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Numero do processo: 10660.905882/2011-42
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 23 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Jul 24 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/06/2002 a 30/06/2002
INDÉBITO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA.
O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa baseada em dados declarados pelo sujeito passivo, não infirmada com documentação hábil e idônea.
Numero da decisão: 3803-006.044
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Hélcio Lafetá Reis - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Demes Brito e Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: HELCIO LAFETA REIS
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/06/2002 a 30/06/2002 INDÉBITO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa baseada em dados declarados pelo sujeito passivo, não infirmada com documentação hábil e idônea.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado - Presidente. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Demes Brito e Jorge Victor Rodrigues.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/06/2002 a 30/06/2002 INDÉBITO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa baseada em dados declarados pelo sujeito passivo, não infirmada com documentação hábil e idônea. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Demes Brito e Jorge Victor Rodrigues. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 66 0. 90 58 82 /2 01 1- 42 Fl. 160DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 29/04/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 25/04/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10660.905882/201142 Acórdão n.º 3803006.044 S3TE03 Fl. 161 2 Tratase de Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte em contraposição à decisão da DRJ Juiz de Fora/MG que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade manejada em decorrência do indeferimento do Pedido de Restituição. O contribuinte havia transmitido Pedido de Restituição (PER) referente a crédito decorrente de alegado pagamento a maior da contribuição para o PIS, no valor de R$ 112.507,57. Por meio de despacho decisório eletrônico, a repartição de origem indeferiu a restituição pleiteada, pelo fato de que o pagamento declarado no PER já havia sido integralmente utilizado na quitação de outros débitos da titularidade do sujeito passivo. Cientificado da decisão, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade e requereu o reconhecimento do direito creditório, bem como o deferimento da restituição pleiteada, alegando que o indébito reclamado decorria do reconhecimento pelo Supremo Tribunal Federal (STF) da inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo da contribuição promovido pelo art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718, de 1998. Reportandose aos princípios da verdade material e da moralidade administrativa, requereu a realização de diligências e perícias, para fins de se confirmar o crédito pleiteado. Junto à Manifestação de Inconformidade, o contribuinte trouxe aos autos cópias de documentos societários e de representação, assim como cópias do despacho decisório, do DARF e de planilha por ele elaborada. A DRJ Juiz de Fora/MG não reconheceu o direito creditório, fundamentando sua decisão (i) na inaplicabilidade, no presente caso, da decisão exarada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) em sede de recurso extraordinário, (ii) na incompetência da Administração tributária para se manifestar sobre ofensa a princípios constitucionais, (iii) na ausência de eficácia normativa da doutrina e da jurisprudência administrativa e judicial colacionadas na peça recursal, (iv) na ausência de nulidade no despacho decisório e (v) na desnecessidade de realização de diligências e perícias. Constou, ainda, do voto condutor da decisão recorrida que, “no presente caso, não foram trazidos ao processo, quaisquer elementos que viessem a comprovar o direito alegado e mais, a legislação tributária, determina que juntamente com a manifestação de inconformidade devem ser apresentadas as provas que fundamentem de modo concreto e veemente a discordância da contribuinte do entendimento adotado pela administração, precluindo seu direito de fazêlo em outro momento processual”. Cientificado do acórdão da DRJ Juiz de Fora/MG em 7 de novembro de 2013, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário em 5 de dezembro do mesmo ano, e reiterou seu pedido de reconhecimento do direito creditório e de deferimento integral da restituição, repisando os mesmos argumentos de defesa. Aduziu, ainda, o ora Recorrente, que a Delegacia de Julgamento deveria ter avançado na matéria fática e convertido o julgamento em diligência para que fossem prestados esclarecimentos e apresentada a documentação comprobatória do crédito pleiteado, sem o que tevese por configurado cerceamento do seu direito de defesa. Fl. 161DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 29/04/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 25/04/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10660.905882/201142 Acórdão n.º 3803006.044 S3TE03 Fl. 162 3 Ressaltou, também, que a inobservância da inconstitucionalidade declarada pelo STF acerca do alargamento da base de cálculo da contribuição promovido pela Lei nº 9.718, de 1998, “representa inegável afronta à Constituição Federal e negativa de prestação administrativa”. Junto ao Recurso Voluntário, o contribuinte trouxe aos autos cópias de documentos societários e de representação. É o relatório. Voto Conselheiro Hélcio Lafetá Reis O recurso é tempestivo, atende as demais condições de admissibilidade e dele tomo conhecimento. Conforme se verifica do relatório supra, o pedido de restituição foi indeferido pela repartição de origem pelo fato de que o pagamento informado já se encontrava vinculado a outro débito da titularidade do contribuinte, decisão essa mantida pela DRJ Juiz de Fora/MG. De início, registrese que, para se apreciarem pleitos da espécie, não basta que se alegue, em tese, o direito assegurado pela ordem jurídica, havendo necessidade de que os argumentos fáticos trazidos aos autos sejam demonstrados e comprovados, sob pena de total inviabilidade da apreciação do pedido. Não há dúvidas que este Colegiado, por força do contido no art. 62A do Anexo II do Regimento Interno do CARF, encontrase obrigado a reproduzir decisões definitivas do Supremo Tribunal Federal (STF) submetidas à sistemática da repercussão geral (art. 543B do Código de Processo Civil – CPC), mas desde que comprovada, com documentação hábil e idônea, a ocorrência de pagamento indevido relativo à parcela do tributo apurada sobre a base de cálculo prevista em dispositivo legal declarado inconstitucional. No que tange ao material probatório do seu direito, o contribuinte trouxe aos autos apenas cópias de documentos societários, do DARF e de uma planilha por ele elaborada, documentos esses insuficientes à comprovação do indébito, dado que desacompanhados de qualquer elemento da escrituração contábilfiscal e da documentação que a lastreia, estes, sim, consistentes em prova hábil e idônea. Destaquese que, na planilha trazida aos autos pelo contribuinte na primeira instância administrativa, não são identificadas as outras receitas, além do faturamento, que teriam ensejado a tributação indevida decorrente da inconstitucionalidade do preceptivo legal. Para decidir acerca do pedido de reconhecimento do direito creditório decorrente do pagamento da contribuição apurada sobre outras receitas que não o faturamento, em razão da inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718, de 1988, este Colegiado necessita, além de conhecer os valores envolvidos nas operações mercantis, como o faturamento, o total das outras receitas, a contribuição devida etc., confirmar sua ocorrência na contabilidade da pessoa jurídica. Fl. 162DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 29/04/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 25/04/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10660.905882/201142 Acórdão n.º 3803006.044 S3TE03 Fl. 163 4 Em processos da espécie ao ora analisado, a falta da devida instrução dos autos por parte da pessoa obrigada não pode ser suprida por diligência à repartição de origem, dada a inexistência de um início de prova que convença o julgador quanto à probabilidade de efetiva existência do direito creditório pleiteado, isso em conformidade com os princípios constitucionais da celeridade processual e da eficiência, princípios esses que regem a atuação da Administração Pública, previstos, respectivamente, no art. 5º, inciso LXXVIII, e no art. 37, caput, da Constituição Federal de 1988. Mesmo considerando o princípio da verdade material, em que a apuração da verdade dos fatos pelo julgador administrativo vai além das provas trazidas aos autos pelo interessado, nos casos da espécie ao ora analisado, a prova encontrase em poder do próprio sujeito passivo, e uma vez que foi dele a iniciativa de instauração do processo, pois que relativo a um direito que ele alega ser detentor, não se vislumbra razão a uma possível inversão do ônus da prova. Mesmo depois de ter sido alertado pelo julgador administrativo de primeira instância acerca da necessidade de apresentação de documentos comprobatórios do crédito pleiteado o Recorrente não se predispôs a instruir o processo nesta segunda instância. Bastaria que o interessado tivesse trazido aos autos cópias da escrituração contábilfiscal abrangendo o período sob análise, observandose as formalidades exigidas pela legislação tributária, para que se tivesse por configurado o início de prova requerido para justificar a realização de diligência ou perícia destinada à confirmação do crédito pleiteado. Uma simples planilha elaborada pelo próprio interessado não supre a necessidade de apresentação da documentação fiscal apta a comprovar os fatos alegados. A não apresentação de provas dos fatos apontados encontrase em total desacordo com a disciplina do art. 16, inciso III, e § 4º, do Decreto nº 70.235, de 1972, que regula o Processo Administrativo Fiscal (PAF), verbis: Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) Fl. 163DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 29/04/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 25/04/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10660.905882/201142 Acórdão n.º 3803006.044 S3TE03 Fl. 164 5 Em conformidade com o excerto supra, temse que o ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa que não reconheceu o direito creditório, amparada em informações declaradas pelo próprio sujeito passivo, presentes nos sistemas da Receita Federal, informações essas não infirmadas com documentação hábil e idônea. Nesse contexto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso, em razão da ausência de prova hábil e idônea do direito creditório reclamado. É como voto. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator Fl. 164DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 29/04/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 25/04/2014 por HELCIO LAFETA REIS
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Numero do processo: 10850.909105/2011-30
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 27 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Jul 03 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 3801-000.713
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Paulo Sérgio Celani - Presidente Substituto.
(assinado digitalmente)
Marcos Antonio Borges - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani (Presidente Substituto), José Luiz Feistauer De Oliveira, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antonio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Jacques Mauricio Ferreira Veloso De Melo
Nome do relator: MARCOS ANTONIO BORGES
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Paulo Sérgio Celani - Presidente Substituto. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani (Presidente Substituto), José Luiz Feistauer De Oliveira, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antonio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Jacques Mauricio Ferreira Veloso De Melo
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1353; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE01 Fl. 144 1 143 S3TE01 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10850.909105/201130 Recurso nº Voluntário Resolução nº 3801000.713 – 1ª Turma Especial Data 27 de março de 2014 Assunto Solicitação de Diligência Recorrente GREEN STAR PEÇAS E VEÍCULOS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Paulo Sérgio Celani Presidente Substituto. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani (Presidente Substituto), José Luiz Feistauer De Oliveira, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antonio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Jacques Mauricio Ferreira Veloso De Melo RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 50 .9 09 10 5/ 20 11 -3 0 Fl. 144DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 05/05/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 10850.909105/201130 Resolução nº 3801000.713 S3TE01 Fl. 145 2 Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da decisão recorrida, que transcrevo a seguir: Trata o presente processo de Pedido de Restituição de créditos de Cofins, referentes a pagamento efetuado indevidamente ou ao maior no período de apuração dezembro de 2001, no valor de R$ 862,77.. O pedido foi transmitido através do PER nº 33776.03380.280606.1.2.044330, fls. 2/4, em 28/06/2006.. O despacho decisório de fls. 5, indeferiu o pedido, pois o pagamento indicado no PER teria sido integralmente utilizado para quitar débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição. O despacho foi encaminhado para ciência do contribuinte, conforme comprovante constante à fl. 6. Irresignado, o recorrente apresentou, tempestivamente, a manifestação de inconformidade de fls. 7/15, para alegar que: I. O Despacho Decisório não teria examinado o motivo real dos recolhimentos a maior, por não ter aventado a possibilidade de que tais pagamentos seriam devido à ampliação da base de cálculo do PIS e da Cofins de que trata a Lei nº 9.718/98; dessa forma, deveria ser reformado, em desrespeito ao artigo 65 da IN RFB nº 900/2008, e ao artigo 142 do Código Tributário Nacional – CTN; II. O pagamento indevido, objeto da restituição, seria devido à inconstitucionalidade do parágrafo 1º, do artigo 3º, da Lei nº 9.718/98, que trata da ampliação da base de cálculo do PIS e da Cofins; a discussão de tal matéria estaria superada pelo STF, pois já teria sido aplicada a repercussão geral no RE nº 585.235, de 10/09/2008; III. Outra prova da pacificação de tal entendimento seria a edição da Lei nº 11.941/2009, que teria revogado o parágrafo 1º, do artigo 3º, da Lei nº 9.718/98; IV. O entendimento do STF deveria ser aplicado às decisões administrativas, conforme os seguintes dispositivos: inciso I do parágrafo 6º, do artigo 26A, do Decreto nº 72.235/72 – PAF; inciso I, do artigo 59, do Decreto n° 7.574/2011; inciso I, parágrafo 1º, do artigo 62 e caput do artigo 62A., ambos do RICARF; Concluiu argumentando que na base de cálculo do PIS e da Cofins deveriam ser incluídos os valores correspondentes apenas às receitas de vendas de mercadorias e serviços. Solicitou comprovar as alegações através da realização de diligência, perícia e juntada de documentos. Fl. 145DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 05/05/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 10850.909105/201130 Resolução nº 3801000.713 S3TE01 Fl. 146 3 Requereu ainda a reunião dos processos elencados na manifestação de inconformidade, já que teriam as mesmas partes e tratariam de matéria idêntica. Apensou planilha e balancete contendo as receitas financeiras da empresa (fls. 39/40). A Delegacia de Julgamento em Ribeirão Preto (SP) proferiu a seguinte decisão, nos termos da ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 31/12/2001 AMPLIAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE. A inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo da Cofins e da Contribuição para o PIS/Pasep, reconhecida pelo Supremo Tribunal Federal em recurso extraordinário, não gera efeitos erga omnes, sendo incabível sua aplicação a contribuintes que não façam parte da respectiva ação. RESTITUIÇÃO. AUSÊNCIA DE SALDO A RESTITUIR. Verificado que o crédito pleiteado foi totalmente utilizado, em momento anterior, para quitação de débitos declarados em DCTF, resta impossibilitada, por falta de saldo, a restituição. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 31/12/2001 PEDIDO DE PERÍCIA. PRESCINDIBILIDADE. INDEFERIMENTO. Estando presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários à adequada solução da lide, indeferese, por prescindível, o pedido de diligência ou perícia. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada, a contribuinte recorre a este Conselho reproduzindo, na essência, as razões apresentadas por ocasião da impugnação e juntando documentação comprobatória. É o relatório. Fl. 146DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 05/05/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 10850.909105/201130 Resolução nº 3801000.713 S3TE01 Fl. 147 4 Voto Conselheiro Marcos Antonio Borges O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, portanto dele tomase conhecimento. A questão posta em discussão cingese ao direito ao crédito de COFINS pago com base no art. 3º, § 1, da Lei n° 9.718, de 1998, que foram posteriormente declarados inconstitucionais pelo Supremo Tribunal Federal. Preliminarmente, entendo que deve ser considerada a documentação comprobatória apresentada em sede de Recurso Voluntário, que, em tese, estaria atingida pela preclusão consumativa, em obediência aos princípios da ampla defesa e da verdade material, conforme entendimento prevalente nesse colegiado e que foram juntadas em complemento aos documentos comprobatórios apensados anteriormente, os quais, em tese, ratificam os argumentos apresentados. No mérito, vejamos o alegado: A Lei nº 9.718/98, conversão da Medida Provisória nº 1.724/98, estendeu o conceito de faturamento, base de cálculo das contribuições PIS e Cofins, definindoo no §1º do art. 3º como "receita bruta" da pessoa jurídica, e esta seria “a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas”. Ocorre, todavia, que o Pleno do Egrégio Supremo Tribunal Federal (STF), no julgamento dos Recursos Extraordinários n.ºs 357.950/RS, 358.273/RS, 390840/MG, Relator Ministro Marco Aurélio, e n.º 346.0846/PR, do Ministro Ilmar Galvão, pacificou o entendimento da inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo das contribuições destinadas ao PIS e à Cofins, promovida pelo § 1º, do artigo 3º, da Lei n.º 9.718/98. Os aludidos acórdãos foram assim ementados: CONSTITUCIONALIDADE SUPERVENIENTE ARTIGO 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718, DE 27 DE NOVEMBRO DE 1998 EMENDA CONSTITUCIONAL Nº 20, DE 15 DE DEZEMBRO DE 1998. O sistema jurídico brasileiro não contempla a figura da constitucionalidade superveniente. TRIBUTÁRIO INSTITUTOS EXPRESSÕES E VOCÁBULOS SENTIDO. A norma pedagógica do artigo 110 do Código Tributário Nacional ressalta a impossibilidade de a lei tributária alterar a definição, o conteúdo e o alcance de consagrados institutos, conceitos e formas de direito privado utilizados expressa ou implicitamente. Sobrepõese ao aspecto formal o princípio da realidade, considerados os elementos tributários. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PIS RECEITA BRUTA NOÇÃO INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º DA LEI Nº 9.718/98. A jurisprudência do Supremo, ante a redação do artigo 195 da Carta Federal anterior à Emenda Constitucional nº 20/98, consolidouse no sentido de tomar as expressões receita bruta e Fl. 147DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 05/05/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 10850.909105/201130 Resolução nº 3801000.713 S3TE01 Fl. 148 5 faturamento como sinônimas, jungindoas à venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços. É inconstitucional o § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, no que ampliou o conceito de receita bruta para envolver a totalidade das receitas auferidas por pessoas jurídicas, independentemente da atividade por elas desenvolvida e da classificação contábil adotada. No mais, o STF, no julgamento do RE nº 585.235, publicado no DJ nº 227 do dia 28/11/2008, julgado no qual havia sido aplicada a repercussão geral da matéria em exame, reconheceu a inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98. Segue a ementa, in verbis: RECURSO. Extraordinário. Tributo. Contribuição social. PIS. COFINS. Alargamento da base de cálculo. Art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. Inconstitucionalidade. Precedentes do Plenário (RE nº 346.084/PR, Rel. orig. Min. ILMAR GALVÃO, DJ de 1º.9.2006; REs nos 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG, Rel. Min. MARCO AURÉLIO, DJ de 15.8.2006) Repercussão Geral do tema. Reconhecimento pelo Plenário. Recurso improvido. É inconstitucional a ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS prevista no art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. Neste sentido, há de se observar o artigo 62A do Regimento Interno do Conselho Administrativo Fiscais (CARF), aprovado pela Portaria nº 256/2009 do Ministro da Fazenda, com alterações das Portarias 446/2009 e 586/2010, que dispõe que os Conselheiros têm que reproduzir as decisões do STF proferidas na sistemática da repercussão geral, in verbis: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543 C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Outrossim, o Decreto nº 70.235/72, que rege o processo fiscal, estabelece: “Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade* (...) §6º O disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo:* I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal;* (...)” *Nova redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009 Fl. 148DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 05/05/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 10850.909105/201130 Resolução nº 3801000.713 S3TE01 Fl. 149 6 Atentese que em relação ao PIS, a partir da Lei 10.637, de 2002, e à Cofins, a partir da Lei 10.833, de 2003, para aquelas empresas sujeitas ao regime não cumulativo de apuração das referidas contribuições, essa discussão deixou de ser pertinente, vez que as normas em questão instituíram nova base de cálculo, desta feita com amparo na Constituição Federal, pela redação da Emenda Constitucional 20, de 1998. Além do mais, em consonância com o entendimento da Excelsa Corte, a Lei nº 11.941/09 revogou expressamente o § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98. Da análise dos demonstrativos e da Declaração de Informações Econômico Fiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ), verificase que outras receitas compuseram a base de cálculo da contribuição COFINS em desacordo com o conceito de faturamento adotado pelo Supremo Tribunal Federal (STF), qual seja, a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviço de qualquer natureza. Com efeito, é incontroverso o bom direito da recorrente em relação aos recolhimentos à título de Cofins no período de apuração apontado no pedido de restituição, tendo em vista que esse litígio administrativo tem como objeto principal a restituição de contribuição paga a maior com fundamento na declaração de inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 pelo Excelso STF (alargamento da base de cálculo do PIS e da Cofins). Em que pese o direito da interessada, do exame dos elementos comprobatórios, Constatase que, no caso vertente, os documentos apresentados são insuficientes para se apurar a correta composição da base de cálculo da contribuição da Cofins e eventuais pagamentos a maior. Ante ao exposto, voto no sentido de converter o presente julgamento em diligência, para que a Delegacia de origem: a) apure a composição da base de cálculo da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) com base na documentação apresentada e na escrita fiscal e contábil, relativo aos períodos de apuração apontados nos pedidos de restituição, e a correção dos valores inicialmente pleiteados correspondentes à indevida ampliação da base de cálculo do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98; b) cientifique a interessada quanto ao teor dos cálculos para, desejando, manifestarse no prazo de dez dias. Após a conclusão da diligência, retornar o processo a este CARF para julgamento. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Fl. 149DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 05/05/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por PAULO SERGIO CELANI
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Numero do processo: 13767.000142/2004-99
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu May 29 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Jul 30 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/07/1998 a 30/09/1998, 01/01/1999 a 31/03/1999
PRESCRIÇÃO - PEDIDO DE RESSARCIMENTO DE IPI - 5 ANOS
Não se aplica, aos pedidos de ressarcimento de IPI, a tese do Superior Tribunal de Justiça de 5 + 5. Esta tese apenas tem guarida nos casos de pagamento indevido de tributo sujeito ao lançamento por homologação, onde existe a figura do auto-lançamento tributário.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-002.637
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 3ª câmara / 2ª turma ordinária da terceira seção de julgamento, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora.
(assinado digitalmente)
WALBER JOSÉ DA SILVA
Presidente
(assinado digitalmente)
FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS
Relatora
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Walber José da Silva, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Paulo Guilherme Déroulède, Mônica Elisa de Lima, Fabiola Cassiano Keramidas e Gileno Gurjão Barreto.
Nome do relator: FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/07/1998 a 30/09/1998, 01/01/1999 a 31/03/1999 PRESCRIÇÃO - PEDIDO DE RESSARCIMENTO DE IPI - 5 ANOS Não se aplica, aos pedidos de ressarcimento de IPI, a tese do Superior Tribunal de Justiça de 5 + 5. Esta tese apenas tem guarida nos casos de pagamento indevido de tributo sujeito ao lançamento por homologação, onde existe a figura do auto-lançamento tributário. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª câmara / 2ª turma ordinária da terceira seção de julgamento, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente (assinado digitalmente) FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Walber José da Silva, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Paulo Guilherme Déroulède, Mônica Elisa de Lima, Fabiola Cassiano Keramidas e Gileno Gurjão Barreto.
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Esta tese apenas tem guarida nos casos de pagamento indevido de tributo sujeito ao lançamento por homologação, onde existe a figura do autolançamento tributário. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª câmara / 2ª turma ordinária da terceira seção de julgamento, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente (assinado digitalmente) FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 76 7. 00 01 42 /2 00 4- 99 Fl. 159DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 30/0 7/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS 2 Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Walber José da Silva, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Paulo Guilherme Déroulède, Mônica Elisa de Lima, Fabiola Cassiano Keramidas e Gileno Gurjão Barreto. Relatório Tratase de pedido de ressarcimento de crédito presumido de IPI, com base na Lei no 9.363/96, referente a produtos exportados durante o 3o trimestre de 1998 e 1o trimestre de 1999, protocolado em 09/06/2004. Para melhor compreensão de meus pares acerca dos fatos, transcrevo o relatório constante da decisão de primeira instância administrativa, a saber: “O estabelecimento industrial acima qualificado formalizou pedido de ressarcimento do Crédito Presumido de Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, instituído pela Lei no 9.363, de 13 de dezembro de 1996, para ressarcimento das contribuições de que trata as Leis Complementares no 7, de 7 de setembro de 1970; 8, de 3 de dezembro de 1970; e 70, de 30 de dezembro de 1991; incidentes sobre as aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem, empregados na industrialização de produtos exportados durante o 3° trimestre de 1999 e 1° trimestre de 1999, no valor de R$ 332.433,80, tudo conforme pedido da(s) folha(s) 1 a 8.. No, bojo do valor do pedido, inseriu o valor da correção monetária do crédito. 1.1 Segundo o Parecer SEFIS no 23/2004, folhas 59 a 71, a parcela do pedido referente a correção monetária não merecia acolhimento em face da carência de autorização legal para tanto. Além disso, na data ,em que foi formulado, 9 de junho de 2004, o direito de pleitear ressarcimento de Crédito Presumido de IPI, referente ao 3° trimestre de 1998 e 1° trimestre de 1999, já estaria fulminado pela prescrição, ocorrida em 1° de outubro de 2003 e 1° de abril de 2004, respectivamente. Em face dessas constatações, a' Fiscalização propôs o indeferimento do pleito, o que mereceu acolhida por parte de DRFVitória; que exarou o Despacho Decisório da(s) folha(s) 72. 2. Regularmente intimado da decisão (A.R. na folha 73), mas inconformado o requerente formulou a reclamação das folhas 74 a 84, subscrita por procurador devidamente habilitado nos autos (instrumento de mandato nas folhas 86 a 101). A Defesa manifesta sua inconformidade nos seguintes termos; 2.1 Após síntese dos fatos relacionados à demanda, no que tange à prescrição, rechaça a aplicação do Decreto no 20.910, de 6 de janeiro de 1932, porquanto os institutos da decadência e da prescrição estariam reservados à lei complementar, na forma do art. 146, inc. III, alínea "a" da Constituição da República Federativa do Brasil CRFB. Afirma que, em face da inexistência de prazo fixado em lei, não falar em prescrição: nem em decadência. Brada os princípios da legalidade e da tipicidade fechada. Combate também a hipotética utilização do Fl. 160DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 30/0 7/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 13767.000142/200499 Acórdão n.º 3302002.637 S3C3T2 Fl. 11 3 prazo constante dos arts. 150, § 4°;168; ou 173, inc. I, todos da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966 — CTN. Exercita, na continuação, o argumento de que, se considerasse o prazo do art. 150, § 4°, do CTN, o direito de pleitear o ressarcimento ainda não estaria extinto, em face da regra dos "5+5", adotada pelo STJ. Colaciona ementa de julgado daquele Tribunal e cita doutrina de Hely Lopes Meirelles. 2.2. Quanto à inadmissão da correção monetária, repisa o escopo do beneficio fiscal em questão, para argumentar que não se trata de crédito escritural, mas financeiro, haja vista tratarse de ressarcimento de contribuições cumulativas. Lembra que a correção monetária não representa acréscimo aos valores do IPI, mas recomposição do valor da moeda e que não deferilo implicaria ressarcimento ilícito da parte da União. Cita e transcreve excertos de decisão do' STF, do STJ do Conselho de Contribuintes CC e doutrina de Carlos Maximiliano e de Ives Gandra da Silva Martins, que entende corroborar sua tese de defesa. 2.3 Concluindo, requer a reforma do Despacho Decisório da DRFVitória, com o conseqüente deferimento de seu pedido.” Após analisar o recurso apresentado pela Recorrente, a 1a Turma da Delegacia de Julgamento de Santa Maria DRJ/STM – proferiu o acórdão no 187360 (fls. 106 e segs.; efls. 134 e segs), o qual restou da seguinte forma ementado: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/07/1998 a 30/09/1998, 01/01/1999 a 31/03/1999 CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI RESSARCIMENTO CORREÇÃO MONETÁRIA Por falta de previsão legal, é incabível a incidência de correção monetária sobre valores recebidos a título de ressarcimento de créditos de IPI decorrentes de incentivos fiscais. PRESCRIÇÃO O direito de pleitear ressarcimento extinguese em cinco anos, contados da data de encerramento do trimestrecalendário a que se referir o pedido. Solicitação Indeferida.” Irersignada, a Recorrente interpôs recurso voluntário (fls. 116 e 127; efls. 144 e 155), por meio do qual reiterou as razões trazidas em sua impugnação. É o relatório. Fl. 161DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 30/0 7/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS 4 Voto CONSELHEIRA FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS O recurso atende aos pressupostos de admissibilidade, razão pela qual dele conheço. Conforme relatado, tratase de pedido de ressarcimento de IPI com base na Lei no 9.363/96, referente a produtos exportados durante o 3o trimestre de 1998 e 1o trimestre de 1999, protocolado em 09/06/2004. O Despacho Decisório indeferiu o pleito da Recorrente por entender (i) pela ocorrência de prescrição e (ii) pela não incidência de correção monetária e/ou taxa de juros sobre o valor de ressarcimento de IPI. Em síntese, a Recorrente discorre sobre (i) a não ocorrência de decadência, pleiteando que o cálculo do prazo seja realizado conforme o entendimento pacífico do Superior Tribunal de Justiça – STJ – qual seja, 5+5 e (ii) a possibilidade de incidência de correção monetária sobre valores a serem ressarcidos de IPI. Por tratar de matéria preliminar e prejudicial do mérito, passo a analisar a questão relativa à decadência/prescrição, à possibilidade de a Recorrente apresentar o pedido de ressarcimento em 09/06/2004. A decisão recorrida que validou o entendimento da autoridade administrativa, tendo aplicado o prazo em discussão da seguinte forma: “3° trimestre de 1998 — termo inicial da contagem do prazo de prescrição é 01 de outubro de 1998, que contados o prazo prescricional de 05 (cinco) anos, tem como data limite para formulação do pedido de ressarcimento o dia 01 de outubro de 2003. 1o trimestre de 1999 termo inicial da contagem do prazo de prescrição é 01 de abril de 1998, que contados o prazo prescricional de 05 (cinco) anos tem como data limite para formulação do pedido de ressarcimento o dia 01 de abril de 2004.” A Recorrente defende a incidência da tese defendida pelo Superior Tribunal de Justiça que computa 10 anos para a restituição de tributos recolhidos sob a sistemática do lançamento por homologação. Com razão a fiscalização. É cediço que a tese do STJ é aplicável à restituição dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, isso porque o contribuinte declara o valor que seria devido a título do tributo, “constitui” o crédito tributário e a fiscalização tem, pelos termos da Lei, 5 anos para “validar” este lançamento. Somente a partir desta “validação do lançamento” é que ele se tornaria definitivo, então apenas neste instante é que seria possível pedir o valor pago indevidamente de volta. Por isso é que o prazo de restituição tornase de 10 anos, porque o início da contagem dos 5 anos é postergada para começar após 5 anos, quando o lançamento tornase definitivo. Fl. 162DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 30/0 7/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 13767.000142/200499 Acórdão n.º 3302002.637 S3C3T2 Fl. 12 5 Neste aspecto, não se admite a aplicação do prazo de 5+5 para pedidos de ressarcimento de IPI. É que aqui não se trata de lançamento de tributos sujeitos à homologação, mas de créditos fiscais. Não há, a meu sentir, a “postergação” do início da contagem do prazo prescricional porque o “lançamento ainda não se tornou definitivo”. Assim, e como para os créditos de IPI, o início do prazo de restituição se identifica com a data limite para formulação do pedido de ressarcimento, ambos os pedidos formulados, referente aos produtos exportados: (i) no 3° trimestre de 1998, cujo prazo se inicia em 01/10/98 e (ii) no 1o trimestre de 1999 cujo início ocorre em 01 de abril de 1998; encontravamse prescrito/decaídos quando da apresentação do presente pedido de ressarcimento em 09/06/2004. Ante o exposto, conheço do presente recurso para o fim de NEGARLHE PROVIMENTO mantendo, assim, a decisão de primeira instância administrativa. É como voto. (assinado digitalmente) FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Fl. 163DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 30/0 7/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS
score : 1.0
Numero do processo: 13709.000163/2007-41
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Jul 18 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Aug 12 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício:2004
PAGAMENTO ANTES DO INÍCIO DO PROCEDIMENTO FISCAL. MULTA DE OFÍCIO INCABÍVEL.
Incabível a incidência de multa de ofício quando restar comprovado que o imposto exigido foi pago antes do início do procedimento fiscal.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2801-003.629
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso para alocar os pagamentos efetuados em 06 cotas (de 29/04/2004 a 29/09/2004), que se encontram na situação de Não Utilizados, para quitação do imposto de renda pessoa física exigido no presente lançamento, e cancelar a exigência da multa de ofício correspondente, nos termos do voto da Relatora. Vencidos os Conselheiros Carlos César Quadros Pierre e Marcio Henrique Sales Parada que negavam provimento ao recurso.
Assinado digitalmente
Tânia Mara Paschoalin - Presidente e Relatora.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir da Silva, Mara Eugenia Buonanno Caramico, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales.
Nome do relator: TANIA MARA PASCHOALIN
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MULTA DE OFÍCIO INCABÍVEL. Incabível a incidência de multa de ofício quando restar comprovado que o imposto exigido foi pago antes do início do procedimento fiscal. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso para alocar os pagamentos efetuados em 06 cotas (de 29/04/2004 a 29/09/2004), que se encontram na situação de “Não Utilizados“, para quitação do imposto de renda pessoa física exigido no presente lançamento, e cancelar a exigência da multa de ofício correspondente, nos termos do voto da Relatora. Vencidos os Conselheiros Carlos César Quadros Pierre e Marcio Henrique Sales Parada que negavam provimento ao recurso. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Presidente e Relatora. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir da Silva, Mara Eugenia Buonanno Caramico, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 70 9. 00 01 63 /2 00 7- 41 Fl. 103DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 11/08/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 13709.000163/200741 Acórdão n.º 2801003.629 S2TE01 Fl. 104 2 Relatório Trata o presente processo de auto de infração que diz respeito a Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF), por meio do qual se exige do sujeito passivo acima identificado o montante de R$ 4.769,68, referente ao exercício de 2004, a título de imposto (R$ 2.139,93), acrescido da multa de ofício equivalente a 75% do valor do tributo apurado (R$ 1.604,94), além de juros de mora (R$ 1.024,81). O lançamento é decorrente da apuração de omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica. Em sua impugnação, o Contribuinte defendeu que a Lei n°. 8.852/94 excluiu o valor referente ao “adicional por tempo de serviço e auxílio alimentação“ do campo de incidência do imposto de renda sobre a pessoa física, razão pela qual retificou sua declaração para considerar o correspondente rendimento como rendimento não tributável. Argumentou ainda que o auto de infração apurou um imposto a pagar de valor de R$ 2.139,93 apurado na declaração original e que já foi pago. A 7ª Turma da DRJ/Rio de Janeiro II/RJ julgou improcedente a impugnação, conforme Acórdão de fls. 44/49, que restou assim ementado: Assunto : Imposto sobre a Renda de Pessoa Física I R P F Anocalendário: 2003 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. As exclusões do conceito de remuneração, estabelecidas na Lei n° 8.852/94, não são hipóteses de isenção ou não incidência de IRPF, que requerem, pelo Princípio da Estrita Legalidade em matéria tributária, disposição legal federal específica. DECLARAÇÃO RETIFICADA. A Declaração de Ajuste Anual retificadora tem a mesma natureza da Declaração original, substituindoa integralmente, sendo correto o lançamento que a teve como objeto. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Regularmente cientificado daquele Acórdão em 14/07/2011 (fl. 51), o Interessado interpôs recurso voluntário de fl. 57, em 29/07/2011, no qual, em síntese, requer o cancelamento do lançamento, uma vez que já cumpriu a obrigação tributária principal com pagamento do tributo relativo ao ano calendário 2003, em 06 (seis) parcelas, de 30/04/2004 à 30/09/2004, de acordo com provas em anexo. Conforme Resolução 2801000.229, às fls. 93/95, o julgamento foi convertido em diligência para que a unidade administrativa competente verificasse a disponibilidade do pagamento do imposto de renda pessoa física, referente ao exercício de Fl. 104DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 11/08/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 13709.000163/200741 Acórdão n.º 2801003.629 S2TE01 Fl. 105 3 2004, anocalendário de 2003, no valor de R$ 2.139,93, efetuado antes do início do procedimento fiscal, conforme extrato de fls. 36/37. Cumprida a referida diligência, conforme documentos de fls. 98/101, os autos retornaram ao atual Conselho Administrativo de Recursos Fiscais para prosseguimento. A numeração de folhas citada nesta decisão referese à serie de números do arquivo PDF. É o relatório. Voto Conselheira Tânia Mara Paschoalin, Relatora. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. No presente caso, temse que o auto de infração objeto deste processo versa sobre tributação dos rendimentos auferidos pelo contribuinte a título de adicional por tempo de serviço e auxílio alimentação, pagos pelo Universidade do Estado do Rio de Janeiro Tais rendimentos não se encontram abrangidos pela norma que regulamenta as isenções sobre os rendimentos percebidos por pessoas físicas, qual seja, o art. 6º da Lei n° 7.713, de 22/12/1988, e, conforme determina o artigo 176 do Código Tributário Nacional, a isenção é sempre decorrente de lei que especifique as condições e requisitos exigidos para a sua concessão, os tributos a que se aplica e, sendo caso, o prazo de sua duração. Com efeito, o adicional por tempo de serviço e auxílio alimentação devem ser incluídos no rol dos rendimentos tributáveis, entre aqueles elencados no artigo 3º, § 1°, da mesma Lei n° 7.713, de 1988. Tal discussão já se encontra sumulada, conforme Súmula CARF nº 68, , que assim dispõe: A Lei n°. 8.852, de 1994, não outorga isenção nem enumera hipóteses de não incidência de Imposto sobre a Renda da Pessoa Física. Por outro lado, importa esclarecer que ao apresentar declaração retificadora sob exame, o Interessado alterou o resultado de sua declaração originária de Saldo de Imposto a Pagar (Siap) de R$ 2.139,93 para Saldo de Imposto a Restituir (Siar) de R$ 1.880,00, eis que reduziu os rendimentos tributáveis de R$ 45.297,32 para R$ 30.679,40. Com a Notificação de Lançamento de fls. 06/10, a autoridade lançadora recompôs os rendimentos tributáveis, considerando os referidos rendimentos omitidos, os quais, de fato, foram indevidamente declarados como rendimentos isentos e não tributáveis na declaração retificadora. Entretanto, antes de finalizar o lançamento e se exigir multa de ofício, deveria ter sido considerado para fins de cálculo os pagamentos espontâneos porventura Fl. 105DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 11/08/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 13709.000163/200741 Acórdão n.º 2801003.629 S2TE01 Fl. 106 4 efetuados pelo sujeito passivo, pois, sobre tais recolhimentos, não caberia a incidência de multa de ofício, eis que imposto pago antes do início do procedimento fiscal. Conforme Resolução 2801000.229, às fls. 93/95, o julgamento foi convertido em diligência para que a unidade administrativa competente verificasse a disponibilidade do pagamento do imposto de renda pessoa física, referente ao exercício de 2004, anocalendário de 2003, no valor de R$ 2.139,93, efetuado antes do início do procedimento fiscal, conforme extrato de fls. 36/37. Em resposta, à fl. 101, a autoridade responsável pela realização da diligência informou: Em atendimento à Resolução às fls.93/95, foram juntadas às fls.98/100 as telas do CCPF onde se constatam os recolhimentos referentes ao IRPF/2004, efetuados em 06 cotas (de 29/04/2004 a 29/09/2004), pagamentos esses que se encontram na situação de Não Utilizados. Assim sendo, encaminho o presente processo à 1ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF para prosseguimento.Deleg. de Comp. Port.144, publicada em 05/10/2012. Assim, considerando que o valor principal em questão foi totalmente quitado antes do início do procedimentos fiscal, não cabe a cobrança de multa de ofício. Portanto, resta cancelar o presente lançamento. Diante do exposto, voto por dar provimento ao recurso para alocar os pagamentos efetuados em 06 cotas (de 29/04/2004 a 29/09/2004), que se encontram na situação de “Não Utilizados“, para quitação do imposto de renda pessoa física exigido no presente lançamento, e cancelar a exigência da multa de ofício correspondente. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Fl. 106DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 11/08/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN
score : 1.0
Numero do processo: 13881.000285/2009-07
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 16 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Aug 07 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005
DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. NULIDADE. Cópias de documentos comprobatórios com a autenticação da autoridade fiscal reputam-se válidos para todos os efeitos legais. Decisão de primeira instância com base em tais documentos, não apresenta vícios passíveis de nulidade.
IRPF. DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. GLOSA.
As despesas médicas são dedutíveis da base de cálculo do imposto sobre a renda, desde que comprovadas e justificadas.
Hipótese em que a prova produzida pelo Recorrente é suficiente para comprová-las em parte.
Recurso provido em parte.
Numero da decisão: 2101-002.514
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os Membros do Colegiado: (a) por voto de qualidade, afastar a preliminar de nulidade do auto por inexistência da comprovação documental da acusação, vencidos os Conselheiros Alexandre Naoki Nishioka, Eduardo de Souza Leão e Eivanice Canário da Silva e (b) por maioria de votos, em dar provimento em parte ao recurso para considerar comprovada a despesa médica no valor de R$ 24.350,00, vencidos os Conselheiros Heitor de Souza Lima Junior e Luiz Eduardo de Oliveira Santos, que negavam provimento ao recurso. Designada para redação do voto vencedor, quanto à preliminar de nulidade, a Conselheira Maria Cleci Coti Martins.
(assinado digitalmente)
LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS - Presidente
(assinado digitalmente)
ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA - Relator
(assinado digitalmente)
MARIA CLECI COTI MARTINS Redatora designada
Participaram do julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), Alexandre Naoki Nishioka (Relator), Maria Cleci Coti Martins, Eduardo de Souza Leão, Heitor de Souza Lima Junior e Eivanice Canário da Silva.
Nome do relator: ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros do Colegiado: (a) por voto de qualidade, afastar a preliminar de nulidade do auto por inexistência da comprovação documental da acusação, vencidos os Conselheiros Alexandre Naoki Nishioka, Eduardo de Souza Leão e Eivanice Canário da Silva e (b) por maioria de votos, em dar provimento em parte ao recurso para considerar comprovada a despesa médica no valor de R$ 24.350,00, vencidos os Conselheiros Heitor de Souza Lima Junior e Luiz Eduardo de Oliveira Santos, que negavam provimento ao recurso. Designada para redação do voto vencedor, quanto à preliminar de nulidade, a Conselheira Maria Cleci Coti Martins. (assinado digitalmente) LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS - Presidente (assinado digitalmente) ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA - Relator (assinado digitalmente) MARIA CLECI COTI MARTINS Redatora designada Participaram do julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), Alexandre Naoki Nishioka (Relator), Maria Cleci Coti Martins, Eduardo de Souza Leão, Heitor de Souza Lima Junior e Eivanice Canário da Silva.
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NULIDADE. Cópias de documentos comprobatórios com a autenticação da autoridade fiscal reputamse válidos para todos os efeitos legais. Decisão de primeira instância com base em tais documentos, não apresenta vícios passíveis de nulidade. IRPF. DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. GLOSA. As despesas médicas são dedutíveis da base de cálculo do imposto sobre a renda, desde que comprovadas e justificadas. Hipótese em que a prova produzida pelo Recorrente é suficiente para comproválas em parte. Recurso provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros do Colegiado: (a) por voto de qualidade, afastar a preliminar de nulidade do auto por inexistência da comprovação documental da acusação, vencidos os Conselheiros Alexandre Naoki Nishioka, Eduardo de Souza Leão e Eivanice Canário da Silva e (b) por maioria de votos, em dar provimento em parte ao recurso para considerar comprovada a despesa médica no valor de R$ 24.350,00, vencidos os Conselheiros Heitor de Souza Lima Junior e Luiz Eduardo de Oliveira Santos, que negavam provimento ao recurso. Designada para redação do voto vencedor, quanto à preliminar de nulidade, a Conselheira Maria Cleci Coti Martins. (assinado digitalmente) LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 1. 00 02 85 /2 00 9- 07 Fl. 155DF CARF MF Impresso em 07/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 05/08/ 2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 06/08/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por MARIA CLECI COTI MARTINS 2 (assinado digitalmente) ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Relator (assinado digitalmente) MARIA CLECI COTI MARTINS – Redatora designada Participaram do julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), Alexandre Naoki Nishioka (Relator), Maria Cleci Coti Martins, Eduardo de Souza Leão, Heitor de Souza Lima Junior e Eivanice Canário da Silva. Relatório Tratase de recurso voluntário (fls. 55/64) interposto em 11 de outubro de 2011 contra acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo II (SP) (fls. 45/51), do qual o Recorrente teve ciência em 17 de setembro de 2011 (fl. 54), que, por unanimidade de votos, julgou procedente o lançamento de fls. 20/23, lavrado em 20 de julho de 2009, em decorrência de dedução indevida de despesas médicas, verificada no anocalendário de 2004. O acórdão teve a seguinte ementa: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2004 DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. GLOSA. O direito à dedução de despesas é condicionado à comprovação da relação de dependência do beneficiário dos serviços e o declarante, da efetividade dos serviços prestados, bem como dos correspondentes pagamentos. A não comprovação por meio de documentação hábil, obsta a dedução. GLOSA DE DEDUÇÕES. ÔNUS DA PROVA. PRINCÍPIO DA LEGALIDADE. Havendo dúvidas quanto à regularidade de deduções pleiteadas, cabe ao contribuinte a prova dos fatos alegados em impugnação oposta, que deve ser instruída com provas hábeis como fundamento dos argumentos de defesa. DECISÕES JUDICIAIS E ADMINISTRATIVAS. EXTENSÃO. As decisões judiciais, a exceção daquelas proferidas pelo STF sobre a inconstitucionalidade de normas legais, e as administrativas não têm caráter de norma geral, razão pela qual seus julgados não se aproveitam em relação a qualquer outra ocorrência senão àquela, objeto da decisão. Impugnação Improcedente. Fl. 156DF CARF MF Impresso em 07/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 05/08/ 2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 06/08/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por MARIA CLECI COTI MARTINS Processo nº 13881.000285/200907 Acórdão n.º 2101002.514 S2C1T1 Fl. 155 3 Crédito Tributário Mantido.” (fl. 45) Não se conformando, o Recorrente interpôs recurso voluntário (fls. 55/64), pedindo a reforma do acórdão recorrido, para cancelar o auto de infração. O julgamento foi convertido em diligência, para que o órgão preparador anexasse aos autos todos os documentos mencionados na descrição dos fatos do lançamento. Após a realização da diligência, o órgão preparador elaborou relatório circunstanciado, em que informou não mais dispor da DIRPF Ex. 2005 e respectivos documentos, motivo pelo qual anexou a documentação de fls 77/97, copiadas do Dossiê Fiscal da DIRPF Ex. 2006, mas que se referem ao anocalendário 2004 (fl. 138), com manifestação do Recorrente às fls. 142/148. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Alexandre Naoki Nishioka, Relator O recurso preenche os requisitos de admissibilidade, motivo pelo qual dele conheço. Tratase de auto de infração lavrado em decorrência de dedução indevida a título de despesas médicas. Em relação à glosa de despesas médicas, a norma aplicável ao caso (Lei n.º 9.250/95) preceitua o seguinte: “Art. 8º. A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: I – de todos os rendimentos percebidos durante o anocalendário, exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II – das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias; ... §2º. O disposto na alínea ‘a’ do inciso II: I – aplicase, também, aos pagamentos efetuados a empresas domiciliadas no País, destinados à cobertura de despesas com hospitalização, médicas e odontológicas, bem como a entidades que assegurem direito de atendimento ou ressarcimento de despesas da mesma natureza; Fl. 157DF CARF MF Impresso em 07/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 05/08/ 2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 06/08/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por MARIA CLECI COTI MARTINS 4 II – restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao seu próprio tratamento e ao de seus dependentes; III – limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas – CPF ou Cadastro Geral de Contribuintes – CGC de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento.” Já o Decreto n.º 3.000/99 (Regulamento do Imposto de Renda), introduziu o seguinte comando normativo: “Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (DecretoLei n.º 5.844, de 1.943, art. 11, § 3º). § 1º. Se foram pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte (DecretoLei n.º 5.844, de 1943, art. 11, § 4º).” ... “Art. 80. Na declaração de rendimentos poderão ser deduzidos os pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, inciso II, alínea "a"). §1º. O disposto neste artigo (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, § 2º): I aplicase, também, aos pagamentos efetuados a empresas domiciliadas no País, destinados à cobertura de despesas com hospitalização, médicas e odontológicas, bem como a entidades que assegurem direito de atendimento ou ressarcimento de despesas da mesma natureza; (...) III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica CNPJ de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento”. Cabe mencionar, ainda, que a autoridade fiscalizadora deve fazer a prova necessária para infirmar os recibos de despesas dedutíveis eventualmente acostados aos autos pela fiscalizada, comprovando a não prestação do serviço ou o não pagamento. Não se pode, simplesmente, glosar as despesas médicas pelo fato de a fiscalizada não comprovar documentalmente o pagamento, já que o contribuinte, em relação a este ponto, não está obrigado a liquidar as obrigações representativas dos serviços por títulos de créditos, podendo fazer a liquidação em espécie. Salvo em casos excepcionais, quando a autoria do recibo for atribuída a profissional que tenha contra si súmula administrativa de documentação tributariamente ineficaz, devidamente homologada e com cópia nos autos para que o contribuinte possa exercer seu direito de defesa ou, quando efetivamente existirem nos autos elementos que possam afastar a presunção de veracidade dos recibos, não se pode recusar recibos que preenchem os requisitos legais e que vêm acompanhados de declarações dos profissionais confirmando a prestação dos serviços, o respectivo recebimento, o beneficiário do tratamento e os dados completos do prestador. Fl. 158DF CARF MF Impresso em 07/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 05/08/ 2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 06/08/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por MARIA CLECI COTI MARTINS Processo nº 13881.000285/200907 Acórdão n.º 2101002.514 S2C1T1 Fl. 156 5 Nesse sentido a determinação contida no art. 845, § 1°, do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto 3.000/99, in verbis: "§ 1° Os esclarecimentos prestados só poderão ser impugnados pelos lançadores com elemento seguro de prova ou indício veemente de falsidade ou inexatidão” (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 79, §12)." Por fim, cabe ressaltar que os documentos que comprovam a contraprestação dos serviços médicos prestados e deduzidos pelo contribuinte devem ser devidamente armazenados pelo mesmo lapso de tempo que as autoridades fiscais têm para constituir possível crédito. Nesse sentido, colacionamos alguns acórdãos que elucidam tal entendimento: “NULIDADE CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA – PROVA – No processo administrativo tributário os fatos devem evidenciarse com provas documentais. A documentação dos fatos havidos no transcorrer do anocalendário tem prazo para guarda igual àquele em que possível a constituição do correspondente crédito tributário.” (1º Conselho de Contribuintes, 2ª Câmara, Recurso Voluntário nº. 146.926, relator Conselheiro Naury Fragoso Tanaka, sessão de 04/07/2007) *** “DOCUMENTOS – GUARDA – O prazo para guarda de documentos é o mesmo que o permitido ao sujeito ativo para exigir o tributo ou rever de ofício o lançamento. OMISSÃO DE RENDIMENTOS – DEPÓSITOS BANCÁRIOS – A presunção legal de renda com suporte na existência de depósitos e créditos bancários de origem não comprovada tem fundamento legal na norma do artigo 42 da Lei nº 9.430, de 1996, tendo caráter relativo e transfere o ônus da prova em contrário ao contribuinte.” (1º Conselho de Contribuintes, 2ª Câmara, Recurso Voluntário nº. 140.839, relator Conselheiro Naury Fragoso Tanaka, sessão de 21/06/2006) Feitos os esclarecimentos prévios, cumpre mover à análise específica dos documentos apresentados pelo Recorrente, de maneira a aferir se, de fato, a glosa das despesas que foi mantida pelo acórdão recorrido, tal como realizada, afigurase válida, ou, em sentido contrário, se os documentos apresentados seriam suficientes para o fim de demonstrar a legitimidade dos gastos apontados in casu. No presente caso, no curso da diligência determinada pelo CARF, a DRF verificou o seguinte: “Assim foi constatado que a Receita Federal não dispõe mais da DIRPF Ex. 2005 e respectivos documentos, e foi anexada a documentação de fls. 77 a 97, copiadas do Dossiê Fiscal da DIRPF Ex. 2006, mas que se referem ao ano calendário 2004. Verificamos tratarse das declarações dos profissionais mas não estão os recibos médicos.” (fl. 138) Ora, considerandose que o ônus da prova quanto aos fatos alegados no lançamento é da fiscalização, entendo que o extravio do dossiê da DIRPF Ex. 2005 milita em Fl. 159DF CARF MF Impresso em 07/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 05/08/ 2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 06/08/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por MARIA CLECI COTI MARTINS 6 favor do Recorrente, que, em sua impugnação e em seu recurso, procurou demonstrar tanto o pagamento como a prestação dos serviços. Eis os motivos pelos quais dava provimento integral ao recurso. Vencido quanto a este aspecto, passo a analisar os documentos referentes ao anocalendário 2004 contidos no Dossiê Fiscal da DIRPF Ex. 2006. No presente caso, dos recibos apresentados pelo contribuinte, apenas os emitidos pelos profissionais Juliana D. S. Santos (R$ 5.000,00, cf. fl. 85), Kellen Patrícia Guimarães (R$ 5.000,00, cf. fl. 86), Rosilene Augusta Ferreira (R$ 8.400,00, cf. fl. 87) e Emerson Gonçalves Carvalho (R$ 5.950,00, cf. fl. 96) foram confirmados por meio de declarações subscritas pelos profissionais, que ratificaram tanto a prestação dos serviços, como os pagamentos em dinheiro. Assim, vencido quanto à questão do ônus da prova, voto no sentido de DAR provimento EM PARTE ao recurso, para excluir da base de cálculo do imposto o valor de R$ 24.350,00. (assinado digitalmente) ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Relator Voto Vencedor Conselheira Maria Cleci Coti Martins, Redatora designada O recorrente pugna pela nulidade da decisão de primeira instância tendo em vista a inexistência da comprovação documental da acusação, causando cerceamento de defesa. Primeiramente há que se considerar que o auto de infração preenche todos os requisitos legais de validade, isto é, foi lavrado por autoridade competente e, na fase de contencioso administrativo fiscal o contribuinte apresentou todas as provas que entendia serem necessárias para a defesa. Se mais não apresentou é porque ou não teve interesse ou não as possuía. O art. 59 do dec. 70.235/72 determina que a nulidade do lançamento tributário só pode ser decretada nos seguintes casos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Em sede de impugnação o recorrente apresentou declarações dos profissionais a respeito dos serviços prestados no decorrer do anocalendário, os quais pleiteia dedução da base tributável do imposto de renda. O contribuinte não comprovou a efetiva prestação dos serviços ou o seu pagamento. A legislação é clara nesse aspecto, o caput do artigo 80 do decreto 3000/99 determina que poderão ser dedutíveis os PAGAMENTOS efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, Fl. 160DF CARF MF Impresso em 07/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 05/08/ 2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 06/08/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por MARIA CLECI COTI MARTINS Processo nº 13881.000285/200907 Acórdão n.º 2101002.514 S2C1T1 Fl. 157 7 inciso II, alínea "a").(grifei) A comprovação das deduções dessas despesas está definida na legislação art. 73 do Dec. 3000/99: .Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 3º A autoridade lançadora solicitou a comprovação ou da prestação dos serviços (cópias de exames, receituário, etc.) ou da transferência efetiva dos recursos do contribuinte para os prestadores. O contribuinte falhou em apresentar quaisquer desses documentos. Apresentou recibos e declarações dos prestadores atestando a realização dos serviços. Não houve cerceamento do direito de defesa nem antes do lançamento nem depois, quando se inicia a fase litigiosa do processo. Cópias dos recibos das despesas médicas, que deram suporte ao lançamento fiscal, estão autenticadas pela autoridade fiscal, que tem fé pública, e constam do processo. Mais ainda, todos os documentos do processo foram analisados pela autoridade julgadora competente. Assim, não existe base legal para se pleitear a nulidade da decisão de primeira instância por "inexistência da comprovação documental da acusação". O contribuinte declarou tais despesas na DIRPF e, em vários momentos deste processo admitiu que teriam ocorrido, o que se constitui em confissão. O que se discute no âmbito deste processo é se as provas apresentadas pelo contribuinte são suficientes para justificar a dedutibilidade dos recibos na DIRPF. Assim, não há que se questionar a validade da decisão a quo por inexistência de comprovação documental da acusação. O julgamento do processo ocorreu em acordo com as normas legais vigentes sobre o assunto e à luz das provas apresentadas pelo contribuinte no processo. Dado o exposto, rejeito a preliminar de nulidade da decisão de primeira instância. Conselheira Maria Cleci Coti Martins Fl. 161DF CARF MF Impresso em 07/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 05/08/ 2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 06/08/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por MARIA CLECI COTI MARTINS
score : 1.0
Numero do processo: 13502.902344/2012-98
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu May 29 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Jun 06 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/08/2010 a 31/08/2010
NORMAS PROCESSUAIS. ARGUMENTOS DE DEFESA. INOVAÇÃO EM SEDE DE RECURSO. PRECLUSÃO.
Os argumentos de defesa devem ser trazidos na primeira instância administrativa.
INDÉBITO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA.
O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa devidamente motivada não infirmada com elementos de prova hábeis e idôneos.
Numero da decisão: 3803-006.252
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, por inovação dos argumentos de defesa.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Hélcio Lafetá Reis - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Demes Brito e Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: HELCIO LAFETA REIS
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/08/2010 a 31/08/2010 NORMAS PROCESSUAIS. ARGUMENTOS DE DEFESA. INOVAÇÃO EM SEDE DE RECURSO. PRECLUSÃO. Os argumentos de defesa devem ser trazidos na primeira instância administrativa. INDÉBITO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa devidamente motivada não infirmada com elementos de prova hábeis e idôneos.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/08/2010 a 31/08/2010 NORMAS PROCESSUAIS. ARGUMENTOS DE DEFESA. INOVAÇÃO EM SEDE DE RECURSO. PRECLUSÃO. Os argumentos de defesa devem ser trazidos na primeira instância administrativa. INDÉBITO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa devidamente motivada não infirmada com elementos de prova hábeis e idôneos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, por inovação dos argumentos de defesa. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Demes Brito e Jorge Victor Rodrigues. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 50 2. 90 23 44 /2 01 2- 98 Fl. 113DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 05/06/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 29/05/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 13502.902344/201298 Acórdão n.º 3803006.252 S3TE03 Fl. 114 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte em contraposição à decisão da DRJ Belo Horizonte/MG que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada em decorrência da não homologação da compensação declarada. O contribuinte havia transmitido Declaração de Compensação em 1º de novembro de 2012, referente a crédito decorrente de alegado pagamento a maior de Cofins, no valor de R$ 266.058,91, destinado a quitar débito de sua titularidade. Por meio de despacho decisório eletrônico, a repartição de origem não homologou a compensação, pelo fato de que o pagamento declarado já havia sido integralmente utilizado na quitação de débitos do contribuinte. Cientificado da decisão, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade e requereu o reconhecimento do crédito e a homologação da compensação, com o seguinte argumento: “Tal indeferimento não pode prosperar porque os créditos oriundos de pagamento indevido ou maior já tinham sido devidamente disponibilizados em razão da desvinculação dos mesmos das DCTFs daquele período.” Junto à Manifestação de Inconformidade, o contribuinte trouxe aos autos cópias de documentos societários e do despacho decisório. A DRJ Belo Horizonte/MG não reconheceu o direito creditório, tendo sido o acórdão ementado nos seguintes termos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2010 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Não se admite compensação com crédito que não se comprova existente. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Cientificado da decisão em 14 de outubro de 2013, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário no dia 31 do mesmo mês e requereu prorrogação do prazo para a apuração adequada do efetivo direito creditório, alegando que o seu departamento fiscal não enviara as declarações retificadoras, sendo essa a razão da existência do presente passivo tributário. É o relatório. Voto Fl. 114DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 05/06/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 29/05/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 13502.902344/201298 Acórdão n.º 3803006.252 S3TE03 Fl. 115 3 Conselheiro Hélcio Lafetá Reis O recurso é tempestivo, mas dele não conheço, em razão dos fatos a seguir identificados. Diante do acima relatado, constatase que o Recorrente, nesta fase recursal, altera totalmente o seu pedido, não mais pleiteando a homologação da compensação devidamente declarada, conforme fizera na Manifestação de Inconformidade, mas requerendo a dilação de prazo para a apuração adequada do efetivo direito creditório e para produção de provas, em razão de equívoco cometido por seu departamento fiscal, que não providenciara a retificação das DCTFs do período. Notese que a afirmativa do Recorrente de que necessita de mais prazo para apurar adequadamente o efetivo direito creditório denota, inequivocamente, que as informações constantes da Declaração de Compensação foram repassadas de forma inadvertida, sem lastro na escrituração contábilfiscal, pois, do contrário, nada haveria a ser apurado, mas apenas informado no bojo deste processo. É flagrante a inovação operada em sede de recurso, tratandose de matéria preclusa em razão de sua não exposição na primeira instância administrativa, não tendo sido examinada pela autoridade julgadora de piso, o que contraria o princípio do duplo grau de jurisdição, bem como o do contraditório e o da ampla defesa. A preclusão processual é um elemento que limita a atuação das partes durante a tramitação do processo, imputandolhe celeridade, numa sequência lógica e ordenada dos fatos, em prol da pretendida pacificação social. Humberto Theodoro Júnior1 nos ensina que preclusão é “a perda da faculdade ou direito processual, que se extinguiu por não exercício em tempo útil”. Ainda segundo o mestre, com a preclusão, “evitase o desenvolvimento arbitrário do processo, que só geraria a balbúrdia, o caos e a perplexidade para as partes e o juiz”. O princípio da preclusão conectase ao princípio do impulso processual e destinase “não apenas a proporcionar uma mais rápida solução do litígio, mas bem ainda a tutelar a boafé no processo, impedindo o emprego de expedientes que configurem litigância de máfé” 2. Tal princípio busca garantir o avanço da relação processual e impedir o retrocesso às fases anteriores do processo, encontrandose fixado o limite da controvérsia, no Processo Administrativo Fiscal (PAF), no momento da impugnação/manifestação de inconformidade. De acordo com o art. 16, inciso III, do Decreto nº 70.235, de 1972, os atos processuais se concentram no momento da impugnação, cujo teor deverá abranger “os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância, as razões e provas que 1 HUMBERTO, Theodoro Júnior. Curso de direito processual civil. vol. 1. Rio de Janeiro: Forense, 2003, p. 225 226. 2 GRINOVER, Ada Pellegrini. “Interesse da União, preclusão. A preclusão e o órgão judicial”. In: A Marcha do Processo. Rio de Janeiro: Forense Universitária, 2000, p. 230/241. Disponível em: http://www.ambito juridico.com.br/site/?n_link=revista_artigos_leitura&artigo_id=11781. Acesso em: 15 abr 2013. Fl. 115DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 05/06/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 29/05/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 13502.902344/201298 Acórdão n.º 3803006.252 S3TE03 Fl. 116 4 possuir", considerandose não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante (art. 17 do Decreto nº 70.235, de 1972). Não é lícito inovar no recurso para inserir questão diversa daquela originalmente deduzida na impugnação/manifestação de inconformidade, devendo a inovação ser afastada por se referir a matéria não exposta no momento processual devido. Além disso, mesmo que preclusão não houvesse, o interessado não trouxe aos autos nem mesmo um início de prova, tendo a instrução se dado apenas com documentos societários, nada tendo sido dito acerca da natureza do indébito utilizado em compensação. Não se pode perder de vista que a prova encontrase em poder do próprio Recorrente, e uma vez que foi dele a iniciativa de instauração do presente processo, pois que relativo a um direito que ele alega ser detentor, não se vislumbra razão à preponderância do princípio da verdade material sobre, por exemplo, o princípio constitucional da celeridade processual (art. 5º, inciso LXXVIII, da Constituição Federal de 1988) ou o dever de comprovação dos fatos alegados (art. 16, inciso III, e § 4º do Decreto nº 70.235, de 1972). O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa que não reconheceu o direito creditório e não homologou a compensação, amparada em informações prestadas pelo sujeito passivo e presentes nos sistemas internos da Receita Federal (DCTF e sistemas de arrecadação), não cabendo no Processo Administrativo Fiscal (PAF) a requisição de prorrogação de prazos fixados na legislação processual tributária. Nos termos do art. 16 do Decreto n° 70.235/19723, que regula o PAF, aplicável na discussão de processos envolvendo compensação tributária, cabe ao impugnante o ônus da prova de suas alegações contrapostas à decisão de não homologação baseada na DCTF e na base de dados de arrecadação. 3 Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) – Grifei (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) Fl. 116DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 05/06/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 29/05/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 13502.902344/201298 Acórdão n.º 3803006.252 S3TE03 Fl. 117 5 Nesse contexto, por inovação dos argumentos de defesa, associada à ausência de qualquer elemento de prova do crédito reclamado, voto por NÃO CONHECER do recurso. É como voto. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator Fl. 117DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 05/06/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 29/05/2014 por HELCIO LAFETA REIS
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Numero do processo: 11684.720501/2011-41
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 26 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Jun 27 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 23/05/2011
AGENTE DE CARGA. TRANSPORTADOR. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. PRAZO. DESCUMPRIMENTO. MULTA ADMINISTRATIVA. SUJEIÇÃO.
A agência de cargas desconsolidadora nacional da carga que a si estava consignada atua na categoria de transportador, devendo observar o prazo exigido deste para a prestação da informação da carga transportada, que compreende a desconsolidação. O seu descumprimento enseja a aplicação da multa legalmente prevista.
Numero da decisão: 3803-005.560
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente
(assinado digitalmente)
Belchior Melo de Sousa - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: BELCHIOR MELO DE SOUSA
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 23/05/2011 AGENTE DE CARGA. TRANSPORTADOR. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. PRAZO. DESCUMPRIMENTO. MULTA ADMINISTRATIVA. SUJEIÇÃO. A agência de cargas desconsolidadora nacional da carga que a si estava consignada atua na categoria de transportador, devendo observar o prazo exigido deste para a prestação da informação da carga transportada, que compreende a desconsolidação. O seu descumprimento enseja a aplicação da multa legalmente prevista.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 23/05/2011 AGENTE DE CARGA. TRANSPORTADOR. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. PRAZO. DESCUMPRIMENTO. MULTA ADMINISTRATIVA. SUJEIÇÃO. A agência de cargas desconsolidadora nacional da carga que a si estava consignada atua na categoria de transportador, devendo observar o prazo exigido deste para a prestação da informação da carga transportada, que compreende a desconsolidação. O seu descumprimento enseja a aplicação da multa legalmente prevista. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 68 4. 72 05 01 /2 01 1- 41 Fl. 398DF CARF MF Impresso em 27/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 12/03/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 13/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 2 Trata o presente processo de auto de infração lavrado para constituição de crédito tributário referente a multa administrativa prevista na alínea “e”, inciso IV, do artigo 107 do DecretoLei n° 37/66[1]. Conforme registro no campo Descrição dos Fatos do auto de infração e demais documentos constantes dos autos, a interessada registrou no Siscomex CARGA, a desconsolidação da carga descrita no Conhecimentos Eletrônicos Genéricos n°s 210805146802486 e 210805219169281, em momento posterior à atracação das embarcações CALA PANCALDO e MARUBA EUROPA, respectivamente, fato caracterizado como omissão do dever de prestar informação sobre a carga transportada na forma (Siscomex Carga) e no prazo (antes da atracação do veículo no porto), estabelecidos pela Instrução Normativa RFB n° 800/07. Na impugnação apresentada, a Autuada alegou que: a) a exigência só pode ser levada a efeito após 1º abril de 2009; b) tendo o representante do armador apresentado tempestivamente as informações sobre as cargas transportadas, a fiscalização não sofreu qualquer dificuldade; c) a responsabilidade por infrações praticadas no âmbito aduaneiro não é objetiva, mas sim por culpa presumida. A autuada não agiu ou impediu a fiscalização, não havendo qualquer prejuízo que justifique a sua penalização; d) há que se aplicar o disposto no artigo 112 do CTN. A lavratura da autuação afronta o princípio da segurança jurídica; e) houve violação ao princípio da proibição do bis in idem; f) ocorre a exclusão da penalidade em razão da denúncia espontânea; g) a penalidade poderia ser relevada com base no disposto no artigo 736 do Decreto n° 6.759/09; Requereu o reconhecimento da improcedência do auto de infração. Em julgamento da lide a DRJ/Florianópolis esclareceu que não havia litígio quanto à ocorrência dos fatos narrados na autuação, discordando a Interessada apenas quanto aos critérios de aplicação do direito. Considerou que a Interessada desenvolveu atividades relacionadas à desconsolidação de Conhecimento Eletrônico, vez que este estava consignado a ela. Ante este fato, assentou que, sob todos os ângulos analisados, a legislação de regência impõelhe a condição de responsável pela prestação da informação em apreço, devendo, pois, prestála na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. 1 Art. 107. Aplicamse ainda as seguintes multas: [...] IV de R$ 5.000,00 (cinco mil reais): [...] e) por deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada à empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de serviços de transporte internacional expresso portaaporta, ou ao agente de carga; Fl. 399DF CARF MF Impresso em 27/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 12/03/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 13/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 11684.720501/201141 Acórdão n.º 3803005.560 S3TE03 Fl. 399 3 Refutou a alegação de ter ocorrido irretroatividade na aplicação do prazo para prestar a informação da desconsolidação da carga, previsto no art. 22 da IN RFB nº 800/07, com efeito a partir de 1º de abril de 2009. Para tanto, sustentou que a Fiscalização aplicou ao caso o prazo do Parágrafo único do artigo 50. Com respeito à denúncia espontânea reclamada pela Defesa, afirmou que o instituto não alcança o descumprimento de prazos para satisfação de atos de natureza essencialmente formal. Subsidiariamente, sustentou que o § 3º, do artigo 683, do Decreto nº 6.759/09 afasta a possibilidade de apresentação de denúncia espontânea para o caso dos autos: Considerou, entretanto, que a aplicação da multa em apreço tem relação apenas com a desconsolidação de Conhecimento Eletrônico genérico e não com as informações prestadas nos diversos Conhecimentos Eletrônicos agregados ou filhotes (house), que são o resultado da operação de desconsolidação. Assim, manteve a parte do crédito tributário correspondente ao Conhecimento Eletrônico genérico, cuja informação foi prestada fora do prazo determinado na norma de regência, e excluiu o valor de R$ 175.000,00, correspondente à parte restante. A decisão foi ementada como segue: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 23/05/2011 INFRAÇÃO. CONHECIMENTO ELETRÔNICO. DESCONSOLIDAÇÃO. INFORMAÇÃO INTEMPESTIVA. Descumprido o prazo para prestação da informação, relativa à conclusão da desconsolidação do Conhecimento Eletrônico Genérico, correta a imposição da multa, que deve ser aplicada em relação ao Conhecimento Eletrônico Genérico cuja informação deixou de ser prestada e não em relação aos Conhecimentos Eletrônicos Agregados decorrentes da operação de desconsolidação. Impugnação Procedente em Parte Cientificada da decisão em 11 de julho de 2012, sextafeira, irresignada, apresentou recurso voluntário em 30 de julho de 2012, em que reencetou todos os argumentos já levantados na impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Relator Belchior Melo de Sousa O recurso é tempestivo e atende os demais requisitos para sua admissibilidade, portanto dele conheço. Fl. 400DF CARF MF Impresso em 27/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 12/03/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 13/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 4 O auto de infração foi pedagógico e pródigo em compor a Descrição dos Fatos, apresentando, de início, o funcionamento do comércio internacional, o papel dos seus atores e definindo os instrumentos negociais envolvidos nessas operações. Trouxe à baila, de forma transcrita e elucidativa, a legislação que rege a obrigatoriedade de prestar informações à Secretaria da Receita Federal do Brasil, suas formas e os respectivos prazos. Por fim, contextualizou nesse preâmbulo os fatos verificados na auditoria e concluiu pela ocorrência da infração praticada pela Action Agenciamento de Cargas Ltda., substanciada no não cumprimento do seu dever de informar a desconsolidação da carga a ela consignada no prazo estabelecido pela norma regulamentar. A regramatriz da infração encontrase estampada no art. 50, que requer a sua combinação conceitual com o art. 2º, § 1º, inciso IV, e o art. 10, todos da IN RFB nº 800, de 27 de dezembro de 2007, que “dispõe sobre o controle aduaneiro informatizado da movimentação de embarcações, cargas e unidades de carga nos portos alfandegados”, e que rezam: Art. 50. Os prazos de antecedência previstos no art. 22 desta Instrução Normativa somente serão obrigatórios a partir de 1º de abril de 2009.( Redação dada pela IN RFB nº 899, de 29 de dezembro de 2008 ) Parágrafo único. O disposto no caput não exime o transportador da obrigação de prestar informações sobre: I a escala, com antecedência mínima de cinco horas, ressalvados prazos menores estabelecidos em rotas de exceção; e II as cargas transportadas, antes da atracação ou da desatracação da embarcação em porto no País. [grifei] Quem, em termos normativos, pode ser transportador? Art. 2º [...] § 1º Para os fins de que trata esta Instrução Normativa: IV o transportador classificase em: a) empresa de navegação operadora, quando se tratar do armador da embarcação; b) empresa de navegação parceira, quando o transportador não for o operador da embarcação; c) consolidador, tratandose de transportador não enquadrado nas alíenas "a" e "b", responsável pela consolidação da carga na origem; d) desconsolidador, no caso de transportador não enquadrado nas alíneas "a" e "b", responsável pela desconsolidação da carga no destino; e e) agente de carga, quando se tratar de consolidador ou desconsolidador nacional; O que compreende informar carga transportada? Fl. 401DF CARF MF Impresso em 27/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 12/03/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 13/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 11684.720501/201141 Acórdão n.º 3803005.560 S3TE03 Fl. 400 5 Art. 10. A informação da carga transportada no veículo compreende: I a informação do manifesto eletrônico; II a vinculação do manifesto eletrônico a escala; III a informação dos conhecimentos eletrônicos; IV a informação da desconsolidação; e V a associação do CE a novo manifesto, no caso de transbordo ou baldeação da carga. § 4º A mercadoria somente será considerada manifestada, para efeitos legais, quando a carga tiver sido informada nos termos do caput e demais disposições desta Instrução Normativa, observados, ainda, outras normas estabelecidas na legislação específica. Por sua vez a norma sancionadora conformase nos termos do art. 107, IV, “e”, do Decreto nº 37/66, com redação dada pela Lei nº 10.833/03, que, ademais, autoriza à Secretaria da Receita Federal do Brasil a dispor sobre os prazos e a forma de apresentação das informações necessária ao controle aduaneiro, verbis: Art. 107. Aplicamse ainda as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) [...] IV de R$ 5.000,00 (cinco mil reais): (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003): [...] e) por deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada à empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de serviços de transporte internacional expresso portaaporta, ou ao agente de carga.[grifei] Todas as disposições acima compõem o acervo normativo que sustenta o feito fiscal, constante dos campos Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal. A nota tônica a se considerar no desate da controvérsia travada neste processo ressalta do conceito abrangente de transportador, que compreende o papel de desconsolidador nacional desempenhado pela agencia de carga, para os efeitos fiscais de cumprimento da obrigação de prestar informações à RFB. Envolve também o conceito de informação da carga transportada elucidado pela própria instrução normativa ao dispor que esta compreende a informação de desconsolidação e que somente com esta informação a carga será considerada manifestada, para efeito legal. Fl. 402DF CARF MF Impresso em 27/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 12/03/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 13/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 6 Tais preceitos regulamentares são perfeitamente válidos, na medida em que estão ancorados em fundamento legal de validade, segundo disposição do DecretoLei nº 37/66. É sobre este suporte jurídico que o fato de ter a Action Agenciamento de Cargas Ltda. apresentado a desconsolidação da carga no dia 27/06/2008, dia seguinte à atracação do navio, violou o prazo fixado pela norma do art. 50, parágrafo único, inciso II, da IN RFB 800/07. Uma vez configurada a personalidade de transportador que assume a agência de carga, para os fins da obrigação de informar, em tela, à Autuada é aplicável a norma excludente do benefício da denúncia espontânea prevista no art. 683, §3º, do Decreto nº 6.579/09: Art. 683. [...] § 3º Depois de formalizada a entrada do veículo procedente do exterior não mais se tem por espontânea a denúncia de infração imputável ao transportador. O que não se pode perder de vista é que todas as informações visando ao controle de entrada de embarcações e de movimentação de cargas e unidades de carga em portos alfandegados devem ser prestadas antecipadamente à efetiva chegada do navio ao País, como se apreende das disposições do art. 31 e 32 do Decreto nº 6.579/09: Art. 31. O transportador deve prestar à Secretaria da Receita Federal do Brasil, na forma e no prazo por ela estabelecidos, as informações sobre as cargas transportadas, bem como sobre a chegada de veículo procedente do exterior ou a ele destinado (DecretoLei n o 37, de 1966, art. 37, caput, com a redação dada pela Lei n o 10.833, de 2003 , art. 77). §1º Ao prestar as informações, o transportador, se for o caso, comunicará a existência, no veículo, de mercadorias ou de pequenos volumes de fácil extravio. §2º O agente de carga, assim considerada qualquer pessoa que, em nome do importador ou do exportador, contrate o transporte de mercadoria, consolide ou desconsolide cargas e preste serviços conexos, e o operador portuário também devem prestar as informações sobre as operações que executem e as respectivas cargas (DecretoLei n o 37, de 1966, art. 37, §1 o , com a redação dada pela Lei no 10.833, de 2003 , art. 77); Art. 32. Após a prestação das informações de que trata o art. 31, e a efetiva chegada do veículo ao País, será emitido o respectivo termo de entrada, na forma estabelecida pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. Parágrafo único. As operações de carga, descarga ou transbordo em embarcações procedentes do exterior somente poderão ser executadas depois de prestadas as informações referidas no art. 31 (DecretoLei n o 37, de 1966, art. 37, §2 o , com a redação dada pela Lei no 10.833, de 2003 , art. 77). Fl. 403DF CARF MF Impresso em 27/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 12/03/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 13/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 11684.720501/201141 Acórdão n.º 3803005.560 S3TE03 Fl. 401 7 Nessa linha, antes que entrassem em vigor os prazos fixados no art. 22 da IN RFB nº 800/07, em 1º de abril de 2009, é que o art. 50 do mesmo regulamento prescreve o prazo mais benéfico, para antes da atracação do navio no porto, ação aquela de informar que pode se dar com antecedência de até minutos, conforme a semântica do texto. Ante este arrazoado, podese asseverar o que já pontuado pela decisão recorrida: que não houve aplicação retroativa dos prazos fixados pelo art. 22 da IN RFB nº 800/07, atribuindose, por muito, excesso de zelo da Auditoria ao apontálo juntamente com o art. 50. Exposta a questão, não há, no presente caso, dúvida quanto: (i) à capitulação legal do fato; (ii) à natureza ou às circunstâncias materiais do fato, ou à natureza ou extensão dos seus efeitos; (iii) à autoria, imputabilidade, ou punibilidade e; (iv) à natureza ou graduação da penalidade aplicável. Assim, inaplicável o disposto no artigo 112 da Lei n° 5.172/66 (Código Tributário Nacional). De mesmo modo, não se cogite que a presente autuação afrontou o princípio da segurança jurídica. Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso. Sala das sessões, 26 de fevereiro de 2014 (Assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Fl. 404DF CARF MF Impresso em 27/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 12/03/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 13/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
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Numero do processo: 14041.000930/2006-95
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 17 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Aug 13 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2001, 2002
ILEGITIMIDADE PASSIVA. INTERPOSTA PESSOA.
O exame da fraude, na modalidade simulação ou dissimulação, pela interposta pessoa, envolve e exige a apreciação do direito constitutivo à realização do lançamento. Há ilegitimidade passiva pela ausência de comprovação suficiente do uso ou beneficio da conta bancária mantida pelo autuado em nome da interposta pessoa.
DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. INTERPOSTA PESSOA.
A comprovação do dolo e fraude do autuado, pela utilização das contas bancárias em nome de interposta pessoa não admite presunção ou a existência de meros indícios. Há necessidade de provas firmes, seguras e estremes de dúvidas, ainda que indiciária, mas suficiente à comprovação da acusação fiscal.
DECADÊNCIA.
Comprovado pagamento de parcela do tributo, a decadência do IRPF, sujeito ajuste anual, regre-se pela regra do art. 150, Par. 4°, do CTN e jurisprudência pacificada do C. STJ, em recurso repetitivo, de observância obrigatória por este Conselho.
Numero da decisão: 2201-002.461
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao Recurso de Ofício e dar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do voto do relator. Fez sustentação oral pelo Contribuinte o Dr. Anísio Batista Madureira, OAB/DF 8.088.
(Assinatura digital)
Maria Helena Cotta Cardozo- Presidente.
(Assinatura digital)
Odmir Fernandes Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), Eduardo Tadeu Farah, Nathália Mesquita Ceia, Francisco Marconi de Oliveira, Odmir Fernandes (Suplente convocado), Guilherme Barranco de Souza (Suplente convocado). Ausente justificadamente, o Conselheiro Gustavo Lian Haddad.
Nome do relator: ODMIR FERNANDES
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INTERPOSTA PESSOA. O exame da fraude, na modalidade simulação ou dissimulação, pela interposta pessoa, envolve e exige a apreciação do direito constitutivo à realização do lançamento. Há ilegitimidade passiva pela ausência de comprovação suficiente do uso ou beneficio da conta bancária mantida pelo autuado em nome da interposta pessoa. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. INTERPOSTA PESSOA. A comprovação do dolo e fraude do autuado, pela utilização das contas bancárias em nome de interposta pessoa não admite presunção ou a existência de meros indícios. Há necessidade de provas firmes, seguras e estremes de dúvidas, ainda que indiciária, mas suficiente à comprovação da acusação fiscal. DECADÊNCIA. Comprovado pagamento de parcela do tributo, a decadência do IRPF, sujeito ajuste anual, regrese pela regra do art. 150, Par. 4°, do CTN e jurisprudência pacificada do C. STJ, em recurso repetitivo, de observância obrigatória por este Conselho. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao Recurso de Ofício e dar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do voto AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 04 1. 00 09 30 /2 00 6- 95 Fl. 2875DF CARF MF Impresso em 13/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por ODMIR FERNANDES 2 do relator. Fez sustentação oral pelo Contribuinte o Dr. Anísio Batista Madureira, OAB/DF 8.088. (Assinatura digital) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente. (Assinatura digital) Odmir Fernandes– Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), Eduardo Tadeu Farah, Nathália Mesquita Ceia, Francisco Marconi de Oliveira, Odmir Fernandes (Suplente convocado), Guilherme Barranco de Souza (Suplente convocado). Ausente justificadamente, o Conselheiro Gustavo Lian Haddad. Relatório Tratase de Recurso Voluntário e Recurso de Ofício da decisão da DRJ de Brasília/DF que manteve parte da autuação do Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF relativo às seguintes infrações fiscais: a) Dedução indevida de despesas médicas; b) Omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, em conta de interposta pessoa, com multa qualificada de 150%. c) Omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, em conta do autuado, com multa de oficio de 75%. Auto de Infração a fls. 766 e sgts. (pdf, fls. 1548 e sgts.). Relatório Fiscalização a fls. 775 a 795 (pdf, fls. 565 e sgts.) Decisão da DRJ que negou conhecimento à Impugnação pela intempestividade (fls. 109 a 125). Acórdão da 2ª TO (fls. 171 a 179 (pdf,. 958 a 962) admitindo a tempestividade da Impugnação. Decisão recorrida da DRJ (fls. 243 pdf, 92 ou 992), reconheceu a decadência do exercício de 2001, relativo à omissão de rendimento dos depósitos bancários na interposta pessoa, com a multa qualificada de 150%; glosa das despesas médicas; e omissão de rendimentos dos depósitos bancários na conta do autuado, com multa de ofício de 75%; e decadência do exercício de 2002, relativo à glosa das despesas médicas e a omissão de rendimentos dos depósitos bancários na conta do autuado, com multa de ofício de 75%. Foi mantida a autuação apenas sobre a omissão de rendimento dos depósitos bancários na interposta pessoa, com a multa qualificada de 150%, do exercício de 2002. Decisão que se encontra assim ementada: Fl. 2876DF CARF MF Impresso em 13/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por ODMIR FERNANDES Processo nº 14041.000930/200695 Acórdão n.º 2201002.461 S2C2T1 Fl. 3 3 Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 2001, 2002 PEREMPÇÂO INEXISTÊNCIA. Considerase tempestiva a impugnação apresentada quando, por Decisão do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, a intimação por meio de Termo de Recusa foi considerada inválida, considerandose como data de ciência do lançamento aquela em que a impugnação foi apresentada. DECADÊNCIA DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO. Em caso de dolo fraude ou simulação, a contagem do prazo decadencial do direito de a Fazenda Pública proceder ao lançamento regese pelo art. 173, I, do CTN, que prevê como termo inicial de contagem desse prazo, o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Para os fatos geradores ocorridos a partir de 01/01/97 a Lei 9.430/96 no seu art. 42 autoriza a presunção de omissão de rendimentos com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte No Recurso Voluntário sustenta preliminar de: (a) Ilegitimidade de parte por não ser titular das contas bancárias, objeto da autuação; (b) Decadência do anobase 2001, exercício de 2002, diante da notificação do lançamento realizada em 29.03.2007 (data da impugnação). No mérito, sustenta que os depósitos bancários decorrem da atividade de factoring, equiparada a pessoa jurídica e assim devem ser tributados e não na pessoa física, e a movimentação financeira decorre da empresa Fortaleza Fomento Mercantil Ltda. Por fim, pede exclusão da multa qualificada de 150%, por não existir fraude ou dolo. Recurso de Ofício em relação ao cancelamento total da autuação do exercício de 2001 e parcial de 2002, pelo reconhecimento da decadência. Anoto que a Impugnação, a decisão recorrida e o Recurso Voluntário encontram juntados nos autos do Proc. nº 10166.003037/200735. Observo o Recurso foi admitido e sobrestado na forma dos Par. 1º e 2º, do art.62A, do Anexo II, do Regimento Interno deste Conselho, acrescentado pela Portaria n° 586 de 2010, do Ministro da Fazenda. Com a revogação dos Par. 1º e 2º, do art.62A, pela Portaria n° 545, de 2013, os autos retornam a julgamento. Fl. 2877DF CARF MF Impresso em 13/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por ODMIR FERNANDES 4 Voto Conselheiro Odmir Fernandes Relator. Cuidase de Recurso Voluntário e de Oficio, o primeiro sobre a omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada na conta de interposta pessoa, com multa qualificada de 150%, do exercício de 2002; o segundo (de oficio) relativo às seguintes infrações, canceladas pela decisão recorrida pelo reconhecimento da decadência. 1 Dedução indevida de despesas médicas; 2 Omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, em conta do autuado, com multa de oficio de 75%; 3 Omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, em conta de interposta pessoa, com multa qualificada de 150%, do exercício de 2001. A decisão recorrida cancelou a autuação do exercício de 2001 realtivo a omissão de rendimento caracteriza pelos depósitos bancários na interposta pessoa, com multa qualificada de 150%, despesas médicas e omissão de rendimentos caracteriza por depósitos bancários na conta do autuado, com multa de 75%, do exercício de 2001 e 2002, pelo reconhecimento da decadência. Com o cancelamento parcial da autuação há Recurso de Oficio que deve ser conhecido e decidido junto com o Recurso Voluntário. A fiscalização teve início em 06.01.2005, com a expedição do MPF Mandado de Procedimento Fiscal e lavratura do termo de Início de Fiscalização em nome de Joaquim Elias de Andrade (fls. 02, do Anexo I), então sogro do autuado. Joaquim Elias à época da intimação contava com 97 anos de idade e tomou ciência pessoal do Mandado de Procedimento Fiscal e do Termo de Início de Fiscalização para apresentar nomes dos bancos, agência e contas correntes e cadernetas de poupança de todas as instituições financeiras que manteve e mantinha conta nos anos de 2000 e 2001 e os extratos bancários correspondentes. Em resposta, Joaquim explicou não ter como apresentar a relação dos nomes de bancos por não possuir conta bancária no período objeto da intimação (fls. 10 e 11 do Anexo I). Diante da negativa, foi expedido a Requisição de Informações sobre Movimentação Financeira – RMF, ao Banco do Estado de Santa Catarina – BESC, para apresentar os extratos bancários referentes à conta corrente mantida em nome de Joaquim Elias de Andrade (fls. 136/137 do Anexo I), movimentadas por procuração por seu neto José Mauro Andrade Alvim. Houve análise da situação patrimonial de José Mauro Andrade Alvim, neto de Joaquim Elias, filho do autuado, com relação às Declarações de Rendimentos dos anos calendário de 2000 e 2001 (fls. 02 a 05 do Anexo II). Fl. 2878DF CARF MF Impresso em 13/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por ODMIR FERNANDES Processo nº 14041.000930/200695 Acórdão n.º 2201002.461 S2C2T1 Fl. 4 5 Verificouse decréscimo patrimonial no primeiro ano e acréscimo patrimonial no ano seguinte pelo recebimento de quotas de capital da empresa MTA Edificações e Incorporações Ltda., no valor de R$ 235.250,00. José Mauro Andrade Alvim faleceu em 12.05.2002, e sendo procurador de conta bancaria do avô Joaquim Elias, teve movimentação superior a R$ 70.000,00. Nos anos calendário de 2000 e 2001, as despesas médicas de José Mauro foram deduzidas pai, ora autuado, Mauro Trindade Alvim. Vemos ao exame das razões de Recurso Voluntário. Interposta pessoa. Preliminar. Mérito. Examino o Recurso Voluntário sobre a omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada do exercício de 2002, da interposta pessoa. Sustenta o Recorrente, em preliminar, ilegitimidade passiva para responder pela autuação em razão de não ser o titular da conta bancária nº 142103, Agência 047, do Banco do Estado de Santa Catarina ser de titularidade de seu exsogro, Joaquim Elias de Andrade. Cuidase da acusação de fraude, na modalidade simulação ou dissimulação, pela utilização da conta bancária da interposta pessoa, matéria que envolve e se confunde, necessariamente, com o mérito, ou seja, o exame do direito constitutivo a realização da própria autuação. Por isso afasto a preliminar por não se cuidar de prejudicial ao desenvolvimento válido regular do processo, mas do direito constitutivo a realização do lançamento, sem prejuízo de retornar ao exame da matéria.. Contatase dos autos, sem contrariedade, que a conta bancária nº 142103, do Banco do Estado de Santa Catarina – de titularidade de Joaquim Elias de Andrade era movimentada por procuração pelo seu neto José Mauro Andrade Alvim, filho do autuado falecido. Isto esta claro nos autos e não é negado em nenhum momento pelo autuado. Pois bem, quais foram aos motivos para manter a autuação? Os elementos de convicção do julgador a quo, extraídos do Relatório de Fiscalização para manter a autuação pela interposta pessoa foram no sentido de o autuado utilizarse ou se beneficiar das contas bancarias do exsogro e ainda: a) da idade avançada do exsogro Joaquim Elias, com 97 anos; b) a movimentação da conta de Joaquim ser feita pelo neto, José Mauro Andrade Alvim, por procuração; c) o falecimento desse neto, sem deixa bens a inventariar; d) as despesas médicas do neto, Jose Mauro, serem pagas pelo pai, ora autuado; Fl. 2879DF CARF MF Impresso em 13/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por ODMIR FERNANDES 6 e) e a constituição de empresas familiares em comum, uma com o nome de MTV, iniciais do autuado. Estes foram os fundamentos da autuação da convicção de que as contas bancárias de titularidade de Joaquim Elias pertenceriam ao Recorrente autuado, com a utilização assim da interposta pessoa, primeiro do filho, Jose Mauro, falecido, depois dele autuado. A qualificação da penalidade decorre desse fato, da existência da interposta pessoa, com a multa de 150%, conforme lemos no Relatório de Fiscalização. Essas razões expendidas pela decisão recorrida sobre a idade avançada de Joaquim, titular da conta; movimentação da conta por procuração, pelo neto; falecimento do neto procurador, sem bens a inventariar; despesas médicas do filho custeadas pelo pai podem revelam indícios da interposta pessoa, mas não permitem e não autorizam comprovar de forma firme e segura a utilização da conta bancária pelo autuado. O procurador da conta bancária nº 142103 e quem a movimentava era, de fato o neto, José Mauro Andrade Alvim, filho do autuado que faleceu sem deixar bens a inventariar. Depois o inventário foi aditado para acrescentar os bens constantes da declaração anual de ajuste, mas sem incluir a conta bancária objeto da autuação. As despesas médicas de José Mauro Andrade Alvim foram deduzidas indevidamente pelo autuado, por não ser seu dependente. Mas isto não permite extrair a conclusão a que chegou fiscalização e a decisão recorrida sem existir outros elementos de prova, ainda que indiciários de que o pai, autuado, se utilizou efetivamente da interposta pessoa do filho, falecido. É certo que o autuado também recebeu procuração para movimentar a conta bancária nº 142103, Agência 047, do BESC, em nome do exsogro Joaquim Elias de Andrade, (fls. 781 e 783 do Relatório de Fiscalização, itens b e h), mas não consta e não se comprovou nos autos tenha o autuado feito uso, se beneficiado ou movimentado essa conta. A comprovação da fraude, pela interposta pessoa, ao contrário presunção legal do art. 42, da Lei 9.430, de 1996, não admite qualquer presunção, exige provas firmes e seguras, ainda que essa comprovação seja feita por meio indiciário, mas desde que indícios suficientes à comprovação do fato acusatório. É necessária comprovação segura se o autuado de fato se utilizou ou se beneficiou da conta bancária em nome de Joaquim Elias, seja de forma direta ou indireta, por intermédio de seu filho, José Mauro, falecido. Não há noticia da intimação ou da oitiva do titular da conta bancária, Joaquim Elias de Andrade, o de seu filho, que faleceu logo após a autuação, para explicar a origem e o destino dos depósitos bancários. Houve intimação, em 30.10.2006, para Joaquim Elias de Andrade (fls. 414, do Anexo I) informar o nome das pessoas para quem outorgou procuração para representálo perante as instituições financeiras e bancos em geral, inclusive para abrir e movimentar contas bancárias e cadernetas de poupança no período de 1990 a 2005. Não há resposta e o Relatório de Fiscalização nada explica. Fl. 2880DF CARF MF Impresso em 13/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por ODMIR FERNANDES Processo nº 14041.000930/200695 Acórdão n.º 2201002.461 S2C2T1 Fl. 5 7 Não há elementos seguro de prova, ainda que indiciários, de que o autuado seja de fato o titular da conta bancária mantida em nome do exsogro, Joaquim Elias, ou então que tenha se utilizado do filho, José Mauro, falecido, para se beneficiar dos depósitos bancários e assim se admitir a fraude pela existência da interposta pessoa. A interposta pessoa configura fraude, na modalidade simulação ou mesmo dissimulação, e não admite qualquer presunção. Há necessidade de provas firmes, seguras, consistentes e estreme de dúvidas, da efetiva utilização, pelo autuado, da interposta pessoa, ainda que essa comprovação se faça, repetimos, por meios indiciários, mas suficientes para comprovação do fato. Por essa razão, há de fato, ilegitimidade, não se comprovou a sujeição passiva do autuado para responder pela autuação no exame da materialidade e sujeição passiva do direito constitutivo a realização do lançamento (autuação). Recurso de oficio: Omissão de rendimentos mantidos na conta bancária da conta de interposta pessoa, com multa qualificada. Afastada a sujeição passiva do autuado pela manutenção ou utilização da conta bancaria mantida em nome de interposta pessoa, fica prejudicado o exame das demais questões objeto do Recurso Voluntário e parte do Recurso de Oficio, relativo a omissão de rendimentos decorrente dos depósitos bancários . Resta exame o Recurso de Oficio em relação ao reconhecimento da decadência pela decisão recorrida sobre a omissão de rendimentos das contas bancários do próprio autuado e a glosa das despesas médica, ambas do ano calendário de 2001. A acusação de dolo e fraude ocorreu em relação a interposta pessoa , assim, a regra decadencial deve obedecer ao art. 150, Par., 4°, do CTN, se houver pagamento de parcela do imposto sobre a renda, sujeito a ajuste anual, conforme entendimento pacificado pelo C. Superior Tribunal de Justiça no Recurso Repetitivo REsp 973.733/SC, Rel. Min. Luiz Fux, 1ª Seção, j., 12.08.2009, de observância obrigatória por este Conselho, a teor do art. 62A do Regimento Interno. A decisão recorrida, com base nos documentos de fls. 739 a 746, reconheceu que houve pagamento (fls. 999). A notificação do lançamento ocorreu em 29.03.2007, data do protocolo da Impugnação, com a tempestividade reconhecida pelo v. Acórdão da C. 2ª TO, da relatoria do i. Cons. Dr. Antonio Lopo Martinez. Contados cinco anos, entre 01.01.2002 e a data da notificação do lançamento em 20.03.2007, temos lapso temporal superior a cinco anos, com ocorrência da decadência, pela regra do art.150, Par., 4°, do CTN. Vemos assim que a decisão recorrida agiu com inteiro acerto ao reconhecer a decadência, assim deve ser mantida e prestigiada, negandose, em consequência, provimento ao Recurso de Oficio. Fl. 2881DF CARF MF Impresso em 13/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por ODMIR FERNANDES 8 Ante o exposto, pelo meu voto, conheço e dou provimento ao Recurso Voluntário para reformar a decisão recorrida e negar provimento do Recurso de Oficio, em conseqüência cancelar a autuação. (Assinatura digital) Odmir Fernandes Relator Fl. 2882DF CARF MF Impresso em 13/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por ODMIR FERNANDES
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Numero do processo: 11052.000265/2010-07
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 04 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Jun 10 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2006, 2007
DESCRIÇÃO DOS FATOS. AUSÊNCIA. CERCEAMENTO DIREITO DE DEFESA.
O conjunto probatório por mais sólido que seja, não dispensa o autuante de articular as razões que justificam o lançamento.
AÇÕES CONDENATÓRIAS. PERDAS E DANOS. JUROS. INCIDÊNCIA.
Diferentemente da indenização que visa recompor a perda patrimonial, os juros legais incidentes sobre ela têm natureza remuneratória, logo, entram no cômputo das bases tributáveis do IRPJ e da CSLL, seja qual for a modalidade de apuração dos tributos em tela.
EXECUÇÃO PROVISÓRIA. LEVANTAMENTO DE DEPÓSITOS JUDICIAIS. DISPONIBILIDADE ECONÔMICA.
O IRPJ incide sobre a aquisição de disponibilidade econômica de renda decorrente do levantamento de depósitos judiciais em execução provisória.
TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL.
Aplica-se ao lançamento reflexo o mesmo tratamento dispensado ao lançamento matriz, em razão da relação de causa e efeito que os vincula.
Numero da decisão: 1302-001.428
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Vencido o Conselheiro Hélio Araújo, que dava provimento integral ao recurso.
ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto, Waldir Rocha, Eduardo Andrade, Guilherme Pollastri, Hélio Araújo e Márcio Frizzo..
Nome do relator: ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR
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AUSÊNCIA. CERCEAMENTO DIREITO DE DEFESA. O conjunto probatório por mais sólido que seja, não dispensa o autuante de articular as razões que justificam o lançamento. AÇÕES CONDENATÓRIAS. PERDAS E DANOS. JUROS. INCIDÊNCIA. Diferentemente da indenização que visa recompor a perda patrimonial, os juros legais incidentes sobre ela têm natureza remuneratória, logo, entram no cômputo das bases tributáveis do IRPJ e da CSLL, seja qual for a modalidade de apuração dos tributos em tela. EXECUÇÃO PROVISÓRIA. LEVANTAMENTO DE DEPÓSITOS JUDICIAIS. DISPONIBILIDADE ECONÔMICA. O IRPJ incide sobre a aquisição de disponibilidade econômica de renda decorrente do levantamento de depósitos judiciais em execução provisória. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. Aplicase ao lançamento reflexo o mesmo tratamento dispensado ao lançamento matriz, em razão da relação de causa e efeito que os vincula. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Vencido o Conselheiro Hélio Araújo, que dava provimento integral ao recurso. ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR – Presidente e Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 05 2. 00 02 65 /2 01 0- 07 Fl. 441DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/0 6/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto, Waldir Rocha, Eduardo Andrade, Guilherme Pollastri, Hélio Araújo e Márcio Frizzo.. Relatório Versa o presente processo sobre recurso voluntário, interposto pelo contribuinte em face do Acórdão nº 1255.375 da 3ª Turma da DRJ/RJ1, cuja ementa assim dispõe: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2006, 2007 DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2006, 2007 OMISSÃO DE RECEITA. JUROS. Os juros auferidos compõem a base de cálculo do IRPJ. COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS. A compensação de prejuízos de exercícios anteriores é uma faculdade do contribuinte. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. Aplicase ao lançamento reflexo o mesmo tratamento dispensado ao lançamento matriz, em razão da relação de causa e efeito que os vincula. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido A recorrente tomou ciência da decisão recorrida em 27/06/2013 (cf. AR a fls. 423) e interpôs recurso voluntário em 23/07/2013 (doc. a fls. 427 e segs.), no qual alega, em apertada síntese, as seguintes razões de defesa: a) que, em13 de junho de 1973, foi entregue em custódia ao então Banco Ypiranga, depois sucedido pelo BCN e este pelo Bradesco, Letras imobiliárias no valor de CR$12.200.000,00, moeda da época, de emissão de diversas companhias; b) que, no período de junho de 1973 até maio de 1974, todos os cupons vencidos foram recebidos pela recorrente; c) que, a partir de maio de 1974, sem qualquer aviso ou explicação, o banco depositário da custódia deixou de enviar os cupons e as letras vencidas para que a recorrente pudesse resgatálos; d) que a recorrente quase simultaneamente com o depósito da custódia, havia contratado com o banco, um empréstimo externo denominado OPERAÇÃO 63, dando as garantias exigidas no referido contrato, delas não fazendo parte a operação de custódia, até porque existia proibição legal para tanto; Fl. 442DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/0 6/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 11052.000265/201007 Acórdão n.º 1302001.428 S1C3T2 Fl. 442 3 e) que o banco, sem ciência da recorrente encerrou em março de 1975 a conta corrente bancária antecipando o resgate das letras imobiliárias e o compromisso da ultima parcela da OPERAÇÃO 63 que venceria em julho de 1975 antecipada para o mês de março; f) que os rendimentos das letras imobiliárias de maio de 1974 até outubro de 1975 com a inclusão dos juros, correções monetárias resgates normais e antecipados, somam os seguintes montantes: JUROS (Delfin, Tradição e VitóriaMinas)...................... CR$ 1.129.445,00 CORREÇÕES (ldem Idem) ...............................................CR$ 4.650.613,96 RESGATES (Tradição) ........................................................CR$ 100.000,00 RESGATES (VitóriaMinas) .............................................CR$ 8.000.000,00 MENOS Deságio da VitóriaMinas .....................................CR$ (53.075,00) TOTAL ............................................................................CR$ 13.826.983,96 g) que, deste total foram retiradas as seguintes parcelas da Operação 63: Janeiro de 1975, no valor de CR$ 751.339,40, e Julho de 1975, no valor de CR$ 2.391.844,66, totalizando CR$ 3.143.184,06 h) que os Valores acima mencionados foram obtidos a partir dos documentos colocados à disposição da impugnante, que procedeu ao levantamento da sua posição contábil, chegando à conclusão de que era credor da quantia de CR$ 10.683.799 90; i) que, como se verifica todos os fatos geradores tanto do resgate como dos rendimentos dos juros, ocorreram entre maio de 1974 a outubro de 1975, conforme item 13.4 letra c do Termo de Constatação Fiscal, que reproduz explicação dada pela recorrente durante a fiscalização, verificada nos livros e documentos e aceitas pelo Senhor Auditor; j) que, sentindose espoliada, por ato unilateral praticado pelo Banco Bradesco (sucessor do BCN), porpôs ação de depósito cumulada com prestação de contas e perdas e danos, distribuída à 34ª Vara Cível da Comarca da Capital do Rio de Janeiro; l) que obtendo êxito, a recorrente promoveu a execução provisória da sentença, tendo o juizo da 34ª VARA determinado a emissão de dois mandados de pagamento junto ao Banco do Brasil, o primeiro emitido em 04/05/2006 autorizou o levantamento de R$ 26.408.848,79 (60% do saldo existente na conta judicial) e o segundo em 25/09/2006 no valor de R$ 18.272.120,32; m) que os Valores recebidos por força da Sentença Judicial correspondem à reposição das perdas patrimoniais em razão de apropriação indébita por parte do Banco Depositário das Letras Imobiliárias e que tais valores não são tributados para fins de determinação do Lucro Real, visto que se trata de um direito devidamente ativado e os eventuais juros repõem o valor aproximado do bem espoliado; n) que esse também é o entendimento do Conselho de Contribuintes; o) que, infelizmente, assim não entendeu o senhor fiscal autuante e lavrou auto de infração, exigindo imposto de renda sobre os depósitos bancários recebidos da Justiça em recomposição às perdas sofridas, as quais se referiam a fatos geradores ocorridos no período de maio de 1974 a abril de 1975; Fl. 443DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/0 6/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 4 p) que, mesmo que assim não fosse, os valores recebidos em malo e setembro de 2006, somente os juros deste periodo, poderiam ser objeto de lançamento, uma vez que os juros até dezembro de 2005 estavam prescritos, vide item 14.1 do Termo de Constatação Fiscal. q) que, os valores objeto do auto de infração, foram atingidos pelos efeitos da decadência, porque tributa fatos gerados ocorridos no período de maio de 1974 a abril de 1975, portanto há exatos 35 anos, assim, o presente auto de infração já nasceu nulo de pleno direito. r) que a fiscalização teve inicio em 22 de abril de 2009 e encerramento em 28 de junho de 2010, assim, o lançamento só poderia ser efetuado até o ano de 2005, ou seja, 05 (cinco) anos anteriores a data do encerramento da fiscalização; s) que houve cerceamento do direito de defesa quando a autoridade lançadora adicionou como receitas omitidas, além da matéria antes tratada outras receitas de diferentes naturezas (Rec, Aplic. Financ. Rendim. Op. Com ações e dividendos Op. Com Ações fls. 194 e 195) não exite em nenhum ponto do termo de verificação ou no próprio auto de infração IRPJ qualquer menção a origem dos valores ali lançados, não há, pois nenhuma fundamentação jurídica que as justificasse essa omissão de fundamentação; t) que o contribuinte não sabe como se defender, pois o Fiscal menciona no item 14.3, que o laudo do perito judicial calculou os juros até 30/01/2006, enquanto que no item 14.1 diz que tais valores foram recebidos em 04/05/2006 e 25/09/2006, logo não existe cálculo dos juros devidos até maio e setembro do ano de 2006 com base nos valores recebidos nestas datas; u) que, no item 14.5 do TVF, apresenta quadro com os valores sujeitos a tributação onde menciona juros de ação judicial do 2º Trimestre e 3º Trimestre de 2006, perfazem um total de R$ 5.545.658,78, mas não houve cálculo de juros nestes trimestres, uma vez que o valor de R$ 3.916.312,61 se refere aos juros até o dia 30 de janeiro de 2006, estando patente o cerceamento de defesa; v) que os juros calculados pelo perito do Juiz abrangeu englobadamente o período de maio de 1974 até 30 de janeiro de 2006, no valor de R$ 3.916.312,61, portanto a tributação deveria abranger somente o valor de janeiro de 2006 até setembro de 2006, logo, não houve o trrabalho de separar o valor dos juros por ano; x) que o valor encontrado por diferença entre o valor recebido e o calculado pelo perito do Juiz não pode ser admitido como se fora juros, pois poderia ser outra rubrica; z) que, no auto de infração, menciona os valores de R$ 5.802.333,50 para o ano de 2006 e R$ 320.279,89 para o ano de 2007, os quais comparados com os item anterior, chegamos a uma diferença entre os documentos citados de R$ 193.174,99, como se defender? aa) que é fato notório que a retificação de uma DIPJ apresentada se sobrepõe a declaração retificada, passando a existir somente a DIPJ retificadora, não há pois que se falar na declaração retificada, pois esta não tem mais qualquer valor; ab) que a DIPJ que está valendo é a apresentada em 03/09/2009, cujo quadro 3 fl. 410, apresentado pelo julgador discordante, informa prejuízo fiscal de: R$ 8.995,38 (1º Trim.); R$ 26.583,54 (2º Trim.); R$ 12.359.883,06 (3º Trim.); e R$ 414.917,57 (4º Trim.). É o relatório. Voto Fl. 444DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/0 6/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 11052.000265/201007 Acórdão n.º 1302001.428 S1C3T2 Fl. 443 5 Conselheiro Alberto Pinto Souza Junior. O recurso voluntário é tempestivo e foi subscrito por representantes legais da recorrente, conforme art. 12 do Estatuto da recorrente a fls. 375, razão pela qual dele conheço. Primeiramente, entendo que procede a alegação de cerceamento de direito de defesa, pois a autoridade lançadora adicionou como omitidas receitas indicadas apenas pelas rubricas “Receitas Aplic. Financ.”; “Rendim. Op. c/ações” e “Dividendos Op. c/Ações”, sem qualquer detalhamento ou justificação. Saliento que, a fls. 195/196 no TVF, simplesmente surgem valores nas planilhas elaboradas pelo autuante com as referidas rubricas, sem qualquer explicação ou justificativa. É verdade que, a fls. 169/175, consta resumo de apuração de ganhos de renda variável, mas o autuante sobre tais documentos não se refere no TVF e no auto de infração. Ora, o conjunto probatório por mais sólido que seja, o que não é caso do ora analisado, não dispensa o autuante de articular as razões que justificam o lançamento. Por essa razão, voto por excluir das bases tributáveis os seguintes valores: a) R$ 148.129,58 (2º Trim/2006); b) R$ 401.720,13 (3º Trim/2006); c) R$ 7.044,20 (4º Trim./2006); d) R$ 317.824,72 (1º Trim/2007); e) R$ 110.700,00 (1º Trim./2007); f) R$ 29.677,01 (2º Trim./2007); g) R$ 354,64 (3º Trim./2007); h) R$ 8,80 (3º Trim./2007); i) R$ 73,44 (4º Trim./2007); j) R$ 27,92 (4º Trim./2007). Quanto à preliminar de mérito suscitada – decadência, cabe uma análise mais aprofundada do fato imponível, em tela antes de concluimos sobre a sua ocorrência, se não vejamos o que se segue. Primeiramente, na análise do aspecto temporal da hipótese de incidência ora em estudo, cabe inicialmente, esclarecer que dúvidas surgem quando a apuração do tributo estiver sujeita ao reconhecimento das receitas pelo regime de competência, pois, no caso de estar submetido ao regime de caixa, a incidência da norma tributária só se daria efetivamente no momento do recebimento dos valores objeto dos Mandados de Pagamento Judicial. A legislação tributária, mais precisamente o Decretolei nº 1.598, de 1977, no art. 6º, § 1º, determina que, para fins de cálculo do lucro real, o lucro líquido seja determinado com observância dos preceitos da legislação comercial; já o art. 67, inciso XI, determina expressamente que sejam observadas as disposições da Lei nº 6.404, de 1976. Desta forma, as pessoas jurídicas que estejam obrigadas ao lucro real ou aqueloutras que, embora não obrigadas ao lucro real, optem pelo regime de competência devem observar as disposições contidas na Lei das S/A que disciplinam tal regime de reconhecimento de receitas. Sobre o regime de competência, o § 1º do art. 187 da Lei nº 6.404, de 1976, assim dispõe: Art. 187. [...] Fl. 445DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/0 6/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 6 § 1º Na determinação do resultado do exercício serão computados: a) as receitas e os rendimentos ganhos no período, independentemente da sua realização em moeda; e b) os custos, despesas, encargos e perdas, pagos ou incorridos, correspondentes a essas receitas e rendimentos. O Manual de Contabilidade das Sociedades por Ações da FIPECAFI (ed. Atlas, 5ª edição, p. 28), por sua vez, diz que, no regime de competência, “As receitas e despesas são apropriadas ao período em função de sua incorrência e da vinculação da despesa à receita, independentemente de seus reflexos no caixa”. Com efeito, para as pessoas jurídicas sujeitas ao reconhecimento das receitas pelo regime de competência, é totalmente indiferente a realização financeira da receita para fins de determinação do aspecto temporal das incidências tributárias. Logo, quando o contribuinte estiver sujeito ao reconhecimento de suas receitas pelo regime de competência, deve ser afastada, de plano, a tese que sustenta que a incidência dos tributos sobre o valor dos juros incidentes sobre a indenização judicial ocorreria no momento do pagamento. Por outro lado, não se há de confundir regime de reconhecimento de receita (competência ou caixa) com hipóteses de disponibilidade de renda para fins de incidência do IRPJ (econômica ou jurídica). O art. 43 do Código Tributário Nacional dispõe que o fato gerador do imposto sobre a renda é a aquisição de disponibilidade econômica ou jurídica de renda. Por disponibilidade econômica, entendese qualquer aumento patrimonial independentemente da existência de título executivo tutelado pelo Estado, como ocorre, por exemplo, quando se aufere receitas decorrentes de atividades ilícitas ou quando se apura receitas em contrapartida da avaliação de investimento pelo MEP. Já a disponibilidade jurídica ocorre quando há um crédito líquido e certo consubstanciado em um título executivo judicial ou extrajudicial, que permita ao credor obter a realização em dinheiro tão logo o crédito se torne exigível (pelo vencimento do título extrajudicial ou pelo trânsito em julgado do sentença título judicial), ainda que tenha que recorrer à execução forçada para realizar financeiramente o seu crédito. Destarte, para os contribuintes sujeitos ao reconhecimento das receitas pelo regime de competência, basta, tãosomente, a disponibilidade jurídica do rendimento, para fins de incidência tributária. Noutras palavras, não há necessidade de que a receita já esteja financeiramente realizada para que, sobre ela, incida os tributos, basta apenas que seja receita consubstanciada em um título executivo, no qual esteja consubstanciado um crédito líquido e certo. Tal raciocínio vale para todos os tributos, quando o contribuinte estiver sujeito ao reconhecimento das receitas pelo regime de competência. Destarte, sendo a sentença condenatória um título que consubstancia um crédito líquido e certo, é no seu trânsito em julgado – quando adquire o status de coisa julgada material que ocorre a aquisição de disponibilidade jurídica de renda do credor, pois o crédito definido na sentença representa o ingresso de um direito líquido e certo no patrimônio do contribuinte, mesmo que ainda não realizado financeiramente. No caso em tela, estamos a tratar de uma ação de depósito, cumulada com uma ação de prestação de contas e um pedido de condenação em perdas e danos (vide inicial a fls. 92 e segs.), ajuizada pela recorrente em face do Banco Nacional de Crédito. A sentença de mérito (vide fls. 118/119), expedida em 17/11/1977, condenou o Banco Nacional de Crédito a restituir à recorrente o valor de CR$ 13.017.487,82, o qual deveria ser corrigido monetariamente até a data de seu efetivo pagamento. A recorrente, então, promoveu a execução provisória (inicial a fls. 124), por ter sido expedida Carta de Setença pelo VicePresidente do Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro, tendo oferecido bens em caução para o levantamento dos valores depositados. Por decisão a fls. 96, foi autorizado inicialmente, o levantamento de 60% dos valores Fl. 446DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/0 6/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 11052.000265/201007 Acórdão n.º 1302001.428 S1C3T2 Fl. 444 7 depositados (fls. 156), sendo expedido o Mandado de Pagamento a fls. 157. Em 19/09/2006, nova decisão judicial (a fls. 160) autorizou o levantamento do saldo, razão pela qual foi expedido o Mandado de Pagamento a fls. 162, no valor de R$ 18.272.120,32. Assim, antes mesmo do trânsito em julgado da sentença, houve a realização financeira da receita com o levantamento dos valores autorizados por decisão judicial em sede de execução provisória. O fato de a sentença de mérito poder ser reformada posteriormente não coloca a matéria tributável sob uma condição suspensiva, pois, se condição for, será resolutiva, já que nos termos do inciso III do art. 588 do CPC (vigente à época em que se iniciou a execução provisória) ficaria sem efeitos se sobreviesse acórdão que modificasse ou anulasse a sentença objeto da execução provisória, restituindose as partes ao estado anterior. Ademais, por força da legislação processual civil, possibilitouse que houvesse a disponibilidade econômica da renda antes mesmo de adquirida a disponibilidade jurídica (título judicial transitado em julgado). Ou seja, inverteuse a ordem natural que seria a de formação de um título judicial (disponibilidade jurídica da renda) e posterior realização financeira da renda (disponibilidade econômica). Assim, como o IRPJ tem como fato gerador a aquisição também de disponibilidade econômica, entendo que há incidência de IRPJ sobre receitas recebidas em execução provisória, independentemente do destino que venha a ter o título judicial em formação. Se assim não fosse, teríamos que admitir que a recorrente poderia experimentar um aumento patrimonial sem incidência de IRPJ. Logo, afasto a preliminar de decadência, pois entendo que os juros objetos dos lançamentos em tela são disponibilidades econômicas adquiridas em 04/05/2006, data do levantamento de R$ 26.408.848,79 (60% do saldo existente na conta judicial), e em 25/09/2006, data do levantamento de R$ 18.272.120,32. No que tange ao valor da indenização, ao contrário do que sugere a recorrente, ele não foi computado nas bases tributáveis, mas apenas os juros incidentes sobre ele e que compôs o total. Ora, tratamse de juros legais incidentes sobre o valor das perdas e danos, logo, eles são ingressos novos de natureza remuneratória e, sobre eles, incidem IRPJ e CSLL, seja qual for a modalidade de apuração dos tributos em tela. Ao se analisar os cálculos do Contador Judicial (a fls. 135), acolhidos pelo Juízo da Vara para expedir os Mandados de Pagamentos, constatase que do montante da condenação, no valor de R$ 43.359.051,94, R$ 3.916.312,61 são juros. Da mesma forma, são juros a diferença entre o valor efetivamente levantado e o valor apurado nos cálculos do Contador Judicial, no montante de R$ 1.629.346,17, ou seja, tratamse de juros legais a que se refere o art. 293 do CPC, os quais independem de qualquer pedido para que sejam computados no valor da condenação. No que tange ao pedido de compensação de prejuízos fiscais, vale esclarecer inicialmente que a DIPJ/2007 retificadora a fls. 301 foi apresentada após o início da ação fiscal, como bem apontou o voto vencedor do acórdão recorrido. Assim, vale a DIPJ/2007 retificadora apresentada em 08/01/2008, a fls. 3 e segs. Conforme esta DIPJ retificadora, houve prejuízo fiscal no 1º Trimestre, no valor de R$ 8.995,38 (fls. 17), e no 4º Trimestre, no valor de R$ 414.917,57 (fls. 20). Com relação ao prejuízo fiscal apurado no 4º Trimestre de 2006, no valor de R$ 414.917,57, o pedido da recorrene fica prejudicado, já que voto por cancelar todo o lançamento referente aos fatos geradores de 2007, em razão do cerceamento de defesa configurado por falta de descrição dos fatos referentes a omissão de receitas indicadas, no TVF, apenas pelas rubricas “Receitas Aplic. Financ.”; “Rendim. Op. c/ações” e “Dividendos Op. c/Ações”. Fl. 447DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/0 6/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 8 Por sua vez, no que toca ao prejuízo fiscal do 1º Trimestre de 2006, no valor de R$ 8.995,38 (fls. 17), a própria recorrente não o compensou com os lucros reais apurados nos 2º e 3º Trimestres do ano de 2006 (vide DIPJ a fls. 18 e 19), logo, sendo a compensação de prejuízo fiscal uma faculdade, não havia porque o autuante compensar o referido prejuízo fiscal de ofício. Situação diversa seria aquela em que, tendo a contribuinte compensado o prejuízo fiscal, o autuante ao ampliar a base de cálculo por inserir a receita omitida, deveria compensar prejuízos fiscais até o limite da trava desde que existente saldo a compensar. No presente caso, a DIPJ/2006 retificadora entregue em 08/01/2008 deixa claro a opção da recorrente em não compensar o prejuízo fiscal do 1º Trimestre de 2006 com os lucros reais dos 2º e 3º Trimestres. Por essa razão, nego o pedido de compensação de prejuízo fiscal apurado no 1º Trimestre com as bases tributáveis apuradas no lançamento ora sub examine. Em face do exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário, para excluir das bases tributáveis do IRPJ e da CSLL os seguintes valores: a) R$ 148.129,58 (2º Trim/2006); b) R$ 401.720,13 (3º Trim/2006); c) R$ 7.044,20 (4º Trim./2006); d) R$ 317.824,72 (1º Trim/2007); e) R$ 110.700,00 (1º Trim./2007); f) R$ 29.677,01 (2º Trim./2007); g) R$ 354,64 (3º Trim./2007); h) R$ 8,80 (3º Trim./2007); i) R$ 73,44 (4º Trim./2007); e R$ 27,92 (4º Trim./2007). Alberto Pinto Souza Junior Relator Fl. 448DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/0 6/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR
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Numero do processo: 10580.720303/2009-69
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 17 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Aug 04 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005, 2006, 2007
ALEGAÇÃO DE ILEGITIMIDADE ATIVA DA UNIÃO PARA EXIGÊNCIA DE TRIBUTO QUE DEVERIA SER RETIDO NA FONTE POR ESTADO DA FEDERAÇÃO. DESCABIMENTO.
É de se rejeitar a alegação de ilegitimidade ativa da União Federal, uma vez que a atribuição de titularidade do produto da arrecadação do imposto de renda retido na fonte toca apenas à repartição de receitas tributárias, não repercute sobre a legitimidade da União Federal para exigir o imposto de renda sujeito ao ajuste anual.
IRPF. IMPOSTO DE RENDA NA FONTE NO REGIME DE ANTECIPAÇÃO. NÃO RETENÇÃO PELA FONTE PAGADORA. RESPONSABILIDADE DO CONTRIBUINTE PELO IMPOSTO DEVIDO APÓS O TÉRMINO DO PRAZO PARA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL.
A falta de retenção pela fonte pagadora não exonera o beneficiário e titular dos rendimentos, sujeito passivo direto da obrigação tributária, de incluí-los, para fins de tributação, na Declaração de Ajuste Anual; na qual somente poderá ser deduzido o imposto retido na fonte ou o pago. Aplicação da Súmula CARF nº 12.
REMUNERAÇÃO PELO EXERCÍCIO DE CARGO OU FUNÇÃO - INCIDÊNCIA.
Sujeitam-se à incidência do imposto de renda as verbas recebidas como remuneração pelo exercício de cargo ou função, independentemente da denominação que se dê a essa verba.
IRPF. JUROS DE MORA. PAGAMENTO FORA DO CONTEXTO DE RESCISÃO DE CONTRATO DE TRABALHO.
No caso dos autos a verba não foi recebida no contexto de rescisão de despedida ou rescisão do contrato de trabalho, de forma que incide o imposto de renda sobre as parcelas intituladas juros de mora, conforme jurisprudência consolidada no Superior Tribunal de Justiça - STJ.
RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE EM RAZÃO DE LEI EM SENTIDO FORMAL E MATERIAL. IMPOSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO DO ENTENDIMENTO MANIFESTADO PELA PRIMEIRA SEÇÃO DO STJ AO JULGAR O RESP 1.118.429/SP.
Em que pese a referência a uma ação judicial e a natureza trabalhista das verbas, a fonte obrigacional do pagamento dos rendimentos objeto do lançamento decorreu diretamente de Lei em sentido formal e material, e não diretamente de uma condenação judicial, hipótese na qual dever-se-ia observar o regime estabelecido pelo art. 100 da Constituição da República Federativa do Brasil, não se aplica, portanto, o entendimento proferido pelo Superior Tribunal de Justiça - STJ no RESP 1.118.429/SP.
MULTA DE OFÍCIO. COMPROVANTE DE RENDIMENTOS COM ERRO. DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL CONFORME OS COMPROVANTES EMITIDOS PELA FONTE PAGADORA. SÚMULA CARF Nº 73.
Erro no preenchimento da declaração de ajuste do imposto de renda, causado por informações erradas, prestadas pela fonte pagadora, não autoriza o lançamento de multa de ofício.
Recurso provido em parte
Numero da decisão: 2802-002.966
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário para tão somente excluir a multa de ofício, nos termos do voto do relator.
(Assinado digitalmente)
Jorge Claudio Duarte Cardoso Presidente e Relator.
EDITADO EM: 28/07/2014
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jaci de Assis Júnior, German Alejandro San Martín Fernández, Ronnie Soares Anderson, Carlos André Ribas de Mello e Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente). Ausente Justificadamente a Conselheira Julianna Bandeira Toscano.
Nome do relator: JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2005, 2006, 2007 ALEGAÇÃO DE ILEGITIMIDADE ATIVA DA UNIÃO PARA EXIGÊNCIA DE TRIBUTO QUE DEVERIA SER RETIDO NA FONTE POR ESTADO DA FEDERAÇÃO. DESCABIMENTO. É de se rejeitar a alegação de ilegitimidade ativa da União Federal, uma vez que a atribuição de titularidade do produto da arrecadação do imposto de renda retido na fonte toca apenas à repartição de receitas tributárias, não repercute sobre a legitimidade da União Federal para exigir o imposto de renda sujeito ao ajuste anual. IRPF. IMPOSTO DE RENDA NA FONTE NO REGIME DE ANTECIPAÇÃO. NÃO RETENÇÃO PELA FONTE PAGADORA. RESPONSABILIDADE DO CONTRIBUINTE PELO IMPOSTO DEVIDO APÓS O TÉRMINO DO PRAZO PARA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL. A falta de retenção pela fonte pagadora não exonera o beneficiário e titular dos rendimentos, sujeito passivo direto da obrigação tributária, de incluí-los, para fins de tributação, na Declaração de Ajuste Anual; na qual somente poderá ser deduzido o imposto retido na fonte ou o pago. Aplicação da Súmula CARF nº 12. REMUNERAÇÃO PELO EXERCÍCIO DE CARGO OU FUNÇÃO - INCIDÊNCIA. Sujeitam-se à incidência do imposto de renda as verbas recebidas como remuneração pelo exercício de cargo ou função, independentemente da denominação que se dê a essa verba. IRPF. JUROS DE MORA. PAGAMENTO FORA DO CONTEXTO DE RESCISÃO DE CONTRATO DE TRABALHO. No caso dos autos a verba não foi recebida no contexto de rescisão de despedida ou rescisão do contrato de trabalho, de forma que incide o imposto de renda sobre as parcelas intituladas juros de mora, conforme jurisprudência consolidada no Superior Tribunal de Justiça - STJ. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE EM RAZÃO DE LEI EM SENTIDO FORMAL E MATERIAL. IMPOSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO DO ENTENDIMENTO MANIFESTADO PELA PRIMEIRA SEÇÃO DO STJ AO JULGAR O RESP 1.118.429/SP. Em que pese a referência a uma ação judicial e a natureza trabalhista das verbas, a fonte obrigacional do pagamento dos rendimentos objeto do lançamento decorreu diretamente de Lei em sentido formal e material, e não diretamente de uma condenação judicial, hipótese na qual dever-se-ia observar o regime estabelecido pelo art. 100 da Constituição da República Federativa do Brasil, não se aplica, portanto, o entendimento proferido pelo Superior Tribunal de Justiça - STJ no RESP 1.118.429/SP. MULTA DE OFÍCIO. COMPROVANTE DE RENDIMENTOS COM ERRO. DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL CONFORME OS COMPROVANTES EMITIDOS PELA FONTE PAGADORA. SÚMULA CARF Nº 73. Erro no preenchimento da declaração de ajuste do imposto de renda, causado por informações erradas, prestadas pela fonte pagadora, não autoriza o lançamento de multa de ofício. Recurso provido em parte
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 11; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2106; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2TE02 Fl. 138 1 137 S2TE02 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10580.720303/200969 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2802002.966 – 2ª Turma Especial Sessão de 17 de julho de 2014 Matéria IRPF Recorrente EVERALDO CARDOSO DE AMORIM Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2005, 2006, 2007 ALEGAÇÃO DE ILEGITIMIDADE ATIVA DA UNIÃO PARA EXIGÊNCIA DE TRIBUTO QUE DEVERIA SER RETIDO NA FONTE POR ESTADO DA FEDERAÇÃO. DESCABIMENTO. É de se rejeitar a alegação de ilegitimidade ativa da União Federal, uma vez que a atribuição de titularidade do produto da arrecadação do imposto de renda retido na fonte toca apenas à repartição de receitas tributárias, não repercute sobre a legitimidade da União Federal para exigir o imposto de renda sujeito ao ajuste anual. IRPF. IMPOSTO DE RENDA NA FONTE NO REGIME DE ANTECIPAÇÃO. NÃO RETENÇÃO PELA FONTE PAGADORA. RESPONSABILIDADE DO CONTRIBUINTE PELO IMPOSTO DEVIDO APÓS O TÉRMINO DO PRAZO PARA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL. A falta de retenção pela fonte pagadora não exonera o beneficiário e titular dos rendimentos, sujeito passivo direto da obrigação tributária, de incluílos, para fins de tributação, na Declaração de Ajuste Anual; na qual somente poderá ser deduzido o imposto retido na fonte ou o pago. Aplicação da Súmula CARF nº 12. REMUNERAÇÃO PELO EXERCÍCIO DE CARGO OU FUNÇÃO INCIDÊNCIA. Sujeitamse à incidência do imposto de renda as verbas recebidas como remuneração pelo exercício de cargo ou função, independentemente da denominação que se dê a essa verba. IRPF. JUROS DE MORA. PAGAMENTO FORA DO CONTEXTO DE RESCISÃO DE CONTRATO DE TRABALHO. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 03 03 /2 00 9- 69 Fl. 139DF CARF MF Impresso em 04/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 29 /07/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 2 No caso dos autos a verba não foi recebida no contexto de rescisão de despedida ou rescisão do contrato de trabalho, de forma que incide o imposto de renda sobre as parcelas intituladas juros de mora, conforme jurisprudência consolidada no Superior Tribunal de Justiça STJ. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE EM RAZÃO DE LEI EM SENTIDO FORMAL E MATERIAL. IMPOSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO DO ENTENDIMENTO MANIFESTADO PELA PRIMEIRA SEÇÃO DO STJ AO JULGAR O RESP 1.118.429∕SP. Em que pese a referência a uma ação judicial e a natureza trabalhista das verbas, a fonte obrigacional do pagamento dos rendimentos objeto do lançamento decorreu diretamente de Lei em sentido formal e material, e não diretamente de uma condenação judicial, hipótese na qual deverseia observar o regime estabelecido pelo art. 100 da Constituição da República Federativa do Brasil, não se aplica, portanto, o entendimento proferido pelo Superior Tribunal de Justiça STJ no RESP 1.118.429∕SP. MULTA DE OFÍCIO. COMPROVANTE DE RENDIMENTOS COM ERRO. DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL CONFORME OS COMPROVANTES EMITIDOS PELA FONTE PAGADORA. SÚMULA CARF Nº 73. Erro no preenchimento da declaração de ajuste do imposto de renda, causado por informações erradas, prestadas pela fonte pagadora, não autoriza o lançamento de multa de ofício. Recurso provido em parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário para tão somente excluir a multa de ofício, nos termos do voto do relator. (Assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso – Presidente e Relator. EDITADO EM: 28/07/2014 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jaci de Assis Júnior, German Alejandro San Martín Fernández, Ronnie Soares Anderson, Carlos André Ribas de Mello e Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente). Ausente Justificadamente a Conselheira Julianna Bandeira Toscano. Relatório Tratase de lançamento de Imposto de Renda de Pessoa Física do exercício 2005, 2006 e 2007, anocalendário 2004, 2005, e 2006, em razão de a autoridade fiscal ter classificado como rendimentos tributáveis, valores declarados como isentos ou não tributáveis tal como informado pela Fonte Pagadora Tribunal de Justiça do Estado da Bahia. Fl. 140DF CARF MF Impresso em 04/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 29 /07/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10580.720303/200969 Acórdão n.º 2802002.966 S2TE02 Fl. 139 3 Referidos rendimentos correspondem a diferença entre a transformação de Cruzeiros Reais para Unidade Real de Valor – URV, reconhecidas e pagas em 36 meses, de janeiro de 2004 a dezembro de 2006, com base na Lei Estadual nº 8.730/2003 do Estado da Bahia. O caso foi adequadamente relatado em primeira instância da seguinte forma: O contribuinte foi cientificado do lançamento fiscal e apresentou impugnação, alegando, em síntese, que: a) não classificou indevidamente os rendimentos recebidos a título de URV, pois o enquadramento de tais rendimentos como isentos de imposto de renda encontrase em perfeita consonância com a legislação instituidora de tal verba indenizatória; b) o STF, através da Resolução nº 245, de 2002, reconheceu a natureza indenizatória das diferenças de URV recebidas pelos magistrados federais, e que por esse motivo estariam isentas da contribuição previdenciária e do imposto de renda. Este tratamento seria extensível aos valores a mesmo título recebidos pelos membro do magistrados estaduais; c) o Estado da Bahia abriu mão da arrecadação do IRRF que lhe caberia ao estabelecer no art. 5º da Lei Estadual da Bahia nº 8.730, de 2003, a natureza indenizatória da verba paga, sendo a União parte ilegítima para exigência de tal tributo. Além disso, se a fonte pagadora não fez a retenção que estaria obrigada, e levou o autuado a informar tal parcela como isenta em sua declaração de rendimentos, não tem este último qualquer responsabilidade pela infração; d) independentemente da controvérsia quanto à competência ou não do Estado da Bahia para regular matéria reservada à Lei Federal, o valor recebido a título de URV tem a natureza indenizatória. Neste sentido já se pronunciou o Supremo Tribunal Federal, o Presidente do Conselho da Justiça Federal, Primeiro Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda, Poder Judiciário de Rondônia, Ministério Publico do Estado do Maranhão, bem como, ilustres doutrinadores; e) caso os rendimentos apontados como omitidos de fato fossem tributáveis, deveriam ter sido submetidos ao ajuste anual, e não tributados isoladamente como no lançamento fiscal; f) ainda que as diferenças de URV recebidas em atraso fossem consideradas como tributáveis, não caberia tributar os juros e correção monetária incidentes sobre elas, tendo em vista sua natureza indenizatória; g) mesmo que tal verba fosse tributável, não caberia a aplicação da multa de ofício e juros moratórios, pois o autuado teria agido com boa fé, seguindo orientações da Fl. 141DF CARF MF Impresso em 04/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 29 /07/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 4 fonte pagadora, que por sua vez estava fundamentada na Lei Estadual da Bahia nº 8.730, de 2003, que dispunha acerca da natureza indenizatória das diferenças de URV; h) o Ministério da Fazenda, em resposta à Consulta Administrativa feita pela Presidente do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia, também, teria manifestadose pela inaplicabilidade da multa de ofício, em razão da flagrante boa fé dos autuados, ratificando o entendimento já fixado pelo AdvogadoGeral da União, através da Nota AGU/AV 12/2007. Na referida resposta, o Ministério da Fazenda reconhece o efeito vinculante do comando exarado pelo Advogado Geral da União perante à PGFN e a RFB. Foi determinada diligência fiscal para que o órgão de origem adotasse as medidas cabíveis para ajustar o lançamento fiscal ao Parecer PGFN/CRJ/Nº 287/2009, de 12 de fevereiro de 2009, da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, que, em razão de jurisprudência pacificada no Superior Tribunal de Justiça, concluiu pela dispensa de apresentação de contestação, de interposição de recursos e pela desistência dos já interpostos, desde que inexistisse outro fundamento relevante, com relação às ações judiciais que visassem obter a declaração de que, no cálculo do imposto renda incidente sobre rendimentos pagos acumuladamente, deveriam ser levadas em consideração as tabelas e alíquotas das épocas próprias a que se referem tais rendimentos, devendo o cálculo ser mensal e não global. A diligência fiscal ficou prejudicada com a edição do Parecer PGFN/CRJ/N 2.331/2010, de 26 de outubro de 2010, que concluiu pela suspensão das medidas propostas pelo Parecer PGFN/CRJ/N° 287/2009 até que a questão seja apreciada pelo Supremo Tribunal Federal. A impugnação foi indeferida, em resumo, pelos seguintes fundamentos: a) o pagamento extemporâneo do rendimento não modifica sua natureza tributável, mesmo que o beneficiário tenha sido obrigado a recorrer à justiça, e que o acordo tenha sido implementado mediante lei complementar, a tributação do principal e dos juros de mora encontram amparo nos art. 55 e 56 do RIR1999; b) dispositivo de Lei Estadual não estabelece efeito tributário de tributo regido por lei federal; c) não se pode estender efeitos da Resolução do STF n° 245, de 2002, que reconheceu a isenção do abono vinculado a diferenças de URV conferido aos magistrados federais, porque isenção somente se outorga por lei específica e está sujeita a interpretação literal, conforme preconiza o art. 111, inciso II, do CTN extensão a outras categorias implicaria analogia que não é permitida em matéria de isenção; d) a situação da impugnante é distinta daquela dos membros da magistratura e do MP federais, pois regidos por leis específicas distintas; e) de acordo com Parecer Normativo SRF n° 1, de 24 de setembro de 2002, a responsabilidade da fonte pagadora não exclui a do contribuinte; Fl. 142DF CARF MF Impresso em 04/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 29 /07/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10580.720303/200969 Acórdão n.º 2802002.966 S2TE02 Fl. 140 5 f) ainda que o imposto retido, por determinação constitucional pertença ao Estado da Bahia, a retenção, mesmo que houvesse ocorrido, não alteraria a obrigação do contribuinte de oferecer a integralidade do rendimento bruto à tributação do imposto de renda na declaração de ajuste anual. A exigência em foco se refere ao imposto de renda incidente sobre rendimentos da pessoa física (IRPF) e não ao IRRF que deixou de ser retido indevidamente pelo Estado da Bahia. Portanto, tanto a exigência do tributo, quanto o julgamento do presente lançamento fiscal, é da competência exclusiva da União; g) a multa exigida (75%) independe da intenção do agente (art. 136 do CTN); h) as respostas a Consultas Administrativas apontadas pelo impugnante não possuem força vinculante, por não ter seguido o rito do processo de consulta (art. 48 da Lei 9.430/1996 e não integrar o conceito de norma complementar do art. 100 do CTN; o mesmo ocorre com: Nota AGU/AV 12/2007, Nota Técnica Cosit 4/2009 e Parecer PGFN/CAT 179/2009; i) quanto à tributação das diferenças de URV de forma isolada, sem que fossem considerados os rendimentos e deduções já declarados, cabe observar que, nos anos calendários em questão, as bases de cálculo declaradas já sujeitavam o contribuinte à incidência do imposto de renda em sua alíquota máxima, bem como que já tinham sido aproveitadas as parcelas a deduzir previstas em tabela progressiva. Nesta situação, o imposto apurado mediante aplicação direta da alíquota máxima sobre os rendimentos omitidos coincide com o imposto apurado com base na tabela progressiva sobre a base de cálculo ajustada em razão da omissão. Ciência do acórdão em 15/04/2014. Recurso voluntário interposto no dia 25/04/2011. No recurso voluntário, o recorrente alega: 1. inexistência de conduta hábil à aplicação de multa, pois a responsabilidade é exclusiva da fonte pagadora e atos da Fazenda Nacional reconhecem a inaplicação da multa, os quais tem força vinculante; 2. nulidade do lançamento por apurar inadequadamente a base de cálculo pois deveria ter sido apurada a base de cálculo mês a mês com refazimento das Declarações de Ajuste correspondentes, na esteira do entendimento firmado pelo STJ; se o lançamento houvesse sido feito dessa forma teria sido evidenciado que o valor de URV em cada um dos meses em que era devida estaria dentro da faixa de isenção; 3. não incidência do imposto sobre os juros moratórios; 4. o valor da URV constitui verba de natureza indenizatória, cita precedentes deste Conselho e do Poder Judiciário de Rondônia e Parecer do MP do Estado do Maranhão 5. ilegitimidade ativa da União, pois o imposto retido na fonte, no caso concreto, pertence ao Estado; e 6. violação ao princípio constitucional da isonomia, pois não houve tributação das verbas de mesma natureza pagas ao MP e aos magistrados federais, diante da edição da Resolução 245/2002 do STF, cita o RESP 1187109. Fl. 143DF CARF MF Impresso em 04/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 29 /07/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 6 Ao reputar que se discutia a tributação de rendimentos recebidos acumuladamente, a 1ª Turma Ordinária desta Segunda Câmara sobrestou o julgamento, com base no §1º do Art. 62A do Regimento Interno do CARF, por meio da Resolução 2201 000.098, de 18/09/2012. Com a revogação da norma regimental que prescrevia o sobrestamento de processos no CARF, o julgamento foi retomado, sendo que a Conselheira Relatora original não mais integra o CARF, o que levou a redistribuição do processo ao presente Relator. É o relatório. Voto Conselheiro Jorge Claudio Duarte Cardoso, Relator Como o recurso já foi admitido, passase ao exame das preliminares e do mérito. A alegada nulidade do lançamento apuração inadequada da base de cálculo é matéria a ser apreciada como mérito. O fato de o produto da arrecadação do IRRF pertencer ao Estado da Federação não subtrai da União sua competência para fiscalizar e arrecadar o Imposto de Renda sujeito ao ajuste anual, que não se confunde com o imposto retido na fonte. Este é mera antecipação daquele. A União possui legitimidade ativa, pois não só possui competência tributária como tem interesse econômico e jurídico em fiscalizar e arrecadar o imposto apurado no ajuste anual. São inconfundíveis os conceitos de imposto retido na fonte e de imposto devido no ajuste anual, bem como os de competência tributária, legitimidade ativa e de titularidade do produto da arrecadação. Ademais, a ausência de retenção do imposto na fonte não exclui a competência da União para a constituição do crédito tributário de rendimentos sujeitos a incidência do imposto na DIRPF, nos termos da Súmula CARF n.12, verbis: “Constatada a omissão de rendimentos sujeitos à incidência do imposto de renda na declaração de ajuste anual, é legítima a constituição do crédito tributário na pessoa física do beneficiário, ainda que a fonte pagadora não tenha procedido à respectiva retenção.” Desta forma, a decisão proferida no RE 684.169 e na Solução de Consulta não tem o efeito almejado pelo recorrente. Essa Turma Julgadora reiteradas vezes decidiu , entre outros pontos, que: a) a União possui legitimidade ativa e as diferenças pagas pelo Estado da Bahia, de que trata este processo, tem natureza remuneratória e tributável; Fl. 144DF CARF MF Impresso em 04/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 29 /07/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10580.720303/200969 Acórdão n.º 2802002.966 S2TE02 Fl. 141 7 b) a Resolução do STF nº 245/2002 não é dirigida aos Membros da magistratura estadual; c) não há quebra de isonomia; d) a atualização do tributos pelos juros de mora é correta; e e) a multa de ofício deve ser excluída em decorrência de o contribuinte ter sido induzido ao erro pelas informações prestadas pela fonte pagadora nos comprovantes de rendimentos e certidões. Citase como exemplo o acórdão nº 2802002.778, de 19 de Março de 2014, cujas razões de decidir são transcritas e passam a integrar a fundamentação do presente acórdão. Outrossim, de logo deve ser pontuado que, inobstante o presente feito ter sido sobrestado por conta de se tratar da tributação de rendimentos recebidos acumuladamente, entendo que à presente hipótese não pode ser aplicado o entendimento manifestado pela Primeira Seção do STJ ao julgar o REsp 1.118.429∕SP (Rel. Min. Herman Benjamin, DJe de 14.5.2010), de acordo com o regime de que trata o art. 543C do CPC. Isto porque a fonte obrigacional do pagamento dos rendimentos objeto do lançamento vergastado, em que pese a referência a uma ação judicial e a natureza trabalhista das verbas, decorre diretamente de Lei em sentido formal e material, e não diretamente de uma condenação judicial, hipótese na qual deverseia observar o regime estabelecido pelo art. 100 da Constituição da República Federativa do Brasil. Quanto à suposta ilegitimidade ativa da União para a exigência do tributo, conforme exposto nas razões de embargante, a tese fundase na disposição constitucional do artigo 157, I, que determina caber aos Estados e ao Distrito Federal o produto da arrecadação do IRRF sobre rendimentos pagos por estes Entes Federativos, suas autarquias ou fundações públicas. A questão é singela e já foi objeto de decisão do CARF em diversas ocasiões, assentandose na jurisprudência deste Conselho que a ausência de retenção do imposto na fonte não exclui a competência da União para a constituição do crédito tributário de rendimentos sujeitos a incidência do imposto na DIRPF, nos termos da Súmula CARF n.12, verbis: “Constatada a omissão de rendimentos sujeitos à incidência do imposto de renda na declaração de ajuste anual, é legítima a constituição do crédito tributário na pessoa física do beneficiário, ainda que a fonte pagadora não tenha procedido à respectiva retenção.” A título de obiter dictum, digase que é natural que a repartição das receitas tributárias haverá de ser observada, tratandose de matéria relativa às relações financeiras entre União e Estados e não à competência para a arrecadação do imposto. No mérito, a controvérsia ora apresentada reside na caracterização da natureza dos rendimentos auferidos pela Contribuinte, membro do Poder Judiciário do Estado da Bahia, a título de recomposição de diferenças de remuneração havidas quando da conversão do Cruzeiro Real para URV, sendo que para o caso concreto é relevante Fl. 145DF CARF MF Impresso em 04/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 29 /07/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 8 citar que tratase de pagamento de verba prevista em Lei Estadual, in casu a Lei Ordinária Estadual n° 8730, a qual o Recorrente tenta equivaler à verba paga aos magistrados federais e estendida aos Procuradores da República. Sendo certo que esse abono pago à magistratura federal foi objeto de Resolução administrativa nº 245/2002 do Supremo Tribunal Federal e que a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional curvouse ao entendimento do STF, este manifestado em expediente administrativo interna corporis, e passou a tratar essa verba como isenta. Destaco que a verba objeto da Resolução STF nº 245/2005 foi o abono previsto no art. 6° da Lei n° 9.655, de 1998, com a alteração estabelecida no art. 2° da Lei n° 10.474, de 2002. Este abono alcançou unicamente a Magistratura Federal, cuja Lei que o criou estabelece que: “Art. 6o Aos membros do Poder Judiciário é concedido um abono variável, com efeitos financeiros a partir de 1o de janeiro de 1998 e até a data da promulgação da Emenda Constitucional que altera o inciso V do art. 93 da Constituição, correspondente à diferença entre a remuneração mensal atual de cada magistrado e o valor do subsídio que for fixado quando em vigor a referida Emenda Constitucional.” Ao passo que os arts. 4º e 5º da Lei Ordinária Estadual n° 8730, dispõe: “Art. 4º As diferenças de remuneração ocorridas quando da conversão de Cruzeiro Real para Unidade Real de Valor URV, objeto das Ações Ordinárias de nº 613 e 614, julgadas procedentes pelo supremo Tribunal Federal, serão apuradas mês a mês, de 1º de abril de 1994 a 31 de agosto de 2001, e o montante correspondente a cada Magistrado será dividido em 36 parcelas iguais e consecutivas para pagamento nos meses de janeiro de 2004 a dezembro de 2006. Art. 5º São de natureza indenizatória as parcelas de que trata o art. 2º desta Lei.” Com a devida vênia, não vislumbro identidade nas verbas de que tratam os atos normativos federais e o que veicula a lei ordinária do Estado da Bahia ora examinada. A legislação federal demonstra apenas que o subsídio conhecido como “abono variável” foi criado com a finalidade de se atribuir aos membros do Poder Judiciário uma espécie de verba retroativa que corrigia as eventuais diferenças de escalonamento salarial. Já a verba percebida pelo Recorrente, na análise dos elementos constantes dos autos, se traduz em recomposição de natureza salarial, ainda que paga extemporaneamente, sendo certo que para fins de Imposto de Renda vige o princípio de impossibilidade de concessão de isenções heterônomas, razão pela qual é irrelevante, para fins da definição da natureza oe rendimento, a classificação que lhe dá a sua fonte pagadora. Pontuese que não se trata de negar vigência ou atribuir ao citado dispositivo legal qualquer pecha de inconstitucionalidade, pois não se discute a natureza indenizatória da verba percebida, mas não se pode olvidar que nem toda indenização referese à recomposição de patrimônio, como no exemplo clássico dos lucros cessantes, e no presente caso entendo ter ocorrido uma recomposição salarial que, malgrado a extemporaneidade, significou acréscimo patrimonial. Fl. 146DF CARF MF Impresso em 04/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 29 /07/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10580.720303/200969 Acórdão n.º 2802002.966 S2TE02 Fl. 142 9 Todavia, a existência de um dispositivo legal considera a verba não tributável foi decisiva para a conduta do requerente, que declarou o rendimento com a mesma natureza atribuída pela fonte pagadora, razão pela qual é cabível a exoneração, exclusivamente, da multa de oficio em decorrência de um erro escusável induzido pela interpretação errônea dada pela fonte pagadora, no mesmo sentido dos acórdãos acórdãos 10616801, 10616360 e 19600065, cujos excertos são a seguir reproduzidos. “(...) MULTA DE OFÍCIO EXCLUSÃO Deve ser excluída do lançamento a multa de ofício quando o contribuinte agiu de acordo com orientação emitida pela fonte pagadora, um ente estatal que qualificara de forma equivocada os rendimentos por ele recebidos. (...)” (acórdão 10616801, de 06/03/2008, da 6ª Câmara do 1º Conselho de Contribuintes,relator Conselheiro Luiz Antonio de Paula) “ (...) MULTA DE OFICIO CONTRIBUINTE INDUZIDO A ERRO PELA FONTE PAGADORA Não comporta multa de oficio o lançamento constituído com base em valores espontaneamente declarados pelo contribuinte que, induzido pelas informações prestadas pela fonte pagadora, incorreu em erro escusável no preenchimento da declaração de rendimentos. (...) (Acórdão n° 10616360, sessão de 23/01/2008, relator o Conselheiro Giovanni Christian Nunes Campos) “ (...) MULTA DE OFÍCIO. ERRO ESCUSÁVEL. Se o contribuinte, induzido pelas informações prestadas por sua fonte pagadora, um ente estatal que qualificara de forma equivocada os rendimentos por ele recebidos, incorreu em erro escusável quanto à tributação e classificação dos rendimentos recebidos, não deve ser penalizado pela aplicação da multa de ofício.(...)” (acórdão nº 19600065, de 02/12/2008, da 6ª Turma Especial do 1º Conselho de Contribuintes, conselheiro(a) relator(a) Valéria Pestana Marques) Ressaltese, por oportuno, que a exclusão da multa de ofício não implica na exigência substitutiva da multa de mora, eis que ambas possuem o caráter de penalidade, e neste voto se reconhece que o contribuinte agiu de boa fé, não podendo lhe ser imputado nenhum ilícito que merece tal imposição, na exata medida em que não se reconhece no crédito tributário natureza de pena. Com relação aos juros de mora, estes constituem mera atualização do valor do tributo para assegurarlhe a manutenção do seu valor quando pago a destempo, não se trata de sanção e possui previsão legal de incidência. Quanto a tese de não incidência do IRPF sobre verbas relativas a incidência de juros de mora sobre valores recebidos a destempo, na ausência de norma isentiva explícita, é de se observar o caráter tributável dos rendimentos em questão. Ademais, a legislação em vigor é taxativa ao determinar a sua tributação nos termos do art.55, XIV, do RIR: Art. 55. São também tributáveis (Lei nº 4.506, de 1964, art. 26, Lei nº 7.713, de 1988, art. 3º, § 4º, e Lei nº 9.430, de 1996, arts. 24, § 2º, inciso IV, e 70, § 3º, inciso I): Fl. 147DF CARF MF Impresso em 04/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 29 /07/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 10 (...) XIV os juros compensatórios ou moratórios de qualquer natureza, inclusive os que resultarem de sentença, e quaisquer outras indenizações por atraso de pagamento, exceto aqueles correspondentes a rendimentos isentos ou não tributáveis; Ressaltese, ainda, que a tributação independe da denominação dos rendimentos, bastando para a incidência o benefício por qualquer forma e a qualquer título, nos termos do § 40, art. 3°, da Lei 7.713/88. Observese que o artigo 62 do Regimento do CARF, Portaria MF n.256/2009, veda que este Conselho deixe de aplicar dispositivos de lei ou decreto, ao fundamento de inconstitucionalidade, salvo quando declarados inconstitucionais por decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal. Do mesmo modo, a jurisprudência do STF e do STJ em matéria infraconstitucional, somente vincula os julgamentos do CARF, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, nos termos do artigo 62A do citado Regimento do CARF. Neste sentido, é relevante destacar que o Acórdão proferido no Agravo Regimental em Embargos de Divergência no Resp n° 1.163.490, veiculado pelo DJe de 21 de março de 2012, trata do alcance do decidido em sede de recurso repetitivo pelo Acórdão proferido no citado REsp n° 1.227.133. Desta forma, há que se entender pelo não cabimento à espécie dos autos do precedente que fundamentou a decisão recorrida, o REsp n° 1.227.133. De fato, ao apreciar o REsp n° 1.227.133, inicialmente o voto vencedor do Ministro Cesar Asfor Rocha reconhecia a nãoincidência do IR sobre juros moratórios, de forma ampla. Por outro lado, o julgamento dos embargos de declaração no referido recurso especial, publicado no DO de 02/12/11 reconheceu que os Ministro que acompanharam o voto do relator, deram provimento ao recurso em sentido mais restrito, reconhecendo apenas a nãoincidência do IR sobre juros moratórios, quando os mesmos incidem sobre rescisão de contrato de trabalho, o que levou à modificação da ementa do acórdão por ocasião dos referidos embargos de declaração. Os fundamentos abaixo reforçam a adequação do entendimento desta Turma Julgadora. Quanto à exclusão da multa, restou prejudicada a análise dos efeitos dos atos citados pelo recorrente, pois se aplica a Súmula CARF nº 73: Erro no preenchimento da declaração de ajuste do imposto de renda, causado por informações erradas, prestadas pela fonte pagadora, não autoriza o lançamento de multa de ofício. O caso do recorrente não se refere a rescisão de contrato de trabalho, de forma que os juros de mora são tributáveis, como decidido pelo Superior Tribunal de Justiça – STJ no REsp 1089720/RS, julgado em 10/10/2012 e publicado em 28/11/2012. (No mesmo sentido há o REsp 1234377/RS, AgRg no AgRg no AREsp 190821/RS, AgRg no AREsp 18626/RS; e EDcl no AgRg no REsp 1221039/ RS). Fl. 148DF CARF MF Impresso em 04/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 29 /07/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10580.720303/200969 Acórdão n.º 2802002.966 S2TE02 Fl. 143 11 Como a verba em discussão está sujeita a tributação no ajuste anual (não se trata de tributação exclusivamente na fonte) e não se aplica a tributação de rendimentos com base no REsp 1.118.429∕SP (imposto calculado mensalmente, pelas tabelas das épocas próprias), rejeitase a alegação de inadequação da forma de apurar a base de calculo como sustentado pelo recorrente. Diante do exposto, voto por DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso para tão somente excluir a multa de ofício. (Assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso Fl. 149DF CARF MF Impresso em 04/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 29 /07/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
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