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Numero do processo: 10280.721336/2010-44
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Mar 20 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Apr 17 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 01/05/2009
NÃO CONHECIMENTO DO RECURSO ESPECIAL. DISSIMILITUDE FÁTICA/FUNDAMENTOS.
Não se conhece do Recurso Especial quando as situações fáticas e fundamentos considerados nos acórdãos paradigmas são distintos da situação tratada no acórdão recorrido, não se prestando os arestos, por conseguinte, à demonstração de dissenso jurisprudencial.
Numero da decisão: 9303-008.348
Decisão:
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do Recurso Especial, vencido o conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, que conheceu do recurso. Votaram pelas conclusões os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal e Jorge Olmiro Lock Freire.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício), Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 01/05/2009 NÃO CONHECIMENTO DO RECURSO ESPECIAL. DISSIMILITUDE FÁTICA/FUNDAMENTOS. Não se conhece do Recurso Especial quando as situações fáticas e fundamentos considerados nos acórdãos paradigmas são distintos da situação tratada no acórdão recorrido, não se prestando os arestos, por conseguinte, à demonstração de dissenso jurisprudencial.
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DISSIMILITUDE FÁTICA/FUNDAMENTOS. Não se conhece do Recurso Especial quando as situações fáticas e fundamentos considerados nos acórdãos paradigmas são distintos da situação tratada no acórdão recorrido, não se prestando os arestos, por conseguinte, à demonstração de dissenso jurisprudencial. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do Recurso Especial, vencido o conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, que conheceu do recurso. Votaram pelas conclusões os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal e Jorge Olmiro Lock Freire. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício), Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 0. 72 13 36 /2 01 0- 44 Fl. 346DF CARF MF Processo nº 10280.721336/201044 Acórdão n.º 9303008.348 CSRFT3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional contra o acórdão nº 3302003.630, da 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento, que, por unanimidade de votos, deu provimento ao recurso voluntário, consignando a seguinte ementa: (...) EXTENSÃO DOS EFEITOS DA SOLUÇÃO DE CONSULTA COSIT. A Solução de Consulta da COSIT tem efeito vinculante no âmbito da Secretaria da Receita Federal, de sorte que o entendimento nela exarado deverá ser observado pela Administração Tributária, inclusive por seus órgãos julgadores quando da apreciação de litígios envolvendo a mesma matéria e o mesmo sujeito passivo, seja individualmente, seja vinculado a entidade representativa da categoria econômica ou profissional. RETIFICAÇÃO DE INFORMAÇÕES TEMPESTIVAMENTE APRESENTADAS. HARMONIZAÇÃO COM AS BALIZAS DA SOLUÇÃO DE CONSULTA COSIT Nº 2, DE 04/02/2016. As alterações ou retificações das informações já prestadas anteriormente pelos intervenientes não configuram prestação de informação fora do prazo, não sendo cabível, portanto, a aplicação da citada multa. ” Irresignada, a Fazenda Nacional opôs Embargos de Declaração, alegando omissão e contradição, requerendo que seja reconhecida a ausência de vinculação à Cosit e que a Turma decida se aplica a jurisprudência do CARF acerca da aplicação da multa em retificação extemporânea ou, inaugurando divergência, exponha os motivos pelos quais inova no entendimento sobre a matéria. Em Despacho, os embargos foram rejeitados. Insatisfeita, a Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial contra o r. acórdão, trazendo, entre outros, que: · O CARF não se submete aos posicionamentos da Cosit; Fl. 347DF CARF MF Processo nº 10280.721336/201044 Acórdão n.º 9303008.348 CSRFT3 Fl. 4 3 · Por uma questão de segurança jurídica, entendese que as soluções de consulta da Cosit vinculam as partes consulentes, que foram orientadas pela RFB em casos concretos e, por isso, não podem ser surpreendidas com posicionamentos inovadores no futuro; Requer, assim, que seja conhecido e provido o presente recurso, a fim de reformar o acórdão recorrido para que seja restabelecido o acórdão proferido pela DRJ, mantendose a multa aplicada. Foi dado seguimento ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, ressurgindo com discussões relativas às seguintes matérias: · Inexistência de vinculação do CARF às Soluções de Consulta Cosit; · Da incidência de multa no caso de retificação de informações de carga fora do prazo. Contrarrazões ao recurso foram apresentadas pelo sujeito passivo, que trouxe, entre outros, que: · O recurso não deve ser conhecido; · As Soluções de Consulta e as Soluções de Divergências editadas pela Cosit, sob a luz da IN 1396/13 têm efeito vinculante no âmbito da Receita Federal do Brasil, respaldando o sujeito passivo que as aplicar, independentemente der se o consulente; · Devese reconhecer a manifesta inaplicabilidade da multa prevista no art. 107, inciso IV, alínea “e”, do DecretoLei 37/66 sobre meras retificações de informações que tinham sido tempestivamente prestadas no SISCARGA; · Ademais, aplicase a denúncia espontânea na seara aduaneira – art. 102 do Decretolei 37/66, com a redação dada pela Lei 12.350/10. É o relatório. Fl. 348DF CARF MF Processo nº 10280.721336/201044 Acórdão n.º 9303008.348 CSRFT3 Fl. 5 4 Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303008.343, de 20 de março de 2019, proferido no julgamento do processo 10280.720013/201114, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão 9303008.343): "Depreendendose da análise do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, entendo que não devo conhecêlo, eis que não atendidos os requisitos dispostos no art. 67 do RICARF/2015 – Portaria MF 343/2015 com alterações posteriores. Quanto à primeira matéria trazida em recurso, qual seja “Inexistência de vinculação do CARF às Soluções de Consulta Cosit”, entendo que não devo conhecer dessa parte, pois não há divergência entre os arestos. Eis a ementa da recorrida (Destaques meus) na parte que interessa: “[...] EXTENSÃO DOS EFEITOS DA SOLUÇÃO DE CONSULTA COSIT. A Solução de Consulta da COSIT tem efeito vinculante no âmbito da Secretaria da Receita Federal, de sorte que o entendimento nela exarado deverá ser observado pela Administração Tributária, inclusive por seus órgãos julgadores quando da apreciação de litígios envolvendo a mesma matéria e o mesmo sujeito passivo, seja individualmente, seja vinculado a entidade representativa da categoria econômica ou profissional.[...]” E a ementa do acórdão nº 3301002.880 indicado como paradigma: “Ementa: SOLUÇÃO DE CONSULTA DA COSIT. EFEITOS. A Solução de Consulta da Cosit tem efeito vinculante no âmbito da Secretaria da Receita Federal, de sorte que o entendimento nela exarado deverá ser observado pela Fl. 349DF CARF MF Processo nº 10280.721336/201044 Acórdão n.º 9303008.348 CSRFT3 Fl. 6 5 Administração Tributária, inclusive por seus órgãos julgadores quando da apreciação de litígios envolvendo a mesma matéria e o mesmo sujeito passivo, seja individualmente, seja vinculado a entidade representativa de categoria econômica ou profissional.” Não há divergência alguma entre os arestos. Sendo assim, não conheço o recurso em relação à primeira matéria. Quanto à segunda matéria trazida em recurso, qual seja, “Da incidência de multa no caso de retificação de informações de carga fora do prazo”, recordase a ementa do acórdão recorrido: “[...] RETIFICAÇÃO DE INFORMAÇÕES TEMPESTIVAMENTE APRESENTADAS. HARMONIZAÇÃO COM AS BALIZAS DA SOLUÇÃO DE CONSULTA COSIT Nº 2, DE 04/02/2016. As alterações ou retificações das informações já prestadas anteriormente pelos intervenientes não configuram prestação de informação fora do prazo, não sendo cabível, portanto, a aplicação da citada multa.” Depreendendose da leitura do voto e da ementa, vêse que o Colegiado adotou a Solução de Consulta na elaboração essa ementa, pois entendeu ser ela vinculante até mesmo aos órgãos julgadores. Considerando que a primeira matéria não foi conhecida, essa segunda matéria está totalmente vinculada à primeira, o que cabe a essa conselheira não conhecer o Recurso Especial em relação à essa segunda. Ademais, vêse que os acórdãos indicados como paradigma os acórdãos 3101001.621 e 3101001.622 nem se referem à Solução de Consulta, que foi considerada vinculante aos órgãos julgadores no presente caso. Data máxima vênia, apenas expresso que entendo que tal solução pode ser vinculante perante a Receita Federal, nos termos do art. 9º da IN 1396/13, mas não aos julgadores do CARF. Em vista de todo o exposto, entendo que não devo conhecer o Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional.." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Fl. 350DF CARF MF Processo nº 10280.721336/201044 Acórdão n.º 9303008.348 CSRFT3 Fl. 7 6 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado não conheceu do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 351DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16327.901233/2006-82
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 26 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Mar 21 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 15/10/2003
PER/DCOMP. PAGAMENTO INDEVIDO. DESPACHO ELETRÔNICO. SALDO DISPONÍVEL NÃO UTILIZADO.
Em havendo mais de uma Declaração de Compensação (DCOMP) vinculada ao mesmo pagamento indevido (DARF), há que se utilizar o valor estritamente necessário para compensar os débitos de uma DCOMP, de forma que o saldo remanescente seja utilizado nas DCOMP seguintes, até o limite do crédito disponível.
Constatado que havia saldo disponível para compensar débitos declarados em outras DCOMPs, há que se reformar a decisão de primeiro grau denegatória e autorizar as compensações até o valor do saldo disponível, observado o conjunto de DCOMPs que se vincula ao mesmo pagamento (DARF).
Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 15/10/2003
PER/DCOMP. PAGAMENTO INDEVIDO. DESPACHO ELETRÔNICO. SALDO DISPONÍVEL NÃO UTILIZADO.
Em havendo mais de uma Declaração de Compensação (DCOMP) vinculada ao mesmo pagamento indevido (DARF), há que se utilizar o valor estritamente necessário para compensar os débitos de uma DCOMP, de forma que o saldo remanescente seja utilizado nas DCOMPs seguintes, até o limite do crédito disponível.
Constatado que havia saldo disponível para compensar débitos declarados em outras DCOMPs, há que se reformar a decisão de primeiro grau denegatória e autorizar as compensações até o valor do saldo disponível, observado o conjunto de DCOMP que se vincula ao mesmo pagamento (DARF).
Numero da decisão: 3301-005.721
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marco Antonio Marinho Nunes - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (presidente da turma), Valcir Gassen (vice-presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d`Oliveira, Salvador Cândido Brandão Júnior, Ari Vendramini, Marco Antonio Marinho Nunes e Semiramis de Oliveira Duro.
Nome do relator: MARCO ANTONIO MARINHO NUNES
1.0 = *:*
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camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do fato gerador: 15/10/2003 PER/DCOMP. PAGAMENTO INDEVIDO. DESPACHO ELETRÔNICO. SALDO DISPONÍVEL NÃO UTILIZADO. Em havendo mais de uma Declaração de Compensação (DCOMP) vinculada ao mesmo pagamento indevido (DARF), há que se utilizar o valor estritamente necessário para compensar os débitos de uma DCOMP, de forma que o saldo remanescente seja utilizado nas DCOMP seguintes, até o limite do crédito disponível. Constatado que havia saldo disponível para compensar débitos declarados em outras DCOMPs, há que se reformar a decisão de primeiro grau denegatória e autorizar as compensações até o valor do saldo disponível, observado o conjunto de DCOMPs que se vincula ao mesmo pagamento (DARF). Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do fato gerador: 15/10/2003 PER/DCOMP. PAGAMENTO INDEVIDO. DESPACHO ELETRÔNICO. SALDO DISPONÍVEL NÃO UTILIZADO. Em havendo mais de uma Declaração de Compensação (DCOMP) vinculada ao mesmo pagamento indevido (DARF), há que se utilizar o valor estritamente necessário para compensar os débitos de uma DCOMP, de forma que o saldo remanescente seja utilizado nas DCOMPs seguintes, até o limite do crédito disponível. Constatado que havia saldo disponível para compensar débitos declarados em outras DCOMPs, há que se reformar a decisão de primeiro grau denegatória e autorizar as compensações até o valor do saldo disponível, observado o conjunto de DCOMP que se vincula ao mesmo pagamento (DARF).
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira - Presidente. (assinado digitalmente) Marco Antonio Marinho Nunes - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (presidente da turma), Valcir Gassen (vice-presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d`Oliveira, Salvador Cândido Brandão Júnior, Ari Vendramini, Marco Antonio Marinho Nunes e Semiramis de Oliveira Duro.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2000; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T1 Fl. 169 1 168 S3C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16327.901233/200682 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3301005.721 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 26 de fevereiro de 2019 Matéria PIS E COFINS Recorrente BANCO ITAULEASING S.A. (CIA ITAULEASING DE ARRENDAMENTO MERCANTIL) Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 15/10/2003 PER/DCOMP. PAGAMENTO INDEVIDO. DESPACHO ELETRÔNICO. SALDO DISPONÍVEL NÃO UTILIZADO. Em havendo mais de uma Declaração de Compensação (DCOMP) vinculada ao mesmo pagamento indevido (DARF), há que se utilizar o valor estritamente necessário para compensar os débitos de uma DCOMP, de forma que o saldo remanescente seja utilizado nas DCOMP seguintes, até o limite do crédito disponível. Constatado que havia saldo disponível para compensar débitos declarados em outras DCOMPs, há que se reformar a decisão de primeiro grau denegatória e autorizar as compensações até o valor do saldo disponível, observado o conjunto de DCOMPs que se vincula ao mesmo pagamento (DARF). ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 15/10/2003 PER/DCOMP. PAGAMENTO INDEVIDO. DESPACHO ELETRÔNICO. SALDO DISPONÍVEL NÃO UTILIZADO. Em havendo mais de uma Declaração de Compensação (DCOMP) vinculada ao mesmo pagamento indevido (DARF), há que se utilizar o valor estritamente necessário para compensar os débitos de uma DCOMP, de forma que o saldo remanescente seja utilizado nas DCOMPs seguintes, até o limite do crédito disponível. Constatado que havia saldo disponível para compensar débitos declarados em outras DCOMPs, há que se reformar a decisão de primeiro grau denegatória e autorizar as compensações até o valor do saldo disponível, observado o conjunto de DCOMP que se vincula ao mesmo pagamento (DARF). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 90 12 33 /2 00 6- 82 Fl. 169DF CARF MF Processo nº 16327.901233/200682 Acórdão n.º 3301005.721 S3C3T1 Fl. 170 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente. (assinado digitalmente) Marco Antonio Marinho Nunes Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (presidente da turma), Valcir Gassen (vicepresidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d`Oliveira, Salvador Cândido Brandão Júnior, Ari Vendramini, Marco Antonio Marinho Nunes e Semiramis de Oliveira Duro. Relatório Cuidase de Recurso Voluntário interposto contra o Acórdão nº 1619.057 8ª Turma da DRJ/SPO1, que manteve o Despacho Decisório com o numero de rastreamento nº 170266455, por intermédio do qual não foi homologada a compensação declarada no PER/DCOMP nº 3706306673.151003.1.3.040844. Por bem descrever os fatos, adoto, com as devidas complementações, o relatório constante da decisão de primeira instância, que reproduzo a seguir. Tratase de manifestação de inconformidade (fls. 02/04) de BANCO ITAULEASING S.A. (denominação anterior: Cia. Itauleasing de Arrendamento Mercantil), supra qualificado, apresentada em face do Despacho Decisório de fls. 10. Em 15.10.2003, o contribuinte entregou a Declaração de Compensação de fls. 11/16 (PER/DCOMP n° 37069.06673.l5l003.1.3.040844), na qual declara a compensação de pretenso crédito de Cofins, oriundo de pagamento indevido ou a maior contido no recolhimento efetuado em 15.02.2001 (PA 01/2001), com débitos de PIS e da própria Cofins, ambos com vencimento em 15.10.2003 (PA 09/2003). Pelo Despacho Decisório de fls. 10 o contribuinte foi cientificado, em 26.06.2008 (fls. 01), que “a partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP”. Em razão do acima descrito, não foi homologada a compensação declarada, tendo sido o interessado intimado a recolher o valor indevidamente compensado (principal: R$ 73.908,13). Irresignado, o contribuinte apresentou em 24.07.2008 a Manifestação de Inconformidade de fls. 02/04, alegando, em apertada síntese, que a não Fl. 170DF CARF MF Processo nº 16327.901233/200682 Acórdão n.º 3301005.721 S3C3T1 Fl. 171 3 homologação da compensação decorreu de equívoco da peticionante no preenchimento do PER/DCOMP, pois o crédito original já havia sido informado em outro PER/DCOMP, o de n°19565.l8241.290803.1.3.048231. Pleiteia, assim, seja retificado de ofício o presente PER/DCOMP n° 37069.06673.151003.1.3.040844 com as correções indicadas às fls. 07/08, que, segundo seu entendimento, apontariam para a suficiência do crédito para efetivar as compensações pretendidas (demonstrativo às fls. 22). . Regularmente processada a Manifestação de Inconformidade apresentada, a 8ª Turma da DRJ/SPO1, por unanimidade de votos, indeferiu a solicitação da contribuinte e ratificou o Despacho Decisório anteriormente exarado, em todos os seus termos, conforme Acórdão nº 1619.057, datado de 16/10/2008, cuja ementa reproduzo a seguir: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 31/01/2001 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. RETIFICAÇÃO APÓS DECISÃO ADMINISTRATIVA. IMPOSSIBILIDADE. Consoante legislação de regência, a declaração de compensação somente pode ser retificada enquanto pendente de decisão administrativa. Solicitação Indeferida Cientificada do julgamento de primeiro grau, a contribuinte apresentou Recurso Voluntário, em que especifica a origem de seu crédito (no valor originário de R$ 161.906,33, em 15/02/2001), bem como os documentos que o comprovam, entendendo que a compensação efetuada estaria em conformidade, já que o crédito seria suficiente para quitar os débitos informados no PER/DCOMP. Reitera o cometimento de erro no preenchimento de seu PER/DCOMP ao argumento de que o direito a utilização de crédito se mantém frente a "erros" no cumprimento de obrigações acessórias. Em seguida, enumera os erros cometidos no preenchimento da referida declaração, a saber: · o (1) PER/DCOMP l3859.34422.031003.1.7.040113 (doc. 04) é o retificador do PER\DCOMP 19565.18241.290803.1.3.048231 (transmitido em 29.08.2003 e substituído pelo retificador). Na página 4 (doc. 04A) vêse que houve erro na atualização, pois os débitos compensados foram atualizados indevidamente até setembro de 2003. no entanto. a atualização deveria ter sido feita somente até agosto de 2003, quando transmitido o original. A correção da distorção ora apontada acarretará na redução do montante compensado de R$ 13.857,18 (doc. 04B)_para R$ 13.687,08; · no (2) PERD\COMP 37069.066.73.151.003.1.3.040844 (doc. 05) houve incorreção na página 2 (doc. 05A), pois onde consta como resposta “não” deveria ter sido declarado “sim”, pois o crédito já havia sido utilizado em outro PER\DCOMP; Fl. 171DF CARF MF Processo nº 16327.901233/200682 Acórdão n.º 3301005.721 S3C3T1 Fl. 172 4 · no (3) PERD\COMP 05272.46835.311003.1.3.040896 (doc. 06) também houve incorreção na página 2 (doc. 06A), pois onde consta como resposta “não” deveria ter sido declarado “sim”, pois o crédito já havia sido utilizado em outro PER\DCOMP. Objetivando comprovar a suficiência do crédito com as compensações declaradas, a Recorrente anexa demonstrativo de utilização do crédito, para demonstrar que, após a alocação do crédito aos débitos compensados nos 03 (três) PER\DCOMPs acima mencionados, remanesce crédito no valor de R$ 3,98 (doc. 07). Conclui requerendo seja "o recurso acolhido e provido, com a conseqüente reforma total do despacho decisório, para que seja reconhecido o direito creditório, homologadas as compensações atreladas e determinada a retificação dos PER/DCOMPs". Alternativamente, caso não sejam acolhidos os pedidos formulados, requer, a devolução dos autos em diligência para DEINF/SP, a fim retificação de oficio dos PER/DCOMPs (docs. 04, 05 e 06). É o relatório. Voto Conselheiro Marco Antonio Marinho Nunes, Relator. O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, devendo, por tais razões, ser conhecido. A Recorrente, em seu recurso, reitera ter crédito originário de pagamento a maior de Cofins do período de apuração 01/2001, no valor originário de R$ 161.903,66, diferença entre o pagamento no montante de R$ 764.549,38, à fl. 62, e o débito do correspondente período, R$ 602.643,05 (conforme declarado em suas DIPJ e DCTF da época, às fls. 59 e 61, respectivamente). Primeiramente, importa frisar que a autoridade fiscal não questionou a exatidão do débito da Cofins do PA 01/192001, no valor de R$ 602.643,05, nem ventilou a inexistência do recolhimento de R$ 764,549,38, anteriormente efetuado pela Recorrente. Pelo contrário, o citado recolhimento foi considerado no Despacho Decisório destes autos, consoante pode ser visto em seu campo "UTILIZAÇÃO DOS PAGAMENTOS ENCONTRADOS PARA O DARF DISCRIMINADO NO PER/DCOMP", conforme pode ser visto à fl. 82. No entanto, conforme o referido Despacho Decisório, todo o saldo desse pagamento já se encontraria alocado, ou seja, estaria indisponível para confronto aos débitos constantes do mencionado PER/DCOMP. Analisandose a utilização do referido pagamento, constatase que parcelas de seu saldo original tiveram a seguinte utilização: i) R$ 161.906,33 para o PER/DCOMP 13859.34422.031003.1.7.040113; e ii) R$ 602.643,05 para o débito de Cofins, código de receita 7987, PA 31/01/2001, no valor de R$ 602.643,05. Fl. 172DF CARF MF Processo nº 16327.901233/200682 Acórdão n.º 3301005.721 S3C3T1 Fl. 173 5 Abaixo, reproduzo o demonstrativo aqui referido, extraído do Despacho Decisório que analisou o pedido da Recorrente, para melhor visualização da questão: NÚMERO DO PAGAMENTO VALOR ORIGINAL TOTAL PROCESSO(PR)/ PERDCOMP(PD)/ DÉBITO(DB) VALOR ORIGINAL UTILIZADO 2860642008 764.549,38 PD: 13859.34422.031003.1.7.040113 161.906,33 Db: Cód 7987 PA 31/01/2001 602.643,05 VALOR TOTAL 764.549,38 Ou seja, a leitura inicial que se tem é que, de fato, não haveria saldo credor disponível para ser usado no PER/DCOMP destes autos. Porém, a partir da análise do PER/DCOMP informado no Despacho Decisório destes autos, 13859.34422.031003.1.7.040113, às fls. 6367, notase que o saldo credor da Recorrente, no valor de R$ 161.906,33, não foi ali integralmente utilizado. Nesse PER/DCOMP, foi utilizado apenas R$ 9.389,61 do crédito original, para compensar 03 (três) débitos de IRPJ, código de receita 2319, PAs 09/2002, 07/2000 e 01/2002, no valor consolidado de R$ 13.857,18. Dessa compensação, remanesceu R$ 152.516,72 de saldo de crédito original. Portanto, após as compensações procedidas no PER/DCOMP nº 13859.34422.031003.1.7.040113, ainda restou crédito no montante de R$ 152.516,72, o qual não foi considerado no Despacho Decisório que originou a lide destes autos. Simplesmente, no referido Despacho Decisório, as informações nele expostas limitamse a informar a inexistência de crédito para a compensação dos débitos informados. Similar apreciação de não homologação por meio de Despacho Decisório ocorreu na análise de outro PER/DCOMP da Recorrente, qual seja, de nº 05272.46835.311003.1.3.040896, no qual o objetivo era a compensação de débito de CSLL de setembro de 2003, no valor de R$ 153.738,35, valendose da mesma origem de crédito, R$ 161.906,33, decorrente do pagamento no valor de R$ 764.549,38, conforme Despacho Decisório com número de rastreamento nº 757850043, exarado no Processo Administrativo de Crédito nº 16327.900252/200853. No Processo Administrativo nº 16327.900252/200853, o motivo da não homologação também foi a inexistência de crédito disponível para compensação, eis que o pagamento originário do crédito estaria com seu valor integralmente utilizado, conforme detalhamento a seguir exposto: i) R$ 161.906,33 para o PER/DCOMP 13859.34422.031003.1.7.040113; e ii) R$ 602.643,05 para o débito de Cofins, código de receita 7987, PA 31/01/2001, no valor de R$ 602.643,05. No entanto, na apreciação da Manifestação de Inconformidade apresentada no curso do Processo Administrativo nº 16327.900252/200853, o órgão julgador de primeiro grau apreciou com propriedade a questão e detectou a existência de saldo credor disponível Fl. 173DF CARF MF Processo nº 16327.901233/200682 Acórdão n.º 3301005.721 S3C3T1 Fl. 174 6 para a compensação almejada, conforme trechos extraídos do Acórdão nº 1644.23213ª Turma da DRJ/SP1, datado de 27 de fevereiro de 2013, transcritos a seguir: 4.3. No caso concreto, o contribuinte declarou débitos de CSLL, 24691, setembro/2003, e apontou o suposto saldo não alocado no DARF supracitado, em virtude da modificação da informação apresentada por intermédio da DCTF Retificadora, de valor R$ 161.906,33 como origem do crédito. Em se tratando de declaração eletrônica, a verificação dos dados informados pelo contribuinte foi realizada também de forma eletrônica, tendo resultado no Despacho Decisório em discussão (fls. 07). 4.4. O ato combatido aponta como causa da não homologação o fato de que, embora localizado o pagamento indicado no PER/DCOMP como origem do crédito, foi constatada a inexistência de crédito para respaldar o pleito do Contribuinte, vez que parte de seu valor fora utilizado para a extinção de débitos declarados pelo próprio por intermédio de DCTF Retificadora (R$ 602.643,05), além do valor reservado para liquidação dos débitos declarados no PER/DCOMP nº 13859.34422.031003.1.7.040113 (R$ 161.906,33), tudo conforme apontado no campo próprio do Despacho Decisório. 4.5. Ademais, o exame das declarações prestadas pela própria interessada à Administração Tributária revela que parte do crédito declarado no presente PER/DCOMP já havia sido aproveitado para liquidar débitos distintos anteriormente declarados pelo contribuinte em DCTF Retificador e em PER/DCOMP diverso do sob análise (nº 13859.34422.031003.1.7.040113). 4.6. Contudo, emerge da análise das informações eletrônicas à disposição da RFB (Sistema Sief) atinentes ao PER/DCOMP nº 13859.34422.031003.1.7.040113, que o Contribuinte, por intermédio deste, pretendeu liquidar débitos cujo montante perfez R$ 9.609,91, enquanto que o Despacho Decisório de fls. 7 indica que teria sido utilizado um valor equivalente a R$ 161.906,33 para a liquidação do mesmo débito. 4.7. Embora tal verificação não seja suficiente para comprovar erro na informação constante do indigitado Despacho Decisório, vez que a declaração de compensação apresentada pelo Contribuinte poderia conter impropriedades quanto ao cálculo, esta divergência justifica o esquadrinhamento dos valores efetivamente utilizados no citado PER/DCOMP donde se extrai: (a) Do valor total recolhido no DARF em apreço (R$ 764.549,38), indicado como gênese do crédito reclamado, o equivalente a R$ 602.643,05 foi utilizado para liquidar débito declarado pelo contribuinte em DCTF Retificadora (COFINS, 7987, PA 31/01/2001), restando um saldo não alocado no valor originário de R$ 161.906,33; (b) Diferentemente do disposto no Despacho Decisório de fls. 07, foi definitivamente alocado ao PER/DCOMP nº 13859.34422.031003.1.7.040113 o valor de R$ 9.609,91, Fl. 174DF CARF MF Processo nº 16327.901233/200682 Acórdão n.º 3301005.721 S3C3T1 Fl. 175 7 suficiente para liquidar os débitos apontados na referida declaração [IRPJ Entidade Financeira/Estimativa mensal (2319 01)]; (c) Por intermédio do PER/DCOMP nº 37069.06673.151003.1.3.040844, ainda em discussão na esfera administrativa, a Insurgente objetivou compensar os débitos apontados na referida declaração, cujo montante perfez o total de 73.908,13 (valores originais), tendo negado o seu intento; (d) Por fim, verificase que, do valor originário do direito creditório do contribuinte, com esteio no DARF apresentado, nos débitos declarados em DCTF (quitados), no PER/DCOMP já homologado (nº 13859.34422.031003.1.7.040113), resta como não definitivamente alocado o saldo disponível equivalente a R$ 152.516,74, podendo ser utilizado para o PER/DCOMP ainda sem decisão final no âmbito da Administração (nº 37069.06673.151003.1.3.040844) e para o presente. 4.8. Assim, o valor efetivamente compensado no PER/DCOMP nº 13859.34422.031003.1.7.040113, conforme registro constante do sistema informatizado Sief, é inferior à compensação indicada no campo 3 do Despacho Decisório (fls.07), compensação esta que motivou a equivocada não homologação do presente PERD/COMP. 4.9. Nestas condições, uma vez comprovado o equívoco do Despacho Decisório de fls. 07 e a confirmação da existência de saldo disponível no DARF apontado no presente PER/DCOMP, deve ser reformada a atacada decisão para que seja reconhecido o direito creditório da manifestante, observado, contudo, o conjunto dos PER/DCOMP vinculados ao DARF apontado, inclusive, no ora analisado. O conjunto de PER/DCOMPs vinculado ao DARF a que se refere a citada decisão e que deu gênese ao crédito reclamado, R$ 161.906,33, representa: i) l3859.34422.031003.1.7.040113 (Homologado); ii) 37069.066.73.151.003.1.3.040844 (tratado nestes autos); e iii) 05272.46835.311003.1.3.040896 (tratado no Processo Administrativo nº 16327.900252/200853, onde teve o pedido julgado procedente pela DRJ). Assim, entendo que, como o PER/DCOMP nº l3859.34422.031003.1.7.04 0113 já se encontra homologado, deve ser utilizado o saldo remanescente de R$ 152.516,74 para os PER/DCOMPs 37069.066.73.151.003.1.3.040844 (destes autos) e 05272.46835.311003.1.3.040896 (deferido no curso do Processo Administrativo nº 16327.900252/200853). Ademais, para fins de utilização do credito, deverá ser observado o conjunto de PER/DCOMPs vinculados ao DARF apontado, inclusive o PER/DCOMP do presente processo. Considerando o exposto e tudo mais que do processo consta, entendo deva ser dado provimento ao Recurso Voluntário, e, com isso, autorizar a compensação pleiteada no limite do crédito reconhecido no Processo Administrativo nº 16327.9090252/200853 e conforme consta do banco de dados da RFB. Fl. 175DF CARF MF Processo nº 16327.901233/200682 Acórdão n.º 3301005.721 S3C3T1 Fl. 176 8 Assim, voto por dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Marco Antonio Marinho Nunes Fl. 176DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10421.720099/2013-95
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 27 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Mar 21 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Importação - II
Período de apuração: 05/12/2008 a 29/07/2009
RECEBIMENTO DE CLIENTES. COMPROVAÇÃO DA CAPACIDADE FINANCEIRA PARA A REALIZAÇÃO DE IMPORTAÇÕES
Depósitos, cujos históricos indicados nos extratos apontam serem oriundos de recebimentos de clientes, não se prestam para comprovar capacidade financeira, se não conciliados com notas fiscais de venda.
AUMENTOS DE CAPITAL EFETUADOS COM EMPRÉSTIMOS. COMPROVAÇÃO DA CAPACIDADE FINANCEIRA PARA A REALIZAÇÃO DE IMPORTAÇÕES
Os aumentos de capital foram contabilizados e suportados por alterações contratuais, devidamente registradas nos órgãos públicos. Os recursos foram identificados no extratos bancários.
Tais elementos são suficientes para comprovar a efetividade das transações. Por conseguinte, os valores dos aumentos de capital realizados em 2008 podem ser utilizados como meio de prova da capacidade financeira para a realização das importações cursadas nos anos de 2008 e 2009, atendendo o disposto no § 2° do art. 23 do Decreto-lei n° 1.455/76.
MÚTUOS. COMPROVAÇÃO DA CAPACIDADE FINANCEIRA PARA A REALIZAÇÃO DE IMPORTAÇÕES
Contratos e correspondentes depósitos bancários são suficientes para comprovar a efetividade das operações de mútuo, os quais, por conseguinte, podem ser utilizados como meios de prova da capacidade financeira para a realização das importações cursadas no ano de 2009, atendendo o disposto no § 2° do art. 23 do Decreto-lei n° 1.455/76.
Numero da decisão: 3301-005.810
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente
(assinado digitalmente)
Marcelo Costa Marques d'Oliveira - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Marco Antonio Marinho Nunes, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente).
Nome do relator: MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Importação - II Período de apuração: 05/12/2008 a 29/07/2009 RECEBIMENTO DE CLIENTES. COMPROVAÇÃO DA CAPACIDADE FINANCEIRA PARA A REALIZAÇÃO DE IMPORTAÇÕES Depósitos, cujos históricos indicados nos extratos apontam serem oriundos de recebimentos de clientes, não se prestam para comprovar capacidade financeira, se não conciliados com notas fiscais de venda. AUMENTOS DE CAPITAL EFETUADOS COM EMPRÉSTIMOS. COMPROVAÇÃO DA CAPACIDADE FINANCEIRA PARA A REALIZAÇÃO DE IMPORTAÇÕES Os aumentos de capital foram contabilizados e suportados por alterações contratuais, devidamente registradas nos órgãos públicos. Os recursos foram identificados no extratos bancários. Tais elementos são suficientes para comprovar a efetividade das transações. Por conseguinte, os valores dos aumentos de capital realizados em 2008 podem ser utilizados como meio de prova da capacidade financeira para a realização das importações cursadas nos anos de 2008 e 2009, atendendo o disposto no § 2° do art. 23 do Decreto-lei n° 1.455/76. MÚTUOS. COMPROVAÇÃO DA CAPACIDADE FINANCEIRA PARA A REALIZAÇÃO DE IMPORTAÇÕES Contratos e correspondentes depósitos bancários são suficientes para comprovar a efetividade das operações de mútuo, os quais, por conseguinte, podem ser utilizados como meios de prova da capacidade financeira para a realização das importações cursadas no ano de 2009, atendendo o disposto no § 2° do art. 23 do Decreto-lei n° 1.455/76.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Período de apuração: 05/12/2008 a 29/07/2009 RECEBIMENTO DE CLIENTES. COMPROVAÇÃO DA CAPACIDADE FINANCEIRA PARA A REALIZAÇÃO DE IMPORTAÇÕES Depósitos, cujos históricos indicados nos extratos apontam serem oriundos de recebimentos de clientes, não se prestam para comprovar capacidade financeira, se não conciliados com notas fiscais de venda. AUMENTOS DE CAPITAL EFETUADOS COM EMPRÉSTIMOS. COMPROVAÇÃO DA CAPACIDADE FINANCEIRA PARA A REALIZAÇÃO DE IMPORTAÇÕES Os aumentos de capital foram contabilizados e suportados por alterações contratuais, devidamente registradas nos órgãos públicos. Os recursos foram identificados no extratos bancários. Tais elementos são suficientes para comprovar a efetividade das transações. Por conseguinte, os valores dos aumentos de capital realizados em 2008 podem ser utilizados como meio de prova da capacidade financeira para a realização das importações cursadas nos anos de 2008 e 2009, atendendo o disposto no § 2° do art. 23 do Decretolei n° 1.455/76. MÚTUOS. COMPROVAÇÃO DA CAPACIDADE FINANCEIRA PARA A REALIZAÇÃO DE IMPORTAÇÕES Contratos e correspondentes depósitos bancários são suficientes para comprovar a efetividade das operações de mútuo, os quais, por conseguinte, podem ser utilizados como meios de prova da capacidade financeira para a realização das importações cursadas no ano de 2009, atendendo o disposto no § 2° do art. 23 do Decretolei n° 1.455/76. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 42 1. 72 00 99 /2 01 3- 95 Fl. 3451DF CARF MF Processo nº 10421.720099/201395 Acórdão n.º 3301005.810 S3C3T1 Fl. 3.452 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente (assinado digitalmente) Marcelo Costa Marques d'Oliveira Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Marco Antonio Marinho Nunes, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente). Relatório Adoto o relatório da decisão de primeira instância: "Tratase de impugnação ao Auto Infração de folhas 02 a 56, por meio do qual se exige crédito tributário no montante de R$ 8.210.473,35, referente à multa equivalente ao valor aduaneiro das mercadorias estrangeiras não localizadas e importadas mediante interposição fraudulenta, conforme disposto no DecretoLei nº 1.455/1976, artigo 23, inciso V, § 3º, com a redação dada pelo art. 59 da Lei 10.637/02, combinado com o art. 81, inciso III da Lei nº 10.833/03. Relata a autoridade fiscal que, em procedimento de fiscalização para verificação da origem dos recursos aplicados nas importações realizadas pela empresa MI2 COMERCIAL, IMPORTADORA E EXPORTADORA LTDA., no período de setembro de 2008 a julho de 2009, constatouse que a real adquirente das mercadorias era a empresa TRINEXCO LTDA., o que configura ocultação do verdadeiro responsável pelas operações e interposição fraudulenta, por meios simulatórios e fraudulentos, e materializa a infração capitulada no dispositivo legal acima mencionado. Em razão da impossibilidade de apreensão das mercadorias (porque não localizadas ou por já terem sido consumidas), foi lavrado auto de infração para aplicação da multa equivalente ao valor aduaneiro das mercadorias, em substituição à aplicação da pena de perdimento, conforme estabelecido no art. 23, inciso V, § 3º, do DecretoLei nº 1.455, de 07 de abril de 1976, para o responsável e real adquirente (TRINEXCO LTDA), e o termo de sujeição passiva para a empresa MI2 COMERCIAL E EXPORTADORA LTDA. Cientes do Auto de Infração, as empresas TRINEXCO LTDA. e MI2 COMERCIAL E EXPORTADORA LTDA. apresentaram, em 02/05/2013, a impugnação (e documentos) de fls. 2.266/3.373, na qual formulam as seguintes razões de defesa: Alegam que a impugnação é tempestiva porque, em razão do feriado nacional do dia do trabalhador, o prazo para sua apresentação foi prorrogado para o dia 02/05/2013. Fl. 3452DF CARF MF Processo nº 10421.720099/201395 Acórdão n.º 3301005.810 S3C3T1 Fl. 3.453 3 Ressaltam que a participação e legitimidade da MI2 Comercial, nesta defesa, se dá em razão de ela ter sido alçada à condição de RESPONSÁVEL SOLIDÁRIA pelo objeto da autuação, com sujeição passiva ao conteúdo do auto. Dizem que a conclusão levantada pela autoridade fazendária é resultado de elucubrações grosseiras, presunções ilegais e, sobretudo, desconsideração de fatos e provas documentais que afastam por completo a tresloucada tese de interposição fraudulenta de terceiros nas reportadas importações da MI2. E nesse aspecto, chega às raias do absurdo e da manifesta teratologia fiscal pretender acusar empresas controladas pelos mesmos sócios, marido e mulher, casados sob o regime da comunhão parcial de bens, de utilizarse de ardil mediante uso de uma delas para justificar importação em nome de outra, quando ambas têm um controle comum. Afirmam que é completamente infundada, por manifesta desnecessidade, a imputação de a TRINEXCO ser a importadora de fato das mercadorias internalizadas pela MI2 Comercial, pois no período da ação fiscal (entre 2008 e 2009) a TRINEXCO realizou, em seu nome NÚMERO MAIOR de importações do que aquelas levadas a efeito pela MI2 Comercial; e nesse particular, junta cópias de todas as DI´s devidamente registradas, que comprovam as muitas importações regulares e validamente operadas pela TRINEXCO nos anos de 2008 e 2009 (mesmo período das importações realizadas pela MI2 Comercial). Asseveram que todas essas importações foram realizadas pela própria TRINEXCO, em virtude de sua habilitação para operar no comércio exterior, plenamente válida e eficaz e que, sem exceção, todas elas foram finalizadas a contento, sem qualquer aplicação de penalidades pela autoridade alfandegária. Argumentam que “nesse ponto, há de ser pronta e imediatamente rechaçada a conduta capciosa arguida pela autoridade fazendária, que ultrapassou os limites da competência legal da investigação fiscal para enveredar por subterfúgio inescrupuloso, na tentativa de desqualificar a atuação da TRINEXCO nas muitas operações de importação realizadas”. Dizem que é improcedente a acusação feita pela fiscalização de que a TRINEXCO teve anotada em seus registros mais de duas centenas de ocorrências em despachos de importação entre 2008 e 2009, atribuindolhe: infrações administrativas ao controle das importações; descrição incompleta e imprecisa da mercadoria; classificação incorreta; quantificação incorreta na unidade de medida estatística estabelecida; uso de documento falso; não apresentação de fatura comercial válida; valor aduaneiro; mercadoria declarada em parte; mercadoria manifestada, porém não declarada, e, extravio de mercadoria e base de cálculo incorreta. Afirmam que a TRINEXCO nunca sofreu qualquer sanção ou aplicação de multa ou perdimento em mercadorias importadas. Argumenta que, se fosse verídica a conclusão espúria da autoridade fiscal, a TRINEXCO estaria sujeita a procedimento fiscal de 2005 a 2009 e, com certeza, não teria concluído o registro de qualquer Declaração de Importação e desembaraço de qualquer mercadoria nesse período. Sustentam que também não teriam sido registradas diversas DI´s em nome da TRINEXCO, se o seu cadastro de contribuinte não estivesse em situação regular ou fosse encontrada qualquer irregularidade impeditiva, consoante disposto no artigo 15 da IN/SRF 680/06 de 2/10/2006. Fl. 3453DF CARF MF Processo nº 10421.720099/201395 Acórdão n.º 3301005.810 S3C3T1 Fl. 3.454 4 Afirmam que a TRINEXCO cumpriu com todas as exigências que culminaram na finalização de todas as importações promovidas em conseqüência de sua própria habilitação, pois promoveu a emissão de LI deferida pelo órgão competente, obteve registro da declaração de importação, recepção dos documentos de instrução do despacho, fiscalização das mercadorias e liberação da carga via administrativa. Dizem ainda que todas as importações executadas pela TRINEXCO, no período da ação fiscal, foram concluídas sem qualquer ressalva pelas autoridades aduaneiras e/ou exigência de fiel depositário. �Salientam que, ainda que fosse possível burlar o sistema SISCOMEX e promover o registro da Declaração de Importação, cumpria ao Fisco, no ato da análise fiscal do processo, se detectasse alguma infração, aplicar as multas específicas pela infração cometida. Asseveram que “Esses argumentos, por si só, já seriam suficientes para afastar qualquer conclusão falaciosa, de que a TRINEXCO teria estado sujeita às infrações administrativas cometidas nas suas importações pessoais, haja vista que todas, e não menos que todas as importações levadas a efeito pela Autuada foram concluídas com êxito.” �Defendem que são infundadas as afirmações da fiscalização de que teria infringido vários quesitos do processo de liberação aduaneira, pois nunca sofreu multa ou penalidade por: (i) descrição incompleta ou imprecisa de mercadoria; (ii) classificação incorreta; (iii) quantificação incorreta na unidade de medida estatística; (iv) uso de documento falso; (v) não apresentação de fatura comercial válida; (vi) valor aduaneiro da mercadoria declarada em parte; (vii) mercadoria manifestada, porém não declarada; (vii) extravio de mercadoria; e, (ix) base de cálculo incorreta. Dizem que, em nenhum momento, a TRINEXCO foi notificada pelas autoridades fiscais, quanto à apresentação de documento falso ou prestação de informação de maneira fraudulenta e que importou por mais de uma unidade da federação, e nunca houve nenhuma notificação quanto à validade da fatura �comercial apresentada. Sustentam que a afirmação de ocorrência de subfaturamento nas operações de importação da TRINEXCO é ilusória e descomprometida com a realidade fática, na medida em que, na sua grande maioria, as importações realizadas pela TRINEXCO têm LI's deferidas pelo DECEX, o qual tem como atribuição realizar a verificação do preço informado para a transação comercial. Defendem que todas as importações realizadas pela TRINEXCO foram liberadas pela Aduana sem restrição quanto à valoração das mercadorias e à base de cálculo aplicada aos tributos, e que há manifesto equívoco da fiscalização quando afirma ter sido aplicada pena de perdimento nas DI's 07/07388630, 07/07441336 e 07/07441468, cujo objeto foi a aquisição de aparelhos de ar condicionados, sob o fundamento de que estes teriam sido declarados com preços fortemente subfaturados. Advogam ainda que essa informação está completamente distorcida da realidade e que com ela a autoridade fiscal intenta fazer um juízo de valor e imputar uma infração à TRINEXCO completamente ilegítima e em desconformidade com o resultado final da apuração realizada pela autoridade alfandegária, pois não há registros da aplicação da pena definitiva de perdimento para esse caso. Fl. 3454DF CARF MF Processo nº 10421.720099/201395 Acórdão n.º 3301005.810 S3C3T1 Fl. 3.455 5 Dizem que a Fiscalização se baseou no procedimento aplicado na Inspetoria do Porto do Pecém (CE), o qual foi descaracterizado posteriormente pela apresentação de documentos e argumentos, em cujo processo administrativo houve decisão final pelo reconhecimento da inexistência de qualquer ilegalidade, acostando cópia do processo administrativo nº 19558.000315/200763. Ressaltam que o processo inicial, aplicado pela Aduana do Pecém, continha uma série de vícios e erros, os quais foram descaracterizados em recurso de defesa administrativa, culminando com liberação da carga para comercialização, sem quaisquer sanções administrativas. �Afirmam que o auditor responsável pela autuação comete o equívoco de vincular o período de 2005 a 2009 como se a TRINEXCO estivesse sob procedimento especial, o que não é verdade. Destacam, quanto à menção de que a MI2 realizou importações de ar condicionados numa manobra para ludibriar o fisco, escondendo o real adquirente da mercadoria, que comprovou que as LI´s relacionadas às Dl's já informadas, foram deferidas com seção de direitos por parte da TRINEXCO a MI2, pelo fato de a primeira ser a detentora dos registros no INMETRO. Asseveram que os custos da operação foram suportados pela MI2 e que a operação de comercialização foi toda realizada a partir do estoque formado na importação, sem recebimento de adiantamentos por parte dos compradores e que não foram realizadas transferências ou vendas desta mercadoria entre as empresas MI2 e TRINEXCO. Alegam que a acusação feita pela fiscalização de que as operações de importação praticadas pela TRINEXCO e MI2 constituemse interposição fraudulenta com intuito de dano ao erário é infundada e que os seguintes aspectos concorreram também para descaraterizála, por completo: (i) os dois únicos sócios das empresas TRINEXCO e MI2 Comercial são casados entre si, sob o regime da comunhão parcial de bens, o que lhes assegura um patrimônio comum (art. 1.658 do CCivil); (ii) ambas empresas gozam dos mesmos regimes fiscais; (iii) as operações de importação realizadas individualmente pela TRINEXCO e pela MI2 Comercial não se enquadram como importações por conta e ordem; (iv) a MI2 Comercial sempre foi a real destinatária e adquirente das mercadorias importadas, o que é facilmente comprovado pelas vendas diretas feitas aos seus clientes. Destacam, para reforçar suas linhas de argumentação, os seguintes elementos que afastam a pretendida descaracterização das importações diretas feitas pela MI2 Comercial, e retiram da TRINEXCO a condição de importadora de fato: (i) não há registro de venda de mercadorias importadas pela MI2 em favor da TRINEXCO e a Fiscalização não foi capaz de apurar a ocorrência desse tipo de evento, porque inexistente; (ii) as empresas importam com recursos próprios e vendem aos seus diversos clientes a partir de mercadorias escrituradas em seus inventários, totalmente independentes; (iii) se ambas as empresas têm como únicos sócios os cônjuges VICENTE DE CASTRO e INÊS BARBOSA, não se concebe a existência ou alegada tentativa de caracterizar a ocultação do sujeito passivo da ação; (iv) a empresa MI2 Comercial tem operação completamente distinta da TRINEXCO, realizando suas vendas diretas a seus clientes, sem interferência ou gestão desta (TRINEXCO). Dizem que a TRINEXCO jamais utilizou a MI2 Comercial como importadora de quaisquer produtos, uma vez que ela própria (Trinexco) possui e tem habilitação Fl. 3455DF CARF MF Processo nº 10421.720099/201395 Acórdão n.º 3301005.810 S3C3T1 Fl. 3.456 6 ativa no SISCOMEX, e opera regularmente na importação de bens, inclusive em número bem mais significativo do que a própria MI2 Comercial. Asseveram que a acusação fiscal caminhou para tentar justificar a alegada presunção de ocorrência de interposição fraudulenta nas importações executadas pela MI2 Comercial, levantando para isso, supostos indícios de incapacidade financeira desta ultima; porém, a conclusão a que chegou é fruto de equívocos dos mais variados, pois: (i) os aportes de capital feitos pela sócia INÊS foram comprovados; (ii) a operação de redução do capital da TRINEXCO possui eficácia; (iii) cópias de contratos de mútuos apresentados durante a fiscalização demonstram a licitude dos empréstimos contraídos pela MI2 Comercial com a autuada TRINEXCO, e tais operações estão refletidas nas demonstrações contábeis dessas empresas; (iv) cópia de contratos de empréstimos comprovam que a MI2 Comercial captou recursos em instituições bancárias; e, (v) há provas quanto às receitas auferidas pela MI2 Comercial resultante das vendas aos seus clientes. Afirmam, quanto ao aporte de capital feito pela sócia INÊS em 2008, que na DIPF de 2008, consta, expressamente, na declaração de bens e direitos, o registro das quotas societárias subscritas pela sócia Inês na MI2 Comercial, constando terem sido subscritas em 03/2008 e integralizadas em 06/2008; e, em seqüência, a DIPF de 2009 ratifica o citado registro dessas quotas. Da mesma forma, as DIPF´s do cônjuge VICENTE DE CASTRO, referente aos anoscalendários de 2008 e 2009 – doc. 11 e 12, confirmam o referido empréstimo feito à Sra INÊS. Asseveram, quanto ao aporte de capital feito pela sócia INÊS em 2009, que as provas trazidas durante a ação fiscal também são capazes de comprovar a legitimidade das operações que resultaram nos empréstimos feito pelo Sr. VICENTE DE CASTRO à sua esposa INÊS, no anocalendário de 2009, os quais estão devidamente declarados e reconhecidos de parte a parte nas DIPF´s de cada um dos cônjuges. Argumenta que o fato de os valores desses empréstimos terem saído da conta da TRINEXCO diretamente para a conta da MI2 Comercial não desqualificam a prova de que adentraram ao capital e patrimônio da MI2 Comercial, a título de integralização de participação societária da sócia INÊS. Sustentam que os registros lançados, tanto na contabilidade das empresas, quanto nas declarações de rendimentos das pessoas físicas, são suficientes para comprovar a origem financeira desses recursos, nada existindo que possa desabonar ou ocultar os beneficiários dessas quantias. Argumentam que, ao estranhar o fato de a empresa ter reduzido o seu capital quando registrava, no seu balanço de 2008, dívidas bancárias na ordem de mais de R$ 6 milhões de reais, a Fiscalização demonstrou um desconhecimento acerca da diferença entre capital social e patrimônio líquido de uma empresa, pois no balanço patrimonial, a diferença entre o valor dos ativos e dos passivos representa o PL (Patrimônio Líquido), que é o valor contábil devido pela pessoa jurídica aos sócios ou acionistas, baseado no Princípio da Entidade. Dizem ainda que o fato de a empresa registrar obrigações no seu passivo não implica necessariamente que esteja atuando de modo deficitário, tampouco que não possa (i) distribuir resultados ou (ii) reduzir seu capital social; transcrevendo, em seguida, dispositivos do Código Civil, que tratam do aumento e redução do capital social. Fl. 3456DF CARF MF Processo nº 10421.720099/201395 Acórdão n.º 3301005.810 S3C3T1 Fl. 3.457 7 Afirmam que a fiscalização chegou a desqualificar todas as receitas decorrentes das vendas realizadas pela MI2 Comercial em favor de seus clientes, utilizandose, para isso, de argumento pífio, consubstanciado na não comprovação da conciliação entre os recebimentos e as respectivas faturas emitidas. Dizem que a fiscalização tentou, também, desqualificar a licitude dos empréstimos contraídos pela MI2 Comercial com a autuada – TRINEXCO, no entanto, durante a ação fiscal, foram apresentados e estão nos autos cópias dos contratos de mútuos contratados entre essas empresas, para subsidiar seu capital de giro, e as provas deixaram claro, também, a ocorrência regular e válida das transferências dos valores objeto desses mútuos, da conta da TRINEXCO para a conta da MI2 Comercial, além de devidamente refletidos na contabilidade de cada uma dessas empresas. Fala ainda que, além dos contratos assinados, a Fiscalização pôde constatar (i) os registros contábeis das operações de mútuos, devidamente refletidos nas demonstrações financeiras de cada empresa; e, (ii) a efetiva ocorrência das saídas dos valores mutuados, da conta da TRINEXCO, para a conta da MI2 Comercial; assim, absolutamente nada mais seria exigível para comprovar a existência e regularidade dos mútuos, sendo, neste caso, pelo contexto das provas, despiciendo se falar na falta de registro em cartório dos contratos de mútuo. Sustentam que a autoridade fiscal, na tentativa de provar a incapacidade financeira da MI2 Comercial, elaborou e alimentou, de acordo com seus critérios, uma planilha para, na sua concepção, demonstrar a falta de recursos para a prática das importações pela referida empresa, dela (planilha) excluindo: (i) os depósitos que entendeu não comprovados; (ii) os contratos de mútuos desconsiderados e não comprovados como tais; e (iii) as transferências efetuadas pela TRINEXCO em favor da MI2 Comercial a título de empréstimos de sócios. Advogam ainda que o critério e a metodologia empregada na elaboração dessa planilha se deram de forma totalmente distorcida e com exclusão de valores efetivamente comprovados, pois tanto os repasses advindos dos sócios em pagamento de capital, quanto os valores objeto dos mútuos contraídos perante a TRINEXCO se apresentavam legítimos em toda sua origem, com anotações e registros fiscais válidos, e que a Fiscalização desconsiderou, sem qualquer justificativa plausível, os valores que ingressaram na conta bancária da MI2 Comercial resultante dos mútuos bancários contraídos pela referida empresa. Dizem que o julgador fiscal, em face do princípio da legalidade, conjugado com o princípio da verdade real, deve manterse imparcial no julgamento e que sua convicção deve ser extraída com base em análise pormenorizada de todo o conjunto probatório, notadamente quando a parte apresenta documentos que, se não justificam, apresentam indícios de certeza do alegado na impugnação, ressaltando que o processo administrativo não pode ser tido como mero instrumento de realização do interesse do Estado, mas, sim, como instrumento de substancial interesse de justiça, que lhe é imposto enquanto meio de aplicação do direito. Assentam que o crédito tributário não pode ser caracterizado com base apenas na existência de indícios ou presunções legais. Principalmente se atentarmos que a presunção, ainda que legal, é apenas relativa (juris tantum). E porque baseadas em juízo de probabilidades, as presunções não constituem prova segura e como tal não fornecem ao julgador a certeza necessária para alicerçar o crédito tributário pretendido pelo Fisco. Fl. 3457DF CARF MF Processo nº 10421.720099/201395 Acórdão n.º 3301005.810 S3C3T1 Fl. 3.458 8 Afirmam que a autuação desconsiderou o conteúdo do art. 112 do Código Tributário Nacional, segundo o qual a lei tributária que define infrações, ou lhe comina penalidades, deve ser interpretada da maneira mais favorável ao contribuinte, em caso de dúvida quanto à natureza ou às circunstâncias materiais do fato, ou à natureza ou extensão dos seus efeitos. Dizem ainda que a norma assentada nesse dispositivo alude à valorização dos fatos, de modo que a dúvida retratada no artigo há de ser acerca da interpretação do fato, que é justamente a hipótese ventilada na autuação, porquanto o agente fiscal lançou dúvida sobre a causa das origens dos valores utilizados pela MI2 Comercial, objeto dos aportes feitos pelos sócios e dos mútuos contraídos com a autuada, e o fez ignorando as provas documentais. Narram que a diligência fiscal perdurou por longo período, e nesse ínterim a contribuinte deixou à disposição do Fiscal todas as informações necessárias para que ele constatasse a inexistência de qualquer irregularidade fiscal, mas essa prova foi simplesmente ignorada pelo Agente, que lavrou um auto de infração totalmente infundado, contraditório, vazio, nulo, sem instruir a autuação com os elementos de prova deixados à sua disposição, numa verdadeira afronta ao direito de defesa e aos dispositivos que tratam do processo administrativo tributário (Decreto n9 70.235/72), e a Lei n. 9.784/99, que regula este último, protegendo o administrado contra atos arbitrários praticados pela administração. Concluem dizendo que carece de validade a autuação, por ter desconsiderado os documentos que comprovam a causa de todas as operações e trânsito de valores. Ao final REQUEREM a improcedência total da autuação, por manifesta falta de amparo jurídico, bem assim por restar provado, à luz do contexto probatório, que não havia razões para que a TRINEXCO utilizasse a MI2 Comercial à frente de qualquer importação de bens. É o relatório." A DRJ em Curitiba (PR) julgou a impugnação improcedente e o Acórdão n° 0661.380, de 21/12/17, foi assim ementado: "ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 05/12/2008 a 29/07/2009 IMPORTAÇÃO. OCULTAÇÃO DO REAL ADQUIRENTE. INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA. DANO AO ERÁRIO. PENA DE PERDIMENTO. CONVERSÃO EM MULTA. A ocultação do real adquirente e a interposição fraudulenta de terceiros, em operação de comércio exterior, são consideradas dano ao Erário, punível com a pena de perdimento. Em sua impossibilidade, aplicase multa no valor aduaneiro das mercadorias importadas. Impugnação Improcedente Fl. 3458DF CARF MF Processo nº 10421.720099/201395 Acórdão n.º 3301005.810 S3C3T1 Fl. 3.459 9 Crédito Tributário Mantido" Irresignado, o contribuinte interpôs recurso voluntário, em que, basicamente, repete os argumentos contidos no recurso voluntário. É o relatório. Voto Conselheiro Relator Marcelo Costa Marques d'Oliveira O recurso voluntário, do qual a responsável solidária MI2 COMERCIAL IMPORTADORA E EXPORTADORA LTDA ME foi também signatária, reúne os requisitos legais de admissibilidade, pelo que dele tomo conhecimento. A fiscalização concluiu que as importações realizadas no período de dezembro de 2008 e julho de 2009 pela MI2 COMERCIAL IMPORTADORA E EXPORTADORA LTDA ME foram cursadas com ocultação do real comprador, qual seja, a TRINEXCO LTDA, e lavrou dois autos de infração: em sede do presente processo, para cobrança da multa pecuniária substitutiva da pena de perdimento (inciso V do caput e § 3° do art. 23 do Decretolei n° 1.455/76); e do presente processo n° 10421.720098/201341, em desfavor da MI2, para cobrança da multa por cessão de nome (art. 33 da Lei n° 11.488/07), equivalente a 10% dos valores aduaneiros de importações, equivalente a R$ 821.047,34. O processo n° 10421.720098/201341 encontrase nesta pauta para julgamento em conjunto com o presente. Nele, a Trinexco figura como responsável solidária, porém não compareceu aos autos. Fiscalização Da análise de planilhas com movimentação financeira, notas fiscais de venda, comprovantes de depósito, confirmações de compras enviadas por clientes, extratos bancários, alterações contratuais, contratos de mútuo e lançamentos contábeis, o agente fiscal depreendeu que a MI2 não tinha capacidade financeira para realizar as importações, que teriam sido liquidadas com fundos da Trinexo. Foram apurados os seguintes fatos: a) Divergências apuradas, quando comparados os valores de notas fiscais de venda com os efetivos ingressos de recursos e as confirmações recebidas de clientes (fl. 26 Relatório de Auditoria Fiscal): a1) Depósitos em datas distintas das que foram confirmadas por clientes. a2) Notas fiscais, cujas vendas não foram confirmadas pelos clientes (lista nas fls. 28 a 30). Fl. 3459DF CARF MF Processo nº 10421.720099/201395 Acórdão n.º 3301005.810 S3C3T1 Fl. 3.460 10 a3) Resposta de clientes, informando terem efetuado depósitos em nome da Trinexo. a4) Alguns comprovantes tidos como pagamento efetuados por clientes traziam, "grifados à parte e em manuscrito", o nome da Trinexco. b) Integralização e aumento do capital social realizados pela Sra. Inês Carolina (sócia da recorrente) com recursos obtidos por meio de empréstimos: b1) Em 13/06/08, para integralização do capital social, no montante de R$ 792.000,00, contraiu empréstimo com o Sr. Vicente de Castro, com quem era casada em comunhão de bens. A transferência bancária, contudo, foi de uma conta corrente da Trinexo, da qual o Sr. Vicente de Castro era acionista majoritário. Não há formalização do empréstimo. Na DIRPF da Sra. Inês não consta ter recebido empréstimo ou mesmo doação, bem como deter participação societária na recorrente. b2) Em janeiro de 2009, para aumento do capital social, contraiu empréstimo de R$ 2.200.000,00 com o Sr. Vicente de Castro. Este, por sua vez, levantou os fundos, por intermédio de uma redução do capital social da Trinexco. Também neste caso, o numerário foi transferido diretamente de uma conta da Trinexco para a recorrente. Causou estranheza à fiscalização o fato de esta empresa, ao fim do exercício social em que promoveu a redução do capital social, apresentar no passivo empréstimos bancários de R$ 6.939.154,14. Não há formalização do empréstimo. b3) Em 06/08/2009, o Sr. Vicente de Castro adquire participação societária da Sra. Inês Carolina, em cuja transação são quitados os empréstimos. b4) A Sra. Inês movimentou R$ 2.992.000,00, em um período de um ano, porém, em resposta à intimação, declarou não ter conta bancária, não ter realizado movimentação financeira e, em suas DIRPF de 2008 e 2009, declarou como rendimentos tão somente pro labore de R$ 3.225,00, recebido da recorrente, em 2009. b5) Os aumentos de capital foram efetuados de forma parcelada e em datas próximas a pagamentos de despesas e impostos aduaneiros. c) Transferências bancárias realizadas pela Trinexco, no montante total de R$ 6.118.493,48, cujas comprovações apresentadas foram contratos de mútuo, com prazos de vencimento em 36 meses. c1) Identificaram que eram coincidentes os totais das transferências bancárias efetuadas nos dias 23 e 24 de setembro de 2009 e o de algumas notas fiscais de venda, cujos clientes não responderam à fiscalização, o que descaracterizaria as respectivas operações de empréstimo. c2) Não foram pagas as parcelas dos empréstimos vencidas nos dias 02/06/2012 e 03/07/2012, no total de R$ 3.800.000,00. Não havia aditivo, contendo prorrogação de prazo ou incidência de juros. A recorrente informou ao agente fiscal que permaneciam em aberto. c3) Nas datas em que houve ingressos de recursos, sempre havia pagamentos de despesas e tributos aduaneiros. Fl. 3460DF CARF MF Processo nº 10421.720099/201395 Acórdão n.º 3301005.810 S3C3T1 Fl. 3.461 11 d) A fiscalização elaborou planilha (fls. 32 e 33), em que computou os gastos aduaneiros e os saldos das contas caixa e bancos e excluiu os depósitos e empréstimos/mútuos cujas origens não foram comprovadas. A conclusão foi a de que a recorrente não possuía capacidade não financeira para realizar as importações. e) Identificaram por meio do sistema DW Aduaneiro que a recorrente e a Trinexo importaram os mesmos tipos de produto (tecidos, ladrilhos e splits); que a Trinexo, entre os anos de 2005 a 2009, cometeu diversas infrações aduaneiras, com destaque para três DI, em que se verificou subfaturamento e tiveram como consequencia a aplicação de pena de perdimento de 792 aparelhos "split" de ar condicionado; e que a recorrente foi constituída em março de 2008, mas o capital somente foi integralizado em junho de 2008, data em que requereu habilitação para operar no comércio exterior. e) A recorrente tinha contrato de prestação de serviços de recebimento, armazenagem, separação e expedição de produtos com a Elo Central de Logística e Transporte Ltda., realizados no estabelecimento da contratada, o que denotaria falta de empregados. Argumentos de defesa Em linhas gerais, ofereceram os seguintes argumentos: Ambas as empresas estavam habilitadas para operar no comércio exterior e, inclusive, nos anos de 2008 e 2009, a Trinexco realizou um número maior de importações que a MI2. É inverídica a informação fiscal de que, nos anos de 2005 a 2009, a Trinexco teria cometido diversas infrações aduaneiras e sofrido sanções, tal qual pena de perdimento. E que, à luz, da Portaria SECEX n° 23/11 e IN SRF n° 680/06, se fosse verdade, não teria concluído os processos de importação que foram efetivados. Não houve vendas de produtos importados pela MI2 para a Trinexco. Possuíam sócios casados em regime de comunhão de bens, não sendo concebível entender que pretendiam ocultar transações. Na verdade, eram empresas independentes, que operaram com recursos e gestão próprios. Sobre a suposta incapacidade financeira, contradizem a fiscalização, informando que: i) da DIRPF do ano de 2008 da Sra. Inês, constam as quotas da MI2; ii) nas DIRPF de 2008 e 2009 do Sr. Vicente, constam os empréstimos à Sra. Inês e o recebimento de lucros da Trinexco de R$ 4.700.000,00, que demonstravam o lastro financeiro dos empréstimos concedidos; iii) o fato de os empréstimos terem saído diretamente de conta da Trinexco para a MI2 não desqualifica a operação, notadamente porque houve redução do capital social da Trinexo, para devolução ao sócio Sr. Vicente, justamente para que ele tivesse condições de conceder empréstimo à Sra. Inês; iv) todas as operações foram contabilizadas em ambas as empresas e figuraram nas DIPRF dos sócios; v) a fiscalização demonstrou desconhecer os conceitos de passivo e patrimônio líquido, ao estranhar a redução de capital, em ano em que havia empréstimos bancários no passivo; vi) a redução de capital cumpriu os requisitos legais; vii) não havia obrigação de registro em cartório dos contratos de mútuo, sendo que os lançamentos contábeis fazem prova de sua legitimidade (art. 923 do RIR/99), os quais, inclusive foram inspecionados pela fiscalização; viii) a fiscalização construiu planilha para comprovar a incapacidade financeira, excluindo todos os depósitos de clientes, mútuos e Fl. 3461DF CARF MF Processo nº 10421.720099/201395 Acórdão n.º 3301005.810 S3C3T1 Fl. 3.462 12 empréstimos que julgou não comprovados; ix) a DRJ não considerou os contratos de empréstimos contraídos pela Trinexco, juntados aos autos do processo n° 10421.720099/2013 95, da ordem de R$ 8.000.000,00, que dariam lastro aos mútuos e empréstimos; x) a fiscalização selecionou algumas notas fiscais de venda, dentre centenas, e concluiu que fatos que normalmente ocorrem no cotidiano empresarial (ex: pagamentos fora do prazo, novação de dívidas, inadimplemento e protesto de títulos e/ou cobrança judicial) seriam prova da não efetividade das operações. Os princípios da legalidade e da busca pela verdade real não admitem a constituição de crédito tributário baseado em presunções ou indícios. A norma assentada no art. 112 do CTN alude à valorização dos fatos e estabelece a chamada "interpretação benigna", em caso de dúvida. No caso em tela, não foram considerados aspectos legais e as provas documentais que davam suporte às operações foram colocadas em dúvida pela fiscalização. Exame das autuação e alegações das recorrentes A fiscalização solicitou os extratos bancários da MI2, pelo que foram fornecidos os emitidos pelos Bancos do Brasil, Bradesco e BIC. Para comprovação da origem lícita dos recursos financeiros, foram apresentados à fiscalização notas fiscais de vendas de produtos, empréstimos e mútuos. Passo à revisão dos documentos que se encontram nos autos vis à vis os argumentos de defesa, em três subtópicos distintos, tal qual o fez a auditoria fiscal. Dos recursos derivados de vendas de produtos Em relação às vendas de produtos, o Relatório de Auditoria Fiscal (fls. 08 a 26 RAF) informa que os valores de quase todas as notas fiscais não correspondiam aos créditos nas contas bancárias realizados nas respectivas datas de vencimento. Selecionou as notas fiscais acima de R$ 10.000,00 e solicitou confirmação dos clientes. Identificou o seguinte: pagamentos parcelados de 30 a 45 dias; vendas que não teriam sido efetivamente realizadas na fl. 26, constam como exemplos, compra em desacordo com o solicitado e compra não reconhecida pelo cliente ; notas fiscais que, na verdade, não eram de vendas, porém consignação ou remessa para confecção de produtos por terceiros; e um caso em que o cliente informou que o beneficiário seria a Trinexco e outro em que haveria indícios de que a Trinexco teria prorrogado o prazo para pagamento Extraio trechos do RAF, inclusive, da conclusão: Fl. 3462DF CARF MF Processo nº 10421.720099/201395 Acórdão n.º 3301005.810 S3C3T1 Fl. 3.463 13 (. . .) (. . .) É evidente a falta de empenho do contribuinte no cumprimento de sua obrigação de prestar os esclarecimentos requeridos pelo agente fiscal. Em sua defesa, a recorrente sustenta que as vendas realmente ocorreram e que as receitas correspondentes foram contabilizadas. Contudo, apesar de demonstrar plena ciência da razão que motivou a conclusão do agente fiscal, não trouxe em suas peças de defesa a necessária conciliação entre os depósitos bancários e as notas fiscais de venda. Assim, em relação a este primeiro ponto, não merece reparos a conclusão do agente fiscal, no sentido de não considerar como comprovante as notas fiscais não conciliadas com os extratos bancários. Dos recursos derivados de aumentos de capital com empréstimos A fiscalização inspecionou os atos constitutivos e as 1° a 4° Alterações Contratuais e constatou que: o capital de R$ 800.000,00 foi subscrito em 17/03/08 e integralizado em 13/06/08; em janeiro de 2009, o capital social sofreu um aumento de R$ 2.200.000,00, passando a R$ 3.000.000,00; pela 3° alteração contratual, a sócia Sra. Esther de Castro retirase da sociedade, vendendo sua participação para o seu filho, Sr. Vicente Castro; e também pela 3° alteração contratual, a Sra. Inês de Castro vende participação societária correspondente a R$ 2.962.000,00 para o seu cônjuge, Sr. Vicente de Castro, restandolhe apenas 1% do capital social. E ainda que: Fl. 3463DF CARF MF Processo nº 10421.720099/201395 Acórdão n.º 3301005.810 S3C3T1 Fl. 3.464 14 em 2008, a Sra. Inês tomou por empréstimo do Sr. Vicente a quantia de R$ 792.000,00, valor próximo ao necessário para a integralização do capital social de R$ 800.000,00; o empréstimo de R$ 792.000,00 não foi incluído em sua DIRPF e não foi formalizado por meio de contrato e o numerário foi transferido diretamente de conta bancária da Trinexo, empresa da qual seu cônjuge era acionista majoritário; o capital somente foi integralizado em 13/06/08, na data em que requereu habilitação para operar no comércio exterior; em 2009, a Trinexco efetuou redução do seu capital social, com devolução ao sócio Sr. Vicente, o qual emprestou os recursos para a Sra. Inês efetuar o aumento do capital social da recorrente de R$ 2.962.000,00; também daquela feita, o empréstimo não foi formalizado, não constou na DIRPF da tomadora e o numerário transferido de conta da Trinexco; a redução do capital da Trinexco ocorreu em ano em que apresentava no passivo empréstimos bancários de R$ 6.939.154,14; do aumento de capital de R$ 2.962.000,00, ocorrido em janeiro de 2009, R$ 700.000,00 e R$ 300.000,00 ingressaram na sociedade nos dias 05/12/08 e 17/12/08, respectivamente, a título de adiantamento para futuro aumento de capital social; em datas próximas as que ocorreram os aportes de capital, a recorrente teve de arcar com despesas aduaneiras em montante total próximo ao do aumento do capital social; e em resposta à intimação, a Sra. Inês declarou que, no período fiscalizado, ela e seu cônjuge não possuíam conta bancária e que o único rendimento que percebeu fora de R$ 3.255,00, a título de pro labore. Em razão da ocorrência dos fatos acima relatados, a fiscalização chegou a seguinte conclusão (trechos extraídos das fls. 27 e 28): (. . .) Fl. 3464DF CARF MF Processo nº 10421.720099/201395 Acórdão n.º 3301005.810 S3C3T1 Fl. 3.465 15 Em suma, a fiscalização concluiu que o contribuinte não logrou comprovar a origem dos aportes de capital acima tratados, os quais, portanto, seriam inábeis para fazer prova de sua capacidade financeira para a realização de operações das importação realizadas em 2008 e 2009. A DRJ ratificou a conclusão do agente fiscal. Discordo! Nenhum dos fatos identificados pela fiscalização, individualmente ou reunidos sob a forma de um conjunto probatório, têm o condão de desabonar os aportes de capital realizados. A meu ver, para desconstruir a pretensão fiscal, basta que nos atenhamos aos dois pontos centrais da fiscalização, contidos em trecho do RAF acima reproduzido: a capacidade financeira não foi comprovada, porque os aportes de capital foram realizados por meio da obtenção de empréstimos; e ainda que os empréstimos pudessem ser utilizados para tal fim, não foram celebrados por instrumento público, nos termos do art. 221 da Lei n° 10.406/02 (Código Civil), não sendo suficientes para demonstrar a regularidade da operação o respectivo registro contábil. A legislação não indica a forma por meio da qual deve ser demonstrada a capacidade financeira ou mesmo invalida como prova qualquer modalidade de obtenção de recursos, tal como empréstimos de pessoas ligadas. Nem mesmo o § 2° do art. 23 do Decreto lei n° 1.455/76, que dispõe sobre a interposição fraudulenta presumida: "Art. 23 Consideramse dano ao Erário as infrações relativas às mercadorias: (. . .) § 2o Presumese interposição fraudulenta na operação de comércio exterior a nãocomprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) (. . .)" A IN SRF n° 228/02, que "dispõe sobre procedimento especial de verificação da origem dos recursos aplicados em operações de comércio exterior e combate à interposição fraudulenta de pessoas.", por sua vez, apesar de não mencionar taxativa ou exemplificativamente quais operações poderiam ser apresentadas como prova da origem dos recursos, foi, em seu art. 7°, um pouco além do § 2° do art. 23 do Decretolei n° 1.455/76: "Art. 1º A empresa que apresentar indícios de interposição fraudulenta de pessoas, mediante incompatibilidade entre os volumes transacionados no comércio exterior e a capacidade econômica e financeira, ficará sujeita ao procedimento especial de fiscalização estabelecido nesta Instrução Normativa. (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1678, de 22 de dezembro de 2016) Fl. 3465DF CARF MF Processo nº 10421.720099/201395 Acórdão n.º 3301005.810 S3C3T1 Fl. 3.466 16 (. . .) Art. 7º Enquanto não comprovada a origem lícita, a disponibilidade e a efetiva transferência, se for o caso, dos recursos necessários à prática das operações, bem assim a condição de real adquirente ou vendedor, o desembaraço ou a entrega das mercadorias na importação fica condicionado à prestação de garantia, até a conclusão do procedimento especial." (g.n.) Da leitura do art. 7°, inferese, sem maiores esforços, que o Fisco mostrarse á satisfeito com prova da existência de fundos disponíveis para a liquidação das operações, cuja origem seja de transações lícitas. Ora, no caso em tela, é incontroversa a origem lícita dos recursos parte deles, inclusive, nasceu de uma redução do capital social da Trinexco . E a disponibilidade e a efetiva transferência dos recursos também foram confirmadas pela própria autoridade fiscal, por meio de inspeções dos extratos das contas bancárias do contribuinte, com base nos quais, inclusive, elaborou as planilhas que tiveram como objetivo demonstrar a falta de capacidade financeira. De forma alguma é possível extrair do § 2° do art. 23 do Decretolei n° 1.455/76 e do art. 7° da IN SRF n° 228/02 que o Fisco, mesmo diante de provas cabais da existência dos recursos e de sua origem lícita, adicionalmente exigiria que houvesse formalização das operações por instrumento público. Para que não paire dúvidas, reproduzamos os artigos 212, que trata da prova do fato jurídico, e o 221, dos efeitos do instrumento particular, do Código Civil, este último, citado pelo agente fiscal: "Art. 212. Salvo o negócio a que se impõe forma especial, o fato jurídico pode ser provado mediante: I confissão; II documento; III testemunha; IV presunção; V perícia. (. . .) Art. 221. O instrumento particular, feito e assinado, ou somente assinado por quem esteja na livre disposição e administração de seus bens, prova as obrigações convencionais de qualquer valor; mas os seus efeitos, bem como os da cessão, não se operam, a respeito de terceiros, antes de registrado no registro público. Parágrafo único. A prova do instrumento particular pode suprir se pelas outras de caráter legal." Fl. 3466DF CARF MF Processo nº 10421.720099/201395 Acórdão n.º 3301005.810 S3C3T1 Fl. 3.467 17 O Código Civil não traz mandamento que exija "forma especial" para operações de mútuos ou empréstimos. Assim, para que se considere como provados os empréstimos, para fins de exigência do credor das parcelas vencidas e eventualmente não pagas, nos termos do art. 212 acima reproduzido, entendo como bastantes os lançamentos contábeis, a resposta da Sra. Inês de Castro a intimações, em que informou que os recursos eram oriundos de empréstimos contraídos do Sr. Vicente de Castro, e as movimentações financeiras identificadas pelo próprio agente fiscal, que, inclusive, verificou a quitação do empréstimo, por ocasião da venda da participação da Sra. Inês para o Sr. Vicente. No tocante ao caput do art. 221 do CC, que dispõe que somente com instrumento público são produzidos efeitos perante terceiros no caso em tela, o Fisco , entendo que sua ausência não pode fulminar a operação, para fins de comprovação da capacidade financeira para realizar operações de importação, uma vez que a preocupação central do Fisco, espelhada no art. 7° da IN SRF n° 228/02, é a constatação da disponibilidade de recursos para a liquidação dos compromissos de importação e sua origem lícita. Por fim, importante consignar que, a meu ver, em nada prejudica a sustentação da recorrente o fato de os aportes de capital terem sido transferidos diretamente de conta bancária da Trinexco para a MI2. A formalização da utilização dos recursos para aumento do capital social da recorrente, com aumento da participação societária da Sra. Inês, é prova mais do que suficiente de que foi tomadora dos recursos e não a MI2. Ademais, a quitação do empréstimo contraído pela Sra. Inês com o Sr. Vicente de Castro, por meio da entrega de sua participação societária, também comprova que o Sr. Vicente era o titular dos recursos emprestados e não a Trinexco. Isto posto, dou provimento aos argumentos da recorrente, cujo objetivo era o de obter o reconhecimento de que os aportes de capital na recorrente servem como comprovação de capacidade financeira para realizar operações de importação. Dos recursos derivados de mútuos Por meio dos Termos de Intimação Fiscal n° 7/11 e 11/11, foi requerido que o contribuinte comprovasse a origem dos recursos ingressados em suas contas correntes, no ano de 2009, sob os títulos "recebimento de clientes" e "mútuos". O total dos valores dos repasses a título de mútuos ocorridos nos dias 23 e 24 de setembro de 2009 era igual ao somatório de notas fiscais de venda, cujos clientes não responderam ao pedido de confirmação da operação fiscalização. Assim, concluiu que não se tratava de operações de mútuos, porém "repasses de valores já recebidos pela Trinexco" (fls. 28 a 31). A recorrente entregou cópias de contratos que totalizavam R$ 6.118.493,48 (fl. 28). A fiscalização, então, por meio do TIF n° 105/12, requereu que indicasse nos extratos os pagamentos de algumas parcelas, vencidas nos meses de junho e julho de 2012. A recorrente informou que tais pagamentos não foram efetuados e que continuavam em aberto. Por fim, no curso da inspeção, o agente fiscal identificou ainda que vários ingressos de recursos ocorreram em datas próximas a pagamentos de despesas e tributos aduaneiros (fl. 31). Fl. 3467DF CARF MF Processo nº 10421.720099/201395 Acórdão n.º 3301005.810 S3C3T1 Fl. 3.468 18 Em razão dos fatos acima relatados, a fiscalização também desconsiderou como prova de capacidade financeira todos os ingressos a título de mútuo. Indiscutivelmente que causa certa "estranheza" o fato de o somatório das notas fiscais de venda, cujos clientes não responderam ao pedido de confirmação da operação serem iguais a repasses a título de mútuos realizados nos dias 23 e 24 de setembro de 2009. Contudo, tal fato, associado às transferências de recursos em datas próximas ao pagamento de despesas aduaneiras, a meu ver, em hipótese alguma legitima a tão contundente conclusão de que NENHUM ingresso derivado de mútuo poderia ser tido como prova de capacidade financeira. Ora, seguindo a linha do agente fiscal, e ingressando no campo das suposições, poderseia, por exemplo, admitir que a MI2 contratou mútuos pelo montante total das vendas realizadas, pois correspondia à disponibilidade financeira que projetava dispor no futuro. Vale lembrar que é prática usual oferecer duplicatas a receber como garantia de operações de crédito. E também absolutamente compreensível a compatibilidade entre as datas dos ingressos dos numerários e as de pagamento de passivos com despesas e tributos aduaneiros. Afinal de contas, por qual outro motivo contrairia um empréstimo, que não o de que não dispunha dos recursos para saldar um compromisso inadiável (pagamento de tributos aduaneiros)? Assim, neste ponto, já sentirmeia absolutamente confortável em dar provimento ao presente tópico, por considerar absolutamente infundada a conclusão a que chegou o agente fiscal. Contudo, robusteço sobremaneira meu voto no sentido de que houve comprovação da origem dos recursos utilizados para pagamento das importações, quando leio o RAF e vejo que todos os contratos foram apresentados, os correspondentes recursos efetivamente ingressaram na conta da recorrente e foram devidamente contabilizados. Isto posto, voto pelo provimento dos argumentos que tinham como objetivo sustentar que os recursos derivados de mútuos constituíam prova legítima de capacidade financeira para realizar importações nos anos de 2008 e 2009. CONCLUSÃO O doc. 03 do RAF (fls. 36 a 42) traz os montantes desconsiderados pela fiscalização, compreendendo recebimentos de clientes , aumentos de capital e mútuos, que totalizam R$ 18.646.939,65. Nas fls. 8 a 26, os valores dos ingressos por recebimentos de clientes não conciliados com notas fiscais de venda (fls. 8 a 26 RAF), a cujos argumentos neguei provimento, montam a R$ 3.739.376,66. Assim realizada a exclusão dos valores dos recebimentos de clientes que não foram comprovados, o total de recursos que este relator concluiu terem sido comprovados é de R$ 14.907.562,99. Fl. 3468DF CARF MF Processo nº 10421.720099/201395 Acórdão n.º 3301005.810 S3C3T1 Fl. 3.469 19 Nas fls. 2.259 a 2.267, no auto de infração lavrado contra a Trinexco, são listadas as Declarações de Importação cujas operações foram consideradas sem lastro financeiro. Totalizam R$ 8.210.473,35. E este montante é cobrado da Trinexco, a título de multa substitutiva da pena de perdimento. E é a base de cálculo da multa aplicada na MI2, de 10% por cessão de nome, que monta a R$ 821.047,33. Como os ingressos de recursos derivados de aumentos de capital e mútuos (R$ 14.907.562,99) são suficientes para comprovar a capacidade financeira para realizar as importações dos anos de 2008 e 2009, voto por dar provimento integral ao recurso voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) Marcelo Costa Marques d'Oliveira Fl. 3469DF CARF MF
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Numero do processo: 10880.907816/2015-46
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 30 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Mar 19 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3402-001.722
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Cynthia Elena de Campos, Thais de Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Waldir Navarro Bezerra (Presidente).
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1658; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T2 Fl. 2 1 1 S3C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10880.907816/201546 Recurso nº Voluntário Resolução nº 3402001.722 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Data 30 de janeiro de 2019 Assunto PER/DCOMP Recorrente MARFRIG GLOBAL FOODS S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Cynthia Elena de Campos, Thais de Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Waldir Navarro Bezerra (Presidente). Relatório Versa o presente sobre pedido de ressarcimento de contribuições não cumulativas que, após procedimento fiscalizatório sofrido pela empresa, restaram não reconhecidos em sua integralidade, consoante Despacho Decisório que integra os autos em apreço. Inconformada com o não reconhecimento integral de seu pleito, a recorrente apresentou manifestação de inconformidade que foi julgada improcedente pelo Colegiado a quo, nos termos do Acórdão nº 10060.582. Destacase que a DRJ aplicou o entendimento das INs SRF 247/2002 e 404/2004. Regularmente cientificado desta decisão, a contribuinte apresentou seu Recurso Voluntário, com as seguintes alegações, em síntese: RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 80 .9 07 81 6/ 20 15 -4 6 Fl. 5754DF CARF MF Processo nº 10880.907816/201546 Resolução nº 3402001.722 S3C4T2 Fl. 3 2 i) conceito de insumo aplicável alega que ele representa não só elementos diretos, mas também indiretos ligados à produção de produtos e de serviços; entende que a natureza jurídica dos créditos do PIS e da Cofins não pode ser confundida com a nãocumulatividade do ICMS e do IPI, apontando que deveria se aplicado o método indireto subtrativo; aduz que os créditos de PIS e de Cofins se revestem de subvenção estatal; requer créditos sobre a totalidade de seus custos e de suas despesas, pois não haveria como se restringir o conceito de insumo; aponta a procedência de suas alegações à luz de sua atividade econômica; ii) direito ao crédito sobre aquisições de combustíveis alega que os combustíveis e Gás GLP seriam aplicados em seu processo produtivo, citando a Lei nº 10.833/03 e a Instrução Normativa nº 404/04; alega que o óleo diesel seria utilizado em suas empilhadeiras e geradores; iii) direito ao crédito sobre serviços de laboratório e análises microbiológicas alega que o direito a crédito sobre tais serviços utilizados como insumos estaria amparado pela Lei nº 10.833/03, sendo essa rubrica composta por três serviços distintos: de laboratório; do serviço de inspeção federal (SIF), de caráter de inspeção sanitária; e de análises microbiológicas, essenciais e obrigatórios nos frigoríficos; iv) direito a crédito integral sobre os fretes internacionais alega que teria atendido a todos os requisitos normativos e legais previsto na Leis nº 10.833/03 para creditamento sobre fretes nas operações de venda, não prosperando a acusação fiscal que impediu o crédito por ser o transportador pessoa jurídica não domiciliada no país; ii) direito ao crédito integral sobre o frete decorrente da aquisição de insumos, e não o cômputo do crédito presumido. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução 3402001.720, de 30 de janeiro de 2019, proferido no julgamento do processo 10880.907821/201559, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Resolução 3402001.720): "Ao examinar os argumentos trazidos pela Recorrente, em cotejo com as alegações da Autoridade Fiscal, entendo necessária a conversão do julgamento em diligência com vistas a aclarar a situação que passo a descrever. A questão devolvida a este colegiado cingese sobre o conceito de insumo para fins de creditamento das contribuições de PIS Fl. 5755DF CARF MF Processo nº 10880.907816/201546 Resolução nº 3402001.722 S3C4T2 Fl. 4 3 e COFINS, cujo reflexo poderia alterar o direito creditório da Recorrente e o Despacho Decisório que homologou apenas parcialmente as compensações pleiteadas. Especificamente, tratamse das seguintes glosas efetuadas pela autoridade fiscal e confirmadas pela DRJ: (i) Crédito sobre aquisições de combustíveis; (ii) Crédito sobre serviços de laboratório e análises microbiológicas; (iii) Crédito sobre os fretes internacionais; (iv) Crédito integral sobre o frete decorrente da aquisição de insumos, e não o cômputo do crédito presumido Quanto ao conceito de insumo para fins de creditamento da contribuição para o PIS e a COFINS, o julgador a quo aplicou o entendimento das INs SRF 247/2002 e 404/2004, no sentido de restringir o crédito apenas nas situações relacionadas nos referidos atos infralegais. A questão já foi definitivamente resolvida pelo STJ, no Resp nº 1.221.170/PR, sob julgamento no rito do art. 543C do CPC/1973 (arts. 1.036 e seguintes do CPC/2015), que estabeleceu conceito de insumo tomando como diretrizes os critérios da essencialidade e/ou relevância. Transcrevo a ementa do julgado: TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. NÃOCUMULATIVIDADE. CREDITAMENTO. CONCEITO DE INSUMOS. DEFINIÇÃO ADMINISTRATIVA PELAS INSTRUÇÕES NORMATIVAS 247/2002 E 404/2004, DA SRF, QUE TRADUZ PROPÓSITO RESTRITIVO E DESVIRTUADOR DO SEU ALCANCE LEGAL. DESCABIMENTO. DEFINIÇÃO DO CONCEITO DE INSUMOS À LUZ DOS CRITÉRIOS DA ESSENCIALIDADE OU RELEVÂNCIA. RECURSO ESPECIAL DA CONTRIBUINTE PARCIALMENTE CONHECIDO, E, NESTA EXTENSÃO, PARCIALMENTE PROVIDO, SOB O RITO DO ART. 543C DO CPC/1973 (ARTS. 1.036 E SEGUINTES DO CPC/2015). 1. Para efeito do creditamento relativo às contribuições denominadas PIS e COFINS, a definição restritiva da compreensão de insumo, proposta na IN 247/2002 e na IN 404/2004, ambas da SRF, efetivamente desrespeita o comando contido no art. 3o., II, da Lei 10.637/2002 e da Lei 10.833/2003, que contém rol exemplificativo. 2. O conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou relevância, vale dizer, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de determinado item – Fl. 5756DF CARF MF Processo nº 10880.907816/201546 Resolução nº 3402001.722 S3C4T2 Fl. 5 4 bem ou serviço – para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte. 3. Recurso Especial representativo da controvérsia parcialmente conhecido e, nesta extensão, parcialmente provido, para determinar o retorno dos autos à instância de origem, a fim de que se aprecie, em cotejo com o objeto social da empresa, a possibilidade de dedução dos créditos relativos a custo e despesas com: água, combustíveis e lubrificantes, materiais e exames laboratoriais, materiais de limpeza e equipamentos de proteção individualEPI. 4. Sob o rito do art. 543C do CPC/1973 (arts. 1.036 e seguintes do CPC/2015), assentamse as seguintes teses: (a) é ilegal a disciplina de creditamento prevista nas Instruções Normativas da SRF ns. 247/2002 e 404/2004, porquanto compromete a eficácia do sistema de nãocumulatividade da contribuição ao PIS e da COFINS, tal como definido nas Leis 10.637/2002 e 10.833/2003; e (b) o conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância, ou seja, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de terminado item bem ou serviço para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo Contribuinte. Destacase o voto da Ministra Regina Helena Costa, que considerou os seguintes conceitos de essencialidade ou relevância da despesa, que deve ser seguido por este Conselho: Essencialidade – considerase o item do qual dependa, intrínseca e fundamentalmente, o produto ou o serviço, constituindo elemento estrutural e inseparável do processo produtivo ou da execução do serviço, ou, quando menos, a sua falta lhes prive de qualidade, quantidade e/ou suficiência; Relevância considerada como critério definidor de insumo, é identificável no item cuja finalidade, embora não indispensável à elaboração do próprio produto ou à prestação do serviço, integre o processo de produção, seja pelas singularidades de cada cadeia produtiva (v.g., o papel da água na fabricação de fogos de artifício difere daquele desempenhado na agroindústria), seja por imposição legal (v.g., equipamento de proteção individual EPI), distanciandose, nessa medida, da acepção de pertinência, caracterizada, nos termos propostos, pelo emprego da aquisição na produção ou na execução do serviço. Dessa forma, considerando que a análise efetuada pela autoridade fiscal baseouse nos termos determinados pelas INs SRF 247/2002 e 404/2004, e não considerou a essencialidade e relevância dos itens no processo produtivo da Recorrente, entendo que a situação fática deve ser aclarada pela unidade de origem, considerando a nova Fl. 5757DF CARF MF Processo nº 10880.907816/201546 Resolução nº 3402001.722 S3C4T2 Fl. 6 5 interpretação determinada pelo STJ acerca do conceito de insumo para fins de creditamento de PIS e COFINS. Diante disso, converto o julgamento do recurso voluntário em diligência à repartição de origem para que a autoridade preparadora: (i) intime a Recorrente para apresentação de Laudo Técnico, com o detalhamento dos dispêndios com COMBUSTÍVEIS, SERVIÇOS DE LABORATÓRIO E ANÁLISES MICROBIOLÓGICAS e sua utilização dentro de seu processo produtivo; (iii) elabore um novo parecer e um novo demonstrativo do direito creditório requerido, com as considerações efetuadas a partir da nova interpretação do conceito de insumo determinada pelo STJ de relevância e essencialidade. Encerrada a instrução processual a Interessada deverá ser intimada para manifestarse no prazo de 30 (trinta) dias, conforme art. 35, parágrafo único, do Decreto nº 7.574, de 29 de setembro de 2011. Concluída a diligência, os autos deverão retornar a este Colegiado para que se dê prosseguimento ao julgamento." Importante frisar que as situações fática e jurídica presentes no processo paradigma encontram correspondência nos autos ora em análise. Desta forma, os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por converter o julgamento em diligência, para que a autoridade preparadora: (i) intime a Recorrente para apresentação de Laudo Técnico, com o detalhamento dos dispêndios com COMBUSTÍVEIS, SERVIÇOS DE LABORATÓRIO E ANÁLISES MICROBIOLÓGICAS e sua utilização dentro de seu processo produtivo; (iii) elabore um novo parecer e um novo demonstrativo do direito creditório requerido, com as considerações efetuadas a partir da nova interpretação do conceito de insumo determinada pelo STJ de relevância e essencialidade. Encerrada a instrução processual a Interessada deverá ser intimada para manifestarse no prazo de 30 (trinta) dias, conforme art. 35, parágrafo único, do Decreto nº 7.574, de 29 de setembro de 2011. Concluída a diligência, os autos deverão retornar a este Colegiado para que se dê prosseguimento ao julgamento." (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Fl. 5758DF CARF MF
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Numero do processo: 10280.723381/2013-86
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 14 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Apr 09 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2008
GANHO DE CAPITAL. ALIENAÇÃO A PRAZO. PAGAMENTO PARCELADO. MOMENTO DO FATO GERADOR.
Nas alienações a prazo, o fato gerador do ganho de capital aperfeiçoa-se no efetivo recebimento de cada parcela do preço ajustado entre as partes, quando então nasce a obrigação tributária de pagamento do imposto sobre a renda, na proporção delas.
GANHO DE CAPITAL. DECADÊNCIA. AUSÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO.
Na ausência de pagamento antecipado que mantenha conexão com o fato gerador da obrigação tributária, aplica-se ao lançamento do imposto de renda incidente sobre o ganho de capital na alienação de imóvel a regra geral de contagem do prazo decadencial prevista no art. 173, inciso I, do Código Tributário Nacional.
Numero da decisão: 2401-006.117
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Vencido o conselheiro Rayd Santana Ferreira que dava provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Presidente
(assinado digitalmente)
Cleberson Alex Friess - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Miriam Denise Xavier, Cleberson Alex Friess, Rayd Santana Ferreira, Andréa Viana Arrais Egypto, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro e Matheus Soares Leite. Ausentes as conselheiras Luciana Matos Pereira Barbosa e Marialva de Castro Calabrich Schlucking.
Nome do relator: CLEBERSON ALEX FRIESS
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2008 GANHO DE CAPITAL. ALIENAÇÃO A PRAZO. PAGAMENTO PARCELADO. MOMENTO DO FATO GERADOR. Nas alienações a prazo, o fato gerador do ganho de capital aperfeiçoa-se no efetivo recebimento de cada parcela do preço ajustado entre as partes, quando então nasce a obrigação tributária de pagamento do imposto sobre a renda, na proporção delas. GANHO DE CAPITAL. DECADÊNCIA. AUSÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. Na ausência de pagamento antecipado que mantenha conexão com o fato gerador da obrigação tributária, aplica-se ao lançamento do imposto de renda incidente sobre o ganho de capital na alienação de imóvel a regra geral de contagem do prazo decadencial prevista no art. 173, inciso I, do Código Tributário Nacional.
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ALIENAÇÃO A PRAZO. PAGAMENTO PARCELADO. MOMENTO DO FATO GERADOR. Nas alienações a prazo, o fato gerador do ganho de capital aperfeiçoase no efetivo recebimento de cada parcela do preço ajustado entre as partes, quando então nasce a obrigação tributária de pagamento do imposto sobre a renda, na proporção delas. GANHO DE CAPITAL. DECADÊNCIA. AUSÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. Na ausência de pagamento antecipado que mantenha conexão com o fato gerador da obrigação tributária, aplicase ao lançamento do imposto de renda incidente sobre o ganho de capital na alienação de imóvel a regra geral de contagem do prazo decadencial prevista no art. 173, inciso I, do Código Tributário Nacional. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 0. 72 33 81 /2 01 3- 86 Fl. 218DF CARF MF Processo nº 10280.723381/201386 Acórdão n.º 2401006.117 S2C4T1 Fl. 219 2 Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Vencido o conselheiro Rayd Santana Ferreira que dava provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Presidente (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Miriam Denise Xavier, Cleberson Alex Friess, Rayd Santana Ferreira, Andréa Viana Arrais Egypto, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro e Matheus Soares Leite. Ausentes as conselheiras Luciana Matos Pereira Barbosa e Marialva de Castro Calabrich Schlucking. Relatório Cuidase de recurso voluntário interposto em face da decisão da 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campo Grande (DRJ/CGE), por meio do Acórdão nº 0435.675, de 05/06/2014, cujo dispositivo considerou procedente em parte a impugnação apresentada, mantendo parcialmente o crédito tributário lançado (fls. 175/181): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercícios: 2008, 2009 CRÉDITO TRIBUTÁRIO. HIPÓTESES DE EXTINÇÃO. DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. GANHO DE CAPITAL. Embora o imposto sobre o ganho de capital na alienação de bens e direitos reúna apanágio daquele sujeito à homologação, no caso em concreto o contribuinte não o apurou nem quantificou algum imposto a ser homologado, impossibilitando, pois, tal exercício, expresso ou tácito, por parte do Fisco, razão pela qual o prazo a que deve o lançamento obedecer corresponde ao estampado no art. 173, I, do CTN. Fl. 219DF CARF MF Processo nº 10280.723381/201386 Acórdão n.º 2401006.117 S2C4T1 Fl. 220 3 GANHO DE CAPITAL. FATO GERADOR. ALIENAÇÃO A PRAZO. DECADÊNCIA. O fato gerador do IRPF incidente sobre o ganho de capital, no caso de alienação a prazo, somente se completa quando do efetivo recebimento do valor referente à venda do bem ou direito, momento a partir do qual se inicia a contagem do prazo decadencial para o lançamento do crédito tributário, exceto no caso de dolo, fraude ou simulação, em que a contagem do prazo decadencial tem início no primeiro dia do exercício subsequente àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Impugnação Procedente em Parte Extraise do Relatório Fiscal que foi lavrado auto de infração relativo ao Imposto de Renda da Pessoa Física (IRPF), acrescido de juros e multa qualificada, decorrente de ganho de capital na alienação a prazo de um terreno situado no município de Marituba (PA), nos anoscalendário de 2007 e 2008 (fls. 106/109). O Auto de Infração está acostado às fls. 94/104. O contribuinte foi cientificado da autuação, em 12/11/2013, e impugnou a exigência fiscal no prazo legal (fls. 94 e 148/161). Intimado por via postal em 23/06/2014 da decisão do colegiado de primeira instância, o recorrente apresentou recurso voluntário no dia 08/07/2014, em que repisa os argumentos de fato e direito da sua impugnação, a seguir resumidos (fls. 183/187 e 191/203): (i) o fato gerador do imposto de renda sobre o ganho de capital ocorre no momento do recebimento das parcelas correspondentes à alienação do imóvel; e (ii) tendo recebido as parcelas no período entre abril/2007 e junho/2008, a primeira em 05/04/2007 e a última em 05/06/2008, está decaído o direito de constituição do crédito tributário, por força do art. 150 do Código Tributário Nacional (CTN). É o relatório. Voto Conselheiro Cleberson Alex Friess Relator Juízo de admissibilidade Uma vez realizado o juízo de validade do procedimento, verifico que estão satisfeitos os requisitos de admissibilidade do recurso voluntário e, por conseguinte, dele tomo conhecimento. Fl. 220DF CARF MF Processo nº 10280.723381/201386 Acórdão n.º 2401006.117 S2C4T1 Fl. 221 4 Decadência Tratase de lançamento de ganho de capital auferido em alienação a prazo, cujo preço foi recebido parceladamente nos meses de 02/2007, 04/2007 a 12/2007 e 01/2008 a 06/2008 (fls. 94/104). Desde a impugnação, o contribuinte alega a decadência do crédito tributário lançado. Em primeira instância, o acórdão reconheceu a decadência até o vencimento do imposto em 30/11/2007, ou seja, no período de apuração de 02/2007 a 10/2007. Permanece em litígio, portanto, a exigência fiscal sobre as parcelas do preço recebidas a partir de 11/2007, inclusive. Pois bem. A respeito do ganho de capital dispõe a Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988: Art. 2º O imposto de renda das pessoas físicas será devido, mensalmente, à medida em que os rendimentos e ganhos de capital forem percebidos. Art. 3º (...) § 2º Integrará o rendimento bruto, como ganho de capital, o resultado da soma dos ganhos auferidos no mês, decorrentes de alienação de bens ou direitos de qualquer natureza, considerandose como ganho a diferença positiva entre o valor de transmissão do bem ou direito e o respectivo custo de aquisição corrigido monetariamente, observado o disposto nos arts. 15 a 22 desta Lei. § 3º Na apuração do ganho de capital serão consideradas as operações que importem alienação, a qualquer título, de bens ou direitos ou cessão ou promessa de cessão de direitos à sua aquisição, tais como as realizadas por compra e venda, permuta, adjudicação, desapropriação, dação em pagamento, doação, procuração em causa própria, promessa de compra e venda, cessão de direitos ou promessa de cessão de direitos e contratos afins. § 4º A tributação independe da denominação dos rendimentos, títulos ou direitos, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem dos bens produtores da renda, e da forma de percepção das rendas ou proventos, bastando, para a incidência do imposto, o benefício do contribuinte por qualquer forma e a qualquer título. (...) Art. 21. Nas alienações a prazo, o ganho de capital será tributado na proporção das parcelas recebidas em cada mês, considerandose a respectiva atualização monetária, se houver. Fl. 221DF CARF MF Processo nº 10280.723381/201386 Acórdão n.º 2401006.117 S2C4T1 Fl. 222 5 Do mesmo modo, o art. 21 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, trata do ganho de capital percebido por pessoa física, o qual reproduzo abaixo na redação à época dos fatos: Art. 21. O ganho de capital percebido por pessoa física em decorrência da alienação de bens e direitos de qualquer natureza sujeitase à incidência do Imposto de Renda, à alíquota de quinze por cento. § 1º O imposto de que trata este artigo deverá ser pago até o último dia útil do mês subseqüente ao da percepção dos ganhos. § 2º Os ganhos a que se refere este artigo serão apurados e tributados em separado e não integrarão a base de cálculo do Imposto de Renda na declaração de ajuste anual, e o imposto pago não poderá ser deduzido do devido na declaração. O ganho de capital pressupõe não só a alienação, como também o resultado positivo do negócio jurídico, correspondente à aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica de uma nova riqueza que representa acréscimo patrimonial para o beneficiário, necessário para a tributação da renda. A manifestação de nova riqueza ocorre com o ingresso do bem ou direito no patrimônio do contribuinte, mesmo que não se trate de moeda em si, quando existe disponibilidade financeira ou circulação de numerário. Essa concepção de tributação pelo imposto de renda aplicase indistintamente às pessoas físicas e jurídicas, com fulcro no art. 43 do CTN. Especificamente quanto à tributação da renda auferida pela pessoa física na alienação de bem imóvel em que o preço é recebido em parcelas, a legislação fiscal copiada não reputa o surgimento da obrigação tributária desde a própria alienação, em virtude do acerto do preço pelas partes, mas sim legitimou, como marco temporal da obrigação tributária, o efetivo recebimento de cada parcela pelo alienante. Antes do recebimento de cada parcela relativa à alienação realizada, não resta configurado o acréscimo patrimonial, dada a falta da aquisição de disponibilidade de renda. Aperfeiçoase a obrigação tributária, e com ela o surge a relação jurídicotributária que tem por objeto o pagamento do imposto de renda, no momento da disponibilidade da renda refletida no recebimento das parcelas. Por força da legislação, a data da alienação é utilizada para fins de apuração do ganho de capital, como se o negócio fosse à vista (art. 140, do Regulamento do Imposto de Renda, veiculado pelo Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999). Não há óbice em dissociar o momento em que se aperfeiçoa a obrigação tributária daquele estipulado para a quantificação dessa mesma obrigação tributária. Com efeito, definese a apuração do acréscimo patrimonial ocorrido no momento da alienação, à luz da legislação tributária vigente nessa ocasião, com previsão, contudo, do nascimento da obrigação tributária à medida que recebidas as parcelas do preço ajustado entre os particulares, na proporção delas. Fl. 222DF CARF MF Processo nº 10280.723381/201386 Acórdão n.º 2401006.117 S2C4T1 Fl. 223 6 Por sua vez, a regra geral da decadência no âmbito tributário está prevista no inciso I do art. 173 do CTN, que determina o termo inicial da contagem do prazo decadencial a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado: Art. 173 — O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: 1 — do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; (...) Entretanto, no caso dos tributos submetidos ao "regime de homologação", como ora se cuida, devese atentar para o que dispõe o § 4º do art. 150 do CTN: Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. (...) § 4º Se a lei não fixar prazo à homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. A incidência da regra específica de contagem quinquenal do § 4º do art. 150 do CTN configura não só homologação tácita, mas também decadência do direito de lançar de ofício o crédito tributário relativo a diferenças devidas. Contudo, pressupõe não apenas a previsão abstrata em lei do pagamento antecipado da exação, como também a efetiva antecipação do pagamento pelo sujeito passivo. De outro modo, contase o prazo decadencial na forma do art. 173 do CTN, antes reproduzido. Nesse sentido, o decidido no Recurso Especial (REsp) nº 973.733/SC, da relatoria do Ministro Luiz Fux, julgado na sistemática dos recursos repetitivos pelo Superior Tribunal de Justiça, na sessão de 12/08/2009. Eis parte de sua ementa: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS Fl. 223DF CARF MF Processo nº 10280.723381/201386 Acórdão n.º 2401006.117 S2C4T1 Fl. 224 7 PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005) (...) Nos lançamentos "por homologação" a tarefa prescrita em lei de antecipar o pagamento demanda da parte do sujeito passivo a realização prévia de uma série de procedimentos a partir da confrontação entre o fato jurídico e a regramatriz de incidência tributária. Em vista disso, a contagem do prazo decadencial a partir da ocorrência do fato gerador implica a existência de pagamento antecipado que mantenha conexão com os fatos geradores, o qual tem o efeito potencial de provocar a verificação da sua correção pela Administração Tributária. Realmente, a contagem do prazo decadencial a partir do fato gerador, consoante o art. 150 do CTN, tem o propósito de regular a perda do direito, devido à inércia administrativa, de promover o eventual lançamento de ofício vinculado à obrigação tributária que deu ensejo à antecipação do pagamento efetuado pelo sujeito passivo até a data de vencimento do tributo. Admitirse como pagamento antecipado o recolhimento de tributo que não tenha relação com o fato gerador objeto do lançamento tributário extrapola a finalidade do dispositivo legal. O imposto de renda sobre o ganho de capital está sujeito à tributação definitiva e em separado, com prazo de pagamento próprio até o último dia útil do mês subseqüente ao da percepção dos ganhos. Conforme bem assentou a decisão de piso, não houve qualquer pagamento antecipado de tributo incidente sobre o ganho de capital apurado pela autoridade fazendária relativo ao terreno alienado. Adicionalmente, a fiscalização descreveu conduta dolosa do contribuinte, com qualificação da multa de ofício no importe de 150%. Em ambos os casos, não se trata de matéria controvertida, diante da falta de contestação pelo autuado na impugnação (fls. 148/161). Não há indício de retenção na fonte e/ou pagamento de carnêleão para o imposto de renda anual. Quanto aos recolhimentos efetuados para os anoscalendário de 2007 e 2008, na forma de saldo do imposto a pagar, referemse a rendimentos sujeitos ao ajuste anual Fl. 224DF CARF MF Processo nº 10280.723381/201386 Acórdão n.º 2401006.117 S2C4T1 Fl. 225 8 e. portanto, não mantêm conexão com fato gerador do ganho de capital para configurar pagamento antecipado (fls. 134/146). Em síntese, o contribuinte não recolheu qualquer valor de imposto de renda sobre o ganho de capital relativo ao imóvel alienado, o que afasta a aplicação da regra de contagem do prazo decadencial do § 4º do art. 150 do CTN, incidindo o inciso I do art. 173 do CTN. O raciocínio acima detalhado acompanha a atual jurisprudência da 2ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais deste Tribunal Administrativo: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2010, 2011 (...) DECADÊNCIA. GANHO DE CAPITAL. ALIENAÇÃO DE AÇÕES A PRAZO. FATO GERADOR. Nas vendas a prazo o fato gerador do Imposto de Renda se realiza com o efetivo pagamento da parcela acordada pelas partes, devendo este ser o termo inicial para contagem do prazo decadencial. (...) (Acórdão nº 9202007.321, de 25/10/2018, Relatora Maria Helena Cotta Cardozo) ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 1997, 1998, 1999, 2000 DECADÊNCIA. TERMO DE INÍCIO DA CONTAGEM DO PRAZO. AUSÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. Em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, não havendo antecipação de pagamento, a contagem do prazo decadencial tem início no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. (Acórdão nº 9202007.368, de 28/11/2018, Relatora Ana Cecília Lustosa da Cruz) Com relação às parcelas do preço do imóvel recebidas no mês de 11/2007 e seguintes, o lançamento tributário apenas poderia ser realizado a partir de 01/01/2009, correspondente ao primeiro dia do exercício seguinte àquele em que permitida a constituição do crédito tributário pela Fazenda Pública, visto que somente é possível o lançamento de ofício após vencido o prazo de pagamento espontâneo do tributo (art. 173, inciso I, CTN). O termo final do prazo decadencial é 31/12/2013. Fl. 225DF CARF MF Processo nº 10280.723381/201386 Acórdão n.º 2401006.117 S2C4T1 Fl. 226 9 Uma vez que o contribuinte foi cientificado da autuação em 12/11/2013, não há que se falar em perda do direito da Fazenda Pública de constituir o crédito tributário que aqui se discute (fls. 94). Logo, escorreito o entendimento do acórdão de primeira instância, devendose manter a exigência fiscal do período de apuração a partir de 11/2007 (fato gerador: 30/11/2007). Conclusão Ante o exposto, CONHEÇO do recurso voluntário e, no mérito, NEGOLHE PROVIMENTO. É como voto. (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess Fl. 226DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10530.900173/2013-18
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 29 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Mar 13 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3302-000.936
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, para que a unidade de origem efetue a liquidação dos acórdãos nº 3301-002.999 e nº 9303-006.107, proferidos no processo 10983.721188/2013-93, de modo a refletir estas decisões nos montantes objetos dos pedidos de ressarcimento.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Deroulede - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado, Walker Araujo, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad e Paulo Guilherme Deroulede (Presidente). Ausente o Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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(assinado digitalmente) Paulo Guilherme Deroulede Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado, Walker Araujo, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad e Paulo Guilherme Deroulede (Presidente). Ausente o Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho. Relatório Trata o presente processo de Pedido de Ressarcimento de contribuição não cumulativa, transmitido através do Programa PERD/COMP (Pedido Eletrônico de Restituição, Ressarcimento e Reembolso e Declaração de Compensação), que restou indeferido, nos termos do Despacho Decisório que instrui os autos. Regularmente cientificada, a empresa apresentou manifestação de inconformidade na qual sustenta a necessidade de julgamento conjunto com outros processos de ressarcimento referentes aos mesmos elementos, inclusive para fins de uniformização dos julgados, também em relação ao auto de infração correspondente (10983.721.188/201393). Ainda em preliminar, aborda a superficialidade do trabalho fiscal e discorre sobre o princípio da verdade material, que entende ofendido no procedimento efetuado, citando entendimento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF). RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 05 30 .9 00 17 3/ 20 13 -1 8 Fl. 4821DF CARF MF Processo nº 10530.900173/201318 Resolução nº 3302000.936 S3C3T2 Fl. 3 2 Trata da instrução probatória no Processo Administrativo Fiscal (PAF) e da necessidade de conhecimento do processo produtivo. No mérito, discorre sobre o conceito de insumos, sobre a sistemática não cumulativa das contribuições, e sobre a legitimidade de seu pleito. O colegiado a quo julgou improcedente a impugnação, nos termos do Acórdão DRJ nº 10051.804. Insurgindose contra a decisão prolatada, a contribuinte interpôs recurso voluntário repisando as alegações trazidas na manifestação de inconformidade. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Guilherme Deroulede O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução 3302000.930, de 29 de janeiro de 2019, proferido no julgamento do processo 10530.900167/201361, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Resolução 3302000.930): "O presente recurso é tempestivo, trata de matéria trazida a julgamento de competência desta Turma, devendo ser conhecido. Como podemos verificar do relatório acima, o presente processo trata da glosa de crédito de PIS e COFINS, relacionado a produtos utilizados como insumo, no processo produtivo da recorrente. Verificase ainda do relatório a existência de estreita ligação deste processo e outros mais, com o processo de nº 10983.721188/201393, onde o conceito de insumo já foi minuciosamente tratado em dois acórdãos a saber: (i) o de nº 3301 002.999, proferido pela 1ª Turma Ordinária, da 3ª Câmara, da 3ª Seção de Julgamento, e o de nº 9303006.107, da 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais. O primeiro de relatoria do I. Conselheiro Marcelo Costa Marques d'Oliveira, restou decidido da seguinte forma: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário em relação à Preliminar de Nulidade do Lançamento. Por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário na apropriação de créditos na Industrialização Realizada por Terceiros e os correspondentes insumos, com exceção das compras de leite in natura e pasteurizado ou industrializado, Fl. 4822DF CARF MF Processo nº 10530.900173/201318 Resolução nº 3302000.936 S3C3T2 Fl. 4 3 em razão de serem adquiridos com alíquota zero. Vencidos Conselheiros Francisco e Paulo. Por unanimidade, dar provimento em relação aos créditos na Aquisição de Embalagens para Transporte. Por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário na aquisição de Vacinas, Pintos e Ovos. Por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário no item pagamento de Fretes na Aquisição de Insumos, para acatar os créditos decorrentes de fretes na aquisição de insumos e no transporte entre estabelecimentos da recorrente, mantendo a glosa para os quais a motivação dos serviços de frete não foi identificadas. Por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário no item Recortes de Congelados de Aves, mantendo somente as glosas em relação aos produtos, cujos documentos fiscais e os fornecedores não foram identificados. Por unanimidade de votos, dar provimento ao item Pallets de Madeira. Por maioria de votos, dar provimento ao recurso voluntário no item serviços realizados por operador logístico. Vencidos Conselheiros Francisco e Paulo que negavam provimento. Por unanimidade de votos, dar provimento em relação ao item Análises Laboratoriais. Por maioria de votos, negar provimento em relação ao item Diárias e HorasMáquina de Tratores. Vencida Maria Eduarda. Por unanimidade de votos, dar provimento em relação ao item Repaletização. Por unanimidade de votos, dar provimento em relação ao item Tintas para Carimbo. Por unanimidade de votos, negar provimento em relação ao item Aluguéis de Prédios. Por unanimidade de votos, negar provimento em relação ao item Leite In Natura. Por unanimidade de votos, dar provimento em relação ao item Frangos Vivos, Milho, Sorgo, Soja e Demais Insumos. Por unanimidade de votos, negar provimento em relação ao item Apuração dos Débitos dos Tributos. Por unanimidade de votos, dar provimento em relação ao item Multa Qualificada, para reduzila para 75%. Por unanimidade de votos, negar provimento em relação ao item Pedido de Diligência e Perícia. Andrada Márcio Canuto Natal Presidente. Marcelo Costa Marques d'Oliveira Relator Da decisão do acórdão acima transcrita, a Fazenda Nacional e contribuinte apresentaram recursos especiais de divergência, sendo certo que a primeira suscitou divergência com relação ao conceito de insumos para fins de creditamento das contribuições não cumulativas e, o segundo, além de apresentar contrarrazões, interpôs recurso especial no qual suscitou divergência com relação a duas matérias: 1) possibilidade de tomada de créditos sobre a locação de tratores utilizados na atividade agroindustrial; e 2) não incidência de pis/cofins sobre receitas de exportação e respectiva forma de comprovar. No acórdão da recurso especial, de relatoria do I. Conselheiro Andrada Marcio Canuto Natal, restou decidido que: Fl. 4823DF CARF MF Processo nº 10530.900173/201318 Resolução nº 3302000.936 S3C3T2 Fl. 5 4 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional. No mérito, (i) quanto à industrialização de produtos lácteos, por unaninimade de votos, acordam em negar provimento ao recurso. A conselheira Tatiana Midori Migiyama acompanhou o relator pelas conclusões; (ii) quanto às embalagens para transporte, por maioria de votos, acordam em darlhe provimento, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Valcir Gassen (suplente convocado em substituição à conselheira Érika Costa Camargos Autran) e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento; (iii) quanto ao pagamento de fretes na aquisição de insumos, por maioria de votos, acordam em negarlhe provimento, vencido o conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire (suplente convocado), que lhe deu provimento; (iv) quanto aos pallets de madeira, por maioria de votos, acordam em darlhe provimento, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migyama, Valcir Gassen e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento; (v) quanto às despesas com operador logístico, por maioria de votos, acordam em darlhe provimento, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migyama, Valcir Gassen e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento; (vi) quanto às análises laboratoriais, por maioria de votos, acordam em negarlhe provimento, vencido o conselheiro Jorge Olmiro Locke Freire, que lhe deu provimento e (vii) quanto à repaletização, por maioria de votos, acordam em darlhe provimento, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Valcir Gassen (suplente convocado em substituição à conselheira Érika Costa Camargos Autran) e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento e (viii) quanto às tintas para carimbo, por unanimidade de votos, acordam em negarlhe provimento. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, em negarlhe provimento, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama e Vanessa Marini Cecconello, que lhe deram provimento. Declarouse impedido de participar do julgamento o conselheiro Demes Brito. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Relator Concluindo, entendo que não há o que ser discutido ou avaliado no presente processo. O que se deve promover é a liquidação dos acórdãos acima mencionados, pela unidade de origem, dentro do objeto de cada um dos pedidos de ressarcimento relacionados ao processo nº 10983.721188/201393. Desta forma, voto por converter o julgamento em diligência, para que a unidade de origem efetue a liquidação dos acórdãos 3301 Fl. 4824DF CARF MF Processo nº 10530.900173/201318 Resolução nº 3302000.936 S3C3T2 Fl. 6 5 002.999 e nº 9303006.107, proferidos no processo 10983.721188/201393, de modo a refletir estas decisões nos montantes objetos dos pedido de ressarcimento." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por converter o julgamento em diligência, para que a unidade de origem efetue a liquidação dos acórdãos 3301002.999 e nº 9303006.107, proferidos no processo 10983.721188/201393, de modo a refletir estas decisões nos montantes objetos dos pedido de ressarcimento. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Deroulede . Fl. 4825DF CARF MF
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Numero do processo: 16327.720260/2016-28
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 13 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Mar 29 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2011 a 31/12/2012
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. VOTO. NÚMERO DO ACÓRDÃO REFERÊNCIA. OMISSÃO.
Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual deveria pronunciar-se a turma.
Numero da decisão: 2402-007.070
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos declaração, sem efeitos infringentes, para sanar a omissão apontada.
(assinado digitalmente)
Denny Medeiros da Silveira - Presidente
(assinado digitalmente)
Mauricio Nogueira Righetti - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Mauricio Nogueira Righetti, Denny Medeiros da Silveira, Wilderson Botto (suplemente convocado), João Victor Ribeiro Aldinucci, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregório Rechmann Junior e Paulo Sergio da Silva.
Nome do relator: MAURICIO NOGUEIRA RIGHETTI
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2011 a 31/12/2012 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. VOTO. NÚMERO DO ACÓRDÃO REFERÊNCIA. OMISSÃO. Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual deveria pronunciar-se a turma.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos declaração, sem efeitos infringentes, para sanar a omissão apontada. (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira - Presidente (assinado digitalmente) Mauricio Nogueira Righetti - Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Mauricio Nogueira Righetti, Denny Medeiros da Silveira, Wilderson Botto (suplemente convocado), João Victor Ribeiro Aldinucci, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregório Rechmann Junior e Paulo Sergio da Silva.
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score : 1.0
Numero do processo: 10783.720362/2012-56
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Mar 20 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Apr 17 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/2009 a 31/03/2009
Não comprovada a divergência de interpretação da legislação entre o acórdão recorrido e o aresto paradigma, resta não atendido um dos pressupostos do recurso especial de divergência, pelo que não deve este ser conhecido.
Recurso Especial do contribuinte não conhecido.
Numero da decisão: 9303-008.328
Decisão:
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do Recurso Especial, vencidas as conselheiras Érika Costa Camargos Autran e Tatiana Midori Migiyama, que conheceram do recurso.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello, Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/2009 a 31/03/2009 Não comprovada a divergência de interpretação da legislação entre o acórdão recorrido e o aresto paradigma, resta não atendido um dos pressupostos do recurso especial de divergência, pelo que não deve este ser conhecido. Recurso Especial do contribuinte não conhecido.
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do Recurso Especial, vencidas as conselheiras Érika Costa Camargos Autran e Tatiana Midori Migiyama, que conheceram do recurso. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello, Rodrigo da Costa Pôssas.
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Recurso Especial do contribuinte não conhecido. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do Recurso Especial, vencidas as conselheiras Érika Costa Camargos Autran e Tatiana Midori Migiyama, que conheceram do recurso. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello, Rodrigo da Costa Pôssas. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 78 3. 72 03 62 /2 01 2- 56 Fl. 16988DF CARF MF Processo nº 10783.720362/201256 Acórdão n.º 9303008.328 CSRFT3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência interposto pelo Contribuinte contra o acórdão n.º 3301002.782, proferido pela Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção de Julgamento deste CARF, decisão que por maioria de votos, negou provimento ao Recurso Voluntário. A discussão dos presentes autos tem origem pedido de reconhecimento de direito creditório (ressarcimento) de contribuição não cumulativa. Nos termos do despacho decisório, foi decidido procedência parcial do pedido. Inconformado, o Contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, julgada improcedente pelo colegiado de primeira instância. Irresignado com a decisão contrária ao seu pleito, o Contribuinte apresentou Recurso Voluntário, que teve provimento negado. O Contribuinte interpôs Recurso Especial de Divergência em face do acordão recorrido que negou provimento ao recurso voluntário, as divergências suscitadas pelo Contribuinte são as seguintes: 1 da nulidade da decisão de primeiro grau e de todo o processo administrativo., com a supressão da garantia do contraditório e da ampla defesa; 2 as empresas fornecedoras de café para a recorrente não são as mesmas das citadas no acórdão recorrido; 3 do direito à apropriação integral dos créditos de PIS/COFINS decorrentes de aquisição de mercadorias de cooperativas. Para comprovar a divergências jurisprudenciais suscitadas, o Contribuinte apresentou como paradigma o acórdão de nº 3401001.794 a fim de comprovar a matéria do item 1 da nulidade da decisão de primeiro grau e de todo o processo administrativo, com a supressão da garantia do contraditório e da ampla defesa; e acórdão nº 3102002.341 Fl. 16989DF CARF MF Processo nº 10783.720362/201256 Acórdão n.º 9303008.328 CSRFT3 Fl. 4 3 referente a matéria do item 3 do direito à apropriação integral dos créditos de PIS/COFINS decorrentes de aquisição de mercadorias de cooperativas. O Recurso Especial do Contribuinte foi parcialmente admitido, para que seja rediscutida apenas a matéria do item 3– do direito à apropriação integral dos créditos de PIS/COFINS decorrentes de aquisição de mercadorias de cooperativas, conforme despacho de fls. 16.889 a 16.895. O Contribuinte interpôs agravo, sendo que este não foi admitido. Inconformado com a decisão, o Contribuinte opôs novamente embargos de declaração, sendo que a petição não foi conhecida, mas foi admitida como veículo de alegações de lapso manifesto ou inexatidão material. Desta forma, foi indeferida por nada demonstrar neste sentido. A Fazenda Nacional apresentou contrarrazões, manifestando pelo não provimento do Recurso Especial do Contribuinte e que seja mantido v. acórdão. É o relatório em síntese. Fl. 16990DF CARF MF Processo nº 10783.720362/201256 Acórdão n.º 9303008.328 CSRFT3 Fl. 5 4 Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303008.320, de 20 de março de 2019, proferido no julgamento do processo 10783.720354/201218, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão 9303008.320): 1 "Com a devida vênia, divirjo da i. Conselheira Érika Autran, pois entendo que não houve divergência de interpretação de divergência da legislação entre o aresto recorrido e o paradigmático em relação à matéria admitida pelo despacho de admissibilidade (do direito à apropriação integral dos créditos de PIS/COFINS decorrentes de aquisição de mercadorias de cooperativas), pelo que não deve ser conhecido o recurso em testilha. Isso porque ambos deram o mesmo entendimento em relação à possibilidade de apuração integral de créditos nas aquisições de café de cooperativa. Ambos proferiram entendimentos de que se o café adquiridos das cooperativas já tivessem sofrido as etapas industriais de que cuida a legislação, haveria direito ao crédito integral. Porém, no acórdão recorrido, o colegiado entendeu que o contribuinte não comprovou esta condição (ressalta ainda no voto de que o próprio contribuinte havia declarado em atendimento a termo de intimação que ele próprio é quem realizava as operações de beneficiamento exigidos pela Lei). Por sua vez o acórdão paradigma entendeu que estas condições estavam comprovadas. Vejase trechos dos respectivos acórdãos: Acórdão recorrido: Agora, após o lançamento consumado, o contribuinte quer alterar totalmente a realidade antes afirmada. Agora ele não é mais um típico beneficiador de café na concepção da lei. De forma inusitada ele agora já adquire o grão beneficiado e é somente um revendedor de café que nesta condição não tem mais direito ao crédito presumido e sim ao crédito integral. Que sua principal atividade é a revenda de café já beneficiado. Para tanto traz como prova, uma amostra das notas de aquisição das 1 Transcrito apenas o entendimento vencedor no julgamento dos autos. Íntegra dos votos pode ser obtida no processo paradigma (10783.720354/201218). Fl. 16991DF CARF MF Processo nº 10783.720362/201256 Acórdão n.º 9303008.328 CSRFT3 Fl. 6 5 cooperativas, nas quais não consta o carimbo indicativo da suspensão do PIS e da Cofins. Junto com esta pretensa prova, apresenta como se fosse uma realidade óbvia do mercado as três etapas da comercialização do café: 1ª) a compra do produto in natura; 2ª ) o beneficiamento transformando o café in natura em "café cru em grão"; e 3º) a revenda do "café cru em grão" pela recorrente no máximo exercendo sobre o produto algum rebeneficiamento, o qual não atingiria as condições cumulativas previstas no art. 6º da IN SRF nº 660/2006. Contrariando o que declarou expressamente, em resposta ao Termo de Início de Ação Fiscal, agora ele afirma que atua na 3ª etapa, o que caracteriza simples revenda. Muito oportuno esta mudança, não fosse uma necessidade essencial de fazer prova efetiva em seu favor. Acórdão paradigma 3102002.341 (fls. 16.859 e segs.): Portanto, não há divergência de interpretação a ensejar o conhecimento do recorrido. CONCLUSÃO Ante o exposto, não conheço do recurso de divergência do contribuinte." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado não conheceu do Recurso Especial interposto pelo contribuinte. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 16992DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15586.720516/2012-50
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Feb 25 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Mar 28 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2008
NÃO CUMULATIVIDADE. INSUMOS. CRÉDITOS. CONCEITO.
O conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou relevância, vale dizer, considerando-se a imprescindibilidade ou a importância de determinado item - bem ou serviço - para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte (STJ, do Recurso Especial nº 1.221.170/PR).
DESPESAS. FRETES. TRANSFERÊNCIA/TRANSPORTE. PRODUTOS INACABADOS E INSUMOS. ESTABELECIMENTOS PRÓPRIOS, CRÉDITOS. POSSIBILIDADE.
As despesas com fretes para a transferência/transporte de produtos em elaboração (inacabados) e de insumos entre estabelecimentos do contribuinte integram o custo de produção dos produtos fabricados/vendidos e, consequentemente, geram créditos da contribuição, passíveis de desconto do valor apurado sobre o faturamento mensal.
NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. CAPATAZIA.
Os serviços de capatazia e estivas geram créditos de Cofins, no regime não cumulativo, como serviços de logística, respeitados os demais requisitos da Lei.
Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2008
NÃO CUMULATIVIDADE. INSUMOS. CRÉDITOS. CONCEITO.
O conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou relevância, vale dizer, considerando-se a imprescindibilidade ou a importância de determinado item - bem ou serviço - para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte (STJ, do Recurso Especial nº 1.221.170/PR).
DESPESAS. FRETES. TRANSFERÊNCIA/TRANSPORTE. PRODUTOS INACABADOS E INSUMOS. ESTABELECIMENTOS PRÓPRIOS, CRÉDITOS. POSSIBILIDADE.
As despesas com fretes para a transferência/transporte de produtos em elaboração (inacabados) e de insumos entre estabelecimentos do contribuinte integram o custo de produção dos produtos fabricados/vendidos e, consequentemente, geram créditos da contribuição, passíveis de desconto do valor apurado sobre o faturamento mensal.
NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. CAPATAZIA.
Os serviços de capatazia e estivas geram créditos de PIS, no regime não cumulativo, como serviços de logística, respeitados os demais requisitos da Lei.
Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2008
ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. ESFERA ADMINISTRATIVA.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
AUDITORIA POR AMOSTRAGEM. POSSIBILIDADE.
O Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil pode valer-se, na realização de sua atribuição legal, de qualquer método de fiscalização não vedado por norma legal ou administrativa, inclusive da auditoria por amostragem.
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2008
FALSIDADE DA DECLARAÇÃO. MULTA DE OFÍCIO.
A não homologação da compensação quando se comprove falsidade da declaração enseja a aplicação da multa isolada no percentual previsto no inciso I do caput do art. 44 da Lei no9.430, de 27 de dezembro de 1996, aplicado em dobro, e terá como base de cálculo o valor total do débito indevidamente compensado.
Numero da decisão: 3201-004.888
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário para: a) cancelar a multa aplicada com fundamento no art. 62 da Lei 12.249, de 2010; e b) aplicar aqui o que foi decidido no julgamento do processo administrativo nº 15586.720483/2012-48.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Laercio Cruz Uliana Junior e Paulo Roberto Duarte Moreira.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2008 NÃO CUMULATIVIDADE. INSUMOS. CRÉDITOS. CONCEITO. O conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou relevância, vale dizer, considerando-se a imprescindibilidade ou a importância de determinado item - bem ou serviço - para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte (STJ, do Recurso Especial nº 1.221.170/PR). DESPESAS. FRETES. TRANSFERÊNCIA/TRANSPORTE. PRODUTOS INACABADOS E INSUMOS. ESTABELECIMENTOS PRÓPRIOS, CRÉDITOS. POSSIBILIDADE. As despesas com fretes para a transferência/transporte de produtos em elaboração (inacabados) e de insumos entre estabelecimentos do contribuinte integram o custo de produção dos produtos fabricados/vendidos e, consequentemente, geram créditos da contribuição, passíveis de desconto do valor apurado sobre o faturamento mensal. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. CAPATAZIA. Os serviços de capatazia e estivas geram créditos de Cofins, no regime não cumulativo, como serviços de logística, respeitados os demais requisitos da Lei. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2008 NÃO CUMULATIVIDADE. INSUMOS. CRÉDITOS. CONCEITO. O conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou relevância, vale dizer, considerando-se a imprescindibilidade ou a importância de determinado item - bem ou serviço - para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte (STJ, do Recurso Especial nº 1.221.170/PR). DESPESAS. FRETES. TRANSFERÊNCIA/TRANSPORTE. PRODUTOS INACABADOS E INSUMOS. ESTABELECIMENTOS PRÓPRIOS, CRÉDITOS. POSSIBILIDADE. As despesas com fretes para a transferência/transporte de produtos em elaboração (inacabados) e de insumos entre estabelecimentos do contribuinte integram o custo de produção dos produtos fabricados/vendidos e, consequentemente, geram créditos da contribuição, passíveis de desconto do valor apurado sobre o faturamento mensal. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. CAPATAZIA. Os serviços de capatazia e estivas geram créditos de PIS, no regime não cumulativo, como serviços de logística, respeitados os demais requisitos da Lei. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2008 ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. ESFERA ADMINISTRATIVA. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. AUDITORIA POR AMOSTRAGEM. POSSIBILIDADE. O Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil pode valer-se, na realização de sua atribuição legal, de qualquer método de fiscalização não vedado por norma legal ou administrativa, inclusive da auditoria por amostragem. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2008 FALSIDADE DA DECLARAÇÃO. MULTA DE OFÍCIO. A não homologação da compensação quando se comprove falsidade da declaração enseja a aplicação da multa isolada no percentual previsto no inciso I do caput do art. 44 da Lei no9.430, de 27 de dezembro de 1996, aplicado em dobro, e terá como base de cálculo o valor total do débito indevidamente compensado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário para: a) cancelar a multa aplicada com fundamento no art. 62 da Lei 12.249, de 2010; e b) aplicar aqui o que foi decidido no julgamento do processo administrativo nº 15586.720483/2012-48. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Laercio Cruz Uliana Junior e Paulo Roberto Duarte Moreira.
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MULTA ISOLADA Recorrente CBF INDÚSTRIA DE GUSA S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2008 NÃO CUMULATIVIDADE. INSUMOS. CRÉDITOS. CONCEITO. O conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou relevância, vale dizer, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de determinado item bem ou serviço para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte (STJ, do Recurso Especial nº 1.221.170/PR). DESPESAS. FRETES. TRANSFERÊNCIA/TRANSPORTE. PRODUTOS INACABADOS E INSUMOS. ESTABELECIMENTOS PRÓPRIOS, CRÉDITOS. POSSIBILIDADE. As despesas com fretes para a transferência/transporte de produtos em elaboração (inacabados) e de insumos entre estabelecimentos do contribuinte integram o custo de produção dos produtos fabricados/vendidos e, consequentemente, geram créditos da contribuição, passíveis de desconto do valor apurado sobre o faturamento mensal. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. CAPATAZIA. Os serviços de capatazia e estivas geram créditos de Cofins, no regime não cumulativo, como serviços de logística, respeitados os demais requisitos da Lei. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2008 NÃO CUMULATIVIDADE. INSUMOS. CRÉDITOS. CONCEITO. O conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou relevância, vale dizer, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de determinado item bem ou serviço para o desenvolvimento AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 58 6. 72 05 16 /2 01 2- 50 Fl. 1545DF CARF MF 2 da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte (STJ, do Recurso Especial nº 1.221.170/PR). DESPESAS. FRETES. TRANSFERÊNCIA/TRANSPORTE. PRODUTOS INACABADOS E INSUMOS. ESTABELECIMENTOS PRÓPRIOS, CRÉDITOS. POSSIBILIDADE. As despesas com fretes para a transferência/transporte de produtos em elaboração (inacabados) e de insumos entre estabelecimentos do contribuinte integram o custo de produção dos produtos fabricados/vendidos e, consequentemente, geram créditos da contribuição, passíveis de desconto do valor apurado sobre o faturamento mensal. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. CAPATAZIA. Os serviços de capatazia e estivas geram créditos de PIS, no regime não cumulativo, como serviços de logística, respeitados os demais requisitos da Lei. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2008 ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. ESFERA ADMINISTRATIVA. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. AUDITORIA POR AMOSTRAGEM. POSSIBILIDADE. O Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil pode valerse, na realização de sua atribuição legal, de qualquer método de fiscalização não vedado por norma legal ou administrativa, inclusive da auditoria por amostragem. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2008 FALSIDADE DA DECLARAÇÃO. MULTA DE OFÍCIO. A não homologação da compensação quando se comprove falsidade da declaração enseja a aplicação da multa isolada no percentual previsto no inciso I do caput do art. 44 da Lei no9.430, de 27 de dezembro de 1996, aplicado em dobro, e terá como base de cálculo o valor total do débito indevidamente compensado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário para: a) cancelar a multa aplicada com fundamento no art. 62 da Lei 12.249, de 2010; e b) aplicar aqui o que foi decidido no julgamento do processo administrativo nº 15586.720483/201248. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator. Fl. 1546DF CARF MF Processo nº 15586.720516/201250 Acórdão n.º 3201004.888 S3C2T1 Fl. 1.546 3 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Laercio Cruz Uliana Junior e Paulo Roberto Duarte Moreira. Relatório Trata o presente processo de auto de infração lavrado contra a contribuinte acima identificada, constituindo crédito tributário decorrente da aplicação da multa isolada prevista no art. 18, § 2º, da Lei nº 10.833, de 2003. Por bem retratar os fatos constatados nos autos, passamos a transcrever o Relatório da decisão de primeira instância administrativa: Trata o presente processo de Pedidos de Ressarcimento e Declarações de Compensação (Dcomp) de créditos relativos ao PIS e a Cofins não cumulativos associados a operações de exportação, referentes aos 1º trimestre de 2005 até 4º trimestre de 2008. A DRF/Vitória exarou o despacho decisório de fls. 4.420/4.431, com base no Parecer SEFIS/DRF/VIT nº 081/2012 em fls.3.772/3.915, decidindo reconhecer em parte o direito creditório pleiteado e homologar parcialmente as compensações declaradas. Em decorrência da decisão proferida foi lavrado o Auto de Infração anexado em fls.20/31 do processo apenso nº 15586.720516/201248 (na verdade, 15586.720483/201250), no valor total de R$ 14.995.407,63, relativo à multa isolada decorrente de compensação indevida, apurada sobre o valor do débito indevidamente compensado (períodos de 06/2007 a 05/2012 COFINS, e períodos de 06/2007 a 06/2009 PIS) e multa aplicada em decorrência de compensação não homologada ( período de 05/2012). Igualmente em decorrência do despacho decisório antes referido foi lavrado Auto de Infração anexado às fl.12/21, do processo apenso 15586.720585/201263, no valor total de R$ 271.725,82 (PIS) e R$ 1.255.165,51 (COFINS), em virtude da falta de recolhimento das contribuições nos períodos de apuração 05/2007 e 06/2007. No Parecer SEFIS/DRF/VIT nº 081/2012 consta consignado, em resumo, que: 1) Com base na legislação da contribuição ao PIS e COFINS apurados sobre o regime da não cumulatividade, o crédito passível de utilização na compensação de outros tributos e contribuições é o apurado após a dedução de débitos da própria contribuição, e mais, o crédito deve ser decorrente de operações Fl. 1547DF CARF MF 4 de mercadorias para o exterior ou de vendas a empresa comercial exportadora, com o fim específico de exportação; 2) Durante o procedimento fiscal, a fiscalização tomou ciência, mediante grande divulgação pela mídia, da operação “Ouro Negro”, deflagrada em 2011 pelo Núcleo de Repressão às Organizações Criminosas e a Corrupção – NUROC/ES, no combate ao bilionário esquema de sonegação fiscal envolvendo a comercialização ilegal de carvão vegetal, no norte do estado do Espírito Santo e sul da Bahia, sendo usadas várias empresas laranjas para emissão de notas fiscais “frias”, tendo como beneficiárias as Siderúrgicas, grandes adquirentes do carvão vegetal; 3) Diante desses fatos, o Delegado da Receita Federal do Brasil em Vitória/ES, solicitou ao Delegado Chefe do NUROC/ES a relação das empresas investigadas nos autos da operação Ouro Negro, envolvidas em atividades ilícitas na área tributária, bem como, os depoimentos, as diligências e demais documentos vinculados, juntamente com a cópia da autorização judicial que franqueou o acesso a Receita Federal do Brasil aos referidos documentos; 4) De posse das 1ªs vias das notas fiscais, sobre as quais, a fiscalizada, nos sistemas informatizados da RFB e nas provas contidas nos Inquéritos Policiais, ficou constatado que a pessoa jurídica efetuou aquisições de carvão vegetal de empresa constituída por sócio inexistente de fato, ou seja, em nome de pessoa fictícia, de empresas constituídas por interposta pessoa e de empresas que se encontram em “situação irregular” com o fisco federal, dentre outras situações; 5) As irregularidades foram divididas em três etapas: 5.1) Primeira Etapa: aquisição de carvão vegetal de empresa constituída em nome de pessoa fictícia. Empresa criada em nome de pessoa física inexistente, com nítido objetivo de sonegação fiscal e geração de créditos tributários para terceiros; 5.2) Segunda Etapa: aquisições de carvão vegetal de empresas constituídas em nome de interpostas pessoas popularmente conhecidos como laranjas. Pessoas humildes que cederam seus dados pessoais, com ou sem contraprestação em dinheiro, com vista ao acobertamento dos reais proprietários da empresa, com evidente objetivo de sonegação fiscal e geração de créditos tributários para terceiros; 5.3) Terceira Etapa: aquisições de carvão vegetal de empresas que se encontram em situação irregular com o fisco federal, as quais constam no cadastro da Receita Federal do Brasil como inapta, inativa, sem nenhum recolhimento ou com recolhimentos irrisórios ou ainda cuja movimentação financeira é totalmente incompatível com a receita bruta informada; 6) Com base nos documentos apresentados, consta que a CBF Indústria de Gusa adquiriu carvão vegetal da empresa Jayr Souza Oliveira – ME (CNPJ 09.483.406/000147) e filiais, constituída em 01/04/2008. Somente nesse ano, a empresa emitiu Fl. 1548DF CARF MF Processo nº 15586.720516/201250 Acórdão n.º 3201004.888 S3C2T1 Fl. 1.547 5 R$ 649.653,84 de notas fiscais de vendas de carvão vegetal para a CBF; 7) O Relatório Final do Inquérito Policial nº 013/2011 concluiu que a Jayr Souza Oliveira – Me é a principal empresa envolvida no esquema de sonegação fiscal da máfia do carvão no Estado do Espírito Santo. Referida empresa foi constituída em nome de uma pessoa fictícia. Verificouse que o número do documento de identidade em nome de Jayr Souza Oliveira é falso. O número pertence ao RG de uma mulher de nome Karla Rios Sabia; 8) Com a prisão preventiva de Marcelo Meirelles Muniz, até então conhecido como Jayr Souza Oliveira, novos fatos foram trazidos ao Inquérito Policial nº 013/2011, entre os quais se destaca a confirmação de que Marcelo é o verdadeiro responsável pela empresa Jayr Souza Oliveira – ME e de ter utilizado documentos falsos para a abertura da mesma e filiais; 9) No citado depoimento, Marcelo Meirelles Muniz confessa de maneira cristalina que sua participação na empresa é meramente figurativa, pois recebia uma contraprestação em dinheiro de R$ 1.000,00 a R$ 2.000,00 por mês para se fazer passar pela pessoa de Jayr Souza Oliveira; 10) Diligência realizada pelo NUROC/ES no endereço comercial da JayrME em Conceição da Barra/ES (foto nos autos), comprova que a empresa não possui patrimônio e nem tampouco capacidade operacional para a realização de seu objeto social. Tais fatos, obviamente, já eram de se imaginar, em razão do quadro societário ser constituído por “sócio inexistente de fato”; 11) A empresa de energia do Espírito Santo informa que não consta no cadastro de seus clientes o endereço cadastral de JayrME. Além disso, pesquisas aos sistemas da RFB, mostram que o capital social registrado pela JAYRME é incompatível com as expressivas movimentações realizadas pela empresa em 2008; 12) Não restam dúvidas de que a empresa Jayr Souza Oliveira – ME é uma empresa constituída em nome de pessoa fictícia, ou seja, inexistente no mundo real, com evidente intuito de lesar o fisco e gerar créditos tributários para terceiros; 13) A firma individual J.A.S. da HORA COMÉRCIO DE CARVÃO VEGETAL –ME, CNPJ 08.757.953/000100, foi constituída em 10/04/2007, em nome do senhor José Augusto Santos da Hora, CPF 011.552.42580, com sede à Av. Central, 1.181 A, Por do Sol, Mucuri/BA; 14) A abertura da empresa ocorreu após a criação das Leis que instituíram os créditos da não cumulatividade do Pis (Lei nº 10.637/2002) e da Cofins (Lei nº10.833/2003). Somente para a CBF emitiu R$ 2.307.520,43 de notas fiscais de vendas de carvão vegetal no período de 2007 e 2008; Fl. 1549DF CARF MF 6 15) Apesar da expressiva receita bruta de vendas auferidas, apresentou DIPJ com receita “zerada” em 2007, não apresentou DIPJ em 2008 e não recolheu nenhum centavo aos cofres públicos nesse período. Além disso, declarou GFIP (Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social) com a condição Sem Movimento no período de 01/2007 a 12/2008. Esta situação declarada pela própria “empresa” quer dizer que ela nunca teve empregados, comercializou produtos rurais ou qualquer outro fato que a obrigasse informar à previdência social; 16) Mediante depoimento do senhor José Augusto Santos da Hora, na Operação Ouro Negro, o mesmo confessa de forma bastante clara que sua participação na empresa é meramente figurativa. Corroborando com suas declarações, verificamos nos sistemas da RFB que não possui capacidade sócioeconômica compatível para ser proprietário de fato de uma empresa que movimenta milhões de reais; 17) Não restam dúvidas de que o senhor José Augusto Santos da Hora cedeu seus dados pessoais para constituição da empresa J.A.S. da Hora Comércio de Carvão Vegetal – ME, sendo usado como “laranja”; 18) Diante do exposto, concluise que a empresa J.A.S. da Hora Comércio de Carvão Vegetal – ME foi constituída por interposta pessoa, com objetivos claros de lesar o fisco e gerar créditos tributários para terceiros, tendo em vista que não recolheu nenhum centavo aos cofres públicos; 19) A firma individual G.A Matos Indústria & Comércio de Carvão Vegetal, CNPJ 05.459.646/000155, foi constituída em 30/12/2002, em nome de Gildato Ancelmo Matos, CPF 142.073.38500, com sede a Rua Pedreira Franco, 679A, Centro, Mucuri/BA. Somente para a interessada emitiu R$ 849.861,55 de notas fiscais de vendas de carvão vegetal no período de 2006 e 2007; 20) Apesar da expressiva receita bruta de vendas auferidas, recolheu valores irrisórios aos cofres públicos. Não declarou DIPJ em 2006 e apresentou DIPJ com receita irrisória em 2007. Além disso, não declarou nenhum empregado na GFIP; 21) A DRF/Itabuna, em procedimento de diligência fiscal, no período de 13 a 15/02/2012, compareceu no domicilio fiscal da empresa G. A. Matos, onde “em tese” deveria funcionar a empresa, ocasião em que teve contato com o responsável pela empresa senhor Gildato Ancelmo Matos, onde o mesmo confessou que foi usado como “laranja” na constituição da empresa G. A. Matos; 22) Corroborando com suas declarações, foi verificado nos sistemas da RFB que o mesmo não possui capacidade sócioeconômica compatível para ser proprietário de fato de uma empresa que movimenta milhões de reais. Não restam dúvidas de que o senhor Gildato Ancelmo Matos cedeu seus dados pessoais para constituição da empresa G. A. Matos, sendo usado como “laranja”; Fl. 1550DF CARF MF Processo nº 15586.720516/201250 Acórdão n.º 3201004.888 S3C2T1 Fl. 1.548 7 23) Concluise que a empresa G. A. Matos Indústria e Comércio de Carvão Vegetal – Me foi constituída por interposta pessoa, com objetivos claros de lesar o fisco e gerar créditos tributários para terceiros, tendo em vista que recolheu valores irrisórios; 24) A firma Forno e Carvão Comércio e Indústria de Carvão Ltda, CNPJ 06.155.658/000159, foi constituída em 15/03/2004 com sede a Faz. Chapada, S/N, Ribeirão do Meio, Aracruz/ES, tendo como sócios o senhor Antonio Carlesso (admitido na sociedade em 18/11/2004) e a senhora Edinea Terezinha Morellato Carlesso (admitida na sociedade em 29/06/2006); 25) Interessante observar que a empresa foi aberta logo após a criação das Leis que instituíram os créditos da não comulatividade do Pis (Lei nº 10.637/2002) e da Cofins (Lei nº 10.833/2003). Somente para a CBF emitiu R$ 1.180.489,75 de notas fiscais de vendas de carvão vegetal em 2005; 26) Apesar da expressiva receita bruta de vendas auferidas, apresentou DIPJ em 2005 com receita bruta de vendas irrisória e não recolheu nenhum centavo aos cofres públicos a título de impostos e contribuições federais nesse período. Além disso, não declarou nenhum empregado na GFIP; 27) Conforme consta no Inquérito Policial nº 013/2011, instaurado pelo NUROC/ES, o sócio administrador da empresa senhor Antônio Carlesso – CPF nº 317.697.30710, prestou esclarecimentos nos autos da operação “Ouro Negro” e basicamente confirmou sua participação na qualidade de “laranja” da empresa Forno e Carvão; 28) Corroborando com as constatações realizadas pela Autoridade Policial, observase nos sistemas da RFB que o sócio administrador da empresa não possui capacidade sócio econômica compatível para ser sócio de fato de uma empresa que movimenta milhões de reais. Diante do exposto, não restam dúvidas de que quadro societário da empresa Forno e Carvão Comércio e Indústria de Carvão Ltda, a partir de 18/11/2004, passou a ser constituída por interposta pessoa, com objetivos claros de lesar o fisco e gerar créditos tributários para terceiros; 29) A firma individual J. Azevedo do Espírito Santo – ME, CNPJ 07.879.420/000139, foi constituída em 20/02/2006 em nome de José Azevedo do Espírito Santo, CPF nº 244.494.74600, com sede a Fazenda Colorado, S/N, Cristal do Norte, Pedro Canário/ES e com uma filial em Conceição da Barra/ES. Somente para a CBF emitiu R$ 384.197,47 de notas fiscais de vendas de carvão vegetal no período de 2006 a 2008; 30) Apesar da expressiva receita bruta de vendas auferidas, apresentou DIPJ em 2006 com receita “zerada”, não declarou DIPJ em 2007 e recolheu valores irrisórios aos cofres públicos nesse período. Em 2008 embora tenha confessado débitos insuficientes na DASN, no entanto, também não recolheu nenhum centavo aos cofres públicos; Fl. 1551DF CARF MF 8 31) No depoimento do senhor José Azevedo do Espírito Santo, extraído do Inquérito Policial nº 020/2011, da Operação Ouro Negro, o mesmo confessou claramente que sua participação na empresa é meramente figurativa, pois recebia uma contraprestação em dinheiro de 01 salário mínimo por mês, por ter cedido seus dados pessoais; 32) Corroborando com seu depoimento, verificamos nos sistemas da RFB que o titular da empresa não possui capacidade sócio econômica compatível para ser proprietário de fato de uma empresa que movimenta milhões de reais. Diante do exposto não restam dúvidas de que a empresa J. Azevedo do Espírito Santo – ME foi constituída por interposta pessoa, com objetivos claros de lesar o fisco e gerar créditos tributários para terceiros, tendo em vista que não recolheu nenhum centavo aos cofres públicos; 33) A firma individual Pedro Octávio da RosME, CNPJ 05.893.812/000127, foi constituída em 18/09/2003 em nome de Pedro Octávio da Ros, CPF nº 379.742.38704, com sede em Conceição da Barra/ES, com uma filial em Montanha/ES. Somente para a CBF emitiu R$ 375.059,95 de notas fiscais de vendas de carvão vegetal em 2008; 34) Apresentou Declaração anual do Simples Nacional (DASN), no entanto, não recolheu nenhum centavo aos cofres públicos em 2008. É importante ressaltar que a confissão de impostos e contribuições através da DASN é uma estratégia utilizada para não se chegar aos verdadeiros donos, já que a empresa e seu titular de direito não possuem qualquer patrimônio passível de execução fiscal pela Procuradoria da Fazenda Nacional – PFN; 35) As investigações realizadas pelo NUROC/ES operação “Ouro Negro”, no combate a máfia do carvão vegetal, comprovou que o proprietário de fato da empresa Pedro Octavio da Ros – ME não é o senhor Pedro Octávio da Ros e sim o senhor Paulo José Gava; 36) No depoimento prestado pelo senhor Pedro Octávio da Ros, no inquérito policial, o mesmo confessou claramente que sua participação na empresa é meramente figurativa, pois recebia uma contraprestação em dinheiro de R$ 1.500,00 (mil e quinhentos reais) por mês, por ter cedido sua empresa e seus dados pessoais; 37) Corroborando com seu depoimento, foi verificado nos sistemas da RFB que o titular da empresa não possui capacidade sócioeconômica compatível para ser proprietário de fato de uma empresa que movimenta milhões de reais; 38) Cumpre informar que o senhor Paulo José Gava foi indiciado nos autos do Inquérito Policial nº 016/2011, instaurado pelo Delegado Chefe da NUROC/ES operação “Ouro Negro”, devido seu envolvimento na comercialização ilegal de carvão vegetal no Estado do Espírito Santo e sul do Estado da Bahia; 39) Não restam dúvidas de que a empresa Pedro Octávio da Ros ME foi constituída por interposta pessoa, agindo com objetivos claros de lesar o fisco e gerar créditos tributários para terceiros, Fl. 1552DF CARF MF Processo nº 15586.720516/201250 Acórdão n.º 3201004.888 S3C2T1 Fl. 1.549 9 tendo em vista que não recolheu nenhum centavo aos cofres públicos. 40) A empresa Comercial de Carvão Hikari Ltda ME, CNPJ 74.026.774/000128, foi constituída em 06/01/1994 com sede em Caravelas/BA e com uma filial em Belmonte/BA, tendo como sócio desde a sua abertura o senhor José Wellington Benedito Guedes Filho, CPF: 844.637.08591. Somente para a CBF emitiu R$ 11.616.466,79 de notas fiscais de vendas de carvão vegetal no período de 2005 a 2008; 41) Apesar da expressiva receita bruta de vendas auferidas, apresentou DIPJ com receita “zerada” e não recolheu nenhum centavo aos cofres públicos no referido período. Não declarou nenhum empregado na GFIP, o que por si só já é uma situação atípica, ou seja, uma empresa sem empregados movimentar milhões de reais; 42) Conforme informações constantes no Inquérito Policial nº 025/2011, instaurado pelo Delegado Chefe da NUROC/ES operação “Ouro Negro”, o senhor José Wellington foi usado como interposta pessoa “laranja” na constituição da empresa e que o responsável de fato é o senhor Marciano Vescovi Sacani; 43) Além disso, observase nos sistemas da RFB que o titular da empresa não possui capacidade sócioeconômica compatível para ser proprietário de fato de uma empresa que movimenta milhões de reais; 44) Mediante tais fatos, não restam dúvidas de que a empresa Comercial de Carvão Hikari Ltda foi constituída por interposta pessoa, agindo com objetivos claros de lesar o fisco e gerar créditos tributários para terceiros, tendo em vista que não recolheu nenhum centavo aos cofres públicos. É importante mencionar que o senhor Marciano Vescovi Sacani foi indiciado nos Inquéritos Policiais nº 013/2011 e 025/2011, instaurados pelo Delegado Chefe da NUROC/ES operação “Ouro Negro”, devido seu envolvimento na comercialização ilegal de carvão vegetal no Estado do Espírito Santo e sul do Estado da Bahia, sendo indiciado inclusive pelo crime, em tese, contra a ordem tributária; 45) A relação comercial entre a CBF e a empresa Comercial de Carvão Hikari Ltda foi objeto de investigação pelo NUROC/ES e consta no Inquérito Policial nº 025/2011; 46) Além das empresas anteriormente listadas, citese que os principais fornecedores de carvão vegetal da CBF Indústria de Gusa S/A, praticamente nada recolheram aos cofres públicos a título de contribuições para o Pis e para a Cofins. A maioria desses fornecedores, apesar de emitirem notas fiscais, encontramse em situação irregular junto a RFB; 47) No Inquérito Policial nº 016/2011, inúmeras conversas telefônicas foram monitoradas, entre as quais, devem ser destacadas àquelas que pontuaram evidências do envolvimento Fl. 1553DF CARF MF 10 da CBF Indústria de Gusa S/A, no esquema de compra ilegal de carvão vegetal, através do seu Gerente de Compras senhor Thiciano da Ross Rosa. Chama atenção as conversas realizadas com o responsável pela movimentação financeira da empresa JAYR –ME, senhor Uelinton Spinassé de Jesus. 48) De acordo com o teor dos diálogos ficou evidenciado que o senhor Ricardo Carvalho Nascimento (Diretor da CBF) e o senhor Thiciano da Ross Rosa (Gerente de Compras da CBF), tinham conhecimento do esquema ilícito referente à compra de carvão vegetal adquirido pela CBF; 49) Nos Inquéritos Policiais ficou também evidenciado que Thiciano da Ross Rosa e Uelinton Spinassé de Jesus (responsável pela movimentação financeira da empresa JAYR ME) se uniram para que o carvão de origem duvidosa fosse adquirido pela CBF; 50) Por tudo que consta nos Inquéritos Policiais instaurados pelo NUROC/ES, a Autoridade Policial decidiu pelo indiciamento dos senhores Ricardo Carvalho Nascimento (Diretor da CBF), Thiciano da Ross Rosa (Gerente de Compras da CBF) e Fabrício Baptista (exfuncionário da CBF que trabalhava no setor de compras de carvão vegetal, desligado da empresa em junho de 2009) pela prática, em tese, de diversos crimes, dentre eles, crime contra a ordem tributária, tipificado no art. 1º, incisos I, II e art. 2º , inciso I , ambos da Lei nº 8.137, de 1990 (na forma continuada); 51) Não restam dúvidas de que a CBF Indústria de Gusa S/A (adquirente de carvão vegetal) tinha conhecimento e se beneficiou do esquema ilícito de aquisição de carvão vegetal realizado com empresa constituída por pessoa fictícia, nos moldes da JAYRME e constituídas por interpostas pessoas, que praticamente não recolheram nada aos cofres públicos, portanto, a CBF não pode ser considerada adquirente de boafé; 52) As informações disponíveis não deixam margem à dúvida de que o senhor Jayr Souza Oliveira não existe no mundo real, portanto, não poderia ser o titular de fato do empreendimento denominado Jayr Souza Oliveira–ME, tratandose, na verdade, de um caso de simulação de negócio jurídico com objetivo de lesar o fisco e gerar créditos tributários para terceiros; 53) O mesmo ocorrendo com os fornecedores constituídos por sócios laranjas. Empresas criadas em nome de terceiros com objetivo de acobertar os seus reais proprietários, com evidente intuito de sonegação fiscal e geração de créditos tributários para terceiros; 54) Dessa forma foram excluídos da base de cálculo dos créditos do Pis e da Cofins às aquisições adquiridas da JAYRME, cujo titular já foi identificado neste parecer como fictício e das demais empresas constituídas por interpostas pessoas e que se encontram em situação irregular no cadastro da RFB, sob pena de patrocinar o enriquecimento sem causa em detrimento dos cofres públicos. As referidas glosas encontramse discriminadas no Anexo I deste Parecer; Fl. 1554DF CARF MF Processo nº 15586.720516/201250 Acórdão n.º 3201004.888 S3C2T1 Fl. 1.550 11 55) A contribuinte buscou valerse de créditos de Pis e Cofins referente às aquisições de insumos pagos ou creditados a pessoa física, o que é vedado pela legislação, conforme previsto no art. 3º, § 2º, I, das Leis nºs 10.637, de 2002 e 10.833, de 2003; 56) As referidas aquisições foram excluídas da base de cálculo dos créditos do Pis e da Cofins e encontramse relacionadas no Anexo II deste parecer; 57) Ao analisar o documentário fiscal dos insumos adquiridos pela CBF e o seu efetivo pagamento, foi constatado aquisições realizadas com pessoas jurídicas, com emissão de nota fiscal, tendo como beneficiários dos pagamentos pessoas físicas; 58) Os documentos apresentados pela CBF não foram suficientes para justificar o fato do insumo ter sido comprado com um fornecedor e efetuado o pagamento a uma pessoa física. Nas referidas aquisições não restou comprovado pela CBF quem foram os efetivos vendedores. As referidas aquisições foram excluídas da base de cálculo dos créditos do Pis e da Cofins e estão relacionadas no Anexo III deste parecer; 59) A contribuinte também buscou valerse de créditos de Pis e da Cofins referente às aquisições de insumos de sucata de ferro, sucata de ferro gusa e sucata de aço, cujo crédito a partir de 01/03/2006 passou a ser vedado pela legislação. Com a vigência do art. 47 da Lei nº 11.196, de 2005, essas aquisições passaram a não gerar mais direito ao crédito do Pis e da Cofins. Essas aquisições foram excluídas da base de cálculo dos créditos do Pis e da Cofins e estão discriminadas no Anexo IV deste parecer; 60) A contribuinte considerou como insumo de “carvão vegetal” com direito a crédito de Pis e Cofins, as despesas de fretes relativas às transferências internas entre estabelecimentos. Esses fretes se referem a deslocamentos entre estabelecimentos da própria CBF, relativos ao envio da matériaprima de uma filial para outra. Notese que aqui não há que se falar em frete vinculado à compra, tampouco de frete relacionado à operação de venda de que trata o art. 3º, IX, da Lei nº 10.833, de 2003; 61) Nessas transferências não há vínculos jurídicos estabelecidos entre a CBF e terceiros (compradores ou vendedores da matériaprima/produto). Os produtos são transportados entre as filiais da CBF com notas de simples remessa emitidas pela própria CBF. Ou seja, não tratam de insumos diretos, serviços aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto, como define o art. 8º, §4º, I, “b”, da IN SRF nº 404, de 2004, nos termos do art. 3º, II, da Lei nº 10.833, de 2003. Tais despesas foram excluídas da base de cálculo dos créditos do Pis e da Cofins e se encontram discriminadas no Anexo V deste parecer; 62) A contribuinte descontou créditos apurados sobre os gastos contabilizados na conta de despesas comerciais 3.3.2.02.0015 Combustíveis e Lubrificantes. No entanto, de acordo com as Leis nºs 10.637, de 2002 e 10.833, de 2003, as aquisições de Fl. 1555DF CARF MF 12 combustíveis somente geram direito ao credito de Pis e da Cofins se aplicados diretamente como insumo no processo produtivo; 63) O conceito de insumo consta no art. 66, § 5°, I, da IN SRF nº 247, de 2002, introduzido pela IN SRF nº 358, de 2003. Desse modo, para haver o direito a credito, não é suficiente que tenham sido adquiridos combustíveis e lubrificantes. É necessário que essa aquisição seja para uso como insumo. Assim, as despesas comerciais com combustíveis, informadas na conta 3.3.2.02.0015 Combustíveis e Lubrificantes, foram afastadas da base de cálculo do crédito da contribuição para o Pis e para a Cofins e as mesmas encontramse discriminadas no Anexo VI deste parecer; 64) A contribuinte pelo fato de efetuar venda de gusa em estado líquido e fazer uso de serviços de escolta, informou despesas de escolta relacionadas à comercialização dos produtos. A análise da legislação mostra que os gastos com armazenagem e frete passaram a dar direito ao desconto de crédito do Pis e da Cofins com o advento da Lei nº 10.833/2003; 65) Notase, que o contribuinte incluiu dentre os serviços de armazenagem e frete, outros serviços correlatos, porém que não encontram previsão legal. É imperativo afirmar que cabe a interpretação literal (restritiva) do dispositivo supra citado. Desta forma, estas despesas foram excluídas da base de cálculo dos créditos de PIS e da COFINS e as mesmas encontramse discriminadas no Anexo VII deste Parecer; 66) A contribuinte informa despesas de serviços de embarque. Nesta conta são registrados os serviços referentes ao embarque, a movimentação do produto acabado no entreposto para embarque nos navios, conforme informado pelo contribuinte. A análise da legislação mostra que os gastos com armazenagem e frete passaram a dar direito ao desconto de crédito do PIS e da COFINS com o advento da Lei nº 10.833, de 2003; 67) Notase, que da mesma forma do item anterior o contribuinte incluiu dentre os serviços de armazenagem e frete, outros serviços correlatos, porém que não encontram previsão legal. É imperativo afirmar que cabe a interpretação literal (restritiva) do dispositivo supra citado. Desta forma, estas despesas foram excluídas da base de cálculo dos créditos do PIS e da COFINS e as mesmas encontramse discriminadas no Anexo VIII deste Parecer; 68) Conforme o inciso II, do art. 16 da Lei nº 11.116/2004, o saldo credor do Pis e da Cofins vinculado a vendas não tributadas no mercado interno, acumulado ao final de cada trimestre calendário, poderá ser utilizado para fins de compensação ou ressarcimento. Neste sentido, o sujeito passivo pode solicitar o ressarcimento do saldo credor por ventura apurado, desde que o faça para cada trimestrecalendário; 69) No presente processo administrativo foi solicitado o ressarcimento/compensação de saldo credor apurado no 1º Trimestre de 2005 ao 4º Trimestre de 2008. Após a análise dos créditos pleiteados, foram efetuadas às glosas dos créditos Fl. 1556DF CARF MF Processo nº 15586.720516/201250 Acórdão n.º 3201004.888 S3C2T1 Fl. 1.551 13 indevidamente apurados pela contribuinte e confeccionados o Demonstrativo de Apuração do PIS Não Cumulativo, constante no anexo IX deste Parecer e o Demonstrativo de Apuração da COFINS Não Cumulativa, constante no anexo XI deste Parecer, onde se encontram detalhados os créditos pleiteados, as glosas efetuadas pela fiscalização e finalmente o crédito reconhecido em cada trimestre; 70) Em virtude de fatos mencionados neste Parecer (aquisições de carvão vegetal de empresas constituídas em nome de pessoa fictícia e interpostas pessoas) configurarem, em tese, crime contra ordem tributária, tipificado nos incisos I, II e IV do artigo 1º e inciso I do artigo 2º ambos da Lei nº 8.137, de 1990, foi formalizada a Representação Fiscal para Fins Penais, mediante processo administrativo protocolizado sob o nº 15586.720517/201202, em cumprimento ao disposto no artigo 1º do Decreto nº 2.730, de 1998 e artigos 1º e 4º da Portaria RFB nº 2.439, de 2010 (com as alterações promovidas pela Portaria RFB nº 3.182, de 2011); 71) As glosas realizadas resultaram no não reconhecimento de parcela dos créditos pleiteados nos Pedidos de Ressarcimento e Declarações de Compensação envolvendo a existência, em tese, de dolo ou indícios veemente dessa circunstância no aproveitamento de crédito integral decorrente de aquisições de empresas constituídas em nome de pessoa fictícia e por interpostas pessoas, o que resultou na aplicação de multa isolada conforme dispositivo legal, referentes ao período de 01/2005 a 12/2008; 72) Os valores e o devido enquadramento legal estão discriminados no Auto de Infração lavrado e no Termo de Verificação Fiscal constantes no Processo Administrativo nº 15586.720516/201250, o qual foi devidamente apensado a este Processo, para fins de julgamento simultâneo, segundo o disposto no art. 66, §6º da IN RFB nº 900, de 2008 e na Portaria RFB nº 666, de 2008. No Relatório de Fiscalização do processo nº 15586.720585/201263, anexo ao Auto de Infração (fls.3/9 e 12/21 do processo apenso), a autoridade lançadora consigna, em resumo, que: 1) A fiscalização elaborou os Demonstrativos de Apuração do Pis e da Cofins, compilados com base no Parecer Sefis nº 081/2012 constante no processo nº 15586.720483/201248. Nestes Demonstrativos foram discriminadas as glosas procedidas na base de cálculo dos créditos a descontar, de tal sorte que não foi possível homologar, em sua totalidade, os Per/Dcomps apresentados pela CBF Indústria de Gusa S/A, por insuficiência de créditos; 2) Nos meses em que restou comprovada a falta/insuficiência de recolhimentos de PIS/COFINS não cumulativos (saldo devedor), resultado da recomposição dos créditos a descontar e que não Fl. 1557DF CARF MF 14 foram atingidos pelo instituto da decadência, procedeuse o devido lançamento de ofício; 3) As diferenças mensais apuradas e lançadas de ofício decorreram na grande maioria das glosas de aquisições de carvão vegetal de empresas constituídas em nome de pessoa fictícia, laranjas e que se encontram em situação irregular com o fisco federal. Importante ressaltar que o insumo carvão vegetal representou 94% (noventa e quatro por cento) do valor das glosas realizadas pela fiscalização; 4) Em consulta aos sistemas informatizados da Receita Federal do Brasil, foi verificado que o contribuinte não efetuou nenhum recolhimento de Pis não cumulativo (código 6912) e Cofins não cumulativa (código 5856), no ano calendário 2007; 5) O aproveitamento integral de créditos de Pis e da Cofins não cumulativos com base em aquisições de carvão vegetal realizadas com empresas constituídas por pessoa física fictícia e interpostas pessoas, demonstra que a apuração dos créditos constituídos pela CBF Indústria de Gusa S/A se deu com dolo ou indícios veemente dessa circunstância, conforme demonstrado no Parecer Sefis nº 081/2012 (constante no processo nº 15586.720483/201248); 6) Sendo assim, sobre o saldo devedor de Pis e Cofins decorrente das glosas realizadas pela fiscalização, cabe ser aplicada a multa qualificada de 150% (cento e cinqüenta por cento), nos termos do §1º do art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996; No Relatório de Fiscalização do processo nº 15586.720516/201250, anexo ao Auto de Infração – Multa Isolada (fls.3/19 e 20/31 do processo apenso), a autoridade lançadora consigna, em resumo, que: 1) Ocorrendo a não homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo, nas hipóteses em que ficar caracterizada a prática das infrações previstas nos arts. 71 a 73 da Lei nº 4.502, de 1964, o lançamento de ofício de que trata o art. 90 da Medida Provisória nº 2.15835/ 2001, limitarseá à imposição de multa isolada sobre o valor total do débito indevidamente compensado; 2) O aproveitamento integral dos créditos de Pis e da Cofins nãocumulativos com base em aquisições de carvão vegetal realizadas com empresas constituídas por pessoa física fictícia e interpostas pessoas, demonstra que a apuração dos créditos constituídos pela CBF se deu com dolo ou indícios veemente dessa circunstância, conforme relatado no Parecer Sefis nº 081/2012 (processo nº 15586.720483/201248). Assim, no caso de compensação não homologada e comprovada a falsidade da declaração, as penalidades aplicáveis estão previstas no caput e parágrafos do art. 18 da Lei nº 10.833, de 2003; 3) Importante ressaltar que o insumo carvão vegetal representou 94% (noventa e quatro por cento) do valor total das glosas realizadas pela fiscalização; 4) Após o reconhecimento do crédito pelo Delegado da Receita Federal do Brasil em VitóriaES, o Serviço de Controle e Arrecadação Tributária (SECAT) desta DRF efetuou a conciliação dos créditos apurados pela fiscalização com os Fl. 1558DF CARF MF Processo nº 15586.720516/201250 Acórdão n.º 3201004.888 S3C2T1 Fl. 1.552 15 débitos, objeto de declarações de compensação – DCOMP’s apresentadas pela CBF Indústria de Gusa S/A, resultando em débitos indevidamente compensados (NÃO HOMOLOGADOS), sobre os quais a fiscalização aplicou a multa isolada de 150% que trata o art. 18 da Lei nº 10.833, de 2003, conforme planilha de débitos indevidamente compensados por declaração de compensação, cujos demonstrativos encontramse no anexo I e II deste termo; 5) No Auto de Infração, a multa isolada calculada sobre as compensações não homologadas é lançada de forma consolidada por data de referência que é o momento da apresentação da compensação indevida, a saber: data da transmissão da DCOMP – que consta no próprio número de identificação do documento; 6) Com relação à decadência dos créditos tributários, o “dies a quo” para lançamento de ofício da multa isolada na hipótese de compensação não homologada ou não declarada é o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que a declaração de compensação tenha sido apresentada, nos termos do art. 173, inciso I, da Lei nº 5.172, de 27 de outubro de 1996 (CTN); 7) O contribuinte apresentou em 02/05/2012 a declaração de compensação retificadora nº 17654.37687.020512.1.7.091211, compensando créditos de Cofins referente ao 3º trimestre de 2008, ou seja, após a vigência da Lei nº 12.249, de 2010. A recomposição dos créditos da Cofins resultou no RECONHECIMENTO PARCIAL dos créditos pleiteados nos Per/Dcomp, referente ao 3º trimestre de 2008, o que gerou a aplicação de multa isolada conforme dispositivo legal; 8) Em conformidade com o art. 62 da Lei nº 12.249, de 2010, foram estabelecidas multas, mediante alteração da redação da Lei nº 9.430, de 1996; 9) Com a edição da referida Lei, as situações sujeitas à aplicação de multa isolada passaram a ser as seguintes: 9.1) Multa de 50% (ou 100%) incidente sobre o valor do crédito não validado quando não for homologada a compensação; 9.2) Multa de 50% (ou 100%) incidente sobre o valor do crédito objeto de pedido de ressarcimento indeferido ou indevido; 10) As multas estabelecidas pela Lei nº 12.249, de 2010, mediante a inclusão dos §§º 15 ao 17 no art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, devem ser aplicadas relativamente às declarações ou aos pedidos de ressarcimentos entregues a partir da data da publicação desta Lei, ou seja, a partir de 14 de junho de 2010, inclusive; 11) Quaisquer declarações de compensação ou pedidos de ressarcimento, retificadores ou não, entregues na vigência da Lei nº 12.249, de 2010, estarão sujeitos à aplicação das multas por ela previstas. A interessada pleiteou, por meio de Dcomp, Fl. 1559DF CARF MF 16 créditos da não cumulatividade da COFINS após o dia em que passou a surtir os efeitos do citado dispositivo legal; 12) Após a recomposição dos créditos a descontar, restou comprovado o NÃO RECONHECIMENTO do valor do crédito pleiteado nesta Dcomp. Neste sentido, foi aplicada multa isolada de 100% (cem por cento) sobre a parcela de crédito não homologada, em virtude da apuração dos créditos da Cofins pleiteados pela CBF terem sido constituídos com evidente intuito de dolo ou indícios veemente dessa circunstância, conforme demonstrado no Parecer Sefis nº 081/2012 (constante no processo nº 15586.720483/201248); 13) Em decorrência dos fatos relatados, foi efetuado o Lançamento de Ofício mediante lavratura do Auto de Infração, resultando no crédito tributário no valor de R$ 14.995.407,63 (quatorze milhões, novecentos e noventa e cinco mil, quatrocentos e sete reais e sessenta e três centavos); 14) Todos os elementos de prova que fundamentaram a emissão do presente Auto de Infração encontramse anexados aos autos do processo administrativo nº 15586.720483/201248. Por essa razão, e tendose em vista o disposto na Portaria RFB nº 666, de 2008, bem como §6º do art. 66 da Instrução Normativa RFB 900, de 2008, foi realizada a apensação deste processo ao processo acima mencionado, para fins de julgamento simultâneo. A contribuinte foi cientificada do Despacho Decisório em 20/06/2012 (fl. 4.432/4.435), e dos Autos de Infração em 12/07/2012, e apresentou, em 19/07/2012, Manifestação de Inconformidade (fl. 4.477/4.550) e as Impugnações aos Autos de Infração em 10/08/2012 (fls. 12.052/12.107 e 22.270/22.302). Na Manifestação de Inconformidade alega, em síntese que: 1) A Fiscalização não deu ao caso o tratamento adequado, deixando de examinar devidamente os fatos e provas (documentos fiscais apresentados pela Impugnante) que demonstram a liquidez e certeza do crédito requerido; 2) A quase totalidade dos créditos requeridos nos PER/DCOMP´s, originalmente apurados no período compreendido entre o 1º trimestre de 2005 e o 4º trimestre de 2008, não podem mais ser glosados. Tais créditos foram obtidos a partir da atividade de apuração do PIS e da COFINS realizada pela impugnante no referido período, atividade esta que se considera tacitamente homologada depois de cinco anos dos respectivos fatos geradores; 3) Como esses fatos geradores aperfeiçoaramse nos respectivos meses de cada ano objeto da fiscalização, o presente despacho decisório não poderia glosar os créditos apurados no período de janeiro de 2005 a junho de 2007, considerando ser o despacho de 14/06/2012 e a ciência do impugnante de 20/06/2012; 4) A contribuinte apresentou à Fiscalização inúmeras notas fiscais de aquisição de carvão vegetal, bem como os comprovantes bancários de pagamento aos respectivos emitentes, o que demonstra que, efetivamente, houve o desembolso para a quitação do aludido insumo adquirido. Fl. 1560DF CARF MF Processo nº 15586.720516/201250 Acórdão n.º 3201004.888 S3C2T1 Fl. 1.553 17 Mesmo diante disso, percebese que 58,00% do crédito pleiteado foi glosado, malgrado tenha sido apresentada a documentação fiscal que lhe deu origem; 5) Portanto, há pontos da atividade fiscalizatória que ficaram sem a devida justificação, mormente se considerado que a atividade fiscal é vinculada e, no caso em tela, ignorouse, por completo, o teor do parágrafo único do art. 82 da Lei n.9.430/96; 6) Estando a atividade fiscal vinculada às determinações da lei, não poderia o Auditor Fiscal ter deixado de analisar os documentos fiscais que lhe foram apresentados, sob o argumento da sua inidoneidade, pois o único requisito exigido pela lei para o creditamento é o de que haja a comprovação da aquisição dos insumos e do seu pagamento, o que foi feito pelo interessado. Desse modo, ao ignorar a existência dos aludidos documentos, a Autoridade Administrativa negou vigência ao parágrafo único do art.82 da Lei nº 9.430/96, o que lhe cabia aplicar incondicionalmente no exercício da sua competência administrativa; 7) Mesmo considerando inidônea a documentação fiscal que lhe foi apresentada, cabia ao Auditor Fiscal, por expressa determinação legal, tão somente verificar se a Impugnante comprovou a aquisição e o pagamento dos insumos, eis que a irregularidade das empresas emitentes das notas fiscais já é uma condição fática considerada pelo parágrafo único do citado art.82, comprovação essa feita à saciedade; 8) Aliado à estranheza desse procedimento fiscal, ainda há outro dado que expõe a ilogicidade da glosa dos créditos do PIS e da COFINS no caso sub examine: a escolha da amostragem, como técnica de inspeção fiscal, impede a não homologação total do direito creditório fiscalizado; 9) Não pode a Administração Tributária se valer de presunções ou de meros indícios, colhidos por meio de análise de amostras, para imputar uma suposta conduta dolosa à Impugnante e, com isso, contaminar todas as demais notas fiscais por elas apresentadas (porém não analisadas) e glosar a totalidade dos créditos correlatos; 10) Ao considerar que uma nota fiscal (colhida por amostragem) emitida por determinada empresa fornecedora de carvão vegetal inidônea, desconsiderou (e glosou) a totalidade dos créditos apurados pela interessada sobre todas as demais notas fiscais emitidas; 11) A constante busca pela verdade material constitui o regime jurídico administrativo. É conseqüência do princípio da legalidade, mas também da própria natureza da atividade estatal administrativa: como esta se desenvolve em um “regime de administração” –que é aquele em que alguém age em nome de outrem, é dizer, para outrem – ela está jungida a atender otimamente os fins dos próprios administrados; Fl. 1561DF CARF MF 18 12) Como a DRFVitória/ ES acabou por não analisar vários dos documentos apresentados pela impugnante, difícil afastar a nulidade de sua investigação, por desrespeito ao princípio em tela, nulidade esta que espalha seus efeitos para o despacho decisório guerreado; 13) A eventual conduta dolosa praticada por terceiros, que venderam o carvão vegetal à Impugnante, não pode ser utilizada para afastar a sua condição de adquirente de boafé, mormente quando a Autoridade Fiscal não apresenta elementos contundentes que comprovam a participação do contribuinte na prática do ato destinado a fraudar o Fisco; 14) Com base em provas indiciárias colhidas nos inquéritos policiais, especialmente escutas telefônicas autorizadas judicialmente, a polícia chegou ao nome de Thiciano da Ross Rosa, que ocupava o cargo de gerente de compras na usina da Impugnante, suspeito de ser um dos “cabeças” do esquema de comércio ilegal de carvão vegetal e sonegação fiscal. Várias são as ligações telefônicas interceptadas pela polícia em que apenas o sr. Thiciano aparece realizando operações com os suspeitos de integrarem a quadrilha, especialmente com a pessoa apontada de ser o seu chefe( de nome Uelinton Spinassé de Jesus), que não pertence aos quadros de empregados da pessoa jurídica; 15) E foi com suporte exclusivamente nessas escutas telefônicas e reportagens jornalísticas que a Fiscalização desconsiderou a condição de adquirente de boafé da Impugnante e glosou a totalidade do crédito apurado sobre as notas fiscais emitidas por 164 empresas que lhe forneciam carvão vegetal. Ou seja, a fiscalização utilizouse, para glosar os créditos da Impugnante, de fatos apurados em investigações policiais preliminares, cabendo salientar que, em relação a tais investigações, ainda não há sequer denúncia oferecida por parte do Ministério Público; 16) Os elementos indiciários que embasaram a desconsideração da Impugnante como adquirente de boafé não têm esse condão, inexistindo sequer indícios de que a interessada, ou seus diretores, tivessem conhecimento da operação ilegal de venda de carvão vegetal por meio de notas fiscais “frias”; 17) Com efeito, inquérito policial é um procedimento de instrução provisória e preparatória, destinado a reunir os elementos necessários à apuração da prática de uma infração penal e da sua autoria (art. 4º do Código de Processo Penal); 18) Ainda que fosse legítima a utilização de trechos de inquéritos policiais como elemento de prova para a glosa dos créditos de PIS e COFINS, no caso concreto o inquérito utilizado pela fiscalização não se presta a tal fim. É que retrata fatos e escutas telefônicas ocorridas em 2010/2011 e os créditos glosados referemse ao período de 2005 a 2008; 19) Com efeito, a operação policial “Ouro Negro” foi deflagrada em 2011, ou seja, os elementos colhidos por meio dos inquéritos policiais instaurados são bastante posteriores ao período no qual foram apurados os créditos do PIS e da COFINS(2005 a 2008), objeto de glosa da Fiscalização; Fl. 1562DF CARF MF Processo nº 15586.720516/201250 Acórdão n.º 3201004.888 S3C2T1 Fl. 1.554 19 20) Quando da apuração dos créditos pela interessada, as empresas fornecedoras de carvão mencionadas no Parecer Sefis possuíam inscrição vigente, eficaz e válida no CNPJ/SINTEGRA. E ainda que já tivessem sido declaradas inaptas naquela época, os efeitos da inidoneidade dos documentos fiscais emitidos para a Impugnante, como já dito, estariam elididos pela comprovação do pagamento e recebimento das respectivas mercadorias; 21) Em verdade, a Administração Federal, até a presente data, não cuidou de declarar a inaptidão dos fornecedores da Impugnante. E, se não o fez, não pode exigir a glosa dos créditos relativos às aquisições destes fornecedores, ao argumento de que seriam inidôneos. Com efeito, nos termos do parágrafo único do art.3º da Portaria MF nº 187/93, a glosa apenas pode se legitimar após a respectiva declaração de inidoneidade pelo Poder Público; 22) Não pode a Fiscalização Federal exigir que a Impugnante, para a apuração dos seus créditos do PIS e da COFINS, tenha conhecimento ( o que seria, na prática, impossível) das irregularidades contábil e fiscal do fornecedor; 23) É inquestionável ter ocorrido a efetiva aquisição do carvão vegetal das pessoas jurídicas fornecedoras, o que se comprova não apenas pelas notas fiscais de compra, mas também por meio do registro contábil dos referidos documentos nos livros fiscais pertinentes (Livro de Registro de Entradas do ICMS, Livro Razão etc.) e pelos comprovantes de pagamento aos fornecedores, documentos estes já entregues à fiscalização e solenemente ignorados por esta; 24) Nunca é demais relembrar que, nos termos das Leis nº 10.637/02 e nº 10.833/03, o crédito é calculado sobre o valor da aquisição de insumos. Isto é, ocorrendo a aquisição é desimportante, para fins de tomada do crédito, a regularidade fiscal, contábil e cadastral do fornecedor; 25) Corroborando o exposto e sepultando definitivamente qualquer entendimento em contrário, a própria Lei nº 9.430/96, em seu artigo 82, parágrafo único, preceitua que a declaração de inaptidão de determinada pessoa jurídica fornecedora de bens e serviços não se aplicará aos adquirentes, para fins de desconsideração da idoneidade dos documentos fiscais emitidos, quando estes comprovarem a efetivação do pagamento respectivo preço e o recebimento dos bens, direitos e mercadorias ou utilização dos serviços; 26) Os pagamentos realizados pela Impugnante a pessoas físicas em nada desvirtuam o fato de que as aquisições se deram de pessoas jurídicas produtoras de carvão vegetal. Os documentos fiscais comprovam cabalmente que a Impugnante adquiriu o carvão vegetal, utilizado como insumo em sua produção, de pessoas jurídicas. Observese que todos os registros de entrada do carvão foram feitos em nome das citadas pessoas jurídicas, não existindo qualquer recibo de venda emitido pelas pessoas físicas referidas no Parecer da Fiscalização; Fl. 1563DF CARF MF 20 27) Os comprovantes de pagamento em nome de pessoas físicas não são suficientes para deturpar a natureza da aquisição e a origem dos créditos tributários. O pagamento é apenas um dos elementos da compra; 28) As notas fiscais dos fornecedores, aliadas aos registros contábeis, demonstram, com clareza meridiana, que a relação de compra e venda se aperfeiçoou plenamente. O pagamento realizado em nome de pessoas físicas não desnatura essa relação; 29) Não pode o Fisco simplesmente desconsiderar tais pagamentos, porque, embora atípicos, são perfeitamente válidos, e viciam a relação principal. Tratase de dois negócios jurídicos distintos: (a) aquisição de carvão vegetal de pessoa jurídica e (b) cessão do crédito da pessoa jurídica a pessoas físicas. É certo que a obrigação foi adimplida em relação à pessoa jurídica vendedora; 30) Foram glosados ainda os créditos apurados pela Impugnante sobre a aquisição (a) de combustível, (b) serviço de escolta, (c) transporte de insumos entre os estabelecimentos da Impugnante, (d) serviço de movimentação de produto acabado/embarque e (e) aquisição de desperdícios, resíduos ou aparas, que constituem insumos extremamente necessários à consecução das atividades da empresa, quais sejam, a produção e a exportação do ferro gusa; 31) As já citadas Leis nº 10.637/02 e nº 10.833/03, em seu art.3º, incisos II e IX, atribuem aos contribuintes o direito de se creditarem por todas e quaisquer despesas relativas aos custos de armazenamento e transporte de mercadoria contratados junto a terceiros; 32) É inegável que o legislador federal pretendeu, para fins de plena efetividade da não cumulatividade prevista constitucionalmente para o PIS e para a COFINS, que todo o ônus envolvido na aquisição de combustível e dos serviços de frete, armazenamento, escolta e movimentação/embarque das mercadorias, desde que a cargo do vendedor, fossem hábeis à concessão do crédito. Não se poderia esperar menos porque, ao fim e ao cabo, essa despesa é parte do próprio custo da mercadoria a ser vendida; 33) O Despacho Decisório não reconheceu o direito ao crédito previsto na legislação em tela, porque as despesas com escolta, combustível e movimentação do produto acabado/embarque foram lançadas contabilmente na conta de despesas comerciais com frete e armazenagem, tendo o Auditor Fiscal entendido que inexiste previsão legal para tal; 34) As referidas despesas nada mais são do que despesas com frete realizado por conta própria do vendedor, sem a contratação de um serviço de terceiro. Nesse sentido, ainda que sejam despesas incorridas na etapa de comercialização, todo e qualquer custo que essa logística demande deve ser entendido como passível de gerar créditos; Fl. 1564DF CARF MF Processo nº 15586.720516/201250 Acórdão n.º 3201004.888 S3C2T1 Fl. 1.555 21 35) Ainda que sob uma denominação diferente, meramente contábil, as despesas incorridas pela Impugnante com combustível, escolta, movimentação e embarque se traduzem em despesa de frete, cujo crédito encontrase expressamente autorizado pelas Leis nº 10.637/02 e nº 10.833/03; 36) Tomandose as despesas com escolta, frisese que se trata de despesa obrigatória. Diante da alta periculosidade, o ferrogusa em estado líquido só pode ser transportado com escolta especializada. De forma alguma, tal gasto é um preciosismo da contribuinte, senão despesa inarredável para o transporte do produto fabricado, que constitui a sua atividadefim; 37) Com relação ao transporte de insumos entre estabelecimentos da contribuinte, é evidente que se trata de custo de produção do produto final, e desta forma, gera o direito ao creditamento; 38) No tocante aos desperdícios, resíduos ou aparas industriais, a própria RFB entende que são mercadorias e, portanto, as receitas decorrentes da sua venda compõem o faturamento da empresa e, conseqüentemente, a base de cálculo do PIS e da COFINS. De igual modo, sua aquisição deve ensejar, para os adquirentes, o direito ao crédito das referidas contribuições; 39) Assim, restando comprovado que todas as despesas com (a) combustível; (b) transporte de insumos entre estabelecimento da contribuinte; (c) serviço de escolta; (d) serviço de movimentação de produto acabado/embarque e (e) aquisição de desperdícios, resíduos ou aparas são necessárias ao exercício da atividade da Impugnante, as glosas dos créditos relativos a essas despesas devem ser anuladas; 40) Solicita Perícia e/ou Diligência Fiscal para o exame de toda a documentação relativa à apuração do crédito no período de 2005 a 2008; 41) Por todo o exposto, requer: 41.1) Preliminarmente, o reconhecimento da decadência do direito do Fisco Federal de glosar os créditos de PIS e COFINS apurados no período de janeiro de 2005 a maio de 2007, visto o disposto no art.150 e § 4º, do CTN; 41.2) nulidade do Despacho Decisório face a falta de análise da documentação apresentada; 41.3) No mérito, reconhecimento do crédito relativamente às despesas/insumos sob pena de violação ao princípio da verdade material. Na Impugnação apresentada contra o lançamento de multa isolada formalizado em auto de infração (processo nº 15586.720516/201250, em apenso), a empresa alega, em síntese, que: 1) Diante da suposta conduta dolosa da Impugnante, o Auditor Fiscal aplicou sobre os débitos indevidamente compensados(nãohomologados) a multa qualificada de 150% ou, ainda, a multa qualificada de 100% (esta sobre os créditos Fl. 1565DF CARF MF 22 nãohomologados, objeto de PER/DCOMP´s posteriores à publicação da Lei nº 12.249/10); 2) A Fiscalização, contudo, não deu ao caso o tratamento adequado, deixando de examinar devidamente os fatos e provas (documentos fiscais apresentados pela Impugnante) que demonstram a liquidez e a certeza do crédito requerido e, conseqüentemente, a impossibilidade de não homologação dos PER/DCOMP´s apresentados e aplicação da multa isolada; 3) Como se vê do relatório fiscal que embasa este Auto de Infração, quase todos os PER/DCOMP´s não homologados ou homologados parcialmente sofreram a incidência da multa isolada de 150%, com base no art.18 da Lei nº 10.833/2003; 4) O lançamento da multa isolada em questão só tem cabimento quando a não homologação dos pedidos de compensação decorrer da comprovada falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo, ou seja, da prática concreta e demonstrada de um ilícito, doloso, por parte do contribuinte; 5) No caso, contudo, vale reafirmar que a idoneidade das notas fiscais que ensejaram a apuração do crédito pela Impugnante não pode ser utilizada como fundamento para lhe imputar a prática de uma conduta dolosa, pois o parágrafo único do art.82 da Lei nº 9.430/96 mantém a sua condição de adquirente de boa fé e, por via de conseqüência, o seu direito ao creditamento, uma vez comprovado o pagamento do preço respectivo; 6) Uma vez comprovada a aquisição e recebimento do carvão vegetal, bem como o respectivo pagamento feito aos fornecedores, impossível aplicar à Impugnante a multa isolada prevista no art.18 da Lei nº 10.833/03, não só em razão do fato de que os créditos apurados devem ser mantidos, deferindose as compensações requeridas (o que é objeto de discussão no processo nº 15586.720483/201248), mas também pelo fato de que o citado dispositivo legal somente prevê a aplicação da multa isolada nas hipóteses em que restar comprovada a falsidade da declaração prestada pelo contribuinte; 7) Além disso, a multa de 150% aplicada sobre os PER/DCOMP´s não homologados (ou homologados parcialmente), transmitidos antes da vigência da Lei nº 12.249/10, deve ser reduzida ao patamar de 100%, em razão do princípio da retroatividade da lei benigna, previsto no art.106, inciso II, alínea “c” do CTN; 8) Conforme narrado no relatório fiscal, em 14 de junho de 2010 foi publicada a Lei nº 12.249, que acrescentou os parágrafos 15, 16 e 17 do artigo 74 da Lei nº 9.430/96, instituindo a aplicação de multa isolada sobre o valor do crédito objeto de declaração de compensação nãohomologada, independentemente da existência de dolo por parte do contribuinte. Assim, ao contrário do previsto no art.18 da Lei nº 10.833/03 – que determina a aplicação da multa isolada somente nas hipóteses de comprovada falsidade da declaração de compensação – a atual redação do art.74 da Lei nº 9.430/96 (em seus parágrafos 15 a 17) prevê aplicação de multa isolada em qualquer hipótese de não homologação das declarações de compensação Fl. 1566DF CARF MF Processo nº 15586.720516/201250 Acórdão n.º 3201004.888 S3C2T1 Fl. 1.556 23 apresentadas. Apenas o percentual da multa é que poderá variar, dependendo da existência de conduta dolosa ou não por parte do contribuinte: inexistindo falsidade da declaração, a multa será de 50% sobre o valor do crédito, existindo falsidade, ela será aplicada no percentual de 100%; 9) Uma vez que ambos os diplomas regulam a mesma situação fática, qual seja, a aplicação de multa isolada quando a declaração de compensação não for homologada e houver dolo do contribuinte na sua apresentação, resta claro que, se mantida a multa qualificada aplicada contra a Impugnante, o que se admite para argumentar, deve ser ela reduzida ao patamar de 100% por ser mais benéfico à Impugnante; 10) Sobre o crédito nãohomologado objeto do PER/DCOMP mº 17654.37687.020512.1.7.091211, correspondente a R$ 21.417,47, foi aplicada pela Fiscalização a multa isolada de 100%, que atingiu o idêntico valor de R$ 21.417,47. Contudo, ao analisar os anexos do presente Auto de Infração, percebese que o Auditor Fiscal, equivocadamente, fez incidir sobre o referido crédito não homologado a multa isolada de 150%. Com isso, a multa lançada atingiu o montante de R$ 32.126,21 e não os R$ 21.417,47 apontados no relatório fiscal que embasa o Auto de Infração. Se mantida a multa qualificada (100%), deve ser retificado o valor da penalidade aplicada sobre o referido PER/DCOMP; 11) Ademais, verificase nos Anexos I e II que o valor da multa aplicada em relação aos créditos do PIS (R$ 2.631.063,89) e da COFINS (R$ 12.342.926,09) totaliza a importância de R$ 14.973.989,98, ao passo que o crédito tributário informado no relatório fiscal e lançado neste Auto de Infração soma o montante de R$ 14.995.407,63, ou seja, exatamente R$ 21.417,65 a mais do que o informado nas planilhas que compõem os citados anexos; 12) Concluise, portanto, que além de ter aplicado equivocadamente a multa de 150% sobre o crédito de COFINS constante no PER/DCOMP nº 17654.37687.020512.1.7.091211, o Auditor Fiscal lançou a penalidade em duplicidade: uma no valor de R$ 32.126,21 (150%) e outra no valor de R$ 21.417,65 (100%). Flagrante, portanto, o erro cometido, que deverá ser sanado na hipótese de manutenção da multa qualificada objeto desta autuação. Na Impugnação apresentada contra o lançamento pela falta de recolhimento das contribuições formalizado mediante auto de infração (processo nº 15586.720585/201263, em apenso), a empresa alega, em síntese, que: 1) O presente lançamento, nos períodos de apuração 05/2007 e 06/2007, é resultante do Despacho Decisório proferido nos autos do processo nº 15586.720483/201248, com homologação parcial de Declarações de Compensação, diante glosa de créditos; 2) Na sistemática do lançamento por homologação, se transcorridos cinco anos do fato gerador sem a prática do ato Fl. 1567DF CARF MF 24 homologatório pela autoridade fiscal, dáse a homologação tácita, que é, ressaltese mais uma vez, da atividade perpetrada pelo contribuinte. Ou seja, passado o qüinqüênio legal, as operações praticadas pelo sujeito passivo (para quitação da obrigação tributária) não podem ser mais fiscalizadas/questionadas, eis que verdadeiramente petrificadas pela consumação da homologação tácita; 3) Por isso, independentemente da data em que foram transmitidos os PER/DCOMP´s pela Impugnante e das datas em que foram apurados os créditos de PIS e COFINS glosados pela Fiscalização, o crédito tributário lançado neste Auto de Infração encontrase extinto pela decadência. Como os fatos geradores das contribuições lançadas aperfeiçoaramse nos respectivos meses de cada ano objeto da fiscalização, ou seja, em maio de 2007 e junho de 2007, o presente lançamento, efetivado em 12/07/2012, somente poderia abranger eventuais créditos tributários de PIS e COFINS do período de julho de 2007 em diante; 4) Não bastasse a indevida glosa dos créditos a que fazia jus, que deu ensejo à apuração de um suposto saldo devedor de PIS e COFINS a ser quitado pela Impugnante, o Auditor Fiscal aplicou sobre o crédito tributário lançado a multa qualificada de 150%, por presumir que os créditos de PIS e COFINS informados nos PER/DCOMP´s não homologados foram constituídos “com dolo ou indícios veemente dessa circunstância...”; 5) A multa qualificada deve ser reduzida ao patamar de 75%, nos termos do art.44, I, da Lei nº 9.430/96, diante da comprovação de que a Impugnante não incorreu nas hipóteses previstas nos artigos 71 a 73 da Lei nº 4.502,64 e, portanto, não agiu de forma dolosa; 6) Inobstante a vasta argumentação tecida anteriormente, o artigo 82, parágrafo único da Lei nº 9.430/96, que mantém a condição de adquirente de boafé do contribuinte que, embora tenha apurado créditos sobre notas fiscais comprovadamente inidôneas, comprova a aquisição/recebimento das mercadorias e o seu efetivo pagamento aos fornecedores. A 17ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro I julgou improcedente a manifestação de inconformidade e as impugnações apresentadas, proferindo o Acórdão DRJ/RJI n.º 1258.313, de 08/08/2013 (fls. 32547 e ss.), assim ementado: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2008 GLOSA DE CRÉDITOS. DECADÊNCIA. Não há como confundir a proibição de constituição do crédito tributário, presente no CTN, que trata da decadência, com proibição de apuração dos créditos provenientes da não Fl. 1568DF CARF MF Processo nº 15586.720516/201250 Acórdão n.º 3201004.888 S3C2T1 Fl. 1.557 25 cumulatividade do PIS e da COFINS, com o objetivo de verificar a correção do valor solicitado em ressarcimento. Não encontra respaldo nas normas que regem a matéria a impossibilidade de glosa de créditos indevidos com vistas a apuração dos saldos solicitados em ressarcimento ou declaração de compensação. AMOSTRAGEM Ao realizar os trabalhos de fiscalização a ele atribuídos, o Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil pode valerse de qualquer método de fiscalização não vedado por norma legal ou administrativa, inclusive da auditoria por amostragem. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. NÃO CUMULATIVIDADE. INSUMOS. Os serviços caracterizados como insumos são aqueles diretamente aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto. Despesas e custos indiretos, embora necessários à realização das atividades da empresa, não podem ser considerados insumos para fins de apuração dos créditos no regime da não cumulatividade. USO DE INTERPOSTA PESSOA. INEXISTÊNCIA DE FINALIDADE COMERCIAL. DANO AO ERÁRIO. COMPROVADO. Negócios efetuados com pessoas jurídicas, artificialmente criadas e intencionalmente interpostas na cadeia produtiva sem qualquer finalidade comercial, visando reduzir a carga tributária no contexto da não cumulatividade do PIS/Cofins, além de simular negócios inexistentes para dissimular negócios de fato existentes, constituem dano ao Erário e fraude contra a Fazenda Pública, rejeitandose peremptoriamente qualquer eufemismo de planejamento tributário. FRAUDE. DISSIMULAÇÃO. DESCONSIDERAÇÃO. NEGÓCIO ILÍCITO. Comprovada a existência de simulação/dissimulação por meio de interposta pessoa, com o fim exclusivo de afastar o pagamento da contribuição devida, é de se glosar os créditos decorrentes dos expedientes ilícitos, desconsiderandose os negócios fraudulentos. MULTA DE OFÍCIO.QUALIFICAÇÃO.FRAUDE. A multa de ofício qualificada deve ser aplicada quando ocorre prática reiterada, consistente de ato destinado a iludir a Administração Fiscal quanto aos efeitos do fato gerador da obrigação tributária, mormente em situação fraudulenta, planejada e executada mediante ajuste doloso. DECADÊNCIA.LANÇAMENTO. Comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, o interregno decadencial deve ser computado na forma Fl. 1569DF CARF MF 26 determinada pelo art. 173, I, do CTN, isto é, contase o prazo de 5(cinco) anos do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. MULTA ISOLADA SOBRE O VALOR DE DÉBITOS INDEVIDAMENTE COMPENSADOS. Aplicase a multa isolada de 150% sobre o valor do débito indevidamente compensado quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo. MULTA ISOLADA SOBRE O VALOR DE CRÉDITO OBJETO DE PEDIDO RESSARCIMENTO INDEFERIDO OU INDEVIDO. Aplicase a multa isolada de 100% sobre o valor do crédito objeto de Ressarcimento quando se comprove falsidade no pedido apresentado pelo sujeito passivo. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Irresignada, a contribuinte apresentou, no prazo legal, recurso voluntário de fls. 32797 e ss., por meio do qual alega, em síntese, os mesmos argumentos já declinados em sua primeira peça de defesa. O processo foi distribuído a este Conselheiro Relator, na forma regimental. É o relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator. Presentes os demais requisitos de admissibilidade, entendemos que o recurso deve ser conhecido. A Recorrente apresentou inúmeros pedidos eletrônicos de ressarcimento/compensação, por meio dos quais requer créditos de PIS/Cofins não cumulativos associados a operações de exportação, com origem no período que vai do 1º trimestre de 2005 até o 4º trimestre de 2008. Em face do deferimento parcial, a fiscalização lavrou autos de infração para exigência de multa isolada e das contribuições não recolhidas, formalizados, respectivamente, nos processos de nº 15586.720483/201250, o ora em julgamento, e 15586.720585/201263. Como os fatos dos decorrem os autos de infração são exatamente os mesmos apreciados no processo administrativo nº 15586.720483/201248, passamos a reproduzir, no presente, os votos vencido e vencedor neste proferidos, para, somente ao depois, enfrentarmos os argumentos que lhe são particulares: Em síntese, foram glosados créditos sobre a aquisição de carvão vegetal, combustíveis e lubrificantes, resíduos ou aparas (sucatas), serviços de escolta, transporte de insumos entre os Fl. 1570DF CARF MF Processo nº 15586.720516/201250 Acórdão n.º 3201004.888 S3C2T1 Fl. 1.558 27 estabelecimentos e no embarque e movimentação do produto acabado e embarque nos portos. Antes de ingressar nas razões de defesa, cabe pontuar que parte significativa dos créditos glosados tem origem na aquisição de carvão vegetal (95% das glosas), utilizado na produção de ferro gusa, o produto elaborado pela Recorrente. O fundamento adotado pela fiscalização para efetuar as glosas de carvão vegetal devese à apuração de práticas criminosas por algumas siderúrgicas, entre as quais a Recorrente, e podem ser resumidas nos seguintes parágrafos extraídos do PARECER SEFIS Nº 081/2012, acostado às fls. 3772: "20. Durante o procedimento fiscal, tomamos conhecimento através da imprensa, da operação “Ouro Negro” deflagrada em 2011 pelo Núcleo de Repressão às Organizações Criminosas e a Corrupção – NUROC/ES, no combate ao bilionário esquema de sonegação fiscal envolvendo a comercialização ilegal de carvão vegetal, no norte do estado do Espírito Santo e sul da Bahia, sendo usadas várias empresas laranjas para emissão de notas fiscais “frias”, tendo como beneficiárias as Siderúrgicas, grandes adquirentes do carvão vegetal. (...) As investigações apontam que, as madeiras eram furtadas de áreas de preservação ambiental e de empresas que fazem plantio de eucalipto no Norte do ES e/ou Sul da Bahia. Quinze pessoas presas e um rombo que ultrapassa R$100 milhões aos cofres da Receita Federal. O saldo é decorrente uma organização criminosa que roubava madeira em alguns municípios do Norte do Estado e Sul da Bahia, e sonegava impostos. As prisões ocorreram nesta terçafeira (5), através da "Operação Ouro Negro" deflagrada pelo Núcleo de Repressão ás Organizações Criminosas e a Corrupção (Nuroc). Entre os presos estão empresários, contadores e "laranjas" do município de João Neiva e também da Bahia. Jordano Gasperazzo, delegado do Nuroc, informou que a quadrilha movimentava cerca de R$ 1,6 milhões por mês. Além desses, outras 18 pessoas são alvos de investigação por suposto envolvimento com a quadrilha. Foram apreendidos celulares, computadores, notas fiscais e seis carros de luxo, sendo um com placa de Linhares e cinco de João Neiva. As investigações apontam que, as madeiras eram furtadas de áreas de preservação ambiental e de empresas que fazem plantio de eucalipto no Norte do ES e/ou Sul da Bahia. Após o furto a carga era direcionada as empresas constituídas por "laranjas", pessoas que emprestavam seus nomes a troco de dinheiro ou droga, conforme o delegado. Fl. 1571DF CARF MF 28 As madeiras após transformadas em carvão eram "vendidas" com "notas frias" a empresa Jayr Souza Oliveira ME, que repassava as siderúrgicas localizadas no Estado, na Bahia e Minas Gerais, sem gerar dívida proveniente da arrecadação de ICMS. A sonegação fiscal acontece no momento que a empresa capixaba, por exemplo, a Jayr Souza Oliveira ME, vende o carvão pelo mesmo valor de compra da primeira operação. Deste modo, a empresa zera o seu crédito junto a Receita Federal, e não acumula nenhum débito, uma vez que, o produto é vendido pelo valor comprado. Entenda o esquema passo a passo 1º Pessoas de baixa renda, usuários de droga e pessoas criadas a partir de documentos falsos, no Sul da Bahia, eram convencidas a entrarem no esquema, abrindo empresas "laranjas". Como recompensa elas recebiam dinheiro ou drogas. O pagamento variava de R$ 500 a R$ 50, dependendo da situação financeira de cada um, explicou Gasperazzo. 2º As empresas situadas na Bahia emitiam notas fiscais de venda de carvão vegetal ou insumo para empresas capixabas. Estas, por sua vez, emitiam notas fiscais de venda de carvão para usinas da Bahia, Minas Gerais e ES. Sendo a Jayr Souza Oliveira ME, a empresa "cabeça" em solo capixaba. Nomes e participação na quadrilha, segundo o Nuroc: (...) 22. Dentre as matérias publicadas pela imprensa, destacamos a que diz respeito do envolvimento da empresa CBF Indústria de Gusa S/A, no esquema de sonegação fiscal envolvendo comercialização ilegal de carvão vegetal, através do seu Diretor, senhor Ricardo Carvalho Nascimento e do seu Gerente de Compras, senhor Thiciano da Ross Rosa cujas reportagens transcrevemos abaixo. 11/11/2011 às 15h46 Atualizado em 11/11/2011 às 16h54 Diretor de siderúrgica capixaba é preso acusado de participação na máfia do carvão do Norte do ES Folha Vitória Redação Folha Vitória O diretor de uma siderúrgica foi preso acusado de participação na máfia do carvão, na última quartafeira (11), pelo Núcleo de Repressão às Organizações Criminosas e à Corrupção (Nuroc). Ricardo Carvalho Nascimento, de 33 anos, atua na siderúrgica CBF, localizada em João Neiva, e seria responsável pela compra de R$ 107.608.00,00 em carvão vegetal de 16 empresas capixabas e da Bahia, com indícios de irregularidades. De acordo com as investigações do Nuroc, as empresas que forneciam milhões de reais em carvão vegetal para a siderúrgica CBF, possuíam somente existência jurídica, ou seja, em documentos, tendo endereços falsos, sócios que não existem ou não são encontrados. Além disso, as empresas foram constituídas com uso de documentos falsos. Fl. 1572DF CARF MF Processo nº 15586.720516/201250 Acórdão n.º 3201004.888 S3C2T1 Fl. 1.559 29 Ainda segundo as investigações, elas forneciam grandes quantidades de carvão e não possuíam autorização para produzir ou comercializar o vegetal. Outra irregularidade constatada é que as empresas forneciam carvão vegetal em quantidade absurdamente acima de sua capacidade, tendo em vista os poucos fornos de carvão vegetal que possuía registrados. A polícia ainda identificou que pequenos e médios produtores de carvão vegetal capixabas e baianos eram forçados a vender a produção na ilegalidade, com notas fiscais de determinadas empresas que faziam parte do esquema de acobertamento para a siderúrgica CBF. As investigações apontam para um esquema que funcionava no Espírito Santo a cerca de dez anos e trazia retornos financeiros milionários para poucos empresários do ramo da siderurgia. Tudo isso, à custa do trabalho de regime familiar de centenas de pessoas de baixa renda que produzem carvão vegetal em fornos artesanais no norte do ES e sul da Bahia. Outras duas siderúrgicas capixabas estão sob investigação, também pela compra de milhões de reais em carvão vegetal produzido na ilegalidade e sem procedência da madeira usada. Novos mandados de prisão podem ser expedidos nos próximos dias em desfavor dos responsáveis pelas empresas. (...) TV Vitória denunciou máfia do carvão com exclusividade A máfia do carvão no Norte capixaba e Sul da Bahia foi denunciada pela TV Vitória com exclusividade. A matéria mostrou como funcionava uma das maiores organizações criminosas do Estado, abordando exploração infantil, trabalho escravo, trafico de drogas em um universo quase infinito de crimes. Só em sonegação fiscal a polícia calcula que em dez anos o prejuízo aos cofres públicos federal e estadual pode superar R$ 1 bilhão. A operação, intitulada Ouro Negro, identificou ao todo 5.824 crimes cometidos pela máfia do carvão. Entre eles, formação de quadrilha, crime ambiental, lavagem de dinheiro, homicídios, entre outros. Com tantos delitos a polícia ainda não em como calcular uma pena para os suspeitos. Seis policiais civis da Bahia também podem estar envolvidos no esquema. "Infelizmente existem indícios claros da conivência de servidores policiais nesse esquema", completou o delegado. A operação continua em andamento. Ao todo 357 pessoas foram presas em dez meses de trabalho. De acordo com o Nuroc, as investigações revelaram o maior esquema de sonegação fiscal e comercialização de produtos de procedência ilícita descoberto no Espírito Santo. (...) Fl. 1573DF CARF MF 30 Na terceira fase da Operação Ouro Negro, comandada pelo Núcleo de Repressão às Organizações Criminosas e à Corrupção (Nuroc) do Espírito Santo, foram presas, 18 pessoas acusadas de causarem um rombo de mais de R$ 1 bilhão aos cofres públicos estaduais e federais. As prisões começaram acontecer no último dia 11 de outubro, nos municípios de Vila Velha, Serra e Cariacica, na região metropolitana de Vitória (ES), João Neiva, Conceição da Barra, São Mateus e Pedro Canário, no norte do Espírito Santo, Belo Horizonte (MG), além de outras prisões cumpridas no extremo sul da Bahia, na cidade de Mucuri, no distrito de Posto a Mata no município de Nova Viçosa e em Teixeiras de Freitas. Essa á a terceira fase da Operação Ouro Negro, comandada pelo delegado Jordano Bruno Leite, titular do Núcleo de Repressão às Organizações Criminosas e à Corrupção (Nuroc), da Secretaria Estadual de Segurança Pública do Espírito Santo, que tem por objeto combater as máfias do carvão e da madeira instaladas no extremo norte do Espírito Santo e no extremo sul da Bahia. A primeira fase da operação começou com a identificação das quadrilhas que furtavam madeira de eucalipto de empresas privadas para serem usadas em carvoarias e cerrarias, causando prejuízos mensais acima de R$ 2 milhões, e movimentado uma complexa rede criminosa envolvida com homicídios, assaltos e tráfico de drogas. Nesta fase foram presas e indiciadas mais de 140 pessoas por diversos crimes como furto qualificado, homicídios, pose de arma de fogo, receptação, roubo de veículos, crimes ambientais, dentre outros. A segunda fase da operação foi dirigida às carvoarias clandestinas e atravessadores de carvão vegetal produzido clandestinamente para siderúrgicas. Foi feito mapeamento de quarenta e cinco carvoarias no extremo norte do Espírito Santo e no extremo sul da Bahia, que agiam na ilegalidade, comprando madeira furtada, isso quando os próprios carvoeiros furtavam a madeira. Nesta fase, foram presos e indiciados mais de noventa pessoas por crimes de receptação qualificada, furto qualificado, formação de quadrilha, sonegação fiscal. Crimes ambientais etc.. Apenas uma das quadrilhas movimentava mais de R$ 20 milhões por ano em carvão vegetal produzido de forma clandestina. No desenrolar da operação, 17 veículos foram judicialmente resgatados, 24 pessoas físicas e jurídicas tiveram contas bancárias bloqueadas. (...) Como o esquema funcionava Segundo o delegado Jordano Bruno Leite, titular do Nuroc, o esquema funcionava da seguinte forma: As empresas baianas emitiam notas fiscais de venda de carvão vegetal ou insumos para sua produção para as empresas capixabas, e estas emitiam notas fiscais de venda de carvão vegetal para usinas da Bahia, Minas Gerais e Espírito Santo. O Fl. 1574DF CARF MF Processo nº 15586.720516/201250 Acórdão n.º 3201004.888 S3C2T1 Fl. 1.560 31 esquema de emissão de notas “frias” teria duas finalidades: a primeira, a de acobertar a venda do carvão vegetal produzido com madeira furtada de empresas que plantam eucalipto no extremo norte capixaba e no extremo sul baiano; a segunda seria a acumulação de créditos tributários para as grandes siderúrgicas adquirentes de carvão vegetal. “Laranjas” – No momento em que as empresas “laranjas” emitiam notas fiscais de venda de carvão vegetal para empresas capixabas, as empresas baianas passavam a ser responsáveis pelo recolhimento do ICMS das operações de venda, o que acabava não se consumando e gerando prejuízos aos cofres públicos e evasão tributária. Além disso, a empresa capixaba que comprava o carvão dessas empresas fantasmas acumulava créditos tributários. Em seguida, a empresa capixaba vendia neste momento carvão para usina da Bahia, e, pelo mesmo valor de compra da primeira operação, a empresa capixaba zerava o seu crédito com a Receita Estadual, sem acumular nenhum débito, pois o carvão era vendido pelo mesmo valor da primeira operação. Esquema sonegou mais de R$ 1 bi em 10 anos É o maior caso de rombo fiscal já descoberto no Estado. Com esta dinâmica, a usina que adquiria o carvão vegetal da empresa capixaba ficava com o crédito tributário gerado na primeira operação de venda do carvão – da empresa “laranja” baiana para a empresa “laranja” capixaba. Passado algum tempo, a quadrilha abandonava as empresas baianas com enormes dívidas fiscais, e, em seguida, destruíam qualquer vestígio que pudesse ligar as empresas aos seus integrantes. Com este esquema, foram acumulados milhões de reais em créditos fiscais para as grandes usinas compradoras de carvão vegetal. De Acordo com as investigações do Nuroc, Receita Federal e Secretaria de Estado da Fazenda, a principal empresa envolvida no esquema de sonegação era Jayr Souza Oliveira ME, que teria recebido milhões de reais em notas fiscais de entrada das empresas “laranjas” constituídas na Bahia e no Espírito Santo. Cerca de 60 caminhões pertencentes à quadrilha circulavam todos os dias entre o Espírito Santo, Bahia e Minas Gerais transportando carvão ilegal com notas fiscais “frias” em nome da empresa Jayr. Quatro mil viagens de caminhões Foram identificadas pelo menos quatro mil viagens de caminhões carregados de carvão vegetal com notas da empresa Jayr, com toda movimentação sendo feita sem qualquer recolhimento de impostos. A estimativa prevista de lucro anual era da ordem de R$ 20 milhões por ano, e o esquema funcionou pelo menos dois anos. Foram financiados veículos de alto valor comercial em nome da empresa e também foram realizados empréstimos bancários. Assim, e empresa Jayr Souza Oliveira Me acumulou dívidas superiores a R$ 200 mil junto a instituições financeiras. A empresa havia sido constituída Fl. 1575DF CARF MF 32 com documento de identidade falso e devem aos cofres públicos estaduais cerca de R$ 10 milhões. As seguintes empresas foram usadas como “laranjas” para abastecer a empresa Jayr com créditos tributários e esta os repassava para as siderúrgicas: R. Pereira Thomaz, G. Santos Matos Carvão Vegetal. Cid Ferreira Machado Me, Forno e Carvão Comércio e Indústria de Carvão Ltda, Brazilian Trade Export Ltda, New Star –Indústria, Comércio, Exportação e Transportes Ltda., e Rosana Gomes Nascimento. Segundo levantamentos preliminares, essas empresas devem mais de R$ 100 milhões em impostos para a Receita Federal e ao Fisco do Estado do Espírito Santo. Os valores teriam sido repassados através de notas fiscais “frias” para as siderúrgicas. (...) Até agora, cinco siderúrgicas – uma baiana, uma mineira e três capixabas – aparecem como as maiores beneficiárias do esquema criminoso e seus representantes foram denunciados por centenas de crimes fiscais e de receptação. Um representante de siderúrgica capixaba já respondia a ação penal por receptação do carvão produzido com madeira de procedência ilícita. Principais investigados que tiveram mandados de prisão preventiva decretados: Thiciano Rosa – diretor de compra de carvão vegetal da CBF INDÚSTRIA DE GUSA S/A; Paulo José Gava, conhecido como Barão do Carvão; José Benso Maciel, responsável por carvoarias pertencentes à quadrilha; Sérgio Antônio Ferreira, era sócio e parceiro de Paulo Gava; Liliane Ferraz de Oliveira Barcellos, responsável por adquirir carvão vegetal clandestino na Bahia para a quadrilha; Elberton Ferreira Alves, investigado por fornecer carvão e crédito tributário para empresas do Espírito Santo; Adaiton Figueiredo de Melo, parceiro de Paula Gava, em uma das empresas que pertencia ao esquema. (...) ENVOLVIMENTO DA CBF INDÚSTRIA DE GUSA S/A NO ESQUEMA DE COMPRA ILEGAL DE CARVÃO VEGETAL 297. O senhor Marcelo Meirelles Muniz, nos autos da operação “Ouro Negro”, declarou em depoimento ao NUROC/ES, que cedeu sua fotografia e assinatura para se passar pela pessoa fictícia de Jayr Souza Oliveira. Declarou ainda que o senhor Uelinton era encarregado de fazer a movimentação financeira da empresa Jayr Souza Oliveira – Me. 298. No Inquérito Policial nº 016/2011, inúmeras conversas telefônicas foram monitoradas, entre as quais, destacamos àquelas que pontuaram evidências do envolvimento da CBF Indústria de Gusa S/A, no esquema de compra ilegal de carvão vegetal, através do seu Gerente de Compras senhor Thiciano da Ross Rosa. Chamamos atenção para conversas realizadas com o responsável pela movimentação financeira da empresa JAYR – ME, senhor Uelinton Spinassé de Jesus. Fl. 1576DF CARF MF Processo nº 15586.720516/201250 Acórdão n.º 3201004.888 S3C2T1 Fl. 1.561 33 299. Abaixo transcrevemos trechos das conversas telefônicas monitoradas pelo NUROC/ES, autorizadas judicialmente, envolvendo o senhor Thiciano da Ross Rosa. (...) 300. De acordo com o teor dos diálogos acima ficou evidenciado que o senhor Ricardo Carvalho Nascimento (Diretor da CBF) e o senhor Thiciano da Ross Rosa (Gerente de Compras da CBF), tinham conhecimento do esquema ilícito referente à compra de carvão vegetal adquirido pela CBF. 301. Nos Inquéritos Policiai ficou também evidenciado que Thiciano da Ross Rosa e Uelinton Spinassé de Jesus (responsável pela movimentação financeira da empresa JAYR ME)se uniram para que o carvão de origem duvidosa fosse adquirido pela CBF. (...) 302. Por tudo que consta nos Inquéritos Policiais instaurados pelo NUROC/ES, a Autoridade Policial decidiu pelo indiciamento dos senhores Ricardo Carvalho Nascimento (Diretor da CBF), Thiciano da Ross Rosa (Gerente de Compras da CBF) e Fabrício Baptista (exfuncionário da CBF que trabalhava no setor de compras de carvão vegetal, desligado da empresa em junho de 2009) pela prática, em tese, de diversos crimes, dentre eles, crime contra a ordem tributária, tipificado no art. 1º, incisos I, II e art. 2º , inciso I , ambos da Lei nº 8.137, de 1990 (na forma continuada). 303. Não restam dúvidas de que a CBF Indústria de Gusa S/A (adquirente de carvão vegetal) tinha conhecimento e se beneficiou do esquema ilícito de aquisição de carvão vegetal realizado com empresa constituída por pessoa fictícia, nos moldes da JAYRME e constituídas por interpostas pessoas, que praticamente não recolheram nada aos cofres públicos, portanto, a CBF não pode ser considerada adquirente de boa fé.” Diante desse quadro, a fiscalização intimou a Recorrente a apresentar, para o período de 1º trimestre de 2005 até 4º trimestre de 2008, as notas fiscais de aquisição de carvão vegetal (a intimação, segundo se registrou, foi feita por amostragem em face da grande quantidade de notas), acompanhadas dos respectivos comprovantes pagamentos. Constatouse que a Recorrente adquiriu, de empresa constituída por sócio inexistente de fato (nome de pessoa física fictícia), de empresas constituídas por interpostas pessoas e de empresas que se encontram em “situação irregular” no cadastro da Receita Federal (inapta, inativa, sem nenhum recolhimento de tributos ou com recolhimentos irrisórios; a partir da fl. 3812, passa a descrever as irregularidades de cada umas dessas empresas, Fl. 1577DF CARF MF 34 acompanhada de farto conjunto probatório das irregularidades constatadas). Ao final, após informar do indiciamento, pela autoridade policial competente, dos senhores Ricardo Carvalho Nascimento (Diretor da Recorrente), Thiciano da Ross Rosa (Gerente de Compras da Recorrente) e Fabrício Baptista (exfuncionário da Recorrente), pela prática, em tese, de diversos crimes, registra que, da base de cálculo dos créditos do PIS/Cofins, foram excluídas as aquisições realizadas à empresa cujo sócio inexistia de fato, as realizadas a empresas constituídas por interpostas pessoas e, também, as realizadas àquelas que se encontravam em situação irregular perante o cadastro da RFB. Também foram glosados: a) as aquisições de carvão vegetal realizadas a pessoas físicas (o que seria vedado pela legislação do PIS/Cofins não cumulativo); b) as aquisições realizadas a pessoas jurídicas, com emissão de nota fiscal, mas tendo como beneficiários dos pagamentos pessoas físicas; c) as aquisições de insumos de sucata de ferro, sucata de ferro gusa e sucata de aço, cujo crédito, a partir de 01/03/2006, passou a ser vedado pela legislação; d) os gastos com fretes nas transferências internas entre estabelecimentos da própria Recorrente (esta considerou como insumo de carvão vegetal); e) os gastos contabilizados na conta de despesas comerciais 3.3.2.02.0015 Combustíveis e Lubrificantes (segundo a fiscalização, só se fosse insumo da produção); f) gastos com serviços de escolta; e, finalmente, g) os serviços referentes ao embarque, à movimentação do produto acabado no entreposto para embarque nos navios. O primeiro argumento de defesa direcionase a atacar a higidez do procedimento, ao fundamento de que a fiscalização, ao efetuar a análise dos documentos por amostragem (algumas das notas emitidas pelas "empresas" fornecedoras, mas não de todas as por esta emitidas), terseia desconsiderado, de conseguinte, a totalidade dos créditos apurados pela interessada sobre todas as demais notas fiscais emitidas. Também sustenta que a fiscalização baseouse em prova emprestada, frágil e que não admite o exercício do contraditório e da ampla defesa. Ora, nada há de equivocado no procedimento. Não há norma que obrigue a fiscalização a proceder à análise de toda a documentação contábil e/ou fiscal de um contribuinte, quando parte dela já indica, pela irregularidade que contém, que a infração se estende a todo o resto. É o que ocorre com as notas fiscais requeridas, emitidas pelas mesmas "empresas" (assim, mais uma vez, entre aspas) cujas ilegalidades pululam nos autos, uma das quais, sublinhese, "dirigida" por um fantasma, uma pessoa física de existência apenas espectral. A propósito, amostragem sequer meio de prova é, mas um método, uma forma de conhecer a totalidade de algo, mediante a análise de parcela dele (conhecer a população pela análise dos indivíduos). Prova, por seu turno, é coisa diferente: é o meio se demonstra a verdade de um fato. No caso em exame: os Fl. 1578DF CARF MF Processo nº 15586.720516/201250 Acórdão n.º 3201004.888 S3C2T1 Fl. 1.562 35 depoimentos, as diligências, a documentação apreendida, as fotos etc. Repisese também aqui, por necessário, o que a respeito se disse no acórdão recorrido: a Recorrente não impugnou "um item sequer, dentre os glosados, que demonstrasse que o resultado, mesmo que realizado por amostragem, tenha sido marcado pela incerteza. Mais ainda, não demonstrou ou apontou valores que deixaram de ser considerados pela autoridade fiscal, que tenham causado prejuízo no cálculo do direito creditório pleiteado. Frisese, tendo permanecido apenas no campo da argumentação, a contribuinte pôs por terra a argüição de invalidade da decisão e do trabalho fiscal, ainda mais que, a partir da ciência do Despacho Decisório, teve a oportunidade de se manifestar e indicar possíveis mal feitos da fiscalização que teriam invalidado o trabalho de auditoria". A utilização de prova emprestada de outro processo administrativo, policial ou judicial, ademais, nada há de ilegal, quando ao contribuinte é oferecido, na esfera administrativa, a possibilidade de contraditar as provas coletadas e oferecer as suas razões de defesa. É o que ocorre no caso em exame. Também não há que se aventar da aplicação do disposto no art. 82 da Lei nº 9.430, de 19961. Obviamente, o legislador teve o claro desiderato de não prejudicar o adquirente de boafé, de modo que ao contribuinte assim enquadrado não se possa vir a exigir o conhecimento da situação fiscal de todas as pessoas jurídicas com as quais se relacionar comercialmente, como se lhe fosse possível a onisciência própria das divindades. Não é o caso, porém, da Recorrente, conforme acima demonstrado, tanto que foram indiciados, pela autoridade policial, um de seus diretores, o seu gerente de compras responsável pela aquisição de carvão vegetal e um de seus exfuncionários, todos, segundo se afirma, envolvidos nos ilícitos. Aplicálo, portanto, seria premiar a mais deslavada ilicitude. Entende a Recorrente que as provas carreadas aos autos somente podem servir de comprovação dos ilícitos a partir do início de sua coleta pela autoridade policial, como se não se pudesse olhar para o passado das "empresas" envolvidas. Nada mais equivocado. A depender de sua natureza, as irregularidades constatadas podem, sim, servir para exigência dos tributos não recolhidos ou para a glosa, como no caso, de créditos de PIS/Cofins não cumulativos, antes mesmo do início da investigação policial, da autoridade fazendária ou — 1 Art. 82. Além das demais hipóteses de inidoneidade de documentos previstos na legislação, não produzirá efeitos tributários em favor de terceiros interessados, o documento emitido por pessoa jurídica cuja inscrição no Cadastro Geral de Contribuintes tenha sido considerada ou declarada inapta. Parágrafo único. O disposto neste artigo não se aplica aos casos em que o adquirente de bens, direitos e mercadorias ou o tomador de serviços comprovarem a efetivação do pagamento do preço respectivo e o recebimento dos bens, direitos e mercadorias ou utilização dos serviços. Fl. 1579DF CARF MF 36 destaquese aqui porque especialmente contestado no recurso — da declaração de inidoneidade da pessoa jurídica, uma vez que podem ser, no caso em exame, de tal importância, que não contaminem apenas operações isoladas ou a partir de determinada data, mas todas as que com aquelas foram realizadas. Os pagamentos realizados a pessoas físicas, não obstante acobertadas por notas fiscais emitidas pelas "empresas" envolvidas, também não podem ensejar o creditamento pretendido, especialmente porque, como destacado no Parecer, foram insuficientes as justificativas para o fato do insumo ter sido comprado de um fornecedor e o respectivo pagamento ter sido efetuado a uma pessoa física. Não se paga a quem não se deve, sob pena de se pagar duas vezes. Se o pagamento foi realizado a uma pessoa física, é porque cabia a esta o valor pago. E se cabia a esta o valor pago, não cabe à Recorrente, por expressa vedação legal, o crédito de PIS/Cofins correspondente. As demais glosas que resta examinar são as seguintes: a) os gastos com fretes nas transferências de matériaprima entre estabelecimentos da própria Recorrente; b) os gastos contabilizados na conta de despesas comerciais 3.3.2.02.0015 Combustíveis e Lubrificantes; c) gastos com serviços de escolta; e, finalmente, d) os serviços referentes ao embarque, à movimentação do produto acabado no entreposto para embarque nos navios. Correta, ainda, a glosa de créditos com gastos com fretes nas transferências de matériaprima entre estabelecimentos da própria Recorrente (segundo a fiscalização, foram considerados como insumo carvão vegetal), uma vez que, no nosso entender, não podem compor a base de cálculo dos créditos de PIS/Cofins reclamados. Aqui não se trata de transporte de produtos em elaboração, para que seja submetido a posterior processo de industrialização por outro estabelecimento da mesma pessoa jurídica, mas da própria matériaprima. Todavia, como este não é o entendimento dos demais integrantes da Turma, passamos a adotálo, por economia processual e apreço ao princípio da colegialidade. Confiramse, a respeito, ementas de acórdãos proferidos por esta Turma e pela 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais CSRF, que o reproduz: GASTOS COM FRETE. TRANSFERÊNCIA DE INSUMOS ENTRE ESTABELECIMENTOS INDUSTRIAIS DO CONTRIBUINTE. APROPRIAÇÃO DE CRÉDITO.POSSIBILIDADE. Os fretes e dispêndios para transferência de insumos entre estabelecimentos industriais do próprio contribuinte são componentes do custo de produção e essenciais ao contexto produtivo. Portanto, geram direito de crédito de Pis e Cofins, no regime não cumulativo, conforme artigo 3º das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003, e Resp 1.221.170/PR. (Acórdão nº 3201004.053, de 24/07/2018). Fl. 1580DF CARF MF Processo nº 15586.720516/201250 Acórdão n.º 3201004.888 S3C2T1 Fl. 1.563 37 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/10/2008 a 31/12/2008 DESPESAS. FRETES. TRANSFERÊNCIA/TRANSPORTE. PRODUTOS INACABADOS E INSUMOS. ESTABELECIMENTOS PRÓPRIOS, CRÉDITOS. POSSIBILIDADE. As despesas com fretes para a transferência/transporte de produtos em elaboração (inacabados) e de insumos entre estabelecimentos do contribuinte integram o custo de produção dos produtos fabricados/vendidos e, consequentemente, geram créditos da contribuição, passíveis de desconto do valor apurado sobre o faturamento mensal. (Acórdão nº 9303007.283, de 15/08/2018). Contudo, somente se pode admitir a concessão do crédito no caso em que não tenha havido a glosa do crédito de PIS/Cofins correspondente à aquisição da matériaprima transportada, já que a esta umbilicalmente interrelacionada. A razão é evidente e dispensa maiores comentários. Já os gastos contabilizados na conta de despesas comerciais (3.3.2.02.0015 Combustíveis e Lubrificantes) e aqueles despendidos com serviços de escolta, porque não aplicados na produção, não podem ser considerados insumos. É intuitivo, tratandose de pessoa jurídica que se dedica à produção de ferrogusa, nem por hipótese os gastos assim realizados podem se apresentar com a natureza de insumo, admitindose, por hipótese, no segundo caso, se a Recorrente, por exemplo, se dedicasse ao transporte de valores2. Não é a sua atividade, porém. Pelo mesmo motivo, concordamos com a glosa de créditos oriundo dos gastos com os serviços decorrentes do embarque e da movimentação do produto acabado no entreposto para os navios, em comunhão, aliás, com o entendimento esposado pela a 3ª CSRF: PIS. SERVIÇOS DE CAPATAZIA E ESTIVAS. CRÉDITOS DA NÃO CUMULATIVIDADE. IMPOSSIBILIDADE. Os serviços de capatazia e estivas por não serem utilizados no processo produtivo, não geram créditos de PIS no regime não cumulativo, por absoluta falta de previsão legal. 2 O art. 3º das Leis nº 10.637, de 2002, e 10.833, de 2003, delimitaram o conceito de insumos àqueles bens e serviços utilizados na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, é dizer, aqueles insumos efetivamente empregados no produto final do processo de industrialização ou no serviço prestado ao tomador. Fl. 1581DF CARF MF 38 (Acórdão nº 9303004.383, de 08/11/2016) Por fim, há ainda que se enfrentar o fato da impossibilidade de gerar créditos as aquisições de insumos de sucata de ferro, sucata de ferro gusa e sucata de aço. Com efeito, conforme lembrado no aqui mencionado, tal creditamento passou a ser vedado a partir de 01/03/2006 (art. 47 da Lei nº 11.196, de 20053), de modo que não cabe às instâncias administrativas afastar a sua aplicação ao fundamento de sua incompatibilidade com o Texto Constitucional4. Ante o exposto, DOU PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário, apenas para conferir o direito ao crédito sobre as despesas com fretes para o transporte de matériaprima entre os estabelecimentos da Recorrente, desde que não glosado o crédito correspondente à aquisição do insumo transportado. Voto vencedor Conselheiro Marcelo Giovani Vieira, Redator Designado O presidente incumbiume de redigir o acórdão na parte pertinente aos gastos de capatazia e estiva. Os gastos com logística, na operação de aquisição de insumos, geram direito a crédito por comporem o conceito contábil de custo de aquisição de mercadoria5. Os gastos logísticos para movimentação de insumos, internamente ou entre estabelecimentos da mesma empresa, inseremse no contexto de produção do bem, porque inerentes e relevantes ao respectivo processo produtivo. Desse modo, devem gerar direito de crédito, na esteira do Resp 1.221.170/PR, que tramitou sob o regime dos recursos repetitivos (art. 543C do CPC), e que vincula o Carf (art. 62, §2º, do Anexo II do Regimento Interno). No caso dos gastos logísticos na venda, entendo que estão abrangidos pela expressão “armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda”, conforme consta no inciso IX do artigo 3º das Leis 10.833/2003 e 10.637/2002. Entendo que são termos cuja semântica abrange a movimentação das cargas na operação de venda. 3 Lei nº 11.196, de 2005 Art. 47. Fica vedada a utilização do crédito de que tratam o inciso II do caput do art. 3o da Lei no 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e o inciso II do caput do art. 3o da Lei no 10.833, de 29 de dezembro de 2003, nas aquisições de desperdícios, resíduos ou aparas de plástico, de papel ou cartão, de vidro, de ferro ou aço, de cobre, de níquel, de alumínio, de chumbo, de zinco e de estanho, classificados respectivamente nas posições 39.15, 47.07, 70.01, 72.04, 74.04, 75.03, 76.02, 78.02, 79.02 e 80.02 da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados – TIPI, e demais desperdícios e resíduos metálicos do Capítulo 81 da Tipi. 4 Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. 5 11. O custo de aquisição dos estoques compreende o preço de compra, os impostos de importação e outros tributos (exceto os recuperáveis perante o fisco), bem como os custos de transporte, seguro, manuseio e outros diretamente atribuíveis à aquisição de produtos acabados, materiais e serviços. Descontos comerciais, abatimentos e outros itens semelhantes devem ser deduzidos na determinação do custo de aquisição. (Redação dada pela Resolução CFC nº. 1.273/10) Fl. 1582DF CARF MF Processo nº 15586.720516/201250 Acórdão n.º 3201004.888 S3C2T1 Fl. 1.564 39 Assim, tais dispêndios logísticos estão inseridos no direito de crédito, respeitados os demais requisitos da Lei, como, por exemplo, que o serviço seja feito por pessoas jurídicas tributadas pelo Pis e Cofins. (assinatura digital) Marcelo Giovani Vieira, Redator Designado. As matérias que resta apreciar, porque particulares ao presente litígio, são as seguintes: a) aplicação do princípio da retroatividade benigna, b) redução da multa de 150% (art. 18 da Lei nº 10.833, de 2003) para o percentual de 100% (art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, com redação dada pela Lei 12.249, de 2010) e c) erro de cálculo no lançamento da multa isolada. Uma das penalidades aplicadas nos autos é a prevista no art. 18, § 2º, da Lei nº 10.833, de 2003, cuja redação é a seguinte: Art. 18. O lançamento de ofício de que trata o art. 90 da Medida Provisória no 2.15835, de 24 de agosto de 2001, limitarseá à imposição de multa isolada em razão de nãohomologação da compensação quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) (...) § 2º A multa isolada a que se refere o caput deste artigo será aplicada no percentual previsto no inciso I do caput do art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, aplicado em dobro, e terá como base de cálculo o valor total do débito indevidamente compensado. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) (g.n.) É, justo, a hipótese tratada nos autos, uma vez que, conforme consignado no Parecer já aqui referido e em parte reproduzido, afigurase doloso o aproveitamento integral dos créditos de PIS e da Cofins não cumulativos com base em aquisições de carvão vegetal realizadas com empresas constituídas por pessoa física fictícia e interpostas pessoas, ensejando, assim, no caso de compensação não homologada e de comprovada falsidade da declaração, as penalidades aplicáveis previstas no caput e parágrafos do art. 18 da Lei nº 10.833, de 2003 (multa no percentual de 150%). Contudo, os §§ 15 e 16 do art. 62 da Lei 12.249, de 2010, foram revogados pela Medida Provisória MP nº 668, de 2015, convertida na Lei nº 13.137, de 2015, de sorte que a penalidade cominada com tal fundamento deve ser cancelada (nesse contexto, desnecessário apreciar alegação de eventual erro na sua aplicação). Pelo exposto, voto por DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário, para: a) cancelar a multa aplicada com fundamento no art. 62 da Lei 12.249, de 2010; e b) aplicar aqui o que foi decidido no julgamento do processo administrativo nº 15586.720483/201248. É como voto. Fl. 1583DF CARF MF 40 (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 1584DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13811.001165/2001-95
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 27 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Apr 10 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/2001 a 31/03/2001
PEDIDO DE RESSARCIMENTO. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. LEI 9.363/96. MATÉRIA-PRIMA. AQUISIÇÃO DE PESSOAS FÍSICAS E COOPERATIVAS. RECURSO REPETITIVO DO STJ. SÚMULA 494/STJ. RICARF. POSSIBILIDADE.
No âmbito da lei nº 9.363/96, é possível apurar crédito presumido de IPI como ressarcimento de PIS/Cofins nas aquisições de pessoas físicas ou de pessoas jurídicas não contribuintes dessa contribuições. Inteligência do recurso repetitivo do STJ (Recurso Especial nº 993.164/MG), aplicado ao caso, nos termos do Regimento Interno do CARF.
CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. MATÉRIAS-PRIMAS E PRODUTOS INTERMEDIÁRIOS. APROVEITAMENTO. INTERPRETAÇÃO DA DECISÃO PROFERIDA NO RESP. 1.075.508/SC.
Conforme definido no artigo 3° da Lei nº 9.363/96, os conceitos de matéria-prima, produto intermediário e material de embalagem aplicáveis na apuração do crédito presumido previsto nessa Lei nº 9.363/96 são os mesmos daqueles definidos na legislação do IPI. O aproveitamento do crédito de IPI relativo aos insumos que não integram o produto pressupõe o consumo, ou seja, o desgaste de forma imediata (direta) e integral do produto intermediário durante o processo de industrialização e que o produto não esteja compreendido no ativo permanente da empresa.
A decisão proferida no Resp 1.075.508/SC, submetido à sistemática de que trata o artigo 543-C do CPC, acolhe a tese do contato físico e do desgaste direto em contraposição ao desgaste indireto, a qual deve ser acolhida nos julgamentos do CARF em conformidade com o seu Regimento Interno.
CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO PELA SELIC.
É legítima a incidência de correção monetária desde a data do protocolo do pedido de ressarcimento contra o qual houve a oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito de IPI, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco (Aplicação analógica do precedente da Primeira Seção submetido ao rito do artigo 543-C, do CPC: REsp 1035847/RS, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 24.06.2009, DJe 03.08.2009).
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 3402-006.328
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário da seguinte forma: (i) por unanimidade de votos, para reverter as exclusões/glosas/ajustes da base de cálculo do crédito presumido relativas à matéria-prima adquirida de pessoas físicas e cooperativas; e (ii) por maioria de votos, para estabelecer a incidência da Taxa Selic a partir da data do protocolo do pedido de ressarcimento. Vencidos os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra (relator) e Marcos Antônio Borges (suplente convocado) quanto ao momento da incidência da taxa Selic. Designada a Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator.
(assinado digitalmente)
Thais De Laurentiis Galkowicz - Redatora designada.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Cynthia Elena de Campos,Thais De Laurentiis Galkowicz e Marcos Antônio Borges (Suplente convocado). Ausente o Conselheiro Rodrigo Mineiro Fernandes substituído pelo Conselheiro Marcos Antônio Borges.
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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(INCORP. POR CARGILL AGRÍCOLA S.A) Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2001 a 31/03/2001 PEDIDO DE RESSARCIMENTO. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. LEI 9.363/96. MATÉRIAPRIMA. AQUISIÇÃO DE PESSOAS FÍSICAS E COOPERATIVAS. RECURSO REPETITIVO DO STJ. SÚMULA 494/STJ. RICARF. POSSIBILIDADE. No âmbito da lei nº 9.363/96, é possível apurar crédito presumido de IPI como ressarcimento de PIS/Cofins nas aquisições de pessoas físicas ou de pessoas jurídicas não contribuintes dessa contribuições. Inteligência do recurso repetitivo do STJ (Recurso Especial nº 993.164/MG), aplicado ao caso, nos termos do Regimento Interno do CARF. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. MATÉRIASPRIMAS E PRODUTOS INTERMEDIÁRIOS. APROVEITAMENTO. INTERPRETAÇÃO DA DECISÃO PROFERIDA NO RESP. 1.075.508/SC. Conforme definido no artigo 3° da Lei nº 9.363/96, os conceitos de matéria prima, produto intermediário e material de embalagem aplicáveis na apuração do crédito presumido previsto nessa Lei nº 9.363/96 são os mesmos daqueles definidos na legislação do IPI. O aproveitamento do crédito de IPI relativo aos insumos que não integram o produto pressupõe o consumo, ou seja, o desgaste de forma imediata (direta) e integral do produto intermediário durante o processo de industrialização e que o produto não esteja compreendido no ativo permanente da empresa. A decisão proferida no Resp 1.075.508/SC, submetido à sistemática de que trata o artigo 543C do CPC, acolhe a tese do contato físico e do desgaste direto em contraposição ao desgaste indireto, a qual deve ser acolhida nos julgamentos do CARF em conformidade com o seu Regimento Interno. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO PELA SELIC. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 81 1. 00 11 65 /2 00 1- 95 Fl. 496DF CARF MF 2 É legítima a incidência de correção monetária desde a data do protocolo do pedido de ressarcimento contra o qual houve a oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito de IPI, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco (Aplicação analógica do precedente da Primeira Seção submetido ao rito do artigo 543 C, do CPC: REsp 1035847/RS, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 24.06.2009, DJe 03.08.2009). Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário da seguinte forma: (i) por unanimidade de votos, para reverter as exclusões/glosas/ajustes da base de cálculo do crédito presumido relativas à matériaprima adquirida de pessoas físicas e cooperativas; e (ii) por maioria de votos, para estabelecer a incidência da Taxa Selic a partir da data do protocolo do pedido de ressarcimento. Vencidos os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra (relator) e Marcos Antônio Borges (suplente convocado) quanto ao momento da incidência da taxa Selic. Designada a Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente e Relator. (assinado digitalmente) Thais De Laurentiis Galkowicz Redatora designada. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Cynthia Elena de Campos,Thais De Laurentiis Galkowicz e Marcos Antônio Borges (Suplente convocado). Ausente o Conselheiro Rodrigo Mineiro Fernandes substituído pelo Conselheiro Marcos Antônio Borges. Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra decisão da 3ª Turma da Delegacia de Julgamento em Porto Alegre (RS), que julgou procedente em parte a Manifestação de Inconformidade da Recorrente, conforme ementa abaixo: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2001 a 31/03/2001 PEDIDO DE DILIGÊNCIA. Indeferese a realização de diligência considerada prescindível ao deslinde do processo. CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI. BASE DE CÁLCULO. Fl. 497DF CARF MF Processo nº 13811.001165/200195 Acórdão n.º 3402006.328 S3C4T2 Fl. 497 3 1. O valor das matériasprimas adquiridas de pessoas físicas e cooperativas, sem a incidência da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, não se computa no cálculo do crédito presumido. 2. Também não se incluem no cálculo do benefício os gastos com energia elétrica, combustíveis e água, ainda que consumidos pelo estabelecimento industrial, que não revestem a condição de matériaprima (MP), produto intermediário (PI) ou material de embalagem (ME), únicos insumos admitidos pela lei. 3. Integra a base de cálculo do crédito presumido correspondente ao primeiro trimestre do ano em que houver exportação para o exterior o valor de MP, PI e ME utilizados na produção de produtos não acabados e dos produtos acabados mas não vendidos existentes em estoque no último trimestre do ano anterior. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. JUROS SELIC. DESCABIMENTO. Por falta de previsão legal, é incabível o abono de atualização monetária e de juros Selic, aos ressarcimentos do crédito presumido do IPI. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte Versa o processo sobre Manifestação de Inconformidade apresentada contra Despacho Decisório que excluiu do cálculo do crédito presumido, apurado pela Lei n° 9363/96 e Portaria MF n° 38/97. Por bem narrar os fatos e com a devida clareza, valhome dos principais trechos reproduzidos do relatório da decisão recorrida, nos seguintes termos (fls. 423/424): O pedido de ressarcimento foi protocolizado em 27/06/2001 e a compensação vinculada foi declarada através da Declaração de Compensação (DCOMP) nº 34806.23174.150805.1.3.011619, transmitida em 15/08/2005. No Despacho Decisório de fl. 371, a Delegacia da Receita Federal do Brasil da Administração Tributária em São Paulo DERAT, deferiu parcialmente o pedido de ressarcimento de crédito presumido de IPI relativo ao 1º trimestre de 2001 no valor de R$ 426.598,84 e homologou compensações até o limite do crédito apurado no valor de R$ 101.037,97. A análise da legitimidade do crédito está pormenorizada no relatório que acompanha o Despacho Decisório (fl. 365 e seguintes). Não concordando com a decisão, a Recorrente apresentou Manifestação de Inconformidade (fls. 374 a 390), na qual aponta inicialmente que haveria erro na apuração da base de cálculo do benefício, na qual foram incluídas apenas as aquisições de pessoas jurídicas, e, ainda assim, parcialmente. Na sequência, procura demonstrar que a base de cálculo que entende correta (R$ 18.020.071,65), representando o somatório do valor considerado pela fiscalização (R$ Fl. 498DF CARF MF 4 4.267.975,53) aos das glosas de aquisições de cooperativas, de pessoas físicas, combustíveis e lubrificantes, energia elétrica, água, além de aquisições de matéria prima, embalagens e produtos químicos consideradas a menor, bem como o valor de estoque do período anterior, que também não foi computado pela fiscalização. Em conseqüência, solicita a baixa do processo em diligência, para que a fiscalização ajuste a base de cálculo de R$ 8.356.031,10 para R$ 11.534.861,92, para fins de apuração do valor real do crédito. Quanto ao mérito, prossegue atacando a exclusão das aquisições de pessoas físicas e cooperativas com fundamento no art. 2º, § 2º, da Instrução Normativa SRF (à época) nº 23, de 1997, alegando que esse ato, assim como os que o seguiram, estaria limitando o alcance da Lei nº 9.363, de 1996, cujo art. 2º contém determinação genérica, no sentido que a totalidade dos insumos seja computada no cálculo do crédito presumido de IPI, desde que consumidos em processo de industrialização de produtos exportados, sem vedar o creditamento em questão. Cita precedentes do Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda, atual CARF, e dos tribunais judiciais superiores que vão ao encontro de seu entendimento e prossegue argumentando que embora pessoas físicas e cooperados não sejam obrigados ao recolhimento de PIS e Cofins, são contribuintes de fato em relação aos insumos que vendem, os quais sofreram a incidência em cascata destas, legitimando também o direito ao crédito presumido. E desde a edição da Medida Provisória 905/95, sucessivamente reeditada até a conversão na Lei 9.363/96, não haveria mais qualquer ato normativo exigindo a comprovação de pagamento das aludidas contribuições, a exemplo do que ocorria com a revogada Medida Provisória 674/94, art. 5º. Com respeito às glosa de aquisições de energia elétrica, água e combustíveis, alega que se trata de produtos intermediários, conforme a legislação do IPI, e que embora não integrando o produto final, são utilizados no processo de industrialização. Cita precedentes judiciais no sentido de reconhecer o direito ao crédito presumido, nesses casos. Por fim, protesta pela aplicação da Taxa Selic na correção do crédito a ser ressarcido, a fim de recompor seu valor inicial, bem como por medida de isonomia, tendo em vista que os débitos para com a União sofrem esse acréscimo. No entanto, o julgador de 1ª instância acolheu parcialmente as razões de defesa da Recorrente, sob os seguintes fundamentos principais: a) que os valores referentes às aquisições de insumos de pessoa não contribuintes do PIS/PASEP e da COFINS não integram o cálculo do crédito presumido por falta de previsão legal; b) os conceitos de produção, matérias primas, produtos intermediários e material de embalagem são os admitidos na legislação aplicável ao IPI, não abrangendo as despesas com energia elétrica e combustível; c) que integra a base de cálculo do crédito presumido correspondente ao primeiro do ano em que houver exportação para o exterior o valor de MP, PI e ME utilizados na produção de produtos não acabados e dos produtos acabados mas não vendidos existentes em estoque no último trimestre do ano anterior; e d) inexiste previsão legal para abonar atualização monetária ou acréscimo de juros equivalentes à taxa SELIC a valores objeto de ressarcimento de crédito de IPI. Fl. 499DF CARF MF Processo nº 13811.001165/200195 Acórdão n.º 3402006.328 S3C4T2 Fl. 498 5 Cientificada dessa decisão em 14/08/2013 (fl. 431), a Recorrente apresentou Recurso Voluntário em 16/08/2013 (fl. 432), mediante o qual repisou as alegações da Manifestação de Inconformidade e acrescentou outras, sob os seguintes tópicos (fls. 432/461): i) considerando o posicionamento unânime que predomina em âmbito dos Tribunais Administrativos e Judiciais, os fundamentos expostos no recurso e por força do artigo 62A do Regimento Interno do CARF, o qual determina a aplicação das decisões proferidas pelo Superior Tribunal de Justiça, em sede de recurso representativo de controvérsia, forçoso reconhecer que deve ser provido, reconhecendose o direito da Recorrente de incluir, no cálculo do crédito presumido, o custo das matérias primas adquiridas de pessoas físicas e sociedades cooperativas; ii) os créditos referentes aos gastos com energia elétrica, água, combustíveis, telefonia e lenha foram glosados pela fiscalização, em função do entendimento de que não se constituem em MP, PI ou ME, e de que não se integram ao produto final, nem são consumidos, no processo de fabricação, em decorrência de ação direta nele exercida. Tal entendimento, contudo, não pode ser aplicado, já que, na condição de produtos intermediários, legitimam o creditamento pretendido; iii) já que os débitos dos contribuintes para com a União são acrescidos da taxa Selic, é a presente para requerer seja reconhecido o direito da Recorrente ao ressarcimento de seus créditos presumidos de IPI com o acréscimo de juros Selic, desde a data de seu protocolo do pedido. Alega também por questão de isonomia, já que os débitos dos contribuintes para com a União são acrescidos da Taxa Selic, é o presente para requerer seja reconhecido o direito da Recorrente ao ressarcimento de seus créditos presumidos de IPI com o acréscimo de juros Selic, desde a data de seu protocolo do pedido. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Waldir Navarro Bezerra, Relator Atendidos aos requisitos de admissibilidade, tomase conhecimento do Recurso Voluntário. MÉRITO 1. Dos insumos adquiridos de não contribuintes do PIS e da COFINS (Pessoas Físicas e Cooperativas). Aduz a Recorrente que considerando o posicionamento que predomina em âmbito dos Tribunais Administrativos e Judiciais, é de se concluir que não merece prosperar a glosa fiscal referente às aquisições de insumos de pessoas físicas e cooperativas, devendo ser integralmente reformada a decisão recorrida, para restar integralmente reconhecidos os créditos presumidos de IPI requeridos a tal titulo. Fl. 500DF CARF MF 6 Quanto à possibilidade de se incluir as aquisições de insumos de pessoas físicas no cálculo do crédito presumido apurado em conformidade com a Lei nº 9.363/96, é consabido que o tema foi objeto de recurso repetitivo do STJ (REsp nº 993.164/MG), que consolidou jurisprudência em prol do pleito dos contribuintes, como se verifica da ementa abaixo: A Primeira Seção do STJ, ao julgar o Recurso Especial n.º 993.164/MG, Rel. Min. Luiz Fux, DJe de 17.12.10, submetido à sistemática do art. 543C do CPC e da Resolução STJ n.º 08/2008, decidiu que o crédito presumido de IPI, criado pela Lei 9.363/96, abrange as aquisições de insumos realizadas a pessoas físicas, não contribuintes do PIS/PASEP e da COFINS. (REsp 1.241.856/PR, Rel. Ministro CASTRO MEIRA, SEGUNDA TURMA, julgado em 02/04/2013, DJe 09/04/2013) Esta orientação foi consolidada na Súmula 494/STJ, de seguinte teor: O benefício fiscal do ressarcimento do crédito presumido do IPI relativo às exportações incide mesmo quando as matérias primas ou os insumos sejam adquiridos de pessoa física ou jurídica não contribuinte do PIS/PASEP. O REsp nº 993.164/MG, julgado sob a sistemática dos recursos repetitivos, que é, portanto, vinculante nos julgamentos deste Conselho Administrativo por força do seu Regimento Interno, tem a seguinte ementa: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. IPI. CRÉDITO PRESUMIDO PARA RESSARCIMENTO DO VALOR DO PIS/PASEP E DA COFINS. EMPRESAS PRODUTORAS E EXPORTADORAS DE MERCADORIAS NACIONAIS. LEI 9.363/96. INSTRUÇÃO NORMATIVA SRF 23/97. (...) 1. O crédito presumido de IPI, instituído pela Lei 9.363/96, não poderia ter sua aplicação restringida por força da Instrução Normativa SRF 23/97, ato normativo secundário, que não pode inovar no ordenamento jurídico, subordinandose aos limites do texto legal. 2. A Lei 9.363/96 instituiu crédito presumido de IPI para ressarcimento do valor do PIS/PASEP e COFINS, ao dispor que: "Art. 1º A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nos 7, de 7 de setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro de 1970, e de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matérias primas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo. (...) 5. Nesse segmento, o Secretário da Receita Federal expediu a Instrução Normativa 23/97 (revogada, sem interrupção de sua força normativa, pela Instrução Normativa 313/2003, também revogada, nos mesmos termos, pela Instrução Normativa 419/2004), assim preceituando: (...) Fl. 501DF CARF MF Processo nº 13811.001165/200195 Acórdão n.º 3402006.328 S3C4T2 Fl. 499 7 § 2º O crédito presumido relativo a produtos oriundos da atividade rural, conforme definida no art. 2º da Lei nº 8.023, de 12 de abril de 1990, utilizados como matériaprima, produto intermediário ou embalagem, na produção bens exportados, será calculado, exclusivamente, em relação às aquisições, efetuadas de pessoas jurídicas, sujeitas às contribuições PIS/PASEP e COFINS ." 6. Com efeito, o § 2º, do artigo 2º, da Instrução Normativa SRF 23/97, restringiu a dedução do crédito presumido do IPI (instituído pela Lei 9.363/96), no que concerne às empresas produtoras e exportadoras de produtos oriundos de atividade rural, às aquisições, no mercado interno, efetuadas de pessoas jurídicas sujeitas às contribuições destinadas ao PIS/PASEP e à COFINS. 7. Como de sabença, a validade das instruções normativas (atos normativos secundários) pressupõe a estrita observância dos limites impostos pelos atos normativos primários a que se subordinam (leis, tratados, convenções internacionais, etc.), sendo certo que, se vierem a positivar em seu texto uma exegese que possa irromper a hierarquia normativa sobrejacente, viciar seão de ilegalidade e não de inconstitucionalidade (Precedentes do Supremo Tribunal Federal: (...). 8. Consequentemente, sobressai a "ilegalidade" da instrução normativa que extrapolou os limites impostos pela Lei 9.363/96, ao excluir, da base de cálculo do benefício do crédito presumido do IPI, as aquisições (relativamente aos produtos oriundos de atividade rural) de matériaprima e de insumos de fornecedores não sujeito à tributação pelo PIS/PASEP e pela COFINS (Precedentes das Turmas de Direito Público: (...). (...) 17. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008” (REsp 993164/MG, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, unânime, julgado em 13/12/2010, DJe 17/12/2010). Por força do art. 62, §2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF n.º 343/2015, o entendimento do Superior Tribunal de Justiça para o caso dos autos deve ser reproduzido por este Conselho, sendo reconhecido o direito ao crédito presumido de IPI com relação às aquisições de não contribuintes do PIS e da COFINS pessoas físicas e cooperativas. Dessa forma devem ser revertidas as glosas, reconhecendose o direito creditório correspondente. 2. Dos Insumos que não se alteram em função de ação exercida sobre a fabricação do produto exportado Alega a Recorrente que "(...) Os créditos referentes aos gastos com energia elétrica, água, combustíveis, telefonia e lenha foram glosados pela fiscalização, em função do entendimento de que não se constituem em MP, PI ou ME, e de que não se integram ao produto final, nem são consumidos, no processo de fabricação, em decorrência de ação direta nele exercida". Fl. 502DF CARF MF 8 Afirma que tal entendimento, contudo, não pode ser aplicado, já que, na condição de produtos intermediários, legitimam o creditamento pretendido. Pois bem. No que concerne à natureza dos gastos com combustíveis, lenha, telefonia, água e energia elétrica, impende consignar que a legislação que rege a matéria para efeito de cálculo do crédito presumido não se refere a insumos genericamente utilizados na produção, mas especificamente à matériaprima, ao produto intermediário e ao material de embalagem. Logo, para se considerar que tais gastos ensejam o direito ao crédito presumido, estes terão que se enquadrar em algum daqueles insumos citados. Conforme definido no artigo 3° da Lei nº 9.363/96, abaixo transcrito, os conceitos de MP, PI e ME aplicáveis na apuração do crédito presumido previsto nessa Lei nº 9.363/96 são os mesmos daqueles definidos na legislação do IPI: Lei 9.363/96: Art.3º Para os efeitos desta Lei, a apuração do montante da receita operacional bruta, da receita de exportação e do valor das matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem será efetuada nos termos das normas que regem a incidência das contribuições referidas no art. 1o, tendo em vista o valor constante da respectiva nota fiscal de venda emitida pelo fornecedor ao produtor exportador. Parágrafo único.Utilizarseá, subsidiariamente, a legislação do Imposto de Renda e do Imposto sobre Produtos Industrializados para o estabelecimento, respectivamente, dos conceitos de receita operacional bruta e de produção, matériaprima, produtos intermediários e material de embalagem. (Grifei) Com efeito, o art. 147, I do RIPI/981, vigente à época dos fatos geradores, dispõe que os estabelecimentos industriais e os equiparados podem creditarse do IPI relativo às matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem adquiridos para emprego na industrialização de produtos tributados, incluindose, entre as matériasprimas e os produtos intermediários, aqueles que, embora não se integrando ao novo produto, forem consumidos no processo de fabricação, salvo se compreendidos entre os bens do ativo permanente. Também os Pareceres Normativos CST nº 65/79 e nº 181/74, que são atos normativos expedidos pelas autoridades administrativas, nos termos do art. 100, I do CTN, auxiliam na determinação do sentido e alcance das normas legais e do regulamento acerca de quais insumos ensejam aproveitamento de créditos do IPI. Não obstante a técnica da não cumulatividade do IPI tenha amparo no art. 153, §3° da Constituição Federal, esse dispositivo, por si só, não assegura o direito ao crédito do IPI sobre os produtos adquiridos, havendo a necessidade de lei, regulamento e normas complementares (art. 100 do CTN) que tragam as condições e as formas para que esse crédito possa ser aproveitado pelo contribuinte. Assim, em consonância à lei, ao regulamento do IPI e aos atos normativos acima mencionados, o aproveitamento do crédito de IPI relativo aos insumos que não integram o produto pressupõe o consumo, assim considerado como o desgaste de forma imediata (direta) e integral do produto intermediário durante o processo de industrialização, bem como que não estejam compreendidos no ativo permanente da empresa. 1 Dispõem no mesmo sentido os arts. 66, I do RIPI/79; 82, I do RIPI/82; e 164, I do RIPI/2002. Fl. 503DF CARF MF Processo nº 13811.001165/200195 Acórdão n.º 3402006.328 S3C4T2 Fl. 500 9 Nesse mesmo sentido decidiu o Superior Tribunal de Justiça, em sede de recurso repetitivo (REsp nº 1.075.508), cujos termos vincula este colegiado consoante regra contida no art. 62, §2° do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. O RE nº 1.075.508/SC (2008/01532905), representativo de controvérsias, traz a seguinte ementa: EMENTA PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IPI. CREDITAMENTO. AQUISIÇÃO DE BENS DESTINADOS AO ATIVO IMOBILIZADO E AO USO E CONSUMO. IMPOSSIBILIDADE. RATIO ESSENDI DOS DECRETOS 4.544/2002 E 2.637/98. 1. A aquisição de bens que integram o ativo permanente da empresa ou de insumos que não se incorporam ao produto final ou cujo desgaste não ocorra de forma imediata e integral durante o processo de industrialização não gera direito a creditamento de IPI, consoante a ratio essendi do artigo 164, I, do Decreto 4.544/2002 (Precedentes das Turmas de Direito Público: AgRg no REsp 1.082.522/SP, Rel.Ministro Humberto Martins, Segunda Turma, julgado em 16.12.2008, DJe 04.02.2009; (...) 2. Deveras, o artigo 164, I, do Decreto 4.544/2002 (assim como o artigo 147, I, do revogado Decreto 2.637/98), determina que os estabelecimentos industriais (e os que lhes são equiparados), entre outras hipóteses, podem creditarse do imposto relativo a matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, adquiridos para emprego na industrialização de produtos tributados, incluindose ‘aqueles que, embora não se integrando ao novo produto, forem consumidos no processo de industrialização, salvo se compreendidos entre os bens do ativo permanente’. 3. In casu, consoante assente na instância ordinária, cuidase de estabelecimento industrial que adquire produtos ‘que não são consumidos no processo de industrialização (...), mas que são componentes do maquinário (bem do ativo permanente) que sofrem o desgaste indireto no processo produtivo e cujo preço já integra a planilha de custos do produto final’, razão pela qual não há direito ao creditamento do IPI. 4. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Nesta esteira, em julgamento anterior deste Conselho Administrativo, no Acórdão nº 3302002.475, da 3ª Câmara/2ª Turma Ordinária desta 3ª Seção de Julgamento, cuja ementa segue abaixo, foi adotado o entendimento do referido Recurso Especial: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2003 CRÉDITOS DE IPI. PRODUÇÃO DE CANADEAÇÚCAR E DERIVADOS. Fl. 504DF CARF MF 10 O conceito de insumo para industrialização, não é largo o bastante para abranger os insumos utilizados no cultivo de cana deaçúcar. O cultivo da canadeaçúcar é processo de produção típico da agricultura, e não da atividade industrial. PRODUTOS INTERMEDIÁRIOS. DESGASTE INDIRETO. IMPOSSIBILIDADE DE CREDITAMENTO DE IPI. RECURSO REPETITIVO STJ. Os produtos intermediários que geram direito de crédito de IPI, nos termos do REsp nº 1.075.508, julgado em sede de recurso repetitivo, são aqueles que são consumidos ou sofrem desgaste de forma imediata e integral no processo produtivo, sendo incabível quanto aos valores do IPI pagos quando da aquisição de máquinas, equipamentos, suas partes e peças, combustível empregado em máquinas e equipamentos, bem como quando da aquisição de produtos cujo desgaste se dê apenas de forma indireta. Recurso Voluntário Negado No caso sob análise, a fiscalização glosou o crédito relativos aos insumos que integram a planilha de custo de produção dos produtos exportados pela empresa, os gastos com energia elétrica, água, combustíveis, lenha, telefonia e outros (demonstrativo de compras de fl. 348), os quais não se encontram relacionados como passíveis de inclusão na base de cálculo do crédito presumido, conforme disposto no art. 2°, § 2°, da IN SRF n° 23, de 13 de março de 1997, que foi objeto de glosa. Desta forma, cabe frisar que somente os insumos conceituados como tal, pela legislação do IPI, podem ser computados nos cálculos desse benefício fiscal. Observese que a referida conceituação não compreende todos os insumos utilizados na produção, genericamente, mas, especificamente, MP, PI e ME. Neste sentido, a Portaria MF n° 64, de 2003, expedida com fulcro no § único do art. 3° c/c o art. 6° da Lei n° 9.363 de 1996, assim dispôs no § 11 do art. 3°: “Os conceitos de produção, matérias primas, produtos intermediários e material de embalagem são os admitidos na legislação do IPI”. Assim, para que o insumo seja incluído no cálculo do crédito presumido, deve, forçosamente, subsumirse a esses conceitos. Como dito, para efeito de crédito do IPI, tanto os Regulamentos do Imposto sobre Produtos Industrializados anteriores, quanto o aprovado pelo Decreto n° 4.544, de de 2002 RIPI/2002 (art. 164, I), esclarecem que se incluem no conceito de matéria prima e produto intermediário os bens que, embora não se integrando ao produto, sejam consumidos no processo de industrialização, salvo se compreendidos no ativo permanente. É entendimento que “consumo” decorre de contato físico, uma ação diretamente exercido pelo insumo sobre o produto em fabricação ou deste sobre aquele, conforme o PN CST n° 65/79. Nos termos do Parecer Normativo acima citado e em consonância com o inciso I do art. 82 do RIPI/ 1982, geram direito ao crédito, além das matériasprimas, produtos intermediários “strictosensu” e material de embalagem que se integram ao produto final, quaisquer outros bens desde que não contabilizados pela contribuinte em seu ativo permanente que se consumam por decorrência de um contato físico , ou melhor dizendo, que sofram, em função de ação exercida diretamente sobre o produto em fabricação, alterações Fl. 505DF CARF MF Processo nº 13811.001165/200195 Acórdão n.º 3402006.328 S3C4T2 Fl. 501 11 tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, restando definitivamente excluídos aqueles que não se integrem nem sejam consumidos na operação de industrialização. Para fins de crédito de IPI na exportação, as aquisições de outros insumos que não sejam matérias primas, produtos intermediários e materiais de embalagem, que não tenham sido adquiridos no mercado interno, ou não reste nos autos comprovação de que integram o processo produtivo devem ser excluídos dos cálculos do crédito presumido em obediência aos artigos 1° e 2° da Lei n° 9.363/96. Deste modo, excluemse os combustíveis, lubrificantes, água, telefonia, a energia elétrica e a lenha. Portanto, somente as matérias primas, produtos intermediários e materiais de embalagem, previstos pela legislação tributária instituidora do crédito presumido podem ser computados na composição da base de cálculo do incentivo fiscal. Finalizando, apenas na hipótese de opção pela sistemática de regime alternativo instituído pela Lei n° 10.276/2001, é possível a inclusão dos valores relativos a combustíveis e energia elétrica na base de cálculo do crédito presumido, diferente no caso em apreço, no qual o contribuinte optou pela forma de cálculo prevista na Lei n° 9.363/96. Como se vê, o entendimento da fiscalização está em consonância com o conceito de insumo para fins de creditamento do IPI exposto acima neste Voto. 3. Da Incidência da taxa Selic sobre o ressarcimento de crédito presumido de IPI No acórdão recorrido, entendeuse pela impossibilidade de incidência da taxa Selic sobre o crédito presumido o de IPI a ser ressarcido. Com relação à atualização do ressarcimento de crédito presumido de IPI, instituído pela Lei nº 9.363/96, pela taxa Selic, é cediço que o Superior Tribunal de Justiça posicionouse no sentido de ser cabível a correção monetária, por meio do julgamento do Recurso Especial nº 1.035.847/RS, pela sistemática dos recursos repetitivos do art. 543C do Código de Processo Civil de 1973 (correspondente ao art. 1.036 do Novo CPC). No entanto há que se ressaltar que concerne à incidência da Taxa Selic sobre os créditos pleiteados, entendese que o parágrafo 4º do art. 39 da Lei n. 9.250/95, inseriu no seu comando a incidência da Selic somente sobre valores oriundos de indébitos passíveis de restituição ou compensação, não contemplando valores oriundos de ressarcimento de tributo presumidamente calculado, cujo direito somente se concretiza depois de reconhecido pela autoridade administrativa fiscal, nos termos da lei. Portanto, o § 4° do art. 39 da Lei n° 9.250/95 é aplicável à restituição do indébito (pagamento indevido ou a maior) e não ao ressarcimento, que é do que trata a Lei n° 9.363/96. Ao contrário do que muitos defendem, o ressarcimento não é "espécie do gênero restituição". São dois institutos completamente distintos (pois senão, não faria qualquer sentido a discussão em tela sobre a atualização monetária, pois expressamente prevista em lei para a repetição do indébito). Fl. 506DF CARF MF 12 Neste diapasão, quanto a atualização do valor do direito creditório, utilizome para o deslinde da questão sob discussão, do Voto Vencedor do Ilustre Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal, no Acórdão nº 9303005.425, de 25/07/2017, da 3ª Turma da CSRF: "A questão da atualização monetária, pela Taxa Selic, nos pedidos de ressarcimento de IPI, tem rendido inúmeras discussões, tanto na esfera administrativa como judicial. A verdade é que não há previsão legal para o seu reconhecimento na análise dos pedidos administrativos. Vêse que no âmbito das turmas de julgamento do CARF, tem se reconhecido sua incidência em decorrência da aplicação do que foi decidido pelo STJ, na sistemática dos recursos repetitivos, no âmbito dos REsp n° 1.035.847/RS e no REsp n° 993.164. Ambos julgados estabeleceram que é devida a incidência da correção monetária, pela aplicação da Taxa Selic, aos pedidos de ressarcimento de IPI cujo deferimento foi postergado em face de oposição ilegítima por parte do Fisco. Portanto, sem dúvida, o reconhecimento da incidência da aplicação da Taxa Selic nos processos de ressarcimento decorrem de uma construção jurisprudencial e não por disposição expressa da Lei. Vêse que o STJ nos dois julgados acima citados reconhecem expressamente a falta de previsão legal a autorizar tal incidência. Vejamos o que dispôs referidos julgados: REsp nº 1.035.847/RS: PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IPI. PRINCÍPIO DA NÃO CUMULATIVIDADE. EXERCÍCIO DO DIREITO DE CRÉDITO POSTERGADO PELO FISCO. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE CRÉDITO ESCRITURAL. CORREÇÃO MONETÁRIA. INCIDÊNCIA. 1. A correção monetária não incide sobre os créditos de IPI decorrentes do princípio constitucional da não cumulatividade (créditos escriturais), por ausência de previsão legal. 2. A oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito oriundo da aplicação do princípio da não cumulatividade, descaracteriza referido crédito como escritural, assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil. 3. Destarte, a vedação legal ao aproveitamento do crédito impele o contribuinte a socorrerse do Judiciário, circunstância que acarreta demora no reconhecimento do direito pleiteado, dada a tramitação normal dos feitos judiciais. 4. Consectariamente, ocorrendo a vedação ao aproveitamento desses créditos, com o consequente ingresso no Judiciário, postergase o reconhecimento do direito pleiteado, exsurgindo legítima a necessidade de atualizalos monetariamente, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco. 5. Recurso especial da Fazenda Nacional desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. REsp n° 993.164: Fl. 507DF CARF MF Processo nº 13811.001165/200195 Acórdão n.º 3402006.328 S3C4T2 Fl. 502 13 PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. IPI. CRÉDITO PRESUMIDO PARA RESSARCIMENTO DO VALOR DO PIS/PASEP E DA COFINS. EMPRESAS PRODUTORAS E EXPORTADORAS DE MERCADORIAS NACIONAIS. LEI 9.363/96. INSTRUÇÃO NORMATIVA SRF 23/97. CONDICIONAMENTO DO INCENTIVO FISCAL AOS INSUMOS ADQUIRIDOS DE FORNECEDORES SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO PELO PIS E PELA COFINS. EXORBITÂNCIA DOS LIMITES IMPOSTOS PELA LEI ORDINÁRIA. SÚMULA VINCULANTE 10/STF. OBSERVÂNCIA. INSTRUÇÃO NORMATIVA (ATO NORMATIVO SECUNDÁRIO). CORREÇÃO MONETÁRIA. INCIDÊNCIA. EXERCÍCIO DO DIREITO DE CRÉDITO POSTERGADO PELO FISCO. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE CRÉDITO ESCRITURAL. TAXA SELIC.APLICAÇÃO.VIOLAÇÃO DO ARTIGO 535,DO CPC. INOCORRÊNCIA. 1. O crédito presumido de IPI, instituído pela Lei nº 9.363/96, não poderia ter sua aplicação restringida por força da Instrução Normativa SRF23/97,ato normativo secundário, que não pode inovar no ordenamento jurídico, subordinandose aos limites do texto legal. (...) 12. A oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo,impedindo a utilização do direito de crédito de IPI (decorrente da aplicação do princípio constitucional da nãocumulatividade), descaracteriza referido crédito como escritural (assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil), exsurgindo legítima a incidência de correção monetária, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco (Aplicação analógica do precedente da Primeira Seção submetido ao rito do artigo 543C, do CPC: REsp 1035847/RS, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 24.06.2009, DJe03.08.2009). 13. A Tabela Única aprovada pela Primeira Seção (que agrega o Manual de Cálculos da Justiça Federal e a jurisprudência do STJ) autoriza a aplicação da Taxa SELIC (a partir de janeiro de 1996) na correção monetária dos créditos extemporaneamente aproveitados por óbice do Fisco (REsp 1150188/SP, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 20.04.2010, DJe03.05.2010). (...) 15. Recurso especial da empresa provido para reconhecer a incidência de correção monetária e a aplicação da Taxa Selic. 16. Recurso especial da Fazenda Nacional desprovido. 17. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ08/2008. Concluise que a oposição ilegítima por parte do Fisco, ao aproveitamento de referidos créditos, permite que seja reconhecida a incidência da correção monetária pela aplicação da Taxa Selic. Porém da leitura que se faz, para a incidência da correção que se pretende, há que existir necessariamente o ato de oposição estatal que foi reconhecido como ilegítimo. No âmbito do processo administrativo de pedidos de ressarcimento tem se que estes atos administrativos só se tornam ilegítimos caso seu entendimento seja revertido pelas instâncias administrativas de julgamento. Portanto somente sobre a parcela do pedido de ressarcimento que foi inicialmente indeferida e depois revertida é que é possível o Fl. 508DF CARF MF 14 reconhecimento da incidência da Taxa Selic. Tudo isso por força do efeito vinculante das decisões do STJ acima citadas e transcritas. (Grifei). Porém resta uma discussão quanto ao prazo inicial da incidência da Taxa Selic. No CARF a grande maioria das decisões dividemse em duas vertentes. A primeira que a aplicação da correção dariase somente a partir da edição do Despacho Decisório, pela autoridade administrativa da DRF de origem, que teria denegado parte ou integralmente o pedido. A justificativa desta primeira tese seria no sentido de que só a partir daí é que teria nascido o ato ilegítimo a permitir a aplicação dos repetitivos do STJ. A segunda vertente é reconhecer a aplicação da correção monetária desde a data do protocolo do pedido, hipótese que até então estava sendo adotada por este relator e pela própria CSRF. Entretanto, refletindo melhor sobre a matéria, penso que não existe base legal e nem comando vinculante de nossos tribunais a autorizar nenhuma dessas duas hipóteses, sobretudo a segunda, referente à incidência da correção monetária desde a data do protocolo do pedido. Essa hipótese permite uma correção monetária integral que nunca foi permitida do ponto de vista legal e, smj, nem pela interpretação dos referidos julgados. Entendo que a melhor interpretação está vinculada ao que dispôs o próprio STJ, também em sede de recurso repetitivo, no REsp n° 1.138.206, abaixo transcrito com destaques: TRIBUTÁRIO. CONSTITUCIONAL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. DURAÇÃO RAZOÁVEL DO PROCESSO. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL FEDERAL. PEDIDO ADMINISTRATIVO DE RESTITUIÇÃO. PRAZO PARA DECISÃO DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA. APLICAÇÃO DA LEI 9.784/99. IMPOSSIBILIDADE. NORMA GERAL. LEI DO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DECRETO 70.235/72.ART. 24 DA LEI 11.457/07. NORMA DE NATUREZA PROCESSUAL. APLICAÇÃO IMEDIATA. VIOLAÇÃO DO ART. 535 DO CPC NÃO CONFIGURADA. 1. A duração razoável dos processos foi erigida como cláusula pétrea e direito fundamental pela Emenda Constitucional 45, de 2004, que acresceu ao art. 5°, o inciso LXXVIII, in verbis: "a todos, no âmbito judicial e administrativo, são assegurados a razoável duração do processo e os meios que garantam a celeridade de sua tramitação." 2. A conclusão de processo administrativo em prazo razoável é corolário dos princípios da eficiência, da moralidade e da razoabilidade. (Precedentes: ..........) 3. O processo administrativo tributário encontrase regulado pelo Decreto 70.235/72 Lei do Processo Administrativo Fiscal , o que afasta a aplicação da Lei 9.784/99, ainda que ausente, na lei específica, mandamento legal relativo à fixação de prazo razoável para a análise e decisão das petições, defesas e recursos administrativos do contribuinte. 4. Ad argumentandum tantum, dadas as peculiaridades da seara fiscal, quiçá fosse possível a aplicação analógica em matéria tributária, caberia incidir à espécie o próprio Decreto 70.235/72, cujo art. 7°, § 2°, mais se aproxima do thema judicandum, in verbis: Art. 7º. (...) 5. A Lei n.° 11.457/07, com o escopo de suprir a lacuna legislativa existente, em seu art. 24, preceituou a obrigatoriedade de ser proferida decisão administrativa Fl. 509DF CARF MF Processo nº 13811.001165/200195 Acórdão n.º 3402006.328 S3C4T2 Fl. 503 15 no prazo máximo de 360 (trezentos e sessenta) dias a contar do protocolo dos pedidos, litteris: "Art. 24. É obrigatório que seja proferida decisão administrativa no prazo máximo de 360 (trezentos e sessenta) dias a contar do protocolo de petições, defesas ou recursos administrativos do contribuinte." 6. Deveras, ostentando o referido dispositivo legal natureza processual fiscal, há de ser aplicado imediatamente aos pedidos, defesas ou recursos administrativos pendentes. 7. Destarte, tanto para os requerimentos efetuados anteriormente à vigência da Lei 11.457/07, quanto aos pedidos protocolados após o advento do referido diploma legislativo, o prazo aplicável é de 360 dias a partir do protocolo dos pedidos (art. 24 da Lei 11.457/07). O art. 535 do CPC resta incólume se o Tribunal de origem, embora sucintamente, pronunciase de forma clara e suficiente sobre a questão posta nos autos. Ademais, o magistrado não está obrigado a rebater, um a um, os argumentos trazidos pela parte, desde que os fundamentos utilizados tenham sido suficientes para embasar a decisão. Recurso especial parcialmente provido, para determinar a obediência ao prazo de 360 dias para conclusão do procedimento sub judice. Acórdão submetido ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 08/2008. Nesse mesmo sentido, verificase que foi o decido nos seguintes julgados do STJ: AgRg no REsp 1.400.909/SC, Rel. Ministro OLINDO MENEZES (DESEMBARGADOR CONVOCADO DO TRF 1ª REGIÃO), PRIMEIRA TURMA, julgado em 17/12/2015, DJe 05/02/2016 e AgInt no REsp 1.585.275/PR, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em 04/10/2016, DJe 14/10/2016. Da leitura das decisões acima, concluise que o STJ determinou a aplicação do art. 24 da Lei n° 11.457/2007 aos processos administrativos fiscais, inclusive aos requerimentos efetuados antes de sua vigência. Assim, manifestouse de forma vinculante que o prazo razoável para duração do processo administrativo, para que a autoridade administrativa de origem desse uma solução aos pedidos de restituição, ressarcimento e afins seria de 360 dias. Ora, se a administração tem o prazo de 360 dias para solucionar os processos administrativos de ressarcimento, e não há previsão legal para incidência da correção monetária sobre referidos pedidos, a conclusão inequívoca transmitida por esses julgados é que não há possibilidade de incidência da correção monetária neste interregno, uma vez que este seria o prazo razoável determinado na lei. Importante ressaltar que referido julgado não dispõe absolutamente nada sobre incidência de correção monetária ou aplicação da taxa Selic nos processos de ressarcimento. Portanto, como não há previsão legal para incidência da taxa Selic nos processos de ressarcimento, o seu reconhecimento em sede dos julgados administrativos deve ser erigido a partir da interpretação do que se construiu nos julgados do STJ com efeitos vinculantes. Portanto, para reconhecimento da incidência da taxa Selic nos processos de ressarcimento de IPI, devemos partir de duas premissas: 1) existe ato administrativo que Fl. 510DF CARF MF 16 indeferiu de forma ilegítima parcial ou integralmente o pedido? e 2) o trânsito em julgado da decisão administrativa ultrapassou os 360 dias? A resposta positiva para as duas premissas importa em reconhecer a incidência da taxa Selic somente para os créditos indeferidos de forma ilegítima, cujo termo inicial da incidência da correção somente poderá ser contado a partir dos 360 dias do protocolo do pedido. Esta conclusão coadunase com a aplicação do princípio da igualdade. Veja que se o processo for deferido em 359 dias, o contribuinte não receberá qualquer ajuste monetário e caso seja deferido em 361 dias haveria incidência integral desta correção. Parece me um casuísmo não pretendido, a justificar a interpretação de que esta correção monetária só seria aplicada a partir de 360 dias do protocolo do pedido e, desde que exista um ato administrativo que teria sido considerado ilegítimo, assim considerado aquele cujo entendimento foi revertido pelas instâncias administrativas de julgamento. Assim, no presente processo, tendo entendido a turma de julgamento, a despeito de voto contrário deste julgador, que é possível o aproveitamento de crédito presumido de IPI sobre os serviços de industrialização por encomenda, sobre esta parcela permitese a incidência da taxa Selic a ser aplicada a partir de 360 dias contados do protocolo do pedido de ressarcimento até a sua efetiva utilização (...)". Com esses fundamentos, voto para estabelecer a incidência da Taxa Selic somente a partir do prazo de 360 (trezentos e sessenta dias) da data da protocolização do pedido de ressarcimento, a incidir somente sobre o crédito cujas glosas foram revertidas nas instâncias de julgamento. 4. Dispositivo Assim, pelo exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso voluntário para, (i) reverter as exclusões/glosas/ajustes da base de cálculo do crédito presumido relativas à matériaprima adquirida de pessoas físicas e cooperativas e (ii) estabelecer a incidência da Taxa Selic somente a partir do prazo de 360 (trezentos e sessenta dias) da data da protocolização do pedido de ressarcimento, a incidir somente sobre o crédito cujas glosas foram revertidas nas instâncias de julgamento. É como voto. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Fl. 511DF CARF MF Processo nº 13811.001165/200195 Acórdão n.º 3402006.328 S3C4T2 Fl. 504 17 Voto Vencedor Thais De Laurentiis Galkowicz, Redatora designada. Com a devida vênia, ouso divergir do Ilustre Relator no que tange ao termo inicial de incidência da taxa Selic sobre o ressarcimento de crédito presumido de IPI. Tratase de matéria que foi minuciosamente abordada pela Conselheira Maysa de Sá Pittondo Deligne no Acórdão 3402006.254, quando este Colegiado mais uma vez decidiu que sua incidência deve ocorrer desde a data do protocolo do pedido de ressarcimento. Por concordar com seus fundamentos, adotoos como razão de decidir, com fulcro no artigo 50, §1º da Lei n, 9.784/99, transcrevendoos abaixo: Com efeito, ainda que não seja possível a correção a partir da data da geração do crédito por ausência de previsão legal, com o impedimento da utilização do crédito com a emissão do despacho decisório relativo ao pedido de ressarcimento, passou a ser necessária a sua correção desde a data do protocolo do pedido por ter ocorrido uma oposição do fisco ao legítimo aproveitamento do crédito. Este entendimento está em conformidade com o entendimento sedimentado pelo Superior Tribunal de Justiça no Recurso Especial 1.035.847/RS, em sede de recursos repetitivos, que deve ser aplicado por este CARF na forma do art. 62, §2º, do Regimento Interno: "PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IPI. PRINCÍPIO DA NÃO CUMULATIVIDADE. EXERCÍCIO DO DIREITO DE CRÉDITO POSTERGADO PELO FISCO. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE CRÉDITO ESCRITURAL. CORREÇÃO MONETÁRIA. INCIDÊNCIA. 1. A correção monetária não incide sobre os créditos de IPI decorrentes do princípio constitucional da nãocumulatividade (créditos escriturais), por ausência de previsão legal. 2. A oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito oriundo da aplicação do princípio da nãocumulatividade, descaracteriza referido crédito como escritural, assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil. 3. Destarte, a vedação legal ao aproveitamento do crédito impele o contribuinte a socorrerse do Judiciário, circunstância que acarreta demora no reconhecimento do direito pleiteado, dada a tramitação normal dos feitos judiciais. 4. Consectariamente, ocorrendo a vedação ao aproveitamento desses créditos, com o consequente ingresso no Judiciário, postergase o reconhecimento do direito pleiteado, exsurgindo legítima a necessidade de atualizálos monetariamente, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco (Precedentes da Primeira Seção: EREsp 490.547/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em Fl. 512DF CARF MF 18 28.09.2005, DJ 10.10.2005; EREsp 613.977/RS, Rel. Ministro José Delgado, julgado em 09.11.2005, DJ 05.12.2005; EREsp 495.953/PR, Rel. Ministra Denise Arruda, julgado em 27.09.2006, DJ 23.10.2006; EREsp 522.796/PR, Rel. Ministro Herman Benjamin, julgado em 08.11.2006, DJ 24.09.2007; EREsp 430.498/RS, Rel. Ministro Humberto Martins, julgado em 26.03.2008, DJe 07.04.2008; e EREsp 605.921/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 12.11.2008, DJe 24.11.2008). 5. Recurso especial da Fazenda Nacional desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008." (REsp 1035847/RS, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 24/06/2009, DJe 03/08/2009) A aplicação analógica deste julgamento tem sido feita de forma reiterada pelo Conselho Superior deste CARF, como se depreende dos julgados já trazidas acima, e dos seguintes julgados apenas a título de exemplo: "Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Período de apuração: 01/07/2001 a 30/09/2001 CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO PELA SELIC. A oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito de IPI (decorrente da aplicação do princípio constitucional da nãocumulatividade), descaracteriza referido crédito como escritural (assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil), exsurgindo legítima a incidência de correção monetária, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco (Aplicação analógica do precedente da Primeira Seção submetido ao rito do artigo 543C, do CPC: REsp 1035847/RS, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 24.06.2009, DJe 03.08.2009). APLICAÇÃO DO ARTIGO 62A DO RICARF. MATÉRIA JULGADA NA SISTEMÁTICA DE RECURSO REPETITIVO PELO STJ. Nos termos do artigo 62A do Regimento Interno do CARF, as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (...) Recurso Especial da Fazenda Nacional Negado e Recurso Especial do Contribuinte Provido em Parte." (CSRF, Processo 10675.001666/200195 Data da Sessão 04/04/2011 Relator Rodrigo Cardozo Miranda. Redator designado Antônio Carlos Atulim. Acórdão n.º 9303001.407 grifei) "Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 19/01/2000 (...) NORMAS REGIMENTAIS. OBRIGATORIEDADE DE REPRODUÇÃO DE DECISÕES DOS TRIBUNAIS SUPERIORES PROFERIDAS NA SISTEMÁTICA DO ART. 543 DO CPC Dispõe o art. 62A do RICARF baixado pela Portaria MF 256/2009: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. RESSARCIMENTO DE CRÉDITO DE IPI. Fl. 513DF CARF MF Processo nº 13811.001165/200195 Acórdão n.º 3402006.328 S3C4T2 Fl. 505 19 OPOSIÇÃO INJUSTIFICADA DA ADMINISTRAÇÃO. INCIDÊNCIA DA TAXA SELIC. Nos termos da decisão proferida pelo STJ no RE 993.164: 12. A oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito de IPI (decorrente da aplicação do princípio constitucional da nãocumulatividade), descaracteriza referido crédito como escritural (assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil), exsurgindo legítima a incidência de correção monetária, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco (Aplicação analógica do precedente da Primeira Seção submetido ao rito do artigo 543C, do CPC: REsp 1035847/RS, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 24.06.2009, DJe 03.08.2009). 13. A Tabela Única aprovada pela Primeira Seção (que agrega o Manual de Cálculos da Justiça Federal e a jurisprudência do STJ) autoriza a aplicação da Taxa SELIC (a partir de janeiro de 1996) na correção monetária dos créditos extemporaneamente aproveitados por óbice do Fisco (REsp 1150188/SP, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 20.04.2010, DJe 03.05.2010). NORMAS REGIMENTAIS. RECURSO ESPECIAL. REQUISITOS. Não se admite recurso especial cuja divergência não esteja comprovada nos termos do artigo 67 do RICARF baixado pela Portaria MF 256/2009." (CSRF, Processo 13971.001062/0040 Data da Sessão 23/02/2016 Relator Julio Cesar Alves Ramos. Acórdão n.º 9303003.460 grifei) Como se depreende dos julgados acima colacionados, não se cabe falar em correção desde a data da geração do crédito vez que o crédito presumido é um crédito escritural para o qual não há previsão legal de atualização. Uma vez emitido o despacho decisório com a oposição à utilização do crédito presumido, cabível a inclusão da SELIC desde a data do protocolo do pedido de ressarcimento, para evitar o locupletamento ilícito do fisco. Com todo respeito ao entendimento do I. Conselheiro Relator, a tese por ele sustentada, no sentido de que a incidência da SELIC somente seria cabível a partir do prazo de 360 (trezentos e sessenta dias) da data da protocolização do pedido de ressarcimento, não possui qualquer respaldo na legislação ou no precedente do Superior Tribunal de Justiça. Com efeito, como visto, o que é relevante identificar é a existência de uma oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, que impeça a utilização do direito de crédito pelo contribuinte. Com a descaracterização do crédito como um crédito escritural, ele deverá ser atualizado. E para evitar o locupletamento ilícito do fisco, essa atualização deve ocorrer desde a data do protocolo do pedido de ressarcimento, data que marca o momento quando o contribuinte exerceu o seu direito ao crédito, na forma do art. 165, do CTN. Fl. 514DF CARF MF 20 É no momento do protocolo do pedido de ressarcimento que o contribuinte exerce o seu direito ao crédito, direito este que foi indevidamente obstado pela Administração Pública por meio da emissão do despacho decisório, que caracterizou a oposição estatal indevida suscetível a autorizar a atualização monetária do crédito posteriormente reconhecido pelas instâncias de julgamento. E essa atualização deve ocorrer desde a data do exercício do direito obstado, repitase, desde a data do protocolo do pedido de ressarcimento. Dispositivo Nesses termos, voto por dar provimento em maior extensão ao Recurso voluntário, para estabelecer a incidência da Taxa Selic sobre os créditos presumidos de IPI a partir da data do protocolo do pedido de ressarcimento. (assinado digitalmente) Thais De Laurentiis Galkowicz Fl. 515DF CARF MF
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