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Numero do processo: 13819.722543/2014-12
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 19 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Nov 28 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 1402-000.719
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, sobrestar o julgamento até que sejam julgados e prolatados acórdãos dos processos: 16327.001611/2004-64, 10932.000368/2006-12, 10932.000353/2009-99, 16561.720006/2011-42 e 13819.722690/2013-10, que com este tem correlação, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Participaram do julgamento os Conselheiros Edgar Bragança Bazhuni e Eduardo Morgado Rodrigues (Suplentes Convocados).
(assinado digitalmente)
Paulo Mateus Ciccone Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Edgar Bragança Bazhuni (Suplente Convocado), Leonardo Luis Pagano Goncalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Eduardo Morgado Rodrigues (Suplente Convocado) e Paulo Mateus Ciccone (Presidente).
Nome do relator: PAULO MATEUS CICCONE
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, sobrestar o julgamento até que sejam julgados e prolatados acórdãos dos processos: 16327.001611/2004 64, 10932.000368/200612, 10932.000353/200999, 16561.720006/201142 e 13819.722690/201310, que com este tem correlação, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Participaram do julgamento os Conselheiros Edgar Bragança Bazhuni e Eduardo Morgado Rodrigues (Suplentes Convocados). (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone – Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Edgar Bragança Bazhuni (Suplente Convocado), Leonardo Luis Pagano Goncalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Eduardo Morgado Rodrigues (Suplente Convocado) e Paulo Mateus Ciccone (Presidente). RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 19 .7 22 54 3/ 20 14 -1 2 Fl. 783DF CARF MF Processo nº 13819.722543/201412 Resolução nº 1402000.719 S1C4T2 Fl. 784 2 Relatório O litígio remonta ao Despacho Decisório (DD) da DRF/SBC, decisão nº 268/2014, de 11/09/2014, que indeferiu o direito creditório no valor de R$ 19.135.23,01, conforme ementa: DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. CRÉDITO. SALDO NEGATIVO. APURAÇÃO DA CONSTRIBUIÇÃO. DEDUÇÕES EXCESSIVAS. AUSÊNCIA DE CRÉDITO. Verificada, a partir de informações formalmente entregues pelo declarante, o excesso de deduções, inconcebível falarse em direito a crédito e, por decorrência inafastável, à compensação tributária pretendida. Inconformada, a recorrente acostou manifestação de inconformidade (fls. 74/91) trazendo suas alegações e requerendo o deferimento. Subindo os autos à apreciação da DRJ/RPO o pleito foi negado, conforme acórdão assim ementado: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2012 INDÉBITO TRIBUTÁRIO. ÔNUS DA PROVA. DILIGÊNCIA. A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido. O objetivo da diligência não se presta à juntada de provas pela autoridade fiscal, ou pela contribuinte interessada, mas sim a esclarecer e formar a convicção do julgador diante de dúvidas que possam impedir a apreciação da lide, surgidas a partir das provas já presentes e disponíveis nos autos, sejam elas de responsabilidade da fiscalização ou da pessoa jurídica COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO. CSLL. O reconhecimento de direito creditório relativo a saldo negativo da CSLL condicionase à demonstração da existência e da liquidez do direito, o que inclui a comprovação da CSLL Retida na Fonte levada à dedução, por meio dos informes de rendimentos emitidos pelas fontes pagadoras, ou, alternativamente, no caso de retenção por Órgãos Públicos e Entidades da Administração Pública Federal, pela apresentação das guias de recolhimento correspondentes, preenchidos nos termos da legislação aplicável. BASES DE CÁLCULO NEGATIVAS. SALDO. APROVEITAMENTO. Diante da insuficiência de saldo acumulado de bases negativas da CSLL, que seria aproveitado na redução da base de cálculo apurada no período de apuração, mantémse a glosa formalizada pelo Despacho Decisório questionado. Fl. 784DF CARF MF Processo nº 13819.722543/201412 Resolução nº 1402000.719 S1C4T2 Fl. 785 3 Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Irresignada, a recorrente interpôs recurso voluntário (fls. 745/773) contra a decisão da DRJ elencando diversos motivos que, no seu entender, determinariam a sua reforma. A conclusão do RV mostra o resumo do quadro (RV fls. 770/771): É o relatório do essencial, em apertada síntese. Fl. 785DF CARF MF Processo nº 13819.722543/201412 Resolução nº 1402000.719 S1C4T2 Fl. 786 4 Voto Conselheiro Paulo Mateus Ciccone Relator O Recurso Voluntário é tempestivo (ciência do acórdão recorrido em 23/09/2016 – fls. 743 – protocolização do RV em 25/10/2016 – fls. 780), a representação da recorrente está corretamente formalizada (fls. 92/103) e os demais pressupostos para sua admissibilidade foram atendidos, pelo que o recebo e dele conheço. Preliminarmente a qualquer análise de mérito, veja que há questões prejudiciais que precisam ser enfrentadas. Explico. O direito creditório declarado pela interessada foi indeferido pela DRF/São Bernardo do Campo (SP), sob os seguintes fundamentos/razões de decidir: > não havia base de cálculo negativa da CSLL de períodos anteriores ao em tela, disponível e passível de aproveitamento, a partir do que oficialmente informou o declarante nas DIPJ (Declarações de Informações Econômico Fiscais da Pessoa Jurídica) enviadas anteriormente; > as retenções efetuadas pelos órgãos públicos, conforme informações prestadas a esta Secretaria pelos próprios, somaram um total de R$ 12.807.855,44, implicando em possível dedução da CSLL devida no valor de R$ 128.078,55. De sua parte, a recorrente diz que a autoridade fiscal, ao analisar isoladamente a Ficha 67 das DIPJs dos anoscalendário de 2011 a 2013, não localizou saldo de base de cálculo negativa de CSLL disponível, concluindo pela inexistência de tal saldo. No entanto, teria indicado corretamente o saldo de base de cálculo negativa na Ficha 67A da DIPJ do ano calendário de 2009, no valor de R$ 1.001.788.339,17, o qual seria suficiente para o aproveitamento das seguintes quantias nos períodos subseqüentes: i) R$ 396.057.017,84 no AC 2010; ii) R$ 278.362.573,92, no AC 2011; e, iii) R$ 252.368.747,41 no AC 2012, restando ainda R$ 75.000.000,00, utilizado para amortizar débitos no âmbito do REFIS. De fato, na Linha 03, Ficha 67A – Outras Informações, da DIPJ válida para o anocalendário de 2009, informou a contribuinte a existência de um saldo acumulado de base de cálculo negativa de CSLL no valor de R$ 1.001.788.339,17, embora nada tenha informado no período sob apreciação, ou seja, anocalendário de 2012. Todavia, a partir daí os dados apurados pela recorrente e pelo Fisco/DRJ não convergem no mesmo sentido, como se pode ver no seguinte excerto da decisão recorrida (Ac. DRJ fls. 720): Fl. 786DF CARF MF Processo nº 13819.722543/201412 Resolução nº 1402000.719 S1C4T2 Fl. 787 5 “11. A partir dos demonstrativos acima consolidados, podese afirmar que: 11.1. no anocalendário de 1998, a interessada apurou uma base de cálculo negativa da CSLL de R$ 131.766.438,96, mas informou na Ficha 28 – Informações Gerais de sua DIPJ um saldo de R$ 131.798.601,80, pressupondo, portanto, sob a perspectiva da contribuinte, a existência de um saldo anterior de BC Negativa da ordem de R$ 32.162,84, montante este que não consta no Demonstrativo SAPLI da Secretaria da Receita Federal do Brasil. 11.2. no quarto trimestre do anocalendário de 1999, apurou a interessada em sua DIPJ uma BC Negativa de R$ 132.216.242,84, enquanto no Demonstrativo SAPLI consta a quantia de R$ 79.291.605,00, valor este inferior àquele em R$ 52.924.637,84, além de constar no SAPLI o aproveitamento de R$ 49.312.674,48 a título de “Compensação REFIS”. A diferença de R$ 52.924.637,84 repercutiu no total daquele ano calendário, constando um total de BC Negativa apurada na DIPJ de R$ 276.151.619,94 e um montante no SAPLI de R$ 223.226.982,10; 11.3. no anocalendário de 2001 houve a apuração, pela interessada de BC Negativa de R$ 58.499.430,85, enquanto no SAPLI não consta BC negativa; 11.4. no anocalendário de 2006 apurou a interessada BC negativa de R$ 303.638.399,59, enquanto no Demonstrativo SAPLI consta o montante de R$ 122.250.930,04, resultando em diferença de R$ 181.387.469,55; 11.5. no anocalendário de 2008, a Volkswagen apurou uma BC positiva da ordem de R$ 1.007.472.156,79, utilizandose de um estoque de bases de cálculo negativas de períodos anteriores de R$ 302.241.647,04 (trinta por cento), enquanto no Demonstrativo SAPLI consta uma BC positiva de R$ 1.633.558.224,33, com o conseqüente aproveitamento de BC negativas de períodos anteriores de R$ 490.067.467,00, com uma diferença entre as BC aproveitadas de R$ 187.825.819,96; 11.6. no anocalendário de 2009, considerandose que o saldo acumulado de bases de cálculo negativas corresponde a [Saldo Atual = Saldo Anterior + BC negativa do período – Compensações do Período (30% + REFIS)] e refazendose os cálculos com os dados da contribuinte, terseia, sob a perspectiva da interessada, um saldo acumulado de R$ 1.012.641.066,39, antes da Compensação REFIS de R$ 75.000.000,00, e não o montante de R$ 1.001.788.339,17 (Informado na Ficha 67A da DIPJ), caracterizando eventual diferença de R$ 10.852.727,22. 12. Consolidandose tais divergências, temse uma diferença entre os saldos apurado pela Volkswagen (Informado na DIPJ) e o presente no SAPLI, para o anocalendário de 2009, de R$ 469.816.793,82 (R$ 1.001.788.339,17 menos R$ 531.971.545,35), antes da Compensação REFIS, pois tal compensação diminuiu o saldo acumulado do SAPLI para R$ 456.971.545,35”. Fl. 787DF CARF MF Processo nº 13819.722543/201412 Resolução nº 1402000.719 S1C4T2 Fl. 788 6 Na sequência, a decisão recorrida passa a analisar, detalhadamente, os possíveis motivos da divergência e assenta a existência de cinco processos em que foram formalizados autos de infração que influíram no “estoque” de bases negativas de CSLL, a saber (Ac. DRJ fls. 721/731): “AnoCalendário de 1999 15. Neste período de apuração houve a formalização de lançamento por meio do processo administrativo fiscal número 16327.001611/200464; AnoCalendário de 2001 19. Neste período de apuração houve a formalização de lançamento por meio do processo administrativo fiscal número 10932.000368/200612; AnoCalendário de 2006 22. Neste anocalendário consta no “Histórico da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido”, demonstrativo do SAPLI, a existência de duas alterações na base de cálculo negativa do período, em vista de dois processos administrativos: i) 10932.000353/200999 e ii) 16561.720006/201142; e, AnoCalendário de 2008 27. Neste período de apuração houve a formalização de lançamento de ofício por meio do processo administrativo número 13819.722690/201310”. De seu lado a recorrente não apenas confirma a existência destes cinco processos como requer a vinculação deles com este, para fins de julgamento. Vejase (RV fls. 770): Pois bem, a fim de verificar o atual estágio dos processos citados, procedi à pesquisa, nesta data, da situação dos mesmos, sendo possível concluir, com base nas informações extraídas do eprocesso: Fl. 788DF CARF MF Processo nº 13819.722543/201412 Resolução nº 1402000.719 S1C4T2 Fl. 789 7 Nº Processo Situação Atual 19/09/2018 16327.001611/200464 Dado provimento ao recurso voluntário Ac. 1201001.272 Localização Arquivado 10932.000368/200612 Recurso Especial da PGFN aguardando julgamento CSRF Aguardando julgamento na CSRF 10932.000353/200999 Ajuste da Base de Cálculo da CSLL Localização Arquivado 16561.720006/201142 Processo anulado por decisão judicial Número: 500244020.2018.4.03.6114 Liminar em Mandado de Segurança Segurança concedida para anular o Processo Fiscal 13819.722690/201310 Dado provimento ao recurso voluntário Ac. 1301002.981 Não houve interposição de RE pela PGFN Com isso, induvidoso haver prejudicial de mérito pela situação diversificada de cada um dos processos acima listados, todos com vinculação ao que se aprecia. Explicando, o direito creditório alegado pela recorrente e que comporia o saldo negativo de CSLL fundase em aferir se este saldo negativo teria substância e certeza. Ora, nem é necessária maior digressão para se entender pela impossibilidade de continuar com este julgamento se valores que compõem o saldo negativo da CSLL aqui trazidos podem sofrer alterações com as decisões que forem (ou já foram) prolatadas nos demais PA, alguns favoráveis outras contrárias à recorrente. Deste modo, impraticável se possa prosseguir na análise de valores que não só não possuem certeza e liquidez como dependem de julgamento em outros Processos e por outras Turmas. Acresçase ao quadro estampado, a prolação de decisão judicial que determinou o cancelamento do julgamento do processo nº 16561.720006/201142, verbis: Posto isso, CONCEDO A SEGURANÇA, determinando à Autoridade Impetrada que apure o preço de transferência nos termos estabelecidos pela Lei nº 9430/94, bem como proceda a anulação dos processos administrativos nºs. 16561.720006/201142 e 16643.720014/201421. Nesse sentido, inequívoco que, enquanto não decidido os demais processos, a refrega aqui presente, se decidida antes, tenderá a sofrer impacto que poderá alterar seu desfecho de forma irremediável. Assim, por tudo o que foi relatado e ainda que não exista regimentalmente, exceto na hipótese do § 5º, do art. 6º, do Anexo II do RICARF1, a figura do sobrestamento, 1 § 5º Se o processo principal e os decorrentes e os reflexos estiverem localizados em Seções diversas do CARF, o colegiado deverá converter o julgamento em diligência para determinar a vinculação dos Fl. 789DF CARF MF Processo nº 13819.722543/201412 Resolução nº 1402000.719 S1C4T2 Fl. 790 8 entendo que o presente julgamento é dependente do que vier a ser decidido nos demais já citados, de forma que, excepcionalmente, com fulcro no artigo 313, V, “a”, do Código de Processo Civil de 20152, subsidiariamente aplicável ao Processo Administrativo3, voto pelo seu SOBRESTAMENTO, até que haja resolução da lide nos outros PA. Por oportuno, registro que a jurisprudência desta Corte Administrativa, em situação análoga, já decidiu por esta via processual: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL RECURSOS DE OFICIO E VOLUNTÁRIO SOBRESTAMENTO DA APRECIAÇÃO DO LITÍGIO Com fundamento no inciso IV, do artigo 265, do CPC, aplicável subsidiariamente ao processo administrativo fiscal, suspendese o processo, quando a apreciação do mérito do litígio depender do julgamento de outra causa, ou da declaração da existência ou inexistência da relação jurídica, que constitua o objeto principal de outro processo pendente. Julgamento suspenso. (Acórdão n°: 105 14.270 – 5ª Câmara do 1º Conselho de Contribuintes – Sessão de 03/12/2003) Finalmente, atentese que a própria recorrente, em sede de recurso voluntário, propôs, ainda que alternativamente, fosse adotada esta solução. Neste sentido e pelo que consta nos autos, voto por determinar o SOBRESTAMENTO do feito até que sejam julgados e prolatados acórdãos dos processos: 16327.001611/200464, 10932.000368/200612, 10932.000353/200999, 16561.720006/2011 42 e 13819.722690/201310, que com este tem correlação. É como voto. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone autos e o sobrestamento do julgamento do processo na Câmara, de forma a aguardar a decisão de mesma instância relativa ao processo principal. 2 Art. 313 Suspendese o processo: V quando a sentença de mérito: a) depender do julgamento de outra causa ou da declaração de existência ou de inexistência de relação jurídica que constitua o objeto principal de outro processo pendente; 3 CPC – Lei nº 13.105/2015 Art. 15 Na ausência de normas que regulem processos eleitorais, trabalhistas ou administrativos, as disposições deste Código lhes serão aplicadas supletiva e subsidiariamente. Fl. 790DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10746.900066/2008-05
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 08 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Dec 05 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2008
PERDCOMP. INOVAÇÃO. COMPENSAÇÃO.
Incabível compensar débitos informados em declaração de compensação com valores referentes a créditos diversos daquele indicado no documento, os quais simplesmente não integram o seu conteúdo.
Numero da decisão: 1001-000.943
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencidos os conselheiros José Roberto Adelino da Silva e Eduardo Morgado Rodrigues que lhe deram provimento.
(Assinado Digitalmente)
Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, José Roberto Adelino da Silva e Eduardo Morgado Rodrigues.
Nome do relator: LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2008 PERDCOMP. INOVAÇÃO. COMPENSAÇÃO. Incabível compensar débitos informados em declaração de compensação com valores referentes a créditos diversos daquele indicado no documento, os quais simplesmente não integram o seu conteúdo.
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INOVAÇÃO. COMPENSAÇÃO. Incabível compensar débitos informados em declaração de compensação com valores referentes a créditos diversos daquele indicado no documento, os quais simplesmente não integram o seu conteúdo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencidos os conselheiros José Roberto Adelino da Silva e Eduardo Morgado Rodrigues que lhe deram provimento. (Assinado Digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, José Roberto Adelino da Silva e Eduardo Morgado Rodrigues. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 74 6. 90 00 66 /2 00 8- 05 Fl. 125DF CARF MF 2 Tratase de Declaração de Compensação 22905.17845.121104.1.3.046462 (efls. 03/08), de 12/11/2004, através da qual o contribuinte pretende compensar débito (Ago. / 2004 Estimativa Mensal) de sua responsabilidade com crédito proveniente de pagamento indicado como indevido referente ao Darf do período de apuração 29/02/2004, com código de receita 2319 (IRPJ Estimativa Mensal), recolhido em 30/04/2004, no valor total de R$ 15.823,86. O pedido foi deferido parcialmente, conforme Despacho Decisório 75786834 (efl. 16), que analisou as informações e reconheceu que o pagamento foi parcialmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, restando crédito disponível de apenas R$ 55,45 para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. O contribuinte apresentou manifestação de inconformidade na qual alegou que o DARF que originou o crédito somou R$ 21.688,60, e não R$ 15.823,86. A manifestação foi analisada pela Delegacia de Julgamento (Acórdão 03 35.448 2ª Turma da DRJ/BSB, efls. 28/30), que dispôs em voto que: a restituição/compensação de pagamentos relativos a estimativa mensal é vedada pela legislação; que estão corretas as características do DARF constantes no Despacho Decisório emitido em 24/04/2008 pela DRF. Cientificada em 16/08/2010 (efl. 39), a Interessada interpôs recurso voluntário, protocolado em 15/09/2010 (efl. 40), em que alega, em resumo: após revisar sua situação constatou que não havia débito para a competência de Agosto/2004, o mesmo débito que antes havia confessado na PERDCOMP cuja compensação não fora homologada; a forma de tributação desta instituição é pelo lucro real anual, sendo apurado o recolhimento por estimativa mensal, podendo haver redução e suspensão do pagamento através do balancete de redução/suspensão. Assim, conforme demonstrativos que anexa, por não existir débito, a compensação objeto do PER/DECOMP N° 22905.17845.121104.1.3.046462 ficou sem efeito. diante da regularização e inexistência de dívida requer a desconsideração da Manifestação de Inconformidade, bem como a reforma do Acórdão n° 0335.448 2ª Turma da DRJ/BSB, julgando improcedente a cobrança. Voto Conselheiro Lizandro Rodrigues de Sousa Relator O recurso ao CARF é tempestivo, e portanto dele conheço. A contribuinte não se insurge contra o despacho decisório e seus fundamentos em virtude de algum vício nele existente, o que seria o objeto deste processo administrativo fiscal, nos termos do art. 25, II do Decreto 70.235/72 c/c § 9o do art. 74 da Lei 9.430/96. No caso presente o que se pretende através do recurso voluntário é retificar a Fl. 126DF CARF MF Processo nº 10746.900066/200805 Acórdão n.º 1001000.943 S1C0T1 Fl. 126 3 PERDCOMP em questão. E a retificação nesta condição é vedada pela legislação. Depois de proferida a decisão administrativa não se admite a retificação da declaração de compensação, conforme disposto no art. 77 da IN RFB n° 900, de 30/12/2008, in verbis: Art. 77. O pedido de restituição, ressarcimento ou reembolso e a Declaração de Compensação somente poderão ser retificados pelo sujeito passivo caso se encontrem pendentes de decisão administrativa à data do envio do documento retificador e, observado o disposto nos arts. 78 e 79 no que se refere à Declaração de Compensação. Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso. (Assinado Digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Fl. 127DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.978966/2009-96
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 18 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Nov 22 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 2001
SERVIÇOS HOSPITALARES. CARACTERIZAÇÃO.
À luz do entendimento fixado pelo Superior Tribunal de Justiça em sede de recurso repetitivo, a expressão serviços hospitalares para fins de quantificação do lucro presumido por meio do percentual mitigado de 8%, inferior àquele de 32% dispensado aos serviços em geral, deve ser objetivamente interpretado e alcança todas as atividades tipicamente promovidas em hospitais, mesmo eventualmente prestadas por outras pessoas, como clínicas.
Numero da decisão: 1401-002.982
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10880.966944/2009-83, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Livia de Carli Germano, Abel Nunes de Oliveira Neto, Cláudio de Andrade Camerano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Daniel Ribeiro Silva, Letícia Domingues Costa Braga e Sergio Abelson (Suplente convocado).
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DE SOUZA GONCALVES
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ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Ano-calendário: 2001 SERVIÇOS HOSPITALARES. CARACTERIZAÇÃO. À luz do entendimento fixado pelo Superior Tribunal de Justiça em sede de recurso repetitivo, a expressão serviços hospitalares para fins de quantificação do lucro presumido por meio do percentual mitigado de 8%, inferior àquele de 32% dispensado aos serviços em geral, deve ser objetivamente interpretado e alcança todas as atividades tipicamente promovidas em hospitais, mesmo eventualmente prestadas por outras pessoas, como clínicas.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10880.966944/2009-83, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Livia de Carli Germano, Abel Nunes de Oliveira Neto, Cláudio de Andrade Camerano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Daniel Ribeiro Silva, Letícia Domingues Costa Braga e Sergio Abelson (Suplente convocado).
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2001 SERVIÇOS HOSPITALARES. CARACTERIZAÇÃO. À luz do entendimento fixado pelo Superior Tribunal de Justiça em sede de recurso repetitivo, a expressão “serviços hospitalares” para fins de quantificação do lucro presumido por meio do percentual mitigado de 8%, inferior àquele de 32% dispensado aos serviços em geral, deve ser objetivamente interpretado e alcança todas as atividades tipicamente promovidas em hospitais, mesmo eventualmente prestadas por outras pessoas, como clínicas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 10880.966944/200983, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Livia de Carli Germano, Abel Nunes de Oliveira Neto, Cláudio de Andrade Camerano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Daniel Ribeiro Silva, Letícia Domingues Costa Braga e Sergio Abelson (Suplente convocado). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 97 89 66 /2 00 9- 96 Fl. 234DF CARF MF Processo nº 10880.978966/200996 Acórdão n.º 1401002.982 S1C4T1 Fl. 3 2 Relatório Trata o presente processo de PER/DCOMP apresentado pela empresa no qual solicita a compensação de pretensos créditos relativos a pagamento a maior de IRPJ. A origem dos créditos, consoante informado pelo recorrente desde sua impugnação, baseiase no entendimento que, sendo empresa prestadora de serviços de elaboração de diagnósticos de Análise Patológica e Citologia Oncótica, estes seriam equivalentes aos serviços hospitalares prestados e, assim, ao invés de estar sujeito às alíquotas de lucro presumido no percentual de 32%, estaria submetida à alíquota de 8% para o IRPJ. Inicialmente, por conta do decidido no Despacho Decisório eletrônico a compensação realizada pela empresa acima identificada, não foi homologada por inexistência do crédito compensado, haja vista o pagamento relativo ao DARF ali discriminado, ter sido integralmente utilizado para quitar débito próprio, não restando crédito disponível. Cientificada do Despacho Decisório, a Contribuinte apresentou sua manifestação de inconformidade alegando, em síntese, que, embora sua atividade de prestação de serviço médico hospital lhe assegurasse o recolhimento do IRPJ pela base presumida de 8%, recolheu, desde o início de suas atividades o IRPJ com base no lucro presumido, aplicando a base presumida de 32%. Que pela IN SRF 306/2003 e jurisprudência da época faz jus ao recolhimento de IRPJ utilizandose a base presumida de 8%. A 4ª Turma da DRJ/SP1 julgou improcedente a manifestação de inconformidade da empresa, conforme a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2001 DCOMP. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. IRPJ. LUCRO PRESUMIDO. SERVIÇOS MÉDICOS. COMPLEMENTAÇÃO DE DIAGNÓSTICO. PATOLOGIA CIRÚRGICA E CITOPATOLOGIA. PERCENTUAL DE 32% SOBRE A RECEITA BRUTA MENSAL. INAPLICABILIDADE DA IN SRF N.° 306/2003. A IN SRF n.° 306/2003 foi revogada pela IN SRF n.° 480/2004, cuja eficácia retroage à data da publicação da Lei n.° 9.249/95, por se tratar de norma interpretativa (art. 106, I, do CTN). Cientificada da decisão da DRJ, apresentou recurso voluntário repetindo basicamente os argumentos apresentados na impugnação, acrescentando inúmeras ementas de julgados do CARF, decisões judiciais, todas favoráveis ao seu entendimento, além da decisão do STJ no REsp. nº 1.116.399. Tece longo arrazoado sobre a evolução da legislação acerca do tema, que deixo aqui de reproduzir em face de que tal assunto já encontrase pacificado no âmbito desta Turma. Após, conclui a Recorrente: Fl. 235DF CARF MF Processo nº 10880.978966/200996 Acórdão n.º 1401002.982 S1C4T1 Fl. 4 3 Diante do exposto, faz jus a Recorrente ao direito de recolher o IRPJ e CSLL com a alíquota reduzida, por estar enquadrada nos termos da Legislação que autoriza as empresas prestadores de "serviços hospitalares" a recolher tais tributos com a redução de aliquota de 32% para 8%, sendo imperativo o reconhecimento do crédito relativo ao recolhimento a maior do que 8%, devendo ainda, ser homologada a PER/DCOMP [...] por ser medida de Justiça! É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Augusto de Souza Gonçalves Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1401002.979, de 18/10/2018, proferido no julgamento do Processo nº 10880.966944/2009 83, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1401002.979): "Transcrevo a seguir excertos do decidido por esta 1ª Turma, voto proferido pelo Conselheiro Abel Nunes de Oliveira Neto em sessão de 22/02/2018: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2000 SERVIÇOS HOSPITALARES CARACTERIZAÇÃO À luz do entendimento fixado pelo Superior Tribunal de Justiça em sede de recurso repetitivo, a expressão “serviços hospitalares” para fins de quantificação do lucro presumido por meio do percentual mitigado de 8%, inferior àquele de 32% dispensado aos serviços em geral, deve ser objetivamente interpretado e alcança todas as atividades tipicamente promovidas em hospitais, mesmo eventualmente prestadas por outras pessoas, como clínicas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos dar provimento ao recurso voluntário para reconhecer o direito da recorrente de tributar suas receitas em relação ao IRPJ e à CSLL, pelas alíquotas reduzidas de 8% e 12% respectivamente, na forma Lei nº 9.249/95, art. 15, III, "a" e art. 20. Fl. 236DF CARF MF Processo nº 10880.978966/200996 Acórdão n.º 1401002.982 S1C4T1 Fl. 5 4 (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente. (assinado digitalmente) Abel Nunes de Oliveira Neto Relator. Voto [...] Em contrapartida, verificase a existência de Recurso Repetitivo nº 217, do STJ que, tratando do assunto, assim dispôs sobre os serviços hospitalares sujeitos à alíquota reduzida do lucro presumido. Vejase que o critério apresentado pelo STJ, seguindo o critério da Lei nº9.249/95, é simples e objetivo. São enquadrados como serviços hospitalares os serviços de atendimento à saúde independentemente do local de prestação, excluindose, apenas, os serviços de simples consulta que não se identificam com as atividades prestadas em âmbito hospitalar. [...] A decisão proferida pelo STJ, aplicável ao caso dos autos, trata a norma redutora da alíquota de forma objetiva. Assim, o serviço que tenha natureza hospitalar, qual seja, diagnóstico, tratamento, internação, quer seja desenvolvido nos hospitais ou fora deles, com exceção apenas das simples consultas, devem ser considerados serviços hospitalares e, assim, estão sujeitos à alíquota reduzida estabelecida pela Lei nº 9.249/95, art. 15, III, "a" e art.20. Fl. 237DF CARF MF Processo nº 10880.978966/200996 Acórdão n.º 1401002.982 S1C4T1 Fl. 6 5 Comungam deste entendimento os seguintes julgados, inclusive desta mesma câmara em época anterior à entrada deste relator no colegiado. "Acórdão nº 1401001.434 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 09 de dezembro de 2015 Matéria Imposto de Renda Pessoa Jurídica Recorrente Instituto Guaçuano de Orrino laringologia S/S Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício:2006 SERVIÇOS HOSPITALARES CARACTERIZAÇÃO À luz do entendimento fixado pelo Superior Tribunal de Justiça em sede de recurso repetitivo, a expressão “serviços hospitalares” para fins de quantificação do lucro presumido por meio do percentual mitigado de 8%, inferior àquele de 32% dispensado aos serviços em geral, deve ser objetivamente interpretado e alcança todas as atividades tipicamente promovidas em hospitais, mesmo eventualmente prestadas por outras pessoas, como clínicas. "Acórdão nº 1401001.433 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 09 de dezembro de 2015 Matéria Imposto de Renda Pessoa Jurídica Recorrente Hemoclínica Serviços de Hemoterapia Ltda. Ltda. Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário:2006, 2007, 2008 e 2009 SERVIÇOS HOSPITALARES CARACTERIZAÇÃO À luz do entendimento fixado pelo Superior Tribunal de Justiça em sede de recurso repetitivo, a expressão “serviços hospitalares” para fins de quantificação do lucro presumido por meio do percentual mitigado de 8%, inferior àquele de 32% dispensado aos serviços em geral, deve ser objetivamente interpretado e alcança todas as atividades tipicamente promovidas em hospitais, mesmo eventualmente prestadas por outras pessoas, como hemoclínicas. Fl. 238DF CARF MF Processo nº 10880.978966/200996 Acórdão n.º 1401002.982 S1C4T1 Fl. 7 6 Acórdão nº 9101001 –1ª Turma Sessão de 23 de janeiro de 2013 Matéria IRPJ Exercícios 1999 a 2001 Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado CAMP IMAGEM NUCLEAR S/C LTDA. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ No julgamento do Recurso Especial nº 1.116.399/BA (2009/00064810), na sistemática dos recursos especiais repetitivos, o STJ decidiu que a expressão "serviços hospitalares", constante do artigo 15, § 1º, inciso III, da Lei nº9.249/95, deve ser interpretada de forma objetiva (ou seja, sob a perspectiva da atividade realizada pelo contribuinte), porquanto a lei, ao conceder o benefício fiscal, não considerou a característica ou a estrutura do contribuinte em si (critério subjetivo), mas a natureza do próprio serviço prestado (assistência à saúde)." Do exposto, comungando do entendimento exposado pelo STJ no sentido de que a redução de alíquota tem caráter objetivo em razão do tipo de serviços prestados pela empresa. [...] Assim, verificandose que o contribuinte exerce especificamente atividades de serviços de elaboração de diagnósticos de Análise Patológica e Citologia Oncótica, atividades essas que estão incluídas no conceito de serviços de atendimento à saúde, voto no sentido de dar provimento ao recurso, cabendo à Unidade de Origem a conferência dos valores." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Fl. 239DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15374.906688/2008-28
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Oct 31 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3001-000.130
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o recurso voluntário em diligência, para que a unidade de origem aprecie a DCTF retificadora com relação ao crédito pleiteado, juntamente com a documentação acostada pela recorrente que lhe confira liquidez e certeza para a realização da compensação requerida.
Orlando Rutigliani Berri - Presidente
(assinado digitalmente)
Renato Vieira de Avila - Relator
(assinado digitalmente)
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri (Presidente), Renato Vieira de Avila, Marcos Roberto da Silva e Francisco Martins Leite Cavalcante.
Nome do relator: RENATO VIEIRA DE AVILA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o recurso voluntário em diligência, para que a unidade de origem aprecie a DCTF retificadora com relação ao crédito pleiteado, juntamente com a documentação acostada pela recorrente que lhe confira liquidez e certeza para a realização da compensação requerida. Orlando Rutigliani Berri - Presidente (assinado digitalmente) Renato Vieira de Avila - Relator (assinado digitalmente) Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri (Presidente), Renato Vieira de Avila, Marcos Roberto da Silva e Francisco Martins Leite Cavalcante.
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o recurso voluntário em diligência, para que a unidade de origem aprecie a DCTF retificadora com relação ao crédito pleiteado, juntamente com a documentação acostada pela recorrente que lhe confira liquidez e certeza para a realização da compensação requerida. Orlando Rutigliani Berri Presidente (assinado digitalmente) Renato Vieira de Avila Relator (assinado digitalmente) Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri (Presidente), Renato Vieira de Avila, Marcos Roberto da Silva e Francisco Martins Leite Cavalcante. Relatório RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 53 74 .9 06 68 8/ 20 08 -2 8 Fl. 130DF CARF MF Processo nº 15374.906688/200828 Resolução nº 3001000.130 S3C0T1 Fl. 131 2 Despacho Decisório O presente despacho decisório houve por bem, não homologar a compensação declarada através de DCOMP, em razão de, analisadas as informações prestadas, partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Manifestação de Inconformidade Em sede de sua manifestação de inconformidade, a recorrente alega que a não homologação da compensação pleiteada se funda em erro no preenchimento das DCTFs originárias, as quais foram corrigidas após intimação pelo Fisco Federal e que desta correção, acredita ter direito aos créditos objeto da compensação. DRJ/RJ2 A manifestação de inconformidade foi julgada e recebeu a seguinte ementa: Acórdão 1333.1644ª Turma da DRJ/RJ2 ASSUNTO2 NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Pen'odo de apuração: 01/09/2003 a 30/09/2003 CRÉDITO NÃO OOMPROVADO. COMPENSAÇÃO. NÃo HOMOLOGARQ . Não é de se homologar a compensação declarada em DCOMP, cujo crédito utilizado não tenha sido devidamente comprovado. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/09/2003 a 30/09/2003 ONUS DA PROVA. ALEGAÇÃO DESACOMPANHADA DE PROVA. Cabe ao impugnante trazer juntamente com suas alegações impugnatórias todos os documentos que dêem a elas força probante. O relatório, por bem retratar a realidade fática dos autos, merece ser transcrito: Trata o presente processo de apreciação de compensação declarada no PER/DCOMP n° 16417.72389.150304.1.3.043740, em 15/03/04, de crédito no valor de R$ 2249,92, referente a recolhimento que teria sido efetuado a maior, em 15/09/03, a título de Contribuição para o PIS Fl. 131DF CARF MF Processo nº 15374.906688/200828 Resolução nº 3001000.130 S3C0T1 Fl. 132 3 (cód. 6912), atinente ao período de apuração 09/2003, com débito de Cofins (cód. 5856) referente ao período de apuração 02/2004, no valor de R$ 2.249,92. V 2. Por meio do Despacho Decisório n° 775527801, emitido eletronicamente (fl. 09), o Delegado da Derat/Rio de Janeiro, não homologou a compensação declarada, alegando a inexistência do crédito informado, em virtude de o pagamento do qual seria oriundo já ter sido integralmente utilizado para quitar outros débitos da Contribuinte. 3 Cientificada, em 30/07/2008 (fl. 08), a Interessada, ineonformada, ingressou, em 27/08/2008, com a manifestação de inconformidade de fl. 11, acompanhada da documentação de fls. 12 a 32, na qual alega, em síntese, que o valor correto da Contribuição para o PIS (cód. 6912)no mês 09/2003 é o informado na DCTF retificadora em anexo. 4. O processo foi encaminhado a esta Delegacia para julgamento. 5. Foram por mim anexados às fls. 34 a 36, os extratos de pesquisa efetuada no sistema de informação da RFB GERENCIAL DA DCTF. 6. É o relatório. Recurso Voluntário A recorrente se insurge em face do acordão nº 1333.165, proferido pela 4º Turma da DRJ/RJ2, que, manteve o despacho decisório que não homologou o pedido de compensação por entender que o crédito declarado na DCOMP já tinha sido utilizado para quitação de outros débitos do contribuinte. Sustenta, em síntese, que pagou a maior o valor da Contribuição para o PIS referente ao mês 10/2003, declarado na DCTF no valor de R$ 3.141,23 e que o valor correto à ser recolhido era o de R$ 687,61, razão pela qual, requer a reforma da decisão prolatada pela DRJ e a consequente compensação do valor pago a maior no montante de R$ 2.453,62 com o débito referente a COFINS de R$ 2.467,61. Juntou planilha de cálculos demonstrando a origem do crédito que pretende compensar, o livro diário e demais documentos. É o relatório. Voto Conselheiro Renato Vieira de Avila Relator Tratase de recurso voluntário interposto em face de decisão que denegou o direito à compensação por ausência de prova do erro material cometido. Admissibilidade do Recurso O recurso é tempestivo e dele tomo conhecimento. Fl. 132DF CARF MF Processo nº 15374.906688/200828 Resolução nº 3001000.130 S3C0T1 Fl. 133 4 Argumentos de Defesa no Recurso Voluntário Em breve síntese, foram apresentados, em sede de recurso, os seguintes argumentos; existência de erro material, DCTF retificada após o Despacho Decisório, e documentos contábeis, a fim de comprovar o erro, juntados em sede de recurso voluntário. DOS FATOS Tratase de pedido de compensação no qual a recorrente alega que, recolheu valor a maior da Contribuição para o PIS referente ao período de apuração do mês 05/2003 no valor de R$ 4.535,71, quando o valor correto segundo ela, seria o de R$ 3.497,35 o que lhe daria direito ao crédito no valor de R$ 1.038,36. Por meio do PER/DCOMP nº 36706.47899.150304.1.3.040072 a contribuinte pediu a compensação do valor pago a maior com débito referente ao PIS do período de apuração de 02/2004 no valor de R$ 689,95. A autoridade fiscal por meio de despacho decisório entendeu por negar o pedido de compensação por entender que esse valor já havia sido utilizado para quitação de outros débitos da contribuinte. Irresignada, a contribuinte juntou DCTF retificadora e apresentou manifestação de inconformidade que foi protocolada pelo nº 153.74.906683/200803 e julgada por meio de Acordão nº 1333.163 da 4ª Turma da DRJ/RJ2 que, julgou improcedente a manifestação de inconformidade por não restar comprovado o crédito por insuficiência de provas documentais. Ato contínuo, a recorrente apresentou o presente Recurso Voluntário e vieram me os autos conclusos para julgamento. MÉRITO O relevante tema tratado neste item, diz respeito à forma regulamentar para comprovar a ocorrência de erro material e o consequente pagamento indevido ou a maior de tributo. Especificamente, o tema adentra aos casos relacionados com os Despachos Decisórios Eletrônicos. Esta modalidade de compensação caracterizase pelo cruzamento automatizado de dados eletronicamente inseridos no ambiente virtual da Receita Federal. Com a lida rotineira nos processos administrativos com tal temática, percebese que se gerou, em torno do assunto, a seguinte celeuma. Muitos contribuintes, ao constatarem seus pagamentos indevidos, procedem à compensação na forma regrada pela Receita, mas acaba por não finalizar seus procedimentos de compensação com as necessárias retificações nas informações enviadas anteriormente. Neste ponto, os despachos decisórios, por basearemse nas informações prestadas pelo próprio contribuinte, acabam por declarar como não homologadas as compensações, haja vista os valores indicados como pagos a maior terem sido alocados em débitos, também informados pelo contribuinte, e não retificados a tempo de permitir a compensação. Nestes casos, se segue à manifestação de inconformidade, na qual o contribuinte relata seu procedimento, e, na maioria das vezes, a fim de comprovar a existência do crédito, Fl. 133DF CARF MF Processo nº 15374.906688/200828 Resolução nº 3001000.130 S3C0T1 Fl. 134 5 indica as declarações fiscais retificadas, derivadas das obrigações acessórias, como o meio apto para a comprovação do pagamento indevido. Ocorre que é pacífico o entendimento esposado pelas Delegacias de Julgamento, no sentido de: exigir, como meio de prova, mais que as declarações acessórias retificadas, mas os elementos contábeis que lhe deram suporte. Ainda, que tais documentos sejam acostados aos autos ainda em sede de Manifestação de Inconformidade, dando azo ao prazo previsto nos artigos 14 e 16 do Decreto n.º 70.235/72. Diante deste breve cenário, o CARF, vem permitindo, a fim de prestigiar o princípio da verdade material, a juntada de documentos após a fase da manifestação de inconformidade, ou seja, em sede de recurso voluntário. Decorre, então, três posicionamentos: Aqueles que não aceitam a juntada de documentos fora do prazo da manifestação de inconformidade; Aqueles que aceitam a juntada de documentos, desde que haja uma demonstração inicial sobre a formação de prova, como alguma documento contábil que extrapole as declarações retificadas. E, Aqueles, que, como eu, permite a juntada a destempo de documentação, e, mais ainda, sugere proposta de diligência, a fim de viabilizar o concreto entendimento sobre a existência, ou não, de crédito hábil para a compensação declarada anteriormente. Pagamento a maior A partir então, da constatação deste apuração equivocada, sustenta haver, em seu favor, crédito que, desta feita, procedeu aos procedimentos de compensação, mediante envio da competente declaração. Da Controvérsia Acerca do Tema O tema abordado que se traduz no cerne da questão tratada nos autos, diz respeito ao pagamento indevido e sua efetiva forma de comprovação. A contribuinte alega ter calculado erroneamente seu PIS/COFINS. A fim de corrigir o rumo do referido processo, e enfrentar o que regimentalmente encontrase obrigado, verifico a necessidade de evidenciação da materialidade da ocorrência do pagamento como tido a maior. Os meios necessários e a forma adequada de comprovação de pagamento devido perfazse matéria recorrente nesta Turma. A fim de facilitar a exposição dos fundamentos deste voto, iniciase com o importante o respaldo no acórdão 3401.003.952, que trata de tema igual, ou seja, o dever de verificar a ocorrência do pagamento indevido. Vejase a ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Ano calendário: 2007 COFINS. DCOMP. DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. TRATAMENTO Fl. 134DF CARF MF Processo nº 15374.906688/200828 Resolução nº 3001000.130 S3C0T1 Fl. 135 6 MASSIVO x ANÁLISE HUMANA. AUSÊNCIA/EXISTÊNCIA DE RETIFICAÇÃO DE DCTF. VERDADE MATERIAL. Nos processos referentes a despachos decisórios eletrônicos, deve o julgador (elemento humano) ir além do simples cotejamento efetuado pela máquina, na análise massiva, em nome da verdade material, tendo o dever de verificar se houve realmente um recolhimento indevido/a maior, à margem da existência/ausência de retificação da DCTF. Este, contudo, como expresso em votos anteriores, foi entendimento do qual comunguei, mas, hoje, em decorrência da dinâmica de julgamento do tema na presente 1ª TEX, revejo e passo a adotar posição diversa. Isto porque, o tema de instrução probatória, em especial, a Dcomp, o momento da apresentação da documentação para comprovação dos eventos ocorridos, é assunto controverso, com critérios não definidos, atentando, assim, à necessária segurança jurídica que deve tornear a relação fisco contribuinte. Ocorre que, em havendo desconexão entre os critérios interpretativos, e, em momento processual administrativo recursal, é possível, como se tem entendido aqui, abrir a possibilidade de o contribuinte, corretamente e de acordo com os critérios aceitos pela autoridade fazendária, comprovar a existência do pagamento indevido, e, por consequência, da existência do crédito. Em sendo assim, deve o Estado aceitar esta complementação da prova, a fim de satisfazer aos seus próprios critérios. Vejase, não há oportunização para apresentação de prova; mas sim, oportunização para complementação de prova, haja vista, pela percepção do contribuinte, ter havido entendido que, com a disponibilização dos documentos conforme o fez, estaria sanada a exigência. A práxis processual administrativa considerada como apta à comprovação da existência do crédito tributário, vem sofrendo, conforme se demonstrou, diverso tratamento ao longo do tema, variando desde posições mais formalistas, na qual não há a possibilidade de apreciação de documentos após o protocolo da manifestação de inconformidade, da qual, repitase, este conselheiro já fora adepto. Em evolução, demonstrouse que, além de polêmico, o tema vem se alterando para a aceitação de documentos após o Recurso Voluntário, até o entendimento atual, cuja compreensão se encontra na Resolução 3001000.020, que converteu o julgamento do caso em diligência nos seguintes termos: O recorrente apresentou DCTF e Dacon retificadora, informando este fato quando da apresentação da manifestação de inconformidade. No seu entender, com a apresentação dessas declarações retificadora estaria sanada a irregularidade apontada no despacho decisório. Portanto, em síntese, o fundamento da decisão recorrida foi a falta de apresentação de documentação probante satisfatória (escrituração contábilfiscal) que corroborasse as informações apresentadas, notadamente, na DCTF retificadora. O interessado, quando da apresentação do recurso voluntário, afirma, com suas próprias palavras, que houve erro quando do preenchimento da DCTF, razão pela qual apresentou a retificadora da DCTF, juntamente com a Dacon, e, no seu entender, seria suficiente Fl. 135DF CARF MF Processo nº 15374.906688/200828 Resolução nº 3001000.130 S3C0T1 Fl. 136 7 para a solução do litígio uma vez que o fundamento do despacho decisório seria apenas a inexistência de débito. Assim, tem se encaminhado, nestes casos, oportunizar, ao recorrente, a apresentação dos documentos necessários à demonstração da origem do crédito, pois, conforme descrito na resolução de conversão em diligência: Pois bem. Entendo que há razoável dúvida quanto à certeza e liquidez dos alegados direitos ao crédito que o recorrente pretende compensar. É certo que é condição indispensável à compensação de tributos a liquidez e certeza do crédito, nos termos do que dispõe o art. 170A da Lei nº 5.172, de 1966 (Código Tributário Nacional CTN). Necessário, neste sentido, a comprovação cabal da existência desses supostos créditos, o que pode ser demonstrados com base na análise da documentação contábil fiscal do contribuinte. Deste modo, visando propiciar a ampla oportunidade para o recorrente esclarecer e comprovar os fatos alegados, em atendimento aos princípios da verdade material, da ampla defesa e do contraditório, concluo que o presente julgamento deve ser convertido em diligência. Desta forma, por entender que a mencionada retificação (DCTF e Dacon) levada a efeito pelo recorrente, sinaliza com a possibilidade de acerto quanto ao correto valor do indébito de Cofins, e, com isto, o reconhecimento da extinção do débito tributário objeto da compensação, nos termos do inciso II do artigo 156 do CTN.. Do Parcial Provimento Na esteira do até aqui exposto, a fim de fundamentar novo posicionamento, e firmar ponto de vista sobre a jurisprudência do tema, há que se mencionar precedente, , nesta primeira turma Extraordinária, de lavra do brilhante Conselheiro Cássio Schappo, o qual demonstra claramente a possibilidade de enfrentamento da questão, através do parcial provimento remetendo à nova apreciação por parte da autoridade de julgamento de primeira instância. Seguese: Valhome aqui de julgado da 3ª Turma da CSRF no acórdão nº 9303005.396, de 25/07/2017, que analisando caso semelhante confirmaram decisão proferida no acórdão da 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento, no sentido de dar parcial provimento ao recurso voluntário, sendo entendimento daquele colegiado, Oportuno destacar, também, parte do voto da Conselheira Relatora Vanessa Marini Cecconello (CSRF – T3), pelos seus comentários e associados ao Parecer Cosit nº 02/2015, nos orienta a dar o devido seguimento nesse julgado, “verbis”: O crédito tributário da Contribuinte e seu direito à restituição/compensação não nascem com a apresentação da DCTF retificadora, mas sim com o pagamento indevido ou a maior. Portanto, a apresentação da DCTF retificadora não é requisito indispensável à homologação da compensação, mas a certeza e liquidez do indébito Fl. 136DF CARF MF Processo nº 15374.906688/200828 Resolução nº 3001000.130 S3C0T1 Fl. 137 8 tributário devem restar comprovadas por outros meios nos autos do processo administrativo. Nesse sentido, é o Parecer Cosit nº 02/2015, de 28 de agosto de 2015, cuja ementa se deu nos seguintes termos: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. RETIFICAÇÃO DA DCTF DEPOIS DA TRANSMISSÃO DO PER/DCOMP E CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. POSSIBILIDADE. IMPRESCINDIBILIDADE DA RETIFICAÇÃO DA DCTF PARA COMPROVAÇÃO DO PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. As informações declaradas em DCTF – original ou retificadora– que confirmam disponibilidade de direito creditório utilizado em PER/DCOMP, podem tornar o crédito apto a ser objeto de PER/DCOMP desde que não sejam diferentes das informações prestadas à RFB em outras declarações, tais como DIPJ e Dacon, por força do disposto no§ 6º do art. 9º da IN RFB nº 1.110, de 2010, sem prejuízo, no caso concreto, da competência da autoridade fiscal para analisar outras questões ou documentos com o fim de decidir sobre o indébito tributário. Não há impedimento para que a DCTF seja retificada depois de apresentado o PER/DCOMP que utiliza como crédito pagamento inteiramente alocado na DCTF original, ainda que a retificação se dê depois do indeferimento do pedido ou da não homologação da compensação, respeitadas as restrições impostas pela IN RFB nº 1.110, de 2010. Retificada a DCTF depois do despacho decisório, e apresentada manifestação de inconformidade tempestiva contra o indeferimento do PER ou contra a não homologação da DCOMP, a DRJ poderá baixar em diligência à DRF. Caso se refira apenas a erro de fato, e a revisão do despacho decisório implique o deferimento integral daquele crédito (ou homologação integral da DCOMP), cabe à DRF assim proceder. Caso haja questão de direito a ser decidida ou a revisão seja parcial, compete ao órgão julgador administrativo decidir a lide, sem prejuízo de renúncia à instância administrativa por parte do sujeito passivo. Vêse que a administração tributária em questão normativa, preocupada com o assunto, já havia se posicionado sobre o tema que diz respeito à possibilidade de ocorrer DCTF retificadora para demonstrar a existência de crédito passível de compensação. Como antes dito, a liquidez e certeza do crédito tributário não se encerra com a simples DCTF retificadora, há outros indicativos a serem seguidos, sendo um deles a DIPJ da recorrente, que de acordo com as razões recursais foi um dos parâmetros utilizados para atestar o erro de declaração cometido. Nesse sentido, em respeito ao princípio constitucional do contraditório e da ampla defesa, na busca da verdade real no processo administrativo tributário, é cabível oportunizar à Recorrente uma melhor análise pela unidade de origem quanto ao crédito pleiteado. Fl. 137DF CARF MF Processo nº 15374.906688/200828 Resolução nº 3001000.130 S3C0T1 Fl. 138 9 Ademais, não pode o CARF suprir deficiência instrutória ainda que em sede de compensação, pois à luz do art. 10 da IN RFB nº 903/2008: "Os valores informados na DCTF serão objeto de procedimento de auditoria interna". De se observar que procedimento algum fora realizado em relação à apuração dos valores da compensação, sejam débitos ou créditos. Não podem as autoridades administrativas omitirse de analisar a materialidade dos débitos e créditos em compensação, eis que do contrário comprometem a regularidade do processo administrativo de restituição e compensação de tributos, cuja implicação é a manifesta nulidade nos termos do art. 59, II do PAF. Desta forma, ante ao precedente exposto acima, tanto da CSRF como desta turma extraordinária, entendese que, com a retificação da DCTF, mesmo após o despacho decisório, merece ser dado o CONCLUSÃO Diante do exposto, voto por conhecer do recurso e converter o recurso voluntário em diligência, para que a unidade de origem aprecie a DCTF retificadora com relação ao crédito pleiteado, juntamente com a documentação acostada pela recorrente que lhe confira liquidez e certeza para a realização da compensação requerida. (assinado digitalmente) Renato Vieira de Avila Fl. 138DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10580.000207/2001-43
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Nov 09 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/08/1988 a 30/03/1996
PIS. PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. AÇÃO JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA
Uma vez obtida a satisfação do bem pretendido em Ação Judicial, a lei faculta ao impetrante o direito de repetir o indébito ou a compensação dos valores devidos, devendo ser feita a opção naqueles autos com a desistência da execução judicial, fazendo a opção pela via administrativa.
SUSPENSÃO DÉBITOS. DECISÃO JUDICIAL. APLICABILIDADE
Há que se manter suspensos os débitos ora sob apreciação, enquanto amparado sob Ação judicial.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 3402-005.814
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário, para que os débitos compensados permaneçam suspensos enquanto vigente a determinação judicial proferida no cumprimento de sentença contra a Fazenda Pública autuada sob nº 2002.33.00.023224-4.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Cynthia Elena de Campos, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes e Renato Vieira de Ávila (Suplente convocado em substituição a Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz). Ausente, justificadamente, a Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz.
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/08/1988 a 30/03/1996 PIS. PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. AÇÃO JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA Uma vez obtida a satisfação do bem pretendido em Ação Judicial, a lei faculta ao impetrante o direito de repetir o indébito ou a compensação dos valores devidos, devendo ser feita a opção naqueles autos com a desistência da execução judicial, fazendo a opção pela via administrativa. SUSPENSÃO DÉBITOS. DECISÃO JUDICIAL. APLICABILIDADE Há que se manter suspensos os débitos ora sob apreciação, enquanto amparado sob Ação judicial. Recurso Voluntário Provido em Parte
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PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. AÇÃO JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA Uma vez obtida a satisfação do bem pretendido em Ação Judicial, a lei faculta ao impetrante o direito de repetir o indébito ou a compensação dos valores devidos, devendo ser feita a opção naqueles autos com a desistência da execução judicial, fazendo a opção pela via administrativa. SUSPENSÃO DÉBITOS. DECISÃO JUDICIAL. APLICABILIDADE Há que se manter suspensos os débitos ora sob apreciação, enquanto amparado sob Ação judicial. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário, para que os débitos compensados permaneçam suspensos enquanto vigente a determinação judicial proferida no cumprimento de sentença contra a Fazenda Pública autuada sob nº 2002.33.00.0232244. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Cynthia Elena de Campos, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes e Renato Vieira de Ávila (Suplente convocado em substituição a Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz). Ausente, justificadamente, a Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 00 02 07 /2 00 1- 43 Fl. 274DF CARF MF 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Salvador (BA), que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade interposto pela empresa BOM BRASIL ÓLEO DE MAMONA LTDA. Versa o presente processo sobre Pedido de Compensação de debito de PIS/PASEP, no valor originário de R$ 5.427,50, com crédito resultante de sentença judicial transitada em julgado, na qual se reconhece ao Recorrente o direito de compensar o PIS recolhido com base nos Decretoslei nº 2.445/1988 e 2.449/1988, crédito este que já foi objeto de análise pelo Fisco no processo n° 10580.000290/0017. Verificase que no Despacho Decisório nº 672/2009, emitido pela DRF em Salvador/BA, (fls. 65/71), indeferiu o direito de compensação de débitos declarados com os créditos da contribuição para o PIS/PASEP proveniente da Ação Ordinária nº 1997.33.5810, na qual se discute o direito ao PIS recolhido com base nos Decretoslei n°2.445 e 2.449, ambos de 1988, uma vez que este mesmo credito já tinha sido objeto de análise no PAF nº 10580.000290/0017, pelo Despacho Decisório DRF/SDR n° 573, de 07/11/2008, para indeferilo, em razão da identidade entre os créditos pleiteados nas esferas judicial e administrativa, tendo o contribuinte optado em prosseguir com a execução judicial. Não concordando, a Recorrente apresentou sua Manifestação de Inconformidade (fls. 75/83) alegando que em virtude da revogação dos efeitos suspensivos relativos aos débitos do PAF ora discutido, com impedimento à emissão de CND, ingressou com medida liminar através do processo Judicial n° 2002.33.00.0232244, na 1ª Vara da Justiça Federal de Salvador/BA, com objetivo de restaurar a suspensão, tendo sido concedida a segurança (doc. fls. 6/51), mas cuja medida judicial o Fisco resta contrariando a ordem. Argumenta ainda que o Principio da Verdade Material dos fatos é especifico do procedimento administrativo, especialmente o tributário, devendo ser sempre buscado pela Fiscalização, conforme doutrina que transcreve, restando clara a afronta por parte da Fiscalização ao disposto no art.151, IV do CTN. No presente caso, requer o imediato afastamento dos efeitos da exigibilidade do crédito tributário, objeto do presente pedido de compensação, sob pena de evidente infração ao principio da verdade material dos fatos, já que toda a documentação apresentada pela requerente é clara e eficiente. Tal solicitação foi submetido à análise pela DRJ em Salvador/BA, que prolatou o Acórdão nº 1521.106, de 30/09/2009, e manteve a exigibilidade do crédito fiscal por parte da RFB em obediência ao art. 170A do CTN, introduzido pela LC nº 104, de 10 de janeiro de 2001, no art. 74 da Lei n. 9.430, de 27 de dezembro de 1996, com redação dada pela Lei n° 10.637 de 30 de dezembro de 2002 e na IN SRF nº 73/97, vigente à época dos fatos. Vejase ementa (fl. 233): ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 PIS/PASEP Período de apuração: 01/08/1988 a 30/03/1996 RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO. Uma vez não reconhecido o direito creditório, não se homologam as compensações pleiteadas. Manifestação de Inconformidade Improcedente Fl. 275DF CARF MF Processo nº 10580.000207/200143 Acórdão n.º 3402005.814 S3C4T2 Fl. 275 3 Crédito Tributário Mantido Cientificada da decisão em 05/02/2010 (fl. 183) e não concordando com o resultado, manejou Recurso Voluntário protocolado em 04/03/2010 (fls. 186/197), no qual repisa o disposto em sua Manifestação de Inconformidade, pleiteando seu direito ao crédito, resumido no seguinte: a) da irretroatividade da Lei merece reforma o Acórdão em tela por estar em desacordo com a legislação de regência, haja vista a inaplicabilidade do art. 170A do Código Tributário Nacional, introduzido pela LC nº 104, de 2001, e demais dispositivos citados, devido irretroatividade. A Recorrente protocolou seu pedido em 10/01/2001, portanto, dentro do período da anterioridade tributária, conforme disposto no art. 195, §6°, da CF/88; b) do Principio da Constitucionalidade o Mandado de Segurança concedeu ao contribuinte a segurança, determinando a suspensão da exigibilidade de créditos tributários no montante de R$ 408.931,58. Contudo, a decisão ora recorrida ignora a determinação judicial, em claro desrespeito a uma garantia fundamental, o que resulta em ato de inconstitucionalidade; c) do Principia da Verdade Material dos Fatos após a análise da documentação anteriormente juntada ao processo, comprova sua regularidade fiscal e contábil, devendo, portanto, ser o respeitável Acórdão reformado, justamente porque é principio do procedimento administrativo a busca pela verdade material dos fatos; d) com fundamento no artigo 16, § 4º, do Decreto 70.235/72, solicita provar o alegado por todos os meios de prova admitidos, notadamente pela posterior juntada dos documentos que se fizerem necessários. Por fim, requer que seja dado integral provimento ao Recurso Voluntário, a fim de que seja deferida a homologação do Pedido de Compensação. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra, Relator. Admissibilidade do Recurso O Recurso Voluntário é tempestivo, trata de matéria da competência deste Colegiado e preenche os demais requisitos de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. Conforme relatado, a empresa BOM BRASIL ÓLEO DE MAMONA LTDA, protocolou em 10/01/2001, o PAF n° 10580.000207/200143, referente ao Pedido de Compensação de débito de PIS com crédito resultante de sentença judicial transitada em julgado (Ação Ordinária nº 1997.33.5810 numeração nova: 000058064.1997.4.01.3300), na qual se reconhece à Recorrente o direito de compensar o PIS recolhido com base nos Decretos nºs 2.445/1988 e 2.449/1988, crédito este que já foi objeto de análise pela DRF/Salvador/BA no processo n° 10580.000290/0017. Fl. 276DF CARF MF 4 No entanto, o Fisco não homologou o Pedido de Compensação, conforme Despacho Decisório nº 672/2009, razão pela qual o contribuinte apresentou tempestivamente a sua Manifestação de Inconformidade, que também foi indeferida pela 4ª Turma da DRJ/Salvador/BA, através do Acórdão nº 1521.106, de 30/09/2009, que declarou improcedente a Manifestação, mantendo a exigibilidade do crédito fiscal com base no art. 170 A do CTN, introduzido pela LC nº 104, de 2001, no art.74 da Lei nº 9.430, de 1996, com redação dada pela Lei n° 10.637, de 2002, bem como pela IN SRF nº 73/97. Ressaltase que na situação em tela, verificase que o contribuinte possui decisão judicial transitada em julgado no processo de conhecimento, encontrandose a sentença que fundamenta o seu pedido em fase de execução (conforme consulta processual). Cabe ressaltar ainda que há nos autos, decisão judicial exarada no processo n° 2002.33.00.0232244, da 1° Vara da Justiça Federal de Salvador/BA, determinando a suspensão da exigibilidade do crédito tributário aqui discutido. No entanto, o crédito admitido pelo Fisco difere consideravelmente do montante apontado em Laudo Pericial elaborado por Perito judicial designado e considerado pelo Exmo. Juiz da 1ª Vara Federal de Salvador/BA, que proferiu liminar assegurando o limite de crédito à Recorrente no valor total de R$ 408.931,58 (fls. 143/167). Da irretroatividade da Lei Aduz a Recorrente em seu recurso que, "(...) Destarte, merece reforma o Acórdão em tela por estar em desacordo com a legislação de regência, haja vista a inaplicabilidade do art. 170A do Código Tributário Nacional, introduzido pela LC n°104 de 10 de janeiro de 2001, e demais dispositivos citados, devido irretroatividade. Além do que, a recorrente protocolou seu pedido em 10/01/2001, portanto, dentro do período da anterioridade tributária, conforme disposto no art. 195, §6° da CF/88". Pois bem. Primeiramente se faz importante observar a legislação que o Fisco à época dos fatos, embasou e restringiu a compensação de créditos da Recorrente advindos de Decisão judicial não transitada em julgado. O art. 170A do Código Tributário Nacional, introduzido pela Lei Complementar 104, de 10 de janeiro de 2001, assim dispôs: Art. 170A. É vedada a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial. (Artigo incluído pela LCP nº 104, de 10.1.2001) Grifei. No caso, também se faz importante observar que o art. 74 da Lei 9.430, de 1996, publicada no DOU, de 30 de dezembro de 1996, com redação dada pela Lei n° 10.637, de 2002, que trata da restituição e compensação de tributos e contribuições administrados pela RFB, já restringia a possibilidade de compensação de créditos judiciais antes do trânsito em julgado da referida decisão judicial. Vejase: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. (Grifei). Como se vê, portanto, a partir de dezembro de 1996, passou a ser vedada a compensação de tributo objeto de discussão judicial antes do trânsito em julgado da respectiva ação. Assim, eventuais encontros de contas baseados em ação judicial a partir de então devem aguardar o desfecho da lide judicializada. Fl. 277DF CARF MF Processo nº 10580.000207/200143 Acórdão n.º 3402005.814 S3C4T2 Fl. 276 5 Por outro lado, é fato constante dos autos que a Recorrente obteve a satisfação do bem pretendido na Ação Ordinária nº 1997.33.5810 (numeração nova 000058064.1997.4.01.3300), e a lei faculta ao impetrante o direito de repetir o indébito ou a compensação dos valores devidos, devendo ser feita a opção naqueles autos com a desistência da execução, o que foi rejeitado pela Recorrente. Veja que o Fisco regulamentou, nos termos da IN/RFB nº 21, de 1997, consolidada pela IN nº 73, de 1997, definindo que a utilização de crédito decorrente de sentença judicial, transitada em julgado, para compensação, somente poderá ser efetuada, no caso de titulo judicial em fase de execução, se o contribuinte comprovar junto à Unidade da RFB a desistência da execução e assumir todas as custas do processo, inclusive os honorários advocatícios. Art. 17. Para efeito de restituição, ressarcimento ou compensação de crédito decorrente de sentença judicial transitada em julgado, o contribuinte deverá anexar ao pedido de restituição ou de ressarcimento uma cópia do inteiro teor do processo judicial a que se referir o crédito e da respectiva sentença, determinando a restituição, o ressarcimento ou a compensação. (Redação dada pela IN SRF n° 73/97, de 15/09/1997) § I° No caso de titulo judicial em fase de execução, a restituição, o ressarcimento ou a compensação somente poderão ser efetuados se o contribuinte comprovar junto à unidade da SRF a desistência, perante o Poder Judiciário, da execução do titulo judicial e assumir todas as custas do processo, Inclusive os honorários advocatícios. (Redação dada pela IN SRF n° 73/97, de 1 5/09/1 997) § 2° Não poderão ser objeto de pedido de restituição, ressarcimento ou compensação os créditos decorrentes de títulos judiciais já executados perante o Poder Judiciário, com ou sem emissão de precatório. (Incluído pela IN SRF n° 73/97, de 15/09/1997) grifei Por outro giro, a Recorrente argumenta em seu recurso que, "(...) Face ao entendimento da RFB, o contribuinte deveria desistir da ação judicial, contudo, conforme consta no inteiro teor do processo judicial em comento (já anexado ao PAF anteriormente), o contribuinte ficaria irreparavelmente prejudicado, razão pela qual não tem como desistir da lide. Além disso, não pretende o contribuinte apropriarse do crédito discutido, indevidamente (duplicidade), pois ao final processo judicial, será procedido levantamento de valores onde a RFB será citada para pronunciarse sobre o que de fato foi utilizado para compensação, de modo que a parte autora do processo receba apenas o que de fato e de direito lhe pertence". Consta dos autos, que no presente caso, a Recorrente já havia ingressado na esfera administrativa através do PAF n° 10580.000290/0017, visando a restituição dos valores do PIS pagos a maior, tendo sido indeferido o direito pleiteado mediante o Despacho Decisório DRF/SDR n° 573, de 07/11/2008 (teor reproduzido às fls. 66/69), uma vez que ficou constatada a identidade entre o crédito nas esferas judicial e administrativa, e que, no caso, a Recorrente optou em prosseguir com a execução, conforme se verifica no Laudo Pericial da Primeira Vara da Seção Judiciária do Estado da Bahia, constante dos auto da Ação Ordinária nº 1997.33.5810. Neste caso, como bem pontuado na decisão a quo, a Recorrente não pode por via obliqua, obter outro provimento jurisdicional, dado o risco de tornarse detentor de dois títulos executivos, na esfera judicial, a execução, e no processo administrativo, a restituição e Fl. 278DF CARF MF 6 compensações a esta vinculada, fato este que foi levado em consideração na apreciação do PAF n° 10580.000290/0017, para indeferilo, sendo vedado ao interessado utilizar novamente os créditos para compensação administrativa após ter obtido judicialmente o direito à repetição dos valores pagos a maior, do contrário haveria um enriquecimento ilícito as custas dos cofres públicos. Concluindo, verificase nos autos que a Recorrente possui decisão judicial transitada em julgado no processo judicial, encontrandose a sentença que fundamenta o seu pedido em fase de execução, conforme consulta processual efetuada nesta data. Desta forma, não é possível de reconhecer a compensação pleiteada antes do encerramento do processo de execução ou da desistência da execução na via judicial. Por questões de eficiência e de economia processual, havendo processo administrativo e judicial versando sobre o mesmo objeto, haveria e há de sempre prevalecer o que decidido em sede do Poder Judiciário. Da suspensão da exigibilidade Quanto à alegação relativo a suspensão da exigibilidade dos débitos cuja compensação não foi homologada, há que se ter em mente que o contribuinte ao solicitar ao Fisco a compensação de valores a restituir de PIS/PASEP pleiteados judicialmente, mas ainda não transitados em julgado no momento da protocolização do pedido administrativo, com outros tributos, haja vista que o contribuinte não desistiu da execução, o mesmo afrontou ao art. 74 da Lei 9.430, de 1996, com redação dada pela Lei n° 10.637, de 2002. Esta norma pressupõe que o próprio contribuinte apresente a Declaração de Compensação, que tem efeito extintivo sob condição resolutória de sua ulterior homologação, o que equivale dizer que a homologação somente será reconhecida pela autoridade administrativa desde que obedecida toda a legislação que regula o assunto. Por fim, temos que observar que considerase DCOMP (Declaração de Compensação), desde o seu protocolo, somente as compensações que observem as condições especificadas na Lei nº 9.430, de 1996 e legislação correlata, o que não é o caso aqui tratado, uma vez que as Manifestações de Inconformidade e os Recursos Voluntários suspendem a exigibilidade do credito tributário, na forma do art.74, §11, da Lei nº 9.430, de 1996, nas hipóteses de DCOMP transmitidas após a vigência da MP n°135, de 2003, ou em pedidos de compensação convertidos em DCOMP. Contudo, devem permanecer suspensos os débitos ora sob apreciação, enquanto amparado sob liminar judicial proferida nos autos do Mando de Segurança nº 2002.33.00.0232244, expedido pela 1ª Vara da Justiça Federal de Salvador (BA). Do Principio da Constitucionalidade Argumenta a Recorrente que na oportunidade da apresentação da sua Manifestação de Inconformidade a DRJ em Salvador/BA, acostou cópia reprográfica do Mandado de Segurança obtido através do Processo n° 2002.33.00.0232244 em trâmite na 1ª Vara da Justiça Federal da Comarca de Salvador/BA, "(...) Contudo, a decisão ora recorrida ignora a determinação judicial, em claro desrespeito a uma garantia fundamental, o que resulta em ato de inconstitucionalidade." No entanto entendo que não assiste razão à Recorrente neste ponto. Constitui entendimento há muito firmado na Administração Tributária Federal da impossibilidade de compensação/restituição de tributos que esteja sendo objeto de discussão na esfera judicial. E o Fl. 279DF CARF MF Processo nº 10580.000207/200143 Acórdão n.º 3402005.814 S3C4T2 Fl. 277 7 posicionamento da Administração, que se manifesta na praxe e por atos normativos, tem justificativa: qualquer decisão que se tome em nível administrativo poderá ser eventualmente modificada em face de posterior decisão judicial. Consta dos autos ainda que, no caso sob análise, a Recorrente foi, por diversas vezes, intimada a apresentar a desistência do pedido judicial, o que possibilitaria o prosseguimento do processo administrativo. Porém, tendo a empresa optado por prosseguir com a execução (que, por sinal, está se ultimando, de acordo com os documentos anexos ao processo), o pedido deve ser indeferido em sede administrativa, haja vista a legislação aqui já reproduzida. Portanto, o que a decisão de piso deixou consignado foi que o caso de haver titulo judicial em fase de execução, cujo objeto seja idêntico a Pedido ou Declaração de Compensação, esta só será realizada, perante a Fazenda Nacional, se o contribuinte comprovar a desistência da ação judicial, fazendo a opção pela via administrativa. Portanto não há que se falar em desrespeito a decisão Judicial. Principia da Verdade Material dos Fatos Aduz a Recorrente em seu recurso que,"(...) Fato é, portanto, que após a análise da documentação anteriormente juntada ao processo em epigrafe pela recorrente, comprova sua regularidade fiscal e contábil, devendo, portanto, ser o respeitável Acórdão reformado, justamente porque é principio do procedimento administrativo a busca pela verdade material dos fatos". Pois bem, no presente caso, o que se verifica é que a fiscalização não desconsiderou em absoluto a realidade dos fatos, pelo contrário. A Recorrente ingressou com o PAF n° 10580.000290/0017, visando a restituição dos valores do PIS pagos a maior, tendo sido indeferido o direito pleiteado mediante o Despacho Decisório, uma vez que ficou constatada a identidade entre o crédito nas esferas judicial e administrativa. E, neste caso, a Recorrente optou em prosseguir com a execução judicial, conforme Laudo Pericial da Primeira Vara da Seção Judiciária do Estado da Bahia, na ação constante dos auto nº 1997.33.5810. Da diligência requerida A Recorrente argumenta ainda que, "(...) com fundamento no artigo 16, §4º, do Decreto 70.235/72, provar o alegado por todos os meios de prova admitidos, notadamente pela posterior juntada dos documentos que se fizerem necessários". Quanto à solicitação, para a apresentação oportuna das provas apontadas e justificadas na Impugnação, de acordo com o art. 16, inciso III, do Decreto nº 70.235, de 1972, aquelas devem ser apresentadas juntamente com a respectiva Impugnação ou da Manifestação de Inconformidade. No mesmo sentido, encontrase expresso no inciso III do art. 57 do Decreto nº 7.574/2011, que determina que a Impugnação conterá os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir. Fl. 280DF CARF MF 8 Portanto nego o pedido efetuado pela Recorrente. Dispositivo Assim, em face do exposto, voto no sentido de dar parcial provimento ao Recurso Voluntário para permanecer os débitos suspensos em face da discussão judicial quanto ao valor deste, até que se profira decisão definitiva na aludida Ação Executiva nº 2002.33000232244. É como voto. (assinatura digital) Waldir Navarro Bezerra Fl. 281DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10680.910637/2015-42
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 27 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Dec 21 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 25/08/2011
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. PRECLUSÃO.
Argumento trazido em sede de recurso voluntário não foi colocado ao tempo da manifestação de inconformidade, precluindo o direto fazê-lo em outro momento processual, nos termos do art. 17 do Decreto 70.235/72.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3301-005.296
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10680.904943/2015-40, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Cândido Brandão Júnior, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 25/08/2011 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. PRECLUSÃO. Argumento trazido em sede de recurso voluntário não foi colocado ao tempo da manifestação de inconformidade, precluindo o direto fazê-lo em outro momento processual, nos termos do art. 17 do Decreto 70.235/72. Recurso Voluntário Negado
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10680.904943/2015-40, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Cândido Brandão Júnior, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
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PRECLUSÃO. Argumento trazido em sede de recurso voluntário não foi colocado ao tempo da manifestação de inconformidade, precluindo o direto fazêlo em outro momento processual, nos termos do art. 17 do Decreto 70.235/72. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 10680.904943/201540, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Cândido Brandão Júnior, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 91 06 37 /2 01 5- 42 Fl. 83DF CARF MF Processo nº 10680.910637/201542 Acórdão n.º 3301005.296 S3C3T1 Fl. 3 2 Relatório Trata o presente processo administrativo pedido de restituição formalizado por meio de PER/DCOMP para obter reconhecimento de direito creditório do tributo por suposto pagamento a maior ou indevido. Em análise ao referido documento, a autoridade tributária proferiu Despacho Decisório Eletrônico, formalizado no sentido do indeferimento da restituição pretendida pela interessada, explicando que o pagamento indicado já estava integralmente alocado, não restando, assim, crédito disponível para restituição e eventuais compensações vinculadas à esse crédito. Inconformado, o interessado apresentou manifestação de inconformidade tempestiva esclarecendo que durante procedimento de auditoria interna, realizada nas apurações dos tributos da companhia, foram identificados pagamentos a maior em determinados períodos e a menor em outros. Para regularizar a situação fiscal perante a Receita Federal do Brasil, providenciou a quitação dos débitos pagos a menor e solicitou a restituição dos pagamentos a maior, retificando as DCTF para informar os novos valores. Entende que a Per/Dcomp está em conformidade com o art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996 e com a Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 2012, restando demonstrada a insubsistência e improcedência do despacho decisório. A DRJ julgou a manifestação de inconformidade improcedente, nos termos do Acórdão nº 06058.518. Inconformada com decisão de primeira instância, a contribuinte apresentou recurso voluntário, em síntese, trazendo argumento novo, de que o pagamento indevido seria da conta de Sociedades em Conta de Participação da qual é sócia ostensiva. É o relatório. Fl. 84DF CARF MF Processo nº 10680.910637/201542 Acórdão n.º 3301005.296 S3C3T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3301005.223, de 27 de setembro de 2018, proferido no julgamento do processo 10680.904943/201540, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3301005.223): "O recurso voluntário apresentado é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade1. A acórdão recorrido desce a detalhes do ocorrido: Segundo a versão apresentada pela defesa, o crédito apontado (R$ 275,20) decorreu da revisão da base de cálculo da COFINS de 31/03/2010, conforme informado na DCTF retificadora apresentada em 06/11/2014. Constatouse que o despacho decisório foi emitido levando em conta as informações contidas na DCTF retificadora, transmitida em 06/11/2014, a qual, como se vê, tratase da DCTF retificadora que a contribuinte alega conter as informações corretas correspondente ao débito do período. Nessa DCTF, o débito de COFINS confessado do período de apuração de 31/03/2010 é de R$ 1.134.352,27 – que foi quitado por meio de vários pagamentos (DARF) que totalizam R$ 871.733,98 e compensações no valor de R$ 696,80 – restando, saldo a pagar de R$ 261.921,49 – conforme a tela extraída do sistema de controle de declarações: 1 Ressaltese ser desnecessário responder todos as questões levantadas pelas partes, em já havendo motivo suficiente para decidir (Lei n° 13.105/15, art. 489, § 1o , IV. STJ, 1ª Seção, EDcl no MS 21.315DF, julgado de 8/6/2016, rel. Min. Diva Malerbi). Fl. 85DF CARF MF Processo nº 10680.910637/201542 Acórdão n.º 3301005.296 S3C3T1 Fl. 5 4 Essas mesmas informações constam da DCTF que está ativa no sistema de controle de declarações, transmitida em 08/01/2015. No sistema de controle de arrecadação, verificouse que os pagamentos apontados na DCTF retificadora – no valor total de R$ 871.733,98 – foram validados e vinculados ao débito de Cofins do período (código 2172). No entanto, tendo em vista que os pagamentos validados foram insuficientes para a extinção do débito e verificada a existência de outros pagamentos para o mesmo período de apuração, dentre os quais o pagamento pleiteado no PER em tela, o sistema informatizado alocou esses pagamentos para amortizar parte do saldo devedor confessado na DCTF, como se vislumbra nas telas copiadas a seguir: Fl. 86DF CARF MF Processo nº 10680.910637/201542 Acórdão n.º 3301005.296 S3C3T1 Fl. 6 5 Desse modo, o pagamento por meio do DARF discriminado no PER – de R$ 275,20 – foi integralmente utilizado para quitar o débito de COFINS de 31/03/2010, em face das informações prestadas pela própria contribuinte na DCTF retificadora apresentada à Receita Federal, não restando crédito para a restituição pretendida: [...] Destaca ainda a decisão de piso que "desde a constituição da DCTF pela Instrução Normativa SRF nº 126, de 30/10/1998, e suas alterações posteriores, e de acordo com o disposto no DecretoLei nº 2.124, de 13/06/1984", tal declaração constituise em confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência do crédito tributário. A recorrente, alega que o pagamento indevido de R$275,20, seria provenientes e originário "de SCP’s (Sociedades em Conta de Participação), das quais" [...] "é sócia ostensiva". E acrescenta: O débito montante de R$ 1134352,27, declarado em DCTF, alberga valores devidos de Cofins de várias SCP’s que tem a Recorrente como sócia ostensiva e outras empresas como sócias participantes. A título de lembrete sabese que os sócios ostensivos de SCP’s são aquelas pessoas jurídicas que se obrigam perante terceiros, enquanto que os sócios participantes (antigos sócios ocultos), não têm essa obrigação. Em vista dessa situação, a Recorrente é responsável pelas obrigações acessórias tributárias, dentre elas, a apresentação de DCTF com os competentes recolhimentos tributários. Fl. 87DF CARF MF Processo nº 10680.910637/201542 Acórdão n.º 3301005.296 S3C3T1 Fl. 7 6 No caso em questão, o valor recolhido, R$ 275,2 é proveniente da atividade da SCP, "Laguna Beach" contrato anexo, Doc. 1, que recolheu este valor. Contudo, como já informado, tinha como valor devido a quantia de R$ 0 Ao manter a decisão que indeferiu o crédito pleiteado, a Receita Federal acaba violando a individualidade de outra pessoa jurídica, uma vez que o crédito solicitado diz respeito a uma sociedade em conta de participação específica que tem a Recorrente como sócia ostensiva. O quadro abaixo, demonstra muito bem a composição deste crédito. Tanto que o código do imposto é o 217208, cujo dígito identifica ser o crédito decorrente de sociedade em conta de participação. Portanto, no caso da decisão ser mantida, permanecerseá uma verdadeira invasão no patrimônio da SCP Laguna Beach, visto o desrespeito à sua individualidade e atividade empresarial, pois está sendo punida por conta de débitos tributários que não são dela. “Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica – IRPJ Anocalendário: 2008 SOCIEDADES EM CONTA DE PARTICIPAÇÃO. SUJEIÇÃO TRIBUTÁRIA. Na apuração dos resultados da sociedade em conta de participação serão observadas as normas aplicáveis às demais pessoas jurídicas. Tendo em vista que a sociedade em conta de participação não se confunde com o sócio ostensivo, os resultados daquela não podem ser tributados diretamente neste mas apenas distribuídos na proporção da participação.” (CARF, Recurso Voluntário Recurso de Ofício, PTA 15504.724276/201314, Acórdão 1402 002.208. Relator Dr. Leonardo de Andrade Couto , DJ 27.06.2016) (destacouse) Diante do exposto, não há que se falar na aplicação da IN SRF 126/98, pois o saldo a pagar da Recorrente não pode prejudicar uma SCP em que ela é a sócia ostensiva e que, por isso, é obrigada ao cumprimento das obrigações acessórias, dentre elas, a entrega de DCTF. Ocorre, no entanto, que tal argumento de defesa não foi trazido em sede de manifestação de inconformidade, precluindo o direto de fazêlo em outro momento processual, nos termos do art. 17 do Decreto 70.235/72. Também não localizei a prova da liquidez e certeza do crédito em foco, que não a DCTF retificada e o DARF dado como pago indevidamente. Tal Fl. 88DF CARF MF Processo nº 10680.910637/201542 Acórdão n.º 3301005.296 S3C3T1 Fl. 8 7 comprovação é exigência do art. 170 do Código Tributário Nacional e ônus do peticionário, nos termos do art. 373 do Código do Processo Civil. Assim, por todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o Colegiado decidiu negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 89DF CARF MF
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Numero do processo: 10665.003483/2008-08
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Oct 05 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Nov 06 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2007
COOPERATIVAS DE PRODUÇÃO. ENCARGO E RECOLHIMENTO DAS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS.
Diferentemente das cooperativas de trabalho, que apenas intermedeiam o trabalho de seus associados, as cooperativas de produção se sujeitam, como as demais empresas em geral, ao encargo previdenciário referente à cota patronal, e à responsabilidade pelo recolhimento das contribuições previdenciárias devidas por seus segurados.
DEVIDO PROCESSO LEGAL. CONTRADITÓRIO. AMPLA DEFESA.
Não há que se falar em ofensa ao devido processo legal quando é oportunizado ao contribuinte o exercício do contraditório e o amplo direito de defesa.
ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA. TIPICIDADE LEGAL.
Inexistindo procedimento formal de consulta que vincule a Administração, está subordinada a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária e exigir o tributo correspondente.
Numero da decisão: 2402-006.710
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Mário Pereira de Pinho Filho - Presidente
(assinado digitalmente)
Denny Medeiros da Silveira - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Denny Medeiros da Silveira, Gregório Rechmann Júnior, Jamed Abdul Nasser Feitoza, João Victor Ribeiro Aldinucci, Luís Henrique Dias Lima, Mário Pereira de Pinho Filho, Maurício Nogueira Righetti e Renata Toratti Cassini.
Nome do relator: DENNY MEDEIROS DA SILVEIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2007 COOPERATIVAS DE PRODUÇÃO. ENCARGO E RECOLHIMENTO DAS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. Diferentemente das cooperativas de trabalho, que apenas intermedeiam o trabalho de seus associados, as cooperativas de produção se sujeitam, como as demais empresas em geral, ao encargo previdenciário referente à cota patronal, e à responsabilidade pelo recolhimento das contribuições previdenciárias devidas por seus segurados. DEVIDO PROCESSO LEGAL. CONTRADITÓRIO. AMPLA DEFESA. Não há que se falar em ofensa ao devido processo legal quando é oportunizado ao contribuinte o exercício do contraditório e o amplo direito de defesa. ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA. TIPICIDADE LEGAL. Inexistindo procedimento formal de consulta que vincule a Administração, está subordinada a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária e exigir o tributo correspondente.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho - Presidente (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Denny Medeiros da Silveira, Gregório Rechmann Júnior, Jamed Abdul Nasser Feitoza, João Victor Ribeiro Aldinucci, Luís Henrique Dias Lima, Mário Pereira de Pinho Filho, Maurício Nogueira Righetti e Renata Toratti Cassini.
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ENCARGO E RECOLHIMENTO DAS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. Diferentemente das cooperativas de trabalho, que apenas intermedeiam o trabalho de seus associados, as cooperativas de produção se sujeitam, como as demais empresas em geral, ao encargo previdenciário referente à cota patronal, e à responsabilidade pelo recolhimento das contribuições previdenciárias devidas por seus segurados. DEVIDO PROCESSO LEGAL. CONTRADITÓRIO. AMPLA DEFESA. Não há que se falar em ofensa ao devido processo legal quando é oportunizado ao contribuinte o exercício do contraditório e o amplo direito de defesa. ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA. TIPICIDADE LEGAL. Inexistindo procedimento formal de consulta que vincule a Administração, está subordinada a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária e exigir o tributo correspondente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho Presidente (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 66 5. 00 34 83 /2 00 8- 08 Fl. 233DF CARF MF Processo nº 10665.003483/200808 Acórdão n.º 2402006.710 S2C4T2 Fl. 234 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Denny Medeiros da Silveira, Gregório Rechmann Júnior, Jamed Abdul Nasser Feitoza, João Victor Ribeiro Aldinucci, Luís Henrique Dias Lima, Mário Pereira de Pinho Filho, Maurício Nogueira Righetti e Renata Toratti Cassini. Relatório Por bem descrever os fatos ocorridos até a decisão de primeira instância, reproduzo trechos do relatório constante do Acórdão nº 0225.340, da Delegacia da Receita Federal de Julgamento (DRJ) de Belo Horizonte/MG, fls. 195 a 201: Tratase de exigência de contribuições sociais previdenciárias em desfavor da COOPETEX COOPERATIVA DE PRODUÇÃO DE ARTIGOS TÊXTEIS, incidentes sobre os valores pagos a contribuintes individuais (cooperados e não cooperados) que lhes prestaram serviços no período de 03/2003 a 12/2007. O total de contribuição apurada, com data de consolidação em 13.12.2008, foi de R$ 2.388.546,57 (dois milhões, trezentos e oitenta e oito mil e quinhentos e quarenta e seis reais e cinquenta e sete centavos). De acordo com o Relatório Fiscal de fls. 127/129, a autuada deixou de recolher as contribuições previdenciárias patronais incidentes sobre o valor das folhas de pagamento, porque, muito embora seja uma Cooperativa de Produção, enquadrou seus segurados como contribuintes individuais associados à Cooperativa de Trabalho. No Relatório Fiscal, ainda ficou registrado que a Cooperativa de Produção se equipara à empresa para fins de recolhimento das contribuições previdenciárias sobre a folha de pagamento e para o cumprimento das obrigações acessórias correspondentes. Serão emitidas Representações Fiscais para Fins Penais RFFP, capituladas no artigo 1°, letra “b”, da Lei n° 8.137, de 1990, e no artigo 337A, inciso 1, do Código Penal, em razão de indícios de crime à ordem tributária e crime de sonegação, segundo o item 8 do citado Relatório Fiscal. Cientificado da autuação em 22.12.2008, conforme AR de fl. 130v, a Cooperativa apresentou impugnação em 21.01.2009, às fls. 132/182, alegando em síntese: Que não havia razão para que se lavrasse o respectivo auto de infração, uma vez que a autuada não infringiu a legislação previdenciária e que recolheu todas as contribuições devidas no prazo legal. Do contrário do que concluiu a auditoria, não estava obrigada a recolher os 20% (vinte por cento) sobre os prólabores, pois, à época da constituição da Cooperativa, foi proferida palestra pelo Instituto Nacional do Seguro Social, através dos Srs Fiscais Fl. 234DF CARF MF Processo nº 10665.003483/200808 Acórdão n.º 2402006.710 S2C4T2 Fl. 235 3 Osmany José do Amaral e Genésio Magalhães dos Santos, desobrigandoa daquela contribuição. Junta em sua defesa fotos da comentada palestra e documento assinado pelos cooperados declarando que o Srs. Fiscais Osmany José do Amaral e Genésio Magalhães dos Santos nada informaram sobre a contribuição de 20% (vinte por cento), incidente sobre a folha de pagamento, destinada ao Instituto Nacional do Seguro Social INSS. Tratando dos direitos constitucionais, em especial, o da ampla defesa e do contraditório e da segurança jurídica, trazendo para tanto doutrina pátria, aduz que o auto de infração vai em desencontro com a legislação previdenciária e destoa do procedimento informado por aqueles fiscais, que afirmaram para a autuada que a mesma não teria que recolher as contribuições agora exigidas. Também com fulcro em doutrina discorre a respeito do devido processo legal e concluiu que a autoridade coatora requer pagamento de contribuições previdenciárias sem o amparo legal, o que é vedado em nosso ordenamento jurídico. Adentrando na fundamentação legal do auto de infração, diz que o agente fiscal equivocouse ao autuar a impugnante para lhe exigir que recolha as contribuições previdenciárias à razão de 20% sobre os prólabores. Nesse sentido, escreve a impugnante que a contribuição no percentual de 20% é devida somente se o tomador de serviços for pessoa física, sendo de 11% se for pessoa jurídica, que é o seu caso. Transcreve os artigos 79, 285 e 286 da Instrução Normativa SRP nº 03, de 2005, que tratam da “contribuição social previdenciária do segurado contribuinte individual” e da “base de cálculo da contribuição do segurado cooperado”, concluindo que os procedimentos adotados pela impugnante são exatamente aqueles previstos nesta Instrução, não existindo razão à autoridade coatora. Passando a discorrer sobre seus objetivos, reporta aos artigos 2° e 3° do Estatuto Social da COOPETEX, e firma o entendimento de que é uma Cooperativa de Produção, processando fibras de algodão e outros materiais para terceiros, utilizando de mãode obra de pessoas denominadas cooperados, sem qualquer vínculo empregatício com a mesma, na qualidade de autônomos, cujos mesmos devem e estão inscritos como filiados da Previdência Social como contribuintes, recolhendo as suas próprias contribuições devidas. Encerrando, diz que informou corretamente nas GFIPS os seus cooperados, ao contrário da fala do agente fiscal, devendo ser cancelado e arquivado o auto de infração. Fl. 235DF CARF MF Processo nº 10665.003483/200808 Acórdão n.º 2402006.710 S2C4T2 Fl. 236 4 Requer provar o alegado por todos os meios de provas em direito permitidos, especialmente pela juntada de novos documentos, acaso necessários. Ao julgar a impugnação, a 6ª Turma de Julgamento da DRJ de Belo Horizonte/MG, por unanimidade de votos, concluiu pela sua improcedência, mantendo o crédito tributário exigido, conforme dispositivo da decisão, a seguir transcrito: Acordam os membros da 6ª Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, em considerar a impugnação improcedente, mantendo o crédito tributário exigido no Auto de Infração AI n° 37.023.0329. Para maior clareza quanto à decisão a quo, transcrevemos, também, a ementa constante do Acórdão nº 0225.340: COOPERATIVAS DE PRODUÇAO. ENCARGO E RECOLHIMENTO DAS CONTRIBUICOES PREVIDENCIÁRIAS. DEVIDO PROCESSO LEGAL. ADMINISTRACAO TRIBUTARIA. TIPICIDADE LEGAL. Diferentemente das cooperativas de trabalho, que apenas intermedeiam o trabalho de seus associados, as cooperativas de produção se sujeitam, como as demais empresas em geral, ao encargo previdenciário referente à cota patronal, e à responsabilidade pelo recolhimento das contribuições previdenciárias devidas por seus segurados. Improcede alegar ofensa ao devido processo legal se ao contribuinte foi oportunizado o contraditório e o amplo direito de defesa. Inexistindo procedimento formal de consulta que vincule a Administração, está subordinada a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária e exigir o tributo correspondente. Cientificada da decisão, em 5/3/10, segundo o Aviso de Recebimento (AR) de fl. 202, a contribuinte, por meio de seu advogado (procuração de fl. 151), interpôs o recurso voluntário de fls. 203 a 222, no qual repete as alegações da sua impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Denny Medeiros da Silveira – Relator. Do conhecimento O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade previstos no Decreto 70.235, de 6/3/72. Assim, dele tomo conhecimento. Fl. 236DF CARF MF Processo nº 10665.003483/200808 Acórdão n.º 2402006.710 S2C4T2 Fl. 237 5 Das alegações recursais Cotejandose a impugnação de fls. 133 a 150 com o recurso voluntário, constatase que a Recorrente não traz nenhuma razão nova, limitandose a repetir a sua impugnação. Sendo assim, nos termos do art. 57, § 3º, Anexo II, do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9/6/15, com redação dada pela Portaria MF nº 329, de 4/6/17, adotaremos as razões de decidir da decisão de primeira instância, com as quais concordamos e transcrevemos a seguir: Inicialmente, há de se registrar que a impugnante fala em princípios constitucionais da ampla defesa, do contraditório, da segurança jurídica e do devido processo legal, no entanto, após discorrer sobre estes princípios, inclusive com base em doutrina pátria, não indica nenhum fato ou razão que possa a ela ter acarretado algum prejuízo, seja em relação ao processo investigatório de auditoria, seja em relação ao contencioso administrativo fiscal. Especificamente em relação à comentada palestra dos Srs. Fiscais Osmany José do Amaral e Genésio Magalhães dos Santos, a qual, segundo a impugnante, a eximiu de recolher contribuição previdenciária de 20% (vinte por cento) sobre a folha de pagamento, temos que, mesmo que tal informação tenha sido lhe passado, isso não vincula a Fazenda, visto que o contribuinte não efetuou processo de consulta nos moldes do artigo 46 e seguintes do Decreto n° 70.235, de 6 de março de 1972. Com isso, não há como vincular a Administração a quaisquer orientações passadas ao contribuinte que não observaram os ritos formais necessários a produzirem os seus efeitos, ficando a autoridade autuante e, agora, o julgador administrativo obrigados ao cumprimento das disposições normativas, sob pena de realização de atos ilegais. Em relação à alegação de que a contribuição de 20% seria devida se o tomador de serviços fosse pessoa física e de 11% caso o tomador fosse pessoa jurídica, citando os arts. 79, 285 e 286 da Instrução Normativa SRP 03, de 2005, concluímos que a impugnante confunde os institutos, uma vez que estes dispositivos tratam da contribuição do cooperado, diferentemente da contribuição exigida neste auto de infração, que é de encargo da própria Cooperativa, relacionados a serviços diretamente a ela prestados e não a terceiros, conforme contido no artigo 288, inciso II e § 1°, da mesma Instrução Normativa, abaixo transcrito: Art. 288. As cooperativas de trabalho e de produção são equiparadas às empresas em geral, ficando sujeitas ao cumprimento das obrigações acessórias previstas no art. 60 e às obrigações principais previstas nos arts. 86 e 92, todos desta IN, em relação: Fl. 237DF CARF MF Processo nº 10665.003483/200808 Acórdão n.º 2402006.710 S2C4T2 Fl. 238 6 II à remuneração paga ou creditada a cooperado pelos serviços prestados à própria cooperativa, inclusive aos cooperados eleitos para cargo de direção; (g.n.). § 1º O disposto no inciso II do caput aplicase à cooperativa de produção em relação à remuneração paga ou creditada aos cooperados envolvidos na produção dos bens ou serviços. (g.n.). Vêse, do dispositivo acima, e ainda considerando o inciso I do artigo 121 do Código Tributário Nacional CTN (Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966), que trata de sujeito passivo na qualidade de contribuinte, bem como o inciso III do artigo 22 da Lei 8.212, de 24 de julho de 1991, que as Cooperativas de Produção têm o encargo da contribuição previdenciária de 20% (vinte por cento) sobre o total das remunerações pagas ou creditadas a segurados contribuintes individuais que diretamente lhes prestaram serviços. Dessa feita, é desnecessária a juntada de novos documentos, como requerido pela impugnante, porquanto, sendo a interessada uma Cooperativa de Produção, conforme descrito pela fiscalização e confirmado na própria defesa, a mesma não transfere o encargo previdenciário para terceiros, já que, diferentemente das Cooperativas de Trabalho, os associados não prestam serviços para outros, mas sim para a própria Cooperativa. Ademais, o momento oportuno para apresentação de documentos é quando da impugnação, conforme dispõe o § 4° do artigo 16 do Decreto n” 70.235, de 1972, não ficando configuradas nos autos as hipóteses que afastam a preclusão probatória, previstas nas alíneas do supracitado parágrafo 4º. Sendo assim, a COOPETEX COOPERATIVA DE PRODUÇÃO DE ARTIGOS TÊXTEIS é quem assume o ônus da cota patronal e a responsabilidade pelo recolhimento das contribuições incidentes sobre os valores pagos ou creditados a segurados obrigatórios a seu serviço. Por fim, devemos observar que, com a introdução do artigo 35A na Lei nº 8.212, de 1991, pela Medida Provisória MP n° 449, de 3 de dezembro de 2008, convertida na Lei n° 11.941, de 27 de maio de 2009, as contribuições previdenciárias, no caso de lançamento de oficio, ainda que para competências anteriores a esta Medida Provisória, estão sujeitas à multa prevista no artigo 44 da Lei nº 9.430, de 1996, no caso de esta ser mais benéfica ao contribuinte, face ao disposto na alínea “c” do inciso II do artigo 106 do CTN. Para tanto, caberia à fiscalização realizar o comparativo entre a soma dos valores das multas aplicadas nos lançamentos por descumprimento de obrigação principal, conforme artigo 35 da Lei n° 8.212, de 1991, em sua redação anterior à MP nº 449, de 2008, e de obrigação acessória, conforme § 5° do artigo 32 da Fl. 238DF CARF MF Processo nº 10665.003483/200808 Acórdão n.º 2402006.710 S2C4T2 Fl. 239 7 Lei n° 8.212, de 1991, com a multa de oficio prevista no artigo 44 da Lei n° 9.430, de 1996. No entanto, para a situação em análise, a autoridade fiscal não realizou o comentado comparativo, mas apenas aplicou a multa do citado artigo 35, em sua redação anterior à MP n° 449, de 2008, esta nos autos de infração por descumprimento de obrigação principal n°s 37.023.0329 e 37.023.0337, cumulada com a nova multa por descumprimento de obrigação acessória, lavrada no auto de infração nº 37.023.0345. Tal procedimento, destacamos, resultou em um total de multa inferior ao imposto pela legislação, ainda que se aplicasse a alínea “c” do inciso II do artigo 106 do CTN, ou seja, a multa mais benéfica, de acordo com a legislação, é em valor superior ao efetivamente lançado. Dessa forma, registramos, por competência, os valores de multas lançadas nos autos de infração e os valores de multas que deveriam ter sido lançadas por meio do citado comparativo, para conhecimento do contribuinte e para as providências a serem tomadas pelo Serviço de Fiscalização da Receita Federal do Brasil RFB. Abaixo, postamos “Quadro Comparativo das Multas Lançadas e das Multas Impostas pela Legislação”, ressaltando que os valores efetivamente lançados ficaram inferiores aos que deveriam ter sido aplicados pela fiscalização. (Grifos no original) Fl. 239DF CARF MF Processo nº 10665.003483/200808 Acórdão n.º 2402006.710 S2C4T2 Fl. 240 8 Como se pode ver no quadro acima, comparandose a soma das multas aplicadas pela fiscalização, em 19/12/08, com a multa trazida pela MP 449/08, notase que a penalidade aplicada pela fiscalização, em todas as competências, foi a mais benéfica ao contribuinte. De qualquer forma, lembramos que, nos termos da Portaria PGFN/RFB n° 14, de 4/12/09, o cálculo da multa mais benéfica deverá ser procedido no momento do pagamento ou do parcelamento, ou, caso não sejam efetuados, no momento do ajuizamento da execução fiscal, pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN). Fl. 240DF CARF MF Processo nº 10665.003483/200808 Acórdão n.º 2402006.710 S2C4T2 Fl. 241 9 Conclusão Isso posto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira Fl. 241DF CARF MF
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Numero do processo: 13888.906862/2012-01
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jan 08 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/01/2007
DESPACHO DECISÓRIO. NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA.
Demonstrados no despacho decisório eletrônico os fatos que ensejaram a não-homologação da compensação, informada a sua correta fundamentação legal e emitido por autoridade competente, é de se rejeitar a alegação de nulidade do despacho decisório por cerceamento de defesa.
AUSÊNCIA DE DILIGÊNCIA. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA.
Inexiste cerceamento de defesa quando o próprio contribuinte não requer a realização de diligência e o julgador de primeira instância não determina a sua realização por entender que os elementos que integram os autos são suficientes para a plena formação de convicção e, portanto, para que se proceda ao julgamento. A diligência fiscal não tem a finalidade de trazer aos autos as provas documentais que cabia ao sujeito passivo produzir.
COMPENSAÇÃO. ÔNUS PROBATÓRIO DO CONTRIBUINTE.
Pertence ao contribuinte o ônus de comprovar a certeza e a liquidez do crédito para o qual pleiteia compensação.
PROVA. APRECIAÇÃO INICIAL EM SEGUNDA INSTÂNCIA. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. LIMITES. PRECLUSÃO.
A apreciação de documentos não submetidos à autoridade julgadora de primeira instância é possível nas hipóteses previstas no art. 16, § 4º do Decreto nº 70.235/1972 e, excepcionalmente, quando visem à complementar instrução probatória já iniciada quando da interposição da manifestação de inconformidade.
Numero da decisão: 3002-000.526
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada no recurso e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Votou pelas conclusões a conselheira Maria Eduarda Alencar Câmara Simões.
(assinado digitalmente)
Larissa Nunes Girard Presidente e Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Carlos Alberto da Silva Esteves e Alan Tavora Nem.
Nome do relator: LARISSA NUNES GIRARD
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COMPENSAÇÃO. Recorrente ELRING KLINGER DO BRASIL LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2007 a 31/01/2007 DESPACHO DECISÓRIO. NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Demonstrados no despacho decisório eletrônico os fatos que ensejaram a nãohomologação da compensação, informada a sua correta fundamentação legal e emitido por autoridade competente, é de se rejeitar a alegação de nulidade do despacho decisório por cerceamento de defesa. AUSÊNCIA DE DILIGÊNCIA. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Inexiste cerceamento de defesa quando o próprio contribuinte não requer a realização de diligência e o julgador de primeira instância não determina a sua realização por entender que os elementos que integram os autos são suficientes para a plena formação de convicção e, portanto, para que se proceda ao julgamento. A diligência fiscal não tem a finalidade de trazer aos autos as provas documentais que cabia ao sujeito passivo produzir. COMPENSAÇÃO. ÔNUS PROBATÓRIO DO CONTRIBUINTE. Pertence ao contribuinte o ônus de comprovar a certeza e a liquidez do crédito para o qual pleiteia compensação. PROVA. APRECIAÇÃO INICIAL EM SEGUNDA INSTÂNCIA. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. LIMITES. PRECLUSÃO. A apreciação de documentos não submetidos à autoridade julgadora de primeira instância é possível nas hipóteses previstas no art. 16, § 4º do Decreto nº 70.235/1972 e, excepcionalmente, quando visem à complementar instrução probatória já iniciada quando da interposição da manifestação de inconformidade. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 90 68 62 /2 01 2- 01 Fl. 109DF CARF MF Processo nº 13888.906862/201201 Acórdão n.º 3002000.526 S3C0T2 Fl. 110 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada no recurso e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Votou pelas conclusões a conselheira Maria Eduarda Alencar Câmara Simões. (assinado digitalmente) Larissa Nunes Girard – Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Carlos Alberto da Silva Esteves e Alan Tavora Nem. Relatório Trata o processo de declaração de compensação de crédito proveniente de pagamento a maior de Cofins no valor de R$ 40.296,60, relativo ao período de apuração janeiro/2007, para a quitação de débitos de IRPJ (fls. 45 a 49). Por meio do despacho decisório à fl. 50, a Delegacia da Receita Federal em Piracicaba decidiu pela não homologação da declaração porque o Darf informado no PER/Dcomp havia sido utilizado integralmente na quitação de outros débitos, não restando crédito para a realização da compensação. A recorrente apresentou Manifestação de Inconformidade (fls. 2 a 7), na qual alegou, preliminarmente, a nulidade do despacho decisório por tratarse de decisão genérica, sem a devida motivação, o que caracterizaria o cerceamento ao contraditório e à ampla defesa. Quanto ao mérito, informou que ao proceder à revisão dos créditos das contribuições sociais no período de agosto/2006 a junho/2011, na sistemática nãocumulativa, constatou que não havia descontado créditos relativos às aquisições de bens e serviços utilizados como insumos na fabricação de produtos destinados à venda e relativos às despesas e custos incorridos com armazenagem e frete, decorrendo daí o pagamento indevido da Cofins para o qual pleiteava compensação. Instruiu sua peça recursal com atos constitutivos e de representação da empresa, o Despacho Decisório, o Dacon retificador e o Per/Dcomp original (fls. 8 a 44). A Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belo Horizonte proferiu o Acórdão nº 0256.388 (fls. 56 a 60), por meio do qual decidiu pela improcedência da manifestação de inconformidade, tendo em vista que o despacho decisório não incidiu em nenhuma hipótese que possibilitasse a decretação de sua nulidade e, em relação ao mérito, que a divergência entre os valores informados no Dacon e na DCTF afastavam a certeza do crédito. A decisão sustentouse, ainda, no fato de o contribuinte, a quem caberia o ônus da prova, não ter trazido aos autos documentação probatória, sendo insuficiente a retificação do Dacon, desacompanhada de documentos para suportar a alteração efetuada. O Acórdão foi assim ementado: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Fl. 110DF CARF MF Processo nº 13888.906862/201201 Acórdão n.º 3002000.526 S3C0T2 Fl. 111 3 Data do fato gerador: 31/01/2007 DESPACHO DECISÓRIO. PRELIMINAR DE NULIDADE REJEITADA. Deve ser rejeitada a preliminar de nulidade, quando o Despacho Decisório contém a fundamentação legal e as informações e orientações necessárias ao exercício da plena defesa do contribuinte, e a tramitação do processo se dá em observância estrita ao rito do processo administrativo fiscal. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 31/01/2007 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Não se admite a compensação se o contribuinte não comprovar a existência de crédito líquido e certo. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido O contribuinte tomou ciência do Acórdão proferido pela DRJ em 28.07.2014, conforme Aviso de Recebimento constante à fl. 62, e protocolizou seu Recurso Voluntário em 27.08.2014, conforme Termo de Solicitação de Juntada à fl. 63. Em seu recurso voluntário (fls. 64 a 74), o contribuinte retoma a alegação de nulidade por cerceamento do direito de defesa, agora tanto do despacho decisório quanto da decisão de primeira instância, configurado pela ausência de análise dos argumentos e da prova apresentada (Dacon retificador), bem como por não ter sido solicitada a realização de diligência ou de apresentação de novos documentos pela DRJ. Em relação ao mérito, repisa os argumentos da manifestação de inconformidade, sobre não ter tomado crédito relativo a despesas na prestação de serviços de ferramentaria, usinagem de peças e manutenção de máquinas; nos serviços de frete; e nas aquisições de peças para manutenção de máquinas e equipamentos. Defende a adoção de um conceito de insumo que seja sinônimo de custos de produção, ou seja, os gastos incorridos no processo de obtenção de bens e serviços colocados à venda. Juntou ao recurso voluntário, a título de prova, o Dacon original e algumas notas fiscais de prestação de serviços de manutenção e venda/substituição de peças, emitidas por empresas diversas em dezembro/2006 e janeiro/2007 (fls. 75 a 106). É o relatório. Voto Conselheira Larissa Nunes Girard Relatora Fl. 111DF CARF MF Processo nº 13888.906862/201201 Acórdão n.º 3002000.526 S3C0T2 Fl. 112 4 O recurso voluntário é tempestivo, preenche os requisitos formais de admissibilidade, inclusive quanto à competência das Turmas Extraordinárias e, portanto, dele tomo conhecimento. Preliminar de Nulidade – Cerceamento de Defesa Na alegação de nulidade por cerceamento do direito de defesa, a recorrente defende que, em prol da verdade material, deveria a autoridade administrativa ter analisado os documentos juntados e solicitado novos documentos (e/ou diligência) para apurar mais alguma informação necessária para a decisão. Prossegue afirmando que a divergência entre Dacon e DCTF não seria motivo suficiente para o indeferimento do pedido, visto que a DCTF por si só não é garantia de liquidez ou certeza da compensação, motivo pelo o qual deveria o julgador ter procurado esclarecer a razão da divergência entre Dacon e DCTF, em uma análise mais cuidadosa da situação, e que o cerceamento se configura por não ter havido fundamentação baseada na análise dos documentos apresentados. De pronto, chama a atenção a inversão de papéis e responsabilidades pretendida pela recorrente. O que temos, de fato, ao longo de todo este processo, são falhas na atuação do contribuinte. Quando fez a transmissão da declaração de compensação, ela estava em desacordo tanto com o Dacon quanto com a DCTF. Ao se aperceber da divergência, providenciou a retificação apenas do Dacon, mas não da DCTF, que é uma declaração que tem o poder de uma confissão de dívida. Posteriormente, ao protocolar sua manifestação de inconformidade, mesmo sabedor do não provimento do seu pedido, não trouxe aos autos eventuais provas que pudesse ter sobre o montante do débito que considerava realmente devido. Limitouse a juntar o Dacon retificador, documento ao qual a DRJ já tinha acesso. E agora, nesta fase, após a segunda negativa a seu pleito, junta notas fiscais em valor insuficiente para respaldar a redução do débito realizada e protesta contra a omissão da Administração Fazendária, que não teria se ocupado de produzir as provas que a ele caberia. É cediço que, nos casos de solicitação de restituição, compensação e ressarcimento de crédito contra a Fazenda Nacional, cabe ao contribuinte, aquele que alega o direito, o ônus da produção da prova. Tal entendimento, aplicado de forma pacífica nos diversos colegiados do Carf, sustentase no Decreto nº 7.574/2011, que regulamenta o processo de determinação e de exigência de créditos tributários da União. Por ele, vemos em seu art. 28 que cabe ao interessado a prova dos fatos que alega. Igualmente podemos nos socorrer do Código de Processo Civil, que estabelece em seu art. 373 que, quanto ao fato constitutivo de seu direito, o ônus da prova incumbe ao autor. Portanto, se o contribuinte não exerceu o seu direito no momento e na forma que deveria, não cabe inculpar a Administração por sua desatenção. O Decreto nº 70.235/1972 (PAF) estabelece que a manifestação de inconformidade deve conter os argumentos e provas necessários para a demonstração do que se alega, nos seguintes termos: Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Art. 16. A impugnação mencionará: I a autoridade julgadora a quem é dirigida; Fl. 112DF CARF MF Processo nº 13888.906862/201201 Acórdão n.º 3002000.526 S3C0T2 Fl. 113 5 II a qualificação do impugnante; III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito; V se a matéria impugnada foi submetida à apreciação judicial, devendo ser juntada cópia da petição. § 1º Considerarseá não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16. (grifado) Fica claro pelo texto legal que a recorrente deveria ter produzido as provas quando apresentou sua impugnação/manifestação de inconformidade. No que tange à reclamação pela ausência de diligência, deve ser esclarecido que se trata de procedimento facultativo, disponível para o julgador quando há dúvida substancial, que deve ser sanada para que seja possível a tomada de decisão, nos termos do que dispõe o PAF em seu art. 18, in verbis: Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. (grifado) Segundo se depreende do voto do Acórdão da DRJ, não houve qualquer incerteza que justificasse a determinação de ofício de realização de diligência. Como, de sua parte, o contribuinte também não solicitou o procedimento, possibilidade prevista no PAF, não cabe reclamar do julgador que entendeu existirem elementos suficientes para a decisão e assim a proferiu. Cabem ainda algumas considerações sobre o PER/Dcomp e o despacho decisório. A declaração de compensação (Per/Dcomp) que se analisa teve tratamento eletrônico, que consiste no cruzamento dos dados informados pelo contribuinte em suas declarações, em busca de se encontrar, ao menos, consistência e coerência nas informações, de modo a permitir o deferimento do pleito. Essa sistemática visa ao processamento rápido de um número expressivo de compensações, o que não se alcança com a análise manual. De se ressaltar que esse batimento de dados não é apto para verificar a fidedignidade contidos nas declarações, mas tão somente a coerência entre eles, de tal forma que o mínimo que se exige do contribuinte nesta fase é que preste a mesma informação em sua declaração de compensação e em sua DCTF. Caso se constate divergência, a compensação é indeferida e o contribuinte tem a oportunidade de apresentar explicações e documentos que irão demonstrar o seu direito ao crédito. Portanto, ainda que a verificação eletrônica consista em um procedimento pré Fl. 113DF CARF MF Processo nº 13888.906862/201201 Acórdão n.º 3002000.526 S3C0T2 Fl. 114 6 estabelecido e limitado, de forma alguma o direito de argumentar, explicar ou se defender é reduzido ou retirado do contribuinte. Fazse necessário, ainda, o esclarecimento sobre o propósito e alcance de cada declaração, aspectos que a recorrente trata com impropriedade e tenta utilizar como forma de desacreditar as decisões. A Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) constitui confissão de dívida, instrumento hábil e suficiente para a cobrança administrativa, conforme dispõe o DecretoLei nº 2.124/1984, sendo enviada para inscrição na Divida Ativa da União em caso de não liquidação dos débitos, e, por isso, é a declaração que a Receita Federal utiliza em suas verificações. O Dacon, por sua vez, é mero demonstrativo da apuração das contribuições sociais, prestandose a detalhar para a Receita Federal como o contribuinte encontrou o valor declarado em DCTF e auxiliar a fiscalização. O Dacon não tem o mesmo status jurídico da DCTF. Por esse motivo, o que consta no Dacon é indício de direito, mas não prova, não havendo qualquer mácula na fundamentação da decisão de primeira instância quando afirma que a retificação de Dacon, destituída de documentos que comprovem a redução do débito não faz prova do direito creditório. Nestes autos, ocorre que, no momento da emissão do despacho decisório, a Receita Federal dispunha de uma declaração de débito de Cofins no valor de R$ 40.296,60 (DCTF), ao passo que na declaração de compensação o contribuinte afirmava não existir débito algum e que poderia utilizar a totalidade do Darf para compensar débitos de IRPJ. Logo, a não homologação da compensação está plenamente justificada pela utilização integral do Darf para quitar os débitos de Cofins confessados em DCTF e não padece de nenhum vício que possa acarretar a sua nulidade. Igualmente descabido é o argumento de que a DRJ teria ignorado as alegações e argumentos juntados pela recorrente, sem considerálos em sua decisão. A leitura do voto é suficiente para demonstrar o que se afirma e, por isso, transcrevo a parte final do acórdão recorrido: No caso, o recorrente não comprova erro que possa alterar o fundamento do despacho decisório. Na falta de comprovação do erro, a divergência entre os valores informados em Dacon e DCTF afasta a certeza do crédito e é razão suficiente para o indeferimento do pedido de restituição ou da compensação. Nesse ponto, cabe assinalar que a simples indicação de supostos valores corretos em Dacon retificador ou em demonstrativo integrante da manifestação de inconformidade não é suficiente para comprovar erro nas informações prestadas originalmente na DCTF, de forma a evidenciar a existência de pagamento indevido ou a maior no período considerado e atestar a certeza e liquidez do crédito. Para melhor ilustrar os fatos acima relatados, as verificações efetuadas nos sistemas da RFB e nos autos desse processo podem ser assim consolidadas: Fl. 114DF CARF MF Processo nº 13888.906862/201201 Acórdão n.º 3002000.526 S3C0T2 Fl. 115 7 Dessa maneira, concluo que não há vício nas decisões que integram este processo, pois estão fundamentadas, foram proferidas por autoridades competentes, os prazos e ciências foram respeitados, os argumentos e o único documento pertinente juntado à manifestação de inconformidade foi analisado. Ademais, e tratase de aspecto elementar para a caracterização do cerceamento de defesa, pelo conteúdo das peças recursais, vêse que o sujeito passivo compreendeu perfeitamente o motivo da denegação do seu pedido. Pelo o exposto, afasto a preliminar de nulidade por cerceamento de defesa. Mérito Tendo compreendido que a mera retificação do Dacon, desacompanhada de documentação que justificasse a redução do débito confessado, não era suficiente para demonstrar o direito, a recorrente traz aos autos provas documentais, pela primeira vez, na fase de recurso voluntário. E requer a sua apreciação, sem maiores considerações sobre o fato de fazêlo intempestivamente. Sobre esse ponto, então, irá residir o cerne deste julgamento. A compensação somente pode ser concedida para créditos líquidos e certos, conforme estabelece o art. 170 do Código Tributário Nacional, e, como já mencionado, que a demonstração da certeza e liquidez nos casos de compensação é ônus que recai sobre o requerente. Assim sendo, para que a Receita Federal autorize a compensação, deve a recorrente demonstrar de forma inequívoca seu crédito, por meio de alegações e provas, e o momento de fazêlo é quando da apresentação da manifestação de inconformidade, em obediência ao Decreto nº 70.235/1972, que assim instituiu: Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamentar, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: Fl. 115DF CARF MF Processo nº 13888.906862/201201 Acórdão n.º 3002000.526 S3C0T2 Fl. 116 8 a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidos aos autos. § 5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. (grifado) Do exposto, extraímos que a recorrente deveria ter juntado a documentação necessária para comprovar o seu direito quando decidiu recorrer do despacho decisório. Foi aí que se iniciou o contencioso e foram definidos os limites desta lide. A apresentação da manifestação de inconformidade é momento crucial no processo administrativo fiscal. O que é trazido pelo sujeito passivo a título de razões e provas define a natureza e a extensão da controvérsia que, regra geral, só deveria alcançar este Conselho após a apreciação da matéria pela primeira instância. Ao admitir o início da produção de provas em fase de recurso voluntário, suprimimos o exame da matéria pelo colegiado a quo, de fato, uma supressão de instância, em desfavor do contraditório e do rito processual estabelecido no referido Decreto. Consoante ainda o art. 16, transcrito acima, preclui o direito da recorrente de fazer prova em momento posterior à apresentação da manifestação de inconformidade, exceto se demonstrada a impossibilidade de fazêlo tempestivamente por motivo de força maior ou a existência de novos fatos ou razões, ocorridos ou trazidos aos autos após a juntada da manifestação. Ainda sobre a entrega extemporânea de documentos, dita o comando que tal solicitação deve ocorrer mediante petição fundamentada, na qual fique demonstrada a ocorrência de alguma das exceções. Conforme já abordado, no momento do despacho decisório havia informação discrepante sobre o real débito de Cofins, prestada pelo próprio contribuinte, que desconsiderou que a redução de débitos confessados em DCTF deveria estar amparada por documentos fiscais e contábeis, hábeis a comprovála, como determina o art. 147 do CTN: Art. 147. O lançamento é efetuado com base na declaração do sujeito passivo ou de terceiro, quando um ou outro, na forma da legislação tributária, presta à autoridade administrativa informações sobre matéria de fato, indispensáveis à sua efetivação. § 1º A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento. (grifado) Por esse motivo as instruções normativas da Receita Federal que disciplinavam o Dacon, já extinto, determinavam que a pessoa jurídica que retificasse esse Demonstrativo deveria também apresentar DCTF retificadora, confirmando a concepção de que o conteúdo do Dacon pode ser indício de direito, mas não faz prova. Fl. 116DF CARF MF Processo nº 13888.906862/201201 Acórdão n.º 3002000.526 S3C0T2 Fl. 117 9 É pacífico neste Colegiado que a ausência de retificação da DCTF pode ser superada pela comprovação do direito ao crédito por meio de documentos fiscais e contábeis hábeis e suficientes, mas a manifestação de inconformidade foi instruída apenas com a retificadora do Dacon, que não tem valor de prova, e agora foram juntadas algumas notas fiscais, por amostragem, insuficientes para cobrir a redução que débitos que se pretende, sem justificativa para a apresentação tardia dessa documentação. Incontestável que a situação não se enquadra em nenhuma das alíneas do § 4º do art. 16 do Decreto e está configurada, por consequência, a preclusão temporal. Há de se ponderar, todavia, que a ocorrência de determinadas especificidades permitiria ao julgador conhecer da prova apresentada intempestivamente, em prol da verdade material, que é um princípio caro ao processo administrativo fiscal, mas não absoluto, como muitas vezes se pretende. Deve o julgador procurar o equilíbrio com os demais princípios, em especial como os princípios da legalidade e do devido processo legal, principalmente porque se trata de afastar a aplicação de um dispositivo legal que determina expressamente a preclusão. Para tanto, é requisito que o contribuinte tenha exercido seu papel de tentar demonstrar o direito quando devido, ou seja, na interposição da manifestação de inconformidade. Nesse contexto, as provas apresentadas com o recurso voluntário poderiam ser conhecidas com o objetivo de esclarecer um ponto obscuro, complementar uma demonstração já iniciada ou reforçar o valor do que foi anteriormente apresentado, algo próprio do desenvolvimento da marcha processual. O que se configura inadmissível é a invocação da busca da verdade material com vistas a propiciar ao recorrente a oportunidade de suprir sua própria omissão em fase anterior, que é o que ocorre nestes autos. Tal entendimento é o que prevalece atualmente em diversos colegiados no Carf. A ver os Acórdãos seguintes, todos proferidos em julgamentos realizados em 2018: nº 3201003.476 do conselheiro Marcelo Vieira e nº 1302002.731 do conselheiro Flávio Dias, representativos de decisões em Turmas Ordinárias de diferentes Seções de Julgamento, bem como o Acórdão nº 9303007.555, do conselheiro Luiz Eduardo Santos, nº 9303006.241, da conselheira Vanessa Cecconello, e nº 9303007.334, do conselheiro Demes Brito, todos da 3ª Seção da Câmara Superior de Recursos Fiscais. Transcrevese, a título complementar, as razões de decidir da conselheira relatora Vanessa Cecconello no Acórdão nº 9303006.241, pela pertinência no presente caso: Esclareçase não se estar privilegiando o formalismo exacerbado em detrimento do princípio da verdade material, norteador do processo administrativo fiscal. Ocorre que não ficou demonstrada no caso em exame qualquer das hipóteses autorizadoras do acolhimento das provas apresentadas somente na fase recursal, quais sejam: (a) impossibilidade de apresentação oportuna, por força maior; (b) sejam referentes a fato ou a direito supervenientes ou, ainda, (c) destinemse a contrapor fatos ou razões posteriormente veiculados nos autos. Somese aos fundamentos até aqui expendidos, que, conforme consignado no acórdão recorrido, mesmo sendo admitidos os documentos fiscais e contábeis trazidos pelo Sujeito Passivo em sede de recurso voluntário, não seriam suficientes para comprovar a certeza e a liquidez do indébito tributário. Por Fl. 117DF CARF MF Processo nº 13888.906862/201201 Acórdão n.º 3002000.526 S3C0T2 Fl. 118 10 conseguinte, demandaria a reabertura da fase de instrução do processo para que a Contribuinte colacionasse aos autos outras provas complementares, as quais provavelmente estavam em seu poder quando da apresentação da manifestação de inconformidade, providência incabível, nesse caso, em sede de recurso. Admitirseia a análise de argumentos e provas novas se os mesmos tivessem sido apresentados com a manifestação de inconformidade e, somente no julgamento da mesma por meio de acórdão, tivessem sido considerados por insuficientes. Nessa hipótese, em prol da busca da verdade real dos fatos e demonstrando, a empresa, o intuito de comprovar o seu direito ao crédito pleiteado, poderseia acolher a complementação das alegações e do conjunto probatório trazido ao processo. Nesse diapasão, os argumentos e provas não trazidos em sede de manifestação de inconformidade, mas tão somente em sede de recurso voluntário e não comprovada a ocorrência de uma das hipóteses do art. 16, §4º do Decreto 70.235/72, são considerados preclusos, não podendo ser analisados por este Conselho em sede recursal. Diante do exposto, negase provimento ao recurso especial do Contribuinte. (grifado) Pelo o exposto, uma vez não caracterizada a ocorrência de nenhuma das hipóteses previstas no § 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235/1972, concluo por precluso o direito de produzir provas e não conheço da documentação juntada aos autos. Com essas considerações, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Larissa Nunes Girard Fl. 118DF CARF MF
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Numero do processo: 15374.906686/2008-39
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Nov 16 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3001-000.129
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o recurso voluntário em diligência, para que a unidade de origem aprecie a DCTF retificadora com relação ao crédito pleiteado, juntamente com a documentação acostada pela recorrente que lhe confira liquidez e certeza para a realização da compensação requerida.
Orlando Rutigliani Berri - Presidente
(assinado digitalmente)
Renato Vieira de Avila - Relator
(assinado digitalmente)
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri (Presidente), Renato Vieira de Avila, Marcos Roberto da Silva e Francisco Martins Leite Cavalcante.
Nome do relator: RENATO VIEIRA DE AVILA
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o recurso voluntário em diligência, para que a unidade de origem aprecie a DCTF retificadora com relação ao crédito pleiteado, juntamente com a documentação acostada pela recorrente que lhe confira liquidez e certeza para a realização da compensação requerida. Orlando Rutigliani Berri Presidente (assinado digitalmente) Renato Vieira de Avila Relator (assinado digitalmente) Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri (Presidente), Renato Vieira de Avila, Marcos Roberto da Silva e Francisco Martins Leite Cavalcante. Relatório RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 53 74 .9 06 68 6/ 20 08 -3 9 Fl. 121DF CARF MF Processo nº 15374.906686/200839 Resolução nº 3001000.129 S3C0T1 Fl. 122 2 Despacho Decisório O presente despacho decisório houve por bem, não homologar a compensação declarada através de DCOMP, em razão de, analisadas as informações prestadas, partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Manifestação de Inconformidade Em sede de sua manifestação de inconformidade, a recorrente alega que a não homologação da compensação pleiteada se funda em erro no preenchimento das DCTFs originárias, as quais foram corrigidas após intimação pelo Fisco Federal e que desta correção, acredita ter direito aos créditos objeto da compensação. DRJ/RJ2 A manifestação de inconformidade foi julgada e recebeu a seguinte ementa: Acórdão 1333.1644ª Turma da DRJ/RJ2 ASSUNTO2 NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Pen'odo de apuração: 01/09/2003 a 30/09/2003 CRÉDITO NÃO OOMPROVADO. COMPENSAÇÃO. NÃo HOMOLOGARQ . Não é de se homologar a compensação declarada em DCOMP, cujo crédito utilizado não tenha sido devidamente comprovado. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/09/2003 a 30/09/2003 ONUS DA PROVA. ALEGAÇÃO DESACOMPANHADA DE PROVA. Cabe ao impugnante trazer juntamente com suas alegações impugnatórias todos os documentos que dêem a elas força probante. O relatório, por bem retratar a realidade fática dos autos, merece ser transcrito: Trata o presente processo de apreciação de compensação declarada no PER/DCOMP n° 16417.72389.150304.1.3.043740, em 15/03/04, de crédito no valor de R$ 2249,92, referente a recolhimento que teria sido efetuado a maior, em 15/09/03, a título de Contribuição para o PIS Fl. 122DF CARF MF Processo nº 15374.906686/200839 Resolução nº 3001000.129 S3C0T1 Fl. 123 3 (cód. 6912), atinente ao período de apuração 09/2003, com débito de Cofins (cód. 5856) referente ao período de apuração 02/2004, no valor de R$ 2.249,92. V 2. Por meio do Despacho Decisório n° 775527801, emitido eletronicamente (fl. 09), o Delegado da Derat/Rio de Janeiro, não homologou a compensação declarada, alegando a inexistência do crédito informado, em virtude de o pagamento do qual seria oriundo já ter sido integralmente utilizado para quitar outros débitos da Contribuinte. 3 Cientificada, em 30/07/2008 (fl. 08), a Interessada, ineonformada, ingressou, em 27/08/2008, com a manifestação de inconformidade de fl. 11, acompanhada da documentação de fls. 12 a 32, na qual alega, em síntese, que o valor correto da Contribuição para o PIS (cód. 6912)no mês 09/2003 é o informado na DCTF retificadora em anexo. 4. O processo foi encaminhado a esta Delegacia para julgamento. 5. Foram por mim anexados às fls. 34 a 36, os extratos de pesquisa efetuada no sistema de informação da RFB GERENCIAL DA DCTF. 6. É o relatório. Recurso Voluntário A recorrente se insurge em face do acordão nº 1333.164, proferido pela 4º Turma da DRJ/RJ2, que, manteve o despacho decisório que não homologou o pedido de compensação por entender que o crédito declarado na DCOMP já tinha sido utilizado para quitação de outros débitos do contribuinte. Juntou planilha de cálculos demonstrando a origem do crédito que pretende compensar, o livro diário e demais documentos. É o relatório. Voto Conselheiro Renato Vieira de Avila Relator Tratase de recurso voluntário interposto em face de decisão que denegou o direito à compensação por ausência de prova do erro material cometido. Admissibilidade do Recurso O recurso é tempestivo e dele tomo conhecimento. Argumentos de Defesa no Recurso Voluntário Em breve síntese, foram apresentados, em sede de recurso, os seguintes argumentos; existência de erro material, DCTF retificada após o Despacho Decisório, e documentos contábeis, a fim de comprovar o erro, juntados em sede de recurso voluntário. DOS FATOS Fl. 123DF CARF MF Processo nº 15374.906686/200839 Resolução nº 3001000.129 S3C0T1 Fl. 124 4 Tratase de pedido de compensação no qual a recorrente alega que, recolheu valor a maior da Contribuição para o PIS referente ao período de apuração do mês 05/2003 no valor de R$ 4.535,71, quando o valor correto segundo ela, seria o de R$ 3.497,35 o que lhe daria direito ao crédito no valor de R$ 1.038,36. Por meio do PER/DCOMP nº 36706.47899.150304.1.3.040072 a contribuinte pediu a compensação do valor pago a maior com débito referente ao PIS do período de apuração de 02/2004 no valor de R$ 689,95. A autoridade fiscal por meio de despacho decisório entendeu por negar o pedido de compensação por entender que esse valor já havia sido utilizado para quitação de outros débitos da contribuinte. Irresignada, a contribuinte juntou DCTF retificadora e apresentou manifestação de inconformidade que foi protocolada pelo nº 153.74.906683/200803 e julgada por meio de Acordão nº 1333.163 da 4ª Turma da DRJ/RJ2 que, julgou improcedente a manifestação de inconformidade por não restar comprovado o crédito por insuficiência de provas documentais. Ato contínuo, a recorrente apresentou o presente Recurso Voluntário e vieram me os autos conclusos para julgamento. MÉRITO O relevante tema tratado neste item, diz respeito à forma regulamentar para comprovar a ocorrência de erro material e o consequente pagamento indevido ou a maior de tributo. Especificamente, o tema adentra aos casos relacionados com os Despachos Decisórios Eletrônicos. Esta modalidade de compensação caracterizase pelo cruzamento automatizado de dados eletronicamente inseridos no ambiente virtual da Receita Federal. Com a lida rotineira nos processos administrativos com tal temática, percebese que se gerou, em torno do assunto, a seguinte celeuma. Muitos contribuintes, ao constatarem seus pagamentos indevidos, procedem à compensação na forma regrada pela Receita, mas acaba por não finalizar seus procedimentos de compensação com as necessárias retificações nas informações enviadas anteriormente. Neste ponto, os despachos decisórios, por basearemse nas informações prestadas pelo próprio contribuinte, acabam por declarar como não homologadas as compensações, haja vista os valores indicados como pagos a maior terem sido alocados em débitos, também informados pelo contribuinte, e não retificados a tempo de permitir a compensação. Nestes casos, se segue à manifestação de inconformidade, na qual o contribuinte relata seu procedimento, e, na maioria das vezes, a fim de comprovar a existência do crédito, indica as declarações fiscais retificadas, derivadas das obrigações acessórias, como o meio apto para a comprovação do pagamento indevido. Ocorre que é pacífico o entendimento esposado pelas Delegacias de Julgamento, no sentido de: exigir, como meio de prova, mais que as declarações acessórias retificadas, mas os elementos contábeis que lhe deram suporte. Ainda, que tais documentos sejam acostados aos autos ainda em sede de Manifestação de Inconformidade, dando azo ao prazo previsto nos artigos 14 e 16 do Decreto n.º 70.235/72. Fl. 124DF CARF MF Processo nº 15374.906686/200839 Resolução nº 3001000.129 S3C0T1 Fl. 125 5 Diante deste breve cenário, o CARF, vem permitindo, a fim de prestigiar o princípio da verdade material, a juntada de documentos após a fase da manifestação de inconformidade, ou seja, em sede de recurso voluntário. Decorre, então, três posicionamentos: Aqueles que não aceitam a juntada de documentos fora do prazo da manifestação de inconformidade; Aqueles que aceitam a juntada de documentos, desde que haja uma demonstração inicial sobre a formação de prova, como alguma documento contábil que extrapole as declarações retificadas. E, Aqueles, que, como eu, permite a juntada a destempo de documentação, e, mais ainda, sugere proposta de diligência, a fim de viabilizar o concreto entendimento sobre a existência, ou não, de crédito hábil para a compensação declarada anteriormente. Pagamento a maior A partir então, da constatação deste apuração equivocada, sustenta haver, em seu favor, crédito que, desta feita, procedeu aos procedimentos de compensação, mediante envio da competente declaração. Da Controvérsia Acerca do Tema O tema abordado que se traduz no cerne da questão tratada nos autos, diz respeito ao pagamento indevido e sua efetiva forma de comprovação. A contribuinte alega ter calculado erroneamente seu PIS/COFINS. A fim de corrigir o rumo do referido processo, e enfrentar o que regimentalmente encontrase obrigado, verifico a necessidade de evidenciação da materialidade da ocorrência do pagamento como tido a maior. Os meios necessários e a forma adequada de comprovação de pagamento devido perfazse matéria recorrente nesta Turma. A fim de facilitar a exposição dos fundamentos deste voto, iniciase com o importante o respaldo no acórdão 3401.003.952, que trata de tema igual, ou seja, o dever de verificar a ocorrência do pagamento indevido. Vejase a ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Ano calendário: 2007 COFINS. DCOMP. DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. TRATAMENTO MASSIVO x ANÁLISE HUMANA. AUSÊNCIA/EXISTÊNCIA DE RETIFICAÇÃO DE DCTF. VERDADE MATERIAL. Nos processos referentes a despachos decisórios eletrônicos, deve o julgador (elemento humano) ir além do simples cotejamento efetuado pela máquina, na análise massiva, em nome da verdade material, tendo o dever de verificar se houve realmente um recolhimento indevido/a maior, à margem da existência/ausência de retificação da DCTF. Fl. 125DF CARF MF Processo nº 15374.906686/200839 Resolução nº 3001000.129 S3C0T1 Fl. 126 6 Este, contudo, como expresso em votos anteriores, foi entendimento do qual comunguei, mas, hoje, em decorrência da dinâmica de julgamento do tema na presente 1ª TEX, revejo e passo a adotar posição diversa. Isto porque, o tema de instrução probatória, em especial, a Dcomp, o momento da apresentação da documentação para comprovação dos eventos ocorridos, é assunto controverso, com critérios não definidos, atentando, assim, à necessária segurança jurídica que deve tornear a relação fisco contribuinte. Ocorre que, em havendo desconexão entre os critérios interpretativos, e, em momento processual administrativo recursal, é possível, como se tem entendido aqui, abrir a possibilidade de o contribuinte, corretamente e de acordo com os critérios aceitos pela autoridade fazendária, comprovar a existência do pagamento indevido, e, por consequência, da existência do crédito. Em sendo assim, deve o Estado aceitar esta complementação da prova, a fim de satisfazer aos seus próprios critérios. Vejase, não há oportunização para apresentação de prova; mas sim, oportunização para complementação de prova, haja vista, pela percepção do contribuinte, ter havido entendido que, com a disponibilização dos documentos conforme o fez, estaria sanada a exigência. A práxis processual administrativa considerada como apta à comprovação da existência do crédito tributário, vem sofrendo, conforme se demonstrou, diverso tratamento ao longo do tema, variando desde posições mais formalistas, na qual não há a possibilidade de apreciação de documentos após o protocolo da manifestação de inconformidade, da qual, repitase, este conselheiro já fora adepto. Em evolução, demonstrouse que, além de polêmico, o tema vem se alterando para a aceitação de documentos após o Recurso Voluntário, até o entendimento atual, cuja compreensão se encontra na Resolução 3001000.020, que converteu o julgamento do caso em diligência nos seguintes termos: O recorrente apresentou DCTF e Dacon retificadora, informando este fato quando da apresentação da manifestação de inconformidade. No seu entender, com a apresentação dessas declarações retificadora estaria sanada a irregularidade apontada no despacho decisório. Portanto, em síntese, o fundamento da decisão recorrida foi a falta de apresentação de documentação probante satisfatória (escrituração contábilfiscal) que corroborasse as informações apresentadas, notadamente, na DCTF retificadora. O interessado, quando da apresentação do recurso voluntário, afirma, com suas próprias palavras, que houve erro quando do preenchimento da DCTF, razão pela qual apresentou a retificadora da DCTF, juntamente com a Dacon, e, no seu entender, seria suficiente para a solução do litígio uma vez que o fundamento do despacho decisório seria apenas a inexistência de débito. Assim, tem se encaminhado, nestes casos, oportunizar, ao recorrente, a apresentação dos documentos necessários à demonstração da origem do crédito, pois, conforme descrito na resolução de conversão em diligência: Pois bem. Entendo que há razoável dúvida quanto à certeza e liquidez dos alegados direitos ao crédito que o recorrente pretende compensar. Fl. 126DF CARF MF Processo nº 15374.906686/200839 Resolução nº 3001000.129 S3C0T1 Fl. 127 7 É certo que é condição indispensável à compensação de tributos a liquidez e certeza do crédito, nos termos do que dispõe o art. 170A da Lei nº 5.172, de 1966 (Código Tributário Nacional CTN). Necessário, neste sentido, a comprovação cabal da existência desses supostos créditos, o que pode ser demonstrados com base na análise da documentação contábil fiscal do contribuinte. Deste modo, visando propiciar a ampla oportunidade para o recorrente esclarecer e comprovar os fatos alegados, em atendimento aos princípios da verdade material, da ampla defesa e do contraditório, concluo que o presente julgamento deve ser convertido em diligência. Desta forma, por entender que a mencionada retificação (DCTF e Dacon) levada a efeito pelo recorrente, sinaliza com a possibilidade de acerto quanto ao correto valor do indébito de Cofins, e, com isto, o reconhecimento da extinção do débito tributário objeto da compensação, nos termos do inciso II do artigo 156 do CTN.. Do Parcial Provimento Na esteira do até aqui exposto, a fim de fundamentar novo posicionamento, e firmar ponto de vista sobre a jurisprudência do tema, há que se mencionar precedente, , nesta primeira turma Extraordinária, de lavra do brilhante Conselheiro Cássio Schappo, o qual demonstra claramente a possibilidade de enfrentamento da questão, através do parcial provimento remetendo à nova apreciação por parte da autoridade de julgamento de primeira instância. Seguese: Valhome aqui de julgado da 3ª Turma da CSRF no acórdão nº 9303005.396, de 25/07/2017, que analisando caso semelhante confirmaram decisão proferida no acórdão da 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento, no sentido de dar parcial provimento ao recurso voluntário, sendo entendimento daquele colegiado, Oportuno destacar, também, parte do voto da Conselheira Relatora Vanessa Marini Cecconello (CSRF – T3), pelos seus comentários e associados ao Parecer Cosit nº 02/2015, nos orienta a dar o devido seguimento nesse julgado, “verbis”: O crédito tributário da Contribuinte e seu direito à restituição/compensação não nascem com a apresentação da DCTF retificadora, mas sim com o pagamento indevido ou a maior. Portanto, a apresentação da DCTF retificadora não é requisito indispensável à homologação da compensação, mas a certeza e liquidez do indébito tributário devem restar comprovadas por outros meios nos autos do processo administrativo. Nesse sentido, é o Parecer Cosit nº 02/2015, de 28 de agosto de 2015, cuja ementa se deu nos seguintes termos: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. RETIFICAÇÃO DA DCTF DEPOIS DA TRANSMISSÃO DO PER/DCOMP E CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. POSSIBILIDADE. IMPRESCINDIBILIDADE DA RETIFICAÇÃO DA DCTF PARA COMPROVAÇÃO DO PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. Fl. 127DF CARF MF Processo nº 15374.906686/200839 Resolução nº 3001000.129 S3C0T1 Fl. 128 8 As informações declaradas em DCTF – original ou retificadora– que confirmam disponibilidade de direito creditório utilizado em PER/DCOMP, podem tornar o crédito apto a ser objeto de PER/DCOMP desde que não sejam diferentes das informações prestadas à RFB em outras declarações, tais como DIPJ e Dacon, por força do disposto no§ 6º do art. 9º da IN RFB nº 1.110, de 2010, sem prejuízo, no caso concreto, da competência da autoridade fiscal para analisar outras questões ou documentos com o fim de decidir sobre o indébito tributário. Não há impedimento para que a DCTF seja retificada depois de apresentado o PER/DCOMP que utiliza como crédito pagamento inteiramente alocado na DCTF original, ainda que a retificação se dê depois do indeferimento do pedido ou da não homologação da compensação, respeitadas as restrições impostas pela IN RFB nº 1.110, de 2010. Retificada a DCTF depois do despacho decisório, e apresentada manifestação de inconformidade tempestiva contra o indeferimento do PER ou contra a não homologação da DCOMP, a DRJ poderá baixar em diligência à DRF. Caso se refira apenas a erro de fato, e a revisão do despacho decisório implique o deferimento integral daquele crédito (ou homologação integral da DCOMP), cabe à DRF assim proceder. Caso haja questão de direito a ser decidida ou a revisão seja parcial, compete ao órgão julgador administrativo decidir a lide, sem prejuízo de renúncia à instância administrativa por parte do sujeito passivo. Vêse que a administração tributária em questão normativa, preocupada com o assunto, já havia se posicionado sobre o tema que diz respeito à possibilidade de ocorrer DCTF retificadora para demonstrar a existência de crédito passível de compensação. Como antes dito, a liquidez e certeza do crédito tributário não se encerra com a simples DCTF retificadora, há outros indicativos a serem seguidos, sendo um deles a DIPJ da recorrente, que de acordo com as razões recursais foi um dos parâmetros utilizados para atestar o erro de declaração cometido. Nesse sentido, em respeito ao princípio constitucional do contraditório e da ampla defesa, na busca da verdade real no processo administrativo tributário, é cabível oportunizar à Recorrente uma melhor análise pela unidade de origem quanto ao crédito pleiteado. Ademais, não pode o CARF suprir deficiência instrutória ainda que em sede de compensação, pois à luz do art. 10 da IN RFB nº 903/2008: "Os valores informados na DCTF serão objeto de procedimento de auditoria interna". De se observar que procedimento algum fora realizado em relação à apuração dos valores da compensação, sejam débitos ou créditos. Não podem as autoridades administrativas omitirse de analisar a materialidade dos débitos e créditos em compensação, eis que do contrário comprometem a regularidade do processo administrativo de restituição e compensação de tributos, cuja implicação é a manifesta nulidade nos termos do art. 59, II do PAF. Fl. 128DF CARF MF Processo nº 15374.906686/200839 Resolução nº 3001000.129 S3C0T1 Fl. 129 9 Desta forma, ante ao precedente exposto acima, tanto da CSRF como desta turma extraordinária, entendese que, com a retificação da DCTF, mesmo após o despacho decisório, merece ser dado o CONCLUSÃO Diante do exposto, voto por conhecer e converter o recurso voluntário em diligência, para que a unidade de origem aprecie a DCTF retificadora com relação ao crédito pleiteado, juntamente com a documentação acostada pela recorrente que lhe confira liquidez e certeza para a realização da compensação requerida. (assinado digitalmente) Renato Vieira de Avila Fl. 129DF CARF MF
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Numero do processo: 15540.720219/2011-50
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 13 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Nov 16 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/08/2007 a 31/12/2008
CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA PRINCIPAL. SEGURADOS EMPREGADOS E CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS. INADIMPLEMENTO.
Constatado o não-recolhimento, total ou parcial, de contribuições incidentes sobre as remunerações creditadas a segurados empregados e contribuintes individuais, cabe ao Auditor-Fiscal da Receita Federal do Brasil efetuar o lançamento do crédito tributário correspondente.
TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÕES PARA OUTRAS ENTIDADES (TERCEIROS).
É devida a contribuição a Outras Entidades - Terceiros (Art. 3° da Lei 11.457/07 e Art. 33 da Lei 8.212/91, na redação da Lei 11.941/2009), incidentes sobre a remuneração paga aos segurados empregados.
SELIC.
Nos termos da Súmula CARF nº 4, a partir de 1o de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - Selic para títulos federais.
INCONSTITUCIONALIDADE.
Nos termos da Súmula CARF nº 2, o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
MULTA BENIGNA.
Nos termos da Súmula CARF nº 119, no caso de multas por descumprimento de obrigação principal e por descumprimento de obrigação acessória pela falta de declaração em GFIP, associadas e exigidas em lançamentos de ofício referentes a fatos geradores anteriores à vigência da Medida Provisória n° 449, de 2008, convertida na Lei n° 11.941, de 2009, a retroatividade benigna deve ser aferida mediante a comparação entre a soma das penalidades pelo descumprimento das obrigações principal e acessória, aplicáveis à época dos fatos geradores, com a multa de ofício de 75%, prevista no art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996.
Numero da decisão: 2301-005.621
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer das alegações de inconstitucionalidade de lei, e, na parte conhecida, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
João Bellini Junior - Presidente.
(assinado digitalmente)
Alexandre Evaristo Pinto - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Mauricio Vital, Wesley Rocha, Reginaldo Paixão Emos (suplente convocado para completar a representação fazendária), Alexandre Evaristo Pinto, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll (suplente convocada para substituir o conselheiro Antônio Sávio Nastureles, ausente justificadamente), Marcelo Freitas de Souza Costa, Juliana Marteli Fais Feriato e João Bellini Junior (Presidente). Ausente o conselheiro Antônio Sávio Nastureles.
Nome do relator: ALEXANDRE EVARISTO PINTO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/08/2007 a 31/12/2008 CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA PRINCIPAL. SEGURADOS EMPREGADOS E CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS. INADIMPLEMENTO. Constatado o não-recolhimento, total ou parcial, de contribuições incidentes sobre as remunerações creditadas a segurados empregados e contribuintes individuais, cabe ao Auditor-Fiscal da Receita Federal do Brasil efetuar o lançamento do crédito tributário correspondente. TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÕES PARA OUTRAS ENTIDADES (TERCEIROS). É devida a contribuição a Outras Entidades - Terceiros (Art. 3° da Lei 11.457/07 e Art. 33 da Lei 8.212/91, na redação da Lei 11.941/2009), incidentes sobre a remuneração paga aos segurados empregados. SELIC. Nos termos da Súmula CARF nº 4, a partir de 1o de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - Selic para títulos federais. INCONSTITUCIONALIDADE. Nos termos da Súmula CARF nº 2, o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. MULTA BENIGNA. Nos termos da Súmula CARF nº 119, no caso de multas por descumprimento de obrigação principal e por descumprimento de obrigação acessória pela falta de declaração em GFIP, associadas e exigidas em lançamentos de ofício referentes a fatos geradores anteriores à vigência da Medida Provisória n° 449, de 2008, convertida na Lei n° 11.941, de 2009, a retroatividade benigna deve ser aferida mediante a comparação entre a soma das penalidades pelo descumprimento das obrigações principal e acessória, aplicáveis à época dos fatos geradores, com a multa de ofício de 75%, prevista no art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996.
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OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA PRINCIPAL. SEGURADOS EMPREGADOS E CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS. INADIMPLEMENTO. Constatado o nãorecolhimento, total ou parcial, de contribuições incidentes sobre as remunerações creditadas a segurados empregados e contribuintes individuais, cabe ao AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil efetuar o lançamento do crédito tributário correspondente. TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÕES PARA OUTRAS ENTIDADES (TERCEIROS). É devida a contribuição a Outras Entidades Terceiros (Art. 3° da Lei 11.457/07 e Art. 33 da Lei 8.212/91, na redação da Lei 11.941/2009), incidentes sobre a remuneração paga aos segurados empregados. SELIC. Nos termos da Súmula CARF nº 4, a partir de 1o de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia Selic para títulos federais. INCONSTITUCIONALIDADE. Nos termos da Súmula CARF nº 2, o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. MULTA BENIGNA. Nos termos da Súmula CARF nº 119, no caso de multas por descumprimento de obrigação principal e por descumprimento de obrigação acessória pela falta de declaração em GFIP, associadas e exigidas em lançamentos de ofício AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 54 0. 72 02 19 /2 01 1- 50 Fl. 547DF CARF MF 2 referentes a fatos geradores anteriores à vigência da Medida Provisória n° 449, de 2008, convertida na Lei n° 11.941, de 2009, a retroatividade benigna deve ser aferida mediante a comparação entre a soma das penalidades pelo descumprimento das obrigações principal e acessória, aplicáveis à época dos fatos geradores, com a multa de ofício de 75%, prevista no art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer das alegações de inconstitucionalidade de lei, e, na parte conhecida, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) João Bellini Junior Presidente. (assinado digitalmente) Alexandre Evaristo Pinto Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Mauricio Vital, Wesley Rocha, Reginaldo Paixão Emos (suplente convocado para completar a representação fazendária), Alexandre Evaristo Pinto, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll (suplente convocada para substituir o conselheiro Antônio Sávio Nastureles, ausente justificadamente), Marcelo Freitas de Souza Costa, Juliana Marteli Fais Feriato e João Bellini Junior (Presidente). Ausente o conselheiro Antônio Sávio Nastureles. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou procedente o lançamento fiscal com ciência em 31/08/2011 que constituíram créditos tributários de contribuição previdenciária patronal, a contribuição de terceiros, bem como a multa por apresentar as Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações Previdência Social (GFIP) com dados não correspondentes a todos os fatos geradores. Seguem transcrições de trechos do acórdão recorrido: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/08/2007 a 31/12/2008 CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA PRINCIPAL. SEGURADOS EMPREGADOS E CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS. INADIMPLEMENTO. Constatado o nãorecolhimento, total ou parcial, de contribuições incidentes sobre as remunerações creditadas a segurados empregados e contribuintes individuais, cabe ao Fl. 548DF CARF MF Processo nº 15540.720219/201150 Acórdão n.º 2301005.621 S2C3T1 Fl. 3 3 AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil efetuar o lançamento do crédito tributário correspondente. TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÕES PARA OUTRAS ENTIDADES (TERCEIROS). É devida a contribuição a Outras Entidades Terceiros (Art. 3° da Lei 11.457/07 e Art. 33 da Lei 8.212/91, na redação da Lei 11.941/2009), incidentes sobre a remuneração paga aos segurados empregados. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. O art. 61, caput e § 3º, c/c art. 5º, § 3º, da Lei nº 9.430/1996, que estabelecem a aplicação de juros moratórios com base na taxa SELIC para os débitos tributários não pagos até o vencimento, estão plenamente em vigor no ordenamento jurídico, devendo, portanto, ser aplicados. MULTA DE MORA. ART. 35, II, DA LEI 8.212/91, NA REDAÇÃO ANTERIOR À MP 449/08, CONVERTIDA NA LEI 11.941/09. RETROAÇÃO BENIGNA. Para fatos geradores ocorridos até 31/10/2008, deve ser aplicada a multa de mora de 24%, na forma do Art. 35, II, da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 9.876/99, quando mais benéfica ao contribuinte, de acordo com o Art. 106, II, "c", do Código Tributário Nacional. MULTA DE OFÍCIO. OCORRÊNCIA. LANÇAMENTO DE OFÍCIO É correta a incidência da multa de ofício, quando configurados o não recolhimento das contribuições devidas e a apresentação de declaração inexata. Art. 35A, da Lei 8.212/91, acrescentado pela Lei 11.941/09. ART. 17 DO DEC. 70.235/72 MATÉRIA NÃO IMPUGNADA A teor do Art. 17 do Decreto 70.235/72, que tem status de Lei Ordinária, a matéria não expressamente impugnada está preclusa. Necessidade da estabilização da relação jurídico processual no contencioso administrativo fiscal. Compatibilidade com a Legalidade Administrativa insculpida no Art, 37, caput, da Constituição da República. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. FATO EXTINTIVO. ÔNUS DA PROVA. A alteração do crédito tributário constituído deve se basear em fatos extintivos ou modificativos, argüidos como matéria de defesa, devidamente demonstrados pelo contribuinte mediante produção de provas. ILEGALIDADE/INCONSTITUCIONALIDADE O julgador no âmbito do contencioso administrativo não tem competência legal para apreciar e declarar ilegalidade ou inconstitucionalidade de dispositivo de Lei ou Decreto, frente ao sistema normativo. O controle da constitucionalidade é exercido, via de regra, pelo Poder Judiciário. Art. 26 a do Decreto 70.235/72 Fl. 549DF CARF MF 4 Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Contra a decisão, o recorrente interpôs recurso voluntário, onde reitera as alegações trazidas na impugnação: Entende que a Taxa Selic não pode ser aplicada, pois utiliza componentes e cálculos não especificamente previstos em lei, mas em norma do BACEN. Requer a aplicação da multa mais benéfica. Sustenta a nulidade do lançamento, tendo em vista que não houve uma adequada motivação e descrição dos fatos geradores. Afirma que a multa aplicada tem efeito confiscatório, não podendo prevalecer pois contraria o art. 150, inciso IV da Constituição Federal. Solicita a exclusão dos diretores como coresponsáveis por entender que não foram atendidos os requisitos dos arts. 134 e 135 do CTN. Alega que fez a opção pelo SIMPLES e nunca foi notificada de sua exclusão. O julgamento foi convertido em diligência para que esclarecimentos sobre o processo de exclusão do SIMPLES, em especial o contraditório sobre o indeferimento da inscrição (fls. 508 e ss). Em cumprimento à diligência, a fiscalização encaminhou ofício à Secretaria de Fazenda do Município de Itaporaí perguntando sobre o meio de comunicação do indeferimento da inscrição no SIMPLES NACIONAL e eventual abertura de processo administrativo (fls. 513 e ss). Em resposta, o Secretário Municipal de Fazenda informou que a comunicação era feita através do "Simples Deferimento" e que não houve recurso contra a decisão (fls. 523 e ss). Em 22 de setembro de 2016, a 1ª Turma da 3ª Câmara da 2ª Seção do CARF emitiu a Resolução n. 2301.000633 (fls. 527 e ss), convertendo o julgamento em diligência para que seja oportunizado ao recorrente o direito de manifestação sobre o resultado da diligência no prazo de 30 dias. A intimação se deu em 1º de dezembro de 2012 conforme comprovante de aviso de recebimento (fl. 536) É o relatório. Voto Conselheiro Alexandre Evaristo Pinto Fl. 550DF CARF MF Processo nº 15540.720219/201150 Acórdão n.º 2301005.621 S2C3T1 Fl. 4 5 O recurso é tempestivo, no entanto, no Recurso Voluntário é mencionada a potencial violação ao princípio da moralidade pela aplicação da multa agravada, o que implica em dizer que a referida multa é inconstitucional. Nos termos da Súmula CARF nº 2, o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Diante do exposto, conheço em parte do recurso voluntário, não conhecendo da alegação de inconstitucionalidade. Da Questão do Agravamento da Multa e da Não Configuração da Reincidência Segundo o relatório da fiscalização, o agravamento da multa se deu por conta reincidência do contribuinte no mesmo tipo de infração, que seria a infração relativa a não contabilização de forma segregada das contribuições do segurado e da empresa, sendo que a reincidência pode ser observada pela existência de um Auto de Infração anterior. Diante do exposto, tratase de caso claro de subsunção do fato à norma, de modo que o agravamento da multa não pode ser afastado. Em que pese possa haver uma potencial falta de proporcionalidade entre a infração e a multa, o CARF não é órgão competente para um exame de proporcionalidade. Da Questão dos Juros Selic O uso da Taxa Selic como taxa de juros não pode ser afastado, pois trata de matéria pacificada no âmbito do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) por meio do enunciado da Súmula nº 4 (Portaria MF no 383, publicada no DOU de 14/07/2010), abaixo transcrito, de observância obrigatória, por força do art. 45, VI, do Regimento Interno do CARF1, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09/06/2015. Súmula CARF nº 4: A partir de 1o de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia Selic para títulos federais. Ademais, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) decidiu com base na sistemática dos recursos repetitivos, que é legítima a aplicação da taxa SELIC aos débitos tributários, conforme ementa abaixo: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL SUBMETIDO À SISTEMÁTICA PREVISTA NO ART. 543C DO CPC. VIOLAÇÃO DO ART. 535 DO CPC. NÃO OCORRÊNCIA.REPETIÇÃO DE INDÉBITO. JUROS DE MORA PELA TAXA SELIC. ART. 39, § 4º, DA LEI 9.250/95. PRECEDENTES DESTA CORTE. 1 RICARF: Art. 45. Perderá o mandato o conselheiro que: ... VI deixar de observar enunciado de súmula ou de resolução do Pleno da CSRF, bem como o disposto no art. 62; Fl. 551DF CARF MF 6 1. Não viola o art. 535 do CPC, tampouco nega a prestação jurisdicional, o acórdão que adota fundamentação suficiente para decidir de modo integral a controvérsia. 2. Aplicase a taxa SELIC, a partir de 1º.1.1996, na atualização monetária do indébito tributário, não podendo ser cumulada, porém, com qualquer outro índice, seja de juros ou atualização monetária. 3. Se os pagamentos foram efetuados após 1º.1.1996, o termo inicial para a incidência do acréscimo será o do pagamento indevido; no entanto, havendo pagamentos indevidos anteriores à data de vigência da Lei 9.250/95, a incidência da taxa SELIC terá como termo a quo a data de vigência do diploma legal em tela, ou seja, janeiro de 1996. Esse entendimento prevaleceu na Primeira Seção desta Corte por ocasião do julgamento dos EREsps 291.257/SC, 399.497/SC e 425.709/SC. 4. Recurso especial parcialmente provido. Acórdão sujeito à sistemática prevista no art. 543C do CPC, c/c a Resolução 8/2008 Presidência/ STJ. (REsp 1111175 / SP, Relatora Ministra Denise Arruda, DJe. 01/07/2009) Multa e Retroatividade Benigna Nos termos da Súmula CARF nº 119, no caso de multas por descumprimento de obrigação principal e por descumprimento de obrigação acessória pela falta de declaração em GFIP, associadas e exigidas em lançamentos de ofício referentes a fatos geradores anteriores à vigência da Medida Provisória n° 449, de 2008, convertida na Lei n° 11.941, de 2009, a retroatividade benigna deve ser aferida mediante a comparação entre a soma das penalidades pelo descumprimento das obrigações principal e acessória, aplicáveis à época dos fatos geradores, com a multa de ofício de 75%, prevista no art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996. Conclusão Com base no exposto, voto por conhecer parcialmente do Recurso Voluntário, não conhecendo das alegações de inconstitucionalidade, e, na parte conhecida, negarlhe provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Alexandre Evaristo Pinto Relator Fl. 552DF CARF MF Processo nº 15540.720219/201150 Acórdão n.º 2301005.621 S2C3T1 Fl. 5 7 Fl. 553DF CARF MF
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