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Numero do processo: 10880.907645/2008-26
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu May 29 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Jun 05 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 15/05/1999
DCOMP. CRÉDITO INEXISTENTE. DARF ALOCADO A DÉBITO REGULARMENTE DECLARADO.
Estando o pagamento devidamente alocado a débito regularmente declarado em DCTF, cujo valor não é contestado, improcedente é a utilização desse pagamento em compensação, cuja declaração de compensação não deve pode homologada pela Administração.
COMPENSAÇÃO REALIZADA ANTES DA VIGÊNCIA DA IN SRF Nº 210/2002. LANÇAMENTO CONTÁBIL. FALTA DE COMPROVAÇÃO.
A mingua de prova de que a compensação alegada foi devidamente efetuada e regularmente lançada na contabilidade da Recorrente, à época em que ocorreu, não há como prosperar tal alegação.
COMPENSAÇÃO. DCTF É INSERVÍVEL PARA DECLARAR.
A partir da vigência da IN SRF nº 210/2002, a comunicação à RFB das compensações realizadas pelos contribuinte passou a ser feita exclusivamente através da Declaração de Compensação instituída por esse normativo. A DCTF não é instrumento para tal.
DCTF. ERRO DE PREENCHIMENTO. FALTA DE COMPROVAÇÃO.
Não apresentado a escrita contábil, e a documentação que lhe deu suporte, que justifique a alteração dos valores declarados na DCTF, não há como alterar os valores declarados originalmente.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-002.609
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. O conselheiro Gileno Gurjão Barreto declarou-se impedido.
(assinado digitalmente)
WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente e Relator.
EDITADO EM: 01/06/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, Paulo Guilherme Déroulède, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Mônica Elisa de Lima e Gileno Gurjão Barreto.
Nome do relator: WALBER JOSE DA SILVA
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CRÉDITO INEXISTENTE. DARF ALOCADO A DÉBITO REGULARMENTE DECLARADO. Estando o pagamento devidamente alocado a débito regularmente declarado em DCTF, cujo valor não é contestado, improcedente é a utilização desse pagamento em compensação, cuja declaração de compensação não deve pode homologada pela Administração. COMPENSAÇÃO REALIZADA ANTES DA VIGÊNCIA DA IN SRF Nº 210/2002. LANÇAMENTO CONTÁBIL. FALTA DE COMPROVAÇÃO. A mingua de prova de que a compensação alegada foi devidamente efetuada e regularmente lançada na contabilidade da Recorrente, à época em que ocorreu, não há como prosperar tal alegação. COMPENSAÇÃO. DCTF É INSERVÍVEL PARA DECLARAR. A partir da vigência da IN SRF nº 210/2002, a comunicação à RFB das compensações realizadas pelos contribuinte passou a ser feita exclusivamente através da “Declaração de Compensação” instituída por esse normativo. A DCTF não é instrumento para tal. DCTF. ERRO DE PREENCHIMENTO. FALTA DE COMPROVAÇÃO. Não apresentado a escrita contábil, e a documentação que lhe deu suporte, que justifique a alteração dos valores declarados na DCTF, não há como alterar os valores declarados originalmente. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 90 76 45 /2 00 8- 26 Fl. 134DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10880.907645/200826 Acórdão n.º 3302002.609 S3C3T2 Fl. 3 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. O conselheiro Gileno Gurjão Barreto declarouse impedido. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA – Presidente e Relator. EDITADO EM: 01/06/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, Paulo Guilherme Déroulède, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Mônica Elisa de Lima e Gileno Gurjão Barreto. Relatório No dia 12/12/2004 a COMPANHIA BRASILEIRA DE DISTRIBUIÇÃO transmitiu o PER/DCOMP Original (final nº 041620), pleiteando a restituição/compensação no valor original de R$ 1.123.386,28, relativo ao PIS tido como pago indevidamente no dia 15/09/1999, através de DARF de mesmo valor, relativo ao PA 08/1999. Processado o pedido, o DARF informado no PER/DCOMP não foi localizado pela RFB. Em conseqüência, no dia 31/08/2006 a COMPANHIA BRASILEIRA DE DISTRIBUIÇÃO foi intimada a sanar a irregularidade, conforme TERMO DE INTIMAÇÃO nº 621798794. No dia 16/09/2006, após receber o Termo de Intimação nº 621798794, a COMPANHIA BRASILEIRA DE DISTRIBUIÇÃO transmitiu o PER/DCOMP Retificador (final nº 043450), para alterar o valor do DARF objeto do pedido, de R$ 1.123.386,28 para R$ 3.344.443,77, mantendo o valor do crédito objeto do pedido de restituição/compensação. Na DCTF Original entregue à RFB, a Empresa Recorrente vinculou ao débito do PIS do PA 08/1999 um DARF de mesmo valor (R$ 3.344.443,77), pago no dia 15/09/1999. Processada a DCTF Original, a RFB confirmou o pagamento e sua alocação ao débito declarado pela Recorrente. No dia 05/12/2003 a Empresa Recorrente apresentou DCTF Retificadora, do 3º Trimestre de 2001, para alterar a forma de extinção do referido débito da PIS do PA de 08/1999, no valor de R$ 3.344.443,77. Na DCTF Retificadora a extinção desse débito passou a ser parte por compensação e parte por pagamento, nos seguintes valores: (1) R$ 1.123.386,28 por compensação com parte do pagamento da PIS de PA de 05/95, que a Recorrente alega indevido; e (2) R$ 2.221.057,49 com a utilização parcial do pagamento de R$ 3.344.443,77, efetuado no dia 15/09/1999. Fl. 135DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10880.907645/200826 Acórdão n.º 3302002.609 S3C3T2 Fl. 4 3 Com a utilização parcial do referido DARF, na DCTF Retificadora, a Empresa Recorrente entende possuir R$ 1.123.386,28 passível de restituição ou compensação, e é exatamente esse o valor que está sendo pleiteado neste processo. Por meio do Despacho Decisório nº 781218702, a DERAT São Paulo indeferiu o pleito da recorrente, e não homologou a compensação declarada, sob a alegação de que o pagamento indicado no PER/DCOMP fora integralmente utilizado para quitação de débito do contribuinte declarado na DCTF original, não restando saldo credor disponível para compensação do débito informado na PER/DCOMP. Ciente, a empresa interessada apresenta manifestação de inconformidade cujas alegações foram resumidas pela decisão recorrida nos seguintes termos, que ratifico e adoto: Relata que a compensação declarada por meio do PER/DCOMP não foi homologada pelo despacho decisório, e que, por essa razão, estaria sendo cobrada dela o débito aí informado, no valor principal de R$ 1.966.937,04, mais multa e juros. Sustenta, no entanto, que tal valor teria sido devidamente compensado com créditos de PIS, recolhidos em montante maior que o devido no período de apuração 31/08/1999, conforme DCTF do período em questão e DARF anexa, não podendo prosperar, assim, no seu entendimento, referida exigência. Destaca que, em agosto de 1999, teria apresentado sua DCTF, apurando, para extinção por pagamento, o valor de PIS, no montante de R$ 2.221.057,49, e que teria efetuado o recolhimento deste tributo, mediante DARF, em valor maior que o devido e declarado para pagamento em espécie. Afirma, então, que o inciso I do artigo 165 do Código Tributário Nacional concederia, ao sujeito passivo, o direito à restituição total ou parcial do tributo, no caso de pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, e que, assim sendo, considerando a existência de saldo em seu favor, teria procedido à compensação deste valor pago em excesso, proveniente da guia DARF com valor principal de R$ 3.344.443.77, com o débito tributário ora exigido, mediante entrega de PER/DCOMP. Menciona que procedeu à entrega da PER/DCOMP 22359.71162.121203.1.3.041620,, que foi intimada sob o argumento de que o DARF aí indicado não teria sido localizado no sistema da RFB, e que, em atenção a esta intimação, apresentou PER/DCOMP retificadora Informa, em seguida, que foi proferido despacho decisório não homologando a compensação desta PER/DCOMP, sob o fundamento de que, a partir das características do DARF discriminado, teriam sido localizados um ou mais pagamentos, mas que estes teriam sido integralmente utilizados para quitação de seus débitos, não restando créditos disponíveis para a compensação do débito informado na PER/DCOMP. Fl. 136DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10880.907645/200826 Acórdão n.º 3302002.609 S3C3T2 Fl. 5 4 Segundo ela, referida decisão não deveria prevalecer, visto que, por meio desta manifestação de inconformidade, não só apresentaria o DARF discriminado na PER/DCOMP, como demonstraria tratarse de recolhimento em valor superior ao devido para pagamento em espécie, e que seu procedimento de compensação teria sido efetuado como estabelece a legislação vigente, transcrevendo o artigo 74, caput e parágrafo 1º da Lei n.º 9.430/96. Ressalta, por outro lado, que a Administração deveria agir de acordo com a lei, com subordinação a dispositivos legais, não podendo sujeitar o particular à exação tributária, sem qualquer finalidade específica, afrontando as previsões constitucionais, e que, neste contexto, os preceitos do artigo 37, caput da Carta Magna estabeleceriam que o administrador público estaria, em toda a sua atividade funcional, sujeito aos mandamentos da lei, deles não podendo se afastar, sob pena de infringir ao princípio da legalidade. E conclui que, considerando suas alegações e os documentos acostados, a legitimidade do seu crédito seria inconteste, tendo sido este demonstrado pelo recolhimento em valor superior ao efetivamente devido e declarado, por ela, para pagamento em espécie, devendo a decisão ser reformada para homologar a compensação procedida, extinguindo o crédito tributário exigido, nos termos do artigo 156, inciso II do Código Tributário Nacional. A 11a Turma de Julgamento da DRJ em São Paulo SP indeferiu a solicitação da recorrente, nos termos do Acórdão no 1636.051, de 07/02/2012, que tem a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/Pasep Data do fato gerador: 15/09/1999 DCOMP. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. DCTF. ERRO DE PREENCHIMENTO. NÃO COMPROVAÇÃO EM DOCUMENTAÇÃO IDÔNEA. Não apresentada a escrituração contábil, nem outra documentação hábil e suficiente, que justifique a alteração dos valores registrados na DCTF (Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais) original, demonstrando a liquidez e certeza do crédito informado na DCOMP (Declaração de Compensação), se mantém a decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Administração Tributária em São Paulo, que não homologou a compensação aí declarada pelo contribuinte. INSERÇÃO DE COMPENSAÇÃO DE PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR EM DCTF RETIFICADORA. REQUISITOS FORMAIS. AUSÊNCIA. COMPENSAÇÃO NÃO DECLARADA. Considerase não declarada a compensação, simplesmente informada em DCTF retificadora, que não atenda aos requisitos Fl. 137DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10880.907645/200826 Acórdão n.º 3302002.609 S3C3T2 Fl. 6 5 estabelecidos na legislação então vigente à época – formalização mediante o uso do programa PER/DCOMP ou, nos casos de impossibilidade de sua utilização, mediante a entrega de formulário específico – Instruções Normativas SRF n.º 210/2002 e n.º 323/2003. A recorrente tomou ciência da decisão de primeira instância no dia 09/05/2013, conforme AR, e, discordando da mesma, ingressou, no dia 04/06/2013, com recurso voluntário, no qual renova os argumentos da manifestação de inconformidade, acrescentando que restou demonstrado, pela DCTF Retificadora do PA 08/1999, o recolhimento a maior que o devido e o conseqüente direito ao crédito no valor de R$ 1.123.386,28. Alega, ainda, a Recorrente “que o mero erro na forma, qual seja: retificação da DCTF para efetivar a compensação do PIS de agosto/1999, com créditos pretéritos e legítimos, não tem o condão de desconstituir a compensação realizada”, citando decisões do Conselho de contribuintes que tratam de erro de fato no preenchimento de declaração e sustentando que a compensação realizada e declarada da DCTF retificadora foi efetuada tal como estabelece a legislação vigente, ou seja, o art. 74 da Lei nº 9.430/96. Cita doutrina. Concluindo que a decisão recorrida “entende como um empecilho ao reconhecimento do crédito, o fato de a DCTF retificadora, com a finalidade de desvincular parte o DARF recolhido, ter sido transmitida tão somente em 05/12/2003”, passa a discorrer sobre o prazo para pleitear a restituição do crédito da Cofins do PA 05/95, informado na DCTF Retificadora de 05/12/2003, que entende ser de 10 anos, a contar do fato gerador, e que as disposições da Lei Complementar nº 118/2005 atinge apenas os fatos geradores posteriores à sua vigência. É o relatório do essencial. Voto Conselheiro WALBER JOSÉ DA SILVA, Relator. O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos legais e regimentais. Dele se conhece. Como relatado, a Empresa Recorrente está pleiteando a compensação de débitos seus com suposto crédito de COFINS, decorrente de pagamento por ela tido como a maior, relativo ao período de apuração de agosto de 1999. O pagamento informado no PER/DCOMP original ocorreu no dia 15/09/1999, no valor original de R$ 1.123.386,28. O crédito objeto deste processo decorre da utilização parcial, no dia 05/12/2003 (data da apresentação da DCTF Retificadora), de pagamento feito no dia 15/09/1999, no valor de R$ 3.344.443,77. Até a data da apresentação da DCTF Retificadora, referido pagamento estava integralmente declarado e alocado ao débito do PIS do PA 08/1999. Fl. 138DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10880.907645/200826 Acórdão n.º 3302002.609 S3C3T2 Fl. 7 6 Em síntese, a Recorrente defende que a DCTF Original continha erro posto que o débito da COFINS do PA 08/1999 foi liquidado parte por compensação e parte por pagamento e que a retificação da DCTF se fez necessário para retificar o erro cometido. Além disso, que mesmo tendo cometido erro na forma de retificar a DCTF, não pode tal erro prejudicar seu direito à repetição do indébito. Por seu turno, a decisão recorrida enfrentou a questão nos seguintes termos, que ratifico e adoto: Não obstante as razões apresentadas pela empresa, seu inconformismo, contudo, não tem o condão de prosperar, devendo a decisão da DERAT São Paulo, que não homologou a compensação declarada, ser mantida em sua integralidade pelas razões a seguir expostas. Cumpre esclarecer, aqui, que o despacho decisório apontou como causa da não homologação da compensação declarada: a inexistência de crédito disponível, tendo sido o DARF discriminado na DCOMP integralmente utilizado para a quitação de débitos do contribuinte, que estavam declarados em DCTF. É de se ressaltar que a DCTF, a teor do que dispõe o Decreto Lei n.º 2.124/84, em seu artigo 5º, parágrafo 1º, se constitui em um instrumento de confissão de dívida, e que eventual retificação dos valores antes nela informados deve ter por fundamento os dados da escrituração contábil da empresa. Cabe observar, aqui, também, que, em consulta ao sistema informatizado da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), se verificou que, quando da entrega da DCTF original, relativa ao período de apuração em tela, o crédito informado pela empresa na presente DCOMP não existia, estando o pagamento realizado por meio do DARF aí discriminado integralmente alocado ao débito declarado pela empresa, na referida DCTF, referente a PIS – Db: cód 2172 PA 31/08/1999. Merece destaque, ainda, o fato, constatado mediante consulta ao sistema informatizado da RFB, de que a inserção de dados, pela empresa, como “Compensação de Pagamento Indevido ou a Maior”, em DCTF, visando desvincular o DARF em tela parcialmente do débito de COFINS do período de apuração 31/08/1999, por ela apurado e aí declarado, no valor de R$ 3.344.443,77, de modo a originar o crédito informado na DCOMP, se deu somente em 05/12/2003, em DCTF retificadora. Cumpre registrar, aqui, que a empresa não comprova, nos autos, mediante documentação idônea, como o registro na contabilidade, que os créditos informados na DCTF retificadora eram, de fato, decorrentes de pagamento indevido ou a maior, e que tal compensação tinha sido feita, efetivamente, à época da transmissão da DCTF original, e que, por um lapso, não teria sido informada nesta DCTF. Fl. 139DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10880.907645/200826 Acórdão n.º 3302002.609 S3C3T2 Fl. 8 7 E, assim, considerando que a compensação informada na DCTF retificadora ocorreu efetivamente somente na data de sua entrega à RFB, ou seja, em 05/12/2003, temse que não observou a legislação então vigente à época referente ao assunto – Instruções Normativas (IN) da Secretaria da Receita Federal (SRF) n.º 210, de 30/09/2002, e n.º 323, de 24/04/2003, transcritas parcialmente a seguir – que estabeleciam a necessidade de apresentação de uma declaração de compensação, seja em formulário ou mediante utilização do programa PER/DCOMP – sendo que consta, na referida DCTF, a informação de compensação “sem processo”, no campo “formalização do pedido”. [...] Portanto, as normas que disciplinavam o exercício da compensação, à época, obrigavam que fosse formalizada primordialmente mediante o uso do programa PER/DCOMP, disponibilizado para tal finalidade, admitindose, excepcionalmente, nos casos de impossibilidade de utilização desse programa, que fosse formalizada mediante a entrega de formulário específico aprovado pela legislação. Não se admite, pois, em nenhuma hipótese, a formalização de declarações de compensação – bem assim de reconhecimento de compensação praticada, de direito a compensação ou outra pretensão equivalente – em qualquer outro meio diverso dos estabelecidos nas Instruções Normativas SRF n.º 210/2002 e n.º 323/2003 (como a sua mera inclusão em DCTF retificadora), sendo o parágrafo único do artigo 3º desta última taxativo ao prescrever que, ocorrendo tais situações (não utilização do programa PER/DCOMP ou do formulário aprovado pela IN SRF nº 210/2002), deveria ser considerada não declarada a compensação. Vêse claramente que, ao contrário do argüido pela Recorrente, aqui não se trata somente de mero erro formal. Há erro no procedimento de efetuar a compensação, posto que a partir da vigência da IN SRF nº 210/2003, a compensação deveria ser feita pelo Contribuinte e informada à Receita Federal exclusivamente por meio de “Declaração de Compensação”, como bem disse a decisão Recorrida. Definitivamente, a Recorrente desobedeceu a legislação sobre compensação, vigente na data em que informou à Receita Federal a compensação que diz ter realizado 05/12/2003 (MP nº 66/2002, Lei nº 10.637/2002, MP nº 135/03, Lei nº 10.833/03, IN’s SRF nºs 210/2002, 320/2003 e 323/2003), não somente por ter utilizado a DCTF para isso, mas também por não ter efetuado os lançamentos contábeis que demonstrariam toda a operação em setembro de 1999. Argumenta a Recorrente que a compensação de fato foi efetuada quando da extinção do débito declarado na DCTF Original, ou seja, até o dia 15/09/1999 (data do vencimento da COFINS do PA 08/1999), e que naquela data era possível efetuar a compensação de crédito com débito do mesmo tributo e declarar em DCTF. Desse modo, o que ocorreu aqui também foi mero erro de forma. É verdade que compensação feita em 1999, entre crédito e débito do mesmo tributo, poderia ser declarada em DCTF. Observese que por essa sistemática o Contribuinte Fl. 140DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10880.907645/200826 Acórdão n.º 3302002.609 S3C3T2 Fl. 9 8 estava obrigado a provar que de fato efetuou os lançamentos contábeis da operação de compensação que realizou, ou seja, estava obrigado a provar que em sua escrita contábil foi reconhecido e escriturado o crédito do pagamento a maior da COFINS do PA 05/95 e a compensação desse crédito com o débito da COFINS do PA 08/1999. Para isso, bastaria juntar aos autos cópia do Livro Diário de setembro de 1999, onde conta os lançamentos contábeis da compensação que a Recorrente alega ter realizado. De posse dessa informação, Auditores Fiscais da RFB confirmariam os lançamentos contábeis, à vista da documentação que lhe deu suporte. Tivesse a Recorrente trazido aos autos os elementos de prova acima referidos, poderseia discutir nos autos a existência ou não de erro de forma e a possível e eventual existência de crédito. Sem isso, o que fica claro é que a Recorrente usou de artifício ilegal para gerar crédito fictício, especialmente porque não prova sequer que ocorreu pagamento indevido da COFINS do PA 05/95, devidamente reconhecido em sua contabilidade por meio de lançamento feito em data anterior à extinção do débito de PIS do PA 08/1999. Fica claro, como bem disse a decisão recorrida, que até a data da apresentação da DCTF Retificadora o débito da COFINS do PA 05/1999 estava extinto por pagamento, somente. A extinção, em parte, por compensação somente passou a existir com a transmissão da referida DCTF Retificadora. E naquela data, a comunicação de compensação realizada pelo contribuinte somente poderia ser feita por meio de “Declaração de Compensação”. Portanto, o DARF informado no PER/DCOMP estava, de fato e legalmente, alocado ao débito declarado pela Recorrente na DCTF Original, não podendo ser objeto de compensação. Tendo a compensação sido realizada na data da apresentação da DCTF Retificadora, aplicase a legislação sobre compensação vigente nessa data, conforme decidiu o STJ no Recurso Especial nº 1.137.738 – SP, julgado no rito do art. 543C do CPC e de aplicação obrigatória por parte do CARF (art. 62A do Regimento Interno do CARF), cuja ementa abaixo se transcreve, naquilo que interessa à lide: TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. SUCESSIVAS MODIFICAÇÕES LEGISLATIVAS. LEI 8.383/91. LEI 9.430/96. LEI 10.637/02. REGIME JURÍDICO VIGENTE À ÉPOCA DA PROPOSITURA DA DEMANDA. LEGISLAÇÃO SUPERVENIENTE. INAPLICABILIDADE EM SEDE DE RECURSO ESPECIAL. ART. 170A DO CTN. AUSÊNCIA DE INTERESSE RECURSAL. HONORÁRIOS. VALOR DA CAUSA OU DA CONDENAÇÃO. MAJORAÇÃO. SÚMULA 07 DO STJ. VIOLAÇÃO DO ART. 535 DO CPC NÃO CONFIGURADA. 1. A compensação, posto modalidade extintiva do crédito tributário (artigo 156, do CTN), exsurge quando o sujeito passivo da obrigação tributária é, ao mesmo tempo, credor e devedor do erário público, sendo mister, para sua concretização, autorização por lei específica e créditos líquidos e certos, vencidos e vincendos, do contribuinte para com a Fazenda Pública (artigo 170, do CTN). Fl. 141DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10880.907645/200826 Acórdão n.º 3302002.609 S3C3T2 Fl. 10 9 [...] 9. Entrementes, a Primeira Seção desta Corte consolidou o entendimento de que, em se tratando de compensação tributária, deve ser considerado o regime jurídico vigente à época do ajuizamento da demanda, não podendo ser a causa julgada à luz do direito superveniente, tendo em vista o inarredável requisito do prequestionamento, viabilizador do conhecimento do apelo extremo, ressalvandose o direito de o contribuinte proceder à compensação dos créditos pela via administrativa, em conformidade com as normas posteriores, desde que atendidos os requisitos próprios (EREsp 488992/MG). [...] Diante da inexistência do direito material ao crédito, desnecessário abordar e discutir aqui a questão relativa ao prazo para pleitear a restituição, até porque esta matéria já está pacificada no âmbito do CARF, em face da decisão do STF proferida no RE 566.621, que é de aplicação obrigatória por parte deste Colegiado. Por fim, ratifico e, supletivamente, adoto os fundamentos da decisão recorrida, que tenho por boa e conforme a lei (art. 50, § 1o, da Lei no 9.784/19991). Por tais razões, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA – Relator 1 Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: [. . .] § 1o A motivação deve ser explícita, clara e congruente, podendo consistir em declaração de concordância com fundamentos de anteriores pareceres, informações, decisões ou propostas, que, neste caso, serão parte integrante do ato. Fl. 142DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10880.907645/200826 Acórdão n.º 3302002.609 S3C3T2 Fl. 11 10 Fl. 143DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por WALBER JOSE DA SILVA
score : 1.0
Numero do processo: 18050.008233/2008-96
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 13 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Jun 25 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 27/10/2008
DEIXAR DE EXIBIR DOCUMENTOS OU LIVROS RELACIONADOS COM AS CONTRIBUIÇÕES PREVISTAS NA LEI 8.212/91 OU APRESENTÁ-LOS DE FORMA DEFICIENTE. INFRAÇÃO CONFIGURADA
A empresa está obrigada a exibir os livros e documentos relacionados às contribuições previdenciárias quando regularmente intimada pela fiscalização. A não apresentação, ou apresentação de livros e documentos que não atendam as formalidades legais exigidas, que contenham informação diversa da realidade ou que omitam informação verdadeira, constitui infração à legislação previdenciária.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2803-003.290
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator
assinado digitalmente
Helton Carlos Praia de Lima - Presidente.
assinado digitalmente
Oséas Coimbra - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima, Oséas Coimbra Júnior, Gustavo Vettorato, Amílcar Barca Teixeira Júnior, Eduardo de Oliveira e Carlos Cornet Scharfstein.
Nome do relator: OSEAS COIMBRA JUNIOR
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 27/10/2008 DEIXAR DE EXIBIR DOCUMENTOS OU LIVROS RELACIONADOS COM AS CONTRIBUIÇÕES PREVISTAS NA LEI 8.212/91 OU APRESENTÁ-LOS DE FORMA DEFICIENTE. INFRAÇÃO CONFIGURADA A empresa está obrigada a exibir os livros e documentos relacionados às contribuições previdenciárias quando regularmente intimada pela fiscalização. A não apresentação, ou apresentação de livros e documentos que não atendam as formalidades legais exigidas, que contenham informação diversa da realidade ou que omitam informação verdadeira, constitui infração à legislação previdenciária. Recurso Voluntário Negado
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator assinado digitalmente Helton Carlos Praia de Lima - Presidente. assinado digitalmente Oséas Coimbra - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima, Oséas Coimbra Júnior, Gustavo Vettorato, Amílcar Barca Teixeira Júnior, Eduardo de Oliveira e Carlos Cornet Scharfstein.
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Obrigação Acessória Recorrente DATASTAFF CONTADORES SC LTDA E OUTROS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 27/10/2008 DEIXAR DE EXIBIR DOCUMENTOS OU LIVROS RELACIONADOS COM AS CONTRIBUIÇÕES PREVISTAS NA LEI 8.212/91 OU APRESENTÁLOS DE FORMA DEFICIENTE. INFRAÇÃO CONFIGURADA A empresa está obrigada a exibir os livros e documentos relacionados às contribuições previdenciárias quando regularmente intimada pela fiscalização. A não apresentação, ou apresentação de livros e documentos que não atendam as formalidades legais exigidas, que contenham informação diversa da realidade ou que omitam informação verdadeira, constitui infração à legislação previdenciária. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator assinado digitalmente Helton Carlos Praia de Lima Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 05 0. 00 82 33 /2 00 8- 96 Fl. 137DF CARF MF Impresso em 25/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 09/06/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 18050.008233/200896 Acórdão n.º 2803003.290 S2TE03 Fl. 3 2 assinado digitalmente Oséas Coimbra Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima, Oséas Coimbra Júnior, Gustavo Vettorato, Amílcar Barca Teixeira Júnior, Eduardo de Oliveira e Carlos Cornet Scharfstein. Fl. 138DF CARF MF Impresso em 25/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 09/06/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 18050.008233/200896 Acórdão n.º 2803003.290 S2TE03 Fl. 4 3 Relatório A empresa foi autuada por descumprimento da legislação previdenciária, por ter apresentado a escrita contábil com registros incorretos, tampouco foram apresentados os documentos que deram origem aos lançamentos contábeis, requeridos em Termo de Intimação para Apresentação de Documentos(TIAD). O r. acórdão – fls 109 e ss, conclui pela improcedência da impugnação apresentada, mantendo o Auto lavrado. Inconformada com a decisão, apresenta recurso voluntário tempestivo, alegando, na parte que interessa, o seguinte: · O descumprimento desta obrigação tributária acessória não resultou em qualquer tipo de prejuízo para os cofres previdenciários, posto que não houve fato obstrutivo à Fiscalização,na medida em que o crédito tributário foi devidamente constituído e posteriormente parcelado pelo Contribuinte. · O livro diário devidamente retificado foi apresentado junto à defesa, sanando a irregularidade. · Dupla penalização pela mesma infração · Requer a relevação da multa com a aplicação do art.291 §1° do decreto n° 3.048/99. · Requer o conjunto julgamento com o processo 18050008234/200831 e o provimento do recurso interposto. É o relatório. Fl. 139DF CARF MF Impresso em 25/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 09/06/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 18050.008233/200896 Acórdão n.º 2803003.290 S2TE03 Fl. 5 4 Voto Conselheiro Oséas Coimbra O recurso voluntário é tempestivo, e considerando o preenchimento dos demais requisitos de sua admissibilidade, merece ser apreciado. DO JULGAMENTO CONJUNTO COM O PROCESSO 18050008234/200831 Em que pese a conveniência do simultâneo julgamento de matérias afins do mesmo contribuinte, evitandose decisões divergentes versando sobre situações análogas, o fato de existir outro processo de débito em trâmite normal não é fator impeditivo de julgamento por esta Turma do presente Auto de Infração. Também não há que se falar em decisões conflitantes, pois o que for decidido no presente processo em nada irá alterar o que decidido em outros processos da mesma empresa a serem julgados nesta ou em outra Turma de julgamento, a comprovar a inexistência de alcance comum entre os mesmos. Os processos seguirão o rito normal, com disponibilização de prazos para recurso, etc., como acontece rotineiramente neste Conselho. A título de registro, em praticamente todas as sessões desta Turma Especial são julgados apenas parte de processos lavrados na mesma ação fiscal, sem se levantar eventuais conexões. Ante o exposto, não vislumbro a conexão suscitada. DA AUTUAÇÃO O relatório fiscal aponta falhas na escrita fiscal apresentada e falta de apresentação de documentos que deram origem a determinados lançamentos. A recorrente reconhece expressamente a falta referente ao livro, informando que disponibilizou outro livro diário retificado, sendo que não trouxe nenhum documento que demonstrasse o alegado, inclusive em relação aos documentos não apresentados igualmente nada foi anexado aos autos, como bem já analisado na r. decisão. Transcrevo: A própria empresa reconhece o cometimento da infração e nada nos autos demonstra a eventual correção da falta. De fato, ainda que se leve em conta os documentos anexados aos Processos n°18050.008234/200831 e 18050.008231/200805 (em que o mesmo contribuinte figura como sujeito passivo), constatase que o contribuinte se limitou à anexação de folhas de Razão que julga como saneadoras da falta. Fl. 140DF CARF MF Impresso em 25/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 09/06/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 18050.008233/200896 Acórdão n.º 2803003.290 S2TE03 Fl. 6 5 Fica assim demonstrado que o contribuinte não trouxe nenhum elemento que desconstituísse o que demonstrado pela fiscalização. Sobre o conjunto julgamento com outros autos de infração, temos que constituem em distintas condutas, com diversa capitulação legal, não havendo razão objetiva para o simultâneo julgamento. Demonstrada a não correção da falta, igualmente não há como deferir o pedido de relevação pleiteado com fulcro no art. 291, parágrafo 1º o do RPS, em razão da ausência deste requisito. CONCLUSÃO Pelo exposto, voto por conhecer do recurso e, no mérito, negolhe provimento. assinado digitalmente Oséas Coimbra Relator. Fl. 141DF CARF MF Impresso em 25/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 09/06/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 11030.904375/2012-51
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 27 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Jun 11 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 31/03/2003
PIS. COFINS. RESTITUIÇÃO. EXCLUSÃO DO VALOR DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO. INDEFERIMENTO.
O valor do ICMS compõe o preço da mercadoria integrando assim o faturamento, que é base de cálculo das contribuições para o PIS/Pasep e a Cofins, não havendo razão para a sua exclusão sem expressa disposição legal.
INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3801-003.189
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Paulo Sérgio Celani - Presidente Substituto.
(assinado digitalmente)
Marcos Antonio Borges - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani (Presidente Substituto), José Luiz Feistauer De Oliveira, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antonio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Jacques Mauricio Ferreira Veloso De Melo.
Nome do relator: MARCOS ANTONIO BORGES
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do fato gerador: 31/03/2003 PIS. COFINS. RESTITUIÇÃO. EXCLUSÃO DO VALOR DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO. INDEFERIMENTO. O valor do ICMS compõe o preço da mercadoria integrando assim o faturamento, que é base de cálculo das contribuições para o PIS/Pasep e a Cofins, não havendo razão para a sua exclusão sem expressa disposição legal. INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Recurso Voluntário Negado
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Paulo Sérgio Celani - Presidente Substituto. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani (Presidente Substituto), José Luiz Feistauer De Oliveira, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antonio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Jacques Mauricio Ferreira Veloso De Melo.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 31/03/2003 PIS. COFINS. RESTITUIÇÃO. EXCLUSÃO DO VALOR DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO. INDEFERIMENTO. O valor do ICMS compõe o preço da mercadoria integrando assim o faturamento, que é base de cálculo das contribuições para o PIS/Pasep e a Cofins, não havendo razão para a sua exclusão sem expressa disposição legal. INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Paulo Sérgio Celani Presidente Substituto. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani (Presidente Substituto), José Luiz Feistauer De Oliveira, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antonio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Jacques Mauricio Ferreira Veloso De Melo. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 03 0. 90 43 75 /2 01 2- 51 Fl. 88DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 04/05/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 11030.904375/201251 Acórdão n.º 3801003.189 S3TE01 Fl. 89 2 Fl. 89DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 04/05/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 11030.904375/201251 Acórdão n.º 3801003.189 S3TE01 Fl. 90 3 Relatório Adoto o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que narra bem os fatos: O interessado transmitiu Per/Dcomp visando a restituir o crédito nele declarado em razão de pagamento indevido ou a maior de Pis, relativo ao fato gerador de 31/03/2003. A Delegacia da Receita Federal de jurisdição do contribuinte emitiu despacho decisório eletrônico no qual indefere a restituição pleiteada, sob o argumento de que o pagamento foi utilizado na quitação integral de débito(s) do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição. Irresignado com o indeferimento do seu pedido, tendo sido cientificado em 23/01/2013 (fl. 8), o contribuinte apresentou, em 20/02/2013, a manifestação de inconformidade de fls. 11/21, com os argumentos a seguir sintetizados. Informa que pediu a restituição dos valores pagos a maior a título de Pis, uma vez que foram pagos sem a exclusão do ICMS da base de cálculo. Traz entendimentos doutrinários e jurisprudência dos tribunais acerca do conceito de faturamento, o qual entende não abarcar o conceito de “ingresso”. O ICMS seria mero ingresso na escrituração contábil das empresas, para posterior destinação ao Fisco, terceiro titular de tais valores. Cita o recurso extraordinário nº 240785, que se encontra em fase decisória no STF, outros excertos doutrinários e princípios constitucionais, discorrendo acerca da impossibilidade de inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS/Cofins, visto que não representa riqueza do contribuinte, não fazendo parte da receita ou do faturamento. Por fim, requer seja deferido o seu pedido de restituição, tendo em vista ser inconstitucional a cobrança do PIS/Cofins sem a exclusão do ICMS da base de cálculo, e que os créditos sejam acrescidos de juros Selic, desde o seu pagamento indevido até a data da restituição/compensação. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte (MG) julgou improcedente a manifestação de inconformidade, conforme ementa abaixo: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 31/03/2003 EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO. IMPOSSIBILIDADE. Fl. 90DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 04/05/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 11030.904375/201251 Acórdão n.º 3801003.189 S3TE01 Fl. 91 4 Não há previsão legal para a exclusão do ICMS da base de cálculo das contribuições ao PIS/Cofins apuradas pelos regimes cumulativo e nãocumulativo. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada, a contribuinte recorre a este Conselho, conforme recurso voluntário apresentado, no qual repisa os argumentos apresentados na Manifestação de Inconformidade. É o relatório. Fl. 91DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 04/05/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 11030.904375/201251 Acórdão n.º 3801003.189 S3TE01 Fl. 92 5 Voto Conselheiro Relator Marcos Antonio Borges O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, portanto dele tomase conhecimento. O direito creditório não existiria, segundo o despacho decisório inicial, porque os pagamentos constantes do pedido estariam integralmente vinculados a débitos em DCTF e não teriam sido demonstradas a liquidez e a certeza dos indébitos. Na análise eletrônica dos PERDCOMPs de pagamento indevido ou a maior o objetivo é confirmar a existência de indébito tributário, confrontando informações das declarações apresentadas com os pagamento realizados. Não se está analisando efetivamente o mérito da questão, o que somente será viável a partir da manifestação de inconformidade apresentada pelo requerente, na qual, esperase, seja descrita a origem do direito creditório pleiteado e sua fundamentação legal. Foi o que sucedeu no recurso apresentado, no qual a recorrente alega que os créditos pleiteados referemse a pagamentos a maior da contribuição ao PIS e da Cofins, em razão da inclusão do ICMS nas bases de cálculo destas contribuições. A questão da inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS é objeto do Recurso Extraordinário (RE) nº 240.7852 MG, que não foi ainda julgada até a presente data. Na Ação Declaratória de Constitucionalidade (ADC) nº 18, que trata da mesma matéria, o STF reconheceu a repercussão geral da demanda e deferiu medida cautelar para determinar que, até o julgamento final da ação pelo Plenário do STF, juízos e tribunais suspendessem o julgamento dos processos em trâmite que envolviam a aplicação do art. 3º, § 2º, inciso I, da Lei no 9.718/98. A suspensão dos julgamentos deferida liminarmente foi sucessivamente prorrogada nas sessões plenárias realizadas em 04/02/2009, em 16/09/2009, e, finalmente, em 25/03/2010, quando o Tribunal, pela última vez, prorrogou por mais 180 dias a eficácia da medida cautelar anteriormente deferida. Quanto ao RE nº 240.7852/MG, o mesmo foi também sustado até o julgamento do ADC no 18, já que o Plenário do STF, ao julgar questão de ordem levantada pelo Ministro Marco Aurélio, decidiu que o julgamento da ADC deveria preceder o julgamento do RE em tela, uma vez que a ADC, por tratarse de controle concentrado de constitucionalidade, repercutiria sobre os demais processos relativos à matéria. Contudo, findo o prazo suspensivo liminarmente concedido pelo STF, tendo em vista não haver nenhuma decisão vigente nesse sentido nos julgamentos que versam sobre a matéria, bem como, com a edição da Portaria MF no 545, de 18 de novembro de 2013, que revogou os parágrafos 1º e 2º do artigo 62A do Anexo II do Regimento Interno deste Conselho, que previam o sobrestamento dos julgamentos dos recursos sempre que o STF também Fl. 92DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 04/05/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 11030.904375/201251 Acórdão n.º 3801003.189 S3TE01 Fl. 93 6 sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, preliminarmente entendo que não há que se falar em sobrestamento dos autos. Isto posto, no mérito, veremos que não assiste razão à recorrente. O valor do ICMS compõe o preço da mercadoria sendo calculado “por dentro”, ou seja, o montante do próprio imposto está incluído na sua base de cálculo, nos termos do art. 13, §1º, inciso I da LC 87/96, integrando assim a receita bruta ou faturamento, que é base de cálculo das contribuições, não havendo razão para a sua exclusão sem expressa disposição legal para tanto. A Lei nº 9.718/98, em seu art. 3º, § 2º, I autoriza apenas a exclusão do ICMS “quando cobrado pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário”. Em nenhum momento, porém, autoriza a exclusão do ICMS das próprias vendas. Em relação ao PIS, a partir da Lei 10.637, de 2002, e à Cofins, a partir da Lei 10.833, de 2003, para aquelas empresas sujeitas ao regime não cumulativo de apuração das referidas contribuições, estas passaram a ter como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil, ,porém não trazendo qualquer disposição que se refira à possibilidade de exclusão do ICMS da base de cálculo. O inciso VII do art. 1º das retrocitadas leis, incluído pela Lei nº 11.945, de 4 de junho de 2009, prevê apenas a exclusão das receitas decorrentes de transferência onerosa de créditos acumulados de ICMS originados de operações de exportação. Em relação ao PIS, a Jurisprudência encontravase pacificada, sendo editada a Súmula nº 68 pelo Superior Tribunal de Justiça, abaixo transcrita: Súmula: 68 A PARCELA RELATIVA AO ICM INCLUISE NA BASE DE CALCULO DO PIS. Em relação ao FINSOCIAL, que também tinha por base de cálculo o faturamento, o Superior Tribunal de Justiça editou a Súmula nº 94, que estabelece: Súmula 94. A PARCELA RELATIVA O ICMS INCLUISE NA BASE DE CÁLCULO DO FINSOCIAL. Este também é o entendimento exarado pelo STJ, superada a suspensão liminar dos julgamentos dos processos envolvendo a matéria determinada pelo STF, no âmbito do REsp no 1.127.877SP (transitado em julgado em 20/06/2012), que foi submetido ao rito do artigo 543C do CPC, no sentido de que o ICMS integra sim a base de cálculo do PIS e da COFINS, através de decisão monocrática que negou seguimento ao recurso, com base em jurisprudência da citada Corte, conforme excerto abaixo: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. OMISSÃO NÃO CONFIGURADA. BASE DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS. INCLUSÃO DO ICMS. POSSIBILIDADE. PRECEDENTES. RECURSO ESPECIAL A QUE SE NEGA SEGUIMENTO. A jurisprudência deste Tribunal pacificouse no sentido de que "a parcela relativa ao ICMS deve ser incluída na base de cálculo do PIS e da Cofins, nos termos das Súmulas 68 e 94 do STJ" (AgRg no REsp 1.121.982/RS, 2ª T., Min. Humberto Martins, Fl. 93DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 04/05/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 11030.904375/201251 Acórdão n.º 3801003.189 S3TE01 Fl. 94 7 DJe de 04/02/2011). Nesse sentido, os seguintes julgados: AgRg no Ag 1.069.974/PR, 1ª T., Min. Francisco Falcão, DJe de 02/03/2009; REsp 1.012.877/PR, 2ª T., Min. Mauro Campbell Marques, DJe de 08/02/2011; AgRg no Ag 1.169.099/SP, 2ª T., Min. Herman Benjamin, DJe de 03/02/2011; AgRg no Ag 1.005.267/RS, 1ª T., Min. Benedito Gonçalves, DJe de 02/09/2009. Ocorre ainda que eventuais alegações acerca de inconstitucionalidade da legislação tributária não são oponíveis na esfera administrativa, uma vez que sua apreciação foge à alçada da autoridade administrativa de qualquer instância, não dispondo esta de competência legal para examinar hipóteses de violação às normas legitimamente inseridas no ordenamento jurídico nacional. Com efeito, a apreciação dessas questões achase reservada ao Poder Judiciário, pelo que qualquer discussão quanto aos aspectos de validade das normas jurídicas deve ser submetida àquele Poder. Portanto, é inócuo suscitar tais alegações na esfera administrativa, pois à autoridade administrativa é vedado desrespeitar textos legais em vigor, sob pena de responsabilidade funcional, sendo defeso a apreciação da matéria por esse órgão julgador, nos termos da Súmula n° 2 do CARF, de observância obrigatória por parte de seus membros. Assim, diante do exposto, voto por negar provimento ao presente recurso voluntário. (assinado digitalmente) Marcos Antônio Borges Fl. 94DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 04/05/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por PAULO SERGIO CELANI
score : 1.0
Numero do processo: 14751.001242/2008-06
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 24 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Jun 24 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/10/2004 a 31/05/2008
MULTA DE OFICIO. APLICAÇÃO. A multa de oficio de 75% deve ser aplicada sempre que houver inadimplência do contribuinte que tenha sido apurada por meio de procedimento fiscalizatório. Estando a lei que a instituiu em pleno vigor, é vedado a julgador administrativo afasta-la por inconstitucionalidade ou ilegalidade.
SELIC. APLICAÇÃO. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-002.230
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. Ausência momentânea: PAULO GUILHERME DEROULEDE
(assinado digitalmente)
WALBER JOSÉ DA SILVA - Presidente.
(assinado digitalmente)
ALEXANDRE GOMES - Relator.
EDITADO EM: 25/03/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva (Presidente), Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes (Relator) e Gileno Gurjão Barreto.
Nome do relator: ALEXANDRE GOMES
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/10/2004 a 31/05/2008 MULTA DE OFICIO. APLICAÇÃO. A multa de oficio de 75% deve ser aplicada sempre que houver inadimplência do contribuinte que tenha sido apurada por meio de procedimento fiscalizatório. Estando a lei que a instituiu em pleno vigor, é vedado a julgador administrativo afasta-la por inconstitucionalidade ou ilegalidade. SELIC. APLICAÇÃO. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. Ausência momentânea: PAULO GUILHERME DEROULEDE (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA - Presidente. (assinado digitalmente) ALEXANDRE GOMES - Relator. EDITADO EM: 25/03/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva (Presidente), Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes (Relator) e Gileno Gurjão Barreto.
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IND. NORDESTINA DE ARTEFATOS DE PAPEL S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/10/2004 a 31/05/2008 MULTA DE OFICIO. APLICAÇÃO. A multa de oficio de 75% deve ser aplicada sempre que houver inadimplência do contribuinte que tenha sido apurada por meio de procedimento fiscalizatório. Estando a lei que a instituiu em pleno vigor, é vedado a julgador administrativo afastala por inconstitucionalidade ou ilegalidade. SELIC. APLICAÇÃO. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. Ausência momentânea: PAULO GUILHERME DEROULEDE (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente. (assinado digitalmente) ALEXANDRE GOMES Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 75 1. 00 12 42 /2 00 8- 06 Fl. 604DF CARF MF Impresso em 24/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 29/03/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por ALEXANDRE GOMES 2 EDITADO EM: 25/03/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva (Presidente), Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes (Relator) e Gileno Gurjão Barreto. Relatório Por bem resumir a matéria tratada no presente processo, transcrevo o trecho do relatório produzido pela DRJ de Recife: 1. Tratase de Auto de Infração do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, do qual o contribuinte foi cientificado em 10/09/2008 (fls. 003), abrangendo os períodos de apuração que vão de outubro de 2004 a maio de2008, decorrente de glosa de créditos considerados indevidos pela Fiscalização. 2. Do detalhado "Relatório do Trabalho Fiscal" (fls. 302 a 324), extraímos que a glosa atingiu ( 1 ) todo o saldo credor de períodos anteriores registrado no 1° decêndio de setembro de 2003, no valor de R$ 1.938.297,22, bem como ( 2 ) os "outros créditos" escriturados a partir do mesmo período. 3. As verificações fiscais alcançaram até o 10 decêndio de julho/2003, período no qual figurava na escrita fiscal um saldo credor acumulado de períodos anteriores no valor de R$ 1.961.154,64. Intimado a justificar a origem deste valor, o contribuinte informou (fls. 042) que "vem do registro" de um crédito, no valor de R$ 13.092.445,44, recebido por 'transferência da INDÚSTRIA DE PAPEL R. RAMENZONI S/A, através da Nota Fiscal n° 053077, de 04/05/2001 (fls. 046), escriturado no 1° decêndio de maio/2001 (fls. 044). 3.1. O valor recebido de terceiros foi solicitado em ressarcimento no Processo 11618.001642/200183, tendo sido o pedido integralmente indeferido, em 25/09/2001, pela DRF João Pessoa (fls. 264), com base na Informação Fiscal às fls. 251 a 261 e no Parecer DRF/JPA/Saort n° 314/2001 (fls. 262 e 263). 3.2. A razão do indeferimento foi que o pedido teria por fundamento o extinto "CréditoPrêmio" do IPI, instituído pelo art. 10 do Decretolei n° 491/69, sendo que a DRF Limeira — SP, unidade jurisdicionante da INDÚSTRIA DE PAPEL R. RAMENZONI, logo após, em 17/12/2001, indeferiu dois pedidos de ressarcimento daquela empresa, com o mesmo fundamento, um no valor de R$ 2.075.576,50 (fls. 272 a 277) e outro no valor de R$ 11.223.441,37 (fls. 278 a 284). A par dos argumentos lançados na manifestação de inconformidade apresentada, a DRJ entendeu por bem indeferir a solicitação em decisão que assim ficou ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI. Fl. 605DF CARF MF Impresso em 24/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 29/03/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 14751.001242/200806 Acórdão n.º 3302002.230 S3C3T2 Fl. 605 3 Período de apuração: 01/10/2004 a 31/05/2008 CREDITAMENTO "FICTO". IMPOSSIBILIDADE. Não havendo previsão legal, é incabível o creditamento do IPI nas aquisições de insumos para industrialização (MP, PI e ME) desonerados do imposto, sejam eles nãotributados, isentos ou tributados à alíquota zero. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Contra esta decisão foi apresentado Recurso Voluntário onde a Recorrente se limita a questionar a imposição da multa de 75% , posto que teria agido de boafé, assim come pugna pela não aplicação da Taxa Selic. É o relatório. Voto Conselheiro Relator ALEXANDRE GOMES O presente Recurso Voluntário é tempestivo, preenche os demais requisitos e dele tomo conhecimento. Como se depreende do relatório acima transcrito, o presente processo trata de Auto de Infração de IPI, por conta da utilização de créditos decorrentes da aquisição de insumos isentos, não tributados ou alíquota zero. Contudo, não serão analisadas as questões relativas a origem dos créditos, tendo em vista que não houve irresignação do Recorrente quanto a glosa dos créditos utilizados. Aliás, destaco do Recurso Voluntário apresentado o seguinte trecho: Superada a questão de mérito, cingese o presente recurso na aplicação indevida das multas, juros e correção do crédito pela taxa SELIC. Assim, passemos a analisar os temas submetidos a este colegiado. Em relação às alegações trazidas pelo Recurso Voluntário quanto à ilegalidade da multa de ofício (75%) aplicada, melhor sorte não socorre a Recorrente, uma vez que ao julgador administrativo é vedado afastar a aplicação de lei vigente por inconstitucionalidade ou ilegalidade. O CARF, inclusive, já sumulou tal matéria, como se vê: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Destaco que as súmulas editadas pelo CARF são de aplicação obrigatória, in verbis: Fl. 606DF CARF MF Impresso em 24/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 29/03/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por ALEXANDRE GOMES 4 Art. 72. As decisões reiteradas e uniformes do CARF serão consubstanciadas em súmula de observância obrigatória pelos membros do CARF. Estando a multa aplicada prevista em lei vigente e eficaz, não há como afastala. Da mesma forma, são improcedentes os argumentos em relação a Taxa Selic, uma vez que esta matéria também já se encontra sumulada no âmbito do CARF, que cito: Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Neste contexto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) ALEXANDRE GOMES Relator Fl. 607DF CARF MF Impresso em 24/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 29/03/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por ALEXANDRE GOMES
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Numero do processo: 11065.001167/2010-30
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 15 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri May 30 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/12/2008 a 31/12/2009
PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. PRELIMINAR. VINCULAÇÃO DO JULGADOR À PARECER DA PGFN. IMPOSSIBILIDADE IN CASU. DESCONSIDERAÇÃO DE NEGÓCIOS JURÍDICOS. PARÁGRAFO ÚNICO DO ART. 116 DO CTN.
Rejeito a preliminar apresentada pelo sujeito passivo, tendo em vista que os membros do CARF não estão vinculados a Parecer elaborado pela PGFN, nos termos apresentados pela Recorrente.
Pelo que se pode observar do inconformismo do contribuinte, o Parecer da PGFN (sem numeração), vincula a própria Procuradoria, bem como a RFB às decisões dos tribunais superiores. No contexto apresentado, não existe qualquer indício de que o parecer da PGFN também vincula os membros do CARF.
De acordo com as informações contidas nestes autos, a autoridade administrativa entendeu que o fato gerador do crédito previdenciário objeto do lançamento decorreu das remunerações pagas, devidas ou creditadas aos segurados e contribuintes individuais, apurados, por aferição indireta, com base na GFIP e respectivas folhas de pagamento da empresa ANIDANI TELHAS LTDA, considerada como empresa-filhote da ora Recorrente.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2803-003.351
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
(Assinado digitalmente)
Helton Carlos Praia de Lima Presidente
(Assinado digitalmente)
Amílcar Barca Teixeira Júnior Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Oseas Coimbra Júnior, Eduardo de Oliveira, Amilcar Barca Teixeira Junior, Gustavo Vettorato e Carlos Cornet Scharfstein.
Nome do relator: AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR
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CUSTEIO. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. PRELIMINAR. VINCULAÇÃO DO JULGADOR À PARECER DA PGFN. IMPOSSIBILIDADE IN CASU. DESCONSIDERAÇÃO DE NEGÓCIOS JURÍDICOS. PARÁGRAFO ÚNICO DO ART. 116 DO CTN. 1. Rejeito a preliminar apresentada pelo sujeito passivo, tendo em vista que os membros do CARF não estão vinculados a Parecer elaborado pela PGFN, nos termos apresentados pela Recorrente. 2. Pelo que se pode observar do inconformismo do contribuinte, o Parecer da PGFN (sem numeração), vincula a própria Procuradoria, bem como a RFB às decisões dos tribunais superiores. No contexto apresentado, não existe qualquer indício de que o parecer da PGFN também vincula os membros do CARF. 3. De acordo com as informações contidas nestes autos, a autoridade administrativa entendeu que o fato gerador do crédito previdenciário objeto do lançamento decorreu das remunerações pagas, devidas ou creditadas aos segurados e contribuintes individuais, apurados, por aferição indireta, com base na GFIP e respectivas folhas de pagamento da empresa ANIDANI TELHAS LTDA, considerada como empresafilhote da ora Recorrente. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 00 11 67 /2 01 0- 30 Fl. 197DF CARF MF Impresso em 30/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 2 1/05/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 11065.001167/201030 Acórdão n.º 2803003.351 S2TE03 Fl. 3 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima – Presidente (Assinado digitalmente) Amílcar Barca Teixeira Júnior – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Oseas Coimbra Júnior, Eduardo de Oliveira, Amilcar Barca Teixeira Junior, Gustavo Vettorato e Carlos Cornet Scharfstein. Fl. 198DF CARF MF Impresso em 30/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 2 1/05/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 11065.001167/201030 Acórdão n.º 2803003.351 S2TE03 Fl. 4 3 Relatório Tratase de Auto de Infração de Obrigação Principal (AIOP) lavrado em desfavor do contribuinte acima identificado, relativamente às contribuições sociais devidas pela empresa no que diz respeito aos denominados Terceiros, contribuições essas apuradas por aferição indireta com base nas GFIPS de empresa interposta (optante do Simples), considerada pela fiscalização como segurados da autuada. O Contribuinte devidamente notificado apresentou defesa tempestiva. A impugnação foi julgada em 26 de junho de 2013 e ementada nos seguintes termos: ASSUNTO: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/12/2008 a 31/12/2009 DECISÕES ADMINISTRATIVAS E JUDICIAIS É vedada a extensão administrativa dos efeitos de decisões judiciais contrárias á orientação estabelecida para a administração direita e autárquica em atos de caráter normativo ordinário. VALIDADE DO LANÇAMENTO FISCAL A notificação fiscal de débito lavrada pela fiscalização é válida e eficaz, se lavrada com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, conforme dispuser o regulamento. PLANEJAMENTO TRIBUTÁRIO O planejamento tributário possui limites negativos (inexistência dos chamados ilícitos típicos e atípicos) e limites positivos (existência de uma justificativa, uma causa, para a realização do negócio jurídico, além do simples fato de haver economia tributária) que tem o seguinte conteúdo: a) existência de motivo, finalidade e congruência entre os atos praticados, e b) existência de razoabilidade para a prática dos atos dentro do planejamento estratégico do empreendimento econômico. DESCONSIDERAÇÃO DA PERSONALIDADE JURÍDICA A autoridade administrativa poderá desconsiderar atos ou negócios jurídicos praticados com a finalidade de dissimular a ocorrência do fato gerador do tributo ou a natureza dos elementos constitutivos da obrigação tributária. É considerada evasão direta a afronta à lei que traça hipóteses de constituição de obrigação tributária e evasão indireta aquela oriunda de condutas indiretamente ilegais, por serem desprovidas de causa ou até mesmo de congruência ou motivo (propósito negocial). Fl. 199DF CARF MF Impresso em 30/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 2 1/05/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 11065.001167/201030 Acórdão n.º 2803003.351 S2TE03 Fl. 5 4 Temse a ilegalidade indireta quando praticada sem uma causa ou motivo ou sem uma congruência, apesar de aparentemente ser legal, mas ao final gera um negócio jurídico nulo. OPÇÃO PELO SIMPLES Desconsiderada a personalidade jurídica, afastamse os efeitos da obrigação previdenciária regida pelo sistema de tributação simplificado. ACRÉSCIMOS LEGAIS. MULTA DE OFÍCIO E MULTA DE MORA Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais não pagos nos prazos previstos em legislação serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Nos casos de lançamento de ofício, será aplicada a multa de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata. O percentual de multa será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964. Impugnação Improcedente Crédito Tributário mantido Inconformado com resultado do julgamento da primeira instância administrativa, o Contribuinte apresentou recurso tempestivo, onde alega, em síntese, o seguinte: Segundo entendimento da Fiscalização, o fato gerador do crédito previdenciário apurado decorreu das remunerações pagas, devidas ou creditadas aos segurados e contribuintes individuais apuradas por aferição indireta com base na GGFIP e as respectivas folhas de pagamento da empresa ANIDANI TELHAS LTDA, CNPJ nº 07.583.760/000118, considerada como sendo empresafilhote da ora Recorrrente. Vêse que no caso concreto que a Fiscalização desconsiderou os efeitos tributários das contribuições previdenciárias relativas à empresa ANIDANI TELHAS LTDA., as qualificando como pertencentes à Recorrente. Essa última, ao seu turno, teria, assim, utilizado a primeira sociedade com o objetivo de reduzir a tributação, mediante a possibilidade de opção daquela pelo regime do SIMPLES. Em razão destes fatos elencados, buscou a ora Recorrente demonstrar ponto a ponto a insubsistência das assertivas despendidas pelo Fisco na espécie, e, consequentemente, a necessidade do cancelamento desse débito fiscal e dos demais. Ao analisar o caso, entendeu a 3ª Turma da DRJ/CGE por julgar a impugnação manejada improcedente, mantendose a exigência consubstanciada no débito nº 37.256.6707, cuja intimação do r. acórdão se deu em 02/08/2013. Fl. 200DF CARF MF Impresso em 30/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 2 1/05/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 11065.001167/201030 Acórdão n.º 2803003.351 S2TE03 Fl. 6 5 Preliminarmente. O primeiro ponto abordado pela decisão recorrida diz respeito ao fato de que as decisões judiciais e também administrativas, mesmo que reiteradas, sem um lei que lhes atribua eficácia, não constituem normas complementares do Direito Tributário, e não podem ser estendidas genericamente a outros casos, aplicandose somente à questão em análise e vinculando as partes envolvidas naqueles litígios. Contudo, é sabido que o ministro da Fazenda, aprovou recentemente um parecer da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) que vincula a Receita Federal às decisões dos tribunais superiores. Na prática, os auditores fiscais poderão ficar impedidos de cobrar tributos relativos a disputas já definidas a favor dos contribuintes no STF e STJ. Neste contexto, eminentes Conselheiros, entendendose que o caso presente se enquadra em tal assertiva, requerse o provimento do recurso em face da manifesta nulidade e improcedência do Auto de Infração lavrado na espécie. A decisão recorrida está fundamentada na plena validade do Auto de Infração lavrado contra a empresa Recorrente, uma vez que o Relatório Fiscal identifica os dispositivos legais aplicados ao lançamento e o fato gerador das contribuições previdenciárias e que a auditoria Fiscal apenas aplicou a legislação vigente, em nítida obediência ao disposto no art. 142 do CTN, e, portanto, consubstancia um procedimento administrativo perfeitamente regular e válido. Em que pese às assertivas lançadas na decisão recorrida acerca da validade do lançamento procedido, devese atentar para a análise do caso concreto em relação à preliminar de nulidade apontada pela Recorrente, que deve ser apreciada detidamente por esse E. Conselho de Contribuintes. Mérito. Impõemse demonstrar que a própria decisão ressalva sobre a liberdade de escolha dos contribuintes em buscar um regime de tributação mais benéfico, desde que em conformidade com os limites traçados pelo ordenamento jurídico – o que de fato não discorda a Recorrente do alegado pelo Fisco. Contudo, buscase demonstrar o desacerto da autuação como perpetrada na espécie. A decisão recorrida desconsiderou que o fato da existência das máquinas encontradas na Anidani, e que estão registradas na contabilidade da Recorrente, se justifica como a clareza solar pelo fato de que, aos efeitos de dar o impulso inicial para o beneficiamento das telhas, a Ziegel comodato algumas máquinas à Anidani para o serviço de beneficiamento. Com efeito, concluise que as presunções levantadas no AI e confirmadas pela 3ª Turma da DRJ/CGE caem por terra a partir da correta consideração das atividades desenvolvidas pela empresa Anidani Telha Ltda., atividades essas que demonstram a existência de fato da empresa. Fl. 201DF CARF MF Impresso em 30/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 2 1/05/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 11065.001167/201030 Acórdão n.º 2803003.351 S2TE03 Fl. 7 6 É possível o desmembramento empresarial com o objetivo de diminuição da carga tributária. No que se refere à multa, alertase ela merece ser analisada, na sua integralidade, sob a égide da MP nº 449, convertida na Lei nº 11.941/09. Consoante colocado ao longo da presente, o AI ora recorrido deve ser anulado ou julgado improcedente. Para tanto, a Recorrente reiterou que: a) Foi operada a desconsideração da personalidade jurídica da empresa Anidani Telhas Ltda., ao arrepio dos procedimentos constantes do art. 50 do Código Civil de 2002, o que demanda a anulação do AI; b) Na hipótese em que se sustente que foi apenas desconsiderado um negócio jurídico para fins tributários, a nulidade se faz ainda mais flagrante, já que é cediço, na doutrina e jurisprudência do Conselho de Contribuintes, que a norma do art. 116, parágrafo único, do CTN, depende da publicação de lei para que possa ser aplicada; c) As presunções levantadas no AI caem por terra a partir da correta consideração das atividades desenvolvidas pela empresa Anidani Telhas Ltda. Não há qualquer simulação; diversamente, estáse a tratar de pessoa jurídica que desenvolve objeto lícito, declara todas as suas receitas e recolhe os respectivos tributos. d) A atividade da Anidani não encontra qualquer vedação de opção pelo SIMPLES, não havendo de se cogitar de prejuízos ao Erário Federal no caso concreto, já que a opção pelo indigitado sistema de tributação é uma faculdade do contribuinte; e) A tributação ilegal e confiscatória perfectibilizada no ato fiscal impugnado demanda a sua improcedência. Acaso seja superada essa questão, bem como as demais razões para a nulidade/improcedência do AI, devem, pelo menos, ser reduzidas as multas aplicadas para o percentual admitido pela legislação vigente, sobrelevandose que ausente qualquer hipótese passível de tipificação como sonegação. Diante do exposto, requer seja julgado procedente o presente recurso voluntário, para fins de reforma do acórdão da 3ª Turma da DRJ/CGE, entendendose que não houve cometimento de infração tributária pela Recorrente e cancelandose a autuação constante no Processo nº 11065.001167/201030, que originou o DEBCAD nº 37.256.6707. Não apresentadas as contrarrazões. É o relatório. Fl. 202DF CARF MF Impresso em 30/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 2 1/05/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 11065.001167/201030 Acórdão n.º 2803003.351 S2TE03 Fl. 8 7 Voto Conselheiro Amílcar Barca Teixeira Júnior, Relator. O recurso voluntário é tempestivo, e considerando o preenchimento dos demais requisitos de sua admissibilidade, merece ser apreciado. Rejeito a preliminar apresentada pelo sujeito passivo, tendo em vista que os membros do CARF não estão vinculados a Parecer elaborado pela PGFN, nos termos apresentados pela Recorrente. Pelo que se pode observar do inconformismo do contribuinte, o Parecer da PGFN (sem numeração), vincula a própria Procuradoria, bem como a RFB às decisões dos tribunais superiores. No contexto apresentado, não existe qualquer indício de que o parecer da PGFN também vincula os membros do CARF. De acordo com as informações contidas nestes autos, a autoridade administrativa entendeu que o fato gerador do crédito previdenciário objeto do lançamento decorreu das remunerações pagas, devidas ou creditadas aos segurados e contribuintes individuais, apurados, por aferição indireta, com base na GFIP e respectivas folhas de pagamento da empresa ANIDANI TELHAS LTDA, considerada como empresafilhote da ora Recorrente. Como se pode observar, a autoridade administrativa realizou seu mister ancorada em fundamentação legal válida, prevista em lei ordinária e em regulamento específico, ou seja, o lançamento foi realizado respeitando as regras do art. 142 do CTN, do art. 37 da Lei nº 8.212/91, bem como do art. 243 do Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99. No ponto, não há o que se falar em nulidade do procedimento levado a efeito pela autoridade administrativa, considerando que ele está embasado em fundamentação legal válida. No que diz respeito ao mérito, o fato de a decisão recorrida mencionar sobre a liberdade de o contribuinte buscar um regime de tributação que lhe seja mais benéfico, não significa que as empresas possam realizar planejamento tributário de qualquer maneira, desrespeitando a legislação em vigor. No caso em tela, foi exatamente isso que aconteceu. A Recorrente utilizouse de empresa optante do SIMPLES (tida como filhote pela fiscalização) para diminuir sua carga tributária. Com base na documentação analisada pela autoridade administrativa, os negócios jurídicos entre a Recorrente e a empresa ANIDANI TELHAS LTDA foram desconsiderados, arcando a primeira com todas as reponsabilidades previdenciárias, tendo em vista a falta de previsão legal para a prática de tais atos negociais. Notase, pois, que o lançamento não foi realizado baseado em presunções, como pretende o contribuinte. Fl. 203DF CARF MF Impresso em 30/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 2 1/05/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 11065.001167/201030 Acórdão n.º 2803003.351 S2TE03 Fl. 9 8 Com relação à multa aplicada, a autoridade lançadora já observou as disposições da MP nº 449, convertida na Lei nº 11.941/09, aplicando a situação mais benéfica para o contribuinte, conforme dispõe o art. 106 do CTN. De outra parte, não se discute nestes autos se a atividade da empresa ANIDANI está ou não vedada em relação ao Sistema SIMPLES. O que restou evidenciado à saciedade, é que os negócios jurídicos praticados pela Recorrente e a ANIDANI não têm respaldo legal para prosperar, motivo da desconsideração e cobrança do montante devido. O lançamento, portanto, não é ilegal e muito menos confiscatório e deve ser mantido pelos seus próprios fundamentos. Tendo em vista o acerto da fiscalização na constituição do crédito tributário ora em discussão, bem como os corretos apontamentos contidos na decisão recorrida, nego provimento ao recurso aviado pelo contribuinte. CONCLUSÃO. Pelo exposto, voto por CONHECER do recurso para, no mérito, NEGAR LHE PROVIMENTO. É como voto. (Assinado digitalmente) Amílcar Barca Teixeira Júnior – Relator. Fl. 204DF CARF MF Impresso em 30/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 2 1/05/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 13502.900535/2013-04
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu May 29 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Jun 06 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/06/2008 a 30/06/2008
NORMAS PROCESSUAIS. ARGUMENTOS DE DEFESA. INOVAÇÃO EM SEDE DE RECURSO. PRECLUSÃO.
Os argumentos de defesa devem ser trazidos na primeira instância administrativa.
INDÉBITO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA.
O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa devidamente motivada não infirmada com elementos de prova hábeis e idôneos.
Numero da decisão: 3803-006.237
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, por inovação dos argumentos de defesa.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Hélcio Lafetá Reis - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Demes Brito e Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: HELCIO LAFETA REIS
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/06/2008 a 30/06/2008 NORMAS PROCESSUAIS. ARGUMENTOS DE DEFESA. INOVAÇÃO EM SEDE DE RECURSO. PRECLUSÃO. Os argumentos de defesa devem ser trazidos na primeira instância administrativa. INDÉBITO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa devidamente motivada não infirmada com elementos de prova hábeis e idôneos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, por inovação dos argumentos de defesa. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Demes Brito e Jorge Victor Rodrigues. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 50 2. 90 05 35 /2 01 3- 04 Fl. 103DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 05/06/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 29/05/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 13502.900535/201304 Acórdão n.º 3803006.237 S3TE03 Fl. 104 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte em contraposição à decisão da DRJ Ribeirão Preto/SP que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada em decorrência da homologação parcial da compensação declarada. O contribuinte havia transmitido Declaração de Compensação em 31 de janeiro de 2013, referente a crédito decorrente de alegado pagamento a maior de IPI, no valor de R$ 101.644,60, destinado a quitar débito de sua titularidade. Por meio de despacho decisório eletrônico, a repartição de origem homologou apenas em parte a compensação, pelo fato de que o pagamento declarado já havia sido parcialmente utilizado na quitação de débitos do contribuinte. Cientificado da decisão, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade e requereu o reconhecimento do crédito e a homologação da compensação, com o seguinte argumento: “Tal indeferimento não pode prosperar porque os créditos oriundos de pagamento indevido ou maior já tinham sido devidamente disponibilizados em razão da desvinculação dos mesmos das DCTFs daquele período.” Junto à Manifestação de Inconformidade, o contribuinte trouxe aos autos cópias de documentos societários e do despacho decisório. A DRJ Ribeirão Preto/SP não reconheceu o direito creditório, tendo sido o acórdão ementado nos seguintes termos: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Data do fato gerador: 15/07/2008 RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. A homologação das compensações declaradas requer créditos líquidos e certos contra a Fazenda Nacional. Não caracterizado o pagamento indevido, não há créditos para compensar com os débitos do contribuinte. ÔNUS DA PROVA. Cabe à defesa o ônus da prova dos fatos modificativos, impeditivos ou extintivos da pretensão fazendária. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Cientificado da decisão em 2 de outubro de 2013, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário no dia 31 do mesmo mês e requereu prorrogação do prazo para a apuração adequada do efetivo direito creditório, alegando que o seu departamento fiscal não enviara as declarações retificadoras, sendo essa a razão da existência do presente passivo tributário. Fl. 104DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 05/06/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 29/05/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 13502.900535/201304 Acórdão n.º 3803006.237 S3TE03 Fl. 105 3 É o relatório. Voto Conselheiro Hélcio Lafetá Reis O recurso é tempestivo, mas dele não conheço, em razão dos fatos a seguir identificados. Diante do acima relatado, constatase que o Recorrente, nesta fase recursal, altera totalmente o seu pedido, não mais pleiteando a homologação da compensação devidamente declarada, conforme fizera na Manifestação de Inconformidade, mas requerendo a dilação de prazo para a apuração adequada do efetivo direito creditório e para produção de provas, em razão de equívoco cometido por seu departamento fiscal, que não providenciara a retificação das DCTFs do período. Notese que a afirmativa do Recorrente de que necessita de mais prazo para apurar adequadamente o efetivo direito creditório denota, inequivocamente, que as informações constantes da Declaração de Compensação foram repassadas de forma inadvertida, sem lastro na escrituração contábilfiscal, pois, do contrário, nada haveria a ser apurado, mas apenas informado no bojo deste processo. É flagrante a inovação operada em sede de recurso, tratandose de matéria preclusa em razão de sua não exposição na primeira instância administrativa, não tendo sido examinada pela autoridade julgadora de piso, o que contraria o princípio do duplo grau de jurisdição, bem como o do contraditório e o da ampla defesa. A preclusão processual é um elemento que limita a atuação das partes durante a tramitação do processo, imputandolhe celeridade, numa sequência lógica e ordenada dos fatos, em prol da pretendida pacificação social. Humberto Theodoro Júnior1 nos ensina que preclusão é “a perda da faculdade ou direito processual, que se extinguiu por não exercício em tempo útil”. Ainda segundo o mestre, com a preclusão, “evitase o desenvolvimento arbitrário do processo, que só geraria a balbúrdia, o caos e a perplexidade para as partes e o juiz”. O princípio da preclusão conectase ao princípio do impulso processual e destinase “não apenas a proporcionar uma mais rápida solução do litígio, mas bem ainda a tutelar a boafé no processo, impedindo o emprego de expedientes que configurem litigância de máfé” 2. Tal princípio busca garantir o avanço da relação processual e impedir o retrocesso às fases anteriores do processo, encontrandose fixado o limite da controvérsia, no Processo Administrativo Fiscal (PAF), no momento da impugnação/manifestação de inconformidade. 1 HUMBERTO, Theodoro Júnior. Curso de direito processual civil. vol. 1. Rio de Janeiro: Forense, 2003, p. 225 226. 2 GRINOVER, Ada Pellegrini. “Interesse da União, preclusão. A preclusão e o órgão judicial”. In: A Marcha do Processo. Rio de Janeiro: Forense Universitária, 2000, p. 230/241. Disponível em: http://www.ambito juridico.com.br/site/?n_link=revista_artigos_leitura&artigo_id=11781. Acesso em: 15 abr 2013. Fl. 105DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 05/06/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 29/05/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 13502.900535/201304 Acórdão n.º 3803006.237 S3TE03 Fl. 106 4 De acordo com o art. 16, inciso III, do Decreto nº 70.235, de 1972, os atos processuais se concentram no momento da impugnação, cujo teor deverá abranger “os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância, as razões e provas que possuir", considerandose não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante (art. 17 do Decreto nº 70.235, de 1972). Não é lícito inovar no recurso para inserir questão diversa daquela originalmente deduzida na impugnação/manifestação de inconformidade, devendo a inovação ser afastada por se referir a matéria não exposta no momento processual devido. Além disso, mesmo que preclusão não houvesse, o interessado não trouxe aos autos nem mesmo um início de prova, tendo a instrução se dado apenas com documentos societários, nada tendo sido dito acerca da natureza do indébito utilizado em compensação. Não se pode perder de vista que a prova encontrase em poder do próprio Recorrente, e uma vez que foi dele a iniciativa de instauração do presente processo, pois que relativo a um direito que ele alega ser detentor, não se vislumbra razão à preponderância do princípio da verdade material sobre, por exemplo, o princípio constitucional da celeridade processual (art. 5º, inciso LXXVIII, da Constituição Federal de 1988) ou o dever de comprovação dos fatos alegados (art. 16, inciso III, e § 4º do Decreto nº 70.235, de 1972). O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa que não reconheceu o direito creditório e não homologou a compensação, amparada em informações prestadas pelo sujeito passivo e presentes nos sistemas internos da Receita Federal (DCTF e sistemas de arrecadação), não cabendo no Processo Administrativo Fiscal (PAF) a requisição de prorrogação de prazos fixados na legislação processual tributária. Nos termos do art. 16 do Decreto n° 70.235/19723, que regula o PAF, aplicável na discussão de processos envolvendo compensação tributária, cabe ao impugnante o 3 Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) – Grifei (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) Fl. 106DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 05/06/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 29/05/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 13502.900535/201304 Acórdão n.º 3803006.237 S3TE03 Fl. 107 5 ônus da prova de suas alegações contrapostas à decisão de não homologação baseada na DCTF e na base de dados de arrecadação. Nesse contexto, por inovação dos argumentos de defesa, associada à ausência de qualquer elemento de prova do crédito reclamado, voto por NÃO CONHECER do recurso. É como voto. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator Fl. 107DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 05/06/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 29/05/2014 por HELCIO LAFETA REIS
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Numero do processo: 10950.900764/2008-87
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 27 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Jun 13 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/06/2001 a 30/06/2001
RESTITUIÇÃO. TRIBUTO RECOLHIDO A DESTEMPO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA MORATÓRIA INDEVIDA.
O instituto da denúncia espontânea, previsto no artigo 138 do Código Tributário Nacional, exclui a responsabilidade pela infração e impede a exigência de multa de mora, quando o tributo devido for pago, com os respectivos juros de mora, antes do início do procedimento fiscal e em momento anterior à entrega de DCTF retificadora. Por força do artigo 62-A do RICARF, aplica-se ao caso a decisão proferida pelo Egrégio STJ, sob o rito do recurso repetitivo, nos autos do REsp n° 1.149.022/SP.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3101-001.624
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em dar provimento ao recurso voluntário.
Luiz Roberto Domingo- Relator, Vice-Presidente no exercício da Presidência
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo Mineiro Fernandes, Fábia Regina Freitas (Suplente), José Henrique Mauri (Suplente), Vanessa Albuquerque Valente E Luiz Roberto Domingo (Vice-Presidente no exercício da Presidência)
Nome do relator: LUIZ ROBERTO DOMINGO
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/06/2001 a 30/06/2001 RESTITUIÇÃO. TRIBUTO RECOLHIDO A DESTEMPO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA MORATÓRIA INDEVIDA. O instituto da denúncia espontânea, previsto no artigo 138 do Código Tributário Nacional, exclui a responsabilidade pela infração e impede a exigência de multa de mora, quando o tributo devido for pago, com os respectivos juros de mora, antes do início do procedimento fiscal e em momento anterior à entrega de DCTF retificadora. Por força do artigo 62-A do RICARF, aplica-se ao caso a decisão proferida pelo Egrégio STJ, sob o rito do recurso repetitivo, nos autos do REsp n° 1.149.022/SP. Recurso Voluntário Provido.
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TRIBUTO RECOLHIDO A DESTEMPO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA MORATÓRIA INDEVIDA. O instituto da denúncia espontânea, previsto no artigo 138 do Código Tributário Nacional, exclui a responsabilidade pela infração e impede a exigência de multa de mora, quando o tributo devido for pago, com os respectivos juros de mora, antes do início do procedimento fiscal e em momento anterior à entrega de DCTF retificadora. Por força do artigo 62A do RICARF, aplicase ao caso a decisão proferida pelo Egrégio STJ, sob o rito do recurso repetitivo, nos autos do REsp n° 1.149.022/SP. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em dar provimento ao recurso voluntário. Luiz Roberto Domingo Relator, VicePresidente no exercício da Presidência Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo Mineiro Fernandes, Fábia Regina Freitas (Suplente), José Henrique Mauri (Suplente), Vanessa Albuquerque Valente E Luiz Roberto Domingo (VicePresidente no exercício da Presidência) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 95 0. 90 07 64 /2 00 8- 87 Fl. 146DF CARF MF Impresso em 13/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 09/06/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO Processo nº 10950.900764/200887 Acórdão n.º 3101001.624 S3C1T1 Fl. 147 2 Relatório Tratase de pedido de restituição cumulado com compensação – cujo direito creditório decorre do recolhimento da multa de mora quando do pagamento de tributos em atraso, em relação ao qual a Recorrente busca o reconhecimento da excludente da responsabilidade por infrações, em face da alegada denúncia espontânea. Adoto o relatório da Resolução nº 3101000.300, que, em 24/10/2013, converteu o julgamento em diligência para que repartição de origem confirmasse, “em face do sistema da Receita Federal, os DARF e as declarações (DCTF) apresentados” e informasse “se houve declaração dos débitos, objeto do presente feito, anterior ao pagamento, juntando, se for o caso, a respectiva declaração”. Foram juntados os documentos requisitados e elaborado demonstrativo da diligência conforme quadro abaixo: Processo Tributo PA Vencimento Data Entrega Vlr Principal Data Vlr Principal Vlr Juros Vlr Multa Vlr Total OBS 10950.900766/200876 2172 dez/00 15/01/2001 15/02/2001 31.549,26 13/02/2001 31.267,18 312,67 2.992,27 34.572,12 10950.900830/200819 2172 jul/02 15/08/2002 13/11/2002 50.421,29 08/11/2002 21.000,00 846,30 4.200,00 26.046,30 11/11/2002 23.000,00 926,90 4.600,00 28.526,90 12/11/2002 6.421,29 258,77 1.284,28 7.964,34 10950.900772/200823 2172 ago/02 13/09/2002 13/11/2002 38.091,11 22/10/2002 22.091,11 220,91 2.697,32 25.009,34 23/10/2002 16.000,00 160,00 2.006,40 18.166,40 24/10/2002 9.800,00 291,06 10.091,06 10950.900780/200870 2172 set/02 15/10/2002 13/11/2002 36.924,28 25/10/2002 9.800,00 323,40 10.123,40 12/11/2002 17.324,28 173,24 1.600,76 19.098,28 26/12/2003 5.000,00 199,00 1.000,00 6.199,00 10950.900782/200869 2172 ago/03 15/09/2003 31/03/2004 50.990,03 23/08/2004 45.990,03 45.990,03 DCOMP 10950.900769/200818 8109 dez/00 15/01/2001 15/02/2001 6.835,67 13/02/2001 6.777,39 67,77 648,60 7.493,76 10950.900764/200887 8109 jun/01 13/07/2001 15/08/2001 7.623,28 15/08/2001 7.623,28 76,23 830,18 8.529,69 10950.900770/200834 8109 ago/01 14/09/2001 14/11/2001 8.838,81 06/11/2001 8.838,81 223,62 1.487,57 10.550,00 10950.900773/200878 8109 nov/01 14/12/2001 15/02/2002 8.715,65 07/02/2002 8.715,65 220,51 1.524,37 10.460,53 Ciente da diligência, a recorrente reiterou os argumentos e pedidos formulados no recurso voluntário. É o Relatório. Voto Conselheiro Luiz Roberto Domingo, Relator Conheço do recurso por atender aos requisitos de admissibilidade. No presente caso, em apertadíssima síntese, o contribuinte efetuou o pagamento referente à sua obrigação tributária fora do prazo legal com todos os acréscimos legais, multa e juros de mora antes de qualquer fiscalização. Entende a Recorrente que tal recolhimento cumpre os requisitos do instituto da “denúncia espontânea”. As provas juntadas foram conferidas pela autoridade fiscal de origem. Fl. 147DF CARF MF Impresso em 13/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 09/06/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO Processo nº 10950.900764/200887 Acórdão n.º 3101001.624 S3C1T1 Fl. 148 3 É pacífica a jurisprudência, inclusive com diversos precedentes do E. STJ1, no sentido de que é possível ao contribuinte sanar o inadimplemento de crédito tributário, ainda que a destempo, sem que haja aplicação da sanção legal. Em recurso repetitivo o STJ pacificou o entendimento que se aplica o instituto da denúncia espontânea nos acasos em que o tributo sujeito a lançamento por homologação declarado parcialmente e pago integralmente com posterior retificação da declaração: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IRPJ E CSLL. TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECLARAÇÃO PARCIAL DE DÉBITO TRIBUTÁRIO ACOMPANHADO DO PAGAMENTO INTEGRAL. POSTERIOR RETIFICAÇÃO DA DIFERENÇA A MAIOR COM A RESPECTIVA QUITAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. EXCLUSÃO DA MULTA MORATÓRIA. CABIMENTO. 1. A denúncia espontânea resta configurada na hipótese em que o contribuinte, após efetuar a declaração parcial do débito tributário (sujeito a lançamento por homologação) acompanhado do respectivo pagamento integral, retificaa (antes de qualquer procedimento da Administração Tributária), noticiando a existência de diferença a maior, cuja quitação se dá concomitantemente. 2. Deveras, a denúncia espontânea não resta caracterizada, com a consequente exclusão da multa moratória, nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação declarados pelo contribuinte e recolhidos fora do prazo de vencimento, à vista ou parceladamente, ainda que anteriormente a qualquer procedimento do Fisco (Súmula 360/STJ) (Precedentes da Primeira Seção submetidos ao rito do artigo 543C, do CPC: REsp 886.462/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.10.2008, DJe 28.10.2008; e REsp 962.379/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.10.2008, DJe 28.10.2008). 3. É que "a declaração do contribuinte elide a necessidade da constituição formal do crédito, podendo este ser imediatamente inscrito em dívida ativa, tornandose exigível, independentemente de qualquer procedimento administrativo ou de notificação ao contribuinte" (REsp 850.423/SP, Rel. Ministro Castro Meira, Primeira Seção, julgado em 28.11.2007, DJ 07.02.2008). 4. Destarte, quando o contribuinte procede à retificação do valor declarado a menor (integralmente recolhido), elide a necessidade de o Fisco constituir o crédito tributário atinente à parte não declarada (e quitada à época da retificação), razão pela qual aplicável o benefício previsto no artigo 138, do CTN. 5. In casu, consoante consta da decisão que admitiu o recurso especial na origem (fls. 127/138): "No caso dos autos, a impetrante em 1996 apurou diferenças de recolhimento do Imposto de Renda Pessoa Jurídica e Contribuição Social sobre o Lucro, anobase 1995 e prontamente recolheu esse montante devido, sendo que agora, pretende ver reconhecida a denúncia espontânea em razão do recolhimento do tributo em atraso, antes da ocorrência de qualquer procedimento fiscalizatório. 1 REsp 1360.365SC, Rel. Min. Humberto Martin, Segunda Turma, julgado em 09.04.2013, DJe 15.05.2013; REsp 1.309.163/AM, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, julgado em 28.8.2012, DJe 3.9.2012; REsp 1086051/SP, Rel. Ministro CASTRO MEIRA, SEGUNDA TURMA, julgado em 18/05/2010, DJe 02/06/2010; REsp 922.206/SP, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 05/08/2008, DJe 22/08/2008 Fl. 148DF CARF MF Impresso em 13/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 09/06/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO Processo nº 10950.900764/200887 Acórdão n.º 3101001.624 S3C1T1 Fl. 149 4 Assim, não houve a declaração prévia e pagamento em atraso, mas uma verdadeira confissão de dívida e pagamento integral, de forma que resta configurada a denúncia espontânea, nos termos do disposto no artigo 138, do Código Tributário Nacional." 6. Consequentemente, merece reforma o acórdão regional, tendo em vista a configuração da denúncia espontânea na hipótese sub examine. 7. Outrossim, forçoso consignar que a sanção premial contida no instituto da denúncia espontânea exclui as penalidades pecuniárias, ou seja, as multas de caráter eminentemente punitivo, nas quais se incluem as multas moratórias, decorrentes da impontualidade do contribuinte. 8. Recurso especial provido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (REsp 1149022/SP, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 09/06/2010, DJe 24/06/2010) Tal entendimento é uma variante que extraída da ratio decidendi utilizada a partir da Súmula 360 do E. STJ. É exatamente esse o caso dos autos, cujo pagamento ainda que extemporâneo, mas espontâneo, acrescido de juros de mora e antes de qualquer intervenção fiscalizadora estatal, afasta a incidência da multa de mora, que, recolhida, deve ser reconhecida como pagamento indevido. Por força do artigo 62A do RICARF, aplicase ao caso a decisão proferida pelo Egrégio STJ, sob o rito do recurso repetitivo nos autos do REsp n° 1.149.022/SP Diante do exposto, DOU PROVIMENTO ao recurso voluntário para reconhecer o direito creditório referente à multa de mora recolhida indevidamente, haja vista o reconhecimento da denúncia espontânea. Luiz Roberto Domingo Fl. 149DF CARF MF Impresso em 13/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 09/06/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO
score : 1.0
Numero do processo: 13603.002966/2003-95
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu May 15 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Aug 01 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 1998, 1999, 2000
NORMAS PROCESSUAIS - PRECLUSÃO.
A não apresentação de recurso voluntário torna definitiva a decisão de primeira instância, precluindo o direito de apresentação de recurso especial.
NORMAS PROCESSUAIS - RECURSO ESPECIAL.
A perfeita comprovação do dissídio jurisprudencial é requisito inafastável para legitimar o recurso especial, sem a qual não pode o recurso ser conhecido.
DECADÊNCIA - TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO - TERMO INICIAL.
Conforme decisão do STJ em Acórdão submetido ao regime do artigo 543-C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008, em não havendo pagamento do tributo, o termo inicial para a contagem do prazo decadencial inicia-se no primeiro dia do exercício/período seguinte aquele em que o lançamento poderia ter sido iniciado, ex-vi do disposto no inciso I, art. 173, do CTN. Se os autos indicam a ocorrência de pagamento, o termo inicial a ser considerado é a data do fato gerador.
ATRIBUIÇÃO DE RESPONSABILIDADE PELO CRÉDITO TRIBUTÁRIO - COMPETÊNCIA DO CARF PARA JULGAMENTO. A identificação de co-responsáveis pelo crédito tributário constituído mediante lançamento de oficio remete o exame da atribuição de responsabilidade para o âmbito do processo administrativo tributário regulado pelo Decreto 70.235/72, cujo julgamento em segunda instância compete ao CARF
Numero da decisão: 9101-001.936
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos FISCAIS, por unanimidade de votos, recurso provido com retorno à Câmara a quo. Recurso do Contribuinte: 1) Quanto ao Conhecimento: a) Por unanimidade de votos, recurso não conhecido quanto à convalidação do recurso voluntário de Clésio Wagner de Araújo. b) Por maioria de votos, recurso conhecido quanto à responsabilidade de José Marcelino de Araújo. Vencidos os Conselheiros João Carlos de Lima Junior e Paulo Roberto Cortez (Suplente Convocado). c) Por maioria de votos, recurso não conhecido quanto à possibilidade de arbitramento. Vencidos os Conselheiros Antonio Lisboa Cardoso (Suplente Convocado) e Paulo Roberto Cortez (Suplente Convocado). d) Por unanimidade de votos, recurso de Clésio não conhecido por preclusão. 2) Quanto ao Mérito: a) Por maioria de votos, o colegiado considerou o CARF competente para apreciar o mérito da responsabilidade. Vencidos os Conselheiros João Carlos de Lima Junior e Paulo Roberto Cortez (Suplente Convocado) que entendiam que no caso concreto não haveria essa possibilidade. b) Por maioria de votos, o colegiado decidiu pelo retorno à Câmara a quo para manifestação sobre a responsabilidade de José Marcelino de Araújo. Vencidos os Conselheiros Antonio Lisboa Cardoso (Suplente Convocado) que votou pela análise da responsabilidade direta pela CSRF e Karem Jureidini Dias que votou pela nulidade completa da decisão. Esteve presente e procedeu à sustentação oral o patrono do contribuinte, Dr. José Eduardo Alckmin OAB-DF 2977.
(documento assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos
Presidente Substituto
(documento assinado digitalmente)
Valmir Sandri
Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente Substituto), Marcos Aurélio Pereira Valadão, Jorge Celso Freire da Silva, Karem Jureidini Dias, Valmir Sandri, Valmar Fonseca de Menezes, Rafael Vidal de Araújo, João Carlos de Lima Júnior, Antonio Lisboa Cardoso (Suplente Convocado) e Paulo Roberto Cortez (Suplente Convocado).
Nome do relator: VALMIR SANDRI
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos FISCAIS, por unanimidade de votos, recurso provido com retorno à Câmara a quo. Recurso do Contribuinte: 1) Quanto ao Conhecimento: a) Por unanimidade de votos, recurso não conhecido quanto à convalidação do recurso voluntário de Clésio Wagner de Araújo. b) Por maioria de votos, recurso conhecido quanto à responsabilidade de José Marcelino de Araújo. Vencidos os Conselheiros João Carlos de Lima Junior e Paulo Roberto Cortez (Suplente Convocado). c) Por maioria de votos, recurso não conhecido quanto à possibilidade de arbitramento. Vencidos os Conselheiros Antonio Lisboa Cardoso (Suplente Convocado) e Paulo Roberto Cortez (Suplente Convocado). d) Por unanimidade de votos, recurso de Clésio não conhecido por preclusão. 2) Quanto ao Mérito: a) Por maioria de votos, o colegiado considerou o CARF competente para apreciar o mérito da responsabilidade. Vencidos os Conselheiros João Carlos de Lima Junior e Paulo Roberto Cortez (Suplente Convocado) que entendiam que no caso concreto não haveria essa possibilidade. b) Por maioria de votos, o colegiado decidiu pelo retorno à Câmara a quo para manifestação sobre a responsabilidade de José Marcelino de Araújo. Vencidos os Conselheiros Antonio Lisboa Cardoso (Suplente Convocado) que votou pela análise da responsabilidade direta pela CSRF e Karem Jureidini Dias que votou pela nulidade completa da decisão. Esteve presente e procedeu à sustentação oral o patrono do contribuinte, Dr. José Eduardo Alckmin OAB-DF 2977. (documento assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente Substituto (documento assinado digitalmente) Valmir Sandri Relator Participaram do julgamento os Conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente Substituto), Marcos Aurélio Pereira Valadão, Jorge Celso Freire da Silva, Karem Jureidini Dias, Valmir Sandri, Valmar Fonseca de Menezes, Rafael Vidal de Araújo, João Carlos de Lima Júnior, Antonio Lisboa Cardoso (Suplente Convocado) e Paulo Roberto Cortez (Suplente Convocado).
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José Marcelino de Araújo Clésio Wagner de Araújo ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 1998, 1999, 2000 NORMAS PROCESSUAIS PRECLUSÃO. A não apresentação de recurso voluntário torna definitiva a decisão de primeira instância, precluindo o direito de apresentação de recurso especial. NORMAS PROCESSUAIS RECURSO ESPECIAL. A perfeita comprovação do dissídio jurisprudencial é requisito inafastável para legitimar o recurso especial, sem a qual não pode o recurso ser conhecido. DECADÊNCIA TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO TERMO INICIAL. Conforme decisão do STJ em Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008, em não havendo pagamento do tributo, o termo inicial para a contagem do prazo decadencial iniciase no primeiro dia do exercício/período seguinte aquele em que o lançamento poderia ter sido iniciado, exvi do disposto no inciso I, art. 173, do CTN. Se os autos indicam a ocorrência de pagamento, o termo inicial a ser considerado é a data do fato gerador. ATRIBUIÇÃO DE RESPONSABILIDADE PELO CRÉDITO TRIBUTÁRIO COMPETÊNCIA DO CARF PARA JULGAMENTO. A identificação de co responsáveis pelo crédito tributário constituído mediante lançamento de oficio remete o exame da atribuição de responsabilidade para o âmbito do processo administrativo tributário regulado pelo Decreto 70.235/72, cujo julgamento em segunda instância compete ao CARF AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 60 3. 00 29 66 /2 00 3- 95 Fl. 2260DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2014 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 15/07/2014 por LU IZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 01/07/2014 por VALMIR SANDRI Processo nº 13603.002966/200395 Acórdão n.º 9101001.936 CSRFT1 Fl. 3 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 1ª Turma da CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FFIISSCCAAIISS, por unanimidade de votos, recurso provido com retorno à Câmara a quo. Recurso do Contribuinte: 1) Quanto ao Conhecimento: a) Por unanimidade de votos, recurso não conhecido quanto à convalidação do recurso voluntário de Clésio Wagner de Araújo. b) Por maioria de votos, recurso conhecido quanto à responsabilidade de José Marcelino de Araújo. Vencidos os Conselheiros João Carlos de Lima Junior e Paulo Roberto Cortez (Suplente Convocado). c) Por maioria de votos, recurso não conhecido quanto à possibilidade de arbitramento. Vencidos os Conselheiros Antonio Lisboa Cardoso (Suplente Convocado) e Paulo Roberto Cortez (Suplente Convocado). d) Por unanimidade de votos, recurso de Clésio não conhecido por preclusão. 2) Quanto ao Mérito: a) Por maioria de votos, o colegiado considerou o CARF competente para apreciar o mérito da responsabilidade. Vencidos os Conselheiros João Carlos de Lima Junior e Paulo Roberto Cortez (Suplente Convocado) que entendiam que no caso concreto não haveria essa possibilidade. b) Por maioria de votos, o colegiado decidiu pelo retorno à Câmara a quo para manifestação sobre a responsabilidade de José Marcelino de Araújo. Vencidos os Conselheiros Antonio Lisboa Cardoso (Suplente Convocado) que votou pela análise da responsabilidade direta pela CSRF e Karem Jureidini Dias que votou pela nulidade completa da decisão. Esteve presente e procedeu à sustentação oral o patrono do contribuinte, Dr. José Eduardo Alckmin OABDF 2977. (documento assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente Substituto (documento assinado digitalmente) Valmir Sandri Relator Participaram do julgamento os Conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente Substituto), Marcos Aurélio Pereira Valadão, Jorge Celso Freire da Silva, Karem Jureidini Dias, Valmir Sandri, Valmar Fonseca de Menezes, Rafael Vidal de Araújo, João Carlos de Lima Júnior, Antonio Lisboa Cardoso (Suplente Convocado) e Paulo Roberto Cortez (Suplente Convocado). Relatório Neste processo administrativo discutese exigência da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS dos anoscalendário de 1998, 1999 e 2000, exigida mediante auto de infração lavrado contra a empresa Garantia Indústria, Comércio e Importação Ltda., pela constatação de falta de recolhimento. Foram arrolados como responsáveis solidários pelo crédito tributário, os sócios José Marcelino de Araújo e Clésio Wagner de Araújo. Fl. 2261DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2014 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 15/07/2014 por LU IZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 01/07/2014 por VALMIR SANDRI Processo nº 13603.002966/200395 Acórdão n.º 9101001.936 CSRFT1 Fl. 4 3 Do mesmo procedimento de fiscalização resultaram, também, autos de infração relativos a IRPJ e CSLL (Processo nº 13603.002968/200384, principal) e de PIS (Processo nº 13603.002967/200330). Inicialmente, apresentaram recurso voluntário, nos três processos PLR (dizendose sucessora de Garantia), Clésio e José Marcelino. Anulados os atos processuais (nos três processos) a partir da decisão de primeira instância, inclusive, foi prolatada uma segunda decisão. Dessa segunda decisão apresentaram recurso voluntário: (i) no processo de IRPJ/CSLL, PLR e José Marcelino; (ii) nos processos de PIS e COFINS, apenas Garantia. Nos três processos apresentaram recurso especial Garantia, José Marcelino e Clésio. Os atos processuais assim se desenvolveram: Quando do julgamento da impugnação apresentada pela autuada e pelos responsáveis solidários, primeiramente a DRJ em Belo Horizonte o converteu em diligência com a finalidade de ser verificado se se consolidara a incorporação da empresa Garantia Indústria, Comércio e Importação Ltda. pela empresa PLR Comércio e Importação Ltda., tendo a autoridade fiscal encarregada da sua realização chegado à conclusão de que a referida incorporação não se consumara. A partir das informações constantes do relatório da diligência então realizada, a DRJ em Belo Horizonte considerou procedente o lançamento, consoante Acórdão DRJ/BH n° 10.079/2005, tendo a extinta Terceira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, mediante Acórdão n° 10322.806, de 06 de dezembro de 2006, anulando essa decisão para que outra fosse proferida, por considerar caracterizado o cerceamento do amplo direito de defesa e do contraditório, em virtude de não ter sido dada ciência do resultado da diligência ao sujeito passivo, impossibilitando sua manifestação a respeito, se fosse do seu interesse. Nova decisão foi prolatada pela DRJ/BH, através do Acórdão n° 02 14.551/2007, mantendo o mesmo entendimento da decisão anterior e, dentre outras matérias, apreciou a responsabilidade pelo crédito tributário sob a égide dos artigos 124, I e 135, II e III, ambos do Código Tributário Nacional CTN. Dessa nova decisão, apenas a empresa autuada, Garantia Indústria, Comércio e Importação Ltda., apresentou recurso voluntário. Os arrolados em termo de responsabilidade não apresentaram recurso. Em sessão de 26 de junho de 2008 os membros da extinta Primeira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por meio do Acórdão n° 10196.803 acordaram em, (i) por unanimidade de votos, REJEITAR as preliminares de nulidade do lançamento, e ACOLHER a decadência quanto aos fatos geradores até o mês de novembro de 1998, inclusive. No mérito, por unanimidade de votos, DAR provimento PARCIAL ao recurso para reduzir a multa de oficio a 75%. Em face dessa decisão, a representação da Fazenda Nacional interpôs embargos de declaração, sendo os mesmos rejeitados. Passo seguinte, a Fazenda Nacional ingressou com recurso especial questionando a decisão no que se refere à decadência. Alega a PGFN que, tendo sido verificada total ausência de pagamento quanto aos créditos tributários em questão, a contagem do prazo Fl. 2262DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2014 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 15/07/2014 por LU IZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 01/07/2014 por VALMIR SANDRI Processo nº 13603.002966/200395 Acórdão n.º 9101001.936 CSRFT1 Fl. 5 4 decadencial deveria ter sido realizada com base no disposto no art. 173, I, do CTN, e não no art. 150, § 4º do mesmo diploma legal. Junta aos autos, como prova da divergência jurisprudencial alegada, as ementas de dois acórdãos exarados por outros colegiados do Conselho de Contribuintes (Ac. 20401182 e Ac. 10321.025), ambos manifestando a interpretação de que, havendo absoluta falta de pagamento de tributo sujeito a lançamento por homologação, a contagem do prazo decadencial deve ser realizada com base no disposto no art. 173, I, e não no art. 150, § 4º, ambos do CTN. O recurso especial da PGFN foi admitido, conforme despacho de fls. 1995/6. Ciente da decisão do Conselho, Garantia Indústria, Comércio e Importação Ltda. ingressou recurso especial nos seguintes termos: “Como razões de Recurso Especial, informa a recorrente que se reporta às razões apresentadas em recurso voluntário e que foi vencida no acórdão recorrido. 0 presente feito tratase de exigência de COFINS via tributação reflexa, cujos autos principais são o de número 13603.002968/200384 (IRPJ/CSLL), que ainda se encontram em tramitação perante o CARF, conforme movimentação processual em anexo. Informa a empresa recorrente que as razões de Recurso Especial serão ofertadas quando da interposição de Recurso Especial nos autos principais. “ Aviaram embargos de declaração os responsabilizados José Marcelino de Araújo e Clésio Wagner de Araújo, sendo os mesmos rejeitados de acordo com o decidido no Despacho em Embargos n° 110100.009. Tais sujeitos passivos também aviaram recursos especiais de divergência, além de contrarrazões, requerendo o improvimento do REsp da Procuradoria da Fazenda Nacional O recurso especial de divergência dos arrolados como sujeitos passivos solidários foi apresentado em conjunto, numa mesma peça, para os três processos (principal, de IRPJ e CSLL, e decorrentes, de PIS e de Cofins), suscitando 4 matérias, cujas interpretações postulam serem levadas à CSRF para uniformização, a saber: . (i) falta de apresentação de recurso voluntário pelo Sr. Clésio Wagner de Araújo; (ii) não conhecimento das razões de recurso do Sr. José Marcelino de Araújo referentes à declaração de nulidade do Termo de Responsabilidade; (iii) apuração do crédito tributário por arbitramento versus glosa de custos; (iv) eleição da base de cálculo do PIS e da Cofins por dispositivo declarado inconstitucional pelo STF. Pelo despacho 110100.042, de 08/07/2011, o Presidente da 1º Câmara da 1ª SEJUL, inicialmente, negou seguimento ao recurso especial das pessoas físicas. Ante o pedido de revisão do despacho, que reclamou de a apreciação dos processos (matriz e decorrentes) ter sido feita de forma independente, o novo Presidente da 1ª Fl. 2263DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2014 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 15/07/2014 por LU IZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 01/07/2014 por VALMIR SANDRI Processo nº 13603.002966/200395 Acórdão n.º 9101001.936 CSRFT1 Fl. 6 5 Câmara encaminhou os autos ao antigo presidente, prolator do despacho agravado, solicitando sua manifestação a respeito. O autor do despacho agravado proferiu despacho saneador conjunto para os três despachos anteriores, propondo sua anulação, por ter a análise da admissibilidade sido realizada como se autônomos fossem, pois “admitida a decorrência, aplicarseia aos procedimentos reflexivos,no que couber, a mesma decisão dada ao processo matriz.” Afinal, assim se manifestou: “ (...) entendo que o Despacho n° 1101 00.044, datado de 08/07/2011, deve ser retificado apenas quanto à. constatação de que se trata do processo matriz, cuja decisão, quanto à. admissibilidade do recurso especial, no que couber, deve ser estendida aos processos decorrentes, acima enumerados, permanecendo inalterada a rejeição ao seguimento da 4ª divergência, supra transcrita, por falta de previsão regimental, devendo o novo Despacho dessa Presidência da 1ª Câmara instruir o processo principal e os decorrentes.” Aduziu considerações a respeito da 4ª divergência, pela importância do tema, mesmo sem a matéria ter sido préquestionada (inaplicabilidade do art. 3°, § 1°, da Lei n° 9.718/1998). Pondera que é inquestionável o motivo regimental que impõe a inadmissibilidade, mas que também inquestionável o direito que os recorrentes têm de se ver desonerados de ônus fiscal sabidamente indevido. Sugeriu que as autoridades competentes reflitam sobre a viabilidade da regulamentação desse procedimento, que poderia ser feita através da introdução de dispositivo regimental. E assim concluiu seu despacho: Feitas essas considerações, entendo que à luz do atual Regimento Interno do CARF não deve ser dado seguimento à divergência em causa, mantendose o que foi posto no precitado Despacho n° 110100.044, quanto a esse aspecto. O Presidente da 1ª Câmara concordou com o parecer em todos os seus termos, e manteve a decisão exarada no Despacho n° 110100.044, de 08/07/2011, quanto ao seguimento parcial do recurso especial, negando seguimento apenas à 4ª divergência, pela falta de previsão regimental, determinado que o Despacho saneador instruísse os processos decorrentes, aplicandoselhes o mesmo juízo de admissibilidade do processo matriz, no que couber. É o relatório. Voto Do Recurso da Fazenda Nacional. Fl. 2264DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2014 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 15/07/2014 por LU IZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 01/07/2014 por VALMIR SANDRI Processo nº 13603.002966/200395 Acórdão n.º 9101001.936 CSRFT1 Fl. 7 6 O recurso da Fazenda Nacional atende os pressupostos que o legitimam, devendo ser conhecido. A Fazenda Nacional se insurge contra o acórdão na parte que assim decidiu: “ (...) com a exclusão da multa qualificada, viuse que restou afastada a hipótese de ocorrência de "dolo, fraude ou simulação" prevista no art. 150, § 4°, do CTN, o que remete o termo inicial da contagem do prazo decadencial para a data da ocorrência do fato gerador, conforme previsto no mesmo dispositivo legal. Assim, considerandose que a ciência do lançamento ao sujeito passivo se deu em 19/12/2003, devese reconhecer a decadência do direito de constituir o credito tributário relativo aos fatos geradores até novembro de 1998.” Assenta o voto condutor que o Conselho acolhe o entendimento, apoiado em ampla e conhecida jurisprudência, pacificada pela Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), de que o direito do Fisco de constituir o crédito tributário é regulado pelo comando do art. 150, § 4°, do Código Tributário Nacional, independentemente da apresentação de declarações ou da realização de pagamentos. Apenas se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, aplicase a regra do art. 173, I, do CTN. Demonstra a PGFN que essa interpretação diverge da assumida por outros colegiados, que entendem que, na ausência de pagamento, mesmo em se tratando de tributos cuja legislação específica preveja lançamentos por homologação, o termo inicial para a contagem do prazo de decadência é o previsto no art. 173, I, do CTN. A tese de irrelevância do fato de ter ou não havido pagamento encontrase totalmente superada pela recente jurisprudência deste CARF que, em comprimento ao art. 62A do Regimento, acolhe o entendimento expressado no item 1 da ementa da decisão do STJ, na apreciação do REsp nº 973.333SC, na sistemática de recursos repetitivos, no sentido de que “O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito”. Assim, nos termos da jurisprudência atual, o termo inicial para a contagem do prazo de decadência em relação aos tributos sujeitos a lançamento por homologação será: I Em caso de dolo, fraude ou simulação: 1º dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado (art. 173, I, do CTN); II Nas demais situações: II..a Se houve pagamento antecipado: data do fato gerador (art. 150, § 4º, do CTN); II.b Se não houve pagamento antecipado: 1º dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado (art. 173, I, do CTN); Fl. 2265DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2014 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 15/07/2014 por LU IZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 01/07/2014 por VALMIR SANDRI Processo nº 13603.002966/200395 Acórdão n.º 9101001.936 CSRFT1 Fl. 8 7 No caso concreto, o crédito relativo aos fatos geradores ocorridos até o mês de novembro de 1998 poderiam ser lançados nesse mesmo ano, e o termo inicial para a contagem do prazo de decadência é o dia 1º de janeiro de 1999, esgotandose em 31/12/2003. Uma vez que a ciência do lançamento ao sujeito passivo se deu em 19/12/2003, temse por não materializada a decadência, devendo ser provido o recurso da Fazenda Nacional. Do Recurso interposto por Garantia Indústria, Comércio e Importação Ltda. O recurso interposto por Garantia Indústria, Comércio e Importação Ltda, não reúne condições de ser conhecido. De fato, a petição recursal está assim redigida: “Como razões de Recurso Especial, informa a recorrente que se reporta às razões apresentadas em recurso voluntário e que foi vencida no acórdão recorrido. 0 presente feito tratase de exigência de COFINS via tributação reflexa, cujos autos principais são o de número 13603.002968/200384 (IRPJ/CSLL), que ainda se encontram em tramitação perante o CARF, conforme movimentação processual em anexo. Informa a empresa recorrente que as razões de Recurso Especial serão ofertadas quando da interposição de Recurso Especial nos autos principais.” Nas razões de recurso especial apresentadas pela autuada no processo de IRPJ, alega a recorrente divergência do acórdão recorrido com acórdãos paradigmas, no que tange ao arbitramento de lucros. Diz que “O acórdão recorrido entendeu que o arbitramento de lucros era possível diante da falta de apresentação de notas fiscais de entrada, restando inviabilizada a verificação do custo das mercadorias vendidas.”, aduzindo que “No acórdão paradigma (em anexo), verificase que a dedutibilidade das despesas deve ser restaurada quando apresentados os documentos fiscais hábeis para tal.” Anexou o Acórdão 110100.069. Ocorre que essa matéria não tem pertinência com a exigência de COFINS. Isto posto, não conheço do recurso. Do Recurso interposto por José Marcelino de Araújo e Clésio Wagner de Araújo. As pessoas físicas arroladas como responsáveis não apresentaram recurso voluntário. Dispõe o inciso I do art. 42 do Decreto nº 70.235. de 1972, que são definitivas as decisões de primeira instância esgotado o prazo para recurso voluntário sem que este tenha sido interposto. Fl. 2266DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2014 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 15/07/2014 por LU IZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 01/07/2014 por VALMIR SANDRI Processo nº 13603.002966/200395 Acórdão n.º 9101001.936 CSRFT1 Fl. 9 8 Em princípio, não haveria como conhecer do recurso especial interposto pelas pessoas físicas, uma vez que para elas operouse a preclusão. Ocorre que, no despacho saneador do exame de admissibilidade, admitiuse inadequada a tramitação dos autos de infração matriz e decorrentes em processos separados, e determinouse que o mesmo juízo de admissibilidade do processo matriz fosse aplicado nos decorrentes, no que couber. Assim, aplicando o princípio da decorrência, a solução adotada deve ser a mesma do processo matriz, a saber: Não conhecer o recurso especial interposto por Clésio Wagner de Araújo, em razão da preclusão. Quando ao recurso de José Marcelino, não conhecer no que se refere á primeira matéria (falta de apresentação de recurso voluntário pelo Sr. Clésio Wagner de Araújo) e conhecer e julgar procedente o recurso quanto à segunda matéria (não conhecimento das razões de recurso referentes à declaração de nulidade do Termo de Responsabilidade). A terceira matéria (lucro arbitrado versus glosa de custos) não tem pertinência como o auto de infração de COFINS. A quarta matéria (eleição da base de cálculo do PIS e da Cofins por dispositivo declarado inconstitucional pelo STF) não foi admitida, descabendo qualquer análise. Contudo, registro que a matéria arguida não tem pertinência fática com o lançamento litigado, uma vez que os valores que serviram de base de cálculo para o PIS e a COFINS, conforme planilhas constantes dos autos de infração, são aqueles escriturados nos Livros Diário e Razão como receita de venda de mercadorias e de prestação de serviços, e estão de acordo com os valores informados nas DIRPJ. Os valores referentes a “outras receitas”, considerados para fins de lançamento do IRPJ e da CSLL, não foram computados na base de cálculo do PIS e da COFINS. Pelas razões expostas, dou provimento ao recurso da Fazenda Nacional, para declarar não ocorrida a decadência, não conheço dos recursos interpostos por Garantia Indústria, Comércio e Importação Ltda. e por Clésio Wagner de Araújo, e conheço e dou provimento ao recurso de José Marcelino de Araújo quanto à responsabilização, determinando o retorno dos autos à 1ª SEJUL, para apreciar essa matéria. É como voto. BrasíliaDF, em 15 de maio de 2014. (documento assinado digitalmente) Valmir Sandri, Relator. Fl. 2267DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2014 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 15/07/2014 por LU IZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 01/07/2014 por VALMIR SANDRI Processo nº 13603.002966/200395 Acórdão n.º 9101001.936 CSRFT1 Fl. 10 9 Fl. 2268DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2014 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 15/07/2014 por LU IZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 01/07/2014 por VALMIR SANDRI
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Numero do processo: 13819.002526/2004-93
Turma: Quarta Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Thu May 07 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Wed Aug 13 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/02/2000 a 31/10/2003
CRÉDITO PRÊMIO À EXPORTAÇÃO. REVOGAÇÃO
O beneficio fiscal instituído pelo art. 1° do Decreto-lei nº 491, de 1969, foi extinto em 5 de outubro de 1990.
Recurso Voluntário Negado
Direito Creditório Não Reconhecido
Numero da decisão: 2202-000.090
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Rodrigo Bernardes de Carvalho, Ali Zraik Júnior, Marcos Tranchesi Ortiz e Leonardo Siade Manzan, que davam provimento ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Júlio César Alves Ramos.
[assinado digitalmente]
GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Presidente em exercício da Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção do CARF, sucessora da Segunda Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, em face do afastamento, por motivo de saúde, da Conselheira Nayra Bastos Manatta.
[assinado digitalmente]
ALEXANDRE KERN - Redator ad hoc.
EDITADO EM: 12/02/2014 em razão de despacho de designação sem número, de 22 de novembro de 2013, fls. 313.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Nayra Bastos Manatta (Presidente), Julio César Alves Ramos, Rodrigo Bernardes de Carvalho (Relator), Ali Zraik Junior, Sílvia de Brito Oliveira, Marcos Tranchesi Ortiz, Alexandre Kern (Suplente) e Leonardo Siade Manzan.
Nome do relator: Alexandre Kern
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/02/2000 a 31/10/2003 CRÉDITO PRÊMIO À EXPORTAÇÃO. REVOGAÇÃO O beneficio fiscal instituído pelo art. 1° do Decreto-lei nº 491, de 1969, foi extinto em 5 de outubro de 1990. Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 13; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2019; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T2 Fl. 314 1 313 S2C2T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13819.002526/200493 Recurso nº 154.767 Voluntário Acórdão nº 2202000.090 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 7 de maio de 2009 Matéria IPI CRÉDITOPRÊMIO PEDIDO DE RESSARCIMENTO Recorrente NEWELL RUBBERMAID BRASIL LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/02/2000 a 31/10/2003 CRÉDITO PRÊMIO À EXPORTAÇÃO. REVOGAÇÃO O beneficio fiscal instituído pelo art. 1° do Decretolei nº 491, de 1969, foi extinto em 5 de outubro de 1990. Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Rodrigo Bernardes de Carvalho, Ali Zraik Júnior, Marcos Tranchesi Ortiz e Leonardo Siade Manzan, que davam provimento ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Júlio César Alves Ramos. [assinado digitalmente] GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO – Presidente em exercício da Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção do CARF, sucessora da Segunda Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, em face do afastamento, por motivo de saúde, da Conselheira Nayra Bastos Manatta. [assinado digitalmente] ALEXANDRE KERN Redator ad hoc. EDITADO EM: 12/02/2014 em razão de despacho de designação sem número, de 22 de novembro de 2013, fls. 313. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 81 9. 00 25 26 /2 00 4- 93 Fl. 314DF CARF MF Impresso em 13/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 13/02/2014 por A LEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 29/03/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Nayra Bastos Manatta (Presidente), Julio César Alves Ramos, Rodrigo Bernardes de Carvalho (Relator), Ali Zraik Junior, Sílvia de Brito Oliveira, Marcos Tranchesi Ortiz, Alexandre Kern (Suplente) e Leonardo Siade Manzan. Relatório NEWELL RUBBERMAID BRASIL LTDA. requereu o reconhecimento do direito de utilização do créditoprêmio do IPI (art. 1° do DL 491/69), decorrente das exportações realizadas no período em epígrafe, estando incluso no montante solicitado a atualização monetária e juros de mora calculados à. taxa SELIC. O pedido foi liminarmente indeferido pela autoridade competente, conforme disposto na IN/SRF n° 226/2002. Tempestivamente, o interessado apresentou manifestação de inconformidade alegando, em síntese , que o beneficio ainda está em vigor, inclusive corrigido monetariamente, conforme julgados que cita, que a restrição desse direito legal não se poderia dar mediante atos administrativos. Encerrou solicitando o integral ressarcimento pleiteado. A 2ª Turma da DRJ/RPO indeferiu a solicitação. O Acórdão nº 1417.704, de 22 de novembro de 2007, fls. 269 a 286, teve ementa vazada nos seguintes termos: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS – IPI Período de apuração: 01/02/2000 a 31/10/2003 CRÉDITO PRÊMIO DO IPI. Indeferese a solicitação de crédito prêmio relativo a período não mais abrigado por este incentivo. Referido beneficio fiscal não está enquadrado nas hipóteses de restituição, ressarcimento ou compensação dos tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal. RESSARCIMENTO DE IPI. INCIDÊNCIA DA TAXA SELIC. Inexiste previsão legal para abonar atualização monetária ou acréscimo de juros equivalentes à taxa SELIC a valores objeto de ressarcimento de crédito de IN. Solicitação Indeferida Em recurso voluntário, fls. 292 a 309, o interessado rechaça a ocorrência de prescrição, insiste na tese de que ainda vige o referido benefício fiscal e pugna pela correção do valor do ressarcimento pela taxa Selic. Nos termos do art. 17, inciso III do Regimento Interno do CARF, o Presidente da 4ª Câmara da 3ª Seção designou o Conselheiro Alexandre Kern para redigir o Acórdão relativo ao julgamento do recurso voluntário, dado que o Relator, Conselheiro Rodrigo Bernardes de Carvalho, renunciou ao mandato sem têlo apresentado à Secretaria, tudo nos termos do Despacho 4ª Câmara sem nº, de 22/11/2013, fls. 313. A numeração das folhas referese ao processo digital. É o Relatório. Fl. 315DF CARF MF Impresso em 13/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 13/02/2014 por A LEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 29/03/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 13819.002526/200493 Acórdão n.º 2202000.090 S2C2T2 Fl. 315 3 Voto Vencido Conselheiro Alexandre Kern redator ad hoc Esclareço, in liminem, que o presente voto retrata o posicionamento do relator original, jamais o meu, que segue o voto que quedou vencedor. Presentes os pressupostos recursais, a petição de fls. 292 a 309 merece ser conhecida como recurso voluntário contra o Acórdão DRJ/RPO2ª Turma nº 1417.704, de 22 de novembro de 2007. Quanto ao prazo prescricional para requerer o ressarcimento do crédito prêmio de IPI contase a partir da publicação da decisão que reconhece a inconstitucionalidade de sua extinção, possuindo a Recorrente o direito de reivindicar seu pedido conforme o pleito inicial. Quanto à vigência do crédito prêmio de IPI, apesar de, aparentemente, ter sido reduzido gradativamente até final extinção prevista pelos DecretosLei nº 1.658, 1.722 e 1.724/79 (todos eles declarados inconstitucionais pelo STF, conforme se verá abaixo) e decorrentes Portarias do Ministério da Fazenda, o CréditoPrêmio de IPI (art. 1° do DL n° 491/69) foi restaurado plenamente pelo Decreto Lei nº 1.894/81, sem definição de prazo. Há precedentes nesse sentido tanto no STF quanto no STJ: STJ, lª Turma, AGA 398267/ DF; AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO DE INSTRUMENTO 2001/00942350, DJ DATA: 21/10/2002 PG: 00283, Min. FRANCISCO FALCÃo; (STJ, 2ª Turma, RESP 239716/ DF; RECURSO ESPECIAL 1999/01068789, DATA: 25/09/2000 PG: 000095, Min. FRANCISCO PEÇANHA MARTINS; STF RE 186359/ RS, RECURSO EXTRAORDINÁRIO, Relator: Min. MARCO AURÉLIO, Publicação: DJ DATA100502 PP000053 EMENT VOL02068 01 PP00196, Julgamento: 14/03/2002 — Tribunal Pleno. Assim, resta incontestável a impossibilidade do contribuinte ver negado seu pedido com base nos artigos 1° do Decretolei nº 1.658, de 24 de janeiro de 1979, e 3° do Decretolei nº 1.722, de 30 de dezembro de 1979. Declarada a inconstitucionalidade dos Decretos Leis nº 1722 e 1724 ambos de 1979, ficaram sem validade todas as normas secundárias (portarias) editadas pelo Ministério da Fazenda com o intuito de regular o Decreto Lei nº 491/69. No entanto, antes de ter sua inconstitucionalidade declarada, tal portaria já havia sido revogada por inteiro com a edição da Portaria nº 292, que foi publicada em 18/12/1981. Como se não bastasse, a Resolução do Senado Federal nº 71, editada em 26 de dezembro de 2005, suspendeu a execução da expressão "ou reduzir, temporária ou definitivamente, ou extinguir" constante no artigo 1º do Decreto Lei nº 1.724/79 e das expressões "reduzilos" e "suspendêlos ou extinguilos" do artigo 3° do DecretoLei nº 1.894/81, declarando mantida a vigência do artigo 1° do DecretoLei nº491/69. Portanto, a forma pela qual pretendeuse extinguir o beneficio foi inadequada. Logo, não gerou os efeitos pretendidos, vez que não é cabível delegar tal incumbência ao Ministro da Fazenda, a dizer, poderes para aumentar, reduzir ou extinguir tributos, sendo que esta é competência exclusiva do Poder Legislativo. Fl. 316DF CARF MF Impresso em 13/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 13/02/2014 por A LEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 29/03/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO 4 Por fim, a IN SRF nº 226/2002, utilizada como fundamento da decisão da DRF, extrapola seu limite, uma vez que o direito de petição aos órgãos públicos é assegurando constitucionalmente, e o pedido realizado está fundamentado na legislação vigente e pertinente, instruído com as planilhas dos valores pleiteados, ficando a documentação à disposição da respeitável Fiscalização, como de praxe. Com efeito, referido diploma infralegal contraria o disposto no DL n.° 491 169, que concede o beneficio fiscal pleiteado pela Recorrente no processo administrativo em pauta, em evidente afronta ao principio da legalidade. Ora, se a lei tributária estabelece determinada aplicação em um beneficio fiscal, a lei ou a instrução normativa que fixar os procedimentos para operacionalização desse beneficio, não poderá restringilo, ou mesmo vetar o seu aproveitamento. Ademais, tanto o despacho de indeferimento do pedido da Recorrente, quanto à legislação invocada em referido despacho, estão desprovidas de qualquer motivação ou fundamentação de fato ou de direito, violando o direito liquido e certo da Recorrente de ter devidamente apreciado em despacho fundamentado o seu pedido de ressarcimento. No que tange ao pedido de correção monetária pela Selic, indevidamente afastado pela V. Decisão ora combatida, cumpre esclarecer que referido direito está presente até nos casos mais controversos, conforme disciplina a própria Advocacia Geral da União no seu Parecer AGU/MF nº 01/96, publicado no DOU de 18/01/96. Observese que este parecer tem efeito vinculante a toda Administração Federal, segundo previsto no artigo 40 da Lei Complementar nº 73/93, que dispõe sobre a maneira de viabilização do direito a correção monetária pretendido. Tal entendimento foi reconhecido também em decisões proferidas pelo E. STJ. Com essas considerações, dou provimento ao recurso. Sala de sessões, em 7 de maio de 2009 Redator ad hoc Voto Vencedor Conselheiro Alexandre Kern, Redator ad hoc Mérito: revogação do CréditoPrêmio de IPI Tratase de matéria exaustivamente debatida na instância recursal administrativa. O próprio recorrente já teve pleito idêntico, referente aos períodos de apuração compreendidos entre 01/09/2000 a 30/06/2003, apreciado, em 5 de fevereiro de 2009, pela 4ª Câmara do antigo Segundo Conselho de Contribuintes, em que se adotou o voto do Conselheiro Jorge Freire, por ocasião do julgamento do recurso nº 124.417, que reproduzo e adoto como razão decidir. Assim se pronunciou o Dr. Jorge: Quanto ao mérito, emerge do relatado, que a recorrente averba, em resumo, que o beneplácito fiscal criado pelo art. 1° do Decretolei 491/69 estaria ainda vigendo, com o que Fl. 317DF CARF MF Impresso em 13/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 13/02/2014 por A LEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 29/03/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 13819.002526/200493 Acórdão n.º 2202000.090 S2C2T2 Fl. 316 5 não pactuo, vez entender que o mesmo foi extinto em 30 de junho de 1983, conforme as razões a seguir deduzidas. A recorrente, como dito, postulou ressarcimento de incentivo arrimada no art. 1" do Decretolei 491, de 05 de março de 1969, o chamado créditoprêmio à exportação, que assim dispunha: Art. 1° As empresas fabricantes e exportadoras de produtos manufaturados gozarão a titulo estimulo fiscal, créditos tributários sobre suas vendas para o exterior, como ressarcimento de 'tributos. pagos internamente. § 1" Os créditos tributários acima mencionados serão deduzidos do valor do Imposto sobre Produtos Industrializados incidente sobre as operações no mercado interno. § 2" Feita a dedução, e havendo excedente de crédito, poderá o mesmo ser compensado no pagamento de outros impostos federais, ou aproveitado nas formas indicadas por regulamento. Conforme exposição de motivos apresentada pelo então Ministro da Fazenda, o hoje Deputado Federal Antônio Delfim Netto, o objetivo desse beneficio fiscal era estimular à exportação de produtos manufaturados capazes de induzir o sistema empresarial a capacitarse na disputa do mercado internacional. Depreendese da norma retro transcrita que, em sua criação, o incentivo fiscal dirigiase às empresas fabricantes e exportadoras de produtos manufaturados, mesmo quando,a exportação fosse indireta, nos termos do que dispôs o art. 4° do mesmo diploma legal. Contudo, essa sistemática foi sendo modificada, conferindo se tal beneficio também à empresa exportadora, conforme dispôs o Decretolei 1.456/76 em seu artigo 1°: Art. 1°. As empresas comerciais exportadoras constituídas na forma prevista pelo Decretolei nº. 1.248, de 29 de novembro de 1972, gozarão do crédito tributário de que trata o artigo 1° do Decretolei nº 491, de 5 de março de 1969, observadas as disposições deste Decreto lei, nas suas vendas ao exterior dos produtos manufaturados adquiridos do produtorvendedor. §1" Na hipótese a que se refere este artigo, o crédito será calculado sobre a diferença entre o valor dos produtos adquiridos e o valor FOB, em moeda nacional, das vendas dos mesmos produtos para o exterior. De seu turno, o Decretolei 1.658, de 24 de janeiro de 1979.prescreveu a gradual extinção do beneficio em tela, sendo seu prazo .final 30 de junho de 1983. O art. 1° daquele diploma, assim deliberou: Art. 1° O estimulo fiscal de que trata o artigo 1° do Decretolei nº 491, de 5 de março de 1969, será reduzido gradualmente, até sua extinção. § 1° Durante o exercício .financeiro de 1979, o estimulo será reduzido: Fl. 318DF CARF MF Impresso em 13/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 13/02/2014 por A LEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 29/03/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO 6 a 24 de janeiro, em 10% (dez por cento); a 31 de março, em 5% (cinco por cento); a 30 de junho, em 5% (cinco por cento,); a 30 de setembro, em 5% (cinco por cento); a 31 de dezembro, em 5% (cinco por cento). §2° A partir de 1980, o estímulo será reduzido em 5%,(cinco por cento) a 31 de março, a 30 de junho, a 30 de setembro e a 31 de dezembro, de cada exercício financeiro, até sua total extinção a 30 de junho de 1983. (sublinhei) O Decretolei 1.722, de 03 de dezembro de 1979, deu nova redação ao transcrito parágrafo 2°, alterando a forma de extinção do estímulo a partir de 1980, mas mantendo o mesmo prazo fatal de sua extinção, conforme redação de seu artigo 3°, a seguir reproduzida. Art 3° O parágrafo 2° do artigo 1° do Decretolei nº1.658, de 24 de janeiro de 1979, passa a vigorar com a seguinte redação: §2° O estímulo será reduzido de vinte por cento em 1980, de vinte por cento em 1981, vinte por cento em 1982 e de dez por cento até 30 de junho de 1983, de acordo com ato do Ministro de Estado da Fazenda.". Posteriormente, com a edição do Decretolei 1.724, de 07 de dezembro de 1979, foi delegada competência ao Ministro da Fazenda para aumentar, reduzir ou extinguir os incentivos fiscais de que tratavam os artigos 1° e 5° do Decretolei 491/69. O artigo 1° daquele Decretolei foi vazado nos seguintes termos: Art. 1º O Ministro de Estado da Fazenda fica autorizado a aumentar ou reduzir, temporária ou definitivamente, ou extinguir os estímulos fiscais de que traiam os artigos 1°' e 5° do Decretolei n° 491, de 5 de março de 1969. Com amparo nessa norma,. o Ministro da Fazenda editou as Portarias 960/79, que suspendeu o incentivo por tempo indeterminado, 78/81, que o restabeleceu a partir de 1981, e a Portaria 252/82, que estendeu o beneficio até 30/04/1985, portanto além do prazo estipulado no Decreto lei 1.658/79. Tais Portarias foram alvo de contestação judicial, mormente a de nº 960/79, que suspendeu o beneficio. Alega a recorrente e outras abalizadas vozes, no entanto,que o incentivo fiscal do art.1° do Decretolei 491/69 fora restaurado pelo Decretolei 1.894, de 16 de dezembro de 1981, com base no inciso II de seu artigo 1°, que tem a seguinte redação: Art. 1° Às empresas que exportarem, contra pagamento em moeda estrangeira conversível, produtos de fabricação nacional. adquiridos no mercado interno, fica assegurado: I o crédito do imposto sobre produtos industrializados que haja incidido na aquisição dos mesmos; II o crédito de que trata o artigo 1° do Decretolei nº 491, de 5 de março de 1969. Fl. 319DF CARF MF Impresso em 13/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 13/02/2014 por A LEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 29/03/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 13819.002526/200493 Acórdão n.º 2202000.090 S2C2T2 Fl. 317 7 Para os que assim defendem, o DL 1.894/81 ao estender o Crédito Prêmio às empresas exportadoras, teria restabelecido o estímulo fiscal sob análise sem fixação de prazo, desta forma, tacitamente, revogando a expressa extinção em 30 de junho de 1983, fixada nos DLs 1.658/79 e 1.722/79. A meu sentir tal argumenta não se sustenta, como tive oportunidade de me manifestar no julgamento do recurso 111.932, que foi tombado sob o nº de Acórdão 20174.420, julgado em 17/04/2001, quando, por voto de qualidade, foi mantida a decisão atacada, exarado pela DRJ Porto .Alegre, a qual entendia, naquele processo1,, que o prazo de extinção do CréditoPrêmio era 30.06.1983. E, nesse passo, para refinar a tese de que o DL I.894/51 teria restabelecido o estímulo fiscal sem fixação de prazo, valhome dos argumentos do brilhante e, a meu ver, irrefutável, voto do Desembargador Federal do TRF da 4ª. Região, Dirceu de Almeida Soares, que no julgamento da apelação em mandado de segurança nº 2002.71.07.0162245/RS, julgado em 02 de dezembro de. 2003 pela Segunda Turma daquela E. Corte, à unanimidade, deu provimento ao apelo e à remessa oficial, ao entendimento, em síntese, de que o créditoprêmio foi extinto em 30.06.1983. Registra o ilustre magistrado que três são os motivos para refutar tal argumento. Passo a transcrevêlos. Observese, de início, que se o decretolei se referiu somente às empresas comerciais exportadoras, teria, então, restabelecido o incentivo apenas em relação a elas, permanecendo a extinção para o industrial na data antes fixada. Contudo, sequer esta conclusão se mostra sustentável. 7.1 Primeiro, não houve extensão do créditoprêmio, nem objetiva, nem subjetivamente. 7.1.1 Como antes visto, inicialmente, o incentivo era destinada apenas aos produtores exportadores, os quais efetuavam a compensação na própria escrita fiscal, mesmo que a operação fosse efetivada por empresa exportadora. Assim, havendo exportação diretamente pelo produtor, ou por intermédio de empresa comercial, o crédito era sempre deferido ao industrial. O creditamento acontecia em qualquer das duas hipóteses; inocorreu, assim, extensão objetiva, ou seja, concessão do incentivo em situações antes não contemplada. 7.1.2 Ainda, já em 1976. com o DL 1.456, o mesmo incentivo foi conferido às empresas exportadoras embora apenas parcialmente [item 3]. Não houve, portanto, extensão subjetiva, ou seja, concessão do incentivo a quem não o possuía. 7.1.3 Ocorreu, em verdade, redirecionamento do benefício, aperfeiçoando e simplificando o regime de exportação previsto no DL 491/69. Anteriormente, quando a exportação era efetivada Por empresa exportadora, 1 Processo Administrativofiscal de nº 13054.000444/9740. Fl. 320DF CARF MF Impresso em 13/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 13/02/2014 por A LEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 29/03/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO 8 esta recebia parcialmente o incentivo, calculado sobre a diferença entre o valor de venda e de compra. Dispunha a Portaria 89, de 8 de abril de 1981: I O valor do estimulo .fiscal de que trata o artigo 1° do Decretolei nº 491,de 5 de março de 1969, será creditado a favor do beneficiário, em estabelecimento bancário. II A base de cálculo do estímulo fiscal será o valor FOB em moeda nacional, das vendas para o exterior. II.1 Nos casos de exportação efetuadas por empresas comerciais exportadoras, de que trata o Decretolei nº 1.248, de 29 de novembro de 1972, a base de cálculo será a diferença, entre o valor FOB e o preço de aquisição ao produtor vendedor, nos termos do Decretolei nº 1.456, de 7 de abril de 1976. A outra parcela do incentivo era deferido ao industrial, conforme inc. V da mesma portaria: V Nas vendas de produtos manufaturados, efetuadas pelos respectivos fabricantes, às empresas comerciais exportadoras de que trata o Decretolei nº 1.248, de 29 de novembro de 1972, para o fim específico de exportação, o estimulo .fiscal será creditado ao beneficiário pelo Banco do Brasil S. A., no 60° dia após a entrega, devidamente comprovada, do produto no adquirente. Entretanto, a partir do DL 1.894/81, quem efetivamente exportasse seria beneficiado pelo incentivo. Em contrapartida, em sendo exportador empresa comercial, o decretolei em comento asseguroulhe, no inciso I do art. 1°, o crédito do IPI incidente na aquisição dos produtos a exportar. A Portaria 292, de 17 de dezembro de 1981, ao regulamentar o assunto, esclarece: I O valor do beneficio de que trata o artigo 1° do DecretoLei nº 491, de 5 de março de1009, será creditado a favor da empresa em cujo nome se processar a exportação, em estabelecimento bancária [créditoprêmio] [...] XI O ressarcimento do crédito previsto no item 1 do art. 1° do Decretolei nº 1.894, de 16 de dezembro de 1981, será efetuado nos termos do subitem XV1.2, desta Portaria. [crédito do IPI incidente sobre a aquisição dos produtos manufaturados] [...] XVI.2 O ressarcimento será efetuado através de ordem de pagamento emitida pela Secretaria da Receita Federal, e liquidada pelo Banco do Brasil S. A., obedecida a sistemática de escrituração prevista no item XII. (Sublinhei) Assim, o DL 1.894/81 apenas redirecionou e reorganizou o creditamento do incentivo, não alterando o prazo extintivo programado. Fl. 321DF CARF MF Impresso em 13/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 13/02/2014 por A LEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 29/03/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 13819.002526/200493 Acórdão n.º 2202000.090 S2C2T2 Fl. 318 9 Contudo, ainda que tivesse o referido decretolei estendido o beneficio à comercial exportadora e não apenas o redirecionado cumpre lembrar o ensinamento de Carlos Maximiliano, em comentário ao brocardo lei ampliativa ou declarativa ! de outra por ela 'se deve entender: "Quando as leis novas se reportam às antigas, ou as antigas às notas, interpretamse umas pelas outras, segundo a sua intenção comum, naquela parte que as derradeiras não têm abrogado" (3); atingem. todas o mesmo objetivo: as recentes não conferem mais regalias, vantagens, direitos do que as normas a que explicitamente se referem (4), salvo disposição iniludível em contrário. (Hermenêutica e Aplicação do Direito, 14ª ed., Ed. Forense, p. 263) Surgindo a lei dentro do prazo programado para a extinção do beneficio, ampliandoo às empresas exportadoras, nada além do que concedera a lei antiga poderia a lei nova conferir, inclusive a perpetuação do incentivo, salvo se o tivesse feito expressamente. 7.2 O segundo motivo referese à intenção do legislador. Como visto no item 1, supra, pressões internacionais e um novo acordo internacional de comércio (GATT/79) conduziram à extinção gradativa do incentivo debatido. Não parece ortodoxo inferir que o legislador do DL 1.894181, conhecendo tais circunstancias e tendo em vista a extinção gradativa para os industriais exportadores, quisesse perpetuar o créditoprêmio para as empresas exportadoras pois somente a elas se referiu ultrapassando o termo imposto pelos DL. 1.658/79 e 1.722/79. ;Por outro lado, em sendo o crédito prêmio do IPI veiculado corno incentivo à indústria nacional, cujos produtos ganhavam competitividade internacional com o beneficio .fiscal, não faria sentido; concedêlo quando a exportação fosse realizada por empresa comercial e negálo quando o próprio industrial exportasse os seus produtos. 7.3 Em terceiro lugar, a corroborar o entendimento propugnado, aplicáveis, ainda as regras do conflito de leis no tempo previstas na Lei de Introdução ao Código Civil (LICC). Dispõe o § 1°" do art. 2º da .LICC: § I." A lei posterior revoga a lei anterior quando expressamente o declare, quando seja com ela incompatível ou quando, regule inteiramente a matéria de que tratava a lei anterior. O DL 1.894/81 não revogou expressamente os DL 1.658/79 e 4722179, estes determinando a extinção do incentivo em 1983; seu art.;4° apenas dispunha sobre a revogação do art. 4° do DL 491/69 e do 'DL 1.456/76. Não houve, da mesma forma, revogação tácita. O DL 1.894/81 1não regulou inteiramente a matéria. Introduziu, em verdade, pequena alteração no creditamento do incentivo: a empresa; comercial exportadora já era beneficiada pelo créditoprêmio desde 1970, com o advento do DL 1.456, recebendo, à época, parcela do incentivo [item 3]; passou, com o DL 1.894/81, a recebêlo inteiramente. Fl. 322DF CARF MF Impresso em 13/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 13/02/2014 por A LEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 29/03/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO 10 Não há, evidentemente, nenhuma incompatibilidade dessas disposições com a extinção programada, pois não fixaram, expressamente nenhum prazo diverso daquele antes estabelecido. Também a delegação, contida tanto no DL 1.894/81 quanto no DL 1.724/79, não importa contrariedade à anterior fixação do prazo de extinção, pois referese na antes possibilidade que determinação [item 13, infra]. Mais consentâneo se mostra ver o DL 1.894/81 como lei nova, estabelecendo disposições especiais a par das já existentes; no DL 491/69, referindose no gerenciamento do beneficio – direcionandoo em determinada situação já parcialmente contemplada. Inserese, portanto, na seqüência de alterações impostas ao incentivo, entre elas, a extinção. Ajustase, desta forma, ao disposto no § 2." Do art. 2° da LICC lei nova, que estabeleça disposições gerais ou especiais a par das já existentes, não revoga nem modifica a lei anterior! não. importando, desse modo, em revogação das disposições referentes ao prazo extintivo do créditoprêmio. (sublinhei). Também improcedente a alegação de que "declarada; a inconstitucionalidade do Decretolei 1.724/79, ficaram sem efeito os Decretoslei 1.722/79 e 1.658/79, tornandose aplicável o Decretolei 491, expressamente referido no Decretolei 1.894/81 que restaurou o beneficio do crédito prêmio do IPI, sem definição do prazo” Novamente, pela sua juridicidade e concisão, valhome do voto do Des. Dirceu de Almeida Soares, que, a esse respeito, consignou: A inconstitucionalidade da delegação Um dos principais argumentos tidos por favoráveis por aqueles que entendem pela continuidade do crédito prêmio do IPI é a declaração de inconstitucionalidade do art. 1° do DL 1.724/79 e do inciso II do art. 3° do DL 1.894/81. O extinto TFR, ainda sob a Constituição pretérita, por maioria, na argüição suscitada na AC n° 109.896/DF, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 1° do DL 1.724/79. Esta Corte, em 1992, também por maioria, na argüição levantada na AC 90.04.1117601PR, na esteira do TER, declarou a inconstitucionalidade do mesmo ,DL 1.724/79 e a estendeu ao inciso 1 do art. .3." . do DL I.89ek/81,'por considerar a autorização dada ao Ministro da Fazem:ta liam suspender, aumentar, reduzir ou extinguir os incentivos; fiscais concedidos pelo DL 491/69, invasão da esfera reservada, exclusivamente, à lei. Na apelação referida discutiase a suspensão ido crédito prêmio determinada pela Portaria nº 960/79 – norma jurídica secundária , que vigorou até 01.04.81, editada com base no DL 1.724/79. Observese, todavia, que, nesse período; o beneficio fiscal continuava vigente, pois, a teor do DL 1.722/79, a extinção darseia em julho de 1983. Declarada a inconstitucionalidade da delegação, acertada a decisão que reconheceu o direito ao aproveitamento do créditoprêmio no período debatido anos de 1980 e 1981. O STF, julgando o recurso extraordinário nº186.359 5/RS, em que também se debatiam créditos referentes ao período de 01.01.80 a 01.04.81, interposto contra acórdão fundamentado na argüição de Fl. 323DF CARF MF Impresso em 13/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 13/02/2014 por A LEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 29/03/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 13819.002526/200493 Acórdão n.º 2202000.090 S2C2T2 Fl. 319 11 inconstitucionalidade desta Corte, acima referida, proferiu, em 2002, decisão por maioria, e declarou, apenas, a inconstitucionalidade da expressão "ou extinguir", constante do art. 1.° do DL 1.724/79 muito embora a ementa do julgado refira a inconstitucionalidade também do inciso I do art. 3° do DL 1.894 e inclua a autorização para "suspender, aumentar ou reduzir". 12. Assim, as delegações contidas no art. 1° do DL 1.724/79 e no inciso I do art. 3° do DL 1.894/81 são inconstitucionais, conforme decisões suprareferidas, em especial a argüição nesta Corte, cujos fundamentos são adotados para reconhecer a inconstitucionalidade referida. Todavia tomados os limites da lide nos precedentes da argüição de inconstitucionalidade no extinto TFR, nesta Corte e o julgamento do recurso extraordinário supracitado, não prospera a alegação de que a decisão do STF teria reconhecido a plena vigência do créditoprêmio do IPI Reconheceu, tãosomente, a impossibilidade de suspensão veiculada por Portaria escudada na delegação posta em decretolei, restrita ao período 19801981. No mesmo contexto e sentido as decisões nos RE 186.6233/RS, 180.8284/RS e 250.288 0/SP. Frisese: as decisões referemse a créditos de incentivo suspensos no inicio da década de 1980, sem qualquer implicação sobre o prazo extintivo determinado pelos DL 1.658/79 e 1.722/79, dispositivos sequer mencionados nessas decisões. 13. Por outro ângulo, o DL 1.724/79, em seu art. 1° autorizava a o Ministro da Fazenda a aumentar, reduzir ou extinguir os estímulos fiscais do DL 491/69. No art. 2°, como de boa prática legislativa, revogou as disposições em contrário. Todavia, a autorização para extinguir ou aumentar; em si, não é contrária ao disposto no DL 1.722/79, que determinava a extinção em junho de 1983, pois não expressa determinação, mas apenas possibilidade. Para produzir efeitos e desconsiderado a inconstitucionalidade seria necessária a edição de ato delegado estendendo, reduzindo ou suspendendo o prazo, ou extinguindo o beneficio. Inobstante, a declaração de inconstitucionalidade que sobre ele se abateu tem o efeito de retirarlhe do mundo jurídico. O mesmo se aplica ao disposto no inciso I do art. 3° do DL 1.894/81. No sistema jurídico pátrio, a inconstitucionalidade da norma afetaa desde o inicio. Uma norma inconstitucional perde a validade ex tunc, é como se não tivesse existido, nunca produziu efeitos. Se não produziu efeitos, a revogação que tivesse operado também não ocorreu. •••• Assim, não tendo os referidos dispositivos produzido efeito algum, permaneceu vigente a norma anterior que disciplinava a matéria. Não se trata, pois, de revogação, nem de repristinação, mas, tãosomente dos efeitos da declaração de inconstitucionalidade. Conexa com a inconstitucionalidade está a alegação de que o DL 1.722/79, ao modificar a redação do § 2° do art. 1° do DL 1.658/79, teria revogado a regra que previa a extinção do beneficio, pois foi suprimida a expressão até sua total extinção. Entretanto, a alegação não procede, visto que descontextualizada. Isso porque o próprio caput dó art. 1° do DL 1.658 previa a extinção do beneficio [item 4], redação modificada pelo DL 1.722, sendo, portanto, Fl. 324DF CARF MF Impresso em 13/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 13/02/2014 por A LEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 29/03/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO 12 desnecessária referência nesse sentido em qualquer parágrafo do referido artigo a fim de operar a extinção. Inaceitável se pretender interpretar isoladamente um parágrafo, cujo resultado ainda contraria o disposto no caput do artigo. Impõese, todavia, esclarecer a modificação operada. Quando o DL 1.722 entrou em vigor, por força da redução imposta pelo § 1° do DL 1.658, o créditoprêmio representava somente 70% do percentual originalmente previsto. Na redação anterior do § 2° ocorria redução de 5% por trimestre, ou 20% ao ano; pela nova regra, havia redução de 20% anualmente, havendo possibilidade de o Ministro dá Fazenda, no decorrer do ano, graduar o percentual até este limite. De qualquer sorte, em ambas as redações, os percentuais de redução somavam 100% ou seja, em junho de 1983 o percentual do incentivo era nulo por expressa .determinação dos decretosleis. Destarte, desnecessários maiores esforços exegéticos para se concluir que a ausência da referida expressão na nova redação do parágrafo não importou nenhuma modificação no prazo de extinção do beneficio quer pela expressa previsão contida no caput do artigo 1° do DL 1.658/79 quer pelas conseqüências lógicas das regras que graduavam a extinção. Portanto, declarada a inconstitucionalidade, nenhum efeito produziu a delegação muito menos o de revogar qualquer dispositivo em contrário : não houve, por outro lado, repristinação de norma revogada, pois de revogação não se tratou. Inexistente norma jurídica primária posterior aos DL 1.658/79 e 1.722/79 que, expressa ou implicitamente, tenha alterado o prazo de extinção, incidiram eles, determinando o ,fim do créditoprêmio em 30.06.83. ;(negritei e sublinhei) Em síntese: I O créditoprêmio do IPI, instituído pelo art. 1° do DL 491/69, de início exclusivamente em favor do industrial exportador, foi a partir de 1979, reduzido gradualmente, até ser extinto em junho de 1983, conforme determinou o DL 1.658/79, com a redação dada pelo DL 1.722/79.: 2 Os DL 1.724/79 e 1.894/81 não modificaram o prazo extintivo anteriormente fixado, pois não dispuseram sobre o termo final do incentivo debatido, nem continham referência expressa aos DL 1.458/79 e 1.722/79. 3 A delegação, contido nos DL 1.724/79 e 1.894181, não importou contrariedade à anterior fixação do prazo de extinção, pois representa antes possibilidade que determinação, necessitando ser exercida pelo delegado a fim de modificar regra anterior. 4 O DL 1.894/81 não estendeu o incentivo debatido, pois:a empresa comercial exportadora já era beneficiada com o créditoprêmio desde 1976, havendo apenas reorganização e redirecionamento do incentivo em determinada situação já parcialmente contemplada. 5 A declaração de inconstitucionalidade da delegação ao Ministro da Fazenda retira qualquer efeito que tenha ela produzido no mundo. jurídico. Em consequência: a) surge inválida a extensão do beneficio até 1985, mediante Portaria, e, conseqüentemente, indevidos os créditos deferidos aos industriais e comerciantes exportadores, após julho de 1983. Fl. 325DF CARF MF Impresso em 13/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 13/02/2014 por A LEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 29/03/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 13819.002526/200493 Acórdão n.º 2202000.090 S2C2T2 Fl. 320 13 b) ainda que se considerasse que os DL 1.724/79 e 1.894/81 tivessem. revogado tacitamente os DL 1.658/79 e 1.722/79, com a declaração de inconstitucionalidade daqueles, estes teriam pleno vigor, operando a extinção. ... Por tais considerações, a pretensão não se sustenta. Conclusões Com essas considerações, voto por negar provimento ao recurso. Sala de sessões, em 7 de maio de 2009 Fl. 326DF CARF MF Impresso em 13/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 13/02/2014 por A LEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 29/03/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO
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Numero do processo: 12269.003779/2009-08
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 18 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Jun 04 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Data do fato gerador: 31/08/2010
CUSTEIO - AUTO DE INFRAÇÃO - ARTIGO 33, § 2.º DA LEI N.º 8.212/91 C/C ARTIGO 283, II, j DO RPS, APROVADO PELO DECRETO N.º 3.048/99
A inobservância da obrigação tributária acessória é fato gerador do auto-de-infração, o qual se constitui, principalmente, em forma de exigir que a obrigação seja cumprida; obrigação que tem por finalidade auxiliar o INSS na administração previdenciária.
Inobservância do artigo 33, § 2.º da Lei n.º 8.212/91 c/c artigo 283, II, j do RPS, aprovado pelo Decreto n.º 3.048/99.
AUTO DE INFRAÇÃO - OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA - NULIDADE FACE AUSÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO - AUTO DEVIDAMENTE ESTRUTURADO - ALEGAÇÕES DESPROVIDAS DE ELEMENTOS DE PROVA - IMPROCEDÊNCIA DAS ALEGAÇÕES
Uma vez que a autoridade fiscal demonstrou de forma clara a falta descrita na autuação, bem como toda a fundamentação legal, incumbe ao recorrente comprovar a improcedência dos fatos descritos pela autoridade fiscal.
Meras alegações quanto ao fato que os pagamentos correspondem a verbas indenizatórias não merecem prosperar, quando o recorrente não apresenta provas da natureza dos pagamentos.
Considerando que durante o contencioso administrativo o julgador deve apreciar os argumentos e provas que demonstrem a improcedência do lançamento, não é possível, atestar as alegações do recorrente quando o mesmo se resume a argumentar de forma genérica, sem nem mesmo colacionar aos autos a folha de pagamento, GFIP informadas e recibos dos trabalhadores.
DECADÊNCIA - AUTO DE INFRAÇÃO - FALTAS EM PERÍODOS NÃO ALCANÇADOS PELA DECADÊNCIA - MULTA ÚNICA
Tratando-se de Auto de Infração pelo descumprimento de obrigação acessória, a decadência deve ser apreciada a luz do art. 173, I do CTN.
Mesmo que parte do lançamento pela não apresentação de documentos esteja decadente, a multa aplicada deve persistir, considerando que trata-se de multa única, independente do numero de faltas imputadas.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2401-003.431
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos: I) rejeitar a argüição de decadência; II) rejeitar a preliminar de nulidade; e III) no mérito, negar provimento ao recurso.
Elias Sampaio Freire - Presidente
Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Carolina Wanderley Landim e Ricardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA
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Inobservância do artigo 33, § 2.º da Lei n.º 8.212/91 c/c artigo 283, II, “j” do RPS, aprovado pelo Decreto n.º 3.048/99. AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA NULIDADE FACE AUSÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO AUTO DEVIDAMENTE ESTRUTURADO ALEGAÇÕES DESPROVIDAS DE ELEMENTOS DE PROVA IMPROCEDÊNCIA DAS ALEGAÇÕES Uma vez que a autoridade fiscal demonstrou de forma clara a falta descrita na autuação, bem como toda a fundamentação legal, incumbe ao recorrente comprovar a improcedência dos fatos descritos pela autoridade fiscal. Meras alegações quanto ao fato que os pagamentos correspondem a verbas indenizatórias não merecem prosperar, quando o recorrente não apresenta provas da natureza dos pagamentos. Considerando que durante o contencioso administrativo o julgador deve apreciar os argumentos e provas que demonstrem a improcedência do lançamento, não é possível, atestar as alegações do recorrente quando o mesmo se resume a argumentar de forma genérica, sem nem mesmo colacionar aos autos a folha de pagamento, GFIP informadas e recibos dos trabalhadores. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 26 9. 00 37 79 /2 00 9- 08 Fl. 90DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 04/04/2014 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA 2 DECADÊNCIA AUTO DE INFRAÇÃO FALTAS EM PERÍODOS NÃO ALCANÇADOS PELA DECADÊNCIA MULTA ÚNICA Tratandose de Auto de Infração pelo descumprimento de obrigação acessória, a decadência deve ser apreciada a luz do art. 173, I do CTN. Mesmo que parte do lançamento pela não apresentação de documentos esteja decadente, a multa aplicada deve persistir, considerando que tratase de multa única, independente do numero de faltas imputadas. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos: I) rejeitar a argüição de decadência; II) rejeitar a preliminar de nulidade; e III) no mérito, negar provimento ao recurso. Elias Sampaio Freire Presidente Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira – Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Carolina Wanderley Landim e Ricardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 91DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 04/04/2014 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 12269.003779/200908 Acórdão n.º 2401003.431 S2C4T1 Fl. 3 3 Relatório O presente AI de obrigação acessória, lavrado sob n. 37.240.8095, em desfavor da recorrente, originado em virtude do descumprimento do art. 33, §2º da Lei n ° 8.212/1991 c/c art. 283, II, “j” do RPS, aprovado pelo Decreto n ° 3.048/1999. Conforme descrito no relatório fiscal, fls. 06 a Empresa deixou de exibir os documentos relacionados na “Planilha 1 Documentos não apresentados", em anexo ao relatório fiscal referente ao período de 01/2004 a 12/2007. Os documentos não apresentados dizem respeito a diversos pagamentos contabilizados nas contas: Assistência a empregados, Vale transporte, vale refeição, serviços de terceiros, adiantamento a fornecedores, assistência a empregados etc. Importante, destacar que a lavratura do AI deuse em 11/08/2010, tendo a cientificação ao sujeito passivo ocorrido no dia 31/08/2010. Não conformada com a autuação a recorrente apresentou defesa, fls. 41 a 47 Foi exarada a Decisão de 1 instância que confirmou a procedência do lançamento, fls. 63 a 70. Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/03/2004 a 31/03/2007 AI DEBGAD N° 37.210.0767 I N F R A Ç Ã O À LEGISLAÇÃO PREVIDENCIÁRIA. CF1P. DECLARAÇÃO E M D E S C O N F O R M I D A D E C O M O M A N U A L DE O R I E N T A Ç Ã O . DECADÊNCIA. C E R C E A M E N T O DE DEFESA. NULIDAJDE. PRODUÇÃO D E PROVAS. Não tendo sido esgotado o prazo decadencial, o lançamento pode ser efetuado. Não há que se falar em cerceamento de defesa quando o procedimento fiscal obedece ao princípio da legalidade, sendo prestadas todas as informações necessárias ao sujeito passivo, possibilitando que este exerça plenamente o seu direito à defesa. Estando quantificada em consonância com a legislação aplicável, a multa por descumprimento de obrigação acessória não pode ser afastada ou reduzida. Considerarseão não formulados os pedidos de diligência e perícia quam?; a empresa quesitos r não apresentar os motivos que as justifiquem, a formulação dos diferentes aos exames desejados, e Fl. 92DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 04/04/2014 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA 4 no caso de perícia, o nome, endereço e a qualificação profissional de seu perito. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Não concordando com a decisão do órgão previdenciário, foi interposto recurso pela notificada, conforme fls. 75 a 82 , contendo em síntese os mesmo argumentos da impugnação e dos autos de obrigação principal., quais sejam: 1. O princípio da proporcionalidade ou da razoabilidade, ou ainda, Princípio da Proibição de excesso que! conforme interpretação do Supremo Tribunal Federal, tem sua sede | material na disposição constitucional que determina a observância do devido processo legal substantivo, surgiu com a finalidade de impedir restrições desproporcionais aos direitos fundamentais, seja por atos administrativos, seja por atos legislativos. 2. É o que deve ser aplicado ao caso em discussão. A recorrente deve ser mantida no Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte, bem como do Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições devidos pelas Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte, Simples Nacional, pois a par da falta de registro da movimentação financeira, a mesma é uma microempresa de pequeno porte, e preenche os requisitos necessários para tanto. 3. Aduz que a empresa está dentro do enquadramento legal que lhe permite participar do SIMPLES e SIMPLES NACIONAL e que o critério utilizado pela fiscalização para a exclusão foi exclusivamente subjetivo e desproporcional. Ressalta que em nenhum momento foi detectada a falta de regularidade de suas declarações enquanto empresa integrante dos referidos sistemas. Sustenta que a movimentação bancária não é documento de obrigação principal, mas sim acessória c que por ter apresentado todos os demais documentos obrigatórios, não se pode concluir que houve a intenção de causar embaraço à fiscalização. 4. Requer, ao final, o seu reenquadramento nos sistemas SIMPLES, a suspensão do presente Auto de Infração até o trânsito em julgado do processo administrativo dc exclusão, e que seja declarada a sua nulidade, pois os atos declaratórios executivos n° 031 e 036 não devem prosperar. 5. Afirma que as cobranças e multas aplicadas neste Auto de Infração não são válidas eis que retroagiram em data pretérita à data de exclusão, o que é ilegal. 6. Quanto ao mérito, conforme verificase do auto acima referido destinase a cobrança de multa aplicada por ter a impugnante deixado de exibir documento ou livro relacionados com as contribuições previstas na Lei 8212 de 24/07/91, bem como ter deixado de apresentar a movimentação bancária da empresa. Entendeu o fiscal que a impugnante agiu dolosamente, ao manter a margem da escrituração, sem declarálos a administração pública. 7. Ocorre que totalmente equivocado o entendimento do fisco, eis que em nenhum momento a impugnante agiu dolosamente ou de máfe, fulcro a omitir qualquer informação a administração. Conforme constou da fiscalização a falta de movimentação financeira somente foi apurada naquela ocasião, tendo sido providenciado sua adequação. Contudo, a impugnante apresenotou todos os demais documentos que comprovam que a mesma está dentro das condições exigidas para ser enquadrada no simples. Fl. 93DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 04/04/2014 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 12269.003779/200908 Acórdão n.º 2401003.431 S2C4T1 Fl. 4 5 8. A multa aplicada deve ser anulada, eis que o documento referido no auto de infração não é de demonstração obrigatória principal, mas sim acessória. 9. Por fim, o auto de infração deve ser anulado tendo em vista que não está regularmente formado, consoante determina a lei tributária pertinente a validade dos autos de lançamento. Analisandose o referido auto, observase claramente que não consta a correta disposição legal infringida pela impugnante. No mesmo sentido, o auto de infração não é preciso quanto à irregularidade constatada por ventura da inspeção. Omite se relativa ou parcialmente, ou seja , o fundamento legal da infração supostamente cometida pela autuada, de forma direta, o que inviabiliza, ou no mínimo, torna difícil o exercício pleno do direito de defesa. 10. Caso não seja este o entendimento, o que admite apenas para argumentar alega que deve ser declarada a prescrição dos créditos relativos às competências anteriores a 03/06/2005, eis que ultrapassados cinco anos da data do fato gerador. Cita a Súmula Vinculante n° 08 do STF para ratificar o entendimento do prazo decadencial qüinqüenal. 11. A recorrente requer seja dado provimento ao seu recurso no sentido de ser totalmente julgada procedente a impugnação ora apresentada, declarandose a nulidade do auto de infração ora impugnado, primeiro por conter vícios insanáveis relativos a sua válida constituição , uma vez que não consta a indicação do dispositivo legal infringido, caracterizandose cerceamento de defesa, e segundo, por estar em total desrespeito a lei, não preenchendo os requisitos mínimos para |sua validade, tal como [exigidos pela disposição legal pertinente, e por conseguinte, ver desconstituído o crédito tributário apurado. A DRFB encaminhou o processo para julgamento no âmbito do CARF. É o relatório. Fl. 94DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 04/04/2014 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA 6 Voto Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Relatora PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE: O recurso foi interposto tempestivamente, conforme informação à fl. 75 a 76. Superados os pressupostos, passo as preliminares ao exame do mérito. DAS QUESTÕES PRELIMINARES: Primeiramente, importante mencionar que o presente processo encontrase vinculado ao processo n. 12269003774/200977, onde foi lançada a obrigação principal., parte patronal Convém, ainda, esclarecer que ao contrário dos demais autos de infração em julgamento nesta mesma sessão de julgamento, o presente AI não encontrase prejudicado pelos processos de exclusão do SIMPLES ainda não definitivamente julgados, tendo em vista que a falta imputada, informação a maior em GFIP, independe do recorrente ser ou não optante pelo SIMPLES. Pela mesma razão não serão apreciados os argumentos recursais acerca do enquadramento do SIMPLES, nem mesmos os efeitos da referida exclusão, já que ditos fatos não alteram o lançamento em questão. DA NULIDADE DO LANÇAMENTO Quanto a autuação, o primeiro argumento que merece conhecimento diz respeito a suscitada nulidade, senão vejamos o que disse o recorrente: De outra banda, o auto de infração deve ser anulado tendo em vista que não está regularmente formado, consoante determina a lei tributária pertinente a validade dos autos de lançamento. Analisandose o referido auto, observase claramente que não consta a correta disposição legal infringida pela impugnante. No mesmo sentido, o ato de infração não é preciso quanto à irregularidade constatada por ventura da inspeção. Todavia, os argumentos do recorrente quanto a nulidade pela ausência de fundamentação, ou mesmo esclarecimentos dos fatos geradores não merecem prosperar. Bastanos uma simples leitura do relatório fiscal, fl. 06 e da planilha anexa a fl. 08, para espancar qualquer dúvida do recorrente acerca das faltas imputadas ao recorrente, ou seja, não apenas encontrase suficientemente esclarecidos cada um dos documentos não apresentados, bem como o número do lançamento contábil a que se referiam. Assim, não merece guarida a argumentação do recorrente. Observe, que simplesmente alegar a nulidade, não determina a improcedência do lançamento, se o mesmo encontrase suficientemente claro, permitindo o exercício do contraditório e do amplo direito de defesa. Fl. 95DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 04/04/2014 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 12269.003779/200908 Acórdão n.º 2401003.431 S2C4T1 Fl. 5 7 DECADÊNCIA Quanto a aplicação do prazo decadencial exponho meu entendimento a respeito do tema, concluindo ao final, o dispositivo legal a ser aplicado ao caso concreto. Em primeiro lugar, devemos considerar que se trata de auto de infração, que ao contrário das NFLD, constitui obrigação acessória de “fazer” ou “deixar de fazer”, sendo irrelevante a existência ou não de recolhimentos antecipados. Dessa forma, quanto a aplicação da decadência qüinqüenal, subsumo todo o meu entendimento quanto a legalidade do art. 45 da Lei 8212/91 (10 anos), outrora defendido à decisão do STF. O STF em julgamento proferido em 12 de junho de 2008, declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212/1991, tendo inclusive no intuito de eximir qualquer questionamento quanto ao alcance da referida decisão, editado a Súmula Vinculante de n º 8, senão vejamos: Súmula Vinculante nº 8“São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. O texto constitucional em seu art. 103A deixa claro a extensão dos efeitos da aprovação da súmula vinculando, obrigando toda a administração pública ao cumprimento de seus preceitos. Dessa forma, entendo que este colegiado deverá aplicála de pronto, mesmo nos casos em que não argüida a decadência qüinqüenal por parte dos recorrentes. Assim, prescreve o artigo em questão: Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. Ao declarar a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212, prevalecem as disposições contidas no Código Tributário Nacional – CTN, quanto ao prazo para a autoridade previdenciária constituir os créditos resultantes do inadimplemento de obrigações previdenciárias. O Código Tributário Nacional, ao dispor sobre a decadência, causa extintiva do crédito tributário, nos casos de lançamentos em que não houve antecipação do pagamento assim estabelece em seu artigo 173: "Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; Fl. 96DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 04/04/2014 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA 8 II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento." Já em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, quando ocorre pagamento antecipado inferior ao efetivamente devido, sem que o contribuinte tenha incorrido em fraude, dolo ou simulação, aplicase o disposto no § 4º, do artigo 150, do CTN, segundo o qual, se a lei não fixar prazo à homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador, Senão vejamos o dispositivo legal que descreve essa assertiva: Art.150 O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 1º O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação do lançamento. § 2º Não influem sobre a obrigação tributária quaisquer atos anteriores à homologação, praticados pelo sujeito passivo ou por terceiro, visando à extinção total ou parcial do crédito. § 3º Os atos a que se refere o parágrafo anterior serão, porém considerados na apuração do saldo porventura devido e, sendo o caso, na imposição de penalidade, ou sua graduação. § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. (grifo nosso) Contudo, para que possamos identificar o dispositivo legal a ser aplicado, seja o art. 173 ou art. 150 do CTN, devemos identificar a natureza das contribuições para que, só assim, possamos declarar da maneira devida a decadência de contribuições previdenciárias. No caso, a aplicação do art. 150, § 4º, é possível quando realizado pagamento de contribuições, que em data posterior acabam por ser homologados expressa ou tacitamente. Contudo, conforme descrito anteriormente, tratase de lavratura de Auto de Infração por ter lançado valores a maior na GFIP. Dessa forma, não há que se falar em recolhimento antecipado devendo a decadência ser avaliada a luz do art. 173 do CTN. Ocorre que no caso em questão, o lançamento foi efetuado em 11/08/2010, tendo a cientificação ao sujeito passivo ocorrido no dia 31/08/2010. Os fatos geradores ocorreram entre as competências 01/2004 a 12/2007, sendo assim a luz do art. 173, I do CTN, estariam decadentes as faltas imputadas até 11/2004. Porém, mesmo que parte do lançamento pela não apresentação de documentos esteja decadente, a multa aplicada deve persistir, considerando que tratase de multa única, independente do numero de faltas imputadas. Fl. 97DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 04/04/2014 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 12269.003779/200908 Acórdão n.º 2401003.431 S2C4T1 Fl. 6 9 Superadas as preliminares, passemos a analise do mérito. DO MÉRITO Quanto ao mérito, observase que o recorrente resumiuse a argumentar que não houve a divergência apontada, estando os valores e índices, corretamente lançados. Ora, considerando que durante o contencioso administrativo o julgador deve apreciar os argumentos e provas que demonstrem a improcedência do lançamento, não é possível, atestar as alegações do recorrente quando o mesmo se resume a argumentar de forma genérica, sem nem mesmo colacionar aos autos os documentos que demonstrariam estar incorreta a conclusão apresentada pela autoridade fiscal. O auditor, assim, como já apreciado em sede de preliminar indicou precisamente em uma planilha cada um dos documentos, tornando simples o trabalho do recorrente de contraporse, já que os documentos solicitados foram resultantes de lançamentos contábeis por ele mesmo realizados. Vejamos, trecho da alegação quanto ao mérito da autuação. Conforme verificase do auto acima referido destinase a cobrança de multa aplicada por ter a impugnante deixado de exibir documento ou livro relacionados com as contribuições previstas na Lei 8212 de 24/07/91, bem como ter deixado de apresentar a movimentação bancária da empresa. Entendeu o fiscal que a impugnante agiu dolosamente, ao manter a margem da escrituração, sem declarálos a administração pública. Ocorre que totalmente equivocado o entendimento do fisco, eis que em nenhum momento a impugnante agiu dolosamente ou de máfe, fulcro a omitir qualquer informação a administração. Conforme constou da fiscalização a falta de movimentação financeira somente foi apurada naquela ocasião, tendo sido providenciado sua adequação. Contudo, a impugnante apresenotou todos os demais documentos que comprovam que a mesma está dentro das condições exigidas para ser enquadrada no simples. A multa aplicada deve ser anulada, eis que o documento referido no auto de infração não é de demonstração obrigatória principal, mas sim acessória. Tampouco a de se acatar a argumentação de que não estava obrigado a apresentar os documentos requeridos. Conforme descrito no art. 33, § 2º da Lei n ° 8.212/1991 (que fundamento a autuação), o contribuinte é obrigado a exibir os livros e documentos relacionados com as contribuições previdenciárias, no caso, não apresentou o documentos que consubstanciaram diversos lançamentos contábeis. Vejamos o dispositivo: Art.33. Ao Instituto Nacional do Seguro Social – INSS compete arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar o recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11, bem como as contribuições incidentes a título de substituição; e à Secretaria da Receita Federal – SRF compete arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar o recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas d e Fl. 98DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 04/04/2014 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA 10 e do parágrafo único do art. 11, cabendo a ambos os órgãos, na esfera de sua competência, promover a respectiva cobrança e aplicar as sanções previstas legalmente. (Redação dada pela Lei nº 10.256, de 9/07/2001) (...) § 2º A empresa, o servidor de órgãos públicos da administração direta e indireta, o segurado da Previdência Social, o serventuário da Justiça, o síndico ou seu representante, o comissário e o liqüidante de empresa em liquidação judicial ou extrajudicial são obrigados a exibir todos os documentos e livros relacionados com as contribuições previstas nesta Lei. Durante o procedimento o contribuinte é intimado a apresentar os documentos que determinam a sua regularidade em relação as contribuições previdenciárias dos segurados pessoas físicas contratados para lhe prestar serviços, justamente para verificar se referidos documento possuem pertinência com a contribuição previdenciária. A AuditoraFiscal agiu de acordo com a norma aplicável, e não poderia deixar de fazêlo, uma vez que sua atividade é vinculada. Destacase que as obrigações acessórias são impostas aos sujeitos passivos como forma de auxiliar e facilitar a ação fiscal. Por meio das obrigações acessórias a fiscalização conseguirá verificar se a obrigação principal foi cumprida. Como é de conhecimento, a obrigação acessória é decorrente da legislação tributária e não apenas da lei em sentido estrito, conforme dispõe o art. 113, § 2º do CTN, nestas palavras: Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. § 2º A obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. § 3º A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária. Conforme descrito no art. 96 do CTN, a legislação engloba não apenas as leis, os tratados e as convenções internacionais, os decretos, mas também as normas complementares que versem, no todo ou em parte, sobre tributos e relações jurídicas a eles pertinentes. Assim, foi correta a aplicação do auto de infração pelo órgão previdenciário. O relatório fiscal, indicou de maneira clara e precisa todos os fatos ocorridos, havendo subsunção destes à norma prevista na Lei n ° 8.212/1991. Os valores aplicados em auto de infração pela omissão justificamse pelo fato da importância dos esclarecimentos para administração previdenciária. As informações prestadas auxiliarão na fiscalização das contribuições arrecadadas em prol da Previdência Social. Fl. 99DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 04/04/2014 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 12269.003779/200908 Acórdão n.º 2401003.431 S2C4T1 Fl. 7 11 Vale destacar, ainda, que a responsabilidade pela infração tributária é em regra objetiva, isto é independe de culpa ou dolo, ou das circunstâncias que geraram o descumprimento da legislação, dessa forma, indiferente a argumentação de que não agiu de máfe. Assim, não tendo o recorrente, afastado a falta que lhe foi imputada, demonstrando a apresentação dos documentos, deve ser determinada a procedência da autuação. CONCLUSÃO: Voto pela CONHECIMENTO DO RECURSO, para rejeitar a preliminar de nulidade, rejeitar a preliminar de decadência e no mérito NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto. Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira. Fl. 100DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 04/04/2014 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA
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