valores creditados em contas de depósito, mantidas em instituições financeiras em relação aos quais o contribuinte, regularmente intimado, não comprovou mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Consta do Termo de Verificação Fiscal às fls. 1.815/1.827, que integra o presente Auto de Infração, que o contribuinte, desde a ciência do Termo de Início de Ação Fiscal, sempre compareceu acompanhado do Sr. Marcio Aurélio Carreira, que era quem respondia a maioria dos questionamentos, inclusive redigindo as declarações que o Sr. Romeu assinava. O mesmo documento registra que os autuados declararam exercer a atividade de compra e venda de automóveis usados, das quais não tinham qualquer documentação, sendo utilizada somente a conta corrente do Sr. Romeu, apesar deste atuar “mais na área de preparo (conservação/manutenção) dos carros” e de ser o Sr. Márcio o responsável pela área de comercialização. Também são relatadas as diversas diligências efetuadas junto a terceiros com intuito de comprovar a atividade exercida pelos autuados, as quais resultaram na informação de que os depósitos eram efetuados por diversos motivos, tais como: empréstimos, descontos de duplicatas, venda de carros, pagamentos para empresas que comercializavam produtos eletrônicos. Em relação aos débitos, foi apurado que quase todos correspondiam a saques de cheques efetuados diretamente no “caixa”. A autoridade fiscal informa que, apesar das diligências efetuadas e dos esclarecimentos prestados, desacompanhados de qualquer documentação probatória, não conseguiu firmar convicção acerca da atividade exercida pelos autuados e nem do percentual de participação de cada um nelas, lavrando, em consequência, o auto de infração com solidariedade entre o Sr. Márcio e o Sr. Romeu. Ainda, segundo o Termo de Verificação Fiscal, a multa foi qualificada “em virtude do evidente intuito de fraude/dolo, caracterizado pela utilização de conta individual por mais de um contribuinte (ou seja interposição de pessoa), pelo crédito nesta conta de recursos oriundos de transações feitas à margem da contabilidade (popularmente conhecido Fl. 1992DF CARF MF Impresso em 19/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2014 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 17/11/2014 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10980.729154/201296 Acórdão n.º 2102003.160 S2C1T2 Fl. 1.992 3 como caixa dois), pela não tributação dos recursos movimentados na(s) citada(s) conta(s) corrente(s).” Cientificado da exigência tributária pessoalmente em 06/12/2012 (fl. 1.696), e irresignado com o lançamento lavrado pelo Fisco, o contribuinte apresentou impugnação em 02/01/2013 (fls. 1.705/1.726), acompanhada de documentos de fls. 1.727/1.920, alegando em síntese o que segue, conforme relatório da decisão a quo: Inicialmente insurgese contra o lançamento referente às contas bancárias da Caixa Econômica Federal e do Bradesco, afirmando que os depósitos seriam irrelevantes, suscitando que a própria autoridade autuante teria admitido isso na fl. 02 no Termo de Verificação Fiscal. Afirma que o montante anual dos depósitos dessas contas correntes seria inferior ao limite R$ 80.000,00 e que os valores individuais versariam “em torno de R$ 10,00, R$ 15,00, R$ 30,00, no máximo R$ 200,00” e que o IRPF lançado seria de R$ 3.050,72. Transcreve jurisprudência administrativa para corroborar sua alegação. No que tange à conta corrente do Banco do Brasil, com base na Súmula Carf nº 29, suscita nulidade, porque não teria sido efetuada intimação para que o Sr. Marcio Aurélio Carreira justificasse a origem dos depósitos bancários, citando trecho do Termo de Verificação, onde a autoridade autuante afirma que a conta corrente de titularidade do autuado era, de fato, uma conta conjunta com aquela pessoa. Cita jurisprudência administrativa para corroborar sua alegação. Alega que, embora tenha sido constatada a sujeição passiva solidária, Termo às fls. 1.625 e 1.626, o auto de infração foi lavrado somente em nome do Sr. Romeu de Barros. Sustenta que o responsável solidário, em razão de não haver sido notificado do lançamento, ficaria impedido de apresentar defesa, novamente embasando sua argumentação em jurisprudência administrativa. Aduz que, no caso concreto, não poderia ser utilizado o art. 124, I, do Código Tributário Nacional – CTN, uma vez que teria de ter sido provada tanto a existência do fato gerador como o interesse comum. Requer que seja desconsiderada a responsabilidade passiva solidária. Afirma que, ao utilizar a movimentação financeira como motivação para o início da ação fiscal, teria sido desrespeitada a sua garantia constitucional, porque os extratos bancários só poderiam ter sido fornecidos mediante autorização judicial. Corrobora sua alegação com jurisprudência judicial, ressaltando que, segundo a alteração do regimento interno do CARF, consubstanciada pela Portaria MF nº 596 de 2010, “as decisões de mérito em sede de repercussão geral e recurso Fl. 1993DF CARF MF Impresso em 19/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2014 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 17/11/2014 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS 4 repetitivo proferidas pelo STJ e STF deverão ser reproduzidas pelos conselheiros nos julgamentos”. Transcreve o art. 849 do RIR/1999 e o art. 42 da Lei nº 9.430 de 1996 para alegar que a soma dos depósitos não caracterizaria o total da eventual receita omitida, a qual, segundo o seu entendimento, teria sido admitida pela autoridade autuante e provada nos autos como decorrente de operações comerciais. Salienta que as “as transações financeiras que deram origem à suposta alegação de omissão de rendimentos são referentes à compra e venda de carros usados, os quais eram comprados de locadoras de veículos e também de particulares, e, após revisados/preparados, vendidos principalmente para revendedoras de veículos dos estados do Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, conforme foi informado por esses peticionários em 28/06/2011, quando da resposta ao Termo de Início Procedimento Fiscal, bem como as declarações dos envolvidos em boa parte dessas negociações (doc. Nº 05)”. Assim, pleiteia que a omissão seja considerada com base no lucro alegado em torno de R$ 500,00 a R$ 1.000,00 em cada venda, afirmando que “o capital de giro dessa sociedade jamais ultrapassou os R$ 200.000,00”. Suscita que o montante dos depósitos não constituiria a renda tributável, aludindo aos princípios da legalidade e da tipicidade, para afirmar que “deverá existir outros elementos, decorrentes da atividade fiscalizatória, que corroborem com a presunção”. Aduz ser “absurdo exigir que o contribuinte saiba, com precisão, determinar a origem de todos os depósitos”, ainda mais quando não teria originado qualquer acréscimo patrimonial, e que “não se pode exigir que o contribuinte faça prova contra si mesmo”, pois seria competência da fiscalização provar a existência do acréscimo patrimonial, que considera ser o único fato gerador do imposto de renda. Afirma que a autoridade fiscal deveria ter buscado a verdade material e que a “tributação sem serem esgotados todos os meios de busca real é o mesmo que jogar abaixo todas as garantias constitucionais do contribuinte”, citando jurisprudência e doutrina para corroborar suas alegações. Conclui que os depósitos bancários serviriam apenas para o início do procedimento de fiscalização, cabendo à autoridade fiscal efetuar “fiscalização exaustiva a lograr êxito na identificação do acréscimo patrimonial”. Insurgese contra a cobrança da multa qualificada, afirmando que não houve comprovação de fraude, com conduta dolosa do contribuinte, a qual, segundo seu entendimento, seria caracterizada, por exemplo, pela adulteração de documentos comprobatórios ou existência de contabilidade paralela, conta bancária fictícia ou declarações falsas. Afirma que, o caso concreto, se baseou somente em análise de conta bancária, não havendo “registro de documentos inidôneos, empresas fictas, fraudes em registros contábeis ou de Fl. 1994DF CARF MF Impresso em 19/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2014 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 17/11/2014 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10980.729154/201296 Acórdão n.º 2102003.160 S2C1T2 Fl. 1.993 5 qualquer natureza”.Ressalta que a “sonegação importa necessariamente em práticas de encobrir o fato realizado”, mas que nunca “se furtaram de prestar esclarecimentos” e, assim, “a existência de conta bancária não tem o condão de constituir fraude”. Novamente transcreve jurisprudência para corroborar suas alegações e conclui afirmando que “quem age com intuito de fraude realiza operações proibidas, não entrega a documentação solicitada, procurando sob todas as formas ocultar estas operações”, situações que entende não terem ocorrido no caso. Protesta contra a incidência de juros utilizando a taxa Selic sobre a multa de ofício. Requer a produção de provas complementares e a baixa em diligência, caso necessário, colocandose à disposição para prestar esclarecimentos e para apresentar a documentação que se encontra em seu poder. Finaliza solicitando que seja acolhida a preliminar de nulidade e, no mérito, que o lançamento seja julgado improcedente. A Turma de Primeira Instância, por unanimidade, julgou improcedente a impugnação apresentada, conforme ementa abaixo transcrita: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2008, 2009 NULIDADE. COTITULAR NÃO INTIMADO. IMPROCEDÊNCIA. MANIFESTAÇÃO COMPROVADA NOS AUTOS. Incabível a alegação de nulidade do lançamento em razão de ausência de intimação de contribuinte considerado “cotitular de fato” da conta bancária sob investigação, quando comprovado nos autos que tal pessoa, além de estar ciente de todo o andamento do processo, foi instada e apresentou alegações com intuito de comprovar a origem dos depósitos bancários investigados. DECISÕES ADMINISTRATIVAS E JUDICIAIS. EFEITOS. As decisões administrativas e as judiciais, não proferidas pelo STF sobre a inconstitucionalidade das normas legais, não se constituem em normas gerais, razão pela qual seus julgados não se aproveitam em relação a qualquer outra ocorrência, senão àquela objeto da decisão. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. Caracterizam omissão de rendimentos os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira em relação aos quais os titulares, apesar de instados a fazêlo, não comprovam, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. CARACTERIZAÇÃO. O interesse comum na situação que constituiu o fato gerador do Fl. 1995DF CARF MF Impresso em 19/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2014 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 17/11/2014 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS 6 imposto gera a obrigação solidária dos agentes e, nos autos, o titular formal da conta corrente e o responsável solidário confessaram a utilização conjunta de conta bancária, sem, no entanto, provarem a atividade exercida e nem o percentual da movimentação referente a cada um. JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO. EXISTÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL. Correta a incidência de juros moratórios sobre a multa aplicada, porque, conforme legislação vigente, ela compõe o crédito tributário. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. CABIMENTO. É cabível a qualificação da multa de ofício, nos lançamentos em que se apura omissão de receita ou rendimentos decorrente de depósitos bancários de origem não comprovada, quando constatada a movimentação de recursos em contas bancárias de interposta pessoa. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido” O contribuinte foi cientificado do Acórdão n° 0639.241 da 4ª Turma da DRJ/CTA em 06/03/2013 (fl. 1.948). Sobreveio Recurso Voluntário em 04/04/2013 (fl. 1.950/1.965), acompanhado dos documentos de fls. 1.966/1.983, qual seja, cópias dos documentos de identidade e cópia do acórdão da DRJ, no qual o contribuinte ratificou as razões da impugnação, acrescentando o que segue. Sustenta em preliminar que não há como prosperar o entendimento de que a ausência de intimação do cotitular de fato da conta bancária não existiu, sob o fundamento de que o fato do Sr. Marcio Aurélio Carreira acompanhar o recorrente não supre a formalidade essencial da intimação, conforme entendimento do CARF, através da Súmula nº 29, que dispõe acerca da obrigatoriedade da intimação de todos os cotitulares da conta bancária para comprovar a origem dos depósitos nela efetuados. No mérito aduz que a autoridade fiscal constatou a existência de sujeição passiva solidária, contudo, o auto de infração lavrado unicamente em nome do recorrente não oportuniza a defesa do responsável solidário, eis que somente o Sr. Romeu de Barros foi notificado. Aduz que nestes casos, o CARF já vem decidindo que aqueles elencados como responsáveis solidários devem ser expressamente notificados desse fato, para que possam exercer o direito de defesa. E colaciona jurisprudência nesse sentido. No mais, ratifica as razões da impugnação quanto à quebra do sigilo bancário, bem como acerca da negativa de omissões de receita, e neste sentido afirma que os créditos depositados em conta bancária de sua titularidade em conjunto com o Sr. Marcio Aurélio Carreira, eram provenientes da compra e venda de carros usados, além, da insurgência quanto à multa de ofício no percentual de 150% e da não incidência da taxa selic sobre a multa de ofício. É o relatório. Passo a decidir. Fl. 1996DF CARF MF Impresso em 19/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2014 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 17/11/2014 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10980.729154/201296 Acórdão n.º 2102003.160 S2C1T2 Fl. 1.994 7 Voto Conselheira Relatora Alice Grecchi O recurso voluntário ora analisado, possui os requisitos de admissibilidade do Decreto nº 70.235/72, motivo pelo qual merece ser conhecido. Aqui não se apreciarão pleitos sucessivos dos recorrentes no tocante ao mérito, bem como quanto à multa de ofício no percentual de 150% e a não incidência da taxa selic sobre a multa de ofício, pois se demonstrará que os autuados tem razão quanto à nulidade do lançamento por ausência de intimação do cotitular da conta bancária para comprovar a origem dos depósitos nela efetuados. Tratamse os presentes autos acerca de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, no qual foram realizadas diversas diligências junto a terceiros com intuito de comprovar a atividade exercida pelos autuados, as quais resultaram na informação de que os depósitos eram efetuados por diversos motivos, tais como: empréstimos, descontos de duplicatas, venda de carros, pagamentos para empresas que comercializavam produtos eletrônicos. Informa o Fisco no Termo de Verificação Fiscal às fls. 1.815/1.827, que o contribuinte Sr. Romeu Barros de Júnior, desde a ciência do Termo de Início de Ação Fiscal, sempre compareceu acompanhado do Sr. Marcio Aurélio Carreira, que era quem respondia a maioria dos questionamentos, inclusive redigindo as declarações que o Sr. Romeu assinava. Registra a fiscalização ainda que os autuados declararam exercer a atividade de compra e venda de automóveis usados, das quais não tinham qualquer documentação, sendo utilizada somente a conta corrente do Sr. Romeu, apesar deste atuar “mais na área de preparo (conservação/manutenção) dos carros” e de ser o Sr. Márcio o responsável pela área de comercialização. Concluiu a autoridade fiscal que, apesar das diligências efetuadas e dos esclarecimentos prestados, desacompanhados de qualquer documentação probatória, não fora possível firmar convicção acerca da atividade exercida pelos autuados e nem do percentual de participação de cada um nelas, lavrando, em consequência, o auto de infração com solidariedade entre o Sr. Márcio e o Sr. Romeu. Consta do Termo de Sujeição Passiva Solidária nº 1, em fls. 1.730/1.731, que o Fisco, por meios das declarações e depoimentos prestados pelo contribuinte e pelo Sr. Marcio Aurélio Carreira, bem como através das intimações efetuadas à terceiros, evidenciou “com clareza que a conta corrente do Banco do Brasil, de titularidade do Sr. Romeu de Barros Júnior, referese a uma conta corrente conjunta de fato com o Sr. Marcio. Conta esta, que foi movimentada e controlada por ambos, para depósitos, retiradas, enfim todo tipo de transação.” A DRJ/CTA fundamenta sua decisão mantendo o lançamento, conforme excertos transcritos abaixo: Fl. 1997DF CARF MF Impresso em 19/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2014 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 17/11/2014 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS 8 “a ausência de intimação não existiu, uma vez que, conforme relatado no Termo de Verificação Fiscal de fls. 1.627 a 1.691, desde o Termo de Início de Ação Fiscal, o Sr. Romeu sempre comparecia para ciência e, também, para a entrega de documentos, acompanhado do Sr. Márcio, sendo inclusive muitas das informações prestadas pelo segundo, que elaborava as declarações para que o primeiro assinasse. Portanto, durante todo o procedimento fiscal, o Sr. Márcio teve pleno conhecimento do andamento dos trabalhos e, principalmente da solicitação para que fosse comprovada a origem dos depósitos bancários questionados.” Não obstante a tais argumentos utilizados pela decisão a quo, incorreta é a lavratura do auto de infração formalizado com solidariedade passiva, sem que fosse realizada a devida intimação do cotitular da conjunta de fato, que fora expressamente constatada pelo Fisco, o qual deixou de intimar o Sr. Marcio à comprovar a origem dos depósitos efetuados na conta bancária do Banco do Brasil. Verificase que o presente lançamento tratase de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada em que se constatou a existência de conta conjunta de fato, e neste caso, obrigatoriamente, deveria ter sido intimado formalmente o cotitular (Sr. Márcio) durante a fiscalização à comprovar a origem dos rendimentos depositados na conta bancária, sob pena de nulidade, conforme entendimento pacificado deste E. Conselho, através da Súmula nº 29 do CARF, in verbis: “Todos os cotitulares da conta bancária devem ser intimados para comprovar a origem dos depósitos nela efetuados, na fase que precede à lavratura do auto de infração com base na presunção legal de omissão de receitas ou rendimentos, sob pena de nulidade do lançamento.” Com efeito, não poderia o Fisco ter formalizado o Auto de Infração com solidariedade passiva, uma vez que a solidariedade pressupõe o pagamento integral do crédito tributário por qualquer dos sujeitos passivos, enquanto que tratandose de conta bancária conjunta de fato, a tributação com fulcro em omissão de rendimentos calcada em depósitos bancários, deve se dar rateandose os valores dos depósitos de origem não justificada entre os cotitulares. Portanto, não pode ser efetuado o lançamento com solidariedade passiva, pois pelo instituto da solidariedade, cada um responde pela dívida toda. Ademais, conforme se constata no parágrafo único do art. 124 do CTN, abaixo transcrito, a solidariedade não comporta benefício de ordem: “Art. 124. São solidariamente obrigadas: I as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; II as pessoas expressamente designadas por lei. Parágrafo único. A solidariedade referida neste artigo não comporta benefício de ordem.” Fl. 1998DF CARF MF Impresso em 19/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2014 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 17/11/2014 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10980.729154/201296 Acórdão n.º 2102003.160 S2C1T2 Fl. 1.995 9 A solidariedade está expressa no Código Civil nos artigos 264 e 275, a qual entendese não pela inclusão de terceiro, mas sim pelo grau de responsabilidade dos coobrigados, quer seja contribuintes, ou contribuinte e responsável tributário. Neste caso, a dívida alcançará todos devedores solidários (cotitulares da conta conjunta da fato). “Art. 264. Há solidariedade, quando na mesma obrigação concorre mais de um credor, ou mais de um devedor, cada um com direito, ou obrigado, à dívida toda.” “Art. 275. O credor tem direito a exigir e receber de um ou de alguns dos devedores, parcial ou totalmente, a dívida comum; se o pagamento tiver sido parcial, todos os demais devedores continuam obrigados solidariamente pelo resto.” Logo, há significativa diferença entre à omissão de rendimentos caracterizada por depósitos através de conta corrente conjunta e a solidariedade passiva na qual foi formalizada o presente lançamento, pois no primeiro caso, cada cotitular da conta é responsável por 50% dos recursos nela depositados, e no segundo, ambos são responsáveis pela totalidade dos recursos, por consequência, cada cotitular tornase responsável pela totalidade do crédito tributário, sem benefício de ordem, o que flagrantemente é mais oneroso ao contribuinte e não se coaduna com a legislação que rege à matéria acerca da omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, a qual através da Súmula do CARF nº 29 supracitada, exige a intimação do cotitular durante o procedimento administrativo à comprovar a origem dos rendimentos. Ainda que o Sr. Marcio Aurélio Carreira tenha acompanhado o contribuinte durante a fiscalização, e também apresentado a impugnação e o presente recurso juntamente com o interessado, tais fatos não obstam que o Fisco, ao constatar que tratavase de conta corrente conjunta de fato, e formalizando o Auto de Infração fundamentado no art. 849 do RIR/1999 (Regulamento do Imposto de Renda), abaixo transcrito, tivesse intimado formalmente o cotitular da conta bancária à comprovar a origem dos valores nela depósitos. “Art. 849. Caracterizamse também como omissão de receita ou de rendimento, sujeitos a lançamento de ofício, os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais a pessoa física ou jurídica, regularmente intimada, não comprove, mediante documentação hábil ou idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações (Lei nº 9.430, de 1996, art. 42).” Assim, diante da falta de intimação do cotitular de fato da conta corrente bancária para comprovar a origem dos rendimentos nela depositados, nos temos da Súmula 29 do CARF, é de ser declarada a improcedência do lançamento. Ante o exposto, voto no sentido de DAR PROVIMENTO ao Recurso, para cancelar o Auto de Infração. (Assinado digitalmente) Alice Grecchi Relatora Fl. 1999DF CARF MF Impresso em 19/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2014 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 17/11/2014 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS 10 Fl. 2000DF CARF MF Impresso em 19/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2014 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 17/11/2014 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS
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Numero do processo: 10680.010048/2005-91
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 23 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Nov 03 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/08/2000 a 31/12/2002
ENTIDADE BENEFICENTE DE ASSISTÊNCIA SOCIAL. ISENÇÃO. ATIVIDADE PRÓPRIA. ABRANGÊNCIA DO TERMO. POSSIBILIDADE DE SERVIÇOS CONTRAPRESTACIONAIS.
A entidade beneficente de assistência social faz jus à isenção da Cofins sobre a receita relativa a sua atividade própria (aquela compatível com o seu objeto social), ainda que tenha origem em contraprestação direta dos beneficiários dos serviços prestados.
Recurso Voluntário provido.
Numero da decisão: 3202-001.240
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em dar provimento ao recurso de voluntário.
Irene Souza da Trindade Torres Oliveira Presidente
Charles Mayer de Castro Souza Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres Oliveira (Presidente), Gilberto de Castro Moreira Junior, Rodrigo Cardozo Miranda, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Charles Mayer de Castro Souza e Thiago Moura de Albuquerque Alves.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/08/2000 a 31/12/2002 ENTIDADE BENEFICENTE DE ASSISTÊNCIA SOCIAL. ISENÇÃO. ATIVIDADE PRÓPRIA. ABRANGÊNCIA DO TERMO. POSSIBILIDADE DE SERVIÇOS CONTRAPRESTACIONAIS. A entidade beneficente de assistência social faz jus à isenção da Cofins sobre a receita relativa a sua atividade própria (aquela compatível com o seu objeto social), ainda que tenha origem em contraprestação direta dos beneficiários dos serviços prestados. Recurso Voluntário provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em dar provimento ao recurso de voluntário. Irene Souza da Trindade Torres Oliveira – Presidente Charles Mayer de Castro Souza – Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres Oliveira (Presidente), Gilberto de Castro Moreira Junior, Rodrigo Cardozo Miranda, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Charles Mayer de Castro Souza e Thiago Moura de Albuquerque Alves. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 01 00 48 /2 00 5- 91 Fl. 238DF CARF MF Impresso em 03/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 1/08/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 29/08/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA 2 Relatório Trata o presente processo de auto de infração lavrado contra a contribuinte acima identificada, constituindo crédito tributário decorrente da Contribuição para Financiamento da Seguridade Social Cofins, acrescido de juros e multa proporcional, no valor total de R$ 4.733.654,23, referente a períodos de apuração compreendidos nos anos de 2000 a 2002. Por bem retratar os fatos constatados nos autos, transcrevo o Relatório da decisão de primeira instância administrativa, in verbis: Lavrouse contra o contribuinte identificado o Auto de Infração de fls. 03/11, relativo à Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins, totalizando um crédito tributário de R$ 4.733.654,23, incluindo multa de oficio e juros moratórios, correspondente aos períodos especificados em fls. 04/05. A autuação ocorreu em virtude de diferença apurada entre o valor escriturado e o declarado/pago. O enquadramento legal encontrase citado em fls. 05. Para a compreensão dos fatos referentes ao processo em tela, seguemse excertos do Termo de Verificação Fiscal (TVF). fls. 12/13, elaborado pela Fiscalização: Tratase de pessoa jurídica de direito privado sem fins lucrativos, cujos objetos declinados em Estatuto são, em caráter geral, o desenvolvimento e a manutenção de atividades educacionais e de pesquisa no Campo da ciência e da tecnologia, para melhor atendimento dos problemas sociais da comunidade, e por finalidade particular a manutenção da Faculdade de Ciências Médicas de Minas Gerais. A Fundação mantém cartõesprotocolo junto ao MPAS/CNAS relativos à renovação dos certificados de reconhecimento de entidade de fins filantrópicos e beneficentes de assistência social, porquanto o anterior vigiu até 31/12/1997, não tendo sido renovado até a presente data. A Empresa não declarou, não recolheu, não parcelou, não aderiu ao Refis/Paes, nem requereu concessão de liminar para absterse do recolhimento da Cofins no período ora fiscalizado. Afora o não preenchimento dos requisitos cumulativos elencados no artigo 55 da_Lei 8.212/91,paraquea entidade seja caracterizada como filantrópica ebeneficente de — assistência social, o inciso X do artigo 14 da MP 1.8566, reeditado pelo inciso X do artigo 14 da MP 2.15835, estabelece que a isenção da Cofins restringese às receitas oriundas das atividades próprias das entidades referidas no artigo 13 da mesma MP, entre as quais incluemse as entidades de educação, as de assistência social e as filantrópicas. Fl. 239DF CARF MF Impresso em 03/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 1/08/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 29/08/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 10680.010048/200591 Acórdão n.º 3202001.240 S3C2T2 Fl. 239 3 O parágrafo segundo do artigo 47 da IN/SRF 247/2002 considera como receitas derivadas das atividades próprias somente àquelas decorrentes de contribuições, doações, anuidades ou mensalidades fixadas por Lei, Assembléia ou Estatuto, recebidas de associados ou mantenedores, sem caráter contraprestacional direto, destinadas ao seu custeio e ao desenvolvimento dos seus objetivos sociais. Fundamentado nos preceitos legais acima, e também que referida entidade não atendeu as exigências legais do artigo 55 da Lei n° 8.212/91, procedemos ao lançamento da Cofins correspondentes exclusivamente às receitas configuradas de caráter contraprestacional direta. Cientificado em 25/07/05 (fls. 03), o interessado apresentou, em 23/08/2005, impugnação ao lançamento, conforme arrazoado de fls. 49/63, acompanhado dos documentos de fls. 65/157, com as suas razões de defesa, assim resumidas: O primeiro "fundamento" suscitado pela fiscalização para exigir da impugnante a Cofins, seria uma etérea e pouco objetiva alegação de que a mesma não teria atendido "as exigências legais do artigo 55, da Lei 8.212/91", que, em tese, seriam necessárias à caracterização da filantropia aludida pelo art. 195, § 70, da CF/88. Vejase, contudo, que em momento algum a D. Fiscalização destaca ou informa a qual ou quais dos cinco pressupostos elencados pelo referido artigo 55, teria a FELUMA deixado de atender. A falta de fundamentação ou fundamentação precária do auto de infração criou, de fato, obstáculos substanciais à impugnante quanto a confecção de uma defesa "ampla, lata, larga", precisamente por não lhe permitir identificar o fato específico que teria levado a fiscalização a concluir pela sua não caracterização como entidade filantrópica, restando, pois, nulo, o auto de infração ora impugnado, precisamente por vexar o princípio da ampla defesa. A impugnante é entidade beneficente de assistência social e preenche todos os pressupostos do art. 195, § 7°, da CF/88, gozando, pois, da imunidade ali prevista. Desde a sua instituição, a impugnante vem exercendo importantíssimo papel social, seja pela atuação na área de educação, através dos cursos ofertados na Faculdade de Ciência Médicas, aos quais tem acesso um largo número de bolsistas, seja pela prestação de serviços de saúde ao público, o que vem se tornando, ao longo dos anos, sua atividade preponderante; ambas exercidas sem fins lucrativos e amparadas pelo estatuto. É de se ver, ainda, a quase totalidade dos atendimentos prestados pela impugnante em seus hospitais e clínicas referese ao SUS — Sistema Único de Saúde — e beneficia a grande massa da população carente. Fl. 240DF CARF MF Impresso em 03/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 1/08/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 29/08/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA 4 A relevância social das atividades exercidas pela impugnante, sem fins o lucrativos, tanto na área de educação quanto na de saúde, fez com que a mesma fosse reconhecida entidade de utilidade pública pelo Governo Estadual através de Decreto n. 8.770, de 28.09.1965, obtendo o mesmo reconhecimento pelo Governo Federal atravésdoDecreto n° 62.396, de 12/03/1968. Além disso, desde 28/12/1964, a impugnante foi reconhecida como Entidade de Fins Filantrópicos pelo então Conselho Nacional de Serviço Social, reconhecimento este ratificado pela Resolução do Conselho Nacional de Assistência Social n° 103/98, de 15/07/1998, que renovou o já concedido "Certificado de Entidade de Fins Filantrópicos" e estendeu sua validade para o período compreendido entre 01/01/1995 a 31/12/1997 e se encontra, atualmente, com pedido de nova prorrogação pendente de análise definitiva. Vale ressaltar que o que caracteriza uma entidade como sendo beneficente de assistência social é o fato dela prestar serviços de interesse público, sem fins lucrativos, garantindo aos hipossuficientes meios de satisfação de suas necessidades vitais, sem qualquer contraprestação. Importante esclarecer que, no contexto constitucional, a expressão "assistência social" pode ser dividida em lato sensu e strictu sensu. A primeira engloba a saúde, a previdência e a assistência social propriamente dita. A última referese unicamente à assistência social, tratada pelo art. 203 da Constituição Federal. A impugnante é entidade beneficente de assistência social que atua nas áreas de educação e saúde. Questionase, portanto, se o art. 195, § 7° da CF/88, ao colocar como beneficiárias da imunidade as entidades beneficentes de assistência social, teria aí adotado o conceito restrito ou o conceito lato de assistência social, que englobaria, além da primeira, as entidades beneficentes de saúde e de educação. O STF analisou o tema por ocasião do julgamento da ADIN 20855, da ADIN 20366, do MI 232, e dos RMS 22366 e 22192, tendo concluído que a entidade beneficente a que faz menção o §7°, do art. 195, da CF/88 englobaria entidades beneficentes de assistência à saúde, entidades beneficentes de assistência educacional e entidades de assistência social propriamente ditas. Tal entendimento foi acatado pela Resolução n. 32 do Conselho nacional de Assistência Social, que regula a concessão ou a renovação do Certificado de Entidade de Fins Filantrópicos. Mesmo que o mencionado dispositivo constitucional tivesse adotado o conceito restrito de assistência social, o que se admite por amor ao debate, ainda assim enquadrarseia a impugnante como beneficiária da imunidade. Isto porque seria inviável protegerse a família, a maternidade, a infância, a adolescência e a velhice, promoverse a integração ao mercado de trabalho e amparase criança e adolescente carentes sem que houvesse saúde e educação. Fl. 241DF CARF MF Impresso em 03/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 1/08/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 29/08/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 10680.010048/200591 Acórdão n.º 3202001.240 S3C2T2 Fl. 240 5 Resta claro que a caracterização de uma entidade como sendo beneficente de assistência social, nos termos do art. 195, § 7°, da CF/88, independe de Certificado de Entidade de Fins Filantrópicos. Neste ponto, mais uma vez valemonos do disposto no já citado art. 2° da Resolução do CNAS, que determina quais entidades teriam aquela natureza não fazendo qualquer menção à necessidade de que as mesmas possuam Certificado de Entidade de Fins Filantrópicos para serem consideradas como tal. Vale ressaltar, a própria Lei 8.212/91 jamais poderia pretender, de qualquer forma, regular a norma de imunidade prevista no art. 195, § 7°, da CF, mister que compete exclusivamente, à Lei Complementar, notadamente à luz do que dispõe o art. 146, II, da CF/88. Ou seja, os únicos requisitos os quais teriam que ser observados pela impugnante seria aqueles contidos no CTN, em seu art. 14. Três são os requisitos previstos no art. 14 do CTN, todos eles satisfeitos pela impetrante. Seus dirigentes não recebem qualquer remuneração. Todos os seus recursos são aplicados integralmente no território nacional e suas contas são regularmente escrituradas e contabilizadas. A impugnante efetivamente dispõe de certificado de filantropia. Com efeito, tal como já esclarecido anteriormente, a requerente em 28/12/1964, o referido certificado, tendo o mesmo sido renovado até o ano de 1997. A impugnante, em dezembro de 1997, pediu, novamente, a renovação de seu certificado (doc. Anexos), pedido este que foi inicialmente indeferido. Reiterou tais pedidos em 2000 e 2003. O primeiro processo se encontra, atualmente, no gabinete do Ministério da Previdência, ao passo que os outros dois pedidos se encontram na CNAS. Vejase, no entanto, o que diz a Resolução n° 1555, de 16 de outubro de 2002, DOU 18/10/2002, emitida pelo Conselho nacional de Assistência Social — CNAS, em reunião ordinária realizada nos dias 15 e 16 de outubro de 2002, no uso da competência que lhe confere o artigo 18 da lei n° 8742, de 7 de dezembro de 1993 — Lei Orgânica da Assistência Social — LOAS: "Os efeitos da renovação do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social — CEAS retroagem à data do termo final do Certificado anterior (art. 3°, § 3 0, do Decreto n° 2.536, de 1998), quando formalizado tempestivamente". Por esta razão, e também por força dos princípios da ampla defesa e do devido processo legal, enquanto não forem definitivamente analisados os referidos pedidos de renovação, o Certificado anteriormente concedido será válido. No caso do art. 14, da MP 2.15835/2001, parecenos óbvio que ao reconhecer a isenção às receitas "relativas às atividades próprias das entidades a que se refere o art. 13", o referido dispositivo impõe o benefício à toda e qualquer receita que não decorra de atividade econômica não voltada para a consecução do objetivo institucional da sociedade. Neste caso, a Fl. 242DF CARF MF Impresso em 03/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 1/08/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 29/08/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA 6 interpretação correta do artigo em questão se assemelharia à interpretação dada pelo § 4°, do art. 150, à regra de imunidade prevista nas alíneas "h" e "c". O STF, analisando a possibilidade de se aplicar aquela regra de imunidade a atividade de estacionamento desenvolvida por "templo" religioso, entendeu que, desde que receita obtida seja vertida para o escopo da entidade, esta será tida como imune. "EMENTA: IMUNIDADE TRIBUTÁRIA ART.150, VI, C, DA CONSTITUIÇÃO. INSTITUIÇÃO DE ASSISTÊNCIA SOCIAL EXIGÊNCIA DE IMPOSTO SOBRE SERVIÇO CALCULADO SOB VRE O PREÇO COBVRADO EM ESTACIONAMENTO DE VEÍCULOS NO PÁTIO INTERNO DA ENTIDADE. Ilegitimidade. Eventual renda obtida pela instituição de assistência social mediante cobrança de estacionamento de veículos em área interna da entidade, destinada ao custeio das atividades desta, está abrangida pela imunidade prevista no dispositivo sob sob destaque. Precedente da Corte: RE 166.1884. Recurso conhecido e provido" (RE 144900/SP — SÃO PAULO, RECURSO EXTRAORDINÁRIO, Relator(a): Min. Limar Gaivão. Julgamento: 22/04/1997 Órgão Julgador: Primeira Turma. Publicação: DJ 26091997 PP47494 EMENT VOL0188402 PP 00412). Outro, portanto, não poderia ser o entendimento quanto ao que se pode entender por receitas "relativas às atividades próprias das entidades a que se refere o art. 13", sob pena de se esvaziar a própria intenção do legislador ao dispor sobre a isenção referida no mencionado art. 14. Isto é, "as atividades próprias, aludidas pelo preceptivo legal, somente podem ser entendidas como sendo aquelas atividades que gerem receitas necessárias à própria manutenção da entidade fundacional ou de assistência social. Por esta mesma razão que a enumeração das receitas pelo art. 47, das IN/SRF 247 (que permite a aplicação da isenção somente quanto às "contribuições, doações, anuidades ou mensalidades fixadas por lei, assembléia ou estatuto, recebidas de associados ou mantenedores, sem caráter contraprestacional direto"), restringindo a abrangência da disposição contida no art. 14, da MP 215835/2001, termina verdadeiramente, por violar a própria disposição da referida MP, além de importar em verdadeira e incontendível violação ao princípio máximo da legalidade. Vale ressaltar, ainda que a pretexto de regulamentar a norma legal, o regulamento não pode inovar o ordenamento jurídico, criando dever não previsto em lei, devendo limitarse a detalhar o que nela lá se contenha, a teor do dispõem os arts. 2°, 5 0, II, 37, caput, e 84, VI, da CF/88. Enfim, se a lei não restringe a abrangência da norma isentiva, não pode a IN 247/2002, ainda que a pretexto regulamentar, pretender restringir tal abrangência, ao menos não sem provocar significativa modificação no ordenamento e jurídico e romper, completo, a barreira imposta pelo princípio da legalidade. Fl. 243DF CARF MF Impresso em 03/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 1/08/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 29/08/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 10680.010048/200591 Acórdão n.º 3202001.240 S3C2T2 Fl. 241 7 Agora, é fato que a Fiscalização reconhece a condição da impugnante de entidade assistencial ou de educação, ou de outra sorte não teria aplicado a isenção no que pertine às doações percebidas pela entidade. Se, contudo, ela reconhece esta condição da impugnante, resta claro e inobjetável que ela deveria ter reconhecido a aplicabilidade da isenção à todas as receitas percebidas pela fundação, notadamente por não se poder evocar, por violação ao princípio da legalidade e também às próprias disposições do art. 14, da MP 2.15835/2002, os preceitos restritivos da IN 247, pelas razões já suscitadas. A Fiscalização, ao restringir a aplicação da isenção preconizada pelo art 14, da MP 2.15835/2001 somente à receita de doações, excluindo, daí, as receitas decorrentes de mensalidades e verbas do SUS (receitas hospitalares), ela deixou de cumprir as disposições da própria IN 247/2002. Tal como se infere da planilha anexa à esta impugnação, inclusive disponibilizada ao fisco, da receita total considerada pela Fiscalização, isto é, R$ 66.336.474,99; aproximadamente, R$ 56.000.000,00 referemse às mensalidades e verbas do SUS, que devem ser consideradas sob pena de se excluir da regra de isenção as entidades do sistema de saúde mencionadas no art. 13, inciso III (entidades assistenciais de saúde), sem considerar as doações já consideradas pela fiscalização. Estes valores, pela disposição literal da IN 247, jamais poderiam deixar de ser considerados, constituindo, verdadeiramente, o pilar de sustentação da FELUMA e, portanto, essencial_ a sua própria sobrevivência. Estes valores deveriam ser considerados pela fiscalização para aplicação da isenção prevista no art. 14, da MP 215835/2002, restando, também aqui, evidenciado, o equívoco da Fiscalização. Do pedido: Diante do exposto, a impugnante pede que seja dado provimento a esta impugnação para: a) reconhecer a nulidade formal do auto de infração pelas razões expostas no item 11.1; b) reconhecerse a aplicação da imunidade prevista no art. 195, § 70, da CF/88 à totalidade das receitas da Fundação, por se tratar, indubitavelmente, de entidade assistencial e filantrópica; c) subsidiariamente, reconhecerse a aplicação da isenção prevista no art. 14, da MP 215835/2001 à totalidade das receitas percebidas pela impugnante, seja por se tratar, efetivamente de entidade de assistência social, reconhecendo, ainda, a incompatibilidade do § 2°, do art. Fl. 244DF CARF MF Impresso em 03/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 1/08/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 29/08/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA 8 47, da IN 247/2002 com as disposições da MP anteriormente mencionada; d) finalmente, e ad argumentandum, ainda que se pretenda aplicar as disposições da In 247/2002, reconhecer a aplicabilidade da isenção preconizada pela MP 2.158 35/2001 às receitas decorrentes de mensalidades e verbas do SUS percebidas pela impugnante, nos precisos termos do art. 47 da IN retro mencionadas. Em 01/07/2006, o contribuinte pediu ajuntada ao presente processo da cópia do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social (fls. 166) renovado pelo CNAS, em 17/11/2005. É o relatório. A 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belo Horizonte julgou improcedente a impugnação, proferindo o Acórdão DRJ/BHE n.º 0218.078, de 16/06/2008 (fls. 187 e ss.), assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/08/2000 a 31/12/2002 Consideramse receitas derivadas das atividades próprias somente aquelas decorrentes de contribuições, doações, anuidades ou mensalidades fixadas por lei, assembléia ou estatuto, recebidas de associados ou mantenedores, sem caráter contraprestacional direto, destinadas ao seu custeio e ao desenvolvimento dos seus objetivos sociais. A atividade administrativa, sendo plenamente vinculada, não comporta apreciação discricionária no tocante aos atos que integram a legislação tributária Lançamento Procedente Irresignada, a contribuinte apresentou, no prazo legal, recurso voluntário de fls. 210/231, por meio do qual basicamente repete os argumentos já delineados em sua impugnação. O processo foi distribuído a este Conselheiro Relator, na forma regimental. É o relatório Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator. O recurso atende a todos os requisitos de admissibilidade previstos em lei, razão pela qual dele se conhece. Noticia a fiscalização que a Recorrente, pessoa jurídica de direito privado sem fins lucrativos, cujo objeto é o desenvolvimento e a manutenção de atividades educacionais e de pesquisa no campo da ciência e da tecnologia, incluindo a finalidade particular de Fl. 245DF CARF MF Impresso em 03/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 1/08/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 29/08/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 10680.010048/200591 Acórdão n.º 3202001.240 S3C2T2 Fl. 242 9 manutenção da Faculdade de Ciências Médicas de Minas Gerais, não renovou o seu Certificado de reconhecimento de entidade de fins filantrópicos e beneficentes de assistência social. Acresce, ainda, que o lançamento baseouse também no inciso X do artigo 14 da MP n.º 2.158 35, que estabelece a isenção da Cofins apenas para as receitas oriundas das atividades próprias das entidades referidas no artigo 13 da mesma MP, entre as quais incluemse as entidades de educação, as de assistência social e as filantrópicas, de modo que a exigência teve por base “EXCLUSIVAMENTE AS RECEITAS CONFIGURADAS DE CARÁTER CONTRAPRESTACIONAL DIRETA”, isentandose as demais por guardarem os requisitos legais previstos na Legislação Tributária (Termo de Verificação Fiscal de fls. 15/16). A primeira questão já foi ultrapassada pela instância a quo, uma vez que foi juntada aos autos cópia do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social de fls. 184, terminando, assim, ao menos nesta parte, o litígio. Remanesce apenas o fato de que a isenção das receitas auferidas com a realização das atividades próprias, que seriam, para a fiscalização, com fundamento no art. 47 da IN SRF n.º 247, de 2002, somente aquelas decorrentes de contribuições, doações, anuidades ou mensalidades fixadas por Lei, Assembleia ou Estatuto, recebidas de associados ou mantenedores, sem caráter contraprestacional direto (as receitas tributadas decorrem da prestação de serviços educacionais pela Faculdade Ciências Médicas e de serviços hospitalares prestados pelos hospitais mantidos pela Recorrente). Pois bem. Em 29/06/1999, foi editada a Medida Provisória MP n.° 1.8586, de 1999, que, no inciso X do art. 14, isentou da Cofins as receitas decorrentes das atividades próprias das entidades relacionadas no art. 13 do mesmo diploma, entre as quais se incluem as instituições de educação e de assistência social a que se refere o art. 12 da Lei n.º 9.532, de 1997. Depois de várias reedições, a referida MP foi revogada. Atualmente, o dispositivo, com a mesma redação, encontrase encartado no art. 14 da MP n.º 2.15835, de 2001: Art.13.A contribuição para o PIS/PASEP será determinada com base na folha de salários, à alíquota de um por cento, pelas seguintes entidades: [...] III – instituições de educação e de assistência social a que se refere o art. 12 da Lei no9.532, de 10 de dezembro de 1997; (...) Art.14. Em relação aos fatos geradores ocorridos a partir de 1º de fevereiro de 1999, são isentas da COFINS as receitas: [...] X – relativas às atividades próprias das entidades a que se refere o art. 13. (g.n.). Visando regulamentála, o Poder Executivo editou, em 17/12/2002, o Decreto n.º 4.524, de 2002, que dispôs, em seu art. 46: Fl. 246DF CARF MF Impresso em 03/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 1/08/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 29/08/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA 10 Art. 46. As entidades relacionadas no art. 9º deste Decreto (Constituição Federal, art. 195, § 7º, e Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, art. 13, art. 14, inciso X, e art. 17): I não contribuem para o PIS/Pasep incidente sobre o faturamento; e II são isentas da Cofins com relação às receitas derivadas de suas atividades próprias. Parágrafo único. Para efeito de fruição dos benefícios fiscais previstos neste artigo, as entidades de educação, assistência social e de caráter filantrópico devem possuir o Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social expedido pelo Conselho Nacional de Assistência Social, renovado a cada três anos, de acordo com o disposto no art. 55 da Lei nº 8.212, de 1991. (g.n.). O conceito de atividade própria – que, como se vê, não estava definido na lei, tampouco no diploma regulamentar – só foi explicitado na Instrução Normativa – RFB n.º 247, de 21/11/2002, e nos termos seguintes: Art. 47. As entidades relacionadas no art. 9 º desta Instrução Normativa: I – não contribuem para o PIS/Pasep incidente sobre o faturamento; e II – são isentas da Cofins em relação às receitas derivadas de suas atividades próprias. § 1 º Para efeito de fruição dos benefícios fiscais previstos neste artigo, as entidades de educação, assistência social e de caráter filantrópico devem possuir o Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social expedido pelo Conselho Nacional de Assistência Social, renovado a cada três anos, de acordo com o disposto no art. 55 da Lei n º 8.212, de 1991. § 2 º Consideramse receitas derivadas das atividades próprias somente aquelas decorrentes de contribuições, doações, anuidades ou mensalidades fixadas por lei, assembléia ou estatuto, recebidas de associados ou mantenedores, sem caráter contraprestacional direto, destinadas ao seu custeio e ao desenvolvimento dos seus objetivos sociais. (g.n.). Portanto, ao menos para a RFB, havendo contraprestação direta (como no caso: recebimento de mensalidades escolares e taxas escolares), não há falar em receita decorrente de atividade própria, pelo que o valor daí originado deveria integrar a base de cálculo da Cofins. Não é o nosso entendimento. Isso porque o legislador ordinário não conferiu à Administração Pública o poderdever de regulamentar o dispositivo. Simplesmente instituiu a isenção (tratase, na verdade, de imunidade tributária, prevista no § 7º do art. 195 da Constituição Federal), e na Fl. 247DF CARF MF Impresso em 03/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 1/08/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 29/08/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 10680.010048/200591 Acórdão n.º 3202001.240 S3C2T2 Fl. 243 11 hipótese prevista: receita decorrente de atividade própria, sem estabelecer qualquer outro requisito, como a inexistência de contraprestação direta pela atividade realizada. Ao tentar disciplinála, a RFB restringiu inadvertidamente a isenção, estatuindo requisito não previsto na lei que criou o benefício. Afinal, como ato infralegal que é, a IN RFB n.º 247, de 2002, apenas se destinava a explicitar os comandos legais, de molde a permitir a sua execução pela própria Administração Pública. De conseguinte, não pode vincular os contribuintes, mas apenas ela própria. Já o conceito de atividade própria não pode ser outro – até o senso comum autoriza essa conclusão – que não aquela exercida em conformidade com o objeto social da entidade. Com efeito, o conceito dessa atividade não pode ir tão longe, como defendem alguns, a ponto de abranger as receitas derivadas de qualquer outra atividade, ainda que posteriormente venham a ser aplicadas na realização do objeto social da entidade. Não é a aplicação da receita que condiciona a isenção, mas a sua origem. Exemplifiquemos. Imaginese uma entidade de assistência social que, entre outros bens, possua um imóvel que fora alugado para uma empresa de estacionamento de veículos. Essa receita de aluguel, porque não derivada da atividade fim da entidade, não pode vir a ser excluída da base de cálculo da Cofins, mesmo que integralmente aplicada na realização de seu objeto social. Isso seria absolutamente incompatível com a expressão “relativas às atividades próprias”, prevista no art. 14, X, da MP n.º 2.152835, de 2001. A aplicação desses recursos, reafirmamos aqui, não condiciona a isenção. O que importa é saber de que atividade eles se originam – se própria, porque condizente com aquilo que a entidade se propõe a fazer, ou se imprópria, se a atividade exercida for qualquer outra. Condicionar, como se fez, que a receita decorrente de atividade própria não corresponda a uma contraprestação direta do beneficiário do serviço prestado invade a esfera de competência do legislador ordinário, que apenas previu, como condição para a isenção, a origem da receita (da atividade própria), nada mais que isso. Outro seria o voto se a condição (a contraprestação) fosse estabelecida por decreto regulamentar, em vista da impossibilidade de este Colegiado afastar a sua aplicação (art. 62 da Portaria MF n.º 256, de 22/06/2009). Não é o caso, porém. Comungando com o entendimento aqui adotado, vejamse as seguintes ementas de decisões do CARF: ENTIDADE BENEFICENTE DE ASSISTÊNCIA SOCIAL. ISENÇÃO. REQUISITOS. ART. 55 DA LEI Nº 8.212/91. ABRANGÊNCIA. POSSIBILIDADE DE SERVIÇOS CONTRAPRESTACIONAIS. Obedecidos os requisitos estabelecidos pelo art. 55 da Lei nº 8.212/91, a entidade beneficente de assistência social faz jus à isenção da Cofins, que abrange inclusive a receita oriunda de serviços contraprestacionais relacionados com o seu objeto social. (Acórdão nº 3201001457, Rel. designado Cons. Daniel Mariz Gudiño, Sessão de 22/10/2013) Fl. 248DF CARF MF Impresso em 03/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 1/08/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 29/08/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA 12 ENTIDADE BENEFICENTE DE ASSISTÊNCIA SOCIAL. ISENÇÃO. REQUISITOS. ART. 55 DA LEI Nº 8.212/91. ABRANGÊNCIA. POSSIBILIDADE DE SERVIÇOS CONTRAPRESTACIONAIS. Obedecidos os requisitos estabelecidos pelo art. 55 da Lei nº 8.212/91, a entidade beneficente de assistência social faz jus à isenção da Cofins, que abrange inclusive a receita oriunda de serviços contraprestacionais relacionados com o seu objeto social. (Acórdão nº 3401002.233, Rel. Cons. Emanuel Carlos Dantas de Assis, Sessão de 25/04/2013). IMUNIDADE. INSTITUIÇÃO SEM FINS LUCRATIVOS. Em conformidade com a constituição federal, e, tratando de Instituição de educação e de assistência social, sem fins lucrativos, atendidos os requisitos da imunidade, na linha da melhor doutrina e de acordo com a jurisprudência do STF e STJ, a imunidade da entidade deve ser reconhecida como um todo, capaz de abranger toda e qualquer receita proveniente de sua atividade. (Acórdão nº 3403001.918, Rel. Cons. Domingos de Sá Filho, Sessão de 27/02/2013). ENTIDADE BENEFICENTE DE ASSISTÊNCIA SOCIAL IMUNIDADE. ABRANGÊNCIA. SERVIÇOS CONTRAPRESTACIONAIS. REQUISITOS. ART. 55 DA LEI N°8.212/91. Obedecidos os requisitos estabelecidos pelo art. 55 da Lei n° 8.212/91, a entidade beneficente de assistência social faz jus à isenção da Cofins, que abrange inclusive a receita oriunda de serviços contraprestacionais relacionados com o seu objeto social. (Acórdão nº 930301521, Rel. Cons. Rodrigo Cardozo Miranda, Sessão de 04/07/2011). ENTIDADES DE EDUCAÇÃO. CNAS E ISENÇÃO. RECEITAS DE ATIVIDADES PRÓPRIAS. ABRANGÊNCIA. À vista da decisão do Supremo Tribunal Federal na medida cautelar na ADI 2.028, os requisitos de exclusividade e gratuidade na prestação de serviços não podem ser exigidos das entidades de assistência social para a caracterização da imunidade constitucional às contribuições sociais. Assim, o conceito de “receitas de atividades próprias”, para efeito da isenção de PIS e Cofins das entidades que tenham certificado de entidade beneficente de assistência social, abrange também as receitas retributivas destas entidades. (Acórdão nº 330201.563, Rel. Cons. José Antônio Francisco, Sessão de 25/04/2012). Ante o exposto, DOU PROVIMENTO ao recurso de voluntário. É como voto. Charles Mayer de Castro Souza Fl. 249DF CARF MF Impresso em 03/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 1/08/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 29/08/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 10680.010048/200591 Acórdão n.º 3202001.240 S3C2T2 Fl. 244 13 Fl. 250DF CARF MF Impresso em 03/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 1/08/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 29/08/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA
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Numero do processo: 13804.000928/2002-51
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 24 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Nov 03 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 1102-000.281
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, converter o julgamento em diligência nos termos do voto do redator designado, vencidos os conselheiro Ricardo Marozzi Gregório (relator), Antonio Carlos Guidoni Filho e João Carlos de Figueiredo Neto, que prosseguiam no exame do processo. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro João Otávio Oppermann Thomé.
Documento assinado digitalmente.
João Otávio Oppermann Thomé Presidente e Redator designado.
Documento assinado digitalmente.
Ricardo Marozzi Gregorio - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: João Otávio Oppermann Thomé, Antonio Carlos Guidoni Filho, José Evande Carvalho Araujo, Francisco Alexandre dos Santos Linhares, Ricardo Marozzi Gregorio e João Carlos de Figueiredo Neto.
Nome do relator: RICARDO MAROZZI GREGORIO
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Decadência. Glosas de amortizações de ágios e de IRRF não comprovados. Recorrente CARGILL AGRÍCOLA S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, converter o julgamento em diligência nos termos do voto do redator designado, vencidos os conselheiro Ricardo Marozzi Gregório (relator), Antonio Carlos Guidoni Filho e João Carlos de Figueiredo Neto, que prosseguiam no exame do processo. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro João Otávio Oppermann Thomé. Documento assinado digitalmente. João Otávio Oppermann Thomé – Presidente e Redator designado. Documento assinado digitalmente. Ricardo Marozzi Gregorio Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: João Otávio Oppermann Thomé, Antonio Carlos Guidoni Filho, José Evande Carvalho Araujo, Francisco Alexandre dos Santos Linhares, Ricardo Marozzi Gregorio e João Carlos de Figueiredo Neto. Relatório RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 04 .0 00 92 8/ 20 02 -5 1 Fl. 2123DF CARF MF Impresso em 03/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 28/ 10/2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 31/10/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 13804.000928/200251 Resolução nº 1102000.281 S1C1T2 Fl. 2.118 2 Inicialmente, esclareço que todas as indicações de folhas inseridas neste relatório e no subsequente voto dizem respeito à numeração digital do sistema eProcesso, ressalvo, entretanto, as eventuais indicações contidas nos trechos transcritos. Tratase de recurso voluntário interposto por CARGILL AGRÍCOLA S/A contra acórdão proferido pela DRJ/São Paulo I que concluiu pela procedência parcial de manifestação de inconformidade acerca da compensação de créditos de saldo negativo (no valor de R$ 14.156.342,71) e pagamentos indevidos de IRPJ (no valor de 22.454.756,65) correspondentes ao anocalendário de 2001, totalizando o valor de R$ 36.611.099,36, com débitos de diversos tributos federais. As correspondentes declarações de compensação estão consubstanciadas no presente processo e nos apensos de nº 13804.002056/200346, 13804.007599/200279, 13804.007929/200226, 13804.007976/200270, 13804.008294/2002 84, 13804.008675/200263 e 13808.000285/200213. A Derat/SP, mediante Despacho Decisório (fls. 784 a 803), reconheceu apenas parte do direito creditório pleiteado, no valor de R$ 13.664.828,87, e, por conseguinte, homologou a compensação até este limite. Essa decisão foi motivada pelo fato de aquela unidade ter constatado a existência de um saldo de imposto a pagar no valor de R$ 8.462.628,13 ao invés do saldo negativo pleiteado pela empresa. Por isso, o direito creditório reconhecido foi calculado a partir da diferença entre os pagamentos indevidos de estimativas verificados (quase a totalidade do originalmente pleiteado, qual seja, R$ 22.127.457,00) e aquele saldo de imposto a pagar. Diante dessa decisão, a empresa interpôs manifestação de inconformidade (fls. 815 a 839) na qual reuniu os seguintes argumentos (conforme relatados no recurso apresentado): (i) decadência do direito do fisco efetuar a constituição de crédito tributário no valor de R$ 8.462.628,13 e a impossibilidade de abater tal valor do direito creditório reconhecido em nome da Recorrente; (ii) os rendimentos em operações de swap foram contabilizados em contas contábeis diversas e foram adicionados ao resultado do exercício de 2001 mediante o lançamento em outras linhas da DIPJ/2002 (linhas 06A/24 e 6A/30); (iii) não obstante ter deixado de informar o valor das receitas de Juros Sobre o Capital Próprio na linha correta da DIPJ/2002, informou na linha 06A/24, conforme demonstrado; (iv) apesar de constar no balancete que o valor de R$ 10.907.431,36 referese aos valores de provisões para devedores duvidosos, na realidade tal valor referese às efetivas perdas no recebimento de créditos, conforme comprovado; (v) o valor de R$ 41.979.838,19, referente à diferença entre o valor declarado na linha 06A/38 e o declarado na linha 09A/10, diz respeito à amortização de ágio considerado dedutível para determinação do lucro real; (vi) o valor de R$ 11.333.856,77 referese à variação cambial passiva do ano de 2000, cuja obrigação foi liquidada durante o ano de 2001, justificando, assim, sua exclusão neste ano, conforme demonstrado; Fl. 2124DF CARF MF Impresso em 03/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 28/ 10/2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 31/10/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 13804.000928/200251 Resolução nº 1102000.281 S1C1T2 Fl. 2.119 3 (vii) em relação ao montante de IRRF declarado na linha 12A/13, no valor de R$ 14.172.465,98, a fiscalização já havia constatado a existência desse valor a título de IRRF; e (viii) em relação ao pagamento indevido, a diferença entre os valores apurados pela fiscalização e pela Recorrente referese à multa e aos juros pagos, cujos valores devem, necessariamente, ser considerados como recolhimentos indevidos. A 4ª Turma da já mencionada DRJ/São Paulo I proferiu, então, o Acórdão nº 16 39.396 (fls. 1962 a 2044), de 29 de maio de 2012, por meio do qual considerou procedente em parte a manifestação de inconformidade. Assim figurou a ementa daquele julgado: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2001 CRÉDITO LÍQUIDO E CERTO. O contribuinte tem direito a restituição e/ou compensação do tributo pago indevidamente, desde que faça prova de possuir crédito líquido e certo contra a Fazenda Pública. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2001 DIREITO CREDITÓRIO. Foi apurado crédito em favor do contribuinte, referente ao IRPJ, em valor superior ao já reconhecido pela Autoridade Administrativa, mas inferior ao pleiteado. As conclusões que fundamentaram tal decisão foram assim resumidas no recurso voluntário: (i) em relação à preliminar de decadência, que não houve constituição de imposto a pagar, mas apuração do valor do saldo negativo de IRPJ apurado em relação ao AC 2001 (negado provimento ao recurso da Recorrente); (ii) tendo em vista a comprovação da Recorrente, devese manter o valor de R$ 0,00 informado na Linha 06A/21 da DIPJ/02 (dado provimento ao recurso da Recorrente); Fl. 2125DF CARF MF Impresso em 03/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 28/ 10/2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 31/10/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 13804.000928/200251 Resolução nº 1102000.281 S1C1T2 Fl. 2.120 4 (iii) devese considerar na Linha 06A/23 o valor de R$ 285,26, tendo em vista que a Recorrente não comprovou que tal valor compôs o indicado na Linha 06A/24 (negado provimento ao recurso da Recorrente); (iv) restou comprovado que o valor de R$ 10.907.431,36 referese às perdas efetivas ocorridas durante o ano de 2000, devendose manter o valor R$ 0,00 indicado pela Recorrente na linha 05A/21 (dado provimento ao recurso da Recorrente); (v) não se aplica à Recorrente a norma de dedutibilidade de ágio prevista no artigo 386, inciso III, §2° do RIR/99, pois o ágio gerado dentro de um mesmo grupo econômico não encontra respaldo na contabilidade, não restando comprovada a ocorrência de uma incorporação de uma forma normal, ou seja, entre partes independentes, razão pela qual devese alterar o valor informado na linha 09A/10 de R$ 23.135.154,83 para R$ 65.114.993,02 (negado provimento ao recurso da Recorrente); (vi) a Recorrente não poderia excluir, na DIPJ/02, o valor de R$ 11.333.856,77, referente à variação cambial passiva do ano de 2000, cuja obrigação foi liquidada durante o ano de 2001, sob pena de utilizálo duas vezes (negado provimento ao recurso da Recorrente); (vii) em relação ao IRRF declarado na Linha 12A/13, a Recorrente somente poderia utilizar o valor de R$ 10.704.662,08, tendo em vista que a Recorrente não comprovou, através de informes de rendimentos, o valor de R$ 14.156.342,71 (negado provimento ao recurso da Recorrente); e (viii) devese reconhecer como pagamento indevido o montante de R$ 21.803.913,34 (dado parcial provimento ao recurso da Recorrente). Com isso, o direito creditório reconhecido passou a ser de R$ 17.776.004,46. Isso porque, apesar de a decisão recorrida ter observado que os pagamentos indevidos de estimativas comprovados (no valor de R$ 21.803.913,34) seriam inferiores aos verificados pela unidade de origem, o saldo de imposto a pagar foi reduzido para R$ 4.027.908,88. Inconformada, a empresa apresentou recurso voluntário (fls. 2047 a 2072) em que limitou suas alegações nas matérias concernentes à decadência do direito do Fisco questionar a apuração do imposto, à glosa das amortizações de ágios e à glosa de IRRF não comprovados. Em resumo, os seguintes argumentos foram deduzidos: 1. O crédito tributário de IRPJ relativo ao fato gerador ocorrido em 31/12/2001 estava extinto pela decadência quando a empresa foi intimada, em 23/02/3007, do indeferimento do seu pedido de compensação. Neste sentido, colaciona trechos de decisões proferidas nos âmbitos administrativo e judicial. 2. No que se refere aos R$ 41.978.838,19 (diferença entre os R$ 65.114.993,02 e os R$ 23.135.154,83 informados na linha 09A/10 da DIPJ) amortizados a título de ágio, sua origem foi motivada pela rentabilidade futura verificada na aquisição de três empresas diferentes: São Valentim, Japinha e Fertinal. Tais empresas foram incorporadas pela recorrente durante o anocalendário de 2001. Com isso, passou a considerar dedutível a Fl. 2126DF CARF MF Impresso em 03/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 28/ 10/2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 31/10/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 13804.000928/200251 Resolução nº 1102000.281 S1C1T2 Fl. 2.121 5 amortização do ágio com base no artigo 386, III, do RIR/99. A DRJ limitouse a analisar os documentos referentes à incorporação das empresas (fls. 894 a 945). Entretanto, de acordo com outros documentos contidos no processo, é possível verificar que aquelas empresas foram adquiridas de terceiros e que os ágios foram justificados mediantes laudos de avaliação. 3. Quanto ao IRRF não comprovado, é importante frisar que o sistema SIEF/DIRF, utilizado pela Derat para aferir os valores retidos, é alimentado com informações passíveis de erros. No entanto, a análise criteriosa efetuada pela Defis (solicitada pela Derat) concluiu que o valor de R$ 14.172.465,98 foi adequadamente comprovado e escriturado nos registros contábeis. Ainda assim, juntou ao recurso a segunda via de um informe de rendimentos que comprova a retenção no valor de R$ 2.780.732,68, além dos R$ 10.704.662,08 reconhecidos pela decisão recorrida. Além disso, informa que tentaria obter os demais informes de rendimentos e apresentálos antes do julgamento do recurso voluntário. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Ricardo Marozzi Gregorio, Relator O recurso voluntário é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Quanto à alegação de que o crédito tributário estava extinto pela decadência, de fato, costumase argumentar que a apuração efetuada pelo contribuinte teria que ser aceita sem qualquer contestação por parte do Fisco porque ela só poderia ser recomposta por meio de um lançamento. A verificação do Fisco só seria admissível no nível dos pagamentos (retenções na fonte e estimativas mensais) que eventualmente tivessem reduzido o tributo devido. Segundo os defensores dessa tese, a negativa da restituição/compensação fundamentada em erros no nível da apuração do lucro real ou da base de cálculo da CSLL seria uma forma disfarçada de lançamento. Entretanto, não há que se confundir a impossibilidade da constituição do crédito tributário por haver decaído o direito de lançar com a possibilidade de verificação das circunstâncias que influenciaram na apuração de um direito creditório pleiteado, ainda que tais elementos estejam vinculados a períodos cujo direito de lançar tenha sido atingido pela decadência. Nesse sentido, por demais esclarecedor, reproduzo trecho de voto já pronunciado neste mesmo Colegiado: Fl. 2127DF CARF MF Impresso em 03/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 28/ 10/2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 31/10/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 13804.000928/200251 Resolução nº 1102000.281 S1C1T2 Fl. 2.122 6 Quando se trata de compensação, não se está a tratar de lançamento, e tampouco é o crédito tributário o foco. Ao contrário, o foco é o crédito que venha a ser alegado pelo sujeito passivo, sendo certo, portanto, que é a este que cabe fazer a prova do seu direito, consoante a regra basilar extraída do Código de Processo Civil, artigo 333, inciso I. Assim, o prazo decadencial apropriado à espécie a ser considerado é, antes de mais nada, o do artigo 168 do CTN, que versa sobre o direito do sujeito passivo de pleitear a restituição do tributo pago a maior ou indevidamente. Uma vez formalizada em tempo hábil a compensação, deve o sujeito passivo ter instrumentos hábeis a comprovar a regularidade do direito invocado, cabendo ao Fisco verificar a consistência das informações necessárias ao procedimento de homologação da compensação. Aliás, o artigo 170 do CTN é expresso ao atribuir à lei o poder de autorizar a compensação tão somente com créditos líquidos e certos do sujeito passivo contra a Fazenda pública, e sob as condições e garantias que a própria lei vier a estipular. Assim, é somente a partir da formalização da compensação que há sentido em se falar em prazo para que a autoridade administrativa se pronuncie acerca do direito alegado. Neste sentido, cumpre observar que o art. 74 da Lei nº 9.430/96, com a redação dada pela Lei nº 10.833/03, veio a suprir lacuna antes existente na legislação, no sentido de que não havia um prazo estabelecido em lei para a análise do pleito. E o prazo que foi estabelecido pela lei para a homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo é de cinco anos, contado da data da entrega da declaração de compensação (art. 74, § 5º, da Lei nº 9.430/96). (Acórdão nº 110200.432, Relator: João Otávio Oppermann Thomé, Proferido na Sessão de 25/05/11) Portanto, o prazo de decadência para se constituir o crédito tributário mediante lançamento é estabelecido no CTN. E isso vale tanto para a hipótese do artigo 150, § 4º (a apuração do crédito tributário estará homologada, como penso, ou o pagamento do crédito tributário estará homologado, como o STJ decidiu em sede de recurso repetitivo no REsp nº 973.333SC), quanto para a hipótese do artigo 173 (constituição do crédito tributário de ofício pela Fazenda Pública). É de se notar que nessas hipóteses o objeto da norma restringese sempre ao conceito de “crédito tributário”. Ou seja, tratase de apuração, pagamento ou lançamento de “crédito tributário”. Por outro lado, o prazo para se verificar a liquidez e certeza do direito creditório invocado num pedido de restituição/compensação está conformado no artigo 74, § 5º, da Lei nº 9.430/96. Aqui o objeto é outro. A norma trata do prazo de decadência para a homologação da “compensação declarada”. São prazos independentes que não se comunicam mesmo nas situações em que o Fisco realiza a correta apuração do lucro real ou da base de cálculo da CSLL para fins de verificação do direito creditório consubstanciado por um saldo negativo de IRPJ ou CSLL. Nem se diga que o Fisco não poderia proceder dessa forma sem a lavratura de auto de infração por causa da alteração legislativa que foi introduzida no PAF (Decreto nº 70.235/72), no § 4º do artigo 9º do PAF, pela Lei nº 11.941/09, verbis: Fl. 2128DF CARF MF Impresso em 03/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 28/ 10/2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 31/10/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 13804.000928/200251 Resolução nº 1102000.281 S1C1T2 Fl. 2.123 7 Art. 9º A exigência do crédito tributário e a aplicação de penalidade isolada serão formalizados em autos de infração ou notificações de lançamento, distintos para cada tributo ou penalidade, os quais deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) (...) § 4º O disposto no caput deste artigo aplicase também nas hipóteses em que, constatada infração à legislação tributária, dela não resulte exigência de crédito tributário. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) A modificação legislativa teve apenas o condão de criar uma previsão legal para a autuação das infrações que não resultam em exigência de crédito tributário. Seu objetivo foi bem esclarecido no item 13 da Exposição de Motivos Interministerial nº 161/2008 – MF/MP/MAPA/AGU – apresentada para a Medida Provisória nº 449/2008, que lhe deu origem: 13. O art. 23, por sua vez, altera o Decreto nº 70.235, de 1972, sendo que a alteração do art. 9º do referido Decreto visa possibilitar à Fazenda Nacional, nas hipóteses em que não resulte lançamento de crédito tributário, a formalização de infrações que ensejem a redução de valores a restituir, a compensar ou a deduzir de tributos e a glosa de créditos de tributos não cumulativos, permitindo ao contribuinte exercer plenamente o direito ao contraditório e à ampla defesa. Tratouse, então, de garantir o contraditório e a ampla defesa nas hipóteses em que são constatadas as referidas infrações. Portanto, a finalidade dessa norma deve ser colhida em absoluta consonância com a ideia de se garantir o contencioso administrativo e, sobretudo, com a exigência probatória contida no caput do mesmo artigo, qual seja, todos os elementos indispensáveis à comprovação do ilícito. Desde que tais premissas sejam atendidas, não vejo necessidade de se exigir a lavratura de um auto de infração se o mesmo objetivo pode ser atingido com um despacho decisório que pode ser contestado pela via da manifestação de inconformidade. Ademais, existe ainda uma questão de ordem pragmática que me parece relevante nessa discussão. Vamos admitir que o contribuinte faça uma retificação de sua apuração, para aumentar seu saldo negativo, e submeta a correspondente declaração de compensação quando decorridos quatro anos e onze meses da ocorrência do fato gerador. Se o Fisco tivesse só um mês para conferir a apuração, é bem possível que isso abriria espaço para a “criação” de créditos fictícios que, uma vez multiplicados, poderiam trazer consequências nefastas para o Erário. Fl. 2129DF CARF MF Impresso em 03/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 28/ 10/2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 31/10/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 13804.000928/200251 Resolução nº 1102000.281 S1C1T2 Fl. 2.124 8 Nesse caso, os defensores da tese da “homologação tácita independentemente da apuração de crédito tributário” propugnam por uma solução jurisprudencial que permita a reabertura do prazo decadencial por causa da retificadora apresentada ao Fisco. Nada obstante, além da falta de previsão legal, em nome da coerência lógica do sistema, haveria que se estender tal entendimento para as situações em que, ao invés de aumento do saldo negativo, a retificadora fosse apresentada no sentido de reduzir o saldo positivo, ou seja, de reduzir o crédito tributário anteriormente constituído. Então, se o pagamento ainda não tivesse sido efetuado, os defensores daquela tese admitiriam também a reabertura do prazo para o Fisco lançar o crédito tributário indevidamente reduzido? Não creio que chegassem a tanto! Por conseguinte, nada impede que o Fisco perscrute, a qualquer tempo, os elementos formadores de um crédito reclamado por um contribuinte. O limite temporal está fixado no prazo para o contribuinte pleitear seu direito de repetição e, exercendoo por meio da compensação, no prazo para o Fisco homologar a correspondente declaração. Desde que dentro deste último prazo, o Fisco pode exigir a comprovação dos elementos formadores do crédito indicado. É claro que a soma desses prazos (de repetição e de homologação) acabará consolidando em dez anos uma determinada apuração de saldo negativo. Assim, por exemplo, se a apuração originalmente efetuada pelo contribuinte no anocalendário de 2009 resultar em saldo negativo, este poderá ser objeto do direito creditório em uma declaração de compensação até o final do anocalendário de 2014. O Fisco, por sua vez, terá até o final do anocalendário de 2019 para confirmar ou recompor a apuração original. Mesmo que esta apuração original tenha deduzido estimativas pagas mediante compensação com crédito referente a saldo negativo anterior (apurado no anocalendário de 2008, por exemplo), o Fisco não mais poderá visitar a apuração que o acarretou. Isso porque tal compensação já terá sido alcançada pela homologação tácita (que teria ocorrido no final do anocalendário de 2013). A possibilidade de o Fisco exigir a comprovação do elementos formadores do crédito indicado na compensação é confirmada pela aplicação da exegese contida no artigo 37 da Lei nº 9.430/96: Art. 37. Os comprovantes da escrituração da pessoa jurídica, relativos a fatos que repercutam em lançamentos contábeis de exercícios futuros, serão conservados até que se opere a decadência do direito de a Fazenda Pública constituir os créditos tributários relativos a esses exercícios. Com efeito, pleiteada a compensação, esta constitui um fato permutativo entre elementos do patrimônio da pessoa jurídica. Mesmo sujeito à posterior homologação, a teoria contábil exige o lançamento deste fato administrativo quando de sua constituição. Enquanto não decair o direito de o Fisco lançar os créditos tributários referentes ao exercício financeiro em que ocorreu ou deveria ter ocorrido o mencionado lançamento, a pessoa jurídica tem o dever de manter os comprovantes da escrituração dos elementos que repercutiram na criação do crédito alegado na compensação. Fl. 2130DF CARF MF Impresso em 03/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 28/ 10/2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 31/10/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 13804.000928/200251 Resolução nº 1102000.281 S1C1T2 Fl. 2.125 9 Quanto aos R$ 41.978.838,19 amortizados a título de ágio, conforme relatado, sua origem teria sido motivada por rentabilidade futura verificada na aquisição de três empresas. Assim, a composição contábil do total amortizado reuniu parcelas de ágios concernentes às aquisições das empresas (i) São Valentim AgroIndustrial Ltda; (ii) Japinha S/A; e (iii) Fertinal Administração, Empreendimentos e Participações Ltda (de acordo com a explicação fornecida com a manifestação de inconformidade às fls. 894). A DRJ concordou com a glosa efetuada pela unidade de origem sobre essa amortização porque entendeu que, em suas palavras, “não restou comprovada, nas operações referidas, uma incorporação de uma forma normal, ou seja, entre partes independentes, com recursos monetários (incluindo o ágio) despendidos com este fim” (fls. 2031). Nesse sentido, baseiase no teor do item 120 da Resolução CFC nº 1.110/2007, do Ofício Circular/CVM/SNC/SEP nº 01/2007 e de parecer dos professores Eliseu Martins e Jorge Viana da Costa Junior. Todos, de alguma forma, defendendo a impossibilidade de surgimento de ágio em uma operação realizada dentro do mesmo grupo econômico. Tratase, portanto, da conhecida doutrina que abomina o planejamento fiscal consubstanciado pelo ágio interno. Nada obstante, parece que a instância a quo se equivocou na aplicação dessa doutrina ao presente caso. Isso porque fundamentou sua constatação nos fatos de que os documentos juntados para comprovar as operações de incorporação e de que consultas ao Sistema CNPJ revelaram a coincidência de pessoas físicas, e seus respectivos endereços, as quais representavam os dois lados de cada uma daquelas operações. Além disso, a recorrente constava como sócia das empresas incorporadas antes das referidas operações. Ora, a verificação de que empresas envolvidas em reorganizações societárias são ou não independentes para fins de oponibilidade do planejamento ao Fisco deve focar nas operações que deram o surgimento ao ágio e não nas incorporações posteriormente realizadas. Por uma razão lógica é certo que após a aquisição de participação societária relevante com o surgimento do ágio as empresas envolvidas deixarão de ser independentes. A recorrente até alega que as três empresas posteriormente incorporadas foram adquiridas através de operações com pessoas independentes. Neste sentido, informa que: a empresa São Valentim foi adquirida no ano de 1996 mediante contrato de compra e venda de quotas firmado com a empresa Lina Participações e Administração Ltda e Alberto Zuzzi; a empresa Fertinal foi adquirida no ano de 2000 de oito pessoas físicas (Beatriz Baptistella Henriques, Eduardo Baptistella, Lucas Carlos Baptistella Júnior, Maria Isabel Baptistella Savoia, Vera Cardinali Batistella, Jose Fernando Bastos Sampaio, Sidney Frattini e Walter Frattini); e a empresa Japinha foi adquirida no ano de 1999 mediante permuta de ações com a empresa Grupasso Participações S/A. No entanto, mesmo que isso fosse inverídico, essa não foi a acusação manifestada no despacho decisório da unidade de origem nem a contraposição deduzida no acórdão recorrido. Sem embargo, o voto condutor da decisão recorrida também motivou sua concordância com a glosa das amortizações no fato de que os documentos juntados para comprovar as operações de incorporação davam conta da contratação de empresa visando elaborar laudo de avaliação, mas não teriam sido trazidos laudos que justificassem o ágio alegado. A recorrente, por sua vez, alega que os ágios foram justificados por laudos de avaliação. A meu ver, temos aí mais um equívoco da instância a quo. A justificativa dos ágios deve ser comprovada mediante demonstrativos produzidos na época das aquisições dos Fl. 2131DF CARF MF Impresso em 03/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 28/ 10/2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 31/10/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 13804.000928/200251 Resolução nº 1102000.281 S1C1T2 Fl. 2.126 10 investimentos e, sobretudo, contendo as razões econômicas pelas quais haveria as expectativas de resultados futuros. Essa é a ratio legis do artigo 20 do DecretoLei nº 1.598/77, verbis: Art 20 O contribuinte que avaliar investimento em sociedade coligada ou controlada pelo valor de patrimônio líquido deverá, por ocasião da aquisição da participação, desdobrar o custo de aquisição em: I valor de patrimônio líquido na época da aquisição, determinado de acordo com o disposto no artigo 21; e II ágio ou deságio na aquisição, que será a diferença entre o custo de aquisição do investimento e o valor de que trata o número I. (...) § 2º O lançamento do ágio ou deságio deverá indicar, dentre os seguintes, seu fundamento econômico: (...) b) valor de rentabilidade da coligada ou controlada, com base em previsão dos resultados nos exercícios futuros; (...) § 3º O lançamento com os fundamentos de que tratam as letras a e b do § 2º deverá ser baseado em demonstração que o contribuinte arquivará como comprovante da escrituração. Tais demonstrativos podem até ser veiculados na forma de laudos de avaliação, todavia, não se confundem com a figura prevista no § 3º do artigo 227 da Lei 6.404/76 (Lei das S/A), o qual exige um laudo para a avaliação do patrimônio líquido da empresa incorporada. Confirase: Art. 227. A incorporação é a operação pela qual uma ou mais sociedades são absorvidas por outra, que lhes sucede em todos os direitos e obrigações. § 1º A assembléiageral da companhia incorporadora, se aprovar o protocolo da operação, deverá autorizar o aumento de capital a ser subscrito e realizado pela incorporada mediante versão do seu patrimônio líquido, e nomear os peritos que o avaliarão. § 2º A sociedade que houver de ser incorporada, se aprovar o protocolo da operação, autorizará seus administradores a praticarem os atos necessários à incorporação, inclusive a subscrição do aumento de capital da incorporadora. § 3º Aprovados pela assembléiageral da incorporadora o laudo de avaliação e a incorporação, extinguese a incorporada, competindo à Fl. 2132DF CARF MF Impresso em 03/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 28/ 10/2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 31/10/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 13804.000928/200251 Resolução nº 1102000.281 S1C1T2 Fl. 2.127 11 primeira promover o arquivamento e a publicação dos atos da incorporação. (grifei) Portanto, são justamente estes os laudos de avaliação mencionados nos documentos juntados para comprovar as operações de incorporação. O fato de não terem sido trazidos aos autos em nada interfere no presente julgamento em razão de serem inúteis como prova para aquilo que aqui se discute. Por outro lado, conforme alegado pela recorrente, foram apresentados, de fato, demonstrativos (na forma de laudos de avaliação) para justificar a expectativa de resultados futuros dos ágios contabilizados na aquisição das empresas Japinha (fls. 1773 a 1817) e Fertinal (fls. 1893 a 1910). No entanto, relativamente à empresa São Valentim, a diligência solicitada pela instância a quo atestou (fls. 1916) que a recorrente não apresentou o demonstrativo da expectativa de resultados futuros alegando extravio dos documentos da transação. Pretendeu, apenas, comprovar o ágio lançado mediante a singela apresentação dos dados da sua contabilidade. O § 3º do artigo 20 do DecretoLei nº 1.598/77, acima transcrito, é categórico ao determinar que a demonstração do fundamento econômico do lançamento do ágio deve ser arquivada como comprovante da escrituração. Como já esclarecido, a pessoa jurídica tem o dever de manter os comprovantes da escrituração dos elementos que repercutiram na criação do crédito alegado na compensação. Portanto, como o lançamento do ágio não atendeu à regular exigência da lei, sua amortização não é dedutível. Por tais motivos, devese manter apenas a glosa da amortização do ágio referente à aquisição da empresa São Valentim (que, segundo atestado às fls. 1917, totaliza o valor de R$ 952.363,33). Ou seja, há que se confirmar a amortização de ágios no valor de R$ 41.027.474,86 (R$ 41.979.838,19 – R$ 952.363,33). Quanto ao IRRF não comprovado, a recorrente alega que as informações contidas nas DIRF são passíveis de erros. Tais erros poderiam ter dado ensejo às inconsistências em relação ao resultado da análise criteriosa efetuada pela Defis (em diligência solicitada pela Derat). Isso porque, na DIPJ apresentada, existiriam rendimentos financeiros reconhecidos pelo regime de competência enquanto que a retenção na fonte só é efetuada quando do resgate da referida aplicação. Diante dessas alegações, a autoridade julgadora de primeira instância, em outra diligência demandada à Defis, solicitou a efetiva comprovação dos valores retidos junto às fontes pagadoras. Contudo, o relatório da diligência limitouse a opinar que os documentos contábeis apresentados pela empresa seriam suficientes para corroborar seus argumentos considerando que a diligência anterior já havia procedido às devidas verificações. A DRJ, então, invocou o argumento de que o resultado da diligência não a vinculava e, em face das dúvidas contidas no universo dos documentos contábeis apresentados (fls. 246 a 421 e 1669 a 1721), decidiu considerar comprovados apenas os valores de retenção suportados por informes de rendimentos. Como esses valores totalizaram um resultado inferior ao IRRF reconhecido pela unidade de origem, diante da impossibilidade do “reformatio in pejus”, manteve a glosa inicialmente efetuada. Fl. 2133DF CARF MF Impresso em 03/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 28/ 10/2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 31/10/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 13804.000928/200251 Resolução nº 1102000.281 S1C1T2 Fl. 2.128 12 Entendo que assiste razão ao decidido na instância a quo. Com efeito, os documentos contábeis apresentados não permitem a comprovação efetiva da totalidade do IRRF deduzido na apuração anual do tributo. Segundo a documentação anexada na primeira diligência efetuada pela Defis, os valores contabilizados foram resumidos em uma planilha juntada às fls. 256, como segue: Item Instituição Valor Retido (R$) 1 HSBC Bank Brasil S/A 2.780.732,68 2 Banco Sudameris S/A 5.293.873,47 3 Banco Santos S/A 54.974,26 4 Banco Cargill S/A 36.382,63 5 Banco ABN Amro S/A 1.744.609,98 6 Banco Chase Manhattan / J P Morgan 3.900.380,58 7 Inpar Incor Partic. Ltda. 356.065,97 8 Pirelli do Brasil S/A 5.446,41 A DRJ, pela razão já mencionada, considerou comprovados os valores indicados nos itens 2, 4, 6 e 8. Não admitiu a retenção indicada nos demais itens porque os documentos apresentados pela empresa, juntados em seguida à referida planilha (fls. 257 a 421), bem como os reunidos de fls. 1669 a 1721, são elementos que não prescindem da inequívoca comprovação dos valores retidos. Em relação ao item 3, os documentos juntados de fls. 322 a 329 levam a presumir que o valor retido se refere a rendimentos financeiros obtidos em liquidação de contrato de câmbio. O valor contratado seria de R$ 4.316.000,00 e o correspondente prêmio (rendimento) seria de R$ 274.871,25. Para se aceitar a retenção, haveria que se provar que o valor do prêmio foi efetivamente oferecido à tributação. Às fls. 324 e 326, consta que este valor foi creditado de uma conta de ativo circulante que lançou como provisão algumas quantias a título de “prêmios a receber”. As folhas seguintes, de números 325, 327, 328 e 329, não são conclusivas para atestar que aquele valor foi, de fato, oferecido à tributação. Ademais, não há nenhum documento provando que houve a retenção de R$ 54.974,26. A cópia do email de fls. 322, decisivamente, não configura prova neste sentido. Em relação ao item 5, os documentos juntados de fls. 354 a 358 levam a presumir que o valor retido se refere a rendimentos financeiros obtidos em liquidação de contrato de câmbio. Os valores contratados seriam (i) de R$ 17.860.000,00, com o correspondente prêmio (rendimento) de R$ 4.376.262,40 e imposto retido de R$ 875.252,48; e (ii) de R$ 18.430.000,00, com o correspondente prêmio (rendimento) de R$ 4.346.787,49 e imposto retido de R$ 869.357,49. A soma dos valores retidos totaliza o indicado na planilha. Para se aceitar a retenção, haveria que se provar que os valores dos prêmios foram Fl. 2134DF CARF MF Impresso em 03/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 28/ 10/2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 31/10/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 13804.000928/200251 Resolução nº 1102000.281 S1C1T2 Fl. 2.129 13 efetivamente oferecidos à tributação. Às fls. 355 e 357, consta que este valores foram lançados (não está claro se à débito ou crédito) em uma conta de ativo circulante. A folha seguinte, de números 358, não é conclusiva para atestar que aqueles valores foram, de fato, oferecidos à tributação. Ademais, não há nenhum documento provando que houve a retenção de R$ 875.252,48 e R$ 869.357,49. Os avisos de crédito de fls. 354 e 356, decisivamente, não configuram prova neste sentido. Em relação ao item 7, os documentos juntados de fls. 394 a 416 levam a presumir que o valor retido se refere a receitas financeiras advindas de empréstimos concedidos. Os valores das receitas seriam de R$ 786.990,25 e R$ 993.339,60, com os correspondentes impostos retidos de R$ 157.398,05 e R$ 198.667,92. A soma dos valores retidos totaliza o indicado na planilha. Para se aceitar a retenção, haveria que se provar que os valores das receitas financeiras foram efetivamente oferecidos à tributação. No termo de esclarecimento (fls. 394), a recorrente diz que eles foram contabilizados “pro rata” segundo o regime de competência. Os registros de lançamentos de fls. 396 a 416 não são conclusivos para atestar que aqueles valores foram, de fato, oferecidos à tributação. Não há coincidência de valores com os que foram contabilizados (mesmo aqueles com a indicação por escrito “INPAR”) na conta “juros ativosterceiros”. Ademais, não há nenhum documento provando que houve a retenção de R$ 157.398,05 e R$ 198.667,92. O termo de esclarecimento de fls. 394, decisivamente, não configura prova neste sentido. O DARF de fls. 395, no valor de R$ 157.398,05, foi recolhido em nome de “INPAR” com o código de receita 3426 (“aplicações financeiras de renda fixa”). Há uma informação (por escrito) dizendo que o DARF será alterado. Contudo, o extrato de consulta do sistema SINAL, efetuada em 16/11/2006 (fls. 422 e 423), o qual serve de confirmação dos pagamentos via DARF, não indica nenhum recolhimento no referido valor, em nome da empresa recorrente, no período entre 01/01/01 e 31/12/01. O fato de a diligência solicitada pela Derat ter entendido que a documentação era suficiente para comprovar o IRRF deduzido, realmente, não vincula as instâncias julgadoras. Mormente quando tal diligência firmou sua convicção na singela análise, efetuada em um único parágrafo, a seguir reproduzida (cf. fls. 426): Em relação ao IRRF de R$ 14.172.465,98 referente as APLICAÇÕES FINANCEIRAS, encontramse as fls. 246/412 cópias do razão e dos documentos suporte aos lançamentos contábeis. Concluise, pela análise e exame documental procedida pelo usual método de amostragem, que o IRRF, juntamente com a receita auferida, foi adequadamente comprovado e escriturado nos registros contábeis. O demonstrativo de fls. 245 permite visualizar as contas utilizadas na contabilização dos valores envolvidos. Além disso, a alegação de que haveria inconsistência porque os rendimentos financeiros são reconhecidos pelo regime de competência e que a retenção é efetuada quando do resgate das respectivas aplicações não procede. Isso porque o oferecimento dos rendimentos à tributação não guarda correspondência cronológica com a dedução das antecipações de imposto retido, as quais devem, de fato, obedecer ao regime de caixa. Fl. 2135DF CARF MF Impresso em 03/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 28/ 10/2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 31/10/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 13804.000928/200251 Resolução nº 1102000.281 S1C1T2 Fl. 2.130 14 Ademais, o artigo 55 da Lei nº 5.450/85 é claro quanto à necessidade de comprovação da retenção mediante documento emitido em nome da fonte pagadora dos rendimentos. Confirase: Art 55 O imposto de renda retido na fonte sobre quaisquer rendimentos somente poderá ser compensado na declaração de pessoa física ou jurídica, se o contribuinte possuir comprovante de retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora dos rendimentos. Diferentemente dos processos nos quais o Fisco constitui o crédito tributário, nos processos que envolvem restituição ou compensação de tributos, é ônus do sujeito passivo, na condição de autor do feito, provar o direito creditório que alega possuir. Quando não o faz devidamente, não se pode reconhecer o seu direito. E é também por tais motivos que se deve reconhecer que o documento que a empresa apresentou junto com seu recurso voluntário (fls. 2115), a título de “segunda via do informe de rendimentos, relativo ao ano de 2001, por meio do qual se comprova a retenção de IRRF no valor de R$ 2.780.732,68”, pode servir como comprovante. É que tal documento possui estrita consonância com os valores indicados no item 1 da planilha juntada às fls. 256 (acima reproduzida) e com os avisos de crédito referentes à liquidação de operações de câmbio anexados às fls. 257 e 259. Os registros contábeis que os seguem (fls. 260 a 303) levam a crer que os respectivos rendimentos foram devidamente oferecidos à tributação. Observese, ainda, que esse item não foi incluído dentre os reconhecidos pela unidade de origem (de acordo com o que pode ser verificado no extrato do Sistema SIEF/DIRF, às fls. 465 a 467, que amparou o Despacho Decisório, conforme fls. 797). Portanto, devese reduzir a glosa referente ao IRRF deduzido no valor de R$ 2.780.732,68. Assim sendo, há que se rever o valor de R$ 4.027.908,88 apurado a título de IRPJ a pagar pela decisão recorrida (conforme reprodução das fichas 09A e 12A da DIPJ às fls. 2039 e 2040) como segue: FICHA 09A – DEMONSTRAÇÃO DO LUCRO REAL DISCRIMINAÇÃO Acórdão recorrido Presente voto L.01 Lucro Líquido antes do IRPJ 46.252.410,59 46.252.410,59 ADIÇÕES L.02 Custos – Soma Parcelas Não Dedut. 428.048,00 428.048,00 L.03 Despesas Operc. – Parc. Não Dedut. 2.374.195,27 2.374.195,27 Fl. 2136DF CARF MF Impresso em 03/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 28/ 10/2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 31/10/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 13804.000928/200251 Resolução nº 1102000.281 S1C1T2 Fl. 2.131 15 L.04 CSLL 0,00 0,00 L.10 Ajustes p/ Dimin. Valor Inv. Av. PL 65.114.993,02 * 24.087.518,16 L05+L12+L19+L20 (Outras Adições) 49.525.472,63 49.525.472,63 23 SOMA DAS ADIÇÕES 117.442.708,92 76.415.234,06 EXCLUSÕES L.31 () VCP – Operações Liquidadas 0,00 0,00 L25+L28+L36 (Outras Exclusões) 86.384.621,14 86.384.621,14 L.37 SOMA DAS EXCLUSÕES 86.384.621,14 86.384.621,14 L. 38 Lucro Real Antes Comp. Prejuízo 77.310.498,37 36.283.023,51 L42 () Comp. Prej. Ativ. em Geral 91/01 7.198.955,44 7.198.955,44 L. 46 LUCRO REAL 70.111.542,93 29.084.068,06 * Considerando a amortização de ágios confirmada no valor de R$ 41.027.474,86. FICHA 12A – CÁLCULO DO IR SOBRE O LUCRO REAL DISCRIMINAÇÃO Acórdão recorrido Presente voto L.01 ALÍQUOTA DE 15% 10.516.731,44 4.362.610,21 L.03 ADICIONAL 6.987.154,29 2.884.406,81 DEDUÇÕES L.13 () IRRF 9.300.586,17 ** 12.081.318,85 L.16 () IR Mensal Pago por Estimativa 4.175.390,68 4.175.390,68 L.18 IMPOSTO DE RENDA A PAGAR 4.027.908,88 9.009.692,51 ** Considerando o IRRF comprovado no valor de R$ 2.780.732,68. Portanto, ao invés de imposto a pagar, foi apurado um saldo negativo de R$ 9.009.692,51. Isso, somado ao crédito reconhecido pela decisão recorrida a título de pagamentos indevidos de estimativas (no valor de R$ 21.803.913,34), totaliza o reconhecimento de um direito creditório no valor de R$ 30.813.605,85. Fl. 2137DF CARF MF Impresso em 03/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 28/ 10/2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 31/10/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 13804.000928/200251 Resolução nº 1102000.281 S1C1T2 Fl. 2.132 16 Pelo exposto, dou provimento ao recurso voluntário para reconhecer o direito creditório de R$ 30.813.605,85 e, nesta conformidade, homologar a compensação declarada até o limite do crédito reconhecido. É como voto. Documento assinado digitalmente. Ricardo Marozzi Gregorio Relator Voto Vencedor Conselheiro João Otávio Oppermann Thomé, Redator Designado Em que pesem os bem fundamentados argumentos expostos pelo ilustre conselheiro relator, permitome divergir de suas conclusões, no presente caso, no tocante ao IRRF considerado não comprovado, entendendo que deva ser oportunizado ao contribuinte uma nova possibilidade para a produção de prova, especificamente para contraporse aos pontos (fundamentos) que levaram o relator a concluir pela sua não comprovação. Não tenho dúvidas de que, nos casos de restituição e/ou compensação de tributos, o ônus da prova do direito creditório alegado seja do sujeito passivo, nos precisos termos do quanto expresso, aliás, em precedente de minha própria lavra, e ao norte transcrito pelo ilustre relator. Ocorre que, no caso concreto, o processo foi submetido à avaliação pela autoridade fiscal de jurisdição do domicílio do sujeito passivo, em sede de diligência, justamente para fins de manifestação quanto à comprovação ou não das retenções de imposto de renda na fonte que o contribuinte disse ter sofrido (bem como de sua regular escrituração), tendo aquela autoridade, nas duas oportunidades em que instada a fazêlo, se manifestado positivamente, ou seja, de que as retenções estariam adequadamente comprovadas e escrituradas. Confirase, neste sentido, o seguinte trecho do relatório da 1a diligência, feita a pedido da DERAT: Em relação ao IRRF de R$ 14.172.465,98 referente as APLICAÇÕES FINANCEIRAS, encontramse às fls: 246/412 cópias do razão e dos documentos suporte aos lançamentos contábeis. Concluise, pela análise e exame documental procedida pelo usual método de amostragem, que o IRRF, juntamente com a receita Fl. 2138DF CARF MF Impresso em 03/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 28/ 10/2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 31/10/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 13804.000928/200251 Resolução nº 1102000.281 S1C1T2 Fl. 2.133 17 auferida, foi adequadamente comprovado e escriturado nos registros contábeis. O demonstrativo de fls. 245 permite visualizar as contas utilizadas na contabilização dos valores envolvidos. E, ainda, o seguinte trecho do relatório da 2a diligência, feita a pedido da DRJ: “Relativamente a esse item, o qual fora objeto de diligência pelo AFRFB Silvio Massao Araki, que efetuou extensiva análise não só dos rendimentos, bem como do Imposto de Renda na Fonte declarados pela empresa, fundamentando a sua Informação Fiscal nessa análise, bem como nos comprovantes inclusos no processo em tela (fls. 981/983, 1075/1076, 1096/1097 do Volume v, 1585/1637 DO Volume VIII) – ao receber a referida Informação Fiscal, entretanto, o AFRFB revisor da DERAT/SPO procedeu à glosa da importância de R$ 4.855.756,54, com base nos DARF de recolhimento computados nos sistemas da RFB, justificandose as diferenças encontradas. A empresa afirma, em relação a essa divergência, ser incorreto esse procedimento, já que existem rendimentos reconhecidos e declarados pelo regime de competência na DIPJ apresentada, enquanto o IRFonte só é efetuado quando do resgate da referida aplicação, invalidando assim o critério adotado pelo Auditor revisor – juntou, para amparar seu argumento, além dos documentos já juntados na impugnação, os documentos de fls. 1585/1637 do Volume VIII. Os documentos contábeis apresentados pela diligenciada parecem corroborar, s.m.j., com os argumentos da empresa, considerando ainda que o AFRFB Silvio Massao Araki já procedera a todas essas verificações.” Assim, ainda que assista razão ao relator, quando afirma que o resultado das diligências não vincula o colegiado, o fato é que, no presente contexto, não se afigura razoável negar ao contribuinte o direito ao aproveitamento integral do IRRF pleiteado, sob o argumento de falta de adequada comprovação. Isto porque é legítimo intuir que o contribuinte, diante de duas manifestações da autoridade fiscal a respeito do ponto, entendesse que a questão estivesse solucionada favoravelmente ao seu pleito. Ou, ao menos que, acaso não estivessem ainda as autoridades julgadoras suficientemente convencidas, especificassem o que lhes faltaria para que fosse afinal reconhecido o montante em questão. Penso, então, que haveria de existir uma razão muito forte para desconstituir o resultado destas diligências, não sendo possível apenas considerálas inconclusivas para os fins propostos, tal como o fez a decisão recorrida. Afinal, o contribuinte apresentou à autoridade fiscal tudo o quanto lhe foi solicitado, o que possibilitou que aquela autoridade externasse a sua conclusão favorável ao pleito do contribuinte. Contudo, é fato que a manifestação da autoridade fiscal é relativamente singela, conforme apontou o relator, pois a referida autoridade informa apenas terse valido do “usual método de amostragem”, mas não há como saber com clareza quais foram os critérios utilizados nesta amostragem, ou seja, se nela também foram inclusas as retenções que ora entende o relator não suficientemente comprovadas. E o relator, ao fazer a percuciente análise das provas, apontou diversas inconsistências que não lhe permitiram, e a mim tampouco permitem, sentirse confortável para simplesmente “ratificar” as conclusões da autoridade fiscal, sem que haja a adequada comprovação documental nos autos. Fl. 2139DF CARF MF Impresso em 03/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 28/ 10/2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 31/10/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 13804.000928/200251 Resolução nº 1102000.281 S1C1T2 Fl. 2.134 18 Ao perceber que a decisão recorrida mencionara a ausência de Informes de Rendimentos nos autos como um dos motivos para o não reconhecimento do IRRF pleiteado, a recorrente esforçouse por obtêlos, tendo logrado êxito com relação a um informe do HSBC Bank Brasil S/A, no valor de R$ 2.780.732,68, mencionado como item no 1 na tabela constante do voto vencido, mas não obteve, ao menos até a presente data, os relativos aos itens no 3, 5 e 7 da mesma tabela. Ocorre que a apresentação do comprovante de retenção emitido pela fonte pagadora, apesar de ser o meio de prova por excelência, previsto em lei, não é o único, podendo a prova também se fazer por outros meios, consoante reconhece o próprio CARF. Afinal, é perfeitamente possível que, por vários motivos, inteiramente alheios à vontade e ao controle do sujeito passivo, não possua ele o referido comprovante, que deve ser ordinariamente emitido por terceiro. Assim, tendo em vista as objeções levantadas na análise feita pelo relator, entendo que o julgamento deva ser convertido em diligência para que a autoridade fiscal de jurisdição do sujeito passivo proceda da seguinte forma: (i) intime o sujeito passivo a apresentar os elementos de sua escrituração que façam prova para contrapor aos seguintes pontos suscitados pelo relator: a. com relação ao item 3: prova de que o valor do prêmio de R$ 274.871,25 foi efetivamente oferecido à tributação, e de que houve a retenção de R$ 54.974,26; b. com relação ao item 5: prova de que os valores dos prêmios de R$ 4.376.262,40 e de R$ 4.346.787,49 foram efetivamente oferecidos à tributação, e de que houve retenções nos valores de R$ 875.252,48 e de R$ 869.357,49, respectivamente; c. com relação ao item 7: prova de que os valores das receitas financeiras de R$ 786.990,25 e de R$ 993.339,60 foram efetivamente oferecidos à tributação, e de que houve retenções nos valores de R$ 157.398,05 e de R$ 198.667,92, respectivamente. (ii) esclareça sobre a situação do DARF de fls. 395 (item 7), i.e., se foi ou não retificado, e/ou se se encontra vinculado ou não a algum débito específico nos sistemas da Receita Federal, e/ou se foi incluído ou não em alguma outra solicitação de restituição/compensação; (iii) analise os elementos apresentados pela empresa em atenção ao item ‘i’ acima, podendo eventualmente solicitar outros que julgue necessários, sendo ainda recomendável que busque esclarecer eventuais dúvidas com o auxílio da empresa interessada; e (iv) lavre relatório conclusivo quanto ao oferecimento ou não à tributação dos valores mencionados no item ‘i’ acima, bem como quanto à prova ou não da retenção dos valores também mencionados no item ‘i’ acima. Fl. 2140DF CARF MF Impresso em 03/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 28/ 10/2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 31/10/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 13804.000928/200251 Resolução nº 1102000.281 S1C1T2 Fl. 2.135 19 Do relatório conclusivo lavrado deve ser dada ciência ao sujeito passivo para que, querendo, sobre ele se manifeste no prazo de 30 dias, findos os quais devem os autos retornar a este colegiado para o competente julgamento. Documento assinado digitalmente. João Otávio Oppermann Thomé Redator Designado Fl. 2141DF CARF MF Impresso em 03/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 28/ 10/2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 31/10/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME
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Numero do processo: 16004.001448/2008-14
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 20 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Fri Oct 17 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 2301-000.288
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado I) Por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do(a) Relator(a)
Marcelo Oliveira - Presidente.
Bernadete de Oliveira Barros- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Adriano Gonzales Silverio, Bernadete De Oliveira Barros, Damião Cordeiro De Moraes, Mauro Jose Silva e Leonardo Henrique Pires Lopes.
Nome do relator: BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS
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Acordam os membros do colegiado I) Por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do(a) Relator(a) Marcelo Oliveira Presidente. Bernadete de Oliveira Barros Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Adriano Gonzales Silverio, Bernadete De Oliveira Barros, Damião Cordeiro De Moraes, Mauro Jose Silva e Leonardo Henrique Pires Lopes. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 60 04 .0 01 44 8/ 20 08 -1 4 Fl. 519DF CARF MF Impresso em 17/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 12 /12/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 14/01/2013 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 16004.001448/200814 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2301000.288 S2C3T1 Fl. 476 2 RELATÓRIO Tratase de crédito previdenciário lançado contra a empresa acima identificada, referente à contribuições devidas à Terceira Entidade, SENAR, pelo produtor rural, pessoa física, incidentes sobre o valor da receita bruta proveniente da comercialização da sua produção rural. Conforme Relatório Fiscal (fls. 106), a autuada, pessoa jurídica, adquiriu produção rural de pessoas físicas, ficando, portanto, subrogada nas obrigações de tais produtores, não tendo descontado a totalidade da contribuição devida e nem informado, em GFIP, os valores decorrentes dessa operação, o que, em tese, configura a prática de crime previsto no DecretoLei n. 2.848/40, Art. 337A, inciso III, na redação dada pela Lei n. 9.983/2000, motivo pelo qual será objeto de comunicação a ser encaminhada ao Ministério Público Federal para conhecimento. A autoridade lançadora informa que os valores da base de cálculo das contribuições destinadas ao SENAR, objeto do levantamento de débito, foram obtidos dos valores da comercialização de produtos rurais bovinos para abate e lenha para caldeira, adquiridos de produtores rurais pessoas físicas, e estão demonstrados nos Anexos I, e II, sendo que essa última contém valores relativos a aquisições de bovinos para abate pela Coferfrigo ATC, utilizandose de Notas Fiscais de Entrada da empresa Distribuidora de Carnes e Derivados São Paulo Ltda Relata que a empresa Distribuidora de Carnes e Derivados São Paulo Ltda foi considerada pela Policia Federal como empresa "Noteira", ou seja, empresa constituída apenas para fornecer documentos fiscais para acobertar as operações de compra de gado para abate, venda de carne e transporte de carne e bovinos para abate, tendo sido declarada INAPTA pela Receita Federal do Brasil por meio do Ato Declaratório Executivo n° 053 de 13/05/2008. Esclarece que a ação foi desenvolvida por uma junta fiscal e teve início em 01/2005, tendo sido retomada, em 05/10/2006, por determinação judicial, uma vez que a Policia Federal desencadeou a operação denominada "GRANDES LAGOS”, procedendo buscas e apreensões de documentos em diversos locais, com o intuito de obter provas dos ilícitos praticados pela organização, constituída de várias células ou núcleos, cujo objetivo era sonegar tributos e eximir os titulares de fato de suas responsabilidades relacionadas às áreas trabalhistas e previdenciárias. Observa que o crédito tributário em comento foi lançado em nome de Coferfrigo ATC Ltda "E OUTROS", vez que, analisando a documentação apreendida pela Policia Federal, Receita Federal do Brasil e Secretaria da Fazenda do Estado de São Paulo, verificouse que a empresa Coferfrigo ATC Ltda, juntamente com outras pessoas jurídicas, formam um grupo econômico de fato. A seguir, sintetiza algumas informações a respeito das empresas integrantes do grupo e informa que todos os fatos e documentos que caracterizam o grupo estão relatados e Fl. 520DF CARF MF Impresso em 17/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 12 /12/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 14/01/2013 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 16004.001448/200814 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2301000.288 S2C3T1 Fl. 477 3 anexados no Relatório de Grupo Econômico, Anexos I e II, que fica fazendo parte integrante deste Auto de Infração. No item 26 do Relatório Fiscal (fls. 119), o agente autuante informa que o Relatório do Grupo Econômico Anexos I e II será encaminhado em arquivo digital, de acordo com o artigo 663, parágrafos 1° e 2° da IN 3/2005, alterado pela IN 851/2008 e, no item 28, esclarece que todos os documentos que integram o Auto de Infração bem como o Relatório de Grupo Econômico Anexos I e II estão a disposição da empresa e responsáveis solidários na Delegacia da Receita Federal do Brasil. Os sujeitos passivos Alfeu Crozato Mozaquatro, Patricia Buzolin Mozaquatro, Marcelo Buzolin Mozaquatro, Indústrias Reunidas CMA Ltda e CM4 Paticipações Ltda, apresentaram defesa tempestiva em conjunto, e o Sr. João Pereira Fraga, espólio, representado por João Adson Fraga (inventariante), também impugnou o lançamento. Apesar de devidamente cientificadas, as demais empresas que, segundo entendimento da fiscalização, integram o grupo econômico de fato e, nessa condição, são responsáveis solidárias pelo débito, não apresentaram defesa e a Secretaria da Receita Federal do Brasil, por meio do Acórdão 1426.541, da 9a Turma da DRJ/RPO (fls. 266), julgou as impugnações improcedentes, mantendo o crédito tributário. Inconformados com a decisão, os recorrentes Alfeu Crozato Mozaquatro, Patricia Buzolin Mozaquatro, Marcelo Buzolin Mozaquatro, Indústrias Reunidas CMA Ltda e CM4 Paticipações Ltda, considerados pela fiscalização como coresponsáveis pelo débito, apresentaram recurso tempestivo em conjunto (fls. 428), repetindo as alegações trazidas na impugnação. Reiteram que os Recorrentes, pessoas físicas e jurídicas, foram considerados responsáveis solidários pelo débito tendo como única fundamentação para tanto um "Relatório da Polícia Federal", extraído de Inquérito Policial, sendo certo que a ação penal até a data de hoje não transitou em julgado. Entendem que o presente Auto de Infração é inconsistente e baseiase em prova ilícita, nula de pleno direito, posto que não foi submetida ao crivo do contraditório e da ampla defesa, bem como viola o principio da presunção de inocência, além do órgão autuador não ter produzido prova da responsabilidade na fase administrativa, ônus que lhe competia. Defendem que a prova emprestada do Inquérito Policial presidido por Delegado da Policia Federal não é meio licito para se fundamentar as responsabilidades dos Recorrentes, uma vez que não foram observados os .princípios constitucionais do devido processo legal, ampla defesa e contraditório no processo onde ela foi produzida. Reafirmam que, no caso dos autos, o órgão autuador não fez prova licita alguma da responsabilidade dos Recorrentes, o que impõe a nulidade/inconsistência do auto de infração sobre a responsabilidade atribuída aos mesmos e discorre sobre o princípio da presunção da inocência, tentando demonstrar que apenas após o trânsito em julgado da ação criminal é que se poderia afirmar algo. Finalizam requerendo que seja reformada a decisão de primeira instância e julgado nulo o AI. Fl. 521DF CARF MF Impresso em 17/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 12 /12/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 14/01/2013 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 16004.001448/200814 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2301000.288 S2C3T1 Fl. 478 4 O recorrente Sr. João Pereira Fraga espólio, considerado coresponsável pelo débito, representado por João Adson Fraga (inventariante), apresentou recurso tempestivo (fls.359) requerendo, inicialmente, que o Espólio de JOÃO PEREIRA FRAGA falecido, em 02/10/08, seja excluído da condição de passivo solidário. Traz o histórico da empresa COFERCARNES COMERCIAL FENANDOPOLOIS DE CARNES LTDA, da qual seu falecido pai e sua mãe eram sócios fundadores, desde sua constituição. Informa que, após separação judicial, sua mãe vendeu 50% do Capital Social da COFERCARNES para ALFEU MOZAQUADRO, que colocou essas quotas de capital social em nome da empresa CM4 PARTICIPAÇÕES LTDA, da qual era o proprietário, e impôs que a planta do imóvel industrial fosse integralmente arrendada para uma filial da empresa COFERFRIGO ATC LTDA que, apesar de pertencer no papel a Valter Francisco Rodrigues Junior, havia fortes suspeitas de a mesma pertencer de fato ao Sr ALFEU, uma vez que foi ele quem pessoalmente determinou o arrendamento das instalações do frigorífico Cofercarnes, entabulou o preço e as condições do arrendamento. Discorre sobre o temperamento do Sr. Alfeu e a sociedade, que durou apenas oito meses, concluindo que não pode ser responsabilizado por atos praticados pela empresa COFERFRIGO ATC LTDA, da qual não fora sócio, por ter deixado esta empresa de arrecadar contribuições devidas no período de 01/12/2002 a 31/10/2006. Tenta demonstra que inexiste qualquer relação mercantil ou comercial de seu pai com as empresas mencionadas no Processo e requer a exclusão de seu pai da responsabilidade solidária pelos débitos devidos pela empresa COFERFRIGO, da qual não tinha o menor conhecimento e da qual não participava, por quaisquer de suas formas. Preliminarmente, alega nulidade da autuação por falta de clareza, argumentando que as autoridades fiscais não indicaram a conta contábil ou outro elemento constante da escrituração contábil da COFERFRIGO das quais foram extraídas as importâncias oras lançadas, bem como não elencaram, nos autos, quais seriam as remunerações admitidas como base de calculo das contribuições ou pagamentos que se sucedeu a esse titulo, denotando que não avaliou ou não se aprofundou suficientemente na natureza das rubricas, desconhecida do recorrente. Entende que houve cerceamento de defesa por terlhe sido entregue apenas um CDR, o que impediu o inventariante de manipular os documentos que o fisco julga supostamente representativas das operações praticadas pela Coferfrigo. Sustenta que o arbitramento e o termo de sujeição passiva solidária sobre as contribuições que o Fisco julga devidas pela COFERFRIGO ATC LTDA se deram apenas e estritamente por presunção. Assevera que o Fisco achou por bem desconsiderar a personalidade jurídica da empresa COFERFRIGO ATC LTDA, exigindo dos solidários, no caso o espólio de JOÃO PEREIRA FRAGA, os tributos eventualmente devidos por aquela, sem contudo observar as normas legais que disciplinam a matéria. Informa que as empresas que, segundo o fisco, integram o grupo econômico Mozaquatro, declararam espontaneamente, nos prazos regulares, toda a movimentação fiscal e Fl. 522DF CARF MF Impresso em 17/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 12 /12/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 14/01/2013 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 16004.001448/200814 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2301000.288 S2C3T1 Fl. 479 5 contábil em seus nomes, mediante entrega das DCTFs, nos respectivos anoscalendário, bem como as Declarações de Rendas Pessoa Jurídica dos anos calendários de 2002 a 2006, sendo que o fisco não poderia estender a responsabilidade pelo débito constituído em face da empresa COFERFRIGO ATC LTDA, em razão de que tal prática não está autorizada pelo artigo 135, inciso III, do CTN. Argumenta que, não sendo JOÃO PEREIRA FRAGA diretor, gerente ou representante da COFERFRIGO ATC LTDA, não responde por ela, não podendo a cobrança por tais descumprimentos ser redirecionada para a pessoa física de seu pai, como solidário, por não configurar qualquer das hipóteses previstas no art. 135, do CTN, e cita a jurisprudência para reforçar suas alegações. Infere que não é possível, ao Fisco, atribuir a seu falecido pai a responsabilidade pela não retenção de contribuições previdenciárias que seriam de ordem da empresa COFERFRIGO ATC LTDA., do denominado GRUPO ECONÔMICO MOZAQUATRO, uma vez que, em nenhum momento, os fiscais autuantes lograram comprovar a existência do vinculo entre a citada empresa e a pessoa do Sr. JOÃO PEREIRA FRAGA, razões pelas quais deve ser, de plano, decretada a insubsistência do lançamento fiscal contra ele. Insurgese contra a utilização do art. 116, parágrafo único, do CTN, por ser norma de eficácia limitada, que depende de lei ordinária para sua regulamentação e reitera que a empresa de seu pai estava paralisada no período entre 10/2004 a 10/2006, não podendo, portanto, responder pelos débitos previdenciários da empresa Coferfrigo, integrante, segundo o fisco, de um grupo econômico, com empresas instaladas em vários municípios e em outros Estados. Discorre sobre contrato de arrendamento mercantil para tentar demonstrar que o arrendador não responde pelos tributos devidos pela Arrendatária ou outras empresas das quais a Arrendatária seja signatária ou faça parte e conclui que, no caso em apreço, o Espólio de FRAGA, como arrendador, não possuía a obrigação de proceder a retenção ou arrecadar contribuições devidas pela empresa COFERFRIGO ATC. Insiste no entendimento de que ocorrera a decadência de parte do débito, defendendo a aplicação da regra contida no art. 150, § 4o, do CTN, uma vez que o que o contribuinte entregou regularmente ao INSS as informações concernentes a todas contribuições previdenciárias relativas ao período fiscalizado, bem como sequer ocorreu indícios de fraude, dolo ou simulação comprovados. No mérito, reitera que seu pai nunca foi sócio, de fato ou de direito da empresa COFERFRIGO ATC LTDA, bem como não restou provado, nos autos, que seu falecido pai, João Pereira Fraga, tivesse qualquer participação com as empresas do denominado "GRUPO ECONÔMICO MOZAQUATRO”, e nem que seria solidariamente responsável pelos débitos supostamente devidos pelas empresas acima nos períodos mencionados, havendo, no caso, apenas presunções, ou seja, indícios sem comprovações. Entende que, no caso em tela, os fiscais autuantes promoveram o lançamento contra a empresa COFERFRIGO ATC LTDA por ter deixado de arrecadar, no período de 12/2002 a 10/2006, contribuições de segurados, e quer atribuir, por presunção, a responsabilidade pela falta das retenções ao Espólio de Joao Pereira Fraga, alegando que no período de 15.10.04 a 14.10.05 teria arrendado a planta do seu estabelecimento frigorifico para Fl. 523DF CARF MF Impresso em 17/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 12 /12/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 14/01/2013 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 16004.001448/200814 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2301000.288 S2C3T1 Fl. 480 6 a empresa COFERFRIGO ATC LTDA, como parte integrante do "Núcleo Mozaquatro" e que, assim o sendo, em decorrência do arrendamento, dele também é parte integrante. Informa que o Espólio tentou o acesso aos documentos que estão em poder da empresa COFERFRIGO e junto à fiscalização federal e estadual para promover a sua defesa, o que lhe foi negado, sob a alegação de que João Pereira Fraga ou o Espólio não fazem parte do quadro societário e há impedimento legal para o acesso, e chama atenção para o fato de que nem mesmo os fiscais autuantes tiveram total acesso a contabilidade da empresa envolvida. Discorre sobre o instituto da solidariedade e traz a doutrina para reforçar o entendimento de que o fisco não poderia incluir o espólio no pólo passivo da presente relação tributária para responder pela divida da Coferfrigo. Quanto à subrogação da compra de gado bovino, traz a decisão do STF no sentido de que os artigos 12, incisos V e VII, 25, incisos I e II, e 30, inciso IV, da Lei n° 8.212/91, com as redações decorrentes das Leis n's 8.540/92 e n° 9.528/97, é inconstitucional. Finaliza, requerendo, em obediência ao principio constitucional de celeridade e economia processual, a improcedência, de plano, da presente exigência fiscal e, pelas razões expostas, sejam acolhidas as preliminares levantadas para, ao final, decretar a exclusão da solidariedade atribuída ao espólio de João Pereira Fraga na multa aplicada contra a empresa COFERFRIGO ATC LTDA. Lucélia Aparecida Nunes Lacerda, sócia do Frigorifico Mega Boi Ltda, que, segundo o fisco, é uma das empresas integrantes do grupo econômico, também apresentou recurso (fls 442), alegando que nunca foi dona de empresa, que não sabia como era a operação da empresa e tampouco injetou dinheiro para ser sócia de empresa, sendo que recebia seu salário da empresa Frigorifico Lister Ltda, administrada pelo Sr. Ivo Chiodi de Jesus e, posteriormente, pela empresa Coferfrigo Atc Ltda e Friverde Industria de Alimentos Ltda de Campina Verde, MG, que era administrada pelo Sr. Djalma Buzolin. Informa que nunca teve casa para morar, vive de aluguel e com um recurso financeiro de R$ 1.155,00 do INSS, que recebeu mais 14 cópias de processos da Receita Federal, leuos, mas não entendeu do assunto mencionado, que nem conhece várias empresas e pessoas mencionadas nos processos, mas somente as empresas e pessoas que trabalharam em Campina Verde — MG. Às fls. 452, a UNIÃO (FAZENDA NACIONAL), por sua procuradora, com fundamento no art. 48, §2°, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos FiscaisCARF, aprovado pela Portaria MF n° 256/2009, apresentou contrarazões ao recurso voluntário. É o relatório. Fl. 524DF CARF MF Impresso em 17/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 12 /12/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 14/01/2013 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 16004.001448/200814 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2301000.288 S2C3T1 Fl. 481 7 VOTO Conselheiro Bernadete de Oliveira Barros Os recursos são tempestivos e não há óbice para seu conhecimento. Da análise dos autos, verificase que a fiscalização constatou a existência de grupo econômico de fato entre a empresa autuada e as demais apontadas no Relatório Fiscal, e lavrou o AI com fundamento no inciso IX, do art. 30, da Lei 8.212/91, informando que todos os fatos e documentos que caracterizam o grupo estão relatados e anexados no Relatório de Grupo Econômico, Anexos I e II, que fica fazendo parte integrante deste Auto de Infração. Da mesma forma, o Acórdão recorrido faz referência a esses Anexos, citando, inclusive, folhas onde constam os documentos comprobatórios das acusações fiscais. A autoridade julgadora de primeira instância informa que, no Anexo I, a fiscalização tece inúmeras considerações acerca das empresas que integram o "Grupo Mozaquatro", das plantas frigoríficas utilizadas pelo grupo, inclusive aquela referente à Coferfrigo; das empresas constituídas por interpostas pessoas com o objetivo de fornecer a mãodeobra de que o grupo necessitava, e discorre detalhadamente sobre cada empresa integrante do grupo e pessoas físicas vinculadas às mesmas, além da caracterização do grupo econômico e da solidariedade existente entre as empresas que o integram, procedendose, ainda, a juntada de inúmeros documentos, sendo que o referido anexo totaliza 12 (doze) volumes. Da mesma forma, o citado Anexo II, segundo o Relator do Acórdão recorrido, é “composto por inúmeros documentos tomando corpo em 21 (vinte e um) volumes, trazendo ao final o relatório denominado "VINCULAÇÃO ENTRE AS EMPRESAS NO GRUPO ECONÔMICO DE FATO — 'GRUPO MOZAQUATRO'", no qual são relacionados numerosos elementos probatórios que demonstram a vinculação entre as diversas empresas consideradas integrantes do grupo em questão, bem como, das pessoas físicas abrangidas pelo contexto fático”. Contudo, em que pese a afirmação de que tais documentos integram o AI, constatase que os Anexos citados não constam dos autos, o que impossibilita que os julgadores deste CARF tenham conhecimento pleno de todos os fatos motivadores do lançamento, dificultando a formação de convicção quanto à regularidade do feito. Cumpre observar, ainda, que não vislumbro a nulidade do AI pela ausência dos referidos anexos, já que, tanto em suas peças impugnatórias quanto em seus recursos, as recorrentes demonstram ter pleno conhecimento do que está lhes sendo imputado. Ademais, a autoridade lançadora, deixou claro nos itens 26 e 28 do Relatório Fiscal, que os referidos Anexos estavam sendo encaminhados por arquivo e que todos os documentos que integram o Auto de Infração bem como o Relatório de Grupo Econômico Anexos I e II estariam à disposição da empresa e responsáveis solidários na Delegacia da Receita Federal do Brasil Portanto, não há que se falar em cerceamento de defesa, mas apenas em falta de elementos suficientes para a tomada da decisão por este Colegiado, o que pode ser sanado com a juntada da documentação solicitada. Dessa forma, em face da necessidade de mais informações sobre os elementos de provas que levaram as autoridades fiscais à convicção de que as empresas listadas no Fl. 525DF CARF MF Impresso em 17/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 12 /12/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 14/01/2013 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 16004.001448/200814 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2301000.288 S2C3T1 Fl. 482 8 presente processo integram de fato o grupo econômico, entendo que o processo deva ser baixado em diligência para que sejam juntados os Anexos citados acima, necessários para revestir a decisão de plena convicção. Tal procedimento é imprescindível para o julgamento do processo, pois permite ao julgador aferir efetivamente se existe a responsabilidade solidária entre as empresas apontadas pela fiscalização. Nesse sentido, CONSIDERANDO tudo o mais que dos autos consta; VOTO por converter o julgamento em diligência É como voto. Bernadete de Oliveira Barros Fl. 526DF CARF MF Impresso em 17/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 12 /12/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 14/01/2013 por MARCELO OLIVEIRA
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Numero do processo: 14485.000408/2007-75
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Sep 17 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Nov 19 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/12/2000 a 31/07/2006
PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS DA EMPRESA - PLR. IMUNIDADE. OBSERVÂNCIA À LEGISLAÇÃO DE REGÊNCIA. ACORDO PRÉVIO AO ANO BASE. DESNECESSIDADE.
A Participação nos Lucros e Resultados - PLR concedida pela empresa aos seus funcionários, como forma de integração entre capital e trabalho e ganho de produtividade, não integra a base de cálculo das contribuições previdenciárias, por força do disposto no artigo 7º, inciso XI, da CF, sobretudo por não se revestir da natureza salarial, estando ausentes os requisitos da habitualidade e contraprestação pelo trabalho.
Somente nas hipóteses em que o pagamento da verba intitulada de PLR não observar os requisitos legais insculpidos na legislação específica, notadamente artigo 28, § 9º, alínea j, da Lei nº 8.212/91, bem como MP nº 794/1994 e reedições, c/c Lei nº 10.101/2000, é que incidirão contribuições previdenciárias sobre tais importâncias, em face de sua descaracterização como Participação nos Lucros e Resultados.
A exigência de outros pressupostos, não inscritos objetivamente/literalmente na legislação de regência, como a necessidade de formalização de acordo prévio ao ano base, é de cunho subjetivo do aplicador/intérprete da lei, extrapolando os limites das normas específicas em total afronta à própria essência do benefício, o qual, na condição de verdadeira imunidade, deve ser interpretado de maneira ampla e não restritiva.
Recurso especial negado.
Numero da decisão: 9202-003.368
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos e Elias Sampaio Freire.
(Assinado digitalmente)
Otacílio Dantas Cartaxo Presidente
(Assinado digitalmente)
Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira Relator
EDITADO EM: 22/09/2014
Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Pedro Anan Junior (suplente convocado), Maria Helena Cotta Cardozo, Gustavo Lian Haddad e Elias Sampaio Freire.
Nome do relator: RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA
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ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/12/2000 a 31/07/2006 PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS DA EMPRESA PLR. IMUNIDADE. OBSERVÂNCIA À LEGISLAÇÃO DE REGÊNCIA. ACORDO PRÉVIO AO ANO BASE. DESNECESSIDADE. A Participação nos Lucros e Resultados PLR concedida pela empresa aos seus funcionários, como forma de integração entre capital e trabalho e ganho de produtividade, não integra a base de cálculo das contribuições previdenciárias, por força do disposto no artigo 7º, inciso XI, da CF, sobretudo por não se revestir da natureza salarial, estando ausentes os requisitos da habitualidade e contraprestação pelo trabalho. Somente nas hipóteses em que o pagamento da verba intitulada de PLR não observar os requisitos legais insculpidos na legislação específica, notadamente artigo 28, § 9º, alínea “j”, da Lei nº 8.212/91, bem como MP nº 794/1994 e reedições, c/c Lei nº 10.101/2000, é que incidirão contribuições previdenciárias sobre tais importâncias, em face de sua descaracterização como Participação nos Lucros e Resultados. A exigência de outros pressupostos, não inscritos objetivamente/literalmente na legislação de regência, como a necessidade de formalização de acordo prévio ao ano base, é de cunho subjetivo do aplicador/intérprete da lei, extrapolando os limites das normas específicas em total afronta à própria essência do benefício, o qual, na condição de verdadeira imunidade, deve ser interpretado de maneira ampla e não restritiva. Recurso especial negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 48 5. 00 04 08 /2 00 7- 75 Fl. 1436DF CARF MF Impresso em 19/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/11/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA 2 Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos e Elias Sampaio Freire. (Assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo – Presidente (Assinado digitalmente) Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira – Relator EDITADO EM: 22/09/2014 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Pedro Anan Junior (suplente convocado), Maria Helena Cotta Cardozo, Gustavo Lian Haddad e Elias Sampaio Freire. Relatório AJINOMOTO INTERAMERICANA INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA., contribuinte, pessoa jurídica de direito privado, já devidamente qualificada nos autos do processo administrativo em epígrafe, teve contra si lavrado Auto de Infração nº 37.095.5692, nos termos do artigo 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/91, por ter apresentado GFIP’s com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, mais precisamente deixando de informar a totalidade das remunerações dos segurados empregados, em relação ao período de 12/2000 a 07/2006, conforme Relatório Fiscal da Infração, às fls. 25/26, e demais documentos constantes dos autos. Tratase de Auto de Infração lavrado em 15/08/2007, nos moldes do artigo 293 do RPS, contra a contribuinte acima identificada, constituindose multa no valor consignado na folha de rosto da autuação, calculada com base nos artigos 284, inciso II, e 373, do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99, c/c artigo 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/91. De conformidade com o Relatório Fiscal da Infração, a presente penalidade fora aplicada em razão de a contribuinte deixar de informar em GFIP a totalidade das remunerações dos segurados empregados, notadamente os valores pagos a título de Participação nos Lucros e Resultados em desconformidade com a legislação de regência, cujas contribuições previdenciárias (obrigação principal) pertinentes foram lançadas no AI n° 37.095.5676 – Processo n° 14485.000409/200710. Após regular processamento, interposto recurso voluntário à Segunda Seção de Julgamento do CARF contra Decisão da 12a Turma da DRJ em São Paulo/SP I, Acórdão nº 1615.602/2007, às fls. 977/992, que julgou procedente o lançamento fiscal em referência, a Egrégia 1a Turma Ordinária da 3ª Câmara, em 19/08/2009, por maioria de votos, achou por bem DAR PROVIMENTO AO RECURSO VOLUNTÁRIO DA CONTRIBUINTE, o fazendo Fl. 1437DF CARF MF Impresso em 19/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/11/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 14485.000408/200775 Acórdão n.º 9202003.368 CSRFT2 Fl. 1.409 3 sob a égide dos fundamentos inseridos no Acórdão nº 230100.547, sintetizados na seguinte ementa: “OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/12/2000 a 30/07/2006 APRESENTAÇÃO DE GFIP/GRFP COM DADOS NÃO CORREPONDENTES AOS FATOS GERADORES DE TODAS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS Toda empresa está obrigada a informar, por intermédio de GF1P/GRFP, todos os fatos geradores de contribuição previdenciária. DECADÊNCIA De acordo com a Súmula Vinculante n° 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional. Nos termos do art. 103A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal. SALÁRIO INDIRETO PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS No que se refere à participação nos lucros, o que se exige é que o tem acordado traga previsão de regras e critérios, e até mesmo metas de conhecimento dos trabalhadores. É bem verdade que essas regras e esses critérios podem, numa avaliação pessoal, serem considerados como não sendo ideais para implementação de um programa de distribuição de lucros. Contudo, o que não se pode aceitar é que essa avaliação pessoal por parte do fisco se contraponha à vontade das partes externada no instrumento de negociação ferindo sua autonomia, contrariando assim o que a regulamentação da participação nos lucros mais valoriza, venha a ser pretexto para a desqualificação da natureza de um beneficio. Recurso Voluntário Provido. Crédito Tributário Exonerado.” Irresignada, a Procuradoria da Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial, às fls. 1.236/1.249, com arrimo nos artigos 64, inciso II, e 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, procurando demonstrar a insubsistência do Acórdão recorrido, desenvolvendo em síntese as seguintes razões: Após breve relato das fases ocorridas no decorrer do processo administrativo fiscal, insurgese contra o Acórdão atacado, alegando ter contrariado entendimento levado a efeito por outras Câmaras/Turmas dos Conselhos/CARF a respeito da mesma matéria, Fl. 1438DF CARF MF Impresso em 19/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/11/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA 4 conforme se extrai dos Acórdãos paradigmas trazidos à colação, impondo seja conhecido o recurso especial da recorrente, porquanto comprovada a divergência arguida. Suscita, que o decisório combatido afronta, ainda, a legislação de regência, notadamente as regras inscritas nos artigos 2° e 3° da Lei n° 10.101/2000, c/c artigo 28, § 9o, da Lei n° 8.212/91. Em defesa de sua pretensão, sustenta que os Acórdãos n°s 240100.545 e 20601.344, ora adotados como paradigmas, firmaram entendimento no sentido de que o pagamento de participação nos lucros e resultados em desacordo com os dispositivos legais da lei 10.101/00, quais sejam, existência de acordo prévio ao exercício, bem como a existência de regras previamente ajustadas, enseja a incidência de contribuições previdenciárias, enquanto no decisório recorrido entendeuse que a legislação regulamentadora da Participação nos Lucros e Resultados não veda que a negociação quanto à distribuição do lucro seja concretizada após a sua efetivação, devendo apenas proceder ao pagamento, mas não necessariamente ao avento do lucro obtido. Contrapõese ao entendimento consubstanciado no Acórdão recorrido, aduzindo para tanto que distorce a mens legis presente na legislação da Participação dos Lucros e Resultados, já que se infere da norma a anterioridade das regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, previamente ao exercício de aferição do lucro e resultado, para, ulteriormente, imunizarse o pagamento do benefício surgido pelo cumprimento dos dispositivos legais. Assevera que a interpretação teleológica das normas que regulamentam a matéria nos conduz à conclusão de que o trabalhador deve ter conhecimento dos critérios e condições para recebimento da PLR anteriormente ao período aquisitivo, sobretudo em face da exigência de fixação prévia das regras, metas ou mecanismos de aferição, sob pena, inclusive, de malferir os preceitos dos artigos 2° e 3° da Lei n° 10.101/2000, c/c artigo 28, § 9o, da Lei n° 8.212/91. Traz à colação os dispositivos legais que regulamentam a matéria, concluindo que a contribuinte não observou cumulativamente os pressupostos para o pagamento da Participação nos Lucros e Resultados aos seus funcionários, de maneira a excluir da base de cálculo das contribuições previdenciárias, consoante restou devidamente demonstrado no Relatório Fiscal da Notificação, especialmente quanto à necessidade de acordo prévio ao exercício e inexistência de regras previamente ajustas. Dessa forma, tendo sido fornecida participação nos lucros e resultados da empresa aos seus funcionários em desconformidade com as normas legais que disciplinam a matéria, não há se falar na imunidade contemplada pela Constituição Federal, bem como no artigo 28, § 9°, da Lei n° 8.212/91, devendo ser restabelecida a exigência fiscal na forma lançada. Por fim, requer o conhecimento e provimento do Recurso Especial, impondo a reforma do decisum ora atacado, nos termos encimados. Submetido a exame de admissibilidade, o ilustre Presidente da 3ª Câmara da 2a SJ do CARF, entendeu por bem admitir o Recurso Especial da Fazenda Nacional, sob o argumento de que a recorrente logrou comprovar que o Acórdão guerreado divergiu de outras decisões exaradas pelas demais Câmaras/Turmas dos Conselhos de Contribuintes/CARF a propósito da mesma matéria, qual seja, a necessidade de acordo prévio para fins de não Fl. 1439DF CARF MF Impresso em 19/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/11/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 14485.000408/200775 Acórdão n.º 9202003.368 CSRFT2 Fl. 1.410 5 incidência de contribuições previdenciárias sobre os valores pagos a título de PLR, conforme Despacho n° 2300076/2011, às fls. 1.265/1.268. Instada a se manifestar a propósito do Recurso Especial da Fazenda Nacional, a contribuinte apresentou suas contrarrazões, às fls. 1.272/1.293, corroborando os fundamentos de fato e de direito do Acórdão recorrido, em defesa de sua manutenção, mormente quando inobservados os pressupostos para conhecimento da peça recursal. É o Relatório. Voto Conselheiro Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Relator Presentes os pressupostos de admissibilidade, sendo tempestivo e acatada pelo ilustre Presidente da 3ª Câmara da 2ª Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, a divergência suscitada pela Fazenda Nacional, conheço do Recurso Especial e passo à análise das razões recursais. Consoante se positiva dos elementos que instruem o processo, notadamente Relatório Fiscal da Infração, a contribuinte fora autuada com arrimo no artigo 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/91, por ter apresentado GFIP’s com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, mais precisamente deixando de informar a totalidade das remunerações dos segurados empregados, em relação ao período de 12/2000 a 07/2006 (intermitente), ensejando a aplicação multa nos termos do artigo 284, inciso II, e 373, do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99. Com mais especificidade, a presente penalidade fora aplicada em razão de a contribuinte deixar de informar em GFIP os valores pagos a título de Participação nos Lucros e Resultados em desconformidade com a legislação de regência, cujas contribuições previdenciárias (obrigação principal) pertinentes foram lançadas no AI n° 37.095.5676 – Processo n° 14485.000409/200710. Em suma, naqueles autos, entendeu a autoridade lançadora que tais verbas foram pagas em desconformidade à legislação de regência, especialmente a Lei nº 10.101/2000, diante das seguintes considerações: 1) Ausência de comprovação de negociação entre as partes, ou seja, ajuste prévio entre a empresa e empregados, malferindo o disposto no caput do artigo 2o, da Lei n° 10.101/2000; 2) Parte dos Acordos assinados posteriormente ao início do período de aferição dos resultados, ficando evidente que os empregados da matriz desconheciam as regras para concessão da PLR durante os primeiros meses de vigência do acordo; 3) Inexistência de regras claras e objetivas, passíveis de mensuração e acompanhamento; 4) Ausência de acordo para os empregados ocupantes de cargos de gerentes no estabelecimento MATRIZ; Fl. 1440DF CARF MF Impresso em 19/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/11/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA 6 Por sua vez, ao analisar a demanda, a Turma recorrida entendeu por bem decretar a improcedência total do feito, acolhendo a tese da não incidência de contribuições previdenciárias sobre as verbas concedidas pela empresa aos segurados empregados a título de Participação nos Resultados, nos termos da legislação de regência, razão do insurgimento da Procuradoria nesta oportunidade. Inconformada, a Procuradoria da Fazenda Nacional opôs o presente Recurso Especial, suscitando que o Acórdão guerreado malferiu a jurisprudência consolidada neste Colegiado, bem como o regramento específico de tal verba, mais precisamente os artigos 2o e 3o da Lei n° 10.101/2000, impondo seja conhecida a peça recursal, uma vez comprovada à divergência arguida. A fazer prevalecer sua tese, sustenta que os Acórdãos n°s 240100.545 e 206 01.344, ora adotados como paradigmas, firmaram entendimento no sentido de que o pagamento de participação nos lucros e resultados em desacordo com os dispositivos legais da lei 10.101/00, quais sejam, existência de acordo prévio ao exercício, bem como a existência de regras previamente ajustadas, enseja a incidência de contribuições previdenciárias, enquanto no decisório recorrido entendeuse que a legislação regulamentadora da Participação nos Lucros e Resultados não veda que a negociação quanto à distribuição do lucro seja concretizada após a sua efetivação, devendo apenas proceder ao pagamento, mas não necessariamente ao avento do lucro obtido. Contrapõese ao entendimento consubstanciado no Acórdão recorrido, aduzindo para tanto que distorce a mens legis presente na legislação da Participação dos Lucros e Resultados, já que se infere da norma a anterioridade das regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, previamente ao exercício de aferição do lucro e resultado, para, ulteriormente, imunizarse o pagamento do benefício surgido pelo cumprimento dos dispositivos legais. Assevera que a interpretação teleológica das normas que regulamentam a matéria nos conduz à conclusão de que o trabalhador deve ter conhecimento dos critérios e condições para recebimento da PLR anteriormente ao período aquisitivo, sobretudo em face da exigência de fixação prévia das regras, metas ou mecanismos de aferição, sob pena, inclusive, de malferir os preceitos dos artigos 2° e 3° da Lei n° 10.101/2000, c/c artigo 28, § 9o, da Lei n° 8.212/91. Traz à colação os dispositivos legais que regulamentam a matéria, concluindo que a contribuinte não observou cumulativamente os pressupostos para o pagamento da Participação nos Lucros e Resultados aos seus funcionários, de maneira a excluir da base de cálculo das contribuições previdenciárias, consoante restou devidamente demonstrado no Relatório Fiscal da Notificação, especialmente quanto à necessidade de acordo prévio ao exercício e inexistência de regras previamente ajustas. Dessa forma, tendo sido fornecida participação nos lucros e resultados da empresa aos seus funcionários em desconformidade com as normas legais que disciplinam a matéria, não há se falar na imunidade contemplada pela Constituição Federal, bem como no artigo 28, § 9°, da Lei n° 8.212/91, devendo ser restabelecida a exigência fiscal na forma lançada. Em que pesem os argumentos da recorrente, seu inconformismo, contudo, não tem o condão de prosperar. Da simples análise dos autos, concluise que o Acórdão recorrido apresentase incensurável, devendo ser mantido em sua plenitude, como passaremos a demonstrar. Fl. 1441DF CARF MF Impresso em 19/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/11/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 14485.000408/200775 Acórdão n.º 9202003.368 CSRFT2 Fl. 1.411 7 Antes mesmo de se adentrar as questões de mérito propriamente ditas, em relação ao caso concreto, mister se faz trazer à baila a legislação de regência que regulamenta a verba sub examine, bem como alguns estudos a propósito da matéria, senão vejamos: A Constituição Federal, por meio de seu artigo 7º, inciso XI, instituiu a Participação dos empregados nos Lucros e Resultados da empresa, como forma de integração entre capital e trabalho e ganho de produtividade, desvinculandoa expressamente da base de cálculo das contribuições previdenciárias, como segue: “Art. 7º São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de outros que visem à melhoria de sua condição social: [...] XI – participação nos lucros, ou resultados, desvinculada da remuneração, e, excepcionalmente, participação na gestão da empresa, conforme definido em lei;” Por seu turno, a legislação tributária ao regulamentar a matéria, impôs algumas condições para que as importâncias concedidas aos segurados empregados a título de participação nos lucros e resultados não integrassem o salário de contribuição, a começar pelo artigo 28, § 9º, alínea “j”, que assim preceitua: “Art. 28. [...] § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta lei: [...] j – a participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com a lei específica.” (grifos nossos) Em atendimento ao estabelecido na norma encimada, a Medida Provisória nº 794/1994, tratando especificamente da questão, determinou em síntese o seguinte: “Art. 2º Toda empresa deverá convencionar com seus empregados, mediante negociação coletiva, a forma de participação destes em seus lucros ou resultados. Parágrafo único. Dos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, podendo ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições: a) índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa; e b) programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente. Fl. 1442DF CARF MF Impresso em 19/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/11/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA 8 Art. 3º A participação de que trata o artigo 2º não substitui ou complementa a remuneração devida a qualquer empregado, nem constitui base de incidência de qualquer encargo trabalhista ou previdenciário. [...] § 2º É vedado o pagamento de qualquer antecipação ou distribuição de valores a título de participação nos lucros ou resultados da empresa em periodicidade inferior a um semestre. [...]” Após reedições a MP retro fora convertida na Lei nº 10.101/2000, trazendo em seu bojo algumas inovações, notadamente quanto a forma/periodicidade do pagamento de tais verbas, senão vejamos: “Art. 2º A participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante um dos procedimentos a seguir descritos, escolhidos pelas partes de comum acordo: I comissão escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria; II convenção ou acordo coletivo. § 1º Dos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, podendo ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições: I índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa; II programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente. § 2º O instrumento de acordo celebrado será arquivado na entidade funcional dos trabalhadores. [...] Art.3º A participação de que trata o art. 2º não substitui ou complementa a remuneração devida a qualquer empregado, nem constitui base de incidência de qualquer encargo trabalhista, não se lhe aplicando o princípio da habitualidade. [...] § 2º É vedado o pagamento de qualquer antecipação ou distribuição de valores a título de participação de lucros ou resultados da empresa em periodicidade inferior a um semestre civil, ou mais de duas vezes no mesmo ano civil. [...]” Fl. 1443DF CARF MF Impresso em 19/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/11/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 14485.000408/200775 Acórdão n.º 9202003.368 CSRFT2 Fl. 1.412 9 Em suma, extraise da evolução da legislação específica relativa à participação nos lucros e resultados que existem dois momentos a serem apartados quanto aos requisitos para não incidência das contribuições previdenciárias. Para o período até 29/06/1998, era vedado o pagamento em periodicidade inferior a um semestre. Posteriormente a 30/06/1998, além da exigência acima, passou a ser proibido o pagamento de mais de duas parcelas no mesmo ano civil. No que tange aos demais requisitos, especialmente àqueles inscritos no artigo 2º, as disposições legais continuaram praticamente as mesmas, exigindo regras claras e objetivas relativamente ao método de aferição e concessão da verba em comento. Atualmente, a Lei n° 10.101/2000 se apresenta com algumas alterações introduzidas pela Lei n° 12.832, de 20/07/2013, que deixaremos de contemplar em razão de não fazer qualquer efeito na hipótese dos autos, que trata de fatos geradores pretéritos a aludido Diploma Legal. A teor dos preceitos inscritos na legislação encimada, constatase que a Participação nos Lucros e Resultados, de fato, constitui uma verdadeira imunidade, eis que desvinculada da tributação das contribuições previdenciárias por força da Constituição Federal, em virtude de se caracterizar como verba eventual e incerta. Entrementes, não é a simples denominação atribuída pela empresa à verba concedida aos funcionários, in casu, PLR, que irá lhe conferir a não incidência dos tributos ora exigidos. Em verdade, o que importa é a natureza dos pagamentos efetuados, independentemente da denominação pretendida pela contribuinte. E, para que a verba possua efetivamente a natureza de Participação nos Lucros e Resultados, indispensável se faz a conjugação dos pressupostos legais inscritos na MP nº 794/1994 e reedições, c/c Lei nº 10.101/2000, dependendo do período fiscalizado. Nessa esteira de entendimento, é de fácil conclusão que as importâncias pagas aos segurados empregados intituladas de PLR somente sofrerão incidência das contribuições previdenciárias se não estiverem revestidas dos requisitos legais de aludida verba. Melhor elucidando, a tributação não se dá sobre o valor da PLR, mas, tão somente, quando assim não restar caracterizada. Por sua vez, a interpretação do caso concreto deve ser levada a efeito de forma objetiva, nos limites da legislação específica. Em outras palavras, a autoridade fiscal e, bem assim, o julgador não poderão deixar de observar os pressupostos legais de caracterização de tal verba, sendo defeso, igualmente, a atribuição de requisitos/condições que não estejam contidos nos dispositivos legais que regulamentam a matéria, a partir de meras subjetividades, sobretudo quando arrimadas em premissas que não constam dos autos, sob pena, inclusive, de afronta ao Princípio da Legalidade. Por outro lado, convém frisar que tratandose de imunidade, os pagamentos a título de PLR não devem observância aos rigores interpretativos insculpidos nos artigos 111, inciso II e 176, do CTN, os quais contemplam as hipóteses de isenção, com necessária interpretação restritiva da norma. Ao contrário, no caso de imunidade, a doutrina e jurisprudência consolidaram entendimento de que a interpretação da norma constitucional poderá ser mais abrangente, de maneira a fazer prevalecer a própria vontade do legislador constitucional ao afastar a tributação de tais verbas, o que não implica dizer que a PLR não Fl. 1444DF CARF MF Impresso em 19/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/11/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA 10 deve observância ao regramento específico e que a norma constitucional que a prescreve é de eficácia plena. Na hipótese vertente, passando à análise das razões do lançamento, rechaçados todos os fundamentos da pretensão fiscal pelo Acórdão recorrido, a nobre Procuradoria entendeu por bem insurgirse exclusivamente quanto à necessidade de acordo prévio no Programa de Participação nos Lucros e Resultados, matéria que passamos a contemplar com mais especificidade, começando pela delimitação das datas dos acordos: 1) PLR 2000: assinado em 09/08/2000; 2) PLR 2001: assinado em 30/07/2001; 3) PLR 2002: assinado em 06/08/2002; 4) PLR 2003: assinado em 14/08/2003 Como se depreende dos autos, afora as demais razões do lançamento fiscal, afastadas pelo decisório combatido e que não fora objeto do Recurso da Procuradoria, a ilustre autoridade lançadora achou por bem descaracterizar os pagamentos efetuados pela contribuinte aos empregados a título de PLR, pelo simples fato de inexistir acordo prévio ao ano base, o que implicaria dizer não estarem presentes as exigências de metas e resultados para obtenção dos lucros. Inobstante as substanciosas razões de fato e de direito ofertadas pelo fiscal autuante em defesa da manutenção do crédito previdenciário, corroboradas pela Procuradoria da Fazenda Nacional, seu entendimento, contudo, não tem o condão de prosperar. Data vênia àqueles que divergem do entendimento deste Conselheiro, a conclusão da exigência de acordo prévio para concessão da PLR encontra sustentáculo nos incisos I e II, § 1º, artigo 2º, da Lei nº 10.101/2000 e/ou MP nº 794/1994 e reedições. De conformidade com esses dispositivos legais, visando a observância dos requisitos inseridos no § 1º, o legislador SUGERIU a utilização de “I índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa; e II programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente”. Observese, que em momento algum a lei impôs a observância de tais incisos. Muito pelo contrário. Extraise do bojo do § 1º, artigo 2º, da Lei nº 10.101/2000, a expressão “podendo”, o que não representa uma obrigatoriedade, mas, sim, uma faculdade. O que a lei determina é a utilização de “[...] regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo [...]”. Assim, a exigência de acordo prévio é de cunho subjetivo do agente lançador ou do julgador, mormente quando visa dar efetividade aos incisos I e II, § 1º, artigo 2º, da Lei nº 10.101/2000, os quais não são de observância obrigatória. E, como já sedimentado acima, a isenção/imunidade não comporta subjetivismo. Mais a mais, tratandose de Participação nos Lucros e Resultados, não se pode cogitar em anormalidade no caso de acordo firmado entre as partes e o consequente pagamento ocorrer posteriormente a apuração dos lucros e resultados no final do ano Fl. 1445DF CARF MF Impresso em 19/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/11/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 14485.000408/200775 Acórdão n.º 9202003.368 CSRFT2 Fl. 1.413 11 calendário, após as deduções dos custos e despesas anuais, conquanto que observados os demais requisitos para tanto. Melhor elucidando a empresa apura o lucro/resultado, se dispõe a conceder participação aos funcionários, oportunidade em que procedem as tratativas entre as partes, acordando a forma e valores dos pagamentos. Não se pode vislumbrar qualquer irregularidade em tal conduta, notadamente quando a verba atingiu seu fim precípuo, insculpido na Constituição Federal. Não bastasse isso, como a própria autoridade lançadora asseverou em seu Relatório Fiscal, a contribuinte vem pagando Participação nos Lucros e Resultados desde 2000, nos levando a concluir que já existia um costume da empresa em conceder PLR aos funcionários, criando no decorrer dos anos uma expectativa de direito por parte destes, fazendo com que se empenhassem no bom desempenho de suas funções, uma vez já terem conhecimento de que havendo lucro a contribuinte, como de praxe, iria participálo aos empregados. Ademais, é preciso reconhecer que o mundo real, distante daquele que seria o ideal para o bom andamento das relações interpessoais e, por conseguinte, entre empresa e funcionários, nos impõe barreiras, de certa forma até naturais, que convergem pela assinatura/formalização do acordo de PLR após iniciado o anobase. Isto porque, tratandose de discussão a propósito de direitos dos trabalhadores, escorados em lucros ou resultados de empresas, dificilmente um acordo contemplando os valores, regras, condições básicas, etc para a concessão da Participação nos Lucros e Resultados será de fácil resolução, exigindo, por certo, longo período de tratativas, mormente com a participação da empresa, empregados, seus representantes em comissões e/ou respectivos Sindicatos. Aliás, o eminente Conselheiro Júlio César Vieira Gomes, à época integrante da 2ª Caj do CRPS, atualmente Presidente da 2ª TO desta 4a Câmara, dissertou com muita propriedade a respeito do tema, espancando de uma vez por todas a pretensão fiscal, conforme se extrai do excerto do voto condutor do Acórdão nº 213/2007 abaixo transcrito: “[...] O programa de participação nos lucros da recorrente foi instituído em 1995 e é revisto anualmente de acordo com o resultado apurado em cada exercício financeiro. Essa sistemática autorizada pelo artigo 2º, §1º da Lei nº 10.101/2000 permite ajustes anuais para melhor aproximação aos valores reais apurados. As regras foram pactuadas quando da sua criação, logo após a primeira regulamentação através da Medida Provisória nº 794, de 29/12/1994. Desde essa época o programa de participação nos lucros ou resultados é formado por uma comissão permanente de empregados assistidos pelos sindicatos das categorias profissionais (fls. 162). Equivocadamente, a autoridade fiscal tomou cada acordo de revisão anual das regras isoladamente, ignorando que antes de cada um há outro que o precede e que a cada ano é revisto. Até que determinado acordo, estabelecendo critérios e condições, seja revogado por um outro, não se pode negar sua existência, vigência e aplicação. Como exemplo, o acordo de revisão assinado em 11/11/96 (fls. 168) permanece vigente até Fl. 1446DF CARF MF Impresso em 19/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/11/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA 12 que outro o modifique; no caso, o acordo assinado em 12/11/97 (fls. 171) que aumentou a parcela fixa de R$ 350,00 para R$ 450,00 (fls. 166 e 170), mantendose, no entanto, o percentual de 75% do salário vigente. [...]” (2ª Caj do CRPS – NFLD nº 35.132.8335, Sessão de 27/03/2007 – Unânime) A fazer prevalecer esse entendimento, a 2a Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, em recentíssima decisão (06/05/2014), afastou qualquer dúvida em relação à matéria, reafirmando que a simples ausência de acordo prévio não desnatura a Participação nos Lucros e Resultados, na linha do sustentado acima, consoante se positiva do Acórdão n° 9202003.192, da lavra do ilustre Conselheiro Gustavo Lian Haddad, com a seguinte ementa: “Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Períodos de apuração: 01/01/2000 a 30/10/2004 [...] CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS (PLR). ANTERIORIDADE DE CONVENÇÃO COLETIVA, ACORDO COLETIVO OU NEGOCIAÇÃO COLETIVA. NECESSIDADE. INEXISTENCIA DE PRAZO FIXADO EM LEI. ACORDO FIRMADO DURANTE O PERÍODO DE AFERIÇÃO DAS METAS ATENDE AOS REQUISITOS LEGAIS. A Lei 10.101/2000 exige que o fechamento do acordo para o pagamento da PLR ocorra antes do pagamento e ao menos durante o período de aferição dos critérios adotados para fixação do direito subjetivo dos trabalhadores. Referida lei não estabelece, contudo, prazo mínimo necessário entre o fechamento do acordo e o pagamento da PLR, não cabendo ao interprete fazêlo. [...]” (Processo n° 35366.001448/200507) Outro não foi o posicionamento manifestado, igualmente, pela 2a Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, nos autos dos processos n°s 14485.000326/200721, 14485.000329/200764 e 14485.000327/200775, senão vejamos: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/12/2004 a 31/12/2006 CONTRADITÓRIO E AMPLA DEFESA. INEXISTÊNCIA. AUTO DE INFRAÇÃO. SALÁRIO INDIRETO. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. OBSERVÂNCIA DA LEGISLAÇÃO REGULAMENTADORA. METAS. PRESCINDIBILIDADE. LUCROS. NEGOCIAÇÃO POSTERIOR AO SEU ADVENTO. INEXISTÊNCIA DE VEDAÇÃO LEGAL. [...] VI – A legislação regulamentadora da PLR não veda que a negociação quanto a distribuição do lucro, seja concretizada após sua realização, é dizer, a negociação deve preceder ao pagamento, mas não necessariamente advento do lucro obtido. Fl. 1447DF CARF MF Impresso em 19/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/11/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 14485.000408/200775 Acórdão n.º 9202003.368 CSRFT2 Fl. 1.414 13 Recurso especial negado.” (Acórdão n° 9202002.485 – Sessão de 29/01/2013) “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Data do fato gerador: 11/09/2007 [...] VI – A legislação regulamentadora da PLR não veda que a negociação quanto a distribuição do lucro, seja concretizada após sua realização, é dizer, a negociação deve preceder ao pagamento, mas não necessariamente advento do lucro obtido. Recurso especial negado.” (Acórdão n° 9202002.484 – Sessão de 29/01/2013) “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Data do fato gerador: 11/09/2007 [...] VI – A legislação regulamentadora da PLR não veda que a negociação quanto a distribuição do lucro, seja concretizada após sua realização, é dizer, a negociação deve preceder ao pagamento, mas não necessariamente advento do lucro obtido. Recurso especial negado.” (Acórdão n° 9202002.486 – Sessão de 29/01/2013) Partindo dessas premissas, é de se manter a ordem legal no sentido de considerar o Plano de Participação nos Lucros de Resultados da empresa em conformidade com a legislação de regência, decretando, portanto, a improcedência do feito. Dessa forma, escorreito o Acórdão recorrido devendo, nesse sentido, ser mantido o provimento ao recurso voluntário da contribuinte, na forma decidida pela 1a Turma Ordinária da 3a Câmara da 2a SJ do CARF, uma vez que a recorrente não logrou infirmar os elementos que serviram de base ao decisório atacado. Por todo o exposto, estando o Acórdão recorrido em consonância com as normas que regulamentam a matéria, VOTO NO SENTIDO DE CONHECER DO RECURSO ESPECIAL DA PROCURADORIA E NEGAR LHE PROVIMENTO, pelas razões de fato e de direito acima esposadas. (Assinado digitalmente) Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira Fl. 1448DF CARF MF Impresso em 19/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/11/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA 14 Fl. 1449DF CARF MF Impresso em 19/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/11/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA
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Numero do processo: 13886.000107/2008-47
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 05 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Nov 24 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/12/2006 a 31/07/2007
LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO. OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA PRINCIPAL. ART. 37 DA LEI Nº 8.212/91.
Uma vez constatado o atraso total ou parcial no recolhimento das contribuições sociais previstas na Lei de Custeio da Seguridade Social, a fiscalização lavrará notificação de débito, com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem.
LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. PRESUNÇÃO DE VERACIDADE.
Considerar-se-á não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. Art. 17 do Decreto nº 70.235/72.
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. SEGURADO CONTRIBUINTE INDIVIDUAL. LC Nº 84/96.
A contribuição previdenciária incidente sobre a remuneração dos segurados contribuintes individuais foi instituída pela Lei Complementar nº 84, de 18 de janeiro de 1996, no exercício da competência tributária residual exclusiva da União, sendo o seu regramento, após a EC nº 20/98, assentado no inciso III da Lei nº 8.212/91, incluído pela Lei nº 9.876/99.
CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DOS BENEFÍCIOS CONCEDIDOS EM RAZÃO DO GRAU DE INCIDÊNCIA DE INCAPACIDADE LABORATIVA DECORRENTE DOS RISCOS AMBIENTAIS DO TRABALHO. CONSTITUCIONALIDADE.
É devida à Seguridade Social as contribuições sociais destinadas ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, na forma estabelecida no art. 22, II da Lei nº 8.212/91.
CONTRIBUIÇÃO PARA SAT. FIXAÇÃO DO GRAU DE RISCO E DO CONCEITO DE ATIVIDADE PREPONDERANTE POR DECRETO. POSSIBILIDADE. PRECEDENTES DO STF.
A definição, por Regulamento Presidencial, dos conceitos de atividade preponderante e do grau de periculosidade das atividades desenvolvidas pelas empresas não extrapola os limites insertos na legislação previdenciária, porquanto tenha detalhado tão somente o seu conteúdo, sem, todavia, lhe alterar os elementos essenciais da hipótese de incidência, inexistindo, portanto, qualquer ofensa ao princípio da legalidade insculpido no art. 97 do CTN.
SEBRAE. EXIGIBILIDADE. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS DE INTERVENÇÃO NO DOMÍNIO ECONÔMICO.
A contribuição social destinada ao SEBRAE tem natureza jurídica de contribuição de intervenção no domínio econômico, prescindindo de lei complementar para a sua criação, revelando-se constitucional, portanto, a sua instituição pelo §3º do art. 8º da Lei 8.029/90, com a redação dada pelas Leis 8.154/90 e 10.668/2003, podendo ser exigidas de todas as empresas contribuintes do sistema SESI, SENAI, SESC, SENAC, e não somente das microempresas e das empresas de pequeno porte.
CONTRIBUIÇÃO DESTINADA AO INCRA. EMPRESAS URBANAS. LEGALIDADE
Dada a sua natureza de contribuição especial de intervenção no domínio econômico, a contribuição social destinada ao INCRA não foi extinta pela Lei nº 8.212/91, podendo ser exigida também do empregador urbano, como ocorre desde a sua origem, quando instituída pela Lei 2.613/55.
A contribuição destinada ao INCRA tem caráter de universalidade e sua incidência não está condicionada ao exercício da atividade rural, podendo ser exigida também do empregador urbano, conforme precedentes do STF e do STJ.
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. RECOLHIMENTO EM ATRASO. JUROS E MULTA MORATÓRIOS. PROCEDÊNCIA.
O crédito decorrente de contribuições previdenciárias não integralmente pagas na data de vencimento será acrescido de juros de mora equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC a que se refere o artigo 13 da Lei 9.065/95, e de 1% nos meses de vencimento ou de pagamento da obrigação, incidentes sobre o valor atualizado, nos termos do art. 161 do CTN c.c. art. 34 da Lei nº 8.212/91, e de multa moratória na gradação detalhada pelo art. 35 da Lei nº 8.212/91, todos de caráter irrelevável, seja qual for o motivo determinante da falta.
MULTA DE MORA. NFLD. CONFISCO. INOCORRÊNCIA.
Não constitui confisco a incidência de multa moratória decorrente do recolhimento em atraso de contribuições previdenciárias.
Foge à competência deste colegiado a análise da adequação das normas tributárias fixadas pela Lei nº 8.212/91 às vedações constitucionais ao poder de tributar previstas no art. 150 da CF/88.
JUROS MORATÓRIOS. TAXA SELIC. LEGALIDADE.
O crédito decorrente de contribuições previdenciárias não integralmente pagas na data de vencimento será acrescido de juros de mora, de caráter irrelevável, seja qual for o motivo determinante da falta, equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC a que se refere o artigo 13 da Lei 9.065/95, incidentes sobre o valor atualizado, nos termos do art. 161 do CTN c.c. art. 34 da Lei nº 8.212/91.
INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI OU DE ATO NORMATIVO. RECONHECIMENTO. IMPOSSIBILIDADE JURIDICA.
Escapa à competência deste Colegiado a declaração, bem como o reconhecimento, de inconstitucionalidade de leis tributárias, eis que tal atribuição foi reservada, com exclusividade, pela Constituição Federal, ao Poder Judiciário.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2302-003.470
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, mantendo o lançamento referente às contribuições previdenciárias relativas aos fatos geradores informados pela recorrente em GFIP e não recolhidas à Seguridade Social.
Liége Lacroix Thomasi Presidente de Turma.
Arlindo da Costa e Silva - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente de Turma), Leonardo Henrique Pires Lopes (Vice-presidente de turma), André Luís Mársico Lombardi, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Leo Meirelles do Amaral e Arlindo da Costa e Silva.
Nome do relator: ARLINDO DA COSTA E SILVA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/12/2006 a 31/07/2007 LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO. OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA PRINCIPAL. ART. 37 DA LEI Nº 8.212/91. Uma vez constatado o atraso total ou parcial no recolhimento das contribuições sociais previstas na Lei de Custeio da Seguridade Social, a fiscalização lavrará notificação de débito, com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem. LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. PRESUNÇÃO DE VERACIDADE. Considerar-se-á não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. Art. 17 do Decreto nº 70.235/72. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. SEGURADO CONTRIBUINTE INDIVIDUAL. LC Nº 84/96. A contribuição previdenciária incidente sobre a remuneração dos segurados contribuintes individuais foi instituída pela Lei Complementar nº 84, de 18 de janeiro de 1996, no exercício da competência tributária residual exclusiva da União, sendo o seu regramento, após a EC nº 20/98, assentado no inciso III da Lei nº 8.212/91, incluído pela Lei nº 9.876/99. CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DOS BENEFÍCIOS CONCEDIDOS EM RAZÃO DO GRAU DE INCIDÊNCIA DE INCAPACIDADE LABORATIVA DECORRENTE DOS RISCOS AMBIENTAIS DO TRABALHO. CONSTITUCIONALIDADE. É devida à Seguridade Social as contribuições sociais destinadas ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, na forma estabelecida no art. 22, II da Lei nº 8.212/91. CONTRIBUIÇÃO PARA SAT. FIXAÇÃO DO GRAU DE RISCO E DO CONCEITO DE ATIVIDADE PREPONDERANTE POR DECRETO. POSSIBILIDADE. PRECEDENTES DO STF. A definição, por Regulamento Presidencial, dos conceitos de atividade preponderante e do grau de periculosidade das atividades desenvolvidas pelas empresas não extrapola os limites insertos na legislação previdenciária, porquanto tenha detalhado tão somente o seu conteúdo, sem, todavia, lhe alterar os elementos essenciais da hipótese de incidência, inexistindo, portanto, qualquer ofensa ao princípio da legalidade insculpido no art. 97 do CTN. SEBRAE. EXIGIBILIDADE. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS DE INTERVENÇÃO NO DOMÍNIO ECONÔMICO. A contribuição social destinada ao SEBRAE tem natureza jurídica de contribuição de intervenção no domínio econômico, prescindindo de lei complementar para a sua criação, revelando-se constitucional, portanto, a sua instituição pelo §3º do art. 8º da Lei 8.029/90, com a redação dada pelas Leis 8.154/90 e 10.668/2003, podendo ser exigidas de todas as empresas contribuintes do sistema SESI, SENAI, SESC, SENAC, e não somente das microempresas e das empresas de pequeno porte. CONTRIBUIÇÃO DESTINADA AO INCRA. EMPRESAS URBANAS. LEGALIDADE Dada a sua natureza de contribuição especial de intervenção no domínio econômico, a contribuição social destinada ao INCRA não foi extinta pela Lei nº 8.212/91, podendo ser exigida também do empregador urbano, como ocorre desde a sua origem, quando instituída pela Lei 2.613/55. A contribuição destinada ao INCRA tem caráter de universalidade e sua incidência não está condicionada ao exercício da atividade rural, podendo ser exigida também do empregador urbano, conforme precedentes do STF e do STJ. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. RECOLHIMENTO EM ATRASO. JUROS E MULTA MORATÓRIOS. PROCEDÊNCIA. O crédito decorrente de contribuições previdenciárias não integralmente pagas na data de vencimento será acrescido de juros de mora equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC a que se refere o artigo 13 da Lei 9.065/95, e de 1% nos meses de vencimento ou de pagamento da obrigação, incidentes sobre o valor atualizado, nos termos do art. 161 do CTN c.c. art. 34 da Lei nº 8.212/91, e de multa moratória na gradação detalhada pelo art. 35 da Lei nº 8.212/91, todos de caráter irrelevável, seja qual for o motivo determinante da falta. MULTA DE MORA. NFLD. CONFISCO. INOCORRÊNCIA. Não constitui confisco a incidência de multa moratória decorrente do recolhimento em atraso de contribuições previdenciárias. Foge à competência deste colegiado a análise da adequação das normas tributárias fixadas pela Lei nº 8.212/91 às vedações constitucionais ao poder de tributar previstas no art. 150 da CF/88. JUROS MORATÓRIOS. TAXA SELIC. LEGALIDADE. O crédito decorrente de contribuições previdenciárias não integralmente pagas na data de vencimento será acrescido de juros de mora, de caráter irrelevável, seja qual for o motivo determinante da falta, equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC a que se refere o artigo 13 da Lei 9.065/95, incidentes sobre o valor atualizado, nos termos do art. 161 do CTN c.c. art. 34 da Lei nº 8.212/91. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI OU DE ATO NORMATIVO. RECONHECIMENTO. IMPOSSIBILIDADE JURIDICA. Escapa à competência deste Colegiado a declaração, bem como o reconhecimento, de inconstitucionalidade de leis tributárias, eis que tal atribuição foi reservada, com exclusividade, pela Constituição Federal, ao Poder Judiciário. Recurso Voluntário Negado
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OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA PRINCIPAL. ART. 37 DA LEI Nº 8.212/91. Uma vez constatado o atraso total ou parcial no recolhimento das contribuições sociais previstas na Lei de Custeio da Seguridade Social, a fiscalização lavrará notificação de débito, com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem. LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. PRESUNÇÃO DE VERACIDADE. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. Art. 17 do Decreto nº 70.235/72. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. SEGURADO CONTRIBUINTE INDIVIDUAL. LC Nº 84/96. A contribuição previdenciária incidente sobre a remuneração dos segurados contribuintes individuais foi instituída pela Lei Complementar nº 84, de 18 de janeiro de 1996, no exercício da competência tributária residual exclusiva da União, sendo o seu regramento, após a EC nº 20/98, assentado no inciso III da Lei nº 8.212/91, incluído pela Lei nº 9.876/99. CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DOS BENEFÍCIOS CONCEDIDOS EM RAZÃO DO GRAU DE INCIDÊNCIA DE INCAPACIDADE LABORATIVA DECORRENTE DOS RISCOS AMBIENTAIS DO TRABALHO. CONSTITUCIONALIDADE. É devida à Seguridade Social as contribuições sociais destinadas ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, na forma estabelecida no art. 22, II da Lei nº 8.212/91. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 6. 00 01 07 /2 00 8- 47 Fl. 356DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 12/11/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI 2 CONTRIBUIÇÃO PARA SAT. FIXAÇÃO DO GRAU DE RISCO E DO CONCEITO DE ATIVIDADE PREPONDERANTE POR DECRETO. POSSIBILIDADE. PRECEDENTES DO STF. A definição, por Regulamento Presidencial, dos conceitos de atividade preponderante e do grau de periculosidade das atividades desenvolvidas pelas empresas não extrapola os limites insertos na legislação previdenciária, porquanto tenha detalhado tão somente o seu conteúdo, sem, todavia, lhe alterar os elementos essenciais da hipótese de incidência, inexistindo, portanto, qualquer ofensa ao princípio da legalidade insculpido no art. 97 do CTN. SEBRAE. EXIGIBILIDADE. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS DE INTERVENÇÃO NO DOMÍNIO ECONÔMICO. A contribuição social destinada ao SEBRAE tem natureza jurídica de contribuição de intervenção no domínio econômico, prescindindo de lei complementar para a sua criação, revelandose constitucional, portanto, a sua instituição pelo §3º do art. 8º da Lei 8.029/90, com a redação dada pelas Leis 8.154/90 e 10.668/2003, podendo ser exigidas de todas as empresas contribuintes do sistema SESI, SENAI, SESC, SENAC, e não somente das microempresas e das empresas de pequeno porte. CONTRIBUIÇÃO DESTINADA AO INCRA. EMPRESAS URBANAS. LEGALIDADE Dada a sua natureza de contribuição especial de intervenção no domínio econômico, a contribuição social destinada ao INCRA não foi extinta pela Lei nº 8.212/91, podendo ser exigida também do empregador urbano, como ocorre desde a sua origem, quando instituída pela Lei 2.613/55. A contribuição destinada ao INCRA tem caráter de universalidade e sua incidência não está condicionada ao exercício da atividade rural, podendo ser exigida também do empregador urbano, conforme precedentes do STF e do STJ. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. RECOLHIMENTO EM ATRASO. JUROS E MULTA MORATÓRIOS. PROCEDÊNCIA. O crédito decorrente de contribuições previdenciárias não integralmente pagas na data de vencimento será acrescido de juros de mora equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC a que se refere o artigo 13 da Lei 9.065/95, e de 1% nos meses de vencimento ou de pagamento da obrigação, incidentes sobre o valor atualizado, nos termos do art. 161 do CTN c.c. art. 34 da Lei nº 8.212/91, e de multa moratória na gradação detalhada pelo art. 35 da Lei nº 8.212/91, todos de caráter irrelevável, seja qual for o motivo determinante da falta. MULTA DE MORA. NFLD. CONFISCO. INOCORRÊNCIA. Não constitui confisco a incidência de multa moratória decorrente do recolhimento em atraso de contribuições previdenciárias. Foge à competência deste colegiado a análise da adequação das normas tributárias fixadas pela Lei nº 8.212/91 às vedações constitucionais ao poder de tributar previstas no art. 150 da CF/88. JUROS MORATÓRIOS. TAXA SELIC. LEGALIDADE. O crédito decorrente de contribuições previdenciárias não integralmente pagas na data de vencimento será acrescido de juros de mora, de caráter Fl. 357DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 12/11/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 13886.000107/200847 Acórdão n.º 2302003.470 S2C3T2 Fl. 357 3 irrelevável, seja qual for o motivo determinante da falta, equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC a que se refere o artigo 13 da Lei 9.065/95, incidentes sobre o valor atualizado, nos termos do art. 161 do CTN c.c. art. 34 da Lei nº 8.212/91. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI OU DE ATO NORMATIVO. RECONHECIMENTO. IMPOSSIBILIDADE JURIDICA. Escapa à competência deste Colegiado a declaração, bem como o reconhecimento, de inconstitucionalidade de leis tributárias, eis que tal atribuição foi reservada, com exclusividade, pela Constituição Federal, ao Poder Judiciário. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, mantendo o lançamento referente às contribuições previdenciárias relativas aos fatos geradores informados pela recorrente em GFIP e não recolhidas à Seguridade Social. Liége Lacroix Thomasi – Presidente de Turma. Arlindo da Costa e Silva Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente de Turma), Leonardo Henrique Pires Lopes (Vicepresidente de turma), André Luís Mársico Lombardi, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Leo Meirelles do Amaral e Arlindo da Costa e Silva. Fl. 358DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 12/11/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI 4 Relatório Período de apuração: 01/12/2006 a 31/07/2007. Data da lavratura da NFLD: 17/10/2007. Data da Ciência da NFLD: 24/10/2007. Temse em pauta Recurso Voluntário interposto em face de Decisão Administrativa de 1ª Instância proferida pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro I/RJ, que julgou procedente em parte o lançamento tributário formalizado mediante a Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD nº 37.089.8940, consistente em contribuições sociais previdenciárias a cargo da empresa destinadas ao custeio da Seguridade Social, ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho e a Outras Entidades e Fundos, incidentes sobre o total das remunerações pagas, devidas ou creditadas aos segurados empregados e segurados contribuintes individuais que lhe prestaram serviços em cada mês, declaradas em GFIP porém não recolhidas aos cofres da Seguridade Social, conforme descrito no Relatório Fiscal a fls. 24/26. De acordo com a resenha fiscal, os créditos ora em fase de constituição foram apurados através do comparativo entre os valores declarados nas Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social – GFIPs e as folhas de pagamento. Constituem fatos geradores das contribuições lançadas as remunerações pagas ou devidas aos segurados empregados, bem como as remunerações pagas e/ou creditadas ao segurado empresário, a título de pro labore, de acordo com valores informados em GFIP, cujos valores absolutos encontramse discriminados no "Relatório de Lançamentos", integrante do lançamento fiscal. Foram considerados no lançamento os valores recolhidos mediante GPS — Guias de Pagamento da Previdência Social, conforme demonstrado no "Relatório de Documentos Apresentados" e "Relatório de Apropriação de Documentos Apresentados", integrantes do lançamento fiscal. O crédito lançado (valor originário, juros e multa) encontrase fundamentado na legislação constante do anexo "Fundamentos Legais do Débito". A multa foi aplicada com redução de 50% para os fatos geradores declarados em GFIP, de acordo com o Art. 239 parágrafo 11° do Decreto n° 3.048/99, na redação dada pelo Decreto n° 3265/99. Irresignado com o supracitado lançamento tributário, o sujeito passivo apresentou impugnação a fls. 54/110. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro I/RJ baixou o feito em diligência para que a Autoridade Lançadora se pronunciasse a respeito da efetiva ocorrência de desconto das contribuições previdenciárias a cargo dos segurados contribuintes individuais, conforme Despacho de Diligência a fls. 200/202. Em atendimento à diligência requestada por meio do Despacho de Diligência acima citado, a Autoridade Lançadora emitiu Relatório Fiscal Complementar a fl. 208, Fl. 359DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 12/11/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 13886.000107/200847 Acórdão n.º 2302003.470 S2C3T2 Fl. 358 5 informando que “no relatório DAD Discriminativo Analítico de Débito, parte integrante da Notificação, constou incorretamente a rubrica de desconto do contribuinte individual sócio gerente. Período relacionado ao débito: dezembro/2006 a julho/2007”, pugnando, ao fim pela exclusão da rubrica "lF Contrib Individual" da NFLD. Formalmente notificado do conteúdo do resultado do Relatório Fiscal Complementar acima mencionado, conforme Aviso de Recebimento a fl. 225, o Sujeito Passivo apresentou, intempestivamente, aditamento à impugnação a fls. 264/268. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro I/RJ lavrou Decisão Administrativa aviada no Acórdão nº 1224.203 – 11ª Turma da DRJ/RJ1, a fls. 234/260, julgando procedente em parte o lançamento, para dele excluir, tão somente, a rubrica “1F – Contrib Individual”, conforme pugnado no Relatório Fiscal Complementar, e mantendo o crédito tributário na forma exposta no Discriminativo Analítico do Débito Retificado DADR, a fls. 228/232. O Sujeito Passivo foi cientificado da decisão de 1ª Instância no dia 10/06/2009, conforme Aviso de Recebimento a fl. 271. Inconformado com a decisão exarada pelo órgão administrativo julgador a quo, o ora Recorrente interpôs recurso voluntário, a fls. 276/344, respaldando seu inconformismo em argumentação desenvolvida nos termos que se vos seguem: · Que a contribuição para o SEBRAE é ilegal e inconstitucional; · Que o Recorrente não é produtor rural, mas sim empresa urbana, não estando vinculada a atividade rural, e nem ao fato jurídico gerador das contribuições previdenciárias rurais, sendo indevida a contribuição para o INCRA; · Que a contribuição para o SAT é inconstitucional, eis que a fixação e alteração da alíquota pelo Poder Executivo ofende o art. 153, §1º, da CF/88; · Ilegalidade e inconstitucionalidade da contribuição incidente sobre a remuneração dos administradores, autônomos e avulsos; · Que a aplicação da taxa Selic é ilegal; · Que a multa de mora tem natureza confiscatória; Ao fim, requer a anulação do Auto de Infração. Relatados sumariamente os fatos ora relevantes. Fl. 360DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 12/11/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI 6 Voto Conselheiro Arlindo da Costa e Silva, Relator. 1. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 1.1. DA TEMPESTIVIDADE O sujeito passivo foi válida e eficazmente cientificado da decisão recorrida no dia 10/06/2009. Havendo sido o recurso voluntário protocolizado em 06/07/2009, há que se reconhecer a tempestividade do recurso interposto. Presentes os demais requisitos de admissibilidade do recurso, dele conheço. Ante a inexistência de questões preliminares, passamos ao exame do mérito. 2. DO MÉRITO Cumpre de plano assentar que não serão objeto de apreciação por este Colegiado as matérias não expressamente impugnadas pelo Recorrente, as quais serão consideradas como verdadeiras, assim como as matérias já decididas pelo Órgão Julgador de 1ª Instância não expressamente contestadas pelo sujeito passivo em seu instrumento de Recurso Voluntário, as quais se presumirão como anuídas pela Parte. Também não serão objeto de apreciação por esta Corte Administrativa as questões de fato e de Direito referentes a matérias substancialmente alheias ao vertente lançamento, eis que em seu louvor, no processo de que ora se cuida, não se houve por instaurado qualquer litígio a ser dirimido por este Conselho, assim como as questões arguidas exclusivamente nesta instância recursal, antes não oferecida à apreciação do Órgão Julgador de 1ª Instância, em razão da preclusão prevista no art. 17 do Decreto nº 70.235/72. 2.1. DOS FATOS GERADORES De acordo com o Relatório Fiscal, as contribuições sociais lançadas mediante a presente Notificação Fiscal de Lançamento de Débito/NFLD tem por fatos geradores as remunerações pagas, creditadas ou devidas a segurados empregados e segurados contribuintes individuais, pagas a título de pro labore, apuradas diretamente da informações declaradas pelo Contribuinte em suas GFIP, porém, não integralmente recolhidas aos cofres da Seguridade Social. Tais fatos geradores encontramse discriminados no "Relatório de Lançamentos", integrante do lançamento fiscal. Foram considerados no lançamento os valores recolhidos mediante GPS Guias de Pagamento da Previdência Social, conforme demonstrado no "Relatório de Fl. 361DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 12/11/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 13886.000107/200847 Acórdão n.º 2302003.470 S2C3T2 Fl. 359 7 Documentos Apresentados" e "Relatório de Apropriação de Documentos Apresentados", integrantes do lançamento fiscal. Mostrase valioso, neste momento, trazer a lume que os atos administrativos, assim como seu conteúdo, gozam de presunção legal iuris tantum de legalidade, legitimidade e veracidade. Na arguta visão de Maria Sylvia Zanella Di Pietro, a presunção de veracidade e legitimidade consiste na "conformidade do ato à lei. Em decorrência desse atributo, presumemse, até prova em contrário, que os atos administrativos foram emitidos com observância da lei" (Direito Administrativo, 18ª Edição, 2005, Atlas, São Paulo). Ainda de acordo com a citada autora, "A presunção de veracidade diz respeito aos fatos. Em decorrência desse atributo, presumemse verdadeiros os fatos alegados pela Administração." (op. cit. pág. 191). Dessarte, a aplicação da presunção de veracidade tem o condão de inverter o ônus da prova, cabendo ao particular comprovar de forma cabal a inocorrência dos fatos descritos pelo agente público, ou circunstância que exima sua responsabilidade administrativa, nos termos dos art. 333, inciso I do Código de Processo Civil. Deflui da interpretação sistemática dos dispositivos encartados nos artigos 19, II da CF/88 e 364 do CPC que os fatos consignados em documentos públicos carregam consigo a presunção de veracidade atávica aos atos administrativos, ostentando estes fé pública, a qual não pode ser recusada pela Administração Pública, devendo ser admitidos como verdadeiros até que se produza prova válida em contrário. Constituição Federal de 1988 Art. 19. É vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: (...) II recusar fé aos documentos públicos; (...) Código de Processo Civil Art. 364. O documento público faz prova não só da sua formação, mas também dos fatos que o escrivão, o tabelião, ou o funcionário declarar que ocorreram em sua presença. A Suprema Corte de Justiça já irradiou sem em seus arestos a interpretação que deve prevalecer na pacificação do debate em torno do assunto, sendo extremamente convergente a jurisprudência dela promanada, como se pode verificar nos julgados a seguir alinhados, cujas ementas rogamos vênia para transcrevêlas. AgRg no RMS 19918 / SP Relator(a) Ministro OG FERNANDES Órgão Julgador T6 SEXTA TURMA Data da Publicação/Fonte: DJe 31/08/2009 MANDADO DE SEGURANÇA IMPETRADO CONTRA ATO ADMINISTRATIVO CASSATÓRIO DE APOSENTADORIA. CERTIDÃO DE TEMPO DE SERVIÇO SOBRE A QUAL Fl. 362DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 12/11/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI 8 PENDE INCERTEZA NÃO RECEPCIONADA PELO TRIBUNAL DE CONTAS DO MUNICÍPIO. EXTINÇÃO DO MANDAMUS DECRETADO POR MAIORIA. VÍNCULO FUNCIONAL. IMPOSSIBILIDADE DE COMPROVAÇÃO ATRAVÉS DOS ARQUIVOS DA PREFEITURA. MOTIVO DE FORÇA MAIOR. INCÊNDIO. EXISTÊNCIA DE CERTIDÃO DE TEMPO DE SERVIÇO EXPEDIDA PELA PREFEITURA ANTES DO SINISTRO. DOCUMENTO PÚBLICO. PRESUNÇÃO DE VERACIDADE. 1. Esta Corte Superior de Justiça possui entendimento firmado no sentido de que o documento público merece fé até prova em contrário. No caso, o recorrente apresentou certidão de tempo de serviço expedida pela Prefeitura do Município de Itobi/SP a qual comprova o trecho temporal de 12 anos, 3 meses e 25 dias relativos ao serviço público prestado à referida Prefeitura entre 10/3/66 a 10/2/78 que teve firma do então Prefeito e Chefe do Departamento Pessoal e foi reconhecida pelo tabelião local. 2. Ademais, é incontroverso que ocorreu um incêndio na Prefeitura Municipal Itobi/SP em dezembro de 1992. 3. Desse modo, a certidão expedida pela Prefeitura de Itobi, antes do incêndio, deve ser considerada como documento hábil a comprovar o tempo de serviço prestado pelo recorrente no período de 10/3/66 a 10/2/78, seja por possuir fé pública uma vez que não foi apurada qualquer falsidade na referida certidão , seja porque, em virtude do motivo de força maior acima mencionado, não há como saber se os registros do recorrente foram realmente destruídos no referido sinistro. 4. Agravo regimental a que se nega provimento. EREsp 265552 / RN Relator(a) Ministro JOSÉ ARNALDO DA FONSECA Órgão Julgador S3 TERCEIRA SEÇÃO Data da Publicação/Fonte: DJ 18/06/2001 p. 113 EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA. PREVIDENCIÁRIO. REVISÃO DE BENEFÍCIO. LIQUIDAÇÃO DA SENTENÇA. PLANILHA APRESENTADA PELO INSS EM QUE CONSTA PAGAMENTO ADMINISTRATIVO DAS DIFERENÇAS RECLAMADAS. PRESUNÇÃO DE VERACIDADE. "As planilhas de pagamento da DATAPREV assinadas por funcionário autárquico constituem documento público, cuja veracidade é presumida." (REsp 183.669) O documento público merece fé até prova em contrário. Recurso que merece ser conhecido e provido para excluir da liquidação as parcelas constantes da planilha, apresentada pelo INSS e não impugnada eficazmente pela parte exadversa, prosseguindo a execução por eventual saldo remanescente. Embargos conhecidos e acolhidos. Nessa prumada, existindo no mundo jurídico um ato administrativo comprovado por documento público, passa a militar em favor do ente público a presunção de legitimidade e veracidade das informações nele assentadas. Como prerrogativa inerente ao Poder Público, presente em todos os atos de Estado, a presunção de veracidade subsistirá no Fl. 363DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 12/11/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 13886.000107/200847 Acórdão n.º 2302003.470 S2C3T2 Fl. 360 9 processo administrativo fiscal como meio de prova hábil a comprovar as alegações do órgão tributário, cabendo à parte adversa demonstrar, ante a sua natureza relativa, por meio de documentos idôneos, a desconformidade com a realidade dos assentamentos em realce. Configurandose a Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD como um documento público representativo de Ato Administrativo formado a partir da manifestação da Administração Tributária, levada a efeito através de agentes públicos, não há como se negar a veracidade do conteúdo. Registrese que, de acordo com os princípios basilares do direito processual, incumbe ao autor o ônus de comprovar os fatos constitutivos do Direito por si alegado, e à parte adversa, a prova de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. No caso em foco, encontrase o direito creditório do fisco plenamente consignado, com todos os seus elementos, no Relatório Fiscal do Lançamento e nos demais documentos que integram o Processo Administrativo Fiscal em pauta. A partir do exame de documentos fiscais elaborados sob a responsabilidade, comando e domínio do Sujeito Passivo, a Fiscalização apurou a ocorrência de fatos geradores de contribuições sociais, cujos montantes devidos não se houveram por recolhidos ao Erário em suas épocas próprias, circunstância que motivou a lavratura da vertente NFLD, em atenção ao art. 37 da Lei nº 8.212/91 c.c. art. 142 do CTN. Dessarte, fulguram os assentamentos consignados no lançamento como bastante e suficiente para fazer prova do fato afirmado pela Fiscalização, em razão da debatida presunção de veracidade dos Atos Administrativos. Ostentando, todavia, tal presunção eficácia relativa, esta admite prova em sentido contrário a ônus da parte interessada, encargo este não adimplido pelo Recorrente, o qual não logrou afastar a fidedignidade do teor do Lançamento em debate. Com efeito, em sua defesa administrativa, em sede de Recurso Voluntário, o Recorrente não teceu qualquer contestação objetiva quanto à matéria tributável apurada pela Fiscalização, de onde se conclui que os Fatos Jurígenos Tributários, bem como as respectivas bases de cálculo colhidas pela Autoridade Lançadora, não foram impugnados pelo Sujeito Passivo, a teor do art. 17 do Decreto nº 70.235/72, sendo, portanto, admitidas por esta Corte Administrativa como espelho plano da realidade fática. Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. 2.2. DOS SEGURADOS CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS O Recorrente alega ser ilegal e inconstitucional a contribuição incidente sobre a remuneração dos administradores, autônomos e avulsos. Ora, pois, pois. Fl. 364DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 12/11/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI 10 Em primeiro lugar, merece ser destacado que os trabalhadores autônomos, o titular de firma individual urbana ou rural, o diretor não empregado e o membro de conselho de administração de sociedade anônima, o sócio solidário, o sócio de indústria, o sócio gerente e o sócio cotista que recebam remuneração decorrente de seu trabalho em empresa urbana ou rural, dentre outros, são considerados pela Lei de Custeio da Seguridade Social como segurados obrigatórios do RGPS na qualidade de segurados contribuintes individuais, nos termos do Inciso V do art. 12 da Lei nº 8.212/91. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 12. São segurados obrigatórios da Previdência Social as seguintes pessoas físicas: (...) V como contribuinte individual: (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). a) a pessoa física, proprietária ou não, que explora atividade agropecuária, a qualquer título, em caráter permanente ou temporário, em área superior a 4 (quatro) módulos fiscais; ou, quando em área igual ou inferior a 4 (quatro) módulos fiscais ou atividade pesqueira, com auxílio de empregados ou por intermédio de prepostos; ou ainda nas hipóteses dos §§ 10 e 11 deste artigo; (Redação dada pela Lei nº 11.718, de 2008). b) a pessoa física, proprietária ou não, que explora atividade de extração mineral garimpo, em caráter permanente ou temporário, diretamente ou por intermédio de prepostos, com ou sem o auxílio de empregados, utilizados a qualquer título, ainda que de forma não contínua; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) o ministro de confissão religiosa e o membro de instituto de vida consagrada, de congregação ou de ordem religiosa; (Redação dada pela Lei nº 10.403, de 2002). d) revogada; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). e) o brasileiro civil que trabalha no exterior para organismo oficial internacional do qual o Brasil é membro efetivo, ainda que lá domiciliado e contratado, salvo quando coberto por regime próprio de previdência social; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). f) o titular de firma individual urbana ou rural, o diretor não empregado e o membro de conselho de administração de sociedade anônima, o sócio solidário, o sócio de indústria, o sócio gerente e o sócio cotista que recebam remuneração decorrente de seu trabalho em empresa urbana ou rural, e o associado eleito para cargo de direção em cooperativa, associação ou entidade de qualquer natureza ou finalidade, bem como o síndico ou administrador eleito para exercer atividade de direção condominial, desde que recebam remuneração; (Incluído pela Lei nº 9.876, de 1999). g) quem presta serviço de natureza urbana ou rural, em caráter eventual, a uma ou mais empresas, sem relação de emprego; (Incluído pela Lei nº 9.876, de 1999). h) a pessoa física que exerce, por conta própria, atividade econômica de natureza urbana, com fins lucrativos ou não; (Incluído pela Lei nº 9.876, de 1999). Em segundo lugar, a contribuição social previdenciária, a cargo das empresas e pessoas jurídicas, incidente total das remunerações ou retribuições por elas pagas ou Fl. 365DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 12/11/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 13886.000107/200847 Acórdão n.º 2302003.470 S2C3T2 Fl. 361 11 creditadas no decorrer do mês, pelos serviços que lhes prestem, sem vínculo empregatício, os segurados empresários, trabalhadores autônomos, avulsos e demais pessoas físicas, foi instituída pelo art. 1º da Lei Complementar nº 84, de 18 de janeiro de 1996, cumprindo às exigências fixadas no art. 195, §4º c.c. art. 154, I da CF/88. Cabe observar que, até 16 de dezembro de 1998, data da publicação da Emenda Constitucional n° 20/1998, assim dispunha o art. 195, I da Constituição Federal: Constituição Federal, de 03 de outubro de 1988 Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I dos empregadores, incidente sobre a folha de salários, o faturamento e o lucro; (...) §4º A lei poderá instituir outras fontes destinadas a garantir a manutenção ou expansão da seguridade social, obedecido o disposto no art. 154, I. Conforme redação acima transcrita, não figurava abarcada no campo de incidência das contribuições previdenciárias, a exação incidente sobre a remuneração de segurados que não se enquadrassem no conceito de folha de salários. Assim, a instituição de contribuições sociais incidentes sobre a remuneração de segurados não empregados, dentre eles os assim denominados segurados contribuintes individuais, somente poderia ser promovida mediante Lei Complementar, no exercício da competência residual exclusiva da União, prevista no art. 150, I, da CF/88, conforme estatuído expressamente no art. 195, §4º, da Carta de 1988. Nessa perspectiva, no desempenho da competência residual supra referida e trilhando um processo legislativo em perfeita sintonia com o ordenamento jurídico vigente à época, foi editada pelo Congresso Nacional e promulgada pelo Presidente da República a Lei Complementar n° 84/1996, instituindo a novel fonte de custeio previdenciário incidente sobre a remuneração de trabalhadores autônomos, empresários e trabalhadores avulsos e demais pessoas físicas. LEI COMPLEMENTAR nº 84, de 18 de janeiro de 1996. Art.1º Para a manutenção da Seguridade Social, ficam instituídas as seguintes contribuições sociais: I a cargo das empresas e pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, no valor de quinze por cento do total das remunerações ou retribuições por elas pagas ou creditadas no decorrer do mês, pelos serviços que lhes prestem, sem vínculo empregatício, os segurados empresários, trabalhadores autônomos, avulsos e demais pessoas físicas; Fl. 366DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 12/11/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI 12 Posteriormente, com a publicação da citada Emenda Constitucional n° 20/1998, foi alterado o teor normativo do art. 195, I da Constituição Federal, cuja redação passou a dispor, ad litteris et verbis: Constituição Federal, de 03 de outubro de 1988. Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre: a) a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício. (grifos nossos) (...) Tal modificação no texto constitucional, pelo visto, ainda não é do conhecimento do Recorrente, apesar de ocorrida ainda no milênio passado. Da leitura de tais comandos constitucionais, deflui que as normas que disciplinam a espécie ora em apreciação não impõem mais qualquer exigência de Lei Complementar para a imposição de tributação sobre a remuneração de segurados contribuintes individuais, a qual pode ser instituída mediante mera lei ordinária, em obediência à reserva legal prevista no art. 97 do CTN, in verbis: Código Tributário Nacional CTN Art. 97. Somente a lei pode estabelecer: I a instituição de tributos, ou a sua extinção; (grifos nossos) II a majoração de tributos, ou sua redução, ressalvado o disposto nos artigos 21, 26, 39, 57 e 65; III a definição do fato gerador da obrigação tributária principal, ressalvado o disposto no inciso I do §3º do artigo 52, e do seu sujeito passivo; IV a fixação de alíquota do tributo e da sua base de cálculo, ressalvado o disposto nos artigos 21, 26, 39, 57 e 65; V a cominação de penalidades para as ações ou omissões contrárias a seus dispositivos, ou para outras infrações nela definidas; VI as hipóteses de exclusão, suspensão e extinção de créditos tributários, ou de dispensa ou redução de penalidades. §1º Equiparase à majoração do tributo a modificação da sua base de cálculo, que importe em tornálo mais oneroso. §2º Não constitui majoração de tributo, para os fins do disposto no inciso II deste artigo, a atualização do valor monetário da respectiva base de cálculo. Nessa toada, sem que tenha ocorrido solução de continuidade, foi editada, já sob a nova ordem constitucional, a lei nº 9.876/99 que majorou a alíquota de 15% para 20%, ao mesmo tempo em que fez inserir, no corpo da lei de custeio da Seguridade Social, Fl. 367DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 12/11/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 13886.000107/200847 Acórdão n.º 2302003.470 S2C3T2 Fl. 362 13 precisamente em seu art. 22, o inciso III, estabelecendo o regramento da exação previdenciária incidente sobre a remuneração dos segurados contribuintes individuais. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: (...) III vinte por cento sobre o total das remunerações pagas ou creditadas a qualquer título, no decorrer do mês, aos segurados contribuintes individuais que lhe prestem serviços; (Inciso acrescentado pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). (grifos nossos) Conforme detalhadamente descrito, na ordem jurídica inaugurada pela EC nº 20/1998, a contribuição social previdenciária a cargo das empresas e pessoas jurídicas, incidente sobre a folha de salários e demais rendimentos do trabalho, pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício, não demanda mais, para a sua instituição, de Lei Complementar, mas mera lei ordinária. A matéria ora em debate já foi bater às portas da Suprema Corte Constitucional, no julgamento da Ação Direta de Constitucionalidade nº 1/DF, da Relatoria do Min. Moreira Alves, que assentou “A jurisprudência desta Corte, sob o império da Emenda Constitucional n. 1/69 – e a Constituição atual não alterou este sistema – se firmou no sentido de que só se exige lei complementar para as matérias cuja disciplina a Constituição expressamente faz tal exigência e, se porventura a matéria, disciplinada por lei cujo processo legislativo observado tenha sido o da lei complementar, não seja daquelas para que a Carta Magna exige essa modalidade legislativa, os dispositivos que tratam dela se têm como dispositivos de lei ordinária”. (grifos nossos) Nesse panorama, diante dos aludidos dispositivos, avulta, por decorrência legal, que a condução do regramento a respeito da incidência de contribuições previdenciárias sobre o total das remunerações pagas ou creditadas, a qualquer título, a segurados contribuintes individuais é prerrogativa reservada à Lei Orgânica da Seguridade Social, a qual estabeleceu a Contribuição previdenciária a cargo da empresa, à alíquota de vinte por cento, incidente sobre o total das remunerações pagas, creditadas ou devidas, a qualquer título, no decorrer do mês, aos segurados contribuintes individuais que lhe prestem serviços. 2.3. DO SAT. Pondera o Recorrente que a contribuição para o SAT é inconstitucional, eis que a fixação e alteração da alíquota pelo Poder Executivo ofende o art. 153, §1º da CF/88. Hmmmm ... O art. 195, I, da Constituição Federal determina que a Seguridade Social seja custeada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, mediante recursos oriundos, dentre outras fontes, das contribuições sociais a cargo da empresa incidentes sobre a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício. Fl. 368DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 12/11/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI 14 Constituição Federal, de 03 de outubro de 1988 Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre: (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) a) a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) b) a receita ou o faturamento; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) c) o lucro; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) II do trabalhador e dos demais segurados da previdência social, não incidindo contribuição sobre aposentadoria e pensão concedidas pelo regime geral de previdência social de que trata o art. 201; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) Nossa Lei Soberana não parou por aí. Disse mais: No capítulo reservado aos Direitos Sociais, assegurou o Constituinte Originário, como direito dos trabalhadores urbanos e rurais, o seguro contra acidentes do trabalho, a ser custeado diretamente pelo empregador. Constituição Federal, de 03 de outubro de 1988 Art. 7º São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de outros que visem à melhoria de sua condição social: (...) XXVIII seguro contra acidentes de trabalho, a cargo do empregador, sem excluir a indenização a que este está obrigado, quando incorrer em dolo ou culpa; (grifos nossos) No plano infraconstitucional, a disciplina da matéria em relevo ficou a cargo da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, a qual, sem transpor os umbrais erguidos pela Carta Superior, instituiu o Plano de Custeio da Seguridade Social, consubstanciado nas contribuições sociais a cargo da empresa e dos segurados obrigatórios do RGPS, nos limites traçados pela CF/88. Por se tratarem de matérias afins, houve por bem o legislador ordinário, envolto na ordem jurídica realçada nas linhas precedentes, assentar no inciso II de seu art. 22 a instituição e regramento da contribuição social destinada ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, a cargo da empresa, em nada conflitando com as orientações contempladas na Constituição. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Fl. 369DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 12/11/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 13886.000107/200847 Acórdão n.º 2302003.470 S2C3T2 Fl. 363 15 Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: II para o financiamento do benefício previsto nos arts. 57 e 58 da Lei no 8.213, de 24 de julho de 1991, e daqueles concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, sobre o total das remunerações pagas ou creditadas, no decorrer do mês, aos segurados empregados e trabalhadores avulsos: (Redação dada pela Lei nº 9.732/98). a) 1% (um por cento) para as empresas em cuja atividade preponderante o risco de acidentes do trabalho seja considerado leve; b) 2% (dois por cento) para as empresas em cuja atividade preponderante esse risco seja considerado médio; c) 3% (três por cento) para as empresas em cuja atividade preponderante esse risco seja considerado grave. §3º O Ministério do Trabalho e da Previdência Social poderá alterar, com base nas estatísticas de acidentes do trabalho, apuradas em inspeção, o enquadramento de empresas para efeito da contribuição a que se refere o inciso II deste artigo, a fim de estimular investimentos em prevenção de acidentes. Salientese que os preceitos aqui anunciados não conflitam com as disposições encartadas no art. 202 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Dec. nº 3.048/99, verbatim: Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Dec. nº 3.048/99 Art. 202. A contribuição da empresa, destinada ao financiamento da aposentadoria especial, nos termos dos arts. 64 a 70, e dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho corresponde à aplicação dos seguintes percentuais, incidentes sobre o total da remuneração paga, devida ou creditada a qualquer título, no decorrer do mês, ao segurado empregado e trabalhador avulso: I um por cento para a empresa em cuja atividade preponderante o risco de acidente do trabalho seja considerado leve; II dois por cento para a empresa em cuja atividade preponderante o risco de acidente do trabalho seja considerado médio; ou III três por cento para a empresa em cuja atividade preponderante o risco de acidente do trabalho seja considerado grave. Conforme detalhadamente demonstrado, a Lei n° 8.212/91, realizando o Princípio da Legalidade inscrito no inciso II do art. 5º da Lei Maior, instituiu a contribuição destinada ao custeio do direito social constitucionalmente assegurado, fixandolhe os Fl. 370DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 12/11/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI 16 percentuais aplicáveis em razão do grau de risco inerente a cada atividade empresarial, restando a cargo do Regulamento o enquadramento de cada empresa nos patamares então definidos. No caso, o §3º do art. 22 da Lei nº 8.221/91 estabeleceu que o Ministério do Trabalho e da Previdência Social "poderá alterar, com base nas estatísticas de acidentes do trabalho, apuradas em inspeção, o enquadramento de empresas para efeito da contribuição a que se refere o inciso II deste artigo, a fim de estimular investimentos em prevenção de acidentes". Dessarte, da conjugação dos preceitos plasmados no inciso II, alíneas a, b e c, do art. 22, com o §3º desse mesmo dispositivo legal, concluise que a norma primária, fixando as alíquotas padrão, cometeu ao regulamento a competência para alterar, com base em estatísticas, o enquadramento referido nas mencionadas alíneas. O Pretório Excelso, em recente decisão no julgamento do Recurso Extraordinário RE 343.4462/SC, de relatoria do Min. Carlos Velloso, ratificou a constitucionalidade e exigência da contribuição destinada ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, conforme se vos segue. CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO: SEGURO DE ACIDENTE DO TRABALHO SAT. Lei 7.787/89, arts. 3º e 4º'; Lei 8.212/91, art. 22, II, redação da Lei 9.732/98. Decretos 612/92, 2.173/97 e 3.048/99. C.F., artigo 195, § 4º art. 154, II; art. 5°, II; art. 150, I . I Contribuição para o custeio do Seguro de Acidente do Trabalho SAT: Lei 7.787/89, art. 3°, II; Lei 8.212/91, art. 22, II: alegação no sentido de que são ofensivos ao art. 195, § 4°, c/c art. 154, I, da Constituição Federal: improcedência. Desnecessidade de observância da técnica da competência residual da União, C.F., art. 154, I. Desnecessidade de lei complementar para a instituição da contribuição para o SAT. II O art. 3°, II, da Lei 7.787/89, não é ofensivo ao princípio da igualdade, por isso que o art. 4° da mencionada Lei 7.787/89 cuidou de tratar desigualmente aos desiguais. III As Leis 7.787/89, art. 3°, II, e 8.212/91, art. 22, II, definem, satisfatoriamente, todos os elementos capazes de fazer nascer a obrigação tributária válida O fato de a lei deixar para o regulamento a complementação dos conceitos de "atividade preponderante" e "grau de risco leve, médio e grave", não implica ofensa ao principio da legalidade genérica, C.F., art. 5°, II, e da legalidade tributária, C.F., art. 150, I. (grifos nossos) IV. Se o regulamento vai além do conteúdo da lei, a questão não é de inconstitucionalidade, mas de ilegalidade, matéria que não integra o contencioso constitucional. V. Recurso extraordinário não conhecido". (STF, RE 343.4462/SC, rel. Min. Carlos Velloso. DJ 04042003 PP00040) Reafirmou o Ministro Relator o seu entendimento no sentido de que é possível deixar por conta do Executivo o estabelecimento de normas em regulamento, desde que os standards ou padrões estejam previamente definidos em lei stricto sensu, a fim de que se possa atender às necessidades da administração pública na realização do interesse coletivo. Fl. 371DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 12/11/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 13886.000107/200847 Acórdão n.º 2302003.470 S2C3T2 Fl. 364 17 É de bom alvitre esclarecer, de modo a repelir qualquer dúvida, que o inciso II do art. 5º da CF/88 estatuiu que “ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei”. A inteligência do dispositivo constitucional ora invocado conduz à conclusão de que as obrigações de fazer, não fazer ou de permitir não precisam estar taxativamente previstas, com todos os seus elementos, na Lei stricto sensu, mas sim, serem estatuídas em razão da lei, em decorrência da lei. Autores de nomeada reconhecem que tal disposição constitucional autoriza a lei formal a outorgar competência legislativa a outros instrumentos normativos de menor escalão para dispor sobre as condições de contorno secundárias ou de maior dinâmica social inerentes à hipótese de incidência da obrigação. No caso do financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, o art. 22, II da Lei nº 8.212/91, instituiu a cobrança da contribuição social em ribalta, estabelecendo todos os elementos primários conformadores da hipótese de incidência tributária, digase: (a) fato gerador remuneração paga, creditada ou devida, no decorrer do mês, aos segurados empregados e trabalhadores avulsos; (b) a base de cálculo o montante global dessas remunerações; (c) alíquota percentuais progressivos na ordem de 1%, 2% ou 3%, fixados em função do risco de acidentes do trabalho. Na sequência, o parágrafo 3º do mesmo dispositivo legal autorizou o Ministério do Trabalho e da Previdência Social a alterar, com base nas estatísticas de acidentes do trabalho, o enquadramento de empresas nos respectivos graus de risco para efeito da contribuição destinada ao SAT. No caso do financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, o art. 22, II da Lei nº 8.212/91, instituiu a cobrança da contribuição social em ribalta, estabelecendo todos os elementos conformadores da hipótese de incidência tributária, digase: (a) fato gerador remuneração paga, creditada ou devida, no decorrer do mês, aos segurados empregados e trabalhadores avulsos; (b) a base de cálculo o montante global dessas remunerações; (c) alíquota percentuais progressivos na ordem de 1%, 2% ou 3%, fixados em função do risco de acidentes do trabalho. Nessa perspectiva, havendo sido fixadas, mediante lei formal, as condições de contorno essenciais da exação em tela, o estabelecimento por Regulamento do Poder executivo dos limites do grau de periculosidade das atividades desenvolvidas por cada empresa não extravasa as fronteiras insertas na Lei de Custeio da Seguridade Social, porquanto tenha tão somente detalhado o seu conteúdo, sem, contudo, alterar qualquer daqueles elementos essenciais da hipótese de incidência. O egrégio STJ já irradiou em seus arestos a interpretação que deve prevalecer na pacificação do debate em torno do assunto, consoante se extrai do Agravo Regimental no Recurso Especial nº 753.635/PR, da Relatoria do Min. Luiz Fux, assim ementado: AgRg no REsp 753.635/PR AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL 2005/00845620 Relator: Ministro LUIZ FUX Órgão Julgador T1 PRIMEIRA TURMA Fl. 372DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 12/11/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI 18 Data do Julgamento 16/09/2008 Data da Publicação/Fonte DJe 02/10/2008 Ementa: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL EM RECURSO ESPECIAL. VIOLAÇÃO DO ARTS. 535 DO CPC. INOCORRÊNCIA. SEGURO DE ACIDENTE DO TRABALHO SAT. LEI Nº 8.212/91, ART. 22, II. DECRETO N.º 2.173/97. ALÍQUOTAS. FIXAÇÃO PELOS GRAUS DE RISCO DA ATIVIDADE PREPONDERANTE DESEMPENHADA EM CADA ESTABELECIMENTO DA EMPRESA, DESDE QUE INDIVIDUALIZADO POR CNPJ PRÓPRIO. JURISPRUDÊNCIA CONSOLIDADA PELA PRIMEIRA SEÇÃO. SÚMULA 07/STJ. CONTRIBUIÇÃO PARA O INCRA. LC 11/71. COMPENSAÇÃO. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS DEVIDAS AO INSS. IMPOSSIBILIDADE. DESTINAÇÃO DIVERSA. INAPLICABILIDADE DO ART. 66, § 1º DA LEI Nº 8.383/91. TAXA SELIC. LEI 9.065/95. INCIDÊNCIA. 1. Inexiste ofensa ao art. 535 do CPC, quando o tribunal de origem pronunciase de forma clara e suficiente sobre a questão posta nos autos. Ademais, o magistrado não está obrigado a rebater, um a um, os argumentos trazidos pela parte, desde que os fundamentos utilizados tenham sido suficientes para embasar a decisão. 2. A Primeira Seção assentou que: A Lei nº 8.212/91, no art. 22, inciso II, com sua atual redação constante na Lei nº 9.732/98, autorizou a cobrança da contribuição do SAT, estabelecendo os elementos formadores da hipótese de incidência do tributo, quais sejam: (a) fato gerador remuneração paga, no decorrer do mês, aos segurados empregados e trabalhadores avulsos; (b) a base de cálculo o total dessas remunerações; (c) alíquota percentuais progressivos (1%, 2% e 3%) em função do risco de acidentes do trabalho. Previstos por lei tais critérios, a definição, pelo Decreto nº 2.173/97 e Instrução Normativa nº 02/97, do grau de periculosidade das atividades desenvolvidas pelas empresas não extrapolou os limites insertos na referida legislação, porquanto tenha tão somente detalhado o seu conteúdo, sem, contudo, alterar qualquer daqueles elementos essenciais da hipótese de incidência. Não há, portanto, ofensa ao princípio da legalidade, posto no art. 97 do CTN, pela legislação que institui o SAT Seguro de Acidente do Trabalho. (EREsp n.º 297.215/PR, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, DJU de 12/09/2005). 3. A Primeira Seção reconsolidou a jurisprudência da Corte, no sentido de que a alíquota da contribuição para o Seguro de Acidente do Trabalho SAT, de que trata o art. 22, II, da Lei n.º 8.212/91, deve corresponder ao grau de risco da atividade desenvolvida em cada estabelecimento da empresa, individualizado por seu CNPJ. Possuindo esta um único CNPJ, a alíquota da referida exação deve corresponder à atividade preponderante por ela desempenhada (Precedentes: ERESP nº 502.671/PE, Rel. Min. JOÃO OTÁVIO DE NORONHA, julgado em 10/08/2005; EREsp nº 604.660/DF, Rel. Min. JOÃO OTÁVIO DE NORONHA, DJ de 01/07/2005 e EREsp nº 478.100/RS, Rel. Min. CASTRO MEIRA, DJ de 28/02/2005). Fl. 373DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 12/11/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 13886.000107/200847 Acórdão n.º 2302003.470 S2C3T2 Fl. 365 19 4. A alíquota da contribuição para o seguro de acidentes do trabalho deve ser estabelecida em função da atividade preponderante da empresa, considerada esta a que ocupa, em cada estabelecimento, o maior número de segurados empregados e trabalhadores avulsos, nos termos do Regulamento vigente à época da autuação (§ 1º, artigo 26, do Decreto nº 612/92). 5. Vale ressaltar que o reenquadramento do pessoal administrativo em grau de risco adequado e a estipulação da alíquota devida, assentados pela instância ordinária com fundamento na prova produzida nos autos, decorre de enquadramento tarifário, restando, assim, inviável o exame da matéria pelo E. STJ, a teor do disposto na Súmula 07, desta Corte, que assim determina: "A pretensão de simples reexame de prova não enseja recurso especial." 6. A contribuição para o INCRA não se destina a financiar a Seguridade Social. Assim, os valores recolhidos indevidamente a este título não podem ser compensados com outras contribuições arrecadadas pelo INSS que se destinam ao custeio da Seguridade Social. Não se aplica, portanto, o §1º do art. 66 da Lei nº 8.383/91. O encontro de contas só pode ser efetuado com prestações vincendas da mesma espécie, ou seja, destinadas ao mesmo orçamento. 7. Os créditos tributários recolhidos extemporaneamente, cujos fatos geradores ocorreram a partir de 1º de janeiro de 1995, a teor do disposto na Lei nº 9.065/95, são acrescidos dos juros da taxa SELIC, operação que atende ao princípio da legalidade. 8. A jurisprudência da Primeira Seção, não obstante majoritária, é no sentido de que são devidos juros da taxa SELIC em compensação de tributos e mutatis mutandis, nos cálculos dos débitos dos contribuintes para com a Fazenda Pública. 9. Raciocínio diverso importaria tratamento antiisonômico, porquanto a Fazenda restaria obrigada a reembolsar os contribuintes por esta taxa SELIC, ao passo que, no desembolso, os cidadãos exonerarseiam desse critério, gerando desequilíbrio nas receitas fazendárias. 10. Agravo regimental desprovido. E não se desdenhe do poder normativo do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Dec. nº 3.048/99. Atentese que os Incisos II, IV e VI, ‘a’ do art. 84 da Constituição da República afloram como fontes jurídicas de onde dimana a competência do Presidente da República para o exercício da direção superior da Administração Pública Federal, com o auxílio dos Ministros de Estado, e o poder presidencial para sancionar, promulgar e fazer publicar as leis, bem como expedir decretos e regulamentos para sua fiel execução, bem assim como dispor sobre a organização e o funcionamento da máquina do Executivo Federal. Constituição Federal de 1988 Art. 84. Compete privativamente ao Presidente da República: II exercer, com o auxílio dos Ministros de Estado, a direção superior da administração federal; Fl. 374DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 12/11/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI 20 (...) IV sancionar, promulgar e fazer publicar as leis, bem como expedir decretos e regulamentos para sua fiel execução; (...) VI dispor, mediante decreto, sobre: (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 32, de 2001) a) organização e funcionamento da administração federal, quando não implicar aumento de despesa nem criação ou extinção de órgãos públicos; Depreendese do exposto que o Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Dec. nº 3.048/99, decorre da competência constitucional do Presidente da República agente político da mais elevada estatura ocupante do arquétipo fundamental de Poder, o qual, nestas circunstâncias, exerce o seu poder constitucional para formar a vontade superior do Estado, na ordenação estrutural do Poder Executivo Federal. Assim, com esteio na Ordem Constitucional desfraldada nos parágrafos anteriores, e no uso das atribuições conferidas pelo §3º do art. 22 da Lei nº 8.212/91, o Presidente da República fez editar o Decreto nº 3.048, de 06 de maio de 1999 o qual aprovou o Regulamento da Previdência Social, cujo Anexo V, combinado com o §4º do seu art. 202, estabeleceram a Relação de Atividades Preponderantes e correspondentes Graus de Risco, em conformidade com a Classificação Nacional de Atividades Econômicas CNAE para efeito da contribuição destinada ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho. Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Dec. nº 3.048/99 Art.202. A contribuição da empresa, destinada ao financiamento da aposentadoria especial, nos termos dos arts. 64 a 70, e dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho corresponde à aplicação dos seguintes percentuais, incidentes sobre o total da remuneração paga, devida ou creditada a qualquer título, no decorrer do mês, ao segurado empregado e trabalhador avulso: I um por cento para a empresa em cuja atividade preponderante o risco de acidente do trabalho seja considerado leve; II dois por cento para a empresa em cuja atividade preponderante o risco de acidente do trabalho seja considerado médio; ou III três por cento para a empresa em cuja atividade preponderante o risco de acidente do trabalho seja considerado grave. §1º As alíquotas constantes do caput serão acrescidas de doze, nove ou seis pontos percentuais, respectivamente, se a atividade exercida pelo segurado a serviço da empresa ensejar a concessão de aposentadoria especial após quinze, vinte ou vinte e cinco anos de contribuição. §2º O acréscimo de que trata o parágrafo anterior incide exclusivamente sobre a remuneração do segurado sujeito às condições especiais que prejudiquem a saúde ou a integridade física. §3º Considerase preponderante a atividade que ocupa, na empresa, o maior número de segurados empregados e trabalhadores avulsos. Fl. 375DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 12/11/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 13886.000107/200847 Acórdão n.º 2302003.470 S2C3T2 Fl. 366 21 §4º A atividade econômica preponderante da empresa e os respectivos riscos de acidentes do trabalho compõem a Relação de Atividades Preponderantes e correspondentes Graus de Risco, prevista no Anexo V. §5o É de responsabilidade da empresa realizar o enquadramento na atividade preponderante, cabendo à Secretaria da Receita Previdenciária do Ministério da Previdência Social revêlo a qualquer tempo. Alterado pelo Decreto nº 6.042 de 12/2/2007 DOU DE 12/2/2007 §6o Verificado erro no autoenquadramento, a Secretaria da Receita Previdenciária adotará as medidas necessárias à sua correção, orientará o responsável pela empresa em caso de recolhimento indevido e procederá à notificação dos valores devidos. Alterado pelo Decreto nº 6.042 de 12/2/2007 DOU DE 12/2/2007 Assentado que o Regulamento suso citado encontrase dotado de normatividade em grau necessário e suficiente à partilha interna corporis das atribuições do Ministério da Previdência Social, deflui daí que, de acordo com a norma administrativa em realce, a empresa encontrase agrilhoada à obrigação tributária principal de recolher a contribuição destinada ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, segundo a alíquota prevista nas alíneas ‘a’, ‘b’ ou ‘c’ do inciso II do art. 22 da Lei nº 8.212/91, a qual será definida em função do grau de risco da atividade econômica preponderante por ela exercida, conforme relação fixada no Anexo V do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Dec. nº 3.048/99. 2.4. DAS CONTRIBUIÇÕES PARA O SEBRAE Afirma o Recorrente que a contribuição para o SEBRAE é ilegal e inconstitucional. A Contribuição para o SEBRAE foi instituída pelo §3º do art. 8º da Lei nº 8.029/90 com o objetivo exclusivo de atender a execução da política governamental de apoio às micro e às pequenas empresas, sendo exigida como tributo complementar às Contribuições para o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial SENAI, para o Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial SENAC, para o Serviço Social da Indústria SESI e para o Serviço Social do Comércio SESC, nos seguintes termos: Lei nº 8.029/90 de 12 de abril de 1990 Art. 8° É o Poder Executivo autorizado a desvincular, da Administração Pública Federal, o Centro Brasileiro de Apoio à Pequena e Média Empresa CEBRAE, mediante sua transformação em serviço social autônomo. (...) §3º. Para atender à execução da política de Apoio às Micro e às Pequenas Empresas, é instituído adicional às alíquotas das contribuições sociais relativas às entidades de que trata o artigo Fl. 376DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 12/11/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI 22 1º do DecretoLei nº 2.318, de 30 de dezembro de 1986, de: (redação dada pela Lei nº 8.154/90) a) 0,1% (um décimo por cento) no exercício de 1991; b) 0,2% (dois décimos por cento) em 1992; e c) 0,3% (três décimos por cento) a partir de 1993. §4º. O adicional da contribuição a que se refere o parágrafo anterior será arrecadado e repassado mensalmente pelo órgão competente da Previdência e Assistência Social ao CEBRAE. DECRETOLEI Nº 2.318 DE 30 DE DEZEMBRO DE 1986 Art. 1º Fica mantida a cobrança, fiscalização, arrecadação e repasse às entidades beneficiárias das contribuições para o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial SENAI, para o Serviço Nacional de aprendizagem Comercial SENAC, para o Serviço Social da Indústria SESI, e para o Serviço Social do Comércio SESC, ficam revogados: I o tetolimite a que se referem os artigos 1º e 2º do decretoLei nº 1.861, de 25 de fevereiro de 1981, com a redação dada pelo artigo 1º do DecretoLei nº 1.867, de 25 de março de 1981; II o artigo 3º do DecretoLei nº 1.861, de 25 de fevereiro de 1981, com a redação dada pelo artigo 1º do DecretoLei nº 1.867, de 25 de março de 1981. Assim, a partir de janeiro de 1991, foi criada a contribuição destinada ao SEBRAE, a cargo das empresas que já contribuíam para o SESC, SENAC, SESI e SENAI (Lei nº 8029/90 e Lei nº 8154/90 e OS/INSS/DAF05/9l) mediante às alíquotas de 0,1% (1991), 0,2% (1992) e 0.3% (a partir de 1993) para cada uma das entidades acima citadas. No caso do Fundo de Previdência e Assistência Social – FPAS 5070, ao qual se vincula a empresa recorrente, esta passou a contribuir para o SEBRAE, em 1991 com adicional de 0,2% (0,1 % referente ao SESI e 0,1% referente ao SENAI); em 1992 com o adicional de 0,4% (0,2 % referente ao SESI e 0,2% referente ao SENAI) e a partir de 1993, com o adicional de 0,6% (0,3 % referente ao SESI e 0,3% referente ao SENAI). Tal controvérsia já foi bater às portas da Suprema Corte de Justiça, que irradiou em seus arestos a interpretação que deve prevalecer na pacificação da matéria ora tratada, conforme dessai do seguinte julgado assim ementado: REsp 892084/RJ Relator(a) Ministro TEORI ALBINO ZAVASCKI Órgão Julgador T1 PRIMEIRA TURMA Data do Julgamento 07/05/2009 Data da Publicação/Fonte DJe 18/05/2009 Fl. 377DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 12/11/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 13886.000107/200847 Acórdão n.º 2302003.470 S2C3T2 Fl. 367 23 Ementa PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO. SÚMULA 211/STJ. ACÓRDÃO RECORRIDO ASSENTADO SOBRE FUNDAMENTAÇÃO DE NATUREZA CONSTITUCIONAL. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL AO SESC/SENAC E SESI/SENAI. CABIMENTO. 1. A falta de prequestionamento da matéria suscitada no recurso especial, a despeito da oposição de embargos de declaração, impede o conhecimento do recurso especial (Súmula 211 do STJ). 2. A controvérsia acerca da exigibilidade da contribuição para o SEBRAE, imposta pela Lei 8.029/90, foi decidida por fundamentos de natureza eminentemente constitucional, insuscetíveis de exame em recurso especial. 3. É devido o pagamento efetuado com base no adicional de 0,3% sobre cada uma das contribuições sociais devidas ao SESC/SENAC e ao SESI/SENAI. Precedentes: AgRg no REsp 500.634/SC, 2ª Turma, Min. Herman Benjamin, DJe de 31.10.2008; REsp 491.105/SC, 1ª Turma, Min. Francisco Falcão, DJ de 13.12.2004. 4. Recurso especial parcialmente conhecido e, nesta parte, desprovido. É de sabença universal que o título nominativo de um instituto de Direito não tem o condão de lhe modificar a natureza jurídica. Nessa perspectiva, nada obstante a lei supramencionada têla rotulado como adicional às alíquotas das contribuições sociais gerais repassadas ao SESI, SENAI, SESC e SENAC, o Supremo Tribunal Federal firmou o entendimento de que a contribuição para o SEBRAE consubstanciase numa contribuição de intervenção no domínio econômico, na concepção plasmada no art. 149, caput, da Constituição Federal, conforme consignado definitivamente no julgamento do Recurso Extraordinário RE 396.266/SC, cuja ementa pedimos a devida vênia para transcrevêla: CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO: SEBRAE: CONTRIBUIÇÃO DE INTERVENÇÃO NO DOMÍNIO ECONÔMICO. LEI 8.029, DE 12.4.1990, ART. 8o, §3o. LEI 8.154, DE 28.12.1990. LEI 10.668, DE 14.5.2003. CF, ART. 146, III; ART. 149; ART. 154, I; ART. 195, §4º. I – As contribuições do art. 149, CF – contribuições sociais, de intervenção no domínio econômico e de interesse de categorias profissionais ou econômicas – posto estarem sujeitas à lei complementar do art. 146, III, CF, isto não quer dizer que deverão ser instituídas por lei complementar. A contribuição social do art. 195, §4º, CF, decorrente de ‘outras fontes’, é que, para a sua instituição, será observada a técnica da competência residual da União: CF, art. 154, I, ex vi do disposto no art. 195, §4º. A contribuição não é imposto. Por isso, não se exige que a lei complementar defina a sua hipótese de incidência, a base imponível e contribuintes: CF, art. 146, III, a. Precedentes: RE 138.284/CE, Ministro Carlos Velloso, RTJ 143/313; RE 146.733/SP, Ministro Moreira Alves, RTJ 143/684. (grifos nossos) Fl. 378DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 12/11/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI 24 II – A contribuição do SEBRAE – Lei 8.029/90, art. 8º, §3º, redação das Leis 8.154/90 e 10.668/2003 – é contribuição de intervenção no domínio econômico, não obstante a lei a ela se referir como adicional às alíquotas das contribuições sociais gerais relativas às entidades de que trata o art. 1º do D.L. 2.318/86, SESI, SENAI, SESC, SENAC. Não se inclui, portanto, a contribuição do SEBRAE, no rol do art. 240, CF. III – Constitucionalidade da contribuição do SEBRAE. Constitucionalidade, portanto, do §3º, do art. 8º, da Lei 8.029/90, com a redação das Leis 8.154/90 e 10.668/2003. IV – RE conhecido, mas improvido. (STF, RE 396266/SC, Tribunal Pleno, Rel. Min. Carlos Velloso, j. em 26112003, DJU de 27/2/2004, p. 22) Por esse motivo, a contribuição ao SEBRAE não se inclui no rol do art. 240 da Constituição Federal, uma vez que se mostra totalmente autônoma e desvinculada das contribuições ao SESI/SENAI e ao SESC/SENAC, e não destas um mero adicional, conclusão que não discrepa do entendimento firmado no Excelso Pretório, conforme julgamento dos Embargos de Declaração no Agravo de Instrumento n° 518.082, publicado no Diário da Justiça em 17 de junho de 2005, cuja ementa é abaixo transcrita: PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO OPOSTOS À DECISÃO DO RELATOR: CONVERSÃO EM AGRAVO REGIMENTAL. CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO: SEBRAE: CONTRIBUIÇÃO DE INTERVENÇÃO NO DOMÍNIO ECONÔMICO. Lei 8.029, de 12.4.1990, art. 8º, §3º. Lei 8.154, de 28.12.1990. Lei 10.668, de 14.5.2003. CF, art. 146, III; art. 149; art. 154, I; art. 195, § 4º. I. Embargos de declaração opostos à decisão singular do Relator. Conversão dos embargos em agravo regimental. II. As contribuições do art. 149, CF contribuições sociais, de intervenção no domínio econômico e de interesse de categorias profissionais ou econômicas posto estarem sujeitas à lei complementar do art. 146, III, CF, isso não quer dizer que deverão ser instituídas por lei complementar. A contribuição social do art. 195, § 4º, CF, decorrente de "outras fontes", é que, para a sua instituição, será observada a técnica da competência residual da União: CF, art. 154, I, ex vi do disposto no art. 195, §4º. A contribuição não é imposto. Por isso, não se exige que a lei complementar defina a sua hipótese de incidência, a base imponível e contribuintes: CF, art. 146, III, a. Precedentes: RE 138.284/CE, Ministro Carlos Velloso, RTJ 143/313; RE 146.733/SP, Ministro Moreira Alves, RTJ 143/684. III. A contribuição do SEBRAE Lei 8.029/90, art. 8º, §3º, redação das Leis 8.154/90 e 10.668/2003 é contribuição de intervenção no domínio econômico, não obstante a lei a ela se referir como adicional às alíquotas das contribuições sociais gerais relativas às entidades de que trata o art. 1º do DL 2.318/86, SESI, SENAI, SESC, SENAC. Não se inclui, portanto, a contribuição do SEBRAE no rol do art. 240, CF. Fl. 379DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 12/11/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 13886.000107/200847 Acórdão n.º 2302003.470 S2C3T2 Fl. 368 25 IV. Constitucionalidade da contribuição do SEBRAE. Constitucionalidade, portanto, do §3º do art. 8º da Lei 8.029/90, com a redação das Leis 8.154/90 e 10.668/2003. V. Embargos de declaração convertidos em agravo regimental. Não provimento desse. Acrescentese, ainda, que o SEBRAE não presta serviços somente às micro e pequenas empresas, mas a todas as atividades empresariais conexas, atendendo ao bem comum de toda a sociedade. Assim, considerandose o princípio da solidariedade social que permeia o art. 195, caput, da CF/88, por se tratar de contribuição de intervenção no domínio econômico, a contribuição ao SEBRAE deve ser recolhida por todas as empresas, e não apenas pelas micro e pequenas empresas, não existindo, necessariamente, correspondência entre contribuição e prestação, nem tampouco entre o contribuinte e os benefícios decorrentes da exação. As vozes dimanadas do STF também produzem eco no Plenário da Corte Superior de Justiça, cuja consolidada jurisprudência não se mostra dissonante, consoante ressai do julgado referente ao Agravo Regimental no Agravo de Instrumento n° 840.946/RS, publicado no Diário da Justiça em 29 de agosto de 2007, assim ementado: TRIBUTÁRIO – CONTRIBUIÇÕES AO SESC, AO SEBRAE E AO SENAC RECOLHIDAS PELAS PRESTADORAS DE SERVIÇO – PRECEDENTES. 1. A jurisprudência renovada e dominante da Primeira Seção e da Primeira e da Segunda Turma desta Corte se pacificou no sentido de reconhecer a legitimidade da cobrança das contribuições sociais do SESC e SENAC para as empresas prestadoras de serviços. 2. Esta Corte tem entendido também que, sendo a contribuição ao SEBRAE mero adicional sobre as destinadas ao SESC/SENAC, devem recolher aquela contribuição todas as empresas que são contribuintes destas. 3. Agravo regimental improvido. Corretíssimos, portanto, a Autoridade Lançadora, na estipulação da alíquota destinada ao SEBRAE, bem como o órgão julgador a quo, por não dar provimento à impugnação ofertada pelo sujeito passivo em foco, inexistindo, ao nosso sentir, na decisão recorrida, nesse sentido, arestas a serem aparadas. 2.5. DA EXIGIBILIDADE DA CONTRIBUIÇÃO PARA O INCRA. O Recorrente alega não ser produtor rural, mas sim empresa urbana, não estando vinculado a atividade rural, e nem ao fato jurídico gerador das contribuições previdenciárias rurais, sendo indevida a contribuição para o INCRA. Não !!! Fl. 380DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 12/11/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI 26 Merece ser enaltecido, de plano, que uma contribuição pode ser conceituada como uma espécie de tributo, de natureza autônoma, caracterizada por uma destinação social particularizada em lei, desvinculada de atuação estatal específica, com hipótese de incidência própria, e não restituível. A doutrina elege três modalidades de contribuições: Sociais; coorporativas e interventivas. A investigação a respeito da natureza jurídica da contribuição para o INCRA tem sido por demais tormentosa ao longo dos últimos anos. O Supremo Tribunal Federal, no julgamento de Ag. Regimental no Agravo de Instrumento de despacho que inadmitiu Rec. Extraordinário contra Acórdão do TRF da 3ª Região , ementado como se segue : TRIBUTÁRIO – CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA AO INCRA E AO FUNRURAL – EMPREGADOR URBANO – CONSTITUCIONALIDADE. A exação de que trata o artigo 15, II da Lei Complementar nº 11/71, destinada parte ao FUNRURAL (2,4%) e parte ao INCRA (0,2%), pode ser exigida de empregador urbano, como ocorre desde a sua origem, quando instituída pela Lei 2.613/55, em benefício do então criado Serviço Social Rural. Constitucionalidade. Precedentes Jurisprudenciais desta Corte. Apelação Improvida. pacificou o entendimento no sentido da inexistência de qualquer empecilho constitucional que obste a cobrança de empresas urbanas as contribuições para o INCRA e para o FUNRURAL, consoante se depreende da ementa da decisão exarada: EMENTA: Contribuição para o FUNRURAL: empresas urbanas: acórdão recorrido que se harmoniza com o entendimento do STF, no sentido de não haver óbice a que seja cobrada, de empresa urbana, a referida contribuição, destinada a cobrir os riscos a que se sujeita toda a coletividade de trabalhadores: precedentes. (STF, AIAgRg nº 334.360/SP; Rel. Min. Sepúlveda Pertence; 1ª Turma; DJ 25.02.2005) O Superior Tribunal de Justiça, por seu turno, após um longo período em que oscilou sua jurisprudência, sedimentou o entendimento de que a contribuição destinada ao INCRA ostenta natureza jurídica de contribuição de intervenção no domínio econômico, no adorno moldado pelo art. 149 da CF/88, não sendo tal contribuição sujeita às normas inscritas nas Leis nº 7.787/89, 8.212/91 e 8.213/91. VIGÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO AO INCRA. NATUREZA DE INTERVENÇÃO NO DOMÍNIO ECONÔMICO. LEIS Nº 7.787/89 e 8.212/91. DESTINAÇÃO DIVERSA. EMPRESAS URBANAS. ENQUADRAMENTO. I A Primeira Seção do STJ, na esteira de precedentes do STF, firmou entendimento no sentido de que não existe qualquer óbice para a cobrança da contribuição destinada ao INCRA também Fl. 381DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 12/11/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 13886.000107/200847 Acórdão n.º 2302003.470 S2C3T2 Fl. 369 27 das empresas urbanas. Precedentes: EDcl no AgRg no REsp nº 716.387/CE, Rel. Min. HUMBERTO MARTINS, DJ de 31/08/06 e EDcl no REsp nº 780.280/MA, Rel. Min. JOSÉ DELGADO, DJ 25/05/06. II Este Superior Tribunal de Justiça, após diversos pronunciamentos, com base em ampla discussão, reviu a jurisprudência sobre o assunto, chegando à conclusão que a contribuição destinada ao INCRA não foi extinta, nem com a Lei nº 7.787/89, nem pela Lei nº 8.212/91, ainda estando em vigor. III Tal entendimento foi exarado com o julgamento proferido pela Colenda Primeira Seção, nos EREsp nº 770.451/SC, Rel. p/ac. Min. CASTRO MEIRA, Sessão de 27/09/2006. Naquele julgado, restou definido que a contribuição ao INCRA é uma contribuição especial de intervenção no domínio econômico, destinada aos programas e projetos vinculados à reforma agrária e suas atividades complementares. Assim, a supressão da exação para o FUNRURAL pela Lei nº 7.787/89 e a unificação do sistema de previdência através da Lei nº 8.212/91 não provocaram qualquer alteração na parcela destinada ao INCRA. IV Agravo regimental improvido. (STJ; AgRg no AgRg no REsp 894345 / SP; Rel. Min. FRANCISCO FALCÃO; T1 PRIMEIRA TURMA; DJ 24/05/2007, p. 331) TRIBUTÁRIO. INCRA. CONTRIBUIÇÃO. NATUREZA. COMPENSAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. ART. 66, § 1º DA LEI Nº 8.383/91. INAPLICABILIDADE. 1. O INCRA foi criado pelo DL 1.110/70 com a missão de promover e executar a reforma agrária, a colonização e o desenvolvimento rural no País, tendolhe sido destinada, para a consecução de seus objetivos, a receita advinda da contribuição incidente sobre a folha de salários no percentual de 0,2% fixada no art. 15, II, da LC n.º 11/71. 2. Essa autarquia nunca teve a seu cargo a atribuição de serviço previdenciário, razão porque a contribuição a ele destinada não foi extinta pelas Leis 7.787/89 e 8.212/91 ambas de natureza previdenciária , permanecendo íntegra até os dias atuais como contribuição de intervenção no domínio econômico. 3. Como a contribuição não se destina a financiar a Seguridade Social, os valores recolhidos indevidamente a esse título não podem ser compensados com outras contribuições arrecadadas pelo INSS que se destinam ao custeio da Seguridade Social. 4. Nos termos do art. 66, §1º, da Lei nº 8.383/91, somente se admite a compensação com prestações vincendas da mesma espécie, ou seja, destinadas ao mesmo orçamento. 5. Embargos de divergência improvidos. STJ; EREsp 770.451/SC; R.P/ACÓRDÃO Min. CASTRO MEIRA; DJ: 11/06/2007) Em aditamento ao voto proferido no EREsp 770.451/SC; a Min. Eliana Calmon sublinhou os traços fundamentais da espécie tributária em exame, rememorando magnífico trabalho doutrinário contido na tese apresentada pelo Dr. Luciano Dias Bicalho Fl. 382DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 12/11/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI 28 Camargo, em curso de doutorado da Faculdade de Direito da Universidade de Minas Gerais, o qual pedimos venia para transcrevêlo. “As contribuições interventivas têm como principal traço característico a finalidade eleita e explicitada na consequência da norma de incidência tributária. (...) Assim, para a perfeita compreensão da norma de incidência tributária das contribuições de intervenção sobre o domínio econômico, especificamente aquelas que se prestam à arrecadação de recursos para o custeio dos atos interventivos, há de se prever uma circunstância intermediária a vincular a hipótese de incidência e a consequência tributária, sem a qual não há de se falar da existência de norma de incidência válida. Assim, nas contribuições de intervenção sobre o domínio econômico deverá coexistir, para a sua perfeita incidência, os dois núcleos da hipótese de incidência: o "fato do contribuinte", relacionado ao domínio econômico, e os atos interventivos implementados pela União. (...) Assim, no caso específico das contribuições para o INCRA, elas somente se mostram válidas na medida em que o INCRA, efetivamente, promove desapropriações para fins de reforma agrária (circunstância intermediária), visando alterar a estrutura fundiária anacrônica brasileira, conforme minudentemente visto no capítulo 3, aplicandose, assim, os recursos arrecadados na consecução dos objetivos constitucionalmente previstos: função social da propriedade e diminuição das desigualdades regionais. Salientese, por relevante, que as contribuições devidas ao INCRA, muito embora não beneficiem diretamente o sujeito ativo da exação (empresas urbanas e algumas agroindustriais), beneficiam toda a sociedade, por ter a sua arrecadação destinada a custear programas de colonização e reforma agrária, fomentam a atividade no campo, que é de interesse de toda a sociedade (e não só do meio rural), tendo em vista a redução das desigualdades e a fixação do homem na terra. Não há que se falar da existência de uma referibilidade direta, que procura condicionar o pagamento das contribuições às pessoas que estejam vinculadas diretamente a determinadas atividades e que venham a ser beneficiárias da arrecadação. Ora, o princípio da referibilidade direta, como defendido por vários autores, simplesmente não existe no ordenamento jurídico pátrio, especialmente no que se refere às contribuições de intervenção no domínio econômico. Tratase de mera criação teórica e doutrinária, sem respaldo no texto da Constituição Federal. (...) Com efeito, a exação em tela é destinada a fomentar atividade agropecuária, promovendo a fixação do homem no campo e reduzindo as desigualdades na distribuição fundiária. Consequentemente, reduzse o êxodo rural e grande parte dos problemas urbanos dele decorrentes. Não pode ser negado que a política nacional de reforma agrária é instrumento de intervenção no domínio econômico, uma vez Fl. 383DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 12/11/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 13886.000107/200847 Acórdão n.º 2302003.470 S2C3T2 Fl. 370 29 que objetiva a erradicação da miséria, segundo o preceituado no §1º do art. 1º da Lei nº 4.504/64 Estatuto da Terra. Dessa forma, a referibilidade das contribuições devidas ao INCRA é indireta, beneficiando, de forma mediata, o sujeito passivo submetido a essa responsabilidade”. Mostramse improcedentes, portanto, os argumentos expendidos pela Autuada: A uma, porque, consoante entendimento consolidado nos Tribunais Superiores, a contribuição para o INCRA não se houve por extinta com a promulgação da Lei nº 7.787/79. A Duas, porque inexiste óbice para que tal exação seja exigida tanto das empresas urbanas quanto das rurais. 2.6. DA TAXA SELIC Alega o Recorrente que a aplicação da taxa Selic é ilegal. Será ??? De plano, cumpre trazer à baila que os juros representam a remuneração do capital investido. Esmiuçando o conceito, juros representam o rendimento que o titular do capital aufere em troca da colocação de um quantitativo à disposição de uma outra pessoa/entidade. Iluminese que um investidor poderia empregar seu patrimônio financeiro em uma atividade econômica qualquer que lhe rendesse lucro. Pode, todavia, essa pessoa abdicar de seu capital, ofertandoo a outra pessoa, mediante a cobrança de uma taxa de remuneração, compensatória pela perda da oportunidade de produzir lucro, na forma da hipótese anterior. A taxa de juros figura, então, como o quantum relativo que o titular do capital exige do tomador deste, num horizonte temporal, pela utilização do montante tomado. Nesse quadro, o índice nominal da taxa pode ser fixado unilateralmente pelo capitalista, ou, em comum acordo com aquele que se apodera da riqueza por empréstimo. É importante ressaltar que, em qualquer caso, a fixação da taxa de juros prescinde da edição de lei formal, como assim acredita piamente o Recorrente, até porque tal exigência culminaria por emperrar a atividade financeira do país – extremamente dinâmica em sua natureza , paralizandoo. Isso porque cada investidor, banco ou demais instituições financeiras possuem seus critérios próprios para o computo dos juros na atividade financeira, os quais são extremamente influenciados pelo mercado, pela oferta e procura de capital, pela taxa de crescimento da economia, pelo risco da inadimplência, etc., o que gera uma saudável concorrência entre os detentores do livre numerário. Fl. 384DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 12/11/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI 30 Diante desse panorama mostrase evidente que a exigência de lei stricto sensu a que se refere o CTN, não é para a fixação da taxa de juros (esta flui ao sabor das correntes do mercado), mas, sim, para a indicação de qual taxa de juros será a utilizada na remuneração do capital de titularidade da Fazenda, ainda nos cofres do sujeito passivo. Com efeito, num mundo globalizado, em que qualquer evento econômico ocorrido no polo norte produz efeitos imediatos, da mesma de ordem de grandeza, no polo sul, seria impensável que, para se alterar uma taxa de juros em, digamos, vinte e cinco centésimos por cento, como é extremamente comum em nossa economia, com a velocidade e prontidão que o mercado exige hodiernamente, fosse exigível a edição de uma lei ordinária, haja vista o trâmite procedimental exigido pela CF/88. Nessa perspectiva, avulta, portanto, que o requisito da legalidade, na espécie, foi de fato adimplido, senão vejamos: A Constituição Federal de 1988 outorgou à Lei Complementar a competência para estabelecer normas gerais em matéria de legislação tributária, especialmente sobre obrigação, lançamento, crédito, prescrição e decadência tributários, nas cores desenhadas em seu art. 146, III, ‘b’, in verbis: Constituição Federal de 1988 Art. 146. Cabe à lei complementar: III estabelecer normas gerais em matéria de legislação tributária, especialmente sobre: a) definição de tributos e de suas espécies, bem como, em relação aos impostos discriminados nesta Constituição, a dos respectivos fatos geradores, bases de cálculo e contribuintes; b) obrigação, lançamento, crédito, prescrição e decadência tributários; Imerso nessa ordem constitucional, ao tratar do crédito tributário, já no âmbito infraconstitucional, o art. 161 do Código Tributário Nacional – CTN, topograficamente inserido no Capítulo que versa sobre a Extinção do Crédito Tributário, estabeleceu que o crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis: Código Tributário Nacional Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. (grifos nossos) §1º Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês. (grifos nossos) §2º O disposto neste artigo não se aplica na pendência de consulta formulada pelo devedor dentro do prazo legal para pagamento do crédito. Salientese que o percentual enunciado no parágrafo primeiro acima transcrito será o aplicável se a lei não dispuser de modo diverso. Ocorre que a lei de custeio da Fl. 385DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 12/11/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 13886.000107/200847 Acórdão n.º 2302003.470 S2C3T2 Fl. 371 31 seguridade social disciplinou inteiramente a matéria relativa aos acessórios financeiros do crédito previdenciário em constituição e de forma distinta, devendo esta ser observada em detrimento do percentual previsto no §1º do art. 161 do CTN. Nesse sentido já se manifestou o Tribunal Regional Federal da 4ª Região ao proferir, ipsis litteris: “Na esfera infraconstitucional, o Código Tributário Nacional, norma de caráter complementar, não proíbe a capitalização de juros nem limita a sua cobrança ao patamar de 1% ao mês. pois o art. 161, §1º desse diploma legal prevê que essa taxa de juros somente será aplicada se a lei não dispuser de modo contrário. Assim, não tendo o Código Tributário Nacional determinado a necessidade de lei complementar, pode a lei ordinária fixar taxas de juros diversas daquela prevista no citado art. 161, §1º do CTN, donde se conclui que a incidência da SELIC sobre os créditos fiscais se dá por forca de instrumento legislativo próprio (lei ordinária) sem importar qualquer afronta à Constituição Federal” (TRF 4ª Região, Apelação Cível 200471100006514, Rel. Álvaro Eduardo Junqueira; 1ª Turma; DJ de 15/06/2005, p. 552). Com efeito, as contribuições sociais destinadas ao custeio da seguridade social estão sujeitas não só à incidência de multa moratória, como também de juros computados segundo a taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC, nos termos do art. 34 da Lei nº 8.212/91 que, pela sua importância ao deslinde da questão, o transcrevemos a seguir, com a redação vigente à época da lavratura do presente débito. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 34. As contribuições sociais e outras importâncias arrecadadas pelo INSS, incluídas ou não em notificação fiscal de lançamento, pagas com atraso, objeto ou não de parcelamento, ficam sujeitas aos juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC, a que se refere o art. 13 da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995, incidentes sobre o valor atualizado, e multa de mora, todos de caráter irrelevável. (redação dada pela Lei nº 9.528/97) (grifos nossos) A matéria relativa à incidência da taxa SELIC já foi bater à porta da Suprema Corte de Justiça, que firmou jurisprudência no sentido de sua legalidade, consoante ressai do julgado a seguir ementado: TRIBUTÁRIO. PARCELAMENTO DE DÉBITO. JUROS MORA TÓRIOS. TAXA SELIC. CABIMENTO. 1. O artigo 161 do CTN estipulou que os créditos não pagos no vencimento serão acrescidos de juros de mora calculados à taxa de 1%, ressalvando, expressamente, em seu parágrafo primeiro, Fl. 386DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 12/11/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI 32 a possibilidade de sua regulamentação por lei extravagante, o que ocorre no caso dos créditos tributários, em que a Lei 9.065/95 prevê a cobrança de juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC para títulos federais (art. 13). 2. Diante dai previsão legal e considerando que a mora é calculada de acordo com a legislação vigente à época de sua apuração, nenhuma ilegalidade há na aplicação da Taxa SELIC sobre os débitos tributários recolhidos a destempo, ou que foram objeto de parcelamento administrativo. 3. Também , há de se considerar que os contribuintes têm postulado a utilização da Taxa SELIC na compensação e repetição dos indébitos tributários de que são credores. Assim, reconhecida a legalidade da incidência da Taxa SELIC em favor dos contribuintes, do mesmo modo deve ser aplicada na cobrança do crédito fiscal diante do princípio da isonomia. 4. Embargos de divergência a que se dá provimento. STJ EREsp nº 396.554/SC, Rel. Min. TEORI ALBINO ZAVASCKI; 1ª SEÇÃO; DJ 13/09/2004; p. 167. Em reforço a tal assertiva jurisdicional, iluminese o Enunciado da Súmula nº 03 do Segundo Conselho de Contribuintes, vazado nos seguintes termos: SÚMULA CARF nº 3 É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia – Selic para títulos federais. Dessarte, se nos afigura não haver vícios na aplicação da taxa SELIC como referência de juros moratórios, haja vista terem sido aplicados em conformidade com o comando imperativo fixado no art. 34 da Lei nº 8.212/91 c.c. art. 161 caput e §1º do CTN, em afinada harmonia com o ordenamento jurídico. 2.7. DA MULTA DE MORA Afirma o Recorrente que a multa de mora tem natureza confiscatória. Com efeito, a Constituição Federal de 1988, no Capítulo reservado ao Sistema Tributário Nacional assentou, em relação aos impostos, os princípios da pessoalidade e da capacidade contributiva do contribuinte. Nessa mesma prumada, ao tratar das limitações do poder do Estado de tributar, o inciso IV do art. 150 da Carta obstou, igualmente, a utilização de tributos com efeito de confisco, estatuindo ipsis litteris: Constituição Federal, de 03 de outubro de 1988 Art. 145. A União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios poderão instituir os seguintes tributos: (...) Fl. 387DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 12/11/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 13886.000107/200847 Acórdão n.º 2302003.470 S2C3T2 Fl. 372 33 §1º Sempre que possível, os impostos terão caráter pessoal e serão graduados segundo a capacidade econômica do contribuinte, facultado à administração tributária, especialmente para conferir efetividade a esses objetivos, identificar, respeitados os direitos individuais e nos termos da lei, o patrimônio, os rendimentos e as atividades econômicas do contribuinte. (grifos nossos) Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: IV utilizar tributo com efeito de confisco; Olhando com os olhos de ver, avulta que os Princípios Constitucionais suso realçados são dirigidos, sem sombra de dúvida, aos membros políticos do Congresso Nacional, como vetores a serem seguidos no processo de gestação de normas matrizes de cunho tributário, não ecoando nos corredores do Poder Executivo, cujos servidores auditores fiscais subordinamse cegamente ao principio da atividade vinculada aos ditames da lei, dele não podendo se descuidar, sob pena de responsabilidade funcional. Citese, ademais, que a norma constitucional tributária é expressa ao vetar o efeito confiscatório aos tributos, não a seus acessórios legais, os quais possuem natureza jurídica totalmente distinta. Tributo configurase como a própria obrigação principal devida pelo sujeito passivo à Fazenda Pública, em razão da ocorrência real do fato gerador tributário estatuído na lei. A multa de ofício, por seu turno, possui natureza jurídica de penalidade de natureza pecuniária decorrente do descumprimento tempestivo de obrigação principal. Justificase a vedação constitucional à instituição de tributos com efeito de confisco pelo fato de a prestação pecuniária dessa natureza ter caráter compulsório, em razão da ocorrência inevitável do fato gerador correspondente. Caso o tributo fosse criado com alíquota por demais elevada, a própria ocorrência inevitável do fato gerador resultaria na extinção da matéria tributável correspondente, circunstância que representaria violação ao direito de propriedade. O mesmo não ocorre com as multas de natureza punitiva, as quais não possuem natureza jurídica de tributo, mas, meramente, de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, na forma e nos prazos estabelecidos na legislação tributária. Ao contrário dos tributos, aqui o fato gerador da multa punitiva é evitável. Aliás, é extremamente desejável pela Fazenda Pública que tal fato gerador não ocorra, por isso a inflição de penalidade de tamanha onerosidade, visando a brindar a máxima efetividade às normas tributárias e a desencorajar o seu descumprimento objetivo. Nesse viés, ao ignorar as normas tributárias cogentes, e ao não recolher os tributos devidos em suas épocas próprias, apostando quiçá em suposta ineficiência da Fiscalização, o Infrator volitivamente se coloca em situação de risco calculado perante o Fisco, consciente de que a constatação de tal irregularidade irá desaguar em apenação condizente com a gravidade da infração perpetrada. Fl. 388DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 12/11/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI 34 Imerso na Ordem Constitucional positiva e eficaz, a disciplina atinente à aplicação de multa de mora decorrente do descumprimento tempestivo de obrigações tributárias principais de cunho previdenciário ficou a cargo da Lei nº 8.212/91, cujos artigos 34 e 35 estatuem, de forma objetiva, que as contribuições sociais e outras importâncias arrecadadas pelo INSS, incluídas ou não em notificação fiscal de lançamento, pagas com atraso, objeto ou não de parcelamento, ficam sujeitas a multa de mora de caráter irrelevável. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 34. As contribuições sociais e outras importâncias arrecadadas pelo INSS, incluídas ou não em notificação fiscal de lançamento, pagas com atraso, objeto ou não de parcelamento, ficam sujeitas aos juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC, a que se refere o art. 13 da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995, incidentes sobre o valor atualizado, e multa de mora, todos de caráter irrelevável. (Redação dada pela Lei nº 9.528/97). Parágrafo único. O percentual dos juros moratórios relativos aos meses de vencimentos ou pagamentos das contribuições corresponderá a um por cento. Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: (Redação dada pela Lei nº 9.876/99) I para pagamento, após o vencimento de obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento: a) oito por cento, dentro do mês de vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876/99) b) quatorze por cento, no mês seguinte; (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). c) vinte por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). d) cinquenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa; (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). Fl. 389DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 12/11/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 13886.000107/200847 Acórdão n.º 2302003.470 S2C3T2 Fl. 373 35 III para pagamento do crédito inscrito em Dívida Ativa: a) sessenta por cento, quando não tenha sido objeto de parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). b) setenta por cento, se houve parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). c) oitenta por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito não foi objeto de parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). d) cem por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito foi objeto de parcelamento. (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). §1º Na hipótese de parcelamento ou reparcelamento, incidirá um acréscimo de vinte por cento sobre a multa de mora a que se refere o caput e seus incisos. §2º Se houver pagamento antecipado à vista, no todo ou em parte, do saldo devedor, o acréscimo previsto no parágrafo anterior não incidirá sobre a multa correspondente à parte do pagamento que se efetuar. §3º O valor do pagamento parcial, antecipado, do saldo devedor de parcelamento ou do reparcelamento somente poderá ser utilizado para quitação de parcelas na ordem inversa do vencimento, sem prejuízo da que for devida no mês de competência em curso e sobre a qual incidirá sempre o acréscimo a que se refere o §1º deste artigo. §4º Na hipótese de as contribuições terem sido declaradas no documento a que se refere o inciso IV do art. 32, ou quando se tratar de empregador doméstico ou de empresa ou segurado dispensados de apresentar o citado documento, a multa de mora a que se refere o caput e seus incisos será reduzida em cinquenta por cento. (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). Escapa, contudo, à competência deste Colegiado a sindicância da adequação das normas tributárias constantes na Lei nº 8.212/91 aos princípios constitucionais e às limitações ao poder de tributar veiculadas nos artigos 145 e 150 da Lei Maior. Ademais, perfilando idêntico entendimento como o acima esposado, a Súmula CARF nº 2, de observância vinculante, exorta não ser o CARF órgão competente para se pronunciar a respeito da inconstitucionalidade de lei de natureza tributária. Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. 2.8. DAS ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE Fl. 390DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 12/11/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI 36 Cumpre inicialmente trazer à balha que todo ato normativo oriundo, em geral, do Poder Legislativo, ingressa no Ordenamento Jurídico com presunção relativa de conformidade com a Constituição. Dessarte, uma vez promulgada e sancionada a lei, esta passa a desfrutar de presunção iuris tantum de constitucionalidade, a qual somente pode ser infirmada pela declaração em sentido contrário proferida pelo órgão jurisdicional competente. Segundo Luís Roberto Barroso (in Interpretação e aplicação da Constituição: fundamentos de uma dogmática constitucional transformadora. 7ª ed. rev. São Paulo, Saraiva, 2009, p. 193), “O princípio da presunção de constitucionalidade dos atos do Poder Público, notadamente das leis, é uma decorrência do princípio geral da separação dos Poderes e funciona como fator de autolimitação da atividade do Judiciário, que, em reverência à atuação dos demais Poderes, somente deve invalidarlhes os atos diante de casos de inconstitucionalidade flagrante e incontestável”. Mostrase imperioso destacar, de forma a nocautear qualquer dúvida porventura ainda renitente, que a declaração de inconstitucionalidade de leis ou de atos administrativos insertas no Ordenamento Jurídico constituise prerrogativa outorgada pela Constituição Federal exclusivamente ao Poder Judiciário, não podendo os agentes da Administração Pública imiscuíremse ex proprio motu nas funções reservadas pelo Constituinte Originário ao Poder Togado, sob pena de usurpação da competência exclusiva deste. Repisese, por relevante ao deslinde da questão, que as leis e atos normativos produzidos pelos poderes competentes ostentam presunção iuris tantum de constitucionalidade e de legalidade, respectivamente, mesmo que decorrente de uma interpretação conforme da Constituição Federal. Nesse contexto, sendo a atuação da Administração Tributária inteiramente vinculada à Lei, e, restando os preceitos introduzidos pelas leis que regem as contribuições sociais e seus acréscimos legais ora em apreciação plenamente vigentes e eficazes, a inobservância desses comandos legais implicaria negativa de vigência por parte do Auditor Fiscal Autuante, fato que desaguaria inexoravelmente em responsabilidade funcional dos agentes do Fisco Federal. Devese atentar que o Decreto nº 70.235/72, que regula o Processo Administrativo Fiscal, dispõe expressamente em seu art. 26A ser vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade, salvo nas hipóteses em que os citados diplomas legislativos tenham sido declarados inconstitucionais por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal. Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (Redação dada pela Lei nº 11.941/2009) §1o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941/2009) §2o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941/2009) §3o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941/2009) §4o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941/2009) §5o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941/2009) Fl. 391DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 12/11/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 13886.000107/200847 Acórdão n.º 2302003.470 S2C3T2 Fl. 374 37 §6o O disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: (Incluído pela Lei nº 11.941/2009) I – que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; (Incluído pela Lei nº 11.941/2009) II – que fundamente crédito tributário objeto de: (Incluído pela Lei nº 11.941/2009) a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei no 10.522, de 19 de julho de 2002; (Incluído pela Lei nº 11.941/2009) b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar nº 73, de 10 de fevereiro de 1993; ou (Incluído pela Lei nº 11.941/2009) c) pareceres do AdvogadoGeral da União aprovados pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar nº 73, de 10 de fevereiro de 1993. (Incluído pela Lei nº 11.941/2009) Cumprenos chamar a atenção para o fato de que as disposições introduzidas pela legislação tributária em apreço, até o presente momento, não foram ainda vitimadas de qualquer sequela decorrente de declaração de inconstitucionalidade, seja na via difusa, seja na via concentrada, exclusiva do Supremo Tribunal Federal, produzindo, portanto, todos os efeitos jurídicos que lhe são típicos. Ademais, perfilando idêntico entendimento como o acima esposado, a Súmula CARF nº 2, de observância vinculante, exorta não ser o CARF órgão competente para se pronunciar a respeito da inconstitucionalidade de lei de natureza tributária. Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Revelase pertinente salientar que é vedado aos membros das turmas de julgamento deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais afastar a aplicação ou deixar de observar o conteúdo encartado em leis e decretos sob o fundamento de incompatibilidade com a Constituição Federal, conforme determinado pelo art. 62 Regimento Interno do CARF, aprovado pela PORTARIA Nº 256, de 22 de junho de 2009, do Ministério da Fazenda. PORTARIA Nº 256, de 22 de junho de 2009 Art. 62. Fica vedado aos membros afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou Fl. 392DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 12/11/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI 38 II que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei n° 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar n° 73, de 1993; ou c) parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar n° 73/93. Desbastada nesses talhes a escultura jurídica, impedido se encontra este Colegiado de apreciar e julgar alegações de inconstitucionalidade, atividade essa que somente poderia aflorar no Poder Judiciário. 3. CONCLUSÃO: Pelos motivos expendidos, CONHEÇO do Recurso Voluntário para, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto. Arlindo da Costa e Silva, Relator. Fl. 393DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 12/11/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI
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Numero do processo: 13851.721546/2011-90
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 08 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Nov 20 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2008
ITR. ÁREAS OCUPADAS COM PRODUTOS VEGETAIS. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO.
Não comprovada a área declarada como de produção vegetal, é lícita a sua glosa pelo Fisco e a consequente exigência de eventual diferença de imposto.
Recurso Voluntário Negado.
Crédito Tributário Mantido.
Numero da decisão: 2101-002.586
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS - Presidente.
RELATOR EDUARDO DE SOUZA LEÃO - Relator.
EDITADO EM: 12/11/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS (presidente da turma), HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, EIVANICE CANARIO DA SILVA, MARA EUGÊNIA BUONANNO CARAMICO, MARIA CLECI COTI MARTINS e EDUARDO DE SOUZA LEÃO.
Nome do relator: EDUARDO DE SOUZA LEAO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS - Presidente. RELATOR EDUARDO DE SOUZA LEÃO - Relator. EDITADO EM: 12/11/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS (presidente da turma), HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, EIVANICE CANARIO DA SILVA, MARA EUGÊNIA BUONANNO CARAMICO, MARIA CLECI COTI MARTINS e EDUARDO DE SOUZA LEÃO.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2008 ITR. ÁREAS OCUPADAS COM PRODUTOS VEGETAIS. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO. Não comprovada a área declarada como de produção vegetal, é lícita a sua glosa pelo Fisco e a consequente exigência de eventual diferença de imposto. Recurso Voluntário Negado. Crédito Tributário Mantido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Presidente. RELATOR EDUARDO DE SOUZA LEÃO Relator. EDITADO EM: 12/11/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS (presidente da turma), HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, EIVANICE CANARIO DA SILVA, MARA EUGÊNIA BUONANNO CARAMICO, MARIA CLECI COTI MARTINS e EDUARDO DE SOUZA LEÃO. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 85 1. 72 15 46 /2 01 1- 90 Fl. 130DF CARF MF Impresso em 20/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2014 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 12/11/201 4 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 2 Relatório Em princípio deve ser ressaltado que a numeração de folhas referidas no presente julgado foi a identificada após a digitalização do processo, transformado em meio eletrônico (arquivo.pdf). Tratase de Recurso Voluntário onde a Contribuinte/Recorrente objetiva a reforma do Acórdão de nº 0429.130 da 1ª Turma da DRJ/CGE (fls. 80/85), que, por unanimidade de votos, indeferiu o pedido de diligências e julgou improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário lançado. Os argumentos trazidos na Impugnação foram sintetizados pelo Órgão Julgador a quo nos seguintes termos: “Em 10/01/2011 a interessada, por meio de por meio de procurador qualificado nos autos, apresentou impugnação, f. 5057, e após relatar os motivos da autuação, passou a tecer suas alegações, cujos pontos relevantes para a solução do litígio são: Sustenta que no período do lançamento a área de 1.176,5 hectares do imóvel fiscalizado foi destinada à produção de laranja, conforme demonstram os relatórios apresentados à fiscalização contendo as notas fiscais de transferência de fruta, bem como relatórios das notas fiscais de fornecedores, relativos à compra de insumos. Esclarece que as operações da Fazenda Santa Maria da Figueira eram realizadas por intermédio da Fazenda Santo Antônio, CNPJ 61.649.810/009890, pois as duas áreas estão interligadas, e a Fazenda Santo Antônio é uma filial da impugnante, enquanto a Fazenda Santa Maria da Figueira é apenas uma propriedade produtiva, sem CNPJ próprio, e que, por este motivo, as notas fiscais de entradas e saídas são emitidas pela Fazenda Santo Antônio. Segundo a impugnante, a situação narrada e a exploração agrícola na propriedade são comprovadas também pelos seguintes documentos em anexo, com base nos fundamentos abaixo transcritos: 1) Mapa da Fazenda Santo Antônio, onde destacamos especialmente a área da Fazenda Santa Maria da Figueira, pois, conforme anteriormente informado as áreas são anexas, neste mapa temos a separação por quadras da fazenda toda, onde podemos observar que as quadras 221, 224, 225, 226, 228, 229, 230, 231, 232, 235, 236, 247, 252, 253, 414, 415, 416, 418, 419, 420, 422, 423, 424, 427, 433, 434 e 446 estão localizadas na área da Fazenda Santa Maria da Figueira, objeto desta Notificação de Lançamento; Fl. 131DF CARF MF Impresso em 20/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2014 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 12/11/201 4 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 13851.721546/201190 Acórdão n.º 2101002.586 S2C1T1 Fl. 3 3 2) Relatório de Produção por Unidade Variedade, denominado AGPA2240 da Fazenda Santo António, onde destacamos todas as quadras pertencentes à área da Fazenda Santa Maria da Figueira, podendo observar por exemplo que no período de 01/01/2007 a 31/12/2007 na quadra 247 temos 13.312 árvores de laranja plantadas e produziram um total de 41.808,30 caixas de 40,8KG, e ao final do ano somando todas as quadras da Fazenda Santa Maria da Figueira chegamos à uma produção total de 783.036,80 caixas de 40,8KG de laranja, ou seja, 31.947.901,44KG de laranja. 3 Planta do Imóvel Planialtimétrica que está sendo utilizada no processo de georreferenciamento, como mais uma forma de demonstrar e comprovar que área da Fazenda Santa Maria da Figueira, está e sempre esteve anexa a Fazenda Santo Antônio, por tal motivo, conforme artigo 19 Instrução Normativa n.° 256/2002, utilizamos os dados da Fazenda Santo Antônio para comprovarmos a referida produção. Requer que seja realizada diligência e/ou emissão de laudo, indicando, para tanto, responsável técnico e perito. Apresenta cálculo do ITR suplementar que considera devido, no valor de R$ 22.193,19, apurado com base no grau de utilização do imóvel de 99,5% e na alíquota de 0,30. Pede o cancelamento do crédito tributário lançado, ou, subsidiariamente, a retificação do lançamento mediante restabelecimento da área glosada a titulo de produtos vegetais. (...)” (fls. 82/83). A decisão proferida pela da 1ª Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal em Campo Grande (MS), restou assim ementada: “Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR Exercício: 2008 NIRF: 2.380.7806 Fazenda Santa Maria da Figueira PEDIDO DE DILIGÊNCIA E DE PERÍCIA. A diligência e a perícia não servem para suprir a omissão do sujeito passivo em produzir as provas relativas ao fato que, por sua natureza, provase por meio documental. Fl. 132DF CARF MF Impresso em 20/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2014 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 12/11/201 4 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 4 ÁREA UTILIZADA COM PRODUTOS VEGETAIS. RELATÓRIO DE PRODUÇÃO. PROVA INEFICAZ. A dedução da Área explorada com produtos vegetais depende da prova da compra de insumos e/ou da venda ou transferência da produção agrícola, atestada pelas correspondentes notas fiscais, as quais não são supridas por relatórios de produção. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido” A decisão manteve a exigência do ITR cobrado na Notificação de Lançamento, em face do contribuinte não ter apresentado documentos que comprovassem a existência de Áreas ocupadas com Produtos Vegetais no imóvel de sua propriedade, declarada na DITR. No Recurso Voluntário, a Recorrente insiste nos argumentos anteriormente suscitados, certo da força de convicção dos documentos apresentados. Persevera na alegativa de suficiência dos relatórios contendo as notas fiscais de transferência de fruta, assim como relatórios de notas fiscais de fornecedores, fazendo juntar ao Recurso um Mapa da Fazenda Santo Antônio, destacando a área da Fazenda Santa Maria Figueira, um Relatório de Produção por Unidade, e uma Planta do Imóvel Planialtimétrica que está sendo utilizada no processo de georreferenciamento. Ao final, requer o provimento do Recurso para que seja decretada a total improcedência do lançamento, ou, “secundariamente”, o cancelamento da glosa sobre as áreas ocupadas por produtos vegetais, de forma que seja recalculada a base e aplicada alíquota adequada do ITR. É o relatório. Voto Conselheiro Relator EDUARDO DE SOUZA LEÃO Fl. 133DF CARF MF Impresso em 20/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2014 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 12/11/201 4 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 13851.721546/201190 Acórdão n.º 2101002.586 S2C1T1 Fl. 4 5 O recurso atende os requisitos de admissibilidade. O presente feito trata do Imposto Territorial Rural ITR, cuja sistemática de apuração é definida na Lei nº 9.393/96, nos seguintes termos: “Art. 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitandose a homologação posterior. § 1º Para os efeitos de apuração do ITR, considerarseá: I VTN, o valor do imóvel, excluídos os valores relativos a: a) construções, instalações e benfeitorias; b) culturas permanentes e temporárias; c) pastagens cultivadas e melhoradas; d) florestas plantadas; II área tributável, a área total do imóvel, menos as áreas: a) de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei nº 4.771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei nº 7.803, de 18 de julho de 1989;(revogado) a) de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei no 12.651, de 25 de maio de 2012; (Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013) (Vide art. 25 da Lei nº 12.844, de 2013) b) de interesse ecológico para a proteção dos ecossistemas, assim declaradas mediante ato do órgão competente, federal ou estadual, e que ampliem as restrições de uso previstas na alínea anterior; c) comprovadamente imprestáveis para qualquer exploração agrícola, pecuária, granjeira, aquícola ou florestal, declaradas de interesse ecológico mediante ato do órgão competente, federal ou estadual; d) as áreas sob regime de servidão florestal.(Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) d) sob regime de servidão florestal ou ambiental; (Redação dada pela Lei nº 11.428, de 2006) d) sob regime de servidão ambiental; (Redação atual dada pela Lei nº 12.651, de 2012). Fl. 134DF CARF MF Impresso em 20/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2014 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 12/11/201 4 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 6 e) cobertas por florestas nativas, primárias ou secundárias em estágio médio ou avançado de regeneração; (Incluído pela Lei nº 11.428, de 2006) f) alagadas para fins de constituição de reservatório de usinas hidrelétricas autorizada pelo poder público. (Incluído pela Lei nº 11.727, de 2008) (...)” Avulta da norma transcrita que, na apuração do imposto devido, excluise da área tributável as áreas de preservação permanente e de reserva legal, além daquelas de interesse ecológico, das imprestáveis para qualquer exploração agrícola, das submetidas a regime de servidão florestal ou ambiental, das cobertas por florestas e as alagadas para fins de constituição de reservatório de usinas hidrelétricas. E para efeitos da definição da base de cálculo do tributo, a norma descrimina o Valor da Terra Nua – VTN, como o valor econômico do imóvel, excluídos os valores relativos a construções, instalações e benfeitorias; culturas permanentes e temporárias; pastagens cultivadas e melhoradas; além de florestas plantadas. No caso em debate, diante das informações prestadas na Declaração de ITR, o sujeito passivo foi intimado a comprovar a Área de Produção Vegetal (culturas permanentes e temporárias) indicada na DITR/2008, com a apresentação de documentos, tais como: Notas Fiscais do Produtor ou de insumos, certificados de depósitos, contratos de cédulas de crédito rural, entre outros. Entretanto, de forma singular, eis que a Contribuinte/Recorrente diligenciou em apresentar vários documentos, referentes a sua identificação, certidão de matrícula do imóvel, Certificado de Cadastro de Imóvel Rural – CCIR, além de diversos relatórios contendo números que supostamente seriam de notas fiscais de transferências de frutas e de fornecedores, deixando de comprovar efetivamente a utilização da área declarada de cultivo de vegetais na sua atividade rural. Nesses termos, foi promovido o lançamento fiscal em questão, com a glosa das áreas declaradas de produção vegetal e demais consequências tributárias, em virtude do contribuinte não ter provado a veracidade das afirmações prestadas à Receita Federal. A bem da verdade, não obstante a previsão legal da obrigatoriedade da Declaração do ITR, figura inexigível a prévia comprovação dos dados disponibilizados pelo Contribuinte. No entanto, competindo ao Fisco verificar a exatidão das informações prestadas pelo sujeito passivo na DITR, sendo os meios utilizados para tal aferição determinados por lei, cabe ao contribuinte, quando solicitado, apresentar os documentos de suporte aos elementos declarados. Fl. 135DF CARF MF Impresso em 20/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2014 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 12/11/201 4 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 13851.721546/201190 Acórdão n.º 2101002.586 S2C1T1 Fl. 5 7 No caso, apesar de todo esforço da Contribuinte em defender a legitimidade e força probatória dos mapas e relatórios de notas apresentados, e, ainda no seu Recurso, um relatório que supostamente informa a produtividade por área, eis que tais elementos não fazem prova do alegado pela Recorrente na DITR, que assume as responsabilidades decorrentes de sua declaração. De fato, a notícia da existência de uma área de produção vegetal não pode ser confirmada por meras relações confeccionadas pelo Contribuinte, contendo diversos números que seriam atribuídos a Notas Fiscais de transferência e de fornecedores, sem que seja apresentada uma única nota que confirme tais dados. Ora, tais relações contendo números atribuídos a notas fiscais, assim como o suposto relatório de produtividade anexado ao Recurso Voluntário, podem até servir de controle interno da administração da Empresa/Recorrente, mas jamais para confirmação da produção agrícola (atividade rural) da mesma. Por outro lado, as Notas Fiscais que comprovam efetivamente a existência de negócios jurídicos de compra e venda da produção vegetal existente, dos insumos empregados na atividade rural, ou mesmo a anexação de contratos envolvendo expressamente as culturas realizadas, podem aferir veracidade às alegações. Tanto assim que este Colendo Conselho já se manifestou no sentido de que constituem provas eficazes da existência de área com produtos vegetais, a apresentação de cópias de notas fiscais referentes à comercialização ou à transferência da produção agrícola, vinculadas ao imóvel fiscalizado. Vejamos algumas ementas de julgados neste sentido, só a título de exemplo: “Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR Exercício: 2009 ÁREA UTILIZADA COM PRODUTOS VEGETAIS. PROVA EFICAZ. Constituem provas eficazes da área utilizada com produtos vegetais as notas fiscais vinculadas ao estabelecimento fiscalizado, referentes à comercialização ou à transferência da produção agrícola. Recurso Provido.” (Acórdão nº 2202002.589, Processo nº 13830.722240/201280, Relator Cons. ANTÔNIO LOPO MARTINEZ, 2ª TO / 2ª CÂMARA / 2ª SEJUL/CARF/MF, Data de Publicação: 16/05/2014 mesmo entendimento nos Acórdãos 2202002.588, 2202002.590, 2201002.304 e 2201002.305); Fl. 136DF CARF MF Impresso em 20/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2014 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 12/11/201 4 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 8 “Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR Exercício: 2007 ÁREA UTILIZADA. COMPROVAÇÃO. A comprovação da área utilizada no cultivo de produtos vegetais (cana de açúcar) pode ser realizada com relatórios de produção acompanhados de notas fiscais de entrada que atestem uma produção compatível com a área declarada.” (Acórdão nº 2201001.885, Processo nº 13888.721754/201171, Relator Cons. MARCIO DE LACERDA MARTINS, 1ª TO / 2ª CÂMARA /2ª SEJUL/CARF/MF, Data de Publicação: 05/02/2013). No presente feito, embora a Contribuinte/Recorrente tenha aludido em sua Impugnação assim como no Recurso Voluntário, uma relação de números atribuídos a notas fiscais, a verdade é que não promoveu a juntada de uma única sequer. Na verdade, a autoridade fiscal deve observar a área destinada à produção vegetal, desde que comprovada por laudo técnico, notas fiscais ou contratos. Inexistindo documentação que comprove o alegado, prevalece a tributação, conforme recentes manifestações deste Conselho: “Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR Exercício: 2007 ÁREA DE PRODUTOS VEGETAIS. NÃO COMPROVAÇÃO. GLOSA. Não comprovada a área declarada como de produção vegetal, é lícita a sua glosa pelo Fisco e a consequente exigência de eventual diferença de imposto, mediante lançamento de ofício. ITR. ÁREA INCORPORADA AO PERÍMETRO URBANO. COMPROVAÇÃO. A incorporação de imóvel ao perímetro urbano e a consequente exclusão do mesmo da incidência do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR deve ser comprovada, de forma inequívoca, com documentos hábeis e idôneos. MULTA DE OFÍCIO. ALEGAÇÃO DE CONFISCO. A multa de ofício por infração à legislação tributária tem previsão em disposição expressa de lei, devendo ser observada pela autoridade administrativa e pelos órgãos julgadores administrativos, por estarem a ela vinculados. Recurso negado.” (Acórdão nº 2201002.070, Processo nº 10830.720004/201079, Relator Cons. PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, 1ª TO / 2ª CÂMARA / 2ª SEJUL/CARF/MF, Data de Publicação: 03/06/2013 grifamos); Fl. 137DF CARF MF Impresso em 20/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2014 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 12/11/201 4 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 13851.721546/201190 Acórdão n.º 2101002.586 S2C1T1 Fl. 6 9 “IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL – ITR Exercício: 2002 ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. ADA INTEMPESTIVO. Comprovada a existência da área de preservação permanente, o ADA intempestivo, por si só, não é condição suficiente para impedir o contribuinte de usufruir do benefício fiscal no âmbito do ITR. VALOR DA TERRA NUA (VTN). COMPROVAÇÃO. LAUDO DE AVALIAÇÃO. Comprovado o VTN declarado mediante a apresentação de laudo de avaliação do imóvel, elaborado nos termos da NBRABNT 146533, incabível o arbitramento apurado com base nos valores do Sistema de Preços de Terra (SIPT). ÁREA PLANTADA COM PRODUTOS VEGETAIS. COMPROVAÇÃO. Para fins de cálculo do ITR, a área plantada com produtos vegetais deve ser devidamente comprovada. Recurso Voluntário Provido em Parte.” (Acórdão nº 2102001.905, Processo nº 10675.002717/200619, Relatora Conselheira NUBIA MATOS MOURA, 1ª CÂMARA / 2ª SEJUL / CARF/MF/DF, Data de Publicação: 02/08/2012 grifamos); “IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL – ITR Exercício: 2000 ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL (ADA). SÚMULA CARF n° 41. A não apresentação do Ato Declaratório Ambiental (ADA) emitido pelo IBAMA, ou órgão conveniado, não pode motivar o lançamento de ofício relativo a fatos geradores ocorridos até o exercício de 2000. ÁREA TOTAL DO IMÓVEL. REDUÇÃO. À míngua de documentação hábil para retificar a área total do imóvel, incabível a redução da aludida área. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO. Cabe excluir da tributação do ITR a área de preservação permanente reconhecida pela autoridade ambiental competente. ÁREA DE UTILIZAÇÃO LIMITADA/RESERVA LEGAL. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO. Fl. 138DF CARF MF Impresso em 20/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2014 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 12/11/201 4 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 10 Cabe excluir da tributação do ITR a área de utilização limitada/reserva legal reconhecida pela autoridade ambiental competente e averbada à margem da matrícula do imóvel até a data do fato gerador do imposto. ÁREA DE PASTAGEM. A nota fiscal de aquisição de vacinas contra febre aftosa é documento hábil a comprovar o quantitativo de bovino apascentado no imóvel rural. ÁREA UTILIZADA COM PRODUTOS VEGETAIS. É necessária a comprovação, mediante documentos hábeis e idôneos, da utilização de área com plantio de produtos vegetais. MULTA DE OFÍCIO. É cabível a aplicação de multa de ofício, nos termos do art. 44, inciso I, da Lei n° 9.430, de 1996, independentemente da intenção do agente (art. 136 do CTN). Recurso Voluntário Provido em Parte.” (Acórdão nº 2801002.268, Processo nº 13116.000960/200456, Relatora Conselheira TANIA MARA PASCHOALIN, 1ª TE / 2ª SEJUL / CARF/MF, Data de Publicação: 19/06/2012 grifamos). Portanto, não pode haver dúvidas quanto a imprescindibilidade de comprovação da área de produção vegetal para autorizar a exclusão dos respectivos valores no cálculo do VTN. E sabese que a validação da área objeto de exclusão ocorre por meio de provas, que é ônus do contribuinte declarante, conforme sistema de repartição do ônus probatório adotado pelo Decreto nº 70.235/1972, norma que rege o processo administrativo fiscal, no seu artigo 16, inciso III, e de acordo com o artigo 333 do Código de Processo Civil, aplicável à espécie de forma subsidiária. Destarte, compulsando os autos verificase que a Recorrente carreou os autos dados que não fazem prova das alegativas trazidas na DITR, razão pela qual não pode prevalecer a exclusão pleiteada quanto a Área de Produção Vegetal. Ante todo o exposto e o que mais constam nos autos, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário. É como voto. Relator EDUARDO DE SOUZA LEÃO Fl. 139DF CARF MF Impresso em 20/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2014 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 12/11/201 4 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 13851.721546/201190 Acórdão n.º 2101002.586 S2C1T1 Fl. 7 11 Fl. 140DF CARF MF Impresso em 20/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2014 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 12/11/201 4 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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Numero do processo: 10920.907157/2012-81
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 29 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Oct 21 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/12/2006 a 31/12/2006
NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DIREITO DE CRÉDITO. PAGAMENTO INDEVIDO OU MAIOR QUE O DEVIDO. COMPROVAÇÃO.
Não caracteriza pagamento de tributo indevido ou a maior, se o pagamento consta nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil como utilizado integralmente para quitar débito informado em DCTF e a contribuinte não prova com documentos e livros fiscais e contábeis erro na DCTF.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. ÔNUS DA PROVA.
A recorrente deve apresentar as provas que alega possuir e que sustentariam seu direito nos momentos previstos na lei que rege o processo administrativo fiscal.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3801-002.690
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. O Conselheiro Sidney Eduardo Stahl votou pelas conclusões.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Paulo Sergio Celani - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Paulo Sergio Celani, Marcos Antônio Borges, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: PAULO SERGIO CELANI
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. O Conselheiro Sidney Eduardo Stahl votou pelas conclusões. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes - Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Sergio Celani - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Paulo Sergio Celani, Marcos Antônio Borges, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
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DIREITO DE CRÉDITO. PAGAMENTO INDEVIDO OU MAIOR QUE O DEVIDO. COMPROVAÇÃO. Não caracteriza pagamento de tributo indevido ou a maior, se o pagamento consta nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil como utilizado integralmente para quitar débito informado em DCTF e a contribuinte não prova com documentos e livros fiscais e contábeis erro na DCTF. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. ÔNUS DA PROVA. A recorrente deve apresentar as provas que alega possuir e que sustentariam seu direito nos momentos previstos na lei que rege o processo administrativo fiscal. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. O Conselheiro Sidney Eduardo Stahl votou pelas conclusões. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 0. 90 71 57 /2 01 2- 81 Fl. 50DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10920.907157/201281 Acórdão n.º 3801002.690 S3TE01 Fl. 3 2 (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Sergio Celani Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Paulo Sergio Celani, Marcos Antônio Borges, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. Relatório O processo iniciouse com Pedido de RestituiçãoPER, apresentado pela contribuinte, ora recorrente. A Delegacia da Receita Federal do Brasil em Joinvile, SC, indeferiu o pedido, com fundamento em que o valor recolhido por DARF, indicado como origem do crédito contra a Fazenda Nacional, havia sido integralmente utilizado para pagamento de débito da contribuinte, não restando crédito disponível para a restituição solicitada. A contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, aduzindo que os créditos pleiteados referirseiam a pagamentos a maior da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, decorrentes da inclusão do ICMS na base de cálculo destas contribuições. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Florianópolis julgou improcedente a manifestação de inconformidade, cujo acórdão possui a seguinte ementa: “ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano calendário: 2006 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. COMPROVAÇÃO DA CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO. REQUISITO. A certeza e liquidez do crédito é requisito essencial para o deferimento da restituição, devendo restar comprovado o efetivo pagamento indevido ou a maior que o devido.” Fl. 51DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10920.907157/201281 Acórdão n.º 3801002.690 S3TE01 Fl. 4 3 Ciente da decisão, a contribuinte interpôs recurso voluntário no qual assevera que não há previsão legal para exigir a retificação de DCTF como condição para a restituição e pede que seja afastada esta exigência e enfrentados os argumentos apresentados na manifestação de inconformidade. Afirma ser indevida a inclusão do ICMS na base de cálculo da contribuição, mas não apresenta argumentos que sustentem esta afirmação. Não há nos autos nenhum documento ou livro fiscal ou contábil nem DCTF retificadora. Voto Conselheiro Paulo Sergio Celani, Relator. O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade para julgamento nesta turma especial. Sobre a nulidade da decisão de primeira instância. No acórdão recorrido, a DRJ/Florianópolis decidiu com base no entendimento de que se não foi retificada a DCTF, não ficou comprovado pagamento indevido ou a maior, logo, não há que se falar em crédito líquido e certo e, por isso, correto o indeferimento do pedido de restituição. Está claro, desde o despacho decisório, que a contribuinte não comprovou existência de pagamento indevido ou a maior, pois o pagamento informado no pedido de restituição referiuse a tributo lançado em DCTF não retificada, logo, tributo devido. Não apresentadas provas em contrário, os valores informados na DCTF devem ser considerados verdadeiros. Tal entendimento é semelhante ao que justifica a decisão proposta neste voto, conforme se vê adiante. No voto condutor do acórdão da unidade de primeira instância, afirmouse que apenas com a retificação da DCTF a contribuinte teria crédito contra a Fazenda e que a retificação somente produziria efeitos em relação a pedido de restituição apresentado posteriormente a ela. Apesar de este entendimento divergir do que entendem várias turmas do CARF, que admitem que a retificação da DCTF pode surtir efeitos em relação a pedidos de restituição anteriores à sua transmissão, não se pode assentar que a decisão da DRJ possa ser anulada. Ainda que se entenda prescindível a retificação da DCTF, o fundamento de que o pagamento indevido ou a maior não foi comprovado persiste e é suficiente para manter o indeferimento do pedido de restituição, de modo que o despacho decisório e a decisão recorrida estão fundamentados e permitiram à contribuinte o contraditório e a ampla defesa. Fl. 52DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10920.907157/201281 Acórdão n.º 3801002.690 S3TE01 Fl. 5 4 Sobre o direito de crédito e sua liquidez e certeza O processo se iniciou com pedido de restituição da contribuinte, no qual informou ter realizado pagamento indevido ou a maior de PI/Pasep. A RFB, baseandose em dados constantes de seus sistemas informatizados, alimentados por informações prestadas pela própria contribuinte, por meio de declarações fiscais próprias, constatou que o pagamento informado foi integralmente utilizado para quitar débito da contribuinte, referente a tributo informado em DCTF, logo, tributo considerado devido, porque a DCTF, nos termos do art. 5º do DecretoLei nº 2.124, de 1984, é instrumento de confissão de dívida e constituição definitiva do crédito tributário, não restando crédito disponível a ser restituído. Com base nisto, o pedido foi indeferido. O fundamento legal está expresso em seu quadro “3 – FUNDAMENTAÇÃO, DECISÃO E ENQUADRAMENTO LEGAL”, no qual consta o artigo 165 da Lei nº 5.172, de 25/10/66 (CTN). Estando o pagamento totalmente vinculado a tributo declarado em DCTF, o DARF a ele relativo não prova a existência de crédito algum. Assim, não foi atendido o art. 165 do CTN, que diz que a contribuinte tem direito à restituição de tributo nos casos de: cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido; erro na edificação do sujeito passivo, na determinação da alíquota aplicável, no cálculo do montante do débito ou na elaboração ou conferência de qualquer documento relativo ao pagamento; reforma, anulação revogação ou rescisão de decisão condenatória. Caberia à interessada provar o direito à restituição, à luz do art. 333 do Código de Processo Civil (CPC), aplicável subsidiariamente ao caso, que determina que o ônus da prova incumbe a quem alega fato constitutivo de direito. Até o momento do protocolo do recurso voluntário, a contribuinte não apresentou documentos que comprovassem erro na DCTF, nem comprovou ocorrência de alguma das hipóteses previstas no art. 16, §4º, do Decreto nº 70.235, de 1972, que permitiriam apresentação destes documentos em momento posterior. Cito. “Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III – os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (...) §4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; Fl. 53DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10920.907157/201281 Acórdão n.º 3801002.690 S3TE01 Fl. 6 5 b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.” Ao contrário da decisão recorrida, várias decisões proferidas pelo CARF admitiram a retificação de DCTF posterior à ciência do despacho decisório. Porém, no âmbito desta turma, esta admissão ocorre somente quando a DCTF retificadora é acompanhada da prova de erro na DCTF retificada, por meio da escrituração e dos documentos fiscais e contábeis. Apenas assim se pode afirmar que o crédito pleiteado existe e é dotado de certeza e liquidez. Vejase a ementa do acórdão 380100.190, de 22/05/2012, relatado pelo Conselheiro Flávio de Castro Pontes, em que se assentou que a contribuinte deveria comprovar a origem do direito de crédito: “Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Data do fato gerador: 31/12/2002 COMPENSAÇÃO. RETIFICAÇÃO DE DCTF APÓS A CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. A simples retificação de DCTF não é elemento de prova suficiente para aferir a liquidez e certeza do direito creditório. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INCERTO. A compensação não pode ser homologada quando o sujeito passivo não comprova a origem de seu direito creditório. Recurso Voluntário Negado.” Da 2ª Turma Especial, da 3ª Seção de Julgamento, são exemplos do mesmo entendimento os Acórdãos 3802001.290, de 25/09/2012, relatado pelo Conselheiro José Fernandes do Nascimento, e 3802001.593, de 27/02/2013, relatado pelo Conselheiro Francisco José Barroso Rios, cujas ementas, com grifos meus, são as seguintes: Acórdão nº 3802001.290: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/12/2002 a 31/12/2002 COMPENSAÇÃO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO (DCOMP). DIREITO CREDITÓRIO NÃO COMPROVADO NA FASE RECURSAL. DECISÃO NÃO HOMOLOGATÓRIA MANTIDA. Na ausência da comprovação da certeza e liquidez do crédito utilizado no procedimento compensatório, deve ser mantida a Fl. 54DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10920.907157/201281 Acórdão n.º 3801002.690 S3TE01 Fl. 7 6 decisão recorrida que não homologou a compensação declarada pelo mesmo motivo. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/12/2002 a 31/12/2002 PROCESSO DE COMPENSAÇÃO. DCTF RETIFICADORA. ENTREGA APÓS CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. REDUÇÃO DO DÉBITO ORIGINAL. COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DO ERRO. OBRIGATORIEDADE. Uma vez iniciado o processo de compensação, a redução do valor débito informada na DCTF retificadora, entregue após a emissão e ciência do Despacho Decisório, somente será admitida, para fim de comprovação da origem do crédito compensado, se ficar provado nos autos, por meio de documentação idônea e suficiente, a origem do erro de apuração do débito retificado, o que não ocorreu nos presentes autos. NULIDADE. DECISÃO DE PRIMEIRO GRAU. ANÁLISE DE NOVO ARGUMENTO DE DEFESA. MANUTENÇÃO DA NÃO HOMOLOGAÇÃO DA COMPENSAÇÃO POR INEXISTÊNCIA DE CRÉDITO. ALTERAÇÃO DA MOTIVAÇÃO DO DESPACHO DECISÓRIO. INOCORRÊNCIA. Não é passível de nulidade, por mudança de motivação, a decisão de primeiro grau que rejeita novo argumento defesa suscitado na manifestação de inconformidade e mantém a não homologação da compensação declarada, por da ausência de comprovação do crédito utilizado, mesmo motivo apresentado no contestado Despacho Decisório. DILIGÊNCIA. REALIZAÇÃO PARA JUNTADA DE PROVA DOCUMENTAL EM PODER DO REQUERENTE. DESNECESSIDADE. Não se justifica a realização de diligência para juntada de prova documental em poder do próprio requerente que, sem a demonstração de qualquer impedimento, não foi carreada aos autos nas duas oportunidades em que exercitado o direito de defesa. Recurso Voluntário Negado.. Acórdão nº 3802001.593: “ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 30/09/2004 COMPENSAÇÃO COM CRÉDITOS DECORRENTES DE RETIFICAÇÃO DE DCTF DEPOIS DE PROFERIDO DESPACHO DECISÓRIO NÃO HOMOLOGANDO PER/DECOMP. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DE ERRO DE FATO NO PREENCHIMENTO DA DECLARAÇÃO ORIGINAL. INADMISSIBILIDADE DA COMPENSAÇÃO EM Fl. 55DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10920.907157/201281 Acórdão n.º 3801002.690 S3TE01 Fl. 8 7 VISTA DA NÃO DEMONSTRAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO ADUZIDO. A compensação, hipótese expressa de extinção do crédito tributário (art. 156 do CTN), só poderá ser autorizada se os créditos do contribuinte em relação à Fazenda Pública, vencidos ou vincendos, se revestirem dos atributos de liquidez e certeza, a teor do disposto no caput do artigo 170 do CTN. Uma vez intimada da não homologação de seu pedido de compensação, a interessada somente poderá reduzir débito declarado em DCTF se apresentar prova inequívoca da ocorrência de erro de fato no seu preenchimento. A não comprovação da certeza e da liquidez do crédito alegado impossibilita a extinção de débitos para com a Fazenda Pública mediante compensação. Recurso a que se nega provimento.” A 2ª Turma da 4ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento tem o mesmo entendimento, conforme se vê no acórdão nº. 3402001.668, de 15/02/2012, cuja ementa é: “Assunto: Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico – CIDE Data do fato gerador: 15/07/2005 NULIDADE POR FALTA DE FUNDAMENTO LEGAL. Em sendo verificado que tanto o ato de indeferimento da compensação quanto a decisão recorrida apresentam os fundamentos legais que sustentam a prolação do ato administrativo, não ocasionando cerceamento do direito de defesa do contribuinte, não há que se decretar a nulidade da decisão administrativa. Igualmente não incorre em nulidade a decisão que deixa de intimar o contribuinte a apresentar seus próprios documentos contábeis e fiscais para comprovar fato que sustenta seu direito ao indébito tributário. PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. PROVA DA EXISTÊNCIA, SUFICIÊNCIA E LEGITIMIDADE DO CRÉDITO. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. Não se homologa a compensação pleiteada pelo contribuinte quando este deixa de produzir prova, através de meios idôneos e capazes, de que o pagamento legitimador do crédito utilizado na compensação tenha sido efetuado indevidamente ou em valor maior que o devido, não bastando a retificação da DCTF como prova do suposto indébito.” O direito de crédito deve ser provado e apenas créditos líquidos e certos podem ser compensados. Fl. 56DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10920.907157/201281 Acórdão n.º 3801002.690 S3TE01 Fl. 9 8 Isto vale tanto para compensação com débitos do contribuinte quanto para restituição de pagamento de tributo indevido ou maior que o devido. Não é possível restituir valor referente a pagamento de tributo indevido ou maior que devido se este valor não é líquido e certo. No presente caso, não há prova de que houve pagamento indevido, nem de que o direito de crédito alegado equivale à incidência da contribuição para o PIS/Pasep sobre valores de ICMS. Por isso, não é necessário discutir a questão de mérito sobre a incidência da contribuição social sobre valores pagos a título de ICMS. Conclusão Pelo exposto, tendo em vista não ter sido provado pagamento de tributo indevido ou maior que o devido, com fundamento nos artigos 165 do CTN e 333 do CPC, voto por negar provimento ao recurso voluntário, mantendose o despacho decisório que não reconheceu o direito de crédito e indeferiu o pedido de restituição. (assinado digitalmente) Paulo Sergio Celani Relator Fl. 57DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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