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Numero do processo: 13161.720992/2016-60
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 19 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Mar 25 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2011
RESPONSÁVEL SOLIDÁRIO. ART.124, I do CTN. ATRIBUIÇÃO NÃO CONFIGURADA.
De se afastar a responsabilidade solidária dos Recorrentes do polo passivo da obrigação tributária quando não restar comprovada a existência de interesse comum de que trata o art.124 do CTN.
Numero da decisão: 1401-003.128
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, preliminarmente, por unanimidade de votos, foi negado provimento ao pedido do Patrono dos Contribuintes Cleison J S Cavalcanti, Denilson Gonçalves, Elio Toyoshingue Tanaka e João Eusébio Staudt, o Dr. Harrmad Hale Rocha, OAB/MS 7.938, para sustentar oralmente suas razões de defesa, haja vista que tais Contribuintes não lograram apresentar recurso contra a lavratura do Auto de Infração. No mérito, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso dos Contribuintes Centro Oeste Transporte e Grãos Ltda., Vandro Carlos Bortolanza - ME e Vandro Carlos Bortolanza, então arrolados como responsáveis solidários, para excluí-los do pólo passivo da obrigação tributária.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente
(assinado digitalmente)
Cláudio de Andrade Camerano - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Abel Nunes de Oliveira Neto, Carlos André Soares Nogueira, Cláudio de Andrade Camerano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Daniel Ribeiro Silva, Letícia Domingues Costa Braga e Bárbara Santos Guedes (suplente convocada).
Nome do relator: CLAUDIO DE ANDRADE CAMERANO
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ME, VANDRO CARLOS BORTOLANZA ME e VANDRO CARLOS BORTOLANZA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2011 RESPONSÁVEL SOLIDÁRIO. ART.124, I do CTN. ATRIBUIÇÃO NÃO CONFIGURADA. De se afastar a responsabilidade solidária dos Recorrentes do polo passivo da obrigação tributária quando não restar comprovada a existência de interesse comum de que trata o art.124 do CTN. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, preliminarmente, por unanimidade de votos, foi negado provimento ao pedido do Patrono dos Contribuintes Cleison J S Cavalcanti, Denilson Gonçalves, Elio Toyoshingue Tanaka e João Eusébio Staudt, o Dr. Harrmad Hale Rocha, OAB/MS 7.938, para sustentar oralmente suas razões de defesa, haja vista que tais Contribuintes não lograram apresentar recurso contra a lavratura do Auto de Infração. No mérito, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso dos Contribuintes Centro Oeste Transporte e Grãos Ltda., Vandro Carlos Bortolanza ME e Vandro Carlos Bortolanza, então arrolados como responsáveis solidários, para excluílos do pólo passivo da obrigação tributária. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente (assinado digitalmente) Cláudio de Andrade Camerano Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 16 1. 72 09 92 /2 01 6- 60 Fl. 4860DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Abel Nunes de Oliveira Neto, Carlos André Soares Nogueira, Cláudio de Andrade Camerano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Daniel Ribeiro Silva, Letícia Domingues Costa Braga e Bárbara Santos Guedes (suplente convocada). Relatório Trata o presente processo de Recurso Voluntário ao Acórdão de nº 02 77.652, proferido pela Quarta Turma da DRJ/BHE em que julgou improcedente a impugnação apresentada pelos Responsáveis Solidários, mantendo integralmente o crédito tributário exigido. A seguir transcrevo o relatório do voto condutor da DRJ: Lançamentos Contra a contribuinte acima qualificada foram lavrados os Autos de Infração de fls. 04 a 66, para exigência de crédito tributário no montante de R$ 18.136.939,36, assim discriminado: TRIBUTO JUROS MULTA TOTAL IRPJ 1.995.469,66 1.059.460,79 2.993.204,48 6.048.134,93 CSLL 908.761,34 482.627,14 1.363.142,00 2.754.530,48 COFINS 2.524.337,05 1.361.163,60 3.786.505,53 7.672.006,18 PIS 546.939,64 294.918,70 820.409,43 1.662.267,77 18.136.939,36 Segundo a “Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal/Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica”, as fls. 10 e 11, assim como nos demais Autos de Infração, o Autor do feito registra ter procedido ao arbitramento do lucro com base na receita bruta de revenda de mercadorias, conforme relatório fiscal. Os autos de infração consignam ainda CLEISON JOSÉ DE SOUZA CAVALCANTI, CPF 581.272.08949 como responsável solidário sob o fundamento de ter agido com excesso de poderes, infração a lei, contrato social ou estatuto, bem como, ARMAZEM SÃO CAMILO LTDA ME, CNPJ 18.325.459/0001 20; GOLDEN 7 LTDA, CNPJ 08.540.688/000104; CENTRO OESTE TRANSPORTES E GRÃOS LTDAME, CNPJ 10.761.127/000187; VANDRO CARLOS BORTOLANZAME, CNPJ 13.102.287/000102; ROSILENE FAQUES MENDONZA CAVALCANTI, CPF 596.391.56191; VANDRO CARLOS BORTOLANZA, CPF 707.881.97053; DENILSON GONÇALVES, CPF 404.560.56149; ÉLIO TOYOSHIGUE TANAKA, CPF 203.640.83115; JOÃO EUZÉBIO STAUDT, CPF 391.094.02187, sob o fundamento de terem interesse Fl. 4861DF CARF MF Processo nº 13161.720992/201660 Acórdão n.º 1401003.128 S1C4T1 Fl. 4.861 3 comum na obrigação tributária, conforme relatório fiscal em anexo. Relatório Fiscal Os procedimentos e verificações realizados no curso da ação fiscal, bem como as conclusões que dela resultaram, estão relatados no “Relatório Fiscal” de fls. 883 a 934, e sub dividese nos tópicos a seguir enumerados. 1. Do Procedimento Fiscal Informa que cientificou o início do procedimento fiscal à interessada por meio de Edital, tendo em vista que restou infrutífera a diligência realizada para esta finalidade, no domicílio tributário da contribuinte constante no Cadastro Nacional de Pessoas Jurídicas, pois não foi possível localizar a empresa em tal local. Acrescenta que protocolizou o processo 13161.721546/201591 contendo representação fiscal para fins de baixa "exofficio" da inscrição no CNPJ do fiscalizado. 2. Da análise dos fatos Informa que: "A empresa fiscalizada, com exceção dos anoscalendário 2012, 2014 e 2015, nos quais não apresentou declarações, sempre apresentou declarações como inativa, apesar de emitir notas fiscais e ter movimentações financeiras de valores expressivos. Além disso, nunca apresentou a Guia de Informações de Recolhimento do FGTS e de Informações à Previdência Social (GFIP) nem a Declaração de Imposto Retido na Fonte (DIRF). Em consulta à Relação Anual de Informações Sociais (RAIS), também não há informação sobre qualquer vínculo trabalhista dessa empresa." Apresenta tabela contendo movimentação financeira e valor emitido de notas fiscais eletrônicas da empresa fiscalizada entre os anos de 2011 e 2015, cujos valores totais movimentados e de emissão de notas fiscais ultrapassam o montante de R$ 370.000.000,00. Informa divergência nas informações de endereço e telefone constante nos cadastros da RFB e documentos obtidos pela fiscalização referente a fiscalizada e seu responsável legal. Por outro lado, informa ter o mesmo numero de telefone constante nas notas fiscais eletrônicas emitidas pela fiscalizada e constante no CNPJ das empresas ARMAZÉM SÃO CAMILO LTDA e GOLDEN 7, cuja sócia é a sra. Rosilene, esposa do sr. Cleison. Acrescenta ainda que: Fl. 4862DF CARF MF 4 "Ainda segundo este termo de constatação, tendo em vista as tentativas improfícuas de localização da Armazém São Camilo, foram realizadas ligações telefônicas ao contador responsável e este informou que poderiam ser obtidas informações sobre a empresa em questão na Golden 7. Ao chegarmos nesta empresa, não conseguimos localizar o senhor Cleison e a senhora Rosilene, porém fomos informados que eles são os proprietários. Cumpre salientar ainda que as três empresas descritas têm o mesmo contador, senhor Antônio Pereira, CPF: 028.338.32168, com escritório comercial à Rua Melvin Jones, 1247, em Fátima do Sul – MS, telefones: (67) 3467 1856." 3. Dos demais responsáveis solidários O autor do feito lista os responsáveis solidários identificados na fase de fiscalização. 3.1 Das Diligências realizadas Cita diversas diligências fiscais em fornecedores, clientes, tabelionatos e outras pessoas físicas e jurídicas com ela relacionadas. 3.2 Da requisição sobre informações de movimentação financeira (RMF) Esclarece que "tal pedido se fez necessário devido ao fato do responsável legal da fiscalizada ter indícios de ser pessoa interposta de fato." Após introdução justificando os motivos que embasaram o pedido de emissão da RMF acrescenta que: "Assim, de posse dos documentos obtidos com as instituições financeiras nas quais a fiscalizada possui conta, verificouse que durante o período de 2011 a 2015 ela enviou recursos de sua conta corrente no total de R$ 266.980.186,50 e recebeu o total de R$ 230.249.939,04. Dos recursos retirados, o montante de R$ 24.310.754,22 (aproximadamente 9,1%) foi destinado a empresa Escobar & Rodrigues LTDA, sendo esta a maior destinatária dos recursos da fiscalizada. Cumpre ainda salientar que essa empresa não consta como fornecedora da fiscalizada (não há emissão de notas fiscais eletrônicas de vendas da Escobar para fiscalizada). Também foi possível verificar movimentações financeiras da fiscalizada com a senhora Rosilene Faques Mendonza Cavalcanti (esposa do senhor Cleison), com o senhor Cleison, com os senhores Denilson Gonçalves, Elio Toyoshigue Tanaka e João Euzebio Staudt (exsócios da Golden 7), com o senhor Vandro Carlos Bortolanza (procurador da empresa e sócio administrador da Centro Oeste), com a empresa Centro Oeste Transportes e Grãos LTDA e com as empresas Armazém São Camilo e Golden 7 (que tem a senhora Rosilene como sócia administradora). Os valores movimentados e os beneficiários e/ou ordenantes estão discriminados no anexo I do presente relatório fiscal. Fl. 4863DF CARF MF Processo nº 13161.720992/201660 Acórdão n.º 1401003.128 S1C4T1 Fl. 4.862 5 Ainda foi possível verificar, nos cadastros fornecidos pelos Bancos Bradesco, Itaú e Santander, o telefone da Golden 7, (67) 3467 4223, como sendo o da fiscalizada. No caso do Sicredi, em uma das fichas de proposta de abertura de conta o número de telefone é (67) 8115 – 5535 (telefone constante em contratos de venda como contato do senhor Vandro). Neste caso a assinatura existente na ficha de cadastro, provavelmente, não é do senhor Cleison. Na outra ficha o telefone constante é (67) 3467 – 4253 (Golden 7)." 3.3 Demais Fatos Constatados Informa que constatou compra de combustível por parte da fiscalizada, cujas notas fiscais foram emitidas pelo Posto Cruzeirão e Heloa Auto Posto Ltda, porém nas notas constavam como endereço da contribuinte o antigo endereço da Centro Oeste Transporte e Grãos LTDA ME no município de Caarapó MS. Ressalta que o sr. Vandro Carlos Bortolanza é sócio da empresa Centro Oeste Transporte e Grãos LTDA ME com 99% do capital social, sendo a outra sócia, a sra. Rosineide Gonçalves Alen, que é funcionária da empresa Vandro Carlos Bortolanza ME de propriedade do sr. Vandro. 3.4 Das conclusões obtidas e do "Modus Operandi" O autor do feito relaciona "vários fatos que comprovam que as pessoas físicas e jurídicas relacionadas como solidárias se confundiam, sendo que há a utilização de telefones, funcionários e estrutura administrativa uma das outras". 4. Da responsabilidade solidária por interesse comum Após discorrer sobre a matéria conclui pela "existência de um grupo econômico que, por uma sucessão de atos, previamente ordenados, sob a atuação de pessoas que, sem ligação formal com as Pessoas Jurídicas analisadas, demonstraram ter representação com poder de domínio sobre os resultados econômicos do grupo, justificando sua inserção nos termos de sujeição passiva solidária que instruem o presente processo". 4.1 Da responsabilidade solidária dos diretores Justifica a inclusão no pólo passivo das pessoas físicas: Cleison José Cavalcanti e sua cônjuge Rosilene Faques Mendonza Cavalcanti e os senhores Vandro Carlos Bortolanza, Denílson Gonçalves, João Euzebio Staudt e Elio Toyoshigue Tanaka, alegando que estes se beneficiaram do não pagamento de tributos, inclusive financeiramente, agindo além do que determina a Lei, através de declarações de tributos inexatas, quando apresentadas e criando várias empresas sem estrutura operacional para funcionar utilizando a estrutura de terceiros. 5. Da omissão de receita e do lançamento de ofício Fl. 4864DF CARF MF 6 Que a fiscalizada apresentou declaração como Inativa no período fiscalizado, mas conforme notas fiscais eletrônicas emitidas com a Escrituração Fiscal Digital, temse que a mesma teve atividade operacional, além de ter tido atividade financeira conforme demonstrado anteriormente. Que conforme o faturamento apurado, verificouse que a contribuinte estava obrigada pela tributação pelo lucro Real e com isso à Escritura Contábil Digital (ECD). Que a mesma teve ciência do termo de início do procedimento fiscal em 30 de janeiro de 2015, mas não apresentou os elementos contidos no termo, entre eles os livros contábeis e que o prazo para a apresentação da ECD se encerrou no último dia útil de junho de 2012. Com isso, aplicouse o arbitramento do Lucro para a apuração do IRPJ e CSLL. 5.1 Da Apuração de PIS e COFINS Informa que ficou comprovado nos autos a inexistência de fato da fiscalizada e sua incapacidade operacional, motivo pelo qual a mesma não teria direito à suspensão do PIS e Cofins concedida a empresa cerealista que exerce as atividades previstas no inciso I do §1º do art. 8º da Lei 10.925/2004. 6. Da Multa de Ofício Relata que não restou dúvidas quanto a conduta dolosa da interessada, motivando a majoração da multa de ofício. Impugnação Os devedores solidários CENTRO OESTE TRANSPORTE E GRÃOS LTDA ME, CNPJ 10.761.127/000187; VANDRO CARLOS BORTOLANZA ME, CNPJ 13.102.287/000102 e VANDRO CARLOS BORTOLANZA, CPF 707.881.97053, apresentaram impugnação conjunta com data de protocolo de 17/01/17. Como foram cientificados em 16/12/16 (sextafeira) e 23/12/16, a impugnação apresentada é tempestiva. Na impugnação apresentada, após sintetizar as razões que motivaram o lançamento e informar sobre a tempestividade da contestação, os devedores solidários alegam, em síntese e fundamentalmente, o seguinte: que o impugnante, sr. Vandro Carlos Bortolanza, não detinha qualquer poder de mando, administração ou qualquer outra espécie de relação com a empresa fiscalizada, atuando apenas como corretor responsável junto a alguns dos clientes da referida empresa; que foi em razão da condição de corretor que seu nome, telefone pessoal e endereço eletrônico aparecem em diversos contratos firmados com algumas das empresas adquirentes (clientes); que nem todos os negócios realizados pela contribuinte eram intermediados pelo sr. Vandro; Fl. 4865DF CARF MF Processo nº 13161.720992/201660 Acórdão n.º 1401003.128 S1C4T1 Fl. 4.863 7 recorda o art. 722 do Código Civil ao definir o contrato de corretagem; que a própria firma fiscalizada, assim como alguns produtores rurais prestaram declaração por escrito, com firma reconhecida, afirmando a atividade de corretagem realizada pelo impugnante Vandro Carlos Bortolanza (doc. 7); que a alegação da autoridade fiscal de que terseia verificado que a empresa fiscalizada se utilizaria de funcionários da firma individual Vandro Carlos Bortolanza ME é absolutamente desprovida de sentido, razão e provas; por causa do contrato constante às fls. 244, datado de 27/01/2010, onde consta o nome de "Izaura" com a indicação de um telefone, ambos redigido à caneta; e também outros 2 contratos às fls. 250/251 e 256/257, ambos datados de 2012, constando o mesmo nº de telefone e endereços de email de Wagner e Izaura, a autoridade concluiu pela utilização de funcionários da empresa Vandro Carlos Bortolanza ME por parte da fiscalizada; em paralelo, a conclusão da dita "confusão administrativa" decorreria ainda do fato de no ofício de fls. 289/290, a COOPERATIVA DE PRODUÇÃO E CONSUMO DE CONCÓRDIA ter informado que fazia contato nos emails da Sra. Izaura e da Sra Cleonice; que os emails poderiam estar cadastrados junto à informante pelos motivos mais diversos, sendo que isso, por si só, é incapaz de atrair a solidariedade passiva por interesse comum; quanto a questão da nota fiscal de compra de combustível com o nome da fiscalizada e endereço residencial do impugnante Evandro, alega que não consta nos autos tal documento, não sendo possível confrontálo, verificar a data de sua emissão etc; se acaso realmente exista tal documento, o endereço pode ter constado na nota fiscal por informação prestada pelo motorista do caminhão contratado para efetuar o transporte da carga; quanto às procurações outorgadas pela empresa fiscalizada ao sr. Vandro, que estas conferiamlhe poderes, única e exclusivamente, para movimentar a conta corrente SICREDI, agência 09032, conta 24.2373; que a existência de tais documentos, por si, não permitem que o sr. Vandro tenha qualquer poder decisório, de mando ou de representação da empresa fiscalizada, tendo finalidade meramente administrativa, a fim de viabilizar a administração da referida conta corrente, de modo que o sr. Vandro pudesse, de modo mais célere, efetuar os pagamentos e recebimentos dos contratos por ele intermediados; que as procurações continham prazo de validade determinado de 180 dias, caso fosse coproprietário, administrador, gestor ou Fl. 4866DF CARF MF 8 tivesse qualquer outro tipo de relação de mando e poder, certamente a procuração seria conferida por prazo indeterminado ou a empresa fiscalizada darlheia poderes para administrar as outras contas correntes da empresa, bem como lhe daria poderes de gestão e/ou representação; questiona o fato de existir outra procuração conferindo ao sr. Lício Davalos os poderes para movimentar conta corrente junto ao banco Itaú, a fim de demonstrar que o sr. Vandro não recebeu procuração para as demais instituições financeiras onde a fiscalizada possuía conta; ilustra um exemplo da sociedade de advogados que representa os impugnantes, em que uma funcionária não sócia possui procuração junto ao Banco do Brasil onde o escritório possui conta corrente; com relação as transferências financeiras, alega que a impugnante, CENTRO OESTE TRANSPORTES E GRÃOS LTDAME, não recebeu no ano de 2011 a quantia de R$ 6.099.326,88 da fiscalizada e nem enviou para a mesma o importe de R$ 189.600,00 contida no Anexo I do Relatório Fiscal; que em consulta ao banco Bradesco, este encaminhou o extrato completo referente ao período de 01.01 a 31.12 de 2011 (doc. 13), onde constatase que a CENTRO OESTE efetuou transferência à fiscalizada no valor de R$ 38.000,00 e recebeu da mesma o importe de R$ 94.800,00 via transferência bancária; que a planilha constante no Anexo I do Relatório Fiscal não possui nem mesmo o documento encaminhado pelo banco capaz de dar suporte à informação contida na planilha; que há de fato transferências financeiras entre os impugnantes e a fiscalizada, decorrente de suas relações comerciais existentes entre eles, mas que o valor envolvido é irrisório frente a quantia apresentada pela fiscalização; que tal fato não configura o "interesse comum" nem se presta para certificar a ocorrência da alegada "confusão patrimonial"; informa que há confusão patrimonial quando não se pode distinguir os direitos e obrigações pertencentes à pessoa jurídica daqueles relativos às pessoas dos sócios que a integram, conforme art. 50 do código Civil; que no caso da fiscalizada é inaplicável qualquer idéia de confusão patrimonial, vez que se trata de registro de empresário, não tendo limitação da responsabilidade, de modo que o patrimônio da firma individual e do seu titular consiste em uma coisa só; que a alegação de solidariedade pelo fato de que a impugnante CENTRO OESTE teria dado continuidade as suas atividades depois da fiscalizada ter se tornado inativa, e ainda, incrementado o seu faturamento, é uma falácia; Fl. 4867DF CARF MF Processo nº 13161.720992/201660 Acórdão n.º 1401003.128 S1C4T1 Fl. 4.864 9 que o que ocorreu foi que o impugnante Vandro, tendo tido experiência no mercado de trabalho na corretagem, vislumbrou e constituiu sua própria empresa para trabalhar no setor, deixando de ser corretor e passando para o segmento da comercialização como cerealista; que todas as operações dos impugnantes são devidamente documentadas e seus patrimônios integralmente declarados e conhecidos; cita lições doutrinárias e julgados judiciais e administrativos para explicar o significado de "interesse comum"; defende que os impugnantes não podem ser responsabilizados solidariamente por interesse comum com a fiscalizada, pois não realizaram, nem isolada, nem conjuntamente com a empresa fiscalizada os fatos jurídicotributários do IRPJ, CSLL, PIS e COFINS; que os documentos acostados nos autos pela autoridade fiscal demonstram apenas que o impugnante Vandro fazia a intermediação de negócios em favor da empresa fiscalizada; que não há qualquer tipo de vinculação da fiscalizada com a firma individual Vandro Carlos Bortolanza ME, conhecida no mercado como Transportadora Bortolanza; que também não há qualquer tipo de vinculação entre a fiscalizada e a impugnante CENTRO OESTE, como quer fazer crer a autoridade fiscal; que se acaso for superada a tese pelo afastamento da responsabilidade solidária dos impugnantes, o que não se espera, discorda do posicionamento da autoridade fiscal quanto a suspensão do benefício fiscal do PIS e COFINS concedido no art. 9º da Lei 10.925/2004, vez que a fiscalizada exercia cumulativamente as atividades de limpar, padronizar, armazenar e comercializar os produtos por ela comercializados; que a comercialização é inerente ao próprio objeto social da empresa; que os contratos anexados pela autoridade fiscal às fls. 207309 provam que as atividades de limpeza e padronização também eram realizados por ela; que, por evidente, ela realizava a armazenagem dos produtos pelo período de tempo necessário à realização do beneficiamento; não fosse assim, seria impossível cumprir os contratos pactuados tanto com os fornecedores como com as empresas compradoras; que a despeito de a fiscalizada ter um escritório em Fátima do Sul, possuía sede operacional exatamente no endereço constante no seu CNPJ (Doc. 14); que a alegação da autoridade fiscal de que a fiscalizada inexistiria de fato e não possuiria capacidade operacional está amparada em documento fiscal redigido equivocadamente em Fl. 4868DF CARF MF 10 decorrência de erro de localização por parte das autoridades fiscais; que no termo de constatação fiscal constante às fls. 7273, consta que a diligência ocorreu em localização distinta onde seria a sede da fiscalizada; que o endereço diligenciado foi na Rodovia Dourados/Caarapó (BR163), Km 15, entrada à esquerda e segue 6km, mas que a Rodovia Dourados/Caarapó não é a BR 163 e sim a MS156 que liga por via não asfaltada as referidas cidades; que nestes termos, evidente está que a fiscalizada cumpria todas as atividades (limpar, padronizar, armazenar e comercializar) o milho por ela vendido, de modo que faz juz ao benefício fiscal da suspensão de incidência do PIS/COFINS; que o preceito legal não prevê que a realização das citadas atividades deve ocorrer em estabelecimento próprio da cerealista e que o artigo 111 do CTN prevê que tais normas devem ser interpretadas literalmente; Com relação ao IRPJ e CSLL alega que a autoridade fiscal arbitrou o lucro quando deveria ter apurado pelo lucro real; que a receita bruta foi apurada a partir da análise e soma das notas fiscais de saída eletrônicas (NFe), porém estas não foram juntadas aos autos; que a apuração do lucro real deverá ser realizada deduzindo se o valor das compras efetuadas pela empresa fiscalizada no período compreendido entre 01/2011 e 12/2011; que os documentos necessários para a apuração do valor das compras são as notas fiscais eletrônicas de entrada, sendo imprescindível a análise e cotejo destas com as notas fiscais eletrônicas de saída, a fim de se obter o lucro real auferido pela fiscalizada, para então determinar a base de cálculo para fins de incidência do IRPJ e CSLL; que os impugnantes requerem, nos termos dos arts. 35 a 37 do decreto federal n° 7.574/2011, seja diligenciado a juntada, pelo Fisco Federal, aos autos do presente processo administrativo das notas fiscais de entrada e de saída (visto que estas não foram anexadas aos autos), referente à empresa fiscalizada no período compreendido entre 01/2011 e 12/2011, a fim de que sejam elas periciadas, eis que tais diligências e perícias são imprescindíveis para que se determine a base de cálculo do IRPJ e CSLL; Resolução/Diligência Em atenção as alegações dos impugnantes de que nos autos não constavam as notas fiscais emitidas pelo Posto Cruzeirão e HELOA Auto Posto, bem como os extratos bancários que serviram de suporte para a planilha constante no ANEXO I do Relatório Fiscal, além das notas fiscais que serviram de suporte para a confecção das planilhas contidas nos Anexos II e III do relatório fiscal, o julgamento foi convertido em diligência, por meio da Resolução n° 02002.117 de Fl. 4869DF CARF MF Processo nº 13161.720992/201660 Acórdão n.º 1401003.128 S1C4T1 Fl. 4.865 11 27/06/2017, para que a unidade de origem providenciasse a juntada nos autos de tais documentos. Encaminhado os autos para a unidade de origem, esta informou no Despacho de fl. 4.682 que: "Em atendimento à resolução nº 02002.117 da 4ª Turma da DRJ/BHE, fls.1107 a 1118, foram anexados os documentos considerados faltantes ao processo,conforme fls. 1119 a 4640. Após isso, foi dada ciência à interessada e aos demais responsáveis solidários de tal fato, abrindolhes prazo de 30 (trinta) dias para que se manifestassem, caso desejassem. A última ciência ocorreu em 08 de agosto de 2017, não sendo apresentado qualquer manifestação até a presente data. Posto isso, encaminho o presente processo à Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte – MG (DRJ/BHE/MG) para prosseguimento." ACÓRDÃO DRJ Pelo teor do Acórdão nº 0277.652, de 30/10/2017, proferido pela DRJ/BHE, temos que os autos de infração foram impugnados apenas por tres responsáveis solidários, no caso, a empresa Centro Oeste Transporte e Grãos Ltda., Vandro Carlos Bortolanza ME e o Sr. Vandro Carlos Bortolanza. A contribuinte juntamente com os demais devedores solidários, consignados nos Autos de Infração sob análise, não apresentaram impugnação, sendo inclusive lavrados termos de revelia para os mesmos, fls. 1.085 a 1.092. No voto condutor da DRJ, após transcrever as alegações dos Impugnantes (uma impugnação para todos), assim concluiu: Ocorre que, analisando a documentação anexada nos autos tem se que não merecem guarida as alegações apresentadas acima, senão vejamos. Os documentos que estavam faltando nos autos foram juntados após a diligência solicitada por meio da Resolução n° 02 002.117 de 27/06/2017. Assim, foi possível confirmar a apuração feita pela autoridade fiscal relacionada às transferências financeiras entre a empresa fiscalizada e os impugnantes Centro Oeste e Vandro Carlos Bortolanza, bem como a questão da compra de combustíveis pela contribuinte com endereço da Centro Oeste Transporte e Grãos LTDA ME no município de CaarapóMS. Com relação a utilização de funcionários da empresa Vandro Carlos Bortolanza ME pela empresa fiscalizada, os próprios impugnantes confirmam este fato na impugnação, reconhecendo a constância dos nomes de dois funcionários da empresa Vandro Carlos Bortolanza ME nos contratos da empresa fiscalizada. Fl. 4870DF CARF MF 12 Com relação a utilização de funcionários da empresa Vandro Carlos Bortolanza ME pela empresa fiscalizada, os próprios impugnantes confirmam este fato na impugnação, reconhecendo a constância dos nomes de dois funcionários da empresa Vandro Carlos Bortolanza ME nos contratos da empresa fiscalizada. Quanto às procurações outorgadas pela empresa fiscalizada ao sr. Vandro ser de prazo limitado e apenas de uma das instituições financeiras em que a contribuinte possuía conta corrente, tal fato não faz prova a favor para os impugnantes, uma vez que restou comprovado nos autos uma organização que, além dos impugnantes, continham outras pessoas envolvidas. Portanto, a soma de todos elementos apresentados no relatório fiscal não deixam margem para dúvida quanto ao interesse comum dos impugnantes na atividade empresarial da empresa fiscalizada, devendo os mesmos permanecerem no pólo passivo como responsáveis solidários. PIS / COFINS [...] IRPJ e CSLL Os impugnantes informam que a autoridade fiscal arbitrou o lucro quando deveria ter apurado pelo Lucro Real. Que a receita bruta foi apurada a partir da análise e soma das notas fiscais de saída eletrônicas (NFe), porém estas não foram juntadas aos autos. Ocorre que a contribuinte, obrigada pela tributação pelo Lucro Real tendo em vista o seu faturamento, e à Escrituração Contábil Digital ECD conforme IN RFB n° 787/2007, não apresentou nem os livros contábeis e nem a ECD, após ser intimada para tal. Em razão disto, o lucro foi arbitrado de acordo com o disposto no inciso I do artigo 530 do RIR/99. Outrossim, temse que as notas fiscais foram juntadas nos autos após realização da diligência supracitada, sendo concedido prazo para os impugnantes se manifestarem, o que não ocorreu. CONCLUSÃO Por tudo que se encontra exposto, encaminho o meu voto no sentido de julgar improcedente a impugnação apresentada, mantendo o crédito tributário em cobrança, além de manter os impugnantes Centro Oeste Transporte e Grãos Ltda, Vandro Carlos BortolanzaME e Vandro Carlos Bortolanza como responsáveis solidários. Bem como, julgar definitiva a imputação do crédito tributário a Cleison José de Souza Cavalcanti, Armazém São Camilo Ltda ME, Golden 7 Ltda, Rosilene Faques Mendonza Cavalcanti, Denilson Gonçalves, Élio Toyoshigue Tanaka e João Euzébio Staudt, por ausência de contestação nos autos. DO RECURSO VOLUNTÁRIO Fl. 4871DF CARF MF Processo nº 13161.720992/201660 Acórdão n.º 1401003.128 S1C4T1 Fl. 4.866 13 Os responsáveis solidários CENTRO OESTE TRANSPORTE E GRÃOS LTDA. ME, VANDRO CARLOS BORTOLANZA ME e o Sr. VANDRO CARLOS BORTOLANZA, apresentaram recurso voluntário, em um único recurso. Após transcrever o procedimento fiscal e parte da decisão recorrida, se pronunciaram alegando que o decidido pela DRJ simplesmente teria acompanhado o relatório da fiscalização, sem rebater os argumentos da defesa, que, portanto, seria nulo o acórdão proferido pela DRJ. Relativamente à questão da responsabilidade solidária (Item IV e IV.1), entendem ser descabida a utilização do art.124, I do CTN., porque "efetivamente não praticaram o fato gerador 'obter lucro' ou 'auferir receita' (PIS/COFINS) juntamente com a empresa fiscalizada. Nas palavras dos Recorrentes, de se reproduzir excertos do recurso voluntário: Item III.2. CENTRO OESTE TRANSPORTE E GRÃOS LTDA. AS "PROVAS" ANEXADAS AOS AUTOS. INSUFICIÊNCIA PARA DEMONSTRAÇÃO DE INTERESSE COMUM Fl. 4872DF CARF MF 14 Item III.3. VANDRO CARLOS BORTOLANZA E VANDRO CARLOS BORTOLANZA ME . AS "PROVAS" ANEXADAS AOS AUTOS. INSUFICIÊNCIA PARA DEMONSTRAÇÃO DE INTERESSE COMUM. VIOLAÇÃO AO ART.121, DO CTN. Fl. 4873DF CARF MF Processo nº 13161.720992/201660 Acórdão n.º 1401003.128 S1C4T1 Fl. 4.867 15 Outras alegações trazidas tratam da nulidade do arbitramento de lucro com relação aos Recorrentes, PIS/COFINS, suspensão com base na Lei 10.925/2004 e multa qualificada. Da presença de Patrono de outros Contribuintes na sessão. Compareceu na presente sessão, o Patrono dos Contribuintes Cleison J S Cavalcanti, Denilson Gonçalves, Elio Toyoshigue Tanaka e João Euzébio Staudt, o Dr. Harrmad Hale Rocha, OAB/MS 7.938, para sustentar oralmente suas razões de defesa. Representa Contribuintes que não lograram apresentar recurso contra a lavratura do Auto de Infração, razão pela qual não se acata tal pretensão. Voto Fl. 4874DF CARF MF 16 Conselheiro Cláudio de Andrade Camerano Preenchidos os requisitos de admissibilidade do recurso apresentado (Despacho de fls.4854), dele conheço. Com relação à solicitação de Patrono de outros Contribuintes, para sua sustentação oral, que não apresentaram impugnação aos Autos de Infração, a presente Turma por unanimidade de votos, negou provimento ao pedido. Conforme relatoriado, a Fiscalizada CLEISON J. S. CAVALCANTI ME teve sua inscrição no CNPJ baixada de ofício, pois não localizada no seu endereço constante no Cadastro Nacional de Pessoas Jurídicas, sendo consignado o Sr. CLEISON JOSÉ DE SOUZA CAVALCANTI, CPF 581.272.08949 como responsável solidário sob o fundamento de ter agido com excesso de poderes, infração a lei, contrato social ou estatuto, assim como foram arrolados também: ARMAZEM SÃO CAMILO LTDA ME, CNPJ 18.325.459/000120 GOLDEN 7 LTDA, CNPJ 08.540.688/000104 CENTRO OESTE TRANSPORTES E GRÃOS LTDAME, CNPJ 10.761.127/000187 VANDRO CARLOS BORTOLANZAME, CNPJ 13.102.287/000102 ROSILENE FAQUES MENDONZA CAVALCANTI, CPF 596.391.56191 VANDRO CARLOS BORTOLANZA, CPF 707.881.97053 DENILSON GONÇALVES, CPF 404.560.56149 ÉLIO TOYOSHIGUE TANAKA, CPF 203.640.83115 JOÃO EUZÉBIO STAUDT, CPF 391.094.02187 Todos acima, sob o fundamento de terem interesse comum na obrigação tributária, conforme relatório fiscal em anexo. Conforme já relatoriado, também, apenas CENTRO OESTE TRANSPORTES E GRÃOS LTDAME, VANDRO CARLOS BORTOLANZAME e VANDRO CARLOS BORTOLANZA apresentaram impugnação e recurso voluntário. Percebese do Relatório Fiscal que o enfoque central é canalizado em considerar os Recorrentes como integrantes de um grupo econômico, por força de, principalmente, terem participado em transferências financeiras junto à Fiscalizada (CLEISON) e, também, da existência de procurações firmadas entre os Recorrentes e a Fiscalizada. De se verificar, então, o que foi apurado e que culminou com a atribuição de responsabilidade solidária aos Recorrentes. Das Procurações outorgadas pela Fiscalizada aos Recorrentes Fl. 4875DF CARF MF Processo nº 13161.720992/201660 Acórdão n.º 1401003.128 S1C4T1 Fl. 4.868 17 No RELATÓRIO FISCAL, item 3.1.1 – DO PROCEDIMENTO DE DILIGÊNCIA FISCAL NO 3º SERVIÇO NOTARIAL E TABELIONATO DE PROTESTO – COMARCA DE FÁTIMA DO SUL, constam informações acerca de procurações públicas, as quais encontramse acostadas aos autos (fls.192 a 206). Em 2008, a Fiscalizada, representada por seu proprietário Cleison José Souza Cavalcanti, outorgou PROCURAÇÃO ao Sr. VANDRO CARLOS BORTOLANZA, no caso, em 09/10/2008, nos termos: amplos poderes para movimentar conta corrente no Sicredi, agência n°09032 e conta corrente n°24.2373, na cidade de Dourados, neste Estado, dando totais poderes de fazer TED e DOC, emitir talões de cheques, enfim praticar todos os demais atos necessários para o bom enfiei cumprimento do presente mandato. O Presente Instrumento tem validade de 90 (noventa) dias. Demais procurações acostadas, todas de mesmo teor, foram realizadas em 20/11/2009, 10/11/2010, 03/01/2013 e 03/07/2013, todas com prazo de validade de 180 dias. Consta também, neste item do RELATÓRIO FISCAL, que a empresa CENTRO OESTE TRANSPORTES E GRÃOS LTDA. ME, representada pelo seu proprietário Vandro Carlos Bortolanza, outorgou procuração ao Sr. Cleison José Souza Cavalcanti, datada de 21/05/2014, a qual lhe conferia: amplos poderes para movimentar conta corrente no Sicredi, agência n°09032 e conta corrente n°98.3241, na cidade de Dourados, neste Estado, dando totais poderes de fazer TED e DOC, emitir talões de cheques, enfim praticar todos os demais atos necessários para o fiel cumprimento do presente mandato. O Presente Instrumento tem validade de um ano. Anteriormente já havia uma procuração de mesmo sentido, em 23/01/2014: amplos poderes para movimentar conta corrente no Banco Bradesco, agência n°0203, na cidade de Fátima do Sul, nesta cidade, dando totais poderes de fazer TED e DOC, emitir talões de cheques, enfim praticar todos os demais atos necessários para o fiel desempenho do presente mandato. O Presente Instrumento tem validade de 180 (cento e oitenta) dias. De se destacar que estamos lidando neste processo com situações, fatos e documentos que devam ter relação com o ano objeto do lançamento, no caso, o anocalendário de 2011 e, em assim sendo, das procurações mencionadas, apenas a procuração lavrada em 10/11/2010 poderia ter alguma relação com os autos, pois tinha prazo de validade até 10/02/2011, ou seja, o Sr. Vandro Carlos Bortolanza estaria apto aos poderes abaixo transcritos por cerca de 40 dias. amplos poderes para movimentar conta corrente no Sicredi, agência n°09032 e conta corrente n°24.2373, na cidade de Dourados, neste Estado, dando totais poderes de fazer TED e DOC, emitir talões de cheques, enfim praticar todos os demais atos necessários para o bom enfiei cumprimento do presente Fl. 4876DF CARF MF 18 mandato. O Presente Instrumento tem validade de 90 (noventa) dias. Das Movimentações Financeiras De se ver então, a apuração fiscal acerca de eventual movimentação financeira neste período (2011), por parte dos arrolados como responsáveis solidários. Para isto, de se mostrar parte do Anexo I Movimentação Financeira (anexo ao Relatório Fiscal), naquilo que se refere aos Recorrentes: Ano Beneficiário/ordenante Relacionamento Recebimentos Envios 2011 Centro Oeste Transporte de Grãos Ltda. ME Grupo Econômico de Fato R$ 6.099.326,88 R$ 189.600,00 2011 Vandro Carlos Bortolanza Coresponsável R$ 0,00 R$ 61.380,00 Na Impugnação apresentada (relatório da DRJ): com relação as transferências financeiras, alega que a impugnante, CENTRO OESTE TRANSPORTES E GRÃOS LTDAME, não recebeu no ano de 2011 a quantia de R$ 6.099.326,88 da fiscalizada e nem enviou para a mesma o importe de R$ 189.600,00 contida no Anexo I do Relatório Fiscal; que em consulta ao banco Bradesco, este encaminhou o extrato completo referente ao período de 01.01 a 31.12 de 2011 (doc. 13), onde constatase que a CENTRO OESTE efetuou transferência à fiscalizada no valor de R$ 38.000,00 e recebeu da mesma o importe de R$ 94.800,00 via transferência bancária; que a planilha constante no Anexo I do Relatório Fiscal não possui nem mesmo o documento encaminhado pelo banco capaz de dar suporte à informação contida na planilha; que há de fato transferências financeiras entre os impugnantes e a fiscalizada, decorrente de suas relações comerciais existentes entre eles, mas que o valor envolvido é irrisório frente a quantia apresentada pela fiscalização; que tal fato não configura o "interesse comum" nem se presta para certificar a ocorrência da alegada "confusão patrimonial"; No voto condutor da DRJ, temos a sua conclusão acerca das mencionadas transferências: Os documentos que estavam faltando nos autos foram juntados após a diligência solicitada por meio da Resolução n° 02 002.117 de 27/06/2017. Assim, foi possível confirmar a apuração feita pela autoridade fiscal relacionada às transferências financeiras entre a empresa fiscalizada e os impugnantes Centro Oeste e Vandro Carlos Bortolanza.... [Grifo é deste Relator/CARF] Fl. 4877DF CARF MF Processo nº 13161.720992/201660 Acórdão n.º 1401003.128 S1C4T1 Fl. 4.869 19 DO RECURSO VOLUNTÁRIO Conforme relatoriado, a Recorrente Centro Oeste não nega a existência de transferências bancárias entre ela e a Fiscalizada, entretanto, não seriam, no ano de 2011, nos valores apontados no Relatório Fiscal. Relembrando, de se mostrar parte do Anexo I Movimentação Financeira (anexo ao Relatório Fiscal), naquilo que se refere aos Recorrentes: Ano Beneficiário/ordenante Relacionamento Recebimentos Envios 2011 Centro Oeste Transporte de Grãos Ltda. ME Grupo Econômico de Fato R$ 6.099.326,88 R$ 189.600,00 2011 Vandro Carlos Bortolanza Coresponsável R$ 0,00 R$ 61.380,00 Para nos certificarmos das alegações trazidas e até mesmo para averiguação do real montante envolvido então apurado pela Fiscalização, necessário uma varredura nos extratos bancários para se apurar tal valor, uma vez que nem a Fiscalização e nem a DRJ apontaram os valores individuais. Pois bem, assim, coube a este Relator navegar pelos extratos bancários para garimpar as transferências envolvendo os Recorrentes e a fiscalizada, pois, reiterese, a Fiscalização e a instância de piso não apresentaram uma relação individualizada dos valores totais (supra) apontados no Relatório Fiscal. De se mostrar, então, o resultado da pesquisa efetuada nos extratos bancários relativos às contas bancárias de titularidade de Cleison J. S. Cavalcanti ME (Fiscalizadada), naquilo que pode ter relação com os Recorrentes: a) Santander, agência 4521, c/c: 130003562: Nos extratos bancários, período de janeiro a dezembro de 2011, acostados às fls.1639 a 1682, não há referências no histórico em nome de qualquer dos Recorrentes, ano de 2011 b) Real, agência 1521, c/c: 2001629: Nos extratos bancários (às fls.1683 a 1687), relativamente ao ano de 2011, somente encontrase acostado o mês janeiro de 2011, e neste mês não há referências no histórico em nome de qualquer dos Recorrentes. c) Itaú Unibanco S/A, agência 464, c/c: 581016: Nos extratos bancários (às fls.1683 a 1687), não há extrato relativo ao ano de 2011. Consta extrato referente ao período de 25/01/2012 a 24/07/2012 e o dia 25/02/2013, e nestes períodos não há referências nos históricos em nome de qualquer dos Recorrentes. d) Banco Cooperativo Sicred S/A, ag. 900, c/c: 20903242373: Nos extratos bancários (às fls.1688 a 1692), não há extrato relativo ao ano de 2011. Consta extrato referente ao período de 08/01/2013 a 25/02/2013, 14/04/2015 a Fl. 4878DF CARF MF 20 15/12/2015, e nestes períodos não há referências nos históricos em nome de qualquer dos Recorrentes. e) Banco Cooperativo Sicred S/A, ag. 9525, c/c: 242373 Nos extratos bancários (às fls.1693 a 2342), relativamente ao ano de 2011, temos a seguinte composição: TED DATA Recebidas de CENTRO OESTE Enviadas p/ CENTRO OESTE 06/01/2011 20.000,00 17/01/2011 13.000,00 27/01/2011 16.000,00 31/01/2011 10.000,00 18/08/2011 6.000,00 20/09/2011 30.000,00 (*) 20/09/2011 50.000,00 (**) 23/09/2011 20.000,00 27/09/2011 12.000,00 13/12/2011 12.600,00 TOTAL 35.000,00 154.600,00 (*) Este valor consta no extrato e não o valor de R$ 35.000,00 conforme consta na tabela (pags. 10 e 11) da Recorrente no recurso voluntário. (**) Este valor consta no extrato e não constou na tabela da Recorrente. Mas, diferenças a parte, o fato é que não se tem nos autos a apuração considerada pela Fiscalização e prontamente acatada pela DRJ, a qual indicava que a Centro Oeste teria recebido R$ 6.099.326,88 da fiscalizada. Relembrando o que constou no recurso: Fl. 4879DF CARF MF Processo nº 13161.720992/201660 Acórdão n.º 1401003.128 S1C4T1 Fl. 4.870 21 Em assim sendo, devese aceitar os argumentos dos Recorrentes no sentido de se afastar esta situação, neste ano de 2011, aventada como um contundente componente que desse azo à atribuição de responsabilidade solidária aos Recorrentes. Idem também com relação à procuração outorgada pela fiscalizada à Vandro Costa Bortolanza, pois tinha até prazo de validade até 10/02/2011. Continuando com o resultado da pesquisa nos extratos das demais contas. e) Banco Bradesco, ag. 203, c/c: 277380 Nos extratos bancários (às fls.3651 a 3718), relativamente aos anos de 2011 a 2015, não há referências nos históricos em nome de qualquer dos Recorrentes. f) Banco Bradesco, ag. 203, c/c: 288500 Nos extratos bancários (às fls.3719 a 4640), relativamente aos anos de 2011 e 2012, não há referências nos históricos em nome de qualquer dos Recorrentes. Conforme consta no Relatório Fiscal em quadro que mostra a movimentação financeira da empresa CLEISON J. S. CAVALCANTI ME (Fiscalizada), temse para o ano calendário de 2011 as seguintes informações: Ano calendário Instituição Financeira Débito (R$) Crédito (R$) Valor de Nota Fiscais de Vendas Emitidas (R$) 2011 SICRED 20.045.893,11 27.410.883,67 2011 BRADESCO 48.501.659,93 47.069.152,58 2011 SANTANDER 612.881,21 2.190.305,47 92.877.889,33 Fl. 4880DF CARF MF 22 Tratase de uma movimentação considerável e em apenas um ano, no caso o ano de 2011, objeto do lançamento deste processo. Os Recorrentes, juntos, não movimentaram mais do que R$ 200.000,00 com a Fiscalizada, como já mostrado no presente voto, o que se revela uma quantia ínfima em relação aos valores apontados (supra), e, ainda, soa como normal, uma vez que tinha(m) uma certa parceria e/ou intermediação nos negócios com a Fiscalizada, mas daí a considerar os Recorrentes como responsáveis solidários nos termos do art.124, inciso I (interesse comum/parte de um grupo econômico) acho uma atribuição despropositada, pelo menos para o que se constatou nos autos e relativo ao ano de 2011. Outros anos calendários foram objeto também de lançamento, a princípio com as mesmas infrações, mas, entretanto, consta em outro processo, de forma que eventuais alusões no Relatório que possam se referir aos Recorrentes, que não se vincula ao ano de 2011, não se tem como discutir no âmbito deste processo. Do procedimento fiscal em averiguações junto à Fornecedores/Clientes da Fiscalizada e eventual relação com os Recorrentes Da Diligência na BRF e SADIA S/A Conforme item 3.1.2.1 do Relatório Fiscal, verificouse que consta em cadastro da BRF o telefone (67) 3453 4319 e email de Vandro Bortolanza, enquanto que na SADIA o telefone (67)3453 3059 e email rosimeripva@hotmail.com. Da Diligência na Camara Agroalimentos S/A Conforme item 3.1.2.2 do Relatório Fiscal, verificouse que "entre os contratos fornecidos há um no qual há anotações constando o telefone (67) 3453 4319 e o nome de Izaura, nesse contrato, no campo de assinatura do vendedor, consta o nome de sr. Vandro." Da Diligência na Cooperativa A1 Conforme item 3.1.2.3 do Relatório Fiscal, verificouse que "nos contratos fornecidos há uma observação de que havendo dúvidas deveria ser contatado o senhor Vandro C. Bortolanza [...]. Idem com relação à Centro Oeste. Da Diligência na Cooperativa de Produção e Consumo Concordia Conforme item 3.1.2.4 do Relatório Fiscal, [...] Informou também que a pessoa de contato era o Sr.Vandro C. Bortolanza." [...]. Idem com relação à Centro Oeste. Da Diligência em Olair Tirloni Conforme item 3.1.2.5 do Relatório Fiscal, não há menção aos Recorrentes. Da Diligência na Comdovel Coml. Dour. Veic. Ltda Conforme item 3.1.2.6 do Relatório Fiscal, não há menção aos Recorrentes. Da Diligência in loco na Escobar & Rodrigues Fl. 4881DF CARF MF Processo nº 13161.720992/201660 Acórdão n.º 1401003.128 S1C4T1 Fl. 4.871 23 Conforme item 3.1.2.7 do Relatório Fiscal, não há menção aos Recorrentes. Tais afirmações e/ou conclusões não vejo como causa bastante e suficiente para enquadrar os Recorrentes como responsáveis solidários, além do que entendo um tanto quanto prejudicadas, em face do já constatado e comentado anteriormente. Em face do decidido, deixo de aqui apreciar as demais questões trazidas no recurso voluntário. É como voto, pela provimento ao recurso voluntário no sentido de afastar os Recorrentes Centro Oeste Transporte e Grãos Ltda., Vandro Carlos Bortolanza ME e Vandro Carlos Bortolanza do polo passivo, então arrolados como responsáveis solidários. (assinado digitalmente) Cláudio de Andrade Camerano Fl. 4882DF CARF MF
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Numero do processo: 10580.730619/2011-83
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 22 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Mar 07 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 1301-000.644
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da relatora.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente
(assinado digitalmente)
Bianca Felícia Rothschild - Relatora
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Giovana Pereira de Paiva Leite, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Fernando Brasil de Oliveira Pinto e Bianca Felícia Rothschild.
Relatório
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente (assinado digitalmente) Bianca Felícia Rothschild Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Giovana Pereira de Paiva Leite, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Fernando Brasil de Oliveira Pinto e Bianca Felícia Rothschild. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 05 80 .7 30 61 9/ 20 11 -8 3 Fl. 4581DF CARF MF Processo nº 10580.730619/201183 Resolução nº 1301000.644 S1C3T1 Fl. 4.580 2 Relatório Inicialmente, adotase o relatório da decisão recorrida, o qual bem retrata os fatos ocorridos e os fundamentos adotados até então: Em julgamento, recurso interposto em face da decisão da 2ª Turma de Julgamento da DRJ em Salvador que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação apresentada por GDK S/A contra os autos de infração lavrados para formalizar exigências de IRPJ e decorrente (CSLL), alcançando fatos geradores ocorridos nos anos calendário de 2006, 2007 e 2008. A fiscalização acusa o contribuinte de ter praticado as seguintes infrações: 1) Dedução indevida de despesas não comprovadas, nos anos de 2006 e 2007, conforme tópico VI do Termo de Verificação Fiscal. 2) Redução indevida do lucro real e da base de cálculo da CSLL, no ano de 2007, por motivo de diferimento de lucro auferido em contratos com entidades governamentais, conforme tópico V do Termo de Verificação Fiscal. 3) Redução indevida do lucro líquido do ano de 2006, resultante de inexatidão quanto ao período base de escrituração, conforme tópico IV.1 do Termo de Verificação Fiscal. 4) Postergação do tributo devido do ano de 2007 para 2008, relativo a receitas de competência do ano de 2007 reconhecidas somente no ano de 2008, conforme tópico IV.2 do Termo de Verificação Fiscal. 1) Dedução indevida de despesas não comprovadas A primeira das infrações acima está relatada no item VI do Termo de Verificação, onde a fiscalização afirma que, da análise da documentação apresentada, constatou que a “GDK” não comprovou a totalidade dos custos e despesas, tendo sido glosados valores contabilizados nas contas de despesas: “1034 – Serviços Prestados Pessoa Jurídica” e “1198 – Material de Consumo”. Registra o TVF que os valores glosados por falta de apresentação das notas fiscais ou outros documentos comprovadores da realização e da essencialidade da despesa, que se encontram discriminados em planilhas anexas ao AI, foram os seguintes: Happyday Turismo Ltda. – conta 15763: Ano de 2006: R$ 336.143,16 Ano de 2007: R$ 257.925,33 Versegur – Vera Cruz Segurança Vigilância Ostensiva – conta 47697: Ano de 2006: R$ 266.353,41 Fl. 4582DF CARF MF Processo nº 10580.730619/201183 Resolução nº 1301000.644 S1C3T1 Fl. 4.581 3 Ano de 2007: R$ 67.382,38 2) Redução indevida do lucro real e da base de cálculo da CSLL de 2007 por motivo de diferimento de lucro auferido em contratos com entidades governamentais A segunda infração, conforme relatado no item V do TVF, corresponde à glosa, feita pela fiscalização, ao diferimento de parcela do lucro, no ano de 2007 até a realização da receita, referente a 6 obras em contratos com entidades governamentais (conforme memória de cálculo apresentada pela “GDK”). A autoridade fiscal informa ter constatado que não houve segregação da apuração dos resultados dos contratos na contabilidade e, além disso, os próprios resultados estão inflados, pois não foram considerados todos os custos e despesas que deveriam estar a eles apropriados. Aponta impossibilidade de verificação dos cálculos apresentados, bem como da confirmação do resultado individual de cada obra, e diz que os relatórios gerenciais apresentados (extracontábeis) não confirmaram a correção dos valores excluídos, ao contrário, demonstraram resultados majorados, implicando diferimento maior que o de direito. Explica o TVF que: (...) a contribuinte não individualizou os registros contábeis (nem em contas auxiliares) por contrato ou obra, o que impossibilitou a reconstituição ou a apuração dos resultados do contrato, não cumprindo os requisitos postos pela legislação fiscal para excluir da tributação parcela do lucro proporcional à receita não recebida das entidades governamentais. A “GDK” declarou que utilizou como critério de avaliação do andamento da obra a execução física (medição), avaliada em laudo técnico, que é uma das alternativas previstas no item 5 da IN SRF nº 21/79. Verificouse, porém, que não foram computados nas obras específicas custos e despesas relevantes, de forma que os resultados passíveis de diferimento estavam majorados; – o art. 407, I, do RIR/99 determina que devem ser computados os custos de construção ou de produção dos bens ou serviços incorridos durante o período de apuração. O item 6 da IN SRF nº 21/79 esclarece que os custos computáveis na apuração do resultado são: custos diretos e indiretos (matéria prima, mão de obra direta e os custos gerais de fabricação) incorridos na construção ou produção, ou na prestação de serviços, inclusive os custos preliminares, tais como os de preparo de projetos, necessários à execução, incorridos após a contratação, o custo total orçado ou estimado e seus reajustes. A IN SRF 21/79 e os arts. 407 a 409 do RIR/99 fundamse no art. 10 do Decretolei nº 1.598/77; – em razão da inobservância desses procedimentos pela “GDK”, fezse necessária reconstituição do lucro real, considerandose os ajustes do lucro passível de cálculo de diferimento, o que fizemos no próximo tópico (V.4). Pelos cálculos demonstrados a seguir, é passível de exclusão no anocalendário de 2007 o valor de R$4.778.541,78, em contraposição aos R$26.480.779,27, valor efetuado pela contribuinte. Essa alteração provoca glosa de exclusões na apuração do lucro real de 2007, de R$22.095.702,86, e ajuste nas adições na apuração do resultado fiscal de 2008 no montante de R$19.339.346,27, quando parte do montante excluído no ano anterior foi adicionado;” 3) Redução indevida do lucro líquido do ano de 2006, resultante de inexatidão quanto ao período base de escrituração Fl. 4583DF CARF MF Processo nº 10580.730619/201183 Resolução nº 1301000.644 S1C3T1 Fl. 4.582 4 A terceira infração acima apontada está relatada no item IV.1 do TVF, e corresponde à postergação de receitas oriundas de participação no Consórcio Carioca/GDK, sendo líder a Carioca. O objetivo do consórcio era a execução das obras e serviços de reparo e reabilitação de dutos, sob o regime de empreitada total por preços unitários, dos serviços contratados pela Petrobrás. Explica o TVF que, de acordo com o balancete emitido pelo Consórcio Carioca/GDK, em 2006 o empreendimento gerou R$ 41.465.321,44 de receitas da execução de obras, cabendo à “GDK”, 50%, ou seja, R$ 20.732.660,72. Informa que esses dados estão corroborados: (i) pelo Relatório Gerencial emitido pela “GDK”, relativo à obra 712 – São Paulo, que corresponde ao consórcio Carioca/GDK, (ii) pelo Balancete da contabilidade do consórcio e (iii) pelo Balancete geral da “GDK”, que correlaciona o registro em sua contabilidade de sua participação no consórcio. Diz que a “GDK” informou que reconheceu naquele ano receitas de R$ 19.801.899,33, e afirmou que adotou critério diverso do adotado pelo consórcio para reconhecêlas: enquanto os consórcios teriam utilizado a relação percentual entre o custo incorrido e custo orçado, da IN 21/1979, a “GDK” utilizou laudos de medição. Já os custos e demais contas patrimoniais, apropriavaos pelos balancetes dos consórcios, na proporção pactuada; Reproduz resumo comparativo demonstrando a apropriação de receitas, nos anos calendário em que se desenvolveu a execução do empreendimento, registrando observação de que o contribuinte, por meio do Termo de Entrega de Documentos nº 09/2011, de 28/07/2011, esclareceu que, erroneamente, considerou no faturamento desse consórcio as notas fiscais nº 390, de 05/01/2007, 522, de 13/02/2007, e 1.420, de 06/03/2008. Assim, o faturamento considerado pela “GDK”, relativo ao Consórcio Carioca/GDK, em 2006, foi de R$ 18.988.206,67, e não de R$ 19.801.899,33, como registrado contabilmente, evidenciando postergação, para o ano de 2007, de R$ 1.744.454,05. 4) Postergação do tributo devido do ano de 2007 para 2008 A quarta infração está relatada no item IV.2 do TVF, e corresponde a postergação de receitas oriundas de participação no Consórcio OSBAT II, firmado entre a “GDK” e a “Camargo Corrêa”, com participação de cada parte na proporção de 50% nos direitos e obrigações na execução dos serviços de reabilitação do duto OSBAT DN operado pela Transpetro. Informa o TVF que foi constatado que a “GDK” não computou exatamente 50% das receitas do consórcio que lhe cabiam em 2007. Conforme Balancete do Consórcio OSBAT II, as receitas decorrentes de serviços no país alcançaram R$ 172.843.747,55. Logo, caberia à “GDK” o montante de R$ 86.421.873,78 (50%). Ocorre que foi contabilizado pela “GDK” o valor de R$ 80.766.102,09, havendo, portanto, uma diferença de R$ 5.655.771,69. Apresenta comparativo dos balancetes da “GDK” e do Consórcio OSBAT II, nas óticas da empresa e do consórcio; Registra o TVF que, intimada a explicar a diferença, a “GDK” informou apenas que “o Consórcio reconhecia as receitas por critério distinto do utilizado pela “GDK”, e que, para manter o mesmo critério das demais obras, as receitas do Consórcio OSBAT II foramfaturadas e registradas diretamente por ela, GDK, através das medições, conforme previsto na legislação”. Ressalvou que apenas os custos foram consolidados na contabilidade Fl. 4584DF CARF MF Processo nº 10580.730619/201183 Resolução nº 1301000.644 S1C3T1 Fl. 4.583 5 da “GDK” pelo Balancete do consórcio. Quanto às receitas, a fiscalização diz ter identificado lançamentos que totalizaram receita bruta de R$ 80.766.102,09; Instada a demonstrar a apropriação das receitas durante o período de execução do contrato, o contribuinte apresentou resumo comparativo de como foram apropriadas as receitas, nos anos posteriores ao que se desenvolveu a execução do empreendimento. Esse resumo, segundo a fiscalização, evidenciou a postergação, para o ano de 2008, de receitas de competência de 2007, no montante de R$ 5.655.771,69. A “GDK” diferiu o resultado obtido na realização do Consórcio OSBAT II – OS 711, na proporção da receita não recebida (não realizada). Ressalta o TVF que a contabilidade da empresa registra recuperação de custos no montante de R$ 21.596.798,91, ressalvado no resumo comparativo. Essa recuperação proveio de custos e despesas incorridos pela empresa na execução do empreendimento, mas que foram controlados em outros centros de custos. Esses custos influenciaram no resultado da obra, mas não foram computados na apuração do resultado dela, embora tenham sido no resultado global da empresa. Como esses custos não foram contemplados na demonstração do resultado do consórcio, mas sua recuperação foi, e o lucro diferível dessa obra teria ficado indevidamente majorado. Impugnação A interessada apresentou impugnação tempestiva, que se encontra assim resumida pelo julgador de primeira instância: “O Sr. Fiscal iniciou seus trabalhos em 06/08/2010 e concluiu em 15/09/2011, emitindo mais de treze termos de intimação e continuidade fiscal, tendo solicitado mais de quatro mil documentos fiscais, que comprovassem a efetiva prestação de serviços, equivalente a R$ 77.844.845,17, para no fim glosar, de dois fornecedores, um montante de despesa de R$ 927.804,28, nos períodos base de 2006 e 2007, e discordar de procedimentos de apuração das obras de consórcio e diferimento de contratos com entidades governamentais, produzindo um extenso e tautológico relatório, de vinte páginas e cento e quarenta itens, trazendo eventos posteriores para fatos passados, como por exemplo, no item 70 do relatório, quando se refere à Deliberação CVM nº 576/2009, que é uma norma para exercícios encerrados a partir de dezembro de 2010, enquanto o período fiscalizado era de 2006 e 2007. Além do mais, a CVM é uma autarquia que regula e disciplina as sociedades de capital aberto, ou seja, aquelas que têm ações transacionadas na bolsa de valores, que não é o caso vertente, pois a GDK é uma sociedade de capital fechado, isto é, seu capital não é negociado em mercado; Verificase, no item 64 do relatório, que o Sr. Fiscal teve dificuldade de entender os termos do relatório enviado pela Contribuinte, no “Termo de Entrega de Documentos nº 042011” (doc. 02, anexo), no qual se demonstra que havia sim segregação da apuração dos resultados por contrato. Ao contrário do que ele afirma, os relatórios não são extracontábeis, pois são extraídos diretamente do sistema contábil Hércules, já que os lançamentos contábeis que envolvem despesas e receitas, enfim, as contas de resultado, só podiam ser efetuados com a indicação de um centro de custos. Os relatórios foram obtidos na função de relatórios gerenciais, mas a informação está contida na contabilidade societária. No item 74, o Sr. Fiscal afirma: “Observamos que a contabilidade apresentada não individualizou os lançamentos, nem apurou os resultados por contrato/obra”. É lamentável tal afirmação. Quer o Sr. Fiscal afirmar que os valores apresentados são uma obra de ficção?; Fl. 4585DF CARF MF Processo nº 10580.730619/201183 Resolução nº 1301000.644 S1C3T1 Fl. 4.584 6 No item 75, melhor sorte não cabe ao Sr. Fiscal quando diz: “Entretanto esses dados não puderam ser verificados e confirmados na escrita contábil. Quanto aos custos e despesas, a planilha de cálculo se limitou a apresentar os valores que teriam sido incorridos, não indicando as contas contábeis que estavam registrados”. A Autuada elaborou uma memória de cálculo com base em valores extraídos de relatórios contábeis que foram entregues à fiscalização através do “Termo de Entrega de Documentos nº 52011”, inclusive um DVD contendo: i) composição do aluguel interno cobrado em dezembro de 2007 para todas as obras selecionadas; ii) relatório gerencial demonstrando o resultado de 2007, por obra; e iii) NF 16656 da Kidde Brasil, que estava pendente de apresentação. Demonstramse todas as contas dos centros de custos, despesas e receitas que tiveram movimento no exercício, assim como o resultado de todos os centros de custos (doc. 03, anexo); Quanto ao item 76: “o plano de contas que acompanhou os arquivos digitais continha a conta denominada 4044 – Gerencial, que se desdobra na conta 4067 – Obras, que por sua vez estava desdobrada em subcontas com denominação de diversas obras. Porém, nos arquivos apresentados, essas subcontas não continham nenhum registro e os saldos estavam zerados (vide balancete extraído dos arquivos digitais), a Autuada atendeu ao solicitado pelo Sr. Fiscal, em consenso e por sugestão deste, através de relatório alternativo, extraído do sistema utilizado na época e até mesmo em planilha excel, conforme “Termo de Entrega de Documentos nº 072010” (doc 04, anexo). Em relação ao item 79: “Essa constatação não foi obtida diretamente da escrituração contábil, que não permitiu observação nesse nível de detalhe, repisese, e sim de Relatórios Gerenciais (extracontábeis) apresentados posteriormente pela Contribuinte”, a afirmação não é verdadeira. Os relatórios são extraídos da contabilidade e foram entregues ao Sr. Fiscal durante a fiscalização, e não “posteriormente”, e que tais relatórios são extracontábeis, conforme demonstrado anteriormente. Quanto ao item 80, parece que o Sr. Fiscal não entendeu o conteúdo do relatório; Em referência aos itens 94 a 96, em que o Sr Fiscal procura refutar evidências, referindose a “A uma e A duas”, é lamentável sua falta de entendimento do que seja um sistema contábil. Realmente, consta do centro de custo 3.1.1.06 os valores de R$ 435.307,03 e R$ 857.095,28, mas, como está claro, tais valores são do Custo de Produtos Vendidos OS 300C, conta 3.1.1.06.005 (doc. 05, anexo), sendo, portanto, verificado apenas um equívoco no centro de custo do lançamento contábil. No curso da fiscalização, ficou demonstrada a dificuldade do Sr. Fiscal de compreender as explicações dadas, o que fica provado na redação do item 104, diante da entrega do “Termo de Entrega de Documentos nº 022011” (doc. 06, anexo). Foi explicado ao Sr. Fiscal que alguma demora em atendêlo derivava da descontinuidade do sistema Hércules – WK, usado em 2006 e 2007, sendo que a fiscalização começou em 2010, como provado no “Termo de Entrega de Documentos nº 022010”, bem como correspondência da própria empresa (doc. 07, anexo); A Autuada, por trabalhar preponderantemente para pessoas jurídicas de direito público, ou empresas sob seu controle, empresa públicas, sociedades de economia mista ou suas subsidiárias, a exemplo da Petrobrás, tributa seus resultados através do art. 409 do RIR/1999, que manda excluir as receitas não recebidas, impondo o simultâneo diferimento dos custos correspondentes. Esta faculdade é exercida na parte “A” do LALUR e controlada na parte “B”, para ser adicionada quando do seu recebimento. Esse diferimento atinge os contratos de curto e longo prazo, sendo apurado por contrato. A parcela excluída é computada na determinação do lucro real do período de apuração em que a receita é recebida. Diante do exposto, verificase que a Autuada tem sua escrituração contábil obedecendo ao Decretolei nº 1.598/1977, consagrado no art. 251 do RIR/1999, e é mantida com observância das disposições Fl. 4586DF CARF MF Processo nº 10580.730619/201183 Resolução nº 1301000.644 S1C3T1 Fl. 4.585 7 legais, fazendo prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados com documentos hábeis e idôneos. É respeitado também o Princípio da Competência, consubstanciado no regime recomendado pela legislação comercial das sociedades por ações, que foi encampado pela lei tributária para todas as empresas que pagam o imposto de renda com base no lucro real, ressalvados os casos especiais estabelecidos na própria legislação fiscal; A autuada agiu, durante todo o procedimento fiscal, com lisura, transparência e boa fé. Em nenhum momento criou qualquer espécie de embaraço à fiscalização o que configura circunstância atenuante, a recomendar revelação de sonegação tributária. A autuada apenas recolheu os tributos devidos dentro da liberdade que a Constituição Federal lhe faculta, o que é um direito líquido e certo, nos termos do inciso XXXVI do art. 5º da Carta Magna. Essa proteção visa proporcionar segurança aos cidadãos, no caso, os contribuintes, de um modo geral, respeitando tudo aquilo que se adquiriu e se patrimonializou em um tempo que a própria lei vigente lhe facultava tal benefício; O Sr. Fiscal demonstra em seu relatório querer conduzir a Autoridade Julgadora de que a autuada estivesse sempre imbuída do animus de sonegar. Nada mais distante da realidade. Verificase, na autuação, que no anocalendário de 2006 não resultou crédito tributário. O Sr Fiscal adicionou o valor de R$ 602.496,57, referente à glosa de despesa, e R$ 1.744.454,05, do entendimento divergente quanto à apuração do resultado das obras de consórcio, no total de R$ 2.346.950,62. Consoante “Demonstração da Compensação de Prejuízos Fiscais”, esse valor foi compensado com o prejuízo operacional existente, no montante de R$ 81.289.603,93, remanescendo um prejuízo fiscal de R$ 78.942.653,31, antes da compensação. Inexplicavelmente, desse valor foi deduzido o “Prejuízo Não Operacional”, de R$ 6.515.544,48, passando seu prejuízo fiscal para R$ 72.427.108,83; Para o ano calendário de 2007, o Sr. Fiscal manteve o referido prejuízo fiscal, adicionou R$ 28.076.782,26, sendo R$ 325.307,71 de glosa de notas fiscais de fornecedores; R$ 22.095.702,86 de divergência de entendimento quanto à forma de diferimento do lucro nos contratos com entidades governamentais; e R$ 5.655.771,69 também de divergência quanto à apuração das receitas de consórcio. Nesse mesmo quadro é compensado prejuízo fiscal, no limite de 30%, resultando em uma base de cálculo de IRPJ e CSLL de R$ 17.353.419,64, valor este não explícito no quadro, mas constante nos autos de infração de ambos os tributos. Nesse ponto, informese que a Autuada goza de benefícios fiscais da ADENE, de redução do imposto de renda e adicionais de 75%. Ora, se a Autuada tivesse apurado, em 2007, lucro real positivo, teria usado o incentivo fiscal a que tem direito. Para o anocalendário de 2008, a Autuada havia apurado um lucro real de R$ 8.009.444,67, sobre os quais pagou os devidos tributos, conforme planilha de apuração e ficha da DIPJ (docs. 10 e 10A, anexos), que, após os ajustes do Sr. Fiscal, passou a ser prejuízo de R$ 16.985.673,29; O cerne da questão está na apropriação e diferimento do resultado das obras de consórcio e na forma de diferimento do lucro nos contratos com pessoas jurídicas de direito público, ou empresa sob seu controle, etc. A Autuada fez toda a sua apuração na forma estabelecida na IN 21/1979, contrato a contrato, com procedimento uniforme dentro do mesmo critério escolhido durante toda a execução do contrato (doc. 11, anexo). A fiscalização, invocando os arts. 407 e 409 do RIR/99 quer tomar o todo pelo particular, encontra um percentual genérico de 8,69% (lucro bruto dividido pela receita bruta), aplicandoo sobre todos Fl. 4587DF CARF MF Processo nº 10580.730619/201183 Resolução nº 1301000.644 S1C3T1 Fl. 4.586 8 os contratos e conclui por uma glosa de exclusão no valor de R$ 22.095.702,86. Ora, o art. 407 cuida da tributação dos contratos de produção em longo prazo, prevendo duas hipóteses de apuração: i) segundo a percentagem da execução física, avaliada em laudo técnico de medição e; ii) segundo a percentagem que o custo incorrido representar sobre o custo total orçado ou estimado. A opção pelo critério de avaliação do andamento deve ser exercida em relação a cada contrato, mas o critério escolhido deverá ser praticado uniformemente durante toda a execução do contrato; Vejase que o art. 409 trata do diferimento do lucro até a sua realização, nos casos de empreitada ou fornecimento contratado, nas condições dos arts. 407 e 408, permitindose que, para efeito de apurar o lucro líquido do períodobase, a pessoa poderá transferir, para resultados de exercícios futuros, parcela do lucro computado no resultado do períodobase. Diante de qualquer análise, não se encontra respaldo para que a Autoridade Fiscal tome lucro bruto sobre receita bruta para definir percentual de diferimento sobre todos os contratos, afinal, cada contrato tem uma realidade própria. Isto não tem base legal. Além do mais, se tivesse havido postergação de tributo, deveria ser cobrada a multa de 20% e os juros de mora pela taxa SELIC, mas não o próprio tributo, como bem define o art. 273 do RIR/99. Deve ser considerado ainda que no ano calendário subseqüente houve lucro real e pagamento de tributos devidos. Por fim, lembre se que não se pode tomar período de postergação de balanço em balanço encerrado em 31/12 de cada ano, pois a Autuada apurava seu resultado em base estimada, com antecipação, redução ou suspensão do IRPJ e da CSLL; A mesma divergência de interpretação ocorre com as receitas do “Consórcio Reabilitação de Dutos Sudeste – OS 712” e do “Consórcio OSBAT – OS 711”, cujos valores glosados foram R$ 1.744.454,05, para o períodobase de 2006, e R$ 5.655.771,69, para 2007. Verificase, nos contratos (docs. 12 e 13, anexos), que a “GDK” não era a empresa líder. Através das peças constantes dos documentos (docs. 14 e 15, anexos), está demonstrado que a Autuada reconheceu todas as receitas ao longo do consórcio, em consonância com todos os demais contratos de todas as obras, mediante a emissão de cada fatura e com base na progressão física da obra. Já a empresa líder do consórcio apropriou ao resultado a receita, bem como custos e despesas ao longo do período de construção, à medida da evolução financeira das obras (método POC), medindose o percentual de custos incorridos em relação aos custos orçados. Não existe obrigatoriedade das consorciadas praticarem exatamente igual a apuração dos resultados do consórcio, mesmo porque cada consorciada não está obrigada a ter o mesmo regime de tributação. Pode, por exemplo, uma apurar seu resultado pelo lucro real e outra pelo presumido, não cabendo ao Sr. Fiscal querer autuar o contribuinte pelo exercício de uma faculdade legal; A Autuada disponibiliza cópia da documentação (docs. 16 e 17, anexos) provando os pagamentos efetuados à Happyday Turismo Ltda. e Versegur – Vera Cruz Seg. Vigilância Ostensiva, sendo: 1) Happyday: R$ 200.074,70 (2006) + R$ 130.442,74 (2007) = R$ 330.517,44 2) Versegur: R$ 189.249,42 (2006) + R$ 16.714,44 (2007) = R$ 198.963,86 Fl. 4588DF CARF MF Processo nº 10580.730619/201183 Resolução nº 1301000.644 S1C3T1 Fl. 4.587 9 A Autuada solicita que lhe sejam deferidos todos os meios de prova admitidos em Direito, indicando, de logo, a juntada posterior de novos documentos e, face ao exposto, vem requerer: a) recomposição do prejuízo fiscal do período base de 2006, no sistema SAPLI; b) reconhecimento do resultado do período base de 2007, de prejuízo fiscal, e da CSLL; c) julgamento simultâneo do auto de IRPJ e da CSLL, por se tratar do mesmo processo e; d) julgar totalmente improcedente o auto de infração ora discutido. Juntamente com a impugnação, a Interessada trouxe aos autos os documentos de fls. 3.675 a 4.341.” A 2ª Turma de Julgamento da DRJ em salvador julgou improcedente a impugnação, em decisão que recebeu a ementa abaixo: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2006, 2007, 2008 DESPESAS OPERACIONAIS. FALTA DE COMPROVAÇÃO. INDEDUDITIBILIDADE. GLOSA. As despesas operacionais devem estar lastreadas em documentação hábil e idônea, bem como sua dedutibilidade condicionase à comprovação de que são necessárias às atividades da empresa. CONTRATOS COM ENTIDADES GOVERNAMENTAIS. RECEITAS RECONHECIDAS E NÃO RECEBIDAS. DIFERIMENTO DO LUCRO. Nos contratos de empreitada ou fornecimento celebrados com entidades governamentais, a pessoa jurídica poderá excluir do lucro líquido do período de apuração, para efeito de determinar o lucro real, parcela do lucro computado no resultado, proporcional à receita considerada nesse resultado e não recebida até a data do balanço de encerramento do mesmo período, devendo computála no cálculo do lucro real do período base em que a receita for recebida. CONTRATOS COM ENTIDADES GOVERNAMENTAIS. LUCRO DIFERIDO. PERCENTUAL DE DIFERIMENTO. O diferimento do lucro correspondente à parcela das receitas não recebidas dentro do período base está condicionado à segregação dos resultados de cada contrato/obra na contabilidade, admitindo se, contudo, diante da total impossibilidade de apuração do percentual de diferimento, por obra, e no caso de empresa cujas atividades sejam assemelhadas, a utilização de um percentual médio resultante da razão entre o lucro bruto total e o total das receitas operacionais. Fl. 4589DF CARF MF Processo nº 10580.730619/201183 Resolução nº 1301000.644 S1C3T1 Fl. 4.588 10 INOBSERVÂNCIA DO REGIME DE COMPETÊNCIA DOS EXERCÍCIOS. POSTERGAÇÃO DO PAGAMENTO DO IMPOSTO. A inexatidão quanto ao período de escrituração de receita ou de reconhecimento de lucro constitui fundamento para lançamento de imposto quando dela resulta redução indevida do lucro real ou postergação do pagamento do imposto para período de apuração posterior àquele em que seria devido. CONSÓRCIO PARA A EXECUÇÃO DE OBRAS E SERVIÇOS. RECONHECIMENTO DAS RECEITAS, CUSTOS E DESPESAS. Consoante regras fixadas em contrato, é de responsabilidade de uma das consorciadas, definida como líder, a elaboração da contabilidade do consórcio, obrigando se todas a reconhecer contabilmente suas receitas, custos e despesas de conformidade com o percentual de participação de cada uma no empreendimento e computálos no resultado do respectivo período de apuração, não cabendo às consorciadas utilizar critério de reconhecimento das receitas diverso daquele empregado pelo consórcio. AJUSTE DO PREJUÍZO FISCAL DECLARADO. COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS FISCAIS. Os prejuízos fiscais declarados pela pessoa jurídica devem ser ajustados pelos valores tributáveis apurados em ação fiscal, cabendo ainda a compensação dos prejuízos de exercícios anteriores, no limite legal de 30% do lucro real ajustado. REDUÇÃO DO IMPOSTO. ÁREA DE ATUAÇÃO DA ADENE. RECOMPOSIÇÃO DO LUCRO DA EXPLORAÇÃO. Incabível a recomposição do lucro da exploração em função de valores que deixaram de transitar pelo resultado contábil da empresa ou ainda daqueles que foram indevidamente contabilizados. LANÇAMENTO DECORRENTE. Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL Em se tratando de lançamento decorrente de idênticos fatos geradores, há que se dar a ele o mesmo entendimento dado ao lançamento de IRPJ, observandose ainda que a base de cálculo negativa acumulada em exercícios anteriores deve ser utilizada para reduzir em até 30% a base de cálculo apurada em cada período base tributado. Ciente da decisão em 07 de março de 2014 (fls. 4415), a interessada ingressou com recurso em 04 de abril de 2014 (fls. 4416). Na peça recursal, contesta pontualmente assertivas contidas no voto condutor e aduz que, diante das conclusões aqui expostas devese prosseguir com os mesmos argumentos já colocados na impugnação, ...” reeditando as razões então apresentadas e o pedido, que inclui perícia. CARF Fl. 4590DF CARF MF Processo nº 10580.730619/201183 Resolução nº 1301000.644 S1C3T1 Fl. 4.589 11 Em sessão de 09 de abril de 2014, decidiu esta mesma turma converter o processo em diligencia, através da Resolução nº 1301000.198, para que a autoridade lançadora se manifestasse sobre os documentos apresentados posteriormente ao procedimento fiscal, mas que seriam, na visão do relator, essenciais ao deslinde da controvérsia em relação a infração 01 glosa de despesas operacionais. Em observância à Resolução CARF nº 1301000.198, foi elaborado Termo de Diligencia Fiscal (fl. 4.527 e segs) na data de 10 de julho de 2015. Após devida ciência da contribuinte do Termo de Diligencia Fiscal, conforme AR de fl. 4.571 e sem manifestação por parte da mesma, os autos foram devolvidos ao CARF para prosseguimento do julgamento. É o relatório. Fl. 4591DF CARF MF Processo nº 10580.730619/201183 Resolução nº 1301000.644 S1C3T1 Fl. 4.590 12 Voto Conselheira Bianca Felícia Rothschild Relatora Recurso Voluntário Admissibilidade O Recurso Voluntário é tempestivo e estão reunidos os demais requisitos de admissibilidade, portanto dele conheço. Fatos Conforme relatado, a fiscalização acusa o contribuinte de ter praticado as seguintes infrações: 1) Dedução indevida de despesas não comprovadas, nos anos de 2006 e 2007. 2) Redução indevida do lucro real e da base de cálculo da CSLL, no ano de 2007, por motivo de diferimento de lucro auferido em contratos com entidades governamentais. 3) Redução indevida do lucro líquido do ano de 2006, resultante de inexatidão quanto ao período base de escrituração. 4) Postergação do tributo devido do ano de 2007 para 2008, relativo a receitas de competência do ano de 2007 reconhecidas somente no ano de 2008. O Auto de Infração relativo à CSLL decorreu do Auto de IRPJ. Neste sentido, passase a analise individual dos itens mencionados. *** Diligência Em relação aos itens 2, 3 e 4 acima mencionados, entendo ser imprescindível avaliar preliminar considerada pela fiscalização, confirmada pela decisão de primeira instancia, que se baseia na tese de que: "Desse modo, tendo optado o consórcio, para efeito de apurar a receita a ser computada no resultado de cada períodobase, pela avaliação do andamento da obra com base no critério da percentagem que o custo incorrido no períodobase representar sobre o custo total orçado ou estimado, consoante o artigo 407, § 1º, inciso II, do RIR/1999 e item 5, inciso II, da IN SRF nº 21, de 1979, não poderia a Autuada, tal como alega na impugnação, optar pelo outro critério, qual seja, segundo a percentagem que a execução física, avaliada por medição, representar sobre a execução contratada, na forma do artigo 407, § 1º, inciso I, do RIR/1999 e item 5, inciso I, da IN SRF nº 21, de 1979." Fl. 4592DF CARF MF Processo nº 10580.730619/201183 Resolução nº 1301000.644 S1C3T1 Fl. 4.591 13 Por fim, a afirmativa da turma julgadora no último parágrafo da pág. 25 de que "cabia à 'GDK' seguir, obrigatoriamente, o critério determinado pela empresa líder e por ela empregado na escrituração do consórcio." Entendo que pode haver opção por diferente opção por parte de cada consorciada que, após a apropriação de seu percentual do consórcio aplicar o critério que melhor lhe atenda. Importante ressaltar que ocorre a designação de um líder dentre o grupo de consorciadas, a qual “nos termos do contrato, passa a agir em nome dos vários consorciados, até mesmo para o recebimento de receitas à conta dos consortes. Essas receitas não pertencem ao consórcio, posto que não é sujeito de direito, mas a cada um dos consortes, nos termos e nas condições estabelecidas no respectivo contrato. Consórcio é ficção jurídica despersonalizada, ou seja, sem personalidade jurídica, portanto jamais o consórcio poderia optar por este ou aquele regime. Quem faz a opção é a pessoa jurídica, dotada de personalidade jurídica e que pratica fato gerador do tributo. É exatamente neste sentido que preceitua a mencionada IN SRF n° 21/1979. Caso a turma julgue deveras incorreta esta premissa adotada pela fiscalização e decisão de primeira instancia, voto por converter o processo em diligencia para que sejam reavaliados os documentos acostados aos autos pela contribuinte levandose em conta a possibilidade de adotar critério de contabilização e tributação diferente dos demais consorciados do consórcios dos quais participa. Devese levar em consideração ainda que a forma de contabilização e tributação de empresas que realizam obras de construção civil, de fato, tem tratamento diferenciado pelo ordenamento jurídico, o que deve ser levado em consideração. Desse modo, encaminho meu voto para conhecer do recurso voluntário, para converter o julgamento em diligência a fim de que a unidade origem analise os documentos acostados aos autos pela Recorrente (principalmente o relatório emitido pela auditoria independente PWC) e verifique, mediante relatório fiscal circunstanciado, os seguintes itens: 1. Houve diferimento do resultado das obras de consórcio?; 2. Os relatórios apresentados à fiscalização são extracontábeis?; 3. Os resultados das obras estão individualizados e apurados por contrato? 4. As receitas dos consórcios foram integralmente reconhecidas contábil e tributariamente? 5. O uso do método PoC (percentege of completion method) prejudicou a apuração do lucro e conseqüentemente a tributação? 6. Os resultados de apuração dos contratos estão inflados? Existe segregação de apuração dos resultados por contrato? Fl. 4593DF CARF MF Processo nº 10580.730619/201183 Resolução nº 1301000.644 S1C3T1 Fl. 4.592 14 Caso seja necessário que a unidade de origem intime a Recorrente à apresentação de documentos adicionais necessários para que os quesitos acima sejam respondidos de forma a dar conforto aos conselheiros deste colegiado em seus posicionamentos. Ao final, os recorrentes deverão ser cientificados do relatório final da diligência, fornecendose cópia dos documentos em questão e abrindose prazo de 30 dias para que, querendo, manifestemse sobre seu conteúdo, nos termos do art. 35, parágrafo único, do Decreto nº 7.574/2011. Após, retornemse os autos ao CARF para seguimento do julgamento. (assinado digitalmente) Bianca Felícia Rothschild. Fl. 4594DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10620.000096/00-08
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 23 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Mar 12 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Exercício: 1996
BASE DE CALCULO NEGATIVA. COMPENSAÇÃO. LIMITE.
A partir de janeiro de 1995, a compensação da base de cálculo negativa apurada em períodos-base anteriores está limitada a 30% do lucro liquido ajustado.
OPERAÇÃO DE VENDA DE BENS A TERCEIROS NÃO-COOPERADOS. ATO MERCANTIL. CSLL. INCIDÊNCIA.
Os negócios praticados pela cooperativa com terceiros não são considerados atos cooperativos e devem ser tributados.
Numero da decisão: 1402-003.705
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Edeli Pereira Bessa - Presidente
(assinado digitalmente)
Evandro Correa Dias - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Evandro Correa Dias, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Ailton Neves da Silva (suplente convocado), Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Edeli Pereira Bessa (Presidente). Ausente o conselheiro Paulo Mateus Ciccone substituído pelo conselheiro Ailton Neves da Silva.
Nome do relator: EVANDRO CORREA DIAS
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ementa_s : Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Exercício: 1996 BASE DE CALCULO NEGATIVA. COMPENSAÇÃO. LIMITE. A partir de janeiro de 1995, a compensação da base de cálculo negativa apurada em períodos-base anteriores está limitada a 30% do lucro liquido ajustado. OPERAÇÃO DE VENDA DE BENS A TERCEIROS NÃO-COOPERADOS. ATO MERCANTIL. CSLL. INCIDÊNCIA. Os negócios praticados pela cooperativa com terceiros não são considerados atos cooperativos e devem ser tributados.
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COMPENSAÇÃO. LIMITE. A partir de janeiro de 1995, a compensação da base de cálculo negativa apurada em períodosbase anteriores está limitada a 30% do lucro liquido ajustado. OPERAÇÃO DE VENDA DE BENS A TERCEIROS NÃO COOPERADOS. ATO MERCANTIL. CSLL. INCIDÊNCIA. Os negócios praticados pela cooperativa com terceiros não são considerados atos cooperativos e devem ser tributados. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Edeli Pereira Bessa Presidente (assinado digitalmente) Evandro Correa Dias Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Evandro Correa Dias, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 62 0. 00 00 96 /0 0- 08 Fl. 228DF CARF MF Processo nº 10620.000096/0008 Acórdão n.º 1402003.705 S1C4T2 Fl. 229 2 Ailton Neves da Silva (suplente convocado), Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Edeli Pereira Bessa (Presidente). Ausente o conselheiro Paulo Mateus Ciccone substituído pelo conselheiro Ailton Neves da Silva. Fl. 229DF CARF MF Processo nº 10620.000096/0008 Acórdão n.º 1402003.705 S1C4T2 Fl. 230 3 Relatório Tratase de auto de infração a título de exigência de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL, juros de mora e multa de ofício, referente ao exercício de 1996, anobase de 1995. O lançamento decorreu da revisão da Declaração de Ajuste Anual de Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica DIRPJ, que apurou compensação da base de cálculo negativa de períodobase anteriores na apuração da CSLL, superior a 30% (trinta por cento) do Lucro Líquido Ajustado, apurado através do sistema eletrônico SAPLI da Secretaria da Receita Federal. O enquadramento legal foi a Lei n° 7689/1988, Lei n° 8.981/1995, Lei n° 9.065/1995, IN SRF 198/1988 e Parecer MF/SRF/COSIT n° 1061/95. O contribuinte, tempestivamente, apresentou sua impugnação, juntando documentos e argumentando o seguinte: Invoca o art. 57 da Lei n° 8.981/1995, com a redação dada pela Lei n° 9.065/1995, para lembrar que as mesmas normas de apuração e pagamento estabelecidas para o IRPJ se aplicam a CSLL. E no caso de cooperativas tributase os atos realizados com terceiros, posto que os atos cooperativos são isentos do imposto de renda, conforme disposições do art. 168 do Decreto 1.041/1994 (RIR/94). A despeito do Parecer MF/SRF/COSIT n° 1.061/95, a pretensão do poder tributante é ilegal , vez que a sociedade cooperativa não visa lucro, e se encontra fora do campo de incidência tributária específica, exceto sobre os resultados positivos apurados nas operações realizadas com terceiros, nos termos da Lei n° 5.674/71. Assim, há diferença entre o conceito de "lucro" e os resultados apurados nos atos cooperativos, chamados de "sobras" que estão fora do campo de incidência conforme comentado; O contribuinte se fundamenta no art. 110 do CTN, combinado com o art. 3o , 4o , 21° e 80° , da Lei n° 5.764/71, para mencionar o emprego do termo "sobras" distinto. de "lucro", assim como que "as despesas da cooperativa serão cobertas pelos associados, mediante rateio na proporção direta da fruição de serviços" ( art. 80 da Lei n° 5.764/71). Assim, conclui que a "sobra nada mais é que a devolução, ao final do exercício, daquilo que o cooperado contribuiu a maior para a realização das despesas da sociedade" (fls.20 destes autos). O contribuinte também cita doutrinadores , como o prof. Sampaio Dória, e prof. Fran Martins, para reforçar o conceito de lucro que não se confunde com o conceito de "sobras" para o tratamento de resultado positivo de cooperativas. Declara que o conceito de lucro adotado pela Lei n° 6.404/76 é aplicável por analogia ao ato cooperativo e integralmente no resultado das operações com terceiros da Fl. 230DF CARF MF Processo nº 10620.000096/0008 Acórdão n.º 1402003.705 S1C4T2 Fl. 231 4 cooperativa e que deve ser respeitado pela legislação tributária, sob pena de violação da CF e do art. 110 da CTN. Menciona ainda a seu favor decisão do STF, com relatoria do Min. Sepúlveda Pertence, para asseverar que, " é ilícito que a autoridade administrativa ou o legislador ordinário estabelecerem normas em que o prejuízo (redução do capital investido) seja transformado em lucro tributável, pois o 'nomem juris' renda (sobra para as cooperativas e lucro para as demais pessoas jurídicas) na CF fez com que o conceito da Lei n° 6.404/76 delimitasse o campo da aplicação, sob pena de ofender diretamente disposições constitucionais" (fls. 22). Argumenta que a Cooperativa vem apresentando sucessivos prejuízos, em face a ausência de produção agrícola na região e mesmo as contribuições de seus associados foram insuficientes para cobrir os gastos efetuados. Esclarece que o equilíbrio apresentado nos meses de junho e dezembro de 1995, não compensou totalmente o prejuízo fiscal do próprio exercício, conforme demonstrado na parte "B" do Livro de Apuração do Lucro Real LALUR. Argumenta que o limite imposto de 30% para compensação da base de cálculo negativa ofende o princípio da capacidade contributiva (visto que as bases de cálculo negativas superam os resultados positivos apurados no próprio período), pretende tributar o capital recuperado, a reposição patrimonial meses citados, sem que haja previsão legal para tanto. A 2ª Turma de Julgamento da DRJ de Belo Horizonte/ MG, por sua, julgou o lançamento procedente, fundamentandose no seguinte: Que os valores sobre os quais incidiram a limitação dos 30% para compensação da base de cálculo negativa se referem as informações prestadas pelo próprio contribuinte em sua declaração de rendimentos; Reitera que o Parecer MF/SRF/COSIT n° 1061/1995 declara que a CSLL é devida sobre todas as operações; Cita o art. 195 da CF, a Lei n° 7.689/1988, que fundamentam a competência da Secretaria da Receita Federal na administração e fiscalização desta contribuição. Em face disso editouse a IN 198/1988, que cuida da CSLL, esclarecendo que as sociedades cooperativas a calculem sobre o resultado do períodobase, podendo deduzir como despesa na determinação do lucro real a parcela relativa ao lucro nas operações com não associados; Que as disposições contidas no art. 129 do RIR/80 não se aplicam à CSLL. Que a administração tributária não pode apreciar a arguição de inconstitucionalidade, pois transborda o limite de sua competência. Quanto a jurisprudência judicial comenta que os agentes públicos somente podem cumprir o que determina a lei , e que as decisões judiciais produzem efeitos apenas perante as partes que as suscitaram. Fl. 231DF CARF MF Processo nº 10620.000096/0008 Acórdão n.º 1402003.705 S1C4T2 Fl. 232 5 A recorrente , tempestivamente, interpôs seu recurso voluntário, que além de reproduzir os mesmos argumentos de sua peça inicial de defesa, ainda cita números de acórdãos desse E. Conselho de Contribuintes, sobre a matéria. 1) O artigo 2o. da Lei 7689/88 dispõe: 'Art. 2o. A base de cálculo da contribuição é o valor do resultado do exercício, antes da provisão para o imposto de renda." (destaque nosso); 2) O artigo 57 da Lei 8.981/95, com a redação dada pela Lei 9065/95 dispõe: ' Aplicamse à Contribuição Social sobre o Lucro (Lei n." 7.689, de 1998) as mesmas normas de apuração, e de pagamento estabelecidas para o imposto de renda das pessoas jurídicas,..."; 3) destarte, a base de cálculo é também o resultado tributável pelo imposto de renda que, no caso das sociedades cooperativas, é o lucro apurado nas operações com terceiros, visto que os atos cooperativos são isentos do imposto de renda, consoante as disposições do art. 168 do Decreto 1041/94, que aprovou o Regulamento do Imposto de Renda; 4) percebese nas disposições do Parecer MF/SRF/COSIT n.° 1061/95, a pretensão ilegal do poder tributante, visto que o parecer não pode modificar o conceito aprovado pela Lei, pois viola o princípio constitucional da hierarquia e desta forma, somente com base nestes argumentos, deve ser cancelada a exigência fiscal, como, alias, vêm se manifestando as diversas Câmaras deste Conselho em seus Acórdãos. 5) assim também é o entendimento do Supremo Tribunal Federal, no julgamento do Resp. 170.371RS (DJU 14/06/1999); 6) inobstante a esmagadora jurisprudência existente contra seus intentos, a Secretaria da Receita Federal tem insistido em lavrar autos contrariando os julgamentos, de forma a beirar a litigância de máfé, contribuindo para a manutenção de processos insubsistentes e fadados ao fracasso, assoberbando os trabalhos das Câmaras Julgadoras e determinado custos e preocupações que o contribuinte não merece; 7) assim, somos compelidos a lembrar mais uma vez que a contribuição social incide sobre o lucro. Como a sociedade cooperativa não visa lucro, suas operações estão fora da incidência da contribuição, exceto em relação aos resultados apurados nas transações realizadas com não cooperados, nos termos da Lei 5764/71. Assim, não bastasse a diferença fundamental entre lucro e os resultados apurados nos atos cooperativos, chamados de sobras, estas não são alcançadas pela incidência tributária pretendida em face de não serem incluídos na base de cálculo pelo diploma legal; 8) conforme bem define em sua decisão, o Delegado da Receita Federal, o servidor público somente pode executar aquilo que a Lei permite. Destarte, deveria acatar as disposições e limites impostos por Lei para as exigências tributárias, em especial os dispostos no Código Tributário Nacional e Constituição Federal, considerando ainda os conceitos de legalidade e economicidade dos atos públicos; determinando assim, sumariamente o cancelamento da notificação e extinguindo o processo. Entretanto deixou de acatar o conceito de lucro explicitamente instituído no art 189 da Lei 6.404/76 de 15/12/1976, inaplicável ao ato cooperativo a não ser por analogia, mas definindo integralmente o resultado positivo das operações com terceiros da COOPERVAP, que deve ser seguido pela legislação tributária, sob pena de violação da CF e do art 110 do CTN, conforme já foi corroborado pela decisão do STF Fl. 232DF CARF MF Processo nº 10620.000096/0008 Acórdão n.º 1402003.705 S1C4T2 Fl. 233 6 Supremo Tribunal Federal no R.E. 121.336CE, DJU de 26/06/92, Rel.Min. Sepúlveda Pertence; 9) Vota o Ministro Sepúlveda Pertence: "... não se trata, é claro, de submissão da Lei tributária à lei civil. A lei tributária só se submete à Constituição (ou, nos limites dela, à lei complementar). Mas, é da interpretação do emprego, no próprio texto constitucional, do nomen júris do instituto de direito privado, que se pode extrair, como no caso, a limitação da lei tributária pelas conotações essenciais do conceito privatístico, que, assim, a pubUcizou." 10) assim, é ilícito a autoridade administrativa ou o legislador ordinário, estabelecerem normas em que o prejuízo (redução do capital investido) seja transformado em lucro tributável, pois o "nomem júris" renda (aplicável analogicamente, mas não pela essência das sobras das cooperativas, e lucro para as demais pessoas jurídicas) na CF fez com que o conceito da Lei 6404/76 delimitasse o campo da aplicação, sob pena de ofender diretamente disposições constitucionais; 11) outro exemplo claro do entendimento é a decisão do STF no RE 89.791 7, Rel.Min. Cunha Peixoto, em cujo voto menciona: "Na verdade, por mais variado que seja o conceito de renda, todos os economistas, financistas e juristas se unem em um ponto: renda é sempre um ganho ou acréscimo de patrimônio...", (destaques nossos) 12) Reiteramos que o reequilíbrio apresentado nos meses de junho e dezembro de 1995, sequer compensou o prejuízo fiscal do próprio exercício, conforme demonstrado na parte "b" do Livro de Apuração do Lucro Real LALUR (anexo 01), que dirá determinar aumento do patrimônio, ou a recuperação de parte do capital já aportado em períodos anteriores, do patrimônio construído ao longo de muitos anos; 13) a legislação em vigor no exercício permite referida compensação, quando o contribuinte opta pela tributação com base no Lucro Real, como no caso da Cooperativa; 14) assim, a imposição do limite de compensação da base de cálculo negativa pelo fisco, além de desconsiderar o princípio da capacidade contributiva visto que as bases de cálculo negativas superam os resultados positivos apurados no próprio período pretende tributar o capital recuperado, a reposição patrimonial conseguida em dois meses do exercício, o que não é previsto na Lei, ao contrário é proibido pela Lei; 15) por outro lado, a Lei fere, ainda os princípios do direito adquirido e da irretroatividade da Lei, afetando bases de contribuições negativas (prejuízos) apuradas em exercícios anteriores, quando o direito a compensação era total; A recorrente requer a reforma da decisão com fundamento nas seguintes considerações: a) que inexiste na Lei que instituiu a CSLL, previsão de inclusão das sobras das sociedades cooperativas na sua base de cálculo; Fl. 233DF CARF MF Processo nº 10620.000096/0008 Acórdão n.º 1402003.705 S1C4T2 Fl. 234 7 b) que o conceito de lucro não se aplica aos resultados das sociedades cooperativas, porquanto estas não buscam aquele e as sobras decorrem da diferença entre as contribuições dos cooperados e os valores efetivamente gastos nas atividades e são a eles devolvidos ao final dos exercícios, salvo deliberação em contrário da Assembléia Geral; c) que, inobstante estes conceitos, a limitação da compensação da base de cálculo negativa é inconstitucional e confiscatória, tributando patrimônio e não o resultado de sua aplicação; d) que as disposições limitadoras contrariam o art. 110 do Código Tributário Nacional; e) que referido CTN tem 'status" de lei complementar e, destarte, não pode ser alterado por legislação hierarquicamente inferior; f) que o Parecer Normativo MF/SRF/CÓSIT n.° 1061/95 extrapola os limites de suas atribuições ao inserir tributo novo e ampliar a base de contribuição da CSLL ao pretender nela inserir as sobras apuradas pelas sociedades cooperativas; g) que a jurisprudência emanada deste Conselho é amplamente favorável aos argumentos de defesa da Cooperativa a qual solicita a isonomia de tratamento; Em sessão de 14/05/2004, a 1ª Câmara do 1º Conselho de Contribuintes, converteu o julgamento em diligência, através da resolução nº 10102.425, nos seguintes termos: "Em se considerando que a prova documental consistindo na declaração de rendimentos do contribuinte, assim como as cópias do LALUR de 1995 apresentadas pelo mesmo, não identificam, inequívoca e separadamente, o resultado positivo ("sobras") decorrente de atos cooperados daquelas receitas decorrentes de atos de terceiros (não cooperados), com resultados dos meses de junho e dezembro de 1995 onde se apurou um reequilíbrio de contas, e sem qualquer demonstração contábil desses fatos, não obstante, no exercício apurar prejuízos operacionais acumulados, à primeira vista, conduz ao entendimento da correta aplicação das leis pertinentes à situação fiscal apurada pela revisão fiscal e confirmada pela r. decisão da turma julgadora "a quo". Caberia ao contribuinte demonstrar eventual equívoco na exclusão (ficha 07, Demonstração do Lucro Real item 17, Resultados não tributáveis de sociedades cooperativas, fls. 38) identificando a origem da parcela que ele mesmo tratou como tributável, o que não restou comprovado, em que se considere a sua argumentação sobre o tratamento fiscal relativamente as "sobras " de operações das cooperativas, distinto de resultado lucrativo como se pretende atribuir para efeito da tributação. Desta feita, necessário se faz que haja discriminação, mês a mês, das parcelas separadas de valores, na contabilidade da contribuinte, dos atos cooperados daqueles atos nãocooperados, a fim de bem se definir, Fl. 234DF CARF MF Processo nº 10620.000096/0008 Acórdão n.º 1402003.705 S1C4T2 Fl. 235 8 corretamente, o "quantum" tributável nos termos do alegado nas peças de defesa do contribuinte. Por esses fundamentos meu voto é para converter o julgamento em diligência, a fim de que seja intimado o contribuinte para que demonstre, através de sua contabilidade, os valores separados, mês a mês, no período fiscalizado, dos atos cooperados e dos atos nãocooperados." Em diligência, a recorrente apresentou o demonstrativo (fls. 120/121) das Vendas de Mercadorias, Prestação de Serviços e Atos não cooperados. A autoridade fiscal, por sua vez, apresentou as seguintes conclusões após a entrega do demonstrativo supra: Os atos cooperados estão lançados nas contas contábeis 511.01.01.00012 (Vendas de Mercadorias) e 511.01.01.00039 (Prestação de Serviços) e os Atos não cooperados foram escriturados na conta 511.01.01.00020 (Vendas a Não Associados Mercadorias e Serviços), correspondendo aos valores consignados no Termo de Resposta ao Termo de Reintimação 02, período janeiro a novembro de 1995; Considerando que os Livros Diários e o Balancete de Verificação de dezembro de 1995 se encontravam em poder da fiscalização por ocasião da resposta do contribuinte, cumprenos discriminar os dados correspondentes ao mês de dezembro de 1995: Em sessão de 12/06/2012, a 2ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento, converteu novamente o julgamento em diligência, através da resolução nº 1202 000.118, nos seguintes termos: "Como se constata, não obstante a matéria em julgamento seja a trava de 30% para compensação de prejuízos fiscais, em face a CSLL, se verifica que não foi dada ciência a Fazenda Nacional para que se manifeste sobre a diligência, o que por si só justifica tal procedimento, para a continuidade regular do julgamento. Ademais, entendo que a diligência restou parcialmente satisfatória, pois, apesar de ter cumprido rigorosamente o solicitado, não produziu nova análise sobre os novos documentos juntados, em face ao montante tributável. Fl. 235DF CARF MF Processo nº 10620.000096/0008 Acórdão n.º 1402003.705 S1C4T2 Fl. 236 9 Assim, sou por propor nova diligência, a fim de que a autoridade de origem recalcule, considerando, nos termos indicados na primeira diligência somente os valores que efetivamente ingressaram como vendas a não associados de mercadorias e de serviços, na conta 511.01.01.00020, a fim de que se apure se, de fato, violouse o dispositivo legal invocado que limita em 30% a compensação de prejuízo fiscal acumulado". Reproduzse a seguir o relatório de diligência fiscal, lavrado em 25/06/2013: Fl. 236DF CARF MF Processo nº 10620.000096/0008 Acórdão n.º 1402003.705 S1C4T2 Fl. 237 10 Fl. 237DF CARF MF Processo nº 10620.000096/0008 Acórdão n.º 1402003.705 S1C4T2 Fl. 238 11 Em sessão de 05/11/2013, a 2ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento prolatou o Acórdão nº 1202000.227 no qual sobrestou o julgamento do recurso voluntário, com o entendimento que "a matéria em exame encontrase com repercussão geral reconhecida e que, tanto o Regimento Interno do STF como o Regimento Interno do CARF, prevêem a possibilidade/necessidade do sobrestamento do julgamento dos recursos com idêntica matéria, justificase a adoção desse procedimento, evitandose, assim, possíveis decisões divergentes entre este colegiado e o Poder Judiciário". Em 29/05/2014 prolatouse o despacho para prosseguimento do julgamento nos seguintes termos: A Portaria MF nº 545, de 28 de novembro de 2013, revogou os §§ 1º e 2º do art. 62A do Anexo II da Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, que aprova o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF). Tendo em vista a edição desse ato normativo devem ser incluídos em pauta para julgamento os processos referentes às matérias que estão em repercussão geral no Supremo Tribunal Federal (STF) sem trânsito em julgado, de acordo com o rito do art. 543B do Código de Processo Civil (CPC). Em vista do exposto, o presente processo deve retornar, para prosseguimento do julgamento, em conformidade com as normas do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Em seguida o processo foi distribuído no âmbito da 1ª Seção. É o relatório. Fl. 238DF CARF MF Processo nº 10620.000096/0008 Acórdão n.º 1402003.705 S1C4T2 Fl. 239 12 Voto Conselheiro Evandro Correa Dias, Relator. O recurso voluntário é tempestivo e atende ao demais requisitos, motivo pelo qual dele conheço. Conforme relatado, o presente lançamento trata da alteração dos valores referentes aos meses de junho e dezembro do anocalendário de 1995, onde a recorrente informou na Ficha 30, linha 04, o valor correspondente à base de cálculo negativa da contribuição social de períodos base anteriores e na linha 05 o valor da base de cálculo da CSLL, sem levar em consideração a limitação de 30% do lucro líquido antes da CSLL, conforme determina o artigo 58 da Lei n° 8.891 de 1995, abaixo transcrito: "Art. 58. Para efeito de determinação da base de cálculo da contribuição social sobre o lucro, o lucro líquido ajustado poderá ser reduzido por compensação da base de cálculo negativa, apurada em períodosbase anteriores em, no máximo, trinta por cento." Assim, a apreciação da alegação de que a limitação da compensação da base de cálculo negativa é inconstitucional e confiscatória, tributando patrimônio e não o resultado de sua aplicação, encontra óbice no art. 62 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 256/20091 e na Súmula CARF nº 22, de sorte que rejeito as alegações da recorrente. 1 Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou II que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei n° 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar n° 73, de 1993; ou c) parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar n° 73, de 1993. 2 Súmula CARF nº 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Fl. 239DF CARF MF Processo nº 10620.000096/0008 Acórdão n.º 1402003.705 S1C4T2 Fl. 240 13 A recorrente defende que "como a sociedade cooperativa não visa lucro, suas operações estão fora da incidência da contribuição, exceto em relação aos resultados apurados nas transações realizadas com não cooperados, nos termos da Lei 5764/71. Assim, não bastasse a diferença fundamental entre lucro e os resultados apurados nos atos cooperativos, chamados de sobras, estas não são alcançadas pela incidência tributária pretendida em face de não serem incluídos na base de cálculo pelo diploma legal;". Pareceme que a distinção entre atos cooperativos e atos nãocooperativos é condição para a incidência da CSLL sobre os resultados líquidos das cooperativas, uma vez que somente aqueles provenientes de atos nãocooperativos devem submeterse à referida tributação, conforme arts. 79 e 87 da Lei n° 5.764, de 16 de dezembro de 1971, in verbis: Art. 79. Denominamse atos cooperativos os praticados entre as cooperativas e seus associados, entre estes e aquelas e pelas cooperativas entre si quando associados, para a consecução dos objetivos sociais. Parágrafo único. O ato cooperativo não implica operação de mercado, nem contrato de compra e venda de produto ou mercadoria. Art. 87. Os resultados das operações das cooperativas com não associados, mencionados nos artigos 85 e 86, serão levados à conta do "Fundo de Assistência Técnica, Educacional e Social" e serão contabilizados em separado, de molde a permitir cálculo para incidência de tributos. O entendimento, pacificado no âmbito do Superior Tribunal de Justiça, é que as disposições previstas no art. 79, parágrafo único, da Lei 5.764/1971 aplicamse apenas aos negócios jurídicos diretamente vinculados a atividade fim das cooperativas, isto é, aos atos cooperativos próprios, de sorte que não só o resultado da aplicação de recursos no mercado financeiro, mas também os valores advindos dos negócios jurídicos descritos nos itens 2 e 3, por envolverem operação com não associados, sujeitamse a incidência da Contribuição Social Sobre o Lucro, conforme precedentes a seguir transcritos: TRIBUTÁRIO. COOPERATIVA DE TRABALHO. ATO COOPERATIVO TÍPICO. CSLL. NÃOINCIDÊNCIA. ART. 79, PARÁGRAFO ÚNICO, DA LEI 5.764/1971. PRECEDENTES DO STJ. 1. Nos termos do art. 79 da Lei 5.764/1971, atos cooperativos são aqueles praticados entre a cooperativa e seus cooperados ou entre cooperativas associadas. O ato cooperativo, assim definido, não implica operação de mercado. 2. As cooperativas podem realizar negócios com terceiros não cooperados, desde que observados seus objetivos sociais e disposições legais. Nessa hipótese, contudo, a própria Lei 5.764/1971 dispõe expressamente que os negócios praticados pela cooperativa com terceiros não são considerados atos cooperativos e devem ser tributados (arts. 86 e 87). Fl. 240DF CARF MF Processo nº 10620.000096/0008 Acórdão n.º 1402003.705 S1C4T2 Fl. 241 14 3. In casu, o Tribunal a quo acolheu os Embargos de Execução, sob o fundamento de que a Autoridade Fazendária, ao proceder ao lançamento fiscal, não fez distinção entre os atos cooperativos próprios e os não cooperativos da cooperativa de eletrificação rural. 4. A jurisprudência do STJ firmouse no sentido de ser indevida a cobrança da CSLL sobre atos vinculados à atividade básica da sociedade cooperativa. 5. Agravo Regimental não provido". (AgRg no REsp 499581 / SC (2003/00150840), STJ, 2ª Turma, Relator Ministro HERMAN BENJAMIN, j. 22/09/2009, DJe 30/09/2009). No mesmo sentido: "PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. COOPERATIVA DE CONSUMO. OPERAÇÃO DE VENDA DE BENS A TERCEIROS NÃO COOPERADOS. ATO MERCANTIL. CSLL. INCIDÊNCIA. 1. O ato cooperativo típico, nos termos do art. 79, parágrafo único, da Lei 5.764/1971, não implica operação de mercado nem contrato de compra e venda de produto ou mercadoria, o que afasta a incidência do PIS e da COFINS sobre o resultado de tal atividade. 2. A operação de venda de bens a terceiros por sociedade cooperativa de consumo se reveste de natureza mercantilista. O resultado positivo advindo dessa atividade, por conseguinte, submetese a incidência da CSLL. Precedentes do STJ. 4. Agravo Regimental parcialmente provido." (AgRg no REsp 653489/RS (2004/00583098), STJ, 2ªTurma, Relator Ministro HERMAN BENJAMIN j. 15/09/2009, DJe 24/09/2009). No presente caso, verificase que a acusação fiscal trata da limitação de 30% do lucro líquido antes da CSLL, referente a atos não cooperados, ou seja, resultados apurados nas transação com não cooperados. Conforme apurouse na primeira diligência os atos cooperados estão lançados nas contas contábeis 511.01.01.00012 (Vendas de Mercadorias) e 511.01.01.00039 (Prestação de Serviços) e os Atos não cooperados foram escriturados na conta 511.01.01.00020 (Vendas a Não Associados Mercadorias e Serviços), correspondendo aos valores consignados no Termo de Resposta ao Termo de Reintimação 02, período janeiro a novembro de 1995, reproduzidos a seguir: Fl. 241DF CARF MF Processo nº 10620.000096/0008 Acórdão n.º 1402003.705 S1C4T2 Fl. 242 15 A autoridade fiscal, considerando os Livros Diários e o Balancete de Verificação de dezembro, discriminou os dados correspondentes ao mês de dezembro de 1995: Fl. 242DF CARF MF Processo nº 10620.000096/0008 Acórdão n.º 1402003.705 S1C4T2 Fl. 243 16 Na segunda diligência realizada, após análise do LALUR e livros contábeis apresentados pelo contribuinte, concluiuse que no anocalendário de 1995, houve resultado tributável nos meses de junho e dezembro, relativos a vendas de mercadorias e serviços a não associados, conforme demonstrado na tabela a seguir: O resultado tributável está de acordo com o demonstrativo de valores apurados CSLL (fls. 6). No caso, considerado o lançamento para tributar resultados da recorrente provenientes de atos não cooperados, ou seja, resultados apurados nas transação com não cooperados, entendo que há de ser mantido o acórdão recorrido. Fl. 243DF CARF MF Processo nº 10620.000096/0008 Acórdão n.º 1402003.705 S1C4T2 Fl. 244 17 Conclusão Ante o exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Evandro Correa Dias Fl. 244DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10640.002169/2001-10
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 14 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Mar 11 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 1989, 1990
ILL. INCIDÊNCIA. SOCIEDADE EMPRESÁRIA LIMITADA. DISPONIBILIDADE JURÍDICA DO LUCRO LÍQUIDO APURADO CONSTATADA.
Se na data do encerramento do período base de apuração, o sócio quotista de sociedade empresária limitada tiver disponibilidade jurídica ou econômica do lucro líquido apurado, incidirá a norma do artigo 35 da Lei 7.713,88 e a cobrança do ILL não estará maculada pelo vício da inconstitucionalidade.
Numero da decisão: 2402-006.960
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Denny Medeiros da Silveira - Presidente
(assinado digitalmente)
Mauricio Nogueira Righetti - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Mauricio Nogueira Righetti, Denny Medeiros da Silveira, Wilderson Botto (suplemente convocado), João Victor Ribeiro Aldinucci, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregório Rechmann Junior e Paulo Sergio da Silva.
Nome do relator: Mauricio Nogueira Righetti
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 1989, 1990 ILL. INCIDÊNCIA. SOCIEDADE EMPRESÁRIA LIMITADA. DISPONIBILIDADE JURÍDICA DO LUCRO LÍQUIDO APURADO CONSTATADA. Se na data do encerramento do período base de apuração, o sócio quotista de sociedade empresária limitada tiver disponibilidade jurídica ou econômica do lucro líquido apurado, incidirá a norma do artigo 35 da Lei 7.713,88 e a cobrança do ILL não estará maculada pelo vício da inconstitucionalidade.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira - Presidente (assinado digitalmente) Mauricio Nogueira Righetti - Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Mauricio Nogueira Righetti, Denny Medeiros da Silveira, Wilderson Botto (suplemente convocado), João Victor Ribeiro Aldinucci, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregório Rechmann Junior e Paulo Sergio da Silva.
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INCIDÊNCIA. SOCIEDADE EMPRESÁRIA LIMITADA. DISPONIBILIDADE JURÍDICA DO LUCRO LÍQUIDO APURADO CONSTATADA. Se na data do encerramento do período base de apuração, o sócio quotista de sociedade empresária limitada tiver disponibilidade jurídica ou econômica do lucro líquido apurado, incidirá a norma do artigo 35 da Lei 7.713,88 e a cobrança do ILL não estará maculada pelo vício da inconstitucionalidade. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira Presidente (assinado digitalmente) Mauricio Nogueira Righetti Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Mauricio Nogueira Righetti, Denny Medeiros da Silveira, Wilderson Botto (suplemente convocado), João Victor Ribeiro Aldinucci, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregório Rechmann Junior e Paulo Sergio da Silva. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 64 0. 00 21 69 /2 00 1- 10 Fl. 236DF CARF MF Processo nº 10640.002169/200110 Acórdão n.º 2402006.960 S2C4T2 Fl. 237 2 Cuida o presente de Recurso Voluntário em face do Acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento, que considerou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada pelo sujeito passivo, contra decisão proferida pela DRF/JUIZ DE FORA que não homologou as compensações promovidas e controladas nestes autos, cuja ciência foi dada ao recorrente em 20.5.11 (fls. 161). Na sequência, fazse importante um relato pormenorizado dos autos. Vamos a ele: Em 8.11.01, o contribuinte apresentou Pedido de Restituição relacionado a dois recolhimentos a título de ILL, cuja exigência teria sido afastada pelo STF, em função de sua inconstitucionalidade. Um com data de 30.4.90, ou de 30.4.91. (fls. 2/5). Em 27.3.06, a DRF JUIZ DE FORA emitiu Despacho Decisório indeferido o pleito do contribuinte, ao fundamento de que teria sido extinto o direito do contribuinte pelo decurso do prazo de 5 (cinco) anos a contar dos pagamentos. (fls. 14/15). Em 24.4.06, o interessado apresentou "reclamação" contra referida decisão, alegando que seu prazo correria, em verdade, ou a partir da Resolução do Senado Federal nº 82, de 18.11.96 ou da IN SRF 63/97, de 24.7.97, que teria reconhecido a caráter indevido da exação (fls.16/21). Em 7.8.06, a DRJ indeferiu a "reclamação", reafirmando a tese fiscal, no sentido de que o prazo seria de 5 (cinco) anos a contar do pagamento. (fls.30/33). Em 26.10.06, o sujeito passivo apresentou Recurso Voluntário, reiterando a tese de sua "reclamação", repisese, início da contagem do prazo ou a partir da Resolução do Senado FEderal nº 82, de 18.11.96 ou da IN SRF 63/97, de 24.7.97, que teria reconhecido a caráter indevido da exação (fls. 37/42). Em 6.12.07, a 6ª Câmara do 1º Conselho de Contribuintes decidiu por afastar a decadência ao fundamento de que o termo a quo para a contagem do prazo seria o da publicação da IN SRF nº 63/97, em 25.7.97, bem como determinar a remessa dos autos à DRJ para apreciação do mérito. (fls. 50/58). Em 26.3.08, a Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial sustentando, em resumo, o início da contagem do prazo com a extinção do crédito tributário. (fls. 63/77). Em 6.1.09, foram apresentadas contrarazões pelo recorrente. (fls. 85/89). Em 10.3.10, a CSRF reafirmou os termos do julgamento do acórdão recorrido, no sentido de que o prazo iniciarseia com a publicação da IN SRF nº 63/97, em 25.7.97. (fls. 98/142). Em 11.8.10, a DRJ decidiu por reencaminhar os autos à DRJ JUIZ DE FORA para apreciação do mérito (fls. 148/149). Em 11.5.11, aquela DRF tornou a indeferir o pleito de restituição, ao fundamento de que o parágrafo único do artigo 1º daquela mesma IN SRF 63/197, tomada como marco inicial para a contagem do prazo para repetição, previa que a não constituição de créditos com amparo no afastado artigo 35 da Lei 7.713/88, no caso das sociedades limitadas, Fl. 237DF CARF MF Processo nº 10640.002169/200110 Acórdão n.º 2402006.960 S2C4T2 Fl. 238 3 dependeria da não disponibilidade imediata econômica ou jurídica do lucro líquido apurado no encerramento do período base, a ser verificado em seu contrato social. (fls. 158/159). Em 9.6.11, apresentou Manifestação de Inconformidade aduzindo, em suma, que segundo o contrato social não haveria a disponibilização automática dos lucros, que somente ocorreria, a juízo dos sócios, se não comprometesse a continuidade dos objetivos sociais. (fls. 162/168). Em 7.7.11, a DRJ julgoua improcedente. (fls. 193/198) Em 27.12.11, o sujeito passivo apresentou Recurso Voluntário às fls. 203/209, reiterando e reforçando os argumentos de sua Manifestação de Inconformidade. É o relatório. Voto Conselheiro Mauricio Nogueira Righetti, Relator A recorrente tomou ciência do acórdão de piso em 29.11.11, consoante se denota de fls. 201 e apresentou, tempestivamente, seu Recurso Voluntário em 27.12.11 (fls. 223). Nesse sentido, dele passo a conhecer. A controvérsia dos autos cingese a determinar se, no caso concreto, a cláusula 10ª do contrato social da requerente previa a distribuição automática dos lucros. É dizer, se nos termos do § único do artigo 1º da IN SRF 63/97, haveria a previsão de sua disponibilização, econômica ou jurídica, ao sócio contista. Vejamos sua redação: 10ª BALANÇOS E RESULTADOS Ao final de cada exercício social, será procedido o levantamento do Balanço Patrimonial da Sociedade, sendo os resultados líquidos apurados utilizados pelos sócios da maneira que lhes convier, de forma a não comprometer a continuidade dos objetivos sociais. O acórdão recorrido analisa o caso com bastante propriedade, fazendo com que este Relator se alinhe às suas fundamentação e conclusão. Com efeito, com fulcro no § 3º do artigo 57 do RICARF, adotoas com razão de decidir, colacionandoas como se seguem: Fl. 238DF CARF MF Processo nº 10640.002169/200110 Acórdão n.º 2402006.960 S2C4T2 Fl. 239 4 Fl. 239DF CARF MF Processo nº 10640.002169/200110 Acórdão n.º 2402006.960 S2C4T2 Fl. 240 5 Fl. 240DF CARF MF Processo nº 10640.002169/200110 Acórdão n.º 2402006.960 S2C4T2 Fl. 241 6 Fl. 241DF CARF MF Processo nº 10640.002169/200110 Acórdão n.º 2402006.960 S2C4T2 Fl. 242 7 Nesse mesmo sentido, o acórdão a seguir ementado, relativo ao julgamento que analisou a seguinte cláusula contratual: DÉCIMA QUARTA O ano social coincidirá com o ano civil, devendo a 31 de Dezembro de cada exercício, ser procedido o Balanço Geral da sociedade, obedecendo as prescrições legais e técnicas pertinentes à matéria. Os resultados serão atribuídos aos sócios proporcionalmente as suas quotas de capital, podendo os lucros a critério dos sócios serem distribuídos ou ficarem em reserva na sociedade. (sublinhamos) Ementa: ILL. INCIDÊNCIA. SOCIEDADE EMPRESÁRIA LIMITADA. DISPONIBILIDADE JURÍDICA DO LUCRO LÍQUIDO APURADO CONSTATADA. Se na data do encerramento do período base de apuração, o sócio quotista de sociedade empresária limitada tiver disponibilidade jurídica ou econômica d o lucro líquido apurado, incidirá a norma do artigo 35, da Lei 7.713/88 e a cobrança do ILL não estará maculada pelo vício da inconstitucionalidade. Acórdão 1402002.424, de 22.3.17 Fl. 242DF CARF MF Processo nº 10640.002169/200110 Acórdão n.º 2402006.960 S2C4T2 Fl. 243 8 Face ao exposto, VOTO no sentido de CONHECER do recurso apresentado para NEGARLHE provimento. (assinado digitalmente) Mauricio Nogueira Righetti Fl. 243DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10980.013035/99-15
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 05 00:00:00 UTC 2002
Numero da decisão: 202-00.444
Decisão: RESOLVEM os Membros da Segunda Câmara do Segundo Conselho de
Contribuintes, por unanimidade de votos, declinar competência ao Terceiro Conselho de Contribuintes para o julgamento do recurso, em razão da matéria.
Nome do relator: Antonio Carlos Bueno Ribeiro
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Numero do processo: 10283.903499/2012-85
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 27 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Apr 17 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Data do fato gerador: 31/08/2003
ICMS. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO DA CONTRIBUIÇÃO (PIS/COFINS).
O montante a ser excluído da base de calculo mensal da contribuição é o valor mensal do ICMS a recolher, conforme Solução de Consulta Interna nº 13 - Cosit, de 18 de outubro de 2018, interpretando entendimento firmado no julgamento do Recurso Extraordinário nº 574.706/PR, pelo Supremo Tribunal Federal.
Numero da decisão: 3302-006.705
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para excluir o valor do ICMS a recolher da base de cálculo da contribuição, vencido o Conselheiro José Renato Pereira de Deus que dava provimento em maior extensão para excluir o ICMS destacado.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho, Walker Araujo, Corintho Oliveira Machado, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Muller Nonato Cavalcanti Silva (Suplente Convocado) e Paulo Guilherme Deroulede (Presidente).
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO DA CONTRIBUIÇÃO (PIS/COFINS). O montante a ser excluído da base de calculo mensal da contribuição é o valor mensal do ICMS a recolher, conforme Solução de Consulta Interna nº 13 Cosit, de 18 de outubro de 2018, interpretando entendimento firmado no julgamento do Recurso Extraordinário nº 574.706/PR, pelo Supremo Tribunal Federal. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para excluir o valor do ICMS a recolher da base de cálculo da contribuição, vencido o Conselheiro José Renato Pereira de Deus que dava provimento em maior extensão para excluir o ICMS destacado. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho, Walker Araujo, Corintho Oliveira Machado, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Muller Nonato Cavalcanti Silva (Suplente Convocado) e Paulo Guilherme Deroulede (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 90 34 99 /2 01 2- 85 Fl. 86DF CARF MF Processo nº 10283.903499/201285 Acórdão n.º 3302006.705 S3C3T2 Fl. 3 2 Relatório Trata o presente processo de Pedido de Restituição (PER) eletrônico, por meio da qual a contribuinte solicita restituição de valor que teria sido indevidamente recolhido a título de PIS, no regime não cumulativo. Na apreciação do pleito, manifestouse a Delegacia da Receita Federal do Brasil de jurisdição pelo indeferimento do pedido de restituição, mediante Despacho Decisório (DD) acostado aos autos, fazendoo com base na constatação da inexistência do crédito informado, uma vez que o valor recolhido já havia sido integralmente utilizado para extinção do débito relativo ao período de apuração a que se referia, não restando crédito disponível para restituição. Inconformada com o indeferimento do PER, a contribuinte apresenta manifestação de inconformidade, na qual, após a apresentação dos fatos, explica que o pedido de restituição referese a créditos decorrentes de pagamentos a maior em razão da exclusão do ICMS da base de cálculo da contribuição. A interessada esclarece que, para apuração do valor indevidamente pago, elaborou planilha demonstrando a diferença entre o valor efetivamente recolhido e o valor que legalmente seria devido, excluindose da base de cálculo da contribuição o ICMS efetivamente apurado e recolhido. Informa, ainda, que a comprovação do direito creditório será feita em momento oportuno, no Livro Registro de Apuração do ICMS. A fim de justificar seu direito ao crédito, a contribuinte alega, em síntese, a inconstitucionalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da Cofins. Em sua defesa, cita julgamento da matéria no Supremo Tribunal Federal (STF). A Delegacia da Receita Federal de Julgamento, julgou improcedente a manifestação de inconformidade, nos termos do Acórdão nº 07040.565. Regulamente cientificada desta decisão, a Recorrente interpôs, tempestivamente, o recurso voluntário ora em apreço, no qual essencialmente reitera os argumentos iniciais apresentados na impugnação e aduz que a decisão recorrida não pode prosperar, uma vez que é desnecessária a previsão legal que permita a exclusão do ICMS da base de cálculo da Cofins e do PIS. Diz, ainda, que é impossível considerar o ICMS como parte do faturamento e aponta jurisprudência do STF. Por fim, requer reforma da decisão e reconhecimento da restituição pleiteada. É o relatório. Fl. 87DF CARF MF Processo nº 10283.903499/201285 Acórdão n.º 3302006.705 S3C3T2 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Paulo Guilherme Deroulede, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Acórdão nº 3302006.687, de 27 de março de 2019, proferido no julgamento do processo 10283.900996/201493, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão nº 3302006.687): "O recurso voluntário é tempestivo, e considerando o preenchimento dos demais requisitos de sua admissibilidade, merece ser apreciado. Em não havendo preliminares, passase, de plano, ao mérito do litígio. DA BASE DE CÁLCULO DA COFINS A matéria é por demais conhecida deste Colegiado, razão por que trato de invocar excertos de recente acórdão, nº 3302 006.452, de 30/01/2019, para ilustrar meu entendimento sobre a questão. Naquela oportunidade, o eminente relator, conselheiro Walker Araujo, assim se pronunciou sobre o tema: (...) sobre a inclusão ou não do ICMS na base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS, é de conhecimento notório que o Plenário do Supremo Tribunal Federal no RE 574.706, com repercussão geral reconhecida, decidiu que o ICMS não integra a base de cálculo das famigeradas contribuições. Contra a decisão proferida no RE 574.706, a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional opôs embargos declaratórios da decisão, pleiteando a modulação temporal dos seus efeitos e realizou outros questionamentos, em especial, se o valor a ser excluído é somente aquele relacionado ao arrecadado a título de ICMS e/ou se o valor a ser excluído da base de cálculo abrange, além do arrecadado, aquele destacado em Notas Fiscais de Saída, sendo que referidos questionamentos aguardam sua análise e julgamento pelo Supremo Tribunal Federal. Entretanto, em que se pese inexistir trânsito em julgado da decisão proferida pela Suprema Corte, entendo que se tornou definitiva a matéria quanto ao direito do Fl. 88DF CARF MF Processo nº 10283.903499/201285 Acórdão n.º 3302006.705 S3C3T2 Fl. 5 4 contribuinte ao menos de excluir da base de cálculo do PIS/COFINS a parcela do ICMS pago ou a recolher, restando àquela Corte apenas decidir se o direito de exclusão será concedido em maior extensão, abrangendo, além do arrecadado, aquele destacado em Notas Fiscais de Saída. A respeito do direito do contribuinte excluir da base de cálculo do PIS/COFINS a parcela do ICMS pago ou a recolher(...) (...) temos a Solução de Consulta Interna nº 13 Cosit, de 18 de outubro de 2018, emitida nos seguintes termos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CALCULO DA CONTRIBUIÇÃO. Para fins de cumprimento das decisões judiciais transitadas em julgado que versem sobre a exclusão do ICMS da base de calculo da Contribuição para o PIS/Pasep, no regime cumulativo ou não cumulativo de apuração, devem ser observados os seguintes procedimentos: a) o montante a ser excluído da base de calculo mensal da contribuição e o valor mensal do ICMS a recolher, conforme o entendimento majoritário firmado no julgamento do Recurso Extraordinário no 574.706/PR, pelo Supremo Tribunal Federal; b) considerando que na determinação da Contribuição para o PIS/Pasep do período a pessoa jurídica apura e escritura de forma segregada cada base de cálculo mensal, conforme o Código de Situação tributária (CST) previsto na legislação da contribuição, fazse necessário que seja segregado o montante mensal do ICMS a recolher, para fins de se identificar a parcela do ICMS a se excluir em cada uma das bases de calculo mensal da contribuição; c) a referida segregação do ICMS mensal a recolher, para fins de exclusão do valor proporcional do ICMS, em cada uma das bases de calculo da contribuição, será determinada com base na relacao percentual existente entre a receita bruta referente a cada um dos tratamentos tributários (CST) da contribuição e a receita bruta total, auferidas em cada mês; d) para fins de proceder ao levantamento dos valores de ICMS a recolher, apurados e escriturados pela pessoa jurídica, devemse preferencialmente considerar os valores escriturados por esta, na escrituração fiscal digital do ICMS e do IPI (EFDICMS/IPI), transmitida mensalmente por cada um dos seus estabelecimentos, sujeitos a apuração do referido imposto; e e) no caso de a pessoa juridica estar dispensada da escrituracao do ICMS, na Fl. 89DF CARF MF Processo nº 10283.903499/201285 Acórdão n.º 3302006.705 S3C3T2 Fl. 6 5 EFDICMS/IPI, em algum(uns) do(s) período(s) abrangidos pela decisão judicial com transito em julgado, poderá ela alternativamente comprovar os valores do ICMS a recolher, mês a mês, com base nas guias de recolhimento do referido imposto, atestando o seu recolhimento, ou em outros meios de demonstração dos valores de ICMS a recolher, definidos pelas Unidades da Federação com jurisdição em cada um dos seus estabelecimentos. Dispositivos Legais: Lei no 9.715, de 1998, art. 2o; Lei no 9.718, de 1998, arts. 2o e 3o; Lei no 10.637, de 2002, arts. 1o, 2o e 8o; Decreto no 6.022, de 2007; Instrução Normativa Secretaria da Receita Federal do Brasil no 1.009, de 2009; Instrução Normativa Secretaria da Receita Federal do Brasil no 1.252, de 2012; Convenio ICMS no 143, de 2006; Ato COTEPE/ICMS no 9, de 2008; Protocolo ICMS no 77, de 2008. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CALCULO DA CONTRIBUIÇÃO. Para fins de cumprimento das decisões judiciais transitadas em julgado que versem sobre a exclusão do ICMS da base de calculo da Cofins, no regime cumulativo ou não cumulativo de apuração, devem ser observados os seguintes procedimentos: a) o montante a ser excluído da base de calculo mensal da contribuição e o valor mensal do ICMS a recolher, conforme o entendimento majoritário firmado no julgamento do Recurso Extraordinário no 574.706/PR, pelo Supremo Tribunal Federal; b) considerando que na determinação da Cofins do período a pessoa jurídica apura e escritura de forma segregada cada base de calculo mensal, conforme o Código de Situação tributaria (CST) previsto na legislação da contribuição, fazse necessário que seja segregado o montante mensal do ICMS a recolher, para fins de se identificar a parcela do ICMS a se excluir em cada uma das bases de calculo mensal da contribuição; c) a referida segregação do ICMS mensal a recolher, para fins de exclusão do valor proporcional do ICMS, em cada uma das bases de calculo da contribuição, será determinada com base na relação percentual existente entre a receita bruta referente a cada um dos tratamentos tributários (CST) da contribuição e a receita bruta total, auferidas em cada mês; d) para fins de proceder ao levantamento dos valores de ICMS a recolher, apurados e escriturados pela pessoa jurídica, devemse preferencialmente considerar os valores Fl. 90DF CARF MF Processo nº 10283.903499/201285 Acórdão n.º 3302006.705 S3C3T2 Fl. 7 6 escriturados por esta, na escrituração fiscal digital do ICMS e do IPI (EFDICMS/IPI), transmitida mensalmente por cada um dos seus estabelecimentos, sujeitos a apuração do referido imposto; e e) no caso de a pessoa jurídica estar dispensada da escrituração do ICMS, na EFDICMS/IPI, em algum(uns) do(s) período(s) abrangidos pela decisão judicial com transito em julgado, poderá ela alternativamente comprovar os valores do ICMS a recolher, mês a mês, com base nas guias de recolhimento do referido imposto, atestando o seu recolhimento, ou em outros meios de demonstração dos valores de ICMS a recolher, definidos pelas Unidades da Federação com jurisdição em cada um dos seus estabelecimentos. Dispositivos Legais: Lei no 9.718, de 1998, arts. 2o e 3o; Lei no 10.833, de 2003, arts. 1o, 2o e 10; Decreto no 6.022, de 2007; Instrução Normativa Secretaria da Receita Federal do Brasil no 1.009, de 2009; Instrução Normativa Secretaria da Receita Federal do Brasil no 1.252, de 2012; Convenio ICMS no 143, de 2006; Ato COTEPE/ICMS no 9, de 2008; Protocolo ICMS no 77, de 2008. Neste cenário, entendo que o montante a ser excluído da(s) base(s) de calculo da Contribuicao para o PIS/Pasep e da Cofins é o valor mensal do ICMS a recolher. Posto isso, voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário, para excluir o valor tão somente do ICMS a recolher da base de cálculo da contribuição." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por dar provimento parcial ao recurso voluntário, para excluir o valor do ICMS a recolher da base de cálculo da contribuição. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Deroulede Fl. 91DF CARF MF
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Numero do processo: 13896.907889/2016-38
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 28 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Apr 23 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3201-001.896
Decisão:
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do Recurso em diligência.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
Relatório
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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decisao_txt : Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do Recurso em diligência. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. Relatório
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(assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. Relatório Trata o processo de Recurso Voluntário contra decisão que julgou improcedente a manifestação de inconformidade em face da não homologação da compensação apresentada pela contribuinte. Segundo o despacho decisório, as compensações não foram homologadas em razão de não ter sido apurada a existência de direito creditório. Tais conclusões, ao que consta, encontram amparo no Termo de Verificação Fiscal carreado aos autos. No aludido TVF, emitido em decorrência da necessidade de análise das DCTF retificadoras apresentadas e, também, dos esclarecimentos que posteriormente foram prestados pela contribuinte, consta que “as receitas auferidas pela CATHO, decorrentes de sua atividade RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 96 .9 07 88 9/ 20 16 -3 8 Fl. 483DF CARF MF Processo nº 13896.907889/201638 Resolução nº 3201001.896 S3C2T1 Fl. 3 2 fim, não se enquadram na exceção prevista no inciso XXV do artigo 10 da Lei nº 10.833/2003, estando sujeitas, portanto, ao regime NÃO CUMULATIVO de apuração do PIS e do COFINS.” Consta, portanto, que as DCTF retificadoras não deveriam ser homologadas e que, por não existirem, os créditos não deveriam ser reconhecidos. Na manifestação de inconformidade apresentada, a contribuinte, após resumo dos fatos, esclarece que houve mudança no controle acionário da empresa e que, em razão disso, foi submetida a uma profunda revisão de políticas e procedimentos. Em decorrência, diz que teria identificado que suas atividades vinham sendo indevidamente qualificadas para fins de PIS e de Cofins, sendo necessário, portanto, a retificação das DCTF. A seguir, discorre sobre a sua atividade. Afirma que os serviços prestados não abrangem promessa de emprego ou obrigação presente ou futura de recolocação ou obtenção de emprego para seus clientes. Aduz, ainda, que o seu site na internet “é somente uma ferramenta online que permite ao assinante consultar vagas, enviar currículos e acessar demais conteúdos aí disponibilizados” sem “qualquer garantia de colocação profissional” nem “qualquer cobrança relacionada a essas atividades.” Em suma, conforme afirma, “simplesmente disponibiliza conteúdo na Internet aos Assinantes e não desenvolve qualquer atividade de intermediação.” Salienta que se qualifica como empresa de Internet, com atividade de portal ou empresa provedora de conteúdo e de informações, e que sua atividade vem descrita na Norma 004/95, aprovada pela Portaria nº 148, de 1995, item 3, letras ‘e’ e ‘f’ do Ministério das Comunicações. Objetivando o acesso às informações especializadas que são disponibilizadas, afirma que desenvolveu ferramenta própria (software), “cujo uso é liberado/cedido para seus clientes, os Assinantes.” Insiste que não promove a intermediação de contratação de mão de obra. Aduz que “sua tarefa se esgota em permitir o acesso à informação que integra seus bancos de dados: currículos e vagas.” Chama a atenção para o contido no inc. XXV do art. 10 da Lei nº 10.833, de 2003 e diz que conforme Solução de Consulta nº 309, de 2011, “a RFB confirmou, expressamente, que, para o contribuinte aplicar o regime cumulativo dessas contribuições sociais, basta exercer apenas uma das atividades mencionadas no inciso XXV citado anteriormente.” Na seqüência, diz que se deve destacar “que a simples não homologação das declarações retificadoras não é fato que, por si só, é capaz de fundamentar a não homologação das compensações realizadas.” Diz ser incabível a revisão de ofício da homologação pois ela não teria ocorrido por erro “mas sim pelo correto enquadramento legal da situação ora analisada”. Se houve erro, aduz, ele teria ocorrido com a revisão. Reclama, ainda, que não existe base legal para a revisão de ofício. Insiste na necessidade de cancelamento do despacho decisório. Ao final, requer a reforma do despacho decisório e a homologação das compensações. Subsidiariamente requer o cancelamento do despacho decisório em face da Fl. 484DF CARF MF Processo nº 13896.907889/201638 Resolução nº 3201001.896 S3C2T1 Fl. 4 3 impossibilidade de revisão de ofício no caso de erro de direito. Protesta pelo direito de provar o alegado por todos os meios de prova e informa que “não está questionando judicialmente a matéria discutida nestes autos.” A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Curitiba/PR julgou improcedente a manifestação de inconformidade do contribuinte e não reconheceu o direito creditório. Inconformada a contribuinte, apresentou recurso voluntário no qual repisa mesmos argumentos pleiteados em manifestação de inconformidade para o deferimento integral dos valores que constam do pedido de restituição. Suscita em seu pedido: i. Seja declarada a nulidade do v. acórdão recorrido, com o retorno dos autos à origem, para que (a) nova decisão seja proferida, com adstrição aos limites objetivos da lide fixados no Termo de Verificação Fiscal e na manifestação de inconformidade; ou (b) subsidiariamente, para que seja devolvido à recorrente o prazo para manifestação, garantindo lhe o exercício do direito de defesa em relação aos pontos novos suscitados pelo v. acórdão, tudo sob pena de contrariedade e negativa de vigência aos arts. 16, 17 e 18, parágrafo 3o, do Decreto n. 70.235, à luz do art. 5o, inciso LIV e LV, da Constituição de 1988; ii. Na eventualidade da superação da preliminar acima, seja reformado o v. acórdão, com o integral cancelamento das exigências fiscais, em razão da declaração: a. da nulidade do r. despacho decisório, por ter configurado revisão de ofício de lançamento, por erro de direito, com violação aos arts. 145 e 149 do CTN; b. da nulidade do r. despacho decisório, por carência de motivação, por ter se baseado em termo de verificação fiscal que não analisou o direito creditório discutido nestes autos, com violação ao art. 9o do Decreto n. 70,235; c. da improcedência do r. despacho decisório, tendo em vista a legitimidade da inclusão das receitas da recorrente no regime cumulativo de apuração da contribuição ao PIS e da COFINS, com a consequente homologação da declaração de compensação, sob pena de contrariedade e negativa de vigência aos arts. 10, inciso XXV e 15, inciso V, da Lei n. 10.833; d. eventualmente, caso se entenda que a requerente se encontra submetida ao regime não cumulativo das contribuições, seja reconhecida a inexistência de crédito tributário passível de cobrança, sob pena de bis in idem. É o relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº Fl. 485DF CARF MF Processo nº 13896.907889/201638 Resolução nº 3201001.896 S3C2T1 Fl. 5 4 3201001.853, de 26 de março de 2019, proferido no julgamento do processo 13896.720975/201638, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Resolução nº 3201001.8539): "O Recurso Voluntário atende aos requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. Antes de adentrar ao exame do Recurso apresentado, cumpre esclarecer que o presente processo tramita na condição de paradigma, nos termos do art. 47 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015: Art. 47. Os processos serão sorteados eletronicamente às Turmas e destas, também eletronicamente, para os conselheiros, organizados em lotes, formados, preferencialmente, por processos conexos, decorrentes ou reflexos, de mesma matéria ou concentração temática, observando se a competência e a tramitação prevista no art. 46. § 1º Quando houver multiplicidade de recursos com fundamento em idêntica questão de direito, o Presidente de Turma para o qual os processos forem sorteados poderá sortear 1 (um) processo para definilo como paradigma, ficando os demais na carga da Turma. § 2º Quando o processo a que se refere o § 1º for sorteado e incluído em pauta, deverá haver indicação deste paradigma e, em nome do Presidente da Turma, dos demais processos aos quais será aplicado o mesmo resultado de julgamento. Nesse aspecto, é preciso esclarecer que cabe a este Conselheiro o relatório e voto apenas deste processo, ou seja, o entendimento a seguir externado terá por base exclusivamente a análise dos documentos, decisões e recurso anexados neste processo. Feito tal esclarecimento, passase ao exame das razões de Recurso. A pretensão da contribuinte de requalificar a natureza jurídica de seus serviço, de intermediação para atividades de internet, enquadrando as receitas auferidas no regime cumulativo foi indeferido no despacho decisório proferido com base nas conclusões do TVF que consta do dossiê nº 10010.014822/021604, formalizado para análise das DCTFs retificadoras transmitidas para espelharem o procedimento de requalificação. De fato, concluiu o procedimento fiscal que os serviços prestados pelo contribuinte não poderiam ser qualificados como serviços de internet (art. 10, XXV e art. 15, V, da Lei nº 10.833/03), mas sim de intermediação, mantendoos no regime de apuração não cumulativo. Fl. 486DF CARF MF Processo nº 13896.907889/201638 Resolução nº 3201001.896 S3C2T1 Fl. 6 5 A principal matéria em litígio envolve a rejeição pela autoridade fiscal em sede de despacho decisório da requalificação das atividades da recorrente e a mudança para o regime cumulativo de apuração da Contribuição para o PIS e para a Cofins. Os argumentos da fiscalização são no sentido de que o regime a que se submete as receitas das atividades desenvolvidas pela Catho para apuração e recolhimento continuava a ser o da não cumulatividade, pois não se tratam de serviços de informática (desenvolvimento de software ou de páginas eletrônicas) nos termos do art. 10, XXV, da Lei nº 10.833/03 uma vez que a atividade seria a prestação de serviços de intermediação ao profissional que busca se posicionar no mercado de trabalho. Nada obstante, o TVF assevera que para que a receita auferida subsumase à sistemática da apuração cumulativa devese comprovar que esta (receita) advenha da prestação de alguns dos serviços listados no referido dispositivo da Lei 10.833/03. Pois bem, compulsando os autos, em especial os termos e demais peças que constam do dossiê nº 10010.014822/021604 verificase que em momento algum a contribuinte fora intimada a comprovar a natureza de suas receitas. Ao contrário, a intimação limitouse a solicitar esclarecimentos e informações que resultaram na requalificação das receitas, como se vê: De ressaltar, contudo, que o fundamento para o indeferimento do pleito creditório é a natureza da receitas das atividades prestadas pela Catho conforme descritos nos autos, que não se qualificam como sujeitas à apuração cumulativa. O acórdão da DRJ trilha o mesmo fundamento de indeferimento e não homologação das compensações exarados no despacho decisório. Evidenciouse naquela decisão que o sítio da internet da Catho é uma mera ferramenta para quer o assinante consulte vagas de trabalho, envie currículos e acesse outros conteúdos. Poderseia concordar com os argumentos daqueles julgadores conquanto não trouxessem argumento subsidiário no qual reconhecem a possibilidade da contribuinte fazer prova de que determinadas atividades auferem receitas cuja apuração se dá no regime cumulativo. Vejase o excerto do voto condutor do acórdão recorrido: É possível concluir, portanto, que algumas de suas receitas podem estar sujeitas à apuração cumulativa das contribuições, ensejando, assim, a real possibilidade de enquadramento da empresa na modalidade de apuração mista das contribuições Fl. 487DF CARF MF Processo nº 13896.907889/201638 Resolução nº 3201001.896 S3C2T1 Fl. 7 6 (circunstância que, sendo eficazmente comprovada, pode evidenciar um possível erro no preenchimento da DCTF original). A forma como a existência de tal erro – que deve ser corrigido via DCTF retificadora – pode vir a ser acatado administrativamente irá depender da apresentação de provas (conforme estabelece o §1º do art. 147 do CTN), baseadas na escrituração contábil/fiscal do período analisado, ou seja, da apresentação de provas capazes de demonstrar, sem possibilidade de dúvida, quais receitas foram efetivamente auferidas nos períodos sob análise e a que tipo de serviço/atividade elas se vinculam. Ressaltese que, para fazer jus à apuração cumulativa, devese comprovar que as receitas advêm efetivamente da prestação de serviços, no caso, de informática (tal como listado no inc. XXV do art. 10 da Lei nº 10.833, de 2003, já transcrito). Evidentemente, as receitas assim enquadradas, devem ser passíveis de segregação, com vistas à correta tributação. Sem que tais comprovações existam nos autos, inviável será o deferimento do pleito. Resta claro que no mérito a decisão recorrida reconheceu a possibilidade do contribuinte fazer prova a seu favor, providência esta até então não determinada pela autoridade fiscal e se insere nas situações que o art. 16 do Decreto nº 70.235/72 PAF prevê regra de exceção para a apresentação extemporânea de conjunto probatório após a impugnação (manifestação de inconformidade): Decreto n° 70.235, de 1972: Art. 14. A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento. Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. [...]Art. 16. A impugnação mencionará: [...]III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir. [...]§ 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente; (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) Fl. 488DF CARF MF Processo nº 13896.907889/201638 Resolução nº 3201001.896 S3C2T1 Fl. 8 7 Assim, entendo que os autos devam retornar à unidade preparadora para apreciação do Laudo Técnico apresentado pela Recorrente. Ante o exposto, voto no sentido de CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA, a fim de que a autoridade preparadora analise o Laudo Técnico colacionado aos autos pela Recorrente e identifique as atividades cujas receitas inseremse no regime de apuração cumulativa nos termos do inciso XXV do art. 10 e inciso V do art. 15, ambos da Lei nº 10.833/03. Se entender necessário, deverá intimar a Recorrente para, ainda no curso da diligência, apresentar outros documentos e/ou esclarecimentos a respeito do litígio. Ao término do procedimento, deve elaborar Relatório Fiscal sobre os fatos apurados na diligência, sendolhe oportunizado manifestarse sobre a existência de outras informações e/ou observações que julgar pertinentes ao esclarecimento dos fatos. Encerrada a instrução processual, a Recorrente deverá ser intimada para manifestarse no prazo de 30 (trinta) dias, findo o qual, sem ou com apresentação de manifestação, devem os autos serem devolvidos a este Colegiado para continuidade do julgamento. Importante frisar que as situações fática e jurídica presentes no processo paradigma encontram correspondência nos autos ora em análise. Desta forma, os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por converter o julgamento em diligência, a fim de que a autoridade preparadora analise o Laudo Técnico colacionado aos autos pela Recorrente e identifique as atividades cujas receitas inseremse no regime de apuração cumulativa nos termos do inciso XXV do art. 10 e inciso V do art. 15, ambos da Lei nº 10.833/03. Se entender necessário, deverá intimar a Recorrente para, ainda no curso da diligência, apresentar outros documentos e/ou esclarecimentos a respeito do litígio. Ao término do procedimento, deve elaborar Relatório Fiscal sobre os fatos apurados na diligência, sendolhe oportunizado manifestarse sobre a existência de outras informações e/ou observações que julgar pertinentes ao esclarecimento dos fatos. Encerrada a instrução processual, a Recorrente deverá ser intimada para manifestarse no prazo de 30 (trinta) dias, findo o qual, sem ou com apresentação de manifestação, devem os autos serem devolvidos a este Colegiado para continuidade do julgamento. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 489DF CARF MF
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Numero do processo: 10972.720042/2011-98
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 17 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Apr 11 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/06/2006 a 31/12/2010
CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. CUSTEIO. EMPRESA E SEGURADOS. VINCULAÇÃO AO RGPS. RESCISÃO DE CONTRATO DE TRABALHO.
Considera-se com segurado empregado, para fins previdenciários, o brasileiro ou estrangeiro domiciliado e contratado no Brasil para trabalhar como empregado em empresa domiciliada no exterior, cuja maioria do capital votante pertença à empresa brasileira de capital nacional.
Caso demonstrado não se tratar de empregado transferido, mas sim de empregado que teve sua rescisão de contrato de trabalho e que foi, após tal fato, trabalhar no exterior sem ter regressado ao Brasil, não há que se cogitar o recolhimento das contribuições previdenciárias devidas sobre o total da remuneração auferida.
Ainda que tenha havido a rescisão do contrato com a empresa brasileira, constatado que o empregado, durante a estadia no exterior, firmou contrato com a outrora empregadora, bem como retornou a nela laborar, há de se recolher as contribuições previdenciárias devidas sobre o total da remuneração auferida, principalmente em razão de as empresas pertencerem a um mesmo grupo econômico.
Numero da decisão: 2202-004.903
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para excluir do lançamento os valores vinculados a Renato Costa Panzarini, vencido o conselheiro Martin da Silva Gesto (relator), que deu provimento integral ao recurso. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Ludmila Mara Monteiro de Oliveira.
(assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson - Presidente
(assinado digitalmente)
Martin da Silva Gesto - Relator
(assinado digitalmente)
Ludmila Mara Monteiro de Oliveira - Redatora designada
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Marcelo de Sousa Sáteles, Martin da Silva Gesto, Ricardo Chiavegatto de Lima e Ronnie Soares Anderson .
Ausentes os Conselheiros Andréa de Moraes Chieregatto e Rorildo Barbosa Correia.
Nome do relator: MARTIN DA SILVA GESTO
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CUSTEIO. EMPRESA E SEGURADOS. VINCULAÇÃO AO RGPS. RESCISÃO DE CONTRATO DE TRABALHO. Considerase com segurado empregado, para fins previdenciários, o brasileiro ou estrangeiro domiciliado e contratado no Brasil para trabalhar como empregado em empresa domiciliada no exterior, cuja maioria do capital votante pertença à empresa brasileira de capital nacional. Caso demonstrado não se tratar de empregado transferido, mas sim de empregado que teve sua rescisão de contrato de trabalho e que foi, após tal fato, trabalhar no exterior sem ter regressado ao Brasil, não há que se cogitar o recolhimento das contribuições previdenciárias devidas sobre o total da remuneração auferida. 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(assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 97 2. 72 00 42 /2 01 1- 98 Fl. 2269DF CARF MF Processo nº 10972.720042/201198 Acórdão n.º 2202004.903 S2C2T2 Fl. 2.270 2 Ronnie Soares Anderson Presidente (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto Relator (assinado digitalmente) Ludmila Mara Monteiro de Oliveira Redatora designada Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Marcelo de Sousa Sáteles, Martin da Silva Gesto, Ricardo Chiavegatto de Lima e Ronnie Soares Anderson . Ausentes os Conselheiros Andréa de Moraes Chieregatto e Rorildo Barbosa Correia. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto nos autos do processo nº 10972.720042/201198, em face do acórdão nº 0944.871, julgado pela 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Juiz de Fora (DRJ/JFA), em sessão realizada em 03 de julho de 2013, no qual os membros daquele colegiado entenderam por julgar procedente o lançamento. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da DRJ de origem que assim os relatou: “No presente processo constam os autos de infração a seguir relacionados, referentes ao período 06/2006 a 12/2010, inclusive 13º salários, cuja ciência do sujeito passivo deuse em 29/07/2011, pessoalmente através do Sr. Zigomar Borges Correia – Gerente de Contabilidade e procurador da empresa, conforme doc. de fls. 168/171. a) AIOP – DEBCAD nº 37.347.3010 consolidado em 29/07/2011, no valor de R$ 1.743.879,17 (um milhão, setecentos e quarenta e três mil, oitocentos e setenta e nove reais e dezessete centavos), relativo ao período de 06/2006 a 12/2010, acostado às fls. 03/17 dos autos, para cobrança das contribuições previdenciárias a cargo da empresa, inclusive as destinadas ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho, SAT/RAT, incidentes sobre o total das remunerações pagas aos segurados empregados expatriados, devidas à Seguridade Social e não recolhidas em época própria e nem informadas em GFIP. Os fatos geradores foram identificados nos levantamentos E – EXPATR PATRONAL ANTES DA MP 449, competência 02/2007(MULTA DE 24%), E1 – EXPATR PATRONAL RETR MP 449, período 06/2006 A 11/2008 (MULTA DE 75%) e E2 – Fl. 2270DF CARF MF Processo nº 10972.720042/201198 Acórdão n.º 2202004.903 S2C2T2 Fl. 2.271 3 EXPATR PATRONAL MP 449, período de 12/2008 a 12/2010, exigindose a contribuição patronal de 20% e SAT/RAT de 2% até 05/2007, 3% de 06/2007 a 12/2009 e alíquota ajustada após 01/2010 em função do FAP, incidente sobre as remunerações dos segurados empregados expatriados, que prestam serviços à empresa autuada. b) AIOP – DEBCAD nº 37.347.3028 consolidado em 29/07/2011, no valor de R$ 37.556,83 (trinta e sete mil, quinhentos e cinqüenta e seis reais e oitenta e três centavos), relativo ao período de 06/2006 a 12/2010, acostado às fls. 18/28 dos autos, para cobrança das contribuições previdenciárias referente a parte dos segurados, incidentes sobre o total das remunerações pagas aos segurados empregados expatriados, devidas à Seguridade Social, não descontadas de suas remunerações e não recolhidas em época própria e nem informadas em GFIP. c) AIOA – CFL 68 DEBCAD nº 37.347.3060, lavrado em 05/07/2011, no valor de R$ 31.792,31 (trinta e um mil, setecentos e noventa e dois reais e trinta e um centavos), por apresentar a empresa, GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, infringindo o artigo 32, IV e parágrafo 5º, da Lei nº 8.212/1991, acrescentado pela Lei nº 9.528/1997, combinado com o artigo 225, IV e parágrafo 4º, do RPS aprovado pelo Decreto nº 3.048/1999. No relatório fiscal de fls. 32/117 a autoridade lançadora registra, sobre os Autos de Infrações AIOP Debcad nº 37.347.3010 e nº 37.347.3028 e AIOA Debcad nº 37.347.3060, o que se segue: O sujeito passivo apresentou à auditoria, em meio magnético, suas folhas de pagamento no layout previsto no Manual Normativo de Arquivos Digitais da extinta Secretaria da Receita Previdenciária, nos termos da Instrução Normativa MPS/SRP 12, de 20/06/2006, artigos 61 e 62 da Instrução Normativa SRP nº 03, de 14/07/2005, e artigo 8º da Lei nº 10.666, de 08/05/2003, conforme recibo anexo fl. 172. Constituem fatos geradores das contribuições sociais o pagamento de remunerações aos segurados empregados a serviço da empresa Black & Decker do Brasil Ltda., expatriados/transferidos para países sediados no exterior. O lançamento do crédito compreende: as contribuições sociais a cargo da empresa, inclusive SAT/RAT, a contribuição dos segurados, mas deles não descontadas pelo sujeito passivo incidentes sobre o total das remunerações pagas a segurados empregados expatriados e ainda, a multa por descumprimento de obrigação acessória. Salientese que nenhuma contribuição destinada a outras entidades e fundos – terceiros, foi lançada no presente processo, Fl. 2271DF CARF MF Processo nº 10972.720042/201198 Acórdão n.º 2202004.903 S2C2T2 Fl. 2.272 4 em função de expressa determinação legal contida no artigo 11, Capítulo II, da Lei nº 7.064/1982. Advirtase que os dados relacionados a fatos geradores, base de cálculo e valores das contribuições previdenciárias lançadas neste processo fiscal deveriam ter sido declarados à Secretaria da Receita Federal do Brasil – RFB, através das Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia e Informações à Previdência Social – GFIP, efetuandose os correspondentes recolhimentos. O sujeito passivo deixou de cumprir com as obrigações tributárias descritas acima, motivo pelo qual a RFB efetuou de ofício o presente lançamento, com aplicação das penalidades estabelecidas na Lei vigente na data de ocorrência dos fatos geradores, observando, inclusive, em relação às competências até a edição da Medida Provisória n° 449/2008 (11/2008), que alterou substancialmente a forma de aplicação de penalidades para os casos de não pagamento e de não declaração de contribuições previdenciárias, a aplicação da penalidade menos severa, em cumprimento ao contido no Artigo 106, II, "c", do Código Tributário Nacional. Foram destacados pelo auditor os seguintes pontos: 1. A empresa BLACK & DECKER DO BRASIL LTDA é uma empresa nacional pertencente a grupo empresarial sediado nos Estados Unidos, grupo este com ramificações empresariais em vários países. 2. constatouse que a empresa transferiu 03 (três) de seus funcionários, cujos contratos estavam sendo executados em estabelecimento seu localizado aqui no Brasil, para trabalharem no exterior, em empresas de seu conglomerado econômico. 3. Os empregados transferidos foram : Oswaldo Vitoratto Júnior e Renato Costa Panzarini, transferidos para os Estados Unidos; Paulo Fernando Martins, transferido para a Argentina. 4. O deslocamento de trabalhadores para o exterior possui legislação específica (Lei 7.064/82 e Decreto 89.339/84), a qual trata, dentre outras questões, da situação previdenciária dos transferidos. Ressaltese, entretanto, que a legislação citada, bem como as demais leis internas em matéria previdenciária deverão curvarse à primazia dos Acordos Internacionais de Previdência, quando existirem. 5. Considerando a legislação interna vigente e a inexistência de Acordo Internacional de Previdência social assinado entre o Brasil e os Estados Unidos da América, temse que os funcionários transferidos para este país mantêm a qualidade de segurados obrigatórios da Previdência Social durante o período de prestação no exterior, sendo devido, portanto, o normal custeio da Previdência em relação a eles. Fl. 2272DF CARF MF Processo nº 10972.720042/201198 Acórdão n.º 2202004.903 S2C2T2 Fl. 2.273 5 6. O teor do Acordo Internacional de Previdência Social assinado entre o Brasil e a Argentina retira a condição de segurado obrigatório do Regime Geral de Previdência Social brasileiro em relação ao trabalhador transferido para a Argentina, garantindo a este, igualdade de direitos previdenciários relativamente ao trabalhador argentino naquele país, inclusive a contagem do tempo lá trabalhado para fins de implementação futura ao direito à aposentadoria aqui no Brasil, quando de sua repatriação. 7. Tendo em vista a regra geral contida no Acordo Internacional e no Ajuste Administrativo firmados entre o Brasil e a Argentina, acerca da definição da legislação aplicável aos casos de transferências de trabalhadores entre os dois Estados, não são segurados obrigatórios da Previdência Social brasileira, pois, aplicarseá a legislação do país em cujo território se encontrem, no caso, a legislação da República da Argentina. 8. A não vinculação destes trabalhadores à Previdência Social Brasileira se dá, por não se enquadrarem as aludidas transferências na exceção prevista no artigo 3o do Acordo Internacional, c/c o artigo 4o do Ajuste Administrativo. Primeiro, porque o prazo da transferência é superior ao limite de doze meses admitida na regra de exceção, e, segundo, porque não há CERTIFICADO DE DESLOCAMENTO TEMPORÁRIO, relativamente a este empregado transferido. Sobre a Legislação interna brasileira, Lei 7.064, de 6 de Dezembro de 1982 que disciplina a situação, inclusive previdenciária, de trabalhadores contratados ou transferidos para prestar serviços no exterior, o auditor destaca o seguinte: 1. A referida Lei, juntamente com o Decreto n°. 89.339, de 31 de janeiro de 1984, que a regulamenta, corresponde a parte importante da legislação pátria atualmente vigente em nosso ordenamento jurídico, pois disciplina a situação dos trabalhadores contratados no Brasil, ou transferidos para prestarem serviços no exterior. 2. As transferências de empregados para localidade diversa da originalmente contratada somente serão reguladas pelos artigos 469 e 470 da CLT no caso destas transferências restringiremse aos limites do território brasileiro. Na hipótese de transferências para o exterior, em face de suas peculiaridades estas são disciplinadas, independentemente do seguimento econômico da empresa que transfere o trabalhador, pelo capítulo II da Lei 7.064/82. 3. Nas hipóteses de transferência prevista no capítulo II, da Lei 7.064/82, o vínculo de emprego continua estabelecido com a empresa brasileira, ocorrendo apenas transferência da localidade da prestação, permanecendo o trabalhador transferido vinculado à Previdência Social Brasileira. 4. A Lei 7.064/82, é o fundamento legal acerca do reconhecimento dos senhores Osvaldo e Renato , transferidos Fl. 2273DF CARF MF Processo nº 10972.720042/201198 Acórdão n.º 2202004.903 S2C2T2 Fl. 2.274 6 para os Estados Unidos pelo sujeito passivo, como segurados obrigatórios do Regime Previdenciário brasileiro. 5. A legislação previdenciária que rege o trabalho do expatriado, no caso as Leis 7.064/82 e 8.212/91 não se excluem, mas pelo contrário, se complementam, na medida em que esta última deu maior abrangência à proteção previdenciária do trabalhador expatriado. Sobre a Lei 8.212/91 o auditor diz que: 1. O artigo 12, I, “f”, apenas aumentou a abrangência da proteção previdenciária estabelecida na Lei 7.064/82, com vistas a garantir ao trabalhador a sua filiação ao regime previdenciário brasileiro mesmo no caso de contratação pela empresa estrangeira, desde que se trate de contratação de brasileiro ou estrangeiro, domiciliado e contratado aqui no Brasil, para trabalhar como empregado em empresa sediada no exterior, cuja maioria do capital votante pertença a empresa brasileira de capital nacional. 2. Na Lei 8.212/91, a transferência do trabalhador para o exterior está consubstanciada na alínea "a", inciso I, do artigo 12, na medida em que situa todos os empregados de empresas brasileiras como segurados empregados da Previdência Social. E não há dúvidas, se a hipótese é de mera transferência do empregado pela empresa brasileira, inquestionável que o vínculo de emprego permanece com esta, ainda que tal situação jurídica esteja formalmente dissimulada. Para melhor elucidar a questão o auditor destaca que Segurado empregado e Empregado, são figuras jurídicas próximas, mas distintas e nem sempre coincidentes. É certo que todo empregado de uma empresa brasileira será necessariamente segurado empregado da Previdência Social na condição de segurado empregado, exatamente em virtude da alínea "a", vista acima, porém, o inverso não é absolutamente verdadeiro, ou seja, tendo em vista o disposto nas demais alíneas do inciso I, artigo 12, da Lei 8.212/91, há situações em que a pessoa física assume obrigatoriamente a condição de segurado empregado perante a Previdência Social, mesmo não sendo um empregado nos termos definido pela CLT Sustentando a ocorrência de transferência dos trabalhadores Oswaldo e Renato para trabalharem no exterior em empresas do grupo econômico do sujeito passivo, o auditor salienta os seguintes aspectos: a). Sobre a transferência do Oswaldo Vitoratto Júnior. 1. O Sr. OSWALDO foi admitido em 22/11/1989 pela empresa BLACK & DECKER DO BRASIL LTDA, no cargo de Diretor de Vendas/ Gerente de Departamento de Tesouraria 2. Em 02/1998, o aludido funcionário teve seu contrato de trabalho formalmente rescindido, (fls. 196/197), sendo transferido pela BLACK & DECKER DO BRASIL LTDA para trabalhar em empresa de seu grupo econômico sediada nos Fl. 2274DF CARF MF Processo nº 10972.720042/201198 Acórdão n.º 2202004.903 S2C2T2 Fl. 2.275 7 Estados Unidos, onde permaneceu laborando até 12/2007, quando, então, retornou ao Brasil para voltar a executar seu contrato de trabalho em estabelecimento da Black & Decker neste país, 3. Conforme documento remetido pela empresa estrangeira destinado à auditoria informouse o pagamento de salários (em dólares) do senhor OSWALDO nos Estados Unidos. 4. Durante o período em que esteve trabalhando em empresa do grupo econômico da BLACK & DECKER sediada no exterior (02/1998 a 12/2007), nenhum contrato de trabalho entre a empresa estrangeira e o senhor OSWALDO foi formalizado. Por outro lado, não obstante a rescisão formalmente efetivada pelo sujeito passivo por ocasião da transferência do trabalhador, em 02/1998, novos contratos de trabalho foram efetivados com a empresa brasileira para os períodos 05/1998 a 03/2001 (Contrato de Trabalho e Rescisão Contratual) e 05/2002 até a saída definitiva do funcionário (Contrato de Trabalho e Rescisão Contratual), ambos no cargo de Presidente. 5. Registrese que durante o período da transferência do SR. OSWALDO para o exterior, a empresa BLACK & DECKER, aqui no Brasil, permaneceu pagando ao trabalhador parte de sua remuneração, fato comprovado mediante folhas de pagamentos apresentadas em meio magnético e ainda pelas Fichas Financeiras, também apresentadas a esta Auditoria Fiscal pelo sujeito passivo. 6. As remunerações pagas ao senhor Oswaldo pela empresa BLACK & DECKER aqui no Brasil, durante o período de transferência do trabalhador, foram realizadas sob o título de diversas rubricas, tais como, "horas normais", "utilidades", "férias", "décimo terceiro salário", etc. 7. As fichas financeiras correspondentes ao período da transferência, comprovam circunstâncias que deixam muito clara a continuidade da vinculação do Senhor Oswaldo perante a empresa Black & Decker do Brasil Ltda, tais como: No canto superior esquerdo do mencionado documento, no campo "Vínculo Empregatício:" consta a informação "Com vínculo"; No campo "Recolhe FGTS:" consta a informação "SIM"; No campo "Desconta INSS:" consta a informação "SIM"; No campo "Recebe Férias:" consta a informação "SIM"; No campo "Recebe 13°:" consta a informação "SIM" Analisando as rubricas discriminadas nas aludidas fichas constatase o desconto de valores sob o título de "Assist Medica" e "OMINT Saúde", fato que comprova a manutenção de Fl. 2275DF CARF MF Processo nº 10972.720042/201198 Acórdão n.º 2202004.903 S2C2T2 Fl. 2.276 8 Assistência Médica pelo sujeito passivo em favor do Sr.Oswaldo , durante o período da transferência. 8. Em relação à parte do salário que é paga ao funcionário aqui no Brasil, a empresa BLACK & DECKER DO BRASIL LTDA efetuou o desconto de contribuições previdenciárias a cargo do segurado, assim como recolheu as referidas contribuições a seu cargo (parte patronal), demonstrando que o sujeito passivo não duvida acerca da condição do Sr.Oswaldo como segurado obrigatório do Regime Geral de Previdência Social. 9. A própria empresa BLACK & DECKER DO BRASIL LTDA reconhece plenamente a natureza do deslocamento do Sr. Oswaldo como TRANSFERÊNCIA de funcionário para empresa estrangeira de seu grupo econômico, sediada nos Estados Unidos, circunstância claramente demonstrada em documento que apresentou a auditoria, conforme trechos a seguir transcritos: "Black & Decker do Brasil Ltda, por seu representante legal, (...) vem respeitosamente à presença de V. As. para: Apresentar os demonstrativos dos valores das remunerações do funcionário OSVALDO VITORATTO JÚNIOR, CPF 660.904.07887, pagas em dólar americano no período de 01/2006 a 12/2007 pela empresa do grupo da signatária sediada nos Estados Unidos da América, e demonstrativos dos valores pagos em Reais no período de 01/2006 a 03/2009 pela signatária;" Informar que o funcionário OSVALDO VITORATTO JÚNIOR esteve trabalhando no exterior no período de 02/1998 a 12/2007; Informar que na transferência para os Estados Unidos da América, o contrato de trabalho entre o funcionário OSVALDO VITORATTO JÚNIOR e a Signatária, foi rescindido formalmente. Entretanto novo contrato foi feito para o período de 05/1998 a 03/2001 e outro de 05/2002 até a saída do funcionário em 03/2009. • Informar que não foi firmado novo contrato de trabalho entre o funcionário OSVALDO VITORATTO JÚNIOR e a empresa do grupo da Signatária sediada no exterior; Transferência do Sr. Renato Costa Panzarini, o AuditorFiscal Diz que: 1. A efetivação da transferência do Sr. Renato, em linhas gerais, se deu praticamente do mesmo “modus operandi” do praticado em relação ao Senhor Oswaldo. 2. O Sr. Renato, teve o pagamento de sua remuneração efetuado integralmente pela empresa estrangeira pertencente ao grupo econômico da empresa Black Decker do Brasil para a qual ele foi transferido. Fl. 2276DF CARF MF Processo nº 10972.720042/201198 Acórdão n.º 2202004.903 S2C2T2 Fl. 2.277 9 3. que o pagamento pela empresa estrangeira, todavia, não tem nenhum reflexo na definição da natureza jurídica do deslocamento deste funcionário para o exterior, pois, bem mais importante é o fato de seu contrato estar sendo executado aqui no Brasil por ocasião de sua expatriação (inciso I, do artigo 2o, da Lei 7.064/82). 4. O Sr. Renato foi admitido em 02/01/1997 pela empresa BLACK & DECKER DO BRASIL LTDA, no cargo de Diretor de Materiais / Gerente de Departamento de Tesouraria (Ficha de Registro de empregado/Contrato de Trabalho), empresa na qual executava seu contrato de contrato. 5. Em 03/2000, o aludido funcionário, teve seu contrato de trabalho formalmente rescindido, todavia permaneceu ainda prestando seus serviços ao conglomerado econômico, tudo conforme informado pelo sujeito passivo através de documento destinado a esta auditoria e confirmado pelas fichas financeiras relativas ao pagamento de salários (em dólares), as quais foram remetidas pela empresa estrangeira à BLACK & DECKER brasileira e por esta também apresentadas à Auditoria. 6. Durante o período em que esteve trabalhando em empresa do grupo econômico da BLACK & DECKER sediada no exterior (03/2000 até a presente data), nenhum contrato de trabalho entre a empresa estrangeira e o Sr. Renato foi formalizado, conforme informado pelo sujeito passivo. 7. mesmo que existisse o contrato de trabalho formalizado com a empresa estrangeira do grupo econômico da BLACK & DECKER DO BRASIL LTDA, esta hipótese não seria suficiente para descaracterizar a realidade ocorrida, qual seja, a mera transferência da localidade da prestação, do Brasil, em cujo território o contrato do funcionário era executado, para outro estabelecimento sediado no exterior. 8. A continuidade do vinculo do Sr. Renato com a empresa BLACK & DECKER DO BRASIL LTDA é reconhecida pela própria empresa como funcionário, mesmo estando ele atualmente trabalhando em estabelecimento de seu grupo econômico sediado nos Estados Unidos, assim como exterioriza de forma plena a sua convicção quanto à natureza do deslocamento do referido trabalhador como sendo TRANSFERÊNCIA de funcionário para o exterior, circunstâncias estas claramente demonstradas em documento que apresentou à auditoria, conforme trechos a seguir transcritos: "Black & Decker do Brasil Ltda, por seu representante legal, (...) vem respeitosamente à presença de V. As. Para: Apresentar os demonstrativos dos valores das remunerações do funcionário RENATO COSTA PANZARINI, pagas em dólar americano no período de 01/2006 a 12/2010 pela empresa do grupo da signatária sediada nos Estados Unidos da América. A signatária o funcionário no período de 01/2006 a 12/2010." Fl. 2277DF CARF MF Processo nº 10972.720042/201198 Acórdão n.º 2202004.903 S2C2T2 Fl. 2.278 10 Informar que o funcionário foi transferido para os Estados Unidos da América em 03/2000 para trabalhar em empresa do grupo da Signatária, onde permanece até esta data; informar que na transferência para os Estados Unidos da America, o contrato de trabalho entre o funcionário e a Signatária foi rescindido formalmente. A signatária apresenta como anexo o contrato de trabalho rescindido. Informar que não foi firmado novo contrato de trabalho entre o funcionário e a empresa do grupo da Signatária sediada no exterior; A signatária informa que não localizou em seus arquivos o processo de expatriação do aludido funcionário. Afirma o auditor que diante do conjunto de provas e evidencias, sem nenhuma dúvida, ocorreu a remoção dos funcionários Renato Panzarini, Oswaldo Vitoratto Júnior e Paulo Fernando Martins para empresas do grupo econômico da BLACK & DECKER BRASIL LTDA enquadramse no conceito de transferência de trabalhador para o exterior, nos termos em que está delineado no artigo 2o da Lei 7.064/82. Registrese, mais uma vez, quetransferência do Sr. Paulo não foi objeto do lançamento, em face da existência de Acordo Internacional. Reforçando mais ainda sua convicção sobre a ocorrência da transferência dos funcionários para o exterior, o auditor assim se expressa: Durante o período das transferências, a empresa Black & Decker do Brasil Ltda permaneceu pagando parte dos salários dos funcionários Osvaldo Vitoratto Júnior e Paulo Fernando Martins; Por ocasião das transferências a empresa procedeu à rescisão formal dos contratos de trabalho dos três funcionários removidos para o exterior, no entanto, ao longo do período de permanência destes no exterior, a empresa Black & Decker do Brasil Ltda formalizou dois novos contratos de trabalho com o Sr. Osvaldo Vitoratto Júnior e um com o Sr. Paulo Fernando Martins; Relativamente aos senhores Osvaldo vitoratto Júnior e Renato Costa Panzarini sequer foram formalizados contratos de trabalho com a empresa estrangeira do grupo da Black & Decker do Brasil Ltda. Em relação ao senhor Paulo Fernando Martins o sujeito passivo afirmou que foi formalizado contrato de trabalho perante a empresa estrangeira de seu grupo econômico, solicitou prazo para apresentação, mas não o fez até a presente data. Ressaltamos, como fizemos noutra oportunidade, que a formalização de contrato perante a empresa estrangeira, por si apenas, não tem o condão de descaracterizar a transferência dos funcionários. Contudo, a inexistência destes são indicativos fortes de que a vinculação empregatícia destes permaneceu com a empresa Black & Decker do Brasil Ltda. Fl. 2278DF CARF MF Processo nº 10972.720042/201198 Acórdão n.º 2202004.903 S2C2T2 Fl. 2.279 11 A continuidade de vínculo dos funcionários removidos para o exterior com a empresa Black & Decker do Brasil Ltda está estampada nas fichas financeiras de pagamento de parte dos salários dos funcionários Osvaldo Vitoratto Júnior e Paulo Fernando Martins, realizado aqui no Brasil pelo sujeito passivo. Nestes documentos, elaborados pelo sujeito passivo, comprova se que esta empresa, durante o período da transferência, descontou contribuições previdenciárias das remunerações pagas aos aludidos funcionários, pagoulhes remunerações a título de férias e décimo terceiro salário, depositou FGTS em favor dos funcionários. Nestes documentos ainda contêm a informação "Com vínculo", demonstrando a condição de funcionário dos transferidos. Nos esclarecimentos do sujeito passivo, apresentados a esta Auditoria Fiscal (DOC 06 e DOC 15), há o claro reconhecimento pelo próprio sujeito passivo quanto ao vínculo de emprego existente com esta empresa, bem como, da transferência a que foram submetidos os três funcionários. Nos citados documentos, a empresa Black & Decker do Brasil reportase aos senhores Osvaldo vitoratto Júnior, Paulo Fernando Martins e Renato Costa Panzarini, por seguidas vezes, como funcionários transferidos. Dois dos funcionários removidos para o exterior (Osvaldo Vitoratto Júnior e Paulo Fernando Martins) já retornaram a laborar no território brasileiro, e ao fazêlo, o destino profissional deles foi exatamente a empresa BLACK & DECKER DO BRASIL LTDA. O segundo citado, inclusive, ocupa atualmente cargo executivo na citada empresa. O primeiro deles, após permanecer por um determinado período trabalhando em cargo executivo do sujeito passivo, rescindiu de fato e definitivamente o seu contrato de trabalho. Lembrando que os contratos de trabalho destes permaneceram vigentes durante o período das transferências, pois, a despeito de ter sido realizada a formal rescisão contratual destes trabalhadores, por ocasião de suas remoções para o exterior, foram formalizados novos contratos pouco tempo depois. Sobre as bases de cálculo das contribuições a autoridade lançadora diz que de acordo com a Lei de Custeio da Seguridade Social, , corresponde ao valor das remunerações destinadas aos segurados transferidos, independentemente de qual caixa provenham os recursos utilizados no seu pagamento, isto é, se do caixa do sujeito passivo, que, de acordo com a legislação brasileira é empregadora dos funcionários transferidos, ou se do caixa da empresa estrangeira para onde foi transferido cada um dos funcionários. Em seguida o auditor colaciona decisões judiciais de casos semelhantes, alinhadas com as conclusões da auditoria fiscal, ver fls. 92/100. Ressalta o fisco que valores das remunerações informadas em dólares americanos pelo sujeito passivo foram convertidos para Fl. 2279DF CARF MF Processo nº 10972.720042/201198 Acórdão n.º 2202004.903 S2C2T2 Fl. 2.280 12 moeda nacional (Reais), com base no câmbio oficial divulgado pelo Banco Central do Brasil – BACEN, apresentados na planilha denominada "Demonstrativo das remunerações dos Segurados Expatriados e das Correspondentes Contribuições Lançadas", sendo anexada em meio digital ao presente processo (DOC 20). A citada planilha contém, por competência, os valores das remunerações dos funcionários OSWALDO VITORATTO JÚNIOR e RENATO COSTA PANZARINI, relativas ao período da transferência para o exterior, expressos em dólares americanos e em reais, bem como os valores das contribuições previdenciárias incidentes sobre as aludidas remunerações, inclusive valores a título de SAT/RAT. Registrese que as contribuições devidas pelos segurados (artigo 20, da Lei 8.212/91), mas não descontadas pela empresa, apenas foram lançadas contribuições a cargo do segurado RENATO COSTA PANZARINI, observandose para tal, o limite máximo do salário de contribuição previsto no § 5o, artigo 28, da Lei 8.212/91. No tocante ao segurado OSWALDO VITORATTO JÚNIOR, a empresa já havia descontado das remunerações que lhe pagou no Brasil, durante o período da transferência, o valor máximo de contribuições dele exigidas por Lei, bem como recolhido os referidos valores. Relata a autoridade fiscal, que os acréscimos legais (juros e multa) incidentes sobre os valores originais apurados a título de parte patronal (FPAS/SAT), parte dos segurados não descontada e da penalidade por falta de declaração em GFIP (descumprimento de obrigação acessória – AIOA CFL 68), foram registrados em aplicativo próprio da RFB, que calcula automaticamente os acréscimos legais (juros e multa de ofício), podendo o seu resultado ser verificado no Relatório de Lançamentos, anexo ao Auto de Infração. Para as competências 06/2006 a 11/2008, foi calculada a multa de mora por falta de pagamento no prazo legal, incidente sobre os valores originários apurados: 24% sobre os valores das contribuições lançadas (artigo 35, II, "a", da Lei n° 8.212/91 redação dada pela Lei n° 9.876, de 26/11/1999, mas revogada pela MP n° 449, de 03/12/2008, que deu nova redação ao citado dispositivo). No período ora abordado, além da multa de mora, acima mencionada, aplicável pelo não pagamento das contribuições no prazo legalmente estabelecido, o contribuinte ainda estava sujeito à multa por deixar de declarar em suas GFIPs todos os fatos geradores/contribuições lançadas no presente processo fiscal (descumprimento de obrigação acessória), estando o valor da referida penalidade estabelecido no artigo 32, § 5o, da Lei 8.212/91, que igualmente foi revogado pela MP n° 449, de 03/12/2008: multa equivalente a 100% dos valores não declarados no citado documento, limitado ao valor da multa Fl. 2280DF CARF MF Processo nº 10972.720042/201198 Acórdão n.º 2202004.903 S2C2T2 Fl. 2.281 13 que seria aplicado caso a empresa não tivesse sequer apresentado a GFIP. Esta penalidade foi aplicada em auto de Infração distinto, isto é, através do AIOA Debcad nº 37.347.3060, que também integra o presente processo fiscal. Ressaltese que a aplicação conjunta das penalidades mencionadas anteriormente (multa de mora, pela falta de pagamento, e penalidade pela falta de declaração, ou seja, pelo descumprimento de obrigação acessória) estava, entretanto, condicionada à análise e observância da penalidade menos severa em comparação à penalidade instituída pela MP n° 449, de 03/12/2008. Em razão disso, a aplicação conjunta das penalidades reportadas acima, apenas ocorreu na competência 02/2007 (24% de multa de mora e AIOA CFL 68). Em todas as demais competências foi aplicada a penalidade instituída com a edição da MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, multa de ofício de 75%, aplicável cumulativamente pelo não pagamento e pela não declaração, na medida em que esta se mostrou menos severa ao sujeito passivo, conforme previsão contida na alínea “c”, inciso II, do artigo 106 do CTN. Para as competências 12/2008 a 13/2010, foi aplicada a multa de ofício de 75% por falta de declaração e falta de pagamento no prazo legal, não tendo neste período que se falar em comparativo de multas para aplicação da mais benéfica, prevalecendo a nova multa prevista na MP 449/2008. No Auto de Infração Debcad nº 37.347.3060 – AIOA CFL 68, foi lançada a multa por não declarar as contribuições previdenciárias em GFIP, infração ao artigo 32, §5º, da Lei nº 8.212/1991, revogado pela MP nº 449/2008, em relação à competência 02/2007, equivalente a 100% dos valores não declarados, limitado seu valor a um multiplicador sobre o valor mínimo previsto no artigo 92, em função do número de segurados existente na empresa, conforme valores previstos no § 4º do mesmo artigo. DA IMPUGNAÇÃO Em 30/08/2011, envelope sedex fls. 2076/2078 o contribuinte, através de seu representante legal, apresentou impugnação aos AIOPs Debcad nºs 37.347.3010, 37.347.3028 e AIOA 37.347.3060, fls. 1757/1792, 1863/1898 e 1969/2005, onde expõe: Em relação aos Autos de Infração por descumprimento de obrigação principal, inicialmente diz que o entendimento da fiscalização está equivocado pois os trabalhadores citados são exempregados que passaram a trabalhar no exterior (dois nos E.U.A e um na Argentina) após a rescisão dos contratos de trabalho no Brasil. Fl. 2281DF CARF MF Processo nº 10972.720042/201198 Acórdão n.º 2202004.903 S2C2T2 Fl. 2.282 14 A fiscalização simplesmente ignorou os Termos de Rescisão de Contrato de Trabalho TRCT's' apresentados, ora juntados à presente defesa, devidamente homologados pela entidade sindical, e considerou que os referidos exempregados foram "transferidos" para o exterior, nos termos da Lei n° 7.064/82 e do Decreto n° 89.339/84. Diz que a situação não configura a hipótese se transferência contida na Lei nº 7.064/82, merecendo ser anulado o presente Auto de Infração, em razão do que passa a demonstrar. Da decadência parcial do débito Diz a impugnante que o débito ora em discussão se encontra parcialmente extinto pela decadência, haja vista tratarse de débito relativo ao período compreendido entre junho/2006 e dezembro/2010 (13° salário), tendo o contribuinte sido intimado da presente notificação apenas em 29/07/2011. A doutrina e a jurisprudência pátria são unânimes em declarar a natureza tributária das contribuições sociais. Nestas condições, verificase que o prazo decadencial para que a fiscalização constituísse eventual débito da impugnante era de 5 anos, consoante dispõe o artigo 173 e 150, § 4o, ambos do CTN. Cita a Súmula Vinculante n° 8, do STF, que declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da lei 8.212/91 e estabeleceu em 5 anos o prazo decadencial para o INSS constituir seus créditos, dizendo que nesse sentido aplicase, preliminarmente, o contido no artigo 173, I, do Código Tributário Nacional. Logo, após a edição da referida súmula, em não tendo ocorrido antecipação de pagamento, o prazo para constituição do crédito previdenciário passa ser de 5 anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento deveria ter sido efetuado. Ressaltase que nessa esteira de raciocínio, concluiu a fiscalização que não estariam decaídos os valores da competência de junho de 2006, como se tivessem seu prazo decadencial iniciado apenas em janeiro de 2007. Ocorre que tal entendimento nega vigência ao artigo 150, §4°, do CTN, considerando ser indiscutível que as contribuições previdenciárias são tributos sujeitos ao lançamento por homologação, e o prazo que a Seguridade Social dispõe para constituir seus créditos é qüinqüenal, começando a fluir da data da ocorrência do fato gerador, a teor do § 4o, do art. 150, do CTN. Relata a empresa impugnante que é incontroverso e pode ser observado nos sistemas da Previdência Social (isto porque está sendo cobrado apenas uma diferença de contribuições previdenciárias incidente sobre a folha de salários (FPAS/SAT/SEGURADO) que nesses meses a empresa lançou outros fatos geradores em seus documentos declaratórios, de Fl. 2282DF CARF MF Processo nº 10972.720042/201198 Acórdão n.º 2202004.903 S2C2T2 Fl. 2.283 15 modo que houve o pagamento de tributo declarado em GFIP (sobre o efetivo salário dos empregados e todos os demais valores que constituíram a base de cálculo para tanto), cabendo à autoridade homologar o valor informado e recolhido, o que não ocorreu, acarretando a extinção do pretenso crédito tributário após 5 anos do fato gerador. Assim sendo, a autuação se encontra atingida pela decadência em relação ao mês de 06/2006, que teve vencimento em 02/07/2006 e decadência em 03/07/2011. Da ausência de Fundamento Legal Diz a impugnante que a fiscalização mencionou diversas vezes no relatório fiscal da autuação que a impugnante teria deixado de atender exigências contidas na Lei n° 7.064/82 e no Decreto n° 89.339/84, que se referem à TRANSFERÊNCIA DE EMPREGADOS ATIVOS PARA O EXTERIOR, o que não foi o fato ocorrido. No entanto, nenhum dispositivo da Lei n° 7.064/82 ou do Decreto n° 89.339/84 foi apontado como fundamento do débito no Relatório de Fundamentos Legais FLD, que seguiu anexo ao auto de infração. No caso em análise, ainda há que se ressaltar que a forma do ato administrativo que constitui o crédito tributoprevidenciário é essencial para sua validade, nos termos do artigo 142 do CTN, do artigo 37 da Lei n° 8.212/91 e até mesmo da Instrução Normativa n° 971/2009, atualmente vigente. Do Mérito Não obstante a impugnante haver apresentado documentos que demonstram o término do contrato de trabalho dos referidos ex empregados (conforme os Termos de Rescisão de Contrato de Trabalho TRCT's' apresentados à fiscalização e ora juntados à presente defesa), a auditoria fiscal considerou que os referidos exempregados teriam sido "transferidos" para o exterior, nos termos da Lei n° 7.064/82 e do Decreto n° 89.339/84. Entretanto, os referidos exempregados da impugnante tiveram seus contratos de trabalhos terminados no Brasil não configurando a hipótese de transferência, contida na Lei n° 7.064/82. Descartase, de plano, a hipótese de transferência contida na lei, uma vez que todos os 3 (três) exempregados da ora impugnante NÃO FORAM: removidos para o exterior com contrato executado no território brasileiro; cedidos a empresa sediada no estrangeiro, mantendo o vínculo trabalhista com o empregador brasileiro; e contratados por Fl. 2283DF CARF MF Processo nº 10972.720042/201198 Acórdão n.º 2202004.903 S2C2T2 Fl. 2.284 16 empresa sediada no Brasil para trabalhar a seu serviço no exterior. Nos 3 (três) casos, como é fato incontroverso exposto no próprio relatório fiscal, houve encerramento do vínculo de emprego existente entre os referidos exempregados, “in verbis” • Por ocasião das transferências a empresa procedeu a rescisão formal dos contratos de trabalho dos três funcionários removidos para o exterior (...)" (g.n.) Diz ainda que a rescisão de contrato de trabalho com a devida assistência da entidade sindical consiste em ato jurídico perfeito e acabado (art. 6o da LICC), não havendo que se falar, portanto, em transferência. Da incompetência da fiscalização para declarar eventual continuidade de vínculo empregatício Na seqüência alega a incompetência da fiscalização da Receita Federal do Brasil para declarar a continuidade do vínculo empregatício. Relata que a Fiscalização do INSS entendeu por bem desconsiderar as rescisões de contrato de trabalho havidas e concomitantemente autuar a impugnante por ter concluído que teria havido continuidade de vínculo entre os referidos 3 (três) empregados citados em razão de suposta transferência. Ocorre que, nos termos do art. 114 da Constituição Federal de 1988, em especial após as modificações que lhe foram introduzidas pela Emenda Constitucional n°. 45/2004, SOMENTE A JUSTIÇA DO TRABALHO TEM COMPETÊNCIA PARA TANTO. Diz que o Sr. Auditor Fiscal claramente extrapolou os limites de sua função, uma vez que invadiu esfera de competência da Justiça do Trabalho, declarando a continuidade de vínculo empregatício entre os Srs. Oswaldo Vitoratto Júnior, Renato Costa Panzarini e Paulo Fernandes Martins com a ora impugnante, mesmo após a rescisão de seus contratos de trabalho homologada pelo Sindicato. Afirma que a incompetência do INSS (atual fiscalização da RFB) para a declaração de vínculo de emprego decorre até mesmo da impossibilidade da Fiscalização apurar com precisão a existência dos requisitos necessários para a caracterização do vínculo laboral, especialmente no que se refere à subordinação jurídica. E ainda, que a fiscalização ignorou os documentos apresentados pela ora impugnante e somente se ateve à análise de documentos que lhe foram convenientes, não observando a realidade fática da relação jurídica, o que impede (e impediu, no presente caso) a verificação de que teria havido continuidade, no exterior, do contrato de trabalho com a impugnante. Fl. 2284DF CARF MF Processo nº 10972.720042/201198 Acórdão n.º 2202004.903 S2C2T2 Fl. 2.285 17 Nesse sentido, a recorrente traz reiterados julgados do Tribunal Regional Federal da 4a Região, que demonstram a impossibilidade de declaração de vínculo de emprega pelo INSS. Neste caso, em a Justiça do Trabalho declarando a unicidade dos contratos de trabalho e ato contínuo entendendo ser aplicável a legislação brasileira, poderia esta determinar o pagamento de verbas não quitadas e relativas ao período em que os serviços foram prestados no exterior, como, por exemplo, gratificação de natal (décimo terceiro salário), FGTS, contribuições previdenciárias (INSS), férias com 1/3, tomandose como base o valor integral pago fora do Brasil. Portanto, a fiscalização não possui competência para: (i)desconsiderar a rescisão dos contratos e ignorar os Termos de Rescisão de Contrato de Trabalho TRCTs' apresentados (ora juntados à presente defesa); (ii)caracterizar a hipótese de transferência contida na Lei n° 7.064/82; e ainda, (iii)declarar a continuidade de vínculo entre os empregados rescindidos e a ora impugnante, à época em que os mesmo prestaram serviços para outra empregadora, no exterior. Da inexistência de lei que autorize a cobrança de contribuições previdenc1árias nos casos em análise não ocorrência da hipótese prevista na lei n° 8.212/91 Ressalta que a Lei n° 8.212/91, em seu art. 12, dispõe de maneira clara e precisa quem são os segurados obrigatórios da Previdência Social, na qualidade de empregados e que notadamente, para fazer jus à autuação ora lavrada, a fiscalização realizou toda uma construção, construção essa não baseada em fatos ou documentos, mas sim em suposições. Neste sentido, para justificar os lançamentos, alegou a ocorrência do art. 12, I, f, da Lei n° 8.212/91. Nos termos do referido artigo, são segurados obrigatórios da Previdência Social o empregado brasileiro, ou estrangeiro domiciliado, e contratado no Brasil para trabalhar como empregado em empresa domiciliada no exterior, cuja maioria do capital votante pertença a empresa brasileira de capital nacional. No caso em análise, os citados empregados não se enquadram na hipótese prevista na alínea f, do inciso I, do artigo 12, da Lei n° 8.212/91. Da análise específica e individualizada dos casos apontados pela fiscalização a) Oswaldo Vitoratto Junior Fl. 2285DF CARF MF Processo nº 10972.720042/201198 Acórdão n.º 2202004.903 S2C2T2 Fl. 2.286 18 Em síntese, o Sr. Oswaldo foi empregado da impugnante nos seguintes períodos (conforme declaração de próprio punho anexa): de 22/11/1989 a 01/02/1998; de 02/05/1998 a 30/03/2001; e de 02/05/2002 a 03/03/2009. E, nesses períodos, a impugnante sempre pagou todas as verbas trabalhistas devidas em decorrência do contrato de trabalho no Brasil e recolheu todas as contribuições previdenciárias sobre elas incidentes, o que inclusive foi objeto de exclusão de lançamentos por parte da fiscalização. Se durante esses períodos o Sr. Oswaldo prestou serviços no exterior empresa estrangeira e em decorrência de contrato regido pelas leis estrangeiras, não pode a impugnante ser compelida a efetuar recolhimentos em decorrência de pagamentos ajustados com a empresa estrangeira e efetuados no exterior, sobre os quais a empresa brasileira jamais teve qualquer ingerência. Logo, em relação ao Sr. Oswaldo nada mais deve ser tributado, poís: (i)o Sr. Oswaldo nunca foi transferido para prestar serviços no exterior; (ii)as rescisões dos contratos de trabalho entre o Sr. Oswaldo e a impugnante foram devidamente homologadas pela entidade sindical, constituindose em ato jurídico perfeito e acabado; (iii)sempre que a impugnante necessitou dos serviços de consultoria do Sr. Oswaldo, mesmo nos períodos em que ele esteve residindo no exterior, o contratou como empregado no Brasil, registrandoo e honrando o salário ajustado por força dos serviços contratados pela empresa brasileira, efetuando todos os pagamentos, sem exceção, na folha de pagamento da empresa no Brasil e respeitando a legislação trabalhista brasileira; (iv)todos os valores por ele percebidos em razão do contrato vigente com a empresa brasileira, mesmo a prestação de serviços tendo ocorrido fora do país, foram conservadoramente considerados para pagamento de verbas trabalhistas e tributados para efeito das contribuições previdenciárias; e (v)os valores recebidos pelo Sr. Oswaldo fora do Brasil se deram exclusivamente em razão da prestação de serviços ocorrida no exterior (por força de contrato executado com empresa estrangeira e regido pelas leis estrangeiras. Por todo o exposto, os valores relativos ao Sr. Oswaldo devem ser excluídos da presente autuação. b) Renato Costa Panzarini Em síntese, o Sr. Renato foi empregado da impugnante no seguinte período (conforme declaração de próprio punho anexa): de 02/01/1997 a 09/03/2000. Fl. 2286DF CARF MF Processo nº 10972.720042/201198 Acórdão n.º 2202004.903 S2C2T2 Fl. 2.287 19 Neste contexto, cumpre salientar que, nesse período, e em relação ao contrato de trabalho firmado no Brasil, a impugnante sempre pagou todas as verbas trabalhistas devidas e recolheu todas as contribuições previdenciárias sobre elas incidentes, o que inclusive foi objeto de reconhecimento por parte da fiscalização. Cumpre reiterar que o contrato de trabalho entre o Sr. Renato e a impugnante foi rescindido e devidamente homologado pela entidade sindical, constituindose em ato jurídico perfeito e acabado. É de se salientar que a rescisão do contrato de trabalho entre o Sr. Renato e a impugnante se deu em 09/03/2000 (!!!), ou seja, há mais de 11 anos, sendo inconcebível que a impugnante tenha sido autuada em razão de relação que se encerrou antes do período fiscalizado e há mais de uma década. Logo, em relação ao Sr. Renato nada mais deve ser tributado pois: (i) o Sr, Renato não é empregado da impugnante desde 09/03/2000, quando o contrato de trabalho entre ele e a impugnante foi rescindido, tendo tal rescisão sido homologada pela entidade sindical, constituindose em ato jurídico perfeito e acabado; (ii) após a rescisão ocorrida em 09/03/2000 o Sr. Renato nunca mais prestou serviços para a impugnante, conforme se verifica da declaração emitida de próprio punho pelo Sr. Renato; (iii) como o contrato de trabalho do Sr. Renato foi rescindido de pleno direito, descabido considerar que ele foi transferido para prestar serviços no exterior; e (iv) os valores recebidos pelo Sr. Renato fora do Brasil se deram exclusivamente em razão da prestação de serviços ocorrida no exterior (lex loci executionis) (por força de contrato executado com empresa estrangeira e regido pelas leis estrangeiras. Por todo o exposto, os valores relativos ao Sr. Renato devem ser excluídos da presente autuação. c) Paulo Fernando Martins Apesar do relatório fiscal e demais documentos da autuação demonstrarem que não houve lançamentos referentes ao Sr. Paulo, a impugnante teceu alguns comentários a este respeito. Em síntese, o Sr. Paulo foi empregado da impugnante nos seguintes períodos (conforme declaração de próprio punho anexa): de 28/04/1984 a 16/06/2000; e a partir de 03/06/2002 até hoje (ainda em vigência). Neste contexto, cumpre salientar que, nestes períodos, e em relação aos contratos de trabalho firmados no Brasil, a impugnante sempre pagou todas as verbas trabalhistas devidas e Fl. 2287DF CARF MF Processo nº 10972.720042/201198 Acórdão n.º 2202004.903 S2C2T2 Fl. 2.288 20 recolheu todas as contribuições previdenciárias sobre elas incidentes, o que inclusive foi objeto de exclusão de lançamentos por parte da fiscalização. Isso porque, mesmo estando fora do país, o Sr. Paulo, nos períodos acima informados, continuou responsável por algumas atividades do Brasil, apesar de não efetivar sua prestação de serviços no Brasil. Buscando ser correta e idônea, a empresa sempre tributou os valores recebidos por ele no Brasil, apesar da efetiva prestação de serviços se dar no exterior, apesar da saída do referido ex empregado do país haver se dado de forma definitiva (declaração anexa). Neste sentido, como já abordado anteriormente, é plenamente possível a existência de dois contratos de trabalho simultâneos, um no Brasil e outro no exterior, sem que seja necessário que a empresa brasileira efetue o recolhimento de contribuições previdenciárias sobre os valores recebidos pelo vínculo de empregado mantido entre seu empregado e um outra empresa do exterior, por tratarse de outra empregadora, outro contrato e de prestação de serviços em relação à qual a empresa brasileira não tem qualquer relação ou ingerência. Logo, em relação ao Sr. Paulo nada mais deve ser tributado, pois: (i) o Sr. Paulo nunca foi transferido para prestar serviços no exterior; (ii)a rescisão do contrato de trabalho entre o Sr. Paulo e a impugnante foi devidamente homologada pela entidade sindical, constituindose em ato jurídico perfeito e acabado; e (iii)os valores recebidos pelo Sr. Paulo fora do Brasil se deram exclusivamente em razão da prestação de serviços ocorrida no exterior (lex loci executionis) por força de contrato executado com empresa estrangeira e regido pelas leis estrangeiras. Por todo o exposto, os valores relativos ao Sr. Paulo no exterior não devem constituir base de cálculo para o recolhimento de contribuições previdenciárias. Do valor da multa Questiona o valor da multa aplicada sob a alegação de que a fiscalização confundiu multa de mora com multa de ofício, deixando de aplicar a multa mais benéfica ao contribuinte em todo período da autuação. Diz que, com efeito, não se pode comparar a multa de mora de 75% com multa decorrente de não informação em GFIP, que tem caráter meramente acessório. A multa de mora de 75% somente pode ser comparada com a multa de mesma natureza que antes era prevista na Lei 8.212/91, e era de 24%. Fl. 2288DF CARF MF Processo nº 10972.720042/201198 Acórdão n.º 2202004.903 S2C2T2 Fl. 2.289 21 Como se sabe, as multas acima referidas, as quais são totalmente distintas uma da outra, estavam previstas ambas na Lei n° 8.212/91, antes da edição da Lei n° 11.941/2009, portanto, deve ser aplicada apenas a multa de 24% para todo o período, pois essa é a penalidade mais benéfica ao contribuinte, independentemente da multa por eventual obrigação acessória. Da exclusão dos representantes legais da empresa Pede ao final, a exclusão dos representantes legais da empresa do Relatório de Vínculos, sob a alegação de que a inclusão dos administradores não se afigura legal pois o artigo 13, da Lei nº 8.620/1993 foi expressamente revogado com a publicação da Lei nº 11.941, de 27/05/2009, conforme preceitua o artigo 79 em seu inciso VII. Diz que nesse contexto, com a revogação e conseqüentemente ausência de amparo legal, passou a ser defeso ao Fisco imputar a responsabilidade das empresas por dívidas relacionadas às contribuições previdenciárias aos seus administradores, muito menos a um contador. Explica que o Sr. Zigomar Borges Correa é apenas o contador da empresa, ou seja, não tem qualquer poder de gestão e por isto não pode ser responsabilizado. O Sr. Brett Severin nunca foi sócio da empresa e não teve qualquer conduta ilícita apontada no relatório fiscal, devendo ser excluído. Igualmente, o Sr. Domingos Gragone, não teve qualquer conduta ilícita, devendo também ser excluído. AIOA CFL 68 Em relação ao Auto de Infração por descumprimento de obrigação acessória – Debcad nº 37.347.3060, no valor de R$ 31.792,31, que também compõe este processo comprot nº 10972.720042/201198, a empresa apresentou a impugnação juntada às fls. 1969/2005, contendo os mesmos argumentos da impugnação ao Auto de Infração de Obrigação Principal acrescentando tão somente a parte a seguir relatada: Contesta o valor da multa aplicada em razão das informações não prestadas em GFIP, alegando que deve ser apurada com base em valor fixo de R$ 20,00, para cada grupo de 10 informações incorretas ou omitidas, que é a mais benéfica ao contribuinte, muito mais do que a comparação feita pela autoridade fiscal onde comparou a multa de mora de 24% e a multa de ofício de 75%. Ao final protesta a impugnante pela produção de todas as provas admitidas em direito, prova documental, notadamente a exibição e juntada posterior de documentos, realização de perícia e tantas quantas forem às provas necessárias para a real apuração da verdade material. Requerendo que todas as notificações sejam expedidas também ao patrono da impugnante. Fl. 2289DF CARF MF Processo nº 10972.720042/201198 Acórdão n.º 2202004.903 S2C2T2 Fl. 2.290 22 Em 02/03/2012, através do Despacho nº 56, da 5ª Turma/DRJ/JFA,fls. 2080/2081, o processo foi diligenciado, com a finalidade de dirimir dúvida decorrente da impugnação apresentada, onde a julgadora questiona vários pontos. Após relatar resumidamente os pontos mais importantes do processo e do Relatório Fiscal e ainda as alegações apresentadas pelo contribuinte na Impugnação, a julgadora apresenta o seguinte questionamento: (...) “Não consta dos autos documentos que comprove o vínculo mencionado. Todavia, consta do sistema informatizado da RFB/CNPJ, que o Sr. Brett Severin respondia pela empresa no período de 10/11/1994 a 28/04/1998. Diante do exposto, entende necessária a determinação de diligência para que a autoridade lançadora esclareça o vínculo do referido segurado com a empresa, confirmando ou não o período mencionado no Relatório de Vínculos e juntado aos autos os documentos comprobatórios pertinentes. (...) Em 09/08/2012, o auditor fiscal responsável pelo lançamento, atende aos questionamentos do Despacho de Diligência através do Relatório Fiscal da Diligência, anexado às fls. 2160/2161 dos autos. Reexaminando o citado Relatório de Vínculos observa se que o Sr. Brett Severin Stuhr Olson consta como sócio da empresa no período de 01/06/1996 a 01/07/2006. Esta informação cadastral veio na carga fiscal disponibilizada a esta Auditoria, e tem a sua origem nos sistemas mantidos pela Dataprev. Contudo, verificando o sistema da RFB, sistema CNPJ, pesquisa de sócios (base de dados do SERPRO), observase que o Sr. Brett Severin não consta atualmente como sócio da empresa autuada e nem mesmo como sócio excluído. Analisando as alterações do contrato social da empresa Black & Decker do Brasil Ltda, datadas de 12/08/1999, 16/12/2005, 29/05/2006, 08/05/2007, 15/05/2008, 08/04/2011 e 05/12/2011, constatase que o nome do Sr. Brett Severin Stuhr Olson igualmente não consta como sócio da autuada. Portanto, apesar de ter vindo na carga fiscal desta Auditoria, o nome do Sr. Brett Severin deveria ter sido excluído do quadro cadastral da empresa, na medida em que, no período do débito, não foi identificado nenhum vínculo deste com a empresa autuada. Assimsendo, é correta a exclusão do referido nome do quadro de sócios da empresa Black & Decker do Brasil Ltda. Fl. 2290DF CARF MF Processo nº 10972.720042/201198 Acórdão n.º 2202004.903 S2C2T2 Fl. 2.291 23 Juntamos ao presente processo cópia das alterações contratuais da impugnante datadas de 29/05/2006, 08/05/2007, 15/05/2008, 08/04/2011 e 05/12/2011 respectivamente DOC d01, DOC d02, DOC d03, DOC d04 e DOC d05. O contribuinte foi cientificado, pessoalmente através de seu procurador, do Relatório Fiscal da Diligência em 17/08/2012, fl. 2161, e no prazo legal, 27/08/2012, envelope sedex fl. 2168, apresentou Manifestação de fls. 2165/2166, onde alega que: No relatório fiscal de diligência a autoridade lançadora reconheceu que o Sr. Brett Severin nunca foi sócio da impugnante, ao contrário do apontado no relatório de vínculos das autuações, de modo a ser correta sua exclusão do presente processo administrativo. A impugnante concorda com a conclusão do referido relatório, ressaltando, porém, que todas as pessoas físicas e não só o Sr. Brett Severin devem ser excluídas do presente processo. Isto porque, mais uma vez, a fiscalização não apontou qualquer conduta ilícita que teria sido cometida pelas pessoas físicas listadas, requisito essencial para imputar responsabilidade tributária a terceiros. Portanto, reitera a impugnante todo o contido em suas defesas administrativas (inclusive quanto ao mérito), especialmente sua conclusão de que: "com a revogação do artigo 13 da Lei n° 8.620/93, a fiscalização só poderá incluir/manter coresponsável pessoa física se comprovar a prática de atos com excesso de poder, infração à lei, contrato social e estatutos, NO PERÍODO DO OBJETO DA AUTUAÇÃO, fatos que não ocorreram, sendo de rigor a exclusão das pessoas físicas mencionadas dos relatórios da presente autuação".” A DRJ de origem entendeu pela parcial procedência da impugnação, mantendose parcialmente o débito tributário. A contribuinte, inconformada com o resultado do julgamento, apresentou recurso voluntário, às fls.2220/2265, reiterando as alegações expostas em impugnação quanto ao que foi vencida. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Martin da Silva Gesto Relator O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. 1. Preliminar Fundamentação Legal FLD Em primeiro lugar cabe esclarecer que o lançamento foi fundamentado na Lei 7.064/1982, vigente no ordenamento jurídico brasileiro, o fato de não constar expressamente Fl. 2291DF CARF MF Processo nº 10972.720042/201198 Acórdão n.º 2202004.903 S2C2T2 Fl. 2.292 24 no Anexo Fundamento Legal do Débito FLD, não verifico que isto, por si só, resulta em qualquer irregularidade, pois no relatório fiscal, em vasta argumentação, a autoridade lançadora sustentou a sua aplicabilidade ao caso concreto. Além disso, mesmo querendo, o auditor não teria como incluíla no texto do anexo FLD, isto porque se trata de informação gerada diretamente do sistema informatizado usado pela fiscalização nos lançamentos dos créditos tributários, identificado como SAFIS, sem acesso a inclusões ou exclusões pela autoridade lançadora. Havendo necessidade da citação de leis especiais, diferente daquelas existes no banco de dados para a geração do anexo FLD, utilizase, como cuidadosamente feito, o relatório fiscal. Da análise dos elementos que compõem os autos, vêse em vasta documentação e argumentação, que a fiscalização sustentou que as rescisões de contrato de trabalho dos expatriados foram fictícias. No caso concreto a vinculação destes trabalhadores ao Regime Geral de Previdência Social – RGPS, ocorre inequivocamente. Que os funcionários foram transferidos do Brasil para trabalhar como empregado em empresa domiciliada no exterior, em consonância com a autoridade fiscal e diante do conjunto de provas apresentadas, firmase a convicção quanto à realidade fática desta situação. Vêse contudo que a empresa domiciliada no exterior não possui a maioria do capital votante da empresa brasileira de capital nacional. A situação em tela é especial, haja vista que a constituição jurídica da autuada é “empresa de responsabilidade limitada” pertencente unicamente a dois sócios pessoas jurídicas, quais sejam BLACK & DECKER PANAMÁ S A E BLACK & DECKER INC. Afigurase, no caso um grupo econômico, sendo possível inferir que as empresas proprietárias estrangeiras têm o controle da sediada no Brasil. Diante dos fatos, temse que os trabalhadores contratados pela empresa sediada no Brasil, passam a prestar serviços no estrangeiro a um dos proprietários da empresa brasileira, sem a formalização do contrato de trabalho e manutenção de vinculo com a empresa originária, porque dela continuaram a receber remunerações, fato este abundantemente comprovado nos autos. Assim complementando o raciocínio, tais funcionários, na verdade, continuaram como contratados pela empresa brasileira, mas transferidos para prestar serviço ao sócio proprietário residente no exterior, o que permite concluir que a eles aplicamse as regras gerais da legislação previdenciária brasileira, como empregado, ou seja, o art. 12, inciso I, alínea “a” e em razão da transferência para o exterior, em especial, a Lei 7.064/1982 . É oportuno ressaltar, que o lançamento fiscal foi elaborado mediante abundante estudo realizado pelo auditor fiscal, com destaque para a análise da Lei 7.064/1982 e Lei 8.212/1991, onde, ao contrario do que diz a contribuinte, o auditor expressa que o art 12, inciso I alínea ‘f” não é o fundamento legal do enquadramento no caso concreto e sim, como acima concluído, aplicase a regra geral prevista no art. 12, inciso I aliena “a” da Lei 8.212/1991. Eis a transcrição, in verbis de trechos com a conclusão mencionada: Fl. 2292DF CARF MF Processo nº 10972.720042/201198 Acórdão n.º 2202004.903 S2C2T2 Fl. 2.293 25 "Nesse sentido, o artigo 12, I, “f”, da Lei 8.212/91, é literalmente claro.Vejamos o que ele diz, alertando, porém, não ser o citado dispositivo fundamento legal do enquadramento que fizemos no caso concreto (a sua análise se dá unicamente com o propósito de enriquecer e complementar a abordagem acerca da situação previdenciária dos trabalhadores que prestam serviços no exterior), o que se tem por conveniente. ............... a) Transferência do trabalhador para prestar serviços no exterior, inexistindo Acordo Internacional de Previdência Social entre o Brasil e o país de destino aplicase a legislação interna brasileira (capítulo II da Lei 7.064/82, mais precisamente o parágrafo único do artigo 3º da citada Lei, c/c o artigo 12, I, “a”, da Lei 8.212/91). Os trabalhadores transferidos estão vinculados obrigatoriamente ao Regime Geral de Previdência Social – RGPS, na condição de segurados empregados, sendo devido, portanto, o custeio da Previdência Social destes trabalhadores. O sujeito passivo da obrigação tributária/previdenciária é a empresa brasileira que promove a transferência do trabalhador para trabalhar no exterior. Corresponde à situação fática ocorrida em relação aos funcionários Osvaldo Vitoratto Junior e Renato Costa Panzarini, deslocados pelo sujeito passivo para trabalharem em empresa de seu grupo econômico sediada nos Estados Unidos." Portanto, rejeitase a preliminar suscitada. 2. Mérito. Com relação a este aspecto, há que se considerar o fato que na grande maioria dos casos, quando uma empresa sediada no estrangeiro, controladora de uma empresa brasileira, recruta e contrata aqui no Brasil um trabalhador aqui domiciliado, isto ocorre por intermédio da empresa brasileira controlada. No entanto, conforme se verifica nos elementos trazidos aos autos pela fiscalização, esta situação é diferente no caso em questão, razão pela qual o lançamento não deve ser mantido, consoante será demonstrado. Ao meu entender não restou comprovado pela fiscalização que o sujeito passivo da contribuição previdenciária, a qual tem como objeto o financiamento da seguridade social do trabalhador expatriado, seria a Black & Decker do Brasil. Ao que se verifica nos autos deste processo, os dois empregados (Renato Panzarini e Paulo Martins) foram efetivamente dispensados da empresa brasileira, ora recorrente, tendo após cada exempregado iniciado um novo trabalho no exterior. Ademais, o fato de Paulo Martins ter retornado a trabalhar para a contribuinte, posteriormente a rescisão do contrato de trabalho, verificase que no caso concreto o primeiro contrato de trabalho foi rescindido e, somente após, foi realizado novo contrato de trabalho. Assim, não há como considerar que houve continuidade da relação de emprego. Fl. 2293DF CARF MF Processo nº 10972.720042/201198 Acórdão n.º 2202004.903 S2C2T2 Fl. 2.294 26 Quanto a Renato Panzarini, a situação é ainda mais clara, pois depois da rescisão do contrato de trabalho com a contribuinte, este não retornou a trabalhar para a contribuinte. Portanto, não se verifica que há, em ambos os casos, a continuidade da relação de emprego. Assim, não demonstrou a fiscalização ter ocorrido a alegada transferência dos empregados, de modo a descaracterizar as rescisões de contrato de trabalho existentes, ônus que lhe incumbia. Desta forma, descabe exigir da recorrente o cumprimento, posterior a rescisão do contrato de trabalho, das obrigações decorrentes destes fatos, tais como prestar todas as informações e esclarecimentos do interesse da fiscalização, na qual se incluem informar a base de cálculo relativa às contribuições previdenciárias a seu cargo. Conclusão. Ante o exposto, voto por dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto Relator Voto Vencedor Conselheiro Ludmila Mara Monteiro de Oliveira Redatora designada Como bem narrado pelo em. Relator, o cerne da discussão consiste na subsistência, ou não, do vínculo com a empresa Black & Decker do Brasil durante o período de prestação de serviços no exterior. Caso se considere que a rescisão foi meramente formal, aplicase o Capítulo II da Lei 7.064/82, reconhecendose, assim, que os empregados jamais perderam o status de segurados da previdência brasileira. Por outro lado, caso se reconheça a validade da rescisão e posterior vinculação à empresa estrangeira, aplicase o Capítulo III do mesmo diploma, afastandose a vinculação dos trabalhadores ao RGPS. Analisando a jurisprudência trabalhista esse respeito, constatase que prevalece o entendimento de que a rescisão contratual seguida de imediata contratação por empresa do mesmo grupo econômico configura fraude à legislação trabalhista. Nestes casos, defendese que as empresas pertencentes ao mesmo grupo configuram "empregador único", o que enseja o reconhecimento da "unicidade contratual". Vejase: (...) RECURSO DE REVISTA. DISPENSA SEGUIDA DE ADMISSÃO EM EMPRESA DO MESMO GRUPO ECONÔMICO. UNICIDADE CONTRATUAL. FRAUDE ÀS LEIS TRABALHISTAS. PROVIMENTO. Como se vê da transcrição da decisão objurgada, constatase que houve sucessivos contratos de trabalho, sendo que, o segundo pacto laboral, firmado entre o Autor e a Gerdau Ameristeel, foi formalizado imediatamente após (um dia depois) a extinção do primeiro contrato pactuado entre o Recorrente e a Reclamada, Gerdau Aços Longos SA, sendo que ambas empresas são pertencentes do mesmo grupo econômico. Assim, não obstante Fl. 2294DF CARF MF Processo nº 10972.720042/201198 Acórdão n.º 2202004.903 S2C2T2 Fl. 2.295 27 constar no documento que formaliza a proposta para o Autor assumir cargo nos Estados Unidos que seu vínculo empregatício seria a Gerdau Ameristeel, empresa do mesmo grupo econômico da Reclamada, em verdade, tal cláusula contratual deixa clara a evidente intenção dos empregadores de fraudar os direitos trabalhistas do obreiro, eis que se trata de uma transferência mascarada por rescisão contratual e nova contratação, tendo em vista que a própria empresa, pelo teor do referido documento, assume o tônus de transferência a mudança do Autor. O teor do art. 3° da Lei nº 7.064/1982 preconiza que acerca da aplicação da lei brasileira em se tratando de transferência para a prestação de serviço no exterior, e o Regional, ao afastar a unicidade contratual, incorreu em violação do art. 3º da Lei 7.064/82. Portanto, nulas são as dispensas ocorridas em 18/02/2005 e em janeiro de 2009, restando comprovado que não houve solução de continuidade quanto à prestação de serviços pelo obreiro em tal período, considerase, por isso, que o contrato de trabalho do Reclamante com a Reclamada, Gerdau Aços Longos SA., perdurou de 06/10/1994 a fevereiro de 2009, razão pela qual declarase a unicidade contratual. Recurso de Revista conhecido e provido (PROCESSO Nº TSTRR266017.2010.5.02.0072, 2ª Turma, Desembargador Convocado Relator: Cláudio Armando Couce de Menezes. Data do acórdão: 16 de setembro de 2015. Sublinhas deste voto). (...) Cabe destacar que, acerca do contrato de trabalho vigente de 10/02/1971 a 15/03/1976 (demissão) e recontratação em 02/05/1977, não se configura unicidade contratual, mas somente rescisão contratual com posterior contratação, um ano depois, sem elementos para a demonstração de prática de fraude pela exempregadora do reclamante em demitir e recontratar. Do mesmo modo, no período de 02/05/1977 a 13/10/1978 (demissão) e recontratação em 16/09/1980 não houve um único contrato de trabalho, na medida em que, após a demissão ocorrida em 13/10/1978, transcorreram dois anos até a nova contratação em 16/09/1980. Hipótese diversa se deu na rescisão contratual, relativa ao período de 16/09/1980 a 31/01/1992 (demissão) e imediata recontratação em fevereiro/1992, em que se vislumbra um único contrato de trabalho, com início em 16/09/1980 e a nulidade da rescisão, nos termos do artigo 9º da CLT. Por outro lado, em relação à rescisão ocorrida em 26/02/1999 e imediata recontratação em 1º/03/1999 (dois dias depois), também se verifica que, de fato, o contrato de trabalho do reclamante não se encerrou naquela data, ou seja, não houve solução de continuidade, mas um único contrato, que perdurou até 30/09/2003, conforme fundamentos a seguir expostos (...).Salientase que o preposto confessou que “no Brasil o autor estava subordinado ao presidente para a América Latina e que quando o autor estava em Miami, estava subordinado a este mesmo presidente de nome Jens Olesen”, segundo registrou o Regional (PROCESSO Nº TSTRR152800 97.2004.5.01.0073, 2ª Turma, Min. Relator: José Roberto Freire Pimenta. Data do acórdão: 09 de dezembro de 2014. Sublinhas deste voto). Fl. 2295DF CARF MF Processo nº 10972.720042/201198 Acórdão n.º 2202004.903 S2C2T2 Fl. 2.296 28 (...) Sustenta a reclamada a existência de dois contratos distintos e autônomos. Alega que a unicidade contratual reconhecido viola o disposto no art. 2o, §2o da CLT. Depreendese do trecho antes transcrito que o Regional decidiu com base nos elementos instrutuórios dos autos, concluindo estarem presentes os elementos caracterizadores do grupo econômico e da relação empregatícia una. Com efeito, a Corte de origem evidenciou que "uma vez reconhecida a formação de grupo econômico, reputase irregular a dispensa, por se tratar de simples transferência de empregado entre empresas do grupo". Nesse cenário, eventual reforma da decisão importaria o reexame da prova dos autos, intento defesa nesta fase, nos termos da Súmula 126 do TST. A decisão está, antes, consentânea com os termos do dispositivo legal indicado (TST ARR 1576820125040372, Relator: Alberto Luiz Bresciani de Fontan Pereira, Data de julgamento: 10/08/2016, 3ª Turma, Data de Publicação: DEJT 19/08/2016. Sublinhas deste voto). A 8ª Turma do eg. Tribunal Superior do Trabalho, contudo, já se manifestou no sentido de que o simples fato de um funcionário ser dispensado e em seguida contratado por empresa do mesmo grupo econômico não gera presunção de fraude, especialmente nos casos em que a rescisão contratual ocorre em conformidade com a legislação trabalhista e com a devida assistência sindical: (...) Conforme afirmado pelo acórdão regional, o fato do reclamante ter rescindido seu contrato de trabalho e posteriormente ter sido contratado por outra empresa do grupo econômico não induz à conclusão de que tal procedimento foi maculado por fraude. Tanto é assim que o acórdão regional consigna que a rescisão contratual observou todas as determinações legais, sem prejuízo ao recorrente, que o procedimento foi realizado com a assistência sindical, com ressalva apenas em relação às diferenças relativas à database e que o reclamante, inclusive, sacou os depósitos de FGTS logo após formalizada a ruptura contratual. Como se não fosse suficiente, não há emissão de tese pelo Regional acerca da sucessão, mas, tão somente, fundamentação a respeito da existência de grupo econômico. Ilesos os artigos de lei apontados como violados. Há mais. Compulsandose o acórdão regional, verificase que não há clareza quanto às datas de rescisão e contratação pelas empresas reclamadas. Embora o reclamante tenha requerido nos embargos de declaração, não as renovou de forma percuciente no recurso de revista, como visto na análise do primeiro tópico recursal. Dessa forma, não há como saber se, entre o encerramento de um contrato e o início do outro, não houve solução de continuidade. Fl. 2296DF CARF MF Processo nº 10972.720042/201198 Acórdão n.º 2202004.903 S2C2T2 Fl. 2.297 29 Assim, os arestos de fl. 333 não servem ao fim pretendido, pois fundamentamse na premissa de ausência de solução de continuidade, situação cuja ocorrência (ou não) não é possível se extrair do acórdão regional. O aresto de fls. 333/334 e os dois últimos de fl. 334 são inespecíficos porque partem da premissa que houve a fraude, o que foi robustamente afastado pelo acórdão de origem, que indicou, inclusive, a participação do sindicato representativo da categoria do reclamante no procedimento, que ressalvou apenas a existência de diferença em decorrência da database (PROCESSO Nº TSTRR36330080.2006.5.12.0004, 8ª Turma, Min. Relatora: Dora Maria da Costa. Data do acórdão: 30/03/2011. Sublinhas deste voto.). Como constatado pelo em. Relator, no caso do segurado Renato Panzarini inexiste quaisquer elementos probatórios quanto à manutenção de seu vínculo com a empresa Black & Decker do Brasil após a rescisão contratual, não subsistindo motivos para considerálo segurado obrigatório do RGPS. Ademais, ante a expectativa do trabalhador de permanecer permanentemente no exterior, como demonstrado no documento de fls. 18501853, não vejo como ser obrigatório o recolhimento das contribuições previdenciárias, uma vez que, a princípio, o exfuncionário sequer regressará ao Brasil. Por outro lado, a situação fática do caso relacionado ao segurado Paulo Martins pareceme diversa. Isto porque, concluo que não houve rescisão seguida de novo contrato independente com a empresa estrangeira (capítulo III da Lei nº 7064/82), mas sim subsistência do vínculo com a empresa brasileira e transferência para o exterior (capítulo II da Lei n. 7064/82). Para além de ter sido contratado por empresa estrangeira que pertence ao mesmo grupo econômico da Black & Decker do Brasil, durante sua estadia no exterior, foram firmados novos contratos com a empresa brasileira, que ensejaram o pagamento de remunerações em reais (período de concomitância: junho de 2002 a fevereiro de 2009). Além disso, após o período no exterior, continuou Paulo Martins a laborar para a Black & Decker do Brasil. Com a devida vênia ao em. Relator, dou provimento parcial ao recurso, para excluir do lançamento os valores vinculados a Renato Costa Panzarini. (assinado digitalmente) Ludmila Mara Monteiro de Oliveira Redatora designada Fl. 2297DF CARF MF
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Numero do processo: 16832.000455/2009-19
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 12 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Apr 15 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005, 2006, 2007
PROCEDIMENTO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRESENÇA DE ADVOGADO. PRESCINDIBILIDADE.
A presença de advogado no Procedimento Administrativo Fiscal é prescindível tanto na fase inquisitorial quanto na fase contenciosa. Por conseguinte, o fato de o contribuinte ter prestado depoimento à autoridade fiscalizadora sem a presença de causídico não implica nulidade do procedimento.
Numero da decisão: 2202-005.017
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson - Presidente
(assinado digitalmente)
Ludmila Mara Monteiro de Oliveira - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ludmila Mara Monteiro de Oliveira (Relatora), Marcelo de Sousa Sáteles, Martin da Silva Gesto, Ricardo Chiavegatto de Lima, Leonam Rocha de Medeiros, Rorildo Barbosa Correia, Ronnie Soares Anderson (Presidente) e José Alfredo Duarte Filho (Suplente Convocado).
Ausente a Conselheira Andréa de Moraes Chieregatto.
Nome do relator: LUDMILA MARA MONTEIRO DE OLIVEIRA
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PRESENÇA DE ADVOGADO. PRESCINDIBILIDADE. A presença de advogado no Procedimento Administrativo Fiscal é prescindível tanto na fase inquisitorial quanto na fase contenciosa. Por conseguinte, o fato de o contribuinte ter prestado depoimento à autoridade fiscalizadora sem a presença de causídico não implica nulidade do procedimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Presidente (assinado digitalmente) Ludmila Mara Monteiro de Oliveira Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ludmila Mara Monteiro de Oliveira (Relatora), Marcelo de Sousa Sáteles, Martin da Silva Gesto, Ricardo Chiavegatto de Lima, Leonam Rocha de Medeiros, Rorildo Barbosa Correia, Ronnie Soares Anderson (Presidente) e José Alfredo Duarte Filho (Suplente Convocado). Ausente a Conselheira Andréa de Moraes Chieregatto. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 83 2. 00 04 55 /2 00 9- 19 Fl. 131DF CARF MF Processo nº 16832.000455/200919 Acórdão n.º 2202005.017 S2C2T2 Fl. 132 2 Tratase de recurso voluntário interposto por RAIMUNDO JORGE RAMOS MARQUES contra acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro (RJ) DRJ/RJOII, que rejeitou a impugnação apresentada para manter a cobrança consubstanciada no auto de infração de f. 73/77, lavrado em razão da apuração das seguintes infrações, relativas aos anoscalendário de 2004 a 2006: a) dedução indevida de dependentes; b) dedução indevida de despesas médicas; c) dedução indevida de despesas com instrução; e, d) dedução indevida com previdência privada/FAPI. Para melhor compreensão da matéria, colaciono excertos do acórdão de f. 112/117: Em 22/05/2009, foi lavrado o Termo de Esclarecimentos/Depoimento em que o contribuinte prestou esclarecimentos acerca das deduções incluídas em suas declarações de ajuste anual dos anoscalendário de 2004, 2005 e 2006. Foram anexados aos autos os documentos de fls. 39 a 55. Em 16/06/2009, o Contribuinte tomou ciência do Termo de Constatação Fiscal de fls. 59 a 70 e do auto de infração de fls. 71 a 80 em que foram descritas as seguintes infrações: 1) DEDUÇÂO INDEVIDA DE DEPENDENTE (...). 2) DEDUÇÃO INDEVIDA DE DESPESAS MÉDICAS (...). 3 DEDUÇÃO INDEVIDA DE DESPESAS COM INTRUÇÃO (...). 4 DEDUÇÃO INDEVIDA DE PREVIDÊNCIA PRIVADA/FAPI (...). Sobre o imposto apurado, no valor de R$ 23.243,32, foram aplicados multas de 75% e 150% e juros de mora regulamentares, com fulcro nos dispositivos legais de fl. 79, perfazendo um total de R$ 59.324,19 (grifo nosso). Intimado do acórdão, o recorrente apresentou, em 19/04/2010, recurso voluntário (f. 120/123), basicamente replicando as matérias trazidas em sua impugnação (f. 90/93). Em síntese, narra que, ao comparecer junto ao órgão administrativo, não lhe alertaram sobre a necessidade de estar acompanhado de advogado, tampouco houve nomeação de defensor dativo. Ao seu sentir, por ser cidadãomédio e estar desacompanhado de causídico, não teve condições de fazer frente às alegações formuladas pelo auditor fiscal. Em razão disso, pleiteou a declaração de nulidade do procedimento administrativo, uma vez que conduzido ao arrepio dos direitos ao contraditório e à ampla defesa. É o relatório. Voto Conselheira Ludmila Mara Monteiro de Oliveira Relatora Conheço do recurso, presentes os pressupostos de admissibilidade recursal. Cingese a controvérsia em determinar a não assistência de advogado ensejaria a nulidade do procedimento administrativo fiscal. Fl. 132DF CARF MF Processo nº 16832.000455/200919 Acórdão n.º 2202005.017 S2C2T2 Fl. 133 3 Há de se ter em vista que, conforme destacado pelo acórdão da DRJ, a fase inicial do procedimento administrativo tem caráter inquisitorial. Apenas após a formalização e consolidação do crédito tributário é que, de fato, tem início a fase contenciosa, quando o contribuinte é instado a manifestarse. Nesse sentido, não há que se falar em cerceamento de defesa no curso da fiscalização, inclusive porque, como bem lançado na objurgada decisão,“[a]té a ciência do lançamento, não há nenhuma imputação ao Contribuinte de conduta contrária à Lei, não tendo o interessado, portanto, do que defenderse” (f. 116). Não é excessivo repisar que, na primeira fase do PAF, portanto, a autoridade fiscalizadora promove uma apuração dos fatos, da qual faz parte ser o contribuinte intimado para fornecer informações. Nesse momento, não lhe são imputadas quaisquer infrações nem se exige qualquer conhecimento específico a respeito da matéria tributária. Compulsando o termo de depoimento, notase que foram demandadas apenas questões relativas à matéria fática, quanto ao reconhecimento, ou não, de determinadas despesas que constavam em sua DIRPF. Sendo assim, não há motivos para se reconhecer o alegado cerceamento de defesa tampouco a indigitada necessidade de conhecimentos técnicos para responder aos questionamentos formulados pela autoridade fiscalizadora. Por essas razões, temse que a presença de advogado é dispensável tanto na fase inquisitorial quanto na fase contenciosa, podendo o contribuinte defenderse autonomamente. O verbete sumular de nº 5 do Pretório Excelso é aplicável, mutatis mutandis, ao caso concreto, porquanto dispõe que “a falta de defesa técnica por advogado no processo administrativo disciplinar não ofende a Constituição.” À guisa de exemplo, colaciono a remansosa jurisprudência deste Conselho, que colide frontalmente com a tese suscitada pelo recorrente: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2002, 2003, 2004 PRINCÍPIOS DO CONTRADITÓRIO E DA AMPLA DEFESA. RESPEITO A PARTIR DA FASE IMPUGNATÓRIA. PRESENÇA DE ADVOGADO NO PAF. PRESCINDIBILIDADE. Na fase que antecede a autuação, inquisitória, o fisco pode concretizar o lançamento, sem prévia intimação ao sujeito passivo, sempre que dispuser das provas suficientes à constituição do crédito tributário. Essa é a inteligência da Súmula CARF nº 46: O lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação ao sujeito passivo, nos casos em que o Fisco dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário. Já quanto à imprescindível necessidade do autuado ser acompanhado por advogado em todas as fases do procedimento administrativo fiscal, devese lembrar que tal garantia não existe no processo administrativo. O administrado pode, ou não, se fazer acompanhar por advogado no processo administrativo, a depender de sua exclusiva escolha, pois não se pode esquecer que o processo administrativo opera com uma maior grau (sic) de informalidade. Não por outro motivo, o Supremo Tribunal Federal fez editar a Súmula Vinculante nº 5 (A falta de defesa técnica por advogado no processo administrativo disciplinar não ofende a Constituição), tudo a demonstrar que também não é imprescindível a presença de Fl. 133DF CARF MF Processo nº 16832.000455/200919 Acórdão n.º 2202005.017 S2C2T2 Fl. 134 4 advogado no processo administrativo fiscal (Processo nº 10425.000316/200587, Acórdão nº 210201.749 – 1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária, Sessão de 19 de janeiro de 2012 – sublinhas deste voto). ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2011, 2012, 2013 PROCEDIMENTO FISCAL. DECLARAÇÕES E/OU DEPOIMENTOS PRESTADOS À AUTORIDADE TRIBUTÁRIA. DIREITO AO SILÊNCIO. NÃO APLICÁVEL. O direito ao silêncio, sob o pretexto de vedação à autoincriminação, não pode ser invocado no contexto do direito tributário para afastar a obrigação do contribuinte de prestar informações e/ou esclarecimentos às autoridades fiscais. PROCEDIMENTO FISCAL. DEPOIMENTO E/OU DECLARAÇÕES. AUSÊNCIA DA PRESENÇA DO ADVOGADO. VALIDADE. Sem prejuízo de valoração pela autoridade julgadora, é válido como prova o depoimento do fiscalizado ou a declaração prestada por um terceiro, tomado por termo e assinado pelo declarante, ainda que realizado sem a presença de advogado. PROCEDIMENTO FISCAL. NATUREZA INQUISITÓRIA E INVESTIGATIVA. PERTINÊNCIA E NECESSIDADE DE PRODUÇÃO DE PROVA. AVALIAÇÃO DA FISCALIZAÇÃO. O procedimento fiscal corresponde a uma fase prélitigiosa, cuja natureza é inquisitória e investigativa. Compete à autoridade tributária responsável pela execução do procedimento, no primeiro momento, avaliar a pertinência e necessidade da produção de prova para formar a sua convicção acerca do cumprimento das obrigações tributárias pelo sujeito passivo (Processo nº 13971.721086/201648, Acórdão nº 2401005.501 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 9 de maio de 2018 – sublinhas deste voto). ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2004, 2005, 2006, 2007 PRINCÍPIOS DO CONTRADITÓRIO E DA AMPLA DEFESA. CERCEAMENTO. INOCORRÊNCIA. PEDIDO DE INTIMAÇÃO PRÉVIA AO PATRONO DO RECORRENTE. INEXISTÊNCIA DESSA FACULDADE NO REGIMENTO INTERNO DO CARF. PUBLICAÇÃO DA PAUTA DE JULGAMENTO NO DOU E NO SITE DA INTERNET DO CARF. O pedido de intimação prévia ao patrono da recorrente não encontra amparo no Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, esse que regulamenta o julgamento em segunda instância e na instância especial do contencioso administrativo fiscal federal, na forma Fl. 134DF CARF MF Processo nº 16832.000455/200919 Acórdão n.º 2202005.017 S2C2T2 Fl. 135 5 do art. 37 do Decreto nº 70.235/72, na redação dada pela Lei nº 11.941/2009. Entretanto, garantese às partes a publicação da Pauta de Julgamento no Diário Oficial da União DOU com antecedência de 10 dias e no site da internet do CARF, na forma do art. 55, parágrafo único, do Anexo II, do RICARF, devendo as partes ou seus patronos acompanhar tais publicações, podendo, então, na sessão de julgamento respectiva, efetuar sustentação oral, se de interesse. O administrado pode, ou não, se fazer acompanhar por advogado no processo administrativo, a depender de sua exclusiva escolha, pois não se pode esquecer que o processo administrativo opera com uma maior grau (sic) de informalidade. Não por outro motivo, o Supremo Tribunal Federal fez editar a Súmula Vinculante nº 5 (A falta de defesa técnica por advogado no processo administrativo disciplinar não ofende a Constituição), tudo a demonstrar que também não é imprescindível a presença de advogado no processo administrativo fiscal (Processo nº 16024.000149/200905, Acórdão nº 2101002.061 – 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, Sessão de 19 de fevereiro de 2013 – sublinhas deste voto). (...) 16. Quanto à necessidade da presença de advogado durante os depoimentos dos autuados, na mesma linha de pensamento da decisão de piso, entendo que o processo administrativo tributário, quer na sua fase investigativa, quer na fase contenciosa, não exige, para fins de validade dos atos, a assistência de advogado, mesmo que para acompanhar a pessoa fiscalizada que presta depoimento ou o terceiro que fornece esclarecimentos à autoridade fiscal, quando tomados por termo e assinados pelo declarante. Tudo isso, evidentemente, sem prejuízo de valoração posterior da prova pela autoridade julgadora no âmbito do contencioso administrativo fiscal. 17. Por outro lado, não há nos autos qualquer indício ou mesmo notícia que não foi permitido o acompanhamento por advogado quando dos depoimentos ou declarações prestadas pelos fiscalizados e/ou terceiros (Processo nº 13971.721087/201692, Acórdão nº 2401005.502– 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, Sessão de 9 de maio de 2018 – sublinhas deste voto). Assim, inexistindo dúvidas quanto ao fato de ter sido o recorrente devidamente intimado para que tivesse ciência da lavratura do auto de infração e pudesse manifestar sua irresignação por meio de impugnação, não há que se cogitar ofensa ao contraditório e à ampla defesa. Ante o exposto, nego provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Ludmila Mara Monteiro de Oliveira Fl. 135DF CARF MF Processo nº 16832.000455/200919 Acórdão n.º 2202005.017 S2C2T2 Fl. 136 6 Fl. 136DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 17933.720908/2012-57
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Feb 25 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Mar 29 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 2002-000.073
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para que junte aos autos todos os documentos apresentados pelo contribuinte quando da intimação fiscal, às e-fls. 27.
(Assinado digitalmente)
Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente
(Assinado digitalmente)
Thiago Duca Amoni - Relator
Participaram das sessões virtuais não presenciais os conselheiros Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil, Thiago Duca Amoni e Mônica Renata Mello Ferreira Stoll.
Nome do relator: THIAGO DUCA AMONI
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para que junte aos autos todos os documentos apresentados pelo contribuinte quando da intimação fiscal, às efls. 27. (Assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente (Assinado digitalmente) Thiago Duca Amoni Relator Participaram das sessões virtuais não presenciais os conselheiros Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil, Thiago Duca Amoni e Mônica Renata Mello Ferreira Stoll. RELATÓRIO Notificação de lançamento Trata o presente processo de notificação de lançamento – NL (efls. 06 a 11), relativa a imposto de renda da pessoa física, pela qual se procedeu a glosa de despesas médicas indevidamente deduzidas. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 79 33 .7 20 90 8/ 20 12 -5 7 Fl. 55DF CARF MF Processo nº 17933.720908/201257 Resolução nº 2002000.073 S2C0T2 Fl. 56 2 Tal autuação gerou lançamento de imposto de renda pessoa física suplementar de R$ 5.189,80, acrescido de multa de ofício no importe de 75%, bem como juros de mora. Impugnação A notificação de lançamento foi objeto de impugnação, às efls. 02 a 14 dos autos, que, conforme decisão da DRJ: que apresentou os recibos que comprovam o pagamento dos honorários médicos, bem como as declarações dos profissionais para confirmar a prestação dos serviços e o recebimento dos honorários pelos serviços médicos prestados; que os serviços efetuados com os profissionais foram em benefício próprio e de seus dependentes. Acrescenta que o tratamento fisioterápico é realizado há mais de cinco anos em decorrência de uma cirurgia no calcanhar; que os pagamentos foram realizados em espécie e os recibos apresentados são provas de recebimento por parte dos profissionais; que é impossível apresentar cópias de cheque, tendo em vista que os pagamentos foram realizados em dinheiro; que confirma o recebimento de todos os rendimentos pela rede bancária, mediante depósito direto na conta corrente, mas o fisco deixou de analisar o saldo que foi informado na Declaração. que o saldo em conta corrente, conforme informado na Declaração, é uma prova incontestável dos saques efetuados nas contas movimentadas; que as deduções estão em conformidade com o art. 80 do Decreto nº 3.000/1999; que as deduções não podem ser consideradas exageradas, uma vez que foi submetido junto com seus dependentes a tratamento médico; Traz à colação jurisprudência administrativa e judicial a seu favor. Requer acolhida a presente impugnação. A impugnação foi apreciada na 6ª Turma da DRJ/BSB que, por unanimidade, em 18/11/2014, no acórdão 0364.786, às efls. 33 a 38, julgou a impugnação improcedente. Fl. 56DF CARF MF Processo nº 17933.720908/201257 Resolução nº 2002000.073 S2C0T2 Fl. 57 3 Recurso Voluntário Ainda inconformado, o contribuinte apresenta Recurso Voluntário, às efls. 44 a 49, alegando, em síntese: · preliminarmente, que o lançamento é nulo, pois contrário aos ditames legais; · que todas as despesas médicas estão comprovadas pelos recibos e extratos bancários juntados aos autos. VOTO Conselheiro Thiago Duca Amoni Relator Pelo que consta no processo, o recurso é tempestivo, já que o contribuinte foi intimado do teor do acórdão da DRJ em 08/12/2014, efls. 42, e interpôs o presente Recurso Voluntário em 07/01/2015, efls. 53, posto que atende aos requisitos de admissibilidade e, portanto, dele conheço. O contribuinte foi autuado pela dedução indevida das seguintes despesas médicas: · Maria Cristina Soares de Castro (R$ 10.000,00); · Rodriguo Lopes Vieira Breijao (R$ 7.000,00); · Humberto Nazareth Costa Júnior (R$1.872,00). Cumpre destacar que a glosa das despesas médicas foi mantida pela falta de comprovação do efetivo pagamento, conforme decisão da DRJ: Em sede de impugnação, reiterou a alegação de que os pagamentos foram realizados em espécie. Além disso, afirmou que os seus rendimentos eram depositados em conta corrente, mas que os saldos em conta corrente informados na Declaração de Ajuste Anual comprovam que foram efetuados saques para pagamento de suas despesas. Entretanto, os saques efetuados na conta corrente do contribuinte não comprovam que foram necessariamente para o pagamento das despesas médicas glosadas. Desta feita, caberia ao contribuinte trazer aos autos a comprovação da efetividade dos pagamentos das despesas médicas através dos extratos bancários que atestassem a coincidência das datas e valores com as despesas supostamente Fl. 57DF CARF MF Processo nº 17933.720908/201257 Resolução nº 2002000.073 S2C0T2 Fl. 58 4 incorridas, conforme já mencionado na Notificação de Lançamento. Ainda, a decisão da DRJ informa que o contribuinte fora intimado a apresentar o efetivo pagamento das despesas médicas, porém se limitou à apresentação dos recibos emitidos pelos profissionais, documentos estes que não constam no processo. Segue teor da decisão de piso: No procedimento de ofício, o contribuinte foi intimado a comprovar o efetivo pagamento das despesas médicas. Em resposta, somente apresentou os recibos, alegando que os pagamentos foram realizados em dinheiro. Diante do exposto, conheço do presente Recurso Voluntário e resolvo converter o julgamento do recurso em diligência para que a Unidade de Origem junte aos autos todos os documentos apresentados pelo contribuinte quando da intimação fiscal, às efls. 27. (assinado digitalmente) Thiago Duca Amoni Fl. 58DF CARF MF
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