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Numero do processo: 11516.002174/2010-01
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 17 00:00:00 UTC 2012
Ementa: PIS E COFINS Período de apuração: 2006 a 2008 Ementa: RECEITAS FINANCEIRAS. BONIFICAÇÕES. Não se considera receita financeira o montante recebido de fornecedores a título de bonificação pelo cumprimento de metas e ações. CRÉDITO. PIS. COFINS. TRIBUTAÇÃO CONCENTRADA. FRETE. Na tributação concentrada, há vedação legal ao creditamento de bens adquiridos para revenda, e do frete a eles relativo. CRÉDITO. PIS. COFINS. EMBALAGENS DE TRANSPORTE. As embalagens que, ao invés de serem incorporadas ao produto durante o processo produtivo (embalagens de apresentação), o são apenas após sua conclusão, destinando-se tão-somente ao transporte dos produtos acabados (embalagens de transporte) não geram direito a creditamento em relação a suas aquisições. MULTA DE OFÍCIO. AUSÊNCIA DE CONFISCO. A multa de ofício de 75% da diferença de tributos apurada, prevista no art. 44, I da Lei n o 9.430/1996, não se afigura como confiscatória.
Numero da decisão: 3403-001.683
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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BONIFICAÇÕES. Não se considera receita financeira o montante recebido de fornecedores a título de bonificação pelo cumprimento de metas e ações. CRÉDITO. PIS. COFINS. TRIBUTAÇÃO CONCENTRADA. FRETE. Na tributação concentrada, há vedação legal ao creditamento de bens adquiridos para revenda, e do frete a eles relativo. CRÉDITO. PIS. COFINS. EMBALAGENS DE TRANSPORTE. As embalagens que, ao invés de serem incorporadas ao produto durante o processo produtivo (embalagens de apresentação), o são apenas após sua conclusão, destinandose tãosomente ao transporte dos produtos acabados (embalagens de transporte) não geram direito a creditamento em relação a suas aquisições. MULTA DE OFÍCIO. AUSÊNCIA DE CONFISCO. A multa de ofício de 75% da diferença de tributos apurada, prevista no art. 44, I da Lei no 9.430/1996, não se afigura como confiscatória. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Antonio Carlos Atulim Presidente. Fl. 787DF CARF MF Impresso em 30/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2012 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 07/08/2012 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 27/08/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM 2 Rosaldo Trevisan Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da turma), Rosaldo Trevisan (relator), Robson José Bayerl, Raquel Motta Brandão Minatel, Adriana Oliveira e Ribeiro, e Domingos de Sá Filho. Relatório Versa a autuação a que se refere o presente processo sobre exigência da Contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS, acrescidas as contribuições da multa de ofício e dos juros de mora decorrentes. O Auto de Infração (fls. 141 a 155), lavrado em 2/7/2010, decorre de constatação pela autoridade fiscal (em Termo de Verificação e de Encerramento de Fiscalização, datado de 1/7/2010 fls. 132 a 140) de: a) divergência na apuração das receitas de revenda de bens sujeitas às alíquotas normais e às sujeitas à alíquota zero (produtos sujeitos a tributação concentrada monofásica); b) exclusão indevida de receitas recebidas classificadas como “outras receitas verbas”; c) utilização de créditos extemporâneos sem a devida retificação de Dacon e DCTF correspondentes; d) apuração indevida de crédito sobre compra de bens para revenda tributados pelo sistema concentrado (monofásico); e) desconto de crédito indevido de despesas de frete relativo a operações de revenda de produtos tributados pelo sistema concentrado (monofásico); e f) desconto de crédito indevido de compras de embalagens. Cientificado em 10/7/2010 (fls. 146 e 153), o sujeito passivo da autuação apresentou impugnação tempestiva em 4/8/2010 (fls. 170 a 183), alegando, em suma, que: a) a autuação impediu o exercício da ampla defesa, e inclusive o recolhimento de parcelas consideradas devidas, por não discriminar cada uma das parcelas exigidas e/ou glosadas, não atendendo ao dosposto nos arts. 9o e 10 do Decreto no 70.235/1972 e no art. 142 do CTN; Fl. 788DF CARF MF Impresso em 30/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2012 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 07/08/2012 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 27/08/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 11516.002174/201001 Acórdão n.º 3403001.683 S3C4T3 Fl. 2 3 b) não devem compor a base de cálculo do PIS e da COFINS as receitas decorrentes de depósitos em espécie contabilizados como “Receitas diversas verbas”, pois tais valores constituem verdadeiras receitas financeiras, em função do atingimento de determinadas metas, ou cumprimento de determinadas ações, como redução do valor de revenda dos produtos; c) ainda que admitida a possibilidade de tributação de PIS e COFINS sobre as “Receitas diversas verbas”, esta deveria ser feita proporcionalmente, tributandose 15% dos valores contabilizados na rubrica, e não 100% (em respeito à proporcionalidade entre a receita decorrente da venda de produtos monofásicos e de produtos com tributação normal); d) a recorrente tem direito ao crédito referente a embalagens e ao serviço de fretetransporte empregados na venda das mercadorias, em função do regime de não cumulatividade; e e) a multa de ofício (no percentual de 75%) é confiscatória, motivo pelo qual sua exigência deve ser afastada. A impugnação foi apreciada em 5/8/2011, pela DRJ/Florianópolis (fls. 193 a 200), que concluiu pela procedência da autuação, sustentando que: (a) não se configura cerceamento de defesa se o conhecimento do atos processuais pelo autuado e seu direito de resposta ou de reação se encontram plenamente assegurados; (b) as verbas recebidas de fornecedores decorrentes de bonificações por atendimento de metas são tributadas, por não se caracterizarem como receitas financeiras; (c) as despesas com fretes relativos a bens sujeitos à tributação concentrada adquiridos para revenda não geram direito a crédito; (d) as embalagens não incoporadas ao produto durante o processo de industrialização (embalagens de apresentação), mas apenas depois de concluído o processo produtivo e que se destinam tãosomente ao transporte de produtos acabados (embalagens para transporte) não geram direito a creditamento relativo a suas aquisições; e (e) no regime da nãocumulatividade, o aproveitamento de créditos não declarados à época própria (créditos Fl. 789DF CARF MF Impresso em 30/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2012 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 07/08/2012 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 27/08/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM 4 extemporâneos) deve ser precedido de revisão da apuração do período ao qual pertencem tais créditos. Cientificada da decisão de primeira instância (AR às fls. 754, datado de 25/10/2011), a autuada apresenta RECURSO VOLUNTÁRIO tempestivo em 23/11/2011 (fls. 770 a 785), basicamente reproduzindo o texto apresentado na impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, relator O recurso preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele se toma conhecimento. No recurso voluntário, apresentase questão preliminar, referente a eventual nulidade do lançamento, pela alegação de cerceamento de defesa, e temas de fundo relativos à autuação. Passase, a seguir, à análise e manifestação sobre cada um dos tópicos apontados pela recorrente. Da preliminar pela nulidade A recorrente aponta nulidade, por cerceamento de defesa, visto que não foi detalhada pela fiscalização na autuação (especificamente no Termo de Verificação e de Encerramento de Fiscalização/TVEF fls. 132 a 140) a matéria tributável, pois não houve menção específica a cada uma das parcelas exigidas e/ou glosadas, afrontando o teor dos arts. 9o e 10 do Decreto no 70.235/1972 e do art. 142 do CTN. De início, destaquese estarem presentes na autuação todos os elementos constantes nos dispositivos normativos citados, não se vislumbrando qualquer mácula à defesa da empresa, que, de fato, vem sendo exercida para cada um dos tópicos referentes a irregularidades apontadas pela fiscalização. Ausentes, assim, os elementos caracterizadores de nulidade. É de se adicionar, por relevante, a este caso concreto, que a constatação de irregularidades pela fiscalização, e a comprovação de atendimento pela empresa em relação a alguns itens, foi levada a cabo antes mesmo da autuação. Durante todo o procedimento fiscal, as penddências constatadas pelo Fisco que foram objeto de comprovação de atendimento pela fiscalizada deixaram de figurar na autuação (vide, por exemplo, fls. 139 e 140). Não prospera, assim, a alegação de obstaculização à defesa, em ofensa aos comandos dos arts. 9o e 10 do Decreto no 70.235/1972 e do art. 142 do CTN. Das receitas contabilizadas como “Receitas diversas verbas” A recorrente contabilizou na rubrica em epígrafe receitas decorrentes de depósitos em espécie efetudos por fornecedores em função do atingimento de determinadas metas, ou cumprimento de determinadas ações, como redução do valor de revenda dos produtos. Sustenta ainda a recorrente que tais receitas são verdadeiramente financeiras. Fl. 790DF CARF MF Impresso em 30/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2012 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 07/08/2012 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 27/08/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 11516.002174/201001 Acórdão n.º 3403001.683 S3C4T3 Fl. 3 5 O tribunal a quo traz definição doutrinária de receitas financeiras (aquelas decorrentes de juros, desconto e atualização monetária prefixada, ou as oriundas de aplicações temporárias em títulos, v.g.). Complementa a definição com os arts. 373 e 375 do Regulamento do Imposto de Renda (RIR), Decreto no 3.000/1999: “Subseção I Receitas e Despesas Financeiras Receitas Art.373.Os juros, o desconto, o lucro na operação de reporte e os rendimentos de aplicações financeiras de renda fixa, ganhos pelo contribuinte, serão incluídos no lucro operacional e, quando derivados de operações ou títulos com vencimento posterior ao encerramento do período de apuração, poderão ser rateados pelos períodos a que competirem (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 17, e Lei nº 8.981, de 1995, art. 76, §2º, e Lei nº 9.249, de 1995, art. 11, §3º).” “Art.375. Na determinação do lucro operacional deverão ser incluídas, de acordo com o regime de competência, as contrapartidas das variações monetárias, em função da taxa de câmbio ou de índices ou coeficientes aplicáveis, por disposição legal ou contratual, dos direitos de crédito do contribuinte, assim como os ganhos cambiais e monetários realizados no pagamento de obrigações (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 18, Lei nº 9.249, de 1995, art. 8º). Parágrafo único.As variações monetárias de que trata este artigo serão consideradas, para efeito da legislação do imposto, como receitas ou despesas financeiras, conforme o caso (Lei nº 9.718, de 1998, art. 9º).” Fossem as receitas classificáveis como financeiras, aplicável seria o disposto no Decreto no 5.442/2005 (que sobrepôs a disciplina anterior, dada pelo Decreto no 5.164/2004), que trata da redução a zero das alíquotas da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS incidentes sobre as receitas financeiras auferidas pelas pessoas jurídicas sujeitas ao regime de incidência nãocumulativa das referidas contribuições. Contudo, no caso em análise, as receitas não guardam qualquer correlação com o atributo de “financeiras”. Ademais, como se destaca no TVEF (fls. 135), os documentos apresentados demonstram apenas que a empresa efetuou venda de alguns produtos com redução de preços, como uma das ações para aumentar as vendas de determinados produtos, não tendo tais receitas as características de receitas financeiras, tampouco caracterizandose como decorrentes de operações que sofreram tributação concentrada (monofásica). Endossando nosso entendimento, mencionese ilustrativamente ainda a Solução de Consulta no 128, de 7/5/2008, proferida pela DISIT/SRRF08 (DOU de 11/6/2008, pg. 42): “A redução de alíquotas disciplinada no Decreto no 5.164, de 2004, não se aplica aos créditos efetuados por fabricante de veículos em favor de comerciante varejista, a título de bônus ou incentivos de vendas, por não terem natureza de receita financeira”. Fl. 791DF CARF MF Impresso em 30/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2012 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 07/08/2012 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 27/08/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM 6 Assim, as mencionadas “receitas diversas verbas” incluemse na base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep (Lei no 10.637/2002, art. 1o) e da COFINS (Lei no 10.833/2003, art. 1o), não sendo procedente a argumentação da recorrente. No que se refere à sustentação da recorrente no sentido de que, ainda que admitida a possibilidade de tributação de PIS e COFINS sobre as “Receitas diversas verbas”, esta deveria ser feita proporcionalmente, tributandose 15% dos valores contabilizados na rubrica, e não 100% (em respeito à proporcionalidade entre a receita decorrente da venda de produtos monofásicos e de produtos com tributação normal), acordase novamente com o teor da decisão a quo, de que os valores não correspondem a produtos vendidos com alíquota zero decorrente de tributação concentrada, mas sim a receitas tributáveis a alíquotas irregulares. Dos créditos referentes a fretetransporte na venda Sustenta a recorrente ter direito ao crédito referente ao serviço de frete transporte na venda das mercadorias, em função do regime de nãocumulatividade. Recordese de plano que a recorrente atua na distribuição de produtos farmacêuticos, cosméticos, produtos de perfumaria e artigos de higiene, tendo efetuado revenda de produtos de incidência monofásica de PIS e COFINS (sujeitos à alíquota zero na revenda) e produtos com incidência nãocumulativa às alíquotas normais das contribuições. Verificandose a autuação, constatase que o contencioso restringese aos produtos submetidos a incidência monofásica. Vejase que as fundamentações legais da contribuição para o PIS/Pasep (Lei no 10.637/2002) e da COFINS (Lei no 10.833/2003), em cobrança nãocumulativa, estabelecem literalmente a impossibilidade de creditamento em relação a bens adquiridos para revenda na situação que aqui se analisa tributação concentrada (art. 2o, § 1o, II; e art. art. 3o, I, “b”). Em relação ao creditamento de frete na operação de venda, a legislação da COFINS (Lei no 10.833/2003) apresenta dispositivo que expressamente o reconhece, excepcionando, contudo, novamente a situação que aqui se analisa (art. 3o, IX). Por fim, destaquese que a Lei no 11.033/2004, em seu art. 17 (resultante da conversão da MP no 206/2004, no qual o dispositivo era tratado no art. 16), ao estabelecer que “as vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações”, não inova materialmente, e não altera o tratamento anteriormente estabelecido, mas apenas o esclarece, diante de divergências interpretativas. A própria exposição de motivos da Medida Provisória (item 19) explicita que “as disposições do art. 16 visam esclarecer dúvidas relativas à interpretação da legislação da Contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS”. Arrematese, sobre a impossibilidade de creditamento, que a DISIT da SRRF09 emitiu a Solução de Consulta no 199, de 2008, exatamente em resposta à empresa recorrente (fls. 20 a 27), concluindo que: “Não gera créditos para os fins previstos no art. 3o, I, da Lei nº 10.637, de 2002 e no art. 3o, I, da Lei nº 10.833, de 2003, a aquisição para revenda de produtos relacionados no art. 1o da Lei nº 10.147, de 2002, sendo, por conseguinte, impossível manterse créditos segundo a disposição do art. 17 da Lei nº 11.033, de 2004, dada a inexistência destes.” Fl. 792DF CARF MF Impresso em 30/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2012 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 07/08/2012 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 27/08/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 11516.002174/201001 Acórdão n.º 3403001.683 S3C4T3 Fl. 4 7 Ainda em relação ao frete, opõese a recorrente ao entendimento da fiscalização de que teria havido aproveitamento extemporâneo de créditos, em decorrência da não retificação de DACON e DCTF (IN RFB no 1.015/2010, art. 10), alegando que não havia à época, norma que obrigasse às citadas retificações. Novamente improcedentes as alegações, visto que as disposições do art. 10 da IN RFB no 1.015/2010 já constavam do art. 14 da IN RFB no 940/2009, e, antes, do art. 11 da IN RFB no 590/2005. Escorreitas, assim, as glosas efetuadas pelo Fisco. Dos créditos referentes a embalagens de transporte Sustenta ainda a recorrente ter direito ao crédito referente a embalagens empregadas na venda das mercadorias, em função do regime de nãocumulatividade. No julgamento efetuado em primeira instância, explicitouse a diferença entre “embalagens de apresentação” (incorporadas ao produto durante o processo de fabricação) e “embalagens de transporte” (as que se destinam tãosomente ao transporte dos produtos, em quantidades usualmente superiores às vendidas no varejo, como engradados, etc. ), à luz da definição de insumo, procedimentalizada nas Instruções Normativas SRF no 247/2002 e no 404/2004. As embalagens objeto da glosa são da categoria “embalagens de transporte”, e não são utilizadas na fabricação ou produção dos bens, não se enquadrando como insumo, para os efeitos do creditamento pleiteado (Leis no 10.637/2002 e no 10.833/2003, art. 3o, II). Destarte, também improcedente a argumentação da recorrente. Da multa de ofício Discute a recorrente ainda a magnitude da multa de ofício de 75% da diferença de tributos apurada, prevista no art. 44, I da Lei no 9.430/1996, classificandoa como confiscatória. De pronto, externese que a vedação constitucionalmente consagrada (art. 150, IV) é à utilização de “tributo” com efeito de confisco, não se referindo o texto magno a penalidade. Contudo, no que se refere à oposição a eventual comando constitucional, é de se destacar que o tema já está sumulado no âmbito deste tribunal administrativo: “Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.” Nas multas em que a lei fixa o valor ou percentual, é defeso ao julgador efetuar ponderações no sentido de redução. A questão é de lege ferenda. Não goza de acolhida, assim, a argumentação em relação a eventual caráter confiscatório da multa expressamente prevista no no art. 44, I da Lei no 9.430/1996. Pelo exposto, voto pelo não provimento do recurso voluntário. Rosaldo Trevisan Fl. 793DF CARF MF Impresso em 30/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2012 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 07/08/2012 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 27/08/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM 8 Fl. 794DF CARF MF Impresso em 30/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2012 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 07/08/2012 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 27/08/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM
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Numero do processo: 10680.017106/2005-15
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 24 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS Período de apuração: 01/01/2000 a 31/12/2003 COFINS. FUNDAÇÕES. BASE DE CÁLCULO. RECEITAS DE ATIVIDADES PRÓPRIAS. ISENÇÃO. São isentas da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins as receitas relativas às atividades próprias das fundações, entendidas como tal as decorrentes do exercício das atividades para as quais a entidade foi constituída, independentemente de sua origem ou de seu caráter contraprestacinal. COFINS. BASE DE CÁLCULO. LEI 9.718/98. INCONSTITUCIONALIDADE. DECISÃO STF. REPERCUSSÃO GERAL. As decisões proferidas pelo Supremo Tribunal Federal, reconhecidas como de repercussão geral, sistemática prevista no artigo 543-B do Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas no julgamento do recurso apresentado pelo contribuinte. Artigo 62-A do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Inconstitucional o § 1º do artigo 3º da Lei 9.718/98, a Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - COFINS, até 1º de fevereiro de 2004, incide apenas sobre o faturamento mensal, assim considerado a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza, e a decorrente das demais atividades operacionais típicas da pessoa jurídica. Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3102-001.326
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar integral provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Luis Marcelo Guerra de Castro, relator, e Winderley Pereira, que davam provimento parcial para afastar a incidência sobre receitas financeiras e outras receitas.
Nome do relator: LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO
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FUNDAÇÕES. BASE DE CÁLCULO. RECEITAS DE ATIVIDADES PRÓPRIAS. ISENÇÃO. São isentas da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins as receitas relativas às atividades próprias das fundações, entendidas como tal as decorrentes do exercício das atividades para as quais a entidade foi constituída, independentemente de sua origem ou de seu caráter contraprestacinal. COFINS. BASE DE CÁLCULO. LEI 9.718/98. INCONSTITUCIONALIDADE. DECISÃO STF. REPERCUSSÃO GERAL. As decisões proferidas pelo Supremo Tribunal Federal, reconhecidas como de repercussão geral, sistemática prevista no artigo 543B do Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas no julgamento do recurso apresentado pelo contribuinte. Artigo 62A do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Inconstitucional o § 1º do artigo 3º da Lei 9.718/98, a Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, até 1º de fevereiro de 2004, incide apenas sobre o faturamento mensal, assim considerado a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza, e a decorrente das demais atividades operacionais típicas da pessoa jurídica. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 525DF CARF MF Impresso em 04/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2012 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 28/08/2012 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 26/07/2012 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10680.017106/200515 Acórdão n.º 310201.326 S3C1T2 Fl. 3 2 Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar integral provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Luis Marcelo Guerra de Castro, relator, e Winderley Pereira, que davam provimento parcial para afastar a incidência sobre receitas financeiras e outras receitas. (assinado digitalmente) Luis Marcelo Guerra de Castro Presidente e Relator (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa – Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luis Marcelo Guerra de Castro, Ricardo Paulo Rosa, Luciano Pontes de Maya Gomes, Winderley Morais Pereira, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho e Nanci Gama. Relatório Tratase de auto de infração lavrado em desfavor da Fundação Ouro Branco, em razão da alegação de que, na opinião da autoridade autuante, o sujeito passivo não faria jus à isenção da Cofins instituída pelo art. 14, X, da Medida Provisória nº 2.15835, de 27/08/2001. Segundo consta do Termo de Verificação Fiscal, às fls. 16 a 28, a autuada é fundação de direito privado instituída pela pessoa jurídica Aço Minas Gerais S/A, sem fins lucrativos, e que terá como objetivos: a) criar, manter e custear serviços de saúde, constituído por hospitais, ambulatórios e correlatos, visando promover, preservar, recuperar e reabilitar prioritariamente a saúde dos empregados da Açominas e de seus dependentes; b) administrar hospitais, ambulatórios de propriedade de terceiros, e prestar outros serviços, mediante convênios; c) criar, manter e administrar estabelecimentos de ensino, de qualquer grau, inclusive superior e técnico, mas, principalmente, o de nível médio profissionalizante. Esclarece, ainda, que, em resposta a intimação, afirmara a contribuinte não possuir Registro e Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social, Comprovante de Isenção, fornecido pelo INSS e Comprovação da inscrição da entidade no Conselho Municipal de Assistência Social1, mas afirma possuir certidão do Ministério da Justiça que a declara como entidade de Utilidade Pública e apresenta certidão que comprovaria tal alegação2. Aduz, finalmente, com relação a esse aspecto, que a fundação funcionaria como um hospital, prestando serviços a particulares e convênios médicos, não atendendo ao Sistema Único de Saúde3. 1 Trecho do relatório fiscal à fl. 17 e resposta do sujeito passivo à fl. 59. 2 Doc. à fl. 57. 3 Trecho à fl. 23. Fl. 526DF CARF MF Impresso em 04/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2012 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 28/08/2012 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 26/07/2012 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10680.017106/200515 Acórdão n.º 310201.326 S3C1T2 Fl. 4 3 Noutro plano, sustenta a autoridade fiscal, com base na análise da contabilidade e, tomando como norte o conceito extraído da instrução normativa nº 247, de 2003, que o sujeito passivo não auferira receitas isentas, na medida em que as receitas identificadas não decorreriam de contribuições, doações, anuidades ou mensalidades, fixadas por lei, assembléia ou estatuto, recebidas de associados ou mantenedores, sem caráter contraprestacional. Com relação aos fundamentos de impugnação, descreve o órgão julgador de primeira instância: Cientificado em 30/11/2005 (fls. 03), o interessado apresentou, em 28/12/2005, impugnação ao lançamento, conforme arrazoado de fls. 248/289, acompanhado dos documentos de fls. 291/313, com as suas razões de defesa assim resumidas: A autoridade fiscal não concordou com o posicionamento da fundação no sentido de ser isenta da referida contribuição, com base no art. 14, X c/c art. 13, VIII da mesma MP 215835, de 2001. Discordando da impugnante, a autoridade fiscal responsável pela autuação entendeu que o Poder Público “definiu” o que são as “receitas relativas às atividades próprias das entidades a que se refere o art. ”13“, isto o fazendo através da Instrução Normativa da Secretaria da Receita Federal nº 247, de 21 de novembro de 2002, em seu art. 47, II, § 2º. É de conhecimento geral que, no que tange à Cofins, o instrumento normativo, que rege a isenção para as fundações de direito privado é a MP 215835, de 27/08/2001, nos termos dos seus dispositivos já transcritos acima (art. 14, X c/c art. 13, VIII). Antes de mais nada, vale lembrar que a MP 215835, nos termos do art. 2º da Emenda Constitucional nº 32, de 11 de setembro de 2001, está em pleno vigor, e assim continuará até que medida provisória ulterior a revogue explicitamente ou até deliberação do Congresso Nacional. De outro lado, pela leitura dos dispositivos já mencionados acima, é inegável que o legislador, quando da instituição da regra da isenção da Cofins para as fundações de direito privado, quis retirar de sua abrangência as receitas que não fossem derivadas das atividades próprias. No entanto, como esse mesmo legislador não “definiu” o “significado” do que seriam tais atividades próprias das entidades, o Poder Público entendeuse (como se verá, equivocadamente) detentor de “legitimidade” para tal “conceituação”. Ocorre que, no entendimento da impugnante – entendimento este que é amparado por boa parte da doutrina especializada e também, como se verá, da jurisprudência judicial e administrativa do Conselho de Contribuintes do Ministério da Fl. 527DF CARF MF Impresso em 04/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2012 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 28/08/2012 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 26/07/2012 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10680.017106/200515 Acórdão n.º 310201.326 S3C1T2 Fl. 5 4 Fazenda , a Secretaria da Receita Federal não detinha legitimidade para regulamentar dita norma; em segundo lugar, porque, ao regulamentar a norma, acabou por restringir a norma da isenção através de “conceituação” que se distancia de qualquer critério tecnicamente (cientificamente) aceitável, o que fêla incorrer, seja pelo primeiro motivo, seja pelo segundo, em afronta ao princípio constitucional da legalidade, tudo como se verá abaixo. Assim, por vigorar no sistema jurídico nacional o comando da legalidade, princípio constitucional que é explícito, verdadeiro consagrador do império da função legislativa e contido no art. 5º, II da Constituição da República, temos que, na seara da tributação, onde o princípio é recebido sob a roupagem da legalidade estrita, exsurgindose da regra contida no art. 150, I do Diploma Excelso, é vedado instituir ou aumentar tributo sem lei que assim estabeleça, assim como estabelecer e reger, sem lei, hipóteses de exclusão de créditos tributários (dentre elas, a isenção). No entanto, o que o Poder Público Executivo acabou fazendo, ao pretender “regulamentar” a norma da isenção tributária relacionada à Cofins das fundações privadas, foi justamente agredir tal princípio, marcando as citadas disposições da IN SRF 247 de flagrante inconstitucionalidade. Em primeiro lugar, como já se disse, porque a norma da isenção em comento não dispôs sobre a necessidade de sua regulamentação, razão pela qual não havia legitimidade à SRF para editar tal “regulamento”. Em segundo lugar, porque, mesmo que seja entendido que havia essa legitimidade, vêse que o Poder Público, ao “conceituar” as atividades próprias das entidades, foi muito além do que lhe seria permitido fazer. E isto não apenas porque o Poder Executivo restringiu o conceito de atividades próprias, fazendo o que somente a lei poderia ter feito caso o legislador o quisesse; o Poder Executivo foi muito além do que poderia fazer principalmente porque, ao restringir o conceito, não se utilizou de critério jurídico, ou seja, não se utilizou de critério técnico, científico, como se verá a seguir. A impugnante entende que nada há a se regulamentar sobre o que seriam as atividades próprias das entidades, já que é absolutamente natural – não carecendo de explicação – a conclusão de que atividades próprias são aquelas atividades previstas no estatuto social da entidade (e com cujas receitas a entidade pretende cumprir o seu fim social). Verificase, dos vocábulos pesquisados, que atividade referese necessariamente a alguma ação, enquanto própria referese à característica de ser peculiar, particular, natural a algo. Fl. 528DF CARF MF Impresso em 04/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2012 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 28/08/2012 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 26/07/2012 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10680.017106/200515 Acórdão n.º 310201.326 S3C1T2 Fl. 6 5 Obviamente, não pode haver outro entendimento senão o de que as receitas abrangidas pela isenção deverão ser oriundas do exercício de uma ação, por parte das entidades, que lhe sejam peculiares. Assim, o significado do termo “atividades próprias” deve, naturalmente, ser a soma de ações, de atribuições, de encargos, de serviços, desempenhados por uma determinada pessoa, e que lhe sejam peculiares. Ora, de qualquer exercício intelectual um pouco mais profundo percebese que, com a IN SRF 247/02, a Fazenda está realmente afirmando que o simples recebimento de contribuições, de doações, de anuidades ou de mensalidades são as atividades próprias das entidades. Assim, perguntase: Receber anuidade é “praticar alguma atividade”.? E mais: As fundações são efetivamente “criadas” para receber doações, anuidades ou mensalidades fixadas por lei.? É claro que não; as fundações são criadas para desenvolver as atividades descritas em seu objeto social, atividades estas que, conforme a descrição de seu estatuto social, podem ser custeadas por doações, anuidades, etc., mas que podem ser custeadas por algum tipo de contraprestação, nos termos já perfeitamente aceitos pela jurisprudência nacional. Assim, as fontes de custeio da fundação podem advir de doações, anuidades ou mensalidades, mas “receber tais verbas” não é a atividade própria da fundação, inclusive porque quando do recebimento de anuidades, mensalidade doações, a entidade está em situação de passividade, não representando qualquer ação. Para que haja ação, e, portanto, para que haja atividade, é obviamente necessária uma pessoa (jurídica, in casu) efetivamente exercendo aptidões. Nunca, como quer a Fazenda na IN SRF 247/02, uma pessoa em situação de passividade, simplesmente “recebendo valores”; ou melhor, vendoos adentrar em seu caixa, o que não é “exercer atividade” e, muito menos exercer “atividade própria”. Não há, pois, outra conclusão a se chegar, senão a de que é equivocada a suposta “regulamentação” levada a efeito pela IN SRF 247/02, representada pelo afã do Poder Público em impedir que as receitas das fundações de direito privado sejam realmente alcançadas pela isenção legal (ao contrário do que quis o legislador!), pois cria uma inusitada “conceituação” do termo “atividades próprias” – distanciandose de tudo o que o termo significa em termos semânticos. Além de equivocada, é obviamente ilegal e inconstitucional a SRF 247/02, pois restringiu a norma de isenção, o que somente poderia ter sido feito por lei, nos termos dos art. 97, inciso VI, Fl. 529DF CARF MF Impresso em 04/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2012 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 28/08/2012 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 26/07/2012 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10680.017106/200515 Acórdão n.º 310201.326 S3C1T2 Fl. 7 6 99, 110 e 176 do Código Tributário Nacional e dos art. 5º, II e 150, I da Constituição da República. E não se diga que o fundamento legal da IN SRF 247, pra fazer o que fez, seria o art. 111 do CTN, pois dizer que “as normas de isenções são interpretadas literalmente” não é, definitivamente, o mesmo que dizer que elas devam ser interpretadas “restritivamente”. Ora, o que se quer alcançar com qualquer interpretação é, em verdade, o sentido da norma, este devidamente contextualizado com todo o Sistema Tributário Nacional e com a CF. Ad argumentandum tantum, a impugnante protesta pela desconstituição do crédito tributário em discussão também em face de sua condição de imune à Cofins por ser uma entidade beneficente de assistência social, nos termos da CF. Isto que dizer que, dentre as 6 formas desonerativas de imposição tributária, a imunidade é a única que, por determinação superior – da CF – é colocada fora do alcance do poder tributante. Não há sequer o nascimento de obrigação tributária e, muito menos, do crédito tributário. Com relação “às exigências estabelecidas em lei” que, nos termos do § 7º do art. 195 da Carta Magna, devem atender as entidades beneficentes de assistência social para o gozo da imunidade concedida, sabese que há inequívoca aplicação do art. 146, II da Constituição da República. Por tal razão, é também pacífico, na doutrina e jurisprudência nacionais, que os requisitos para o exercício da imunidade são apenas aqueles trazidos pelo art. 14 do CTN, cujo caráter de lei complementar é também indiscutível juridicamente. Com base no disposto acima, a impugnante protesta pela observância de seu direito à imunidade da Cofins, nos termos da CF, já que atende a todos os requisitos constantes do art. 14 do CTN. Contudo, a MP 215835, ao dispor sobre o não pagamento (“isenção”) de Cofins pelas entidades de assistência social, em seu já transcrito acima art. 14, X, agora c/c o inciso III do seu art. 13, vai além do que a norma constitucional foi, em termos de exigências para o gozo do benefício. Ora, em virtude do princípio da supremacia da Constituição, tais normas não podem ser observadas, já que ferem o princípio lógico da nãocontradição, segundo o qual duas normas contraditórias não podem ser simultaneamente válidas. Em assim, não se entendendo, obviamente não resta alternativa senão o reconhecimento da inconstitucionalidade das referidas normas, pois é uníssono, como já se disse, o entendimento de que as normas que podem regular as limitações ao poder de tributar (imunidade) deverão ser sempre oriundas de lei complementar – Fl. 530DF CARF MF Impresso em 04/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2012 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 28/08/2012 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 26/07/2012 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10680.017106/200515 Acórdão n.º 310201.326 S3C1T2 Fl. 8 7 o que não é da natureza da PM 215835/01 e muito menos da natureza da IN SRF 247/02. Na esteira do que foi sustentado acima, e para que reste inequívoco o direito da impugnante à imunidade constitucional, cumpre demonstrar que a entidade, além de cumprir com os requisitos para o gozo da imunidade constitucional (art. 14 do CTN), também é entidade que possui indiscutível caráter assistencial. A distinção entre assistência social e saúde, no âmbito da seguridade social, nos termos da Constituição, não significa, de forma alguma, que as atividades desenvolvidas pela impugnante inegavelmente relacionadas à saúde, estariam fora do alcance da norma prevista no art. 195, § 7º da Carta Magna. Seria um total despropósito interpretar, literal e restritivamente, que o constituinte quis dar imunidade às instituições de assistência social, mas “desde que as atividades das instituições de assistência social não estivessem relacionadas com saúde, e sim apenas com as atividades definidas por seu art. 203 (assistência social)” já que é patente a carência de nossa sociedade em termos de saúde pública. Vejase a jurisprudência do STF quando da apreciação do pedido de liminar na ADIN 2028/DF. Flagrante é o caráter assistencial da impugnante, que cumpre com todos os requisitos contidos no art. 14 do CTN e, assim é imune do pagamento de Cofins, com base no art. 195, § 7º da CF. Rechaçase, desta forma, qualquer outra restrição ou limitação no que tange ao exercício das atividades pelas instituições de assistência social além das contidas no art. 14 do CTN, tais como as salientadas pela MP 215835/01. Cumpre lembrar, também, que a impugnante é instituição declarada de utilidade pública federal pelo Decreto de 27/02/1992, estando com a documentação referente a tal condição perfeitamente em dia. Este dado é de extrema relevância quando do enfoque de seu caráter de instituição prestadora de verdadeira assistência social à população que então é assistida por ela. O entendimento acima disposto encontra farto amparo na jurisprudência do próprio Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda. Também o posicionamento do Poder Judiciário vai ao encontro do direito defendido pela impugnante. Por fim, e apenas por argumentar – caso esta Delegacia de Julgamento venha, por absurdo, a entender que não deve ser observada a isenção e/ou a imunidade constitucional, a impugnante protesta pela não utilização da base de cálculo da Fl. 531DF CARF MF Impresso em 04/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2012 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 28/08/2012 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 26/07/2012 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10680.017106/200515 Acórdão n.º 310201.326 S3C1T2 Fl. 9 8 Cofins assim como definida pela Lei nº 9.718/98 (faturamento=receita bruta), já que o dispositivo utilizado é flagrantemente inconstitucional, conforme recente pronunciamento do STF nos RE 346.084, 357.950, 358.273 e 390.840 – leading cases da discussão sobre a inconstitucionalidade da majoração das bases de cálculo do PIS e da Cofins pela Lei nº 9.718/98. Assim, como é do conhecimento geral, resta superada a questão da inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, sendo que a fiscalização não poderia terse utilizado de todas as receitas da entidade com o fim de apurar a base de cálculo da Cofins que entende devida. Devem, pois, ser desconsideradas as receitas financeiras da entidade, assim como todas as outras que não signifiquem receitas oriundas de faturamento em seu sentido estrito, conforme entendimento do STF. Dos pedidos: Requer que seja desconstituído o crédito tributário constante do Auto de Infração, em função da condição da impugnante de isenta e de imune ao tributo em questão. Ad argumentandum tantum, que o AI seja decotado de seus excessos, já que a base de cálculo utilizada pelo mesmo (art. 3º, § 1º da Lei nº 9.718/98) é inconstitucional. Ponderando as razões aduzidas pela autuada, juntamente com o consignado no voto condutor, decidiu o órgão a quo pela manutenção integral da exigência, conforme se observa na ementa abaixo transcrita: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/01/2000 a 31/12/2003 Consideramse receitas derivadas das atividades próprias somente aquelas decorrentes de contribuições, doações, anuidades ou mensalidades fixadas por lei, assembléia ou estatuto, recebidas de associados ou mantenedores, sem caráter contraprestacional direto, destinadas ao seu custeio e ao desenvolvimento dos seus objetivos sociais. A argüição de ilegalidade e de inconstitucionalidade não é oponível na esfera administrativa por transbordar os limites da sua competência. Lançamento Procedente. Após tomar ciência da decisão de 1ª instância, comparece a autuada mais uma vez ao processo para, em sede de recurso voluntário, essencialmente, reiterar as alegações manejadas por ocasião da instauração da fase litigiosa. Fl. 532DF CARF MF Impresso em 04/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2012 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 28/08/2012 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 26/07/2012 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10680.017106/200515 Acórdão n.º 310201.326 S3C1T2 Fl. 10 9 Acrescenta a tais fundamentos suas ponderações acerca da manutenção do caráter assistencial da entidade, independentemente da gratuidade dos serviços prestados, na medida em que essa receita seria justamente o meio para garantir o atendimento de seus objetivos. Cita doutrina e jurisprudência. Acrescenta, ainda suas ponderações acerca da inconstitucionalidade das multas, alegadamente confiscatórias. É o Relatório. Voto Conselheiro Luis Marcelo Guerra de Castro, Relator Tomo conhecimento do presente recurso, que foi tempestivamente apresentado e trata de matéria afeta à competência desta Terceira Seção. Analiso separadamente os pontos sobre os quais cabe a este colegiado se manifestar. 1 Base de Cálculo Inicialmente, enfrento as alegações atinentes à incidência da contribuição litigiosa sobre receitas financeiras e sobre “outras receitas” dissociadas da atividade operacional do sujeito passivo, em princípio tributáveis, nos termos do § 1º, do art. 3º, da Lei nº 9.718, de 19984. Ocorre que, como é cediço, o Plenário do Pretório Excelso, ao julgar o Recurso Extraordinário nº 346.08465, concluiu que tal dispositivo viola o art. 195 da Constituição Federal e o art. 110 do Código Tributário Nacional, na medida em que incluía nas fontes de custeio seguridade social fonte não prevista na naquela Carta Política e ampliava o conceito de faturamento. Vejase sua ementa: CONSTITUCIONALIDADE SUPERVENIENTE ARTIGO 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718, DE 27 DE NOVEMBRO DE 1998 EMENDA CONSTITUCIONAL Nº 20, DE 15 DE DEZEMBRO DE 1998. O sistema jurídico brasileiro não contempla a figura da constitucionalidade superveniente. TRIBUTÁRIO INSTITUTOS EXPRESSÕES E VOCÁBULOS SENTIDO. A norma pedagógica do artigo 110 do Código Tributário Nacional ressalta a impossibilidade de a lei tributária alterar a definição, o conteúdo e o alcance de consagrados institutos, conceitos e formas de direito privado utilizados expressa ou implicitamente. Sobrepõese ao aspecto formal o princípio da realidade, considerados os elementos tributários. CONTRIBUIÇÃO 4 Art. 3º O faturamento a que se refere o artigo anterior corresponde à receita bruta da pessoa jurídica. § 1º Entendese por receita bruta a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas. 5 Ministro Marco Aurélio, julgado em 09/11/2005. Fl. 533DF CARF MF Impresso em 04/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2012 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 28/08/2012 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 26/07/2012 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10680.017106/200515 Acórdão n.º 310201.326 S3C1T2 Fl. 11 10 SOCIAL PIS RECEITA BRUTA NOÇÃO INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º DA LEI Nº 9.718/98. A jurisprudência do Supremo, ante a redação do artigo 195 da Carta Federal anterior à Emenda Constitucional nº 20/98, consolidouse no sentido de tomar as expressões receita bruta e faturamento como sinônimas, jungindoas à venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços. É inconstitucional o § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, no que ampliou o conceito de receita bruta para envolver a totalidade das receitas auferidas por pessoas jurídicas, independentemente da atividade por elas desenvolvida e da classificação contábil adotada. Faço minhas as considerações do Min. Marco Aurélio de Mello acerca do descompasso entre o dispositivo que daria base para a tributação objeto do litígio e os artigos 195 da Constituição Federal de 1988, na versão que vigia anteriormente à Emenda Constitucional nº 20, de 1998. Até porque, após votação de questão de ordem nos autos do RE 585235, foi reconhecida a repercussão geral sobre a matéria, tornando obrigatória a aplicação desse entendimento por parte deste Colegiado, ex vi do art. 62A do Regimento Interno do CARF. Dentro desse contorno, só seria possível fazer incidir a contribuição nos moldes do que dispunha o art. 2º da Lei Complementar 70, de 1991, que fixou: Art. 2° A contribuição de que trata o artigo anterior será de dois por cento e incidirá sobre o faturamento mensal, assim considerado a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviço de qualquer natureza. Assim, afasto a incidência da Cofins sobre as receitas financeiras e sobre as classificadas sob a rubrica “outras receitas”, descritas nos demonstrativos às fls. 29 e 30. 2 Isenção Antes de enfrentar os argumentos relativos ao cabimento ou não da isenção objeto do presente processo, julgo prudente esclarecer que a autuação está fundamentada na acusação de que as receitas auferidas pelo sujeito passivo não fariam jus ao benefício previsto no art. 14, X da Medida Provisória nº 2.15835, de 20016, que reproduz o texto da Medida Provisória nº 18586, de 1999. Tal dispositivo, como é possível extrair da sua redação, fixa, essencialmente, duas condições: uma de natureza subjetiva, qual seja, o sujeito passivo se enquadrar em um dos incisos do art. 13 da mesma medida provisória; e uma de natureza objetiva, a receita auferida se enquadrar no conceito de “relativa à atividade própria”. 6 Art. 14. Em relação aos fatos geradores ocorridos a partir de 1o de fevereiro de 1999, são isentas da COFINS as receitas: (...) X relativas às atividades próprias das entidades a que se refere o art. 13. Fl. 534DF CARF MF Impresso em 04/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2012 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 28/08/2012 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 26/07/2012 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10680.017106/200515 Acórdão n.º 310201.326 S3C1T2 Fl. 12 11 Assim, restando claro, a meu ver, que o Fisco julgou cumpridos os requisitos fixados no art.13, VIII, da mesma Medida Provisória nº 2.15835, de 20017. Ou seja, a autoridade fiscalizadora não contesta que a recorrente é, efetivamente, fundação de direito privado apta ao recolhimento da Contribuição para o PIS/Pasep sobre a folha de salários. A tributação das receitas auferidas pela recorrente, portanto, decorreria do descumprimento das condições objetivas, na medida em que, na opinião daquela autoridade, tais receitas não poderiam ser consideradas como decorrentes de “atividades próprias”. Nessa linha, em que pese a insurgência do sujeito passivo com relação à suposta inconstitucionalidade da legislação que fixou requisitos para o reconhecimento da imunidade fixada no § 7º do art. 195 da Constituição Federal de 19888, e que tal matéria é alvo de repercussão geral reconhecida nos autos do RE 566.6221, penso que não há justificativa para que se promova o sobrestamento julgamento do presente recurso A meu ver, tal medida estaria condicionada à comprovação de que a Fundação Ouro Branco atua como entidade filantrópica e que a reclamada imunidade deixara de ser reconhecida em face do descumprimento das condições elencadas no art. 55 da Lei nº 8.212, de 1991. Nesse caso, o debate na via administrativa, por força do art. 62A, caput e § 1º, do atual RICARF9, dependeria da avaliação da constitucionalidade deste dispositivo legal. Ocorre que, em face dos fatos carreados ao processo, penso, reafirmese, que essa não correspondente à verdadeira matéria litigiosa. Como já se destacou, em que pese a ausência de finalidade lucrativa, a recorrente não atua, pelo menos segundo os elementos carreados ao processo, na promoção da assistência social, conceituada no art. 203 da Constituição Federal de 1988: Art. 203. A assistência social será prestada a quem dela necessitar, independentemente de contribuição à seguridade social, e tem por objetivos:. A fim de melhor delimitar esse conceito de assistência social, tomo emprestado o extraído do voto condutor da Medida Cautelar deferida nos autos da ADI 202810: "podemos definir o direito Assistencial como a parte do Direito Social relativa à concessão aos hjpossuficientes dos meios de satisfação de suas necessidades vitais, sem qualquer contraprestação de sua parte"(original não destacado). 7 Art. 13. A contribuição para o PIS/PASEP será determinada com base na folha de salários, à alíquota de um por cento, pelas seguintes entidades: (...) VIII fundações de direito privado e fundações públicas instituídas ou mantidas pelo Poder Público; 8 § 7.º São isentas de contribuição para a seguridade social as entidades beneficentes de assistência social que atendam às exigências estabelecidas em lei. 9 Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B.. 10 Ministro Moreira Alves, Tribunal Pleno, julgamento proferido em 19/11/1999 Fl. 535DF CARF MF Impresso em 04/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2012 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 28/08/2012 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 26/07/2012 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10680.017106/200515 Acórdão n.º 310201.326 S3C1T2 Fl. 13 12 Ora, como destacou a autoridade autuante, e não foi contestado, a fundação dedicase ao atendimento dos empregados e dos dependentes dos empregados da sua instituidora, mediante remuneração direta ou através de planos de saúde, atuação que, a meu ver longe está de se amoldar ao conceito de assistência social gizado na Constituição Federal de 1988. Impende que se registre, ademais, que a obtenção de reconhecimento como instituição de Utilidade Publica (exclusivamente federal, esclareçase), igualmente não leva em consideração a atuação na área de assistência social. Confirase o que diz o Decreto nº 50.517, de 1961: Art. 1º As sociedades civis, associações e fundações, constituídas no país, que sirvam desinteressadamente à coletividade, poderão ser declaradas de utilidade pública, a pedido ou " exofficio ", mediante decreto do Presidente da República. Afastada tal pretensão de enquadramento como entidade assistencial, retoma se a análise do cumprimento da condições objetivas fixadas no já transcrito art. 14, X da Medida Provisória nº 215835, de 2001. Sustenta a autoridade autuante que nenhuma das receitas descritas nos demonstrativos às fls. 29 e 30, são isentas, na medida em que não se enquadrariam no conceito de “relativas às atividades próprias” da entidade. Antes de adentrar em tal análise, entretanto, registro que a discussão que povoa o presente recurso, a meu ver, é sensivelmente diversa da que foi debatida nos autos do recurso que foi alvo do acórdão nº 310200.930, de 1º de março de 2011, de relatoria do i. Conselheiro Ricardo Rosa e de outros julgados na mesma data. Em tais hipóteses, estando claramente delineada a hipótese de imunidade, julguei que os estatutos da entidade seriam aptos a demarcar o conceito de receita originária da atividade própria, daí porque, em tais arestos acompanhei voto condutor do aresto. Em tais casos, restara claramente demarcado que a pessoa jurídica atuava como entidade assistencial apta à fruição da imunidade constitucional, fator que limita significativamente a imposição de restrições à implementação daquele benefício. Aliás, como indica a doutrina, limita o próprio exercício da competência para tributar11. Também não se pode olvidar que a pacífica jurisprudência do Pretório Excelso referendou que a busca pelo alcance da norma imunizante deve se pautar em uma interpretação ampliativa, que privilegie o aspecto teleológico da imunidade12. Diferentemente daqueles casos, no presente litígio, discutese exclusivamente o aspecto objetivo da isenção conferida a pessoa jurídica organizada sob a forma de fundação, sem que se exija, por exemplo, um percentual mínimo de atendimento a hipossuficientes, usuários do Sistema Único de Saúde, como se verifica no caso das entidades assistenciais. Assim, em situações análogas ao presente, onde não se vislumbra o pálio da imunidade, a interpretação ampliativa dos limites objetivos da isenção, a meu ver, representaria uma violação dos princípios da universalidade e da solidariedade social, gizados no art. 195, da 11 Vide Chiesa, Clélio. A Competência Tributária do Estado Brasileiro. São Paulo, 2002, Max Limonad. 12 Vide Súmula 724, RE 190.7614 e RE 524.615AgR, todos do STF. Fl. 536DF CARF MF Impresso em 04/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2012 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 28/08/2012 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 26/07/2012 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10680.017106/200515 Acórdão n.º 310201.326 S3C1T2 Fl. 14 13 Constituição Federal de 198813, permitindo que a pessoa jurídica, perfeitamente credenciada ao exercício de atividade econômicoempresarial, como já se manifestou a doutrina14, auferisse um benefício fiscal exclusivamente pela sua forma de constituição e pela previsão em seus estatutos. Assim, a meu ver, no caso do presente litígio, a busca pela fixação do alcance da expressão “receita relativa à atividade própria” não pode prescindir da análise dos elementos que conferem os contornos da pessoa jurídica constituída sob a forma de fundação, a partir da dotação de um patrimônio, com alguma das finalidades previstas no já citado parágrafo único do art. 62 do Novo Código Civil. Vejase, nessa linha, o que diz o art. 62 do Novo Código Civil: Art. 62. Para criar uma fundação, o seu instituidor fará, por escritura pública ou testamento, dotação especial de bens livres, especificando o fim a que se destina, e declarando, se quiser, a maneira de administrála. Parágrafo único. A fundação somente poderá constituirse para fins religiosos, morais, culturais ou de assistência. Os elementos nucleares do conceito de fundação são, portanto, patrimônio, finalidade e vínculo do patrimônio com a finalidade15. Radicalmente diverso é o conceito de empresário extraído do mesmo código: Art. 966. Considerase empresário quem exerce profissionalmente atividade econômica organizada para a produção ou a circulação de bens ou de serviços. Nesta espécie de pessoa jurídica, portanto, o ponto de partida para a demarcação do conceito é a profissional idade, combinada com a organização da atividade econômica, atividade essa dirigida à produção ou circulação de bens e serviços16. Comparandose tais conceitos, concluise o que se pode entender como uma atividade típica (ou própria) de uma fundação e, diversamente, o que se inclui no rol das atividades próprias da empresa. Próprias da atividade fundacional, portanto, são as receitas que se coadunam com a forma por meio da qual ela foi constituída e o objetivo almejado. Da mesma forma que própria da atividade empresária é a receita oriunda do exercício da atividade econômica. 13 Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre: 14 Vide Diniz, Gustavo Saad. Direito das Fundações Privadas teoria geral e exercício de atividades econômicas. São Paulo, Lemos e Cruz, 2007, 3ª ed., pp. 540/541 15 Vide Diniz, Gustavo Saad. Direito das Fundações Privadas teoria geral e exercício de atividades econômicas. São Paulo, Lemos e Cruz, 2007, 3ª ed., pp. 88/89. 16 Vide Sztajn, Rachel. Teoria Jurídica da Empresa : Atividade Empresária e Mercados. São Paulo. Atlas, 2004, p. 112. Fl. 537DF CARF MF Impresso em 04/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2012 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 28/08/2012 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 26/07/2012 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10680.017106/200515 Acórdão n.º 310201.326 S3C1T2 Fl. 15 14 É fato que a fundação pode, na busca pelo atingimento de seus objetivos, exercer atividade econômica, mas tal atividade será residual, sob pena de desvirtuar o instituto. Daí porque, falarse que as receitas dela advindas seriam “impróprias” da atividade. Nesse ponto, não custa registrar que, em que pese a fragilidade da interpretação exclusivamente gramatical, segundo o dicionário Houaiss17, dentre os sinônimos da expressão “próprio”, destacamse: característico, congênito, distintivo, distinto, específico, inato, individual, individualizador, ínsito, íntimo, natural, particular, peculiar, pessoal, privado, privativo, reservado, típico; ver tb. sinonímia de conveniente, inerente e respectivo Somados, esses fatores conduzem à conclusão de que o Poder Judiciário andou bem quando referendou o alcance da isenção em termos idênticos ao fixados no § 2º do art. 47 da Instrução Normativa SRF nº 247, de 2002, assim redigido: § 2º Consideramse receitas derivadas das atividades próprias somente aquelas decorrentes de contribuições, doações, anuidades ou mensalidades fixadas por lei, assembléia ou estatuto, recebidas de associados ou mantenedores, sem caráter contraprestacional direto, destinadas ao seu custeio e ao desenvolvimento dos seus objetivos sociais. Ou seja, em que pese, com a devida vênia, a pouca habilidade com que demarcou sua interpretação, fixando como traço característico a “contraprestação”, ao invés do conteúdo econômico, em verdade o resultado alcançado é exatamente o mesmo do obtido se empregasse a nomenclatura do código civil. De fato, o negócio jurídico oneroso, próprio da atividade econômica, tem como característica principal a atribuição de um ônus a uma das partes em contraprestação ao assumido pela outra, enquanto que no negócio jurídico gratuito, próprio das atividades fundacionais, o sacrifício é suportado exclusivamente por uma das partes. A referendar esse raciocínio estão as reiteradas manifestações do Poder Judiciário sobre o tema. Vejase, a respeito, o que restou consignado pelo Superior Tribunal de Justiça, nos autos do AgRg no REsp 476246/RS18: TRIBUTÁRIO – FUNDAÇÃO DE DIREITO PRIVADO – ATIVIDADES REMUNERADAS –CONTRAPRESTAÇÃO – FATOS GERADORES NÃO ISENTOS – INCIDÊNCIA DA COFINS– REEXAME FÁTICOPROBATÓRIO INEXISTENTE – NORMA DE ISENÇÃO TRIBUTÁRIA – INTERPRETAÇÃO DADA NA JURISPRUDÊNCIA DO STJ. (...) 2. Do exame da decisão agravada, constatase, ao contrário do alegado pela agravante, que o caráter contraprestacional de 17 Edição eletrônica, disponível em http://houaiss.uol.com.br/busca.jhtm?verbete=pr%F3prio&stype=k 18Segunda Turma, Ministro HUMBERTO MARTINS, julgado em 23/10/2007, DJ de 12/11/2007. Fl. 538DF CARF MF Impresso em 04/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2012 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 28/08/2012 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 26/07/2012 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10680.017106/200515 Acórdão n.º 310201.326 S3C1T2 Fl. 16 15 serviços profissionais de ensino e de treinamento implica incidência da COFINS e prescinde de reexame fáticoprobatório contido nos autos. 3. A legislação de regência foi aplicada na forma da jurisprudência dominante do STJ. Denotase que, ao contrário do decidido pelo Tribunal de origem, o STJ entende que segundo a exegese do art. 111, inciso II, do CTN, a legislação tributária que outorga a isenção deve ser interpretada literalmente. Portanto, inexiste suposta isenção no caso, uma vez que a agravante aufere receita oriunda da remuneração pela prestação de serviços. Agravo regimental improvido. Aprofundando o raciocínio, tomando o julgado acima como referência, consignou o Tribunal Regional Federal da 1ª Região19: (...) 2. Conforme disposto no art. 14, inciso X, da Medida Provisória nº 2.158 35, de 24.08.2001 (ainda em tramitação; última reedição da Medida Provisória nº 1.8586, de 29.06.1999), são isentas da Cofins, desde 01.02.1999, quanto a suas atividades próprias, as instituições de caráter filantrópico, recreativo, cultural, científico e as associações civis, a que se refere o art. 15 da Lei no 9.532, de 1997 (art. 13, inciso IV), que prestem os serviços para os quais houverem sido instituídas e os coloquem à disposição do grupo de pessoas a que se destinam, sem fins lucrativos. 3. A Instrução Normativa SRF 247/02, alterada pela IN nº 358 e pela IN nº 464/04, por seu turno, prevê em seu artigo 47, § 2º, a isenção da COFINS sobre as receitas derivadas de atividades próprias, explicitando que tais receitas têm que estar desprovidas de caráter contraprestacional direto. 4. A instrução normativa nada mais fez do que explicitar, nos termos da lei, o alcance das receitas relativas às atividades próprias dessas entidades. Precedente do STJ. 5. Não pode a regra de isenção tributária ser interpretada senão literalmente (artigo 111, inciso II, do Código Tributário Nacional), de forma que não pode a nova regra legal de isenção ser aplicada retroativamente, à falta de previsão legal específica, estando então a associação civil sem fins lucrativos, no período anterior, sujeita à incidência da COFINS por força dos princípios constitucionais da universalidade e da solidariedade social (Constituição Federal de 1988, art. 195, caput e inciso I). 6. A impetrante Associação Nacional dos Bancos de Investimento – ANBID, na condição de associação civil sem fins 19 6ª Turma Suplementar, Juiz Federal ANDRE PRADO DE VASCONCELOS, eDJF1 DATA:22/06/2011 PAGINA:654 Fl. 539DF CARF MF Impresso em 04/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2012 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 28/08/2012 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 26/07/2012 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10680.017106/200515 Acórdão n.º 310201.326 S3C1T2 Fl. 17 16 lucrativos, faz jus à isenção de Cofins a partir de 01.02.1999, sobre as suas receitas pagas pelos associados pela prestação de serviços a que se destina, mas não quanto às receitas da prestação de serviços aos associados descritas neste processo, que não são estritamente relacionados aos fins institucionais da impetrante, sendo, na realidade atividades contraprestacionais, remuneradas apenas pelos associados que por eles se interessem, inclusive praticadas no interesse dos associados em suas relações negociais com terceiros (como, por exemplo, emissões de títulos no mercado doméstico e externo e a assinatura e a venda avulsa de publicações especializadas, inclusive por meio eletrônico),não gozando, assim, da isenção pleiteada, por fugirem do âmbito da sua atividade própria, ainda que a impetrante as pratique sob alegação de inexistência de fins lucrativos. Na mesma linha, o Tribunal Regional Federal da 3ª Região, nos autos da Apelação Cível 125807820 PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. PRESCRIÇÃO. FALTA DE INTERESSE. COFINS. L. 9718/98. AMPLIAÇÃO BASE DE CÁLCULO. RECEITA OPERACIONAL BRUTA. INCONSTITUCIONALIDADE. MEDIDA PROVISÓRIA 18586 (ATUAL MP 2.15835), REGULAMENTADA PELA INSTRUÇÃO NORMATIVA 247/2002. OBSERVÂNCIA AOS LIMITES DO PODER REGULAMENTAR. I A ação meramente declaratória a ação não se sujeita ao prazo prescricional. II Superada a discussão sobre a ampliação da base de cálculo perpetrada pela Lei 9.718/98, no tocante à COFINS e ao PIS, uma vez que o STF, no julgamento do RE346084/PR, pronunciouse pela inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da referida lei, por ampliar o conceito de faturamento. III A Instrução Normativa 247/2002 manteve a isenção da COFINS sobre receitas derivadas de atividades próprias, explicitando a necessidade de estarem desprovidas de caráter contraprestacional direto. Atuou, assim, nos estritos limites do poder regulamentar, apenas estabelecendo o alcance da norma isentiva dos artigos 13 e 14 da MP 2.15835. IV Apelação parcialmente provida. Finalmente o Tribunal Regional Federal da 5ª Região, nos autos da Apelação Cível 510.30521: Ementa TRIBUTÁRIO E CONSTITUCIONAL. EXIGÊNCIA DE CERTIFICADO DE ENTIDADE BENEFICENTE DE ASSISTÊNCIA SOCIAL PARA GOZO DE IMUNIDADE TRIBUTÁRIA. CABIMENTO. FUNDAÇÃO DE DIREITO PRIVADO. ATIVIDADES REMUNERADAS. 20 JUÍZA ALDA BASTO, Quarta Turma, DJF3 de 14/10/2010. 21 Desembargador Federal Francisco Barros Dias, julgamento em 15/02/2011, unânime. Fl. 540DF CARF MF Impresso em 04/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2012 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 28/08/2012 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 26/07/2012 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10680.017106/200515 Acórdão n.º 310201.326 S3C1T2 Fl. 18 17 CONTRAPRESTAÇÃO. FATOS GERADORES NÃO ISENTOS. COFINS. INCIDÊNCIA. (...) 6. As receitas de atividades próprias das associações civis decorrem de contribuições, de doações, de anuidades ou de mensalidades fulcradas em lei, assembléia ou estatuto, recebidas de associados ou de mantenedores, sem caráter contraprestacional direto, destinadas ao seu custeio e ao desenvolvimento dos seus objetivos sociais; as quais são isentas da COFINS. 7. No caso dos autos, observase tratarse de receitas da associação oriundas da remuneração pela prestação de serviços profissionais de ensino e de treinamento, as quais não são isentas, sendo incidente, portanto, a COFINS. 3 Conclusão Com essas considerações, dou parcial provimento ao recurso para afastar exclusivamente a incidência da Confins sobre as parcelas denominadas “receitas financeiras” e “outras receitas”, descritas nos demonstrativos às fls. 29 e 30. Sala das Sessões, em 24 de janeiro de 2012. Voto Vencedor Discutese a incidência da Contribuição para Financiamento da Seguridade Social – Cofins sobre receitas diversas auferidas pela Fundação Ouro Branco, consideradas pela fiscalização como não decorrentes de atividades próprias. Uma vez que comungo da mesma opinião do i. Relator do Voto Vencido na parte que se refere às receitas financeiras e outras receitas, cabe aqui externar as razões por que divirjo em relação à incidência da Contribuição sobre as receitas oriundas da prestação de serviços hospitalares e congêneres. Segundo entendeu a Fiscalização Federal, tais receitas não estariam contempladas pela isenção concedida em Lei por terem caráter contraprestacional. Assim consta do Termo de Verificação Fiscal no qual baseiase a autuação . Na auditoria constatamos que o contribuinte possuia nos anoscalendário de 2000, 2001, 2002 e 2003, receitas com caráter contraprestacional, que fogem do escopo da isenção da Cofins, pois não sio receitas derivadas de suas atividades próprias, discordando com a leitura da Medida Provisória n° 2.15835, de 2001, art. 14, dada pela IN SRF n° 247, de 2002, art. 47, §2°. A Fundação funciona como um hospital, prestando serviços a particulares e convênios médicos, não atendendo ao Sistema Único de Saúde. De posse de seus livros fiscais, retiramos os valores de sua receita mensal escriturada, com caráter contraprestacional, sendo elas os serviços de clinica medica, os serviços básicos hospitalares, os serviços das unidades de terapia intensiva, os Fl. 541DF CARF MF Impresso em 04/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2012 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 28/08/2012 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 26/07/2012 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10680.017106/200515 Acórdão n.º 310201.326 S3C1T2 Fl. 19 18 serviços de farmácia e medicamentos, laboratório e banco de sangue, fisioterapia, radiologia, outros exames, gasoterapia, serviços profissionais médicos, materiais de farmácia, refeições subsidiadas e cantina, além das receitas financeiras e outras receitas, de acordo com os seus balancetes mensais, chegandose a base de cálculo da Cofins, como demonstra a planilha anexa, RECEITAS DOS ANOS CALENDÁRIO DE 2000,2001 2002 E 2003 (fls. a ). Tal como já foi explicitado nos autos, a Contribuição em epígrafe tem origem na Lei Complementar nº 70, de 30 de dezembro de 1991. No que concerne à sujeição passiva e ao campo de incidência, assim dispunha a norma legal. Art. 1° Sem prejuízo da cobrança das contribuições para o Programa de Integração Social (PIS) e para o Programa de Formação do Patrimônio do Servidor Público (Pasep), fica instituída contribuição social para financiamento da Seguridade Social, nos termos do inciso I do art. 195 da Constituição Federal, devida pelas pessoas jurídicas inclusive as a elas equiparadas pela legislação do imposto de renda, destinadas exclusivamente às despesas com atividadesfins das áreas de saúde, previdência e assistência social. Art. 2° A contribuição de que trata o artigo anterior será de dois por cento e incidirá sobre o faturamento mensal, assim considerado a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviço de qualquer natureza. Parágrafo único. Não integra a receita de que trata este artigo, para efeito de determinação da base de cálculo da contribuição, o valor: a) do imposto sobre produtos industrializados, quando destacado em separado no documento fiscal; b) das vendas canceladas, das devolvidas e dos descontos a qualquer título concedidos incondicionalmente. Na data de ocorrência dos fatos geradores objeto da presente autuação, durante os anos de 2000 a 2003, a legislação que regulamenta a incidência da Contribuição havia sofrido alterações. O inciso X, do artigo 14, da MP 2.158_35/01 previa isenção da Cofins para as receitas decorrentes de atividades próprias das entidades listadas no artigo 13 da mesma MP, nos seguintes termos. Art. 14. Em relação aos fatos geradores ocorridos a partir de 1o de fevereiro de 1999, são isentas da COFINS as receitas: (...) X relativas às atividades próprias das entidades a que se refere o art. 13. Art. 13. A contribuição para o PIS/PASEP será determinada com base na folha de salários, à alíquota de um por cento, pelas seguintes entidades: I templos de qualquer culto; II partidos políticos; III instituições de educação e de assistência social a que se refere o art. 12 da Lei no 9.532, de 10 de dezembro de 1997; IV instituições de caráter filantrópico, recreativo, cultural, científico e as associações, a que se refere o art. 15 da Lei no 9.532, de 1997; V sindicatos, federações e confederações; Fl. 542DF CARF MF Impresso em 04/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2012 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 28/08/2012 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 26/07/2012 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10680.017106/200515 Acórdão n.º 310201.326 S3C1T2 Fl. 20 19 VI serviços sociais autônomos, criados ou autorizados por lei; VII conselhos de fiscalização de profissões regulamentadas; VIII fundações de direito privado e fundações públicas instituídas ou mantidas pelo Poder Público; IX condomínios de proprietários de imóveis residenciais ou comerciais; e X a Organização das Cooperativas Brasileiras OCB e as Organizações Estaduais de Cooperativas previstas no art. 105 e seu § 1o da Lei no 5.764, de 16 de dezembro de 1971. Conforme a Lei, estão isentas da Cofins as fundações de direito privado e as fundações instituídas ou mantidas pelo Poder Público apenas em relação às receitas derivadas de suas atividades próprias. A isenção, portanto, está vinculada, por um lado, à qualidade da pessoa jurídica – fundações de direito privado e fundações públicas instituídas ou mantidas pelo Poder Público, e, por outro, ao enquadramento da receita como sendo própria da entidade. Conforme Dicionário Houaiss da língua portuguesa, a palavra próprio determina alguma coisa característica, inerente, peculiar, típica. Levandose em conta esse conceito, entendo que o juízo a respeito da tipicidade das atividades desenvolvidas por uma fundação deva ser feito, ainda que em caráter apenas introdutório, levandose em consideração as informações presentes em seu estatuto, já que este não só registra a finalidade para a qual a entidade foi instituída, segundo vontade manifesta por seus fundadores, mas também testemunha a condição de interesse social determinada por lei para o gozo do favor isentivo. Com efeito, não vejo outro ponto de partida para análise em tela. O próprio legislador, ao prever a outorga da isenção em epígrafe, fêlo dispondo de maneira pouco específica e nada técnica, exigindo que o aplicador do direito lance mão de conceitos extraídos do cotidiano. Por isso, próprio da pessoa não pode ser outra coisa se não aquilo que, como acima, lhe é característico, inerente, peculiar ou típico. Fosse pessoa física, e estaríamos tratando da própria personalidade de quem se fala, sendo jurídica, tais atributos só podem ser extraídos de seus atos constitutivos. Assim, vejamos as disposições estatutárias da Fundação Ouro Branco. ARTIGO 2º A FUNDAÇÃO, pessoa jurídica de direito privado , sem fins lucrativos, sujeita ao regime administrativo e financeiro estabelecido neste Estatuto, tem por objetivos: I criar, manter e custear serviços de saúde, constituído por hospitais, ambulatórios e correlatas, visando a promover, preservar, recuperar e reabilitar prioritariamente a saúde dos empregados da AÇOMINAS e de seus dependentes; II administrar hospitais, ambulatórios de propriedades de terceiros, e prestar outros serviços, mediante conventos; III criar, manter e administrar estabelecimentos de ensino, de qualquer grau, inclusive superior e técnico, mas prioritariamente o de nível médio profissionalizante. Uma vez que se defende o critério de que de considerese próprio de uma entidade tudo o que se especifique em seus atos constitutivos como tendo constituído motivação para sua criação, pareceme inequívoco que as atividades glosadas pela Fiscalização Federal, listadas no Termo de Verificação Fiscal, devem ser consideradas como próprias da Fl. 543DF CARF MF Impresso em 04/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2012 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 28/08/2012 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 26/07/2012 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10680.017106/200515 Acórdão n.º 310201.326 S3C1T2 Fl. 21 20 Fundação, já que ajustamse à disposição contida na alínea no artigo 2º do Estatuto. Impõese, então, analisar com maior cuidado a justificativa para a exclusão das receitas provenientes desses valores do conceito de atividade própria. A Fiscalização Federal considerou tributáveis todas as receitas que, segundo entendimento veiculado na Instrução Normativa da Secretaria da Receita Federal nº 247/02, não se enquadram no conceito de atividades próprias dessas entidades. Assim dispõe a IN 247/02. Art. 47. As entidades relacionadas no art. 92 desta Instrução Normativa: I — não contribuem para o PIS/Pasep incidente sobre o faturamento; e II — são isentas da Cofins em relação às receitas derivadas de suas atividades próprias. (...) § 2º Consideramse receitas derivadas das atividades próprias somente aquelas decorrentes de contribuições, doações, anuidades ou mensalidades fixadas por lei, assembléia ou estatuto, recebidas de associados ou mantenedores, sem caráter contraprestacional direto, destinadas ao seu custeio e ao desenvolvimento dos seus objetivos sociais." O Termo de Verificação Fiscal lavrado pela Fiscalização, com fulcro no entendimento fixado pela Secretaria da Receita Federal, referese às contas de receita identificadas que, conforme entendimento dos Fiscais Autuantes, deveriam integrar a base de cálculo da Cofins, nos seguintes termos. De posse de seus livros fiscais, retiramos os valores de sua receita mensal escriturada, com caráter contraprestacional, sendo elas os serviços de clinica medica, os serviços básicos hospitalares, os serviços das unidades de terapia intensiva, os serviços de farmácia e medicamentos, laboratório e banco de sangue, fisioterapia, radiologia, outros exames, gasoterapia, serviços profissionais médicos, materiais de farmácia, refeições subsidiadas e cantina, além das receitas financeiras e outras receitas, de acordo com os seus balancetes mensais, chegandose a base de cálculo da Cofins, como demonstra a planilha anexa, RECEITAS DOS ANOS CALENDÁRIO DE 2000,2001 2002 E 2003 (fls. a ). No entender da Secretaria da Receita Federal do Brasil, manifesto por meio da Instrução Normativa nº 247/02, as receitas decorrentes de atividades próprias são somente aquelas (i) originadas de contribuições, doações, anuidades ou mensalidades (ii) fixadas por lei, assembléia ou estatuto, (iii) recebidas de associados ou mantenedores e (iv) sem caráter contraprestacional direto. Esse entendimento determina importante restrição no conceito em tela, na medida em que, ao definir atividades próprias como sendo exclusivamente aquelas decorrentes de contribuições, doações, anuidades ou mensalidades, recebidas de associados ou mantenedores e sem caráter contraprestacional direto, exclui, dentre outras, qualquer receita originada de valores pagos a título de cobrança, já que estas não se constituem em contribuições nem doações, são frequentemente eventuais e quando recolhidas anual ou mensalmente não são pagas por associados, nem por mantenedores, mas pelo público em geral e tem caráter contraprestacional direto. Fl. 544DF CARF MF Impresso em 04/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2012 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 28/08/2012 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 26/07/2012 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10680.017106/200515 Acórdão n.º 310201.326 S3C1T2 Fl. 22 21 No caso concreto, como fica claro do teor do Termo de Verificação Fiscal antes reproduzido, a decisão tomada baseouse exclusivamente no fato de tais atividades terem caráter contraprestacional direto e pelo de fato de a Fundação prestar serviços a particulares e convênios médicos, não atendendo ao Sistema Único de Saúde. Temse, por conseguinte, na interpretação veiculada pela Instrução Normativa da Secretaria da Receita Federal e no procedimento conduzido pela Fiscalização Federal que a receita decorrente da prestação de serviços hospitalares não foi admitida como originada de atividades próprias da Fundação não porque a atividade em si não seja própria da Entidade, mas por ser ela prestada mediante pagamento para o qual há uma contraprestação de serviços correspondentes. Isso remete à conclusão de que uma mesma atividade pode ser considerada própria ou não dependendo exclusivamente de ela ser paga por alguém ou oferecida graciosamente à comunidade. Em outras palavras, a atividade é qualificada como própria ou não dependendo da sua fonte de financiamento. De fato, encontro grande dificuldade em admitir tal distinção. Segundo me parece, se a Fundação foi criada, conforme estatuído, com a finalidade de criar, manter e custear serviços de saúde, (...) visando a promover, preservar, recuperar e reabilitar prioritariamente a saúde dos empregados da AÇOMINAS e de seus dependentes; de que forma a cobrança por este serviço desqualifica a receita? Pareceme que, uma vez que a atividade em si está em harmonia com as disposições estatutárias, seria necessário demonstrar como a cobrança traria como consequência a desqualificação da receita. Como brilhantemente demonstrado pelo i. Relator do Voto Vencido, o elemento determinante na distinção entre uma fundação de uma sociedade empresaria está na finalidade para qual cada uma é constituída. Enquanto à fundação está delimitada finalidade religiosa, moral, cultural ou assistencial, a sociedade empresária destinase à atividade econômica organizada para a produção ou a circulação de bens ou de serviços. Contrariamente, contudo, às conclusões encontradas pelo proeminente Colega, penso que identificase como atividade própria toda aquela que esteja em consonância com a finalidade para qual a Fundação é criada. A cobrança pelo serviço prestado não tem o condão de atribuir ao negócio o status de atividade econômica organizada, essencialmente, por não ter por escopo a atividade econômica propriamente dita e destinarse precipuamente à finalidade assistencial e não à prestação de serviços na acepção empresarial do termo, ainda que o assistencialismo, neste caso, seja promovido por meio de atividade que, no mundo dos negócios, enquadrese no conceito de prestação de serviços. Nestes termos, o artigo 997 do Novo Código Civil estabelece como requisito do contrato firmado para exploração de atividade negocial a cláusula que especifica a participação de cada sócio nos lucros e nas perdas. Art. 997. A sociedade constituise mediante contrato escrito, particular ou público, que, além de cláusulas estipuladas pelas partes, mencionará: (...) VII a participação de cada sócio nos lucros e nas perdas; É da essência da atividade empresarial a finalidade lucrativa na exploração do negócio e o risco decorrente da perda. Em sentido diametralmente oposto encontrase a atividade fundacional, destinada à promoção da crença religiosa, ao fomento à cultura ou, como no caso concreto, à prestação de serviços assistenciais, sem nenhuma expectativa de Fl. 545DF CARF MF Impresso em 04/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2012 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 28/08/2012 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 26/07/2012 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10680.017106/200515 Acórdão n.º 310201.326 S3C1T2 Fl. 23 22 resultado econômico. A cobrança pelos serviços assistenciais, desde que represente receita destinada à manutenção das atividades próprias para as quais a Fundação foi constituída não pode, data máxima vênia, desqualificar a receita, atribuindolhe o conceito de receita decorrente de atividade empresarial. De fato, não é demais acrescentar que, no plano social, não existe nenhum inconveniente de que entidades desta natureza cobrem por parte dos serviços prestados à comunidade, desde que revertam o resultado única e exclusivamente à manutenção e desenvolvimento de seus objetivos sociais. Assim terão melhores condições e maior alcance no atendimento à população alvo e, corolário, na obtenção dos resultados almejados por seus estatutos. Noutro giro, deve ser dito que o conceito pretendido pela Secretaria da Receita Federal para receitas derivadas (como diz a IN. A Lei usa a expressão relativas) de atividades próprias referese a ingressos que sequer podem ser enquadradas como resultado de algum tipo de atividade. Contribuições, doações, anuidades ou mensalidades sem caráter contraprestacional direto, não são receitas decorrentes de atividade, sejam elas próprias ou não, pois não estão a elas vinculadas, mas à Instituição em si. Elas não resultam do exercício de atividade, mas da existência da Fundação, do qual decorre a contribuição pela livre vontade de seus associados ou outras pessoas com interesse em colaborar para manutenção da atividade fundacional. Nesta linha de raciocínio, se as doações e demais receitas excepcionadas no Ato Normativo editado pela Secretaria da Receita Federal o foram por estarem, com dito acima, destinadas à manutenção das atividades para as quais a Fundação foi constituída e existe e, por conseguinte, relacionadas à atividade própria da Fundação, não vejo como desqualificar aquelas decorrentes do pagamento pelos serviços prestados desde que estes, tal como aquelas, também estejam a esse fim destinados e nele sejam aplicados. Por derradeiro, necessário comentar uma vez mais o texto da Lei concessiva, acrescentando que, conforme preconizado no Código Tributário Nacional, a legislação deve ser interpretada literalmente nos casos de outorga de isenção. Art. 111. Interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre: I suspensão ou exclusão do crédito tributário; II outorga de isenção; III dispensa do cumprimento de obrigações tributárias acessórias. Independentemente de quem resta favorecido com a interpretação literal do comando contido no inciso X do artigo 14 da MP 2.158/3501, o fato é que a referência a receitas relativas às atividades próprias das entidades, no plano gramatical, conduz a interpretação de que a concessão alberga, indistintamente, tudo aquilo que lhes é próprio, restando descaracterizadas apenas as receitas não relacionadas às suas atividades para as quais a entidade foi constituída. Seria possível admitir, nesta linha de raciocínio, que as receitas originadas de outras fontes, tais como aplicações financeiras, venda do patrimônio etc, ainda que previstas em estatuto, não se enquadrassem no conceito de atividade própria da entidade, já que resultantes daquilo que, em sociedades empresárias, denominase atividade não operacional, Fl. 546DF CARF MF Impresso em 04/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2012 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 28/08/2012 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 26/07/2012 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10680.017106/200515 Acórdão n.º 310201.326 S3C1T2 Fl. 24 23 ou, aqui, dissociado da atividadefim da entidade. Mais do que isso, não vejo como. Quisesse o legislador isentar apenas as receitas especificadas na Instrução Normativa editada pela Secretaria da Receita Federal e sem dificuldade teriase referido às receitas que não representem cobrança por serviços prestados. Se não o fez, não cabe ao aplicador do direito assim interpretálo, especialmente quando a Lei maior determina a interpretação literal. VOTO POR DAR INTEGRAL provimento ao Recurso Voluntário. Ricardo Paulo Rosa – Relator. Sala das Sessões, em 24 de janeiro de 2012. Fl. 547DF CARF MF Impresso em 04/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2012 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 28/08/2012 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 26/07/2012 por RICARDO PAULO ROSA
score : 1.0
Numero do processo: 15471.001373/2008-94
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 13 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Apr 29 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2006
MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL. EMPRESA INAPTA. SÚMULA CARF N 44.
Descabe a aplicação da multa por falta ou atraso na entrega da Declaração de Ajuste Anual do Imposto de Renda das Pessoas Físicas, quando o sócio ou titular de pessoa jurídica inapta não se enquadre nas demais hipóteses de obrigatoriedade de apresentação dessa declaração.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2801-002.963
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
Assinado digitalmente
Tânia Mara Paschoalin - Presidente na data da formalização da decisão.(Ordem de Serviço n° 01, de 8 de março de 2013)
Assinado digitalmente
Carlos César Quadros Pierre - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antonio de Pádua Athayde Magalhães, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos César Quadros Pierre, Tânia Mara Paschoalin e Ewan Teles Aguiar. Ausente o Conselheiro Sandro Machado dos Reis.
Nome do relator: CARLOS CESAR QUADROS PIERRE
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2006 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL. EMPRESA INAPTA. SÚMULA CARF N 44. Descabe a aplicação da multa por falta ou atraso na entrega da Declaração de Ajuste Anual do Imposto de Renda das Pessoas Físicas, quando o sócio ou titular de pessoa jurídica inapta não se enquadre nas demais hipóteses de obrigatoriedade de apresentação dessa declaração. Recurso Voluntário Provido
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin - Presidente na data da formalização da decisão.(Ordem de Serviço n° 01, de 8 de março de 2013) Assinado digitalmente Carlos César Quadros Pierre - Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antonio de Pádua Athayde Magalhães, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos César Quadros Pierre, Tânia Mara Paschoalin e Ewan Teles Aguiar. Ausente o Conselheiro Sandro Machado dos Reis.
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EMPRESA INAPTA. SÚMULA CARF N 44. Descabe a aplicação da multa por falta ou atraso na entrega da Declaração de Ajuste Anual do Imposto de Renda das Pessoas Físicas, quando o sócio ou titular de pessoa jurídica inapta não se enquadre nas demais hipóteses de obrigatoriedade de apresentação dessa declaração. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Presidente na data da formalização da decisão.(Ordem de Serviço n° 01, de 8 de março de 2013) Assinado digitalmente Carlos César Quadros Pierre Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antonio de Pádua Athayde Magalhães, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos César Quadros Pierre, Tânia Mara Paschoalin e Ewan Teles Aguiar. Ausente o Conselheiro Sandro Machado dos Reis. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 47 1. 00 13 73 /2 00 8- 94 Fl. 41DF CARF MF Impresso em 29/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2013 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 23/ 04/2013 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 25/04/2013 por TANIA MARA PASCHOAL IN Processo nº 15471.001373/200894 Acórdão n.º 2801002.963 S2TE01 Fl. 42 2 Relatório Adoto como relatório aquele utilizado pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, 3ª Turma da DRJ/RJ2 (Fls. 29), na decisão recorrida, que transcrevo abaixo: Tratase de impugnação ao lançamento, que exige multa por atraso na entrega da Declaração de Ajuste Anual do Imposto de Renda Pessoa Física, correspondente ao exercício de 2007, ano calendário 2006. Cientificado(a), o(a) interessado(a) apresentou impugnação, alegando não ser devida a cobrança da multa por atraso na entrega da declaração. Passo adiante, a 3ª Turma da DRJ/RJ2 entendeu por bem julgar a impugnação improcedente, em decisão que restou assim ementada: MULTA DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL ENTREGUE INTEMPESTIVAMENTE. Estando o contribuinte obrigado a efetuar a entrega da declaração do imposto de renda pessoa física, e tendoa feito após o prazo estabelecido na legislação, é devida a multa pelo atraso. Cientificada em 16/06/2011 (Fls. 26), a Recorrente interpôs Pedido de Revisão da impugnação, para a reforma da decisão, em 15/07/2011 (fls. 42 a 45), argumentando em síntese: (...) O relatório e o voto não levam em conta nada do que argumentei na impugnação, às cegas limitandose à frieza e generalidade de um dispositivo legal isolado, omisso em prever casos específicos, diferenciados e/ou circunstanciais, como cita a sra. relatora no antepenúltimo parágrafo do voto. Fiquei surpresa com tamanha unanimidade de voto para cinco pessoas, das quais talvez só a sra. relatora tenha lido meus argumentos de impugnação. Ou talvez nem ela mesmo tenha lido, tal a determinação de aplicar a lei pela lei, sem considerar que a lei precisa se vista e aplicada dentro de contextos, nos quais devem prevalecer os Princípios do Direito, tais como motivação, razoabilidade, proporcionalidade, finalidade etc. À legislação cabe questionamento, porquanto tanto sua aplicação quanto sua transgressão estão sujeitas, de um lado, à diversidade de interpretação e, de outro, à lucidez na visualização de causas e efeitos. Assim não fosse, não teria função o Judiciário. Vide aqui juntada duas jurisprudências do "NÃO CABIMENTO DA MULTA POR ATRASO NA ENTREGA Fl. 42DF CARF MF Impresso em 29/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2013 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 23/ 04/2013 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 25/04/2013 por TANIA MARA PASCHOAL IN Processo nº 15471.001373/200894 Acórdão n.º 2801002.963 S2TE01 Fl. 43 3 DA DIRPF". De certo, muitas mais há e eu poderia acostálas, não fosse o prazo tão exíguo pela vista do processo só conseguida para 12/07/2011. NÃO HOUVE INTEMPESTIVIDADE na minha declaração à Receita, mas divergência no cumprimento da lei. Eu me declarei ISENTA, no prazo para a declaração de isentos, porque assim me enquadrava pelo limite da renda de isenção naquele ano. E, então, pela primeira e única vez, optei por não apresentar a declaração completa. O imposto é arrecadação percentual sobre a renda da pessoa física e a multa, segundo juristas, é acessório moratório da lei, NÃO uma penalidade. O que significa que a multa foi instituída para coibir atrasos de quem tem imposto a pagar. Eu NÃO tive renda nem para a obrigação de declarar o imposto, e a empresa da qual fui sócia estava inativa havia mais de 25 anos. Mais do que IMPERTINENTE, é afrontosa e injusta a multa diante da inexistência de renda e de intempestividade, extemporânea a exigência da DIRPF condicionada apenas à minha pretensa vinculação a uma empresa inexistente em 2006, cujo tempo de inoperância era mais que suficiente para lhe dar caducidade. Tal CNPJ foi baixado em 31/12/2008. Se eu tivesse dinheiro, pagaria a multa indevida, para não ter este novo desgaste da contestação. No entanto, para mim o valor da multa é muito necessário e faz falta para eu pagar itens básicos de uma vida digna. É o Relatório. Voto Conselheiro Carlos César Quadros Pierre, Relator. Conheço do recurso, posto que tempestivo e com condições de admissibilidade. Assiste razão à contribuinte. De acordo com o documento constante na folha 22 dos autos, a empresa DLM PUBLICIDADE LTDA, da qual a contribuinte era sócia e que justificaria a obrigatoriedade de entrega da DIRPF, encontrase inapta desde o ano de 1997. Ocorre que, nos termos da SUMULA CARF 44, de aplicação obrigatória pelos Conselheiros do CARF, não cabe a aplicação da multa por atraso na entrega da DIRPF quando a pessoa jurídica, da qual o contribuinte é sócio, se encontra inapta; in verbis: Fl. 43DF CARF MF Impresso em 29/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2013 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 23/ 04/2013 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 25/04/2013 por TANIA MARA PASCHOAL IN Processo nº 15471.001373/200894 Acórdão n.º 2801002.963 S2TE01 Fl. 44 4 Súmula CARF n° 44: Descabe a aplicação da multa por falta ou atraso na entrega da Declaração de Ajuste Anual do Imposto de Renda das Pessoas Físicas, quando o sócio ou titular de pessoa jurídica inapta não se enquadre nas demais hipóteses de obrigatoriedade de apresentação dessa declaração. Assim, resta que descabida a aplicação da multa de que trata o presente processo. Ante tudo acima exposto e o que mais contam nos autos, voto por dar provimento ao recurso. Assinado digitalmente Carlos César Quadros Pierre Fl. 44DF CARF MF Impresso em 29/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2013 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 23/ 04/2013 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 25/04/2013 por TANIA MARA PASCHOAL IN
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Numero do processo: 10283.900149/2008-81
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 04 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 1999 RECURSO APRESENTADO INTEMPESTIVAMENTE. NÃO CONHECIMENTO DA MATÉRIA DE MÉRITO. O recurso voluntário para ser conhecido deve ser tempestivo, e preencher os requisitos de admissibilidade. A intempestividade prejudica a análise de mérito.
Numero da decisão: 1802-001.301
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NÃO CONHECER do Recurso, por intempestivo, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: MARCIEL EDER COSTA
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NÃO CONHECIMENTO DA MATÉRIA DE MÉRITO. O recurso voluntário para ser conhecido deve ser tempestivo, e preencher os requisitos de admissibilidade. A intempestividade prejudica a análise de mérito. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NÃO CONHECER do Recurso, por intempestivo, nos termos do voto do Relator. (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (documento assinado digitalmente) Marciel Eder Costa Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (presidente da turma), Marciel Eder Costa, Marco Antonio Nunes Castilho, Nelso Kichel, Jose de Oliveira Ferraz Correa e Gustavo Junqueira Carneiro Leao. Fl. 215DF CARF MF Impresso em 06/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2012 por MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 25/07/2012 p or MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 05/08/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 2 Relatório Tratam os presentes autos de não homologação de compensação, em relação a Saldo Negativo de IRPJ, por suposta prescrição do direito de restituição. Neste sentido, para o melhor deslinde dos fatos, colaciono a seguir o relatório proferido pela 1a Turma da DRJ/BEL no Acórdão 0119.999 constante às fls. 109/110: Versa o presente processo sobre PER/DCOMP n° 15630.53610.280104.1.3.025704 (fls.1/5) em que o contribuinte aponta crédito de saldo negativo IRPJ exercício 1999, anocalendário 1998 no valor de R$ 388.220,42 para compensar os seguintes débitos: 1. CSLL, 2484, dez/1999, vencimento 31/01/2000, R$ 128.790,79; 2. IRPJ, 2362, dez/2000, vencimento 31/01/2001, R$ 103.863,56. Ainda segundo consta da DCOMP, o crédito teria sido originado por retenções na fonte sob o código 6800 (aplicações financeiras renda fixa) no valor total pleiteado. Por intermédio do Despacho Decisório de 07/03/2008, n° de rastreamento 749300044 e anexos (fls.6/8), o direito creditório não foi reconhecido pois já estava extinto o direito de utilização do saldo negativo IRPJ anocalendário 1998 em virtude do decurso do prazo de cinco anos entre a data de transmissão do PER/DCOMP e a data de apuração do saldo negativo. Tendo tomado ciência do Despacho decisório em 15/03/2008 (fl.9), o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade em 15/04/2008 (fls. 10/12), assinada pela Sra. Maria Costa Silva, CPF 099.939.08215, conforme cópias de identidade e CPF (Í1/13), alegando em síntese que: 1. A manifestação de inconformidade é tempestiva; 2. Razão não assiste à SRF, isto porque a requerente baseouse no saldo negativo IRPJ anocalendário 1999 oriunda de IRRF sobre aplicações financeiras da requerente dentro do exercício e equivocadamente o sistema analisador da PER/DCOMP utilizou período incorreto 01/01/1998 a 31/12/1998; Fl. 216DF CARF MF Impresso em 06/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2012 por MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 25/07/2012 p or MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 05/08/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10283.900149/200881 Acórdão n.º 180201.301 S1TE02 Fl. 165 3 3. No caso em tela, a empresa constatou o crédito e o compensou dentro do período de 05 (cinco) anos; 4. O crédito do IRPJ foi apurado em 31/12/1999, iniciando nesta data o prazo para restituição e terminando em 31/12/2004. Como a compensação ocorreu em 2004, não houve o decurso de prazo; 5. Requer a modificação do Despacho Decisório que negou o pedido realizado haja vista que o procedimento da compensação através do PER/DCOMP foi tempestivo. O processo foi baixado em diligência através do Despacho n° 83 de 20/04/2010, da 1a Turma da DRJ/BEL (fl.86) por existir vício de representação. E que não constava dos autos cópia autenticada do contrato social para fins de comprovação se a signatária da manifestação de inconformidade possuía poderes para tal. Os documentos juntados procuração e Ata de AGE (fls.30/32) não comprovam o poder de representação. Nesse sentido, o contribuinte foi intimado pela DRFB/Manaus (fl.87) a: 1. Apresentar cópia autenticada do contrato social e alterações. Também poderá ser apresentada cópia simples, desde que acompanhada do original para fins de autenticação; 2. Caso o contrato social não conceda poderes ao signatário para, isoladamente, representar a pessoa jurídica, a manifestação de inconformidade deverá ser aperfeiçoada com a ratificação do Diretor Presidente da empresa. Em resposta, foram juntados os documentos de fls.88 (procuração) e 89/90 (Ata dc AGE) A DRJ/BEL entendendo pela prescrição do direito de restituir e também devido ao substrato probatório decidiu pelo não reconhecimento do direito creditório da Recorrente, expressando suas razões pela seguinte Ementa às fls. 109: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1998 SALDO NEGATIVO. PERÍODO DE APURAÇÃO. FALTA DE COMPROVAÇÃO. COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. Não tendo sido comprovado que o crédito pleiteado refere se ao anocalendário 1999, o direito creditório não merece ser reconhecido. Inexistindo o crédito, a compensação resta nãohomologada. Fl. 217DF CARF MF Impresso em 06/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2012 por MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 25/07/2012 p or MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 05/08/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 4 SALDO NEGATIVO IRPJ. ANO CALENDÁRIO 1998. PRESCRIÇÃO. O prazo para o contribuinte pleitear a restituição ou a utilização de direito creditório em declaração de compensação no caso de saldo negativo IRPJ apuração anual é de cinco anos a partir da apuração, a qual ocorreu em 31 de dezembro do anocalendário. N o caso em tela, o direito creditório está prescrito. Intimada em 09/02/2011, não se pronunciou com relação ao julgado (fls. 113). Às fls. 127, em 23/06/2011, foi lavrado termo de perempção pela DRF/BEL. Intimada a recolher o montante em 13/07/2011 (fls. 123) apresentou espécie de recurso onde requer a revisão, noticiando suposto equívoco nas razões da decisão prolatada quanto ao anocalendário de referência que levou à suscitação de prescrição e também no que tange às provas documentais, que fossem apreciadas, tendo em vista sua inobservância no julgamento anterior. É o relato do essencial. Voto Conselheiro Marciel Eder Costa Verifico às fls. 127, que o presente recurso é intempestivo, dado o termo de perempção lavrado e tendo em vista a Recorrente ter sido intimada da decisão que não reconheceu o direito creditório em 09/02/2011, vindo a apresentar seu recurso somente em 15/08/2011, após ser intimada em 13/07/2011 através de carta de cobrança dos valores. Tendo em vista a intempestividade na apresentação do recurso, requisito essencial para o pleito recursal, não tomo conhecimento do recurso interposto. É como voto. (documento assinado digitalmente) Marciel Eder Costa Relator Fl. 218DF CARF MF Impresso em 06/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2012 por MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 25/07/2012 p or MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 05/08/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10283.900149/200881 Acórdão n.º 180201.301 S1TE02 Fl. 166 5 Fl. 219DF CARF MF Impresso em 06/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2012 por MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 25/07/2012 p or MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 05/08/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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Numero do processo: 13977.000019/2005-83
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 01 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL — COFINS
Ano-calendário: 2004
INCIDÊNCIA NÃO-CUMULATIVA. CONSUMO DE ENERGIA ELÉTRICA.
Tendo sido comprovado o pagamento do valor correspondente ao consumo de energia elétrica no estabelecimento da recorrente, deve ser reconhecido seu direito ao crédito de COFINS correspondente.
Numero da decisão: 3201-000.906
Decisão: ACORDAM os membros da 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário.
Nome do relator: MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA
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ementa_s : CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL — COFINS Ano-calendário: 2004 INCIDÊNCIA NÃO-CUMULATIVA. CONSUMO DE ENERGIA ELÉTRICA. Tendo sido comprovado o pagamento do valor correspondente ao consumo de energia elétrica no estabelecimento da recorrente, deve ser reconhecido seu direito ao crédito de COFINS correspondente.
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Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL — COFINS Anocalendário: 2004 INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA. CONSUMO DE ENERGIA ELÉTRICA. Tendo sido comprovado o pagamento do valor correspondente ao consumo de energia elétrica no estabelecimento da recorrente, deve ser reconhecido seu direito ao crédito de COFINS correspondente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário. MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Presidente. Error! Reference source not found. Relator. EDITADO EM: 22/03/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano D'Amorim, Luis Eduardo Garrossino Barbieri, Daniel Mariz Gudino e Luciano Lopes de Almeida Moraes. Esteve presente a Procuradora da Fazenda Nacional. Fl. 762DF CARF MF Impresso em 03/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2012 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 22/03/ 2012 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VA LADAO 2 Relatório Adoto o relatório da decisão de primeira instância por entender que o mesmo resume bem os fatos dos autos até aquele momento processual: Trata o presente processo de "Pedido de Ressarcimento" de créditos da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins, relativo ao quarto trimestre de 2004, no valor de R$ 208.940,37, pelo qual a interessada acima identificada foi intimada a proceder As demonstrações relativas ao seu direito creditório. Com base na análise da documentação apresentada pela interessada, além das informações obtidas por meio de consultas aos sistemas da Receita Federal do Brasil (RFB), foram efetuadas glosas de parte dos créditos requeridos no Dacon, conforme exposto a seguir, em breve síntese: 1. Glosas de Bens utilizados como insumos: Antes de discriminar quais os valores glosados a esse titulo, a autoridade fiscalizadora apresenta uma planilha comparativa entre os valores dos dados disponibilizados na memória de cálculo utilizada para a obtenção dos valores informados na linha 02 da ficha 06 do Dacon e o arquivo digital contendo dados do LRE, ambos com a discriminação por CFOP. No cotejo dessa informações, foram verificadas pequenas discrepâncias associadas às linhas correspondentes aos CFOP que as compõem. Conforme o método de análise comparativa abordado no relatório (por CFOP), para fins de chegar ao "valor máximo admissível" para a linha 02 do Dacon, a cada mês, foram utilizados os seguintes parâmetros: conforme os respectivos CFOP os valores são "ajustados" de acordo com os valores obtidos no LRE, quando estes apresentam valor menor do que o verificado na memória de cálculo; os valores são "validados", conforme memória de cálculo, quando esta apresenta valor igual ou menor do que o verificado no LRE (por CFOP). Comparando os valores máximos admissíveis com os informados na referida linha do Dacon, efetuouse a glosa pela diferença nos meses em que o Dacon apresentou valor superior ao máximo admissível, já consideradas as glosas devidas a outros fatores, conforme abaixo discriminadas: 1.1. Glosas de fretes: Consta que foram computados indevidamente créditos relativos a fretes em operações de saída ou de entrada para reparos, de amostras grátis, brindes, para devoluções de vendas, aquisições não enquadradas como insumos, mercadorias para demonstração e exposição. Também foram computados fretes em outras operações de saída que não se constituíam em vendas e em operações envolvendo o Ativo Imobilizado. Desta forma, foram glosados muitos dos valores relativos aos CFOP 1.352 e 2.352, em todos os meses do trimestre em questão. 1.2. Glosa correspondente à diferença entre o LRE e a Memória de Cálculo: Conforme os motivos explanados no inicio desse item, foram glosadas as diferenças entre os valores do LRE e a Memória de Cálculo, relativo ao CFOP 1.556 (todos os meses do trimestre) e ao CFOP 1.949 (mês de dezembro). 1.3. Da totalização das glosas de bens utilizados como insumos: Neste item, a autoridade fiscalizadora expõe a planilha com os valores declarados no Dacon no comparativo com a Base de Cálculo foi ajustada após as glosas acima descritas, pelo qual se verifica o total glosado a cada mês. 2.Glosas de despesas indevidamente computadas como energia elétrica, relativa a uma despesa de R$ 32.285,29 computada sem que se apresentasse a Fl. 763DF CARF MF Impresso em 03/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2012 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 22/03/ 2012 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VA LADAO Processo nº 13977.000019/200583 Acórdão n.º 320100.906 S3C2T1 Fl. 303 3 correspondente nota fiscal (outubro) e a contribuição para o Custeio do Serviço de Iluminação Pública — Cosip (todos os meses do trimestre); 3.Glosas relativas aos encargos de depreciação, devidos a vários bens que, embora constem do Ativo Imobilizado, não são utilizados na produção dos bens destinados à venda ou na prestação de serviços, a teor da legislação relativa ao regime nãocumulativo; 4.Glosa de créditos presumidos relativo ao estoque de abertura, visto a impropriedade do computo de valores relativos a materiais de consumo para fins de apuração do estoque a servir de base de cálculo do crédito presumido. Sob o título "Cálculo Final", ha referências ao Anexo I do relatório de auditoria fiscal onde constam as demonstrações dos cálculos dos valores deferidos, com a determinação das novas bases de cálculo e a reescrita do aproveitamento dos créditos apurados em cada mês. Com base no relatório sucintamente descrito acima, é emitido o Despacho Decisório, onde é reconhecido o direito creditório no valor de R$ 198.456,56, a titulo de mercado externo, com a ressalva de que a homologação de Declarações de Compensações, caso existam,e o ressarcimento em dinheiro, caso haja saldo remanescente, somente podem ser realizados até o limite do valor reconhecido a titulo de mercado externo, observandose as condições estabelecidas pela IN RFB n°. 900/08. A contribuinte apresenta a manifestação de inconformidade, pela qual alega ser legitimo todo o crédito expurgado, pautado no principio da nãocumulatividade e na legislação ordinária. Na seqüência, sob o titulo "Do Direito", no tópico intitulado "o direito ao crédito é amplo e irrestrito", a interessada expõe o seu entendimento sobre o amplo e irrestrito direito ao crédito, remetendo aos princípios constitucionais e às ponderações doutrinárias de alguns tributaristas, dentre outros argumentos, para alegar que, na sistemática da incidência nãocumulativa, a regra é que o tributo incidente na etapa anterior seja sempre aproveitado pelo contribuinte na etapa subseqüente e que a vedação ao crédito, por qualquer motivo que seja, é exceção A regra geral, não podendo prevalecer caso não esteja constitucionalmente autorizada. Sustenta, em síntese, que o padrão constitucional do regime jurídico da não cumulatividade do ICMS e do IPI aplicase também à Cofins e ao PIS. Tece, ainda, algumas considerações acerca da EC n°. 42/2003. Sustenta que todas as mercadorias, insumos, custos e demais despesas que concorram para a obtenção das receitas tributáveis devem gerar direito a crédito, sob pena de não se estar tributando apenas o valor agregado ou adicionado na operação pelo contribuinte, impedindose a implementação da nãocumulatividade tributária em toda a sua plenitude e extensão. Sob o item IV, o qual trata das glosas de fretes, despesas financeiras de empréstimos e financiamentos, encargos de depreciação e materiais de uso e consumo, a contribuinte alega que, como consequência do exposto no item anterior, não se fazem necessárias maiores considerações para estas glosas, pois o direito ao crédito é amplo e irrestrito, de sorte que as glosas em virtude de restrições impostas pela legislação ordinária não podem prevalecer. No item "V" da manifestação, a manifestante insurgese contra a glosa relativa a uma despesa de R$ 32.285,29 de energia elétrica, computada sem que se apresentasse a correspondente nota fiscal (outubro), alegando que a fatura se refere ao mês de setembro (3°. Trimestre), que acabou chegando em atraso, somente sendo possível a sua escrituração e pagamento no mês de outubro, ou seja, em um único mês escriturou duas faturas de energia elétrica, em estrita observância aos princípios contábeis inerentes it espécie. Como comprovante da Fl. 764DF CARF MF Impresso em 03/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2012 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 22/03/ 2012 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VA LADAO 4 lisura do crédito, argumenta que, no despacho decisório relativo ao 3°. Trimestre de 2004, não foi lançada a energia elétrica objeto do presente pedido. No item "VI", aborda a "Diferença entre LRE e a memória de cálculo", para destacar que esta diferença decorre de combustíveis utilizados na atividade produtiva da empresa, não escriturados no livro registro de entradas, os quais são indispensáveis à atividade produtiva da empresa, gerando o crédito correlato. Por fim, requer que seja regularmente processada a manifestação de inconformidade para que se reconheça o direito pleiteado em sua integralidade, que se homologue as compensações nesta mesma proporção, e que se cancele por completo os "débitos" imputados é empresa. A decisão recorrida recebeu de seus julgadores a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL — COFINS Anocalendário: 2004 INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA. INSUMOS. Para efeito da nãocumulatividade das contribuições, há de se entender o conceito de insumo não de forma genérica, atrelandoo à necessidade na fabricação do produto e na consecução de sua atividadefim (conceito econômico), mas adstrito ao que determina a legislação tributária (conceito jurídico), vinculando a caracterização do insumo A sua aplicação direta ao produto em fabricação. INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA. CONSUMO DE ENERGIA ELÉTRICA. Não geram direito aos créditos as contribuições municipais relacionadas aos serviços de fornecimento de iluminação, mas apenas os valores atribuídos à energia elétrica consumida nos estabelecimentos da pessoa jurídica, conforme literalmente disposto na legislação. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2004 PEDIDOS DE RESTITUIÇÃO, COMPENSAÇÃO OU RESSARCIMENTO. COMPROVAÇÃO DA EXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITORIO. ÔNUS DA PROVA A CARGO DO CONTRIBUINTE No âmbito especifico dos pedidos de restituição, compensação ou ressarcimento, é ônus do contribuinte/pleiteante a comprovação minudente da existência do direito creditório. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido O contribuinte, restando inconformado com a decisão de primeira instância, apresentou recurso voluntário no qual ratifica e reforça os argumentos trazidos em sua peça de impugnação. Os autos foram enviados a este Conselho e fui designado como relator do presente recurso voluntário, na forma regimental, tendo requisitado a sua inclusão em pauta para julgamento. É o Relatório. Fl. 765DF CARF MF Impresso em 03/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2012 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 22/03/ 2012 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VA LADAO Processo nº 13977.000019/200583 Acórdão n.º 320100.906 S3C2T1 Fl. 304 5 Voto Conselheiro Marcelo Ribeiro Nogueira Entendo que o recurso voluntário é tempestivo e atende aos requisitos legais, portanto, dele tomo conhecimento. A contribuição ao PIS e a COFINS não incidem unicamente sobre produtos industrializados, nem só sobre a venda de mercadorias, também não incide sobre todos os ingressos de recursos no patrimônio da empresa, estas contribuições incidem sobre somente sobre os ingressos que devam ser qualificados como integrantes da receita bruta, ou melhor, da receita bruta oriunda da venda de mercadorias, de serviços e da combinação destes. Assim, é da lógica do sistema tributário nacional que a não cumulatividade destas contribuições esteja intimamente ligada aos custos e despesas incorridos pelo contribuinte para o desenvolvimento regular de sua empresa, ou seja, se relacione diretamente com as necessidades existentes para a geração desta mesma receita bruta. Ademais, é importante frisar que a não cumulatividade pensada para a contribuição ao PIS e a COFINS não está fundada no Princípio da Neutralidade Tributária, que estabelece que a tributação deve ser otimizada de forma a interferir o mínimo possível na economia, permitindo assim a livre concorrência, e que é fundamentalmente o Princípio Constitucional que justifica a adoção da não cumulatividade no IPI e no ICMS. Este afastamento do Princípio da Neutralidade, que está presente também no presente caso, mas de forma subsidiária, se nota com clareza quando se verifica a possibilidade de creditamento mesmo quando as operações anteriores não estavam sujeitas à não cumulatividade e, portanto, geraram um recolhimento aos cofres públicos em alíquotas inferiores às praticadas por aquele que aproveita o crédito. Esta realidade da não cumulatividade da contribuição ao PIS e da COFINS gera uma consequência imediata de perda de arrecadação setorial, criando uma distorção na livre concorrência e permitindo que certos setores tenham uma vantagem competitiva (com a redução de seus custos fiscais). Estes são os motivos pelos quais os conceitos de insumos do IPI e do ICMS são insuficientes para uma aplicação direta e imediata no caso em exame, já que a incidência destas contribuições não se limita à receitas de vendas de mercadorias ou produtos industrializados e aqueles conceito buscam atender ao princípio da neutralidade da tributação. Logo, devese aplicar a analogia para buscar a melhor forma de integrar este novo conceito abstrato e hipotético. A analogia surge, na esfera tributária, como regra de integração, prevista no artigo 108 do CTN: Art. 108. Na ausência de disposição expressa, a autoridade competente para aplicar a legislação tributária utilizará sucessivamente, na ordem indicada: I a analogia; II os princípios gerais de direito tributário; III os princípios gerais de direito público; Fl. 766DF CARF MF Impresso em 03/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2012 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 22/03/ 2012 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VA LADAO 6 IV a eqüidade É a regra preferencial e, portanto, aplicase ao fato jurídico, por meio da analogia, uma norma legal que regula uma situação semelhante, sempre que não exista uma norma imediata e expressamente aplicável ao fato em questão. Alguns buscam a aproximação do conceito de crédito para o PIS/COFINS com os conceitos de custo e despesa dedutível para o Imposto de Renda e a contribuição social sobre o lucro. O argumento é sedutor, pois o lucro é parcela da receita bruta, portanto, a proximidade dos conceitos parece tornar esta analogia mais consistente. Contudo, não estou convencido disto, seja porque o Imposto de Renda onera a todas as pessoas jurídicas sem considerar suas especificidades e/ou as diferenças setoriais, seja porque não há como, para interpretar novas normas jurídicas, se buscar igualar tributos que têm naturezas claramente distintas, e por fim, seja porque tanto o "custo", quanto a "despesa dedutível" são elementos essenciais para a definição e distinção de renda e lucro, mas não o são para faturamento ou receita bruta. Não estou afastando esta possibilidade de aplicação analógica dos conceitos neste caso, por entender que estes são demasiadamente elastecidos ou por qualquer justificativa econômica, mas simplesmente por entender que a analogia é descabida neste caso. Aponto ainda, para melhor esclarecer meus pares sobre minha posição pessoal sobre a matéria, que entendo que o conteúdo dos parágrafos 7º e 8º do artigo 3º das Lei nº 10.637/02 e 10.833/03 (cujos textos são idênticos), não me conduz à conclusão de que houve uma opção legislativa para ampliar a base de cálculo dos créditos àqueles "custos, despesas e encargos vinculados a essas receitas". É o seguinte o texto legal: Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: § 7º Na hipótese de a pessoa jurídica sujeitarse à incidência nãocumulativa da COFINS, em relação apenas à parte de suas receitas, o crédito será apurado, exclusivamente, em relação aos custos, despesas e encargos vinculados a essas receitas. § 8º Observadas as normas a serem editadas pela Secretaria da Receita Federal, no caso de custos, despesas e encargos vinculados às receitas referidas no § 7º e àquelas submetidas ao regime de incidência cumulativa dessa contribuição, o crédito será determinado, a critério da pessoa jurídica, pelo método de: I apropriação direta, inclusive em relação aos custos, por meio de sistema de contabilidade de custos integrada e coordenada com a escrituração; ou II rateio proporcional, aplicandose aos custos, despesas e encargos comuns a relação percentual existente entre a receita bruta sujeita à incidência não cumulativa e a receita bruta total, auferidas em cada mês. (grifos acrescidos por este relator) Isto porque entendo que há presunção legal de que o parágrafo não deve ampliar o conceito descrito no caput, mas somente complementálo ou definir exceções, na forma do disposto na alínea "c" do inciso III do artigo 11 da Lei Complementar nº 95/98. Fl. 767DF CARF MF Impresso em 03/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2012 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 22/03/ 2012 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VA LADAO Processo nº 13977.000019/200583 Acórdão n.º 320100.906 S3C2T1 Fl. 305 7 Admitir que os mencionados parágrafos 7º e 8º ampliam, e verdadeiramente generalizam, a base de cálculo para os créditos, quando o artigo no qual estes comandos estão inseridos cuida exclusivamente da especificação dos dispêndios sobre os quais deverão ser calculados tais créditos, seria admitir uma contradição dentro do próprio dispositivo normativo, o que não me parece aceitável. Portanto, opto por me filiar à corrente daqueles que entendem que o conceito autorizativo do crédito do PIS e da COFINS está na "inerência do dispêndio pago". Acresço, logo, o adjetivo "pago" ao clássico conceito do Prof. Marco Aurélio Grego, pois entendo que assim como a receita tributável deve ser somente aquela efetivamente recebida pelo contribuinte, o crédito, para efeito de cálculo do tributo devido, também somente deve surgir após o devido pagamento do dispêndio. No que se refere à inerência do dispêndio, entendo que devamos seguir a orientação da Suprema Corte, que em repetidos julgados, tem decidido que: a Constituição de 1988 não assegurou direito à adoção do modelo de crédito financeiro para fazer valer a não cumulatividade do ICMS, em toda e qualquer hipótese. (...) Assim, a adoção de modelo semelhante ao do crédito financeiro depende de expressa previsão Constitucional ou legal, existente para algumas hipóteses e com limitações na legislação brasileira.” (RE 447.470AgR, Rel. Min. Joaquim Barbosa, julgamento em 1492010, Segunda Turma, DJE de 8 102010.) Vide: RE 313.019AgR, Rel. Min. Ayres Britto, julgamento em 178 2010, Segunda Turma, DJE de 1792010; RE 598.460AgR, Rel. Min. Eros Grau, julgamento em 2362009, Segunda Turma, DJE de 782009; AI 445.278 AgR, Rel. Min. Celso de Mello, julgamento em 1842006, Primeira Turma, DJ de 3062006. Ou melhor, a inerência do dispêndio está limitada ao crédito físico, logo, somente dará direito a crédito o dispêndio pago que se refira a bem ou serviço que integre a venda de mercadorias, a prestação de serviços ou a combinação destes, sendo também possível, desde expressamente autorizado por lei, o crédito financeiro. Dentre aquelas hipóteses previstas nas Lei nº 10.637/02 e 10.833/03, nos seus artigos terceiro, entendo que os incisos I e II cuidam de créditos físicos, contudo, os demais incisos tratam de créditos claramente financeiros. São eles: Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos nos incisos III e IV do § 3o do art. 1o; II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes; I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) Fl. 768DF CARF MF Impresso em 03/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2012 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 22/03/ 2012 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VA LADAO 8 a) nos incisos III e IV do § 3o do art. 1o desta Lei; e (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004)(Vide Medida Provisória nº 413, de 2008) (Vide Lei nº 11.727, de 2008). b) no § 1o do art. 2o desta Lei; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) b) nos §§ 1o e 1oA do art. 2o desta Lei; (Redação dada pela lei nº 11.787, de 2008) II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da Tipi; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) III energia elétrica consumida nos estabelecimentos da pessoa jurídica; III energia elétrica e energia térmica, inclusive sob a forma de vapor, consumidas nos estabelecimentos da pessoa jurídica; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) IV aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa; V despesas financeiras decorrentes de empréstimos, financiamentos e o valor das contraprestações de operações de arrendamento mercantil de pessoa jurídica, exceto de optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES; V valor das contraprestações de operações de arrendamento mercantil de pessoa jurídica, exceto de optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) VI máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado adquiridos para utilização na produção de bens destinados à venda, ou na prestação de serviços; VI máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros, ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços; (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) VII edificações e benfeitorias em imóveis próprios ou de terceiros, utilizados nas atividades da empresa; VIII bens recebidos em devolução cuja receita de venda tenha integrado faturamento do mês ou de mês anterior, e tributada conforme o disposto nesta Lei; IX armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor. X valetransporte, valerefeição ou valealimentação, fardamento ou uniforme fornecidos aos empregados por pessoa jurídica que explore as atividades de prestação de serviços de limpeza, conservação e manutenção. (Incluído pela Lei nº 11.898, de 2009) Fl. 769DF CARF MF Impresso em 03/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2012 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 22/03/ 2012 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VA LADAO Processo nº 13977.000019/200583 Acórdão n.º 320100.906 S3C2T1 Fl. 306 9 Por fim, para encerrar a contextualização dos conceitos sobre os créditos de PIS e COFINS, aponto que entendo que a inerência do dispêndio permite, que para o enquadramento de determinado bem ou serviço, no disposto nos incisos I e II do artigo 3º das leis que regem a matéria, seja considerada a essencialidade destes. Os críticos contestam esta possibilidade de aceitação da prova da essencialidade para a caracterização do insumo por entenderem que tal conceito de essencialidade é subjetivo e, portanto, sujeito a variações que afetam a segurança jurídica do sistema tributário. Aprecio este risco, entretanto, creio que a aplicação da regra do artigo 333, I do CPC ao Procedimento Administrativo Tributário, que exige que o fato constitutivo do direito deva ser provado pela parte interessada, mitiga tal risco. Acrescentese a isto que negar validade mínima a um princípio, mesmo um princípio subsidiário, como é o caso do Princípio da Neutralidade na não cumulatividade da contribuição ao PIS e da COFINS é negar o direito. Logo, a eventual insegurança gerada pela subjetividade momentânea do conceito de essencialidade não me parece justificar sua negação. Destarte, são dois os elementos de prova suficientes, no entende deste relator, para o enquadramento do bem ou serviço como insumo, (i) sua aplicação direta no processo produtivo, de venda, de serviço ou qualquer combinação destes; ou (ii) a essencialidade deste para processo produtivo, de venda, de serviço ou qualquer combinação destes. Ainda neste mérito, consigno que entendo ser válida a limitação infraconstitucional ao direito de crédito na sistemática da não cumulatividade da contribuição ao PIS e da COFINS, porque não há na Carta Magna uma garantia plena à não cumulatividade ou sequer um determinado e fixo modelo conceitual hipotético de não cumulatividade, portanto o legislador infraconstitucional tem autonomia para moldar este modelo, além disso o § 12 do artigo 195 da Constituição Federal permite à lei a exclusão de setores inteiros da sistemática da não cumulatividade, o que demonstra que a Carta Magna optou por não erigir a não cumulatividade ao patamar de direito universalmente garantido. Postas estas breves considerações iniciais, passo ao exame dos fatos específicos do recurso voluntário em análise. O recurso voluntário cuida diversos pontos da decisão recorrida, a saber: (1) fretes; (2) despesas financeiras de empréstimos e financiamentos; (3) energia elétrica; (4) encargos de depreciação; e (5) materiais de uso e consumo. Quanto aos créditos relativos aos fretes, não restou provado que os insumos estavam relacionados com a operação de venda, sendo certo que o despacho decisório já reconheceu como válidos os fretes de venda e de aquisição dos insumos utilizados na produção para venda, portanto, não há como reconhecer o crédito correspondente. No que diz respeito às despesas financeiras de empréstimos e financiamentos, e aos materiais de uso e consumo, registro que não há no Relatório de Auditoria Fiscal de fls. Fl. 770DF CARF MF Impresso em 03/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2012 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 22/03/ 2012 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VA LADAO 10 629/669 ou no Despacho Decisório de fls. 671 qualquer referência a glosa de insumos desta natureza. Somese a isto que tanto a manifestação de inconformidade, quanto o recurso voluntário somente fazem referências genéricas a estas glosas, sem apresentar qualquer elemento de prova de essencialidade ou aplicação direta no processo produtivo da recorrente ou mesmo especificar razões para sua reversão. Com relação à glosa da energia elétrica, entendo que tem razão a recorrente, pois a glosa somente ocorre por postergação, ou melhor, atraso no pagamento daquele valor, tendo a autoridade fiscal entendido que tal circunstância impede seu aproveitamento. O argumento trazido na decisão recorrida não encontra embasamento legal para manutenção da glosa. Diz a decisão recorrida: A autoridade fiscalizadora não poderia acatar o valor do pagamento para o mês 10/2004 em mês diferente daquele em que foi consumido este insumo nos estabelecimentos da empresa. No caso em concreto, para ter direito a esse crédito, a despesa há que ser associada ao mês de consumo, conforme fatura, o que poderia ter ocorrido com a devida retificação do Dacon do respectivo mês, qual seja, setembro de 2004. Destarte, não há como acatar as razões da interessada. (grifos acrescidos por este relator) O despacho decisório não havia aceitado tal crédito por não apresentação da necessária documentação comprobatória (fls. 658), contudo, tendo esta sido apresentada pela recorrente em sua manifestação de inconformidade, não há porque negar o direito pleiteado. Quanto aos encargos de depreciação, observo que o parágrafo primeiro do artigo 3º das Leis nº 10.637/02 e 10.833/03 estabelece que: § 1o Observado o disposto no § 15 deste artigo, o crédito será determinado mediante a aplicação da alíquota prevista no caput do art. 2o desta Lei sobre o valor: I dos itens mencionados nos incisos I e II do caput, adquiridos no mês; II dos itens mencionados nos incisos III a V e IX do caput, incorridos no mês; III dos encargos de depreciação e amortização dos bens mencionados nos incisos VI e VII do caput, incorridos no mês; IV dos bens mencionados no inciso VIII do caput, devolvidos no mês. Vale ressaltar, como bem apontou a decisão recorrida, que o artigo 31 da Lei n° 10.865 de 30 de abril de 2004 vedou, a partir de 1° de agosto de 2004, o desconto de créditos oriundos de encargos de depreciação de máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos após 1° de maio de 2004, verbis: Fl. 771DF CARF MF Impresso em 03/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2012 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 22/03/ 2012 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VA LADAO Processo nº 13977.000019/200583 Acórdão n.º 320100.906 S3C2T1 Fl. 307 11 Art. 31. É vedado, a partir do último dia do terceiro mês subseqüente ao da publicação desta Lei, o desconto de créditos apurados na forma do inciso III do § 1° do art. 3° das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, relativos depreciação ou amortização de bens e direitos de ativos imobilizados adquiridos até 30 de abril de 2004. § I° Poderão ser aproveitados os créditos referidos no inciso III do § 1° do art. 3° das Leis ns. 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003. apurados sobre a depreciação ou amortização de bens e direitos de ativo imobilizado adquiridos a partir de 1° de maio. § 2º O direito ao desconto de créditos de que trata o § 1° deste artigo não se aplica ao valor decorrente da reavaliação de bens e direitos do ativo permanente. § 3° É também vedado, a partir da data a que se refere o caput, o crédito relativo a aluguel e contraprestação de arrendamento mercantil de bens que já tenham integrado o patrimônio da pessoa jurídica. Assim, os encargos de depreciação computados na base de cálculo do crédito da contribuição devem se referir a bens do ativo imobilizado adquiridos para utilização na produção de bens destinados à venda, ou na prestação de serviços ou que seja essencial as estas e, a partir de 1° de agosto de 2004, terem sido adquiridos após de 1° de maio de 2004, observados os limites impostos pelos parágrafos 2º e 3º acima transcritos. Observo que a decisão de primeira instância ao analisar a questão procedeu dentro destes mesmos parâmetros, portanto, não há como dar provimento ao pedido formulado no recurso voluntário. Portanto, VOTO por conhecer do recurso para darlhe provimento parcial somente para reconhecer o direito de crédito da recorrente ao valor pago a título de energia elétrica no período de outubro de 2004. MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA relator Fl. 772DF CARF MF Impresso em 03/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2012 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 22/03/ 2012 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VA LADAO
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Numero do processo: 11030.002176/2002-35
Turma: PLENO DA CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: Pleno
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Dec 07 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IRPJ e CSLL Ano-calendário: 1997 Ementa: LANÇAMENTO. HOMOLOGAÇÃO. DECADÊNCIA. Nas exações cujo lançamento se faz por homologação, havendo pagamento antecipado, conta- se o prazo decadencial a partir da ocorrência do fato gerador (art. 150, § 4% do CTN), que é de cinco anos. Somente quando não há pagamento antecipado, ou há prova de fraude, dolo ou simulação, é que se aplica o disposto no art. 173, I, do CTN.
Numero da decisão: 9900-000.282
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
Nome do relator: FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JUNIOR
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HOMOLOGAÇÃO. DECADÊNCIA. Nas exações cujo lançamento se faz por homologação, havendo pagamento antecipado, conta se o prazo decadencial a partir da ocorrência do fato gerador (art. 150, § 4% do CTN), que é de cinco anos. Somente quando não há pagamento antecipado, ou há prova de fraude, dolo ou simulação, é que se aplica o disposto no art. 173, I, do CTN. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Fl. 310DF CARF MF Impresso em 22/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2012 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/12/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 28/02/2012 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JUNIOR 2 OTACÍLIO DANTAS CARTAXO Presidente. (Assinado digitalmente) RELATOR – FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JÚNIOR (Assinado digitalmente) EDITADO EM: 01/02/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacilio Dantas Cartaxo (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez, Francisco Mauricio Rabelo de Albuquerque Silva, Claudemir Rodrigues Malaquias, Nanci Gama, Susy Gomes Hoffmann, Marcelo Oliveira, Karem Jureidini Dias, Fabiola Cassiano Keramidas, Marcos Aurelio Pereira Valadao, Julio Cesar Alves Ramos, João Carlos de Lima Junior, Jose Ricardo da Silva, Alberto Pinto Souza Junior, Francisco Assis de Oliveira Junior, Manoel Coelho Arruda Junior, Rycardo Henrique Magalhaes de Oliveira, Valmar Fonseca de Menezes, Jorge Celso Freire da Silva, Elias Sampaio Freire, Valmir Sandri, Henrique Pinheiro Torres, Rodrigo Cardozo Miranda, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rodrigo da Costa Possas, Valdete Aparecida Marinheiro. Relatório Tratase de Auto de Infração referente a IRPJ sobre o lucro real e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, ano calendário 1997, decorrentes do lançamento do IRPJ. O contribuinte deixou de adicionar ao lucro líquido do período base do mês de junho de 1996, para determinação do lucro real, valores relativos a reserva de reavaliação de bens do seu ativo permanente, sem observar os requisitos legais. Além disso, apesar de optante pela realização favorecida do lucro inflacionário acumulado não efetuou a realização mínima obrigatória de 10% no ano de 1997 ou 2,5% ao trimestre, tendo em vista a apuração trimestral do resultado. Considerando que o saldo de lucro inflacionário acumulado era em 31/12/1996 de R$ 3.777.218,94, a fiscalizada deixou de realizar R$ 94.430,47 por trimestre, correspondente a 10% ao ano ou 2,5% ao trimestre, sobre o saldo acumulado. A Primeira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, negou provimento ao recurso especial interposto pela Fazenda Nacional, fls. 237/250, mantendo a decisão da Sétima Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes (fls. 176/185), tendo sido acolhida a preliminar de decadência mediante aplicação do prazo previsto pelo § 4º do art. 150 do CTN, exarando o Acórdão de nº 0105.984, de 12/08/2008. Eis a ementa do acórdão recorrido: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL EXERCÍCIO: 1998 Fl. 311DF CARF MF Impresso em 22/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2012 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/12/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 28/02/2012 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JUNIOR Processo nº 11030.002176/200235 Acórdão n.º 920000282 CSRFPL Fl. 2 3 DECADÊNCIA A contribuição social sobre o lucro líquido tem natureza de tributo e sujeitase à modalidade de apuração por homologação. a ausência ou insuficiência de recolhimento não desnatura o lançamento, pois o que se homologa é a atividade exercida pelo sujeito passivo, da qual pode resultar ou não crédito tributário devido. em razão da sua natureza e modalidade originária de apuração, para a csll aplicase a regra decadencial prevista no artigo 150, § 4º do Código Tributário Nacional. Deve, ainda, ser observada a súmula vinculante nº 08, editada pelo Supremo Tribunal Federal em 12.06.08, restando impossível a aplicação do prazo previsto no artigo 45 da lei na" 8.212/91, RECURSO ESPECIAL NEGADO. O artigo 9º do Regimento Interno da Câmara Superior aprovado pela Portaria MF nº 147, de 2007, já revogado, trazia a previsão de seria possível interposição de recurso extraordinário ao Conselho Pleno no tocante a decisões de Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais que dessem à lei tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra turma ou o Pleno da Câmara Superior de Recursos Fiscais. Com fulcro nesse dispositivo, a Fazenda Nacional interpôs recurso extraordinário, fls. 646/651, pleiteando a reforma do acórdão proferido pela Primeira Turma, com objetivo de ver aplicado o prazo decadencial cuja contagem tem início no primeiro dia do exercício seguinte ao que o lançamento poderia ter sido efetuado com fundamento no inciso I do art. 173 do CTN, indicando como divergência necessária à interposição do recurso, a recorrente a decisão exarada no Acórdão CSRF/0202.1308, de 12/05/2003, juntado aos autos. Insta registrar que a matéria devolvida a este Pleno referese tão somente à decadência aplicável à Contribuição Social sobre o Lucro até a competência 09/1997. Além disso importa manifestar que o lançamento da CSLL é decorrente de alterações promovidas na apuração do Imposto de Renda Pessoa Jurídica, que acarretaram redução no lucro líquido. Eis a ementa: Assunto : Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL Exercício: 199S DECADÊNCIA A Contribuição Social sobre o Lucro Líquido tem natureza de tributo e sujeitase à modalidade de apuração por homologação . A ausência ou insuficiência de recolhimento nã o desnatura o lançamento, pois o que se homologa é a atividade exercida pelo sujeito passivo, da qual pode resultar ou não crédito tributário devido. E m razão da sua natureza e modalidade originária de apuração, para a CSLL aplicase a regra decadencial prevista no artigo 150, § 4° do Código Tributário Nacional. Deve, ainda, ser observada a Súmula Vinculante n° 08, editada pelo Suprem o Tribunal Federal em 12.06.08, restando impossível a aplicação do prazo previsto no artigo 45 da Lei n° 8.212/91. Recurso especial negado . Às fls. 268 encontrase despacho do Presidente da CSRF dando seguimento ao recurso extraordinário. O contribuinte apresentou suas contrarrazões, pugnando, primeiramente, pelo não conhecimento do recurso tendo em vista a preclusão da matéria haja vista no recurso Fl. 312DF CARF MF Impresso em 22/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2012 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/12/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 28/02/2012 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JUNIOR 4 especial a Fazenda Nacional ter defendido tão somente a constitucionalidade do art. 45 da Lei nº 8.212, de 1991. No mérito, em apertada síntese, o lançamento em debate referese a Contribuição Social Sobre o Lucro Líquido CSLL, até junho de 1997. A ciência do lançamento somente ocorreu em 04/12/2002, ou seja, já transcorrido mais de cinco anos da data do fato gerador. Dessa forma, totalmente inaplicável ao caso o inciso I, do artigo 173, do Código Tributário Nacional, tendo em vista tratarse de tributo sujeito ao lançamento por homologação. Destaca que a definição da regra de contagem do prazo decadencial de cada tributo é apenas e tãosó sua sistemática de apuração que, no caso dos tributos sujeitos à modalidade de lançamento por homologação, encontra disciplina no artigo 150, § 4 o do CTN. Os autos foram a mim sorteados, os quais inclui na presente pauta de julgamento. É o relatório. Voto Conselheiro Francisco Assis de Oliveira Júnior. Inicialmente, destaquese que a tese controversa trazida para apreciação deste colegiado referese à aplicação do prazo de decadência ao crédito lançado e discutido no presente lançamento que, por sua vez, teve como fato gerador o procedimento do contribuinte que deixou de adicionar ao lucro líquido do período base do mês de junho de 1996, para determinação do lucro real, valores relativos a reserva de reavaliação de bens do seu ativo permanente, sem observar os requisitos legais. Além disso, apesar de optante pela realização favorecida do lucro inflacionário acumulado não efetuou a realização mínima obrigatória de 10% no ano de 1997 ou 2,5% ao trimestre, tendo em vista a apuração trimestral do resultado. Considerando que o saldo de lucro inflacionário acumulado era em 31/12/1996 de R$ 3.777.218,94, a fiscalizada deixou de realizar R$ 94.430,47 por trimestre, correspondente a 10% ao ano ou 2,5% ao trimestre, sobre o saldo acumulado. No tocante à preliminar decadência, insta observar que para deslinde da questão há de ser considerada também a previsão contida no art. 62A do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22/06/2009, alterado pela Portaria MF nº 586, de 21/12/2010, abaixo transcrito: “62A – As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infracontitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Dessa forma, no tocante à matéria prazo decadencial, o Superior Tribunal de Justiça, julgando os recursos submetidos à sistemática de repetitivos, proferiu o Acórdão no Resp 973733, pacificando a matéria, cujo ementa transcrevo: Fl. 313DF CARF MF Impresso em 22/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2012 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/12/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 28/02/2012 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JUNIOR Processo nº 11030.002176/200235 Acórdão n.º 920000282 CSRFPL Fl. 3 5 PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: Resp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). Fl. 314DF CARF MF Impresso em 22/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2012 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/12/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 28/02/2012 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JUNIOR 6 Nesse sentido, considerando a existência de decisão emanada do egrégio Tribunal, em sede de Recursos Repetitivos, passo a análise do caso concreto. Notese, inicialmente que, diferente da tese dominante nesse Conselho em relação ao fato de que a atividade desenvolvida pelo sujeito passivo tendente a praticar as ações previstas no art. 142 do CTN, independente de pagamento, seria o objeto da homologação pela autoridade tributária, verificase que a teor da decisão do STJ, o que deve ser homologado é o pagamento eventualmente antecipado pelo sujeito passivo. Inexistem dúvidas quanto ao fato de que todos os membros desde colegiado concordam que a modalidade de lançamento por homologação ocorre quando a legislação que rege determinado tributo determine ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento do valor devido, sem prévio exame da autoridade administrativa. Nesses casos, a atuação da administração tributária é posterior, seja ao homologar expressamente o pagamento prévio realizado pelo sujeito passivo, seja de maneira tácita, decorrido o prazo legalmente estabelecido para sua manifestação acerca do recolhimento efetuado pelo obrigado, conforme consta do § 4º do art. 150 do CTN, in verbis: “Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 1º O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação do lançamento. (...) § 4º Se a lei não fixar prazo à homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação.” Em verdade,no caso em exame, não se confirma a existência de pagamentos relativos aos fatos geradores ocorridos nos trimestres encerrados no anocalendário de 1997, até porque nesse s períodos não foi apurado lucro real (resultado positivo), conforme cópias das Fichas 07 e 08 da Declaração de Rendimentos , às fls. 4047 . Nesse sentido, verificase que não há comprovação de antecipação de pagamento do imposto, razão pela qual inexiste razão para aplicação da norma específica que norteia os lançamentos por homologação, seguindose a imperiosa necessidade de aplicação da regra geral esculpida no Código Tributário Nacional nos termos do artigo 173 . Assim, a conclusão que se impõe é a de que, não havendo pagamento antecipado, o lançamento de tributo sujeito à homologação poderá ser realizado no prazo previsto no artigo 173, inciso I, do CTN, cujo termo inicial é o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que poderia ter sido efetuado. “Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado;....” Fl. 315DF CARF MF Impresso em 22/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2012 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/12/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 28/02/2012 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JUNIOR Processo nº 11030.002176/200235 Acórdão n.º 920000282 CSRFPL Fl. 4 7 Ante o exposto, voto no sentido de conhecer do recurso, para no mérito, DAR PROVIMENTO ao recurso extraordinário interposto pela Fazenda Nacional, devendo os autos retornarem à Câmara a quo para análise do mérito. Francisco Assis de Oliveira Júnior Relator Fl. 316DF CARF MF Impresso em 22/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2012 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/12/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 28/02/2012 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JUNIOR
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Numero do processo: 16542.000386/2002-32
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Mar 20 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF
Exercício: 1989, 1990, 1991.
Ementa: PRAZO PARA PEDIDO DE REPETIÇÃO DE INDÉBITO. MATÉRIA DECIDIDA NO STF NA SISTEMÁTICA DO ART. 543 B DO CPC. PRAZO PARA PLEITEAR RESTITUIÇÃO. PDV. DIREITO A PARTIR DA RETENÇÃO INDEVIDA.
O art. 62-A do RICARF obriga a utilização da regra do RE nº 566.621/RS, decidido na sistemática do art. 543-B do Código de Processo Civil para pedidos administrativos de restituição protocolados antes de 09 de junho de 2005.
Essa interpretação entende que o prazo de 5 anos para se pleitear a restituição de tributos previsto no art. 168, inciso I, do CTN só se inicia após o lapso temporal de 5 anos para a homologação do pagamento previsto no art. 150, §4º, do CTN, o que resulta, para os tributos lançados por homologação, em um prazo para a repetição do indébito de 10 anos após o pagamento antecipado.
No caso, como o pedido administrativo foi protocolado em 24 de julho de 2002, está extinto o direito de se pleitear a restituição dos valores recolhidos até 24 julho de 1992, inclusive, por superar o prazo decenal.
Recurso especial provido em Parte.
Numero da decisão: 9202-002.006
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso.
Nome do relator: MARCELO OLIVEIRA
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Ementa: PRAZO PARA PEDIDO DE REPETIÇÃO DE INDÉBITO. MATÉRIA DECIDIDA NO STF NA SISTEMÁTICA DO ART. 543B DO CPC. PRAZO PARA PLEITEAR RESTITUIÇÃO. PDV. DIREITO A PARTIR DA RETENÇÃO INDEVIDA. O art. 62A do RICARF obriga a utilização da regra do RE nº 566.621/RS, decidido na sistemática do art. 543B do Código de Processo Civil para pedidos administrativos de restituição protocolados antes de 09 de junho de 2005. Essa interpretação entende que o prazo de 5 anos para se pleitear a restituição de tributos previsto no art. 168, inciso I, do CTN só se inicia após o lapso temporal de 5 anos para a homologação do pagamento previsto no art. 150, §4o, do CTN, o que resulta, para os tributos lançados por homologação, em um prazo para a repetição do indébito de 10 anos após o pagamento antecipado. No caso, como o pedido administrativo foi protocolado em 24 de julho de 2002, está extinto o direito de se pleitear a restituição dos valores recolhidos até 24 julho de 1992, inclusive, por superar o prazo decenal. Recurso especial provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso. Fl. 219DF CARF MF Impresso em 12/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/05/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 02/05/2012 por MARCELO OLIVEIRA 2 (assinado digitalmente) OTACÍLIO DANTAS CARTAXO Presidente (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: OTACILIO DANTAS CARTAXO (Presidente), PEDRO ANAN JUNIOR, MARCELO OLIVEIRA, PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, ELIAS SAMPAIO FREIRE, LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, GONCALO BONET ALLAGE, SUSY GOMES HOFFMANN. Fl. 220DF CARF MF Impresso em 12/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/05/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 02/05/2012 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 16542.000386/200232 Acórdão n.º 9202 002.006 CSRFT2 Fl. 197 3 Relatório Tratase de Recurso Especial por divergência, fls. 0165, interposto pela nobre PGFN contra acórdão, fls. 0160, que decidiu dar provimento ao recurso, para afastar a decadência do direito de pedir da recorrente. O acórdão em questão possui as seguintes ementa e decisão: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte IRRF Exercício: 1990, 1994 Ementa: DECADÊNCIA REPETIÇÃO DO INDÉBITO – TERMO INICIAL ILL DECLARADO INCONSTITUCIONAL SOCIEDADES LIMITADAS. O reconhecimento da não incidência de ILL de sociedade por quotas de responsabilidade limitada foi veiculado pela Instrução Normativa SRF n°. 63, publicada no DOU de 25/07/97. Não havendo transcorrido entre a data do ato da Administração Tributária, e a do pedido de restituição, lapso temporal superior a cinco anos, é de se considerar a não ocorrência da decadência do direito de pleitear o indébito do crédito decorrente de pagamentos indevidos feitos a titulo de ILL. DUPLO GRAU DE JURISDIÇÃO Afastada a decadência, anteriormente acolhida pela DRJ, cabe o enfrentamento do mérito em primeira instância (Decreto n° 70.235/72). Decadência afastada. Recurso provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, DAR provimento ao recurso para AFASTAR a decadência do direito de pleitear a restituição e determinar o retorno dos autos à Delegacia da Receita Federal do Brasil de origem para análise das demais questões. Vencido o Conselheiro Antonio Lopo Martinez (Relator), que mantinha a decadência do direito de pleitear a restituição. Declarouse impedida de participar do Julgamento a Conselheira Maria Lucia Moniz de Aragão Calomino Astorga (Inc. IV, do art. 42 do RI do CARF). Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro João Carlos Cassulli Junior (Suplente convocado). Em seu recurso especial a PGFN alega, em síntese, que o pleito do recorrente ocorreu após o prazo fixado no Art. 168 do Código Tributário Nacional (CTN) e por esse motivo solicita o provimento de seu recurso. Por despacho, fls. 0175, deuse seguimento ao recurso especial. Fl. 221DF CARF MF Impresso em 12/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/05/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 02/05/2012 por MARCELO OLIVEIRA 4 O interessado apresentou suas contra razões, fls. 0183, alegando, em síntese, que o decidido no acórdão recorrido deve ser mantido. Os autos retornaram ao Conselho, para análise e decisão. É o Relatório. Fl. 222DF CARF MF Impresso em 12/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/05/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 02/05/2012 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 16542.000386/200232 Acórdão n.º 9202 002.006 CSRFT2 Fl. 198 5 Voto Conselheiro Marcelo Oliveira, Relator Presentes os pressupostos de admissibilidade, conheço do Recurso Especial e passo à análise de suas razões recursais. A questão em discussão referese aos efeitos da decadência no direito do interessado em obter restituição de tributo pago. Cabe esclarecer, pois importante para o deslinde da questão, que o pedido de restituição, fls. 001, foi protocolado em 24/07/2002 e os pagamentos do tributo ocorreram no período entre 30/04/1990 a 25/03/1994, fls. 03 a 031. Essa turma da Câmara Superior de Recurso Fiscais (CSRF) já apreciou caso análogo, com voto extremamente qualificado do competente Conselheiro Elias Sampaio Freire (Processo 10875.003479/200271), que demonstro abaixo e utilizo como razões de decidir: “O Superior Tribunal de Justiça – STJ firmou entendimento, em acórdão submetido ao rito do art. 543B do CPC, no sentido de que em se tratando de pagamentos indevidos efetuados antes da entrada em vigor da LC 118∕05 (09.06.2005), o prazo prescricional para o contribuinte pleitear a restituição do indébito, nos casos dos tributos sujeitos a lançamento por homologação, continua observando a cognominada tese dos cinco mais cinco (Resp 1.002.932 – SP), de acordo com a seguinte ementa: “PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. AUXÍLIO CONDUÇÃO. IMPOSTO DE RENDA. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRESCRIÇÃO. TERMO INICIAL. PAGAMENTO INDEVIDO. ARTIGO 4º, DA LC 118∕2005. DETERMINAÇÃO DE APLICAÇÃO RETROATIVA. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. CONTROLE DIFUSO. CORTE ESPECIAL. RESERVA DE PLENÁRIO. 1.O princípio da irretroatividade impõe a aplicação da LC 118, de 9 de fevereiro de 2005, aos pagamentos indevidos realizados após a sua vigência e não às ações propostas posteriormente ao referido diploma legal, posto norma referente à extinção da obrigação e não ao aspecto processual da ação correspectiva. 2. O advento da LC 118∕05 e suas conseqüências sobre a prescrição, do ponto de vista prático, implica dever a mesma ser contada da seguinte forma: relativamente aos pagamentos efetuados a partir da sua vigência (que ocorreu em 09.06.05), o prazo para a repetição do indébito é de cinco a contar da data do pagamento; e relativamente aos pagamentos anteriores, a Fl. 223DF CARF MF Impresso em 12/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/05/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 02/05/2012 por MARCELO OLIVEIRA 6 prescrição obedece ao regime previsto no sistema anterior, limitada, porém, ao prazo máximo de cinco anos a contar da vigência da lei nova. 3. Isto porque a Corte Especial declarou a inconstitucionalidade da expressão "observado, quanto ao art. 3º, o disposto no art. 106, I, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional", constante do artigo 4º, segunda parte, da Lei Complementar 118∕2005 (AI nos ERESP 644736∕PE, Relator Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 06.06.2007). 4. Deveras, a norma inserta no artigo 3º, da lei complementar em tela, indubitavelmente, cria direito novo, não configurando lei meramente interpretativa, cuja retroação é permitida, consoante apregoa doutrina abalizada: "Denominamse leis interpretativas as que têm por objeto determinar, em caso de dúvida, o sentido das leis existentes, sem introduzir disposições novas. {nota: A questão da caracterização da lei interpretativa tem sido objeto de não pequenas divergências, na doutrina. Há a corrente que exige uma declaração expressa do próprio legislador (ou do órgão de que emana a norma interpretativa), afirmando ter a lei (ou a norma jurídica, que não se apresente como lei) caráter interpretativo. Tal é o entendimento da AFFOLTER (Das intertemporale Recht, vol. 22, System des deutschen bürgerlichen Uebergangsrechts, 1903, pág. 185), julgando necessária uma Auslegungsklausel, ao qual GABBA, que cita, nesse sentido, decisão de tribunal de Parma, (...) Compreensão também de VESCOVI (Intorno alla misura dello stipendio dovuto alle maestre insegnanti nelle scuole elementari maschili, in Giurisprudenza italiana, 1904, I,I, cols. 1191, 1204) e a que adere DUGUIT, para quem nunca se deve presumir ter a lei caráter interpretativo "os tribunais não podem reconhecer esse caráter a uma disposição legal, senão nos casos em que o legislador lho atribua expressamente" (Traité de droit constitutionnel, 3a ed., vol. 2o, 1928, pág. 280). Com o mesmo ponto de vista, o jurista pátrio PAULO DE LACERDA concede, entretanto, que seria exagero exigir que a declaração seja inseri da no corpo da própria lei não vendo motivo para desprezála se lançada no preâmbulo, ou feita noutra lei. Encarada a questão, do ponto de vista da lei interpretativa por determinação legal, outra indagação, que se apresenta, é saber se, manifestada a explícita declaração do legislador, dando caráter interpretativo, à lei, esta se deve reputar, por isso, interpretativa, sem possibilidade de análise, por ver se reúne requisitos intrínsecos, autorizando uma tal consideração. (...) ... SAVIGNY coloca a questão nos seus precisos termos, ensinando: "tratase unicamente de saber se o legislador fez, ou quis fazer uma lei interpretativa, e, não, se na opinião do juiz essa interpretação está conforme com a verdade" (System des heutigen romischen Rechts, vol. 8o, 1849, pág. 513). Mas, não é possível dar coerência a coisas, que são de si incoerentes, não se consegue conciliar o que é inconciliável. E, desde que a Fl. 224DF CARF MF Impresso em 12/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/05/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 02/05/2012 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 16542.000386/200232 Acórdão n.º 9202 002.006 CSRFT2 Fl. 199 7 chamada interpretação autêntica é realmente incompatível com o conceito, com os requisitos da verdadeira interpretação (v., supra, a nota 55 ao n° 67), não admira que se procurem torcer as conseqüências inevitáveis, fatais de tese forçada, evitandose lhes os perigos. Compreendese, pois, que muitos autores não aceitem o rigor dos efeitos da imprópria interpretação. Há quem, como GABBA (Teoria delta retroattività delle leggi, 3a ed., vol. 1o, 1891, pág. 29), que invoca MAILHER DE CHASSAT (Traité de la rétroactivité des lois, vol. 1o, 1845, págs. 131 e 154), sendo seguido por LANDUCCI (Trattato storicoteorico pratico di diritto civile francese ed italiano, versione ampliata del Corso di diritto civile francese, secondo il metodo dello Zachariæ, di Aubry e Rau, vol. 1o e único, 1900, pág. 675) e DEGNI (L'interpretazione della legge, 2a ed., 1909, pág. 101), entenda que é de distinguir quando uma lei é declarada interpretativa, mas encerra, ao lado de artigos que apenas esclarecem, outros introduzido novidade, ou modificando dispositivos da lei interpretada. PAULO DE LACERDA (loc. cit.) reconhece ao juiz competência para verificar se a lei é, na verdade, interpretativa, mas somente quando ela própria afirme que o é. LANDUCCI (nota 7 à pág. 674 do vol. cit.) é de prudência manifesta: "Se o legislador declarou interpretativa uma lei, devese, certo, negar tal caráter somente em casos extremos, quando seja absurdo ligála com a lei interpretada, quando nem mesmo se possa considerar a mais errada interpretação imaginável. A lei interpretativa, pois, permanece tal, ainda que errônea, mas, se de modo insuperável, que suplante a mais aguda conciliação, contrastar com a lei interpretada, desmente a própria declaração legislativa." Ademais, a doutrina do tema é pacífica no sentido de que: "Pouco importa que o legislador, para cobrir o atentado ao direito, que comete, dê à sua lei o caráter interpretativo. É um ato de hipocrisia, que não pode cobrir uma violação flagrante do direito" (Traité de droit constitutionnel, 3ª ed., vol. 2º, 1928, págs. 274275)." (Eduardo Espínola e Eduardo Espínola Filho, in A Lei de Introdução ao Código Civil Brasileiro, Vol. I, 3a ed., págs. 294 a 296). 5. Consectariamente, em se tratando de pagamentos indevidos efetuados antes da entrada em vigor da LC 118∕05 (09.06.2005), o prazo prescricional para o contribuinte pleitear a restituição do indébito, nos casos dos tributos sujeitos a lançamento por homologação, continua observando a cognominada tese dos cinco mais cinco, desde que, na data da vigência da novel lei complementar, sobejem, no máximo, cinco anos da contagem do lapso temporal (regra que se coaduna com o disposto no artigo 2.028, do Código Civil de 2002, segundo o qual: "Serão os da lei anterior os prazos, quando reduzidos por este Código, e se, na data de sua entrada em vigor, já houver transcorrido mais da metade do tempo estabelecido na lei revogada."). 6. Desta sorte, ocorrido o pagamento antecipado do tributo após a vigência da aludida norma jurídica, o dies a quo do prazo prescricional para a repetição∕compensação é a data do recolhimento indevido. Fl. 225DF CARF MF Impresso em 12/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/05/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 02/05/2012 por MARCELO OLIVEIRA 8 7. In casu, insurgese o recorrente contra a prescrição qüinqüenal determinada pelo Tribunal a quo, pleiteando a reforma da decisão para que seja determinada a prescrição decenal, sendo certo que não houve menção, nas instância ordinárias, acerca da data em que se efetivaram os recolhimentos indevidos, mercê de a propositura da ação ter ocorrido em 27.11.2002, razão pela qual forçoso concluir que os recolhimentos indevidos ocorreram antes do advento da LC 118∕2005, por isso que a tese aplicável é a que considera os 5 anos de decadência da homologação para a constituição do crédito tributário acrescidos de mais 5 anos referentes à prescrição da ação. 8. Impende salientar que, conquanto as instâncias ordinárias não tenham mencionado expressamente as datas em que ocorreram os pagamentos indevidos, é certo que os mesmos foram efetuados sob a égide da LC 70∕91, uma vez que a Lei 9.430∕96, vigente a partir de 31∕03∕1997, revogou a isenção concedida pelo art. 6º, II, da referida lei complementar às sociedades civis de prestação de serviços, tornando legítimo o pagamento da COFINS. 9. Recurso especial provido, nos termos da fundamentação expendida. Acórdão submetido ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 08∕2008.” O Superior Tribunal de Justiça – STJ firmou, ainda, entendimento no sentido de que o prazo para pleitear a repetição tributária, nos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, ainda que tenha sido declarada a inconstitucionalidade da lei instituidora do tributo em controle concentrado, pelo STF, ou exista Resolução do Senado (declaração de inconstitucionalidade em controle difuso), é contado da data em que se considera extinto o crédito tributário, acrescidos de mais cinco anos, em se tratando de pagamentos indevidos efetuados antes da entrada em vigor da LC 118∕05 (09.06.2005): “TRIBUTÁRIO. TRIBUTO DECLARADO INCONSTITUCIONAL EM CONTROLE CONCENTRADO. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. PRESCRIÇÃO. TERMO INICIAL. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. REGRA DOS "CINCO MAIS CINCO". PRECEDENTES. SÚMULA 83/STJ. 1. A Primeira Seção desta Corte firmou entendimento de que, "mesmo em caso de exação tida por inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal, seja em controle concentrado, seja em difuso, ainda que tenha sido publicada Resolução do Senado Federal (art. 52, X, da Carta Magna), a prescrição do direito de pleitear a restituição, nos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, ocorre após expirado o prazo de cinco anos, contados do fato gerador, acrescido de mais cinco anos, a partir da homologação tácita ou expressa." 2. O entendimento jurisprudencial é a síntese da melhor exegese da legislação no momento da aplicação do direito, por isso é aceitável a sua mudança para o devido aprimoramento da prestação jurisdicional. Agravo regimental improvido.” Fl. 226DF CARF MF Impresso em 12/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/05/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 02/05/2012 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 16542.000386/200232 Acórdão n.º 9202 002.006 CSRFT2 Fl. 200 9 (AgRg no Ag 1406333 / PE, Relator: Ministro Humberto Martins) “PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. IMPOSTO DE RENDA O SOBRE O LUCRO LÍQUIDO (ILL). PRESCRIÇÃO. TESE DOS "CINCO MAIS CINCO". RESP 1.002.932/SP (ART.543C DO CPC). COMPENSAÇÃO. LEGISLAÇÃO APLICÁVEL. DATA DO AJUIZAMENTO DA AÇÃO. RESP 1.137.738/SP (ART. 543C DO CPC). POSSIBILIDADE, IN CASU, DE COMPENSAÇÃO COM TRIBUTO DA MESMA ESPÉCIE. CORREÇÃO MONETÁRIA. FEV/1991. IPC. 21,87%. 1. Agravos regimentais interpostos pelos contribuintes e pela Fazenda Nacional contra decisão que negou seguimento aos seus recursos especiais. 2. A Primeira Seção adota o entendimento sufragado no julgamento dos EREsp 435.835/SC para aplicar a tese dos "cinco mais cinco" à contagem do prazo prescricional, inclusive para a repetição de tributos declarados inconstitucionais pelo Supremo Tribunal Federal. Precedentes: EREsp 507.466/SC, Rel. Ministro Humberto Martins, Primeira Seção, julgado em 25/3/2009, DJe 6/4/2009; AgRg nos EAg 779581/SP, Rel. Ministro Herman Benjamin, Primeira Seção, julgado em 9/5/2007, DJe 1/9/2008; EREsp 653.748/CE, Rel. Ministro José Delgado, Rel. p/ Acórdão Ministro Luiz Fux, Primeira Seção, julgado em 23/11/2005, DJ 27/3/2006. 3. O Superior Tribunal de Justiça, em sede de recurso especial representativo de controvérsia (REsp 1.002.932/SP), ratificou orientação no sentido de que o princípio da irretroatividade impõe a aplicação da LC n. 118/05 aos pagamentos indevidos realizados após a sua vigência e não às ações propostas posteriormente ao referido diploma legal, porquanto é norma referente à extinção da obrigação e não ao aspecto processual da ação respectiva. 4. Em sede de compensação tributária, deve ser aplicada a legislação vigente por ocasião do ajuizamento da demanda. "[A] autorização da Secretaria da Receita Federal constituía pressuposto para a compensação pretendida pelo contribuinte, sob a égide da redação primitiva do artigo 74, da Lei 9.430/96, em se tratando de tributos sob a administração do aludido órgão público, compensáveis entre si" (REsp 1.137.738/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Seção, DJe 1º/2/2010, julgado sob o rito do art. 543C do CPC). 5. Na correção de indébito tributário incide o índice de 21,87% em fevereiro de 1991 (expurgo inflacionário, IPC/IBGE em substituição à INPC do mês). Precedentes: REsp 968.949/SP, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe 10/3/2011; EDcl no AgRg nos EDcl no REsp 871.152/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Turma, DJe 19/8/2010; AgRg no Fl. 227DF CARF MF Impresso em 12/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/05/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 02/05/2012 por MARCELO OLIVEIRA 10 REsp 945.285/RS, Rel. Ministro Humberto Martins, Segunda Turma, DJe 7/6/2010; REsp 1.124.456/DF, Rel. Ministro Castro Meira, Segunda Turma, DJe 8/4/2010. 6. Agravo regimental das contribuintes parcialmente provido para assegurar a correção monetária no mês de fevereiro de 1991 pelo índice de 21,87%. 7. Agravo regimental da Fazenda Nacional não provido.” (AgRg no REsp 1131971 / RJ, Relator: Ministro Benedito Gonçalves) Por seu turno, o Supremo Tribunal Federal – STF fixou entendimento no sentido de que deva ser aplicado o prazo de 10 (dez) anos para o exercício do direito de repetição de indébito tãosomente para os pedidos formulados antes do decurso do prazo da vacatio legis de 120 dias da LC n.º 118/2005, ou seja, antes de 9 de junho de 2005 (RE 566621), em acórdão assim ementado: “DIREITO TRIBUTÁRIO – LEI INTERPRETATIVA – APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005 – DESCABIMENTO – VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA – NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS – APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. Quando do advento da LC 118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, § 4º, 156, VII, e 168, I, do CTN. A LC 118/05, embora tenha se autoproclamado interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido. Lei supostamente interpretativa que, em verdade, inova no mundo jurídico deve ser considerada como lei nova. Inocorrência de violação à autonomia e independência dos Poderes, porquanto a lei expressamente interpretativa também se submete, como qualquer outra, ao controle judicial quanto à sua natureza, validade e aplicação. A aplicação retroativa de novo e reduzido prazo para a repetição ou compensação de indébito tributário estipulado por lei nova, fulminando, de imediato, pretensões deduzidas tempestivamente à luz do prazo então aplicável, bem como a aplicação imediata às pretensões pendentes de ajuizamento quando da publicação da lei, sem resguardo de nenhuma regra de transição, implicam ofensa ao princípio da segurança jurídica em seus conteúdos de proteção da confiança e de garantia do acesso à Justiça. Afastandose as aplicações inconstitucionais e resguardandose, no mais, a eficácia da norma, permitese a aplicação do prazo reduzido relativamente às ações ajuizadas após a vacatio legis, conforme entendimento consolidado por esta Corte no enunciado 445 da Súmula do Tribunal. O prazo de vacatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não apenas que tomassem ciência do novo prazo, mas também que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos Fl. 228DF CARF MF Impresso em 12/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/05/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 02/05/2012 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 16542.000386/200232 Acórdão n.º 9202 002.006 CSRFT2 Fl. 201 11 seus direitos. Inaplicabilidade do art. 2.028 do Código Civil, pois, não havendo lacuna na LC 118/08, que pretendeu a aplicação do novo prazo na maior extensão possível, descabida sua aplicação por analogia. Além disso, não se trata de lei geral, tampouco impede iniciativa legislativa em contrário. Reconhecida a inconstitucionalidade art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tãosomente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 543B, § 3º, do CPC aos recursos sobrestados. Recurso extraordinário desprovido.” Ou seja, O STF ratificou o entendimento do STJ, no sentido de ser indevida a retroatividade do prazo de prescrição qüinqüenal para o pedido de repetição do indébito relativo a tributo lançado por homologação. Entretanto, em relação ao termo e ao critério para incidência da novel legislação, entendeu "válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tãosomente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9.6.2005", e não aos pagamentos realizados antes do início de vigência da LC 118/2005, como o STJ vinha decidindo. No presente caso, o pagamento indevido deuse no período compreendido entre 30/04/1991 e 31/01/1997 e o pedido de restituição deuse em 13 de junho de 2002. É incontroverso que tanto o pagamento indevido como o pedido de restituição deram se antes do início da vigência da LC nº 118/2005. Portanto, para os pagamentos indevidos anteriores a 13/06/1992 transcorreu entre o pagamento indevido e a formalização do pedido de repetição do indébito, o prazo de dez anos. Por outro lado, há de se reconhecer que para os pagamentos indevidos realizados a partir de 13/06/1992, o recorrente exerceu tempestivamente o seu direito de pedir a repetição do indébito. Ante o exposto, voto por conhecer do recurso e especial e dar lhe parcial provimento, para reconhecer que o contribuinte exerceu, dentro do prazo legal de dez anos, o seu direito de formular o pedido de repetição do indébito para os pagamentos indevidos realizados a partir de 13/06/1992.” Portanto, adotando o voto acima no presente caso, como o pedido administrativo foi protocolado em 24 de Julho de 2002, para os pagamentos efetuados indevidamente anteriores a 24/07/1992 transcorreu, entre o pagamento indevido e a formalização do pedido de repetição do indébito, o prazo de dez anos. Por outro lado, há de se reconhecer que para os pagamentos indevidos realizados a partir de 25/07/1992, o recorrente exerceu tempestivamente o seu direito de pedir a repetição do indébito. Fl. 229DF CARF MF Impresso em 12/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/05/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 02/05/2012 por MARCELO OLIVEIRA 12 CONCLUSÃO: Diante do exposto, voto em conhecer do recurso para, no mérito, dar provimento parcial ao pleito expresso no recurso especial da PGFN, para reconhecer que o contribuinte exerceu, dentro do prazo legal de dez anos, o seu direito de formular o pedido de repetição do indébito para os pagamentos indevidos realizados a partir de 25/07/1992, nos termos do voto. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Fl. 230DF CARF MF Impresso em 12/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/05/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 02/05/2012 por MARCELO OLIVEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 19647.010655/2006-12
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 22 00:00:00 UTC 2011
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Ano calendário:2002
RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ADMISSIBILIDADE.
Somente são dedutíveis do IRPJ apurado no ajuste anual as estimativas pagas em conformidade com a lei. O pagamento a maior de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento e, com o acréscimo de juros à taxa SELIC, acumulados a partir do mês subseqüente ao do recolhimento indevido, pode ser compensado, mediante apresentação de DCOMP. Eficácia retroativa da Instrução Normativa RFB nº. 900/2008.
RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. ANÁLISE INTERROMPIDA.
Inexiste reconhecimento implícito de direito creditório quando a apreciação da restituição/compensação restringe-se a aspectos como a possibilidade do pedido. A homologação da compensação ou deferimento do pedido de restituição, uma vez superado este ponto, depende da análise da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pela autoridade administrativa que
jurisdiciona a contribuinte.
Numero da decisão: 1801-000.493
Decisão: Acordam, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário, determinando o retorno dos autos à unidade de jurisdição da recorrente para se pronunciar sobre os valores dos créditos pleiteados nas Declarações de Compensação, nos termos do voto da relatora.
Nome do relator: MARIA DE LOURDES RAMIREZ
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COMPENSAÇÃO. ADMISSIBILIDADE. Somente são dedutíveis do IRPJ apurado no ajuste anual as estimativas pagas em conformidade com a lei. O pagamento a maior de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento e, com o acréscimo de juros à taxa SELIC, acumulados a partir do mês subseqüente ao do recolhimento indevido, pode ser compensado, mediante apresentação de DCOMP. Eficácia retroativa da Instrução Normativa RFB nº. 900/2008. RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. ANÁLISE INTERROMPIDA. Inexiste reconhecimento implícito de direito creditório quando a apreciação da restituição/compensação restringese a aspectos como a possibilidade do pedido. A homologação da compensação ou deferimento do pedido de restituição, uma vez superado este ponto, depende da análise da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pela autoridade administrativa que jurisdiciona a contribuinte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário, determinando o retorno dos autos à unidade de jurisdição da recorrente para se pronunciar sobre os valores dos créditos pleiteados nas Declarações de Compensação, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) Fl. 132DF CARF MF Impresso em 06/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 02/03/ 2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 03/03/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES 2 ______________________________________ Ana de Barros Fernandes – Presidente (assinado digitalmente) ______________________________________ Maria de Lourdes Ramirez – Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Carmem Ferreira Saraiva, Guilherme Pollastri Gomes da Silva, Maria de Lourdes Ramirez, Diniz Raposo e Silva, Rogério Garcia Peres e Ana de Barros Fernandes. Relatório Trata o presente processo de PERDCOMP eletrônicos (fls. 02/11), transmitidos em fevereiro e março de 2004, pelos quais pretende a interessada a compensação de débitos de estimativa de CSLL e de COFINS, ambos do anocalendário 2004, com direito creditório oriundo de pagamento indevido ou a maior de estimativa de IRPJ apurada no mês de julho de 2002 (recolhimento em agosto/2002), no valor de R$ 126.320,21, baixado para tratamento manual neste processo. Analisando o pleito a DRF em Recife/PE, após diligências realizadas, concluiu pela inexistência do crédito apontado, razão pela qual pelo Despacho Decisório de fl. 16 não reconheceu o direito creditório e não homologou as compensações, ao fundamento de que, de acordo com o disposto no artigo 10 da IN SRF n°. 600, de 2005, a pessoa jurídica somente poderia utilizar o valor pago indevidamente ou a maior a título de estimativa mensal, ao final do período de apuração em que houve o referido pagamento, para dedução do valor do IRPJ devido ou para compor o saldo negativo porventura apurado. A empresa TIM Nordeste S/A, CNPJ n° 01.009.686/000144, sucessora da Telasa Celular S/A, apresentou manifestação de inconformidade alegando, em síntese: a) que o art. 10 da Instrução Normativa SRF n° 600, de 2005, não tem amparo legal, já que a Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, não prevê a restrição nele estabelecida e adotada na decisão da DRF/Recife e que quando da realização das compensações ainda não existia a regra do art. 10 da Instrução Normativa SRF n° 600, de 2005; b) se não fosse realizada a compensação do IRPJ recolhido a maior haveria saldo negativo ao final do ano. Terseia, então, no máximo um problema de inobservância de exercício, vez que o saldo negativo seria passível de compensação a partir do final do ano de 2002; c) possivelmente a decisão supôs, em virtude do lançamento que deu origem ao processo n° 19647.009690/200699, que não haveria saldo negativo ao final do ano calendário 2002. Nessa hipótese, o julgamento da manifestação de inconformidade ficaria na dependência da decisão adotada nos autos do mencionado processo; d) que o despacho decisório decorre da revisão de oficio havida nos autos do processo n° 19647.009690/200699 e que dessa revisão teria decorrido aumento do crédito Fl. 133DF CARF MF Impresso em 06/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 02/03/ 2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 03/03/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 19647.010655/200612 Acórdão n.º 180100.493 S1TE01 Fl. 115 3 tributário original, em afronta aos arts. 145 a 149 da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN). Apreciando o litígio a 3a. Turma da DRJ em Recife/PE, por meio do Acórdão 1127.246 (fls. 64/72 ) indeferiu a manifestação de inconformidade. Aquela autoridade observou, inicialmente, que as argüições de ilegalidade do art. 10 da IN SRF n°. 600, de 2005, não poderiam ser apreciadas no âmbito do julgamento administrativo e que a vedação contida no referido comando legal há havia sido consignada na IN SRF n°. 460, de 2004. Apoiandose nas disposições dos artigos 2o. e 6o. da Lei n°. 9.430, de 1996; artigos 3o., 9o. e 10 da IN SRF n°. 93, de 1997 e Ato Declaratório Normativo SRF n°. 003, de 2000, consignou que as estimativas mensais não seriam passíveis de restituição a esse título, pois constituiriam mera antecipação do tributo devido ao final do anocalendário e que somente seria passível de restituição e de aproveitamento em compensações o saldo negativo porventura apurado ao final do período. Assim, o excesso porventura pago a título de estimativas mensais somente poderia ser utilizado na dedução do imposto devido ou na composição do saldo negativo. Rejeitou a afirmação da contribuinte no sentido de que, não fosse realizada a compensação do imposto pago a maior em outubro de 2002, haveria saldo negativo ao final do ano, pois, ainda que fosse apurado o saldo negativo, deveria a interessada apresentar DCOMP para sua utilização que seria apreciada pela autoridade administrativa competente para averiguação da efetiva existência do saldo negativo declarado e, sendo caso, reconhecimento do direito creditório reclamado. Tal discussão, contudo, seria estranha aos autos vez que o direito creditório pleiteado se referiria a pagamento indevido ou a maior de estimativa de IRPJ. Esclareceu, ainda, que se o saldo negativo do imposto foi incorretamente declarado a menor em D1PJ, seria da competência do sujeito passivo proceder à sua retificação, observadas as normas pertinentes à matéria. Quanto ao processo n° 19647.0096901200699, esclareceu: 27. Alega a impugnante que a decisão atacada teria sido decorrente da revisão de oficio havida nos autos do processo administrativo n° 19647.009690/200699. O argumento é equivocado, como passo a expor. 28. Naquele processo, de exigência de crédito tributário, verificouse, entre outras infrações, a dedução indevida das estimativas mensais do IRPJ e da CSLL, que haviam sido objeto de compensação indevida. Em conseqüência das glosas, foram lavrados autos de infração para cobrança dos tributos ao final dos anos calendário e da multa isolada pela falta das antecipações mensais. 29. Ocorre que, como as compensações haviam sido declaradas em DCOMPs que constituíam confissão de dívida, tinhase por aplicável o entendimento esposado pela Coordenação Geral de Tributação através da Solução de Consulta Interna Cosit n° 18, de 13 de outubro de 2006, segundo o qual não cabe a glosa das estimativas, devendo os débitos ser cobrados com base em DCOMP. Como a referida solução de consulta foi posterior à lavratura dos autos de infração, foram os lançamentos revistos de oficio, reduzindo o crédito tributário antes exigido. 30. Portanto, diversamente do que esgrime a defesa, o processo n° 19647.009690/200699 é que foi influenciado por este, e não o contrário. É através Fl. 134DF CARF MF Impresso em 06/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 02/03/ 2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 03/03/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES 4 do presente processo que os débitos das estimativas não homologadas serão cobrados, razão pela qual reduziuse o lançamento objeto daquele outro processo. O não reconhecimento do direito creditório discutido nestes autos em nada decorreu do processo n° 19647.009690/200699 nem da Solução de Consulta Interna Cosit n° 18, de 2006, e os débitos que serão cobrados por via do presente processo são rigorosamente aqueles espontaneamente declarados pela contribuinte nas DCOMPs. Não sofreram, por conseguinte, nenhuma modificação em virtude do processo n° 19647.009690/200699, não havendo falar em ofensa aos arts. 145, 146 e 149 do CTN. Intimada da decisão, em 14/10/2009 (AR à fl. 74) a interessada apresentou, em 09/11/2009, o Recurso Voluntário de fls. 75 a 90. Em suas razões de defesa informa, inicialmente, que o presente processo seria decorrente de revisão de ofício em lançamento efetuado no âmbito dos autos n° 19647.009690/200699, especificamente em itens que trataram de (i) deduções indevidas no ajuste anual de antecipações de IRPJ e de CSLL não comprovadas e (ii) imposição de multa isolada por falta de pagamento de IRPJ e de CSLL devidos por estimativa mensal, revisão essa que não teria sido devidamente fundamentada, o que impedia a adequada defesa. Assim, teria sido intimada, em março de 2007, de um Relatório de Informação Fiscal, datado de 13.12.2006, no qual os fiscais responsáveis pela revisão de ofício informaram que tomaram conhecimento de uma solução de consulta interna da Receita Federal (de n° 18/06), a qual previa metodologia de cálculo diferente da que havia sido adotada por eles quando da fiscalização, razão pela qual alguns valores teriam sido excluídos do processo n° 19647.009690/200699, e passaram a ser tratados em processos específicos, dentre os quais o presente processo de compensação. Nesse sentido, caso se julgue pela independência dos autos, deverá lhe ser reconhecido o saldo negativo de IRPJ do anocalendário 2002 pois, em acatandose o posicionamento adotado pela DRJ de que não existiria qualquer influência decorrente do processo administrativo n° 19647.009690/200699 na apuração do IRPJ do anocalendário de 2002 a apuração do saldo negativo de IRPJ, devidamente escriturado na DIPJ do período, é fato que não poderia ser contraditado pelo julgador administrativo. Reafirma que a previsão contida no artigo 10 da IN SRF n°. 600, de 2005, não teria amparo legal. Todas as vedações atinentes à compensação teriam sido expressamente previstas no artigo 74 da Lei n°. 9.430, de 1996, assim como as compensações consideradas não declaradas, não se encontrando, em nenhuma delas, a referência ao recolhimento indevido ou a maior a título de estimativas mensais e que o disciplinamento do instituto pela Receita Federal não poderia levar ao estabelecimento de novas vedações não previstas na Lei. Observou que os comandos normativos citados pela autoridade julgadora da DRJ que tratariam da referida vedação em verdade cuidariam da forma de pagamento do imposto calculado por estimativa e não de compensação, o que foi disciplinado unicamente pelo artigo 74 da Lei n°. 9.430, de 1996. Assim, o procedimento adotado guardaria consonância também com o quanto disciplinado pelo § 1°, II, do artigo 6° da Lei n° 9.430/96, na medida em que teria havido o recolhimento a maior de IRPJ em agosto de 2002, portanto, passível de restituição, e que foi compensado com débitos de tributos federais de períodos posteriores. Reafirmou que ainda que se considere a sua legalidade, à época da formalização das compensações declaradas não vigoravam as disposições do artigo 10 da IN SRF n° 600, de 2005, vigendo, à época, a IN SRF n°. 210, de 2002, que não trazia tal vedação Fl. 135DF CARF MF Impresso em 06/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 02/03/ 2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 03/03/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 19647.010655/200612 Acórdão n.º 180100.493 S1TE01 Fl. 116 5 em seu bojo. A DRJ teria, assim, aplicado retroativamente dispositivo normativo a fim de restringir seu direito, violando disposições legais e constitucionais, pois tal comando não teria o escopo de dar interpretação mas unicamente de inserir novas regras restritivas ao sistema de compensação. Reproduz as alegações de vinculação destes autos ao processo de n° 19647.009690/200699 e de indevida revisão de ofício no lançamento perpetrado naqueles autos. Ao final pede pela reforma daquele decisum. Após a leitura do relatório em sessão de julgamento, fez sustentação oral pela empresa a Dra. Lenisa P. Matos, OAB/DF n°. 21.698. É o relatório. Voto Conselheira Maria de Lourdes Ramirez, Relatora. O Recurso é tempestivo e dotado dos pressupostos para sua admissibilidade, pelo que dele tomo conhecimento. Preliminar. LIMITES DO LITÍGIO. Delimitandose o presente litígio cumpre consignar que a DRJ em Recife/PE esclareceu que o presente processo, que trata de Declarações de Compensação, não decorre dos autos do processo administrativo n° 19647.009690/200699. Enquanto o processo de n° 19647.009690/200699 trata de lançamento de ofício decorrente de procedimento de fiscalização direta, estes autos tratam de declarações de compensação transmitidas eletronicamente e que foram baixadas para tratamento manual neste processo e o único fundamento alegado pela DRF para indeferir o pedido de homologação foi a inexistência de crédito do contribuinte que pudesse ser utilizado para compensar com débitos próprios, pois, conforme preceitua o artigo 10 da IN SRF n° 600/05, eventual valor pago a maior a título de estimativa mensal somente poderia vir a ser utilizado ao final do período de apuração, para dedução do valor do imposto afinal devido ou para compor o saldo negativo de IRPJ do período. Portanto, as argüições contra a revisão de ofício praticada no âmbito do processo administrativo n° 19647.009690/200699, que trata de lançamento de ofício para exigência de crédito tributário são alheias ao presente feito e devem ser tratadas unicamente no âmbito daqueles autos, razão pela qual deixo de tomar conhecimento de tais alegações. Fl. 136DF CARF MF Impresso em 06/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 02/03/ 2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 03/03/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES 6 Mérito A questão que se coloca para análise nestes autos se refere à possibilidade de haver recolhimento indevido ou a maior no cálculo e pagamento de estimativas mensais no curso do anocalendário e, havendo tal possibilidade, se isto geraria um indébito a favor do contribuinte passível de restituição e compensação. Nesse sentido registro que a questão é tormentosa e não se encontra pacificada neste Órgão Colegiado. Muito longe disso, há divergências inúmeras acerca da questão. Há aqueles que comungam do entendimento esposado pelas autoridades administrativas da DRF e DRJ, consignado nas decisões proferidas nestes autos, no sentido de que para as pessoas jurídicas tributadas com base nas regras do lucro real, o crédito ou o débito decorrente do confronto do pagamento das estimativas, de que trata o artigo 2° da Lei n° 9.430, de 1996, com o valor devido a título de IRPJ e CSLL, só seria apurado em 31 de dezembro de cada anocalendário. Antes do encerramento do anocalendário não haveria, pois, que se falar em tributo a restituir, já que até o último momento poderiam ocorrer eventos que viriam a alterar o quantum devido a título de IRPJ e CSLL. Assim, partindo da premissa de que o fato gerador do imposto de renda e da contribuição social para as pessoas jurídicas tributadas com base no lucro real somente se concretizaria no final de cada anocalendário, seria a partir deste evento que se encontraria o saldo do imposto a pagar ou a recuperar, nos termos do artigo 6º, § 1°, I e II, da Lei nº. 9.430, de 1996: Art. 6° .... § 1º O saldo do imposto apurado em 31 de dezembro será: I pago em quota única, até o último dia útil do mês de março do ano subseqüente, se positivo, observado o disposto no § 2º; II compensado com o imposto a ser pago a partir do mês de abril do ano subseqüente, se negativo, assegurada a alternativa de requerer, após a entrega da declaração de rendimentos, a restituição do montante pago a maior. Por conta dessa interpretação não haveria que se falar em fluência de juros a partir do recolhimento indevido da estimativa, mas, somente a partir do mês subseqüente do anocalendário seguinte, dado que a geração do indébito somente ocorreria em 31/12 de cada ano, com o surgimento do saldo negativo de IRPJ ou de CSLL. A interpretação é válida e encontra robustos fundamentos. Ao afastar entendimentos contrários no sentido de que o artigo 74 da Lei n°. 9.430, de 1996, que regula a compensação, ao se referir as vedações, não dispôs expressamente acerca de qualquer restrição à compensação de estimativas pagas a maior ou indevidamente, essa corrente teoriza o entendimento de que não haveria necessidade de se inserir dispositivo específico nessa sentido, pois se estaria a registrar o óbvio já previsto na própria legislação que regulamenta a apuração e o pagamento de estimativas mensais. Nesse contexto, em relação às críticas quanto às restrições contidas em atos normativos infralegais, como por exemplo, o discutido artigo 10 da IN SRF n°. 600, de 2005 (também previsto na IN SRF n° 460, de 2004), destacam que tais normas administrativas não se prestariam a criar, modificar ou extinguir direitos, mas sim disciplinar ou regulamentar o exercício de prerrogativas previstas em Lei, esta em sentido formal. Seria possível, assim, fazer Fl. 137DF CARF MF Impresso em 06/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 02/03/ 2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 03/03/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 19647.010655/200612 Acórdão n.º 180100.493 S1TE01 Fl. 117 7 referência a um ato administrativo subseqüente em relação à situação pretérita, desde que a situação fosse prevista em lei. Esta relatora por muito tempo comungou desse entendimento. Mas, se o próprio Direito é dinâmico, que se dirá a respeito de posições doutrinárias. Assim, surgem interpretações em outros sentidos, também apoiadas em fortes e sólidos argumentos. Depois de refletir sobre o assunto e sobre os posicionamentos doutrinários estudados, passo a fazer minhas considerações. Nesse sentido peço permissão para reproduzir as palavras da Ilustre Conselheira Edeli Pereira Bessa, proferidas em recentes julgados nesta 1a. Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, que há muito tempo vem estudando o tema com profundidade. Cumpre ressaltar, assim, que é certo que a legislação consolidada no Regulamento do Imposto de Renda – RIR/99 (art. 895) autoriza a Receita Federal a expedir instruções necessárias à efetivação de compensação pelos contribuintes. No mesmo sentido veio também redigido o §5o incluído no art. 74 da Lei nº. 9.430/96, pela Medida Provisória nº. 66/2002, atualmente transportado para o § 14 desde a edição da Lei nº. 11.051/2004: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão.(Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) [...] § 14. A Secretaria da Receita Federal SRF disciplinará o disposto neste artigo, inclusive quanto à fixação de critérios de prioridade para apreciação de processos de restituição, de ressarcimento e de compensação. (Incluído pela Lei nº. 11.051, de 2004) E este poder normativo pode se materializar tanto no âmbito da definição de procedimentos operacionais, como na fixação de restrições materiais já presentes na lei que estabelece a incidência tributária ou concede benefícios fiscais. Contudo, ao operar sob este segundo direcionamento, temse a dita eficácia retroativa da norma interpretativa, que se verifica ainda que a Administração Tributária assim não a declare expressamente. Relativamente aos indébitos de estimativas, não há como tratar a restrição inserta a partir da Instrução Normativa SRF nº. 460/2004 como procedimental. Não se vislumbra espaço para a Administração Tributária definir, para além das normas que estabelecem a incidência do IRPJ ou da CSLL, em qual momento é possível pleitear a restituição ou compensar um recolhimento indevido decorrente de erro na determinação ou recolhimento de estimativas. Poderia se cogitar de tal possibilidade em razão destes recolhimentos não se constituírem, propriamente, em pagamentos, na medida em que não extinguem uma obrigação tributária principal, aproximandose, mais, de obrigações acessórias impostas aos contribuintes que optam pela apuração anual do lucro real e da base de cálculo da CSLL, para não se sujeitar à regra geral de apuração trimestral destas bases de cálculo. Esta interpretação, porém, exigiria Fl. 138DF CARF MF Impresso em 06/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 02/03/ 2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 03/03/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES 8 que a Administração Tributária se posicionasse contrariamente à formação de indébitos de estimativas a qualquer tempo, e não apenas na vigência das Instruções Normativas que veicularam a dita proibição. Neste aspecto, relevante notar que durante a vigência das Instruções Normativas SRF nº. 460/2004 e 600/2005, ou seja, no período de 29/10/2004 a 30/12/2008 (até ser publicada a Instrução Normativa RFB nº 900/2008), a Receita Federal buscou coibir a utilização imediata de indébitos provenientes de estimativas recolhidas a maior, assim dispondo: Instrução Normativa SRF nº 460, de 18 de outubro de 2004 Art. 10. A pessoa jurídica tributada pelo lucro real, presumido ou arbitrado que sofrer retenção indevida ou a maior de imposto de renda ou de CSLL sobre rendimentos que integram a base de cálculo do imposto ou da contribuição, bem assim a pessoa jurídica tributada pelo lucro real anual que efetuar pagamento indevido ou a maior de imposto de renda ou de CSLL a título de estimativa mensal, somente poderá utilizar o valor pago ou retido na dedução do IRPJ ou da CSLL devida ao final do período de apuração em que houve a retenção ou pagamento indevido ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou de CSLL do período. Instrução Normativa SRF nº 600, de 28 de dezembro de 2005 Art. 10. A pessoa jurídica tributada pelo lucro real, presumido ou arbitrado que sofrer retenção indevida ou a maior de imposto de renda ou de CSLL sobre rendimentos que integram a base de cálculo do imposto ou da contribuição, bem assim a pessoa jurídica tributada pelo lucro real anual que efetuar pagamento indevido ou a maior de imposto de renda ou de CSLL a título de estimativa mensal, somente poderá utilizar o valor pago ou retido na dedução do IRPJ ou da CSLL devida ao final do período de apuração em que houve a retenção ou pagamento indevido ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou de CSLL do período. Assim, as antecipações recolhidas deveriam ser, primeiro, confrontadas com o tributo determinado na apuração anual, e só então, se evidenciada a existência de saldo negativo, seria possível a utilização do indébito. E este crédito, na forma da interpretação veiculada no Ato Declaratório Normativo SRF nº. 03/2000, seria atualizado com juros à taxa SELIC a partir do mês subseqüente ao do encerramento do anocalendário: O SECRETÁRIO DA RECEITA FEDERAL, no uso de suas atribuições e tendo em vista o disposto no § 4º do art. 39 da Lei Nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995, nos arts. 1º e 6º da Lei Nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, e no art. 73 da Lei Nº 9.532, de 10 de dezembro de 1997, declara que os saldos negativos do Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, apurados anualmente, poderão ser restituídos ou compensados com o imposto de renda ou a contribuição social sobre o lucro líquido devidos a partir do mês de janeiro do anocalendário subseqüente ao do encerramento do período de apuração, acrescidos de juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia Selic para títulos federais, acumulada mensalmente, calculados a partir do mês subseqüente ao do encerramento do período de apuração até o mês anterior ao da restituição ou compensação e de um por cento relativamente ao mês em que estiver sendo efetuada. Fl. 139DF CARF MF Impresso em 06/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 02/03/ 2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 03/03/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 19647.010655/200612 Acórdão n.º 180100.493 S1TE01 Fl. 118 9 EVERARDO MACIEL Entretanto, a própria Receita Federal mudou seu entendimento, ao suprimir parte da redação do dispositivo, quando da edição da IN RFB nº. 900, de 2009, como se verifica a seguir: Instrução Normativa RFB nº 900, de 30 de dezembro de 2008 Art. 11. A pessoa jurídica tributada pelo lucro real, presumido ou arbitrado que sofrer retenção indevida ou a maior de imposto de renda ou de CSLL sobre rendimentos que integram a base de cálculo do imposto ou da contribuição somente poderá utilizar o valor retido na dedução do IRPJ ou da CSLL devida ao final do período de apuração em que houve a retenção ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou de CSLL do período. Não é por demais relembrar que o artigo 74 da Lei nº. 9.430, de 1996, já previu, expressamente os casos em que é vedada a compensação: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. [...] § 3º Além das hipóteses previstas nas leis específicas de cada tributo ou contribuição, não poderão ser objeto de compensação mediante entrega, pelo sujeito passivo, da declaração referida no § 1º: I o saldo a restituir apurado na Declaração de Ajuste Anual do Imposto de Renda da Pessoa Física; II os débitos relativos a tributos e contribuições devidos no registro da Declaração de Importação. III os débitos relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal que já tenham sido encaminhados à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional para inscrição em Dívida Ativa da União; IV o débito consolidado em qualquer modalidade de parcelamento concedido pela Secretaria da Receita Federal SRF V o débito que já tenha sido objeto de compensação não homologada, ainda que a compensação se encontre pendente de decisão definitiva na esfera administrativa; e VI o valor objeto de pedido de restituição ou de ressarcimento já indeferido pela autoridade competente da Secretaria da Receita Federal SRF, ainda que o pedido se encontre pendente de decisão definitiva na esfera administrativa. Fl. 140DF CARF MF Impresso em 06/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 02/03/ 2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 03/03/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES 10 É verdade que, pela Medida Provisória n° 449, de 3 de dezembro de 2008, se procurou acrescentar novas restrições à compensação, por meio da inserção dos incisos VII a IX, ao § 3° do artigo 74 da Lei n° 9.430, de 1996, dentre elas a compensação de indébitos de estimativas. Seria essa a redação: Art. 29. A Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, passa a vigorar com as seguintes alterações: "Artigo 74. (...).....(...) (...).(...) § 3º (...)....(...)....(...) (...) VII os débitos relativos a tributos e contribuições de valores originais inferiores a R$ 500,00 (quinhentos reais); VIII os débitos relativos ao recolhimento mensal obrigatório da pessoa física apurados na forma do art. 8º da Lei nº 7.713, de 1988; e IX os débitos relativos ao pagamento mensal por estimativa do Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica IRPJ e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL apurados na forma do art. 2º. (...) § 12. (...) (...) Entretanto, na conversão da referida MP 449, de 2008, na Lei no. 11.941, de 2009, não se manteve a alteração acima: Lei n°. 11.941, de 27 de maio de 2009 (fruto da conversão da MP 449/2008): Art. 30. A Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, passa a vigorar com as seguintes alterações: "Artigo 74. (...) (...) § 12. (...) (...) Portanto, não foi da vontade do legislador vedar a compensação de indébitos de estimativas de IRPJ e de CSLL. É verdade que há questões de ordem operacional que merecem a atenção da Administração Tributária, especialmente quanto a eventuais abusos na alegação de indébitos desta natureza, com vistas a antecipar a utilização de saldo negativo que somente se formaria ao final do anocalendário. Fl. 141DF CARF MF Impresso em 06/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 02/03/ 2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 03/03/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 19647.010655/200612 Acórdão n.º 180100.493 S1TE01 Fl. 119 11 Todavia, confrontando as disposições normativas e o conteúdo da Lei nº. 9.430/96, observase que a supressão da vedação veiculada com a Instrução Normativa RFB nº. 900/2008 melhor se adequou à sistemática de apuração anual do IRPJ e da CSLL. De outro giro é possível interpretar, também, que a Lei nº. 9.430/96, ao autorizar a dedução das antecipações recolhidas, admite somente aquelas recolhidas em conformidade com caput de seu art. 2o: Art.2º A pessoa jurídica sujeita a tributação com base no lucro real poderá optar pelo pagamento do imposto, em cada mês, determinado sobre base de cálculo estimada, mediante a aplicação, sobre a receita bruta auferida mensalmente, dos percentuais de que trata o art. 15 da Lei nº. 9.249, de 26 de dezembro de 1995, observado o disposto nos §§1º e 2º do art. 29 e nos arts. 30 a 32, 34 e 35 da Lei nº. 8.981, de 20 de janeiro de 1995, com as alterações da Lei nº. 9.065, de 20 de junho de 1995. §1o O imposto a ser pago mensalmente na forma deste artigo será determinado mediante a aplicação, sobre a base de cálculo, da alíquota de quinze por cento. §2o A parcela da base de cálculo, apurada mensalmente, que exceder a R$ 20.000,00 (vinte mil reais)ficará sujeita à incidência de adicional de imposto de renda à alíquota de dez por cento. §3o A pessoa jurídica que optar pelo pagamento do imposto na forma deste artigo deverá apurar o lucro real em 31 de dezembro de cada ano, exceto nas hipóteses de que tratam os §§1º e 2º do artigo anterior. §4º Para efeito de determinação do saldo de imposto a pagar ou a ser compensado, a pessoa jurídica poderá deduzir do imposto devido o valor: I dos incentivos fiscais de dedução do imposto, observados os limites e prazos fixados na legislação vigente, bem como o disposto no § 4º do art. 3º da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995; II dos incentivos fiscais de redução e isenção do imposto, calculados com base no lucro da exploração; III do imposto de renda pago ou retido na fonte, incidente sobre receitas computadas na determinação do lucro real; IV do imposto de renda pago na forma deste artigo. (destacou se) Diante deste contexto, temse que as estimativas recolhidas a maior não poderiam ser deduzidas na apuração anual do IRPJ – já que o recolhimento efetuado a maior não observou o regramento acima, posto que feito a maior que o devido e o crédito daí decorrente, poderia ser utilizado em compensação, mediante apresentação de DCOMP, evidentemente sem a dedução das parcelas excedentes. Fl. 142DF CARF MF Impresso em 06/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 02/03/ 2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 03/03/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES 12 Eventualmente a contribuinte pode, por facilidade operacional, computar estimativas recolhidas indevidamente na formação do saldo negativo, mas este procedimento em nada prejudica o Fisco, na medida em que desloca para momento futuro a data de formação do indébito e assim reduz os juros de mora sobre ele aplicáveis. Por outro lado, se a contribuinte erra ao calcular ou recolher a estimativa mensal, não se vislumbra, ante o contexto exposto, obstáculo legal ao pedido de restituição ou à compensação deste indébito antes de seu prévio cômputo na apuração ao final do ano calendário. Comprovado o erro e, por conseqüência, o indébito, o pedido de restituição ou a declaração de compensação já podem ser apresentados, incorrendo juros de mora contra a Fazenda a partir do mês subseqüente ao do pagamento a maior, na forma do art. 39, § 4o da Lei nº. 9.250/95 c/c art. 73 da Lei nº. 9.532/97. Em conseqüência, por ocasião do ajuste anual, o contribuinte deve confrontar, apenas, as estimativas que considerou devidas, sob pena de duplo aproveitamento do mesmo crédito. Ainda, interpretandose que somente as estimativas devidas na forma da Lei nº. 9.430/96 são passíveis de dedução na apuração anual do IRPJ ou da CSLL, concluise que, mesmo após o encerramento do anocalendário, se o contribuinte identificar um erro em sua apuração e ele repercutir não só em sua apuração final, mas também no resultado de seus balancetes de suspensão/redução, tem ele o direito de pleitear o indébito na data do recolhimento da estimativa correspondente, ao invés de apenas reconstituir a apuração anual do IRPJ ou da CSLL. Esta interpretação, frisese, tem por pressuposto a ocorrência de erro no cálculo ou no recolhimento da estimativa. Não está aqui abarcada a mudança de opção quanto à sistemática de cálculo das estimativas, formalizada definitivamente quando o contribuinte determina o valor inicialmente recolhido com base na receita bruta e acréscimos ou em balancetes de suspensão/redução. Logo, não é admissível que o contribuinte, após apurar e recolher estimativa com base em balancete de suspensão/redução, sem o prévio confronto com o valor devido com base na receita bruta e acréscimos, pretenda como indébito o excedente que se verificaria caso tivesse adotado esta segunda sistemática para cálculo da estimativa. Da mesma forma, não lhe cabe, após efetuar recolhimentos com base na receita bruta e acréscimos, apurar estimativas menores com base em balancetes de suspensão/redução, para pleitear a diferença como se indébitos fossem. A legislação tributária está erigida no sentido da definitividade daquela opção de cálculo ao exigir, por exemplo, que os balancetes de suspensão/redução estejam escriturados até a data fixada para o seu pagamento. O art. 35 da Lei nº. 8.981, de 1995, referenciado no art. 2o da Lei nº. 9.430, de 1996, assim dispõe acerca dos balanços ou balancetes de suspensão ou redução de estimativas: Art. 35. A pessoa jurídica poderá suspender ou reduzir o pagamento do imposto devido em cada mês, desde que demonstre, através de balanços ou balancetes mensais, que o valor acumulado já pago excede o valor do imposto, inclusive adicional, calculado com base no lucro real do período em curso. § 1º Os balanços ou balancetes de que trata este artigo: a) deverão ser levantados com observância das leis comerciais e fiscais e transcritos no livro Diário; Fl. 143DF CARF MF Impresso em 06/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 02/03/ 2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 03/03/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 19647.010655/200612 Acórdão n.º 180100.493 S1TE01 Fl. 120 13 b) somente produzirão efeitos para determinação da parcela do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro devidos no decorrer do anocalendário. § 2º O Poder Executivo poderá baixar instruções para a aplicação do disposto no parágrafo anterior. E, com maior detalhamento, a Instrução Normativa SRF nº. 51, de 31 de outubro de 1995, especificou a forma a ser observada no levantamento dos referidos balanços ou balancetes de suspensão ou redução: Art. 10. A pessoa jurídica poderá: I suspender o pagamento do imposto, desde que demonstre que o valor do imposto devido, calculado com base no lucro real do período em curso (art. 12), é igual ou inferior à soma do imposto de renda pago, correspondente aos meses do mesmo ano calendário, anteriores àquele a que se refere o balanço ou balancete levantado. II reduzir o valor do imposto ao montante correspondente à diferença positiva entre o imposto devido no período em curso, e a soma do imposto de renda pago, correspondente aos meses do mesmo anocalendário, anteriores àquele a que se refere o balanço ou balancete levantado. § 1º A diferença verificada, correspondente ao imposto de renda pago a maior, no período abrangido pelo balanço de suspensão, não poderá ser utilizada para reduzir o montante do imposto devido em meses subseqüentes do mesmo anocalendário, calculado com base nas regras previstas nos arts. 3º a 6º. § 2º Caso a pessoa jurídica pretenda suspender ou reduzir o valor do imposto devido, em qualquer outro mês do mesmo ano calendário, deverá levantar novo balanço ou balancete. [...] Art. 12. Para os efeitos do disposto no art. 10: [...] § 1º O resultado do período em curso deverá ser ajustado por todas as adições determinadas e exclusões e compensações admitidas pela legislação do imposto de renda, observado o disposto nos arts. 25 a 27. § 2º O disposto no parágrafo anterior alcança, inclusive, o ajuste relativo ao diferimento do lucro inflacionário não realizado do período em curso, observados os critérios para sua realização. § 3º Para fins de determinação do resultado, a pessoa jurídica deverá promover, ao final de cada período de apuração, levantamento e avaliação de seus estoques, segundo a legislação específica, dispensada a escrituração do livro "Registro de Inventário". Fl. 144DF CARF MF Impresso em 06/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 02/03/ 2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 03/03/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES 14 § 4º A pessoa jurídica que possuir registro permanente de estoques, integrado e coordenado com a contabilidade, somente estará obrigada a ajustar os saldos contábeis, pelo confronto com a contagem física, ao final do anocalendário ou do encerramento do período de apuração, nos casos de incorporação, fusão, cisão ou encerramento de atividade. § 5º O balanço ou balancete, para efeito de determinação do resultado do período em curso, será: a) levantado com observância das disposições contidas nas leis comerciais e fiscais; b) transcrito no livro Diário até a data fixada para pagamento do imposto do respectivo mês. § 6º Os balanços ou balancetes somente produzirão efeitos para fins de determinação da parcela do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro, devidos no decorrer do ano calendário. [...] Art. 14. A demonstração do lucro real relativa ao período abrangido pelos balanços ou balancetes a que se referem os arts. 10 a 13, deverá ser transcrita no Livro de Apuração do Lucro Real LALUR, observandose o seguinte: I a cada balanço ou balancete levantado para fins de suspensão ou redução do imposto de renda, o contribuinte deverá determinar um novo lucro real para o período em curso, desconsiderando aqueles apurados em meses anteriores do mesmo anocalendário. II as adições, exclusões e compensações, computadas na apuração do lucro real correspondentes aos balanços ou balancetes, deverão constar, discriminadamente, na Parte A do LALUR, para fins de elaboração da demonstração do lucro real do período em curso, não cabendo nenhum registro na Parte B do referido Livro. Destaquese, ainda, que não há indébitos quando, após efetuar recolhimentos estimados com base na receita bruta, o contribuinte passa a suspendêlos ou reduzilos por meio dos balancetes, demonstrando que o valor do imposto/contribuição já pago, ou o somatório dele com a estimativa do mês, supera o devido com base no lucro real (balancetes suspensão/redução). As únicas alternativas no curso do ano calendário são: pagar com base na receita bruta, reduzir esse valor com base no balancete ou suspender o pagamento com base também em balancete. Ou seja, se o valor pago no decorrer do período superar o devido com base em balancete de suspensão/redução, o máximo efeito que o contribuinte pode extrair dos referidos balancetes é deixar de pagar o tributo, até que ele se torne novamente devido, seja pela mera apuração da estimativa com base na receita bruta, seja com base no lucro acumulado em balancetes de redução. Logo, o pagamento indevido de estimativas caracterizase na hipótese de erro no recolhimento. Assim, se o valor efetivamente pago foi superior ao devido, seja com base na receita bruta, seja com base no balancete de suspensão/redução, essa diferença é Fl. 145DF CARF MF Impresso em 06/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 02/03/ 2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 03/03/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 19647.010655/200612 Acórdão n.º 180100.493 S1TE01 Fl. 121 15 passível de restituição ou compensação, e esse pedido ou utilização pode, inclusive, ser feito no curso do anocalendário, já que independente de evento futuro e incerto. Neste sentido, aliás, já se manifestou a Secretaria da Receita Federal do Brasil, por meio da Divisão de Tributação da 9a Região Fiscal, ao publicar a Solução de Consulta no 285/2009, em resposta ao questionamento formulado nos autos do processo administrativo no 10909.000244/200969: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ SALDO NEGATIVO. PAGAMENTO A MAIOR. COMPENSAÇÃO. Em regra, o saldo negativo de IRPJ apurado anualmente poderá ser restituído ou compensado com o imposto de renda devido a partir do mês de janeiro do ano calendário subseqüente ao do encerramento do período de apuração, mediante a entrega do PER/Dcomp. A diferença a maior, decorrente de erro do contribuinte, entre o valor efetivamente recolhido e o apurado com base na receita bruta ou em balancetes de suspensão/redução, está sujeita à restituição ou compensação mediante entrega do PER/Dcomp. Dispositivos Legais: Lei nº 9.430, de 1996, arts. 2º e 6º; Lei nº 8.981, de 1995, art. 35; ADN SRF nº 3, de 2000; IN RFB nº 900, de 2008, arts. 2º a 4º e 34. Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL SALDO NEGATIVO. PAGAMENTO A MAIOR. COMPENSAÇÃO. Em regra, o saldo negativo de CSLL apurado anualmente poderá ser restituído ou compensado com devido a contribuição devida a partir do mês de janeiro do ano calendário subseqüente ao do encerramento do período de apuração, mediante a entrega do PER/Dcomp; A diferença a maior, decorrente de erro do contribuinte, entre o valor efetivamente recolhido e o apurado com base na receita bruta ou em balancetes de suspensão/redução, está sujeita à restituição ou compensação mediante entrega do PER/Dcomp. Dispositivos Legais: Lei nº 9.430, de 1996, arts. 2º e 6º; Lei nº 8.981, de 1995, art. 35; ADN SRF nº 3, de 2000; IN RFB nº 900, de 2008, arts. 2º a 4º e 34. No presente caso, a contribuinte alega que errou ao apurar e pagar a estimativa de IRPJ relativa ao mês de julho de 2002, em valor maior que o devido, e assim apontou o indébito de R$ 126.320,21, para compensações com outros tributos, posteriormente, inclusive, à apuração do ajuste anual em 31/12/2002, já que as DCOMP foram formalizadas em fevereiro e março de 2004. Entretanto, há notícias nos autos que os recolhimentos a maior a título de estimativas (de IRPJ e de CSLL), cujo indébito é pleiteado nestes autos a título de direito creditório – especificamente nestes autos o indébito de estimativa de IRPJ foram aproveitados como dedução e compuseram o saldo final do tributo – IRPJ ou CSLL – apurado, ao final do período de apuração, em 31/12/2002, em procedimento fiscal de revisão de ofício de lançamento. Dito de outra forma, o valor aqui pleiteado já teria sido reconhecido pela auditoria fiscal, na revisão de ofício, e aproveitado nas antecipações a título de estimativas, servindo Fl. 146DF CARF MF Impresso em 06/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 02/03/ 2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 03/03/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES 16 como dedução ou compondo o tributo ao final apurado. Por relevante, transcrevo o teor do item “6” do Relatório de Informação Fiscal relativo ao processo n° 19647.009690/200699, cuja cópia encontrase acostada às fls. 95 a 99: “6. Os pagamentos de est imativa mensal de IRPJ e da CSLL indevidos ou a maior foram aproveitados (nesta revisão) no ajuste anual, respectivamente, para dedução do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido devidos no anocalendário em que houve o pagamento indevido ou para compor o saldo negativo do período, conforme art. 10 da IN N."600/2005. . . .” Imperioso, portanto, para homologação da compensação, a confirmação da existência, suficiência e disponibilidade do indébito alegado. Ou seja, a homologação expressa exige que a contribuinte comprove, perante a autoridade administrativa que a jurisdiciona, o erro cometido, seja na apuração da estimativa com base em receita bruta, seja com base em balancete de suspensão/redução, a sua adequação para a formação do indébito de R$ 126.320,21e a correspondente disponibilidade, mediante prova de que não se valeu desta antecipação para liquidação do IRPJ devido no ajuste anual, ou para formação do correspondente saldo negativo. E isto porque, em verdade, o fato de o único fundamento da decisão ser a impossibilidade de aproveitamento de indébitos decorrentes de recolhimentos estimados, não permite concluir pela integridade da formação do crédito. A autoridade administrativa centrou sua decisão, exclusivamente, na possibilidade do pedido, e assim não analisou a efetiva existência do crédito. Superada esta questão, necessário se faz a apreciação do mérito pela autoridade administrativa competente, quanto aos demais requisitos para homologação da compensação. Cumpre registrar, inclusive, que, enquanto a contribuinte não for cientificada de uma nova decisão quanto ao mérito de sua compensação, os débitos compensados permanecem com a exigibilidade suspensa, por não se verificar decisão definitiva acerca de seus procedimentos. E, caso tal decisão não resulte na homologação total das compensações promovidas, develhe ser facultada nova manifestação de inconformidade, possibilitandolhe a discussão do mérito da compensação nas duas instâncias administrativas de julgamento. Por todo o exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso voluntário, para reconhecer a possibilidade de formação de indébitos em recolhimentos por estimativa, mas sem homologar a compensação por ausência de análise do mérito pela autoridade preparadora, com o conseqüente retorno dos autos à jurisdição da contribuinte, para verificação da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pretendido em compensação. (assinado digitalmente) ______________________________________ Maria de Lourdes Ramirez – Relatora Fl. 147DF CARF MF Impresso em 06/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 02/03/ 2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 03/03/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 19647.010655/200612 Acórdão n.º 180100.493 S1TE01 Fl. 122 17 Fl. 148DF CARF MF Impresso em 06/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 02/03/ 2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 03/03/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES
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Numero do processo: 10880.978724/2009-01
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 11 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Apr 18 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Data do fato gerador: 31/10/2004
IRPJ. ESTIMATIVAS. PAGAMENTO INDEVIDO. RESTITUIÇÃO/ COMPENSAÇÃO.
Súmula CARF nº 84: Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação.
Afastado o óbice que serviu de fundamento legal para a não homologação da compensação pleiteada, e, não havendo análise, pelas autoridades a quo, quanto ao aspecto quantificativo do direito creditório alegado e compensação objeto do PERDCOMP, deve ser analisado o pedido de restituição/compensação à luz dos elementos que possam comprovar o direito creditório alegado.
Numero da decisão: 1802-001.623
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento PARCIAL ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(documento assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente e Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Nelso Kichel e Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Marco Antonio Nunes Castilho e Marciel Eder Costa.
Nome do relator: ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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ESTIMATIVAS. PAGAMENTO INDEVIDO. RESTITUIÇÃO/ COMPENSAÇÃO. Súmula CARF nº 84: Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. Afastado o óbice que serviu de fundamento legal para a não homologação da compensação pleiteada, e, não havendo análise, pelas autoridades a quo, quanto ao aspecto quantificativo do direito creditório alegado e compensação objeto do PERDCOMP, deve ser analisado o pedido de restituição/compensação à luz dos elementos que possam comprovar o direito creditório alegado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento PARCIAL ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente e Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Nelso Kichel e Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Marco Antonio Nunes Castilho e Marciel Eder Costa. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 97 87 24 /2 00 9- 01 Fl. 69DF CARF MF Impresso em 18/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 17/ 04/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 2 Relatório Por economia processual e bem descrever a síntese dos fatos adoto o relatório da decisão recorrida, fl.37, que a seguir transcrevo: Tratase de manifestação de inconformidade apresentada em face do despacho decisório de fl. 3, pelo qual a DERAT/DIORT/EQPIR/SPO não reconheceu o direito creditório fundado em indébito de IRPJ, código 2362, recolhido em 31/10/2004, no valor de R$ 1.542.528,47 e, conseqüentemente, não homologou nesses autos o PER/DCOMP n° 05399.59468.270808.1.7.048355, por tratarse de pagamento a título de estimativa mensal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real, caso em que o recolhimento somente pode ser utilizado na dedução do IRPJ ou da CSLL devida ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou de CSLL do período. A contribuinte apresentou peça recursal (fls. ) em 29/09/2009, alegando, em síntese, que: inicialmente, requer a reunião do presente processo com os processos administrativos n° 10880.976929/200943, 10880.976930/200978 e 10880.976931/200912, por tratarem da mesma matéria; para a compensação de créditos, basta o cumprimento dos requisitos previstos no artigo 170 do Código Tributário Nacional e no artigo 74, caput, da Lei n° 9.430/96; a limitação imposta pelo artigo 10 da Instrução Normativa SRF n° 600/2005, no tocante à restrição da compensação dos créditos relativos a pagamento indevido ou a maior de IRPJ e CSLL a título de estimativa mensal, é inconstitucional e ilegal; nos termos do artigo 106 do Código Tributário Nacional, deve ser admitida a retroatividade benéfica da revogação da Instrução Normativa SRF n° 600/05, pelo artigo 100 da Instrução Normativa RFB n° 900/08 que, inclusive, não mais veda a compensação de créditos relativos a pagamentos de IRPJ e CSLL por estimativa, conforme previsto em seu artigo 11; a SRFB, via Superintendência Regional da Receita Federal da 9a Região Fiscal, quando da apreciação da Consulta n° 285/09, de 17 de julho de 2009, esclareceu que os recolhimentos indevidos ou a maior a título de antecipações mensais por estimativa podem ser objeto de Declaração de Compensação no próprio anocalendário; Pelos mesmos fundamentos expendidos no Despacho Decisório, fl. 3, da DERAT/DIORT/EQPIR/SPO acima mencionado, é a decisão de primeira instância proferida mediante o Acórdão nº 1627.805, de 17 de novembro de 2010 (fls.36/38), ou seja, a Delegacia de Julgamento julgou improcedente a manifestação de inconformidade da pessoa jurídica com escora também no artigo 10 da IN SRF n° 460, de 2004, confirmado pelo artigo 10 da IN SRF n° 600, de 2005. Fl. 70DF CARF MF Impresso em 18/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 17/ 04/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10880.978724/200901 Acórdão n.º 1802001.623 S1TE02 Fl. 3 3 O Acórdão de primeira instância possui a seguinte ementa, fl.38: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Data do fato gerador: 31/10/2004 Ementa: ESTIMATIVA MENSAL. PAGAMENTO INDEVIDO.UTILIZAÇÃO. A pessoa jurídica tributada pelo lucro real que efetuar pagamento indevido ou a maior a titulo de estimativa mensal somente poderá utilizar o valor pago na dedução do tributo devido ao final do período de apuração. Cientificada da mencionada decisão em 04/06/2011, conforme o Aviso de Recebimento, a pessoa jurídica interpôs recurso voluntário ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, em 02/02/2011, alegando, essencialmente, os mesmos fundamentos expendidos na manifestação de inconformidade perante a DRJ, portanto, desnecessário repeti los. Finalmente requer: Preliminarmente: ser reconhecida a conexão do presente processo com os Processos Administrativos nºs 10880.976930/200978, 10880.976931/200912 e 10880.976929/200943, determinando se a distribuição dos presentes autos para a mesma Seção e Câmara, desse E. CARF, bem como ao mesmo Conselheiro Relator, para evitar que sejam proferidas decisões divergentes acerca do mesmo fato; e, No Mérito: ser reformado o acórdão (nº 1627.804) proferido pela D. DRJ/SP1, para o fim de ser totalmente homologada a compensação realizada, cancelandose, por decorrência, a importância exigida a titulo de IRPJ, multa, juros e demais encargos, constante do Processo Administrativo nº 10880.982477/200939. É o relatório. Voto Conselheira Ester Marques Lins de Sousa O recurso voluntário é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235/72. Dele conheço. Fl. 71DF CARF MF Impresso em 18/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 17/ 04/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 4 De início esclareço que os Processos Administrativos nºs 10880.976930/200978 e 10880.976931/200912 foram distribuídos conjuntamente e encontramse sob julgamento nesta mesma sessão de 09/04/2013. O presente processo tem origem no PER/DCOMP n.° 05399.594S8.270808.1.7.04 8355 (fls. 01/02), retificador, transmitido em 27/08/2008, com objetivo de ver reconhecida a compensação de suposto crédito decorrente de pagamento indevido e/ou a maior de estimativa de IRPJ (código 2362),em 31/10/2004, no valor de R$ 19.068,57, com débito de IRPJ estimativa, (PERÍODO DE APURAÇÃO: Out. / 2005 e VENCIMENTO: 30/11/2005). Sobre a análise do PER/DCOMP pela autoridade administrativa originária da Derat/São Paulo/SP, consta que: Limite do crédito analisado, correspondente ao valor do crédito original na data de transmissão informado no PER/DCOMP: R$ 19.068,57. Analisadas as informações prestadas no documento acima identificado, foi constatada a improcedência do crédito Informado no PER/DCOMP por tratarse de pagamento a titulo de estimativa mensal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real, caso em que o recolhimento somente pode ser utilizado na dedução do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) ou da Contribuição Social sobre o Lucro Liquido (CSLL) devida ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou CSLL do período. CARACTERÍSTICAS DO DARF PERÍODO DE APURAÇÃO CÓDIGO DE RECEITA (2362), VALOR TOTAL DO DARF R$ 1.542.528,47;PERÍODO DE APURAÇÃO 30/09/2004; DATA DE ARRECADAÇÃO 31/10/2004. Diante do exposto, NÃO HOMOLOGO a compensação declarada. 0 referido decisório está arrimado no artigo 10 da Instrução Normativa SRFn° 460, de 2004, abaixo transcrito: Art. 10. A pessoa jurídica tributada pelo lucro real, presumido ou arbitrado que sofrer retenção indevida ou a maior de imposto de renda ou de CSLL sobre rendimentos que integram a base de cálculo do imposto ou da contribuição, bem assim a pessoa jurídica tributada pelo lucro real anual que efetuar pagamento indevido ou a maior de imposto de renda ou de CSLL a titulo de estimativa mensal, somente poderá utilizar o valor pago ou retido na dedução do IRPJ ou da CSLL devida ao final do período de apuração em que houve a retenção ou pagamento indevido ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou de CSLL do período. Pelos mesmos fundamentos expendidos no Despacho Decisório acima mencionado, é a decisão de primeira instância proferida no Acórdão nº 1627.805, de 17 de novembro de 2010 (fls.36/38), ou seja, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo/SP julgou improcedente a manifestação de inconformidade da pessoa jurídica com escora também no artigo 10 da IN SRF n° 460, de 2004 e da IN SRF n° 600, de 2005. Fl. 72DF CARF MF Impresso em 18/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 17/ 04/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10880.978724/200901 Acórdão n.º 1802001.623 S1TE02 Fl. 4 5 Desse modo concluiu que, somente o saldo negativo do IRPJ apurado no encerramento do ano calendário constitui valor passível de restituição/compensação, não sendo cabível, portanto, a solicitação decorrente de eventuais valores relativos a recolhimentos efetuados por estimativa no decorrer do ano calendário. Sobre os mencionados atos normativos a Recorrente alega que nos termos do artigo 106 do Código Tributário Nacional, deve ser admitida a retroatividade benéfica da revogação da Instrução Normativa SRF n° 600/05, pelo artigo 100 da Instrução Normativa RFB n° 900/08 que, inclusive, não mais veda a compensação de créditos relativos a pagamentos de IRPJ e CSLL por estimativa, conforme previsto em seu artigo 11. De fato a restrição contida no artigo 10 da IN SRF n° 460, de 2004 e da IN SRF n° 600, de 2005 não mais se repete na IN SRF nº 900/2008 e alterações posteriores. Com efeito, ressalvadas as situações do parágrafo 3º (créditos não compensáveis) do artigo 74 da Lei nº 9.430/96 que disciplina a matéria relativa à compensação no âmbito federal, o sujeito passivo que apurar crédito relativo a tributo e/ou contribuição administrados pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos vencidos ou vincendos próprios do contribuinte, relativos a quaisquer tributos ou contribuições sob administração do mencionado órgão administrativo, vejamos: ... Artigo 74 0 sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele órgão. ... § 3o Além das hipóteses previstas nas leis específicas de cada tributo ou contribuição, não poderão ser objeto de compensação mediante entrega, pelo sujeito passivo, da declaração referida no § 1o: (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) I o saldo a restituir apurado na Declaração de Ajuste Anual do Imposto de Renda da Pessoa Física; (Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) II os débitos relativos a tributos e contribuições devidos no registro da Declaração de Importação. (Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) III os débitos relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal que já tenham sido encaminhados à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional para inscrição em Dívida Ativa da União; (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) IV os créditos relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal com o débito Fl. 73DF CARF MF Impresso em 18/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 17/ 04/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 6 consolidado no âmbito do Programa de Recuperação Fiscal Refis, ou do parcelamento a ele alternativo; e (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) IV o débito consolidado em qualquer modalidade de parcelamento concedido pela Secretaria da Receita Federal SRF; (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) V os débitos que já tenham sido objeto de compensação não homologada pela Secretaria da Receita Federal. (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) V o débito que já tenha sido objeto de compensação não homologada, ainda que a compensação se encontre pendente de decisão definitiva na esfera administrativa; e (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) VI o valor objeto de pedido de restituição ou de ressarcimento já indeferido pela autoridade competente da Secretaria da Receita Federal SRF, ainda que o pedido se encontre pendente de decisão definitiva na esfera administrativa. (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) VIIos débitos relativos a tributos e contribuições de valores originais inferiores a R$ 500,00 (quinhentos reais); (Incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008) VIIIos débitos relativos ao recolhimento mensal obrigatório da pessoa física apurados na forma do art. 8o da Lei no 7.713, de 1988; e (Incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008) IXos débitos relativos ao pagamento mensal por estimativa do Imposto sobre a Renda da Pessoa JurídicaIRPJ e da Contribuição Social sobre o Lucro LíquidoCSLL apurados na forma do art. 2o. (Incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008) ... Como visto os fundamentos para o indeferimento do PERDCOMP, tanto pela DRF quanto pela DRJ, por si só, não encontram amparo na norma legal que rege a matéria. O assunto encontrase pacificado na Súmula CARF nº 84, verbis: Súmula CARF nº 84: Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. A questão é saber se de fato resta caracterizado o indébito do pagamento de estimativa, comprovado mediante escrituração contábil e fiscal, para que se possa aferir a certeza e liquidez do crédito tributário como dispõe o artigo 170 da Lei nº 5.172/1966 (Código Tributário NacionalCTN). Não constando dos autos a DIPJ/2005 e DCTF(s), tampouco os Balancetes de Suspensão/Redução do ano calendário de 2004 para se verificar se o pagamento efetuado de IRPJ à titulo de estimativa mensal, relativo ao período de apuração de 30/09/2004 é maior que o devido e acumulado até 30/09/2004, e ainda se, o requerente não compôs o alegado pagamento indevido de estimativa no ajuste anual do IRPJ/2004 e não compensado com outros Fl. 74DF CARF MF Impresso em 18/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 17/ 04/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10880.978724/200901 Acórdão n.º 1802001.623 S1TE02 Fl. 5 7 débitos, tornase inviável, nessa fase processual, a análise quanto ao crédito alegado e conseqüente compensação pleiteada. Porém, a motivação para o indeferimento do pleito tanto pela autoridade administrativa da Derat/São Paulo/SP quanto pela Delegacia de Julgamento restringese ao teor da IN SRF no artigo 10 da IN SRF n° 460, de 2004, e como visto extrapolam o conteúdo da Lei nº 9430/96. Assim, não havendo análise quanto ao aspecto quantificativo do direito creditório alegado objeto do PERDCOMP e, afastado o óbice escorado apenas no artigo 10 da IN SRF n° 460, de 2004 e da IN SRF n° 600, de 2005, que serviu de fundamento para a não homologação da compensação pleiteada, deve ser analisado o pedido de restituição/compensação à luz dos elementos que possam comprovar ou não o direito creditório alegado. Diante do exposto, voto no sentido de DAR provimento PARCIAL ao recurso voluntário, para que sejam devolvidos os autos à DRF de origem (Derat/São Paulo/SP) para análise do PERDCOMP em comento e proferido outro despacho decisório que deverá ser cientificado ao interessado para sua manifestação se for o caso. (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa. Fl. 75DF CARF MF Impresso em 18/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 17/ 04/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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Numero do processo: 11020.720674/2007-97
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 22 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Contribuição para o PIS/PASEP
Período de apuração: 01/10/2006 a 31/12/2006
CESSÃO DE ICMS. INCIDÊNCIA DE PIS E COFINS.
A cessão de créditos de ICMS não se constitui em base de cálculo da contribuição, por se tratar esta operação de mera mutação patrimonial, não representativa de receita.
Recurso voluntário provido.
Numero da decisão: 3202-000.499
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso voluntário.
Vencidos os Conselheiros Irene Souza da Trindade Torres e Charles Mayer de Castro Souza, que negavam provimento ao recurso. Redator designado: o Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Junior.
Nome do relator: IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Contribuição para o PIS/PASEP Período de apuração: 01/10/2006 a 31/12/2006 CESSÃO DE ICMS. INCIDÊNCIA DE PIS E COFINS. A cessão de créditos de ICMS não se constitui em base de cálculo da contribuição, por se tratar esta operação de mera mutação patrimonial, não representativa de receita. Recurso voluntário provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Irene Souza da Trindade Torres e Charles Mayer de Castro Souza, que negavam provimento ao recurso. Redator designado: o Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Junior. Irene Souza da Trindade Torres Presidente e Relatora Gilberto de Castro Moreira Junior – Redator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Irene Souza da Trindade Torres, Rodrigo Cardozo Miranda, Gilberto de Castro Moreira Junior, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Charles Mayer de Castro Souza e Wilson Sampaio Sahade Filho. Fl. 86DF CARF MF Impresso em 08/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2012 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIO, Assinado digitalmente e m 24/05/2012 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIO, Assinado digitalmente em 06/06/2012 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES 2 Relatório Cuida a lide de Pedido de Ressarcimento de alegado crédito relativo à contribuição para o PIS/PASEP nãocumulativa, vinculado às receitas de exportação, referente ao 4º trimestre de 2006, no valor total de R$ 2.310,98 . A DRF Caxias do Sul/RS, fundamentada no Relatório de Verificação Fiscal de fls. 05/07, por meio do Despacho Decisório DRF/CXL/2008 (fl.08), reconheceu parcialmente o direito creditório pleiteado, no valor de R$ 1.953,94, glosando, portanto, R$ 350,04. A parcela do crédito glosada deveuse à inclusão, na base de cálculo da contribuição para o PIS/PASEP, das receitas com créditos de ICMS transferidos para terceiros. De tal despacho, a interessada apresentou Manifestação de Inconformidade (fls. 41/47), alegando, em síntese: que o saldo credor de ICMS não configura receita, mas tributo embutido no custo das mercadorias adquiridas, recuperável sob a forma de compensação ou restituição; que a recuperação do ICMS embutido no custo das mercadorias adquiridas decorre do princípio da nãocumulatividade; que o ICMS destacado nas notas fiscais integra o preço de venda do produto, configurando, assim, parcela da receita/faturamento, fazendo parte da base de cálculo do PIS e da COFINS; contudo, o ICMS já serviu de base de cálculo para apuração do PIS e da COFINS devidos pelo fornecedor dos insumos adquiridos pela requerente; que a empresa está imune ao ICMS sobre receita decorrente de exportações; que a Lei Complementar nº 87/96, em seu artigos 25, §2º, inciso II, autorizou às empresas exportadoras a transferirem, para outros contribuintes do mesmo Estado, os saldos credores acumulado de ICMS; que, ao transferir seus créditos de ICMS acumulados para quitar obrigações contraídas junto a fornecedores, está, na verdade, usando seus créditos como moeda de pagamento do débito que possui por conta de aquisição de insumos. Essa transação não implica no ingresso de dinheiro novo, posto que, na prática, o tributo recuperado passa para o caixa da empresa da mesma forma como se ela tivesse sido ressarcida do benefício pelo fisco; que a exigência do PIS e da COFINS sobre o ICMS recuperado e aproveitado pela empresa exportadora ofende a regra constitucional da imunidade assegurada às exportações pelo art. 155, §2º, inciso X, alínea “a” da Constituição Federal; e que sobre o valor objeto do pedido de ressarcimento devem incidir juros calculados pela Taxa Selic. Ao final, requereu o deferimento da restituição consoante os cálculos originariamente apresentados, devidamente atualizados pela taxa Selic. A DRJJuiz de Fora/MG julgou improcedente a manifestação de inconformidade (fls.67/71), nos termos da ementa adiante transcrita: Assunto: Normas de Administração Tributária Fl. 87DF CARF MF Impresso em 08/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2012 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIO, Assinado digitalmente e m 24/05/2012 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIO, Assinado digitalmente em 06/06/2012 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 11020.720674/200797 Acórdão n.º 3202000.499 S3C2T2 Fl. 87 3 Anocalendário: 2006 PEDIDO DE RESSARCIMENTO Não comprovada a existência de crédito disponível à data da transmissão do PER, não há que se reconhecer o direito creditório em litígio. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Direito Creditório Não Reconhecido Irresignada, a contribuinte apresentou Recurso Voluntário perante este Colegiado (fls. 78/82), insurgindose quanto à inclusão do ICMS transferido para terceiro na base de cálculo da contribuição do PIS/PASEP, sob os argumentos que ali apresenta, que não se diferenciam daqueles trazidos na Manifestação de Inconformidade. Ao final, requereu o provimento do recurso. É o Relatório. Voto Conselheira Irene Souza da Trindade Torres, Relatora O recurso voluntário é tempestivo e preenche as demais condições de admissibilidade, razões pelas quais dele conheço. Ao teor do relatado, trata a lide de Pedido de Ressarcimento da contribuição para o PIS/PASEP nãocumulativa de alegados créditos vinculados às receitas de exportação, referente ao 4º trimestre de 2006, no valor total de R$ 2.310,98. A DRJJuiz de Fora/MG não reconheceu o direito creditório postulado, manifestandose, nesse sentido, apenas quanto ao montante de R$ 350,04, visto que a DRF Caxias do Sul/RS já havia reconhecido parte do direito creditório, no valor de R$ 1.953,94. Por guardar absoluta identidade com a matéria ora em apreço, adoto como razões de decidir o entendimento manifestado pelo i. Conselheiro Júlio César Alves Ramos, nos autos do processo nº. 11065.000342/200512, cujo voto condutor do Acórdão transcrevo abaixo, excertos: “ (...) Das discussões que se devem travar, a primeira diz respeito à necessidade de inclusão da “receita” decorrente da alienação do saldo credor de ICMS decorrente de exportações na base de cálculo da contribuição. (...) Com efeito, essas parecem ser as razões para o entendimento da SRF. Primeiro, que o crédito fiscal é alienado; segundo, “logo”, há uma receita; terceiro, a Fl. 88DF CARF MF Impresso em 08/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2012 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIO, Assinado digitalmente e m 24/05/2012 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIO, Assinado digitalmente em 06/06/2012 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES 4 lei que estabeleceu a incidência nãocumulativa da contribuição, cuja base de cálculo é a totalidade das receitas, não previu sua exclusão. Por fim, não importa que não tenha havido lançamento em conta de resultado porque é irrelevante a forma de contabilização da receita. Tentemos examinar com mais profundidade cada elemento da tese fiscal. Quanto à existência de uma alienação onerosa, os contribuintes contrapõem que ela não existe. Tratarseia meramente de um pagamento ao seu fornecedor que é feito utilizando o saldo credor de ICMS por expressa autorização legal. Em suma, o crédito fiscal funciona como uma espécie de “moeda” na operação, permitindo a extinção da obrigação contraída junto ao fornecedor sem a necessidade de pagamento com efetivo numerário. Em troca, o fornecedor utilizará o crédito na forma “normal”, isto é para compensar imposto devido pelas suas próprias saídas, o que não poderia ser feito pelo detentor original. Não partilho tal entendimento. Com efeito, a mera transferência de titularidade do direito, originalmente apenas oponível à Fazenda, basta, a meu ver, para caracterizar a alienação nos termos do direito civil. E não há dúvida de que essa alienação é onerosa na medida em que há contrapartida por parte do fornecedor, ainda que no exato valor do direito transferido. Minha divergência acerca do entendimento da Administração radica no segundo elo do raciocínio. É que ele considera suficiente a ocorrência de uma alienação para que seja imperativo o reconhecimento de uma receita. Disso divirjo, valendome dos próprios conceitos contábeis aplicáveis à matéria. É que, por certo, a ninguém escapa ser o objetivo da contabilidade a demonstração das mutações patrimoniais, especialmente aquelas de natureza quantitativa, de modo a facilitar a tomada de decisões por parte de gestores e investidores. O seu foco é, portanto, o resultado, que corresponde a modificações no Patrimônio Líquido da entidade. Até redundante, o Patrimônio líquido só se altera, de forma definitiva, em razão de lucro ou prejuízo apurado. A princípio, pois, nada impede que tais mutações sejam registradas e “demonstradas” diretamente nas contas patrimoniais. Nesses termos, uma venda de mercadoria adquirida com esse fim, por exemplo, poderia ser contabilizada a crédito da conta de estoque (item do ativo) correspondente e a débito de uma outra conta de ativo (caixa ou clientes). Em complemento, registrarseia, diretamente na conta lucros ou prejuízos acumulados (conta do Patrimônio Líquido) a diferença entre o valor do estoque e o da venda. Sabemos todos que não é assim que tal operação é contabilizada. De fato, tratandose mesmo de uma operação de venda de mercadorias (ou de produtos elaborados ou serviço prestado) exigem as normas contábeis seja contabilizada segregadamente. De um lado, reconhecese contabilmente o direito decorrente do preço ajustado, ainda que não imediatamente liquidado: débito de uma conta de ativo (caixa ou clientes) e crédito de uma conta de resultado (receita de venda); de outro lado, registrase a perda patrimonial correspondente à entrega do bem, imprescindível à obtenção da receita (crédito do estoque e débito do custo das mercadorias, ou dos produtos ou dos serviços vendidos). Podemse conceber diversas razões para a necessidade ou conveniência de tal segregação, desde a dificuldade em apurar o custo no momento da venda dada a grande quantidade de operações realizadas diariamente, sabendose que essa é a finalidade da empresa, até a clareza da demonstração do resultado que advém da existência de contas próprias indicando, individualizadamente, como se formou o resultado do exercício. Transferese, assim, para a conta de lucros ou prejuízos apenas o resultado final relativo a um dado período. Fl. 89DF CARF MF Impresso em 08/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2012 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIO, Assinado digitalmente e m 24/05/2012 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIO, Assinado digitalmente em 06/06/2012 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 11020.720674/200797 Acórdão n.º 3202000.499 S3C2T2 Fl. 88 5 Seja qual for a razão fundamental para essa segregação (os livros não a indicam) é certo, porém, que ela não atinge aquelas operações que, por não corresponderem ao objetivo central da empresa, não ocorrem costumeira ou freqüentemente. Assim se passa com aqueles itens que não foram comprados para serem revendidos e que por isso mesmo não integram os estoques para venda. O melhor exemplo provavelmente seja a venda de itens do ativo permanente. De fato, quando uma empresa se desfaz de uma máquina, um imóvel, um veículo, ou mesmo ações de uma outra empresa, nenhuma norma contábil determina que ela registre uma “receita de venda” acompanhada de uma baixa do bem contra uma conta de “custo”. Pelo contrário, lançase diretamente o dinheiro ou direito recebido a débito do ativo contra a própria conta representativa do bem vendido. Não há receita e custo; no resultado apenas aparece, e diretamente, o lucro ou a perda (nesse caso não operacionais) apurado na operação. Ou seja, as contas de resultado só registram o efetivo resultado líquido. Daí que desaparece o suporte técnico para a afirmação de que, por ter ocorrido uma alienação (e notese que alienação é gênero do qual a venda é mera espécie) já surge a obrigatoriedade do registro de uma receita. Essa obrigatoriedade somente existe para aqueles itens que foram adquiridos exatamente para serem vendidos, seja no mesmo estado, seja depois de transformados em um novo produto ou serviço. O exemplo envolveu item classificado contabilmente no ativo permanente. Por isso, sabendose que o direito relativo ao crédito de ICMS decorrente da aquisição é contabilmente registrado no mesmo grupo do ativo (ativo circulante) do estoque caberia perguntar se, só por isso, a contabilização de sua “venda” não deveria seguir o mesmo padrão das mercadorias no último obrigatoriamente incluídas. Também entendo que a melhor resposta é não. E assim penso porque as mercadorias divergem totalmente do crédito fiscal (seja de ICMS, IPI ou mesmo das próprias contribuições PIS e COFINS) naquilo que realmente importa: enquanto as mercadorias são adquiridas, desde o início, para serem vendidas, o crédito fiscal, além de não ser propriamente “adquirido”, não tem por “objetivo” ser vendido. Realmente, o crédito fiscal não é “adquirido” juntamente com o produto como defendem, ao meu ver equivocadamente, algumas autoridades fiscais. E isso porque ele não decorre da relação comercial que se estabelece entre vendedor e comprador. Entre estes há uma operação de venda, com um preço ajustado, que é pago pelo comprador. Neste preço há uma parte que corresponde ao imposto de que o vendedor é sujeito passivo. Ele é destacado na nota fiscal de compra não porque seja objeto de uma venda entre aquele e o comprador, mas sim porque a legislação tributária o exige de modo a tornar mais clara a concretização do princípio constitucional da nãocumulatividade. Ainda assim, o que o adquirente compra é um produto, e só um produto. O que ele paga é um preço, e só um preço. Ele nem “adquire” o crédito do imposto nem “paga” o imposto decorrente da aquisição. Ele suporta o ônus dessa incidência tributária e é essa circunstância que o autoriza a recuperar esse valor do ente tributante de modo a dar cumprimento ao princípio da nãocumulatividade. Essas são as razões, aliás, para que o ICMS destacado pelo vendedor integre sua receita de venda e seja, por isso mesmo, base de cálculo da própria contribuição que discutimos, como já pacificou o Superior Tribunal de Justiça (Súmula nº 68). Esse fato, no entanto, não constitui razão, a meu ver, para que, na sistemática não cumulativa, deva “imputarse” um débito da contribuição de modo a “anular” o crédito a que o contribuinte do PIS tem em conseqüência da aquisição feita, tese Fl. 90DF CARF MF Impresso em 08/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2012 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIO, Assinado digitalmente e m 24/05/2012 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIO, Assinado digitalmente em 06/06/2012 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES 6 acrescida em alguns processos que analisamos, visando a “restabelecer o equilíbrio tributário”. Assim não penso, também. Bem antes o contrário. O direito de crédito das contribuições PIS e COFINS sobre o valor integral pago ao vendedor (preço do produto) decorre exatamente do fato de que este último também sobre esse total as recolherá. O direito de mantêlo mesmo quando na venda posterior (por ser uma operação de exportação) não haja PIS nem COFINS a recolher decorre de expressa disposição legal (art. 5º da Lei 10.637 e art. 6º da Lei 10.833). E como essas disposições não condicionaram tal aproveitamento à forma como venha a ser utilizado o crédito fiscal do ICMS, parece necessário concluir que o “restabelecimento do equilíbrio tributário” a imposição de um débito de COFNS deveria ocorrer mesmo se o ente federativo com direito ao recebimento do ICMS viesse a estabelecer forma diversa de utilização daquele crédito, por exemplo, o ressarcimento em dinheiro. Será que, mesmo assim, se entenderia que deveria haver um lançamento de receita? Receita de quê? De “venda” ao Estado? Registro, para não parecer uma contradição: essa situação difere por completo do crédito presumido de IPI objeto de ressarcimento. Neste caso, sim, há nova receita porque não havia direito algum registrado contabilmente em contrapartida do qual pudesse ser “baixado” o valor a ser ressarcido. Nem mesmo o “custo” com as contribuições o pode ser dado que a norma legal (Lei 9.363) não condicionou o crédito presumido a seu “estorno”. Ou seja, o custo com as contribuições incidentes sobre os insumos já foi, ou pelo menos podia ter sido, “recuperado” via preço. Em conseqüência, o valor posteriormente recebido é nova receita, e que tem sim de ser tributada quando a base de cálculo seja a totalidade das receitas por falta de previsão legal para ser excluída. No caso que discutimos, não. Já há um direito registrado contabilmente e o que o legislador fez ao autorizar sua transferência foi, simplesmente, dar a ele uma nova destinação que viabilizasse na prática sua utilização, o que, ademais, somente dá cumprimento ao texto constitucional que prevê, não só a imunidade, mas também o direito ao crédito (art. 155, § 2º, inciso X, letra a com a redação da Emenda Constitucional 42/1993). Divergimos, por essas razões, do entendimento da Administração de que a operação de transferência de saldo credor de ICMS, ainda que alienação seja, e alienação onerosa, gere receita. E não sendo receita, também não vale o argumento final da autoridade fiscal atuante neste processo: a expressão contida no art. 3º da Lei 9.718/98 (“independente da forma de contabilização”) exige, primeiro, que se esteja realmente falando de receita. Não autoriza que seja assim considerado algo que receita não é. Tudo isso não obstante, é imperioso reconhecer que o entendimento fazendário vem de ser recentemente encampado em texto legal expresso. Refirome à Lei 11.945 cujo art. 16 está vazado nos seguintes termos: Art. 16. Os arts. 1o, 2o e 3o da Lei no 10.637, de 30 de dezembro de 2002, passam a vigorar com a seguinte redação: "Art. 1o ............................................................................................................. § 3o .................................................................................................................... VII decorrentes de transferência onerosa a outros contribuintes do Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS de créditos de ICMS originados de operações de exportação, conforme Fl. 91DF CARF MF Impresso em 08/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2012 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIO, Assinado digitalmente e m 24/05/2012 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIO, Assinado digitalmente em 06/06/2012 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 11020.720674/200797 Acórdão n.º 3202000.499 S3C2T2 Fl. 89 7 o disposto no inciso II do § 1o do art. 25 da Lei Complementar no 87, de 13 de setembro de 1996." (NR) Há, pois, segundo o texto legal, receita. Ela pode ser excluída da base de cálculo das contribuições, mas só a partir de 1º de janeiro de 2009, isso porque o art. 33 do mesmo ato legal determinou que o artigo 17 acima produz efeitos apenas a partir de 1º de janeiro de 2009. Que tal conceito deveria emergir diretamente da ciência contábil e não de um ato legal, vocacionado apenas a regular a incidência de contribuições, é até desnecessário reafirmar. O fato concreto, porém, é que há hoje ato legal dizendo que dessa operação advém receita para o contribuinte em questão, e receita que deve ser tributada pela contribuição até 31 de dezembro de 2008. Não vejo como possam os Conselheiros membros do CARF desconsiderar esse enunciado sem contrariar o art. 62 do Regimento da Casa (Portaria MF 256/2009): Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou II que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar nº 73, de 1993; ou c) parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar nº 73, de 1993. De fato, a não ser sua inconstitucionalidade, não vejo o que se possa alegar, especialmente porque já concluímos que a decisão judicial que possui o contribuinte não alcança esse processo e não há nenhuma decisão do STF que se possa a ele aplicar. Tal norma regimental, aliás, embasa enunciado de Súmula Administrativa originada no Segundo Conselho de Contribuintes (Súmula nº 02, aprovada em sessão de 18 de setembro e publicada em 26 do mesmo ano). Ainda que extinto aquele órgão, a observância dos entendimentos firmados em suas Súmulas pelos Conselheiros membros do CARF é obrigatória por força de disposição regimental (art. 72, § 4º da Portaria MF 256/2009). Com essas considerações, e em estrito respeito à Súmula Administrativa nº 02 do Segundo Conselho de Contribuintes e ao Regimento Interno do CARF, e tendo em conta que o período considerado é anterior a 1º de janeiro de 2009, voto por negar provimento ao recurso do contribuinte neste ponto.” Fl. 92DF CARF MF Impresso em 08/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2012 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIO, Assinado digitalmente e m 24/05/2012 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIO, Assinado digitalmente em 06/06/2012 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES 8 Assim, descabe o entendimento de que a precitada lei é norma meramente interpretativa. Norma interpretativa é norma que não altera qualquer conteúdo ou elemento da norma interpretada, limitandose a apenas esclarecerlhe o significado. A Lei n.º 11.945/2009, ao acrescentar o inciso VI ao §3º do art. 1º da Lei n.º 10.637/2003, alteroulhe o conteúdo, acrescentando mais uma hipótese de exclusão de receita para fins de apuração da base de cálculo do PIS, criando, assim, nova norma, instituindo novo direito, que passou a existir somente a partir da data do início da vigência daquela nova lei. É o que claramente se vê da leitura do item 6 da Exposição de Motivos da MP nº.451/2008, ao explicitar as razões da alteração introduzida por meio do art. 8º daquela Medida Provisória, posteriormente convertido no referido art. 17 da Lei n.º 11.945/2009, verbis: Excelentíssimo Senhor Presidente da República, Submeto à apreciação de Vossa Excelência o Projeto de Medida Provisória que altera a legislação tributária federal, dispõe sobre ações de reestruturação dos setores produtivos, especialmente os de aquicultura e pesca nos municípios do Estado de Santa Catarina atingidos pelas chuvas ocorridas no último bimestre de 2008, e que altera a Lei no 6.194, de 19 de dezembro de 1974 (...) 6. Os arts. 7º, 8º e 9º objetivam incentivar as exportações brasileiras, ao criar nova hipótese de exclusão da base de cálculo da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, deixando de tributar as receitas decorrentes de transferência onerosa, a outros contribuintes do ICMS, de créditos de ICMS originados de operações de exportação. (grifo não constante do original) Desta forma, vez que a presente lide trata de créditos referentes ao 4º trimestre de 2006, anterior, portanto, a 1º/01/2009, quando, então, passou a produzir efeitos a Lei nº. 11.945/2009, a qual excluiu da base de cálculo da contribuição para o PIS as transferências a terceiros de créditos de ICMS originados de operações de exportação, não há como reconhecer o direito creditório na integralidade, conforme pretende a recorrente. Pelo exposto, NEGO PROVIMENTO ao recurso voluntário. É como voto. Irene Souza da Trindade Torres Voto Vencedor Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Junior No que tange a cessão de créditos de ICMS, ouso discordar da ilustre Relatora e entendo caber razão à Recorrente. Devese levar em consideração o fato de que, nos termos da sistemática tributária em questão, o ICMS é, por, expressa determinação constitucional, imposto não cumulativo, devendo se compensar em cada operação com o montante cobrado nas anteriores Fl. 93DF CARF MF Impresso em 08/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2012 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIO, Assinado digitalmente e m 24/05/2012 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIO, Assinado digitalmente em 06/06/2012 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 11020.720674/200797 Acórdão n.º 3202000.499 S3C2T2 Fl. 90 9 pelo mesmo ou outro Estado. Assim, na condição de imposto não cumulativo, o ICMS, eventualmente pode gerar saldos credores continuados na escrita fiscal do Contribuinte. Diversas são as hipóteses que podem ocasionar essa situação, tais como, saídas desoneradas do imposto com autorização para se manter os créditos, alíquota aplicável na saída menor do que a de aquisição, entre outras. O fato é que o crédito acumulado de ICMS gerado por um Contribuinte não pode ser enquadrado no conceito de receita supra mencionado e nem, tampouco pode ser equiparado a tal eis que tem natureza meramente contábil. De acordo com o Manual de Contabilidade da FIPECAFI, "o ICMS é um imposto incidente sobre o valor agregado em cada etapa do processo de industrialização e comercialização da mercadoria, até chegar ao consumidor final. O valor do imposto a ser pago pelas empresas é representado pela diferença entre o imposto incidente nas vendas e o imposto pago na aquisição das mercadorias que integram o processo produtivo, ou para serem revendidas. Por definição legal, o ICMS integra o preço de venda a ser cobrado do comprador". Ao final, está concluído que mesmo que não haja recolhimento do ICMS, em razão da apuração de saldo credor, "em nada isso altera o resultado, já que, conforme foi visto, o ICMS não é receita nem despesa". Quando a Contribuinte não encontra meios para realizar seu saldo de créditos, desde que atendidas às condições constantes do Regulamento do ICMS do respectivo Estado Membro, o legislador previu, dentre outras, a possibilidade de transferência de créditos acumulados de ICMS para outra pessoa jurídica, que pode ser estabelecimento fornecedor, nas operações de compras de matériaprima, material secundário ou de embalagem máquinas, aparelhos e equipamentos industriais, isso quando o saldo de crédito supera os seus débitos. Assim, é muito comum que na existência de saldo de créditos acumulados de ICMS, os contribuintes realizem operações de cessão de créditos, mormente com seus fornecedores. Analisandose estas operações contabilmente, verificase que não há transito em contas de resultado, não representando ingresso de receita para a contribuinte. Ao contrário, tratase de pagamento de insumos via cessão de crédito. Não há circulação de dinheiro, tão somente a transferência de um direito que, no caso do ICMS será feita por meio da emissão de Nota Fiscal. A operação é escritural, sendo a transferência regida pela legislação de cada EstadoMembro. A cessão de créditos não pode ser comparada a uma venda de mercadorias, isto porque se trata de operação fiscal no qual a contribuinte possuidora dos créditos cede o direito de utilização a uma outra empresa, operação essa sem cunho comercial. Fl. 94DF CARF MF Impresso em 08/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2012 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIO, Assinado digitalmente e m 24/05/2012 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIO, Assinado digitalmente em 06/06/2012 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES 10 Neste sentido, podese citar o recente julgado da E. Câmara Superior de Recursos Fiscais (“CSRF”) que, ao analisar o tema, proferiu a seguinte decisão: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2001 a 16/02/2005 CESSÃO DE CRÉDITOS DE ICMS. NÃO INCIDÊNCIA. A cessão de créditos de ICMS não se constitui em base de cálculo da contribuição, por se tratar esta operação de mera mutação patrimonial, não representativa de receita. Recurso Especial do Procurador Negado. (CSRF, Acórdão n° 0203.783, 2ª Turma, Processo n° 13005.000684/2005 64 Recurso n° 202137.936, Sessão de 11 de fevereiro de 2009, Recorrente: FAZENDA NACIONAL, Interessado: CALÇADOS MAJOLO LTDA.) No mesmo sentido é o acórdão 340300.708 da 3ª Turma Ordinária da 4ª Câmara desta 3ª Seção, em que foi relator o conselheiro Winderley Morais Pereira, cabendo destaque o seguinte excerto de seu voto: “A operação de transferência dos créditos ocorre normalmente com um repasse em valores ou mercadorias das empresas recebedoras dos créditos as empresas cedentes. Entendo serem os valores recebidos em razão das transferências destes créditos de ICMS, operações de alteração patrimonial, visto que, os créditos não utilizados se constituem em direitos da empresa. Ao ceder os créditos, o valor recebido substitui no patrimônio, o valor ocupado anteriormente pelos créditos a serem recuperados que foram objeto da transferência. Portanto, temos uma simples permuta de contas do ativo, não gerando receitas. Conseqüentemente, os valores recebidos nas operações de transferência não sofrem a incidência do PIS e da COFINS por sua natureza jurídica não se revestir de receita. A matéria já foi enfrentada pela Segunda Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes no Acórdão nº 20218.714, na sessão do dia 12 de fevereiro de 2008, com relatoria do e. Conselheiro Antonio Zomer, quando foi decidido pela não incidência das contribuições sobre as receitas obtidas com a transferência de créditos de ICMS a terceiros.” Portanto, a contribuinte simplesmente deixou de utilizar as reservas de seu caixa para efetuar o pagamento, sem que isso passe a ser fato gerador das contribuições sociais. Fl. 95DF CARF MF Impresso em 08/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2012 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIO, Assinado digitalmente e m 24/05/2012 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIO, Assinado digitalmente em 06/06/2012 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 11020.720674/200797 Acórdão n.º 3202000.499 S3C2T2 Fl. 91 11 Além disso, aplicável também ao tema é a decisão do Excelso Supremo Tribunal Federal em sede de repercussão geral (RE 585.235), que decidiu pela inconstitucionalidade do alargamento da base do PIS, na medida em que o artigo 3º da Lei nº 9.718/98 altera o conceito de faturamento devidamente consagrado no direito privado brasileiro. Ante o exposto, DOU PROVIMENTO ao Recurso Voluntário interposto pela Recorrente em relação ao tema da cessão de créditos de ICMS. Gilberto de Castro Moreira Junior Fl. 96DF CARF MF Impresso em 08/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2012 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIO, Assinado digitalmente e m 24/05/2012 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIO, Assinado digitalmente em 06/06/2012 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES
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