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Numero do processo: 13932.720018/2013-85
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 26 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Apr 17 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 2002-000.081
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência para que a Unidade de origem: 1) confirme o domicílio tributário do recorrente constante dos cadastros da RFB por ocasião de sua intimação, em fevereiro em 2015; 2) informe em que data e de que forma se deu a alteração para o domicílio indicado à fl.56 e 3) intime o recorrente da diligência realizada e de seu resultado, reabrindo prazo para sua manifestação sobre os fatos apurados. Posteriormente, retornem-se os autos ao CARF para prosseguimento.
(assinado digitalmente)
Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente e Relatora
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil. Ausente a conselheira Mônica Renata Mello Ferreira Stoll.
Nome do relator: CLAUDIA CRISTINA NOIRA PASSOS DA COSTA DEVELLY MONTEZ
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência para que a Unidade de origem: 1) confirme o domicílio tributário do recorrente constante dos cadastros da RFB por ocasião de sua intimação, em fevereiro em 2015; 2) informe em que data e de que forma se deu a alteração para o domicílio indicado à fl.56 e 3) intime o recorrente da diligência realizada e de seu resultado, reabrindo prazo para sua manifestação sobre os fatos apurados. Posteriormente, retornem-se os autos ao CARF para prosseguimento. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente e Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil. Ausente a conselheira Mônica Renata Mello Ferreira Stoll.
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência para que a Unidade de origem: 1) confirme o domicílio tributário do recorrente constante dos cadastros da RFB por ocasião de sua intimação, em fevereiro em 2015; 2) informe em que data e de que forma se deu a alteração para o domicílio indicado à fl.56 e 3) intime o recorrente da diligência realizada e de seu resultado, reabrindo prazo para sua manifestação sobre os fatos apurados. Posteriormente, retornemse os autos ao CARF para prosseguimento. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente e Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil. Ausente a conselheira Mônica Renata Mello Ferreira Stoll. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 39 32 .7 20 01 8/ 20 13 -8 5 Fl. 59DF CARF MF Processo nº 13932.720018/201385 Resolução nº 2002000.081 S2C0T2 Fl. 60 2 Relatório Notificação de Lançamento Trata o presente processo de notificação de lançamento – NL (fls. 14/17), relativo a imposto de renda da pessoa física, pela qual se procedeu a alterações na declaração de ajuste anual do contribuinte acima identificado, relativa ao exercício de 2010. A autuação implicou na alteração do resultado apurado de saldo de imposto a restituir declarado de R$2.832,35 para saldo de imposto a pagar de R$4.587,15. A NL noticia dedução indevida de pensão alimentícia judicial e/ou por escritura pública (fl.15). Impugnação Cientificada ao contribuinte, a NL foi objeto de impugnação, em 17/4/2013, às fls. 2/22 dos autos, na qual o contribuinte informou que, tendo comparecido à RFB, teria sido orientado a dirigirse ao Cartório e declarar em Escritura Pública o pagamento da pensão. Ressalta que já havia se separado a mais de 08 anos, sendo que a pensão jamais deixou de ser paga. Informou ainda que nunca houve a separação de bens ou de corpos, pois houve apenas a legalidade da união através do tempo em que conviveram juntos. A impugnação foi apreciada na 3ª Turma da DRJ/BSB que, por unanimidade, julgoua improcedente, em decisão assim ementada (fls. 33/39): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2010 IRPF. PENSÃO ALIMENTÍCIA. SEPARAÇÃO CONSENSUAL. ESCRITURA PÚBLICA. DEDUÇÃO. A partir de 5 de janeiro de 2007, são dedutíveis os valores da base de cálculo do imposto de renda de pessoa física pagos a título de pensão alimentícia firmada em Cartório, quando em cumprimento de separação consensual feita por Escritura Pública a que se refere o artigo 1.124A do Código de Processo Civil (CPC). Recurso voluntário Ciente do acórdão de impugnação, o contribuinte apresentou, em 26/5/2015 (fl.50), recurso voluntário (fl. 50), no qual alega não ter sido cientificado do acórdão de impugnação. Ressalta que, juntamente com cópia da escritura pública, teria enviado comprovantes dos depósitos efetuados. Reitera os argumentos de sua impugnação. Voto Conselheira Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Relatora Do exame dos autos, constatase que a intimação ao recorrente do resultado do julgamento de primeira instância teria se dado por meio do edital de fl. 47, após a Fl. 60DF CARF MF Processo nº 13932.720018/201385 Resolução nº 2002000.081 S2C0T2 Fl. 61 3 correspondência encaminhada ao seu domicílio tributário ter sido devolvida pela Empresa de Correios e Telégrafos (fls.43/46). A correspondência foi encaminhada para o endereço consignado à fl. 41. Posteriormente, em seu recurso, o recorrente indica um outro domicílio, o qual está consignado em seu cadastro de fl.56, em consulta datada de 6/6/2016. Isto posto, para que se possa analisar a regularidade da ciência do contribuinte quanto à decisão de primeira instância, voto por converter o julgamento em diligência para que a Unidade de origem: 1) confirme o domicílio tributário do recorrente constante dos cadastros da RFB por ocasião de sua intimação, em fevereiro em 2015. 2) informe em que data e de que forma se deu a alteração para o domicílio indicado à fl.56. 3) intime o recorrente da diligência realizada e de seu resultado, reabrindo prazo para sua manifestação sobre os fatos apurados. Posteriormente, os autos devem retornar ao CARF para prosseguimento. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Fl. 61DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10783.906111/2015-18
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 30 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Mar 07 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 31/03/2012
ÔNUS DA PROVA. PRECLUSÃO. RETIFICAÇÃO DE DCTF DESACOMPANHADA DE PROVAS CONTÁBEIS E DOCUMENTAIS QUE SUSTENTEM A ALTERAÇÃO. MOMENTO PROCESSUAL.
No processo administrativo fiscal o momento legalmente previsto para a juntada dos documentos comprobatórios do direito do Recorrente é o da apresentação da Impugnação ou Manifestação de Inconformidade, salvo as hipóteses legalmente previstas que autorizam a sua apresentação extemporânea, notadamente quando por qualquer razão era impossível que ela fosse produzida no momento adequado.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3302-006.496
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède e Jorge Lima Abud que convertiam o julgamento em diligência. O Conselheiro Corintho Oliveira Machado votou pelas conclusões por entender necessária a retificação da DCTF antes do despacho decisório.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Corintho Oliveira Machado, Walker Araújo, José Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud e Raphael Madeira Abad. Ausente o Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 31/03/2012 ÔNUS DA PROVA. PRECLUSÃO. RETIFICAÇÃO DE DCTF DESACOMPANHADA DE PROVAS CONTÁBEIS E DOCUMENTAIS QUE SUSTENTEM A ALTERAÇÃO. MOMENTO PROCESSUAL. No processo administrativo fiscal o momento legalmente previsto para a juntada dos documentos comprobatórios do direito do Recorrente é o da apresentação da Impugnação ou Manifestação de Inconformidade, salvo as hipóteses legalmente previstas que autorizam a sua apresentação extemporânea, notadamente quando por qualquer razão era impossível que ela fosse produzida no momento adequado. Recurso Voluntário Negado
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède e Jorge Lima Abud que convertiam o julgamento em diligência. O Conselheiro Corintho Oliveira Machado votou pelas conclusões por entender necessária a retificação da DCTF antes do despacho decisório. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Corintho Oliveira Machado, Walker Araújo, José Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud e Raphael Madeira Abad. Ausente o Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 31/03/2012 ÔNUS DA PROVA. PRECLUSÃO. RETIFICAÇÃO DE DCTF DESACOMPANHADA DE PROVAS CONTÁBEIS E DOCUMENTAIS QUE SUSTENTEM A ALTERAÇÃO. MOMENTO PROCESSUAL. No processo administrativo fiscal o momento legalmente previsto para a juntada dos documentos comprobatórios do direito do Recorrente é o da apresentação da Impugnação ou Manifestação de Inconformidade, salvo as hipóteses legalmente previstas que autorizam a sua apresentação extemporânea, notadamente quando por qualquer razão era impossível que ela fosse produzida no momento adequado. Recurso Voluntário Negado Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède e Jorge Lima Abud que convertiam o julgamento em diligência. O Conselheiro Corintho Oliveira Machado votou pelas conclusões por entender necessária a retificação da DCTF antes do despacho decisório. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Corintho Oliveira Machado, Walker Araújo, José Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud e Raphael Madeira Abad. Ausente o Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 78 3. 90 61 11 /2 01 5- 18 Fl. 126DF CARF MF Processo nº 10783.906111/201518 Acórdão n.º 3302006.496 S3C3T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada, mantendo a decisão da repartição de origem de não homologação da compensação declarada, em razão do fato de que o pagamento informado já havia sido utilizado para quitar débitos do contribuinte. Em sua Manifestação de Inconformidade, o contribuinte requereu o reconhecimento do seu direito, alegando que aufere receita de venda de massas alimentícias classificadas na posição 19.02, com alíquota reduzida a zero pelo inciso XVIII do artigo 1º da Lei nº 10.925/2004 e receita de venda de águas, cerveja de malte, cerveja sem álcool e refrigerantes, sujeita à alíquota zero pela Lei nº 10.833/2003 e que, por alguma falha, não retificou a DCTF antes do despacho decisório, fazendoa apenas após a ciência do referido e juntandoa na impugnação. A Delegacia de Julgamento (DRJ), por meio do acórdão nº 14065.012, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, por falta de comprovação da liquidez e certeza do crédito pleiteado. Cientificado da decisão de primeira instância, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário, alegando a nulidade do PAF por violação do devido processo legal, ante a ausência de diligência fiscal para se comprovar o direito creditório. No mérito, reiterou que auferiu receitas de venda de massas alimentícias sujeitas à alíquota zero, requerendo diligência, ao final, para análise da documentação juntada aos autos. É o relatório. Voto Paulo Guilherme Déroulède, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido no Acórdão nº 3302006.493, de 30/01/2019, proferida no julgamento do processo nº 10783.906110/201565, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 3302006.493): O recurso atende aos pressupostos de admissibilidade e dele tomo conhecimento. Preliminarmente, a recorrente pede a nulidade do PAF pelo fato de a autoridade julgadora não ter determinado, de ofício, a realização de diligências, conforme artigo 18 do Decreto nº 70.235/1972. Fl. 127DF CARF MF Processo nº 10783.906111/201518 Acórdão n.º 3302006.496 S3C3T2 Fl. 4 3 Todavia, não assiste razão à recorrente. O Decreto nº 70.235/72 dispôs sobre as nulidades em seu artigo 59, nos seguintes termos: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) No caso, o despacho decisório foi fundamentado na utilização integral do crédito para extinguir débitos espontaneamente declarados, cuja retificação ocorreu apenas posteriormente à ciência do despacho decisório. Já quanto à não realização da diligência, não há obrigatoriedade por parte do julgador em determinálas, mas, sim, faculdade, quando entender necessárias. O artigo 29 do referido decreto esclarece: Art. 29. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias. Assim, a faculdade está inserta dentro da livre convicção do julgador na apreciação da prova, ou, no caso, de sua ausência, já que a retificação da DCTF pressupõe a prova inequívoca da ocorrência de erro de fato, conforme §3º1 do artigo 9º da Instrução Normativa RFB nº 1.599/2015, mencionada na decisão atacada, ônus do qual a recorrente não se desincumbiu, pois nada apresentou em manifestação de inconformidade. Salientase, inclusive, que nem a própria recorrente requereu a realização de diligência. Assim, afasto a preliminar arguida. (...) Em relação à possibilidade de retificação da DCTF, o CARF, por diversas oportunidades já manifestouse no sentido de que é possível a retificação da DCTF mesmo após o despacho decisório, desde que juntamente com a retificação sejam trazidos aos autos os documentos comprobatórios da veracidade das informações prestadas na referida declaração. "Não é líquido e certo crédito decorrente de pagamento informado como indevido ou a maior, se o pagamento consta nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil como utilizado integralmente para quitar débito informado em DCTF e a contribuinte não prova com documentos e livros fiscais e contábeis erro na DCTF." (Acórdão nº 3801¬002.926, Rel. Cons. Paulo 1 § 3º A retificação de valores informados na DCTF, que resulte em alteração do montante do débito já enviado à PGFN para inscrição em DAU ou de débito que tenha sido objeto de exame em procedimento de fiscalização, somente poderá ser efetuada pela RFB nos casos em que houver prova inequívoca da ocorrência de erro de fato no preenchimento da declaração e enquanto não extinto o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário correspondente àquela declaração. Fl. 128DF CARF MF Processo nº 10783.906111/201518 Acórdão n.º 3302006.496 S3C3T2 Fl. 5 4 Antonio Caliendo Velloso da Silveira, Sessão de 25/02/2014) (grifou se)http://normas.receita.fazenda.gov.br/sijut2consulta/anexoOutros.action?idArq uivoBinario=0 Aliás, este foi o teor da Solução de Consulta n.02/2015, cujo fragmento abaixo transcrevese. "2 Em caso positivo, a retificação da DCTF, sozinha, é suficiente para a comprovação do pagamento indevido ou a maior? Se a retificação da DCTF for suficiente, há um limite temporal para que ela produza os efeitos de uma declaração original (antes da ciência do despacho decisório, a qualquer tempo ou antes de 5 anos do fato gerador)? a. Não, a DCTF por si só não é suficiente para a comprovação do pagamento indevido ou a maior. É necessário que os valores informados na DCTF estejam coerentes com outras declarações enviadas à RFB, a exemplo da DIPJ, Dacon, DIRF, em cada caso, ou confirmados por documentos fiscais ou contábeis acostados aos autos. Isso porque a existência de crédito líquido e certo é requisito legal para a concessão da compensação (CTN, art. 170). A divergência entre os valores informados na DCTF em relação a outras declarações não elidida por provas, afasta a certeza do crédito e é razão suficiente para o indeferimento da compensação." No caso concreto a Manifestação de Inconformidade da Recorrente limitouse a afirmar que "Não concordamos com a cobrança do saldo devedor no valor de (...) mais multa e juros por considerar que o débito já fora totalmente quitado, bem como, a compensação efetivamente correta por tudo já exposto acima. Estão anexados a esta Manifestação de Inconformidade os seguintes documentos: Cópia da última alteração contratual consolidada, despacho decisório (...), Recibo da PER DCOMP, DCTF refiticadora, cópia da procuração e cópia da identificação do procurador." Como se percebe pelo afirmado na própria Manifestação de Inconformidade e pela análise das peças processuais, a Recorrente não se desincumbiu do ônus de, no momento processual adequado e legalmente previsto para tanto, trazer aos autos provas do crédito alegado. Como bem salientou o Acórdão proferido pela DRJ, a alteração da DCTF ocorreu após a ciência do despacho decisório, sem que, contudo, houvessem sido trazidos aos autos as notas fiscais e os lançamentos contábeis que comprovassem os fundamentos fáticos para a alteração da DCTF. "Deste modo, a retificação pretendida, conforme somente poderia ser aceita se o recorrente tivesse apresentado a documentação comprobatória da existência do pagamento a maior, verificandose a exatidão das informações a ele referentes, confrontandoas com os registros contábeis e fiscais, para que se pudesse conhecer o valor do tributo devido e para que fosse comparado ao recolhimento efetuado. Ressalto que o reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige a apuração da liquidez e certeza do suposto pagamento indevido ou a maior de tributo; tratando o presente caso de declaração de compensação, de interesse do contribuinte, cabe a ele o ônus comprobatório. Contudo, o interessado limitouse a retificar a DCTF, sem apresentar qualquer documento que lastreasse sua argumentação, restando impedida a convalidação Fl. 129DF CARF MF Processo nº 10783.906111/201518 Acórdão n.º 3302006.496 S3C3T2 Fl. 6 5 da declaração retificadora apresentada pelo contribuinte e, conseqüentemente, prejudicada a análise da liquidez e certeza do direito creditório." Não há dúvidas que a busca da verdade material é um princípio norteador do Processo Administrativo fiscal. Contudo, ao lado dele, também de matiz constitucional está o princípio da legalidade, que obriga a todos, especialmente à Administração pública, da qual este Colegiado integra, a obediência as normas legais vigentes, merecendo destaque o Decreto 70.235 estabeleceu o momento da prática dos atos, sob pena ainda de se atentar ainda contra outro princípio constitucional, qual seja o da duração razoável do processo. O referido Decreto especifica objetivamente o momento da produção das provas no seu artigo 16. "Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir;" O próprio Decreto 70.235, no mesmo artigo 16 especifica as hipóteses em que é possível a produção posterior de provas, o que faz de forma taxativa. "§ 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. § 5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. § 6º Caso já tenha sido proferida a decisão, os documentos apresentados permanecerão nos autos para, se for interposto recurso, serem apreciados pela autoridade julgadora de segunda instância". É certo que este colegiado admite a juntada de provas em sede recursal, contudo apenas nos casos em que o Recorrente tenha demonstrado, na Impugnação, ou Manifestação de Inconformidade, como é o caso, a impossibilidade de se trazer aquela prova no momento oportuno (Impugnação ou Manifestação de Inconformidade), o que definitivamente não ocorreu no caso concreto. Admitirse deliberadamente a produção probatória na fase recursal subverteria todo o rito processual e geraria duas consequências indesejáveis (i) caso fosse determinado que o feito retornasse à instância original, implicaria uma perpetuação do processo e, (ii) caso as provas fossem apreciadas pelo CARF sem que tivessem sido analisadas pela DRJ, geraria indesejável supressão de instância e, em ambos os casos, representaria afronta direta ao texto legal que rege o processo administrativo fiscal. Por estes motivos, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário. Fl. 130DF CARF MF Processo nº 10783.906111/201518 Acórdão n.º 3302006.496 S3C3T2 Fl. 7 6 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 131DF CARF MF
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Numero do processo: 10640.721511/2014-91
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Jan 23 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Mar 28 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/06/2009 a 30/04/2014
CLASSIFICAÇÃO FISCAL. LAMINADOS PLANOS DE FERRO OU AÇO. POSIÇÃO 7211.
Os produtos industrializados pelo estabelecimento identificados como "BARRA CHATA 1/2 x 3/16" e "BARRA CHATA 5/8 x 3/16" não poderiam ter sido classificados no Código NCM 7214.91.00, que contempla os produtos definidos como "Barras de ferro ou aço" (alínea m da Nota 1 do Capítulo 72 da TIPI), pois tais produtos possuem espessura igual a 4,76 mm e largura superior a duas vezes essa espessura, fato que os enquadra na posição 7211 (Produtos laminados planos, de ferro ou aço não ligado, de largura inferior a 600 mm, não folheados ou chapeados, nem revestidos), consoante alínea k da Nota 1 do capítulo 72, a qual estabelece a definição de "Produtos Laminados Planos", classificados na posição 7211 como: produtos laminados, maciços de seção transversal retangular, que não satisfaçam à definição da Nota 1-ij, em rolos de espiras sobrepostas, ou não enrolados , de largura igual a pelo menos dez vezes a espessura, quando esta for inferior a 4,75 mm, ou de largura superior a 150 mm ou a pelo menos duas vezes a espessura, quando esta for igual ou superior a 4,75 mm.
ADEQUAÇÃO NA TIPI PROMOVIDA POR ATO DA RECEITA FEDERAL QUE IMPLIQUE ALTERAÇÃO DE ALÍQUOTA. EFEITOS RETROATIVOS. INEXISTÊNCIA.
As adequações às quais a Receita Federal é autorizada a promover na TIPI, pelo Decreto que a aprovou, só têm efeitos retroativos se não implicarem alteração de alíquota (art. 4º do Decreto nº 7.660/2011 e art. 4º do Decreto nº 8.950/2016).
DIREITO AO CRÉDITO. MATERIAIS REFRATÁRIOS. INEXISTÊNCIA.
Somente são considerados produtos intermediários aqueles que, em contato com o produto, sofram desgaste no processo industrial, o que não abrange os produtos incorporados às instalações industriais, as partes, peças e acessórios de máquinas, equipamentos e ferramentas, ainda que se desgastem ou se consumam no decorrer do processo de industrialização. Assim, não geram direito a crédito os materiais refratários, pois não se caracterizam como tal.
JUROS SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA.
Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício (Súmula CARF nº 108).
Numero da decisão: 9303-007.865
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que não conheceram do recurso. No mérito, por voto de qualidade, acordam em dar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe deram provimento parcial. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por voto de qualidade, em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe deram provimento. Julgamento iniciado na reunião de 10/2018.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/06/2009 a 30/04/2014 CLASSIFICAÇÃO FISCAL. LAMINADOS PLANOS DE FERRO OU AÇO. POSIÇÃO 7211. Os produtos industrializados pelo estabelecimento identificados como "BARRA CHATA 1/2 x 3/16" e "BARRA CHATA 5/8 x 3/16" não poderiam ter sido classificados no Código NCM 7214.91.00, que contempla os produtos definidos como "Barras de ferro ou aço" (alínea m da Nota 1 do Capítulo 72 da TIPI), pois tais produtos possuem espessura igual a 4,76 mm e largura superior a duas vezes essa espessura, fato que os enquadra na posição 7211 (Produtos laminados planos, de ferro ou aço não ligado, de largura inferior a 600 mm, não folheados ou chapeados, nem revestidos), consoante alínea k da Nota 1 do capítulo 72, a qual estabelece a definição de "Produtos Laminados Planos", classificados na posição 7211 como: produtos laminados, maciços de seção transversal retangular, que não satisfaçam à definição da Nota 1ij, em rolos de espiras sobrepostas, ou não enrolados , de largura igual a pelo menos dez vezes a espessura, quando esta for inferior a 4,75 mm, ou de largura superior a 150 mm ou a pelo menos duas vezes a espessura, quando esta for igual ou superior a 4,75 mm. ADEQUAÇÃO NA TIPI PROMOVIDA POR ATO DA RECEITA FEDERAL QUE IMPLIQUE ALTERAÇÃO DE ALÍQUOTA. EFEITOS RETROATIVOS. INEXISTÊNCIA. As adequações às quais a Receita Federal é autorizada a promover na TIPI, pelo Decreto que a aprovou, só têm efeitos retroativos se não implicarem alteração de alíquota (art. 4º do Decreto nº 7.660/2011 e art. 4º do Decreto nº 8.950/2016). DIREITO AO CRÉDITO. MATERIAIS REFRATÁRIOS. INEXISTÊNCIA. Somente são considerados produtos intermediários aqueles que, em contato com o produto, sofram desgaste no processo industrial, o que não abrange os AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 64 0. 72 15 11 /2 01 4- 91 Fl. 1097DF CARF MF Processo nº 10640.721511/201491 Acórdão n.º 9303007.865 CSRFT3 Fl. 1.098 2 produtos incorporados às instalações industriais, as partes, peças e acessórios de máquinas, equipamentos e ferramentas, ainda que se desgastem ou se consumam no decorrer do processo de industrialização. Assim, não geram direito a crédito os materiais refratários, pois não se caracterizam como tal. JUROS SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA. Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício (Súmula CARF nº 108). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que não conheceram do recurso. No mérito, por voto de qualidade, acordam em darlhe provimento, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe deram provimento parcial. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por voto de qualidade, em negar lhe provimento, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe deram provimento. Julgamento iniciado na reunião de 10/2018. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas. Relatório Tratase de Recursos Especiais de Divergência, interpostos pela Procuradoria da Fazenda Nacional (fls. 863 a 886) e pelo contribuinte (fls. 959 a 974), contra o Acórdão 3402003.804, proferido pela 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento do CARF (fls. 824 a 861), sob a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/06/2009 a 30/04/2014 CLASSIFICAÇÃO FISCAL BARRAS CHATAS. Os produtos laminados planos, nos termos da Nota 1K do Capítulo 72 da TIPI, não enrolados e que possuam dimensões, largura e espessura, que se correlacionem do seguinte modo: largura igual a pelo menos dez vezes a espessura, se esta for inferior a 4,75 mm, ou de uma largura superior a 150 mm, se a Fl. 1098DF CARF MF Processo nº 10640.721511/201491 Acórdão n.º 9303007.865 CSRFT3 Fl. 1.099 3 espessura for igual ou superior a 4,75 mm sem, no entanto, exceder a metade da largura. Os produtos que não satisfaçam a qualquer das definições constantes das alíneas ij), k) ou l) do Capítulo 72 da TIPI, nem à definição de fios e cuja seção transversal, maciça e constante em todo o comprimento, tenha a forma de círculo, de segmento circular, oval, de quadrado, retângulo, triângulo ou de outros polígonos convexos (incluindo os “círculos achatados” e os “retângulos modificados”, nos quais dois lados opostos tenham a forma de arco de círculo convexo, sendo os outros dois retilíneos, iguais e paralelos), deverá ser classificado como "Barra", na posição 72.14 da TIPI. DIREITO DE CRÉDITO. MATERIAIS REFRATÁRIOS. Somente são considerados produtos intermediários aqueles que, em contato com o produto, sofram desgaste no processo industrial, o que não abrange os produtos incorporados às instalações industriais, as partes, peças e acessórios de máquinas, equipamentos e ferramentas, ainda que se desgastem ou se consumam no decorrer do processo de industrialização. Assim, é de ser mantida a glosa dos materiais refratários, os quais não se caracterizam como produtos intermediários. APROVEITAMENTO DE CRÉDITOS. O fisco deve considerar os créditos regulares na recomposição da conta gráfica, e, em apurandose diferenças, decorrentes de pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão da exigibilidade, indevidos ou não comprovados, exigilas, desde que dentro do prazo decadencial, através de auto de infração. MULTA DE OFÍCIO NATUREZA CONFISCATÓRIA Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. NÃO INCIDÊNCIA. Não há base legal para a incidência de juros sobre multa de ofício. Recurso parcialmente provido. Ao Recurso Especial da Fazenda Nacional – no qual é contestada (i) a classificação fiscal adotada pelo contribuinte para as “barras metálicas” (7214.91.00 alíquota zero), quando a Fiscalização entendeu deveria sêlo na Posição 7211 alíquota 5 %, bem como (ii) a não incidência de juros sobre a multa de ofício – foi dado seguimento (fls. 888 a 895). O contribuinte apresentou Contrarrazões (fls. 923 a 945), nas quais pugna, inicialmente pelo não conhecimento do Recurso Especial, pois a PGFN teria se utilizado de um paradigma anacrônico, já que o Acórdão recorrido, no Voto Vencedor, tomou por base legislação já alterada, no que tange diretamente ao assunto (pelo art. 3º do Ato Declaratório Executivo RFB nº 6/2014, com eficácia a partir de 30/10/2014), enquanto, tanto o Voto Fl. 1099DF CARF MF Processo nº 10640.721511/201491 Acórdão n.º 9303007.865 CSRFT3 Fl. 1.100 4 Vencido como o paradigma, utilizaramse da legislação ainda sem as mudanças trazidas pelo referido ADE, sendo que, na sua visão, estas alterações na TIPI sempre teriam efeitos retroativos, por serem expressamente interpretativas (toma por base o art. 4º, parágrafo único, do Decreto nº 8.950/2016, que remete ao art. 106, I, do CTN). Ao Recurso Especial do contribuinte, questionando o não reconhecimento ao creditamento do IPI no caso dos materiais refratários utilizados no processo produtivo siderúrgico, também foi dado seguimento (fls. 1.056 a 1.063). A PGFN apresentou Contrarrazões (fls. 1.065 a 1.073). É o Relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator Quanto ao conhecimento do Recurso Especial da Fazenda Nacional, não se discute que o ADE/RFB nº 6/2014, em seu art. 3º (que remete ao Anexo III), promoveu alterações que espelham o contraponto entre o Voto Vencedor e o Voto Vencido do acórdão recorrido (este último em consonância com o Voto Vencedor do paradigma). Mas, como já dito, aquele ADE, conforme expressamente consignado no seu art. 5º, só passou a produzir efeitos a partir de 30/10/2014, e a infração inerente à classificação fiscal/alíquota só atinge fatos geradores até dezembro de 2013 (fls. 182 e 183). No que tange à retroatividade das alterações trazidas pela Receita Federal na TIPI, vejamos precisamente o que diz o Decreto nº 8.950/2016 (que aprovou a TIPI atualmente vigente): Art. 1º Fica aprovada a Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados TIPI, anexa a este Decreto. Art. 2º A TIPI tem por base a Nomenclatura Comum do Mercosul NCM. (...) Art. 4º Fica a Secretaria da Receita Federal do Brasil RFB autorizada a adequar a TIPI, sempre que não implicar alteração de alíquota, em decorrência de alterações promovidas na NCM pela Resolução nº 125, de 15 de dezembro de 2016, da Câmara de Comércio Exterior Camex. Parágrafo único. Aplicase ao ato de adequação editado pela RFB o disposto no inciso I do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional. Incontestável, então, é que as "adequações" trazidas por ato da Receita Federal na TIPI só terão efeitos retroativos se não implicarem alteração de alíquota (o que se deu, no caso concreto). Fl. 1100DF CARF MF Processo nº 10640.721511/201491 Acórdão n.º 9303007.865 CSRFT3 Fl. 1.101 5 O mesmo se verifica nos Decretos que aprovaram as duas TIPI anteriores: Decreto nº 7.660/2011 (Base para o ADE/RFB nº 6/2014): Art. 4º Fica a Secretaria da Receita Federal do Brasil autorizada a adequar a TIPI, sempre que não implicar alteração de alíquota, em decorrência de alterações promovidas na NCM pela Câmara de Comércio Exterior CAMEX. Parágrafo único. Aplicase ao ato de adequação referido no caput o disposto no inciso I do caput do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional CTN. Decreto nº 6.006/2006: Art. 5º Fica a Secretaria da Receita Federal autorizada a adequar a TIPI, sempre que não implicar alteração de alíquota, em decorrência de alterações promovidas na NCM, pela Câmara de Comércio Exterior CAMEX, ao amparo do disposto no art. 2º, inciso III, alínea “c”, do Decreto nº 4.732, de 10 de junho de 2003. Parágrafo único. Aplicase ao ato de adequação o disposto no art. 106, inciso I, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional CTN. E não poderia ser diferente. A Constituição Federal, em caráter excepcional, faculta ao Poder Executivo, atendidas as condições e os limites estabelecidos em lei, alterar as alíquotas do IPI e, quando nossa Carta Magna dá competência ao Poder Executivo, está a falar em Decreto, e não em norma, de qualquer natureza, exarada pelos seus Órgãos. Por fim, no que se refere ao conhecimento, tratando agora – apenas para que não se diga que o assunto não foi enfrentado – do Acórdão utilizado nas Contrarrazões como referência para tentar mostrar que o trazido pela PGFN em seu Recurso Especial seria anacrônico (nº 9202005.557, de 27/06/2017 – época em que o Dr. Luiz Eduardo de Oliveira Santos ainda era o Presidente em exercício da 2ª Turma da CSRF), apesar de a Ementa dar a entender que o exemplo é aplicável, não o é, pois, lendo o Voto Condutor, o “arcabouço normativo” a que ela se refere é um Ato Declaratório da PGFN dispensando a interposição de recursos relativos a uma causa previdenciária vencida. Exemplo: O Acórdão recorrido deu o Crédito Presumido do IPI (da Lei nº 9.363/96) nas aquisições de pessoas físicas, e a PGFN recorre, apresentando um paradigma anterior a uma norma da própria PGFN desistindo de contestar o creditamento judicialmente, e que vincula a RFB. O caso em discussão, como visto, é manifestamente diverso. Conclusão: Os fatos geradores do acórdão recorrido e do paradigma estavam submetidos à mesma redação da TIPI, sendo que no recorrido adotouse a posição 7214 e no paradigma a posição 7211, para os mesmos produtos. A divergência está devidamente caracterizada. Fl. 1101DF CARF MF Processo nº 10640.721511/201491 Acórdão n.º 9303007.865 CSRFT3 Fl. 1.102 6 Assim, preenchidos todos os requisitos e respeitadas as formalidades regimentais, conheço de ambos os Recursos Especiais. No mérito, nos foram trazidas à apreciação três questões (colocarei nesta ordem, pois será a adotada em meu Voto): (i) incidência de juros sobre a multa de ofício, (ii) direito ou não ao creditamento do IPI para os materiais refratários utilizados no processo produtivo siderúrgico e (iii) classificação fiscal adotada para as “barras metálicas”. 1) Iniciemos pelo tópico para o qual não cabe mais discussão nesta Corte (juros sobre a multa de ofício), pois existe Súmula do CARF a respeito: Súmula CARF nº 108: Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício. 2) Classificação fiscal das “barras metálicas”. Recorro aqui novamente ao mais que abrangente conhecimento do Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire, agora para adotar como razões de decidir não um Voto Vencedor, mas sim o Voto Vencido do Acórdão recorrido, pois detalhar e fundamentar o que já foi tão bem detalhado e fundamentado, sem ter o que acrescentar de relevante, seria inócuo: Gizese, inicialmente, que de acordo com o RIPI, a classificação fiscal das mercadorias se materializa em um dos códigos da Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM), que tem por base o Sistema Harmonizado de Designação e de Codificação de Mercadorias, adotado pelo Brasil por meio do Decreto n° 97.409/1988, de 23/12/1988, DOU de 27/12/1888. De sua feita, o código é obtido mediante a aplicação das Regras Gerais para Interpretação do Sistema Harmonizado (RGI), das Regras Gerais Complementares (RGC) e notas complementares, todas da Nomenclatura Comum do Mercosul. E, de forma subsidiária, pelas normas explicativas do Sistema Harmonizado (NESH) de Designação e de Codificação de Mercadorias, assim como as Notas de Seção, Capítulo, posições e subposições da Nomenclatura do Sistema Harmonizado. Portanto, a atividade de definição de classificação fiscal é de natureza tributária, vale dizer, consiste na aplicação da norma tributária ao fato. Portanto, livre está o auditor fiscal para formar sua convicção a respeito, em que pese ser seu dever cercarse do maior número de informações técnicas, mas nunca podendo ir de encontro à sistemática normativa para a classificação fiscal de mercadorias. Segundo a NESH na presente subposição 7211.90 abrange: os produtos semelhantes aos referidos nas posições 72.08 e 72.09, com a diferença, todavia, de terem uma largura inferior a 600 mm. As disposições das posições 72.08 e 72.09 aplicamse, mutatis mutandis, aos produtos da presente posição, com exceção das relativas à largura (ver também as Considerações Gerais do presente Capítulo). Entre os produtos aqui incluídos, podem citarse as chapas universais (placas*), com uma largura superior a 150 mm mas inferior a 600 mm, e as folhas e tiras. Fl. 1102DF CARF MF Processo nº 10640.721511/201491 Acórdão n.º 9303007.865 CSRFT3 Fl. 1.103 7 As folhas e tiras são normalmente obtidas a quente, por relaminagem de certos produtos semimanufaturados da posição 72.07, e podem voltar a ser laminadas a fio, a fim de se obterem produtos de menor espessura e com melhor qualidade. As folhas e tiras obtémse igualmente por corte de chapas ou de tiras largas das posições 72.08 ou 72.09. Os produtos desta posição podem ter sido submetidos a diversas operações, tais como esfriamento, gofragem, arredondamento de arestas, biselamento, ondulação, etc, desde que essas operações não lhes confiram características de artefatos ou obras incluídas em outras posições. Estes produtos são utilizados principalmente para arquear caixas, tonéis e outros recipientes, para fabricação de tubos soldados, de ferramentas (lâminas de serras, por exemplo), de perfis dobrados, de correias transportadoras, na indústria do automóvel e para produção de numerosos artefatos (para embutimento, dobragem, por exemplo). Esta posição não inclui: a) Os arames retorcidos, mesmo farpados, em tiras, de ferro ou aço, dos tipos utilizados em cercas (posição 73.13). b) Os grampos ondulados ou biselados, em peça ou cortados nas dimensões próprias, para reunir peças de madeira (posição 73.17). c) Os esboços de obras do Capítulo 82 (incluídos os esboços de tiras para lâminas de barbear). Esta posição não inclui: a) Os arames retorcidos, mesmo farpados, em tiras, de ferro ou aço, dos tipos utilizados em cercas (posição 73.13). b) Os grampos ondulados ou biselados, em peça ou cortados nas dimensões próprias, para reunir peças de madeira (posição 73.17). c) Os esboços de obras do Capítulo 82 (incluídos os esboços de tiras para lâminas de barbear). No Capítulo 72 da TIPI se inserem Ferro fundido, Ferro e Aço, parte de uma classificação mais abrangente, a da Secção XV, relativa aos Metais Comuns e suas Obras. As discordâncias entre Fiscalização e contribuinte estão nas posições 7211 e 7214, cujas pormenorizações se encaixam nos códigos NM 7211.14.00, por parte da Fiscalização, e 7214.91.00, pelo lado do contribuinte. A regra 1ª RGI dispõe que: "Os títulos das Seções, Capítulos e Subcapítulos têm apenas valor indicativo. Para os efeitos legais, a classificação é determinada pelos textos das posições e das Notas de Seção e de Capítulo e, desde que não sejam contrárias aos textos das referidas posições e Notas..." Fl. 1103DF CARF MF Processo nº 10640.721511/201491 Acórdão n.º 9303007.865 CSRFT3 Fl. 1.104 8 Ambos produtos denominados pelo contribuinte de "Barra Chata" têm espessura superior a 4,75 mm (4,76mm), e largura pelo menos duas vezes maior que a espessura (12,70mm e 15,87mm), o que é inconteste. Essas características forçam sua classificação na posição 72.11, como produtos laminados planos. As Notas Explicativas do Sistema Harmonizado (NESH), aprovadas pelo Decreto n° 435, de 28 de janeiro de 1992 e alteradas pela Instrução Normativa SRF n° 123, de 22 de outubro de 1998 (suplemento ao Diário Oficial da União de 22 de dezembro de 1998), relativas à posição 7211, esclarecem na Nota k) que nela só se classificam os produtos laminados planos de ferro ou aço não ligado, de largura igual ou superior a 600 mm, folheados ou chapeados, ou revestidos. Nesta posição se incluem os produtos laminados, maciços, de seção transversal retangular, que não satisfaçam à definição da Nota 1 ij. Com efeito, os esclarecimentos para a reclassificação constam da Nota 1, alíneas k e m, do capítulo 72. Capítulo 72 Ferro fundido, ferro e aço Notas. l. Neste Capítulo e, no que se refere às alíneas d), e) e f) da presente Nota, na Nomenclatura, consideramse: ... k) Produtos laminados planos Os produtos laminados, maciços, de seção transversal retangular, que não satisfaçam a definição da Nota 1 ij) anterior: em rolos de espiras sobrepostas, ou não enrolados, de largura igual a pelo menos dez vezes a espessura, quando esta for inferior a 4,75mm, ou de largura superior a 150mm ou a pelo menos duas vezes a espessura, quando esta for igual ou superior a 4,75mm. Os produtos do contribuinte, oriundos da laminação, por ele denominados de barras chatas e nessas condições reclassificados pela Fiscalização, considerando as funções principal e secundária, princípio e descrição do funcionamento, bem como forma e dimensão da mercadoria apresentam dimensões que satisfazem a conceituação da alínea "k" acima transcrita: não são enrolados e possuem dimensões, largura e espessura, que se correlacionam do seguinte modo: "BARRA CHATA 1/2 x 3/16" (conversão 12,70mm X 4,76mm) e "BARRA CHATA 5/8 x 3/16" (conversão 15,87mm X 4,76mm). Dessarte, não há como deixar de reclassificar os produtos no segmento dos aços planos, que indica a posição 7211 como destino do produto, isto é, a posição em que devam situar os produtos que satisfaçam às condições ali especificadas. Em consequência, entendo correta a classificação adotada pelo Fisco. A Norma Técnica 1588:1996 da COPANT (Comissão Panamericana de Normas Técnicas), trazida à baila pela recorrente, pode subsidiar a correta classificação fiscal, mas não se sobrepõe às normas que determinam o caminho a percorrer para que se chegue ao correto código da mercadoria. E também o fato de que vinha classificando tal mercadoria há anos na posição 72.14 não é impedimento para que a posteriori o Fisco a reclassifique, como feito no caso em exame. Fl. 1104DF CARF MF Processo nº 10640.721511/201491 Acórdão n.º 9303007.865 CSRFT3 Fl. 1.105 9 3) Direito ou não ao creditamento do IPI sobre materiais refratários utilizados no processo industrial siderúrgico. Em decisão mais que recente (Acórdão nº 9303007.143, de 11/07/2018), esta Turma decidiu pela ausência do direito ao creditamento, tratando de caso em tudo similar a este (da INVISI INDÚSTRIA SIDERÚRGICA VIANA LTDA.): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/10/2003 a 31/12/2003 DIREITO AO CRÉDITO. Geram direito ao crédito do imposto, além dos que se insumos que se integram ao produto final (matériasprimas e produtos intermediários, "stricto sensu", e material de embalagem), quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função de ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, ou, viceversa, proveniente de ação exercida diretamente pelo bem em industrialização, desde que não devam, em face dos princípios geralmente aceitos, ser incluídos no ativo permanente. Recurso do Procurador provido. A Ementa é um tanto genérica, sendo que transcrevo trechos do Voto Vencedor, do ilustre Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire, também para adotálos como razões de decidir (anotese que o Acórdão do STJ, nele citado, no Resp nº 1.075.508SC, foi submetido ao regime do art. 543C do antigo CPC – Recursos Repetitivos): PRODUTOS REFRATÁRIOS A respeito da glosa dos produtos refratários, tijolos, blocos, concreto, massa e argamassa, a matéria deve ser analisada à luz da legislação pertinente. O art. 164 do RIPI/2002 (Decreto nº 4.544, de 2002) então vigente, expressamente dispunha que: Art. 164. Os estabelecimentos industriais e os que lhe são equiparados poderão creditarse (Lei nº 4.502/64, art. 25) I do imposto relativo a matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, adquiridos para emprego na industrialização de produtos tributados, incluindo se, entre as matériasprimas e os produtos intermediários, aqueles que embora não se integrando no novo produto, forem consumidos no processo de industrialização, salvo se compreendidos entre os bens do ativo permanente. (negritei) Por seu turno, o Parecer Normativo CST nº 65/79 expressamente reconhece que a expressão “consumidos” “há de ser entendida em sentido amplo abrangendo exemplificativamente o desgaste, o desbaste, o dano e a perda de propriedades físicas ou químicas, desde que decorrentes de ação direta do insumo sobre o produto em fabricação, ou por este diretamente sofrida”, donde fazem jus ao crédito “as Fl. 1105DF CARF MF Processo nº 10640.721511/201491 Acórdão n.º 9303007.865 CSRFT3 Fl. 1.106 10 ferramentas manuais e as intermutáveis, bem como quaisquer outros bens que, não sendo partes nem peças de máquinas independentemente de suas qualificações tecnológicas”, enquadremse no conceito de “produtos consumidos”. Sobre o assunto, o referido parecer informa: 4.2 – Assim, somente geram direito ao crédito os produtos que se integrem ao novo produto fabricado e os que, embora não se integrando, sejam consumidos no processo de fabricação, ficando definitivamente excluídos aqueles que não se integrem nem sejam consumidos na operação de industrialização. Para o contribuinte, todos itens refratários são “produtos intermediários” (PI), mesmo que não se integrem física ou quimicamente ao produto final, mas que se desgastem no curso do processo produtivo. Em verdade, os mesmos destinamse à manutenção do seu parque produtivo, das máquinas que vão produzir o produto industrializado e que não podem ser confundidas com o próprio processo produtivo e o produto final a ser obtido. No Recurso Especial nº 1.075.508SC, julgado em 23/09/2009, de relatoria do Ministro Luiz Fux, ele bem faz a distinção entre “consumo” do produto e o “mero desgaste” indireto do produto sem ação direta no processo produtivo, que é o caso dos materiais refratários, e que, por isso, não geram direito a crédito de IPI. Desse julgado destacase o excerto abaixo transcrito. Destarte, o artigo 164, I, do Decreto 4.544/2002 (assim como o artigo 147, I, do revogado Decreto 2.637/98), determina que os estabelecimentos industriais (e os que lhes são equiparados), entre outras hipóteses, podem creditarse do imposto relativo a matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, adquiridos para emprego na industrialização de produtos tributados, incluindose “aqueles que, embora não se integrando ao novo produto, forem consumidos no processo de industrialização, salvo se compreendidos entre os bens do ativo permanente”. Dessumese da norma insculpida no supracitado preceito legal que o aproveitamento do crédito do IPI dos insumos que não integram o produto pressupõe o consumos, ou seja, o desgaste de forma imediata e integral do produto intermediário durante o processo de industrialização e que o produto não esteja compreendido no ativo permanente da empresa. (sublinhado no original) O Parecer Normativo 260/71, que trata especificamente deste tema dos refratários, e os acórdãos ...são explícitos quanto à não admissão do crédito de IPI de materiais refratários: (...) Embora o Parecer Normativo CST nº 65, de 1979, tenha reformulado parte do entendimento antes fixado no Parecer Normativo CST nº 181, de 1974, adaptandoo às inovações introduzidas pelo art. 66, inciso I, do RIPI/1979, que prevalecem até hoje, não alterou o entendimento segundo o qual o direito ao crédito não se estende a partes e peças de máquinas em nenhuma hipótese, ou seja, ainda que não incorporadas ao ativo imobilizado e mesmo que, por suas qualidades ou Fl. 1106DF CARF MF Processo nº 10640.721511/201491 Acórdão n.º 9303007.865 CSRFT3 Fl. 1.107 11 características tecnológicas, se desgastem em razão do contato direto que exercem sobre o produto em fabricação ou que o produto exerce sobre elas. Em tais condições, semelhante direito ao crédito só foi admitido, em virtude das inovações da legislação decorrentes do RIPI/1979, às ferramentas manuais e intermutáveis que não sejam partes de máquinas. Ademais, o refratário não agrega qualquer característica ao produto, mas sim ao equipamento: proteção das altas temperaturas, resistência à abrasão e isolamento térmico. Em outras espécies de equipamento, como os usados em indústrias químicas, os isolamentos térmicos são colocados no lado de fora dos equipamentos e tubulações, e também têm o objetivo de evitar a perda de calor e variações na temperatura. A única diferença para a siderurgia é que na indústria química não é necessário a proteção da parede interna do equipamento, cuja composição (seja metálica ou não), já oferece resistência à abrasão a ao ataque químico. Os refratários colocados no interior de fornos terão sempre a função de proteger a parede metálica do forno, evitando o seu derretimento, ataque químico e perda de calor. E a função dos fornos será sempre a mesma: a queima de combustível gerando calor, que se pretende transferir a uma substância que se quer aquecer. Fica claro que o refratário faz parte do equipamento, e este tem a função de transferir calor gerado pela queima do combustível para a substância de interesse. Não se questiona que o refratário tem contato com o produto. Mas este contato não tem o objetivo de agregar ao produto alguma característica especial. Se não houvesse a necessidade de proteger a parte interna do equipamento, os refratários seriam colocados do lado de fora, apenas com a função de isolamento térmico. E não teriam qualquer contato com o produto. Assim, o fato de ocorrer ou não contato com o produto fabricado não modifica as qualidades ou características tecnológicas dos refratários, que de qualquer maneira não podem ser incluídos entre as matériasprimas e os produtos intermediários a que ser refere a segunda parte do art. 226 do RIPI/2010. A interferência nas propriedades do aço pela agregação de partículas do refratário é algo indesejado, um efeito colateral negativo, algo que deve ser minimizado tanto quanto possível. E tal efeito negativo só é aceito e suportado em nome do benefício de proteção do equipamento. Não há dúvida de que o refratário entra em contato com o aço. O que se questiona é se o refratário faz ou não parte de um equipamento. E a resposta é SIM. Todos os equipamentos que terão contato direto com o metal líquido já são construídos com a cobertura refratária, e não podem ser usados em separado. Ou seja, os refratários aqui tratados são empregados nas indústrias siderúrgicas para o isolamento térmico dos fornos e panelas industriais, com a finalidade de evitarse a perda de calor para o ambiente externo, possibilitando, assim, a manutenção das temperaturas internas desses fornos e panelas necessárias ao processo de fundição e derretimento dos demais insumos para obtenção do aço. A substituição do material refratário danificado é um custo de manutenção no equipamento. Ele se desgasta com o uso do equipamento (do mesmo modo que o pneu de um caminhão, os rolamentos de um motor, etc). Não aumenta sua vida útil, apenas o mantém em funcionamento. Embora sejam repostos com frequência devido às altíssimas temperaturas a que são submetidos, os refratários guardam similaridade não com MP e PI, mas sim Fl. 1107DF CARF MF Processo nº 10640.721511/201491 Acórdão n.º 9303007.865 CSRFT3 Fl. 1.108 12 com os bens do ativo permanente, pois apenas recondicionam os equipamentos ao seu estado funcional, restabelecendo a sua condição de uso. Portanto, concluo os que materiais refratários (tijolos, blocos, concreto, massa e argamassa) não geram direito ao crédito do IPI, pelo que escorreita a glosa dos mesmos. À vista do exposto, voto por dar provimento ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional e negar provimento ao Recurso Especial interposto pelo contribuinte. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 1108DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13896.907910/2016-03
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 28 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Apr 23 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3201-001.917
Decisão:
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do Recurso em diligência.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
Relatório
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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decisao_txt : Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do Recurso em diligência. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. Relatório
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1618; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C2T1 Fl. 2 1 1 S3C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13896.907910/201603 Recurso nº Voluntário Resolução nº 3201001.917 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Data 26 de março de 2019 Assunto SOLICITAÇÃO DE DILIGÊNCIA Recorrente CATHO ONLINE LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do Recurso em diligência. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. Relatório Trata o processo de Recurso Voluntário contra decisão que julgou improcedente a manifestação de inconformidade em face da não homologação da compensação apresentada pela contribuinte. Segundo o despacho decisório, as compensações não foram homologadas em razão de não ter sido apurada a existência de direito creditório. Tais conclusões, ao que consta, encontram amparo no Termo de Verificação Fiscal carreado aos autos. No aludido TVF, emitido em decorrência da necessidade de análise das DCTF retificadoras apresentadas e, também, dos esclarecimentos que posteriormente foram prestados pela contribuinte, consta que “as receitas auferidas pela CATHO, decorrentes de sua atividade RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 96 .9 07 91 0/ 20 16 -0 3 Fl. 459DF CARF MF Processo nº 13896.907910/201603 Resolução nº 3201001.917 S3C2T1 Fl. 3 2 fim, não se enquadram na exceção prevista no inciso XXV do artigo 10 da Lei nº 10.833/2003, estando sujeitas, portanto, ao regime NÃO CUMULATIVO de apuração do PIS e do COFINS.” Consta, portanto, que as DCTF retificadoras não deveriam ser homologadas e que, por não existirem, os créditos não deveriam ser reconhecidos. Na manifestação de inconformidade apresentada, a contribuinte, após resumo dos fatos, esclarece que houve mudança no controle acionário da empresa e que, em razão disso, foi submetida a uma profunda revisão de políticas e procedimentos. Em decorrência, diz que teria identificado que suas atividades vinham sendo indevidamente qualificadas para fins de PIS e de Cofins, sendo necessário, portanto, a retificação das DCTF. A seguir, discorre sobre a sua atividade. Afirma que os serviços prestados não abrangem promessa de emprego ou obrigação presente ou futura de recolocação ou obtenção de emprego para seus clientes. Aduz, ainda, que o seu site na internet “é somente uma ferramenta online que permite ao assinante consultar vagas, enviar currículos e acessar demais conteúdos aí disponibilizados” sem “qualquer garantia de colocação profissional” nem “qualquer cobrança relacionada a essas atividades.” Em suma, conforme afirma, “simplesmente disponibiliza conteúdo na Internet aos Assinantes e não desenvolve qualquer atividade de intermediação.” Salienta que se qualifica como empresa de Internet, com atividade de portal ou empresa provedora de conteúdo e de informações, e que sua atividade vem descrita na Norma 004/95, aprovada pela Portaria nº 148, de 1995, item 3, letras ‘e’ e ‘f’ do Ministério das Comunicações. Objetivando o acesso às informações especializadas que são disponibilizadas, afirma que desenvolveu ferramenta própria (software), “cujo uso é liberado/cedido para seus clientes, os Assinantes.” Insiste que não promove a intermediação de contratação de mão de obra. Aduz que “sua tarefa se esgota em permitir o acesso à informação que integra seus bancos de dados: currículos e vagas.” Chama a atenção para o contido no inc. XXV do art. 10 da Lei nº 10.833, de 2003 e diz que conforme Solução de Consulta nº 309, de 2011, “a RFB confirmou, expressamente, que, para o contribuinte aplicar o regime cumulativo dessas contribuições sociais, basta exercer apenas uma das atividades mencionadas no inciso XXV citado anteriormente.” Na seqüência, diz que se deve destacar “que a simples não homologação das declarações retificadoras não é fato que, por si só, é capaz de fundamentar a não homologação das compensações realizadas.” Diz ser incabível a revisão de ofício da homologação pois ela não teria ocorrido por erro “mas sim pelo correto enquadramento legal da situação ora analisada”. Se houve erro, aduz, ele teria ocorrido com a revisão. Reclama, ainda, que não existe base legal para a revisão de ofício. Insiste na necessidade de cancelamento do despacho decisório. Ao final, requer a reforma do despacho decisório e a homologação das compensações. Subsidiariamente requer o cancelamento do despacho decisório em face da Fl. 460DF CARF MF Processo nº 13896.907910/201603 Resolução nº 3201001.917 S3C2T1 Fl. 4 3 impossibilidade de revisão de ofício no caso de erro de direito. Protesta pelo direito de provar o alegado por todos os meios de prova e informa que “não está questionando judicialmente a matéria discutida nestes autos.” A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Curitiba/PR julgou improcedente a manifestação de inconformidade do contribuinte e não reconheceu o direito creditório. Inconformada a contribuinte, apresentou recurso voluntário no qual repisa mesmos argumentos pleiteados em manifestação de inconformidade para o deferimento integral dos valores que constam do pedido de restituição. Suscita em seu pedido: i. Seja declarada a nulidade do v. acórdão recorrido, com o retorno dos autos à origem, para que (a) nova decisão seja proferida, com adstrição aos limites objetivos da lide fixados no Termo de Verificação Fiscal e na manifestação de inconformidade; ou (b) subsidiariamente, para que seja devolvido à recorrente o prazo para manifestação, garantindo lhe o exercício do direito de defesa em relação aos pontos novos suscitados pelo v. acórdão, tudo sob pena de contrariedade e negativa de vigência aos arts. 16, 17 e 18, parágrafo 3o, do Decreto n. 70.235, à luz do art. 5o, inciso LIV e LV, da Constituição de 1988; ii. Na eventualidade da superação da preliminar acima, seja reformado o v. acórdão, com o integral cancelamento das exigências fiscais, em razão da declaração: a. da nulidade do r. despacho decisório, por ter configurado revisão de ofício de lançamento, por erro de direito, com violação aos arts. 145 e 149 do CTN; b. da nulidade do r. despacho decisório, por carência de motivação, por ter se baseado em termo de verificação fiscal que não analisou o direito creditório discutido nestes autos, com violação ao art. 9o do Decreto n. 70,235; c. da improcedência do r. despacho decisório, tendo em vista a legitimidade da inclusão das receitas da recorrente no regime cumulativo de apuração da contribuição ao PIS e da COFINS, com a consequente homologação da declaração de compensação, sob pena de contrariedade e negativa de vigência aos arts. 10, inciso XXV e 15, inciso V, da Lei n. 10.833; d. eventualmente, caso se entenda que a requerente se encontra submetida ao regime não cumulativo das contribuições, seja reconhecida a inexistência de crédito tributário passível de cobrança, sob pena de bis in idem. É o relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº Fl. 461DF CARF MF Processo nº 13896.907910/201603 Resolução nº 3201001.917 S3C2T1 Fl. 5 4 3201001.853, de 26 de março de 2019, proferido no julgamento do processo 13896.720975/201638, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Resolução nº 3201001.8539): "O Recurso Voluntário atende aos requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. Antes de adentrar ao exame do Recurso apresentado, cumpre esclarecer que o presente processo tramita na condição de paradigma, nos termos do art. 47 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015: Art. 47. Os processos serão sorteados eletronicamente às Turmas e destas, também eletronicamente, para os conselheiros, organizados em lotes, formados, preferencialmente, por processos conexos, decorrentes ou reflexos, de mesma matéria ou concentração temática, observando se a competência e a tramitação prevista no art. 46. § 1º Quando houver multiplicidade de recursos com fundamento em idêntica questão de direito, o Presidente de Turma para o qual os processos forem sorteados poderá sortear 1 (um) processo para definilo como paradigma, ficando os demais na carga da Turma. § 2º Quando o processo a que se refere o § 1º for sorteado e incluído em pauta, deverá haver indicação deste paradigma e, em nome do Presidente da Turma, dos demais processos aos quais será aplicado o mesmo resultado de julgamento. Nesse aspecto, é preciso esclarecer que cabe a este Conselheiro o relatório e voto apenas deste processo, ou seja, o entendimento a seguir externado terá por base exclusivamente a análise dos documentos, decisões e recurso anexados neste processo. Feito tal esclarecimento, passase ao exame das razões de Recurso. A pretensão da contribuinte de requalificar a natureza jurídica de seus serviço, de intermediação para atividades de internet, enquadrando as receitas auferidas no regime cumulativo foi indeferido no despacho decisório proferido com base nas conclusões do TVF que consta do dossiê nº 10010.014822/021604, formalizado para análise das DCTFs retificadoras transmitidas para espelharem o procedimento de requalificação. De fato, concluiu o procedimento fiscal que os serviços prestados pelo contribuinte não poderiam ser qualificados como serviços de internet (art. 10, XXV e art. 15, V, da Lei nº 10.833/03), mas sim de intermediação, mantendoos no regime de apuração não cumulativo. Fl. 462DF CARF MF Processo nº 13896.907910/201603 Resolução nº 3201001.917 S3C2T1 Fl. 6 5 A principal matéria em litígio envolve a rejeição pela autoridade fiscal em sede de despacho decisório da requalificação das atividades da recorrente e a mudança para o regime cumulativo de apuração da Contribuição para o PIS e para a Cofins. Os argumentos da fiscalização são no sentido de que o regime a que se submete as receitas das atividades desenvolvidas pela Catho para apuração e recolhimento continuava a ser o da não cumulatividade, pois não se tratam de serviços de informática (desenvolvimento de software ou de páginas eletrônicas) nos termos do art. 10, XXV, da Lei nº 10.833/03 uma vez que a atividade seria a prestação de serviços de intermediação ao profissional que busca se posicionar no mercado de trabalho. Nada obstante, o TVF assevera que para que a receita auferida subsumase à sistemática da apuração cumulativa devese comprovar que esta (receita) advenha da prestação de alguns dos serviços listados no referido dispositivo da Lei 10.833/03. Pois bem, compulsando os autos, em especial os termos e demais peças que constam do dossiê nº 10010.014822/021604 verificase que em momento algum a contribuinte fora intimada a comprovar a natureza de suas receitas. Ao contrário, a intimação limitouse a solicitar esclarecimentos e informações que resultaram na requalificação das receitas, como se vê: De ressaltar, contudo, que o fundamento para o indeferimento do pleito creditório é a natureza da receitas das atividades prestadas pela Catho conforme descritos nos autos, que não se qualificam como sujeitas à apuração cumulativa. O acórdão da DRJ trilha o mesmo fundamento de indeferimento e não homologação das compensações exarados no despacho decisório. Evidenciouse naquela decisão que o sítio da internet da Catho é uma mera ferramenta para quer o assinante consulte vagas de trabalho, envie currículos e acesse outros conteúdos. Poderseia concordar com os argumentos daqueles julgadores conquanto não trouxessem argumento subsidiário no qual reconhecem a possibilidade da contribuinte fazer prova de que determinadas atividades auferem receitas cuja apuração se dá no regime cumulativo. Vejase o excerto do voto condutor do acórdão recorrido: É possível concluir, portanto, que algumas de suas receitas podem estar sujeitas à apuração cumulativa das contribuições, ensejando, assim, a real possibilidade de enquadramento da empresa na modalidade de apuração mista das contribuições Fl. 463DF CARF MF Processo nº 13896.907910/201603 Resolução nº 3201001.917 S3C2T1 Fl. 7 6 (circunstância que, sendo eficazmente comprovada, pode evidenciar um possível erro no preenchimento da DCTF original). A forma como a existência de tal erro – que deve ser corrigido via DCTF retificadora – pode vir a ser acatado administrativamente irá depender da apresentação de provas (conforme estabelece o §1º do art. 147 do CTN), baseadas na escrituração contábil/fiscal do período analisado, ou seja, da apresentação de provas capazes de demonstrar, sem possibilidade de dúvida, quais receitas foram efetivamente auferidas nos períodos sob análise e a que tipo de serviço/atividade elas se vinculam. Ressaltese que, para fazer jus à apuração cumulativa, devese comprovar que as receitas advêm efetivamente da prestação de serviços, no caso, de informática (tal como listado no inc. XXV do art. 10 da Lei nº 10.833, de 2003, já transcrito). Evidentemente, as receitas assim enquadradas, devem ser passíveis de segregação, com vistas à correta tributação. Sem que tais comprovações existam nos autos, inviável será o deferimento do pleito. Resta claro que no mérito a decisão recorrida reconheceu a possibilidade do contribuinte fazer prova a seu favor, providência esta até então não determinada pela autoridade fiscal e se insere nas situações que o art. 16 do Decreto nº 70.235/72 PAF prevê regra de exceção para a apresentação extemporânea de conjunto probatório após a impugnação (manifestação de inconformidade): Decreto n° 70.235, de 1972: Art. 14. A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento. Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. [...]Art. 16. A impugnação mencionará: [...]III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir. [...]§ 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente; (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) Fl. 464DF CARF MF Processo nº 13896.907910/201603 Resolução nº 3201001.917 S3C2T1 Fl. 8 7 Assim, entendo que os autos devam retornar à unidade preparadora para apreciação do Laudo Técnico apresentado pela Recorrente. Ante o exposto, voto no sentido de CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA, a fim de que a autoridade preparadora analise o Laudo Técnico colacionado aos autos pela Recorrente e identifique as atividades cujas receitas inseremse no regime de apuração cumulativa nos termos do inciso XXV do art. 10 e inciso V do art. 15, ambos da Lei nº 10.833/03. Se entender necessário, deverá intimar a Recorrente para, ainda no curso da diligência, apresentar outros documentos e/ou esclarecimentos a respeito do litígio. Ao término do procedimento, deve elaborar Relatório Fiscal sobre os fatos apurados na diligência, sendolhe oportunizado manifestarse sobre a existência de outras informações e/ou observações que julgar pertinentes ao esclarecimento dos fatos. Encerrada a instrução processual, a Recorrente deverá ser intimada para manifestarse no prazo de 30 (trinta) dias, findo o qual, sem ou com apresentação de manifestação, devem os autos serem devolvidos a este Colegiado para continuidade do julgamento. Importante frisar que as situações fática e jurídica presentes no processo paradigma encontram correspondência nos autos ora em análise. Desta forma, os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por converter o julgamento em diligência, a fim de que a autoridade preparadora analise o Laudo Técnico colacionado aos autos pela Recorrente e identifique as atividades cujas receitas inseremse no regime de apuração cumulativa nos termos do inciso XXV do art. 10 e inciso V do art. 15, ambos da Lei nº 10.833/03. Se entender necessário, deverá intimar a Recorrente para, ainda no curso da diligência, apresentar outros documentos e/ou esclarecimentos a respeito do litígio. Ao término do procedimento, deve elaborar Relatório Fiscal sobre os fatos apurados na diligência, sendolhe oportunizado manifestarse sobre a existência de outras informações e/ou observações que julgar pertinentes ao esclarecimento dos fatos. Encerrada a instrução processual, a Recorrente deverá ser intimada para manifestarse no prazo de 30 (trinta) dias, findo o qual, sem ou com apresentação de manifestação, devem os autos serem devolvidos a este Colegiado para continuidade do julgamento. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 465DF CARF MF
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Numero do processo: 13984.001879/2003-83
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 21 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Mar 25 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 1997
COMPENSAÇÃO. DÉBITOS INCLUÍDOS NO REFIS. IMPOSSIBILIDADE.
Não é possível realizar a compensação de débitos que foram incluídos anteriormente no programa especial de parcelamento REFIS. Contudo, resta preservado o direito à restituição dos valores.
Numero da decisão: 1201-002.732
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado em negar provimento ao recurso voluntário, por unanimidade de votos, para fins de não homologar a compensação pretendida, mas, tão somente, assegurar o direito à restituição.
(assinado digitalmente)
Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Gisele Barra Bossa - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Neudson Cavalcante Albuquerque, Luis Henrique Marotti Toselli, Allan Marcel Warwar Teixeira, Gisele Barra Bossa, Ângelo Abrantes Nunes (Suplente convocado), Jose Roberto Adelino da Silva (Suplente convocado), Breno do Carmo Moreira Vieira (Suplente convocado) e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente).
Nome do relator: GISELE BARRA BOSSA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 1997 COMPENSAÇÃO. DÉBITOS INCLUÍDOS NO REFIS. IMPOSSIBILIDADE. Não é possível realizar a compensação de débitos que foram incluídos anteriormente no programa especial de parcelamento REFIS. Contudo, resta preservado o direito à restituição dos valores. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado em negar provimento ao recurso voluntário, por unanimidade de votos, para fins de não homologar a compensação pretendida, mas, tão somente, assegurar o direito à restituição. (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) Gisele Barra Bossa Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Neudson Cavalcante Albuquerque, Luis Henrique Marotti Toselli, Allan Marcel Warwar Teixeira, Gisele Barra Bossa, Ângelo Abrantes Nunes (Suplente convocado), Jose Roberto Adelino da Silva (Suplente convocado), Breno do Carmo Moreira Vieira (Suplente convocado) e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente). Relatório AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 98 4. 00 18 79 /2 00 3- 83 Fl. 139DF CARF MF Processo nº 13984.001879/200383 Acórdão n.º 1201002.732 S1C2T1 Fl. 3 2 1. Tratase de processo administrativo decorrente de Manifestação de Inconformidade (fls. 48/50) contra o Despacho Decisório nº 372 (fls. 41/45) de 09/10/2007, referente ao Pedido de Restituição (fl. 4) cumulado com Declaração de Compensação (fl. 3). 2. A Contribuinte fundamenta seu pedido de restituição da seguinte forma: “a empresa optou pelo SIMPLES em julho/1997 e pagou os impostos referentes ao período de janeiro/1997 a junho/1997 pelo lucro presumido (IRPJ, CSLL, PIS e COFINS)” e deseja utilizar esse crédito para compensar débitos de Simples Federal relativos ao período entre janeiro e junho de 1997. 3. O crédito é composto por IRPJ, CSLL, PIS e COFINS recolhidos no período entre janeiro e junho de 1997, totalizando o montante de R$ 4.306,75, conforme planilha abaixo: Período de apuração cód. Receita Valor Data do Pagamento 2172 R$ 263,64 07/02/1997 8109 R$ 85,68 14/02/1997 2372 R$ 126,54 28/02/1997 2089 R$ 158,18 28/02/1997 jan/97 subtotal R$ 634,04 2172 R$ 180,89 10/03/1997 8109 R$ 58,79 13/03/1997 2372 R$ 86,83 30/03/1997 2089 R$ 108,53 31/03/1997 fev/97 subtotal R$ 435,04 2172 R$ 314,29 10/04/1997 8109 R$ 102,14 15/04/1997 2372 R$ 150,86 30/04/1997 2089 R$ 188,57 30/04/1997 mar/97 subtotal R$ 755,86 2172 R$ 325,44 09/05/1997 8109 R$ 105,77 14/05/1997 2372 R$ 156,21 30/05/1997 2089 R$ 195,26 30/05/1997 abr/97 subtotal R$ 782,68 2172 R$ 326,92 10/06/1997 8109 R$ 106,24 13/06/1997 2372 R$ 156,92 30/06/1997 2089 R$ 196,15 30/06/1997 mai/97 subtotal R$ 786,23 2172 R$ 379,59 10/07/1997 8109 R$ 123,36 15/07/1997 2372 R$ 182,20 28/07/1997 jun/97 2089 R$ 227,75 31/07/1997 Fl. 140DF CARF MF Processo nº 13984.001879/200383 Acórdão n.º 1201002.732 S1C2T1 Fl. 4 3 subtotal R$ 912,90 TOTAL R$ 4.306,75 4. Os débitos, por sua vez, compreendem os tributos devidos no regime do SIMPLES, no período entre janeiro e junho de 1997, e totalizavam o montante de R$ 4.306,75, conforme imagem extraída da “Declaração de Compensação” de fl. 3: 5. Segundo o despacho decisório nº 057, de 05/02/2007 (fls. 25/29), a declaração de compensação foi formalizada em papel e deveria ser considerada não formulada, nos termos do artigo 31 da IN SRF nº 600/2005. Além disso, os débitos e créditos objetos do pedido de restituição “foram efetuados há mais de cinco anos contados do protocolo, que se deu em 18/12/2003. Por essa razão também não se poderia atender ao pedido de restituição, por conta do disposto no inc. I do art. 168 da Lei no 5.172/66 Código Tributário Nacional”. 6. Apesar das circunstâncias acima apontadas, a Delegacia da Receita Federal de Lages/SC deferiu o pedido da requerente (fls. 25/29) com base na Solução de Consulta Interna nº 23, de 18/08/2003. 7. Entretanto, em 09/10/2007, foi proferido novo despacho decisório, de nº 372 (fls. 41/45), reformando o entendimento anterior e indeferindo o pedido de compensação, em razão de os débitos que a contribuinte pretende compensar estarem consolidados no âmbito do REFIS, fato este não considerado no despacho anterior. 8. Conforme consta no extrato do processo de nº 13984.450184/200160 (fls. 33/39), em 01/03/2000 a contribuinte formalizou de inclusão de débitos no REFIS. Dentre os débitos incluídos no referido programa, constam os seguintes: Fl. 141DF CARF MF Processo nº 13984.001879/200383 Acórdão n.º 1201002.732 S1C2T1 Fl. 5 4 9. Posteriormente, em 12/12/2003, a contribuinte solicita à Delegacia de LagesSC a desvinculação do “débito referente ao período de 1997, da conta REFIS, uma vez que já foi feito o pedido de compensação do mesmo” (fl. 5). 10. A contribuinte, devidamente intimada do despacho (AR em 26/05/2008, de fl. 86), apresentou Manifestação de Inconformidade (fls. 48/50). 11. Em sessão de 9 de maio de 2008, a 3ª Turma da DRJ/FNS, por maioria de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade, nos termos do voto relator, Acórdão nº 0816.200 (fls. 81/84). Restou vencido o julgador Cláudio de Andrade Camerano por entender que o valor do crédito reconhecido no primeiro despacho (fls. 25/29) deve ser restituído à contribuinte. Em vista do disposto na Portaria SRF nº 1.364/2004, vigente à época, o acórdão ficou dispensado de conter ementa. 12. A DRJ/FNSA julgou improcedente a manifestação de inconformidade devido ao fato de que, no momento do pedido de compensação (18/12/2003), os débitos do SIMPLES Federal, relativos ao período de janeiro a junho de 1997, já haviam sido incluídos em REFIS (deferido em 26/10/2000). O acórdão aponta ainda que a “nãohomologação da compensação (espécie operacional do gênero restituição) contra que a empresa interpôs sua manifestação de inconformidade – não prejudica, porém, o Pedido de Restituição, já deferido (f. 2 e f. 25), cuja operacionalização — de competência da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Lages — SC , não é objeto do litígio que se aprecia”. 13. Cientificada da decisão (AR de 26/05/2008, fls. 86), a Recorrente interpôs Recurso Voluntário (fls. 87/88), em 10/06/2008, no qual discorre sobre os seguintes pontos de defesa: Fl. 142DF CARF MF Processo nº 13984.001879/200383 Acórdão n.º 1201002.732 S1C2T1 Fl. 6 5 “9 — Que, alega o senhor fiscal, em seu segundo despacho, que os referidos débitos estavam no âmbito do REFIS, entretanto, os débitos registrados na conta REFIS, no valor de R$ 2.600,03 e a empresa recolheu a importância de R$ 4.306,75, conforme despacho decisório n° 057, de 05/02/2007, são IRPJ, PIS, COFINS e CONTRIBUIÇÃO SOCIAL, cujos valores foram pagos em suas respectivas datas de vencimentos, no ano de 1997, conforme comprovante anexo. 10 Que, na conta REFIS, existe um débito referente a competência 12/1998, no valor de R$ 920,72, devidamente pago em 20/01/1999, conforme comprovante anexo. 11 — Que, os valores constantes da conta REFIS, exceção feita as dívidas junto a PROCURADORIA GERAL DA FAZENDA NACIONAL, não eram do conhecimento da empresa, pois, conforme especificado acima, os mesmos não existiam, sendo este o motivo pelo qual a empresa não entrou com recurso em tempo hábil. 12 Que, em vista do acima exposto, demonstrada a insubsistência e improcedência da decisão fiscal, solicita a V.S.as seja aceito o presente recurso, cancelandose o débito fiscal e sua consequente retirada da conta REFIS, uma vez que, mesmo tratandose de uma pequena empresa, sempre recolheu seus impostos em dia e está sendo prejudicada, pois, não pode participar de licitações públicas e não podendo usufruir das vantagens da LEI 123/2006”. É o relatório. Voto Conselheira Gisele Barra Bossa, Relatora 14. O Recurso Voluntário interposto é tempestivo e cumpre os demais requisitos legais de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento e passo a apreciar. Da Impossibilidade de Utilizar Débitos Incluídos no REFIS em Compensação 15. No presente caso, a Recorrente optou pelo Simples Federal em julho de 1997. A Lei nº 9.317/1996, que regulamentou o referido regime, passou a produzir efeitos a partir do dia 01/01/1997, conforme o artigo 8º, §3º e §4º, verbis: “Art. 8° A opção pelo SIMPLES darseá mediante a inscrição da pessoa jurídica enquadrada na condição de microempresa ou empresa de pequeno porte no Cadastro Geral de Contribuintes do Ministério da Fazenda CGC/MF, quando o contribuinte prestará todas as informações necessárias, inclusive quanto: (...) Fl. 143DF CARF MF Processo nº 13984.001879/200383 Acórdão n.º 1201002.732 S1C2T1 Fl. 7 6 § 3° Excepcionalmente, no anocalendário de 1997, a opção poderá ser efetuada até 31 de março, com efeitos a partir de 1° de janeiro daquele ano. § 4° O prazo para a opção a que se refere o parágrafo anterior poderá ser prorrogado por ato da Secretaria da Receita Federal”. (grifos nossos) 16. Conforme exposto no acórdão da DRJ, diante da opção tardia pelo Simples Federal, a contribuinte tinha duas opções: (i) recolher com atraso os valores relativos ao período de janeiro a junho de 1997; ou (ii) encaminhar pedido de restituição dos valores já pagos entre janeiro e junho de 1997, no regime de apuração pelo Lucro Presumido, cumulando com declaração de compensação desse crédito com os valores devidos no Simples Federal. 17. Em análise dos autos, fica evidente que a contribuinte realizou o pagamento, no regime de apuração pelo lucro presumido, do montante de R$ 4.306,75, vide DARF’s juntadas (fls. 13/20) e, portanto, tem direito ao crédito decorrente desses pagamentos indevidos. 18. O procedimento adotado pela Recorrente, restituição cumulada com declaração de compensação, estaria correto se não fosse a existência de um REFIS abrangendo os débitos pleiteados. 19. Ao realizar em 18/12/2003 o pedido de restituição cumulado com a declaração de compensação do crédito de IRPJ (lucro presumido), legítimo e comprovado por DARF’s (fls. 13/20), com os débitos de Simples Federal, relativos ao período entre janeiro e junho de 1997, a Recorrente desconsiderou que esses mesmos débitos já haviam sido incluídos no Programa de Recuperação Fiscal (REFIS) deferido em 26/10/2000. 20. A adesão ao REFIS é fato relevante em razão dos seus efeitos em concreto. Segundo o artigo 3º, da Lei 9.964/2000, a opção pelo referido programa sujeita a pessoa jurídica à confissão irrevogável e irretratável dos débitos, verbis: “Art. 3º A opção pelo Refis sujeita a pessoa jurídica a: I – confissão irrevogável e irretratável dos débitos referidos no art. 2º” 21. Importante ressaltar que, a totalidade dos débitos declarados em compensação (item 4 do relatório) foi incluída no REFIS (item 8 do relatório). Logo, entendo que, no momento da declaração de compensação os débitos a título de Simples Federal relativos ao período de janeiro a junho não poderiam ser compensados com os créditos de IRPJ (lucro presumido). 22. Diante do exposto, concluo que apesar de ter um direito de crédito legítimo e comprovado, a Recorrente não tem direito de compensar débitos já incluídos em REFIS, mas sim de restituir os valores pagos indevidamente a titulo de IRPJ (lucro presumido). 23. A própria DRJ reconhece o direito à restituição, tal como segue: Fl. 144DF CARF MF Processo nº 13984.001879/200383 Acórdão n.º 1201002.732 S1C2T1 Fl. 8 7 “A nãohomologação da compensação (espécie operacional do gênero restituição) contra que a empresa interpôs sua manifestação de inconformidade – não prejudica, porém, o Pedido de Restituição, já deferido (f.2 e f. 25), cuja operacionalização — de competência da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Lages — SC , não é objeto do litígio que se aprecia.” 24. Diante de tais circunstâncias, considero que a Recorrente tem direito ao crédito, em razão de ter efetuado o pagamento indevido dos tributos (IRPJ, CSLL, PIS e COFINS) relativos ao período de janeiro/1997 a junho/1997, pelo lucro presumido. E, diante da legitimidade do crédito, concluo que o Despacho nº 057 (fls. 25/29), até por ser questão incontroversa no presente processo administrativo, deve ser considerado para fins de assegurar o reconhecimento do direito creditório e garantir a efetiva restituição dos respectivos valores pela contribuinte. 25. No mais, acerca da afirmação da ora Recorrente quanto a existência de débito já pago e indevidamente incluído no REFIS, não cabe a esta relatoria apreciar a questão, vez que não é objeto do presente processo administrativo (competência 12/1998 e não janeiro/1997 a junho de 1997), conforme alegado pela própria Recorrente: “Que, na conta REFIS, existe um débito referente a competência 12/1998, no valor de R$ 920,72, devidamente pago em 20/01/1999, conforme comprovante anexo”. 26. Vejam que, os presentes autos não cuidam da consolidação dos débitos no REFIS, mas sim do pedido de restituição e compensação dos débitos do Simples Federal relativos ao período de janeiro e junho de 1997. Conclusão 27. Do exposto, VOTO no sentido de CONHECER do RECURSO interposto e, no mérito, NEGARLHE provimento para fins de não homologar a compensação pretendida, mas, tão somente, assegurar o direito à restituição. É como voto. (assinado digitalmente) Gisele Barra Bossa Fl. 145DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10380.006707/2009-01
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 13 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Apr 15 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Ano-calendário: 2007, 2008, 2009
ENTIDADE FECHADA DE PREVIDÊNCIA SOCIAL PRIVADA. JUROS SOBRE O CAPITAL PRÓPRIO. IRRF. NÃO INCIDÊNCIA. NORMA ESPECÍFICA.
Havendo norma específica para o caso concreto, esta deve ser aplicada. Dispensa de retenção na fonte e o pagamento em separado do Imposto de Renda sobre rendimentos e ganhos auferidos nas aplicações de recursos das provisões, reservas técnicas e fundos de planos de benefícios de entidade de previdência complementar.
Numero da decisão: 2201-005.042
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente.
(assinado digitalmente)
Douglas Kakazu Kushiyama - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Débora Fófano dos Santos, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushiyama, Sheila Aires Cartaxo Gomes (Suplente Convocada), Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente). Ausente o conselheiro Daniel Melo Mendes Bezerra.
Nome do relator: DOUGLAS KAKAZU KUSHIYAMA
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JUROS SOBRE O CAPITAL PRÓPRIO. IRRF. NÃO INCIDÊNCIA. NORMA ESPECÍFICA. Havendo norma específica para o caso concreto, esta deve ser aplicada. Dispensa de retenção na fonte e o pagamento em separado do Imposto de Renda sobre rendimentos e ganhos auferidos nas aplicações de recursos das provisões, reservas técnicas e fundos de planos de benefícios de entidade de previdência complementar. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo Presidente. (assinado digitalmente) Douglas Kakazu Kushiyama Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Débora Fófano dos Santos, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushiyama, Sheila Aires Cartaxo Gomes (Suplente Convocada), Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente). Ausente o conselheiro Daniel Melo Mendes Bezerra. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 00 67 07 /2 00 9- 01 Fl. 235DF CARF MF 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário de fls. 89/111 interposto contra decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo (SP) de fls. 79/85, a qual negou provimento à manifestação de inconformidade apresentada, em que a DRF negou o direito creditório pleiteado. Dado o didatismo do relatório produzido pela DRJ, transcrevoo: 1. Tratase de pedido de restituição formalizado em 29/05/2009 ao fundamento seguinte: "A Requerente é entidade fechada de previdência privada, sem fins lucrativos, e isenta de IR, a mesma sofreu retenção indevida de IRRF quando do recebimento dos juros sobre o capital próprio (Art. 5º da lei nº 11.053 de 29 de dezembro de 2004)". Na espécie, anotavamse retenções havidas no curso de 2007 (R$ 28.227,32), 2008 (R$ 66.741,60) e 2009 (R$ 34.983,94) fls. 01/10. 2. A DRF de origem negou o pleito por dupla razão (fls. 18/20): 2.1) A benesse em questão só se aplicaria à entidade imune, a teor do preceituado no art. 3º, da Instrução Normativa SRF nº 12, de 10 de fevereiro de 1999, c/c art. 9º, §9º, da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995. No caso, o Contribuinte não se qualificaria como tal. 2.2) Os rendimentos e ganhos objetos da isenção prevista no caput do art. 5º da Lei nº 11.053, de 29 de dezembro de 2004 seriam aqueles auferidos "nas aplicações de recursos das provisões, reservas técnicas e fundos de planos de benefícios de entidade de previdência complementar, sociedade seguradora e FAPI, bem como de seguro de vida com cláusula de cobertura por sobrevivência". No caso, sob o termo "aplicações" não se poderia compreender a destinação de tais e exatas "provisões, reservas técnicas e fundos" na capitalização de outras pessoas jurídicas, assim a ensejar o pagamento nos nomeados juros sobre o capital próprio. Na oportunidade, ofertouse como fundamento legal o disposto no art. 668 do Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 Regulamento do Imposto de Renda RIR/99. 3. Cientificado do decisório acima referido em 17/12/2009 (fl. 21), tornou o Contribuinte aos autos em 13/01/2010 (fls. 22/37) para argumentar o seguinte: 3.1) Repisa que, a se caracterizar como entidade fechada de previdência complementar sem fins lucrativos, "os rendimentos e ganhos que percebe quando da aplicação dos recursos das provisões, reservas técnicas e fundos do plano de benefícios de caráter previdenciário que executa" (fl. 23) estariam livres da incidência de imposto de renda e, no seu preciso caso, tal benesse caberia ser reconhecida mesmo quando referidas provisões, reservas técnicas e fundos fossem destinados à capitalização de outras pessoas jurídicas, de onde adviriam Fl. 236DF CARF MF Processo nº 10380.006707/200901 Acórdão n.º 2201005.042 S2C2T1 Fl. 216 3 rendimentos/ganhos a título de juros sobre o capital próprio. Esta seria a conclusão tirada a partir do caput do art. 5º da Lei nº 11.053, de 2004. 3.2) Nesse sentir, a isenção prevista no referido caput do art. 5º da Lei nº 11.053, de 2004, seria o tanto quanto bastaria para que pudesse disputar a benesse em causa, sendo "absolutamente irrelevante" (fl. 29; destaques do original) a questão sobre ser, ou não, entidade imune. 3.3) Com respeito à extensão e compreensão do termo "aplicações", reportado no mencionado caput do art. 5º da Lei nº 11.053, de 2004, a outrora Medida Provisória nº 2.222, de 4 de setembro de 2001, c/c a Instrução Normativa SRF nº 126, de 25 de janeiro de 2002, apontavam que nele no termo "aplicações" se subsumiria a espécie enfim remunerada a título de juros sobre o capital próprio. Por outra, o aporte de recursos de entidade de previdência complementar prestado na capitalização de outra pessoa jurídica e assim remunerado com o pagamento de juros sobre o capital próprio seria exemplar de aplicação de "provisões, reservas técnicas e fundos" do Contribuinte que, nessa qualidade, mereceriam o benesse da isenção estatuída no art. 5º da Lei nº 11.053, de 2004. Nesse justo sentido estariam a Solução de Consulta SRRF/7ª RF/DISIT nº 17, de 17 de janeiro de 2003, bem que o Acórdão nº 02.7526, de 23 de dezembro de 2004, proferido pela 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belo Horizonte/MG. 3.4) A Lei nº 11.053, de 2004, ao revogar a MP nº 2.222, de 2002, manteve o benefício em causa. Da Decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo (SP) Quando da apreciação do caso, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo (SP) pelo não reconhecimento do direito creditório, conforme ementa abaixo (fl. 79): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 2007, 2008, 2009 ENTIDADE FECHADA DE PREVIDÊNCIA SOCIAL PRIVADA. APLICAÇÃO DE RECURSOS. CAPITALIZAÇÃO DE PESSOA JURÍDICA. JUROS SOBRE O CAPITAL PRÓPRIO. IRRF. INCIDÊNCIA. NORMA ESPECÍFICA (ART. 9º, §§ 2º E 3º, LEI Nº 9.249, 1995) VERSUS NORMA GERAL (ART. 5º, LEI Nº 11.053, DE 2004) AO CRITÉRIO DA NATUREZA DO RENDIMENTO E GANHO PRODUZIDO. HIPÓTESE RESIDUAL DA IMUNIDADE. NÃO OCORRÊNCIA NA ESPÉCIE. ENUNCIADO 730 DA SÚMULA DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL STF. Fl. 237DF CARF MF 4 Não é toda e qualquer espécie de aplicação de recursos das provisões, reservas técnicas e fundos de planos de benefícios de entidade de previdência complementar que merecerá o gozo da isenção predicada no art. 5º, caput, da Lei nº 11.053, de 2004, pois a exata aplicação de tais e quaisquer recursos e de tais e quaisquer Contribuintes quando atualizada dita aplicação na capitalização de outras pessoas jurídicas produzem rendimentos e ganhos que respondem por juros sobre capital próprio. E essa rubrica, a teor do art. 9º, §§ 2º e 3º, da Lei nº 9.249, de 1995, está sujeita à incidência do IRRF, quer como antecipação do devido, no caso de beneficiário pessoa jurídica tributada com base no lucro real, quer como tributação definitiva, na hipótese de beneficiário pessoa jurídica tributada com base no lucro presumido ou arbitrado, ou mesmo beneficiário pessoa jurídica tributada de forma nenhuma sob a espécie imposto de renda por conta de isenção. Tirante essas hipóteses e para o caso, só mesmo a imunidade versada no art. 150, inciso VI, alíena "c", da Constituição Federal de 1988, correria a benefício das entidades fechadas de previdência social privada, afastando a exação em comento. Mas, para tanto, se lhes impõe não exigir contribuição dos seus beneficiários, segundo dispõe o Enunciado 730 da Súmula do STF: "A imunidade tributária conferida a instituições de assistência social sem fins lucrativos pelo art. 150, VI, c, da Constituição, somente alcança as entidades fechadas de previdência social privada se não houver contribuição dos beneficiários". Tal última circunstância não se verificou no caso. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Do Recurso Voluntário A Recorrente, devidamente intimada da decisão da DRJ apresentou o recurso voluntário de fls. 89/111, praticamente repete os argumentos apresentados em sede de manifestação de inconformidade. Este recurso compôs lote sorteado para este relator em Sessão Pública. É o relatório do necessário. Voto Conselheiro Relator Douglas Kakazu Kushiyama O Recurso Voluntário é tempestivo e dele conheço. A meu ver, de certa forma, equivocase a decisão recorrida ao considerar que somente as entidades imunes estariam sujeitas à não incidência do IRRF quando do pagamento dos Juros sobre Capital Próprio, senão vejamos. A Recorrente, conforme devidamente explicado em suas razões, é entidade fechada de previdência social. Fl. 238DF CARF MF Processo nº 10380.006707/200901 Acórdão n.º 2201005.042 S2C2T1 Fl. 217 5 Sendo assim, aplicase a ela o disposto no artigo 5º da Lei nº 11.053/2004, que dispõe: “Art. 5º A partir de 1º de janeiro de 2005, ficam dispensados a retenção na fonte e o pagamento em separado do imposto de renda sobre os rendimentos e ganhos auferidos nas aplicações de recursos das provisões, reservas técnicas e fundos de planos de benefícios de entidade de previdência complementar, sociedade seguradora e FAPI, bem como de seguro de vida com cláusula de cobertura por sobrevivência.” Em outros termos, a dispensa da retenção do imposto de renda na fonte nos termos do disposto no artigo 5º contemplou expressamente as entidades de previdência complementar, sociedade seguradora e FAPI. Esta norma, é norma especial e assim deve ser interpretada, de modo que inaplicável à Recorrente, o disposto no artigo 9º, §§ 2º e 3º, da Lei nº 9.249/1995, que peço a vênia para transcrever: Art. 9º A pessoa jurídica poderá deduzir, para efeitos da apuração do lucro real, os juros pagos ou creditados individualizadamente a titular, sócios ou acionistas, a título de remuneração do capital próprio, calculados sobre as contas do patrimônio líquido e limitados à variação, pro rata dia, da Taxa de Juros de Longo Prazo TJLP. [...] § 2º. Os juros ficarão sujeitos à incidência do imposto de renda na fonte à alíquota de quinze por cento, na data do pagamento ou crédito ao beneficiário. § 3º. O imposto retido na fonte será considerado: I antecipação do devido na declaração de rendimentos, no caso de beneficiário pessoa jurídica tributada com base no lucro real; Verificase, no caso, que a norma contida no disposto no artigo 5º é norma específica e aplicase à Recorrente. Conclusão Diante do exposto, conheço do recurso e doulhe provimento para reconhecer o direito ao crédito requerido pela Recorrente. Relator Douglas Kakazu Kushiyama Fl. 239DF CARF MF 6 Fl. 240DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10825.901244/2017-18
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 29 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Apr 03 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3201-001.615
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do Recurso em diligência.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laércio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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IMUNIDADE. ENTIDADES BENEFICENTES DE ASSISTÊNCIA SOCIAL. Recorrente IRMANDADE DA SANTA CASA DE MACATUBA Recorrida FAZENDA NACIONAL Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do Recurso em diligência. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laércio Cruz Uliana Junior. Relatório Tratase de pedido de Restituição de PIS. A DRF em Bauru/SP, mediante Despacho Decisório, indeferiu o pleito sob o fundamento de que o pagamento indicado no PER encontravase totalmente alocado/vinculado a débito declarado da contribuinte. Na manifestação apresentada a contribuinte afirma que a contribuição ao PIS é indevida porque no julgamento do RE nº 636.941/RS houve decisão do STF, com repercussão geral, no sentido de que as “entidades beneficentes de assistência social possuem imunidade tributária em relação à contribuição destinada ao Programa de Integração Social (PIS).” Informa que solicitou a extinção da dívida constante do processo de parcelamento nº 10825.722624/201615 com base na nota explicativa PGFN/CASTF 637/2014. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 25 .9 01 24 4/ 20 17 -1 8 Fl. 135DF CARF MF Processo nº 10825.901244/201718 Resolução nº 3201001.615 S3C2T1 Fl. 3 2 Esclarece ainda, que em razão dessa decisão retificou a DCTF e solicitou a restituição dos valores pagos. Informa que está anexando Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social, Ata e Estatuto Social, solicitando o deferimento do pedido. Após exame da defesa apresentada a DRJ proferiu acórdão, cuja ementa se transcreve, na parte de interesse: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP SOBRE A FOLHA DE SALÁRIOS. ENTIDADES BENEFICENTES DE ASSISTÊNCIA SOCIAL. IMUNIDADE. RECURSO EXTRAORDINÁRIO Nº 636.941/RS. REQUISITOS. O Supremo Tribunal Federal, ao julgar o recurso extraordinário nº 636.941/RS, no rito do art. 543B da revogada Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973 antigo Código de Processo Civil, decidiu que são imunes à Contribuição ao PIS/Pasep, inclusive quando incidente sobre a folha de salários, as entidades beneficentes de assistência social, desde que comprovem o atendimento aos requisitos legais, quais sejam, aqueles previstos nos artigos 9º e 14 do CTN, bem como no art. 55 da Lei nº 8.212, de 1991 (atualmente, art. 29 da Lei nº 12.101, de 2009). Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Cientificada da decisão acima a contribuinte apresentou diversos documentos, que informa preencherem os requisitos dos artigos 9º e 14 do CTN. Apresentou Recurso Voluntário alegando, em síntese, que cumpriu todos os requisitos estabelecidos em lei para usufruir da imunidade em comento. É o relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução 3201001.598, de 29/01/2019, proferido no julgamento do processo 10825.901227/201781, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela Resolução (3201001.598): "O Recurso Voluntário preenche todos os requisitos e merece ser conhecido. Fl. 136DF CARF MF Processo nº 10825.901244/201718 Resolução nº 3201001.615 S3C2T1 Fl. 4 3 Inicialmente verifico que o contribuinte apresentou parte dos documentos exigidos inicialmente pela DRF para demonstrar a imunidade. No entanto, foi indeferido o pleito por “porque o pagamento indicado para dar suporte ao pleito encontravase totalmente alocado/vinculado a débito da contribuinte.” Ainda o Contribuinte demonstrou que houve parcelamento do débito, sendo que a DRJ proferiu voto reconhecendo o parcelamento, porém, indeferindo o pedido por entender que o Contribuinte não tinha apresentado todos os documentos nos termos do art. 9º e 14 do CTN, combinado com o art. 29 da Lei nº 12.101. Contudo, após proferido Acórdão pela DRJ o Contribuinte apresentou os demais documentos necessários para concessão dos benefícios da imunidade, juntamente com o Recurso Voluntário. Nesse sentido, já se manifestou a 1ª Turma da CSRF: Ementa(s) Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Ano calendário:1999, 2000, 2001, 2002 RATEIO DE DESPESAS. DEDUTIBILIDADE. É válida a adoção de método de aferição indireta de rateio de despesas quando o contribuinte não fornece à fiscalização os documentos necessários para ser aferido o cumprimento do critério de rateio convencionado. INGRESSOS DE VALORES RECEBIDOS POR CONSTITUIÇÃO DE USUFRUTO ONEROSO. Os ingressos oriundos da constituição de usufruto oneroso devem ser tributáveis ao longo do período de usufruto .Assunto: Processo Administrativo Fiscal Anocalendário:1999, 2000, 2001, 2002 PROVAS. RECURSO VOLUNTÁRIO. APRESENTAÇÃO. POSSIBILIDADE. SEM INOVAÇÃO E DENTRO DO PRAZO LEGAL. Da interpretação sistêmica da legislação relativa ao contencioso administrativo tributário, art. 5º, inciso LV da Lei Maior, art. 2º da Lei nº 9.784, de 1999, que regula o processo administrativo federal, e arts. 15 e 16 do PAF, evidenciase que não há óbice para apresentação de provas em sede de recurso voluntário, desde que sejam documentos probatórios que estejam no contexto da discussão de matéria em litígio, sem trazer inovação, e dentro do prazo temporal de trinta dias a contar da data da ciência da decisão recorrida. ALTERAÇÃO DE CRITÉRIO JURÍDICO. Descabe falar em alteração de critério jurídico quando a decisão recorrida mantém o enquadramento legal e a interpretação dos fatos adotados pela Fiscalização, mas exonera parcela do crédito tributário por entender que alguns valores deveriam ser reconhecidos em outros períodos de apuração.Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário:1999, 2000, 2001, 2002 DECADÊNCIA. A decadência prevista no artigo 150, §4º, do Código Tributário Nacional somente ocorre quando há pagamento antecipado do tributo, conforme jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça ao julgar o Recurso Especial nº 973.733SC, representativo de controvérsia. 16327.001227/200542. Data da Sessão 08/08/2017. Adriana Gomes Rêgo Relatora. André Mendes de Moura Redator Designado. Acórdão 9101 003.003 Verificando que o Contribuinte sempre atendeu o pleito da fiscalização, converto o feito em julgamento para que a DRF , verifique os documentos juntados são hábeis e se em seu entender são preenchidos os requisitos do art. 9º e 14, combinado com o art. 29 da Lei nº 12.101. Verificando que o Contribuinte sempre atendeu o pleito da fiscalização, converto o feito em diligência para que a DRF, verifique os documentos juntados são hábeis e se em seu entender são preenchidos os requisitos do art. 9º e 14, combinado com o art. 29 da Lei nº 12.101. Ainda, podendo intimar o contribuinte que apresente outros documentos que ache necessário." Fl. 137DF CARF MF Processo nº 10825.901244/201718 Resolução nº 3201001.615 S3C2T1 Fl. 5 4 Importante salientar que, da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo o contribuinte também juntou declarações e documentos fiscais que embasam a alegação da imunidade que entende possuir direito. Desta forma, os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência do paradigma, também a justificam nos presentes autos. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado converteu o julgamento em diligência para que a DRF verifique se os documentos juntados são hábeis e se, em seu entender, são preenchidos os requisitos do art. 9º e 14, combinado com o art. 29 da Lei nº 12.101, podendo, ainda, intimar o contribuinte a apresentar outros documentos que ache necessários. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 138DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13116.720927/2014-18
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 20 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Mar 12 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2009
OMISSÃO NO ACÓRDÃO, SANEAMENTO PELA VIA DOS EMBARGOS DE DECLARAÇÃO.
Constatada a omissão quanto à análise de pedido de desistência parcial, cabível sua apreciação e saneamento pela via dos embargos de declaração.
PARCELAMENTO. PEDIDO DE DESISTÊNCIA. RENÚNCIA DA DISCUSSÃO.
O pedido de desistência parcial feito pelo contribuinte em razão da inclusão de parte dos débitos em programa de parcelamento, implica na renúncia da discussão administrativa no não conhecimento parcial do recurso voluntário.
Numero da decisão: 1201-002.725
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em acolher os embargos de declaração da PGFN, para fins de corrigir a parte dispositiva da decisão embargada, para os seguintes termos: "Pelo exposto, DOU PARCIAL PROVIMENTO ao RECURSO VOLUNTÁRIO, para afastar a qualificação da multa relativa a CSLL do 1o (primeiro) e 4o (quarto) trimestres de 2009, reduzindo-a de 150% para 75%, bem como para NÃO CONHECER do RECURSO VOLUNTÁRIO em relação aos demais débitos constituídos."
(assinado digitalmente)
Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Luis Henrique Marotti Toselli - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Neudson Cavalcante Albuquerque, Luis Henrique Marotti Toselli, Allan Marcel Warwar Teixeira, Gisele Barra Bossa, Ângelo Abrantes Nunes (Suplente convocado), Jose Roberto Adelino da Silva (Suplente convocado), Breno do Carmo Moreira Vieira (Suplente convocado) e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente).
Nome do relator: LUIS HENRIQUE MAROTTI TOSELLI
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2009 OMISSÃO NO ACÓRDÃO, SANEAMENTO PELA VIA DOS EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. Constatada a omissão quanto à análise de pedido de desistência parcial, cabível sua apreciação e saneamento pela via dos embargos de declaração. PARCELAMENTO. PEDIDO DE DESISTÊNCIA. RENÚNCIA DA DISCUSSÃO. O pedido de desistência parcial feito pelo contribuinte em razão da inclusão de parte dos débitos em programa de parcelamento, implica na renúncia da discussão administrativa no não conhecimento parcial do recurso voluntário.
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secao_s : Primeira Seção de Julgamento
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em acolher os embargos de declaração da PGFN, para fins de corrigir a parte dispositiva da decisão embargada, para os seguintes termos: "Pelo exposto, DOU PARCIAL PROVIMENTO ao RECURSO VOLUNTÁRIO, para afastar a qualificação da multa relativa a CSLL do 1o (primeiro) e 4o (quarto) trimestres de 2009, reduzindo-a de 150% para 75%, bem como para NÃO CONHECER do RECURSO VOLUNTÁRIO em relação aos demais débitos constituídos." (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente. (assinado digitalmente) Luis Henrique Marotti Toselli - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Neudson Cavalcante Albuquerque, Luis Henrique Marotti Toselli, Allan Marcel Warwar Teixeira, Gisele Barra Bossa, Ângelo Abrantes Nunes (Suplente convocado), Jose Roberto Adelino da Silva (Suplente convocado), Breno do Carmo Moreira Vieira (Suplente convocado) e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente).
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DISTRIBUIÇÃO LTDA. ME ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2009 OMISSÃO NO ACÓRDÃO, SANEAMENTO PELA VIA DOS EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. Constatada a omissão quanto à análise de pedido de desistência parcial, cabível sua apreciação e saneamento pela via dos embargos de declaração. PARCELAMENTO. PEDIDO DE DESISTÊNCIA. RENÚNCIA DA DISCUSSÃO. O pedido de desistência parcial feito pelo contribuinte em razão da inclusão de parte dos débitos em programa de parcelamento, implica na renúncia da discussão administrativa no não conhecimento parcial do recurso voluntário. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em acolher os embargos de declaração da PGFN, para fins de corrigir a parte dispositiva da decisão embargada, para os seguintes termos: "Pelo exposto, DOU PARCIAL PROVIMENTO ao RECURSO VOLUNTÁRIO, para afastar a qualificação da multa relativa a CSLL do 1o (primeiro) e 4o (quarto) trimestres de 2009, reduzindoa de 150% para 75%, bem como para NÃO CONHECER do RECURSO VOLUNTÁRIO em relação aos demais débitos constituídos." (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) Luis Henrique Marotti Toselli Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 11 6. 72 09 27 /2 01 4- 18 Fl. 6567DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Neudson Cavalcante Albuquerque, Luis Henrique Marotti Toselli, Allan Marcel Warwar Teixeira, Gisele Barra Bossa, Ângelo Abrantes Nunes (Suplente convocado), Jose Roberto Adelino da Silva (Suplente convocado), Breno do Carmo Moreira Vieira (Suplente convocado) e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente). Relatório Tratase de processo administrativo decorrente de Autos de Infração (fls. 3/33) que exigem IRPJ e CSLL, referentes ao anocalendário de 2009, acrescido de multa qualificada de 150% e juros Selic, em razão da constatação de "omissão de receita operacional, caracterizada pela falta de contabilização, como receitas, de recursos financeiros recebidos de fornecedores, gerando, em conseqüência, redução indevida de lucro sujeito à tributação". De acordo com o Relatório Fiscal que motiva os lançamentos (fls. 34/44): [...] Ao analisarmos a Escrituração Contábil Digital (SPEDECD) do anocalendário 2009, constatamos que o sujeito passivo não utilizou a conta 15674 () ABATIMENTOS S/COMPRAS ou VERBAS/DESCONTOS FORNECEDORES para registrar os recursos financeiros recebidos de fornecedores, diferentemente dos anoscalendário 2007 e 2010, conforme balancete do CMV à fl. 6.196. No entanto, constatamos que no anocalendário 2009 o sujeito passivo recebeu recursos financeiros dos fornecedores, conforme comprovam os extratos bancários do anocalendário 2009 da conta n° 65803 do Banco Bradesco apresentados pelo sujeito passivo, conforme fls. 2.321 a 2.351, e foram estranhamente registrados na contabilidade com o seguinte lançamento: Débito 14309 BRADESCO C/C 65803 Crédito 52 CAIXA Anexamos às fls. 6.197 a 6.211 o Razão da Conta Caixa, contendo somente os lançamentos com valores recebidos de fornecedores (Histórico dos lançamentos: CRED. REF. UNILEVER, CRED. REF. ARCOR DO BRASIL,CRED. REF.COLGATE PALMOLIVE, CRED. REF. UNILEVER BESTF, CRED. REF.BIC BRASIL S. A, e outros fornecedores relacionados no Razão), que somaram o montante de R$ 12.552.904,16 (Doze milhões, quinhentos e cinquenta e dois mil, novecentos e quatro reais e dezesseis centavos). Os lançamentos citados efetuados pelo contribuinte são totalmente anômalos, sendo que a contabilização correta dos recursos financeiros recebidos de fornecedores seria creditar conta de resultado (Outras Receitas Operacionais) em contrapartida a débito da conta banco (Ativo). Com o procedimento contábil adotado pelo sujeito passivo excluiu Fl. 6568DF CARF MF Processo nº 13116.720927/201418 Acórdão n.º 1201002.725 S1C2T1 Fl. 3 3 indevidamente receitas operacionais da apuração do IRPJ, CSLL, PIS/PASEP e COFINS. Vale ainda registrar que utilizandose do lançamento a Crédito na Conta Caixa e a Débito da Conta Banco para registrar os recursos financeiros recebidos de fornecedores, constatamos a existência de saldo credor na Conta Caixa durante todo o ano calendário 2009, impossível em uma escrituração regular, conforme Escrituração Contábil Digital apresentada pelo sujeito passivo, da qual extraímos o relatório às fls. 6.228 a 6.248, . Do exposto, os valores recebidos dos fornecedores a título de "negociações comerciais" são receitas operacionais não contabilizadas pelo sujeito passivo, e diferentemente dos anos calendário 2007 e 2010, em que houve a contabilização em conta redutora do CMV sem influenciar na apuração do IRPJ e CSLL, no anocalendário 2009 haverá repercussão na apuração do IRPJ e da CSLL, pois neste caso não houve a redução na mesma proporção do Custo das Mercadorias Vendidas, sendo considerado como omissão de receitas o montante de R$ 12.552.904,16, conforme Razão da Conta Caixa às fls. 6.197 a 6.211. Resumo Recuros financeiros recebidos de fornecedores / Omissões de Receita 1° Trimestre 2009 R$ 2.904.924,55 2° Trimestre 2009 R$ 4.323.602,44 3° Trimestre 2009 R$ 2.211.959,49 4° Trimestre 2009 R$ 3.112.417,68 Total anual R$ 12.552.904,16 Em 07/05/2014 elaboramos o termo de Constatação Fiscal, conforme fls. 6.253 a 6.274, contendo as constatações apuradas pela fiscalização e que ensejariam lançamento de ofício para exigência de IRPJ e CSLL suplementares para o anocalendário 2009, em razão da falta de contabilização, como receitas, de recursos financeiros recebidos de fornecedores. O sujeito passivo foi cientificado do referido Termo de Constatação Fiscal em 09/05/2014, conforme AR à fl. 6.275, sendo lhe facultado a apresentar justificativas/documentos que contrapusessem as constatações, no prazo de 5 (cinco) dias, contados do recebimento. Decorrido o prazo concedido, o sujeito passivo não apresentou documentos que justificassem o motivo dos valores contabilizados a débito da conta 14309 BRADESCO C/C 6580 3 terem sido feitos em contrapartida a conta 52 CAIXA, e não contra receitas, como seria o procedimento contábil padrão. Fl. 6569DF CARF MF 4 Diante do exposto, procedemos à lavratura dos Autos de Infração para lançamento de ofício dos valores devidos a título de IRPJ e CSLL, apurados com base na receita omitida, caracterizada pela irregularidade na contabilização de receitas (falta de contabilização, como receitas, de recursos financeiros recebidos de fornecedores), nos termos dos arts. 247, 248, 249, inciso II, 251, 277, 278, 279, 280 e 288 do RIR/99 do Decreto n° 3.000, de 26 de março de 1999 (Regulamento do Imposto de Renda 1999). Como resultado da fiscalização, os sócios administradores da empresa foram considerados responsáveis solidários, nos seguintes termos: A presente fiscalização referese aos anoscalendário 2009 e 2010. Com base no Contrato de Constituição de Sociedade por Cotas de Responsabilidade Limitada e Alterações posteriores (1ª a 20ª Alteração Contratual de Sociedade) apresentados pelo sujeito passivo, constatamos os seguintes sóciosadministradores da empresa, que deverão ser responsabilizados solidariamente, nos termos do art. 135 do CTN, inciso III: Qualificação dos Responsáveis Solidários: a) OSVANDO SILVESTRE DE ALMEIDA, [...] b) VALDEMAR JORGE NABEN, [...] O devedor principal (A.S.E. DISTRIBUIÇÃO LTDA) apresentou impugnação (fls. 6.331/6.368), por meio da qual se defende, em síntese, com as seguintes razões: foram apresentados à fiscalização todos os livros e documentos solicitados, não havendo dúvidas quanto à legalidade do procedimento de apuração da base de cálculo do IR e CS; a empresa nunca incorreu em pratica de qualquer ato que pudesse ensejar o lançamento fiscal, pois sequer deixou de emitir uma única nota fiscal e sua escrituração contempla todas as operações de vendas; os valores recebidos dos fornecedores tem natureza de bonificação, sendo considerados como descontos incondicionais, portanto livres da incidência tributária; não houve observância ao princípio da verdade material, legalidade e ampla defesa; sustenta a indedutibilidade do valor da CSLL, para efeito de determinação do lucro real (base de cálculo do Imposto de Renda) e da sua própria base de cálculo, sob pena de ferir o conceito constitucional de renda; Fl. 6570DF CARF MF Processo nº 13116.720927/201418 Acórdão n.º 1201002.725 S1C2T1 Fl. 4 5 aduz que que o art. 1º da Lei nº 9.316/96, em flagrante violação ao princípio da hierarquia das leis, promoveu o alargamento da base de cálculo do IRPJ e CSLL ao prever a indedutibilidade do valor apurado a título da referida contribuição; e a taxa Selic é inconstitucional; a multa de 150% é excessiva e confiscatória. Ao final, protesta pela produção de todas as provas permitidas, bem como a realização de perícia para se apurar os valores retidos a titulo de substituição tributaria que deveriam ter sido deduzidos do quantum apurado. Já os solidários, mesmo intimados dos Termos de Sujeição Passiva Solidária, não impugnaram os lançamentos. Em Sessão de 28 de novembro de 2014, a DRJ julgou a defesa improcedente, por meio de Acórdão (fls. 6.391/6.404) que restou assim ementado: OMISSÃO DE RECEITA. RECEBIMENTO DE RECURSOS FINANCEIROS. FORNECEDORES. CONTAS DE RESULTADO. Recursos financeiros recebidos de fornecedores, contabilizados diretamente em conta do ativo, sem a prova da vinculação inequívoca de tais recebimentos com a compra de mercadorias, não caracteriza bonificação, mas, receita omitida. DEDUTIBILIDADE DE TRIBUTOS APURADOS EM LANÇAMENTO DE OFÍCIO. Incabível a dedutibilidade, na determinação do lucro real, da CSLL apurada em ação fiscal. QUALIFICAÇÃO DE MULTA DE OFÍCIO. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Qualificação da multa de ofício imputada sem contestação expressa considerase matéria não impugnada, conforme preceitua o art. 17 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, que rege o processo administrativo de determinação e exigência dos créditos tributários da União PAF . ÓRGÃOS ADMINISTRATIVOS. COMPETÊNCIA. A apreciação das autoridades administrativas limitase às questões de sua competência, qual seja o controle da legalidade dos atos administrativos, consistente em examinar a adequação dos procedimentos fiscais às normas legais vigentes, zelando, assim, pelo seu fiel cumprimento. JUROS DE MORA COM BASE NA TAXA SELIC. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Fl. 6571DF CARF MF 6 Anocalendário: 2009 LANÇAMENTO DECORRENTE. Por se tratar de exigência reflexa realizada com base nos mesmos fatos, a decisão de mérito prolatada quanto ao lançamento do imposto de renda pessoa jurídica constitui prejulgado na decisão do lançamento decorrente relativo à CSLL. DEDUTIBILIDADE DE TRIBUTOS APURADOS EM LANÇAMENTO DE OFÍCIO. Incabível a dedutibilidade, da CSLL apurada em ação fiscal, na determinação da sua própria base de cálculo. Intimada eletronicamente da decisão de piso em 24/02/2015 (fls. 6.417), a contribuinte interpôs recurso voluntário em 03/03/2015 (fls. 6.420/6.460). Reitera os argumentos de defesa, pede que seja reconhecida a aplicação da Súmula CARF n. 14 para afastar a qualificação da multa nesse caso concreto. Posteriormente, por meio de petição de fls. 6.487, 6.502 e 6.503, houve pedido para que parte do débito da CSLL e respectiva multa (Primeiro e Quarto trimestres de 2009) sejam desmembradas, bem como de desistência integral da discussão do IRPJ e parte remanescente da CSLL, tendo em vista a inclusão desses débitos no PERT. Não obstante esse pedido, essa C. Câmara acabou julgando toda a matéria (vide Acórdão 1201002.096 fls. 6.516/6.531), tendo sido o recurso voluntário conhecido e julgado parcialmente procedente, para afastar a multa qualificada, reduzindoa para 75%. Cientificada dessa decisão, a PGFN opôs Embargos de Declaração (fls. 6.533/6.535), devidamente admitidos (fls. 6.552/6.553), alegando omissão quanto à análise do referido pedido de desistência, pedido este que levaria a perda de objeto de parte do recurso voluntário. É o relatório. Voto Conselheiro Luis Henrique Marotti Toselli, Relator. Conforme relatado, houve omissão no julgado do Carf, uma vez que o pedido de desistência parcial apresentado pelo contribuinte em razão da inclusão de parte dos débitos ora exigidos em programa de parcelamento não teria sido levado em conta. Com efeito, o parcelamento promovido pelo contribuinte durante o trâmite processual do processo administrativo fiscal federal implica na renúncia da discussão e no não conhecimento do recurso interposto. Nesse sentido é a previsão do RICARF: Fl. 6572DF CARF MF Processo nº 13116.720927/201418 Acórdão n.º 1201002.725 S1C2T1 Fl. 5 7 “Art. 78. Em qualquer fase processual o recorrente poderá desistir do recurso em tramitação. § 1º A desistência será manifestada em petição ou a termo nos autos do processo. § 2º O pedido de parcelamento, a confissão irretratável de dívida, a extinção sem ressalva do débito, por qualquer de suas modalidades, ou a propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda Nacional, de ação judicial com o mesmo objeto, importa a desistência do recurso.” Considerando, porém, que a desistência é parcial, afinal os débitos da CSLL relativos ao 1o (primeiro) e 4o (quarto) trimestres não foram incluídos no PERT, o recurso voluntário não deve ser conhecido para os demais débitos contemplados nos Autos de Infração que geraram esse processo administrativo. Por todo o exposto, ACOLHO os EMBARGOS de DECLARAÇÃO, para fins de corrigir a parte dispositiva da decisão embargada, para os seguintes termos: Pelo exposto, DOU PARCIAL PROVIMENTO ao RECURSO VOLUNTÁRIO, para afastar a qualificação da multa relativa a CSLL do 1o (primeiro) e 4o (quarto) trimestres de 2009, reduzindoa de 150% para 75%, bem como para NÃO CONHECER do RECURSO VOLUNTÁRIO em relação aos demais débitos constituídos. É como voto. (assinado digitalmente) Luis Henrique Marotti Toselli Fl. 6573DF CARF MF
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Numero do processo: 10880.915968/2008-93
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Dec 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Mar 21 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 31/10/1999
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO.
Identificada a omissão no acórdão embargado, acolhem-se os embargos, com efeitos infringentes, para saneamento do vício identificado, mediante a prolação de um novo acórdão.
Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 31/10/1999
PIS. RECEITAS. VENDAS. EMPRESAS. ZONA FRANCA DE MANAUS. ISENÇÃO.
As receitas decorrentes de vendas de mercadorias nacionais para empresas localizadas na Zona Franca de Manaus gozam de isenção da contribuição.
Numero da decisão: 9303-007.774
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e acolher os Embargos de Declaração, com efeitos infringentes, para retificar o acórdão embargado a fim de sanar o vício de omissão detectado e dar provimento ao Recurso Especial do Contribuinte, reconhecendo a isenção da contribuição sobre as receitas decorrentes de vendas de mercadorias nacionais para as empresas sediadas na ZFM e, consequentemente, o seu direito à repetição/compensação dos valores da contribuição calculados e pagos indevidamente sobre tais receitas, cabendo à autoridade administrativa, apurar os indébitos e homologar as compensações até o montante apurado.
(Assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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ISENÇÃO. VENDAS PARA A ZONA FRANCA DE MANAUS. Embargante SPECTRUM BRANDS BRASIL INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE BENS DE CONSUMO LTDA Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 31/10/1999 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. Identificada a omissão no acórdão embargado, acolhemse os embargos, com efeitos infringentes, para saneamento do vício identificado, mediante a prolação de um novo acórdão. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 31/10/1999 PIS. RECEITAS. VENDAS. EMPRESAS. ZONA FRANCA DE MANAUS. ISENÇÃO. As receitas decorrentes de vendas de mercadorias nacionais para empresas localizadas na Zona Franca de Manaus gozam de isenção da contribuição. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e acolher os Embargos de Declaração, com efeitos infringentes, para retificar o acórdão embargado a fim de sanar o vício de omissão detectado e dar provimento ao Recurso Especial do Contribuinte, reconhecendo a isenção da contribuição sobre as receitas decorrentes de vendas de mercadorias nacionais para as empresas sediadas na ZFM e, consequentemente, o seu direito à repetição/compensação dos valores da contribuição calculados e pagos indevidamente sobre tais receitas, cabendo à autoridade administrativa, apurar os indébitos e homologar as compensações até o montante apurado. (Assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 91 59 68 /2 00 8- 93 Fl. 481DF CARF MF Processo nº 10880.915968/200893 Acórdão n.º 9303007.774 CSRFT3 Fl. 3 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello. Relatório Tratase de embargos de declaração apresentados contra o Acórdão nº 9303 006.415, de 13 de março de 2018, da 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais que, relativamente ao reconhecimento de direito creditório de PIS, negou provimento ao recurso especial do contribuinte, nos termos da ementa a seguir reproduzida: ASSUNTO: Contribuição para o PIS/Pasep Data do fato gerador: 31/10/1999 PIS/COFINS. RECEITAS DE VENDAS A EMPRESAS SEDIADAS NA ZONA FRANCA DE MANAUS. INCIDÊNCIA. Até julho de 2004 não existe norma que desonere as receitas provenientes de vendas a empresas sediadas na Zona Franca de Manaus das contribuições para o PIS e COFINS, a isso não bastando o art. 4º do DecretoLei nº 288/67." A embargante alega que ocorreu omissão no acórdão embargado, relativamente a ponto (normas) sobre os quais a Turma deveria ter se pronunciado. Consoante seu entendimento, o disposto no Parecer PGFN/CRJ/Nº 1.743, de 1º de dezembro de 2016, e no Ato Declaratório PGFN Nº 4, de 16 de novembro de 2017, ambos da Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN), deveria ter sido levado em conta no julgamento. Os embargos foram admitidos. É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303007.768, de 11/12/2018, proferido no julgamento do processo 10880.915902/200801, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão 9303007.768): Fl. 482DF CARF MF Processo nº 10880.915968/200893 Acórdão n.º 9303007.774 CSRFT3 Fl. 4 3 "O acórdão embargado negou provimento ao recurso especial do contribuinte sob o fundamento de que, até julho de 2004, não existia norma que desonerasse as receitas decorrentes de vendas de mercadorias para empresas sediadas na Zona Franca de Manaus da contribuição para o PIS. No entanto, na análise e julgamento do recurso especial do contribuinte, o relator não levou em consideração o entendimento da Procuradoria da Geral da Fazenda Nacional exarado no Parecer nº PGFN/CRJ/Nº 20166 e a autorização dada pelo Ato Declaratório PGFN Nº 4, de 16 de novembro de 2017. O referido Parecer tratou da isenção do PIS e da Cofins sobre as receitas decorrentes de vendas de mercadorias nacionais para empresas sediadas na ZFM e, tendo em vista decisões do Superior Tribunal de Justiça (STJ) e do Supremo Tribunal Federal (STF), nele citadas e as respectivas ementas transcritas, concluiu literalmente: "Assim, presentes os pressupostos estabelecidos pelo art. 19, inciso II, da Lei nº 10.522, de 2002, c/c o art. 5º do Decreto nº 2.346, de 1997, recomendase que o ProcuradorGeral da Fazenda Nacional expeça ato declaratório que autorize a não apresentação de contestação, a não interposição de recursos e a desistência dos já interpostos, desde que inexista outro fundamento relevante, nas ações judiciais pautadas no entendimento de que não há incidência de PIS/COFINS sobre receita decorrente de vendas de mercadorias de origem nacional destinadas a pessoas jurídicas sediadas na Zona Franca de Manaus. Por oportuno, propõese, ainda, a seguinte nova redação para o item constante da Lista de Dispensa: 1.31 PIS/COFINS l) Venda de mercadorias destinadas à Zona Franca de Manaus Precedentes: ADI 2.3489/DF, RE 539.590/PR e AgRg no RE 494.910/SC; AgInt no AREsp 944.269/AM, AgInt no AREsp 691.708/AM, AgInt no AREsp 874.887/AM, AgRg no Ag 1.292.410/AM, REsp 1.084.380/RS, REsp 982.666/SP, REsp 817777/RS e EDcl no REsp 831.426/RS. Resumo: Ao apreciar a cautelar na ADI 2.3489/DF, o STF, por unanimidade, suspendeu a eficácia da expressão “na Zona Franca de Manaus”, constante do art. 14, § 2º, I, da MP nº 2.03724/00 (que afastava da isenção de PIS/COFINS na exportação para o exterior a receita de vendas efetuadas a empresa estabelecida na ZFM), por violação ao art. 40 do ADCT (que teria estabilizado o art. 4º do DL nº 288/67. A partir de então, ou seja, na MP nº 2.03725/00, editada em dezembro/2000 (hoje art. 14 da MP nº 215835/01), a ressalva à Zona Franca de Manaus foi suprimida. Nesse cenário, o STF firmou, em sede de RE, o entendimento de que a controvérsia acerca da incidência do PIS/COFINS sobre a venda de mercadorias destinadas à Zona Franca de Manaus se restringe ao âmbito infraconstitucional, enquanto o STJ e os TRF’s firmaram o entendimento de que, por força dos arts. 5º da Lei nº 7.714/88, 7º da Lei complementar nº 70/91 e 14 da MP nº 215835/01, c/c art. 4º do DL nº 288/67, não incide PIS/COFINS sobre a receita decorrente de venda de mercadoria de origem nacional destinada a pessoa jurídica sediada na Zona Franca de Manaus, pois se trataria de operação equiparada a exportação (art. 4º do DL nº 288/67). O STJ também firmou o entendimento de que o benefício fiscal se aplica ainda que a vendedora (e não apenas a adquirente) seja sediada na ZFM (chamadas “vendas internas”). OBSERVAÇÃO: a dispensa não se aplica quando se tratar de: (i) venda de mercadoria por Fl. 483DF CARF MF Processo nº 10880.915968/200893 Acórdão n.º 9303007.774 CSRFT3 Fl. 5 4 empresa sediada na ZFM a outras regiões do país; (ii) operação envolvendo pessoa física (vendedor ou adquirente); (iii) venda de mercadoria que não tenha origem nacional; e (iv) receita decorrente de serviços (e não venda de mercadorias) prestados a empresas sediadas na ZFM." Por sua vez o Ato Declaratório, assim dispõe: “DECLARA que, fica autorizada a dispensa de apresentação de contestação, de interposição de recursos e a desistência dos já interpostos, desde que inexista outro fundamento relevante: 'nas ações judiciais que discutam, com base no art. 4º do DecretoLei nº 288, de 28 de fevereiro de 1967, a incidência do PIS e/ou da COFINS sobre receita decorrente de venda de mercadoria de origem nacional destinadas a pessoas jurídicas sediadas na Zona Franca de Manaus, ainda que a pessoa jurídica vendedora também esteja sediada na mesma localidade'.”. A luz do exposto, acolho os embargos de declaração, com efeitos infringentes, para retificar o acórdão embargado a fim de sanar o vício de omissão detectado e dar provimento ao recurso especial do contribuinte, reconhecendo a isenção do PIS sobre as receitas decorrentes de vendas de mercadorias nacionais para as empresas sediadas na ZFM e, consequentemente, o seu direito à repetição/compensação dos valores da contribuição calculados e pagos indevidamente sobre tais receitas, cabendo à autoridade administrativa, apurar os indébitos e homologar as compensações até o montante apurado." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado acolheu os embargos de declaração, com efeitos infringentes, para retificar o acórdão embargado a fim de sanar o vício de omissão detectado e dar provimento ao recurso especial do contribuinte, reconhecendo a isenção da contribuição sobre as receitas decorrentes de vendas de mercadorias nacionais para as empresas sediadas na ZFM e, consequentemente, o seu direito à repetição/compensação dos valores da contribuição calculados e pagos indevidamente sobre tais receitas, cabendo à autoridade administrativa, apurar os indébitos e homologar as compensações até o montante apurado. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 484DF CARF MF
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Numero do processo: 10783.901334/2008-51
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 20 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Apr 05 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3003-000.018
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o presente julgamento em diligência, para que a unidade de origem tome as providências delineadas nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Marcos Antonio Borges - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antonio Borges, Vinícius Guimarães, Márcio Robson Costa e Muller Nonato Cavalcanti Silva.
Nome do relator: MARCOS ANTONIO BORGES
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o presente julgamento em diligência, para que a unidade de origem tome as providências delineadas nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antonio Borges, Vinícius Guimarães, Márcio Robson Costa e Muller Nonato Cavalcanti Silva. Relatório Trata o presente processo de Declaração de Compensação gerada pelo programa PER/DCOMP transmitida em 16/03/2004, de crédito referente a valor que teria sido recolhido a maior ou indevidamente em 15/07/2003, a título de PIS, atinente ao período de apuração 06/2003, com débito da própria contribuição.. Após processada foi exarado o Despacho Decisório (efls. 05), emitido em 18/07/2008, no qual consta que não foi confirmada a existência do crédito informado, pois o DARF descrito no PER/DCOMP acima identificado não foi localizado nos sistemas da Receita Federal. Assim, diante da inexistência de crédito, a compensação declarada NÃO FOI HOMOLOGADA. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 07 83 .9 01 33 4/ 20 08 -5 1 Fl. 65DF CARF MF Processo nº 10783.901334/200851 Resolução nº 3003000.018 S3C0T3 Fl. 3 2 Intimado, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade aonde alegou, em síntese: 1. Após receber Termo de Intimação sobre irregularidade no preenchimento da PER/DCOMP, apresentou outra declaração de compensação com o valor correto de R$ 2.514,89, mas ao invés de indicar como retificadora, foi entregue como declaração original; 2. Procurou apresentar Declaração Retificadora, mas não conseguiu transmitir devido a emissão do Despacho Decisório; 3. Assim sendo, solicita a compensação dos referidos valores e a exclusão das pendências existentes, originados em função dos motivos acima alegados; 4. Requer por fim, provar por meio de todas as provas admitidas em Direito, em especial a documental, juntada de novos documentos e testemunhal, nos termos do CPC e inciso LV do artigo 5º da Constituição Federal. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro II (RJ) julgou improcedente a manifestação de inconformidade nos termos do Acórdão nº 1338.621. O fundamento adotado, em síntese, foi a falta de comprovação do direito creditório pleiteado. Inconformada, a contribuinte recorre a este Conselho, através de Recurso Voluntário apresentado, com as seguintes alegações: I) A recorrente ao proceder a apuração de sua contribuição para o PIS/PASEP, período de apuração 01/05/2003 a 31/05/2003 o fez erroneamente, recolhendo o DARF corresponde pelo código 6912, no dia 13/06/2003 no valor de R$ 2.514,89 (dois mil quinhentos e quatorze reais e oitenta e nove centavos) copias anexas, quando o valor correto a recolher seria R$ 987,86(novecentos e oitenta e sete reais e oitenta e seis centavos); II) Ao perceber o equivoco a recorrente procedeu as correções através do PERD/COMP em 16/03/2004 acertando para o valor correto de R$ 987,86 (novecentos e oitenta e sete reais e oitenta e seis centavos) acertando então o recolhimento do mês 05/2003; III) Nesse caso, tendo a recorrente compensado os R$ 987,86, (novecentos e oitenta e sete reais e oitenta e seis centavos) ainda sobrou para compensar a quantia de R$ 1.527,03 (hum mil quinhentos e vinte e sete reais e três centavos); IV) A recorrente então procedeu a uma nova PERD/COMP em 09/08/2006 compensando os valores apurados em 06/2003, cujo valor o correto do Fl. 66DF CARF MF Processo nº 10783.901334/200851 Resolução nº 3003000.018 S3C0T3 Fl. 4 3 recolhimento no referido mês seria de R$ 959,78 (novecentos e cinqüenta e nove reais e setenta e oito centavos) há de se esclarecer que a presente PED/COMP foi emitida e enviada como "original", quando na realidade ela deveria ter sido "retificadora". V) Nesse caso não há o que se falar em DARF no valor de R$ 959,78 (novecentos e cinqüenta e nove reais e setenta e oito centavos), pois este não foi realmente recolhido, o que de fato ocorreu foi apenas e tão somente uma compensação do valor pago a maior no mês 05/2003, excluído do DARF recolhido 05/2003 R$ 2.514,89 (dois mil quinhentos e quatorze reais e oitenta e nove centavos). VI) A recorrente lembra que existe um outro processo de n° 10783912.357/200972 de 15/09/2009 encontrase ainda em fase de julgamento na esfera administrativa que trata exatamente da mesma matéria, ou seja a mesma cobrança, cujo recurso também esclarece o fato de que a recorrente procedeu a compensação corretamente. Posteriormente a recorrente peticionou às fls. 60, solicitando o "arquivamento do processo n.9 10783901.744/200801 que encontrase neste setor, uma vez que existia um processo sobre a mesma matéria de n.9 10783913.013/200981 o qual foi parcelado e totalmente quitado, não havendo mais motivo para que o processo n.9 10783901.744/200801 permaneça tramitando neste órgão". Juntou às fls. 61 e 62 telas dos Extrato dos referidos Processos nos quais informa a extinção dos débitos compensados no presente processo por Parcelamento. É o Relatório. Voto Conselheiro Marcos Antonio Borges, Relator. O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, inclusive quanto à competência das Turmas Extraordinárias, portanto dele tomase conhecimento. Segundo a recorrente, houve um pagamento a maior de PIS, código 6912, período de apuração 01/05/2003 a 31/05/2003, pois do DARF recolhido em 13/06/2003 no valor de R$ 2.514,89, teria sido utilizado apenas o valor de R$ 987,86, gerando um crédito de R$ 1.527,03. A recorrente primeiramente transmitiu o Per/Dcomp nº 38413.64572.160304.1.3.046088, no qual declara um crédito oriundo de pagamento a maior de PIS/PASEP, Código da Receita: 8109, Período de Apuração: 30/06/2003, Data de Arrecadação: 15/07/2003 , no valor de R$ 959,78, visando a compensar o débito de PASEP Faturamento, código 81091, período de apuração Jun/2003, no valor de R$ 959,78. Conforme relatado, a compensação declarada não foi homologada, pois o DARF descrito no PER/DCOMP não foi localizado nos sistemas da Receita Federal. Fl. 67DF CARF MF Processo nº 10783.901334/200851 Resolução nº 3003000.018 S3C0T3 Fl. 5 4 Relata a recorrente que procedeu a uma nova compensação através do Per/Dcomp nº 35548.37543.090806.1.3.049100 visando a compensar o débito de PIS Faturamento, código 81092, período de apuração Jun/2003, no valor de R$ 959,78; com crédito oriundo de pagamento a maior de PIS/PASEP, relativo ao fato gerador de 06/2003. Sustenta ainda que existe um outro processo de n° 10783912.357/200972 de 15/09/2009, que encontrase ainda em fase de julgamento na esfera administrativa e que trata exatamente da mesma matéria. Preliminarmente, tendo em vista a informação de que os débitos compensados no presente processo e não homologados foram parcelados, implicando em renúncia ao direito sobre o qual se funda o recurso interposto pelo sujeito passivo, verifiquemos o que dispõe o art. 78 do Anexo II à Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015, que aprovou o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF(grifos acrescidos): Art. 78. Em qualquer fase processual o recorrente poderá desistir do recurso em tramitação. § 1º A desistência será manifestada em petição ou a termo nos autos do processo. § 2º O pedido de parcelamento, a confissão irretratável de dívida, a extinção sem ressalva do débito, por qualquer de suas modalidades, ou a propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda Nacional, de ação judicial com o mesmo objeto, importa a desistência do recurso. § 3º No caso de desistência, pedido de parcelamento, confissão irretratável de dívida e de extinção sem ressalva de débito, estará configurada renúncia ao direito sobre o qual se funda o recurso interposto pelo sujeito passivo, inclusive na hipótese de já ter ocorrido decisão favorável ao recorrente § 4º Havendo desistência parcial do sujeito passivo e, ao mesmo tempo, decisão favorável a ele, total ou parcial, com recurso pendente de julgamento, os autos deverão ser encaminhados à unidade de origem para que, depois de apartados, se for o caso, retornem ao CARF para seguimento dos trâmites processuais. § 5º Se a desistência do sujeito passivo for total, ainda que haja decisão favorável a ele com recurso pendente de julgamento, os autos deverão ser encaminhados à unidade de origem para procedimentos de cobrança, tornandose insubsistentes todas as decisões que lhe forem favoráveis. Verificase nos autos, às fls. 61 e 62, tela do Extrato do Processo nº 10783 912.357/200972, no qual consta a extinção de débito de PIS, código 8109, período de apuração 06/2003, no valor de R$ 959,78 por Parcelamento, contudo, não está claro se tal parcelamento abrangeria os débitos compensados no presente feito. A petição apresentada faz referência a processos administrativos diversos do presente, dos quais não consta o desfecho administrativo e se abrangem os créditos contidos na presente lide. Ante ao exposto, voto no sentido de converter o presente julgamento em diligência para que a unidade de origem informe se, em relação aos débitos compensados no Fl. 68DF CARF MF Processo nº 10783.901334/200851 Resolução nº 3003000.018 S3C0T3 Fl. 6 5 presente processo e não homologados, consta pedido de parcelamento ou pagamento integral no âmbito de programa de regularização fiscal que importe em desistência total ou parcial do presente recurso voluntário. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Fl. 69DF CARF MF
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