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Numero do processo: 13888.000076/2006-42
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Fri Dec 12 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Dec 19 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre Operações de Crédito, Câmbio e Seguros ou relativas a Títulos ou Valores Mobiliários - IOF
Exercício: 2002, 2005
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. ALIQUOTA ZERO. COOPERATIVA. FALTA DE COMPROVAÇÃO DA RETENÇÃO.
É cabível restituição de crédito oriundo de retenções de IOF, nas operações de crédito realizadas por cooperativa na condição de tomadora, desde que a interessada faça prova da efetiva retenção do imposto.
DIREITO CREDITÓRIO. RECONHECIMENTO. ÔNUS DA PROVA.
Nos pedidos de restituição de tributos é do contribuinte o ônus de provar os fatos constitutivos do direito creditório pleiteado. Prescrição contida no artigo 333, inciso I, do Código de Processo Civil, aplicado supletivamente ao PAF (Decreto No. 70.235/72).
O contribuinte deve demonstrar, clara e objetivamente, com base em provas, suas alegações de modo a evidenciar e corroborar o direito pretendido e não tentar transferir ao Fisco este ônus processual. Atribuir à fiscalização este dever é subverter as atribuições das partes na relação processual. Não cabe ao Fisco, e muito menos às instâncias julgadoras, suprir deficiências probatórias da parte autora.
Recurso Voluntário negado.
Numero da decisão: 3202-001.444
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
Irene Souza da Trindade Torres Oliveira Presidente
Luís Eduardo Garrossino Barbieri Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres Oliveira, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Thiago Moura de Albuquerque Alves, Charles Mayer de Castro Souza e Tatiana Midori Migiyama.
Nome do relator: LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Operações de Crédito, Câmbio e Seguros ou relativas a Títulos ou Valores Mobiliários - IOF Exercício: 2002, 2005 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. ALIQUOTA ZERO. COOPERATIVA. FALTA DE COMPROVAÇÃO DA RETENÇÃO. É cabível restituição de crédito oriundo de retenções de IOF, nas operações de crédito realizadas por cooperativa na condição de tomadora, desde que a interessada faça prova da efetiva retenção do imposto. DIREITO CREDITÓRIO. RECONHECIMENTO. ÔNUS DA PROVA. Nos pedidos de restituição de tributos é do contribuinte o ônus de provar os fatos constitutivos do direito creditório pleiteado. Prescrição contida no artigo 333, inciso I, do Código de Processo Civil, aplicado supletivamente ao PAF (Decreto No. 70.235/72). O contribuinte deve demonstrar, clara e objetivamente, com base em provas, suas alegações de modo a evidenciar e corroborar o direito pretendido e não tentar transferir ao Fisco este ônus processual. Atribuir à fiscalização este dever é subverter as atribuições das partes na relação processual. Não cabe ao Fisco, e muito menos às instâncias julgadoras, suprir deficiências probatórias da parte autora. Recurso Voluntário negado.
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RESTITUIÇÃO Recorrente COOPERATIVA DOS PLANTADORES DE CANA DO ESTADO DE SÃO PAULO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE OPERAÇÕES DE CRÉDITO, CÂMBIO E SEGUROS OU RELATIVAS A TÍTULOS OU VALORES MOBILIÁRIOS IOF Exercício: 2002, 2005 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. ALIQUOTA ZERO. COOPERATIVA. FALTA DE COMPROVAÇÃO DA RETENÇÃO. É cabível restituição de crédito oriundo de retenções de IOF, nas operações de crédito realizadas por cooperativa na condição de tomadora, desde que a interessada faça prova da efetiva retenção do imposto. DIREITO CREDITÓRIO. RECONHECIMENTO. ÔNUS DA PROVA. Nos pedidos de restituição de tributos é do contribuinte o ônus de provar os fatos constitutivos do direito creditório pleiteado. Prescrição contida no artigo 333, inciso I, do Código de Processo Civil, aplicado supletivamente ao PAF (Decreto No. 70.235/72). 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AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 00 00 76 /2 00 6- 42 Fl. 181DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 18/12/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 13888.000076/200642 Acórdão n.º 3202001.444 S3C2T2 Fl. 182 2 Irene Souza da Trindade Torres Oliveira – Presidente Luís Eduardo Garrossino Barbieri – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres Oliveira, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Thiago Moura de Albuquerque Alves, Charles Mayer de Castro Souza e Tatiana Midori Migiyama. Relatório O presente processo, protocolizado em 11/06/2006 na DRF – Piracicaba, trata de pedido de restituição do IOF supostamente pago indevidamente, decorrentes de duas operações financeiras realizadas com instituições bancárias (vide planilha à folha 2), nos anos de 2002 e 2005, no valor originário de R$ 9.646,75, conforme pedido e documentos anexados às folhas 1 a 4. A autoridade fiscal da DRF – Piracicaba indeferiu o pedido formulado sob o argumento de que o sujeito passivo não atendeu aos requisitos previstos na legislação para a concessão da redução de alíquota para zero que as cooperativas tinham o direito (art. 8º, inciso I, Decreto 4.494/2002), mais especificamente, a não apresentação junto à instituição financeira de declaração informando que atendia os requisitos da legislação cooperativista previstos na Lei 5.764/71. A Recorrente apresentou sua Manifestação de Inconformidade (fls. 49/ss) A Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Campinas SP proferiu o Acórdão nº 0528.554, em 19 de abril de 2010 (fls. 82/ss), julgando procedente em parte a Manifestação de Inconformidade apresentada. A decisão de primeira instância entendeu que seria cabível a restituição apenas em relação ao IOF retido/recolhido no montante de R$ 125,25, que restou comprovado através do documento anexado à folha 03 dos autos. Por outro lado, indeferiu o pedido em relação ao alegado IOF retido/recolhido no montante de R$ 9.521,50, por entender que não restou comprovada a retenção do imposto, uma vez que o documento apresentado pelo sujeito passivo (anexado à folha 4) estaria incompleto, sem assinatura e não possibilitando, assim, a comprovação da retenção do imposto. Confirase a ementa do julgado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE OPERAÇÕES DE CRÉDITO, CÂMBIO E SEGUROS OU RELATIVAS A TÍTULOS OU VALORES MOBILIÁRIOS IOF Exercício: 2002, 2005 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO / COMPENSAÇÃO. ALIQUOTA ZERO. COOPERATIVA. É cabível restituição e a compensação de crédito oriundo de retenções de I0F, nas operações de crédito realizadas por cooperativa na condição de tomadora. Fl. 182DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 18/12/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 13888.000076/200642 Acórdão n.º 3202001.444 S3C2T2 Fl. 183 3 RESTITUIÇÃO DE I0F. NÃO CABIMENTO. FALTA DE COMPROVAÇÃO DA RETENÇÃO. Não é cabível a restituição de IOF nas operações de crédito, quando a contribuinte não instruiu o pedido com a comprovação das retenções do imposto. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte Direito Credit6rio Reconhecido em Parte A contribuinte foi cientificada do citado Acórdão em 15/10/2010 (fls. 94 – frente e verso). Inconformada com a decisão de primeira instância administrativa, interpôs Recurso Voluntário, em 13/01/2011 (fls. 96/ss), onde, além de repisar os argumentos já trazidos na impugnação, aduz o que segue abaixo: que apesar de ter empregado todos os esforços para obter junto às instituições financeiras os comprovantes das retenções efetuadas não obteve êxito; caberia às instituições financeiras fornecerem os documentos de retenção, necessários a apuração da verdade dos fatos e à análise do direito da Recorrente; requer a reforma da decisão de primeira instância administrativa ou, alternativamente, a realização de diligência para que se apurem os fatos, considerando que a própria Receita Federal dispõe as informações relativas ao IOF recolhido em nome da Recorrente, mediante retenção pelas instituições financeiras. O processo digitalizado foi distribuído a este Conselheiro Relator na forma regimental. Nos termos da Resolução nº 3202000.054, de 25/01/2012 (efls. 135/ss), proferido por esta 2ª Turma da 2ª Câmara da 3ª Seção do CARF, o processo foi baixado em diligência para que a autoridade fiscal da unidade de origem apurasse se houve efetivamente a retenção do IOF pelas instituições financeiras, no montante de R$ 9.521,50, conforme alegado pela Recorrente. A DRF – Piracicaba efetuou a diligência solicitada (efls. 139/175) e ao término elaborou a Informação Fiscal anexada às efls. 142/144. A PFN também foi devidamente cientificada do resultado da diligência efetuada, ocasião em que corrobora os termos da Informação Fiscal elaborada pela autoridade fiscal (efl. 178). Os autos retornaram ao CARF e foram devidamente encaminhados a este Conselheiro Relator. É o relatório. Voto Conselheiro Luís Eduardo G. Barbieri, Relator. Fl. 183DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 18/12/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 13888.000076/200642 Acórdão n.º 3202001.444 S3C2T2 Fl. 184 4 O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade previstos em lei, razão pela qual dele se conhece. Como relatado, a questão discutida neste litígio cingese a comprovação da suposta retenção do IOF, no montante de R$ 9.521,50. A decisão de primeira instância denegou o pedido da Recorrente motivada pela ausência de comprovação da retenção do imposto. Pois bem. Na tentativa esclarecer os fatos, os autos foram baixados em diligência para que a autoridade fiscal verificasse/esclarecesse se efetivamente houve a tal retenção do IOF. Contudo, mais uma vez a Recorrente não se desincumbiu a contento do ônus de produzir provas que demonstrassem a seu direito à restituição. Vejamos. A autoridade fiscal da DRF – Piracicaba, considerando que não havia nos sistemas informatizados da RFB informações quanto às retenções na fonte do IOF, intimou o contribuinte para que apresentasse os seguintes documentos (Termo de Intimação nº 1013/2012 – efl. 139): 1 – A cópia autenticada dos registros contábeis dos livros diário e razão referentes ao suposto crédito de retenção de IOF no valor de R$ 9.521,50 (objeto de pedido de restituição no processo em epígrafe); 2 – A cópia autenticada do contrato do financiamento que deu origem à suposta retenção na fonte sob exame, o qual deve conter as condições da operação, valor, prazo, IOF pago, instituição financeira, partes envolvidas e demais informações pertinentes à operação. Em atendimento ao Termo de Intimação a Recorrente apresentou a seguinte informação (efl. 141): Em resposta ao TERMO DE INTIMAÇÃO FISCAL nº 1013/2012, declaramos a impossibilidade de atendimento de tal intimação, visto que a empresa que realizou o levantamento dos créditos na ocasião não disponibilizou para nossos arquivos a memória de cálculo e documentação comprobatória solicitada. (negritamos) Em conclusão, após três oportunidades (pois já podia ter trazido os documentos no pedido de restituição e/ou em sua manifestação de inconformidade), a Recorrente mais uma vez não apresentou os documentos probantes capazes e suficientes para demonstrar o direito à restituição do IOF pleiteado. Em nosso ordenamento jurídico, como prescreve o artigo 333, do CPC – Código de Processo Civil, aplicado subsidiariamente ao processo administrativo tributário, o ônus da prova incumbe ao autor quanto à existência de fato constitutivo de seu direito. Esse artigo estabeleceu um regramento, destinado ao julgador, possibilitando que possa tomar uma decisão em desfavor daquela parte que não desempenhou bem a sua função de provar. Em reforço a este dispositivo, o artigo 396 do CPC impõe a exigência da devida instrução do pedido, verbis: Fl. 184DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 18/12/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 13888.000076/200642 Acórdão n.º 3202001.444 S3C2T2 Fl. 185 5 Art. 396. Compete à parte instruir a petição inicial (art. 283), ou a resposta (art. 297), com os documentos destinados a provarlhe as alegações. No mesmo sentido, o artigo 28 do Decreto nº 7.574/2011 (que regulamenta o processo de determinação e exigência de créditos tributários da União) informa caber ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. A Recorrente deveria comprovar suas alegações, com base em documentos e livros fiscais, de modo a evidenciar e corroborar o direito pretendido e não tentar transferir ao Fisco o dever de comprovar as suas alegações (da Recorrente). Atribuir ao Fisco este dever é subverter as atribuições das partes na relação processual. Não cabe ao Fisco, e muito menos às instâncias julgadoras, suprir deficiências probatórias da parte/autora. Diante do acima exposto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário. É como voto. Luís Eduardo Garrossino Barbieri Fl. 185DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 18/12/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 10480.916059/2011-81
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 13 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Dec 19 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/05/2001 a 31/05/2001
NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. MOTIVAÇÃO DA DECISÃO DA DRJ.
Não existe cerceamento do direito de defesa quando o órgão julgador aprecia de forma fundamentada as razões da manifestação de inconformidade.
PROCESSO JUDICIAL E ADMINISTRATIVO. MATÉRIA IDÊNTICA. RENÚNCIA À ESFERA ADMINISTRATIVA.
A propositura de ação judicial, com o mesmo objeto do processo administrativo fiscal implica na renúncia à instância administrativa.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3801-004.698
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado:
I - Por unanimidade votos, negar provimento ao recurso voluntário em relação aos questionamentos sobre a decisão de primeira instância;
II - Pelo voto de qualidade, não conhecer da matéria submetida ao Poder Judiciário. Vencidos os Conselheiros Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Cássio Schappo e Jacques Mauricio Ferreira Veloso de Melo que não reconheciam a concomitância e negavam provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
FLÁVIO DE CASTRO PONTES Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Marcos Antonio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Sérgio Celani, Cassio Schappo e Jacques Maurício Ferreira Veloso de Melo.
Nome do relator: FLAVIO DE CASTRO PONTES
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/05/2001 a 31/05/2001 NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. MOTIVAÇÃO DA DECISÃO DA DRJ. Não existe cerceamento do direito de defesa quando o órgão julgador aprecia de forma fundamentada as razões da manifestação de inconformidade. PROCESSO JUDICIAL E ADMINISTRATIVO. MATÉRIA IDÊNTICA. RENÚNCIA À ESFERA ADMINISTRATIVA. A propositura de ação judicial, com o mesmo objeto do processo administrativo fiscal implica na renúncia à instância administrativa. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado: I - Por unanimidade votos, negar provimento ao recurso voluntário em relação aos questionamentos sobre a decisão de primeira instância; II - Pelo voto de qualidade, não conhecer da matéria submetida ao Poder Judiciário. Vencidos os Conselheiros Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Cássio Schappo e Jacques Mauricio Ferreira Veloso de Melo que não reconheciam a concomitância e negavam provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) FLÁVIO DE CASTRO PONTES Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Marcos Antonio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Sérgio Celani, Cassio Schappo e Jacques Maurício Ferreira Veloso de Melo.
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CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. MOTIVAÇÃO DA DECISÃO DA DRJ. Não existe cerceamento do direito de defesa quando o órgão julgador aprecia de forma fundamentada as razões da manifestação de inconformidade. PROCESSO JUDICIAL E ADMINISTRATIVO. MATÉRIA IDÊNTICA. RENÚNCIA À ESFERA ADMINISTRATIVA. A propositura de ação judicial, com o mesmo objeto do processo administrativo fiscal implica na renúncia à instância administrativa. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado: I Por unanimidade votos, negar provimento ao recurso voluntário em relação aos questionamentos sobre a decisão de primeira instância; II Pelo voto de qualidade, não conhecer da matéria submetida ao Poder Judiciário. Vencidos os Conselheiros Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Cássio Schappo e Jacques Mauricio Ferreira Veloso de Melo que não reconheciam a concomitância e negavam provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) FLÁVIO DE CASTRO PONTES – Presidente e Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 48 0. 91 60 59 /2 01 1- 81 Fl. 71DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 18/12/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10480.916059/201181 Acórdão n.º 3801004.698 S3TE01 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Marcos Antonio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Sérgio Celani, Cassio Schappo e Jacques Maurício Ferreira Veloso de Melo. Fl. 72DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 18/12/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10480.916059/201181 Acórdão n.º 3801004.698 S3TE01 Fl. 4 3 Relatório Por meio de PER/Dcomp (Pedido de Restituição, Ressarcimento ou Reembolso e Declaração de Compensação) a requerente postula a compensação de débitos de diversos tributos com crédito referente a valor que teria sido recolhido indevidamente a título da contribuição Cofins (cód. 2172). A Delegacia da Receita Federal do Brasil no Recife (PE), conforme Despacho Decisório Eletrônico, não reconheceu o direto creditório e não homologou as compensações efetuadas. Após ter sido cientificado dessa decisão, a interessada apresentou manifestação de inconformidade. Aduziu, em resumo, que ocorreu apenas uma falha de procedimento da empresa em não retificar as DCTFs onde constavam as informações dos débitos cuja compensação era solicitada. Tal erro de procedimento não anula a existência dos créditos, vez que estes decorrem da existência de decisão judicial favorável à OABPE, da qual a empresa é sindicalizada, garantindo a isenção de Cofins para as empresas exclusivamente prestadoras de serviços relativos a profissões legalmente regulamentadas. A fim de comprovar a veracidade das suas alegações, anexou cópia da ação judicial impetrada pela OABPE que garantiu o direito de isenção de Cofins da empresa, assim como a certidão de trânsito em julgado relativa a mesma ação. A DRJ no Recife (PE) não conheceu da manifestação de inconformidade e não reconheceu o direito creditório, nos termos da ementa transcrita abaixo: AÇÃO JUDICIAL. PROPOSITURA. CONCOMITÂNCIA. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do procedimento fiscal, com o mesmo objeto do processo administrativo. Discordando da decisão de primeira instância, a recorrente interpôs recurso voluntário, instruído com diversos documentos, cujo teor é sintetizado a seguir. Após comentar a decisão da DRJ, sustenta a incoerência entre a decisão da DRF/Recife e a DRJ/Recife. Argumenta que referidas decisões são totalmente diferentes. A decisão da DRF/Recife que considerou não homologadas as compensações baseouse no fato de que os DARFS aos quais estavam vinculados os créditos estarem totalmente utilizados, razão pela qual, em nosso argumento de defesa, apresentamos as informações obtidas no CAC/Recife de que houve apenas um problema de não retificação das respectivas DCTFS da empresa. Pontua que a decisão da DRJ/Recife procedeu em uma inovação completa do conteúdo do indeferimento inicial das compensações. Fl. 73DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 18/12/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10480.916059/201181 Acórdão n.º 3801004.698 S3TE01 Fl. 5 4 Insiste que toda a decisão proferida pela DRJ/Recife prendese à análise da ação judicial, quando a decisão primeira, proferida pela DRF/Recife, ocorreu apenas em razão da falha procedimental da empresa. Concluiu este tópico afirmando que por estes fatos merece reparo a decisão proferida pela Turma da DRJ/Recife, por ter cerceado o direito de defesa da empresa, ao inovar juridicamente os argumentos sem prévia comunicação de prazo para alegações da empresa sobre os novos fatos e informações apresentadas ao processo e que seriam objeto de análise, ofendendo frontalmente o art. 5º, Constituição Federal de 1988, quanto ao direito de defesa da empresa. Quanto ao direito creditório, discorda do entendimento da decisão da DRJ/Recife de que não seria possível à empresa a utilização dos créditos para compensação em razão de existir liminar em sede de Reclamação suspendendo os efeitos da decisão que garantia aos filiados à OAB/PE o direito de isenção de Cofins. Argumenta que a decisão judicial em Mandado de Segurança que concedeu o benefício da isenção da empresa da Cofins já havia sido encerrada e reconhecido o direito. Apenas em sede de ação rescisória foi reanalisada a questão, na qual o TRF da 5a. Região decidiu por conceder parcial provimento à rescisória a fim de conceder efeitos exnunc à decisão, ou seja, a rescisão da decisão que concedia o benefício da isenção da Cofins somente surtiria efeitos para frente, não abrangendo os fatos pretéritos. Esclarece que apenas contra esta decisão do TRF foi que concedeuse a liminar do Ministro Joaquim Barbosa do STF, suspendendo a modulação dos efeitos da decisão da rescisória. Aduz que liminar, como o próprio nome diz, é decisão precária e não anulou, como quer fazer crer a decisão da DRJ/Recife, os efeitos do decidido na ação rescisória. Seus efeitos estão apenas suspensos, aguardando um pronunciamento do órgão colegiado do STF quanto à manutenção ou não da liminar. Por fim requer que seja processado regularmente o presente Recurso Voluntário, e, ao final, julgado integralmente procedente para, reformando as decisões proferidas pela DRF/Recife e DRJ/Recife reconhecer o direito de crédito da empresa relativo aos pagamentos indevidos, realizados a título da Cofins e, conseqüentemente, homologar a compensação realizada na PERDCOMP relacionada a este processo que utilizaram tais créditos. É o relatório. Fl. 74DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 18/12/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10480.916059/201181 Acórdão n.º 3801004.698 S3TE01 Fl. 6 5 Voto Conselheiro Flávio de Castro Pontes O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, portanto dele tomase conhecimento.. De início, examinase a tese de irregularidade na decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Recife. A interessada sustenta cerceamento no direito de defesa em relação à decisão da DRJ/Recife, uma vez que esta inovou no conteúdo do indeferimento inicial das compensações, pois a decisão proferida pela DRJ/Recife prendese à análise da ação judicial, quando a decisão primeira, proferida pela DRF/Recife, ocorreu apenas em razão da falha procedimental da empresa. Não merece prosperar essa tese. Ao contrário do alegado, o colegiado de primeira instância discutiu todas as teses necessárias e suficientes para a solução da lide administrativa. Exemplificando, o julgado “a quo” motivou a decisão em relação a argumentação da recorrente em relação ao fato de que seu direito creditório era decorrente da ação judicial impetrada pela OABPE. Ora, foi a recorrente que trouxe ao litígio essa tese, de sorte que a decisão de primeira intância não inovou juridicamente no julgamento. Destarte, o órgão julgador administrativo estava obrigado a apreciar essa tese da interessada de maneira motivada e fundamentada. Assim, não há reparos a serem feitos na decisão a quo. Não se pode perder de vista que a decisão recorrida apreciou todas as questões relevantes necessárias a solução do litígio, em especial a eficácia das decisões judiciais apresentadas pela própria interessada. Assim, o julgador apresentou razões coerentes e suficientes para embasar a decisão. Além disso, no âmbito do processo administrativo fiscal as hipóteses de nulidade são tratadas de forma específica no art. 59 do Decreto nº 70.235/72: "Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa." No caso vertente, nenhum dos pressupostos acima encontrase presente, uma vez que não ficou evidenciada a preterição do direito de defesa, tendo em vista que a decisão recorrida motivadamente demonstrou de forma clara e concreta as razões da não homologação das compensações, de sorte que não ficou caracterizado qualquer prejuízo à recorrente. Fl. 75DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 18/12/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10480.916059/201181 Acórdão n.º 3801004.698 S3TE01 Fl. 7 6 Por tais razões não há que se falar em qualquer irregularidade da decisão guerreada por cerceamento de direito de defesa. O litígio tem como principal controvérsia eventual direito creditório em razão de ação judicial. Transcrevo de uma decisão da DRJ o histórico das ações judiciais em debate: 10.1. A OABPE impetrou ação de mandado de segurança coletivo em nome dos seus Escritórios de Advocacia associados, autuada em 31/05/2001, sob o nº 2001.83.00.0145250, objetivando, principalmente, em síntese, a isenção do recolhimento da Cofins prevista no inciso II do art. 6º da Lei Complementar (LC) nº 70, de 30 de dezembro de 1991, e a compensação dos valores pagos indevidamente. A segurança foi denegada pelo juízo de primeiro grau, com fundamento em que não havia obstáculo para a revogação da isenção concedida pela LC nº 70, de 1991, pela Lei (Ordinária) nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, tendo em vista que a isenção não é matéria reservada à lei complementar. O magistrado considerou, então, prejudicada a análise do pleito de compensação. 10.2. À apelação da OABPE junto ao Tribunal Regional Federal da 5ª Região (TRF5ª Região) – que obteve o nº AMS 80.558PE – foi pela Quarta Turma concedido provimento, por unanimidade, nos termos do voto do relator, que esposou entendimento diametralmente oposto ao do juiz singular, dando pela impossibilidade da revogação da referida isenção com fundamento no princípio da hierarquia das leis. 10.3. De tal decisão, foi interposto pela Fazenda Nacional Recurso Especial (REsp), que foi inadmitido. Irresignada, a Fazenda Nacional manejou agravo de instrumento, ao qual foi negado provimento. Assim, a decisão transitou em julgado em 09/09/2004, restando reconhecido o direito à isenção postulada. 10.4. Posteriormente, a OABPE atravessou petição alegando que a edição da Lei nº 10.833, de 30 de dezembro de 2003, em seu art. 30, poderia obstruir o cumprimento da decisão judicial que reconheceu a isenção da Cofins para as sociedades civis dedicadas ao exercício da advocacia, mediante a retenção na fonte da referida contribuição. Requereu, na ocasião, fosse oficiada a Receita Federal para que se abstivesse de exigir o pagamento da Cofins sobre as receitas auferidas pela prestação de serviços de advocacia, bem como de exigir a retenção na fonte de tal contribuição pelas pessoas jurídicas tomadoras dos referidos serviços. O pleito foi deferido monocraticamente e, ao depois, atacado por agravo regimental aviado pela Fazenda Nacional, o qual foi provido com base nos fatos de não ter sido debatida, nos autos, a Lei nº 10.833, de 2003, e de que não seria admissível, naquele momento processual, inovar a actio, transmudandoa. 10.5. Contra essa decisão, recorreu a OABPE, mediante o REsp nº 739.784 (nº 2005/00540062), cujo provimento foi negado por Fl. 76DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 18/12/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10480.916059/201181 Acórdão n.º 3801004.698 S3TE01 Fl. 8 7 unanimidade pela Segunda Turma do STJ em sessão de 19/11/2009, tendose, em resumo, concluído que a superveniência da Lei nº 10.833, de 2003, não pode ser alcançada pelos efeitos da coisa julgada que concedera a segurança pleiteada, de modo a ampliar o objeto da lide. Registrese que, no decorrer do voto, o ministro relator, Mauro Campbell Marques, após afirmar, a título ilustrativo, que a tese adotada pela instância de origem para reconhecer a isenção postulada pela recorrente não mais subsistia em razão de o STF, no julgamento do Recurso Extraordinário (RE) nº 377.457 3/PR, relator o Ministro Gilmar Mendes, ter proclamado que a revogação da isenção da Cofins concedida pela LC nº 70, de 1991, pelo art. 56 da lei nº 9.430, de 1996, foi plenamente válida e eficaz, porquanto o referido diploma, não obstante formalmente complementar, ostenta, materialmente, caráter de lei ordinária , esclareceu que Primeira Seção do STJ, ao julgar a Ação Rescisória (AR) nº 3.761/PR, na sessão de 12/11/2008, deliberara pelo cancelamento da Súmula nº 276, que enunciava a isenção da Cofins perante as ditas sociedades, independentemente do regime tributário adotado. 10.6. Da decisão do STJ referida no subitem 10.3, a ProcuradoriaRegional da Fazenda Nacional na 5ª Região propôs Ação Rescisória (AR) nº 5.471PE (processo nº 2006.05.00.0442426/03) junto ao TRF5ª Região, que foi parcialmente procedente, por lhe terem sido dados efeitos ex nunc. No acórdão exarado, aquele tribunal regional afirmou que o acórdão rescindendo fora proferido antes da manifestação do STF sobre ser a matéria constitucional ou não. 10.7. Contra os efeitos exnunc da decisão do TRF5ª Região – que, em tese, daria aos escritórios de advocacia filiados à OAB PE o direito de não pagarem a Cofins no período abrangido pela ação coletiva até a publicação da decisão na ação rescisória –, a Fazenda Nacional protocolou Reclamação (Rcl) nº 6.917 junto ao STF, tendo o Ministro Joaquim Barbosa deferido, em 10/12/2008, liminar para suspender o acórdão da ação rescisória na parte em que conferiu efeitos meramente prospectivos ao acórdão que julgou procedente a ação rescisória. Encontrase o processo aguardando apreciação desse Colegiado. 10.8. Embargos de declaração opostos pelas partes – OABPE e Fazenda Nacional – contra a decisão proferida pelo TRF5ª Região no bojo da Ação Rescisória nº 5471/PE (processo nº 2006.05.00.0442426/03) foram julgados, não tendo, no entanto, ocorrido nenhuma alteração no resultado do julgamento originário por essa corte. Do exame das ações judiciais, constatase que a matéria está sub judice, uma vez que este processo administrativo tem o mesmo objeto da ação judicial em referência, homologação de compensação em face de pedido de restituição decorrente da legalidade da revogação da isenção do pagamento da Cofins, por parte das sociedades civis de profissão legalmente regulamentada, pela Lei nº 9.430, de 27/12/1996, que, em seu art. 56, revogou a veiculada pelo art. 6º, inciso II, da Lei Complementar nº 70, de 30/12/1991. Fl. 77DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 18/12/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10480.916059/201181 Acórdão n.º 3801004.698 S3TE01 Fl. 9 8 Como se nota, o direito creditório está dependendo do desfecho da Reclamação no Supremo Tribunal Federal. Destarte, incide no caso vertente o parágrafo único do art. 38, da Lei nº. 6.830/80, que dispõe: Art. 38 A discussão judicial da Dívida Ativa da Fazenda Pública só é admissível em execução, na forma desta Lei, salvo as hipóteses de mandado de segurança, ação de repetição do indébito ou ação anulatória do ato declarativo da dívida, esta precedida do depósito preparatório do valor do débito, monetariamente corrigido e acrescido dos juros e multa de mora e demais encargos. Parágrafo Único A propositura, pelo contribuinte, da ação prevista neste artigo importa em renúncia ao poder de recorrer na esfera administrativa e desistência do recurso acaso interposto.(grifouse) O excelso Supremo Tribunal Federal já manifestou acerca da constitucionalidade desse dispositivo, conforme decidido no recurso extraordinário nº 233.582: EMENTA: CONSTITUCIONAL. PROCESSUAL TRIBUTÁRIO. RECURSO ADMINISTRATIVO DESTINADO À DISCUSSÃO DA VALIDADE DE DÍVIDA ATIVA DA FAZENDA PÚBLICA. PREJUDICIALIDADE EM RAZÃO DO AJUIZAMENTO DE AÇÃO QUE TAMBÉM TENHA POR OBJETIVO DISCUTIR A VALIDADE DO MESMO CRÉDITO. ART. 38, PAR. ÚN., DA LEI 6.830/1980.(...). É constitucional o art. 38, par. ún., da Lei 6.830/1980 (Lei da Execução Fiscal LEF), que dispõe que "a propositura, pelo contribuinte, da ação prevista neste artigo [ações destinadas à discussão judicial da validade de crédito inscrito em dívida ativa] importa em renúncia ao poder de recorrer na esfera administrativa e desistência do recurso acaso interposto". Recurso extraordinário conhecido, mas ao qual se nega provimento.(STF, RE 233582, DJe088 de 1605 2008).(grifouse) Em relação ao conteúdo desse dispositivo legal, Leandro Paulsen, René Bergmann e Ingrid Schroder explicam: O parágrafo em questão tem como pressuposto o princípio da jurisdição una, ou seja, que o ato administrativo pode ser controlado pelo Judiciário e que apenas a decisão deste é que se torna definitiva, com o trânsito em julgado, prevalecendo sobre eventual decisão administrativa que tenha sido tomada ou pudesse vir a ser tomada. Considerando que o contribuinte tem direito a se defender na esfera administrativa mas que a esfera judicial prevalece sobre a administrativa, não faz sentido a sobreposição dos processos administrativo e judicial. A opção pela discussão judicial, antes do exaurimento da esfera administrativa, demonstra que o contribuinte desta abdicou, levando o seu caso diretamente ao Poder ao qual cabe dar a última palavra quanto à interpretação e à aplicação do Direito, o Judiciário. Entretanto, tal pressupõe a identidade de objeto Fl. 78DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 18/12/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10480.916059/201181 Acórdão n.º 3801004.698 S3TE01 Fl. 10 9 nas discussões administrativa e judicial". (Leandro Paulsen, René Bergmann Ávila e Ingrid Schroder Sliwka. Direito Processual Tributário: processo administrativo fiscal à luz da doutrina e da jurisprudência. Porto Alegre: Livraria do Advogado, 2010, p. 447 e 448). De fato, se o sujeito passivo recorre ao Poder Judiciário, por uma questão de lógica, ele está desistindo tacitamente da esfera administrativa, visto que a decisão do Poder Judiciário é soberana. Eventuais decisões antagônicas, nas esferas administrativa e judicial, teriam uma única solução, qual seja, prevaleceria a da esfera judicial, em razão do princípio constitucional da jurisdição única, art. 5º, XXXV, da Constituição Federal. Destarte, não faz sentido a continuação da discussão no âmbito administrativo, pois o mérito da questão será decidido pelo Poder Judiciário com efeito de coisa julgada. Corroborando esta teoria, o Superior Tribunal de Justiça (STJ), no julgamento do recurso especial nº 840.556, assim se pronunciou: TRIBUTÁRIO. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. MANDADO DE SEGURANÇA.AÇÃO JUDICIAL. RENÚNCIA DE RECORRER NA ESFERA ADMINISTRATIVA. IDENTIDADE DO OBJETO. ART. 38, PARÁGRAFO ÚNICO DA LEI Nº 6.830/80. 1. Incide o parágrafo único do art. 38, da Lei nº 6.830/80, quando a demanda administrativa versar sobre objeto menor ou idêntico ao da ação judicial. 2.(...) 3. In casu, os mandados de segurança preventivos, impetrados com a finalidade de recolher o imposto a menor, e evitar que o fisco efetue o lançamento a maior, comporta o objeto da ação anulatória do lançamento na via administrativa, guardando relação de excludência.4. Destarte, há nítido reflexo entre o objeto do mandamus – tutelar o direito da contribuinte de recolher o tributo a menor (pedido imediato) e evitar que o fisco efetue o lançamento sem o devido desconto (pedido mediato) com aquele apresentado na esfera administrativa, qual seja, anular o lançamento efetuado a maior(pedido imediato) e reconhecer o direito da contribuinte em recolher o tributo a menor (pedido mediato).5. Originárias de uma mesma relação jurídica de direito material, despicienda a defesa na via administrativa quando seu objeto subjugase ao versado na via judicial, face a preponderância do mérito pronunciado na instância jurisdicional. (...) (STJ, REsp 840556/AM, DJ 20/11/2006) (grifouse) Assim sendo, a existência de uma ação judicial, por parte da requerente, com o mesmo objeto desse processo administrativo fiscal importa na renúncia à esfera administrativa. Em relação a essa discussão, aplicase a Súmula nº 01 do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) que uniformizou o seguinte entendimento: Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois Fl. 79DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 18/12/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10480.916059/201181 Acórdão n.º 3801004.698 S3TE01 Fl. 11 10 do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial.(grifouse) Além disso, os Conselheiros têm o dever de observar as súmulas, nos termos do art. 72 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF n° 256, de 22/06/2009. Em caso análogo da mesma recorrente, esta tese também foi acolhida, em outro julgado do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais: TRIBUTÁRIO. OPÇÃO PELA VIA JUDICIAL. RENÚNCIA AO DIREITO DE RECORRER. CONFIGURAÇÃO. DECISÃO JUDICIAL. CUMPRIMENTO. A propositura pelo contribuinte de ação judicial onde se alterca matéria veiculada em processo administrativo, antes ou após a inauguração da fase litigiosa administrativa, conforme o caso, importa em renúncia ao direito de recorrer ou desistência do recurso interposto, não competindo ao CARF se manifestar acerca do alcance, efeitos e forma de cumprimento de decisões judiciais cuja execução não lhe caiba. DESPACHO DECISÓRIO. MOTIVAÇÃO. DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. INOVAÇÃO. INOCORRÊNCIA. Não configura inovação de motivação do despacho decisório a fundamentação da decisão que, acolhendo ou rechaçando a pretensão deduzida em manifestação de inconformidade, examina elementos novos introduzidos na lide administrativa pelo próprio recorrente e que, até então, eram desconhecidos da Administração Tributária (CARF. 3ª Seção, 4ª Câmara, 1ª Turma Ordinária, Acórdão 3401002.634, de 29/05/2014, rel. Robson José Bayerl, Processo nº 10480.905883/200818) Em remate, não se toma conhecimento das alegações decorrentes do direito creditório, isenção ou não da Cofins, visto que a recorrente submeteu à apreciação do Poder Judiciário esta matéria. Ante ao exposto voto no sentido de: I – negar provimento ao recurso voluntário em relação aos questionamentos sobre a decisão de primeira instância; II não conhecer da matéria submetida ao Poder Judiciário. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Relator Fl. 80DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 18/12/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10480.916059/201181 Acórdão n.º 3801004.698 S3TE01 Fl. 12 11 Fl. 81DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 18/12/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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Numero do processo: 13851.000476/2006-75
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 03 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Dec 17 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 1103-000.075
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, declinar competência para a Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção de Julgamento, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Eduardo Martins Neiva Monteiro Relator
(assinado digitalmente)
Aloysio José Percínio da Silva - Presidente
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Mário Sérgio Fernandes Barroso, Cristiane Silva Costa, Eduardo Martins Neiva Monteiro, Francisco Alexandre dos Santos Linhares, Hugo Correia Sotero e Aloysio José Percínio da Silva.
Nome do relator: Não se aplica
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, declinar competência para a Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção de Julgamento, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Eduardo Martins Neiva Monteiro Relator (assinado digitalmente) Aloysio José Percínio da Silva - Presidente Participaram do presente julgamento os Conselheiros Mário Sérgio Fernandes Barroso, Cristiane Silva Costa, Eduardo Martins Neiva Monteiro, Francisco Alexandre dos Santos Linhares, Hugo Correia Sotero e Aloysio José Percínio da Silva.
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, declinar competência para a Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção de Julgamento, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Eduardo Martins Neiva Monteiro – Relator (assinado digitalmente) Aloysio José Percínio da Silva Presidente Participaram do presente julgamento os Conselheiros Mário Sérgio Fernandes Barroso, Cristiane Silva Costa, Eduardo Martins Neiva Monteiro, Francisco Alexandre dos Santos Linhares, Hugo Correia Sotero e Aloysio José Percínio da Silva. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 51 .0 00 47 6/ 20 06 -7 5 Fl. 2311DF CARF MF Impresso em 18/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/10/2012 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 11/10/2012 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 02/01/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 13851.000476/200675 Resolução nº 1103000.075 S1C1T3 Fl. 2.269 2 Relatório Tratase de Embargos de Declaração, interpostos pelo contribuinte em 16/07/2012 em face do acórdão nº 140100.680, de 20/10/2011, cuja ciência ocorreu em 12/07/2012. Tal decisão recebeu a seguinte ementa: OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGEM NÃO COMPROVADA. Os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações, caracterizamse como omissão de receitas. LUCRO ARBITRADO. NÃO APRESENTAÇÃO DE LIVROS E DOCUMENTOS FISCAIS. O fato de o contribuinte deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos de escrituração comercial e fiscal, apesar de sucessivas e reiteradas intimações, autoriza o arbitramento do lucro. No caso dos autos, mesmo tendo optado pelo regime de tributação com base no lucro presumido, o contribuinte não apresentou os livros Caixa e Registro de Inventário. MULTA DE OFÍCIO. EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE. PERCENTUAL APLICÁVEL. Estando devidamente caracterizado o evidente intuito de fraude, justificase a aplicação da multa de ofício no percentual de 150% (cento e cinquenta por cento) (art.44, II, da Lei nº 9.430/96, redação à época dos fatos geradores). JUROS DE MORA. TAXA SELIC. A partir de 1º de abril de 1995 é legítima a utilização da taxa SELIC no cálculo dos juros moratórios (Súmula CARF nº 4). LANÇAMENTOS REFLEXOS. CSLL, PIS E COFINS. O decidido no lançamento do Imposto de Renda Pessoa Jurídica IRPJ é aplicável aos autos de infração reflexos em face da relação de causa e efeito entre eles existente. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL MPF. ATO DE CONTROLE INTERNO. LANÇAMENTO. VALIDADE. A emissão do Mandado de Procedimento Fiscal MPF é um ato meramente administrativo, de controle interno da Administração Tributária. Impropriedades na sua emissão não invalidam o procedimento fiscal e não levam à nulidade de auto de infração regularmente lavrado. NORMAS VEICULADAS EM LEI. IMPOSSIBILIDADE DE SEREM AFASTADAS SOB FUNDAMENTO DE INCONSTITUCIONALIDADE. No âmbito do processo administrativo fiscal, é vedado ao órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade (art.26A do Decreto nº 70.235/72; Súmula CARF nº 2). Fl. 2312DF CARF MF Impresso em 18/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/10/2012 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 11/10/2012 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 02/01/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 13851.000476/200675 Resolução nº 1103000.075 S1C1T3 Fl. 2.270 3 AMPLA DEFESA. CERCEAMENTO. NÃO OCORRÊNCIA. Não há que se falar em cerceamento de direito de defesa quando todas as razões de fato e de direito que interessam às autuações foram devidamente explicitadas nos autos de infração e Termo de Verificação Fiscal cientificados ao contribuinte. AÇÃO FISCAL. CRITÉRIOS DE SELEÇÃO DE CONTRIBUINTES. ATRIBUIÇÃO DA SECRETARIA DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL. A seleção de determinado contribuinte para a verificação do cumprimento de suas obrigações tributárias cabe à Secretaria da Receita Federal do Brasil, que decide por deflagrar a ação fiscal no momento que considere oportuno. IMPEDIMENTO. AUDITORFISCAL. ABUSO DE AUTORIDADE. À míngua de provas, não se acolhem as alegações de defesa relacionadas a suposto impedimento de agentes fazendários que participaram da ação fiscal, bem como ao suscitado abuso de autoridade. O Embargante sustenta ter havido “equívoco material no exame da prova”, tendo o acórdão embargado sido proferido “com base em premissas fáticas equivocadas”. Os aclaratórios justificarseiam para forçar o prequestionamento para fins de interposição de eventual recurso especial. Aduziu várias alegações, objeto dos seguintes itens: (a) Existência de erros materiais; (b) Omissão quanto à apreciação da prova da coação ilegal e da presunção absoluta de abuso de poder, por violação à autoridade vinculante do STF; (c) Omissão ligada à tese de “ilicitude do meio de obtenção da prova”, tais como a apreensão de documentos sem a lavratura do Termo exigido (art.35, Lei nº 9.430/96), e à ausência de decisão sobre o pedido de prova testemunhal apta a comprovar a coação ilegal no procedimento fiscal (dever de observância a tratados internacionais); (d) Omissão relacionada à nulidade por vício na descrição dos fatos; (e) Omissão quanto à aplicabilidade da Portaria COFIS nº 28/2002; (f) Omissão sobre a tese conclusiva; (g) Omissão a respeito da ausência de razões do voto vencido. Ao final requereu “...a retificação dos erros materiais ora aventados para, corrigindose as premissas fáticas equivocadas, sejam devidamente apreciadas as teses jurídicas aqui reprisadas, pois, embora tenham sido ventiladas nas razões recursais, restaram tais pontos totalmente omissos de ponderação pelo venerando Acórdão embargado”. É o relatório. Fl. 2313DF CARF MF Impresso em 18/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/10/2012 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 11/10/2012 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 02/01/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 13851.000476/200675 Resolução nº 1103000.075 S1C1T3 Fl. 2.271 4 Voto Conselheiro Eduardo Martins Neiva Monteiro, Relator. Tendo em vista que o acórdão embargado foi proferido pela Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara desta Primeira Seção de Julgamento e os Embargos de Declaração, formalmente distribuídos para relatoria nesta Terceira Turma Ordinária da Primeira Câmara, para a qual o Relator foi designado como Conselheiro titular, a apreciação, à vista do Anexo II do Regimento Interno, deve ser realizada pela Turma de origem. Vejamos: Art. 49. Os processos recebidos pelas Câmaras serão sorteados aos conselheiros. ..... §7° Os processos que retornarem de diligência, os com embargos de declaração opostos e os conexos, decorrentes ou reflexos serão distribuídos ao mesmo relator, independentemente de sorteio, ressalvados os embargos de declaração opostos, em que o relator não mais pertença ao colegiado, que serão apreciados pela turma de origem, com designação de relator ad hoc. §8° Na hipótese de o conselheiro ter sido designado para novo mandato, em outra Câmara com competência sobre a mesma matéria, os processos já sorteados, inclusive os relatados e ainda não julgados e os que retornarem de diligência, com ele permanecerão e serão remanejados para a nova Câmara. (destaquei) Considerandose a data em que o acórdão embargado foi prolatado (20/10/2011), não incide a regra transitória prevista no art.3º, §4º, da Portaria nº 256, de 22/06/09, que aprovou o Regimento Interno do CARF: Art. 3° Os recursos já sorteados aos conselheiros anteriormente à edição desta Portaria não serão devolvidos ou redistribuídos e serão julgados na turma para a qual o conselheiro for designado. ..... § 4° Os processos que retornem de diligência e os com embargos de declaração interpostos em face de acórdãos exarados em sessões anteriores à vigência deste Regimento Interno serão distribuídos ao relator original do recurso, salvo quando estiver atuando em colegiado com especialização diversa da do anterior. Pelo exposto, voto no sentido de declinar competência para a Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção de Julgamento. (assinado digitalmente) Eduardo Martins Neiva Monteiro Fl. 2314DF CARF MF Impresso em 18/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/10/2012 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 11/10/2012 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 02/01/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA
score : 1.0
Numero do processo: 14041.000853/2005-92
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Apr 13 00:00:00 UTC 2010
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF
Exercício: 2003
REQUISITOS DE ADMISSIBILIDADE DE RECURSO ESPECIAL - INEXISTÊNCIA - RECURSO NÃO CONHECIDO.
É entendimento da CSRF que acórdão cujo objeto é o julgamento de matéria afeta à CSLL não serve de paradigma para caracterizar divergência em face a acórdão relacionado ao PNUD, ainda que em ambos os casos se discuta a multa isolada de que trata o art. 44, II, da Lei n° 9.430, de 1996.
Recurso especial não conhecido.
Numero da decisão: 9202-000.684
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do recurso interposto pela Fazenda Nacional Vencidos os conselheiros Julio César Vieira Gomes e Carlos Alberto Freitas Barreto que conheciam do recurso.
Matéria: IRPF- ação fiscal - omis. de rendimentos - PF/PJ e Exterior
Nome do relator: Moises Giacomelli Nunes da Silva
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF Exercício: 2003 REQUISITOS DE ADMISSIBILIDADE DE RECURSO ESPECIAL - INEXISTÊNCIA - RECURSO NÃO CONHECIDO. É entendimento da CSRF que acórdão cujo objeto é o julgamento de matéria afeta à CSLL não serve de paradigma para caracterizar divergência em face a acórdão relacionado ao PNUD, ainda que em ambos os casos se discuta a multa isolada de que trata o art. 44, II, da Lei n° 9.430, de 1996. Recurso especial não conhecido.
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É entendimento da CSRF que acórdão cujo objeto é o julgamento de matéria afeta à CSLL não serve de paradigma para caracterizar divergência em face a acórdão relacionado ao PNUD, ainda que em ambos os casos se discuta a multa isolada de que trata o art. 44, . II, da Lei n° 9„4.30, de 1996. Recurso especial não conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por aioria de votos, em não conhecer' do recurso interposto pela Fazenda Naciinal. Vencidos : conselheiros Julio César Vieira Gomes e Carlos Alberto Freitas Barreto q conheciam da recurso. IA CARLOS ALBER O 1 ITAS BARRE O- Presidente f\ MOISES GIACOMELLI NUNES D SILVA - Relator EDITADO EM: 9 JuN amo Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Susy Gomes Hoffmann (Vice-Presidente), Caio Marcos Candido, Gonçalo Bonet Allage, Julio César Vieira Gomes, Manoel Coelho Arruda Junior, Moises Giacomelli Nunes da Silva, Francisco de Assis Oliveira .Junior, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire.. Relatório Por meio do acórdão de folhas 115 e seguintes, a Segunda Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, deu provimento parcial ao recurso voluntário do contribuinte, para excluir da exigência a multa isolada aplicada em concomitância com a multa de oficio. A Fazenda Nacional, inconformada com a decisão, ingressou tempestivamente com recurso especial de fls.. 133/140, apoiada no inciso II, do artigo 50 do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria Ministerial n° 55, de 1998. Alega que houve dissídio jurisprudencial, apontando como paradigma o acórdão n.° 101-94858, cuja ementa, no que interessa ao processo, segue abaixo transcrita: 'MULTA DE OFICIO — MESMA BASE DE CALCULO — APLICAÇÃO EM DUPLICIDADE — O lançamento de duas multas de oficio, sobre a mesma base de cálculo, é possível, visto tratar-se de duas infrações à lei tributária, tendo por conseqüência a aplicação de duas penalidades distintas." O recurso especial foi admitido no despacho de fls.. 160/162 e o recorrido não apresentou contrarrazões É o relatório 2 PI °cesso o 14041 000853/2005-92 CSRF-T2 Acórdão 9202-00684 H 3 Voto Conselheiro MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Relator O recurso é tempestivo, na conformidade do prazo estabelecido pelo artigo 15 do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria n° 147 de 25 de junho de 2007, do Ministro da Fazenda Foi interposto por parte legitima e está devidamente fundamentado, Quanto à divergência necessária à admissibilidade do recurso, passo a confrontar a decisão recorrida e o acórdão paradigma: Decisão reéorrida Acórdão paradigma PRESTAÇÃO DE SERVIÇO POR MULTA DE OFICIO ISOLADA '— NACIONAIS JUNTO AO PNUD -- FALTA DE RECOLHIMENTO DE TRIBUTAÇÃO -- São tributáveis os ESTIMATIVA — Cabível a aplicação de rendimentos decorrentes da prestação de multa de oficio aplicada isoladamente, na serviço junto ao Programa das Nações Unidas falta de recolhimento da CSLL com base para o Desenvolvimento, quando recebidos por na estimativa dos valores devidos, por nacionais contratados no País, por faltar-lhes a expressa previsão legal. condição de funcionário de organismos . internacionais, este detentor de privilégios e MULTA DE OFICIO — MESMA BASE imunidades enimatéria civil, penal -e tributária. DE CÁLCULO — APLICAÇÃO EM (Acórdão CSRF 04-00.024 de 21/04/2005). •DUPLICIDADE — O lançamento de duas - multas -de ofício, sobre a mesma base de MULTA ISOLADA E MULTA DE OFICIO 'L cálculo, é possível, visto tratar-se de duas CONCOMITÂNCIA. — MESMA BASE DE infrações à lei tributária, tendo por CÁLCULO — A aplicação concomitante da conseqüência a aplicação de duas multa isolada e da multa de -Oficio não é penalidades distintas. legitima quando incide sobre urna mesma base * de cálculo (Acórdão CSRF ri0 01-04.987 de Recurso voluntário não provido. 15/06/2004). - - Recurso Parcialmente provido. - O artigo 44, II, da Lei n° 9,430, de 1996, com a redação dada pela Medida Provisória 351, de 27 de janeiro de 2007, que foi convertida na Lei n° 11.488, de 15/06/2007, dispõe in verbis: Lei n° 9 430, de 1996 Ai t 44 Nos casos de lançamento de oficio, serão aplicadas as seguintes multas (Redação dada pela Lei a' 11488, de 15 06 2007, DOU 15 06 2007 - Ed. Extra, conversão da Medida Provisória n°351, de 22 01 2007, DOU 22 01 2007 - Ed. Extra) - de 50% (cingtienta por cento), exizida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal 3 a) na forma do art. 8' da Lei 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física,. b) na . forma do art 2° desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo .fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no ano-calendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. (Redação dada ao inciso pela Lei n" 11 488 de 15 06.2007, DOU 15.06 2007 - Ed Extra, conversão da Medida Provisória n 351, de 22 01 2007, DOU 22 01.2007- Ed Extra) Esta Câmara Superior de Recursos Fiscais tem por competência precípua apreciar divergência jurisprudencial quanta à aplicação de norma„ Assim, para este relator, ainda que a matéria fática em um dos acórdãos verse sobre UNESCO/ONU e no outro sobre a CSLL, o que se discute neste recurso é se a multa isolada de que trata o artigo 44, II, da Lei n° 9.430, de 1996, pode ser aplicada concomitantemente com a multa de oficio.. Por tais razões, entendo que estamos diante de situação em que o recurso merecesse ter seu seguimento admitido. Em que pese meu ponto de vista pessoal, ao apreciar esta matéria, na forma regimental, em sessão que se realizou no dia 04 de agosto de 2008, ao examinar os recursos de n° 106-149655; 106-149656; 106-149857; 106-149859; 106-149860 e 106-150058, por maioria de votos, decidiu o colegiado que o acórdão que exigiu multa isolada, de forma concomitante com a multa de oficio, cuja matéria fática era a Contribuição Social Sobre o Lucro Liquido, não serve de paradigma para acórdão que não exigiu multa isolada, de forma concomitante com a multa de oficio, cuja matéria fática são os rendimentos decorrentes de prestação de serviço à organismo internacional (UNESCO/ONU). Além das decisões administrativas acima referidas, a questão referente à admissibilidade de recurso especial que tem como matéria prestação de serviços a orgalliSMOS internacionais foi objeto de apreciação pelo Pleno da Câmara Superior de Recursos Fiscais que ao apreciar o Recurso Especial n° 106-132169, na sessão de 15/10/2008, deliberou por não conhecer do recurso. Isto posto, tendo em vista a jurisprudência majoritária da CSRF, cujo voto divergente é apenas deste relator, ressalvo o meu ponto de vista, não conheço do recurso. É o voto. 40111 Morse'w emë"-• • - a • - Relator 4
score : 1.0
Numero do processo: 10166.908072/2009-12
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 26 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Dec 15 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/01/2004 a 01/02/2006
Ementa:
RECURSO VOLUNTÁRIO. INTEMPESTIVIDADE. NÃO CONHECIMENTO. O recurso tem prazo inadiável de 30 dias para ser protocolizado, o desrespeito a este prazo gera intempestividade, e por conseqüência o não conhecimento deste.
Numero da decisão: 3301-001.902
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NÃO CONHECER do Recurso Voluntário. (assinado digitalmente)
Rodrigo Possa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Fábia Regina Freitas - Relatora.
(assinado digitalmente)
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso, Andrada Marcio Canuto Natal, Bernardo Motta Moreira e Fábia Regina Freitas (Relatora).
Nome do relator: FABIA REGINA FREITAS
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INTEMPESTIVIDADE. NÃO CONHECIMENTO. O recurso tem prazo inadiável de 30 dias para ser protocolizado, o desrespeito a este prazo gera intempestividade, e por conseqüência o não conhecimento deste. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NÃO CONHECER do Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Rodrigo Possa Presidente. (assinado digitalmente) Fábia Regina Freitas Relatora. (assinado digitalmente) Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso, Andrada Marcio Canuto Natal, Bernardo Motta Moreira e Fábia Regina Freitas (Relatora). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 90 80 72 /2 00 9- 12 Fl. 58DF CARF MF Impresso em 15/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face de decisão da DRJ Brasília (fl. 27/55) que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada pelo contribuinte (fls. 01 a 16) que contrapôs ao despacho decisório que não homologou a compensação pleiteada, relativa a pagamento a maior de PIS e COFINS. O contribuinte transmitiu eletronicamente em 13/10/2006, Declaração de Compensação – DCOMP n°. 23069.53881.131006.1.3.046018, com base em suposto crédito oriundo do período de 01/2004 a 02/2006, quando foi pago “PIS e COFINS, sobre toda a receita de venda de mercadorias, sem a devida exclusão da base de calculo dos produtos monofásicos. Sendo a atividade da empresa, bar e restaurante, com grande volume de venda de chopp, cervejas e refrigerantes”. O pagamento realizado a maior ocorreu por não observância do tratamento tributário adequado descrito nos art. 49 e 50 da lei 10.833/2003. A DRF de origem emitiu Despacho Decisório Eletrônico pela não homologação da compensação, fundamentado na inexistência de crédito. De acordo com os cálculos efetuados pelo contribuinte, o valor total recolhido a maior/indevidamente, e que ora requer compensação, totalizava até a data da transmissão do PER/DCOMP a importância de R$ 454,34 (quatrocentos e cinqüenta e quatro reais e trinta e quatro centavos). Cientificada desse Despacho, a interessada apresentou sua manifestação de inconformidade. Informada do erro na apuração dos impostos, apresentou Declaração de Informações Econômico fiscais da Pessoa Jurídica DIPJ retificadora do período, corrigindo as informações referentes ao PIS e COFINS, passando a compensar os valores pagos a maior na quitação do PIS e COFINS dos meses seguintes a partir de 03/2006, por meio de PER/DCOMP. Entretanto, quando tomou conhecimento do referido Despacho Decisório, procurou o plantão fiscal da Receita Federal, com todos os documentos a respeito do assunto, sendo informada da necessidade de apresentar DCTF retificadoras. Apresentando DCTF retificadoras, solicitou a baixa dos débitos referentes aos Despachos Decisórios, colocandose à disposição para a apresentação de outros documentos. Nesse sentido, consta às fls. 19/22 que na sessão de 16/04/2012, a 4º Turma da DRJ/BSB proferiu o acórdão nº 0347.848 cuja ementa segue abaixo: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Ano calendário: 2005 APRESENTAÇÃO DE DECLARAÇÃO DE DÉBITOS E CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS FEDERAIS DCTF RETIFICADORA. PROVA INSUFICIENTE PARA Fl. 59DF CARF MF Impresso em 15/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10166.908072/200912 Acórdão n.º 3301001.902 S3C3T1 Fl. 3 3 COMPROVAR EXISTÊNCIA DE CRÉDITO DECORRENTE DE PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. Para se comprovar a existência de crédito decorrente de pagamento a maior, comparativamente com o valor do débito devido a menor, é imprescindível que seja demonstrado na escrituração contábil fiscal, baseada em documentos hábeis e idôneos, a diminuição do valor do débito correspondente a cada período de apuração. A simples entrega de DCTF retificadora, por si só, não tem o condão de comprovar a existência de pagamento indevido ou a maior. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo à demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE CRÉDITO. A compensação de créditos tributários (débitos do contribuinte) só pode ser efetuada com crédito líquido e certo do sujeito passivo, sendo que a compensação somente pode ser autorizada nas condições e sob as garantias estipuladas em lei; no caso, o crédito pleiteado é inexistente. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Irresignado, o contribuinte, devidamente cientificado, interpôs Recurso Voluntário as fls. 27/55 por meio do qual contesta o referido Acórdão, que segundo o seu entendimento, merece ser integralmente reformado, posto que colide com a legislação pátria e a jurisprudência aplicável ao caso. É o relatório. Voto Conselheiro Fábia Regina Freitas Preliminarmente, é dever do julgador apreciar os requisitos de admissibilidade do Recurso Voluntário. Fl. 60DF CARF MF Impresso em 15/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 4 O artigo 56 da Lei nº 9.784/99 confirma o direito constitucional de o contribuinte interpor recurso contra as decisões administrativas, determinando que “cabe recurso, em face de razões de legalidade e de mérito”. Vislumbrase que tal fato busca, na verdade, o reexame da decisão por outra autoridade, a fim de obterse um aprimoramento dos julgados na fundamentação de suas decisões, propiciando, desta forma, maior segurança ao sistema. Pois bem, vencido em primeira instância, o contribuinte não está obrigado a recorrer, mas, se assim proceder, estará sujeito ao prazo de 30 dias, sob pena de preclusão, para apresentar Recurso Voluntário, conforme preceitua o caput do art. 33, do Decreto nº 70.235/72 c.c. art. 68 do Decreto nº 7.574/2011. Verificase, que se ultrapassado esse período, qual seja, 30 (trinta) dias contados a partir da ciência da decisão, sem a apresentação pelo contribuinte do Recurso Voluntário, estará ele impedido de apresentar referido recurso em outro momento. No caso em tela, a Recorrente foi intimada de modo regular em 28/05/2012 (segundafeira), conforme Aviso de Recebimento – AR (fl. 25), e só protocolizou seu Recurso Voluntário na data de 28/06/2012 (quintafeira), ou seja, 1 (um) dia após o transcurso do prazo recursal, já que o prazo encerrouse no dia 27/06/2012 (quartafeira). Diante do exposto, não conheço do presente Recurso Voluntário, por ser intempestivo. Conclusão Com essas considerações, voto pelo NÃO CONHECIMENTO do Recurso Voluntário. Sala das Sessões, em 26 de junho de 2013 Fábia Regina Freitas Fl. 61DF CARF MF Impresso em 15/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS
score : 1.0
Numero do processo: 10510.724880/2011-78
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 17 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Dec 30 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 3401-000.529
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
RESOLVEM os membros da 4ª câmara / 1ª turma ordinária da terceira seção de julgamento, por unanimidade de votos, em sobrestar o processo, por força do art. 62-A, do Regimento Interno do CARF.
JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS - Presidente.
JEAN CLEUTER SIMÕES MENDONÇA - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Alves Ramos (Presidente), Fernando Marques Cleto Duarte, Odassi Guerzoni Filho, Jean Cleuter Simões Mendonça e Ângela Sartori.
Nome do relator: Não se aplica
1.0 = *:*
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score : 1.0
Numero do processo: 13888.001871/2002-24
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 17 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Jan 05 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/04/2002 a 30/06/2002
IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. INSUMOS ADQUIRIDOS DE NÃO CONTRIBUINTES. PESSOAS FÍSICAS E COOPERATIVAS.
Por força do art. 62-A do Regimento Interno, reproduz-se o entendimento firmado pelo Superior Tribunal de Justiça em Recurso Repetitivo (art. 543-C do CPC), de que deve ser incluída na base de cálculo do crédito presumido o valor das aquisições de insumos que não sofreram a incidência do PIS/Cofins (REsp 993164/MG, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 13/12/2010, DJe 17/12/2010).
Recurso conhecido em parte e nesta parte provido.
Numero da decisão: 3403-003.269
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. Esteve presente ao julgamento o Dr. Eduardo Borges, OAB/SP 153.881.
(assinado digitalmente)
Antonio Carlos Atulim - Presidente
(assinado digitalmente)
Ivan Allegretti - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Luiz Rogério Sawaya Batista e Ivan Allegretti.
Nome do relator: IVAN ALLEGRETTI
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/04/2002 a 30/06/2002 IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. INSUMOS ADQUIRIDOS DE NÃO CONTRIBUINTES. PESSOAS FÍSICAS E COOPERATIVAS. Por força do art. 62-A do Regimento Interno, reproduz-se o entendimento firmado pelo Superior Tribunal de Justiça em Recurso Repetitivo (art. 543-C do CPC), de que deve ser incluída na base de cálculo do crédito presumido o valor das aquisições de insumos que não sofreram a incidência do PIS/Cofins (REsp 993164/MG, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 13/12/2010, DJe 17/12/2010). Recurso conhecido em parte e nesta parte provido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. Esteve presente ao julgamento o Dr. Eduardo Borges, OAB/SP 153.881. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Atulim - Presidente (assinado digitalmente) Ivan Allegretti - Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Luiz Rogério Sawaya Batista e Ivan Allegretti.
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CRÉDITO PRESUMIDO. INSUMOS ADQUIRIDOS DE NÃO CONTRIBUINTES. PESSOAS FÍSICAS E COOPERATIVAS. Por força do art. 62A do Regimento Interno, reproduzse o entendimento firmado pelo Superior Tribunal de Justiça em Recurso Repetitivo (art. 543C do CPC), de que deve ser incluída na base de cálculo do crédito presumido o valor das aquisições de insumos que não sofreram a incidência do PIS/Cofins (REsp 993164/MG, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 13/12/2010, DJe 17/12/2010). Recurso conhecido em parte e nesta parte provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. Esteve presente ao julgamento o Dr. Eduardo Borges, OAB/SP 153.881. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Atulim Presidente (assinado digitalmente) Ivan Allegretti Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Luiz Rogério Sawaya Batista e Ivan Allegretti. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 00 18 71 /2 00 2- 24 Fl. 382DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/11/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 17/11/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 11/12/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra o Acórdão nº 1423.650, de 6 de maio de 2009 (fls. 435/441), proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Ribeirão Preto/SP (DRJ) cuja ementa é a seguinte: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/04/2002 a 30/06/2002 CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. Os valores referentes às aquisições de insumos de pessoas não contribuintes do PIS/Pasep e da Cofins, não integram o cálculo do crédito presumido por falta de previsão legal. Os conceitos de produção, mateŕiasprimas, produtos intermediários e material de embalagem são os admitidos na legislação aplicável ao IPI, não bastando simplesmente participar do ciclo produtivo do estabelecimento. INCONSTITUCIONALIDADE. A autoridade administrativa é incompetente para declarar a inconstitucionalidade da lei e dos atos infralegais. Solicitação Indeferida A DRJ entendeu, em síntese, que “para gozo do beneficio, é necessário que tenham incidido tais contribuições sobre as aquisições e, portanto, que tenha ocorrido o fato gerador e o recolhimento das contribuições pelos fornecedores e que, não ocorrendo tal fato, não ha o que ressarcir”, razão pela qual não se poderia reconhecer o direito ao crédito presumido de IPI em relação às aquisições de pessoas físicas. Contra tal acórdão foi interposto recurso voluntário pelo contribuinte (fls. 447/467) sustentando, em síntese, o seguinte: 1. que não pode haver a exclusão das aquisições de pessoas físicas da base de cálculo do crédito presumido de IPI, em razão de que a lei não faz tal distinção, citando precedentes deste Conselho; 2. que deve ser reconhecido o direito de crédito em relação aos “outros insumos”, argumentando que a energia proveniente da energia elétrica e dos combustíveis é insumo indispensável para a movimentação da canadeaçúcar até as esteiras, e das pesadas moendas, bem como para a colheita, e que também os adubos, produtos químicos e outros produtos aplicados na lavoura são indispensáveis para a produção. Em 14 de fevereiro de 2010 o Recorrente apresentou petição (fls. 550/551) informado sua adesão ao parcelamento instituído pela Lei 11.941/09, e que em razão disso, “com exceção do direito ao cred́ito relativo às aquisições de canadeaçúcar de pessoa física, no valor original de R$ 351.081,10, a peticionária desiste de todos os demais questionamentos contra a glosa efetuada, desistindo, portanto, parcialmente da manifestação de Fl. 383DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/11/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 17/11/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 11/12/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 13888.001871/200224 Acórdão n.º 3403003.269 S3C4T3 Fl. 595 3 inconformidade e renunciando às respectivas alegações de direito sobre as quais estão fundamentadas”. É o relatório. Voto Conselheiro Ivan Allegretti, Relator O recurso voluntário foi interposto em 22/07/2009 (fl. 447), dentro do prazo de 30 dias contados da notificação do acórdão da DRJ, ocorrida em 22/06/2009 (fl. 443). Por ser tempestivo e por conter fundamentos de reforma em relação ao acórdão da DRJ, conheço do recurso voluntário. Conforme relatado, a única matéria que permanece em discussão no presente recurso voluntário é o direito ao crédito presumido de IPI nas aquisições canadeaçúcar de pessoas físicas, tendo o recorrente expressamente desistido de discutir quanto aos demais insumos e questões jurídicas. Por isso, o recurso deve ser conhecido apenas na parte em que discute o direito em relação às aquisições de pessoas físicas. Em razão do disposto no art. 62A do RICARF, introduzido pela Portaria MF 586/2010, deve ser reproduzido neste caso o entendimento firmado pelo Superior Tribunal de Justiça, pela sistemática dos recursos repetitivos, a respeito da mesma questão jurídica. O dispositivo do RICARF estabelece o seguinte: “Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B. § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes.” O entendimento firmado pelo STJ na sistemática do art. 543C do CPC, é resumido na seguinte ementa: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. IPI. CRÉDITO PRESUMIDO PARA RESSARCIMENTO DO VALOR DO PIS/PASEP E DA COFINS. EMPRESAS PRODUTORAS E Fl. 384DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/11/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 17/11/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 11/12/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM 4 EXPORTADORAS DE MERCADORIAS NACIONAIS. LEI 9.363/96. INSTRUÇÃO NORMATIVA SRF 23/97. CONDICIONAMENTO DO INCENTIVO FISCAL AOS INSUMOS ADQUIRIDOS DE FORNECEDORES SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO PELO PIS E PELA COFINS. EXORBITÂNCIA DOS LIMITES IMPOSTOS PELA LEI ORDINÁRIA. SÚMULA VINCULANTE 10/STF. OBSERVÂNCIA. INSTRUÇÃO NORMATIVA (ATO NORMATIVO SECUNDÁRIO). CORREÇÃO MONETÁRIA. INCIDÊNCIA. EXERCÍCIO DO DIREITO DE CRÉDITO POSTERGADO PELO FISCO. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE CRÉDITO ESCRITURAL. TAXA SELIC. APLICAÇÃO. VIOLAÇÃO DO ARTIGO 535, DO CPC. INOCORRÊNCIA. 1. O crédito presumido de IPI, instituído pela Lei 9.363/96, não poderia ter sua aplicação restringida por força da Instrução Normativa SRF 23/97, ato normativo secundário, que não pode inovar no ordenamento jurídico, subordinandose aos limites do texto legal. 2. A Lei 9.363/96 instituiu crédito presumido de IPI para ressarcimento do valor do PIS/PASEP e COFINS, ao dispor que: "Art. 1º A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados , como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nos 7, de 7 de setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro de 1970, e de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo . Parágrafo único. O disposto neste artigo aplicase, inclusive, nos casos de venda a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação para o exterior." 3. O artigo 6º, do aludido diploma legal, determina, ainda, que "o Ministro de Estado da Fazenda expedirá as instruções necessárias ao cumprimento do disposto nesta Lei, inclusive quanto aos requisitos e periodicidade para apuração e para fruição do crédito presumido e respectivo ressarcimento, à definição de receita de exportação e aos documentos fiscais comprobatórios dos lançamentos, a esse título, efetuados pelo produtor exportador". 4. O Ministro de Estado da Fazenda, no uso de suas atribuições, expediu a Portaria 38/97, dispondo sobre o cálculo e a utilização do crédito presumido instituído pela Lei 9.363/96 e autorizando o Secretário da Receita Federal a expedir normas complementares necessárias à implementação da aludida portaria (artigo 12). 5. Nesse segmento, o Secretário da Receita Federal expediu a Instrução Normativa 23/97 (revogada, sem interrupção de sua força normativa, pela Instrução Normativa 313/2003, também revogada, nos mesmos termos, pela Instrução Normativa 419/2004), assim preceituando: Fl. 385DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/11/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 17/11/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 11/12/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 13888.001871/200224 Acórdão n.º 3403003.269 S3C4T3 Fl. 596 5 "Art. 2º Fará jus ao crédito presumido a que se refere o artigo anterior a empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais. § 1º O direito ao crédito presumido aplicase inclusive: I Quando o produto fabricado goze do benefício da alíquota zero; II nas vendas a empresa comercial exportadora, com o fim específico de exportação. § 2º O crédito presumido relativo a produtos oriundos da atividade rural, conforme definida no art. 2º da Lei nº 8.023, de 12 de abril de 1990, utilizados como matériaprima, produto intermediário ou embalagem, na produção bens exportados, será calculado, exclusivamente, em relação às aquisições, efetuadas de pessoas jurídicas, sujeitas às contribuições PIS/PASEP e COFINS ." 6. Com efeito, o § 2º, do artigo 2º, da Instrução Normativa SRF 23/97, restringiu a dedução do crédito presumido do IPI (instituído pela Lei 9.363/96), no que concerne às empresas produtoras e exportadoras de produtos oriundos de atividade rural, às aquisições, no mercado interno, efetuadas de pessoas jurídicas sujeitas às contribuições destinadas ao PIS/PASEP e à COFINS. 7. Como de sabença, a validade das instruções normativas (atos normativos secundários) pressupõe a estrita observância dos limites impostos pelos atos normativos primários a que se subordinam (leis, tratados, convenções internacionais, etc.), sendo certo que, se vierem a positivar em seu texto uma exegese que possa irromper a hierarquia normativa sobrejacente, viciar seão de ilegalidade e não de inconstitucionalidade (Precedentes do Supremo Tribunal Federal: ADI 531 AgR, Rel. Ministro Celso de Mello, Tribunal Pleno, julgado em 11.12.1991, DJ 03.04.1992; e ADI 365 AgR, Rel. Ministro Celso de Mello, Tribunal Pleno, julgado em 07.11.1990, DJ 15.03.1991). 8. Conseqüentemente, sobressai a "ilegalidade" da instrução normativa que extrapolou os limites impostos pela Lei 9.363/96, ao excluir, da base de cálculo do benefício do crédito presumido do IPI, as aquisições (relativamente aos produtos oriundos de atividade rural) de matériaprima e de insumos de fornecedores não sujeito à tributação pelo PIS/PASEP e pela COFINS (Precedentes das Turmas de Direito Público: REsp 849287/RS, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, julgado em 19.08.2010, DJe 28.09.2010; AgRg no REsp 913433/ES, Rel. Ministro Humberto Martins, Segunda Turma, julgado em 04.06.2009, DJe 25.06.2009; REsp 1109034/PR, Rel. Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Turma, julgado em 16.04.2009, DJe 06.05.2009; REsp 1008021/CE, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 01.04.2008, DJe 11.04.2008; REsp 767.617/CE, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Turma, julgado em 12.12.2006, DJ 15.02.2007; REsp Fl. 386DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/11/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 17/11/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 11/12/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM 6 617733/CE, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, Primeira Turma, julgado em 03.08.2006, DJ 24.08.2006; e REsp 586392/RN, Rel.Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 19.10.2004, DJ 06.12.2004). 9. É que: (i) "a COFINS e o PIS oneram em cascata o produto rural e, por isso, estão embutidos no valor do produto final adquirido pelo produtorexportador, mesmo não havendo incidência na sua última aquisição" ; (ii) "o Decreto 2.367/98 Regulamento do IPI , posterior à Lei 9.363/96, não fez restrição às aquisições de produtos rurais" ; e (iii) "a base de cálculo do ressarcimento é o valor total das aquisições dos insumos utilizados no processo produtivo (art. 2º), sem condicionantes" (REsp 586392/RN). 10. A Súmula Vinculante 10/STF cristalizou o entendimento de que: "Viola a cláusula de reserva de plenário (CF, artigo 97) a decisão de órgão fracionário de tribunal que, embora não declare expressamente a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo do poder público , afasta sua incidência, no todo ou em parte." 11. Entrementes, é certo que a exigência de observância à cláusula de reserva de plenário não abrange os atos normativos secundários do Poder Público, uma vez não estabelecido confronto direto com a Constituição, razão pela qual inaplicável a Súmula Vinculante 10/STF à espécie. (...) 15. Recurso especial da empresa provido para reconhecer a incidência de correção monetária e a aplicação da Taxa Selic. 16. Recurso especial da Fazenda Nacional desprovido. 17. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (REsp 993164/MG, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 13/12/2010, DJe 17/12/2010) Assim, por força do art. 62A do RICARF, os Conselheiros do CARF devem obrigatoriamente reproduzir o entendimento do STJ neste caso concreto, reconhecendo o direito ao crédito presumido de IPI em relação às aquisições de pessoas físicas. Pelas razões expostas, voto por conhecer em parte o recurso e, neta parte, dar provimento para reconhecer ao contribuinte o direito de incluir na base de cálculo do crédito presumido as aquisições de pessoas físicas. (assinado digitalmente) Ivan Allegretti Fl. 387DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/11/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 17/11/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 11/12/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 13888.001871/200224 Acórdão n.º 3403003.269 S3C4T3 Fl. 597 7 Fl. 388DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/11/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 17/11/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 11/12/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM
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Numero do processo: 16561.000147/2008-40
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 03 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Jan 28 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 1402-000.258
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
(assinado digitalmente)
LEONARDO DE ANDRADE COUTO - Presidente.
(assinado digitalmente)
FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Frederico Augusto Gomes de Alencar, Carlos Pelá, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Paulo Roberto Cortez e Leonardo de Andrade Couto.
Nome do relator: FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) LEONARDO DE ANDRADE COUTO Presidente. (assinado digitalmente) FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Frederico Augusto Gomes de Alencar, Carlos Pelá, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Paulo Roberto Cortez e Leonardo de Andrade Couto. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 65 61 .0 00 14 7/ 20 08 -4 0 Fl. 1611DF CARF MF Impresso em 28/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16561.000147/200840 Resolução nº 1402000.258 S1C4T2 Fl. 1.758 2 Relatório Citrovita Agro Industrial Ltda recorre a este Conselho contra decisão de primeira instância proferida pela 5ª Turma da DRJ São Paulo 1/SP, pleiteando sua reforma, com fulcro no artigo 33 do Decreto nº 70.235 de 1972 (PAF). Na ação fiscal em debate verificouse a apuração do cumprimento das regras de preços de transferência dos produtos exportados no decorrer dos anos de 2002 a 2005. O processo administrativo nº 16561.000147/200769 referese ao anocalendário de 2002, o de nº 16643.000124/201040 ao anocalendário de 2005. Os presentes autos tratam dos anoscalendário de 2003 a 2004. Por pertinente, transcrevo o relatório da decisão recorrida (verbis): “DA AUTUAÇÃO DOS FATOS Conforme Termo de Encerramento Parcial de fls. 531 a 534, em 2006 foi iniciada a fiscalização empreendida junto à empresa acima identificada, para a verificação do cumprimento das regras de preços de transferência relativas aos anoscalendário de 2002, 2003, 2004 e 2005. Em 05/12/2007, foi encerrada a análise relativa aos fatos ocorridos no ano calendário de 2002, mediante o lançamento consubstanciado no processo n° 16561.000147/200769. A empresa apresentou em momentos diferentes memórias de cálculo para arbitramento de suas exportações destinadas a empresas vinculadas. Para as exportações de suco de laranja, cujo método de avaliação foi o PVA (Prego de Venda por Atacado no Pais de Destino, Diminuído do Lucro), a contribuinte lançou mão de algumas deduções da receita bruta do produto vendido no exterior, conforme permissão constante no artigo 15 da IN SRF n° 243/2002. A titulo de comprovação de tais rubricas forneceu algumas invoices concernentes ao transporte da mercadoria (fls. 404 a 415 e 512 a 515). Quanto ao requisitado no item 6.1 do Termo de Intimação n° 08 fls. 526/527 — (que apresentasse, para melhor demonstrar as despesas com frete internacional, detalhamento relativo aos despachos de exportação relacionados à fl. 526) não se manifestou. DAS VERIFICAÇÕES Ao final, a contribuinte adotou o método PVA. A fiscalização apurou, conforme relatado a seguir, ajustes na base de cálculo do IRPJ e da CSLL, relativamente aos produtos relacionados às fls. 533 (anocalendário de 2003, total de R$ 51.760.815,15) e 534 (anocalendário de 2004, total de R$ 40.201.666,69). Na elaboração dos cálculos do preçoparâmetro e do preço praticado, a empresa adotou diversas sistemáticas para a conversão dos preços para a moeda nacional. A apuração da receita de exportação em reais foi realizada com base na taxa de câmbio Fl. 1612DF CARF MF Impresso em 28/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16561.000147/200840 Resolução nº 1402000.258 S1C4T2 Fl. 1.759 3 vigente na data do desembaraço, enquanto o valor utilizado para a transformação da receita das vendas do produto no pais de destino foi o valor do dólar no último dia do ano. Embora as leis que tratam da matéria, bem como a IN SRF n° 243/2002, que operacionaliza a aplicação das regras dos preços de transferência, não abordem a metodologia de conversão para reais do preço de venda no atacado e o assunto somente tenha sido abordado, como forma de orientação, no site da Receita Federal na internet (na questão n° 21 da seção denominada "Perguntas e respostas"), não é minimamente razoável o procedimento adotado pela contribuinte. Ao efetuar a conversão dos preços para reais sem se considerar a data da transação, utilizando a taxa de câmbio vigente no último dia do ano, acabouse por introduzir a variação cambial como fator modificativo do valor da transação e não como elemento de neutralidade, apenas destinado a trazer a expressão monetária para a mesma base, sobretudo pela constatação de ter a receita de exportação sido convertida de acordo com a data de embarque da mercadoria. Acaso a data da revenda no exterior não fosse conhecida, poderseia adotar a cotação média da moeda objeto da transação, evitandose o desequilíbrio verificado na sistemática adotada pela empresa. Assim, a fiscalização refez os cálculos, conforme planilhas em anexo, adotando, para a conversão da receita de exportação, a taxa de câmbio vigente na data do embarque da mercadoria, averbada no Siscomex, em observância ao disposto no artigo 22 da IN SRF n° 243/2002 e na Portaria MF n° 356/88, e, para as receitas das revendas, a taxa de cambio divulgada pelo BACEN para a data da transação no exterior. Ainda, com relação ao conjunto dos sucos de laranja concentrado e congelado, a empresa, ao calcular o preçoparâmetro, efetuou uma série de deduções da receita bruta. Instada a comprovar os valores redutores, a contribuinte limitouse a apresentar algumas invoices relativas ao transporte do suco de laranja. Ocorre que para o ano de 2003, na fatura de n° 0186 (fl. 513) sequer é mencionado o produto que teria sido transportado e a invoice de n° 240, listada pela empresa, não foi apresentada, razão pela qual ambas foram excluídas do cálculo. As demais foram levadas em consideração e as respectivas despesas de frete deduzidas da receita bruta. A fiscalização apurou, então, conforme memórias de cálculo anexas, a receita de exportação a ser adicionada ao lucro liquido, para fins de determinação do lucro real e da base de cálculo da CSLL (R$ 51.760.815,15 para o anocalendário de 2003 e $40.201.666,69 para o anocalendário de 2004), resumidas nos demonstrativos de fls. 533 e 534, a seguir reproduzidos (e complementados com a coluna "Fl."): Anocalendário 2003: Produto/Código Qtde exp. (ton) Preço praticado (R$) Preço parâmetro (R$) Ajuste (R$) Fl. Resina/MA 2.222,69 1.424,23 1.646,73 493.220,46 558 Terpeno Cítrico/KA 1.109,63 5.122,23 5.905,65 869.299,54 573 Terpeno Preservado/KL 208,98 5.746,24 6.457,46 148.634,02 589 Terpeno de Laranja/LA 357,32 5.227,86 5.645,78 149.330,24 598 FCOJ Padrão/AA 79.668,01 2.533,10 3.143,69 48.644.297,35 638 FCOJ Polpa Baixa/AC 3.838,53 2.813,94 3.117,92 1.166.843,99 856 Fl. 1613DF CARF MF Impresso em 28/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16561.000147/200840 Resolução nº 1402000.258 S1C4T2 Fl. 1.760 4 FCOJ Especial/AE 4.009,73 2.809,54 2.881,66 289.189,55 880 TOTAL 51.760.815,15 Anocalendário 2004: Produto/Código Qtde exp. (ton) Preço praticado (R$) Preço parâmetro (R$) Ajuste (R$) Fl. Oleo Escencial 794,37 2.674,53 3.201,67 418.745,35 912 Resina/MA 1.545,29 1.380,63 1.463,84 128.589,64 927 Terpeno Cítrico/KA 1.939,30 2.088,57 2.629,31 1.048.641,37 943 FCOJ padrão/AA 86.371,03 2.114,81 2.530,72 35.923.118,79 979 FCOJ Extraído c/Agua/CA 445,20 1.114,00 2.344,16 391.122,10 1194 FCOJ Polpa Baixa/AC 3.616,08 2.343,23 2.787,58 1.606.701,15 1215 FCOJ Especial/AE 5.056,52 2.208,22 2.343,64 684.748,29 1239 40.201.666,69 DOS LANÇAMENTOS Em face do acima exposto, foram efetuados os seguintes lançamentos, relativos aos anoscalendário de 2003 e 2004: Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) Auto de Infração fis. 535 a 540 Fundamento legal artigo 19 da Lei n° 9.430/96; e artigo 240 do RIR/99 Crédito Tributário (em reais) 7.035.291,67 5.276.468,75 3.521.867,00 Imposto Multa proporcional Juros de mora (cálculo até 30/09/2008) 15.833.627,42 TOTAL Contribuição Social sobre o Lucro (CSLL) Auto de Infração fis. 540 a 546 Fundamento legal artigo 2°, e §§, da Lei n° 7.689/88; artigo 1° da Lei n° 9.316/96; artigo 28 da Lei n°9.430/96; e artigo 37 da Lei n° 10.637/2002 Crédito Tributário (em reais) 2.532.705,00 1.899.528,75 1.267.872,12 Contribuição Multa proporcional Juros de mora (cálculo até 30/09/2008) 5.700.105,87 TOTAL Crédito Tributário Total (em reais) Consolidado até 30/09/2008 15.833.627,42 5.700.105,87 IRPJ CSLL 21.533.733,29 TOTAL Obs: • Na apuração do IRPJ e da CSLL do anocalendário de 2003 houve compensação do resultado negativo do período e no anocalendário de 2004 compensação de períodos anteriores (com limite de 30%); • FAPLI e FACS elaborados pela fiscalização às fls. 553 a 556. DA IMPUGNAÇÃO Cientificada dos lançamentos em 03/11/2008 (fls. 536 e 542), a contribuinte, por meio de sua advogada, regularmente constituída (fls. 1316 e 1317), apresentou, em Fl. 1614DF CARF MF Impresso em 28/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16561.000147/200840 Resolução nº 1402000.258 S1C4T2 Fl. 1.761 5 02/12/2008, as impugnações de fls. 1257/1290 (CSLL) e 1353/1386, de idênticos teores, alegando, em síntese, o seguinte: PRELIMINARMENTE — DA NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO O Auto de Infração é nulo, tendo em vista que foi lavrado, no que tange conversão da taxa de câmbio, com base meramente na suposta "ausência de razoabilidade da contribuinte", sem a indicação de qualquer dispositivo legal ou normativo — mesmo porque que tais dispositivos inexistem — ocasionando, assim, inequívoca afronta ao disposto nos artigos 10 e 11 do Decreto no 70.232/72. A legislação não estabelece qualquer procedimento para a conversão do preço parâmetro. Sequer o artigo 22 da IN SRF n° 243/2002 prevê qualquer fixação de fatores para a conversão do preçoparâmetro. Logo, não estava a impugnante obrigada a adotar qualquer fator de fixação para a conversão de dólares para reais. O Auditor Fiscal invoca o manual de perguntas e respostas da DIPJ/2008 para respaldar a suposta necessidade de se efetuar a conversão utilizandose a taxa de câmbio vigente na data da transação. É inimaginável admitirse que uma autuação tenha por respaldo, além da suposta ausência de razoabilidade por parte da contribuinte, apenas o preceituado em um mero manual de preenchimento da DIPJ, o qual não possui qualquer caráter vinculativo. Ademais, a resposta à pergunta n° 21 do manual da DIPJ/2008 (invocada pela fiscalização) também não estabelece que a taxa de câmbio deverá ser a da data da operação. A mêsma pergunta/resposta estava prevista com relação à DIPJ/2004 (pergunta/resposta n° 822) e à DIPJ/2005 (pergunta/resposta n° 692). A elucidação da RFB (através da supracitada pergunta/resposta) é clara: além da taxa de câmbio da data da operação, é possível utilizarse a taxa de câmbio média para o anocalendário. Como nem o manual da RFB é rígido em relação à metodologia a ser eventualmente adotada na conversão dos valores de moeda estrangeira para reais, forçoso concluirse que a impugnante não estava obrigada a efetuar a conversão do modo pretendido pelo Fisco. É de se salientar, ainda, que a taxa de câmbio em 31/12/2003 e 31/12/2004 (utilizadas pela impugnante para a apuração do preçoparâmetro) foi maior, em muitas oportunidades, do que aquelas praticadas durante o anocalendário. Isso porque nos anos de 2003 e 2004 se verificou forte oscilação do dólar face ao real. Em suma, é patente a falta de fundamentação legal, a ensejar a nulidade dos Autos de Infração. A IMPUGNANTE ESTAVA DESOBRIGADA DE EFETUAR O AJUSTE, UMA VEZ QUE É APLICÁVEL O "SAFE HARBOUR" A legislação brasileira estabeleceu uma faixa de segurança, uma zona de certeza ("safe harbour") relativamente às receitas de exportação. As receitas de exportação decorrentes de operações cujo preço fixado seja até 90% dos preços contratados no mercado brasileiro, não estarão sujeitas a nenhum ajuste, conforme previsão contida no artigo 19, caput, da Lei n° 9.430/96. Fl. 1615DF CARF MF Impresso em 28/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16561.000147/200840 Resolução nº 1402000.258 S1C4T2 Fl. 1.762 6 O preço médio ponderado praticado pela impugnante no mercado interno em 2003 foi de R$ 2.051,17 (para o suco de laranja concentrado e congelado, conforme documentos anexos), ao passo que o preço praticado para as exportações para pessoas vinculadas considerado pela impugnante foi de R$ 2.473,51 e o considerado pela fiscalização foi de R$ 2.533,10 (fl. 638). Esses valores são os adotados para o produto de maior representatividade na exportação (aproximadamente 97%). Assim, é forçoso concluirse que o prego das exportações representa mais de 120% do preço do mercado interno e, portanto, não se faz necessária a efetivação do ajuste, nos termos do artigo 19, caput, da Lei n° 9.430/96. Se pegarmos os valores aplicados para os demais produtos constantes da pag. 3 do Termo de Encerramento Parcial (fl. 533), esse percentual seria ainda maior. O mesmo ocorre para o ano de 2004, sendo que, considerandose o preço praticado para exportações a pessoas vinculadas adotado pela contribuinte, o percentual representa 95,73% e, considerandose o adotado pela fiscalização, o percentual atingiria 103,10% (conforme doc. 04), utilizandose para o cálculo o produto de maior representatividade (mais de 97% das exportações). Dessa forma, em face da existência de "safe harbour" para os anos de 2003 e 2004, desnecessário se faz o ajuste, quer seja utilizandose a cotação da moeda americana adotada pela impugnante (31/12/2003 e 31/12/2004), quer seja utilizandose a cotação adotada pelo Fisco. Impõese, assim, a anulação dos Autos de Infração lavrados. DA EXISTÊNCIA DA MARGEM DE DIVERGÊNCIA Relativamente ao produto denominado pelo Auditor Fiscal de "FCOJ — Especial/AE", anocalendário de 2003, analisandose as planilhas acostadas aos autos, verificase que o preçoparâmetro divergiu menos de 5% dos documentos de exportação. Portanto, forçoso promoverse a exclusão do ajuste efetuado (total de R$ 289.189,55), em face do disposto no artigo 38 da IN SRF n° 243/2002. DA GLOSA REFERENTE À DEDUÇÃO DOS VALORES A TITULO DE FRETE — DOCUMENTOS APRESENTADOS PELA IMPUGNANTE DURANTE A FISCALIZAÇÃO A fiscalização teve inicio no dia 10/11/2006, quando foram solicitadas as memórias de cálculo das operações sujeitas às regras de preços de transferência, as quais foram prontamente entregues pela impugnante. Depois dessa data, foram lavrados 9 termos de intimação, sendo que todos os documentos solicitados pela fiscalização foram devidamente apresentados. Da comprovação das despesas redutoras pela impugnante. Analisandose todos os termos de intimação lavrados durante a fiscalização, podese consignar que a impugnante foi intimada a apresentar, por meio do termo n° 04, todos os documentos comprobatórios dos elementos constantes da planilha a ele anexada. A impugnante entregou toda a documentação comprobatória, sendo que dentre os itens constantes da planilha apresentada pelo Auditor Fiscal estavam descritos o frete das operações realizadas nos anos de 2002, 2003, 2004 e 2005. Fl. 1616DF CARF MF Impresso em 28/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16561.000147/200840 Resolução nº 1402000.258 S1C4T2 Fl. 1.763 7 Em resposta ao termo de intimação no 06, a impugnante apresentou os seguintes documentos: planilha demonstrativa do cálculo dos valores, demonstrativos dos descontos a titulo de frete e seguro, planilha demonstrativa do pagamento das comissões e respectivos documentos comprobatórios, documentos demonstrativos dos valores pagos a titulo de frete terrestre e marítimo, documentos demonstrativos de pagamento de frete e acondicionamento e documentos demonstrativos do pagamento dos impostos. Através do termo de intimação n° 08, requereuse, novamente, documentos acerca das mencionadas rubricas redutoras. A impugnante apresentou, então, petição requerendo a substituição do cálculo apresentado, tendo por base o método PVA e por rubrica redutora o frete internacional, esclarecendo que os documentos comprobatórios de tais rubricas já haviam sido juntados em 11/04/2008 e que estavam sendo anexadas apenas algumas invoices a titulo ilustrativo. Assim, tudo o que foi solicitado foi devidamente apresentado pela impugnante, que comprovou, por intermédio de documentação hábil e idônea, os cálculos por ela elaborados, sendo incabível o arbitramento realizado pela fiscalização. A desconsideração perpetrada pelo Auditor Fiscal não deve prevalecer, por 2 motivos primordiais. Em primeiro lugar, os cálculos elaborados pela impugnante estão corretos e foram pautados nos termos da legislação em vigor (método PVA, disciplinado no artigo 19, § 3°, da Lei n° 9.430/96 e no artigo 24 da IN SRF no 243/02). Em segundo lugar, é totalmente descabida a assertiva do Auditor Fiscal autuante no sentido de que somente algumas invoices foram apresentadas pela impugnante. Os documentos comprobatórios foram apresentados ao menos em 4 oportunidades distintas: quando do atendimento ao termo de intimação n° 04, quando do atendimento ao termo de intimação n° 06, em 11/04/2008 e quando do atendimento ao item 08. Mas praticamente toda essa farta documentação foi desconsiderada pelo Auditor Fiscal autuante, que asseverou que apenas algumas invoices foram apresentadas. Diante da robusta documentação apresentada durante a fiscalização, jamais poderia o Auditor Fiscal autuante ter simplesmente desconsiderado todos os documentos apresentados e arbitrado o ajuste como o fez. O referido arbitramento é coibido em nosso ordenamento jurídico, como restará demonstrado a seguir. Do arbitramento Na presença de documentos e elementos a respaldar os procedimentos adotados pela impugnante, impossível a realização do arbitramento (cujas condições estão previstas no artigo 148 do CTN e no artigo 530 do RIR/99), que só tem vez e lugar ante a inexistência de documentos, o que não ocorreu no caso em tela. DA MULTA IMPOSTA À IMPUGNANTE A multa imputada não deve prevalecer, em virtude de sua patente desproporcionalidade. Também não deve prevalecer a imposição da taxa SELIC, em vista dos vícios de inconstitucionalidade e ilegalidade que a permeiam. DA CONCLUSÃO E DO PEDIDO Fl. 1617DF CARF MF Impresso em 28/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16561.000147/200840 Resolução nº 1402000.258 S1C4T2 Fl. 1.764 8 A impugnante sintetiza, às fls. 1288 a 1290, as razões pelas quais entende que o Auto de Infração não pode prevalecer. Protesta, ainda, por todos os meios de prova em direito admitidos, em especial a juntada de novos documentos. Por fim, requer, preliminarmente, que se declare a nulidade do Auto de Infração, ou, no mérito, que se declare a sua improcedência.” A decisão de primeira instância, representada no Acórdão da DRJ nº 1621.130 (fls. 1.4621.477) de 22/04/2009, por unanimidade de votos, considerou parcialmente procedente o lançamento. A decisão foi assim ementada. “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2003, 2004 PREÇOS DE TRANSFERENCIA. EXPORTAÇÃO. MÉTODO PVA. TAXAS DE CAMBIO. Na apuração do preçoparâmetro com base no método PVA (Preço de Venda por Atacado no País de Destino, Diminuído do Lucro), devese utilizar as taxas de câmbio das datas em que ocorreram as respectivas vendas no exterior. NORMAS ADMINISTRATIVAS. VALIDADE. A autoridade administrativa, por força de sua vinculação ao texto da norma legal, e ao entendimento que a ele dá o Poder Executivo, deve limitarse a aplicála, sem emitir qualquer juízo de valor acerca da sua legalidade, constitucionalidade ou outros aspectos de sua validade. MÉTODO PVA. DEDUÇÕES DA RECEITA BRUTA. Não logrando a contribuinte comprovar, na apuração do preçoparâmetro segundo o método PVA, deduções da receita bruta do produto vendido no exterior, correta a sua desconsideração. EXPORTAÇÃO. APLICAÇÃO DAS REGRAS DE PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. As receitas auferidas nas operações efetuadas com pessoa vinculada ficam sujeitas a arbitramento quando o preço médio de venda dos bens, nas exportações efetuadas durante o respectivo período de apuração da base de cálculo do imposto de renda, for inferior a noventa por cento do preço médio praticado na venda dos mesmos bens, no mercado brasileiro, durante o mesmo período, em condições de pagamento semelhantes. lmprocede a alegação da impugnante de que faria jus a essa salvaguarda ("safe harbour"), pois os dois preços utilizados na comparação devem ser calculados em relação a todo o anocalendário, devendo o cálculo ser efetuado ano a ano e produto a produto. MARGEM DE DIVERGÊNCIA. Será considerada satisfatória a comprovação, nas operações com empresas vinculadas, quando o preço ajustado, a ser utilizado como parâmetro, divirja, em até cinco por cento, para mais ou para menos, daquele constante dos documentos de importação ou exportação. Exonerase parcialmente a diligência. MULTA DE OFÍCIO E JUROS DE MORA À TAXA SELIC. A aplicação da multa de oficio e o cálculo dos juros de mora com base na taxa SELIC têm previsão legal, não competindo à esfera administrativa a análise da legalidade ou inconstitucionalidade de normas jurídicas. Fl. 1618DF CARF MF Impresso em 28/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16561.000147/200840 Resolução nº 1402000.258 S1C4T2 Fl. 1.765 9 CSLL. DECORRÊNCIA. O decidido quanto ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica aplicase à tributação dele decorrente.” Contra a aludida decisão, da qual foi cientificada em 31/07/2009 (A.R. de fl. 1.483) a interessada interpôs recurso voluntário em 31/08/2009 (fls. 1.4891.524) onde repisa os argumentos apresentados em sua impugnação. É o relatório. Fl. 1619DF CARF MF Impresso em 28/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16561.000147/200840 Resolução nº 1402000.258 S1C4T2 Fl. 1.766 10 Voto Conselheiro Frederico Augusto Gomes de Alencar O recurso voluntário reúne os pressupostos de admissibilidade previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal. Dele, portanto, tomo conhecimento. A contribuinte foi autuada (IRPJ e CSLL), em decorrência de ajustes relativos a preços de transferência de bens em operações de exportação (método PVA), nos anos calendários de 2003 e 2004. A autuação decorreu de: · divergências relativas às taxas de câmbio utilizadas pela contribuinte na conversão das receitas de exportação (preço praticado) e das receitas das revendas (preçoparâmetro, segundo o método PVA); · a fiscalização não haver aceito algumas deduções da receita bruta do produto vendido no exterior (cálculo do preçoparâmetro segundo o método PVA) efetuadas pela contribuinte. Em sua defesa a contribuinte alega que: · o Auto de Infração é nulo por ter sido lavrado, no que tange à conversão da taxa de câmbio, apenas com base na suposta "ausência de razoabilidade da contribuinte", sem a indicação de qualquer dispositivo legal ou normativo, afrontando o disposto nos artigos 10 e 11 do Decreto n° 70.232/72; · comprovou todas as rubricas que possibilitaram o abatimento na base de cálculo dos preços de transferência, sendo incabível o arbitramento (cujas condições estão previstas no artigo 148 do CTN e no artigo 530 do RIR/99); · faz jus à salvaguarda ("safe harbour"), nos termos do artigo 19 da Lei n° 9.430/96; · a multa imputada não deve prevalecer, em virtude de sua patente desproporcionalidade, bem como a taxa SELIC, em vista dos vícios de ilegalidade e inconstitucionalidade. Passo à análise De se destacar inicialmente, conforme já relatado, que a ação fiscal em debate trata da verificação da apuração do cumprimento das regras de preços de transferência dos produtos exportados no decorrer dos anos de 2002 a 2005. Nesse sentido, o processo administrativo nº 16561.000147/200769 referese ao anocalendário de 2002, o de nº 16643.000124/201040 ao anocalendário de 2005 e os presentes autos tratam dos anoscalendário de 2003 a 2004. Fl. 1620DF CARF MF Impresso em 28/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16561.000147/200840 Resolução nº 1402000.258 S1C4T2 Fl. 1.767 11 Ocorre que o julgamento do processo administrativo de nº 16643.000124/2010 40, foi convertido em diligência, por meio da Resolução nº 1103000.130, de 11/02/2014, da 1ª Câmara / 3ª Turma Ordinária, para que se apreciasse o argumento da Recorrente sobre a não implementação da condição de arbitramento adotada (razão pela qual não estaria obrigada a observar o art. 14, da IN SRF nº 243/02), comprovada, segundo a recorrente, por meio do laudo da KPMG, anexo aos autos por meio de petição datada de 06/02/2013, fls. 1.580/1.721. Com efeito, perscrutando os autos do presente processo e o teor do voto naquela Resolução, convencime da necessidade da diligência também no caso aqui em análise, já que toma por base os mesmos fundamentos de autuação que os dos autos do processo administrativo de nº 16643.000124/201040. Dessa forma, proponho a conversão do julgamento do presente processo em diligência, adotando os fundamentos da Resolução nº 1103000.130, do processo administrativo de nº 16643.000124/201040, que passo a transcrever. “Conforme Edmar Oliveira Andrade Filho (Imposto de renda das empresas – CSLL, Operação de Hedge, Preço de Transferência, Planejamento Tributário, Reorganizações Societárias, Aspectos Contábeis e Jurídicos, São Paulo: Atlas, 10ª ed., 2013, pp. 568/569): “De acordo com o art. 240 do RIR/99, as receitas auferidas nas operações efetuadas com pessoa vinculada ou com pessoa com sede ou domicílio em país de tributação favorecida ficam sujeitas ao arbitramento quando o preço médio de venda dos bens, serviços ou direitos, nas exportações efetuadas durante o período de apuração da base de cálculo do imposto, for inferior a 90% do preço médio praticado na venda dos mesmos bens, serviços ou direitos, no mercado brasileiro, durante o mesmo período, em condições de pagamento semelhantes. Essa é uma regra que dispõe sobre as condições em que caberá a aplicação das demais regras sobre arbitramento, que, todavia, não alcança as operações referidas no art. 19A da Lei nº 9.430/96, introduzido no ordenamento jurídico pela Lei nº 12.715/12. Logo, após certificarse de que está sujeito ao arbitramento, o contribuinte deverá calcular o valor do eventual ajuste aditivo na determinação da base de cálculo do IRPJ e da CSLL, o qual será determinado por um dos quatro métodos previstos pela lei.” Assim, conforme as lições acima, a condição ao arbitramento é o preço médio de venda dos bens, serviços ou direitos, nas exportações efetuadas durante o período de apuração da base de cálculo do imposto, seja inferior a 90% do preço médio praticado na venda dos mesmos bens, serviços ou direitos, no mercado brasileiro, durante o mesmo período, em condições de pagamento semelhantes. A recorrente diz que essa condição não foi implementada, razão pela qual não estava obrigada a observar o art. 14, da IN SRF nº 243/02 (fls. 6439). Para comprovar o seu direito, a recorrente trouxe laudo da KPMG (fls. 6.438/6.500): “No entanto, para que nenhuma dúvida pairasse acerca de seu correto procedimento, solicitou à KPMG — renomada empresa de auditoria a elaboração de estudo acerca dos preços de transferências praticados pela Recorrente. O resultado da minuciosa análise procedida nos documentos da empresa foi no sentido de que a Recorrente estava desobrigada, no ano de 2005, de promover o ajuste nos preços de Fl. 1621DF CARF MF Impresso em 28/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16561.000147/200840 Resolução nº 1402000.258 S1C4T2 Fl. 1.768 12 transferência, uma vez que não estaria sujeita ao arbitramento previsto no artigo 14 da Instrução Normativa 243/2002 em virtude de o preço de exportação praticado pela Recorrente é superior à 90% do preço médio de venda dos mesmos bens praticados no mercado brasileiro, durante o mesmo período, sob semelhantes condições de pagamento.” Todavia, o laudo técnico exibido pela recorrente não faz prova absoluta do seu direito, em que pese constituirse em forte indício daquilo que alega. Conforme a doutrina abalizada e jurisprudência deste Conselho, o processo administrativo é orientado princípio da verdade material: “Assunto: Imposto sobre a Importação II Data do fato gerador: 23/10/1996 PROCESSO ADMINISTRATIVO TRIBUTÁRIO PROVA MATERIAL APRESENTADA EM SEGUNDA INSTÂNCIA DE JULGAMENTO PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. POSSIBILIDADE PARA CONTRAPOR ÀS RAZÕES DO JULGAMENTO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. A não apreciação de provas trazidas na fase recursal, antes da decisão final administrativa, fere o principio da instrumentalidade processual prevista no CPC e a busca da verdade material, que norteia o contencioso administrativo tributário, mormente quando sua tese de defesa não é acolhida e destinase a refutar entendimento da decisão de primeira instância. Recurso Especial do Contribuinte Provido.” (Relator Rodrigo da Costa Possas, Proc. nº 10814.017735/9677). Por essa razão, é dever o aprofundamento da dilação probatória, com a finalidade de se verificar a verdade dos fatos. ...” Diante do exposto, voto por converter o julgamento em diligência, para que a autoridade fiscal encarregada do procedimento: i) intime a Contribuinte a provar que o preço de exportação dos seus produtos, no período, foi superior a noventa por cento do preço médio praticado na venda dos mesmos bens no mercado brasileiro; ii) elabore relatório de diligência detalhado e conclusivo, ressalvadas a prestação de informações adicionais e a juntada de documentação que entender necessária; iii) entregue cópia do relatório à contribuinte; iv) concedalhe prazo de 30 (trinta) dias para pronunciamento sobre o relatório de diligência, em observância às prescrições do art. 35, parágrafo único, do Decreto 7.574/2011, após o que o processo deverá retornar a esta Turma para prosseguimento do julgamento; e v) por fim dêse vista à douta Procuradoria. (assinado digitalmente) Frederico Augusto Gomes de Alencar Relator Fl. 1622DF CARF MF Impresso em 28/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16561.000147/200840 Resolução nº 1402000.258 S1C4T2 Fl. 1.769 13 Fl. 1623DF CARF MF Impresso em 28/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO
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Numero do processo: 11080.724791/2011-00
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 20 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Jan 27 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2010
OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. BASE DE CÁLCULO E ALÍQUOTA. APURAÇÃO. REGIME DE COMPETÊNCIA.
A incidência do imposto de renda pela regra do regime de caixa, como prevista na redação do artigo 12 da Lei 7.713/1988, gera um tratamento desigual entre os contribuintes. Aquele que entrou em juízo para exigir diferenças na remuneração seria atingido não só pela mora do devedor, mas também por uma alíquota maior. A incidência do imposto de renda sobre rendimentos recebidos acumuladamente deve considerar as alíquotas vigentes na data em que a verba deveria ter sido paga, observada a renda auferida mês a mês. Não é razoável, nem proporcional, a incidência da alíquota máxima sobre o valor global pago fora do prazo. Inteligência daquilo que foi decidido pelo STF no Recurso Extraordinário nº 614406, com repercussão geral reconhecida.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2801-003.921
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso para cancelar a infração de omissão de rendimentos recebidos acumuladamente de pessoa jurídica decorrentes de ação trabalhista, nos termos do voto do Relator.
Assinado digitalmente
Tânia Mara Paschoalin - Presidente.
Assinado digitalmente
Marcelo Vasconcelos de Almeida - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir da Silva, Adriano Keith Yjichi Haga, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada. Ausente o Conselheiro Flavio Araujo Rodrigues Torres.
Nome do relator: MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA
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BASE DE CÁLCULO E ALÍQUOTA. APURAÇÃO. REGIME DE COMPETÊNCIA. A incidência do imposto de renda pela regra do regime de caixa, como prevista na redação do artigo 12 da Lei 7.713/1988, gera um tratamento desigual entre os contribuintes. Aquele que entrou em juízo para exigir diferenças na remuneração seria atingido não só pela mora do devedor, mas também por uma alíquota maior. A incidência do imposto de renda sobre rendimentos recebidos acumuladamente deve considerar as alíquotas vigentes na data em que a verba deveria ter sido paga, observada a renda auferida mês a mês. Não é razoável, nem proporcional, a incidência da alíquota máxima sobre o valor global pago fora do prazo. Inteligência daquilo que foi decidido pelo STF no Recurso Extraordinário nº 614406, com repercussão geral reconhecida. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso para cancelar a infração de omissão de rendimentos recebidos acumuladamente de pessoa jurídica decorrentes de ação trabalhista, nos termos do voto do Relator. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 72 47 91 /2 01 1- 00 Fl. 97DF CARF MF Impresso em 27/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2015 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 11080.724791/201100 Acórdão n.º 2801003.921 S2TE01 Fl. 98 2 Assinado digitalmente Marcelo Vasconcelos de Almeida Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir da Silva, Adriano Keith Yjichi Haga, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada. Ausente o Conselheiro Flavio Araujo Rodrigues Torres. Relatório Tratase de Notificação de Lançamento relativa ao Imposto de Renda Pessoa Física – IRPF por meio da qual se exige crédito tributário no valor de R$ 14.520,12, incluídos multa de ofício no percentual de 75% (setenta e cinco por cento) e juros de mora. Consta da “Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal”, à fl. 7 deste processo digital, que da análise das informações e documentos apresentados pelo contribuinte, bem como das informações constantes dos sistemas da Secretaria da Receita Federal do Brasil RFB, constatouse omissão de rendimentos tributáveis recebidos acumuladamente em virtude de processo judicial trabalhista, no valor de R$ 195.275,74, auferidos pelo contribuinte. Após ser intimado, o contribuinte apresentou a impugnação de fls. 2/3, que foi julgada procedente em parte por intermédio do acórdão de fls. 66/69. Cientificado da decisão de primeira instância em 02/05/2012 (fl. 71), o Interessado interpôs, em 30/05/2012, o recurso de fls. 72/75. Na peça recursal aduz, dentre outras alegações, que faz jus a isenção do imposto de renda destinada aos portadores de moléstia grave. Voto Conselheiro Marcelo Vasconcelos de Almeida, Relator Conheço do recurso, porquanto presentes os requisitos de admissibilidade. Deixo de analisar a questão relacionada à isenção dos portadores de moléstia grave pelos motivos que passo a expor. Cingese a controvérsia à infração de omissão de rendimentos recebidos acumuladamente em decorrência de processo judicial trabalhista. O “Demonstrativo de Apuração do Imposto Devido”, acostado à fl. 8, evidencia que a base de cálculo do imposto de renda suplementar foi calculada com fundamento na regra estabelecida no art. 12 da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, ou seja, a base de cálculo foi apurada mediante a utilização do denominado “regime de caixa”. No julgamento do Recurso Especial nº 1.118.429/SP, julgado em 24/03/2010, o Superior Tribunal de Justiça – STJ havia decidido, sob o rito do art. 543C do Código de Processo Civil – CPC (recurso repetitivo), que “O Imposto de Renda incidente sobre os benefícios pagos acumuladamente deve ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas Fl. 98DF CARF MF Impresso em 27/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2015 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 11080.724791/201100 Acórdão n.º 2801003.921 S2TE01 Fl. 99 3 vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, observando a renda auferida mês a mês pelo segurado. Não é legítima a cobrança de IR com parâmetro no montante global pago extemporaneamente”. Por entender que a ratio decidendi da tese repetitiva estava fundada em ato ilícito praticado pela Administração e que o pagamento decorrente de ato ilegal não poderia constituir fato gerador de tributo, posto que inadmissível que o Fisco se aproveitasse da própria torpeza em detrimento do segurado da previdência social, este julgador vinha aplicando o entendimento do STJ no sentido de dar provimento parcial aos recursos dos contribuintes para que o cálculo do imposto de renda incidente sobre os rendimentos de benefícios previdenciários recebidos acumuladamente fosse apurado mensalmente, em correlação aos parâmetros fixados na tabela progressiva do imposto de renda vigente à época dos respectivos fatos geradores. Em outras palavras: a tese fixada como “repetitiva”, no entendimento deste Relator, limitavase ao pagamento acumulado de benefícios previdenciários, não se aplicando a rendimentos recebidos acumuladamente decorrentes de litígios outros que não versasse a concessão/revisão de benefícios previdenciários, a exemplo de reclamatórias trabalhistas envolvendo somente particulares, haja vista que, nestas hipóteses, o pagamento a destempo não decorria de ato ilegal da administração. Assim, em relação aos processos de rendimentos recebidos acumuladamente decorrentes de ação trabalhista o entendimento deste julgador era no sentido da aplicabilidade do art. 12 da Lei nº 7.713/1988. Nos casos de verbas adimplidas em reclamatória trabalhista, portanto, meu entendimento era no sentido de se observar a natureza dos rendimentos recebidos, fazendo incidir o imposto de renda sobre verbas que resultassem em acréscimo patrimonial e não incidir sobre verbas isentas e não tributáveis. A linha de entendimento por mim adotada foi mantida até a sessão de novembro de 2014. Sabiase, todavia, que a controvérsia relativa à (in) constitucionalidade do art. 12 da Lei nº 7.713/1988 teve a repercussão geral reconhecida pelo Supremo Tribunal Federal STF em 20/10/2010, no julgamento da questão de ordem em agravo regimental no Recurso Extraordinário nº 614406, em razão da declaração de inconstitucionalidade do referido dispositivo legal, proferida em controle difuso pela Corte Especial do Tribunal Regional Federal da 4ª Região. Em 23 de outubro de 2014 o STF, finalmente, concluiu o julgamento relativo à forma de incidência do imposto de renda sobre rendimentos recebidos acumuladamente. A Corte entendeu que a alíquota do imposto deve ser aplicada ao rendimento recebido mês a mês, e não aquela que incidiria sobre valor total pago de uma única vez. Naquela assentada veiculouse, no sítio eletrônico do STF, notícia com o seguinte teor, na parte que interessa: Foi julgado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) caso relativo à forma de incidência do Imposto de Renda (IR) sobre rendimentos recebidos acumuladamente, como ocorre no caso de disputas previdenciárias e trabalhistas. A Corte entendeu que a alíquota do IR deve ser a correspondente ao rendimento Fl. 99DF CARF MF Impresso em 27/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2015 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 11080.724791/201100 Acórdão n.º 2801003.921 S2TE01 Fl. 100 4 recebido mês a mês, e não aquela que incidiria sobre valor total pago de uma única vez, e, portanto, mais alta. (...) O julgamento do caso foi retomado hoje com votovista da ministra Cármen Lúcia, para quem, em observância aos princípios da capacidade contributiva e da isonomia, a incidência do IR deve considerar as alíquotas vigentes na data em que a verba deveria ter sido paga, observada a renda auferida mês a mês. “Não é nem razoável nem proporcional a incidência da alíquota máxima sobre o valor global, pago fora do prazo, como ocorre no caso examinado”, afirmou. A ministra citou o voto do ministro Marco Aurélio, proferido em sessão de maio de 2011, segundo o qual a incidência do imposto pela regra do regime de caixa, como prevista na redação original do artigo 12 da Lei 7.713/1988, gera um tratamento desigual entre os contribuintes. Aquele que entrou em juízo para exigir diferenças na remuneração seria atingido não só pela mora, mas por uma alíquota maior. Em seu voto, a ministra mencionou ainda argumento apresentado pelo ministro Dias Toffoli, que já havia votado anteriormente, segundo o qual a própria União reconheceu a ilegalidade da regra do texto original da Lei 7.713/1988, ao editar a Medida Provisória 497/2010, disciplinando que a partir dessa data passaria a utilizar o regime de competência (mês a mês). A norma, sustenta, veio para corrigir a distorção do IR para os valores recebidos depois do tempo devido. Em 04 de novembro de 2014 a decisão foi noticiada no Informativo nº 764 do STF, ostentando a seguinte redação: IRPF e valores recebidos acumuladamente 4 É inconstitucional o art. 12 da Lei 7.713/1988 (“No caso de rendimentos recebidos acumuladamente, o imposto incidirá, no mês do recebimento ou crédito, sobre o total dos rendimentos, diminuídos do valor das despesas com ação judicial necessárias ao seu recebimento, inclusive de advogados, se tiverem sido pagas pelo contribuinte, sem indenização”). Com base nessa orientação, em conclusão de julgamento e por maioria, o Plenário negou provimento a recurso extraordinário em que se discutia a constitucionalidade da referida norma — v. Informativo 628. O Tribunal afirmou que o sistema não poderia apenar o contribuinte duas vezes. Esse fenômeno ocorreria, já que o contribuinte, ao não receber as parcelas na época própria, deveria ingressar em juízo e, ao fazêlo, seria posteriormente tributado com uma alíquota superior de imposto de renda em virtude da junção do que percebido. Isso porque a exação em foco teria como fato gerador a disponibilidade econômica e jurídica da renda. A novel Lei 12.350/2010, embora não fizesse alusão expressa ao regime de competência, teria implicado a adoção desse regime mediante inserção de cálculos que Fl. 100DF CARF MF Impresso em 27/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2015 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 11080.724791/201100 Acórdão n.º 2801003.921 S2TE01 Fl. 101 5 direcionariam à consideração do que apontara como “épocas próprias”, tendo em conta o surgimento, em si, da disponibilidade econômica. Desse modo, transgredira os princípios da isonomia e da capacidade contributiva, de forma a configurar confisco e majoração de alíquota do imposto de renda. Vencida a Ministra Ellen Gracie, que dava provimento ao recurso por reputar constitucional o dispositivo questionado. Considerava que o preceito em foco não violaria o princípio da capacidade contributiva. Enfatizava que o regime de caixa seria o que melhor aferiria a possibilidade de contribuir, uma vez que exigiria o pagamento do imposto à luz dos rendimentos efetivamente percebidos, independentemente do momento em que surgido o direito a eles. RE 614406/RS, rel. orig. Min. Ellen Gracie, red. p/ o acórdão Min. Marco Aurélio, 23.10.2014. (RE614406) Sobreveio a publicação do acórdão do STF, cujo “Extrato de Ata” resume o resultado do julgamento da seguinte forma: Decisão: Prosseguindo no julgamento, o Tribunal, por maioria, decidindo o tema 368 da Repercussão Geral, negou provimento ao recurso, vencida a Ministra Ellen Gracie (Relatora), que lhe dava provimento. Ausente, neste julgamento, o Ministro Gilmar Mendes. Não votou a Ministra Rosa Weber por suceder à Ministra Ellen Gracie (Relatora). Redigirá o acórdão o Ministro Marco Aurélio. Presidiu o julgamento o Ministro Ricardo Lewandowski. Plenário, 23.10.2014. Colhese, no voto condutor vencedor redigido pelo Ministro Marco Aurélio, as seguintes passagens: Qual é a consequência de se entender de modo diverso do que assentado pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região? Haverá, como ressaltado pela doutrina, principalmente a partir de 2003, transgressão ao princípio da isonomia. Aqueles que receberam os valores nas épocas próprias ficaram sujeitos a certa alíquota. O contribuinte que viu resistida a satisfação do direito e teve que ingressar em Juízo será apenado, alfim, mediante a incidência de alíquota maior. Mais do que isso, tem se o envolvimento da capacidade contributiva, porque não é dado aferila, tendo em conta o que apontei como disponibilidade financeira, que diz respeito à posse, mas o estado jurídico notado à época em que o contribuinte teve jus à parcela sujeita ao Imposto de Renda. O desprezo a esses dois princípios conduziria a verdadeiro confisco e, diria, à majoração da alíquota do Imposto de Renda. (...) Por isso, no caso, desprovejo o recurso, assentando a inconstitucionalidade do artigo 12 – não do 12A, que resultou da medida provisória, da conversão em lei –, no que conferida interpretação alusiva à junção do que alcançado pelo contribuinte, considerados os vários exercícios. Fl. 101DF CARF MF Impresso em 27/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2015 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 11080.724791/201100 Acórdão n.º 2801003.921 S2TE01 Fl. 102 6 Verificase, portanto, que o voto condutor do acórdão negou provimento ao recurso da União e afastou a aplicabilidade da regra prevista no art. 12 da Lei nº 7.713/1998, declarandoa inconstitucional, em controle difuso, com julgamento submetido ao rito da repercussão geral (CPC, art. 543B). O entendimento da Suprema Corte, em sede de repercussão geral, é de observância obrigatória pelos membros deste Conselho, conforme disposto no art. 62A do Regimento Interno do CARF, assim descrito: Artigo 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Assim, impõese a aplicação do entendimento externado pelo STF em julgamento realizado na sistemática da repercussão geral ao caso concreto, reconhecendo que houve um vício material no lançamento (apuração indevida da base de cálculo do tributo com repercussão na alíquota aplicável), haja vista que, embora os valores recebidos pelo Recorrente não se refiram a benefícios previdenciários, mas sim a verbas trabalhistas que lhe eram devidas pelo Poder Público estadual, foram apurados com fundamento no famigerado art. 12 da Lei nº 7.713/1998. Nesse contexto, voto por dar provimento ao recurso para cancelar a infração de omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica decorrentes de ação trabalhista. Assinado digitalmente Marcelo Vasconcelos de Almeida Fl. 102DF CARF MF Impresso em 27/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2015 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por TANIA MARA PA SCHOALIN
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Numero do processo: 10680.009647/2008-12
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 17 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Jan 22 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico - CIDE
Período de apuração: 30/04/2003 a 22/12/2004
LICENÇA DE USO DE MARCA. INCIDÊNCIA.
Não se confunde cessão de marca com licença de uso de marca. A licença de uso de marca é expressamente mencionada na legislação como objeto dos contratos cuja contrapartida financeira sujeita-se à incidência da CIDE.
SERVIÇOS TÉCNICOS, DE ASSISTÊNCIA TÉCNICA, ADMINISTRATIVA E SEMELHANTES. INCIDÊNCIA.
A partir de 1º de janeiro de 2002, está sujeita à incidência da CIDE a remuneração prevista em contratos que tenham por objeto serviços técnicos, de assistência administrativa e semelhantes.
AQUISIÇÃO DE PROGRAMAS DE COMPUTADOR. AUSÊNCIA DE TRANSFERÊNCIA DE TECNOLOGIA. DESPESAS RELACIONADAS. NÃO INCIDÊNCIA.
Despesas relacionadas com a aquisição de programas de computador, em que não há a transferência de tecnologia, não se sujeitam à incidência da CIDE conquanto não sejam relativas à prestação pura de serviços de manutenção.
Numero da decisão: 3201-001.737
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Os conselheiros Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto e Joel Miyazaki (presidente) votaram pelas conclusões.
(ASSINADO DIGITALMENTE)
JOEL MIYAZAKI - Presidente.
(ASSINADO DIGITALMENTE)
DANIEL MARIZ GUDIÑO - Relator.
EDITADO EM: 09/01/2015
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Joel Miyazaki, Ana Clarissa Masuko Araújo, Luciano Lopes de Almeida Moraes, Daniel Mariz Gudiño, Winderley Morais Pereira e Carlos Alberto Nascimento e Silva.
Nome do relator: DANIEL MARIZ GUDINO
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INCIDÊNCIA. Não se confunde cessão de marca com licença de uso de marca. A licença de uso de marca é expressamente mencionada na legislação como objeto dos contratos cuja contrapartida financeira sujeitase à incidência da CIDE. SERVIÇOS TÉCNICOS, DE ASSISTÊNCIA TÉCNICA, ADMINISTRATIVA E SEMELHANTES. INCIDÊNCIA. A partir de 1º de janeiro de 2002, está sujeita à incidência da CIDE a remuneração prevista em contratos que tenham por objeto serviços técnicos, de assistência administrativa e semelhantes. AQUISIÇÃO DE PROGRAMAS DE COMPUTADOR. AUSÊNCIA DE TRANSFERÊNCIA DE TECNOLOGIA. DESPESAS RELACIONADAS. NÃO INCIDÊNCIA. Despesas relacionadas com a aquisição de programas de computador, em que não há a transferência de tecnologia, não se sujeitam à incidência da CIDE conquanto não sejam relativas à prestação pura de serviços de manutenção. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Os conselheiros Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto e Joel Miyazaki (presidente) votaram pelas conclusões. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 00 96 47 /2 00 8- 12 Fl. 482DF CARF MF Impresso em 22/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2015 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 21/01/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 09/01/2015 por DANIEL MARIZ GUDINO 2 (ASSINADO DIGITALMENTE) JOEL MIYAZAKI Presidente. (ASSINADO DIGITALMENTE) DANIEL MARIZ GUDIÑO Relator. EDITADO EM: 09/01/2015 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Joel Miyazaki, Ana Clarissa Masuko Araújo, Luciano Lopes de Almeida Moraes, Daniel Mariz Gudiño, Winderley Morais Pereira e Carlos Alberto Nascimento e Silva. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto por V & M do Brasil S/A, doravante apenas Recorrente, em razão do Acórdão nº 0225.987, de 15/03/2010, proferido pela 1ª Turma da Delegacia de Julgamento em Belo Horizonte (MG). Por bem descrever os fatos ocorridos até o julgamento da instância a quo, transcrevese abaixo o relatório do acórdão recorrido: Lavrouse contra o contribuinte acima identificado o presente Auto de Infração (fls. 05/16), relativo à Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico Remessas ao Exterior (Cide), totalizando um crédito tributário de R$ 1.769.244,61, incluindo multa de ofício e juros de mora, correspondente a fatos geradores compreendidos entre 30/04/2003 e 22/12/2004 (fls. 10/13). A autuação ocorreu em virtude de falta/insuficiência de recolhimento da contribuição nos períodos acima identificados, conforme o Termo de Verificação Fiscal (TVF), de fls. 17/19. No TVF, a fiscalização destaca que foram encontradas diferenças a serem tributadas em relação à CideRoyaties, conforme os demonstrativos de fls. 17(verso)/18, tendo em vista a interpretação equivocada do contribuinte acerca dos créditos concedidos pelo art. 4º da Medida Provisória nº 2.15970, de 24 de agosto de 2001. Também foi constatada a falta de declaração/recolhimento da Cide Remessas para o Exterior em relação aos valores relacionados na planilha de fl. 18(verso). Os dispositivos legais infringidos constam na Descrição dos Fatos e Enquadramento(s) Legal(is) do referido Auto de Infração (fl. 09). Irresignado, tendo sido cientificado em 22/07/2008 (fl. 06), o autuado apresentou, em 21/08/2008, acompanhadas dos documentos de fls. 218/380, as suas razões de defesa (fls. 200/217), a seguir resumidas: Fl. 483DF CARF MF Impresso em 22/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2015 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 21/01/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 09/01/2015 por DANIEL MARIZ GUDINO Processo nº 10680.009647/200812 Acórdão n.º 3201001.737 S3C2T1 Fl. 483 3 Narrando os fatos considerados na formalização do presente lançamento, informa que optou por recolher a diferença encontrada pela fiscalização em relação à CideRoyaties, no valor original de R$ 700.743,61, com a redução de 50% da multa, conforme as guias de recolhimento anexas. Relaciona os valores de Cide questionados, que totalizam R$ 47.431,34, ordenando as remessas de acordo com cada fornecedor. Explica e detalha do que se trata cada uma delas. American Petroleum: referese à aquisição de licença anual para utilização de monograma API, como um emblema nos produtos previamente especificados, sem qualquer transferência de tecnologia envolvida. O American Petroleum Institute (API) é o proprietário dos direitos relacionados à marca de certificação, chamada de monograma API, que certifica que os produtos foram feitos respeitandose os requerimentos definidos pelo API no momento da sua fabricação. Embora a Lei nº 10.168, de 2000, tenha sofrido alterações, entende que por força do caput do art. 2º dessa Lei, a incidência da Cide está condicionada à transferência efetiva de tecnologia, já que essa norma especifica que a Cide é devida pela pessoa jurídica detentora de licença de uso ou adquirente de conhecimentos tecnológicos, bem como aquela signatária de contratos que impliquem transferência de tecnologia. Sobre o assunto, transcreve ementa da Solução de Consulta nº 239, de 2007, proferida pela SRRF/8ª RF. Capital Trade: referese a contratos de prestação de assistência e de serviços sem transferência de tecnologia e de serviços que independem de qualquer conhecimento especializado para sua realização. Grupo Bertoni: referese a contratos de prestação de assistência e de serviços (recrutamento e seleção de um trainee), sem transferência de tecnologia. Setval: referese a contratos de prestação de assistência e de serviços (pagamento de parcela para desenvolvimento e utilização de banco de dados), sem transferência de tecnologia. Androma Ltda.: referese a contratos de prestação de assistência técnica e de serviços (serviço de assessoria comercial), sem qualquer transferência de tecnologia. Sobre esses contratos de prestação de assistência e de serviços administrativos e semelhantes (Capital Trade, Grupo Bertoni, Setval e Androma), afirma que as respectivas remessas não se sujeitam à Cide, por não configurarem transferência de tecnologia. O Decreto que regulamenta a Cide deve se restringir ao dispositivo previsto em Lei, não lhe sendo autorizado criar ou estender hipótese ou interpretações lá previstas. E os parágrafos na própria Lei devem ser interpretados conforme o seu caput e não o contrário, assim como o Decreto, que visa apenas regulamentar dispositivo já previsto e delimitado em Lei. Os valores em questão, por se referirem a serviços técnicos/especializados sem a respectiva transferência de Fl. 484DF CARF MF Impresso em 22/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2015 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 21/01/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 09/01/2015 por DANIEL MARIZ GUDINO 4 tecnologia, não se sujeitam à Cide, pois, pensar de outra forma, seria ofender os princípios da hierarquia das normas e da legalidade. No que tange aos serviços nos quais nenhum conhecimento técnico seja aplicado, reconhecer a incidência da Cide significa rasgar a Constituição e destruir as Leis nºs 10.168, de 2000, e 10.332, de 2001, e seguintes. Nesse sentido, transcreve ementas de Consultas que dispõem que a Cide não incide sobre serviços cuja execução não dependa de conhecimentos técnicos especializados (Soluções de Consulta nº 142, de 2004, e nº 196, de 2003, ambas da SRRF/8ª RF). Conforme se infere da documentação anexa, as despesas se referem a equipamentos de computador, taxa de correspondência noturna, cópias/xerox, passagem aérea, reembolso de despesas efetuadas com alimentação, revisão simples de texto, taxa de utilização de fax, recrutamento e assessoria comercial. Em relação à reembolso de despesas, transcreve as ementas das Soluções de Consulta nº 50, de 2005, e nº 98, de 2004, ambas da SRRF/9ª RF. Assim, por se tratar de reembolso de despesas e pagamentos de serviços sem qualquer transferência de tecnologia ou que dependa de conhecimentos técnicos especializados, não há que se falar em incidência da Cide. I2 Technologies: referese à aquisição de software de cópias múltiplas ou de prateleira. Como reiteradamente discutido no judiciário e com respaldo em uma consulta formulada pela empresa à Receita Federal, não estão sujeitas à Cide as importâncias pagas, creditadas, entregues, empregadas ou remetidas ao exterior pela aquisição de programa de computador produzido em larga escala. Sobre a incidência do IRRF, cita a Solução Divergência Cosit nº 27, de 2008. Explica os objetivos do software desenvolvido pela I2 Technologies, destacando que tal programa deve respeitar a sistemática da empresa para apresentar um resultado efetivo, mas pode ser utilizado em qualquer empresa e ramo de atividade. Cita alguns dos usuários do software de cópias múltiplas, conforme o site do fornecedor. Informa que em anexo encontramse os registros de operações de câmbio para cada um dos fornecedores, invoices e faturas, cartas contendo a abertura do reembolso pleiteado pelo fornecedor, contrato da API, email com explicação do monograma API, lista de alguns clientes da I2, email com o depoimento de um dos clientes da I2 e guias de recolhimento no total de R$ 1.399.886,25. Por fim, requer seja declarada a insubsistência do lançamento tributário efetuado, no que tange ao valor principal de R$ 47.341,34. A instância a quo julgou improcedente a impugnação nos termos do já citado acórdão, que restou assim ementado: Fl. 485DF CARF MF Impresso em 22/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2015 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 21/01/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 09/01/2015 por DANIEL MARIZ GUDINO Processo nº 10680.009647/200812 Acórdão n.º 3201001.737 S3C2T1 Fl. 484 5 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO DE INTERVENÇÃO NO DOMÍNIO ECONÔMICO CIDE Período de apuração: 30/04/2003 a 22/12/2004 CIDE INCIDÊNCIA A partir de 1º de janeiro de 2002, os valores pagos, creditados, entregues, empregados ou remetidos a beneficiário residente ou domiciliado no exterior a título de royalties ou pela remuneração de contratos que tenham por objeto: fornecimento de tecnologia; prestação de assistência técnica (serviços de assistência técnica e serviços técnicos especializados); serviços técnicos e de assistência administrativa e semelhantes; cessão e licença de uso de marcas; e cessão e licença de exploração de patentes estão sujeitos ao pagamento da Cide. Impugnação improcedente Crédito Tributário Mantido Inconformada com a manutenção do lançamento, a Recorrente interpôs recurso voluntário tempestivamente, reiterando, em suma, os argumentos suscitados em sua defesa original. O processo foi distribuído e sorteado a este Conselheiro, seguindo o rito regimental. É o relatório. Voto Conselheiro Daniel Mariz Gudiño O recurso voluntário atende os pressupostos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 1972, e alterações posteriores, razão pela qual deve ser conhecido. O cerne da questão cingese às hipóteses de incidência da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico – CIDE instituída pela Lei nº 10.168, de 2000. Em síntese, a Recorrente alega que a parcela do lançamento original que se manteve em litígio não configura fato gerador do tributo, uma vez que não há transferência de tecnologia nas obrigações contratuais que ensejaram as remessas ao exterior. A Recorrente subdivide as suas alegações para três tipos de remessa ao exterior, a saber: (i) royalties pela licença de uso do monograma API, (ii) remuneração pela prestação de serviços que não envolvem a transferência de tecnologia; e (iii) despesas efetuadas com aquisição de software. No tocante aos royalties pela licença de uso do monograma API, a Recorrente invoca a Solução de Consulta nº 239/07, da Superintendência Regional da Receita Fl. 486DF CARF MF Impresso em 22/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2015 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 21/01/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 09/01/2015 por DANIEL MARIZ GUDINO 6 Federal / 8ª Região Fiscal, a fim de justificar o cancelamento do lançamento no tocante as respectivas remessas. Confirase abaixo a ementa da referida solução de consulta: Processo de Consulta nº 239/07 Órgão: Superintendência Regional da Receita Federal SRRF / 8a. Região Fiscal Assunto: Outros Tributos ou Contribuições Ementa: CIDE Aquisição de Marca e de Tecnologia na Fabricação do Produto. A importância paga, creditada, entregue, empregada ou remetida por pessoa jurídica com sede no Brasil à pessoa jurídica domiciliada no exterior pela cessão (aquisição) de marca de produto, não está sujeita à incidência da Cide, por não caracterizar hipótese de incidência da referida contribuição. Se o preço contratado englobar a aquisição da marca e também a tecnologia usada na fabricação do produto, mas tais valores forem segredados para efeito de registro junto ao Instituto Nacional da Propriedade Industrial INPI e pagamento, sobre o valor relativo ao fornecimento da tecnologia ocorre a incidência da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico, por se tratar de hipótese prevista no art. 2º da Lei Nº 10.168, de 2000. Dispositivos Legais: Art. 2º da Lei Nº 10.168, de 29.12.2000 (alterado pelo art. 6º da Lei Nº 10.332, de 19.12.2001) e art. 10 do Decreto Nº 4.195, de 11.04.2002. (Grifos da Recorrente) A despeito do esforço da Recorrente, a situação fática analisada na solução de consulta por ela invocada não se amolda à situação fática do caso concreto. Isso porque a cessão de marca pressupõe a transferência da titularidade da marca, ao passo que a licença de uso não pressupõe a manutenção dessa titularidade. Nesse contexto, merece transcrição os arts. 134 e 139 da Lei nº 9.279, de 1996 (Lei de Propriedade Industrial), in verbis: Art. 134. O pedido de registro e o registro poderão ser cedidos, desde que o cessionário atenda aos requisitos legais para requerer tal registro. [...] Art. 139. O titular de registro ou o depositante de pedido de registro poderá celebrar contrato de licença para uso da marca, sem prejuízo de seu direito de exercer controle efetivo sobre as especificações, natureza e qualidade dos respectivos produtos ou serviços. Parágrafo único. O licenciado poderá ser investido pelo titular de todos os poderes para agir em defesa da marca, sem prejuízo dos seus próprios direitos. No caso concreto, o American Petroleum Institute não cedeu a sua marca à Recorrente, mas tãosomente a licenciou para ser utilizada nos produtos da Recorrente como selo de qualidade. A legislação que rege a CIDE é clara no sentido de estabelecer a licença de uso de marca como uma das suas hipóteses de incidência. Logo, não merece prosperar a alegação recursal. Fl. 487DF CARF MF Impresso em 22/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2015 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 21/01/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 09/01/2015 por DANIEL MARIZ GUDINO Processo nº 10680.009647/200812 Acórdão n.º 3201001.737 S3C2T1 Fl. 485 7 Quanto à remuneração pela prestação de serviços que não envolvem a transferência de tecnologia, a Recorrente alega que se a CIDE é destinada a promover o desenvolvimento tecnológico brasileiro, não poderia incidir sobre determinado tipo de pagamento que em nada implica em transferência de tecnologia. Ao fazer isso, a Recorrente está indiretamente questionando a constitucionalidade da Lei nº 10.332, de 2001, que passou a prever a incidência do tributo em tela na remessa ao exterior a título de remuneração pela prestação de serviços que não envolvem a transferência de tecnologia. Como se sabe, o CARF não é competente para apreciar a constitucionalidade da legislação tributária (cf. Sumular CARF nº 2), podendo afastar tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo somente quando (a) houver decisão definitiva do Tribunal Pleno do Supremo Tribunal Federal apontando a sua inconstitucionalidade, ou (b) fundamente crédito tributário objeto de (i) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do Procurador Geral da Fazenda Nacional, (ii) súmula da AdvocaciaGeral da União, ou (iii) pareceres do AdvogadoGeral da União aprovados pelo Presidente da República (cf. Decreto nº 70.235, de 1972, art. 26A, § 6º). Adicionalmente, a Recorrente invoca o Ato Declaratório Normativo SRF nº 1, de 2000, que estabelece critérios objetivos para definir contratos de prestação de assistência técnica e de serviços técnicos, a fim de corroborar a sua tese. Contudo, o referido ato normativo não versa sobre a CIDE, e ainda que versasse não seria abrangente o suficiente para excluir os serviços de assistência administrativa e semelhantes do campo de incidência dessa contribuição especial. Mas a Recorrente não para por aí. Traz em seu arrazoado ementas de soluções de consulta que reconhecem expressamente a impossibilidade exigência da CIDE em serviços cuja prestação não exigem conhecimentos técnicos especializados. Além de as soluções de consulta produzirem efeitos exclusivamente aos consulentes, somente poderiam servir aos propósitos da Recorrente se os serviços nelas analisados fossem os mesmos serviços analisados no caso concreto, e não o são. No caso concreto, não se discute se os serviços contratados pela Recorrente envolvem a transferência de tecnologia, e sim se são serviços técnicos, de assistência técnica, administrativa e semelhantes – hipóteses de incidência da CIDE. É inegável que serviços de recrutamento e seleção prestados pelo Grupo Bertoni exigem conhecimentos técnicos especializados. Da mesma forma, os serviços de propaganda e publicidade prestados pela Androma. E o que se dirá dos serviços de desenvolvimento e utilização de banco de dados internacional oferecidos pela Setval? Certamente o são. Com mais razão ainda caracterizamse assim os serviços de assessoria em procedimentos antidumping prestados pela Capital Trade. A verdade é que, após o início da vigência da Lei nº 10.332, de 2001, a maioria dos serviços passaram a ser abrangidos pela CIDE, com exceção de serviços menos complexos, como serviços de limpeza, serviços de vigilância e outros serviços geralmente confiados a empresas cedentes de mão de obra. Particularmente no que diz respeito aos serviços prestados pela Capital Trade, a Recorrente alega que não pode haver a exigência da CIDE sobre valores por ela reembolsados. Ocorre que o reembolso de despesas não é uma natureza em si. O tratamento tributário a ser conferido ao reembolso de despesas deve ser aquele que seria dado se as Fl. 488DF CARF MF Impresso em 22/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2015 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 21/01/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 09/01/2015 por DANIEL MARIZ GUDINO 8 despesas fossem incorridas diretamente pela fonte pagadora. Assim, se o reembolso de despesas se refere à prestação de serviços técnicos especializados, o tratamento tributário a ser dado ao reembolso é o mesmo que seria dado se o pagamento por tais serviços fossem realizados diretamente pelo responsável pelo reembolso. A mencionada Decisão SRRF/8ª RF/Disit nº 210, de 21/09/2000, que trata da composição do preço dos serviços contratados na hipótese de reembolso, não favorece à Recorrente. Com efeito, também quanto à remuneração pela prestação de serviços que não envolvem a transferência de tecnologia, não merece prosperar as alegações recursais. Finalmente, no que diz respeito às despesas efetuadas com aquisição de software, a Recorrente alega que o Supremo Tribunal Federal já decidiu que não estão sujeitas à incidência da CIDE as importâncias pagas, creditadas, entregues, empregadas ou remetidas ao exterior pela aquisição de programa de computador produzido em larga escala, sendo certo que o software por ela adquirido da I2 Technologies possui essa característica. Corroborando esse entendimento, a Recorrente faz menção novamente à Solução Divergência Cosit nº 27, de 2008. E mais, alega que as remessas ao exterior realizadas a título de suporte técnico anual para o Contrato MS97058 no período de 19/10/04 a 18/10/05 (tradução livre de Annual Support per Agreement MS97058 for the period 10/19/04 to 10/18/05) devem seguir o tratamento tributário do próprio software produzido em larga escala, eis que é uma condição contratual da venda do software por parte do seu titular. A instância a quo divergiu sob a premissa de que tais remessas seriam realizadas a título de serviços técnicos de manutenção do programa de computador, e como tal estariam sujeitas à exigência da CIDE. Neste particular, parece assistir razão à Recorrente, uma vez que a aquisição do software estava previamente condicionada ao pagamento da taxa de manutenção, nos termos da cláusula terceira do contrato firmado entre a Recorrente e a I2 Technologies. Conforme se depreende da referida cláusula (efl. 177), o pagamento dessa taxa dá à Recorrente o direito de fazer contato com o suporte técnico da I2 Technologies, em caso de falha no sistema ou nas atualizações (manutenção), bem como o direito a ter acesso às atualizações do software referentes a melhoramentos ou modificações (melhoramentos). Não se trata de uma mera prestação de serviços como entendeu a instância a quo. Tratase de uma potencial prestação de serviço de manutenção e eventual licença de uso de eventuais atualizações do programa de computador. Portanto, considerando que (i) não há incidência da CIDE nas licenças de uso de programas de computador, que não envolvem a transferência de tecnologia, (ii) o art. 2º, § 1A, da Lei nº 10.168, de 2000, com redação dada pela Lei nº 11.452, de 2007, é uma norma interpretativa, e (iii) não se questionou a natureza do software adquirido pela Recorrente declarado como de larga escala; a decisão recorrida deve ser reformada neste particular. Diante do exposto, DOU PARCIAL PROVIMENTO ao recurso voluntário, exonerando o crédito tributário referente às remessas ao exterior realizadas em favor da I2 Technologies. (ASSINADO DIGITALMENTE) Fl. 489DF CARF MF Impresso em 22/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2015 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 21/01/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 09/01/2015 por DANIEL MARIZ GUDINO Processo nº 10680.009647/200812 Acórdão n.º 3201001.737 S3C2T1 Fl. 486 9 Daniel Mariz Gudiño Relator Fl. 490DF CARF MF Impresso em 22/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2015 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 21/01/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 09/01/2015 por DANIEL MARIZ GUDINO
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