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Numero do processo: 10630.001151/2009-69
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 24 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Oct 27 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Simples Nacional
Ano-calendário: 2009
INDEFERIMENTO DE OPÇÃO. ATIVIDADE VEDADA COMO OBJETO SOCIAL.
Deve ser indeferida a opção pelo Simples Nacional quando a pessoa jurídica registra como objeto social atividade vedada, cujo código CNAE consta do anexo I da Resolução CGSN n° 06, de 18/06/2007, especialmente se ela não consegue comprovar em diligência fiscal que não exerce efetivamente essa atividade.
Numero da decisão: 1802-002.354
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Vencidos os conselheiros Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira e Gustavo Junqueira Carneiro Leão, que convertiam o julgamento em nova diligência. O conselheiro Gustavo Junqueira Carneiro Leão apresenta declaração de voto.
(assinado digitalmente)
José de Oliveira Ferraz Corrêa Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José de Oliveira Ferraz Corrêa, Ester Marques Lins de Sousa, Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira, Nelso Kichel e Gustavo Junqueira Carneiro Leão. Ausente justificadamente o conselheiro Marciel Eder Costa.
Nome do relator: JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA
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ATIVIDADE VEDADA COMO OBJETO SOCIAL. Deve ser indeferida a opção pelo Simples Nacional quando a pessoa jurídica registra como objeto social atividade vedada, cujo código CNAE consta do anexo I da Resolução CGSN n° 06, de 18/06/2007, especialmente se ela não consegue comprovar em diligência fiscal que não exerce efetivamente essa atividade. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Vencidos os conselheiros Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira e Gustavo Junqueira Carneiro Leão, que convertiam o julgamento em nova diligência. O conselheiro Gustavo Junqueira Carneiro Leão apresenta declaração de voto. (assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Corrêa – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José de Oliveira Ferraz Corrêa, Ester Marques Lins de Sousa, Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira, Nelso Kichel e Gustavo Junqueira Carneiro Leão. Ausente justificadamente o conselheiro Marciel Eder Costa. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 63 0. 00 11 51 /2 00 9- 69 Fl. 92DF CARF MF Impresso em 27/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 25/10/2014 por JOSE DE OLI VEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10630.001151/200969 Acórdão n.º 1802002.354 S1TE02 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso interposto contra o Acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Juiz de Fora MG (DRJJFA), que decidiu, por unanimidade de votos, julgar improcedente a Manifestação de Inconformidade, mantendo a exclusão do contribuinte do Simples Nacional. Para descrever os fatos, e, também, por economia processual, transcrevo a seguir o relatório constante do Acórdão citado, verbis: Trata o presente processo de manifestação de inconformidade contra o Termo de Indeferimento da Opção Pelo Simples Nacional (fl. 08) que indeferiu o pedido de inclusão do Simples Nacional, a partir da data de abertura da empresa, ou seja, 04/05/2009, tendo em vista o exercício de atividade econômica vedada representada pelo código CNAE 49299/04 Organização de excursões em veículos rodoviários próprios, intermunicipal, interestadual e internacional, de acordo com a Lei Complementar n° 123, de 14/12/2006, art. 17, inciso VI. Contra tal ato, o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade em 27/05/2009 (fls. 01/02), na qual alega que a resposta à pergunta n° 2.5, constante no Portal do Simples Nacional na internet não deixa dúvidas quanto à possibilidade de enquadramento no caso em pauta, ao afirmar: Admitese, no entanto, a existência no contrato social de atividades impeditivas juntamente com não impeditivas, condicionando se neste caso, porém, a possibilidade de opção e permanência no Simples Nacional, ao exercício tão somente das atividades não vedadas. Por fim, o contribuinte declara que exercerá somente as atividades permitidas à inclusão no Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições devidos pelas ME e EPP. A 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Juiz de Fora MG (DRJJFA) indeferiu a Manifestação de Inconformidade da ora Recorrente através do Acórdão n° 0935.672, de 22 de junho de 2011, conforme ementa transcrita abaixo: ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Anocalendário: 2009 INDEFERIMENTO DE OPÇÃO. ATIVIDADE VEDADA. SITUAÇÃO CADASTRAL. Deve ser indeferida a opção pelo Simples Nacional quando a pessoa jurídica exerce atividades vedadas, cujo código CNAE consta da Resolução CGSN n° 06, de 18/06/2007. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Fl. 93DF CARF MF Impresso em 27/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 25/10/2014 por JOSE DE OLI VEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10630.001151/200969 Acórdão n.º 1802002.354 S1TE02 Fl. 4 3 Sem Crédito em Litígio. Inconformada com essa decisão, da qual tomou ciência em 13/10/2011, a Contribuinte apresentou recurso voluntário em 09/11/2011, no qual aduziu, em síntese, que a alteração do objeto social, ocorrida em novembro de 2009, permitiria a adesão ao Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte Simples. Em 08/05/2013, esta turma julgadora exarou a Resolução nº 1802000.226, às fls. 51 a 55, demandando realização de diligência pela unidade de origem. Cumprida a resolução, o processo retornou ao CARF com a Informação Fiscal de fls. 62/63 e a correspondente manifestação da Contribuinte, às fls. 67/68, para prosseguimento do julgamento do recurso voluntário. Este é o Relatório. Fl. 94DF CARF MF Impresso em 27/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 25/10/2014 por JOSE DE OLI VEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10630.001151/200969 Acórdão n.º 1802002.354 S1TE02 Fl. 5 4 Voto Conselheiro José de Oliveira Ferraz Corrêa, Relator. O recurso é tempestivo e dotado dos pressupostos para a sua admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. A Contribuinte questiona decisão que manteve o indeferimento de sua opção pelo Simples Nacional desde a data de abertura da empresa, em 04/05/2009. A negativa proferida pela Delegacia de origem foi motivada pelo exercício de atividade econômica vedada, representada pelo código “CNAE 49299/04 Organização de excursões em veículos rodoviários próprios, intermunicipal, interestadual e internacional”, de acordo com a Lei Complementar n° 123/2006, art. 17, inciso VI. A Delegacia de Julgamento, por sua vez, ao examinar a manifestação de inconformidade da Contribuinte, mencionou orientações extraídas do Portal do Simples Nacional na internet, abaixo transcritas, e destacou que o “CNAE 49299/04 Organização de excursões em veículos rodoviários próprios, intermunicipal, interestadual e internacional”, contava do Anexo I da Resolução CGSN nº 6, de 2007: 2.4. As microempresas (ME) e as empresas de pequeno porte (EPP) que exerçam atividades diversificadas, sendo apenas uma delas vedada e de pouca representatividade no total das receitas, podem optar pelo Simples Nacional? Não poderão optar pelo Simples Nacional as ME e as EPP que, embora exerçam diversas atividades permitidas, também exerçam pelo menos uma atividade vedada, independentemente da relevância da atividade impeditiva. 2.5. Se constar do contrato social alguma atividade impeditiva à opção pelo Simples Nacional, ainda que não venha a exercêla, tal fato é motivo de impedimento à opção? Se a atividade impeditiva constante do contrato estiver relacionada no Anexo I da Resolução CGSN nº 6, de 2007, seu ingresso no Simples Nacional será vedado, ainda que não exerça tal atividade. Se a atividade impeditiva constante do contrato estiver relacionada no Anexo II da Resolução CGSN nº 6, de 2007, seu ingresso no Simples Nacional será permitido, desde que não exerça tal atividade e declare, no momento da opção, esta condição. De outra parte, também estará impedida de optar pelo Simples Nacional a pessoa jurídica que obtiver receita de atividade impeditiva, em qualquer montante, ainda que não prevista no contrato social (Ver Pergunta 2.4). Fl. 95DF CARF MF Impresso em 27/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 25/10/2014 por JOSE DE OLI VEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10630.001151/200969 Acórdão n.º 1802002.354 S1TE02 Fl. 6 5 2.6. A ME ou a EPP inscrita no CNPJ com código CNAE correspondente a uma atividade econômica secundária vedada pode optar pelo Simples Nacional? Não. ALei Complementar nº 123, de 2006, prevê que o exercício de algumas atividades impede a opção pelo Simples Nacional. Essas atividades impeditivas estão listadas no Anexo I da Resolução CGSN nº 6, de 2007. O exercício de qualquer dessas atividades pela ME ou EPP impede a opção pelo Simples Nacional, bem como a sua permanência no Regime, independentemente de essa atividade econômica ser considerada principal ou secundária. (grifos acrescidos) Nessa fase recursal, a Contribuinte informou que promoveu alteração de seu objeto social em 13/11/2009, o que permitiria a adesão ao Simples Nacional. A referida alteração contratual suprimiu do contrato a atividade impeditiva, isto é, a “organização de excursões em veículos próprios, intermunicipal, interestadual e internacional”. O objeto social passou a mencionar apenas as seguintes atividades: (i) Transporte rodoviário de carga, exceto produtos perigosos e mudanças, municipal, intermunicipal e interestadual; (ii) Transporte rodoviário coletivo de passageiro, com itinerário fixo, municipal; (iii) Organização de excursões em veículos rodoviários próprios, municipal. Ao examinar o recurso voluntário, na sessão de 08/05/2013, esta turma julgadora exarou a Resolução nº 1802000.226, às fls. 51 a 55, demandando realização de diligência pela unidade de origem, com o objetivo de verificar se a atividade de transporte de passageiros exercida pela Recorrente abrangia tão somente a prestação de serviços no âmbito municipal. No atendimento à referida Resolução, a Delegacia de origem prestou a Informação Fiscal de fls. 62/63: No exercício das funções de AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, nos termos do art. 927 do RIR/99 (Decreto n° 3.000/99), no curso do Processo Administrativo Fiscal acima e, tendo em vista solicitação de Diligência Fiscal feita pelo CARF (fls. 54 e 55), comparecemos em 26/09/2013 ao endereço cadastral do contribuinte. Lá fomos recebidos pelo Sr. Luiz Cláudio de Almeida, CPF: 272.668.85604. De tal Diligência, lavramos o Termo de Constatação de fls. 57 e 58, do qual extraímos os seguintes trechos: [...] QUE há 8 anos, havia somente uma empresa, a Viação Dois Irmãos com atividade/sede em Cons. Pena e Inhapim. Fl. 96DF CARF MF Impresso em 27/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 25/10/2014 por JOSE DE OLI VEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10630.001151/200969 Acórdão n.º 1802002.354 S1TE02 Fl. 7 6 QUE há uns 7 anos, tal empresa foi cindida em 3 novas empresas: a própria Viação Dois Irmãos, com sede em Inhapim; Dois Irmãos Transporte Rodoviário em Conselheiro Pena e Viação Dandão com sede em Conselheiro Pena. QUE o declarante é sócio da Dois Irmãos Transporte. QUE seus filhos são sócios da Viação Dandão. QUE a Viação Dois Irmãos faz transporte interestadual de passageiros. QUE a Viação Dandão faz transporte de carga e fretamentos para o município e para fora do município. (Grifo nosso) QUE a Viação, digo, Dois Irmãos Transporte faz transporte de passageiros no âmbito Municipal e interestadual. Constatamos, outrossim, que todos os ônibus encontrados no local estão com o logotipo “DOIS IRMÃOS”. [...] Verificase que o contribuinte afirmou textualmente que a VIAÇÃO DANDÃO faz fretamento para fora do município, ou seja transporte intermunicipal. Por outro lado, todos os ônibus do grupo empresarial, que é formado por três empresas da mesma família, possuem também o mesmo logotipo DOIS IRMÃOS o que denota que as três empresas se utilizam da mesma marca para suas atividades de transporte de passageiros. Tudo isso só vem reforçar nossa tese: a de que a VIAÇÃO DANDÃO exerce a atividade de transporte intermunicipal, a qual é vedada a optantes pelo SIMPLES. E isso acontece, de acordo com o Termo de Constatação, desde a fundação da VIAÇÃO DANDÂO. Intimada do conteúdo dessa Informação Fiscal, a Contribuinte apresentou a manifestação de fls. 67/68 para contestar suas conclusões, alegando: 01) Que a empresa Viação Dandão Ltda. ME não participou da cisão parcial da empresa Viação Dois Irmãos Ltda, conforme consta no Termo de Constatação lavrado pelos n. fiscais. As empresas que figuram na referida cisão é a própria Viação Dois Irmãos Ltda, a empresa Dois Irmãos Transportes Rodoviários Ltda. e a empresa Viação A & B Ltda, conforme Protocolo e Justificação de Cisão parcial arquivado na JUCEMG em 01/07/2010 sob o n° 4366087 (cópia anexa). 02) Que a empresa Viação Dandão Ltda. tem como sócios a Sra. Maria Aparecida da Silva e o Sr. Felipe Coelho de Almeida, sendo que somente este é filho do declarante que assinou o Termo de Constatação. 03) Que a empresa Viação Dandão Ltda. utiliza o logotipo “DOIS IRMÃOS”, como também as empresas que participaram Fl. 97DF CARF MF Impresso em 27/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 25/10/2014 por JOSE DE OLI VEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10630.001151/200969 Acórdão n.º 1802002.354 S1TE02 Fl. 8 7 da cisão, por se tratar de nome bastante conhecido no município de Conselheiro Pena. 04) Que a atividade da empresa em questão limitase apenas no Transporte de Cargas e Transporte de Estudantes da zona rural para a sede do município de Conselheiro Pena. 05) Que no intuito de sanar dúvidas suscitadas por este respeitável órgão foi procedida alteração contratual em 03/12/2009 para excluir a atividade secundária CNAE 49.29 09/04, visto que a mesma jamais fora utilizada pela empresa. 06) Que o Sr. Luiz Cláudio de Almeida, sócio administrador da empresa Dois Irmãos Transportes Rodoviários Ltda. se confundiu no momento de prestar os esclarecimentos, prestando informações inverídicas. A diligência fiscal resultou na constatação de que todos os ônibus do grupo empresarial, que é formado por três empresas da mesma família, possuem também o mesmo logotipo DOIS IRMÃOS, utilizando, portanto, a mesma marca na atividade de transporte de passageiros. Além disso, a pessoa contatada no estabelecimento da Recorrente, que é pai de um de seus sócios, prestou informação de que as três empresas fazem transporte para fora do município. A Contribuinte, por sua vez, alega que o declarante se confundiu no momento de prestar as informações, e que ela só realiza transporte de Cargas e Transporte de Estudantes da zona rural para a sede do município de Conselheiro Pena, mas não apresentou qualquer documento que pudesse atestar suas informações, p/ex., cópias de contratos, notas fiscais de prestação de serviços, declaração de clientes, etc. O voto que orientou a solicitação de diligência já havia consignado que não era razoável uma empresa realizar a atividade de transportes e excursões somente no âmbito de seu próprio município, e o próprio contrato social registrava que um dos objeto da empresa era a “organização de excursões em veículos rodoviários próprios, intermunicipal, interestadual e internacional”. Além disso, a regulamentação do Comitê Gestor do Simples Nacional, conforme as orientações extraídas do portal da internet e anteriormente transcritas, é no sentido de que “se a atividade impeditiva constante do contrato estiver relacionada no Anexo I da Resolução CGSN nº 6, de 2007, seu ingresso no Simples Nacional será vedado, ainda que não exerça tal atividade”. A referida atividade impeditiva estava relacionada no Anexo I da Resolução CGSN nº 6, de 2007. Oportuno destacar que os procedimentos do Simples Nacional, em determinadas situações, vedam de imediato o ingresso no sistema simplificado de tributação, evitando assim que o contribuinte fique anos declarando e recolhendo tributo pelas regras desse sistema para depois ser informado que não poderia estar nele enquadrado (exclusão com efeitos retroativos). Uma vez identificado o impedimento no contrato social, é vedado desde logo o ingresso no sistema, o que é bastante razoável. Opção bem mais problemática é deixar o Fl. 98DF CARF MF Impresso em 27/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 25/10/2014 por JOSE DE OLI VEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10630.001151/200969 Acórdão n.º 1802002.354 S1TE02 Fl. 9 8 contribuinte ingressar no sistema para verificar depois se ele está ou não realizando a atividade vedada que ele mesmo registrou como sendo o seu objeto social. Nada impede, entretanto, que modificadas as circunstâncias impeditivas, o contribuinte ingresse com nova opção pelo regime simplificado, sem efeitos retroativos. Nesse contexto, deve ser mantida a negativa do pedido de inclusão no Simples Nacional constante destes autos. Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Corrêa Fl. 99DF CARF MF Impresso em 27/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 25/10/2014 por JOSE DE OLI VEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10630.001151/200969 Acórdão n.º 1802002.354 S1TE02 Fl. 10 9 Declaração de Voto Conselheiro Gustavo Junqueira Carneiro Leão. Peço vênia para discordar do Ilustre Relator por entender que neste caso o processo deveria ter retornado novamente para diligência para cumprimento do que foi inicialmente solicitado e que, ao meu ver, teria sido primordial para o julgamento da presente lide. Conforme consta do voto do Relator, “ao examinar o recurso voluntário, na sessão de 08/05/2013, esta turma julgadora exarou a Resolução nº 1802000.226, às fls. 51 a 55, demandando realização de diligência pela unidade de origem, com o objetivo de verificar se a atividade de transporte de passageiros exercida pela Recorrente abrangia tão somente a prestação de serviços no âmbito municipal.” No atendimento à referida Resolução, a Delegacia de origem prestou a Informação Fiscal de fls. 62/63: No exercício das funções de AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, nos termos do art. 927 do RIR/99 (Decreto n° 3.000/99), no curso do Processo Administrativo Fiscal acima e, tendo em vista solicitação de Diligência Fiscal feita pelo CARF (fls. 54 e 55), comparecemos em 26/09/2013 ao endereço cadastral do contribuinte. Lá fomos recebidos pelo Sr. Luiz Cláudio de Almeida, CPF: 272.668.85604. De tal Diligência, lavramos o Termo de Constatação de fls. 57 e 58, do qual extraímos os seguintes trechos: [...] QUE há 8 anos, havia somente uma empresa, a Viação Dois Irmãos com atividade/sede em Cons. Pena e Inhapim. QUE há uns 7 anos, tal empresa foi cindida em 3 novas empresas: a própria Viação Dois Irmãos, com sede em Inhapim; Dois Irmãos Transporte Rodoviário em Conselheiro Pena e Viação Dandão com sede em Conselheiro Pena. QUE o declarante é sócio da Dois Irmãos Transporte. QUE seus filhos são sócios da Viação Dandão. QUE a Viação Dois Irmãos faz transporte interestadual de passageiros. QUE a Viação Dandão faz transporte de carga e fretamentos para o município e para fora do município. (Grifo nosso) QUE a Viação, digo, Dois Irmãos Transporte faz transporte de passageiros no âmbito Municipal e interestadual. Fl. 100DF CARF MF Impresso em 27/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 25/10/2014 por JOSE DE OLI VEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10630.001151/200969 Acórdão n.º 1802002.354 S1TE02 Fl. 11 10 Constatamos, outrossim, que todos os ônibus encontrados no local estão com o logotipo “DOIS IRMÃOS”. [...] Verificase que o contribuinte afirmou textualmente que a VIAÇÃO DANDÃO faz fretamento para fora do município, ou seja transporte intermunicipal. Por outro lado, todos os ônibus do grupo empresarial, que é formado por três empresas da mesma família, possuem também o mesmo logotipo DOIS IRMÃOS o que denota que as três empresas se utilizam da mesma marca para suas atividades de transporte de passageiros. Tudo isso só vem reforçar nossa tese: a de que a VIAÇÃO DANDÃO exerce a atividade de transporte intermunicipal, a qual é vedada a optantes pelo SIMPLES. E isso acontece, de acordo com o Termo de Constatação, desde a fundação da VIAÇÃO DANDÂO. Intimada do conteúdo dessa Informação Fiscal, a Contribuinte apresentou a manifestação de fls. 67/68 para contestar suas conclusões, alegando: 01) Que a empresa Viação Dandão Ltda. ME não participou da cisão parcial da empresa Viação Dois Irmãos Ltda, conforme consta no Termo de Constatação lavrado pelos n. fiscais. As empresas que figuram na referida cisão é a própria Viação Dois Irmãos Ltda, a empresa Dois Irmãos Transportes Rodoviários Ltda. e a empresa Viação A & B Ltda, conforme Protocolo e Justificação de Cisão parcial arquivado na JUCEMG em 01/07/2010 sob o n° 4366087 (cópia anexa). 02) Que a empresa Viação Dandão Ltda. tem como sócios a Sra. Maria Aparecida da Silva e o Sr. Felipe Coelho de Almeida, sendo que somente este é filho do declarante que assinou o Termo de Constatação. 03) Que a empresa Viação Dandão Ltda. utiliza o logotipo “DOIS IRMÃOS”, como também as empresas que participaram da cisão, por se tratar de nome bastante conhecido no município de Conselheiro Pena. 04) Que a atividade da empresa em questão limitase apenas no Transporte de Cargas e Transporte de Estudantes da zona rural para a sede do município de Conselheiro Pena. 05) Que no intuito de sanar dúvidas suscitadas por este respeitável órgão foi procedida alteração contratual em 03/12/2009 para excluir a atividade secundária CNAE 49.29 09/04, visto que a mesma jamais fora utilizada pela empresa. 06) Que o Sr. Luiz Cláudio de Almeida, sócio administrador da empresa Dois Irmãos Transportes Rodoviários Ltda. se confundiu no momento de prestar os esclarecimentos, prestando informações inverídicas. Fl. 101DF CARF MF Impresso em 27/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 25/10/2014 por JOSE DE OLI VEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10630.001151/200969 Acórdão n.º 1802002.354 S1TE02 Fl. 12 11 Garimpando o resultado da diligência e a manifestação da Recorrente quanto ao seu resultado, concluo que se trata de duas declarações antagônicas que não produzem resultados inequívocos ou substanciais. A autoridade fiscal deveria ter requisitado e amparado sua diligência em provas substanciais, tais como cópias de contratos de prestação de serviços e notas fiscais de saída, referentes a prestação desses serviços, o que não o fez. Vale salientar que a legislação não veda que esteja previsto no contrato social da Recorrente a possibilidade de prestar serviço, mas tão somente a efetivação da prestação desse serviço, senão vejamos: Art. 17. Não poderão recolher os impostos e contribuições na forma do Simples Nacional a microempresa ou a empresa de pequeno porte: (…) VI que preste serviço de transporte intermunicipal e interestadual de passageiros, exceto quando na modalidade fluvial ou quando possuir características de transporte urbano ou metropolitano ou realizarse sob fretamento contínuo em área metropolitana para o transporte de estudantes ou trabalhadores; (Redação dada pela Lei Complementar nº 147, de 2014) (grifos meus) Há que se diferenciar o “poder prestar” do “prestar”. Isso porque a possibilidade de se praticar ato não se confunde com a sua efetivação, sendo que a lei só restringe a possibilidade de enquadramento do Simples Nacional daqueles que podendo prestar o serviço efetivam essa prestação. Por todo o exposto, aplicando a interpretação teleológica do artigo art. 179 da CF/88 que esta situação merece, ouso discordar do voto vencedor, acreditando que o processo deveria ter sido novamente remetido para a delegacia de origem para que fossem verificados: (i) os contratos de prestação de serviço de transporte entre a Recorrente e seus clientes; (ii) notas fiscais de saída. É o meu voto. (assinado digitalmente) Gustavo Junqueira Carneiro Leão Fl. 102DF CARF MF Impresso em 27/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 25/10/2014 por JOSE DE OLI VEIRA FERRAZ CORREA
score : 1.0
Numero do processo: 12898.000425/2009-97
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 10 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Nov 25 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004
Autos de Infração de Obrigação Principal DEBCAD sob nº 37.158.235-0
Consolidados em 24/04/2009
Contribuição Previdenciária incidente em pagamento de vale transporte pago em dinheiro.
Matéria sumulada por esta corte. Súmula CARF 89 determina que não incide Contribuição Previdenciária sobre valores pagos a título de vale-transporte, mesmo que em pecúnia.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2301-004.141
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado em: I) Por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a).
(assinado digitalmente)
Marcelo Oliveira - Presidente.
(assinado digitalmente)
Wilson Antonio de Souza Corrêa - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Adriano Gonzáles Silvério, Wilson Antonio de Souza Correa, Daniel Melo Mendes Bezerra, Mauro Jose Silva e Leo Meirelles do Amaral.
Nome do relator: WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA
1.0 = *:*
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Matéria sumulada por esta corte. Súmula CARF 89 determina que não incide Contribuição Previdenciária sobre valores pagos a título de valetransporte, mesmo que em pecúnia. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado em: I) Por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a). (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Presidente. (assinado digitalmente) Wilson Antonio de Souza Corrêa Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Adriano Gonzáles Silvério, Wilson Antonio de Souza Correa, Daniel Melo Mendes Bezerra, Mauro Jose Silva e Leo Meirelles do Amaral. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 89 8. 00 04 25 /2 00 9- 97 Fl. 294DF CARF MF Impresso em 25/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por MARCELO OLIVE IRA 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário aviado contra Acórdão sob n° 1229.427da 10ª Turma da DRJ/RJ1 onde julgou procedente o lançamento efetuado no AIOP acima identificado, sendo ele referente às contribuições devidas à Seguridade Social, correspondentes a cota da empresa, e às destinadas ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa. Constituem fatos geradores das contribuições lançadas os pagamentos em dinheiro de auxíliotransporte, em desacordo com a Lei n° 7.418, de 16/12/1985, registrados nas folhas de pagamento, rubrica código 0385 — INDENIZAÇÃO V.T. PROX/MÊS e lançados na contabilidade na conta 3211020 — VALE TRANSPORTE. Devidamente noticiada do lançamento aviou a sua impugnação, cuja qual foi julgada improcedente, mantendo o lançamento em sua integralidade. Em 04 de junho de 2010 aviou o presente remédio recursivo, diante da notificação da decisão de piso em 07 de maio de 2010, conforme informa certidão de fls. 275. É a síntese do necessário. Fl. 295DF CARF MF Impresso em 25/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por MARCELO OLIVE IRA Processo nº 12898.000425/200997 Acórdão n.º 2301004.141 S2C3T1 Fl. 277 3 Voto Conselheiro Wilson Antonio de Souza Corrêa Relator O Recurso acode os pressupostos de admissibilidade, inclusive a tempestividade, razão pela qual dele conheço e passo a examinar as suas razões. O ponto nodal da testilha é a constituição de contribuição previdenciária sob os valores pagos à título de vale transporte em dinheiro a seus funcionários. Portanto, a questão já está sumulada nesta Corte, cuja qual curvome, aplicandolhe. Súmula CARF nº 89: A contribuição social previdenciária não incide sobre valores pagos a título de valetransporte, mesmo que em pecúnia. CONCLUSÃO Diante do acima exposto, como o presente recurso voluntário atende os pressupostos de admissibilidade, dele conheço para DARLHE PROVIMENTO, excluindo do lançamento as contribuições relativas a pagamento de vale transporte pago em dinheiro, conforme autoriza Súmula CARF 89. É como Voto. WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA Relator (assinado digitalmente) Fl. 296DF CARF MF Impresso em 25/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por MARCELO OLIVE IRA
score : 1.0
Numero do processo: 15504.721714/2011-12
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 18 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Nov 28 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/02/2008 a 31/03/2008
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. TERCEIROS. VALE TRANSPORTE PAGO HABITUALMENTE E EM DINHEIRO. NÃO INCIDÊNCIA. JURISPRUDÊNCIA DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. O vale transporte pago habitualmente e em pecúnia aos segurados empregados tem natureza indenizatória; portanto, não integra a base de cálculo das contribuições previdenciárias e das destinadas a terceiros. LEGISLAÇÃO POSTERIOR. MULTA MAIS FAVORÁVEL. APLICAÇÃO EM PROCESSO PENDENTE JULGAMENTO. A lei aplica-se a ato ou fato pretérito, tratando-se de ato não definitivamente julgado quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Na superveniência de legislação que estabeleça novos critérios para a apuração da multa por descumprimento de obrigação acessória, faz-se necessário verificar se a sistemática atual é mais favorável ao contribuinte que a anterior.
Recurso Voluntário Provido Em Parte.
Numero da decisão: 2402-003.953
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial para que sejam excluídos das multas aplicadas os valores correspondentes ao auxílio-transporte em pecúnia e seu reflexo no cálculo do salário-família, o décimo terceiro salário na rescisão quando já recolhido na folha de pagamento competência 13/2007 e para adequação da multa remanescente ao artigo 32-A da Lei n° 8.212, de 24/07/1991, caso mais benéfica. Ficou vencido o relator que votou pela exclusão, inclusive, do adicional de periculosidade e da contribuição sobre os valores pagos às cooperativas de trabalho médico. Apresentará o voto vencedor o conselheiro Carlos Henrique de Oliveira.
Júlio César Vieira Gomes - Presidente
Thiago Taborda Simões - Relator
Carlos Henrique de Oliveira - Redator Designado
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio César Vieira Gomes, Carlos Henrique de Oliveira, Thiago Taborda Simões, Ronaldo de Lima Macedo, Lourenço Ferreira do Prado. Ausente justificadamente o conselheiro Nereu Miguel Ribeiro Domingues.
Nome do relator: THIAGO TABORDA SIMOES
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/02/2008 a 31/03/2008 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. TERCEIROS. VALE TRANSPORTE PAGO HABITUALMENTE E EM DINHEIRO. NÃO INCIDÊNCIA. JURISPRUDÊNCIA DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. O vale transporte pago habitualmente e em pecúnia aos segurados empregados tem natureza indenizatória; portanto, não integra a base de cálculo das contribuições previdenciárias e das destinadas a terceiros. LEGISLAÇÃO POSTERIOR. MULTA MAIS FAVORÁVEL. APLICAÇÃO EM PROCESSO PENDENTE JULGAMENTO. A lei aplica-se a ato ou fato pretérito, tratando-se de ato não definitivamente julgado quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Na superveniência de legislação que estabeleça novos critérios para a apuração da multa por descumprimento de obrigação acessória, faz-se necessário verificar se a sistemática atual é mais favorável ao contribuinte que a anterior. Recurso Voluntário Provido Em Parte.
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OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Recorrente PARANASA ENGENHARIA E COMÉRCIO S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/02/2008 a 31/03/2008 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. TERCEIROS. VALE TRANSPORTE PAGO HABITUALMENTE E EM DINHEIRO. NÃO INCIDÊNCIA. JURISPRUDÊNCIA DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. O vale transporte pago habitualmente e em pecúnia aos segurados empregados tem natureza indenizatória; portanto, não integra a base de cálculo das contribuições previdenciárias e das destinadas a terceiros. LEGISLAÇÃO POSTERIOR. MULTA MAIS FAVORÁVEL. APLICAÇÃO EM PROCESSO PENDENTE JULGAMENTO. A lei aplica se a ato ou fato pretérito, tratandose de ato não definitivamente julgado quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Na superveniência de legislação que estabeleça novos critérios para a apuração da multa por descumprimento de obrigação acessória, fazse necessário verificar se a sistemática atual é mais favorável ao contribuinte que a anterior. Recurso Voluntário Provido Em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 72 17 14 /2 01 1- 12 Fl. 902DF CARF MF Impresso em 28/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 24/11/20 14 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 27/11/2014 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, A ssinado digitalmente em 26/11/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial para que sejam excluídos das multas aplicadas os valores correspondentes ao auxíliotransporte em pecúnia e seu reflexo no cálculo do saláriofamília, o décimo terceiro salário na rescisão quando já recolhido na folha de pagamento competência 13/2007 e para adequação da multa remanescente ao artigo 32A da Lei n° 8.212, de 24/07/1991, caso mais benéfica. Ficou vencido o relator que votou pela exclusão, inclusive, do adicional de periculosidade e da contribuição sobre os valores pagos às cooperativas de trabalho médico. Apresentará o voto vencedor o conselheiro Carlos Henrique de Oliveira. Júlio César Vieira Gomes Presidente Thiago Taborda Simões Relator Carlos Henrique de Oliveira Redator Designado Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio César Vieira Gomes, Carlos Henrique de Oliveira, Thiago Taborda Simões, Ronaldo de Lima Macedo, Lourenço Ferreira do Prado. Ausente justificadamente o conselheiro Nereu Miguel Ribeiro Domingues. Fl. 903DF CARF MF Impresso em 28/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 24/11/20 14 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 27/11/2014 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, A ssinado digitalmente em 26/11/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 15504.721714/201112 Acórdão n.º 2402003.953 S2C4T2 Fl. 903 3 Relatório Tratase de autuação que, de acordo com o Relatório Fiscal de fls. 10/19, resultou na lavratura dos seguintes autos de infração: Auto de Infração n° 50.006.5411, (Código de Fundamentação Legal: CFL 78) – valor de R$1.820,00, por infração ao artigo 32, inciso IV, acrescentado pela Lei nº9.528, de 10.12.1997, com a redação dada pela MP nº 449, de 03.12.2008, convertida na Lei n° 11.941, de 27.05.2009. Auto de Infração n° 50.006.5420, (Código de Fundamentação Legal CFL 30). valor de R$4.573,29, por infração ao artigo 32, inciso I, da Lei n° 8.212 de 24.07.1991 combinado com o artigo 225, inciso I e parágrafo 9º, do Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048, de 06 .05.1999. Auto de Infração n° 50.006.5438 (Código de Fundamentação Legal: CFL 34) – valor de R$30.488,28, por infração ao artigo 32, Inciso II, da Lei n° 8.212, de 24.07.1991, combinado com o artigo 225, Inciso II e parágrafos 13 a 17, do Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048, de 06.05.1999. Auto de Infração n° 50.006.5446 (Código de Fundamentação Legal: CFL 35) – valor de R$30.488,28, por infração ao artigo 32, Inciso III e parágrafo 11, com a redação dada pela MP n° 449, de 03.12.2008, convertida na Lei 11.941, de 27.05.2009, combinado com o art. 225, inciso III, do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048, de 06.05.1999. Auto de Infração n° 50.006.5454 (Código de Fundamentação Legal: CFL 59) – valor de R$3.048,86, por infração ao artigo 30, inciso I, alínea “a”, e alterações posteriores, da Lei n° 8.212 de 24.07.19 91, artigo 4º, “caput”, da Lei n° 10.666 de 08.05.2003 e artigo 216, inciso I, alínea “a” do Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048, de 06.05.1999. Intimada da autuação, a Recorrente apresentou impugnações (fls. 575/752) que restaram julgadas improcedentes (Fls. 754/777) pelos seguintes motivos: 1) Quanto aos argumentos de ilegalidade e/ou inconstitucionalidade das multas aplicadas, não cabe à esfera administrativa esta análise; 2) Quanto às decisões judiciais transcritas, o artigo 26A do Decreto n° 70.235/72 estabelece que não pode o órgão julgador administrativo desconsiderar norma válida no ordenamento jurídico para aplicar o entendimento da jurisprudência; 3) Com relação ao AI n° 50.006.5438, a multa deve ser mantida pois a Recorrente deixou de lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade os fatos geradores de todas as contribuições; 4) Com relação ao AI n° 50.006.5446, a multa deve ser mantida vez que a Recorrente deixou de apresentar à fiscalização a relação nominal de todos os trabalhadores beneficiários do programa de incentivo à produtividade; Fl. 904DF CARF MF Impresso em 28/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 24/11/20 14 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 27/11/2014 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, A ssinado digitalmente em 26/11/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 5) Com relação ao AI n° 50.006.5420, a multa deve ser mantida vez que a Recorrente não incluiu nas folhas de pagamentos todas as parcelas pagas, devidas ou creditadas aos segurados empregados e contribuintes individuais, independentemente de integrar ou não o salário de contribuição; 6) Com relação ao AI n° 50.006.5454, a multa deve ser mantida por ter a empresa Recorrente deixado de arrecadar a contribuição previdenciária, mediante desconto da remuneração do segurado empregado, trabalhador avulso e contribuinte individual; 7) Com relação ao AI n° 50.006.5411, os argumentos da não incidência de contribuições devidas a terceiros sobre as verbas objeto da autuação não podem ser acolhidos, nos termos do voto proferido no PAF n° 15504.721713/201178; Ao final, julgou improcedente a impugnação mantendo o crédito tributário. Intimada do resultado do julgamento, a Recorrente interpôs recurso voluntário de fls. 784/897, alegando, em síntese, a irregularidade das penalidades aplicadas, a confiscatoriedade e o bis in idem, bem como a ausência de infração cometida, vez que as verbas consideradas pela fiscalização não possuem natureza salarial. Ao final, requereu o provimento do recurso. Os autos foram remetidos ao CARF para julgamento o recurso voluntário. É o relatório. Fl. 905DF CARF MF Impresso em 28/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 24/11/20 14 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 27/11/2014 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, A ssinado digitalmente em 26/11/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 15504.721714/201112 Acórdão n.º 2402003.953 S2C4T2 Fl. 904 5 Voto Vencido Conselheiro Thiago Taborda Simões, Relator Conhecimento O Recurso Voluntário atende aos requisitos de admissibilidade, inclusive o da tempestividade, razão pela qual voto por seu conhecimento. Preliminar Alega a Recorrente cerceamento do direito de defesa por supressão de instância, uma vez que a Delegacia de Julgamento em acórdão de primeira instância não apreciou todas as matérias arguidas em defesa, impedindo que o CARF as aprecie em razão dos limites do efeito devolutivo impostos ao recurso voluntário. Não merece guarida a alegação. O acórdão de primeira instância analisou cada um dos autos de infração lavrados, não impedindo qualquer análise de mérito por parte deste Conselho Administrativo. No Mérito Tratamse de autos de infração de obrigação acessória, lavrados com base nos fundamentos apresentados nos autos referentes à obrigação principal, de n° 15504.721713/201178. Em julgamento de recurso voluntário apresentado naquele processo, concluiuse pelo parcial provimento, excluindo os créditos relativos ao vale transporte pago em pecúnia, ao adicional de periculosidade e seus reflexos no 13° salário e aos valores pagos por serviços médicos prestados por cooperativas de trabalho. A partir disso, necessário o recálculo das penalidades aplicadas por meio dos autos de infração n° 50.006.5438, 50.006.5420, 50.006.5454 e 50.006.5411. Quanto à penalidade aplicada através do AI n° 50.006.5446, mantenho a multa, vez que o resultado do processo n° 15504.721713/201178 não causou qualquer alteração no que tange ao descumprimento da obrigação acessória de apresentar à fiscalização a documentação solicitada. Conclusão Por todo o exposto, conheço do recurso voluntário e voto pela procedência parcial para determinar o recálculo dos créditos tributários relativos aos autos de infração n° 50.006.5438, 50.006.5420, 50.006.5454 e 50.006.5411. É como voto. Thiago Taborda Simões. Fl. 906DF CARF MF Impresso em 28/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 24/11/20 14 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 27/11/2014 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, A ssinado digitalmente em 26/11/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 6 Voto Vencedor Conselheiro Carlos Henrique de Oliveira Redator Designado Tratase o presente de recurso voluntário interposto contra o acórdão da DRJ que entendeu procedente o lançamento fiscal relativo aos autos de infração a seguir relacionados: Auto de Infração n° 50.006.5411, (Código de Fundamentação Legal: CFL 78) – valor de R$1.820,00, por infração ao artigo 32, inciso IV, acrescentado pela Lei nº9.528, de 10.12.1997, com a redação dada pela MP nº 449, de 03.12.2008, convertida na Lei n° 11.941, de 27.05.2009. Auto de Infração n° 50.006.5420, (Código de Fundamentação Legal CFL 30) valor de R$4.573,29, por infração ao artigo 32, inciso I, da Lei n° 8.212 de 24.07.1991 combinado com o artigo 225, inciso I e parágrafo 9º, do Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048, de 06.05.1999. Auto de Infração n° 50.006.5438 (Código de Fundamentação Legal: CFL 34) – valor de R$30.488,28, por infração ao artigo 32, Inciso II, da Lei n° 8.212, de 24.07.1991, combinado com o artigo 225, Inciso II e parágrafos 13 a 17, do Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048, de 06.05.1999. Auto de Infração n° 50.006.5446 (Código de Fundamentação Legal: CFL 35) – valor de R$30.488,28, por infração ao artigo 32, Inciso III e parágrafo 11, com a redação dada pela MP n° 449, de 03.12.2008, convertida na Lei 11.941, de 27.05.2009, combinado com o art. 225, inciso III, do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048, de 06.05.1999. Auto de Infração n° 50.006.5454 (Código de Fundamentação Legal: CFL 59) – valor de R$3.048,86, por infração ao artigo 30, inciso I, alínea “a”, e alterações posteriores, da Lei n° 8.212 de 24.07.19 91, artigo 4º, “caput”, da Lei n° 10.666 de 08.05.2003 e artigo 216, inciso I, alínea “a” do Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048, de 06.05.1999. Acrescese ao presente os termos do fidedigno relatório preparado pelo nobre Relator, que aponta que os autos acima mencionados foram lavrados pelo descumprimento de obrigações acessórias vinculadas às principais constituídas nos autos constantes do processo nº 15504.721.713/201178. Naquele processo, o ilustre Conselheiro Relator, entendeu pela impossibilidade de inclusão do adicional de periculosidade no saláriodecontribuição para fins de tributação pela contribuição previdenciária. Entendeu ainda, também após didática exposição constante do voto, pela não incidência da contribuição de 15% sobre os serviços prestados pela cooperativa médica para a recorrente. Ousei, com a devida vênia, discordar das posições do ínclito relator quanto aos tópicos mencionados. Minha posição restou mantida pela turma e como consequência decidiuse pela procedência do lançamento quanto incidência da contribuição previdenciária sobre o adicional de periculosidade e sobre os valores pagos às cooperativas de trabalho. Como resultado final, deliberouse pela procedência parcial do recurso voluntário no sentido de excluir o crédito tributário relativo ao vale transporte pago em pecúnia. Tal decisão reflete no presente auto de infração no sentido de recálculo das Fl. 907DF CARF MF Impresso em 28/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 24/11/20 14 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 27/11/2014 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, A ssinado digitalmente em 26/11/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 15504.721714/201112 Acórdão n.º 2402003.953 S2C4T2 Fl. 905 7 penalidades aplicadas que tiveram por base a incidência da contribuição previdenciária sobre o valor do vale transporte pago em dinheiro. Pelo exposto, conheço do recurso voluntário e voto pela procedência parcial para que sejam excluídos das multas aplicadas os valores correspondentes ao auxíliotransporte em pecúnia e seu reflexo no cálculo do saláriofamília, o décimo terceiro salário na rescisão quando já recolhido na folha de pagamento competência 13/2007 e para adequação da multa remanescente ao artigo 32A da Lei n° 8.212, de 24/07/1991, caso mais benéfica. Assim declaro. Carlos Henrique de Oliveira. Fl. 908DF CARF MF Impresso em 28/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 24/11/20 14 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 27/11/2014 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, A ssinado digitalmente em 26/11/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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Numero do processo: 18471.001461/2008-84
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 09 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Oct 31 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 2402-000.464
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência.
Júlio César Vieira Gomes - Presidente
Lourenço Ferreira do Prado - Relator
Participaram do presente Julgamento os Conselheiros: Júlio César Vieira Gomes, Luciana de Souza Spindola Reis, Thiago Taborda Simões, Ronaldo de Lima Macedo e Lourenço Ferreira do Prado. Ausente o conselheiro Nereu Miguel Ribeiro Domingues.
Nome do relator: LOURENCO FERREIRA DO PRADO
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RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência. Júlio César Vieira Gomes Presidente Lourenço Ferreira do Prado Relator Participaram do presente Julgamento os Conselheiros: Júlio César Vieira Gomes, Luciana de Souza Spindola Reis, Thiago Taborda Simões, Ronaldo de Lima Macedo e Lourenço Ferreira do Prado. Ausente o conselheiro Nereu Miguel Ribeiro Domingues. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 84 71 .0 01 46 1/ 20 08 -8 4 Fl. 1533DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/10/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 20/10/20 14 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 13/10/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO Processo nº 18471.001461/200884 Resolução nº 2402000.464 S2C4T2 Fl. 420 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pela PETRÓLEO BRASILEIRO S/A, PETROBRAS lavrado para a cobrança de contribuições previdenciárias parte dos segurados, da empresa e as destinadas ao financiamento do SAT, no período de 08/1996 a 04/1997, na qualidade de responsável tributária solidária em decorrência da contratação de serviços da empresa CALORISOL ENGENHARIA LTDA. Após a apresentação de impugnação pela PETROBRÁS, a GERÊNCIA EXECUTIVA RIO DE JANEIRO CENTRO DIVISÃO DE ARRECADAÇÃO SERVIÇO DE ANÁLISE DE DEFESAS E RECURSOS julgou procedente o lançamento através da Decisão – Notificação nº. 17.401.4/0719/2002. Apresentado Recurso Voluntário, a então 2ª CAJ do Conselho de Recursos da Previdência Social – CRPS Anulou a Decisão de Primeira Instância através do Acórdão 001876/2006 cuja ementa transcrevemos: “EMENTA PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO Solidariedade. Cerceamento de Defesa. O contribuinte tem direito de participar de processo administrativo relacionado com fato gerador de sua responsabilidade, portanto tem que ser notificado pelo INSS. Liquidez e Certeza. È necessário que o INSS constate a existência do crédito previdenciário junto ao contribuinte (prestador dos serviços. Somente diante da não apresentação ou apresentação deficiente (pelo prestador dos serviços) da documentação contábil e trabalhista necessária a comprovar a extinção da obrigação previdenciária, poderia o INSS arbitrar, junto ao responsável solidário, as contribuições que entender devidas. ANULAR A DECISÃO NOTIFICAÇÃO.” O INSS apresentou Pedido de Revisão que restou negado pela 2ª CAJ (fls. 353).” Às fls. 368, a prestadora de serviços peticionou nos autos alegando que somente em 28/11/2005 tomou conhecimento da NFLD e apresentou os documentos de fls. 456 a 757. Às fls. 894, a fiscalização, através do documento denominado Análise de Interesse Fiscal com as seguintes informações que destacamos: “1. Tratase de crédito tributário (NFLD: 35.463.9277) lavrado em 27/03/2002, em face do sujeito passivo acima identificado; referente à responsabilidade solidária com prestador de serviço de construção civil; competências 08/1996a 04/1997. 2. Em 14/05/2003, através do Acórdão 1876 (fls. 310 a 322), a Segunda Câmara de Julgamento do CRPS anulou a Decisão Notificação que havia considerado o lançamento procedente, determinando diligência no prestador de serviços (devedor solidário) Fl. 1534DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/10/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 20/10/20 14 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 13/10/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO Processo nº 18471.001461/200884 Resolução nº 2402000.464 S2C4T2 Fl. 421 3 a fim de confirmar a existência do crédito tributário (fl. 312) e reiniciar o contencioso administrativo. Em face da decisão do CRPS o INSS fez um pedido de Revisão do Acórdão, o qual foi negado em 27/05/2005 (fls. 338 a 342). A documentação constante no presente processo indica que tal diligência não foi efetuada. 3. A Súmula Vinculante n° 8 do Supremo Tribunal Federal (12/06/2008) considerou inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5o do Decreto Lei n° 1.569/1977 e os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212/19, que tratam de prescrição e decadência de créditos tributários. Desta forma, constatase que a decadência ocorre no prazo de 5 (cinco) anos contados a partir da ocorrência do fato gerador. No tocante ao crédito tributário em questão, constatase que as competências 08/1996 a 02/1997 foram atingidas pela decadência, inexistindo portanto o direito à constituição dos mesmos; em função da data da constituição do crédito tributário (27/03/2002) e das competências em que se verificaram os fatos geradores (08/1996 a 04/1997). Permanece apenas o direito à constituição dos créditos relativos às competências 03 e 04/1997. 4. Assim sendo, a fim de realizar as verificações solicitadas, é sugerido o envio do presente processo à DIFIS I, ressaltando que existe diligência em andamento com a mesma finalidade, relativa a outros créditos tributários. Reiterase a necessidade de cientificar o sujeito passivo acerca do resultado da referida diligência, com abertura do prazo recursal; procedimentos estes a cargo da DERAT/RJO /EqCDP.” (...) Às fls. 906, em atendimento às determinações do Acórdão do CRPS, o Auditor Fiscal Notificante assim se manifestou: “Contribuinte: PETROBRAS PETRÓLEO BRASILEIRO S.A CNPJ: 33.000.167/000101 Ref. Processo n° 18471.001461/200884 NFLD DEBCAD: 35.463.9277 Assunto: REQUISIÇÃO DE DILIGÊNCIA 1. Em atenção à solicitação de fl. 884, referente a processo encaminhado pela DEFIS/RJO/DIPAC expõese: 2. Trata a presente NFLD, de crédito previdenciário lavrado por solidariedade Art. 30, inc. VI da Lei 8.212/91, em 26/03/2002, correspondente à parcela Empresa/SAT e segurados, incidente sobre a remuneração da mão de obra aplicada na prestação de serviços, nas competências 08/96 a 04/97, realizada pela empresa CALORISOL ENGENHARIA LTDA CNPJ 45.658.945/000133, de acordo com o contrato de n° 210.2.049.963, firmado com a empresa tomadora PETROBRAS S.A. Fl. 1535DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/10/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 20/10/20 14 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 13/10/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO Processo nº 18471.001461/200884 Resolução nº 2402000.464 S2C4T2 Fl. 422 4 3. Com vista a atender à Decisão da extinta 2 a Câmara de Julgamento do Conselho de Recursos da Previdência Social CaJ/ CRPS (atual Conselho Administrativo de Recursos Fiscais), no Acórdão n° 0001876, de 24/08/2004, em que os seus membros decidiram por ANULAR A DECISÃO NOTIFICAÇÃO (DN), determinando a abertura de diligência para a adoção de providências visando submeter o crédito tributário lançado à prova de liquidez e certeza, em face da escrituração contábil do prestador, tecemos as considerações abaixo: 3.1 O entendimento exarado pelo CRPS, à época, quanto a necessidade de exame da contabilidade do prestador do serviço a fim de constatar a existência ou não do crédito tributário, foi alterado pelo Enunciado n° 30 do CRPS, com base na Resolução MPS/CRPS nº 1 de 31/01/2007, passando a dispensar tal exigência: "Enunciado n" 30: Em se tratando de responsabilidade solidária o fisco previdenciário tem a prerrogativa de constituir os créditos no tomador de serviços mesmo que não haja apuração prévia no prestador de serviços.". 3.2 De acordo com a Resolução mencionada é necessária apenas a verificação quanto ao prestador ter sido alvo de procedimento fiscal, com exame da contabilidade no período de interesse. Caso positivo, incabível a lavratura do crédito, caso contrário, permanece a lavratura do mesmo. 4. No presente caso, consulta ao Cadastro Nacional de Ações Fiscais CNAF, cópia anexa, mostranos que a empresa prestadora contratada foi alvo de fiscalização n° 09229487, de 29/03/2005 a 05/08/2005, abrangendo o período de 01/1995 a 01/2005, sem qualquer cobertura contábil. 5. Foi verificado ainda não ter o prestador aderido a qualquer tipo de parcelamento, conforme tela anexada, extraída do Sistema Plenus, em 03/12/2009. 6. Ressaltese o entendimento emanado da Súmula Vinculante n° 08 do STF (12/06/2008) considerando inconstitucionais o parágrafo único do art.5° do decreto Lei n° 1.569/77 e os art. 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de créditos tributários. Desta forma constatase que a decadência ocorre no prazo de 5 (cinco) anos contados a partir da ocorrência do fato gerador. 7. No tocante ao crédito tributário em questão, não obstante o exposto nos itens anteriores, verificase que as competências 08/1996 a 02/1997 estão, smj, amparadas pelo instituto da decadência, inexistindo o direito de constituição do crédito tributário, em função da data da lavratura do crédito original e das competências em que ocorreram os fatos geradores. Tal direito permanece em relação às competências 03 e 04/1997. 8. Abaixo elencamos as empresas integrantes do Grupo Econômico: Fl. 1536DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/10/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 20/10/20 14 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 13/10/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO Processo nº 18471.001461/200884 Resolução nº 2402000.464 S2C4T2 Fl. 423 5 9. Ao chefe da equipe fiscal 07, para conhecimento e o devido encaminhamento desta à DERATV RJO/ EQCDP Equipe de Controle de Débitos Previdenciários para que esta envie cópia do Acórdão citado e dê ciência da presente diligência à empresa tomadora, bem como as demais integrantes do Grupo Econômico, abrindo o prazo recursal, reiniciando, dessa forma, o contencioso administrativo.” Ressaltese que somente após tal manifestação, as demais empresas do chamado “grupo econômico” tomaram ciência da notificação, através das intimações de nºs. 659 a 663/2011, fato este ocorrido em 04/2011. As empresas intimadas apresentaram manifestação sobre a diligência: Petrobras Química (fls. 932/940); Petrobrás Distribuidora (fls. 976/981); CAROLISOL ENGENHARIA (fls. 995/999) e Petrobras Transporte (fls. 1056/1060). Após tais manifestações a Delegacia Especial de Maiores Contribuintes no Rio de Janeiro DEMAC/RJO proferiu um despacho nos seguintes termos: “Processo: 18471.001461/200884 NFLD 35.463.9277 Interessado: PETROBRÁS PETRÓLEO BRASILEIRO S/A CNPJ: 33.000.167/000101 O presente processo foi encaminhado a DEMACRJDIORTDIV, conforme despacho de fls. 1049, para que fosse providenciada a devolução do Depósito Recursal. Foram juntados aos autos cópia do MS n° 2007.51.01.0045501 (fis. 1051/1060). Conforme fls. 1072, foi providenciada a devolução do Depósito Recursal referente a NFLD n° 35.463.9277. O crédito n° 35.463.9277 encontrase na situação 'AGUARD.ANÁLISE PARA RECURSO' (fls. 1048), não havendo como atualizar o S1COB. Tendo em vista a ciência dos Acórdãos, Despachos e Resultados de Diligência mencionados às fls. 1049, foram apresentadas manifestações tempestivas pelas solidárias, Petrobrás Química S/A Petroquisa (fls.916/944), Petrobrás Distribuidora S/A (fls.945/957 e 1035/1038 verso), Calorisol Engenharia Ltda (fis.958/992), Petrobrás Transporte S/A Transpetro (fls.994/1034). Fl. 1537DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/10/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 20/10/20 14 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 13/10/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO Processo nº 18471.001461/200884 Resolução nº 2402000.464 S2C4T2 Fl. 424 6 Propomos assim, o encaminhamento dos autos ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (01151690).” Por fim a Petrobrás – Petróleo Brasileiro S/A, peticionou nos autos (fls. 1179 e seguintes) anexando documentos que, segundo ela, demonstram que a prestadora de serviços teria cumprido integralmente com as obrigações ora exigidas o que afastaria a responsabilidade da contratante. Não houve manifestação por parte da fiscalização acerca dos referidos documentos. Após, sem contrarrazões da Procuradoria da Fazenda Nacional, subiram os autos a este Eg. Conselho. É o relatório Fl. 1538DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/10/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 20/10/20 14 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 13/10/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO Processo nº 18471.001461/200884 Resolução nº 2402000.464 S2C4T2 Fl. 425 7 VOTO Conselheiro Lourenço Ferreira do Prado Relator CONHECIMENTO Tempestivo o recurso e presentes os demais requisitos de admissibilidade, dele conheço. PRELIMINARES Conforme podemos verificar no relatório acima transcrito, entendo que os presentes autos não estão aptos a serem submetidos a julgamento por este colegiado. Conforme se depreende do Acórdão 001876/2006 cuja ementa novamente transcrevemos, a 2ª CaJ efetivamente anulou a Decisão de primeira instância e não apenas determinou uma diligência comum, senão vejamos: “EMENTA PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO Solidariedade. Cerceamento de Defesa. O contribuinte tem direito de participar de processo administrativo relacionado com fato gerador de sua responsabilidade, portanto tem que ser notificado pelo INSS. Liquidez e Certeza. È necessário que o INSS constate a existência do crédito previdenciário junto ao contribuinte (prestador dos serviços. Somente diante da não apresentação ou apresentação deficiente (pelo prestador dos serviços) da documentação contábil e trabalhista necessária a comprovar a extinção da obrigação previdenciária, poderia o INSS arbitrar, junto ao responsável solidário, as contribuições que entender devidas. ANULAR A DECISÃO NOTIFICAÇÃO” Ora, ao anular a DN, após cumpridas as exigências daquele colegiado, deveria ter sido proferida nova Decisão, o que não consta nos presentes autos. Ainda que a fiscalização entenda que o Enunciado nº 30 pudesse ser aplicado no presente caso, o fato é que não existe decisão de primeira instância e conseqüentemente recursos contra esta, a serem analisados. As peças protocolizadas pelas empresas foram dirigidas à diligência fiscal e não contra um Acórdão ou Decisão de primeira instância, ou seja, analisar todas as argumentações constantes nos auto seria suprimento de instância, o que nos é vedado. Logo, entendo que os autos devem ser baixados em diligência para que seja proferida uma nova decisão de primeira instância, intimando e abrindose prazo para que as empresas, querendo, apresentem recurso. Sugiro ainda que, ao proferir a nova decisão, o órgão de primeira instância manifestese com relação às alegações e documentos de fls. 1178 e seguintes. Fl. 1539DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/10/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 20/10/20 14 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 13/10/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO Processo nº 18471.001461/200884 Resolução nº 2402000.464 S2C4T2 Fl. 426 8 Ante ao exposto, VOTO no sentido de CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA para cumprimento das determinações supra mencionadas. É como voto. Lourenço Ferreira do Prado. Fl. 1540DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/10/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 20/10/20 14 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 13/10/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO
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Numero do processo: 13830.001343/2003-11
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 16 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Nov 28 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 1999
COMPENSAÇÃO EM DCTF. PENDÊNCIA DE PROCESSO JUDICIAL. LANÇAMENTO PARA PREVENIR DECADÊNCIA. POSSIBILIDADE.
O fato de existir processo judicial discutindo a inconstitucionalidade dos Decretos-Lei nº 2.445/1988 e nº 2.449/1988 não afasta a possibilidade de lançamento para prevenção de decadência, já que a suspensão da exigibilidade do crédito tributário não atinge o lançamento, que é ato administrativo vinculado da Fazenda Pública.
AUSÊNCIA DE INFORMAÇÕES PRECISAR NA DCTF. ÔNUS DA PROVA.
A Dctf, preenchida de forma incompleta, estando ausentes elementos na suficientes para demonstrar quais os débitos, competências e montantes que se queria compensar, não é documento hábil a extinguir o crédito tributário.
Recurso Voluntário Negado.
Crédito Tributário Mantido.
Numero da decisão: 3802-003.870
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM - Presidente.
(assinado digitalmente)
SOLON SEHN - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Bruno Mauricio Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira
Nome do relator: SOLON SEHN
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Ano-calendário: 1999 COMPENSAÇÃO EM DCTF. PENDÊNCIA DE PROCESSO JUDICIAL. LANÇAMENTO PARA PREVENIR DECADÊNCIA. POSSIBILIDADE. O fato de existir processo judicial discutindo a inconstitucionalidade dos Decretos-Lei nº 2.445/1988 e nº 2.449/1988 não afasta a possibilidade de lançamento para prevenção de decadência, já que a suspensão da exigibilidade do crédito tributário não atinge o lançamento, que é ato administrativo vinculado da Fazenda Pública. AUSÊNCIA DE INFORMAÇÕES PRECISAR NA DCTF. ÔNUS DA PROVA. A Dctf, preenchida de forma incompleta, estando ausentes elementos na suficientes para demonstrar quais os débitos, competências e montantes que se queria compensar, não é documento hábil a extinguir o crédito tributário. Recurso Voluntário Negado. Crédito Tributário Mantido.
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PENDÊNCIA DE PROCESSO JUDICIAL. LANÇAMENTO PARA PREVENIR DECADÊNCIA. POSSIBILIDADE. O fato de existir processo judicial discutindo a inconstitucionalidade dos DecretosLei nº 2.445/1988 e nº 2.449/1988 não afasta a possibilidade de lançamento para prevenção de decadência, já que a suspensão da exigibilidade do crédito tributário não atinge o lançamento, que é ato administrativo vinculado da Fazenda Pública. AUSÊNCIA DE INFORMAÇÕES PRECISAR NA DCTF. ÔNUS DA PROVA. A Dctf, preenchida de forma incompleta, estando ausentes elementos na suficientes para demonstrar quais os débitos, competências e montantes que se queria compensar, não é documento hábil a extinguir o crédito tributário. Recurso Voluntário Negado. Crédito Tributário Mantido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Presidente. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 83 0. 00 13 43 /2 00 3- 11 Fl. 214DF CARF MF Impresso em 28/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 12/11/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 27/11/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 2 SOLON SEHN Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Bruno Mauricio Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face de decisão da 5° Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Riberão Preto/MG, que julgou improcedente a impugnação apresentada pelo Recorrente, assentada nos fundamentos resumidos na ementa seguinte (fls. 173): Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Anocalendário: 1999 CONTRIBUIÇÃO DEVIDA. FALTA DE RECOLHIMENTO. A falta ou insuficiência de recolhimento da contribuição devida, apurada em procedimento fiscal, enseja o lançamento de oficio com os devidos acréscimos. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Anocalendário: 1999 AÇÃO JUDICIAL. CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. A discussão da matéria tributável na esfera judicial, não elide o dever da autoridade administrativa de constituir o crédito tributário, por lançamento de ofício , visando prevenir os efeitos da decadência. MULTA DE OFICIO. SUSPENSÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. Incabível a inclusão de multa de ofício no lançamento destinado a prevenir decadência, quando configurada alguma das hipóteses de suspensão da exigibilidade do crédito tributário previstas no art. 151, incisos IV e V, do CTN. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido. Na descrição dos fatos, parte integrante do auto de infração, o AuditorFiscal informou que, por ocasião do procedimento fiscal, foram constatadas compensações indevidas com utilização de supostos créditos da Contribuição ao PIS/Pasep, decorrentes da declaração de inconstitucionalidade dos DecretosLei n.° 2.445/1988 e 2.449/1988. Referidos pedidos de foram formalizados nos processos n° 13830.001069/9806 e 13830000951/200147, tendo sido indeferidos por decisão da DRF/Marília, posteriormente, confirmada pela DRJ/Ribeirão Preto, sob a alegação de prescrição, bem como a inexistência de crédito. O presente auto de infração, assim, foi lavrado para fins de prevenção de decadência, em razão da falta de recolhimento da contribuição no período de apuração compreendido entre fevereiro de 1999 e julho de 2002. Fl. 215DF CARF MF Impresso em 28/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 12/11/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 27/11/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 13830.001343/200311 Acórdão n.º 3802003.870 S3TE02 Fl. 215 3 A Recorrente alegou, inicialmente, que os créditos tributários estariam com a exigibilidade suspensa, em razão de decisão no processo administrativo acima referido, e que não haveria razão para a manutenção da autuação. A DRJ determinou a conversão do julgamento em diligência (fls. 126 a 129) a fim de verificar a veracidade dos fatos alegados pela autuada, bem como a existência de decisão definitiva permitindo a compensação. A diligência, devidamente atendida, concluiu no seguinte sentido (fls.172): “[...] houve a extinção tãosomente dos débitos de PIS de período de apuração setembro de 1998 a setembro de 1999, conforme fls. 153/156, pois: [...] No que se refere à COFINS, inexistia pedido de compensação nos autos do aludido processo, nem muito menos petição com informações suficientes para que pudesse ser considerado como tal. Constava tão somente informação de que, com base em uma decisão judicial obtida por terceiros, compensarseia o pleiteado indébito com débitos vencidos e vincendos da contribuição”. Diante disso, a DRJ manteve o ato administrativo fiscal impugnado, em razão da deficiência no preenchimento do pedido de compensação, excluindo apenas a multa de ofício, por entender que a mesma seria incabível no lançamento para a prevenção de decadência. A Recorrente, em suas razões de fls. 188 e ss., reitera a possibilidade de compensação do créditos de PIS/Pasep com os débitos de Cofins. Afirma que, por ter apresentado a compensação na vigência da IN SRF n.° 21/1997, o pedido referese à débitos vincendos de IR e PIS/COFINS. Sustenta ter identificado corretamente o débito que pretendia compensar. Pleiteia o recebimento e provimento do recurso voluntário. É o relatório. Voto Conselheiro Solon Sehn O sujeito passivo teve ciência da decisão no dia 09/04/2010 (fls. 187), interpondo recurso tempestivo em 21/04/2010 (fls. 188). Assim, presentes os demais requisitos de admissibilidade do Decreto no 70.235/1972, o recurso pode ser conhecido. O presente feito tem por objeto o lançamento, para fins de prevenção de decadência, de crédito tributário de Cofins nos anoscalendários de 1999 (fevereirosetembro), 2001 (agostodezembro) e 2002 (janeirojulho), em face da nãoprestação, pelo Recorrente, de informações relativas ao período de apuração, vencimento e valor compensado. Fl. 216DF CARF MF Impresso em 28/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 12/11/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 27/11/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 4 Tais informações deveriam ser prestadas em formulário próprio pelo sujeito passivo, instruindo o pedido de compensação. A negativa da compensação, portanto, não ocorreu em razão da natureza dos tributos (PIS/Pasep e Cofins), mas porque a interessada não prestou adequadamente as informações necessárias ao encontro de contas. É, destarte, absolutamente inviável exigir da Administração Fazendária o deferimento de compensação, quando o contribuinte não prestas as informações em questão. O dever de investigação que decorre do princípio da verdade material, consoante ensina Alberto Xavier, “[…] cessa na medida e a partir do limite em que o seu exercício se tornou impossível, em virtude do não exercício ou do exercício deficiente do dever de colaboração do particular”1. Os argumentos apresentados no recurso voluntário, por sua vez, são insuficientes para infirmar as conclusões da decisão recorrida, sobretudo porque desacompanhados de qualquer prova da liquidez e da certeza do suposto direito de crédito, requisitos indispensáveis à compensação, nos termos do art. 170 do Código Tributário Nacional: “Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública.” (g.n.) Por fim, no tocante à alegação de impossibilidade de constituição do crédito tributário, cumpre destacar que o lançamento para prevenção de decadência é perfeitamente possível, nos termos do art. 63 da Lei nº 9.430/1994, não violando direito do contribuinte: “Art. 63. Na constituição de crédito tributário destinada a prevenir a decadência, relativo a tributo de competência da União, cuja exigibilidade houver sido suspensa na forma dos incisos IV e V do art. 151 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, não caberá lançamento de multa de ofício. (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001)” Tratase de entendimento pacificado no âmbito jurisprudencial, consoante se depreende do seguinte julgado do Superior Tribunal de Justiça: TRIBUTÁRIO. EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECADÊNCIA. PRAZO QUINQUENAL. MANDADO DE SEGURANÇA. MEDIDA LIMINAR. SUSPENSÃO DO PRAZO. IMPOSSIBILIDADE. 1. Nas exações cujo lançamento se faz por homologação, havendo pagamento antecipado, contase o prazo decadencial a partir da ocorrência do fato gerador (art. 150, § 4º, do CTN), que é de cinco anos. 2. Somente quando não há pagamento antecipado, ou há prova de fraude, dolo ou simulação é que se aplica o disposto no art. 173, I, do CTN. 1 Do lançamento no direito tributário brasileiro. 3. ed. Rio de Janeiro: Forense, 2005, p. 152 Fl. 217DF CARF MF Impresso em 28/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 12/11/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 27/11/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 13830.001343/200311 Acórdão n.º 3802003.870 S3TE02 Fl. 216 5 3. A suspensão da exigibilidade do crédito tributário na via judicial impede o Fisco de praticar qualquer ato contra o contribuinte visando à cobrança de seu crédito, tais como inscrição em dívida, execução e penhora, mas não impossibilita a Fazenda de proceder à regular constituição do crédito tributário para prevenir a decadência do direito de lançar. 4. Embargos de divergência providos. (EREsp 572.603/PR, Rel. Ministro CASTRO MEIRA, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 08/06/2005, DJ 05/09/2005, p. 199) Votase, assim, pelo conhecimento e integral desprovimento do recurso. (assinado digitalmente) Solon Sehn Relator Fl. 218DF CARF MF Impresso em 28/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 12/11/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 27/11/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
score : 1.0
Numero do processo: 19515.000818/2002-21
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jul 17 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Multa Isolada sobre Tributo Postergado. Inobservância do Regime de Competência. IRPJ. CSLL.
Período de apuração: 1998
Não deve ser conhecido o recurso especial, quando não constatada a divergência entre os acórdãos recorrido e paradigmas, por tratarem de situações fáticas e jurídicas díspares.
Numero da decisão: 9101-001.399
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso especial da contribuinte.
Nome do relator: ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR
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Recorrente CONSTRUCÕES E COMÉRCIO CAMARGO CORREA S/A Interessado FAZENDA NACIONAL Assunto: Multa Isolada sobre Tributo Postergado. Inobservância do Regime de Competência. IRPJ. CSLL. Período de apuração: 1998 Não deve ser conhecido o recurso especial, quando não constatada a divergência entre os acórdãos recorrido e paradigmas, por tratarem de situações fáticas e jurídicas díspares. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso especial da contribuinte. (documento assinado digitalmente) OTACÍLIO DANTAS CARTAXO Presidente. (documento assinado digitalmente) ALBERTO PINTO S. JR. Relator. Participaram do presente julgamento: Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Susy Gomes Hoffmann, Karem Jureidini Dias, José Ricardo da Silva, Alberto Pinto Souza Junior, Valmar Fonseca de Menezes, Jorge Celso Freira da Silva, Valmir Sandri, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz e Orlando José Gonçalves Bueno. Relatório Tratase de Recurso Especial interposto pela contribuinte (doc. a fls. 606 e segs.), em face do Acórdão n° 10808.367, fls. 201 e segs., na parte que, por unanimidade, Fl. 1DF CARF MF Impresso em 17/08/2012 por SILVANA CRISTINA DOS SANTOS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/07/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/0 8/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 27/07/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNI OR 2 negou provimento ao recurso voluntário e manteve o lançamento da multa isolada sobre o valor do IRPJ e da CSLL, cujos pagamentos foram postergados em razão da nãoobservância do regime de competência no reconhecimento de custos. Em apertada síntese, a recorrente se insurge contra o referido acórdão, por sustentar que, ao caso, aplicase a regra do art. 106, II, a, do CTN, tendo em vista que a MP 303/2006 revogou o inciso II do § 1˚ do art. 44 da Lei n˚ 9.430/96, que determinava a aplicação de multa isolada nas hipóteses de pagamento do tributo fora do prazo e sem multa de mora. Em despacho a fls. 972 e 973, o Presidente da Oitava Câmara do extinto Primeiro Conselho de Contribuintes deu seguimento parcial ao recurso especial da Fazenda Nacional, ou seja, apenas para acolhêlo no ponto em que a recorrente se insurge contra a imposição de multa isolada sobre o tributo recolhido extemporaneamente sem multa moratória, por entender que o acórdão recorrido divergia de outros acórdãos deste Conselho, nos quais foi aplicada a retroatividade benigna, para afastar a penalidade tendo em vista que a MP 303/2006 a extinguiu. À fls. 973, consta o registro de que a Procuradoria da Fazenda Nacional tomou ciência do despacho que deu seguimento parcial ao recurso especial da contribuinte. A recorrente apresentou agravo parcial (a fls. 978 e segs.) em face do despacho denegatório dos outros pontos do seu recurso especial, mas o Presidente substituto da CSRF o rejeitou e confirmou o despacho recorrido (doc. a fls. 998). À fls. 1010, a contribuinte apresenta razões aditivas ao seu recurso especial, entre as quais, alega que as súmulas do CARF são de observância obrigatória pelos membros deste Conselho, nos termos do art. 72 da Portaria MF n˚ 256/2009, e que a Súmula n˚ 31 dispõe que: "Descabe a cobrança de multa de ofício isolada exigida sobre os valores de tributos recolhidos extemporaneamente, sem o acréscimo de multa de mora, antes do início do procedimento fiscal." . Alfim, requer seja dado provimento ao seu recurso especial. Voto Conselheiro Alberto Pinto Souza Junior, Relator. Inicialmente, para que fique bem claro, vale salientar que são situações diversas aquela em que o contribuinte paga o imposto vencido em atraso sem multa de mora e aqueloutra em que o contribuinte antecipa o reconhecimento de um custo ou posterga o de uma receita, gerando menores base tributável e tributo a pagar. O presente caso se enquadra na segunda situação acima tratada, pois a autuação resultou da nãoobservância, pelo contribuinte, do regime de competência para o reconhecimento de seus custos, hipótese em que se aplicam regras específicas, qual seja, os §§ 4˚, 5˚, 6˚ e 7˚ do art. 6˚ do DecretoLei n˚ 1.598/77 (base legal do art. 219 do RIR/94, fundamento legal do auto de infração). Então, a questão da aplicação da multa de ofício in casu deve ser analisada sob a perspectiva do regramento específico dado pela legislação do imposto de renda para os casos de inobservância do regime de competência. Ora, nenhum dos acórdãos paradigmas apresentados pela recorrente tratou do regramento específico da inobservância do regime de competência prevista nos referidos parágrafos do art. 6˚ do DL 1598/77, se não vejamos: Fl. 2DF CARF MF Impresso em 17/08/2012 por SILVANA CRISTINA DOS SANTOS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/07/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/0 8/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 27/07/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNI OR Processo nº 19515.000818/200221 Acórdão n.º 9101001.399 CSRFT1 Fl. 2 3 a) Acórdão n˚ 30237910, tratou de complementação de imposto de importação; b) Acórdãos n˚ 10615848 e 10195713, versaram sobre recolhimento de impostos em atraso sem multa de mora, ou seja, a discussão versava sobre o alcance do art. 138 do CTN; e c) Acórdão n˚ 10615777, teve como objeto a liquidação de IRRF após o vencimento e sem multa de mora. Assim, como nenhum dos acórdãos paradigmas enfrentou a situação fática inobservância de regime de competência nem a situação jurídica regramento do art. 6˚ do DL 1598/77, data maxima venia, ouso divergir do Presidente da Oitava Câmara do extinto Primeiro Conselho de Contribuintes, pois entendo não configurada a divergência entre os Acórdãos recorrido e paradigmas, por tratarem de situações fáticas e jurídicas díspares. Por último, cabe registrar que, por essas mesmas razões, não se aplica, ao presente caso, a Súmula CARF n˚ 31. Em face do exposto, voto no sentido de não conhecer do recurso especial da contribuinte. (documento assinado digitalmente) ALBERTO PINTO S. JR. Relator. Fl. 3DF CARF MF Impresso em 17/08/2012 por SILVANA CRISTINA DOS SANTOS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/07/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/0 8/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 27/07/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNI OR
score : 1.0
Numero do processo: 16327.001291/2010-91
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 12 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Nov 14 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 31/01/2005, 31/01/2006, 31/01/2007
PROCESSOS CONEXOS. AUTUAÇÃO DECORRENTE DO DESCUMPRIMENTO DA OBRIGAÇÃO PRINCIPAL DECLARADA PROCEDENTE. MANUTENÇÃO DA MULTA PELA FALTA DE DECLARAÇÃO DOS MESMOS FATOS GERADORES.
Sendo declarada a procedência do crédito relativo à exigência da obrigação principal, deve seguir o mesmo destino a lavratura decorrente da falta de declaração dos fatos geradores correspondentes na GFIP.
MULTA. LANÇAMENTO DE OFÍCIO E OCORRÊNCIA DE DECLARAÇÃO INCORRETA OU OMISSA EM RELAÇÃO A FATOS GERADORES DE CONTRIBUIÇÕES. COMPARAÇÃO DA MULTA MAIS BENÉFICA. DISPOSITIVO APLICÁVEL.
Havendo lançamento de ofício e ocorrendo simultaneamente declaração de fatos geradores na GFIP com erros ou omissões, a multa aplicada com base na legislação revogada deve ser comparada com aquela prevista no art. 35-A da Lei n. 8.212/1991, para definição da norma mais benéfica.
PRINCÍPIO DA CONSUNÇÃO. INAPLICABILIDADE.
Utilizando-se no caso sob apreciação a legislação revogada, por ser mais benéfica ao sujeito passivo, descabe a aplicação do princípio da consunção, mas a conjugação da multa por descumprimento da obrigação principal com aquela decorrente da falta de pagamento das contribuições.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2401-003.605
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os conselheiros Igor Araújo Soares, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, que davam provimento parcial para aplicar o art. 32-A da Lei nº 8.212/91.
Elias Sampaio Freire - Presidente
Kleber Ferreira de Araújo - Relator
Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 31/01/2005, 31/01/2006, 31/01/2007 PROCESSOS CONEXOS. AUTUAÇÃO DECORRENTE DO DESCUMPRIMENTO DA OBRIGAÇÃO PRINCIPAL DECLARADA PROCEDENTE. MANUTENÇÃO DA MULTA PELA FALTA DE DECLARAÇÃO DOS MESMOS FATOS GERADORES. Sendo declarada a procedência do crédito relativo à exigência da obrigação principal, deve seguir o mesmo destino a lavratura decorrente da falta de declaração dos fatos geradores correspondentes na GFIP. MULTA. LANÇAMENTO DE OFÍCIO E OCORRÊNCIA DE DECLARAÇÃO INCORRETA OU OMISSA EM RELAÇÃO A FATOS GERADORES DE CONTRIBUIÇÕES. COMPARAÇÃO DA MULTA MAIS BENÉFICA. DISPOSITIVO APLICÁVEL. Havendo lançamento de ofício e ocorrendo simultaneamente declaração de fatos geradores na GFIP com erros ou omissões, a multa aplicada com base na legislação revogada deve ser comparada com aquela prevista no art. 35-A da Lei n. 8.212/1991, para definição da norma mais benéfica. PRINCÍPIO DA CONSUNÇÃO. INAPLICABILIDADE. Utilizando-se no caso sob apreciação a legislação revogada, por ser mais benéfica ao sujeito passivo, descabe a aplicação do princípio da consunção, mas a conjugação da multa por descumprimento da obrigação principal com aquela decorrente da falta de pagamento das contribuições. Recurso Voluntário Negado.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 31/01/2005, 31/01/2006, 31/01/2007 PROCESSOS CONEXOS. AUTUAÇÃO DECORRENTE DO DESCUMPRIMENTO DA OBRIGAÇÃO PRINCIPAL DECLARADA PROCEDENTE. MANUTENÇÃO DA MULTA PELA FALTA DE DECLARAÇÃO DOS MESMOS FATOS GERADORES. Sendo declarada a procedência do crédito relativo à exigência da obrigação principal, deve seguir o mesmo destino a lavratura decorrente da falta de declaração dos fatos geradores correspondentes na GFIP. MULTA. LANÇAMENTO DE OFÍCIO E OCORRÊNCIA DE DECLARAÇÃO INCORRETA OU OMISSA EM RELAÇÃO A FATOS GERADORES DE CONTRIBUIÇÕES. COMPARAÇÃO DA MULTA MAIS BENÉFICA. DISPOSITIVO APLICÁVEL. Havendo lançamento de ofício e ocorrendo simultaneamente declaração de fatos geradores na GFIP com erros ou omissões, a multa aplicada com base na legislação revogada deve ser comparada com aquela prevista no art. 35A da Lei n. 8.212/1991, para definição da norma mais benéfica. PRINCÍPIO DA CONSUNÇÃO. INAPLICABILIDADE. Utilizandose no caso sob apreciação a legislação revogada, por ser mais benéfica ao sujeito passivo, descabe a aplicação do princípio da consunção, mas a conjugação da multa por descumprimento da obrigação principal com aquela decorrente da falta de pagamento das contribuições. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 12 91 /2 01 0- 91 Fl. 98DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 21/08 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 ACORDAM os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os conselheiros Igor Araújo Soares, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, que davam provimento parcial para aplicar o art. 32A da Lei nº 8.212/91. Elias Sampaio Freire Presidente Kleber Ferreira de Araújo Relator Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 99DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 21/08 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 16327.001291/201091 Acórdão n.º 2401003.605 S2C4T1 Fl. 99 3 Relatório Tratase de recurso interposto pela empresa contra o Acórdão n. 1628.504 de lavra da 13.ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento – DRJ em São Paulo I (SP), que julgou procedente em parte a impugnação apresentada pelo sujeito passivo para desconstituir o Auto de Infração – AI n. 37.271.7276. O lançamento em questão referese à aplicação de multa pela falta de declaração na Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social GFIP das parcelas pagas a título de participação nos lucros ou resultados – PLR aos empregados e diretores empregados, nas competências 01/2005; 01/2006 e 01/2007. O sujeito passivo tomou ciência desta lavratura em 29/09/2010. Vale ressaltar que, em virtude da superveniência da Lei n° 11.941/09, a autoridade lançadora, por intermédio da planilha de fls. 11, demonstra a multa aplicada a cada competência na qual se verificou a ocorrência de infração, conforme a legislação aplicável (do fato gerador ou a atual), em observância ao preceituado no art. 106, II, “c”, do CTN. Demonstrouse que no momento da lavratura, a legislação vigente ao tempo dos fatos geradores reclamados revelouse mais benéfica, no tocante a todas as competências. Na decisão de primeira instância (ver fls. 67 e segs.), inicialmente ressaltase que o AI foi lavrado em total obediência ao que dispõem os dispositivos legais e normativos que disciplinam o assunto. Para a DRJ não ocorreu a decadência das contribuições lançadas, uma vez que o prazo decadencial deve ser aferido pela regra do inciso I do art. 173 do CTN, por se tratar de lançamento de ofício. Foi excluída do crédito a competência 01/2005, por entender o órgão julgador que o AI em destaque é conexo ao constante no processo n. 16327.001293/201080 (exigência da obrigação principal), em cujo julgamento decidiuse por essa exclusão. Quanto aos demais argumentos contra a incidência de PLR, o órgão de primeira instância fez remissão ao que ficou decidido no processo principal. Afastouse ainda a tese de que a multa do presente AI estaria absorvida pela multa aplicada na lavratura da obrigação principal. Entendeu a DRJ que é a legislação previdenciária não prevê a aplicação do princípio da consunção ou absorção, sendo apenas cabível a comparação da multa aplicada com base na legislação revogada com aquele fixada conforme a legislação atual. Por fim, decidiuse que a aplicação da norma mais benéfica para cálculo da multa, tendo em conta as mudanças promovidas pela Lei n. 11.941/2009, somente teria cabimento quando do pagamento, parcelamento ou inscrição do crédito em dívida ativa. Em seu recurso, fls. 79 e segs., a empresa, em apertada síntese, alegou que: Fl. 100DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 21/08 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 a) não estando a PLR paga aos seus empregados sujeita à incidência de contribuições é descabida a exigência de sua inclusão na GFIP, sendo improcedente a lavratura; b) requer o julgamento deste processo em conjunto com aqueles relativos à exigência da obrigação principal; c) a infração relativa ao descumprimento de obrigação acessória deve ser absorvida pelo inadimplemento da obrigação principal, que é mais gravosa. Essa regra tem razão de ser no princípio da consunção; d) caso se mantenha a penalidade, esta deve ser calculada pelo art. 32A da Lei n. 8.212/1991. Ao final pede que a decisão seja reformada na parte que lhe foi desfavorável ou que o AI seja retificado, para que se calcule a multa conforme o art. 32A da Lei n. 8.212/1991. É o relatório. Fl. 101DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 21/08 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 16327.001291/201091 Acórdão n.º 2401003.605 S2C4T1 Fl. 100 5 Voto Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo, Relator Admissibilidade O recurso voluntário merece conhecimento, posto que preenche os requisitos de tempestividade e legitimidade. Da ocorrência da infração conexão com os processos de exigência da obrigação principal Vale frisar que o julgamento do processo de exigência das contribuições decorrentes dos mesmos fatos geradores tratados no presente AI foi concluído a pouco, tendo a Turma mantido a decisão de primeira instância, que deu provimento parcial à impugnação do sujeito passivo para afastar a competência 01/2005. O entendimento unânime dessa Turma é que o julgamento dos AI decorrentes de aplicação de multa por omissão de fatos geradores na GFIP deve levar em consideração o que ficou decidido nos AI para exigência da obrigação principal. Assim, os resultados dos julgamentos das lavraturas para cobrança das contribuições tem sido aplicados automaticamente nas demandas em que é discutida a exigência de declaração dos fatos geradores correspondentes na GFIP. Vejam esse julgado da Câmara Superior de Recursos Fiscais do CARF: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PROCESSOS CONEXOS. O presente auto de infração diz respeito à infringência ao art. 32, inciso IV, § 5° da Lei n° 8.212/91, por ter o contribuinte apresentado Guia de Recolhimento de Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e informações à Previdência Social em GFIP, com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias. Provido o recurso especial da Fazenda Nacional, no sentido de se afastar a nulidade por vício formal apontada no processo nº 35554.005633/200626. Em virtude da existência de conexão entre os processos, igual sorte merece o presente auto de infração. Foi declarado nulo em virtude da declaração da nulidade, por vício formal, da NFLD (processo nº 35554.005633/200626) que continha os lançamentos referentes aos fatos geradores tidos como não declarados, em decorrência da conexão existente entre o presente auto de infração e a referida NFLD. Provido o recurso especial da Fazenda Nacional, no sentido de se afastar a nulidade por vício formal apontada no processo nº 35554.005633/200626. Em virtude da Fl. 102DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 21/08 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 6 existência de conexão entre os processos, igual sorte merece o presente auto de infração. Nos termos em que disciplina o art. 49, § 7º do anexo II da Portaria MF nº 256/2009, que aprovou o Regimento Interno do CARF, os processos conexos, decorrentes ou reflexos serão distribuídos ao mesmo relator, independentemente de sorteio. (Acórdão 9202001.244, Rel Conselheiro Elias Sampaio Freire, 08/02/2011) Assim, para as competências mantidas pela DRJ (01/2006 e 01/2007), de fato ocorreu a infração de deixar de declarar na GFIP os fatos geradores relativos aos pagamentos a título de PLR, posto que decidimos no AI da obrigação principal pela procedência do lançamento. Aplicação da multa De fato, com o advento da Medida Provisória MP n. 449/2008, convertida na Lei n. 11.941/2009, houve profunda alteração no cálculo das multas decorrentes de descumprimento das obrigações acessórias relacionadas à GFIP. Na sistemática anterior, a infração de omitir fatos geradores em GFIP era punida com a multa correspondente a cem por cento da contribuição não declarada, ficando a penalidade limita a um teto calculado em função do número de segurados da empresa. Quanto havia lançamento da obrigação principal relativo aos fatos geradores não declarados, o sujeito passivo ficava também sujeito à aplicação da multa de mora nos créditos lançados, num percentual do valor principal que variava de acordo com a fase processual do lançamento, ou seja, quanto mais cedo o contribuinte quitava o débito, menor era a multa imposta. Com a nova legislação, há duas sistemáticas de aplicação da multa. Inexistindo o lançamento das contribuições, aplicase apenas a multa de ofício prevista no art. 32A da Lei n. 8.212/1991, que é calculada a partir de um valor fixo para cada grupo de 10 informações incorretas ou omitidas, nos seguintes termos: Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitar seá às seguintes multas:(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e (...) Todavia pelo art. 35A da mesma Lei, também introduzido pela Lei n. 11.941/2009, ocorrendo o lançamento da obrigação principal, a penalidade decorrente do erro ou omissão na GFIP fica incluída na multa de mora constante no crédito constituído. Deixa, assim, de haver cumulação de multa punitiva e multa moratória, condensandose ambas em valor único. Vejam o diz o dispositivo: Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Fl. 103DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 21/08 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 16327.001291/201091 Acórdão n.º 2401003.605 S2C4T1 Fl. 101 7 É que o art. 44, I, da Lei n. 9.430/19961 prevê que, havendo declaração inexata ou omissa de tributo, acompanhado da falta de recolhimento do mesmo, devese aplicar a multa ali especificada. Como já exposto, nessas situações, a multa agora é una para ambas as infrações, descumprimento das obrigações principal e acessória. Diante das considerações acima expostas, não há como se aplicar na situação em tela o art. 32A da Lei n. 8.212/1991, como requer o sujeito passivo, posto que houve na espécie lançamento das contribuições correlatas. A situação sob enfoque pede a aplicação do art. 35A da mesma Lei, o qual se mostrou mais gravoso ao sujeito passivo, conforme demonstrado pela autoridade lançadora. Aplicação do princípio da consunção O referido princípio, também conhecido como princípio da absorção, tem utilização freqüente no Direito Penal, sendo aplicável nos casos em que há uma sucessão de condutas com existência de um nexo de dependência. De acordo com tal princípio, o crime fim absorve o crime meio. Baseandose nesse postulado, o sujeito passivo requer a extinção da multa presente no AI em questão, afirmando que a conduta de deixar de declarar os fatos geradores na GFIP estaria absorvida pelo ilícito tributário de deixar de recolher as contribuições devidas. Pela sua tese, a multa por descumprimento da obrigação acessória estaria contida na multa pela falta de pagamento do tributo. Como vimos acima, com as alterações da legislação previdenciária promovidas pela Lei n. 11.941/2009, hodiernamente a multa pela falta de declaração ou declaração incorreta da GFIP encontrase absorvida pela multa decorrente do lançamento de ofício das contribuições. Por esse motivo, para as condutas ocorridas após a publicação da referida Lei, somente se aplica a multa isolada por descumprimento de obrigação acessória, quando não há lançamento da obrigação principal. Todavia, há de se ter em conta que a multa foi aplicada com esteio na legislação vigente quando da ocorrência dos fatos geradores, posto que esta sistemática mostrouse mais benéfica ao sujeito passivo, conforme demonstrado pelo fisco. Aplicandose a legislação anterior, devese respeitar as normas que determinavam a independência das autuações, ou seja, havendo falta de declaração dos fatos geradores na GFIP cumulada com falta de recolhimento das contribuições, há de se impor as duas multas, a primeira pela falta de declaração (§ 5. do art. 32 da Lei n. 8.212/1991) e a outra pelo descumprimento do prazo para quitação do tributo (art. 35 da Lei n. 8.212/1991). 1 Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (...) Fl. 104DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 21/08 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 8 Assim, não devo dar razão ao sujeito passivo quando pede que a multa imposta no presente AI seja absorvida pela multa aplicada no processo principal, posto que esta sistemática, adotada na legislação previdenciária após a edição da Lei n. 11.941/2009, mostra se mais gravosa. Conclusão Voto por negar provimento ao recurso. Kleber Ferreira de Araújo. Fl. 105DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 21/08 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
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Numero do processo: 10803.720033/2011-49
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 19 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Nov 26 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 2202-000.437
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, decidir pelo sobrestamento do processo, nos termos do voto do Conselheiro Relator. Após a formalização da Resolução o processo será movimentado para a Secretaria da Câmara que o manterá na atividade de sobrestado, conforme orientação contida no § 3º do art. 2º, da Portaria CARF nº 001, de 03 de janeiro de 2012. O processo será incluído novamente em pauta após solucionada a questão da repercussão geral, em julgamento no Supremo Tribunal Federal. Fez sustentação oral, o seu representante legal, Dr. Douglas Guidini Odorizzi, inscrito na OAB/SP sob o nº 207.535.
(Assinado digitalmente)
Nelson Mallmann Presidente
(Assinado digitalmente)
Odmir Fernandes Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Antonio Lopo Martinez, Guilherme Barranco de Souza, Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Nelson Mallmann (Presidente), Odmir Fernandes, Pedro Anan Júnior. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Helenilson Cunha Pontes e Rafael Pandolfo.
Nome do relator: Não se aplica
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Depósito Bancários. Sigilo Recorrente ERNANI BERTINO MACIEL Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, decidir pelo sobrestamento do processo, nos termos do voto do Conselheiro Relator. Após a formalização da Resolução o processo será movimentado para a Secretaria da Câmara que o manterá na atividade de sobrestado, conforme orientação contida no § 3º do art. 2º, da Portaria CARF nº 001, de 03 de janeiro de 2012. O processo será incluído novamente em pauta após solucionada a questão da repercussão geral, em julgamento no Supremo Tribunal Federal. Fez sustentação oral, o seu representante legal, Dr. Douglas Guidini Odorizzi, inscrito na OAB/SP sob o nº 207.535. (Assinado digitalmente) Nelson Mallmann – Presidente (Assinado digitalmente) Odmir Fernandes – Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Antonio Lopo Martinez, Guilherme Barranco de Souza, Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Nelson Mallmann (Presidente), Odmir Fernandes, Pedro Anan Júnior. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Helenilson Cunha Pontes e Rafael Pandolfo. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 03 .7 20 03 3/ 20 11 -4 9 Fl. 1951DF CARF MF Impresso em 26/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2013 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 24/03/2013 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 17/03/2013 por ODMIR FERNANDES Erro! A origem da referência não foi encontrada. Fls. 3 ___________ Relatório Tratase de Recurso Voluntário da decisão da 05ª Turma de Julgamento da DRJ de São Paulo/SP que manteve a autuação do Imposto de Renda de Pessoa Física IRPF dos anoscalendário de 2005, 2006, 2007 e 2008 reativo a omissão de rendimentos. no montante de R$ 2.112.656,21, sendo R$ 738.468,70 de imposto, R$ 1.107.703,04, de multa de ofício qualificada, e R$ 266.484,47, de juros de mora, calculados até 30/06/2011. Auto de Infração (fls. 1456/1462) com a apuração de omissão de rendimentos, caracterizada pelo recebimento de recursos por intermédio da interposta pessoa de Walter Flamengo Salles. Consta do Termo de Verificação de Infração de fls. 1458 a 1462, que o lançamento decorre da apuração de omissão de rendimentos caracterizada por simulação, em face do recebimento de rendimentos com infração à lei, os quais foram depositados nas contacorrentes da interposta pessoa WALTER FLAMENGO SALLES, que os informou em sua declaração como supostos empréstimos, recebidos das empresas BRASTEC TECNOLOGIA E INFORMÁTICA LTDA., CNPJ n° 05.927.775/000120 (atualmente com situação cadastral inapta, por prática irregular de comércio exterior, com efeitos a partir de 14/02/2005 Processo n° 10314.005235/200792), e COMTEC COMÉRCIO E DISTRIBUIÇÃO DE PRODUTOS ELETRO ELETRÔNICOS LTDA., CNPJ n° 07.047.790/0001400 (com situação cadastral suspensa, por inexistência de fato, a partir de 05/08/2010 Processo n° 10803.000022/201068), interpostas empresas comandadas e gerenciadas por CID GUARDIA FILHO e ERNANI BERTINO MACIEL, integrantes do Grupo K/E e verdadeiros sujeitos passivos, participantes do esquema fraudulento de importação investigado no bojo da Operação Persona, deflagrada em conjunto pela Receita Federal, pela Polícia Federal e pelo Ministério Público Federal, conforme demonstrado no Termo de Verificação de Infração de fls. 1463 a 1610, anexo ao auto de infração. Esclarece a Fiscalização que CID GUARDIA FILHO e ERNANI BERTINO MACIEL respondem, cada um, por 50% (cinquenta por cento) da receita omitida apurada. Requisição de Informações sobre Movimentação Financeira – RMF, das contas em nome de Walter Flamengo Salles (fls. 317, 347, 364, 387/388, 420/421). Notificação do lançamento em 14.07.2011 (AR fls. 1626). Impugnação (fls. 1630/1647). Decisão recorrida (fls. 1685/1704) com ciência em 04.04.2012 (AR fls. 1710) manteve a exigência por entender comprovada a ocorrência do recebimento de rendimentos com a utilização de interposta pessoa. Decisão recorrida (fls. 1685/1704) com ciência em 04.04.2012 (AR fls. 1710) manteve a autuação por entender comprovada a omissão de rendimentos recebidos por intermédio de interposta pessoa e assim ementada: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Anocalendário: 2005, 2006, 2007, 2008 LANÇAMENTO. PRAZO DECADENCIAL. Nas hipóteses em que inexistir pagamento antecipado ou em que estiver comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, a contagem do Fl. 1952DF CARF MF Impresso em 26/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2013 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 24/03/2013 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 17/03/2013 por ODMIR FERNANDES Processo nº 10803.720033/201149 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2202000.437 S2C2T2 Fl. 4 3 prazo de que dispõe o Fisco para efetuar o lançamento é disciplinada pelo artigo 173, inciso I, do Código Tributário Nacional (CTN), que fixa como termo inicial o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. SIMULAÇÃO. DESCONSIDERAÇÃO DE ATO OU NEGÓCIO JURÍDICO. Demonstrada a existência de indícios veementes de que o contribuinte praticou atos jurídicos simulados, com o intuito doloso de excluir ou modificar as características essenciais do fato gerador da obrigação tributária, impõese a desconsideração dos efeitos dos atos viciados, para que se oporem conseqüências no plano da eficácia tributária, independentemente de prévia manifestação judicial. OMISSÃO DE RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS RECEBIDOS POR MEIO DE INTERPOSTA PESSOA. Evidenciado que o contribuinte recebeu rendimentos tributáveis por intermédio de interposta pessoa em vários anoscalendário e não os ofereceu à tributação nas correspondentes declarações de ajuste anual, resta confirmada a omissão de rendimentos apurada. MULTA QUALIFICADA. É cabível a aplicação da multa qualificada quando restar comprovado o intento doloso do contribuinte de reduzir indevidamente a base de cálculo do imposto devido. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Recurso Voluntário (fls. 1712/1736) protocolado em 03.05.2012, sustenta, em síntese: 1) Decadência dos meses de janeiro de 2005 a junho de 2006; 2) Falta de intimação do Recorrente para identificar a origem dos depósitos; 3) Erro na eleição do sujeito passivo por não haver comprovação de os valores retirados das contas de Walter Flamengo Salles direta ou indiretamente redundaram em renda tributável ao Recorrente; 4) Inexistência dos pressupostos para a qualificação da penalidade. É o breve relatório. Fl. 1953DF CARF MF Impresso em 26/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2013 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 24/03/2013 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 17/03/2013 por ODMIR FERNANDES Processo nº 10803.720033/201149 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2202000.437 S2C2T2 Fl. 5 4 Voto Conselheiro Odmir Fernandes Relator Cuidase autuação sobre omissão de rendimentos apurada por intermédio de interposta pessoa e objeto da movimentação financeira feita em nome de Walter Flamengo Salles. Para apuração da omissão dos rendimentos houve entrega dos extratos bancários e Requisição de Informações sobre Movimentação Financeira – RMF, nas contas em nome do contribuinte Walter Flamengo Salles (fls. 317, 347, 364, 387/388, 420/421). Na mesma requisição houve pedido para informar a quem foram pagos os cheques emitidos, as ordens de transferências bancárias, os depósitos em outras contas, fichas bancarias e procurações. O C. Supremo Tribunal Federal, no RE 601.314/SP, reconheceu a existência de Repercussão Geral para exame da constitucionalidade da quebra do sigilo bancário, pela fiscalização, sem a prévia autorização judicial, conforme podemos ver da ementa da decisão monocrática abaixo: “Constitucional. Sigilo Bancário. Fornecimento de informações sobre movimentação bancária de contribuintes, pelas Instituições Financeiras, diretamente ao fisco, sem prévia Autorização Judicial (LC 105/2001). Possibilidade de aplicação da Lei 10.174/2001 para apuração de créditos tributários referentes a exercícios anteriores ao de sua vigência. Relevância jurídica da questão constitucional. Existência de Repercussão Geral” (fl. 563). Brasília, 4 de agosto de 2011. Min. Ricardo Lewandowski – Relator” O Regimento Interno deste Conselho, aprovado da Portaria MF nº 256, de 2009, estabelece no art. 62A que devem ser sobrestados os recursos sobre a matéria com Repercussão Geral reconhecida pelo C. STF ou em Recurso Repetitivo Representativo da controvérsia, pelo E. STJ (arts. 543B e 543C, do CPC): Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, CPC, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543 B. § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. Fl. 1954DF CARF MF Impresso em 26/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2013 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 24/03/2013 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 17/03/2013 por ODMIR FERNANDES Processo nº 10803.720033/201149 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2202000.437 S2C2T2 Fl. 6 5 O C. STF, pelo Tribunal Pleno, no RE nº 389.808PR, Rel. Min. Marco Aurélio, j., 15.12.2010, reconheceu a inconstitucionalidade da quebra do sigilo bancários, sem a prévia autorização judicial Referido RE pede da decisão Embargos de Declaração com pedido de efeito modificativo ou infringentes. Fora o RE 389.808PR, com decisão de mérito pendente do transito em julgado, o C. STF vem sobrestando o julgamento de todos os Recursos Extraordinário sobre a quebra do sigilo bancário pela existência de Repercussão Geral reconhecida no RE nº 601.314SP, conforme vemos nas decisões abaixo: DESPACHO: Vistos. O presente apelo discute a violação da garantia do sigilo fiscal em face do inciso II do artigo 17 da Lei n° 9.393/96, que possibilitou a celebração de convênios entre a Secretaria da Receita Federal e a Confederação Nacional da Agricultura CNA e a Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura – Contag, a fim de viabilizar o fornecimento de dados cadastrais de imóveis rurais para possibilitar cobranças tributárias. Verificase que no exame do RE n° 601.314/SP, Relator o Ministro Ricardo Lewandowski, foi reconhecida a repercussão geral de matéria análoga à da presente lide, e terá seu mérito julgado no Plenário deste Supremo Tribunal Federal Destarte, determino o sobrestamento do feito até a conclusão do julgamento do mencionado RE nº 601.314/SP. Devem os autos permanecer na Secretaria Judiciária até a conclusão do referido julgamento. Publiquese. Brasília, 9 de fevereiro de 2011. Min. Dias Toffoli Relator documento assinado digitalmente (RE 488993, Rel. Min. Dias Toffoli, J. 09/02/2011, Dje035 Divulg 21/02/2011 Public 22/02/2011). Repercussão Geral admitida. Processos versando a matéria. Sigilo. Dados bancários. Fisco. Afastamento. Art. 6º, da LC nº 105/2001. Sobrestamento. 1. O Tribunal, no Recurso Extraordinário nº 601.314/SP, relator Ministro Ricardo Lewandowski, concluiu pela repercussão geral do tema relativo à constitucionalidade de o Fisco exigir informações bancárias de contribuintes mediante o procedimento administrativo previsto no artigo 6º da Lei Complementar nº 105/2001. 2. Ante o quadro, considerado o fato de o recurso veicular a mesma matéria, tendo a intimação do acórdão da Corte de origem ocorrido anteriormente à vigência do sistema da repercussão geral, determino o sobrestamento destes autos. 3. À Assessoria, para o acompanhamento devido. 4. Publiquem. Brasília, 04 de outubro de 2011. (AI 691349 AgR, Rel.Min. Marco Aurélio, j. 04/10/2011, DJe213 Divulg 08/11/2011 Public 09/11/2011). Repercussão Geral. LC 105/01. Constitucionalidade. Lei 10.174/01. Aplicação para apuração de créditos tributários referentes à exercícios anteriores ao de sua vigência. Recurso Extraordinário da União prejudicado. Possibilidade. Decisão: Discutese nestes recursos extraordinários a constitucionalidade, ou não, do artigo 6º da LC 105/01, que permitiu o fornecimento de informações sobre Fl. 1955DF CARF MF Impresso em 26/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2013 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 24/03/2013 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 17/03/2013 por ODMIR FERNANDES Processo nº 10803.720033/201149 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2202000.437 S2C2T2 Fl. 7 6 movimentações financeiras diretamente ao Fisco, sem autorização judicial; bem como a possibilidade, ou não, da aplicação da Lei 10.174/01 para apuração de créditos tributários referentes a exercícios anteriores ao de sua vigência. O Tribunal Regional Federal da 4ª Região negou seguimento à remessa oficial e à apelação da União, reconhecendo a impossibilidade da aplicação retroativa da LC 105/01 e da Lei 10.174/01. Contra essa decisão, a União interpôs, simultaneamente, recursos especial e extraordinário, ambos admitidos na Corte de origem. Verificase que o Superior Tribunal de Justiça deu provimento ao recurso especial em decisão assim ementada (fl. 281): “Utilização de dados da CPMF para lançamento de outros tributos. Imposto de Renda. Quebra de sigilo bancário. Período anterior á LC 105/2001. Aplicação imediata. Retroatividade permitida pelo Art. 144, § 1º, do CTN. Precedente da 1ª Seção. Recurso Especial Provido.” Irresignado, Gildo Edgar Wendt interpôs novo recurso extraordinário, alegando, em suma, a inconstitucionalidade da LC 105/01 e a impossibilidade da aplicação retroativa da Lei 10.174/01 . O STF reconheceu a repercussão geral da controvérsia objeto destes autos, que será submetida à apreciação do Pleno desta Corte, nos autos do RE 601.314, Relator o Ministro Ricardo Lewandowski. Pelo exposto, declaro a prejudicialidade do recurso extraordinário interposto pela União, com fundamento no disposto no artigo 21, inciso IX, do RISTF. Com relação ao apelo extremo interposto por Gildo Edgar Wendt, revejo o sobrestamento anteriormente determinado pelo Min. Eros Grau, e, aplicando a decisão Plenária no RE n. 579.431, secundada, a posteriori pelo AI n. 503.064AgRAgR, Rel. Min. Celso de Mello; AI n. 811.626AgRAgR, Rel. Min. Ricardo Lewandowski, e RE n. 513.473 ED, Rel. Min. Cézar Peluso, determino a devolução dos autos ao Tribunal de origem (art. 328, parágrafo único, do RISTF c.c. artigo 543B e seus parágrafos do Código de Processo Civil). Publiquese. Brasília, 1º de agosto de 2011. Ministro Luiz Fux Relator. Documento assinado digitalmente. (RE 602945, Rel. Min. Luiz Fux, J.,01/08/2011, Dje158 Divulg 17/08/2011 Public 18/08/2011) Decisão: A matéria veiculada na presente sede recursal –discussão em torno da suposta transgressão à garantia constitucional de inviolabilidade do sigilo de dados e da intimidade das pessoas em geral, naqueles casos em que a administração tributária, sem prévia autorização judicial, recebe, diretamente, das instituições financeiras, informações sobre as operações bancárias ativas e passivas dos contribuintes será apreciada no recurso extraordinário representativo da controvérsia jurídica suscitada no RE 601.314/SP, Rel. Min. Ricardo Lewandowski, em cujo âmbito o Plenário desta Corte reconheceu existente a repercussão geral da questão constitucional. Sendo assim, impõese o sobrestamento dos presentes autos, que permanecerão na Secretaria desta Corte até final julgamento do mencionado recurso extraordinário. Publiquese. Brasília, 21 de maio de 2010. (RE 479841, Rel.Min. Celso de Mello, J., 21/05/2010, Dje100 Divulg 02/06/2010 Public 04/06/2010) Em face do exposto, não há dúvida sobre a existência da Repercussão Geral no C. STF, instaurado no RE 601.314SP sobre a quebra do sigilo bancário, sem a prévia autorização judicial. Fl. 1956DF CARF MF Impresso em 26/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2013 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 24/03/2013 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 17/03/2013 por ODMIR FERNANDES Processo nº 10803.720033/201149 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2202000.437 S2C2T2 Fl. 8 7 O titular das contas forneceu os extratos da movimentação financeira existente nos Bancos, mas houve Requisição da Movimentação Financeira – RMF – com pedido para as instituições informar a quem foram pagos os cheques, as ordens de pagamento, os depósitos em outras contas, e requisitar as fichas bancarias e procurações. Assim, por se cuidar de Recurso Voluntário sobre lançamento realizado com base na omissão de rendimentos decorrentes de movimentação financeira com a Requisição da Movimentação Financeira – RMF e assim permitir apurar a interposta pessoa, sem autorização judicial, tornase necessário sobrestar o julgamento dos autos, na forma do art. 62A, do RI, deste Conselho, até a decisão do RE nº 601.314SP. Ante o exposto, pelo meu voto, determino o SOBRESTAMENTO destes autos, na forma do art. 62, § 1o e 2o, do RI deste Conselho, até a decisão do RE 601.314SP, do C. STF. (Assinado digitalmente) Odmir Fernandes Relator Fl. 1957DF CARF MF Impresso em 26/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2013 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 24/03/2013 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 17/03/2013 por ODMIR FERNANDES
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Numero do processo: 10730.006972/2005-30
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 15 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Oct 09 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 2202-000.482
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por RAPHAEL CORTES FREITAS COUTINHO.
RESOLVEM os Membros da 2ª. Turma Ordinária da 2ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento do CARF, por maioria de votos, sobrestar o julgamento do processo, conforme Portaria CARF nº 001, de 03 de janeiro de 2012. Vencido o Conselheiro Pedro Paulo Pereira Barbosa (Presidente). Fez sustentação oral o Dr. Fabrício de Lima Carneiro.
(Assinado digitalmente)
Pedro Paulo Pereira Barbosa Presidente
(Assinado digitalmente)
Antonio Lopo Martinez Relator
Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Fábio Brun Goldschmidt, Antonio Lopo Martinez, Jimir Doniak Junior, Pedro Anan Júnior e Pedro Paulo Pereira Barbosa.
Nome do relator: Não se aplica
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RESOLVEM os Membros da 2ª. Turma Ordinária da 2ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento do CARF, por maioria de votos, sobrestar o julgamento do processo, conforme Portaria CARF nº 001, de 03 de janeiro de 2012. Vencido o Conselheiro Pedro Paulo Pereira Barbosa (Presidente). Fez sustentação oral o Dr. Fabrício de Lima Carneiro. (Assinado digitalmente) Pedro Paulo Pereira Barbosa – Presidente (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez – Relator Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Fábio Brun Goldschmidt, Antonio Lopo Martinez, Jimir Doniak Junior, Pedro Anan Júnior e Pedro Paulo Pereira Barbosa. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 07 30 .0 06 97 2/ 20 05 -3 0 Fl. 255DF CARF MF Impresso em 09/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 28/06/201 3 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 05/08/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Processo nº 10730.006972/200530 Resolução nº 2202000.482 S2C2T2 Fl. 3 2 RELATÓRIO Em desfavor do contribuinte, RAPHAEL CORTES FREITAS COUTINHO, foi lavrado o Auto de Infração de fls. 05/18, relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF), exercício de 2001, 2002 e 2003, anoscalendário de 2000, 2001 e 2002, formalizando a exigência de imposto suplementar no valor de R$ 1.405.708,60 correspondente ao imposto de R$591.393,18, multa proporcional de 75% de R$443.544,87 e juros de mora de R$370.770,55 calculados até 30/11/2005. O lançamento decorre do procedimento de verificação do cumprimento das obrigações tributárias tendo sido constatada a seguinte irregularidade: 001. Omissão de Rendimentos Caracterizada por Depósitos Bancários com Origem não Comprovada Omissão de rendimentos caracterizada por valores creditados em contas de depósito ou de investimento, mantidas em instituições financeiras, em relação aos quais o contribuinte, regularmente intimado, não comprovou, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações, conforme descrito no relatório fiscal, corroborada pelas planilhas dos créditos em contas apresentadas ao contribuinte, anexas ao Termo de Intimação Fiscal DRF/Niterói, em 25/11/2005, tudo parte integrante do presente processo. Notase, da análise cuidadosa do processo, que RMFs foi encaminhada a instituições financeiras, tal como se constata de fls.57, 59, 61, 63 e 65. A DRJ julgou o lançamento procedente, mantendoo em sua totalidade. É isto que interessa relatar até o momento. . Fl. 256DF CARF MF Impresso em 09/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 28/06/201 3 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 05/08/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Processo nº 10730.006972/200530 Resolução nº 2202000.482 S2C2T2 Fl. 4 3 VOTO Conselheiro Antonio Lopo Martinez, Relator Ante de apreciar o recurso cabe discutir se o referido processo estaria sujeito a sobrestamento. Após análise pormenorizada dos autos entendo que cabe aqui sobrestamento de julgado feito de ofício pelo relator, nos termos do art. 62A e parágrafos do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF n° 256, de 22 de junho de 2009, verbis: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B. § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. Ocorre que está em Repercussão Geral o fornecimento de informações sobre movimentações financeiras ao Fisco sem autorização judicial, nos termos do art. 6º da Lei Complementar nº 105/2001 (RE 601314), bem como a possibilidade, ou não, da aplicação da Lei nº 10.174/2001 para apuração de créditos tributários referentes a exercícios anteriores ao de sua vigência. Recurso extraordinário em que se discute, à luz dos artigos 5º, X, XII, XXXVI, LIV, LV; 145, § 1º; e 150, III, a, da Constituição Federal, a constitucionalidade, ou não, do art. 6º da Lei Complementar nº 105/2001, que permitiu o fornecimento de informações sobre movimentações financeiras diretamente ao Fisco, sem autorização judicial, bem como a possibilidade, ou não, da aplicação da Lei nº 10.174/2001 para apuração de créditos tributários referentes a exercícios anteriores ao de sua vigência. A constitucionalidade das prerrogativas estendidas à autoridade fiscal através de instrumentos infraconstitucionais utilização de dados da CPMF e obtenção de informações junto às instituições através da RMF está sendo analisada pelo STF no âmbito do Recurso Extraordinário nº 601.314, que tramita em regime de repercussão geral, reconhecida em 22/10/09, conforme ementa abaixo transcrita: CONSTITUCIONAL. SIGILO BANCÁRIO. FORNECIMENTO DE INFORMAÇÕES SOBRE MOVIMENTAÇÃO BANCÁRIA DE CONTRIBUINTES, PELAS INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS, DIRETAMENTE AO FISCO, SEM PRÉVIA AUTORIZAÇÃO JUDICIAL (LEI COMPLEMENTAR 105/2001). POSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO DA LEI 10.174/2001 PARA APURAÇÃO DE CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS REFERENTES A EXERCÍCIOS ANTERIORES AO DE Fl. 257DF CARF MF Impresso em 09/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 28/06/201 3 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 05/08/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Processo nº 10730.006972/200530 Resolução nº 2202000.482 S2C2T2 Fl. 5 4 SUA VIGÊNCIA. RELEVÂNCIA JURÍDICA DA QUESTÃO CONSTITUCIONAL. EXISTÊNCIA DE REPERCUSSÃO GERAL Conforme disposto no § 1º do art. 62A da Portaria MF nº 256/09, devem ficar sobrestados os julgamentos dos recursos que versarem sobre matéria cuja repercussão geral tenha sido admitida pelo STF. O dispositivo há pouco referido vai ao encontro da segurança jurídica, da estabilidade e da eficiência, pois ao tempo em que assegura a coerência do ordenamento, confere utilidade à atividade judicante exercida no âmbito do CARF. Assim, reconhecida, pelo STF, a relevância constitucional de tema prejudicial à validade do procedimento utilizado na constituição do crédito tributário, deve ser sobrestado o julgamento do recurso no CARF. Não se desconhece a decisão Plenária do STF no âmbito do RE nº 389.808, que acolheu o recurso extraordinário interposto pelos contribuintes. O Recurso foi pautado pelo Ministro Marco Aurélio (i) poucos dias antes da publicação da Emenda Regimental nº 42, do RISTF, que determina que todos os recursos relacionados ao tema do caso admitido como paradigma, em repercussão geral, devam ser distribuídos ao respectivo Relator, e (ii) quase um ano após o reconhecimento da repercussão geral no RE 601.314, o que gerou confusão quanto à mecânica processual de julgamento dos recursos extraordinários anteriores à Emenda Constitucional nº 45/04. Uma leitura atenta do acórdão revela que o julgamento, inicialmente adstrito à reanálise da medida cautelar requerida pela parte recorrente, desbordou para enfrentamento do mérito a partir da contrariedade manifestada pela Min. Ellen Gracie centrada, sobretudo, na ausência do Min. Joaquim Barbosa e sua consequência à apuração do quorum de votação. A atipicidade do caso, entretanto, não indica posicionamento da Corte afastando as consequências imediatas da repercussão geral, como o sobrestamento dos processos que veiculam o tema da violação de sigilo pela Fazenda. O fato é que, com exceção do inusitado julgamento ocorrido no âmbito do RE 389.808, o posicionamento do STF tem sido uníssono no sentido de sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários que veiculam a mesma matéria objeto do Recurso Extraordinário nº 601.314. As decisões abaixo transcritas são elucidativas: D ESPACHO: Vistos. O presente apelo discute a violação da garantia do sigilo fiscal em face do inciso II do artigo 17 da Lei n° 9.393/96, que possibilitou a celebração de convênios entre a Secretaria da Receita Federal e a Confederação Nacional da Agricultura CNA e a Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura ? Contag, a fim de viabilizar o fornecimento de dados cadastrais de imóveis rurais para possibilitar cobranças tributárias. Verificase que no exame do RE n° 601.314/SP, Relator o Ministro Ricardo Lewandowski, foi reconhecida a repercussão geral de matéria análoga à da presente lide, e terá seu mérito julgado no Plenário deste Supremo Tribunal Federal Destarte, determino o sobrestamento do feito até a conclusão do julgamento do mencionado RE nº 601.314/SP. Devem os autos permanecer na Secretaria Judiciária até a conclusão do referido julgamento. Publiquese. Brasília, 9 de fevereiro de 2011. Ministro D IAS T OFFOLI Relator Documento assinado digitalmente (RE 488993, Relator(a): Min. DIAS TOFFOLI, julgado em 09/02/2011, publicado em DJe035 DIVULG 21/02/2011 PUBLIC 22/02/2011) DECISÃO REPERCUSSÃO GERAL ADMITIDA ? PROCESSOS VERSANDO A MATÉRIA ? SIGILO DADOS BANCÁRIOS ? FISCO ? Fl. 258DF CARF MF Impresso em 09/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 28/06/201 3 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 05/08/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Processo nº 10730.006972/200530 Resolução nº 2202000.482 S2C2T2 Fl. 6 5 AFASTAMENTO ? ARTIGO 6º DA LEI COMPLEMENTAR Nº 105/2001 ? SOBRESTAMENTO. 1. O Tribunal, no Recurso Extraordinário nº 601.314/SP, relator Ministro Ricardo Lewandowski, concluiu pela repercussão geral do tema relativo à constitucionalidade de o Fisco exigir informações bancárias de contribuintes mediante o procedimento administrativo previsto no artigo 6º da Lei Complementar nº 105/2001. 2. Ante o quadro, considerado o fato de o recurso veicular a mesma matéria, tendo a intimação do acórdão da Corte de origem ocorrido anteriormente à vigência do sistema da repercussão geral, determino o sobrestamento destes autos. 3. À Assessoria, para o acompanhamento devido. 4. Publiquem. Brasília, 04 de outubro de 2011. Ministro MARCO AURÉLIO Relator (AI 691349 AgR, Relator(a): Min. MARCO AURÉLIO, julgado em 04/10/2011, publicado em DJe213 DIVULG 08/11/2011 PUBLIC 09/11/2011) REPERCUSSÃO GERAL. LC 105/01. CONSTITUCIONALIDADE. LEI 10.174/01. APLICAÇÃO PARA APURAÇÃO DE CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS REFERENTES À EXERCÍCOS ANTERIORES AO DE SUA VIGÊNCIA. RECURSO EXTRAORDINÁRIO DA UNIÃO PREJUDICADO. POSSIBILIDADE. DEVOLUÇÃO DO PROCESSO AO TRIBUNAL DE ORIGEM (ART. 328, PARÁGRAFO ÚNICO, DO RISTF ). Decisão: Discutese nestes recursos extraordinários a constitucionalidade, ou não, do artigo 6º da LC 105/01, que permitiu o fornecimento de informações sobre movimentações financeiras diretamente ao Fisco, sem autorização judicial; bem como a possibilidade, ou não, da aplicação da Lei 10.174/01 para apuração de créditos tributários referentes a exercícios anteriores ao de sua vigência. O Tribunal Regional Federal da 4ª Região negou seguimento à remessa oficial e à apelação da União, reconhecendo a impossibilidade da aplicação retroativa da LC 105/01 e da Lei 10.174/01. Contra essa decisão, a União interpôs, simultaneamente, recursos especial e extraordinário, ambos admitidos na Corte de origem. Verificase que o Superior Tribunal de Justiça deu provimento ao recurso especial em decisão assim ementada (fl. 281): "ADMINISTRATIVO E TRIBUTÁRIO ? UTILIZAÇÃO DE DADOS DA CPMF PARA LANÇAMENTO DE OUTROS TRIBUTOS ? IMPOSTO DE RENDA ? QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO ? PERÍODO ANTERIOR À LC 105/2001 ? APLICAÇÃO IMEDIATA ? RETROATIVIDADE PERMITIDA PELO ART. 144, § 1º, DO CTN ? PRECEDENTE DA PRIMEIRA SEÇÃO ? RECURSO ESPECIAL PROVIDO." Irresignado, Gildo Edgar Wendt interpôs novo recurso extraordinário, alegando, em suma, a inconstitucionalidade da LC 105/01 e a impossibilidade da aplicação retroativa da Lei 10.174/01 . O Supremo Tribunal Federal reconheceu a repercussão geral da controvérsia objeto destes autos, que será submetida à apreciação do Pleno desta Corte, nos autos do RE 601.314, Relator o Ministro Ricardo Lewandowski. Pelo exposto, declaro a prejudicialidade do recurso extraordinário interposto pela União, com fundamento no disposto no artigo 21, inciso IX, do RISTF. Com relação ao apelo extremo interposto por Gildo Edgar Wendt, revejo o sobrestamento anteriormente determinado pelo Min. Eros Grau, e, aplicando a decisão Plenária no RE n. 579.431, secundada, a posteriori pelo AI n. 503.064AgRAgR, Rel. Min. CELSO DE MELLO; AI n. 811.626AgR Fl. 259DF CARF MF Impresso em 09/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 28/06/201 3 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 05/08/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Processo nº 10730.006972/200530 Resolução nº 2202000.482 S2C2T2 Fl. 7 6 AgR, Rel. Min. RICARDO LEWANDOWSKI, e RE n. 513.473ED, Rel. Min CÉZAR PELUSO, determino a devolução dos autos ao Tribunal de origem (art. 328, parágrafo único, do RISTF c.c. artigo 543B e seus parágrafos do Código de Processo Civil). Publiquese. Brasília, 1º de agosto de 2011. Ministro Luiz Fux Relator Documento assinado digitalmente (RE 602945, Relator(a): Min. LUIZ FUX, julgado em 01/08/2011, publicado em DJe158 DIVULG 17/08/2011 PUBLIC 18/08/2011) DECISÃO: A matéria veiculada na presente sede recursal ?discussão em torno da suposta transgressão à garantia constitucional de inviolabilidade do sigilo de dados e da intimidade das pessoas em geral, naqueles casos em que a administração tributária, sem prévia autorização judicial, recebe, diretamente, das instituições financeiras, informações sobre as operações bancárias ativas e passivas dos contribuintes será apreciada no recurso extraordinário representativo da controvérsia jurídica suscitada no RE 601.314/SP, Rel. Min. RICARDO LEWANDOWSKI, em cujo âmbito o Plenário desta Corte reconheceu existente a repercussão geral da questão constitucional. Sendo assim, impõese o sobrestamento dos presentes autos, que permanecerão na Secretaria desta Corte até final julgamento do mencionado recurso extraordinário. Publiquese. Brasília, 21 de maio de 2010. Ministro CELSO DE MELLO Relator (RE 479841, Relator(a): Min. CELSO DE MELLO, julgado em 21/05/2010, publicado em DJe100 DIVULG 02/06/2010 PUBLIC 04/06/2010) Sendo assim, tenho como inquestionável o enquadramento do presente caso ao art. 26A, §1º, da Portaria 256/09, ratificado pelas decisões acima transcritas, que retratam o quadro descrito pela Portaria nº1, de 03 de janeiro de 2012 (art. 1º, Parágrafo Único). Nesses termos, voto para que seja sobrestado o presente recurso, até o julgamento definitivo do Recurso Extraordinário nº 601.314, pelo STF. Diante de todo o exposto, proponho o SOBRESTAMENTO do julgamento do presente Recurso, conforme previsto no art. 62, §1o e 2o, do RICARF. Observandose que após a formalização da Resolução o processo será movimentado para a Secretaria da Câmara que o manterá na atividade de sobrestado, conforme orientação contida no § 3º do art. 2º, da Portaria CARF nº 001, de 03 de janeiro de 2012. O processo será incluído novamente em pauta após solucionada a questão da repercussão geral, em julgamento no Supremo Tribunal Federal. (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez Fl. 260DF CARF MF Impresso em 09/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 28/06/201 3 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 05/08/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA
score : 1.0
Numero do processo: 10680.726495/2011-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 09 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Nov 24 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 1301-000.104
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
RESOLVEM os Membros deste Colegiado, POR UNANIMIDADE, SOBRESTAR o presente julgado nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator.
Presente o Dr. Heyrousig Rodrigues, OAB/DF n° 33838.
(Assinado digitalmente)
PLINIO RODRIGUES LIMA - Presidente.
(Assinado digitalmente)
CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Plinio Rodrigues Lima, Wilson Fernandes Guimarães, Valmir Sandri, Paulo Jakson da Silva Lucas, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier.
Nome do relator: Não se aplica
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. RESOLVEM os Membros deste Colegiado, POR UNANIMIDADE, SOBRESTAR o presente julgado nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator. Presente o Dr. Heyrousig Rodrigues, OAB/DF n° 33838. (Assinado digitalmente) PLINIO RODRIGUES LIMA Presidente. (Assinado digitalmente) CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Plinio Rodrigues Lima, Wilson Fernandes Guimarães, Valmir Sandri, Paulo Jakson da Silva Lucas, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier. RELATÓRIO Tendo em vista o acurado relatório apresentado pela r. decisão recorrida, adoto o na íntegra, de onde destaco: Os autos de infração a folhas 2 a 13 exigem o recolhimento de crédito tributário no montante de R$ 24.029.141,03, assim discriminado: RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 06 80 .7 26 49 5/ 20 11 -1 1 Fl. 383DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 20/06/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 21/06/2013 por PLINIO RO DRIGUES LIMA Processo nº 10680.726495/201111 Resolução nº 1301000.104 S1C3T1 Fl. 3 2 Descrição das infrações imputadas Auto de infração de IRPJ Fazendo referência ao termo de verificação juntado a folhas 15 a 43, o autuante atribui à autuada o cometimento da infração de cuja descrição adiante se faz uma síntese. 1. COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZO OPERACIONAL SEM OBSERVÂNCIA DO LIMITE DE 30% – Na incorporação e conseqüente extinção de pessoa jurídica (Arcelor em 31/08 e Uhgasa em 19/12), o sujeito passivo compensou prejuízos fiscais sem observar o limite de compensação de 30% do lucro líquido ajustado. Datas do fato gerador: 31.08.2007 e 19.12.2007. Enquadramento legal: artigo 3º da Lei nº 9.249, de 1995; artigo 247, artigo 250, inciso III, e artigos 251, 509 e 510, todos do Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 – Regulamento do Imposto de Renda RIR 1999. Auto de infração de CSLL O autuante atribui à autuada o cometimento da mesma constante do auto de infração precedente, referente ao IRPJ. Datas do fato gerador: 31.08.2007 e 19.12.2007. Enquadramento legal: artigo 2º da Lei nº 7.689, de 15.12.1988; artigo 1º da Lei nº 9.316, de 22.12.1996; artigo 37 da Lei nº 10.637, de 30.12.2002. Termo de verificação fiscal No termo de verificação fiscal a folhas 15 a 43 o autuante apresenta a motivação dos lançamentos. Dele extraemse as observações e argumentos resumidos adiante. A cisão e a incorporação da Usina Hidrelétrica GuilmanAmorim S/A (Uhgasa) ∙ Segundo o estatuto social consolidado em 21/03/1995, a Uhgasa tinha como objeto social a construção e gestão da exploração da Usina Hidrelétrica GuilmanAmorim. Seu capital dividiase entre 65% para a Companhia Siderúrgica BelgoMineira e 35% para o Cimento Cauê S/A. ∙ No anocalendário de 2007, até sua cisão total e extinção em 19.12.2007, já sob o controle dos sucessores Arcellormittal e Samarco Mineração S.A., que detinham, respectivamente, 51% e 49% do capital social, sua DIPJ informa que a foi adotado o lucro real anual como forma de tributação pelo IRPJ e pela CSLL. ∙ Segundo o Protocolo e Justificação da Cisão Total da Uhgasa, de 30.11.2007, o consórcio foi constituído em 13.12.1933 pela BelgoMineira e pela Cauê. Posteriormente, motivadas por seus próprios interesses negociais e comerciais, as consorciadas originais foram sucedidas, com a Cauê sendo substituída pela Samarco em 23.04.1996, e a BelgoMineira pela Belgo Siderurgia S.A., sua subsidiária integral e de quem a razão social viria a ser alterada para Arcelormittal Brasil S.A. Fl. 384DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 20/06/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 21/06/2013 por PLINIO RO DRIGUES LIMA Processo nº 10680.726495/201111 Resolução nº 1301000.104 S1C3T1 Fl. 4 3 ∙ Em 19.05.1998, a União Federal e as Consorciadas (BelgoMineira e Samarco) celebram um contrato de concessão para exploração da hidrelétrica e do sistema de transmissão associado. ∙ Sempre em virtude de seus próprios interesses (nesse caso, transferência de controle acionário e alterações societárias), o consórcio controlador requereu à Aneel anuência para transferir parcialmente a concessão e as ações da Uhgasa detidas pela Arcelor Brasil S.A. para a Belgo Siderurgia S/A. A Aneel deferiu o requerimento, dando prazo até 31.12.2008 para que a Uhgasa transferisse seus ativos de geração e arrendamento para os consorciados Belgo Siderurgia S.A e Samarco Mineração. ∙ Segundo o item 1.5 do Protocolo e Justificação da Cisão Total da Uhgasa, o cumprimento dessa determinação implica a extinção da Uhgasa, que depois da transferência de seus ativos deixa de ter condições para cumprir seu objeto social. Todavia, além de o prazo estenderse até 31.12.2008 (o que possibilitaria que eventuais compensações tributárias fossem efetuadas ao longo de dois anos, e não apenas em 2007), tudo isso ocorreu em virtude de solicitações para atendimento a interesses negociais e comerciais das próprias consorciadas. ∙ Conforme relatório do voto do pedido feito à Aneel, toda a estruturação do empreendimento foi concebida com objetivos bem determinados. A concessão pela Aneel do prazo para a transferência dos ativos foi simplesmente conseqüência de uma série de medidas tomadas ao longo do tempo pelas empresas consorciadas — formação do consórcio para possibilitar o financiamento, sucessivas reorganizações societárias e estatutárias, aquisições, vendas, utilização da energia gerada — sempre, obviamente, visando atender seus próprios interesses privados e de seus acionistas e controladores, culminando na concessão por parte da Aneel para que se fizesse o que as próprias consorciadas solicitaram. ∙ As sucessoras da Uhgasa, após sua cisão, incorporação e extinção, continuaram a exercer exatamente a mesma atividade antes exercida por ela, ou seja, aproveitamento conjunto de energia hidráulica em trecho do Rio Piracicaba para geração de energia elétrica por meio da Usina Hidrelétrica guilmanamorim. Fica claro, portanto, que, embora não constasse no Protocolo e Justificação, o suposto direito adquirido de compensar integralmente prejuízos acumulados de IRPJ e CSLL foi um importante motivador da operação. A incorporação da Mittal Steel pela Arcelor ∙ Segundo ata de assembléia geral extraordinária de 20/08/2007, a Arcelor Brasil S/A, CNPJ 24.315.012/000173, doravante denominada Arcelor, aprovou os termos e condições do Protocolo e Justificação da Incorporação da Mittal STEEL Brasil PARTICIPAÇÕES S/A (Mittal) pela Arcelor, com a conseqüente extinção daquela. ∙ Antes de ser incorporada pela Arcelor, a Mittal, com capital social totalmente subscrito e integralizado no valor de R$ 4.913.539.726,24, detinha, em 20/08/2007, 31,99% do capital social da Arcelor, sua própria incorporadora, cujo capital social totalmente subscrito e integralizado totalizava R$ 9.413.545.410,78. ∙ Segundo o protocolo e justificação da incorporação, a Arcelor exerceria as mesmas atividades exercidas pela Mittal, a centralização em uma única sociedade se Fl. 385DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 20/06/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 21/06/2013 por PLINIO RO DRIGUES LIMA Processo nº 10680.726495/201111 Resolução nº 1301000.104 S1C3T1 Fl. 5 4 justificaria pela racionalização das atividades administrativas e financeiras e, simplesmente, haveria o interesse em incorporar a MSB pela Arcelor. ∙ Ao contrário, porém, do que se almejava demonstrar com o Protocolo e Justificação da Incorporação o que de fato ocorreu foi a aquisição desta última pela primeira, conforme foi amplamente divulgado por toda mídia nacional e até internacional durante todo o ano de 2006. Noticiouse o Conselho de Administração da Arcelor, em determinada fase das negociações, classificou como oferta hostil a proposta de compra da Mittal STEEL, que envolvia vários bilhões de dólares. ∙ Segundo diferentes fontes da imprensa especializada da época, a Mittal STEEL, um dos maiores grupos siderúrgicos do mundo, após meses de negociação em que até os valores das ofertas eram revelados publicamente, adquirira o controle acionário da Arcelor por meio do que foi considerada a maior oferta de compra do setor até então. A Mittal chegou a questionar a oferta pública de ações (OPA) exigida pela CVM (Comissão de Valores Mobiliários) alegando que se tratava de fusão entre empresas e não de aquisição, mas em recurso contra entendimento da área técnica da CVM, julgado em 25/09/2006, no PROCESSO ADMINISTRATIVO CVM RJ 2006/6209, não foi aceita sua alegação. Neste processo, no voto do relator pela manutenção da decisão da área técnica da CVM, concluiuse que, pelo conceito da lei brasileira, teria havido aquisição do poder de controle da Arcelor Brasil. ∙ Cabe perguntar por qual motivo a Arcelor incorporaria a Mittal e não o contrário, como seria de se esperar. Conforme informações contidas no SAPLI (Sistema de Acompanhamento de Prejuízo, Lucro Inflacionário e Base de Cálculo Negativo da CSLL), sistema da Receita Federal onde são controlados os prejuízos fiscais e bases de cálculo negativas da CSLL, a Arcelor, até a data da incorporação da Mittal, de 01/01 a 20/08/2007, embora possuísse considerável montante de prejuízos fiscais e base de cálculo negativa de CSLL acumulados de períodos anteriores, amargava no ano calendário 2007 prejuízo fiscal e base de cálculo da CSLL negativa. ∙ Contudo, ao concretizar a incorporação da Mittal, superavitária no período, acresceu valores positivos advindos dessa operação ao seu lucro real e passou a ostentar resultados positivos, lucro real e base de cálculo da CSLL, no mesmo ano calendário 2007, de R$19.908.866,13. A incorporação da Arcelor pela Arcelormittal ∙ Apenas 11 dias após incorporar a Mittal, em 20/08/2007, a Arcelor foi incorporada pela Belgo Siderurgia S/A, em 31/08/2007. Nessa mesma data, os acionistas da Belgo Siderurgia S/A aprovaram a alteração da razão social da empresa para Arcelormittal Brasil S/A. Todos os eventos envolvendo essa reorganização societária, com incorporações seguidas de extinções e alterações estatutárias (razão social) foram realizados num prazo de apenas 11 dias. ∙ No ano calendário de 2007, até sua incorporação pela Belgo Siderurgia S/A, e extinção em 31/08/2007, a Arcelor, adotara o Lucro Real como forma de tributação, apuração do IRPJ e CSLL anual. ∙ Segundo ata de assembléia geral extraordinária de 31/08/2007, a Belgo Siderurgia S/A, CNPJ 17.469.701/000177, doravante denominada Belgo, aprovou os termos e Fl. 386DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 20/06/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 21/06/2013 por PLINIO RO DRIGUES LIMA Processo nº 10680.726495/201111 Resolução nº 1301000.104 S1C3T1 Fl. 6 5 condições do Protocolo e Instrumento de Justificação da Incorporação da Arcelor Brasil S/A (Arcelor), CNPJ 24.315.012/000173, doravante denominada Arcelor, com a conseqüente extinção desta última. ∙ Segundo o Protocolo e Justificação da Incorporação da Arcelor pela Belgo, a Belgo poderia exercer as mesmas atividades da Arcelor, a operação permitiria melhoria nas condições de capitalização e fluxo de caixa da incorporadora, e a centralização em uma única sociedade se justificaria pela racionalização das atividades operacionais, administrativas e financeiras e, simplesmente, haveria o interesse em incorporar a Arcelor pela Belgo. ∙ Em suma, ao final das sucessivas reorganizações societárias e estatutárias visando atender seus alegados interesses, a sucessora da Arcelor (Belgo, que teve a razão social alterada para Arcelormittal no mesmo dia da incorporação daquela), após a incorporação e extinção desta, continuou a exercer as atividades antes exercidas por sua sucedida (Arcelor), a saber, a exploração da indústria siderúrgica e atividades correlatas e derivadas. ∙ Antes de ser incorporada pela Belgo, a Arcelor, com capital social totalmente subscrito e integralizado no valor de R$ 10.052.200.249,25, detinha, em 31/08/2007, 99,13% do capital social da Belgo, curiosamente sua própria incorporadora, cujo capital social totalmente subscrito e integralizado totalizava R$ 3.203.488.387,16. Em outras palavras, é como se a empresa A fosse detentora de praticamente 100% das ações da empresa B e, após decisão de agrupálas em uma só pessoa jurídica, ao invés de A incorporar B, já que esta praticamente lhe pertence, contrariando a lógica, é a controlada B que incorpora A, sua controladora. ∙ Cabe fazer uma segundo pergunta: sendo a Arcelor detentora da quase totalidade das ações da Belgo, por que foi incorporada por esta e não o contrário, como seria de se esperar? A resposta às duas questões é evidente. Além de interesses comerciais que não cabem aqui ser discutidos, visavase certamente e sobretudo o tributário, traduzido no suposto direito adquirido de compensar prejuízos fiscais acumulados sem considerar as limitações e imposições legais quando da extinção da pessoa jurídica, possibilidade que não encontra fundamento jurídico ou legal, conforme ficará demonstrado mais adiante. ∙ Essas duas incorporações devem ser consideradas e analisadas em conjunto. A Arcelor possuía prejuízos fiscais e base de cálculo negativa de CSLL acumulados de períodos anteriores, mas no ano calendário 2007, após adições e exclusões em seu lucro líquido, também apresentava prejuízo fiscal e base de cálculo da CSLL negativa. Dessa forma, antes de ser incorporada pela Belgo, a Arcelor incorporou a Mittal, que apresentava lucro real no anocalendário de 2007 superior ao seu prejuízo fiscal, para que exercesse seu suposto direito adquirido compensandoo integralmente ao ser incorporada pela Belgo, que no mesmo ato passou a se denominar Arcelormittal. Tudo isso ocorreu no escasso intervalo de apenas 11 dias, deixando transparecer nitidamente a resposta à questão suscitada. Da forma como foi planejada e executada, sem qualquer substância econômica, a operação teve como uma das principais motivações, senão a principal, embora não constasse literalmente no Protocolo e Justificação da Incorporação, o não pagamento de parcela considerável de IRPJ e CSLL devidos. Fl. 387DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 20/06/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 21/06/2013 por PLINIO RO DRIGUES LIMA Processo nº 10680.726495/201111 Resolução nº 1301000.104 S1C3T1 Fl. 7 6 Aspectos legais, análises e conclusões ∙ os artigos 227 e 229 da Lei 6.404 de 15/12/1976 estabelecem que a sucessora de sociedades por incorporação total ou cisão seguida de incorporação lhes sucede também em todos os seus direitos e obrigações. ∙ A Lei 5.172, de 25/10/1966 (CTN Código Tributário Nacional) estabelece em seu art. 132 que a pessoa jurídica de direito privado resultado da transformação ou incorporação de outra ou em outra (sucessora) será responsável pelos tributos devidos pela sucedida até a data do ato. ∙ A Lei 8.981 de 20/10/1995, art. 42, dispõe que o lucro líquido após adições e exclusões determinadas pela legislação do IRPJ na determinação do lucro real, a partir de 01/01/1995, não poderia ser reduzido num percentual superior a 30% (trinta por cento), norma que passou a ser conhecida como trava de 30%. E o seu art. 58 estabeleceu a mesma regra para a determinação da base de cálculo da CSLL. ∙ Posteriormente, a Lei 9.065 de 20/06/1995 estabeleceu em seu art. 12 que o referido art. 42 da Lei 8.981/95 vigoraria apenas até 31/12/1995 e em seu art. 15 deu nova redação aos termos relativos à trava de 30%, prevendo literalmente a possibilidade de compensação de prejuízos fiscais com o lucro líquido ajustado (lucro real) dentro desse limite. O art. 16 da mesma lei estabeleceu literalmente a possibilidade de compensação da base de cálculo negativa acumulada em períodos anteriores com a base de cálculo da CSLL apurada no exercício dentro do limite de 30%. ∙ Ao efetuar as reorganizações societárias já mencionadas, as pessoas jurídicas, após cindidas e incorporadas, foram extintas e, conforme já dito, sucedidas pela Arcelormittal. ∙ Na extinção da primeira (Uhgasa), esta realizou no ano calendário 2007 compensação do saldo de Prejuízo Fiscal e de Base de Cálculo negativa de CSLL de períodos anteriores, sem respeitar a trava legal de 30%, tendo, nesse caso, ainda excedido o saldo disponível de Prejuízo Fiscal, conforme quadros 01 e 02 constantes neste termo, cujos dados foram extraídos dos respectivos Demonstrativos de Compensação de Prejuízos Fiscais e de Base de Cálculo Negativa da CSLL do SAPLI (Sistema de Acompanhamento de Prejuízo, Lucro Inflacionário e Base de Cálculo Negativo da CSLL). ∙ Quanto à extinção da segunda (Arcelor Brasil S/A), foi realizado no ano calendário 2007 compensação do saldo de Prejuízo Fiscal e de Base de Cálculo negativa de CSLL de períodos anteriores também sem respeitar a trava legal de 30%, conforme quadros 03 e 04 deste termo, cujos dados foram extraídos dos respectivos Demonstrativos de Compensação de Prejuízos Fiscais e de Base de Cálculo Negativa da CSLL do SAPLI (Sistema de Acompanhamento de Prejuízo, Lucro Inflacionário e Base de Cálculo Negativo da CSLL). ∙ A figura 09 deste termo, apresenta o demonstrativo da base de cálculo negativa da CSLL no período de 01/01 a 20/08/2007, ou seja, antes de a Arcelor incorporar a Mittal, no qual se verifica que a Arcelor não teria como compensar sua base de cálculo negativa acumulada de períodos anteriores (R$ 19.211.393,09), já que apresentava prejuízo fiscal e base de cálculo negativa no ano calendário 2007. Fl. 388DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 20/06/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 21/06/2013 por PLINIO RO DRIGUES LIMA Processo nº 10680.726495/201111 Resolução nº 1301000.104 S1C3T1 Fl. 8 7 ∙ Na figura 10, após incorporar a Mittal e acrescer seus resultados positivos ao da Arcelor, o lucro real e a base de cálculo da CSLL no período de 21/08 a 31/08/2007 se tornaram positivos, motivo que a levou compensar integralmente, baseandose em supostos direitos adquiridos, sua base de cálculo acumulada de períodos anteriores. ∙ A figura 11 demonstra que os retângulos em destaque nas figuras 09 e 10 representam, respectivamente, os demonstrativos da base de cálculo negativa da CSLL nos períodos de 01/01 a 20/08/2007 e 21/08 a 31/08/2007. Sobre compensação de prejuízos fiscais no lucro real e de base de cálculo negativa na base de cálculo da CSLL nos termos e limitações impostas pelos artigos 42 e 58 da Lei 8.981/95 e 15 e 16 da Lei 9.065/95, o STF (Supremo Tribunal Federal), em recente julgamento do Recurso Extraordinário RE 344.994 realizado em 25/03/2009 e publicado no DJE (Diário de Justiça Eletrônico) de 28/08/2009, decidiu que o direito ao abatimento dos prejuízos fiscais acumulados em exercícios anteriores é expressivo de benefício fiscal em favor do contribuinte. Tal instrumento de política tributária — benefício fiscal —, conclui o STF, pode, portanto, ser revista pelo Estado, não havendo que se falar em direito adquirido. ∙ Ratificando a natureza das disposições contidas nos artigos 42 e 58 da Lei 8.981/95 e 15 e 16 da Lei 9.065/95 como sendo benefício fiscal, que a limitação de 30% é constitucional e que se trata de instrumento de política tributária que pode ser revisto pelo estado, não havendo, portanto, direito adquirido, apresentamse neste termo diversas ementas de decisões recentemente prolatadas pelo STF (Supremo Tribunal Federal), todas elas no mesmo sentido, evidenciando inequívoca jurisprudência. ∙ O CTN estabelece em seu art. 111 que a legislação tributária será interpretada literalmente sempre que dispor sobre suspensão ou exclusão do crédito tributário e outorga de isenção. ∙ Considerandose que os artigos 42 e 58 da Lei 8.981/95 e 15 e 16 da Lei 9.065/95 tratam de exclusão de crédito tributário, visto que, caso não existisse o benefício, o contribuinte seria obrigado a recolher os tributos referentes à parcela de 30% do lucro real compensada por prejuízos fiscais e base de cálculo negativa da CSLL acumulados, conforme determinação do art. 176 do CTN, aqueles artigos deverão ser interpretados de forma literal. ∙ Os referidos artigos, ao estabelecerem limitação de 30%, não prevêem expressamente, em nenhum caso, a compensação integral, seja no caso de extinção da pessoa jurídica ou outro qualquer, obstam definitivamente que se considere tal possibilidade. ∙ Considerandose que não há direito adquirido e tampouco previsão expressa para a compensação integral sem a trava de 30% no caso de extinção da pessoa jurídica, efetuouse a glosa dos prejuízos fiscais acumulados e compensados na apuração do lucro real e da base de cálculo negativa com a base de cálculo da CSLL, referentes ao ano calendário de 2007, dos valores que excederam a trava legal de 30%. ∙ Os auto de infração foram lavrados contra Arcelormittal Brasil S/A, sucessora das pessoas jurídicas citadas no primeiro parágrafo deste subtítulo, também baseado no Fl. 389DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 20/06/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 21/06/2013 por PLINIO RO DRIGUES LIMA Processo nº 10680.726495/201111 Resolução nº 1301000.104 S1C3T1 Fl. 9 8 disposto nos artigos 227 e 229 da Lei 6.404, de 15/12/1976, que dispõe sobre as sociedades por ações e no art. Do CTN. Impugnação do lançamento Conforme assinatura aposta nos autos de infração, a ciência dos lançamentos foi dada pessoalmente ao sujeito passivo em 18.11.2011, uma sextafeira. Em 19.12.2011 foi apresentada uma só impugnação, juntada a folhas 163 a 178. Os enunciados seguintes resumem o seu conteúdo. TEMPESTIVIDADE ∙ A Impugnante tomou ciência do Auto de Infração lavrado contra si em 18.11.2011, sextafeira. Portanto, a contagem do prazo de 30 dias previsto no art. 15 do Decreto n°. 70.235/72, teve início em 21.11.2011, segundafeira, encerrandose em 20.12.2011, terçafeira. Desse modo, é tempestiva a impugnação nos termos do art. 16 do Decreto n°. 70.235/72. DO PREJUÍZO FISCAL APROVEITADO PELA ARCELOR BRASIL S.A. ∙ O Auto de Infração relata a reestruturação societária demonstrando a extinção da Mittal Steel B.P. S.A. e da Arcelor Brasil S.A. ∙ Nesta parte, a Fiscalização faz algumas ilações sobre a referida operação, mas tais afirmações, absolutamente sem sentido jurídico ou lógico, não trazem nenhuma influência no resultado final, porque a operação é convalidada pela própria Fiscalização, visto que o auto de infração a reconhece juridicamente e a limita na compensação de 30% do prejuízo fiscal. Portanto, não há sentido em abordar a questão, visto que, a partir do momento em que a fiscalização permite que haja uma compensação, mesmo que limitada a 30%, validada está toda a reestruturação societária do Grupo ArcelorMittal. ∙ O procedimento adotado, tanto pela Uhgasa quanto pela Arcelor Brasil SA, nas respectivas extinções, realmente foi a utilização dos 100% do prejuízo fiscal acumulado, uma vez que a trava dos 30% não se aplica aos casos de encerramento de atividades pela incorporação total, pois não há dispositivo legal específico para tanto. E a trava imposta pela legislação não poderia se aplicar a uma empresa com as atividades encerradas, sob pena de eternizar a tributação sobre seu patrimônio, ferindo a própria norma de competência posta no art. 153, III da Constituição Federal de 1988 (CF 1988) e no art. 43 do CTN. RAZÕES QUE JUSTIFICAM O CANCELAMENTO DA EXIGÊNCIA FISCAL E INSUBSISTÊNCIA DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO ∙ Diferentemente do que foi informado pela fiscalização, não há divergência entre o valor compensado e o valor do prejuízo fiscal acumulado que justifique o aproveitamento a maior por parte da Uhgasa. Vejase no documento 8 a composição do prejuízo fiscal acumulado desde a DIPJ/1999 até a DIPJ/2007, declaração anterior ao ano da cisão, o que se confirma pelo LALUR. Fl. 390DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 20/06/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 21/06/2013 por PLINIO RO DRIGUES LIMA Processo nº 10680.726495/201111 Resolução nº 1301000.104 S1C3T1 Fl. 10 9 ∙ Não tem razão a fiscalização, pois o valor compensado não ultrapassa o prejuízo fiscal acumulado pela Uhgasa. Portanto, cabe a imediata retificação do crédito tributário. DA INAPLICABILIDADE DO LIMITE DE 30% À COMPENSAÇÃO DO SALDO DE PREJUÍZOS FISCAIS A EMPRESAS COM ATIVIDADES ENCERRADAS ∙ A Impugnante está convicta de que o procedimento adotado pelas companhias extintas está de acordo com a legislação fiscal. ∙ O art. 42 da Lei n° 8.981/95, fruto da conversão da Medida Provisória n°. 812/94, prevê que, a partir de 1o de janeiro de 1995, para efeito de determinar o lucro real, o lucro líquido ajustado pelas adições e exclusões previstas ou autorizadas pela legislação do IRPJ, poderá ser reduzido em, no máximo, trinta por cento. Seu parágrafo único acrescenta que a parcela dos prejuízos fiscais apurados até 31 de dezembro de 1994, não compensada em razão do disposto no caput deste artigo poderá ser utilizada nos anoscalendário subseqüentes. ∙ O permissivo instituiu restrição quantitativa de 30% para fins de compensação da base de cálculo com o saldo de prejuízos fiscais acumulados. Antes desta norma, a legislação previa o direito à compensação integral dos prejuízos fiscais, sem nenhuma limitação quantitativa, apenas uma limitação temporal. Logo, a partir da Lei n° 8.981/95, os prejuízos fiscais não atingidos pela decadência passaram a ser compensáveis independentemente de qualquer prazo, mas sujeitos à limitação de 30% do lucro líquido ajustado da pessoa jurídica. ∙ A justificativa apresentada para a limitação de 30%, segundo a Exposição de Motivos da MP 812/94, que deu origem à Lei n° 8.981/95, foi o estabelecimento de "uma regra gradual de compensação de prejuízos, tomandose como referência os resultados obtidos em cada ano. Essa alteração permitiria o Estado um fluxo estável no ingresso de receitas provenientes do imposto de renda." ∙ As expressões "resultados obtidos em cada ano" e "fluxo estável no ingresso de receitas" demonstram que o objetivo imediato de arrecadação seria atingido com a limitação quantitativa de 30% e que a expectativa de estabilidade do fluxo das receitas do Estado seria atendida com a revogação da limitação temporal e o correspondente direito dos contribuintes de compensarem os saldos cumulados de prejuízo fiscal sem limite de tempo. ∙ A rigor, não foi instituído um regime de proibição ou impedimento para a compensação de prejuízos, mas tão somente um regime de postergação do exercício deste direito em quantos anoscalendário fossem necessários para esgotar os prejuízos acumulados. ∙ A legislação atual visa, portanto, prover o Estado de receitas contínuas de IRPJ pressupondo que a atividade econômica motivadora da renda tributável se conduzirá de forma permanente, sem solução de continuidade, para que o efeito imediato da tributação mínima de 70% do fluxo de renda dos contribuintes seja gradualmente revertido, na medida em que todas as perdas cumuladas absorvam, ao menos, 30% da renda futura. Fl. 391DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 20/06/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 21/06/2013 por PLINIO RO DRIGUES LIMA Processo nº 10680.726495/201111 Resolução nº 1301000.104 S1C3T1 Fl. 11 10 ∙ O STF entendeu que a lei poderia, sim, diferir no tempo o abatimento dos prejuízos fiscais acumulados, mas e se o tempo não mais existe? Ou seja, no caso da cisão total, não mais existindo a empresa, restará uma última apuração, quando, finda a sua existência será apurado se ainda existe algum tributo a pagar. ∙ O artigo 229 da Lei n°. 6.404/76 deixa muito claro o postulado da continuidade que afeta a operação de cisão total. De acordo com este artigo, a sociedade receptora do patrimônio sucede a todos os direitos e obrigações da empresa cindida, o que incluiria no crédito fiscal decorrente dos prejuízos fiscais acumulados. ∙ Ocorre que a legislação veda expressamente a transferência dos prejuízos fiscais acumulados pela sucedida para a sucessora, conforme art. 514 do RIR 1999. Ora, se não há continuidade, não há sentido em diferir o saldo de prejuízo fiscal para o futuro. Esta a lógica da regra, pois ela se baseia na continuidade da empresa e seu direito de compensar os prejuízos fiscais acumulados ao longo do tempo futuro; não existindo futuro, não há mais sentido na regra estabelecida. Esse entendimento se acha referendado pelo STJ, conforme ementa de decisão transcrita na impugnação. ∙ Portanto, no caso de empresas cindidas, tal limite de 30% não é aplicável visto que o encerramento das atividades da empresa impede a compensação do prejuízo fiscal apurado nos períodos seguintes. ∙ Ainda que assim não fosse, o dispositivo que limita quantitativamente a compensação dos saldos de prejuízos fiscais em nenhum momento menciona os casos de cisão, incorporação, etc. Ora, se quisesse também limitar (como limitou a transferência dos saldos para a incorporadora) deveria ter feito de forma expressa. Aliás, com todas as ressalvas a esta linha de entendimento, se a RFB propaga que esta compensação de saldo de prejuízos fiscais é uma benesse legal, que ela seja interpretada de forma literal e não restritiva. ∙ Em nenhum momento a legislação do IRPJ e da CSLL veda a compensação de prejuízos fiscais de empresas extintas por cisão acima do limite de 30%, sendo certo que o art. 42 da Lei 8.981/95 se aplica exclusivamente às empresas em atividade. ∙ Tal disposição legal reforça o argumento de que o limite de 30% não se aplica no períodobase de encerramento da empresas cindidas, uma vez que importaria na extinção do crédito, o que, como visto, não é a intenção da norma. ∙ Pois bem, além de não existir dispositivo legal que impeça o procedimento adotado pela empresa, ainda que houvesse, seria ela de todo inconstitucional. Isso porque a CF 1088 atribui à União competência para instituir imposto sobre a "renda e proventos de qualquer natureza", em seu artigo 153, III. Da mesma forma, o art. 195, I da Constituição autoriza a União a instituir contribuição, destinada ao custeio da Seguridade Social, cobrada dos empregadores, incidente "sobre a folha de salários, o faturamento e o lucro". O CTN, por sua vez, em seu artigo 43, adota um conceito amplo de renda, a saber, "o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos" assim como "os acréscimos patrimoniais não compreendidos no inciso anterior". ∙ Assim, por meio de lei ordinária e a título de imposto de renda, somente se legitimará a tributação da renda e dos proventos de qualquer natureza, entendida a renda como Fl. 392DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 20/06/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 21/06/2013 por PLINIO RO DRIGUES LIMA Processo nº 10680.726495/201111 Resolução nº 1301000.104 S1C3T1 Fl. 12 11 acréscimo de riqueza, ganho ou aumento advindo do trabalho e do capital (ou patrimônio) em certo período de tempo, que, por decisão da CF 1988, é anual. Igualmente, por meio de lei ordinária e a título de contribuições, a CF 1988 somente autoriza a tributação do lucro (além das outras fontes). ∙ A expressão lucro utilizada pela CF 1988 no art. 195, I, é ainda mais específica do que renda e inconfundível com seu oposto, prejuízo, perda ou redução patrimonial. Configurando um instituto ampla e exaustivamente disciplinado pelo Direito Privado, especialmente pelo Direito Comercial, a noção de lucro não pode ser violentada, profundamente alterada nem negada pelo Direito Tributário, porque foi utilizada pela CF 1988 para definir os limites e as regras de competência atribuídas à União (art. 110, CTN). ∙ Segundo Sampaio Dória, a renda das empresas é seu lucro, valor positivo, diminuído porém de prejuízos anteriores que devem ser dele abatidos, para que se possa determinar o acréscimo real obtido. Sem tal compensação, estaria a sociedade reduzindo seu patrimônio, valendo repetir Gomes de Souza: “Só é renda o acréscimo de patrimônio que possa ser consumido sem reduzir ou fazer desaparecer o patrimônio que o produziu: do contrário a renda se confundiria com o capital”. ∙ Se o STF aceitou a limitação anual do saldo de prejuízos fiscais, o fez ao pressuposto da continuidade, de que o patrimônio não seria tributável, uma vez que aquele saldo existente não teria prazo prescricional para opor a futuros lucros. Jamais autorizou e jamais autorizará que ao fim da empresa não se possa usar 100% do prejuízo cumulado, porque aí o discurso da continuidade que legitimou a trava perde todo sentido. Em abono do argumento, citamse as opiniões de vários autores. ∙ A jurisprudência administrativa não discrepa dessa linha, conforme comprovam as ementas de diversos acórdãos transcritos na impugnação e atribuídos ao Conselho de Contribuintes e à Câmara Superior de Recursos Fiscais. ∙ Portanto, a Lei n°. 8.981/95, ao criar novo sistema limitando quantitativamente a compensação, mas tornando os prejuízos imprescritíveis, deixou de prever expressamente uma norma para as empresas em descontinuidade. Por isso, a melhor interpretação que se deva dar ao seu art. 42 é a inaugurada com o Acórdão 108.06682, que revelou a finalidade da lei, pela análise de sua exposição de motivos. Logo, essa interpretação supera a incoerência do sistema, garantindo o alcance do objetivo da nova lei. DOS PEDIDOS ∙ Dessa maneira requer seja dado provimento à impugnação para: (a) quanto à parte fática, seja confirmado o montante de R$ 53.056.922,54, e não de R$ 47.565.327,93 para utilização integral do prejuízo fiscal da Uhgasa, com a respectiva retificação do auto de infração e (b) quanto à questão principal, seja reconhecido o direito de compensação de 100% do prejuízo fiscal e da base negativa. Da análise dos elementos contidos nos autos, concluiu a douta DRJ de Belo HorizonteMG pela IMPROCEDÊNCIA DA IMPUGNAÇÃO e a conseqüente manutenção do lançamento, em acórdão que, inclusive, assim restou ementado: Fl. 393DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 20/06/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 21/06/2013 por PLINIO RO DRIGUES LIMA Processo nº 10680.726495/201111 Resolução nº 1301000.104 S1C3T1 Fl. 13 12 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2007 COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZO FISCAL LIMITE DE 30% Mediante compensação de prejuízo fiscal, somente se permite reduzir em no máximo 30% o lucro líquido ajustado na determinação do resultado tributável, ainda que se trate de pessoa jurídica que faça sua última declaração de ajuste em virtude do encerramento de suas atividades. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2007 COMPENSAÇÃO DE BASE DE CÁLCULO NEGATIVA LIMITE DE 30% Mediante compensação de base de cálculo negativa, somente se permite reduzir em no máximo 30% o lucro líquido ajustado na determinação do resultado tributável, ainda que se trate de pessoa jurídica que faça sua última declaração de ajuste em virtude do encerramento de suas atividades. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Regularmente intimada a contribuinte do inteiro teor da decisão prolatada, foi então apresentado, no dia 10/04/2012, o seu competente Recurso Voluntário, redargüindo todos os fundamentos anteriormente apresentados em sua impugnação e requerendo, ao final, o provimento de seu recurso, no sentido de admissão da compensação integral dos prejuízos fiscais e da base negativa, afastando, assim, a limitação (“trava”) de 30% (trinta por cento), por ser inaplicável em caso de encerramento das atividades da empresa, e, ainda, o acolhimento das razões apontadas relativas às divergências destacadas. No essencial, é o que se tem a relatar. VOTO Conforme se verifica dos elementos destacados do relatório apresentado, verificase que, na essência, a matéria tratada nos presentes autos circunda a discussão a respeito da (in)aplicabilidade do limite (“trava”) para a compensação de prejuízos fiscais (IRPJ) e bases de cálculo negativa (CSLL) de que tratam as disposições dos artigos 42 e 58 da Lei 8.985/95 e, também, dos artigos 15 e 16 da Lei 9.065/95, que, inclusive, assim especificamente determinam: Lei 8.985/95 Art. 42. A partir de 1º de janeiro de 1995, para efeito de determinar o lucro real, o lucro líquido ajustado pelas adições e exclusões previstas ou autorizadas pela legislação do Imposto de Renda, poderá ser reduzido em, no máximo, trinta por cento. Fl. 394DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 20/06/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 21/06/2013 por PLINIO RO DRIGUES LIMA Processo nº 10680.726495/201111 Resolução nº 1301000.104 S1C3T1 Fl. 14 13 Parágrafo único. A parcela dos prejuízos fiscais apurados até 31 de dezembro de 1994, não compensada em razão do disposto no caput deste artigo poderá ser utilizada nos anoscalendário subseqüentes. (...) Art. 58. Para efeito de determinação da base de cálculo da contribuição social sobre o lucro, o lucro líquido ajustado poderá ser reduzido por compensação da base de cálculo negativa, apurada em períodosbase anteriores em, no máximo, trinta por cento. Lei 9.065/95 Art. 15. O prejuízo fiscal apurado a partir do encerramento do anocalendário de 1995, poderá ser compensado, cumulativamente com os prejuízos fiscais apurados até 31 de dezembro de 1994, com o lucro líquido ajustado pelas adições e exclusões previstas na legislação do imposto de renda, observado o limite máximo, para a compensação, de trinta por cento do referido lucro líquido ajustado. Parágrafo único. O disposto neste artigo somente se aplica às pessoas jurídicas que mantiverem os livros e documentos, exigidos pela legislação fiscal, comprobatórios do montante do prejuízo fiscal utilizado para a compensação. Art. 16. A base de cálculo da contribuição social sobre o lucro, quando negativa, apurada a partir do encerramento do anocalendário de 1995, poderá ser compensada, cumulativamente com a base de cálculo negativa apurada até 31 de dezembro de 1994, com o resultado do período de apuração ajustado pelas adições e exclusões previstas na legislação da referida contribuição social, determinado em anoscalendário subseqüentes, observado o limite máximo de redução de trinta por cento, previsto no art. 58 da Lei nº 8.981, de 1995. A matéria, é bem verdade, já há tempos tem suscitado inúmeros debates nesta corte Administrativa, já tendo sido, inclusive, especificamente por nós enfrentado em julgamentos já anteriormente proferidos. Ocorre que, entretanto, de acordo com os informes recentemente recebidos, verificamos que, a respeito desse assunto específico, fora já reconhecida pelo SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL a repercussão geral da matéria, nos termos da análise de admissibilidade promovida nos autos do RE 591340 (Relator: MIN. MARCO AURÉLIO), cujos termos, inclusive, foram assim especificamente apresentados: RE/591340 REPERCUSSÃO GERAL NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO Classe: RE Procedência: SÃO PAULO Relator: MIN. MARCO AURÉLIO Partes RECTE.(S) POLO INDUSTRIAL POSITIVO E EMPREENDIMENTOS LTDA ADV.(A/S) FERNANDA ELÍSSA DE CARVALHO AWADA RECDO.(A/S) UNIÃO PROC.(A/S)(ES) PROCURADORGERAL DA FAZENDA NACIONAL Matéria: DIREITO TRIBUTÁRIO | Contribuições | Contribuições Sociais | Contribuição Social sobre o Lucro Líquido | Compensação de Prejuízo Fl. 395DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 20/06/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 21/06/2013 por PLINIO RO DRIGUES LIMA Processo nº 10680.726495/201111 Resolução nº 1301000.104 S1C3T1 Fl. 15 14 DIREITO TRIBUTÁRIO | Crédito Tributário | Base de Cálculo IMPOSTO DE RENDA DE PESSOA JURÍDICA E CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO PREJUÍZO COMPENSAÇÃO LIMITE ANUAL. Possui repercussão geral controvérsia sobre a constitucionalidade da limitação em 30%, para cada anobase, do direito de o contribuinte compensar os prejuízos fiscais do Imposto de Renda sobre a Pessoa Jurídica e a base de cálculo negativa da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido artigos 42 e 58 da Lei nº 8.981/95 e 15 e 16 da Lei nº 9.065/95. DATA DE PUBLICAÇÃO DJE 07/11/2008ATA Nº 27, de 04/11/2008 DJE nº 211, divulgado em 06/11/2008 A partir dessas informações, verificase que a discussão travada nestes autos possui integral e completa relação com a matéria contida e discutida nos autos do mencionado RE 591340, atraindo, assim, especificamente, a aplicação das disposições contidas no Art. 62 A do Regimento Interno deste CARF que, inclusive, assim expressamente aponta: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B. § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. O art. 543B do CPC, por sua vez, assim especificamente aponta a respeito do procedimento a ser observado ao tratamento dos feitos respectivos: Art. 543B. Quando houver multiplicidade de recursos com fundamento em idêntica controvérsia, a análise da repercussão geral será processada nos termos do Regimento Interno do Supremo Tribunal Federal, observado o disposto neste artigo. (Incluído pela Lei nº 11.418, de 2006). § 1o Caberá ao Tribunal de origem selecionar um ou mais recursos representativos da controvérsia e encaminhálos ao Supremo Tribunal Federal, sobrestando os demais até o pronunciamento definitivo da Corte. (Incluído pela Lei nº 11.418, de 2006). § 2o Negada a existência de repercussão geral, os recursos sobrestados considerarseão automaticamente não admitidos. (Incluído pela Lei nº 11.418, de 2006). § 3o Julgado o mérito do recurso extraordinário, os recursos sobrestados serão apreciados pelos Tribunais, Turmas de Uniformização ou Turmas Recursais, que poderão declarálos prejudicados ou retratarse. (Incluído pela Lei nº 11.418, de 2006). Fl. 396DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 20/06/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 21/06/2013 por PLINIO RO DRIGUES LIMA Processo nº 10680.726495/201111 Resolução nº 1301000.104 S1C3T1 Fl. 16 15 § 4o Mantida a decisão e admitido o recurso, poderá o Supremo Tribunal Federal, nos termos do Regimento Interno, cassar ou reformar, liminarmente, o acórdão contrário à orientação firmada. (Incluído pela Lei nº 11.418, de 2006). § 5o O Regimento Interno do Supremo Tribunal Federal disporá sobre as atribuições dos Ministros, das Turmas e de outros órgãos, na análise da repercussão geral. (Incluído pela Lei nº 11.418, de 2006). Da leitura dessas disposições, verificase que, a rigor, para que a decisão que reconhece a “repercussão geral” pelo Supremo Tribunal Federal possa acarretar a imediata suspensão do julgamento de todos os processos que tratem da mesma matéria neste Conselho, necessária seria, a princípio, que fosse expressamente determinada também pelo relator a suspensão de todos os demais processos que tratassem da mesma matéria, o que, a rigor, efetivamente não se verifica no caso do apontado RE 591340. Ocorre que, considerando que a expressa disposição do caput do dispositivo colhido do codex processual indica a possibilidade/necessidade de regulamentação do procedimento de reconhecimento da repercussão geral e da suspensão dos demais recursos pelo Regimento Interno daquele próprio Supremo Tribunal Federal, que, por sua vez, em relação ao procedimento a ser observado em relação aos recursos que tiverem reconhecida a repercussão geral, assim especificamente aponta: Art. 322 . O Tribunal recusará recurso extraordinário cuja questão constitucional não oferecer repercussão geral, nos termos deste capítulo. Parágrafo único. Para efeito da repercussão geral, será considerada a existência, ou não, de questões que, relevantes do ponto de vista econômico, político, social ou jurídico, ultrapassem os interesses subjetivos das partes. (...) Art. 325. O(A) Relator(a) juntará cópia das manifestações aos autos, quando não se tratar de processo informatizado, e, uma vez definida a existência da repercussão geral, julgará o recurso ou pedirá dia para seu julgamento, após vista ao Procurador Geral, se necessária; negada a existência, formalizará e subscreverá decisão de recusa do recurso. Parágrafo único. O teor da decisão preliminar sobre a existência da repercussão geral, que deve integrar a decisão monocrática ou o acórdão, constará sempre das publicações dos julgamentos no Diário Oficial, com menção clara à matéria do recurso. Art. 325A . Reconhecida a repercussão geral, serão distribuídos ou redistribuí dos ao Relator do recurso paradigma, por prevenção, os processos relacionados ao mesmo tema. A partir dessas disposições, colhidas do Regimento Interno do Colendo STF, verificase que aquela Corte, como regra, não promove a suspensão de seus próprios feitos, sendo a ‘prevenção’ do Ministro Relator a conseqüência própria e direta, decorrente do simples reconhecimento da apontada repercussão geral. Fl. 397DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 20/06/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 21/06/2013 por PLINIO RO DRIGUES LIMA Processo nº 10680.726495/201111 Resolução nº 1301000.104 S1C3T1 Fl. 17 16 Nesses termos, interpretando as disposições do Art. 62A do RICARF em consonância com as disposições do Art. 543B do CPC e, ainda, com as disposições próprias do Regimento Interno do Colendo STF, verificase que o simples e direto reconhecimento da repercussão geral do Recurso Extraordinário específico já impõe, per se, a impossibilidade de julgamento de todos os demais recursos existentes na Corte e, eventualmente, posteriormente recebidos, sendo, portanto, forçosa a conclusão de que, o simples reconhecimento da repercussão geral já seja perfeitamente suficiente para a aplicação daquelas disposições, e, portanto, a necessidade de sobrestamento do feito, nos termos ali então especificamente apontados. Diante dessas considerações, tendo vem vista que, conforme apontado, sendo a matéria discutidas nestes autos (validade/aplicabilidade da limitação “trava” – de 30% na compensação de prejuízos fiscais em caso de encerramento das atividades) aquela mesma contida na discussão apontada do RE 591340 (Relator: MIN. MARCO AURÉLIO) aqui supra referenciado, perfeitamente aplicáveis se verifica, no caso, as disposições do Art. 62A do RICARF, importando, portanto, na necessidade de sobrestamento do feito até a ulterior apreciação do assunto por aquela suprema Corte, com a imposição, inclusive, da ulterior obrigatoriedade de reprodução de seus termos, conforme aqui, então, especificamente apontado. Em face dessas considerações, encaminho o meu voto no sentido de reconhecer, no caso, a perfeita aplicabilidade das disposições contidas no Art. 62A do Regimento Interno deste CARF ao presente caso, tendo em vista o reconhecimento da repercussão geral da matéria reconhecida pelo SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL nos autos do RE 591340 (Relator: MIN. MARCO AURÉLIO), determinando, assim, o sobrestamento do feito até a ulterior decisão a ser proferida naqueles autos, a ser aqui, então, ao final, especificamente reproduzida. É como voto. (Assinado digitalmente) CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER Relator Fl. 398DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 20/06/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 21/06/2013 por PLINIO RO DRIGUES LIMA
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