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Numero do processo: 19515.003879/2009-16
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 21 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 2403-000.073
Decisão: RESOLVEM os membros da Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara do
Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em converter o julgamento do recurso em diligência, retornando os processos à origem para desentranhá-los.
Nome do relator: IVACIR JULIO DE SOUZA
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Carlos Alberto Mees Stringari Presidente Ivacir Júlio de SouzaRelator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Marcelo Magalhães Peixoto, Cid Marconi Gurgel de Souza, convocada a conselheira Maria Anselma Coscrato dos Santos. Fl. 822DF CARF MF Impresso em 04/01/2013 por IRDA MORAIS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/07/2012 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 20/12/2012 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI Processo nº 19515.003879/200916 Despacho n.º 2403000.073 S2C4T3 Fl. 2 2 RELATÓRIO. Conforme abaixo a primeira instância descreve que: “ Tratase de Auto de Infração (DEBCAD 37.231.4767) lavrado pela Fiscalização contra a empresa acima identificada, onde foram lançados valores referentes às contribuições sociais previdenciárias incidentes sobre as remunerações pagas, no período de 02 a 13/2004, aos seus segurados empregados (cota patronal e financiamento da aposentadoria especial e dos benefícios concedidos em razão do Grau de Incidência de Incapacidade Laborativa decorrente dos Riscos Ambientais do Trabalho GILRAT), a título de salários, alimentação "in natura", manutenção de uniformes e valetransporte, e aos seus segurados contribuintes individuais (cota patronal), referentes ao pagamento a autônomos que lhe prestaram serviços. Conforme verificase nos autos, em especial no Relatório Fiscal do Auto de Infração (fls. 43/53), a Fiscalização constatou, mediante confronto das informações contidas na contabilidade e na folha de pagamentos da empresa, com aquelas por ela mensalmente declaradas na sua Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social GFIP, que, ao início da ação fiscal, desta não constavam, para o anocalendário de 2004, em relação aos seus empregados: parte dos salários, verba para manutenção de uniformes, valores fornecidos em desacordo com a legislação, referentes a alimentação "in natura" (falta de inscrição no PAT) e valetransporte (provido em dinheiro), e diferença decorrente de alíquota incorreta do GILRAT; e, quanto aos autônomos que lhe prestaram serviços, as respectivas remunerações. DA IMPUGNAÇÃO Baseada em cláusula da Convenção Coletiva firmada entre o Sindicato dos Hotéis, Bares e Similares de São Paulo, ao qual é filiada, e o SINTHORESP, representante dos empregados do setor, referente ao período 2004/2006, efetuou o pagamento de valetransporte aos seus funcionários, no ano de 2004, em dinheiro, por causa dos constantes roubos de que eram vítimas seus portadores encarregados de adquirir os correspondentes bilhetes, tendo descontado, do valor entregue a cada empregado, o percentual legal de 6% aplicados sobre o respectivo salário, em demonstração da especificidade da verba; Sendo um restaurante, fornece alimentação diretamente aos seus funcionários, pelo que não é feito nenhum lançamento a este título nos respectivos contracheques, onde resta consignado apenas o desconto, previsto na Convenção Coletiva, do equivalente a 1% do piso da categoria, na qualidade de participação dos mesmos em tal benefício; a Fiscalização arbitrou o valor aleatório de R$ 116,32 por empregado, resultante da diferença entre R$ 121,00 e o supracitado desconto de 1% (R$ 4,68), sem que tenha havido qualquer pagamento ou crédito pela Impugnante a título de valerefeição; Não há justificativa para o lançamento efetuado de "verba não declarada em GFIP" nas competências 02, 09 e 13/2004, já que toda a remuneração dos empregados foi declarada em GFIP, à exceção dos Fl. 823DF CARF MF Impresso em 04/01/2013 por IRDA MORAIS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/07/2012 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 20/12/2012 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI Processo nº 19515.003879/200916 Despacho n.º 2403000.073 S2C4T3 Fl. 3 3 valores nãosalariais referentes ao vale transporte, auxiliouniforme e alimentação fornecida pela empresa, conforme já exposto, não sendo apontada, nas planilhas anexadas ao Auto de Infração, qual a pretensa remuneração paga, e não relacionada em GFIP, que originou tal lançamento; Não há que se falar em "diferença de SAT", visto que toda a remuneração dos empregados foi declarada em GFIP, à exceção dos valores nãosalariais referentes ao valetransporte, auxiliouniforme e alimentação fornecida pela empresa, conforme já exposto, tendo sido corretamente recolhido o montante correspondente ao SAT, no percentual de 2%; A multa moratória (sic) imposta, de 75% sobre os pretensos débitos previdenciários lançados, atenta contra o princípio da capacidade contributiva e não se justifica num país onde a inflação temse mantido baixa, na faixa de 1% ao mês, haja vista que, no caso de inadimplemento de débitos privados, a Lei 9.298/96 alterou a redação do § Io da Lei 8.078/90, reduzindo de 10% para 2% o limite da alíquota para a multa de mora; Descabe a aplicação, sobre os lançamentos efetuados, da taxa de juros SELIC, que se caracteriza pela remuneração do capital alheio e não se presta a compensar o inadimplemento de obrigação tributária, e que ofende o princípio da legalidade, ao contraporse à utilização da Taxa de Juros a Longo Prazo TJLP, prevista no § 4 o do art. 2 o da Lei 9.964/2000, devendo, ainda, ser obedecido o limite máximo de 1% estabelecido na Constituição Federal e no § I o do art. 161 do CTN; deve ser afastada, ainda, a capitalização dos juros resultante da forma de sua aplicação no Auto de Infração, conforme determinam expressamente o art. 4 o do DecretoLei 22.626/33 e a Súmula 121 do STF; Do Pedido Pelo exposto, requer a Fiscalizada o acolhimento da sua impugnação, com efeito suspensivo, nos termos do art. 151, III, do CTN, face às razões alhures invocadas, para que: Seja excluída a incidência de contribuição previdenciária sobre os valores pagos aos seus funcionários a título de: a) valetransporte; b) manutenção dos uniforme fornecidos É o Relatório.” DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA Após analisar aos argumentos da impugnante, na forma do registro de fls.141, a 14ª Turma da Delegacia de Julgamento da Receita Federal do Brasil de São Paulo – SP DRJ/SP I, em 27 de julho de 2010, exarou o Acórdão n° 1626.119 , mantendo procedente o lançamento. Fl. 824DF CARF MF Impresso em 04/01/2013 por IRDA MORAIS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/07/2012 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 20/12/2012 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI Processo nº 19515.003879/200916 Despacho n.º 2403000.073 S2C4T3 Fl. 4 4 DO RECURSO Irresignada, a Recorrente interpôs Recurso Voluntário de fls.162, onde reiterou as alegações que fizera em instancia “ad quod ” É o Relatório. Fl. 825DF CARF MF Impresso em 04/01/2013 por IRDA MORAIS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/07/2012 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 20/12/2012 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI Processo nº 19515.003879/200916 Despacho n.º 2403000.073 S2C4T3 Fl. 5 5 DO VOTO. DA TEMPESTIVIDADE Conforme registro de fls. 295, o recurso é tempestivo. Aduz que reúne os pressuposto de admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. DOS PROCESSOS APENSADOS EM PRIMEIRA INSTÂNCIA Na forma do termo de juntada às fls. 76, em 22/09/2009, em sede de impugnação, foram apensados a este os processos 9515.003877/200927; 19515.003878/2009 71; 19515.003880/200941; 9515.003881/200995; e 19515.003882/200930. Os julgamentos de primeira instância , observando as apensações sobreditas, ocorreram de forma distinta em 27 de julho de 2010 dando origem a acórdãos e Recursos Voluntários Distintos. Entretanto, depois de julgados, consta que a partir de 29/03/2011, conforme às fls. 161, 193/195, foram desapensados e em seguida, pretendendo anexálos, UNIFICADOS. DA CONEXÃO E DA CONTINÊNCIA Segundo a exegese dos artigos 103 e 104 do Código de Processo Civil, conexão e continência são institutos distinto conforme o abaixo: Art. 103. Reputamse conexas duas ou mais ações, quando lhes for comum o objeto ou a causa de pedir. Art. 104. Dáse a continência entre duas ou mais ações sempre que há identidade quanto às partes e à causa de pedir, mas o objeto de uma, por ser mais amplo, abrange o das outras. Desse modo, tratando os autos de objetos distintos, tanto que assim foram julgados, distintamente, sem sequer fazer alusão às decisões de um sobre os outros, posto que referemse a obrigações principais, com terceiros e acessórias, que, por conseguinte , com causa de pedir distintas não se vislumbram conexas as ações. O que de imediato se observa comum à todos os lançamentos é que resultam de uma mesma ação fiscal nada podendo garantir, sem analise dos autos quanto aos motivos e se todas as autuações têm os mesmos elementos de prova . Por oportuno, cabe trazer à lume o comando do artigo 105 do mesmo sobredito diploma legal : “ Art. 105. Havendo conexão ou continência, o juiz, de ofício ou a requerimento de qualquer das partes, pode ordenar a reunião de ações propostas em separado, a fim de que sejam decididas simultaneamente.” Isto posto, decidir sobre conexão ou continência não é prerrogativa dos setores administrativos sendo facultado ao julgador a reunião de ações propostas em separado, a fim de que sejam decididas simultaneamente. È equivocado entender que anexar as ações é o Fl. 826DF CARF MF Impresso em 04/01/2013 por IRDA MORAIS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/07/2012 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 20/12/2012 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI Processo nº 19515.003879/200916 Despacho n.º 2403000.073 S2C4T3 Fl. 6 6 mesmo que unificar e misturálas em um mesmo processo, até porque não necessariamente há que se verificar repercussão de algum sobre os demais. Casos de vício formal e até material podem ocorrer nos distintos lançamentos sem repercutir , ainda que esses se vinculem diretamente ao principal em todos os sentidos. DA JUNTADA DE DIVERSOS PROCESSO EM PROCESSO ÚNICO No caso presente, sem dúvida permitese que se proceda ao julgamento em sessão única mas não simultaneamente dado que os objetos são distintos bem como as causas de pedir. A questão de fundo é determinar se a decisão de INCLUIR DIVERSOS PROCESSOS DENTRO DE UM ÚNICO, com acórdãos e recursos distintos, é passível de acolhimento. Fato é que depois de julgados em sede “ ad quod ” juntaramse, todos os processos em um único impondo referência única no eprocesso. Uma coisa é julgamento único e outra coisa é referência única como se os demais tivessem deixado de existir.Aduz que na forma confusa disposta no sistema se observa um emaranhado de difícil segregação. Tal procedimento em sede recursal resulta que ao ser publicada pauta para julgamento conclamando a Recorrente a , em querendo, fazer defesa oral, somente se estará publicizando um único processo dentre os que efetivamente e distintamente serão analisados. Na hipótese de inconformismo com as demais decisões, é lícito pois recorrer e argüir cerceamento de defesa em relação aos demais tendo em vista que ao interpor recursos distintos em face dos distintos acórdãos, o contribuinte faz jus a produzir distintas defesas orais correspondentes aos interpostos recursos, salvo formal declinação. DA PORTARIA RFB Nº 2.324, DE 2 DE DEZEMBRO DE 2010 Nos autos consta despacho onde se verificam que na origem pretenderamse anexar os processos por entender que o faziam em obediência a Portaria RFB nº 2.324, de 2 de dezembro de 2010 : “ Senhor Chefe, Em atendimento à Portaria RFB nº 2.324, de 2 de dezembro de 2010, transcrita abaixo, informamos que foi juntado por anexação ao presente processo, o processo de nº 19515.000812/201063 (DEBCAD 37.251.6769) e o processo nº 19515.000815/201005 (DEBCAD 37.251.6742), conforme Termo de Juntada por Anexação em anexo. Portaria RFB nº 2.324, de 2 de dezembro de 2010 DOU de 3.12.2010 Altera a Portaria RFB nº 666, de 24 de abril de 2008, que dispõe sobre formalização deprocessos relativos a tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil(RFB). O SECRETÁRIO DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL, no uso da atribuição que lhe confere o art. 261 do Regimento Interno da Fl. 827DF CARF MF Impresso em 04/01/2013 por IRDA MORAIS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/07/2012 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 20/12/2012 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI Processo nº 19515.003879/200916 Despacho n.º 2403000.073 S2C4T3 Fl. 7 7 Secretaria da Receita Federal do Brasil, aprovado pela Portaria MF nº 125, de 4 de março de 2009, e tendo em vista o disposto no § 1º do art. 9º do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, no art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, e no art. 18 da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, resolve: Art. 1º Os arts. 1º e 2º da Portaria RFB nº 666, de 24 de abril de 2008, passam a vigorar com a seguinte redação: "Art.1º ................................................................................................................... ....... I ................................................................................................................... .................. e) às Contribuições Previdenciárias da empresa, dos segurados e para outras entidades e fundos; ou f) ao Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (Simples); ................................................................................................................... ..........." (NR) "Art.2º ................................................................................................................... ........ I recurso hierárquico relativo à compensação considerada não declarada e ao lançamento de ofício de crédito tributário dela decorrente; ou II recurso hierárquico relativo ao indeferimento de pedido de retificação, cancelamento ou desistência de Pedido de Restituição ou Ressarcimento e de Declaração de Compensação e à manifestação de inconformidade contra indeferimento do Pedido de Restituição ou Ressarcimento ou a não homologação da Declaração de Compensação originais." (NR) Art. 2º Esta Portaria entra em vigor em 1º de janeiro de 2011. Art. 3º Fica revogado o inciso III do art. 2º da Portaria RFB nº 666, de 24 de abril de 2008.” ( grifos de minha autoria). Do texto acima se observa que a Autoridade Administrativa se louvou no preceituado nos no § 1º do art. 9º do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, no art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, e no art. 18 da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003 . Destacando que os artigos 18 e 74 citados não se referem a unificação de processos, adiante, por relevante e específico, comentarei o comando do § 1º do art. 9º do Decreto nº 70.235 . “ Artigo 18 da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003 Art. 18. O lançamento de ofício de que trata o art. 90 da Medida Provisória n 2.15835, de 24 de agosto de 2001, limitarseá à imposição de multa isolada em razão de nãohomologação da Fl. 828DF CARF MF Impresso em 04/01/2013 por IRDA MORAIS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/07/2012 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 20/12/2012 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI Processo nº 19515.003879/200916 Despacho n.º 2403000.073 S2C4T3 Fl. 8 8 compensação quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo. (resolução dada pela Lei n 11.488, de 2007) ” Art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996: “ Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão.( Redação dada pela Lei n 10.637, de 2002).” Aduz que a nova Portaria fez introduzir a letra “ e ” no comando da alterada Portaria RFB nº 666, de 24 de abril de 2008 sendo que o artigo 1° permaneceu inalterado : “ Art. 1º Serão objeto de um único processo administrativo: I as exigências de crédito tributário do mesmo sujeito passivo, formalizadas com base nos mesmos elementos de prova, referentes: (...) e) às Contribuições Previdenciárias da empresa, dos segurados e para outras entidades e fundos; ou ( Redação dada pela portaria RFB nº 2.324, de 2 de dezembro de 2010) (Vide art. 2º da P RFB n 2.324/2010)” Retornando aos destaques dos artigos em que se pautou a Autoridade Administrativa para fazer observar em que situação serão objeto de um único processo administrativo, ressaltese o preceituado no § 1º do art. 9º do Decreto nº 70.235, então exortado, verbis: “ § 1o do artigo 9o no Decreto 70.235/72 na forma da redação dada pela Lei n° 11.941, de 27/05/2009, verbis: “ § 1o Os autos de infração e as notificações de lançamento de que trata o caput deste artigo, formalizados em relação ao mesmo sujeito passivo, podem ser objeto de um único processo, quando a comprovação dos ilícitos depender dos mesmos elementos de prova. ( Redação dada pela Lei n° 11.941, de 2009) ” Cumpre destacar que sob o comando do parágrafo supra, é facultado, e não obrigatório, a que “ os autos de infração e as notificações de lançamento de que trata o caput” possam ser objeto de um único processo. É compulsório observar o que diz o caput do artigo em comento e constatar que o legislador faculta unificar em um mesmo processo o “ crédito tributário e a aplicação de penalidade isolada”. Não pode passar desapercebido que somente poderá proceder à unificação dos processos : “quando a comprovação dos ilícitos depender dos mesmos elementos de Fl. 829DF CARF MF Impresso em 04/01/2013 por IRDA MORAIS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/07/2012 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 20/12/2012 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI Processo nº 19515.003879/200916 Despacho n.º 2403000.073 S2C4T3 Fl. 9 9 prova.” Isto não ocorrendo há que se proceder a instrução de PROCESSOS DISTINTOS, verbis: “Art. 9o A exigência do crédito tributário e a aplicação de penalidade isolada serão formalizados em autos de infração ou notificações de lançamento, distintos para cada tributo ou penalidade, os quais deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito. ( Redação dada pela Lei n° 11.941, de 2009)” Então, o crédito tributário e a aplicação de penalidade isolada têm que depender dos mesmos elementos de prova. Ademais, por oportuno, tendo sido o crédito lavrado em razão de inadimplências ocorridas no período 02/2004 A 12/2004, não há que se falar em aplicação de multa isolada. Desse modo, se ao menos restassem motivadas em Relatório ÚNICO a constituição dos créditos, ainda que em lançamentos distintos, como eventualmente procedem alguns Auditores Fiscais, restaria justificada uma ÚNICA IMPUGNAÇÃO seguida de ÚNICO RECURSO VOLUNTÁRIO que , por conseguinte geraria PROCESSO ÚNICO. O artigo 3º não revogado da Portaria RFB nº 666, de 24 de abril de 2008 determina que : “ Os processos em andamento, que não tenham sido formalizados de acordo com o disposto no art. 1º, serão juntados por anexação na unidade da RFB em que se encontrem.” Assim, não sendo causa de aplicação do comando do § 1o do artigo 9o no Decreto 70.235/72 na forma da redação dada pela Lei n° 11.941, de 27/05/2009 e tampouco de UNIFICAÇÃO mas de mera anexação, os processos devem ser desentranhados. Anexar, é juntar à coisa considera principal. Unificar é reunir o todo em um só corpo. A forma como foi executada a tarefa assumiu características de UNIFICAÇÃO e não de anexação como determina a portaria. Consoante o artigo 25, “b”, II, do Decreto 70.235/72, de forma indeclinável, consta que compete em segunda instância, ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais julgar recursos de ofício e voluntários de decisão de primeira instância: “ II – em segunda instância, ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, órgão colegiado, paritário, integrante da estrutura do Ministério da Fazenda, com atribuição de julgar recursos de ofício e voluntários de decisão de primeira instância, bem como recursos de natureza especial. ( Redação dada pela Lei n° 11.941, de 2009) ” Neste sentido, também, o artigo 1° do Regimento Interno do Conselho Administrativo De Recursos Fiscais – CARF, reitera , na íntegra o sobredito comando. Compulsado a julgar, da forma como me chegaram os processos, JUNTADOS de ofício, vinculados à um deles definido como principal de acordo com critério estabelecido pelo Servidor que o fez, sem a necessária certeza de que a decisão deste refletirá de forma Fl. 830DF CARF MF Impresso em 04/01/2013 por IRDA MORAIS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/07/2012 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 20/12/2012 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI Processo nº 19515.003879/200916 Despacho n.º 2403000.073 S2C4T3 Fl. 10 10 idêntica nos outros, resulta que, não obstante, à esta Turma de Conselheiros caberá fazêlo indistintamente para cada Recurso, sob pena de nulidade se assim não proceder. Na oportunidade, o Senhor Presidente da Turma o fará oportunizando à Recorrente se manifestar consoante o comando dos incisos II e III do artigo 58 do Regimento Interno do Conselho Administrativo De Recursos Fiscais – CARF, verbis: “ Art. 58. Anunciado o julgamento de cada recurso, o presidente dará a palavra, I ao relator, para leitura do relatório; II ao recorrente ou ao seu representante legal para, se desejar, fazer sustentação oral por 15 (quinze) minutos, prorrogáveis por igual período; III à parte adversa ou ao seu representante legal para, se desejar, fazer sustentação oral por 15 (quinze) minutos, prorrogáveis por igual período; ” Assim, se a Recorrente não for notificada de que na sessão também se processará o julgamento dos demais processos, é lícito argüir cerceamento de defesa em razão de não ter , necessariamente se preparado para fazer defesa dos não publicados. Cumpre destacar, que nestas circunstâncias, sendo levado à efeito o julgamento, somente se dará publicidade da decisão de apenas um processo ou seja o que foi eleito como principal, mesmo que eventualmente não o seja em razão de equivocado critério na origem. Relevante lembrar que procedendo deste modo, admitese a eventual ocorrência de decisões passíveis de embargos de declaração, que submersas na forma do julgado, aliado ao fato da ausência da devida publicidade dos “ decisium ”, não se verificaram perceptíveis motivando, por seu turno, possíveis nulidades. DO PRINCÍPIO DA PUBLICIDADE. O princípio da publicidade decorre do fato de que a ação do Estado, tanto em nível político quanto no administrativo, sempre ser motivado por razões de interesse público. A exemplo do que se observa nas decisões judiciais, o controle popular das decisões judiciais, por meio do princípio da motivação das decisões judiciais como garantia do Estado Democrático de Direito, exige a presença de outro princípio: o da publicidade, consagrado pela atual Constituição no art. 93, IX, in verbis: “ Art. 93 [...] IX todos os julgamentos dos órgãos do Poder Judiciário serão públicos, e fundamentadas todas as decisões, sob pena de nulidade, podendo a lei limitar a presença, em determinados atos, às próprias partes e a seus advogados, ou somente a estes, em casos nos quais a preservação do direito à intimidade do interessado no sigilo..” Referindose aos processos julgados o inciso II do artigo 61 do Regimento Interno do Conselho Administrativo De Recursos Fiscais – CARF aduz que serão publicadas no sítio do CARF na Internet, devendo nelas constar , verbis : Fl. 831DF CARF MF Impresso em 04/01/2013 por IRDA MORAIS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/07/2012 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 20/12/2012 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI Processo nº 19515.003879/200916 Despacho n.º 2403000.073 S2C4T3 Fl. 11 11 “ Art. 61. As atas das sessões serão assinadas pelo presidente da turma, pelo secretário de Câmara e por quem tenha atuado como secretário da sessão e serão publicadas no sítio do CARF na Internet, devendo nelas constar: I os processos distribuídos, com a identificação do respectivo número e do nome do interessado, do recorrente e do recorrido; II os processos julgados, os convertidos em diligência, os com pedido de vista, os adiados e os retirados de pauta, com a identificação, além da prevista no inciso I, do nome do Procurador da Fazenda Nacional, do recorrente ou de seu representante legal, que tenha feito sustentação oral, da decisão prolatada e a inobservância de disposição regimental; e III outros fatos relevantes, inclusive por solicitação da parte.” CONCLUSÃO Diante de tudo o que foi exposto, na forma do artigo 24 do Decreto 70.235/72, onde se determina que : “ O preparo do processo compete à autoridade local do órgão encarregado da administração do tributo.” , bem como amparo no artigo 29 do mesmo diploma legal, determino a conversão do julgamento em DILIGÊNCIA retornando os processo à origem para desentranhálos de modo que se possibilite julgamentos distintos É como voto. Ivacir Júlio de SouzaRelator. Fl. 832DF CARF MF Impresso em 04/01/2013 por IRDA MORAIS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/07/2012 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 20/12/2012 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI
score : 1.0
Numero do processo: 10218.000500/2005-72
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 15 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2001
CONTAS BANCÁRIAS COM CO-TITULARIDADE. INTIMAÇÃO DE TODOS OS COTITULARES PARA COMPROVAREM A ORIGEM DOS DEPÓSITOS BANCÁRIOS. INOCORRÊNCIA.
Não intimados todos os cotitulares da conta bancária auditada, forçoso reconhecer que não se aperfeiçoou a presunção legal de omissão de rendimentos caracterizados por depósitos bancários de origem não comprovada de tal conta. Inteligência da Súmula CARF nº 29: Todos os cotitulares da conta bancária devem ser intimados para comprovar a origem dos depósitos nela efetuados, na fase que precede à lavratura do auto de infração com base na presunção legal de omissão de receitas ou rendimentos, sob pena de nulidade do lançamento.
Recurso provido.
Numero da decisão: 2102-002.259
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento ao recurso.
Matéria: IRPF- ação fiscal - Dep.Bancario de origem não justificada
Nome do relator: GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS
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INTIMAÇÃO DE TODOS OS COTITULARES PARA COMPROVAREM A ORIGEM DOS DEPÓSITOS BANCÁRIOS. INOCORRÊNCIA. Não intimados todos os cotitulares da conta bancária auditada, forçoso reconhecer que não se aperfeiçoou a presunção legal de omissão de rendimentos caracterizados por depósitos bancários de origem não comprovada de tal conta. Inteligência da Súmula CARF nº 29: Todos os co titulares da conta bancária devem ser intimados para comprovar a origem dos depósitos nela efetuados, na fase que precede à lavratura do auto de infração com base na presunção legal de omissão de receitas ou rendimentos, sob pena de nulidade do lançamento. Recurso provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento ao recurso. Assinado digitalmente GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Relator e Presidente. EDITADO EM: 28/08/2012 Fl. 196DF CARF MF Impresso em 16/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS, Assinado digitalmente em 28/08/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Atilio Pitarelli, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, Giovanni Christian Nunes Campos, Núbia Matos Moura, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti e Rubens Maurício Carvalho. Relatório Em face do contribuinte Idário Lopes Dias, CPF/MF nº 219.143.46220, já qualificado neste processo, foi lavrado, em 24/10/2005, auto de infração (fls. 123 a 129), com ciência postal em 27/10/2005 (fl. 130). Abaixo, discriminase o crédito tributário constituído pelo auto de infração antes informado, que sofre a incidência de juros de mora a partir do mês seguinte ao do vencimento do crédito: IMPOSTO R$ 265.075,67 MULTA DE OFÍCIO R$ 298.210,12 Ao contribuinte foi imputada uma omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, no anocalendário 2000, conduta essa apenada com multa de ofício de 112,50%. Pelo que se apreende dos autos, a correspondência com o Termo de Início da Ação Fiscal voltou ao remetente, obrigando a autoridade autuante a se valer da intimação editalícia (fls. 18 a 27). Nesse Termo, requisitouse a documentação comprobatória dos valores consignados na declaração de ajuste anual do anocalendário 2000 do fiscalizado, bem como os extratos bancários de suas contas correntes no referido ano. Em decorrência do insucesso acima e tudo o mais que consta dos autos, entendeu a fiscalização que o contribuinte incorreu em hipótese autorizativa de transferência compulsória de seu sigilo bancário para o fisco, na forma do art. 3º do Decreto nº 3.724/2001, exarando a solicitação de emissão de Requisição de Informação sobre Movimentação Financeira – RMF (fls. 28 e 29). Concordando com o pedido da autoridade fiscalizadora, o Senhor Delegado da Receita Federal de Marabá (PA) expediu a RMF em face do Banco do Brasil S/A (fl. 30). Atendendo à RMF, essa instituição financeira acostou aos autos o extrato bancário da conta corrente nº 104.7892, agência 3705 Bom Jesus do Tocantins, titularizada pelos Senhores Idário Lopes Dias e Antonio César C Oliveira (fls. 36 a 70). Auditada a conta bancária acima, em 23/07/2004, a fiscalização intimou o contribuinte a comprovar a origem dos créditos levados a efeito na conta referida (fls. 71 a 75), assinandolhe um prazo de 20 dias para o mister. Em atendimento a essa intimação, em petição recebida pela fiscalização em 13/08/2004 (fls. 76 e 77), o contribuinte solicitou uma dilação de prazo para esclarecer a origem dos depósitos bancários, quando juntou o contrato de adesão a produtos e serviços vinculado à conta corrente nº 104.7892, datado de 19/02/2001, e assinado pelos Senhores Idário Lopes Dias e Antonio César Costa Oliveira (fls. 79 e 80); cópia de uma petição do Senhor Antonio César Costa Oliveira em que este solicitava ao Banco do Brasil sua exclusão da segunda titularidade da conta bancária em debate (fl. 81); cópias de petições dirigidas ao Banco do Brasil com o fito de conseguir cópias microfilmadas dos cheques debitados em sua conta (fls. 82 e 83) e 09 declarações de terceiros atestando que o fiscalizado intermediava a compra e venda de gado bovino, com depósitos e saques dos valores transacionados passando pela conta bancária do comissionado fiscalizado (fls. 84 a 92). Fl. 197DF CARF MF Impresso em 16/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS, Assinado digitalmente em 28/08/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10218.000500/200572 Acórdão n.º 2102002.259 S2C1T2 Fl. 2 3 Em petição datada de 30/09/2004, o contribuinte solicitou nova dilação do prazo para atendimento da intimação de 23/07/2004 (fls. 95 e 96), já que ainda não conseguira as cópias dos cheques debitados em sua conta corrente e solicitados ao Banco do Brasil (fl. 97). Por fim, em petição recebida em 14/10/2004, o fiscalizado repisou que intermediava a compra e venda de gado bovino, recebendo comissões em tais transações, e que disponibilizava sua conta bancária para receber os montantes dos compradores, e, em decorrência, era obrigado a emitir cheques para pagamento do gado comprado. Ainda, juntou declaração da Agência de Defesa Agropecuária do Pará que atestava sua condição de pecuarista (fls. 102 e 103). Ausente a comprovação individualizada dos créditos bancários, a fiscalização se ancorou na presunção legal do art. 42 da Lei nº 9.430/96, imputando ao fiscalizado uma omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada no montante de R$ 979.620,62. Ainda, considerando que o contribuinte não acostou aos autos os extratos de suas contas bancárias, entendeu a fiscalização que o contribuinte incorreu em hipótese autorizadora de agravamento da multa de ofício, na forma do art. 959 do Decreto nº 3.000/99. Inconformado com a autuação, o contribuinte apresentou impugnação ao lançamento dirigida à Delegacia da Receita Federal de Julgamento. A 2ª Turma de Julgamento da DRJBelém (PA), por unanimidade de votos, considerou procedente o lançamento, em decisão de fls. 144 a 158. A decisão foi consubstanciada no Acórdão n° 018.149, de 26 de abril de 2007. O contribuinte foi intimado da decisão a quo em 16/05/2007 (fl. 162). Irresignado, interpôs recurso voluntário em 14/06/2007 (fl. 163). No voluntário, o recorrente alega, em síntese, que desenvolve a atividade de intermediação de compra e venda de gado bovino, auferindo uma comissão nunca superior a 8% nas operações realizadas, sendo inaceitável a imputação da totalidade de sua movimentação bancária como rendimentos omitidos, o que gerou um imposto devido totalmente dissociado da realidade econômica do autuado, que se locomove em uma motocicleta 125cc, não possui nenhum bem imóvel, reside em casa alugada por menos de 1 salário mínimo e sua conta bancária, em regra, está com saldo negativo, fazendo uso do crédito rotativo. No tocante ao agravamento da multa de ofício, alega que sequer recebeu as intimações para acostar os extratos bancários aos autos, sendo certo que caberia a fiscalização solicitálos diretamente à instituição bancária, como terminou ocorrendo, o que implica nos descabimento do agravamento perpetrado pela autoridade. Em sessão plenária 29 de julho de 2009, este Colegiado converteu o julgamento em diligência, por intermédio da Resolução nº 21020.007, para que a autoridade tomasse a seguinte providência: a) intimar o Banco do Brasil a esclarecer se a conta corrente nº 104.7892, agência 3705 Bom Jesus do Tocantins era co titularizada pelos Senhores Idário Lopes Dias e Antonio César C Oliveira no anocalendário 2000; b) caso a conta corrente do item precedente seja co titularizada pelos correntistas citados, informar se houve intimação ao Senhor Antonio César C Oliveira para comprovar a origem dos depósitos bancários considerados de origem não Fl. 198DF CARF MF Impresso em 16/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS, Assinado digitalmente em 28/08/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS 4 comprovada, acostando aos autos a documentação comprobatória da intimação e a resposta do intimado. A instituição financeira foi intimada e asseverou que a conta corrente nº 104.7892, durante o anocalendário 2000, era cotitularizada pelos clientes Idário Lopes Silva, CPF – 219.143.46220, e Antonio César Costa Oliveira, CPF – 399.950.97249, sendo que em 21/05/2002, a pedido do segundo titular Antonio César, a conta passou a ter titularidade única do cliente Idário Lopes Dias. Concluindo a diligência, asseverou a autoridade fiscal que a presidiu: (...) Em resposta ao Termo de Intimação Fiscal, lavrado por esta DRF MARABÁ em 19/04/2012, a diligenciada informou que a conta citada era sim cotitularizada pelos contribuintes mencionados. Informou ainda que em 25/05/2002, a conta passou a ser titularizada exclusivamente pelo interessado no presente processo. Em pesquisa realizada nos arquivos desta DRF, não foi encontrado no dossiê da fiscalização a qual deu origem ao auto de infração objeto do presente processo nenhuma intimação dirigida ao nacional Antonio César C Oliveira. (...) Notificado da conclusão da diligência acima, o fiscalizado repisou que fazia intermediação de compra e venda de gado e que não havia justificativa para a aplicação da multa agravada. É o relatório. Voto Conselheiro Giovanni Christian Nunes Campos, Relator Primeiramente, declarase a tempestividade do apelo, já que o contribuinte foi intimado da decisão recorrida em 16/05/2007 (fl. 162), quartafeira, e interpôs o recurso voluntário em 14/06/2007 (fl. 163), dentro do trintídio legal, este que teve seu termo final em 15/06/2007, sextafeira. Antes de apreciar as razões deduzidas pelo recorrente, devese verificar se a presunção do art. 42 da Lei nº 9.430/96, que estribou o lançamento, aperfeiçoouse, já que os Colegiados do CARF têm o dever de controlar a legalidade do lançamento, devendo expungir do lançamento eventuais atos sem base legal, com erros flagrantes, bem como apreciar as matérias de ordem pública. No caso destes autos, vêse que a autoridade fiscal não cumpriu a cabeça do art. 42 da Lei nº 9.430/96 (Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados Fl. 199DF CARF MF Impresso em 16/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS, Assinado digitalmente em 28/08/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10218.000500/200572 Acórdão n.º 2102002.259 S2C1T2 Fl. 3 5 nessas operações), que determina a imperiosa necessidade de intimação dos titulares da conta de depósito, em patente ilegalidade, pois, como se viu pela diligência, a autoridade lançadora não intimou o segundo cotitular da conta bancária auditada (conta corrente nº 104.7892, agência 3705 Bom Jesus do Tocantins PA), o que é causa de nulidade substancial do lançamento, como se vê pelo teor da Súmula CARF nº 29, abaixo transcrita: Súmula CARF nº 29: Todos os cotitulares da conta bancária devem ser intimados para comprovar a origem dos depósitos nela efetuados, na fase que precede à lavratura do auto de infração com base na presunção legal de omissão de receitas ou rendimentos, sob pena de nulidade do lançamento. Ausente a intimação de todos os cotitulares da conta de depósito auditada, forçoso reconhecer que o lançamento não pode subsistir. Reconhecida a nulidade do lançamento, por óbvio fica prejudicada a discussão das razões aventadas pelo recorrente. Ante o exposto, voto no sentido de DAR provimento ao recurso. Assinado digitalmente Giovanni Christian Nunes Campos Fl. 200DF CARF MF Impresso em 16/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS, Assinado digitalmente em 28/08/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS
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Numero do processo: 10120.903649/2008-37
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 02 00:00:00 UTC 2012
Ementa: SIMPLES Exercício: 30/06/2004 INTEMPESTIVIDADE.
SÚMULA CARF Nº 9. Por intempestivo, não se conhece do Recurso Voluntário protocolizado após o prazo de trinta dias, a contar da ciência da decisão de primeira instância, nos termos do art. 33 do Decreto nº 70.235/72. Recurso apresentado após o prazo estabelecido, dele não se toma conhecimento, visto que, nos termos do art. 42 do mesmo diploma, a decisão de primeira instância já se tornou definitiva.
Numero da decisão: 1801-001.189
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso voluntário por intempestivo, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA
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SÚMULA CARF Nº 9. Por intempestivo, não se conhece do Recurso Voluntário protocolizado após o prazo de trinta dias, a contar da ciência da decisão de primeira instância, nos termos do art. 33 do Decreto nº 70.235/72. Recurso apresentado após o prazo estabelecido, dele não se toma conhecimento, visto que, nos termos do art. 42 do mesmo diploma, a decisão de primeira instância já se tornou definitiva. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso voluntário por intempestivo, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Presidente. (assinado digitalmente) Guilherme Pollastri Gomes da Silva Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carmen Ferreira Saraiva, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Maria de Lourdes Ramirez, Marcos Vinicius Barros Ottoni, Guilherme Polastri Gomes da Silva e Ana de Barros Fernandes. Relatório Fl. 118DF CARF MF Impresso em 16/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2012 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/10/2012 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/11/2012 por ANA D E BARROS FERNANDES 2 Trata o presente processo da DCOMP transmitida eletronicamente em 19/01/2005, com base em créditos relativos ao IRPJ. A contribuinte declarou no PER/DCOMP a existência de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior, cujo DARF apresenta as seguintes características: Características do DARF: PA CÓD. REC. DARF DATA 30/06/2004 2372 48.880,97 30/07/2004 A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP foi identificado pelos sistemas internos da RFB, que o referido DARF, na verdade, havia sido utilizado para pagamento de outro débito, conforme demonstrado no quadro a seguir, de modo que não existia crédito disponível para efetuar a compensação solicitada pela contribuinte no PER/DCOMP objeto da atual lide. Utilização dos pagamentos encontrados para o DARF discriminado no PER/DCOMP: Nº PAGT. VALOR ORIG. PERDCOMP VALOR SALDO 1651349871 48.880,97 Cód.2372 PA 30/06/04 48.880,97 0,00 Assim, em 12/08/2008, foi emitido eletronicamente o Despacho Decisório (fl. 18), cuja decisão não homologou a compensação dos débitos confessados por inexistência de de crédito. O valor do principal correspondente aos débitos informados é de R$ 34.072,17. Cientificado, via postal, dessa decisão em 21/08/2008, bem como da cobrança dos débitos confessados na Dcomp, o sujeito passivo apresentou em 19/09/2008, manifestação de inconformidade acrescida de documentação anexa. A contribuinte contesta a decisão proferida no Despacho Decisório, alegando que teria deixado de retificar os valores reais do débito compensado no PER/DCOMP e informados a maior na DCTF original. Desse modo, não teria sido possível para os sistemas da RFB confirmarem a existência do crédito pleiteado, visto que os valores teriam sido informados indevidamente na DCTF. A contribuinte informa, ainda, que já teria retificado a DCTF que conteria informações sobre o crédito informado no PER/DCOMP e solicita nova revisão do Per/DCOMP objeto da lide. Ao final, requer que seja acolhida a presente a Manifestação de Inconformidade, cancelando se o débito fiscal reclamado e constante no Despacho Decisório emitido pela RFB. A 4ª Turma da DRJ/BSB, por unanimidade de votos julgou improcedente a manifestação de inconformidade e não reconheceu o direito creditório, conforme ementa que abaixo reproduzo: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Data do fato gerador: 30/06/2004 ERRO NAS INFORMAÇÕES CONTIDAS NA DCTF. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO. Fl. 119DF CARF MF Impresso em 16/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2012 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/10/2012 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/11/2012 por ANA D E BARROS FERNANDES Processo nº 10120.903649/200837 Acórdão n.º 1801001.189 S1TE01 Fl. 71 3 Não foram apresentadas provas que demonstrassem a existência de erro no preenchimento das informações contidas na DCTF original. A simples entrega de DCTF retificadora não tem o condão de comprovar a existência de pagamento indevido ou a maior. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE CRÉDITO. A compensação de créditos tributários (débitos do contribuinte) só pode ser efetuada com crédito líquido e certo do sujeito passivo, sendo que a compensação somente pode ser autorizada nas condições e sob as garantias estipuladas em lei; no caso, o crédito pleiteado é inexistente. Foi lavrado o termo de perempção em 10/08/2011. É o Relatório. Voto Fl. 120DF CARF MF Impresso em 16/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2012 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/10/2012 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/11/2012 por ANA D E BARROS FERNANDES 4 Conselheiro Guilherme Pollastri Gomes da Silva Do exame dos autos, verificase que existe uma questão prejudicial à análise do mérito da presente autuação, relacionada com a fluição do prazo para interposição do recurso voluntário a esse E.Conselho. Foi lavrado termo de perempção pela Sra. Ione de Fátima B.B. Rocha ATRFB, informando que o recurso voluntário foi apresentado fora do prazo estipulado pela legislação do Processo Administrativo Fiscal (Decreto nº 70.235/72), nos seguintes termos: “A contribuinte supracitada foi cientificada do teor do acórdão da DRJ/BSA, em 01.06.2011, e apresentou, intempestivamente, em 08/07/2011, recurso voluntário e demais documentos, juntados às fls. 35/67. ..... Foi lavrado o termo de perempção, juntado à fl.69. Assim, proponho que se encaminhe o presente processo ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais/MF para apreciação. À Consideração Superior.” Verificado que realmente o Contribuinte recebeu o AR em 01/06/2011 e ingressou com recurso voluntário somente em 08/07/2011, não foram atendidas as exigências contidas nos artigos 33, 5º e 42 do Decreto 70.235/72: “Art. 33 – Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão Art. 5º Os prazos serão contínuos, excluindose na sua contagem o dia do início e incluindose o do vencimento. Parágrafo único. Os prazos só se iniciam ou vencem no dia de expediente normal no órgão em que corra o processo ou deva ser praticado o ato. Art. 42. São definitivas as decisões: II de segunda instância de que não caiba recurso ou, se cabível, quando decorrido o prazo sem sua interposição;” Logo, o Recurso Voluntário é intempestivo e assim tornase definitiva a decisão de primeira instância. Nestes termos, posicionome no sentido de não conhecer do recurso voluntário. (assinado digitalmente) Guilherme Pollastri Gomes da Silva Fl. 121DF CARF MF Impresso em 16/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2012 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/10/2012 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/11/2012 por ANA D E BARROS FERNANDES Processo nº 10120.903649/200837 Acórdão n.º 1801001.189 S1TE01 Fl. 72 5 Fl. 122DF CARF MF Impresso em 16/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2012 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/10/2012 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/11/2012 por ANA D E BARROS FERNANDES
score : 1.0
Numero do processo: 10384.722088/2011-71
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 22 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Mar 11 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/07/2007 a 31/10/2008
PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. PEDIDO DE PERÍCIA E JUNTADA POSTERIOR DE DOCUMENTO. COMPENSAÇÃO. DECISÃO JUDICIAL. INAPLICABILIDADE. PRINCÍPIOS DA RAZOABILIDADE E DA PROPORCIONALIDADE. OFENSA. NÃO OCORRÊNCIA.
Incabível o pedido de perícia, bem como a juntada posterior de documentos, tendo em vista que tais pleitos contrariam dispositivos do Decreto nº 70.235/72, em especial, o inciso IV do art. 16, bem como o § 4º do art. 15.
A decisão do TRF da 1ª Região, parcialmente favorável às pretensões do contribuinte, reconhece o direito à compensação da contribuição previdenciária incidente sobre o abono constitucional de 1/3 de férias e sobre remuneração de auxílio-doença / acidente nos quinze primeiros dias de afastamento do empregado, observado o limite determinado pelo art. 170-A do CTN. Com efeito, o contribuinte realizou a compensação antes do trânsito em julgado da sentença, situação que afasta completamente qualquer argumento de amparo judicial para efetivar compensações.
O lançamento e a decisão recorrida estão em perfeita consonância com o ordenamento jurídico vigente, situação que afasta qualquer alegação de ofensa aos princípios da razoabilidade e da proporcionalidade.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2803-001.978
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a).
(Assinado digitalmente)
Helton Carlos Praia de Lima Presidente
(Assinado digitalmente)
Amílcar Barca Teixeira Júnior Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Oseas Coimbra Júnior, Eduardo de Oliveira, Amilcar Barca Teixeira Junior, Gustavo Vettorato e Natanael Vieira dos Santos.
Nome do relator: AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/07/2007 a 31/10/2008 PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. PEDIDO DE PERÍCIA E JUNTADA POSTERIOR DE DOCUMENTO. COMPENSAÇÃO. DECISÃO JUDICIAL. INAPLICABILIDADE. PRINCÍPIOS DA RAZOABILIDADE E DA PROPORCIONALIDADE. OFENSA. NÃO OCORRÊNCIA. Incabível o pedido de perícia, bem como a juntada posterior de documentos, tendo em vista que tais pleitos contrariam dispositivos do Decreto nº 70.235/72, em especial, o inciso IV do art. 16, bem como o § 4º do art. 15. A decisão do TRF da 1ª Região, parcialmente favorável às pretensões do contribuinte, reconhece o direito à compensação da contribuição previdenciária incidente sobre o abono constitucional de 1/3 de férias e sobre remuneração de auxílio-doença / acidente nos quinze primeiros dias de afastamento do empregado, observado o limite determinado pelo art. 170-A do CTN. Com efeito, o contribuinte realizou a compensação antes do trânsito em julgado da sentença, situação que afasta completamente qualquer argumento de amparo judicial para efetivar compensações. O lançamento e a decisão recorrida estão em perfeita consonância com o ordenamento jurídico vigente, situação que afasta qualquer alegação de ofensa aos princípios da razoabilidade e da proporcionalidade. Recurso Voluntário Negado
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a). (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima Presidente (Assinado digitalmente) Amílcar Barca Teixeira Júnior Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Oseas Coimbra Júnior, Eduardo de Oliveira, Amilcar Barca Teixeira Junior, Gustavo Vettorato e Natanael Vieira dos Santos.
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CUSTEIO. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. PEDIDO DE PERÍCIA E JUNTADA POSTERIOR DE DOCUMENTO. COMPENSAÇÃO. DECISÃO JUDICIAL. INAPLICABILIDADE. PRINCÍPIOS DA RAZOABILIDADE E DA PROPORCIONALIDADE. OFENSA. NÃO OCORRÊNCIA. 1. Incabível o pedido de perícia, bem como a juntada posterior de documentos, tendo em vista que tais pleitos contrariam dispositivos do Decreto nº 70.235/72, em especial, o inciso IV do art. 16, bem como o § 4º do art. 15. 2. A decisão do TRF da 1ª Região, parcialmente favorável às pretensões do contribuinte, reconhece o direito à compensação da contribuição previdenciária incidente sobre o abono constitucional de 1/3 de férias e sobre remuneração de auxíliodoença / acidente nos quinze primeiros dias de afastamento do empregado, observado o limite determinado pelo art. 170A do CTN. Com efeito, o contribuinte realizou a compensação antes do trânsito em julgado da sentença, situação que afasta completamente qualquer argumento de amparo judicial para efetivar compensações. 3. O lançamento e a decisão recorrida estão em perfeita consonância com o ordenamento jurídico vigente, situação que afasta qualquer alegação de ofensa aos princípios da razoabilidade e da proporcionalidade. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 4. 72 20 88 /2 01 1- 71 Fl. 850DF CARF MF Impresso em 11/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2013 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 2 1/02/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 30/01/2013 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 10384.722088/201171 Acórdão n.º 2803001.978 S2TE03 Fl. 3 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a). (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima – Presidente (Assinado digitalmente) Amílcar Barca Teixeira Júnior – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Oseas Coimbra Júnior, Eduardo de Oliveira, Amilcar Barca Teixeira Junior, Gustavo Vettorato e Natanael Vieira dos Santos. Fl. 851DF CARF MF Impresso em 11/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2013 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 2 1/02/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 30/01/2013 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 10384.722088/201171 Acórdão n.º 2803001.978 S2TE03 Fl. 4 3 Relatório Tratase de Auto de Infração de Obrigação Principal (AIOP) e de obrigação acessória (AIOA) lavrados em desfavor do contribuinte acima identificado, decorrente da glosa de contribuições previdenciárias compensadas indevidamente, conforme previsto no art. 89, § 9º da Lei 8.212/91, art. 35 do mesmo diploma legal, c/c com art. 61 da Lei 9.430, §§ 1º e 2º, nas competências 07/2007 a 10/2008 AI 37.346.0686). Também foi lavrado o AI 37.346.069 4 por falsidade de declaração, em conformidade com o disposto no art. 89, § 10 da Lei 8.212/91 c/c o inciso I do caput do art. 44 da Lei 9.430/96. O Contribuinte devidamente notificado apresentou defesa tempestiva. A impugnação foi julgada em 29 de março de 2012 e ementada nos seguintes termos: ASSUNTO: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/07/2007 a 31/10/2008 IMPUGNAÇÃO DE LANÇAMENTO. PEDIDO DE PERÍCIA. A formulação de quesitos referentes aos exames desejados é condição necessária para o deferimento do pedido de perícia ou diligência no Processo Administrativo Fiscal. No caso da perícia, ainda é necessário a indicação do nome, endereço e qualificação profissional do perito. IMPUGNAÇÃO DE LANÇAMENTO. JUNTADA POSTERIOR DE DOCUMENTOS. A impugnação deve vir acompanhada de todas as provas e documentos em que se fundamentar, ressalvados os casos previstos no art. 15, § 4º, do Decreto 70.235/72. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. AUTORIZAÇÃO JUDICIAL. É vedada a compensação mediante aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial – ART. 179A do CTN. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA INDEVIDA. FALSIDADE DA DECLARAÇÃO PRESTADA PELO SUJEITO PASSIVO. Comprovada a apresentação de declaração pelo sujeito passivo para assegurar o direito à compensação de contribuição previdenciária, cujos valores não refletem aqueles registrados nos seus livros e documentos fiscais, resta caracterizada a falsidade de declaração, sujeitandoo à penalidade prevista no art. 89, § 10º, da Lei 8.212/91. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. MANDADO DE SEGURANÇA. Fl. 852DF CARF MF Impresso em 11/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2013 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 2 1/02/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 30/01/2013 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 10384.722088/201171 Acórdão n.º 2803001.978 S2TE03 Fl. 5 4 O Mandado de Segurança suspende a exigibilidade do crédito tributário nos termos em que for proferida a decisão. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Inconformado com resultado do julgamento da primeira instância administrativa, o Contribuinte apresentou recurso tempestivo, onde alega, em síntese, o seguinte: Cuidase de autos de infração DEBCAD Nº 37.346.0686, lavrado pela SRFB/DRF de Teresina/PI, que exige do Contribuinte/Recorrente, Contribuições Sociais supostamente devidas à Seguridade Social, decorrente de glosa de compensações de contribuições previdenciárias realizadas pelo contribuinte por meio de GFIP, referente ao período de julho/2007 a outubro/2008. E, de auto de infração DEBCAD Nº 37.346.0694, também lavrado pela SRFB/DRF de Teresina/PI, exigindo do Contribuinte/Recorrente o pagamento de multa, sob a alegativa de que a Recorrente teria apresentado ao Fisco Federal declarações com falsidade informadas na GFIP, período de Dezembro/2008. A Autuada, aqui Recorrente, esclarece que houve claro equívoco na autuação, uma vez que diante do recolhimento indevido de contribuições sociais previdenciárias, a peticionante ajuizou Mandado de Segurança distribuído para a 1ª Vara Federal em Teresina/PI, sob o nº 2007.40.00.0018241, pleiteando a declaração da inexigibilidade das verbas discutidas, bem como que o Fisco Federal se abstivesse de promover retaliações ao exercício do direito à compensação, previsto no artigo 66 da Lei nº 8.383/91 c/c art. 74 da Lei nº 9.430/96. Contrariando decisões judiciais, foram lavrados os Autos de Infração supramencionados numa tentativa do fisco de compelir o Contribuinte/Recorrente ao pagamento de tributo inexigível, como se o Recorrente não tivesse nenhuma base legal e judicial para suas declarações – o que, digase de passagem – não ocorreu, uma vez que as declarações do Peticionante estão como já demonstrado, embasadas legal e judicialmente. É certo que o Recorrente relativamente ao auto de infração DEBCAD nº 37.346.0686, recolheu Contribuição Social Previdenciária Patronal incidente sobre férias e saláriomaternidade indevidamente, e faria jus à compensação desses valores com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a quaisquer tributos ou contribuições administradas pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, nos termos do artigo 66 da Lei nº 8.383/91, combinado com o artigo 74 da Lei nº 9.430/96, como bem já declarados pelo Poder Judiciário. A decisão recorrida indeferiu o pedido de produção de prova pericial formulado pela Recorrente no sentido de averiguar que o aproveitamento do crédito foi feito com base em decisão judicial para tanto. Nesse ponto, referida decisão cerceou gravemente o direito de defesa da aqui Recorrente. Fl. 853DF CARF MF Impresso em 11/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2013 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 2 1/02/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 30/01/2013 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 10384.722088/201171 Acórdão n.º 2803001.978 S2TE03 Fl. 6 5 Os agentes fiscais arbitrariamente entenderam que a Recorrente não pode pedir a juntada posterior de documentos após apresentar a impugnação administrativa, o que coíbe de pronto o direito de defesa da Recorrente. É legal a realização da compensação, sendo, inclusive, desnecessária a autorização judicial. Reiterese que a suspensão da exigibilidade dos tributos em questão, em favor da Impugnante, tem previsão judicial – conforme decisões – bem como previsão legal no próprio CTN. Não incide contribuição previdenciária sobre férias. Não incide contribuição previdenciária sobre os primeiros quinze dias de afastamento do obreiro. No relatório da autuação o fiscal autuante alegou que as informações prestadas na GFIP estavam eivadas de falsidade, o que de fato não ocorreu. A aplicação de multa isolada apenas, sob a alegativa de “em nenhum momento, foi assegurado ao contribuinte direito a efetuar referidas compensações”, é escorchante e afronta os princípios basilares do direito, e por esse motivo não pode essa imposição do Fisco prosperar. Face ao exposto, pede a Vossas Excelências que conheçam e deem provimento ao presente recurso voluntário para reformar a decisão recorrida, julgando no todo improcedente esta ação fiscal DEBCAD`S nºs 37.346.0686 e 37.346.0694. Tudo por ser de direito e justiça. Por fim, pede que o advogado que a presente subscreve seja intimado a comparecer na seção de julgamento deste Recurso, para que possa sustentar oralmente as suas razões de defesa. Não apresentadas as contrarrazões. É o relatório. Fl. 854DF CARF MF Impresso em 11/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2013 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 2 1/02/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 30/01/2013 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 10384.722088/201171 Acórdão n.º 2803001.978 S2TE03 Fl. 7 6 Voto Conselheiro Amílcar Barca Teixeira Júnior, Relator. O recurso voluntário é tempestivo, e considerando o preenchimento dos demais requisitos de sua admissibilidade, merece ser apreciado. Seguindo o mesmo entendimento dos julgadores a quo também entendo incabível o pedido de perícia, bem como a juntada posterior de documentos, tendo em vista que tais pleitos contrariam dispositivos do Decreto nº 70.235/72, em especial, o inciso IV do art. 16, bem como o § 4º do art. 15. No que diz respeito ao ponto nodal do lançamento, ou seja, em relação à compensação de contribuições previdenciárias incidente sobre férias e saláriomaternidade, não vislumbro qualquer possibilidade de modificar a decisão recorrida, porquanto tratarse de situação dissonante com aquela supostamente amparada por decisão judicial. Como bem explicitado no acórdão recorrido, a decisão do TRF da 1ª Região, parcialmente favorável às pretensões do contribuinte, reconhece o direito à compensação da contribuição previdenciária incidente sobre o abono constitucional de 1/3 de férias e sobre remuneração de auxíliodoença / acidente nos quinze primeiros dias de afastamento do emrpegado, observado o limite determinado pelo art. 170A do CTN. Com efeito, o contribuinte realizou a compensação antes do trânsito em julgado da sentença, situação que afasta completamente qualquer argumento de amparo judicial para efetivar compensações. Outrossim, a suspensão da exigibilidade do crédito por força de medida judicial não impede a lavratura de auto de infração, conforme dispõe o enunciado nº 03 do CARF. As verbas ora em discussão estão previstas na legislação de regência, in casu, no inciso I do art. 22 da Lei nº 8.212/91, motivo pelo qual não merece prosperar qualquer alegação de afronta a texto constitucional. A autoridade administrativa incumbida do lançamento, como se pode observar, agiu em estrita conformidade com a legislação e constituiu o crédito tributário nos exatos termos do art. 142 do CTN. Aliás, no quesito inconstitucionalidade, há que se destacar que o CARF não é competente para se pronunciar sobre inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 02). Noutro giro, também não há que se falar em inaplicabilidade da taxa SELIC. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período d inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia – SELIC para títulos federais (Súmula CARF nº 4). Fl. 855DF CARF MF Impresso em 11/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2013 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 2 1/02/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 30/01/2013 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 10384.722088/201171 Acórdão n.º 2803001.978 S2TE03 Fl. 8 7 No respeitante ao Auto de Infração 37.346.0694, melhor sorte não terá o recorrente. Observase da decisão recorrida que não existe qualquer respaldo judicial para amparar a pretensão do contribuinte. Não se trata o caso de simples lançamento por homologação. Como bem pontuado pela decisão recorrida, tratas sim, de compensação de contribuição previdenciária com incidência prevista em lei e recolhida pelo contribuinte á época, autorizada pelo Poder Judiciário, desde que respeitado o limite temporal imposto pelo art. 170A do CTN. Sobre a multa isolada prevista no § 10 da Lei nº 8.212/91, está correta a descrição do item 1 do Relatório Fiscal de fls. 17/18, onde estão descritas as razões que caracterizaram a compensação com falsidade de declaração. Quanto ao pedido de intimação do advogado para comparecer na seção de julgamento para sustentar oralmente as suas razões de defesa há que se destacar a aplicabilidade do art. 55 do RICARF. Vêse, pois, que o lançamento e a decisão recorrida estão em perfeita consonância com o ordenamento jurídico vigente, situação que afasta qualquer alegação de ofensa aos princípios da razoabilidade e da proporcionalidade. Assim sendo, mantenho o lançamento e a decisão recorrida pelos seus próprios fundamentos. CONCLUSÃO. Pelo exposto, voto por CONHECER do recurso para, no mérito, NEGAR LHE PROVIMENTO. É como voto. (Assinado digitalmente) Amílcar Barca Teixeira Júnior – Relator. Fl. 856DF CARF MF Impresso em 11/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2013 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 2 1/02/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 30/01/2013 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR
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Numero do processo: 10580.726518/2009-93
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 23 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Mar 11 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005, 2006, 2007
ISENÇÃO HETERÔNOMA. IMPOSSIBILIDADE.
A Lei Estadual da Bahia nº 8.730/2003 não tem o condão de excluir, por meio de isenção heterônoma, crédito tributário relativo ao imposto de renda, tributo de competência da União, ainda que o produto da arrecadação deste imposto, retido na fonte, se destine ao próprio Estado.
URV. DIFERENÇAS. RECEBIMENTO EM MOMENTO POSTERIOR.
As diferenças de URV percebidas em momento posterior à conversão se incorporam aos vencimentos, razão pela qual devem integrar a base de cálculo do imposto de renda, haja vista que não mais representam diferenças de URV, mas sim diferenças de remuneração.
RETENÇÃO NA FONTE. OMISSÃO. RESPONSABILIDADE DO CONTRIBUINTE.
O inadimplemento do dever de recolher a exação na fonte não exclui a obrigação do contribuinte de oferecer os valores percebidos à tributação. A responsabilidade pelo pagamento do tributo continua sendo do contribuinte, que deve proceder ao ajuste em sua declaração de rendimentos, a despeito da errônea interpretação conferida à legislação pelo responsável tributário.
JUROS DE MORA. DECISÃO DO STJ EM SEDE DE RECURSO REPETITIVO.
A decisão do STJ, em sede de recurso repetitivo, que excluiu a exigência do imposto de renda sobre juros de mora, se restringiu aos pagamentos efetuados em virtude de decisão judicial proferida em ação de natureza trabalhista, devidos no contexto de rescisão de contrato de trabalho, por força da norma isentiva prevista no inciso V do art. 6º da Lei nº 7.713/1988.
MULTA DE OFÍCIO. ERRO ESCUSÁVEL.
Não comporta multa de oficio o lançamento constituído com base em valores espontaneamente declarados pelo contribuinte que, induzido pelas informações prestadas pela fonte pagadora, incorreu em erro escusável no preenchimento da declaração de rendimentos.
Preliminar de Tempestividade Acatada
Demais Preliminares Rejeitadas.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2801-002.871
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acatar a preliminar de tempestividade e rejeitar as demais preliminares suscitadas. No mérito, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para excluir a multa de ofício de 75% (setenta e cinco por cento), nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Carlos César Quadros Pierre e Luiz Cláudio Farina Ventrilho que davam provimento parcial ao recurso em maior extensão.
Assinado digitalmente
Tânia Mara Paschoalin - Presidente em exercício.
Assinado digitalmente
Marcelo Vasconcelos de Almeida - Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Sandro Machado dos Reis, Walter Reinaldo Falcão Lima, Carlos César Quadros Pierre e Luís Cláudio Farina Ventrilho.
Nome do relator: MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA
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IMPOSSIBILIDADE. A Lei Estadual da Bahia nº 8.730/2003 não tem o condão de excluir, por meio de isenção heterônoma, crédito tributário relativo ao imposto de renda, tributo de competência da União, ainda que o produto da arrecadação deste imposto, retido na fonte, se destine ao próprio Estado. URV. DIFERENÇAS. RECEBIMENTO EM MOMENTO POSTERIOR. As diferenças de URV percebidas em momento posterior à conversão se incorporam aos vencimentos, razão pela qual devem integrar a base de cálculo do imposto de renda, haja vista que não mais representam diferenças de URV, mas sim diferenças de remuneração. RETENÇÃO NA FONTE. OMISSÃO. RESPONSABILIDADE DO CONTRIBUINTE. O inadimplemento do dever de recolher a exação na fonte não exclui a obrigação do contribuinte de oferecer os valores percebidos à tributação. A responsabilidade pelo pagamento do tributo continua sendo do contribuinte, que deve proceder ao ajuste em sua declaração de rendimentos, a despeito da errônea interpretação conferida à legislação pelo responsável tributário. JUROS DE MORA. DECISÃO DO STJ EM SEDE DE RECURSO REPETITIVO. A decisão do STJ, em sede de recurso repetitivo, que excluiu a exigência do imposto de renda sobre juros de mora, se restringiu aos pagamentos efetuados em virtude de decisão judicial proferida em ação de natureza trabalhista, devidos no contexto de rescisão de contrato de trabalho, por força da norma isentiva prevista no inciso V do art. 6º da Lei nº 7.713/1988. MULTA DE OFÍCIO. ERRO ESCUSÁVEL. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 65 18 /2 00 9- 93 Fl. 138DF CARF MF Impresso em 11/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 30/01/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 02/02/2013 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 10580.726518/200993 Acórdão n.º 2801002.871 S2TE01 Fl. 139 2 Não comporta multa de oficio o lançamento constituído com base em valores espontaneamente declarados pelo contribuinte que, induzido pelas informações prestadas pela fonte pagadora, incorreu em erro escusável no preenchimento da declaração de rendimentos. Preliminar de Tempestividade Acatada Demais Preliminares Rejeitadas. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acatar a preliminar de tempestividade e rejeitar as demais preliminares suscitadas. No mérito, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para excluir a multa de ofício de 75% (setenta e cinco por cento), nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Carlos César Quadros Pierre e Luiz Cláudio Farina Ventrilho que davam provimento parcial ao recurso em maior extensão. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Presidente em exercício. Assinado digitalmente Marcelo Vasconcelos de Almeida Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Sandro Machado dos Reis, Walter Reinaldo Falcão Lima, Carlos César Quadros Pierre e Luís Cláudio Farina Ventrilho. Relatório Por bem descrever os fatos, adotase o Relatório da decisão de 1ª instância administrativa, reproduzido a seguir: Tratase de auto de infração relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física IRPF correspondente aos anoscalendário de 2004, 2005 e 2006, para exigência de crédito tributário, no valor de R$ 27.525,84, incluída a multa de ofício no percentual de 75% (setenta e cinco por cento) e juros de mora. Conforme descrição dos fatos e enquadramento legal constantes no auto de infração, o crédito tributário foi constituído em razão de ter sido apurada classificação indevida de rendimentos tributáveis na Declaração de Ajuste Anual como sendo rendimentos isentos e não tributáveis. Os rendimentos foram recebidos do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia a título de “Valores Indenizatórios de URV”, em 36 (trinta e seis) parcelas no período de janeiro de 2004 a dezembro de 2006, em Fl. 139DF CARF MF Impresso em 11/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 30/01/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 02/02/2013 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 10580.726518/200993 Acórdão n.º 2801002.871 S2TE01 Fl. 140 3 decorrência da Lei Estadual da Bahia nº 8.730, de 08 de setembro de 2003. As diferenças recebidas teriam natureza eminentemente salarial, pois decorreram de diferenças de remuneração ocorridas quando da conversão de Cruzeiro Real para URV em 1994, consequentemente, estariam sujeitas à incidência do imposto de renda, sendo irrelevante a denominação dada ao rendimento. Na apuração do imposto devido não foram consideradas as diferenças salariais que tinham como origem o décimo terceiro salário, por estarem sujeitas à tributação exclusiva na fonte, nem as que tinham como origem o abono de férias, em atendimento ao despacho do Ministro da Fazenda publicado no DOU de 16 de novembro de 2006, que aprovou o Parecer PGFN/CRJ nº 2.140/2006. Foi atendido, também, o despacho do Ministro da Fazenda publicado no DOU de 11 de maio de 2009, que aprovou o Parecer PGFN/CRJ nº 287/2009, que dispõe sobre a forma de apuração do imposto de renda incidente sobre rendimentos pagos acumuladamente. O contribuinte foi cientificado do lançamento fiscal e apresentou impugnação, alegando, em síntese, que: a) não classificou indevidamente os rendimentos recebidos a título de URV, pois o enquadramento de tais rendimentos como isentos de imposto de renda encontrase em perfeita consonância com a legislação instituidora de tal verba indenizatória; b) segundo a legislação que regulamenta o imposto de renda, caberia à fonte pagadora, no caso o Estado da Bahia, e não ao autuado, o dever de retenção do referido tributo. Portanto, se a fonte pagadora não fez tal retenção, e levou o autuado a informar tal parcela como isenta, não tem este último qualquer responsabilidade pela infração; c) mesmo que tal verba fosse tributável, não caberia a aplicação da multa de ofício, pois o autuado teria cometido erro escusável em razão de ter seguido orientações da fonte pagadora; d) o Ministério da Fazenda, em resposta à Consulta Administrativa feita pela Presidente do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia, também, teria manifestadose pela inaplicabilidade da multa de ofício, em razão da flagrante boafé dos autuados, ratificando o entendimento já fixado pelo AdvogadoGeral da União, através da Nota AGU/AV 12/2007. Na referida resposta, o Ministério da Fazenda reconhece o efeito vinculante do comando exarado pelo Advogado Geral da União perante à PGFN e a RFB; e) o lançamento fiscal seria nulo por ter tributado de forma isolada os rendimentos apontados como omitidos, deixando de considerar a totalidade dos rendimentos e deduções cabíveis; f) ainda que o valor decorrente do recebimento da URV em atraso fosse considerado como tributável, não caberia tributar Fl. 140DF CARF MF Impresso em 11/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 30/01/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 02/02/2013 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 10580.726518/200993 Acórdão n.º 2801002.871 S2TE01 Fl. 141 4 os juros incidentes sobre ele, tendo em vista sua natureza indenizatória; g) em razão da distribuição constitucional das receitas, todo o montante que fosse arrecado a título de imposto de renda incidente sobre os valores pagos a título de URV teriam como destinatário o próprio Estado da Bahia. Assim, se este último classificou legalmente tais pagamentos como indenização, foi porque renunciou ao recebimento; h) é pacífico que a União é parte ilegítima para figurar no polo passivo da relação processual nos casos em que o servidor deseja obter judicialmente a isenção ou a não incidência do IRRF, posto que além de competir ao Estado tal retenção, é dele a renda proveniente de tal recolhimento. Pelo mesmo motivo, poderia concluirse que a União é parte ilegítima para exigir o referido imposto se o Estado não fizer tal retenção; i) independentemente da controvérsia quanto à competência ou não do Estado da Bahia para regular matéria reservada à Lei Federal, o valor recebido a título de URV tem a natureza indenizatória. Neste sentido já se pronunciou o Supremo Tribunal Federal, o Presidente do Conselho da Justiça Federal, Primeiro Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda, Poder Judiciário de Rondônia, Ministério Publico do Estado do Maranhão, bem como, ilustres doutrinadores; j) o STF, através da Resolução nº 245, de 2002, deixou claro que o abono conferido aos Magistrados Federais em razão das diferenças de URV tem natureza indenizatória, e que por esse motivo não sofre a incidência do imposto de renda. Assim, tributar estes mesmos valores recebidos pelos Magistrados Estaduais constitui violação ao princípio constitucional da isonomia. A impugnação apresentada pela contribuinte foi julgada improcedente, nos termos da ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA – IRPF Anocalendário: 2004, 2005, 2006 DIFERENÇAS DE REMUNERAÇÃO. INCIDÊNCIA IRPF. As diferenças de remuneração recebidas pelos Magistrados do Estado da Bahia, em decorrência da Lei Estadual da Bahia nº 8.730, de 08 de setembro de 2003, estão sujeitas à incidência do imposto de renda. MULTA DE OFÍCIO. INTENÇÃO. A aplicação da multa de ofício no percentual de 75% sobre o tributo não recolhido independe da intenção do contribuinte. Impugnação Improcedente Fl. 141DF CARF MF Impresso em 11/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 30/01/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 02/02/2013 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 10580.726518/200993 Acórdão n.º 2801002.871 S2TE01 Fl. 142 5 Cientificado da decisão em 21/07/2010 (fl. 86), a Interessada apresentou recurso em 05/04/2011 (fls. 95/133), alegando, preliminarmente, que o mesmo fora protocolado anteriormente em 02/08/2010, conforme documento que anexa à peça recursal. Pleiteia o regular processamento do recurso, aduzindo, em síntese, que: Ocorreu erro escusável do contribuinte, que seguiu orientações da fonte pagadora, com lei estadual vigente, não devendo se sujeitar à aplicação da multa de ofício. O Ministério da Fazenda, em resposta à Consulta Administrativa feita pela Presidente do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia, manifestouse pela inaplicabilidade da multa de ofício, ratificando o entendimento já fixado pelo AdvogadoGeral da União. A fonte pagadora substitui o contribuinte em relação ao recolhimento do tributo, notadamente quando os rendimentos são pagos em cumprimento de decisão judicial, ou quando o Estado da Bahia, mediante lei publicada, resolve pagar valores indenizatórios isentos. É assente o entendimento do Superior Tribunal de Justiça – STJ no sentido de que o substituto tributário responde pelo pagamento do imposto de renda, caso não tenha realizado a retenção. A Fiscalização deveria ter refeito as três DIRF (2004, 2005 e 2006) da contribuinte, a fim de apurar, mês a mês, os valores de imposto de renda supostamente devidos em conjunto com os salários auferidos. A omissão na identificação da totalidade do rendimento mensal pode ter repercutido no cálculo do imposto, bem como na própria restituição que a contribuinte poderia ter direito. Da mesma forma que não há incidência de imposto de renda sobre o pagamento de URV, não há incidência sobre juros moratórios. Assim, ainda que se entenda como tributável os valores decorrente do recebimento de URV, não há que se falar em tributação dos juros incidentes sobre eles, diante de sua indubitável natureza indenizatória. Toda a receita arrecadada com a eventual incidência do imposto de renda sobre as parcelas recebidas de URV deverá ser revertida ao Estado da Bahia, em vista da distribuição de receitas prevista constitucionalmente. E, se o Estado já classificou, legalmente, tais pagamentos como “indenizações”, foi porque renunciou ao seu recebimento. Por expressa determinação constitucional, o produto do crédito tributário que deu origem ao presente processo é de propriedade da Fazenda Pública do Estado da Bahia, cabendo, portanto, somente a ele protestar pelo seu pagamento. É pacífico na doutrina e na jurisprudência o entendimento segundo o qual a União é parte ilegítima para figurar no polo passivo da relação processual nos casos em que o servidor deseja obter judicialmente a isenção ou a não incidência do IRRF, posto que além de competir ao Estado tal retenção, dele é a renda proveniente de tal recolhimento. Se a União é parte ilegítima para responder pela concessão ou não de isenção do IRRF dos servidores públicos dos Estados, igualmente é parte ilegítima para exigi lo se o Estado não fizer tal retenção. Fl. 142DF CARF MF Impresso em 11/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 30/01/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 02/02/2013 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 10580.726518/200993 Acórdão n.º 2801002.871 S2TE01 Fl. 143 6 O princípio constitucional da isonomia vem sendo violado em casos como o presente, ao promover ações fiscais apenas contra Magistrados e membros do Ministério Público do Estado da Bahia, deixando de lado os casos dos “Magistrados Federais”, que da mesma forma receberam a indenização. Ao fim, requer a reforma do acórdão recorrido, para julgar nulo o Auto de Infração, pelo reconhecimento da impropriedade da forma de constituição do débito, ou improcedente, pela indubitável natureza indenizatória da URV e dos juros moratórios, bem como pela ilegitimidade ativa da União Federal. Outrossim, casso mantida a exigência, requer seja excluída a incidência da multa no importe de 75% do débito, haja vista não restar comprovada a existência de qualquer tipo de infração cometida diretamente pela Contribuinte, já que as informações foram baseadas em Lei Estadual, e, ainda, a exclusão da incidência do imposto de renda que recaiu sobre os juros de mora no período. Voto Conselheiro Marcelo Vasconcelos de Almeida, Relator TEMPESTIVIDADE Por intermédio da petição de fl. 95 deste processo digital a Interessada alega que protocolou o seu recurso em 02/08/2010, dentro do prazo de 30 dias previsto legislação. Assiste razão à Recorrente. A primeira folha do recurso de fls. 97/133 revela que realmente houve o protocolo no CAC da DRF/SDR em 02/08/2010. O Aviso de Recebimento AR de fl. 86, por seu turno, demonstra que a intimação ocorreu em 21/07/2010, o que implica na tempestividade do recurso e na nulidade do Termo de Perempção de fl. 89. Assim, conheço do recurso, porquanto presentes os requisitos de admissibilidade (procuração outorgando poderes aos patronos da Recorrente acostada aos autos em fl. 75). APURAÇÃO DO IMPOSTO DEVIDO O imposto foi calculado em consonância com a sistemática estabelecida no Parecer PGFN/CRJ nº 287, de 12 de fevereiro de 2009, que dispôs sobre a forma de apuração do imposto de renda incidente sobre rendimentos recebidos acumuladamente, por força do Despacho do Ministro da Fazenda, publicado no Diário Oficial da União de 11 de maio de 2009, que aprovou o mencionado parecer. Consta da “Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal”, às fls. 5/6, que não foram consideradas na apuração do imposto as diferenças recebidas a título de décimo terceiro salário, tampouco aquelas originárias de abono de férias. O cálculo do imposto devido encontrase no “Demonstrativo do Imposto de Renda Apurado”, à fl. 10. Os valores das diferenças de remuneração foram distribuídos pelo quantitativo de meses (abril de 1994 a julho de 2001), aplicandose as alíquotas vigentes às Fl. 143DF CARF MF Impresso em 11/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 30/01/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 02/02/2013 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 10580.726518/200993 Acórdão n.º 2801002.871 S2TE01 Fl. 144 7 épocas respectivas. O total do imposto apurado foi dividido pelos três anos em que ocorreu o recebimento (janeiro de 2004 a dezembro de 2006). Informa a Autoridade lançadora, no tópico “Observações” do referido “Demonstrativo”, que os valores lançados na coluna “Diferença Salarial Devida – URV” foram extraídos de planilha apresentada pelo próprio contribuinte e que, na definição da alíquota a ser aplicada, considerouse o valor total da remuneração recebida em cada mês mais a diferença de remuneração recebida a título de variação da URV no mesmo período. RESPONSABILIDADE DO SUBSTITUÍDO EM FACE DO INADIMPLEMENTO SUBSTITUTO TRIBUTÁRIO Registro, por importante, que o inadimplemento do dever de recolher a exação na fonte não exclui a obrigação do contribuinte de oferecer os valores percebidos à tributação, ou seja, o contribuinte, no regime da responsabilidade por substituição, continua obrigado a declarar corretamente o valor por ocasião do ajuste anual, ocasião em que poderá receber restituição ou ser obrigado a suplementar o pagamento. Dizendo de outro modo: nos casos de desconto na fonte, a responsabilidade pelo pagamento do tributo continua sendo do contribuinte, que deve proceder ao ajuste de contas no final do anocalendário, quando, por sua conta e risco, informará na sua declaração de rendimentos o quantum da renda auferida no anobase, a despeito da interpretação conferida à legislação pelo substituto tributário. Se não atua em conformidade com a legislação, interpretando verba remuneratória como se fora indenizatória, sujeitase aos riscos de sua conduta, sendo passível de ser autuado pela Administração Tributária. Na mesma linha, a pacífica jurisprudência do STJ: TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE. IMPORTÂNCIAS PAGAS EM DECORRÊNCIA DE SENTENÇA TRABALHISTA. NATUREZA REMUNERATÓRIA. RESPONSABILIDADE PELA RETENÇÃO E RECOLHIMENTO DO IMPOSTO. FONTE PAGADORA. ALÍQUOTA APLICÁVEL. EXCLUSÃO DA MULTA. 1. O recebimento de remuneração em virtude de sentença trabalhista que determinou o pagamento da URP no período de fevereiro de 1989 a setembro de 1990 não se insere no conceito de indenização, constituindose complementação de caráter nitidamente remuneratório, ensejando, portanto, a cobrança de imposto de renda. 2. O Superior Tribunal de Justiça vem entendendo que cabe à fonte pagadora o recolhimento do tributo devido. Porém, a omissão da fonte pagadora não exclui a responsabilidade do contribuinte pelo pagamento do imposto, o qual fica obrigado a declarar o valor recebido em sua declaração de ajuste anual. 3. No cálculo do imposto incidente sobre os rendimentos pagos acumuladamente em decorrência de decisão judicial, devem ser aplicadas às alíquotas vigentes à época em que eram devidos referidos rendimentos. Fl. 144DF CARF MF Impresso em 11/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 30/01/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 02/02/2013 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 10580.726518/200993 Acórdão n.º 2801002.871 S2TE01 Fl. 145 8 4. É indevida a imposição de multa ao contribuinte quando não há, por parte dele, intenção deliberada de omitir os valores devidos a título de imposto de renda. 5. Recurso especial parcialmente provido (REsp 383.309/SC, Rel. Min. João Otávio de Noronha, DJU de 07.04.06); TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE. IMPORTÂNCIAS PAGAS EM DECORRÊNCIA DE SENTENÇA TRABALHISTA. RESPONSABILIDADE PELA RETENÇÃO E RECOLHIMENTO DO IMPOSTO. FONTE PAGADORA. CONTRIBUINTE. INOCORRÊNCIA DE EXCLUSÃO. 1. O art. 45, parágrafo único, do CTN, define a fonte pagadora como a responsável pela retenção e recolhimento do imposto de renda na fonte incidente sobre verbas pagas a seus empregados. 2. Todavia, a lei não excluiu a responsabilidade do contribuinte que aufere a renda ou provento, que tem relação direta e pessoal com a situação que configura o fato gerador do tributo e, portanto, guarda relação natural com o fato da tributação. Assim, o contribuinte continua obrigado a declarar o valor por ocasião do ajuste anual, podendo, inclusive, receber restituição ou ser obrigado a suplementar o pagamento. A falta de cumprimento do dever de recolher na fonte, ainda que importe responsabilidade do retentor omisso, não exclui a obrigação do contribuinte, que auferiu a renda, de oferecêla à tributação, como, aliás, ocorreria se tivesse havido o desconto na fonte. 3. Embargos de divergência a que se nega provimento (EREsp 652.498/SC, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, DJU de 18.09.06). IMPOSSIBILIDADE DE ISENÇÃO HETERÔNOMA No que tange à possibilidade de os Estados instituírem isenções de imposto de renda, observo que o poder de isentar é decorrência natural do poder de tributar, devendo haver uma harmonia no plano da competência tributária, na esteira do binômio “instituir isentar”. Assim, a União pode instituir os tributos federais e isentálos; os Estados e o DF podem instituir os tributos estaduais e isentálos; os Municípios e o DF podem instituir os tributos municipais e isentálos, tudo no plano de uma correlação lógica que se estabelece entre a competência privativa outorgada pela Constituição para instituição de tributos e a idêntica competência para proceder à desoneração por meio de uma norma isencional. Em outras palavras: a regra é que as isenções sejam autônomas, porquanto concedidas pelo ente federado a quem a Constituição atribuiu a competência para a criação do tributo. Nesse sentido, a Constituição Federal, em seu artigo 151, III, veda que a União conceda isenção heterônoma, nos seguintes termos: Art. 151. É vedado à União: (...) Fl. 145DF CARF MF Impresso em 11/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 30/01/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 02/02/2013 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 10580.726518/200993 Acórdão n.º 2801002.871 S2TE01 Fl. 146 9 III – instituir isenções de tributos da competência dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. Por simetria, é correto afirmar que aos Estados também não é dado instituir isenções de tributos de competência federal ou municipal, de forma que a Lei do Estado da Bahia nº 8.730/2003 não tem o condão de excluir, por meio de isenção heterônoma, crédito tributário relativo ao imposto de renda, tributo de competência da União, ainda que o produto da arrecadação deste imposto, retido na fonte, se destine ao próprio Estado. Nessa linha de raciocínio, oportuna é a transcrição de excerto do voto da Conselheira Tânia Maria Paschoalin, proferido nos autos do Processo nº 10530.723549/2009 88, no qual se afastou a pretensa ilegitimidade da União para atuar no polo passivo de processo administrativo fiscal em que se discutiu a mesma matéria: No que tange à ilegitimidade da União para atuar como polo ativo no presente procedimento administrativo fiscal, uma vez que competiria aos Estados reclamar o imposto indevidamente não recolhido, nos termos do que dispõe o art. 157, I, da Constituição Federal de 1988, importa ressaltar que o objetivo do disposto no mencionado artigo é a de promover a repartição da receita tributária pertencente à União com outros entes federados, sem afetar a competência tributária do ente eleito pela Constituição como titular do poder de tributar relativo a determinado tributo. No caso do Imposto de Renda, a competência para instituir, arrecadar e fiscalizar o imposto sobre a renda é da União, a teor do que estabelece o art. 153, III., da Constituição Federal. O art. 6º, parágrafo único, do Código Tributário Nacional CTN didaticamente explicita: Art. 6° A atribuição constitucional de competência tributária compreende a competência legislativa plena, ressalvadas as limitações contidas na Constituição Federal, nas Constituições dos Estados e nas Leis Orgânicas do Distrito Federal e dos Municípios, e observado o disposto nesta Lei. Parágrafo único . Os tributos cuja receita seja distribuída, no todo ou em parte, a outras pessoas jurídicas de direito público pertencem à competência legislativa daquela a que tenham sido atribuídos. (grifos acrescidos) Assim, não implicando a repartição de receitas transferência da condição de sujeito ativo, rejeitase a ilegitimidade ativa da União reclamada pelo autuado. INAPLICABILIDADE DA LEI ESTADUAL Nº 8.730/2003 E DA RESOLUÇÃO DO STF Nº 245/2002 Anoto, por oportuno, que a contribuinte enquadrou no campo de rendimentos isentos e não tributáveis de suas declarações de ajuste anual, exercícios 2005, 2006 e 2007, valores recebidos do Estado da Bahia, por entendêlos isentos de imposto de renda à luz do disposto na Lei do Estado da Bahia nº 8.730/2003 e por analogia à Resolução nº 245/2002 do Fl. 146DF CARF MF Impresso em 11/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 30/01/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 02/02/2013 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 10580.726518/200993 Acórdão n.º 2801002.871 S2TE01 Fl. 147 10 Supremo Tribunal Federal STF, que conferiu natureza indenizatória ao abono pago aos magistrados federais em razão das diferenças de URV. Todavia, a Recorrente não faz parte dos quadros da Magistratura Federal, pertencendo à Magistratura do Estado da Bahia, não podendo, por óbvio, a Resolução do STF ser estendida às verbas pagas à Recorrente, pois que isto resultaria na concessão de isenção sem lei federal especifica. NATUREZA REMUNERATÓRIA DOS VALORES PAGOS Acrescento que os valores pagos a servidores em decorrência de diferenças de URV não recebidas em época oportuna constituem verdadeiros acréscimos patrimoniais, que se afiguram de caráter remuneratório, razão pela qual se justifica a incidência do imposto de renda, em consonância com o disposto no art. 43, inc. II, do CTN. Noutros termos: as diferenças de URV percebidas em momento posterior à conversão se incorporam aos vencimentos, motivo pelo qual devem integrar a base de cálculo do imposto de renda, haja vista que não mais representam diferenças de URV, mas sim diferenças de remuneração. Ademais, é pacífica a jurisprudência do STJ no sentido de que as diferenças de URV têm natureza remuneratória. À guisa de exemplos, multifários precedentes: TRIBUTÁRIO. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO RECEBIDOS COMO AGRAVO REGIMENTAL. PRINCÍPIO DA FUNGIBILIDADE. DIFERENÇAS ORIUNDAS DA CONVERSÃO DE VENCIMENTOS DE SERVIDOR PÚBLICO EM URV. VERBA PAGA EM ATRASO. NATUREZA REMUNERATÓRIA. IMPOSTO DE RENDA E CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INCIDÊNCIA. 1. Pelo princípio da fungibilidade, admitese o recebimento de embargos de declaração como agravo regimental. 2. A verba percebida em atraso pelos servidores públicos em razão da diferença de 11,98%, oriunda da conversão de seus vencimentos em URV, possui natureza remuneratória, sendo devida a incidência de Imposto de Renda e de Contribuição Previdenciária sobre ela. Precedentes.3. Embargos de declaração recebidos como agravo regimental. Agravo regimental não provido. (EDcl no RMS 27.336/RS, Rel. Ministro CASTRO MEIRA, SEGUNDA TURMA, julgado em 17/03/2009, DJe 14/04/2009. TRIBUTÁRIO. RECURSO ORDINÁRIO EM MANDADO DE SEGURANÇA. SERVIDOR PÚBLICO. PARCELAS RECEBIDAS ADMINISTRATIVAMENTE COM ATRASO. ÍNDICE DE 11,98%, URV. VERBA REMUNERATÓRIA. INCIDÊNCIA DO IMPOSTO DE RENDA E DA CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. RESOLUÇÃO 245/STF. INAPLICABILIDADE. 1. A jurisprudência do STJ é pacífica no sentido de que os valores recebidos pelos servidores públicos, oriundos de pagamento de diferença da URV, não têm natureza Fl. 147DF CARF MF Impresso em 11/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 30/01/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 02/02/2013 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 10580.726518/200993 Acórdão n.º 2801002.871 S2TE01 Fl. 148 11 indenizatória, mas sim salarial, pois incorporamse ao seu patrimônio, constituindose, assim, em fato gerador da incidência do Imposto de Renda, nos moldes do art. 43 do CTN. 2. A Resolução Administrativa 245 do Supremo Tribunal Federal é inaplicável ao caso. A mencionada norma faz referência ao abono variável concedido aos magistrados pela Lei 9.655/1998, e não à parcela correspondente aos 11,98% em favor dos servidores públicos estaduais. 3. Agravo Regimental não provido. (AgRg no RMS 27.614/RS, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em 04/12/2008, DJe 13/03/2009). AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO EM MANDADO DE SEGURANÇA. TRIBUTÁRIO. CONTROVÉRSIA ACERCA DA INCIDÊNCIA DO IMPOSTO DE RENDA SOBRE VALORES RECEBIDOS EM DECORRÊNCIA DA DIFERENÇA DE CONVERSÃO DA MOEDA EM URV. PERCENTUAL DE 11,98%. CARÁTER REMUNERATÓRIO. INCORPORAÇÃO AO PATRIMÔNIO DO SERVIDOR. AGRAVO REGIMENTAL DESPROVIDO. (AgRg no RMS 25.995/RS, Rel. Ministra DENISE ARRUDA, PRIMEIRA TURMA, julgado em 03/03/2009, DJe 01/04/2009). IMPOSTO DE RENDA E JUROS MORATÓRIOS No concernente aos juros moratórios, relevante observar que no julgamento do Resp nº 1.227.133/RS, submetido à sistemática do art. 543C do CPC (recurso repetitivo), o Superior Tribunal de Justiça – STJ havia decidido pela não incidência de imposto de renda sobre os valores pagos a esse título, em acórdão assim ementado: RECURSO ESPECIAL. REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. JUROS DE MORA LEGAIS. NATUREZA INDENIZATÓRIA. NÃO INCIDÊNCIA DE IMPOSTO DE RENDA. Não incide imposto de renda sobre os juros moratórios legais em decorrência de sua natureza e função indenizatória ampla. Recurso especial, julgado sob o rito do art. 543C do CPC, improvido. Ocorre que o Egrégio Tribunal acolheu parcialmente os embargos declaratórios opostos pela União para explicitar que o tema de mérito discutido no recurso especial circunscrevese à exigência do imposto de renda sobre os juros moratórios pagos em virtude de decisão judicial proferida em ação de natureza trabalhista, devidos no contexto de rescisão de contrato de trabalho, o que não se amolda ao presente caso. Para melhor compreensão do assunto, transcrevo abaixo excertos do acórdão que esclareceu a questão: Todas as discussões trazidas pela embargante passam pelo exame de cada um dos sete votos proferidos no acórdão Fl. 148DF CARF MF Impresso em 11/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 30/01/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 02/02/2013 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 10580.726518/200993 Acórdão n.º 2801002.871 S2TE01 Fl. 149 12 embargado, daí que passo a fazêlo neste momento, começando pelos três votos vencidos: (...) Quanto aos votos vencedores, temos: 3º) Ministro Mauro Campbell Marques (fls. 597607): Divergindo do relator, negou provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional, mas por fundamentos diversos do meu. Entendeu que "a regra geral é a incidência do IR sobre os juros de mora a teor da legislação até então vigentes" (fl. 602), mas que "o art. 6º, inciso V, da lei trouxe regra especial ao estabelecer a isenção do IR sobre as verbas indenizatórias pagas por ocasião da despedida ou rescisão do contrato de trabalho" (fl. 602). Com base no referido dispositivo legal, então, foi que reconheceu a isenção, especificamente, no caso em debate. 4º) Ministro Arnaldo Esteves Lima (fls. 618624): Proferiu voto vista negando provimento ao recurso especial, explicitando que o tema de mérito circunscrevese à "exigência de imposto de renda sobre os juros de mora pagos em virtude de decisão judicial proferida em ação de natureza trabalhista, devidos no contexto de rescisão de contrato de trabalho" (fl. 619). E acrescentou que "não se está a examinar a tributação dos juros de mora em qualquer outra hipótese" (fl. 619). Sobre a questão de mérito, no caso específico dos autos, adotou fundamentos semelhantes aos do em. Ministro Mauro Campbell Marques, concluindo que "os juros de mora pagos em virtude de decisão judicial proferida em ação de natureza trabalhista, devidos no contexto de rescisão de contrato de trabalho, por se tratar de verba indenizatória paga na forma da lei, são isentos do imposto de renda, por força do art. 6º, V, da Lei 7.713/88, até o limite da lei" (fl. 624). (...) A ementa do julgado, entretanto, deve ser revista, tendo em vista que os votos vencedores dos em. Ministros Mauro Campbell Marques e Arnaldo Esteves Lima adotaram fundamentos menos abrangentes, limitandose a afastar a incidência do imposto de renda nas hipóteses semelhantes ao caso em debate, por força de lei específica de isenção (art. art. 6º, inciso V, da Lei n. 7.713/1988). A melhor redação da ementa, portanto, considerando o objeto destes autos, é a seguinte: EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ERRO MATERIAL NA EMENTA DO ACÓRDÃO EMBARGADO. Havendo erro material na ementa do acórdão embargado, deve se acolher os declaratórios nessa parte, para que aquela melhor reflita o entendimento prevalente, bem como o objeto específico do recurso especial, passando a ter a seguinte redação: Fl. 149DF CARF MF Impresso em 11/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 30/01/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 02/02/2013 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 10580.726518/200993 Acórdão n.º 2801002.871 S2TE01 Fl. 150 13 RECURSO ESPECIAL. REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. JUROS DE MORA LEGAIS. NATUREZA INDENIZATÓRIA. VERBAS TRABALHISTAS. NÃO INCIDÊNCIA OU ISENÇÃO DE IMPOSTO DE RENDA. Não incide imposto de renda sobre os juros moratórios legais vinculados a verbas trabalhistas reconhecidas em decisão judicial. Recurso especial, julgado sob o rito do art. 543C do CPC, improvido. Embargos de declaração acolhidos parcialmente. Verificase, pela leitura do trecho transcrito, que não se aplica o art. 62A do RICARF ao caso em análise, haja vista que a tese fixada no recurso submetido ao rito do art. 543C do CPC (recurso repetitivo) se restringe à exigência do imposto de renda sobre os juros moratórios pagos em virtude de decisão judicial proferida em ação de natureza trabalhista, devidos no contexto de rescisão de contrato de trabalho, por força da norma isentiva prevista no inciso V do art. 6º da Lei nº 7.713/1988, ao passo que os juros de mora cobrados no presente AI se referem às “diferenças de remuneração ocorridas quando da conversão de Cruzeiro Real para Unidade Real de Valor – URV” (Lei do Estado da Bahia nº 8.730/2003). Em julgado recente, o STJ confirmou que a tese fixada no recurso submetido ao rito do art. 543C do CPC se restringe à exigência do imposto de renda sobre os juros moratórios pagos em virtude de decisão judicial proferida em ação de natureza trabalhista, devidos no contexto de rescisão de contrato de trabalho, por força da norma isentiva prevista no inciso V do art. 6º da Lei nº 7.713/1988, em acórdão assim ementado: TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA. INCIDÊNCIA. JUROS DE MORA. CARÁTER REMUNERATÓRIO. TEMA JULGADO PELO STJ SOB A SISTEMÁTICA DO ART. 543C DO CPC. 1. Por ocasião do julgamento do REsp 1.227.133/RS, pelo regime do art. 543C do CPC (recursos repetitivos), consolidou se o entendimento no sentido de que "não incide imposto de renda sobre os juros moratórios legais em decorrência de sua natureza e função indenizatória ampla." Todavia, após o julgamento dos embargos de declaração da Fazenda Nacional, esse entendimento sofreu profunda alteração, e passou a prevalecer entendimento menos abrangente. Concluiuse neste julgamento que "os juros de mora pagos em virtude de decisão judicial proferida em ação de natureza trabalhista, devidos no contexto de rescisão de contrato de trabalho, por se tratar de verba indenizatória paga na forma da lei, são isentos do imposto de renda, por força do art. 6º, V, da Lei 7.713/88, até o limite da lei". 2. Na hipótese, não sendo as verbas trabalhistas decorrentes de despedida ou rescisão contratual de trabalho, assim como por terem referidas verbas (horas extras) natureza remuneratória, deve incidir o imposto de renda sobre os juros de mora. Agravo regimental improvido. (AgRg no AgRg no REsp 1235772 / RS, julgado em 26/06/2012) Fl. 150DF CARF MF Impresso em 11/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 30/01/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 02/02/2013 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 10580.726518/200993 Acórdão n.º 2801002.871 S2TE01 Fl. 151 14 Ultrapassada esta questão, cabe perquirir se incide o IR sobre os juros devidos em virtude do pagamento em atraso das diferenças de remuneração ocorridas na conversão de Cruzeiro Real para URV. Nesse contexto, entendo que um singelo argumento bastaria para se chegar a conclusão de que a regra é a incidência de imposto de renda sobre os juros moratórios: se o legislador estabeleceu uma isenção de imposto de renda para os juros de mora pagos em virtude de decisão judicial proferida em ação trabalhista, devidos no contexto de rescisão de contrato de trabalho (Lei nº 7.713/1988, art. 6º, V), é porque os juros de mora estão no campo de incidência do IR. Se não estivessem, desnecessária seria a instituição, por lei, de uma hipótese de isenção tributária. Nada obstante, oportuno acrescentar outros fundamentos que reforçam a tese de incidência de IR sobre os juros moratórios (expostos no Resp nº 1.227.133/RS), quando inexiste norma que exclua o crédito tributário (norma de isenção), elucidando a natureza das parcelas cuja possibilidade de tributação se discute. Os juros de mora, não restam dúvidas, têm a finalidade de reparar prejuízos decorrentes da demora no pagamento da quantia principal, de sorte que é patente a sua natureza indenizatória. Assim, o que deve se verificar, creio eu, é se o simples fato de os juros de mora possuírem natureza indenizatória é suficiente para os excluírem da esfera de incidência do imposto de renda. A esse respeito, penso que não é possível subsistir o entendimento de que a verificação da incidência do imposto de renda deve ter por base unicamente o caráter remuneratório ou indenizatório da parcela que se quer tributar, já que não são apenas as verbas remuneratórias que podem representar aumento de patrimônio daquele que as recebe. De fato, as indenizações, em regra, são valores destinados à recomposição do patrimônio (material ou imaterial) daquele que foi lesado em seu direito. Contudo, uma análise mais detida do conceito de indenização denota que, a par de sua função de reposição patrimonial (reparação de danos emergentes), o pagamento de indenização pode, por vezes, representar aumento do patrimônio de quem a recebe, na medida em que visem à reparação de ganhos que deixou de obter, ou seja, lucros cessantes. Existem hipóteses em que a indenização não acarretará ganho patrimonial, como ocorre no caso de reparação de dano emergente efetivamente suportado. Entretanto, se a indenização tem função compensatória, ou seja, se destina a reparar aquilo que o lesado em seu direito deixou de ganhar (lucro cessante), o seu recebimento acarretará aumento patrimonial. Nessa linha de raciocínio, entendo que o fator determinante para se verificar a incidência ou não do imposto de renda (mesmo sobre os valores classificados como indenização) não é simplesmente o seu caráter remuneratório ou indenizatório, mas sim a ocorrência ou não de acréscimo na esfera patrimonial do beneficiado, nos exatos termos da regra matriz de incidência do IR (CTN, artigo 43, I e II). Assim, se o recebimento da indenização importa acréscimo patrimonial, certo é que, em regra, estará sujeito à incidência do IR, só havendo dispensa de seu pagamento se houver previsão legal expressa (isenção). Fl. 151DF CARF MF Impresso em 11/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 30/01/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 02/02/2013 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 10580.726518/200993 Acórdão n.º 2801002.871 S2TE01 Fl. 152 15 Os juros moratórios em questão não são destinados à recomposição de um dano emergente, mas sim à compensação por algo que se deixou de ganhar, em razão do atraso do pagamento da parcela principal. Têm, pois, natureza de indenização por lucros cessantes, ou seja, indenização com caráter de compensação. É, portanto, evidente o acréscimo patrimonial deles decorrente, já que não se destinam a reparar nenhum dano emergente, mas sim lucros cessantes. Dessa forma, constatado que os valores decorrentes da incidência dos juros moratórios se subsumem à hipótese descrita no artigo 43 do CTN (acréscimo patrimonial), não pode haver dúvidas a respeito da incidência do IR. MULTA DE OFÍCIO No tocante à multa de ofício, acompanho o pacífico entendimento deste Colegiado no sentido de ser incabível a exigência de tal penalidade quando o contribuinte demonstre ter sido induzido pelas informações prestadas pela fonte pagadora, incorrendo, deste modo, em erro escusável (erro quanto à classificação de rendimentos informados). Nesse sentido, confiramse os seguintes julgados: 280101.675, 280101.676 e 280101.677, todos da relatoria do Conselheiro Antonio de Pádua Athayde Magalhães. PRINCÍPIO ISONOMIA Quanto à suposta violação ao princípio da isonomia, aplico, por analogia, a Súmula CARF nº 2, de cujo teor se extraia a seguinte dicção: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. CONCLUSÃO Por todo o exposto, conheço do recurso, acato a preliminar de tempestividade, rejeito as demais preliminares suscitadas e, no mérito, voto por dar provimento parcial ao recurso para excluir a multa de ofício de 75% (setenta e cinco por cento). Assinado digitalmente Marcelo Vasconcelos de Almeida Fl. 152DF CARF MF Impresso em 11/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 30/01/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 02/02/2013 por TANIA MARA PA SCHOALIN
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Numero do processo: 10976.000153/2009-20
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 21 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Mar 27 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/06/2005 a 30/06/2005
CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. ABONO ÚNICO ESPECIAL. PREVISTO EM CONVENÇÃO COLETIVA DE TRABALHO. ATO DECLARATÓRIO PGFN Nº 16/2011. APLICAÇÃO.
Não incide contribuição previdenciária sobre o abono único especial pago em decorrência de previsão contida em Convenção Coletiva de Trabalho.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2402-003.417
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário.
Julio Cesar Vieira Gomes - Presidente
Ronaldo de Lima Macedo - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Ana Maria Bandeira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Nereu Miguel Ribeiro Domingues e Thiago Taborda Simões.
Nome do relator: RONALDO DE LIMA MACEDO
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TERCEIROS (SEBRAE) Recorrente TURILESSA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/06/2005 a 30/06/2005 CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. ABONO ÚNICO ESPECIAL. PREVISTO EM CONVENÇÃO COLETIVA DE TRABALHO. ATO DECLARATÓRIO PGFN Nº 16/2011. APLICAÇÃO. Não incide contribuição previdenciária sobre o abono único especial pago em decorrência de previsão contida em Convenção Coletiva de Trabalho. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Julio Cesar Vieira Gomes Presidente Ronaldo de Lima Macedo Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Ana Maria Bandeira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Nereu Miguel Ribeiro Domingues e Thiago Taborda Simões. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 97 6. 00 01 53 /2 00 9- 20 Fl. 71DF CARF MF Impresso em 28/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 08/03/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 Relatório Tratase de lançamento fiscal decorrente do descumprimento de obrigação tributária principal, referente às contribuições devidas à Seguridade Social, incidentes sobre a remuneração dos segurados empregados, concernente à contribuição social destinada a outras Entidades/Terceiros (SEBRAE), para a competência 06/2005. O Relatório Fiscal (fls. 19/24) informa que os valores apurados decorrem de remunerações pagas aos segurados empregados em razão da verba concedida a título de abono especial. A ciência do lançamento fiscal ao sujeito passivo deuse em 06/03/2009 (fl.01). A autuada apresentou impugnação tempestiva (fls. 39/43) – acompanhados de anexos de fls. 43/44 –, alegando, em síntese, que: 1. não há incidência de contribuições previdenciárias sobre os valores pagos a título de abono especial, a teor da disposição contida no item 7 da alínea “e” do § 9o do artigo 28 da Lei 8.212/91; 2. o abono concedido em virtude de convenção ou acordo coletivo somente integrará a remuneração do empregado para os efeitos da legislação previdenciária quando excedente a 20 dias de salário, o que não ocorreu. No presente caso, o abono especial foi instituído pela Convenção Coletiva firmada entre o Sindicato Patronal das Empresas de Transporte de Passageiros Metropolitano e o Sindicato dos Trabalhadores em Transportes Rodoviários de Contagem, conforme cópia que anexa; 3. os abonos concedidos pela negociação coletiva não integram o salário de contribuição visto que foram pagos em parcela única, sem habitualidade e sem caráter de contraprestação pelos serviços prestados, enquadrandose na previsão contida no artigo 214, § 9°,V, letra “j” do Regulamento da Previdência Social. Cita Jurisprudência para corroborar seu entendimento; 4. requer, ao final, o cancelamento do auto de infração e com a apresentação da defesa a suspensão da exigibilidade do crédito, por força da disposição contida no inciso III do artigo 151 do CTN. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) em Belo Horizonte/MG – por meio do Acórdão 0226.413 da 6a Turma da DRJ/BHE (fls. 47/52) – considerou o lançamento fiscal procedente em sua totalidade, eis que ele encontrase revestido das formalidades legais, tendo sido lavrado de acordo com os dispositivos legais e normativos que disciplinam o assunto. A Notificada apresentou recurso (fls. 57/62), manifestando seu inconformismo pela obrigatoriedade do recolhimento dos valores lançados no auto de infração e no mais efetua as alegações da peça de impugnação, ressaltando que a verba paga a título de abono especial tem natureza indenizatória. Fl. 72DF CARF MF Impresso em 28/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 08/03/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10976.000153/200920 Acórdão n.º 2402003.417 S2C4T2 Fl. 3 3 A Delegacia da Receita Federal do Brasil (DRF) em Contagem/MG informa que o recurso interposto é tempestivo e encaminha os autos ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) para processamento e julgamento (fl. 70). É o relatório. Fl. 73DF CARF MF Impresso em 28/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 08/03/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 Voto Conselheiro Ronaldo de Lima Macedo, Relator Recurso tempestivo. Presentes os pressupostos de admissibilidade, conheço do recurso interposto. A Recorrente alega que: (i) o abono expressamente desvinculado do salário não deve integrar a base de cálculo das contribuições devidas à Seguridade Social; (ii) o abono está previsto em Convenção Coletiva, o que afasta o seu caráter de habitualidade; e (iii) devido a demora na negociação coletiva, o abono pago tem nítido caráter indenizatório. Quanto a esta matéria, cumpre destacar que a ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) já reconheceu, por meio do Ato Declaratório nº 16/2011, que não incide contribuição previdenciária sobre o abono único especial, nos seguintes termos: “A PROCURADORAGERAL DA FAZENDA NACIONAL (...) DECLARA que fica autorizada a dispensa de apresentação de contestação e de interposição de recursos, bem como a desistência dos já interpostos, desde que inexista outro fundamento relevante: ‘nas ações judiciais que visem obter a declaração de que sobre o abono único, previsto em Convenção Coletiva de Trabalho, desvinculado do salário e pago sem habitualidade, não há incidência de contribuição previdenciária’.” No presente caso, ficou claro no Relatório Fiscal (fls. 19/24) que a empresa pagou abono único especial de acordo com a cláusula 2ª da Convenção Coletiva de Trabalho, que assim estipula: “1 DATA BASE A data base será 1o de fevereiro. 2 SALÁRIOS A partir de 10 de junho de 2005, os salários serão: (...) DEMAIS EMPREGADOS Os salários dos demais empregados serão reajustados, a partir de 10 de junho de 2005, em 6% (seis por cento), sobre os salários praticados em janeiro de 2005, permitida a proporcionalidade para os contratados a partir de fevereiro de 2005. ABONO ESPECIAL Em face do encerramento das negociações em data posterior database, as empresas concederão a todos os empregados um abono especial de 32% (trinta e dais por cento) sobre os salários praticados em janeiro de 2005, ficando esclarecido que, para os admitidos entre 01/02/05 e 31 105/05, o percentual do abono será calculado na proporção dos dias trabalhados no referido período. Fl. 74DF CARF MF Impresso em 28/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 08/03/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10976.000153/200920 Acórdão n.º 2402003.417 S2C4T2 Fl. 4 5 PAGAMENTO DO ABONO ESPECIAL O abono especial será pago de uma só vez até o dia 11 de julho de 2005.” No mesmo sentido, a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça (STJ) entende que não há incidência de contribuição social previdenciária sobre a verba a título de abono único, sem vinculação ao salário, em razão da sua natureza não ser habitual, nos seguintes termos: “TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. ABONO ÚNICO. NÃOINTEGRAÇÃO AO SALÁRIO. 1. Segundo iterativa jurisprudência construída por esta Corte em torno do art. 28, § 9o, da Lei n° 8.212/91, o abono único previsto em convenção coletiva não integra o saláriodecontribuição. Precedentes. 2. A Primeira Turma deste STJ entendeu que "considerando a disposição contida no art. 28, § 9o, 'e', item 7, da Lei 8.212/91, é possível concluir que o referido abono não integra a base de cálculo do salário de contribuição, já que o seu pagamento não habitual – observese que, na hipótese, a previsão de pagamento é única, o que revela a eventualidade da verba –, e não tem vinculação ao salário. (g.n.). 3. Recurso especial não provido.” (REsp 819.552/BA, Min. Luiz Fux, acórdão Min. Teori Albino Zavascki, Primeira Turma, julgado em 02.04.2009) Diante disso, é necessário que se reconheça a improcedência dos valores exigidos a título de abono único, em razão de tal questão já ter sido objeto de desistência processual por parte da PGFN, nos termos do Ato Declaratório nº 16/2011, bem como da jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça (STJ) que lhe configura uma natureza de eventualidade (nãohabitual). Com isso, entendese que devem ser excluídos os valores apurados no presente processo oriundos da verba paga a título de abono especial – fornecida aos segurados empregados –, pois tais valores não estão sujeitos à incidência da contribuição previdenciária. CONCLUSÃO: Voto no sentido de CONHECER do recurso e DARLHE PROVIMENTO, reconhecendo que não há incidência das contribuições devidas à Seguridade Social sobre as parcelas pagas a título de abono único especial, nos termos do voto. Ronaldo de Lima Macedo. Fl. 75DF CARF MF Impresso em 28/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 08/03/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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Numero do processo: 19515.003897/2009-06
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 07 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Apr 11 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2005, 2006, 2007
DEPÓSITO BANCÁRIO. OMISSÃO DE RECEITA. Evidencia omissão de receita a existência de valores creditados em conta de depósito mantida em instituição financeira, em relação aos quais a contribuinte, regularmente intimada, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
PRESUNÇÃO LEGAL. ÔNUS DA PROVA. A presunção legal tem o condão de inverter o ônus da prova, transferindo-o para o contribuinte, que pode refutá-la mediante oferta de provas hábeis e idôneas.
LUCRO ARBITRADO. FALTA DE ESCRITURAÇÃO COMERCIAL E FISCAL. LIVRO CAIXA. A ausência de escrituração regular dos livros comerciais e fiscais ou do livro Caixa, por empresa autorizada a optar pelo lucro presumido, autoriza o arbitramento do lucro.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 1402-001.350
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passa a integrar o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira - Relator
(assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto - Presidente
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moises Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Leonardo de Andrade Couto.
Nome do relator: LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2005, 2006, 2007 DEPÓSITO BANCÁRIO. OMISSÃO DE RECEITA. Evidencia omissão de receita a existência de valores creditados em conta de depósito mantida em instituição financeira, em relação aos quais a contribuinte, regularmente intimada, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. PRESUNÇÃO LEGAL. ÔNUS DA PROVA. A presunção legal tem o condão de inverter o ônus da prova, transferindoo para o contribuinte, que pode refutála mediante oferta de provas hábeis e idôneas. LUCRO ARBITRADO. FALTA DE ESCRITURAÇÃO COMERCIAL E FISCAL. LIVRO CAIXA. A ausência de escrituração regular dos livros comerciais e fiscais ou do livro Caixa, por empresa autorizada a optar pelo lucro presumido, autoriza o arbitramento do lucro. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passa a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira Relator (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moises Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Leonardo de Andrade Couto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 38 97 /2 00 9- 06 Fl. 5504DF CARF MF Impresso em 11/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digital mente em 02/04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 19515.003897/200906 Acórdão n.º 1402001.350 S1C4T2 Fl. 3 2 Relatório FIRENZE INDUSTRIA E COMERCIO DE CONFECCOES LTDA recorre a este Conselho contra a decisão proferida RJ em primeira instância, que julgou procedente a exigência, pleiteando sua reforma, com fulcro no art. 33 do Decreto nº 70.235/1972 (PAF). Adoto o relatório da decisão recorrida (verbis): Em ação fiscal procedida na empresa supra, segundo consta da descrição dos fatos, foi apurada omissão de receitas, nos anoscalendário de 2005, 2006 e 2007, caracterizada por depósitos bancários realizados junto a instituições financeiras, cuja origem dos recursos utilizados nessas operações a contribuinte, regularmente intimada, não comprovou, mediante documentação hábil e idônea. Foi ainda arbitrado o lucro da empresa, tendo em vista que, notificada a apresentar os livros e documentos de sua escrituração, ela deixou de apresentálos, nos termos do Regulamento do Imposto de Renda (RIR/1999) – Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 –, art. 530, III. O crédito tributário lançado totalizou R$ 7.056.946,11 (sete milhões e cinqüenta e seis mil e novecentos e quarenta e seis reais e onze centavos), conforme demonstrativo de fl. 1, tendo sido lavrados os seguintes autos de infração: (...) O termo de constatação fiscal de fls. 497/515 descreve em detalhes a ação fiscal, destacando que a contribuinte foi intimada por diversas vezes a apresentar os livros Diário e Razão ou o livro Caixa, tendo informado que não possuía contabilidade organizada, sendolhe concedido prazo para reescrituração dos livros exigidos, com ciência de que o nãoatendimento ensejaria a aplicação do arbitramento dos lucros. Não sendo atendida a intimação, o lançamento foi feito por meio do arbitramento do lucro. A omissão de receitas com base em depósitos bancários foi apurada após análise dos extratos bancários apresentados pela contribuinte e intimação para que ela identificasse e justificasse a origem dos créditos consignados nas contas correntes, os quais foram discriminados individualizadamente em planilhas anexas aos termos de intimação, após os expurgos previstos no RIR/1999, art. 849, I, § 2o. Os valores não comprovados com documentação hábil e idônea foram tributados como omissão de receitas. Foi exigido também o Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), nos termos do Regulamento do IPI, aprovado pelo Decreto nº 4.544, de 26 de dezembro de 2002 (RIPI/2002) – art. 448, § 2o, objeto do processo nº 19515.003898/200942. Notificada do lançamento em 30/09/2009, conforme autos de infração, a interessada, representada pelo advogado Albino Pereira de Mattos (procuração de fl. 871), ingressou, em 29/10/2009, com a impugnação de fls. 848/865, alegando, em suma: Não se pode alegar a falta de apresentação de livros e documentos, pois o próprio auditorfiscal, no encerramento do auto de infração, fez a devolução dos livros e documentos utilizados, devendo ser considerado que a nãoapresentação de alguns livros e documentos foi justificada pela impossibilidade, devido aos extravios em seu arquivo, com comprovação que poderá ser demonstrada em tempo hábil. Fl. 5505DF CARF MF Impresso em 11/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digital mente em 02/04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 19515.003897/200906 Acórdão n.º 1402001.350 S1C4T2 Fl. 4 3 O enquadramento do auto de infração, referente à legislação do imposto de renda (arts. 532 e 537 do RIR/1999), definia como rendimento tributável a renda presumida a partir de omissão de receitas, tratandose de uma presunção legal; contudo, no enquadramento legal (Lei nº 9.430, de 1996, art. 27, I, e 42), há que se determinar a extensão da aplicabilidade de tal presunção e em que medida está a impugnante obrigada a afastála para impedir a tributação sobre os valores omitidos. A simples existência de extratos bancários com depósitos é insuficiente para realização da hipótese prevista naqueles dispositivos, pois a própria declaração do Fisco, no encerramento do auto, dá conta que a verificação do cumprimento das obrigações tributárias foi feita por amostragem, todavia o § 3o do art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, determina a individualização dos créditos analisados. É incabível lançamento efetuado tendo como suporte “receita omitida” apurada por amostragem em extratos bancários, por não caracterizarem disponibilidade econômica de renda e proventos, havendo que se comprovar o nexo causal entre cada depósito e o fato que represente a receita omitida. Impossível verificar os valores depositados e avaliar o que são depósitos efetivos e o que são empréstimos, transferências etc., sendo que tudo foi considerado como receita omitida, sem exclusão alguma e sem uma análise mais minuciosa por parte do autuante. Extratos bancários não podem ser considerados como fatos geradores à luz do Código Tributário Nacional (CTN), art. 43, e da legislação do imposto de renda à época, pois, mais que a mera aquisição de renda, é preciso que dela resulte acréscimo patrimonial. Depósitos bancários configuram meros indícios de acréscimo patrimonial, o ponto de partida de uma investigação tributária que poderá ou não culminar numa autuação fiscal. Tal raciocínio encontra guarida na Súmula 182 do extinto Tribunal Federal de Recursos (TFR), o que foi reconhecido pelo próprio Poder Executivo, com a edição do DecretoLei nº 2.471, de 1o de setembro de 1988, art. 9o. Temos o alicerce na jurisprudência administrativa que não admite em hipótese alguma o lançamento de imposto sobre a renda por meio de extratos bancários. Durante o procedimento fiscal, ao ser intimada, a impugnante apresentou, expressamente, os devidos esclarecimentos; contudo o autuante, sem acatar as informações prestadas, e sem esgotar as possibilidades de investigação, procedeu ao lançamento do crédito tributário de forma arbitrária. Não pode prevalecer a conclusão, inferida sem base em dados reais, de que a impugnante é contribuinte do IRPJ e seus reflexos, devido em virtude de extratos bancários, pois a suposta ilegalidade alegada pelo Fisco não foi provada concretamente. Presumir a aquisição de disponibilidade econômica pela impugnante, representada por certo valor, sem apoio em dados reais, demonstrativos de sua existência, constitui processo mental violador de normas aos princípios da reserva legal e tipicidade fechada. No caso em questão, na época dos fatos, não havia lei que definisse expressamente extrato bancário como fato gerador de IRPJ. Fl. 5506DF CARF MF Impresso em 11/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digital mente em 02/04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 19515.003897/200906 Acórdão n.º 1402001.350 S1C4T2 Fl. 5 4 Compete à autoridade lançadora provar que efetivamente ocorreu a hipótese de incidência, pois, caso contrário, estaria exigindo tributos apenas sobre indícios, suposições, invertendo o ônus da prova, em afronta ao princípio da verdade material. O ônus da prova cabe a quem alega. Não pode o Fisco exigir que a impugnante faça prova contra si mesma; malgrado o dever de colaboração com o Fisco, prestando esclarecimentos e fornecendo documentos, não compete à impugnante as atribuições afetas à fiscalização tributária. É absurdo exigir que a contribuinte saiba, com precisão, determinar todas as origens de depósitos que circularam em suas contascorrentes há quatro anos. Como não há fato típico para o lançamento tributário com base em depósito bancário, a autuação é por demais abusiva. Exigir tributo com base em extratos bancários afronta diretamente o princípio da segurança jurídica, que inspira a edição e a boa aplicação da lei. A Administração Pública deve primar pelo princípio da economia processual, evitando dar seguimento a litígio cuja matéria já está pacificada, onerando desnecessariamente o Erário. Extratos bancários não constituem fato gerador para tributação do IRPJ. Ainda que fosse entendido de outra forma, o meio utilizado para a obtenção das pretensas provas, no caso em questão, foi ilegítimo e sem base legal. Requereu, em preliminar, seja reconhecida a inépcia de formalidade e contradição do auto e, no mérito, seja julgada procedente a impugnação, ensejando o cancelamento do auto de infração. Solicitou a produção de provas utilizadas e admitidas em direito, especialmente de documentos e juntada de certidões públicas A decisão recorrida está assim ementada: DEPÓSITO BANCÁRIO. OMISSÃO DE RECEITA. Evidencia omissão de receita a existência de valores creditados em conta de depósito mantida em instituição financeira, em relação aos quais a contribuinte, regularmente intimada, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. PRESUNÇÃO LEGAL. ÔNUS DA PROVA. A presunção legal tem o condão de inverter o ônus da prova, transferindoo para o contribuinte, que pode refutála mediante oferta de provas hábeis e idôneas. LUCRO ARBITRADO. FALTA DE ESCRITURAÇÃO COMERCIAL E FISCAL. LIVRO CAIXA. A ausência de escrituração regular dos livros comerciais e fiscais ou do livro Caixa, por empresa autorizada a optar pelo lucro presumido, autoriza o arbitramento do lucro. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. PIS. COFINS. CSLL. Aplicase à tributação reflexa idêntica solução dada ao lançamento principal em face da estreita relação de causa e efeito. Impugnação Improcedente. Fl. 5507DF CARF MF Impresso em 11/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digital mente em 02/04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 19515.003897/200906 Acórdão n.º 1402001.350 S1C4T2 Fl. 6 5 Cientificada da aludida decisão, a contribuinte apresentou recurso voluntário, no qual reforça as alegações da peça impugnatória e, ao final, requer o provimento nos seguintes termos: É o relatório. Fl. 5508DF CARF MF Impresso em 11/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digital mente em 02/04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 19515.003897/200906 Acórdão n.º 1402001.350 S1C4T2 Fl. 7 6 Voto Conselheiro Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira, Relator. O recurso é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade. Tratase de analisar lançamento relativo ao IRPJ e reflexos dos anos calendário de 2005, 2006 e 2007, em que foi arbitrado o lucro, por falta de apresentação de escrituração, e foi apurada omissão de receitas com base em depósitos bancários cuja origem não foi comprovada. No que tange ao arbitramento dos lucros, levado a efeito pela fiscalização, para fins de apuração do IRPJ e CSLL, entendo que não merece qualquer reparo, haja vista que a contribuinte foi por diversas vezes intimada a apresentar sua escrituração contábil /fiscal, bem como a documentação pertinente, e mesmo tendo sido concedido prazo razoável, não apresentou. Em primeiro lugar, quanto ao arbitramento do lucro, efetuado para fins de incidência do IRPJ e da CSLL, a impugnante não pode ignorar o fato concreto de que não apresentou a escrituração contábil. Uma vez tributado pelo lucro real, o contribuinte deve obrigatoriamente cumprir o determinado pelo art. 251 do RIR/99, cuja matriz legal a seguir se destaca, verbis: Art.251. A pessoa jurídica sujeita à tributação com base no lucro real deve manter escrituração com observância das leis comerciais e fiscais (Decreto Lei nº 1.598, de 1977, art. 7º). Parágrafo único. A escrituração deverá abranger todas as operações do contribuinte, os resultados apurados em suas atividades no território nacional, bem como os lucros, rendimentos e ganhos de capital auferidos no exterior (Lei nº 2.354, de 29 de novembro de 1954, art. 2º, e Lei nº 9.249, de 1995, art. 25). Ficou claro no processo que a contribuinte foi intimada por diversas vezes a apresentar os livros Diário e Razão, ou o livro Caixa, uma vez que havia optado pela tributação com base no lucro presumido, e não atendeu essas intimações (fls. 4/5, 78/79, 86/87, 90/91, 158/160, 162/164, 168/170), tendo inclusive informado que deixava de apresentar os livros Diário e Razão por não ter contabilidade organizada (fl. 167). E, ainda, pelos termos de constatação e intimação fiscal de fls. 148/149, 173/175 e 176/177, foi concedido à contribuinte a oportunidade de reescriturar seu livro Caixa, ou os livros exigidos pelas leis comerciais e fiscais, nos termos do RIR/1999, art. 527, sendo ela cientificada de que o nãoatendimento ensejaria a aplicação do arbitramento dos lucros previsto no art. 530. No caso concreto, repitase a recorrente foi intimada e reintimada a apresentar à fiscalização os livros e documentos de sua escrituração, não atendendo às notificações do fisco, o que deu azo ao arbitramento do lucro, nos termos do art. 530 e inciso III, do RIR/99, a seguir reproduzidos: Fl. 5509DF CARF MF Impresso em 11/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digital mente em 02/04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 19515.003897/200906 Acórdão n.º 1402001.350 S1C4T2 Fl. 8 7 Art. 530. O imposto, devido trimestralmente, no decorrer do anocalendário, será determinado com base nos critérios do lucro arbitrado, quando (Lei nº 8.981, de 1995, art. 47, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 1o): (...) III – o contribuinte deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, ou o livro Caixa, na hipótese de que trata o parágrafo único do art. 527; (grifei) A empresa, estando autorizada a optar pela tributação com base no lucro presumido, não possuía escrituração comercial e fiscal nem o livro Caixa. À fiscalização não restou alternativa senão aplicar a legislação que rege a matéria, devidamente capitulada no enquadramento legal, e arbitrar o lucro da empresa, independentemente das causas da ausência da escrituração. Evidenciase, por conseguinte, que o arbitramento do lucro não constituiu nenhum absurdo, nem configura qualquer forma de ilegalidade, abuso de poder ou constrangimento, como alegado pela autuada. Sobre o fato de que as exigências, em seu aspecto quantitativo, representariam confisco, por ultrapassar o patrimônio líquido da empresa, frisase que o dispositivo da Lei Maior que veda a tributação com efeito confiscatório é mandamento a ser observado pelo legislador infraconstitucional ao editar a lei, que, assim, nasce com a presunção de constitucionalidade, a qual só pode ser afastada por decisão do Poder Judiciário. A administração tributária tem o dever de cumprir a norma posta na legislação tributária, sob pena de responsabilidade funcional do agente público, como bem destaca o art. 142 do CTN. Acerca da argumentação de que a cobrança do crédito tributário objeto da autuação estaria alcançado pela prescrição, que é o exato termo utilizado no texto impugnativo, oportunizase esclarecer que o prazo prescricional de cinco anos estabelecido pelo art. 174 do CTN somente se inicia com a constituição definitiva do crédito, o que não ocorreu no presente caso, em que o crédito tributário está com sua exigibilidade suspensa por força da impugnação interposta, na forma do art. 151, III, do mesmo CTN. É inoportuno, portanto, falarse em prescrição no atual momento processual. Mantenho, pois, o arbitramento dos lucros. Mérito. Omissão de Receitas. Depósitos Bancários. Aplicação do artigo 42 da Lei 9.430 de 1996 Quanto à possibilidade de se exigir o imposto de renda, com base exclusivamente em depósitos bancários, devese esclarecer que antes de 01/01/1997; o artigo 6º da Lei nº 8.021, de 1990, exigia da fiscalização a comparação entre depósitos bancários e sinais exteriores de riqueza. A tributação com base em depósitos bancários, a partir de 01/01/1997, é regida pelo art. 42 da Lei nº 9.430, de 27/12/1996, publicada no DOU de 30/12/1996, que instituiu a presunção de omissão de rendimentos com base em depósitos bancários, quando o contribuinte, regularmente intimado, não comprovasse mediante documentação hábil e idônea a origem dos recursos utilizados nessas operações. Confirase: Fl. 5510DF CARF MF Impresso em 11/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digital mente em 02/04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 19515.003897/200906 Acórdão n.º 1402001.350 S1C4T2 Fl. 9 8 “Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. 1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. 2º Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. 3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: I os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; II no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$ 12.000,00 (doze mil reais), desde que o seu somatório, dentro do anocalendário, não ultrapasse o valor de R$ 80.000,00 (oitenta mil reais).” Verificase, então, que o diploma legal acima citado passa a caracterizar omissão de rendimentos, sujeitos a lançamento de ofício, os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, quando não comprovada a origem dos recursos utilizados nessas operações. Não se inquire o titular da conta bancária sobre o destino dos saques, cheques emitidos e outros débitos, ou se foram utilizados para consumo, aquisição de patrimônio, viagens etc. A presunção de omissão de rendimentos decorre da existência de depósito bancário sem origem comprovada. Portanto, a partir da publicação desta Lei, os depósitos bancários deixaram de ser modalidade de arbitramento simples que exigia da fiscalização a demonstração de gastos incompatíveis com a renda declarada (aquisição de patrimônio e sinais exteriores de riqueza), entendimento também consagrado à época pelo poder judiciário (súmula TFR 182) e pelo Primeiro Conselho de Contribuintes para se constituir na própria omissão de rendimento (art. 43 do CTN), decorrente de presunção legal, que inverte o ônus da prova em favor da Fazenda Pública Federal. Os julgamentos deste Conselho passaram a refletir a determinação da nova lei, admitindo, nas condições nela estabelecidas, o lançamento com base exclusivamente em depósitos bancários, como se constata nas ementas dos acórdãos a seguir reproduzidas: “OMISSÃO DE RENDIMENTOS DEPÓSITOS BANCÁRIOS SITUAÇÃO POSTERIOR À LEI Nº 9.430/96 Com o advento da Lei nº 9.430/96, caracterizase também omissão de rendimentos os valores creditados em conta de depósito ou de investimento, mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular não comprove a origem dos recursos utilizados, observadas as exclusões previstas no § 3º, do art. 42, do citado diploma legal.” (Ac 10613329). Fl. 5511DF CARF MF Impresso em 11/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digital mente em 02/04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 19515.003897/200906 Acórdão n.º 1402001.350 S1C4T2 Fl. 10 9 “TRIBUTAÇÃO DE DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Para os fatos geradores ocorridos a partir de 01/01/97, a Lei 9.430/96, em seu art. 42, autoriza a presunção de omissão de rendimentos com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.” “ÔNUS DA PROVA Se o ônus da prova, por presunção legal, é do contribuinte, cabe a ele a prova da origem dos recursos informados para acobertar seus dispêndios gerais e aquisições de bens e direitos.”(Ac 106 13188).” Não há que se falar em ilegalidade dessa norma por incompatibilidade com o artigo 43 do CTN, artigo 5º da Constituição Federal/1988, muito menos com artigo 5º da Lei de Introdução ao Código Civil, isso porque “não cabe em sede administrativa discutirse sobre a constitucionalidade ou legalidade de uma lei em vigor”, consoante Sumula nº. 2 deste Conselho. Uma vez que o diploma legal tenha sido formalmente sancionado, promulgado e publicado, encontrandose em vigor, cabe seu fiel cumprimento, em homenagem ao princípio da legalidade objetiva que informa o lançamento e o processo administrativo fiscal. O lançamento tributário, conforme estabelece o art. 142 do CTN, é atividade vinculada e obrigatória, na qual a discricionariedade da autoridade administrativa é afastada em prol do princípio da legalidade e da subordinação hierárquica a que estão submetidos os órgãos e agentes da Administração Pública. Outrossim, na busca da verdade material e imprescindível a análise de documentos e alegações/justificativas quanto aos ingressos de numerários em conta bancária, para que o julgador possa firma sua convicção no sentido de está correto o arbitramento das receitas com base na aludida presunção. Pois bem, tal qual registrado na decisão recorrida, “(...) no caso presente, a fiscalização fez a prova que lhe competia: intimou a empresa a esclarecer e comprovar adequadamente a origem dos recursos depositados em suas contascorrente, incompatíveis com suas receitas declaradas e deixou bastante claro no processo que não restou comprovada essa origem durante a ação fiscal. Portanto, a materialidade do fato gerador ficou comprovada.... Nada impede a contribuinte de exercer seu direito de não produzir provas contra ela mesma. No entanto, ao se calar, resta sem comprovação a origem desses depósitos, o que induz à materialização do fato gerador previsto na norma legal, que não pode ser questionada por esta autoridade administrativa.... A impugnante aduz que teria prestado esclarecimentos que não foram acatados, no entanto não demonstra quais seriam esses esclarecimentos, uma vez que na impugnação nenhuma comprovação foi apresentada. Ademais, o autuante abateu dos valores dos depósitos bancários todas as receitas declaradas. (....) Reclama ainda que seria absurdo exigir que ela saiba, com precisão, determinar todas as origens de depósitos que circularam em suas contascorrentes há quatro anos, esquecendose da determinação do RIR/1999, art. 527 e parágrafo único, de manutenção de escrituração contábil, nos termos da legislação comercial, ou de livro Caixa, no qual deve estar escriturado toda a movimentação financeira, inclusive bancária. (...) A informação do autuante de que foi feita verificação por amostragem é no sentido de que não foram verificados todos os documentos da impugnante, nem todas as operações, pois a fiscalização limitouse a verificar a movimentação financeira. No entanto, no caso dos depósitos, o levantamento não foi por amostragem; pelo contrário, o autuante elaborou planilhas, nas quais foram individualizados Fl. 5512DF CARF MF Impresso em 11/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digital mente em 02/04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 19515.003897/200906 Acórdão n.º 1402001.350 S1C4T2 Fl. 11 10 todos os depósitos, tendo a fiscalizada recebido cópias dessas planilhas juntamente com as intimações para justificálos (fls. 92/138). (....) Quanto à reclamação de que seria impossível verificar entre os valores depositados quais seriam depósitos efetivos ou empréstimos e transferências, ou que tudo foi considerado receita omitida, sem exclusão alguma, mais uma vez reiterase que a prova, no caso compete à contribuinte. Ademais, o próprio autuante ressaltou no termo de constatação fiscal que excluiu do levantamento os créditos correspondentes a transferências de outras contas da própria contribuinte, nos termos da Lei nº 9.430, de 1996, art. 42, § 3o, I. Assim descabido qualquer questionamento acerca da possibilidade de utilização dos valores dos depósitos como base de cálculo dos tributos lançados. Frisese que tais fundamentos não foram contraditados na peça recursal, pelo que as razões de decidir da decisão recorrida podem ser perfeitamente adotados neste voto, conforme disposto no art. 50 Lei 9.784 de 1999, que se aplica subsidiariamente ao PAF(verbis): Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: (...) V decidam recursos administrativos; (...) § 1o A motivação deve ser explícita, clara e congruente, podendo consistir em declaração de concordância com fundamentos de anteriores pareceres, informações, decisões ou propostas, que, neste caso, serão parte integrante do ato. (...) § 3o A motivação das decisões de órgãos colegiados e comissões ou de decisões orais constará da respectiva ata ou de termo escrito. (Grifei) Conclusão Por todo o exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira Fl. 5513DF CARF MF Impresso em 11/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digital mente em 02/04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA
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Numero do processo: 11330.000295/2007-83
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 19 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/1999 a 31/08/2005
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DECADÊNCIA. PRAZO QUINQUENAL. SALÁRIO INDIRETO. ANTECIPAÇÃO DE PAGAMENTO. OCORRÊNCIA.
O prazo decadencial para a constituição dos créditos previdenciários é de 05 (cinco) anos, nos termos dos dispositivos legais constantes do Código Tributário Nacional, tendo em vista a declaração da inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei nº 8.212/91, pelo Supremo Tribunal Federal, nos autos dos
RE’s nºs 556664, 559882 e 560626, oportunidade em que fora aprovada Súmula Vinculante nº 08, disciplinando a matéria. In casu, aplicou-se o prazo decadencial insculpido no artigo 150, § 4º, do CTN, eis que restou comprovada a ocorrência de antecipação de pagamento, por tratar-se de salário indireto, tendo a contribuinte efetuado o recolhimento das contribuições previdenciárias incidentes sobre a remuneração reconhecida
(salário normal).
SALÁRIO INDIRETO. PRÊMIO. PAGAMENTO A EMPRESAS E CLIENTES. NÃO CARACTERIZAÇÃO SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO DE SEGURADOS EMPREGADOS. IMPROCEDÊNCIA LANÇAMENTO.
Restando demonstrado pela contribuinte que parte das Notas Fiscais emitidas pela empresa Incentive House e incluídas na base de cálculo das contribuições previdenciárias ora lançadas, não se destinavam a premiação dos segurados empregados, mas, sim, de empresas terceiras, clientes e demais adquirentes dos seus produtos, não se pode cogitar na tributação de tais valores a título de salário de contribuição.
Recurso de Ofício Negado.
Numero da decisão: 2401-002.664
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos negar
provimento ao recurso de ofício. Vencida a conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, que dava provimento parcial, para com relação à decadência aplicar o art. 173, I do CTN.
Nome do relator: RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA
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ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1999 a 31/08/2005 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DECADÊNCIA. PRAZO QUINQUENAL. SALÁRIO INDIRETO. ANTECIPAÇÃO DE PAGAMENTO. OCORRÊNCIA. O prazo decadencial para a constituição dos créditos previdenciários é de 05 (cinco) anos, nos termos dos dispositivos legais constantes do Código Tributário Nacional, tendo em vista a declaração da inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei nº 8.212/91, pelo Supremo Tribunal Federal, nos autos dos RE’s nºs 556664, 559882 e 560626, oportunidade em que fora aprovada Súmula Vinculante nº 08, disciplinando a matéria. In casu, aplicouse o prazo decadencial insculpido no artigo 150, § 4º, do CTN, eis que restou comprovada a ocorrência de antecipação de pagamento, por tratarse de salário indireto, tendo a contribuinte efetuado o recolhimento das contribuições previdenciárias incidentes sobre a remuneração reconhecida (salário normal). SALÁRIO INDIRETO. PRÊMIO. PAGAMENTO A EMPRESAS E CLIENTES. NÃO CARACTERIZAÇÃO SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO DE SEGURADOS EMPREGADOS. IMPROCEDÊNCIA LANÇAMENTO. Restando demonstrado pela contribuinte que parte das Notas Fiscais emitidas pela empresa Incentive House e incluídas na base de cálculo das contribuições previdenciárias ora lançadas, não se destinavam a premiação dos segurados empregados, mas, sim, de empresas terceiras, clientes e demais adquirentes dos seus produtos, não se pode cogitar na tributação de tais valores a título de salário de contribuição. Recurso de Ofício Negado. Fl. 359DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 28/09/2 012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OL, Assinado digitalmente em 30/09/2012 por ELIAS SAMPAIO FREI RE 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos negar provimento ao recurso de ofício. Vencida a conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, que dava provimento parcial, para com relação à decadência aplicar o art. 173, I do CTN. Elias Sampaio Freire Presidente Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 360DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 28/09/2 012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OL, Assinado digitalmente em 30/09/2012 por ELIAS SAMPAIO FREI RE Processo nº 11330.000295/200783 Acórdão n.º 2401002.664 S2C4T1 Fl. 183 3 Relatório GLAXOSMITHKLINE BRASIL LTDA., contribuinte, pessoa jurídica de direito privado, já qualificada nos autos do processo em referência, teve contra si lavrada NFLD n° 37.005.7317, referente às contribuições sociais devidas ao INSS pela notificada, correspondentes à parte da empresa, dos segurados, do financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho e as destinadas a Terceiros (INCRA e SEBRAE), incidentes sobre as remunerações pagas ou creditadas aos segurados empregado a título de prêmio/incentivo, em relação ao período de 01/1999 a 08/2005, conforme Relatório Fiscal, às fls. 41/43. Tratase de Notificação Fiscal de Lançamento de Débito – NFLD, lavrada em 03/11/2006, contra a contribuinte acima identificada, constituindose crédito no valor de R$ 1.888.544,16 (Um milhão, oitocentos e oitenta e oito mil, quinhentos e quarenta e quatro reais e dezesseis centavos). De conformidade com o Relatório Fiscal, o presente crédito previdenciário fora apurado com base nos valores nominais constantes das Notas Fiscais e Faturas de Prestação de Serviço emitidas pela empresa INCENTIVE HOUSE LTDA., devidamente elencadas naquele anexo, as quais foram apresentadas pela contribuinte durante a ação fiscal e confrontadas com os lançamentos contábeis do período, tendo em vista a ausência de apresentação da listagem dos beneficiários. Informa, ainda, o fiscal autuante que constituem fatos geradores dos tributos ora lançados, os valores pagos aos segurados empregados por meio do cartão denominado “Top Premium”, na modalidade de premiação promoção de vendas (Top Prêmio, Carga e Recarga de cartões Prêmio Card, programa de estímulo à produtividade, etc). Após regular processamento, interposta impugnação contra exigência fiscal consubstanciada na peça vestibular do feito, a 11a Turma da DRJ no Rio de Janeiro/RJ, achou por bem julgar procedente em parte o lançamento, acolhendo a decadência parcial do crédito e o retificando em relação ao mérito, o fazendo sob a égide dos fundamentos inseridos no Acórdão nº 1223.344/2009, às fls. 153/171, sintetizados na seguinte ementa: “Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/1999 a 31/08/2005 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. SALÁRIODE CONTRIBUIÇÃO. CRÉDITOS EM CARTÕES ELETRÔNICOS. O PAGAMENTO DE PRÊMIOS INTEGRA O CONCEITO DE REMUNERAÇÃO PARA FINAS DE INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. É devida a contribuição sobre as remunerações pagas ou creditadas a qualquer título, no decorrer do mês, aos segurados empregados, ainda que pagos na forma de crédito em cartão eletrônico, administrado por empresa interposta. A empresa é obrigada a recolher as contribuições a seu cargo incidentes Fl. 361DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 28/09/2 012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OL, Assinado digitalmente em 30/09/2012 por ELIAS SAMPAIO FREI RE 4 sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas, a qualquer título, aos segurados empregados a seu serviço. Os prêmios pagos a título de produtividade ou esforço são parcelas de natureza retributiva e têm natureza jurídica salarial, compõem a remuneração e integram a base de cálculo das contribuições devidas à Seguridade Social, nos termos do art. 22, I, e 28, I da Lei n° 8.212/91, não se enquadrando nas hipóteses taxativas de exclusão do § 9° do art. 28 da Lei 8.212/91. DECADÊNCIA PARCIAL. SÚMULA VINCULANTE A súmula vinculante declara inconstitucionais os parágrafos único do artigo 5° do Decretolei 1.569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário. O julgador do processo administrativo fiscal deve obedecer ao enunciado da súmula vinculante a partir da sua publicação, nos termos do art. 103A da CRFB/00 c/c art. 2o da Lei n° 11.417/06. SUPERVENIÊNCIA DE PARECER. O Parecer PGFN/CAT n° 1.617/2008 aprovado pelo Sr. Ministro do Estado da Fazenda vincula a Secretaria da Receita Federal do Brasil à tese jurídica fixada (art. 42 da Lei Complementar n° 73/1993). PERÍCIA. INDEFERIMENTO. Indeferese o pedido de perícia quando esta se mostra prescindível. RETIFICAÇÃO DO LANÇAMENTO O lançamento pode ser revisto quando for constatada matéria de fato que altere a natureza quantitativa do crédito. Lançamento Procedente em Parte.” Em observância ao disposto no artigo 366, inciso I, do Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048/1999, c/c a Portaria MF n° 03, de 03 de janeiro de 2008, a autoridade julgadora de primeira instância recorreu de ofício da decisão encimada, que declarou procedente em parte o lançamento fiscal. Devidamente intimada da decisão, a contribuinte não apresentou recurso voluntário, tendo, em verdade, quitado o saldo remanescente do débito, consoante informação constante do documento de fl. 180. É o Relatório. Fl. 362DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 28/09/2 012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OL, Assinado digitalmente em 30/09/2012 por ELIAS SAMPAIO FREI RE Processo nº 11330.000295/200783 Acórdão n.º 2401002.664 S2C4T1 Fl. 184 5 Voto Conselheiro Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Relator Presente o pressuposto de admissibilidade, em razão do crédito desonerado se encontrar sob o manto do limite de alçada, conheço do recurso de ofício e passo a analise matéria posta nos autos. Consoante se positiva do Relatório Fiscal, a lavratura da Notificação Fiscal deveuse a constatação de contribuições previdenciárias devidas pela contribuinte ao INSS, correspondentes à parte da empresa, dos segurados, do financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho e as destinadas a Terceiros, incidentes sobre as remunerações pagas ou creditadas aos segurados empregados, assim considerados os valores concedidos a título de prêmio/incentivo. Após apresentação da impugnação da autuada, o lançamento fora julgado procedente em parte, nos termos do Acórdão nº 1223.344/2009, da 11a Turma da DRJ no Rio de Janeiro/RJ, acima ementado, razão pela qual a autoridade julgadora de primeira instância recorreu de ofício daquele decisum, com arrimo no artigo 366, inciso I, do Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048/1999, c/c a Portaria MF n° 03, de 03 de janeiro de 2008. Com mais especificidade, a DRJ competente, ora guerreada, em síntese, achou por bem rechaçar em parte a pretensão fiscal, acolhendo a decadência parcial do crédito tributário, nos termos do artigo 150, § 4°, do CTN, como se extrai do excerto do Acórdão recorrido abaixo transcrito: “[...] No período objeto do lançamento, houve recolhimento por parte da empresa, conforme consulta ao sistema de recolhimentos da Receita Federal do Brasil (contacorrente). Logo, conforme os parâmetros acima expostos, o prazo a ser aplicado na apuração da decadência é o previsto no § 4° do artigo 150 do CTN: cinco anos, a contar do fato gerador, para homologar o que foi pago ou lançar a diferença acaso existente. Portanto, ocorreu a decadência, nos termos do art. 150, § 4°, do CTN, para o período de 01/1999 a 09/2000, mantendose, no entanto, o período remanescente, qual seja, 01/2002 a 08/2005. [...]” DO PRAZO DECADENCIAL Do exame dos elementos que instruem o processo, concluise que a decisão recorrida apresentase incensurável, devendo ser mantida em sua plenitude, pelas razões de fato e de direito a seguir desenvolvidas. O exame dessa matéria impõe sejam levadas a efeito algumas considerações, senão vejamos. Fl. 363DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 28/09/2 012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OL, Assinado digitalmente em 30/09/2012 por ELIAS SAMPAIO FREI RE 6 O artigo 45, inciso I, da Lei nº 8.212/91, estabelece prazo decadencial de 10 (dez) anos para a apuração e constituição das contribuições previdenciárias, como segue: “Art. 45 – O direito da Seguridade Social apurar e constituir seus créditos extinguese após 10 (dez) anos contados: I – do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o crédito poderia ter sido constituído; [...]” Por outro lado, o Código Tributário Nacional em seu artigo 173, caput, determina que o prazo para se constituir crédito tributário é de 05 (cinco) anos, contados do exercício seguinte àquele em que poderia ter sido lançado, in verbis: “Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I – do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; [...]” Com mais especificidade, o artigo 150, § 4º, do CTN, contempla a decadência para os tributos sujeitos ao lançamento por homologação, nos seguintes termos: “Art. 150 O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. [...] § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação.” O núcleo da questão reside exatamente nesses três artigos, ou seja, qual deles deve prevalecer para as contribuições previdenciárias, tributos sujeitos ao lançamento por homologação. Ocorre que, após muitas discussões a respeito do tema, o Supremo Tribunal Federal, em 11/06/2008, ao julgar os RE’s nºs 556664, 559882 e 560626, por unanimidade de votos, declarou a inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei nº 8.212/91, oportunidade em que aprovou a Súmula Vinculante nº 08, abaixo transcrita, rechaçando de uma vez por todas a pretensão do Fisco: “Súmula nº 08: São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário.” Fl. 364DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 28/09/2 012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OL, Assinado digitalmente em 30/09/2012 por ELIAS SAMPAIO FREI RE Processo nº 11330.000295/200783 Acórdão n.º 2401002.664 S2C4T1 Fl. 185 7 Registrese, ainda, que na mesma Sessão Plenária, o STF achou por bem modular os efeitos da declaração de inconstitucionalidade em comento, estabelecendo, em suma, que somente não retroagem à data da edição da Lei em relação a pedido de restituição judicial ou administrativo formulado posteriormente à 11/06/2008, concedendo, por conseguinte, efeito ex tunc para os créditos pendentes de julgamentos e/ou que não tenham sido objeto de execução fiscal. Consoante se positiva da análise dos autos, a controvérsia a respeito do prazo decadencial para as contribuições previdenciárias, após a aprovação/edição da Súmula Vinculante nº 08, passou a se limitar a aplicação dos artigos 150, § 4º, ou 173, inciso I, do Código Tributário Nacional. Indispensável ao deslinde da controvérsia, mister se faz elucidar, resumidamente, as espécies de lançamento tributário que nosso ordenamento jurídico contempla, como segue. Primeiramente destacase o lançamento de ofício ou direto, previsto no artigo 149 do CTN, onde o fisco toma a iniciativa de sua prática, por razões inerentes a natureza do tributo ou quando o contribuinte deixa de cumprir suas obrigações legais. Já o lançamento por declaração ou misto, contemplado no artigo 147 do mesmo Diploma Legal, é aquele em que o contribuinte toma a iniciativa do procedimento, ofertando sua declaração tributária, colaborando ativamente. Alfim, o lançamento por homologação, inscrito no artigo 150 do Códex Tributário, em que o contribuinte presta as informações, calcula o tributo devido e promove o pagamento, ficando sujeito a eventual homologação por parte das autoridades fazendárias. Dessa forma, estando às contribuições previdenciárias sujeitas ao lançamento por homologação, defende parte dos julgadores e doutrinadores que a decadência a ser aplicada seria aquela constante do artigo 150, § 4º, do CTN, levandose em consideração a natureza do tributo atribuída por lei, independentemente da ocorrência de pagamento, entendimento compartilhado por este conselheiro. Ou seja, a regra para os tributos sujeitos ao lançamento por homologação é o artigo 150, § 4º, do Código Tributário, o qual somente não prevalecerá nas hipóteses de ocorrência de dolo, fraude ou conluio, o que ensejaria o deslocamento do prazo decadencial para o artigo 173, inciso I, do mesmo Diploma Legal. Não é demais lembrar que o lançamento por homologação não se caracteriza tão somente pelo pagamento. Ao contrário, tratase, em verdade, de um procedimento complexo, constituído de vários atos independentes, culminando com o pagamento ou não. Observese, pois, que a ausência de pagamento não desnatura o lançamento por homologação, especialmente quando a sujeição dos tributos àquele lançamento é conferida por lei. E, esta, em momento algum afirma que assim o é tão somente quando houver pagamento. Não fosse assim, o que se diria quando o contribuinte apura prejuízos e não tem nada a recolher, ou mesmo quando encontrase beneficiado por isenções e/ou imunidades, onde, em que pese haver o dever de elaborar declarações pertinentes, informando os fatos geradores dos tributos dentre outras obrigações tributárias, deixa de promover o pagamento do tributo em razão de uma benesse fiscal? Fl. 365DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 28/09/2 012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OL, Assinado digitalmente em 30/09/2012 por ELIAS SAMPAIO FREI RE 8 Cabe ao Fisco, porém, no decorrer do prazo de 05 (cinco) anos, contados do fato gerador do tributo, nos termos do artigo 150, § 4º, do CTN, proceder à análise das informações prestadas pelo contribuinte homologandoas ou não, quando inexistir concordância. Neste último caso, promover o lançamento de ofício da importância que imputar devida. Aliás, como afirmado alhures, a regra nos tributos sujeitos ao lançamento por homologação é o prazo decadencial insculpido no artigo 150, § 4º, do CTN, o qual dispôs expressamente os casos em que referido prazo deslocarseá para o artigo 173, inciso I, na ocorrência de dolo, fraude ou simulação comprovados. Somente nessas hipóteses a legislação específica contempla a aplicação de outro prazo decadencial, afastandose a regra do artigo 150, § 4º. Como se constata, a toda evidência, a contagem do lapso temporal em comento independe de pagamento. Ou seja, comprovandose que o contribuinte deixou efetuar o recolhimento dos tributos devidos e/ou promover o autolançamento com dolo, utilizandose de instrumentos ardilosos (fraude e/ou simulação), o prazo decadencial será aquele inscrito no artigo 173, inciso I, do CTN. Afora essa situação, não se cogita na aplicação daquele dispositivo legal. É o que se extrai da perfunctória leitura das normas legais que regulamentam o tema. Por outro lado, alguns julgadores e doutrinadores entendem que somente aplicarseia o artigo 150, § 4º, do CTN quando comprovada a ocorrência de recolhimentos relativamente ao fato gerador lançado, seja qual for o valor. Em outras palavras, a homologação dependeria de antecipação de pagamento para se caracterizar, e a sua ausência daria ensejo ao lançamento de ofício, com observância do prazo decadencial do artigo 173, inciso I. Ressaltase, ainda, o entendimento de outra parte dos juristas, suscitando que o artigo 150, 4º, do Código Tributário Nacional, prevalecerá quando o contribuinte promover qualquer ato tendente a apuração da base de cálculo do tributo devido, seja pelo pagamento, escrituração contábil, declaração do imposto em documento próprio, etc. Melhor elucidando, o contribuinte deverá adotar algum procedimento com o fito de apurar o tributo para que pudesse se cogitar em “homologação”. Afora posicionamento pessoal a propósito da matéria, por entender que as contribuições previdenciárias devem observância ao prazo decadencial do artigo 150, § 4o, do Códex Tributário, independentemente de antecipação de pagamento, salvo quando comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, o certo é que a partir da alteração do Regimento Interno do CARF (artigo 62A), introduzida pela Portaria MF nº 586/2010, os julgadores deste Colegiado estão obrigados a “reproduzir” as decisões do STJ tomadas por recurso repetitivo, razão pela qual deixaremos de abordar aludida discussão, mantendo o entendimento que a aplicação do dispositivo legal retro depende da existência de recolhimentos do mesmo tributo no período objeto do lançamento, na forma decidida por aquele Tribunal Superior nos autos do Resp n° 973.733/SC, assim ementado: “PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS Fl. 366DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 28/09/2 012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OL, Assinado digitalmente em 30/09/2012 por ELIAS SAMPAIO FREI RE Processo nº 11330.000295/200783 Acórdão n.º 2401002.664 S2C4T1 Fl. 186 9 PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: Resp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial Fl. 367DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 28/09/2 012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OL, Assinado digitalmente em 30/09/2012 por ELIAS SAMPAIO FREI RE 10 qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008.” Na esteira desse raciocínio, uma vez delimitado pelo STJ e, bem assim, pelo Regimento Interno do CARF que nos lançamentos por homologação a antecipação de pagamento é indispensável à aplicação do instituto da decadência, nos cabe tão somente nos quedar a aludida conclusão e constatar ou não a sua ocorrência. Entrementes, a controvérsia em relação a referido tema encontrase distante de remansoso desfecho, se fixando agora em determinar o que pode ser considerado como antecipação de pagamento nas contribuições previdenciárias, sobretudo em face das diversas modalidades e/ou procedimentos adotados por ocasião do lançamento fiscal. In casu, porém, despiciendas maiores elucubrações a propósito da matéria, uma vez que a simples análise dos autos nos leva a concluir pela existência de antecipação de pagamento, por tratase de salário indireto, portanto, diferenças de contribuições, eis que a contribuinte promoveu o recolhimento das contribuições incidentes sobre a remuneração reconhecida (salário normal), fato relevante para a aplicação do instituto, nos termos da decisão do STJ acima ementada, a qual estamos obrigados a observar. Mais a mais, o próprio julgador de primeira instância confirmou a existência de recolhimentos ao acolher a decadência parcial do débito, conforme de verifica do item 20, às fls. 162, do Acórdão recorrido. Assim, é de se manter a ordem legal no sentido de acolher o prazo decadencial de 05 (cinco) anos, na forma do artigo 150, § 4o, do Código Tributário Nacional. Na hipótese dos autos, tendo a fiscalização constituído o crédito previdenciário em 03/11/2006, com a devida ciência da contribuinte constante do documento de fl. 56, a exigência fiscal resta parcialmente fulminada pela decadência, em relação aos fatos geradores ocorridos no período de 01/1999 a 09/2000, os quais encontramse fora do prazo decadencial inscrito no dispositivo legal supra, impondo seja decretada a improcedência parcial do lançamento. MÉRITO No mérito, insurgiuse a contribuinte, em sede de impugnação, contra a exigência fiscal consubstanciada na peça vestibular do feito, aduzindo para tanto que os valores concedidos aos segurados empregados a título de prêmio não se incluem na base de cálculo das contribuições previdenciárias, em razão dos inúmeros fundamentos inseridos na defesa inaugural. Com mais especificidade, relativamente à questão posta em debate nesta assentada, cumpre esclarecer que a contribuinte apresentou ao Fisco, após a notificação, disquete contendo a relação das Notas Fiscais emitidas pela Incentive House, possibilitando identificar as rubricas que legalmente são classificadas como fato gerador das contribuições previdenciárias conforme informado no item 8.8 acima da diligência fiscal. Referida relação das Notas Fiscais veio a corroborar a alegação da contribuinte de que os cartões adquiridos pela defendente não se destinavam tão somente a Fl. 368DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 28/09/2 012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OL, Assinado digitalmente em 30/09/2012 por ELIAS SAMPAIO FREI RE Processo nº 11330.000295/200783 Acórdão n.º 2401002.664 S2C4T1 Fl. 187 11 seus funcionários, mas também para premiar os clientes, pessoas jurídicas, compradores de seus produtos. Diante da documentação acostada aos autos pela contribuinte junto à impugnação, mormente demonstrando que os serviços/cartões de premiação adquiridos da empresa INCENTIVE HOUSE se destinavam, igualmente, à premiação de clientes, pessoas jurídicas, compradores de seus produtos, etc, a autoridade julgadora de primeira instância entendeu por bem excluir da exigência fiscal aludidas notas fiscais, as quais haviam sido consideradas por ocasião do lançamento, mantendo exclusivamente as rubricas TOP PREMIUM e Programa de Estímulo à Produtividade. No que concerne a este ponto, da mesma forma, a decisão recorrida não merece reparo. Isto porque, uma vez comprovado pela contribuinte que parte das notas fiscais admitidas quando da constituição do crédito tributário, não se referiam a pagamentos de segurados empregados, não se pode cogitar em incidência de contribuições previdenciárias a partir da consideração como remunerações dos empregados. Por todo o exposto, estando o Acórdão recorrido sub examine em consonância com os dispositivos legais que regulamentam a matéria , VOTO NO SENTIDO E CONHECER DO RECURSO DE OFÍCIO E NEGARLHE PROVIMENTO, pelas razões de fato e de direito acima esposadas. Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 369DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 28/09/2 012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OL, Assinado digitalmente em 30/09/2012 por ELIAS SAMPAIO FREI RE
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Numero do processo: 16327.001650/2005-42
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 24 00:00:00 UTC 2012
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Período de apuração: 01/07/1999 a 30/09/2000
DÉBITOS DECLARADOS EM DCTF. EXIGÊNCIA. CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. DISPENSA.
A apresentação de Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) é modalidade de constituição de crédito tributário, dispensada, para este efeito, qualquer outra providência por parte do Fisco.
DÉBITO TRIBUTÁRIO. DCTF. CONSTITUIÇÃO TEMPESTIVA. DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA.
A constituição do crédito tributário por meio da apresentação tempestiva da DCTF declarando os débitos exclui a decadência do direito de a Fazenda Pública constituí-lo.
RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO.
Numero da decisão: 3301-001.427
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
A conselheira Maria Teresa Martinez López votou pelas conclusões.
Nome do relator: JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS
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EXIGÊNCIA. CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. DISPENSA. A apresentação de Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) é modalidade de constituição de crédito tributário, dispensada, para este efeito, qualquer outra providência por parte do Fisco. DÉBITO TRIBUTÁRIO. DCTF. CONSTITUIÇÃO TEMPESTIVA. DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA. A constituição do crédito tributário por meio da apresentação tempestiva da DCTF declarando os débitos exclui a decadência do direito de a Fazenda Pública constituílo. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. A conselheira Maria Teresa Martinez López votou pelas conclusões. (Assinado Digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente (Assinado Digitalmente) José Adão Vitorino de Morais – Relator Fl. 406DF CARF MF Impresso em 25/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 18 /05/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso, Paulo Sérgio Celani, Andréa Medrado Darzé, Maria Teresa Martínez López e Rodrigo da Costa Pôssas. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da DRJ Recife que julgou improcedente o lançamento da contribuição para o Financiamento da Seguridade Social referente aos fatos geradores ocorridos nos períodos de competência de julho de 1999 a setembro de 2003. O lançamento decorreu da falta de pagamento de parte dos valores declarados nas respectivas DCTFs e cuja exigibilidade se encontrava suspensa por força de liminar concedida no mandado segurança nº 1999.61.00.036524. Ao julgar a apelação da União Federal e a remessa oficial, o TRF da 3ª Região lhes deu provimento e, ao mesmo tempo, autorizou o depósito do montante do crédito tributário em discussão. A partir de março de 2004, os valores da Cofins passaram a ser depositados em juízo, sendo que os valores correspondentes às competências de julho de 1999 a fevereiro de 2004 foram depositados em 16 de abril de 2004. Cientificada do lançamento, a recorrente impugnouo (fls. 216/226), alegando razões que foram assim resumidas por aquela DRJ: “A autuada apresentou a impugnação parcial de fls. 211/221, protocolizada em 23/11/2005 e acompanhada dos documentos de fls.222/253, na qual alega que os créditos tributários de COFINS relativos aos meses de julho de 1999 a setembro de 2000 foram atingidos pela decadência, já que, passados mais de cinco anos da ocorrência do fato gerador, o lançamento dos respectivos créditos é impedido por força do art.150, §4°, do CTN. A contribuinte alega ainda que não seria aplicável ao presente caso o prazo decadencial de 10 anos previsto na Lei n° 8.212/91, uma vez que, em se tratando de tributos, como é o caso da contribuição a COFINS, os prazos de decadência e prescrição estabelecidos pelos CTN não poderiam ser alterados por lei ordinária.” Analisada a impugnação, aquela DRJ julgou o lançamento improcedente, ressalvando, contudo, o direito de prosseguimento da cobrança de todo o crédito tributário, conforme acórdão nº 1619.574, datado de 24/11/2008, às fls. 280/287, sob as seguintes ementas: “DECADÊNCIA. CRÉDITO TRIBUTÁRIO DECLARADO EM DCTF. E inócua eventual declaração de decadência referente a crédito tributário regularmente constituído por intermédio de DCTF. DCTF. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. DUPLICIDADE DE CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. Verificada de forma inequívoca a duplicidade de constituição do crédito tributário, efetuada previamente por meio de DCTF, e posteriormente por meio de lançamento de ofício, conseqüentemente resta insubsistente o lançamento de ofício, Fl. 407DF CARF MF Impresso em 25/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 18 /05/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 16327.001650/200542 Acórdão n.º 330101.427 S3C3T1 Fl. 407 3 tendo em vista o caráter de confissão de dívida atribuído aos créditos tributários declarados em DCTF.” Cientificada dessa decisão, inconformada, a recorrente interpôs recurso voluntário (fls. 362/369), visando a sua reforma parcial a fim que seja excluída dela a ressalva, quanto ao prosseguimento da cobrança dos valores declarados nas respectivas DCTFs, alegando, em síntese, que a declaração das parcelas da contribuição não implicou confissão de dívida nem dispensou a constituição do crédito tributário, devendo, portanto, ser reconhecida a decadência do direito de a Fazenda exigir as parcelas correspondentes aos meses de competência de julho de 1999 a setembro de 2000. Para fundamentar seu recurso, expendeu extenso arrazoado sobre: i) Preliminarmente: Do Interesse Recursal que Justifica a Interposição e o Cabimento do Presente Recurso Voluntário; ii) Dos Fatos; III) Da Extinção Definitiva do Crédito pela Decadência; e, IV) Da Sobreposição do Auto de Infração em face da Declaração do Contribuinte, concluindo, ao final que, no presente caso, embora a decisão de primeira instância tenha julgado o lançamento improcedente, é cabível o recurso voluntário pelo fato de ter sido ressalvado o direito de se prosseguir na cobrança das parcelas declaradas em DCTFs; e, no mérito, a extinção do crédito tributário pela ocorrência da decadência quiquenal do direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário, nos termos do CTN, art. 150, §4º, porque, segundo seu entendimento, a declaração dos débitos nas respectivas DCTFs, ao contrário do entendimento da autoridade julgadora de primeira instância, não implicou em confissão de dívida e dispensa da constituição do respectivo crédito tributário. É o relatório. Voto Conselheiro José Adão Vitorino de Morais O recurso apresentado atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Assim, dele conheço. Conforme se verifica dos autos, embora o lançamento tenha abrangido as competências mensais de julho de 1999 a setembro de 2003, apenas a parte do crédito tributário correspondente às competência de julho de 1999 a setembro 2000 foi impugnada pela recorrente. A autoridade julgadora de primeira instância julgou o lançamento improcedente com fundamento na duplicidade de constituição do crédito tributário, tendo em vista que as parcelas lançadas e exigidas foram regularmente declaradas em DCTFs o que implicou em confissão de dívida e dispensa de lançamento de ofício para sua exigência, nos termos do Decretolei nº 2.124, de 13/06/1984. A recorrente contesta esse entendimento, sob os argumentos de que a apresentação de DCTFs declarando os débitos da contribuição não constituiu confissão de dívida nem instrumento hábil e suficiente à exigência do crédito tributário, havendo necessidade de lançamento de ofício para sua constituição. Fl. 408DF CARF MF Impresso em 25/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 18 /05/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 4 Assim, na data de sua constituição por meio do lançamento em discussão, o direito de a Fazenda Pública exigir as parcelas referentes às competências de julho de 1999 a setembro de 2000 já havia decaído. Dessa forma, a questão de mérito se restringe ao reconhecimento de que a entrega de DCTF declarando os débitos, objeto do lançamento cancelado pela DRJ constitui ou não confissão de divida e instrumento hábil e suficiente para se exigir os débitos declarados. Conforme já demonstrado e fundamentado na decisão recorrida, a apresentação de DCTF declarando os débitos constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente à constituição do crédito tributário e a sua exigência, nos termos do Decretolei nº 2.124. de 13/06/1984, que assim dispõe: “Art. 5º. O Ministro da Fazenda poderá eliminar ou instituir obrigações acessórias relativas a tributos federais administrados pela Secretaria da Receita Federal. §1° O documento que formalizar o cumprimento de obrigação acessória, comunicando a existência de crédito tributário, constituirá confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência do referido crédito.” Já a Lei nº 9.779, de 19/01/1999, estabelece: “Art. 16. Compete à Secretaria da Receita Federal dispor sobre as obrigações acessórias relativas aos impostos e contribuições por ela administrados, estabelecendo, inclusive, forma, prazo e condições para o seu cumprimento e o respectivo responsável.” Com base no art. 5º citado e transcrito acima, foi editada a INSRF nº 126, de 30/10/1998, posteriormente, substituída pela INSRF n° 255, de 11/09/2002, que assim dispunha: “Art. 1º. As normas disciplinadoras da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) são as estabelecidas por esta Instrução Normativa. Da Obrigatoriedade de Apresentação Art. 2º. As pessoas jurídicas em geral, inclusive as equiparadas, deverão apresentar trimestralmente a DCTF, de forma centralizada, pela matriz. Parágrafo único. Para efeito do disposto nesta Instrução Normativa, serão considerados os trimestres encerrados, respectivamente, em 31 de março, 30 de junho, 30 de setembro e 31 de dezembro de cada anocalendário. (...). Art. 6º. A DCTF conterá informações relativas aos seguintes impostos e contribuições federais: (...). VII Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins); Fl. 409DF CARF MF Impresso em 25/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 18 /05/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 16327.001650/200542 Acórdão n.º 330101.427 S3C3T1 Fl. 408 5 (...). Art. 8º. Todos os valores informados na DCTF serão objeto de procedimento de auditoria interna. § 1º. Os saldos a pagar relativos a cada imposto ou contribuição, informados na DCTF, serão enviados para inscrição em Dívida Ativa da União após o término dos prazos fixados para a entrega da DCTF. (...).” Ora, os dispositivos legais citados e transcritos comprovam que a DCTF constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a constituição e exigência do crédito tributário. Também este tem sido o entendimento do Superior Tribunal de Justiça, conforme se depreende das ementas citadas e transcritas na decisão recorrida e ora reproduzidas: “CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÕES PARA A SEGURIDADE SOCIAL. DECLARAÇÃO DO DÉBITO PELO CONTRIBUINTE: FORMA DE CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. PRESCRIÇÃO. TERMO INICIAL. (...) 1. A apresentação, pelo contribuinte, de Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF (instituída pela INSRF 129/86, atualmente regulada pela IN SRF 395/2004, editada com base no art. 5° do DL 2.124/84 e art. 16 da Lei 9.779/99) ou de Guia de Informação e Apuração do ICMS GIA, ou de outra declaração dessa natureza, prevista em lei, é modo de constituição do crédito tributário, dispensada, para esse efeito, qualquer outra providência por parte do Fisco. A falta de recolhimento, no devido prazo, do valor correspondente ao crédito tributário assim regularmente constituído acarreta, entre outras conseqüências, as de (a) autorizar a sua inscrição em divida ativa; (b) fixar o termo a quo do prazo de prescrição para a sua cobrança; (c) inibir a expedição de certidão negativa do débito; (d) afastar a possibilidade de denúncia espontânea. (STJ, Primeira Turma, REsp 671219/RS, Min. Teori Albino Zavascki, data do julgamento: 19/06/2008, data da publicação/fonte: DJe 30/06/2008) TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. IRPJ. TRIBUTO DECLARADO EM DCTF E NÃO PAGO. PRESCRIÇÃO. TERMO INICIAL CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO. ENTREGA DA DECLARAÇÃO. PRESCRIÇÃO QÜINQÜENAL RECONHECIDA. (...) ./ 2. Segundo jurisprudência que se encontra solidificada no âmbito deste STJ, a apresentação, pelo contribuinte, da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF, Fl. 410DF CARF MF Impresso em 25/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 18 /05/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 6 é modo de constituição do crédito tributário, dispensada qualquer outra providência por parte do Fisco. A partir desse momento, tem início o cômputo da prescrição qüinqüenal, facultada à Fazenda para providenciar o ajuizamento da ação executiva. 3. Precedentes: AGA n. 87.366/SP, 2a T, Min. Antônio de Pádua Ribeiro, DJ de 25.11.1996; RESP 510.802/SP, Ia T, Min. José Delgado, DJ de 14.06.2004; RESP 389.089/RS, Ia T, Min. Luiz Fux, DJ de 16.12.2002, RESP 652.952/PR, Ia T, Min. José Delgado, DJ de 16.11.2004; RESP 600.769/PR, Ia T, Min. Teori Albino Zavascki, DJ de 27.09.2004; RESP 510.802/SP, 1" T, Min. José Delgado, DJ de 14.06.2004; REsp. 77016l/SC, Ia T, Min. Teori Albino Zavascki, DJ de 26.09.2005; REsp 718773 / PR, Ia T, Min. Teori Albino Zavascki, DJ de 03/04/06. (STJ, Primeira Turma, REsp 839220/RS, Min. José Delgado, data do julgamento: 05/10/2006, data da publicação/fonte: DJ 26/10/2006, p.245)”. Dessa forma, tendo sido constituído o crédito tributário por meio de lançamento em DCTF dentro do prazo qüinqüenal previsto legalmente para a sua constituição, não há que se falar em decadência. Em face do exposto e de tudo o mais que dos autos consta, nego provimento ao presente recurso voluntário. (Assinado Digitalmente) José Adão Vitorino de Morais Relator Fl. 411DF CARF MF Impresso em 25/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 18 /05/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS
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Numero do processo: 10380.005181/2003-48
Turma: Terceira Câmara
Seção: Terceiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Tue Jan 22 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Apr 05 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Período de apuração: 01/01/1998 a 31/01/1998, 01/02/1998 a 28/02/1998
RECURSO ESPECIAL. DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL. AUSÊNCIA DE SIMILITUDE FÁTICA ENTRE ACÓRDÃOS. Não se conhece de recurso especial se os acórdãos paradigma e recorrido não tratam da mesma situação fática.
Recurso Especial Não Conhecido.
Numero da decisão: 9101-001.548
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do relatorio e voto que integram o presente julgado.
Otacilio Dantas Cartaxo- Presidente.
Plínio Rodrigues Lima - Relator
EDITADO EM: 26/03/2013
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Otacilio Dantas Cartaxo(Presidente), Valmar Fonseca de Menezes, José Ricardo da Silva, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, Karem Jureidini Dias, Jorge Celso Freire da Silva, Valmir Sandri, Plínio Rodrigues Lima, João Carlos de Lima Júnior e Susy Gomes
Nome do relator: PLINIO RODRIGUES LIMA
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DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL. AUSÊNCIA DE SIMILITUDE FÁTICA ENTRE ACÓRDÃOS. Não se conhece de recurso especial se os acórdãos paradigma e recorrido não tratam da mesma situação fática. Recurso Especial Não Conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do relatorio e voto que integram o presente julgado. Otacilio Dantas Cartaxo Presidente. Plínio Rodrigues Lima Relator EDITADO EM: 26/03/2013 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Otacilio Dantas Cartaxo(Presidente), Valmar Fonseca de Menezes, José Ricardo da Silva, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, Karem Jureidini Dias, Jorge Celso Freire da Silva, Valmir Sandri, Plínio Rodrigues Lima, João Carlos de Lima Júnior e Susy Gomes AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 00 51 81 /2 00 3- 48 Fl. 165DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 02/04/201 3 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 26/03/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA 2 Relatório A interessada acima identificada, optante pelo SIMPLES em 30 de dezembro de 1997 (fls. 3) e excluída deste a pedido, conforme o Ato Declaratório de Exclusão n° 52, de 23 de novembro de 2000 (fls. 5), por meio do documento às fls. 1 e 2, solicitou em 6 de junho de 2003 ao Delegado da Receita Federal em Fortaleza a restituição de valores pagos em DARF –SIMPLES (fls.27) a título dos tributos PIS e COFINS, referentes às competências de janeiro de 1998, R$ 2.214,41, fevereiro de 1998, R$3.801,51 e março de 1998, R$5.259,31, recolhidos em 10/02/1998, 10/03/1998 e 08/04/1998, respectivamente (fls. 27) sob a alegação de que fora lavrado auto de infração, em 27 de maio de 2003 (fls. 46 a 52), cobrandose o valor total de PIS e COFINS relativos às competeências de janeiro/98, fevereiro/98 e março/98, sem considerar na apuração do saldo devido os valores recolhidos por ocasião da sua inclusão no SIMPLES. Fundamentou o pedido no art. 168, II, combinado com o art. 165, III, todos do CTN: “Art. 168. O direito de pleitear a restituição extinguese com o decurso do prazo de 5(cinco) anos, contados: II – na hipótese do inciso III do art. 165, da data em que se tornar definitiva a decisão administrativa ou passar em julgado a decisão judicial que tenha reformado, anulado, revogado ou rescindido a decisão condenatória”. “Art. 165. O sujeito passivo tem direito, independentemente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo, seja qual for a modalidade do seu pagamento, ressalvado o disposto no §4° do art. 162, nos seguintes casos: III – reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória”. Segundo a interessada, apenas a partir de 23/11/2000, data do Ato Declaratório de Exclusão n° 52, tornouse definitiva a decisão administrativa revogatória da sua inclusão no SIMPLES. Em 18/03/2004, por meio de DESPACHO DECISÓRIO (fls.28 a 30), o pedido foi indeferido, com base no art. 168, I, combinado com o art. 165, I, ambos do CTN, e no Ato Declaratório SRF n° 96, de 26 de novembro de 1999, segundo o qual: “... I – o prazo para que o contribuinte possa pleitear a restituição de tributo ou contribuição pago indevidamente ou em valor maior que o devido, inclusive na hipótese de o pagamento ter sido efetuado com base na lei posteriormente declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal em ação declaratória ou em recurso extraordinário, extinguese após o transcurso do prazo de 5(cinco) anos, contado da data da extinção do crédito tributário – arts. 165, I e 168, I da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional)”. Portanto, transcorreuse o interstício de cinco anos entre a data do pagamento objeto da restituição, modalidade de extinção do crédito tributário, a teor do CTN, art. 156, I, e a data do pedido, 06/06/2003. Fl. 166DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 02/04/201 3 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 26/03/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 10380.005181/200348 Acórdão n.º 9101001.548 CSRFT1 Fl. 3 3 Intimada do DESPACHO DECISÓRIO em 20/11/2004, a interesada apresentou MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE, em 15/12/2004, alegando principalmente que os pagamentos foram feitos em função de um ato administrativo que admitiu a interessada no SIMPLES e, posteriormente, outra decisão administrativa definitiva (ADE n° 52) excluiu a interessada retroativamente. Só então os pagamentos feitos no SIMPLES se tornaram indevidos, começando a correr da data do ADE n° 52 o prazo para pleitear a restituição, nos termos do art. 165, III, c/c 168, II, ambos do CTN, encerrandose em novembro de 2005 (fls. 32 a 60). A DRJ/Fortaleza, por unanimidade, indeferiu o pedido de restituição dos valores pagos a título de tributos na sistemática do SIMPLES em 03/03/2005 (fls. 64 a 71). Informou que a solução do litígio passou necessariamente pela análise de se saber qual o termo inicial para a contagem do prazo decadencial de 5(cinco) anos para o sujeito passivo pleitear, via administrativa, o direito à repetição do indébito tributário. Com base no Parecer da PGFN/CAT n° 1.538/1999, a SRF já firmara entendimento sobre o início da contagem do prazo decadencial, independentemente das atipicidades que envolvessem os casos concretos, inclusive na hipótese de o pagamento ter sido efetuado com base em lei posteriormente declarada inconstitucional pelo STF, estando a dicção do ADSRF n° 96/99 traduzida de maneira muito clara e precisa, inexistindo, portanto, qualquer dúvida sobre a interpretação que a Administração Tributária quis impingir à matéria. Ainda segundo a DRJ, a Portaria MF n° 258, de 24/08/2001, em seu art. 7°, estabeleceu que os julgadores, lotados nas Delegacias de Julgamento, devem observar em seus julgados as normas legais e regulamentares, bem como o entendimento da SRF expresso em atos tributários e aduaneiros, o que implica adotar o disposto no ADSRF n° 96/99. Intimada em 23/05/2005 do indeferimento da MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE, a interessada interpôs, em 16/06/2005, RECURSO VOLUNTÁRIO ao Conselho de Contribuintes (fls. 76 a 87) ratificando os argumentos da MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE e a não observância do disposto no §3° do art. 150 do CTN, já que os valores pagos pelo SIMPLES não foram considerados na apuração de saldo porventura devido quando do auto de infração, e que, seja por isso, ou seja pelo fato do prazo iniciarse quando do ato declaratório de exclusão, não ocorreu a decadência. Por meio do Acórdão n° 30333.975, em 07/12/2006, os membros da Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, deram provimento ao recurso voluntário, reconhecendo o direito à restituição dos valores pagos quando da sistemática do SIMPLES. Entendeu a Egrégia Câmara que a controvérsia girava em torno da ocorrência (ou não) da decadência (prescrição) do direito da interessada de pleitear a restituição dos valores que pagou em razão de sua opção pela sistemática do SIMPLES, no período de janeiro/1998, fevereiro/1998 e março/1998. Fundamentou o v. acórdão: “se por um lado, a legislação vigente permitiu que a contribuinte fizesse a opção pelo SIMPLES sem prévia manifestação do Fisco, não impedindo a sua apreciação posterior, quanto à legalidade daquele ato, por parte da Receita Federal, com vistas a verificação da regularidade da opção, porquanto, quando o Fl. 167DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 02/04/201 3 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 26/03/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA 4 Fisco apura que a empresa optou indevidamente pelo regime do SIMPLES, não somente pode, como é dever excluíla de tal sistemática, isto no momento de sua apreciação, a partir da data do ato ilegal, quando comunicará o fato ao contribuinte da irregularidade cometida, que é exatamente o ato de exclusão, é claro que o mesmo se lhe é dado quanto a ver ressarcido os valores pagos indevidamente, memso porque terá que pagar todos os valores atrasados, destarte, dentro das novas modalidades, com acréscimos legais, muito mais onerosos”. Concluiu o v. acórdão que a interessada suportou o ônus do tributo, conforme os documentos de fls. 4 e 27 dos autos, e também, em função do art. 168, II, do CTN, necessária se faz a restituição do indébito, nos termos em que fora requerido pela Contribuinte. Intimada em 12/04/2007, a Fazenda Nacional interpôs RECURSO ESPECIAL (fls. 100 a 149) em 13/04/2007 com fulcro no art. 32, inciso II do RICC, c/c. o art. 5°, inciso II, do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, contra o v. acórdão por entender que a decisão ora impugnada deu à lei tributária interpretação divergente da que lhe foi dada pelas Quarta e Oitava Câmaras do Primeiro Conselho e também pela Segunda Câmara do Terceiro Conselho em situações semelhantes. Em suas razões recursais, para fundamentar a divergência, transcreveu as seguintes ementas dos julgados paradigmas : "Ementa IRPF DECADÊNCIA RESTITUIÇÃO DE INDÉBITO INTELIGÊNCIA DO ARTIGO 168 DO CTN O prazo para pleitear a restituição de tributos pagos indevidamente é de cinco anos, contados a partir da data do pagamento indevido, que nada mais é do que a extinção do crédito tributário. Recurso negado." (Numero Recurso: 133254, Câmara: QUARTA CÂMARA. Numero Processo: 10675.001838/200121.Tipo de Recurso: VOLUNTÁRIO. Matéria: IRPF. Recorrente: WALTER WILSON VIEIRA. Recorrida/interessado: 4ª TURMA/DRJJUIZ DE FORNMG. Data da Sessão: 17/10/2003. Relator: Melgan Sack Rodrigue., Decisão: Acórdão: 10419606. Resultado:NPU NEGADO PROVIMENTO POR UNANIMIDADE) “Ementa: FINSOCIAL RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. A inconstitucionalidade reconhecida em sede de Recurso Extraordinário não gera efeitos erga omnes, sem que haja Resolução do Senado Federal suspendendo a aplicação do ato legal inquinado (art. 52, inciso X, da Constituição Federal). Tampouco a Medida Provisória n° 1.110/95 (atual Lei n° 10.522/2002) autoriza a interpretação de que cabe a revisão de créditos tributários definitivamente constituídos e extintos pelo pagamento. DECADÊNCIA O direito de pleitear a restituição extinguese com o decurso do prazo de cinco anos, contados da data de extinção do crédito tributário (art. 168, inciso I, do Código Tributário Nacional). NEGADO PROVIMENTO POR MAIORIA.” (Numero Recurso: 126381 Câmara: SEGUNDA CÂMARA Numero Processo: 10183.005466/9887 Tipo do Recurso: VOLUNTÁRIO Matéria: FINSOCIAL RESTITUIÇÃO Recorrente: ARROSSENSAL AGROPEGUÁRIA E INDUSTRIAL Fl. 168DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 02/04/201 3 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 26/03/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 10380.005181/200348 Acórdão n.º 9101001.548 CSRFT1 Fl. 4 5 S/A. Recorrida/interessado: DRJCAMPO GRANDE/MS. Data da Sessão: 15/10/2003 09 00 00. Relator MARIA HELENA COTTA CARDOZO. Decisão: Acordão 30235782 Resultado: NPM NEGADO PROVIMENTO POR MAIORIA). Nas razões para que se adote o entendimento dos julgados paradigmas, argumenta essencialmente: “Constatase que o direito de repetir, compensar ou pedir administrativamente supostos valores pagos indevidamente é quinquenal. Assim, tendo havido pagamento antecipado em janeiro de 1998 e março de 1998, apenas em junho de 2003 deu o interessado entrada com pedido administrativo de restituição. Desse modo seu suposto direito foi atingido pela decadência quinquenal, nos termos do art. 168, inciso I, c.c. art. 150, §4° do Código Tributário Nacional, inclusive reforçado pelas alterações promovidas pela LC 118/2005...” Conclui a Recorrente: Ex positis, demonstrada a divergência de interpretação entre Câmaras do Conselho de Contribuintes, requer a União(Fazenda Nacional), conforme as razões expostas, seja conhecido e provido o presente Recurso Especial, para reformar a v. decisão recorrida e restaurar o inteiro teor da decisão de primeira instância, reconhecendose a decadência qüinqüenal. Em 16/05/2007, por meio do DESPACHO n° 216/2007 (Fls. 151 a 153), a Presidência da 3ª Câmara do 3° CC admitiu o Recurso Especial da Fazenda Nacional A DRF/Fportaleza encaminhou o termo de intimação do Recurso Especial à interessada em 27/06/2007 (Fls. 156), sem retorno do AR (Fls. 162). A interessada apresentou suas contrarazões em 16/07/2007 (Fls. 157 a 161), ratificou o disposto no v. acórdão recorrido e, essencialmente, acrescentou : “O que importa neste caso é que a exclusão da Recorrente do SIMPLES tornou indevidos os pagamentos dos tributos até então efetuados pela sistemática SIMPLES. Antes dessa exclusão o pagamento era devido e não poderia ser reclamada a sua restituição. Com a exclusão o pagamento passou a ser indevido e na data dessa exclusão iniciou o prazo para o respectivo pedido de restituição. Notase, portanto, que as decisões referidas pela Fazenda Nacional não servem como paradigma de divergência exigido para o cabimento do recurso especial”. Concluiu requerendo o não conhecimento do Recurso Especial, ou, se assim não for entendido, o não provimento deste, mantendose o v. acórdão recorrido na íntegra. Subiram então os autos a este Colegiado, distribuídos, por sorteio, a este Relator, em Sessão realizada no dia 16/11/2012. É o relatório Fl. 169DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 02/04/201 3 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 26/03/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA 6 Voto Conselheiro Plínio Rodrigues Lima, Relator. Tratase de Recurso Especial de Divergência interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional contra decisão da Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes que, por unanimidade, deu provimento ao Recurso Voluntário, por meio do Acórdão n° 303 33.975, transcrita a seguir sua ementa: “SIMPLES. RESTITUIÇÃO. O prazo prescricional para requerer a restituição do tributo pago indevidamente ocorre após decorridos 5(cinco) anos da data em que se tornar definitiva a decisão administrativa que excluiu a empresa do Sistema Simplificado de Pagamentos de Impostos, fundamentos no artigo 168, II, do CTN. Recurso voluntário provido”. O juízo de conhecimento do presente Recurso fundamentase no disposto nos arts. 5° e 7°, do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria n° 55, de 16 de março de 1998, vigente à época da interposição deste Recuso Especial: Seção II Da Competência Art. 5 º Compete à Câmara Superior de Recursos Fiscais julgar recurso especial interposto contra: I – decisão não un ânime de Câmara de Conselho de Contribuintes, quando for contrária à lei ou à evidência da prova; e II – decisão que der à lei tributária interpretaçã o divergente da que lhe tenha dado outra Câmara de Conselho de Contribuintes ou a própria Câmara Superior de Recursos Fiscais. § 1º No caso do inciso I, o recurso é privativo do Procurador da Fazenda Nacional; no caso do inciso II, sua interposição é facultada também ao sujeito passivo. § 2º Para o efeito da aplicaçã o do inciso II deste artigo, entendese como outra Câmara as que integram a atual estrutura dos Conselhos de Contribuintes ou as que vierem a integrála. § 3º Não caberá recurso especial de decisão de qualquer das Câmaras dos Conselhos que na apreciação de matéria preliminar decida pela anulação da decisão de primeira instância. § 4º No caso do inciso II, quando a divergência se der entre Turmas da Câmara Superior de Recursos Fiscais, a matéria Fl. 170DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 02/04/201 3 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 26/03/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 10380.005181/200348 Acórdão n.º 9101001.548 CSRFT1 Fl. 5 7 objeto da divergência será decidida pelo Pleno da própria Câmara Superior de Recursos Fiscais. § 5º Somente poderá ser objeto de apreciaçã o e julgamento matéria prequestionada, cabendo ao recorrente demonstrála, com precisa indicaçã o das peças processuais. (...) Seção III Do Recurso Especial Art. 7 º O recurso especial deverá ser formalizado em petição dirigida ao Presidente da Câmara que houver prolatado a decisão recorrida e deverá ser apresentado por Procurador da Fazenda Nacional, no prazo de quinze dias, contando da vista oficial do acórd ão, ou pelo sujeito passivo, em igual prazo, contado da data da ciência da decisão. § 2º Na hipótese de que trata o inciso II do art. 5 º deste Regimento, o recurso deverá ser protocolizado na repartição preparadora quando interposto pelo sujeito passivo e na Secretaria de Câmara quando interposto pelo Procurador da Fazenda Nacional credenciado, e demonstrar, fundamentadamente, a divergência argüida, indicando a decisão divergente e comprovandoa mediante a apresentação de cópia autenticada de seu inteiro teor ou de cópia da publicação em que tenha sido divulgada, ou mediante cópia de publicação de até duas ementas, cujos acórdãos serão examinados pelo Presidente da Câmara recorrida. O presente recurso é tempestivo como se pode observar nos autos às fls. 100 a 149. Quanto à divergência, fazse necessária a sua demonstração fundamentada e comprovada, ou seja, a recorrente deve demonstrar que em situações fáticas semelhantes, o acórdão recorrido e o paradigma chegam a conclusões distintas. No caso, conforme o exposto no Relatório, a Fazenda Nacional limitouse a transcrever as seguintes ementas, sem demonstrar a semelhança entre as respectivas situações fáticas e a do acórdão recorrido: "Ementa IRPF DECADÊNCIA RESTITUIÇÃO DE INDÉBITO INTELIGÊNCIA DO ARTIGO 168 DO CTN O prazo para pleitear a restituição de tributos pagos indevidamente é de cinco anos, contados a partir da data do pagamento indevido, que nada mais é do que a extinção do crédito tributário. Recurso negado." (Numero Recurso :133254, Câmara: QUARTA CÂMARA Numero Processo:10675.001838/200121. Tipo de Recurs: VOLUNTÁRIO, Matéria IRPF Recorrente ,WALTER WILSON VIEIRA, Recorrida/interessado: 4ª TURMA/DRJJUIZ DE FORA/MG, Data da Sessão: 17/10/2003, Relator: Melgan Sack Rodrigues, Decisão: Acórdão 104 19606, Resultado .NPU NEGADO PROVIMENTO POR UNANIMIDADE) Fl. 171DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 02/04/201 3 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 26/03/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA 8 “Ementa: FINSOCIAL RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO A inconstitucionalidade reconhecida em sede de Recurso Extraordinário não gera efeitos erga omnes, sem que haja Resolução do Senado Federal suspendendo a aplicação do ato legal inquinado (art. 52, inciso X, da Constituição Federal). Tampouco a Medida Provisória n° 1.110/95 (atual Lei n° 10.522/2002) autoriza a interpretação de que cabe a revisão de créditos tributários definitivamente constituídos e extintos pelo pagamento. DECADÊNCIA O direito de pleitear a restituição extinguese com o decurso do prazo de cinco anos, contados da data de extinção do crédito tributário (art. 168, inciso I, do Código Tributário Nacional). NEGADO PROVIMENTO POR MAIORIA.” (Numero Recurso 126381 Câmara SEGUNDA CÂMARA Numero Processo :10183.005466/98.67 Tipo do Recurso :VOLUNTÁRIO Matéria FINSOCIAL RESTITUIÇÃO Recorrente ARROSSENSAL AGROPEGUARIA E INDUSTRIAL S/A Recorrida/interessado :DRJCAMPO GRANDE/MS Data da Sessão 15/10/2003 09 00 00. Relator MARIA HELENA COTTA CARDOZO Decisão: Acordão 30235782 Resultado .NPM NEGADO PROVIMENTO POR MAIORIA). As situações fáticas dos paradigmas não guardam semelhança alguma com a do acórdão recorrido.Senão, vejamos: A situação fática do acórdão limitase ao ínício da contagem do prazo para pleitear a restituição de valores pagos a título de tributos apurados na sistemática do SIMPLES, a contar da data do pagamento nesse regime simplificado, a teor do art. 168, I, do CTN ou da data do ato declaratório de exclusão (ADE), concluindo o v. acórdão pela aplicação do art. 168, II, do CTN, a partir da data do ADE. Por sua vez, a situação fática do acórdão paradigma n° 104 19606 referese à contagem do prazo de cinco anos para repetição de indébito (art. 168, I, do CTN) ocorrer a partir do pagamento indevido (art. 156, I, do CTN) ou da homologação expressa ou tácita (art. 150 do CTN), neste caso, a partir de cinco anos da ocorrência do fato jurídico tributário, concluindo o respectivo acórdão que a extinção do crédito tributário do art. 168, I, do CTN ocorre com o pagamento indevido. Em relação ao acórdão paradigma n° 30235782, a situação fática referese ao pedido de restituição/compensação de indébito com fundamento na declaração de inconstitucionalidade proferida pelo Supremo Tribunal Federal, quando do exame do Recurso Extraordinário 150.764/PE, julgado em 16/12/1992 e publicado no DJ de 02/04/1993, concluindo o respectivo acórdão pela aplicação do art. 168, I, do CTN, mesmo quando se tratar de lei declarada inconstitucional pelo STF. Portanto, não há que se falar em divergência, pois, a Recorrente, limitouse à transcrição das ementas e dos acórdãos paradigmas e, nestes, a situação fática não se assemelha à do acórdão. Sobre a ausência de semelhança fática, já decidiu este Conselho: RECURSO ESPECIAL. DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL. AUSÊNCIA DE SIMILITUDE FÁTICA ENTRE OS ACÓRDÃOS COTEJADOS. Não se conhece de recurso especial, se os acórdãos comparados não tratam da mesma questão fática. (Acórdão nº 9202001.784, de 28/09/2011) Fl. 172DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 02/04/201 3 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 26/03/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 10380.005181/200348 Acórdão n.º 9101001.548 CSRFT1 Fl. 6 9 RECURSO ESPECIAL DIVERGÊNCIA. NÃO DEMONSTRADA. Não deve ser conhecido o recurso especial, quando não há divergência entre os acórdãos paradigma e recorrido. A única divergência jurisprudencial que desafia recurso especial é aquela cuja solução tenha potencial para reformar o acórdão recorrido. (Acórdão nº 9101001.314, de 24 de abril de 2012) Pelo exposto e por tudo o mais que dos autos consta, NÃO CONHEÇO do presente Recurso. É como voto. Plínio Rodrigues Lima Relator Fl. 173DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 02/04/201 3 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 26/03/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA
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