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Numero do processo: 13896.907979/2016-29
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 26 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Apr 03 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/02/2011 a 28/02/2011
MULTA DE MORA. APROVEITAMENTO DE PAGAMENTO DE REGIMES TRIBUTÁRIOS DIFERENTES.
O aproveitamento de pagamento de mesmo tributo ou contribuição e mesmo período de apuração não enseja a cobrança de multa de mora, e não se revela como procedimento de compensação.
Numero da decisão: 3201-004.997
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o conselheiro Paulo Roberto Duarte Moreira, que lhe negou provimento.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/02/2011 a 28/02/2011 MULTA DE MORA. APROVEITAMENTO DE PAGAMENTO DE REGIMES TRIBUTÁRIOS DIFERENTES. O aproveitamento de pagamento de mesmo tributo ou contribuição e mesmo período de apuração não enseja a cobrança de multa de mora, e não se revela como procedimento de compensação.
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MULTA DE MORA. PAGAMENTOS DE MESMO TRIBUTO E PERÍODO DE APURAÇÃO. Recorrente MANAGER ONLINE SERVIÇOS DE INTERNET LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/02/2011 a 28/02/2011 MULTA DE MORA. APROVEITAMENTO DE PAGAMENTO DE REGIMES TRIBUTÁRIOS DIFERENTES. O aproveitamento de pagamento de mesmo tributo ou contribuição e mesmo período de apuração não enseja a cobrança de multa de mora, e não se revela como procedimento de compensação. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o conselheiro Paulo Roberto Duarte Moreira, que lhe negou provimento. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. Relatório O interessado acima identificado recorre a este Conselho de decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Porto Alegre/RS. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 89 6. 90 79 79 /2 01 6- 29 Fl. 140DF CARF MF Processo nº 13896.907979/201629 Acórdão n.º 3201004.997 S3C2T1 Fl. 3 2 Trata o presente processo de manifestação de inconformidade apresentada contra despacho decisório eletrônico emitido pela DRF Barueri, que deferiu parcialmente o pedido de restituição – PER apresentado pelo contribuinte. Cientificado do referido despacho, o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade informando que apura o PIS e a Cofins pelo regime misto, ou seja, possui parcela de suas receitas sujeitas ao regime cumulativo (maior parte) e parcela sujeita ao regime nãocumulativo. Diz ter, equivocadamente, pago parte do que seria enquadrável no regime cumulativo como se fosse do nãocumulativo. Ao constatar tal equívoco, formulou seu pedido de restituição do saldo existente desse crédito, tendo em vista que já havia transmitido compensação utilizando parte desse mesmo crédito. Apesar de ter transmitido a DCOMP após a data de vencimento da contribuição que estava sendo quitada, esclarece que deixou de incluir na discriminação dos débitos compensados qualquer valor a título de multa de mora (Processo de Consulta nº 166/2007). Acredita que a razão do indeferimento de parte do crédito pleiteado por meio do presente PER reside no fato de que o Despacho Decisório, que homologou parcialmente o PER/DCOMP, impôs a obrigação do recolhimento da multa moratória de 20 % quando da análise da compensação, o que resultou num valor menor a lhe ser restituído, ao passo que o seu entendimento foi de que "não poderia se incluir qualquer valor a título de multa moratória na composição do seu débito". A DRJ/Porto Alegre/RS, por intermédio do Acórdão 10061.512, julgou improcedente a manifestação de inconformidade, não reconhecendo o direito creditório em tela. O litígio restringiuse à aplicação dos acréscimos legais pelo fato de a compensação ter sido efetuada em data posterior à do vencimento do débito. Os julgadores a quo entenderam acertada a incidência da multa moratória, a despeito de se tratar de erro no tocante à apuração da contribuição pelo regime da nãocumulatividade, quando o correto seria pela cumulatividade. Inconformado, o contribuinte apresentou recurso voluntário visando a reforma da decisão recorrida, para que lhe seja reconhecido o direito creditório. Em síntese, aduz: A necessidade de se observar e atender ao disposto na Solução de Consulta nº 166/07; A ilegalidade na alteração do PER/DCOMP de ofício pela fiscalização e a necessidade da lavratura de auto de infração específico; A aplicação do art. 138 do CTN (denúncia espontânea), que impossibilita a imposição de multa. Roga ao final: (i) Seja declarada a inexigibilidade da multa moratória cobrada sobre o montante dos débitos compensado, com o consequente deferimento integral da restituição pleiteada; Fl. 141DF CARF MF Processo nº 13896.907979/201629 Acórdão n.º 3201004.997 S3C2T1 Fl. 4 3 (ii) Subsidiariamente, seja reconhecida a ilegalidade da imputação da multa de ofício pela fiscalização e a necessidade da lavratura de auto de infração específico para sua exigência e/ou o reconhecimento do benefício da denúncia espontânea. É o relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3201004.953, de 26/02/2019, proferido no julgamento do processo 13896.900136/201782, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201004.953): (...)1 "O aproveitamento de pagamentos de mesmo tributo e mesmo período, em casos de mudança de regime de tributação, prescinde de Declaração de Compensação. Somente seria necessária Declaração de Compensação em casos de compensação do mesmo tributo em períodos diferentes, ou tributos diferentes. Embora a recorrente tenha utilizado a formalidade equivocada, Declaração de Compensação, materialmente tratase de aproveitamento de mesmo tributo, e mesmo período, do que se aplica a ratio decidendi da Súmula Carf 76: Súmula CARF nº 76 Na determinação dos valores a serem lançados de ofício para cada tributo, após a exclusão do Simples, devem ser deduzidos eventuais recolhimentos da mesma natureza efetuados nessa sistemática, observandose os percentuais previstos em lei sobre o montante pago de forma unificada. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018). Portanto, os recolhimentos em regimes tributários diferentes devem ser aproveitados, sem necessidade de Declaração de Compensação. Bastaria, no caso, uma retificação de Darf (Redarf), corrigindo o código de arrecadação. A retificação do código de arrecadação seria permitida, sem ofensa ao art. 11, V, da IN 672/20062, posto que a mudança de regime não ofendeu a legislação, isto é, não houve acusação fiscal de que o regime de tributação pretendido fosse indevido. 1 Não se transcreveu o voto vencido, do relator do processo paradigma, por manifestar entendimento que restou vencido na votação, não se aplicando, portanto, na solução do litígio deste processo. Entretanto, sua íntegra consta do acórdão do paradigma (3201004.953). 2 Art. 11. Serão indeferidos os pedidos de retificação que versem sobre: (...) V alteração de código de receita que corresponda à mudança no regime de tributação do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica, quando contrariar o disposto na legislação específica; Fl. 142DF CARF MF Processo nº 13896.907979/201629 Acórdão n.º 3201004.997 S3C2T1 Fl. 5 4 Desse modo, não é aplicável, para cálculo de mora, a data de transmissão da Declaração de Compensação, pois não é o caso de compensação. Tendo sido o pagamento tempestivo, ainda que com regime de tributação equivocado, não cabe a multa de mora. Pelo exposto, voto por dar provimento ao recurso." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado deu provimento recurso voluntário. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 143DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15586.720018/2012-15
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 31 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Mar 18 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/2008 a 31/03/2008
DECADÊNCIA. DIREITO DE EFETUAR A GLOSA DE CRÉDITOS.
O prazo decadencial do direito de lançar tributo não rege os institutos da compensação e do ressarcimento e não é apto a obstaculizar o direito de averiguar a liquidez e a certeza do crédito do sujeito passivo e a obstruir a glosa de créditos indevidos tomados pela contribuinte.
NÃO CUMULATIVIDADE. CONCEITO DE INSUMOS QUE GERAM DIREITO A CRÉDITO.
Na legislação do Pis e da Cofins não cumulativos, os insumos, cf. art. 3º incisos I e II, que geram direito a crédito são aqueles vinculados ao processo produtivo ou à prestação dos serviços. As despesas gerenciais, administrativas e gerais, ainda que essenciais à atividade da empresa, não geram crédito de Pis e Cofins no regime não cumulativo.
CRÉDITOS DA NÃOCUMULATIVIDADE. INSUMOS. DEFINIÇÃO. APLICAÇÃO DO ARTIGO 62 DO ANEXO II DO RICARF.
O conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância, conforme decidido no REsp 1.221.170/PR, julgado na sistemática de recursos repetitivos, cuja decisão deve ser reproduzida no âmbito deste conselho.
COFINS NÃO CUMULATIVA. REVENDA DE PRODUTOS SUJEITAS A ALÍQUOTA ZERO. DIREITO A CRÉDITO SOBRE GASTOS INCORRIDOS COM FRETE NA REVENDA.
As revendas, distribuidoras e atacadistas de produtos sujeitas a tributação concentrada pelo regime não cumulativo, ainda que, as receitas sejam tributadas à alíquota zero, podem descontar créditos relativos às despesas com frete nas operações de venda, quando por elas suportadas na condição de vendedor, conforme dispõe o art. 3, IX das Leis n°s 10.637/2002 para o PIS/Pasep e 10.833/2003 para a Cofins.
REGIME NÃO-CUMULATIVO. APURAÇÃO DE CRÉDITOS. DESPESAS DE ARMAZENAGEM.
Concede-se direito a crédito na apuração não-cumulativa da contribuição as despesas referentes à despesa com armazenagem, de acordo com o art. 3, IV da Lei n. 10.637/2002.
CRÉDITOS. IMPORTAÇÃO. DESESTIVA
A pessoa jurídica sujeita ao regime de apuração não cumulativa do PIS/Pasep e da Cofins não pode descontar créditos calculados em relação aos gastos com transporte, armazenagem e logística dentro da zona primária, decorrentes de importação de mercadorias.
CRÉDITOS. IMPORTAÇÃO. DESPACHANTES.
A pessoa jurídica sujeita ao regime de apuração não cumulativa do PIS/Pasep e da Cofins não pode descontar créditos calculados em relação aos gastos com despachantes, decorrentes de importação de mercadorias.
CRÉDITOS. CUSTOS COM ARMAZENAGEM.
As despesas com armazenagem geram créditos não cumulativos se estiverem vinculadas às operações de venda.
FRETES SOBRE COMPRAS. CRÉDITOS BÁSICOS.
Os fretes sobre compras de bens passíveis de creditamento na sistemática da não cumulatividade do PIS e da Cofins geram direito ao crédito básico.
ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. INCOMPETÊNCIA.
As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente, sendo incompetentes para a apreciação de arguições de inconstitucionalidade e ilegalidade de atos legais regularmente editados.
PEDIDO DE DILIGÊNCIA. DESNECESSIDADE. INDEFERIMENTO.
Indefere-se o pedido de diligência por ser absolutamente desnecessário para a solução do litígio.
Numero da decisão: 3201-004.833
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em indeferir a preliminar de decadência por tratar-se de pedido de restituição. No mérito, dar provimento parcial ao Recurso Voluntário a) Por unanimidade de votos para (i) reverter as glosas do frete sobre a aquisição de insumos, mesmo quando a aquisição sujeita-se à alíquota zero; (ii) reverter as glosas do frete sobre a revenda de produtos; (iii) reverter as glosas relativas aos serviços de armazenagem alfandegada, descarga, movimentação e a própria desestiva, todos relacionados ao transporte/ armazenagem/ logística; (iv) reverter as glosas das despesas com os serviços de armazenagem, eis que essenciais e pertinentes à atividade do contribuinte; (v) indeferir a produção de prova pericial/diligência por entender desnecessária a solução da lide; b) Por maioria de votos, para manter a glosa sobre os serviços administrativos de despachantes aduaneiros. Vencidos, no ponto, os conselheiros Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior, que concederam os créditos correspondentes.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/2008 a 31/03/2008 DECADÊNCIA. DIREITO DE EFETUAR A GLOSA DE CRÉDITOS. O prazo decadencial do direito de lançar tributo não rege os institutos da compensação e do ressarcimento e não é apto a obstaculizar o direito de averiguar a liquidez e a certeza do crédito do sujeito passivo e a obstruir a glosa de créditos indevidos tomados pela contribuinte. NÃO CUMULATIVIDADE. CONCEITO DE INSUMOS QUE GERAM DIREITO A CRÉDITO. Na legislação do Pis e da Cofins não cumulativos, os insumos, cf. art. 3º incisos I e II, que geram direito a crédito são aqueles vinculados ao processo produtivo ou à prestação dos serviços. As despesas gerenciais, administrativas e gerais, ainda que essenciais à atividade da empresa, não geram crédito de Pis e Cofins no regime não cumulativo. CRÉDITOS DA NÃOCUMULATIVIDADE. INSUMOS. DEFINIÇÃO. APLICAÇÃO DO ARTIGO 62 DO ANEXO II DO RICARF. O conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância, conforme decidido no REsp 1.221.170/PR, julgado na sistemática de recursos repetitivos, cuja decisão deve ser reproduzida no âmbito deste conselho. COFINS NÃO CUMULATIVA. REVENDA DE PRODUTOS SUJEITAS A ALÍQUOTA ZERO. DIREITO A CRÉDITO SOBRE GASTOS INCORRIDOS COM FRETE NA REVENDA. As revendas, distribuidoras e atacadistas de produtos sujeitas a tributação concentrada pelo regime não cumulativo, ainda que, as receitas sejam tributadas à alíquota zero, podem descontar créditos relativos às despesas com frete nas operações de venda, quando por elas suportadas na condição de vendedor, conforme dispõe o art. 3, IX das Leis n°s 10.637/2002 para o PIS/Pasep e 10.833/2003 para a Cofins. REGIME NÃO-CUMULATIVO. APURAÇÃO DE CRÉDITOS. DESPESAS DE ARMAZENAGEM. Concede-se direito a crédito na apuração não-cumulativa da contribuição as despesas referentes à despesa com armazenagem, de acordo com o art. 3, IV da Lei n. 10.637/2002. CRÉDITOS. IMPORTAÇÃO. DESESTIVA A pessoa jurídica sujeita ao regime de apuração não cumulativa do PIS/Pasep e da Cofins não pode descontar créditos calculados em relação aos gastos com transporte, armazenagem e logística dentro da zona primária, decorrentes de importação de mercadorias. CRÉDITOS. IMPORTAÇÃO. DESPACHANTES. A pessoa jurídica sujeita ao regime de apuração não cumulativa do PIS/Pasep e da Cofins não pode descontar créditos calculados em relação aos gastos com despachantes, decorrentes de importação de mercadorias. CRÉDITOS. CUSTOS COM ARMAZENAGEM. As despesas com armazenagem geram créditos não cumulativos se estiverem vinculadas às operações de venda. FRETES SOBRE COMPRAS. CRÉDITOS BÁSICOS. Os fretes sobre compras de bens passíveis de creditamento na sistemática da não cumulatividade do PIS e da Cofins geram direito ao crédito básico. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. INCOMPETÊNCIA. As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente, sendo incompetentes para a apreciação de arguições de inconstitucionalidade e ilegalidade de atos legais regularmente editados. PEDIDO DE DILIGÊNCIA. DESNECESSIDADE. INDEFERIMENTO. Indefere-se o pedido de diligência por ser absolutamente desnecessário para a solução do litígio.
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em indeferir a preliminar de decadência por tratar-se de pedido de restituição. No mérito, dar provimento parcial ao Recurso Voluntário a) Por unanimidade de votos para (i) reverter as glosas do frete sobre a aquisição de insumos, mesmo quando a aquisição sujeita-se à alíquota zero; (ii) reverter as glosas do frete sobre a revenda de produtos; (iii) reverter as glosas relativas aos serviços de armazenagem alfandegada, descarga, movimentação e a própria desestiva, todos relacionados ao transporte/ armazenagem/ logística; (iv) reverter as glosas das despesas com os serviços de armazenagem, eis que essenciais e pertinentes à atividade do contribuinte; (v) indeferir a produção de prova pericial/diligência por entender desnecessária a solução da lide; b) Por maioria de votos, para manter a glosa sobre os serviços administrativos de despachantes aduaneiros. Vencidos, no ponto, os conselheiros Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior, que concederam os créditos correspondentes. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
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INSUMOS DIVERSOS. Recorrente FERTILIZANTES HERINGER S.A. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2008 a 31/03/2008 DECADÊNCIA. DIREITO DE EFETUAR A GLOSA DE CRÉDITOS. O prazo decadencial do direito de lançar tributo não rege os institutos da compensação e do ressarcimento e não é apto a obstaculizar o direito de averiguar a liquidez e a certeza do crédito do sujeito passivo e a obstruir a glosa de créditos indevidos tomados pela contribuinte. NÃO CUMULATIVIDADE. CONCEITO DE INSUMOS QUE GERAM DIREITO A CRÉDITO. Na legislação do Pis e da Cofins não cumulativos, os insumos, cf. art. 3º incisos I e II, que geram direito a crédito são aqueles vinculados ao processo produtivo ou à prestação dos serviços. As despesas gerenciais, administrativas e gerais, ainda que essenciais à atividade da empresa, não geram crédito de Pis e Cofins no regime não cumulativo. CRÉDITOS DA NÃOCUMULATIVIDADE. INSUMOS. DEFINIÇÃO. APLICAÇÃO DO ARTIGO 62 DO ANEXO II DO RICARF. O conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância, conforme decidido no REsp 1.221.170/PR, julgado na sistemática de recursos repetitivos, cuja decisão deve ser reproduzida no âmbito deste conselho. COFINS NÃO CUMULATIVA. REVENDA DE PRODUTOS SUJEITAS A ALÍQUOTA ZERO. DIREITO A CRÉDITO SOBRE GASTOS INCORRIDOS COM FRETE NA REVENDA. As revendas, distribuidoras e atacadistas de produtos sujeitas a tributação concentrada pelo regime não cumulativo, ainda que, as receitas sejam tributadas à alíquota zero, podem descontar créditos relativos às despesas com frete nas operações de venda, quando por elas suportadas na condição de AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 58 6. 72 00 18 /2 01 2- 15 Fl. 520DF CARF MF Processo nº 15586.720018/201215 Acórdão n.º 3201004.833 S3C2T1 Fl. 3 2 vendedor, conforme dispõe o art. 3, IX das Leis n°s 10.637/2002 para o PIS/Pasep e 10.833/2003 para a Cofins. REGIME NÃOCUMULATIVO. APURAÇÃO DE CRÉDITOS. DESPESAS DE ARMAZENAGEM. Concedese direito a crédito na apuração nãocumulativa da contribuição as despesas referentes à despesa com armazenagem, de acordo com o art. 3, IV da Lei n. 10.637/2002. CRÉDITOS. IMPORTAÇÃO. DESESTIVA A pessoa jurídica sujeita ao regime de apuração não cumulativa do PIS/Pasep e da Cofins não pode descontar créditos calculados em relação aos gastos com transporte, armazenagem e logística dentro da zona primária, decorrentes de importação de mercadorias. CRÉDITOS. IMPORTAÇÃO. DESPACHANTES. A pessoa jurídica sujeita ao regime de apuração não cumulativa do PIS/Pasep e da Cofins não pode descontar créditos calculados em relação aos gastos com despachantes, decorrentes de importação de mercadorias. CRÉDITOS. CUSTOS COM ARMAZENAGEM. As despesas com armazenagem geram créditos não cumulativos se estiverem vinculadas às operações de venda. FRETES SOBRE COMPRAS. CRÉDITOS BÁSICOS. Os fretes sobre compras de bens passíveis de creditamento na sistemática da não cumulatividade do PIS e da Cofins geram direito ao crédito básico. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. INCOMPETÊNCIA. As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente, sendo incompetentes para a apreciação de arguições de inconstitucionalidade e ilegalidade de atos legais regularmente editados. PEDIDO DE DILIGÊNCIA. DESNECESSIDADE. INDEFERIMENTO. Indeferese o pedido de diligência por ser absolutamente desnecessário para a solução do litígio. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em indeferir a preliminar de decadência por tratarse de pedido de restituição. No mérito, dar provimento parcial ao Recurso Voluntário a) Por unanimidade de votos para (i) reverter as glosas do frete sobre a aquisição de insumos, mesmo quando a aquisição sujeitase à alíquota zero; (ii) reverter as glosas do frete sobre a revenda de produtos; (iii) reverter as glosas relativas aos serviços de armazenagem alfandegada, descarga, movimentação e a própria desestiva, todos relacionados ao transporte/ armazenagem/ logística; (iv) reverter as glosas das despesas com os serviços de armazenagem, eis que essenciais e pertinentes à atividade do contribuinte; (v) indeferir a produção de prova pericial/diligência por entender desnecessária a solução da lide; b) Por maioria de votos, para manter a glosa sobre os serviços administrativos de despachantes aduaneiros. Vencidos, no ponto, os conselheiros Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior, que concederam os créditos correspondentes. Fl. 521DF CARF MF Processo nº 15586.720018/201215 Acórdão n.º 3201004.833 S3C2T1 Fl. 4 3 (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra decisão de primeira instância administrativa, Acórdão n.º 06047.530 3ª Turma da DRJ/CTA, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada. O relatório da decisão de primeira instância descreve os fatos dos autos. Nesse sentido, transcrevese trechos do relatório da referida decisão: (...) O Auditor Fiscal informa que a fiscalização se iniciou com a ciência do termo de início de fiscalização em 17/01/2012. Tal termo especifica como período fiscalizado o transcorrido entre 01/2007 e 12/2009. Comunica que a contribuinte exerce atividade de industrialização e comercialização de fertilizantes contemplados no capítulo 31 da TIPI, bens cujas receitas de vendas estão sujeitas à alíquota zero do PIS/Pasep e da Cofins. O processo produtivo da empresa está descrito às fls. 983/985 do processo de n° 10783.900001/201291, apensado ao processo de n° 10783.921005/201122. Na sequência, no tópico “FUNDAMENTAÇÃO” disserta sobre a legislação de regência da contribuição em análise, explica a sistemática de creditamento do PIS/Pasep e da Cofins e define o conceito de insumo fornecido pelas Instruções Normativas n°s 247/2002 e 404/2004. Ao fim, informa que, com base na análise da escrituração do sujeito passivo e planilhas de apuração das contribuições e de outros elementos apresentados pela contribuinte, apurou inconsistências nos valores dos créditos pleiteados. Diz que, consequentemente, foram realizados ajustes nos dados do Dacon, adequando o PER ao disciplinado na legislação tributária. No tópico “I – DOS CRÉDITOS PLEITEADOS”, explica que não foram realizadas glosas nas despesas de energia elétrica, serviços de industrialização, depreciação, fretes em operações de venda e locação de prédios, bem como, nas aquisições de embalagens, enxofre e bens para revenda. Em relação à base de cálculo, não foram realizados ajustes. No item “I.1 – DESESTIVA/DESPACHANTE”, relata que o serviço ou o bem adquirido, para ser utilizado no cálculo dos créditos a descontar, deve, necessariamente, ser aplicado ou consumido na Fl. 522DF CARF MF Processo nº 15586.720018/201215 Acórdão n.º 3201004.833 S3C2T1 Fl. 5 4 fabricação do produto. Aduz que o conceito de insumo não abrange os serviços de qualquer natureza, de modo que os serviços administrativos, de auditoria, aqueles decorrentes de atividades meio não configuram serviços sujeitos à apuração de créditos de PIS/Pasep e de Cofins. Informa que foram desconsideradas as despesas de despachante e desestiva, visto que estes serviços não se enquadram na definição de insumo, uma vez que não são destinados à área de comercialização dos produtos e não de sua produção. Explica que os valores foram glosados em sua totalidade, nos montantes indicados nas planilhas de fls.974/976 do processo de n° 10783.900001/201291, apensado ao processo de n°10783.921005/201122. No item “I.2 SERVIÇOS E BENS NÃO ADMITIDOS”, explana que a empresa fiscalizada se apropriou de créditos decorrentes de serviços de pintura, de cópia de chaves, de gráficas, serviços gerais, médicos, de confecção de andaimes, de tratamento de efluentes, dentre outros. Narra que a interessada se apropriou também de créditos nas aquisições e no transporte de ferramentas, fusíveis, plugs, materiais para almoxarifado, vestuário dos funcionários, materiais de escritório, utensílios de elevadores, cartuchos de impressora, armários, cadeados, celulares, materiais elétricos, radiadores e baterias para carros, graxas, vale transportes de funcionários, dentro outros. Explica que em outras situações não foi discriminado o serviço ou o produto adquirido. Todos esses bens e serviços foram glosados por não serem considerados insumos do processo produtivo da empresa. Os ajustes foram compilados na “planilha 2” (fls.1.133/1.278 do processo de n° 10783.900001/201291, apensado ao processo de n°10783.921005/2011 22), a qual, conforme explica a autoridade fiscal, “engloba também as despesas de frete incorridas para o transporte desses bens, que, por ausência de previsão legal, não podem ser utilizados para fins de desconto de créditos”. No item “I.3 FRETES SOBRE COMPRAS”, explica que quando o seguro e o frete para a entrega de bens correrem por conta do comprador, por integrarem os custos de aquisição (art. 289, § 1o do RIR/99), eles compõem a base de cálculo do crédito da contribuição. Aduz, porém, que a Lei n° 10.865/2004 redefiniu as condições para o direito ao crédito do PIS/Pasep e da Cofins, ao alterar a redação dos arts. 3º das Leis n°s 10.637/2002 e 10.833/2003, ao incluir a seguinte vedação ao direito do crédito no inc. II, do §2º dos citados artigos: “não dará direito a crédito o valor da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição”. A autoridade fiscal explica que, com base nessa disposição, os contribuintes não podem descontar créditos de PIS e Cofins decorrentes de aquisições de insumos com alíquota zero e utilizados na fabricação de produtos destinados à venda. O Auditor Fiscal relata que o inciso I do art. 1º da Lei n° 10.925/2004 reduziu a zero as alíquotas de PIS/Pasep e de Cofins incidentes na importação e sobre a receita bruta de venda no mercado Fl. 523DF CARF MF Processo nº 15586.720018/201215 Acórdão n.º 3201004.833 S3C2T1 Fl. 6 5 interno de adubos ou fertilizantes classificados no Capítulo 31, exceto os produtos de uso veterinário e suas matériasprimas. Informa que a contribuinte apresentou a relação das notas fiscais referente às despesas com transportes de insumos, discriminando os produtos transportados. Diz que, em quase sua totalidade, os insumos adquiridos estão sujeitos à alíquota zero, pois são matérias primas para a produção de fertilizantes. Entende que se não há previsão legal para apuração de crédito na aquisição de adubos, fertilizantes e suas matériasprimas e se as despesas de frete incorridas para o seu transporte integram o custo de aquisição, logicamente, não poderia ter sido apurado crédito sobre as despesas de frete. Informa que na “planilha 3” discriminou todas as despesas de frete que foram glosadas, na qual também foram incluídas as despesas de fretes sem descrição do produto transportado (fls. 1.279/5.002 do processo de n° 10783.900001/201291, apensado ao processo de n° 10783.921005/201122). Explica, por fim, que foi garantido o aproveitamento de créditos no transporte de ureia, quando adquirida para fins veterinários, visto haver tributação sobre esse insumo. No item “I.4 ARMAZENAGEM”, explica que, intimada a comprovar as despesas realizadas nesta rubrica, a contribuinte informou que se tratavam de armazenagem de insumos adquiridos que, por razões de logística e capacidade de armazenagem interna, eram guardados em armazéns externos. Afirma, todavia, nos termos do inciso IX do art. 3º da Lei n° 10.833/2003, extensiva ao PIS/Pasep em função do inciso II do art. 15 da mesma lei, que tal crédito é restrito às despesas efetuadas nas operações de vendas e se o ônus for suportado pelo vendedor. Entende que as despesas com armazenagem de insumo ou mercadorias adquiridas para industrialização ou revenda não geram direito ao crédito das contribuições. Diz que tal entendimento é corroborado pelas Soluções de Consulta n° 151/2006 (8a RF), n° 25/2009 (8aRF) e n° 403/2007 (Cosit). Informa que está discriminado na “planilha 4” todas as despesas de armazenagem que foram glosadas (fls. 5.003/5.040 do processo de n° 10783.900001/201291, apensado ao processo de n° 10783.921005/201122). No item “I.5 – ENTRADA BENS P/ REVENDA – URÉIA PECUÁRIA EEMBALAGENS”, relata que no processo administrativo de n° 15586.001201/201048 foi lavrado o Parecer n° 83/2010 e seu respectivo Despacho Decisório, com ciência da contribuinte em 26/11/2010, no qual foi feita a análise do PER de n° 29114.33033.090409.1.1.111732,referente a créditos da Cofins não cumulativa (mercado interno) do 3º trimestre de 2008. Diz que, neste processo, ficou provado que a contribuinte se apropriou indevidamente, neste trimestre, de créditos relativos às aquisições de ureia pecuária e de embalagens correspondentes a períodos anteriores (janeiro de 2005 a Fl. 524DF CARF MF Processo nº 15586.720018/201215 Acórdão n.º 3201004.833 S3C2T1 Fl. 7 6 junho de 2008), nos montantes de R$160.094.943,96 e R$ 17.854.396,54, respectivamente. Informa que a contribuinte justificou o procedimento adotado, invocando o art. 16 da Lei n° 11.116/2005, o qual autorizou a compensação e o ressarcimento de créditos de PIS/Pasep e Cofins vinculados a operações de vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota zero ou não incidência. Relata que o Acórdão de n° 1335.523, proferido pela DRJ/RJ2 em 16/06/2011, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, mantendose integralmente o Despacho Decisório proferido. Narra que o entendimento da DRJ foi no sentido de considerar indevida a inclusão na base de cálculo dos créditos os valores de custos, encargos e aquisições que ensejariam a apropriação dos créditos correspondentes, mas que dizem respeito, todavia, não ao 3º trimestre de 2008, mas a trimestres anteriores de apuração. Explica que o procedimento adotado não se restringiu à inclusão em um mesmo PER de créditos originados de períodos anteriores àquele a que se refere, mas cometeu o mesmo erro no Dacon, ao incluir no mês de setembro de 2008 os custos de aquisições de insumos e embalagens originados em meses anteriores (desde janeiro de 2005). Entende que a contribuinte, assim agindo, não promoveu o necessário e regular confronto dos créditos decorrentes de tais operações de meses anteriores de apuração, utilizandoos na dedução da contribuição devida no próprio mês de apuração, em desrespeito ao regime de competência de apuração da contribuição. Por tal razão, as mesmas glosas efetuadas na apuração do saldo de créditos da Cofins foram mantidas na apuração do saldo de créditos de PIS. No tópico “III – RESSARCIMENTO”, explica que os ajustes de créditos realizados, bem como o percentual de rateio utilizado para separar os diferentes tipos de créditos, foram discriminados no “Demonstrativo de Apuração do PIS”, constante às fls.5.041/5.043, bem como no “Demonstrativo de Apuração da Cofins”, constante às fls.5.044/5.046 do processo de n° 10783.900001/201291, apensado ao processo de n°10783.921005/201122. Informa que os créditos vinculados a receitas tributadas no mercado interno foram consumidos antes dos créditos vinculados a receitas não tributadas no mercado interno e antes dos créditos vinculados a receitas de exportação. (...) A autoridade fiscal propôs, ainda, a homologação das Dcomp vinculadas ao PER até o limite do crédito reconhecido por trimestre calendário, por tributo e por tipo de crédito. Com base no Parecer de n° 74/2012, foi emitido Despacho Decisório pelo Delegado da RFB em Vitória/ES, reconhecendo o direito creditório proposto e homologando as compensações vinculadas até o limite do crédito reconhecido. Fl. 525DF CARF MF Processo nº 15586.720018/201215 Acórdão n.º 3201004.833 S3C2T1 Fl. 8 7 (...) Cientificada (...), a contribuinte apresentou (...) a manifestação de inconformidade, a seguir sintetizada. No tópico “I DOS FATOS”, explica que com a edição do artigo 17 da Lei n° 11.033, de 21 de dezembro de 2004, passou a ser possível a manutenção dos créditos relativos às vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência. Aduz que, posteriormente, foi editada a Lei n° 11.116/05, cujo artigo 16 autorizou a compensação destes créditos com outros tributos federais ou, ainda, seu ressarcimento. Diz que, por isso, apurou o saldo credor solicitado no PER. Resume, ao fim, as glosas realizadas e diz que os fundamentos utilizados pela autoridade fiscal não podem prosperar. No tópico “II DO DIREITO”, aduz, preliminarmente, que a manifestação de inconformidade apresentada engloba todos os processos apensados. A seguir, no item “DA NULIDADE DO DESPACHO DECISÓRIOANTE A AUSÊNCIA DE MOTIVAÇÃO DA GLOSA DE CRÉDITOS DE PIS ORIUNDOSDA AQUISIÇÃO DE UREIA E EMBALAGEM PERÍODO DE JAN/05 A SET/08”, aduz que a autoridade fiscal, ao tratar dos créditos extemporâneos de PIS/Pasep e Cofins oriundos da aquisição de ureia e embalagem no período de jan/05 a set/08, se pautou tão somente na análise dos créditos de Cofins, sem, contudo, fundamentar a decisão com relação ao PIS/Pasep. Explica que não há uma ausência absoluta de motivação das glosas realizadas. Diz, todavia, que há latente insuficiência da motivação, decorrente da precariedade da análise realizada, que, em última instância, acabou por inviabilizar o entendimento acerca do trabalho fiscal realizado, prejudicando o direito ao contraditório. Entende ser inquestionável a necessidade de reconhecimento da nulidade do despacho decisório por cerceamento do direito de defesa e do contraditório, haja vista a inexistência de elementos sólidos para definir os motivos específicos das glosas perpetradas em relação aos créditos de PIS/Pasep oriundos da aquisição de ureia e embalagem. Argumenta que a indicação específica dos fatos que ensejaram a glosa dos créditos tributários é um dos requisitos de validade das decisões administrativas, conforme se depreende do art. 50, I, da Lei 9.784/99. Diz ainda que são nulos os despachos proferidos com preterição do direito de defesa, nos termos do artigo 59 do Decreto 70.235/72. Traz decisão do CARF sobre o assunto. Requer a nulidade do despacho decisório. A seguir, no item “DA DECADÊNCIA DO DIREITO DO FISCO DE INDEFERIR O DIREITO AO CRÉDITO DE PIS E DE COFINS APROPRIADO ATÉ MAIO DE 2007”, assevera que a autoridade fazendária glosou os créditos oriundos da aquisição de serviços de desestiva, frete sobre compra, armazenagem e de bens e serviços empregados na da produção, referentes ao período transcorrido entre o 1º trimestre de 2007 e o 4º trimestre de2009 e, ainda, créditos Fl. 526DF CARF MF Processo nº 15586.720018/201215 Acórdão n.º 3201004.833 S3C2T1 Fl. 9 8 extemporâneos de PIS/Pasep oriundos da aquisição de uréia e embalagem do período de janeiro de 2005 a setembro de 2008. Alega, todavia, que já estava decaído o direito de o Fisco glosar os créditos apurados até 05/2007. Diz que o reconhecimento do direito creditório se deu entre 01/2007 e12/2009, ocasião em que apropriou os créditos em sua escrita fiscal e os declarou em Dacon. Explana que a contribuição em análise está sujeita ao lançamento por homologação, de modo que lhe compete apurar mensalmente o montante de tributo devido, declarálo ao Fisco e efetuar o recolhimento. Informa que a homologação pode ocorrer expressa ou tacitamente, a qual se dá pelo transcurso do prazo de 5 (cinco) anos sem a manifestação do fisco, tornando extinto o crédito tributário, nos termos do §4° do art. 150 do CTN. Argumenta que uma vez pago o tributo devido começou a fluir o prazo decadencial de 05 (cinco) anos para o Fisco averiguar se estava correto o procedimento adotado, bem como lançar eventual diferença. Preconiza que, em relação aos créditos apurados entre 01/2005 e 05/2007, o prazo para o Fisco indeferilos findouse em 31/05/2012. Informa que a notificação sobre o indeferimento dos créditos ocorreu no dia 13/06/2012, ou seja, quando já decorrido o prazo decadencial para que o Fisco pudesse rever os valores creditados para apuração do tributo. Requer que seja reconhecido como homologado tacitamente os créditos apropriados entre 01/2005 e 05/2007. No item “DA IMPOSSIBILIDADE DE RESTRIÇÃO INFRALEGAL AO CONCEITO DE INSUMO”, explica que as Leis n°s 10.637/02 e 10.833/03 determinam que a pessoa jurídica poderá fazer algumas deduções da sua base de cálculo, prevendo que podem ser descontados os bens e serviços utilizados como insumo na prestação de serviços e na fabricação de bens destinados à venda. Diz que ao regulamentar as leis, a RFB externou, por meio das Instruções Normativas n° 247/02 e 404/04, o seu entendimento do que consiste o termo “insumo” parafins de PIS/Pasep e Cofins, equiparando o ao conceito estabelecido para o IPI, o que não merece prosperar, uma vez que a lei assim não o fez. Explica que tais Instruções Normativas não oferecem a melhor interpretação ao art. 3o, inciso II, das Leis n°s 10.637/02 e 10.833/03, pois a concepção estrita de insumo não se coaduna com a base econômica da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, cujo ciclo de formação não se limita à fabricação de um produto ou à execução de um serviço, abrangendo outros elementos necessários à obtenção de receita. Explana que a base de cálculo do IPI é o valor da mercadoria industrializada, de modo que insumo, neste caso, está relacionado apenas aos elementos que entram na composição do valor da mercadoria, tais como matériaprima, produto intermediário e material de embalagem. Por sua vez, o PIS/Pasep e a Cofins têm como base de cálculo a receita, que é composta por todos os ingressos que integram o patrimônio da pessoa jurídica, razão pela qual o insumo se relaciona com a totalidade das receitas auferidas pelo contribuinte, as quais, para serem obtidas, exigem que os contribuintes incorram em despesas e custos. Fl. 527DF CARF MF Processo nº 15586.720018/201215 Acórdão n.º 3201004.833 S3C2T1 Fl. 10 9 Em função disso, entende que para as contribuições ao PIS e à Cofins o significado de insumo é muito mais abrangente do que o do IPI, devendo integrar todas as despesas e custos necessários utilizados na produção de bens e serviços que abarão gerando receita, relacionados nos artigos 290 e 299 do Regulamento do Imposto de Renda (Decreto n°3.000/1999), e que definem, respectivamente, custos e despesas operacionais. Aduz que o CARF proferiu decisão na qual reconhece a validade do conceito de insumo oferecido pela legislação do IRPJ, afastando a possibilidade de utilização dos conceitos de insumo trazidos pela legislação do IPI. Assevera que a Justiça Federal está adotando o entendimento do CARF. Anexa decisão da 1a Turma do TRF da 4a Região. Alega que as Leis n°s 10.637/02 e 10.833/03 não conceituam e nem limitam o conceito de insumos, assim como não remetem à utilização subsidiária da legislação do IPI para o alcance de seu conceito, razão pela qual entende que a restrição ao conceito de insumo trazida nas referidas Instruções Normativas são ilegais, ferindo o princípio constitucional da legalidade. Por fim, ressalta, “apenas por amor à argumentação”, que mesmo em caso de atendimento ao disposto nas IN SRF n°s 247/02 e 404/04, que faz jus aos créditos em discussão, pois consoante se verifica do seu objeto social, é produtora de fertilizantes, sendo imprescindível a observância de todas as etapas relativas ao processo produtivo, o qual abrange desde a chegada dos insumos importados, o carregamento, o transporte, a pesagem, a produção dos fertilizantes, a distribuição e a venda destes produtos. Requer o cancelamento das glosas realizadas relativamente aos dispêndios com insumos. No item “DO DIREITO AO CRÉDITO DE DESESTIVA”, argumenta que, à época, todos os desembolsos efetuados com operações portuárias eram classificados como desestiva, de modo que dentro desta conta foram contabilizados os custos de armazenagem alfandegada (acondicionamento da matériaprima em armazéns dentro do porto até a sua transferência para a fábrica), descarga (ato de retirar a matéria prima do navio),movimentação (movimentação dos produtos dentro do porto) e a própria desestiva (serviços de organização da matériaprima dentro do navio para que a mesma possa ser descarregada). Relata que tais atividades são realizadas por pessoas jurídicas especializadas que atuam apenas para este fim, sem os quais seria impossível a retirada da mercadoria dos porões dos navios e o seu acondicionamento nos caminhões de transporte. Diz que a Lei n° 8.630/93 regulamenta a atividade portuária e determina que todas as movimentações de cargas destinadas ou provenientes de transporte aquaviário devem ser realizadas por pessoas jurídicas préqualificadas para operar no porto. Alega que, assim, pode, com base no artigo 3o, inc. II, das Leis n°s 10.637/02 e 10.833/2003, descontar créditos de PIS/Pasep ou Cofins sobre aquisições de insumos, bens e serviços empregados na fabricação Fl. 528DF CARF MF Processo nº 15586.720018/201215 Acórdão n.º 3201004.833 S3C2T1 Fl. 11 10 de bens destinados à venda ou na prestação de serviços. Argumenta que a questão que gera inúmeras discussões doutrinárias e jurisprudenciais é o real significado de insumo, uma vez que não existe uma definição legal, mas apenas instruções normativas publicadas pela RFB na tentativa de conceituálo. Diz que após diversas decisões conflitantes, a Receita Federal publicou a Solução de Divergência n° 15/2008, a qual define insumo como “aqueles bens ou serviços adquiridos de pessoa jurídica, intrínsecos à atividade, aplicados ou consumidos na fabricação do produto ou no serviço prestado”. Afirma que tal entendimento lhe possibilita apropriar créditos sobre o valor de aquisição de insumos que não necessariamente se consumam ou desgastem em razão do contato com o produto em fabricação, mas também sobre insumos que são aplicados direta ou indiretamente no processo produtivo de determinada mercadoria, sem que tenham sido desgastados ou consumidos. Cita o art. 110 do CTN, segundo o qual a lei tributária não pode alterar a definição, o conteúdo e o alcance dos conceitos de direito privado. Delimita o conceito de insumo com base na NPC n° 02 do IBRACON (Instituto dos Auditores Independentes do Brasil), que define custo como todos os gastos incorridos para a aquisição e/ou produção de um bem. Traz, também, o conceito de custo fornecido pelo Conselho Federal de Contabilidade (CFC n° 1.170/2009). Entende que é este o conteúdo que deve ser dado ao conceito de insumo pela RFB. Conclui que se enquadram no conceito de custo de produção os incorridos, intrínsecos e necessários na aquisição e na prestação de determinado bem até a etapa em que ele estiver em condições de ser comercializado. Alega, ainda, que a atividade portuária é essencial à sua atividade, o que está cabalmente demonstrado por fotos constantes em documentos anexos. Afirma que tais custos são intrínsecos ao seu processo produtivo, pois, caso algum deles não seja efetuado, a matéria prima não terá continuidade no processo produtivo. Entende, pelo exposto, que os serviços mencionados são, efetivamente, utilizados como insumo no processo produtivo da indústria, haja vista que, após a liberação do Ministério da Agricultura ou da Receita Federal, iniciase todo o serviço de desestiva e descarga do navio, a fim de acomodar as mercadorias dentro do caminhão que as transportará para o processo produtivo da indústria. Traz aos autos fluxograma para demonstrar o procedimento realizado. Afirma que os serviços realizados não podem jamais serem tratados como uma mera atividade meio ou uma despesa administrativa, como entendeu a autoridade fazendária, haja vista que são atividades essenciais e que estão intrinsecamente ligadas à produção de fertilizantes. Requer que se considere os serviços de desestiva, descarregamento, armazenagem alfandegada e movimentação como insumo do processo produtivo e, consequentemente, se reconheça os descontos dos créditos efetuados. Argumenta, com base na citada decisão do CARF, que o conceito de insumo para o PIS/Cofins é o mesmo utilizado na legislação do IRPJ, Fl. 529DF CARF MF Processo nº 15586.720018/201215 Acórdão n.º 3201004.833 S3C2T1 Fl. 12 11 ou seja, insumos não apenas as matériasprimas, mas todos os custos diretos ou indiretos da cadeia produtiva. Argumenta que mesmo que não fossem consideradas as despesas com desestiva, descarregamento, movimentação e armazenagem como prestação de serviços aplicados na produção, devese considerálas como englobadas no custo de transporte, o qual integra o conceito de frete. Diz que não é por não estar amparada por um documento fiscal, apresentado por uma transportadora, que não pode ter direito ao crédito de PIS/Cofins, pois a caracterização do serviço está relacionado ao transporte que faz parte de seu processo produtivo. Aduz que a RFB reconhece o crédito sobre o frete pago no transporte das matérias primas até o estabelecimento fabril. Traz soluções de consultas da RFB sobre o assunto. Requer, por fim, uma vez que a fiscalização não efetuou qualquer questionamento sobre a composição dos lançamentos classificados nas rubricas DESESTIVAS/DESPACHANTES, que seja efetuada diligência para responder qual é o valor dos créditos que deverão ser aceitos nos pedidos de ressarcimento. No item “SERVIÇOS DE TRANSPORTE FRETE NA AQUISIÇÃO DE INSUMOS”, relata que o Fisco glosou crédito de despesas com fretes na aquisição de insumos, não obstante a existência dos devidos comprovantes (CTRC e notas fiscais). Argumenta que, de forma equivocada, concluiu a autoridade fiscal que como os insumos adquiridos (exceto a ureia) são tributados à alíquota zero não poderia haver crédito sobre o respectivo frete. Alega, entretanto, que a alíquota zero aplicada às aquisições de matérias primas não se estende ao frete, que sofre a tributação normal do PIS/Pasep e da Cofins. Afirma que este esse é o entendimento adotado pela melhor jurisprudência do CARF e das DRJ. Traz algumas ementas de decisões desses órgãos, assim como as Soluções de Consulta nº 17/2010 e n° 234/2007. Requer o reconhecimento da totalidade dos créditos oriundos dos fretes sobre compra de insumos. No item, “DOS CRÉDITOS DAS DESPESAS DE ARMAZENAGEM”, aduz que adquire seus insumos básicos em grandes quantidades e, assim, necessita armazenálos, o que nem sempre ocorre nas dependências da empresa. Diz que duas das Soluções de Consulta utilizadas pelo Auditor Fiscal para efetuar as glosas lhe é favorável. Afirma que a Solução de Consulta n° 403/2007 esclarece que os créditos das despesas de armazenagem são devidos desde que seu respectivo ônus seja suportado pela tomadora de créditos, que é o caso em análise. Explica que a Solução de Consulta n° 25/2009, a seu turno, elucida que os créditos de armazenagem não são devidos quando a despesa se refere a produtos que não foram aplicados diretamente na produção, o que não é o caso dos autos. Requer o reconhecimento dos créditos glosados. No item “DOS SERVIÇOS E BENS NÃO ADMITIDOS”, explica que a fiscalização glosou diversos créditos relacionados a bens e serviços adquiridos, inclusive atinentes às despesas incorridas para o transporte desses bens. Diz, todavia, que tais bens e serviços são utilizados como insumos, pois se tratam de ferramentas operacionais, materiais de manutenção, etc, os quais estão diretamente ligados ao Fl. 530DF CARF MF Processo nº 15586.720018/201215 Acórdão n.º 3201004.833 S3C2T1 Fl. 13 12 processo produtivo. Aduz que o conceito de “insumo” não pode ficar restrito ao conceito legalmente estatuído para o IPI. Requer a reversão das glosas efetuadas. No tópico “DA GLOSA DE CRÉDITOS EXTEMPORÂNEOS DE PIS ORIUNDOS DA AQUISIÇÃO DE URÉIA PECUÁRIA E EMBALAGEM – PERÍODO DE JAN/05 A SET/08”, relata que, conforme exposto em preliminar, a autoridade fiscal glosou créditos de PIS oriundos da aquisição de ureia pecuária e de embalagem, no período de 01/2005 a 09/2008, sem qualquer motivação específica e sem indicação das normas jurídicas eventualmente infringidas, em patente ofensa ao princípio da ampla defesa e do contraditório. Diz que tal indeferimento se deu unicamente sob o argumento de que estavam sendo mantidas em relação ao PIS as glosas realizadas em relação à Cofins no PAF de n° 15586.001201/201048. Afirma que, se não for acatada a preliminar de nulidade, há argumentos, expostos a seguir, que rebatem a glosa perpetrada. No item “DOS CRÉDITOS EXTEMPORÂNEOS DE PIS”, explica que transmitiu PER em virtude da aquisição de ureia pecuária e embalagens aplicadas em seu processo produtivo, referentes ao período de 01/2005 a 09/2008. Diz que tal direito creditório foi glosado sob o possível entendimento de que deveria ter feito o pedido para cada trimestre calendário, nos termos dos artigos 21 e 22 da IN n° 600/2005. Diz que tal entendimento não merece prosperar pelos seguintes motivos. No item “DA IMPOSSIBILIDADE DA REVOGAÇÃO DE LEI POR MEIO DE INSTRUÇÃO NORMATIVA”, expõe que o artigo 16 da Lei n° 11.116/2005 não obrigou que os sujeitos passivos fizessem um PER para cada trimestre como condição para utilizar créditos extemporâneos. Afirma que a lei apenas criou o direito ao crédito e que a única obrigação trazida era de que o saldo credor fosse acumulado em cada trimestre. Aduz que se a lei não restringiu o direito do contribuinte, uma mera instrução normativa não tem o condão de fazêlo, devendo ser observado o princípio da legalidade. Traz à baila o art. 100 do CTN. Argumenta que não há dúvidas sobre o caráter regulatório das Instruções Normativas, que, como normas secundárias, não podem ir além daquilo que foi determinado em lei. Conclui que não merece prosperar a decisão da autoridade fiscal. No tópico “DA OBSERVÂNCIA PELA MANIFESTANTE DO PROCEDIMENTO NECESSÁRIO PARA COMPENSAÇÃO”, assevera que o art. 16 da Lei n° 11.116/05 determina que os contribuintes somente podem utilizar seu crédito acumulado de PIS/Cofins para compensálo com outros tributos após o encerramento do trimestre. Entende que o legislador não proibiu os contribuintes de fazer um único pedido, reunindo saldos acumulados de trimestres anteriores já encerrados. Diz que a obrigatoriedade trazida é apenas que a apuração do saldo credor seja feita a cada trimestre. Informa que quando lançou, deforma extemporânea, em seu Dacon do mês 09/2008 todas as suas operações com direito a crédito do período compreendido entre 01/2005 e 09/2008 e, consequentemente, entregou PER e Dcomp, já estavam encerrados todos os trimestres cujo crédito se pleiteava. Fl. 531DF CARF MF Processo nº 15586.720018/201215 Acórdão n.º 3201004.833 S3C2T1 Fl. 14 13 No tópico “DA COMPOSIÇÃO DO SALDO CREDOR REFERENTE AO 3º TRIMESTRE DE 2008”, diz que o saldo credor deste período é composto pelos créditos apurados dentro do próprio trimestre e pelos créditos extemporâneos reconhecidos no trimestre. Diz ter agido de acordo com as normas jurídicas aplicáveis ao caso e ter feito um único PER. Alega que incorporar crédito extemporâneo aos créditos do 3o trimestre de 2008 apenas lhe prejudicou, em virtude do atraso na devolução do saldo credor a que tem direito. No tópico “DA APLICAÇÃO AO CASO DO PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL” diz, novamente, ser possível a utilização de créditos extemporâneos. Aduz que a autoridade fiscal não pode deixar de reconhecêlos apenas por entender que o procedimento para sua utilização ter sido feita da forma inadequada. Diz que no processo administrativo tributário deve prevalecer sempre a verdade material. Traz decisões do antigo Conselho de Contribuintes sobre a aplicação do princípio. Postula por sua aplicação, reformando a decisão prolatada. No tópico “DA JUNTADA POSTERIOR DE DOCUMENTAÇÃO”, explica que no exíguo prazo de 30 dias para apresentação da Manifestação de Inconformidade não foi possível apresentar toda a documentação que respalda os argumentos expostos. Pede, em homenagem ao princípio da ampla defesa, pela entrega dos documentos, a fim de provar a verdade dos fatos até antes do julgamento. No tópico “DA PRODUÇÃO DE PROVA PERICIAL”, requer, com base no artigo 16 do Decreto 70.235/72, a realização de diligência para responder a seguinte questão: “qual é o valor do crédito de PIS/Cofins oriundos dos lançamentos classificados como “desestiva/despachantes”, frete sobre compras, armazenagem e serviços e bens não admitidos que, de acordo com o conceito de insumo, já consagrado pelo CARF, deverá ser aceito no PER?” Protesta pela formulação de quesitos complementares. Nomeia como assistentes técnicos o Sr. Rubens Leite de Mattos, contador, inscrito no CRC 1SP163.568/06, e o Sr. Fabiano de Oliveira Bernarde, engenheiro, inscrito no CREA 5061932479, ambos com endereço na Avenida Irene Karcher, 620, Betel, Paulínia/SP, CEP 13148906, fone: (019) 33222289. Por fim, no tópico “DO PEDIDO”, requer: 1) a nulidade do Despacho Decisório em face da insuficiência da motivação das glosas dos créditos extemporâneos de PIS, por ofensa aos princípios da ampla defesa e do contraditório; 2) a homologação tácita dos créditos apropriados até 05/2007; 3) quanto ao mérito, o reconhecimento integral dos créditos; 4) a realização de diligência/prova pericial a fim de comprovar o todo alegado; 5) protesta pela posterior juntada de documentos até antes do julgamento; Fl. 532DF CARF MF Processo nº 15586.720018/201215 Acórdão n.º 3201004.833 S3C2T1 Fl. 15 14 6) requer que as futuras intimações sejam enviadas não só para o domicílio do contribuinte, como também para seus advogados, cujo domicílio encontrase na rua Paulo Lobo, n° 33, Cambuí, Cidade de Campinas/SP, CEP 13.025210. A DRJ julgou improcedente a manifestação de inconformidade. O Acórdão n.º 06047.530 3ª Turma da DRJ/CTA, está assim ementado: ASSUNTO: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/2008 a 31/03/2008 DECADÊNCIA. DIREITO DE EFETUAR A GLOSA DE CRÉDITOS. O prazo decadencial do direito de lançar tributo não rege os institutos da compensação e do ressarcimento e não é apto a obstaculizar o direito de averiguar a liquidez e a certeza do crédito do sujeito passivo e a obstruir a glosa de créditos indevidos tomados pela contribuinte. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITO. INSUMO. Somente podem ser considerados insumos, os bens ou serviços intrinsecamente vinculados à produção de bens, não podendo ser interpretados como todo e qualquer bem ou serviço que gere despesas. CRÉDITOS. IMPORTAÇÃO. DESESTIVA. DESPACHANTES. A pessoa jurídica sujeita ao regime de apuração não cumulativa do PIS/Pasep e da Cofins não pode descontar créditos calculados em relação aos gastos com desestiva e despachantes, decorrentes de importação de mercadorias. CRÉDITOS. CUSTOS COM ARMAZENAGEM. As despesas com armazenagem somente geram créditos não cumulativos se estiverem vinculadas às operações de venda. FRETES SOBRE COMPRAS. CRÉDITOS BÁSICOS. Somente os fretes sobre compras de bens passíveis de creditamento na sistemática da não cumulatividade do PIS e da Cofins geram direito ao crédito básico. CRÉDITOS EXTEMPORÂNEOS. FALTA DE PREVISÃO LEGAL. Não há previsão legal na legislação de regência do PIS/Pasep e da Cofins para o aproveitamento extemporâneo de créditos da não cumulatividade. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2008 a 31/03/2008 INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. INCOMPETÊNCIA. Fl. 533DF CARF MF Processo nº 15586.720018/201215 Acórdão n.º 3201004.833 S3C2T1 Fl. 16 15 As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente, sendo incompetentes para a apreciação de arguições de inconstitucionalidade e ilegalidade de atos legais regularmente editados. PEDIDO DE DILIGÊNCIA. DESNECESSIDADE. INDEFERIMENTO. Indeferese o pedido de diligência por ser absolutamente desnecessário para a solução do litígio. Inconformada, a ora Recorrente apresentou, no prazo legal, Recurso Voluntário por meio do qual requer que a decisão da DRJ seja reformada, alegando, em síntese: I. Dos Fatos A Recorrente reproduz os argumentos da impugnação explicando que com a edição do artigo 17 da Lei n° 11.033, de 21 de dezembro de 2004, passou a ser possível a manutenção dos créditos relativos às vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência. Aduz que, posteriormente, foi editada a Lei n° 11.116/05, cujo artigo 16 autorizou a compensação destes créditos com outros tributos federais ou, ainda, seu ressarcimento. Diz que, por isso, apurou o saldo credor solicitado no PER. Resume, ao fim, as glosas realizadas e diz que os fundamentos utilizados pela autoridade fiscal não podem prosperar. II. Do Direito II.1 – Da Decadência – Desestiva e Outros A Recorrente alega a decadência do direito de lançar o créditos oriundos da glosa de serviços de desestiva, frete sobre a compra, armazenagem e bens e serviços empregados na produção, referentes ao período transcorrido entre o 1o trimestre de 2007 e o 4o trimestre de 2009 e, ainda, créditos extemporâneos de PIS/Pasep oriundos da aquisição de uréia e embalagem do período de janeiro de 2005 a setembro de 2008. Nessa linha, repete os argumentos da impugnação, sustentando dentre outros a) que já estava decaído o direito de o Fisco glosar os créditos apurados até 05/2007; b) que o tributo era sujeito a lançamento por homologação com a contagem do prazo decadencial nos termos do §4° do art. 150 do CTN; c) que o prazo para o Fisco indeferilos findouse em 31/05/2012; d) que a notificação sobre o indeferimento dos créditos ocorreu no dia 13/06/2012, portando posterior a data de 31/05/2012. II.2 – Da Direito ao Crédito da Contribuição ao PIS e da Cofins Não Cumulativas Oriundas da Aquisição de Insumos e Serviços e da Impossibilidade de Ressarcimento/Compensação. A Recorrente argumenta que com a edição das Leis nºs 10.637/02 e 10.833/03 a contribuição ao PIS e a Cofins tornaramse, via de regra, nãocumulativas. Complementa afirmando que teria direito ao crédito na aquisição de bens e serviços, bem como Fl. 534DF CARF MF Processo nº 15586.720018/201215 Acórdão n.º 3201004.833 S3C2T1 Fl. 17 16 das despesas incorridas para a fabricação de seu produto. Embasa sua afirmativa no art. 17 da Lei nº 11.033, de 21/12/2004. O referido artigo assim dispõe: "Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota O (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações." (DOU 22/12/04) Reforça esse argumento, fazendo referência ao art. 16, da Lei nº 11.116/05 que trata dentre outros da compensação com débitos próprios do crédito acumulado a cada trimestre de PIS/Pasep e Cofins. II.3 – Da Impossibilidade de Restrição Infralegal ao Conceito de Insumo A Recorrente argumenta que a RFB por meio das Instruções Normativas n° 247/02 e 404/04 da RFB fez uma interpretação equivocada do conceito de insumo para fins de PIS/Pasep e Confins constante das Leis n°s 10.637/02 e 10.833/03. O equívoco ocorre pois as referidas INs equipararam o conceito de insumo para fins de PIS/Pasep e Confins ao conceito de insumo para a legislação do IPI. Dessa forma, explica que os tributos em cena têm uma estrutura jurídica completamente diversa, sendo o IPI um imposto sobre a produção e o PIS/Pasep e Cofins contrições sobre a receita. Cita doutrina e jurisprudência tratando do conceito de insumo. Pede que seja reconhecido o direito creditório. II.4 – Do Direito ao Crédito de Desestiva A Recorrente defende o direito ao crédito com as atividades de desestiva. Tratase de desembolsos efetuados com operações portuárias, a saber: custos de armazenagem alfandegada (acondicionamento da matériaprima em armazéns dentro do porto até a sua transferência para a fábrica), descarga (ato de retirar a matériaprima do navio), movimentação (movimentação dos produtos dentro do porto) e a própria desestiva (serviços de organização da matériaprima dentro do navio para que a mesma possa ser descarregada). Alega que as atividades portuárias são realizadas por pessoas jurídicas domiciliadas no país e transcreve trechos da Lei nº 8.630/93. Diz que a Lei n° 8.630/93 regulamenta a atividade portuária e determina que todas as movimentações de cargas destinadas ou provenientes de transporte aquaviário devem ser realizadas por pessoas jurídicas préqualificadas para operar no porto. Alega que as despesas com o serviço de desestiva enquadramse no conceito de insumos. Cita doutrina e jurisprudência para pedir o reconhecimento do direito creditório de PIS/Pasep e Cofins. Argumenta que mesmo que não fossem consideradas as despesas com desestiva, descarregamento, movimentação e armazenagem como prestação de serviços aplicados na produção, devese considerálas como englobadas no custo de transporte, o qual Fl. 535DF CARF MF Processo nº 15586.720018/201215 Acórdão n.º 3201004.833 S3C2T1 Fl. 18 17 integra o conceito de frete. Cita jurisprudência reconhecendo o direito ao crédito nos serviços de frete na aquisição. II.5 – Serviços de Transporte – Frete na Aquisição de Insumos A Recorrente relata que o Fisco glosou o crédito de despesas com fretes na aquisição de insumos, não obstante a existência dos devidos comprovantes (CTRC e notas fiscais). Argumenta que, de forma equivocada, concluiu a autoridade fiscal que como os insumos adquiridos (exceto a ureia) são tributados à alíquota zero não poderia haver crédito sobre o respectivo frete. Argumenta que os custos relativos ao frete são tributados pelo PIS/COFINS e que faria jus ao crédito. A seu favor, cita trecho de parecer, de legislação do IR (RIR/2011 art. 289) e jurisprudência administrativa. II.6 – Dos Créditos Decorrentes das Despesas de Armazenagem A Recorrente aduz que adquire seus insumos básicos em grandes quantidades e, assim, necessita armazenálos, o que nem sempre ocorre nas dependências da empresa. Afirma que a armazenagem é um serviço indispensável ao seu processo produtivo. Dessa forma, alega que não se pode restringir o direito ao crédito de PIS/COFINS provenientes das despesas de armazenagem. II.7 – Dos Serviços e Bens Não Admitidos A Recorrente relata explica que a fiscalização glosou diversos créditos relacionados a bens e serviços adquiridos, inclusive atinentes às despesas incorridas para o transporte desses bens. Diz, todavia, que tais bens e serviços são utilizados como insumos, pois se tratam de ferramentas operacionais, materiais de manutenção, etc, os quais estão diretamente ligados ao processo produtivo. Aduz que o conceito de “insumo” não pode ficar restrito ao conceito legalmente estatuído para o IPI. Requer a reversão das glosas efetuadas. II.8 – Da Glosa dos Créditos Extemporâneos de PIS Oriundos da Aquisição de Uréia Pecuária e Embalagem – Período de Jan/05 a Jun/08 A Recorrente relata que, conforme exposto em preliminar, a autoridade fiscal glosou créditos de PIS oriundos da aquisição de ureia pecuária e de embalagem, no período de 01/2005 a 09/2008, sem qualquer motivação específica e sem indicação das normas jurídicas eventualmente infringidas, em patente ofensa ao princípio da ampla defesa e do contraditório. Diz que a questão relacionada aos créditos extemporâneos de PIS/Pasep oriundos da aquisição de ureia e embalagem no período de jan/05 a set/08 será tratada especificamente no PA de n° 15586.720015/201273, uma vez que tais créditos foram solicitados no PER de setembro de 2008 de n° 09266.04610.101008.1.1.100006. Pede que os autos sejam julgados em conjunto com outros processos que estavam inicialmente apensados no Processo Administrativo nº 10783.900001/201291, uma vez que são conexos por tratarem das mesmas matérias. III.8 – Da Produção de Prova Pericial/Diligência Fl. 536DF CARF MF Processo nº 15586.720018/201215 Acórdão n.º 3201004.833 S3C2T1 Fl. 19 18 A Recorrente reforça que foi requerida quando da interposição da Manifestação de Inconformidade a realização de prova pericial/diligência, para responder ao seguinte questionamento: Qual é o valor do crédito de PIS/COFINS oriundo dos lançamentos classificados como DESESTIVAS/DESPACHANTES, FRETE SOBRE COMPRA, ARMAZENAGEM e SERVIÇOS E BENS NÃO ADMITIDOS que, de acordo com o conceito de insumo, já consagrado pelo CARF, deverá ser aceito no pedido de ressarcimento? Protesta pela formulação de quesitos complementares e indica assistentes técnicos. IV – Do Pedido A Recorrente ao final pede que: 1) inicialmente, requer a Recorrente que o presente processo seja analisado em conjunto com todos os outros processos que estavam inicialmente apensados no Processo Administrativo n.o 10783.900001/201291, uma vez que são conexos por tratarem das mesmas matérias; 2) requer que seja reconhecida a homologação tácita dos créditos apurados pela Defendente até maio de 2.007, eis que quando da notificação da Defendente em 13/06/2012, já estava decaído o direito do Fisco de indeferir e glosar o direito creditório do contribuinte em decorrência do transcurso do prazo de 05 (cinco) anos, nos termos do artigo 150, g 40 do CTN; 3) requer que o presente recurso seja integralmente provido para reformar o v. acórdão recorrido e reconhecer integralmente o crédito pleiteado, eis que o conceito de insumo engloba todos os custos e despesas incorridos para a obtenção de receita advinda da venda de fertilizantes, nos termos articulados no presente recurso, e que sejam homologadas as compensações realizadas pela Recorrente, extinguindose, assim, o respectivo crédito tributário, nos termos do artigo 156, II, do CTN. 4) requer a realização de diligência/prova pericial a fim de comprovar todo o alegado. É o relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3201004.805, de 31/01/2019, proferido no julgamento do processo 10783.900005/201270, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Fl. 537DF CARF MF Processo nº 15586.720018/201215 Acórdão n.º 3201004.833 S3C2T1 Fl. 20 19 Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201004.805): "O recurso atende a todos os requisitos de admissibilidade previstos em lei, razão pela qual dele se conhece. A seguir passo a análise do Recurso Voluntário. Inicialmente a Recorrente pede que estes autos sejam julgados em conjunto com outros processos que estavam inicialmente apensados no Processo Administrativo nº 10783.900001/201291. Ocorre que os processos foram desapensados pela DRJ por entender ser melhor a análise de julgamento individualizada. Os processos apensados, digase, envolvem créditos de natureza diferentes (mercado interno não tributado e exportação) e períodos de apuração distintos. Além disso, há pontos controversos que não dizem respeito a todos os processos. Por isso, cada qual deve seguir seu próprio caminho, independentemente dos demais. (efl. 463) Assim negase o pedido, sendo que este acordão diz respeito unicamente ao PER de n° 24645.20425.080409.1.1.105572, relativo ao 4º trimestre de 2008, resultantes da não incidência de PIS/Pasep sobre as receitas de vendas não tributadas no mercado interno. Do Direito II.1 – Da Preliminar de Decadência A Recorrente alega a preliminar de decadência do direito de lançar parte dos créditos. Não lhe assiste razão. A lide trata de PER Pedido Eletrônico de Restituição, sendo que não há previsão legal acerca da ocorrência de “homologação” ou de “decadência” para que o fisco examine o direito creditório de restituição. O prazo de 5 anos para a homologação é válido para os casos de compensação, isto é, da extinção do débito (crédito tributário) por um alegado crédito. Tratase de aplicar o disposto no art. 74 da Lei n° 9.430/1996: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. ... § 1º A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados. Fl. 538DF CARF MF Processo nº 15586.720018/201215 Acórdão n.º 3201004.833 S3C2T1 Fl. 21 20 § 2º A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. (...) § 5º O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. Assim, de forma conclusiva, afasto a preliminar de decadência. II.2 – Da Direito ao Crédito da Contribuição ao PIS e da Cofins Não Cumulativas Oriundas da Aquisição de Insumos e Serviços e da Impossibilidade de Ressarcimento/Compensação. A Recorrente argumenta que com a edição das Leis nºs 10.637/02 e 10.833/03 a contribuição ao PIS e a Cofins tornaramse, via de regra, nãocumulativas. Assiste razão a Recorrente. O art. 3º de ambas as leis utiliza o termo “insumos” para caracterizar o direito ao crédito. Tratase de assunto exaustivamente discutido neste CARF, cabendo ao intérprete da lei definir a amplitude ou abrangência do termo “insumos” para cada caso em concreto. O direito ao crédito dos insumos também está assegurado mesmo nos casos das vendas de produtos finais tributadas a alíquota zero. Nesse sentido, citase jurisprudência da CSRF deste CARF: CARF CSRF Acórdão 9303007.500 – 3ª Turma ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2008 PIS/PASEP. AQUISIÇÃO E REVENDA. ALÍQUOTA ZERO. INCIDÊNCIA CONCENTRADA. CRÉDITO SOBRE ARMAZENAGEM E FRETES NA VENDA. POSSIBILIDADE. As revendas, por distribuidoras, de produtos sujeitos à tributação concentrada, ainda que as receitas sejam tributadas à alíquota zero, possibilitam desconto de créditos relativos a despesas com armazenagem e frete nas operações de venda, conforme artigo 3º, IX da Lei nºs 10.637/2002 e 10.833/03. Assim, mesmo que o produto final esteja sujeito a alíquota zero, existe o direito ao crédito na aquisição de bens e serviços que tenham sido efetivamente tributados pelas contribuições na etapa anterior. Os dispositivos legais que embasam tal conclusão são a Lei nº 10.833, de 2003, art. 3º, §§ 7º e 8º; e a Lei 11.033, de 2004, art. 17. Assim, dáse provimento ao Recurso Voluntário para reconhecer o direito ao crédito dos insumos sujeitos ao pagamento das contribuições, particularmente o frete, de produtos cuja revenda esteja sujeita a alíquota zero. II.3 – Da Impossibilidade de Restrição Infralegal ao Conceito de Insumo Fl. 539DF CARF MF Processo nº 15586.720018/201215 Acórdão n.º 3201004.833 S3C2T1 Fl. 22 21 A Recorrente argumenta que a RFB por meio das Instruções Normativas n° 247/02 e 404/04 da RFB fez uma interpretação equivocada do conceito de insumo para fins de PIS/Pasep e Confins constante das Leis n°s 10.637/02 e 10.833/03. Assiste razão a Recorrente. O conceito de insumo é distinto do conceito de matériasprimas e produtos intermediários constante da legislação do IPI. Para o PIS/COFINS o conceito de insumo é mais amplo, ultrapassando as limitações de contato direto com o produto fabricado. Ao julgar a questão sob o prisma dos recursos repetitivos (Recurso Especial nº 1.221.170 – PR), o acórdão do STJ destacou que ao interpretar o termo insumos de forma restritiva, a Fazenda por meio das INs 247/02 e 404/04 desnaturou o sistema não cumulativo e limitou indevidamente o conceito, que está relacionado àquilo que é intrínseco à atividade econômica da empresa. A atuais redações dos artigos 3º das Leis nº 10.637/2002 (PIS) e nº 10.833/2003 (COFINS), seguem abaixo: Lei nº 10.637/2002 (PIS) Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: Produção de efeito (Vide Lei nº 11.727, de 2008) (Produção de efeitos) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) (Regulamento) I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) a) no inciso III do § 3o do art. 1o desta Lei; e (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008). (Produção de efeitos) b) nos §§ 1o e 1oA do art. 2o desta Lei; (Redação dada pela Lei nº 11.787, de 2008) (Vide Lei nº 9.718, de 1998) II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) III (VETADO) IV – aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa; V valor das contraprestações de operações de arrendamento mercantil de pessoa jurídica, exceto de optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) VI máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços. (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) Fl. 540DF CARF MF Processo nº 15586.720018/201215 Acórdão n.º 3201004.833 S3C2T1 Fl. 23 22 VII edificações e benfeitorias em imóveis de terceiros, quando o custo, inclusive de mãodeobra, tenha sido suportado pela locatária; VIII bens recebidos em devolução, cuja receita de venda tenha integrado faturamento do mês ou de mês anterior, e tributada conforme o disposto nesta Lei. IX energia elétrica e energia térmica, inclusive sob a forma de vapor, consumidas nos estabelecimentos da pessoa jurídica. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) X valetransporte, valerefeição ou valealimentação, fardamento ou uniforme fornecidos aos empregados por pessoa jurídica que explore as atividades de prestação de serviços de limpeza, conservação e manutenção. (Incluído pela Lei nº 11.898, de 2009) XI bens incorporados ao ativo intangível, adquiridos para utilização na produção de bens destinados a venda ou na prestação de serviços. (Incluído pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) Lei nº 10.833/2003: Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (Produção de efeito) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) (Regulamento) I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) a) no inciso III do § 3o do art. 1o desta Lei; e (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008) (Produção de efeitos) b) nos §§ 1o e 1oA do art. 2o desta Lei; (Redação dada pela lei nº 11.787, de 2008) (Vide Lei nº 9.718, de 1998) II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da Tipi; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) III energia elétrica e energia térmica, inclusive sob a forma de vapor, consumidas nos estabelecimentos da pessoa jurídica; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) IV aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa; V valor das contraprestações de operações de arrendamento mercantil de pessoa jurídica, exceto de optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) VI máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros, ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços; (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) Fl. 541DF CARF MF Processo nº 15586.720018/201215 Acórdão n.º 3201004.833 S3C2T1 Fl. 24 23 VII edificações e benfeitorias em imóveis próprios ou de terceiros, utilizados nas atividades da empresa; VIII bens recebidos em devolução cuja receita de venda tenha integrado faturamento do mês ou de mês anterior, e tributada conforme o disposto nesta Lei; IX armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor. X valetransporte, valerefeição ou valealimentação, fardamento ou uniforme fornecidos aos empregados por pessoa jurídica que explore as atividades de prestação de serviços de limpeza, conservação e manutenção. (Incluído pela Lei nº 11.898, de 2009) XI bens incorporados ao ativo intangível, adquiridos para utilização na produção de bens destinados a venda ou na prestação de serviços. (Incluído pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) As INs 247/02 e 404/04 da RFB equipararam o conceito de insumo para fins de PIS/COFINS ao conceito de insumo para a legislação do IPI e, por isso, foram consideradas restritivas. Cabe esclarecer que o julgado na sistemática de recursos repetitivos, implica na aplicação do art. 62 do anexo II do RICARF, aprovado por meio da Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015. Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. b) Decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, na forma disciplinada pela Administração Tributária; (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) Assim, nos termos do julgado do STJ, o conceito de insumo deve ser avaliado considerando a essencialidade ou relevância do bem ou serviço, ou seja, considerandose a sua necessidade ou a sua importância para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada. II.4 – Do Direito ao Crédito de Desestiva A Recorrente defende o direito ao crédito com as atividades de desestiva. Assiste razão parcial a Recorrente. Por um lado os gastos com armazenagem alfandegada (acondicionamento da matériaprima em armazéns dentro do porto até a sua transferência para a fábrica), descarga (ato de retirar a matériaprima do navio), movimentação (movimentação dos produtos dentro do porto) e a própria desestiva (serviços de organização da matériaprima dentro do navio para que a mesma possa ser descarregada) geram direito ao crédito. Tratase de questão previamente abordada por esta turma que aceita o frete na aquisição do insumo como componente de seu custo. Ora, aqui, as despesas relacionadas à Fl. 542DF CARF MF Processo nº 15586.720018/201215 Acórdão n.º 3201004.833 S3C2T1 Fl. 25 24 operação física de importação – desestiva, descarregamento, movimentação – têm a mesma natureza contábil do frete, como custo do insumo. Por outro lado, os gastos com despachantes aduaneiros e outros serviços administrativos para o cumprimento dos trâmites burocráticos de importação não geram direito a crédito. Tais despesas enquadramse no conceito de despesa administrativa. Sobre o assunto notese que a função do despachante é praticar atos administrativos como representante das empresas ou clientes pessoa física. No Brasil, ao contrário de alguns países, inexiste a obrigatoriedade de contratação de despachante aduaneiro. A empresa pode realizar de forma própria tais atividades. Tratase de disposição expressa no art. 5º do Decreto lei nº 2.472/88: Decretolei nº 2.472, de 01.09.88: Art. 5º A designação do representante do importador e do exportador poderá recair em despachante aduaneiro, relativamente ao despacho aduaneiro de mercadorias importadas e exportadas e em toda e qualquer outra operação de comércio exterior, realizada por qualquer via, inclusive no despacho de bagagem de viajante. § 1º Nas operações a que se refere este artigo, o processamento em todos os trâmites, junto aos órgãos competentes, poderá ser feito: a) se pessoa jurídica de direito privado, somente por intermédio de dirigente, ou empregado com vínculo empregatício exclusivo com o interessado, munido de mandato que lhe outorgue plenos poderes para o mister, sem cláusulas excludentes de responsabilidades do outorgante mediante ato ou omissão do outorgado, ou por despachante aduaneiro; b) se pessoa física, somente por ela, ou por despachante aduaneiro; c) se órgão da administração pública direta ou autárquica, federal, estadual ou municipal, missão diplomática ou repartição consular de país estrangeiro ou representação de órgãos internacionais, por intermédio de funcionário ou servidor, especialmente designado ou por despachante aduaneiro. Diante do exposto, reafirmase que a atividade de despachante aduaneiro é de natureza administrativa sem relação com o frete/armazenagem/logística da atividade econômica da empresa. Caberá a unidade de origem, em conjunto com a Recorrente, determinar as rubricas relativas ao pagamento de despachantes aduaneiros para a exclusão dos créditos. Assim, dáse razão parcial a Recorrente apenas para reconhecer o direito ao crédito quando do pagamento dos serviços com armazenagem alfandegada, descarga, movimentação e a própria desestiva, todos relacionados ao transporte/armazenagem/logística. II.5 – Serviços de Transporte – Frete na Aquisição de Insumos A Recorrente relata que o Fisco glosou o crédito de despesas com fretes na aquisição de insumos, não obstante a existência dos devidos comprovantes (CTRC e notas fiscais). Assiste razão a Recorrente. Sobre o assunto existe jurisprudência do CARF CSRF. Fl. 543DF CARF MF Processo nº 15586.720018/201215 Acórdão n.º 3201004.833 S3C2T1 Fl. 26 25 CARF CSRF Acórdão (9303007.562) PIS/PASEP. CRÉDITO. FRETES NA TRANSFERÊNCIA DE PRODUTOS ACABADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS. FRETES DE INSUMOS ADQUIRIDOS COM ALÍQUOTA ZERO. Afinandose ao conceito exposto pela Nota SEI PGFN MF 63/18 e aplicandose o “Teste de Subtração”, é de se reconhecer o direito ao crédito das contribuições sobre os fretes de produtos acabados entre estabelecimentos e sobre os fretes de insumos adquiridos com alíquota zero das contribuições, eis que essenciais e pertinentes à atividade do contribuinte. É de se atentar ainda, quanto aos fretes de insumos adquiridos com alíquota zero, que a legislação não traz restrição em relação à constituição de crédito das contribuições por ser o frete empregado ainda na aquisição de insumos tributados à alíquota zero, mas apenas às aquisições de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição. Dessa forma, dáse provimento ao Recurso Voluntário para reverter as glosas dos serviços de transporte, frete, de insumos adquiridos com alíquota zero das contribuições, eis que essenciais e pertinentes à atividade do contribuinte. II.6 – Dos Créditos Decorrentes das Despesas de Armazenagem A Recorrente aduz que adquire seus insumos básicos em grandes quantidades e, assim, necessita armazenálos, o que nem sempre ocorre nas dependências da empresa. Afirma que a armazenagem é um serviço indispensável ao seu processo produtivo. Assiste razão a Recorrente. Conforme consta da leitura dos autos, entendo que os serviços de armazenagem são essenciais para a atividade da empresa que opera com carga a granel. Com o advento da NOTA SEI PGFN MF 63/18, restou clarificado o conceito de insumos, para fins de constituição de crédito das contribuições não cumulativas, definido pelo STJ ao apreciar o REsp 1.221.170, em sede de repetitivo. Tal conceito ensina que insumos seriam todos os bens e serviços que possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração resulte na impossibilidade ou inutilidade da mesma prestação do serviço ou da produção. Ou seja, itens cuja subtração ou obste a atividade da empresa ou acarrete substancial perda da qualidade do produto ou do serviço daí resultantes. Afinandose ao conceito exposto pela Nota SEI PGFN MF 63/18 e aplicandose o teste de subtração para a armazenagem dos produtos é de se reconhecer o direito ao crédito das contribuições sobre a armazenagem do insumo a granel. Dessa forma, dáse provimento ao Recurso Voluntário para reverter as glosas das despesas com os serviços de armazenagem, eis que essenciais e pertinentes à atividade do contribuinte. II.7 – Dos Serviços e Bens Não Admitidos A Recorrente relata explica que a fiscalização glosou diversos créditos relacionados a bens e serviços adquiridos, inclusive atinentes às despesas incorridas para o transporte desses Fl. 544DF CARF MF Processo nº 15586.720018/201215 Acórdão n.º 3201004.833 S3C2T1 Fl. 27 26 bens. Diz, todavia, que tais bens e serviços são utilizados como insumos, pois se tratam de ferramentas operacionais, materiais de manutenção, etc, os quais estão diretamente ligados ao processo produtivo. Da leitura dos autos depreendese que tais créditos serão analisados no processo de n° 10783.900001/201291, apensado ao processo de n° 10783.921005/201122, a qual engloba também as despesas de frete incorridas para o transporte desses bens. II.8 – Da Glosa dos Créditos Extemporâneos de PIS Oriundos da Aquisição de Uréia Pecuária e Embalagem – Período de Jan/05 a Jun/08 A Recorrente relata que, conforme exposto em preliminar, a autoridade fiscal glosou créditos de PIS oriundos da aquisição de ureia pecuária e de embalagem, no período de 01/2005 a 09/2008, sem qualquer motivação específica e sem indicação das normas jurídicas eventualmente infringidas, em patente ofensa ao princípio da ampla defesa e do contraditório. Diz que a questão relacionada aos créditos extemporâneos de PIS/Pasep oriundos da aquisição de ureia e embalagem no período de jan/05 a set/08 será tratada especificamente no PA de n° 15586.720015/201273, uma vez que tais créditos foram solicitados no PER de setembro de 2008 de n° 09266.04610.101008.1.1.100006. Em vista do exposto entendese que o assunto será objeto de julgamento no processo n° 15586.720015/201273. III.8 – Da Produção de Prova Pericial/Diligência A Recorrente reforça que foi requerida quando da interposição da Manifestação de Inconformidade a realização de prova pericial/diligência. Entendo que desnecessária a realização de perícia/diligência para solução da lida. A questão dos lançamentos realizados para o pagamento dos serviços administrativos de despachantes aduaneiros pode perfeitamente ser sanada pela unidade de origem, em conjunto com a Recorrente, ou de maneira isolada. Assim, negase provimento. Conclusão Por todo o exposto, voto por DAR PROVIMENTO PARCIAL ao Recurso Voluntário, conforme abaixo. 1) Negar a análise conjunta com outros processos tendo em vista a exposição de motivos realizada pela DRJ; 2) Indeferir a preliminar de decadência por tratarse de pedido de restituição; 3) No mérito, dar provimento parcial ao Recurso Voluntário para: (a) por unanimidade de votos: (i) reverter as glosas do frete de insumos, mesmo quando a revenda dos produtos sujeitase a alíquota zero; (ii) reverter as glosas do frete sobre a revenda de produtos; (iii) reverter as glosas relativas aos serviços de armazenagem alfandegada, descarga, movimentação e a própria desestiva, todos relacionados ao transporte/ armazenagem/ logística; Fl. 545DF CARF MF Processo nº 15586.720018/201215 Acórdão n.º 3201004.833 S3C2T1 Fl. 28 27 (iv) reverter as glosas das despesas com os serviços de armazenagem, eis que essenciais e pertinentes à atividade do contribuinte; (v) indeferir a produção de prova pericial/diligência por entender desnecessária a solução da lide; (b) por maioria de votos: manter a glosa sobre os serviços administrativos de despachantes aduaneiros. Não julgar a questão dos serviços e bens não admitidos que serão objeto de julgamento em outro processo. Não julgar a questão dos créditos extemporâneos que serão objeto de julgamento em outro processo. Negar provimento a produção de prova pericial/diligência por entender desnecessária a solução da lide." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado indeferiu a preliminar de decadência por tratarse de pedido de restituição. No mérito, o colegiado deu parcial provimento ao Recurso Voluntário para: (i) reverter as glosas do frete sobre a aquisição de insumos, mesmo quando a aquisição sujeitase à alíquota zero; (ii) reverter as glosas do frete sobre a revenda de produtos; (iii) reverter as glosas relativas aos serviços de armazenagem alfandegada, descarga, movimentação e a própria desestiva, todos relacionados ao transporte/ armazenagem/ logística; (iv) reverter as glosas das despesas com os serviços de armazenagem, eis que essenciais e pertinentes à atividade do contribuinte; (v) indeferir a produção de prova pericial/diligência por entender desnecessária a solução da lide e, por último, para manter a glosa sobre os serviços administrativos de despachantes aduaneiros. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 546DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 12259.003379/2009-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 12 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Mar 29 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1997 a 31/12/2002
LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECADÊNCIA. PRAZO. ANTECIPAÇÃO DE PAGAMENTO. DOLO. FRAUDE. SIMULAÇÃO.
No caso de lançamento por homologação em que não há antecipação de pagamento ou em resta evidenciada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, a contagem do prazo decadencial para a Fazenda Pública efetuar o lançamento se inicia no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado.
Numero da decisão: 2402-007.030
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em conhecer do recurso de ofício. Vencidos os Conselheiros João Victor Ribeiro Aldinucci, Wilderson Botto, Renata Toratti Cassini e Gregório Rechmann Junior, que não conheceram do recurso. Na sequência, também por voto de qualidade, rejeitou-se proposta de conversão do julgamento em diligência para que a Unidade de Origem da Secretaria da Receita Federal do Brasil confirmasse a existência de recolhimentos efetuados pela contribuinte, sendo vencidos os Conselheiros João Victor Ribeiro Aldinucci (autor da proposta), Wilderson Botto, Renata Toratti Cassini e Gregório Rechmann Junior. No mérito, novamente por voto de qualidade, deu-se provimento parcial ao recurso de ofício, reconhecendo-se a ocorrência da decadência até a competência 11/2001, inclusive, com a devolução dos autos para a DRJ para apreciação das questões de mérito referentes ao período não atingido pela decadência. Vencidos os Conselheiros João Victor Ribeiro Aldinucci, Wilderson Botto, Renata Toratti Cassini e Gregório Rechmann Junior, que negaram provimento ao recurso de ofício.
Julgamento iniciado na sessão de 13/2/19, com início às 9h, e concluído na sessão de 12/3/19, com início às 9h.
(assinado digitalmente)
Denny Medeiros da Silveira - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Denny Medeiros da Silveira, Gregório Rechmann Junior, João Victor Ribeiro Aldinucci, Luís Henrique Dias Lima, Mauricio Nogueira Righetti, Paulo Sérgio da Silva, Renata Toratti Cassini e Wilderson Botto (Suplente Convocado).
Nome do relator: DENNY MEDEIROS DA SILVEIRA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em conhecer do recurso de ofício. Vencidos os Conselheiros João Victor Ribeiro Aldinucci, Wilderson Botto, Renata Toratti Cassini e Gregório Rechmann Junior, que não conheceram do recurso. Na sequência, também por voto de qualidade, rejeitou-se proposta de conversão do julgamento em diligência para que a Unidade de Origem da Secretaria da Receita Federal do Brasil confirmasse a existência de recolhimentos efetuados pela contribuinte, sendo vencidos os Conselheiros João Victor Ribeiro Aldinucci (autor da proposta), Wilderson Botto, Renata Toratti Cassini e Gregório Rechmann Junior. No mérito, novamente por voto de qualidade, deu-se provimento parcial ao recurso de ofício, reconhecendo-se a ocorrência da decadência até a competência 11/2001, inclusive, com a devolução dos autos para a DRJ para apreciação das questões de mérito referentes ao período não atingido pela decadência. Vencidos os Conselheiros João Victor Ribeiro Aldinucci, Wilderson Botto, Renata Toratti Cassini e Gregório Rechmann Junior, que negaram provimento ao recurso de ofício. Julgamento iniciado na sessão de 13/2/19, com início às 9h, e concluído na sessão de 12/3/19, com início às 9h. (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira - Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Denny Medeiros da Silveira, Gregório Rechmann Junior, João Victor Ribeiro Aldinucci, Luís Henrique Dias Lima, Mauricio Nogueira Righetti, Paulo Sérgio da Silva, Renata Toratti Cassini e Wilderson Botto (Suplente Convocado).
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DECADÊNCIA. PRAZO. ANTECIPAÇÃO DE PAGAMENTO. DOLO. FRAUDE. SIMULAÇÃO. No caso de lançamento por homologação em que não há antecipação de pagamento ou em resta evidenciada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, a contagem do prazo decadencial para a Fazenda Pública efetuar o lançamento se inicia no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em conhecer do recurso de ofício. Vencidos os Conselheiros João Victor Ribeiro Aldinucci, Wilderson Botto, Renata Toratti Cassini e Gregório Rechmann Junior, que não conheceram do recurso. Na sequência, também por voto de qualidade, rejeitouse proposta de conversão do julgamento em diligência para que a Unidade de Origem da Secretaria da Receita Federal do Brasil confirmasse a existência de recolhimentos efetuados pela contribuinte, sendo vencidos os Conselheiros João Victor Ribeiro Aldinucci (autor da proposta), Wilderson Botto, Renata Toratti Cassini e Gregório Rechmann Junior. No mérito, novamente por voto de qualidade, deuse provimento parcial ao recurso de ofício, reconhecendose a ocorrência da decadência até a competência 11/2001, inclusive, com a devolução dos autos para a DRJ para apreciação das questões de mérito referentes ao período não atingido pela decadência. Vencidos os Conselheiros João Victor Ribeiro Aldinucci, Wilderson Botto, Renata Toratti Cassini e Gregório Rechmann Junior, que negaram provimento ao recurso de ofício. Julgamento iniciado na sessão de 13/2/19, com início às 9h, e concluído na sessão de 12/3/19, com início às 9h. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 25 9. 00 33 79 /2 00 9- 11 Fl. 1636DF CARF MF Processo nº 12259.003379/200911 Acórdão n.º 2402007.030 S2C4T2 Fl. 1.614 2 (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Denny Medeiros da Silveira, Gregório Rechmann Junior, João Victor Ribeiro Aldinucci, Luís Henrique Dias Lima, Mauricio Nogueira Righetti, Paulo Sérgio da Silva, Renata Toratti Cassini e Wilderson Botto (Suplente Convocado). Relatório Por bem descrever os fatos ocorridos até a decisão de primeira instância, transcreveremos o relatório constante do Acórdão nº 1269.102 da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) no Rio de Janeiro/RJ I, fls. 1.514 a 1.520: Tratase de crédito tributário lançado em nome do sujeito passivo acima identificado, através da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD nº 37.143.0739, COMPROT 12259.003379/200911, consolidado em 11/12/2007, no valor de R$ 9.493.269,74, que acrescido de multa e juros corresponde ao valor total de R$ 23.057.999,37. O lançamento é relativo ao não recolhimento, no prazo legal, das contribuições previdenciárias devidas, incidentes sobre o total das remunerações pagas ou creditadas a segurados caracterizados como empregados, abrangendo o período de 01/1997 a 12/2002. Foi emitida decisão administrativa de 1ª instância, onde o crédito tributário foi mantido em parte, no acórdão de nº 12 35.990 da 11ª Turma de Julgamento da DRJ/RJI. Foram interpostos recurso de ofício e recurso voluntário à 2ª Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) e, em sessão de julgamento realizada em 16/07/2013, a 3ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 2ª Seção do CARF declarou a nulidade da decisão de 1ª instância através do acórdão de nº 2403002.133. Em 27/12/2013 a impugnante protocolou pedido de desistência parcial da impugnação, desistindo de suas defesas administrativas apenas em relação à competência dezembro/2002, a fim de aderir à parcelamento desta competência, permanecendo a discussão, entretanto, em relação aos créditos tributários lançados até novembro/2002. A Impugnante efetuou o pagamento da competência 12/2002, com os benefícios da Lei nº 11.941/2009, com redução de 100% da multa de mora e desconto correspondente a 45% dos juros incidentes sobre o principal. Informa, ainda, que utilizou o código 4103 para preenchimento da guia de pagamento, conforme orientação obtida no Centro de Atendimento ao Contribuinte – CAC da DEMAC (documento de fls. 881). Fl. 1637DF CARF MF Processo nº 12259.003379/200911 Acórdão n.º 2402007.030 S2C4T2 Fl. 1.615 3 A Procuradoria da Fazenda Nacional tomou ciência deste acórdão, não interpondo recurso à Câmara Superior de Recursos Fiscais. O contribuinte GLOBO COMUNICAÇÃO E PARTICIPAÇÕES S/A foi cientificado do acórdão do CARF de nº 2403002.133 em 01/08/2014 e os contribuintes GLOBOSAT PROGRAMADORA LTDA. e SIGLA SISTEMA GLOBO DE GRAVAÇÕES AUDIOVISUAIS LTD.A foram cientificados, em 08/08/2014, do acórdão no 2403002.133 e do inteiro teor da autuação. Da impugnação O contribuinte GLOBO COMUNICAÇÃO E PARTICIPAÇÕES S/A apresentou aditamento à impugnação em 27/08/2014, conforme fls. 1090/1100. Os contribuintes SIGLA – SISTEMA GLOBO DE GRAVAÇÕES AUDIOVISUAIS LTDA e GLOBOSAT PROGRAMADORA LTDA apresentaram as respectivas impugnações em 29/08/2014 (fls. 1153/1155 e 1300/1302) para cancelamento do crédito tributário referente ao período de Janeiro/1997 a Novembro/2002. Alegam, em síntese a ocorrência da decadência até novembro/2002, reiteram os pedidos apresentados em sua impugnação, caso não seja reconhecida a decadência, e solicitam a redução do percentual de multa aplicada, caso os argumentos anteriores não sejam acatados. (Grifos no original) Ao julgar a impugnação, a 11ª Turma da DRJ do Rio de Janeiro I/RJ, por unanimidade de votos, concluiu pela sua procedência, reconhecendo a ocorrência da decadência em relação às competências de 01/1997 a 11/2002, nos termos do disposto no art. 150, 4º, do Código Tributário Nacional (CTN), Lei 5.172, de 25/10/66, sendo mantido o lançamento em relação à competência 12/2002, cujo valor foi incluído em parcelamento, segundo informado na petição de fls. 1.206 a 1.209. Em razão do crédito exonerado e do limite de alçada previsto no art. 1º da Portaria MF nº 3, de 3/1/08, o órgão julgador de primeiro grau interpôs recurso de ofício, sendo o processo encaminhado a este Conselho. É o relatório. Voto Conselheiro Denny Medeiros da Silveira – Relator Do conhecimento Como visto no relatório acima, tratase de recurso de ofício apresentado pelo órgão julgador de primeiro grau, nos termos do art. 1º, da Portaria MF nº 3, de 3/1/08, uma vez que a decisão proferida resultou na exoneração de contribuições previdenciárias e encargos de multa em valor total superior a R$ 1.000.000,00. Fl. 1638DF CARF MF Processo nº 12259.003379/200911 Acórdão n.º 2402007.030 S2C4T2 Fl. 1.616 4 Pois bem, segundo se extrai do Discriminativo Sintético de Débito (DSD) de fls. 180 a 205, o montante exonerado do crédito (excluída a competência 12/2002) corresponde a R$ 10.801.797,72, da seguinte forma: Principal 9.392.867,29 Multa 1.408.930,43 Total 10.801.797,72 Dessa forma, tendo em vista que o atual limite de alçada, previsto no art. 1º da Portaria MF nº 63, de 9/2/17, corresponde a R$ 2.500.000,00, conheceremos do recurso de ofício. Da decisão recorrida Antes de considerações outras, insta trazermos à baila a regra prevista no atr. 150, § 4º, do CTN, e que serviu de fundamento à decisão recorrida: Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. [...] § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Conforme se observa nos dispositivos transcritos acima, para que o prazo decadencial possa ser contado a partir da ocorrência do fato gerador, duas condições precisam ser atendidas: (i) a existência de pagamento antecipado e (ii) a não ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Pois bem, vejamos, então, o que restou consignado da decisão de primeira instância: Com relação à contagem do prazo decadencial para o lançamento das contribuições previdenciárias, tratase de lançamento por homologação, cuja legislação atribui ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa. Para fins de cômputo do prazo de decadência, no caso do pagamento parcial da obrigação, o prazo de decadência para o lançamento de ofício da diferença não paga é contado com base no § 4º, do art. 150, do Código Tributário Nacional, que é de cinco anos a contar do fato gerador, de acordo com o Parecer Fl. 1639DF CARF MF Processo nº 12259.003379/200911 Acórdão n.º 2402007.030 S2C4T2 Fl. 1.617 5 PGFN/CAT Nº 1617/2008, aprovado pelo Ministro de Estado da Fazenda, em 18 de Agosto de 2008. No que tange às contribuições sociais destinadas aos Terceiros, a Lei nº 11.457/07, que criou a Secretaria da Receita Federal do Brasil, dispõe, que as citadas contribuições sujeitamse à Lei nº 8.212/91, [...]. [...] Portanto, o prazo decadencial das contribuições destinadas aos Terceiros deve obedecer ao prazo decadencial de 5 anos previsto no CTN, em face da interpretação sistemática dos dispositivos supramencionados, assim como da observação dos itens 15 e 16 do citado Parecer [...]. [...] Assim, em face da Súmula Vinculante nº 8 do STF, do art. 3º da Lei 11.457/07, do disposto acima através do Parecer 1617/2008 e do entendimento explanado pelo julgado referenciado acima, tendo em vista que o crédito foi consolidado em 11/12/2007, tendo se tornado eficaz em 21/12/2007, pela ciência do interessado nesta data, e que houve pagamento parcial da obrigação tributária em tela, verificase que o período de 01/1997 a 11/2002 encontrase fulminado pela decadência nos termos do art. 150, § 4º do Código Tributário Nacional. (Grifos no original) Como se vê, a decisão a quo reconheceu a ocorrência da decadência em relação às competências de 01/1997 a 11/2002, contando o prazo decadencial a partir dos fatos geradores, uma vez que teria havido o “pagamento parcial da obrigação tributária”, porém, sem fazer qualquer demonstração quanto à existência de pagamento antecipado e sem afastar, expressamente, a ocorrência de dolo, fraude e simulação, em que pese a ação fiscal em comento ter sido deflagrada a partir de requisição do Ministério Público do Trabalho, como resultado final do Inquérito Civil Público nº 602/00, instaurado em face da Recorrente. Sendo assim, no julgamento do presente recurso de ofício, precisa ser verificado se houve, efetivamente, o pagamento antecipado de contribuições e se, realmente, não ocorreu dolo, fraude ou simulação. Do pagamento antecipado Como visto anteriormente, no caso de lançamento por homologação, para que a contagem do prazo decadencial possa ser feita a partir da ocorrência dos fatos geradores, deve o contribuinte ter feito a antecipação de pagamento. A esse respeito, a Súmula CARF nº 99 assim dispõe: Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na Fl. 1640DF CARF MF Processo nº 12259.003379/200911 Acórdão n.º 2402007.030 S2C4T2 Fl. 1.618 6 competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração. Notese que tal súmula está a tratar de salário indireto, ou seja, de verbas recebidas pelo empregado, mas não incluídas, pelo empregador, na base de cálculo das contribuições, como ocorre quando o empregado recebe, por exemplo, participação nos lucros, previdência privada, auxílio educação, etc., porém, pagas em desconformidade com a legislação, e a fiscalização enquadra tais verbas com salário. Dessa forma, tendo a empresa recolhido as contribuições normais em relação ao salário do empregado, temse por caracterizada a antecipação de pagamento em relação ao salário indireto pago. Segue nessa linha a Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, conforme se observa no seguinte excerto do voto condutor do Acórdão nº 9202005.177, da Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF): De imediato, refuto a tese do acórdão recorrido de que aplicável, ao caso concreto, a súmula CARF nº 99. A referida súmula teve por objetivo pacificar entendimento nos casos de salários indiretos, em que ocorrem lançamentos de diversas rubricas do conceito latu de remuneração. Referida súmula será aplicável, unicamente, aos lançamentos que envolvam salários indiretos, tais como: PLR, vale alimentação, fornecimento de educação, plano de saúde, dentre diversas outras utilidades que podem constituir salários indiretos, quando fornecidos fora das hipóteses de exclusão do conceito de salário de contribuição, previstas no art. 28, § 9º da Lei 8212/91. Fica fácil essa constatação quando verificamos os paradigmas que ensejaram a aprovação da súmula CARF nº 99. Todavia, não é o que não ocorre no caso em análise, uma vez que a base de cálculo, apurada pela fiscalização, diz respeito a segurados que sequer tinham sido considerados como empregados pela Recorrente, mas sim pessoas jurídicas contratadas. Logo, mesmo que a Recorrente tenha efetuado recolhimento em relação à sua folha normal de salários, tais recolhimentos não se amoldam à antecipação prevista no art. 150, do CTN, em relação aos prestadores “pejotizados”, motivo pelo qual deve ser aplicada a regra do art. 173, inciso I, do mesmo diploma. Da ocorrência de dolo, fraude ou simulação Em relação a segunda condição para a contagem do prazo decadencial a partir da ocorrência dos fatos geradores, cabe destacar que nada foi dito pela decisão de primeira instância quanto à ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Pois bem, segundo consta no relatório fiscal de fls. 352 a 370, a ação fiscal foi deflagrada a partir de requisição do Ministério Público do Trabalho, como resultado final do Inquérito Civil Público nº 602/00, instaurado em face da Recorrente, no qual assim se concluiu: [...] a inquirida vem fraudando os contratos de trabalho de dezenas de seus empregados, com violação aos direitos sociais assegurados aos trabalhadores no art. 7º da Constituição, além Fl. 1641DF CARF MF Processo nº 12259.003379/200911 Acórdão n.º 2402007.030 S2C4T2 Fl. 1.619 7 de incorrer em sonegação de verbas ao FGTS, à Previdência Social e à Receita Federal. A fraude consiste em mascarar a relação de emprego mantida com muitos de seus jornalistas, radialistas e artistas através de uma falsa contratação "civil" com pessoas jurídicas constituídas por aqueles profissionais. (Grifo na transcrição constante do relatório fiscal) Vêse, pois, que restou claro, no Inquérito Civil Público, a ocorrência de fraude nos contratos de trabalho com o fim de se reduzir, indevidamente, o montante das contribuições devidas. Por sua vez, o relatório fiscal, fls. 193 a 212, demonstra a existências dos elementos caracterizadores da relação de emprego entre os prestadores de serviço (artistas "pejotizados") e a Recorrente. Importante salientar que a decisão recorrida amparouse em julgado deste Conselho, consignado no Acórdão nº 2401002.924, e referente à mesma empresa, à mesma ação fiscal e ao mesmo modus operandi demonstrado pela fiscalização, no presente processo, porém, nessa decisão, em que pese ter aplicado o art. 129, da Lei 11.196, de 21/11/05, o Conselheiro Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira reconheceu a presença dos elementos caracterizadores da relação de emprego, nos seguinte termos: Na hipótese dos autos, a ilustre autoridade lançadora, ao proceder a caracterização dos prestadores de serviços (sócios das pessoas jurídicas desconsideradas) como segurados empregados, foi muito feliz em sua empreitada, demonstrando e comprovando, no entendimento deste Conselheiro, os requisitos legais necessários à configuração do vínculo empregatício, acima elencados, consoante se positiva do Relatório Fiscal do Auto de Infração, às fls. 186/202, [...]. Como se observa, resta circunstanciadamente demonstrada a existência do vínculo empregatício dos sócios das empresas cuja personalidade jurídica fora desconsiderada, não se cogitando na improcedência do feito quanto a este tema, remanescendo tão somente a discussão em relação à aplicabilidade retroativa da Lei n° 11.196/2005, a qual adentraremos adiante. Portanto, no momento em que a Recorrente contrata empregados travestidos de pessoas jurídicas, está dissimulando contratos de emprego e simulando a contratação com pessoas jurídicas. Das competências atingidas pela decadência Diante do quadro que se apresenta, nenhuma das duas condições se mostraram presentes a fim de autorizar a contagem do prazo decadencial a partir dos fatos geradores. Sendo assim, o dies a quo da contagem corresponderá ao primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos termos do art. 173, inciso I, do CTN. Fl. 1642DF CARF MF Processo nº 12259.003379/200911 Acórdão n.º 2402007.030 S2C4T2 Fl. 1.620 8 Dessa forma, tendo o lançamento ocorrido em 21/12/07, encontramse atingidas pela decadência as competências de 01/1997 a 11/2001, inclusive, devendo ser mantido o lançamento em relação às competências de 12/2001 a 12/2002. Conclusão Sendo assim, diante do exposto, voto por DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso de ofício, reconhecendo a ocorrência da decadência em relação às competências de 01/1997 a 11/2001, inclusive, com a devolução dos autos para a DRJ para apreciação das questões de mérito referentes ao período não atingido pela decadência. (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira Fl. 1643DF CARF MF
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Numero do processo: 10805.003712/2007-53
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 19 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Mar 18 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 1997
RESTITUIÇÃO. PRESCRIÇÃO.
Em observância à Súmula CARF nº 91 (Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplica-se o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador), se o Pedido de Restituição foi apresentado depois de 9 de junho de 2005, e depois do decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contado do encerramento do ano-calendário no qual teria sido apurado o saldo negativo pleiteado, resta caracterizada a prescrição do indébito.
Numero da decisão: 1402-003.742
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR PROVIMENTO ao recurso.
(assinado digitalmente)
EDELI PEREIRA BESSA - Presidente e Relatora.
Participaram do julgamento os Conselheiros: Marco Rogério Borges, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Paulo Mateus Ciccone, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Evandro Correa Dias, Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Eduardo Morgado Rodrigues (suplente convocado) e Edeli Pereira Bessa (Presidente). Ausente o Conselheiro Caio Cesar Nader Quintella, substituído pelo Conselheiro Eduardo Morgado Rodrigues.
Nome do relator: EDELI PEREIRA BESSA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 1997 RESTITUIÇÃO. PRESCRIÇÃO. Em observância à Súmula CARF nº 91 (Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplica-se o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador), se o Pedido de Restituição foi apresentado depois de 9 de junho de 2005, e depois do decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contado do encerramento do ano-calendário no qual teria sido apurado o saldo negativo pleiteado, resta caracterizada a prescrição do indébito.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR PROVIMENTO ao recurso. (assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA - Presidente e Relatora. Participaram do julgamento os Conselheiros: Marco Rogério Borges, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Paulo Mateus Ciccone, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Evandro Correa Dias, Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Eduardo Morgado Rodrigues (suplente convocado) e Edeli Pereira Bessa (Presidente). Ausente o Conselheiro Caio Cesar Nader Quintella, substituído pelo Conselheiro Eduardo Morgado Rodrigues.
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PRESCRIÇÃO. Em observância à Súmula CARF nº 91 (Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplicase o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador), se o Pedido de Restituição foi apresentado depois de 9 de junho de 2005, e depois do decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contado do encerramento do anocalendário no qual teria sido apurado o saldo negativo pleiteado, resta caracterizada a prescrição do indébito. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR PROVIMENTO ao recurso. (assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA Presidente e Relatora. Participaram do julgamento os Conselheiros: Marco Rogério Borges, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Paulo Mateus Ciccone, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Evandro Correa Dias, Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Eduardo Morgado Rodrigues (suplente convocado) e Edeli Pereira Bessa (Presidente). Ausente o Conselheiro Caio Cesar Nader Quintella, substituído pelo Conselheiro Eduardo Morgado Rodrigues. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 80 5. 00 37 12 /2 00 7- 53 Fl. 306DF CARF MF Processo nº 10805.003712/200753 Acórdão n.º 1402003.742 S1C4T2 Fl. 3 2 Relatório BRIDGESTONE FIRESTONE DO BRASIL INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA, já qualificada nos autos, recorre de decisão proferida pela 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Campinas/SP que, por unanimidade de votos, julgou IMPROCEDENTE a manifestação de inconformidade interposta contra despacho decisório que indeferiu o pedido de restituição apresentado em 28/12/2007, referente à apuração de IRPJ e CSLL do anocalendário1997. Reportandose ao Ato Declaratório SRF nº 3/2000 e à Instrução Normativa SRF nº 600/2005, a autoridade fiscal apontou que já teria transcorrido o prazo de 5 (cinco) anos entre o encerramento do período de apuração (31/12/1997) e a protocolização do pleito (28/12/2007). Acrescentou que também contribui para a invalidação do pedido o fato de o contribuinte ter protocolizado o processo utilizando o pedido de restituição em papel, em desacordo com a legislação em vigor que determina que os pedidos de restituição sejam feitos mediante a utilização do programa PERDCOMP, disponibilizado pela RFB, qual seja, sem a demonstração da falha no momento da entrega do formulário. Em consequência, o pedido foi considerado NÃO FORMULADO. (fl. 76/79, efl. 79/82). Cientificado desta decisão em 16/01/2008, a contribuinte impetrou mandado de segurança para pleitear o regular processamento do pedido de restituição em referência, inclusive com a possibilidade de apresentação dos recursos previstos para os processos de restituição. Concedida liminar determinando a análise do pedido por seu mérito e regular processamento nos moldes da legislação, a autoridade fiscal invocou os arts. 165 e 168 do CTN, o Ato Declaratório SRF nº 96/99 e as disposições da Lei Complementar nº 118/2005, para declarar a prescrição dos saldos negativos de IRPJ e CSLL apurados no anocalendário 1997 e objeto do pedido formulado em 28/12/2007. (fls. 154/157, efl. 163/166) A Turma Julgadora de 1ª instância reafirmou a prescrição sob os mesmos fundamentos expostos no despacho decisório. Cientificada da decisão de primeira instância em 24/05/2010 (fl. 192, efls. 207/208), a contribuinte interpôs recurso voluntário, tempestivamente, em 21/06/2010 (fls. 193/200, efl. 209/216), no qual conclui que a decisão proferida pela Delegacia de Julgamento no sentido de limitar a compensação dos valores recolhidos no último quinquênio não está em consonância com os artigos 150, §4º, 156, inciso VII, 165, inciso I e 168, inciso I do Código Tributário Nacional, razão pela qual deve ser dado provimento ao presente recurso para reconhecer a prescrição decenal para o pedido de compensação do indébito tributário. Em memoriais apresentados na sessão de julgamento, a interessada se reporta a fatos que precederam o pedido de restituição sob análise, em razão dos quais assevera que o direito creditório surgiu em 2007, não havendo, portanto, decadência consumada. Sob a premissa de que o surgimento do indébito tributário não ocorreu em 31.12.1997, mas, sim, em 28.12.2007, quando a Recorrente deduziu a despesa com JCP e apurou os saldos negativos de IRPJ e CSL, referentes ao anocalendário de 1997, a interessada transcreve manifestação de autoridade fiscal por ocasião de diligência realizada no processo nº 10805.001364/9819, em 18/09/2001, e as providências a partir daí adotadas, para defender que o pedido de restituição poderia ter sido apresentado até 28/12/2012. Subsidiariamente pede a conversão do julgamento em diligência para que outros elementos de prova, a serem definidos pela C. Turma Fl. 307DF CARF MF Processo nº 10805.003712/200753 Acórdão n.º 1402003.742 S1C4T2 Fl. 4 3 Julgadora, sejam acostados aos autos com o objetivo de demonstrar a reapuração do resultado do anocalendário de 1997 e a existência do crédito pleiteado. Voto Conselheira Edeli Pereira Bessa Relatora Não merece reparos a conclusão adotada no despacho decisório e na decisão recorrida, muito embora outros sejam os fundamentos aqui adotados para alcançála. Como bem demonstrado no despacho decisório, dispõe o Código Tributário Nacional – CTN que: Art. 168. O direito de pleitear a restituição extinguese com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados: I na hipótese dos incisos I e II do artigo 165, da data da extinção do crédito tributário; [...] É a seguinte a redação do art. 165 do CTN in verbis: Art. 165. O sujeito passivo tem direito, independentemente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo, seja qual for a modalidade do seu pagamento, ressalvado o disposto no § 4º do artigo 162, nos seguintes casos: I cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido; [...] Nestes termos, o contribuinte dispõe de 5 (cinco) anos para pleitear restituição de eventual crédito, e esse prazo é contado da data da extinção do crédito tributário, que pode ser interpretada, no caso de indébito correspondente a saldo negativo de IRPJ, como sendo a data de encerramento do período de apuração, na medida em que não se trata de mero pagamento indevido ou a maior de tributo antes apurado, mas sim de recolhimentos ou retenções antecipados durante o período de apuração, que ao final deste são confrontadas com o tributo incidente sobre o lucro, convertemse em pagamento e se mostram superior ao débito apurado. No regime anual, este encontro de contas se dá no último dia do ano calendário, consoante dispõe a Lei nº 9.430/96, que novamente se transcreve: Art. 2º A pessoa jurídica sujeita a tributação com base no lucro real poderá optar pelo pagamento do imposto, em cada mês, determinado sobre base de cálculo estimada, mediante a aplicação, sobre a receita bruta auferida mensalmente, dos percentuais de que trata o art. 15 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, observado o disposto nos §§ 1º e 2º do art. 29 e nos arts. 30 a 32, 34 e 35 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, com as alterações da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995. Fl. 308DF CARF MF Processo nº 10805.003712/200753 Acórdão n.º 1402003.742 S1C4T2 Fl. 5 4 § 1o O imposto a ser pago mensalmente na forma deste artigo será determinado mediante a aplicação, sobre a base de cálculo, da alíquota de quinze por cento. § 2o A parcela da base de cálculo, apurada mensalmente, que exceder a R$ 20.000,00 (vinte mil reais) ficará sujeita à incidência de adicional de imposto de renda à alíquota de dez por cento. § 3o A pessoa jurídica que optar pelo pagamento do imposto na forma deste artigo deverá apurar o lucro real em 31 de dezembro de cada ano, exceto nas hipóteses de que tratam os §§ 1º e 2º do artigo anterior. § 4º Para efeito de determinação do saldo de imposto a pagar ou a ser compensado, a pessoa jurídica poderá deduzir do imposto devido o valor: I dos incentivos fiscais de dedução do imposto, observados os limites e prazos fixados na legislação vigente, bem como o disposto no § 4º do art. 3º da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995; II dos incentivos fiscais de redução e isenção do imposto, calculados com base no lucro da exploração; III do imposto de renda pago ou retido na fonte, incidente sobre receitas computadas na determinação do lucro real; IV do imposto de renda pago na forma deste artigo. [...] Art. 6º O imposto devido, apurado na forma do art. 2º, deverá ser pago até o último dia útil do mês subseqüente àquele a que se referir. § 1º O saldo do imposto apurado em 31 de dezembro será: I pago em quota única, até o último dia útil do mês de março do ano subseqüente, se positivo, observado o disposto no § 2º; II compensado com o imposto a ser pago a partir do mês de abril do ano subseqüente, se negativo, assegurada a alternativa de requerer, após a entrega da declaração de rendimentos, a restituição do montante pago a maior. § 2º O saldo do imposto a pagar de que trata o inciso I do parágrafo anterior será acrescido de juros calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir de 1º de fevereiro até o último dia do mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês do pagamento. § 3º O prazo a que se refere o inciso I do § 1º não se aplica ao imposto relativo ao mês de dezembro, que deverá ser pago até o último dia útil do mês de janeiro do ano subseqüente. (negrejouse) Vejase que, desde a edição do Ato Declaratório SRF nº 03/2000, a Receita Federal admite a utilização do indébito correspondente a saldo negativos a partir de janeiro do ano subseqüente ao período de apuração correspondente: O SECRETÁRIO DA RECEITA FEDERAL, no uso de suas atribuições e tendo em vista o disposto no § 4º do art. 39 da Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995, nos arts. 1º e 6º da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, e no art. 73 da Lei nº 9.532, de 10 de dezembro de 1997, declara que os saldos negativos do Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, apurados anualmente, poderão ser restituídos ou compensados com o imposto de renda ou a contribuição social sobre o lucro líquido devidos a partir do mês de janeiro do anocalendário subseqüente ao do encerramento do período de apuração, acrescidos de juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia Selic para títulos federais, acumulada mensalmente, Fl. 309DF CARF MF Processo nº 10805.003712/200753 Acórdão n.º 1402003.742 S1C4T2 Fl. 6 5 calculados a partir do mês subseqüente ao do encerramento do período de apuração até o mês anterior ao da restituição ou compensação e de um por cento relativamente ao mês em que estiver sendo efetuada. (negrejouse) Nestes termos, se verificado eventual crédito, já no primeiro dia subseqüente ao encerramento (in casu, 01/01/1998) seria possível pleitear a sua restituição, ou utilizar tal valor em compensação. No mesmo sentido, era, também, o art. 5o da Instrução Normativa SRF nº 600/2005: Art. 5º Os saldos negativos do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) poderão ser objeto de restituição: I – na hipótese de apuração anual, a partir do mês de janeiro do anocalendário subseqüente ao do encerramento do período de apuração; II – na hipótese de apuração trimestral, a partir do mês subseqüente ao do trimestre de apuração. Posteriormente, a Instrução Normativa RFB nº 900/2008 apenas acresceu a esta interpretação a hipótese de contagem em caso de eventos especiais: Art. 4º Os saldos negativos do Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) poderão ser objeto de restituição: I na hipótese de apuração anual, a partir do mês de janeiro do anocalendário subseqüente ao do encerramento do período de apuração; II na hipótese de apuração trimestral, a partir do mês subseqüente ao do trimestre de apuração; e III na hipótese de apuração especial decorrente de cisão, fusão, incorporação ou encerramento de atividade, a partir do 1º (primeiro) dia útil subseqüente ao do encerramento do período de apuração. Sob esta ótica, portanto, encerrado o período de apuração, as antecipações convertemse em pagamento e, quando superiores ao tributo incidente sobre o lucro apurado, constituem indébito passível de restituição ou compensação, interpretandose, originalmente, que neste momento seria deflagrado o prazo para o sujeito passivo agir, nos termos dos arts. 165 e 168 do CTN, mormente considerando o que assim dispõe o art. 150 do CTN: Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 1º O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação ao lançamento. ................................................................................................................. § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se Fl. 310DF CARF MF Processo nº 10805.003712/200753 Acórdão n.º 1402003.742 S1C4T2 Fl. 7 6 tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação” [grifos acrescidos]. Assim, o pagamento antecipado – e, por equivalência, as antecipações convertidas em pagamento no encerramento do período de apuração – extinguiria o crédito tributário, sob condição resolutória da ulterior homologação ao lançamento, operandose, portanto, a extinção no momento em que efetuado o pagamento. A previsão da homologação, expressa ou tácita, como condição resolutiva confirmaria a definitividade da extinção do crédito ocorrida com o pagamento antecipado. Buscouse, inclusive, corroborar esta interpretação com a edição da Lei Complementar nº 118/2005, nos seguintes termos: Art. 3o Para efeito de interpretação do inciso I do art. 168 da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional, a extinção do crédito tributário ocorre, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, no momento do pagamento antecipado de que trata o § 1o do art. 150 da referida Lei Art. 4o Esta Lei entra em vigor 120 (cento e vinte) dias após sua publicação, observado, quanto ao art. 3º, o disposto no art. 106, inciso I, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional. Ocorre que o Superior Tribunal de Justiça não aplicava a interpretação expressa na Lei Complementar nº 118/2005, inclusive afirmando o entendimento defendido pela recorrente sob a sistemática dos recursos repetitivos, no âmbito do REsp nº 1.002.936/SP. Posteriormente, a tese em questão foi submetida à apreciação do Supremo Tribunal Federal, que concluiu pela repercussão geral deste tema nos autos do Recurso Extraordinária nº 561.908, e passou a apreciar seu mérito nos autos do Recurso Extraordinário nº 566.621, sendo publicado em 11/10/2011 acórdão assim ementado: DIREITO TRIBUTÁRIO – LEI INTERPRETATIVA – APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005 – DESCABIMENTO – VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA – NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS – APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. Quando do advento da LC 118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, §4o, 156, VII, e 168, I, do CTN. A LC 118/2005, embora tenha se autoproclamado interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido. Lei supostamente interpretativa que, em verdade, inova no mundo jurídico deve ser considerada lei nova. Inocorrência de violação à autonomia e independência dos Poderes, porquanto a lei expressamente interpretativa também se submete, como qualquer outra, ao controle judicial quanto à sua natureza, validade e aplicação. A aplicação retroativa de novo e reduzido prazo para a repetição ou compensação de indébito tributário estipulado por lei nova, fulminando, de imediato, pretensões deduzidas tempestivamente à luz do prazo então aplicável, bem como a aplicação imediata às pretensões pendentes de ajuizamento quando da publicação da lei, sem Fl. 311DF CARF MF Processo nº 10805.003712/200753 Acórdão n.º 1402003.742 S1C4T2 Fl. 8 7 resguardo de nenhuma regra de transição, implicam ofensa ao princípio da segurança jurídica em seus conteúdos de proteção de confiança e de garantia do acesso à Justiça. Afastandose as aplicações inconstitucionais e resguardandose, no mais, a eficácia da norma, permitese a aplicação do prazo reduzido relativamente às ações ajuizadas após a vacatio legis, conforme entendimento consolidado por esta Corte no enunciado 445 da Súmula do Tribunal. O prazo de vacatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não apenas que tomassem ciência do novo prazo, mas também que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos seus direitos. Inaplicabilidade do art. 2.028 do Código Civil, pois, não havendo lacuna na LC 118/05, que pretendeu a aplicação do novo prazo na maior extensão possível, descabida sua aplicação por analogia. Além disso, não se trata de lei geral, tampouco impede a iniciativa legislativa em contrário. Reconhecida a inconstitucionalidade art. 4o, segunda parte, da LC 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tãosomente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 543B, §3o, do CPC aos recursos sobrestados. Recurso extraordinário desprovido. Em 27/02/2012, no sítio do Supremo Tribunal Federal na Internet, foi declarado o trânsito em julgado desta decisão, ocorrido em 17/11/2011, o que impôs a sua reprodução no julgamento dos recursos no âmbito do CARF, consoante dispunha o art. 62A, do Anexo II do antigo Regimento Interno do CARF RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/2009, à semelhança do que atualmente dispõe o art. 62, §2º do Anexo II do RICARF aprovado pela Portaria MF nº 343/2015 e alterado pela Portaria MF nº 152/2016. Contudo, frente às discussões acerca da aplicação de tal entendimento no âmbito administrativo, vez que a decisão se reportava a prazo para ajuizamento de ações, prevaleceu a interpretação de que o Supremo Tribunal Federal nada mais fez do que definir o termo a quo do prazo estabelecido no inciso I do art. 168 do CTN, que trata do direito de pleitear a restituição, tanto no âmbito administrativo como no judicial. Neste sentido é a Súmula CARF nº 91: Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplicase o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018). Em suma, contrariamente ao que vinha decidido o Superior Tribunal de Justiça, no sentido de que a Lei Complementar nº 118/2005 somente seria aplicável aos pagamentos indevidos verificados após sua vigência, o Supremo Tribunal Federal adotou como parâmetro para definição do prazo prescricional a data do ajuizamento da ação, aplicandose o prazo de 5 (cinco) ou 10 (dez) anos a partir do pagamento indevido. A referida lei foi publicada em 09/02/2005, e seus efeitos se verificaram a partir de 09/06/2005. No presente caso, está em debate a possibilidade de a contribuinte pleitear em 28/12/2007 direito creditório apurado em 31/12/1997. Logo, como o pedido de Fl. 312DF CARF MF Processo nº 10805.003712/200753 Acórdão n.º 1402003.742 S1C4T2 Fl. 9 8 restituição é posterior a 09/06/2005, o prazo prescricional aplicável é de 5 (cinco) anos a partir do pagamento indevido, e assim já estaria expirado em 28/12/2007. Quanto ao pretendido deslocamento do termo inicial de contagem do prazo prescricional em razão de ocorrências verificadas no processo administrativo nº 10805.001364/9819, fato é que estas alegações não foram veiculadas em manifestação de inconformidade, nem em recurso voluntário e, ao serem trazidas em memoriais, estavam dissociadas de qualquer início de prova documental que permitisse cogitar da necessidade de diligência para sua confirmação. Assim, apesar de se admitir o aditamento do recurso voluntário para apresentação de novos argumentos acerca de matéria controvertida, tais argumentos não se prestam a suscitar dúvidas quanto à aplicação do direito ao caso concreto, vez que se constituem em meras alegações de circunstâncias fáticas sem provas. Por todo o exposto, o presente voto é no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Edeli Pereira Bessa – Relatora Fl. 313DF CARF MF
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Numero do processo: 10580.001247/2003-74
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Feb 12 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Mar 14 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2002
FASE PRÉ-OPERACIONAL. RECEITAS FINANCEIRAS. CONFRONTO COM DESPESAS FINANCEIRAS. NÃO COMPROVAÇÃO DO DIREITO CREDITÓRIO. RESTABELECIMENTO DA NEGATIVA EM RELAÇÃO À COMPENSAÇÃO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA.
De acordo com a sistemática traçada pela Receita Federal, e com a própria técnica contábil, o "resultado tributável" da fase pré-operacional corresponde a um superávit (saldo credor) nas contas do ativo, na medida em que as eventuais receitas superam os valores lá lançados a débito.
Não é razoável simplesmente presumir que todas as receitas e despesas financeiras decorreram apenas dos recursos tomados em empréstimo (e diretamente deles); que todas as receitas financeiras estavam vinculadas/destinadas exclusivamente à construção do bem imobilizado; e que tudo deveria ser resolvido no contexto dos valores do ativo imobilizado.
Também não é razoável pensar que "não há qualquer diferença entre a ativação no imobilizado ou no diferido", ou seja, que independentemente da forma de contabilização, o resultado seria sempre negativo (deficitário), de modo que as antecipações se converteriam de qualquer forma em saldo negativo a ser restituído/compensado.
Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e da existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional, para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional.
Processo Administrativo Fiscal
MATERIA EXCLUSIVAMENTE DE DIREITO. APLICAÇÃO DE SÚMULA. TEORIA DA CAUSA MADURA.
Tratando-se de matéria exclusivamente de direito, sem necessidade de exame algum dos fatos do processo, e estando a matéria pacificada no âmbito do CARF, por constar de Súmula, pode ser aplicada ao caso a teoria da causa madura; que autoriza a flexibilização do valor da "não supressão de instância".
Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018).
Numero da decisão: 9101-004.008
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Cristiane Silva Costa e Lívia De Carli Germano, que lhe negaram provimento. Manifestou intenção de apresentar declaração de voto a conselheira Cristiane Silva Costa. Entretanto, findo o prazo regimental, a Conselheira não apresentou a declaração de voto, que deve ser tida como não formulada, nos termos do § 7º do art. 63 do Anexo II da Portaria MF nº 343/2015 (RICARF).
(assinado digitalmente)
Adriana Gomes Rêgo - Presidente
(assinado digitalmente)
Rafael Vidal de Araujo - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Demetrius Nichele Macei, Viviane Vidal Wagner, Luis Fabiano Alves Penteado, Lívia De Carli Germano, Adriana Gomes Rêgo (Presidente).
Nome do relator: RAFAEL VIDAL DE ARAUJO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2002 FASE PRÉ-OPERACIONAL. RECEITAS FINANCEIRAS. CONFRONTO COM DESPESAS FINANCEIRAS. NÃO COMPROVAÇÃO DO DIREITO CREDITÓRIO. RESTABELECIMENTO DA NEGATIVA EM RELAÇÃO À COMPENSAÇÃO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. De acordo com a sistemática traçada pela Receita Federal, e com a própria técnica contábil, o "resultado tributável" da fase pré-operacional corresponde a um superávit (saldo credor) nas contas do ativo, na medida em que as eventuais receitas superam os valores lá lançados a débito. Não é razoável simplesmente presumir que todas as receitas e despesas financeiras decorreram apenas dos recursos tomados em empréstimo (e diretamente deles); que todas as receitas financeiras estavam vinculadas/destinadas exclusivamente à construção do bem imobilizado; e que tudo deveria ser resolvido no contexto dos valores do ativo imobilizado. Também não é razoável pensar que "não há qualquer diferença entre a ativação no imobilizado ou no diferido", ou seja, que independentemente da forma de contabilização, o resultado seria sempre negativo (deficitário), de modo que as antecipações se converteriam de qualquer forma em saldo negativo a ser restituído/compensado. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e da existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional, para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional. Processo Administrativo Fiscal MATERIA EXCLUSIVAMENTE DE DIREITO. APLICAÇÃO DE SÚMULA. TEORIA DA CAUSA MADURA. Tratando-se de matéria exclusivamente de direito, sem necessidade de exame algum dos fatos do processo, e estando a matéria pacificada no âmbito do CARF, por constar de Súmula, pode ser aplicada ao caso a teoria da causa madura; que autoriza a flexibilização do valor da "não supressão de instância". Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018).
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Cristiane Silva Costa e Lívia De Carli Germano, que lhe negaram provimento. Manifestou intenção de apresentar declaração de voto a conselheira Cristiane Silva Costa. Entretanto, findo o prazo regimental, a Conselheira não apresentou a declaração de voto, que deve ser tida como não formulada, nos termos do § 7º do art. 63 do Anexo II da Portaria MF nº 343/2015 (RICARF). (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo - Presidente (assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araujo - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Demetrius Nichele Macei, Viviane Vidal Wagner, Luis Fabiano Alves Penteado, Lívia De Carli Germano, Adriana Gomes Rêgo (Presidente).
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Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado ITAPEBI GERAÇÃO DE ENERGIA S.A. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2002 FASE PRÉOPERACIONAL. RECEITAS FINANCEIRAS. CONFRONTO COM DESPESAS FINANCEIRAS. NÃO COMPROVAÇÃO DO DIREITO CREDITÓRIO. RESTABELECIMENTO DA NEGATIVA EM RELAÇÃO À COMPENSAÇÃO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. De acordo com a sistemática traçada pela Receita Federal, e com a própria técnica contábil, o "resultado tributável" da fase préoperacional corresponde a um superávit (saldo credor) nas contas do ativo, na medida em que as eventuais receitas superam os valores lá lançados a débito. Não é razoável simplesmente presumir que todas as receitas e despesas financeiras decorreram apenas dos recursos tomados em empréstimo (e diretamente deles); que todas as receitas financeiras estavam vinculadas/destinadas exclusivamente à construção do bem imobilizado; e que tudo deveria ser resolvido no contexto dos valores do ativo imobilizado. Também não é razoável pensar que "não há qualquer diferença entre a ativação no imobilizado ou no diferido", ou seja, que independentemente da forma de contabilização, o resultado seria sempre negativo (deficitário), de modo que as antecipações se converteriam de qualquer forma em saldo negativo a ser restituído/compensado. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e da existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional, para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 00 12 47 /2 00 3- 74 Fl. 514DF CARF MF Processo nº 10580.001247/200374 Acórdão n.º 9101004.008 CSRFT1 Fl. 3 2 MATERIA EXCLUSIVAMENTE DE DIREITO. APLICAÇÃO DE SÚMULA. TEORIA DA CAUSA MADURA. Tratandose de matéria exclusivamente de direito, sem necessidade de exame algum dos fatos do processo, e estando a matéria pacificada no âmbito do CARF, por constar de Súmula, pode ser aplicada ao caso a teoria da causa madura; que autoriza a flexibilização do valor da "não supressão de instância". Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento, vencidas as conselheiras Cristiane Silva Costa e Lívia De Carli Germano, que lhe negaram provimento. Manifestou intenção de apresentar declaração de voto a conselheira Cristiane Silva Costa. Entretanto, findo o prazo regimental, a Conselheira não apresentou a declaração de voto, que deve ser tida como não formulada, nos termos do § 7º do art. 63 do Anexo II da Portaria MF nº 343/2015 (RICARF). (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo Presidente (assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araujo Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Demetrius Nichele Macei, Viviane Vidal Wagner, Luis Fabiano Alves Penteado, Lívia De Carli Germano, Adriana Gomes Rêgo (Presidente). Fl. 515DF CARF MF Processo nº 10580.001247/200374 Acórdão n.º 9101004.008 CSRFT1 Fl. 4 3 Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN), fundamentado atualmente no art. 67 e seguintes do Anexo II da Portaria MF nº 343, de 09/06/2015, que aprova o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), em que se alega divergência jurisprudencial quanto ao que se decidiu sobre tributação na fase préoperacional da empresa. A recorrente insurgese contra o Acórdão nº 110300.205, de 19/05/2010, por meio do qual a 3a Turma Ordinária da 1a Câmara da 1a Seção de Julgamento do CARF, por maioria de votos, deu provimento a recurso voluntário da contribuinte acima identificada, para fins de reconhecer direito creditório a título de saldo negativo de IRPJ apurado na fase pré operacional, homologando a compensação realizada a partir dele. O acórdão recorrido contém a ementa e a parte dispositiva descritas abaixo: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2002 Ementa: COMPENSAÇÃO SALDO NEGATIVO DO IMPOSTO DE RENDA RECEITAS FINANCEIRAS FASE PRÉOPERACIONAL. As despesas financeiras relativas a financiamentos obtidos para construção de bens do ativo imobilizado devem ser ativadas no imobilizado, para serem reconhecidas como despesa por depreciação desses bens. As receitas financeiras, à guisa de reduzir ou limitar o impacto dos encargos financeiros, são vinculadas ao imobilizado em construção e são registráveis como redutora do imobilizado. Se não fossem classificáveis como redutora do imobilizado, as receitas seriam registráveis como redutora do ativo diferido, por serem auferidas durante a fase préoperacional. Tanto as despesas financeiras como as receitas financeiras não são apropriáveis em conta de resultado no anocalendário de 2002, não havendo lucro real nesse período, de construção de bens do imobilizado e de fase préoperacional, de molde que o IRRF sobre as receitas financeiras se convola em saldo negativo de IRPJ. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Vencido o conselheiro Mário Sérgio Fernandes Barroso(Relator). Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Marcos Shigueo Takata. A PGFN afirma que o acórdão recorrido deu à legislação tributária interpretação divergente da que foi dada em outro processo, relativamente à matéria acima mencionada. Fl. 516DF CARF MF Processo nº 10580.001247/200374 Acórdão n.º 9101004.008 CSRFT1 Fl. 5 4 Para o processamento do recurso, ela desenvolve os seguintes argumentos: DO CABIMENTO DO PRESENTE RECURSO. analisando situação fática similar à dos presentes autos, a colenda Primeira Turma da Segunda Câmara da Primeira Seção de Julgamento do CARF, no âmbito do Acórdão 120100.180, paradigma ora suscitado para demonstrar a divergência de interpretação dada à lei tributária (cópia anexa), adotou entendimento diametralmente contrário àquele esposado pelo Colegiado a quo; entendeu a Primeira Turma da Segunda Câmara da Primeira Seção do CARF que, mesmo na fase préoperacional, na qual a entidade ainda não obteve receitas decorrentes de seu objeto social, as receitas de outras origens, tais como as receitas financeiras, devem ser reconhecidas quando realizadas, isto é, no período no qual a entidade adquiriu o direito ao seu recebimento. Nesse contexto, concluiu que não cabe devolução do saldo negativo de IRPJ decorrente do imposto de renda retido na fonte se as respectivas receitas não foram declaradas e computadas na apuração do lucro real; por oportuno, transcrevese a ementa do acórdão paradigma, in verbis: Acórdão n° 120100.180 Ementa: FASE PRÉOPERACIONAL RECONHECIMENTO DE RECEITAS FINANCEIRAS Não há previsão legal, seja de natureza tributária seja de cunho comercial, para diferimento de receitas financeiras. São os recursos aplicados "em despesas que contribuirão para a formação do resultado de mais de um exercício social", nos termos da redação original do inciso V, art. 179, da Lei 6.404/76 (atualmente modificado pela Lei 11.638/2007), que devem ser diferidas. Isso decorre do princípio da competência, o qual se desmembra em dois princípios concretizadores: (1) o da realização da receita e (ii) o do confronto das despesas. As despesas só são reconhecidas quando confrontadas às respectivas receitas e não o contrário. Dessarte, os dispêndios que venham a contribuir para receitas futuras só poderão ser reconhecidos nos períodos de obtenção destas receitas. É em razão deste primado que há a previsão do diferimento de despesas na fase préoperacional. O mesmo não pode ser dito quanto a receitas. Estas devem ser reconhecidas no período de sua realização. Desse modo, mesmo na fase préoperacional, na qual a entidade ainda não obteve receitas decorrentes de seu objeto social, as receitas de outras origens, ou seja, as financeiras e as nãooperacionais, devem ser reconhecidas quando realizadas, vale dizer, no período no qual a entidade adquiriu o direito ao seu recebimento. Assim, não cabe devolução do saldo negativo de IRPJ decorrente do imposto de renda retido na fonte na fase préoperacional, se as respectivas receitas não foram declaradas. a fim de melhor demonstrar a divergência de entendimentos entre Colegiados do CARF, transcrevese trecho do voto condutor do acórdão paradigma: As receitas devem ser reconhecidas como tais no período de sua realização. Desse modo, mesmo na intitulada fase préoperacional, na qual a entidade ainda não obteve receitas decorrentes de seu objeto social, as Fl. 517DF CARF MF Processo nº 10580.001247/200374 Acórdão n.º 9101004.008 CSRFT1 Fl. 6 5 receitas de outras origens, ou seja, as financeiras e as nãooperacionais, devem ser reconhecidas quando realizadas, vale dizer, no período no qual a entidade adquiriu o direito ao seu recebimento. Assim, se os juros foram obtidos em razão de uma aplicação financeira num certo ano, é neste ano que devem ser reconhecidos como receitas financeiras, ainda que não recebidos e mesmo que a entidade não esteja também obtendo receitas da sua atividade operacional, Destaquese, mais uma vez, que as despesas só são reconhecidas como tais quando confrontadas às respectivas receitas e não o contrário. Não cabe restituição de imposto de renda retido na fonte sobre rendimentos financeiros, mas apenas o saldo negativo de imposto de renda pessoa jurídica decorrente de tais retenções. Estas, porém, só podem ser reconhecidas na declaração se as respectivas receitas financeiras compuseram o resultado do exercício, o que não ocorreu. Por fim, entendo que não cabe a apresentação de novas provas ou a realização de perícia para a apuração do saldo negativo do IRPJ, pois este deveria ter sido determinado pelo próprio sujeito passivo quando da apresentação da declaração de rendimentos. Não cabe nesse estágio do processo recompor por completo a apuração do imposto. Por todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. resta patente, portanto, a divergência jurisprudencial. O Colegiado a quo entendeu que as receitas financeiras não seriam apropriáveis no resultado do exercício durante a fase préoperacional, não havendo que se falar em resultado positivo nesse período. Com base nesse raciocínio concluiu pela possibilidade de deferirse o pedido de restituição do contribuinte, por considerar que o IRRF sobre as receitas financeiras se convola em saldo negativo de IRPJ. Em sentido diametralmente oposto, posicionouse a Primeira Turma da Segunda Câmara da Primeira Seção do CARF. O Colegiado prolator do acórdão paradigma entendeu que, mesmo na fase préoperacional na qual a entidade ainda não obteve receitas decorrentes de seu objeto social as receitas de outras origens, tais como as financeiras, devem ser reconhecidas quando realizadas, isto é, no período no qual a entidade adquiriu o direito ao seu recebimento, devendo, portanto, ser levadas à apuração do resultado e, conseqüentemente, à determinação do lucro real. Nesse contexto, concluiu que não cabe devolução do saldo negativo de IRPJ, decorrente do imposto de renda retido na fonte, se as respectivas receitas não compuseram o resultado do exercício; em suma, temse que o acórdão paradigma, diferentemente da decisão ora impugnada, determina somente ser possível utilizarse do saldo negativo de IRPJ mediante compensação quando as receitas correspondentes às retenções na fonte, ainda que obtidas na fase préoperacional, tiverem sido computadas na determinação do lucro real; assim, estando prequestionada a matéria, e demonstrada a divergência jurisprudencial diante do acórdão paradigma em anexo, encontramse presentes os requisitos de admissibilidade do recurso especial; DOS FUNDAMENTOS PARA A REFORMA DO R. ACÓRDÃO. Fl. 518DF CARF MF Processo nº 10580.001247/200374 Acórdão n.º 9101004.008 CSRFT1 Fl. 7 6 o cerne do presente processo está em demonstrar que as receitas financeiras sobre as quais incidiu o Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF), objeto de compensação desta lide, não foram oferecidas à tributação, condição indispensável para que este pudesse ser aproveitado na compensação do imposto apurado ao final do anocalendário, originando, se for o caso, o saldo negativo de Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ). Para isso fazse necessário analisar o arcabouço legislativo acerca do tema; a Lei n° 9.430/96, ao tratar do pagamento do imposto de renda por estimativa, dispõe, em seu art. 2°, §§ 3° e 4°, III, que: [...]; o art. 274 do RIR/1999 dispõe que ao final de cada períodobase, deverá ser apurado o lucro líquido mediante a elaboração do balanço patrimonial, da demonstração dos resultados e da demonstração dos resultados acumulados, com observância das disposições da lei comercial; por sua vez, o artigo 218, do Decreto 3.000/99 (RIR/99), determina observância dos princípios contábeis da realização das receitas e da competência; por outro lado, dispõem os artigos 179, da Lei n° 6.404/76, e 325, II, “a”, do Decreto n° 3.000/99 (RIR/99): Art. 179. As contas serão classificadas do.seguinte modo: (...) V no ativo diferido: as aplicações de recursos em despesas que contribuirão para a formação do resultado de mais de um exercício social, inclusive os juros pagos ou creditados aos acionistas durante o período que anteceder o início das operações sociais. Art. 325. Poderão ser amortizados: (...) II os custos, encargos ou despesas, registrados no ativo diferido, que contribuirão para a formação do resultado de mais de um período de apuração, tais como: a) as despesas de organização préoperacionais ou préindustriais (Lei nº 4.506, de 1964, art. 58, §3º, alínea "a"); como se vê, a dedução do IRRF do imposto de renda devido ao final do período de apuração tem como pressuposto que as correspondentes receitas integrem a apuração do lucro real em 31 de dezembro do ano calendário; no caso dos autos, a alegação da recorrente é constituída basicamente da premissa de que os rendimentos auferidos, no anocalendário de 2002, foram oferecidos à tributação, porém, em conta redutora das despesas préoperacionais, no ativo diferido; porém cabe enfatizar que, em se tratando de compensação de IRRF com o IRPJ devido em 31 de dezembro do ano calendário, a legislação tributária não prevê tratamento especial para as empresas que se encontram em fase préoperacional; Fl. 519DF CARF MF Processo nº 10580.001247/200374 Acórdão n.º 9101004.008 CSRFT1 Fl. 8 7 a leitura desses dispositivos não deixa dúvidas de que são as despesas pré operacionais que podem ser registradas no ativo diferido, não cabendo ao intérprete concluir que, para fins da incidência do imposto de renda, os rendimentos financeiros auferidos nesse período pudessem ter o mesmo tratamento; aliás, a interpretação correta é em sentido inverso ao alegado pelo d. voto vencedor, pois a ativação das despesas préoperacionais têm como pressuposto um razoável grau de certeza de que as correspondentes receitas serão geradas em períodos futuros, atendendose assim ao princípio do confronto de despesas e receitas; por oportuno, cabe trazer à colação trecho do voto condutor do acórdão paradigma nº 120100.180, da lavra do Conselheiro Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, verbis: Não há previsão legal, seja de natureza tributária seja de cunho comercial, para diferimento do reconhecimento de receitas. São os recursos aplicados “em despesas que contribuirão para a formação do resultado de mais de um exercício social", nos termos da redação original do inciso V, art. 179, da Lei 6.404/76 (atualmente modificado pela Lei 11.638/2007), que devem ser diferidas. Isso decorre do princípio da competência, o qual se desmembra em dois princípios concretizadores: (i) o da realização da receita e (ii) o do confronto das despesas. As despesas só podem ser reconhecidas no período da realização das receitas em relação as quais contribuíram para a sua obtenção. Abaixo, transcrevemos a ementa relativa a este último princípio, que foi veiculado pela Resolução 750/93 do Conselho Federal de Contabilidade, a qual foi adotada inclusive pela CVM: “Toda despesa diretamente delineável com as receitas reconhecidas em determinado período, com as mesmas deverá ser confrontada; os consumos ou sacrifícios de ativos (atuais ou futuros), realizados em determinado período e que não puderam ser associados à receita do período nem às dos períodos futuros, deverão ser descarregados como despesa do período em que ocorrerem...". Ou seja, os dispêndios que venham a contribuir para receitas futuras só poderão ser reconhecidos nos períodos de obtenção destas receitas. É em razão deste principio que há a previsão do diferimento de despesas na fase pré'operacional. O mesmo não pode ser dito quanto a receitas. As receitas devem ser reconhecidas como tais no período de sua realização. Desse modo, mesmo na intitulada fase préoperacional, na qual a entidade ainda não obteve receitas decorrentes de seu objeto social, as receitas de outras origens, ou seja, as financeiras e as nãooperacíonais, devem ser reconhecidas quando realizadas, vale dizer, no período no qual a entidade adquiriu o direito ao seu recebimento. Fl. 520DF CARF MF Processo nº 10580.001247/200374 Acórdão n.º 9101004.008 CSRFT1 Fl. 9 8 Assim, se os juros foram obtidos em razão de uma aplicação financeira num certo ano, é neste ano que devem ser reconhecidos como receitas financeiras, ainda que não recebidos e mesmo que a entidade não esteja também obtendo receitas da sua atividade operacional. Destaquese, mais uma vez, que as despesas só são reconhecidas como tais quando confrontados às respectivas receitas e não o contrário. nessa senda, o art. 76, § 2°, da Lei 8.981/95 é contundente no sentido de que os rendimentos de aplicações financeiras devem ser reconhecidos no período em que foram auferidos, independentemente de a empresa encontrarse em fase préoperacional, conforme se verifica abaixo: Art. 76. O imposto de renda retido na fonte sobre os rendimentos de aplicações financeiras de renda fixa e de renda variável, ou pago sobre os ganhos líquidos mensais, será: (Redação dada pela Lei n" 9. 065, de 1995) (...) § 2º Os rendimentos de aplicações financeiras de renda fixa e de renda variável e os ganhos líquidos produzidos a partir de 1º de janeiro de 1995 integrarão o lucro real. ressaltese que o lucro real, embora tenha como ponto de partida o lucro liquido do exercício, com este não se confunde, dado que, na sua apuração, são realizadas adições, exclusões e compensações, como forma de atender às normas de incidência do IRPJ, previstas na legislação específica. Abaixo, transcrevemse os art. 247, 248 e 249, “caput” e II, todos do Decreto 3.000/99 (RIR/99), que dispõem, respectivamente, acerca dos conceitos de lucro real e lucro líquido, bem como das adições ao lucro liquido: [...]; portanto, a apuração do lucro real visa, por meio de ajustes ao lucro líquido, compatibilizar esse resultado com as normas de incidência do IRPJ, determinando, ao final, a sua base de cálculo; desta feita, concluise que apesar do IRRF sobre aplicações financeiras contribuir para a apuração de eventual saldo negativo de IRPJ, somente o saldo negativo de Imposto de Renda a pagar, calculado ao final do período de apuração, é que se mostra passível de restituição e/ou compensação posterior, nos termos da legislação vigente, e desde que sua base de cálculo englobe as receitas correspondentes ao IRRF deduzido do imposto devido; portanto, a retenção de imposto na fonte em princípio não traduz a existência de crédito com a Fazenda Nacional, pois quanto efetuada nos exatos termos dispostos na lei é considerada uma antecipação do imposto devido no encerramento do período de apuração, não gerando, pois, direito à restituição ou compensação enquanto não apurada a existência de crédito da contribuinte no período; logo, o IRRF tornase aproveitável apenas na apuração definitiva do imposto de renda a cada período, caso sua retenção não seja exclusiva de fonte, após integrar o saldo do imposto devido sobre todas as receitas obtidas pela empresa, tanto na atividade desenvolvida de acordo com seu objeto social como nas demais atuações empresariais; Fl. 521DF CARF MF Processo nº 10580.001247/200374 Acórdão n.º 9101004.008 CSRFT1 Fl. 10 9 nesse sentido, irretocável a conclusão do voto condutor do acórdão paradigma nº 120100.180, que assim dispôs: Não cabe restituição de imposto de renda retido na fonte sobre rendimentos financeiros, mas apenas o saldo negativo de imposto de renda pessoa jurídica decorrente de tais retenções. Estas, porém, só podem ser reconhecidas na declaração se as respectivas receitas financeiras compuseram o resultado do exercício, o que não ocorreu. Por fim, entendo que não cabe a apresentação de novas provas ou a realização de perícia para a apuração da saldo negativo do IRPJ, pois este deveria ter sido determinado pelo próprio sujeito passivo quando da apresentação da declaração de rendimentos. Não cabe nesse estágio do processo recompor por completo a apuração do imposto. assim, concluise do ora exposto ser inadmissível que, na apuração do lucro real, a contribuinte não ofereça à tributação as receitas financeiras e, além disso, queira compensar o imposto retido no anocalendário de 2002 com os valores devidos em janeiro de 2003 a título de COFINS, PIS, IRPJ e CSLL; DO PEDIDO. diante do exposto, a União (Fazenda Nacional) requer seja o presente recurso conhecido e provido, para que seja reformado o v. acórdão proferido pela e. Primeira Câmara da Primeira Seção do CARF, nos termos acima aduzidos, restabelecendose, via de conseqüência, a decisão proferida em primeira instância. Quando do exame de admissibilidade do Recurso Especial da PGFN, o Presidente da 1ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento do CARF, por meio do despacho exarado em 22/07/2015, deu seguimento ao recurso, fundamentando sua decisão na seguinte análise sobre a divergência suscitada: [...] Pois bem, sem necessidade de maiores digressões, resta patente que a divergência se materializou no confronto entre os dois Acórdãos, o recorrido dispondo não ser obrigatória a tributação das receitas que geraram o IRRF utilizado na compensação e o paradigma adotando posição reversa, pela forçosa imposição tributária, se se pretender utilizar o imposto retido para compor o saldo negativo do IRPJ. Assim, vêse que o dissenso restou estampado. Em 03/05/2018, a contribuinte foi intimada do Acórdão nº 110300.205, do recurso especial da PGFN, e do despacho que admitiu esse recurso, e em 18/05/2018, tempestivamente, ela apresentou contrarrazões ao recurso, com os seguintes argumentos: DAS RAZÕES PARA MANUTENÇÃO DO ACÓRDÃO RECORRIDO. DO CORRETO PROCEDIMENTO CONTÁBIL ADOTADO PELA RECORRIDA. Fl. 522DF CARF MF Processo nº 10580.001247/200374 Acórdão n.º 9101004.008 CSRFT1 Fl. 11 10 a Recorrente defende que a compensação não pode ser homologada uma vez que os saldos credores apresentados, originados de IR/Fonte sobre receitas de aplicações financeiras, não subsistem, pois tais receitas financeiras não foram contabilizadas nas contas de resultado da Recorrida e, portanto, não foram oferecidas à tributação; ocorre que, como se passará a demonstrar, é totalmente correto o tratamento contábil dado pela Recorrida a tais receitas, encontrando sólido fundamento quer nas normas que regem a matéria, na jurisprudência do E. Conselho Administrativo de Recurso Fiscais; inicialmente, importa destacar que a Recorrida, que atua no ramo de exploração de geração de energia elétrica, iniciou suas atividades operacionais em fevereiro de 2003, sendo certo que, de janeiro de 1999 a janeiro de 2003, período em que construía suas instalações, ela encontravase em fase préoperacional de funcionamento; por conseguinte, no referido período, não foram apuradas quaisquer receitas ou despesas operacionais, mas apenas préoperacionais, relacionadas à implantação dos ativos necessários à efetivação das suas atividades; assim, em razão disso, a Recorrida registrou as receitas e despesas do período em conta de ativo imobilizado, consoante o disposto no artigo 179, inciso IV, da Lei n.º 6.404/76 (Lei das Sociedades Anônimas), in verbis: Art. 179 As contas serão classificadas do seguinte modo: (...) IV no ativo imobilizado: os direitos que tenham por objeto bens destinados à manutenção das atividades da companhia e da empresa, ou exercidos com essa finalidade, inclusive os de propriedade industrial ou comercial; ressaltese que, objetivando resguardarse de possíveis variações cambiais no período, as quais poderiam comprometer os seus investimentos e patrimônio, a Recorrida realizou, nesse mesmo período, diversas operações no mercado financeiro, tendo como resultado a obtenção de receitas e despesas financeiras; tais receitas e despesas financeiras, da mesma forma, foram registradas em contas do ativo imobilizado, conforme orientação de abalizada doutrina1 contábil (Cf. IUDÍCIBUS, Sérgio de, MARTINS, Eliseu, GELBCKE, Ernesto Rubens, Manual de Contabilidade das Sociedades por Ações [aplicável às demais sociedades], 5ª Ed., São Paulo, Atlas, 2000, p. 189.), com suporte em normas da Comissão de Valores Mobiliários: O custo das unidades construídas deve incluir, além do custo dos materiais comprados, conforme item ‘a’ acima, o da mãodeobra e seus encargos, própria ou de terceiros, e outros custos diretos e indiretos relacionados com a construção. Os juros sobre financiamento obtidos de terceiros para a construção de bens do Ativo Imobilizado devem ser classificados no grupo de contas de origem, sendo amortizado de acordo com os prazos designados para a depreciação, amortização e exaustão, conforme itens I e II da Deliberação CVM n.º 193/96, cujo texto é o que segue: ‘I – Os juros incorridos e demais encargos financeiros, relativamente a financiamentos obtidos de terceiros, para construção de bens integrantes do ativo imobilizado (...), devem ser registrados em conta Fl. 523DF CARF MF Processo nº 10580.001247/200374 Acórdão n.º 9101004.008 CSRFT1 Fl. 12 11 destacada, que evidencie a sua natureza, e classificados no mesmo grupo do ativo que lhe deu origem. II – A alocação desses juros e encargos ao resultado do exercício deverá ser feita em consonância com os prazos de depreciação, amortização, exaustão ou baixa dos ativos financiados’ O item III da mesma Deliberação ressalta que os juros a serem classificados no ativo são apenas os incorridos durante o período de construção ou produção do ativo: ‘III – Os juros e encargos referidos no item I somente poderão ser ativados até o momento em que o ativo em construção ou produção estiver substancialmente completado e colocado em condições de uso...’”. sendo assim, considerando a vinculação entre os juros e os encargos financeiros incorridos pela Recorrida com a construção dos bens de seu ativo imobilizado, nada mais correto do que registrálos como custo de aquisição dos bens construídos. No mesmo sentido, as receitas financeiras respectivas são registradas em conta redutora do referido custo; ainda, cumpre mencionar que, no anocalendário de 2001, o registro das despesas e receitas mencionadas foi feito no ativo diferido (procedimento este que também tem respaldo na técnica contábil, além de ter sido recomendado pelos Auditores Independentes da Recorrida), ao passo que, no anocalendário de 2002, voltouse a fazêlo no ativo imobilizado (também por orientação dos Auditores Independentes – doc. 04 anexo ao Recurso Voluntário). De qualquer forma, notese que, em termos fiscais, não há qualquer diferença entre a ativação no imobilizado ou no diferido; além disso, fazse importante apontar que, a despeito do afirmado pela Recorrente, as receitas e despesas financeiras do período seriam sim lançadas ao resultado, só que da forma que lhes é própria, qual seja, a depreciação; ora, se as receitas e despesas financeiras incorridas na fase préoperacional são registradas no cálculo do custo de aquisição do ativo imobilizado, o seu lançamento a resultado, por conseguinte, ocorre na medida em que vai ocorrendo a depreciação. Aliás, diferente não poderia ser, já que a base de cálculo da depreciação é justamente o custo do respectivo bem; e, por outro lado, temse que a contrapartida do lançamento na conta de depreciação acumulada é uma conta de resultado; dessa forma, de acordo com a Lei das Sociedades Anônimas, a Recorrida somente deveria levar as receitas financeiras a resultado na medida em que for havendo a depreciação de seu ativo imobilizado, não havendo que se falar em tributação por regime de competência, como equivocadamente defende a Recorrente; desse modo, não merece prosperar qualquer alegação no sentido de que as receitas e despesas financeiras incorridas no período préoperacional deveriam ter sido levadas a resultado no próprio anocalendário, motivo pelo qual concluise que a Recorrida tem direito à restituição e/ou compensação do saldo credor de IRPJ, advindo de retenções na fonte sobre Fl. 524DF CARF MF Processo nº 10580.001247/200374 Acórdão n.º 9101004.008 CSRFT1 Fl. 13 12 receitas financeiras, já que, pelos motivos expostos acima, não houve IRPJ a pagar nos anos calendário de 2001 e 2002; assim, não tendo a Recorrida apurado base de cálculo do IRPJ ao término dos anoscalendário de 2001 e 2002, por força do artigo 165 do Código Tributário Nacional (“CTN”) e do artigo 74 da Lei n.º 9.430/96, não lhe resta outro caminho senão pleitear a restituição do IR pago sobre as aplicações financeiras, já que o valor correspondente a este tributo, por se tratar de mera antecipação do IRPJ devido ao término do anocalendário, passa a ser considerado tributo pago a maior do que o efetivamente devido; entender o contrário seria aceitar: (i) a tributação sobre o patrimônio da Recorrida (sujeito passivo desse tributo); e (ii) enriquecimento ilícito do Estado; portanto, esperase que esta colenda Turma mantenha o entendimento firmado no acórdão recorrido acerca da legitimidade do procedimento contábil adotado pela Recorrida; DO PREJUÍZO FISCAL INCORRIDO PELA RECORRIDA CASO FOSSE ADOTADA A METODOLOGIA PROPOSTA PELA SECRETARIA DA RECEITA FEDERAL/RECORRENTE. embora a Recorrida acredite que os argumentos aduzidos anteriormente já ensejem, por si só, a reforma da decisão recorrida, caso assim não se entenda, o que se admite apenas ad argumentandum, em homenagem ao princípio da eventualidade, é certo que a referida decisão não poderá prosperar, haja vista que, se adotada a sistemática defendida pela Recorrente, a Recorrida teria apurado prejuízos fiscais, o que, da mesma forma, lhe garantiria o direito de pleitear a restituição e/ou compensação dos saldos credores de IRPJ desses mesmos períodos. É o que se passará a demonstrar; deveras, de acordo com entendimento manifestado pela Recorrente, as receitas e despesas financeiras compõem o resultado fiscal do período em que incorridas, enquanto as despesas préoperacionais são ativadas para posterior amortização, isto é, as receitas e despesas financeiras compõem ordinariamente o resultado tributável da empresa; ou seja, depreendese da leitura do excerto acima que, no entender das autoridades fiscais, deveria a Recorrida ter lançado em suas contas de resultado as receitas e despesas financeiras do período, uma vez que somente os gastos préoperacionais não são levados diretamente a resultado, eis que compõem o ativo diferido da empresa, sujeito à amortização anterior; assim, no entendimento da Recorrente, em evidente contradição com o que dispõem o artigo 165 do CTN e o artigo 74 da Lei n.º 9.430/96, somente se as receitas e as despesas financeiras da Recorrida tivessem integrado a apuração do lucro real do período, seria possível a apuração de saldo credor de IRPJ, o qual, no próximo exercício, poderia ser objeto de pedido de restituição e/ou declaração de compensação; ora, se a Recorrida tivesse procedido segundo o entendimento da Recorrente e levasse a resultado as receitas e despesas financeiras na medida em que elas tivessem sido auferidas/incorridas, ainda assim a Recorrida teria apurado, no anocalendário de 2001, um prejuízo fiscal no valor de R$ 15.424.495,28 (quinze milhões, quatrocentos e vinte e quatro mil, quatrocentos e noventa e cinco reais e vinte e oito centavos), e, no anocalendário de 2002, Fl. 525DF CARF MF Processo nº 10580.001247/200374 Acórdão n.º 9101004.008 CSRFT1 Fl. 14 13 um prejuízo fiscal no valor de R$ 16.660.238,40 (dezesseis milhões, seiscentos e sessenta mil, duzentos e trinta e oito reais e quarenta centavos). Tal fato pode ser facilmente constatado por meio da análise do Livro Razão analítico da Recorrida (docs. 05 e 06 anexos ao Recurso Voluntário); nesse caso, estarseia diante de uma típica hipótese de erro de contabilização incorrido pela Recorrida, o qual, em razão do princípio da verdade material, norteador da tributação, não teria o condão de prejudicar a apuração de saldos credores nesses períodos, sob pena de se autorizar a tributação sobre o patrimônio da Recorrida, o que é vedado; assim, considerando que, ainda que fosse utilizado o critério de contabilização aceito pelas autoridades “a quo”: (i) não houve base de IRPJ nos anos calendário de 2001 e 2002, em razão dos prejuízos fiscais apurados; e (ii) durante esse período a Recorrente sofreu diversas retenções de IR/Fonte incidentes sobre rendimentos de aplicações financeiras; temse que ao final dos anoscalendário de 2001 e 2002 a Recorrente apurou saldos credores de IRPJ nos valores de R$ 4.378.197,00 (quatro milhões, trezentos e setenta e oito mil e cento e noventa e sete reais) e R$ 16.254.187,58 (dezesseis milhões, duzentos e cinqüenta e quatro mil, cento e oitenta e sete reais e cinqüenta e oito centavos), respectivamente, os quais, a partir dos próximos exercícios, passaram a ser passíveis de restituição e/ou compensação; aliás, para comprovar as retenções de IR/Fonte sofridas nos anoscalendário de 2001 e 2002, a Recorrente anexa à presente diversos informes de rendimentos emitidos pelas Instituições Financeiras nas quais ela possuía aplicações financeiras. (doc. 07 e 08 anexos ao Recurso Voluntário); dessa forma, estando devidamente comprovado (i) que, caso a Recorrente tivesse levado a resultado as receitas e despesas na medida em que elas foram auferidas/ incorridas, ela teria apurado prejuízo fiscal; (ii) as retenções sofridas pela Recorrente a título de IR/Fonte sobre aplicações financeiras; concluise que, nos anoscalendário de 2001 e 2002, a Recorrente tem direito à apuração de saldos credores de IRPJ nos valores de R$ R$ 4.378.197,00 (quatro milhões, trezentos e setenta e oito mil e cento e noventa e sete reais) e R$ 16.254.187,58 (dezesseis milhões, duzentos e cinqüenta e quatro mil, cento e oitenta e sete reais e cinqüenta e oito centavos), respectivamente; assim, ante o exposto, a Recorrente aguarda que seja homologada a declaração de compensação apresentada; DO PEDIDO. diante do exposto, requerse o desprovimento do Recurso Especial, pelas razões aqui expostas, mantendose incólume o acórdão recorrido. É o relatório. Fl. 526DF CARF MF Processo nº 10580.001247/200374 Acórdão n.º 9101004.008 CSRFT1 Fl. 15 14 Voto Conselheiro Rafael Vidal de Araujo, Relator. O presente processo trata da Declaração de Compensação apresentada em 24/03/2003 (vol. 1, efls. 30/32), na qual a contribuinte utilizou direito creditório referente a um alegado saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 2002, no valor de R$ 16.254.187,58. Em 2002, a contribuinte se encontrava em fase préoperacional, e o saldo negativo seria decorrente de retenções na fonte sobre receitas financeiras auferidas ao longo daquele ano. Ao examinar o pleito, a Delegacia de origem observou que a contribuinte nada declarou nas fichas 11 (Cálculo do Imposto de Renda Mensal por Estimativa fls. 45/47) e 12A (Cálculo do IR sobre o Lucro Real); que somente a linha 13 (Imposto de Renda Retido na Fonte fl. 48) da Ficha 12A foi preenchida, gerando um saldo negativo de imposto de renda, que supostamente constituiria saldo credor em favor do contribuinte. Destacou também que a pessoa jurídica somente pode indicar o imposto de renda retido na fonte, a título de antecipação, se os rendimentos ou receitas correspondentes integram o lucro real, e registrou que, neste caso, a contribuinte não ofereceu à tributação as receitas financeiras que geraram as retenções na fonte. Em razão disso, o direito creditório não foi reconhecido e a compensação não foi homologada. Na sequência, a Delegacia de Julgamento, ao examinar a manifestação de inconformidade da contribuinte, manteve a negativa em relação ao reconhecimento do direito creditório e à compensação. A decisão de primeira instância administrativa fez uma detalhada explanação sobre as questões contábeis e tributárias atinentes à fase préoperacional, e destacou, então, que as despesas financeiras ligadas ao financiamento de construção de bens da empresa integram o seu custo de aquisição e devem ser ativadas, não devendo compor o resultado do exercício; e que, além disso, as receitas financeiras auferidas não integraram a apuração do lucro real do período; e que a interessada deixou de demonstrar a ocorrência das despesas financeiras e de comprovar o alegado prejuízo fiscal. A decisão de segunda instância administrativa (acórdão ora recorrido), por sua vez, deu provimento ao recurso voluntário da contribuinte, para fins de reconhecer o direito creditório e homologar a compensação. O entendimento manifestado nessa decisão é que as despesas financeiras relativas a financiamentos obtidos para construção de bens do ativo imobilizado devem ser ativadas no imobilizado, para serem reconhecidas como despesa por depreciação desses bens; que as receitas financeiras, à guisa de reduzir ou limitar o impacto dos encargos financeiros, também são vinculadas ao imobilizado em construção e são registráveis como redutora do Fl. 527DF CARF MF Processo nº 10580.001247/200374 Acórdão n.º 9101004.008 CSRFT1 Fl. 16 15 imobilizado; que se não fossem classificáveis como redutora do imobilizado, as receitas seriam registráveis como redutora do ativo diferido, por serem auferidas durante a fase pré operacional; e que, sendo assim, tanto as despesas financeiras como as receitas financeiras não são apropriáveis em conta de resultado no anocalendário de 2002, não havendo lucro real nesse período de construção de bens do imobilizado e de fase préoperacional, de molde que o IRRF sobre as receitas financeiras se convola em saldo negativo de IRPJ. Com seu recurso especial, a PGFN contesta esse entendimento, defendendo que, mesmo na fase préoperacional na qual a entidade ainda não obteve receitas decorrentes de seu objeto social as receitas de outras origens, tais como as financeiras, devem sim ser reconhecidas quando realizadas, isto é, no período no qual a entidade adquiriu o direito ao seu recebimento, devendo, portanto, ser levadas à apuração do resultado e, conseqüentemente, à determinação do lucro real. O paradigma apresentado, Acórdão n° 120100.180, realmente serviu para a caracterização da divergência jurisprudencial, eis que essa decisão admite a possibilidade de apuração de resultado tributável na fase préoperacional (considerando as receitas de outras origens, ou seja, as financeiras e as nãooperacionais, que devem ser reconhecidas quando realizadas), enquanto que o acórdão recorrido generalizou o entendimento de que as receitas financeiras devem ser sempre ativadas (no ativo imobilizado ou no ativo diferido); que essas receitas não são apropriáveis em conta de resultado, e que, portanto, não há que se falar em resultado tributável na fase préoperacional. Visto isso, conheço do recurso, pois este preenche os requisitos de admissibilidade. Quanto ao mérito da questão jurídica a ser analisada, manifesto desde já minha concordância com o entendimento do paradigma, orientado pelo voto do Conselheiro Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, no sentido de que o diferimento legal está previsto especificamente para as despesas, e não para as receitas: Não há previsão legal, seja de natureza tributária seja de cunho comercial, para diferimento de receitas financeiras. São os recursos aplicados "em despesas que contribuirão para a formação do resultado de mais de um exercício social", nos termos da redação original do inciso V, art. 179, da Lei 6.404/76 (atualmente modificado pela Lei 11.638/2007), que devem ser diferidas. Isso decorre do princípio da competência, o qual se desmembra em dois princípios concretizadores: (1) o da realização da receita e (ii) o do confronto das despesas. As despesas só são reconhecidas quando confrontadas às respectivas receitas e não o contrário. Dessarte, os dispêndios que venham a contribuir para receitas futuras só poderão ser reconhecidos nos períodos de obtenção destas receitas. É em razão deste primado que há a previsão do diferimento de despesas na fase pré operacional. O mesmo não pode ser dito quanto a receitas. Estas devem ser reconhecidas no período de sua realização. Desse modo, mesmo na fase préoperacional, na qual a entidade ainda não obteve receitas decorrentes de seu objeto social, as receitas de outras origens, ou seja, as financeiras e as nãooperacionais, devem ser reconhecidas quando realizadas, vale dizer, no período no qual a entidade adquiriu o direito ao seu recebimento. Assim, não cabe devolução do saldo negativo de IRPJ decorrente do imposto de renda retido na fonte na fase préoperacional, se as respectivas receitas não foram declaradas. Fl. 528DF CARF MF Processo nº 10580.001247/200374 Acórdão n.º 9101004.008 CSRFT1 Fl. 17 16 O normal é que a empresa tenha mesmo despesas na fase préoperacional, as quais não poderiam ser confrontadas com receitas, já que ainda não há o exercício da atividade operacional. E essa é a razão maior para a possibilidade de diferimento das despesas, que vão contribuir para a obtenção de receitas futuras (e para a formação de resultados futuros). Mas o fato de dizermos que não há regra específica para o "diferimento" de receitas na fase préoperacional não significa dizer que haverá na fase préoperacional uma tributação isolada apenas sobre as receitas eventualmente auferidas (outras receitas que não provém da atividade operacional), sem possibilidade de confrontação destas com quaisquer despesas. Há situações em que, na fase préoperacional, poderá sim haver apuração de um resultado, que decorre justamente do confronto entre receitas e despesas. E isso está, inclusive, admitido tanto no paradigma, como na decisão de primeira instância exarada nos presentes autos (no caso, o confronto entre receitas financeiras e despesas financeiras). Também vale registrar que a Receita Federal, solucionando divergências em consultas por meio de sua CoordenaçãoGeral de Tributação Cosit, proferiu a Solução de Divergência nº 32 Cosit, de 21/07/2008, esclarecendo que, no caso de recursos classificáveis no ativo diferido, as receitas financeiras poderão ser confrontadas não apenas com as despesas financeiras, mas também com as despesas préoperacionais, tributandose apenas o excedente da receita financeira em relação a essas rubricas: As pessoas jurídicas tributadas com base no lucro real devem registrar no ativo diferido o saldo líquido negativo entre receitas e despesas financeiras, quando provenientes de recursos classificáveis no referido subgrupo. Sendo positiva, tal diferença diminuirá o total das despesas préoperacionais registradas. O eventual excesso remanescente deverá compor o lucro líquido do exercício. Contudo, o fato de ser possível realizar confrontação entre receitas e despesas na fase préoperacional ("apuração de resultado"), conforme esclarecido acima pela própria Receita Federal, não resolve toda a controvérsia instaurada nestes autos. É que nem toda despesa financeira deve ser contabilizada no ativo diferido. Nesse sentido, vale a pena destacar algumas considerações da decisão de primeira instância administrativa que foi proferida neste processo: 18. Quando a empresa ainda não entrou em fase de produção normal, do ponto de vista da técnica contábil, as despesas préoperacionais devem ser apropriadas em conta de ativo diferido e em conta de imobilizado devem ser registradas as aquisições em bens, conforme disposto no art. 179, da Lei 6.404, de 1972, in verbis: Art. 179. As contas serão classificadas do seguinte modo: [...] IV no ativo imobilizado: os direitos que tenham por objeto bens destinados à manutenção das atividades da companhia e da empresa, ou exercidas com essa finalidade, inclusive os de propriedade industrial ou comercial; Fl. 529DF CARF MF Processo nº 10580.001247/200374 Acórdão n.º 9101004.008 CSRFT1 Fl. 18 17 V no ativo diferido: as aplicações de recursos em despesas que contribuirão para a formação do resultado de mais de um exercício social, inclusive os juros pagos ou creditados aos acionistas durante o período que anteceder o início das operações sociais. [...] 20. O mencionado Manual de Contabilidade das Sociedades Por Ações afirma ainda na pagina 207 acerca do ativo imobilizado, verbis: O custo das unidades construídas deve incluir, além do custo dos minerais comprados, conforme item "a" acima, o da mãodeobra e seus encargos, própria ou de terceiros, e outros custos diretos e indiretos relacionados com a construção. Os juros sobre financiamento obtidos de terceiro para construção de bens do Ativo Imobilizado devem ser classificados no grupo de contas de origem, sendo amortizado de acordo com os prazos designados para a depreciação, amortização e exaustão, conforme itens I e II da Deliberação CVM nº 193/96, cujo texto é o que segue: "I Os juros incorridos e demais encargos financeiros, relativamente a financiamentos obtidos de terceiros, para construção de bens integrantes do ativo imobilizado (...), devem ser registrados em conta destacada, que evidencie a sua natureza, e classificados no mesmo grupo do ativo que lhe deu origem. II A alocação desses juros e encargos ao resultado do exercício deverá ser feita em consonância com os prazos de depreciação, amortização, exaustão ou baixa dos ativos financiados.” O item III da mesma deliberação ressalta que os juros a serem classificados no ativo são apenas os incorridos durante o período de construção ou produção do ativo: "III Os juros e encargos referidos no item I somente poderão ser ativados até o momento em que o ativo em construção ou produção estiver substancialmente completa e colocado em condições de uso... " E o fato de se poder classificar as despesas financeiras no ativo imobilizado ou no ativo diferido faz toda a diferença para o que está sendo aqui discutido. É importante perceber que de acordo com a sistemática traçada pela Receita Federal na referida Solução de Divergência nº 32 Cosit, e com a própria técnica contábil, o "resultado tributável" da fase préoperacional corresponde na verdade a um superávit (saldo credor) nas contas do ativo, na medida em que as eventuais receitas superam os valores lá lançados a débito. Vale novamente transcrever trechos da decisão de primeira instância administrativa: 19. Segundo Manual de Contabilidade das Sociedades Por Ações (FIPECAFI/USP, Sérgio de Iudícibus, Eliseu Martins e Ernesto Rubens Gelbcke, Editora Atlas S. Paulo, 2003, 6ª ed., p. 225), classificamse no Fl. 530DF CARF MF Processo nº 10580.001247/200374 Acórdão n.º 9101004.008 CSRFT1 Fl. 19 18 ativo diferido os resultados obtidos com o uso de ativos, sejam financeiros ou não, durante o período préoperacional, verbis: Faz parte do Ativo Diferido qualquer resultado eventual obtido com uso de ativos, sendo utilizados ou mantidos para emprego no empreendimento em andamento. Por exemplo, se a empresa aplica seus recursos financeiros ainda não utilizados e obtém receitas financeiras (ou de variações monetárias), deve considerar essas receitas como dedução das despesas financeiras lançadas no próprio Diferido; se suplantálas, deve deduzilas das outras despesas préoperacionais. De qualquer forma, tais receitas devem estar em conta especifica à parte, classificada como redução das despesas préoperacionais. ... Só não são tratados como redução (ou acréscimo) do Ativo permanente os resultados derivados de fatores não relacionados com a implantação das condições de funcionamento da empresa. Por exemplo, se ela vende um terreno que já possuía, sem relação com as obras em construção, não tratará o lucro ou prejuízo dessa alienação como integrante da fase préoperacional. Portanto, uma empresa em fase préoperacional não deveria ter uma Demonstração de Resultado nesse período; no máximo teria uma Demonstração de Transações Eventuais ou Demonstração de Resultados Préoperacionais, que serviria mais como evidenciação de valores acrescidos ao (ou deduzidos do) Ativo Diferido e da razão dessas alterações. Ocorre que o saldo acumulado no ativo imobilizado, que representa o próprio bem em construção, vai ser, via de regra, sempre maior que o valor acumulado no ativo diferido, e também sempre maior que eventuais receitas auferidas na fase préoperacional. Ou seja, quando confrontada com o ativo imobilizado, a receita financeira vai apenas ter o condão de reduzilo (reduzir o saldo devedor da conta), mas nunca vai reverter o valor do ativo (que é próprio bem em construção, no caso, uma Usina Hidrelétrica). E é justamente essa a linha de argumentação da contribuinte e do acórdão recorrido, no sentido de que, independentemente dos valores da receita financeira, não haverá resultado tributável, eis que essas receitas servirão somente para reduzir o valor do bem em construção (ativo imobilizado), produzindo os devidos efeitos tributários futuramente, quando se for apurar a depreciação desse bem (menor despesa de depreciação no futuro, de onde se extrai a ideia de uma receita diferida no tempo a menor despesa equivaleria a uma receita). Na base dessa linha de argumentação está o entendimento de que as receitas financeiras também deveriam ser contabilizadas no ativo imobilizado. Em síntese, o que a contribuinte defende é que se as despesas financeiras decorrentes do financiamento obtido para a construção dos bens do ativo imobilizado devem ser registradas como custo de aquisição desses bens (no ativo imobilizado), as receitas financeiras obtidas com a aplicação desses mesmos recursos também deveriam ser registradas no ativo imobilizado, como conta redutora desse custo de aquisição. Fl. 531DF CARF MF Processo nº 10580.001247/200374 Acórdão n.º 9101004.008 CSRFT1 Fl. 20 19 Já dissemos que não há norma legal prevendo diferimento para a tributação de receitas financeiras auferidas na fase préoperacional. E também não há norma legal definindo especificamente para a fase préoperacional a forma de escrituração e de apuração do resultado gerado por essas receitas. O que a legislação define como regra geral, é que a tributação do IRPJ obedeça o princípio da competência, ou seja, que o imposto seja "devido à medida em que os rendimentos, ganhos e lucros forem sendo auferidos" (RIR/1999, art. 218). Além disso, como visto acima, a ciência contábil é, de certo modo, vacilante a respeito do tema. Ao mesmo tempo em que ela trata da "apuração de resultado" via superávits no ativo diferido (as receitas financeiras seriam tributadas após serem confrontadas com as despesas financeiras e com as despesas préoperacionais), ela também orienta para que as despesas financeiras decorrentes do financiamento obtido para a construção dos bens do ativo imobilizado sejam registradas como custo de aquisição desses bens (no ativo imobilizado). Desde o início deste processo, a Contribuinte vem informando que havia registrado inicialmente as receitas e despesas financeiras no ativo diferido, e que depois passou a registrálos no ativo imobilizado, por recomendação de Auditores Independentes. Consta a seguinte informação nas contrarrazões que a contribuinte apresentou nesta fase do processo: Ainda, cumpre mencionar que, no anocalendário de 2001, o registro das despesas e receitas mencionadas foi feito no ativo diferido (procedimento este que também tem respaldo na técnica contábil, além de ter sido recomendado pelos Auditores Independentes da Recorrida), ao passo que, no anocalendário de 2002, voltouse a fazêlo no ativo imobilizado (também por orientação dos Auditores Independentes – doc. 04 anexo ao Recurso Voluntário). De qualquer forma, notese que, em termos fiscais, não há qualquer diferença entre a ativação no imobilizado ou no diferido. Não é correto afirmar que "não há qualquer diferença entre a ativação no imobilizado ou no diferido". Quando se trata do ativo diferido, é bem mais plausível pensar na apuração de "resultado tributável" a partir das receitas financeiras. Basta que elas superem as despesas financeiras e as despesas préoperacionais também lançadas naquela mesma conta, conforme já mencionado nos parágrafos precedentes. Considerando, então, essas diferentes possibilidades de contabilização (não só para as despesas financeiras, mas também para as receitas financeiras), e os efeitos tributários distintos que daí podem decorrer, seria muito importante que a contribuinte tivesse adotado critérios bem definidos, com a indicação precisa nos registros contábeis dessas receitas e despesas, para que se pudesse identificar se a natureza de cada uma delas é de ativo imobilizado ou de ativo diferido, e ainda para que se pudesse verificar os resultados negativos (prejuízos/déficits) que a contribuinte alega ter apurado. Não é razoável simplesmente presumir que todas as receitas e despesas financeiras decorreram apenas dos recursos tomados em empréstimo (e diretamente deles); que todas as receitas financeiras estavam vinculadas/destinadas exclusivamente à construção do bem imobilizado; e que tudo deveria ser resolvido no contexto dos valores do ativo Fl. 532DF CARF MF Processo nº 10580.001247/200374 Acórdão n.º 9101004.008 CSRFT1 Fl. 21 20 imobilizado. E nem é isso o que orienta o Manual FIPECAFI/USP, também citado pela contribuinte em suas peças de defesa. Tanto o é que esse manual expressamente prevê o tratamento de receitas financeiras "como dedução das despesas financeiras lançadas no próprio Diferido". Também não é razoável pensar que "não há qualquer diferença entre a ativação no imobilizado ou no diferido", ou seja, que independentemente da forma de contabilização, o resultado seria sempre negativo (deficitário), de modo que as antecipações se converteriam de qualquer forma em saldo negativo a ser restituído/compensado. Na peça de impugnação, a contribuinte alega que, caso as receitas e despesas financeiras fossem registradas em contas de resultado, ela teria apurado um prejuízo fiscal em torno de dezenove milhões em 2001, e de noventa e nove milhões em 2002: Ora, através de uma singela análise das demonstrações financeiras da impugnante, podese constatar que caso as receitas e despesas financeiras fossem registradas em contas de resultado, conforme intenção do Parecer e contrariando todas as normas contábeis, o efeito seria um prejuízo fiscal de R$ 19.069.108,27 (dezenove milhões sessenta e nove mil cento e oito reais e vinte e sete centavos) no ano calendário de 2001 e um prejuízo fiscal de R$ 99.518.593,51 (noventa e nove milhões quinhentos e dezoito mil quinhentos e noventa e três reais e cinqüenta e um centavos) no ano calendário de 2002, vez que as despesas financeiras são significativamente superiores às receitas financeiras. A referência a 2001 devese ao fato de a contribuinte ter reivindicado inicialmente saldo negativo também para esse período. Ocorre que essa primeira declaração (fls. 2/3) foi substituída pela Declaração de Compensação de fls. 30/32, onde só remanesceu a reivindicação do saldo negativo de 2002. Já no recurso voluntário, a contribuinte alega em relação aos mesmos períodos, um prejuízo fiscal em torno de 15 milhões para 2001, e de 16 milhões para 2002: Ora, se a Recorrente tivesse procedido segundo o entendimento da Turma Julgadora e levasse a resultado as receitas e despesas financeiras na medida em que elas tivessem sido auferidas/incorridas, ainda assim a Recorrente teria apurado, no anocalendário de 2001, um prejuízo fiscal no valor de R$ 15.424.495,28 (quinze milhões, quatrocentos e vinte e quatro mil, quatrocentos e noventa e cinco reais e vinte e oito centavos), e, no ano calendário de 2002, um prejuízo fiscal no valor de R$ 16.660.238,40 (dezesseis milhões, seiscentos e sessenta mil, duzentos e trinta e oito reais e quarenta centavos). Tal fato pode ser facilmente constatado por meio da análise do Livro Razão analítico da Recorrente. (docs. 05 e 06) Na fase de impugnação, a Delegacia de Julgamento entendeu que não havia comprovação das despesas financeiras e nem do resultado alegado, e, por isso, manteve a negativa em relação à compensação. No recurso voluntário, a contribuinte, como mencionado acima, alterou expressivamente o valor do alegado prejuízo (principalmente o de 2002, que é o que interessa aqui: passou de R$ 99.518.593,51 para R$ 16.660.238,40), e disse que esse prejuízo poderia ser facilmente constatado por meio da análise do Livro Razão analítico juntado aos autos. Fl. 533DF CARF MF Processo nº 10580.001247/200374 Acórdão n.º 9101004.008 CSRFT1 Fl. 22 21 O que a contribuinte vem sempre alegando é que as despesas financeiras são significativamente superiores às receitas financeiras. Mas o que esses registros indicam é uma conta de despesa financeira ("Juros s/ Financiamento") com débitos anuais em 2002 no montante de R$ 62.330.325,14 (efls. 108 do vol. 2), e uma conta de receita financeira ("Receita de Swap") que recebeu créditos no montante de R$ 213.828.899,53 para o mesmo período (efls. 121 do vol. 2). Essas receitas financeiras são maiores que as despesas financeiras. Há ainda uma conta de "Variações Cambiais Passivas", com débitos no montante de R$ 225.553.785,80 (efls. 115 do vol. 2), mas nenhum dos valores acima mencionados guarda correspondência com a planilha intitulada "Demonstração do Resultado Diferido", que a contribuinte apresentou na primeira instância administrativa (efls. 87 do vol. 1). É insustentável a afirmação de que os alegados prejuízos podem ser facilmente constatados por meio da análise do Livro Razão analítico que a contribuinte juntou aos autos. A contribuinte não apresentou documentos e nem demonstrativos capazes de dar embasamento às suas alegações. Importante lembrar que incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e da existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional, para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional. Diante de tudo o que se disse sobre as questões envolvendo a contabilização de despesas e receitas financeiras na fase préoperacional, e sobre a apuração de resultado gerado pelo confronto dessas rubricas, não há como reconhecer o direito creditório reivindicado, e nem como homologar a compensação. Finalmente, registro que a contribuinte alegou em sede de recurso voluntário que "não pode prosperar a cobrança dos juros moratórios mediante a utilização da Taxa Selic". Os argumentos foram desenvolvido no tópico do recurso intitulado "II.4 Da inaplicabilidade da Taxa Selic". Mas como foi dado provimento ao recurso voluntário da contribuinte, o exame dessa matéria restou prejudicado naquela instância. Tratase aqui de matéria exclusivamente de direito, sem necessidade de exame algum dos fatos do processo. Esta matéria já foi pacificada no âmbito do CARF, constando da Súmula CARF nº 4, podendo ser aplicada ao caso a teoria da causa madura; que autoriza a flexibilização do valor da "não supressão de instância". Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018). Fl. 534DF CARF MF Processo nº 10580.001247/200374 Acórdão n.º 9101004.008 CSRFT1 Fl. 23 22 Neste sentido é o precedente desta Turma; o Acórdão nº 9101002.754: ENTENDIMENTO SUMULAR. APLICAÇÃO DE OFÍCIO PELA CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS. PRESCINDIBILIDADE DE RETORNO DOS AUTOS PARA A TURMA A QUO. Considerando que o valor tutelado pelo retorno dos autos para a turma a quo é a supressão de instância, e diante da possibilidade de aplicação de súmula do CARF pela Câmara Superior de Recursos Fiscais, mostrase desnecessário o retorno dos autos para a turma a quo apreciar estritamente matéria sumulada. A instância anterior obrigatoriamente teria que aplicar o mesmo entendimento sumular e a decisão não poderia ser objeto de recurso especial. Procedimento de retorno aos autos teria como único efeito o prolongamento desnecessário do processo, em colisão com os princípios da eficiência, celeridade e economicidade. Desse modo, voto no sentido de DAR PROVIMENTO ao recurso especial da PGFN, para fins de restabelecer a negativa em relação à Declaração de Compensação de fls. 31/32, e aplicar, de ofício, a súmula CARF nº 4. Em síntese, voto por CONHECER do Recurso Especial; e, no mérito, por DARLHER provimento. (assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araujo Fl. 535DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13502.000086/2003-12
Turma: Segunda Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Thu Jun 04 00:00:00 UTC 2009
Ementa: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI
Período de apuração: 01/01/2001 a 31/03/2001
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. DÉBITO INEXISTENTE.
COBRANÇA INDEVIDA. CANCELAMENTO.
A declaração de compensação de débito inexistente não produz qualquer efeito, pouco importando se o crédito vinculado não estava disponível para a operação. Nestas condições, cancela-se a cobrança.
Recurso provido.
Numero da decisão: 2101-000.206
Decisão: ACORDAM os Membros da lª CÂMARA / 1ª TURMA ORDINÁRIA da SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade de votos, em dar provimento ao
recurso. Fez sustação oral, pela recorrente, o Dr. Danilo Bastos Paixão, OAB/BA 20749.
Matéria: IPI- processos NT- créd.presumido ressarc PIS e COFINS
Nome do relator: ANTONIO ZOMER
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DÉBITO INEXISTENTE. COBRANÇA INDEVIDA. CANCELAMENTO. A declaração de compensação de débito inexistente não produz qualquer efeito, pouco importando se o crédito vinculado não estava disponível para a operação. Nestas condições, cancela-se a cobrança. Recurso provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros da l' CÂMARA / l' TURMA ORDINÁRIA da SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. Fez s tação oral, pela recorrente, o Dr. Dani i 151-útos Paixão, OAB/BA 20749. 11.0" AI. MARCOS CANDIDO Pre ident fr ONI* OMER Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Maria Cristina Roza da Costa, Antônio Lisboa Cardoso, Antonio Carlos Atulim, Domingos de Sá Filho, Ivan Allegretti (Suplente) e Maria Teresa Martinez López. o • Processo n° 13502.00008612003-12 S2-CITI Acórdão n.° 2101-00.206 E. 227 Relatório Trata-se de declaração de compensação de débito de IPI, relativo ao período de apuração encerrado em 31/10/2001, com crédito presumido deste mesmo imposto, cujo ressarcimento foi solicitado no Processo n° 13502.000513/2001-09. A declaração foi apresentada em 24/01/2003. A DRF em Camaçari/BA não homologou a compensação, uma vez que o ressarcimento do crédito presumido havia sido indeferido, em vista de sua utilização dentro do livro de apuração do IPI. A decisão, constante do despacho decisório de fls. 21/22, da qual a contribuinte foi cientificada em 11/01/2008, fundamentou-se no despacho decisório proferido no processo relativo ao pedido de ressarcimento, juntado por cópia às fls. 13/20. Irresignada, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, alegando, em síntese, que: - a cobrança do débito não compensado não pode prosperar porque no Livro Registro de Apuração do IPI (fls. 57/60), no período em que teria sido apurado o suposto débito, houve saldo credor; - mesmo que se desconsidere a escrituração do crédito objeto do pedido de ressarcimento no Processo n° 13502.000513/2001-09, alusivo ao 2° trimestre de 2001, a requerente continua a ser detentora de saldo credor no período em referência; - ao formalizar o presente processo, a requerente não pretendeu declarar a compensação de um débito específico, apurado em determinado período, mas sim a compensação de débitos futuros, que surgiriam em sua escrita fiscal, no exato valor do crédito reclamado no processo de ressarcimento, procedimento evidentemente inadequado; - conseqüentemente, inexiste o suposto débito, o que, por si só, torna inviável a compensação, ante a ausência de objeto, devendo sua cobrança ser cancelada. A DRJ em Salvador/BA manteve a não-homologação da compensação, sem determinar a cobrança do débito que a empresa aduziu ser inexistente. A autoridade preparadora, ao intimar a empresa da decisão, apenas abriu-lhe o prazo de trinta dias para interposição de recurso ao Segundo Conselho de Contribuintes. No recurso voluntário, a empresa reedita as mesmas razões de defesa, junta • cópia do livro de IPI relativo aos períodos de apuração em foco, requerendo o cancelamento definitivo da cobrança do suposto débito ou a conversão do julgamento em diligência, para que o Auditor-Fiscal verifique in loco a veracidade de suas alegações. É o relatório. 2 Processo o 13502.000086/2003-12 S2-CITI Acórdão e.° 2101-00.206 Fl. 228 Voto Conselheiro ANTONIO ZOMER, Relator O recurso é tempestivo e cumpre os demais requisitos legais para ser admitido, pelo que dele tomo conhecimento. No recurso voluntário, o litígio resume-se ao requerimento de cancelamento da cobrança do débito indicado na declaração de compensação, sendo requerida a realização de diligência, se for preciso. O exame acurado dos documentos que compõem os autos não deixa dúvida de que o débito indicado para compensação não existe. A empresa pretendeu garantir a utilização do valor do ressarcimento pleiteado no Processo n° 13502.000513/2001-09, e para isto, utilizou-se da declaração de compensação. Daí porque o valor do suposto débito indicado neste processo coincide exatamente com o valor do ressarcimento solicitado naquele, como se pode confirmar nos documentos de fls. 01 e 03 destes autos. Na Dcomp, a empresa informou que o fato gerador correspondia ao 3° decêndio de outubro de 2001, porém declarou como data de vencimento o dia 10/11/2002. Esta última data foi a considerada pela Receita Federal para fazer o registro do referido débito em seus controles internos. Este vencimento corresponde ao 3° decét' Klio de outubro de 2002 e neste período também não foi apurado saldo devedor no livro de IPI (v. fl. 310 do Processo n° 13502.000294/2001-50, de interesse da mesma empresa, cujo recurso foi julgado nesta mesma sessão). Portanto, restando demonstrado que o débito apontado na declaração não existe, pouco importa o fato de que o pedido de ressarcimento do crédito utilizado na operação tenha sido indeferido em outro processo administrativo. Se inexiste o débito, indevida é a sua cobrança. Ante o exposto, e considerando que a recorrente não se insurgiu contra a não- homologação da compensação, dou provimento ao recurso, determinando o cancelamento da cobrança do débito indevidamente indicado na declaração de compensação de fl. 1. Sal., das; ssões, em 04 de junho de 2009. ‘‘)Sii i I 1, o NI • Y OMER 3 Page 1 _0065000.PDF Page 1 _0065200.PDF Page 1
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Numero do processo: 16004.001343/2008-57
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 12 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Mar 29 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2003, 2004
IMPOSTO DE RENDA. RESULTADO DA ATIVIDADE RURAL E DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. FATO GERADOR COMPLEXIVO, PERIÓDICO OU ANUAL. DECADÊNCIA. INEXISTÊNCIA.
1. Em relação aos rendimentos da atividade rural, prevê o art. 20 da Lei 9250/95 que o resultado da atividade rural será apurado por ocasião do encerramento do ano-calendário, isto é, em 31 de dezembro de cada ano.
2. Súmula CARF 38: O fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do ano-calendário.
IMPOSTO DE RENDA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. COMPROVAÇÃO DA ORIGEM. ÔNUS PROBATÓRIO DO SUJEITO PASSIVO.
O art. 42 da Lei 9.430/1996 cria um ônus em face do contribuinte, consistente em demonstrar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em conta de depósito ou de investimento mantida em instituição financeira. O consequente normativo resultante do descumprimento desse dever é a presunção de que tais recursos não foram oferecidos à tributação, tratando-se, pois, de receita ou rendimento omitido.
IMPOSTO DE RENDA. RESULTADO DA ATIVIDADE RURAL. FALTA DE ESCRITURAÇÃO DO LIVRO CAIXA. ARBITRAMENTO DA BASE DE CÁLCULO.
A falta da escrituração do Livro Caixa da Atividade Rural implicará arbitramento da base de cálculo à razão de vinte por cento da receita bruta do ano-calendário.
MULTA DE OFÍCIO. PREVISÃO LEGAL. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI TRIBUTÁRIA. INCOMPETÊNCIA DO CARF.
1. A multa de ofício tem como base legal o art. 44, inc. I, da Lei 9430/96, segundo o qual, nos casos de lançamento de ofício, será aplicada a multa de 75% sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição.
2. Súmula CARF 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Numero da decisão: 2402-007.055
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Denny Medeiros da Silveira - Presidente
(assinado digitalmente)
João Victor Ribeiro Aldinucci - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Denny Medeiros da Silveira, Luis Henrique Dias Lima, João Victor Ribeiro Aldinucci, Paulo Sergio da Silva, Wilderson Botto (Suplente Convocado), Mauricio Nogueira Righetti, Renata Toratti Cassini e Gregorio Rechmann Junior.
Nome do relator: JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2003, 2004 IMPOSTO DE RENDA. RESULTADO DA ATIVIDADE RURAL E DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. FATO GERADOR COMPLEXIVO, PERIÓDICO OU ANUAL. DECADÊNCIA. INEXISTÊNCIA. 1. Em relação aos rendimentos da atividade rural, prevê o art. 20 da Lei 9250/95 que o resultado da atividade rural será apurado por ocasião do encerramento do ano-calendário, isto é, em 31 de dezembro de cada ano. 2. Súmula CARF 38: O fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do ano-calendário. IMPOSTO DE RENDA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. COMPROVAÇÃO DA ORIGEM. ÔNUS PROBATÓRIO DO SUJEITO PASSIVO. O art. 42 da Lei 9.430/1996 cria um ônus em face do contribuinte, consistente em demonstrar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em conta de depósito ou de investimento mantida em instituição financeira. O consequente normativo resultante do descumprimento desse dever é a presunção de que tais recursos não foram oferecidos à tributação, tratando-se, pois, de receita ou rendimento omitido. IMPOSTO DE RENDA. RESULTADO DA ATIVIDADE RURAL. FALTA DE ESCRITURAÇÃO DO LIVRO CAIXA. ARBITRAMENTO DA BASE DE CÁLCULO. A falta da escrituração do Livro Caixa da Atividade Rural implicará arbitramento da base de cálculo à razão de vinte por cento da receita bruta do ano-calendário. MULTA DE OFÍCIO. PREVISÃO LEGAL. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI TRIBUTÁRIA. INCOMPETÊNCIA DO CARF. 1. A multa de ofício tem como base legal o art. 44, inc. I, da Lei 9430/96, segundo o qual, nos casos de lançamento de ofício, será aplicada a multa de 75% sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição. 2. Súmula CARF 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 13; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2003; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T2 Fl. 292 1 291 S2C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16004.001343/200857 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2402007.055 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 12 de março de 2019 Matéria IRPF. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA E RENDIMENTOS DA ATIVIDADE RURAL Recorrente JOSÉ CARLOS LEVY Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2003, 2004 IMPOSTO DE RENDA. RESULTADO DA ATIVIDADE RURAL E DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. FATO GERADOR COMPLEXIVO, PERIÓDICO OU ANUAL. DECADÊNCIA. INEXISTÊNCIA. 1. Em relação aos rendimentos da atividade rural, prevê o art. 20 da Lei 9250/95 que o resultado da atividade rural será apurado por ocasião do encerramento do anocalendário, isto é, em 31 de dezembro de cada ano. 2. Súmula CARF 38: O fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do ano calendário. IMPOSTO DE RENDA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. COMPROVAÇÃO DA ORIGEM. ÔNUS PROBATÓRIO DO SUJEITO PASSIVO. O art. 42 da Lei 9.430/1996 cria um ônus em face do contribuinte, consistente em demonstrar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em conta de depósito ou de investimento mantida em instituição financeira. O consequente normativo resultante do descumprimento desse dever é a presunção de que tais recursos não foram oferecidos à tributação, tratandose, pois, de receita ou rendimento omitido. IMPOSTO DE RENDA. RESULTADO DA ATIVIDADE RURAL. FALTA DE ESCRITURAÇÃO DO LIVRO CAIXA. ARBITRAMENTO DA BASE DE CÁLCULO. A falta da escrituração do Livro Caixa da Atividade Rural implicará arbitramento da base de cálculo à razão de vinte por cento da receita bruta do anocalendário. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 00 4. 00 13 43 /2 00 8- 57 Fl. 292DF CARF MF Processo nº 16004.001343/200857 Acórdão n.º 2402007.055 S2C4T2 Fl. 293 2 MULTA DE OFÍCIO. PREVISÃO LEGAL. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI TRIBUTÁRIA. INCOMPETÊNCIA DO CARF. 1. A multa de ofício tem como base legal o art. 44, inc. I, da Lei 9430/96, segundo o qual, nos casos de lançamento de ofício, será aplicada a multa de 75% sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição. 2. Súmula CARF 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira Presidente (assinado digitalmente) João Victor Ribeiro Aldinucci Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Denny Medeiros da Silveira, Luis Henrique Dias Lima, João Victor Ribeiro Aldinucci, Paulo Sergio da Silva, Wilderson Botto (Suplente Convocado), Mauricio Nogueira Righetti, Renata Toratti Cassini e Gregorio Rechmann Junior. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face de decisão que julgou parcialmente procedente a impugnação apresentada em face de lançamento suplementar de IRPF, constituído em face de suposta omissão de rendimentos da atividade rural e de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários, cuja origem não teria sido comprovada mediante a apresentação de documentação hábil e idônea. Segue a ementa da decisão: Anocalendário: 2003, 2004 DEPÓSITOS BANCÁRIOS. COMPROVAÇÃO. Na tributação por depósitos bancários a apuração de omissão de rendimentos prevê que os créditos sejam analisados individualmente. Assim, a comprovação de origem de recursos deve ser individualizada, com coincidência de datas e valores entre os depósitos e os fatos alegados. Fl. 293DF CARF MF Processo nº 16004.001343/200857 Acórdão n.º 2402007.055 S2C4T2 Fl. 294 3 ATIVIDADE RURAL Na apuração de resultados da Atividade rural, a falta de escrituração implica o seu arbitramento à razão de 20 % da receita bruta no anobase. MULTA QUALIFICADA. O lançamento de multa qualificada exige que a autoridade fiscalizadora traga elementos para os autos que provem a presença de elemento subjetivo na conduta do contribuinte de forma a demonstrar que este quis os resultados caracterizadores do intuito de fraude, ou mesmo que assumiu o risco de produzi los. Resumidamente, a DRJ reduziu a multa de ofício qualificada, de 150% para 75%, relativa à acusação de omissão de rendimentos da atividade rural, mantendo todas as demais acusações fiscais, inclusive a multa de 75% atinente à omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários sem comprovação de origem. Intimado da decisão em 11/08/2009, através de aviso de recebimento (fl. 258), o sujeito passivo interpôs recurso voluntário em 09/09/2009 (fls. 259 e seguintes), no qual acrescentou que o lançamento estaria parcialmente decaído e reiterou as seguintes teses de defesa: a documentação apresentada comprova que todo o valor objeto de sua movimentação bancária adveio da atividade rural, de forma que inexiste qualquer receita sem a comprovação de origem; os documentos anexados à impugnação comprovam que no ano de 2004 recebeu RS 151.169,99 da empresa Citrosuco e R$490.481,23 da empresa Cutrale, além do que, o recebimento do valor de R$209.615,12 por seu genitor Olimpio Levy foi por ele, impugnante, movimentada. as notas fiscais não coincidem com os extratos bancários porque foram emitidas no final do ano, enquanto os pagamentos foram feitos em períodos diferentes por força de contrato mantido com as empresas; o laudo técnico que anexa à peça impugnatória contém informações 'que atestam a produção das suas propriedades rurais à época, justificando a aferição de rendimentos, bem como comprovando que parte da produção era destinada ao mercado informal, o que justificaria eventual movimentação financeira remanescente no ano de 2004; Em relação à omissão de rendimentos da Atividade Rural, contesta o arbitramento efetuado para determinação do resultado tributável, afirmando que nos anos de 2003 e 2004 sofreu prejuízos decorrentes da grande estiagem sofrida na região nesses períodos. Por tal razão deixou de declarar a atividade rural nos respectivos exercícios, impugnando a base de Fl. 294DF CARF MF Processo nº 16004.001343/200857 Acórdão n.º 2402007.055 S2C4T2 Fl. 295 4 cálculo apurada, uma vez que é incompatível com os rendimentos auferidos. questiona a multa de ofício aplicada, requerendo a sua redução. Sem contrarrazões ou manifestação pela Procuradoria. É o relatório. Voto Conselheiro João Victor Ribeiro Aldinucci Relator 1 Conhecimento O recurso voluntário é tempestivo, visto que interposto dentro do prazo legal de trinta dias, e estão presentes os demais pressupostos de admissibilidade, de tal forma que deve ser conhecido. 2 Da decadência Tanto em relação à acusação de omissão de rendimentos da atividade rural, quanto em relação à omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, sustenta o recorrente ter havido decadência parcial, para que sejam excluídos os valores anteriores à 05/11/2003. Entretanto, a alegação de decadência deve ser rejeitada. O critério de determinação da regra decadencial aplicável (art. 150, § 4º ou art. 173, inc. I) é a existência de pagamento antecipado do tributo, ainda que parcial, mesmo que não tenha sido incluída na sua base de cálculo a rubrica ou o levantamento específico apurado pela fiscalização. Se o sujeito passivo antecipa o montante do tributo, mas em valor inferior ao efetivamente devido, o prazo para a autoridade administrativa manifestar se concorda ou não com o recolhimento tem início; em não havendo concordância, deve haver lançamento de ofício no prazo determinado pelo art. 150, § 4º, salvo a existência de dolo, fraude ou simulação, casos em que se aplica o art. 173, inc. I. Expirado o prazo, considerase realizada tacitamente a homologação pelo Fisco, de maneira que essa homologação tácita tem natureza decadencial. Nesse sentido, eis o entendimento do colendo Superior Tribunal de Justiça, em sede de recurso representativo de controvérsia: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, Fl. 295DF CARF MF Processo nº 16004.001343/200857 Acórdão n.º 2402007.055 S2C4T2 Fl. 296 5 DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial quinquenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs.. 163/210). 3. O dies a quo do prazo quinquenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs.. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs.. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs.. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. Fl. 296DF CARF MF Processo nº 16004.001343/200857 Acórdão n.º 2402007.055 S2C4T2 Fl. 297 6 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial quinquenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (REsp 973.733/SC, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 12/08/2009, DJe 18/09/2009) (destacouse) Neste caso concreto, a declaração de ajuste anual simplificada de fls. 8 e seguintes realmente registra a existência de recolhimento antecipado parcial no anocalendário 2003, mais especificamente a existência de imposto de renda retido na fonte do titular, retenção que caracteriza pagamento apto a atrair a aplicação da regra decadencial do art. 150, § 4º, do CTN, conforme preleciona a Súmula CARF 123: Súmula CARF nº 123: Imposto de renda retido na fonte relativo a rendimentos sujeitos a ajuste anual caracteriza pagamento apto a atrair a aplicação da regra decadencial prevista no artigo 150, §4º, do Código Tributário Nacional. No entanto, mesmo sendo aplicável a regra do art. 150, § 4º, não há decadência. Em relação à omissão de rendimentos da atividade rural, prevê o art. 20 da Lei 9250/95 que o resultado da atividade rural será apurado por ocasião do encerramento do anocalendário, isto é, em 31 de dezembro de cada ano. O § 2º desse mesmo artigo determina que o imposto deverá ser pago na data da ocorrência do fato gerador, o qual, por aquela razão, igualmente ocorre no dia 31 de dezembro. Antes do encerramento do anocalendário, não há como cogitarse da existência de efetiva renda disponível ao contribuinte. Vejase: Art. 20. O resultado decorrente da atividade rural, exercida no Brasil por residente ou domiciliado no exterior, apurado por ocasião do encerramento do anocalendário, constituirá a base de cálculo do imposto e será tributado à alíquota de quinze por cento. § 1° Na hipótese de que trata este artigo, a apuração do resultado deverá ser feita por procurador, a quem compete reter e recolher o imposto devido, não sendo permitidas a opção pelo arbitramento de vinte por cento da receita bruta e a compensação de prejuízos apurados. § 2° O imposto apurado deverá ser pago na data da ocorrência do fato gerador. § 3º Ocorrendo remessa de lucros antes do encerramento do anocalendário, o imposto deverá ser recolhido no ato sobre o valor remetido por ocasião do evento, exceto no caso de devolução de capital. O resultado da atividade rural, apurado na forma da Lei 8023/90, é a diferença entre os valores das receitas recebidas e das despesas incorridas no período certo de Fl. 297DF CARF MF Processo nº 16004.001343/200857 Acórdão n.º 2402007.055 S2C4T2 Fl. 298 7 um anocalendário, encerrado em 31 de dezembro, data em que a legislação considera a renda disponível e ocorrido o fato gerador. Vejase: Art. 4º Considerase resultado da atividade rural a diferença entre os valores das receitas recebidas e das despesas pagas no anobase. Art. 7º A base de cálculo do imposto da pessoa física será constituída pelo resultado da atividade rural apurada no ano base, com os seguintes ajustes: Pois bem. Quando o lançamento foi efetuado, em 12/11/2008, conforme aviso de recebimento de fl. 202, ainda não havia transcorrido tempo superior a cinco anos, contado do fato gerador ocorrido em 31/12/2003. No que se refere à omissão de rendimentos apurada com base em depósitos bancários, a conclusão é a mesma. Em se tratando de IRPF apurado com base em depósitos bancários de origem não comprovada, seu fato gerador ocorre no dia 31 de dezembro do anocalendário, conforme a Súmula CARF 38, tendo em vista que o imposto de renda é um tributo cujo fato gerador é igualmente anual, ainda que o valor das receitas ou dos rendimentos omitido seja considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. Vejase: Súmula CARF nº 38: O fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do anocalendário. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 383, de 12/07/2010, DOU de 14/07/2010). Alinhada com a doutrina, a jurisprudência tem reconhecido que o imposto de renda, em regra, tem seu fato gerador efetivamente concretizado em 31 de dezembro, o que se convencionou chamar de fato gerador complexivo ou periódico1 ainda que tal expressão seja criticada por parte da doutrina2. Vejase, nesse sentido, as seguintes decisões do STJ: TRIBUTÁRIO IMPOSTO DE RENDA LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO PAGAMENTO A MENOR INCIDÊNCIA DO ART. 150, § 4º, DO CTN FATO GERADOR COMPLEXIVO DECADÊNCIA AFASTADA. 1. Na hipótese de tributo sujeito a lançamento por homologação, quando o contribuinte constitui o crédito, mas efetua pagamento parcial, sem constatação de dolo, fraude ou simulação, o termo inicial da decadência é o momento do fato gerador. Aplicase exclusivamente o art. 150, § 4°, do CTN, sem a possibilidade de cumulação com o art. 173, I, do mesmo diploma (REsp 973.733/SC, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Seção, DJe 18/9/2009, submetido ao regime do art. 543C do CPC). 1 AMARO, Luciano. Direito tributário brasileiro. 14. ed. rev. São Paulo: Saraiva, 2008, p. 268/270. 2 SCHOUERI, Luís Eduardo. Direito tributário. 7. ed. São Paulo: Saraiva, 2017, p. 538. Fl. 298DF CARF MF Processo nº 16004.001343/200857 Acórdão n.º 2402007.055 S2C4T2 Fl. 299 8 2. O imposto de renda é tributo cujo fato gerador tem natureza complexiva. Assim, a completa materialização da hipótese de incidência de referido tributo ocorre apenas em 31 de dezembro de cada anocalendário. 3. Hipótese em que a renda auferida ocorreu em fevereiro de 1993 e o lançamento complementar se efetivou em 25/03/1998, o seja, dentro do prazo decadencial de 05 (cinco) anos, uma vez que este se findava apenas em 31/12/1998. Decadência afastada. 4. Agravo regimental não provido. (AgRg no AgRg no Ag 1395402/SC, Rel. Ministra ELIANA CALMON, SEGUNDA TURMA, julgado em 15/10/2013, DJe 24/10/2013) ......................................................................................................... TRIBUTÁRIO. OPERAÇÕES DE SWAP COM COBERTURA HEDGE. IMPOSTO DE RENDA. INCIDÊNCIA. LEI 9.779/99. [...] 3. Os fatos geradores específicos do imposto de renda são as várias situações descritas nas leis ordinárias, como, por exemplo, os rendimentos auferidos nas diversas modalidades de aplicações financeiras, podendo ser complexivos, quando se constituem em diversos fatos materiais sucessivos, que são geralmente tributados em conjunto, principalmente pelo regime de declaração de rendimentos, ainda que recolhidos antecipadamente. Por seu turno, há os fatos geradores simples, que se constituem de circunstâncias materiais isoladas, tributadas em separado, pelo regime na fonte, como por exemplo o imposto sobre Operações de Crédito, Câmbio e Seguro e o Imposto de Renda Retido na Fonte. [...] (REsp 859.022/RJ, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA TURMA, julgado em 19/02/2008, DJe 31/03/2008) Acrescentese, por fim, que passou despercebido ao recorrente que não houve apuração de imposto de renda sobre depósitos bancários em 2003, mas apenas em 2004, conforme se vê às fls. 198/199 do auto de infração, item 002 DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. Por tais razões, deve ser rejeitada a alegação de decadência. 3 Da origem dos rendimentos No tocante à comprovação da origem dos rendimentos, o recorrente alega o seguinte: a documentação apresentada comprova que todo o valor objeto de sua movimentação bancária adveio da atividade rural, de Fl. 299DF CARF MF Processo nº 16004.001343/200857 Acórdão n.º 2402007.055 S2C4T2 Fl. 300 9 forma que inexiste qualquer receita sem a comprovação de origem; os documentos anexados à impugnação comprovam que no ano de 2004 recebeu RS 151.169,99 da empresa Citrosuco e R$490.481,23 da empresa Cutrale, além do que, o recebimento do valor de R$209.615,12 por seu genitor Olimpio Levy foi por ele, impugnante, movimentada. as notas fiscais não coincidem com os extratos bancários porque foram emitidas no final do ano, enquanto os pagamentos foram feitos em períodos diferentes por força de contrato mantido com as empresas; o laudo técnico que anexa à peça impugnatória contém informações 'que atestam a produção das suas propriedades rurais à época, justificando a aferição de rendimentos, bem como comprovando que parte da produção era destinada ao mercado informal, o que justificaria eventual movimentação financeira remanescente no ano de 2004; Todavia, o art. 42 da Lei 9.430/1996 cria um ônus em face do contribuinte, consistente em demonstrar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em conta de depósito ou de investimento mantida em instituição financeira. O consequente normativo resultante do descumprimento desse dever é a presunção de que tais recursos não foram oferecidos à tributação, tratandose, pois, de receitas ou rendimentos omitidos. Tal disposição legal é de cunho eminentemente probatório e afasta a possibilidade de acatarse afirmações genéricas e imprecisas. A comprovação da origem, portanto, deve ser feita de forma minimamente individualizada, a fim de permitir a mensuração e a análise da coincidência entre as origens e os valores creditados em conta bancária. O § 3º do citado artigo, ao prever que os créditos serão analisados individualizadamente, corrobora a afirmação acima e não estabelece, para o Fisco, a necessidade de comprovar o acréscimo de riqueza nova por parte do fiscalizado. A título ilustrativo, segue o texto da regra: Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. §1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. §2º Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. Fl. 300DF CARF MF Processo nº 16004.001343/200857 Acórdão n.º 2402007.055 S2C4T2 Fl. 301 10 §3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: I os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; II no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$ 1.000,00 (mil reais), desde que o seu somatório, dentro do ano calendário, não ultrapasse o valor de R$ 12.000,00 (doze mil reais). (Vide Lei nº 9.481, de 19973) §4º Tratandose de pessoa física, os rendimentos omitidos serão tributados no mês em que considerados recebidos, com base na tabela progressiva vigente à época em que tenha sido efetuado o crédito pela instituição financeira. § 5o Quando provado que os valores creditados na conta de depósito ou de investimento pertencem a terceiro, evidenciando interposição de pessoa, a determinação dos rendimentos ou receitas será efetuada em relação ao terceiro, na condição de efetivo titular da conta de depósito ou de investimento.(Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) § 6o Na hipótese de contas de depósito ou de investimento mantidas em conjunto, cuja declaração de rendimentos ou de informações dos titulares tenham sido apresentadas em separado, e não havendo comprovação da origem dos recursos nos termos deste artigo, o valor dos rendimentos ou receitas será imputado a cada titular mediante divisão entre o total dos rendimentos ou receitas pela quantidade de titulares.(Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) O art. 4º da Lei 9.481/1997 alterou os valores a que se refere o inc. II do § 3º acima para R$ 12.000,00 e R$ 80.000,00, respectivamente. Na mesma toada, a Súmula CARF nº 614. A não comprovação da origem dos recursos viabiliza a aplicação da norma presuntiva, caracterizando tais recursos como receitas ou rendimentos omitidos. Destarte, e de acordo com a regra legal, não é que os depósitos bancários, por si só, caracterizam disponibilidade de rendimentos, mas sim os depósitos cujas origens não foram comprovadas em processo regular de fiscalização. Expressandose de outra forma, o sujeito passivo pode comprovar que o recurso é atinente a venda de imóveis ou recebimento de prólabore e lucros, etc. Não o fazendo, aplicase o consequentemente normativo da presunção, com a consequente 3 Art. 4º Os valores a que se refere o inciso II do § 3º do art. 42 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, passam a ser de R$ 12.000,00 (doze mil reais) e R$ 80.000,00 (oitenta mil reais), respectivamente. 4 Súmula CARF nº 61: Os depósitos bancários iguais ou inferiores a R$ 12.000,00 (doze mil reais), cujo somatório não ultrapasse R$ 80.000,00 (oitenta mil reais) no anocalendário, não podem ser considerados na presunção da omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, no caso de pessoa física. Fl. 301DF CARF MF Processo nº 16004.001343/200857 Acórdão n.º 2402007.055 S2C4T2 Fl. 302 11 constituição do crédito tributário dela decorrente. O verbete sumular CARF 26 preceitua o seguinte: Súmula CARF nº 26: A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. O Superior Tribunal de Justiça reconhece a legalidade do imposto cobrado com base no art. 42, como se vê no precedente abaixo: TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL. ALEGAÇÕES GENÉRICAS DE OFENSA AO ART. 535 DO CPC. SÚMULA 284/STF. IMPOSTO DE RENDA. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ART. 42 DA LEI 9.430/1996. LEGALIDADE. DECADÊNCIA. TERMO INICIAL. AUSÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. INCIDÊNCIA DO ART. 173, I, DO CTN. [...] 4. A jurisprudência do STJ reconhece a legalidade do lançamento do imposto de renda com base no art. 42 da Lei 9.430/1996, tendo assentado que cabe ao contribuinte o ônus de comprovar a origem dos recursos a fim de ilidir a presunção de que se trata de renda omitida (AgRg no REsp 1.467.230/RS, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe 28.10.2014; AgRg no AREsp 81.279/MG, Rel. Ministro Humberto Martins, Segunda Turma, DJe 21.3.2012). [...] (AgRg no AREsp 664.675/RN, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em 05/05/2015, DJe 21/05/2015) Mais ainda, aquele Tribunal Superior vem consignando a inaplicabilidade da Súmula 182/TRF, que preconizava a ilegitimidade do imposto lançado com base em extratos bancários (EDcl no AgRg no REsp 1343926/PR, Rel. Ministro HUMBERTO MARTINS, SEGUNDA TURMA, julgado em 04/12/2012, DJe 13/12/2012 e REsp 792.812/RJ, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA TURMA, julgado em 13/03/2007, DJ 02/04/2007, p. 242). Neste caso concreto, e alinhado com as conclusões da DRJ, entendo que o recorrente não demonstrou, de forma minimamente individualizada, que os depósitos, cuja origem a fiscalização entendeu não ter sido comprovada, realmente seriam oriundos das fontes indicadas no recurso, tampouco de seu genitor Olimpio Levy. A contrario sensu, e conforme se observa no termo de constatação de irregularidade fiscal, os depósitos cujas origens realmente foram identificadas como sendo da atividade rural foram considerados como tal, inclusive para submetêlos às normas específicas de tal atividade. Logo, e também neste ponto, deve ser negado provimento ao recurso. Fl. 302DF CARF MF Processo nº 16004.001343/200857 Acórdão n.º 2402007.055 S2C4T2 Fl. 303 12 4 Da omissão de rendimentos da atividade rural Neste particular, o recorrente afirma o seguinte: Em relação à omissão de rendimentos da Atividade Rural, contesta o arbitramento efetuado para determinação do resultado tributável, afirmando que nos anos de 2003 e 2004 sofreu prejuízos decorrentes da grande estiagem sofrida na região nesses períodos. Por tal razão deixou de declarar a atividade rural nos respectivos exercícios, impugnando a base de cálculo apurada, uma vez que é incompatível com os rendimentos auferidos. Entretanto, a fiscalização somente realizou o arbitramento da base de cálculo do imposto, à razão de vinte por cento da receita bruta do anocalendário, porque o recorrente não escriturou o Livro Caixa da Atividade Rural, situação que se amolda perfeitamente à previsão do § 2º do art. 18 da Lei 9250/95: Art. 18. O resultado da exploração da atividade rural apurado pelas pessoas físicas, a partir do anocalendário de 1996, será apurado mediante escrituração do Livro Caixa, que deverá abranger as receitas, as despesas de custeio, os investimentos e demais valores que integram a atividade. § 1º O contribuinte deverá comprovar a veracidade das receitas e das despesas escrituradas no Livro Caixa, mediante documentação idônea que identifique o adquirente ou beneficiário, o valor e a data da operação, a qual será mantida em seu poder à disposição da fiscalização, enquanto não ocorrer a decadência ou prescrição. § 2º A falta da escrituração prevista neste artigo implicará arbitramento da base de cálculo à razão de vinte por cento da receita bruta do anocalendário. § 3º Aos contribuintes que tenham auferido receitas anuais até o valor de R$ 56.000,00 (cinqüenta e seis mil reais) facultase apurar o resultado da exploração da atividade rural, mediante prova documental, dispensado o registro do Livro Caixa. Nem na impugnação, nem no recurso, o recorrente apresentou avaliação contraditória que pudesse desmerecer o trabalho da fiscalização, baseandose, ao contrário, em meras alegações. Logo, o recurso voluntário deve ser desprovido a esse respeito. 5 Da multa de ofício O recurso voluntário deve ser igualmente desprovido em relação ao pedido de redução da multa de ofício. É que a multa aplicada ao recorrente tem como base legal o art. 44, inc. I, da Lei 9430/96, segundo o qual, nos casos de lançamento de ofício, será aplicada a multa de 75% sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição. Vejase: Fl. 303DF CARF MF Processo nº 16004.001343/200857 Acórdão n.º 2402007.055 S2C4T2 Fl. 304 13 Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas:(Vide Lei nº 10.892, de 2004) (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata;(Vide Lei nº 10.892, de 2004)(Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) Não há qualquer previsão legal para sua redução, nos moldes pleiteados no recurso, e este Conselho não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Vejase, nesse sentido, a Súmula CARF 2: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Isto é, a verificação de que a norma implicaria infringência ao desenho constitucional da exação tributária exacerba a competência originária desta Corte administrativa, que é a de órgão revisor dos atos praticados pela Administração, bem como invade competência atribuída especificamente ao Judiciário pela Constituição Federal, negandose provimento ao recurso neste particular. 6 Conclusão Diante do exposto, voto no sentido de conhecer e negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) João Victor Ribeiro Aldinucci Fl. 304DF CARF MF
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Numero do processo: 10120.004235/2005-81
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Feb 20 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Apr 11 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2004
CRÉDITO PRESUMIDO DA AGROINDÚSTRIA. COMPENSAÇÃO COM OUTROS TRIBUTOS ADMINISTRADOS PELA SECRETARIA DA RECEITA FEDERAL OU RESSARCIMENTO EM ESPÉCIE. IMPOSSIBILIDADE.
O crédito presumido da agroindústria previsto no art. 8º e 15 da Lei nº 10.925/2004 não se confunde com o crédito previsto no art. 3º das Leis n.º 10.637/2002 e 10.833/2003, ficando restrito o seu aproveitamento à compensação mediante abatimento das próprias contribuições para o PIS e a COFINS.
Numero da decisão: 9303-008.052
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidos os Conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito e Érika Costa Camargos Autran, que lhe deram provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Vanessa Marini Cecconello - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: VANESSA MARINI CECCONELLO
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COMPENSAÇÃO COM OUTROS TRIBUTOS ADMINISTRADOS PELA SECRETARIA DA RECEITA FEDERAL OU RESSARCIMENTO EM ESPÉCIE. IMPOSSIBILIDADE. O crédito presumido da agroindústria previsto no art. 8º e 15 da Lei nº 10.925/2004 não se confunde com o crédito previsto no art. 3º das Leis n.º 10.637/2002 e 10.833/2003, ficando restrito o seu aproveitamento à compensação mediante abatimento das próprias contribuições para o PIS e a COFINS. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negarlhe provimento, vencidos os Conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito e Érika Costa Camargos Autran, que lhe deram provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Vanessa Marini Cecconello Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 00 42 35 /2 00 5- 81 Fl. 504DF CARF MF Processo nº 10120.004235/200581 Acórdão n.º 9303008.052 CSRFT3 Fl. 505 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas. Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pela Contribuinte GOIÁS CARNE COOPERATIVA DOS PRODUTORES AGROPECUÁRIOS DE GOIÁS LTDA., com fulcro no art. 67, do Anexo II, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 256/2009, vigente à época da sua interposição, buscando a reforma do Acórdão n.º 3101001.256, que negou provimento ao recurso voluntário, cujos fundamentos foram sintetizados na seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2004 Crédito Presumido. Estoque de Abertura O crédito presumido sobre o estoque de abertura, passível de dedução da base de cálculo da Cofins, segundo a legislação tributária de regência, será calculado à alíquota de três por cento. Base de Cálculo. Ajustes. Na apuração da base de cálculo da contribuição para PIS e da Cofins, a dedução da sobra é aquela apurada na Demonstração do Resultado do Exercício, no fim do anocalendário, Crédito Presumido. Compensação. Impossibilidade A legislação tributária de regência expressamente prevê que o crédito presumido apurado com base no custo de aquisição serve apenas para dedução do valor devido da Cofins, veda a compensação com débitos tributários próprios. (grifouse) Não resignada com a decisão, a Contribuinte suscita divergência jurisprudencial quanto à exclusão do saldo credor a ressarcir do valor correspondente ao crédito presumido das agroindústrias previsto na Lei nº 10.925/04. Para comprovar o Fl. 505DF CARF MF Processo nº 10120.004235/200581 Acórdão n.º 9303008.052 CSRFT3 Fl. 506 3 dissenso, apresentou como paradigma o Acórdão n.º 3102001.726. Nas suas razões recursais, sustenta, em síntese que deve prevalecer o entendimento do acórdão paradigma, reconhecendo que o Contribuinte que tem direito ao crédito presumido da atividade agroindustrial previsto na Lei n.º 10.925/04 pode utilizar referidos valores para ressarcimento ou compensação com outros tributos ou contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, desde que tais créditos tenham sido apurados em relação a custos, despesas e encargos vinculados à receita de exportação. Foi admitido o recurso especial da Contribuinte por meio do despacho s/nº, de 09/07/2015, proferido pelo ilustre Presidente da 1ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento, por entender comprovada a divergência jurisprudencial pois: enquanto no acórdão recorrido o Colegiado entendeu que o crédito presumido apurado com base no custo de aquisição serve apenas para dedução do valor devido da COFINS, vedada a compensação com débitos tributários próprios; no acórdão paradigma, foi consignada posição de que o Contribuinte que faz jus ao crédito presumido da atividade agroindustrial previsto na Lei n.º 10.925/2004, tem direito à utilização dos valores correspondentes como ressarcimento ou compensação com outros tributos ou contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal. A Fazenda Nacional, devidamente cientificada, apresentou contrarrazões requerendo a negativa de provimento do recurso especial. O presente processo foi distribuído a essa Relatora, estando apto a ser relatado e submetido à análise desta Colenda 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais 3ª Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. É o Relatório. Voto Conselheira Vanessa Marini Cecconello, Relatora Admissibilidade O recurso especial de divergência interposto pela Contribuinte atende aos requisitos de admissibilidade constantes no art. 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015 (anteriormente Portaria MF n.º 256/2009), devendo, portanto, ter prosseguimento. Fl. 506DF CARF MF Processo nº 10120.004235/200581 Acórdão n.º 9303008.052 CSRFT3 Fl. 507 4 Mérito No mérito, gravita a controvérsia em torno da pretensão da Contribuinte de ver reconhecido o direito ao ressarcimento em espécie ou por meio de compensação com outros tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal, do crédito presumido da agroindústria das contribuições do PIS e da COFINS, instituído pelo art. 8º da Lei n.º 10.925/2004, com redação da Lei n.º 11.051/2004, apurado sobre os insumos vinculados à receita de exportação. O tema foi objeto de apreciação por este Colegiado em outras oportunidades, a exemplo dos julgados que resultaram nos Acórdãos n.º 9303005.815, de 17 de outubro de 2017 e 9303007.593, de 20 de novembro de 2018. Naquelas ocasiões, esta Relatora acompanhou a bem fundamentada posição segundo a qual haveria a possibilidade de compensação ou ressarcimento em espécie do crédito da agroindústria, com respaldo nas Leis n.º 12.058/09 e 12.350/10, bem como no art. 16 da Lei n.º 11.116/05. Ocorre que, analisando mais detidamente o disposto no art. 8º da Lei n.º 10.925/2004, chegase à conclusão diversa da anteriormente externada por esta Conselheira, que passa a se filiar à posição da maioria do Colegiado pela impossibilidade de ressarcimento em espécie ou compensação com outros tributos administrados pela SRF, com fulcro nos fundamentos lançados no voto vencedor do Ilustre Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal no Acórdão n.º 9303007.594, in verbis: [...] Quanto ao ressarcimento/compensação do saldo credor do crédito presumido da agroindústria, ora reclamado, embora o julgamento desta matéria tenha ficado prejudicado, em virtude do não reconhecimento do direito de o contribuinte aproveitar tais créditos, demonstrase, a seguir, a falta de amparo legal para o seu ressarcimento/compensação. O crédito presumido da agroindústria referente ao PIS e à Cofins foi inicialmente instituído pela Lei nº 10.833, de 29/12/2003, art. 3º, § 11, foi extinto pela Lei nº 10.925, de 23/07/2004, art. 16, convertida da MP nº 183, de 30/4/2004. Contudo, esta mesma lei o reinstituiu, nos termos do art. 8º, já citado e transcrito anteriormente, e art. 15, que assim dispõe: "Art. 15. As pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, que produzam mercadorias de origem vegetal, classificadas no código 22.04, da NCM, poderão deduzir da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, devidas em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens referidos no inciso II do caput do art. 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física. (destaque não original) [...]." Fl. 507DF CARF MF Processo nº 10120.004235/200581 Acórdão n.º 9303008.052 CSRFT3 Fl. 508 5 Ora, segundo o disposto nos art. 8º e 15, citados e transcritos anteriormente, o crédito presumido da agroindústria somente pode ser utilizado para a dedução da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, devidas em cada período de apuração, inexistindo previsão legal para o ressarcimento/compensação. Com efeito, não é despiciendo reiterar que a compensação e o ressarcimento admitidos pelo art. 6º da Lei n° 10.833, de 2003, contemplam unicamente aos créditos apurados na forma do art. 3º daquela lei, assim dispondo: "Art. 6º A Cofins não incidirá sobre as receias decorrentes das operações de: [...]; § 1º Na hipótese deste artigo, a pessoa jurídica vendedora poderá utilizar o crédito apurado na forma do art 3º, para fins de: (destaque não original) [...]." Neste diapasão, a IN SRF nº 600, de 28 de dezembro de 2005, dispõe em seu art. 21: “Art. 21. Os créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurados na forma do art. 3º da Lei nº 10.637. de 30 de dezembro de 2002. e do art. 3º da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, que não puderem ser utilizados na dedução de débitos das respectivas contribuições, poderão sêlo na compensação de débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições de que trata esta Instrução Normativa, se decorrentes de: (destaque não original) [...].” Segundo, estes dispositivos legais, apenas os créditos apurados na forma do art. 3º das Leis nºs 10.637, de 2002, e 10.833, de 2003, podem ser objeto de pedido de restituição/compensação, ou seja, os créditos sobre insumos adquiridos com incidência da contribuição cujo ônus do pagamento efetivo é do adquirente. Os créditos presumidos da agroindústria não são apurados na forma daquele artigo, mas sim nos termos do art. 8º, § 3º da Lei nº 10.925, de 23/07/2004. Já suas utilizações estão previstas no próprio art. 8º e no art. 15, desta mesma lei, citados e transcritos anteriormente, ou seja, podem ser utilizados apenas e tão somente para dedução da contribuição devida em cada período de apuração. Diante do exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso especial do contribuinte, quanto ao aproveitamento de crédito presumido da agroindústria, a título de PIS e Cofins, e, consequentemente, não reconhecer o seu direito ao ressarcimento/compensação de tais créditos. [...] Fl. 508DF CARF MF Processo nº 10120.004235/200581 Acórdão n.º 9303008.052 CSRFT3 Fl. 509 6 (grifouse) Nessa esteira, a posição adotada no presente voto espelha a jurisprudência das duas Turmas da Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça, consoante se depreende das ementas do Recurso Especial n.º 1.118.011/SC, de Relatoria do Ministro Benedito Gonçalves; do Recurso Especial n.º 1.240.954/RS, de Relatoria do Ministro Mauro Campbell Marques e do Recurso Especial n.º 1.233.876/RS, de Relatoria do Ministro Herman Benjamin, in verbis: TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. MANDADO DE SEGURANÇA. COMPENSAÇÃO. CRÉDITOS PRESUMIDOS DECORRENTES DA LEI 10.925/04 COM QUAISQUER TRIBUTOS ADMINISTRADOS PELA SECRETARIA DA RECEITA FEDERAL. CRÉDITOS NÃO PREVISTOS NA NORMA LEGAL AUTORIZADORA. ART. 11 DA LEI 11.116/05. DIREITO LÍQUIDO E CERTO NÃO EVIDENCIADO. 1. Recurso especial interposto nos autos de mandado de segurança, impetrado pela contribuinte com objetivo de ver reconhecido o direito de compensar seus créditos presumidos de PIS e de COFINS, oriundos da Lei 10.925/04, com quaisquer tributos administrados pela Receita Federal, nos termos do art. 16 da Lei 11.116/05. Aduz que são ilegais os atos regulamentares do Poder Executivo (Ato Interpretativo Declaratório 15/2005 e a Instrução Normativa SRF 660/2006) que se contrapõem a essa pretensão. 2. O direito à compensação tributária deve ser analisado à luz do princípio da legalidade estrita, em conformidade com o que dispõe o art. 170 do CTN: "A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública". Precedentes: AgRg no Ag 1.207.543/PR, de minha relatoria, PRIMEIRA TURMA, DJe 17/06/2010; AgRg no AgRg no REsp 1012172/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Turma, DJe 11/5/2010; AgRg no REsp 965.419/RS, Rel. Ministro Francisco Falcão, Primeira Turma, DJe 5/3/2008. 3. Dispõe o art. 16, inciso I, da Lei 11.116/05: "O saldo credor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurado na forma do art. 3º das Leis 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e do art. 15 da Lei nº 10.865, de 30 de abril de 2004, acumulado ao final de cada trimestre do anocalendário em virtude do disposto no art. 17 da Lei nº 11.033, de 21 de dezembro de 2004, poderá ser objeto de: I compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria". 4. A compensação autorizada pelo art. 16 da Lei 11.116/05 não contempla a utilização dos créditos presumidos disciplinados na Lei 10.925/04, o que, por si só, à luz do art. 170 do CTN, afasta o direito líquido e certo vindicado nesta impetração. Fl. 509DF CARF MF Processo nº 10120.004235/200581 Acórdão n.º 9303008.052 CSRFT3 Fl. 510 7 5. Além disso, a concessão de créditos presumidos pela Lei 10.925/04 tem por escopo a redução da carga tributária incidente na cadeia produtiva dos alimentos, na medida em que a venda de bens por pessoa física ou por cooperado pessoa física para a impetrante (cerealista) não sofre a tributação do PIS e da COFINS, ou seja, dessa operação, pela sistemática da não cumulatividade, não há, efetivamente, tributo devido para a adquirente se creditar. 6. Essa finalidade é suficiente para diferenciar esses créditos presumidos daqueles expressamente admitidos pela Lei 11.116/05, os quais são efetivamente existentes, por decorrerem da sistemática da não cumulatividade prevista nas Leis 10.637/02, 10.833/03 e 10.865/04. Aliás, a Lei 10.637/02 (com redação incluída pela Lei 10.865/04), em seu art. 3º, § 2º, inciso II, exclui de sua sistemática o crédito derivado "da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição". 7. Ademais, a própria Lei 10.925/04, em seus arts. 8º e 15, só prevê a utilização desses créditos presumidos para o desconto daquilo que for devido de PIS e de COFINS. 8. Portanto, os atos regulamentares expedidos pelo Poder Executivo ora impugnados pela recorrente, ao impedirem a compensação ora postulada, não inovaram no plano normativo nem contrariaram o disposto no art. 16 da Lei 11.116/05, mas, apenas explicitaram vedação que, como visto, já estava contida na legislação tributária vigente. 9. Recurso especial não provido. (REsp 1118011/SC, Rel. Ministro BENEDITO GONÇALVES, PRIMEIRA TURMA, julgado em 24/08/2010, DJe 31/08/2010) (grifouse) TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. CRÉDITO PRESUMIDO. ART 8º DA LEI N. 10.925/2004. ATO DECLARATÓRIO INTERPRETATIVO SRF 15/05. ILEGALIDADE INEXISTENTE. 1. Ambas as Turmas integrantes da Primeira Seção desta Corte Superior firmaram entendimento no sentido de que o ato declaratório interpretativo SRF 15/05 não inovou no plano normativo, mas apenas explicitou vedação que já estava contida na legislação tributária vigente. 2. Precedentes: REsp 1233876/RS, Rel. Min. Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe 1.4.2011; e REsp 1118011/SC, Rel. Min. Benedito Gonçalves, Primeira Turma, DJe 31.8.2010. 3. Recurso especial não provido. (REsp 1240954/RS, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 14/06/2011, DJe 21/06/2011) Fl. 510DF CARF MF Processo nº 10120.004235/200581 Acórdão n.º 9303008.052 CSRFT3 Fl. 511 8 PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. CRÉDITO PRESUMIDO DO PIS E COFINS. LEI 10.925/2004. POSSIBILIDADE DE COMPENSAÇÃO COM OUTROS TRIBUTOS ADMINISTRADOS PELA RECEITA FEDERAL. VEDAÇÃO IMPOSTA PELO ATO DECLARATÓRIO INTERPRETATIVO SRF 15/05. ILEGALIDADE INEXISTENTE. 1. Não se confunde o crédito presumido instituído pelos arts. 8º e 15 da Lei 10.925/2004 com o resultante do art. 3º das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003. 2. O primeiro representa benefício fiscal concedido exclusivamente para o fim de dedução das contribuições ao PIS e à Cofins devidas pelas empresas que atuam no setor alimentício. 3. De modo diverso, o outro saldo credor tem origem na aplicação da sistemática da nãocumulatividade, e em tal hipótese a compensação é expressamente autorizada pelo art. 16 da Lei 11.116/2005, por força das vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota zero ou nãoincidência das contribuição ao PIS e à Cofins. 4. Inexistindo, ademais, norma autorizativa (art. 170 do CTN), concluise que o ato interpretativo do Fisco não extrapolou os limites do art. 8º da Lei 10.925/2004. Precedente do STJ. 5. Recurso Especial não provido. (REsp 1233876/RS, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em 15/03/2011, DJe 01/04/2011) (grifouse) Diante do exposto, negase provimento ao recurso especial do Contribuinte. É o voto. (assinado digitalmente) Vanessa Marini Cecconello Fl. 511DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11020.001404/2009-45
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 17 00:00:00 UTC 2012
Ementa: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE - SIMPLES
Exercício: 2005, 2006
EXCLUSÃO. PRATICA REITERADA DE INFRAÇÃO.
Embora seja dificil estabelecer teoricamente o que seja "prática reiterada de infração da legislação tributária", é possível verificar se em um caso em concreto ocorre ou não a prática reiterada de infração.
EXCLUSÃO. EXCLUSÃO RETROATIVA.
0 fato do ato de exclusão produzir efeitos desde o mês em que se verifique a prática reiterada de infração a legislação tributária, não significa que se trate de exclusão retroativa, mas sim de mera declaração da exclusão ocorrida no mês em que se caracteriza a causa excludente.
Numero da decisão: 1101-000.657
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, foi NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário
Matéria: Simples- proc. que não versem s/exigências cred.tributario
Nome do relator: CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUERREIRO
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PRATICA REITERADA DE INFRAÇÃO. Embora seja dificil estabelecer teoricamente o que seja "prática reiterada de infração da legislação tributária", é possível verificar se em um caso em concreto ocorre ou não a prática reiterada de infração. EXCLUSÃO. EXCLUSÃO RETROATIVA. 0 fato do ato de exclusão produzir efeitos desde o mês em que se verifique a prática reiterada de infração a legislação tributária, não significa que se trate de exclusão retroativa, mas sim de mera declaração da exclusão ocorrida no mês em que se caracteriza a causa excludente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, foi NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. VALMAR E MENEZES - Presidente. CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUERREIRO - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Benedicto Celso Benicio Júnior, Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro, Edeli Pereira Bessa, José Ricardo da Processo n° 11020.001404/2009-45 SI-CITI Acórdão n.° 1101-00.657 Fl. 2.479 Silva (vice-presidente), Nara Cristina Takeda Taga, e Valmar Fonseca de Menezes (presidente da turma). Relatório Trata-se de recurso voluntário contra decisão que considerou improcedente manifestação de inconformidade apresentada em razão de exclusão do Simples. Conforme relatório de auditoria fiscal (proc. fls. 57 a 76), foi efetuada fiscalização no período de novembro de 2005 a dezembro de 2006. 0 relatório diz que a atividade da fiscalizada é comércio varejista especializado em equipamentos e suprimentos de informática e que, no período fiscalizado, a empresa estava no Simples. Informa que a motivação da auditoria foi representação (proc. fls. 262 a 271) feita pela fiscalização aduaneira. que identificou as seguintes infrações: venda de bens com fornecimento de nota fiscal de terceiros; emissão de notas fiscais calçadas, com adulteração de prego e mercadorias; falta de emissão de notas fiscais de venda. Diz que o contribuinte foi intimado a apresentar livros e documentos, mas que s6 atendeu parcialmente, mesmo tendo sido reintimado. Explica que buscou informações junto as empresas cujas notas teriam sido utilizadas pela fiscalizada e constatou que as notas em poder dos clientes da fiscalizada eram adulteradas. Ou seja, constatou que a fiscalizada havia falsificado talondrio de terceiros e forneceu como documento lastro a seus cliente. Indica que apurou que o montante de omissão decorrente desta prática foi de R$ 106.310,80. Esclarece que confirmou que a fiscalizada usava notas calçadas, pela comparação das vias cativas com as vias dos clientes, e que os livros de saída registravam os valores a menor constantes das vias cativas. Informa que identificou 111 notas calçadas, que implicaram em uma omissão de receita de R$ 387.507,59. Confirma que a empresa não declarava suas vendas na integralidade e que circularização feita nos clientes identificaram que 233 notas deixaram de ser emitidas, sendo emitido apenas os pedidos. 0 montante de receitas omitidas por falta de emissão de nota foi de R$ 561.636,45. Informa que a empresa também registrava nas suas notas e livros valores menores que os vendidos e que o montante omitido por este meio foi de R$ 144.613,50. Adiciona que a comparação de pedidos com notas fiscais informam mais R$ 44.504,40 de receitas omitidas. A fiscalização informa que, em razão da prática reiterada de infração à legislação tributária, em todos os meses fiscalizados, o Ato Declaratório Executivo n° 12 (proc. fl. 77), de 16/04/2009, excluiu a empresa do Simples desde novembro de 2005. Informa que a empresa não apresentou livro caixa, razão e diário, mesmo reintimada, e nem justificou a negativa de apresentação, obrigando que a apuração dos tributos devidos fosse feita por arbitramento do lucro, conforme auto de infração (proc. fls. 6 a 56). Diz que o total de omissão, de novembro de 2005 a dezembro de 2006, foi de R$ 1.244.572,74, detalhado em planilhas (proc. fls. 79 a 89). Informa que quantificou o lançamento com as seguintes considerações: Com base no valor dos créditos tributários apurados em decorrência das infrações verificadas e das receitas declaradas pelo contribuinte nas suas Declarações de Rendimentos (does. fls. 2099 a 2134), deduzidos dos valores pagos pelo contribuinte na sistemática de tributação do SIMPLES, discriminados na planilha "DEMONSTRATIVO DE PAGAMENTOS DO SIMPLES" (doc. fl. 100) e nas telas de consulta do sistema "CONSIMPLES" (does. fls. 101 a 114), foi efetuado o lançamento de oficio, com os devidos acréscimos legais, dos 2 Processo n° 11020.001404/2009-45 SI-CITI Acórdão n.° 1101-00.657 Fl. 2.480 valores do IRPJ, CSLL, PIS e COFINS que deixaram de ser recolhidos pelo sujeito passivo. Explica que a multa aplicada sobre os tributos incidentes sobre a receita omitida foi a qualificada de 150%. Informa que as diferenças tributárias apuradas com base nas receitas declaradas sofreram multa de 75%. Em 9/06/2009, o contribuinte apresenta manifestação de inconformidade (proc. fls. 2298 a 2305). Diz que foi excluído do Simples por supostas infrações à legislação tributária, em razão de norma punitiva, mas que "efetuou o pagamento do débito, sendo parte através de compensação e parte em moeda corrente, por meio de parcelamento, conforme comprovam os documentos em anexo". Conclui que diante do pagamento está imune 6. punibilidade. Conforme o contribuinte, "a sanção penal é reservada aos que praticam atos ilícitos graves.., já no âmbito administrativo, os descumprimentos de leis tributárias continuam ensejando as sanções administrativas - as multas". Explica que tanto o pagamento, como a compensação ou o parcelamento extinguem a punibilidade criminal tributária. Diz que, por estas razões, o ato de exclusão do Simples deve ser cancelado e comenta que o inciso VI do art. 15 da Lei n° 9.317, de 1996, determina a exclusão após a ciência do ato de exclusão. Consta informação (proc. fl. 2456) de que os créditos tributários lançados através dos Autos de Infração de fls. 06 a 56 foram transferidos para os processos 11020.001941/2009-95 e 11020.002024/2009-28, conforme extrato de fls. 2449 a 2455. Em 23/09/2009, a 4' Turma da DRJ em Porto Alegre considera improcedente a manifestação de inconformidade (proc. fls. 2457 a 2462). Conforme a turma julgadora: A extinção da punibilidade Penal, por pagamento integral do crédito tributário, não afasta a exclusão do Simples, por 'prática reiterada de infração a legislação tributária", por se tratar esta de "mera conduta" impeditiva de permanência no sistema e não de punição. A turma julgadora informa que: Verificamos que por meio do Termo de Transferência de Crédito Tributário, em 17-06-2009, foram transferidos para o processo n° 11020.002024/2009-28, para fins de compensação, os créditos listados as fls. 2447 a 2449; os demais créditos foram alvo de parcelamento, sendo transferidos para o processo n° 11020.001941/2009-95, em 05-06-2009, fl. 2449. 0 Crédito Tributário em litígio restou zerado, portanto não devendo ser analisadas as questões de mérito. Atualmente, com a alteração dada pela Lei n° 10.684 de 30 de maio de 2003, o pagamento passou a importar na extinção da punibilidade do autor de crime contra a ordem tributária, mesmo após o recebimento da denúncia, com a inovação de que a punibilidade fica suspensa em caso de parcelamento do débito, extinguindo com o pagamento integral do crédito tributário, conforme o caput do art. 90 e seu § 2°, transcrito a seguir. 3 Processo n° 11020.001404/2009-45 SI-CITI Acórdão n.° 1101-00.657 Fl. 2.481 Com este novo comando legal, entendo que o processo de Representação Fiscal para Fins Penais e a eventual Punibilidade Penal ficam sobrestados até o pagamento integral do parcelamento para a sua extinção; contudo, no âmbito Administrativo, o evento Exclusão do Simples deve ser analisado. 0 art. 14 da Lei n° 9.317, de 1996, é transcrito e a turma julgadora destaca que: Vemos que o inciso VII nomina a incidência em crimes contra a ordem tributária como um dos impedimentos de permanência no Simples e distingue no inciso V a "prática reiterada de infração à legislação tributária". Esta distinção nos deixa claro que mesmo não havendo crime contra a ordem tributária, com decisão definitiva, até mesmo por extinção de punibilidade, pode haver o impedimento de a empresa participar do Simples por "prcitica reiterada de infração à legislação tributária"; não se trataria de "punição", mas sim "mera conduta", impeditiva de permanência no Simples. Quantos aos efeitos da exclusão, invocado pela contribuinte, ressaltamos e o inciso V do art. 15 da Lei n° 9.317/1996 foi corretamente aplicado, não subsumindo-se ao inciso II, que se aplica ao casos de exclusão do art. 90 da referida Lei Em 6/10/2009, o contribuinte é cientificado (proc. fl. 2464). Em 28/10/2009, apresenta recurso voluntário (proc. fls. 2465 a 2475), onde repete seus argumentos. Voto Conselheiro Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro 0 recurso é tempestivo e dele tomo conhecimento. Na sua defesa o contribuinte não nega que tenha praticado as infrações legislação tributária apontadas pela fiscalização. Ao contrário, reconhece os fatos que o Fisco descreveu. Inclusive, procurou recolher os tributos devidos em razão do lançamento de oficio, por meio de pagamento, parcelamento e compensação. No entanto, alega que não deve ser excluída do Simples por ter procurado extinguir o crédito lançado. Argumenta que a razão da exclusão foi a prática reiterada de infrações, mas que o pagamento extingue a punibilidade e afasta a exclusão. No entanto, o contribuinte não tem razão. 0 fato de pagar, ou parcelar ou compensar os débitos lançados apenas extingue os créditos lançados, mas não torna inexistente as diversas (e graves) infrações cometidas. 4 Processo n° 11020.001404/2009-45 SI-C1T1 Acórdão n.° 1101-00.657 FL 2.482 De fato, o contribuinte cometeu gravíssimas infrações a legislação tributária, pelo descumprimento de obrigações principais e acessórias. Deixou de pagar seus tributos e deixou de cumprir diversos deveres instrumentais. A fiscalização descobriu tais infrações e cobrou os tributos devidos, acrescidos das multas correspondentes. 0 fato do contribuinte pagar ou não pagar os valores lançados não afeta (e nem poderia) a existência das infrações que ocorreram. Também, o fato de haver regra extinguindo a punibilidade penal em razão do pagamento, não afeta as regras administrativas-tributárias. De outra banda, tal como apontado no ato de exclusão, a lei determina que nessas circunstâncias, o contribuinte fica excluído do Simples desde o momento da prática reiterada. Por estas razões, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário, para manter a exclusão do Simples. Sala das Sessões, 17 de janeiro de 2012. ar os Eduardo de/Alfileida Guerreiro - Relator 5
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Numero do processo: 16561.720215/2016-09
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 22 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Mar 07 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2011, 2012
NORMAS PROCESSUAIS. NULIDADE.DECISÃO.
Implica preterição do direito de defesa a omissão da autoridade em consignar na decisão os argumentos que embasaram suas razões de decidir, tornando-a, em consequência, imotivada. Não supre a ausência dos requisitos especificados no art. 31 do Decreto nº 70.235/72 a remissão a outro processo onde esses fundamentos estariam presentes. Decisão que se anula com base no que dispõe o art.59, II, do mesmo diploma legal.
Numero da decisão: 1401-003.081
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso para declarar a nulidade da decisão recorrida, razão pela qual os autos deverão ser devolvidos à Turma a quo para que profira novo julgamento. Declarou-se impedida a Conselheira Letícia Domingues Costa Braga, substituída pela Conselheira Bárbara Santos Guedes (suplente convocada).
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cláudio de Andrade Camerano, Daniel Ribeiro Silva, Carlos André Soares Nogueira, Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin, Ailton Neves da Silva (suplente convocado em substituição ao Conselheiro Abel Nunes de Oliveira Neto), Bárbara Santos Guedes (suplente convocada para substituir o impedimento da Conselheira Letícia Domingues Costa Braga), Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça (suplente convocada) e Luiz Augusto de Souza Gonçalves. Ausente o Conselheiro Abel Nunes de Oliveira Neto.
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DE SOUZA GONCALVES
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2011, 2012 NORMAS PROCESSUAIS. NULIDADE.DECISÃO. Implica preterição do direito de defesa a omissão da autoridade em consignar na decisão os argumentos que embasaram suas razões de decidir, tornando-a, em consequência, imotivada. Não supre a ausência dos requisitos especificados no art. 31 do Decreto nº 70.235/72 a remissão a outro processo onde esses fundamentos estariam presentes. Decisão que se anula com base no que dispõe o art.59, II, do mesmo diploma legal.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso para declarar a nulidade da decisão recorrida, razão pela qual os autos deverão ser devolvidos à Turma a quo para que profira novo julgamento. Declarou-se impedida a Conselheira Letícia Domingues Costa Braga, substituída pela Conselheira Bárbara Santos Guedes (suplente convocada). (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cláudio de Andrade Camerano, Daniel Ribeiro Silva, Carlos André Soares Nogueira, Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin, Ailton Neves da Silva (suplente convocado em substituição ao Conselheiro Abel Nunes de Oliveira Neto), Bárbara Santos Guedes (suplente convocada para substituir o impedimento da Conselheira Letícia Domingues Costa Braga), Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça (suplente convocada) e Luiz Augusto de Souza Gonçalves. Ausente o Conselheiro Abel Nunes de Oliveira Neto.
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NULIDADE.DECISÃO. Implica preterição do direito de defesa a omissão da autoridade em consignar na decisão os argumentos que embasaram suas razões de decidir, tornandoa, em consequência, imotivada. Não supre a ausência dos requisitos especificados no art. 31 do Decreto nº 70.235/72 a remissão a outro processo onde esses fundamentos estariam presentes. Decisão que se anula com base no que dispõe o art.59, II, do mesmo diploma legal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso para declarar a nulidade da decisão recorrida, razão pela qual os autos deverão ser devolvidos à Turma a quo para que profira novo julgamento. Declarouse impedida a Conselheira Letícia Domingues Costa Braga, substituída pela Conselheira Bárbara Santos Guedes (suplente convocada). (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cláudio de Andrade Camerano, Daniel Ribeiro Silva, Carlos André Soares Nogueira, Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin, Ailton Neves da Silva (suplente convocado em substituição ao Conselheiro Abel Nunes de Oliveira Neto), Bárbara Santos Guedes (suplente convocada para substituir o impedimento da Conselheira Letícia Domingues Costa Braga), Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 56 1. 72 02 15 /2 01 6- 09 Fl. 8111DF CARF MF 2 (suplente convocada) e Luiz Augusto de Souza Gonçalves. Ausente o Conselheiro Abel Nunes de Oliveira Neto. Relatório Trata o presente processo de auto de infração de IRPJ (efls. 7.738/7.745) e de CSLL (v. efls. 7.747/7.754), relativos aos períodos de apuração de 2011 e 2012. Nos referidos lançamentos não houve a apuração de crédito tributário a ser exigido, mas tão somente a redução do saldo de prejuízos fiscais e de bases negativas da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido. A origem da autuação remonta à glosa de despesas de amortização de ágio contabilizadas nos respectivos anos auditados. Em função dos fatos apurados pela Autoridade Fiscal também foi destacada no Auto de Infração a sujeição à multa de ofício de 150%, entretanto tal multa não foi objeto de cobrança pela inexistência de crédito tributário a ser exigido. Os fatos que levaram à lavratura dos Autos de Infração foram todos apurados em procedimento fiscal encerrado em 28/11/2011, consubstanciado no processo administrativo fiscal nº 16561.720026/201113, e que teve por objeto os períodos de apuração de 2005 a 2009. Portanto, o presente processo é claramente decorrente do processo nº 16561.720026/201113. Por ser decorrente do processo nº 16561.720026/201113, é fundamental que se tenha ciente a situação processual daquele feito neste momento em que trazemos a julgamento os presentes autos. O processo principal foi levado a julgamento pela DRJ de São Paulo em 22 de junho de 2012, que editou o Acórdão nº 1639.979 4ª Turma, negando provimento integral à impugnação da Recorrente. A Contribuinte recorreu ao CARF que, através do Acórdão nº 1402001.460 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária, de 08 de outubro de 2013, deu parcial provimento ao recurso tão somente para afastar a qualificação da multa de ofício e a multa isolada sobre estimativas. Abaixo reproduzo a ementa da referida decisão: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano calendário:2005, 2006, 2007, 2008, 2009 PRELIMINAR. DECADÊNCIA. FORMAÇÃO DE ÁGIO EM PERÍODOS ANTERIORES AO DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR. INOCORRÊNCIA. Somente pode se falar em contagem do prazo decadencial após a data de ocorrência dos fatos geradores, não importando a data contabilização de fatos passados que possam ter repercussão futura. O art. 113, § 1º, do CTN aduz que “A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador” e o papel de Fisco de efetuar o lançamento, nos termos do art. 142 Fl. 8112DF CARF MF Processo nº 16561.720215/201609 Acórdão n.º 1401003.081 S1C4T1 Fl. 8.112 3 do Estatuto Processual, nada mais é do que o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente. Não é papel do Fisco auditar as demonstrações contábeis dos contribuintes a fim de averiguar sua correição à luz dos princípios e normas que norteiam as ciências contábeis. A preocupação do Fisco deve ser sempre o reflexo tributário de determinados fatos, os quais, em inúmeras ocasiões, advém dos registros contábeis. Ressaltese o § 4º do art. 9º do Decreto nº 70.235, de 1972, prevê que seja efetuado o lançamento “também nas hipóteses em que, constatada infração à legislação tributária, dela não resulte exigência de crédito tributário.” O prazo decadencial somente tem início após a ocorrência do fato gerador (art. 150, § 4º, do CTN), ou após o primeiro dia do exercício seguinte ao que o lançamento poderia ter sido efetuado nas hipóteses do art. 173, I, do CTN. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Ano calendário: 2005, 2006, 2007, 2008, 2009 IRPJ/CSLL. UTILIZAÇÃO DE SOCIEDADE VEÍCULO. REESTRUTURAÇÃO SOCIETÁRIA. ÁGIO TRANSFERIDO. AMORTIZAÇÃO DO ÁGIO INDEVIDA. 1. O direito à contabilização do ágio não pode ser confundido com o direito à sua amortização. 2. Em regra, o ágio efetivamente pago em operação entre empresas não ligadas e calcadas em laudo que comprove a expectativa de rentabilidade futura deve compor o custo do investimento, sendo dedutível somente no momento da alienação de tal investimento (inteligência do art. 426 do RIR/99). 3. A exceção trazida pelo caput do art. 386, e seu inciso III, pressupõe uma efetiva reestruturação societária na qual a investidora absorve parcela do patrimônio da investida, ou viceversa (§6º, II). A operacionalização de tal reestruturação de forma artificial, calcada em operações meramente formais e com fins unicamente tributários mediante utilização de “empresas veículo”, não possui o condão de alterar a verdade dos fatos, de modo a transformar o que deveria ser contabilizado como custo do investimento em amortização de ágio. 3. A amortização do ágio oriundo de operações societárias, para ser eficaz perante o Fisco, deve decorrer de atos efetivamente existentes, e não apenas artificiais e formalmente revelados em documentação ou na escrituração mercantil ou fiscal. 4. Nesse cenário, o ágio artificialmente transferido não pode ser utilizado para redução da base de cálculo de tributos. 5. A utilização de sociedade veículo, de curta duração, constitui prova da artificialidade daquela sociedade e das operações nas quais ela tomou parte, notadamente, no caso concreto, a transferência do ágio ao real investidor para fins de amortização. IRPJ/CSLL. AQUISIÇÃO DAS PRÓPRIAS AÇÕES. PAGAMENTO DE MAIS VALIA. CONTABILIZAÇÃO EM CONTAS PATRIMONAIS. RESULTADO DO EXERCÍCIO INALTERADO. UTILIZAÇÃO DE SOCIEDADE VEÍCULO. GERAÇÃO ARTIFICIAL DE ÁGIO. AMORTIZAÇÃO DO ÁGIO ARTIFICIAL. IMPOSSIBILIDADE. Fl. 8113DF CARF MF 4 1. A Lei das S/A LSA veda, em regra, a negociação com as próprias ações. Comprovada que operações formalizadas como aquisição de investimento, com posterior cisão parcial e incorporação, na verdade dissimulavam aquisição das próprias ações, deve o Fisco apurar os tributos devidos de acordo com os fatos efetivamente ocorridos. 2. O pagamento de mais valia em aquisição das próprias ações não pode alterar o resultado do período, devendo ser contabilizado diretamente em contas patrimoniais, ou seja, sem transitar pelo resultado. 3. O ágio gerado em operações societárias, para ser eficaz perante o Fisco, deve decorrer de atos efetivamente existentes, e não apenas artificiais e formalmente revelados em documentação ou na escrituração mercantil ou fiscal. 4. Nesse cenário, o ágio artificialmente gerado não pode ser utilizado para redução da base de cálculo de tributos. 5. A utilização de sociedade veículo, de curta duração, constitui prova da artificialidade daquela sociedade e das operações nas quais ela tomou parte, notadamente a geração e a transferência do ágio. LUCRO REAL. ÁGIO INTERNO. GLOSA DE AMORTIZAÇÃO. INCORPORAÇÃO REVERSA. FALTA DE PROPÓSITO NEGOCIAL. A circunstância de a operação ser praticada por empresas do mesmo grupo econômico somada a falta de propósito negocial ou societário da operação dentro do seu contexto, analisado o caso específico, impedem os efeitos tributários da operação desejados pelo contribuinte. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. INAPLICABILIDADE. INOCORRÊNCIA DE FRAUDE. Nos lançamentos de ofício para constituição de diferenças de tributos devidos, não pagos e não declarados, via de regra, é aplicada a multa proporcional de 75%, nos termos do art. 44, inciso I, da Lei 9.430/1996. A qualificação da multa para o percentual de 150% depende não só da intenção do agente, como também da prova fiscal da ocorrência da fraude, caracterizada pela prática de ação ou omissão dolosa com esse fim. Na situação versada nos autos não houve dolo por parte do contribuinte, logo incabível a aplicação da multa qualificada. IRPJ. ESTIMATIVAS. FALTA DE RECOLHIMENTO. MULTA ISOLADA. A infração relativa ao não recolhimento da estimativa mensal caracteriza etapa preparatória do ato de reduzir o imposto no final do ano. Pelo critério da consunção, a primeira conduta é meio de execução da segunda. O bem jurídico mais importante é sem dúvida a efetivação da arrecadação tributária, atendida pelo recolhimento do tributo apurado ao fim do ano calendário, e o bem jurídico de relevância secundária é a antecipação do fluxo de caixa do governo, representada pelo dever de antecipar essa mesma arrecadação. Precedentes. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de oficio, incidem juros de mora, devidos à taxa SELIC. AUTOS REFLEXOS. CSLL. O decidido quanto ao IRPJ aplicase à tributação dele decorrente. Fl. 8114DF CARF MF Processo nº 16561.720215/201609 Acórdão n.º 1401003.081 S1C4T1 Fl. 8.113 5 Recurso Voluntário parcialmente provido. A PGFN recorreu da decisão da 2ª TO da 4ª Câmara à Câmara Superior de Recursos Fiscais que, em 08 de novembro de 2017 proferiu o Acórdão nº 9101003.208 1ª Turma, assim ementada: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano calendário: 2005 ADMISSIBILIDADE. MATÉRIA COM DOIS FUNDAMENTOS COMPLEMENTARES. NECESSIDADE DE DEVOLUÇÃO INTEGRAL. Recurso que não logra demonstrar ocorrência de divergência na interpretação da legislação tributária para os dois fundamentos complementares necessários para apreciação da matéria perde a utilidade. No caso, os paradigmas se prestaram a demonstrar divergência apenas para um dos fundamentos, não se consumando a devolução integral. Recurso não conhecido. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Ano calendário: 2005, 2006, 2007, 2008, 2009 AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. INCORPORAÇÃO DE EMPRESA. UTILIZAÇÃO DE EMPRESAVEÍCULO. AUSÊNCIA DE PROPÓSITO NEGOCIAL Não produz o efeito tributário pretendido pelo sujeito passivo a incorporação de pessoa jurídica em cujo patrimônio constava registro de ágio com fundamento em expectativa de rentabilidade futura, sem qualquer finalidade negocial ou societária, em operações em seqüência feitas em curto espaço de tempo entre a integralização de capital na incorporada e posterior evento de incorporação reversa. Nestes casos resta caracterizada a utilização da incorporada como mera empresaveículo para transferência do ágio à incorporadora. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2005, 2006, 2007, 2008, 2009 MULTA QUALIFICADA. EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE Caracteriza o evidente intuito de fraudar o Fisco as operações de reestruturação societárias criadas com o objetivo único de possibilitar a amortização de ágio gerado artificialmente, mediante a utilização de empresasveículo, sem propósito negocial que não seja o de obter benefício tributário. DECADÊNCIA. REGRA DE CONTAGEM Nos casos em que se verifica o dolo, a fraude e a simulação, a regra de contagem do prazo decadencial a ser aplicada é aquela prevista no art. 173, I, do CTN, ou seja, o prazo tem início no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. (Súmula CARF nº 72) JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. Fl. 8115DF CARF MF 6 A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de oficio, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic. Como se pode observar da ementa acima, a CSRF deu parcial provimento aos recursos especiais, tanto da PGFN, quanto da Contribuinte, para restabelecer a qualificação da multa de ofício e afastar a exigência relativa ao ágio denominado "CAJATI". A Recorrente propôs, ainda, embargos de declaração em face da decisão acima, entretanto seu recurso foi rejeitado pela Presidente da CSRF. Atualmente o referido processo encontrase na Unidade de Origem para ciência e execução do julgado. Do Termo de Verificação Fiscal de efls. 7.643/7.736, extraímos as seguintes informações a respeito do objeto da autuação, já apontados no procedimento fiscal anterior, haja vista que seu conhecimento é de fundamental importância para o deslinde do presente processo: A ação fiscal referente aos anoscalendário de 2005 a 2009 teve por escopo inicial a análise de operação de incorporação da BUNGE BRASIL S.A. CNPJ 61.074.092/000149 pela sua subsidiária integral a Bunge Fertilizantes S.A. onde foi constatado, preliminarmente, que a Bunge Brasil S.A. declarou um ágio de R$ 851.479.101,42 na Ficha 45A linha 27 de sua DIPJ de evento especial, de 31/10/2005 (doc. 62). Foi verificado que, na mesma data do evento de incorporação da Bunge Brasil S.A. pela Bunge Fertilizantes S.A. (31/10/2005) haviam sido realizadas outras incorporações dentro do Grupo Bunge, conforme relacionadas abaixo: i) Incorporação da Bunge Investimentos Ltda. CNPJ 07.052.334/000158 pela Bunge Investimentos e Consultoria Ltda. CNPJ 67.866.863/000117 – ágio declarado na ficha 45 da DIPJ de evento especial da Bunge Investimentos Ltda. – R$ 367.069.306,50 (doc. 70); ii) Incorporação da Bunge Investimentos e Consultoria Ltda. pela Bunge Brasil S.A. ágio declarado na ficha 45 da DIPJ de evento especial da Bunge Investimentos e Consultoria Ltda. – R$ 501.662.557,60 (doc. 71); iii) Incorporação da Bunge Participações Ltda. CNPJ 06.282.557/000149 pela Bunge Brasil S.A. ágio declarado na ficha 45 da DIPJ de evento especial da Bunge Participações Ltda. – R$ 389.373.463,92 (doc. 74). Foi constatada, também, uma cisão parcial na Bunge Fertilizantes S.A (doc. 63) com transferência de parcela do patrimônio para a Bunge Alimentos Participações Ltda. CNPJ 07.712.535/000134 a qual foi posteriormente incorporada em 28/02/2006 pela Bunge Alimentos S.A. CNPJ 84.046.101/000193 – ágio declarado na DIPJ AC 2005 da Bunge Alimentos Participações Ltda. R$ 476.318.882,50. A seguir demonstramos graficamente os eventos constatados no início da ação fiscal anterior. Tais eventos ocorreram em 31/10/2005. (Obs.: as setas indicam os sentidos de transferências dos acervos.) Fl. 8116DF CARF MF Processo nº 16561.720215/201609 Acórdão n.º 1401003.081 S1C4T1 Fl. 8.114 7 (...) Após a análise da documentação e dos esclarecimentos apresentados, os Auditores Fiscais verificaram que a Bunge Fertilizantes havia contabilizado outros valores expressivos de ágio provenientes de incorporações ocorridas em anos anteriores, e que vinha amortizandoos a razão de 10% ao ano (BUNGE I DE PARTICIPACOES S.A.– CNPJ 05.111.830/000100 e CAJATI PARTICIPACOES LTDA – CNPJ: 05.675.377/000164 ágios registrados – conta 1332424: R$ 286.656.102,71 e conta 1332425: R$ 170.844.432,64, respectivamente). (...) 5. DO HISTÓRICO DA ESTRUTURA SOCIETÁRIA DO GRUPO BUNGE ORGANOGRAMAS Os organogramas apresentados a seguir foram extraídos do Termo de Verificação Fiscal do processo nº 16561.720026/201113, que, por sua vez, foram elaborados a partir dos organogramas apresentados pelo contribuinte fiscalizado. 5.1 Setembro de 2004 (doc. 135) Fl. 8117DF CARF MF 8 5.2 Dezembro de 2004 e junho 2005 (doc. 135) Fl. 8118DF CARF MF Processo nº 16561.720215/201609 Acórdão n.º 1401003.081 S1C4T1 Fl. 8.115 9 5.3 – Dezembro de 2005 (doc. 11) 5.4 Dezembro de 2006/2009 (Doc 11) 6. DA ANÁLISE DOS ÁGIOS Na DIPJ de evento especial (31/10/2005) da Bunge Brasil S.A. (doc. 62), da qual a Bunge Fertilizantes S.A. era subsidiária integral, havia um ágio declarado em seu Balanço Patrimonial no valor de R$ 851.479.101,42. O contribuinte demonstrou da seguinte maneira a origem desse ágio (doc. 125): Fl. 8119DF CARF MF 10 Do valor total do ágio que foi incorporado pela Bunge Fertilizantes S.A. (R$ 851.479.101,42), houve parcela que foi vertida, quando de cisão parcial, para a Bunge Alimentos e Participações Ltda. CNPJ 07.712.535/000134 (docs. 128/93). O valor total de ágio remanescente na Bunge Fertilizantes foi de R$ 442.295.116,16. No anocalendário 2011, o montante total de ágio contabilizado em contas de Ativo diferido é de R$ 952.974.058,59. Esse valor foi declarado na linha 67 da Ficha 36A Ativo Balanço Patrimonial da DIPJ 2012/ AC 2011 e é composto pelas seguintes contas: Neste Termo de Verificação Fiscal iremos tratar apenas dos seguintes ágios: • Ágio BIC – Bunge Investimentos e Consultoria • Ágio Bunge Brasil SA. / Bunge Participações Ltda. • Ágio Cajati Participações Ltda. • Ágio da Bunge I de Participações S.A. O ágio denominado BIC Bunge Investimentos e Consultoria não foi objeto de contestação pela Recorrente quanto ao mérito, mas tão somente em relação à qualificação da multa de ofício, por isso deixo de reproduzir sua sistemática de estruturação, por razões de economia processual. 6.2 – Ágio Bunge Brasil SA. / Bunge Participações Ltda. I – Contrato Social, alterações contratuais e atas A Foi constituída em 14/05/2004 a sociedade Bunge Participações Ltda. (docs. 42/46). A Bunge BIC Holdings BV, representada por Hildegard Gutz Horta e a Bunge Investimentos e Consultoria Ltda., representada por seus diretores Hildegard Gutz Horta e Miguel Juan Pryor constituem a sociedade com capital social de R$ 10.000,00, com sede na Av. Maria Coelho Aguiar, 215, Bloco D, 5º andar (parte). O capital ficou assim dividido: Hildegard e Miguel Juan foram eleitos diretores. Fl. 8120DF CARF MF Processo nº 16561.720215/201609 Acórdão n.º 1401003.081 S1C4T1 Fl. 8.116 11 B Na primeira alteração contratual (doc. 43), datada de 30/06/2005, a Bunge BIC Holdings BV, representada por sua procuradora Hildegard Gutz Horta, e Bunge Investimento e Consultoria Ltda. representada por seus diretores, Hildegard Gutz Horta e Miguel Juan Pryor, únicas sócias de Bunge Participações Ltda. e a Bunge Brasil Holdings BV, representada por sua procuradora Hildegard Gutz Horta, considerando que a sócia Bunge BIC Holdings BV havia sido incorporada no exterior pela Bunge Brasil Holdings BV, com atos registrados no exterior com eficácia a partir de 18/06/2005, impôsse a substituição na sociedade pela incorporadora ficando assim distribuído o capital: Hildegard e Miguel Juan constam no contrato social como diretores. Assinaram: Bunge Brasil Holdings BV Hildegard Gutz Horta Bunge BIC Holdings BV Hildegard Gutz Horta Bunge Investimentos e Consultoria Hildegard Gutz Horta e Miguel Juan Pryor Testemunhas: Maria Lúcia Rocha Kokura e Neusa Vieira dos Santos Ferreira Maria Lúcia Rocha Kokura e Neusa Vieira dos Santos Ferreira tinham vínculo empregatício com a Bunge Fertilizantes em 2004 e 2005 (docs. 210 a 215). C Pela segunda alteração contratual, datada de 13/10/2005 (18 dias antes das incorporações), a Bunge Brasil Holdings BV, representada por sua procuradora Hildegard Gutz Horta, e Bunge Investimento e Consultoria Ltda. representada por seus diretores, Hildegard Gutz Horta e Miguel Juan Pryor, únicas sócias de Bunge Participações Ltda., decidiram: Fl. 8121DF CARF MF 12 1 A Bunge Brasil Holdings BV transferiu as suas 9.999 quotas para a Bunge Investimento e Consultoria Ltda. que passou a ter 10.000 quotas; 2 Aumentar o capital da Bunge Participações Ltda. para R$ 165.010.000,00; 3 A Bunge Brasil Holdings BV subscreveu 165.000.000 quotas integralizandoas com parte dos recursos de sua propriedade existentes no país, que se encontram disponibilizados no sistema RDEIED (RDE–IA042112) do Banco Central do Brasil como valor a receber pela venda feita pela Bunge BIC Holdings BV (empresa incorporada pela Bunge Brasil Holdings BV), em razão da alienação de sua participação na Bunge Investimentos e Consultoria Ltda. para a Bunge Investimentos Ltda., com sede na Av. Maria Coelho Aguiar, 215, Bloco D. O saldo do valor total do principal do crédito disponibilizado passou a ser de US$ 255.065.375,94 mais os juros contratados. Assinaram: Bunge Brasil Holdings BV Hildegard Gutz Horta Bunge Investimentos e Consultoria Hildegard Gutz Horta e Miguel Juan Pryor Testemunhas: Maria Lúcia e Neusa D – Na terceira alteração contratual, datada de 26/10/2005 (doc. 44) a Bunge Brasil Holdings BV, representada por sua procuradora Hildegard Gutz Horta, e Bunge Investimento e Consultoria Ltda. representada por seus diretores, Hildegard Gutz Horta e Miguel Juan Pryor, únicas sócias de Bunge Participações Ltda., acordaram: 01 Reduzir o capital social em R$ 29.701.800,00 (absorção de prejuízos) – com o cancelamento de 29.701.800 quotas; 02 O capital passou a ser assim distribuído: Assinaram: Bunge Brasil Holdings BV Hildegard Gutz Horta Bunge Investimentos e Consultoria Hildegard Gutz Horta e Miguel Juan Pryor Testemunhas: Maria Lúcia e Neusa E Pela quarta alteração contratual (doc. 45), datada de 31/10/2005, a Bunge Brasil Holdings BV, representada por sua procuradora Hildegard Gutz Horta, e Bunge Brasil S.A. representada por seus diretores, Milton Notrispe e Rogério Paulo Calderón Peres, únicas sócias de Bunge Participações Ltda. acordaram, em síntese: 01 – Aprovação da incorporação pela Bunge Brasil S.A. da totalidade do patrimônio da sociedade nos termos do protocolo de justificação de incorporação; Fl. 8122DF CARF MF Processo nº 16561.720215/201609 Acórdão n.º 1401003.081 S1C4T1 Fl. 8.117 13 02 – Aprovação dos laudos de avaliação; 03 – Todo o ativo e passivo da sociedade foi incorporado ao patrimônio da Bunge Brasil S.A.; 04 – Foram atribuídos aos sócios, em substituição às suas quotas, 124.345.274 ações ordinárias, sem valor nominal, representativas do capital social da incorporadora. Protocolo de Justificação de Incorporação e Laudo de Avaliação do PL (doc. 59). Segundo o protocolo de justificação, a atividade exercida pela Bunge Participações Ltda. poderia ser exercida pela Bunge Brasil ou sucessora sem solução de continuidade e a reestruturação objeto do protocolo permite a redução de gastos. “O acervo líquido da Bunge Participações para fins de incorporação, será avaliado com base no seu valor contábil na data de 30/09/2005, ajustado pela liquidação parcial de prépagamento de exportação em 11/10/2005, pelo aumento do capital social em 13/10/2005 e pela absorção de prejuízos acumulados contra capital em 26/10/2005”. Do acervo líquido incorporado, no valor total de R$ 135.249.416,60, R$ 135.249.416,00 foram destinados a conta capital com respectivo aumento de capital na Bunge Brasil e R$ 0,60 foram destinados à reserva de capital. F – Segundo a ata da AGE da Bunge Brasil S.A., realizada em 31/10/2005 às 10h, na sede da companhia localizada na Av. Maria Coelho Aguiar, 215, Bloco D, 5º andar, foi, em síntese, aprovada a incorporação da Bunge Participações Ltda. (doc. 29). Fl. 8123DF CARF MF 14 As 124.345.274 ações ordinárias da companhia de propriedade da incorporada foram canceladas em contrapartida de reserva de capital no montante de R$ 504.915.544,02. O capital social foi aumentado em R$ 135.249.416,00 mediante a emissão de 124.345.274 ações ordinárias (R$ 1,09/ação) sem valor nominal, distribuídas à Bunge Brasil Holdings B.V. O capital social da sociedade – R$ 1.432.287.062,00 continua representado por 810.726.891 ações ordinárias, sem valor nominal, escriturais, nominativas, sem emissão de certificados. Aprovação e assinatura da ata: Bunge Brasil Holdings BV – Hildegard Gutz Horta Bunge Cooperatief UA Hildegard Gutz Horta Presidente da Assembléia – Mário Alves Barbosa Neto Secretária da Assembléia Hildegard Gutz Horta II Origem do ágio na Bunge Participações Ltda. Conforme constatouse, na folha 6 do laudo de avaliação econômica apresentado (doc. 12) item 2 “dos objetivos”, que em 29/04/2004 a Bunge Limited anunciou a intenção de fechar capital de sua controlada Bunge Brasil por meio de uma Oferta Pública de Aquisição de ações (OPA) (doc. 198). A avaliação econômicofinanceira teve como data base 31/03/2004 e o leilão da OPA ocorreu em 27/09/2004, tendo sido o valor pago por ação superior ao seu valor patrimonial, resultando daí o ágio. A fiscalizada demonstrou da seguinte forma a origem desse ágio (doc. 125): Com base no laudo de avaliação econômica, a fiscalizada considerou o valor de R$ 6,48/ação (verificase que pelo laudo foi estabelecido um valor máximo por ação da companhia de R$ 6,48 e mínimo de R$ 5,89 – doc. 127). Considerando o valor de R$ 6,48/ação o valor da participação para apuração do ágio corresponderia a R$ 805.757.375,52 (124.345.274 ações x R$ 6,48/ação). Segundo o laudo (doc. 127) o preço médio ponderado das ações da Bunge Brasil seria de R$ 6,03/ação, preferencial ou ordinária. O valor do PL (doc. 47) está demonstrado abaixo: III – Verificações na Bunge Participações Ltda. Como se verificou pelo organograma do grupo Bunge (doc. 68) a Bunge Limited controlava indiretamente tanto a Bunge Brasil S.A. como a Bunge Participações Ltda.. Fl. 8124DF CARF MF Processo nº 16561.720215/201609 Acórdão n.º 1401003.081 S1C4T1 Fl. 8.118 15 Nas DIPJ apresentadas em nome da Bunge Participações (docs. 73 e 74) foi constatado: i) Endereço: Av. Maria Coelho Aguiar nº 215 Bloco D 5º andar; ii) Responsável pelo preenchimento – Roberto Correa Sampaio CRC: 1SP131168/O4, CPF 690.499.20853; iii) Empregados – informação Ficha 56ª – zero; iv) Empresa controlada no exterior – 100% Bunge Trade Ltd; v) Representante da PJ – Hildegard Gutz Horta. Obs.: Roberto Correa Sampaio era também contador da Bunge Fertilizantes S.A. e da Bunge Brasil S.A. nos AC 2004 e 2005 (docs. 62,63,64,72). Através da ECD – AC 2004 (escrituração contábil digital) apresentada não foram verificados quaisquer tipos de despesas com remunerações, ordenados ou encargos sociais. Os valores de PIS e COFINS calculados nas DIPJ são referentes a receitas financeiras. As despesas declaradas na linha 30 da Ficha 5A são “Outras Despesas Operacionais” no total de R$ 361.133,80 (despesas bancárias R$ 291,83 e R$ 360.841,97 como outras despesas operacionais tendo como contrapartida uma conta corrente com a Bunge Fertilizantes) (doc. 123). Na ficha 6A verificamos que a composição do resultado se deu basicamente com receitas/despesas financeiras e resultados em participações societárias (doc. 113). Na Ficha 09A – Linha 48. LUCRO REAL Prejuízo de R$ 16.926.420,57 (doc. 73) Através da ECD – AC 2005 (escrituração contábil digital) apresentada, não foram verificados quaisquer tipos de despesas com remunerações, ordenados e encargos sociais. Verificaramse despesas com serviços prestados por PJ no valor de R$ 111.299,87, com CPMF, impostos/taxas e provisões não dedutíveis (R$ 42.182.125,31 – que corresponde a ágio– doc. 122). Na ficha 6A da DIPJ verificamos que a composição do resultado se deu basicamente com receitas/despesas financeiras e resultados em participações societárias (doc. 113). Na Ficha 09 A – Linha 48.LUCRO REAL – zero. Verificamos pelo balancete da Bunge Participações, que foi contabilizada no ano calendário de 2005 uma provisão para ágio como transcrito abaixo (doc. 122): Fl. 8125DF CARF MF 16 Essa despesa de R$ 42.182.125,31, correspondente à amortização de ágio, foi excluída na ficha 09A para o cálculo do lucro real. A – Contabilizações Foi verificada a seguinte contabilização para as aquisições das ações da Bunge Brasil S.A.: Débito 1311404 Part. Societ. Bunge Brasil (doc. 117) Crédito 2165017 Provisão Outras (doc. 119) Valor – R$ 800.783.564,56 Data – 30/04/2004 Ao analisarse a origem dos recursos financeiros da Bunge Participações, visto esta não ter desenvolvido nenhuma atividade geradora de receitas e possuir um capital social de R$ 10.000,00, verificase os seguintes registros nas contas bancárias tendo contrapartidas em conta de financiamentos de longo prazo: Segundo declarou o contribuinte (docs. 156/136) as operações de prépagamento de exportação consistem em uma modalidade de financiamento ao exportador na fase de préembarque da mercadoria, com recursos levantados junto a um banco no exterior ou a um importador, provendo capital de giro para viabilizar a produção e as vendas ao exterior; o pagamento do valor principal teria se dado via exportação de produtos/mercadorias e o pagamento de juros via exportação de produtos/mercadorias ou câmbio. Obs.: A Bunge Participações não teve qualquer tipo de receita que não fosse financeira ou reconhecimento de resultado de EP. Os valores totais financiados foram de US$ 280.000.000,00 equivalentes a R$ 849.617.000,00, como demonstrado abaixo (o capital social da Bunge Participações era de R$ 10.000,00): Fl. 8126DF CARF MF Processo nº 16561.720215/201609 Acórdão n.º 1401003.081 S1C4T1 Fl. 8.119 17 Obs.: A Bunge Trade Ltd. era subsidiária integral da Bunge Participações Ltda. Até a data da incorporação da Bunge Participações pela Bunge Brasil S.A., em 31/10/2005, haviam sido liquidados US$ 93.000.000,00 do valor principal com pagamento de juros de US$ 37.024.166,67 (todas as liquidações e pagamentos de juros ocorreram no mês das incorporações – outubro de 2005). Após as incorporações/cisão o montante do saldo ainda não quitado foi segregado para as empresas Bunge Fertilizantes S.A. e Bunge Alimentos Participações Ltda. como demonstrado abaixo: Saldo remanescente a pagar: Bunge Alimentos Participações Ltda.: US$ 106.600.000,00 Bunge Fertilizantes SA: US$ 80.400.000,00 Obs.: A Bunge Alimentos Participações Ltda. foi incorporada pouco tempo após pela Bunge Alimentos S.A., em fevereiro de 2006. B – Contratos de Prépagamento de exportação e documentação apresentada B.1 – Contrato no valor de R$ 302.724.000,00 (US$ 100.000.000,00) (Doc. 157) i) Valor de US$ 100.000.000,00 (R$ 302.724.000,00) ROF TA 367187 (Contrato 04/002144) Foi apresentado um demonstrativo onde se constatou a liberação de US$ 100.000.000,00 em 15/07/2004 sendo a Bunge Trade Ltd. (que era subsidiária integral da Bunge Participações Ltda.) a ofertante dos recursos e a Bunge Participações a tomadora. Em 11/10/2005 consta uma amortização do principal de US$ 33.000.000,00 remanescendo um saldo de US$ 67.000.000,00 transferido para a Bunge Fertilizantes S.A. (new borrower). Pelo contrato de câmbio de compra tipo 01Exportação, datado de 14/07/2004 tendo como comprador o Banco Inv. Credit Suis e como vendedor a Bunge Participações Ltda. foi verificado em “outras especificações”: Pagamento antecipado de exportações. Assinaram o contrato de câmbio: NICPF: 064.335.558/88 NOME: VIRGILIO JANUARIO MARTINS NICPF: 695.528.438/04 NOME: REINALDO HENRIQUE STEOLLA Fl. 8127DF CARF MF 18 Em 2004 Virgilio e Reinaldo receberam rendimentos de trabalho assalariado somente da Bunge Fertilizantes (docs. 216/217). Aparece no sítio da Bungeprev1 na internet, em artigo datado de 02 de dezembro de 2003, que Reinaldo Henrique Steolla era gerente financeiro da Bunge Fertilizantes (doc. 222). ii) Pagamento de juros de R$ 15.164.137,50 e de R$ 15.000.000,00 em 11/10/2005 (Doc. 158) Em documento (intitulado PRÉCONTRATO) com o timbre da Bunge Fertilizantes verificase a informação do pagamento de R$ 30.164.137,50 à Bunge Trade Limited em 06/10/2005 referente a juros sobre operação de prépagamento de exportação (contrato 04/002144 de 14/07/2004). Em relatório interno da Bunge Fertilizantes (intitulado relatório de ordens não provisionadas), emitido em 13/10/2005, onde se constata a assinatura de Wagner Chuqui CPF 051.389.41879, consta o pagamento de juros de prépagamentos de exportação em favor da Bunge Trade (débito em 11/10/2005) no valor de R$ 15.164.137,50. No rodapé do relatório está impresso o nome de José Vanildo dos Santos (CPF 076.175.13860). Wagner Chuqui2 e José Vanildo tiveram vínculo empregatício com a Bunge Fertilizantes em 2005 (docs. 218/219). Segundo artigo publicado no sitio da Bungeprev em 2009, Wagner Chuqui era gerente financeiro da Bunge Fertilizantes (doc. 223). No contrato de câmbio de venda tipo 04 transferência para o exterior NR 05/039438 de 06/10/2005 foi constatado: em outras especificações: juros de pré pagamento de exportação contrato 04/002144 US$ 13.215.500,00; assinam pelo comprador Wagner e Virgilio. iii) Quitação do Principal – US$ 33.000.000,00 Foi apresentado demonstrativo de quitação do valor principal de US$ 33.000.000,00 onde estão relacionadas as datas de embarque, nº de contratos, RE e despacho (doc. 159). Nesse demonstrativo, datado de 11/10/2005, em nome da Bunge Alimentos S.A., verificase a assinatura de Érico Tavares Lopes, CPF: 902.227.689/91 e Simone Maria De Souza Bodenmuller, CPF: 601.129.809/53, os quais tinham vínculo empregatício com a Bunge Alimentos S.A. (docs. 220/221). Foi anexada cópia de um ofício da Bunge Alimentos S.A., datado de 07/10/2005, encaminhado à DRF/Blumenau. Naquele ofício a Bunge Alimentos informou que a Bunge Participações Ltda. constava cadastrada no Siscomex como empresa do mesmo grupo econômico e que estava autorizada a vincular contrato de câmbio em registros de exportação da Bunge Alimentos S.A. Foram vinculados os seguintes despachos: Anexadas as cópias de despachos de exportação da Bunge Alimentos S.A. (doc. 160), foi possível verificar, pelos conhecimentos de embarque, exportações da Bunge Alimentos para a China, França, Portugal, etc. B.2 – Contrato no valor R$ 304.082.000,00 (US$ 100.000.000,00) (doc. 161) Fl. 8128DF CARF MF Processo nº 16561.720215/201609 Acórdão n.º 1401003.081 S1C4T1 Fl. 8.120 19 i) Valor de US$ 100.000.000,00 (R$ 302.724.000,00) ROF TA 367187 (Contrato 04/001371). Observações sobre o contrato de câmbio Pagador no exterior Bunge Trade Ltd – Ilhas Cayman Produto a ser exportado – soja e derivados Prazo 62 meses Assinatura do contrato pelo comprador Virgilio Januário Martins e Reinaldo Henrique Steolla. ii) Juros sobre operação (doc. 162) Em documento (intitulado PRÉCONTRATO) com o timbre da Bunge Fertilizantes verificouse a informação do pagamento de R$ 30.230.725,01 (US$ 13.241.666.67) à Bunge Trade Ltd. em 06/10/2005 referente a juros sobre operação de pré pagamento de exportação (contrato 04/001371 de 13/07/2004). Em relatório interno da Bunge Fertilizantes (intitulado relatório de ordens não provisionadas), emitido em 06/10/2005, se nota a assinatura de Wagner Chuqui CPF 051.389.41879; consta o pagamento de juros de prépagamentos de exportação em favor da Bunge Trade no valor de R$ 15.230.725,01. No rodapé do relatório está impresso nome de José Vanildo dos Santos (CPF 076.175.13860). Wagner Chuqui e José Vanildo tinham vínculo empregatício com a Bunge Fertilizantes em 2005 (docs. 218/219). No contrato de câmbio de venda – tipo 04 Transferência para o exterior NR 05/001542 de 06/10/2005 – constatamos: em outras especificações juros de pré pagamento de exportação; assinaram pelo comprador Wagner e Virgilio. US$ 13.241.666,67 R$ 30.230.725,01 Período de 14/07/2004 até 11/10/2005 iii) Quitação do Principal – US$ 33.000.000,00 (doc. 163) Apresentado demonstrativo de quitação do valor principal de US$ 33.000.000,00 onde estão relacionadas datas de embarque, nº de contratos, RE e despacho (doc. 163). Nesse demonstrativo, datado de 11/10/2005, em nome da Bunge Alimentos S.A., verificouse a assinatura de Érico Tavares Lopes CPF: 902.227.689/91 e Simone Maria de Souza Bodenmuller CPF: 601.129.809/53, os quais tinham vínculo empregatício com a Bunge Alimentos S.A. (docs. 220/221). Foi anexada cópia de um ofício da Bunge Alimentos, datado de 10/10/2005, encaminhado à DRF/Blumenau. Nesse ofício, também assinado por Enrico e Simone, a Bunge Alimentos informou que a Bunge Participações Ltda. constava cadastrada no Siscomex como empresa do mesmo grupo econômico e que estava autorizada a vincular contrato de câmbio em registros de exportação da Bunge Alimentos S.A. Foram vinculados despachos ao contrato de câmbio 04/001371 no valor de US$ 33.000.000,00 (doc. 163). Fl. 8129DF CARF MF 20 Foram anexadas cópias de despachos de exportação da Bunge Alimentos S.A. (doc. 164). Podemos verificar, pelos conhecimentos de embarque, exportações da Bunge Alimentos para a Holanda, Reino Unido, Espanha, Portugal, etc. Da mesma maneira como descrito acima, nos itens B.1 e B.2, os demais contratos de US$ 30.000.000,00, US$ 30.000.000,00 e US$ 20.000.000,00 (NR 04/127041 – doc. 163A); NR 04/030721 – (Docs. 158A/158B/158C/158D/158E); NR 04/010760 (docs. 159A/159B/159C/ 159D/159E) – com assinaturas de Virgilio e Reinaldo sendo apresentados os demonstrativos de pagamento de juros em relatórios da Bunge Fertilizantes (assinados por Wagner) e a quitação do principal através de exportações da Bunge Alimentos, também com ofícios relacionando as exportações da Bunge Alimentos assinados por Simone e Érico. Chamou a atenção uma correspondência do Banco Itaú (doc. 166) encaminhada à Bunge Participações aos cuidados de Lucineide Zampilli, datada de 09/08/2004. Lucineide em 2004 tinha vínculo empregatício com a Bunge Fertilizantes (doc. 167); o AR anexado tinha como destinatário a Bunge Fertilizantes a/c de Lucineide. B.3 Segregação dos saldos devedores de prépagamento de exportação (doc. 165) Foi encaminhado ao coordenador do departamento de combate a ilícitos financeiros e supervisão de câmbio e capitais internacionais do Banco Central do Brasil ofício da Bunge Fertilizantes SA, datado de 19/09/2005 onde informou que: i) A Bunge Fertilizantes havia incorporado a Bunge Brasil que havia incorporado a Bunge Participações; ii) A Bunge Participações Ltda. efetuou um prépagamento de exportações no valor de US$ 280.000.000,00 com a Bunge Trade Ltd, registrado através do ROF TA 355385; iii) Houve uma cisão parcial onde ativos e passivos foram divididos; iv) No que tange ao prépagamento, tendo em vista os embarques já efetuados, o ROF deveria ser dividido entre as empresas conforme abaixo: v) Apresentou esquemas de pagamentos de 11/04/2006 a 09/10/2008 – quadros abaixo; vi) Assinam pela Bunge Fertilizantes SA – Lucineide R.C. Zampilli e Virgílio Januário Martins Fl. 8130DF CARF MF Processo nº 16561.720215/201609 Acórdão n.º 1401003.081 S1C4T1 Fl. 8.121 21 C Transcrevemos abaixo as contas analíticas representativas de obrigações da Bunge Participações que possuíam saldo em 31/12/2004: No anocalendário de 2005, verificouse o seguinte mútuo passivo entre a Bunge Participações e a Bunge Alimentos (doc. 122): o Mútuo passivo com a Bunge Alimentos registrado em 10/2005 tendo como contrapartida prépagamento de exportações – R$ 207.938.540,24 (doc. 121) –esses valores referemse às exportações da Bunge Alimentos S.A. utilizadas para amortização do principal dos prépagamentos para exportação. Quando da cisão parcial da Bunge Fertilizantes S.A. para a Bunge Alimentos e Participações Ltda., também em 31/10/2005 (a qual foi incorporada pela Bunge Alimentos S.A. em 28/02/2006), esse mútuo passivo foi vertido terminando na Bunge Alimentos S.A. de onde se originaram as exportações (docs. 93/98). Na Bunge Fertilizantes em 31/10/2005: Fl. 8131DF CARF MF 22 F – Conclusão quanto ao ágio proveniente da Bunge Participações Ltda. Através de “Fato Relevante da Bunge Brasil S.A.3”, datado de 29/04/2004, a Bunge Limited, controladora da Bunge Brasil S.A, foi a público informar que seu “Conselho de Diretores” aprovara a realização de oferta pública para aquisição da totalidade das ações ordinárias e preferenciais de emissão da Bunge Brasil em circulação no mercado visando o seu cancelamento de registro como companhia de capital aberto. A Bunge Limited comunicou ainda que a decisão tomada pelo seu “Board of Directors” (Conselho de Diretores) foi motivada por consulta formulada pelo Banco de Investimentos Credit Suisse First Boston S.A. (“CSFB”), sobre seu interesse em adquirir ações de emissão de sua controlada (doc. 198). Para a aquisição dessas ações, o grupo Bunge constituiu, em 14/05/2004, a sociedade Bunge Participações Ltda. tendo como quotistas a Bunge BIC Holdings BV (99,99%) e a Bunge Investimentos e Consultoria Ltda. Para diretores foram eleitos Hildegard Gutz Horta e Miguel Juan Pryor. Hildegard era procuradora da Bunge Cooperatief UA, Bunge Brasil Holdings BV e Bunge BIC Holdings BV no Brasil e também diretora, juntamente com Miguel Juan, da Bunge Investimentos e Consultoria Ltda. Miguel tinha vínculo empregatício com a Bunge Fertilizantes S.A. O capital social era de R$ 10.000,00 e assim ficou até 13/10/2005, às vésperas da incorporação pela Bunge Brasil S.A. em 31/10/2005. Conforme se verificou no fato relevante publicado pela Bunge Brasil (doc. 199), datado de 30/05/2004, a Bunge Participações Ltda. na qualidade de ofertante e em complementação ao Fato Relevante publicado pela Bunge Limited em 29.04.2004, informou aos acionistas da Bunge Brasil S.A. (“Bunge Brasil”) e ao mercado que, em 28.05.2004 havia sido protocolado na Comissão de Valores Mobiliários – CVM o pedido de registro da oferta pública de aquisição da totalidade das 136.113.918 ações ordinárias e preferenciais de emissão da Bunge Brasil em circulação no mercado. Foram publicados mais dois fatos relevantes (31/05/2004 e 30/06/2004), ambos fazendo menção ao fato relevante de 29/04/2004. A Bunge Participações, com um capital social de apenas R$ 10.000,00, controlada integralmente pelo grupo Bunge, adquiriu as ações em circulação fechando o capital da Bunge Brasil S.A. Para a aquisição dessas ações, a sociedade que tinha um capital de R$ 10.000,00, desembolsou, em 2004, R$ 820.863.072,59. Considerando o laudo de avaliação econômica da Bunge Brasil, foi registrado um ágio fundamentado em rentabilidade futura de R$ 389.373.463,52. No balanço patrimonial de 31/12/2004 (DIPJ Ac 2004) o PL da Bunge Participações Ltda. estava negativo em R$ 78.101.679,83. Analisandose a escrituração contábil da Bunge Participações Ltda., verificase que as origens dos recursos para a aquisição das ações que estavam em circulação no Fl. 8132DF CARF MF Processo nº 16561.720215/201609 Acórdão n.º 1401003.081 S1C4T1 Fl. 8.122 23 mercado consistiram em operações denominadas “prépagamentos de exportações”, as quais estavam registradas no passivo em “ADIANTAMENTOS DIVERSOS LP”. Essas operações consistem em uma modalidade de financiamento ao exportador na fase de préembarque da mercadoria, com recursos levantados junto a um banco no exterior ou a um importador, provendo capital de giro para viabilizar a produção e as vendas ao exterior. Os valores totais financiados foram de US$ 280.000.000,00 equivalentes a R$ 849.617.000,00. A Bunge Participações Ltda. não teve qualquer tipo de receita afeta a exportações. Analisandose os contratos de câmbio, constatouse que o remetente dos recursos foi a Bunge Trade Ltd., subsidiária integral da Bunge Participações Ltda., e as mercadorias que seriam exportadas seriam a soja e seus derivados. Constatouse também que todos os contratos de câmbio foram assinados por Virgilio Januário Martins e Reinaldo Henrique Steolla; ambos tinham vínculos empregatícios com a Bunge Fertilizantes. Conforme verificado em artigos disponibilizados no sítio da Bungeprev na internet, Reinaldo foi gerente financeiro da Bunge Fertilizantes. Até a incorporação da Bunge Participações pela Bunge Brasil (a qual depois foi incorporada pela Bunge Fertilizantes S.A.) em 31/10/2005, foram liquidados US$ 93.000.000,00 e pagos juros de US$ 37.024.166,67. Essas liquidações do principal e os pagamentos de juros ocorreram cerca de 20 dias antes das incorporações. Pelos documentos apresentados referentes aos pagamentos de juros à Bunge Trade Ltd., verificouse que esses documentos foram produzidos em formulários personalizados da Bunge Fertilizantes, o mesmo ocorrendo com relatórios internos da Bunge Fertilizantes onde constam as assinaturas de Wagner Chuqui, gerente financeiro da Bunge Fertilizantes. Os contratos de câmbio, na contratação dos prépagamentos de exportação e no pagamento dos juros, foram assinados por Virgilio, Reinaldo, Wagner todos com vínculo empregatício com a Bunge Fertilizantes. Todas as operações financeiras, que incluíram a tomada de créditos no exterior e o pagamento dos juros tiveram o aval de funcionários da Bunge Fertilizantes – mais de R$ 0,9 bilhão; não poderia ser diferente pois a Bunge Participações nunca teve funcionários e tinha um capital social irrisório até a integralização em 13/10/2005 com créditos de R$ 165.000.000,00 (créditos esses provenientes da operação de compra das quotas da Bunge Investimentos e Consultoria, operação descrita no item anterior, onde evidenciouse a operação de compra de um investimento do grupo Bunge por ele mesmo, gerando artificialmente um ágio). A liquidação dos US$ 93.000.000,00 foi feita através de exportações de soja e seus derivados. Todos os conhecimentos de embarque tiveram como remetente das mercadorias a Bunge Alimentos S.A. Nos demonstrativos de quitação, onde estão relacionados datas de embarque, nº de contratos, RE e despacho, assinam pela Bunge Alimentos S.A. Érico Tavares Lopes e Simone Maria de Souza Bodenmuller; ambos tinham vínculos empregatícios com a Bunge Alimentos. Juntamente com esses demonstrativos que vinculavam despachos de exportação aos contratos de prépagamento de exportação, foram apresentados ofícios dirigidos à DRF/Blumenau onde a Bunge Alimentos declarou que a Bunge Participações Ltda. constava cadastrada no Siscomex como empresa do mesmo grupo econômico e que estava autorizada a vincular contrato de câmbio em registros de exportação da Bunge Alimentos S.A. Fl. 8133DF CARF MF 24 No momento das exportações de soja/derivados, foi registrado em uma conta de mútuo passivo com a Bunge Alimentos (tendo como contrapartida a conta de pré pagamento de exportações) o valor de R$ 207.938.540,24 (doc. 121). Na Bunge Fertilizantes, após as incorporações, houve o registro desse mútuo passivo com a Bunge Alimentos e quando da cisão parcial da Bunge Fertilizantes para a Bunge Alimentos Participações Ltda., também em 31/10/2005, esse mútuo passivo foi vertido. Quando da incorporação da Bunge Alimentos Participações pela Bunge Alimentos S.A., teremos obrigações e direitos se anulando (docs. 93/98). Dentre a documentação apresentada, chamou a atenção uma correspondência do Banco Itaú (doc. 166) encaminhada à Bunge Participações aos cuidados de Lucineide Zampilli, datada de 09/08/2004; o AR anexado tinha como destinatário a Bunge Fertilizantes a/c de Lucineide. Lucineide em 2004 tinha vínculo empregatício com a Bunge Fertilizantes (doc. 167). O saldo remanescente do principal a pagar, um total de US$ 187.000.000,00, foi distribuído entre a Bunge Alimentos Participações Ltda.: US$ 106.600.000,00 e a Bunge Fertilizantes S.A.: US$ 80.400.000,00 (Obs.: a Bunge Alimentos Participações foi incorporada posteriormente pela Bunge Alimentos S.A., operação que foi objeto de ação fiscal na DRF/Blumenau). Analisandose as DIPJ e DIRF apresentadas pela Bunge Participações Ltda. Verificouse que o contador responsável foi Roberto Correa Sampaio. Roberto Correa Sampaio era contador da Bunge Brasil S.A. e da Bunge Fertilizantes S.A. Verificouse que no AC 2004 a Bunge Participações apurou um prejuízo fiscal de R$ 16.926.420,57 e no AC 2005 o resultado fiscal informado foi zero. Todas as empresas estavam localizadas na Av. Maria Coelho Aguiar nº 215 bloco D 5º andar; a subordinação total sempre foi ao grupo Bunge, como se nota pelo fato relevante publicado em 29/04/2004, pelos administradores/quotistas comuns e todos os responsáveis pelas operações financeiras eram funcionários da Bunge Fertilizantes, assim como o contador responsável pelas empresas envolvidas. Resta claro, por tudo o que foi apurado e exposto, que a Bunge Participações foi criada pelo grupo Bunge somente para permitir o registro do ágio na compra das ações da Bunge Brasil que estavam em circulação para, na sequência, ser incorporada pela investida (Bunge Brasil) a qual seria incorporada pela Bunge Fertilizantes, todas essas operações de incorporações/cisão ocorrendo no mesmo dia, em sequência. A única função da Bunge Participações Ltda. foi a de servir como empresa veículo para o investimento e o ágio de modo a possibilitar a dedução desse ágio na apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL na Bunge Fertilizantes, ajustandose artificialmente a hipótese prevista no art. 386, III, c/c o art. 385, § 2º, II, ambos do RIR/1999. 6.3 Ágio Cajati Participações Ltda. I – Contrato social, alterações contratuais e atas A Contrato Social – 28/04/2003 (doc. 145) Em 28/04/2003, Maria Cristina Cescon Avedissian e Marcos Rafael Flesch, ambos advogados com escritório na Rua Funchal nº 263 11º andar em São Paulo – SP, constituíram a Dijon Participações Ltda. com um capital social de R$ 100,00 divididos em 100 quotas de R$ 1,00 e sede na Rua Funchal nº 263 10º andar sala 10 D em São Paulo – SP. Abaixo demonstramos a divisão das quotas: Fl. 8134DF CARF MF Processo nº 16561.720215/201609 Acórdão n.º 1401003.081 S1C4T1 Fl. 8.123 25 Maria Cristina Cescon Avedissian R$ 99,00 Marcos Rafael Flesch R$ 1,00 B 1ª Alteração contratual – 24/10/2003 – registrada na JUCESP em 25/11/2003 (doc. 146). Maria Cristina Cescon Avedissian, Marcos Rafael Flesch e Companhia Paulista de Ferros Ligas CNPJ 57.487.142/000142, chamada aqui de CPFL, alteraram o contrato da seguinte forma: i) Maria Cristina cedeu suas 99 quotas para a CPFL; ii) a administração ficou a cargo de Marcos Rafael; iii) integralização de R$ 1,00 por Marcos e R$ 99,00 pela CPFL com saldo das ações da Fertilizantes Fosfatados S.A. Fosfértil utilizadas conforme descrito abaixo; iv) aumento de capital em R$ 66.259.800,00 mediante a emissão de 66.259.800 quotas, subscritas e integralizados pela CPFL sendo: R$ 0,08 moeda corrente e o restante com ações da Fosfértil (3.955.293.931 ON e 7.910.587.866 PN) avaliadas em R$ 66.259.898,92 – laudo de avaliação das ações (doc. 147). Obs.: a Companhia Paulista de Ferros Ligas era controlada indiretamente pela Cia. Vale do Rio Doce. O Capital Social passou a ser de R$ 66.259.900,00 sendo apenas R$ 1,00 de Marcos Rafael. A administração coube a Marcos, no entanto, segundo o parágrafo terceiro do item 6.2 da cláusula 6ª, “os poderes para comprar, vender, hipotecar ou por qualquer outro modo alienar ou gravar os bens imóveis da Sociedade deverão ser exercidos pelo sócio que represente a maioria do capital, por si, ou através de procuradores com poderes especiais”. A cláusula oitava estabeleceu que nenhum dos sócios poderia ceder, transferir ou de qualquer forma alienar qualquer de suas quotas a terceiros sem o prévio consentimento por escrito do sócio que representasse pelo menos 75% de seu capital social. C 2ª Alteração contratual também em 24/10/2003 registrada na JUCESP em 09/12/2003 (doc. 148) Marcos Rafael Flesch, Companhia Paulista de Ferros Ligas, Bunge Fertilizantes S.A., representada pelo seu Diretor Presidente Mario Alves Barbosa Neto e por seu diretor Vital Jorge Lopes, e ainda Mario Alves Barbosa Neto resolveram: i) a CPFL cedeu e transferiu suas 66.259.899 quotas para a Bunge Fertilizantes S.A., nos termos de Contrato de Compra e Venda de Quotas celebrado em separado, retirandose da sociedade; ii) Marcos Rafael cedeu sua quota para Mario Alves Barbosa Neto, retirandose da sociedade; iii) alteraram a denominação social para Cajati Participações Ltda; iv) alteraram o endereço para a Av. Maria Coelho Aguiar n. 215 Bloco D 5º andar sala A; Fl. 8135DF CARF MF 26 v) elegeram como administradores: Mario Alves Barbosa Neto, Rogério Paulo Calderón Peres e Vital Jorge Lopes. Obs.: Mario Alves Barbosa Neto era Diretor Presidente da Bunge Fertilizantes S.A., Rogério Paulo consta como administrador na relação de administradores encaminhada pela fiscalizada e Vital Jorge era diretor da Bunge Fertilizantes. D 3ª Alteração contratual – 30/04/2004 registrada na JUCESP em 17/06/2004 (doc. 149) Bunge Fertilizantes representada por seus diretores eleitos conforme AGO realizada em 23/03/2004 Mario Alves Barbosa Neto e Rogério Paulo Calderón Peres, e Mario Alves Barbosa Neto, únicos quotistas da Cajati Participações Ltda., resolveram: i) Mario vendeu sua quota de R$ 1,00 para a Bunge Fertilizantes; ii) A Bunge Fertilizantes, considerando que se tornou a única sócia, resolveu incorporar a totalidade do patrimônio da Cajati – sem aumento do Capital Social da incorporadora nos termos estabelecidos no Protocolo de Justificação de Incorporação (doc. 143) – assinam o protocolo pela Bunge Fertilizantes e pela Cajati: Mario Alves Barbosa Neto e Rogério Paulo Calderón Peres; iv) Ratificar a escolha da avaliadora KPMG para elaboração do laudo de avaliação; iv) Aprovar o laudo de avaliação do patrimônio – Balanço Patrimonial em 31/03/2004 Protocolo e laudo (docs. 143/144) O único ativo permanente da incorporada era representado pelas ações da Fosfértil, como se verifica no Balanço Patrimonial da incorporada (doc. 144), reproduzido abaixo: Obs.: O balanço patrimonial e a DRE foram assinados por Rogério Paulo Calderón Peres na condição de administrador e Roberto Correa Sampaio como contador (doc. 144). Fl. 8136DF CARF MF Processo nº 16561.720215/201609 Acórdão n.º 1401003.081 S1C4T1 Fl. 8.124 27 E Contrato de Compra e Venda (doc. 181) No “Contrato de Compra e Vendas de Quotas”, assinado também em 24/10/2003, temos a Companhia Paulista de Ferro Ligas (CPFL) como vendedora e a Bunge Fertilizantes S.A. como compradora. Obs.: naquele mesmo dia de 24/10/2003 também foram assinadas: i) a primeira alteração contratual (admissão da CPFL e aumento de capital com a integralização com as ações da Fosfértil); ii) a segunda alteração contratual (cessão das quotas da CPFL para a Bunge Fertilizantes e alteração da denominação social para Cajati Participações). A CPFL vendeu todas as suas 66.259.899 quotas da Dijon Participações Ltda. para a Bunge Fertilizantes, representativas de 100% (exceto por uma quota) do Capital Social, por R$ 240.000.000,00, pagos integralmente no ato. No item 2.4 do contrato há menção específica sobre a propriedade das ações da Fosfértil, in verbis: “... por meio da 1ª alteração do contrato social da SPE (Dijon), a vendedora (CPFL) aumentou o capital social da SPE, integralizandoo mediante a conferência das ações da Fosfértil ... a transferência das ações da Fosfértil da vendedora para a SPE i) ainda não foi protocolada na JUCESP, estando, portanto, pendente de registro e ii) ainda está pendente de registro nos livros do Bradesco, instituição depositária das Ações da Fosfértil...” Como se nota, no mesmo dia (24/10/2003): i) A CPFL aumentou e integralizou capital da DIJON com as ações da Fosfértil; ii) A CPFL vendeu as quotas da DIJON para a Bunge Fertilizantes. Na cláusula de nº 4 do contrato está previsto: “ ... 4.1 as partes deverão publicar avisos e fatos relevantes. De fato, a Companhia Vale do Rio Doce publicou, também em 24/10/2003, o seguinte comunicado4: No item 4.2 do contrato foi expresso que a compradora (Bunge Fertilizantes) seria a responsável pelo registro na JUCESP da 1ª e 2ª alterações contratuais da Dijon e que também seria a compradora responsável por providenciar junto à instituição financeira depositária das Ações Fosfértil o registro da transferência das ações da vendedora (CPFL) para a Dijon. Fl. 8137DF CARF MF 28 Fica evidente a operação de venda de ações da Fosfértil para a Bunge Fertilizantes sendo a Cajati utilizada como veículo. II Registro do ágio O pagamento do valor contratado e o registro da operação na Bunge Fertilizantes estão demonstrados nas folhas do diário da Bunge Fertilizantes apresentado (doc. 152), como evidenciamos abaixo: Débito: conta 1311419 Participação Soc. Coligada Fert. Fosfértil Crédito: conta 1112001 Banco do Brasil Histórico: aquisição investimentos Valor: R$ 240.000.000,00 Data: 24/10/2003 Em 31/10/2003 o investimento foi reclassificado para a conta 1311521 Part.Soc.CajatiParticip.Ltda.(docs. 152/150) e reconhecido o ágio conforme demonstrado pela fiscalizada (doc. 150): Em 31/12/2003 foi amortizado o valor de R$ 2.895.668,36 conta 1317521 Amortização Ágio/Deságio Cajati. III Oferta Pública de Aquisição de Ações OPA (doc. 151) Foi apresentada uma OPA de ações ordinárias de emissão da Fosfértil pela Cajati Participações. Essa oferta foi realizada devido ao aumento da participação da Bunge Fertilizantes no capital da Fosfértil, conforme descrito no item 1.1 da OPA. No item 1.2 há menção de que a Bunge Fertilizantes celebrou em 24/10/2003 um contrato de compra de quotas por meio do qual adquiriu da CPFL, sociedade controlada pela Companhia Vale do Rio Doce, a totalidade do capital social da ofertante e indiretamente as ações da Fosfértil detidas pela ofertante. O item 1.3 se referia à obrigatoriedade dessa OPA (as ações ordinárias adquiridas representavam mais de 1/3 do total em circulação no mercado). Nos itens 2.2.1 e 2.2.2 estava consignado que o preço de compra ofertado seria o mesmo pago pela Bunge Fertilizantes pelas ações da Fosfértil e que as negociações entre a Bunge Fertilizantes e CVRD, partes não relacionadas, foram realizadas em bases comutativas (arms length). Com referência ao laudo de avaliação, no item 7.1 há citação de que o Colegiado da CVM aceitou o critério de avaliação com base na operação realizada entre a Bunge Fertilizantes e a CVRD. IV – Laudo de avaliação econômica da Cajati Fl. 8138DF CARF MF Processo nº 16561.720215/201609 Acórdão n.º 1401003.081 S1C4T1 Fl. 8.125 29 O relatório de rentabilidade futura (doc. 189), elaborado pela Audimar Auditores Independentes S/C, está endereçado à Bunge Fertilizantes S.A. aos cuidados do Sr. Roberto Sampaio, gerente do departamento contábil, datado de 29 de janeiro de 2004. V – DIPJ Cajati (docs. 75/76) Verificase nas DIPJ apresentadas pela Cajati que o responsável pelo preenchimento foi Roberto Correa Sampaio, contador da Bunge Fertilizantes, sendo responsável pela empresa Mario Alves Barbosa Neto. Na ficha 56A – “Outras informações” está declarada a inexistência de empregados. Fora resultados de equivalência patrimonial (Ficha 6A) não há nenhuma atividade empresarial geradora de recursos registrada. Em “despesas operacionais” não há qualquer registro com remuneração, ordenados, salários ou encargos sociais. No balanço patrimonial ficha 45A das DIPJ AC 2003 e 2004 não há informação de ágio. Pelo livro diário 2004 apresentado (doc. 191), constam as assinaturas de Rogério Paulo Calderón Peres e Roberto Correa Sampaio como administrador e contador respectivamente. VI – Conclusão quanto a amortização do ágio proveniente da aquisição da Cajati Participações Ltda. Como constatado, após dois advogados terem aberto uma sociedade, em 24/10/2003 a Companhia Paulista de Ferros Ligas (CPFL), uma subsidiária da CVRD, foi admitida na sociedade integralizando aumento de capital com ações representativas de 11,13% do capital da Fertilizantes Fosfatados S.A. – Fosfértil – o capital passou de R$ 100,00 para R$ 66.259.900,00 (quotas de R$ 1,00). A Fosfértil passou a ter todas as quotas da sociedade menos uma. Naquele mesmo dia foi assinado um contrato de venda entre a CPFL e a Bunge Fertilizantes. Todas as quotas (menos uma) foram transferidas para a Bunge Fertilizantes por R$ 240.000.000,00, a qual efetuou o pagamento no ato. No contrato existem referências de que a Bunge Fertilizantes seria responsável pelos atos de registro. A quota restante foi vendida para Mario Alves Barbosa Neto diretor presidente da Bunge Fertilizantes. Em um mesmo dia (24/10/2003) a CPFL aumentou e integralizou capital da DIJON com as ações da Fosfértil e vendeu essas quotas para a Bunge Fertilizantes. Ficou claro que o que ocorreu foi a venda das ações da Fosfértil, de propriedade da CPFL, para a Bunge Fertilizantes; a Cajati foi um mero veículo daquela participação societária. Aquela venda foi evidenciada em “fato relevante” publicado pela Companhia Vale do Rio Doce em 24 de outubro de 2003 onde ela comunicou o mercado que sua subsidiária, a Companhia Paulista de Ferro Ligas (CPFL), concretizara a venda de ações da Fertilizantes Fosfatados S.A. Fosfértil para a Bunge Fertilizantes S.A. por R$ 240 milhões. Vários outros atos, como descritos neste item e subitens, evidenciam que de fato o que ocorreu foi a venda das ações da Vale para a Bunge Fertilizantes. Fl. 8139DF CARF MF 30 Contabilmente a Bunge Fertilizantes registrou o investimento por EP e a diferença como ágio, fundamentado em expectativa de rentabilidade futura, conforme laudo de avaliação apresentado. Em 30/04/2004 a Cajati foi incorporada pela Bunge Fertilizantes e a partir de 2004 a Bunge Fertilizantes começou a amortizar esse ágio. A Cajati Participações, com sede no mesmo endereço da Bunge Fertilizantes, tendo como responsável Mario Alves Barbosa Neto, diretor presidente da Bunge Fertilizantes, e como contador Roberto Correa Sampaio, contador da Bunge Fertilizantes, nunca teve empregados ou quaisquer despesas com remunerações ou encargos sociais; nas demonstrações de resultado (Fichas 6A) não há receitas, somente resultados positivos de participações societárias. Pelo que foi apurado e exposto neste item e subitens, resta claro que a única função da Cajati Participações Ltda. foi a de servir como empresa veículo de modo a possibilitar a dedução do ágio na apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL na Bunge Fertilizantes, ajustandose artificialmente à hipótese prevista no art. 386, III, c/c o art. 385, § 2º, II, ambos do RIR/1999. 6.4. Ágio da Bunge I de Participações S.A. I – Constituição da subsidiária integral e atas A – Escritura Pública de Constituição de Subsidiária Integral (doc. 138) Em 29/05/2002, como outorgante e reciprocamente como outorgada, a Bunge Brasil S.A., representada por seus diretores José Júlio Cardoso de Lucena e Milton Notrispe constituíram uma subsidiária integral denominada Bunge I de Participações S.A. com capital subscrito e integralizado de R$ 10.000,00 (doc. 138). Diretor Presidente – Mario Alves Barbosa Neto e Diretor VicePresidente Milton Notrispe. B AGE 15/08/2002 às 12h (doc 139) Realizada no dia 15/08/2002, na sede social da companhia, na Av. Maria Coelho Aguiar, 215, Bloco D 5º andar – parte, instalada pelo Diretor Presidente Mario Alves Barbosa Neto e secretariada por Hildegard Gutz Horta. O capital da sociedade foi aumentado em R$ 763.787.298,49 sendo subscrito e integralizado pela acionista Bunge Brasil S.A. mediante a conferência de bens que consistiram no investimento e respectivo ágio na Bunge Fertilizantes S.A. conforme laudo de avaliação contábil (data base 30/06/2002) anexo à ata. C AGE 29/08/2002 às 09:30 (doc. 139A) Realizada no dia 29/08/2002, na sede social da companhia, na Av. Maria Coelho Aguiar, 215, Bloco D – parte, instalada pelo Diretor Presidente Mario Alves Barbosa Neto e secretariada por Hildegard Gutz Horta. Foi aprovada a incorporação por parte da Bunge Fertilizantes S.A. do total do patrimônio líquido da sociedade nos termos estabelecidos no Protocolo de Incorporação e Justificação firmado, em 14/08/2002, pelos administradores das sociedades envolvidas. A ata foi aprovada e assinada por Mario Alves Barbosa Fl. 8140DF CARF MF Processo nº 16561.720215/201609 Acórdão n.º 1401003.081 S1C4T1 Fl. 8.126 31 Neto, presidente da mesa, Hildegard Gutz Horta, secretária e por Mario Alves Barbosa Neto e Milton Notrispe representando a Bunge Brasil S.A. Quanto ao patrimônio transferido, ficou consignado no protocolo que o capital da incorporadora seria aumentado em R$ 10.000,00 sem emissão de novas ações e a diferença mantida em reserva de capital. Obs.: Tanto a Bunge I de Participações S.A. como a Bunge Fertilizantes S.A. eram subsidiárias integrais da Bunge Brasil S.A. D AGE na Bunge Fertilizantes S.A., subsidiária integral de Bunge Brasil S.A. em 29/08/2002 às 11:30 (doc. 14) Realizada no dia 29/08/2002, na sede social da companhia, na Av. Maria Coelho Aguiar, 215, Bloco D, 5º andar, instalada pelo Diretor Presidente Mario Alves Barbosa Neto e secretariada por Hildegard Gutz Horta. Deliberações: em síntese, a incorporação da Bunge I de Participações S.A., subsidiária integral da Bunge Brasil S.A., pela Bunge Fertilizantes S.A. A incorporação acarretou aumento do patrimônio líquido no montante de R$ 259.106.574,14, com o respectivo aumento de capital de R$ 10.000,00 e constituição de reserva de capital de R$ 259.096.574,14. A Ação representativa do capital da incorporadora integrante do ativo da incorporada foi entregue ao acionista da incorporadora. O capital social passou a ser de R$ 518.310.000,00 (item 2.3 da ata). Como se verifica pelo laudo contábil (doc. 139A) o valor de R$ 259.106.574,14 corresponde ao ágio na Bunge Fertilizantes S.A. (item B, acima) E – Fato relevante Bunge Brasil – datado de 13/08/2002 (doc. 176) “Em atendimento ao disposto na Instrução CVM nº 358, de 3 de janeiro de 2002, informamos que em reunião realizada nesta data o Conselho de Administração deliberou tomar as seguintes providências para permitir a utilização dos créditos tributários relativos aos ágios apurados quando da aquisição pela Bunge Brasil S.A. da totalidade das ações da Bunge Fertilizantes S.A. e Bunge Alimentos S.A., via incorporação de ações aprovada na AGE de 19.12.2001: a) Transferir os investimentos nas subsidiárias integrais Bunge Fertilizantes S.A. e Bunge Alimentos S.A., respectivamente para as subsidiárias integrais constituídas para esse fim, Bunge I de Participações S.A. e Bunge II de Participações S.A., a título de integralização de capital pelos valores contábeis dos investimentos transferidos; e b) Efetivar as incorporações inversas de Bunge I de Participações S.A. em Bunge Fertilizantes S.A. e de Bunge II de Participações S.A. em Bunge Alimentos S.A.. A amortização dos referidos ágios será apropriada aos resultados da Bunge Fertilizantes S.A. e Bunge Alimentos S.A. de forma linear, à taxa anual de 10%, sendo que o benefício anual decorrente dos correspondentes créditos tributários a ser refletido no resultado da Bunge Brasil S.A. por equivalência patrimonial durante o período de amortização, está estimado a valores nominais em R$ 39,6 milhões. Fl. 8141DF CARF MF 32 A amortização dos ágios será iniciada a partir da data das respectivas incorporações inversas. Exclusivamente para fins de cálculo do dividendo mínimo obrigatório, os valores amortizados dos ágios líquidos dos efeitos tributários, refletidos na Bunge Brasil S.A. por equivalência patrimonial em cada exercício social, serão ajustados como acréscimo do lucro líquido do exercício com o objetivo de neutralizar seus efeitos” Fica evidenciado que a Bunge I de Participações S.A. foi constituída com a única finalidade de transportar o ágio originalmente registrado na Bunge Brasil para a Bunge Fertilizantes. II Demonstração do ágio Conforme declarou a fiscalizada em carta resposta datada de 15/10/2010 (doc. 136), o ágio seria resultante da diferença entre o PL da companhia, na data base de 30/11/2001, adquirido por Serrana S.A. (antiga razão social da Bunge Brasil S.A.) e o pagamento a terceiros mediante substituição de ações da Bunge Fertilizantes S.A. por ações da Bunge Brasil S.A. O objetivo da operação teria sido o de fechar o capital da Bunge Fertilizantes, tornandoa subsidiária integral da Bunge Brasil S.A. a qual permaneceu com capital aberto. Portanto, não teria havido o pagamento em espécie, mas o pagamento mediante troca de ações de uma companhia por outra. O ágio registrado na Bunge Fertilizantes de R$ 286.656.102,71 conta 1332424 (proveniente da incorporação da Bunge I de Participações S.A.) seria decomposto em 02 valores principais, quais sejam: R$ 215.298.004,62 e R$ 71.358.098,09 (doc. 140). Esses valores aparecem contabilizados na Bunge Brasil S.A. conforme ficha do livro razão da conta 1313003 Participação Societária Ágio/Deságio Bunge Fertilizantes (doc. 140). O valor de R$ 215.298.004,62 estaria fundamentado na expectativa de rentabilidade futura, devidamente registrado e suportado com base no valor dos laudos de avaliação econômica elaborados pela Arthur Andersen, resultante da diferença entre o patrimônio líquido da Bunge Fertilizantes S.A., na data base de 30/11/2001, e o pagamento a terceiros mediante a substituição das ações da Bunge Fertilizantes por ações da Bunge Brasil S.A., decorrente de incorporação de ações. Obs.: Segundo o laudo da Arthur Andersen, página 9 (doc. 168), o valor econômico da Bunge Fertilizantes seria de R$ 1.739.838 mil que multiplicado pelos 19,06% adquiridos de acionista minoritários (através de troca de ações da Bunge Fertilizantes pelas da Bunge Brasil) totalizariam R$ 332.196.870,96, sendo que R$ 116.871.866,34 seriam referentes ao valor do investimento adquirido e a diferença de R$ 215.298.004,62 o ágio. O valor de R$ 71.358.098,09 estaria vinculado à redução de capital efetuada pela Serrana Participações Ltda. (doc. 140) e à aquisição de investimentos IAP S.A. e Fertisul S.A. (doc. 141). O investimento e respectivo ágio na Bunge Fertilizantes assim estavam registrados na Bunge Brasil S.A. após a redução de capital da Serrana Participações (doc. 140): Em 13/12: Fl. 8142DF CARF MF Processo nº 16561.720215/201609 Acórdão n.º 1401003.081 S1C4T1 Fl. 8.127 33 Em 19/12 foi contabilizada a incorporação de ações (investimento mais ágio): Conforme se verificou pelos históricos do diário (doc. 193), a aquisição de ações de minoritários da Bunge Fertilizantes e da Bunge Alimentos foi registrada na Bunge Brasil (19/12/2001) pelo valor econômico conforme apurado no laudo da Arthur Andersen. A contrapartida foi efetuada em Capital e Reserva de Capital como demonstrado abaixo: Segundo fato relevante publicado em 21/11/2001 (Doc. 171), os Conselhos de Administração de Serrana S.A., Bunge Fertilizantes S.A. e Bunge Alimentos S.A., empresas controladas por Bunge Limited, todas de capital aberto com ações negociadas em bolsa, informaram ao mercado a intenção de manter somente uma com capital tornando as outras duas subsidiárias integrais. As ações de Bunge Fertilizantes e Bunge Alimentos foram incorporadas por Serrana S.A., a qual permaneceu com capital aberto com ações negociadas em bolsa e alterou sua denominação social para Bunge Brasil S.A. Em substituição as ações incorporadas, a Serrana S.A. fez a emissão de novas ações da mesma espécie e classe. A relação de troca foi determinada conforme legislação em vigor. Fl. 8143DF CARF MF 34 A relação de troca das ações prevista nos Protocolos e Justificações, aprovados nas assembleias, foi calculada com base em avaliações econômicas, tal como em anteriores reestruturações operacionais e societárias de empresas do grupo, critério aquele mais favorável aos acionistas minoritários, se comparado com a relação de troca apurada unicamente para fins de comparação com base nas avaliações dos patrimônios líquidos a preços de mercado (conforme definido no Protocolo e Justificação de Incorporação de Ações as relações de substituição de ações foram calculadas com base em avaliações econômicas das sociedades, segundo a metodologia de fluxos futuros de caixa descontados a valor presente, na data base de 30.09.2001, preparadas pela Arthur Andersen Business Consulting S/C Ltda.). Ata do Conselho de Administração da Serrana S.A. – 03/12/2001 (doc. 172) AGE Bunge Fertilizantes realizada em 19/12/2001 (doc. 13) A mesa diretora foi presidida por Mario Alves Barbosa Neto e secretariada por Hildegard Gutz Horta. Em síntese, foi examinado e aprovado o Protocolo de Incorporação e Justificação (doc. 61). Foi aprovada a incorporação da totalidade das ações da companhia pela Serrana S.A. com a consequente transformação da companhia em subsidiária integral. Os acionistas, com base no resultado da avaliação pelo valor econômico das ações da Bunge Fertilizantes S.A. e da incorporadora Serrana S.A., segundo a metodologia de fluxos de caixa descontados a valor presente, na data base de 30/09/2001, receberam em cada lote de 1.000 ações que foram incorporadas 18,20849 ações novas de emissão de Serrana S.A., a qual teve sua denominação alterada para Bunge Brasil S.A. (doc. 13). Assinaram a ata, dentre outros: Mario Alves Barbosa Neto – Presidente; Hildegard Gutz Horta – Secretária; Bunge Limited – pp Hildegard Gutz Horta; Serrana S.A. – Mario Alves Barbosa Neto e Vital Jorge Lopes. O valor de R$ 71.358.098,09 estaria vinculado à redução de capital efetuado pela Serrana Participações Ltda. e à aquisição de investimentos IAP S.A. e Fertisul S.A. (doc. 140). Segundo a fiscalizada, seria advindo da redução de capital da Serrana Participações Ltda., controladora da Bunge Fertilizantes e controlada pela Serrana S.A. (denominação anterior da Bunge Brasil S.A.) – O investimento na Bunge Fertilizantes e os respectivos ágios vinculados às aquisições da IAP S.A. e da Fertisul S.A., registrados na Serrana Participações Ltda., foram transferidos para a Serrana S.A. Pela ata da 3ª Alteração contratual da Serrana Participações Ltda., ocorrida em 13/12/2001, (doc. 141) Serrana S.A. e Mario Alves Barbosa Neto, únicos sócios quotistas, resolvem reduzir o capital da sociedade em R$ 560.180.000,00 mediante a entrega pela sociedade à sócia quotista Serrana S.A. (denominação anterior da Bunge Brasil S.A.) do investimento e respectivos ágios na Bunge Fertilizantes S.A. existentes em 30/10/2001. A Serrana S.A. estava representada por seus diretores Milton Notrispe e Paulo César Matias Tinoco. Em atendimento ao item 05 do termo de intimação fiscal 06 (da ação fiscal anterior, concluída em dezembro de 2011) datado de 15/02/2011 (doc. 186) a fiscalizada apresentou demonstrativo (doc. 194) da composição dos valores de R$ 65.560.071,26 e 5.798.026,83 referentes aos valores de ágio referentes ao investimento na Bunge Fertilizantes. Feita intimação fiscal em 18/10/11 (doc. 202) solicitando esclarecimentos e demonstrações de como esses ágios (IAP e Fertisul) vinculados ao investimento na Bunge Fertilizantes estariam contabilizados na Serrana Participações Ltda. indicando a base legal para a constituição e apresentando a contabilização/forma de Fl. 8144DF CARF MF Processo nº 16561.720215/201609 Acórdão n.º 1401003.081 S1C4T1 Fl. 8.128 35 pagamento quando da aquisição dos investimentos foi apresentada carta resposta datada de 10/11/2011 (doc. 206) onde a fiscalizada declarou que “(...) a composição do ágio referese efetivamente à planilha já apresentada anteriormente à fiscalização, considerandose o arquivo anexo à própria intimação (...)”. Tal planilha demonstra o registro do custo de aquisição dos investimentos na Serrana Participações Ltda. e o reconhecimento do ágio, os quais foram transferidos para a Serrana S.A. (denominação anterior da Bunge Brasil). III – DIPJ e Diário apresentados (doc. 192) Verificase no diário número de ordem 01 as assinaturas de Roberto Correa Sampaio, contador, e Mário Alves Barbosa Neto como Diretor Presidente e como endereço a Av. Maria Coelho Aguiar nº 215 Bloco D 5º andar. Os únicos fatos registrados são referentes a subscrição/integralização de capital em 29/05/2002 (R$ 10.000,00), subscrição e aumento em 15/08/2002 e transferência do acervo líquido em 29/08/2002 quando da incorporação pela Bunge Fertilizantes com a extinção da incorporada. Evidente a utilização da empresa como veículo. IV – Conclusão quanto ao ágio proveniente Bunge I de Participações Ltda. Em 29/05/2002 a Bunge Brasil S.A. constitui uma subsidiária integral denominada Bunge I de Participações S.A. com capital subscrito e integralizado de R$ 10.000,00 e com sede na Av. Maria Coelho Aguiar 215, Bloco D, 5º andar – parte. No dia 15/08/2002, em AGE instalada pelo Diretor Presidente Mario Alves Barbosa Neto e secretariada por Hildegard Gutz Horta o capital da sociedade foi aumentado em R$ 763.787.298,49 mediante a conferência de bens que consistiram no investimento e respectivo ágio na Bunge Fertilizantes S.A. Logo na sequência, em 29/08/2002, foi aprovada a incorporação pela Bunge Fertilizantes S.A. do total do patrimônio da sociedade Bunge I de Participações Ltda., ou seja, do investimento Bunge Fertilizantes S.A. mais o ágio. A ata foi aprovada e assinada por Mario Alves Barbosa Neto, presidente da mesa, Hildegard Gutz Horta, secretária e por Mario Alves Barbosa Neto e Milton Notrispe representando a Bunge Brasil S.A. A incorporação acarretou aumento do patrimônio líquido no montante de R$ 259.106.574,14, com o respectivo aumento de capital de R$ 10.000,00 e constituição de reserva de capital correspondente ao valor do ágio (R$ 259.096.574,14). A Ação representativa do capital da incorporadora (integrante do ativo da incorporada) foi entregue ao acionista da incorporadora. O capital social passou a ser de R$ 518.310.000,00. Foi verificada, em fato relevante publicado pela Bunge Brasil S.A. em 13/08/2002, a comunicação de que para permitir a utilização dos créditos tributários relativos aos ágios apurados quando da aquisição pela Bunge Brasil S.A. da totalidade das ações da Bunge Fertilizantes S.A., via incorporação de ações aprovada na AGE de 19.12.2001, seria transferido o investimento na subsidiária integral Bunge Fertilizantes S.A. para a subsidiária integral Bunge I de Participações S.A. constituída para esse fim a título de integralização de capital pelos valores contábeis dos investimentos transferidos e que seria efetivada a incorporação reversa Fl. 8145DF CARF MF 36 de Bunge I de Participações em Bunge Fertilizantes S.A. A amortização seria a uma taxa linear de 10% ao ano. Por tudo o que foi verificado e descrito neste item e subitens, fica evidente que a única função da constituição Bunge I de Participações S.A., subsidiária integral da Bunge Brasil S.A., foi a de servir como empresa veículo para o investimento e o ágio serem transferidos para a Bunge Fertilizantes S.A. para que, após uma incorporação reversa, possibilitasse a dedução do ágio na apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL na incorporadora, ajustandose artificialmente à hipótese prevista no art. 386, III, c/c o art. 385, § 2º, II, ambos do RIR/1999. (...) 7. DAS REGAS PARA A DEDUTIBILIDADE DA AMORTTIZAÇÃO DO ÁGIO 7.1 Do Direito Após a descrição dos fatos sobre o surgimento e a transferência de ágios decorrentes dos movimentos societários ocorridos dentro do Grupo Bunge, cabem agora algumas considerações sobre a figura do ágio. O ágio surge na aquisição de investimento avaliado pelo método da equivalência patrimonial e corresponde à diferença a maior entre o preço de aquisição e o valor de patrimônio líquido contábil da participação societária adquirida em sociedade coligada ou controlada. Sendo que essa parcela faz parte do custo de aquisição da participação societária e tem grande relevância na determinação do valor do eventual ganho de capital. Cabe ao investidor segregar na contabilidade o montante total do custo em duas subcontas distintas, ou seja, o valor do patrimônio líquido da investida numa subconta e o valor do ágio (ou deságio) em outra subconta. Com o objetivo de estabelecer condições para a dedutibilidade dos encargos de amortização do ágio, o legislador definiu os contornos das situações em que os encargos dessa amortização podem ser deduzidos para a apuração das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL. A Lei n° 9.532/97 passou a estabelecer as condições para a dedutibilidade dos encargos de amortização do ágio pago, cujo descumprimento implica a impossibilidade de o sujeito passivo deduzilos na apuração de seu lucro real e da base de cálculo da CSLL. Os artigos 7º e 8º da Lei n° 9.532/97 assim dispõem: Artigo 7º A. pessoa jurídica que absorver patrimônio de outra, em virtude de incorporação, fusão ou cisão, na qual detenha participação societária adquirida com ágio ou deságio, apurado segundo o disposto no artigo 20 do DecretoLei n° 1.598, de 26 de dezembro de 1977: (Vide Medida Provisória n° 135. de 30.10.2003 ) I deverá registrar o valor do ágio ou deságio cujo fundamento seja o de que trata a alínea "a" do § 2º do artigo 20 do DecretoLei n° 1.598, d e 1977, em contrapartida à conta que registre o bem ou direito que lhe deu causa: II deverá registrar o valor do ágio cujo fundamento seja o de que trata a alínea "c" do § 2º do artigo 20 do DecretoLei n° 1.598, de 1977, em c ontrapartida a conta de ativo permanente, não sujeita a amortização; III poderá amortizar o valor do ágio cujo fundamento seja o de que trata a alínea "b" do § 2º do artigo 20 do Decretolei n° 1.598, de 1977, nos balanços correspondentes à apuração de lucro real, levantados Fl. 8146DF CARF MF Processo nº 16561.720215/201609 Acórdão n.º 1401003.081 S1C4T1 Fl. 8.129 37 posteriormente à incorporação, fusão ou cisão, à razão de um sessenta avos, no máximo, para cada mês do período de apuração: (Redação dada pela Lei n° 9.718, de 1998) IV deverá amortizar o valor do deságio cujo fundamento seja o de que trata a alínea "b" do § 2º do artigo 20 do DecretoLei n° 1.598, de 1977, n os balanços correspondentes à apuração de lucro real, levantados durante os cinco anoscalendários subseqüentes á incorporação, fusão ou cisão, à razão de 1/60 (um sessenta avos), no mínimo, para cada mês do período de apuração. § 1º O valor registrado na forma do inciso I integrará o custo do bem ou direito para efeito de apuração de ganho ou perda de capital e de depreciação, amortização ou exaustão. § 2° Se o bem que deu causa ao ágio ou deságio não houver sido transferido, na hipótese de cisão, para o patrimônio da sucessora, esta deverá registrar: a) o ágio, em conta de ativo diferido, para amortização na forma prevista no inciso III: b) o deságio, em conta de receita diferida, para amortização na forma prevista no inciso IV. § 3° O valor registrado na forma do inciso II do caput: a) será considerado custo de aquisição, para efeito de apuração de ganho ou perda de capital na alienação do direito que lhe deu cansa ou na sua transferência para sócio ou acionista, na hipótese de devolução de capital; b) poderá ser deduzido como perda, no encerramento das atividades da empresa, se comprovada, nessa data, a inexistência do fundo de comércio ou do intangível que lhe deu causa. § 4º Na hipótese da alínea "b" do parágrafo anterior, a posterior utilização econômica do fundo de comércio ou intangível sujeitará a pessoa física ou jurídica usuária ao pagamento dos tributos e contribuições que deixaram de ser pagos, acrescidos de juros de mora e multa, calculados de conformidade com a legislação vigente. § 5° O valor que servir de base de cálculo dos trib utos e contribuições a que se refere o parágrafo anterior poderá ser registrado em conta do ativo, como custo do direito. Artigo 8º O disposto no artigo anterior aplicase, inclusive, quando: a) o investimento não for, obrigatoriamente, avaliado pelo valor de patrimônio liquido: b) a empresa incorporada, fusionada ou cindida for aquela que detinha a propriedade da participação societária. (grifos meus) Por sua vez, o artigo 20 do Decretolei n° 1.598/77 , referido no caput do artigo 7º da Lei n° 9.532/97, assim preceitua: Art 20 O contribuinte que avaliar investimento em sociedade coligada ou controlada pelo valor de patrimônio liquido deverá, por ocasião da aquisição da participação, desdobrar o custo de aquisição em: I valor de patrimônio líquido na época da aquisição, determinado de acordo com o disposto no artigo 21; e Fl. 8147DF CARF MF 38 II ágio ou deságio na aquisição, que será a diferença entre o custo de aquisição do investimento e o valor de que trata o número I. § 1º O valor de patrimônio líquido e o ágio ou deságio serão registrados em subcontas distintas do custo de aquisição do investimento. § 2º O lançamento do ágio ou deságio deverá indicar, dentre os seguintes, seu fundamento econômico: a) valor de mercado de bens do ativo da coligada ou controlada superior ou inferior ao custo registrado na sua contabilidade; b) valor de rentabilidade da coligada ou controlada, com base em previsão dos resultados nos exercícios futuros; c) fundo de comércio, intangíveis e outras razões econômicas. § 3º O lançamento com os fundamentos de que tratam as letras a e b do § 2º deverá ser baseado em demonstração que o contribuinte arquivará como comprovante da escrituração. Os dispositivos supracitados são as matrizes legais dos artigos 385 e 386 do Regulamento do Imposto de Renda, Decreto n° 3000, d e 26 de março de 1999: Desdobramento do Custo de Aquisição Artigo 385. O contribuinte que avaliar investimento em sociedade coligada ou controlada pelo valor de patrimônio líquido deverá, por ocasião da aquisição da participação, desdobrar o custo de aquisição em (DecretoLei nº 1.598, de 1977, artigo 20): I valor de patrimônio líquido na época da aquisição, determinado de acordo com o disposto no artigo seguinte; e II ágio ou deságio na aquisição, que será a diferença entre o custo de aquisição do investimento e o valor de que trata o inciso anterior. § 1º O valor de patrimônio líquido e o ágio ou deságio serão registrados em subcontas distintas do custo de aquisição do investimento (Decreto Lei nº 1.598, de 1977, artigo 20, § 1º). § 2º O lançamento do ágio ou deságio deverá indicar, dentre os seguintes, seu fundamento econômico (DecretoLei nº 1.598, de 1977, artigo 20, § 2º): I valor de mercado de bens do ativo da coligada ou controlada superior ou inferior ao custo registrado na sua contabilidade; II valor de rentabilidade da coligada ou controlada, com base em previsão dos resultados nos exercícios futuros; III fundo de comércio, intangíveis e outras razões econômicas. § 3º O lançamento com os fundamentos de que tratam os incisos I e II do parágrafo anterior deverá ser baseado em demonstração que o contribuinte arquivará como comprovante da escrituração (DecretoLei nº 1.598, de 1977, artigo 20, § 3º). (grifos meus) Tratamento Tributário do Ágio ou Deságio nos Casos de Incorporação, Fusão ou Cisão Artigo 386. A pessoa jurídica que absorver patrimônio de outra, em virtude de incorporação, fusão ou cisão, na qual detenha participação societária adquirida com ágio ou deságio, apurado segundo o disposto no artigo anterior (Lei nº 9.532, de 1997, artigo 7º, e Lei nº 9.718, de 1998, artigo 10): (...) Fl. 8148DF CARF MF Processo nº 16561.720215/201609 Acórdão n.º 1401003.081 S1C4T1 Fl. 8.130 39 III poderá amortizar o valor do ágio cujo fundamento seja o de que trata o inciso II do § 2º do artigo anterior, nos balanços correspondentes à apuração de lucro real, levantados posteriormente à incorporação, fusão ou cisão, à razão de um sessenta avos, no máximo, para cada mês do período de apuração; (grifos meus) (...) § 6º O disposto neste artigo aplicase, inclusive, quando (Lei nº 9.532, de 1997, artigo 8º): (..) II a empresa incorporada, fusionada ou cindida for aquela que detinha a propriedade da participação societária. (...) O artigo 385 do RIR/99 determina que o contribuinte que avaliar investimento em sociedade coligada ou controlada pelo valor de patrimônio líquido deverá, por ocasião de sua aquisição, desdobrar seu custo entre o valor do patrimônio líquido correspondente à participação societária adquirida e o ágio porventura observado na aquisição do investimento, cujo fundamento econômico deverá estar evidenciado. A legislação fiscal, codificada no RIR/99, em regra, não prevê a possibilidade de dedução na apuração do lucro real da amortização do ágio decorrente de investimentos avaliados pelo patrimônio líquido. A exceção está regulamentada no artigo 391 c/c o artigo 426, ambos do RIR/99, ou seja, na alienação ou liquidação do investimento avaliado pelo Patrimônio Líquido. O artigo 391, com fundamento no art. 25 do Decretolei nº 1.598, de 1977 e art. 1º, inciso III, do Decretolei nº 1.730, de 1979, dispõe: Amortização do ágio ou Deságio Artigo 391. As contrapartidas da amortização do ágio ou deságio de que trata o artigo 385 não serão computadas na determinação do lucro real, ressalvado o disposto no artigo 426 (DecretoLei nº 1.598, de 1977, artigo 25, e DecretoLei nº 1.730, de 1979, artigo 1º, inciso III). Parágrafo único. Concomitantemente com a amortização, na escrituração comercial, do ágio ou deságio a que se refere este artigo, será mantido controle, no LALUR, para efeito de determinação do ganho ou perda de capital na alienação ou liquidação do investimento (artigo 426). (grifo meu) O artigo 426 do RIR/99, que aborda a alienação do investimento, comanda que em caso de alienação da participação societária avaliada pelo patrimônio líquido, o ágio verificado na aquisição do investimento faça parte do valor contábil para a determinação do ganho (tributável) ou perda (dedutível) de capital. Resultado na Alienação de Investimento Avaliado pelo Valor de Patrimônio Líquido Artigo 426. O valor contábil para efeito de determinar o ganho ou perda de capital na alienação ou liquidação de investimento em coligada ou controlada avaliado pelo valor de patrimônio líquido (artigo 384), será a soma algébrica dos seguintes valores (DecretoLei nº 1.598, de 1977, artigo 33, e DecretoLei nº 1.730, de 1979, artigo 1º, inciso V): I valor de patrimônio líquido pelo qual o investimento estiver registrado na contabilidade do contribuinte; Fl. 8149DF CARF MF 40 II ágio ou deságio na aquisição do investimento, ainda que tenha sido amortizado na escrituração comercial do contribuinte, excluídos os computados nos exercícios financeiros de 1979 e 1980, na determinação do lucro real; III provisão para perdas que tiver sido computada, como dedução, na determinação do lucro real, observado o disposto no parágrafo único do artigo anterior. (grifo meu) O artigo 386 do RIR/99, com fundamento nos artigos 7º e 8º da Lei nº 9.532/97, propicia uma alternativa para amortização do ágio na impossibilidade da alienação ou liquidação do investimento. Assim, a possibilidade de dedução do ágio na apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL restringese à hipótese do artigo 386, III, c/c o artigo 385, § 2º, II, do RIR/1999, ou seja, nos casos em que a pessoa jurídica absorver patrimônio de outra, em virtude de incorporação, fusão ou cisão, na qual detenha participação societária adquirida com ágio, cujo fundamento econômico seja o de rentabilidade da coligada ou controlada com base em previsão dos resultados nos exercícios futuros, situação em que a amortização poderá ocorrer à razão de um sessenta avos, no máximo, para cada mês do período de apuração. 7.2 Da Provisão determinada pela CVM – Ativo Fiscal Diferido A possibilidade de amortização do ágio também foi reconhecida pela CVM como um verdadeiro “benefício fiscal” ao regulamentar a aplicação das normas sobre reorganizações societárias aplicáveis às companhias abertas, nos casos de incorporações reversas, através da edição da Instrução CVM nº 319, de 03 de dezembro de 1999, com as alterações trazidas pela da Instrução CVM nº 349, de 6 de março de 2001: “DO TRATAMENTO CONTÁBIL DO ÁGIO E DO DESÁGIO Art. 6º O montante do ágio ou do deságio, conforme o caso, resultante da aquisição do controle da companhia aberta que vier a incorporar sua controladora será contabilizado, na incorporadora, da seguinte forma: I nas contas representativas dos bens que lhes deram origem – quando o fundamento econômico tiver sido a diferença entre o valor de mercado dos bens e o seu valor contábil (Instrução CVM nº 247/96, art. 14, § 1º); II em conta específica do ativo imobilizado (ágio) – quando o fundamento econômico tiver sido a aquisição do direito de exploração, concessão ou permissão delegadas pelo Poder Público (Instrução CVM nº 247/96, art. 14, § 2º, alínea ‘b’); e III em conta específica do ativo diferido (ágio) ou em conta específica de resultado de exercício futuro (deságio) – quando o fundamento econômico tiver sido a expectativa de resultado futuro (Instrução CVM nº 247/96, art. 14, § 2º, alínea ‘a’). § 1º. O registro do ágio referido no inciso I deste artigo terá como contrapartida reserva especial de ágio na incorporação, constante do patrimônio líquido, devendo a companhia observar, relativamente aos registros referidos nos incisos II e III, o seguinte tratamento: a) constituir provisão, na incorporada, no mínimo, no montante da diferença entre o valor do ágio e do benefício fiscal decorrente da sua amortização, que será apresentada como redução da conta em que o ágio foi registrado; b) registrar o valor líquido (ágio menos provisão) em contrapartida da conta de reserva referida neste parágrafo; Fl. 8150DF CARF MF Processo nº 16561.720215/201609 Acórdão n.º 1401003.081 S1C4T1 Fl. 8.131 41 c) reverter a provisão referida na letra ‘a’ acima para o resultado do período, proporcionalmente à amortização do ágio; e d) apresentar, para fins de divulgação das demonstrações contábeis, o valor líquido referido na letra ‘a’ no ativo circulante e/ou realizável a longo prazo, conforme a expectativa da sua realização. § 2º. A reserva referida no parágrafo anterior somente poderá ser incorporada ao capital social, na medida da amortização do ágio que lhe deu origem, em proveito de todos os acionistas, excetuado o disposto no art. 7º desta Instrução. § 3º. Após a incorporação, o ágio ou o deságio continuará sendo amortizado observandose, no que couber, as disposições das Instruções CVM nº 247, de 27 de março de 1996, e nº 285, de 31 de julho de 1998.” (Grifos nossos). Ressaltase que a Instrução CVM nº 319/1999, alterada pela Instrução CVM nº 349/2001, em consonância com os princípios contábeis e com as leis comerciais, é dirigida para aquelas hipóteses em que o ágio formado decorreu de aquisição de participação societária de terceiros, numa operação chancelada pelo mercado, uma vez que a autarquia não aceita o registro de ágio gerado intragrupo. Essas instruções têm como objetivo evitar que o ágio, regularmente gerado mediante aquisição societária entre partes independentes, seja reconhecido em duplicidade e, ainda, preservar o fluxo de dividendos futuros, na medida que a reversão da provisão anula o efeito redutor da amortização do ágio sobre o resultado da pessoa jurídica. 7.3 – Incorporação A teor do disposto no art. 227 da Lei nº 6.404 (Lei das S.A.), de 1976, “a incorporação é a operação pela qual uma ou mais sociedades são absorvidas por outra, que lhes sucede em todos os direitos e obrigações”. O instituto da incorporação objetiva, fundamentalmente, a reorganização das sociedades em face de uma conjuntura econômica, visando à proteção do patrimônio das pessoas jurídicas e de seus sócios, buscando a integração operacional, o fortalecimento competitivo no mercado ou a mudança de ramos de atividade, dentre outros. A operação de incorporação pode darse pelo valor contábil, mas a Lei das S.A. (Lei 6.404/76) estabelece a realização de determinados procedimentos para sua efetivação, tais como laudo de avaliação, assembleias gerais das sociedades interessadas, devidamente consolidadas em atas, e a formalização de protocolo e justificação da incorporação, com a finalidade de defender os acionistas e terceiros credores, impedindo, assim, que os bens sejam incorporados ao patrimônio da sociedade por valor superior ao mercado. Embora seja mais comum a incorporação da controlada pela controladora, a Lei nº 6.404/76 admite a situação inversa, como se vê em seu art. 264, in verbis: Art. 264. Na incorporação, pela controladora, de companhia controlada, a justificação, apresentada à assembléiageral da controlada, deverá conter, além das informações previstas nos arts. 224 e 225, o cálculo das relações de substituição das ações dos acionistas não controladores da controlada com base no valor do patrimônio líquido das ações da controladora e da controlada, avaliados os dois patrimônios segundo os mesmos critérios e na mesma data, a preços de mercado, ou com base em Fl. 8151DF CARF MF 42 outro critério aceito pela Comissão de Valores Mobiliários, no caso de companhias abertas (Redação dada pela Lei nº 10.303. de 2001). […] 4º aplicamse as normas previstas neste artigo à incorporação de controladora por sua controlada, à fusão de companhia controladora com controlada, à incorporação, fusão e incorporação de ações de sociedades sob controle comum (redação dada pela Lei nº 10.030, de 2001). [grifos meus] Como regra, na incorporação da controladora pela controlada, os sócios da primeira receberão quotas ou ações da segunda, de acordo com os critérios de avaliação por eles firmados. Num grupo societário no qual uma sociedade controla a outra, o caminho natural é a controladora incorporar a controlada, e não o caminho inverso. A esta operação denominase “incorporação às avessas” ou “incorporação reversa”. Como se viu, a incorporação reversa é operação prevista no art. 264 da Lei das S.A., mas não se pode olvidar que a operação pode estar sendo realizada abusivamente ou como negócio indireto em fraude à lei, fraude esta, associada não só à lei societária, mas também à lei tributária. A incorporação às avessas deve ser analisada sob a ótica objetiva do instituto jurídico, razão pela qual deve ser justificada por motivações que afastem a estranheza da operação e se coadunem com a perfeita adequação à realidade fática do caso. 7.4 – Utilização de empresa veículo Embora a possibilidade de amortização do ágio antes que ocorra a alienação ou liquidação do investimento possa se caracterizar como benefício fiscal outorgado pela Lei nº 9.532/97, é óbvio que o benefício se aplica às reais hipóteses de aquisição de investimento com ágio, não àquelas em que tenha havido uma artificial estruturação para possibilitar a transferência do ágio a ser amortizado em futura incorporação, com o único objetivo de criar despesas dedutíveis. Questionase, no presente caso, o cabimento da dedutibilidade, na apuração do IRPJ e da CSLL, da amortização de ágio transferido entre entidades do mesmo grupo econômico, através uso de empresas veículo criadas exclusivamente para esse fim. Analisandose as operações realizadas pelo grupo Bunge, quais foram os motivos de existência da Bunge I de Participações, Cajati Participações, Bunge Participações e Bunge Investimentos que não fosse o de transferir valores de ágio através de incorporações reversas possibilitando a amortização com fundamento no inciso III do artigo 386 do RIR 99? No caso da Bunge Investimentos mais longe se foi quando, além de transferir, ela criou um ágio em transação ocorrida dentro do próprio grupo Bunge. Quando questionada sobre as incorporações, a fiscalizada declarou que se justificavam dentro do processo de reorganização do grupo e que “obteve também benefício secundário fiscal da amortização dos ágios devidamente constituídos e fundamentados conforme previsão legal” (grifei). A possibilidade de amortização de ágios no valor de cerca de 0,95 bilhão de reais não é, a nosso ver, um benefício secundário, principalmente se for levado em consideração que as empresas citadas sequer funcionários tiveram e tiveram sede todas no mesmo endereço. Fl. 8152DF CARF MF Processo nº 16561.720215/201609 Acórdão n.º 1401003.081 S1C4T1 Fl. 8.132 43 O tributarista Marco Aurélio Greco, em seu livro Planejamento Tributário, Dialética, 2ª edição, no capítulo XVII das Operações Preocupantes, apresenta o seguinte texto no item 2: “Uma operação estruturada indica a existência de um objetivo único, predeterminado à realização de todo o conjunto. E mais, indica a existência de uma causa jurídica única que informa todo o conjunto. Neste caso, cumpre examinar se há motivos autônomos, ou não, pois se estes existirem, o fato a ser enquadrado é o conjunto e não cada uma das etapas. Daí uma questão de caráter metodológico. Qual o objetivo a ser analisado e enquadrado na legislação tributária? Diante de reorganizações societárias que tenham o efeito de reduzir o impacto da carga tributária incidente sobre as atividades ou os resultados de determinada pessoa jurídica, é freqüente encontrarmos estudos que procuram examinar separadamente cada um dos aspectos envolvidos ou – quando se trata de uma reorganização que envolva um conjunto de etapas sucessivas – cada um dos passos adotados no âmbito de uma operação mais ampla. Esta não me parece ser a postura mais adequada. Diante de uma situação complexa, é essencial considerar a figura como um todo, examinando ao mesmo tempo os vários aspectos que a cercam, pois o conhecimento e o enquadramento de determinada realidade será a resultante das diversas circunstâncias reunidas no caso concreto.”. O autor recomenda que sejam analisados o antes e o depois, e o elemento tempo. Como descrito nos itens e subitens próprios que analisaram as operações, verificamos o controle total do grupo Bunge em todo o processo de constituição, existência e incorporação das empresas Bunge Investimentos Ltda., Bunge Participações Ltda., Bunge I de Participações S.A., e Cajati Participações Ltda.. Ao final de todo o processo o controle total continuou sendo do grupo Bunge, com a diferença que todo o ágio foi transferido para as empresas operacionais do grupo, a saber: a Bunge Fertilizantes e a Bunge Alimentos. Essas passaram a ter, após essas incorporações, o suposto direito de se beneficiar da redução do IRPJ e da CSLL, mesmo que forçando artificialmente a condição de dedutibilidade do ágio estabelecida no inciso III art. 386 do RIR/99. Como bem destacou Marco Aurélio Greco (Planejamento Tributário. S. Paulo, Dialética, 2008), o elemento relevante quando se está perante uma pessoa jurídica não é apenas a sua existência formal. Em matéria tributária, tão ou mais importante que o preenchimento das formalidades legais para sua constituição é a identificação do empreendimento que justifica sua existência, “A criação de uma pessoa jurídica tem sentido na medida em que corresponda à vestimenta jurídica de determinado empreendimento econômico ou profissional.” (grifei). Segundo o autor, a ideia de empresa é o núcleo a ser investigado. O art. 981 da Lei nº 10.406, de 10 de janeiro de 2002 – Código Civil (CC), dispõe que celebram contrato de sociedade as pessoas que reciprocamente se obrigam a contribuir, com bens ou serviços, para o exercício de atividade econômica e para partilhar, entre si, os resultados obtidos, podendo realizar atividades de um ou mais negócios determinados. E o art. 982 do CC dispõe que salvo as exceções expressas, considerase empresária a sociedade que tem por objeto o exercício de atividade própria de empresário sujeito a registro. Fl. 8153DF CARF MF 44 Assim, a finalidade precípua é a realização de negócios que caracterizam o exercício de atividade econômica. No caso específico da sociedade empresária, pelo teor do art. 966 do Código Civil, considerase empresário quem exerce profissionalmente atividade econômica organizada para a produção ou a circulação de bens ou de serviços. Portanto, a atividade econômica é materializada pela produção e circulação de bens e serviços mediante organização de fatores de produção (capital, trabalho, matériaprima etc.). A formação de ambas as sociedades, empresária e simples, está adstrita ao ânimo do exercício de atividade econômica, e se este não existir fica caracterizada a ausência de propósito societário, não originando, assim, a motivação para a própria celebração do contrato de sociedade. Subsidiariamente, neste caso, devese ponderar que não haveria nem mesmo quaisquer resultados a serem partilhados. Marco Aurélio Greco (obra citada) indicou situações que são perfeitamente aplicáveis aos casos sob exame. Uma delas é a que se chama de “empresa veículo ou de passagem”, que vem a ser uma pessoa jurídica criada apenas para servir de canal de passagem de um patrimônio ou de dinheiro, sem que tenha efetivamente outra função dentro do contexto. Tratase de uma operação que serve apenas para transmitir um patrimônio ou um determinado recurso. Outro tipo de sociedade citada pelo tributarista é a “sociedade efêmera” ou de curta duração; é aquela que nasce para morrer ou para ser extinta tão logo cumpra seu papel em determinada operação. Exatamente como ocorreu com a Cajati Participações, Bunge I de Participações, Bunge Participações e Bunge Investimentos, empresas totalmente subordinadas ao grupo Bunge. A criação de uma sociedade para posterior extinção por incorporação revela evidente falta de propósito negocial, ou seja, inexistência de fundamento econômico da transformação societária. Não se concebe, nas operações normais dos agentes econômicos, que se crie uma empresa com o fim de extinguila logo em seguida. As empresas são entidades criadas para a exploração de determinada atividade econômica e, como regra geral, têm como premissa a continuidade de suas operações. Ora, nos casos examinados, não houve causa econômica (além da economia fiscal) para a criação dessas empresas, as quais foram usadas apenas como artifício para a dedutibilidade do ágio pago. Tanto assim que logo após cumprirem sua função foram incorporadas e deixaram de existir. Não há, portanto, a presença de um dos elementos essenciais intrínsecos ao negócio jurídico: a vontade, ânimo, das partes em exercer atividade econômica. As operações de reestruturação do grupo Bunge se afastam de uma reorganização natural no momento em que foram constituídas empresas, totalmente subordinadas ao grupo, com administradores comuns, localizadas no mesmo endereço, com contador comum, sem possuírem funcionários ou empregados, sendo que todas tiveram como única função forçar uma condição de dedutibilidade do ágio. No caso específico da Bunge Investimentos se foi mais longe: foi constituída uma sociedade totalmente subordinada ao grupo Bunge para adquirir um investimento (com ágio) do próprio grupo para logo na sequência ser incorporada e permitir a dedutibilidade daquele ágio. Sobre esses tipos de operação, com a criação artificial de ágio interno e de incorporação reversa e sem propósito negocial, com utilização de uma empresa veículo, já existem julgados no Conselho de Contribuintes, atual Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, entre os quais estão os Acórdãos abaixo transcritos: 1 IRPJ E OUTROS Ex(s): 2003 Fl. 8154DF CARF MF Processo nº 16561.720215/201609 Acórdão n.º 1401003.081 S1C4T1 Fl. 8.133 45 Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2002 DECISÃO – (…) AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO INCORPORAÇÃO DE PESSOA JURÍDICA CONTROLADORA POR SUA CONTROLADA – ANOCALENDÁRIO 2002 É permitida a amortização de ágio nas situações em que uma pessoa jurídica absorve patrimônio de outra, em conseqüência de incorporação, na qual detenha participação societária adquirida com ágio, apurado segundo o disposto no artigo 385 do RIR/99, inclusive no caso de incorporação da controladora por sua controlada. Tratandose de fundamento econômico lastreado em previsão de resultados nos exercícios futuros, a amortização se dá nos balanços correspondentes à apuração do lucro real, levantados posteriormente à incorporação, à razão de 1/60 (um sessenta avos), no máximo, para cada mês do período de apuração. INCORPORAÇÃO DE EMPRESA AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO – NECESSIDADE DE PROPÓSITO NEGOCIAL. UTILIZAÇÃO DE "EMPRESA VEÍCULO" – Não produz o efeito tributário almejado pelo sujeito passivo a incorporação de pessoa jurídica, em cujo patrimônio constava registro de ágio com fundamento em expectativa de rentabilidade futura, sem qualquer finalidade negocial ou societária, especialmente quando a incorporada teve o seu capital integralizado com o investimento originário de aquisição de participação societária da incorporadora (ágio) e, ato contínuo, o evento da incorporação ocorreu no dia seguinte. Nestes casos, resta caracterizada a utilização da incorporada como mera "empresa veículo" para transferência do ágio à incorporadora. (1º Conselho de Contribuintes / 3a. Câmara / ACÓRDÃO 10323.290 em 05.12.2007, Publicado no DOU em: 08.05.2008, Relator: Aloysio José Percínio da Silva) 2 OPERAÇÃO ÁGIO – SUBSCRIÇÃO DE PARTICIPAÇÃO COM ÁGIO E SUBSEQÜENTE CISÃO – VERDADEIRA ALIENÇÃO DE PARTICIPAÇÃO – Se os atos formalmente praticados, analisados pelo seu todo, demonstram não terem as partes outro objetivo que não se livrar de uma tributação específica, e seus substratos estão alheios às finalidades dos institutos utilizados ou não correspondem a uma verdadeira vivência dos riscos envolvidos no negócio escolhido, tais atos não são oponíveis ao fisco, devendo merecer o tratamento tributário que o verdadeiro ato dissimulado produz. Subscrição de participação com ágio, seguida de imediata cisão e entrega dos valores monetários referentes ao ágio, traduz verdadeira alienação de participação societária. (1ª Conselho de Contribuintes, 1ª Câmara/ Acórdão 10195.537/2006) 3 INCORPORAÇÃO DE SOCIEDADE. AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO NA AQUISIÇÃO DE AÇÕES SIMULAÇÃO. A reorganização societária, para ser legitima, deve decorrer de atos efetivamente existentes, e não apenas artificial e formalmente revelados em documentação ou na escrituração mercantil ou fiscal. A caracterização dos atos como simulados, e não reais, autoriza a glosa da amortização do ágio contabilizado. (1ª Conselho de Contribuintes, 1ª Câmara/ Acórdão 10196.724/2008) 117. 4 OPERAÇÕES ESTRUTURADAS EM SEQÜÊNCIA O fato de cada uma das transações, isoladamente e do ponto de vista formal, ostentar legalidade, não garante a legitimidade do conjunto de operações, quando Fl. 8155DF CARF MF 46 fica comprovado que os atos praticados tinham objetivo diverso daquele que lhes é próprio. 1º Conselho de Contribuintes / 4a. Câmara / ACÓRDÃO 10421.675 em 22.06.2006. Publicado no DOU em: 06.09.2007. 5 INCORPORAÇÃO DE SOCIEDADE. AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO NA AQUISIÇÃO DE AÇÕES. SIMULAÇÃO. O ágio gerado em operações societárias, para ser eficaz perante o Fisco, deve decorrer de atos econômicos efetivamente existentes. A geração de ágio de forma interna, ou seja, dentro do mesmo grupo econômico, sem a alteração do controle das sociedades envolvidas, sem qualquer desembolso e com a utilização de empresa inativa ou de curta duração (sociedade veículo) constitui prova da artificialidade do ágio e torna inválida sua amortização, sem que seja necessário demandar a nulidade das operações societárias praticadas. (Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, 1ª Seção de Julgamento, 1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária / Acórdão 1102000933/ 08 102013) 6 ÁGIO INTERNO. AMORTIZAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. (AC 2004, 2005, 2006, 2007) Inadmissível a formação de ágio por meio de operações internas, sem a intervenção de partes independentes e sem o pagamento de preço a terceiros. (CARF, 1ª Câmara, 1ª Turma Ordinária / Acórdão 1101000.968 de 09/10/2013) 7 DESPESAS COM AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. EMPRESAS DE MESMO GRUPO ECONÔMICO. INDEDUTIBILIDADE. (AC 2005, 2006, 2007, 2008, 2009) Incabível a formalização do ágio como decorrência de operação societária realizada entre empresas de mesmo grupo econômico, pela inexistência da contrapartida do terceiro que gere o efetivo dispêndio.. (CARF, 4ª Câmara, 2ª Turma Ordinária / Acórdão 1402001.337 de 06/03/2013) 8 TRANSFERÊNCIA DE CAPITAL PARA AQUISIÇÃO DE INVESTIMENTO POR EMPRESA VEÍCULO, SEGUIDA DE SUA INCORPORAÇÃO PELA INVESTIDA. SUBSISTÊNCIA DO INVESTIMENTO NO PATRIMÔNIO DA INVESTIDORA ORIGINAL. (AC 2008, 2009, 2010) Para dedução fiscal da amortização de ágio fundamentado em rentabilidade futura é necessário que a incorporação se verifique entre a investida e a pessoa jurídica que adquiriu a participação societária com ágio. Não é possível a amortização se o investimento subsiste no patrimônio da investidora original. (CARF, 1ª Câmara, 1ª Turma Ordinária / Acórdão 1101000.942 de 11/03/2013) Assim, o ágio transferido por uma empresa veículo, que foi criada exclusivamente para tal operação e sem motivação econômica empresarial que justificasse a sua existência (art. 966 do Código Civil), e que logo após ter cumprido seu papel desapareceu por ter sido incorporada pela investida, não poderia, em hipótese alguma, ser amortizado tributariamente. Portanto, a utilização da via indireta (constituição de empresas veículo) teve como único objetivo contornar a restrição da legislação tributária para operacionalizar a amortização do ágio conforme descrito nos itens/subitens próprios deste termo, buscando, assim, o benefício fiscal de se pagar menos tributos. 8. DAS AMORTIZAÇÕES DOS ÁGIOS Fl. 8156DF CARF MF Processo nº 16561.720215/201609 Acórdão n.º 1401003.081 S1C4T1 Fl. 8.134 47 O montante total de ágio contabilizado em contas de Ativo diferido é de R$ 952.974.058,59. Esse valor foi declarado na linha 67 da Ficha 36A Ativo Balanço Patrimonial da DIPJ 2012/ AC 2011 e é composto pelas seguintes contas de ágio: As somas dos valores já amortizados de cada ágio são contabilizadas nas contas redutoras de Ativo Diferido listadas a seguir. 8. 1. Amortizações no anocalendário 2011 No anocalendário 2011 o valor total amortizado a título de ágio foi de R$ 90.378.103,90 conforme declarado nas fichas 06A e 07A da DIPJ 2012 – AC 2011. Ficha 06A Demonstração do Resultado PJ em Geral 55. () Amort. Ágio Aquis.Invest.Aval.PL Incorp. Fusão ou Cisão 90.378.103,80 Ficha 07A Demonstração do Resultado Critérios em 31.12.2007 PJ em Geral 55. () Amort. Ágio Aquis.Invest.Aval.PL Incorp. Fusão ou Cisão 90.378.103,80 Na tabela a seguir mostramos o detalhamento da amortização mensal no AC 2011. Fl. 8157DF CARF MF 48 As despesas de amortização de ágio foram contabilizadas por meio de lançamentos a débito na conta contábil 4541001 AMORTIZACAO AGIO DE INVESTIMENTOS, que é uma conta de resultado que se encontra dentro do grupo Custos e Despesas – Resultados de Equivalência Patrimonial. Para neutralizar o impacto na apuração do resultado contábil foram feitos lançamentos a crédito na conta 4382002 PROVISAO AGIO ATIVO DIFERIDO CVM 319/99 E 349/01, que é uma conta de resultado que se encontra dentro do grupo Outras Despesas. 8. 2. Amortizações no anocalendário 2012 No anocalendário 2012 o valor total amortizado a título de ágio foi de R$ 90.378.103,90 conforme declarado nas fichas 06A e 07A da DIPJ 2013 – AC 2012. Ficha 06A Demonstração do Resultado PJ em Geral 55. () Amort. Ágio Aquis.Invest.Aval.PL Incorp.,Fusão ou Cisão 80.713.927,25 Ficha 07A Demonstração do Resultado Critérios em 31.12.2007 PJ em Geral 55. () Amort. Ágio Aquis.Invest.Aval.PL Incorp.,Fusão ou Cisão 80.713.927,25 Na tabela a seguir mostramos o detalhamento da amortização mensal no AC 2012. As despesas de amortização de ágio foram contabilizadas por meio de lançamentos a débito na conta contábil 4541001 AMORTIZACAO AGIO DE INVESTIMENTOS, que é uma conta de resultado que se encontra dentro do grupo Custos e Despesas – Resultados de Equivalência Patrimonial. Para neutralizar o impacto na apuração do resultado contábil foram feitos lançamentos a crédito na conta 4382002 PROVISAO AGIO ATIVO DIFERIDO CVM 319/99 E 349/01, que é uma conta de resultado que se encontra no grupo Outras Despesas. Fl. 8158DF CARF MF Processo nº 16561.720215/201609 Acórdão n.º 1401003.081 S1C4T1 Fl. 8.135 49 10. DO LANÇAMENTO DE OFÍCIO 10.1 Recálculo do Lucro Real e da Base de Cálculo da CSLL Conforme foi demonstrado neste Termo de Verificação Fiscal, a Bunge Fertilizantes S.A. excluiu indevidamente do lucro líquido do exercício para a apuração do lucro real e da base de cálculo da contribuição social sobre o lucro líquido os valores amortizados dos ágios que lhe foram transferidos através das empresas constituídas com o único objetivo de contornar a restrição da legislação tributária para as amortizações desses ágios. Esses valores estão sendo adicionados, por esta fiscalização, ao lucro real e à base de cálculo da contribuição social sobre o lucro líquido conforme exposto abaixo. A diminuição do “Lucro (Prejuízo) antes da Compensação de Prejuízos” e da “Base de Cálculo antes da Compensação da BC Negativa do próprio período de apuração” Fl. 8159DF CARF MF 50 diretamente impactam o saldo de “Prejuizos Operacionais” e de Bases de Cálculo Negativas antes da Compensão” da CSLL a serem compensados nos anoscalendário seguintes. Haja vista as infrações tributárias apontadas neste Termo de Verificação Fiscal, fica a BUNGE FERTILIZANTES S/A intimada a efetuar as devidas retificações em seus Livros de Apuração do Lucro Real (LALUR) relativos ao anocalendário de 2011 e 2012 de acordo com os demonstrativos abaixo que compõem o Auto de Infração: Planilha de Compensação de Prejuízos Fiscais do IRPJ Planilha de Compensação de Base Negativa da CSLL 10.2 Qualificação da Multa de Ofício No que se refere às multas de lançamento de ofício, o artigo 44 da Lei nº 9.430/96 estabelece que: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; II – (...); § 1º O percentual de multa de que trata o inciso I do caput será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. Por sua vez, o artigo 72 da Lei nº 4.502/64 dispõe que: Art. 72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido, ou a evitar ou diferir o seu pagamento. No caso em tela, verificamos que estamos diante de um caso de planejamento tributário abusivo em que o contribuinte agiu dolosamente, mediante a geração artificial de ágio, resultante de transações sem essência econômica, e transferência de ágio entre entidades do mesmo grupo econômico, através uso de empresas veículo criadas exclusivamente para esse fim, visando única e exclusivamente a redução da carga tributária, e retardando assim a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal. No caso da Bunge Investimentos Ltda. se foi mais longe quando foi constituída uma empresa para transacionar com outra do grupo e registrar um ágio. A teor do disposto nos artigos 966, 981 e 982 da Lei nº 10.406, de 10/01/2002 – Código Civil (CC), a finalidade precípua das sociedades é a realização de negócios que caracterizem o exercício de atividade econômica, materializada pela produção e circulação de bens e serviços, mediante organização de fatores de produção, v.g., capital, trabalho, matériaprima etc. A formação das sociedades está adstrita ao ânimo do exercício de atividade econômica. Este inexistindo, caracterizase ausência de propósito societário e, em última análise, de motivação para a própria celebração do contrato de sociedade. Fl. 8160DF CARF MF Processo nº 16561.720215/201609 Acórdão n.º 1401003.081 S1C4T1 Fl. 8.136 51 Nos casos descritos neste termo, não houve, reiteramos, causa econômica (além da economia fiscal) para a constituição e incorporação das empresas Bunge I de Participações, Cajati Participações, Bunge Participações e Bunge Investimentos. Demonstramos que em todo esse processo de reestruturação, o grupo Bunge jamais deixou de controlar todas sociedades envolvidas. Em todos os casos, a intenção do grupo foi a de criar artificialmente uma condição de dedutibilidade do ágio. Essas sociedades já foram criadas para serem incorporadas. Sociedades não têm por finalidade única ou precípua ser veículos de coisa alguma, ao contrário, constituemse em meios legalmente estabelecidos para o exercício de atividades econômicas. A premência com que as operações foram realizadas já denotava que elas faziam parte de uma sequência de etapas, encadeadas com as anteriores e a depender das posteriores, visando à busca de um fim determinado. No mesmo dia, 30/10/2005, ocorreu a incorporação da Bunge Investimentos pela Bunge Investimentos e Consultoria e desta pela Bunge Brasil; ocorreu a incorporação da Bunge Participações pela Bunge Brasil; a incorporação da Bunge Brasil pela Bunge Fertilizantes S.A e a cisão parcial da Bunge Fertilizantes para a Bunge Alimentos Participações. Conforme já descrito, no caso da Bunge Investimentos Ltda. o grupo Bunge gerou artificialmente um ágio no valor R$ 400.439.243,50 quando a Bunge BIC Holdings BV alienou para a Bunge Investimentos Ltda. (da qual detinha diretamente 99,99% das quotas) 99,88 % das quotas que possuía da Bunge Investimentos e Consultoria Ltda. O “pagamento” da transação foi através de uma nota promissória no valor de US$ 332.617.465,00 (R$ 904.253.840,35) emitida pela Bunge Investimentos Ltda. tendo como beneficiária a Bunge BIC Holdings. Toda essa negociação ocorreu dentro do grupo, sob seu controle. Todos os representantes das sociedades envolvidas tinham vínculos com grupo Bunge. Esse ágio seria justificado devido à participação da Bunge Investimentos e Consultoria na Bunge Brasil – após o registro desse ágio, única função da sociedade, estava criada a condição para as incorporações reversas. A Bunge Participações S.A. foi constituída pelo grupo com a finalidade exclusiva de adquirir ações da Bunge Brasil em circulação no mercado e registrar o ágio para ser incorporada na sequência; utilizou recursos captados no exterior vinculados a exportações que ela própria nunca realizou. A sociedade, sem funcionários, com sede no mesmo local, com um capital social de R$ 10.000,00, teve todos os contratos de câmbio e operações financeiras chanceladas por funcionários da Bunge Fertilizantes e as exportações efetuadas pela Bunge Alimentos. O ágio, após sequência de incorporações e cisões, foi alocado na Bunge Fertilizantes e na Bunge Alimentos. A Bunge I de Participações S.A., subsidiária integral da Bunge Brasil S.A., foi constituída exclusivamente para receber o investimento na Bunge Fertilizantes S.A. juntamente com respectivo ágio para, logo na sequência, ser incorporada pela própria investida, criando artificialmente a condição para amortização do ágio. A Cajati Participações Ltda. foi constituída para receber as ações da Fosfértil que foram adquiridas pela Bunge Fertilizantes da CPFL, para, depois de incorporada, tentar justificar a amortização do ágio foi constada, na realidade, uma compra de ações pela Bunge Fertilizantes. Fl. 8161DF CARF MF 52 Em todos os casos relatados neste termo, não houve causa econômica (além da economia fiscal) para a criação dessas empresas, as quais foram usadas apenas como artifício para a dedutibilidade dos ágios. Da análise dos fatos elencados a seguir, concluise que esse processo de reestruturação societária foi parte de um planejamento tributário abusivo com a finalidade de artificialmente impedir ou retardar a ocorrência do fato gerador. • O grupo criou um ágio de mais de R$ 400 milhões ao “adquirir” um investimento que já era dele próprio, no caso da Bunge Investimentos; • Houve a constituição e utilização de pessoas jurídicas como “empresas veículo” que não tiveram outra finalidade se não a de transportar o ágio para possibilitar a amortização após incorporações; • Essas empresas, as quais nunca tiveram funcionários ou empregados, tiveram sede no mesmo endereço, na Av. Maria Coelho Aguiar n. 215 Bloco D 5º andar, o mesmo da fiscalizada e foram extintas por incorporações, após terem cumprido sua função; • Todas as pessoas jurídicas envolvidas eram subordinadas ao grupo Bunge, o qual controlou todo o processo e possuíam como representantes legais ou administradores diretores de empresas do grupo Bunge; • Roberto Correia Sampaio aparece como contador da Cajati Participações, Bunge I de Participações, Bunge Participações, Bunge Brasil e Bunge Fertilizantes, todas envolvidas no processo; • As empresas domiciliadas no exterior foram todas representadas pela mesma procuradora, a sra. Hildegard Gutz Horta, que muitas vezes também constou como representante/diretora das empresas veículo; • Hildegard Gutz Horta além de ser a procuradora de empresas do grupo Bunge domiciliadas no exterior, como a Bunge Limited, Bunge Cooperatief UA, Bunge Brasil Holdings BV, Bunge BIC Holdings BV, Serrana Holdings Limited e Bunge Foods Limited, controladoras das sociedades do grupo no Brasil, foi diretora da Bunge Investimentos e Consultoria Ltda., da Bunge Investimentos e também da Bunge Participações; foi secretária das AGE da Bunge Brasil e da Bunge Fertilizantes realizadas em 31/10/2005, além de secretariar várias outras AGE de sociedades do grupo; • A Bunge Participações contratou câmbio (tomada de recursos) em mais de US$ 280.000.000,00 (R$ 849.617.000,00) sendo que todos os contratos de câmbio foram assinados por funcionários da Bunge Fertilizantes; • A Bunge Participações contratou câmbio (remessas para o exterior) para pagamento de juros de cerca de US$ 37.000.000,00 sendo que todos os contratos foram assinados por funcionários da Bunge Fertilizantes; • Houve a integralização das quotas da Cajati Participações com as ações da Fosfértil e venda das quotas no mesmo dia – pelo descrito e constatado, ficou claro que se tratou de uma operação de compra de ações pela Bunge Fertilizantes; A arquitetura do esquema que se desenhou, apesar de aparente legalidade com a formalização e com o registro de atos em órgãos apropriados deve ser vista como Fl. 8162DF CARF MF Processo nº 16561.720215/201609 Acórdão n.º 1401003.081 S1C4T1 Fl. 8.137 53 causa planejada para turvar a visão do Fisco, impedindoo de ter conhecimento da redução indevida das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL. Por tudo o que foi apurado, está mais do que claro que houve abuso de direito por parte das sociedades envolvidas, seja pela manifesta ausência de propósito negocial, seja pela artificialidade dos negócios realizados. A constituição das sociedades e as operações de incorporações reversas, certamente, não teriam sido praticadas se não fosse a possibilidade de usufruir o benefício fiscal. Não há, portanto, qualquer fundamento econômico a justificar as operações sob análise, ocorridas, ressaltese, dentro do mesmo grupo econômico. Resta claro que o único objetivo pretendido foi a obtenção de benefício fiscal. Não há dúvida de que agiu intencionalmente, justificando a qualificação da multa no lançamento de ofício. Irresignada com o lançamento fiscal, a Recorrente apresentou junto à Unidade de Origem a impugnação de efls. 7.769/7.817. Seu recurso foi apreciado pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento do Rio de Janeiro (DRJ/RJO) em 02 de agosto de 2017, cujo acórdão, de nº 1289.817 – 12ª Turma, recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2011 a 31/12/2012 ENDEREÇAMENTO DAS INTIMAÇÕES. DOMICÍLIO TRIBUTÁRIO. É prevista a intimação do sujeito passivo apenas no domicílio tributário, assim considerado o do endereço postal, eletrônico ou de fax, pelo contribuinte fornecido, para fins cadastrais, à Secretaria da Receita Federal. DILIGÊNCIA. DESNECESSIDADE. O pedido de realização de diligência é indeferido, tanto por estar em desacordo com os requisitos legais, quanto por ser desnecessária. PROVA. JUNTADA POSTERIOR. A prova documental deverá ser apresentada na manifestação de inconformidade, precluindo o direito de a interessada fazêlo em outro momento processual, a menos que a interessada demonstre, com fundamentos, a impossibilidade de apresentação por motivo de força maior; refirase a fato ou direito superveniente ou destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. PRELIMINAR. DECADÊNCIA. FORMAÇÃO DE ÁGIO EM PERÍODOS ANTERIORES AO DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR. INOCORRÊNCIA. Somente pode se falar em contagem do prazo decadencial após a data de ocorrência dos fatos geradores, não importando a data contabilização de fatos passados que possam ter repercussão futura. MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICADA. Não havendo apuração de tributo devido na autuação, não haverá cobrança da multa qualificada. MATERIA APRECIADA. OUTRO PROCESSO. REDISCUSSÃO. INCABÍVEL. Fl. 8163DF CARF MF 54 Incabível rediscutir matéria apreciada em processo pendente apenas, em sede administrativa, da decisão do CARF para encerrar o contencioso, sob pena de grave violação dos princípios da economia processual, eficiência administrativa e celeridade processual, e, ainda, de risco iminente de decisões contraditórias. LANÇAMENTO REFLEXO. ÁGIO APRECIADO EM PROCESSO ANTERIOR. Já tendo sido apreciada, em outro processo administrativo, o ágio e sua indedutibilidade, nos presentes autos que se referem à glosa da dedução do ágio em períodos subseqüentes, deve ser dada a devida repercussão daquele julgamento, não sendo cabível a reapreciação de matéria já objeto de julgamento. AUTOS REFLEXOS. CSLL. O decidido quanto ao IRPJ aplicase à tributação dele decorrente. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Percebese, pois, que a impugnação foi julgada totalmente improcedente, razão pela qual a Contribuinte apresentou o recurso voluntário de efls. 8.034/8.090. Em seu recurso voluntário apresenta as seguintes razões, em apertadíssima síntese: A) Preliminarmente 1) Preliminarmente, argui a nulidade da decisão recorrida, sob a alegação de cerceamento do direito de defesa, decorrente de supressão de instância recursal, em razão de ausência de manifestação por parte da Turma a quo quanto ao mérito da matéria controvertida. Alega a Recorrente que a Turma a quo não teria se manifestado quanto ao mérito da lide, fundamentando tal proceder no fato de que a mesma já teria sido apreciada no processo administrativo nº 16561.720026/201113 que, àquela altura (data do julgamento pela DRJ/RJO), estaria pendente de julgamento perante a Câmara Superior de Recursos Fiscais; 2) Decadência do direito do Fisco de questionar a validade das operações em que o ágio foi glosado, haja vista que remontam a fatos ocorridos e registrados nos controles contábeis e fiscais da Recorrente e de outras empresas do grupo há mais de 05 (cinco) anos; B) No mérito 1) Ágio Bunge Brasil S/A Bunge Participações Ltda. A operação envolvendo o fechamento do capital da Bunge Brasil S/A (daqui para frente denominada tão somente de BB) efetivamente aconteceu, tendo a Bunge Participações Ltda (daqui para frente denominada tão somente de BP) cumprido o seu intuito negocial. Esta era, na verdade, sociedade de propósito específico, constituída para viabilizar o fechamento do capital da BB. Não se pode dizer que a BP tratarseia de empresa veículo, haja vista que o regime jurídico aplicável ao caso foi cumprido de forma coerente e consistente. A adoção da estrutura utilizada pelo grupo nunca foi proibida, tendo sido acolhida pelo mercado, que aceitou vender as ações para BP e foi devidamente chancelada pelas autoridades regulatórias, no caso, a CVM. Ainda, que se tivesse havido alguma Fl. 8164DF CARF MF Processo nº 16561.720215/201609 Acórdão n.º 1401003.081 S1C4T1 Fl. 8.138 55 irregularidade, caberia à CVM, representar à Receita Federal, o que não aconteceu por conta da higidez das operações realizadas. Não houve, conforme alegado no Acórdão nº 1402001.460, de 08/10/2013, integrado pelo Acórdão nº 1402002.145, de 05/04/2016, proferidos no processo nº 16561.720026/201113, fraude à legislação societária, que admitiria a realização da operação, conforme foi operacionalizada, através de sociedade controladora indireta, no caso, a BP. Assim, ao contrário do que alegam os citados acórdãos, não teria havido aquisição, pela BB, de suas próprias ações, eis que quem as teria efetivamente adquirido fora a BP. 2) Ágio CAJATI Participações Ltda O fato de a empresa CAJATI ter tido duração curta, mesmos responsáveis, procuradores e endereço coincidentes com os da Recorrente, por si só não teriam o condão de invalidar a apuração do ágio verificado, tampouco suas posteriores amortizações. O ágio em questão decorreria de operação efetiva, real, de aquisição de participação societária realizada entre partes independentes, integrantes de grupos econômicos distintos (Bunge e Vale), tendo havido efetivo pagamento de preço. Também neste caso, a CAJATI era uma sociedade de propósito específico, para o qual não eram necessários empregados, nem a realização de outros negócios desconectados com a sua razão de existir, nem sendo necessário que ela tivesse longa existência. Ainda, a CAJATI não teria sido constituída pela Recorrente, mas pela parte vendedora, no caso, a CPFL, que não tem qualquer relação com a Recorrente. 3) Ágio Bunge I de Participações S/A O ágio em questão teria sido apurado na operação de substituição de ações da Bunge Fertilizantes S/A (daqui para frente denominada tão somente de BF) por ações da BB, com o consequente fechamento do capital da BF. O referido ágio foi apurado inicialmente pela BB (anteriormente denominada de Serrana), quando da incorporação de ações que acarretou o fechamento de capital da Recorrente. Posteriormente, a BB transferiu o investimento na Recorrente para a Bunge I de Participações (daqui para frente denominada tão somente de BIP), que reconheceu o mesmo ágio inicialmente reconhecido pela BB. Finalmente, a BIP foi incorporada pela BF, dando ensejo às amortizações glosadas pelo Fisco. A glosa fiscal estaria voltada apenas à utilização da BIP como "empresa veículo" para a transferência do ágio da BB para a BF. Entretanto, a estrutura criada teve por objetivo simplificar a gestão das empresas operativas, concentrando numa holding as decisões que até então dependiam da participação dos acionistas, facilitando, não somente a administração de cada unidade como também permitindo alcançar ganhos de diversas espécies. De forma alguma se poderia cogitar no presente caso da fabricação de um ágio inexistente, com a finalidade de obter uma incabível vantagem fiscal. Do ponto de vista estritamente fiscal, a dedução da amortização do ágio poderia ser conseguida por múltiplos caminhos, todos consentâneos com a legislação, entretanto, a forma escolhida tinha como objetivos precípuos: a) segregar o ágio relativo à BF, separadamente do ágio pertinente à Bunge Alimentos S/A (daqui para frente denominada tão somente de BA); Fl. 8165DF CARF MF 56 b) emparelhar diretamente a amortização do ágio com a geração dos lucros a que ele se refere, que corresponde à "mens legis", portanto, atendendo não somente à letra, como também ao espírito da lei; c) não desfazer os efeitos benéficos no âmbito societário, obtidos com a centralização do controle direto das duas companhias operativas em uma holding no Brasil, permitindo que os acionistas das duas continuassem a participar dos resultados de ambas, e não mais apenas do seu investimento original, sem desfazer as vantagens de gestão das empresas operativas. Assim, houve pois, um propósito negocial ao lado do resultado fiscal derivado da reorganização levada a efeito na consecução daquele propósito. A BIP, dessa forma, viabilizou a consecução desse objetivo e representou, a todo rigor, uma sociedade de propósito específico, para o qual não eram necessários empregados, nem a realização de outros negócios desconectados com a sua razão de existir, nem sendo necessário que ela tivesse longa existência. 4) A Licitude da utilização de empresa veículo Mesmo se admitindo que a BP, a CAJATI e a BIP seriam empresas veículo utilizadas com o único intuito de permitir a amortização dos ágios, ainda assim, não haveria razão para a glosa fiscal das amortizações, haja vista que a legislação autorizaria esse tipo de situação, desde que haja a reunião do ágio com o lucro auferido pelo patrimônio que o gerou, o que foi observado no caso em tela. A lógica e o intuito da norma, ao condicionar a dedução fiscal à absorção dos patrimônios, é possibilitar que o investidor adquirente deduza, das receitas percebidas pelo patrimônio adquirido, o valor pago a maior justamente por estas receitas realizadas, o que faz determinando a união, em um mesmo patrimônio, do ágio (ou deságio) com os lucros percebidos pelo investimento a que ele se refere. Alega, concluindo, que não há qualquer impedimento legal para a utilização de empresa veículo, seja para aquisição do investimento, seja para a transferência do ágio após a aquisição. 5) A regularidade da incorporação reversa É operação admitida expressamente pela legislação e vem sendo reconhecida como válida pela jurisprudência deste Conselho. 6) A alegada falta de propósito negocial Todas as operações foram realizadas com objetivos negociais específicos, no contexto da estratégia implementada pelo grupo no Brasil. A par disso, o ordenamento jurídico não incorporou a existência do propósito negocial como requisito para a validade de negócios jurídicos. 7) Inexistência de abuso de direito ou fraude à lei No presente caso, os atos jurídicos foram praticados regularmente, sem qualquer excesso, pois dentro das suas finalidades jurídicas, também não havendo manifesto excesso aos bons costumes e à boafé, razão pela qual não se pode cogitar de fraude à lei, pois todas as operações foram realizadas no contexto das operações normais de um grupo econômico de porte, como é o caso da Bunge. 8) Da inexistência de previsão legal para a adição, à base de cálculo da CSLL, da despesa com a amortização de ágio considerada indedutível Fl. 8166DF CARF MF Processo nº 16561.720215/201609 Acórdão n.º 1401003.081 S1C4T1 Fl. 8.139 57 Ainda que se considere que as despesas relativas à amortização fiscal do ágio são indedutíveis para fins de apuração do lucro real, é preciso enfatizar que o lançamento de CSLL não possui fundamento legal. Isso porque o DecretoLei nº 1.598 e a Lei nº 9.532 disciplinaram o tratamento tributário conferido ao ágio exclusivamente para efeitos de apuração do lucro real, inexistindo dispositivo legal que imponha quaisquer limites ou vedações para o aproveitamento da dedutibilidade do ágio no cálculo da CSLL devida. 9) Descabimento da multa qualificada É incabível a penalidade qualificada em autuações sem exigência fiscal como a presente, o que impede a tipificação da conduta no art. 72 da Lei nº 4.502. Também, o componente doloso é de caracterização fundamental para fins de aplicação da multa qualificada, o que não ocorreu no presente caso, que trata apenas de divergência de interpretação legal dos fatos. No caso dos autos, houve, evidência indisfarçada dos fatos e dos atos, como eles realmente foram, e como foram desejados. Afinal, vieram os autos para este Conselheiro relatar e votar. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Relator. O Recurso Voluntário é tempestivo e sua matéria se enquadra na competência deste Colegiado. Os demais pressupostos de admissibilidade igualmente foram atendidos. Prefacialmente, há que se decidir acerca da argüição de nulidade da decisão recorrida levantada pela parte, que apresenta alegação de cerceamento do seu direito de defesa, decorrente de supressão de instância recursal, em razão de ausência de manifestação por parte da Turma a quo quanto ao mérito da matéria controvertida. Aduz a Recorrente que a Turma a quo não teria se manifestado quanto ao mérito da lide, eis que fundamentou sua decisão no fato de que a matéria relativa às operações de ágio questionadas pela Fiscalização já teriam sido apreciadas no processo administrativo nº 16561.720026/201113 que, àquela altura (data do julgamento pela DRJ/RJO), estaria pendente de julgamento perante a Câmara Superior de Recursos Fiscais. Vejamos o teor da decisão da DRJ/RJO a respeito das operações de ágio (v. efls. 8.005/8.027): 4. Do mérito Tanto a autoridade fiscal quanto o contribuinte citam o processo administrativo fiscal nº 16561.720026/201113 que se refere a autos de infração de IRPJ e CSLL Fl. 8167DF CARF MF 58 relativos aos períodos de 2005 a 2009, também originados da glosa de despesas de amortização de ágio. Neste sentido, a Autoridade Fiscal transportou elementos, informações, provas para a apuração dos mesmos tributos dos períodos subseqüentes (2011 e 2012), agora em exame, para o presente processo, conforme revela no TVF, fl. 7.643: Considerando que o foco principal da presente ação fiscal é a verificação das despesas com amortização de ágio e que o contribuinte já havia sido fiscalizado sobre esse mesmo tema, nos anoscalendário de 2005 a 2009, deuse a informação, por meio da Intimação nº 04, que iriase utilizar os documentos enviados e esclarecimentos prestados na ação fiscal anterior, que culminou no lançamento de ofício realizado pelos AuditoresFiscais desta delegacia – Delegacia Especial de Maiores Contribuintes em São Paulo (DEMACSPO). Em novembro de 2011 foram lavrados Autos de Infração de IRPJ e Autos de Infração Reflexos de CSLL. Tais autos de infração deram origem ao processo fiscal de nº 16561.720026/201113, do qual extraiuse diversos documentos a fim de serem utilizados nesta Fiscalização e sobre o qual nos reportaremos com frequência.. O contribuinte em sua impugnação reafirma a legitimidade da dedução da amortização do ágio. As despesas de amortização de ágio cujas glosas originaram o presente processo foram tratadas no processo anterior nº 16561.720026/201113. Assim, a matéria litigiosa tratada no PAF n° 16561.720026/201113, no que concerne a legitimidade e dedutibilidade das citadas despesas de ágio, abrange completamente as questões suscitadas sobre a dedutibilidade, ou não, da amortização do ágio na apuração das bases de cálculo dos mesmos tributos no período tratado nestes autos. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamentos em São Paulo I (SP) considerou procedente o lançamento, nos termos do acórdão nº 1639.979 proferido pela 4º Turma da DRJSP1 em 29/06/2012: (...) Inconformada com a decisão, a autuada apresentou recurso voluntário que foi julgado pela 4ª Câmara/2º Turma Ordinária por meio do Acórdão nº 1402001.460 em 08/10/2013 que deu provimento parcial ao recurso apresentado, rejeitando a argüição de decadência, dando provimento parcial ao recurso para cancelar a qualificação da multa de ofício aplicada junto com o tributo e a multa isolada, conforme ementa abaixo transcrita: (...) Contra tal decisão foram opostos embargos de declaração que foram acolhidos para suprir omissões no acórdão 1402001.460, com efeitos infringentes, e reconhecer a extinção do crédito tributário atinente ao anocalendário de 2005 em face da decadência, dando provimento ao recurso em relação a essa matéria. Cientificada, a PFN interpôs, tempestivamente, Recurso Especial, alegando divergência jurisprudencial relativamente às seguintes matérias: (...) O contribuinte interpôs Recurso Especial, que foi admitido, no qual aponta divergência jurisprudencial com decisões que versam sobre as seguintes matérias: (...) Portanto, a discussão suscitada pelo contribuinte a respeito da legitimidade e validade do ágio obtido nas operações em questão, para fins de dedutibilidade na condição de encargos de amortização, embora em período de apuração Fl. 8168DF CARF MF Processo nº 16561.720215/201609 Acórdão n.º 1401003.081 S1C4T1 Fl. 8.140 59 posterior definido no relatório, constante deste processo, está completamente abarcada pelo processo citado (PAF n° 16561.720026/201113), não havendo razão para ser replicada nestes autos sob pena de grave violação dos princípios da economia processual, eficiência administrativa e celeridade processual, e, ainda, de risco iminente de decisões contraditórias a respeito do crédito tributário constituído, descabendo, de qualquer modo, rediscutir os fundamentos daquelas decisões muito menos alterálos por vias transversas, cuja definitividade depende apenas de decisão do CARF sobre os recursos especiais. Conforme descrito no TVF e na impugnação do contribuinte as despesas glosadas correspondem exatamente em sua natureza e origem àquelas discutidas nos autos citados. Verificase que o processo nº16561.720026/201113 trata dos mesmos fatos aqui analisados com repercussão para outros períodos (2005 a 2009), e no qual foi mantida a glosa da dedutibilidade das amortizações dos ágios, decorrentes dos mesmos fundamentos fáticos e jurídicos, não sendo possível rediscutir os fundamentos daquelas decisões. O contribuinte, na impugnação, contesta as decisões proferidas no processo nº16561.720026/201113, ocorre que tal contestação só pode ser efetuada por meio do recurso próprio segundo o rito do PAF. Cabe ressaltar, em relação à multa de ofício qualificada que uma vez que não existiu crédito lançado, não haverá multa a ser cobrada, neste processo. Observase pelo próprio auto de infração que não houve cobrança da multa, apenas a redução do prejuízo e da base negativa da CSLL em virtude da glosa da amortização do ágio. Em relação a tipificação da conduta, também é questão já apreciada no processo administrativo nº16561.720026/201113, devendo ser aplicada a decisão final proferida, uma vez que tal questão ainda está pendente de julgamento do Recurso Especial. Por todos os fundamentos expostos, VOTO pela improcedência da Impugnação. Da análise dos trechos extraídos da decisão recorrida acima reproduzidos, cheguei à conclusão que a Recorrente tem razão em sua argumentação a respeito da nulidade da decisão recorrida, mesmo porque, rigorosamente, não houve decisão nenhuma por parte da Autoridade Julgadora a quo. Sob o argumento de que “a discussão suscitada pelo contribuinte a respeito da legitimidade e validade do ágio (...)” estaria “completamente abarcada pelo processo citado (PAF n° 16561.720026/201113), não havendo razão para ser replicada nestes autos sob pena de grave violação dos princípios da economia processual, eficiência administrativa e celeridade processual, e, ainda, de risco iminente de decisões contraditórias a respeito do crédito tributário constituído”, a DRJ/RJO deixou de decidir a demanda. Para piorar, ainda manifestouse no sentido de que descaberia, “de qualquer modo, rediscutir os fundamentos daquelas decisões muito menos alterálos por vias transversas, cuja definitividade depende apenas de decisão do CARF sobre os recursos especiais”. Creio que, em concordando com os termos do decidido até então, tanto pela DRJ/SPO (acórdão nº 1639.979 4ª Turma), quanto pela 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 1ª Seção do CARF (acórdão nº 1402001.460), bastaria à DRJ/RJO que reproduzisse o teor da tais decisões e dissesse que as suas razões para decidir eram as mesmas. Mas, isso não foi feito. Pelo contrário, sob o fundamento de que descaberia, de qualquer modo, rediscutir o Fl. 8169DF CARF MF 60 fundamento daquelas decisões (o que é absolutamente equivocado), eis que sua definitividade dependeria apenas de decisão em sede de recurso especial pelo CARF, a DRJ/RJO simplesmente não decidiu. Quando digo que não decidiu, leiase não fundamentou sua decisão de rejeitar a impugnação apresentada pela Contribuinte. Deixando de fundamentar a decisão, incorreu em nulidade absoluta da mesma, ex vi do disposto na Constituição Federal, em seu art. 93, inciso IX, Código de Processo Civil, art. 11, e Decreto nº 70.235/72 (PAF), art. 59, inc. II (in fine). Só o simples fato de citar as decisões constantes do processo nº 16561.720026/201113 (acórdãos nº 1639.979 4ª Turma da DRJ/SPO e nº 1402001.460 – 1ª TO/4ª Câmara/1ª Seção do CARF), reproduzindo suas ementas, não considero suficiente para tomar como fundamentada a decisão recorrida. O mesmo se deu em relação à qualificação da multa de ofício. Vejam como foi formalizada a manifestação da DRJ/RJO: Cabe ressaltar, em relação à multa de ofício qualificada que uma vez que não existiu crédito lançado, não haverá multa a ser cobrada, neste processo. Observase pelo próprio auto de infração que não houve cobrança da multa, apenas a redução do prejuízo e da base negativa da CSLL em virtude da glosa da amortização do ágio. Em relação a tipificação da conduta, também é questão já apreciada no processo administrativo nº16561.720026/201113, devendo ser aplicada a decisão final proferida, uma vez que tal questão ainda está pendente de julgamento do Recurso Especial. Também neste ponto, verificase que não houve por parte da Autoridade Julgadora a quo decisão a respeito das alegações trazidas no bojo da impugnação de que não caberia a imputação de multa qualificada por conta da inexistência de crédito tributário a ser cobrado (tratase de auto de infração de redução de prejuízos fiscais e saldos negativos de CSLL). Também não houve manifestação na decisão recorrida a respeito da inexistência de dolo nas condutas perpetradas quando das reestruturações societárias levadas a cabo pela Recorrente. Em que pese a defesa ter se desincumbido de sua defesa de maneira eficaz, nem que seja por uma questão didática, proponho seja o presente processo devolvido à Delegacia da Receita Federal de Julgamento do Rio de Janeiro para que labore em nova apreciação da matéria discutida nos presente autos. Por todo o exposto, dou provimento ao recurso para declarar a nulidade da decisão recorrida, razão pela qual os autos deverão ser devolvidos à Turma a quo para que profira novo julgamento. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Fl. 8170DF CARF MF
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