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Numero do processo: 10183.720054/2007-22
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 14 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Oct 31 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2004
ÁREA DE RESERVA LEGAL. RECONHECIMENTO. O reconhecimento de quantitativo de reserva legal está adstrito ao averbado na matrícula do imóvel rural.
ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. ÁREAS INDÍGENAS. Reconhece-se a área de preservação permanente existente em proximidade de áreas indígenas desde que informada em ADA tempestivo. Caso dos autos.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2101-002.551
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento em parte ao recurso, para reconhecer a exclusão da tributação da área de preservação permanente de 4.621,76 ha.
LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS - Presidente.
MARIA CLECI COTI MARTINS - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS (Presidente), ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, MARIA CLECI COTI MARTINS, EIVANICE CANARIO DA SILVA, EDUARDO DE SOUZA LEAO.
Nome do relator: MARIA CLECI COTI MARTINS
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Exercício: 2004 ÁREA DE RESERVA LEGAL. RECONHECIMENTO. O reconhecimento de quantitativo de reserva legal está adstrito ao averbado na matrícula do imóvel rural. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. ÁREAS INDÍGENAS. Reconhece-se a área de preservação permanente existente em proximidade de áreas indígenas desde que informada em ADA tempestivo. Caso dos autos. Recurso Voluntário Provido em Parte
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RECONHECIMENTO. O reconhecimento de quantitativo de reserva legal está adstrito ao averbado na matrícula do imóvel rural. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. ÁREAS INDÍGENAS. Reconhecese a área de preservação permanente existente em proximidade de áreas indígenas desde que informada em ADA tempestivo. Caso dos autos. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento em parte ao recurso, para reconhecer a exclusão da tributação da área de preservação permanente de 4.621,76 ha. LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Presidente. MARIA CLECI COTI MARTINS Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS (Presidente), ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, MARIA CLECI COTI MARTINS, EIVANICE CANARIO DA SILVA, EDUARDO DE SOUZA LEAO. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 18 3. 72 00 54 /2 00 7- 22 Fl. 340DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2014 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 25/08/ 2014 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 29/08/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 2 Relatório Trata o presente processo de recurso voluntário contra o Acórdão 0419.604 da 1a. Turma da DRJ/CGE que manteve o crédito tributário lançado para o exercício 2004 relativamente ao imóvel rural NIRF 1.594.6193, com área total de 32.840,48 ha, denominado Fazenda Porto Velho, localizado no município de Santa TerezinhaMT. A Notificação de Lançamento considerou a área total da propriedade com 32.840,48ha, conforme informado em DITR pelo contribuinte, Área de Reserva legal de 16.420,20ha, Valor da Terra Nua (VTN) alterado de R$120,00 para R$ 140,00 e glosada a Área de Preservação Permanente. O contribuinte argumenta no item 26 do recurso voluntário que a área designada pela FUNAI atinge áreas das matrículas 9852, 9853, 9854 e 6288. A seguir informa que, “por força da Lei, a área de 21.631,8ha constante do Laudo Técnico em anexo equivale às terras indígenas denominadas Urubu Branco, sendo passíveis de serem deduzidas da base de cálculo do ITR”. Possui ADA datado de 1998. Reitera que o Ato Declaratório Ambiental do ano 2005 confirma as informações de que a área de preservação permanente é de 21.631,80ha. Colaciona decisões de órgãos julgadores da SRF que aceitam o ADA apresentado tempestivamente e também laudo técnico como instrumento hábil a comprovar a existência da área de preservação permanente. Assegura que as confrontações descritas nas matrículas abertas pela FUNAI de ns. 12752, 12753 e 12754 trazem como conseqüência, por força de lei, que a área de 21.631,8ha equivale à parte da reserva indígena denominada Urubu Branco. Entende que o valor da terra nua calculado pelo perito em laudo está conforme as possibilidades elencadas pela NBR146533 e ao que dispõe a Instrução Normativa da Receita Federal sobre o assunto. Desta forma o laudo apresentado não pode ser desconsiderado. Ao final resume os pedidos conforme segue: a requer seja dado integral provimento ao recurso para cancelar o crédito tributário lançado; b caso não cancelado o lançamento, que seja determinada a conversão do presente julgamento em diligência para se apurar a exatidão das informações prestadas no processo, em observância ao princípio da busca da verdade real; c finalmente, requer a realização de sustentação oral para expor as razões do recurso. Apresentou laudo técnico datado de 13/12/2008 com ART : 355564 – CREA MT, conforme folha 176 dos autos, tendo em vista revisão do valor do VTN. É o relatório. Voto Fl. 341DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2014 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 25/08/ 2014 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 29/08/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10183.720054/200722 Acórdão n.º 2101002.551 S2C1T1 Fl. 3 3 Conselheira Maria Cleci Coti Martins O recurso é tempestivo, atende aos requisitos legais e deve ser conhecido. As informações constantes dos autos relativamente à área de reserva legal e preservação permanente são contraditórias. Entretanto, observase que o contribuinte alega no item 19 do recurso voluntário que os lotes atingidos pela reserva indígena Urubu Branco, de números 56, 138, 130 e 131 e 136 foram por ele colocados como Área de Preservação Permanente, já que não houve a averbação na matrícula dos imóveis 6.288, 9.852, 9.853, 9.854. “19. Diante disto, a Recorrente não teve outra alternativa senão colocar a respectiva área atingida pela demarcação da Reserva Indígena Urubu Branco — lotes n°s. 56, 138, 130, 131 e 136 sob a rubrica de área de preservação permanente, já que não houve a averbação nas matrículas dos imóveis de n°s. 6.288, 9.852, 9.853, 9.854, Doc.4.” Com efeito, art. 15 da Lei 12.651/2012 (novo Código Florestal) admite o cômputo das áreas de preservação permanente no cálculo percentual da reserva legal do imóvel desde que cumpridas as condições especificadas na lei. No item 33 do recurso, o contribuinte informa que as matrículas 12.752, 12.753 e 12.754 correspondem à reserva indígena e que não deveriam ser computadas para cálculo de ITR. Essas áreas não foram computadas no lançamento tributário (fls. 2 e 3). O laudo técnico de fls. 266, feito em dezembro de 2008, apresenta um resumo das áreas: a) Terra Indígena Urubu Branco teria 167.533,3271 ha; e b) área de preservação permanente da fazenda Porto Velho Agropecuária, atingidas pela demarcação da reserva indígena Urubu Branco em função da ocupação pelos silvícolas etnia TAPIRAPÉ, com 21.041,96 ha. O ADA de 2005 (folha 118 dos autos, transmitido em 29/05/2006), especifica a área total do imóvel em 32.840,50ha., área de preservação permanente de 21.631,50ha., área de utilização limitada de 9.438,76ha. Tendo em vista o conjunto de informações acima, ficou claro o que segue. Observase, contudo, a diferença (589,54ha) no quantitativo de área de preservação permanente entre o laudo técnico de fls. 266 e o informado no ADA 2005. Considero que o laudo técnico apresenta os quantitativos de áreas que o recorrente aceita como corretos, caso contrário o recorrente não o teria trazido aos autos. Assim, as seguir estão as informações extraídas do processo. a O tamanho total da propriedade é de 32.840,50ha. b A área de preservação permanente confundese com a área de reserva legal, conforme informação do próprio contribuinte no item 19 do recurso voluntário de que teria lançado as áreas das matrículas dos lotes do lotes 56, 138, 130, 131 e 136, como de preservação permanente no ADA. Desta forma, em sendo esses lotes considerados áreas de preservação permanente na sua totalidade, não restariam áreas, nesses lotes, para serem definidas como reserva legal. Entretanto, são justamente esses lotes que possuem reserva legal constituída (com averbação em cartório), Fl. 342DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2014 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 25/08/ 2014 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 29/08/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 4 conforme os documentos acostados aos autos e que, no meu entender, não podem ser desprezados. Assim, dirimida a confusão sobre as áreas, entendo que a área de preservação permanente deve ser ajustada para o quantitativo complementar aos de reserva legal averbados, a saber: lote APP considerada (total do lote) ARL Área de Reserva Legal (averbada) APP possível 56 e 138 10.395,96ha 10.037,98ha 357,98ha 130 2.996,70ha 0 2996,70ha 136 2.188,23ha 1.094,83ha 1.093,40ha 131 5.461,07ha 4.201,83ha 1.259,24ha total 21.041,96ha 15.334,64ha 5.707,32ha Ajuste das áreas 21.041,96ha* 16.420,20ha** 4.621,76ha(***) * valor informado no laudo técnico apresentado pelo recorrente ** valor considerado no lançamento fiscal *** APP possível = APP (conforme laudo) ARL(conforme lançamento) Tabela – Ajuste das áreas – ARL e APP O laudo de avaliação trazido aos autos pelo recorrente apresenta informações quanto ao uso da terra, sendo 30,0ha com culturas temporárias e 11.289,0ha com pastagem artificial, adicionalmente, existiria um total de 21.631,8 ha de área de preservação permanente e, 9.438,7ha de área de reserva legal pela aplicação do arts. 16 e 44 do Código florestal (Lei 4771/1965). Estas informações são contraditórias, pois somadas ultrapassam a área da propriedade. Entretanto, o somatório do total de pastagem artificial com a área informada de preservação permanente se aproxima do tamanho total da propriedade. Considerando as informações do item 19 do recurso voluntário, fica dirimida a confusão sobre a reserva legal constituída e a área de preservação permanente que o contribuinte informou no ADA. A autoridade fiscal já havia reconhecido a área de reserva legal de 16.420,ha. Entendo que a diferença entre essa área e o total de área de preservação permanente reconhecida no laudo técnico apresentado pelo contribuinte pode ser considerada como área de preservação permanente do imóvel rural, tendo em vista os outros usos definidos para o imóvel no laudo técnico (pastagens, culturas temporárias). O laudo apresentado pelo recorrente informa que o Valor da Terra Nua (VTN) fora calculado com base em “amostras de opiniões oficiais”, sem, contudo, referenciar as fontes nem o conteúdo das mesmas. Conforme item 7.4.3.3 da NBR 146533/2004, “o levantamento de dados constitui a base do processo avaliatório.... No caso de avaliações judiciais, é obrigatória a identificação das fontes”. Assim, o laudo apresentado não atende os requisitos constantes da norma, não justificando a revisão do VTN que consta no lançamento tributário com base no SIPT. Ante o exposto, dou provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer a exclusão da tributação da área de preservação permanente de 4.621,76 ha. Recurso provido parcialmente. Maria Cleci Coti Martins Relatora Fl. 343DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2014 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 25/08/ 2014 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 29/08/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10183.720054/200722 Acórdão n.º 2101002.551 S2C1T1 Fl. 4 5 Fl. 344DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2014 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 25/08/ 2014 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 29/08/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
score : 1.0
Numero do processo: 10980.725271/2011-08
Turma: Terceira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 23 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Nov 28 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2006, 2007, 2008
LUCRO PRESUMIDO. PERCENTUAL DE PRESUNÇÃO. DIREITO DE USO DE LÓCULOS EM CEMITÉRIOS. IRPJ e CSLL.
Na apuração do lucro presumido, as bases de cálculo do IRPJ e da CSLL são determinadas mediante a aplicação do percentual de 32% (trinta e dois por cento) sobre a receita bruta auferida, decorrente da comercialização de direitos de uso de lóculos destinados a sepultamento e de gavetas de ossuários em cemitérios verticais (art.15, §1º, III, c, e art.20 da Lei nº 9.249, de 26/12/95). Na espécie, além de as próprias partes afastaram a natureza de compra e venda dos contratos celebrados, a sua materialidade indica que não regularam direitos reais, mas obrigacionais.
Numero da decisão: 1103-001.131
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, rejeitar a preliminar e, no mérito, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Aloysio José Percínio da Silva - Presidente
(assinado digitalmente)
Eduardo Martins Neiva Monteiro Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Eduardo Martins Neiva Monteiro, Fábio Nieves Barreira, André Mendes de Moura, Breno Ferreira Martins Vasconcelos, Cristiane Silva Costa e Aloysio José Percínio da Silva.
Nome do relator: EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2006, 2007, 2008 LUCRO PRESUMIDO. PERCENTUAL DE PRESUNÇÃO. DIREITO DE USO DE LÓCULOS EM CEMITÉRIOS. IRPJ e CSLL. Na apuração do lucro presumido, as bases de cálculo do IRPJ e da CSLL são determinadas mediante a aplicação do percentual de 32% (trinta e dois por cento) sobre a receita bruta auferida, decorrente da comercialização de direitos de uso de lóculos destinados a sepultamento e de gavetas de ossuários em cemitérios verticais (art.15, §1º, III, c, e art.20 da Lei nº 9.249, de 26/12/95). Na espécie, além de as próprias partes afastaram a natureza de compra e venda dos contratos celebrados, a sua materialidade indica que não regularam direitos reais, mas obrigacionais.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, rejeitar a preliminar e, no mérito, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Aloysio José Percínio da Silva - Presidente (assinado digitalmente) Eduardo Martins Neiva Monteiro Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Eduardo Martins Neiva Monteiro, Fábio Nieves Barreira, André Mendes de Moura, Breno Ferreira Martins Vasconcelos, Cristiane Silva Costa e Aloysio José Percínio da Silva.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1956; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C1T3 Fl. 326 1 325 S1C1T3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10980.725271/201108 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1103001.131 – 1ª Câmara / 3ª Turma Ordinária Sessão de 23 de outubro de 2014 Matéria Autos de infração de IRPJ e CSLL. Lucro Presumido. Índice de presunção. Recorrente UNIVERSAL EMPREENDIMENTOS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2006, 2007, 2008 LUCRO PRESUMIDO. PERCENTUAL DE PRESUNÇÃO. DIREITO DE USO DE LÓCULOS EM CEMITÉRIOS. IRPJ e CSLL. Na apuração do lucro presumido, as bases de cálculo do IRPJ e da CSLL são determinadas mediante a aplicação do percentual de 32% (trinta e dois por cento) sobre a receita bruta auferida, decorrente da comercialização de direitos de uso de lóculos destinados a sepultamento e de gavetas de ossuários em cemitérios verticais (art.15, §1º, III, “c”, e art.20 da Lei nº 9.249, de 26/12/95). Na espécie, além de as próprias partes afastaram a natureza de compra e venda dos contratos celebrados, a sua materialidade indica que não regularam direitos reais, mas obrigacionais. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, rejeitar a preliminar e, no mérito, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Aloysio José Percínio da Silva Presidente (assinado digitalmente) Eduardo Martins Neiva Monteiro – Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 72 52 71 /2 01 1- 08 Fl. 326DF CARF MF Impresso em 28/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 03/11/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 28/11/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10980.725271/201108 Acórdão n.º 1103001.131 S1C1T3 Fl. 327 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Eduardo Martins Neiva Monteiro, Fábio Nieves Barreira, André Mendes de Moura, Breno Ferreira Martins Vasconcelos, Cristiane Silva Costa e Aloysio José Percínio da Silva. Relatório Tratase de autos de infração de IRPJ e CSLL, relativos aos anoscalendário 2006 a 2008, com incidência de multa de ofício no percentual de 75% e juros de mora (fls.90/109). A ciência do contribuinte efetivouse em 4/10/11 (fl.110). Consta do Termo de Verificação Fiscal (TVF) (fls.88/89), verbis: “[...] De acordo com o contrato consolidado, o objeto social da empresa inclui ‘prestação de serviços de locação e vendas de espaços, lóculos, gavetas, ossuários e cremação, nos empreendimentos sob sua administração ou para terceiros; intermediação na venda de produtos e serviços ligados a tanatologia’. Tomando conhecimento de que o espaço destinado ao cemitério vertical deveria ser doado à Igreja Universal quando concluído totalmente o empreendimento, foi solicitado o contrato firmado entre a Universal Empreendimentos Ltda e a Igreja Espiritualista Universal, bem como modelos de contrato de concessão de uso de lóculo e/ou oratório. A Igreja Universal contratou os serviços da Universal Empreendimentos para implantar em todo o território nacional necrópoles verticais de caráter ecumênico denominadas UNIVERSAL. O terreno em que seriam erigidas as necrópoles deveria ser adquirido por conta da Empreendimentos, à qual foi dado amplos poderes para movimentar os recursos em contas da Igreja, administrar as obras e tudo o mais necessário para, após total edificação, doar o terreno e as benfeitorias à Igreja. A leitura dos contratos, os quais encontramse anexos ao processo de auto de infração, confirma o nosso entendimento de que o percentual a ser utilizado na presunção do lucro e na apuração da base de cálculo da CSLL é de 32%. Não se trata de vendas, ainda que o prazo da concessão do direito de uso se dê por tempo indeterminado (perpétuo). A análise da natureza jurídica do direito à sepultura em cemitérios particulares pertence ao direito civil, no qual prevalece o entendimento de que não é possível a constituição de direitos reais que não se encontrem previstos em lei, nem a alteração do conteúdo que a lei lhes atribui. O direito real à sepultura deve se enquadrar em algum dos tipos de direitos reais regulados legalmente, pois, do contrário, tratarseá de direito pessoal. Devem ser excluídos os direitos reais de garantia (penhor, anticrese e hipoteca), pois o direito à sepultura não tem por finalidade garantir o adimplemento de dívida, vinculando o seu pagamento a determinado bem. Fl. 327DF CARF MF Impresso em 28/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 03/11/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 28/11/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10980.725271/201108 Acórdão n.º 1103001.131 S1C1T3 Fl. 328 3 Do mesmo modo, o direito de uso da necrópole não apresenta semelhança com as rendas constituídas sobre imóveis, pois o proprietário do imóvel no qual se encontra localizado o cemitério não perde, completamente, o direito de usar, gozar, fruir e dispor do terreno, o que é revelado pela análise dos instrumentos contratuais. Se o proprietário do imóvel não deixa de ser titular das prerrogativas inerentes ao domínio, em relação ao terreno no qual será construído o jazigo, fica evidente que o direito de uso da necrópole não confere ao seu detentor o domínio sobre aquela porção de solo. Os contratos demonstram que não é reconhecida a propriedade do titular do direito à sepultura sobre a porção do terreno do cemitério. Tendo em vista a aplicação incorreta dos percentuais na presunção do lucro e na apuração da base de cálculo da CSLL, lavramos auto de infração sobre a diferença obtida com a utilização dos percentuais de 8% (IRPJ) e 12% (CSLL) em relação ao percentual de 32%”. Os lançamentos foram considerados procedentes pela Primeira Turma da DRJ – Curitiba (PR), conforme acórdão que recebeu a seguinte ementa (fls.215/223): PRESUNÇÃO DO LUCRO INDEVIDO. CONTRATOS DE CESSÃO DE USO DE IMÓVEL. Nos termos do artigo 15, § 1º, III, “c”, da Lei 9.249/95, sujeitamse ao percentual de presunção do lucro de 32% a Receita Bruta auferida na cessão de direito de uso de bens imóveis e direitos de qualquer natureza. AUTO DE INFRAÇÃO REFLEXO. Aplicase ao auto de infração reflexo, de CSLL, as mesmas razões de decidir, tendo em vista a intima relação entre os fatos, as provas e os fundamentos legais. Devidamente cientificado em 6/3/13 (fl.229), o contribuinte interpôs recurso voluntário em 5/4/13 (fls.235/259), em que alega: comercializaria compartimentos (“gavetas”) em cemitério vertical, destinadas ao sepultamento e à guarda de restos mortais, com a prestação, ainda, de serviços de manutenção e auxílio funeral; as receitas relativas aos bens comercializados seriam tributáveis levandose em conta, na sistemática de apuração pelo lucro presumido, bases de cálculo de 8% e 12% para o IRPJ e CSLL, respectivamente; os cemitérios privados não poderiam ser objeto dos típicos “contratos de concessão”, como ocorre com os cemitérios públicos, normalmente bens das municipalidades; os negócios jurídicos seriam regulados pelo direito privado; “...é muitíssimo comum, por exemplo, denominarse ‘contrato de concessão’ ou ‘contrato de concessão de direito’ alguns negócios que, em verdade, tratamse de compra e venda. Isso ocorre porque o negócio de cemitérios, como já dito, tem origem nos cemitérios públicos, sendo que a denominação ‘concessão de jazigo’ ou simplesmente ‘concessão’ já esta arraigada ao vocabulário do negócio”; Fl. 328DF CARF MF Impresso em 28/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 03/11/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 28/11/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10980.725271/201108 Acórdão n.º 1103001.131 S1C1T3 Fl. 329 4 os contratos apresentados no curso da ação fiscal demonstrariam que as operações tratamse de compra e venda, devendo ser considerada a essência do instituto, não apenas a sua denominação; não poderia a autoridade fiscal ter se limitado, antes da lavratura dos autos de infração, a duas intimações; a decisão recorrida não analisara o contexto geral dos contratos que deram origem aos negócios; os índices de presunção de 32% e 12% constariam de norma de exceção, que enumeraria numerus clausus, devendo, portanto, sua interpretação ser restritiva; a natureza jurídica do direito sobre o sepulcro demonstraria claramente que se trata de bem sujeito à alienação, conforme decidido no REsp nº 1.190.899, sendo que boa parte da doutrina o classifica como um direito real; “...abstratamente, é plenamente reconhecida a possibilidade de alienação do direito sobre o sepulcro, seja este direito reconhecido ou não como direito real”; apesar de os contratos não se mostrarem didáticos, é possível deles extrair os negócios jurídicos subjacentes, sendo necessária uma interpretação sistemática de seus termos, com a observância de todas as suas cláusulas e particularidades; “...o preço fixado no contrato é de R$ 6.000,00 (fls.69) ou R$ 8.400,00 (fls.85), com vencimento em uma data fixa item 3 dos contratos. Por sua vez, no item 2 dos contratos consta claramente que o prazo é ‘indeterminado (perpétuo)’. Ou seja, está ali fixado o preço da venda, que é pago em data fixada e de forma finita. Está ali determinado, também, que pago o preço a gaveta será perpetuamente do comprador (ali denominado imprecisamente de cessionário). Plenamente caracterizada, pois, a compra e venda. Notese que o mesmo contrato prevê também uma prestação de serviço, relativa à ‘Manutenção e Conservação’ (item 6 – fls.69 e 85). O preço pelo serviço deve ser pago anualmente, no valor de 2,5% do valor do bem vendido. A cobrança do serviço de manutenção em questão (que não é objeto da autuação), naturalmente, nada prejudica a caracterização da venda do bem. Notese, inclusive, que os serviços tem valor infinitamente menor e, conforme já destacado alhures, sempre foram tributados com o coeficiente de 32%”; os contratos teriam todos os elementos de uma compra e venda (consenso, coisa e preço), amoldandose à espécie prevista no art.481 do Código Civil, de sorte que a fiscalização não poderia alterar a definição, conteúdo e alcance dos conceitos de direito privado sem violar o art.100 do Código Tributário Nacional; o termo “cessão” poderia significar venda, dação, doação ou locação, sendo que a “cessão de direito de uso de imóvel”, quando onerosa, tratarseia de “...figura muito próxima da locação”, que “nem de longe” caracterizaria os negócios sob análise. Pressuporia a manutenção da titularidade do bem nas mãos do cedente, que pode reavêlo a qualquer momento, caso o cessionário deixe de pagar as prestações. Além disso, a situação seria transitória; “...depois de pago o preço [...], o cessionário (em verdade comprador) adquire o próprio lóculo e/ou oratório, podendo utilizar tal bem por prazo indeterminado (perpétuo). Assim, poderá o cessionário sepultar os restos mortais de um membro de sua família ou, ainda, manter o lóculo vazio. À cedente (em verdade vendedora), não é dada a faculdade de simplesmente reaver a titularidade do bem, que ficará sob a titularidade do cessionário indefinidamente (perpetuamente)”; Fl. 329DF CARF MF Impresso em 28/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 03/11/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 28/11/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10980.725271/201108 Acórdão n.º 1103001.131 S1C1T3 Fl. 330 5 caso se tratasse de “cessão de direito de uso de imóvel”, haveria necessariamente uma proporcionalidade entre o preço pago e o prazo a que se tem direito ao uso do bem, tal qual uma locação; “...a possibilidade de reaver o lóculo/oratório (gaveta) no caso de inadimplemento das taxas de manutenção somente existe caso haja inadimplemento por três anos. E isso ocorre, evidentemente, não porque a propriedade seja resolúvel, mas porque fazse necessária a garantia da manutenção, a qual se mostra imprescindível por razões óbvias”; a transferência de titularidade ao comprador seria reafirmada pela possibilidade de locação ou de nova venda e impenhorabilidade dos bens (conforme decisões judiciais que consideram os jazigos como bens de família) que poderiam ainda ser objeto de herança; na hipótese de cemitério vertical, não se exigiria o parcelamento do solo, com o respectivo registro no cartório de imóveis; a escrita contábil demonstraria que os lóculos seriam plenamente comercializáveis. É o que importa relatar. Voto Conselheiro Eduardo Martins Neiva Monteiro, Relator. Preenchidos os requisitos de admissibilidade do recurso voluntário, dele se toma conhecimento. Inicialmente, quanto à existência de apenas duas intimações prévias à lavratura dos autos de infração, cabe assinalar que não implica qualquer vício a inquinar de nulidade o lançamento, até mesmo porque a legislação de regência do processo administrativo tributário federal, em especial o Decreto nº 70.235, de 6/3/72, e o Decreto nº 7.574, de 29/9/11, não estabelece número mínimo de atos a serem praticados antes do encerramento do procedimento fiscal. À vista dos esclarecimentos prestados pelo contribuinte no curso da fiscalização, a autoridade fazendária competente entendeu que já dispunha de elementos suficientes para caracterizar a infração fiscal e proceder à constituição dos créditos tributários remanescentes. Não se acolhe, portanto, tal preliminar. Quanto ao mérito, entende o Recorrente que os negócios jurídicos selecionados pela fiscalização teriam natureza de compra e venda. Em 24/6/85, a Igreja Espiritualista Universal (Administrada) celebrou “Contrato de Administração” (fls.62/65) com a Universal Empreendimentos Ltda (Administradora) para que esta, “...em todo território nacional, implante, construa e administre, inteiramente, necrópoles verticais de caráter ecumênico”. Ainda de acordo com tal ajuste, os terrenos adquiridos pela Administradora seriam doados à Administrada após sua total edificação, incluídas todas as benfeitorias. O contrato ainda dispõe, na Cláusula “Obrigações e Preço da Administradora”, que “...o capital levantado com a venda dos lóculos será aplicado totalmente em cada empreendimento específico execução da necrópole ecumênica vertical ‘UNIVERSAL’”, sendo que 65% seria Fl. 330DF CARF MF Impresso em 28/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 03/11/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 28/11/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10980.725271/201108 Acórdão n.º 1103001.131 S1C1T3 Fl. 331 6 destinado ao pagamento das empreiteiras, 15% para despesas com vendas e publicidade, e 20% à Administradora, incluído o lucro. Poderseia pensar, em um primeiro momento, diante da redação de tal Cláusula acima mencionada, que a comercialização dos lóculos caracterizaria típica operação de compra e venda. Acontece, porém, que as cláusulas dos contratos celebrados entre o Recorrente e as pessoas físicas (“Título de Perpetuidade da Necrópole Ecumênica Vertical Universal – Contrato de Concessão de Uso de Lóculo e/ou Oratório”) (fls.69/71, 85/86 e 203/204) revelam que os negócios jurídicos tratamse, na realidade, de concessão/cessão de uso de determinado espaço (lóculo e/ou oratório). Vejamos. As pessoas físicas, denominadas Cessionárias, mediante o pagamento de determinado preço passam a ter o direito de uso de especificado lóculo e/ou oratório, desde que se mantenham adimplentes com as taxas anuais de conservação e manutenção. Não há se falar em compra e venda, quando as pessoas físicas não gozam de todas as prerrogativas inerentes ao domínio. Por exemplo, não podem livremente alienar tais espaços, conforme dicção da Cláusula Sétima (“Transferências”): “A concessão de uso de lóculo(s) e/ou Oratório, decorrentes deste Contrato gera direitos obrigacionais e não reais, não podendo ser objeto de alienação pelo Contratado Cessionário, podendo, todavia, ser transferidos a título oneroso ou gratuito, mediante pagamento de taxa de transferência à Contratada Cedente, no valor de 20% (vinte por cento) do valor atualizado do lóculo e/ou Oratório, assumindo seu sucessor todos os ônus, obrigações e direitos aqui estipulados. Neles subrogarseão, entretanto, automaticamente, o cônjuge supérstite, ou seus sucessores legítimos ou testamentários, desde que assim devidamente comprovados perante a Contratada Cedente”. Notese ainda, nesta mesma Cláusula Sétima, que não há se falar em direito real, mas obrigacional. Outras cláusulas contratuais evidenciam que o Recorrente não vende lóculos/oratórios, mas comercializa apenas o respectivo direito de usálos, ainda que por prazo indeterminado (perpetuamente), caso os cessionários, destaquese, mantenhamse adimplentes: “8 – Comunicada a Contratada Cedente sobre a transferência ou cessão, por ato inter vivos, esta somente será aceita e efetivada se os pagamentos devidos, de parcelas ou das taxas de manutenção e conservação, estiverem em dia e inclusive tiver sido paga a taxa de transferência acima referenciada. Todos os encargos, impostos e emolumentos necessários e decorrentes da referida transferência serão suportados pelo Contratante Cessionário. 9 – Da Irrescindibilidade e da Cessação dos Direitos: Reputam as partes irrescindível e irretratável o presente Contrato; todavia, os direitos concedidos ao Contratante Cesssionário, Fl. 331DF CARF MF Impresso em 28/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 03/11/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 28/11/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10980.725271/201108 Acórdão n.º 1103001.131 S1C1T3 Fl. 332 7 por serem de natureza obrigacional e não real, deixarão de existir, automaticamente, em caso de inadimplência do Contratante Cessionário, independentemente de notificação ou aviso da Contratada Cedente e sem que gerem direito à restituição dos valores anteriormente por ele pagos. ..... 11 – O não pagamento das taxas de manutenção e de conservação supraestipuladas, pelo prazo de 3 (três anos), implicará na caducidade da concessão, decaindo o Contratante Cessionário de seus direitos, independentemente de qualquer notificação ou aviso. 12 – Findo o Contrato por qualquer motivo, ficará a Contratada Cedente autorizada a promover a exumação dos restos mortais eventualmente existentes no(s) lóculo(s)/Oratório, independente da presença de qualquer interessado, obrigandose a conservar, pelo prazo de 1(um) ano em urnas próprias, à disposição de quem comprovar interesse legal. Após esse prazo, os restos mortais serão colocados em ossuários comuns (coletivos), adotandose os tratamentos determinados pela legislação vigente e revertendo à Contratante Cedente, eventuais benfeitorias, sem direito à retenção, indenização ou compensação. ..... 15 – Fica facultado ao Contratante Cessionário o direito de locar o(s) lóculo(s)/Oratório a que tem direito de uso, desde que respeitada a presente avença. ..... 19 – A presente avença OBRIGA AS PARTES, a qualquer tempo, por seus herdeiros e/ou sucessores, para todos os efeitos legais.” (destaquei) Reafirmese que as próprias partes explicitam não se tratar a avença de um direito real, mas obrigacional, sendo que a mera inadimplência do cessionário resulta na automática rescisão, independentemente de prévio aviso da Cedente, sem gerar direito à restituição de valores pagos. O Recorrente, conforme contratos acostados aos autos, comercializou o direito de uso de lóculos e de compartimentos em gavetas de ossuários, sendo estes para guarda de urnas com restos mortais. Consta ainda dos autos “Contrato de Locação de Lóculo para Sepultamento Imediato pelo Prazo de 3 Anos” (fl.82), por meio do qual o locador, findo tal prazo, obrigase a proceder à exumação e acondicionar os restos mortais em um compartimento de ossuário (Cláusula 3 – Condições Gerais). Como bem delimitado no acórdão recorrido, “...O sujeito passivo permanece como proprietário do imóvel (terreno e edificações) e aliena o direito de uso”. Na outra ponta do acordo, as pessoas físicas contratantes adquirem mediante contraprestação o direito de usar os lóculos, ainda que perpetuamente, desde que se mantenham Fl. 332DF CARF MF Impresso em 28/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 03/11/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 28/11/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10980.725271/201108 Acórdão n.º 1103001.131 S1C1T3 Fl. 333 8 adimplentes. Não se nega que tal direito possa fazer parte de inventário para posterior partilha dado o seu valor patrimonial, entretanto, tal possibilidade não tem o condão de caracterizar os negócios jurídicos como compra e venda. A propriedade do bem permanece, à luz dos contratos, com a Cedente, Universal Empreendimentos Ltda, que pode reavêlo caso o Cessionário tornese inadimplente, inclusive relativamente às taxas de manutenção e conservação, sem gerar direito à restituição dos valores anteriormente pagos. Logo, dos contratos analisados, não é verdade que, pago o preço, a propriedade do lóculo/gaveta transferese ao comprador, pois, como visto, não poderá deles dispor como bem entender. Não necessariamente, para fins de caracterização da cessão de direito de uso, deve haver proporcionalidade entre o preço pago pelo Cessionário e o prazo de duração do ajuste. Aqui, impera a liberdade das partes na definição do negócio jurídico. Por fim, em consulta ao sítio eletrônico do Tribunal de Justiça do Estado do Paraná (PR)1, verificase que a Sétima Câmara Cível, em sede de apelação na Ação de Rescisão Contratual c/c Indenização, movida exatamente pelo autuado, Universal Empreendimentos Ltda, em face do espólio de determinado Cessionário (Apelação Cível nº 11029955, julgado em 24/9/13, DJ 1211, de 22/10/13, Rel. Denise Kruger Pereira), entendeu que a relação jurídica travada caracteriza “aquisição de título de perpetuidade, na forma de concessão”, ainda que os contratos analisados fossem denominados “Contratos de Compromisso de aquisição de lóculos”. Vejamos, verbis: “[...] Como se vê, restou pactuado que ocorreria, caso necessário, a cobrança de taxa de manutenção e conservação em face dos concessionários dos lóculos. No caso, é incontroverso que o pagamento foi realizado pelo cessionário durante anos a fio (da entrada em atividade da Necrópole até 2002, quando iniciou o inadimplemento), somente após tendo se insurgido quanto à legitimidade das cobranças. Ora, é contraditório que, entre 1986 e 2002 ou seja, durante dezesseis anos o cessionário tenha se resignado ao pagamento da taxa em questão sem nada exigir em face da cedente no sentido de que demonstrasse a necessidade e o cabimento das cobranças, para somente após passar a contestálas. Se, durante todo o período em que efetuou os pagamentos na forma contratualmente estabelecida, o cessionário jamais exigiu a demonstração da ‘efetiva necessidade’ de pagamento dos valores, por que então, apenas a partir de setembro de 2002 passou a questionar tal necessidade? A dificuldade em responder satisfatoriamente tal questionamento conduz à conclusão de que, conforme aduzido pela apelada, o novo comportamento dos apelantes em deixar de arcar com as taxas afigurase contraditório com o comportamento que antes 1 Disponível em https://portal.tjpr.jus.br/jurisprudencia/j/11548255/Ac%C3%B3rd%C3%A3o11029955, consulta em 18/9/14 Fl. 333DF CARF MF Impresso em 28/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 03/11/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 28/11/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10980.725271/201108 Acórdão n.º 1103001.131 S1C1T3 Fl. 334 9 adotavam, em violação do preceito do non venire contra factum proprium. Outrossim, vislumbrase que, por efetuar o pagamento das taxas durante tão extenso período de tempo, o cessionário conformou um padrão de comportamento, ante as obrigações e direitos contratuais, cuja continuidade passou a ser legitimamente esperada pela outra parte contratante a cedente, ora apelada. Neste contexto, não se coaduna com o princípio da boafé contratual, encartado na disposição do art. 422 do Código Civil, que o cessionário simplesmente tenha cessado com os pagamentos, sem comunicar à cedente seu interesse em consultar os balancetes financeiros mensais a fim de ver demonstrada a necessidade da cobrança em questão. Sob este prisma, a interrupção do pagamento, de uma hora para outra, sem sequer haver contestação quanto à cobrança, fere a necessidade de cooperação, informação e boafé entre as partes. ..... Anotese, neste particular, que não há que se alegar, como fazem os apelantes, que, uma vez quitado integralmente o preço, não caberia rescisão. É que não se trata de contrato de transferência de propriedade, de compra e venda, mas sim de aquisição de título de perpetuidade, na forma de concessão. É assim que estabelece a cláusula 3.1: PRAZO DA CONCESSÃO O prazo da presente concessão compromissada é indeterminado [...] (grifo nosso) Tanto é que, conforme já explicitado acima, a inadimplência com o pagamento das taxas devidas importa na rescisão de pleno direito. Extraise do teor dos contratos, portanto, que a continuidade da concessão se subordina ao pagamento das devidas taxas e despesas contratualmente estabelecidas. Neste contexto, tampouco há que se falar em enriquecimento ilícito à apelada em decorrência da rescisão, visto que esta se viu tolhida, durante todos os anos de inadimplência dos apelantes, dos valores por estes devidos a título de manutenção e conservação da Necrópole.” (destaquei) Sendo assim, constatado que o Recorrente administrou bens da Igreja Espiritualista Universal, promovendo a comercialização de direitos de uso e a locação, relativamente a lóculos destinados a sepultamento e compartimentos em gavetas de ossuários, localizados em necrópoles verticais construídas por ordem daquela entidade, o percentual de presunção que incidem na espécie é de 32%, previstos no art.15, §1º, III, “c”, e art.20 da Lei nº 9.249, de 26/12/95: “Art. 15. A base de cálculo do imposto, em cada mês, será determinada mediante a aplicação do percentual de oito por cento sobre a receita bruta auferida mensalmente, observado o disposto nos arts. 30 a 35 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995. §1º Nas seguintes atividades, o percentual de que trata este artigo será de: Fl. 334DF CARF MF Impresso em 28/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 03/11/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 28/11/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10980.725271/201108 Acórdão n.º 1103001.131 S1C1T3 Fl. 335 10 ..... III trinta e dois por cento, para as atividades de: ..... c) administração, locação ou cessão de bens imóveis, móveis e direitos de qualquer natureza; ..... Art. 20. A base de cálculo da contribuição social sobre o lucro líquido, devida pelas pessoas jurídicas que efetuarem o pagamento mensal a que se referem os arts. 27 e 29 a 34 da Lei no 8.981, de 20 de janeiro de 1995, e pelas pessoas jurídicas desobrigadas de escrituração contábil, corresponderá a doze por cento da receita bruta, na forma definida na legislação vigente, auferida em cada mês do anocalendário, exceto para as pessoas jurídicas que exerçam as atividades a que se refere o inciso III do § 1o do art. 15, cujo percentual corresponderá a trinta e dois por cento.” (destaquei) Pelo exposto, VOTO no sentido de rejeitar a preliminar e, no mérito, NEGAR PROVIMENTO ao recurso. (assinado digitalmente) Eduardo Martins Neiva Monteiro Fl. 335DF CARF MF Impresso em 28/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 03/11/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 28/11/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA
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Numero do processo: 10410.005079/2009-33
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 28 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Oct 02 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Exercício: 2008
MULTA REGULAMENTAR. FALTA DE APRESENTAÇÃO DOS ARQUIVOS DIGITAIS. ESCRITURAÇÃO DIGITAL. INTIMAÇÃO FISCAL PARA APRESENTAÇÃO. APLICABILIDADE E VALOR DA MULTA. REDAÇÃO DADA PELA LEI Nº 12.873, DE 2013.
Na literalidade do disposto na Lei nº 12.863, de 2013, a multa por não atendimento à intimação da Secretaria da Receita Federal do Brasil é para aqueles contribuintes, quaisquer que sejam, que não apresentem ou o façam incorreta ou intempestivamente declaração, demonstrativo ou escrituração digital, cujo valor é de R$ 1.500,00 (mil e quinhentos reais) por mês-calendário de atraso.
RETROATIVIDADE DA LEI. CONDUTA MAIS FAVORÁVEL PARA O CONTRIBUINTE. FALTA DE APRESENTAÇÃO DOS ARQUIVOS DIGITAIS. ESCRITURAÇÃO DIGITAL. VALOR DA MULTA
Com a edição da Lei n( 12.863, de 2013, o valor da multa, por falta de apresentação dos arquivos digitais, é de R$ 1.500,00 (mil e quinhentos reais) por mês-calendário de atraso razão pela qual, no caso dos autos, a regra ser seguida é a editada por esta nova norma e, portanto, as multas aplicadas com base nas regras anteriores devem ser adaptadas, no que foram mais benéficas para o contribuinte, às novas determinações, conforme determina o art. 106, inciso II, alínea c, do Código Tributário Nacional.
Numero da decisão: 1402-001.805
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para reduzir a multa ao valor de R$ 7.500,00, nos termos do voto do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
(Assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto - Presidente
(Assinado digitalmente)
Paulo Roberto Cortez - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Leonardo de Andrade Couto, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Carlos Pelá e Paulo Roberto Cortez.
Nome do relator: PAULO ROBERTO CORTEZ
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Exercício: 2008 MULTA REGULAMENTAR. FALTA DE APRESENTAÇÃO DOS ARQUIVOS DIGITAIS. ESCRITURAÇÃO DIGITAL. INTIMAÇÃO FISCAL PARA APRESENTAÇÃO. APLICABILIDADE E VALOR DA MULTA. REDAÇÃO DADA PELA LEI Nº 12.873, DE 2013. Na literalidade do disposto na Lei nº 12.863, de 2013, a multa por não atendimento à intimação da Secretaria da Receita Federal do Brasil é para aqueles contribuintes, quaisquer que sejam, que não apresentem ou o façam incorreta ou intempestivamente declaração, demonstrativo ou escrituração digital, cujo valor é de R$ 1.500,00 (mil e quinhentos reais) por mês calendário de atraso. RETROATIVIDADE DA LEI. CONDUTA MAIS FAVORÁVEL PARA O CONTRIBUINTE. FALTA DE APRESENTAÇÃO DOS ARQUIVOS DIGITAIS. ESCRITURAÇÃO DIGITAL. VALOR DA MULTA Com a edição da Lei n° 12.863, de 2013, o valor da multa, por falta de apresentação dos arquivos digitais, é de R$ 1.500,00 (mil e quinhentos reais) por mêscalendário de atraso razão pela qual, no caso dos autos, a regra ser seguida é a editada por esta nova norma e, portanto, as multas aplicadas com base nas regras anteriores devem ser adaptadas, no que foram mais benéficas para o contribuinte, às novas determinações, conforme determina o art. 106, inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para reduzir a multa ao valor de R$ 7.500,00, nos termos do voto do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 41 0. 00 50 79 /2 00 9- 33 Fl. 233DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 26/09/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ 2 (Assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente (Assinado digitalmente) Paulo Roberto Cortez Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Leonardo de Andrade Couto, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Carlos Pelá e Paulo Roberto Cortez. Fl. 234DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 26/09/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 10410.005079/200933 Acórdão n.º 1402001.805 S1C4T2 Fl. 3 3 Relatório COMERCIAL NOVO BRASIL LTDA., contribuinte inscrita no CNPJ/MF sob nº 35.254.135/000168, com domicílio fiscal na cidade de Maceió Estado de Alagoas Bairro Levada, Rua Prudente Moraes, n° 50, jurisdicionada a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Maceió AL, inconformada com a decisão de Primeira Instância de fls. 174/180, prolatada pela 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Recife PE, recorre, a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, pleiteando a sua reforma, nos termos da petição de fls. 185/211. Contra a contribuinte, acima identificada, foi lavrado pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Maceió AL, em 29/09/2009, o Auto de Infração de Multa Administrativa por Falta de Apresentação dos Arquivos Digitais (fls. 59/65), exigindose o recolhimento do crédito tributário no valor total de R$ 683.290,58 a título de multa administrativa, referente aos exercícios 2008 e 2009, correspondente aos anoscalendário de 2007 e 2008, respectivamente. A exigência fiscal em exame teve origem em procedimentos de fiscalização onde a autoridade fiscal lançadora constatou haver irregularidade no descumprimento de obrigações acessórias a exemplo de falta na prestação de informações ou esclarecimentos, sendo que o sujeito passivo não forneceu no prazo estabelecido, as informações ou esclarecimentos solicitados, já que foi intimado, em 06/05/2006, e reintimado, em 08/06/2009, a apresentar os arquivos magnéticos correspondentes ao sinco contábeis e folha de pagamento (manad) relativo aos anos de 2007 e 2008. Ficando sujeito à multa regulamentar equivalente a 1% (um por cento) da receita bruta da pessoa jurídica no período, pelo não cumprimento do prazo estabelecido para apresentação dos arquivos magnéticos e sistemas. Infração capitulada nos arts. 11 e 12 e inciso III, da Lei nº 8.218, de 1991, com a redação dada pelo art. 72 da Medida Provisória no 2.15834, de 2001 e reedições. O AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil responsável pela constituição do crédito tributário esclarece, ainda, através do Termo de Encerramento da Ação Fiscal, entre outros, os seguintes aspectos: que a empresa Comercial Novo Brasil é Contribuinte da DRF Maceió/AL sob a condição de empresa de grande porte, portanto, sob acompanhamento econômico tributário diferenciado, conforme determinas a Portaria RFB no 2.521, de 29 de dezembro de 2008 e a Portaria RFB no 11.211, de 7 de novembro de 2007, portanto foi selecionada em operação denominada "Grandes Contribuintes" a fim de apresentar seus arquivos digitais Sinco Contábeis do ano calendário 2007 e Manad Folha de Pagamentos dos anos calendário de 2007 e 2008; que a multa regulamentar equivalente a 1% (um por cento) da receita bruta da pessoa jurídica no período, pelo não cumprimento do prazo estabelecido para apresentação dos arquivos magnéticos e sistemas; que diligência efetuada nesta empresa em virtude de demanda da Coordenação Geral de Fiscalização COFIS, como forma de se coletar os arquivos digitais da Fl. 235DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 26/09/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ 4 Contabilidade e da Folha de Pagamentos dos Grandes Contribuinte, conforme determinação desta Coordenação em âmbito nacional; que inicialmente esta empresa foi intimada em 23/04/2009 via postal com Aviso de Recebimento datado em 06/05/2009 a apresentar os arquivos digitais nos formatos Sinco Contábil, de acordo com o Ato Declaratório Cofis no 15, de 23/10/2001, e o Manad Folha de Pagamento, de acordo com a IN MPS/SRP no 12, de 20/06/2006, também foi solicitado um arquivo chamado de "relacionamento", o prazo fornecido nesta intimação para apresentação dos arquivos digitais foi 20 (vinte) dias a contar do recebimento da intimação; que passado o prazo de 20 (vinte) dias sem que a empresa atendesse ou pedisse prazo para apresentação dos arquivos digitais solicitados, enviamos uma reentimação via postal com data de 01/06/2009, com Aviso de Recebimento datado de 08/06/2009, solicitando novamente a apresentação dos arquivos digitais enumerados no parágrafo anterior, sem que a empresa novamente tenha atendido ou justificado a não apresentação de tais arquivos; que tendo em vista que a empresa não se dignou a sequer justificar o atraso no atendimento das intimações lavramos em 24/07/2009, um auto de infração com multa de R$ 5.000,00 (cinco) mil reais, consubstanciado no Processo Administrativo Fiscal no 10410.003539/200999, pelo fato da empresa da não ter atendido ou justificado o atraso pelo não atendimento das intimações referente aos arquivos digitais Sinco Contábeis e Manad Folha de Pagamentos, salientando que a empresa pagou a multa em 31/07/2009 com redução de 50% (cinquenta por cento), mas continuou sem atender às intimações, nem justificar a não apresentação dos arquivos digitais; que após a lavratura do auto de infração enviamos o Termo de Reintimado Fiscal nº 2 com data de 13/07/2009 via postal com Aviso de Recebimento em 17/07/2009, solicitando mais uma vez a apresentação dos referidos arquivos digitais, só que nesta reintimação deixamos bem claro através de letras em negrito e em tamanho maior que as demais do termo, que a não apresentação dos arquivos digitais acarretaria o lançamento da multa prevista no artigo 12 da Lei nº 8.218, de 29/08/1991, com a redação dada pelo artigo 72 da Medida Provisória no 2.158/35, de 24/08/2001, considerandose a data inicial para cálculo da multa a data da ciência da primeira intimação, no caso, 06/05/2009; que sem que a empresa até a presente data tenha se manifestado sob qualquer forma pelo descumprimento do atendimento das intimações e a não apresentação dos arquivos digitais, e pelo fato da Coordenação Geral de Fiscalização COFIS ultimou o prazo final para apresentação dos arquivos digitais da operação "Grandes Contribuintes" neste mês de setembro de 2009, lavramos o presente Auto de Infração com a multa de 1% (um por cento) da receita bruta da empresa, que foi levantada de acordo com a sua última Declaração de Informações Econômico Fiscais DIPJ 2008, anocalendário 2007, no valor total de R$ 68.329.058,70 (sessenta e oito mil, trezentos e vinte e nove mil, cinqüenta e oito reais e setenta centavos); que como o inciso III do artigo 12 da Lei no 8.218/1991 diz o seguinte: "multa equivalente a dois centésimos por cento por dia de atraso, calculada sobre a receita bruta da pessoa jurídica no período, até o máximo de um por cento dessa, aos que não cumprirem o prazo estabelecido para apresentação dos arquivos e sistemas. (Redação dada pela Medida Provisória no 215835, de 2001), tendo em vista que se aplicando o percentual acima pelo período que a empresa não atendeu nem apresentou os arquivos digitais, correspondeu ao valor muito superior ao limite de um por cento da receita bruta, considerandose a ciência inicial o dia 06/05/2009 e o prazo de 20 (vinte) dias, a mora se iniciou em 27/05/2009, portanto Fl. 236DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 26/09/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 10410.005079/200933 Acórdão n.º 1402001.805 S1C4T2 Fl. 4 5 considerandose o dia 28/09/2009 como a data final para apresentação dos arquivos, teríamos 125 dias de atraso, aplicandose a alíquota de 0,02% X 125 dias = 2,5%, então o valor da infração foi estabelecido com base no percentual limite legal de um por cento; que a utilização da receita bruta do ano de 2007 foi baseada no parágrafo único do artigo 12 da Lei no 8.218/1991, que diz o seguinte: "Para fins de aplicação das multas, o período a que se refere este artigo compreende o anocalendário em que as operações foram realizadas.(Redação dada pela Medida Provisória no 215835, de 2001)", como a empresa no caso da presente intimação, estava desobrigada de apresentar o arquivo digital Sinco Contábeis do ano de 2008, pelo fato da mesma está obrigada, neste anocalendário, a apresentar os arquivos contábeis no formato do Sistema Público de Escrituração Digital SPED, utilizamos o ano de 2007 com base para aplicação da presente multa, já que havia a obrigatoriedade de apresentação dos arquivos digitais Sinco Contábeis para este ano e o Manad Folha de Pagamentos dos anos de 2007 e 2008, já que o SPED não supriria a falta de informações referente a este último arquivo digital do ano de 2008. Em sua peça impugnatória de fls. 76/98, instruída pelos documentos de fls. 101/141, apresentada, tempestivamente, em 04/11/2009, a autuada se indispõe contra a exigência fiscal, solicitando que seja acolhida à impugnação para declarar a insubsistência do Auto de Infração, com base, em síntese, nos seguintes argumentos: que uma abordagem constitucional, portanto, antes de adentrarmos no mérito da discussão sobre a autuação em comento, mister se faz um breve estudo sobre os aspectos constitucionais no que pertine ao Processo Administrativo Tributário; que, merece destaque, no entanto, que nenhum ato administrativofiscal, seja de formalização seja de julgamento, pode ser discricionário, pois as atividades administrativofiscais de fiscalização, apuração, lançamento e julgamento são atividades administrativas plenamente vinculadas, nos moldes estatuídos no art. 3°, do CTN, como já asseverado; que o crédito tributário, como formalização da obrigação tributária, é exigível. Significa dizer que o Fisco, como sujeito ativo, pode cobrar ou compelir o contribuinte (sujeito passivo) ao pagamento do tributo devido. No entanto, o Código Tributário Nacional, por força dos comandos emitidos pelo art. 151, prevê as hipóteses de suspensão da exigibilidade do crédito tributário. Vejamos o texto legal; que assim, não tem cabimento, enquanto se aprecia as alegações do contribuinte, adotar qualquer providência tendente a exigir ou cobrar o tributo apurado. Afinal, a decisão do processo administrativo fiscal pode ser justamente no sentido de que o crédito não é devido, seja total ou parcialmente; que da autuação fiscal, neste sentido, a exigência fiscal corresponde ao crédito tributário referente a multa exigida regulamentar, cuja cobrança fora promovida pelo suposto não cumprimento do prazo estabelecido para apresentação dos arquivos magnéticos ao fisco; que, ressalta, porém, o fisco, que não tinha por objetivo penalizar o contribuinte com multas em quantias tão elevadas; Fl. 237DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 26/09/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ 6 que conforme se depreende dos autos, o fisco efetuou o lançamento por ocasião do auto de infração em combate, de forma, inclusive, confiscatória, haja vista o seu elevado valor, ultrapassando as barreiras da proporcionalidade e razoabilidade; que como conseqüência da referida ação fiscal, foi gerada para a autuada uma exação fiscal elevadíssima, suficiente, inclusive, para extinguir definitivamente as suas atividades mercantis, caso seja mantida a multa aplicada ao contribuinte; que, na verdade, o auto de infração não traz a inteireza dos fatos ocorridos na ação fiscal, pois os arquivos a que se reporta o citado auto foram sim entregues àquela Delegacia da Receita Federal do Brasil, mais precisamente no dia 27 de maio de 2009, ao mesmo auditor; que deveria constar na descrição fática era que os arquivos entregues pela autuada foram salvos e entregues em formato que a Receita Federal não aceitava, sem a devida validação. Mas foram entregues, não descumprindo a intimação. De tal modo, há uma diferença significativa entre ter entregado os arquivos solicitados pelo fisco em formato incompatível de não têlos apresentados; que, nesse ambiente, temos que o contribuinte não pode ser sancionado de forma tão exasperada, até porque atendeu ao fisco, apenas deixando de entregar os arquivos validados; que é bem verdade que o contribuinte não quedou inerte às intimações fiscais, pois desde o primeiro momento até a lavratura do combatido auto de infração, esteve presente à Delegacia da Receita Federal em Maceió, tratando de tais assuntos com o Sr. MARCOS ANTÔNIO RIOS FORTE, inclusive justificando a impossibilidade de atender, no inicio, a intimação fiscal, em virtude de dificuldades técnicas em gerar os arquivos magnéticos na forma solicitada; que, dessa forma, não como deixar de reconhecer a impropriedade e desproporção na aplicação da multa contra a qual se insurge o contribuinte. A manutenção da multa na forma estabelecida poderá decerto causar até o encerramento das atividades da empresa, pois o excessivo valor implica na impossibilidade do seu cumprimento, cujo caráter confiscatório está patente; que a doutrina e jurisprudência pátrias são uníssonas ao firmar o entendimento segundo o qual as sanções tributárias devem guardar obediência ao principio da proporcionalidade, norma de alcance constitucional que atua como limite ao poder estatal de formular e impor regras jurídicas que estabelecem penalidades aos contribuintes que descumprem as obrigações tributárias principal, bem como os deveres tributários instrumentais; que a proporcionalidade, sob a ótica do aspecto necessidade, apresentase como regra da menor limitação possível, ou do meio menos lesivo. Para atender a esse principio, a medida restritiva deve se dar na menor limitação possível à esfera individual juridicamente protegida, e que concretamente é atingida pela imposição da sanção; que como fundamento legal para sanção aplicada ao contribuinte, o fisco se valeu do art. 11 e art. 12, da Lei 8218/91, com a redação dada pelo art. 72 da Medida Provisória n° 2.15834/2001; que em outras palavras, as pessoas jurídicas que utilizarem sistemas de processamento eletrônico de dados para registrar negócios e atividades econômicas ficam Fl. 238DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 26/09/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 10410.005079/200933 Acórdão n.º 1402001.805 S1C4T2 Fl. 5 7 submetidas 5 multa de 5% sobre o valor da operação, no caso de omitirem ou prestarem incorretamente as informações solicitadas, limitada a 1% da receita bruta da pessoa jurídica no período, ou ainda 5 multa equivalente a 0,02% por dia de atraso, calculada sobre a receita bruta da pessoa jurídica no período, até o máximo de um por cento dessa, aos que não cumprirem o prazo estabelecido para apresentação dos arquivos e sistemas; que não temos dúvida de que os estudiosos do Direito Tributário, chancelados pelo Poder Judiciário, inclusive, têm se posicionado no sentido da não mitigação aos valores estatuídos no texto maior, notadamente na proporcionalidade e razoabilidade, segurança jurídica, etc., expurgando o lançamento nos moldes que fora realizado, realizado por meio de multa confiscatória; que o art. 150, IV, da Constituição Federal veda o confisco em matéria tributária. Com efeito, mesmo que se trate de multa decorrente de descumprimento de obrigação tributária. Essa prática desastrosa é a apropriação do patrimônio do contribuinte pelo estado. De tal modo que essas multas alargam a carga tributária; que ora, impor ao contribuinte uma multa muito elevada implica desvirtuar a função da multa regulamentar, que passa de sanção pela omissão/mora, com vista a inibir a infração, a uma afronta descabida ao patrimônio do contribuinte. O critério adotado 5 solução da questão pelo Poder Judiciário tem sido o da razoabilidade; que diante da entrega dos arquivos não validados ao nobre auditor fiscal, requer, em diligência, que o mesmo seja consultado sobre os motivos que levaram a equipe de fiscalização da Receita Federal do Brasil, a desconsiderar totalmente os referidos arquivos magnéticos. Após resumir os fatos constantes da autuação e as principais razões apresentadas pela impugnante, os membros da Terceira Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Recife – PE concluíram pela improcedência da impugnação e pela manutenção do crédito tributário lançado com base, em síntese, nas seguintes considerações: que se consigne que o dever instrumental da manutenção dos arquivos magnéticos pela pessoa jurídica é obrigação acessória, instituída no interesse da fiscalização dos tributos; que a obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, converte se em obrigação principal, relativamente à penalidade pecuniária, nos exatos termos do art. 113, § 3º, do Código Tributário Nacional (CTN), aprovado pela Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966. O fato gerador dessa obrigação principal (penalidade) é a situação definida em lei como necessária e suficiente à sua ocorrência; que da exegese dos dispositivos legais de regência do assunto, depreendese que os arquivos digitais devem ficar à disposição da Secretaria da Receita Federal, cabendo aos contribuintes, quando intimados pelos AuditoresFiscais da Receita Federal, apresentálos no prazo de vinte dias; que, neste sentido, correto o procedimento adotado pela fiscalização, ao solicitar a impugnante a apresentação dos arquivos especificados no primeiro Termo de Intimação, no prazo de vinte dias; Fl. 239DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 26/09/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ 8 que conforme relatado no Termo de Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal às fls.63/65, mesmo após intimada e reintimada, (Termo de Intimação dando prazo de 20 dias para atendimento, fl. 08, recebido em 06/05/2009, AR, fl.11, Termo de Reintimação, fls. 12/14, recebido em 08/06/2009, AR, fl. 15 e Termo de Reintimação nº 2, fls. 30/32 recebido em 17/07/2009, AR, fl. 33) a contribuinte não logrou ofertar à fiscalização os arquivos magnéticos solicitados, razão pela qual a autoridade fiscal, em observância ao art. 12, inciso III, da Lei 8.218 de 1991, lavrou o auto de infração, lançando a multa regulamentar ora combatida; que apesar de argumentar que foram realizados contatos com o autuante desde a primeira intimação até a lavratura do Auto de Infração e que os arquivos magnéticos foram entregues em 27/05/2009, só que não validados porque em formato diverso do que exigia a Receita Federal, o fato é que inexistem nos autos provas a esse respeito. Não há comprovação de que houve atendimento à intimação. Nada consta nos autos nesse sentido, tão somente a alegação da interessada; que ao contrário, de encontro ao alegado consta dos autos as reintimações feitas e recebidas conforme avisos de recebimento acima referidos, em datas posteriores a 27/05/2009, data indicada pela defesa como tendo entregue os arquivos magnéticos; que, pelo exposto, o contribuinte não apresentou os arquivos magnéticos solicitados, logo, a infração encontrase devidamente enquadrada no Inciso III, do art. 12, da Lei nº 8.218, de 29 de agosto de 1991, com alteração dada pela Medida Provisória nº 2.15835, de 24/8/2001; que as multas aplicadas não penalizam a mesma conduta como quer a defesa. O enquadramento legal da multa regulamentar de R$ 5.000,00 (lançada em outro processo administrativo e devidamente paga pela autuada) consta à fl. 20, Art. 16 da Lei no 9.779/99 e art. 57, inciso,I, da Medida Provisória no 2.15833/ 01 e reedições; que, portanto, a multa de R$ 5.000,00 tem como fato gerador o não atendimento às intimações ou, a não justificativa pelo não atendimento, se trata de legislação genérica, aplicável aos casos de resistência e/ou recusa por parte do contribuinte em atender a requisição; que, neste contexto, analisando o caso concreto, inferese que a autoridade fiscal demandou a expedição e ciência de intimação fiscal que após o transcurso do prazo nela fixado, ao contrário do que alega o impugnante, restou evidenciada a falta de cumprimento da obrigação de prestar informações perante a Secretaria da Receita Federal do Brasil; que já a multa lançada no Auto de Infração ora em análise, é de legislação específica e sanciona a conduta caracterizada pela falta de apresentação, dentro do prazo solicitado, dos arquivos magnéticos, conforme já esclarecido anteriormente; que quanto às argüições relativas às inconstitucionalidade da legislação aplicada, tais como possível afronta a princípios constitucionais, aspecto confiscatório de multa de ofício, o lançamento de ofício se deu de forma consentânea com disposições expressas em lei. Em consequência, não cabe a esta instância administrativa perquirir sobre sua validade, em face do contexto em que se dá o julgamento administrativo. A presente decisão encontrase consubstanciada nas seguintes ementas: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Fl. 240DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 26/09/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 10410.005079/200933 Acórdão n.º 1402001.805 S1C4T2 Fl. 6 9 Data do fato gerador: 28/09/2009 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DE ARQUIVO MAGNÉTICO Descumprido o prazo legalmente fixado na intimação para apresentação dos arquivos magnéticos da contabilidade da pessoa jurídica, é devida a multa regulamentar. ARGUIÇÃO DE ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA DAS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS PARA APRECIAÇÃO. As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no País, sendo incompetentes para a apreciação de arguições de inconstitucionalidade e ilegalidade de atos legais regularmente editados. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Após ser cientificado da decisão de Primeira Instância, em 24/07/2013, conforme Termo constante à fl. 184, e, com ela não se conformando, a contribuinte interpôs, em tempo hábil (21/08/2013), o recurso voluntário de fls. 185/211, instruída pelos documentos fls. 212/229, no qual demonstra irresignação contra a decisão supra, baseado, em síntese, nas mesmas razões expendidas na fase impugnatória, reforçado pelas seguintes considerações: que uma abordagem constitucional, portanto, antes de adentrarmos no mérito da discussão sobre a autuação em comento, mister se faz um breve estudo sobre os aspectos constitucionais no que pertine ao Processo Administrativo Tributário; que, merece destaque, no entanto, que nenhum ato administrativofiscal, seja de formalização seja de julgamento, pode ser discricionário, pois as atividades administrativofiscais de fiscalização, apuração, lançamento e julgamento são atividades administrativas plenamente vinculadas, nos moldes estatuídos no art. 3°, do CTN, como já asseverado; que o crédito tributário, como formalização da obrigação tributária, é exigível. Significa dizer que o Fisco, como sujeito ativo, pode cobrar ou compelir o contribuinte (sujeito passivo) ao pagamento do tributo devido. No entanto, o Código Tributário Nacional, por força dos comandos emitidos pelo art. 151, prevê as hipóteses de suspensão da exigibilidade do crédito tributário; que, assim, não tem cabimento, enquanto se aprecia as alegações do contribuinte, adotar qualquer providência tendente a exigir ou cobrar o tributo apurado. Afinal, a decisão do processo administrativo fiscal pode ser justamente no sentido de que o crédito não é devido, seja total ou parcialmente; que da autuação fiscal, neste sentido, a exigência fiscal corresponde ao crédito tributário referente à multa exigida regulamentar, cuja cobrança fora promovida pelo suposto não cumprimento do prazo estabelecido para apresentação dos arquivos magnéticos ao fisco; Fl. 241DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 26/09/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ 10 que, ressalta, porém, o fisco, que não tinha por objetivo penalizar o contribuinte com multas em quantias tão elevadas; que conforme se depreende dos autos, o fisco efetuou o lançamento por ocasião do auto de infração em combate, de forma, inclusive, confiscatória, haja vista o seu elevado valor, ultrapassando as barreiras da proporcionalidade e razoabilidade, pois poderia se valer da norma que a intitulou como geral para sancionar a empresa por descumprimento da obrigação acessória; que, dessa forma, não como deixar de reconhecer a impropriedade e desproporção na aplicação da multa contra a qual se insurge o contribuinte. A manutenção da multa na forma estabelecida poderá decerto causar até o encerramento das atividades da empresa, pois o excessivo valor implica na impossibilidade do seu cumprimento, cujo caráter confiscatório está patente; que da interpretação da norma tributaira “ IN DUBIO PRO CONTRIBUINTE”, portanto, os fatos que levaram o Fisco a proceder a lavratura a do auto de infração, com a consequente exigência do crédito tributário, não são consistentes, pois poderia ter aplicado a penalidade do valor fixo mais de uma vez, e ainda assim, seria mais benéfica ao contribuinte; que da multa aplicada e o principio da proporcionalidade, a doutrina e jurisprudência pátrias são uníssonas ao afirmar e entendimento segundo o qual as sanções tributaria devem guardar obediência ao principio da proporcionalidade, norma de alcance constitucional que atua como limite ao poder estatal de formular e impor regras jurídicas que estabelecem penalidades aos contribuintes que descumprem as obrigações tributarias principal, bem como os deveres tributários instrumentais; que a proporcionalidade, sob a ótica do aspecto necessidade, apresentase como regra da menor limitação possível, ou do meio menos lesivo. Para atender a esse principio, a medida restritiva deve se dar na menor limitação possível à esfera individual juridicamente protegida, e que concretamente é atingida pela imposição da sanção; que da norma sancionadora, como fundamento legal para sanção aplicada ao contribuinte, o fisco se valeu do art. 11 e art. 12, da Lei 8218/91, com a redação dada pelo art. 72 da Medida Provisória n° 2.15834/2001; que não temos dúvida de que os estudiosos do Direito Tributário, chancelados pelo Poder Judiciário, inclusive, têm se posicionado no sentido da não mitigação aos valores estatuídos no texto maior, notadamente na proporcionalidade e razoabilidade, segurança jurídica, etc., expurgando o lançamento nos moldes que fora realizado, realizado por meio de multa confiscatória; que entrou em vigor em nosso sistema a Lei n°. 12.766, de 27 de dezembro de 2012, cuja norma geral a abstrata deu novo tratamento às sanções por descumprimento das obrigações acessórias de que cuida a Medida Provisória 2.15835/2001; que conforme os comandos contidos na Lei nº 12.766/2012, a multa é destinada para qualquer sujeito passivo que não apresentem ou façam incorreta ou intempestivamente declaração, demonstrativo ou escrituração digital. Eles não apresentam, mas possuem a escrituração eletrônica; que se houver qualquer dúvida quanto a esse fato ou não se conseguindo comproválo, aplicase a multa mais benéfica, da qual cuida a Lei nº 12.766/2012. O mero Fl. 242DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 26/09/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 10410.005079/200933 Acórdão n.º 1402001.805 S1C4T2 Fl. 7 11 indício sem a comprovação da falta da escrituração digital enseja a aplicação do art. 57 da MP nº 2.15835, de 2001, em sintonia com a prescrição contida no art. 112, II, do CTN; que no caso concreto a multa aplicada foi anterior, inclusive mais gravosa, sendo a nova lei é mais benéfica, esta deve retroagir para alcançar os fatos pretéritos, conforme prescrição do art. 106, II, “a” e “ c”, do CTN; que da multa com efeito confiscatório, sendo assim, o art. 150, IV, da Constituição Federal veda o confisco em matéria tributária. Com efeito, mesmo que se trate de multa decorrente de descumprimento de obrigação tributária. Essa prática desastrosa é a apropriação do patrimônio do contribuinte pelo estado. De tal modo que essas multas alargam a carga tributária; que impor ao contribuinte uma multa muito elevada implica desvirtuar a função da multa regulamentar, que passa de sanção pela omissão/mora, com vista a inibir a infração, a uma afronta descabida ao patrimônio do contribuinte. É o relatório. Fl. 243DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 26/09/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ 12 Voto Conselheiro Paulo Roberto Cortez, Relator O presente recurso voluntário reúne os pressupostos de admissibilidade previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal e deve, portanto, ser conhecido por esta Turma de Julgamento. Tratase de auto de infração mediante o qual foi lançado contra a recorrente o crédito tributário de R$ 683.290,58, referente multa por descumprimento de obrigação acessória, que no presente caso restringiuse a falta de apresentação dos arquivos digitais referente a escrituração fiscal e contábil da empresa, relativo ao anocalendário de 2007, com fundamento nos arts. 11 e 12 e inciso III, da Lei nº 8.218, de 1991, com a redação data pelo art. 72 da Medida Provisória nº 2.15835, de 2001. De acordo com a autoridade fiscal lançadora, a recorrente após intimada e reintimada não apresentou nem justificou a não apresentação dos arquivos solicitados pela fiscalização. A conduta motivadora da aplicação da penalidade foi praticada durante o procedimento fiscal instaurado junto à recorrente para verificação de suas obrigações com relação aos arquivos digitais relativo ao período de 2007 e 2008. Como visto no relatório, a discussão neste colegiado se prende sobre a aplicação de multa regulamentar por descumprimento de obrigação acessória (falta de apresentação dos arquivos digitais). Apreciase, a seguir, a Multa Regulamentar aplicada. Como visto, o dever instrumental da manutenção dos arquivos magnéticos pela pessoa jurídica é obrigação acessória, instituída no interesse da fiscalização dos tributos. E não é por demais relembrar que a obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal, relativamente à penalidade pecuniária, nos exatos termos do art. 113, § 3º, do Código Tributário Nacional (CTN), aprovado pela Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966. O fato gerador dessa obrigação principal (penalidade) é a situação definida em lei como necessária e suficiente à sua ocorrência. Não há dúvidas, que a Lei nº 8.218, de 29 de agosto de 1991, que instituiu o dever instrumental de manutenção dos arquivos magnéticos, assim disciplinou a imposição da penalidade a essa obrigação vinculada: Art. 11. As pessoas jurídicas que, de acordo com o balanço encerrado em relação ao períodobase imediatamente anterior, possuírem patrimônio líquido superior a Cr$ 250.000.000,00 e utilizarem sistema de processamento eletrônico de dados para registrar negócios e atividades econômicas, escriturar livros ou elaborar documentos de natureza contábil ou fiscal ficarão obrigadas, a partir do períodobase de 1991, a manter, em meio magnético ou assemelhado, à disposição do Departamento da Receita Federal, os respectivos arquivos e sistemas durante o prazo de cinco anos. Fl. 244DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 26/09/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 10410.005079/200933 Acórdão n.º 1402001.805 S1C4T2 Fl. 8 13 § 1° O valor referido neste artigo será reajustado, anualmente, com base no coeficiente de atualização das demonstrações financeiras a que se refere a Lei n° 8.200, de 28 de junho de 1991. § 2° O Departamento da Receita Federal poderá expedir os atos necessários para estabelecer a forma e o prazo em que os arquivos e sistemas deverão ser apresentados. Art. 12. A inobservância do disposto no artigo precedente acarretará a imposição das seguintes penalidades: I – multa de meio por cento do valor da receita bruta da pessoa jurídica no período, aos que não atenderem à forma em que devem ser apresentados os registros e respectivos arquivos; II – multa de cinco por cento sobre o valor da operação correspondente, aos que omitirem ou prestarem incorretamente as informações solicitadas; III – multa equivalente a Cr$ 30.000,00, por dia de atraso, até o máximo de trinta dias, aos que não cumprirem o prazo estabelecido pelo Departamento da Receita Federal ou diretamente pelo AuditorFiscal, para apresentação dos arquivos e sistemas. Parágrafo único. O prazo de apresentação de que trata o inciso III deste artigo será de, no mínimo, vinte dias, que poderá ser prorrogado por igual período pela autoridade solicitante, em despacho fundamentado, atendendo a requerimento circunstanciado e por escrito da pessoa jurídica. Como visto, o fato gerador da multa é o próprio não atendimento às intimações da contribuinte quanto à apresentação dos documentos solicitados ou os apresentarem de maneira incorreta, com inobservância da forma estabelecida para apresentação dos arquivos e sistemas solicitados, ocorrendo exatamente no momento em que inadimplida referida prestação. É de se registrar, que referida hipótese de incidência permaneceu inalterada, mesmo quando das modificações introduzidas na Lei nº 8.218, de 1991, por meio da Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001, que veio tratar de outros aspectos materiais da obrigação tributária assim surgida. Vejase abaixo, conforme a nova redação dos artigos 11 e 12 da Lei nº 8.218, de 1991: Art. 11. As pessoas jurídicas que utilizarem sistemas de processamento eletrônico de dados para registrar negócios e atividades econômicas ou financeiras, escriturar livros ou elaborar documentos de natureza contábil ou fiscal, ficam obrigadas a manter, à disposição da Secretaria da Receita Federal, os respectivos arquivos digitais e sistemas, pelo prazo decadencial previsto na legislação tributária. § 1º A Secretaria da Receita Federal poderá estabelecer prazo inferior ao previsto no caput deste artigo, que poderá ser diferenciado segundo o porte da pessoa jurídica. Fl. 245DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 26/09/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ 14 § 2º Ficam dispensadas do cumprimento da obrigação de que trata este artigo as empresas optantes pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte SIMPLES, de que trata a Lei nº 9.317, de 5 de dezembro de 1996. § 3º A Secretaria da Receita Federal expedirá os atos necessários para estabelecer a forma e o prazo em que os arquivos digitais e sistemas deverão ser apresentados. § 4º Os atos a que se refere o § 3º poderão ser expedidos por autoridade designada pelo Secretário da Receita Federal. Art. 12. A inobservância do disposto no artigo precedente acarretará a imposição das seguintes penalidades: I – multa de meio por cento do valor da receita bruta da pessoa jurídica no período, aos que não atenderem à forma em que devem ser apresentados os registros e respectivos arquivos; II – multa de cinco por cento sobre o valor da operação correspondente, aos que omitirem ou prestarem incorretamente as informações solicitadas, limitada a um por cento da receita bruta da pessoa jurídica no período; III – multa equivalente a dois centésimos por cento por dia de atraso, calculada sobre a receita bruta da pessoa jurídica no período, até o máximo de um por cento dessa, aos que não cumprirem o prazo estabelecido para apresentação dos arquivos e sistemas. Parágrafo único. Para fins de aplicação das multas, o período a que se refere este artigo compreende o anocalendário em que as operações foram realizadas. Por outro lado é importante se observar, que a Lei nº 12.766, de 2012, alterou a redação do art. 57 da MP nº 2.15835, de 2001, que passou a ser: Art. 57. O sujeito passivo que deixar de apresentar nos prazos fixados declaração, demonstrativo ou escrituração digital exigidos nos termos do art. 16 da Lei nº 9.779, de 19 de janeiro de 1999, ou que os apresentar com incorreções ou omissões será intimado para apresentálos ou para prestar esclarecimentos nos prazos estipulados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil e sujeitarseá às seguintes multas: I por apresentação extemporânea: a) R$ 500,00 (quinhentos reais) por mêscalendário ou fração, relativamente às pessoas jurídicas que, na última declaração apresentada, tenham apurado lucro presumido; b) R$ 1.500,00 (mil e quinhentos reais) por mêscalendário ou fração, relativamente às pessoas jurídicas que, na última declaração apresentada, tenham apurado lucro real ou tenham optado pelo autoarbitramento; II por não atendimento à intimação da Secretaria da Receita Federal do Brasil, para apresentar declaração, demonstrativo Fl. 246DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 26/09/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 10410.005079/200933 Acórdão n.º 1402001.805 S1C4T2 Fl. 9 15 ou escrituração digital ou para prestar esclarecimentos, nos prazos estipulados pela autoridade fiscal, que nunca serão inferiores a 45 (quarenta e cinco) dias: R$ l.000,00 (mil reais) por mêscalendário; (o grifo não consta do original) III por apresentar declaração, demonstrativo ou escrituração digital com informações inexatas, incompletas ou omitidas: 0,2% (dois décimos por cento), não inferior a R$ 100,00 (cem reais), sobre o faturamento do mês anterior ao da entrega da declaração, demonstrativo ou escrituração equivocada, assim entendido como a receita decorrente das vendas de mercadorias e serviços. § 1º Na hipótese de pessoa jurídica optante pelo Simples Nacional, os valores e o percentual referidos nos incisos II e III deste artigo serão reduzidos em 70% (setenta por cento). § 2º Para fins do disposto no inciso I, em relação às pessoas jurídicas que, na última declaração, tenham utilizado mais de uma forma de apuração do lucro, ou tenham realizado algum evento de reorganização societária, deverá ser aplicada a multa de que trata a alínea “b” do inciso I do caput. § 3º A multa prevista no inciso I será reduzida à metade, quando a declaração, demonstrativo ou escrituração digital for apresentado após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício. Da mesma forma é importante a leitura do Parecer Normativo nº 03, de 2013, principalmente nos itens abaixo transcritos: 4.1. O legislador poderia ter dado nova redação ao art. 72 da MP nº 215835, de 2001, o qual deu a atual redação dos arts. 11 e 12 da Lei nº 8.218, de 29 de agosto de 1991, em vez de ter alterado o art. 57 da MP. Se não o fez, chegase à conclusão que tais dispositivos continuam vigentes, com exceção das situações de incompatibilidade com o novo art. 57. Isso tendo em vista o critério cronológico, já que eles têm o mesmo grau hierárquico e são normas específicas. Analisamse de forma comparada, portanto, os elementos do atual art. 57 da MP nº 215835, de 2001, com os arts. 11 e 12 da Lei nº 8.218, de 1991; 4.2. No elemento pessoal, o sujeito passivo da Lei nº 8.218, de 1991, é a pessoa jurídica que utiliza sistema eletrônico de processamento de dados para registrar negócios e atividades econômicas ou financeiras, escriturar livros ou elaborar documentos de natureza contábil ou fiscal. Já a multa da Lei nº 12.766, de 2012, não possui delimitação. É apenas o sujeito passivo, ou seja, qualquer um cuja conduta contrária ao direito enseje a sanção. 4.3. O elemento material possui verbos distintos. Enquanto a nova lei fala em “deixar de apresentar” declaração demonstrativo ou escrituração digital, ou os “apresentar com incorreções ou omissões”, a Lei nº 8.218, de 1991, traz, no art. 11, a conduta esperada, que é “manter à disposição” os Fl. 247DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 26/09/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ 16 respectivos arquivos digitais e sistemas das pessoas jurídicas destinatárias da conduta: os “sistemas de processamento eletrônico de dados para registrar negócios e atividades econômicas ou financeiras, escriturar livros ou elaborar documentos de natureza contábil ou fiscal”. A multa é pela sua inobservância. 4.4. Na literalidade do disposto na Lei nº 12.766, de 2012, a multa é para aqueles sujeitos, quaisquer que sejam, que não apresentem ou o façam incorreta ou intempestivamente declaração, demonstrativo ou escrituração digital. Eles não apresentam, mas possuem a escrituração eletrônica. Já a Lei nº 8.218, de 1991, é para aquelas pessoas jurídicas que nem mantêm os arquivos digitais e sistemas à disposição da fiscalização de maneira contínua. Objetivamente a infração ocorre (seu “fato gerador”) com a não apresentação, apresentação incorreta ou intempestiva, mas os elementos materiais são distintos. 4.5. Caso a Fiscalização comprove que a pessoa jurídica não apresentou o demonstrativo ou escrituração digital por não ter escriturado e, concomitantemente, não mantém os arquivos à disposição de maneira contínua à RFB, tal conduta se amolda no aspecto material dos arts. 11 e 12 da Lei nº 8.218, de 1991. Ressaltese que a falta de existência de comprovação da falta de escrituração digital de maneira contínua quando seja obrigatória (caso da Escrituração Contábil Digital (ECD), por exemplo) deve ser demonstrada e comprovada. 4.6. Na situação do item 4.5, é importante que a aplicação da multa prevista nos arts. 11 e 12 da Lei nº 8.218, de 1991, se coadune com a distinção dos aspectos materiais dela em relação ao novo art. 57 da MP nº 215835, de 2001. A simples não apresentação de documentos sem a comprovação de que faltou a escrituração não pode gerar a multa mais gravosa, mas sim a geral de que trata o novo art. 57 da MP nº 215835, de 2001. Havendo dúvidas quanto a esse fato ou não se conseguindo comproválo, aplicase a multa mais benéfica da Lei nº 12.766, de 2012, em decorrência do que determina o art. 112, inciso II, da Lei nº 5.172, de 1966 Código Tributário Nacional (CTN). 4.7. Caso tais arquivos não sejam apresentados pela pessoa jurídica na forma que deveriam ser feitos, em decorrência da inexistência de dispositivo específico na Lei nº 12.766, de 2012, aplicase o disposto no inciso I do art. 12 da Lei nº 8.218, de 1991. Isso porque é uma conduta cuja sanção não se encontra na multa da Lei nº 12.766, de 2012, mas na do art. 12 da Lei nº 8.218, de 1991. Esse último dispositivo continua em vigência e deve ser aplicado quando não haja divergência com a nova lei. 4.8. Desse modo, não houve revogação dos arts. 11 e 12 da Lei nº 8.218, de 1991. Eles continuam em vigência juntamente com o novo art. 57 da MP nº 2.15835, de 2001. (ii) Como interpretar o prazo de quarenta e cinco dias a que se refere o inciso II da atual redação do art. 57? 5. Quanto ao prazo definido no inciso II do atual art. 57 da MP nº 215835, de 2001, (45 dias), conforme a regramatriz contida Fl. 248DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 26/09/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 10410.005079/200933 Acórdão n.º 1402001.805 S1C4T2 Fl. 10 17 no quadro do item 4, ele tem como único objetivo delimitar o aspecto temporal da multa da Lei nº 12.766, de 2012, ou seja, ele não se aplica a quaisquer outras situações da RFB que não a entrega de arquivos digitais2 ou a prestação de esclarecimentos sobre eles. A permissão geral de a RFB dispor sobre prazos para o cumprimento de obrigações acessórias contida no art. 16 da Lei nº 9.779, de 1991, subsiste. A sua menção no caput do art. 57 da MP nº 215835, de 2001, teve por objetivo simplesmente dar a base legal de exigência da obrigação acessória específica, não tendo o condão de extrapolar o prazo a situações outras que não a prevista no caput do novo art. 57 da MP nº 2.15835, de 2001. 5. Quanto ao prazo definido no inciso II do atual art. 57 da MP nº215835, de 2001, (45 dias), conforme a regramatriz contida no quadro do item 4, ele tem como único objetivo delimitar o aspecto temporal da multa da Lei nº12.766, de 2012, ou seja, ele não se aplica a quaisquer outras situações da RFB que não a entrega de arquivos digitais ou a prestação de esclarecimentos sobre eles. A permissão geral de a RFB dispor sobre prazos para o cumprimento de obrigações acessórias contida no art. 16 da Lei nº 9.779, de 1991, subsiste. A sua menção no caput do art. 57 da MP nº 215835, de 2001, teve por objetivo simplesmente dar a base legal de exigência da obrigação acessória específica, não tendo o condão de extrapolar o prazo a situações outras que não a prevista no caput do novo art. 57 da MP nº 2.15835, de 2001. (Retificado no DOU de 15/07/2013, Seção 1, pág. 127) 5.1. Esse prazo de quarenta e cinco dias é meramente o aspecto temporal da regramatriz da nova multa, subordinada ao aspecto material (deixar de apresentar, nos prazos fixados, declaração, demonstrativo ou escrituração digital ou para prestar esclarecimentos), e não se aplica para a intimação para apresentar recibo ou comprovante de entrega ou número de identificação dos arquivos digitais, desde que não implique prestar esclarecimentos. 5.2. Analisase o prazo de que trata o art. 19 da Lei nº 3.470, de 28 de novembro de 1958, na redação dada pela MP nº 2.15835, de 2001, também encontrado no art. 34 do Decreto nº 7.574, de 29 de setembro de 2011. A redação da Lei é a seguinte: Art.19. O processo de lançamento de ofício será iniciado pela intimação ao sujeito passivo para, no prazo de vinte dias, apresentar as informações e documentos necessários ao procedimento fiscal, ou efetuar o recolhimento do crédito tributário constituído.(Redação dada pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) §1º Nas situações em que as informações e documentos solicitados digam respeito a fatos que devam estar registrados na escrituração contábil ou fiscal do sujeito passivo, ou em declarações apresentadas à administração tributária, o prazo a que se refere o caput será de cinco dias úteis.(Incluído pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) Fl. 249DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 26/09/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ 18 §2º Não enseja a aplicação da penalidade prevista no art. 44, §§ 2º e 5º, da Lei nº 9.430, de 1996, o desatendimento a intimação para apresentar documentos, cuja guarda não esteja sob a responsabilidade do sujeito passivo, bem assim a impossibilidade material de seu cumprimento.(Incluído pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) 5.2.1 O dispositivo acima transcrito trata de procedimento para o início da fiscalização. É a situação em que ela exige, no prazo de vinte dias, a apresentação de informações e documentos necessários ao procedimento fiscal. Segundo o § 1º, se os fatos estiverem registrados na escrituração contábil ou fiscal, o prazo é reduzido para cinco dias úteis. 5.2.2. O prazo tratado no item 5 derroga o prazo definido no art. 19 da Lei nº 3.470, de 1958, em relação à apresentação de declaração, demonstrativo ou escrituração digital, ou à prestação de esclarecimentos sobre eles. Caso o procedimento fiscal demande tais arquivos digitais ou determine que sejam prestados esclarecimentos, para eles deverá ser dado o prazo de quarenta e cinco dias. Notese que se a fiscalização tiver outros esclarecimentos ou documentos que não se enquadrem naqueles descritos na nova redação do art. 57 da MP nº 215835, de 2001, continua prevalecendo o prazo de vinte dias para esses outros esclarecimentos ou documentos. 5.2.3. Tal conclusão decorre de uma interpretação sistêmica da norma. Apesar de se tratar de um prazo do procedimento fiscal de fiscalização, a existência de uma norma de conduta só tem eficácia se houver uma norma sancionatória. De nada adiantaria intimar o sujeito passivo a apresentar os arquivos no prazo de cinco dias úteis (§ 1º), se o seu descumprimento enseja a aplicação da multa do novo art. 57 da MP nº 2.15835, de 2001. E, para se configurar o fato gerador no mundo fenomênico, todos os aspectos da hipótese abstrata da regra matriz da multa devem ocorrer. Dentre esses aspectos, há o temporal, que exige uma intimação para apresentar a documentação no prazo mínimo de quarenta e cinco dias. Se essa intimação com esse prazo não ocorre, tampouco ocorre o fato gerador da multa. A norma de conduta se tornaria inócua. 5.2.4. Se o registro se der em escrituração contábil ou fiscal física, aplicase o prazo de cinco dias úteis do § 1º. 5.2.5. Seguindo o mesmo raciocínio que consta do item 5.1, a exigência de recibo ou comprovante de entrega é distinto de exigir o arquivo ou o esclarecimento de determinada questão. Nessa situação continua aplicandose o prazo de 20 dias a que se refere o caput. 5.3. O prazo de quarenta e cinco dias serve apenas para a situação em que se exige a apresentação de declaração, demonstrativo ou escrituração digital ou para prestar esclarecimentos feitos pela autoridade fiscal. Não há consequência nos prazos ordinários de entrega de arquivos digitais contidos em ato normativo (legal ou infralegal). Não ocorrendo nenhuma intimação, continua vigente toda a sistemática dos prazos para entrega desses arquivos, que podem Fl. 250DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 26/09/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 10410.005079/200933 Acórdão n.º 1402001.805 S1C4T2 Fl. 11 19 ensejar a cobrança da multa do inciso I do art. 57 da MP nº 2.15835, de 2001, pelo atraso na entrega. 5.4. A intimação para apresentar os arquivos digitais ou prestar esclarecimentos deve ser no mínimo de quarenta e cinco dias. Caso esse prazo não seja cumprido e seja feita uma reintimação, ela não precisa ser de quarenta e cinco dias. Pode ser de um prazo inferior. O importante é que o prazo em conjunto seja superior a quarenta e cinco dias. A propósito, em caso de reintimação, aplicase à multa do novo art. 57 da MP nº 2158 35, de 2001, as mesmas conclusões da Solução de Consulta Interna (SCI) Cosit nº 20, de 13 de setembro de 2012: Quando o sujeito passivo cumpre a reintimação para apresentar arquivos digitais, mesmo que não tenha cumprido a intimação original, não incide a multa do art. 12, inciso III, da Lei nº 8.218, de 1991. Nos casos em que não sejam apresentados os arquivos, ou os sejam intempestivamente à intimação originária sem ter havido reintimação, incide a multa em tela. Havendo a reintimação, e ela também seja descumprida, incide a multa, cujo termo inicial para calculála é a última intimação. 5.5. Logo, o prazo de 45 dias do inciso II do art. 57 da MP nº 215835, de 2001, é o aspecto temporal da multa do caput desse artigo, aplicandose apenas à intimação para apresentar arquivos digitais ou para prestar esclarecimentos sobre eles Isto posto é de se verificar a possibilidade de afastar a aplicação da multa constante no art. 12, inciso III, da Lei nº 8.218, de 1991, por força do art. 57 da Medida Provisória 2.15835/ 2001 (com redação dada pelo art. 8º da Lei nº 12.766, de 2012, posteriormente alterada pelo art. 57 da Lei nº 12.873, de 2013), em face da hipótese de retroatividade benigna de penalidades (o art. 106, inc. II, alínea “c”, c.c. art. 112, ambos do Código Tributário Nacional). De início, cumpre verificar o teor dos dispositivos em conflito, com especial relevo aos que tratam da integral inércia da recorrente em face das solicitações da autoridade fiscal. Isto porque, no caso dos autos, após ser regularmente intimado e reintimado para apresentar os arquivos digitais e ciente das penalidades cabíveis no caso de não atendimento, a recorrente incorreu em omissão (não apresentou os arquivos digitais). Observese, de início, o conteúdo da enunciação contida nos arts. 11 e 12 da Lei nº 8.213, de 1991, na parte pertinente: Art. 11. As pessoas jurídicas que utilizarem sistemas de processamento eletrônico de dados para registrar negócios e atividades econômicas ou financeiras, escriturar livros ou elaborar documentos de natureza contábil ou fiscal, ficam obrigadas a manter, à disposição da Secretaria da Receita Federal, os respectivos arquivos digitais e sistemas, pelo prazo decadencial previsto na legislação tributária. (Redação dada pela Medida Provisória nº 215835, de 2001). Fl. 251DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 26/09/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ 20 [...] Art. 12 – A inobservância do disposto no artigo precedente acarretará a imposição das seguintes penalidades: [...] III – multa equivalente a dois centésimos por cento por dia de atraso, calculada sobre a receita bruta da pessoa jurídica no período, até o máximo de um por cento dessa, aos que não cumprirem o prazo estabelecido para apresentação dos arquivos e sistemas. Resta claro nos autos de que os dispositivos supratranscritos fundamentam o auto de infração da hipótese em análise. Segundo se denota do teor dos enunciados, tratase da hipótese de o contribuinte, intimado a prestar informações, manterse completamente inerte, descumprindo o prazo estabelecido para apresentação dos arquivos solicitados. Nas fundamentações da irregularidade praticada, realizada através do Termo de Encerramento da Ação Fiscal, se constata os seguintes excertos: Inicialmente esta empresa foi intimada em 23/04/2009 via postal com Aviso de Recebimento datado em 06/05/2009 a apresentar os arquivos digitais nos formatos Sinco Contábil, de acordo com o Ato Declaratório Cofis no 15, de 23/10/2001, e o Manad Folha de Pagamento, de acordo com a IN MPS/SRP no 12, de 20/06/2006, também foi solicitado um arquivo chamado de "relacionamento", o prazo fornecido nesta intimação para apresentação dos arquivos digitais foi 20 (vinte) dias a contar do recebimento da intimação. Passado o prazo de 20 (vinte) dias sem que a empresa atendesse ou pedisse prazo para apresentação dos arquivos digitais solicitados, enviamos uma reentimação via postal com data de 01/06/2009, com Aviso de Recebimento datado de 08/06/2009, solicitando novamente a apresentação dos arquivos digitais enumerados no parágrafo anterior, sem que a empresa novamente tenha atendido ou justificado a não apresentação de tais arquivos. Tendo em vista que a empresa não se dignou a sequer justificar o atraso no atendimento das intimações lavramos em 24/07/2009, um auto de infração com multa de R$ 5.000,00 (cinco) mil reais, consubstanciado no Processo Administrativo Fiscal no 10410.003539/200999, pelo fato da empresa da não ter atendido ou justificado o atraso pelo não atendimento das intimações referente aos arquivos digitais Sinco Contábeis e Manad Folha de Pagamentos, salientando que a empresa pagou a multa em 31/07/2009 com redução de 50% (cinquenta por cento), mas continuou sem atender às intimações, nem justificar a não apresentação dos arquivos digitais. Após a lavratura do auto de infração enviamos o Termo de Reintimado Fiscal nº 2 com data de 13/07/2009 via postal com Aviso de Recebimento em 17/07/2009, solicitando mais uma vez a apresentação dos referidos arquivos digitais, só que nesta reintimação deixamos bem claro através de letras em negrito e em tamanho maior que as demais do termo, que a não Fl. 252DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 26/09/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 10410.005079/200933 Acórdão n.º 1402001.805 S1C4T2 Fl. 12 21 apresentação dos arquivos digitais acarretaria o lançamento da multa prevista no artigo 12 da Lei nº 8.218, de 29/08/1991, com a redação dada pelo artigo 72 da Medida Provisória no 2.158/35, de 24/08/2001, considerandose a data inicial para cálculo da multa a data da ciência da primeira intimação, no caso, 06/05/2009. Sem que a empresa até a presente data tenha se manifestado sob qualquer forma pelo descumprimento do atendimento das intimações e a não apresentação dos arquivos digitais, e pelo fato da Coordenação Geral de Fiscalização COFIS ultimou o prazo final para apresentação dos arquivos digitais da operação "Grandes Contribuintes" neste mês de setembro de 2009, lavramos o presente Auto de Infração com a multa de 1% (um por cento) da receita bruta da empresa, que foi levantada de acordo com a sua última Declaração de Informações Econômico Fiscais DIPJ 2008, anocalendário 2007, no valor total de R$ 68.329.058,70 (sessenta e oito mil, trezentos e vinte e nove mil, cinqüenta e oito reais e setenta centavos). Como o inciso III do artigo 12 da Lei no 8.218/1991 diz o seguinte: "multa equivalente a dois centésimos por cento por dia de atraso, calculada sobre a receita bruta da pessoa jurídica no período, até o máximo de um por cento dessa, aos que não cumprirem o prazo estabelecido para apresentação dos arquivos e sistemas. (Redação dada pela Medida Provisória no 215835, de 2001), tendo em vista que aplicandose o percentual acima pelo período que a empresa não atendeu nem apresentou os arquivos digitais, correspondeu ao valor muito superior ao limite de um por cento da receita bruta, considerandose a ciência inicial o dia 06/05/2009 e o prazo de 20 (vinte) dias, a mora se iniciou em 27/05/2009, portanto considerandose o dia 28/09/2009 como a data final para apresentação dos arquivos, teríamos 125 dias de atraso, aplicandose a alíquota de 0,02% X 125 dias = 2,5%, então o valor da infração foi estabelecido com base no percentual limite legal de um por cento. A utilização da receita bruta do ano de 2007 foi baseada no parágrafo único do artigo 12 da Lei no 8.218/1991, que diz o seguinte: "Para fins de aplicação das multas, o período a que se refere este artigo compreende o anocalendário em que as operações foram realizadas.(Redação dada pela Medida Provisória no 215835, de 2001)", como a empresa no caso da presente intimação, estava desobrigada de apresentar o arquivo digital Sinco Contábeis do ano de 2008, pelo fato da mesma está obrigada, neste anocalendário, a apresentar os arquivos contábeis no formato do Sistema Público de Escrituração Digital SPED, utilizamos o ano de 2007 com base para aplicação da presente multa, já que havia a obrigatoriedade de apresentação dos arquivos digitais Sinco Contábeis para este ano e o Manad Folha de Pagamentos dos anos de 2007 e 2008, já que o SPED não supriria a falta de informações referente a este último arquivo digital do ano de 2008. Fl. 253DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 26/09/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ 22 Cumpre agora verificar o art. 57 da MP n. 2.15835/2001, com redação pelo art. 8º da Lei nº 12.766, de 2012: Art. 57 O sujeito passivo que deixar de cumprir as obrigações acessórias exigidas nos termos do art. 16 da Lei nº 9.779, de 19 de janeiro de 1999, ou que as cumprir com incorreções ou omissões será intimado para cumprilas ou para prestar esclarecimentos relativos a elas nos prazos estipulados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil e sujeitarseá às seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 12.873, de 24 de outubro de 2013) I R$ 5.000,00 (cinco mil reais) por mêscalendário, relativamente às pessoas jurídicas que deixarem de fornecer, nos prazos estabelecidos, as informações ou esclarecimentos solicitados; I por apresentação extemporânea: a) R$ 500,00 (quinhentos reais) por mêscalendário ou fração, relativamente às pessoas jurídicas que, na última declaração apresentada, tenham apurado lucro presumido; (Incluída pela Lei nº 12.766, de 27 de dezembro de 2012) a) R$ 500,00 (quinhentos reais) por mêscalendário ou fração, relativamente às pessoas jurídicas que estiverem em início de atividade ou que sejam imunes ou isentas ou que, na última declaração apresentada, tenham apurado lucro presumido ou pelo Simples Nacional; (Redação dada pela Lei nº 12.873, de 24 de outubro de 2013) b) R$ 1.500,00 (mil e quinhentos reais) por mêscalendário ou fração, relativamente às pessoas jurídicas que, na última declaração apresentada, tenham apurado lucro real ou tenham optado pelo autoarbitramento; (Incluída pela Lei nº 12.766, de 27 de dezembro de 2012) b) R$ 1.500,00 (mil e quinhentos reais) por mêscalendário ou fração, relativamente às demais pessoas jurídicas; (Redação dada pela Lei nº 12.873, de 24 de outubro de 2013) Como visto acima, antes que esta última alteração fosse introduzida pela Lei nº 12.873, de 2012, foi editado o Parecer Normativo nº 3 de 10/06/2013 para analisar o conflito entre as disposições dos arts. 11 e 12 da Lei nº 8.218, de 1991 e o art. 57 da MP nº 2.158 35/2001 (com redação pela Lei nº 12.766, de 2012). Consoante o entendimento contido no indigitado Parecer, aprovado pelo Secretário da Receita Federal do Brasil e publicado no Diário Oficial da União de 12/07/2013, em caso de não entrega dos arquivos solicitados, deve ser aplicada a multa da MP nº 2.158 35/2001 (redação pela Lei nº 12.766, de 2012), exceto se houver prova inequívoca que o contribuinte não mantinha a escrituração de forma contínua, quando teria lugar a multa mais gravosa prevista na Lei nº 8.218, de 1991, observese: 4.4. Na literalidade do disposto na Lei nº 12.766, de 2012, a multa é para aqueles sujeitos, quaisquer que sejam, que não apresentem ou o façam incorreta ou intempestivamente declaração, demonstrativo ou escrituração digital. Eles não Fl. 254DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 26/09/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 10410.005079/200933 Acórdão n.º 1402001.805 S1C4T2 Fl. 13 23 apresentam, mas possuem a escrituração eletrônica. Já a Lei nº 8.218, de 1991, é para aquelas pessoas jurídicas que nem mantêm os arquivos digitais e sistemas à disposição da fiscalização de maneira contínua. Objetivamente a infração ocorre (seu “fato gerador”) com a não apresentação, apresentação incorreta ou intempestiva, mas os elementos materiais são distintos. 4.5. Caso a Fiscalização comprove que a pessoa jurídica não apresentou o demonstrativo ou escrituração digital por não ter escriturado e, concomitantemente, não mantém os arquivos à disposição de maneira contínua à RFB, tal conduta se amolda no aspecto material dos arts. 11 e 12 da Lei nº 8.218, de 1991. Ressaltese que a falta de existência de comprovação da falta de escrituração digital de maneira contínua quando seja obrigatória (caso da Escrituração Contábil Digital (ECD), por exemplo) deve ser demonstrada e comprovada. 4.6. Na situação do item 4.5, é importante que a aplicação da multa prevista nos arts. 11 e 12 da Lei nº 8.218, de 1991, se coadune com a distinção dos aspectos materiais dela em relação ao novo art. 57 da MP nº 215835, de 2001. A simples não apresentação de documentos sem a comprovação de que faltou a escrituração não pode gerar a multa mais gravosa, mas sim a geral de que trata o novo art. 57 da MP nº 215835, de 2001. Havendo dúvidas quanto a esse fato ou não se conseguindo comproválo, aplicase a multa mais benéfica da Lei nº 12.766, de 2012, em decorrência do que determina o art. 112, inciso II, da Lei nº 5.172, de 1966 Código Tributário Nacional (CTN). No caso dos autos, não há evidências de que a recorrente não mantinha a escrituração à disposição da Receita Federal, mas apenas que não apresentou as informações quanto solicitadas. Assim, aplicando o entendimento acima apresentado, e com base na possibilidade de retroação da lei posterior que estabelece penalidade menos severa do que a prevista ao tempo da prática da infração deve ser aplicada a multa do art. 57 da MP nº 1.158 35/2001, com a redação dada pela Lei nº 12.766, de 2012. Ora, na regra geral a lei tributária que agrava a situação dos contribuintes não pode retroagir, mas, por outro lado, a alínea “c” do inciso II do art. 106 do Código Tributário Nacional admite a retroatividade, em favor do contribuinte, da lei mais benigna, nos casos não definitivamente julgados. Encontrandose em vigor os atos normativos acima transcritos, há que se falar em retroatividade benigna no presente caso. Não há dúvidas de que a apresentação dos arquivos digitais, no curso dos procedimentos de fiscalização, como é o caso em tela, era obrigação da contribuinte. Ocorre que, consoante demonstrado acima, a Lei nº 12.873, de 2013 abrandou ainda mais a penalidade contida no art. 57 da MP nº 1.15835/2001, pois reduziu a multa por mêscalendário de atraso para R$ 1.500,00 por mêscalendário. Fl. 255DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 26/09/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ 24 Assim, considerando que foi aplicada à recorrente multa por 125 dias de atraso e considerandose a ciência inicial o dia 06/05/2009 e o prazo de mora se iniciou em 27/05/2009, portanto considerandose o dia 28/09/2009, o que representa 5 (cinco) meses de atraso, deve ser aplicada a multa de R$ 7.500,00. Diante do conteúdo dos autos e pela associação de entendimento sobre todas as considerações expostas no exame da matéria, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer a retroatividade da multa menos gravosa, com a redução da penalidade imposta ao valor de R$ 7.500,00. (Assinado digitalmente) Paulo Roberto Cortez Fl. 256DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 26/09/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ
score : 1.0
Numero do processo: 10880.990663/2009-41
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 16 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Oct 31 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 13/11/2003
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DOS CRÉDITOS. CERTEZA E LIQUIDEZ.
Em sede de restituição/compensação compete ao contribuinte o ônus da prova do fato constitutivo do seu direito, cabendo a este demonstrar, mediante adequada instrução probatória dos autos, os fatos eventualmente favoráveis às suas pretensões.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3801-004.569
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Ausente momentaneamente o Conselheiro Jacques Mauricio Ferreira Veloso de Melo
(assinado digitalmente)
Flávio De Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcos Antonio Borges - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antonio Borges e Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: MARCOS ANTONIO BORGES
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 13/11/2003 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DOS CRÉDITOS. CERTEZA E LIQUIDEZ. Em sede de restituição/compensação compete ao contribuinte o ônus da prova do fato constitutivo do seu direito, cabendo a este demonstrar, mediante adequada instrução probatória dos autos, os fatos eventualmente favoráveis às suas pretensões. Recurso Voluntário Negado.
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AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DOS CRÉDITOS. CERTEZA E LIQUIDEZ. Em sede de restituição/compensação compete ao contribuinte o ônus da prova do fato constitutivo do seu direito, cabendo a este demonstrar, mediante adequada instrução probatória dos autos, os fatos eventualmente favoráveis às suas pretensões. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Ausente momentaneamente o Conselheiro Jacques Mauricio Ferreira Veloso de Melo (assinado digitalmente) Flávio De Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antonio Borges e Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 99 06 63 /2 00 9- 41 Fl. 58DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 29/10/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10880.990663/200941 Acórdão n.º 3801004.569 S3TE01 Fl. 4 2 Relatório Adoto o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que narra bem os fatos: Trata o presente processo de Declaração de Compensação (fls. 01 e 02) relativa ao pagamento indevido ou maior de PIS/PASEP cód. 8109, no montante de R$ 20,20, ocorrido em 13/11/2003, com débito próprio de IRPJ cód. 2089.. A DCOMP em tela, transmitida pela interessada em 19/01/2006, foi analisada de forma eletrônica pelo sistema de processamento da Receita Federal do Brasil RFB que emitiu o Despacho Decisório de fl. 06, assinado pelo titular da unidade de jurisdição da requerente, que não homologou a compensação declarada por inexistência do crédito. Segundo o Despacho Decisório o pagamento indicado não possui saldo disponível para compensação, visto que foi integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte. Inconformado, o contribuinte por meio de seu representante legal, impugnou o despacho decisório manifestando a sua inconformidade às fls. 07, na qual deduz as alegações a seguir discriminadas A requerente tem como objeto social o transporte rodoviário de cargas e na execução desses serviços seus veículos estão sujeitos ao pagamento de pedágio nas diversas estradas brasileiras. Por força do artigo 2o da Lei n° 10.209/2001, o valor do vale pedágio não é considerado receita operacional ou rendimento tributável da empresa não constituindo base de incidência de contribuições social ou previdenciarias. Portanto os valores recebidos a título de pedágio pela Requerente, obrigatoriamente destacados no campo especifico do conhecimento de transporte rodoviário, conforme prevê o § único do mesmo artigo 2o da Lei n° 10.209/2001, não deveriam ter composto a base de cálculo do PIS, COFINS, CSLL e IRPJ. Ocorre que por desconhecimento até então pela Requerente desse fato, os valores relativos ao pedágio vinham sendo considerados como receita da empresa e, conseqüentemente, incluídos na base de calculo de PIS, COFINS, CSLL e IRPJ. Tendo tomado conhecimento da não incidência dos impostos federais sobre os valores recebidos a título de pedágio, a Requerente efetuou levantamento dos valores pagos a maior relativos ao prazo prescricional, e efetuou pedido de restituição conforme PER/DCOMP n° 04 758. 74683. 241I 05.1 .2. 04 0393,, relativo ao período de apuração out/2003. Nesse período, Fl. 59DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 29/10/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10880.990663/200941 Acórdão n.º 3801004.569 S3TE01 Fl. 5 3 conforme poderá ser constatado pela planilha anexa, foram destacados nos conhecimentos de transporte o valor correspondente a R$ 3.107, 70,, relativo ao pedágio, valor esse que não deveria ter integrado a base de cálculo do imposto. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo I (SP) julgou improcedente a manifestação de inconformidade com base na seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 13/11/2003 DCOMP PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. A mera alegação da existência do crédito, desacompanhada de elementos de prova não é suficiente para afastar a exigência do débito decorrente de compensação não homologada. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada, a contribuinte apresentou recurso voluntário repisando, na essência, as razões apresentadas por ocasião da manifestação de inconformidade, solicitando ainda que o julgamento seja transformado em diligência, a fim de que sejam devidamente comprovadas todas as alegações da Recorrente. É o Relatório. Fl. 60DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 29/10/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10880.990663/200941 Acórdão n.º 3801004.569 S3TE01 Fl. 6 4 Voto Conselheiro Marcos Antonio Borges O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, portanto dele tomase conhecimento. A recorrente sustenta que o seu direito creditório decorre da apuração do PIS e da Cofins que teriam sido pagos a maior. O direito creditório não existiria, segundo o despacho decisório inicial, porque os pagamentos constantes do pedido estariam integralmente vinculados a débitos já declarados. Diante da inexistência do crédito, a compensação declarada não foi homologada. Por certo, a análise automática do crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior pleiteado em restituição ou utilizado em declaração de compensação é realizada considerando o saldo disponível do pagamento nos sistemas de cobrança, não se verificando efetivamente o mérito da questão, o que será viável somente a partir da manifestação de inconformidade apresentada pelo requerente, na qual, esperase, seja descrita a origem do direito creditório pleiteado e sua fundamentação legal. A recorrente alega que o crédito em debate teve origem na inclusão na base de cálculo de PIS e COFINS de valores recebidos a título de pedágio pela Requerente mas que por força do artigo 2° da Lei n.° 10.209/2001 não é considerado como receita operacional ou rendimento tributável da empresa, não constituindo base de incidência de contribuições sociais ou previdenciárias. De fato, o Decreto nº 4.524, de 17 de dezembro de 2002, que regulamenta a Contribuição para o PIS/Pasep e a Cofins devidas pelas pessoas jurídicas em geral, previa a exclusão da receita bruta das empresas transportadoras de carga do valor recebido a título de ValePedágio instituído pela Lei nº 10.209, de 2001, in verbis: Art. 34. As empresas transportadoras de carga, para efeito da apuração da base de cálculo das contribuições, podem excluir da receita bruta o valor recebido a título de ValePedágio, quando destacado em campo específico no documento comprobatório do transporte (Lei nº 10.209, de 23 de março de 2001, art. 2º , alterado pelo art. 1º da Lei nº 10.561, de 13 de novembro de 2002). Parágrafo único. As empresas devem manter em boa guarda, à disposição da SRF, os comprovantes de pagamento dos pedágios cujos valores foram excluídos da base de cálculo. No entanto, a Recorrente não trouxe aos autos elementos suficientes para comprovar a origem do seu crédito. Não apresentou nenhuma prova do seu direito creditório, em especial, a escrituração fiscal e contábil do período de apuração em que se pleiteou o crédito ou mesmo cópia dos conhecimentos de transporte, nos quais estivessem destacados os Fl. 61DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 29/10/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10880.990663/200941 Acórdão n.º 3801004.569 S3TE01 Fl. 7 5 valores recebidos do ValePedágio, conforme prevê o artigo 2° da Lei n.° 10.209/2001. Se limitou, tãosomente, a apresentar uma planilha na qual estaria a relação dos conhecimentos de transporte onde os valores de pedágio foram destacados, porém sem nenhum documento que a embasasse. Apesar da prevalência do princípio da Verdade Material no âmbito do processo administrativo, o pedido de diligência da requerente deveria estar acompanhado dos elementos que pudéssemos considerar como indícios de prova dos créditos alegados e necessários para que o julgador possa aferir a pertinência dos argumentos apresentados, o que não se verifica no caso em tela. A mera inércia da requerente não pode ser suprida por diligência. Em sede de restituição/compensação compete ao contribuinte o ônus da prova do fato constitutivo do seu direito, consoante a regra basilar extraída do Código de Processo Civil, artigo 333, inciso I. Art. 333. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. (...) Assim, nos termos do artigo 170 do Código Tributário Nacional, falta ao crédito indicado pelo contribuinte certeza e liquidez, que são indispensáveis para a compensação pleiteada. Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário, para NÃO HOMOLOGAR o pedido de compensação. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Fl. 62DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 29/10/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
score : 1.0
Numero do processo: 19515.723091/2013-14
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 13 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Nov 18 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009
MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO. JUROS DE MORA. INCIDÊNCIA. IMPOSSIBILIDADE.
Carece de base legal a incidência de juros de mora sobre a multa de lançamento de ofício.
ARGÜIÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (Súmula CARF nº 2)
LANÇAMENTO DE OFÍCIO. ACRÉSCIMOS LEGAIS. JUROS DE MORA À TAXA SELIC.
É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - Selic para títulos federais. (Súmula CARF nº 4)
Recurso Voluntário Provido em Parte
Crédito Tributário Mantido em Parte
Numero da decisão: 3403-003.425
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para cancelar a incidência de juros de mora sobre a multa de lançamento de ofício. Vencido o Relator. Designado para a redação do voto vencedor o Conselheiro Antonio Carlos Atulim.
(assinado digitalmente)
Antonio Carlos Atulim Presidente e redator designado
(assinado digitalmente)
Alexandre Kern - Relator
Participaram do julgamento os conselheiros Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Rosaldo Trevisan, Domingos de Sá Filho, Luiz Rogério Sawaya Batista e Ivan Allegretti.
Nome do relator: ALEXANDRE KERN
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009 MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO. JUROS DE MORA. INCIDÊNCIA. IMPOSSIBILIDADE. Carece de base legal a incidência de juros de mora sobre a multa de lançamento de ofício. ARGÜIÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (Súmula CARF nº 2) LANÇAMENTO DE OFÍCIO. ACRÉSCIMOS LEGAIS. JUROS DE MORA À TAXA SELIC. É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - Selic para títulos federais. (Súmula CARF nº 4) Recurso Voluntário Provido em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009 Ementa:ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA O PEDIDO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. As diligências não se prestam à produção de prova que toca à parte produzir. Cabe ao contribuinte demonstrar e comprovar a ocorrência das receitas informadas em Dacon como submetidas a alíquotas diferenciadas das contribuições. É ônus do contribuinte comprovar a existência do crédito descontado, em Dacon, da contribuição devida no período. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009 MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO. JUROS DE MORA. INCIDÊNCIA. IMPOSSIBILIDADE. Carece de base legal a incidência de juros de mora sobre a multa de lançamento de ofício. ARGÜIÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (Súmula CARF nº 2) LANÇAMENTO DE OFÍCIO. ACRÉSCIMOS LEGAIS. JUROS DE MORA À TAXA SELIC. É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 72 30 91 /2 01 3- 14 Fl. 1911DF CARF MF Impresso em 18/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 14/11/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por ALEXANDRE KERN Processo nº 19515.723091/201314 Acórdão n.º 3403003.425 S3C4T3 Fl. 1.912 2 Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia Selic para títulos federais. (Súmula CARF nº 4) Recurso Voluntário Provido em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para cancelar a incidência de juros de mora sobre a multa de lançamento de ofício. Vencido o Relator. Designado para a redação do voto vencedor o Conselheiro Antonio Carlos Atulim. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Atulim – Presidente e redator designado (assinado digitalmente) Alexandre Kern Relator Participaram do julgamento os conselheiros Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Rosaldo Trevisan, Domingos de Sá Filho, Luiz Rogério Sawaya Batista e Ivan Allegretti. Relatório VANGUARDA AGRO S.A. teve lavrados contra si os autos de infração das fls. 113 a 116 e 133 a 135, para formalizar a determinação e a exigência de créditos tributários referentes à Contribuição para o Plano de Integração Social PIS e à Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins, apuradas entre 31/01/2009 a 31/12/2009, no valor total de R$ 74.839.201.90. De acordo com o Termo de Verificação Fiscal, fls. 101 a 111, a autoridade fiscal efetuou o cálculo das contribuições devidas no período desconsiderando: (i) os valores das vendas/saídas de mercadorias da fiscalizada informados em Dacon como beneficiados por cálculo específico, ou seja, vendas de produtos a preço fixo e específico por metro quadrado e; (ii) eventuais créditos passíveis de desconto das contribuições devidas. Em ambos os casos, tal desconsideração se deu ante a total falta de comprovação pela interessada da legitimidade e procedência de tais valores, os quais reduziram a contribuição devida do período, conforme informados em Dacon. A autoridade fiscal informa que as receitas foram apuradas a partir do item Saídas de mercadorias, sendo este o único na composição da receita conhecida da empresa, tomadas pelo somatório dos itens constantes do Livro Registro de Saídas de Mercadorias cujos CFOP configuramse determinantes para a base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, totalizados mensalmente. Relata que as saídas de mercadorias tiveram sua análise Fl. 1912DF CARF MF Impresso em 18/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 14/11/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por ALEXANDRE KERN Processo nº 19515.723091/201314 Acórdão n.º 3403003.425 S3C4T3 Fl. 1.913 3 prejudicada pela falta de atendimento das intimações fiscais. Explica que embora parte das vendas/saídas de mercadorias da fiscalizada tenha sido considerada por ela nos Dacon como produto beneficiado por cálculo específico, ou seja, a preço fixo e específico por metro quadrado e, portanto, beneficiado, tal condição não foi comprovada com documentação hábil para tal fim, já que as várias intimações fiscais emitidas nesse sentido não foram atendidas. Informa que, assim, não foram consideradas as declaradas e não demonstradas “saídas por unidade de medida de produto”, tendo o cálculo das contribuições devidas sido realizado com a aplicação das alíquotas padrão do sistema não cumulativo sobre os totais mensais apurados. Em relação a eventuais créditos passíveis de desconto da contribuição devida, informa que este foi um dos itens exaustivamente solicitados por diversas intimações nesse sentido, sem que se lograsse qualquer êxito; acrescenta que mesmo itens secundários de geração de créditos como depreciações, aluguéis, etc., sequer foram considerados em qualquer tentativa de resposta do contribuinte. Aduz que, por meio da Intimação n° 5, alertou explicitamente à fiscalizada, com expressões negritadas, quanto à glosa de créditos decorrentes do sistema não cumulativo e o consequente lançamento tributário decorrente dessa desconsideração, caso não fossem apresentados os documentos e elementos necessários à sua aferição. Ante o não atendimento desta intimação, a autoridade fiscal concluiu pela prevalência do que fora motivo de alerta e reiteradas intimações não atendidas, desconsiderando todo e qualquer crédito porventura passível de aproveitamento, em razão de o contribuinte não permitir sua aferição, se existentes. Em impugnação, fls. 161 a 184, em síntese, o autuado admite não ter logrado apresentar os documentos solicitados pela Fiscalização, mas alega que os documentos que instruem a reclamação são os suficiente para a comprovar que está correta a apuração dos créditos e dos débitos das contribuições. Com isso, pretende que seja realizada diligência fiscal para que seja verificada a correção quanto à apuração do débito e do crédito para o ano calendário de 2009. Informa que já solicitou a elaboração de laudo por perito técnico, visando deixar ainda mais evidente a comprovação do seu direito, laudo que será juntado aos autos e auxiliará a diligência. Em relação à multa de ofício, a impugnante alega que demonstrou que agiu de boa fé, de forma que não seria justo atribuirlhe uma penalidade de 75% sobre o valor do suposto crédito tributário ora discutido, que ultrapassa os limites da razoabilidade e proporcionalidade; pede que seja reduzida. No que se refere aos juros de mora, tendo em vista a real possibilidade de a taxa SELIC vir a ser considerada inconstitucional para fins tributários pelo Poder Judiciário, contesta sua aplicação e requer sua desconsideração no cômputo do crédito tributário principal. Por fim, para assegurar que diante de um futuro resultado desfavorável à atualização do débito não será feita com a incidência de juros pela taxa SELIC sobre a multa aplicada, tece considerações no sentido de que a multa configura penalidade e não tem natureza tributária e que, assim sendo, não há razão para ser aplicada a taxa de juros SELIC sobre o seu valor. Pleiteia que sejam consideradas as planilhas e os documentos anexados para a comprovação da correção dos cálculos elaborados por ela para o recolhimento das contribuições do anocalendário de 2009. Para tanto, requer a conversão do julgamento em diligência. E, por fim, protesta ainda pela juntada posterior de documentos. Em 25/02/2014, o autuado vem aos autos novamente, reiterando seu pedido de diligência e acostando o que chama de laudo elaborado peritos técnico, fls. 1.806 a 1.858. Fl. 1913DF CARF MF Impresso em 18/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 14/11/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por ALEXANDRE KERN Processo nº 19515.723091/201314 Acórdão n.º 3403003.425 S3C4T3 Fl. 1.914 4 A 4ª Turma da DRJ/FNS julgou a impugnação improcedente. O Acórdão n° 0734.663, de 23 de abril de 2014, fls. 1.865 a 1.876, teve ementa vazada nos seguintes termos: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2009 BENEFÍCIO FISCAL. REQUISITOS LEGAIS. COMPROVAÇÃO Cabe ao contribuinte demonstrar e comprovar a ocorrência das receitas informadas em Dacon como submetidas a alíquotas diferenciadas das contribuições. DESCONTO. COMPROVAÇÃO DO DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA A CARGO DO CONTRIBUINTE É ônus do contribuinte comprovar a existência do crédito descontado, em Dacon, da contribuição devida no período. DILIGÊNCIA. INDEFERIMENTO. Em estando presentes nos autos do processo os elementos necessários e suficientes ao julgamento da lide estabelecida, prescindível é a diligência fiscal, cabendo a autoridade julgadora indeferila. MULTA DE OFÍCIO. LEGALIDADE. A multa de ofício está prevista no inciso I do art. 44 da Lei n° 9.430/1996, não podendo o julgador administrativo negar aplicação e a eficácia de ato legal vigente, regularmente editado. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. LEGALIDADE. Os juros de mora devem ser calculados à taxa Selic, por força do Art. 61, § 3°, da lei n° 9.430/96, não podendo o órgão julgador administrativo negar aplicação e a eficácia de ato legal vigente, regularmente editado. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Cuidase agora de recurso voluntário contra a decisão da 4ª Turma da DRJ/FNS. O arrazoado de fls. 1.885 a 1.905, após protesto de tempestividade e síntese dos fatos relacionados com a lide, argúi, em preliminar, a nulidade da decisão recorrida, por cercearlhe o direito de defesa ao não conhecer documentos trazidos aos autos, referindose a parecer técnicocontábil. Retoma o pedido de diligência para que se viabilize a análise desses documentos. No mérito, explica que, com base na Lei n° 10.637, de 30 de dezembro de 2002, na Lei n° 10.833, de 29 de dezembro de 2003, na Lei n° 11.116, de 18 de maio de 2005, no Decreto n° 5.297, de 6 de dezembro de 2004, e Decreto n° 6.606, de 21 de outubro de 2008, em 2009, (i) recolheu as contribuições ao PIS e à Cofins sobre a suas receitas à alíquota de 9,25% e sobre a receita de biodiesel ao preço de R$ 31,75 (PIS) e R$ 146,20 (COFINS) por Fl. 1914DF CARF MF Impresso em 18/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 14/11/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por ALEXANDRE KERN Processo nº 19515.723091/201314 Acórdão n.º 3403003.425 S3C4T3 Fl. 1.915 5 metro cúbico; e (ii) apropriouse de créditos em relação a despesas e custos contemplados pelo texto legal que se resumia a (i) insumos adquiridos e que são consumidos no processo de produção do biodiesel (como, por exemplo, óleo de soja refinado ou degomado, metanol, óleo combustível); (ii) frete na aquisição dos insumos ou na venda; e (iii) energia elétrica. Acusa a Fiscalização de desconsiderar o fato de possuir regime de apuração especial para o PIS e Cofins na venda do biodiesel, previsto no art. 4° da Lei n° 11.116, de 2005, e regulamentado pelos decretos antes referidos. Alega que tal equívoco, contudo, apenas poderá ser comprovado mediante análise da prova documental anexada aos autos, notadamente por intermédio da realização de diligência, repisando mais uma vez o pedido. Na continuação, insiste no seu direito à tomada de créditos sobre despesas com energia elétrica, sobre a aquisição de óleos vegetais, utilizados como insumo na produção do biodiesel, bem como sobre o valor do frete incorrido na entrada dos insumos e na operação de venda. Acrescenta que o lauda pericial ratifica esse direito. Por fim, retoma a insurgência contra os consectários legais (multa e juros), já apresentados na impugnação. Pede provimento. A numeração de folhas reportase à atribuída pelo processo eletrônico. É o Relatório. Voto Vencido Conselheiro Alexandre Kern, Relator Presentes os pressupostos recursais, a petição de fls. 1.885 a 1.905 merece ser conhecida como recurso voluntário contra o Acórdão DRJFNS4ª Turma nº 0734.663, de 23 de abril de 2014. Pedido de diligência A recorrente pugna por realização de diligência para que se produza a comprovação de que é beneficiária de regime especial de apuração das Contribuições Sociais. É entendimento predominante nesta Turma Recursal o de que as diligências não se prestam à produção de provas que toca à parte produzir, segundo o sistema de distribuição do onus probandi adotado no processo administrativo federal, plasmado no art. 36 da Lei no 9.784, de 29 de janeiro de 1999: Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no artigo 37 desta Lei. No mesmo sentido o art. 330 da Lei no 5.869, de 11 de janeiro de 1973 (CPC): Art. 333. O ônus da prova incumbe: Fl. 1915DF CARF MF Impresso em 18/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 14/11/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por ALEXANDRE KERN Processo nº 19515.723091/201314 Acórdão n.º 3403003.425 S3C4T3 Fl. 1.916 6 [...] II – ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. O TVF, fls. 101 a 111, dá conta das inúmeras vezes em que intimou o contribuinte a apresentar informações relacionadas às receitas e aos créditos e dos livros e documentos da escrituração: 1. Termo de início da ação fiscal: ciência em 26/10/2012, com a solicitação das informações e documentos básicos, a qual não foi atendida; 2. 1ª intimação: lavrada em 08/05/2013 e ciência em 15/05/2013; foi reiterando o pedido no Termo de início da ação fiscal; 3. 2ª intimação: ciência em 03/06/2013 com prazo de 15 (quinze) dias para cumprimento, vencimento em 18/06/2013; foram pedidos nove documentos; em 28/06/2013 a empresa protocolou pedido, intempestivo, de dilação de prazo; o pedido foi atendido, com dilação de prazo de mais 30 (trinta) dias ali solicitada; novo prazo, portanto, 18/07/2013; em 31/07/2013, a empresa protocolou, intempestivamente, nova carta de acompanhamento de documentos, informando o atendimento de 8 dos 9 itens solicitados; em análise do conteúdo apresentado foi verificado o não atendimento dos três primeiros itens da intimação, embora listados pela interessada como tendo sido apresentados; 4. apresentação dos itens não apresentados por ocasião da intimação anterior, especialmente os balancetes mensais; o procurador da fiscalizada informou não possuir balancetes de verificação, mas somente os balanços anuais normais, os quais foram apresentados; foi solicitado que a informação fosse feita por escrito, o que foi feito através de correspondência datada de 18/09/2013, 18 dias após o vencimento do prazo dado na intimação; 5. 4ª intimação: ciência em 10/10/2013, com prazo de 10 dias, solicitando o atendimento dos demais itens (exceto balancetes) ainda não atendidos; em 21/10/2013, a contribuinte apresenta mídia eletrônica onde diz conter os demonstrativos analíticos das operações contidas no item 2 da Intimação 4 (créditos descontados) e solicita dilação de prazo de mais 10 (dez) dias para apresentação do restante; a dilação foi concedida, com novo prazo vencendo em 31/10/2013; a mídia eletrônica (CD) apresentada, entretanto, não trouxe os elementos descritos em seu protocolo nem nos termos solicitados, caracterizandose inepta aos trabalhos da fiscalização; 6. 5ª intimação: ciência em 25/11/2013, com prazo de cinco dias; reitera novamente a apresentação do item 2 da intimação 4 (créditos descontados), asseverando que o seu não atendimento implicará na desconsideração e glosa dos créditos da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins decorrentes do sistema não cumulativo e o conseqüente lançamento tributário decorrente; vencido o prazo em 02/12/2013, a intimação não foi atendida; 7. 6ª intimação: ciência em 23/11/2013, com prazo de cinco dias, contendo nova reiteração das intimações 2 e 3, especialmente dos demonstrativos solicitados no item 4 da intimação 2 (provisões/reversões); vencido o prazo em 29/11/2013, a intimação não foi atendida; Fl. 1916DF CARF MF Impresso em 18/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 14/11/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por ALEXANDRE KERN Processo nº 19515.723091/201314 Acórdão n.º 3403003.425 S3C4T3 Fl. 1.917 7 8. 7ª intimação: ciência em 27/11/2013, com prazo de cinco dias, novamente reiterando os itens não atendidos das intimações anteriores e solicitando documentos e elementos “naturais e estáveis das operações da empresa”, numa última tentativa de realização de exames determinados pelo programa de fiscalização; vencido o prazo, a intimação não foi atendida; 9. em 06/12/2013 foi protocolado outro pedido de dilação de prazo de mais 5 (cinco) dias para atender o solicitado nas intimações 5 e 6, estas com prazos já vencidos, em 02/12/2013 e em 29/11/2013. Especificamente em relação à apuração da receita tributável, em 25/11/2013 foi lavrada a Intimação 7, com recepção em 27/11/2013, novamente reiterando os itens não atendidos das intimações anteriores e solicitando outros itens de fácil atendimento, numa última tentativa de realização de exames determinados pelo programa de fiscalização. Nesta, dentre outras informações, foi pedido que a empresa fornecesse planilha EXCEL com todas as saídas por vendas tributáveis pela alíquotas normais das contribuições e as saídas por alíquotas específicas (p/ex. biodiesel). Tal relação deveria estar ordenada por ordem cronológica de ocorrência com as devidas totalizações mensais, identificando a qual filial se refere e deveriam conter todas as informações básicas das respectivas notas fiscais. Infelizmente, a intimação, não foi atendida e as saídas de mercadorias tiveram sua análise prejudicada pela falta de atendimento desta e de outras intimações fiscais anteriores. Conforme relata a autoridade fiscal, embora parte das vendas/saídas de mercadorias da fiscalizada tenha sido considerada por ela nos Dacon como produto beneficiado por cálculo específico, ou seja, a preço fixo e específico por metro quadrado e, portanto, beneficiado, tal condição não foi demonstrada à Fiscalização, porque documentos hábeis para tanto, não foram disponibilizados, apesar das várias intimações fiscais nesse sentido. Mesmo na impugnação, que, a teor do § 4° do art. 16 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 PAF, é o momento derradeiro para a instrução processual, o autuado não produziu os documentos solicitados no curso da ação fiscal, limitandose a juntar cópias de Dacon, planilhas demonstrativas da apuração de créditos, das vendas e da apuração das contribuições, mas desacompanhadas de qualquer lastro na escrituração contábil ou fiscal, inábeis para o fim a que se propunham. Não pode agora, em sede de recurso, pretender subverter o andamento normal do processo, reiniciandoo. As diligências são instrumento destinado ao convencimento do julgador e não ao suprimento do ônus da prova da parte. Assim sendo, não cabe ao julgador valerse dessa providência para, por vias indiretas, suprir o ônus probatório que cabia a cada parte e, de outro turno, lhe é facultado indeferir as que considerar prescindíveis ao julgamento das matérias controversas. Diligências existem para resolver dúvidas acerca de questão controversa originada da confrontação de elementos de prova trazidos pelas partes, mas não para permitir que seja feito aquilo que a lei já impunha como obrigação, desde a instauração do litígio, às partes componentes da relação jurídica. Indefiro o pedido de diligência. Fl. 1917DF CARF MF Impresso em 18/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 14/11/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por ALEXANDRE KERN Processo nº 19515.723091/201314 Acórdão n.º 3403003.425 S3C4T3 Fl. 1.918 8 Preliminar de nulidade da decisão recorrida Segundo a recorrente, o Acórdão recorrido é nulo, uma vez que não analisou os documentos juntados à impugnação, tampouco o laudo pericial acostado aos autos, o que afronta princípios constitucionais da ampla defesa e contraditório, bem como do princípio da busca da verdade material no processo administrativo. A argüição é improcedente. Ao contrário, a 4ª Turma da DRJ/FNS julgou que os documentos acostados aos autos juntamente com a impugnação não eram hábeis e bastantes para afastar o lançamento fiscal, haja vista não infirmarem o seu fundamento, justamente por requerem prova. Quanto ao documento juntado aos autos em 25/02/2014, fez bem a decisão recorrida em não conhecêlo, pois já havia precluído o direito de apresentação de provas documentais, nos termos do § 4° do art. 16 do PAF. Mérito Receita tributável à alíquota diferenciada Especificamente em relação à apuração da receita tributável, em 25/11/2013 foi lavrada a Intimação 7, com recepção em 27/11/2013, novamente reiterando os itens não atendidos das intimações anteriores e solicitando outros itens de fácil atendimento, numa última tentativa de realização de exames determinados pelo programa de auditoria fiscal. Nesta, dentre outras informações, foi pedido que a empresa fornecesse planilha EXCEL com todas as saídas por vendas tributáveis pela alíquotas normais das contribuições e as saídas por alíquotas específicas (p/ex. biodiesel). Tal relação deveria estar ordenada por ordem cronológica de ocorrência com as devidas totalizações mensais, identificando a qual filial se refere e deviriam conter todas as informações básicas das respectivas notas fiscais. Tal intimação, como visto acima, não foi atendida e as saídas de mercadorias tiveram sua análise prejudicada pela falta de atendimento desta e de outras intimações fiscais anteriores. Conforme relata a autoridade fiscal, embora parte das vendas/saídas de mercadorias da fiscalizada tenha sido considerada por ela nos Dacon como produto beneficiado por cálculo específico, ou seja, a preço fixo e específico por metro quadrado, tal condição não foi demonstrada à fiscalização, porque documentos hábeis para tanto, não foram disponibilizados, apesar das várias intimações fiscais nesse sentido. A documentação que instrui a impugnação, como o próprio recorrente admite, é insuficiente para a prova do tratamento beneficiado das receitas e demandaria dilação probatória, o que, como visto, não se admite. Nesse quadro probatório, mantêmse as conclusões da Fiscalização. Mérito Créditos descontados Esse contexto probatório repetiuse quanto aos créditos das contribuições sociais não cumulativas. Já na intimação 4 (ciência em 10/10/2013, com prazo de 10 dias), a Fiscalização pediu que o contribuinte elaborasse demonstrativo analítico das operações (aquisições, depreciações, aluguéis, etc.) que geraram créditos de PIS e Cofins, Fl. 1918DF CARF MF Impresso em 18/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 14/11/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por ALEXANDRE KERN Processo nº 19515.723091/201314 Acórdão n.º 3403003.425 S3C4T3 Fl. 1.919 9 individualizandoas e separandoas por categoria com subtotais mensais, e total anual, de cada uma delas. Em 21/10/2013, o contribuinte apresentou mídia eletrônica, que conteria os demonstrativos solicitados. Entretanto a mídia eletrônica (CD) citada não trouxe os elementos descritos em seu protocolo nem nos termos solicitados, caracterizandose inepta aos trabalhos. Na intimação 5, em 25/11/2013, reiterouse a solicitação contida na intimação 4, salientando as consequência que adviriam do seu não atendimento. Esta intimação também não foi atendida. Em 06/12/2013, a fiscalizada protocolou outro pedido de dilação de prazo de mais 5 (cinco) dias para então atender o solicitado nas intimações 5 e 6, estas com prazos para cumprimento novamente vencidos. A dilação do prazo foi negada por ter sido considerada abusiva pela autoridade fiscal; isso porque, tendo em conta ser o pedido intempestivo e considerando que as intimações 5 e 6, objeto do pedido, trouxeram em seus bojos reiterações várias vezes já efetuadas, entendeu que os pedidos de dilações de prazo configuravam uma praxe de procrastinação. Decerto cabe razão a autoridade fiscal. É de se salientar que os documentos que foram reiteradamente solicitados pela fiscalização durante toda a ação fiscal não são documentos estranhos à administração corriqueira de qualquer empresa; são, na verdade, documentos comuns a qualquer empresa minimamente organizada, justamente por servirem ao necessário controle da situação fiscal da empresa como um todo, notadamente no que se refere a seus créditos e benefícios fiscais, que resultam na redução das contribuições devidas. Mencionese que a autoridade fiscal relata que mesmo itens secundários de geração de créditos como depreciações, aluguéis, etc, sequer foram considerados em qualquer tentativa de resposta do contribuinte e que, nem mesmo explicitamente alertada quanto à glosa de créditos decorrentes do sistema não cumulativo e o consequente lançamento tributário decorrente dessa desconsideração (intimação n° 5), manifestouse no sentido de tentar atender à intimação fiscal. Mesmo a documentação trazida na impugnação revelase insuficiente (acostaramse aos autos apenas algumas notas fiscais como amostragem do direito de crédito) e inábil (as planilhas demonstrativas não se fazem acompanhadas da escrituração contábilfiscal) para o fim a que se destinam e, como reconhece a recorrente, reclamariam complementação. Neste ponto também, ratifico os critérios adotados pela Fiscalização para o lançamento de ofício e mantenho a decisão recorrida. Mérito – Consectários legais do lançamento do principal A insurgência contra a multa de lançamento de ofício, contra a utilização da taxa Selic no cálculo dos juros de mora e sobre a incidência de juros de mora sobre a multa de lançamento de ofício é improcedente. Afastar a aplicação da multa, cominada no art. 44, inc. I, da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, sob consideração de desproporcionalidade, confiscatoriedade etc. implicaria negar vigência à norma regularmente introduzida no ordenamento jurídico. E isso não se fará em sede de julgamento administrativo. Incide no caso a Súmula CARF nº 2: Súmula CARF Nº 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Fl. 1919DF CARF MF Impresso em 18/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 14/11/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por ALEXANDRE KERN Processo nº 19515.723091/201314 Acórdão n.º 3403003.425 S3C4T3 Fl. 1.920 10 Quanto à utilização da taxa Selic, tal matéria também já tem entendimento pacificado no âmbito do CARF e do Segundo Conselho de Contribuintes, plasmado na Súmula nº 4, (DOU de 22/12/2009), que assevera ser cabível a cobrança de juros de mora sobre débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia Selic para títulos federais. Tenho manifestado o entendimento de que o acréscimo de juros sobre o valor da multa de lançamento de ofício não é matéria atinente ao lançamento de ofício. Tratase tão somente de consectário legal decorrente da mora no cumprimento da obrigação, que se evidencia, na tentativa de cobrança amigável, pela emissão do DARF que acompanha a carta cobrança que noticia o resultado do julgamento de primeira instância. A arguição de ilegalidade desse acréscimo, enquanto procedimento de cobrança, não pode ser conhecida no âmbito do rito processual instituído pelo Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, já que essa cartacobrança ou mesmo esse DARF em que consta o acréscimo de juros não são meio formal de constituição de crédito tributário, nem traduzem, autonomamente, qualquer relação jurídica tributária. Ademais, é de regra que a matéria nem seja abordada pela decisão recorrida, já que não constou da impugnação, fato que retira, definitivamente, sua apreciação da competência desta Turma Recursal, consoante interpretação a contrario sensu da disposição do caput do art. 4º do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009 – RI/CARF, com as alterações introduzidas pela Portaria MF nº 586, de 21 de dezembro de 2010–DOU de 22.12.2010. Abro exceção e conheço da matéria nos casos em que, como no presente processo, a matéria já tenha sido arguida em impugnação e conste do acórdão da DRJ. Argumenta a Recorrente que inexiste previsão legal para esse acréscimo. Sem razão. A multa de oficio, segundo o disposto no art. 44 da Lei da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, deverá incidir sobre o crédito tributário não pago, consistente na diferença entre o tributo devido e aquilo que fora recolhido, Vejamos: Art, 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: 1 de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; Quanto aos acréscimos legais ao crédito tributário cumpre consignar que a incidência de juros de mora sobre a multa de ofício está amparada nas disposições do art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, de seguinte teor: Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1o. de janeiro de Fl. 1920DF CARF MF Impresso em 18/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 14/11/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por ALEXANDRE KERN Processo nº 19515.723091/201314 Acórdão n.º 3403003.425 S3C4T3 Fl. 1.921 11 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. [...] § 3°. Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3o. do art. 5o., a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Nesse contexto, a multa de ofício é débito para com a União e decorre de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, nos termos dos seguintes dispositivos do Código Tributário Nacional (Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966): Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1°. A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. [...] Art. 139. O crédito tributário decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta. [...] Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. Decorre, assim, das expressas disposições legais que o crédito tributário não integralmente pago no vencimento deve ser acrescido de juros de mora. E o crédito tributário é definido como aquele decorrente da obrigação principal, que tem por objeto não apenas o pagamento do tributo, mas também da penalidade pecuniária e, nesse sentido, sequer se poderia afirmar que a multa de ofício não seria decorrente da exigência de tributos e contribuições. Na verdade, a exigibilidade dos tributos e contribuições é o fundamento para a própria exigibilidade da multa de ofício. A própria Lei nº 9.430, de 1996, no artigo 43, prevê expressamente a incidência de juros de mora sobre a multa de mora e os juros de mora devidos, isolada ou conjuntamente, e não teria sentido admitir a incidência dos juros de mora sobre a multa de mora e sobre os próprios juros de mora lançados exofficio e afastar a incidência nos casos de multa objeto de lançamento de ofício. Não há discrimine na legislação que ampare tal distinção. É a seguinte a redação do artigo 43: Art. 43. Poderá ser formalizada exigência de crédito tributário correspondente exclusivamente a multa ou a juros de mora, isolada ou conjuntamente. Fl. 1921DF CARF MF Impresso em 18/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 14/11/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por ALEXANDRE KERN Processo nº 19515.723091/201314 Acórdão n.º 3403003.425 S3C4T3 Fl. 1.922 12 Parágrafo único. Sobre o crédito constituído na forma deste artigo, não pago no respectivo vencimento, incidirão juros de mora, calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. A aplicação às multas de lançamento de ofício do mesmo regime jurídico previsto para a cobrança dos tributos é defendida também na doutrina1: “O § 1º do art. 113 recebe duras críticas da doutrina, devido à redação de sua parte final, onde diz que a obrigação principal pode ter por objeto o pagamento de penalidade pecuniária. É que o próprio art. 3º do Código Tributário Nacional determina que o tributo não pode consistir no pagamento de prestação pecuniária sancionatória de ato ilícito. Há o estabelecimento, pelo menos aparente, de verdadeira contradição, por excluir aquele artigo, de maneira cabal, o pagamento das multas como prestação tributária. Com efeito, a afirmação de que a obrigação principal pode versar sobre penalidade pecuniária quadra mal com o anteriormente exposto. O § 3º do art. 113 visa estabelecer uma sanção destinada a punir aquele que descumpre a obrigação acessória. Escolhe a modalidade de uma penalidade de natureza pecuniária. Até esse ponto os tributaristas marcham concordes. Com efeito, nada mais apropriado do que impor uma sanção pecuniária àquele que descumpre com os deveres acessórios. Mas os mesmos críticos que há pouco encrespavam contra a possibilidade de que a obrigação principal pudesse ter por objeto tanto o pagamento de tributo quanto o de penalidade pecuniária, investem agora contra o fato de a obrigação acessória poder converterse em principal, quando não cumprida. Parece, com efeito, do estrito ponto de vista lógico, proceder a crítica destes autores. Não há que falarse em conversão da obrigação acessória em principal, mas sim em sanção. Contudo, a intenção do texto é tão manifesta que acaba por relevar este pecadilho de ordem lógica. É que resulta claro que o que o legislador quis deixar certo é que a multa tributária, embora não sendo, em razão da sua origem, equiparável a tributo, há de merecer o mesmo regime jurídico previsto para sua cobrança. O direito tem estas liberdades, que não precisam ser objeto de escândalo.” (negritamos) Portanto, sendo a multa de ofício débito para com a União, decorrente de tributos e contribuições administrados pela SRF, configurase regular a incidência de juros de mora sobre a multa de ofício a partir de seu vencimento. Nesse sentido vemse solidificando a jurisprudência desta instância recursal, embora reconheça ainda não ser dominante. Ilustro a asserção: JUROS SOBRE MULTA — sobre a multa de oficio devem incidir juros a taxa Selic, após o seu vencimento, em razão da aplicação 1 BASTOS, Celso Ribeiro. Curso de Direito Financeiro e de Direito Tributário. São Paulo: Saraiva, 2001, pp. 192 a 194. Fl. 1922DF CARF MF Impresso em 18/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 14/11/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por ALEXANDRE KERN Processo nº 19515.723091/201314 Acórdão n.º 3403003.425 S3C4T3 Fl. 1.923 13 combinada dos artigos 43 e 61 da Lei n° 9.430/96. (Acórdão 120200.138– 1ª. Seção. 2ª. Câmara. 1ª. Turma Ordinária. Sessão de 30/07/2009. Relator Conselheiro Guilherme Adolfo dos Santos Mendes). JUROS SOBRE MULTA. A multa de oficio, segundo o disposto no art. 44 da Lei n° 9.430/96, deverá incidir sobre o crédito tributário não pago, consistente na diferença entre o tributo devido e aquilo que fora recolhido. Não procede o argumento de que somente no caso do parágrafo único do art. 43 da Lei nº 9.430/96 é que poderá incidir juros de mora sobre a multa aplicada. Isso porque a previsão contida no dispositivo referese à aplicação de multa isolada sem crédito tributário, Assim, nada mais lógico que venha dispositivo legal expresso para fazer incidir os juros sobre a multa que não torna como base de incidência valores de crédito tributário sujeitos à incidência ordinária da multa. (Acórdão 140100.155 – 1ª. Seção. 4ª Câmara. 1ª. Turma Ordinária. Sessão de 28 de janeiro de 2010. Relator Conselheiro Antonio Bezerra Neto). E, ainda, o recente julgado da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, proferido no Acórdão nº 910100.539, em sessão realizada em 11 de março de 2010 de relatoria da Conselheira Viviane Vidal Wagner: JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de oficio, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic. Do referido julgado, sobreleva extrair os seguintes trechos: O art. 161 do CTN não distingue a natureza do crédito tributário sobre o qual deve incidir os juros de mora, ao dispor que o crédito tributário não pago integralmente no seu vencimento é acrescido de juros de mora, independentemente dos motivos do inadimplemento. Nesse sentido, no sistema tributário nacional, a definição de crédito tributário há de ser uniforme. De acordo com a definição de Hugo de Brito Machado (2009, p. 172), o crédito tributário "é o vínculo jurídico, de natureza obrigacional, por força do qual o Estado (sujeito ativo) pode exigir do particular, o contribuinte ou responsável (sujeito passivo), o pagamento do tributo ou da penalidade pecuniária (objeto da relação obrigacional)." Convertese em crédito tributário a obrigação principal referente à multa de oficio a partir do lançamento, consoante previsão do art. 113, §1°, do CTN: [...]. Fl. 1923DF CARF MF Impresso em 18/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 14/11/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por ALEXANDRE KERN Processo nº 19515.723091/201314 Acórdão n.º 3403003.425 S3C4T3 Fl. 1.924 14 Como referi, há dissenso. Há ainda turmas que admitem o acréscimo, limitado à taxa de 1% a.m., ao passo que outras se esforçam para demonstrar a sua impossibilidade. Se o CARF ainda está dividido, pareceme que vem se pacificando nas duas Turmas da Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça (STJ) o entendimento pela legalidade da incidência de juros de mora sobre multas de lançamento de ofício. AgRg no RECURSO ESPECIAL Nº 1.335.688 – PR (2012/01537730) RELATOR : MINISTRO BENEDITO GONÇALVES AGRAVANTE : … ADVOGADOS : … AGRAVADO : FAZENDA NACIONAL ADVOGADO : PROCURADORIAGERAL DA FAZENDA NACIONAL EMENTA PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. MANDADO DE SEGURANÇA. JUROS DE MORA SOBRE MULTA. INCIDÊNCIA. PRECEDENTES DE AMBAS AS TURMA QUE COMPÕEM A PRIMEIRA SEÇÃO DO STJ. 1. Entendimento de ambas as Turmas que compõem a Primeira Seção do STJ no sentido de que: “É legítima a incidência de juros de mora sobre multa fiscal punitiva, a qual integra o crédito tributário.” (REsp 1.129.990/PR, Rel. Min. Castro Meira, DJ de 14/9/2009). De igual modo: REsp 834.681/MG, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, DJ de 2/6/2010. 2. Agravo regimental não provido. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos os autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da PRIMEIRA Turma do Superior Tribunal de Justiça, por unanimidade, negar provimento ao agravo regimental, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Ari Pargendler, Arnaldo Esteves Lima (Presidente) e Napoleão Nunes Maia Filho votaram com o Sr. Ministro Relator. Brasília (DF), 04 de dezembro de 2012 (Data do Julgamento) Nego provimento ao recurso também nesta parte. Conclusões Com essas considerações, nego provimento ao recurso. Sala de sessões, em 13 de novembro de 2014 Voto Vencedor Fl. 1924DF CARF MF Impresso em 18/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 14/11/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por ALEXANDRE KERN Processo nº 19515.723091/201314 Acórdão n.º 3403003.425 S3C4T3 Fl. 1.925 15 Conselheiro Antonio Carlos Atulim, redator designado Divirjo do Relator quanto à incidência de juros de mora sobre a multa de lançamento de ofício. Já defendi a impossibilidade dessa incidência no voto condutor do Acórdão nº 002.367, de 24 de julho de 2013, que a seguir transcrevo: (...) O assunto seria aparentemente resolvido pela Súmula nº 4 do CARF: “Súmula CARF n° 4: A partir de 1o de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais” (grifo nosso) Contudo, resta a dúvida se a expressão “débitos tributários” abarca as penalidades, ou apenas os tributos. Verificando os acórdãos que serviram de fundamento à edição da Súmula, não se responde a questão, pois tais julgados se concentram na possibilidade de utilização da Taxa SELIC. Seguese então, para o art. 161 do Código Tributário Nacional, que dispõe: “Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. § 1° Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês. § 2 / O disposto neste artigo não se aplica na pendência de consulta formulada pelo devedor dentro do prazo legal para pagamento do crédito.”(grifo nosso) As multas são inequivocamente penalidades. Assim, restaria ilógica a leitura de que a expressão créditos ao início do caput abarca as penalidades. Tal exegese equivaleria a sustentar que: “os tributos e multas cabíveis não integralmente pagos no vencimento serão acrescidos de juros, sem prejuízos da aplicação das multas cabíveis”. A Lei nº 9.430/1996, por sua vez, dispõe, em seu art. 61, que: “Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. Fl. 1925DF CARF MF Impresso em 18/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 14/11/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por ALEXANDRE KERN Processo nº 19515.723091/201314 Acórdão n.º 3403003.425 S3C4T3 Fl. 1.926 16 § 1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Novamente ilógico interpretar que a expressão “débitos” ao início do caput abarca as multas de ofício. Se abarcasse, sobre elas deveria incidir a multa de mora, conforme o final do comando do caput. Mais recentemente tratouse do tema nos arts. 29 e 30 da Lei nº 10.522/2002: “Art. 29. Os débitos de qualquer natureza para com a Fazenda Nacional e os decorrentes de contribuições arrecadadas pela União, constituídos ou não, cujos fatos geradores tenham ocorrido até 31 de dezembro de 1994, que não hajam sido objeto de parcelamento requerido até 31 de agosto de 1995, expressos em quantidade de Ufir, serão reconvertidos para real, com base no valor daquela fixado para 1o de janeiro de 1997. § 1° A partir de 1o de janeiro de 1997, os créditos apurados serão lançados em reais. § 2° Para fins de inscrição dos débitos referidos neste artigo em Dívida Ativa da União, deverá ser informado à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional o valor originário dos mesmos, na moeda vigente à época da ocorrência do fato gerador da obrigação. § 3° Observado o disposto neste artigo, bem assim a atualização efetuada para o ano de 2000, nos termos do art. 75 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, fica extinta a Unidade de Referência Fiscal – Ufir, instituída pelo art. 1o da Lei no 8.383, de 30 de dezembro de 1991. Art. 30. Em relação aos débitos referidos no art. 29, bem como aos inscritos em Dívida Ativa da União, passam a incidir, a partir de 1o de janeiro de 1997, juros de mora equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia – Selic para títulos federais, acumulada mensalmente, até o último dia do mês anterior ao do pagamento, e de 1% (um por cento) no mês de pagamento.” (grifo nosso) Fl. 1926DF CARF MF Impresso em 18/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 14/11/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por ALEXANDRE KERN Processo nº 19515.723091/201314 Acórdão n.º 3403003.425 S3C4T3 Fl. 1.927 17 Vejase que ainda não se aclara a questão, pois se trata da aplicação de juros sobre os “débitos” referidos no art. 29, e a expressão designada para a apuração posterior a 1997 é “créditos”. Bem parece que o legislador confundiu os termos, e quis empregar débito por crédito (e viceversa), mas tal raciocínio, ancorado em uma entre duas leituras possíveis do dispositivo, revelase insuficiente para impor o ônus ao contribuinte. Não se tem dúvidas que o valor das multas também deveria ser atualizado, sob pena de a penalidade tornarse pouco efetiva ou até inócua ao fim do processo. Mas o legislador não estabeleceu expressamente isso. Pela carência de base legal, então, entendese pelo não cabimento da aplicação de juros de mora sobre a multa de ofício, na linha que já vem sendo adotada por esta Turma. Pelo exposto, voto no sentido de dar parcial provimento ao recurso voluntário apresentado, reconhecendo, para efeitos de execução do presente acórdão pela unidade local, que não incidem juros de mora sobre o valor da multa de ofício. Com essas considerações, divirjo do ilustre relator e voto por que se dê provimento ao recurso quanto a esta matéria. Sala de sessões, em 13 de novembro de 2014 Antonio Carlos Atulim Fl. 1927DF CARF MF Impresso em 18/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 14/11/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por ALEXANDRE KERN
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Numero do processo: 19515.001736/2003-84
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Aug 20 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Oct 14 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 1997
REGIMENTO INTERNO CARF - DECISÃO DEFINITIVA STF E STJ - ARTIGO 62-A DO ANEXO II DO RICARF.
Segundo o artigo 62-A do Anexo II do Regimento Interno do CARF, as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543-B e 543-C do Código de Processo Civil devem ser reproduzidas no julgamento dos recursos no âmbito deste Conselho.
CSLL - DECADÊNCIA.
O Superior Tribunal de Justiça, em julgamento de Recurso Representativo de Controvérsia, pacificou o entendimento segundo o qual para os casos em que se constata pagamento parcial do tributo, deve-se aplicar o artigo 150, § 4º do Código Tributário Nacional; de outra parte, para os casos em que não se verifica o pagamento, deve ser aplicado o artigo 173, inciso I, também do Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL.
Numero da decisão: 9101-001.975
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Especial. Esteve presente e procedeu à sustentação oral o patrono da recorrida, Dr. Ricardo Braghini OAB-SP 213035.
(ASSINADO DIGITALMENTE)
Otacílio Dantas Cartaxo Presidente
(ASSINADO DIGITALMENTE)
Karem Jureidini Dias Relatora
Participaram do julgamento OTACÍLIO DANTAS CARTAXO (Presidente). MARCOS AURELIO PEREIRA VALADÃO, VALMIR SANDRI, VALMAR FONSECA DE MENEZES, KAREM JUREIDINI DIAS, JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, MARCOS VINICIUS BARROS OTTONI (Suplente Convocado), RAFAEL VIDAL DE ARAÚJO, JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, PAULO ROBERTO CORTEZ (Suplente Convocado).
Nome do relator: KAREM JUREIDINI DIAS
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ementa_s : Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ano-calendário: 1997 REGIMENTO INTERNO CARF - DECISÃO DEFINITIVA STF E STJ - ARTIGO 62-A DO ANEXO II DO RICARF. Segundo o artigo 62-A do Anexo II do Regimento Interno do CARF, as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543-B e 543-C do Código de Processo Civil devem ser reproduzidas no julgamento dos recursos no âmbito deste Conselho. CSLL - DECADÊNCIA. O Superior Tribunal de Justiça, em julgamento de Recurso Representativo de Controvérsia, pacificou o entendimento segundo o qual para os casos em que se constata pagamento parcial do tributo, deve-se aplicar o artigo 150, § 4º do Código Tributário Nacional; de outra parte, para os casos em que não se verifica o pagamento, deve ser aplicado o artigo 173, inciso I, também do Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Especial. Esteve presente e procedeu à sustentação oral o patrono da recorrida, Dr. Ricardo Braghini OAB-SP 213035. (ASSINADO DIGITALMENTE) Otacílio Dantas Cartaxo Presidente (ASSINADO DIGITALMENTE) Karem Jureidini Dias Relatora Participaram do julgamento OTACÍLIO DANTAS CARTAXO (Presidente). MARCOS AURELIO PEREIRA VALADÃO, VALMIR SANDRI, VALMAR FONSECA DE MENEZES, KAREM JUREIDINI DIAS, JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, MARCOS VINICIUS BARROS OTTONI (Suplente Convocado), RAFAEL VIDAL DE ARAÚJO, JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, PAULO ROBERTO CORTEZ (Suplente Convocado).
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ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 1997 REGIMENTO INTERNO CARF DECISÃO DEFINITIVA STF E STJ ARTIGO 62A DO ANEXO II DO RICARF. Segundo o artigo 62A do Anexo II do Regimento Interno do CARF, as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C do Código de Processo Civil devem ser reproduzidas no julgamento dos recursos no âmbito deste Conselho. CSLL DECADÊNCIA. O Superior Tribunal de Justiça, em julgamento de Recurso Representativo de Controvérsia, pacificou o entendimento segundo o qual para os casos em que se constata pagamento parcial do tributo, devese aplicar o artigo 150, § 4º do Código Tributário Nacional; de outra parte, para os casos em que não se verifica o pagamento, deve ser aplicado o artigo 173, inciso I, também do Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Especial. Esteve presente e procedeu à sustentação oral o patrono da recorrida, Dr. Ricardo Braghini OABSP 213035. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 17 36 /2 00 3- 84 Fl. 329DF CARF MF Impresso em 14/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2014 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 06/10/2014 por KAREM JUREIDINI DIAS Processo nº 19515.001736/200384 Acórdão n.º 9101001.975 CSRFT1 Fl. 3 2 (ASSINADO DIGITALMENTE) Otacílio Dantas Cartaxo – Presidente (ASSINADO DIGITALMENTE) Karem Jureidini Dias – Relatora Participaram do julgamento OTACÍLIO DANTAS CARTAXO (Presidente). MARCOS AURELIO PEREIRA VALADÃO, VALMIR SANDRI, VALMAR FONSECA DE MENEZES, KAREM JUREIDINI DIAS, JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, MARCOS VINICIUS BARROS OTTONI (Suplente Convocado), RAFAEL VIDAL DE ARAÚJO, JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, PAULO ROBERTO CORTEZ (Suplente Convocado). Relatório Tratase de Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional em face do acórdão de n° 130100.009, proferido pela 3ª Câmara da 1ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, que, por maioria de votos, acolheu a preliminar de decadência da CSLL. Originalmente, o processo versa sobre auto de infração (fls. 85/94) para exigência de CSLL referente ao anocalendário de 1997, em virtude da compensação integral de base de cálculo negativa da CSLL acumulada em períodos anteriores, desrespeitando o limite de 30%. A contribuinte, inconformada, apresentou impugnação (fls. 96/110) objetivando a extinção do crédito tributário em virtude do transcurso do prazo decadencial, nos termos do artigo 150, §4º do Código Tributário Nacional. Também informou que tramita Mandado de Segurança n. 98.00044515, perante o Tribunal Regional Federal da 3ª Região, em que se discute a constitucionalidade e legalidade da trava na compensação, esclarecendo não se tratar de mesmo objeto da impugnação. Sobreveio decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de São Paulo – SP que considerou o lançamento procedente, mantendo o crédito tributário, nos termos do acórdão n. 3875 (fls. 192/199), cuja ementa segue colacionada: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL Exercício: 1998 Ementa: COMPENSAÇÃO DE BASE NEGATIVA DE CSLL. CONCOMITÂNCIA. A existência de ação judicial, em nome do interessado, importa em renúncia às instâncias administrativas, no que concerne à matéria objeto da ação. Fl. 330DF CARF MF Impresso em 14/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2014 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 06/10/2014 por KAREM JUREIDINI DIAS Processo nº 19515.001736/200384 Acórdão n.º 9101001.975 CSRFT1 Fl. 4 3 CSLL. DECADÊNCIA. Inocorre decadência se o lançamento é efetuado dentro do prazo legalmente disponível para a constituição do crédito tributário. Lançamento Procedente Irresignada, a contribuinte interpôs Recurso Voluntário (fls. 208/225), reiterando a ocorrência do transcurso do prazo decadencial conforme a sistemática prevista no artigo 150, §4º do Código Tributário Nacional, argumentando ainda contra a incidência do dies a quo previsto no artigo 170, inciso I do mesmo diploma. A 3ª Câmara da 1ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, ao apreciar a demanda, deu provimento ao Recurso Voluntário, exonerando o crédito tributário em discussão, conforme o acórdão n. 130100.009 (fls. 251/255) que segue ementado: LANÇAMENTO PARA EVITAR A DECADÊNCIA. TRIBUTO. QUESTIONAMENTO JUDICIAL. AUSÊNCIA DE CONCOMITÂNCIA. O fato de o contribuinte questionar a legalidade da exigência do tributo em tese perante o Poder Judiciário não impede o lançamento direto do tributo que deixou de ser recolhido. Se a Fazenda Pública entende serem devidos tributos objeto de questionamento judicial, deve 'a mesma lançar referidos valores de forma a evitar o decurso do prazo decadencial, ainda que referido lançamento venha, desde já, suspenso em sua exigibilidade até posterior deliberação judicial. DECADÊNCIA. TRIBUTO SUJEITO AO LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. ART. 150, § 40 DO CTN. INADIMPLÊNCIA O mero inadimplemento não é suficiente para imputar ao contribuinte pratica de dolo, fraude ou simulação, mesmo porque, se assim fosse, não haveria auto de infração ou lançamento direto que se fugisse à referida exceção. Nessa situação, aplicase, quanto aos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, o prazo decadência previsto no art. 150, § 4º do CTN. Recurso voluntário provido. Contra a decisão supramencionada, insurgiuse a Fazenda Nacional, interpondo Recurso Especial (fls. 260/265), pugnando pela aplicação do dies a quo do artigo 173, inciso I do Código Tributário Nacional, em virtude de suposta ausência de pagamento antecipado. O Recurso Especial de Divergência foi submetido ao Exame de Admissibilidade (fls. 272/273) que deu seguimento nos termos do artigo 68, §1º do Anexo II, da Portaria MF n. 256/2009. A contribuinte apresentou Contrarrazões ao Recurso Especial (fls. 275/289), requerendo, preliminarmente, o não conhecimento do recurso, vez que a questão do pagamento parcial em nenhum momento foi suscitada. No mérito, advogou em favor da incidência do artigo 150, §4º para determinação do dies a quo do prazo decadencial. É o relatório. Fl. 331DF CARF MF Impresso em 14/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2014 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 06/10/2014 por KAREM JUREIDINI DIAS Processo nº 19515.001736/200384 Acórdão n.º 9101001.975 CSRFT1 Fl. 5 4 Voto Conselheira Karem Jureidini Dias, Relatora O Recurso Especial é tempestivo e foi objeto de despacho de admissibilidade, todavia entendo ser indispensável tecer algumas considerações acerca de seu conhecimento. Isso porque a contribuinte, em suas contrarrazões, afirma não ser cabível Recurso Especial de Divergência no presente caso, pois há inovação pela Fazenda Nacional, que traz argumento não apresentado anteriormente. De fato, foi suscitada a questão do pagamento antecipado apenas em sede de Recurso Especial, trazendo aos autos cristalizado entendimento do Superior Tribunal de Justiça. Alega a recorrida: “Ocorre que, como mencionado, o r. acórdão recorrido decidiu pela aplicação ao presente caso do artigo 150, § 4º do CTN apenas por se tratar de tributo sujeito ao lançamento por homologação, bem como por não se estar diante de nenhuma das causas que expressamente autorizam a aplicação do artigo 173, inciso I, também do CTN, quais sejam dolo, fraude ou simulação. Ou seja, o r. acórdão recorrido concluiu pela aplicação in casu do artigo 150, § 4º do CTN apenas em razão de se estar diante de um tributo sujeito ao lançamento por homologação, sem haver em consideração a existência ou não de pagamento a ser homologado pelo Fisco. Assim é que, não tendo a existência ou não de pagamento sido analisada pelo r. acórdão recorrido, não divergência apontada.” Tendo que o ponto central da lide não foi alterado, a controvérsia acerca da aplicação do dies a quo para fins de decadência previsto no artigo 150, § 4º ou previsto no artigo 173, inciso I, ambos do Código Tributário Nacional ainda subsiste. Afasto, então, a preliminar ventilada pela contribuinte e, em reexame de admissibilidade conheço do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. Delimitando a lide, a controvérsia cingese exclusivamente à determinação da regra decadencial aplicável ao lançamento da CSLL, se pela regra disposta no artigo 150, §4° do Código Tributário Nacional ou se pela regra do artigo 173, I do mencionado Código. Tendo em vista a alteração do Regimento Interno desse Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, com o acréscimo do artigo 62A, no Anexo II, necessário se faz que este colegiado adote o posicionamento do Superior Tribunal de Justiça e do Supremo Tribunal Federal, quando a matéria tenha sido julgada por meio de Recurso Representativo de Controvérsia, nos termos do artigo 543B e 543C, do Código de Processo Civil. Eis a redação do artigo 62A do Anexo II do Ricarf: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria Fl. 332DF CARF MF Impresso em 14/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2014 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 06/10/2014 por KAREM JUREIDINI DIAS Processo nº 19515.001736/200384 Acórdão n.º 9101001.975 CSRFT1 Fl. 6 5 infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543 C da Lei n. 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. No tocante ao prazo decadencial aplicável aos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, o Superior Tribunal de Justiça, no julgamento do Recurso Especial n° 973.733 – SC (2007/01769940), Sessão em 12 de agosto de 2009, relator o Ministro Luiz Fux, pacificou entendimento a ser adotado por aquele colegiado, em acórdão assim ementado: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO AO LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, E 173, DO CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, inaludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por Fl. 333DF CARF MF Impresso em 14/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2014 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 06/10/2014 por KAREM JUREIDINI DIAS Processo nº 19515.001736/200384 Acórdão n.º 9101001.975 CSRFT1 Fl. 7 6 homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). (...) 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (destaques do original) Assim sendo, contrariamente ao posicionamento por mim sempre adotado, por força de previsão regimental do CARF, decido por acolher os critérios estipulados pelo Superior Tribunal de Justiça para aplicação de uma ou outra regra decadencial prevista no Código Tributário Nacional. Portanto, a premissa fundamental que cinge a presente demanda não está em simplesmente verificar se o tributo é sujeito ao lançamento por homologação ou de ofício, e sim em analisar conjuntamente tal fator com a existência ou não de pagamento parcial do imposto. Voltando ao presente caso, verifico que o lançamento é decorrente da compensação integral de base de cálculo negativa da CSLL acumulada em períodos anteriores, sem observância do limite de 30%. Embora o contribuinte, ao longo do processo, não tenha trazido aos autos comprovação do pagamento, apresenta agora, em sede de Memoriais, recolhimentos relativos à estimativa mensal de CSLL do anocalendário 1997, objeto de autuação. Em razão do princípio da verdade material que informa o processo administrativo fiscal, entendo que devem ser considerados os documentos trazidos pelo contribuinte, verificandose a existência de pagamentos parciais relativo às estimativas. Ademais, tratase de pagamento passível de verificação pelo fisco e questão de ordem pública. Desta forma, impõese a aplicação do artigo 150, § 4º, do Código Tributário Nacional. Portanto, tendo em vista que a notificação do auto de infração relativamente à CSLL do anocalendário de 1997 ocorreu em 29.04.2003, verificado o pagamento parcial, constatase a decadência, nos termos do artigo 150, § 4º, do Código Tributário Nacional. Pelo exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Especial da Fazenda Nacional. Sala das Sessões, 20 de agosto de 2014. (ASSINADO DIGITALMENTE) Karem Jureidini Dias Fl. 334DF CARF MF Impresso em 14/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2014 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 06/10/2014 por KAREM JUREIDINI DIAS Processo nº 19515.001736/200384 Acórdão n.º 9101001.975 CSRFT1 Fl. 8 7 Fl. 335DF CARF MF Impresso em 14/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2014 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 06/10/2014 por KAREM JUREIDINI DIAS
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Numero do processo: 13609.720589/2011-20
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 08 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Oct 21 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2007, 2008, 2009
ALEGAÇÃO DE OMISSÃO NO ACÓRDÃO. FUNDAMENTAÇÃO SUFICIENTE . DESNECESSIDADE DE REBATER TODOS OS ARGUMENTOS. OMISSÃO INEXISTENTE.
O órgão julgador não está obrigado a rebater, um a um, os argumentos trazidos pelo impugnante, desde que os fundamentos utilizados tenham sido suficientes para embasar a decisão. In casu, o acórdão de primeira instância enfrentou suficientemente a questão.
DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO.
À falta de um conjunto forte de indícios nos autos capaz de ensejar dúvidas quanto à idoneidade das declarações e recibos de pagamento firmados pelos profissionais da área da saúde, há que se restabelecer as deduções de despesas médicas pleiteadas pelo contribuinte.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS POR DEPENDENTES.
Os rendimentos tributáveis recebidos pelos dependentes devem ser somados aos rendimentos do contribuinte para efeito de tributação na declaração de ajuste anual.
Recurso voluntário provido em parte.
Numero da decisão: 2802-003.171
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário para restabelecer a dedução das despesas médicas nos seguintes valores: R$45.947,00 (ano-calendário de 2006); R$ 31.395,00 (ano-calendário de 2007), e; R$20.104,50 (ano-calendário de 2008), nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Jorge Cláudio Duarte Cardoso - Presidente.
(assinado digitalmente)
Jaci de Assis Junior - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), Jaci de Assis Junior, Vinícius Magni Verçoza (suplente), Ronnie Soares Anderson, e Nathalia Correia Pompeu (suplente). Ausente, justificadamente, a Conselheira Julianna Bandeira Toscano.
Nome do relator: JACI DE ASSIS JUNIOR
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2007, 2008, 2009 ALEGAÇÃO DE OMISSÃO NO ACÓRDÃO. FUNDAMENTAÇÃO SUFICIENTE . DESNECESSIDADE DE REBATER TODOS OS ARGUMENTOS. OMISSÃO INEXISTENTE. O órgão julgador não está obrigado a rebater, um a um, os argumentos trazidos pelo impugnante, desde que os fundamentos utilizados tenham sido suficientes para embasar a decisão. In casu, o acórdão de primeira instância enfrentou suficientemente a questão. DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO. À falta de um conjunto forte de indícios nos autos capaz de ensejar dúvidas quanto à idoneidade das declarações e recibos de pagamento firmados pelos profissionais da área da saúde, há que se restabelecer as deduções de despesas médicas pleiteadas pelo contribuinte. OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS POR DEPENDENTES. Os rendimentos tributáveis recebidos pelos dependentes devem ser somados aos rendimentos do contribuinte para efeito de tributação na declaração de ajuste anual. Recurso voluntário provido em parte.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário para restabelecer a dedução das despesas médicas nos seguintes valores: R$45.947,00 (ano-calendário de 2006); R$ 31.395,00 (ano-calendário de 2007), e; R$20.104,50 (ano-calendário de 2008), nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Jorge Cláudio Duarte Cardoso - Presidente. (assinado digitalmente) Jaci de Assis Junior - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), Jaci de Assis Junior, Vinícius Magni Verçoza (suplente), Ronnie Soares Anderson, e Nathalia Correia Pompeu (suplente). Ausente, justificadamente, a Conselheira Julianna Bandeira Toscano.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2149; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2TE02 Fl. 384 1 383 S2TE02 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13609.720589/201120 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2802003.171 – 2ª Turma Especial Sessão de 8 de outubro de 2014 Matéria IRPF Recorrente GERALDO MAGELA DE REZENDE Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2007, 2008, 2009 ALEGAÇÃO DE OMISSÃO NO ACÓRDÃO. FUNDAMENTAÇÃO SUFICIENTE . DESNECESSIDADE DE REBATER TODOS OS ARGUMENTOS. OMISSÃO INEXISTENTE. O órgão julgador não está obrigado a rebater, um a um, os argumentos trazidos pelo impugnante, desde que os fundamentos utilizados tenham sido suficientes para embasar a decisão. In casu, o acórdão de primeira instância enfrentou suficientemente a questão. DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO. À falta de um conjunto forte de indícios nos autos capaz de ensejar dúvidas quanto à idoneidade das declarações e recibos de pagamento firmados pelos profissionais da área da saúde, há que se restabelecer as deduções de despesas médicas pleiteadas pelo contribuinte. OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS POR DEPENDENTES. Os rendimentos tributáveis recebidos pelos dependentes devem ser somados aos rendimentos do contribuinte para efeito de tributação na declaração de ajuste anual. Recurso voluntário provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário para restabelecer a dedução das despesas médicas nos seguintes valores: R$45.947,00 (anocalendário de 2006); R$ 31.395,00 (ano calendário de 2007), e; R$20.104,50 (anocalendário de 2008), nos termos do voto do relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 60 9. 72 05 89 /2 01 1- 20 Fl. 384DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/10/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/10/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 2 (assinado digitalmente) Jorge Cláudio Duarte Cardoso Presidente. (assinado digitalmente) Jaci de Assis Junior Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), Jaci de Assis Junior, Vinícius Magni Verçoza (suplente), Ronnie Soares Anderson, e Nathalia Correia Pompeu (suplente). Ausente, justificadamente, a Conselheira Julianna Bandeira Toscano. Relatório Por bem resumir os procedimentos que integram os presentes autos, a seguir transcrevo o relatório extraído do Acórdão nº 0235.013, proferido pela 5ª Turma da DRJ/BHE, 356 a 360: Em decorrência da ação fiscal levada a efeito contra o contribuinte identificado, foi lavrado auto de infração (fls. 336/349), relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física, do exercícios 2007, 2008 e 2009, anoscalendário de 2006, 2007 e 2008, formalizando lançamento de ofício do crédito tributário no valor total de R$ 82.341,72, estando assim constituído, em Reais: (...) O lançamento originouse na constatação de omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica com vínculo empregatício, omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica sem vínculo empregatício, omissão de rendimentos recebidos de pessoa física e dedução indevida de despesas médicas. Todas as infrações estão devidamente descritas, por anocalendário, no Termo de Verificação Fiscal de folhas 295/304. Cientificado do lançamento, o contribuinte o impugna, alegando, resumidamente, o que se segue: Quanto à omissão de rendimentos (exceto o valor de R$ 6.165,48 recebido por sua filha Laurence) afirma que não informou em sua declaração por descuido e está parcelando o valor. Relativamente aos valores pagos à Sra. Dilma Alvarenga Rosa, tendo em vista a declaração por ela fornecida também recolhe via parcelamento os valores devidos. Despesas Médicas Aduz que a fiscalização desconsiderou os recibos referentes aos respectivos serviços sem qualquer motivação. Os recibos foram emitidos conforme a lei e são comprobatórios da efetividade dos serviços prestados. A Fiscal baseouse apenas em indícios, opinião pessoal e simples presunção. A declaração fornecida pela Sra. Dilma não tem reflexo em relação aos demais serviços prestados. A glosa de todas as despesas médicas do impugnante importa em negar qualquer gasto com saúde. O Fisco é que deve provar a invalidade dos recibos apresentados. Cita acórdãos do antigo Conselho de Contribuintes e acórdão do TRF. Fl. 385DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/10/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/10/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 13609.720589/201120 Acórdão n.º 2802003.171 S2TE02 Fl. 385 3 O art. 73 do RIR/99 diz: comprovação ou justificação. Ou seja, uma vez comprovada a despesa não há nada a justificar. Este artigo não autoriza e inversão do ônus da prova como entendeu o Fisco. Só se pode exigir outro elemento probatório caso exista Súmula Administrativa de Documentação Tributariamente Ineficaz. Omissão de Rendimentos Os valores lançados no montante de R$ 6.165,48 não constituem disponibilidade econômica ou jurídica de renda. São valores que não compuseram o rendimento bruto percebido pelo impugnante. Não tendo o recebido referidas importâncias não pode ser considerado sujeito passivo. Não há na legislação previsão de tributação dos rendimentos percebidos por dependentes e que devam ser declarados. Exigência Indevida de Multa As despesas médicas glosadas em 2006 totalizam a importância de R$45.947,00 com multas de 75% e 150%. O Fisco ao elaborar o demonstrativo de apuração aplicou sobre a base de cálculo a alíquota de 27,5% mais 75% de multa sobre o imposto. Em seguida sobre uma base de cálculo de R$ 9.000,00 aplica novamente a alíquota de 27,5% mais multa de 150%, gerando portanto uma cobrança indevida no valor de R$ 9.000,00. Examinando o assunto, a DRJ julgou improcedente a impugnação apresentada pelo contribuinte, argumentando que: (...) em princípio, admitese como prova de pagamento tão somente os recibos fornecidos por profissional competente, legalmente habilitado. Entretanto, existindo dúvida quanto à materialidade do pagamento e/ou quanto à efetividade do serviço prestado pelo profissional, o fisco está autorizado a solicitar outros elementos de provas do sujeito passivo. Diante da negativa de prestação de serviços pela profissional Dilma Alvarenga Ribeiro Rosa, os recibos trazidos pelo sujeito passivo foram examinados pela fiscalização, que não os considerou aptos a comprovar as deduções de despesas médicas pleiteadas. Assim, caberia ao sujeito passivo, em face da glosa efetuada, apresentar documentos outros que comprovassem o efetivo pagamento das despesas médicas. Para valerse das deduções com despesas médicas, não basta ao contribuinte a disponibilidade de simples recibos ou declarações. Havendo questionamento da autoridade fiscal, tornase necessária a comprovação da efetiva prestação do serviço e do pagamento correspondente, cabendo ao sujeito passivo o ônus de fazer a respectiva contraprova. Portanto, não há necessidade de Súmula Administrativa como alega o reclamante. Quando à omissão de rendimentos, o relator do acórdão de primeira instância entendeu que o lançamento estaria correto, tendo em vista as disposições contidas no art. 1º da Lei 11.482/2007, e no § 8º, do art. 38, da IN SRF nº 15 de 2001. Fl. 386DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/10/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/10/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 4 Também asseverou a mesma decisão que o lançamento não incorre em exigência indevida ou em duplicidade. Cientificado em 23/3/2012, fls. 364, o interessado interpôs recurso voluntário em 16/4/2012, fls. 366 a 373, alegando, em síntese, que: a impugnação foi parcial porque parte do crédito tributário constituído foi objeto de parcelamento; comprovou em sua peça impugnatória que os valores deduzidos em sua declaração de ajuste anual representam gastos com tratamento de saúde, mediante recibos que atendem a todas as exigências previstas no inciso III, § 2º, do art. 8º da Lei 9.250, de 1996; a decisão recorrida não enfrentou e nada comentou sobre o argumento apresentado em relação ao fato de o art. 73, do RIR, de 1999, não obriga o contribuinte a comprovar e posteriormente justificar a dedução, constituindo preterição do direito de defesa; a decisão recorrida entendeu presentes todos os requisitos necessários à comprovação das despesas médicas glosadas e que os recibos apresentados para a comprovação dos pagamentos atenderam as exigências contidas no inciso III, § 1º, do art. 8º da Lei nº 9.250, de 1996; embora a decisão recorrida admite a força probatória dos recibos apresentados, exige ainda prova adicional não determinada na referida Lei; fundamentase no art. 10, I e II da Lei nº 8.134, de 1990, para dizer que a legislação não determina que o recorrente seja considerado sujeito passivo para efeito de recolhimento do imposto relativo a rendimento recebido por sua filha; requer a reforma da decisão recorrida para o cancelamento do crédito tributário. É o relatório. Voto Conselheiro Jaci de Assis Junior, Relator O recurso foi tempestivamente apresentado e preenche os requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. O recorrente alega que a decisão recorrida não enfrentou e nada comentou sobre o argumento apresentado em relação ao fato de o art. 73, do RIR, de 1999, não obrigar o contribuinte a comprovar e posteriormente justificar a dedução, constituindo preterição do direito de defesa. Importa ressaltar que a decisão recorrida enfrentou essa questão, após citar expressamente mencionado comando legal, quando afirmou que: Vêse que, em princípio, admitese como prova de pagamento tãosomente os recibos fornecidos por profissional competente, legalmente habilitado. Entretanto, existindo dúvida quanto à materialidade do pagamento e/ou quanto à efetividade do serviço prestado pelo profissional, o fisco está autorizado a solicitar outros elementos de provas do sujeito passivo. Fl. 387DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/10/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/10/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 13609.720589/201120 Acórdão n.º 2802003.171 S2TE02 Fl. 386 5 Registrese que a autoridade julgadora não fica obrigada a manifestarse sobre todas as alegações da defesa, nem a todos os fundamentos nela indicados, ou a responder, um a um, a todos os seus argumentos, quando já encontrou motivo suficiente para fundamentar a decisão. Sobre esse tema convém transcrever as decisões proferidas pelo Superior Tribunal de Justiça, STJ, nos REsp 874793/CE, julgado em 28/11/2006; e REsp 876271/SP, julgado em 13/02/2007, cujas ementas são enfáticas: “PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. ARTIGO 535 DO CPC. (...). 1. Não há violação do artigo 535 do CPC quando o Tribunal de origem resolve a controvérsia de maneira sólida e fundamentada, apenas não adotando a tese do recorrente. 2. O julgador não precisa responder todas as alegações das partes se já tiver encontrado motivo suficiente para fundamentar a decisão, nem está obrigado a aterse aos fundamentos por elas indicados.”(REsp 874793/CE, relator Ministro Castro Meira). “TRIBUTÁRIO PROCESSUAL CIVIL VIOLAÇÃO DO ART. 535, II, DO CPC NÃOOCORRÊNCIA (...) 1. A questão não foi decidida conforme objetivava a embargante, uma vez que foi aplicado entendimento diverso. É cediço, no STJ, que o juiz não fica obrigado a manifestarse sobre todas as alegações das partes, nem a aterse aos fundamentos indicados por elas ou a responder, um a um, a todos os seus argumentos, quando já encontrou motivo suficiente para fundamentar a decisão, o que de fato ocorreu.” (REsp 876271/SP, relator Ministro Humberto Martins). (Grifei). O recorrente não pode esperar, tampouco exigir, que sejam abordados no voto condutor do acórdão recorrido, cada uma das alegações articuladas na defesa, e sim que as questões e matérias em litígio sejam devidamente apreciadas, cumprindose a determinação do art. 31 do Decreto 70.235 de 1972, com redação dada pela Lei 8.748 de 1993. Portanto, inexiste no caso a alegada omissão. Conforme relatado, o contribuinte concordou com a glosa das despesas médicas declaradas como pagas à Dilma Alvarenga Ribeiro Rosa, com incidência da multa de ofício qualificada de 150% (cento de cinquenta por cento). Portanto, em relação ao lançamento da glosa de despesas médicas, o presente litígio está limitado àquelas declaradas como pagas aos profissionais da área de saúde relacionados, nos seguintes valores: R$ 45.947,00 (anocalendário de 2006), R$ 31.395,00 (anocalendário de 2007), e R$ 20.104,50 (anocalendário de 2008). Também compõe o litígio, ora sob exame, o lançamento do valor de R$6.165,48, no anocalendário de 2007, em face da constatação de rendimento omitido auferido por dependente do contribuinte. De acordo com o Relatório de Auditoria Fiscal, fls. 301, a glosa das despesas médicas questionadas pelo recorrente foi motivada pelo fato de o contribuinte, após re Fl. 388DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/10/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/10/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 6 intimado e reintimado, não haver comprovado o efetivo pagamento, por meio de cheque, Ted, Doc, ou mesmo extratos de saques bancários. A decisão de primeira instância manteve a referida glosa ao argumento de que os recibos apresentados, por si só, são insuficientes para a comprovação da dedução pleiteada pela não demonstração do efetivo pagamento. Observese que o exame de casos dessa natureza este Colegiado tem reiteradamente decidido que os recibos e declarações emitidos por profissionais legalmente habilitados que atendam às formalidade legais são hábeis a comprovar as deduções pleiteadas. Também ficou pacificado nesses julgamentos que, a decisão sobre a dedutibilidade ou não da despesa médica merece análise caso a caso, consoante os elementos trazidos aos autos, tanto pelo fisco como pelo contribuinte, os quais serão decisivos para a formação da livre convicção do julgador, tendo como ponto de partida a imputação feita no lançamento. Em que pese esse esforço da autoridade julgadora de primeira instância em manter a exigência tributária, convém observar que, diferentemente do caso relacionado aos recibos firmados pela profissional Dilma Alvarenga Ribeiro Rosa (que o próprio contribuinte concordou com a tributação dos respectivos valores), concorre a favor da Recorrente o fato de sequer terem sido apontados nos autos indícios veementes de que a documentação apresentada pela contribuinte, em relação aos demais profissionais relacionados no Relatório Fiscal, fls. 302, se configuraria inidônea. Portanto, à falta de um conjunto forte de indícios nos autos capaz de ensejar dúvidas quanto à idoneidade dos respectivos recibos de pagamento apresentados pelo contribuinte à fiscalização, há que se restabelecer a dedução das despesas médicas, cuja glosa foi contestada pelo recorrente. No que diz respeito ao lançamento relativo à constatação de omissão de rendimentos percebidos pela filha do recorrente, observese que, conforme mencionou a autoridade lançadora, fls. 302, “esta constou como dependente na declaração do fiscalizado no mesmo anocalendário”. A decisão recorrida fundamentouse no art. 1º da Lei nº 11.482, de 2007 e no § 8º, do art. 38, da Instrução Normativa SRF nº 15, de 2001, argumentando que, diferentemente do que alega o contribuinte, existe de determinação legal que determina a soma dos rendimentos tributáveis recebidos pelos dependentes aos rendimentos do contribuinte. O recorrente contesta a aplicação da mencionada Instrução Normativa alegando que, no caso de determinação da base de cálculo o imposto, prevalece o princípio da legalidade. Ocorre que, nos termos do art. 96 do Código Tributário Nacional – CTN, “A expressão "legislação tributária" compreende as leis, os tratados e as convenções internacionais, os decretos e as normas complementares que versem, no todo ou em parte, sobre tributos e relações jurídicas a eles pertinentes” (grifei). O conceito de normas complementares, por sua vez, encontrase consignado no art. 100 do mesmo CTN nos seguintes termos: Art. 100. São normas complementares das leis, dos tratados e das convenções internacionais e dos decretos: I os atos normativos expedidos pelas autoridades administrativas; Fl. 389DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/10/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/10/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 13609.720589/201120 Acórdão n.º 2802003.171 S2TE02 Fl. 387 7 II as decisões dos órgãos singulares ou coletivos de jurisdição administrativa, a que a lei atribua eficácia normativa; III as práticas reiteradamente observadas pelas autoridades administrativas; IV os convênios que entre si celebrem a União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios. (grifei) A citada Instrução Normativa SRF nº 15, de 2001, ao dispor sobre normas de tributação relativas à incidência do imposto de renda das pessoas físicas, constitui pois norma complementar às leis que enumera, dentre as quais a própria Lei nº 8.134, de 27 de dezembro de 1990, citada pelo recorrente. Portanto, sendo a inclusão de dependentes na Declaração de Ajuste Anual uma faculdade concedida ao contribuinte, isso implica que, uma vez exercida essa faculdade, tornase obrigatória a inclusão dos rendimentos tributáveis auferidos por esses dependentes, em consonância com o art. 38 da mencionada Instrução Normativa SRF nº 15, de 2001: Art. 38.Podem ser considerados dependentes: (...) III a filha, o filho, a enteada ou o enteado, até 21 anos, ou de qualquer idade quando incapacitado física ou mentalmente para o trabalho; (...) § 8º Os rendimentos tributáveis recebidos pelos dependentes devem ser somados aos rendimentos do contribuinte para efeito de tributação na declaração. Portanto, correto o entendimento firmado pela decisão recorrida, haja vista que optando o recorrente por incluir, como dependente, sua filha na declaração de ajuste anual, deveria também ter lançado, na mesma declaração, os rendimentos por ela percebidos. Diante do exposto, voto por DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário para restabelecer a dedução das despesas médicas nos seguintes valores: R$45.947,00 (anocalendário de 2006); R$ 31.395,00 (anocalendário de 2007), e; R$20.104,50 (anocalendário de 2008). (assinado digitalmente) Jaci de Assis Junior Fl. 390DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/10/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/10/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
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Numero do processo: 10860.720104/2014-71
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 11 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Nov 18 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 3403-000.601
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
RESOLVEM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do processo em diligência.
(assinado digitalmente)
Antonio Carlos Atulim Presidente
(assinado digitalmente)
Alexandre Kern - Relator
Participaram do julgamento os conselheiros Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Rosaldo Trevisan, Domingos de Sá Filho, Luiz Rogério Sawaya Batista e Ivan Allegretti.
Nome do relator: ALEXANDRE KERN
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2029; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T3 Fl. 3.233 1 3.232 S3C4T3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10860.720104/201471 Recurso nº 10.860.720104201471Voluntário Resolução nº 3403000.601 – 4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária Data 11 de novembro de 2014 Assunto IPI AUTO DE INFRAÇÃO Recorrente VOLKSWAGEN DO BRASIL INDÚSTRIA DE VEÍCULOS AUTOMOTORES LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. RESOLVEM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do processo em diligência. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Atulim – Presidente (assinado digitalmente) Alexandre Kern Relator Participaram do julgamento os conselheiros Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Rosaldo Trevisan, Domingos de Sá Filho, Luiz Rogério Sawaya Batista e Ivan Allegretti. Relatório VOLKSWAGEN DO BRASIL INDÚSTRIA DE VEÍCULOS AUTOMOTORES LTDA. teve lavrado contra si o Auto de Infração das fls. 3 a 5, para formalização da determinação e e xigência de crédito tributário referente ao Imposto sobre Produtos Industrializados IPI dos fatos geradores ocorridos entre 01/01/2009 e 31/03/2009, no valor total de R$ 16.073.045,62. Segundo a descrição dos fatos de fls. 4 e 5 e a Informação Fiscal de fls. 11 a 26, foram constatadas as seguintes irregularidades: a) recolhimento a menor de IPI pela escrituração de créditos básicos indevidos relativos a aquisições de componentes, chassis, carroçarias, acessórios, partes e peças de produtos autopropulsados, que deveriam ter sido adquiridos com suspensão, conforme disposto no art. 5º da Lei n° RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 60 .7 20 10 4/ 20 14 -7 1 Fl. 3233DF CARF MF Impresso em 18/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 14/11/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10860.720104/201471 Resolução nº 3403000.601 S3C4T3 Fl. 3.234 2 9.826, de 23 de agosto de 1999, com a redação dada pelo art. 4º da Lei n° 10.485, de 3 de julho de 2002, e relativos a aquisição de materiais utilizados na manutenção de máquinas e equipamentos que não se subsumem no conceito de matériasprimas ou produtos intermediários; b) recolhimento a menor de IPI pela escrituração de créditos indevidos relativos a devolução e retorno de produtos em razão da não comprovação dos créditos por meio do Livro Registro de Controle da Produção e do Estoque ou sistema de controle equivalente; c) recolhimento a menor de IPI por ter o estabelecimento escriturado indevidamente o crédito presumido de IPI sobre frete, previsto no art. 56 da Medida Provisória n° 2.15835, de 24 de agosto de 2001, já que, conforme descrito, a autuada não teria cumprido as condições previstas na legislação para fazer jus ao benefício, pois não comprovou que os fretes foram cobrados juntamente com o preço dos produtos vendidos; d) o estabelecimento recolheu imposto a menor em decorrência da utilização de saldo credor indevido de período anterior (julho a dezembro de 2008) que foi objeto de autuação, resultando saldo devedor. Em impugnação, fls. 1764 a 1794, controverteramse as seguintes matérias: (i) as aquisições de produtos autopropulsados, classificados nas posições da NCM 84.15 e 87.08, não estão albergadas pela suspensão do IPI, e as respectivas aquisições ensejam o aproveitamento dos créditos em decorrência da nãocumulatividade do IPI; (ii) os lubrificantes são consumidos no seu processo produtivo, motivo pelo qual os créditos decorrentes de tais aquisições são legítimos; (iii) para aproveitamento de créditos decorrentes de retorno e devolução a legislação do IPI faculta ao contribuinte o controle das operações (a) no Livro Registro de Controle da Produção e do Estoque, (b) em fichas ou, ainda, (c) em controle alternativo que possibilite a apuração do estoque permanente, e o conjunto de documentos apresentados no curso do procedimento fiscal é para demonstrar o retorno do bem anteriormente vendido, fato que possibilita o aproveitamento dos créditos; (v) a ausência de destaque do valor do frete nas notas fiscais de venda não é motivo suficiente para obstar a fruição do benefício fiscal em comento; (v) o montante do frete foi devidamente computado no preço de venda de seus bens, sendo legítima a fruição dos respectivos créditos de IPI; (vi) a receita foi contabilizada de forma segregada, destacando da receita de vendas do valor relacionado ao frete computado no preço; (vii) o saldo credor do IPI apurado no ano de 2008, apontado pela fiscalização como transformado em saldo devedor, já está sendo discutido em processo administrativo fiscal autônomo, sendo que a cobrança neste processo implicaria exigência em duplicidade do mesmo montante; e, (viii) os juros sobre a multa só podem ser exigidos nos casos em que a Fl. 3234DF CARF MF Impresso em 18/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 14/11/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10860.720104/201471 Resolução nº 3403000.601 S3C4T3 Fl. 3.235 3 exigência do crédito tributário corresponde exclusivamente ao valor da multa, caso diverso dos autos. Requer a realização de diligência, formulando os quesitos que quer ver respondidos. A 3ª Turma da DRJ/POA julgou a impugnação improcedente. O Acórdão n° 10 51.066, de 30 de julho de 2014, fls. 1.805 a 1.819, teve ementa vazada nos seguintes termos: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS – IPI Período de apuração: 01/01/2009 a 31/03/2009 PEDIDO DE DILIGÊNCIA. PRESCINDIBILIDADE. INDEFERIMENTO. Estando presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários à adequada solução da lide, indeferese, por prescindível, o pedido de diligência. SETOR AUTOMOTIVO. SUSPENSÃO. PEÇAS E COMPONENTES DESTINADOS À INDÚSTRIA DE AUTOPROPULSADOS. É vedado ao estabelecimento industrial apropriarse de créditos de IPI decorrentes da aquisição de componentes, chassis, carroçarias, acessórios, partes e peças dos produtos autopropulsados classificados nas posições 84.29, 84.32, 84.33, 87.01 a 87.06 e 87.11, da TIPI, com saída do fornecedor prevista na hipótese obrigatória de suspensão do imposto. CRÉDITOS DE PRODUTOS QUE NÃO SE SUBSUMEM NO CONCEITO DE MATÉRIASPRIMAS OU PRODUTOS INTERMEDIÁRIOS. IMPOSSIBILIDADE. Somente dão direito a créditos os insumos que se consumirem em decorrência de uma ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, ou por este diretamente sofrida. CRÉDITOS RELATIVOS A DEVOLUÇÕES E RETORNOS DE PRODUTOS. FALTA DE ESCRITURAÇÃO DO LIVRO REGISTRO DA PRODUÇÃO E DO ESTOQUE OU DE SISTEMA EQUIVALENTE. O aproveitamento de créditos de IPI relativos a devoluções e retornos de produtos tributados está condicionado à comprovação de escrituração do Livro de Registro de Controle da Produção e do Estoque ou sistema de controle equivalente. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI SOBRE O FRETE. O direito ao crédito presumido de IPI relativamente à parcela do frete cobrado pela prestação do serviço de transporte, previsto na legislação, está condicionado à comprovação de que o frete foi efetivamente cobrado juntamente com o preço dos produtos vendidos. SALDO CREDOR DO PERÍODO ANTERIOR. INEXISTÊNCIA. Fl. 3235DF CARF MF Impresso em 18/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 14/11/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10860.720104/201471 Resolução nº 3403000.601 S3C4T3 Fl. 3.236 4 A apuração de saldo devedor ao invés de saldo credor em período anterior justifica a exigência dos débitos por ele indevidamente compensados, não havendo que se falar em duplicidade de exigência. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Cuidase agora de recurso voluntário contra a decisão da 3ª Turma da DRJ/POA. O arrazoado de fls. 1.826 a 1.860, após síntese dos fatos relacionados com a lide, retoma as arguições de defesa já apresentadas na impugnação, assim sintetizadas pela própria recorrente: (i) As aquisições de produtos autopropulsados classificados nas NCM 84.15 e 87.08 não estão albergadas pela suspensão do IPI. Tal afirmativa leva à conclusão de que, em tais aquisições operase o recolhimento regular do imposto, sendo decorrência lógica de tal fato o aproveitamento dos respectivos créditos por parte da Recorrente, em decorrência da não cumulatividade do IPI; (ii) as operações realizadas com a fornecedora Rio Negro Com. Ind. De Aço S.A.("Rio Negro") não guardam relação com o assunto ora debatido, sendo possível verificar pela descrição contida nas notas fiscais que a Recorrente adquiriu dessa empresa "Platina Galvanizada Quente", isto é chapa de aços. Tais produtos não se enquadram na categoria de componentes, chassis, carrocerias, acessórios, partes e peças a que faz menção o artigo 5o da Lei n° 9.826/1999; (iii) Os lubrificantes adquiridos pela Recorrente são consumidos no seu processo produtivo, motivo pelo qual os créditos decorrentes de tais aquisições são legítimos; (iv) Para aproveitamento de créditos decorrentes de retorno e devolução a legislação do IPI imputa ao contribuinte o dever de controle quantitativo da produção e estoque sendo faculdade do contribuinte optar por controlar tais informações (i) no Livro Registro de Controle da Produção e do Estoque, (ii) em fichas ou, ainda, (iii) em controle alternativo que possibilite a apuração do estoque permanente; (v) O conjunto de documentos apresentados pela Recorrente no curso do processo administrativo, ora reproduzido e complementado, apresentase como controle apto a demonstrar o retorno do bem anteriormente vendido, fato que possibilita o aproveitamento dos créditos; (vi) Diversamente do alegado pelas Autoridades Fiscais, a ausência de destaque do valor do frete nas notas fiscais de venda não é motivo suficiente para obstar a fruição do benefício fiscal em comento, conforme amplamente demonstrado na presente Impugnação; (vii) A Recorrente demonstrou que, de fato, computou o montante do frete no preço de venda de seus bens, sendo legítima a fruição dos respectivos créditos de IPI; Fl. 3236DF CARF MF Impresso em 18/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 14/11/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10860.720104/201471 Resolução nº 3403000.601 S3C4T3 Fl. 3.237 5 (viii) A Recorrente demonstrou, também, que contabilizou a receita de forma segregada, destacando da receita de vendas do valor relacionado ao frete computado no preço; e, por fim (ix) O saldo credor do IPI apurado no ano de 2008, apontado pelo acórdão recorrido como transformado em saldo devedor, já está sendo discutido em PAF autônomo, sendo que a cobrança neste processo implicaria exigência em duplicidade do mesmo montante. Reitera o pedido de diligência. A numeração de folhas reportase à atribuída pelo processo eletrônico. É o Relatório. Voto Conselheiro Alexandre Kern, Relator Presentes os pressupostos recursais, a petição de fls. 1.826 a 1.860 merece ser conhecida como recurso voluntário contra o Acórdão DRJPOA3ª Turma nº 1051.066, de 30 de julho de 2014. São litigiosas as seguintes matérias: a) o creditamento do IPI em operações de entrada que deveriam ter sido cursadas com suspensão; b) o creditamento do imposto nas aquisições de lubrificantes empregados na manutenção de máquinas e equipamentos; c) o creditamento do imposto na entrada de produtos acabados em devolução e retorno; d) o creditamento presumido de IPI sobre frete, de que trata o art. 56 da MP n° 2.15835, de 2001; e) o creditamento do saldo credor referente ao período de julho a dezembro de 2008, transferido para o mês de janeiro de 2009, e; f) a incidência dos juros de mora sobre a multa de lançamento de ofício. A propósito, o saldo credor referente ao período de julho a dezembro de 2008, transferido para o mês de janeiro de 2009, é discutido nos autos do processo administrativo fiscal 10860.721016/201314, que se encontra pendente de julgamento de recurso voluntário, desde 14/05/2014, quando foi sorteado ao Conselheiro Eloy Eros da Silva Nogueira da 1ª TO desta 4ª Câmara. Fl. 3237DF CARF MF Impresso em 18/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 14/11/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10860.720104/201471 Resolução nº 3403000.601 S3C4T3 Fl. 3.238 6 Assim, o deslinde dessa controvérsia é prejudicial da que se trava neste processo. Por isso, proponho que se baixe o processo à DRFTaubatéSP, em diligência, para que aquela Autoridade Preparadora providencie a juntada da decisão final que for proferida no processo 10860.721016/201314 e, em parecer circunstanciado, repercutaa no lançamento ora sub judice caso seja favorável ao ora recorrente, abrindoselhe o prazo regulamentar para manifestação. É como voto. Sala de sessões, em 11 de novembro de 2014 Fl. 3238DF CARF MF Impresso em 18/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 14/11/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por ALEXANDRE KERN
score : 1.0
Numero do processo: 13984.000750/2007-81
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 10 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Oct 02 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2003
IRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS DA ATIVIDADE RURAL. CAPACIDADE CONTRIBUTIVA. CONFISCO.
O princípio da capacidade contributiva deve ser entendido basicamente no poder/dever do Estado de graduar os tributos, no caso em comento, a capacidade contributiva resta caracterizada pelas receitas auferidas, frise-se que em nenhum momento houve tributação sobre o patrimônio da recorrente, assim, não há que se falar em violação ao princípio e nem em Confisco, pois a graduação da exação através do Imposto de Renda Pessoa Física não foi estabelecida em patamares confiscatórios, até porque, sua tributação foi à razão de 20% das receitas auferidas, e aplicada a respectiva progressividade das alíquotas.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS DA ATIVIDADE RURAL. OCORRÊNCIA.
Logrou o Fisco comprovar o verdadeiro intuito de fraude da contribuinte e seu cônjuge no exercício da atividade rural, ou seja, de subfaturar as Notas Fiscais de Produtor Rural, as quais foram emitidas e lançadas nos Livros Caixa da Atividade Rural dos anos de 2003, 2004 e 2005, em valores menores que os ocorridos efetivamente na operação real, em total divergência com os comprovantes de pagamento apresentados pelas empresas.
ÔNUS DA PROVA.
Neste caso, comprovando o Fisco que o valor das Notas Fiscais de Produtor Rural divergem das Notas Fiscais de Entrada das empresas adquirentes de pinus, o ônus da prova é transferido à contribuinte, diferente do que esta alega, sem razão alguma.
MULTA QUALIFICADA. EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE. COMPROVAÇÃO.
De conformidade com a legislação tributária, especialmente artigo 44, inciso I, § 1º, da Lei nº 9.430/96, c/c Sumula nº 14 do CARF, a qualificação da multa de ofício, ao percentual de 150% (cento e cinqüenta por cento), condiciona-se à comprovação, por parte da fiscalização, do evidente intuito de fraude do contribuinte. Assim, tendo feito o Fisco, cabe manter a qualificação da multa.
Recurso Negado
Numero da decisão: 2102-003.104
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar e, no mérito, negar provimento ao recurso.
(Assinado digitalmente)
Jose Raimundo Tosta Santos Presidente
(Assinado digitalmente)
Alice Grecchi Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Jose Raimundo Tosta Santos, Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Alice Grecchi, Núbia Matos Moura e Carlos André Rodrigues Pereira Lima.
Nome do relator: ALICE GRECCHI
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2003 IRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS DA ATIVIDADE RURAL. CAPACIDADE CONTRIBUTIVA. CONFISCO. O princípio da capacidade contributiva deve ser entendido basicamente no poder/dever do Estado de graduar os tributos, no caso em comento, a capacidade contributiva resta caracterizada pelas receitas auferidas, frise-se que em nenhum momento houve tributação sobre o patrimônio da recorrente, assim, não há que se falar em violação ao princípio e nem em Confisco, pois a graduação da exação através do Imposto de Renda Pessoa Física não foi estabelecida em patamares confiscatórios, até porque, sua tributação foi à razão de 20% das receitas auferidas, e aplicada a respectiva progressividade das alíquotas. OMISSÃO DE RENDIMENTOS DA ATIVIDADE RURAL. OCORRÊNCIA. Logrou o Fisco comprovar o verdadeiro intuito de fraude da contribuinte e seu cônjuge no exercício da atividade rural, ou seja, de subfaturar as Notas Fiscais de Produtor Rural, as quais foram emitidas e lançadas nos Livros Caixa da Atividade Rural dos anos de 2003, 2004 e 2005, em valores menores que os ocorridos efetivamente na operação real, em total divergência com os comprovantes de pagamento apresentados pelas empresas. ÔNUS DA PROVA. Neste caso, comprovando o Fisco que o valor das Notas Fiscais de Produtor Rural divergem das Notas Fiscais de Entrada das empresas adquirentes de pinus, o ônus da prova é transferido à contribuinte, diferente do que esta alega, sem razão alguma. MULTA QUALIFICADA. EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE. COMPROVAÇÃO. De conformidade com a legislação tributária, especialmente artigo 44, inciso I, § 1º, da Lei nº 9.430/96, c/c Sumula nº 14 do CARF, a qualificação da multa de ofício, ao percentual de 150% (cento e cinqüenta por cento), condiciona-se à comprovação, por parte da fiscalização, do evidente intuito de fraude do contribuinte. Assim, tendo feito o Fisco, cabe manter a qualificação da multa. Recurso Negado
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OMISSÃO DE RENDIMENTOS DA ATIVIDADE RURAL. CAPACIDADE CONTRIBUTIVA. CONFISCO. O princípio da capacidade contributiva deve ser entendido basicamente no poder/dever do Estado de graduar os tributos, no caso em comento, a capacidade contributiva resta caracterizada pelas receitas auferidas, frisese que em nenhum momento houve tributação sobre o patrimônio da recorrente, assim, não há que se falar em violação ao princípio e nem em Confisco, pois a graduação da exação através do Imposto de Renda Pessoa Física não foi estabelecida em patamares confiscatórios, até porque, sua tributação foi à razão de 20% das receitas auferidas, e aplicada a respectiva progressividade das alíquotas. OMISSÃO DE RENDIMENTOS DA ATIVIDADE RURAL. OCORRÊNCIA. Logrou o Fisco comprovar o verdadeiro intuito de fraude da contribuinte e seu cônjuge no exercício da atividade rural, ou seja, de subfaturar as Notas Fiscais de Produtor Rural, as quais foram emitidas e lançadas nos Livros Caixa da Atividade Rural dos anos de 2003, 2004 e 2005, em valores menores que os ocorridos efetivamente na operação real, em total divergência com os comprovantes de pagamento apresentados pelas empresas. ÔNUS DA PROVA. Neste caso, comprovando o Fisco que o valor das Notas Fiscais de Produtor Rural divergem das Notas Fiscais de Entrada das empresas adquirentes de pinus, o ônus da prova é transferido à contribuinte, diferente do que esta alega, sem razão alguma. MULTA QUALIFICADA. EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE. COMPROVAÇÃO. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 98 4. 00 07 50 /2 00 7- 81 Fl. 4031DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2014 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 26/09/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS 2 De conformidade com a legislação tributária, especialmente artigo 44, inciso I, § 1º, da Lei nº 9.430/96, c/c Sumula nº 14 do CARF, a qualificação da multa de ofício, ao percentual de 150% (cento e cinqüenta por cento), condicionase à comprovação, por parte da fiscalização, do evidente intuito de fraude do contribuinte. Assim, tendo feito o Fisco, cabe manter a qualificação da multa. Recurso Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar e, no mérito, negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Jose Raimundo Tosta Santos – Presidente (Assinado digitalmente) Alice Grecchi – Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Jose Raimundo Tosta Santos, Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Alice Grecchi, Núbia Matos Moura e Carlos André Rodrigues Pereira Lima. Relatório Tratase de Auto de Infração, lavrado em 22/06/2007 (fls. 3.944/3.949), contra a contribuinte acima qualificada, relativo aos AnosCalendário 2003, 2004 e 2005, que exige crédito tributário no valor de R$ 509.818,71, incluída multa de ofício no percentual de 150% e juros de mora, calculados até 31/05/2007. Conforme Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal constante à fl. 3.945, o Fisco em procedimento de verificação do cumprimento das obrigações tributárias pela contribuinte, constatou Omissão de Rendimentos da Atividade Rural, conforme Termo de Verificação Fiscal (fls. 3.950/3.955), parte integrante do Auto de Infração, que consta as seguintes informações, extraídas do relatório da decisão a quo. No relato fiscal, a autoridade lançadora esclarece que no curso da Ação Fiscal realizada junto ao esposo da fiscalizada, foi apurada omissão de Receita da Atividade Rural desenvolvida em Imóvel Rural comum com o cônjuge, em decorrência do regime de casamento comunhão de bens, conforme Certidão de Casamento da contribuinte. A fim de verificar a exatidão das informações referentes às vendas efetuadas pelo esposo da contribuinte aos adquirentes de toras pinus, foram expedidos Termos de Diligência Fiscal às empresas Tafisa Brasil S/A e Trombini Industrial S/A. Em resposta, a empresa Tafisa Brasil S/A apresentou relação de notas fiscais de entrada emitidas pela empresa; cópias das notas fiscais de entrada emitidas pela empresa e cópia das notas fiscais de produtor emitidas pelo esposo da contribuinte; relação de Fl. 4032DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2014 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 26/09/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 13984.000750/200781 Acórdão n.º 2102003.104 S2C1T2 Fl. 4.005 3 pagamentos efetuados pela empresa ao esposo da contribuinte; e cópia dos depósitos efetuados pela empresa ao esposo da contribuinte. A empresa Trombini Industrial S/A, em resposta às intimações, apresentou relação das notas fiscais de produtor emitidas pelo esposo da contribuinte e respectivas notas fiscais de entrada emitidas pela empresa; cópia das notas fiscais de produtor emitidas pelo esposo da contribuinte e respectivas notas fiscais de entrada emitidas pela empresa; relação de todos os pagamentos efetuados pela empresa ao esposo da contribuinte; cópia de todos os pagamentos efetuados pela empresa ao esposo da contribuinte; e cópia da tela do sistema de manutenção de cadastro de fornecedores por filial. Diante dos documentos apresentados, a autoridade fiscal constatou, ao comparar o valor dos produtos da nota fiscal de produtor com o valor dos produtos da nota fiscal de entrada, que o valor das vendas foi subfaturado, conforme demonstra no Anexo 1, às folhas 3886 a 3937. Fundamenta a autoridade fiscal que a confirmação de que as vendas foram efetuadas pelo valor das Notas Fiscais de Entrada está nos comprovantes de depósitos/pagamentos efetuados pelas empresas, como se verifica na Relação de Recebimentos do Anexo 2, elaborada pelo autuante, às folhas 3938 a 3940. Salienta a autoridade fiscal que os pagamentos foram efetuados em valores líquidos das retenções efetuadas. Assim, conclui a autoridade fiscal que a Receita Bruta da Atividade Rural obtida pela contribuinte e seu esposo, apurada mediante notas fiscais de produtor apresentadas por seu cônjuge, pelas empresas Tafisa Brasil S/A e Trombini Industrial S/A, empresas que adquiriram pinus, e das respectivas Notas Fiscais de Entrada, constantes do Anexo I, é de R$ 2.033.414,39, no anocalendário 2003, R$ 1.817.382,11 no anocalendário 2004 e R$ 3.539.872,69 no anocalendário 2005. Ressalta a autoridade fiscal, que a receita da atividade rural deve ser tributada na proporção de 50% para cada um dos cônjuges, sendo a base de cálculo arbitrada à razão de vinte por cento da receita bruta do anocalendário, conforme artigo 18, §2º da Lei nº 9.250, de 1995. A contribuinte, entretanto, não apurou resultado tributável da atividade rural nas Declarações de Ajuste Anual Simplificada, nos anoscalendário 2003 a 2005. A justificar a aplicação da multa de oficio de 150%, a autoridade fiscal explica, à folha 3.954: Conforme relatado, o valor dos produtos foi subfaturado, inserindo Notas Fiscais de Produtor e nos Livros Caixa da Atividade Rural dos anos de 2003, 2004 e 2005, valores menores que os ocorridos efetivamente na operação real. Comparando o valor dos produtos da Nota Fiscal de Produtor com o valor dos produtos da Nota Fiscal de Entrada, verificase claramente que o valor das vendas foi subfaturado, conforme demonstra o Anexo I Termo de Início da Fiscalização. A confirmação de que as vendas foram efetuadas pelo valor das Notas Fiscais de Entrada está nos comprovantes de Fl. 4033DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2014 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 26/09/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS 4 depósitos/pagamentos efetuados pela Tafisa Brasil S/A e pela Trombini Industrial S/A conforme pode ser verificado na Relação dos Recebimentos do Anexo 2 Termo de Início da Fiscalização. Os pagamentos foram efetuados em valores líquidos das retenções efetuadas pelos adquirentes. Caracterizado o evidente intuito de fraude, nos termos previstos no art. 44, inciso II, da Lei n° 9.430/96, pela inserção nas Notas Fiscais de Produtor de valores menores que os ocorridos efetivamente na operação real, a multa aplicável a esta infração é de 150%. Encerrando os trabalhos fiscais, foi elaborada Representação Fiscal Para Fins Penais, protocolizada sob o nº l3984.000735/200733, em cumprimento ao disposto na Portaria SRF nº 326, de 15 de março de 2005.” Inconformada com o lançamento, a contribuinte apresentou impugnação em 31/07/2007, (fls 3959/3968), alegando, o que segue: Inicia a contribuinte alegando, sob o título Das razões da defesa, que: Apenas por presunção, de ordem racional a respeito das justificativas lançadas pelo Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil, no demonstrativo de cálculos, os quais serviram como base para a imposição da notificação, é que se pode acusar falha consistente e a existência de erro material, visto que há evidente incoerência no lançamento efetuado. No tópico Desobediência ao princípio constitucional da capacidade contributiva a contribuinte alega que o lançamento abandona o princípio fundamental da capacidade contributiva, previsto no artigo 145, §l° da CF/88, corolário do princípio da igualdade. Conclui que resta evidente a imposição da exigência acima da capacidade de pagamento da contribuinte, demonstrada pela simples análise da situação patrimonial. Alega ainda que o lançamento combatido afronta o princípio do confisco. Sustenta no tópico “Dos valores apurados pelo Fisco”, que há grande distorção entre os valores declarados pela contribuinte e o valor apurado pelo fisco, eis que o primeiro tributouse pelo valor das notas fiscais de produtor rural emitidas e lançadas em livro caixa da atividade rural (entregue ao fisco). Já o fisco levantou os valores que deram sustentação à notificação aqui combatida, em informações de empresas adquirentes de PINNUS. Tais informações não podem prevalecer, tendo em vista que o contribuinte vendeu seus produtos com o destaque das notas fiscais correspondentes, portanto, não se pode atribuir a este o dever de recolher tributos sobre os valores informados pelo já ditos adquirentes. Não seria de interesse destas em aumentar seus custos através da elevação do valor constantes nas notas de entradas. Perguntase: Onde está a nota fiscal complementar para comprovar o efetivo valor? Jamais tal documento foi solicitado pelo adquirente, o que inviabiliza totalmente tal assertiva. No último tópico de sua contestação Da multa qualificada (150%) – a contribuinte alega que jamais tentou qualquer conduta fraudulenta, estando sempre a disposição do fisco. E, que a aplicação da multa qualificada somente pode ocorrer quando restar plenamente comprovada e demonstrada inequivocamente a conduta fraudulenta do Fl. 4034DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2014 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 26/09/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 13984.000750/200781 Acórdão n.º 2102003.104 S2C1T2 Fl. 4.006 5 contribuinte, o que não ocorreu no caso em tela. Em sua defesa, cita jurisprudência do Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda. Por fim, solicita o cancelamento do lançamento. A Turma de Primeira Instância, por unanimidade, julgou improcedente a impugnação, conforme ementa abaixo transcrita: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2003, 2004, 2005 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. RESULTADO DA ATIVIDADE RURAL. O resultado da atividade rural, correspondente à diferença entre a receita bruta e as despesas ocorridas ao longo do ano calendário ou, opcionalmente, 20% da receita bruta, será adicionado à base de cálculo do imposto devido no ajuste anual. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano calendário: 2003, 2004, 2005 PRELIMINAR DE NULIDADE. LEVANTAMENTO DA MATÉRIA TRIBUTÁVEL. IMPROCEDÊNCIA. A existência de incorreções materiais no levantamento da matéria tributável, por parte da autoridade lançadora, não demanda a declaração de nulidade do lançamento como um todo, mas simplesmente sua improcedência (no todo ou em parte). AFIRMAÇÕES RELATIVAS A FATOS. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO. O conhecimento de afirmações relativas a fatos, apresentadas pelo contribuinte para contraditar elementos regulares de prova trazidos aos autos pela autoridade fiscal, demanda sua consubstanciação por via de outros elementos probatórios, pois sem substrato mostramse como meras alegações, processualmente não acatáveis. DECISÕES ADMINISTRATIVAS. EFEITOS. As decisões administrativas proferidas por Conselhos de Contribuintes não se constituem em normas gerais, razão pela qual seus julgados não se aproveitam em relação a qualquer outra ocorrência, senão aquela objeto da decisão. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO . Anocalendário: 2003, 2004, 2005 MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. APLICABILIDADE. Fl. 4035DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2014 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 26/09/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS 6 É aplicável a multa de oficio de 150%, naqueles casos em que, no procedimento de oficio, constatado resta que à conduta do contribuinte esteve associado aos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 1964. Lançamento Procedente” Sobreveio Recurso Voluntário em 26/11/2008 (fls. 7.836/7.846), desacompanhado de documentos, no qual a contribuinte, em síntese, ratificou a impugnação. É o relatório. Passo a decidir. Voto Conselheira Relatora Alice Grecchi O recurso voluntário ora analisado, possui todos os requisitos de admissibilidade do Decreto nº 70.235/72, motivo pelo qual merece ser conhecido. Cuidase o presente lançamento de omissão de rendimentos da atividade rural, desenvolvida em Imóvel Rural comum com o cônjuge, aplicada multa de ofício qualificada, face à constatação pelo Fisco de inexatidão das informações referentes às vendas efetuadas pelo cônjuge da contribuinte aos adquirentes de toras pinus, e quanto a estes, expedidos Termos de Diligência Fiscal (empresas Tafisa Brasil S/A e Trombini Industrial S/A). Preliminarmente, alega o contribuinte que houve desobediência ao Princípio da Capacidade Contributiva, fundado no art. 145, §1º, da CF/88, sob o argumento de que no caso, se impôs uma exigência tributária acima da capacidade de pagamento do contribuinte, argumentado inclusive que, “tal fato fica demonstrado pela simples análise da situação patrimonial do recorrente”, e que por ser assim, “o presente lançamento deve ser totalmente anulado, tendo em vista afrontar a Constituição Federal do Brasil”. O princípio da capacidade contributiva deve ser entendido basicamente no poder/dever do Estado de graduar os tributos e exigir das pessoas para que elas contribuam com as despesas públicas, no caso em comento, a capacidade contributiva resta caracterizada pelas receitas auferidas, frisese que em nenhum momento houve tributação sobre o patrimônio da recorrente, como quer fazer crer o recurso interposto a este E. Conselho, portanto, não há que se falar em violação ao princípio e nem em Confisco, pois a graduação da exação através do Imposto de Renda Pessoa Física não foi estabelecida em patamares confiscatórios, até porque, sua tributação foi à razão de 20% das receitas auferidas, e aplicada a respectiva progressividade das alíquotas. Assim, rejeito esta preliminar. No mérito, quanto a Omissão de Rendimentos da Atividade Rural, consta do Termo de Verificação Fiscal em fls. 3.954, que “o valor dos produtos foi subfaturado, inserindo Notas Fiscais de Produtor e nos Livros Caixa da Atividade Rural dos anos de 2003, 2004 e 2005, valores menores que os ocorridos efetivamente na operação real” e ainda que, “comparando o valor dos produtos da Nota Fiscal de Produtor com o valor dos produtos da Nota Fiscal de Fl. 4036DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2014 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 26/09/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 13984.000750/200781 Acórdão n.º 2102003.104 S2C1T2 Fl. 4.007 7 Entrada, verificase claramente que o valor das vendas foi subfaturado, conforme demonstra o Anexo I Termo de Início da Fiscalização.” Dá análise dos autos, ratifico a decisão de primeira instância por seus próprios fundamentos, vez que constam dos autos prova material de que as Notas Fiscais de Produtor, emitidas pelo cônjuge da contribuinte às empresas Tafisa Brasil S/A e Trombini Industrial S/A, não correspondem ao valor das Notas Fiscais Fatura de Entradas e do respectivo pagamento ao esposo da contribuinte. Quanto à afirmação da contribuinte de que as empresas teriam aumentado o valor da Nota Fiscal Fatura de Entrada, não merece guarida, vez que, as empresas compradoras demonstram mediante documentação hábil e idônea o efetivo pagamento dos valores constantes das Notas Fiscais de Entrada ao cônjuge da contribuinte. A fim de comprovar tais alegações, caberia à contribuinte apresentar as Notas Fiscais de Produtor que complementariam o valor pago pelas empresas, bem como que os respectivos valores recebidos foram devidamente registrados em seu Livro Caixa. Neste caso, comprovando o Fisco que o valor das Notas Fiscais de Produtor Rural divergem das Notas Fiscais de Entrada das referidas empresas, o ônus da prova é transferido à contribuinte, diferente do que esta alega, sem razão alguma. Nesse sentido, cabe transcrever excertos da decisão a quo: Notese que a autoridade fiscal informou a contribuinte, no curso da fiscalização, dos documentos apresentados pelas empresas Notas Fiscais de Entrada e depósitos bancários, e intimoua a justificar as divergências de informações. A contribuinte, entretanto, nada justificou. Portanto, como afirma a autoridade fiscal, a confirmação de que as vendas foram efetuadas pelo valor das Notas Fiscais de Entrada está nos comprovantes de depósitos/pagamentos efetuados pelas empresas. Inclusive, como bem observou a DRJ/FNS, “o que se está cobrando da contribuinte é o imposto de renda devido sobre a Receita da Atividade Rural não declarada, sem qualquer cobrança do imposto devido pelos adquirentes da mercadoria”, e “neste sentido a autoridade fiscal ressalta, à folha 3953, que os pagamentos foram efetuados em valores líquidos das retenções efetuadas pelos adquirentes”. Finalmente, no que tange a multa qualificada, de conformidade com a legislação tributária, especialmente artigo 44, inciso I, § 1º, da Lei nº 9.430/96, c/c Súmula nº 14 do CARF, a qualificação da multa de ofício, ao percentual de 150% (cento e cinqüenta por cento), condicionase à comprovação, por parte da fiscalização, do evidente intuito de fraude do contribuinte. Com efeito, dado o contexto probatório dos autos, verificouse que o Fisco logrou comprovar o verdadeiro intuito de fraude da contribuinte e seu cônjuge no exercício da atividade rural, ou seja, de subfaturar as Notas Fiscais de Produtor Rural, as quais foram emitidas e lançadas nos Livros Caixa da Atividade Rural dos anos de 2003, 2004 e 2005, em valores menores que os ocorridos efetivamente na operação real, em total divergência com os Fl. 4037DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2014 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 26/09/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS 8 comprovantes de pagamento apresentados pelas empresas Tafisa Brasil S/A e Trombini Industrial S/A. Para melhor elucidação dos fatos, transcrevo o seguinte trecho do relatório fiscal (fl. 3.954): “[...] Comparando o valor dos produtos da Nota Fiscal de Produtor com o valor dos produtos da Nota Fiscal de Entrada, verificase claramente que o valor das vendas foi subfaturado, conforme demonstra o Anexo 1 Termo de Início de Fiscalização. A confirmação de que as vendas foram efetuadas pelo valor das Notas Fiscais de Entrada está nos comprovantes de depósitos/pagamentos efetuados pela Tafisa Brasil S/A e pela Trombini Industrial S/A conforme pode ser verificado na Relação dos Recebimentos do Anexo 2 Termo de Início de Fiscalização. Os pagamentos foram efetuados em valores líquidos das retenções efetuadas pelos adquirentes.[...]” Esse artifício de subfaturamento do valor da vendas de pinus submetese ao conceito de fraude previsto no art. 72 da Lei nº 4.502/94: “Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido, ou a evitar ou diferir o seu pagamento.” Corroborando o entendimento acima, cabe citar a ação judicial nº 2007.72.06.0026869/SC, movida pelo cônjuge da contribuinte, Sr. Domingos da Silva Martins, na qual, foi mantida a multa qualificada (150%), pelos mesmos fatos constantes do presente processo, visto que tratavase de condomínio. Assim, correta a aplicação da multa de ofício na forma qualificada, ou seja, no percentual de 150%. Por ser assim, ratifico a decisão de primeira instância na íntegra, devendo ser mantido o lançamento e a multa qualificada. Ante o exposto, voto no sentido de REJEITAR A PRELIMINAR e, no mérito, NEGAR PROVIMENTO ao Recurso. (Assinado digitalmente) Alice Grecchi Relatora Fl. 4038DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2014 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 26/09/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 13984.000750/200781 Acórdão n.º 2102003.104 S2C1T2 Fl. 4.008 9 Fl. 4039DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2014 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 26/09/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS
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Numero do processo: 13984.000666/2002-53
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Sep 17 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Nov 19 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 1997
ITR. ARL - ÁREA DE RESERVA LEGAL. AVERBAÇÃO NA MATRÍCULA DO IMÓVEL. IMPRESCINDIBILIDADE
A falta de averbação da ARL - Área de Reserva Legal na matrícula do imóvel inviabiliza a sua exclusão da tributação do ITR.
Recurso especial provido.
Numero da decisão: 9202-003.367
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso. Vencido o Conselheiro Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Votou pelas conclusões o Conselheiro Manoel Coelho Arruda Junior.
(Assinado digitalmente)
Otacílio Dantas Cartaxo - Presidente
(Assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo Relatora
EDITADO EM: 30/09/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Pedro Anan Junior (suplente convocado), Maria Helena Cotta Cardozo, Gustavo Lian Haddad e Elias Sampaio Freire.
Nome do relator: MARIA HELENA COTTA CARDOZO
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FLOBASA ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 1997 ITR. ARL ÁREA DE RESERVA LEGAL. AVERBAÇÃO NA MATRÍCULA DO IMÓVEL. IMPRESCINDIBILIDADE A falta de averbação da ARL Área de Reserva Legal na matrícula do imóvel inviabiliza a sua exclusão da tributação do ITR. Recurso especial provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso. Vencido o Conselheiro Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Votou pelas conclusões o Conselheiro Manoel Coelho Arruda Junior. (Assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo Presidente (Assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo – Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 98 4. 00 06 66 /2 00 2- 53 Fl. 170DF CARF MF Impresso em 19/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/11/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 2 EDITADO EM: 30/09/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Pedro Anan Junior (suplente convocado), Maria Helena Cotta Cardozo, Gustavo Lian Haddad e Elias Sampaio Freire. Relatório Tratase de glosa da ARL Área de Reserva Legal, relativamente ao ITR – Imposto Territorial Rural do exercício de 1997. Em sessão plenária de 28/02/2007, foi julgado o Recurso Voluntário nº 133.412, prolatandose o Acórdão nº 30133.697, assim ementado: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 1997 AVERBAÇÃO DA ÁREA DE RESERVA LEGAL. Não há sustentação legal para exigir averbação das áreas de reserva legal como condição ao reconhecimento dessas áreas isentas de tributação pelo ITR. Esse tipo de infração ao Código Florestal pode e deve acarretar sanção punitiva, mas que não atinge em nada o direito de isenção do ITR quanto a áreas que sejam de fato de preservação permanente, de reserva legal ou de servidão federal, conforme definidas na Lei n°4.771/65(Código Florestal). Recurso Voluntário Provido.” Cientificada do acórdão em 1º/09/2011 (fls. 108), a Fazenda Nacional interpôs, em 12/09/2011, o Recurso Especial de fls. 110 a 121, por contrariedade à lei, visando rediscutir a necessidade de averbação tempestiva da ARL – Área de Reserva Legal. Ao Recurso Especial foi dado seguimento, conforme despacho de 09/07/2012 (fls. 122/123). No apelo, a Fazenda Nacional alega, em síntese: da análise das alegações e da documentação radicada nos autos, com a finalidade de justificar as áreas reserva legal, resulta a constatação do descumprimento, pelo contribuinte, da exigência da averbação tempestiva das respectivas áreas junto ao registro de imóveis; a Lei n° 9.393, de 1996, prevê a exclusão das áreas de preservação permanente e de reserva legal da incidência do ITR no art. 10, II; Fl. 171DF CARF MF Impresso em 19/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/11/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 13984.000666/200253 Acórdão n.º 9202003.367 CSRFT2 Fl. 8 3 o primeiro ponto que se deve destacar, no tocante às áreas excluídas da incidência do ITR, é que o citado dispositivo legal trata de concessão de beneficio fiscal, razão pela qual deve ser interpretado literalmente, de acordo com o art. 111 do CTN; no caso dos autos, constatase que as áreas declaradas de reserva legal não foram averbadas no Registro de Imóveis consoante determina a legislação; com efeito, a Lei n ° 7.803, de 1989, disciplinou o instituto da reserva legal e consagrou a exigência de sua averbação ou registro à margem da inscrição da matricula do imóvel, vedada “a alteração de sua destinação, nos casos de transmissão, a qualquer titulo, ou desmembramento da área” (art. 16, § 2 ° ); assim como acontece com as áreas de preservação permanente, as áreas de reserva legal foram instituídas com a finalidade de atender aos princípios da função social da propriedade e da proteção ao meio ambiente ecologicamente equilibrado; à luz desses princípios, o Código Florestal vem sofrendo, desde a sua edigão, inúmeras alterações, por meio de leis e medidas provisórias, que demonstram a dificuldade dos legisladores em conciliar os interesses dos diversos atores interessados na questão, principalmente porque há uma preocupação constante de todos os setores em se preservar as áreas de interesse ambiental, criando, para tanto, instrumentos legais; exatamente por isso, a fim de flexibilizar as exigências legais relativas às áreas de reserva legal e atender aos anseios do setor produtivo rural, assim como delimitar a função da reserva legal como verdadeira área de conservação da biodiversidade, é que a averbação à margem da matrícula do imóvel se fez necessária; o texto legal – Lei n° 4.771, de 1965, alterado pela Lei n° 7.803, de 1989, e pela Medida Provisória n° 216667, de 2001 – é preciso ao estabelecer que: Art. 16. As florestas e outras formas de vegetação nativa, ressalvadas as situadas em área de preservação permanente, assim como aquelas não sujeitas ao regime de utilização limitada ou objeto de legislação especifica, são suscetíveis de supressão, desde que sejam mantidas, a titulo de reserva legal, no mínimo: § 8° A área de reserva legal deve ser averbada à margem da inscrição de matricula do imóvel, no registro de imóveis competentes, sendo vedada a alteração de sua destinação, nos casos de transmissão, a qualquer titulo, de desmembramento ou de retificação da área, com as exceções previstas neste Código. (Grifos nossos). nesse sentido, inconteste que a finalidade da averbação da reserva legal na matricula do imóvel é a de lhe dar publicidade, para que futuros adquirentes saibam identificar onde está localizada, seus limites e confrontações e, mais ainda, visa a imputar aos proprietários a responsabilidade de preservar tais áreas, já que o interesse na manutenção das mesmas é público (cita jurisprudência do STJ); ora, uma vez definidos pela lei a Área de Reserva Legal, os limites para sua exploração, e, finalmente, a obrigatoriedade de se averbar a margem da matrícula do imóvel, o Fl. 172DF CARF MF Impresso em 19/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/11/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 4 legislador, buscando contrabalançar os interesses de toda a sociedade, permitiu que os proprietários de tais áreas, em contrapartida a tantas obrigações, tivessem algum tipo de beneficio; tal beneficio é exatamente a possibilidade de exclusão, da incidência do ITR, das áreas caracterizadas como de reserva legal (art. 10, II, da Lei n° 9.393, de 1996, transcrito acima); áreas de reserva legal são, portanto, aquelas já acima mencionadas, definidas pelo citado Código Florestal em seu artigo 16, e que, para serem consideradas como tal, não bastam apenas “existir” no mundo tático, mas devem “existir” também no mundo jurídico quando averbadas na matricula do imóvel; deveras, o art. 16 da Lei n°4.771, de 1965, dispõe, dentre outros aspectos, sobre a obrigatoriedade da averbação para que as áreas de reserva legal sejam definitivamente delimitadas e protegidas; assim, a mera declaração de existência fática da área de reserva legal não tem, de fato, o condão de atender aos requisitos da legislação pátria vigente para excluíla quando da apuração do ITR. Para que se possa valer do beneficio, a área deve estar devidamente averbada à margem da matricula do imóvel à época do fato gerador do tributo; portanto, ainda que se prove a existência material das áreas de reserva legal, como não se atendeu ao fim real da norma (art. 16), assim como suas disposições complementares (§ 8°), incidirá o imposto se a averbação não tiver sido providenciada no prazo legal; ora, a inexistência do compromisso público de preservar as áreas, assim como o compromisso extemporâneo não podem ter o condão de dispensar o tributo anterior à respectiva anotação. Caso assim o fosse, estaria prejudicada a medida de incentivo à conservação do meio ambiente, pois o proprietário da terra usaria o beneficio da exclusão de tais areas na apuração do ITR e o Poder Público não teria qualquer garantia quanto à responsabilidade pela preservação; é preciso ponderar que a necessidade do reconhecimento prévio do Poder Público, além de decorrer do comando legal segundo o qual o lançamento se reporta à data do fato gerador, objetiva assegurar a adequada aplicação do fim da norma, cerceando a ocorrência de fraudes e abusos, tanto mais que possibilita o seu controle, a um só tempo, pela sociedade e o Estado, dada a publicidade que decorre das exigências analisadas; a obrigatoriedade de controle decorre do fato de que as áreas de preservação têm, como já reiteradamente defendido, no interesse da coletividade e na realização de política extrafiscal a motivação para a outorga do beneficio (cita doutrina de Roque Antonio Carraza); por meio de incentivos fiscais, a pessoa jurídica tributante estimula os contribuintes a fazerem algo que a ordem jurídica considera conveniente, interessante ou oportuno (p. ex. instalar indústrias em região carente do País), e este objetivo é alcançado por intermédio da diminuição ou, até, da supressão da carga tributária; os incentivos fiscais manifestamse sob a forma quer de imunidade (v.g. imunidade de ICMS às exportações de produtos industrializados), quer de isenções tributárias (p. ex., isenção de {PI sobre as vendas de óculos); Fl. 173DF CARF MF Impresso em 19/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/11/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 13984.000666/200253 Acórdão n.º 9202003.367 CSRFT2 Fl. 9 5 com vistas a alcançar esses interesses sociais é que são totalmente cabíveis as disposições normativas que tratam da obrigatoriedade da comprovação, para fins de apuração do ITR, da mencionada averbação; os Tribunais pátrios têm se manifestado também no sentido da legalidade das normas aqui defendidas (cita jurisprudência do STJ e do TRF/4ª Região); por fim, cabe ainda arrematar que a simples declaração de existência de tais áreas não é, de fato, suficiente para se comprovar a existência das áreas de reserva legal; temse invocado as disposições da Medida Provisória n° 2.166, de 2001 para defender que a mera declaração seria suficiente para se permitir a exclusão das áreas na apuração do ITR, porém tal argumento não tem como prosperar, como bem salientou a ilustre Conselheira Elizabeth Emilio de Moraes Chieregatto da Segunda Camara do Terceiro Conselho de Contribuintes, no Acórdão n° 30237.536: “E bem verdade, como assinalou o interessado, que, nos termos do dispositivo pertinente, da MP n° 2.166/2001, o contribuinte não está sujeito comprovação prévia dos dados e das informações que presta. Isso não significa (como acontece também nos casos de Imposto de Renda), que o mesmo não seja obrigado a comprovar o que declarou, quando for devidamente intimado para tal. 'Não estar sujeito a comprovação prévia significa, textualmente, não precisar juntar, a declaração, os comprovantes pertinentes'. Contudo, se intimado, o contribuinte tem que apresentálos. Não sujeição à comprovação prévia, evidentemente, não significa falta de comprovação.” (Grifos nossos) assim, em emergindo dúvidas acerca dos dados informados, mostrase legítima a intimação do contribuinte a comprovar os elementos apresentados, com a exibição do documento apropriado, a saber, o comprovante da averbação da reserva legal, CI margem da matricula do imóvel, em data anterior à ocorrência do fato gerador do tributo; portanto, como no caso dos autos, o contribuinte sequer averbou à margem da matrícula do imóvel a área de reserva legal, merece ser reformada a decisão recorrida. Ao final, a Fazenda Nacional pede o conhecimento e provimento do recurso. Cientificada do acórdão, do Recurso Especial e do despacho que lhe deu seguimento em 06/08/2012 (fls. 167/168), a Contribuinte quedouse silente (fls. 169). Fl. 174DF CARF MF Impresso em 19/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/11/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 6 Voto Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo, Relatora O Recurso Especial, interposto pela Fazenda Nacional, é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto deve ser conhecido. Não foram ofere4cidas Contrarrazões. Tratase de glosa da ARL Área de Reserva Legal, relativamente ao ITR – Imposto Territorial Rural do exercício de 1997. Quanto à ARL – Área de Reserva Legal, há um requisito específico para a sua exclusão da tributação do ITR, qual seja, a averbação tempestiva no registro de imóveis competente. Tal obrigação encontra amparo na Lei nº 4.771, de 1965 (Código Florestal), com a redação dada pela Lei nº 7.803, de 1989. Destarte, ao fazer referência à Lei Ambiental, a Lei nº 9.393, de 1996, na verdade condiciona a exclusão da tributação da ARL – Área de Reserva Legal à averbação tempestiva no respectivo registro de imóveis. Assim, a Lei nº 4.771, de 1965 (Código Florestal), com as alterações da Lei nº 7.803, de 1989, determinava a averbação da ARL Área de Reserva Legal, conforme a seguir: “Art. 16 (...) § 2.º A reserva legal, assim entendida a área de, no mínimo, 20% (vinte por cento) de cada propriedade, onde não é permitido o corte raso, deverá ser averbada à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, sendo vedada a alteração de sua destinação, nos casos de transmissão, a qualquer título, ou de desmembramento da área”. (grifei) Entretanto, no caso em apreço, não foi providenciada a necessária averbação, o que inviabiliza a exclusão da ARL – Área de Reserva Legal da tributação do ITR. Diante do exposto, dou provimento ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. (Assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Fl. 175DF CARF MF Impresso em 19/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/11/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 13984.000666/200253 Acórdão n.º 9202003.367 CSRFT2 Fl. 10 7 Fl. 176DF CARF MF Impresso em 19/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/11/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO
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