Sistemas: Acordãos
Busca:
mostrar execução da query
5560356 #
Numero do processo: 10865.001646/2001-87
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 24 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Aug 12 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/03/1997 a 31/03/1997 AUTO DE INFRAÇÃO ELETRÔNICO. FUNDAMENTAÇÃO DO LANÇAMENTO. IMPROCEDÊNCIA. Comprovado que o processo judicial informado na DCTF existe e trata do direito creditório que se informa ter utilizado em compensação, deve ser considerado improcedente o lançamento “eletrônico” que tem por fundamentação “proc. jud. não comprova”.
Numero da decisão: 3403-003.125
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário apresentado. Ausentes momentaneamente os Conselheiros Domingos de Sá Filho e Alexandre Kern. ANTONIO CARLOS ATULIM - Presidente. ROSALDO TREVISAN - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da turma), Rosaldo Trevisan (relator), Alexandre Kern, Ivan Allegretti, Domingos de Sá Filho e Luiz Rogério Sawaya Batista.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN

toggle explain
    
1.0 = *:*

  
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021

anomes_sessao_s : 201407

camara_s : Quarta Câmara

ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/03/1997 a 31/03/1997 AUTO DE INFRAÇÃO ELETRÔNICO. FUNDAMENTAÇÃO DO LANÇAMENTO. IMPROCEDÊNCIA. Comprovado que o processo judicial informado na DCTF existe e trata do direito creditório que se informa ter utilizado em compensação, deve ser considerado improcedente o lançamento “eletrônico” que tem por fundamentação “proc. jud. não comprova”.

turma_s : Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção

dt_publicacao_tdt : Tue Aug 12 00:00:00 UTC 2014

numero_processo_s : 10865.001646/2001-87

anomes_publicacao_s : 201408

conteudo_id_s : 5366693

dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Aug 12 00:00:00 UTC 2014

numero_decisao_s : 3403-003.125

nome_arquivo_s : Decisao_10865001646200187.PDF

ano_publicacao_s : 2014

nome_relator_s : ROSALDO TREVISAN

nome_arquivo_pdf_s : 10865001646200187_5366693.pdf

secao_s : Terceira Seção De Julgamento

arquivo_indexado_s : S

decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário apresentado. Ausentes momentaneamente os Conselheiros Domingos de Sá Filho e Alexandre Kern. ANTONIO CARLOS ATULIM - Presidente. ROSALDO TREVISAN - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da turma), Rosaldo Trevisan (relator), Alexandre Kern, Ivan Allegretti, Domingos de Sá Filho e Luiz Rogério Sawaya Batista.

dt_sessao_tdt : Thu Jul 24 00:00:00 UTC 2014

id : 5560356

ano_sessao_s : 2014

atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:25:35 UTC 2021

sem_conteudo_s : N

_version_ : 1713046815951028224

conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1739; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3­C4T3  Fl. 154          1 153  S3­C4T3  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  10865.001646/2001­87  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  3403­003.125  –  4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária   Sessão de  24 de julho de 2014  Matéria  AI ELETRÔNICO­COFINS  Recorrente  PERLIMA METAIS PERFURADOS LTDA  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO:  CONTRIBUIÇÃO  PARA  O  FINANCIAMENTO  DA  SEGURIDADE  SOCIAL ­ COFINS  Período de apuração: 01/03/1997 a 31/03/1997  AUTO  DE  INFRAÇÃO  ELETRÔNICO.  FUNDAMENTAÇÃO  DO  LANÇAMENTO. IMPROCEDÊNCIA.  Comprovado  que  o  processo  judicial  informado  na DCTF  existe  e  trata  do  direito  creditório  que  se  informa  ter  utilizado  em  compensação,  deve  ser  considerado  improcedente  o  lançamento  “eletrônico”  que  tem  por  fundamentação “proc. jud. não comprova”.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  dar  provimento  ao  recurso  voluntário  apresentado.  Ausentes momentaneamente  os  Conselheiros  Domingos de Sá Filho e Alexandre Kern.    ANTONIO CARLOS ATULIM ­ Presidente.     ROSALDO TREVISAN ­ Relator.    Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Antonio  Carlos  Atulim  (presidente  da  turma),  Rosaldo  Trevisan  (relator),  Alexandre  Kern,  Ivan  Allegretti,  Domingos de Sá Filho e Luiz Rogério Sawaya Batista.     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 5. 00 16 46 /2 00 1- 87 Fl. 154DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 03/08/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 31/07/2014 por ROSALDO TREVISAN     2   Relatório  Versa  o  presente  processo  sobre Auto  de  Infração  eletrônico  (lavrado  em  30/10/2001 ­ fls. 27 a 321) para exigência de créditos tributários referentes à COFINS, relativos  ao primeiro trimestre de 1997, acrescidos de juros de mora e de multa de ofício (75%), em total  de R$ 80.945,58.  A  motivação  expressa  na  descrição  dos  fatos  da  autuação  é  “falta  de  recolhimento  ou  pagamento  do  principal,  declaração  inexata  /  proc.  jud.  não  comprova”,  sendo  os  processos  judiciais  informados  de  no  961103796­1  (janeiro),  no  96.1103796­1  (fevereiro), e no 96.11003796­1 (março).  Cientificada  da  autuação,  a  empresa  apresenta  sua  impugnação  em  13/12/2001 (fls. 3 a 16), alegando, em síntese, que: (a) a autuação deve se limitara a constatar e  descrever a autuação, sendo do julgador a competência para imposição da multa, sendo nulo o  lançamento por falta de prévia anuência do acusado; (b) efetuou compensação com amparo na  Lei no 8.383/1991, que independe de requerimento junto à RFB (sendo ilegal o art. 12 da IN  SRF  no  21/1997);  (c)  a  aplicação  da  Taxa  SELIC  a  título  de  juros  moratórios  é  ilegal  e  inconstitucional;  (d)  a  multa  de  ofício  é  confiscatória;  e  (e)  deve  o  julgador  administrativo  apreciar  a  alegação  de  inconstitucionalidade,  sob  pena  de  se  estar  negando  a  supremacia  da  Constituição.  No despacho de fls. 36/37, emitido pela DRJ em 08/10/2012, informa­se que  “a autuação é resultante da não comprovação, pela SRF, do processo judicial informado pelo  sujeito passivo na DCTF” e que “o contribuinte comprova a existência do referido processo  judicial,  fato  que  evidencia  a  necessidade  de  revisão  do  lançamento  pela  autoridade  administrativa”. A unidade local então embarga a decisão da DRJ, tendo em vista que não se  encontrou o referido processo em consulta ao sítio web do TRF da 3a Região, solicitando à DRJ  que  informasse  as  páginas  que  comprovariam  a  existência  da  referida  ação  judicial  (fl.  42).  Após a juntada da tela de fl. 45, o processo é reencaminhado à DRJ.  No  julgamento  de  primeira  instância,  efetuado  em  20/12/2013  (fls.  46  a  56), acorda­se unanimemente pela improcedência da impugnação, sob os fundamentos de que:  (a)  não  foram  identificadas  situações  ensejadoras  de  nulidade;  (b)  a  autuação  decorreu  de  compensações vinculadas a processo judicial (no 96.11003796­1), supostamente impetrado na  2a Vara da Justiça Federal em Piracicaba, por meio do qual teria sido obtida liminar em medida  cautelar,  processo  não  encontrado  pelo  julgador;  (c)  a  impugnante  sequer  cita  o  processo  judicial em sua peça de defesa, nem traz qualquer comprovação de sua existência; (d) é cabível  a aplicação da Taxa SELIC a título de juros de mora; e (e) é vedada ao julgador administrativo  a apreciação de inconstitucionalidade, matéria inclusive já sumulada no âmbito do CARF.  Cientificada do resultado do julgamento em 29/01/2014 (cf. AR de fl. 59), a  empresa apresenta Recurso Voluntário em 20/02/2014 (fls. 61 a 83), alegando que: (a) o auto  de  infração partiu de uma premissa nula  ­  a  inexistência do processo  judicial  informado pela  recorrente em DCTF; (b) quando a medida cautelar foi distribuída, recebeu etiqueta da Justiça  Federal com o número 96.1103796­1, exatamente como informado nas DCTF (fls. 38 a 40); (c)  em  virtude  de  alterações  de  números  de  processos  pelo  Conselho  Nacional  de  Justiça,  o                                                              1 Todos os números de folhas indicados nesta decisão são baseados na numeração eletrônica da versão digital do  processo (e­processos).  Fl. 155DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 03/08/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 31/07/2014 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 10865.001646/2001­87  Acórdão n.º 3403­003.125  S3­C4T3  Fl. 155          3 número do processo mudou duas vezes, mas é perfeitamente possível encontrá­lo em consulta  ao sítio web do TRF da 3a Região (docs. 03 e 04­fls. 124 a 130, e 132/133); (d) é incabível a  lavratura para exigência de valores confessados em DCTF (cf. art. 5o, § 1o do Decreto­Lei no  2.124/1984), conforme entendimento expresso em farta jurisprudência do CARF, e, não tendo  havido a exigência em juízo, ocorreu a prescrição, destacando­se julgado do STJ na sistemática  dos recursos repetitivos (REsp no 1.120.295/SP), e que a matéria pode ser analisada de ofício  pelo  julgador;  (e)  o  princípio  da  verdade material  outorga  ao  julgador  o  dever  de  analisar  a  matéria,  ainda  que  alguns  documentos  tenham  sido  acostados  apenas  na  fase  recursal;  (f)  a  recorrente junta aos autos a decisão liminar que deferiu o direito de realizar as compensações  questionadas (doc. 05­fls. 135 a 145), e da última decisão exarada no processo, que permanece  autorizando as compensações (doc. 06­fls. 147 a 149); e (g) há impossibilidade de aplicação de  multa  de  ofício,  cf.  art.  5o,  §  2o  do  Decreto­Lei  no  2.124/1984,  cabendo  ainda  destacar  a  retroatividade benigna do art. 18 da Lei no 10.833/2003.  É o relatório.    Voto             Conselheiro Rosaldo Trevisan, relator  O recurso preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele  se toma conhecimento.  É preciso, de início, afastar obstáculos que aos olhos menos atentos poderia  obstara  a  análise  deste  processo  pelo  presente  relator.  É  de  se  destacar  que,  apesar  do  sobrenome  em comum  (Trevisan),  de  origem  italiana,  o  relator  não  tem  nenhuma  relação,  e  nem  conhece  o  Sr.  Roberto  Trevisan  (subscritor  do  Recurso  Voluntário).  Para  aumentar  a  coincidência, mas ainda sem influenciar o presente julgamento, é de se destacar que no outro  lado do litígio figura o Auditor­Fiscal Antonio Carlos Trevisan, que assina o despacho de fls.  36/17,  e  também  não  é  pessoa  conhecida  do  presente  relator.  Esclarecida  tal  questão  preliminar, progride­se no julgamento da lide.  Como  a  autuação  é  fundada  na  falta  de  comprovação  do  processo  judicial,  assume  importância  substancial  a  questão  referente  à  efetiva  existência  do  processo  referido  nas DCTF de fls. 38 a 40, em que pese a falta de zelo de quem preencheu os referidos dados,  incluindo no mês de janeiro o processo judicial no 961103796­1 (fl. 40), no de fevereiro o de no  96.1103796­1  (fl.  39),  e  em março o de no  96.11003796­1  (fl.  38). As  três DCTF  informam  ainda  que  a  medida  judicial  é  uma  “liminar  em  medida  cautelar”  obtida  na  2a  Vara  de  Piracicaba/SP.  Em  consulta  ao  sítio  web  do  TRF  da  3a  Região  Fiscal,  efetuei  busca  processual  avançada  com  os  seguintes  parâmetros:  UF  de  origem  =  São  Paulo;  Cidade  de  Origem  =  Piracicaba  e  nome  da  parte  =  Perlima Metais  Perfurados  LTDA,  encontrando  os  seguintes resultados:  Visualizar  Número  Processo de Origem  Classe  Relator  Situação  Fl. 156DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 03/08/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 31/07/2014 por ROSALDO TREVISAN     4 Visualizar  Número  Processo de Origem  Classe  Relator  Situação    1100720­ 18.1995.4.03.6109  95.11007203  348887 AC  OLIVEIRA LIMA  BAIXADO VARA  ORIG.    0005232­ 76.1997.4.03.0000  96.11037961  48291 AI (AG)  BAPTISTA PEREIRA  BAIXADO VARA  ORIG.    0016922­ 05.1997.4.03.0000  97.11000830  49832 AI (AG)  BAPTISTA PEREIRA  Eliminado    1999.03.99.101944­6  96.11037961  543694 AC  BAPTISTA PEREIRA  BAIXADO VARA  ORIG.    1999.03.99.101945­8  97.11013029  543695  ApelReex  MÁRCIO MORAES  MOVIMENTO    0024758­ 24.2000.4.03.0000  2000.61.09.002145­0  109300 AI (AG)  ANDRE  NABARRETE  Eliminado    2000.03.99.056496­2  97.11000830  628929 AC  MÁRCIO MORAES  BAIXADO VARA  ORIG.    2000.03.99.056497­4  97.11031043  628930 AC  MÁRCIO MORAES  BAIXADO VARA  ORIG.    0002145­ 16.2000.4.03.6109  2000.61.09.002145­0  219273 AMS  (AMS)  ANDRE  NABARRETE  SOBRESTADO    0007702­ 41.2001.4.03.0000  2001.61.09.000464­9  127222 AI (AG)  PEIXOTO JUNIOR  Eliminado    0019883­ 74.2001.4.03.0000  2001.61.09.001901­0  133535 AI (AG)  SALETTE  NASCIMENTO  Eliminado    0034737­ 73.2001.4.03.0000  2001.61.09.004231­6  142949 AI (AG)  THEOTONIO COSTA  Eliminado    0000523­ 62.2001.4.03.6109  2001.61.09.000523­0  1043993 AC  ALDA BASTO  BAIXADO VARA  ORIG.    0001901­ 53.2001.4.03.6109  2001.61.09.001901­0  255496 AMS  (AMS)  LAZARANO NETO  BAIXADO VARA  ORIG.    0004231­ 23.2001.4.03.6109  2001.61.09.004231­6  255582 AMS  (AMS)  FERREIRA DA  ROCHA  BAIXADO VARA  ORIG.  Fl. 157DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 03/08/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 31/07/2014 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 10865.001646/2001­87  Acórdão n.º 3403­003.125  S3­C4T3  Fl. 156          5 Visualizar  Número  Processo de Origem  Classe  Relator  Situação    0007300­ 81.2006.4.03.0000  95.11007203  293827 RPV  PRESIDENTE  ARQUIVADO    0012050­ 92.2007.4.03.0000  95.11007203  370415 RPV  PRESIDENTE  ARQUIVADO  Veja­se  que  o  segundo  resultado  obtido  na  busca  é  exatamente  o  que  tem  como processo de origem o de no 96.1103796­1, indicado nas DCTF de janeiro e fevereiro (e,  com um zero a mais, na DCTF de março).  Verificando o processo, percebe­se que a decisão do TRF (em 1998)  foi no  seguinte sentido:    Assim, o processo não só existe como trata de compensação com base na Lei  no  8.383/1991,  de  FINSOCIAL  com  COFINS.  E  a  documentação  constante  do  recurso  voluntário  (petição  de  fls.  124  a  130,  decisão  liminar  de  fls.  135/136,  despacho  de  fl.  137,  acórdão de fls. 138 a 145, e decisão de fls. 147/148) só endossa o que aqui se verificou.  Aliás,  a  DRJ  parecia  já  ter  confirmado  a  existência  do  processo  judicial  quando  literalmente  afirma,  no  despacho  de  fls.  36/37  (em  08/10/2012),  que  “a  autuação  é  resultante da não comprovação, pela SRF, do processo judicial informado pelo sujeito passivo  na DCTF” e que “o contribuinte comprova a existência do referido processo judicial, fato que  evidencia a necessidade de revisão do lançamento pela autoridade administrativa”.  Mas em nova decisão, passa a acordar que o processo não foi localizado pela  autoridade preparadora, nem pelo julgador. E endossa o argumento de inexistência do processo  pelo fato de a impugnante sequer tê­lo mencionado em sua peça de defesa.  De  fato,  a  impugnação  não deu a devida atenção ao  tema, que  foi  somente  suscitado especificamente em sede de recurso voluntário.  Fl. 158DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 03/08/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 31/07/2014 por ROSALDO TREVISAN     6 Ao  que  parece,  nem  a  parte  nem  o  fisco  se  preocuparam  com  afinco  em  realmente  atestar  a  existência  da  referida  ação  judicial.  E  bastaria  uma  consulta  com  busca  avançada,  como  a  aqui  efetuada,  para  concluir  que  a  ação  judicial  existe,  com  os  números  informados em DCTF (documentos já presentes nestes autos ao tempo do julgamento de piso),  ressalvado um zero a mais no mês março.  Diante do exposto,  resta maculado o fundamento da autuação, não havendo  que  se  falar  em  nulidade, mas  em  improcedência  desta,  visto  que  a  fundamentação  adotada  (“proc. jud. não comprova”) não ampara a autuação.  Assim, descabe a continuidade da análise do recurso voluntário apresentado,  visto  que  já  afastada  a  razão  da  autuação:  o  processo  foi  comprovado  e  trata  do  direito  creditório que se afirma ter utilizado em compensação (FINSOCIAL).  Nesse  sentido  reiteradas decisões deste CARF,  aqui  sintetizadas  em análise  recente de Recurso Especial da PGFN pela Câmara Superior de Recursos Fiscais:  “Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração:  01/01/1997  a  30/06/1997  NORMAS  PROCESSUAIS.  IMPROCEDÊNCIA  DA  FUNDAMENTAÇÃO  DO  LANÇAMENTO.  Comprovado  que  o  processo  judicial  informado na DCTF existe e  trata do direito creditório que se  informa  ter  utilizado  em  compensação,  deve  ser  considerado  improcedente  o  lançamento  “eletrônico”  que  tem  por  fundamentação “proc.  jud. não comprova”. Recurso negado.”  (grifo  nosso)  (Acórdão  n.  9303­002.326,  Rel.  Cons.  Henrique  Pinheiro Torres, unânime, sessão de 20.jun.2013)  Esta turma já apreciou caso semelhante também recentemente:  “AUTO  DE  INFRAÇÃO  ELETRÔNICO.  FUNDAMENTAÇÃO  DO  LANÇAMENTO.  IMPROCEDÊNCIA.  Comprovado  que  o  processo judicial  informado na DCTF existe e  trata do direito  creditório  que  se  informa  ter  utilizado  em  compensação,  deve  ser  considerado  improcedente  o  lançamento  “eletrônico”  que  tem  por  fundamentação  “proc.  jud.  não  comprova”.  (grifo  nosso) (Acórdão n. 3403­002.870, Rel. Cons. Rosaldo Trevisan,  unânime, sessão de 26.mar.2014)    Diante do exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário.  Rosaldo Trevisan                              Fl. 159DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 03/08/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 31/07/2014 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 10865.001646/2001­87  Acórdão n.º 3403­003.125  S3­C4T3  Fl. 157          7   Fl. 160DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 03/08/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 31/07/2014 por ROSALDO TREVISAN

score : 1.0
5558001 #
Numero do processo: 10530.900017/2008-90
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 08 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Aug 11 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 1998 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. PRAZO PRESCRICIONAL. Decidiu o Supremo Tribunal Federal que o prazo prescricional para as ações de repetição do indébito tributário é de dez anos, a contar da ocorrência do fato gerador, para os pedidos realizados antes da vigência da Lei Complementar nº 118/05 - junho de 2005 (RE nº 566.621/RS). DECISÕES DEFINITIVAS DO STF/STJ. RECURSOS REPETITIVOS. REPERCUSSÃO GERAL. VINCULAÇÃO AO CARF. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543-B e 543-C da Lei n° 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF.
Numero da decisão: 1801-001.550
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário para afastar a prescrição e determinar o retorno dos autos à unidade de jurisdição da recorrente para a análise do mérito do litígio, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes - Presidente. (assinado digitalmente) Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira - Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Cláudio Otavio Melchiades Xavier, Carmen Ferreira Saraiva, Leonardo Mendonça Marques, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes.
Nome do relator: LUIZ GUILHERME DE MEDEIROS FERREIRA

toggle explain
    
1.0 = *:*

  
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021

anomes_sessao_s : 201308

ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 1998 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. PRAZO PRESCRICIONAL. Decidiu o Supremo Tribunal Federal que o prazo prescricional para as ações de repetição do indébito tributário é de dez anos, a contar da ocorrência do fato gerador, para os pedidos realizados antes da vigência da Lei Complementar nº 118/05 - junho de 2005 (RE nº 566.621/RS). DECISÕES DEFINITIVAS DO STF/STJ. RECURSOS REPETITIVOS. REPERCUSSÃO GERAL. VINCULAÇÃO AO CARF. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543-B e 543-C da Lei n° 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF.

turma_s : Primeira Turma Especial da Primeira Seção

dt_publicacao_tdt : Mon Aug 11 00:00:00 UTC 2014

numero_processo_s : 10530.900017/2008-90

anomes_publicacao_s : 201408

conteudo_id_s : 5366340

dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Aug 11 00:00:00 UTC 2014

numero_decisao_s : 1801-001.550

nome_arquivo_s : Decisao_10530900017200890.PDF

ano_publicacao_s : 2014

nome_relator_s : LUIZ GUILHERME DE MEDEIROS FERREIRA

nome_arquivo_pdf_s : 10530900017200890_5366340.pdf

secao_s : Primeira Seção de Julgamento

arquivo_indexado_s : S

decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário para afastar a prescrição e determinar o retorno dos autos à unidade de jurisdição da recorrente para a análise do mérito do litígio, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes - Presidente. (assinado digitalmente) Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira - Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Cláudio Otavio Melchiades Xavier, Carmen Ferreira Saraiva, Leonardo Mendonça Marques, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes.

dt_sessao_tdt : Thu Aug 08 00:00:00 UTC 2013

id : 5558001

ano_sessao_s : 2013

atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:25:29 UTC 2021

sem_conteudo_s : N

_version_ : 1713046815954173952

conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2040; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1­TE01  Fl. 2          1 1  S1­TE01  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  10530.900017/2008­90  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  1801­001.550  –  1ª Turma Especial   Sessão de  08 de agosto de 2013  Matéria  PRESCRIÇÃO   Recorrente  PIRELLI PNEUS LTDA  Recorrida  FAZENDA NACIONAL     ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA ­ IRPJ  Ano­calendário: 1998  PEDIDO  DE  RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO.  PRAZO  PRESCRICIONAL.  Decidiu o Supremo Tribunal Federal que o prazo prescricional para as ações  de  repetição do  indébito  tributário é de dez anos, a contar da ocorrência do  fato  gerador,  para  os  pedidos  realizados  antes  da  vigência  da  Lei  Complementar nº 118/05 ­ junho de 2005 (RE nº 566.621/RS).  DECISÕES  DEFINITIVAS  DO  STF/STJ.  RECURSOS  REPETITIVOS.  REPERCUSSÃO GERAL. VINCULAÇÃO AO CARF.  As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo  Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista  pelos artigos 543­B e 543­C da Lei n° 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de  Processo  Civil,  deverão  ser  reproduzidas  pelos  conselheiros  no  julgamento  dos  recursos no âmbito do CARF.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos,   Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  dar  parcial provimento ao Recurso Voluntário para afastar a prescrição e determinar o retorno dos  autos à unidade de jurisdição da recorrente para a análise do mérito do litígio, nos  termos do  voto do Relator.  (assinado digitalmente)  Ana de Barros Fernandes ­ Presidente.     (assinado digitalmente)     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 53 0. 90 00 17 /2 00 8- 90 Fl. 127DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 19/03/2 014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 08/08/2014 por LUIZ GUILHERME DE MEDEIROS FERREIRA   2  Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira ­ Relator.    Participaram  do  presente  julgamento  os  Conselheiros:  Maria  de  Lourdes  Ramirez, Cláudio Otavio Melchiades Xavier, Carmen  Ferreira Saraiva,  Leonardo Mendonça  Marques, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes.  Relatório    Adoto o relatório da DRJ por bem descrever os fatos:     Trata  o  presente  processo  de  Declaração  de  Compensação  (fls.  36  a  49)  transmitida em 30/01/2004, cujo crédito é oriundo da apuração do saldo negativo do  IRPJ apurado em 31/12/1998 (Lucro real anual).  Por meio de Despacho Decisório  (fl. 50) a Delegacia da Receita Federal  de  Feira  de  Santana  entendeu  decaído  o  direito  do  contribuinte  de  pleitear  a  compensação  e  assim  concluiu  pela  não  homologação  da  mesma,  conforme  transcrito a seguir.  ...constatou­se  que  na  data  de  transmissão  do  PER/DCOMP  com  demonstrativo de crédito, já estava extinto o direito de utilização do saldo negativo  em  virtude  do  decurso  do  prazo  de  cinco  anos  entre  a  data  de  transmissão  do  PERIDCOMP e a data de apuração do saldo negativo. Data de apuração do saldo  negativo:31/12/1998. Data de transmissão do PER/DCOMP com demonstrativo do  crédito: 30/01/2004  Cientificada  do  Despacho  Decisório  em  19/03/2008  (fl.  53),  o  contribuinte  apresentou,  em  17/04/2008,  manifestação  de  inconformidade  (fls.  01  a  31),  alegando, em síntese, o seguinte:  a)  "trata­se de despacho que não homologou a Declaração de Compensação  apresentada  pela  requerente,  no  valor  original  de  R$  565.278,17  (quinhentos  e  sessenta e cinco mil, duzentos e setenta e oito reais e dezessete centavos), referente  ao IRPJ devido no 4° trimestre de 1999 e 4° trimestre de 2003. 0 crédito utilizado  para  a  referida  compensação  é  oriundo  de  apuração  de  saldo  negativo  no  ano­ calendário  ,  1998,  informado  na  DIPJ  de  1999  (Doc.  03),  em  face  dos  valores  recolhidos por regime de estimativa (Doc. 04)";  b)  "para  fundamentar  a  não  homologação  da  compensação  pleiteada  pela  requerente, a requerida, alegou, singelamente, a ocorrência da decadência, haja vista  que o saldo negativo foi apurado em dez/1998 e a DCOMP somente transmitida em  30/01/2004 (Doc. 05);  c) "no entanto, tal alegação é completamente desprovida de fundamento, uma  vez que a requerente ainda detinha o direito de efetuar a compensação em questão, já  que dentro do prazo previsto na Lei n° 9.430/96 de 05 (cinco) anos da entrega da  DIPJ";  d) para comprovar  seu direito, o  impugnante  transcreveu o art. 6° da Lei n°  9.430/1996, alegando que "6 idêntico ao determinado pelo artigo 858 do RIR/99, o  direito do contribuinte pleitear a restituição/compensação do saldo negativo apurado  Fl. 128DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 19/03/2 014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 08/08/2014 por LUIZ GUILHERME DE MEDEIROS FERREIRA Processo nº 10530.900017/2008­90  Acórdão n.º 1801­001.550  S1­TE01  Fl. 3          3 começa a fluir momento em que entrega sua Declaração de Rendimentos, fato este  que só é possível a partir do mês de abril do ano seguinte";  e) "em razão de tal orientação, se faz totalmente equivocado o entendimento  esposado  pelo  D.  Delegado,  uma  vez  que  em  31/12/98  a  requerente  sequer  era  detentora do direito de pleitear a devolução dos valores recolhidos a maior. Ora, pelo  que está na lei, o prazo decadencial é contado a partir da entrega da Declaração de  Rendimento, não da ocorrência do fato gerador em 31 de dezembro";  f)  "a  decadência  do  direito  para  pedir  restituição,  por  principio,  pode  ser  contada  a  partir  do  momento  em  que  o  direito  pode  ser  exercido.  Se  a  restituição/compensação  somente  pode  ser  pleiteada  a  partir  da  entrega  da  Declaração, então, só a partir dai que pode ser contado o prazo de decadência. Isto  porque a Declaração é instrumento hábil para fazer o encontro de contas entre aquilo  que foi antecipado durante o período e aquilo que é devido no balanço";  g)  "portanto,  repita­se,  tal  pleito  somente  passou  a  ser  possível  quando  da  entrega  da  DIPJ,  o  que,  neste  período  ­base,  extraordinariamente,  ocorreu  em  29/10/1999", evidente, portanto, que o direito a requerente pleitear a compensação  de seu credito somente estaria prescrito em 29/10/2004, data muito superior Aquela  em  que  houve  a  efetiva  entrega  da DCOMP",  trazendo  diversas  jurisprudências  a  respeito.  h)  transcreve  o  Ato  Declaratório  SRF  n°  03/2000  que  trata  do  prazo  para  restituição  ou  compensação  do  IRPJ  ou  CSLL  apurados  anualmente,  concluindo  também  que  "somente  ao  final  do  mês  de  janeiro  é  que  ocorre  a  opção  do  contribuinte por encerrar o período de apuração com o pagamento ou manter o saldo  negativo  para  compensações  nas  competências  seguintes.  Por  isso,  após  o  encerramento do mês de janeiro é que começaria a fluir o prazo (isso no caso de não  se aceitar o disposto na Lei n° 9.430/96)".  Finaliza  a  sua  defesa,  declarando  que  "em  hipótese  alguma,  teria  decaído  o  direito da requerente a utilização de seus créditos a titulo de saldo negativo de modo  que a DCOMP apresentada é completamente válida e merece ser homologada".  A  decisão  da  DRJ  manteve  o  despacho  decisório  ratificando  o  prazo  decadencial  qüinqüenal  contado  a  partir  da  ocorrência  do  fato  gerador,  que  no  caso  seria  31/12/1998.   Intimada  em  15  de  abril  de  2010  interpõe  Recurso  Voluntário  tempestivamente em 14 de maio de 2010.   Argumenta  em  síntese  não  ter  ocorrido  a  decadência  do  seu  direito  a  restituição por considerar a data da entrega da DIPJ como termo inicial da contagem do prazo  decadencial e não a data do fato gerador, como constou na decisão recorrida.   É o relatório.        Fl. 129DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 19/03/2 014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 08/08/2014 por LUIZ GUILHERME DE MEDEIROS FERREIRA   4 Voto             Conselheiro  Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira, Relator.  Conheço do Recurso Voluntário por tempestivo.  No mérito assiste razão à Recorrente.   Primeiramente cabe destacar que a controvérsia submetida a julgamento nesta  Tuma  refere­se  ao  prazo  prescricional  e  não  decadencial  de  que  dispõe  o  contribuinte  para  restituir/compensar o indébito tributário.   O cerne do litígio está na apreciação da ocorrência de prescrição do direito a  repetição do indébito tributário, objeto do Per/Dcomp emitido pela recorrente.   Note­se que  a perdcomp  foi  transmitida em 30/01/2004,  tendo como crédito  saldo  negativo de IRPJ em 31/12/1998  Com efeito, para pedidos de repetição ou compensação formulados até junho  de 2005 o prazo prescricional do qual dispõe o contribuinte é de dez anos, conforme pacificado  pelo  Supremo  Tribunal  Federal  em  decisão  proferida,  no  Recurso  Extraordinário  (RE)  nº  566.621/RS (em 04/08/11, publicada em 11/10/11), e processada sob o rito do artigo 543­B do  Código  de  Processo  Civil  (CPC),  ao  apreciar  a  Lei  Complementar  nº  118/05  e  a  constitucionalidade do artigo 4º e seus efeitos retroativos:   “DIREITO  TRIBUTÁRIO  –  LEI  INTERPRETATIVA  –  APLICAÇÃO  RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005 – DESCABIMENTO –  VIOLAÇÃO  À  SEGURANÇA  JURÍDICA  –  NECESSIDADE  DE  OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS – APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO  PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE  INDÉBITOS AOS PROCESSOS  AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. Quando do advento da LC  118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que,  para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para  repetição ou  compensação  de  indébito  era  de  10  anos  contados  do  seu  fato  gerador,  tendo  em  conta a aplicação combinada dos arts. 150, § 4º, 156, VII, e 168, I, do CTN. A LC  118/05,  embora  tenha  se  auto­proclamado  interpretativa,  implicou  inovação  normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos  contados do pagamento indevido. Lei supostamente interpretativa que, em verdade,  inova  no  mundo  jurídico  deve  ser  considerada  como  lei  nova.  Inocorrência  de  violação à autonomia e  independência dos Poderes, porquanto a  lei  expressamente  interpretativa também se submete, como qualquer outra, ao controle judicial quanto  à sua natureza, validade e aplicação. A aplicação retroativa de novo e reduzido prazo  para  a  repetição  ou  compensação  de  indébito  tributário  estipulado  por  lei  nova,  fulminando,  de  imediato,  pretensões  deduzidas  tempestivamente  à  luz  do  prazo  então  aplicável,  bem  como  a  aplicação  imediata  às  pretensões  pendentes  de  ajuizamento  quando  da  publicação  da  lei,  sem  resguardo  de  nenhuma  regra  de  transição, implicam ofensa ao princípio da segurança jurídica em seus conteúdos de  proteção da confiança e de garantia do acesso à Justiça. Afastando­se as aplicações  inconstitucionais  e  resguardando­se,  no  mais,  a  eficácia  da  norma,  permite­se  a  aplicação do prazo  reduzido  relativamente às ações ajuizadas após a vacatio  legis,  conforme entendimento consolidado por esta Corte no enunciado 445 da Súmula do  Tribunal. O prazo de vacatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não apenas  que  tomassem  ciência  do  novo  prazo,  mas  também  que  ajuizassem  as  ações  necessárias à tutela dos seus direitos. Inaplicabilidade do art. 2.028 do Código Civil,  Fl. 130DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 19/03/2 014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 08/08/2014 por LUIZ GUILHERME DE MEDEIROS FERREIRA Processo nº 10530.900017/2008­90  Acórdão n.º 1801­001.550  S1­TE01  Fl. 4          5 pois, não havendo lacuna na LC 118/08, que pretendeu a aplicação do novo prazo na  maior extensão possível, descabida sua aplicação por analogia. Além disso, não se  trata de lei geral, tampouco impede iniciativa legislativa em contrário. Reconhecida  a inconstitucionalidade art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerando­se válida  a aplicação do novo prazo de 5 anos tão­somente às ações ajuizadas após o decurso  da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do  art.  543­B,  §  3º,  do  CPC  aos  recursos  sobrestados.  Recurso  extraordinário  desprovido.  Destarte,  a  prescrição  qüinqüenal  não  alcança  a  situação  dos  contribuintes  que protocolizaram os pedidos de  restituição dos  indébitos  tributários antes da edição da Lei  Complementar  nº  118/05,  ou  seja,  09  de  junho  de  2005  (destaquei),  restando  decidido  o  cabimento dos pedidos no prazo de dez anos a contar do fato gerador. A questão encontra­se  definitivamente julgada.  Este  órgão  julgador,  por  força  do  artigo  62­A  do  Regimento  Interno  do  CARF – Ricarf, está vinculado às decisões proferidas pelo STF, processadas sobre o rito do art.  543­B e C do CPC:  Art.  62­A.  As  decisões  definitivas  de  mérito,  proferidas  pelo  Supremo Tribunal  Federal  e  pelo  Superior  Tribunal  de  Justiça  em  matéria  infraconstitucional,  na  sistemática  prevista  pelos  artigos 543­B e 543­C da Lei n° 5.869, de 11 de janeiro de 1973,  Código  de  Processo  Civil,  deverão  ser  reproduzidas  pelos  conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF.  A recorrente emitiu, eletronicamente, o Per/Dcomp em 30 de janeiro de 2004,  pleiteando saldo negativo de IRPJ relativo ao ano­calendário de 1998, razão pela qual o pedido  não pode ser declarado prescrito, conforme julgado da Corte Suprema ora transcrito.  Os  efeitos do  afastamento da declaração de prescrição  impõe o  retorno  dos  autos à unidade de jurisdição da recorrente para que seja analisado o mérito do pedido, ou seja,  a origem e a procedência do crédito pleiteado, em face da contabilidade da recorrente, registros  no Sapli, outros pedidos de restituição/compensação com origem no mesmo crédito, vinculação  a outros processos administrativos fiscais etc.  Dessa  forma,  voto  em  dar  provimento  parcial  ao  recurso,  afastando  a  prescrição declarada, e determino o retorno dos autos à unidade de jurisdição para a análise do  mérito da Per/Dcomp objeto deste litígio.   (assinado digitalmente)   Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira                  Fl. 131DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 19/03/2 014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 08/08/2014 por LUIZ GUILHERME DE MEDEIROS FERREIRA   6                 Fl. 132DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 19/03/2 014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 08/08/2014 por LUIZ GUILHERME DE MEDEIROS FERREIRA

score : 1.0
5490743 #
Numero do processo: 16045.000829/2007-19
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 08 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Jun 13 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 1101-000.090
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em SOBRESTAR o julgamento, por se tratar de tema em repercussão geral, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Divergiram o Conselheiro José Ricardo da Silva e o Presidente Marcos Aurélio Pereira Valadão. (documento assinado digitalmente) MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO – Presidente (documento assinado digitalmente) NARA CRISTINA TAKEDA TAGA - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente), José Ricardo da Silva (Vice-Presidente), Edeli Pereira Bessa, Benedicto Celso Benício Júnior, Maria Elisa Brussi Boechat e Nara Cristina Takeda Taga. RELATÓRIO Versam os presentes autos sobre Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte contra o Acórdão da 3ª Turma da DRJ em Ribeirão Preto que julgou parcialmente procedente a Impugnação apresentada. Segundo consta do Relatório Fiscal (proc. fls. 42 a 58), a ação fiscal teve início em 25/11/2005. Em 15/12/2005, o fiscalizado apresentou parte dos documentos solicitados. Da análise dos mesmos, a autoridade fiscalizadora constatou “enormes incongruências em milhares de notas fiscais de saída, com discrepâncias na relação VALOR NF/PESO para mesmos produtos”, verificando uma diferença de até 1000% no quilo do produto. Ademais, verificou-se preço de venda menor que o próprio custo do produto. Intimado a entregar arquivo magnético das notas fiscais emitidas, o fiscalizado “apresentou o arquivo de forma incompleta, sem os pesos bruto e líquido das notas fiscais, com a clara intenção de dificultar o mapeamento das ilicitudes”. Ante tal constatação, o contribuinte foi novamente intimado, dessa vez para apresentar os extratos bancários. De posse dos extratos, a autoridade fazendária verificou “a completa inconsistência dos valores em confronto com as declarações de CPMF e os livros diário e razão”, o que desencadeou na emissão de Requisição de Informação sobre a Movimentação Financeira RMF. Obtidas as informações das instituições financeiras, o auditor fiscal constatou que a fiscalizada utilizou-se de contas não escrituradas em seus livros contábeis. Após circularização junto aos clientes do contribuinte, a autoridade administrativa concluiu pela existência de verdadeiro conluio. Verificou-se que as vias dos clientes e da fiscalizada registravam os mesmo valores, no entanto, o valor de cobrança, registrado em contas não escrituradas, era bem maior. O auditor fazendário procedeu a conciliação entre as contas bancárias, para excluir as transferências entre contas correntes, e intimou o fiscalizado a justificar a origem dos depósitos bancários. Mesmo após a concessão de prorrogação de prazo, a empresa não comprovou a origem dos créditos. Destarte, em 17/12/2007, a fiscalização procedeu a lavratura dos Autos de Infração de IRPJ (proc. Fls. 04 a 07), PIS (proc. Fls. 12 a 16), COFINS (proc. Fls. 23 a 27) e CSLL (proc. Fls. 34 a 37) com base no art. 42 da Lei nº 9.430/96 que versa sobre a presunção legal de omissão de receitas. E em 20/12/2007, foi lavrado o Auto de Infração de IPI (proc. Fls. 989 a 996) por omissão de rendimentos apurada em decorrência de receita não comprovada. Todos com multa de 225%. A autoridade lançadora entendeu restar patente a intenção dolosa de adiar o conhecimento da ocorrência do fato gerador da obrigação principal, tendo em vista a sistemática e reitera omissão ao longo dos anos, a não contabilização/escrituração de contas de depósitos, bem como o subfaturamento das notas ficais/faturas. Tendo em vista que mesmo após prévio agendamento com os representantes da empresa, os mesmos não compareceram à DRF em Taubaté para tomar ciência de vários Termos pertinentes à ação fiscal e dos Autos de Infração de IRPJ e reflexos, bem como para devolução dos livros e documentos contábeis. O auditor fiscal então se dirigiu à sede da empresa, mas não foram encontradas pessoas competentes para aptas a tomar ciência. Destarte, foi lavrado o Termo de Recusa (proc.Fls. 796 e 797), considerando o contribuinte cientificado em 27/12/2007. Em 24/01/2008, o contribuinte apresentou Impugnação (proc. Fls. 801 a 830). Preliminarmente o Impugnante alegou que sempre forneceu elementos, livros fiscais, informações bancárias, entre outros documentos, solicitados pelos agentes fiscais no curso da ação fiscal, e a despeito disto foi aplicada multa de 225% sob os argumentos de que o contribuinte tentou fraudar o fisco, lesar o erário e dificultar o trabalho da fiscalização. Referente ao Termo de Recusa, o interessado afirmou que a impossibilidade de comparecimento do diretor presidente à DRF em Taubaté foi devidamente comunicada e, inclusive, se foi sugerido que outro representante da empresa comparecesse, o que foi rechaçado pela autoridade fazendária e desencadeou na lavratura do Termo de Recusa, bem como na entrega dos Termos e do Auto de Infração na sede a empresa como é de praxe. Este comportamento do auditor fiscal exemplifica a intenção de fazer parecer que o contribuinte ofereceu resistência. No mérito, o Impugnante mencionou que a despeito de todo o arrazoado erigido pela fiscalização com intuito de demonstrar que houve saída de mercadorias sem nota, conluio com os clientes etc., ao fim da fiscalização todos esses trabalhos foram descartados e o crédito tributário foi integralmente lançado com base na presunção de ato ilícito, apoiado em confronto das informações financeiras obtidas com o extrato da CPMF. O Fisco entendeu como fraude a diferença de preço por quilo do produto. Esclareceu o fiscalizado que discrepância se dá devido a defeito na bobina padrão vendida. O cliente, apesar de adquirir a bobina no peso padrão, paga apenas pelo que for utilizável, descartando o material com defeito. Devido a questões técnicas, não é viável emendas na bobina, o que impede que a empresa elimine a parte com defeito dentro de seu estabelecimento. Desta forma, a depender da metragem de falha em uma bonina, o preço do produto varia. Mais uma vez o Impugnante ressaltou que a despeitos de todos os elementos disponíveis para apuração do efetivo crédito tributário, a autoridade lançadora optou utilizar-se de presunção legal. O contribuinte manifestou-se contrário à utilização da CPMF para fins de lançamento de crédito tributário sob o argumento de que as retenções da contribuição não são aptas a retratar os acréscimos patrimoniais auferidos. Ademais, o Impugnante alegou a inconstitucionalidade do art. 11, § 3º da Lei nº 9.311/96, e ressaltou que a violação ao sigilo de dados e informações somente pode ocorrer mediante ordem judicial. Outro ponto combatido pelo fiscalizado diz respeito à presunção de auferimento de receita, em decorrência de diferenças entre saldos bancários e movimentação de CPMF. Entendeu o contribuinte que a presunção somente deve ser admitida em casos extremos, em que a recusa do contribuinte em colaborar justifique. Já no que diz respeito à multa aplicada, o Impugnante afirmou que houve cerceamento do seu direito de defesa tendo em vista que o incorreto enquadramento legal. Ademais, a multa no percentual de 225% além de ser confiscatória, não se colacionou provas robustas de fraude, conluio ou sonegação fiscal. Após discorrer sobre o fato gerador do imposto de renda e sobre os prejuízos fiscais acumulados, o Impugnante alegou que caso seja entendido que o crédito tributário é legitimo e deverá ser mantido, não há fundamento legal para que a fiscalização impedir que o contribuinte compense a parcela de 30% do lucro tributável, com o prejuízo fiscal acumulado até 31/12/2007, escriturado na parte B do Lalur. Por fim, o fiscalizado aduzir ser inconstitucional a utilização da taxa Selic. Em 26/03/2008, 10/06/2008 e 18/06/2008, foram protocolizados Aditamentos à Impugnação (proc. Fls. 843 a 845, 977 a 979 e, 851 a 856). O contribuinte afirmou que a fiscalização se equivocou ao utilizar a mesma base de cálculos para apuração do IRPJ, CSLL, PIS e COFINS, pois para apurar o IRPJ e a CSLL, devem-se deduzir os valores correspondentes ao PIS/COFINS e demais consequitários. Ademais, o fiscalizado alegou que ao analisar seus extratos bancários, percebeu que vários dos ingressos na verdade são transferências de valores de uma conta para outra. Alertou ainda que a fiscalização majorou indevidamente o crédito tributário apurado. Como exemplo, a fiscalização apontou como entrada no dia 30/04/2003 do montante de R$ 755.001,00 quando na verdade o valor é de R$ 7.550,01 conforme se pode constatar à fl. 765. O mesmo se deu à fl. 789 em que o fisco apontou como valor creditado R$ 28.676,00 quando na verdade o montante é de R$ 2.867,60 Ainda em seus aditamentos à Impugnação, o contribuinte requereu a dedução do IPI apurado no lançamento de ofício da base de cálculo do IRPJ e da CSLL. A 3ª Turma da DRJ em Ribeirão Preto, em 05/09/2008, converteu o julgamento em diligência para apuração dos fatos apontados pelo contribuinte às fls. 852 a 854 (proc. Fls.1027 a 1028). Vou encaminho ao contribuinte Termo de Intimação em cumprimento à Diligência (proc. Fls. 1037 a), por meio do qual se se intimou o contribuinte a: Comprovar a efetiva entrada de recursos na conta Caixa de alguns lançamentos; Apresentar documentação hábil e idônea das movimentações financeiras mencionadas na Impugnação às fls. 852/854 (transferências entre contas não contabilizadas, e as divergências de valores apurados pela fiscalização). O interessado apresentou manifestação, em 29/01/2009 (proc. Fls. 1042 a 1049). O contribuinte relatou que procedeu a uma auditoria em suas contas bancárias e além dos valores já relatados em sua Impugnação, verificou cheques emitidos pelas contas bancárias não contabilizadas, cujo destino foram outras contas bancárias também não contabilizadas, todos objeto de autuação, o que constitui exemplo típico de dupla tributação. No que toca aos valores indicados pela autoridade fazendária, item 1 do Termo de Intimação, o fiscalizado afirmou que os valores foram lançados a débito da conta Caixa e a crédito na conta Banco. Juntou cópias dos Livros Razão e Diário. Já concernente ao item 2, o contribuinte afirmou que “até a data de 30/09/2003, nossa contabilidade não era integrada com o sistema financeiro, assim, os valores lançados não eram individualizados, porém, os lançamentos contemplam pelos valores globais as importâncias questionadas”. Em seus esclarecimentos, o Impugnante mencionou que os valores transferidos entre as contas não contabilizadas chega ao montante de R$2.558.803,85. Requereu a exclusão dos mesmos da base de cálculo. Em resposta à diligência realizada, em 13/02/2009, a autoridade fazendária prestou os seguintes esclarecimentos (proc. fls. 1065 e 1066): Os valores transferidos de uma conta corrente contabilizada para outra não contabilizada, não elidem a omissão de receita; Tais valores constam na contabilidade da empresa como transferência a débito da conta CAIXA, conforme informação do próprio contribuinte e Livro Razão. Desta forma, comprova-se a omissão de receitas com esses lançamentos fictícios (CAIXA A BANCO), pois “as quantias mencionadas não representaram efetivo ingresso de recursos na empresa e foram assim lançadas apenas com o intento de evitar o surgimento de saldo credor de CAIXA, conquanto nem sempre a interessada logra êxito”. Vários dos débitos na conta CAIXA não podem ser individualizados, pois como informado pelo sujeito passivo, até 30/09/2003 a contabilidade não era integrada com o financeiro. Concernente à divergência de valores indicada pelo contribuinte, verifica-se que de fato houve um equívoco e tais diferenças devem ser excluídas da base de cálculo dos tributos devidos. Já quanto os valores transferidos entre contas não contabilizadas, os mesmos deverão ser excluídos da base de cálculo caso o órgão julgador não considerar ocorrida a preclusão prevista no § 4º do art. 16 do Decreto nº 70. 235/72. Em 07/05/2009, a 3ª Turma da DRJ em Ribeirão Preto proferiu Acórdão julgando procedente em parte o lançamento (proc. fls. 1070 a 1088). De início a DRJ asseverou que a autoridade administrativa não tem competência para analisar a inconstitucionalidade da legislação tributária plenamente em vigor. Desta forma, as manifestações de inconformidade, sob o argumento de inconstitucionalidade, levantadas pelo Impugnante, no tocante ao percentual da multa de ofício, a utilização da taxa Selic e a quebra do sigilo bancário, não podem ser apreciadas pelo Colegiado. Referente à quebra do sigilo bancário, o órgão julgador a quo ainda relatou que a Constituição Federal outorga à administração tributária o poder de identificar o patrimônio, os rendimentos e as atividades econômicas do contribuinte, com a finalidade de atender ao objetivo da capacidade contributiva, o que não tira o direito à privacidade, uma vez que a Fazenda Pública tem obrigação de conservar o sigilo. No mérito, a Turma asseverou que o lançamento se deu com base nos depósitos bancários não contabilizados tendo com fundamento legal o art. 42 da Lei nº 9.430/96. Ressaltou que o contribuinte não comprovou a origem dos recursos no curso da ação fiscal. Apenas depois de autuado, o Impugnante apresentou demonstrativos alegando que não foram consideradas as transferência entre contas. Frente às informações prestadas pela DRF em resposta à diligência requerida, o Colegiado entendeu que não há como não considerar justificados os valores transferidos de uma conta corrente contabilizada para outra não contabilizada. Concluiu que tais valores devem ser excluídos da tributação. No que diz respeito aos erros de transcrição apontados pelo interessado, a Turma determinou a imediata correção dos valores no lançamento. Referente ao pedido de compensação de prejuízos fiscais acumulados, o órgão julgador administrativo afirmou que desde o ano-calendário de 1995, a redução do lucro real, em razão do aproveitamento de prejuízos acumulados, ficou limitada a 30%. Ocorre que o contribuinte apurou no ano-calendário de 2003, o IRPJ pelo lucro presumido, portanto, não há que se falar em compensação de prejuízos nesse ano-calendário. Já no ano-calendário de 2004, apurado pelo lucro real, a contribuinte possuía em 31/12/3004, saldo de prejuízos fiscais de anos anteriores a compensar. Tal saldo é inferior ao limite de 30% mencionado, podendo ser compensado no referido ano-calendário. A Turma assinalou que com relação aos argumentos apresentados pelos 3 aditamentos, por terem sido trazidos ao processo intempestivamente, não podem ser acatadas as alegações trazidas a destempo (arts. 15 e 16, § 4º do Decreto nº 70.235/72). Concernente à multa de ofício, o Colegiado aduziu que tendo em vista que o contribuinte amplamente debateu a imputação da multa quando da Impugnação, afastou-se o cerceamento do direito de defesa por não constar no Auto de Infração a alteração legal no respectivo dispositivo da Lei nº 9.430/96 que versa sobre a multa. Ainda quanto à aplicação da multa, o órgão fazendário afirmou que a comprovação do subfaturamento das notas fiscais, bem como a falta de escrituração de contas bancárias, comprovam, de maneira inequívoca, o proposito deliberado de impedir ou retardar o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador, reputando-se, portanto, aplicável ao caso concreto a multa na sua forma qualificada. O Fisco, no entanto, afastou a aplicação do agravamento da multa, pois entendeu que o contribuinte apresentou os arquivos solicitados, não causando obstá-los à fiscalização. Por fim, no que diz respeito ao questionamento da aplicação da taxa Selic, os julgadores relataram que existe previsão legal para a sua aplicação, bem como súmula do Conselho de Contribuintes neste sentido. Portanto, entendeu correta a aplicação da taxa Selic. O contribuinte interpôs Recurso Voluntário às fls. 1115 a 1131. De início o Recorrente questionou a não apreciação dos argumentos trazidos nos aditamentos. Ressaltou que o próprio auditor fiscal atestou a autenticidade dos valores comprovados e, no entanto, a DRJ, em afronta ao Princípio da Verdade Material, não os analisou alegando que os documentos deveriam ter sido apresentados quando da Impugnação. Ainda como base neste Princípio, o Postulante afirmou que deu prosseguimento ao levantamento específico, crédito a crédito das contas corrente envolvidas, e apurou novos valores referentes a transferências ou cheques, com identidade de emitente e favorecido, nas mesmas contas utilizadas pelo auditor fiscal como receita omitida. Colacionou aos autos planilhas com estes novos valores. O Postulante alegou a inconsistência da base de cálculo. Argumentou que, tendo em vista que o montante inicialmente apontado como omitido corresponde a cerca de 61,77% do valor por ele declarado em DIPJ do ano-calendário de 2004, sua escrituração mostrou-se no mínimo insuficiente para apuração pela sistemática do Lucro Real. Desta forma, requereu o arbitramento do lucro. O Recorrente ainda mencionou que a DRJ não se manifestou sobre as demonstrações de possíveis fraudes em notas fiscais, a despeito de manifestação em sede de Impugnação. É o relatório.
Nome do relator: NARA CRISTINA TAKEDA

toggle explain
    
1.0 = *:*

  
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021

anomes_sessao_s : 201308

camara_s : Primeira Câmara

turma_s : Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção

dt_publicacao_tdt : Fri Jun 13 00:00:00 UTC 2014

numero_processo_s : 16045.000829/2007-19

anomes_publicacao_s : 201406

conteudo_id_s : 5353600

dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Jun 13 00:00:00 UTC 2014

numero_decisao_s : 1101-000.090

nome_arquivo_s : Decisao_16045000829200719.PDF

ano_publicacao_s : 2014

nome_relator_s : NARA CRISTINA TAKEDA

nome_arquivo_pdf_s : 16045000829200719_5353600.pdf

secao_s : Primeira Seção de Julgamento

arquivo_indexado_s : S

dt_sessao_tdt : Thu Aug 08 00:00:00 UTC 2013

id : 5490743

ano_sessao_s : 2013

decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em SOBRESTAR o julgamento, por se tratar de tema em repercussão geral, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Divergiram o Conselheiro José Ricardo da Silva e o Presidente Marcos Aurélio Pereira Valadão. (documento assinado digitalmente) MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO – Presidente (documento assinado digitalmente) NARA CRISTINA TAKEDA TAGA - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente), José Ricardo da Silva (Vice-Presidente), Edeli Pereira Bessa, Benedicto Celso Benício Júnior, Maria Elisa Brussi Boechat e Nara Cristina Takeda Taga. RELATÓRIO Versam os presentes autos sobre Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte contra o Acórdão da 3ª Turma da DRJ em Ribeirão Preto que julgou parcialmente procedente a Impugnação apresentada. Segundo consta do Relatório Fiscal (proc. fls. 42 a 58), a ação fiscal teve início em 25/11/2005. Em 15/12/2005, o fiscalizado apresentou parte dos documentos solicitados. Da análise dos mesmos, a autoridade fiscalizadora constatou “enormes incongruências em milhares de notas fiscais de saída, com discrepâncias na relação VALOR NF/PESO para mesmos produtos”, verificando uma diferença de até 1000% no quilo do produto. Ademais, verificou-se preço de venda menor que o próprio custo do produto. Intimado a entregar arquivo magnético das notas fiscais emitidas, o fiscalizado “apresentou o arquivo de forma incompleta, sem os pesos bruto e líquido das notas fiscais, com a clara intenção de dificultar o mapeamento das ilicitudes”. Ante tal constatação, o contribuinte foi novamente intimado, dessa vez para apresentar os extratos bancários. De posse dos extratos, a autoridade fazendária verificou “a completa inconsistência dos valores em confronto com as declarações de CPMF e os livros diário e razão”, o que desencadeou na emissão de Requisição de Informação sobre a Movimentação Financeira RMF. Obtidas as informações das instituições financeiras, o auditor fiscal constatou que a fiscalizada utilizou-se de contas não escrituradas em seus livros contábeis. Após circularização junto aos clientes do contribuinte, a autoridade administrativa concluiu pela existência de verdadeiro conluio. Verificou-se que as vias dos clientes e da fiscalizada registravam os mesmo valores, no entanto, o valor de cobrança, registrado em contas não escrituradas, era bem maior. O auditor fazendário procedeu a conciliação entre as contas bancárias, para excluir as transferências entre contas correntes, e intimou o fiscalizado a justificar a origem dos depósitos bancários. Mesmo após a concessão de prorrogação de prazo, a empresa não comprovou a origem dos créditos. Destarte, em 17/12/2007, a fiscalização procedeu a lavratura dos Autos de Infração de IRPJ (proc. Fls. 04 a 07), PIS (proc. Fls. 12 a 16), COFINS (proc. Fls. 23 a 27) e CSLL (proc. Fls. 34 a 37) com base no art. 42 da Lei nº 9.430/96 que versa sobre a presunção legal de omissão de receitas. E em 20/12/2007, foi lavrado o Auto de Infração de IPI (proc. Fls. 989 a 996) por omissão de rendimentos apurada em decorrência de receita não comprovada. Todos com multa de 225%. A autoridade lançadora entendeu restar patente a intenção dolosa de adiar o conhecimento da ocorrência do fato gerador da obrigação principal, tendo em vista a sistemática e reitera omissão ao longo dos anos, a não contabilização/escrituração de contas de depósitos, bem como o subfaturamento das notas ficais/faturas. Tendo em vista que mesmo após prévio agendamento com os representantes da empresa, os mesmos não compareceram à DRF em Taubaté para tomar ciência de vários Termos pertinentes à ação fiscal e dos Autos de Infração de IRPJ e reflexos, bem como para devolução dos livros e documentos contábeis. O auditor fiscal então se dirigiu à sede da empresa, mas não foram encontradas pessoas competentes para aptas a tomar ciência. Destarte, foi lavrado o Termo de Recusa (proc.Fls. 796 e 797), considerando o contribuinte cientificado em 27/12/2007. Em 24/01/2008, o contribuinte apresentou Impugnação (proc. Fls. 801 a 830). Preliminarmente o Impugnante alegou que sempre forneceu elementos, livros fiscais, informações bancárias, entre outros documentos, solicitados pelos agentes fiscais no curso da ação fiscal, e a despeito disto foi aplicada multa de 225% sob os argumentos de que o contribuinte tentou fraudar o fisco, lesar o erário e dificultar o trabalho da fiscalização. Referente ao Termo de Recusa, o interessado afirmou que a impossibilidade de comparecimento do diretor presidente à DRF em Taubaté foi devidamente comunicada e, inclusive, se foi sugerido que outro representante da empresa comparecesse, o que foi rechaçado pela autoridade fazendária e desencadeou na lavratura do Termo de Recusa, bem como na entrega dos Termos e do Auto de Infração na sede a empresa como é de praxe. Este comportamento do auditor fiscal exemplifica a intenção de fazer parecer que o contribuinte ofereceu resistência. No mérito, o Impugnante mencionou que a despeito de todo o arrazoado erigido pela fiscalização com intuito de demonstrar que houve saída de mercadorias sem nota, conluio com os clientes etc., ao fim da fiscalização todos esses trabalhos foram descartados e o crédito tributário foi integralmente lançado com base na presunção de ato ilícito, apoiado em confronto das informações financeiras obtidas com o extrato da CPMF. O Fisco entendeu como fraude a diferença de preço por quilo do produto. Esclareceu o fiscalizado que discrepância se dá devido a defeito na bobina padrão vendida. O cliente, apesar de adquirir a bobina no peso padrão, paga apenas pelo que for utilizável, descartando o material com defeito. Devido a questões técnicas, não é viável emendas na bobina, o que impede que a empresa elimine a parte com defeito dentro de seu estabelecimento. Desta forma, a depender da metragem de falha em uma bonina, o preço do produto varia. Mais uma vez o Impugnante ressaltou que a despeitos de todos os elementos disponíveis para apuração do efetivo crédito tributário, a autoridade lançadora optou utilizar-se de presunção legal. O contribuinte manifestou-se contrário à utilização da CPMF para fins de lançamento de crédito tributário sob o argumento de que as retenções da contribuição não são aptas a retratar os acréscimos patrimoniais auferidos. Ademais, o Impugnante alegou a inconstitucionalidade do art. 11, § 3º da Lei nº 9.311/96, e ressaltou que a violação ao sigilo de dados e informações somente pode ocorrer mediante ordem judicial. Outro ponto combatido pelo fiscalizado diz respeito à presunção de auferimento de receita, em decorrência de diferenças entre saldos bancários e movimentação de CPMF. Entendeu o contribuinte que a presunção somente deve ser admitida em casos extremos, em que a recusa do contribuinte em colaborar justifique. Já no que diz respeito à multa aplicada, o Impugnante afirmou que houve cerceamento do seu direito de defesa tendo em vista que o incorreto enquadramento legal. Ademais, a multa no percentual de 225% além de ser confiscatória, não se colacionou provas robustas de fraude, conluio ou sonegação fiscal. Após discorrer sobre o fato gerador do imposto de renda e sobre os prejuízos fiscais acumulados, o Impugnante alegou que caso seja entendido que o crédito tributário é legitimo e deverá ser mantido, não há fundamento legal para que a fiscalização impedir que o contribuinte compense a parcela de 30% do lucro tributável, com o prejuízo fiscal acumulado até 31/12/2007, escriturado na parte B do Lalur. Por fim, o fiscalizado aduzir ser inconstitucional a utilização da taxa Selic. Em 26/03/2008, 10/06/2008 e 18/06/2008, foram protocolizados Aditamentos à Impugnação (proc. Fls. 843 a 845, 977 a 979 e, 851 a 856). O contribuinte afirmou que a fiscalização se equivocou ao utilizar a mesma base de cálculos para apuração do IRPJ, CSLL, PIS e COFINS, pois para apurar o IRPJ e a CSLL, devem-se deduzir os valores correspondentes ao PIS/COFINS e demais consequitários. Ademais, o fiscalizado alegou que ao analisar seus extratos bancários, percebeu que vários dos ingressos na verdade são transferências de valores de uma conta para outra. Alertou ainda que a fiscalização majorou indevidamente o crédito tributário apurado. Como exemplo, a fiscalização apontou como entrada no dia 30/04/2003 do montante de R$ 755.001,00 quando na verdade o valor é de R$ 7.550,01 conforme se pode constatar à fl. 765. O mesmo se deu à fl. 789 em que o fisco apontou como valor creditado R$ 28.676,00 quando na verdade o montante é de R$ 2.867,60 Ainda em seus aditamentos à Impugnação, o contribuinte requereu a dedução do IPI apurado no lançamento de ofício da base de cálculo do IRPJ e da CSLL. A 3ª Turma da DRJ em Ribeirão Preto, em 05/09/2008, converteu o julgamento em diligência para apuração dos fatos apontados pelo contribuinte às fls. 852 a 854 (proc. Fls.1027 a 1028). Vou encaminho ao contribuinte Termo de Intimação em cumprimento à Diligência (proc. Fls. 1037 a), por meio do qual se se intimou o contribuinte a: Comprovar a efetiva entrada de recursos na conta Caixa de alguns lançamentos; Apresentar documentação hábil e idônea das movimentações financeiras mencionadas na Impugnação às fls. 852/854 (transferências entre contas não contabilizadas, e as divergências de valores apurados pela fiscalização). O interessado apresentou manifestação, em 29/01/2009 (proc. Fls. 1042 a 1049). O contribuinte relatou que procedeu a uma auditoria em suas contas bancárias e além dos valores já relatados em sua Impugnação, verificou cheques emitidos pelas contas bancárias não contabilizadas, cujo destino foram outras contas bancárias também não contabilizadas, todos objeto de autuação, o que constitui exemplo típico de dupla tributação. No que toca aos valores indicados pela autoridade fazendária, item 1 do Termo de Intimação, o fiscalizado afirmou que os valores foram lançados a débito da conta Caixa e a crédito na conta Banco. Juntou cópias dos Livros Razão e Diário. Já concernente ao item 2, o contribuinte afirmou que “até a data de 30/09/2003, nossa contabilidade não era integrada com o sistema financeiro, assim, os valores lançados não eram individualizados, porém, os lançamentos contemplam pelos valores globais as importâncias questionadas”. Em seus esclarecimentos, o Impugnante mencionou que os valores transferidos entre as contas não contabilizadas chega ao montante de R$2.558.803,85. Requereu a exclusão dos mesmos da base de cálculo. Em resposta à diligência realizada, em 13/02/2009, a autoridade fazendária prestou os seguintes esclarecimentos (proc. fls. 1065 e 1066): Os valores transferidos de uma conta corrente contabilizada para outra não contabilizada, não elidem a omissão de receita; Tais valores constam na contabilidade da empresa como transferência a débito da conta CAIXA, conforme informação do próprio contribuinte e Livro Razão. Desta forma, comprova-se a omissão de receitas com esses lançamentos fictícios (CAIXA A BANCO), pois “as quantias mencionadas não representaram efetivo ingresso de recursos na empresa e foram assim lançadas apenas com o intento de evitar o surgimento de saldo credor de CAIXA, conquanto nem sempre a interessada logra êxito”. Vários dos débitos na conta CAIXA não podem ser individualizados, pois como informado pelo sujeito passivo, até 30/09/2003 a contabilidade não era integrada com o financeiro. Concernente à divergência de valores indicada pelo contribuinte, verifica-se que de fato houve um equívoco e tais diferenças devem ser excluídas da base de cálculo dos tributos devidos. Já quanto os valores transferidos entre contas não contabilizadas, os mesmos deverão ser excluídos da base de cálculo caso o órgão julgador não considerar ocorrida a preclusão prevista no § 4º do art. 16 do Decreto nº 70. 235/72. Em 07/05/2009, a 3ª Turma da DRJ em Ribeirão Preto proferiu Acórdão julgando procedente em parte o lançamento (proc. fls. 1070 a 1088). De início a DRJ asseverou que a autoridade administrativa não tem competência para analisar a inconstitucionalidade da legislação tributária plenamente em vigor. Desta forma, as manifestações de inconformidade, sob o argumento de inconstitucionalidade, levantadas pelo Impugnante, no tocante ao percentual da multa de ofício, a utilização da taxa Selic e a quebra do sigilo bancário, não podem ser apreciadas pelo Colegiado. Referente à quebra do sigilo bancário, o órgão julgador a quo ainda relatou que a Constituição Federal outorga à administração tributária o poder de identificar o patrimônio, os rendimentos e as atividades econômicas do contribuinte, com a finalidade de atender ao objetivo da capacidade contributiva, o que não tira o direito à privacidade, uma vez que a Fazenda Pública tem obrigação de conservar o sigilo. No mérito, a Turma asseverou que o lançamento se deu com base nos depósitos bancários não contabilizados tendo com fundamento legal o art. 42 da Lei nº 9.430/96. Ressaltou que o contribuinte não comprovou a origem dos recursos no curso da ação fiscal. Apenas depois de autuado, o Impugnante apresentou demonstrativos alegando que não foram consideradas as transferência entre contas. Frente às informações prestadas pela DRF em resposta à diligência requerida, o Colegiado entendeu que não há como não considerar justificados os valores transferidos de uma conta corrente contabilizada para outra não contabilizada. Concluiu que tais valores devem ser excluídos da tributação. No que diz respeito aos erros de transcrição apontados pelo interessado, a Turma determinou a imediata correção dos valores no lançamento. Referente ao pedido de compensação de prejuízos fiscais acumulados, o órgão julgador administrativo afirmou que desde o ano-calendário de 1995, a redução do lucro real, em razão do aproveitamento de prejuízos acumulados, ficou limitada a 30%. Ocorre que o contribuinte apurou no ano-calendário de 2003, o IRPJ pelo lucro presumido, portanto, não há que se falar em compensação de prejuízos nesse ano-calendário. Já no ano-calendário de 2004, apurado pelo lucro real, a contribuinte possuía em 31/12/3004, saldo de prejuízos fiscais de anos anteriores a compensar. Tal saldo é inferior ao limite de 30% mencionado, podendo ser compensado no referido ano-calendário. A Turma assinalou que com relação aos argumentos apresentados pelos 3 aditamentos, por terem sido trazidos ao processo intempestivamente, não podem ser acatadas as alegações trazidas a destempo (arts. 15 e 16, § 4º do Decreto nº 70.235/72). Concernente à multa de ofício, o Colegiado aduziu que tendo em vista que o contribuinte amplamente debateu a imputação da multa quando da Impugnação, afastou-se o cerceamento do direito de defesa por não constar no Auto de Infração a alteração legal no respectivo dispositivo da Lei nº 9.430/96 que versa sobre a multa. Ainda quanto à aplicação da multa, o órgão fazendário afirmou que a comprovação do subfaturamento das notas fiscais, bem como a falta de escrituração de contas bancárias, comprovam, de maneira inequívoca, o proposito deliberado de impedir ou retardar o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador, reputando-se, portanto, aplicável ao caso concreto a multa na sua forma qualificada. O Fisco, no entanto, afastou a aplicação do agravamento da multa, pois entendeu que o contribuinte apresentou os arquivos solicitados, não causando obstá-los à fiscalização. Por fim, no que diz respeito ao questionamento da aplicação da taxa Selic, os julgadores relataram que existe previsão legal para a sua aplicação, bem como súmula do Conselho de Contribuintes neste sentido. Portanto, entendeu correta a aplicação da taxa Selic. O contribuinte interpôs Recurso Voluntário às fls. 1115 a 1131. De início o Recorrente questionou a não apreciação dos argumentos trazidos nos aditamentos. Ressaltou que o próprio auditor fiscal atestou a autenticidade dos valores comprovados e, no entanto, a DRJ, em afronta ao Princípio da Verdade Material, não os analisou alegando que os documentos deveriam ter sido apresentados quando da Impugnação. Ainda como base neste Princípio, o Postulante afirmou que deu prosseguimento ao levantamento específico, crédito a crédito das contas corrente envolvidas, e apurou novos valores referentes a transferências ou cheques, com identidade de emitente e favorecido, nas mesmas contas utilizadas pelo auditor fiscal como receita omitida. Colacionou aos autos planilhas com estes novos valores. O Postulante alegou a inconsistência da base de cálculo. Argumentou que, tendo em vista que o montante inicialmente apontado como omitido corresponde a cerca de 61,77% do valor por ele declarado em DIPJ do ano-calendário de 2004, sua escrituração mostrou-se no mínimo insuficiente para apuração pela sistemática do Lucro Real. Desta forma, requereu o arbitramento do lucro. O Recorrente ainda mencionou que a DRJ não se manifestou sobre as demonstrações de possíveis fraudes em notas fiscais, a despeito de manifestação em sede de Impugnação. É o relatório.

atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:23:26 UTC 2021

sem_conteudo_s : N

_version_ : 1713046815957319680

conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1517; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1­C1T1  Fl. 2          1 1  S1­C1T1  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  16045.000829/2007­19  Recurso nº            Voluntário  Resolução nº  1101­000.090  –  1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária  Data  08 de agosto de 2013  Assunto  Sobrestamento  Recorrente  Cruzeiro Papeis Industriais Ltda.  Recorrida  Fazenda Nacional    Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em SOBRESTAR o  julgamento,  por  se  tratar  de  tema  em  repercussão  geral,  nos  termos  do  relatório  e  voto  que  integram o presente  julgado. Divergiram o Conselheiro  José Ricardo da Silva e o Presidente  Marcos Aurélio Pereira Valadão.    (documento assinado digitalmente)  MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO – Presidente     (documento assinado digitalmente)  NARA CRISTINA TAKEDA TAGA ­ Relatora.  Participaram da sessão de  julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira  Valadão (Presidente), José Ricardo da Silva (Vice­Presidente), Edeli Pereira Bessa, Benedicto  Celso Benício Júnior, Maria Elisa Brussi Boechat e Nara Cristina Takeda Taga.     RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 60 45 .0 00 82 9/ 20 07 -1 9 Fl. 1315DF CARF MF Impresso em 13/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2014 por NARA CRISTINA TAKEDA, Assinado digitalmente em 11/03/2014 por NARA CRISTINA TAKEDA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 16045.000829/2007­19  Resolução nº  1101­000.090  S1­C1T1  Fl. 3          2 RELATÓRIO    Versam  os  presentes  autos  sobre  Recurso  Voluntário  interposto  pelo  contribuinte contra o Acórdão da 3ª Turma da DRJ em Ribeirão Preto que julgou parcialmente  procedente a Impugnação apresentada.  Segundo consta do Relatório Fiscal (proc. fls. 42 a 58), a ação fiscal teve início  em 25/11/2005.  Em 15/12/2005, o fiscalizado apresentou parte dos documentos solicitados. Da  análise  dos  mesmos,  a  autoridade  fiscalizadora  constatou  “enormes  incongruências  em  milhares  de  notas  fiscais  de  saída,  com  discrepâncias  na  relação  VALOR  NF/PESO  para  mesmos produtos”, verificando uma diferença de até 1000% no quilo do produto.  Ademais, verificou­se preço de venda menor que o próprio custo do produto.  Intimado a entregar arquivo magnético das notas fiscais emitidas, o fiscalizado  “apresentou o arquivo de forma incompleta, sem os pesos bruto e líquido das notas fiscais, com  a  clara  intenção  de  dificultar  o  mapeamento  das  ilicitudes”.  Ante  tal  constatação,  o  contribuinte foi novamente intimado, dessa vez para apresentar os extratos bancários.  De  posse  dos  extratos,  a  autoridade  fazendária  verificou  “a  completa  inconsistência  dos  valores  em  confronto  com  as  declarações  de  CPMF  e  os  livros  diário  e  razão”, o que desencadeou na emissão de Requisição de  Informação sobre a Movimentação  Financeira RMF.  Obtidas  as  informações  das  instituições  financeiras,  o  auditor  fiscal  constatou  que a fiscalizada utilizou­se de contas não escrituradas em seus livros contábeis.  Após  circularização  junto  aos  clientes  do  contribuinte,  a  autoridade  administrativa  concluiu  pela  existência  de  verdadeiro  conluio.  Verificou­se  que  as  vias  dos  clientes  e  da  fiscalizada  registravam  os  mesmo  valores,  no  entanto,  o  valor  de  cobrança,  registrado em contas não escrituradas, era bem maior.  O  auditor  fazendário  procedeu  a  conciliação  entre  as  contas  bancárias,  para  excluir as transferências entre contas correntes, e intimou o fiscalizado a justificar a origem dos  depósitos bancários.  Mesmo após a concessão de prorrogação de prazo, a empresa não comprovou a  origem dos créditos. Destarte, em 17/12/2007, a fiscalização procedeu a lavratura dos Autos de  Infração de IRPJ (proc. Fls. 04 a 07), PIS (proc. Fls. 12 a 16), COFINS (proc. Fls. 23 a 27) e  CSLL (proc. Fls. 34 a 37) com base no art. 42 da Lei nº 9.430/96 que versa sobre a presunção  legal de omissão de receitas.  E em 20/12/2007, foi lavrado o Auto de Infração de IPI (proc. Fls. 989 a 996)  por omissão de rendimentos apurada em decorrência de receita não comprovada.  Todos com multa de 225%.  Fl. 1316DF CARF MF Impresso em 13/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2014 por NARA CRISTINA TAKEDA, Assinado digitalmente em 11/03/2014 por NARA CRISTINA TAKEDA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 16045.000829/2007­19  Resolução nº  1101­000.090  S1­C1T1  Fl. 4          3 A  autoridade  lançadora  entendeu  restar  patente  a  intenção  dolosa  de  adiar  o  conhecimento  da  ocorrência  do  fato  gerador  da  obrigação  principal,  tendo  em  vista  a  sistemática e reitera omissão ao longo dos anos, a não contabilização/escrituração de contas de  depósitos, bem como o subfaturamento das notas ficais/faturas.  Tendo em vista que mesmo após prévio agendamento com os representantes da  empresa,  os  mesmos  não  compareceram  à  DRF  em  Taubaté  para  tomar  ciência  de  vários  Termos pertinentes à ação fiscal e dos Autos de Infração de IRPJ e reflexos, bem como para  devolução dos livros e documentos contábeis.  O auditor fiscal então se dirigiu à sede da empresa, mas não foram encontradas  pessoas  competentes  para  aptas  a  tomar  ciência.  Destarte,  foi  lavrado  o  Termo  de  Recusa  (proc.Fls. 796 e 797), considerando o contribuinte cientificado em 27/12/2007.  Em 24/01/2008, o contribuinte apresentou Impugnação (proc. Fls. 801 a 830).  Preliminarmente  o  Impugnante  alegou  que  sempre  forneceu  elementos,  livros  fiscais,  informações  bancárias,  entre  outros  documentos,  solicitados  pelos  agentes  fiscais  no  curso da ação fiscal, e a despeito disto foi aplicada multa de 225% sob os argumentos de que o  contribuinte tentou fraudar o fisco, lesar o erário e dificultar o trabalho da fiscalização.  Referente ao Termo de Recusa, o interessado afirmou que a impossibilidade de  comparecimento  do  diretor  presidente  à  DRF  em  Taubaté  foi  devidamente  comunicada  e,  inclusive,  se  foi  sugerido  que  outro  representante  da  empresa  comparecesse,  o  que  foi  rechaçado  pela  autoridade  fazendária  e  desencadeou  na  lavratura  do Termo  de Recusa,  bem  como na entrega dos Termos e do Auto de Infração na sede a empresa como é de praxe. Este  comportamento  do  auditor  fiscal  exemplifica  a  intenção  de  fazer  parecer  que  o  contribuinte  ofereceu resistência.  No mérito, o Impugnante mencionou que a despeito de todo o arrazoado erigido  pela fiscalização com intuito de demonstrar que houve saída de mercadorias sem nota, conluio  com os clientes etc., ao fim da fiscalização todos esses trabalhos foram descartados e o crédito  tributário foi integralmente lançado com base na presunção de ato ilícito, apoiado em confronto  das informações financeiras obtidas com o extrato da CPMF.  O Fisco entendeu como fraude a diferença de preço por quilo do produto.  Esclareceu  o  fiscalizado  que  discrepância  se  dá  devido  a  defeito  na  bobina  padrão vendida. O cliente, apesar de adquirir a bobina no peso padrão, paga apenas pelo que  for  utilizável,  descartando  o material  com  defeito. Devido  a  questões  técnicas,  não  é  viável  emendas na bobina,  o que  impede que  a  empresa elimine  a parte  com defeito dentro de  seu  estabelecimento. Desta  forma, a depender da metragem de  falha em uma bonina, o preço do  produto varia.  Mais  uma  vez  o  Impugnante  ressaltou  que  a  despeitos  de  todos  os  elementos  disponíveis para apuração do efetivo crédito tributário, a autoridade lançadora optou utilizar­se  de presunção legal.  O  contribuinte  manifestou­se  contrário  à  utilização  da  CPMF  para  fins  de  lançamento de crédito tributário sob o argumento de que as retenções da contribuição não são  aptas a retratar os acréscimos patrimoniais auferidos.  Fl. 1317DF CARF MF Impresso em 13/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2014 por NARA CRISTINA TAKEDA, Assinado digitalmente em 11/03/2014 por NARA CRISTINA TAKEDA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 16045.000829/2007­19  Resolução nº  1101­000.090  S1­C1T1  Fl. 5          4 Ademais, o Impugnante alegou a inconstitucionalidade do art. 11, § 3º da Lei nº  9.311/96,  e  ressaltou que  a violação ao  sigilo de dados  e  informações  somente pode ocorrer  mediante ordem judicial.  Outro ponto combatido pelo fiscalizado diz respeito à presunção de auferimento  de receita, em decorrência de diferenças entre saldos bancários e movimentação de CPMF.  Entendeu o  contribuinte que a presunção  somente deve ser  admitida em  casos  extremos, em que a recusa do contribuinte em colaborar justifique.  Já  no  que  diz  respeito  à  multa  aplicada,  o  Impugnante  afirmou  que  houve  cerceamento do seu direito de defesa tendo em vista que o incorreto enquadramento legal.  Ademais,  a  multa  no  percentual  de  225%  além  de  ser  confiscatória,  não  se  colacionou provas robustas de fraude, conluio ou sonegação fiscal.  Após  discorrer  sobre o  fato  gerador  do  imposto de  renda  e  sobre os  prejuízos  fiscais  acumulados,  o  Impugnante  alegou  que  caso  seja  entendido  que  o  crédito  tributário  é  legitimo e deverá ser mantido, não há fundamento legal para que a fiscalização impedir que o  contribuinte compense a parcela de 30% do lucro tributável, com o prejuízo fiscal acumulado  até 31/12/2007, escriturado na parte B do Lalur.  Por fim, o fiscalizado aduzir ser inconstitucional a utilização da taxa Selic.  Em 26/03/2008, 10/06/2008 e 18/06/2008, foram protocolizados Aditamentos à  Impugnação (proc. Fls. 843 a 845, 977 a 979 e, 851 a 856).  O contribuinte afirmou que a fiscalização se equivocou ao utilizar a mesma base  de cálculos para apuração do IRPJ, CSLL, PIS e COFINS, pois para apurar o IRPJ e a CSLL,  devem­se deduzir os valores correspondentes ao PIS/COFINS e demais consequitários.  Ademais, o fiscalizado alegou que ao analisar seus extratos bancários, percebeu  que vários dos ingressos na verdade são transferências de valores de uma conta para outra.  Alertou  ainda  que  a  fiscalização  majorou  indevidamente  o  crédito  tributário  apurado. Como exemplo, a fiscalização apontou como entrada no dia 30/04/2003 do montante  de R$ 755.001,00 quando na verdade o valor é de R$ 7.550,01 conforme se pode constatar à fl.  765. O mesmo se deu à fl. 789 em que o fisco apontou como valor creditado R$  28.676,00  quando  na  verdade  o  montante  é  de  R$  2.867,60  Ainda  em  seus  aditamentos  à  Impugnação,  o  contribuinte  requereu  a  dedução  do  IPI  apurado  no  lançamento  de  ofício  da  base de cálculo do IRPJ e da CSLL.  A 3ª Turma da DRJ em Ribeirão Preto, em 05/09/2008, converteu o julgamento  em  diligência  para  apuração  dos  fatos  apontados  pelo  contribuinte  às  fls.  852  a  854  (proc.  Fls.1027 a 1028).  Vou  encaminho  ao  contribuinte  Termo  de  Intimação  em  cumprimento  à  Diligência (proc. Fls. 1037 a), por meio do qual se se intimou o contribuinte a:  Comprovar a efetiva entrada de recursos na conta Caixa de alguns lançamentos;   Fl. 1318DF CARF MF Impresso em 13/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2014 por NARA CRISTINA TAKEDA, Assinado digitalmente em 11/03/2014 por NARA CRISTINA TAKEDA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 16045.000829/2007­19  Resolução nº  1101­000.090  S1­C1T1  Fl. 6          5 Apresentar  documentação  hábil  e  idônea  das  movimentações  financeiras  mencionadas na Impugnação às fls. 852/854 (transferências entre contas não contabilizadas, e  as divergências de valores apurados pela fiscalização).  O interessado apresentou manifestação, em 29/01/2009 (proc. Fls. 1042 a 1049).  O contribuinte relatou que procedeu a uma auditoria em suas contas bancárias e  além  dos  valores  já  relatados  em  sua  Impugnação,  verificou  cheques  emitidos  pelas  contas  bancárias  não  contabilizadas,  cujo  destino  foram  outras  contas  bancárias  também  não  contabilizadas, todos objeto de autuação, o que constitui exemplo típico de dupla tributação.  No que toca aos valores indicados pela autoridade fazendária, item 1 do Termo  de Intimação, o fiscalizado afirmou que os valores foram lançados a débito da conta Caixa e a  crédito na conta Banco. Juntou cópias dos Livros Razão e Diário.  Já concernente ao item 2, o contribuinte afirmou que “até a data de 30/09/2003,  nossa contabilidade não era integrada com o sistema financeiro, assim, os valores lançados não  eram  individualizados,  porém,  os  lançamentos  contemplam  pelos  valores  globais  as  importâncias questionadas”. Em seus esclarecimentos, o Impugnante mencionou que os valores  transferidos entre as contas não contabilizadas chega ao montante de R$2.558.803,85.  Requereu a exclusão dos mesmos da base de cálculo.  Em  resposta  à  diligência  realizada,  em  13/02/2009,  a  autoridade  fazendária  prestou os seguintes esclarecimentos (proc. fls. 1065 e 1066):  Os  valores  transferidos  de  uma  conta  corrente  contabilizada  para  outra  não  contabilizada,  não  elidem  a  omissão  de  receita;  Tais  valores  constam  na  contabilidade  da  empresa  como  transferência  a  débito  da  conta  CAIXA,  conforme  informação  do  próprio  contribuinte  e  Livro  Razão.  Desta  forma,  comprova­se  a  omissão  de  receitas  com  esses  lançamentos fictícios (CAIXA A BANCO), pois “as quantias mencionadas não representaram  efetivo ingresso de recursos na empresa e foram assim lançadas apenas com o intento de evitar  o  surgimento  de  saldo  credor  de CAIXA,  conquanto  nem  sempre  a  interessada  logra  êxito”.  Vários dos débitos na conta CAIXA não podem ser individualizados, pois como informado  pelo sujeito passivo, até 30/09/2003 a contabilidade não era integrada com o financeiro.  Concernente à divergência de valores indicada pelo contribuinte, verifica­se que  de  fato  houve  um  equívoco  e  tais  diferenças  devem  ser  excluídas  da  base  de  cálculo  dos  tributos devidos.  Já  quanto  os  valores  transferidos  entre  contas  não  contabilizadas,  os  mesmos  deverão  ser  excluídos  da  base  de  cálculo  caso  o  órgão  julgador  não  considerar  ocorrida  a  preclusão prevista no § 4º do art. 16 do Decreto nº 70. 235/72.  Em  07/05/2009,  a  3ª  Turma  da  DRJ  em  Ribeirão  Preto  proferiu  Acórdão  julgando procedente em parte o lançamento (proc. fls. 1070 a 1088).  De início a DRJ asseverou que a autoridade administrativa não tem competência  para  analisar  a  inconstitucionalidade  da  legislação  tributária  plenamente  em  vigor.  Desta  forma,  as  manifestações  de  inconformidade,  sob  o  argumento  de  inconstitucionalidade,  Fl. 1319DF CARF MF Impresso em 13/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2014 por NARA CRISTINA TAKEDA, Assinado digitalmente em 11/03/2014 por NARA CRISTINA TAKEDA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 16045.000829/2007­19  Resolução nº  1101­000.090  S1­C1T1  Fl. 7          6 levantadas pelo Impugnante, no tocante ao percentual da multa de ofício, a utilização da taxa  Selic e a quebra do sigilo bancário, não podem ser apreciadas pelo Colegiado.  Referente à quebra do sigilo bancário, o órgão julgador a quo ainda relatou que  a Constituição Federal outorga à administração tributária o poder de identificar o patrimônio,  os  rendimentos  e  as  atividades  econômicas  do  contribuinte,  com  a  finalidade  de  atender  ao  objetivo  da  capacidade  contributiva,  o  que  não  tira  o  direito  à  privacidade,  uma  vez  que  a  Fazenda Pública tem obrigação de conservar o sigilo.  No mérito, a Turma asseverou que o lançamento se deu com base nos depósitos  bancários não contabilizados tendo com fundamento legal o art. 42 da Lei nº 9.430/96.  Ressaltou que o contribuinte não comprovou a origem dos recursos no curso da  ação fiscal.  Apenas  depois  de  autuado,  o  Impugnante  apresentou  demonstrativos  alegando  que não foram consideradas as transferência entre contas.  Frente às informações prestadas pela DRF em resposta à diligência requerida, o  Colegiado  entendeu  que  não  há  como  não  considerar  justificados  os  valores  transferidos  de  uma  conta  corrente  contabilizada  para  outra  não  contabilizada.  Concluiu  que  tais  valores  devem ser excluídos da tributação.  No que diz respeito aos erros de transcrição apontados pelo interessado, a Turma  determinou a imediata correção dos valores no lançamento.  Referente ao pedido de compensação de prejuízos fiscais acumulados, o órgão  julgador administrativo afirmou que desde o ano­calendário de 1995, a redução do lucro real,  em  razão  do  aproveitamento  de  prejuízos  acumulados,  ficou  limitada  a  30%.  Ocorre  que  o  contribuinte apurou no ano­calendário de 2003, o IRPJ pelo lucro presumido, portanto, não há  que se falar em compensação de prejuízos nesse ano­calendário.  Já no ano­calendário de 2004, apurado pelo lucro real, a contribuinte possuía em  31/12/3004, saldo de prejuízos fiscais de anos anteriores a compensar. Tal saldo é inferior ao  limite de 30% mencionado, podendo ser compensado no referido ano­calendário.  A  Turma  assinalou  que  com  relação  aos  argumentos  apresentados  pelos  3  aditamentos, por terem sido trazidos ao processo intempestivamente, não podem ser acatadas  as alegações trazidas a destempo (arts. 15 e 16, § 4º do Decreto nº 70.235/72).  Concernente  à multa  de  ofício,  o Colegiado  aduziu  que  tendo  em  vista  que  o  contribuinte amplamente debateu  a  imputação da multa quando da  Impugnação,  afastou­se o  cerceamento  do  direito  de  defesa  por  não  constar  no Auto  de  Infração  a  alteração  legal  no  respectivo dispositivo da Lei nº 9.430/96 que versa sobre a multa.  Ainda  quanto  à  aplicação  da  multa,  o  órgão  fazendário  afirmou  que  a  comprovação do subfaturamento das notas fiscais, bem como a falta de escrituração de contas  bancárias, comprovam, de maneira inequívoca, o proposito deliberado de impedir ou retardar o  conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador, reputando­se,  portanto, aplicável ao caso concreto a multa na sua forma qualificada.  Fl. 1320DF CARF MF Impresso em 13/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2014 por NARA CRISTINA TAKEDA, Assinado digitalmente em 11/03/2014 por NARA CRISTINA TAKEDA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 16045.000829/2007­19  Resolução nº  1101­000.090  S1­C1T1  Fl. 8          7 O Fisco, no entanto, afastou a aplicação do agravamento da multa, pois entendeu  que o contribuinte apresentou os arquivos solicitados, não causando obstá­los à fiscalização.  Por  fim, no que diz  respeito  ao questionamento da  aplicação da  taxa Selic,  os  julgadores  relataram  que  existe  previsão  legal  para  a  sua  aplicação,  bem  como  súmula  do  Conselho de Contribuintes neste sentido. Portanto, entendeu correta a aplicação da taxa Selic.  O contribuinte interpôs Recurso Voluntário às fls. 1115 a 1131.  De início o Recorrente questionou a não apreciação dos argumentos trazidos nos  aditamentos.  Ressaltou  que  o  próprio  auditor  fiscal  atestou  a  autenticidade  dos  valores  comprovados  e,  no  entanto,  a  DRJ,  em  afronta  ao  Princípio  da  Verdade  Material,  não  os  analisou alegando que os documentos deveriam ter sido apresentados quando da Impugnação.  Ainda como base neste Princípio, o Postulante afirmou que deu prosseguimento  ao  levantamento específico, crédito a crédito das contas corrente envolvidas, e apurou novos  valores  referentes  a  transferências ou  cheques,  com  identidade de  emitente  e  favorecido, nas  mesmas  contas  utilizadas  pelo  auditor  fiscal  como  receita  omitida.  Colacionou  aos  autos  planilhas com estes novos valores.  O Postulante alegou a inconsistência da base de cálculo. Argumentou que, tendo  em vista que o montante inicialmente apontado como omitido corresponde a cerca de 61,77%  do valor por ele declarado em DIPJ do ano­calendário de 2004, sua escrituração mostrou­se no  mínimo  insuficiente  para  apuração  pela  sistemática  do  Lucro Real. Desta  forma,  requereu  o  arbitramento do lucro.  O  Recorrente  ainda  mencionou  que  a  DRJ  não  se  manifestou  sobre  as  demonstrações de possíveis  fraudes em notas  fiscais,  a despeito de manifestação em sede de  Impugnação.  É o relatório.    Fl. 1321DF CARF MF Impresso em 13/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2014 por NARA CRISTINA TAKEDA, Assinado digitalmente em 11/03/2014 por NARA CRISTINA TAKEDA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 16045.000829/2007­19  Resolução nº  1101­000.090  S1­C1T1  Fl. 9          8 VOTO  Nara Cristina Takeda Taga, Conselheira Relatora  O Recurso preenche os requisitos de admissibilidade, dele tomo conhecimento.  Antes de adentrar na análise do caso em concreto, fazem­se necessárias algumas  observações sobre Requisição de Informação para Movimentação Financeira – RMF.  A Lei Complementar nº 105/2001 autoriza que a autoridade fazendária requisite  às  instituições  financeiras, por meio de RMF, as  informações pertinentes ao contribuinte  sob  fiscalização, desde que satisfeitos os requisitos objetivos previstos em lei.   A constitucionalidade desta lei tem sido questionada tanto em sede de controle  concentrado  de  constitucionalidade  como  em  Recurso  Extraordinário,  estando  ambos  pendentes de julgamento no Supremo Tribunal Federal.  De  acordo  com  o  previsto  no  art.  62­A,  §  1º  do  Regimento  Interno  deste  Conselho ­ RICARF (Portaria MF nº 256/2009),  reconhecida a repercussão geral em sede de  Recuso Extraordinário pelo Supremo Tribunal Federal, os julgamentos dos recursos devem ser  sobrestados. Confira­se:  Art.  62­A. As decisões definitivas de mérito,  proferidas pelo Supremo  Tribunal  Federal  e  pelo  Superior  Tribunal  de  Justiça  em  matéria  infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543­B e 543­ C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil,  deverão  ser  reproduzidas  pelos  conselheiros  no  julgamento  dos  recursos no âmbito do CARF.  §  1º  Ficarão  sobrestados  os  julgamentos  dos  recursos  sempre  que  o  STF  também  sobrestar  o  julgamento  dos  recursos  extraordinários  da  mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543­ B. (grifei)  §  2º  O  sobrestamento  de  que  trata  o  §  1º  será  feito  de  ofício  pelo  relator ou por provocação das partes.   Ocorre  que  desde  23/10/2009,  o  STF  reconheceu  a  existência  de  repercussão  geral sobre o tema no julgamento do RE 601.314 conforme se verifica na ementa a seguir:  “Constitucional. Sigilo Bancário. Fornecimento de Informações sobre  Movimentação  Financeira,  diretamente  ao  Fisco,  sem  prévia  autorização judicial (Lei Complementar nº 105/2001). Possibilidade de  aplicação da Lei nº 10.174/2001 para apuração de créditos tributários  referentes  a  exercícios  anteriores  ao  de  sua  vigência.  Relevância  jurídica da questão constitucional. Existência de Repercussão Geral”.  Destarte, entendo que os processos em tramite neste Conselho que versem sobre  RMF, em conformidade com o previsto no RICARF, deveriam ficar sobrestados aguardando o  julgamento  da  repercussão  geral  pelo  Supremo Tribunal  Federal,  tendo  em  vista  que  cabe  a  este Tribunal a última palavra sobre inconstitucionalidade no nosso ordenamento jurídico.    Fl. 1322DF CARF MF Impresso em 13/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2014 por NARA CRISTINA TAKEDA, Assinado digitalmente em 11/03/2014 por NARA CRISTINA TAKEDA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 16045.000829/2007­19  Resolução nº  1101­000.090  S1­C1T1  Fl. 10          9 É como voto.  (documento assinado digitalmente)  Nara Cristina Takeda Taga ­ Relatora        Fl. 1323DF CARF MF Impresso em 13/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2014 por NARA CRISTINA TAKEDA, Assinado digitalmente em 11/03/2014 por NARA CRISTINA TAKEDA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO

score : 1.0
5546157 #
Numero do processo: 10640.907764/2009-92
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 27 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Aug 01 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do fato gerador: 05/10/2007 DILIGÊNCIA. DIREITO CREDITÓRIO NÃO COMPROVADO Baixado o processo em diligência e concluído que não há direito creditório a ser reconhecido a título de pagamento indevido ou a maior, improcede o recurso apresentado. Recurso Voluntário Negado Crédito Tributário Mantido
Numero da decisão: 3401-002.552
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado: Por unanimidade, negou-se provimento ao recurso nos termos do voto do relator. (assinatura digital) Júlio César Alves Ramos - Presidente. (assinatura digital) Fernando Marques Cleto Duarte - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio Cesar Alves Ramos (Presidente), Robson Jose Bayerl (Substituto), Jean Cleuter Simoes Mendonca, Fernando Marques Cleto Duarte, Fenelon Moscoso de Almeida (Suplente), Angela Sartori.
Nome do relator: FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE

toggle explain
    
1.0 = *:*

  
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021

anomes_sessao_s : 201403

camara_s : Quarta Câmara

ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do fato gerador: 05/10/2007 DILIGÊNCIA. DIREITO CREDITÓRIO NÃO COMPROVADO Baixado o processo em diligência e concluído que não há direito creditório a ser reconhecido a título de pagamento indevido ou a maior, improcede o recurso apresentado. Recurso Voluntário Negado Crédito Tributário Mantido

turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção

dt_publicacao_tdt : Fri Aug 01 00:00:00 UTC 2014

numero_processo_s : 10640.907764/2009-92

anomes_publicacao_s : 201408

conteudo_id_s : 5363850

dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Aug 01 00:00:00 UTC 2014

numero_decisao_s : 3401-002.552

nome_arquivo_s : Decisao_10640907764200992.PDF

ano_publicacao_s : 2014

nome_relator_s : FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE

nome_arquivo_pdf_s : 10640907764200992_5363850.pdf

secao_s : Terceira Seção De Julgamento

arquivo_indexado_s : S

decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado: Por unanimidade, negou-se provimento ao recurso nos termos do voto do relator. (assinatura digital) Júlio César Alves Ramos - Presidente. (assinatura digital) Fernando Marques Cleto Duarte - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio Cesar Alves Ramos (Presidente), Robson Jose Bayerl (Substituto), Jean Cleuter Simoes Mendonca, Fernando Marques Cleto Duarte, Fenelon Moscoso de Almeida (Suplente), Angela Sartori.

dt_sessao_tdt : Thu Mar 27 00:00:00 UTC 2014

id : 5546157

ano_sessao_s : 2014

atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:25:03 UTC 2021

sem_conteudo_s : N

_version_ : 1713046815969902592

conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1520; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3­C4T1  Fl. 137          1 136  S3­C4T1  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  10640.907764/2009­92  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  3401­002.552  –  4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária   Sessão de  27 de março de 2014  Matéria  Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social ­ Cofins  Recorrente  RIVELLI COMÉRCIO E REPRESENTAÇÕES LTDA.  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO:  CONTRIBUIÇÃO  PARA  O  FINANCIAMENTO  DA  SEGURIDADE  SOCIAL ­ COFINS  Data do fato gerador: 05/10/2007  DILIGÊNCIA. DIREITO CREDITÓRIO NÃO COMPROVADO  Baixado o processo em diligência e concluído que não há direito creditório a  ser  reconhecido  a  título  de  pagamento  indevido  ou  a  maior,  improcede  o  recurso apresentado.  Recurso Voluntário Negado  Crédito Tributário Mantido      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam os membros do colegiado: Por unanimidade, negou­se provimento  ao recurso nos termos do voto do relator.     (assinatura digital)  Júlio César Alves Ramos ­ Presidente.     (assinatura digital)  Fernando Marques Cleto Duarte ­ Relator.       AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 64 0. 90 77 64 /2 00 9- 92 Fl. 137DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2014 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 3 0/07/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 03/07/2014 por FERNANDO MARQUES CLET O DUARTE     2 Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Julio  Cesar  Alves  Ramos  (Presidente),  Robson  Jose  Bayerl  (Substituto),  Jean  Cleuter  Simoes  Mendonca,  Fernando Marques Cleto Duarte, Fenelon Moscoso de Almeida (Suplente), Angela Sartori.    Relatório  Trata­se  de  Recurso  Voluntário  interposto  pela  contribuinte  RIVELLI  COMÉRCIO E REPRESENTAÇÕES LTDA em face de acórdão proferido pela Delegacia da  Receita  Federal  do  Brasil  de  Julgamento  em  Juiz  de  Fora  (MG),  que,  por  unanimidade  de  votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade.   Cinge­se  a  controvérsia  em  pedido  de  compensação  efetuado  pela  contribuinte com fundamento em crédito oriundo de suposto pagamento indevido de Cofins.  Em  oportunidade  anterior,  este  Colegiado  converteu  o  julgamento  em  diligência para que  a  fosse  apurado o  valor que é devido, o  valor que  foi  efetivamente  pago e,  sendo assim, se a contribuinte possuía direito creditório em caso de pagamento a maior.  Por oportuno, transcrevo o relatório da resolução que converteu o julgamento em  diligência, verbis:  Trata  o  presente  processo  de  Declaração  de  Compensação  emitida  em  13.1.2006, cujo objetivo é compensar o débito nela declarado,  com crédito  consequente do pagamento indevido da COFINS, no valor de R$ 11.420,65.  Em  7.10.2009,  através  de  despacho  decisório  (fl.25),  a  DRF  Juiz  de  Fora  não  homologou  a  compensação  pleiteada,  dado  que  o  pagamento  foi  utilizado  na  quitação  de  outro  débito  da  contribuinte,  não  restando  saldo  disponível para compensação.  A empresa apresentou,  tempestivamente, em 19.11.2009, a Manifestação de  Inconformidade  (fl.1)  na  qual  alega  que:  “informou  no  referido  PER/DCOMP um DARF no valor de R$ 11.420.65  sendo que  erradamente  não retificou a DCTF ref ao 2º Semestre 2005, para corrigir a  informação  que estava incorreta na DCTF (...).”  Na decisão de 4.5.2011, a 2ª Turma da DRJ/JFA julgou a Manifestação de  Inconformidade improcedente, já que esta não leva aos autos a prova de que  o valor retificado fora apurado e declarado à Receita Federal do Brasil em  data anterior à  transmissão da DCOMP nº4093.92993.051007.1.3.04­1018,  ou que houve de fato erro na informação prestada em DCTF, contrariando  assim, o inciso III do artigo 16 do Decreto nº 70.235/72, com a redação dada  pela  Lei  º  8.748/93,  que  estabelece  que  a  “a  impugnação  mencionará  os  motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância  e as razões e provas que possuir”.  A DCTF apresentada constitui­se em confissão de dívida, logo os débitos não  declarados  e  não  pagos  são  exigíveis  ,  sendo  passíveis  de  inscrição  em  Dívida  Ativa  da  União  para  futura  execução  fiscal.  Sendo  assim,  o  pagamento  efetuado  foi  corretamente  alocado  ao  débito  declarado  pela  Fl. 138DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2014 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 3 0/07/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 03/07/2014 por FERNANDO MARQUES CLET O DUARTE Processo nº 10640.907764/2009­92  Acórdão n.º 3401­002.552  S3­C4T1  Fl. 138          3 empresa,  não  existindo  saldo  disponível  a  ser  usado  em  compensação,  na  data da transmissão da DCOMP.  Em  22.6.2.11,  a  contribuinte  foi  cientificada  do  acórdão  da  2ª  Turma  da  DRJ/JFA e , em 22.7.2011, apresentou recurso voluntário, no qual alega, em  síntese, que:   a)  A  omissão  da  Declaração  da  contribuinte  que  causou  a  retificação  da  DCTF fora do prazo, não significa que a contribuinte não tenha provado o  seu erro;  b)  Apesar  do  detalhamento  exaustivo  da  legislação  tributária  brasileira  acerca da compensação tributária, o que importa é apurar se o devedor, que  passa à condição de credor, tem o seu direito creditório legítimo ou não. E  se  esse  direito  creditório  é  legítimo,  não  pode  o  erro  na  declaração  de  vontade do devedor desconstituir absolutamente o seu direito de crédito;  c) Os argumentos da DRJ de que a contribuinte não provou as alegações da  Impugnação  são  improcedentes,  já  que  a  DCTF  retificadora  foi  encaminhada  à  SRF  como  a  decisão  reconhece.  Por  fim,  a  contribuinte  requer a reformulação do acórdão e, consequentemente, a homologação da  compensação realizada pela recorrente.  É o relatório.  Em  atendimento  à  diligência  solicitada,  a Delegacia  da Receita  Federal  do  Brasil em Juiz de Fora/MG apresentou a informação fiscal de fls. 122/126, na qual conclui que  que o pagamento da COFINS cumulativa, efetuado sob o código 2172, relativo ao período de  12/2005,  arrecadado  em  13/01/2006,  no  valor  de  R$  11.420,65  deve  ser  integralmente  vinculado  ao  respectivo  débito,  não  havendo  direito  creditório  a  ser  reconhecido  a  título  de  pagamento  indevido  ou  a  maior  passível  de  utilização  na  DCOMP  nº  40933.92993.051007.1.3.04­1018.  A contribuinte tomou ciência da informação fiscal em 11.04.2013 (fls. 128) e  se  manifestou  por  meio  das  razões  adicionais  de  fls.  129/134,  requerendo  sejam  desconsiderados  os  novos  fundamentos  jurídicos  da  autoridade  fiscal,  bem  como  as  provas  apresentadas no bojo da diligência realizada, reconhecendo­se, portanto, o seu direito creditório  e a consequente compensação.  Após  a manifestação da  contribuinte,  os  autos  regressaram a  este Conselho  para julgamento do Recurso Voluntário.   É o relatório.  Voto             Conselheiro Fernando Marques Cleto Duarte  DA ADMISSIBILIDADE  Fl. 139DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2014 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 3 0/07/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 03/07/2014 por FERNANDO MARQUES CLET O DUARTE     4 O recurso é tempestivo e presentes se encontram os demais requisitos para a  sua admissibilidade, razão pela qual dele eu conheço.  DO NÃO RECONHECIMENTO DO CRÉDITO  O  presente  processo  foi  devidamente  elucidado  pela  diligência  solicitada,  restando informado que a consultando os sistemas da RFB verifica­se que a empresa entregou a  Declaração do  Imposto de Renda Pessoa Jurídica – DIPJ nº 0913760 (original), do exercício  financeiro  de  2006,  ano­calendário  de  2005,  em  29/06/2006,  utilizando  o  lucro  real  como  forma de tributação dos rendimentos, ao passo que efetuou, para o ano­calendário de 2005, os  pagamentos do IRPJ com código 2089 e da CSLL com código 2372, esses específicos de lucro  presumido, conforme telas anexadas às págs. 84/85.  Quanto  aos  débitos  da  COFINS,  esses  estão  demonstrados  nas  DACON  trimestrais  do  ano­calendário  de  2005,  apurados  com  base  na  incidência  cumulativa.  Os  respectivos débitos foram confessados nessa modalidade nas DCTF originais e recolhidos em  DARF sob o código 2172 (págs. 86/91 e 92).  Em 18/11/2009, a interessada retificou as DCTF alterando o código da receita  (5856),  passando  a apurar os débitos  da COFINS, para os meses de março a maio  e  julho  a  dezembro, com base na incidência não cumulativa (págs. 93/94). Para extinguir esses débitos  foram transmitidas diversas DCOMP com a utilização dos pagamentos da COFINS cumulativa,  código  2172,  supostamente  considerados  indevidos  pela  contribuinte.  No  presente  caso,  o  recolhimento  da COFINS,  referente  ao mês  de  abril,  no  valor  de R$ 10.002,50  foi  utilizado  como crédito na DCOMP nº 29132.43953.190207.1.3.04­6745 na quitação dos novos débitos  da  COFINS  não  cumulativa,  dos  meses  de  maio,  julho  e  agosto  de  2005,  apurados  pela  empresa, de acordo com a DCTF retificadora e vinculados à compensação (págs.95/97).  Ocorre que,  como  será  visto  a  seguir,  a opção  pela  tributação  com base no  lucro presumido é manifestada com o pagamento da primeira ou quota única do IRPJ devido  correspondente ao primeiro período de apuração de cada ano­calendário  e  será definitiva em  relação  a  todo  o  ano­calendário.  E  mais,  nos  termos  do  inciso  II  do  artigo  8º  da  Lei  nº  10.637/02  e  do  inciso  II  do  artigo  10  da  Lei  nº  10.833/03,  a  pessoa  jurídica  tributada  pelo  imposto  de  renda  com  base  no  lucro  presumido  está  excluída  do  regime  não­cumulativo,  ficando  obrigada  ao  regime  cumulativo.  Consequentemente,  os  pagamentos  da  COFINS  cumulativa,  efetuados  sob  o  código  2172,  devem  ser  alocados  aos  respectivos  débitos  referentes  ao  ano­calendário  de  2005,  inexistindo  pagamento  indevido  ou  a  maior  para  ser  utilizado em DCOMP.  A mudança de opção do lucro presumido para o lucro real foi abordada com  precisão na Decisão SRRF/6ªRF/DISIT Nº 15, de 28/01/1999, abaixo transcrita.  Dispõe o artigo 26 da Lei nº 9.430/1996:  Art. 26 ­ A opção pela tributação com base no lucro presumido será aplicada  em  relação  a  todo  o  período  de  atividade  da  empresa  em  cada  ano­ calendário.  § 1º ­ A opção de que trata este artigo será manifestada com o pagamento da  primeira  ou  única  quota  do  imposto  devido  correspondente  ao  primeiro  período de apuração de cada ano­calendário.  § 2º  ­ A pessoa  jurídica que houver  iniciado atividade a partir do segundo  trimestre manifestará a opção de que trata este artigo com o pagamento da  Fl. 140DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2014 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 3 0/07/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 03/07/2014 por FERNANDO MARQUES CLET O DUARTE Processo nº 10640.907764/2009­92  Acórdão n.º 3401­002.552  S3­C4T1  Fl. 139          5 primeira ou única cota do  imposto devido relativa ao período de apuração  do início de atividade.  §  3º  ­  A  pessoa  jurídica  que  houver  pago  o  imposto  com  base  no  lucro  presumido  e  que,  em  relação  ao  mesmo  ano­calendário,  alterar  a  opção,  passando  a  ser  tributada  com  base  no  lucro  real,  ficará  sujeita  ao  pagamento de multa e juros moratórios sobre a diferença de imposto paga a  menor.  § 4º ­ A mudança de opção a que se refere o parágrafo anterior somente será  admitida quando formalizada até a entrega da correspondente declaração de  rendimentos e antes de  iniciado procedimento de ofício relativo a qualquer  dos períodos de apuração do respectivo ano­calendário.  Ressalte­se  que  o  artigo  46  da  Lei  nº  10.637/02  alterou  o  limite  de  receita  bruta, nos seguintes termos: A partir de 01/01/2003, a pessoa jurídica cuja receita bruta total,  no  ano­calendário  anterior,  tenha  sido  igual  ou  inferior  a R$  48.000.000,00  (quarenta  e  oito  milhões de reais), ou a R$ 4.000.000,00 (quatro milhões de reais) multiplicado pelo número de  meses de atividade do ano­calendário anterior, quando inferior a 12 (doze) meses, poderá optar  pelo regime de tributação com base no lucro presumido.  Oportuno esclarecer que de acordo com os Manuais do Imposto de Renda, só  é  admitida  a  retificação  da declaração de  informações do  lucro presumido,  se o  contribuinte  comprovar  ter  formulado sua opção  irregularmente, ou seja, na hipótese em que a  legislação  fiscal torne obrigatória a tributação de sua atividade com base no lucro real, inclusive quando  tal fato tenha sido constatado em decorrência de procedimento de ofício.  Segundo  os  dados  informados  à  RFB,  e  observando­se  as  determinações  contidas no artigo 246 do RIR/99 (Decreto nº 3.000/99), a empresa não se encontra obrigada à  apuração do lucro real, no ano­calendário de 2005, senão vejamos:  a) não possui receita superior a R$ 48.000.000,00 no ano­calendário de 2004;  b) não é instituição financeira ou assemelhadas;  c) não possui lucros, rendimentos ou ganhos de capital oriundos do exterior;  d) não usufrui incentivos fiscais relativos à isenção ou redução do imposto de  renda;  e) não efetuou nenhum recolhimento a título de estimativa;  f) não é factoring.  Portanto, no caso vertente, não resta dúvida que a opção pela tributação com  base no lucro presumido, manifestada pela empresa com o pagamento do IRPJ (código 2089),  correspondente ao primeiro período de apuração do ano­calendário de 2005 é definitiva para  todo  ano­calendário,  razão  pela  qual  não  poderá  modificar  sua  opção  inicial  para  qualquer  outro sistema de tributação.  Fl. 141DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2014 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 3 0/07/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 03/07/2014 por FERNANDO MARQUES CLET O DUARTE     6 Por  último,  verifica­se  na  legislação  que  não  são  contribuintes  da  contribuição para PIS/PASEP e da COFINS, no  regime não­cumulativo, as pessoas  jurídicas  tributadas pelo lucro presumido. A vedação encontra­se inserida no inciso II do artigo 8º da Lei  nº 10.637/02 (PIS/PASEP) e no inciso II do artigo 10 da Lei nº 10.833/03 (COFINS), in verbis:  Lei nº 10.637/02  Art. 8º ­ Permanecem sujeitas às normas da legislação da contribuição para  o  PIS/Pasep,  vigentes  anteriormente  a  esta  Lei,  não  se  lhes  aplicando  as  disposições dos arts. 1º a 6º:  (...);  II – as pessoas jurídicas tributadas pelo imposto de renda com base no lucro  presumido ou arbitrado.  Lei nº 10.833/03  Art. 10 ­ Permanecem sujeitas às normas da legislação da COFINS, vigentes  anteriormente a esta Lei, não se lhes aplicando as disposições dos arts. 1º a  8º:  (...);  II ­ as pessoas jurídicas tributadas pelo imposto de renda com base no lucro  presumido ou arbitrado.  Diante  do  exposto,  pode­se  concluir  que  o  pagamento  da  COFINS  cumulativa,  efetuado  sob  o  código  2172,  relativo  ao  período  de  04/2005,  arrecadado  em  13/05/2005, no valor de R$ 10.002,50 deve ser integralmente vinculado ao respectivo débito.  Consequentemente, não há direito creditório a ser reconhecido a título de pagamento indevido  ou a maior passível de utilização na DCOMP nº 29132.43953.190207.1.3.04­6745. Portanto,  correto o despacho decisório emitido pela Autoridade Administrativa de não homologação da  compensação pleiteada.  CONCLUSÃO  Pelo exposto, conheço do recurso e, no mérito, nego­lhe provimento.  (assinatura digital)  Fernando Marques Cleto Duarte ­ Relator                               Fl. 142DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2014 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 3 0/07/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 03/07/2014 por FERNANDO MARQUES CLET O DUARTE

score : 1.0
5521418 #
Numero do processo: 10120.911585/2009-29
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 23 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Jul 17 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Ano-calendário: 2007 REPETIÇÃO DE INDÉBITO. RETIFICAÇÃO DE DCTF E DACON. PROVA DO INDÉBITO. O direito à repetição de indébito não está condicionado à prévia retificação de DCTF ou da DACON, que contenham erro material. A DCTF (retificadora ou original) e a DACON não fazem prova de liquidez e certeza do crédito a restituir. Na apuração da liquidez e certeza do crédito pleiteado, deve-se apreciar as provas trazidas pelo contribuinte e solicitar outras sempre que necessário. Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 3302-002.224
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA - Presidente. (assinado digitalmente) ALEXANDRE GOMES - Relator. EDITADO EM: 03/07/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva (Presidente), José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes (Relator) e Gileno Gurjão Barreto.
Nome do relator: ALEXANDRE GOMES

toggle explain
    
1.0 = *:*

  
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021

anomes_sessao_s : 201307

camara_s : Terceira Câmara

ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Ano-calendário: 2007 REPETIÇÃO DE INDÉBITO. RETIFICAÇÃO DE DCTF E DACON. PROVA DO INDÉBITO. O direito à repetição de indébito não está condicionado à prévia retificação de DCTF ou da DACON, que contenham erro material. A DCTF (retificadora ou original) e a DACON não fazem prova de liquidez e certeza do crédito a restituir. Na apuração da liquidez e certeza do crédito pleiteado, deve-se apreciar as provas trazidas pelo contribuinte e solicitar outras sempre que necessário. Recurso Voluntário Provido em Parte.

turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção

dt_publicacao_tdt : Thu Jul 17 00:00:00 UTC 2014

numero_processo_s : 10120.911585/2009-29

anomes_publicacao_s : 201407

conteudo_id_s : 5359896

dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Jul 17 00:00:00 UTC 2014

numero_decisao_s : 3302-002.224

nome_arquivo_s : Decisao_10120911585200929.PDF

ano_publicacao_s : 2014

nome_relator_s : ALEXANDRE GOMES

nome_arquivo_pdf_s : 10120911585200929_5359896.pdf

secao_s : Terceira Seção De Julgamento

arquivo_indexado_s : S

decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA - Presidente. (assinado digitalmente) ALEXANDRE GOMES - Relator. EDITADO EM: 03/07/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva (Presidente), José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes (Relator) e Gileno Gurjão Barreto.

dt_sessao_tdt : Tue Jul 23 00:00:00 UTC 2013

id : 5521418

ano_sessao_s : 2013

atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:24:25 UTC 2021

sem_conteudo_s : N

_version_ : 1713046815978291200

conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1670; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3­C3T2  Fl. 99          1 98  S3­C3T2  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  10120.911585/2009­29  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  3302­002.224  –  3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária   Sessão de  23 de julho de 2013  Matéria  COFINS  Recorrente  CEREAL COM EXPORT E PREPRESENTAÇÕES AGROPECUÁRIA  LTDA  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO:  CONTRIBUIÇÃO  PARA  O  FINANCIAMENTO  DA  SEGURIDADE  SOCIAL ­ COFINS  Ano­calendário: 2007  REPETIÇÃO  DE  INDÉBITO.  RETIFICAÇÃO  DE  DCTF  E  DACON.  PROVA DO INDÉBITO.  O direito à repetição de indébito não está condicionado à prévia retificação de  DCTF ou  da DACON,  que  contenham erro material. A DCTF  (retificadora  ou original) e a DACON não fazem prova de liquidez e certeza do crédito a  restituir.  Na  apuração  da  liquidez  e  certeza  do  crédito  pleiteado,  deve­se  apreciar  as  provas  trazidas  pelo  contribuinte  e  solicitar  outras  sempre  que  necessário.  Recurso Voluntário Provido em Parte.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  Colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  dar  provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator.   (assinado digitalmente)  WALBER JOSÉ DA SILVA ­ Presidente.   (assinado digitalmente)  ALEXANDRE GOMES ­ Relator.         AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 91 15 85 /2 00 9- 29 Fl. 99DF CARF MF Impresso em 17/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 03/07/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/07/2014 por ALEXANDRE GOMES     2 EDITADO EM: 03/07/2014  Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva  (Presidente),  José  Antonio  Francisco,  Fabiola  Cassiano  Keramidas,  Maria  da  Conceição  Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes (Relator) e Gileno Gurjão Barreto.    Relatório  Por bem retratar a matéria tratada no presente processo, transcrevo o relatório  produzido pela DRJ de Brasília:  Tratam os autos da Declaração de Compensação (DCOMP) de  nº  02278.25830.  180507.1.3.044002,  transmitida  eletronicamente em 18/5/2007, com base em créditos relativos à  Contribuição  para  o  Financiamento  da  Seguridade  Social  Cofins.  A contribuinte declarou no PER/DCOMP a existência de crédito  decorrente  de  pagamento  indevido  ou  a  maior,  cujo  DARF  apresenta as seguintes características:  (...)  A  partir  das  características  do  DARF  foi  identificado  que  o  referido pagamento havia sido utilizado integralmente, de modo  que não existia  crédito disponível para efetuar a  compensação  solicitada.  Assim,  em  7/10/2009,  foi  emitido  eletronicamente  o  Despacho  Decisório (fl. 44), cuja decisão não homologou a compensação  dos débitos confessados por inexistência de crédito. O valor do  principal  correspondente  aos  débitos  informados  é  de  R$  76.104,27.  Considerado  cientificado  dessa  decisão  em  22/10/2009,  bem  como da cobrança dos débitos confessados na Dcomp, o sujeito  passivo  apresentou  em  23/11/2009,  manifestação  de  inconformidade à fl. 2 a 6, acrescida de documentação anexa  A contribuinte alega que houve inúmeros erros na consolidação  dos dados da apuração da contribuição, o que teria originado o  crédito pleiteado. Retificou a Dacon do período para demonstrar  o  valor  que  seria  realmente  devido.  Anexa  cópias  das  declarações retificadas.  Ao final, requer:  a)  Caso  não  haja  satisfeita  com  as  provas  juntadas  a  esta,  solicitar procedimento fiscalizatório para confirmá­las, voltando  a  vosso  crivo  com o  objetivo  de  confirmar  as  compensações  e  cassando o despacho decisório;  b) Ou satisfeito com os documentos ora anexados confirmar as  compensações cassando o despacho decisório.  Fl. 100DF CARF MF Impresso em 17/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 03/07/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/07/2014 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 10120.911585/2009­29  Acórdão n.º 3302­002.224  S3­C3T2  Fl. 100          3 A  par  dos  argumentos  lançados  na  manifestação  de  inconformidade  apresentada,  a  DRJ  entendeu  por  bem  indeferir  a  solicitação,  em  decisão  que  assim  ficou  ementada:  ASSUNTO:  CONTRIBUIÇÃO  PARA O  FINANCIAMENTO DA  SEGURIDADE SOCIAL COFINS   Ano calendário: 2007   APRESENTAÇÃO  DE  DECLARAÇÃO  RETIFICADORA.  PROVA  INSUFICIENTE  PARA  COMPROVAR  EXISTÊNCIA  DE CRÉDITO DECORRENTE DE PAGAMENTO A MAIOR.  Para  se  comprovar  a  existência  de  crédito  decorrente  de  pagamento  a  maior,  comparativamente  com  o  valor  do  débito  devido  a  menor,  é  imprescindível  que  seja  demonstrado  na  escrituração  contábil  fiscal,  baseada  em  documentos  hábeis  e  idôneos, a diminuição do valor do débito correspondente a cada  período  de  apuração.  A  simples  entrega  de  declaração  retificadora,  por  si  só,  não  tem  o  condão  de  comprovar  a  existência de pagamento indevido ou a maior.  DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA.  Incumbe ao  sujeito passivo a demonstração, acompanhada das  provas  hábeis,  da  composição  e  a  existência  do  crédito  que  alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas  sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa.  DECLARAÇÃO  DE  COMPENSAÇÃO.  INEXISTÊNCIA  DE  CRÉDITO.  A compensação de créditos tributários (débitos do contribuinte)  só  pode  ser  efetuada  com  crédito  líquido  e  certo  do  sujeito  passivo, sendo que a compensação somente pode ser autorizada  nas condições e sob as garantias estipuladas em lei; no caso, o  crédito pleiteado é inexistente.  Manifestação de Inconformidade Improcedente   Direito Creditório Não Reconhecido   Contra  esta  decisão  foi  apresentado  Recurso  onde  são  reprisados  os  argumentos lançados na manifestação de inconformidade apresentada  É o relatório.  Voto             Conselheiro Relator ALEXANDRE GOMES  O presente Recurso Voluntário é tempestivo, preenche os demais requisitos e  dele tomo conhecimento.  Fl. 101DF CARF MF Impresso em 17/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 03/07/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/07/2014 por ALEXANDRE GOMES     4 Em  síntese,  a  Recorrente  advoga  a  existência  de  pagamentos  indevidos  e  junta  ao  processo  a  Dacon  retificadora  transmitida  em  data  anterior  ao  despacho  decisório  exarado pela DRF.  Por  outro  lado,  o  Acórdão  recorrido  assim  fundamenta,  em  síntese,  sua  decisão:  No caso em análise, a contribuinte esclarece que teria retificado  a  Dacon  do  período,  o  que  comprovaria  erro  cometido  ao  informar  originalmente  os  valores  dos  débitos  referentes  às  contribuições.  Nota­se,  então,  que  o  crédito  que  a  interessada  alega  possuir  seria  decorrente  de  apuração  de  valor  devido  a  menor, apurado em data posterior à época da entrega da DCTF  original.Como  já me manifestei neste colegiado, entendo que a  retificação  da  DCTF  é  medida  que  obriga  a  autoridade  a  promover a verificação dos créditos alegados pelo contribuinte.  No  entanto,  neste  momento  processual,  para  comprovar  a  liquidez  e  certeza  do  crédito  informado  na  Declaração  de  Compensação  é  imprescindível  que  seja  demonstrada  na  escrituração  contábil  fiscal  da  contribuinte,  baseada  em  documentos  hábeis  e  idôneos,  a diminuição do valor do débito  correspondente a cada período de apuração.  Ainda,  neste  caso,  o  ônus  da  prova  recai  sobre  a  contribuinte  interessada, que deve trazer aos autos elementos que não deixem  nenhuma dúvida quanto ao fato questionado.  (...)  Logo,  a  simples  entrega  da  declaração  retificadora,  por  si  só,  não  tem  o  condão  de  comprovar  a  existência  de  pagamento  a  maior, que teria originado o crédito pleiteado pela contribuinte  em sua Declaração de Compensação, ainda que esta declaração  tenha sido enviada antes da emissão do Despacho Decisório.  Assim,  uma  vez  não  comprovada  nos  autos  a  existência  de  direito  creditório  líquido  e  certo  do  contribuinte  contra  a  Fazenda  Pública  passível  de  compensação,  não  há  o  que  ser  reconsiderado na decisão dada pela autoridade administrativa  A  existência  de  pagamento  indevido  ou  a maior  em  nenhum momento  foi  avaliada  pela DRF  de  Florianópolis,  que  se  limitou  a  informar  que  o  alegado  crédito  estava  totalmente alocado a outros débitos conforme informado em DCTF.  Ora,  como  tenho  me  manifestado  em  diversas  ocasiões,  no  âmbito  do  processo  administrativo  impera  o  princípio  da  verdade  material,  que  obriga  a  autoridade  administrativa  a  analisar  exaustivamente  os  fatos  alegados  pelos  contribuintes,  solicitando  inclusive  diligencias  e  apresentação  de  novas  provas  das  alegações  existentes  no  processo  administrativo fiscal.  A  existência  de  informação  na  DCTF  ou  na  DACON,  em  nada  altera  a  existência ou não do pagamento a maior, ainda mais quando se tratarem a DCTF e a DACON,  de instrumentos de controle da própria Receita Federal.  Fl. 102DF CARF MF Impresso em 17/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 03/07/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/07/2014 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 10120.911585/2009­29  Acórdão n.º 3302­002.224  S3­C3T2  Fl. 101          5 Sobre  este  tema,  são  elucidativas  as  conclusões  exaradas  pelo  eminente  Conselheiro  Walber  José  da  Silva,  que  assim  se  manifestou  no  processo  nº  10283.900064/2009­83, julgado recentemente por esta turma:  Concluindo: à mingua de previsão legal, a falta de apresentação  de DCTF retificadora, ou a sua apresentação após a emissão do  Despacho Decisório, por si só, não se constitui em motivo para o  indeferimento  do  pedido  de  restituição  e,  conseqüentemente,  para  a  não  homologação  da  compensação  declarada  pela  Recorrente. Deve, portanto, a autoridade administrativa da RFB  apurar a liquidez e a certeza do crédito pleiteado considerando  todas  as  provas  trazidas  aos  autos  e  outras  que  julgar  imprescindível  para  apurar  a  verdade  material  e  formar  sua  convicção.  Nesta  linha de pensar, a autoridade preparadora deve promover a análise da  liquidez e certeza do alegado crédito, com base nos documentos existentes dos autos e outros  mais  que  entender  necessários,  intimando  o  contribuinte  para  apresentá­los,  se  necessários,  tendo  por  norte  o  princípio  da verdade material,  e,  no  caso de  serem os  créditos  suficientes,  homologar  as  compensações  efetuadas.  Caso  contrário,  sejam  compensados  os  débitos  declarados até o limite dos créditos existentes e intimada a contribuinte para a apresentação de  manifestação de inconformidade contra a homologação parcial das compensações.  Pro todo o exposto, voto no sentido de DAR PROVIMENTO PARCIAL ao  presente recurso.   (assinado digitalmente)  Relator ALEXANDRE GOMES – Relator.                                Fl. 103DF CARF MF Impresso em 17/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 03/07/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/07/2014 por ALEXANDRE GOMES

score : 1.0
5497660 #
Numero do processo: 11065.000259/2005-35
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 28 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Jun 18 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2004 Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO. AÇÃO JUDICIAL CONCOMITÂNCIA DE OBJETO. Em face da unidade de jurisdição, a existência de ação judicial proposta pelo contribuinte, versando sobre o mesmo objeto, importa renúncia às instâncias do contencioso administrativo. Súmula CARF nº 01. DEPRECIAÇÃO. DIREITO A CRÉDITO. O creditamento relativo a depreciação de ativo atinge somente os bens adquiridos a partir de 1º de maio de 2004 e que sejam utilizados no processo industrial. TAXA SELIC. CONTRIBUIÇÕES NÃO CUMULATIVAS. O ressarcimento das contribuições não-cumulativas deve ser feito pelo valor nominal, a teor do disposto no art. 13 da Lei nº 10.833/2003. Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3301-002.149
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em rejeitar a preliminar de vício formal, levantada de ofício pelo relator. Vencidos os conselheiros Antônio Lisboa Cardoso, Bernardo Motta Moreira e Maria Teresa Martínez López. Por unanimidade de votos, não se conheceu parcialmente do recurso e, na parte conhecida, negou-se provimento. RODRIGO DA COSTA PÔSSAS - Presidente. BERNARDO MOTTA MOREIRA - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Maria Teresa Martínez López, José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso, Andrada Márcio Canuto Real e Bernardo Motta Moreira.
Nome do relator: BERNARDO MOTTA MOREIRA

toggle explain
    
1.0 = *:*

  
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021

anomes_sessao_s : 201401

camara_s : Terceira Câmara

ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2004 Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO. AÇÃO JUDICIAL CONCOMITÂNCIA DE OBJETO. Em face da unidade de jurisdição, a existência de ação judicial proposta pelo contribuinte, versando sobre o mesmo objeto, importa renúncia às instâncias do contencioso administrativo. Súmula CARF nº 01. DEPRECIAÇÃO. DIREITO A CRÉDITO. O creditamento relativo a depreciação de ativo atinge somente os bens adquiridos a partir de 1º de maio de 2004 e que sejam utilizados no processo industrial. TAXA SELIC. CONTRIBUIÇÕES NÃO CUMULATIVAS. O ressarcimento das contribuições não-cumulativas deve ser feito pelo valor nominal, a teor do disposto no art. 13 da Lei nº 10.833/2003. Recurso Voluntário Negado.

turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção

dt_publicacao_tdt : Wed Jun 18 00:00:00 UTC 2014

numero_processo_s : 11065.000259/2005-35

anomes_publicacao_s : 201406

conteudo_id_s : 5354592

dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Jun 18 00:00:00 UTC 2014

numero_decisao_s : 3301-002.149

nome_arquivo_s : Decisao_11065000259200535.PDF

ano_publicacao_s : 2014

nome_relator_s : BERNARDO MOTTA MOREIRA

nome_arquivo_pdf_s : 11065000259200535_5354592.pdf

secao_s : Terceira Seção De Julgamento

arquivo_indexado_s : S

decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em rejeitar a preliminar de vício formal, levantada de ofício pelo relator. Vencidos os conselheiros Antônio Lisboa Cardoso, Bernardo Motta Moreira e Maria Teresa Martínez López. Por unanimidade de votos, não se conheceu parcialmente do recurso e, na parte conhecida, negou-se provimento. RODRIGO DA COSTA PÔSSAS - Presidente. BERNARDO MOTTA MOREIRA - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Maria Teresa Martínez López, José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso, Andrada Márcio Canuto Real e Bernardo Motta Moreira.

dt_sessao_tdt : Tue Jan 28 00:00:00 UTC 2014

id : 5497660

ano_sessao_s : 2014

atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:23:35 UTC 2021

sem_conteudo_s : N

_version_ : 1713046815984582656

conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2015; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3­C3T1  Fl. 199          1 198  S3­C3T1  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  11065.000259/2005­35  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  3301­002.149  –  3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária   Sessão de  28 de janeiro de 2014  Matéria  PIS NÃO­CUMULATIVO  Recorrente  H. KUNTZLER & CIA. LTDA.  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP  Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2004  Ementa:  PROCESSO ADMINISTRATIVO. AÇÃO JUDICIAL CONCOMITÂNCIA  DE OBJETO. Em face da unidade de jurisdição, a existência de ação judicial  proposta pelo contribuinte, versando sobre o mesmo objeto, importa renúncia  às instâncias do contencioso administrativo. Súmula CARF nº 01.  DEPRECIAÇÃO. DIREITO A CRÉDITO.  O  creditamento  relativo  a  depreciação  de  ativo  atinge  somente  os  bens  adquiridos a partir de 1º de maio de 2004 e que sejam utilizados no processo  industrial.  TAXA SELIC. CONTRIBUIÇÕES NÃO CUMULATIVAS.  O ressarcimento das contribuições não­cumulativas deve ser feito pelo valor  nominal, a teor do disposto no art. 13 da Lei nº 10.833/2003.  Recurso Voluntário Negado.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  pelo  voto  de  qualidade,  em  rejeitar  a  preliminar de vício formal, levantada de ofício pelo relator. Vencidos os conselheiros Antônio  Lisboa Cardoso, Bernardo Motta Moreira e Maria Teresa Martínez López. Por unanimidade de  votos, não se conheceu parcialmente do recurso e, na parte conhecida, negou­se provimento.   RODRIGO DA COSTA PÔSSAS ­ Presidente.     BERNARDO MOTTA MOREIRA ­ Relator.     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 00 02 59 /2 00 5- 35 Fl. 204DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por BERNARDO MOTTA MOREIRA, Assinado digitalmente em 13/03/20 14 por BERNARDO MOTTA MOREIRA, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 11065.000259/2005­35  Acórdão n.º 3301­002.149  S3­C3T1  Fl. 200          2   Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Rodrigo  da  Costa  Pôssas, Maria Teresa Martínez López, José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso,  Andrada Márcio Canuto Real e Bernardo Motta Moreira.    Relatório    Por  bem  retratar  a  matéria  versada  no  presente  processo,  transcrevo  o  relatório produzido pela DRJ de Porto Alegre:  1.  Trata  o  presente  processo  de  Pedido  de  Ressarcimento  de  Créditos  de PIS/Pasep  pela  sistemática da  não­cumulatividade,  entregue  em  27/01/2005,  sendo  que  o  valor  pleiteado  no  montante de R$ 214.828,37.  2.  A  delegacia  de  origem,  reconheceu  parcialmente  o  direito  creditório em favor da requerente, até o valor de R$ 182.449,06,  relativo ao saldo credor da contribuição em comento, dado que  a  interessada  deixou  de  oferecer  à  tributação  as  receitas  decorrentes da  transferência de créditos do ICMS a  terceiros e  bem  como  os  valores  relativos  ao  crédito  presumido  de  IPI,  assim  como  incluiu  indevidamente  na  base  de  cálculo  dos  créditos a descontar o valor  total  das despesas de depreciação  incorridas no mês.  3.  A  interessada  apresentou,  tempestivamente, manifestação  de  inconformidade  endereçada  a  esta  Delegacia  de  Julgamento,  alegando  que  o  entendimento  da  transferência  de  ICMS  como  receita está destituído de qualquer alicerce jurídico ou contábil.  Explica que só se pode caracterizar uma operação como receita  se, uma vez ocorrida, houver alteração patrimonial da empresa,  através de lucro ou prejuízo. Assim, conta contábil de "Receita"  é caracterizada como uma "conta de resultado". Também alega  que a transferência de ICMS não modifica as receitas/resultados  da empresa, pois débito e crédito não são registrados em contas  de "Receitas", e sim em contas Patrimoniais.  4. Também discorda quanto à inclusão do crédito presumido do  IPI  na  base  de  cálculo  do  PIS  e  da  COFINS  [...].  Ressalta  a  impugnante que é plenamente legítimo atualizar, pela taxa Selic,  seus  créditos  indevidamente  indeferidos,  desde  a  apresentação  do  pedido  até  o  devido  ressarcimento.  Requer  seja  deferido  o  ressarcimento da contribuição para o Pis objeto da glosa fiscal  ora  impugnada,  no  valor  de  R$  32.329,31,  acrescido  da  taxa  Selic.  A  par  dos  argumentos  lançados  na  manifestação  de  inconformidade  apresentada,  a  DRJ  entendeu  por  bem  indeferir  a  solicitação  em  decisão  que  assim  ficou  ementada:  Fl. 205DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por BERNARDO MOTTA MOREIRA, Assinado digitalmente em 13/03/20 14 por BERNARDO MOTTA MOREIRA, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 11065.000259/2005­35  Acórdão n.º 3301­002.149  S3­C3T1  Fl. 201          3 Assunto: Processo Administrativo Fiscal  Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2004  Ementa: CONCOMITÂNCIA DE AÇÃO JUDICIAL  A  propositura  pelo  contribuinte,  contra  a  Fazenda,  de  ação  judicial  ­  por  qualquer  modalidade  processual  ­,  antes  ou  posteriormente  à  autuação,  com  o  mesmo  objeto,  importa  a  renúncia  às  instâncias  administrativas,  ou  desistência  de  eventual recurso interposto.  Solicitação Indeferida  Isto é, por meio do Acórdão nº 7.677, de 6 de abril de 2006, a 2ª Turma da  DRJ em Porto Alegre: a) não tomou conhecimento da questão da incidência de PIS e Cofins na  cessão de créditos de ICMS, por concomitância com o mandado de segurança interposto; e b)  negou o direito de corrigir o ressarcimento pela taxa Selic.  Em tempo hábil, o contribuinte apresentou recurso voluntário a este Conselho  alegando,  preliminarmente,  que  impetrara  mandado  de  segurança  preventivo  (sob  o  nº  2005.71.08.010774­8), em 18 de outubro de 2005, no sentido de que a autoridade coatora se  abstivesse de  considerar  como  receita os valores  referentes  às  transferências de  ICMS que  a  impetrante  realiza  para  terceiros,  e  com  isso  se  abstivesse  de  glosar  dos  pedidos  de  ressarcimento/compensação os valores correspondentes à incidência da contribuição para o PIS  e  a  COFINS  sobre  os  referidos  valores.  A  liminar  foi  concedida  em  sede  de  agravo  de  instrumento perante o TRF da 4ª Região. A liminar foi cientificada à autoridade coatora, que, a  partir daquela ciência, ficava impossibilitada de exigir as contribuições sobre as transferências  de  ICMS. No entanto, em momento algum essa decisão surtiu efeito em relação ao passado,  tanto  que  os  pedidos  apresentados  anteriormente,  os  quais  já  tinham  sido  impugnados  administrativamente não foram pagos à empresa. Logo, não analisar o mérito sob o argumento  de que o mesmo estaria sendo analisado na via judicial, não prospera neste caso, na medida em  que  o  processo  impugnado  é  anterior  à  impetração  do mandado  de  segurança. Desta  forma,  requer  o  acolhimento  desta  preliminar  para  que  o mérito  de  sua  impugnação  seja  analisado  pelos  fundamentos  que  passa  a  expor.  Relativamente  à  questão  das  cessões  de  créditos  de  ICMS alegou, em síntese, que os valores recebidos não se caracterizam como receita passível  da incidência do PIS e da COFINS. Requereu que o ressarcimento sofra a correção pela taxa  Selic.  É o relatório.  Voto             Conselheiro Bernardo Motta Moreira  O presente Recurso Voluntário é tempestivo, preenche os demais requisitos e  dele tomo conhecimento.  Constata­se que, no caso em comento, a Fiscalização, ao analisar o pedido de  ressarcimento de créditos decorrentes da não cumulatividade do PIS, entendeu por bem glosar  parte dos créditos pleiteados sob o argumento de que a Recorrente deixou de incluir na base de  Fl. 206DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por BERNARDO MOTTA MOREIRA, Assinado digitalmente em 13/03/20 14 por BERNARDO MOTTA MOREIRA, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 11065.000259/2005­35  Acórdão n.º 3301­002.149  S3­C3T1  Fl. 202          4 cálculo da contribuição declarada e recolhida valores relativos as transferências para terceiros  de seus saldos credores de ICMS.  Ou  seja,  independentemente  da  questão  de  se  tratarem  ou  não  de  novas  receitas  nos  termos  da  Lei  10.637/02,  tema  objeto  do  mandado  de  segurança  que  levou  à  potencial  renúncia  à  esfera  administrativa,  percebo  que  há  um  tema  de  fundo  que  merece  análise  preliminar,  qual  seja,  a  modificação  da  base  de  cálculo  do  tributo  em  sede  de  declaração de compensação.  A matéria tratada é de ordem pública, podendo ser conhecida de ofício pelo  julgador  administrativo,  pois  claramente  ofende  o  princípio  da  legalidade,  afrontando  o  disposto nos artigos 13, § 1º; 114, 115, 116,  incisos  I e  II, 142, 144 e 149,  todos do Código  Tributário Nacional.  O  Conselho  Administrativo  de  Recurso  Fiscais  tem  reiteradamente  se  manifestado a respeito do tema, como na ementa abaixo transcrita:  Assunto: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP  Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2005  CONTRIBUIÇÃO  AO  PIS  NO  REGIME  NÃO­CUMULATIVO.  CRÉDITOS  GERADOS.  PEDIDO  DE,  COMPENSAÇÃO  DOS  CRÉDITOS COM OUTROS TRIBUTOS. FISCALIZAÇÃO PARA  APURAÇÃO  DA  BASE  DE  CÁLCULO  DA  CONTRIBUIÇÃO  NO MESMO PERÍODO. NECESSIDADE DE LANÇAMENTO.  A  sistemática  de  creditamento  da  COFINS  e  do  PIS  não­ cumulativos  não  permite  que,  em pedido  de  compensação,  seja  sumariamente subtraída, do montante a ressarcir, a diferença de  valores que a fiscalização considerar como recolhidos a menor,  decorrentes  da  revisão  da  apuração  da  base  de  cálculo  da  contribuição.  Se a  fiscalização entende que valores como o de  transferências  de créditos de ICMS devem sofrer a incidência da Contribuição,  tem de promover a  sua exigência necessariamente por meio de  lançamento de oficio, não podendo fazer a subtração sumária do  crédito que o  contribuinte utilizou para o pagamento de outros  tributos, que ficariam a descoberto.  Recurso Voluntário Provido.  Do voto do eminente Conselheiro Ivan Alegretti, cito e adoto como razão de  decidir o seguinte trecho:  “Assim, por  entender que o contribuinte  teria deixado de  fazer  incidir  a  Contribuição  ao  PIS  em  relação  aos  valores  correspondentes  à  venda  de  créditos  de  ICMS,  a  Fiscalização  utilizou  parte  do  saldo  de  créditos  para  o  pagamento  do  valor  que corresponderia ao débito de PIS relativo à venda de créditos  de ICMS.  Na  linha  de  manifestações  anteriores  deste  Conselho,  entendo  que o procedimento é equivocado.  Fl. 207DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por BERNARDO MOTTA MOREIRA, Assinado digitalmente em 13/03/20 14 por BERNARDO MOTTA MOREIRA, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 11065.000259/2005­35  Acórdão n.º 3301­002.149  S3­C3T1  Fl. 203          5 A  sistemática  não  cumulativa  da  Contribuição  ao  PIS  e  da  COFINS  não  funciona  tal  como  a  sistemática  de  apuração  do  IPI, como parece pretender a Fiscalização.  No caso do IPI se promove a escrituração de créditos e débitos  para, no final do período de apuração, mediante o balanço entre  tais  valores,  obter­se  (a)  ou  um saldo credor  que  é  transferido  para  aproveitamento  no  período  subseqüente  (b)  ou  um  saldo  devedor ­ que implica em recolhimento do tributo.  No  caso  do  PIS  e  da  COFINS  a  incidência  e  a  apuração  não  dependem do confronto entre créditos e débitos. Sua incidência  se  dá  sobre  a  receita  ou  o  faturamento,  determinando  o  valor  devido,  independente  da  existência  de  créditos  que  possam  ser  usados para redução deste valor.  Com  efeito,  a  única  diferença  da  sistemática  não  cumulativa  reside em permitir que "Do valor apurado na forma do art. 2º a  pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação  (...)" (art. 3º da Lei nº 10.637/2002 e da Lei nº 10833/2003).  É  nítido,  portanto,  que  os  créditos  gerados  no  sistema  não  cumulativo da COFINS e do PIS não compõem nem  interferem  na apuração da base de cálculo destas mesmas Contribuições.  No âmbito do pedido de compensação que utiliza créditos de PIS  não cumulativo não é cabível que a Fiscalização utilize parte do  crédito  a  titulo  de  "irregularidade",  reduzindo  o  saldo  de  créditos  ­  como  meio  indireto  para  promover  a  revisão  e  ampliação da base de cálculo da Contribuição, para o efeito de  cobrança  dos  valores  que  entende  devidos.  Se  a  Fiscalização  entende  que  determinado  valor  recebido  pelo  contribuinte  configura  receita  sujeita  às  referidas  Contribuições,  de  modo  que o contribuinte teria declarado e recolhido tributo menor que  o devido, é imprescindível que promova a constituição do crédito  pelo meio próprio: o lançamento.  Confira­se,  ademais,  que  o  presente  entendimento  reitera  a  jurisprudência deste Conselho em julgamentos anteriores:  PEDIDO  DE  RESSARCIMENTO.  COFINS  NÃO  CUMULATIVA.  BASE  DE  CÁLCULO  DOS  DÉBITOS  DIFERENÇA  A  EXIGIR  NECESSIDADE  DE  LANÇAMENTO  DE  OFÍCIO  A  sistemática  de  ressarcimento  da  COFINS  e  do  PIS  não­cumulativos  não  permite  que,  em  pedidos  de  ressarcimento,  valores  como o de  transferências de  créditos de  ICMS,  computados  pela  fiscalização  no  faturamento,  base  de  cálculo  dos  débitos,  sejam  subtraídas  do montante  a  ressarcir.  Em tal hipótese, para a exigência das Contribuições carece seja  efetuado lançamento de oficio.  RESSARCIMENTO.  COFINS  NÃO­CUMULATIVA.  JUROS  SELIC INAPLICABILIDADE. Ao ressarcimento não se aplicam  os  juros  Selic,  inconfundível  que  é  com  a  restituição  ou  compensação,  sendo  que  no  caso  do  PIS  e  COFINS  não­ Fl. 208DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por BERNARDO MOTTA MOREIRA, Assinado digitalmente em 13/03/20 14 por BERNARDO MOTTA MOREIRA, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 11065.000259/2005­35  Acórdão n.º 3301­002.149  S3­C3T1  Fl. 204          6 cumulativos os  arts.  13  e 15, VI,  da Lei  nº  10833/2003,  vedam  expressamente tal aplicação.  Recurso provido em parte.  (Acórdão  2031.1852,  Recurso  Voluntário  nº  130.611,  Conselheiro EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS D.O.U de  06/06/2007, Seção I, pág. 49)  PROCESSO  ADMINISTRATIVO  FISCAL  LANÇAMENTO.  Constatado  que,  na  apuração  do  tributo  devido,  no  âmbito  do  lançamento por homologação, o sujeito passivo não oferecera à  tributação, matéria que a fiscalização julga tributável, impõe­se  o  lançamento para formalização da exigência  tributária, pois a  mera  glosa  de  créditos  legítimos  do  sujeito  passivo  configura  irregular  compensação  de  oficio  com  crédito  tributário  ainda  não  constituído  e,  portanto,  destituído  da  certeza  e  da  liquidez  imprescindíveis a sua cobrança.  NORMAS  GERAIS  DE  DIREITO  TRIBUTÁRIO.  PIS  NÃO­ CUMULATIVO  .  ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA  .  INCABÍVEL.  É incabível a atualização monetária do saldo credor do PIS não  cumulativo objeto de ressarcimento.  Recurso Voluntário Provido em Parte.  (Recurvo  Voluntário  nº  140.760,  PA  nº  11065.002884/200511,  Conselheira SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, j. 22/07/2008)  No mesmo sentido cito ainda:  Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep  Período de apuração: 01/12/2002 a 31/12/2002  Ementa:  PROCESSO  ADMINISTRATIVO  FISCAL  PIS/Pasep  NÃO CUMULATIVO. RESSARCIMENTO. ERRO NA BASE DE  CÁLCULO  DO  PIS/Pasep  .  LANÇAMENTO  DE  OFÍCIO.  A  sistemática de ressarcimento do PIS/Pasep Não Cumulativo não  exime a  autoridade  fiscal  de  proceder  ao  lançamento  de  ofício  para exigir eventual diferença da contribuição deduzida do valor  do  crédito  para  fins  de  ressarcimento.  No  caso,  a  autoridade  fiscal limitou­se a reduzir o valor do saldo a ressarcir mediante  mero  ajuste  escritural,  aumentando o  valor da  contribuição ao  PIS/Pasep  diminuída  do  ressarcimento,  em  detrimento  de  lançamento  de  ofício  para  a  constituição  do  crédito  tributário  correspondente.  RESSARCIMENTO PIS/PASEP REGIME NÃO­CUMULATIVO.  ATUALIZAÇÃO  MONETÁRIA  E  JUROS.  O  artigo  15,  combinado com o artigo 13, ambos da Lei n° 10.833, de 2003,  vedam  expressamente  a  aplicação  de  qualquer  índice  de  atualização  monetária  ou  de  juros  para  este  tipo  de  ressarcimento.  Recurso provido em parte  Fl. 209DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por BERNARDO MOTTA MOREIRA, Assinado digitalmente em 13/03/20 14 por BERNARDO MOTTA MOREIRA, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 11065.000259/2005­35  Acórdão n.º 3301­002.149  S3­C3T1  Fl. 205          7 (Processo n° 11065.005339/200315. Recurso n° 134.005 Relator  ODASSI GUERZONI FILHO. J 27/01/2007).”  Como se vê, é fato inconteste que, havendo discordância da base de cálculo  utilizada para a apuração da contribuição devida no mês é dever da autoridade fiscal promover  o respectivo lançamento, não sendo­lhe permitido, em substituição a este, promover a glosa de  créditos em pedidos de ressarcimento ou de compensação.  Diante  dos  precedentes  citados,  entendo  que  as  glosas  decorrentes  da  não  inclusão  na  base  de  calculo  do  PIS  dos  valores  relativos  as  transferências  para  terceiros  de  saldos  credores  do  ICMS  devem  ser  canceladas,  e  eventual  discussão  acerca  da  incidência  sobre as operações efetuadas pela Recorrente deverá ser tratada mediante lavratura de auto de  infração.  Tendo sido superada a preliminar de nulidade por vício formal levantada por  este Relator,  é  forçoso  reconhecer que, conforme  relatado pela própria Recorrente, o mesmo  direito discutido neste processo foi submetido ao Poder Judiciário no mandado de segurança nº  2005.71.08.010774­8.  Existindo  discussão  simultânea  da  mesma  questão  nas  vias  administrativa e judicial, incide o enunciado da Súmula CARF nº 1, na consolidação efetuada  por meio da Portaria CARF nº 106, de 21 de dezembro de 2009:  Súmula  CARF  n°  1:  Importa  renúncia  às  instâncias  administrativas  a  propositura  pelo  sujeito  passivo  de  ação  judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do  lançamento  de  oficio,  com  o  mesmo  objeto  do  processo  administrativo,  sendo  cabível  apenas  a  apreciação,  pelo  órgão  de  julgamento  administrativo,  de  matéria  distinta  da  constante  do processo judicial.  Isso implica no não conhecimento parcial do Recurso Voluntário.  Quanto  à  parte  conhecida,  no  que  diz  respeito  às  glosas  de  pretendidos  créditos  relativos  a valores  referentes  à depreciação, vejo que  andou bem a decisão da DRJ,  uma vez que, no caso dos autos, os bens não foram utilizados no processo produtivo. Trata­se  dos  bens  relacionados  nas  fls.  79/80  do  e­processo  (balcões  para  a  recepção,  arquivos,  bebedouros,  computador,  impressora,  “no  break”,  licença  de  software,  manutenção  de  computadores,  veículos,  peças  para  veículos,  etc),  que,  evidentemente,  não  são  utilizados  na  produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviço, conforme os demonstrativos  apresentados pela própria contribuinte.  Ademais,  o  recurso  trouxe  a  fundamentação  da  questão  relativa  à  natureza  jurídica das cessões de crédito do ICMS e o pedido de correção pela taxa Selic. No tocante à  questão da correção do ressarcimento pela taxa Selic, a matéria foi regulada expressamente na  Lei nº 10.833/03, cujo art. 13 assim estabelece:  “Art. 13. O aproveitamento de crédito na forma do § 4º do art.  3º, do art. 4º e dos §§ 1º e 2ºdo art. 6º, bem como do § 2º e inciso  II do § 4º e § 5º do art. 12, não ensejará atualização monetária  ou incidência de juros sobre os respectivos valores”.  Fl. 210DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por BERNARDO MOTTA MOREIRA, Assinado digitalmente em 13/03/20 14 por BERNARDO MOTTA MOREIRA, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 11065.000259/2005­35  Acórdão n.º 3301­002.149  S3­C3T1  Fl. 206          8 Em face do exposto, tendo sido superada, por maioria, a preliminar por mim  levantada,  voto  no  sentido  não  conhecer  parcialmente  o  recurso  e,  na  parte  conhecida,  em  negar provimento.     Bernardo Motta Moreira   Relator                               Fl. 211DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por BERNARDO MOTTA MOREIRA, Assinado digitalmente em 13/03/20 14 por BERNARDO MOTTA MOREIRA, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS

score : 1.0
5490923 #
Numero do processo: 11070.900206/2008-90
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 25 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Jun 13 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 15/01/2004 COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. COMPROVAÇÃO. Compete ao contribuinte à apresentação de livros de escrituração comercial e fiscal e de documentos hábeis e idôneos à comprovação do alegado sob pena de acatamento do ato administrativo realizado, em momento processual previsto em lei. DCTF. DACON. RETIFICAÇÃO. DCTF e DACON retificadores apresentados após a ciência do despacho decisório somente produz efeitos quando acompanhada de documentação capaz de provar a redução da base de cálculo pretendida.
Numero da decisão: 3803-004.160
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. À exceção do Relator os demais Conselheiros e Suplentes votaram pelas conclusões. [assinado digitalmente] Belchior Melo de Sousa – Presidente em exercício [assinado digitalmente] João Alfredo Eduão Ferreira - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Belchior Melo de Sousa (Presidente), João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani, Paulo Guilherme Deroulede, Hélcio Lafetá Reis, Adriana Oliveira e Ribeiro. Ausente justificadamente o Conselheiro Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA

toggle explain
    
1.0 = *:*

  
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021

anomes_sessao_s : 201304

ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 15/01/2004 COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. COMPROVAÇÃO. Compete ao contribuinte à apresentação de livros de escrituração comercial e fiscal e de documentos hábeis e idôneos à comprovação do alegado sob pena de acatamento do ato administrativo realizado, em momento processual previsto em lei. DCTF. DACON. RETIFICAÇÃO. DCTF e DACON retificadores apresentados após a ciência do despacho decisório somente produz efeitos quando acompanhada de documentação capaz de provar a redução da base de cálculo pretendida.

turma_s : Terceira Turma Especial da Terceira Seção

dt_publicacao_tdt : Fri Jun 13 00:00:00 UTC 2014

numero_processo_s : 11070.900206/2008-90

anomes_publicacao_s : 201406

conteudo_id_s : 5353605

dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Jun 13 00:00:00 UTC 2014

numero_decisao_s : 3803-004.160

nome_arquivo_s : Decisao_11070900206200890.PDF

ano_publicacao_s : 2014

nome_relator_s : JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA

nome_arquivo_pdf_s : 11070900206200890_5353605.pdf

secao_s : Terceira Seção De Julgamento

arquivo_indexado_s : S

decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. À exceção do Relator os demais Conselheiros e Suplentes votaram pelas conclusões. [assinado digitalmente] Belchior Melo de Sousa – Presidente em exercício [assinado digitalmente] João Alfredo Eduão Ferreira - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Belchior Melo de Sousa (Presidente), João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani, Paulo Guilherme Deroulede, Hélcio Lafetá Reis, Adriana Oliveira e Ribeiro. Ausente justificadamente o Conselheiro Jorge Victor Rodrigues.

dt_sessao_tdt : Thu Apr 25 00:00:00 UTC 2013

id : 5490923

ano_sessao_s : 2013

atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:23:26 UTC 2021

sem_conteudo_s : N

_version_ : 1713046816001359872

conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1875; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3­TE03  Fl. 40          1 39  S3­TE03  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  11070.900206/2008­90  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  3803­004.160  –  3ª Turma Especial   Sessão de  25 de abril de 2013  Matéria  PIS – COMPENSAÇÃO  Recorrente  IRMÃOS SALVATI LTDA.  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL  Data do fato gerador: 15/01/2004  COMPENSAÇÃO.  PAGAMENTO  A  MAIOR  OU  INDEVIDO.  COMPROVAÇÃO.  Compete ao contribuinte à apresentação de livros de escrituração comercial e  fiscal e de documentos hábeis e idôneos à comprovação do alegado sob pena  de  acatamento  do  ato  administrativo  realizado,  em  momento  processual  previsto em lei.  DCTF. DACON. RETIFICAÇÃO.  DCTF  e  DACON  retificadores  apresentados  após  a  ciência  do  despacho  decisório  somente  produz  efeitos  quando  acompanhada  de  documentação  capaz de provar a redução da base de cálculo pretendida.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  negar  provimento  ao  recurso.  À  exceção  do  Relator  os  demais  Conselheiros  e  Suplentes  votaram  pelas conclusões.  [assinado digitalmente]  Belchior Melo de Sousa – Presidente em exercício  [assinado digitalmente]  João Alfredo Eduão Ferreira ­ Relator.  Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Belchior  Melo  de  Sousa  (Presidente),  João  Alfredo  Eduão  Ferreira,  Juliano  Eduardo  Lirani,  Paulo  Guilherme     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 07 0. 90 02 06 /2 00 8- 90 Fl. 40DF CARF MF Impresso em 13/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2013 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 04/ 02/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 06/12/2013 por JOAO ALFREDO EDUAO FERRE IRA     2 Deroulede,  Hélcio  Lafetá  Reis,  Adriana  Oliveira  e  Ribeiro.  Ausente  justificadamente  o  Conselheiro Jorge Victor Rodrigues.  Relatório  Trata­se de PER/DCOMP transmitido em 13/08/2004 que buscou compensar  créditos de PIS/Pasep alegadamente pago  indevidamente ou a maior, de período de apuração  dezembro de 2003, com débitos de COFINS e PIS/Pasep, ambos de competência de julho de  2004, no valor total de R$ 3.980,44  Através de Despacho Decisório eletrônico,  recebido em 24/04/2008, a DRF  em  Santo  Ângelo/RS  não  homologou  o  pedido  do  contribuinte  indicando  que,  a  partir  das  informações do DARF  indicado  foram  localizados pagamentos, mas  integralmente utilizados  para a quitação de débitos do sujeito passivo.  Irresignado  o  contribuinte  apresentou  manifestação  de  inconformidade  que  transcreveremos, em sua integralidade, abaixo:    Anexou DACON e DCTF retificadores transmitidos em 19/05/2008.  A DRJ/POA julgou improcedente a manifestação apresentada. Fundamentou  sua  decisão  na  falta  de  provas  para  se  comprovar  o  direito.  Discorre  acerca  da  falta  de  espontaneidade da retificação da DCTF e DACON após o inicio do procedimento fiscal, e em  consequência, a falta do caráter probatório destas. Ementou como se segue:  Fl. 41DF CARF MF Impresso em 13/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2013 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 04/ 02/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 06/12/2013 por JOAO ALFREDO EDUAO FERRE IRA Processo nº 11070.900206/2008­90  Acórdão n.º 3803­004.160  S3­TE03  Fl. 41          3   Inconformada  o  contribuinte  protocolou  Recurso  Voluntario  sucinto  que  transcreverei a seguir na sua íntegra:    Anexa  “planilha  de  calculo  contábil  de  PIS”,  extratos  de  balancete  de  verificação, copias do Razão Analítico e Diário Geral.  É o relatório.  Voto             Conselheiro João Alfredo Eduão Ferreira ­ Relator  Fl. 42DF CARF MF Impresso em 13/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2013 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 04/ 02/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 06/12/2013 por JOAO ALFREDO EDUAO FERRE IRA     4 O  recurso  é  tempestivo  e  preenche  os  demais  requisitos  para  sua  admissibilidade, portanto dele tomo conhecimento.  Das  retificações  da  DCTF  e  da  DACON  posteriores  ao  Despacho  Decisório.  Especificamente  em  relação  à  redução  dos  débitos  tributários,  é  oportuno  ressaltar que somente nas hipóteses em que caracterizada a espontaneidade a DCTF e DACON  retificadoras tem a mesma natureza das originais, substituindo­as integralmente.  Por outro lado, afastada a espontaneidade, evidentemente, tal retificação não  pode  mais  ser  admitida  como  prova  suficiente  para  redução  do  valor  do  tributo  devido.  Corrobora o asseverado, o disposto nos §§ 1°, 2º e 3º do art. 9º da Instrução Normativa RFB nº  1.110, de 24 de dezembro de 2010 e do disposto no art. 11 da Instrução Normativa SRF nº 543,  de 20 de maio de 2005, a seguir transcritos:  “Art. 9 º A alteração das informações prestadas em DCTF, nas  hipóteses em que admitida, será efetuada mediante apresentação  de DCTF retificadora, elaborada com observância das mesmas  normas estabelecidas para a declaração retificada.  § 1 º A DCTF retificadora terá a mesma natureza da declaração  originariamente  apresentada  e  servirá  para  declarar  novos  débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados  ou efetivar qualquer alteração nos créditos vinculados.  §  2  º  A  retificação  não  produzirá  efeitos  quando  tiver  por  objeto:  I ­ reduzir os débitos relativos a impostos e contribuições:  a) cujos saldos a pagar já tenham sido enviados à Procuradoria­ Geral  da  Fazenda  Nacional  (PGFN)  para  inscrição  em  DAU,  nos casos em que importe alteração desses saldos;  b)  cujos  valores  apurados  em  procedimentos  de  auditoria  interna, relativos às informações indevidas ou não comprovadas  prestadas  na  DCTF,  sobre  pagamento,  parcelamento,  compensação  ou  suspensão  de  exigibilidade,  já  tenham  sido  enviados à PGFN para inscrição em DAU; ou  c)  que  tenham  sido  objeto  de  exame  em  procedimento  de  fiscalização.  II  ­  alterar  os  débitos  de  impostos  e  contribuições  em  relação  aos  quais  a  pessoa  jurídica  tenha  sido  intimada  de  início  de  procedimento fiscal.  § 3º A retificação de valores informados na DCTF, que resulte  em alteração do montante do débito  já  enviado à PGFN para  inscrição em DAU ou de débito que tenha sido objeto de exame  em procedimento de fiscalização, somente poderá ser efetuada  pela  RFB  nos  casos  em  que  houver  prova  inequívoca  da  ocorrência  de  erro  de  fato no  preenchimento  da  declaração  e  enquanto não extinto o crédito tributário. Grifamos”  “Art. 11. Os pedidos de alteração nas informações prestadas no  Dacon  serão  formalizados  por  meio  de  Dacon  retificador,  Fl. 43DF CARF MF Impresso em 13/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2013 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 04/ 02/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 06/12/2013 por JOAO ALFREDO EDUAO FERRE IRA Processo nº 11070.900206/2008­90  Acórdão n.º 3803­004.160  S3­TE03  Fl. 42          5 mediante a apresentação de novo demonstrativo elaborado com  observância  das  mesmas  normas  estabelecidas  para  o  demonstrativo retificado.  §  1º  O  Dacon  retificador  terá  a  mesma  natureza  do  demonstrativo  originariamente  apresentado,  substituindo­o  integralmente, e  servirá para declarar novos débitos,  aumentar  ou  reduzir  os  valores  de  débitos  já  informados  ou  efetivar  qualquer  alteração  nos  créditos  informados  em  demonstrativos  anteriores.  § 2º Não será aceita a retificação que tenha por objeto alterar  os  débitos  relativos  à  Contribuição  para  o  PIS/Pasep  e  à  Cofins:  I  ­  que  já  tenham  sido  enviados  à  Procuradoria  da  Fazenda  Nacional  para  inscrição  em Dívida  Ativa  da União,  nos  casos  em que o pleito importe alteração desses débitos;  II ­ em relação aos quais já tenham sido apuradas diferenças em  procedimento  de  ofício,  relativas  às  informações,  indevidas  ou  não  comprovadas,  prestadas  no  Dacon  original  e  que  tenham  sido  enviados  à  Procuradoria  da  Fazenda  Nacional  para  inscrição em Dívida Ativa da União; ou  III ­ em relação aos quais o sujeito passivo tenha sido intimado  do início de procedimento fiscal. Grifamos”  O  contribuinte  retificou  a DCTF  e DACON  do  período,  após  a  ciência  do  despacho  decisório,  com  isso  as  declarações  retificadoras,  não  produzem  os  efeitos  modificativos dos débitos originalmente confessados.  Comprovação da Liquidez e Certeza do Crédito.  O  reconhecimento  de  direito  creditório  contra  a  Fazenda  Nacional  exige  averiguação  da  liquidez  e  certeza  do  suposto  pagamento  a  maior  de  tributo.  A  fim  de  comprovar  a  certeza  e  liquidez  do  crédito,  a  interessada  deve  instruir  sua  manifestação  de  inconformidade com documentos que respaldem suas afirmações, considerando o disposto nos  artigos 15 e 16 do Decreto nº 70.235/1972:  “Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com  os  documentos  em  que  se  fundamentar,  será  apresentada  ao  órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em  que for feita a intimação da exigência.  Art. 16. A impugnação mencionará: (...)  III  os  motivos  de  fato  e  de  direito  em  que  se  fundamenta,  os  pontos  de  discordância  e  as  razões  e  provas  que  possuir;  (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993)”  No  caso  em  análise,  o  contribuinte  esclarece  que  teria  apurado  créditos  de  PIS/Pasep, contudo, para comprovar a  liquidez e certeza do crédito informado na Declaração  de  Compensação  é  imprescindível  que  seja  demonstrada  através  da  escrituração  contábil  e  Fl. 44DF CARF MF Impresso em 13/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2013 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 04/ 02/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 06/12/2013 por JOAO ALFREDO EDUAO FERRE IRA     6 fiscal  da  contribuinte,  baseada  em  documentos  hábeis  e  idôneos  a  diminuição  do  valor  do  débito correspondente a cada período de apuração.  A  Contribuinte  não  juntou  aos  autos,  em  sede  de  manifestação  de  inconformidade, nenhum documento contábil ou fiscal capaz de comprovar a liquidez e certeza  do credito apontado.  Da apresentação das provas.  O  mesmo  artigo  16  do  Decreto  nº  70.235/72  em  seu  §  4º  determina  o  momento  processual  para  a  apresentação  de  provas  no  processo  administrativo  fiscal,  bem  como as exceções albergadas que transcrevemos a seguir:  “§  4º  A  prova  documental  será  apresentada  na  impugnação,  precluindo o direito de o impugnante fazê­lo em outro momento  processual, a menos que:    a)  fique  demonstrada  a  impossibilidade  de  sua  apresentação  oportuna, por motivo de força maior;   b) refira­se a fato ou a direito superveniente;   c)  destine­se  a  contrapor  fatos  ou  razões  posteriormente  trazidas aos autos.”  A  analise  da  norma  supracitada  é  clara  e  direta  ao  estabelecer  o momento  correto  a  serem carreadas  as provas  a  fim de  substanciar os  argumentos da  interessada, qual  seja, na manifestação de inconformidade.  A mesma norma elenca as possibilidades para a apresentação de provas em  outro momento processual. Nenhuma das hipóteses acima alberga o caso do sujeito passivo. O  direito da contribuinte em arrolar documentos probatórios está precluso.  Ressaltamos que em sede de Recurso Voluntário o contribuinte carreou aos  autos tão somente, partes do que chamou de balancete de verificação onde aparece apenas as  contas de Passivo, o mesmo em relação às contas razão, bem como Diário do mês de maio, não  trazendo  documentos  fiscais  de  compras  das  mercadorias  de  pessoas  físicas  nem  mesmo  a  escrita fiscal que registrou tais entradas.  Conclusão  A  retificação  da  DCTF  e  da  DACON  após  o  conhecimento  do  despacho  decisório não produz os efeitos pretendidos pela requerente, restava ao contribuinte comprovar  seu  direito  creditório  em  manifestação  de  inconformidade,  não  o  fez.  Somente  em  recurso  voluntario  anexa  escrituração  contábil,  porém  nesse  momento  processual  as  provas  só  são  admitidas nos casos elencados no § 4º do artigo 16 do Decreto nº 70.235/72, não sendo o caso  da  contribuinte.  Mesmo  que  fossem  admitidas  as  provas  anexadas  em  sede  de  Recurso  Voluntario,  estas  se  mostram  insuficientes  a  comprovar  a  liquidez  e  certeza  do  direito  perseguido. Nada a reparar na decisão da DRJ/POA.  Pelo  exposto  voto  por NEGAR PROVIMENTO e  não  reconhecer o  direito  creditório.  É como voto.  Sala das Sessões, 25 de abril de 2013.  Fl. 45DF CARF MF Impresso em 13/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2013 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 04/ 02/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 06/12/2013 por JOAO ALFREDO EDUAO FERRE IRA Processo nº 11070.900206/2008­90  Acórdão n.º 3803­004.160  S3­TE03  Fl. 43          7 (assinado digitalmente)  João Alfredo Eduão Ferreira ­ Relator                            Fl. 46DF CARF MF Impresso em 13/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2013 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 04/ 02/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 06/12/2013 por JOAO ALFREDO EDUAO FERRE IRA

score : 1.0
5508082 #
Numero do processo: 10783.917630/2009-55
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 05 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Jul 01 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 1802-000.531
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, CONVERTER o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa- Presidente. (documento assinado digitalmente) Nelso Kichel- Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Nelso Kichel, Gilberto Baptista, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Luís Roberto Bueloni Santos Ferreira. Relatório
Nome do relator: NELSO KICHEL

toggle explain
    
1.0 = *:*

  
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021

anomes_sessao_s : 201406

turma_s : Segunda Turma Especial da Primeira Seção

dt_publicacao_tdt : Tue Jul 01 00:00:00 UTC 2014

numero_processo_s : 10783.917630/2009-55

anomes_publicacao_s : 201407

conteudo_id_s : 5357113

dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Jul 03 00:00:00 UTC 2014

numero_decisao_s : 1802-000.531

nome_arquivo_s : Decisao_10783917630200955.PDF

ano_publicacao_s : 2014

nome_relator_s : NELSO KICHEL

nome_arquivo_pdf_s : 10783917630200955_5357113.pdf

secao_s : Primeira Seção de Julgamento

arquivo_indexado_s : S

decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, CONVERTER o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa- Presidente. (documento assinado digitalmente) Nelso Kichel- Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Nelso Kichel, Gilberto Baptista, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Luís Roberto Bueloni Santos Ferreira. Relatório

dt_sessao_tdt : Thu Jun 05 00:00:00 UTC 2014

id : 5508082

ano_sessao_s : 2014

atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:23:53 UTC 2021

sem_conteudo_s : N

_version_ : 1713046816024428544

conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 11; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1306; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1­TE02  Fl. 226          1 225  S1­TE02  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  10783.917630/2009­55  Recurso nº            Voluntário  Resolução nº  1802­000.531  –  2ª Turma Especial  Data  05 de junho de 2014  Assunto  Solicitação de diligência  Recorrente  CECON CENTRO CABIXABA DE ONCOLOGIA LTDA  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, CONVERTER  o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator.     (documento assinado digitalmente)  Ester Marques Lins de Sousa­ Presidente.      (documento assinado digitalmente)  Nelso Kichel­ Relator.  Participaram da  sessão de  julgamento os Conselheiros: Ester Marques Lins de  Sousa,  José  de  Oliveira  Ferraz  Corrêa,  Nelso  Kichel,  Gilberto  Baptista,  Gustavo  Junqueira  Carneiro Leão e Luís Roberto Bueloni Santos Ferreira.     RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 07 83 .9 17 63 0/ 20 09 -5 5 Fl. 226DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 27/06/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 27/06/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10783.917630/2009­55  Resolução nº  1802­000.531  S1­TE02  Fl. 227          2 Relatório    Cuidam os autos do Recurso Voluntário de e­fls.142/146 contra decisão da 15ª  Turma da DRJ/Rio de Janeiro I (e­fls. 122/125) que julgou a Manifestação de Inconformidade  improcedente  em parte,  não  reconhecendo o direito  creditório pleiteado,  não homologando  a  compensação tributária informada (apenas ajustou, corrigiu os valores dos débitos).  Quanto aos fatos, consta dos autos que:  ­  em  23/07/2009,  a  Contribuinte  transmitiu  pela  internet  o  PER/DCOMP  nº  12528.56452.230709.1.3.04­2352 (e­fls. 63/67), informando compensação tributária:  ­ débitos informados no valor de R$ 2.258,05, assim especificados:   ­  PIS/PASEP,  código  de  receita  8109,  PA  junho/2009,  data  de  vencimento  24/07/2009, valor R$ 402,09;  ­  Cofins,  código  de  receita  2172,  PA  junho/2009,  data  de  vencimento  24/07/2009, valor R$ 1.855,96.  ­  crédito utilizado  (valor original na data da  transmissão): R$ 2.021,71:  que o  direito creditório pleiteado decorreu de pagamento indevido ou a maior do IRPJ do período de  apuração  30/06/2008  (2º  trimestre/2008)  –  1ª  cota,  código  de  receita  2089  (regime  de  apuração  Lucro  Presumido),  data  de  arrecadação  31/07/2008,  valor  original  R$  54.703,91.  Saldo de crédito original na data da transmissão da DCOMP: R$ 23.194,68.  Obs: DCOMP que tratam do mesmo crédito:  ­ nº 24777.67575.130109.1.3.04­5004 (retificada)  ­ nº 12971.92503.221009.1.7.04­2348 (retificadora) transmissão de 22/10/2009 (e­fls. 68/74);  ­ nº 41892.37288.300409.1.3.04­3361 transmissão em 30/04/2009 (e­fls. 75/80).  Em  07/10/2009,  houve  emissão  do  Despacho  Decisório  (eletrônico),  e­fl.  05,  pela DRF/Vitória, denegando o direito creditório pleiteado, com a seguinte fundamentação:  (...)  3­FUNDAMENTACÃO, DECISÃO E ENQUADRAMENTO LEGAL   Limite  do  crédito  analisado,  correspondente  ao  valor  do  crédito  original  na  data  de  transmissão  informado  no  PER/DCOMP:  23.194,68.   A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP  acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo  relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do  contribuinte,  não  restando  crédito  disponivel  para  compensação  dos  débitos informados no PER/DCOMP.  Fl. 227DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 27/06/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 27/06/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10783.917630/2009­55  Resolução nº  1802­000.531  S1­TE02  Fl. 228          3  (...)  Diante da inexistência do crédito, NÃO HOMOLOGO a compensação  declarada.  (...).  Enquadramento  legal:  Arts.  165  e  170,  da  Lei  no  5.172,  de  25  de  outubro de 1966 (CTN) e Art. 74 da Lei 9.430, de 27 de dezembro de  1996.  (...)  Ciente dessa decisão em 20/10/2009  (e­fl. 91), a Contribuinte, em 18/11/2009,  apresentou Manifestação de Inconformidade (e­fls.02/04), juntando ainda documentos de e­fls.  05/112, cujas razões, em síntese, são as seguintes:  1) – Quanto ao direito creditório:  ­  que  efetuou  pagamento  do  IRPJ/1ª  cota,  no  valor  de  R$  54.703,91,  do  PA  30/06/2008 (2º trimestre/2008), data de recolhimento 31/07/2008, código de receita 2089;  ­  que  em  06/10/2008  confessou  na  DCTF  primitiva  débito  do  IRPJ/2º  trimestre/2008, no valor de R$ 164.111,73 (e­fls. 33/43);  ­ que o pagamento restou totalmente vinculado ao débito confessado na referida  DCTF primitiva;  ­ que, em 15/07/2009, transmitiu a DIPJ 2009, ano­calendário 2008, com IRPJ a  pagar/2º trimestre, no valor de R$ 7.622,55 e não R$ 164.111,73 (e­fls. 44/50);  ­  que  em  23/10/2009  transmitiu  a  DCTF  retificadora  do  2º  trimestre/2008,  reduzindo o IRPJ a pagar de R$ 164.111,73 para R$ 7.622,55 (e­fls. 51/55);  ­ que, destarte, essa 1ª cota do IRPJ/2º trimestre/2008 foi paga a maior, no valor  de R$ 47.081,37.  ­ que o crédito, por conseguinte, existe.  2) Em relação aos débitos confessados na DCOMP:  ­  que,  conforme  DCTF  primitiva  transmitida  em  05/10/2009  do  1º  semestre/2009:  o  débito  da  Contribuição  para  o  PIS,  PA  junho/2009,  foi  de R$  358,19  e  o  débito da Cofins do PA junho 2009 foi de R$ 1.653,60 (e­fls. 55/62 e e­fls. 93/107);  ­  que,  por  conseguinte,  torna­se necessário  a  correção  dos  valores  dos  débitos  (PIS e Cofins) informados na DCOMP, para os valores confessados na DCTF.  Obs: pediu, ainda, retificação da DCOMP nº 41892.37288.300409.1.3.04­3361 para a DCOMP  nº 24777.67575.130109.1.3.04­5004 ;que utilizam o mesmo crédito (duplicidade); que aquela DCOMP é indevida,  pois os débitos são inexistentes; que no processo nº 10783.916739/2009­75 o crédito não foi reconhecido (essas  DCOMP não são objeto da lide dos presentes autos).  Fl. 228DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 27/06/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 27/06/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10783.917630/2009­55  Resolução nº  1802­000.531  S1­TE02  Fl. 229          4 Por  fim,  com  base  nessas  razões,  a  Contribuinte  pediu  na  instância  a  quo  o  reconhecimento  do  crédito  pleiteado  e  a  extinção  dos  débitos  pela  homologação  da  compensação.  A 15ª Turma da DRJ/Rio de  Janeiro  I,  não  acatando a DCTF  retificadora que  reduziu o débito do  IRPJ do 2º  trimestre/2008 de R$ 164.111,73 para R$ 7.622,55,  julgou a  manifestação de inconformidade procedente em parte,  tendo retificado os débitos, porém não  reconheceu o  crédito pleiteado,  conforme Acórdão, de 22/09/2011,  cuja  ementa  transcrevo  a  seguir (e­fl. 122), in verbis:  (...)  ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL   Ano­calendário: 2008   PER/DCOMP. DIREITO CREDITÓRIO JÁ EXAMINADO EM OUTRO  PROCESSO.  Uma  vez  já  tendo  sido  o  direito  creditório  analisado  em  outro  processo,  não  cabe  apreciá­lo  novamente  na  mesma  instância  de  julgamento.  ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO   Ano­calendário: 2008   PER/DCOMP.  INEXISTÊNCIA  DE  CRÉDITO.  NÃO  HOMOLOGAÇÃO DAS COMPENSAÇÕES.  Uma  vez  inexistente  o  direito  creditório  pleiteado  pelo  contribuinte,  deixam­ se de homologar as compensações por ele declaradas.  PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DO VALOR DO DÉBITO.  Constatado  o  erro  material  cometido  pelo  contribuinte  no  preenchimento  do  PER/DCOMP,  com  relação  ao  valor  do  débito  a  compensar, cumpre autoridade julgadora retificá­lo, de oficio, a fim de  evitar cobrança manifestamente indevida.  Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte   Sem Crédito em Litígio   (...)  Obs: quanto ao crédito, no mérito, a matéria já foi enfrentada pela DRJ nos autos do processo nº  10783.921810/2009­31, denegando o direito creditório, cuja cópia da decisão consta (e­fls. 116/120).  Ciente  do  decisum  objeto  deste  processo  em  12/03/2013  (e­fl.  140),  a  Contribuinte apresentou Recurso Voluntário em 28/03/2013 (e­fls. 142/145), juntando ainda os  documentos de e­fls.146/165, cujas razões, em síntese, são as seguintes:      Fl. 229DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 27/06/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 27/06/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10783.917630/2009­55  Resolução nº  1802­000.531  S1­TE02  Fl. 230          5 ­ que houve erro de  fato quanto à apuração do débito do  IRPJ confessado na  DCTF primitiva do 2º trimestre/2008 (origem do crédito pleiteado). Ou seja: quando da entrega  da DCTF primitiva, foi calculado o IRPJ do 2º trimestre/2008 com coeficiente de presunção do  lucro de 32%. O coeficiente corretoé 8%, conforme DIPJ apresentada e DCTF retiticadora;  ­ que, para  comprovar a base  tributável do 2º  trimestre/2008,  juntou aos  autos  dos Processos nº 10783.916738/2009­21 e 10783.917629/2009­21, os seguintes elementos de  prova:  ­cópias  de  folhas  do  livro  Diário  quanto  à  receita  bruta  de  serviços  do  2º  trimestre/2008  = R$  2.599.455,12  (receita  acumulada  do  1º  semestre/2008  no  valor  de  R$  5.151.360,29 – R$ 2.551.95,17 receita bruta de serviços do 1º trimestre/2008;  ­ cópias do livro Registro de Serviços (ISS) com a receita bruta de serviços dos  meses de abril, maio e junho/2008, no valor de R$ 2.120.801,35;  ­ planilha de cálculo do IRPJ/2º trimestre com coeficiente de 8% (R$ 7.622,54)  e 32% (R$ 163.589,85);  ­ cópias do livro Diário – lançamento da provisão do IRPJ/2º trimestre/2008, no  valor  de  R$  48.157,84,  calculado  pelo  coeficiente  de  8%,  e  IRRF  pessoas  jurídicas  (R$  35.226,62), IRRF instituições financeiras (R$ 2.541,56) e IRRF Órgão Público (R$ 2.767,12);  ­ inclusão de diferença na base de cálculo – valor tributável ­ de R$ 478.653,77  (R$ 2.120.801,35 + R$ 478.653,77) = R$ 2.599.455,72.  Por  tudo  que  foi  exposto,  a  Contribuinte  pediu  o  reconhecimento  do  crédito  pleiteado e a extinção dos débitos confessados, mediante homologação da compensação.  É o relatório.  Fl. 230DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 27/06/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 27/06/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10783.917630/2009­55  Resolução nº  1802­000.531  S1­TE02  Fl. 231          6 Voto    Conselheiro Nelso Kichel, Relator.  O  Recurso  Voluntário  é  tempestivo  e  atende  aos  demais  requisitos  de  admissibilidade. Logo, dele conheço.  Conforme relatado, os autos tratam de processo de compensação tributária.  A  questão  central  da  lide  diz  respeito  se  o  direito  creditório  pleiteado  tem  liquidez  e  certeza,  nos  termos  do  art.  170  do  CTN,  para  quitação  dos  débitos  informados/confessados na DCOMP objeto dos autos.  A propósito dos  requisitos do crédito objetado contra o  fisco para encontro de  contas (compensação tributária), transcrevo o disposto no art. 170 do CTN, in verbis:  Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou  cuja  estipulação  em  cada  caso  atribuir  à  autoridade  administrativa,  autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos  e  certos,  vencidos ou  vincendos,  do  sujeito passivo contra a Fazenda  pública.(Vide Decreto nº 7.212, de 2010) (grifei)  No mesmo sentido dispõe o art. 268 do Decreto nº 7212, de 15/06/2010:  Art.268.O  sujeito  passivo  que  apurar  crédito  do  imposto,  inclusive  decorrente  de  trânsito  em  julgado  de  decisão  judicial,  passível  de  restituição ou de  ressarcimento, poderá utilizá­lo na compensação de  débitos  próprios  relativos  a  impostos  e  contribuições  administrados  pela  Secretaria  da  Receita  Federal  do  Brasil,  observadas  as  demais  prescrições  e  vedações  legais(Lei  nº  5.172,  de  1966,  art.  170,Lei  nº  9.430, de 1996, art. 74,Lei no10.637, de 2002, art. 49,Lei no10.833, de  2003, art. 17, eLei no11.051, de 2004, art. 4o).  §1oA  compensação  de  que  trata  o  caput  será  efetuada  mediante  a  entrega,  pelo  sujeito  passivo,  de  declaração  na  qual  constarão  informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos  compensados(Lei  nº  9.430,  de  1996,  art.  74,  §  1º,e Lei  nº  10.637,  de  2002, art. 49).  §2oA  compensação  declarada  à  Secretaria  da  Receita  Federal  do  Brasil  extingue  o  crédito  tributário,  sob  condição  resolutória  de  sua  ulterior  homologação  (Lei  nº  9.430,  de  1996,  art.  74,  §  2º,  eLei  nº  10.637, de 2002, art. 49).  No caso, a Recorrente busca o reconhecimento do direito creditório relativo ao  PA  30/06/2008  (2º  trimestre/2008),  uma  vez  que  teria  pago  a maior  o  IRPJ  relativo  a  esse  período de apuração, no regime do Lucro Presumido.       Fl. 231DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 27/06/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 27/06/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10783.917630/2009­55  Resolução nº  1802­000.531  S1­TE02  Fl. 232          7 Para  a  Contribuinte,  o  imposto  a  pagar  do  2º  trimestre/2008  seria  de  R$  7.622,55. Porém, efetuou recolhimento do IRPJ em DARF – 1ª cota/2º trimestre/2008 no valor  de R$ 54.703,91. Por consequinte,  teria efetuado pagamento a maior de imposto no valor R$  47.081,36 = (R$ 54.703,91 – R$ 7.622,55).  Entretanto,  a  decisão  recorrida  não  acatou  a  DCTF  retificadora,  com  base  na  seguinte argumentação:  a) que, em 06/10/2008, a Contribuinte confessara na DCTF imposto a pagar do  PA  –  1º  trimestre/2008  no  valor  de  R$  164.111,73  (que  o  pagamento  é  inferior  ao  débito  confessado, inexistindo crédito a ser deferido);  b) que a DCTF retificadora foi  transmitida apenas em 23/10/2009 (após a data  de  ciência  do  despacho  decisório),  reduzindo  o  imposto  do  PA  –  1º  trimestre/2008  de  R$  164.111,73 para R$ 7.622,55;  c)  que,  nessa  situação  de  redução  de  tributo  pela  DCTF  retificadora  (após  ciência  do  despacho  decisório  que  denegou  o  crédito  pleiteado  e  passou  a  exigir  os  débitos  confessados  na DCOMP),  é  necessário  comprovação  do motivo,  da  razão,  dessa  redução  de  imposto pela Contribuinte;  d) que, eventual existência de erro de  fato que pudesse  justificar a  redução do  imposto pela DCTF retificadora, não foi comprovado nos autos, pois a Contribuinte não juntara  cópia dos livros contábeis e fiscais de sua escrituração.  Nesta  instância  recursal,  a  Recorrente  rebela­se  contra  a  decisão  a  quo  que  denegou o direito creditório, alegando:  a)  que  ocorreu  erro  de  fato  em  relação  ao  débito  do  imposto  confessado  na  DCTF  primitiva,  relativo  ao  PA  –  2º  trimestre/2008,  pois  confessara  o  imposto  a  pagar  na  DCTF primitiva pela aplicação de coeficiente de presunção do lucro de 32% sobre as receitas  de  prestação  de  serviços,  quando  o  correto  é  apuração  do  imposto  com  coeficiente  de  presunção do lucro de 8%, conforme DIPJ respectiva;   b) que a DCTF retificadora foi apresentada em conformidade com a DIPJ;  c) que,  para comprovar  o  alegado  erro de  fato,  juntou cópia dos  livros de  sua  escrituração contábil/fiscal.  Compulsando  os  autos,  observa­se  que  a  Recorrente,  nesta  instânica  recursal,  também  não  justificou,  não  comprvou,  a  razão  pela  qual  busca,  pretende,  a  aplicação  do  coeficiente de presunção do lucro de 8% sobre as receitas de prestação de serviços para efeito  de  apuração  do  IRPJ,  e  não  32%.  Sem  comprovação  do  alegado  erro  de  fato  não  há  como  admitir como válida a DCTF retificadora.  Em  regra,  no  regime  de  apuração  do  Lucro  Presumido  para  a  prestação  de  serviços a legislação tributária do IRPJ impõe a aplicação do coeficiente de 32%, inclusive paa  a CSLL. e 12% (Lei nº 9.249/95, arts. 15 e 20).    Fl. 232DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 27/06/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 27/06/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10783.917630/2009­55  Resolução nº  1802­000.531  S1­TE02  Fl. 233          8 Nesse sentido, transcrevo o disposto nos arts. 15 e 20 da Lei nº 9.249/1995, com  redação atualizada pela legislação posterior, in verbis:  Art. 15. A base de cálculo do imposto, em cada mês, será determinada  mediante a aplicação do percentual de oito por cento  sobre a receita  bruta auferida mensalmente, observado o disposto nos arts. 30 a 35 da  Lei  nº  8.981,  de  20  de  janeiro  de  1995.(Vide  Lei  nº  11.119,  de  205)(Vide Medida Provisória nº 627, de 2013)(Vigência)  § 1º Nas seguintes atividades, o percentual de que trata este artigo será  de:  I  ­  um  inteiro e  seis décimos por  cento,  para a atividade de  revenda,  para  consumo,  de  combustível  derivado  de  petróleo,  álcool  etílico  carburante e gás natural;   II ­ dezesseis por cento:  a) para a atividade de prestação de serviços de transporte, exceto o de  carga,  para  o  qual  se  aplicará  o  percentual  previsto  no  caput  deste  artigo;  b) para as pessoas jurídicas a que se refere oinciso III do art. 36 da Lei  nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, observado o disposto nos §§ 1ºe 2º  do art. 29 da referida Lei;  III  ­  trinta  e  dois  por  cento,  para  as  atividades  de:(Vide  Medida  Provisória nº 232, de 2004);  a) prestação de serviços em geral, exceto a de serviços hospitalares e  de  auxílio  diagnóstico  e  terapia,  patologia  clínica,  imagenologia,  anatomia  patológica  e  citopatologia,  medicina  nuclear  e  análises  e  patologias  clínicas,  desde  que  a  prestadora  destes  serviços  seja  organizada sob a  forma de sociedade empresária e atenda às normas  da Agência Nacional de Vigilância Sanitária – Anvisa;(Redação dada  pela Lei nº 11.727, de 2008)  (...)  Art. 20. A base de cálculo da contribuição social sobre o lucro líquido,  devida  pelas  pessoas  jurídicas  que  efetuarem  o  pagamento mensal  a  que se referem osarts. 27 e 29 a 34 da Lei no8.981, de 20 de janeiro de  1995, e pelas pessoas jurídicas desobrigadas de escrituração contábil,  corresponderá a doze por cento da receita bruta, na forma definida na  legislação  vigente,  auferida  em  cada  mês  do  ano­calendário,  exceto  para as pessoas jurídicas que exerçam as atividades a que se refere o  inciso III do § 1o do art. 15, cujo percentual corresponderá a trinta e  dois  por  cento.(Redação  dada  Lei  nº  10.684,  de  2003)(Vide  Medida  Provisória nº 232, de 2004)(Vide Lei nº 11.119, de 205)(Vide Medida  Provisória nº 627, de 2013)(Vigência) (grifei)  (...)      Fl. 233DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 27/06/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 27/06/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10783.917630/2009­55  Resolução nº  1802­000.531  S1­TE02  Fl. 234          9 Frise­se que  a Lei nº 11.727  (art. 29), de 23/06/2008, que deu nova  redação à  alínea “a” do inciso III § 1º do art. 15 da Lei nº 9.249/95, permite a aplicação do coeficiente de  presunção do lucro de 8% para serviços hospitalares e atividades inerentes, in verbis:  Art. 29. A alínea a do inciso III do § 1o do art. 15 da Lei no 9.249, de 26  de dezembro de 1995, passa a vigorar com a seguinte redação:  “Art. 15. ............................................................  § 1o ..........................................................  .............................................................  III – ......................................................  a) prestação de serviços em geral, exceto a de serviços hospitalares e  de  auxílio  diagnóstico  e  terapia,  patologia  clínica,  imagenologia,  anatomia  patológica  e  citopatologia,  medicina  nuclear  e  análises  e  patologias  clínicas,  desde  que  a  prestadora  destes  serviços  seja  organizada sob a  forma de sociedade empresária e atenda às normas  da Agência Nacional de Vigilância Sanitária – Anvisa;  ..................................................................” (NR)  Desde  antes  da  edição  dessa Lei  nº  11.727/2008  (art.  29),  a  jurisprudência  do  STJ e administrativa deste CAF já admitiam a aplicação de coeficientes de presunção do lucro  reduzidos a essas atividades elencadas, desde que fosse comprovada a exploração de atividade  organizada  sob  a  forma  de  sociedade  empresária  e  com  observância  de  normas  da  Agência  Nacional de Vigilância Sanitária – Anvisa.  Entretanto,  a Recorrente,  em momento  algum nos  presentes  autos,  fez  alusão,  nem  comprovação,  de  que  as  receitas  de  prestação  de  serviços  do  ano­calendário  2008  decorreram de prestação de serviços hospitalares e de auxílio diagnóstico e terapia, patologia  clínica,  imagenologia,  anatomia  patológica  e  citopatologia,  medicina  nuclear  e  análises  e  patologias clínicas.  Compulsando  os  atos  constitutivos  da  pessoa  jurídica  (Recorrente)  –  8ª  Alteração Contratual – Consolidação do Contrato Social, de 27/10/2008 (Cláusula Terceira) (e­ fls. 08/20), observa que ela tem o seguinte objeto social:  CLÁUSULA TERCEIRA:  A Sociedade tem por Objeto Social: A Prestação de Serviços Médicos  Hospitalares, principalmente na especialização em Oncologia Clinica  e Cirúrgica, e Quimioterapia, para Apoio ao Diagnóstico e Terapia de  seus pacientes, tendo como responsável técnico perante aos órgãos de  saúde o médico ROBERTO DE OLIVEIRA LIMA;  O PA do imposto é anterior a essa Alteração Contratual nº 08, de 27/10/2008.  Logo, quanto às receitas de serviços do ano­calendário 2008, a Contribuinte não  comprou nos autos que elas decorreram de prestação de serviços hospitalares e inerentes, ou se  decorreram de serviços de meras consultas médicas = prestação de serviços em geral.   Fl. 234DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 27/06/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 27/06/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10783.917630/2009­55  Resolução nº  1802­000.531  S1­TE02  Fl. 235          10 Além  disso,  não  consta  dos  autos  que,  no  ano­calendário  2008,  a  Recorrente,  desde o início do ano, estaria organizada sob a forma de sociedade empresária e que atendia às  normas da Agência Nacional de Vigilância Sanitária – Anvisa.  Há dúvida plusível  e  insuperável, por conseguinte,  se  a Recorrente  faz  jus, ou  não,  à  apuração  do  IRPJ  e  da  CSLL,  ano­calendário  2008,  com  coeficientes  reduzidos  de  presunção do lucro para essas exações fiscais.  Sem esses elementos de prova, está prejudicada a aferição da certeza e liquidez  do crédito pleiteado.  Como  visto,  para  formação  da  convicção  do  julgador,  e  em  observância  do  princípio  da  verdade  material,  torna­se  necessário  a  realização  de  instrução  processual  complementar,  para  complementação  de  provas  pela  Recorrente  quanto  ao  direito  creditório  pleiteado, relativo ao PA – 2º trimestre/2008 – pagamento da 1ª cota.  Diante do exposto, propugno pela conversão do julgamento em diligência, para  retorno dos autos do processo à unidade de origem da RFB, ou seja, à DRF/Vitória, no sentido  de que a fiscalização:  a)  intime  a  Recorrente  a  comprovar  a  origem  ou  natureza  da  receitas  de  prestação de serviços, se decorreram de prestação de serviços hospitalares de que trata o art. 29  da Lei nº 11.727/2008 ou se decorreram de consultas médicas = prestação de serviços em geral;  b)  intime a Recorrente a comprovar se, desde o início do ano­calendário 2008,  estava  organizada  sob  a  forma  de  sociedade  empresária  e  se  atendia  às  normas  da  Agência  Nacional  de Vigilância  Sanitária – Anvisa  (juntar  cópia  de  contrato  social  abarcando  todo  o  ano­calendário  2008  e  documentos  emitidos,  espedidos  pela  Anvisa  que  autorizaram  o  funcionamento do estabelecimento da Recorrente para todo o período do ano­calendário 2008);  c)  intimar  a Recorrente  para  à  luz  da  legislação  de  regência  e da  escrituração  contábil e fiscal a comprovar o alegado erro de fato e o direito creditório pleiteado, sua liquidez  e certeza;  d)  intimar  a  Recorrrente  a  comprovar  o  valor  exato  dos  débitos  confessados  DCOMP;  e)  elabore,  ao  final  da  diligência  fiscal,  relatório  minucioso,  circunstânciado,  conclusivo  (com  demonstrativos,  planilhas),  se  a  Recorrente  no  ano­calendário  2008  (respectivos  trimestres)  auferiu  receitas  de  prestação  de  serviço  hospitalar,  para  fazer  jus  à  apuração do IRPJ e da CSLL com coeficientes de presunção do lucro reduzidos, discriminando  as receitas de serviço hospitalar e de consultas médicas, pois as receitas de consultas médicas  possuem  o  mesmo  tratamento  de  prestação  de  serviços  em  geral,  ou  seja,  é  inaplicável  o  coeficiente  reduzido  de  presunção  do  lucro,  demonstre  o  valor  de  eventual  direito  creditório  (crédito)  do  IRPJ  quanto  ao  2º  trimestre/2008  e  se  disponível  para  utilização  para  a  compensação dos débitos confessados na DCOMP;      Fl. 235DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 27/06/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 27/06/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10783.917630/2009­55  Resolução nº  1802­000.531  S1­TE02  Fl. 236          11  f) intime a Recorrente do resultado da diligência para, em querendo, apresentar  razões, abrindo prazo de trinta dias a partir da ciência.  Por tudo que foi exposto, voto pela conversão do julgamento em diligência.    (documento assinado digitalmente)  Nelso Kichel    Fl. 236DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 27/06/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 27/06/2014 por NELSO KICHEL

score : 1.0
5558924 #
Numero do processo: 13896.002288/2010-41
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 11 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Aug 12 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Exercício: 2008 IMPUGNAÇÃO. RAZÕES DE DEFESA ADICIONAIS APRESENTADAS ANTES DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. Não deve ser oposta preclusão ou intempestividade em face de razões de defesa adicionais, complementares, apresentadas pelo sujeito passivo antes da decisão de 1ª Instância. Apreensão do objetivo primordial do processo de impugnação - verificação da legalidade do lançamento. Observância do princípio da verdade material. Ausência de vedação no artigo 17 do Decreto nº. 70.235, no que se refere às matérias contestadas, em oposição à limitação temporal prescrita no artigo 16 e seus parágrafos no que tange à prova documental.
Numero da decisão: 1801-001.863
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por voto de qualidade, dar provimento parcial ao recurso voluntário para afastar a preclusão e determinar o retorno dos autos à Turma Julgadora de 1ª. Instância para se pronunciar a respeito da qualificação da multa. Vencidos os conselheiros Carmen Ferreira Saraiva, relatora, Maria de Lourdes Ramirez e Alexandre Fernandos Limiro que negavam provimento ao recurso. Designado o conselheiro Leonardo Mendonça Marques para redigir o voto vencedor. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes – Presidente (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva – Relatora (assinado digitalmente) Leonardo Mendonça Marques – Redator designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Alexandre Fernandes Limiro, Carmen Ferreira Saraiva, Leonardo Mendonça Marques, Fernando Daniel de Moura Fonseca e Ana de Barros Fernandes.
Nome do relator: CARMEN FERREIRA SARAIVA

toggle explain
    
1.0 = *:*

  
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021

anomes_sessao_s : 201402

ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Exercício: 2008 IMPUGNAÇÃO. RAZÕES DE DEFESA ADICIONAIS APRESENTADAS ANTES DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. Não deve ser oposta preclusão ou intempestividade em face de razões de defesa adicionais, complementares, apresentadas pelo sujeito passivo antes da decisão de 1ª Instância. Apreensão do objetivo primordial do processo de impugnação - verificação da legalidade do lançamento. Observância do princípio da verdade material. Ausência de vedação no artigo 17 do Decreto nº. 70.235, no que se refere às matérias contestadas, em oposição à limitação temporal prescrita no artigo 16 e seus parágrafos no que tange à prova documental.

turma_s : Primeira Turma Especial da Primeira Seção

dt_publicacao_tdt : Tue Aug 12 00:00:00 UTC 2014

numero_processo_s : 13896.002288/2010-41

anomes_publicacao_s : 201408

conteudo_id_s : 5366599

dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Aug 12 00:00:00 UTC 2014

numero_decisao_s : 1801-001.863

nome_arquivo_s : Decisao_13896002288201041.PDF

ano_publicacao_s : 2014

nome_relator_s : CARMEN FERREIRA SARAIVA

nome_arquivo_pdf_s : 13896002288201041_5366599.pdf

secao_s : Primeira Seção de Julgamento

arquivo_indexado_s : S

decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por voto de qualidade, dar provimento parcial ao recurso voluntário para afastar a preclusão e determinar o retorno dos autos à Turma Julgadora de 1ª. Instância para se pronunciar a respeito da qualificação da multa. Vencidos os conselheiros Carmen Ferreira Saraiva, relatora, Maria de Lourdes Ramirez e Alexandre Fernandos Limiro que negavam provimento ao recurso. Designado o conselheiro Leonardo Mendonça Marques para redigir o voto vencedor. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes – Presidente (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva – Relatora (assinado digitalmente) Leonardo Mendonça Marques – Redator designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Alexandre Fernandes Limiro, Carmen Ferreira Saraiva, Leonardo Mendonça Marques, Fernando Daniel de Moura Fonseca e Ana de Barros Fernandes.

dt_sessao_tdt : Tue Feb 11 00:00:00 UTC 2014

id : 5558924

ano_sessao_s : 2014

atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:25:32 UTC 2021

sem_conteudo_s : N

_version_ : 1713046816040157184

conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 27; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2262; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1­TE01  Fl. 1.511          1 1.510  S1­TE01  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  13896.002288/2010­41  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  1801­001.863  –  1ª Turma Especial   Sessão de  11 de fevereiro de 2014  Matéria  LUCRO ARBITRADO  Recorrente  STUDIO M COM. E CONFECÇÃO DE ROUPAS LTDA, JOSÉ CARLOS  DA PIEDADE NUNES e MARLUCE FERNANDES DE ALBUQUERQUE  NUNES  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL  Exercício: 2008  IMPUGNAÇÃO. RAZÕES DE DEFESA ADICIONAIS APRESENTADAS  ANTES DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA.   Não  deve  ser  oposta  preclusão  ou  intempestividade  em  face  de  razões  de  defesa adicionais, complementares, apresentadas pelo sujeito passivo antes da  decisão  de  1ª  Instância.  Apreensão  do  objetivo  primordial  do  processo  de  impugnação ­ verificação da legalidade do lançamento. Observância do princípio da  verdade material. Ausência de vedação no artigo 17 do Decreto nº. 70.235, no que se  refere às matérias contestadas, em oposição à limitação temporal prescrita no artigo  16 e seus parágrafos no que tange à prova documental.       Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam os membros do Colegiado, por voto de qualidade, dar provimento  parcial ao recurso voluntário para afastar a preclusão e determinar o retorno dos autos à Turma  Julgadora de 1ª. Instância para se pronunciar a respeito da qualificação da multa. Vencidos os  conselheiros  Carmen  Ferreira  Saraiva,  relatora,  Maria  de  Lourdes  Ramirez  e  Alexandre  Fernandos  Limiro  que  negavam  provimento  ao  recurso.  Designado  o  conselheiro  Leonardo  Mendonça Marques para redigir o voto vencedor.  (assinado digitalmente)  Ana de Barros Fernandes – Presidente  (assinado digitalmente)  Carmen Ferreira Saraiva – Relatora     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 89 6. 00 22 88 /2 01 0- 41 Fl. 1512DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por LEONARDO MENDONCA MARQUES, Assinado digitalmente em 06/08 /2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por LEONARDO MENDONCA MARQUES , Assinado digitalmente em 04/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 13896.002288/2010­41  Acórdão n.º 1801­001.863  S1­TE01  Fl. 1.512          2 (assinado digitalmente)  Leonardo Mendonça Marques – Redator designado    Participaram  do  presente  julgamento  os  Conselheiros:  Maria  de  Lourdes  Ramirez,  Alexandre  Fernandes  Limiro,  Carmen  Ferreira  Saraiva,  Leonardo  Mendonça  Marques, Fernando Daniel de Moura Fonseca e Ana de Barros Fernandes.    Relatório  Exclusão do Simples    A partir da Representação Fiscal para fins de Exclusão do Simples, fls. 04­06  e  37,  a  Recorrente  optante  pelo  Regime  Especial  Unificado  de  Arrecadação  de  Tributos  e  Contribuições devidos pelas Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (Simples Nacional)  foi  excluída  de  ofício  a  partir  de  01.07.2007  mediante  o  Ato  Declaratório  Executivo  DRF/BRE/SECAT  nº  37,  de  21.10.2010,  em  virtude  de  não  manter  o  Livro  Caixa  e  ainda  ultrapassar o limite da receita bruta no ano­calendário de 2007, fl. 38 (art. 3º, art. 28, art. 29,  art. 30 e art. 31 da Lei Complementar nº123, de 14 de dezembro de 2006).    Autos de Infração    I ­ Contra a Recorrente acima identificada foi lavrado o Auto de Infração às  fls. 92­98 com a exigência do crédito tributário no valor de R$246.498,92, a título de Imposto  sobre  a  Renda  da  Pessoa  Jurídica  (IRPJ),  juros  de  mora  e  multa  de  ofício  proporcional  qualificada,  apurado  pelo  regime  de  tributação  com  base  no  lucro  arbitrado,  referente  aos  terceiro  e  quarto  trimestres  do  ano­calendário  de  2007,  em  conformidade  com  o  Termo  de  Verificação Fiscal, fls. 79­91.  A  Recorrente  deixou  de  apresentar  o  Livro  Caixa  com  a  movimentação  financeira, inclusive bancária, e as notas fiscais relativamente à receita da atividade de venda  de mercadorias, em conformidade com o Termo de Verificação Fiscal, fls. 79­92.   O  lançamento  fundamenta­se  na  omissão  de  receitas  da  atividade  pelas  vendas com cartões de crédito e débito não escriturados, cuja apuração foi efetivada a partir do  cotejo entre os valores informados pelas seguintes administradoras:   ­ na Hipercard Banco Múltiplo S/A, fls. 726­883 e 939­940;  ­ na Redecard S/A, fls. 220­387 e 943­993;  Fl. 1513DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por LEONARDO MENDONCA MARQUES, Assinado digitalmente em 06/08 /2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por LEONARDO MENDONCA MARQUES , Assinado digitalmente em 04/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 13896.002288/2010­41  Acórdão n.º 1801­001.863  S1­TE01  Fl. 1.513          3 ­ na Visanet, fls. 388­719;  ­ no Banco Bankpar S/A, fls. 893­934 e 1084­1120;  ­ no American Express S/A, fls. 164­219; e  ­ no Cielo S/A, fls. 784­890 e 996­1080.  Esses  valores  constam  nos  extratos  apresentados  pelas  instituições  financeiras,  em  atendimento  às Requisições  de  Informações  sobre Movimentação  Financeira  (RMF), fls. 720­725, 891­892, 941­942 e 994­995 e as informações constantes na Declaração  Simplificada da Pessoa Jurídica – Simples (DSPJ – Simples), referente ao período de julho a  dezembro  do  ano­calendário  de  2007,  fls.  15­35  e  1125­1145  e  a  Planilha  de  Registro  de  Receitas, fls. 1150­1184.   Para tanto, foi indicado o seguinte enquadramento legal: inciso I do art. 27 e  art. 42 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996 e incisos II e III do art. 530, art. 532 e art.  537 do Regulamento do Imposto de Renda constante no Decreto nº 3.000, de 26 de março de  1999 (RIR, de 1999).  Em decorrência de  serem os mesmos elementos de provas  indispensáveis  à  comprovação dos  fatos  ilícitos  tributários  foram constituídos os  seguintes créditos  tributários  pelos lançamentos formalizados neste processo:  II  – O Auto  de  Infração  às  fls.  99­104  a  exigência  do  crédito  tributário  no  valor de R$126.193,81 a título de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), juros de  mora  e  multa  proporcional  qualificada.  Para  tanto,  foi  indicado  o  seguinte  enquadramento  legal:  §§ do  art.  2º  da Lei nº 7.689, de 15 de dezembro de 1988,  art.  20  e  art.  24 da Lei nº  9.249, de 26 de dezembro de 1995, art. 29 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, bem  como art. 37 da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002.  III ­ O Auto de Infração às fls. 105­111 com a exigência do crédito tributário  no valor de R$76.157,24 a título de Contribuição para o Programa de Integração Social (PIS),  juros  de  mora  e  multa  proporcional  qualificada.  Para  tanto,  foi  indicado  o  seguinte  enquadramento legal: art. 1º e art. 3º da Lei Complementar nº 7, de 7 de setembro de 1970, § 2º  do art. 24 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, bem como parágrafo único e alínea “a”  do  inciso  I  do  art.  2º,  art.  3º,  art.  10,  art.  22,  art.  51  e  art.  91 do Decreto nº 4.524 de 17 de  dezembro de 2002.  IV – O Auto de Infração às fls. 112­118 com a exigência do crédito tributário  no valor de R$351.495,51 a título de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social  (Cofins),  juros de mora  e multa proporcional qualificada. Para  tanto,  foi  indicado o  seguinte  enquadramento legal: parágrafo único do inciso II do art. 2º, art. 3º, art. 10, art. 22, art. 51 e art.  91 do Decreto nº 4.524 de 17 de dezembro de 2002.  Houve  lavratura  dos  Termos  de  Sujeição  Passiva  Solidária  em  nome  dos  sócios  administradores  José  Carlos  da  Piedade  Nunes,  fl.  123  e  Marluce  Fernandes  de  Albuquerque  Nunes,  fl.  126,  ambos  cientificados  por  via  postal,  respectivamente,  em  26.03.2011,  fls.  124­125  e  em  05.03.2011,  fl.  1155.  Esse  procedimento  se  fundamenta  nas  informações  constantes  na Ficha Cadastral  da  Junta Comercial  do Estado  de  São  Paulo,  fls.  Fl. 1514DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por LEONARDO MENDONCA MARQUES, Assinado digitalmente em 06/08 /2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por LEONARDO MENDONCA MARQUES , Assinado digitalmente em 04/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 13896.002288/2010­41  Acórdão n.º 1801­001.863  S1­TE01  Fl. 1.514          4 1190­1192 e dados constantes nos registros  internos da RFB, fls. 1187­1189 (inciso  I do art.  124 e inciso III do art. 135 do Código Tributário Nacional).    Instauração do Litígio ­ Exclusão do Simples Nacional    Cientificada por via postal, em 04.11.2010, fl. 46, apresenta manifestação de  inconformidade, em 26.11.2010, fls. 48­53.  Tece esclarecimentos sobre a ação fiscal informando que:  Sendo assim, douto julgador, a exclusão do Regime Simples Nacional é, como  será  demonstrado,  nula  de  pleno  direito,  por  padecer  de  vício  insanável:  o  cerceamento da defesa do contribuinte.  Explique­se: a exclusão do Regime Especial de Tributação Simples Nacional  é  a  sanção  mais  grave  dentre  as  existentes  para  essa  sistemática  de  tributação,  devendo  ser  aplicada  somente  em  casos  extremos  e  devidamente  resguardados  os  direitos  do  contribuinte.  No  caso  em  comento,  o  processo  administrativo  foi  instaurado como um mero instrumento de produção de provas contra o contribuinte,  não tendo sido oportunizado ao mesmo o direito de se manifestar sobre o que vinha  sendo acusado. Enquanto aguardava que lhe fosse oportunizado o direito de defesa,  constitucionalmente salvaguardado, foi surpreendido com o ADE informando sobre  a sua exclusão do Simples.   Como se  isso não bastasse, constatou que a exclusão havia  sido aplicada de  forma retroativa, ou seja, estaria excluído da sistemática especial de tributação desde  o dia 01/07/2007. Mas esse absurdo será tratado em tópico seguinte. Nos ateremos,  por enquanto, aos vícios do processo administrativo e da penalidade aplicada.  Como  é  cediço,  ao  sujeito  passivo  da  obrigação  tributária  e  da  relação  processual administrativa deve ser dada a oportunidade de contestar e se defender de  todos  os  fatos  que  lhe  estão  sendo  imputados.  Até  por  questão  de  lógica,  a  penalidade só pode e só deve ser aplicada, se cabível, no final do processo, quando  devidamente constatado que o contribuinte encontrava­se em falta com o Fisco, de  alguma forma. Mas não foi bem isso que ocorreu. O já mencionado ADE teve como  fito  a  aplicação  da  penalidade  mais  severa  para  os  casos  envolvendo  supostas  irregularidades  fiscais,  Sem  ter  sequer  se  manifestado  nos  autos  do  processo  administrativo  epigrafado, o  contribuinte  se viu numa  situação de vulnerabilidade,  até por sua hipossuficiência em relação ao Fisco Federal. Seu direito de defesa foi  violenta  e  flagrantemente  violado  e,  no  jargão  jurídico  "cercear  a  defesa  mata  a  autuação". [...]  Diante  de  todo  o  exposto,  requer  a  defendente,  em  sede  de  preliminar,  a  nulidade  total  do  processo  administrativo  fiscal  e  do ADE,  haja  vista  o  direito  de  defesa da empresa autuada  ter sido  flagrantemente violado pela não oportunização  do  direito  de  se  manifestar  sobre  o  que  lhe  estava  sendo  imputado  no  processo  administrativo 13896.002288/2010­41.  Em relação à quebra do sigilo bancário defende a tese de que:  Fl. 1515DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por LEONARDO MENDONCA MARQUES, Assinado digitalmente em 06/08 /2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por LEONARDO MENDONCA MARQUES , Assinado digitalmente em 04/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 13896.002288/2010­41  Acórdão n.º 1801­001.863  S1­TE01  Fl. 1.515          5 Como  já  esclarecemos,  o  processo  administrativo  epigrafado,  oriundo  de  Representação Administrativa da SRFB, foi concebido sob o fito de reunir supostas  provas  contra  o  contribuinte,  não  tendo  sido  ao mesmo  oportunizado  o  direito  de  defesa, constitucionalmente assegurado.  Muito embora tenha atendido a todos os pedidos dos r. auditores fiscais com a  apresentação  de  documentos,  o  contribuinte  teve  seu  sigilo  bancário  violado  de  forma arbitrária e ilegal. [...]  Como é cediço, as movimentações financeiras de qualquer empresa ­ pessoas  jurídicas  ­  devem  ser  incluídas  no  conceito  de  sigilo,  assegurada  pela  própria  Constituição  Federal.  Trata­se  do  sigilo  bancário,  desdobramento  da  proteção  aos  dados e à intimidade, prevista no artigo 5º, X e X II da CF. [...]  Desta  feita,  não  pode  ser  outra  a  conclusão  senão  a  de  considerar  inconstitucional  a quebra do  sigilo  bancário  do  contribuinte,  pelo  que  entendemos  por correta a desconsideração dos relatórios resultantes da aludida quebra de sigilo,  por se tratar de prova ilícita. [...]  Como podemos perceber, já encontra­se sedimentado o entendimento de que,  também no âmbito do processo administrativo  tributário, não podem ser admitidas  provas  ilícitas  nem  provas  delas  derivadas,  sob  pena  de  desrespeito  absoluto  aos  postulados  do  Estado  Democrático  de  Direito  e  às  garantias  individuais  dos  contribuintes.  Concluindo,  temos  que  é  insofismável  a  ilicitude  dos  relatórios  de  movimentação  bancária  relativa  às  operações  com  cartão  de  crédito  pelo  que  pugnamos pela total desconsideração das mesmas e consequentemente pela nulidade  do ADE  que  determinou  a  exclusão  do  contribuinte  do  Simples  Nacional,  com  a  imediata  re­inclusão  do mesmo na  sistemática  de  tributação  por Regime Especial.  [...]  Pertinente  aos  efeitos  retroativos  da  exclusão  do  Simples Nacional,  suscita  que:  A empresa contribuinte foi excluída do Simples Nacional de forma retroativa,  devendo  os  efeitos  dessa  exclusão  retroagirem  até  o  dia  01  de  julho  de  2007.  A  conseqüência  prática  dessa  exclusão  retroativa  é  extremamente  temerosa  para  o  contribuinte,  uma  vez  que  dela  decorrerá  um  passivo  tributário  de  grande monta,  impossível de ser cumprido pelo contribuinte.  Ademais,  a  exclusão  retroativa  do  Simples Nacional  fere  algumas  garantias  constitucionais fundamentais. do contribuinte, a exemplo do direito adquirido (CF,  artigo  5o,  XXXVI),  bem  como  a  irretroatividade  da  lei  tributária,  salvo  para  beneficiar o contribuinte.  A empresa não  recebeu qualquer notificação ou  intimação da SRFB durante  os anos de 2007, 2008 e 2009. Ora, douto julgador, se a autoridade administrativa  permitiu que  a  empresa operasse durante  todos  esses anos  à  luz da  sistemática do  Simples Nacional, está configurada uma situação de fato, que não importa em ilícito.  [...]  Portanto, muito embora a exclusão do Simples, de modo geral, seja  ilegal, a  exclusão  retroativa  representa  verdadeiro  absurdo.  Se  a  exclusão  tivesse  embasamento  legal,  e  considerando  que  o  ADE  que  determinou  a  exclusão  da  Fl. 1516DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por LEONARDO MENDONCA MARQUES, Assinado digitalmente em 06/08 /2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por LEONARDO MENDONCA MARQUES , Assinado digitalmente em 04/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 13896.002288/2010­41  Acórdão n.º 1801­001.863  S1­TE01  Fl. 1.516          6 empresa do Simples data de 21 de outubro de 2010, seus efeitos deviam ser operados  no mundo dos fatos somente a partir de novembro de 2010.  Com  o  objetivo  de  fundamentar  as  razões  apresentadas  na  peça  de  defesa,  interpreta  a  legislação  pertinente,  indica  princípios  constitucionais  que  supostamente  foram  violados e faz referências a entendimentos doutrinários e jurisprudenciais em seu favor.   Conclui  Diante de todo o exposto, e considerando:  a)  o  cerceamento  de  defesa  no  processo  administrativo  fiscal  de  n°  13896.002288/2010­41, uma vez que foi aplicada a penalidade mais severa sem que  o  contribuinte  tivesse  sequer  sido  ouvido  ou  à  ele  oportunizado  direito  de  se  manifestar sobre o que lhe estava sendo imputado;  b) a ilicitude do meio pelo qual a principal prova do processo foi concebida ­  a quebra de sigilo;  c)  a  ilegalidade  e  inconstitucionalidade  da  exclusão  de  forma  retroativa  do  Simples Nacional;  O  contribuinte  vem,  respeitosamente  à  presença  de  V.  Sa.  para  requerer  a  NULIDADE do ADE DRF/BRE/SECAT n° 37/2010, com a imediata re­inclusão no  Regime Especial de Tributação Simples Nacional. Caso V. Sa. assim não entenda,  que considere os efeitos da exclusão somente a, partir do mês de dezembro de 2009,  por ser medida da mais lídima justiça.  Nestes Termos, Pede e Espera Deferimento.    Instauração do Litígio ­ Autos de Infração    Cientificada em 05.03.2011,  fl. 122, a Recorrente apresentou a  impugnação  em 01.04.2011, fls. 133­142.  Tece esclarecimentos sobre a ação fiscal informado que:  Ocorre  que  barreiras  de  ordem  formal  e material  se  contrapõem  à  autuação  consubstanciada no processo epigrafado, pelo que não merece guarida o lançamento  tributário, devendo o mesmo ser julgado improcedente em todos os seus termos.  Em relação à quebra do sigilo bancário defende a tese de que:  Conforme narrado no Termo de Verificação Fiscal ­ MPF [...] o contribuinte  foi  intimado para apresentar demonstrativo contendo o  resumo mensal dos valores  recebidos pela empresa através de repasses de administradoras de cartões de crédito  e débito, o que foi de pronto atendido.  Não obstante o atendimento à  solicitação fiscal, o fiscal alega  ter observado  "falhas  que  caracterizaram  a  hipótese  de  indispensabilidade  do  exame  das  informações junto às administradoras dos cartões", pelo que emitiu para as mesmas  "Solicitação de emissão de informações sobre movimentação financeira".  Fl. 1517DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por LEONARDO MENDONCA MARQUES, Assinado digitalmente em 06/08 /2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por LEONARDO MENDONCA MARQUES , Assinado digitalmente em 04/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 13896.002288/2010­41  Acórdão n.º 1801­001.863  S1­TE01  Fl. 1.517          7 Assim,  restou  cristalinamente  comprovado  que  a  empresa  teve  seu  sigilo  quebrado no curso do processo administrativo de fiscalização.  Como é cediço, as movimentações financeiras de qualquer empresa ­ pessoas  jurídicas  ­  devem  ser  incluídas  no  conceito  de  sigilo,  assegurada  pela  própria  Constituição  Federal.  Trata­se  do  sigilo  bancário,  desdobramento  da  proteção  aos  dados e à intimidade, prevista no artigo 5º, X e XII da CF. [...]  Desta  feita,  não  pode  ser  outra  a  conclusão  senão  a  de  considerar  inconstitucional  a quebra do  sigilo  bancário  do  contribuinte,  pelo  que  entendemos  por correta a desconsideração dos relatórios resultantes da aludida quebra de sigilo,  por se tratar de prova ilícita. [...]  Desse modo, torna­se clara a relevância desse dispositivo constitucional, pois  ele  representa  uma  verdadeira  garantia  ao  cidadão  contra  a  ação  persecutória  do  Estado.  Portanto, trazendo à baila a Teoria dos frutos da árvore envenenada, segundo  a  qual  as  provas  decorrentes  das  provas  ilícitas  são  contaminadas  pela  ilicitude  destas últimas, devendo ser igualmente desconsideradas no âmbito do processo. [...]  Como podemos perceber já se encontra sedimentado o entendimento de que,  também no âmbito do processo administrativo  tributário, não podem ser admitidas  provas  ilícitas  nem  provas  delas  derivadas,  sob  pena  de  desrespeito  absoluto  aos  postulados  do  Estado  Democrático  de  Direito  e  às  garantias  individuais  dos  contribuintes.  Concluindo,  temos  que  é  insofismável  a  ilicitude  dos  relatórios  de  movimentação  bancária  relativa  às  operações  com  cartão  de  crédito  pelo  que  pugnamos  pela  total  desconsideração  das  mesmas  no  âmbito  do  processo  administrativo epigrafado.  Relativamente à justificativa da quebra de sigilo, ressalta que:  No Termo de Verificação Fiscal (MPF 0812800.2010.00057­0/05), o auditor  fiscal,  no  Item  1,  no  qual  descreve  o  procedimento  fiscal,  afirma  que  "tendo  analisado os extratos fornecidos pelo contribuinte, anexados às folhas 09 a 536, esta  fiscalização observou faltas que caracterizaram a hipótese de indispensabilidade do  exame das informações junto às administradoras dos cartões, conforme previsão do  art.  3o  do  Decreto  3.724/2001,  bem  como  constatou  a  necessidade  do  seu  cotejamento  com  os  dados  arquivados  nessas  instituições,  tendo  resultado  na  emissão  da  'Solicitação  de  Emissão  de  Informações  Sobre  Movimentação  Financeira', anexada às fls. 537 a 540". [...]  Assim, não havendo previsão  legal para a referida solicitação de emissão de  informações  sobre  movimentação  financeira  às  operadoras  e  administradoras  de  cartão de  crédito, mais uma vez  resta  incontroversa  a nulidade das provas obtidas  por  este  meio,  que  devem  ser  desconsideradas  sob  pena  de  nulidade  de  todo  o  processo administrativo.  Pertinente à nulidade do Auto de Infração, suscita que:  No Termo de Verificação Fiscal  (MPF 0812800.2010.00057­0/05) o  auditor  fiscal foi claro ao afirmar, no item 5, que " os pagamentos efetuados na sistemática  do Simples Nacional não foram considerados para efeito de abatimento dos valores  devidos  na  sistemática  do  lucro  arbitrado”.  Justifica  tal  ato  através  da  Resolução  Fl. 1518DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por LEONARDO MENDONCA MARQUES, Assinado digitalmente em 06/08 /2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por LEONARDO MENDONCA MARQUES , Assinado digitalmente em 04/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 13896.002288/2010­41  Acórdão n.º 1801­001.863  S1­TE01  Fl. 1.518          8 CGSN 39/2008, que preconiza que não haverá compensação entre créditos relativos  a  tributos  abrangidos pelo Simples Nacional  enquanto não houver  regulamentação  específica do CGSN. [...]  Nesse  passo,  não  se  pode  olvidar  a  nulidade  do  auto  de  infração  lavrado,  porquanto  ilíquido,  pois  pretende  abranger  em  seu  montante  valor  já  pago  pelo  contribuinte e reconhecido pela própria autoridade fazendária.  Diante  disso,  pugna  a  empresa  pela  nulidade  do  auto  de  infração,  com  sua  conseqüente extinção e arquivamento.  A respeito do arrolamento de bens dos sócios destaca que:  Como já dito anteriormente, foram lavrados termos de arrolamento de bens e  direitos  em  desfavor  dos  sócios  da  empresa  ora  defendente.  Através  do  mesmo,  vários  imóveis  e  veículos  encontram­se  verdadeiramente  indisponíveis  patrimonialmente para os sócios. [...]  Ademais,  temos  que  o  arrolamento  de  bens  ainda  na  seara  administrativa  constitui  verdadeira  afronta  ao  devido  processo  legal  e  aos  princípios  da  ampla  defesa  e  do  contraditório,  uma  vez  que,  inexistindo  decisão  administrativa  não  há  crédito fiscal exigível e definitivamente constituído. Por este motivo o CTN, em seu  artigo 151, III prevê a suspensão da exigibilidade do crédito tributário nos casos de  reclamação  ou  recurso  administrativo.  Nesses  casos,  não  há  certeza  sequer  sobre  existência do crédito tributário. [...]  Assim,  não merece  guarida  o  arrolamento  de  bens  dos  sócios,  por  todos  os  motivos acima expostos, quiçá da  sócia quotista, que,  sem praticar nenhum ato de  gestão na sociedade viu­se numa situação de total indisponibilidade patrimonial.  Com  o  objetivo  de  fundamentar  as  razões  apresentadas  na  peça  de  defesa,  interpreta  a  legislação  pertinente,  indica  princípios  constitucionais  que  supostamente  foram  violados e faz referências a entendimentos doutrinários e jurisprudenciais em seu favor.   Conclui  Diante de todo o exposto, e considerando:  a) a ilicitude do meio pelo qual a principal prova do processo foi concebida –  a quebra de sigilo sem autorização judicial;  b)  a  inexigibilidade  do  crédito  tributário,  porquanto  ilíquido  e  não  definitivamente constituído;  c)  a  ilegalidade  e  inconstitucionalidade  do  arrolamento  e  indisponibilidade  dos bens dos sócios da empresa;  A empresa defendente, por meios de seus sócios, vem requerer a anulação do  auto  de  infração,  por  conter  vícios  formais  e  materiais,  com  sua  conseqüente  extinção e arquivamento. Requer, ainda, a desoneração de todos os bens dos sócios.  Caso V. Sa. assim não entenda, que considere os mandamentos jurisprudenciais no  sentido  de  vedação  à  responsabilização  patrimonial  do  sócio  meramente  quotista,  desonerando os bens arrolados da Sra. Marluce Fernandes de Albuquerque Nunes.  Nestes Termos, Pede e Espera Deferimento.  Fl. 1519DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por LEONARDO MENDONCA MARQUES, Assinado digitalmente em 06/08 /2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por LEONARDO MENDONCA MARQUES , Assinado digitalmente em 04/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 13896.002288/2010­41  Acórdão n.º 1801­001.863  S1­TE01  Fl. 1.519          9 A  Recorrente  em  16.06.2011  apresenta  aditamento  à  impugnação,  fls.  1238­ 1241.   A  respeito  da  aplicação  da multa  de ofício  proporcional  qualificada  suscita  que:  Destarte, então, não se afigura pertinente, “ad argumentandum tantum”, não  obstante  o mais,  a multa  qualificada  de  150% aplicada  pela  fiscalização  autuante,  tanto em relação ao principal quanto aos reflexos, nos exatos termos do acórdão n°  103­19.697,  prolatado  pela  então  Terceira  Câmara  do  Primeiro  Conselho  de  Contribuintes, quando assim consignado em relação à penalidade qualificada em se  tratando de autuação fiscal abrangendo operações com cartões de crédito [...].  Assim,  reiterado o mais,  impõe­se,  senão o  reconhecimento  e declaração de  insubsistência  da  autuação  fiscal  principal  e  seus  reflexos  dada  intima  relação  de  causa e efeito que os atinge, então a redução da multa indevidamente qualificada em  150%.  Está  registrado  como  resultado  do Acórdão  da  5ª  TURMA/DRJ/CPS/SP  nº  05­34.066, de 22.06.2011, fls. 1275­1315: “Impugnação Procedente em Parte”, porque “impõe­ se a exclusão das parcelas de IRPJ, CSLL, PIS e Cofins que integram os DARF recolhidos sob  código  3333  (Simples  Nacional),  identificadas  nos  sistemas  informatizados  (Sief)  para  os  períodos autuados, conforme pesquisa juntada no arquivo “Documentos Diversos DARF”.  Restou ementado:  ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL   Período de apuração: 01/07/2007 a 31/12/2007   MATÉRIAS  NÃO  IMPUGNADAS.  Consolidam­se  administrativamente  as  matérias  não  expressamente  impugnadas  no  prazo  legal,  quais  sejam:  motivos  da  exclusão  do  Simples  (inexistência  de  Livro  Caixa,  excesso  de  receita),  falta  de  emissão  de  documento  fiscal  de  venda,  omissão  de  receitas,  redução  indevida  de  tributos, forma de tributação adotada na autuação, penalidade aplicada.  PETIÇÃO  INTEMPESTIVA.  Não  prospera  a  pretensão  do  contribuinte  de,  por  meio  de  petição  intempestivamente  apresentada,  veicular  novas  razões  de  impugnação, se ultrapassado o prazo para manifestação contra as  infrações que lhe  foram  imputadas  e  não  configuradas  as  hipóteses  em  que  complementações  são  admitidas.  NULIDADE.  INOCORRÊNCIA.  São  considerados  nulos  somente  atos  e  termos  lavrados  por  pessoa  incompetente  e  despachos  e  decisões  proferidos  por  autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa, nos termos do art.  59,  incisos  I e  II, do Decreto nº 70.235, de 1972 (PAF), hipóteses cuja ocorrência  não  restou  comprovada,  sobretudo  tendo  em  conta  que  foi  o  contribuinte  regularmente  cientificado  do  ato  declaratório  de  exclusão  e  do  auto  de  infração  e  seus anexos, lavrados com observância das formalidades legais de tal forma a lhe ser  assegurado o direito de questionar a exclusão e as exigências nos termos das normas  que regulam o processo administrativo fiscal.  CERCEAMENTO  DE  DEFESA.  FASE  PROCEDIMENTAL.  CARÁTER  INQUISITÓRIO.  Não  se  cogita  de  ofensa  ao  princípio  constitucional  da  ampla  Fl. 1520DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por LEONARDO MENDONCA MARQUES, Assinado digitalmente em 06/08 /2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por LEONARDO MENDONCA MARQUES , Assinado digitalmente em 04/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 13896.002288/2010­41  Acórdão n.º 1801­001.863  S1­TE01  Fl. 1.520          10 defesa e contraditório enquanto não instaurado o litígio, que, na espécie, inaugura­se  com a manifestação de inconformidade e com a impugnação.  DESCONSIDERAÇÃO  DE  PAGAMENTOS.  SANEAMENTO.  A  desconsideração  de  pagamentos  efetuados  na  modalidade  do  Simples  constitui  irregularidade que em nada afeta a validade do lançamento, classificando­se dentre  aquelas previstas no citado art. 60 do Decreto 70.235/72 e exigindo somente o seu  saneamento, que se processa, em sede de julgamento, mediante declaração da parcial  procedência do lançamento.  ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO   Período de apuração: 01/07/2007 a 31/12/2007   SIGILO  BANCÁRIO.  A  utilização  de  informações  regularmente  obtidas  junto  a  administradoras  de  cartões  de  crédito  e  débito  não  caracteriza  violação  de  sigilo bancário, sendo desnecessária prévia autorização judicial.  REQUISIÇÃO  DE  MOVIMENTAÇÃO  FINANCEIRA.  ILEGALIDADE  DAS PROVAS OBTIDAS. INOCORRÊNCIA.  Demonstrada  a  indispensabilidade  de  obtenção  de  informações  junto  a  instituições financeiras ou entidades a elas equiparadas, o que ensejou a emissão de  RMF  Requisição  de  Movimentação  Financeira  pela  autoridade  administrativa  competente, não se cogita de ilegalidade da prova obtida.  ARROLAMENTO DE BENS. Não se  insere no âmbito de competência das  Delegacias  de  Julgamento,  apreciação  do  procedimento  de  arrolamento  efetivado  pela autoridade lançadora.  ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL   Período de apuração: 01/07/2007 a 31/12/2007   OPÇÃO.  REVISÃO.  EXCLUSÃO  RETROATIVA.  POSSIBILIDADE.  A  opção  pela  sistemática  do  Simples  é  ato  do  contribuinte  sujeito  a  condições  e  passível  de  fiscalização  posterior.  A  exclusão  com  efeitos  retroativos,  quando  verificado  que  o  contribuinte  infringiu  hipóteses  impeditivas  para  usufruir  o  benefício, é admitida pela Lei que institui a sistemática.  INEXISTÊNCIA  DE  LIVRO  CAIXA.  FALTA  DE  EMISSÃO  DE  DOCUMENTO FISCAL DE VENDA. EXCESSO DE RECEITA. SISTEMÁTICA  DO SIMPLES NACIONAL. EXCLUSÃO. Constatadas hipóteses legais de exclusão  do  Simples  Nacional,  cuja  ocorrência  não  foi  afastada  pela  defesa,  mantém­se  a  exclusão  regularmente  formalizada  pela  autoridade  competente  da  unidade  jurisdicionante do contribuinte.  ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ   Período de apuração: 01/07/2007 a 31/12/2007   OMISSÃO DE RECEITAS. Não afastada a constatação fiscal de omissão de  receitas de vendas com cartões de débito  e  crédito, mantêm­se  as  correspondentes  exigências de IRPJ e tributação reflexa de CSLL, PIS e COFINS.  PAGAMENTOS  EFETUADOS  NA  MODALIDADE  DO  SIMPLES  NACIONAL.  Excluem­se  do  lançamento  de  ofício  as  parcelas  correspondentes  a  Fl. 1521DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por LEONARDO MENDONCA MARQUES, Assinado digitalmente em 06/08 /2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por LEONARDO MENDONCA MARQUES , Assinado digitalmente em 04/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 13896.002288/2010­41  Acórdão n.º 1801­001.863  S1­TE01  Fl. 1.521          11 IRPJ, CSLL,  PIS  e COFINS,  integrantes  de  recolhimentos  anteriores  ao  início  do  procedimento, efetuados na modalidade do Simples Nacional.  TRIBUTAÇÃO  REFLEXA.  CSLL.  PIS.  COFINS.  Em  se  tratando  de  exigências reflexas que têm por base os mesmos fatos que ensejaram o lançamento  do IRPJ, a decisão de mérito prolatada no principal constitui prejulgado na decisão  dos decorrentes.  Notificada em 28.07.2011, fl. 1322, a Recorrente apresentou em 26.08.2011, fl.  1348,  o  recurso  voluntário,  fls.  1325­1347,  esclarecendo  a  peça  atende  aos  pressupostos  de  admissibilidade.  Discorre  sobre  o  procedimento  fiscal  contra  o  qual  se  insurge  e  reitera  os  argumentos apresentados na peça impugnatória.  Acrescenta:  De início importa focar a questão da quebra do sigilo ­operadoras dos cartões  de  crédito,  matéria  por  demais  debatida,  tendo  cuidado  o  julgador  de  registrar  doutrina e jurisprudência, também do Poder Judiciário a seu favor. [...]  Nesta  altura  o  tema  dispensa  repetições.  É  o  do momento.  Relação  entre  o  faturamento  declarado  e  o  pagamento  pelas  empresas  de  cartões  de  crédito.  Em  sendo menor aquele a conclusão resulta em acusação de omissão de receita com a  cobrança do IRPJ e seus reflexos. [...]  Ainda  vale­se  sempre  o  Fisco  Federal  do  entendimento  que  envolvendo  a  questão matéria de cunho constitucional, vedado se apresenta aos órgãos julgadores  administrativos ­ DRJ e CARF ­ concluírem em contrário ao entendimento do Fisco.  Aliás, tema Sumulado no CARF. [...]  Resta evidente que cabe ao STF a última palavra com referência à matéria —  ilegalidade da quebra de sigilo bancário ­, ai se enquadrando as administradoras de  cartões de crédito, na forma como acontecido.  No que toca à multa de ofício proporcional qualificada, argui que:  Rejeitou  a  decisão  recorrida  analisar  a  reclamação  quanto  a  qualificação  da  multa porque  a matéria  se  encontrava preclusa. Não pode prevalecer  a questão. A  multa  incide  sobre o  principal,  este  se  encontra  questionado,  como  então  concluir  estar a matéria preclusa? Como fica o sempre lembrado mais maltratado princípio da  verdade material. [...]  Então, merecer  ser  revisto  o  tema  preclusão,  para  no  caso, mesmo  que  por  hipótese absurda alguma coisa venha a ser decidida devida pela Recorrente, a multa  aplicada não possa ultrapassar o percentual de 75%.   Pertinente aos valores apurados, suscita que:  Os valores apontados pelo Fisco não encontram embasamento legal,  tendo a  Recorrente desde o primeiro momento questionado os números. Por isso a revisão se  impõe sob pena de cerceamento ao direito de defesa desde logo reclamado.  No que diz respeito à solidariedade aduz que:  O  que  se  tem,  portanto,  segundo  as  palavras  do  Fisco,  é  que  a  responsabilidade das pessoas físicas do sócios estaria escorada no CTN, onde: ­ em  se tratando de pessoas naturais (sócios) ­ art. 124,1 e 135, III do CTN; [...]  Fl. 1522DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por LEONARDO MENDONCA MARQUES, Assinado digitalmente em 06/08 /2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por LEONARDO MENDONCA MARQUES , Assinado digitalmente em 04/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 13896.002288/2010­41  Acórdão n.º 1801­001.863  S1­TE01  Fl. 1.522          12 Postas estas considerações torna­se [...] evidente que a acusação fiscal dirigida  aos sócios é decididamente inepta, não só por apresentar fatos arrimados em simples  subjetivismos,  como por  valer­se de  fundamentação  legal  imprópria,  inadequada e  inservível à sua sustentação. E esta imprestabilidade ainda persistiria, mesmo que a  incriminação fosse real e verdadeira, o que não ocorre. [...]  O  que  se  tem,  portanto,  é  que  o Auto  de  Infração,  inspirado  no  "Termo  de  Verificação  e  Constatação  Fiscal",  com  prestígio  apenas  da  legislação  complementar,  ante  a  inexistência  de  norma da  legislação  ordinária,  é  [...]  inepto,  não podendo sustentar qualquer acusação.  Mas ainda que assim não fosse a questão não se alteraria, uma vez que o Fisco  emprega  o  dispositivo  da  legislação  complementar  (CTN,  art.  124,  I  ­  para  as  pessoas jurídicas­) com sentido diverso do que nele se contém e para situações nele  não contempladas.  Com  efeito,  o Fisco  faz  a  responsabilidade  dos  Impugnantes  derivar  do  art.  124, I do CTN, a título de um suposto interesse comum na "situação que constitua  fato gerador da obrigação principal" [...]  Considerando que a solidariedade é reclamada em uma só peça ­ lançamento  de ofício ­ contra a pessoa jurídica, os seus sócios arrolados como pessoas físicas na  qualidade  de  responsáveis  solidários,  fazem  suas  as  razões  de  recurso  voluntário,  neste ato representados pelo mesmo procurador.  Conclui:  Posto  isto,  merece  ser  declarado  nulo  o  lançamento.  Em  não  sendo  este  o  entendimento  da  Câmara,  pelo  menos  há  que  se  reconhecer  a  redução  da  multa  qualificada  de  150%  para  75%  e  exclusão  da  solidariedade  com  baixa  do  arrolamento [...].  Em relação ao sobrestamento do julgamento do presente processo (Despacho de  25.06.2012  da  1ª  TE/3ª Câmara/1ª  SJ/CARF,  fls.  1373­1378),  vale  esclarecer  que  a  Portaria  MF nº 545, de 28 de novembro de 2013,  revogou os §§ 1º e 2º do art. 62­A do Anexo II da  Portaria MF nº  256,  de  22  de  junho de  2009,  que  aprova o Regimento  Interno  do Conselho  Administrativo de Recursos Fiscais (CARF).  Tendo em vista a edição desse ato normativo foi cancelado o sobrestamento do  julgamento  do  processo  referente  à matéria  (art.  6º  da  Lei  Complementar  nº  105,  de  10  de  janeiro  de  2001)  que  está  em  repercussão  geral  no  Supremo  Tribunal  Federal  (STF)  sem  trânsito em julgado (art. 543­B do Código de Processo Civil ­ CPC). Assim, o julgamento do  presente processo deve prosseguir, em conformidade com as normas do Decreto nº 70.235, de  06 de março de 1972.  Toda  numeração  de  folhas  indicada  nessa  decisão  se  refere  à  paginação  eletrônica dos autos em sua forma digital ou digitalizada.  É o Relatório.    Voto Vencido  Fl. 1523DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por LEONARDO MENDONCA MARQUES, Assinado digitalmente em 06/08 /2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por LEONARDO MENDONCA MARQUES , Assinado digitalmente em 04/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 13896.002288/2010­41  Acórdão n.º 1801­001.863  S1­TE01  Fl. 1.523          13 Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Relatora  O  recurso  voluntário  apresentado  pela  Recorrente  atende  aos  requisitos  de  admissibilidade previstos nas normas de regência, em especial no Decreto nº 70.235, de 06 de  março de 1972. Assim, dele tomo conhecimento, inclusive para os efeitos do inciso III do art.  151 do Código Tributário Nacional.  A Recorrente se insurge contra a exclusão e seus efeitos.  O  tratamento  diferenciado,  simplificado  e  favorecido  denominado  Regime  Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições devidos pelas Microempresas  e  Empresas  de  Pequeno  Porte  (Simples  Nacional)  é  regulamentado  pelo  Comitê  Gestor  do  Simples  Nacional  (CGSN).  A  opção  do  sujeito  passivo  deve  ser  manifestada  por  meio  da  internet  até  o  último  dia  útil  do  janeiro  sendo  irretratável  para  todo  ano­calendário  oportunidade em que presta declaração quanto ao não­enquadramento nas vedações legais. A  exclusão  por  comunicação  decorrente  de  opção  ou  de  obrigatoriedade  é  feita  pela  internet.  Verificada  a  falta  da  comunicação  obrigatória,  a  exclusão  de  ofício  é  formalizada mediante  termo emitido pelo ente federativo que iniciar o processo de exclusão de ofício. O seus efeitos  podem ser retroativos, conforme o caso.   Não pode recolher os tributos na forma do Simples Nacional a pessoa jurídica  que não escriturar o Livro Caixa ou não permitir a identificação da movimentação financeira,  inclusive  bancária  e  ainda  no  caso  de  a  pessoa  jurídica  aufira,  no  ano­calendário  anterior,  receita bruta superior a R$2.400.000,001.  Consta na Representação Fiscal de Exclusão do Simples Nacional, fls. 04­06,  cujas informações estão comprovadas nos autos:  1) EXCLUSÃO DE OFÍCIO EM DECORRÊNCIA DA FALTA DE LIVRO  CAIXA  Em  atendimento  ao  "TERMO  DE  INÍCIO  DE  FISCALIZAÇÃO  ­  MPF  0812800.2010.00057­0/01"  o  CONTRIBUINTE  apresentou  carta  com  data  05/05/2010, cuja cópia segue anexa,  informando que a empresa não possuía  livros  DIÁRIO  ou  CAIXA  de  2007,  por  estar  enquadrada  no  sistema  SIMPLES  nesse  período.  Através  do  "TERMO DE  INTIMAÇÃO  ­ MPF  0812800.2010.00057­0/QT,  cientificado  em  27/07/2010,  cuja  cópia  segue  anexa  ao  presente,  o  CONTRIBUINTE  foi  reiteradamente  intimado  a  apresentar  os  livros  DIÁRIO  ou  CAIXA,  tendo  sido  alertado  de  que  o  art.  7,  §1,  da  Lei  9.317/1996,  que  trata  do  SIMPLES,  bem como o  art.  26,  §2,  da Lei Complementar  123/2006,  que  trata do  SIMPLES NACIONAL, estabelecem que as empresas enquadradas no SIMPLES e  no SIMPLES NACIONAL devem manter o Livro CAIXA, contendo o registro de  toda  a movimentação  financeira,  inclusive  bancária,  assim  como  a  documentação  que serviu de base para a escrituração.  O CONTRIBUINTE deixou de apresentar os Livros DIÁRIO ou CAIXA até a  presente  data,  incorrendo  na  hipótese  de  exclusão  de  ofício  do  SIMPLES  NACIONAL,  prevista  no  art.  29,  Inciso  VIII,  da  Lei  Complementar  123/2006  e                                                              1 Fundamentação legal: art. 3º, art. 28, art. 29 e art. 30 da Lei Complementar nº 123, 14 de dezembro de 2006, art.  12 da Resolução CGSN nº 04, de 30 de maio de 2007.  Fl. 1524DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por LEONARDO MENDONCA MARQUES, Assinado digitalmente em 06/08 /2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por LEONARDO MENDONCA MARQUES , Assinado digitalmente em 04/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 13896.002288/2010­41  Acórdão n.º 1801­001.863  S1­TE01  Fl. 1.524          14 regulamentada  no  art.  5,  Inciso VIII,  da RESOLUÇÃO CGSN 15/2007,  cujo  teor  transcreve­se na sequência.  RESOLUÇÃO CGSN 15/2007   Art. 5° A exclusão de ofício da ME ou da EPP optante pelo Simples Nacional  dar­se­á quando: [...]  VIII  ­  houver  falta  de  escrituração  do  livro­caixa  ou  não  permitir  a  identificação da movimentação financeira, inclusive bancária;  A  exclusão  de  ofício  do  SIMPLES NACIONAL  por  falta  de  livro  CAIXA  surte efeitos a partir do próprio mês em que verificada a  falta, ou seja,  a partir de  01/07/2007 para o caso em tela, bem como se estende para os três anos calendários  seguintes, conforme estabelecido no art. 6, Inciso VI da Resolução CGSN 15/2007,  cujo teor transcreve­se na sequência.  Resolução CGSN 15/2007   Art. 6º A exclusão das ME e das EPP do Simples Nacional produzirá efeitos:  [...]  II ­ na hipótese da alínea 'a' do inciso II do caput do art. 3o, a partir de 1° de  janeiro do ano­calendário subseqüente ao do que tiver ocorrido o excesso; [...]  VI ­ nas hipóteses previstas nos incisos II a X, XIII e XIV do art. 5°, a partir  do próprio mês em que incorridas, impedindo nova opção pelo regime diferenciado e  favorecido do Simples Nacional pelos próximos 3 (três) anos­calendário seguintes;  2) EXCLUSÃO DE OFÍCIO ­ RECEITA BRUTA SUPERIOR AO LIMITE  PARA OPÇÃO   O  CONTRIBUINTE  apresentou  a  declaração  "DECLARAÇÃO  SIMPLIFICADA  DA  PESSOA  JURÍDICA  ­  SIMPLES  ­  PJSI  2008/2007",  de  número  RFB  2330962,  relativa  aos  períodos  de  01/01/2007  a  30/06/2007,  e  a  declaração  "DECLARAÇÃO  ANUAL  DO  SIMPLES  NACIONAL  ­  DASN  2008/2007",  relativa  aos  períodos  de  01/07/2007  a  31/12/2007,  nas  quais  foram  informadas  as  receitas  brutas  mensais  constantes  da  tabela  da  sequência,  cujos  valores  enquadram­se  nos  limites  estabelecidos  na  legislação  para  opção  pelos  sistemas  Simples  e  Simples  Nacional.  No  entanto,  no  curso  da  fiscalização  verificou­se  que  o  contribuinte  omitiu  em  suas  declarações  expressiva  parcela  das  receitas  de  vendas  efetuadas  através  de  administradoras  de  cartões  de  débito  e  crédito, cujos valores seguem transcritos na tabela da sequência [em conformidade  com o Termo de Verificação Fiscal, fls. 79­91].  Período    Receita Bruta [...]  Total Vendas        DSPJ e DASN    Cartões de Crédito  ­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­  Jan/07     26.420,20     169.419,70   Fev/07     S9.447.67     274.338,31   Mar/07     87.425,18     425.804,22   Abr/07     96.769,19     376.351,61   Mai/07     195.875,12     568.927.86   Jun/07     223.384.02     457.198,47   ­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­  SOMA 1º Sem. 2007  669.121,38     2.272.040,17    Fl. 1525DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por LEONARDO MENDONCA MARQUES, Assinado digitalmente em 06/08 /2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por LEONARDO MENDONCA MARQUES , Assinado digitalmente em 04/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 13896.002288/2010­41  Acórdão n.º 1801­001.863  S1­TE01  Fl. 1.525          15   Jul/07     88.020,22     389.419,65   Ago/07     102.009,02     450.678,47   Set/07     124.218,69     447.364.63   Oul/07     100.094.24     484.804.02   Nov/07     92.722,63     471.858,85   Dez/07     145.320.88     801.051,75   ­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­  SOMA 2º Sem. 2007  652.385,68     3.045.177,37   ­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­  SOMA EM 2007   1.321.507,06     5.317.217,54  ­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­  Observa­se que o contribuinte auferiu em 2007, através de vendas com cartões  de débito e crédito,  receitas de R$5.317.217,54, valor expressivamente superior ao  limite para opção pelo Simples Nacional, de valor R$2.400.000,00, motivo pelo qual  deveria  ter  comunicado  obrigatoriamente  sua  exclusão  do  sistema  para  o  ano  calendário  de  2008,  por  força  do  art.  3,  Inciso  II,  alínea  a,  da  Resolução  CGSN  15/2007, e art. 12, inciso I, da Resolução CGSN 04/2007, cujos teores transcrevem­ se na sequência.  Resolução CGSN 15/2007   Art. 3° A exclusão do Simples Nacional, mediante comunicação da ME ou da  EPP, dar­se­á:  I ­ por opção;  II ­ obrigatoriamente, quando:  a) incorrer na hipótese do inciso I do art. 12 da Resolução CGSN n° 4, de 30  de maio de 2007;  Resolução CGSN 04/2007   Art.  12.  Não  poderão  recolher  os  Impostos  e  contribuições  na  forma  do  Simples Nacional a ME ou a EPP:  I ­ que tenha auferido, no ano­calendário imediatamente anterior, receita bruta  superior a R$ 2.400.000,00 (dois milhões e quatrocentos mil reais);  Diante do exposto, cabe também proceder à exclusão de ofício do contribuinte  do Simples Nacional no ano calendário 2008, pela falta de comunicação de exclusão  obrigatória,  prevista  no  art.  29,  Inciso  I,  da  Lei  Complementar  123/2006  e  regulamentada no art. 5, Inciso I, da Resolução CGSN 15/2007, cujo teor transcreve­ se na sequência.  Resolução CGSN  15/2007 Art.  5° A  exclusão  de  ofício  da ME  ou  da  EPP  optante pelo Simples Nacional dar­se­á quando:  I ­ verificada a falta de comunicação de exclusão obrigatória;  Por  essa  razão,  a  Recorrente  foi  excluída  do  Simples  Nacional  a  partir  de  01.07.2007 mediante Ato Declaratório Executivo DRF/BRE/SECAT nº 37, de 21.10.2010, em  virtude  de  não  manter  o  Livro  Caixa  e  ainda  ultrapassar  o  limite  da  receita  bruta  no  ano­ calendário de 2007, fl. 38.   Fl. 1526DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por LEONARDO MENDONCA MARQUES, Assinado digitalmente em 06/08 /2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por LEONARDO MENDONCA MARQUES , Assinado digitalmente em 04/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 13896.002288/2010­41  Acórdão n.º 1801­001.863  S1­TE01  Fl. 1.526          16 A norma que trata da matéria especifica que o ato da exclusão do Simples é  declaratório de uma circunstância impeditiva preexistente de prestação de serviço profissional  expressamente prevista em  lei, permitindo a  retroação de  seus  efeitos,  independentemente  se  efetuado  por  comunicação  da  pessoa  jurídica  ou  de  ofício.  Tendo  em  vista  a  falta  do  procedimento voluntário, a exclusão de ofício deve ser efetivada por termo da autoridade fiscal  que  jurisdicione o  sujeito  passivo,  assegurado  o  contraditório  e  a  ampla  defesa,  observada  a  legislação relativa ao processo administrativo fiscal. Excepcionalmente para o ano­calendário  de 2007, na hipótese de a ME ou a EPP excluir­se do Simples Nacional entre o primeiro dia  útil de julho de 2007 e o dia 31 de agosto de 2007, por opção, os efeitos dessa exclusão dar­se­ ão  a  partir  de  1º  de  julho  de  20072.  No  presente  caso  a  exclusão  com  efeito  retroativo  a  01.07.2007  apresenta  exatidão.  A  inferência  denotada  pela  defendente,  nesse  caso,  não  é  acertada.  A Recorrente alega que os atos administrativos  são nulos, em especial pela  falta de análise das razões de defesa constantes na peça de aditamento à impugnação.  Cabe  ao  Auditor­Fiscal  da  Receita  Federal  do  Brasil,  no  exercício  da  competência da RFB, em caráter privativo constituir o crédito tributário pelo lançamento. Esta  atribuição é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional, ainda que ele seja  de  jurisdição diversa da do domicílio  tributário do sujeito passivo. É a autoridade  legitimada  para proceder ao exame da escrita fiscal da pessoa jurídica, não lhe sendo exigida a habilitação  profissional de contador. Nos casos em que dispuser de elementos suficientes à constituição do  crédito  tributário,  os  Autos  de  Infração  podem  ser  lavrados  sem  prévia  intimação  à  pessoa  jurídica no  local em que foi constatada a  infração, ainda que fora do seu estabelecimento, os  quais devem estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de  prova indispensáveis à comprovação do ilícito. Estes atos administrativos, sim, não prescindem  da  intimação válida para que  se  instaure o processo, vigorando na  sua  totalidade os direitos,  deveres  e  ônus  advindos  da  relação  processual  de modo  a  privilegiar  as  garantias  ao  devido  processo legal, ao contraditório e à ampla defesa com os meios e recursos a ela inerentes3.  A  impugnação da exigência  instaura a  fase  litigiosa do procedimento. Deve  ser  formalizada  por  escrito  e  instruída  com  os  documentos  em  que  se  fundamentar  e  apresentada ao órgão preparador no prazo de  trinta dias, contados da data em que for  feita a  intimação  da  exigência.  Considerar­se­á  não  impugnada  a  matéria  que  não  tenha  sido  expressamente  contestada  pela  Recorrente  na  peça  impugnatória  por  ter  sido  alcançada  pela  preclusão4.  O Ato Declaratório Executivo DRF/BRE/SECAT nº 37, de 21.10.2010 e os  Autos  de  Infração  foram  lavrados  por  Auditor­Fiscal  da  Receita  Federal  do  Brasil,  que  verificou  a  ocorrência  do  fato  gerador  da  obrigação  correspondente,  determinou  a  matéria  tributável,  calculou  o  montante  do  tributo  devido,  identificou  o  sujeito  passivo,  aplicou  a  penalidade  cabível  e determinou a  exigência  com a  regular  intimação para que a Recorrente  pudesse cumpri­la ou impugná­la no prazo legal. A decisão de primeira instância está motivada  de forma explícita, clara e congruente e da qual a pessoa jurídica foi regularmente cientificada.                                                               2 Fundamentação legal: Resolução CGSN nº 15 de 23 de julho de 2007.  3 Fundamentação legal: inciso LIV e inciso LV do art. 5º da Constituição Federal, art. 142 e art. 195 do Código  Tributário Nacional. art. 6º da Lei nº 10.593, de 6 de dezembro de 2002, art. 9º, art. 10, art. 23 e 59 do Decreto nº  70.235, de 6 de março de 1972, Decreto nº 6.104, de 30 de abril de 2007, art. 2º e art. 4º da Lei nº 9.784 de 29 de  janeiro de 1999 e Súmulas CARF nºs 6, 8, 27 e 46.  4 Fundamentação legal: art. 14, art. 15 e art. 16 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972.  Fl. 1527DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por LEONARDO MENDONCA MARQUES, Assinado digitalmente em 06/08 /2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por LEONARDO MENDONCA MARQUES , Assinado digitalmente em 04/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 13896.002288/2010­41  Acórdão n.º 1801­001.863  S1­TE01  Fl. 1.527          17 Tem­se  que  a  Recorrente  apresentou  novas  razões  de  defesa  no  aditamento  à  peça impugnatória em 16.06.2011 às fls. 1238­1241, a respeito da aplicação da multa de ofício  proporcional qualificada.   Sobre  a  questão  consta  no  Voto  condutor  do  Acórdão  da  5ª  TURMA/DRJ/CPS/SP nº 05­34.066, de 22.06.2011, fls. 1275­1315:  Quanto  à  petição  protocolizada  em  16/06/2011,  apresentada  em  nome  da  pessoa  jurídica  a  título de aditivo  à  impugnação, não prospera a pretensão de, por  meio  dela,  veicular  novas  razões  e  inovar  na  defesa  ao  incluir  matéria  não  questionada  tempestivamente,  qual  seja,  a  penalidade  aplicada.  Isto  porque  o  Decreto nº 70.235/72, ao regular o processo administrativo fiscal, estabelece prazo  certo para o interessado se manifestar contra as infrações que lhe são imputadas, e  ainda disciplina as hipóteses em que complementações são admitidas [...].  Assim, as razões ofertadas na petição de 16/06/2011 submetem­se à preclusão  processual e deveriam ter sido ofertadas no prazo peremptório previsto na legislação  em vigor.  Logo,  a  este  órgão  julgador  incumbe  apreciar,  tão  só,  a  impugnação  de  01/04/2011.  É o que se procede a seguir.  Inicialmente,  cumpre  consignar  que,  na  peça  de  defesa,  não  refutam  expressamente  os  interessados  as  constatações  fiscais  de  omissão  de  receitas  e  de  falta de emissão de notas ou cupons fiscais e redução indevida de tributos. Também  nada  opõem  à  penalidade  aplicada.  Consolidam­se,  portanto,  no  âmbito  administrativo,  as  matérias  para  as  quais  não  apresentados  tempestivamente  questionamentos específicos.  Limitam­  se  a  questionar  a  ocorrência  de  quebra  de  sigilo  bancário,  a  desconsideração de pagamentos efetuados na sistemática do Simples e o arrolamento  de bens dos sócios – matérias a seguir apreciadas.  No presente caso, de fato a matéria referente à aplicação da multa de ofício  proporcional  qualificada  foi  alcançada  pela  preclusão  por  não  ter  sido  expressamente  questionada  na  peça  impugnatória  em  01.04.2011  ou  dentro  do  prazo  legal  que  expirou  em  06.04.2011.  Também  em  sede  recursal  essa  matéria  não  pode  ser  analisada  por  já  ter  sido  alcançada pela preclusão em sede de primeiro grau de julgamento.   Ademais,  embora  lhe  fossem  oferecidas  várias  oportunidades  no  curso  do  processo (Mandado de Procedimento Fiscal nº 08.1.28.00­2010­00057­0, fls. 120­122, Termo  de Início de Fiscalização, fls. 08­09, e 128­131, Termo de Intimação, fls. 12­14, bem como a  Intimação  do  Resultado  do  Julgamento,  fls.  1317­1324)  a  Recorrente  não  apresentou  a  comprovação inequívoca de suas alegações.  Assim,  estes  atos  contêm  todos  os  requisitos  legais,  o  que  lhes  conferem  existência,  validade  e  eficácia.  As  formas  instrumentais  adequadas  foram  respeitadas,  os  documentos  foram  reunidos  nos  autos  do  processo,  que  estão  instruídos  com  as  provas  produzidas  por  meios  lícitos,  em  observância  às  garantias  ao  devido  processo  legal.  O  enfrentamento das questões na peça de defesa denota perfeita  compreensão da descrição dos  fatos  e  dos  enquadramentos  legais  que  ensejaram  os  procedimentos  de  ofício. A  proposição  afirmada pela defendente, desse modo, não tem cabimento.  Fl. 1528DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por LEONARDO MENDONCA MARQUES, Assinado digitalmente em 06/08 /2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por LEONARDO MENDONCA MARQUES , Assinado digitalmente em 04/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 13896.002288/2010­41  Acórdão n.º 1801­001.863  S1­TE01  Fl. 1.528          18 A Recorrente menciona que o lançamento não poderia ter sido formalizado.  Na  atribuição  do  exercício  da  competência  da  RFB,  em  caráter  privativo,  cabe ao Auditor­Fiscal da Receita Federal do Brasil, no caso de verificação do ilícito, constituir  o  crédito  tributário  pelo  lançamento,  cuja  atribuição  é  vinculada  e  obrigatória,  sob  pena  de  responsabilidade funcional. Cabe ressaltar que o lançamento de ofício pode ser realizado sem  prévia  intimação  à  pessoa  jurídica,  nos  casos  em  que  a  autoridade  dispuser  de  elementos  suficientes à constituição do crédito tributário. Também pode ser efetivado por autoridade de  jurisdição diversa do domicílio tributário da pessoa jurídica e fora do estabelecimento, não lhe  sendo exigida a habilitação profissional de  contador5. O Auto de  Infração  foi  lavrado com a  verificação  da  ocorrência  do  fato  gerador  da  obrigação  correspondente,  determinação  da  matéria  tributável,  cálculo  do  montante  do  tributo  devido,  identificação  do  sujeito  passivo,  aplicação da penalidade  cabível e validamente cientificada  a Recorrente,  o que  lhe conferem  existência, validade e eficácia. A contestação aduzida pela defendente, por isso, não pode ser  sancionada.  A Recorrente discorda da apuração da omissão de receitas.  A autoridade fiscal tem o direito de examinar a escrituração e os documentos  comprobatórios dos lançamentos nela efetuados e a pessoa jurídica tem o dever de exibi­los e  conservá­los  até que ocorra  a prescrição dos  créditos  tributários decorrentes das operações  a  que se refiram que modifiquem ou possam vir a modificar sua situação patrimonial, bem como  de prestar as informações que lhe forem solicitadas e colaborar para o esclarecimento dos fatos.   O pressuposto é de que a pessoa jurídica deve manter os registros de todos os  ganhos e rendimentos, qualquer que seja a denominação que lhes seja dada, independentemente  da natureza, da espécie ou da existência de título ou contrato escrito, bastando que decorram de  ato  ou  negócio. A  escrituração mantida  com  observância  das  disposições  legais  faz  prova  a  favor  dela  dos  fatos  nela  registrados  e  comprovados  por  documentos  hábeis,  segundo  sua  natureza,  ou  assim  definidos  em  preceitos  legais,  cabendo  à  autoridade  a  prova  da  não  veracidade dos fatos registrados.   A  autoridade  fiscal  verificando  que  a  pessoa  jurídica  deixou  de  cumprir  as  obrigações acessórias  relativas à determinação do  lucro  real  ou presumido, conforme o caso,  deve adotar regime de tributação com base no lucro arbitrado trimestral válido para todo ano­ calendário,  sendo  conhecida  ou  não  a  receita  bruta,  de  acordo  com  as  determinações  legais.  Este regime aplica­se no caso de a pessoa jurídica não mantiver a escrituração na forma das leis  comerciais e fiscais ou a escrituração revelar evidentes indícios de fraudes ou contiver vícios,  erros ou deficiências ou deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da  escrituração  comercial  e  fiscal  ou  optar  indevidamente  pela  tributação  com  base  no  lucro  presumido ou  deixar de  escriturar  e  apurar o  lucro  da  sua  atividade  separadamente  do  lucro  proveniente do exterior.   Em  relação  à  receita  bruta  ser  conhecida,  o  lucro  arbitrado  é  determinado  pelo  somatório  do  ganho  de  capital,  da  receita  financeira  e  das  demais  receitas  auferidas  incluindo os valores recuperados correspondentes a custos e despesas inclusive com perdas no  recebimento  de  créditos,  bem  como  do  valor  resultante  da  aplicação  do  coeficiente  legal                                                              5  Fundamentação  legal:  art.  142  e  art.  195  do  Código  Tributário  Nacional,  art.  6º  da  Lei  nº  10.593,  de  6  de  dezembro de 2002, art. 10 e art. 59 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, art. 2º e art. 4º da Lei nº 9.784  de 29 de janeiro de 1999 e Súmulas CARF nºs 8, 27 e 46.  Fl. 1529DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por LEONARDO MENDONCA MARQUES, Assinado digitalmente em 06/08 /2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por LEONARDO MENDONCA MARQUES , Assinado digitalmente em 04/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 13896.002288/2010­41  Acórdão n.º 1801­001.863  S1­TE01  Fl. 1.529          19 correspondente  a  sua  atividade  econômica  sobre  a  receita  bruta  total  auferida  no  período  de  apuração fixado para o lucro presumido acrescido de 20% (vinte por cento).   Quando  se  tratar  de  pessoa  jurídica  com  atividades  diversificadas  serão  adotados  os percentuais  específicos para  cada uma das  atividades  econômicas,  cujas  receitas  deverão  ser  apuradas  separadamente.  A  receita  bruta  das  vendas  e  serviços  compreende  o  produto da venda de bens nas operações de conta própria, o preço dos serviços prestados e o  resultado auferido nas operações de conta alheia incluído o ICMS.   Somente  podem  ser  excluídos  da  receita  bruta  as  vendas  canceladas,  os  descontos incondicionais concedidos e os impostos não cumulativos cobrados destacadamente  do comprador dos quais o vendedor ou prestador é mero depositário, uma vez que se presume  que uma parcela da receita bruta foi consumida na produção dos rendimentos decorrentes da  atividade  econômica. Vale  esclarecer  que  permanece  a  obrigatoriedade  de  comprovação  das  receitas efetivamente recebidas ou auferidas.   Este  regime  não  é  uma  sanção,  tanto  que  a  pessoa  jurídica,  desde  que  preencha as condições  legais, pode optar pelo  lucro arbitrado com base na  receita  conhecida  mediante o pagamento da primeira quota ou da quota única do imposto devido correspondente  ao  período.  Também  pode  adotar  a  tributação  com  base  no  lucro  presumido  nos  demais  trimestres do ano­calendário, desde que não esteja obrigada à apuração pelo lucro real.  Caracteriza­se  como  omissão  a  falta  de  registro  de  receita,  ressalvada  à  pessoa  jurídica  a  prova  da  improcedência,  oportunidade  em  que  a  autoridade  determinará  o  valor dos tributos com base no lucro arbitrado. Esta apuração de ofício, todavia, não é inválida  pela  apresentação,  posterior  ao  lançamento,  de  livros  e  documentos  imprescindíveis  para  a  apuração  do  crédito  que,  após  regular  intimação,deixaram  de  ser  exibidos  no  procedimento  fiscal6.  Em  relação  à  possibilidade  jurídica  de  obtenção  dos  dados  bancários  pela  autoridade tributária da RFB tem­se que no caso em que há processo administrativo instaurado  ou procedimento fiscal em curso o agente fiscal pode examinar documentos, livros e registros  de  instituições  financeiras,  inclusive  os  referentes  a  contas  de  depósitos  e  aplicações  financeiras, desde que tais exames sejam considerados indispensáveis. É certo que o resultado  dos exames, as informações e os documentos devem ser conservados em sigilo7.  Prevalece  o  entendimento  de  que  o  sigilo  bancário,  fundado  constitucionalmente no direito à privacidade8, não se reveste de caráter absoluto, possibilitando  a lei o seu afastamento em determinadas hipóteses. Não há que se confundir quebra de sigilo  bancário com solicitação de informações cadastrais lastreada em processo administrativo fiscal  regularmente instaurado e subscrita por autoridade administrativa competente.   Ressalte­se  que  o  exame  dos  dados  financeiros  afigura­se  como  medida  necessária e não afeta esfera de privacidade da pessoa jurídica, mormente quando há previsão  legal  permissiva  expressa  e  esta  se  destina  a  identificar  a materialidade  do  ilícito  tributário.                                                              6 Fundamentação legal: art. 195 do Código Tributário Nacional, art. 51 da Lei nº 7.450, de 23 de dezembro de  1985, art. 9º  e art. 47 do Decreto­Lei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, art. 15, art.  16 e art. 24 da Lei nº  9.249, de 26 de dezembro de 1995, art. 1º, art. 25, art. 26 e art. 27 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996 e  Súmula CARF nº 59.  7 Fundamentação legal: art. 6º da Lei Complementar nº 105, de 10 e janeiro de 2001.  8 Fundamentação Legal: incisos X e XII do art. 5º da Constituição Federal.  Fl. 1530DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por LEONARDO MENDONCA MARQUES, Assinado digitalmente em 06/08 /2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por LEONARDO MENDONCA MARQUES , Assinado digitalmente em 04/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 13896.002288/2010­41  Acórdão n.º 1801­001.863  S1­TE01  Fl. 1.530          20 Além disso  esses dados devem ser mantidos  em  sigilo pela  autoridade  fiscal. Assim, não há  que se falar em obtenção de prova por meio ilícito.  Havendo procedimento administrativo instaurado, a prestação, por parte das  instituições  financeiras,  de  informações  solicitadas  pelo  órgão  fiscal  tributário  não  constitui  quebra do sigilo bancário, mas de mera transferência de dados protegidos pelo sigilo bancário  às autoridades obrigadas a mantê­los no âmbito do sigilo fiscal.  Feitas  essas  considerações normativas,  tem cabimento  a  análise da  situação  fática  tendo  em  vista  os  documentos  já  analisados  pela  autoridade  de  primeira  instância  de  julgamento e aqueles produzidos em sede de recurso voluntário.  Houve apresentação da escrituração obrigatória que contém deficiência que a  tornou imprestável para identificar a efetiva movimentação financeira, inclusive bancária.   O  lançamento fundamenta­se na omissão de receitas omissão de receitas da  atividade  pelas  vendas  com  cartões  de  crédito  e  débito  não  escriturados,  cuja  apuração  foi  efetivada  a  partir  do  cotejo  entre  os  valores  informados  pelas  administradoras  na Hipercard  Banco Múltiplo  S/A,  fls.  726­883  e  939­940,  na  Redecard  S/A,  fls.  220­387  e  943­993,  na  Visanet, fls. 388­719, no Banco Bankpar S/A, fls. 893­934 e 1084­1120, no American Express  S/A, fls. 164­219 e no Cielo S/A, fls. 784­890 e 996­1080.  Esses  valores  constam  nos  extratos  apresentados  pelas  instituições  financeiras,  em  atendimento  às Requisições  de  Informações  sobre Movimentação  Financeira  (RMF), fls. 720­725, 891­892, 941­942 e 994­995 e as informações constantes na Declaração  Simplificada da Pessoa Jurídica – Simples (DSPJ – Simples), referente ao período de julho a  dezembro  do  ano­calendário  de  2007,  fls.  15­35  e  1125­1145  e  a  Planilha  de  Registro  de  Receitas, fls. 1150­1184.   Os  valores  considerados  como  base  de  cálculo  para  fins  de  apuração  dos  tributos  estão  individualizados  nos Demonstrativos,  fls.  1143­1184,  em  conformidade  com  a  Tabela 1.    Tabela 1 – Demonstrativo dos valores omitidos no ano­calendário de 2007    Mês  (A)  Valores DSPJ  R$  (C)  Valores  Omissão Receita   R$  (D = B­C)  Julho  88.020,22  512.477,21  Agosto  102.009,02  618.262,88  Setembro  124.218,69  654.990,68  Outubro  100.094,24  649.620,53  Novembro  92.722,63  622.680,20  Dezembro  145.320,88  1.076.839,78  Total  652.385,68  3.482.485,60    Fl. 1531DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por LEONARDO MENDONCA MARQUES, Assinado digitalmente em 06/08 /2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por LEONARDO MENDONCA MARQUES , Assinado digitalmente em 04/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 13896.002288/2010­41  Acórdão n.º 1801­001.863  S1­TE01  Fl. 1.531          21 Está registrado no Termo de Verificação Fiscal, fls. 79­82, cujas informações  estão comprovadas nos autos:   De acordo com o art. 24 da Lei 9.249/95, verificada a omissão de receita, a  autoridade tributária determinará o valor do imposto e do adicional a serem lançados  de acordo com o regime de tributação a que estiver submetida a pessoa jurídica no  período­base a que corresponder a omissão.  Tendo  em  vista  que  a  legislação  do  SIMPLES  FEDERAL,  baseada  na  Lei  9.317/1996, não prevê hipóteses de desenquadramento de ofício aplicáveis ao caso  sob análise,  esta  fiscalização procederá à  tributação da  receita omitida, no período  01/01/2007 a 30/06/2007, nos montantes relacionados na coluna I da tabela do item  2  do  presente  termo,  dentro  do  próprio  regime  do  SIMPLES  FEDERAL,  em  consonância com o disposto no art. 24 da Lei 9.249/95.  Diante  do  exposto  esta  fiscalização  procede  à  lavratura  do  AUTO  DE  INFRAÇÃO  DO  SIMPLES  FEDERAL  formalizado  no  processo  13896.000295/2011­90,  relativo  aos  períodos  de  apuração  de  01/01/2007  a  30/06/2007,  cabendo  esclarecer  que  os  itens  intitulados  "001  ­  OMISSÃO  DE  RECEITAS  ­ RECEITAS OMITIDAS"  procedem ao  lançamento  do  IRPJ, CSLL,  PIS, COFINS e  INSS  incidentes  sobre  as  receitas omitidas,  enquanto que os  itens  "002  ­  INSUFICIÊNCIA  DE  RECOLHIMENTO"  procedem  ao  lançamento  do  IRPJ, CSLL, PIS, COFINS e  INSS  recolhidos com  insuficiência  sobre as próprias  receitas  declaradas,  em  função  do  reposicionamento  destas  dentro  da  tabela  de  alíquotas aplicáveis sobre a receita bruta acumulada.  Não foram produzidos no processo novos elementos de prova, de modo que o  conjunto  probatório  já  produzido  evidencia  que  o  procedimento  de  ofício  está  correto.  A  inferência denotada pela defendente, nesse caso, não é acertada.  A Recorrente aponta argumentos contra o arrolamento de bens dos sócios.  A responsabilidade tributária é o instituto pelo qual um terceiro que embora  não tenham relação direta e pessoal com a situação que constitua o respectivo fato gerador da  obrigação principal, está obrigado ao cumprimento da respectiva obrigação. A despeito de não  ser o sujeito passivo da obrigação principal, para ser responsável solidário é suficiente ser uma  pessoa  que  possua  interesse  comum  na  situação  que  constitua  o  fato  gerador  da  obrigação  principal, e não comporta benefício de ordem 9.   Os diretores, gerentes ou representantes da pessoa jurídica de direito privado  são  pessoalmente  responsáveis  pelos  créditos  correspondentes  a  obrigações  tributárias  resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato ou estatuto10.  O  lançamento  fundamenta­se  na  omissão  de  receitas  da  atividade  pelas  vendas com cartões de crédito e débito não escriturados, cuja apuração foi efetivada a partir do  cotejo entre os valores  informados pelas administradoras: no Hipercard Banco Múltiplo S/A,  fls.  579­636,  na  Redecard  S/A,  fls.  70­238  e  639­689,  na  Visanet,  fls.  239­568,  no  Banco  Bankpar S/A, fls. 888­969, no American Express S/A, fls. 13­69 e no Cielo S/A, fls. 692­885.  Esses  valores  constam  nos  extratos  apresentados  pelas  instituições  financeiras,  em  atendimento  às Requisições  de  Informações  sobre Movimentação  Financeira                                                              9 Fundamentação legal: art. 124 e art. 125 do Código Tributário Nacional.  10 Fundamentação lega: inciso III do art. 135 do Código Tributário Nacional.  Fl. 1532DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por LEONARDO MENDONCA MARQUES, Assinado digitalmente em 06/08 /2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por LEONARDO MENDONCA MARQUES , Assinado digitalmente em 04/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 13896.002288/2010­41  Acórdão n.º 1801­001.863  S1­TE01  Fl. 1.532          22 (RMF), fls. 569­578, 637­638, 690­691 e 886­887 e as informações constantes na Declaração  Simplificada da Pessoa Jurídica – Simples (DSPJ – Simples), referente ao período de fevereiro  a junho do ano­calendário de 2007, fls. 974­994 e a Planilha de Registro de Receitas, fls. 999­ 1033.   Houve  lavratura  dos  Termos  de  Sujeição  Passiva  Solidária  em  nome  dos  sócios  administradores  José  Carlos  da  Piedade  Nunes,  fl.  1151  e  Marluce  Fernandes  de  Albuquerque  Nunes,  fl.  1154,  ambos  cientificados  por  via  postal,  respectivamente,  em  26.03.2011,  fls. 1152­1153 e em 05.03.2011,  fl. 1155. Esse procedimento se fundamenta nas  informações  constantes  na Ficha Cadastral  da  Junta Comercial  do Estado  de  São  Paulo,  fls.  1039­1041 e dados constantes nos registros  internos da RFB, fls. 1025­1038 (inciso  I do art.  124 e inciso III do art. 135 do Código Tributário Nacional).  Nesse  sentido, os  sócios e administradores  José Carlos da Piedade Nunes e  Marluce  Fernandes  de  Albuquerque  Nunes  incorreram  em  procedimentos  ilícitos  visando  encobrir  a  obrigação  tributária.  Por  essa  razão,  são  responsáveis  em  virtude  do  não  cumprimento do dever normativo para assegurar o funcionamento normal da pessoa jurídica.   Na  oportunidade  em  que  é  lavrado  o  Auto  de  Infração  pode  ser  também  efetivados o arrolamento de bens e direitos. Atinente ao  termo de arrolamento de bens como  medida acautelatória de defesa do crédito  tributário, o AFRFB, na atribuição do exercício da  competência da RFB pode proceder  ao arrolamento de bens  e direitos do sujeito passivo, no  caso em que o valor do crédito tributário de sua responsabilidade exceda a R$500.000,00 até  29.11.2011 e a partir de 30.11.2011 no valor de R$2.000.000,00 e ainda seja superior a 30%  (trinta por cento) do patrimônio conhecido.   Este  procedimento  deve  recair  sobre  bens  e  direitos  suscetíveis  de  registro  público, com prioridade aos imóveis, e em valor suficiente para cobrir o montante do crédito  tributário. A partir da data da notificação do Termo de Arrolamento de Bens, o proprietário dos  bens  e  direitos  arrolados,  ao  transferi­los,  aliená­los  ou  onerá­los,  deve  comunicar  o  fato  à  RFB, sob pena de ficar autorizado o requerimento de medida cautelar fiscal pela Procuradoria  da  Fazenda  Nacional.  Esses  autos  seguem  rito  especial  e  ficam  na  repartição  de  origem  aguardando  a  declaração  definitiva  do  crédito  tributário  até  sua  configuração  de  título  executivo11.   Na  oportunidade  em  que  é  lavrado  o  Auto  de  Infração  pode  ser  também  efetivados o arrolamento de bens e direitos. Atinente ao  termo de arrolamento de bens como  medida acautelatória de defesa do crédito  tributário, o AFRFB, na atribuição do exercício da  competência da RFB pode proceder  ao arrolamento de bens  e direitos do sujeito passivo, no  caso em que o valor do crédito tributário de sua responsabilidade exceda a R$500.000,00 até  29.11.2011 e a partir de 30.11.2011 no valor de R$2.000.000,00 e ainda seja superior a 30%  (trinta por cento) do patrimônio conhecido.   Este  procedimento  deve  recair  sobre  bens  e  direitos  suscetíveis  de  registro  público, com prioridade aos imóveis, e em valor suficiente para cobrir o montante do crédito  tributário. A partir da data da notificação do Termo de Arrolamento de Bens, o proprietário dos                                                              11 Fundamentação legal: art. 142 e art. 185­A do Código Tributário Nacional, art. 585 do Código de Processo Civil  e art. 142 e art. 185­A do Código Tributário Nacional,  art. 64 e art. 64­A da Lei nº 9.532, 10 de dezembro de  1997, Decreto nº 7.573, de 29 de setembro de 2011, art. 6º da Lei nº 10.593, de 6 de dezembro de 2002 e art. 2º da  Lei nº 8.397, de 06 de janeiro de 1992, bem como Instrução Normativa RFB nº 1.171, de 07 de julho de 2011.    Fl. 1533DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por LEONARDO MENDONCA MARQUES, Assinado digitalmente em 06/08 /2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por LEONARDO MENDONCA MARQUES , Assinado digitalmente em 04/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 13896.002288/2010­41  Acórdão n.º 1801­001.863  S1­TE01  Fl. 1.533          23 bens  e  direitos  arrolados,  ao  transferi­los,  aliená­los  ou  onerá­los,  deve  comunicar  o  fato  à  RFB, sob pena de ficar autorizado o requerimento de medida cautelar fiscal pela Procuradoria  da  Fazenda  Nacional.  Esses  autos  seguem  rito  especial  e  ficam  na  repartição  de  origem  aguardando  a  declaração  definitiva  do  crédito  tributário  até  sua  configuração  de  título  executivo12.   No  presente  caso,  o  arrolamento  de  bens  está  formalizado  no  processo  13896.000293/2011­09,  fls.  138­1508,  que  se  encontra  no  Serviço  de  Acompanhamento  Tributário/DRH/BRE/SP desde 21.03.201113, nos estritos termos normativos, em conformidade  com o art. 37 da Constituição Federal.   Verifica­se  pelo  conjunto  probatório  produzido  nos  autos  evidencia  que  o  procedimento de ofício está correto. A justificativa arguida pela defendente, por essa razão, não  se comprova.  No  que  concerne  à  interpretação  da  legislação  e  aos  entendimentos  doutrinários e jurisprudenciais indicados pela Recorrente, cabe esclarecer que somente devem  ser observados os  atos para os quais  a  lei  atribua  eficácia normativa,  o que não  se  aplica  ao  presente caso14. A alegação relatada pela defendente, consequentemente, não está justificada.  Atinente  aos  princípios  constitucionais  que  a  Recorrente  aduz  que  supostamente foram violados, cabe ressaltar que o CARF não é competente para se pronunciar  sobre  a  inconstitucionalidade  de  lei  tributária,  uma  vez  que  no  âmbito  do  processo  administrativo  fiscal,  fica vedado  aos  órgãos  de  julgamento  afastar  a  aplicação  ou  deixar  de  observar  tratado,  acordo  internacional,  lei  ou  decreto,  sob  fundamento  de  inconstitucionalidade15.   Tem­se  que  nos  estritos  termos  legais  o  procedimento  fiscal  está  correto,  conforme  o  princípio  da  legalidade  a  que  o  agente  público  está  vinculado  (art.  37  da  Constituição Federal, art. 116 da Lei nº 8.112, de 11 de dezembro de 1990, art. 2º da Lei nº  9.784, de 29 de janeiro de 1999, art. 26­A do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972 e art.  41  do  Regimento  Interno  do  CARF,  aprovado  pela  Portaria MF  nº  256,  de  22  de  julho  de  2009). A proposição afirmada pela defendente, desse modo, não tem cabimento.  O  nexo  causal  entre  as  exigências  de  créditos  tributários,  formalizados  em  autos de infração instruídos com todos os elementos de prova, determina que devem ser objeto  de um único processo no caso em que os  ilícitos dependam da mesma comprovação e sejam  relativos  ao mesmo  sujeito  passivo  16..  Os  lançamentos  PIS,  de  COFINS  e  de  CSLL  sendo  decorrentes das mesmas  infrações  tributárias, a  relação de causalidade que os  informa  leva a  que  os  resultados  dos  julgamentos  destes  feitos  acompanhem  aqueles  que  foram  dados  à  exigência de IRPJ.                                                              12 Fundamentação legal: art. 142 e art. 185­A do Código Tributário Nacional, art. 585 do Código de Processo Civil  e art. 142 e art. 185­A do Código Tributário Nacional,  art. 64 e art. 64­A da Lei nº 9.532, 10 de dezembro de  1997, Decreto nº 7.573, de 29 de setembro de 2011, art. 6º da Lei nº 10.593, de 6 de dezembro de 2002 e art. 2º da  Lei nº 8.397, de 06 de janeiro de 1992, bem como Instrução Normativa RFB nº 1.171, de 07 de julho de 2011.    13  Disponível  em:  <http://comprot.fazenda.gov.br/e­gov/cons_dados_processo.asp?proc=13896000293201109>  .  Acesso em 05 fev.2014.  14 Fundamentação legal: art. 100 do Código Tributário Nacional e art. 26­A do Decreto nº 70.235, de 6 de março  de 1972.  15 Fundamentação legal: art. 26­A do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 e Súmula CARF nº 2.  16 Fundamentação legal: art. 9º do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972.  Fl. 1534DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por LEONARDO MENDONCA MARQUES, Assinado digitalmente em 06/08 /2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por LEONARDO MENDONCA MARQUES , Assinado digitalmente em 04/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 13896.002288/2010­41  Acórdão n.º 1801­001.863  S1­TE01  Fl. 1.534          24 Em assim sucedendo, voto por negar provimento ao recurso voluntário.   (assinado digitalmente)  Carmen Ferreira Saraiva    Voto Vencedor  Conselheiro Leonardo Mendonça Marques, Redator designado.  A divergência de entendimentos se estabeleceu quanto à preclusão apontada  pela  d.  DRJ,  acerca  das  alegações  veiculadas  em  razões  aditivas  de  impugnação,  posteriormente ao prazo regulamentar.  A  Turma  julgadora  de  1ª  Instância  e  a  d.  Relatora  neste  Colegiado,  assentaram a  inadmissibilidade das  alegações  feitas  fora do prazo  ­ mas  antes da decisão da  DRJ  –  pela  suposta  impropriedade  da  qualificação  da multa  de  ofício.  Tenho  que  a  solução  deve ser diversa,  sendo viável  e necessária  a manifestação acerca das  razões de  impugnação  adicionais.  Para a boa apreensão dos elementos dos autos, vale recapitular alguns dados:  ­ a impugnação contra o auto de infração foi protocolizada em 1º de abril de  2011 (fl. 132 e s. dos autos), subscrita pelos sócios da pessoa jurídica;  ­ no pedido, requer “a anulação do auto de infração, por conter vícios formais  e materiais, com sua conseqüente extinção e arquivamento”;  ­ em 16 de junho de 2011, a contribuinte apresenta “aditivo à impugnação”,  em que consigna razões pelas quais busca a “redução da multa indevidamente qualificada em  150%”.  Desta  feita,  a  peça  veio  assinada  por  advogado  constituído  posteriormente  à  impugnação original;  ­  em  22  de  junho  de  2011,  a  DRJ  ora  recorrida  julgou  a  impugnação,  mantendo o lançamento, e asseverando a impossibilidade de apreciar a “petição intempestiva”  apresentada na forma já referida.   Sobre o tempo e o modo em que devem ser praticados os atos de impugnação  no processo administrativo fiscal federal, eis o que prescreve o Decreto nº 70.235/72:  Art. 14. A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do  procedimento.   Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com  os  documentos  em  que  se  fundamentar,  será  apresentada  ao  órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em  que for feita a intimação da exigência.   Art. 16. A impugnação mencionará:  Fl. 1535DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por LEONARDO MENDONCA MARQUES, Assinado digitalmente em 06/08 /2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por LEONARDO MENDONCA MARQUES , Assinado digitalmente em 04/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 13896.002288/2010­41  Acórdão n.º 1801­001.863  S1­TE01  Fl. 1.535          25  I ­ a autoridade julgadora a quem é dirigida;   II ­ a qualificação do impugnante;   III  ­  os motivos de  fato  e de direito  em que  se  fundamenta,  os  pontos de discordância e as razões e provas que possuir;    IV  ­  as  diligências,  ou  perícias  que  o  impugnante  pretenda  sejam efetuadas, expostos os motivos que as  justifiquem, com a  formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim  como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação  profissional do seu perito.   V ­ se a matéria impugnada foi submetida à apreciação judicial,  devendo ser juntada cópia da petição.    § 1º Considerar­se­á não  formulado o pedido de diligência ou  perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no  inciso  IV do art. 16.    §  2º  É  defeso  ao  impugnante,  ou  a  seu  representante  legal,  empregar  expressões  injuriosas  nos  escritos  apresentados  no  processo, cabendo ao  julgador, de ofício ou a  requerimento do  ofendido, mandar riscá­las.    § 3º Quando o impugnante alegar direito municipal, estadual ou  estrangeiro,  provar­lhe­á  o  teor  e  a  vigência,  se  assim  o  determinar o julgador.    §  4º  A  prova  documental  será  apresentada  na  impugnação,  precluindo o direito de o impugnante fazê­lo em outro momento  processual, a menos que:    a)  fique  demonstrada  a  impossibilidade  de  sua  apresentação  oportuna, por motivo de força maior;    b)  refira­se  a  fato  ou  a  direito  superveniente;  c)  destine­se  a  contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.   §  5º  A  juntada  de  documentos  após  a  impugnação  deverá  ser  requerida  à  autoridade  julgadora,  mediante  petição  em  que  se  demonstre,  com  fundamentos,  a  ocorrência  de  uma  das  condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior.    §  6º  Caso  já  tenha  sido  proferida  a  decisão,  os  documentos  apresentados  permanecerão  nos  autos  para,  se  for  interposto  recurso, serem apreciados pela autoridade julgadora de segunda  instância.     Art.  17. Considerar­se­á  não  impugnada  a  matéria  que  não  tenha sido expressamente contestada pelo impugnante.   A única menção à “preclusão” nos dispositivos acima ­ que regem o processo  de  impugnação  na  presente  seara  –  está  inscrita  no  parágrafo  4º,  e  dirige­se  à  “prova  documental”. O legislador adotou ênfase específica quanto à limitação temporal no que tange à  juntada de documentos. E  logo em seguida,  indicou as exceções ao  limite alocado dentro do  prazo de trinta dias.  Fl. 1536DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por LEONARDO MENDONCA MARQUES, Assinado digitalmente em 06/08 /2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por LEONARDO MENDONCA MARQUES , Assinado digitalmente em 04/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 13896.002288/2010­41  Acórdão n.º 1801­001.863  S1­TE01  Fl. 1.536          26 Quanto  as  alegações  em  si,  o  artigo  17  dispõe  que  “considerar­se­á  não  impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante”. Portanto,  não adotou aquela limitação imposta ao conjunto probatório carreado pelo sujeito passivo. E,  no caso ora analisado, não há que se dizer “não impugnada” a matéria relativa à qualificação da  multa,  pois  foi  “expressamente  contestada  pelo  impugnante”.  Resta  definir  se  as  razões  aditivas,  que  vieram  aos  autos  antes  da  apreciação  da  DRJ,  mereceriam  ou  não  apreciação  daquele d. Colegiado.  Cabe  realizar breve  apontamento quanto  ao  instituto da preclusão,  e de  seu  perfil no processo administrativo tributário.  A  preclusão  tem  importante  função  nos  processos  judicantes,  atuando  no  estabelecimento de  etapas pré ordenadas,  orientando a  sequência dos  atos para um  resultado  útil, válido e seguro. Ela estabiliza o contraditório, assegurando para as partes  litigantes e ao  julgador,  a  “não  surpresa”.  Presta­se  a  evitar  que  alguma  das  partes  seja  prejudicada  pela  indefinição quanto aos limites dos atos processuais.  Assim, sempre que se avalia o estabelecimento de preclusão em alguma etapa  processual,  deve  ser  identificada  a  possibilidade  de  prejuízo  para  algum  dos  agentes  do  processo.  Na hipótese destes autos, haveria prejuízo para alguma das partes do processo  de  verificação  da  legalidade  do  lançamento,  com  a  complementação  das  razões  de  defesa  anteriormente à apreciação da DRJ?  Tenho que, além de não haver limitação legal mais específica (como aquela  aposta no caso da prova documental), a complementação das razões de impugnação, antes do  julgamento pela 1ª Instância, não prejudica o Fisco, nem o julgador administrativo.  É que na fase de impugnação (em sentido estrito, antes do recurso voluntário)  ainda  não  há  efetivo  contraditório,  no  sentido  clássico  em  que  a  preclusão  e  a  paridade  de  armas  viriam  à  baila  em  termos  fundamentais.  O  sujeito  ativo  na  relação  tributária  disponibiliza, por força da norma constitucional e nos termos da lei, o processo de impugnação  de  titularidade  do  sujeito  passivo,  cabendo  à  administração  tributária  realizar  o  crivo  da  legalidade do lançamento.  O Prof. Alberto Xavier comenta nos seguintes termos o perfil peculiar da fase  de impugnação:  O  que  acaba  de  se  afirmar  é  válido  para  o  processo  administrativo tributário federal no seu conjunto, pois o modelo  em causa opera de pleno na segunda instância que se desenvolve  perante  os  Conselhos  de  Contribuintes,  dotados  de  imparcialidade orgânica de segundo grau. Todavia, na primeira  instância,  mesmo  após  a  criação  das  Delegacias  da  Receita  Federal de Julgamento, não se vislumbra com nitidez a posição  da  Administração  como  parte  em  sentido  processual,  diferenciada  do  órgão  de  julgamento.  A  primeira  instância  parece,  pois,  dever  ainda  ser  concebida  nos  moldes  de  um  recurso hierárquico impróprio, num processo de uma só parte  e em que a Administração fiscal ativa, o órgão de lançamento,  assume a posição de simples autoridade recorrida.  Fl. 1537DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por LEONARDO MENDONCA MARQUES, Assinado digitalmente em 06/08 /2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por LEONARDO MENDONCA MARQUES , Assinado digitalmente em 04/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 13896.002288/2010­41  Acórdão n.º 1801­001.863  S1­TE01  Fl. 1.537          27 (Princípios  do Processo Administrativo  e  Judicial  Tributário,  Alberto  Xavier, Ed. Forense, 1ª edição, p. 133, com destaques que não constam  do original)  Na conformação do processo de  impugnação,  a  todos  interessa  a  amplitude  de  cognição  dos  possíveis  vícios  do  ato  administrativo.  Não  há  utilidade,  nem  eficiência  administrativa,  na  condução  de  crédito  indevido,  ilegal  ou  nulo,  ao  processo  judicial  de  cobrança forçada.  Por isso que, na leitura do artigo 17 do regulamento do PAF, não vejo porque  extrair  limitação  que  o  legislador  não  impôs,  quanto  à  complementação  tempestiva  (porque  anterior à decisão) das alegações de defesa.  Aliás,  tendo  como  preceito  central  a  busca  da  verdade  material,  este  E.  Conselho  por  diversas  vezes  admitiu  a  juntada  de  documentos  já  em  fase  recursal,  quando  esses documentos se revelem claramente hábeis a  infirmar a validade do lançamento, mesmo  que fora das hipóteses das duas alíneas do parágrafo 4º. E, diga­se, mesmo quando já atua no  feito a Procuradoria da Fazenda Nacional, sendo suficiente que lhe seja concedido prazo para  manifestar­se quanto ao teor dos documentos.  Desse  modo,  considerando  que  as  razões  adicionais  de  impugnação  não  implicam potencial de prejuízo para o Fisco, apreendendo a regência do princípio da verdade  material no PAF, e ponderando a relevância das alegações em tela, relativas à qualificação da  multa de ofício (com a majoração do débito contra o contribuinte e o encaminhamento de ação  criminal contra o mesmo), não se afigura acertada a r. decisão recorrida naquilo em que deixou  de apreciar tais razões de defesa, por suposta intempestividade.   Assim,  voto  dar  provimento  parcial  ao  recurso  voluntário,  para  afastar  a  preclusão  e  determinar  o  retorno  dos  autos  à  Turma  Julgadora  de  1ª.  Instância  para  se  pronunciar a respeito da qualificação da multa.    (assinado digitalmente)  Leonardo Mendonça Marques                      Fl. 1538DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por LEONARDO MENDONCA MARQUES, Assinado digitalmente em 06/08 /2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por LEONARDO MENDONCA MARQUES , Assinado digitalmente em 04/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA

score : 1.0
5557676 #
Numero do processo: 10830.905790/2008-68
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 27 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Aug 11 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/09/2003 a 30/09/2003 PIS/PASEP. PER/DCOMP. RECURSO. INTEMPESTIVIDADE. NÃO CONHECIMENTO. O recurso voluntário deve ser interposto no prazo de 30 (trinta) dias, contados da intimação do sujeito passivo. Intempestividade. Não conhecimento. Recurso Voluntário Não Conhecido. Crédito Tributário Mantido.
Numero da decisão: 3802-002.408
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM - Presidente. (assinado digitalmente) SOLON SEHN - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Mauricio Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
Nome do relator: SOLON SEHN

toggle explain
    
1.0 = *:*

  
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021

anomes_sessao_s : 201402

ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/09/2003 a 30/09/2003 PIS/PASEP. PER/DCOMP. RECURSO. INTEMPESTIVIDADE. NÃO CONHECIMENTO. O recurso voluntário deve ser interposto no prazo de 30 (trinta) dias, contados da intimação do sujeito passivo. Intempestividade. Não conhecimento. Recurso Voluntário Não Conhecido. Crédito Tributário Mantido.

turma_s : Segunda Turma Especial da Terceira Seção

dt_publicacao_tdt : Mon Aug 11 00:00:00 UTC 2014

numero_processo_s : 10830.905790/2008-68

anomes_publicacao_s : 201408

conteudo_id_s : 5366290

dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Aug 11 00:00:00 UTC 2014

numero_decisao_s : 3802-002.408

nome_arquivo_s : Decisao_10830905790200868.PDF

ano_publicacao_s : 2014

nome_relator_s : SOLON SEHN

nome_arquivo_pdf_s : 10830905790200868_5366290.pdf

secao_s : Terceira Seção De Julgamento

arquivo_indexado_s : S

decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM - Presidente. (assinado digitalmente) SOLON SEHN - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Mauricio Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.

dt_sessao_tdt : Thu Feb 27 00:00:00 UTC 2014

id : 5557676

ano_sessao_s : 2014

atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:25:27 UTC 2021

sem_conteudo_s : N

_version_ : 1713046816050642944

conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 3; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1675; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3­TE02  Fl. 154          1 153  S3­TE02  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  10830.905790/2008­68  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  3802­002.408  –  2ª Turma Especial   Sessão de  27 de fevereiro de 2014  Matéria  PIS­COMPENSAÇÃO  Recorrente  FORT DODGE SAÚDE ANIMAL LTDA.  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP  Período de apuração: 01/09/2003 a 30/09/2003  PIS/PASEP.  PER/DCOMP.  RECURSO.  INTEMPESTIVIDADE.  NÃO  CONHECIMENTO.  O recurso voluntário deve ser interposto no prazo de 30 (trinta) dias, contados  da intimação do sujeito passivo. Intempestividade. Não conhecimento.  Recurso Voluntário Não Conhecido.  Crédito Tributário Mantido.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  não  conhecer do recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.  (assinado digitalmente)  MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM ­ Presidente.   (assinado digitalmente)  SOLON SEHN ­ Relator.  Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Mércia  Helena  Trajano  Damorim  (Presidente),  Francisco  José  Barroso  Rios,  Solon  Sehn,  Waldir  Navarro  Bezerra, Bruno Mauricio Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.  Relatório     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 90 57 90 /2 00 8- 68 Fl. 154DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 22/07/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 08/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10830.905790/2008­68  Acórdão n.º 3802­002.408  S3­TE02  Fl. 155          2 Trata­se de recurso voluntário interposto em face de decisão da 8ª Turma da  Delegacia  da  Receita  Federal  de  Julgamento  em  Campinas/SP,  que  julgou  improcedente  a  manifestação  de  inconformidade  apresentada  pelo  Recorrente,  assentada  nos  fundamentos  resumidos na ementa seguinte:  “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP  Período de apuração: 01/09/2003 a 30/09/2003  DIREITO CREDITÓRIO. PROVA.  Correto  o  despacho  decisório  que  homologou  em  parte  a  compensação  declarada  pelo  contribuinte  por  insuficiência  de  direito  creditório,  diante  da  inexistência  de  comprovação  do  crédito que a sustentaria.  Manifestação de Inconformidade Improcedente  Direito Creditório Não Reconhecido”  No tocante à origem do direito de crédito, o interessado alegou ter recolhido a  contribuição ao PIS nos regimes não­cumulativo e monofásico utilizando o código de receita  único para ambos (6912). Porém, ao rever seus procedimentos de apuração, constatou que, na  verdade, deveria tê­los segregado, adotado o código 8109­2, em Darf separado, para o regime  monofásico. Assim,  diante  da  impossibilidade  de  efetuar  o  Redarf,  teria  sido  orientado  pela  Receita Federal a transmitir PER/Dcomp (Pedido Eletrônico de Restituição, Ressarcimento ou  Reembolso e Declaração de Compensação) visando compensar a diferença a maior recolhida  sob o código de receita 6912 com o débito do regime monofásico. Ao transmitir a declaração  de  compensação,  entretanto,  o  contribuinte  teria  informado  os  valores  originais,  sem  os  acréscimos legais. Tal fato implicou a homologação parcial da compensação, com a exigência  dos  acréscimos  legais  (juros  e  multa)  do  débito  do  regime  monofásico  informado  no  PER/Dcomp.  A DRJ, por sua vez, entendeu que não haveria prova do direito de crédito e  que,  ademais,  o  valor  do  débito  foi  informado  no  PER/Dcomp  pelo  próprio  interessado,  documento este que, nos termos do art. 26, § 4º, da Instrução Normativa nº 600/2005, constitui  confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos compensados.  O Recorrente, nas razões de fls. 71 e ss., expõe novamente a origem de seu  direito de crédito, sustentando que a DRJ não poderia ter considerado a Dcomp uma confissão  absoluta  de  dívida. Após  destacar  que  os  regimes  cumulativo  e monofásico  são  técnicas  de  apuração  de  um mesmo  tributo,  alegou  ter  havido  erro  da  empresa  ao  eleger  o  instituto  da  compensação para corrigir o equívoco na apuração. Isso porque o crédito se confundia com o  débito,  de  sorte  que  não  teria  havido  compensação.  Alega  que  o  mero  erro  de  fato  e  o  descumprimento de obrigação acessória não pode ensejar a desconsideração de seu direito, já  que  possui  toda  a  documentação  comprobatória  do  crédito,  que,  por  sua  vez,  é  anexada  à  petição  recursal. Aduz que, de acordo com o princípio da verdade material,  a Administração  tem o dever de observar a  realidade  factual apresentada nos autos; que não haveria qualquer  mora do sujeito passivo, porquanto o valor devido foi liquidado tempestivamente. Por fim, não  estaria correta a imputação efetuada pela Receita Federal, porquanto não haveria previsão legal  para a utilização do crédito informado para liquidar multa e juros inaplicáveis; e que o valor do  Fl. 155DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 22/07/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 08/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10830.905790/2008­68  Acórdão n.º 3802­002.408  S3­TE02  Fl. 156          3 crédito informado deveria ter sido atualizado pela Selic acumulada. Requerer o conhecimento e  provimento do recurso voluntário.  É o relatório.  Voto             Conselheiro Solon Sehn, Relator  O Recorrente teve ciência da decisão no dia 07/02/2012 (fls. 152), interpondo  recurso  em  16/03/2012  (fls.  71).  Trata­se,  assim,  de  recurso  intempestivo,  que  não  pode  ser  conhecido, nos termos do art. 33 do Decreto no 70.235/1972.  Vota­se, assim, pelo não conhecimento do recurso voluntário.   (assinado digitalmente)  Solon Sehn                                Fl. 156DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 22/07/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 08/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM

score : 1.0