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Numero do processo: 10540.720239/2010-26
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 14 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Fri Aug 16 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/05/2006 a 30/11/2008
Ementa:
É OBRIGATÓRIO O RECOLHIMENTO DA CONTRIBUIÇÃO RETIDA DA REMUNERAÇÃO DO SEGURADO. APROPRIAÇÃO INDÉBITA
As empresas são obrigadas a arrecadar e recolher as contribuições dos segurados empregados e contribuintes individuais, estes a partir de 04/2003, a seu serviço, descontando-as da respectiva remuneração.
PARCELAS SALARIAIS INTEGRANTES DA BASE DE CÁLCULO. RECONHECIMENTO PELO CONTRIBUINTE ATRAVÉS DE FOLHAS DE PAGAMENTO E OUTROS DOCUMENTOS POR ELE PREPARADOS.
O reconhecimento através de documentos da própria empresa da natureza salarial das parcelas integrantes das remunerações aos segurados torna incontroversa a discussão sobre a correção da base de cálculo.
MULTA MORATÓRIA RETROATIVIDADE BENIGNA.
Em conformidade com o artigo 35, da Lei 8.212/91,na redação vigente à época da lavratura, a contribuição social previdenciária está sujeita à multa de mora, na hipótese de recolhimento em atraso.
O benefício da retroatividade benigna constante da alínea c do inciso II do art. 106 do CTN é de ser observado quando uma nova lei cominar a uma determinada infração tributária uma penalidade menos severa que aquela prevista na lei vigente ao tempo da prática da infração.
Nos casos de lançamento de ofício de tributo devido e não recolhido, o mecanismo de cálculo da multa de mora introduzido pela MP n° 449/08 deve operar como um limitador legal do valor máximo a que a multa poderá alcançar, eis que, até a fase anterior ao ajuizamento da execução fiscal, a metodologia de cálculo fixada pelo revogado art. 35 da Lei nº 8.212/91 se mostra mais benéfico ao contribuinte, devendo ser aplicado até a competência 11/1998.
A partir da competência 12/2008, há que ser aplicado o artigo 35-A, da Lei n.º 8.212/91, na redação dada pela MP n.º 449/2008, convertida na Lei n.º 11.941, multa de ofício.
JUROS/SELIC
As contribuições sociais e outras importâncias, pagas com atraso, ficam sujeitas aos juros equivalentes à Taxa Referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia - SELIC, nos termos do artigo 34 da Lei 8.212/91.
Súmula do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais diz que é cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Crédito Tributário Mantido em Parte
Numero da decisão: 2302-002.050
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em conceder provimento parcial ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. A multa deve ser calculada considerando as disposições do art. 35 da Lei n. 8.212 de 1991 para o período anterior à entrada em vigor da Medida Provisória n. 449 de 2008.
LIEGE LACROIX THOMASI
Presidente Substituta (na data da formalização do acórdão)
MANOEL COELHO ARRUDA JÚNIOR - Relator.
EDITADO EM: 14/08/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco André Ramos Vieira (Presidente de Turma), Manoel Coelho Arruda Junior (Vice-presidente de turma), Liége Lacroix Thomasi, Adriana Sato, Arlindo da Costa e Silva e Adriano Gonzales Silverio.
Nome do relator: MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/05/2006 a 30/11/2008 Ementa: É OBRIGATÓRIO O RECOLHIMENTO DA CONTRIBUIÇÃO RETIDA DA REMUNERAÇÃO DO SEGURADO. APROPRIAÇÃO INDÉBITA As empresas são obrigadas a arrecadar e recolher as contribuições dos segurados empregados e contribuintes individuais, estes a partir de 04/2003, a seu serviço, descontando-as da respectiva remuneração. PARCELAS SALARIAIS INTEGRANTES DA BASE DE CÁLCULO. RECONHECIMENTO PELO CONTRIBUINTE ATRAVÉS DE FOLHAS DE PAGAMENTO E OUTROS DOCUMENTOS POR ELE PREPARADOS. O reconhecimento através de documentos da própria empresa da natureza salarial das parcelas integrantes das remunerações aos segurados torna incontroversa a discussão sobre a correção da base de cálculo. MULTA MORATÓRIA RETROATIVIDADE BENIGNA. Em conformidade com o artigo 35, da Lei 8.212/91,na redação vigente à época da lavratura, a contribuição social previdenciária está sujeita à multa de mora, na hipótese de recolhimento em atraso. O benefício da retroatividade benigna constante da alínea c do inciso II do art. 106 do CTN é de ser observado quando uma nova lei cominar a uma determinada infração tributária uma penalidade menos severa que aquela prevista na lei vigente ao tempo da prática da infração. Nos casos de lançamento de ofício de tributo devido e não recolhido, o mecanismo de cálculo da multa de mora introduzido pela MP n° 449/08 deve operar como um limitador legal do valor máximo a que a multa poderá alcançar, eis que, até a fase anterior ao ajuizamento da execução fiscal, a metodologia de cálculo fixada pelo revogado art. 35 da Lei nº 8.212/91 se mostra mais benéfico ao contribuinte, devendo ser aplicado até a competência 11/1998. A partir da competência 12/2008, há que ser aplicado o artigo 35-A, da Lei n.º 8.212/91, na redação dada pela MP n.º 449/2008, convertida na Lei n.º 11.941, multa de ofício. JUROS/SELIC As contribuições sociais e outras importâncias, pagas com atraso, ficam sujeitas aos juros equivalentes à Taxa Referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia - SELIC, nos termos do artigo 34 da Lei 8.212/91. Súmula do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais diz que é cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. Recurso Voluntário Provido em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte
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APROPRIAÇÃO INDÉBITA As empresas são obrigadas a arrecadar e recolher as contribuições dos segurados empregados e contribuintes individuais, estes a partir de 04/2003, a seu serviço, descontandoas da respectiva remuneração. PARCELAS SALARIAIS INTEGRANTES DA BASE DE CÁLCULO. RECONHECIMENTO PELO CONTRIBUINTE ATRAVÉS DE FOLHAS DE PAGAMENTO E OUTROS DOCUMENTOS POR ELE PREPARADOS. O reconhecimento através de documentos da própria empresa da natureza salarial das parcelas integrantes das remunerações aos segurados torna incontroversa a discussão sobre a correção da base de cálculo. MULTA MORATÓRIA RETROATIVIDADE BENIGNA. Em conformidade com o artigo 35, da Lei 8.212/91,na redação vigente à época da lavratura, a contribuição social previdenciária está sujeita à multa de mora, na hipótese de recolhimento em atraso. O benefício da retroatividade benigna constante da alínea ‘c’ do inciso II do art. 106 do CTN é de ser observado quando uma nova lei cominar a uma determinada infração tributária uma penalidade menos severa que aquela prevista na lei vigente ao tempo da prática da infração. Nos casos de lançamento de ofício de tributo devido e não recolhido, o mecanismo de cálculo da multa de mora introduzido pela MP n° 449/08 deve operar como um limitador legal do valor máximo a que a multa poderá alcançar, eis que, até a fase anterior ao ajuizamento da execução fiscal, a metodologia de cálculo fixada pelo revogado art. 35 da Lei nº 8.212/91 se AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 54 0. 72 02 39 /2 01 0- 26 Fl. 117DF CARF MF Impresso em 16/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/ 08/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 14/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNI OR 2 mostra mais benéfico ao contribuinte, devendo ser aplicado até a competência 11/1998. A partir da competência 12/2008, há que ser aplicado o artigo 35A, da Lei n.º 8.212/91, na redação dada pela MP n.º 449/2008, convertida na Lei n.º 11.941, multa de ofício. JUROS/SELIC As contribuições sociais e outras importâncias, pagas com atraso, ficam sujeitas aos juros equivalentes à Taxa Referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC, nos termos do artigo 34 da Lei 8.212/91. Súmula do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais diz que é cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Recurso Voluntário Provido em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em conceder provimento parcial ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. A multa deve ser calculada considerando as disposições do art. 35 da Lei n. 8.212 de 1991 para o período anterior à entrada em vigor da Medida Provisória n. 449 de 2008. LIEGE LACROIX THOMASI Presidente Substituta (na data da formalização do acórdão) MANOEL COELHO ARRUDA JÚNIOR Relator. EDITADO EM: 14/08/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco André Ramos Vieira (Presidente de Turma), Manoel Coelho Arruda Junior (Vicepresidente de turma), Liége Lacroix Thomasi, Adriana Sato, Arlindo da Costa e Silva e Adriano Gonzales Silverio. Relatório Peço licença aos i. Conselheiros para colacionar ao presente excerto do decisum recorrido que sintetiza bem o cerne da autuação [fls. 88/89]: Fl. 118DF CARF MF Impresso em 16/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/ 08/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 14/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNI OR Processo nº 10540.720239/201026 Acórdão n.º 2302002.050 S2C3T2 Fl. 13 3 Tratase do AI Auto de Infração, DEBCAD n° 37.279.4521, datado de 16/09/2010, e recebido, pelo contribuinte, em 22/09/2010, conforme atesta assinatura aposta na inicial, à fl. 01. Aludido AI foi lançado por AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, no uso da competência de que trata o art. 33 da Lei Orgânica da Seguridade Social (Lei n° 8.212, de 24 de julho de 1991), na redação dos arts. 2 o e 3 o da Lei n° 11.457, de 16 de março de 2007, bem assim o art. 293 do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048, de 6 de maio de 1999. 2. Consoante se lê do AI (peça inicial e demais documentos que o integram, fls. 01 a 45), o contribuinte em tela, em relação às competências 05, 07 a 09/2006, 13/2007, 08 e 11/2008, abrangida no período de apuração em epígrafe, foi autuado, em virtude de apresentar a declaração a que se refere a Lei n° 8.212, de 1991, art. 32, IV, acrescentado pela Lei n° 9.528, de 10 de dezembro de 1997 (Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social GFIP), e redação da Medida Provisória MP n° 449, de 03 de dezembro de 2008, convertida na Lei n° 11.941, de 27 de maio de 2009, com informações incorretas ou omissas. 3. De acordo com o Relatório Fiscal da Infração (fls. 06 a 07), constatouse que, no período objeto da autuação, o contribuinte declarou nas GFIP, mas nelas não fez constar, a totalidade das remunerações pagas ou creditadas aos segurados empregados (servidores públicos efetivos, comissionados, temporários e detentores de cargos eletivos), fato que foi observado a partir do confronto dos valores da massa salarial informada pelo Tribunal de Contas dos Municípios da Bahia TCM com os firmados nos resumos das folhas de pagamento e GFIP apresentadas, gerando diferenças. Aludidas diferenças foram apuradas, consoante planilhas anexas ao relatório, constando nos autos às fls. 18 a 21 . 3.1. Os fatos, ora relatados, caracterizam descumprimento da obrigação acessória consignada na fundamentação legal constante do item 2 acima, razão pela qual foi emitido o presente auto de infração. 4. No que tange à multa aplicada, expõe o Relatório de Aplicação da Multa (fls. 08 a 16) que, para a infração em apreço, a penalidade capitulada é a prevista no art. 32A, caput, inciso I e §§ 2 o e 3 o , da Lei n° 8.212, de 1991, com redação dada pela MP n° 449, de 2008, convertida na Lei n° 11.941, de 2009. A multa assim calculada, portanto, tratandose de omissão de declaração de fatos geradores de contribuição previdenciária, correspondeu a R$500,00 (quinhentos reais), em cada competência objeto da autuação. 5. O Relatório Fiscal menciona, ainda, que, para a aplicação da multa incidente sobre as contribuições lançadas, utilizouse a retroatividade benigna, prevista no art. 106 do Código Tributário Nacional CTN, o que motivou a comparação entre Fl. 119DF CARF MF Impresso em 16/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/ 08/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 14/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNI OR 4 as penalidades aplicáveis com base na legislação vigente à época dos fatos geradores e as penalidades aplicáveis após a modificação ocorrida a partir da edição da MP n° 449, de 2008, transformada na Lei n° 11.941, de 2009. Esclareceuse, entretanto, que, considerando que no período de 01/2006 a 01/2007 os órgãos públicos eram isentos da multa de mora, a comparação entre a legislação atual e a anterior, nesse período, só aconteceu em relação às multas previstas pelo descumprimento das obrigações acessórias. 5.1. A planilha consignada no item 4.10 do Relatório Fiscal demonstra a comparação efetuada em cada uma das competências levantadas e a multa mais benéfica aplicada no presente AI, resultante dessa checagem, que importa em R$3.500,00 (três mil e quinhentos reais). Em impugnação interposta em 15/10/2010 (fls. 48 a 57, com anexos às fls. 58 a 74), o contribuinte autuado, por intermédio de procurador legalmente nomeado para representálo, vem de contraporse ao presente lançamento fiscal. As razões de impugnar, em síntese, são as que, doravante, serão explicitadas. 6.1. Alega a peça impugnatória, em caráter de preliminar, que o AI em apreço, e os relatórios que o acompanham, não fazem referência aos fatos que motivaram o presente lançamento. Dessa forma, o contribuinte não sabe ao certo as razões que levaram o fisco a efetuar o lançamento no período objeto da autuação. Alega, também, que os precitados documentos consignam o montante da dívida, não informando, contudo, quais os fatos que motivaram o lançamento e o fundamento legal para tanto. Referidas omissões geram violações aos princípios da motivação, do devido processo legal, da ampla defesa, do contraditório e da segurança jurídica, o que macula de vício a autuação. 6.2. Já no mérito, argúi a impugnação que, na ação fiscal de que decorre o presente auto de infração, resultando na lavratura de três outros AI (DEBCAD n°s 37.279.451 3, 37.279.4556 e 37.279.4564), foram aplicadas multas e penalidades diversas sobre o mesmo fato gerador. Referida ocorrência estaria a demonstrar a existência, in caso, de bis in idem por biapenação (penalizarse mais de uma vez pelo mesmo fato). No caso, quádrupla apenação Afirma que, de acordo com o auditorfiscal autuante, o presente auto de infração foi lavrado e a respectiva multa aplicada porque o contribuinte autuado prestou informações, nas GFIP relativas às competências abrangidas no período de 02/2006 a 11/2008, sem, contudo, nela fazer constar a totalidade das remunerações pagas ou creditadas aos segurados empregados. Contrapõe, nesse sentido, que, diferentemente do quanto alega o auditor, o contribuinte prestou todas as referidas informações, no prazo legal, e que as informações faltantes são, justamente, aquelas discutidas nos AI n°s 37.279.4533 e 37.279.4548, lavrados, na mesma fiscalização, por descumprimento de obrigação principal. E indaga como teriam sido lançados estes AI, se o auditor alega que lhe foram sonegadas informações. Fl. 120DF CARF MF Impresso em 16/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/ 08/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 14/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNI OR Processo nº 10540.720239/201026 Acórdão n.º 2302002.050 S2C3T2 Fl. 14 5 Aduz que, como sabido e consignado nos precitados AI, é ilegal a cobrança da contribuição sobre o Décimo Terceiro Salário e o Seguro de Acidente do Trabalho SAT, são indevidas a imposição de acréscimos, a utilização da TR/TRD, a incidência da contribuição previdenciária sobre contratos nulos e sobre a rubrica SalárioFamília. Avalia, nesse sentido, que, na verdade, o auditorfiscal confunde prestar informações com "prestar informações na forma desejada por ele", a qual, na hipótese presente, seria "admitir devidas contribuições que a autuada entende não devidas". E conclui: considerando que o acessório segue o principal, uma vez declaradas regulares as declarações efetuadas nas GFIP relativas ao período objeto da ação fiscal, não pode vingar a presente autuação. 6.4. Requer, ante o exposto, que seja considerado improcedente o auto de infração em lide. Em 28 de julho de 2011, foi prolatado Acórdão n. 1527.880 [fls. 86/] pela 6ª Turma da DRJ/SDR que julgou improcedente o pleito do contribuinte: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/05/2006 a 30/11/2008 PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. GUIA DE RECOLHIMENTO DO FUNDO DE GARANTIA DO TEMPO DE SERVIÇO E INFORMAÇÕES À PREVIDÊNCIA SOCIAL GFIP. APRESENTAÇÃO DE INFORMAÇÕES COM INCORREÇÃO OU OMISSÃO. INFRAÇÃO. Constitui infração, punível com multa, a apresentação de GFIP, pela empresa, com informações incorretas ou omissas, conforme previsto na Lei Orgânica da Seguridade Social. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Não se configura cerceamento do direito de defesa se o conhecimento dos atos processuais pelo acusado e o seu direito de resposta ou de reação se encontrarem plenamente assegurados. BIS IN IDEM. INOCORRÊNCIA, IN CASU. Ocorre o fenômeno bis in idem quando um mesmo ente tributante cobra mais de um tributo do mesmo contribuinte e sobre o mesmo fato gerador. Durante a ação fiscal de que resultou o presente auto de infração, o contribuinte foi apenado 04 (quatro) vezes, por 04 (quatro) fatos geradores diferentes. LEI TRIBUTÁRIA. ATRIBUIÇÃO DE RESPONSABILIDADE. IRRETRO ATIVIDADE. Com a revogação do art. 41 da Lei n° 8.212, de 1991, pela MP n° 449, de 2008, os entes públicos passaram a responder pelas Fl. 121DF CARF MF Impresso em 16/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/ 08/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 14/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNI OR 6 infrações decorrentes do descumprimento de obrigações acessórias previstas na legislação previdenciária. Tratandose de regra que impõe responsabilidade, não é possível a sua aplicação retroativa. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido em Parte Devidamente intimado do decisum, o Sujeito Passivo interpôs tempestivamente recurso voluntário [fls. 94/102] que, em síntese, repete os argumentos apresentados na impugnação. É o relatório. Voto Cumprido o requisito de admissibilidade frente à tempestividade conheço do recurso e passo ao seu exame. 1PRELIMINAR DE NULIDADE – NÃO ACOLHIMENTO Não vislumbro a tese de nulidade da autuação, argüida pela recorrente, pois não foi observado qualquer vício no procedimento da fiscalização e formalização do lançamento. Foram cumpridos todos os requisitos dos artigos 10 e 11 do Decreto n° 70.235, de 06/03/72, verbis: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Art. 11. A notificação de lançamento será expedida pelo órgão que administra o tributo e conterá obrigatoriamente: Fl. 122DF CARF MF Impresso em 16/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/ 08/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 14/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNI OR Processo nº 10540.720239/201026 Acórdão n.º 2302002.050 S2C3T2 Fl. 15 7 I a qualificação do notificado; II o valor do crédito tributário e o prazo para recolhimento ou impugnação; III a disposição legal infringida, se for o caso; IV a assinatura do chefe do órgão expedidor ou de outro servidor autorizado e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. A recorrente foi devidamente intimada de todos os atos processuais que trazem fatos novos, assegurandolhe a oportunidade de exercício da ampla defesa e do contraditório, nos termos do artigo 23 do mesmo Decreto: Art. 23. Farseá a intimação: I pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar;(Redação dada pela Lei nº 9.532, de 10.12.1997) II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 10.12.1997) III por edital, quando resultarem improfícuos os meios referidos nos incisos I e II. (Vide Medida Provisória nº 232, de 2004) A decisão recorrida também atendeu às prescrições que regem o processo administrativo fiscal: enfrentou as alegações pertinentes do recorrente, com indicação precisa dos fundamentos e se revestiu de todas as formalidades necessárias. Não contém, portanto, qualquer vício que suscite sua nulidade, passando, inclusive, pelo crivo do Egrégio Superior Tribunal de Justiça: Art. 31. A decisão conterá relatório resumido do processo, fundamentos legais, conclusão e ordem de intimação, devendo referirse, expressamente, a todos os autos de infração e notificações de lançamento objeto do processo, bem como às razões de defesa suscitadas pelo impugnante contra todas as exigências. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 9.12.1993). “PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. NULIDADE DO ACÓRDÃO. INEXISTÊNCIA. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. SERVIDOR PÚBLICO INATIVO. JUROS DE MORA. TERMO INICIAL. SÚMULA 188/STJ. 1. Não há nulidade do acórdão quando o Tribunal de origem resolve a controvérsia de maneira sólida e fundamentada, apenas não adotando a tese do recorrente. 2. O julgador não precisa responder a todas as alegações das partes se já tiver encontrado motivo suficiente para fundamentar a decisão, nem está obrigado a aterse aos fundamentos por elas Fl. 123DF CARF MF Impresso em 16/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/ 08/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 14/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNI OR 8 indicados “. (RESP 946.447RS – Min. Castro Meira – 2ª Turma – DJ 10/09/2007 p.216) Portanto, em razão do exposto e nos termos das regras disciplinadoras do processo administrativo fiscal, não se identificam vícios capazes de tornar nulo quaisquer dos atos praticados: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Superadas as questões preliminares para exame do cumprimento das exigências formais, passo à apreciação do mérito. 2MÉRITO 2.1Obrigatoriedade Do Recolhimento O lançamento teve por base as informações prestadas pela recorrente em GFIP e o confronto das mesmas com os valores constantes das folhas de pagamento e recolhidos em GPS, de forma que se tornam inócuas as alegações de que não há razão para a cobrança do tributo As folhas de pagamentos foram preparadas pelo próprio recorrente que reconheceu, através da inclusão das rubricas salariais no campo destinado à remuneração dos segurados, a incidência sobre as mesmas das contribuições sociais lançadas pela fiscalização, que foram arrecadadas dos segurados. Não pertencem ao lançamento impugnado parcelas contestadas pelo recorrente quanto à sua natureza salarial ou não. A base de cálculo considerada pela fiscalização coincide com o montante de salários informado pelo recorrente. Ademais, o lançamento foi realizado com base em documentação da própria recorrente, suas folhas de pagamento e informações prestadas pela mesma em GFIP Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social. Foram realizados os confrontos entre os valores declarados cm GFIP c os extraídos das Listagens de Processos Pagos, das Folhas de Pagamentos Avulsas e dos Demonstrativos disponibilizados pelo TCMBA correspondentes ao Regime Geral dc Previdência, entregues pelo sujeito passivo supra qualificado, conforme planilhas 1 a V I I ! , constatouse o cometimento da infração à legislação tributária, razão por que lavramos os Autos de Infração específicos, identificados no presente Relatório Fiscal, para exigir do autuado o crédito tributário correspondente. Salientese que, para fins de apuração do crédito tributário devido, as diferenças apuradas foram obtidas pelo confronto entre os valores totais da massa salarial correspondentes a segurados empregados informadas nas GFIPs com os valores constantes nas Listagens de Processos Pagos, nas Folhas de Pagamentos Avulsas e nos Demonstrativos disponibilizados pelo TCMBA, sem proceder à individualização dos segurados empregados; ou seja, são valores não oferecidos à tributação, haja vista ter o fiscalizado deixado de declarar em GFIP. Conforme dispõe o art. 225, § 1º do RPS, aprovado pelo Decreto n ° 3.048/1999, abaixo transcrito, os dados informados em GFIP constituem termo de confissão de dívida quando não recolhidos os valores nela declarados. Fl. 124DF CARF MF Impresso em 16/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/ 08/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 14/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNI OR Processo nº 10540.720239/201026 Acórdão n.º 2302002.050 S2C3T2 Fl. 16 9 Art.225. A empresa é também obrigada a: (...) IV informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro Social, por intermédio da Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social, na forma por ele estabelecida, dados cadastrais, todos os fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações de interesse daquele Instituto; (...) § 1º As informações prestadas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social servirão como base de cálculo das contribuições arrecadadas pelo Instituto Nacional do Seguro Social, comporão a base de dados para fins de cálculo e concessão dos benefícios previdenciários, bem como constituir seão em termo de confissão de dívida, na hipótese do não recolhimento. Desse modo, caso houvesse algum erro cometido pela recorrente na elaboração, tanto das folhas de pagamento, como da GFIP, caberia à notificada a demonstração da fundamentação de seu erro. A notificada teve oportunidade de demonstrar que os valores apurados pela fiscalização, e por ela própria declarados em GFIP ou registrados nas folhas de pagamento não condizem com a realidade na fase de impugnação e agora na fase recursal, mas não o fez. O relatório fiscal traz explicitamente que a notificação se refere às contribuições previdenciárias que foram descontadas dos segurados, cujos recolhimentos totais não foram comprovados, referentes às folhas de pagamento elaboradas pela recorrente, documentos de fls. 40 a 85 e o resumo das informações constantes do arquivo SEFIP, fls. 87/98, sendo assim, tais valores incontroversos e, conseqüentemente, inafastável é sua cobrança. Por todo o exposto não merece reparo o lançamento do débito, já que por expressa determinação legal, a empresa é obrigada a arrecadar as contribuições dos segurados empregados a seu serviço, descontandoas da respectiva remuneração e recolher o produto arrecadado no dia 2 do mês seguinte ao da competência (art. 30, inciso I, letras “a” e “b” da Lei n.º 8.212/91), sendo que o crédito também tem suporte no artigo 20 da Lei n.º 8.212/91, que trata da contribuição dos segurados empregados. Também, se refere o crédito à alíquota de 11%, relativa a parte do segurado contribuinte individual que deve ser arrecadada e recolhida pela empresa, nos termos da Lei n.º 10.666, de 08/05/2003, a partir da competência 04/2003: Art. 4º Fica a empresa obrigada a arrecadar a contribuição do segurado contribuinte individual a seu serviço, descontandoa da respectiva remuneração, e a recolher o valor arrecadado juntamente com a contribuição a seu cargo até o dia 10 (dez) do mês seguinte ao da competência. Fl. 125DF CARF MF Impresso em 16/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/ 08/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 14/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNI OR 10 O valor retido da remuneração dos segurados e seu não repasse à Seguridade Social, configura, em tese,, a prática de crime previsto no art. 168A do Código Penal Brasileiro, com redação da Lei n.º 9.983/2000, para as competências a partir de 10/2000. À área administrativa não discute a conduta criminosa do contribuinte, mas lhe cumpre informar à autoridade competente, o Ministério Público Federal, o que não pode ser desconsiderado. Todavia, tal fato não tem influência na aplicação da multa moratória e de ofício. Quanto à multa, não possui natureza de confisco a exigência da multa moratória, conforme previa o art. 35 da Lei n ° 8.212/1991, com a redação vigente para as competências até 11/2008. Não recolhendo na época própria o contribuinte tem que arcar com o ônus de seu inadimplemento. Se não houvesse tal exigência haveria violação ao principio da isonomia, pois o contribuinte que não recolhera no prazo fixado teria tratamento similar àquele que cumprira em dia com suas obrigações fiscais. No caso em tela, à época do fatos geradores, até a competência 11/2008, pelo não recolhimento em época própria do tributo devido, a legislação previdenciária previa a aplicação de multa moratória,conforme disposto pelo 35 da Lei n° 8.212/91, com a redação da Lei nº 9.876/99. QUANTO À MULTA, tenho o entendimento que à luz da legislação vigente, devem ser aplicadas de forma isolada, conforme o caso, por descumprimento de obrigação principal ou de obrigação acessória, da forma mais benéfica ao contribuinte, de acordo com o disposto no artigo 106, do Código Tributário Nacional. Embora, em algumas vezes, a obrigação acessória descumprida esteja diretamente ligada à obrigação principal, isto não significa que sejam únicas para aplicação de multa conjunta. Pelo contrário, uma subsiste sem a outra e mesmo não havendo crédito a ser lançado, é obrigatória a lavratura de auto de infração se houve o descumprimento de obrigação acessória. As condutas são tipificadas em lei, com penalidades específicas e aplicação isolada. O art. 44 da Lei n º 9.430/96, traz que a multa de ofício de 75% incidirá sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento , de falta de declaração e nos de declaração inexata. Portanto, está claro que as três condutas não precisam ocorrer simultaneamente para ser aplicada a multa: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) (...) Quando o contribuinte tiver recolhido os valores devidos antes da ação fiscal, não será aplicada a multa de 75% prevista no art. 44 da Lei n º 9.430; porém, se apesar do pagamento não tiver declarado em GFIP, é possível a aplicação da multa isolada do art. 32A da Lei n º 8.212, justamente por se tratar de condutas distintas. Se o contribuinte tiver declarado em GFIP não se aplica a multa do art. 44 da Lei n º 9.430, sendo aplicável somente a multa moratória do art. 61 da Lei n º 9430, pois os débitos já estão confessados e devidamente constituídos, sendo prescindível o lançamento. Fl. 126DF CARF MF Impresso em 16/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/ 08/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 14/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNI OR Processo nº 10540.720239/201026 Acórdão n.º 2302002.050 S2C3T2 Fl. 17 11 A multa do art. 44 da Lei n º 9.430 somente se aplica nos lançamentos de ofício. Desse modo, se o contribuinte tiver declarado em GFIP, mas não tiver pago, o art. 44 da Lei 9.430 não é aplicado pelo motivo de o contribuinte não ter recolhido, mas ter declarado. Neste caso, não se aplica o art. 44 em função de não haver lançamento de ofício, pois o crédito já está constituído pelo termo de confissão que é a GFIP. E nas hipóteses em que o contribuinte não tiver recolhido e não tiver declarado em GFIP, há duas condutas distintas: por não recolher o tributo e ser realizado o lançamento de ofício, aplicase a multa de 75%; e por não ter declarado em GFIP a multa prevista no art. 32A da Lei n º 8.212. Conforme já foi dito, a multa será aplicada ainda que o contribuinte tenha pago as contribuições, conforme previsto no inciso I do art. 32 A. Pelo exposto, constatase que as condutas de não recolher ou pagar o tributo e não declarar em GFIP não estão tipificadas no mesmo artigo de lei, no caso o art. 44 da Lei nº 9.430/96. A lei ao tipificar essas infrações, inclusive em dispositivos distintos, demonstra estar tratando de obrigações, infrações e penalidades tributárias distintas, que não se confundem e tampouco são excludentes. Assim, no caso presente, há cabimento do art. 106, inciso II, alínea “c” do Código Tributário Nacional, o qual dispõe que a lei aplicase a ato ou fato pretérito, tratandose de ato não definitivamente julgado: quando deixe de definilo como infração; quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. As multas por descumprimento de obrigação principal e acessória devem ser aplicadas isoladamente e da forma menos onerosa ao contribuinte. No tocante à taxa SELIC, cumpre asseverar que sobre o principal apurado e não recolhido, incidem os juros moratórios, aplicados conforme determina o artigo 34 da Lei 8.212/91: “... As contribuições sociais e outras importâncias arrecadadas pelo INSS, incluídas ou não em notificação fiscal de lançamento, pagas com atraso, objeto ou não de parcelamento, ficam sujeitas aos juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia – SELIC, a que se refere o artigo 13, da Lei n.º 9.065, de 20 de junho de 1995, incidentes sobre o valor atualizado, e multa de mora, todos de caráter irrelevável.” O art. 161 do CTN prescreve que os juros de mora serão calculados à taxa de 1% (um por cento) ao mês, se a lei não dispuser de modo diverso. No caso das contribuições em tela, há lei dispondo de modo diverso, ou seja, o aludido art. 34 da Lei 8.212/91 dispõe que sobre as contribuições em questão incide a Taxa SELIC. Fl. 127DF CARF MF Impresso em 16/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/ 08/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 14/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNI OR 12 Portanto, está correta a aplicação da referida taxa a título de juros, perfeitamente utilizável como índice a ser aplicado às contribuições em questão, recolhidas com atraso, objetivando recompor os valores devidos. Ainda, quanto à admissibilidade da utilização da taxa SELIC, ressaltamos que o Segundo Conselho, do Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda, aprovou na Sessão Plenária de 18 de setembro de 2007, publicada no D.O.U. de 26/09/2007, Seção 1, pág. 28 a Súmula 3, que dita: É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liqüidação e Custódia – Selic para títulos federais. E, com a criação do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, tal súmula foi consolidada na Súmula CARF n.º 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. 3 CONCLUSÃO Pelo exposto, voto pelo PROVIMENTO PARCIAL do recurso, devendo a multa ser aplicada na forma do artigo 35 da Lei n.º 8.212/91, na redação vigente à época dos fatos geradores, para as competências até 11/2008. A partir da competência 12/2008, há que ser aplicado o artigo 35A, da Lei n.º 8.212/91, na redação dada pela MP n.º 449/2008, convertida na Lei n.º 11.941, multa de ofício. É como voto. Manoel Coelho Arruda Júnior Relator Fl. 128DF CARF MF Impresso em 16/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/ 08/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 14/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNI OR
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Numero do processo: 11831.001445/2007-25
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 18 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Jul 15 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2003
Ementa:
IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. DEDUÇÃO INDEVIDA DE IMPOSTO RETIDO NA FONTE. PROFISSIONAL AUTÔNOMO. NÃO EXIBIÇÃO DE DEMONSTRATIVO DE PAGAMENTO DE RENDIMENTOS OU DE RECIBOS DE AUTÔNOMO QUE DÊEM SUPORTE À DEDUÇÃO. DEDUÇÃO INCABÍVEL. ÔNUS DA PROVA. AUSÊNCIA DE CERCEAMENTO DE DEFESA POR FALTA DE NOTIFICAÇÃO ANTERIOR AO LANÇAMENTO OU POR INDEFERIMENTO DE DILIGÊNCIAS QUANDO OS ELEMENTOS NECESSÁRIOS AO JULGAMENTO DA MATÉRIA ESTÃO PRESENTES NOS AUTOS.
Tendo sido o contribuinte autuado por dedução indevida de imposto retido na fonte e sendo profissional autônomo, a não exibição de demonstrativos de pagamento de rendimentos ou de RPAs de que conste a retenção do imposto é suficiente para a manutenção da glosa, sobretudo quando o recorrente admite ter recebido tais demonstrativos. Artigo 55 da Lei nº.7450/1985 e art.9º da Instrução Normativa SRF nº.08/1997. Não há que se falar nesse caso em cerceamento de defesa, pela falta de deferimento de diligência e perícias requeridas, quando a questão se resolve pelas regras do ônus da prova no processo administrativo fiscal. Tampouco há cerceamento de defesa por falta de notificação anterior ao lançamento, nos termos da jurisprudência reiterada deste CARF e da legislação de regência, especialmente o RIR/99. Recurso improvido.
Numero da decisão: 2802-001.522
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos NEGAR PROVIMENTO ao recurso nos termos do voto do relator
(assinado digitalmente)
Jorge Cláudio Duarte Cardoso - Presidente.
(assinado digitalmente)
Carlos André Ribas de Mello - Relator.
EDITADO EM: 07/06/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos André Ribas de Mello (relator), Jorge Claudio Duarte Cardoso (presidente), Lucia Reiko Sakae, Dayse Fernandes Leite, German Alejandro San Martín Fernández e Julianna Bandeira Toscano.
Nome do relator: CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2003 Ementa: IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. DEDUÇÃO INDEVIDA DE IMPOSTO RETIDO NA FONTE. PROFISSIONAL AUTÔNOMO. NÃO EXIBIÇÃO DE DEMONSTRATIVO DE PAGAMENTO DE RENDIMENTOS OU DE RECIBOS DE AUTÔNOMO QUE DÊEM SUPORTE À DEDUÇÃO. DEDUÇÃO INCABÍVEL. ÔNUS DA PROVA. AUSÊNCIA DE CERCEAMENTO DE DEFESA POR FALTA DE NOTIFICAÇÃO ANTERIOR AO LANÇAMENTO OU POR INDEFERIMENTO DE DILIGÊNCIAS QUANDO OS ELEMENTOS NECESSÁRIOS AO JULGAMENTO DA MATÉRIA ESTÃO PRESENTES NOS AUTOS. Tendo sido o contribuinte autuado por dedução indevida de imposto retido na fonte e sendo profissional autônomo, a não exibição de demonstrativos de pagamento de rendimentos ou de RPAs de que conste a retenção do imposto é suficiente para a manutenção da glosa, sobretudo quando o recorrente admite ter recebido tais demonstrativos. Artigo 55 da Lei nº.7450/1985 e art.9º da Instrução Normativa SRF nº.08/1997. Não há que se falar nesse caso em cerceamento de defesa, pela falta de deferimento de diligência e perícias requeridas, quando a questão se resolve pelas regras do ônus da prova no processo administrativo fiscal. Tampouco há cerceamento de defesa por falta de notificação anterior ao lançamento, nos termos da jurisprudência reiterada deste CARF e da legislação de regência, especialmente o RIR/99. Recurso improvido.
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DEDUÇÃO INDEVIDA DE IMPOSTO RETIDO NA FONTE. PROFISSIONAL AUTÔNOMO. NÃO EXIBIÇÃO DE DEMONSTRATIVO DE PAGAMENTO DE RENDIMENTOS OU DE RECIBOS DE AUTÔNOMO QUE DÊEM SUPORTE À DEDUÇÃO. DEDUÇÃO INCABÍVEL. ÔNUS DA PROVA. AUSÊNCIA DE CERCEAMENTO DE DEFESA POR FALTA DE NOTIFICAÇÃO ANTERIOR AO LANÇAMENTO OU POR INDEFERIMENTO DE DILIGÊNCIAS QUANDO OS ELEMENTOS NECESSÁRIOS AO JULGAMENTO DA MATÉRIA ESTÃO PRESENTES NOS AUTOS. Tendo sido o contribuinte autuado por dedução indevida de imposto retido na fonte e sendo profissional autônomo, a não exibição de demonstrativos de pagamento de rendimentos ou de RPAs de que conste a retenção do imposto é suficiente para a manutenção da glosa, sobretudo quando o recorrente admite ter recebido tais demonstrativos. Artigo 55 da Lei nº.7450/1985 e art.9º da Instrução Normativa SRF nº.08/1997. Não há que se falar nesse caso em cerceamento de defesa, pela falta de deferimento de diligência e perícias requeridas, quando a questão se resolve pelas regras do ônus da prova no processo administrativo fiscal. Tampouco há cerceamento de defesa por falta de notificação anterior ao lançamento, nos termos da jurisprudência reiterada deste CARF e da legislação de regência, especialmente o RIR/99. Recurso improvido. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 83 1. 00 14 45 /2 00 7- 25 Fl. 48DF CARF MF Impresso em 15/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 04/ 07/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 10/07/2013 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos NEGAR PROVIMENTO ao recurso nos termos do voto do relator (assinado digitalmente) Jorge Cláudio Duarte Cardoso Presidente. (assinado digitalmente) Carlos André Ribas de Mello Relator. EDITADO EM: 07/06/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos André Ribas de Mello (relator), Jorge Claudio Duarte Cardoso (presidente), Lucia Reiko Sakae, Dayse Fernandes Leite, German Alejandro San Martín Fernández e Julianna Bandeira Toscano. Relatório Tratase de Auto de Infração lavrado contra o contribuinte (fl. 06), o qual apurou supostas irregularidades (fl. 07) em virtude da revisão da declaração de rendimentos – DIRPF, do exercício 2003, anocalendário 2002, por dedução indevida de imposto de renda retido na fonte, por não constar dos sistemas da receita qualquer retenção na fonte para o CPF do contribuinte. O Contribuinte foi cientificado (fl.11). Inconformado, apresentou tempestivamente a impugnação de fl. 01, alegando que é profissional liberal, advogado, ficando comprovados os valores recebidos pelo mesmo por meio de recibos de profissional autônomo – RPAs, segundo os quais o imposto é retido na fonte, recebendo valores líquidos e sendo dos tomadores dos serviços a responsabilidade do recolhimento do imposto retido, por se tratar de pessoas jurídicas, devendo as empresas serem chamadas a prestar esclarecimentos; que ainda que se admitisse a responsabilidade do contribuinte, a mesma só se estabeleceria quando da ciência ao mesmo da falta de recolhimento do imposto retido na fonte e, tendo o lançamento se dado sem a sua oitiva, não pode ser compelido ao pagamento de multa e de juros moratórios; protestando por outros meios de prova compatíveis com o presente procedimento. Em julgamento, a 3ª Turma da DRJ/SPO2, em sessão realizada no dia 22/07/2009, por unanimidade, julgou procedente o lançamento, por meio do Acórdão n.º 17 33.576, aos seguintes fundamentos: nos termos do art.18 do Decreto n.70325/72, rejeita o pedido de diligência ou perícia, por tratarse de medida prescindível, de vez que constam dos autos todos os elementos necessários ao julgamento; rejeita também o pedido de apresentação de documentos em momento futuro, em face do disposto no artigo 16 do mesmo diploma legal; o contribuinte não apresentou qualquer documento que instruísse sua impugnação, a dar fundamento às alegações de que foram emitidos recibos nos quais constou retenção de imposto na fonte, não tendo se desincumbido de provar as alegações que fez; na hipótese de as fontes Fl. 49DF CARF MF Impresso em 15/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 04/ 07/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 10/07/2013 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO Processo nº 11831.001445/200725 Acórdão n.º 2802001.522 S2TE02 Fl. 49 3 pagadoras não realizarem no ano base a retenção, a responsabilidade pelo pagamento transfere se ao beneficiário dos pagamentos, salvo quando tratarse de retenção exclusiva na fonte ou de comprovada ocorrência da retenção, sem o correspondente recolhimento. Cientificado da supramencionada decisão, conforme fl. 33, o contribuinte, tempestivamente, interpôs Recurso Voluntário a fl. 34, atacando a decisão exarada pela DRJ e alegando que há cerceamento de defesa, pela rejeição do pedido de diligências, perícias e juntada posterior de documentos, de vez que as duas primeiras seriam imprescindíveis para apurar o recolhimento ou não do imposto devido pelas pessoas jurídicas pagadores de rendimentos ao contribuinte; que na falta de recolhimento a responsabilidade é das empresas e não do contribuinte; que a decisão da DRJ indevidamente referese a compensação do imposto na fonte, não versando os autos sobre compensação; que a situação presente é de substituição tributária, não cabendo ao contribuinte a responsabilidade por falta de recolhimento de imposto retido na fonte, nem possuindo meios para apurar se o imposto foi recolhido ou não; que o contribuinte pode ter sido ludibriado pelas fontes pagadoras, quando enviaram ao mesmo comprovantes de rendimentos pagos apontando a retenção de imposto na fonte, sem recolhê los; que em tal hipótese, a máfe da fonte pagadora não pode imputarse ao contribuinte que agiu de boafé; que as diligências são necessárias, pois pode ter havido pagamento do imposto, mas o DARF apresentar preenchimento irregular. Ao fim, pleiteia a anulação do acórdão com a devolução dos autos à primeira instância para as diligências requeridas e que o acórdão seja revisto para reconhecer a responsabilidade da fonte pagadora e não do contribuinte, em consequência da substituição tributária, bem como para reconhecer a desídia da Receita Federal em notificar o contribuinte, antes de lavrar a autuação, retirandose a multa e os juros moratórios. É o relatório. Voto Conselheiro Carlos André Ribas de Mello, Relator. Em sede preliminar, o recurso deve ser conhecido, por tempestivo. Quanto ao cabimento do lançamento de ofício, nada tenho a acrescer as razões lançadas em seu acórdão pela DRJ, às quais me reporto, passando a integrar a presente decisão, não havendo, portanto, cerceamento de defesa, nem a alegada desídia da Receita Federal, pela falta de intimação do recorrente, em momento anterior ao do lançamento, exercendose o contraditório e ampla defesa, por meio da impugnação e de outros meios inerentes ao processo administrativo fiscal, como o próprio recurso voluntário. Quanto ao cerceamento de defesa pelo indeferimento das perícias e diligências requeridas pelo recorrente, também não ocorre. De fato, conforme afirmou a DRJ no acórdão recorrido, todos os elementos necessários ao julgamento da matéria encontramse presentes nos autos, como abaixo se demonstrará. O artigo 55 da Lei nº.7450/1985 dispõe, verbis: Fl. 50DF CARF MF Impresso em 15/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 04/ 07/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 10/07/2013 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO 4 “Art 55 O imposto de renda retido na fonte sobre quaisquer rendimentos somente poderá ser compensado na declaração de pessoa física ou jurídica, se o contribuinte possuir comprovante de retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora dos rendimentos.” Em se tratando de profissional autônomo, dispõe o art.9º da Instrução Normativa SRF nº.08/1997: “Art. 9o O trabalhador autônomo e o transportador autônomo de cargas poderão utilizar, opcionalmente, como comprovante, em substituição aos modelos a que se refere esta Instrução Normativa, o Recibo de Pagamento de Autônomo RPA ou o Conhecimento de Frete, desde que contenha a identificação da fonte pagadora.” Se o recorrente, em momento algum do processo administrativo fiscal, apresentou qualquer comprovante de ter recebido pagamentos com retenção de imposto na fonte, não poderia ter lançado a retenção do imposto em sua DIRPF, nos termos das normas acima mencionadas. Não tendo se desincumbido do ônus da prova que lhe cabia, de fato, são prescindíveis quaisquer diligências adicionais. É ao menos incomum que o recorrente, por um lado, afirme que pode ter sido iludido pela fonte pagadora, quando enviaram ao mesmo comprovantes de rendimentos pagos apontando a retenção de imposto na fonte, sem recolhêlos e, por outro, não traga aos autos tais comprovantes, que afirma em seu recurso lhe terem sido fornecidos pela fonte pagadora. Pela mesma razão, não tendo o contribuinte exibido um só documento que desse fundamento ao lançamento em sua DIRPF de imposto retido na fonte e, mormente, afirmando que os respectivos demonstrativos lhe foram enviados pela fonte pagadora, malgrado não os exiba nos autos, não há que se falar em cancelamento da multa de ofício e dos juros moratórios. Diante da inércia do contribuinte em desincumbirse do ônus da prova, nos termos acima descritos, despicienda toda a discussão acerca de operarse ou não, no caso concreto, substituição tributária. Isto posto, nego provimento ao recurso, mantendose integralmente o lançamento. É como voto. (assinado digitalmente) Carlos André Ribas de Mello Fl. 51DF CARF MF Impresso em 15/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 04/ 07/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 10/07/2013 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO
score : 1.0
Numero do processo: 13603.720425/2008-57
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 25 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Apr 25 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Imposto sobre a Importação
Período de Apuração: 05/03/2003 a 23/08/2004
OCULTAÇÃO DO REAL IMPORTADOR. INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA DE TERCEIROS. DANO AO ERÁRIO.
A ocultação do responsável pela importação de mercadorias, mediante fraude ou simulação, inclusive interposição fraudulenta, é considerada dano ao erário.
IMPORTAÇÃO POR CONTA E ORDEM DE TERCEIRO. RECURSOS
FINANCEIROS. PRESUNÇÃO LEGAL.
Presume-se por conta e ordem de terceiro, a operação de comércio exterior realizada mediante recursos financeiros daquele. LEGITIMIDADE DA AUTUAÇÃO. INFRAÇÃO. RESPONSABILIDADE.
Nas operações de importação na modalidade por conta e ordem de terceiro, o contribuinte do Imposto de Importação é o importador e o adquirente é responsável solidário. Respondem pela infração conjunta ou isoladamente, quem quer que, de qualquer forma, concorra para sua prática ou dela se beneficie, bem como o adquirente da mercadoria de procedência estrangeira, no caso da importação realizada por conta e ordem, por intermédio de pessoa jurídica importadora.
PENA DE PERDIMENTO. MERCADORIA CONSUMIDA OU NÃO LOCALIZADA. MULTA EQUIVALENTE AO VALOR ADUANEIRO DA MERCADORIA.
Incorrerão em multa correspondente ao valor aduaneiro da mercadoria os que entregarem a consumo mercadoria de procedência
estrangeira importada irregular ou fraudulentamente.
Recurso voluntário negado.
Numero da decisão: 3202-000.482
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
Nome do relator: IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Imposto sobre a Importação Período de Apuração: 05/03/2003 a 23/08/2004 OCULTAÇÃO DO REAL IMPORTADOR. INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA DE TERCEIROS. DANO AO ERÁRIO. A ocultação do responsável pela importação de mercadorias, mediante fraude ou simulação, inclusive interposição fraudulenta, é considerada dano ao erário. IMPORTAÇÃO POR CONTA E ORDEM DE TERCEIRO. RECURSOS FINANCEIROS. PRESUNÇÃO LEGAL. Presumese por conta e ordem de terceiro, a operação de comércio exterior realizada mediante recursos financeiros daquele. LEGITIMIDADE DA AUTUAÇÃO. INFRAÇÃO. RESPONSABILIDADE. Nas operações de importação na modalidade por conta e ordem de terceiro, o contribuinte do Imposto de Importação é o importador e o adquirente é responsável solidário. 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Fl. 182DF CARF MF Impresso em 11/05/2012 por RUY DE AZEVEDO BASTOS CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 10/05/2012 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI, Assinado digitalmente em 04/05/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDA DE TORRES 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. José Luiz Novo Rossari Presidente Irene Souza da Trindade Torres Relatora Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros José Luiz Novo Rossari, Irene Souza da Trindade Torres, Rodrigo Cardozo Miranda, Gilberto de Castro Moreira Júnior, Luís Eduardo Garrossino Barbieri e Octávio Carneiro Silva Corrêa. Relatório Tratase de Auto de Infração lavrado em desfavor de SCIB – SERVIÇO E COMÉRCIO INDÚSTRIA DO BRASIL LTDA (doravante denominada “SCIB”), na qualidade de contribuinte, e de HOUSETECH SISTEMAS ELÉTRICOS LTDA (doravante denominada “HouseTech”), na qualidade de responsável solidário, para exigência de multa proporcional ao valor aduaneiro das mercadorias importadas, no valor total de R$ 18.811,61, em razão da conversão da pena de perdimento em multa (fls. 01/06). Conforme consta do Relatório de Auditoria Fiscal (fls. 07/41), em 26/09/2005, a empresa SCIB registrou a DI 05/10331534, por meio da qual importou 1.214 unidades de ventoinhas para ventilação, classificadas sob o código NCM 8414.59.90. Acontece, porém, que tais importações foram, de fato, integralmente pagas pela empresa HouseTech, a quem as mercadorias foram remetidas logo após o desembaraço, conforme constatou a autoridade fiscal, por meio da análise das notas fiscais de entrada e saída, que foram emitidas na mesma data, em números sequenciais e com as mesmas quantidades. O dinheiro foi transferido pela HouseTech antecipadamente à SCIB de forma indireta, por meio de seus despachantes aduaneiros, os quais, por sua vez, efetuaram depósitos bancários na conta da empresa SCIB. Entendeu, assim, a Fiscalização, ter havido o emprego de interposta pessoa na operação de importação acima, o que caracterizaria a interposição fraudulenta de terceiros, configurando dano ao erário, sujeitando a contribuinte, dessa forma, à pena de perdimento da mercadoria. Neste ponto, por bem descrever os fatos, adoto o relatório da decisão recorrida, o qual abaixo transcrevo, excertos: “Da autuação Do Relatório de Auditoria de fls. 07/41, são extraídos os excertos abaixo que representam, de forma resumida, as razões aduzidas pela fiscalização para a constituição do lançamento: em procedimento especial de combate à interposição fraudulenta de pessoas no comércio exterior, realizado na empresa SCIB Serviço e Comércio e Indústria do Brasil Ltda. (SCIB), foi verificada a origem dos recursos aplicados nas operações Fl. 183DF CARF MF Impresso em 11/05/2012 por RUY DE AZEVEDO BASTOS CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 10/05/2012 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI, Assinado digitalmente em 04/05/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDA DE TORRES Processo nº 13603.720425/200857 Acórdão n.º 3202000.482 S3C2T2 Fl. 164 3 e a efetiva participação da empresa nas transações comerciais declaradas, mediante aplicação do rito definido na Instrução Normativa SRF n° 228/2002; ao final do procedimento não restou comprovada a irregular integralização e origem ilícita dos recursos aplicados nas operações de comércio exterior. "Entretanto, constatamos a ocorrência de diversas operações de importação por conta e ordem de terceiros/ocultação do real adquirente, o que devido às alterações introduzidas pela lei 11.488/07, não configura mais hipótese de inaptidão do CNPJ"; o procedimento da IN 228 foi encerrado sem proposta de declaração de inaptidão do CNPJ, sendo aberto procedimento de fiscalização específico para os lançamentos referentes ao perdimento das mercadorias ou sua conversão em multa e, ao mesmo tempo, realizada diligência na empresa HouseTech Sistemas Elétricos Lida (HouseTech), para a apuração de mais informações acerca das operações realizadas com a empresa SCIB; o foco principal da atividade da empresa SCIB é a importação de máquinas copiadoras usadas para posterior "reconstrução" e venda no mercado interno, cujo projeto foi aprovado pelo Decex pelo prazo de 3 anos (Comunicado Decex/CGDC 05/2176, de 23/11/05), fato comprovado por diligência realizada nas dependências da empresa, onde constatouse a estrutura montada para a atividade a que se dispõe; a HouseTech, adquirente oculto das mercadorias, está habilitada desde 02/06/08 para atuar no comércio exterior, sendo que não há registro de importação em nome da empresa; não é suficiente que o importador detenha capacidade econômica e operacional para que operação possa ser dita como "própria". A uma, porque a essência da operação "por conta e ordem de terceiros" consiste no interesse do adquirente em receber suas mercadorias negociadas no exterior, sem o que a motivação do importador para promover a nacionalização das mesmas não existiria. A duas, porque a hipótese da pena de perdimento introduzida pela Medida Provisória n° 66/02 (convertida na Lei n° 10.637/02) inclui também a simulação; a ocultação do adquirente ou, mais recentemente, do encomendante predeterminado, é artifício empregado para afastar obrigações tributárias principais e acessórias, quais sejam: (a) não figurar como contribuinte "equiparado a industrial" e evitar a incidência do IPI nas operações subsequentes; e (b) não se submeter a procedimentos fiscais de habilitação para atuar no comércio exterior. Além disso, o uso da interposta pessoa interfere na avaliação do risco da operação, mensurada em função do perfil e histórico cadastral dos intervenientes aduaneiros envolvidos; a "importação direta", modalidade que sempre foi utilizada pela SCIB desde a sua constituição, corresponde ao método convencional, no qual o interessado (importador) contata (ou é contatado) pelo fornecedor (exportador) e negocia diretamente as condições e termos da compra, e, obviamente, as operações são realizadas com seus próprios recursos e por seu próprio risco, ou seja, não haveria problema nenhum se a SCIB importasse mercadorias pela modalidade de "importação direta" e as revendessem a quem quer que seja, desde que a operação de importação fosse realizada com recursos próprios; acontece que, durante o procedimento de auditoria, constatouse que a importadora SCIB recebeu antecipadamente os valores referentes à importação das mercadorias constantes da DI n° 05/10331534, concluindose que a operação de Fl. 184DF CARF MF Impresso em 11/05/2012 por RUY DE AZEVEDO BASTOS CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 10/05/2012 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI, Assinado digitalmente em 04/05/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDA DE TORRES 4 importação foi financiada por terceiros (HouseTech), ou seja, foi realizada por conta e ordem da House Tech, segundo demonstram os seguintes fatos: i) em 09/08/2008, a HouseTech já havia depositado o montante de R$ 44.871,91 na conta de seus despachantes; ii) em 16/08/2005 é depositado na conta da SCIB o valor de R$ 14.800,00, com o objetivo claro de que fosse efetuado o pagamento antecipado do câmbio, que foi fechado em 18/08/2005, no valor de R$ 14.501,23; iii) em 26/08/2005 foi depositado pela HouseTech, de forma indireta através de seus despachantes, o montante de R$ 16.661,68, o que mais uma vez demonstra o objetivo definido da operação, já que na mesma data foi efetuado o pagamento de taxas e tributos aduaneiros e do transportador VB CARGAS, no valor total de 16.124,89; de fato, não resta dúvida, que os depósitos foram realizados indiretamente pela HouseTech, conforme resposta à intimação da própria empresa (fl. 75 e 76), e comprovantes de depósitos (fls. 78 a 82); as notas fiscais de entrada e saída da mercadoria no estabelecimento importador possuem a mesma data de emissão e as notas fiscais de saída do estabelecimento importador correspondem à integralidade das mercadorias importadas através da DI n° 05/10331534, fatos que formam um quadro indiciário bem definido quanto à realização da importação exclusivamente para um adquirente (HouseTech); o conjunto dos fatos apresentados corrobora com a idéia de que a SCIB importou por conta e ordem de terceiros, entretanto, apenas o fato da operação ter sido financiada com recursos da HouseTech já é suporte fático suficiente para a caracterização, por presunção legal, da importação por conta e ordem de terceiros, conforme dispõe o art. 27, da Lei n° 10.637 de 30/12/02; concluise após os trabalhos de auditoria nas duas empresas, que a importação efetuada através da DI n° 05/10331534, apesar de ter sido registrada em nome da SCIB, foi toda financiada pela HouseTech, a quem as mercadorias foram remetidas logo após o desembaraço, como pode ser constatado na análise das notas fiscais de entrada e saída emitidas em número seqüencial e com as mesmas quantidades; em que pese as operações serem, presumivelmente, por conta e ordem, nos termos do art. 27 da Lei 10.637/02, não foram seguidos os preceitos previstos nos artigos 2° ao 5° da IN SRF n° 225 de 18 de outubro de 2002, configurando assim a ocultação do real adquirente das mercadorias importadas; é certo que, independentemente do motivo de se utilizar esta sistemática, com ela buscouse ludibriar os controles aduaneiros; percebese que, no presente caso, houve coordenação entre o real adquirente das mercadorias estrangeiras e o importador por conta e ordem, o que implica que respondem conjuntamente pelas infrações praticadas, conforme o disposto no art. 95, inc. V, do DL n° 37/66. Sendo assim, estão solidariamente obrigados o contribuinte, a pessoa jurídica importadora SCIB — Serv. e Com. Ind. do Brasil Ltda, que procedeu à importação por conta e ordem da empresa adquirente, e o responsável solidário, adquirente das mercadorias, a empresa HouseTech Sistemas Elétricos Ltda, o qual tornase ciente através do Termo de Sujeição Passiva Solidária (fls. 86/87); por todo o exposto, aplicase a pena de perdimento das mercadorias, por ocultação do sujeito passivo, do real comprador e adquirente das mercadorias, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros, conforme previsto no Regulamento Aduaneiro, art. 618, inc. XXII. Cumpre observar que o recolhimento dos tributos incidentes sobre as importações realizadas não descaracteriza o dano ao Erário; Fl. 185DF CARF MF Impresso em 11/05/2012 por RUY DE AZEVEDO BASTOS CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 10/05/2012 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI, Assinado digitalmente em 04/05/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDA DE TORRES Processo nº 13603.720425/200857 Acórdão n.º 3202000.482 S3C2T2 Fl. 165 5 contatase da análise das notas fiscais de saída n° 4392 e 4393 (fls. 68/69), emitidas pela HouseTech, que as mercadorias importadas já foram entregues a consumo. Assim, aplicase a substituição da pena de perdimento pela multa prevista no § 1º, art. 618, do Decreto n° 4.543, de 26/12/02, de 100% do valor aduaneiro das mercadorias importadas; não sendo constatada nenhuma irregularidade quanto aos valores apresentados na DI, o valor aduaneiro é R$ 18.811,61, tendo sido este mesmo valor reconhecido pelo importador como valor aduaneiro e oferecido ao fisco como base de cálculo do imposto de importação. Da impugnação da empresa SCIB Cientificada pessoalmente do auto de infração em 18/02/09, conforme fls. 02 e 41, a empresa SCIB apresentou, em 20/03/09, a impugnação de fls. 90/101, de onde são extraídas as seguintes alegações: deixa a Fiscalização de observar que a DI em tela foi registrada em 26/09/05, data, portanto, posterior [sic] à edição das normas que passaram a apresentar uma série de requisitos para a realização de importação por encomenda; no caso em apreço, conforme esclarece e estabelece a Lei n.° 11.281/2006, a apontada conduta da Impugnante nada mais representaria do que importação por encomenda; procedimento esse plenamente legítimo e em nada contrário a qualquer disposição legal vigente; a exegese do art. 11, da Lei n° 11.281/2006, o qual veio ao ordenamento com o intuito de flexibilizar interpretações excessivas, como as aplicadas pelos fiscais no presente caso, tem como conseqüência, também, a rejeição do entendimento de que a "importação promovida por pessoa jurídica importadora que adquire mercadorias no exterior para revenda a encomendante predeterminado" representa caso de interposição fraudulenta; ainda que houvesse um ganho tributário, o que se admite apenas para efeito de argumentação, não haveria fraude; a legislação do IPI, até 21/02/2006, tributava somente o estabelecimento importador, criando estímulos A verticalização das empresas, e a atuação das trading companies, corno ocorre em todo o mundo; não é crível que a legislação incentive, por um lado, a verticalização dentro dos grupos industriais, com a criação/contratação de empresas exclusivamente importadoras, e por outro considere este comportamento legitimo dos agentes econômicos como "interposição fraudulenta"; se a intenção do legislador, quando criou a figura da "interposição fraudulenta na importação", fosse tributar o produto importado pelo IPI ao longo de toda a cadeia de distribuição, bastaria equiparar a industrial o estabelecimento atacadista (ou mesmo varejista) que adquirisse produtos importados no mercado interno, para revenda. O que foi feito, através da edição da Lei n°. 11.281/2006 com efeitos a partir de 21/02/2006; sequer o fato de o encomendante promover adiantamentos ao importador está em desacordo com a legislação. Isso porque a encomenda, amplamente utilizada tanto no mercado interno quanto externo, sempre foi disciplinada tanto pelo direito civil quanto pelo direito tributário, a exemplo das legislações de IPI e ICMS, as quais não vedam que o encomendante promovesse adiantamentos ao contratado. Fl. 186DF CARF MF Impresso em 11/05/2012 por RUY DE AZEVEDO BASTOS CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 10/05/2012 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI, Assinado digitalmente em 04/05/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDA DE TORRES 6 Pelo contrário, tal fato é prática comum que visa a garantir o contratado, minimizando os riscos de eventual inadimplência; sendo o Direito Aduaneiro composto por normas de Direito Tributário e de Direito Civil, nada mais natural que as empresas se utilizassem destas disposições, diante da ausência de norma especifica para o comércio exterior; a alegação de que não existia importação por encomenda no direito brasileiro antes da Lei 11.281/06 não merece realmente crédito, eis que a encomenda é um instituto ou uma forma de negociação que remonta à origem do direito civil e empresarial, de todo o mundo em todos os tempos. Sendo este, inclusive, o entendimento da Superintendência da 7a Região Fiscal, exposto na decisão n° 45, de 1999, na qual reconhece, expressamente, não só a legitimidade da importação por encomenda, antes mesmo da publicação de qualquer norma específica, mas também a ausência de qualquer irregularidade no fato de o encomendante contratar uma importadora e de esta ser o único contribuinte de IPI; cabe destaque, também, o texto da exposição de Motivos da Emenda à MP 267 (que deu origem à citada lei 11.281/06), que é bastante lúcido e elucidativo e, de fato, joga uma pá de cal, na pretensão desmedida e absurda como a promovida através da lavratura do auto de infração ora combatido, vindo corroborar o entendimento no sentido de que o "encomendante da mercadoria importada" foi instituído na condição de contribuinte do IPI, a partir da edição da citada lei; ou seja, o fato de as mercadorias haverem sido repassadas a terceiros em nada invalidam a condição da SCIB como legitimo importador, devendo, portanto, ser afastada tal motivação do auto de infração, em vista de sua absoluta improcedência. Portanto, principalmente em se considerando que a importação promovida através da DI n° 05/10331534 foi anterior à edição da Lei instituidora de restrições e requisitos à importação sob encomenda, não há que se falar em infringência de lei, nem cometimento de infração. Por tal razão, há de ser, inexoravelmente, excluída deste auto a multa aplicada sobre o valor aduaneiro das respectivas mercadorias; a Fiscalização considerar que os depósitos em favor da SCIB representam indícios de fraude, corresponderia a um indevido ingresso na alçada comercial desta com seus clientes, o que não se pode permitir; a interposição ocorre quando a empresa que recebe o adiantamento não dispõe de recursos para realizar a operação por si mesma. Quando a importadora dispõe dos recursos, mas recebe o adiantamento por questões meramente comerciais, não há irregularidade alguma, que dirá interposição fraudulenta; o fato de uma empresa estar pronta para atender, no mercado interno, a uma possível ou provável demanda de um cliente não significa que seja um "laranja" desse cliente. Nada no ordenamento jurídico brasileiro impede que uma empresa importe com vistas a vender para outra; é preciso que se faça a distinção precisa de conceitos: uma coisa é "importar por alguém, ocupando o papel de alguém"; outra, bastante diferente, é "importar para vender para alguém". O que a legislação combate é a interposição fraudulenta na importação, a utilização de recursos de terceiros, às escuras, com vistas a excluir do controle do fisco os recursos utilizados no comércio exterior. Esta é a mens legis, que deve ser respeitada ao se analisar as operações de importação e na hora de se aventar em impor qualquer penalidade aos sujeitos passivos; desde o advento da IN SRF 229/2002 o exercício das atividades de importador e exportador, na prática, passou a depender de uma autorização prévia da Receita Federal, obtida mediante um penoso procedimento, no bojo do qual é Fl. 187DF CARF MF Impresso em 11/05/2012 por RUY DE AZEVEDO BASTOS CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 10/05/2012 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI, Assinado digitalmente em 04/05/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDA DE TORRES Processo nº 13603.720425/200857 Acórdão n.º 3202000.482 S3C2T2 Fl. 166 7 examinada a regularidade fiscal e a capacidade econômica da empresa e de seus sócios, para, ao final, ser atribuída a esta um limite, expresso em dólares, para as operações de comércio exterior que poderão ser realizadas, em cada período de seis meses; a fiscalização, após árduo procedimento fiscal, concluiu que a SCIB tem capacidade financeira comprovada para efetuar, semestralmente, suas importações. Portanto, a conclusão elementar a que se pode chegar é a de que, tendo a SCIB importado dentro do limite deferido, a capacidade financeira é indiscutível, razão pela qual deve ser afastada a hipótese de interposição fraudulenta; ao se confrontar o valor CIF constante nas DI, com aqueles apostos nas Notas Fiscais de entrada e de saída respectivas, vêse que os valores destas últimas são muito superiores. Ou seja, as saídas ocorreram com evidente lucro nas transações. Ora, em uma importação por conta e ordem, ao contrário, o valor pago pelo encomendante há de ser o valor efetivo da importação, ou, ao menos, um valor muito próximo a este, ao qual se acrescentaria uma comissão pelo serviço prestado pelo importador. Não é o caso das importações em tela, nas quais transparece claramente que o titular das mercadorias e condutor dos negócios é a SCIB; no art. 23, inc. V, do DL 1.455/76, fundamento legal deste auto de infração, é elemento do tipo a presença de fraude ou simulação, as quais, obviamente, não podem ser presumidas, mas provadas por quem as alega. No caso dos presentes autos não há sequer uma prova de fraude. A importação sob apreço é absoluta e completamente regular; o posicionamento da Administração é pacifico, no sentido de que, para ter validade, a autuação fundada no cometimento de fraude, esta tem de estar comprovada, conforme julgados da Delegacia de Julgamento em Florianópolis e do Terceiro e do Primeiro Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda, citados a titulo de exemplo; considerando ser elementar do tipo o dolo de fraudar, inexistente nas importações objeto deste auto, concluise que não se cometeu a indigitada infração, não havendo fundamento válido para a aplicação da pena de perdimento, ora convertida em multa; caso ainda se entenda pela existência de interposição fraudulenta nas presentes importações o que não é verdade, é evidente a absoluta incoerência da autoridade aduaneira que, por um lado, pugna pela ocorrência de interposição fraudulenta na importação, acusando a SCIB de não ser a real adquirente das mercadorias, ou seja, de não ser a real importadora e, por outro, paradoxalmente, aplica ao suposto "laranja" a penalidade que deveria ser imposta ao "real adquirente" das mercadorias, promovendo, na linha de seu tortuoso e equivocado raciocínio, autêntica expropriação a non domino; ainda que a Fiscalização tivesse agido corretamente e efetuado o lançamento da conversão do perdimento em multa de 100% do valor aduaneiro o que não fez deve ser ressaltado que a SCIB não caberia tal multa e, sim, de 10% do valor aduaneiro, conforme disposto no art. 33, da Lei n° 11.488, de 15 de junho de 2007. Isto porque a SCIB foi autuada sob a imputação de haver cometido a infração descrita como interposição fraudulenta de terceiros na importação, não podendo ser considerada o "real sujeito passivo da obrigação tributária"; resta demonstrado que o auto de infração carreia evidente equívoco, não meramente em sua capitulação legal, mas na própria apuração dos fatos e aplicação Fl. 188DF CARF MF Impresso em 11/05/2012 por RUY DE AZEVEDO BASTOS CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 10/05/2012 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI, Assinado digitalmente em 04/05/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDA DE TORRES 8 do direito. Afetase, assim, a regra inserta no artigo 142, do CTN, comprometendo irremediavelmente o lançamento ora impugnado; não cabe o argumento segundo o qual deva, de qualquer forma ser mantida a exigência, desta vez impondose a exigência à impugnante, não na condição de contribuinte, mas de responsável. Essa imputação simplesmente não é aceitável, visto que não cabe à instancia julgadora promover remendos no lançamento, com o fim de mantêlo a qualquer custo. É cediço que a fase de julgamento não é compatível com o aperfeiçoamento do lançamento, que deveria ter sido corretamente efetuado pela autoridade competente; assim, devese salientar que o auto de infração foi lavrado em face da SCIB, na qualidade de contribuinte, como se esta tivesse, diretamente, cometido o fato gerador da obrigação. Não cabe, portanto, agora, a pretexto de se manter a todo o custo a exigência, querer imputarlhe a condição de responsável pela infração, sendo certo que esta condição não se lhe foi atribuída em sede de descrição dos fatos e enquadramento legal; o artigo 149 do CTN rejeita inovação no lançamento, no tocante a matéria de direito, sendo, pois, ilegítimo esse tipo de aperfeiçoamento. É válido ressaltar que sobre os fatos ora em análise foi atribuída pela fiscalização significação jurídica incompatível com a norma que deveria ter sido aplicável. O lançamento, no que tange as questões de direito é definitivo e inalterável, exceto em caso de penalidade, em beneficio do contribuinte; é certo, pois que a lei nova, mais benéfica ao contribuinte, na medida em que atribui pena pecuniária de 10% à infração, antes apenada com a pena de perdimento, aplicase ao caso concreto, ex vi, artigo 106 do CTN; foi exatamente este o entendimento externado pela DRJ de São Paulo, que aplicou a citada Lei n° 11.488/07 a fatos geradores ocorridos em 2003 e rejeitou a tentativa de se punir o importador solidariamente ao adquirente; desta forma, mesmo em sendo considerada correta a imputação da autoridade lançadora, qual seja, a acusação de que a SCIB praticou "interposição fraudulenta", ainda assim deve o lançamento ser julgado improcedente, primeiro, pelos motivos antes expendidos e, segundo, porque, nos casos de interposição fraudulenta, aplicase o disposto na Lei n° 11.488/2007, tudo em conformidade com o prescrito no CTN. Por fim, a SCIB requer que seja "A) declarado improcedente, por completo, o auto de infração e/ou, B) reduzida a tributação a 10% do valor aduaneiro, em adequação ao comando da Lei n° 11.488/2007". Cumpre registrar que, cientificada do Termo de Sujeição Passiva Solidária, em 20/02/09, conforme Aviso de Recebimento (AR) de fl. 89, a empresa House Tech Sistemas Elétricos Ltda NÃO apresentou impugnação ao feito fiscal, sendo considerada revel nos termos do art. 21, do Decreto n°70.235, de 06/03/72.” A DRJFortaleza/CE julgou improcedente a impugnação (fls. 119/127), nos termos da ementa transcrita adiante: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTARIA Data do fato gerador: 26/09/2005 DANO AO ERÁRIO. PENA DE PERDIMENTO CONVERTIDA EM MULTA. Considerase dano ao Erário a ocultação do real adquirente, mediante fraude ou simulação, infração punível com Fl. 189DF CARF MF Impresso em 11/05/2012 por RUY DE AZEVEDO BASTOS CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 10/05/2012 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI, Assinado digitalmente em 04/05/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDA DE TORRES Processo nº 13603.720425/200857 Acórdão n.º 3202000.482 S3C2T2 Fl. 167 9 a pena de perdimento, que é convertida em multa equivalente ao valor aduaneiro, caso as mercadorias não sejam localizadas ou tenham sido consumidas. IMPORTAÇÃO POR CONTA E ORDEM DE TERCEIROS. No caso dos autos, encontramse delineados os contornos que caracterizam as operações em tela como importações por conta e ordem de terceiros, embora carentes de formalidades legais. SUJEIÇÃO PASSIVA. Respondem pela infração conjunta ou isoladamente, quem quer que, de qualquer forma, concorra para sua prática, ou dela se beneficie; a pessoa natural ou jurídica, em razão do despacho que promover, de qualquer mercadoria e o adquirente de mercadoria de procedência estrangeira, no caso da importação realizada por sua conta e ordem, por intermédio de pessoa jurídica importadora. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Irresignada, a contribuinte apresentou recurso voluntário a este Colegiado, reproduzindo os mesmos argumentos expendidos na impugnação. Ao final, requer a reforma da decisão de primeira instância, a fim de que seja declarado improcedente o Auto de Infração. Caso assim não o seja, requer a redução da multa aplicada para o percentual de 10% do valor aduaneiro. É o Relatório. Voto Conselheira Irene Souza da Trindade Torres, Relatora O recurso é tempestivo e preenche as demais condições de admissibilidade, razões pelas quais dele conheço. Ao teor do relatado, cuida a lide de Auto de Infração lavrado em desfavor de SCIB – SERVIÇO E COMÉRCIO INDÚSTRIA DO BRASIL LTDA, na qualidade de contribuinte, e de HOUSETECH SISTEMAS ELÉTRICOS LTDA, na qualidade de responsável solidário, para exigência de multa proporcional ao valor aduaneiro das mercadorias importadas, no valor total de R$ 18.811,61, em razão da conversão da pena de perdimento em multa (fls. 01/06). Diante dos fatos verificados em auditoria, a Fiscalização entendeu que a importação registrada por meio da DI nº. 05/10331534, em nome da empresa SCIB, teve como real importador a empresa HouseTech, a qual seria a verdadeira adquirente das mercadorias importadas. Os fatos que levaram a tal entendimento encontramse minuciosamente narrados no Relatório de Auditoria constante às fls. 07/41, podendo assim ser resumidos: Fl. 190DF CARF MF Impresso em 11/05/2012 por RUY DE AZEVEDO BASTOS CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 10/05/2012 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI, Assinado digitalmente em 04/05/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDA DE TORRES 10 Em 26/09/2005, a empresa SCIB registrou a DI nº. 05/10331534, por meio da qual importou 1.214 unidades de ventoinhas para ventilação, classificadas sob o código NCM 8414.59.90; em 29/09/2005, o importador deu entrada das 1.214 .unidades, através da nota fiscal de entrada n° 823 (fl. 85); no mesmo dia, em 29/09/2005, o importador emitiu a nota fiscal de saída n° 881, em nome da empresa HouseTech Sistemas Elétricos Ltda, dando saída nas 1.214 unidades de ventoinhas para ventilação (fls. 84); em 09/08/2005, a HouseTech já havia depositado o montante de R$ 44.871,91 na conta de seus despachantes (Sra. Chystianne Gotlib Faleiro e Sr. José Octavio Faleiro); em 16/08/2005 foi depositado na conta da SCIB o valor de R$ 14.800,00, com o objetivo de que fosse efetuado o pagamento antecipado do câmbio referente à DI n° 05/10331534, o que ocorreu em 18/08/2005, tendo sido fechado o câmbio no valor de R$ 14.501,23; em 26/08/2005 foi depositado pela HouseTech, de forma indireta, através de seus despachantes, o montante de R$ 16.661,68, o que mais uma vez demonstraria o objetivo definido da operação, já que na mesma data foi efetuado o pagamento de taxas e tributos aduaneiros e do transportador VB CARGAS, no valor total de R$16.124,89; em 06/05/2008, a Fiscalização solicitou à empresa HouseTech os comprovantes de pagamento da Nota Fiscal nº. 881, por meio de apresentação de recebido, DOC, TED , cheques ou outro meio de comprovação, ao que obteve a seguinte resposta: "Em virtude da troca de escritório de contabilidade por duas vezes neste período, não foi possível até o momento localizar os comprovantes de pagamentos. Entretanto, tais faturas foram quitadas nos prazos estipulado.” em 27/05/2008, a empresa foi reintimada a comprovar os referidos pagamentos. Na oportunidade, a HouseTech informou o seguinte: 1. Em atendimento à intimação acima, estamos anexando ao presente as cópias dos extratos bancários e comprovantes de depósitos para pagamento das notas fiscais nºs 000864, de 13/04/2005 e 000881, 29/09/2005, emitidas Pela SCIB — Serviços e Comércio Internacional do Brasil Ltda. 2. Quando necessitamos da importação dos produtos constantes das notas fiscais acima, para atender a um de nossos clientes nos foram indicados como despachantes credenciados para tal, a Sra Chystianne Gotlib Faleiro, CPF n° 418.380.68600 e o Sr. José Octavio Faleiro, CPF n° 001.797.01649, que providenciaram todos os trâmites legais junto à importadora para a aquisição dos produtos que necessitávamos, não tendo a requerente nenhum contato com a referida empresa. 3. Fizemos todos os pagamentos aos intermediários conforme discriminado abaixo: , a) No dia 01/03/2005, foi feito um depósito para a Sra. Chrystianne Gotlib Faleiro, no valor de R$ 13.680,00, através dos cheques nºs 000649, no valor de R$ 2.575,10; 000650, no Fl. 191DF CARF MF Impresso em 11/05/2012 por RUY DE AZEVEDO BASTOS CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 10/05/2012 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI, Assinado digitalmente em 04/05/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDA DE TORRES Processo nº 13603.720425/200857 Acórdão n.º 3202000.482 S3C2T2 Fl. 168 11 valor de R$ 4.000,00, e 000651, no valor de R$ 1.604,90, todos do Banco Itaú S/A, agência 0937, C/C nº 306033; Cheque n° 001382, no valor de R$ 4.500,00, da Caixa Econômica Federal, agência 0089, C/C n°501702.5 (cópia do depósito e extratos bancários anexos) e R$ 1.000,00 em moeda corrente nacional, como adiantamento para que esta pudesse dar, início ao processo de importação. b) No dia 09/08/2005, foi feito um depósito para o Sr. José Octávio Faleiro, no valor de. R$ 31.191,91 através do cheque n° 000980, do banco Itaú, agência 0937, C/C. 306033 (vide cópia do depósito e do extrato bancário anexos), complementando o valor da importação. 4. Os depósitos totalizaram R$ 44.871,91, e as notas fiscais da importação somaram R$ 44.911,42, havendo um pagamento a menor de R$ 39,51, referente à variação cambial.” (grifos não constantes do original) De todo o conjunto probatório acima posto, claro está que, mesmo tendo a empresa SCIB aporte financeiro para executar a importação, esta não se deu por conta própria, tendo sido utilizados os recursos financeiros provenientes da empresa HouseTech para as operações que envolveram a importação. Em verdade, apresentase a HouseTech como a real adquirente da mercadoria, a importadora de fato, aquela que, efetivamente, foi a responsável por fazer vir a mercadoria de outro país, financiando a compra. Não importa, no caso, o fato de a empresa SCIB ter aporte financeiro para a realização das operações, visto não ser este o elemento necessário à infração prevista no inciso V do art. 23 da Lei nº. 10.637/2002. A interposição fraudulenta de terceiros ocorre sempre que o importador alega que realiza a importação com recursos próprios, mas, na prática, oculta quem efetivamente demandou e financiou a importação, como ocorreu no presente caso. Todo o conjunto probatório carreado pela Fiscalização comprovantes dos depósitos bancários, explicações fornecidas pela própria empresa HouseTech, notas fiscais de entrada e saída das mercadorias faz ver que a importação jamais se deu por conta da empresa SCIB, tampouco tratouse de importação por encomenda, conforme quer fazer crer a recorrente. Nesse ponto, irretocável a manifestação da autoridade julgadora de primeira instância: “De qualquer modo, a alegação de que a operação de 2005 se trata de uma importação sob encomenda não pode prosperar. A MP n° 66, de 29/08/02, publicada no Diário Oficial da Unido (DOU) em 30/08/02, já veio, em seu art. 29, a determinar que "a operação de comércio exterior realizada mediante utilização de recursos de terceiro presumese por conta e ordem deste". Posteriormente à edição daquela MP, vários atos emanados do Poder Executivo enfatizaram aquela presunção legal: o Decreto n° 4.524, de 17/12/02, que regulamenta a Contribuição para o PIS/Pasep e a Cofins devidas pelas pessoas jurídicas em geral, no seu art. 12, § 1°, inc. III; o Decreto n° 4.543, de 26/12/02 (Regulamento Aduaneiro vigente até fevereiro de 2009), no seu art. 105, § 2° e o Decreto n° 4.544, de 26/12/02 (Regulamento do IPI), no seu art. 9°, § 2°. Fl. 192DF CARF MF Impresso em 11/05/2012 por RUY DE AZEVEDO BASTOS CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 10/05/2012 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI, Assinado digitalmente em 04/05/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDA DE TORRES 12 Por seu turno, no âmbito da então Secretaria da Receita Federal, a disposição foi trazida no art. 5°, da IN SRF n° 225, de 18/10/02, e no art. 12, § 1º, inc. III, da IN SRF n°247, de 21/11/02. Finalmente, em 31/12/02, com a publicação da Lei n° 10.637/02, resultado da conversão da MP n° 66/02, a presunção legal em comento foi convalidada no art. 27. O advento do art. 11, da Lei n° 11.281/06 não teve o condão de afastar aquela presunção, pois apenas afirmou que "A importação promovida por pessoa jurídica importadora que adquire mercadorias no exterior para revenda a encomendante predeterminado não configura importação por conta e ordem de terceiros". Observese que a lei utiliza o termo revenda. Revender segundo o dicionário Aurélio, significa "tornar a vender, vender (o que se tinha comprado para negócio)”, pressupõe, portanto, a utilização de recursos próprios da pessoa jurídica importadora na importação das mercadorias. No mister de regulamentar o dispositivo legal, a então SRF, no uso da prerrogativa dada no § 1º, inc. I, do mesmo artigo 11 da Lei n° 11.281/06, esclareceu no art. 1°, parágrafo único, da IN SRF n° 634, de 24/03/06 que "Não se considera importação por encomenda a operação realizada com recursos do encomendante, ainda que parcialmente". De modo que, desde 30/08/02, data da publicação da MP nº 66/02, está vigente no ordenamento jurídico nacional e amplamente divulgado no plano infralegal o preceito de que "a operação de comércio exterior realizada mediante utilização de recursos de terceiro presumese por conta e ordem deste, para fins de aplicação do disposto nos arts. 77 a 81 da Medida Provisória n°2.15835, de 24 de agosto de 2001". Assim, a importação realizada por meio da DI n° 05/10331534, uma vez que, comprovadamente, se processou com a utilização de recursos da House Tech, conforme admitido e contabilizado pelas autuadas (vide documentos de fls. 47/48, 75/83), presumese realizada por conta e ordem daquela empresa, por força legal, não se configurando neste caso a modalidade de operação por encomenda, como quer fazer crer a empresa SCIB.” (grifos não constantes do original) Também não se pode aceitar tratarse de importação por conta e ordem de terceiros efetuada regularmente, conforme pretende a recorrente. Para que a importação por conta e ordem de terceiros seja regular, devem ser cumpridas diversas formalidades, exatamente para que revele o real adquirente da mercadoria, deixando este de ocultarse à sombra do importador. Primeiro, necessária se faz a existência de um contrato, por meio do qual a empresa adquirente (importadora de fato) contrata outra empresa (importadora ostensiva) para promover, em seu nome, o despacho aduaneiro de importação. Além disso, devem ser atendidas algumas obrigações impostas pelo artigo 3º da IN SRF nº 225/02, o qual, dentre outras disposições, estabelece que na ficha “importador” da DI deve ser fornecido o número de inscrição no CNPJ da empresa adquirente; bem como determina que a fatura comercial deve identificar o adquirente da mercadoria, no intuito de refletir a transação efetivamente realizada. Demais disso, ainda devem ser atendidas as exigências dos arts. 86 e 87 da IN SRF nº 247/02, por meio dos quais resta estabelecido que a pessoa jurídica importadora deve evidenciar, em seus registros contábeis e fiscais, que se trata de mercadorias de propriedade de terceiros, registrando, ainda, em conta específica, o valor das mercadorias importadas por conta e ordem de terceiros, pertencentes aos respectivos adquirentes. Fl. 193DF CARF MF Impresso em 11/05/2012 por RUY DE AZEVEDO BASTOS CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 10/05/2012 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI, Assinado digitalmente em 04/05/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDA DE TORRES Processo nº 13603.720425/200857 Acórdão n.º 3202000.482 S3C2T2 Fl. 169 13 Nenhuma das condições acima foi preenchida. Sequer existe contrato firmado entre a SCIB e a HouseTech, pois a atuação se deu por meio de intermediários, no caso, os despachantes de nome Chystianne Gotlib Faleiro e José Octavio Faleiro, que recebiam o dinheiro da HouseTech em suas contas correntes e realizavam os depósitos bancários necessários à concretização da importação na conta da empresa SCIB, o que faz ver, claramente, a fraude perpetrada. Assim, vez que a importação ocorreu sem que fossem utilizados recursos próprios da empresa SCIB, mas sim recursos da empresa HouseTech, restou presumida a interposição fraudulenta de terceiros, na forma do art. 27 da Lei nº. 10.637/2002, infração penalizada com a pena de perdimento das mercadorias, por configurar dano ao Erário, conforme previsão legal do inciso V do DecretoLei n. 1.455/1976, com a redação pela Lei n. 10.637/2002, a saber: Lei nº 10.637/2002 Art. 27. A operação de comércio exterior realizada mediante utilização de recursos de terceiros presumese por conta e ordem deste, para fins de aplicação do disposto nos arts. 77 a 81 da Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001. DecretoLei nº. 1.455/1976 Art 23. Consideramse dano ao Erário as infrações relativas às mercadorias: (...) V estrangeiras ou nacionais, na importação ou na exportação, na hipótese de ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros. §1ºO dano ao erário decorrente das infrações previstas no caput deste artigo será punido com a pena de perdimento das mercadorias. §2º Presumese interposição fraudulenta na operação de comércio exterior a nãocomprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados. §3º A pena prevista no §1º convertese em multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria que não seja localizada ou que tenha sido consumida. (...) Indubitável, portanto, a interposição fraudulenta de terceiros, bem como a infração praticada, nos termos da lei e Das 1.214 unidades de “ventoinhas para ventilação” importadas pela SCIB, a HouseTech, por meio da nota fiscal de saída n° 4.392 (fl.68 ), destinou 200 unidades e, através da nota fiscal de saída n° 4.393 (fl.69), deu destino às outras 1.014 unidades restantes. Fl. 194DF CARF MF Impresso em 11/05/2012 por RUY DE AZEVEDO BASTOS CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 10/05/2012 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI, Assinado digitalmente em 04/05/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDA DE TORRES 14 Assim, dada a impossibilidade de localização das mercadorias, a pena de perdimento foi convertida em multa equivalente ao seu valor aduaneiro, como determina o §3º, do artigo 23, do Decretolei n. 1.455/1976, com a redação dada pelo artigo 59 da Lei n. 10.637/2002, vigente à época, in verbis: §3º A pena prevista no §1º convertese em multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria que não seja localizada ou que tenha sido consumida. Por sua vez, a real adquirente das mercadorias importadas, a empresa House Tech, foi considerada devedora solidária, nos termos do artigo 27 da Lei nº 10.637/2002, c/c o inciso V, do artigo 95 do Decretolei nº 37/66, com a redação introduzida pela Medida Provisória nº 2.15835/2001, a saber: Decretolei nº 37/66, com redação dada pela Medida Provisória nº 2.158 35/2001: “Art. 95. Respondem pela infração: (...) V – conjunta ou isoladamente, o adquirente de mercadoria de procedência estrangeira, no caso de importação realizada por sua conta e ordem, por intermédio de pessoa jurídica importadora.” Alega, por fim, a recorrente, que, mesmo que admitisse ter havido a interposição fraudulenta de terceiros, não caberia a aplicação da pena de perdimento da mercadoria convertida em multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria, mas tão somente a aplicação da multa de 10% prevista na Lei n° 11.488/2007. Quanto a esta matéria, adoto como razões de decidir o entendimento do i. Conselheiro desta Turma, Gilberto de Castro Moreira Júnior, manifestado no voto condutor do Acórdão prolatado nos autos do processo nº. 12466.003544/2009, cujo teor abaixo transcrevo excerto: “(...) Por outro lado, argumenta a Recorrente que à interposição fraudulenta de terceiros não é mais aplicável a penalidade de perdimento da mercadoria, desde o advento do art. 33 da Lei n. 11.488 de 2007. Aduz, ainda, que a fiscalização somente poderá penalizar as empresas com a multa prevista no artigo acima citado. Necessário esclarecer que o art. 33 da Lei. 11.488/2007 não revogou expressamente o art. 23 do DecretoLei n. 1.455/1976 e, por conseguinte, não regulou inteiramente a matéria. Isso fica muito claro na decisão do Tribunal Regional Federal da 4ª Região abaixo reproduzida, no sentido de que não houve revogação da pena de perdimento prevista no artigo 23 do Decretolei n° 1.455/76: “TRIBUTÁRIO. MANDADO DE SEGURANÇA. DILAÇÃO PROBATÓRIA. INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA. OCULTAÇÃO DO VERDADEIRO IMPORTADOR. PENA DE PERDIMENTO DAS MERCADORIAS. LEGALIDADE. ARTIGO 33 DA LEI N. 11.488, DE 15 DE JUNHO DE 2007. NÃO REVOGAÇÃO DA PENA DE PERDIMENTO PREVISTA NO ARTIGO 23 DO DECRETOLEI N° 1.455, DE 1976. AUSÊNCIA DE DIREITO LÍQUIDO E CERTO Fl. 195DF CARF MF Impresso em 11/05/2012 por RUY DE AZEVEDO BASTOS CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 10/05/2012 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI, Assinado digitalmente em 04/05/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDA DE TORRES Processo nº 13603.720425/200857 Acórdão n.º 3202000.482 S3C2T2 Fl. 170 15 (...) O artigo 33 da Lei n. 11.488, de 15 de junho de 2007, não tem o condão de afastar a pena de perdimento, porquanto não implicou em revogação do artigo 23 do DL n° 1.455/76, com a redação dada pela Lei n. 10.637/2002. Isso porque, a pena de perdimento atinge, em verdade, o real adquirente da mercadoria, sujeito oculto da operação de importação. A pena de multa de 10% sobre a operação, prevista no referido dispositivo legal, revelase como pena pessoal da empresa que, cedendo seu nome, faz a importação, em nome próprio, para terceiros. O parágrafo único do aludido artigo, por sua vez, estatui que "A hipótese prevista no caput deste artigo não se aplica o disposto no art. 81 da Lei n. 9.430, de 27 de dezembro de 1996". Essa complementação legal, constante do parágrafo único, abona o entendimento de que não houve a revogação da pena de perdimento para a hipótese retratada nos autos. Antes o confirma, porquanto exclui, expressamente, apenas a possibilidade da aplicação da sanção de inaptidão do CNPJ. Quanto as demais penas, permanecem incólumes, havendo a previsão, agora também, da pena pecuniária, nos termos do caput do aludido preceptivo legal.” (AMS 200572080051666, OTÁVIO ROBERTO PAMPLONA, TRF4 SEGUNDA TURMA, 01/08/2007) O mesmo entendimento, no sentido que as infrações não são idênticas e coexistem, é confirmado pelos acórdãos deste Conselho 310100.494 (redator designado Conselheiro Tarasio Campelo Borges) e 310200.566 (redator designado Conselheiro Celso Lopes Pereira Neto), bem como o art. 727 do Decreto n° 6.759, de 5 de fevereiro de 2009 Regulamento Aduaneiro, quando, ao regulamentar o art. 33 da Lei n° 11.488, trouxe norma expressamente interpretativa no seu parágrafo 3° afirmando que a aplicação da multa de 10% não prejudica a aplicação da pena de perdimento: "Art.727. Aplicase a multa de dez por cento do valor da operação à pessoa jurídica que ceder seu nome, inclusive mediante a disponibilização de documentos próprios, para a realização de operações de comércio exterior de terceiros com vistas ao acobertamento de seus reais intervenientes ou beneficiários. (...) § 3 A multa de que trata este artigo não prejudica a aplicação da pena de perdimento às mercadorias importadas ou exportadas." (grifouse) Cabe, ademais, dar destaque ao acórdão 310200.588 deste Conselho, datado de 04 de fevereiro de 2010, de relatoria do Conselheiro José Fernandes do Nascimento, que distinguiu a interposição fraudulenta em “importação sem comprovação da origem dos recursos próprios” e “importação com recursos de terceiros” (ou mediante cessão de nome). Transcrevo, a seguir, trechos do voto vencedor que elucidam referida distinção: “ Da interposição fraudulenta na importação sem comprovação da origem dos recursos próprios. A nãocomprovação da origem, disponibilidade ou transferência lícita dos recursos próprios empregados na operação de importação, bem assim a condição de real adquirente da mercadoria, é causa, simultânea, da Fl. 196DF CARF MF Impresso em 11/05/2012 por RUY DE AZEVEDO BASTOS CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 10/05/2012 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI, Assinado digitalmente em 04/05/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDA DE TORRES 16 presunção da conduta ilícita da interposição fraudulenta e da inidoneidade da pessoa jurídica na operação de importação. No primeiro caso, a nãocomprovação dos recursos próprios é fato presuntivo causador do fato presumido da interposição fraudulenta nas operações de comércio, que se caracteriza pela ocultação do "sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação", nos termos do §.2° do artigo 23 do Decretolei n 2 1.455, de 1976... No segundo caso, o fato presuntivo da nãocomprovação dos recursos próprios é causador da conduta inidôneo da pessoa jurídica, caracterizada pela sua inexistência de fato como importadora, pois quem, verdadeiramente, está importando é a pessoa jurídica omitida nos documentos que acobertam a operação, conforme estabelecido no § 1° do art. 81 da Lei n° 9.430, de 1.996. Dessa forma, inferese que, embora o fatobase seja o mesmo (a não comprovação dos recursos próprios), as condutas descritas como infração são distintas. Num caso, o referido fato se constitui em prova indireta da conduta infracional, consistente na ocultação do sujeito passivo, real comprador ou responsável pela importação. No outro, ele é prova indireta da inidoneidade da pessoa jurídica importadora (ela inexiste de fato como importadora). No caso, como as referidas infrações não são idênticas, não há que se falar em hipótese de bis in idem, que consiste na incidência de dupla penalização de uma mesma conduta ilícita ou de dupla valoração de circunstância gravosa na determinação da sanção. Logo, é juridicamente plausível a cominação a cada uma delas (infrações) de penalidades diferentes, a saber: (i) a pena de perdimento da mercadoria e (ii) a sanção de inaptidão de inscrição no CNPJ... Com efeito, em consonância com o estabelecido nos transcritos preceitos legais, a conduta da interposição fraudulenta nas operações de comércio exterior é sancionada com a pena de perdimento da mercadoria, por dano ao erário (art. 23, § 1°, do Decretolei n° 1.455, de 1976), ao passo que a conduta da inidoneidade da importadora (ou por inexistência de fato como importadora) é sancionada com a inaptidão da inscrição no CNPJ (art. 81, § 1°, da Lei n° 9.430, de 1996), sanção administrativa de natureza não patrimonial de caráter interventivo, segundo alguns doutrinadores, ou suspensiva ou privativa de atividade, segundo outros. Na primeira hipótese, a pena imposta visa ressarcir o erário e castigar o infrator pela conduta ilícita caracterizada por dano ao erário. Já a segunda sanção visa punir a fraude na operação de importação, mediante o uso abusivo da personalidade jurídica, pois quem, verdadeiramente, está importando é a pessoa jurídica omitida nos documentos que acobertam a operação. Ressalto ainda que, para fins da legislação aduaneira, é irrelevante se a empresa existe de fato ou não nos termos da legislação societária. Em outros termos, se é empresa é de "fachada" ou não. Para o direito aduaneiro, é possível a empresa existir de fato, ter pessoal, instalações, atividade operacional etc., e ser considerada inexistente de fato para fins aduaneiros, desde que ela atue na área de comércio exterior ilicitamente, como interposta pessoa, e cometa a infração descrita no comando legal suprareferenciado. Fl. 197DF CARF MF Impresso em 11/05/2012 por RUY DE AZEVEDO BASTOS CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 10/05/2012 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI, Assinado digitalmente em 04/05/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDA DE TORRES Processo nº 13603.720425/200857 Acórdão n.º 3202000.482 S3C2T2 Fl. 171 17 Da interposição fraudulenta na importação com recursos de terceiros A interposição ilícita na operação de importação com recursos de terceiros (ou mediante cessão do nome) caracterizase pela comprovação da transferência dos recursos financeiros do caixa ou conta bancária do verdadeiro adquirente da mercadoria, para o caixa ou conta bancária da interposta pessoa (o importador ostensivo). Nesta modalidade de interposição fraudulenta, o importador apenas cede o nome, porém, os recursos empregados no pagamento da operação de importação são integral ou parcialmente fornecidos pelo adquirente ou real importador. No que tange a esta modalidade de interposição ilícita, a legislação aduaneira prevê duas hipóteses de presunção da operação de importação por conta e ordem de terceiro. Uma, prevista no art. 27 da Lei n° 10.637, de 2002 (i), e a outra, no § 2° do artigo 11 da Lei n° 11.281, de 2006 (ii), conforme se infere a partir do teor dos referidos dispositivos... Examinado o teor dos transcritos comandos legais, concluo que, por presunção, duas são as hipóteses de interposição ilícita, caracterizada como sendo importação por conta e ordem de terceiro (ilícita), a saber: a) a realizada mediante utilização de recursos de terceiro, sem o cumprimento das exigências legais estabelecidas para o tipo de importação por conta e ordem de terceiro (artigo 27 da Lei n2 10.637, de 2002); e b) a realizada mediante utilização de recursos próprios, sem o cumprimento dos requisitos e condições estabelecidos para a importação por encomenda (§ 2° do artigo 11 da Lei n° 11.281, de 2006). Por força desta presunção, embora os recursos utilizados na importação sejam do próprio importador, como a mercadoria importada será destinada a um comprador predeterminado (o encomendante), a operação será equiparada a importação por conta e ordem de terceiro (ilícita). Da interposição fraudulenta na importação com recursos de terceiros (ou mediante cessão do nome): penalidades aplicáveis. Até 15 de junho de 2007, data em que entrou em vigor o art. 33 da Lei n° 11.488, de 2007, da mesma forma que ocorria com a denominada interposição fraudulenta na importação sem comprovação da origem dos recursos próprios, a conduta ilícita consistente na ocultação dos reais intervenientes ou beneficiários das operações de comércio exterior, mediante mera cessão do nome, aqui denominada (no caso da operação de importação) de interposição fraudulenta na importação com recursos de terceiros, o importador (ostensivo) era sancionado com as seguintes penalidades: a) a pena de perdimento por dano ao erário, prevista no § 1°, combinado com o disposto no inciso V, c/c § 2°, do art. 23 do Decretolei n° 1.455, de 1976, ou sua sucedânea, se configurada a hipótese de conversão em penalidade pecuniária de que trata o § 3° do citado art. 23 (norma geral de interposição fraudulenta no comércio exterior); e b) a sanção administrativa de inaptidão da inscrição no CNPJ, nos termos do § 1° do art. 81 da Lei n° 9.430, de 1996, com redação dada pela Lei n° 10.637, de 2002 (norma especial da inaptidão da inscrição da pessoa jurídica no CNPJ). Fl. 198DF CARF MF Impresso em 11/05/2012 por RUY DE AZEVEDO BASTOS CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 10/05/2012 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI, Assinado digitalmente em 04/05/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDA DE TORRES 18 Por sua vez, o real beneficiário da operação (o importador oculto), continua sendo sancionado apenas com a pena de perdimento por dano ao erário, prevista no § 1°, combinado com o disposto no inciso V e § 2° do art. 23 do Decretolei n° 1.455, de 1976, ou multa sucedânea, se configurada a hipótese de conversão em penalidade pecuniária estabelecida no § 3° do citado art. 23. Em relação ao importador (ostensivo), a partir da vigência do referido preceito legal (norma especial de interposição fraudulenta), a prática da conduta da interposição fraudulenta na importação com recursos de terceiros (ou mediante cessão do nome) passou a ser sancionada, exclusivamente, pela multa de 10% (dez por cento) do valor da operação de importação, não podendo ser inferior a R$ 5.000,00 (cinco mil reais). No que tange ao real beneficiário da operação (o importador oculto), alteração alguma houve, seja na definição da infração ou da fixação da penalidade. Tratase, no caso da infração e penalidade definidas no caput do art. 33 da Lei n° 11.488, de 2007, de penalidade pecuniária especificamente estabelecida para o importador que descumpriu as exigências legais determinadas para a importação por conta e ordem de terceiro ou a importação por encomenda, conforme acima explanado. No meu entendimento, duas circunstâncias corroboram para a conclusão aqui apresentada: a) a primeira: a menção expressa no parágrafo único do art. 33 de que a "hipótese prevista no caput deste artigo não se aplica o disposto no art. 81 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996". Em outros temos, por expressa determinação legal, a conduta do importador de apenas ceder o nome, com o objetivo de ocultar do conhecimento das autoridades aduaneiras os reais intervenientes ou beneficiários da operação de importação (que corresponde ao sujeito passivo, real comprador ou responsável pela operação de importação), foi excepcionada da hipótese da infração e respectiva penalidade por inidoneidade na condição de importador, motivadora da sanção de inabilitação de sua inscrição no CPNJ; e b) a segunda: a vedação expressa, contida nos arts. 99 e 100 do Decretolei n° 37, de 1966, de cominação de mais uma penalidade para infração idêntica cometida pela mesma pessoa, ou seja, a vedação da incidência de bis in idem na fixação da sanção por infração à legislação aduaneira. Cabe esclarecer que o art. 33 da Lei n° 11.488, "de 2007, sancionou com a multa de 10% (dez por cento) do valor da operação de importação, apenas a conduta do importador (ostensivo), na hipótese de interposição fraudulenta na importação com recursos de terceiros. A contrario sensu, continua sendo sancionada com a pena de perdimento por dano ao erário, prevista no § 1° do art. 23 do Decretolei n° 1.455, de 1976, ou, conforme o caso, com a penalidade pecuniária sucedânea, equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria, fixada no § 3° do citado artigo, as seguintes condutas: a) do importador (ostensivo), na hipótese de interposição fraudulenta na importação sem comprovação da origem dos recursos próprios (inciso V, c/c § 2°, do art. 23 do Decretolei n° 1.455, de 1976); e b) do real importado, na hipótese de interposição fraudulenta na importação com recursos de terceiros (ou mediante cessão do nome), consubstanciada nas operações de importação por conta e ordem de terceiro ou a importação por encomenda, realizadas sem o cumprimento das exigências legais (inciso V e § 2°, do Fl. 199DF CARF MF Impresso em 11/05/2012 por RUY DE AZEVEDO BASTOS CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 10/05/2012 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI, Assinado digitalmente em 04/05/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDA DE TORRES Processo nº 13603.720425/200857 Acórdão n.º 3202000.482 S3C2T2 Fl. 172 19 art. 23 do Decretolei n° 1.455, de 1976, combinado com disposto no art. 27 da Lei n° 10.637, de 2002 e no § 2° do artigo 11 da Lei n° 11.281, de 2006). Em outros termos, a pena de perdimento será sempre aplicada, ou ao importador ou aos reais intervenientes ou beneficiários da operação de importação, conforme o caso. (...) Em suma, com base no que foi exposto, fica demonstrado que: a) a multa de que trata o art. 33 da Lei n° 11.488, de 2007, aplicase apenas ao importador (ostensivo) e somente na hipótese de interposição fraudulenta mediante cessão do nome. Tratase, portanto, de forma especial de interposição fraudulenta; b) a pena de perdimento ou, se for o caso, a multa sucedânea, prescrita para a interposição fraudulenta especial ou mediante cessão do nome, aplicase apenas ao real importador (o importador oculto), por força da vedação da cominação de mais uma penalidade para idêntica infração (princípio do non bis in idem em matéria de infração à legislação aduaneira); e c) a pena de perdimento prescrita para a interposição fraudulenta sem comprovação da origem dos recursos próprios, por impossibilidade lógica, será aplicada somente ao importador (ostensivo). Cabe enfatizar que o entendimento aqui esposado confere sentido e alcance normativo ao disposto no art. 33 em comento, compatível com as normas gerais do direito aduaneiro que disciplina a matéria (arts. 99 e 100 do Decretolei n° 37, de 1966) e em consonância com o disposto no inciso V do art. 23 do Decretolei n° 1.455, de 1976, combinado com o § 3° do art. 727 do RA/2009.” (grifouse) Além de receber vultosos adiantamentos de recursos financeiros, consubstanciando a presunção de importação por conta e ordem prevista no art. 27 da Lei 10.637/2002, vêse que a TWS não comprovou a origem lícita e a disponibilidade de recursos próprios nas operações de importação em discussão, o que tipifica, por presunção legal, a hipótese de interposição fraudulenta prevista no art. 23 do Decretolei n° 1.455, de 1976, com as alterações posteriores, possibilitando a imputação da responsabilidade pela pena de perdimento ao real adquirente da mercadoria, no caso a ora Recorrente. Sendo assim, a alegação de que, nos casos de interposição fraudulenta, simplesmente se aplica o disposto na Lei 11.488/2007, não merece prosperar.” Pelo exposto, NEGO PROVIMENTO ao recurso voluntário. É como voto. Irene Souza da Trindade Torres Fl. 200DF CARF MF Impresso em 11/05/2012 por RUY DE AZEVEDO BASTOS CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 10/05/2012 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI, Assinado digitalmente em 04/05/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDA DE TORRES 20 Fl. 201DF CARF MF Impresso em 11/05/2012 por RUY DE AZEVEDO BASTOS CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 10/05/2012 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI, Assinado digitalmente em 04/05/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDA DE TORRES
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Numero do processo: 11610.009100/2002-18
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Mar 21 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Mar 21 00:00:00 UTC 2012
Ementa: ILL. RESTITUIÇÃO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL.
O Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, através de alteração promovida pela Portaria do Ministro da Fazenda n.º 586, de 21.12.2010 (Publicada no em 22.12.2010), passou a fazer expressa previsão no sentido de que “As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543-B
e 543-C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF” (Art. 62-A do anexo II).
O STJ, em acórdão submetido ao regime do artigo 543-C, do CPC definiu que para os recolhimentos indevidos que ocorreram antes do advento da LC 118/2005 o prazo prescricional para o contribuinte pleitear a restituição do indébito, nos casos dos tributos sujeitos a lançamento por homologação, deve observar a cognominada tese dos cinco mais cinco. (RESP nº 1.002.932).
Para os recolhimentos efetuados há menos de dez anos contados da data de apresentação do pedido de restituição deve ser afastada a decadência do direito de o contribuinte pleitear a restituição ou a compensação do tributo pago indevidamente ou a maior que o devido.
Recurso especial provido em parte.
Numero da decisão: 9202-002.034
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento parcial ao recurso, para afastar a decadência da repetição do indébito dos recolhimentos posteriores a 04/06/1992, com retorno dos autos à câmara "a quo" para apreciação das demais questões.
Matéria: IRF- que ñ versem s/ exigência de cred. trib. (ex.:restit.)
Nome do relator: GUSTAVO LIAN HADDAD
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TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL. O Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, através de alteração promovida pela Portaria do Ministro da Fazenda n.º 586, de 21.12.2010 (Publicada no em 22.12.2010), passou a fazer expressa previsão no sentido de que “As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF” (Art. 62A do anexo II). O STJ, em acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC definiu que para os recolhimentos indevidos que ocorreram antes do advento da LC 118/2005 o prazo prescricional para o contribuinte pleitear a restituição do indébito, nos casos dos tributos sujeitos a lançamento por homologação, deve observar a cognominada tese dos cinco mais cinco. (RESP nº 1.002.932). Para os recolhimentos efetuados há menos de dez anos contados da data de apresentação do pedido de restituição deve ser afastada a decadência do direito de o contribuinte pleitear a restituição ou a compensação do tributo pago indevidamente ou a maior que o devido. Recurso especial provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 1DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/05/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 07/04/2012 por GUSTAVO LIAN HADDAD 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para afastar a decadência da repetição do indébito dos recolhimentos posteriores a 04/06/1992, com retorno dos autos à câmara "a quo" para apreciação das demais questões. (Assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo Presidente (Assinado digitalmente) Gustavo Lian Haddad – Relator EDITADO EM: 02/04/2012 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Susy Gomes Hoffmann (VicePresidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Gonçalo Bonet Allage, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Pedro Paulo Pereira Barbosa (suplente convocado), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Relatório Em 04/06/2002, a Bolsa de Imóveis do Estado de São Paulo Ltda, por meio dos documentos de fls. 01/28, solicitou a restituição dos valores recolhidos indevidamente a título de ILL no período compreendido entre abril/1990 e setembro/1992, em decorrência da declaração de inconstitucionalidade proferida pelo Supremo Tribunal Federal. A Sexta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, ao apreciar o recurso voluntário interposto pelo contribuinte, exarou o acórdão n° 10616.368, que se encontra às fls. 153/156 e cuja ementa é a seguinte: “ILL DECADÊNCIA — SOCIEDADE ANÔNIMA — TERMO INICIAL — No caso de sociedades anônimas, o prazo inicial para contagem do prazo decadencial de restituição do ILL deve ser a data da publicação da Instrução Normativa n° 63, de 24.07.1997, da Secretaria da Receita Federal. Recurso negado.” A anotação do resultado do julgamento indica que a Câmara, por unanimidade de votos, negou provimento ao recurso. Cientificada da decisão a Contribuinte apresentou os Embargos de Declaração de fls. 162/164, devidamente acolhidos pela C. 1ª Câmara da 2ª Turma Ordinária deste Conselho, conforme acórdão nº 210200.300 (fls. 168/ Fl. 2DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/05/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 07/04/2012 por GUSTAVO LIAN HADDAD Processo nº 11610.009100/200218 Acórdão n.º 920202.034 CSRFT2 Fl. 2 3 “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 1990, 1991, 1992 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO CONTRADIÇÃO Apurada contradição no voto condutor do aresto embargado, deve a mesma ser sanada, nos termos do art. 57, § 30 do Regimento Interno deste Conselho de Contribuintes. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO OMISSÃO Apurada omissão no voto condutor do aresto embargado, deve a mesma ser sanada, nos termos do art. 57, § 3° do Regimento Interno deste Conselho de Contribuintes. ILL DECADÊNCIA SOCIEDADE ANÔNIMA TERMO INICIAL No caso de sociedades anônimas, o prazo inicial para contagem do prazo decadencial de restituição do ILL deve ser a data da publicação da Resolução n°82 do Senado Federal, que se deu em 19.11.1996. PAGAMENTO INDEVIDO RESTITUIÇÃO PRAZO O prazo para pleitear a repetição do indébito tributário é de cinco anos contados da data da extinção do crédito tributário, que, no caso em exame, se deu por ocasião do pagamento indevido. Embargos acolhidos.” Dessa forma, a anotação do resultado do julgamento indica que a Câmara, por unanimidade de votos, acolheu os embargos para sanar a omissão e contradição apontadas, rerratificando o acórdão anterior sem alteração no resultado do julgamento. Intimada do acórdão em 21/01/2010 (fls. 173) a Contribuinte interpôs o recurso especial de fls. 174/189, em que sustenta divergência entre o v. acórdão e a jurisprudência deste Conselho em relação a (a) momento do início do prazo de decadência, pleiteando que seja considerada a data da publicação da IN 63/1997 e (b) que o prazo decadencial deveria seguir a chamara regra dos “5+5” do Superior Tribunal de Justiça. Ao Recurso Especial da Contribuinte foi dado parcial seguimento, conforme Despacho nº 21000254/2010, de 20/09/2010 (fls. 249/251). Intimada sobre a admissão do recurso especial interposto pela Contribuinte a Procuradoria da Fazenda Nacional apresentou suas contrarazões de fls. 254/264. É o Relatório. Fl. 3DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/05/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 07/04/2012 por GUSTAVO LIAN HADDAD 4 Voto Conselheiro Gustavo Lian Haddad, Relator Analiso, inicialmente, se o recurso especial interposto pela Contribuinte preenche os requisitos de admissibilidade. O r. despacho de fls. 249/251 deu parcial seguimento ao recurso especial limitando a discussão nos presentes autos ao prazo decadencial para restituição de tributos que, no entender da Contribuinte, deveria seguir a chamara regra dos “5+5” do Superior Tribunal de Justiça. Em relação a este ponto, o acórdão recorrido (Acórdão nº 210200.300), exarado pela C. 1ª Câmara da 2ª Turma Ordinária do CARF, houve por bem negar provimento ao recurso voluntário por entender que o prazo para restituição de tributos recolhidos indevidamente é de 5 anos a contar do recolhimento Visando à rediscussão da matéria a Contribuinte indicou como paradigma para demonstrar a divergência de interpretação o Acórdão nº 10244.353. Entendo que o acórdão indicado como paradigma analisou situação paralela ao presente caso, como se verifica da ementa abaixo transcrita: “IRRF RESTITUIÇÃO DE TRIBUTO PAGO (RETIDO) INDEVIDAMENTE — PRAZO — DECADÊNCIA — INOCORRÊNCIA (...) 2. O prazo quinquenal (art. 168, I, do CTN) para restituição do tributo, somente começa a fluir a partir da extinção do crédito tributário. No caso dos autos, como não houve a homologação expressa, o crédito tributário somente se tornou "definitivamente extinto" (sic § 4º do art.150 do CTN) após cinco anos da ocorrência do fato gerador ocorrido em janeiro de 1993, ou seja, extinguiuse em janeiro de 1998. Assim, o dies ad quem para a restituição se daria tão somente em janeiro de 2003, cinco anos após a extinção do crédito tributário. Pelo que afasto a decadência decretada pela decisão recorrida. 3. Não bastasse isto, o ente tributante concede o prazo de 5 anos para restituição do tributo pago indevidamente contado a partir do ato administrativo que reconhece, no âmbito administrativo fiscal, o indébito tributário, in casu, a Instrução Normativa n. 165 de 31.12.98, nos termos do Parecer COSIT n. 4/99.” O acórdão citado como paradigma concluiu pela aplicação da chamada tese dos 5 + 5, diferentemente do acórdão recorrido. Entendo assim caracterizada a divergência de interpretação em relação ao entendimento consagrado no acórdão citado como paradigma, razão pela qual conheço do recurso especial interposto pela Contribuinte. Fl. 4DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/05/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 07/04/2012 por GUSTAVO LIAN HADDAD Processo nº 11610.009100/200218 Acórdão n.º 920202.034 CSRFT2 Fl. 3 5 No mérito, já manifestei meu entendimento em diversas oportunidades segundo o qual o prazo para restituição do ILL recolhido indevidamente, no caso de sociedade anônimas, era de 5 (cinco) anos, contados da data da publicação da Resolução n°82 do Senado Federal, que se deu em 19.11.1996. Ocorre que o Regimento Interno deste E. Conselho, conforme alteração promovida pela Portaria MF n.º 586/2010 no artigo 62A do anexo II, introduziu dispositivo que determina, in verbis, que: “As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF” Assim, no que diz respeito ao termo inicial do prazo de contagem da decadência no caso de tributo declarado inconstitucional, o Superior Tribunal de Justiça, ao julgar o RESP nº 1.110.578, nos termos do artigo 543C, do CPC, consolidou entendimento diverso, conforme se verifica da ementa a seguir transcrita: “TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. TAXA DE ILUMINAÇÃO PÚBLICA. TRIBUTO DECLARADO INCONSTITUCIONAL. PRESCRIÇÃO QUINQUENAL. TERMO INICIAL. PAGAMENTO INDEVIDO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO DE OFÍCIO. 1. O prazo de prescrição quinquenal para pleitear a repetição tributária, nos tributos sujeitos ao lançamento de ofício, é contado da data em que se considera extinto o crédito tributário, qual seja, a data do efetivo pagamento do tributo, a teor do disposto no artigo 168, inciso I, c.c artigo 156, inciso I, do CTN. (Precedentes: REsp 947.233/RJ, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA TURMA, julgado em 23/06/2009, DJe 10/08/2009; AgRg no REsp 759.776/RJ, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em 17/03/2009, DJe 20/04/2009; REsp 857.464/RS, Rel. Ministro TEORI ALBINO ZAVASCKI, PRIMEIRA TURMA, julgado em 17/02/2009, DJe 02/03/2009; AgRg no REsp 1072339/SP, Rel. Ministro CASTRO MEIRA, SEGUNDA TURMA, julgado em 03/02/2009, DJe 17/02/2009; AgRg no REsp. 404.073/SP, Rel. Min. HUMBERTO MARTINS, Segunda Turma, DJU 31.05.07; AgRg no REsp. 732.726/RJ, Rel. Min. FRANCISCO FALCÃO, Primeira Turma, DJU 21.11.05) 2. A declaração de inconstitucionalidade da lei instituidora do tributo em controle concentrado, pelo STF, ou a Resolução do Senado (declaração de inconstitucionalidade em controle difuso) é despicienda para fins de contagem do prazo prescricional tanto em relação aos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, quanto em relação aos tributos sujeitos ao lançamento de ofício. (Precedentes: EREsp 435835/SC, Rel. Ministro FRANCISCO PEÇANHA MARTINS, Rel. p/ Acórdão Ministro JOSÉ DELGADO, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em Fl. 5DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/05/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 07/04/2012 por GUSTAVO LIAN HADDAD 6 24/03/2004, DJ 04/06/2007; AgRg no Ag 803.662/SP, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em 27/02/2007, DJ 19/12/2007) 3. In casu, os autores, ora recorrentes, ajuizaram ação em 04/04/2000, pleiteando a repetição de tributo indevidamente recolhido referente aos exercícios de 1990 a 1994, ressoando inequívoca a ocorrência da prescrição, porquanto transcorrido o lapso temporal quinquenal entre a data do efetivo pagamento do tributo e a da propositura da ação. 4. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 08/2008.” Nos termos do entendimento consagrado no STJ temse que é despicienda para fins de contagem do prazo para a restituição de tributos pagos indevidamente a declaração de inconstitucionalidade em controle concentrado, pelo STF, ou a Resolução do Senado, da lei instituidora do tributo a ser restituído. Por outro lado, no que diz respeito ao prazo de decadência para restituição de tributo sujeito ao lançamento por homologação, o Superior Tribunal de Justiça, ao julgar o RESP nº 1.002.932, também segundo a sistemática do artigo 543C, do CPC, consolidou o seguinte entendimento: “PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. AUXÍLIO CONDUÇÃO. IMPOSTO DE RENDA. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRESCRIÇÃO. TERMO INICIAL. PAGAMENTO INDEVIDO. ARTIGO 4º, DA LC 118/2005. DETERMINAÇÃO DE APLICAÇÃO RETROATIVA. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. CONTROLE DIFUSO. CORTE ESPECIAL. RESERVA DE PLENÁRIO. 1. O princípio da irretroatividade impõe a aplicação da LC 118, de 9 de fevereiro de 2005, aos pagamentos indevidos realizados após a sua vigência e não às ações propostas posteriormente ao referido diploma legal, posto norma referente à extinção da obrigação e não ao aspecto processual da ação corespectiva. 2. O advento da LC 118/05 e suas conseqüências sobre a prescrição, do ponto de vista prático, implica dever a mesma ser contada da seguinte forma: relativamente aos pagamentos efetuados a partir da sua vigência (que ocorreu em 09.06.05), o prazo para a repetição do indébito é de cinco a contar da data do pagamento; e relativamente aos pagamentos anteriores, a prescrição obedece ao regime previsto no sistema anterior, limitada, porém, ao prazo máximo de cinco anos a contar da vigência da lei nova. 3. Isto porque a Corte Especial declarou a inconstitucionalidade da expressão "observado, quanto ao art. 3º, o disposto no art. 106, I, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional", constante do artigo 4º, segunda parte, da Lei Complementar 118/2005 (AI nos ERESP 644736/PE, Relator Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 06.06.2007). Fl. 6DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/05/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 07/04/2012 por GUSTAVO LIAN HADDAD Processo nº 11610.009100/200218 Acórdão n.º 920202.034 CSRFT2 Fl. 4 7 4. Deveras, a norma inserta no artigo 3º, da lei complementar em tela, indubitavelmente, cria direito novo, não configurando lei meramente interpretativa, cuja retroação é permitida, consoante apregoa doutrina abalizada: "Denominamse leis interpretativas as que têm por objeto determinar, em caso de dúvida, o sentido das leis existentes, sem introduzir disposições novas. {nota: A questão da caracterização da lei interpretativa tem sido objeto de não pequenas divergências, na doutrina. Há a corrente que exige uma declaração expressa do próprio legislador (ou do órgão de que emana a norma interpretativa), afirmando ter a lei (ou a norma jurídica, que não se apresente como lei) caráter interpretativo. Tal é o entendimento da AFFOLTER (Das intertemporale Recht, vol. 22, System des deutschen bürgerlichen Uebergangsrechts, 1903, pág. 185), julgando necessária uma Auslegungsklausel, ao qual GABBA, que cita, nesse sentido, decisão de tribunal de Parma, (...) Compreensão também de VESCOVI (Intorno alla misura dello stipendio dovuto alle maestre insegnanti nelle scuole elementari maschili, in Giurisprudenza italiana, 1904, I,I, cols. 1191, 1204) e a que adere DUGUIT , para quem nunca se deve presumir ter a lei caráter interpretativo "os tribunais não podem reconhecer esse caráter a uma disposição legal, senão nos casos em que o legislador lho atribua expressamente" (Traité de droit constitutionnel, 3a ed., vol. 2o, 1928, pág. 280). Com o mesmo ponto de vista, o jurista pátrio PAULO DE LACERDA concede, entretanto, que seria exagero exigir que a declaração seja inseri da no corpo da própria lei não vendo motivo para desprezála se lançada no preâmbulo, ou feita noutra lei. Encarada a questão, do ponto de vista da lei interpretativa por determinação legal, outra indagação, que se apresenta, é saber se, manifestada a explícita declaração do legislador, dando caráter interpretativo, à lei, esta se deve reputar, por isso, interpretativa, sem possibilidade de análise, por ver se reúne requisitos intrínsecos, autorizando uma tal consideração . (...) ... SAVIGNY coloca a questão nos seus precisos termos, ensinando: "tratase unicamente de saber se o legislador fez, ou quis fazer uma lei interpretativa, e, não, se na opinião do juiz essa interpretação está conforme com a verdade" (System dês heutigen romischen Rechts, vol. 8o, 1849, pág. 513). Mas, não é possível dar coerência a coisas, que são de si incoerentes, não se consegue conciliar o que é inconciliável. E, desde que a chamada interpretação autêntica é realmente incompatível com o conceito, com os requisitos da verdadeira interpretação (v., supra, a nota 55 ao n° 67), não admira que se procurem torcer as conseqüências inevitáveis, fatais de tese forçada, evitandose lhes os perigos. Compreendese, pois, que muitos autores não aceitem o rigor dos efeitos da imprópria interpretação. Há quem, como GABBA (Teoria delta retroattività delle leggi, 3a ed., vol. 1o, 1891, pág. 29), que invoca MAILHER DE CHASSAT Fl. 7DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/05/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 07/04/2012 por GUSTAVO LIAN HADDAD 8 (Traité de la rétroactivité des lois, vol. 1o, 1845, págs. 131 e 154), sendo seguido por LANDUCCI (Trattato storicoteorico pratico di diritto civile francese Ed italiano, versione ampliata del Corso di diritto civile francese, secondo il metodo dello Zachariæ, di Aubry e Rau, vol. 1o e único, 1900, pág. 675) e DEGNI (L'interpretazione della legge, 2a ed., 1909, pág. 101), entenda que é de distinguir quando uma lei é declarada interpretativa, mas encerra, ao lado de artigos que apenas esclarecem, outros introduzido novidade, ou modificando dispositivos da lei interpretada. PAULO DE LACERDA (loc. cit.) reconhece ao juiz competência para verificar se a lei é, na verdade, interpretativa, mas somente quando ela própria afirme que o é. LANDUCCI (nota 7 à pág. 674 do vol. cit.) é de prudência manifesta: "Se o legislador declarou interpretativa uma lei, devese, certo, negar tal caráter somente em casos extremos, quando seja absurdo ligála com a lei interpretada , quando nem mesmo se possa considerar a mais errada interpretação imaginável. A lei interpretativa, pois, permanece tal, ainda que errônea, mas, se de modo insuperável, que suplante a mais aguda conciliação, contrastar com a lei interpretada, desmente a própria declaração legislativa. " Ademais, a doutrina do tema é pacífica no sentido de que: "Pouco importa que o legislador, para cobrir o atentado ao direito, que comete, dê à sua lei o caráter interpretativo. É um ato de hipocrisia, que não pode cobrir uma violação flagrante do direito" (Traité de droit constitutionnel, 3ª ed., vol. 2º, 1928, págs. 274275)." (Eduardo Espínola e Eduardo Espínola Filho, in A Lei de Introdução ao Código Civil Brasileiro, Vol. I, 3a ed., págs. 294 a 296). 5. Consectariamente, em se tratando de pagamentos indevidos efetuados antes da entrada em vigor da LC 118/05 (09.06.2005), o prazo prescricional para o contribuinte pleitear a restituição do indébito, nos casos dos tributos sujeitos a lançamento por homologação, continua observando a cognominada tese dos cinco mais cinco, desde que, na data da vigência da novel lei complementar, sobejem, no máximo, cinco anos da contagem do lapso temporal (regra que se coaduna com o disposto no artigo 2.028, do Código Civil de 2002, segundo o qual: "Serão os da lei anterior os prazos, quando reduzidos por este Código, e se, na data de sua entrada em vigor, já houver transcorrido mais da metade do tempo estabelecido na lei revogada." ). 6. Desta sorte, ocorrido o pagamento antecipado do tributo após a vigência da aludida norma jurídica, o dies a quo do prazo prescricional para a repetição/compensação é a data do recolhimento indevido. 7. In casu, insurgese o recorrente contra a prescrição qüinqüenal determinada pelo Tribunal a quo, pleiteando a reforma da decisão para que seja determinada a prescrição decenal, sendo certo que não houve menção, nas instância ordinárias, acerca da data em que se efetivaram os recolhimentos indevidos, mercê de a propositura da ação ter ocorrido em 27.11.2002, razão pela qual forçoso concluir que os recolhimentos indevidos ocorreram antes do advento da LC 118/2005, por isso que a tese aplicável é a que considera os 5 anos de decadência da homologação para a constituição do Fl. 8DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/05/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 07/04/2012 por GUSTAVO LIAN HADDAD Processo nº 11610.009100/200218 Acórdão n.º 920202.034 CSRFT2 Fl. 5 9 crédito tributário acrescidos de mais 5 anos referentes à prescrição da ação. 8. Impende salientar que, conquanto as instâncias ordinárias não tenham mencionado expressamente as datas em que ocorreram os pagamentos indevidos, é certo que os mesmos foram efetuados sob a égide da LC 70/91, uma vez que a Lei 9.430/96, vigente a partir de 31/03/1997, revogou a isenção concedida pelo art. 6º, II, da referida lei complementar às sociedades civis de prestação de serviços, tornando legítimo o pagamento da COFINS. 9. Recurso especial provido, nos termos da fundamentação expendida. Acórdão submetido ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 08/2008.” Dessa forma, como se verifica do voto condutor do Ministro Luiz Fux, restou consagrada a tese de que o prazo prescricional para a repetição ou compensação dos tributos sujeitos a lançamento por homologação começa a fluir decorridos 05 (cinco) anos, contados a partir da ocorrência do fato gerador, acrescidos de mais um qüinqüênio computado desde o termo final do prazo atribuído ao Fisco para verificação do quantum devido. No presente caso, considerando que o pedido de restituição foi apresentado em 04/06/2002 devese reconhecer a decadência em relação aos recolhimentos indevidos efetuados anteriormente a 04/06/1992, afastandose a decadência em relação aos recolhimentos efetuados posteriormente a partir desta data. Destarte, voto no sentido de conhecer do recurso especial interposto pela Contribuinte para, no mérito, DAR LHE PARCIAL PROVIMENTO para AFASTAR a decadência do direito de pleitear da recorrente em relação aos pagamentos indevidos efetuados a partir de 04/06/1992 e, com vistas a evitar a supressão de instância de julgamento, DETERMINAR o retorno dos autos à autoridade fiscal para que enfrente as demais questões relacionados aos recolhimentos não abrangidos pela decadência, e, a partir daí, dê regular andamento ao processo. (Assinado digitalmente) Gustavo Lian Haddad Fl. 9DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/05/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 07/04/2012 por GUSTAVO LIAN HADDAD
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Numero do processo: 10972.720123/2011-98
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 19 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Aug 16 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/10/2009 a 31/05/2010
COMPENSAÇÃO. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS DOS AGENTES POLÍTICOS. PRESCRIÇÃO. LC Nº. 118/2005.
O STF, em sede de Repercussão Geral, sedimentou entendimento no sentido de ser aplicado o quinquênio prescricional aos pedidos de ressarcimento realizados após a entrada em vigor da LC nº. 118/2005, e não aos valores indevidamente recolhidos antes da vigência da referida Lei.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2403-002.100
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
Carlos Alberto Mees Stringari - Presidente
Marcelo Magalhães Peixoto - Relator
Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Freitas de Souza, Ivacir Júlio de Souza, Maria Anselma Coscrato dos Santos, Marcelo Magalhães Peixoto e Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro.
Nome do relator: MARCELO MAGALHAES PEIXOTO
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CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS DOS AGENTES POLÍTICOS. PRESCRIÇÃO. LC Nº. 118/2005. O STF, em sede de Repercussão Geral, sedimentou entendimento no sentido de ser aplicado o quinquênio prescricional aos pedidos de ressarcimento realizados após a entrada em vigor da LC nº. 118/2005, e não aos valores indevidamente recolhidos antes da vigência da referida Lei. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente Marcelo Magalhães Peixoto Relator Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Freitas de Souza, Ivacir Júlio de Souza, Maria Anselma Coscrato dos Santos, Marcelo Magalhães Peixoto e Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 97 2. 72 01 23 /2 01 1- 98 Fl. 145DF CARF MF Impresso em 16/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 25/07 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 15/08/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 2 Relatório Cuidase de Recurso Voluntário, fls. 133/139, interposto em face do Acórdão n. 0940.157, fls. 122/126, que manteve em todos os seus termos o crédito tributário sob análise, cujo Auto de Infração, consubstanciado nos DEBCAD’s, fls. 02 e 07 nº. 51.017.1001 (Obrigação Principal – R$ 279,414,46) e 51.017.0994 (Obrigação Acessória – R$ 6.000,00), foi consolidado em 14/02/2012 e cientificado ao contribuinte em 22/02/2012. Lavrado no importe de R$ 285.414,46 (duzentos e oitenta e cinco mil quatrocentos e catorze reais e quarenta e seis centavos), a autuação é oriunda da glosa de compensações indevidas de contribuições previdenciárias mais descumprimento de obrigação acessória, cujos fatos foram narrados no Relatório Fiscal, fls. 11/19, in verbis: 1 – DO LANÇAMENTO A Parte I do presente lançamento fiscal, do qual este relatório fiscal e seus anexos ficam fazendo parte integrante, referese a contribuições previdenciárias devidas: à Seguridade Social, correspondentes a GLOSAS de compensações improcedentes, relativas às contribuições sobre as remunerações dos agentes políticos – VEREADORES, ocorridas de 02/1998 a 07/2003. 1.1 – DA COMPENSAÇÃOO INDEVIDA E DAS GLOSAS: O direito à compensação teve origem na declaração de inconstitucionalidade da alínea ‘h’ do inciso I, do artigo 12 da Lei 8.212/91, conforme decisão do STF no RE 351.7171PR, com efeitos erga omnes atribuídos pela Resolução nº 26 do Senado Federal, de 21/06/2005. Com a referida decisão, os Agentes Políticos deixaram de ser considerados segurados obrigatórios da Previdência Social, sendo indevidas as contribuições previdenciárias incidentes sobre as remunerações pagas ao Prefeito e VicePrefeito, no período de 01/02/1998 a 18/09/2004. 1.2 – DA IMPROCEDÊNCIA DA COMPENSÃO INDEVIDA E DAS GLOSAS: A compensação efetuada foi considerada improcedente pelos motivos relacionados no ANEXO II – ANÁLISE DA ORIGEM E REGULARIDADE DAS COMPENSAÇÕES EFETUADAS NAS COMPETÊNCIAS 10/2009 a 05/2010 – VEREADORES, a seguir relatados: a) O direito a compensar encontravase PRESCRITO, conforme itens 5 e 5.4 das observações do ANEXO II: 5 – Análise da Regularidade da Compensação 5.1 – Prescrição 5.2 – Data de prescrição do direito à compensação: cinco anos contados da data do pagamento, conforme art. 165 e 168, da Lei nº 5.172, (CTN), de 25/10/1966 e art. 253, do Decreto nº 3.048 (RPS), de 06/05/1999. Fl. 146DF CARF MF Impresso em 16/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 25/07 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 15/08/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 10972.720123/201198 Acórdão n.º 2403002.100 S2C4T3 Fl. 3 3 5.3 – Mês da compensação na GFIP: competências em que a Prefeitura Municipal efetuou as compensações aqui analisadas, 10/2009 a 05/2010. 5.4 – Situação: conforme mês da compensação do Item 5.3, combinado com a data de prescrição do item 5.2, a compensação encontrase PRESCRITA ou NÃO PRESCRITA, conforme Legislação – Item 5.2. b) O contribuinte deixou de atender ao disposto no inciso I, e §§ 4º e 5º, do artigo 6º da Instrução Normativa MPS/SRP nº 15, de 12/09/2006, a seguir reproduzidos: Art. 6º É facultado ao ente federativo, observado o disposto no art. 3º, compensar os valores pagos à Previdência Social com base no dispositivo referido no art. 1º, observadas as seguintes condições: I – a compensação deverá ser precedida de retificação das GFIP, para excluir destas todos os exercentes de mandato eletivo informados, bem como, a remuneração proporcional ao período de 1º a 18 na competência setembro de 2004 relativa aos referidos exercentes; § 4º É obrigatória a retificação da GFIP, por parte do dirigente do ente federativo, independentemente de efetivação da compensação. § 5º O descumprimento do disposto no § 4º sujeitará o infrator à multa prevista no § 6º do art. 32 da Lei 8.212, de 1991, e configura crime, conforme previsto no inciso III, do § 3º do art. 297 do Código Penal Brasileiro (...) 9 AUTO DE INFRAÇÃO – AI 51.017.0994 – FUNDAMENTO LEGAL – 78. A infração capitulada constante do Auto de Infração – AI – DEBCAD nº. 51.017.0994, foi constatada pelo AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, que o sujeito passivo apresentou à Secretaria da Receita Federal e ao Conselho Curador do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço – FGTS, na forma, prazo e condições estabelecidas por esses órgãos, dados relacionados a fatos geradores, base de cálculo e valores devidos das contribuições previdenciárias e outras informações de interesse do INSS ou do Conselho Curador do FGTS, através da Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social – GFIP, a que se refere à Lei nº 8.212/ de 24/07/1991, art. 32, inciso IV e alterações posteriores, com informações incorretas, referentes às compensações improcedentes relativas às contribuições indevidas sobre as remunerações dos agentes políticos – PREFEITO, VICEPREFEITO E VEREADORES, no período de 01/2007 a 04/2007 e 10/2009 a 05/2010. DA IMPUGNAÇÃO Fl. 147DF CARF MF Impresso em 16/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 25/07 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 15/08/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 4 Inconformada com o lançamento, a empresa contestou o presente Auto de Infração por meio do instrumento de fls. 109/115. DA DECISÃO DA DRJ Após analisar os argumentos da Recorrente, a 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal em Juiz de Fora (MG), prolatou o Acórdão 0940.158, de fls. 122/126, mantendo procedente o lançamento, conforme ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2007 a 30/04/2007. COMPENSAÇÃO. TERMOS E CONDIÇÕES. A restituição e compensação de pagamentos indevidos de contribuição social previdenciária sujeitase aos termos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. O prazo prescricional para se efetivar compensações é de 5 anos, em consonância com a legislação tributária de regência. Impugnação Improcedente. Crédito Tributário Mantido. DO RECURSO Irresignada, a empresa interpôs, tempestivamente, recurso voluntário, de fls. 133/139, requerendo a reforma do Acórdão, alegando, em suma, os seguintes argumentos: A exigência prévia de retificação da GFIP não pode ser impedimento à compensação (direito principal), por se tratar de obrigação acessória sanável, possível de retificação a qualquer tempo, como foi verificado no caso, uma vez que tal providência já foi realizada pela Municipalidade, conforme pode se constatar na Receita Federal; Inexistência de prescrição, eis que se existe entendimento do STJ no sentido de que o marco inicial seria a homologação expressa pelo Fisco, ou passado o quinquênio sem manifestação, a homologação tácita, a partir da data da ocorrência do fato gerador. É o relatório. Fl. 148DF CARF MF Impresso em 16/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 25/07 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 15/08/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 10972.720123/201198 Acórdão n.º 2403002.100 S2C4T3 Fl. 4 5 Voto Conselheiro Marcelo Magalhães Peixoto, Relator DA TEMPESTIVIDADE De acordo com as fls. 131/133, temse que o recurso é tempestivo e reúne os pressupostos de admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. DA PRESCRIÇÃO. Nos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, como a Contribuição Previdenciária, o Sujeito Ativo tinha o prazo de 5 (cinco) anos da data do fato gerador para homologar o lançamento, ou seja, extinguir o crédito tributário. Após esse prazo, o Sujeito Passivo tinha 5 (cinco) anos para pedir o ressarcimento de eventual pagamento feito a maior. Esse entendimento ficou conhecido como a tese dos “cinco mais cinco”. Almejando combater o prazo de dez anos para o pedido de restituição, foi publicada a Lei Complementar n. 118, de 09 de fevereiro de 2005, que modificou o entendimento do art. 168, I do CTN, para considerar extinto o crédito tributário na data do pagamento, nos tributos sujeitos a lançamento por homologação, verbis: Art. 3o Para efeito de interpretação do inciso I do art. 168 da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional, a extinção do crédito tributário ocorre, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, no momento do pagamento antecipado de que trata o § 1o do art. 150 da referida Lei. A edição da referida norma complementar deu ensejo a uma verdadeira celeuma jurisprudencial acerca da aplicação do novo prazo de cinco anos para o pedido de ressarcimento atinente a pagamento de tributo lançado por homologação antes do início da vigência da LC nº. 118/2005. Entre idas e vindas de posicionamentos dos Tribunais Superiores, finalmente a Corte Suprema, em sede de Repercussão Geral, nos termos do art. 543B do Código de Processo Civil, prolatou decisão afirmando a ilegitimidade da aplicação retroativa do lustro prescricional para o pleito de ressarcimento, contudo, sedimentou entendimento no sentido de ser aplicado o quinquênio prescricional tão somente às ações ajuizadas após a entrada em vigor da LC nº. 118/2005, e não aos valores indevidamente recolhidos antes da vigência da referida Lei. DIREITO TRIBUTÁRIO – LEI INTERPRETATIVA – APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005 – DESCABIMENTO – VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA – NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS – APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS Fl. 149DF CARF MF Impresso em 16/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 25/07 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 15/08/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 6 AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. Quando do advento da LC 118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, § 4º, 156, VII, e 168, I, do CTN. A LC 118/05, embora tenha se autoproclamado interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido. Lei supostamente interpretativa que, em verdade, inova no mundo jurídico deve ser considerada como lei nova. Inocorrência de violação à autonomia e independência dos Poderes, porquanto a lei expressamente interpretativa também se submete, como qualquer outra, ao controle judicial quanto à sua natureza, validade e aplicação. A aplicação retroativa de novo e reduzido prazo para a repetição ou compensação de indébito tributário estipulado por lei nova, fulminando, de imediato, pretensões deduzidas tempestivamente à luz do prazo então aplicável, bem como a aplicação imediata às pretensões pendentes de ajuizamento quando da publicação da lei, sem resguardo de nenhuma regra de transição, implicam ofensa ao princípio da segurança jurídica em seus conteúdos de proteção da confiança e de garantia do acesso à Justiça. Afastandose as aplicações inconstitucionais e resguardandose, no mais, a eficácia da norma, permitese a aplicação do prazo reduzido relativamente às ações ajuizadas após a vacatio legis, conforme entendimento consolidado por esta Corte no enunciado 445 da Súmula do Tribunal. O prazo de vacatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não apenas que tomassem ciência do novo prazo, mas também que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos seus direitos. Inaplicabilidade do art. 2.028 do Código Civil, pois, não havendo lacuna na LC 118/05, que pretendeu a aplicação do novo prazo na maior extensão possível, descabida sua aplicação por analogia. Além disso, não se trata de lei geral, tampouco impede iniciativa legislativa em contrário. Reconhecida a inconstitucionalidade art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tãosomente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 543B, § 3º, do CPC aos recursos sobrestados. Recurso extraordinário desprovido. (RE 566621, Relator(a): Min. ELLEN GRACIE, Tribunal Pleno, julgado em 04/08/2011, REPERCUSSÃO GERAL MÉRITO DJe195 DIVULG 10102011 PUBLIC 11102011 EMENT VOL0260502 PP00273) E este é o posicionamento que vem sendo reiterado também pelo Superior Tribunal de Justiça, in verbis: Fl. 150DF CARF MF Impresso em 16/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 25/07 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 15/08/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 10972.720123/201198 Acórdão n.º 2403002.100 S2C4T3 Fl. 5 7 TRIBUTÁRIO. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRESCRIÇÃO. ARTIGO 4º DA LC 118/2005. RE N. 566.621/RS. REPERCUSSÃO GERAL. PRAZO PRESCRICIONAL QUINQUENAL. AÇÕES AJUIZADAS APÓS A VIGÊNCIA DA LC N. 118/2005. DIREITO INTERTEMPORAL. AÇÃO AJUIZADA EM DATA POSTERIOR. 1. Os embargos de declaração são cabíveis quando a decisão padece de omissão, contradição ou obscuridade, consoante dispõe o art. 535 do CPC, bem como para sanar a ocorrência de erro material. 2. Os embargos aclaratórios não se prestam a adaptar o entendimento do acórdão embargado à posterior mudança jurisprudencial. Excepcionase essa regra na hipótese do julgamento de recursos submetidos ao rito do artigo 543C do Código de Processo Civil, haja vista o escopo desses precedentes objetivos, concernentes à uniformização na interpretação da legislação federal. Nesse sentido: EDcl no AgRg no REsp 1.167.079/PE, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe 4/3/2011; EDcl na AR 3.701/BA, Rel. Ministro Herman Benjamin, Primeira Seção, DJe 4/5/2011; e EDcl nos EDcl nos EDcl nos EDcl no REsp 790.318/RS, Rel. Ministro Castro Meira, Segunda Turma, DJe 25/5/2010. 3. Pelas mesmas razões, estendese esse entendimento aos processos julgados sob o regime do artigo 543B do Código de Processo Civil. 4. O Supremo Tribunal Federal, ao reconhecer a repercussão geral da matéria no RE 566.621/RS, proclamou que o prazo prescricional de cinco anos, previsto na Lei Complementar n. 118/2005, somente se aplica às ações ajuizadas após 9.6.2005. 5. Na espécie, a ação de repetição de indébito foi ajuizada em 13.1.2010, data posterior à vigência da LC n. 118/2005, sendo aplicável, portanto, o prazo prescricional de cinco anos. 6. Embargos de declaração acolhidos, com efeitos modificativos, para reconhecer a prescrição das parcelas anteriores ao quinquênio do ajuizamento da ação. (STJ, EDcl no AgRg no AREsp 8.122/RS, Rel. Ministro BENEDITO GONÇALVES, Primeira Turma, julgado em 27/09/2011) (grifo nosso) Portanto, configurada a aplicação do prazo prescricional aos pedidos ressarcimento realizados após a edição e vigor da LC nº. 118/2005, não sobejam dúvidas de que o direito à compensação dos créditos pagos indevidamente durante o período de fevereiro/1998 a julho/2003 foi totalmente fulminado pela prescrição, eis que o pleito compensatório foi realizado apenas entre outubro/2009 a maio/2010. Fl. 151DF CARF MF Impresso em 16/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 25/07 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 15/08/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 8 CONCLUSÃO Ante o exposto, conheço do recurso para, no mérito, negar provimento. Marcelo Magalhães Peixoto Fl. 152DF CARF MF Impresso em 16/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 25/07 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 15/08/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI
score : 1.0
Numero do processo: 15889.000137/2008-59
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 12 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Jul 15 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2003, 2004, 2005
IRPJ E CSLL. INTERPRETAÇÃO DA EXPRESSÃO SERVIÇOS HOSPITALARES. LEI Nº 9.249, DE 1995.
Devem ser considerados serviços hospitalares aqueles que se vinculam às atividades desenvolvidas pelos hospitais, voltados diretamente à promoção da saúde, de sorte que, em regra, mas não necessariamente, são prestados no interior do estabelecimento hospitalar, excluindo-se as simples consultas médicas, atividade que não se identifica com as prestadas no âmbito hospitalar, mas nos consultórios médicos (STJ Recurso Repetitivo).
IRPJ E CSLL. MATÉRIA NÃO RECORRIDA. PRECLUSÃO.
Em relação ao crédito tributário não objeto de recurso voluntário opera-se a preclusão, não cabendo mais sua discussão, tornando-se definitivamente constituído na órbita administrativa.
Numero da decisão: 1802-001.366
Decisão: Vistos, relatados e discutivos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
(documento assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa- Presidente.
(documento assinado digitalmente)
Nelso Kichel- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Nelso Kichel, Marciel Eder Costa, Marco Antônio Nunes Catilhos e Gustavo Junqueira Carneiro Leão.
Nome do relator: NELSO KICHEL
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2003, 2004, 2005 IRPJ E CSLL. INTERPRETAÇÃO DA EXPRESSÃO SERVIÇOS HOSPITALARES. LEI Nº 9.249, DE 1995. Devem ser considerados serviços hospitalares aqueles que se vinculam às atividades desenvolvidas pelos hospitais, voltados diretamente à promoção da saúde, de sorte que, em regra, mas não necessariamente, são prestados no interior do estabelecimento hospitalar, excluindo-se as simples consultas médicas, atividade que não se identifica com as prestadas no âmbito hospitalar, mas nos consultórios médicos (STJ Recurso Repetitivo). IRPJ E CSLL. MATÉRIA NÃO RECORRIDA. PRECLUSÃO. Em relação ao crédito tributário não objeto de recurso voluntário opera-se a preclusão, não cabendo mais sua discussão, tornando-se definitivamente constituído na órbita administrativa.
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INTERPRETAÇÃO DA EXPRESSÃO “SERVIÇOS HOSPITALARES”. LEI Nº 9.249, DE 1995. Devem ser considerados serviços hospitalares “aqueles que se vinculam às atividades desenvolvidas pelos hospitais, voltados diretamente à promoção da saúde”, de sorte que, “em regra, mas não necessariamente, são prestados no interior do estabelecimento hospitalar, excluindose as simples consultas médicas, atividade que não se identifica com as prestadas no âmbito hospitalar, mas nos consultórios médicos” (STJ Recurso Repetitivo). IRPJ E CSLL. MATÉRIA NÃO RECORRIDA. PRECLUSÃO. Em relação ao crédito tributário não objeto de recurso voluntário operase a preclusão, não cabendo mais sua discussão, tornandose definitivamente constituído na órbita administrativa. Vistos, relatados e discutivos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 88 9. 00 01 37 /2 00 8- 59 Fl. 395DF CARF MF Impresso em 15/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 02/07/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 15889.000137/200859 Acórdão n.º 1802001.366 S1TE02 Fl. 369 2 (documento assinado digitalmente) Nelso Kichel Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Nelso Kichel, Marciel Eder Costa, Marco Antônio Nunes Catilhos e Gustavo Junqueira Carneiro Leão. Relatório Tratase de Recurso Voluntário de fls.339/354 contra decisão da 3ª Turma da DRJ/Ribeirão Preto (fls. 321/335) que julgou a impugnação procedente em parte, quanto aos autos de infração do IRPJ e da CSLL dos anoscalendário 2003, 2004 e 2005. Vale dizer, a decisão recorrida exonerou o crédito tributário dos autos de infração do IRPJ e da CSLL dos anoscalendário 2003 e 2004, mas manteve o crédito tributário dos autos de infração do IRPJ e da CSLL quanto ao anocalendário 2005. No caso, o recurso é parcial, pois, na parte que restou vencida na instância a quo, a recorrente ataca apenas parte do crédito tributário do anocalendário 2005, quanto aos autos de infração do IRPJ e da CSLL, ou seja: a) não recorreu quanto ao 1º (primeiro) trimestre/2005 e, quanto ao 2º (segundo) trimestre/2005, não recorreu em relação ao mês de abril/2005; b) recorreu apenas quantos aos meses maio e junho do 2º (segundo) trimestre/2005 e 3º (terceiro) e 4º (quarto) trimestres/2005, Quanto aos fatos, consta dos autos de infração do IRPJ e da CSLL dos anos calendário 2003, 2004 e 2005, lavrados em 18/03/2008, a imputação das seguintes infrações: 1) Auto de Infração do IRPJ (fls.03/12): (...) 001 APLICAÇÃO INDEVIDA DE COEFICIENTE DE DETERMINAÇÃO DO LUCRO A PARTIR DO AC 93 (...). Aplicação incorreta do coeficiente de 8%(oito por cento) sobre as receitas da atividade de Laboratório de Análises Clinicas, quando o correto seria 32% (trinta e dois por cento), conforme descrito no TERMO DE VERIFICAÇÃO e seus respectivos anexos, os quais são partes integrantes do presente AUTO DE INFRAÇÃO. Fato Gerador Valor Tributável Multa (%) 30/09/2003 655.398,58 75% 31/12/2003 674.512,04 75% Fl. 396DF CARF MF Impresso em 15/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 02/07/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 15889.000137/200859 Acórdão n.º 1802001.366 S1TE02 Fl. 370 3 31/03/2004 700.767,34 75% 30/06/2004 666.692,72 75% 30/09/2004 656.281,33 75% 31/12/2004 609.238,86 75% 31/03/2005 597.162,68 75% 30/06/2005 652.784,14 75% 30/09/2005 684.573,06 75% 31/12/2005 668.241,37 75% ENQUADRAMENTO LEGAL: Arts. 518 e 519 do RIR/99. (...) 2) – Auto de Infração da CSLL (fls. 13/21): (...) 001 APURAÇÃO INCORRETA DA CSLL Valores apurados conforme TERMO DE VERIFICAÇÃO FISCAL e respectivas Planilhas anexas, os quais são partes integrantes do presente AUTO DE INFRAÇÃO. Fato Gerador Contribuição Multa (%) 31/12/2003 12.141,22 75% 31/03/2004 12.613,81 75% 30/06/2004 18.487,91 75% 30/09/2004 18.641,44 75% 31/12/2004 17.364,29 75% 31/03/2005 10.748,93 75% 30/06/2005 11.750,11 75% 30/09/2005 12.322,32 75% 31/12/2005 12.028,34 75% ENQUADRAMENTO LEGAL: Art. 2° e §§, da Lei n° 7.689/88 e art. 29 da Lei n° 9.430/96; Art. 37 da Lei n ° 10.637/02. (...) Fl. 397DF CARF MF Impresso em 15/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 02/07/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 15889.000137/200859 Acórdão n.º 1802001.366 S1TE02 Fl. 371 4 Ainda, consta do Termo de Verificação Fiscal (fls.22/36), parte integrante dos autos de infração, as razões do lançamento fiscal, que transcrevo no que pertinente, in verbis: (...) I – Da Descrição dos Fatos: A empresa fiscalizada tem como atividade econômica laboratório de análises clinicas (CNAEFiscal 85.146/12 — Atividades dos laboratórios de análise clinicas), conforme fez constar em suas Declarações de Informações Econômicos Fiscais e conforme corroboram o documentos anexos aos autos. Intimada, apresentou os documentos e razões constantes dos autos. Apurouse que durante os períodos em tela, a contribuinte aplicou a aliquota de 8% (oito por cento) sobre a receita bruta para a determinação do lucro presumido e 12% (doze por cento) sobre a receita bruta para fins determinação da base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, sob o regime de tributação do lucro presumido, posto ter classificado sua receita bruta como prestação de "serviços hospitalares", exceção prevista no artigo 15 da Lei n.° 9.249/95. II Do Enquadramento Legal (...) "Art. 15. A base de cálculo do imposto, em cada mês, sera determinada mediante a aplicação do percentual de oito por cento sobre a receita bruta auferida mensalmente, observado o disposto nos arts. 30 a 35 da Lei 8.981, de 20 de janeiro de 1995. § 1º Nas seguintes atividades, o percentual de que trata este artigo será de: ......................................................................................................... III — trinta e dois por cento, para atividades de : a) prestação de serviços em geral, exceto a de serviços hospitalares." (g.n) "Art. 20. A base de cálculo da contribuição social sobre o lucro liquido, devida pelas pessoas jurídicas que efetuarem o pagamento mensal a que se referem os arts. 27 e 29 a 34 da Lei n.° 8.981, e 20 de janeiro de 1995, e pelas pessoas jurídicas desobrigadas de escrituração contábil, corresponderá a doze por cento da receita bruta, na forma definida na legislação vigente, auferida em cada mês, do anocalendário, exceto para pesssoas jurídicas que exerçam a atividades a que se refere o inciso III do § 1.° do art. 15, cujo percentual corresponderá a Fl. 398DF CARF MF Impresso em 15/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 02/07/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 15889.000137/200859 Acórdão n.º 1802001.366 S1TE02 Fl. 372 5 trinta e dois por cento." (Redação dada pela Lei n.° 10.684, de 30 de junho de 2003) A presente auditoria tem foco acerca do percentual de presunção a ser aplicado na determinação da base de cálculo do Imposto de Renda das Pessoas Jurídicas (IRPJ), ou seja, se 32% (serviços em geral) ou se 8% (serviços hospitalares) e na determinação da base de cálculo da CSLL, ou seja, se 32% (serviços em geral) ou se 12% (serviços hospitalares). (...) III – Da Necessidade de sociedade empresarial para prestação de serviços hospitalares (...) Para que se possam classificar como "hospitalares", os serviços devem ser prestados por pessoa jurídica constituída por empresário ou sociedade empresária, devidamente constituída e com estrutura físicofuncional que atenda ao disposto no item 3 da Parte II da Resolução de Diretoria Colegiada (RDC) da Agência Nacional de Vigilância Sanitária n° 50, de 2002, comprovada por meio de documento competente expedido pela vigilância sanitária estadual ou municipal e exercidos com o fim de prestar atendimento de assistência à saúde da população, incluindo atividades de apoio ao diagnóstico e terapia. Ainda assim, não se consideram como tal, independentemente da forma de constituição da pessoa jurídica prestadora dos serviços, aqueles prestados, exclusivamente, pelos sócios ou referentes, unicamente, ao exercício de atividade intelectual, de natureza cientifica, dos profissionais envolvidos, ainda que para a sua realização concorra o auxílio ou a colaboração de outros profissionais de áreas diversas do conhecimento. Conforme Alterações de Contrato, de 11/11/2003, com protocolo n.° 3208 — 1º Oficial de Registro de Imóveis de Bauru/SP, na sua Cláusula I, cujas cópias seguem anexas, constatase que a empresa fiscalizada é constituída sob a forma de sociedade empresarial. IV – Da definição de Serviços Hospitalares (...) 20. (...), pacificouse no âmbito da administração tributária federal o entendimento de que serviços hospitalares seriam aqueles prestados em decorrência da internação e tratamento de doentes ou daqueles que necessitam de intervenções cirúrgicas em hospitais. Não se considerariam como tais, para os fins específicos da tributação pelo imposto de renda das pessoas jurídicas pelo regime do lucro presumido, os serviços ambulatoriais, os meros serviços de clinica médica, de exames clínicos, de análises clinicas (laboratoriais, radiológicas, icnográficas, de ressonância magnética, de tomografia computadorizada, etc.) que não necessitam de um complexo Fl. 399DF CARF MF Impresso em 15/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 02/07/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 15889.000137/200859 Acórdão n.º 1802001.366 S1TE02 Fl. 373 6 hospitalar, ou seja, dos recursos materiais e humanos próprios de um hospital, inclusive para promover a internação dos pacientes. (...) A descrição de sua atividade, fornecida pelo Laboratório sob esta ação fiscal, permite concluir que ele não atende a esses quesitos, posto que não é relatado, que a clínica tenha essas características. Além disso, o seu enquadramento no Cadastro Nacional de Atividades Econômicas (CNAE) no código 85146 02 — "Atividades dos laboratórios de análises clínicas" denota que o serviço prestado não é hospitalar. (...) Claro, portanto, que os serviços prestados em laboratórios de análises clínicas, ainda que de natureza médica, não são serviços hospitalares, que supõe prestação em entidade hospitalar, cuja caracterização tem como elemento típico a existência de estrutura material e de pessoal destinada a atender a internações de pacientes, praticados por estabelecimento devidamente aparelhados, destinados a recolher os enfermos ou acidentados, para diagnóstico, tratamento e internação de pessoas. (...) VI – Do ADI nº 19/2007 Espancando qualquer dúvida ainda existente, o Diário Oficial da União publicou, no dia 10.12.2007, o esclarecedor Ato Declaratório Interpretativo RFB n° 19, de 7 de dezembro de 2007, que dispõe definitivamente sobre o conceito de serviços hospitalares para fins de determinação da base de cálculo do imposto de renda,(...) VII – Da Jurisprudência Os serviços hospitalares são aqueles prestados por estabelecimentos caracterizados por hospitais. Na determinação do lucro presumido, os serviços prestados por estabelecimentos não caracterizados como hospitais e que não visem remunerar, essencialmente, o serviço prestados pelos sócios que dependam de habilitação profissional legalmente exigida, sujeitamse aos percentuais estabelecidos para a prestação de serviços em geral. (...) VIII – Da Conclusão Em análise dos documentos apresentados pela empresa fiscalizada e de tudo o mais que dos autos consta e em obediência à legislação aplicável, concluise: Fl. 400DF CARF MF Impresso em 15/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 02/07/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 15889.000137/200859 Acórdão n.º 1802001.366 S1TE02 Fl. 374 7 a) a necessidade de ser empresário ou pessoa jurídica constituída sob a forma de sociedade empresária, nos termos do Ato Declaratório Interpretativo (ADI) SRF nº 18, de 23 de outubro de 2003, e do Novo Código Civil, condição suprida pela contribuinte. b) a empresa fiscalizada não atende às condições para ser classificada como "hospital" e sua prestação de serviços de análises clínicas não constitui prestação de "serviços hospitalares" para fins de definição do percentual de presunção a ser utilizado na apuração da base de cálculo do IRPJ e da CSLL; c) a empresa fiscalizada não conta com estrutura material e de pessoal destinada a atender a internações de pacientes, sendo que sua atividade é a prestação de serviços exclusivos de análises laboratoriais, classificados nos diplomas legais acima citados como serviços gerais e, por obediência à legislação de regência, deve aplicarse o percentual de trinta e dois por cento no cálculo da base de cálculo do imposto e da contribuição social; d) não se pode dar à norma de isenção outra interpretação que não a literal, de acordo com o que determina o art. 111 do CTN. Dessa forma, em atendimento à legislação tributária federal, deve ser observado o conceito trazido pelo ADI SRF 19/2007 e pela IN RFB 791/2007, em harmonia com a Lei n° 9.429/95 e com o Código Civil, constatandose que a contribuinte fiscalizada não preenche os requisitos legais, não revestindo as características de serviços hospitalares, não podendo, portanto, usufruir dos percentuais reduzidos de tributação. (...) O crédito tributário lançado de ofício perfaz o montante de R$ 1.125.419,36, na data de lavratura dos autos de infração do IRPJ e da CSLL, anoscalendário 2003, 2004 e 2005, conforme demonstrativo a seguir:: Auto de Infração Principal Multa Juros Total IRPJ 386.649,34 289.986,96 173.224,91 849.861,21 CSLL 126.098,37 94.573,74 54.886,04 275.558,15 Total 512.747,71 384.560,70 228.110,95 1.125.419,36 A contributinte tomou ciência dos autos de infração do IRPJ e da CSLL em 18/03/2008, por intermédio do seu Diretor (fls. 03 e 13), apresentando impugnação em 15/04/2008 (fls. 223/245), juntando ainda os documentos de fls. 246/316, aduzindo, em síntese, que: tem natureza jurídica de sociedade empresária, administrada pelos seus sócios; conta com quadro de servidores composto, dentre outros, por médico patologista, biólogas, bioquímicas e biomédica; Fl. 401DF CARF MF Impresso em 15/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 02/07/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 15889.000137/200859 Acórdão n.º 1802001.366 S1TE02 Fl. 375 8 sua atividade está enquadrada na Resolução RDC n. 50, da Anvisa, que em seu item 4 define como "prestação de atendimento de apoio ao diagnóstico e terapia — atendimento a pacientes internos e externos em ações de apoio direto ao reconhecimento e recuperação do estado de saúde"; presta serviços a pacientes internos e externos de hospitais, o que caracteriza atividade de apoio, independentemente do local onde se realizam; sua estrutura fisica encontrase em conformidade não só com as regras da IN 539/2005, § 1º, como também com as normas da Prefeitura Municipal de Bauru, da Vigilância Sanitária, do Corpo de Bombeiros, do Conselho Regional de Medicina, do Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde, a teor das licenças de funcionamento apresentadas à fiscalização; a Solução de Divergência n. 10, de 2007, editada pela Coordenação Geral de Tributação, cuja finalidade foi a de uniformizar o entendimento da administração tributária, aponta como correta a forma de tributação adotada pela contribuinte; o regramento instituído pelo ADI 19/2007 não pode produzir efeitos ex tunc e alterar as regras determinadas pelas diversas instruções editadas pela própria administração tributária sem afrontar a segurança jurídica dos contribuintes; tal circunstância é corroborada pelo advento do Parecer n. 2.710, emitido pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, a pedido da Secretaria da Receita Federal; a Administração Tributária ainda não conseguiu consenso sobre a amplitude do termo em questão (serviços hospitalares) o que fez com que nunca houvesse uma orientação uniforme aos contribuintes, tampouco fora editada lei interpretativa que fixasse o conceito de serviços hospitalares com efeitos retroativos, tal como determina o art. 106, I, do CTN; a matéria tributária em discussão não diz respeito à modalidade de isenção, como entendeu a autoridade fiscal. Ao final, ao mesmo tempo em que elaborou síntese de suas alegações, requereu seja acolhida a respectiva impugnação com vistas a que seja declarada improcedente a imposição tributária ora debatida. A DRJ/Ribeirão Preto, enfrentando o mérito das questões suscitadas, julgou a impugnação prodecente em parte, como já mencionado alhures, cuja ementa do acórdão reproduzo a seguir (fl. 321), in verbis: (...) ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2003, 2004, 2005 PRESTADOR DE SERVIÇOS HOSPITALARES. PERCENTUAL DE LUCRO PRESUMIDO. REQUISITOS. Para ser considerado serviço de natureza hospitalar é necessário que o empresário ou a sociedade empresária ostentem caráter empresarial, atividades desenvolvidas e Fl. 402DF CARF MF Impresso em 15/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 02/07/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 15889.000137/200859 Acórdão n.º 1802001.366 S1TE02 Fl. 376 9 estrutura fisica do estabelecimento em consonância com a legislação. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2003, 2004, 2005 PRESTADOR DE SERVIÇOS HOSPITALARES. PERCENTUAL DE LUCRO PRESUMIDO. REQUISITOS. Para ser considerado serviço de natureza hospitalar é necessário que o empresário ou a sociedade empresária ostentem caráter empresarial, atividades desenvolvidas e estrutura física do estabelecimento em consonância com a legislação. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Acórdão Acordam os membros da 3ª Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, julgar procedente em parte a impugnação, exonerar a contribuinte do valor de R$ 233.516,99 de IRPJ e R$79.248,67 de CSLL, ambos correspondentes aos anoscalendário de 2003 e 2004, manter o lançamento relativo ao anocalendário de 2005, no valor de R$ 153.132,35 de IRPJ e R$46.849,70 de CSLL. (...) Ainda, cabe transcrever a fundamentação do voto condutor desse acórdão que, em relação aos anoscalendário 2003, 2004 e 2005, manteve o crédito tributário apenas do anocalendário 2005 (fls.331/ 35): (...) Para aferir se a receita da atividade desenvolvida pela contribuinte está sujeita ao percentual geral das prestadoras de serviço ou a exceção aplicável às prestadoras de serviços hospitalares, cumpre verificar qual o alcance desta expressão na legislação sob enfoque, considerandose cada um dos períodos de eficácia das normas correspondentes. Nesse sentido, a IN 306/2003 tem eficácia desde sua publicação até 29/12/2004; a IN 480/2004, de 30/12/2004 até 27/04/2005; a IN 539/2005 até 12/12/2007; além disso deve ser observado o que dispõe o ADI 18/2003 acerca da abrangência do conceito de serviços hospitalares, no que diz respeito a consideraremse enquadrados os estabelecimentos constituídos por empresários ou sociedades empresárias, com a ressalva de que não são considerados serviços hospitalares aqueles excepcionados pelo art. 2° do referido ato declaratório. Fl. 403DF CARF MF Impresso em 15/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 02/07/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 15889.000137/200859 Acórdão n.º 1802001.366 S1TE02 Fl. 377 10 Considerandose que a imposição tributária abrange os anos calendário de 2003, 2004 e 2005, devese perquirir acerca da definição de serviços hospitalares para cada um dos períodos, observandose o entendimento da RFB expresso nas citadas instruções normativas. (...) Relativamente aos anoscalendário de 2003 e 2004, da leitura dos dispositivos transcritos, verificase que as exigências normativas dizem respeito a: a) caráter empresarial da pessoa jurídica; e, b) estrutura fisica condizente que permita exercer uma ou mais de uma das atividades previstas na IN 306/2003, art. 23. (...) De fato, além de ostentar natureza jurídica de sociedade empresária, a contribuinte montou quadro técnico estruturado para desempenho de sua atividadefim sem necessidade de atuação direta dos sócios. Há que se observar que além de atender ao requisito da empresarialidade, o interessado deve possuir estrutura fisica adequada para o desempenho de uma ou mais das atribuições previstas no art. 23 da IN 306/2003. Dentre aqueles enumerados no inciso V figuram a prestação de atendimento ao apoio ao diagnóstico nas atividades de patologia clínica e anatomia patológica. Considero que tais requisitos estão atendidos não só formalmente, como também materialmente, a teor do que dispõe seu contrato social e a instrução probatória juntada na fase de impugnação, notadamente os certificados de proficiência expedidos pela Sociedade Brasileira de Patologia Clinica (fls. 272/4) e as requisições de serviços de diagnose e terapia expedidas no âmbito do Sistema Único de Saúde (fls. 260/271). Pelo que foi exposto, entendo que os requisitos para que as atividades desenvolvidas pela contribuinte enquadremse como serviços hospitalares, na dicção da IN 306/2003, foram atendidos. Dessa forma, para o interregno em que vigeu a IN 306/2003, isto é, para os anoscalendário de 2003 e 2004, descabe a imposição tributária em foco. No que se refere ao período em que vigeram as regras instituídas pela IN 480/2004, isto é, primeiro e segundo trimestres de 2005, entendo que a impugnante não atendeu às normas nela prescritas. De fato, o art. 27 da IN 480/2004 estabelece claramente que somente são considerados serviços hospitalares aqueles prestados por estabelecimentos hospitalares. Por conseguinte, verificase que no caso da impugnante, cujo objeto social é o de análises clínicas, na área de bioquímica, Fl. 404DF CARF MF Impresso em 15/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 02/07/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 15889.000137/200859 Acórdão n.º 1802001.366 S1TE02 Fl. 378 11 hematologia, hormônios, imunologia, microbiologia, parasitologia e citologia, tal requisito não fora atendido, motivo por que o lançamento correspondente aos dois primeiros trimestres do anocalendário de 2005 deve ser mantido. Quanto ao período compreendido entre o terceiro e o quarto trimestre de 2005, em que vigeram as regras prescritas pela IN 539/2005, há que se considerar que além dos requisitos consubstanciados em caráter empresarial e natureza das atividades desenvolvidas, a legislação estabeleceu outro, de ordem material, a saber, adequada estrutura física do estabelecimento, atestada por documento competente expedido pela vigilância sanitária estadual ou municipal. A licença de funcionamento que a contribuinte apresentou (fl. 197), expedida pela Direção Regional de Saúde de Bauru, no âmbito do Sistema de Informação em Vigilância Sanitária, fora expedida em 29/12/2006, posteriormente ao período abrangido pela imposição fiscal. Em face do que foi anteriormente exposto, voto por considerar procedente em parte a impugnação apresentada para exonerar o contribuinte do valor de R$ 233.516,99 de IRPJ e R$ 79.248,67 de CSLL, ambos correspondentes aos anoscalendário de 2003 e 2004, mantendo o lançamento relativo ao anocalendário de 2005, no valor de R$ 153.132,35 de IRPJ e R$ 46.849,70 de CSLL. (...) Ciente desse decisim em 29/03/2011 (fl. 338), a contribuinte apresentou Recurso Voluntário parcial em 27/04/2011 (fls. 339/354), ou seja, em relação ao crédito tributário dos autos de infração do IRPJ e da CSLL, anocalendário 2005, que restou vencida na instância a quo: a) não recorreu quanto ao 1º (primeiro) trimestre/2005 e quanto ao mês de abril/2005: b) recorreu apenas quantos aos meses de maio/junho/2005 e 3º (terceiro) e 4º (quarto) trimestres/2005, juntando ainda os documentos de fls. 355/367), cujas razões, em síntese, são as seguintes: que em relação ao período de vigência da IN SRF nº 480/2004, de 30/12/2004 até 27/04/2005, acata a decisão a quo, informando nas razões do recurso (fls. 347/350), in verbis: (...) Embora haja inquestionável polêmica em torno da interpretação que se empresta à expressão "serviços hospitalares", temos que, na melhor das hipóteses para a Receita Federal, o percentual de 32% sobre a receita bruta para determinação do lucro presumido, estaria restrita ao primeiro trimestre e ao mês de abril, do anocalendário de 2005. Fl. 405DF CARF MF Impresso em 15/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 02/07/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 15889.000137/200859 Acórdão n.º 1802001.366 S1TE02 Fl. 379 12 Sendo assim, visando evitar procrastinações desnecessárias, o contribuinte, ora Recorrente, espontaneamente recolheu o IRPJ e a CSLL dos meses de Janeiro, Fevereiro, Março e Abril, do anocalendário de 2005, conforme Cálculo Presumido e guias de recolhimento anexas. (...) Por tudo se conclui que, com referência ao primeiro trimestre (Janeiro, Fevereiro e Março de 2005) está sendo recolhida a diferença de 8% para 32%, nos termos do Acórdão proferido. No que tange ao segundo trimestre, está sendo aferida a diferença de 8% para 32%, referente ao mês de Abril/2005, mantendose íntegro o cálculo de 8% para os meses de Maio e Junho/2005, vez que estão em conformidade com a IN n. 539, de 25/04/2005. Visando evitar procrastinação e em ato de evidente boafé, a Recorrente, espontaneamente, entendeu por bem proceder ao recolhimento do imposto e contribuição com os respectivos encargos legais, do período compreendido entre Janeiro a Abril de 2005, enquanto vigeu a IN nº 480/2004. Outrossim, a Recorrente entende estar dispensada do recolhimento da exigência referente ao período compreendido entre Maio a Dezembro de 2005, porque detinha Alvará expedido pela Vigilância Sanitária e apresentava estrutura física apta nos termos da normatização que se enquadrava nos ditames da IN 539/2005, com vigência a partir de 27/04/2005, até 12/12/2007, não podendo, pois, o contribuinte, ser penalizado a recolher sobre período no qual gozava de amplo e inquestionável amparo normativo. (...) o Recorrente detém os Alvarás de todos os outros períodos, notadamente o do anocalendário de 2005, cuja cópia neste ano se apresenta. Considerando que o Recorrente está exemplarmente regular perante a Vigilância Sanitária e que apresenta estrutura física apta e aprovada, não se justifica impedir a aplicação da IN nº 539/2005 —como determinado no acórdão em debate. (...) Por fim, a recorrente pediu que: a) sejam tidos como regulares os recolhimentos referentes aos meses de Janeiro, Fevereiro, Março e Abril do anocalendário de 2005, apresentados com este Recurso; b) sejam recebidos os Alvarás expedidos pela Vigilância Sanitária, referentes aos anoscalendário de 2004, 2005 e 2006; Fl. 406DF CARF MF Impresso em 15/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 02/07/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 15889.000137/200859 Acórdão n.º 1802001.366 S1TE02 Fl. 380 13 c) seja reconhecido o enquadramento da Recorrente conforme a IN nº 539/2005, de modo a fixar em 8% o percentual para apuração do IRPJ e em 12% para a CSLL, no período compreendido entre Maio a Dezembro do anocalendário de 2005; d) seja declarada a regularidade dos recolhimentos já efetuados, referentes aos períodos compreendidos entre o mês de Maio a Dezembro do anocalendário de 2005; e) finalmente, seja cancelado, nessa parte, o Auto de Infração. É o relatório. Fl. 407DF CARF MF Impresso em 15/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 02/07/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 15889.000137/200859 Acórdão n.º 1802001.366 S1TE02 Fl. 381 14 Voto Conselheiro Nelso Kichel, Relator. O recurso apresentado é tempestivo e atende aos pressupostos para sua admissibilidade. Por conseguinte, dele conheço. Conforme relatado, o fisco lavrou os autos de infração do IRPJ e da CSLL quanto aos anoscalendário 2003, 2004 e 2005, para exigência do crédito tributário (principal, juros de mora e multa de 75%), em face da contribuinte, empresa optante pelo regime de apuração do lucro presumido nesses anoscaléndario, ter efetuado a apuração dessas exações fiscais com aplicação do coeficiente de presunção do lucro de 8% e 12% respectivamente (serviços hospitares), quando teria que ter aplicado o coeficiente de 32% (prestação de serviços em geral). A decisão a quo exonerou o crédito tributário dos anoscalendário 2003 e 2004, mantendo apenas a exigência fiscal do anocalendário 2005. A contribuinte apresentou recurso parcial (fls.339/354), concordando com a exigência fiscal quanto ao 1º trimestre/2005 e, quanto ao 2º (segundo) trimestre/2005, concordando apenas com a exigência fiscal do mês de abril/2005 (períodos de apuração na vigência da IN SRF 480/2004, de 30/12/2004 até 27/04/2005), e rebelandose contra a exigência do crédito tributário de parte do 2º (segundo) trimestre/2005 (meses de maio e junho/2005) e quanto aos 3º e 4º trimestres/2005, nos seguintes termos (347/350), in verbis: (...) Embora haja inquestionável polêmica em torno da interpretação que se empresta à expressão "serviços hospitalares", temos que, na melhor das hipóteses para a Receita Federal, o percentual de 32% sobre a receita bruta para determinação do lucro presumido, estaria restrita ao primeiro trimestre e ao mês de abril, do anocalendário de 2005. Sendo assim, visando evitar procrastinações desnecessárias, o contribuinte, ora Recorrente, espontaneamente recolheu o IRPJ e a CSLL dos meses de Janeiro, Fevereiro, Março e Abril, do anocalendário de 2005, conforme Cálculo Presumido e guias de recolhimento anexas. (...) Por tudo se conclui que, com referência ao primeiro trimestre (Janeiro, Fevereiro e Março de 2005) está sendo recolhida a diferença de 8% para 32%, nos termos do Acórdão proferido. No que tange ao segundo trimestre, está sendo aferida a diferença de 8% para 32%, referente ao mês de Abril/2005, mantendose íntegro o cálculo de 8% para os meses de Maio e Fl. 408DF CARF MF Impresso em 15/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 02/07/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 15889.000137/200859 Acórdão n.º 1802001.366 S1TE02 Fl. 382 15 Junho/2005, vez que estão em conformidade com a IN n. 539, de 25/04/2005. Visando evitar procrastinação e em ato de evidente boafé, a Recorrente, espontaneamente, entendeu por bem proceder ao recolhimento do imposto e contribuição com os respectivos encargos legais, do período compreendido entre Janeiro a Abril de 2005, enquanto vigeu a IN nº 480/2004. Outrossim, a Recorrente entende estar dispensada do recolhimento da exigência referente ao período compreendido entre Maio a Dezembro de 2005, porque detinha Alvará expedido pela Vigilância Sanitária e apresentava estrutura física apta nos termos da normatização que se enquadrava nos ditames da IN 539/2005, com vigência a partir de 27/04/2005, até 12/12/2007, não podendo, pois, o contribuinte, ser penalizado a recolher sobre período no qual gozava de amplo e inquestionável amparo normativo. (...) o Recorrente detém os Alvarás de todos os outros períodos, notadamente o do anocalendário de 2005, cuja cópia neste ano se apresenta. Considerando que o Recorrente está exemplarmente regular perante a Vigilância Sanitária e que apresenta estrutura física apta e aprovada, não se justifica impedir a aplicação da IN nº 539/2005 —como determinado no acórdão em debate. (...). Em relação à matéria recorrida, a contribuinte pediu: que, em relação aos meses de maio e junho do 2º (segundo) trimestre do anocalendário 2005 e 3º (terceiro) e 4º (quarto) trimestres do anocalendário 2005, devem ser cancelados os autos de infração do IRPJ e da CSLL que estão exigindo diferença de crédito tributário em face de diferença de coeficiente de presunção do lucro presumido, pois deve prevalecer, como declarado na DIPJ respectiva, os coeficientes de 8% e 12%, respectivaamente, para o IRPJ e para a CSLL, uma vez que sua atividade econômica (“análises clínicas é prestação de serviços hospitalares) estando em conformidade, nesses períodos de apuração, com a IN nº 539, de 27/04/2005; que, vale dizer, de maio a dezembro de 2005 detinha Alvará expedido pela Vigilância Sanitária e apresentava estrutura física apta nos termos da IN 539/2005, com vigência a partir de 27/04/2005 até 12/12/2007, não podendo, pois, prevalecer o lançamento de ofício para exigência de diferença de coeficiente de presunção do lucro presumido, uma vez que gozava de amplo e inquestionável amparo legal ou normativo (atividade de serviço hospitalar). Inexistindo preliminar a ser enfrentada, passo à análise do mérito da lide. Primeiro, em relação ao crédito tributário dos autos de infração do IRPJ e da CSLL do 1º (primeiro) trimestre/2005 e abril/2005, períodos não objeto do recurso (matéria não recorrida), ou seja, matéria preclusa, não cabe mais sua discussão na órbita administrativa, Fl. 409DF CARF MF Impresso em 15/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 02/07/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 15889.000137/200859 Acórdão n.º 1802001.366 S1TE02 Fl. 383 16 tornandose, nessa parte, o crédito tributário definitivamente constituído nesta esfera administrativa. A contribuinte informou, ainda, nas razões do recurso que efetuou o recolhimento do crédito tributário não recorrido, juntando cópia de pagamentos/recolhimentos (fls. 357/363). Quanto à matéria litigiosa (objeto do recurso), o ponto crontrovertido, e do qual depende a resolução da lide, diz respeito se a contribuinte, no restante do anocalendário 2005 (maio a dezembro/2005), no período de vigência da IN SRF nº 539//2005, atendeu, ou não, às condições para ter o tratamento tributário atinente à pessoa jurídica prestadora de serviços hospitalares. Ou seja: tornase necessário enfrentar o seguinte ponto controvertido: a atividade econômica da recorrente, no período de maio/2005 a dezembro/2005, preencheu, ou não, as condições para ser reconhecida, para efeitos tributários, como sendo prestação de “serviço hospitalar”, no sentido de fazer jus a aplicação dos coeficientes reduzidos de presunção do lucro na apuração do IRPJ e da CSLL. No meu entendimento a contribuinte, sim, preencheu as condições mínimas para fazer jus ao tratamento tributário diferenciado, ou seja, aplicação dos coeficientes reduzidos de presunção do lucro para “serviços hospitalares”, nos períodos de maio a dezembro/2005. Primeiro, como os arts. 15 e 20 da Lei nº 9.249/95, e Lei nº 8.541/92, faziam alusão ou menção a “serviços hospitalares” sem outras especificações, restou à RFB disciplinar, em nível infralegal, o que seria entendido como “serviço hospitalar” para efeito de aplicação dos coeficientes reduzidos de presução do lucro, na apuração do IRPJ e da CSLL. Houve uma profusão de atos normativos infralegais no tempo, no sentido de fixar, determinar o conteúdo e o alcance da expressão “serviços hospitalares”, exigindo, basicamente, três requisitos: a) serviços hospitalares são aqueles diretamente ligados à atenção e assistência à saúde; b) exploração em caráter empresarial; c) estrutura física do estabelecimento assistencial de saúde. Quanto aos dois primeiros requisitos, não há dissonância significativa no tempo, nessa profusão de atos normativos infralegais que trataram da matéria. Pelo contrário, houve uma ampliação crescente das atividades consideradas “serviços hospitalares”, em face da interpretação extensiva da jurisprudência administrativa e judicial. Porém, quanto ao último requisito citado (estrutura física do estabelecimento assistencial à saúde), existiram, no decorrer do tempo, mudanças de critérios e dissonâncias inquietantes. No caso, vamos restringir nossa análise ao período de maio a dezembro/2005, objeto da pretensão resistida deduzida nos presentes autos. Fl. 410DF CARF MF Impresso em 15/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 02/07/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 15889.000137/200859 Acórdão n.º 1802001.366 S1TE02 Fl. 384 17 Nesse período citado, tem vigência a IN SRF nº 539, de 27 de abril de 2005 (art. 1º), que deu nova redação ao art. 27 da IN SRF nº 480, de 15 de dezembro de 2004, in verbis: "Art. 27. Para fins do disposto nesta Instrução Normativa, são considerados serviços hospitalares aqueles diretamente ligados à atenção e assistência à saúde, de que trata o subitem 2.1 da Parte II da Resolução de Diretoria Colegiada (RDC) da Agência Nacional de Vigilância Sanitária n º 50, de 21 de fevereiro de 2002, alterada pela RDC n º 307, de 14 de novembro de 2002, e pela RDC n º 189, de 18 de julho de 2003, prestados por empresário ou sociedade empresária, que exerça uma ou mais das: I seguintes atribuições: a) prestação de atendimento eletivo de promoção e assistência à saúde em regime ambulatorial e de hospitaldia (atribuição 1); b) prestação de atendimento imediato de assistência à saúde (atribuição 2); ou c) prestação de atendimento de assistência à saúde em regime de internação (atribuição 3); II atividades fins da prestação de atendimento de apoio ao diagnóstico e terapia (atribuição 4). § 1 ° A estrutura física do estabelecimento assistencial de saúde deverá atender ao disposto no item 3 da Parte II da Resolução de que trata o caput, conforme comprovação por meio de documento competente expedido pela vigilância sanitária estadual ou municipal. § 2 ° São também considerados serviços hospitalares, para fins do disposto nesta Instrução Normativa, os seguintes serviços prestados por empresário ou sociedade empresária: I préhospitalares, na área de urgência, realizados por meio de UTI móvel, instaladas em ambulâncias de suporte avançado (Tipo "D") ou em aeronave de suporte médico (Tipo "E"); II de emergências médicas, realizados por meio de UTI móvel, instaladas em ambulâncias classificadas nos Tipos "A", "B", "C" e "F", que possuam médicos e equipamentos que possibilitem oferecer ao paciente suporte avançado de vida."(NR) Quanto aos dois primeiros requisitos citados, desde os anoscalendário 2003 e 2004 a contribuinte tem satisfeito essas condições, conforme consta da fundamentação do voto condutor da decisão recorrida e que transcrevo a seguir (fls. 326/334), in verbis: (...) Em retrospectiva, temse que o artigo 23 da Instrução Normativa SRF (IN) n.° 306, de 2003, considerou serem serviços hospitalares aqueles prestados por pessoas jurídicas diretamente ligadas à atenção e assistência à saúde, que Fl. 411DF CARF MF Impresso em 15/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 02/07/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 15889.000137/200859 Acórdão n.º 1802001.366 S1TE02 Fl. 385 18 possuam estrutura fisica condizente para a execução de uma ou mais atividades ou a combinação de uma ou mais das atribuições de que trata a Parte II, Capitulo 2, da Portaria GM n.° 1.884, de 11 de novembro de 1994, do Ministério da Saúde. 0 inciso V do referido artigo 23 contempla as atividades que se encontram albergadas pela regra, a saber: V — prestação de atendimento de apoio ao diagnóstico e terapia, compreendendo as seguintes atividades: a. patologia clínica; b. imagenologia; c. métodos gráficos; d. anatomia patológica; Posteriormente à publicação da IN SRF n.° 306, de 2003, a Coordenação Geral de Tributação (Cosit) proferiu a Solução de Divergência n.° 11, de 21 de julho de 2003, com o seguinte entendimento: “a prestação de serviços de clínica médica de ortopedia e traumatologia, bem assim a prestação de serviços de complementação diagnóstica e terapêutica (exames radiológicos), por se enquadrarem dentre as atividades compreendidas nas atribuições de atendimento a pacientes internos e externos em ações de apoio direto ao reconhecimento e recuperação do estado da saúde, poderão ser enquadradas como serviços hospitalares, podendo ser aplicado às referidas atividades o percentual de 8% (oito por cento), para fins de determinação do lucro presumido.” O alcance do referido artigo 23 da IN SRF n.° 306, de 2003, foi explicitado com a edição do Ato Declaratório Interpretativo do Secretário da Receita Federal (ADI) n.° 18, de 23 de outubro de 2003, o qual manifestou o entendimento que, para fins do disposto no artigo 15, § 1.°, III, "a", da Lei n.° 9.249, de 1995, consideramse serviços hospitalares os prestados pelos estabelecimentos assistenciais de saúde constituídos por empresários ou sociedades empresárias. O referido ADI ainda declara que não são considerados serviços hospitalares, para fins de determinação do lucro presumido, os serviços prestados exclusivamente pelos sócios da empresa ou referentes unicamente ao exercício de atividade intelectual, de natureza científica dos profissionais envolvidos. (...) Diante do exposto, na vigência de referidos normativos, a definição de serviços hospitalares abrange aqueles prestados por empresário ou sociedade empresária que exerça uma ou mais das atribuições previstas no art. 23 da IN 360/2003, no artigo 27 da IN SRF n.° 480, de 2004 (tratadas pela RDC n.° 50, Fl. 412DF CARF MF Impresso em 15/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 02/07/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 15889.000137/200859 Acórdão n.º 1802001.366 S1TE02 Fl. 386 19 de 2002), na redação dada pela IN SRF n.° 539, de 2005, e que possua estrutura fisica condizente com o disposto no item 3 da Parte II da retrocitada resolução, devidamente comprovada por meio de documento competente expedido pela vigilância sanitária estadual ou municipal. Notese, também, que a IN SRF n.° 480, de 2004, na redação dada pela IN SRF n.° 539, de 2005, não alterou o conceito de serviços hospitalares; que no ADI SRF n.° 18, de 2003, também há o entendimento de que os serviços hospitalares alcançavam os prestados pelos estabelecimentos assistenciais de saúde constituídos por empresários ou sociedades empresárias e que a IN SRF n.° 306, de 2003, dispunha sobre a necessidade de os estabelecimentos possuírem estrutura fisica condizente com a atividade desenvolvida. Além disso, não se consideram serviços hospitalares aqueles prestados exclusivamente pelos sócios da pessoa jurídica ou referentes unicamente ao exercício de atividade intelectual, de natureza cientifica, dos profissionais envolvidos, mesmo que envolvam o concurso de auxiliares ou colaboradores sem a mesma habilitação técnica dos sócios da empresa e que a esses prestem serviços de apoio técnico ou administrativo. (...) Por conseguinte, verificase que para a execução das atividades exercidas pela contribuinte é imprescindível a participação de médicos. Desse modo, considerando o que consta dos autos, notadamente o registro de profissionais da área médica, bem assim da declaração da própria autoridade fiscal, tenho comigo que tal requisito encontrase atendido. De fato, além de ostentar natureza jurídica de sociedade empresária, a contribuinte montou quadro técnico estruturado para desempenho de sua atividadefim sem necessidade de atuação direta dos sócios. Há que se observar que além de atender ao requisito da empresarialidade, o interessado deve possuir estrutura fisica adequada para o desempenho de uma ou mais das atribuições previstas no art. 23 da IN 306/2003. Dentre aqueles enumerados no inciso V figuram a prestação de atendimento ao apoio ao diagnóstico nas atividades de patologia clínica e anatomia patológica. Considero que tais requisitos estão atendidos não só formalmente, como também materialmente, a teor do que dispõe seu contrato social e a instrução probatória juntada na fase de impugnação, notadamente os certificados de proficiência expedidos pela Sociedade Brasileira de Patologia Clinica (fls. 272/4) e as requisições de serviços de diagnose e terapia expedidas no âmbito do Sistema Único de Saúde (fls. 260/271). Fl. 413DF CARF MF Impresso em 15/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 02/07/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 15889.000137/200859 Acórdão n.º 1802001.366 S1TE02 Fl. 387 20 Pelo que foi exposto, entendo que os requisitos para que as atividades desenvolvidas pela contribuinte enquadremse como serviços hospitalares, na dicção da IN 306/2003, foram atendidos. Dessa forma, para o interregno em que vigeu a IN 306/2003, isto é, para os anoscalendário de 2003 e 2004, descabe a imposição tributária em foco. (...) Para o período de vigência da IN SRF 480, de 15 de dezembro de 2004 até a edição da da IN SRF nº 539, de 25 de abril de 2005, a recorrente acatou a exigência fiscal, deixando, de forma expressa, de recorrer. Matéria preclusa. Ou seja, não cabe mais a agitação ou revolvimento dessa matéria na esfera administrativa. Nessa parte, o crédito tributário está definitivamente constituído na âmbito administrativo. Nesse ponto, inclusive consta da fundamentação do voto condutor da decisão a quo (fl. 334): (...) No que se refere ao período em que vigeram as regras instituidas pela IN 480/2004, isto e, primeiro e segundo trimestres de 2005, entendo que a impugnante não atendeu as normas nela prescritas. De fato, o art. 27 da IN 480/2004 estabelece claramente que somente são considerados serviços hospitalares aqueles prestados por estabelecimentos hospitalares. Por conseguinte, verificase que no caso da impugnante, cujo objeto social é o de análises clinicas, na área de bioquímica, hematologia, hormônios, imunologia, microbiologia, parasitologia e citologia, tal requisito não fora atendido, motivo por que o lançamento correspondente aos dois primeiros trimestres do anocalendário de 2005 deve ser mantido. (...) Na verdade, a IN SRF nº 480/2004 teve vigência apenas de janeiro/2005 a abril/2005. Por isso, quanto ao período janeiro a abril/2005, a recorrente não recorreu, ou seja, acatou a exigência fiscal por não ter atendido ao requisito de atividade de “estabelecimento hospitalar”, em face desse recrudescimento da legislação infralegal que restringiu, drasticamente, o que deveria ser entendido como “serviços hospitalares”, passando a abarcar apenas serviços prestados por “estabelecimentos hospitalares” (IN SRF nº 480/2004, art. 27, caput). De modo que restou como pretensão resistida, nos presentes autos, apenas o crédito tributário atinente ao período de maio a dezembro/2005, período de vigência da IN SRF nº 539, de 25 de dezembro de 2005, que passou a ser aplicável a “hospital” e para “serviços hospitalares”, exigindo desses estrutura física do estabelecimento assistêncial à saúde (estrutura física mínima), ou seja, abrandou o rigor da IN SRF 480/2005 (art. 27, caput). Fl. 414DF CARF MF Impresso em 15/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 02/07/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 15889.000137/200859 Acórdão n.º 1802001.366 S1TE02 Fl. 388 21 Como já disse, a irresignação da recorrente merece prosperar, merece ser acolhida quanto ao período de maio a dezembro/2005. Vale dizer, restou provado nos autos que, desde os anoscalendário 2003 e 2004, exceto para o período de vigência da IN SRF 480/2004, a recorrente tem estrutura física mínima suficiente para ser enquadrada, para efeitos tributários, como prestadora de “serviços hospitalares” (laboratório de análises clínicas). Por conseguinte, para o período de maio a dezembro do anocalendário 2005, também, dever ser enquadrada a recorrente, para efeitos tributários, como prestadora de “serviços hospitalares”. Entretanto, a decisão a quo, quanto ao período de maio a dezembro/2005, não reconheceu a condição de “serviço hospitalar, para efeito tributário, à atividade de “análises clínicas”, pois a licença de funcionamento que fora apresentada (fls. 196/197), expedida pela Direção Regional de Saúde de Bauru, no âmbito do Sistema de Informação em Vigilância Sanitária, tem data de expedição de 29/12/2006 com validade a partir dessa data, abarcando, destarte, período posterior ao da imposição fiscal. Nesse ponto, transcrevo a fundamentação do voto condutor da decisão recorrida: (...) Quanto ao período compreendido entre o terceiro e o quarto trimestre de 2005, em que vigeram as regras prescritas pela IN 539/2005, há que se considerar que além dos requisitos consubstanciados em caráter empresarial e natureza das atividades desenvolvidas, a legislação estabeleceu outro, de ordem material, a saber, adequada estrutura física do estabelecimento, atestada por documento competente expedido pela vigilância sanitária estadual ou municipal. A licença de funcionamento que a contribuinte apresentou (fl. 197), expedida pela Direção Regional de Saúde de Bauru, no âmbito do Sistema de Informação em Vigilância Sanitária, fora expedida em 29/12/2006, posteriormente ao período abrangido pela imposição fiscal. Na verdade, a IN SRF nº 539/2005, passou a ter efeito desde o início do mês de maio/2005, então o período abarcado, no caso, é de maio/2005 a dezembro/2005. Como visto, a contribuinte para o período maio a dezembro/2005 atendeu aos dois primeiros requisitos (natureza da atividade = análises clínicas diretamente ligada à atenção e assistência à saúde e exploração da atividade em caráter empresarial), ficando, por conseguinte, apenas o óbice da necessidade de licença de funcionamento expedida pela vigilância sanitária. De sorte que, juntamente com as razões do recurso, a recorrente complementou as provas atinentes às licenças da vigilância sanitária do seu estabelecimento, juntando quanto ao período de maio a dezembro/2005. Ou seja, a recorrente juntou cópias de licença de funcionamento, expedida pela Vigilância sanitária – protocolo 20/09/2004, vigência até 06/10/2005 (fl. 365) e protocolo 29/09/2005, vigência até 30/11/2006 (fl. 366) e 19/12/2006, vigência até 29/12/2007 (fl. 367). Fl. 415DF CARF MF Impresso em 15/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 02/07/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 15889.000137/200859 Acórdão n.º 1802001.366 S1TE02 Fl. 389 22 De modo que todo o período de maio a dezembro/2005 está com licença de funcionamento expedida pela Vigilância Sanitária. Além disso, a motivação para a autuação do período de maio a dezembro/2005 não foi só a falta de Alvará ou de licença da Vigilância Sanitária, mas sim que a atividade de “análises clínicas” não seria “estabelecimento hospitalar”. Porém, como visto na decisão recorrida, diversamente do entendimento da fiscalização, a contribuinte apresentava, detinha, sim, estrutura física mínima compatível de estabelecimento assistencial de saúde para o exercício de sua atividade de análises clínicas ( “serviço hospitalar”) para os anoscalendário 2003 e 2004. Por conseguinte, para o período de maio a dezembro de 2005, para efeito de fazer jus aos coeficientes reduzidos de apuração do lucro presumido para efeito do IRPJ e da CSLL, também apresentava estrutura física mínima do estabelecimento assistencial de saúde, ou seja, de “serviço hopitalar”. A propósito, como conclusão para a autuação, lançamento fiscal, consta do Termo de Verificação Fiscal (fls. 34/35): (...) VIII – Da Conclusão Em análise dos documentos apresentados pela empresa fiscalizada e de tudo o mais que dos autos consta e em obediência à legislação aplicável, concluise: a) a necessidade de ser empresário ou pessoa jurídica constituída sob a forma de sociedade empresária, nos termos nos termos do Ato Declaratório Interpretativo (ADI) SRF nº 18, de 23 de outubro de 2003, e do Novo Código Civil, condição suprida pela contribuinte. b) a empresa fiscalizada não atende às condições para ser classificada como "hospital" e sua prestação de serviços de análises clínicas não constitui prestação de "serviços hospitalares" para fins de definição do percentual de presunção a ser utilizado na apuração da base de cálculo do IRPJ e da CSLL; (...) Ora, a atividade da recorrente, como demonstrado, “análises clínicas” é abarcada pelo “serviço hospitalar”. Não é necessário, em sentido estrito, ser um “hospital”. Nisso, a fiscalização, sem dúvida, exagerou. Ainda, o rigor da IN SRF nº 539/2005, em sede de jurisprudência administrativa e judicial, foi abrandado, quanto à estrutura física do estabelecimento assistêncial à saúde, no caso de establecimento de “análises clínicas”. Vale dizer, ademais como razão de decidir a presente lide adoto o entendimento do Superior Tribunal de Justiça (STJ) quanto à interpretação da Lei nº 9.249/1995 que, ao julgar Recurso Especial representativo de controvérsia na sistemática de Recursos Repetitivos (art. 543C do CPC), consolidou o entendimento de que “a lei, ao Fl. 416DF CARF MF Impresso em 15/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 02/07/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 15889.000137/200859 Acórdão n.º 1802001.366 S1TE02 Fl. 390 23 conceder o benefício fiscal, não considerou a característica ou a estrutura do contribuinte em si (critério subjetivo), mas a natureza do próprio serviço prestado (assistência à saúde)”: DIREITO PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. VIOLAÇÃO AOS ARTIGOS 535 e 468 DO CPC. VÍCIOS NÃO CONFIGURADOS. LEI 9.249/95. IRPJ E CSLL COM BASE DE CÁLCULO REDUZIDA. DEFINIÇÃO DA EXPRESSÃO “SERVIÇOS HOSPITALARES”. INTERPRETAÇÃO OBJETIVA. DESNECESSIDADE DE ESTRUTURA DISPONIBILIZADA PARA INTERNAÇÃO. ENTENDIMENTO RECENTE DA PRIMEIRA SEÇÃO. RECURSO SUBMETIDO AO REGIME PREVISTO NO ARTIGO 543C DO CPC. 1. Controvérsia envolvendo a forma de interpretação da expressão “serviços hospitalares” prevista na Lei 9.429/95, para fins de obtenção da redução de alíquota do IRPJ e da CSLL. Discutese a possibilidade de, a despeito da generalidade da expressão contida na lei, poderse restringir o benefício fiscal, incluindo no conceito de “serviços hospitalares” apenas aqueles estabelecimentos destinados ao atendimento global ao paciente, mediante internação e assistência médica integral. 2. Por ocasião do julgamento do RESP 951.251PR, da relatoria do eminente Ministro Castro Meira, a 1ª Seção, modificando a orientação anterior, decidiu que, para fins do pagamento dos tributos com as alíquotas reduzidas, a expressão “serviços hospitalares”, constante do artigo 15, § 1º, inciso III, da Lei 9.249/95, deve ser interpretada de forma objetiva (ou seja, sob a perspectiva da atividade realizada pelo contribuinte), porquanto a lei, ao conceder o benefício fiscal, não considerou a característica ou a estrutura do contribuinte em si (critério subjetivo), mas a natureza do próprio serviço prestado (assistência à saúde). Na mesma oportunidade, ficou consignado que os regulamentos emanados da Receita Federal referentes aos dispositivos legais acima mencionados não poderiam exigir que os contribuintes cumprissem requisitos não previstos em lei (a exemplo da necessidade de manter estrutura que permita a internação de pacientes) para a obtenção do benefício. Daí a conclusão de que “a dispensa da capacidade de internação hospitalar tem supedâneo diretamente na Lei 9.249/95, pelo que se mostra irrelevante para tal intento as disposições constantes em atos regulamentares”. 3. Assim, devem ser considerados serviços hospitalares “aqueles que se vinculam às atividades desenvolvidas pelos hospitais, voltados diretamente à promoção da saúde”, de sorte que, “em regra, mas não necessariamente, são prestados no interior do estabelecimento hospitalar, excluindose as simples consultas médicas, atividade que não se identifica com as prestadas no âmbito hospitalar, mas nos consultórios médicos”. 4. Ressalva de que as modificações introduzidas pela Lei 11.727/08 não se aplicam às demandas decididas anteriormente Fl. 417DF CARF MF Impresso em 15/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 02/07/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 15889.000137/200859 Acórdão n.º 1802001.366 S1TE02 Fl. 391 24 à sua vigência, bem como de que a redução de alíquota prevista na Lei 9.249/95 não se refere a toda a receita bruta da empresa contribuinte genericamente considerada, mas sim àquela parcela da receita proveniente unicamente da atividade específica sujeita ao benefício fiscal, desenvolvida pelo contribuinte, nos exatos termos do § 2º do artigo 15 da Lei 9.249/95. 5. Hipótese em que o Tribunal de origem consignou que a empresa recorrida presta serviços médicos laboratoriais (fl.389), atividade diretamente ligada à promoção da saúde, que demanda maquinário específico, podendo ser realizada em ambientes hospitalares ou similares, não se assemelhando a simples consultas médicas, motivo pelo qual, segundo o novel entendimento desta Corte, faz jus ao benefício em discussão (incidência dos percentuais de 8% (oito por cento), no caso do IRPJ, e de 12% (doze por cento), no caso de CSLL, sobre a receita bruta auferida pela atividade específica de prestação de serviços médicos laboratoriais). 6. Recurso afetado à Seção, por ser representativo de controvérsia, submetido ao regime do artigo 543C do CPC e da Resolução 8/STJ. 7. Recurso especial não provido. (REsp 1116399/BA, Rel. Ministro BENEDITO GONÇALVES, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 28/10/2009, DJ e 24/02/2010) Como visto o STJ consolidou o entendimento de que “a lei, ao conceder o benefício fiscal, não considerou a característica ou a estrutura do contribuinte em si (critério subjetivo), mas a natureza do próprio serviço prestado (assistência à saúde)” excluindose as simples consultas médicas. Com efeito, na esteira do entendimento do STJ, tratandose de empresa que se dedica à prestação de serviços de “análises clínicas” (laborátório de exames – serviços laboratoriais), ou seja, na área de bioquímica, hematologia, hormônios, imunologia, microbiologia, parasitologia e citologia, os coeficientes de determinação do lucro presumido aplicáveis, em relação aos serviços prestados é de 8% (oito por cento) para IRPJ e de 12% para a CSLL. Dispõe o art. 62A do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, com as alterações das Portarias MF nºs 446, de 27 de agosto de 2009, e 586, de 21 de dezembro de 2010: Art. 62A.As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Fl. 418DF CARF MF Impresso em 15/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 02/07/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 15889.000137/200859 Acórdão n.º 1802001.366 S1TE02 Fl. 392 25 Por todo o exposto, voto para DAR provimento ao recurso, ou seja, para exonerar o crédito tributário dos autos de infração do IRPJ e da CSLL quanto aos períodos de apuração de maio/junho do anocalendário 2005 e quanto aos 3º (terceiro) e 4º (quarto) trimestres do anocalendário 2005. A unidade de origem, ainda, quanto ao crédito tributário não recorrido dos autos de infração do IRPJ e da CSLL (matéria preclusa), ou seja, do 1º (primeiro) trimestre do anocalendário 2005 e do período de apuração abril do anocalendário 2005, deverá verificar se os valores respectivos foram recolhidos corretamente (fls. 357/363) e alocálos e, caso não recolhidos na forma da legislação de regência ou se existir diferença a pagar, intimar a contribuinte a efetuar o pagamento/recolhimento. Nelso Kichel (documento assinado digitalmente) Fl. 419DF CARF MF Impresso em 15/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 02/07/2013 por NELSO KICHEL
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Numero do processo: 10670.000560/2006-29
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 26 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Jul 18 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 3402-000.415
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
RESOLVEM os membros deste Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência nos termos do voto do relator. Esteve presente a Dra. Ariene D'Arc Diniz e Amaral.
(assinado digitalmente)
Gilson Macedo Rosenburg Filho Presidente Substituto
(assinado digitalmente)
João Carlos Cassuli Junior Relator
Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Fernando Luiz da Gama Lobo DEça, Silvia de Brito Oliveira, Helder Masaaki Kanamaru (suplente), Gilson Macedo Rosenburg Filho e Nayra Bastos Manatta (Presidente). O Presidente substituto da Turma, assina o acórdão, face à impossibilidade, por motivo de saúde, da Presidente Nayra Bastos Manatta.
Nome do relator: JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. RESOLVEM os membros deste Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência nos termos do voto do relator. Esteve presente a Dra. Ariene D'Arc Diniz e Amaral. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho Presidente Substituto (assinado digitalmente) João Carlos Cassuli Junior Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Fernando Luiz da Gama Lobo DEça, Silvia de Brito Oliveira, Helder Masaaki Kanamaru (suplente), Gilson Macedo Rosenburg Filho e Nayra Bastos Manatta (Presidente). O Presidente substituto da Turma, assina o acórdão, face à impossibilidade, por motivo de saúde, da Presidente Nayra Bastos Manatta.
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RESOLVEM os membros deste Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência nos termos do voto do relator. Esteve presente a Dra. Ariene D'Arc Diniz e Amaral. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho – Presidente Substituto (assinado digitalmente) João Carlos Cassuli Junior – Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Fernando Luiz da Gama Lobo D’Eça, Silvia de Brito Oliveira, Helder Masaaki Kanamaru (suplente), Gilson Macedo Rosenburg Filho e Nayra Bastos Manatta (Presidente). O Presidente substituto da Turma, assina o acórdão, face à impossibilidade, por motivo de saúde, da Presidente Nayra Bastos Manatta. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 06 70 .0 00 56 0/ 20 06 -2 9 Fl. 2881DF CARF MF Impresso em 18/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/0 7/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/07/2013 por GILSON MACEDO ROSENBU RG FILHO Erro! A origem da referência não foi encontrada. Fls. 2.882 ___________ Relatório Trata o processo de Pedido de Restituição no valor original de R$6.802.065,80 (seis milhões, oitocentos e dois mil, sessenta e cinco reais e oitenta centavos) relativo à COFINS incidente sobre outras receitas que não o faturamento bruto, nos períodos de fevereiro de 1999 a setembro de 2003. Os períodos constantes do pedido em questão foram pagos e/ou compensados à época de seu vencimento e ensejaram o pedido de restituição em virtude da declaração de inconstitucionalidade, pelo STF, do art. 3º da Lei 9.718/98 (alargamento da base de cálculo do PIS e da COFINS), nos termos da decisão transitada em julgado no Agravo de Instrumento nº. 426298. Posteriormente o contribuinte interessado apresentou declarações de compensação para a utilização do crédito pleiteado. A Delegacia da Receita Federal do Brasil em Montes Claros/MG proferiu despacho decisório indeferindo a restituição pleiteada e não homologando as compensações declaradas, sob o fundamento de que estaria decaído o direito de utilizar em parte o crédito tributário, bem como de que parte dos créditos pleiteados teria sua condição de extinção ainda pendente de “ulterior condição resolutória da RFB”, e ainda, excluindose o crédito decorrente destas compensações ainda pendentes de análise, refez as bases de cálculo da COFINS do sujeito passivo, alocando os créditos evidenciados, aos débitos verificados, não restando assim crédito remanescente a ser aproveitado. DA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE: Relativamente à Manifestação de Inconformidade de fls. 1017 a 1031, apresentada em razão do Despacho Decisório acima mencionado e cientificado ao contribuinte em 16/03/2009, bem como, da diligência designada no processo pela Delegacia de Julgamento em 1ª Instância, e ainda, da Manifestação em Diligência Fiscal apresentada pelo contribuinte, transcrevo o relato efetuado pela DRJ/JFA – Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Juiz de Fora/MG, por bem reproduzir os fatos: “(...) o contribuinte alegou em síntese que: O direito da requerente de questionar os recolhimentos já fora exercido anteriormente à apresentação de seu pedido administrativo, tanto que o despacho decisório, no que se refere às parcelas não prescritas, nada mais fez do que dar cumprimento à decisão judicial apresentada. Não há, portanto, como se alegar que a requerente exerceu seu direito de pleitear a devolução dos valores recolhidos a maior apenas em 12/04/2006; Ainda que seja desconsiderada a ação judicial da requerente, não há que se falar em prazo prescricional de cinco anos no presente caso, haja vista ser pacifico o entendimento de que o prazo prescricional para a repetição de indébito dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação (caso da Cofins) decorre da conjugação do artigo 168, I Fl. 2882DF CARF MF Impresso em 18/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/0 7/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/07/2013 por GILSON MACEDO ROSENBU RG FILHO Processo nº 10670.000560/200629 Resolução nº 3402000.415 S3C4T2 Fl. 2.883 3 com o §4º do artigo 150, ambos do Código Tributário Nacional, perfazendo, normalmente, um prazo de dez anos. No que se refere aos demais períodos, a requerente apresentou manifestação de inconformidade de fls. 985 a 1016, apontando, entre outras, as seguintes divergências: 1 – Saldo credor verificado em favor da contribuinte, em outros meses, não pode ser aproveitado para amortização dos débitos relativos a janeiro, março e julho, de 2002, nos valores de R$370.316,33, R$625.193,396 e R$821.090,65, vinculados a outros processos ou prescritos; 2 – desconsideração da conversão em renda dos depósitos judiciais nos valores de R$222.000,00 (setembro de 2001) e de R$543.685,73 (janeiro de 2003); 3 – a fiscalização desconsiderou o valor de R$259.942,84 (última linha para o mês de abril de 2003 na tabela 4) ao lançar os valores reconhecidamente extintos na tabela de fls. 924, relativa ao referido mês; 4 – não foram considerados outros processos administrativos em andamento e de decisões favoráveis à requerente, como os de nº. 10670.000334/200214 e 10670.000336/200211; 5 – a fiscalização desconsiderou compensações declaradas, via formulário papel, relativamente ao débito da Confis de fev/02, no valor de R$91.276,37 (processo nº. 10670.001270/200511) e de mar/02 no valor de R$183.448,02 (processo nº. 10670.000017/200621); À vista das alegações acima, da verificação dos autos e dos documentos juntados pela interessada, fezse necessário o envio do presente processo, em diligência, para a DRF de origem, dentre outras providencias, aguardar a análise de todas as declarações de compensação, relacionadas às fls. 887/889, porventura pendentes de despacho decisório por parte da DRF, antes de dar prosseguimento ao feito, ou analisálas de pronto, considerando as alterações porventura havidas no valor do crédito. Os autos retornaram com a Informação Fiscal de fls. 2555 a 2573, elaborada consoantes as diretrizes do despacho de fls. 1905 e 1906, na qual se encontra detalhado o crédito a favor da interessada no valor de R$2.675.178,40, conforme Demonstrativo de Origem do Crédito (fls. 2543 a 2522). Esse crédito foi utilizado nas compensações ativas declaradas pela requerente que resultou no Demonstrativo de Utilização de Créditos de Fls. 2553 e 2554. Cientificada da Informação Fiscal acima, a interessada apresentou defesa adicional, às fls. 2575 a 2592, na qual sustenta a glosa indevida dos créditos aproveitados a seguir discriminados: Competências de fevereiro a dezembro de 2000. Nesse tópico a defesa reitera as razões detalhadas na manifestação apresentada às fls. 1017 a 1031; Fl. 2883DF CARF MF Impresso em 18/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/0 7/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/07/2013 por GILSON MACEDO ROSENBU RG FILHO Processo nº 10670.000560/200629 Resolução nº 3402000.415 S3C4T2 Fl. 2.884 4 Competência de setembro de 2001. O crédito pleiteado na referida competência perfaz o montante de R$473.279,43. Ocorre que a Fiscalização reconheceu tão somente o valor de R$441.594,40, por entender que só foi convertido em renda o valor de R$190.314,96 (desconsiderando, inclusive, expressa determinação dessa DRJ no sentido da plena consideração no montante de R$222.000,00); Competência de Janeiro de 2002. O crédito pleiteado na referida competência perfaz o montante de R$111.207,69, mas a Fiscalização não reconheceu sua existência em virtude da não homologação das compensações referente às DCOMP’S nºs. 24452.51674.300403.1.3.016307 e 40671.56554.011105.1.3.016889; Competência de Fevereiro de 2002. O crédito pleiteado na referida competência perfaz o montante de R$51.894,94. Ocorre que a Fiscalização reconheceu tão somente o valor de R$11.341,34, em virtude da não homologação da compensação do PTA nº. 10670.000560/200629; Competência Março de 2002. O crédito pleiteado na referida competência perfaz o montante de R$58.167,32. Ocorre que a Fiscalização não reconheceu a existência de crédito, em virtude da homologação parcial da DCOMP nº. 05781.18633.280703.1.7.04 2730, a qual é controlada pelo PTA 10670.720059/200500; Competência Junho 2002. O crédito pleiteado na referida competência perfaz o montante de R$261.967,40, sendo que a Fiscalização reconheceu tão somente o crédito de R$259.581,66, em virtude da não homologação da compensação referente à DCOMP nº. 24452.51674.300703.1.3.016307; Competência Julho de 2002. O crédito pleiteado na referida competência perfaz o montante de R$280.828,96. Ocorre que a Fiscalização não reconheceu a existência do crédito, em virtude da homologação parcial da DCOMP nº. 28809.62353.310503.1.3.016724 (e não “6723”, como consta do despacho), a qual é controlada pelo PTA nº. 10670.001088/200218; Competência Setembro de 2002. O crédito pleiteado na referida competência perfaz o montante de R$463.614,22. Ocorre que a Fiscalização reconheceu tão somente o crédito de R$463.417,91, em virtude da não homologação da compensação referente à DCOMP 24452.51674.300703.1.3.016307; Competência de Janeiro de 2003. O crédito pleiteado na referida competência perfaz o montante de R$739.685,97. Ocorre que a Fiscalização reconheceu tão somente o crédito de R$675.157,49, em virtude da não homologação das compensações referentes às DCOMP’S nº. 10147.87165.031005.1.3.011615 e 17436.00705.031005.1.3.018802; Competência de Abril de 2003. O crédito pleiteado na referida competência perfaz o montante de R$532.296,10. Ocorre que a Fiscalização reconheceu tão somente o crédito de R$494.261,34 em virtude da não homologação das compensações referentes às Fl. 2884DF CARF MF Impresso em 18/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/0 7/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/07/2013 por GILSON MACEDO ROSENBU RG FILHO Processo nº 10670.000560/200629 Resolução nº 3402000.415 S3C4T2 Fl. 2.885 5 DCOMP’s nºs. 04909.45837.140803.1.3.018060 e 00708.38701.140803.1.3.012459;” DO JULGAMENTO DE 1ª INSTÂNCIA Após análise da Manifestação de Inconformidade apresentada pelo contribuinte (em dois documentos separados), bem como, a apreciação do resultado da diligência designada no processo, e da manifestação apresentada pelo contribuinte em relação à esta verificação, a 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Juiz de Fora/MG (DRJ/JFA), houve por bem efetuar uma só análise quanto aos argumentos do contribuinte, pois que entendeu separados apenas na intenção de segregar em processos diferentes questões prejudiciais e de mérito, proferindo assim o Acórdão de nº. 0935.083, datado de 19/05/2011, cuja ementa restou assim consignada: Assunto: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano Calendário: 1999, 2000, 2001 RESTITUIÇÃO. DECADÊNCIA. O prazo para que o contribuinte possa pleitear a restituição de tributo ou contribuição pago indevidamente ou em valor maior que o devido, extinguese após o transcurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados da data de extinção do crédito tributário, inclusive na hipótese de o pagamento ter sido efetuado com base em lei posteriormente declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal em ação declaratória ou em recurso extraordinário. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL – CONFINS AnoCalendário: 2002, 2003 CRÉDITO COMPENSADO. INCERTEZA. Os valores resultantes das compensações não homologadas, que integram o crédito solicitado, não se constituem em valores passíveis de compor o referido crédito, por que a não homologação dessas compensações torna o crédito em comento incerto, já que possui em sua composição valores que até então não deram entrada nos cofres públicos. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte. Direito creditório Reconhecido em Parte. A DRJ/JFA afastou pela decadência, o pleito do contribuinte relativo à restituição dos valores pagos indevidamente entre as competências de fevereiro de 1999 a dezembro de 2000, pois que entendeu que a demanda judicial (Agravo de Instrumento nº. 426298), nos termos em que transitada em julgado, não concedeu ao sujeito passivo o direito à repetição do indébito, mas sim, tão somente o de excluir as receitas operacionais da base de cálculo da Cofins. Quanto aos períodos não atingidos pela decadência, a análise de mérito efetuada pelo julgador de 1ª instância inicialmente considerou os resultados da diligência realizada para afastar a argüição do contribuinte em relação à não observação dos valores convertidos em renda à favor da União (para pagamento dos débitos cuja restituição se pleiteia), constatando que esta conversão utilizou integralmente os valores dos depósitos efetuados, uma vez que Fl. 2885DF CARF MF Impresso em 18/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/0 7/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/07/2013 por GILSON MACEDO ROSENBU RG FILHO Processo nº 10670.000560/200629 Resolução nº 3402000.415 S3C4T2 Fl. 2.886 6 alocouos para o pagamento dos débitos nos períodos a que se refeririam. No entanto, incidiram sobre estes valores juros e multa, pois que depositados em atraso, não restando assim saldo a restituir. Consideraram também parcialmente homologadas no valor original de R$ 2.675.178,40 especificamente as DCOMP’s listadas na planilha elaborada em diligência fiscal, e por fim, para os demais períodos cuja restituição buscouse, a DRJ em questão entendeu não trataremse os créditos pleiteados de “líquidos, certos ou exigíveis”, em face de terem os mesmos sido objetos de outras compensações, não homologadas, ou não apreciadas ainda pela Autoridade Administrativa. DO RECURSO Cientificado da decisão de 1ª instância em 14/06/2011, conforme AR de fls. 2811, e não concordando com os termos em que foi proferida a mencionada decisão, o sujeito passivo apresentou, em 14/07/2011, Recurso Voluntário a este Conselho (fls. 2812 a 2831 dos autos), no qual sustenta os seguintes argumentos: · Relativamente às competências de fevereiro de 1999 a dezembro de 2000 inexiste a prescrição apontada pela Autoridade Julgadora, pois que o reconhecimento – ainda que parcial de determinados créditos – tomou como base a existência da ação judicial interposta pelo contribuinte, o que leva o Fisco a ter de considerála como essencial ao direito de restituir o indébito pleiteado, bem como, tendo sido a referida ação ajuizada no prazo previsto pelo artigo 168, I do CTN, e ainda, tendo sido requerido o crédito dentro dos cinco anos após o trânsito em julgado da ação, sendo dominante o entendimento do próprio Conselho de Contribuintes de que não há que se falar em contagem do prazo de prescrição ou decadência, a partir da data do recolhimento, e sim do trânsito em julgado; · Subsidiariamente, acaso não seja reconhecida a inexistência da prescrição do direito de pleitear a restituição em questão, deve ser reconhecido o direito da Recorrente pela forma da contagem do prazo decenal, nos termos do critério temporal estabelecido pelo STJ e reafirmado pelo STF, que alterou a aplicação da regra introduzida pelo art. 3º da LC 118/2005; · Para a competência de Setembro de 2001 – o acórdão recorrido encontra se equivocado, uma vez que o depósito judicial utilizado para o pagamento desta competência, ainda que efetuado com atraso (como asseverou a DRJ no acórdão proferido), foi na totalidade do valor a ser quitado para aquele período (calculado até 31.05.2002); · Para a competência de Fevereiro de 2002 – A Cofins devida neste período foi integralmente quitada através da compensação controlada no PTA 16770.000539/200271, conforme extrato do processo transcrito, devendo, desta forma, tal valor compor o saldo creditório da Recorrente, cancelandose a glosa discutida nos autos; Fl. 2886DF CARF MF Impresso em 18/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/0 7/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/07/2013 por GILSON MACEDO ROSENBU RG FILHO Processo nº 10670.000560/200629 Resolução nº 3402000.415 S3C4T2 Fl. 2.887 7 · Para as demais competências – Ao argumento de que os demais valores pleiteados pela Recorrente não são “líquidos, certos ou exigíveis” por trataremse de “indébitos” resultantes de compensações não homologadas ou ainda pendentes de apreciação, mesmo que não sejam deferidas tais compensações, o valor dos débitos não compensados será oportuna e devidamente exigido da Recorrente (que ficará obrigada ao seu recolhimento), não desfazendo o crédito cuja restituição se pleiteia; · Para a competência de Janeiro de 2002 – o débito relativo a este período deveria ter sido considerado pela Fiscalização como extinto, pois que mesmo está integralmente depositado nos autos da Execução Fiscal nº. 2009.38.07.0045040, bem como, para a outra DCOMP que compõe este período, a mesma é objeto de cobrança no PA 10670.900877/200918, não podendo ser considerado em aberto na análise efetuada neste processo; · Para a competência de Março de 2002 – deveria também este período ser considerado extinto, uma vez que ele vem sendo objeto de cobrança no processo administrativo 10670.720059/200500, o qual possivelmente terá como destino final a homologação integral; · Para a competência de Junho de 2002 – Em parte pago por meio de DCOMP, em parte por meio de depósito judicial nos autos da Execução já mencionada, e ainda, em parte pago por meio de depósito judicial, este período também deve ser considerado extinto; · Competência de Julho de 2002 – Esta competência também deveria ser considerada extinta pela Fiscalização, pois que é objeto de cobrança no PA 10670.001088/200218, havendo ainda a dupla cobrança do débito decorrente, pois que além de exigido no PA mencionado, foi glosado no processo ora Recorrido; · Para a competência de Setembro de 2002 – Débito depositado nos autos da Execução já mencionada, devendo ser aplicado os mesmos argumentos da competência de Janeiro de 2002; · Para a competência de Janeiro de 2003 – Discutido em outros processos, as DCOMP’S que representam o pagamento desta competência certamente terão o destino de liquidação da corta cobrança emitida nos outros processos, ou então a homologação parcial das mesmas, devendo ser consideradas extintas para o fim da restituição pleiteada nestes autos; · Para a competência de Abril de 2003 – Débitos efetivamente pagos em virtude de solicitação de compensação de ofício solicitada em 06.08.2010, a qual incumbe ao Fisco efetuar os lançamentos pertinentes a este procedimento; Ao final, a Recorrente pleiteia a reforma do acórdão recorrido, no que se refere à parcela da restituição indeferida, sendo homologadas integralmente as compensações apresentadas, pelos termos expostos. Fl. 2887DF CARF MF Impresso em 18/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/0 7/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/07/2013 por GILSON MACEDO ROSENBU RG FILHO Processo nº 10670.000560/200629 Resolução nº 3402000.415 S3C4T2 Fl. 2.888 8 DA DISTRIBUIÇÃO Tendo o processo sido distribuído a esse relator por sorteio regularmente realizado, vieram os autos para relatoria, por meio de processo eletrônico, em 18 (dezoito) Volumes, numerado até a folha 2877 (dois mil, oitocentos e setenta e sete), estando apto para análise desta Colenda 2ª Turma Ordinária, da 4ª Câmara, da 3ª Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. É o relatório. Diligência Conselheiro João Carlos Cassuli Junior, Relator. O recurso atende aos pressupostos de admissibilidade e tempestividade, portanto, dele tomo conhecimento. Para simplificação e melhor elucidação da discussão travada nos autos, e justificar o entendimento condutor de minhas considerações , inicialmente destaco que o pedido do contribuinte restringese, essencialmente, a dois principais argumentos: 1 – De que não se operou a prescrição do direito de repetir o indébito de COFINS relativamente aos períodos compreendidos entre fevereiro de 1999 e dezembro de 2000. 2 – De que os valores de créditos relativamente aos períodos não decaídos, sobre os quais se pleiteia a restituição, são líquidos e certos – ao contrário do que consignou decisão recorrida – pois que ainda que estejam os mesmos pendentes de decisão final acerca da “condição resolutória da Receita Federal do Brasil”, acaso esta pretensão reste inexitosa, serão efetivamente devidos e liquidados os valores naqueles respectivos processos, ensejando a garantia da pretensão repetitória destes autos. A despeito de serem, basicamente, estes únicos dois pontos enfrentados pelo contribuinte no recurso ora sob análise (além de pontuais questões de fato), entendo não ser possível, hoje, realizar um julgamento justo acerca do mérito discutido no processo, pelo que teço os comentários acerca dos fatos que me levam a este entendimento. É que, inobstante a DRJ ter julgado o processo em seu mérito, tenho que os argumentos apontados pelo contribuinte em seu recurso – os quais sou obrigado a enfrentar direta e fundamentadamente em caso de julgamento da matéria – conduzem à situação que, sob minha ótica, não seja possível aferir se os créditos pretendidos realmente existem, pois no estado em que se encontram as condições de (in)exigibilidade dos períodos em questão (bem como, dos processos que envolvem a liquidação dos mesmos), tornase impossível atestar ou não a existência, de fato, do referido direito creditório. Outrossim, essa impossibilidade igualmente não permite, sob minha ótica perfunctória, de simplesmente indeferir a compensação, pois assim se estará tumultuando ainda Fl. 2888DF CARF MF Impresso em 18/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/0 7/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/07/2013 por GILSON MACEDO ROSENBU RG FILHO Processo nº 10670.000560/200629 Resolução nº 3402000.415 S3C4T2 Fl. 2.889 9 mais a resolução das questões postas, tanto naqueles processos em que se pretende a cobrança ou a homologação das compensações, quanto neste processo, que busca o indébito naqueles outros processos. Ao longo do tempo, assentouse o entendimento de que é inconstitucional o artigo 3º da Lei 9.718/98, sendo, consequentemente, inconstitucional a ampliação do conceito de faturamento lá determinado. Assim, o contribuinte que tenha realizado recolhimentos de COFINS utilizando a base de cálculo designada pela legislação dita inconstitucional, tem o direito a pleitear a restituição dos valores pagos indevidamente sob este aspecto. E esse indébito igualmente pode estar amparado em procedimento de compensação, eis que igualmente é modalidade de extinção do crédito tributário. Evidentemente que a extinção do crédito tributário pela via da compensação, fica submetida à condição resolutória de sua ulterior homologação. É dizer: se a condição é resolutória, importa que ela produz os efeitos positivos do pagamento desde a compensação, os quais somente deixam de irradiar os efeitos que lhe são próprios, se sobrevier a “não homologação” expressa por parte da Autoridade Pública. Diferentemente seria se a lei estabelecesse que a condição fosse suspensiva, o que não é a hipótese. Assim, ainda que venha a ser discutida a existência real do indébito pleiteado, é fato que, se pagos indevidamente, e não atingidos pela decadência e/ou prescrição, terão que ser contemplados para fins de restituição. Neste tocante é a celeuma que deslindase no caso em tela, no qual não se nega à Recorrente o direito à pleitear o indébito decorrente da declaração de inconstitucionalidade do artigo 3º da Lei 9.718/98, mas sim, discutese a existência de um eventual indébito a se restituir, pois que os créditos teriam origem em processos de compensação que pende de apreciação por parte da própria Administração Pública. Conforme realização de diligência efetuada anteriormente, bem como, pelos próprios fundamentos da DRJ, aos quais, somase ainda os argumentos expendidos pela recorrente no recurso voluntário, têmse por verificada a existência de inúmeras outras discussões administrativas, concernentes à verificação (ulterior condição resolutória da RFB) dos pagamentos realizados pelo contribuinte relativos aos períodos cujo indébito se pleiteia por meio de restituição. Conforme expus acima, data maxima venia ao que determinou a DRJ, não vejo como simplesmente desconsiderar a potencial existência de um indébito a restituir, apenas por que estão sendo discutidos ainda os pagamentos que liquidam os períodos envolvidos neste processo. Não poderia a Administração justificar a iliquidez dos créditos em omissão dela própria em apreciar os pedidos, levando a cabo a entrega dos pleitos dos administrados. Há por exemplo, a fundamentação por parte do contribuinte de que existem períodos que aqui pretendese restituir parcialmente, que estão sendo discutidos até mesmo em sede de execução fiscal, tendo sido depositados judicialmente para garantia da discussão. Ora, existem neste caso dois lados da moeda, o de que reste devido o valor depositado judicialmente (convertendose o valor em renda à favor da União), caso em que restabelecese o indébito aqui discutido; bem como, o de que reste inexitosa a referida execução fiscal e lá sejam levantados pelo contribuinte os depósitos efetuados o que resultaria em inexistência do indébito atestado. Fl. 2889DF CARF MF Impresso em 18/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/0 7/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/07/2013 por GILSON MACEDO ROSENBU RG FILHO Processo nº 10670.000560/200629 Resolução nº 3402000.415 S3C4T2 Fl. 2.890 10 Muitos períodos ainda têm pendência de discussão perante o Ministério da Fazenda, sendo objeto de outros processos administrativos em que não há decisão final quanto a homologação expressa dos créditos extinguendos via compensação. E se é certo que a condição que subordina a extinção do crédito tributário nos casos de compensação é resolutiva, deverseia emprestar efeitos de pagamento até que se decidisse sobre a homologação expressa, em curso. Por outro lado, é igualmente certo que para que se defira a compensação, deve haver crédito líquido, certo e exigível, o que pode ser questionável se o pagamento estiver submisso ainda à condição resolutiva. Portanto, me parece mais adequado que se aguarde a resolução dos processos em que se discute os créditos pretendidos pela Recorrente, atendendo assim tanto os efeitos jurídicos inerentes à “condição resolutiva” quanto a necessidade de haver “liquidez, certeza e exigibilidade” do crédito restituendo. Consequentemente, tenho que deve o feito ser convertido em diligência, para que a Autoridade Preparadora adote as seguintes providências: 1 – Verificar o andamento dos processos relacionados no Recurso Voluntário (Processos Administrativos nºs. 10670.001270/200511; 16770.000539/200271; Processo Judicial – Execução Fiscal nº. 2009.38.07.0045040, e seus eventuais processos vinculados; Processo Administrativo nº. 10670.900818/200931 – Processo de Cobrança nº. 10670.900877/200918; Processos Administrativos nºs. 10670.720059/200500; 10670.001088/200218; 13971.003128/200855; 10670.900875/200911; 10670.900414/2010 81 e de outros que deixaram de se discutir em razão da aplicação da decadência/prescrição do direito de pleitear a restituição e que será igualmente objeto de julgamento em momento pertinente); 2 – Aguardar o término da tramitação dos referidos processos administrativos ou judiciais, certificando, então, o posicionamento final atribuído a cada um deles, por período em que se está pleiteando o indébito; 3 – Apontar, igualmente, a existência de conversão de depósitos judiciais em renda à favor da União, ou de levantamentos porventura efetuados pelo contribuinte, para fins de considerar indébito do contribuinte ou não, respectivamente; 4 – Ao final, elaborar “Relatório Conclusivo de Diligência”, pelo qual informe a este Conselho acerca da posição dos referidos processos (homologação ou não de compensação, pagamentos, conversões em renda, levantamento de depósitos pelo sujeito passivo etc.), consolidando referidas informações em demonstrativo de apuração de pagamentos do período objeto do PAF, focando a existência e montantes de créditos em favor do contribuinte; 5 – Finalmente, oportunizar à Recorrente que se manifeste sobre o referido Relatório, no prazo de 30 (trinta) dias, encaminhando o processo a esse Conselho para inclusão em pauta de julgamento. É como voto. (assinado digitalmente) Fl. 2890DF CARF MF Impresso em 18/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/0 7/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/07/2013 por GILSON MACEDO ROSENBU RG FILHO Processo nº 10670.000560/200629 Resolução nº 3402000.415 S3C4T2 Fl. 2.891 11 João Carlos Cassuli Junior – Relator. Fl. 2891DF CARF MF Impresso em 18/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/0 7/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/07/2013 por GILSON MACEDO ROSENBU RG FILHO
score : 1.0
Numero do processo: 13770.001412/2007-72
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 16 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Jun 06 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008
PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO.
PEDIDO DE ISENÇÃO PREVIDENCIÁRIA.ALTERAÇÃO LEGISLATIVA.INCOMPETÊNCIA DO CARF.
Consoante a lei n° 12.201/2009, descabe a este Colegiado se manifestar acerca de pedidos de isenção em tramitação, ex vi art. 44 Decreto Regulamentador n° 7.237/2010.
Recurso Voluntário Não Conhecido
Numero da decisão: 2803-002.222
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por voto de qualidade, em não conhecer do recurso, nos termos do voto vencedor. Redator designado Oseas Coimbra Junior. Vencido(a)s o(a)s Conselheiro(a)s Amilcar Barca Teixeira Junior, Natanael Vieira dos Santos e Gustavo Vettorato.
(Assinado digitalmente)
Helton Carlos Praia de Lima Presidente
(Assinado digitalmente)
Amílcar Barca Teixeira Júnior Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Oseas Coimbra Júnior, Eduardo de Oliveira, Amilcar Barca Teixeira Junior, Gustavo Vettorato e Natanael Vieira dos Santos.
Nome do relator: AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008 PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. PEDIDO DE ISENÇÃO PREVIDENCIÁRIA.ALTERAÇÃO LEGISLATIVA.INCOMPETÊNCIA DO CARF. Consoante a lei n° 12.201/2009, descabe a este Colegiado se manifestar acerca de pedidos de isenção em tramitação, ex vi art. 44 Decreto Regulamentador n° 7.237/2010. Recurso Voluntário Não Conhecido
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por voto de qualidade, em não conhecer do recurso, nos termos do voto vencedor. Redator designado Oseas Coimbra Junior. Vencido(a)s o(a)s Conselheiro(a)s Amilcar Barca Teixeira Junior, Natanael Vieira dos Santos e Gustavo Vettorato. (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima Presidente (Assinado digitalmente) Amílcar Barca Teixeira Júnior Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Oseas Coimbra Júnior, Eduardo de Oliveira, Amilcar Barca Teixeira Junior, Gustavo Vettorato e Natanael Vieira dos Santos.
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CUSTEIO. PEDIDO DE ISENÇÃO PREVIDENCIÁRIA.ALTERAÇÃO LEGISLATIVA.INCOMPETÊNCIA DO CARF. Consoante a lei n° 12.201/2009, descabe a este Colegiado se manifestar acerca de pedidos de isenção em tramitação, ex vi art. 44 Decreto Regulamentador n° 7.237/2010. Recurso Voluntário Não Conhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por voto de qualidade, em não conhecer do recurso, nos termos do voto vencedor. Redator designado Oseas Coimbra Junior. Vencido(a)s o(a)s Conselheiro(a)s Amilcar Barca Teixeira Junior, Natanael Vieira dos Santos e Gustavo Vettorato. (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima – Presidente (Assinado digitalmente) Amílcar Barca Teixeira Júnior – Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 77 0. 00 14 12 /2 00 7- 72 Fl. 210DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2013 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assi nado digitalmente em 14/05/2013 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR Processo nº 13770.001412/200772 Acórdão n.º 2803002.222 S2TE03 Fl. 3 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Oseas Coimbra Júnior, Eduardo de Oliveira, Amilcar Barca Teixeira Junior, Gustavo Vettorato e Natanael Vieira dos Santos. Relatório Tratase de Pedido de Reconhecimento do Direito à Isenção de Contribuições Previdenciárias, formulado pela Fundação Médico Assistencial do Trabalhador Rural de Itarana/ES, cuja solicitação foi declarada improcedente Pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Vitório – ES, por seu Serviço de Orientação e Análise Tributário – SEORT, conforme Parecer SEORT/DRF/VIT nº 2217/2009. O Pedido de Isenção foi analisado tecnicamente e restou ementando nos seguintes termos: Assunto: Reconhecimento do direito à isenção de Contribuições Sociais. Ementa: Para gozar da isenção prevista na Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, a entidade deve preencher, cumulativamente, requisitos legais. Dispositivos Legais: Art. 55, da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 e artigos 206 e 208, do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto nº 3.048, de 06 de maio de 1999. Solicitação Improcedente. Inconformado com resultado do julgamento da primeira instância administrativa, o Contribuinte apresentou recurso tempestivo, onde alega, em síntese, o seguinte: Em 21/09/2007 foi protocolado o Pedido de Reconhecimento de Isenção; apresentando, para tanto, toda a documentação necessária nos termos do Art. 208 do Decreto nº 3.048/1999 de 06/05/1999; conforme Processo nº 13770.001412/200772. Depois de transcorridos, aproximadamente, 02 (dois) anos, recebemos Termo de Intimação datado de julho/2009, intimandonos a apresentar vários documentos; inclusive, atualização dos Formulários apresentados do Relatório de Informações de Assistência Social; porém, nos anos de 2007 e 2008; não entendemos, inclusive, o porquê do tempo transcorrido entre a entrada do pedido supra e a data da Intimação, uma vez que o Decreto nº 3.048/1999, em seu parágrafo 1º, estabelece o prazo de 30 (trinta) dias para decisão do referido pedido de isenção; estabelecendo, inclusive, apuração de responsabilidade pela não decisão. Fl. 211DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2013 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assi nado digitalmente em 14/05/2013 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR Processo nº 13770.001412/200772 Acórdão n.º 2803002.222 S2TE03 Fl. 4 3 Atendido o Termo de Intimação, conforme é relatado pela auditoria constantes das fls. 158 a 161 do Processo, fomos cientificados do Parecer SEORT/DRF/VIT nº 2217/2009, o qual considerou improcedente a solicitação supra. Quanto ao fato da referida Fundação estar em débito de contribuições previdenciárias na fase 050201 – Suspensos para inclusão em Parcelamento Especial, ser causa impeditiva, discordamos do referido parecer que considerou a descaracterização da situação regular citando o § 6º da Lei nº 8.212/1991, “A inexistência de débitos em relação às contribuições sociais é condição necessária ao deferimento e à manutenção da isenção de que trata este artigo, em observância ao disposto no § 3º do art. 195 da Constituição”. Como nota se, o § 6º do referido artigo foi, sabiamente incluído pelo legislador, pois era preciso observar o § 3º do art. 195 da Constituição Federal. Porém, todos somos conhecedores que as pessoas jurídicas, com débitos parcelados com o poder público, não estando devedora de parcelas vencidas, contratam, recebem benefícios ou incentivos fiscais ou creditícios com o poder público. Quanto ao requisito e condição estabelecidos no inciso III do art. 55 da lei nº 8.212/1991, cujo parecer relatou o não cumprimento, informamos que, conforme Relatório “Resumo de Informações de Assistência Social”, Item 3 – Serviços Prestados na Área de Assistência Social, em anexo, Ano de 2007, o comparativo entre os Serviços Gratuitos (Parcial: SUSR$265.504,94; Total: R$370.566,85) e pagos (R$25.051,15); cujo particular corresponde a 6,75% do Gratuito total e 3,92% do Gratuito (Parcial + Total); ou seja, comparado, apenas, os serviços gratuitos prestados, corresponde a 93,24% do total realizado em 2007; o qual não foi realizado esse comparativo aos serviços prestados ao SUS. Da mesma forma, no Ano de 2008, cujo particular corresponde a 4,63% do Gratuito total e 2,82 do Gratuito (Parcial + Total); comparando, apenas, os serviços gratuitos prestados, correspondem a 95,37% do total realizado em 2008; também, não foi realizado esse comparativo aos serviços prestados ao SUS. Finalizando, esclarecemos que a Fundação é mantenedora do único hospital do Município de Itarana/ES; para tanto, todo o atendimento na área de saúde, tem como porta de entrada o referido hospital. Portanto, “menores, idosos, excepcionais ou pessoas carentes”, todos são mantidos independente de sua condição social. Os atendimentos particulares são prestados, apenas, àqueles que solicitam desses serviços. Portanto, solicitamos a reconsideração do Despacho Decisório, constante de fl. 164 do referido processo, considerando procedente a solicitação da nossa Fundação, uma vez que beneficiará aos menores, idosos, excepcionais e, inclusive, de forma geral, as pessoas carentes do Município de Itarana/ES, as quais poderão se beneficiar dos recursos da isenção concedida. No despacho de fls. 179, o SECOJ/CARF exarou o seguinte despacho: “Retornemse os autos à origem a fim de se observar as novas determinações oriundas do Decreto Presidencial nº 7.237/2010”. Em 14/09/2011, a DRFB em Serra exarou o seguinte despacho: “Encaminhese o p.p. ao Arquivo por 1 (um) ano na Fase Corrente, 10 (dez) anos na Fase Intermediária e o destino final – eliminação”, Fl. 212DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2013 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assi nado digitalmente em 14/05/2013 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR Processo nº 13770.001412/200772 Acórdão n.º 2803002.222 S2TE03 Fl. 5 4 Em 31/01/2012, o SEORT/DRFB de Vitória/ES exarou o seguinte despacho: Tratase de pedido de reconhecimento do direito à isenção de contribuições sociais, protocolizado em 18/09/2007. O pedido foi indeferido através do PARECER/SEORT/DRF/VIT nº 2.217/2009 (fls. 158/164), por não ter a interessada cumprido todas as condições do art. 55, da Lei 8.212, de 25 de julho de 1991 e do art. 206, do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto nº 3.048, de 06 de maio de 1999. Tendo sido cientificada em 13/10/2009, a interessada interpôs recurso ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (fls. 167/171). Às fls. 178, a SECOJ/SECEX/CARF/MF retorna o processo a DRF/VIT/ES, sem análise do recurso, com a recomendação de se observar as novas determinações oriundas do Decreto presidencial nº 7.237/2010. Inicialmente merece destacar o art. 44, do Decreto nº 7.237/2010. Art. 44. Os pedidos de reconhecimento de isenção não definitivamente julgados em curso no âmbito do ministério da Fazenda serão encaminhados à unidade competente daquele órgão para verificação do cumprimento dos requisitos da isenção, de acordo com a legislação vigente no momento do fato gerador. Ademais, a Lei 12.101/2009, que dispõe de forma diversa sobre os procedimentos de isenção de contribuições a seguridade social, foi publicada em 30/11/2009. Ante o narrado e tendo em vista o pedido da interessada não estar definitivamente julgado, proponho a devolução dos autos ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por competência. À consideração superior. Em 25 de julho de 2012, o contribuinte peticiona nos autos e requer a juntada de documentos que comprovam sua condição Entidade Filantrópica, com respaldo na Portaria MS nº 544, de 13/06/2012, publicada no DOU – Seção I nº 115, sexta feira, 15 de junho de 2012, obtendo isenção das contribuições sociais no período de 22/03/2010 a 21/03/2013. Não apresentadas as contrarrazões. Fl. 213DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2013 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assi nado digitalmente em 14/05/2013 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR Processo nº 13770.001412/200772 Acórdão n.º 2803002.222 S2TE03 Fl. 6 5 É o relatório. Fl. 214DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2013 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assi nado digitalmente em 14/05/2013 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR Processo nº 13770.001412/200772 Acórdão n.º 2803002.222 S2TE03 Fl. 7 6 Voto Vencido Conselheiro Amílcar Barca Teixeira Júnior, Relator. O recurso voluntário é tempestivo, e considerando o preenchimento dos demais requisitos de sua admissibilidade, merece ser apreciado. Pelo que foi observado nestes autos, o contribuinte não obteve êxito em seu Pedido de Reconhecimento do Direito à Isenção de Contribuições Previdenciárias, basicamente por dois motivos. Primeiro, por supostamente estar em débito em relação às contribuições sociais e, segundo, por não ter observado o requisito de que trata o inciso III do art. 55 da lei nº 8.212/91. No primeiro caso, restou evidenciado que o contribuinte parcelou suas dívidas com a Seguridade Social, situação que afasta a hipótese aventada pelo Fisco, de que a inexistência de débitos em relação às contribuições sociais é condição necessária ao deferimento e à manutenção da isenção. Ora, se a dívida foi parcelada e o contribuinte está pagando aquilo que foi negociado pelas partes, não há que se falar mais em débitos. Enquanto perdurar tal situação, o contribuinte estará regular perante a Seguridade Social, podendo, inclusive, beneficiarse da isenção requerida. De outra parte, tanto no exercício de 2007 como no de 2008, o contribuinte, ao contrário da alegação da fiscalização, bem como da decisão recorrida, cumpriu rigorosamente as metas estabelecidas no inciso III do art. 55 da Lei nº 8.212/91, prestando serviços gratuitos em percentual superior àquele estabelecido na legislação de regência. Destarte, tendo o contribuinte cumprido as determinações da legislação, não há motivo para não atender o seu pleito. CONCLUSÃO. Pelo exposto, voto por CONHECER do recurso para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO. É como voto. (Assinado digitalmente) Amílcar Barca Teixeira Júnior – Relator. Fl. 215DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2013 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assi nado digitalmente em 14/05/2013 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR Processo nº 13770.001412/200772 Acórdão n.º 2803002.222 S2TE03 Fl. 8 7 Voto Vencedor Tratase de Recurso Voluntário decorrente do indeferimento do requerimento de pedido de isenção referente às cotas patronais em desfavor da ora recorrente. Contudo, em razão do novo regramento jurídico em relação à matéria Lei 12.201/2009 e seu Decreto Regulamentador de n° 7.237/2010, para situações como a ora em discussão devese observar as disposições do art. 44 do referido decreto, in verbis: Art. 44. Os pedidos de reconhecimento de isenção não definitivamente julgados em curso no âmbito do Ministério da Fazenda serão encaminhados à unidade competente daquele órgão para verificação do cumprimento dos requisitos da isenção, de acordo com a legislação vigente no momento do fato gerador. Parágrafo único. Verificado o direito à isenção, certificarseá o direito à restituição do valor recolhido desde o protocolo do pedido de isenção até a data de publicação da Lei no 12.101, de 2009. As normas elencadas na nova lei, em relação ao procedimento de apuração e conferência da isenção usufruída, têm natureza procedimental, de aplicabilidade imediata, inclusive em relação a fatos anteriores à norma jurídica. Ressaltese que a mera mudança de procedimento não prejudica em nada o contribuinte. Já os requisitos materiais, esses devem ser observados à luz da legislação vigente quando da isenção usufruída. Art. 55 da lei 8.212/91 ou lei 12.101/09. Em razão da novel legislação, a Administração Tributária não tem mais que se manifestar em processos de Cancelamento de Isenção ou de Concessão, pois o Ato Declaratório Isentivo, seu deságue natural, não mais subsiste. Na atual sistemática, a ação fiscal é sobremaneira desburocratizada, pois o Auditor Fiscal que comprova o não atendimento dos requisitos à isenção, imediatamente lavra o Auto de Infração respectivo, declinando todas as irregularidades pertinentes. Não há mais a necessidade de “dois processos” pois, antes da 12.101/09, quando se detectavam irregularidades, primeiro teria que se cassar o Ato Declaratório e, após, iniciar o procedimento fiscal para a apuração da parte patronal. Agora, todo o quadro fático será reunido em um só procedimento, respeitando sempre o contraditório e a ampla defesa. A autoridade julgadora então, em um só procedimento decisório, julgará primeiro a pertinência da suspensão da isenção e, se positiva a hipótese, julgará a procedência do lançamento, sem considerar o favor fiscal, já então afastado. A Delegacia da Receita Federal do Brasil deverá, outrossim, adotar o seguinte procedimento: Fl. 216DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2013 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assi nado digitalmente em 14/05/2013 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR Processo nº 13770.001412/200772 Acórdão n.º 2803002.222 S2TE03 Fl. 9 8 1. Encaminhar o processo de pedido de isenção para o Serviço de Fiscalização para que, observado o prazo decadencial, decida se é necessária a abertura de procedimento fiscal no contribuinte e, se for o caso, seja imediatamente lavrado o respectivo Auto de Infração de Obrigação Principal, cujo processo deverá ser instruído de todas as informações referentes a desconsideração da isenção ilegitimamente exercida. Dessa feita resta demonstrada a incompetência deste Colegiado para se manifestar acerca do pedido indeferido em primeiro grau. CONCLUSÃO. Pelo exposto, voto por NÃO CONHECER do presente recurso. É como voto. Assinado digitalmente Oséas Coimbra Júnior – Redator para acórdão. Fl. 217DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2013 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assi nado digitalmente em 14/05/2013 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 15504.002253/2010-02
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 15 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Jun 21 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007
MATÉRIA SUB JUDICE. CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RENÚNCIA AO CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO.
Em razão da decisão judicial se sobrepor à decisão administrativa, a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial, antes ou depois do lançamento, implica renúncia ao contencioso administrativo fiscal relativamente à matéria submetida ao Poder Judiciário.
LANÇAMENTO PREVENTIVO DA DECADÊNCIA. POSSIBILIDADE. AÇÃO JUDICIAL EM CURSO.
Poderá ser realizado o lançamento das diferenças de contribuições previdenciárias destinado a prevenir a decadência, mesmo que haja discussão judicial da matéria.
Até que ocorra o trânsito em julgado na ação judicial, o Fisco poderá realizar procedimento de auditoria fiscal e apurar os valores que estão sendo discutidos na via judicial, haja vista a suspensão da exigibilidade do crédito tributário deferida no momento do lançamento fiscal.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2402-003.580
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer em parte do recurso para, na parte conhecida, negar provimento ao recurso voluntário.
Julio Cesar Vieira Gomes - Presidente
Ronaldo de Lima Macedo - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Ana Maria Bandeira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Nereu Miguel Ribeiro Domingues e Thiago Taborda Simões.
Nome do relator: RONALDO DE LIMA MACEDO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007 MATÉRIA SUB JUDICE. CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RENÚNCIA AO CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO. Em razão da decisão judicial se sobrepor à decisão administrativa, a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial, antes ou depois do lançamento, implica renúncia ao contencioso administrativo fiscal relativamente à matéria submetida ao Poder Judiciário. LANÇAMENTO PREVENTIVO DA DECADÊNCIA. POSSIBILIDADE. AÇÃO JUDICIAL EM CURSO. Poderá ser realizado o lançamento das diferenças de contribuições previdenciárias destinado a prevenir a decadência, mesmo que haja discussão judicial da matéria. Até que ocorra o trânsito em julgado na ação judicial, o Fisco poderá realizar procedimento de auditoria fiscal e apurar os valores que estão sendo discutidos na via judicial, haja vista a suspensão da exigibilidade do crédito tributário deferida no momento do lançamento fiscal. Recurso Voluntário Negado.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1864; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T2 Fl. 2 1 1 S2C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 15504.002253/201002 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2402003.580 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 15 de maio de 2013 Matéria ENTIDADE BENEFICENTE DE ASSISTÊNCIA SOCIAL Recorrente FUNDAÇÃO EDUCACIONAL LUCAS MACHADO FELUMA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007 MATÉRIA SUB JUDICE. CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RENÚNCIA AO CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO. Em razão da decisão judicial se sobrepor à decisão administrativa, a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial, antes ou depois do lançamento, implica renúncia ao contencioso administrativo fiscal relativamente à matéria submetida ao Poder Judiciário. LANÇAMENTO PREVENTIVO DA DECADÊNCIA. POSSIBILIDADE. AÇÃO JUDICIAL EM CURSO. Poderá ser realizado o lançamento das diferenças de contribuições previdenciárias destinado a prevenir a decadência, mesmo que haja discussão judicial da matéria. Até que ocorra o trânsito em julgado na ação judicial, o Fisco poderá realizar procedimento de auditoria fiscal e apurar os valores que estão sendo discutidos na via judicial, haja vista a suspensão da exigibilidade do crédito tributário deferida no momento do lançamento fiscal. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 00 22 53 /2 01 0- 02 Fl. 372DF CARF MF Impresso em 21/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 17/06/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/06/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer em parte do recurso para, na parte conhecida, negar provimento ao recurso voluntário. Julio Cesar Vieira Gomes Presidente Ronaldo de Lima Macedo Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Ana Maria Bandeira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Nereu Miguel Ribeiro Domingues e Thiago Taborda Simões. Fl. 373DF CARF MF Impresso em 21/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 17/06/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/06/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 15504.002253/201002 Acórdão n.º 2402003.580 S2C4T2 Fl. 3 3 Relatório Tratase de lançamento fiscal decorrente do descumprimento de obrigação tributária principal, referente às contribuições devidas à Seguridade Social, incidentes sobre a remuneração dos segurados empregados, relativas às contribuições destinadas a outras Entidades/Terceiros, para as competências 01/2006 a 13/2007. O Relatório Fiscal (fls. 40/43) informa que a FUNDAÇÃO FELUMA possui decisão judicial em Mandado de Segurança (processo 1999.38.00.0209770, da 12a Vara da Justiça Federal) concedendolhe a isenção de contribuições previdenciárias patronais. Nessa situação, o auto de infração foi constituído para evitar a decadência do crédito tributário, estando suspenso os atos administrativos de cobrança. Esse Relatório Fiscal informa ainda que os créditos tributários foram constituídos por meio do levantamento “FPN Folha de Pagamento”, para os segurados empregados. A ciência do lançamento fiscal ao sujeito passivo deuse em 05/03/2010 (fl.01). A autuada apresentou impugnação tempestiva, alegando, em síntese, que: 1. a impugnação deve ser conhecida, uma vez que, além de tratar de questões diferentes daquelas constantes da ação judicial, esta poderá lhe ser desfavorável. Diz que as questões do Mandado de Segurança nº 1999.38.00.0209770 dizem respeito, exclusivamente, ao reconhecimento da impugnante à imunidade tributária das contribuições previdenciárias, não se discutindo, portanto, as questões como valores devidos, requisitos formais do auto de infração, etc. No sentido de que questões não levadas ao judiciário devem ser tratadas no julgamento administrativo, escreve súmulas do Conselho de Contribuintes, incorporadas pelo CARF; 2. a autoridade administrativa não pode deixar de observar o rito certo e definido para a suspensão da imunidade/isenção. Nessa linha, reporta ao regramento definido na Lei 9.430, de 1996, e diz que somente após a expedição de Ato Declaratório Executivo próprio é que se poderá considerar suspensa a imunidade tributária e a autoridade autorizada a lavrar os competentes autos de infração para exigências de tributos, se fosse o caso. Na hipótese, o procedimento fiscal foi avesso à legislação de regência, pois a imunidade tributária da impugnante foi automaticamente suspensa com base num parecer do Ministério da Previdência Social. Assim, o procedimento estaria a violar o princípio da legalidade (art. 5º, inciso II, e art. 37, caput, da Constituição Federal de 1988, e artigo 2º da Lei 9.784, de 1999), porquanto a autoridade administrativa não poderia, à sua discricionalidade, afastar a legislação que trata da suspensão da imunidade. Acrescenta que a Fl. 374DF CARF MF Impresso em 21/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 17/06/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/06/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 suspensão da imunidade se dá por ato do Delegado ou Inspetor da Receita Federal do Brasil, conforme o artigo 32, § 2º, da Lei 9.430, de 1996, ocorrendo, assim, vício de competência, eis que a desconsideração da imunidade e a exigência das contribuições se deram a partir de ato proferido por agente incompetente para tanto. Por outro lado, diz que, ainda que não se aplicasse o procedimento previsto no artigo 32 da Lei 9.430, de 1996, em vista de não se considerar imunidade tributária, isso apenas como argumento, ressalva, o auto de infração também seria nulo por desrespeito ao procedimento para a cassação de isenções conferidas às entidades beneficentes de assistência social, consoante os artigos 233 e 234 da Instrução Normativa RFB nº 971, de 2009; 3. a nulidade do auto de infração ainda estaria presente por haver cerceamento de defesa, considerando que o mesmo foi lavrado sem que a ela fosse imputada qualquer conduta específica que demonstrasse o não cumprimento dos requisitos para o gozo da isenção. Diz que era preciso a apresentação, no auto de infração, ao menos de um elemento que contrariasse as previsões do artigo 14 do CTN ou do artigo 55 da Lei 8.212, de 1991, caso se entenda pela aplicação deste dispositivo, e não apenas reportar a parecer jurídico do Ministério da Previdência Social, sob pena de violação de seu direito de defesa, e, por via, em ilegalidade do lançamento. Outro fato que contribui para a nulidade do lançamento, de acordo a impugnante, é que, para o período da autuação, a FUNDAÇÃO FELUMA possui o Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social (CEBAS). Diz isso com base na Medida Provisória MP nº 446, de 2008, e no § 11 do artigo 62 da Constituição Federal de 1988, que lhe garantiram a renovação do Certificado para os períodos de 29/12/2003 a 28/12/2006 e de 29/12/2006 e 28/12/2009. Observa que, para o período de 2000 a 2003, também era detentora de Certificado, expedido em final de 2005, porque teria requerido a renovação tempestivamente, com base nos §§ 2º e 3º do artigo 3º do Decreto nº 2.536, de 1998; 4. por fim, e ainda quanto à nulidade do auto de infração, diz que o artigo 241 da Instrução Normativa RFB nº 971, de 2009, reconhece a sua isenção. Para tanto, reporta ao artigo 28 da Medida Provisória 446, de 2008, para dizer que cumpria com todos os requisitos previstos neste dispositivo necessários à isenção do pagamento das contribuições de que tratam os artigos 22 e 23 da Lei 8.212, de 1991. Conclui que o lançamento realizado é um equívoco. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) em Belo Horizonte/MG – por meio do Acórdão 0238.701 da 6a Turma da DRJ/BHE (fls. 320/327) – considerou o lançamento fiscal procedente em parte, eis que houve a constatação de erro material na base de cálculo apurada e, por conseqüência, exclusão em parte de seus valores. A Notificada apresentou recurso, manifestando seu inconformismo pela obrigatoriedade do recolhimento dos valores lançados no auto de infração e no mais efetua as alegações da peça de impugnação, ressaltando que a Recorrente sempre atendeu os requisitos de entidade imune às contribuições previdenciárias. Fl. 375DF CARF MF Impresso em 21/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 17/06/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/06/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 15504.002253/201002 Acórdão n.º 2402003.580 S2C4T2 Fl. 4 5 A Delegacia da Receita Federal do Brasil (DRF) em Belo Horizonte/MG informa que o recurso interposto é tempestivo e encaminha os autos ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) para processamento e julgamento. É o relatório. Fl. 376DF CARF MF Impresso em 21/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 17/06/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/06/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 6 Voto Conselheiro Ronaldo de Lima Macedo, Relator Recurso tempestivo. Faremos, inicialmente, análise do seu conhecimento. No presente lançamento fiscal ora analisado, constam a cota patronal das contribuições previdenciárias, incidentes sobre a remuneração dos segurados empregados e contribuintes individuais. É importante esclarecer que, antes da lavratura do presente lançamento fiscal, a empresa havia ingressado com Mandado de Segurança no 1999.38.00.0209770, interposto na 12a Vara da Justiça Federal – Tribunal Regional Federal da 1a Região (TRF1), objetivando o não pagamento da contribuição social previdenciária. De acordo com as informações constantes da peça recursal, bem como de Consulta Processual no site do Tribunal Regional da Federal da 1a Região (TRF1), o mandado de segurança de nº 1999.38.00.0209770 está “sobrestado com repercussão” junto ao Supremo Tribunal Federal (STF). Assim, considerando a discussão judicial acerca da condição de imunidade da Recorrente, deve a presente análise e decisão restringirse às questões não discutidas em Juízo (âmbito judicial). Tal procedimento está em consonância com o art. 126, § 3o, da Lei 8.213/1991, abaixo transcrito: Art. 126. Das decisões do Instituto Nacional do Seguro Social INSS nos processos de interesse dos beneficiários e dos contribuintes da Seguridade Social caberá recurso para o Conselho de Recursos da Previdência Social, conforme dispuser o Regulamento. (Redação dada pela Lei n° 9.528, de 1997) (...) § 3° A propositura, pelo beneficiário ou contribuinte, de ação que tenha por objeto idêntico pedido sobre o qual versa o processo administrativo importa renúncia ao direito de recorrer na esfera administrativa e desistência do recurso interposto. (Incluído pela Lei n° 9.711, de 20.11.98) (g.n.) Nesse mesmo sentido, esta Corte Administrativa (Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF) pronunciouse por meio do Enunciado no 1 de Súmula Vinculante (Portaria do Ministério da Fazenda no 383, de 14/07/2010), nos seguintes termos: Súmula CARF no 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Fl. 377DF CARF MF Impresso em 21/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 17/06/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/06/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 15504.002253/201002 Acórdão n.º 2402003.580 S2C4T2 Fl. 5 7 Diante desse quadro, faremos análise apenas das matérias não submetidas ao processamento e análise do Poder Judiciário, que se referem, essencialmente, aos seguintes pontos: (i) anular o auto de infração lavrado diante da decisão proferida nos autos do Mandado de Segurança nº 1999.38.00.0209770, não mais suscetível de recursos pela União Federal; e (ii) anular o auto de infração diante dos vícios arguidos na peça recursal. No que tange à alegação de que o lançamento fiscal seja declarado nulo, pois haveria decisão proferida nos autos do Mandado de Segurança nº 1999.38.00.020977 0 não mais suscetível de recursos, entendese que tal alegação não será acatada, pois ainda não ocorreu, de forma definitiva, o trânsito em julgado dessa decisão. Para fins tributários, é bom esclarecer que o trânsito em julgado dessa decisão somente ocorrerá com o esgotamento das vias recursais e do prazo do recurso cabível. Tratase de fenômeno processual decorrente da irrecorribilidade da decisão judicial, fato ainda não evidenciado nos autos do Mandado de Segurança nº 1999.38.00.0209770, o qual está pendente de manifestação do Supremo Tribunal Federal (STF), independentemente da matéria a ser discutida no âmbito daquela Corte Constitucional. Somente com o trânsito em julgado dessa decisão – que ocorrerá após a última manifestação do STF –, proferida nos autos Mandado de Segurança nº 1999.38.00.0209770, é que o seu conteúdo projetará a sua eficácia para fora do processo, repercutindo os seus efeitos neste processo administrativo. Com isso, considerando que o lançamento foi realizado com o intuito, exclusivamente, de prevenir a decadência, mesmo que haja discussão judicial da matéria, o Fisco poderá realizar procedimento de auditoria fiscal e apurar os valores que estão sendo discutidos na via judicial, haja vista a suspensão da exigibilidade do crédito tributário deferida no momento do lançamento fiscal. Com relação à anulação do auto de infração em decorrência de supostos vícios que foram argüidos na peça recursal, esclarecemos que todos eles foram devidamente enfrentados na decisão de primeira instância (Acórdão 0238.701 da 6a Turma da DRJ/BHE, fls. 320/327), cujo conteúdo estou aderindo ao presente voto. Assim, passarei a utilizar o conteúdo anteriormente assentado nessa decisão de primeira instância para explicitar que os seus elementos fáticos e jurídicos serão parte integrante deste Voto, pois tal conteúdo está em conformidade com a legislação tributário previdenciária de vigência (Lei 12.101/2009; Lei 8.212/1991; Decreto 70.235/1972; Lei 5.172/1966, CTN; Constituição Federal), conforme as regras explicitadas nos artigos mencionados no Voto daquela decisão. Isso está em conformidade ao art. 50, § 1o, da Lei 9.784/1999 – diploma que regula o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal –, transcrito abaixo: Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: (...) § 1o. A motivação deve ser explícita, clara e congruente, podendo consistir em declaração de concordância com fundamentos de anteriores pareceres, informações, decisões ou propostas, que, neste caso, serão integrante do ato. (g.n.) Fl. 378DF CARF MF Impresso em 21/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 17/06/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/06/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 8 A decisão de primeira instância registrou no corpo do Voto os seguintes termos: “[...] Pois bem, o auto de infração foi lavrado em 25 de fevereiro de 2010 com a sua formalização, pela ciência do contribuinte, em 05 de março de 2010. À época, a norma procedimental, quanto à suspensão do direito à isenção, e em observância ao § 1º do artigo 144 do CTN (Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966), era a Lei nº 12.101, de 27.11.2009, com vigência a partir de 30.11.2009. De acordo com a Lei nº 12.101, de 2009, em seu artigo 32, e parágrafos, o descumprimento pela entidade dos requisitos inerentes à isenção suspende, automaticamente, o direito, sem haver, pois, a necessidade de prévia Informação Fiscal à entidade, conforme era previsto no § 4º do artigo 55 da Lei nº 8.212, de 1991, c/c os incisos I e II do § 8º do artigo 206 do Regulamento da Previdência Social RPS (aprovado pelo Decreto nº 3.048, de 1999). Por outro, os fatos que demonstram o não atendimento dos requisitos para o gozo da isenção serão relatados no próprio auto de infração, segundo o caput do art. 32 da Lei nº 12.101, de 2009, sendo que o rito para a impugnação é a do Decreto nº 70.235, de 1972, conforme o § 2º do mesmo artigo. Assim, a entidade passará a discutir a perda do direito no auto de infração que exige as contribuições não recolhidas no período do não atendimento dos requisitos, e não mais em Informação Fiscal/Ato Cancelatório de Isenção. Dito isso, e sabendo que a norma de procedimentos que tratava da perda do direito à isenção de contribuições sociais era a Lei nº 8.212, de 1991, substituída, nesse aspecto, pelo Decreto nº 70.235, de 1972, não procede a alegação de defesa quanto à aplicação dos procedimentos previstos na Lei nº 9.430, de 1996, que diz, exclusivamente, de impostos (alínea “c” do inciso VI do art. 150 da Constituição Federal), e não de contribuições sociais. Concluise, portanto, que não mais existe a emissão de Informação Fiscal e a emissão de Ato Cancelatório de Isenção para as contribuições sociais a partir da entrada em vigor da Lei nº 12.101, de 2009, que é a situação, porquanto o auto de infração foi formalizado em 05 de março de 2010. Com isso, também não há objeto em discussão quanto à competência da autoridade administrativa, eis que, conforme já discorrido, não mais se emite Ato Cancelatório de Isenção, mas se lavra o auto de infração. A respeito, e acompanhando as disposições da Lei nº 12.101, de 2009, os artigos 233 e 234 da Instrução Normativa RFB 971, de 2009, na redação posta em impugnação, foram revogados pela Instrução Normativa RFB 1.071, de 15 de setembro de 2010, que passou a escrever: Fl. 379DF CARF MF Impresso em 21/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 17/06/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/06/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 15504.002253/201002 Acórdão n.º 2402003.580 S2C4T2 Fl. 6 9 Art. 233. A partir de 30 de novembro de 2009, deixam de ser emitidos ato declaratório e ato cancelatório de isenção. (g.n.). Art. 234. O processo de cancelamento de isenção pendente de julgamento no âmbito da RFB será encaminhado à unidade competente para verificação do cumprimento dos requisitos de isenção, observados: Registrase, ainda, que não há, para a FUNDAÇÃO FELUMA, processo de cancelamento de isenção pendente de julgamento no âmbito da RFB, já que o Despacho Decisório nº 11.401.4/0010/2007, de 19.04.2007, às fls. 95/97, cancelou a Informação Fiscal (Ofício nº 11.401.1/0083/2005), sem julgamento do mérito, em razão de que o direito ou não à isenção, por parte da FUNDAÇÃO, já estariam sendo discutidos no Judiciário Federal. Nessa mesma razão, qual seja, da renúncia à instância administrativa em relação ao direito à imunidade / isenção, isso com fundamento no artigo 38 da Lei nº 6.830, de 1980, e no § 3º do artigo 126 da Lei nº 8.213, de 1991, bem como no princípio da unidade de jurisdição contida no artigo 5º, XXXV, da Constituição Federal, não poderia, e não pode, a fiscalização trazer para o presente processo os requisitos não cumpridos pela FUNDAÇÃO, inclusive se a mesma possui ou não o Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social CEBAS, ainda que este tenha sido renovado nos termos da MP nº 446, de 2008, e/ou com base no inciso II do artigo 241 da Instrução Normativa RFB nº 971, de 2009, dispositivo também citado em defesa, uma vez que a questão, em relação aos requisitos, é objeto judicial, afetando tanto as contribuições previdenciárias patronais como as contribuições para Terceiros (Outras Entidades e Fundos), estas por força do parágrafo único do artigo 94 da Lei nº 8.212, de 1991, do § 3º do artigo 3º da Lei nº 11.457, de 2007, e do artigo 1º da Lei nº 9.766, de 1998. (...) Nessas considerações, as questões de impugnação relacionadas à nulidade do auto de infração, e as quais dizem do direito ou não à imunidade/isenção, não pertencem ao contencioso administrativo fiscal, sendo isso, inclusive, reconhecido pela impugnante em seu aditamento de fls. 440/441, do processo principal nº 15504.002252/201050, quando requereu a nulidade do lançamento com a alegação de que o desfecho do processo administrativo está vinculado à decisão do mandado de segurança. [...]” Além disso, o conteúdo da peça recursal, nesta parte, tem caráter genérico e protelatório, tratando exclusivamente de questões concernentes aos requisitos da imunidade da cota patronal previdenciária, que, por sua vez, foi objeto da matéria postulada na via judicial (Mandado de Segurança no 1999.38.00.0209770, interposto na 12a Vara da Justiça Federal – TRF1). Fl. 380DF CARF MF Impresso em 21/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 17/06/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/06/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 10 Por fim, pela apreciação do processo e das alegações da Recorrente, não encontramos motivos para decretar a nulidade nem a modificação do lançamento ou da decisão de primeira instância, eis que o lançamento fiscal e a decisão encontramse revestidos das formalidades legais, tendo sido lavrados de acordo com o arcabouço jurídicotributário vigente à época da sua lavratura. CONCLUSÃO: Voto no sentido de CONHECER, em parte, do recurso, para, na parte conhecida, NEGARLHE PROVIMENTO, nos termos do voto. Ronaldo de Lima Macedo. Fl. 381DF CARF MF Impresso em 21/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 17/06/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/06/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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Numero do processo: 13896.001969/2010-92
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 15 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Jun 06 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2006 a 30/06/2007
VALE TRANSPORTE PAGO EM DINHEIRO. DESOBEDIÊNCIA DO ART. 4º DA LEI 7.418/85. PRECEDENTE DO STF QUE DISPENSA A AQUISIÇÃO DOS VALES. SÚMULA AGU.
Conforme dispõe o art. 4º da Lei 7.418/85, a concessão do benefício do vale transporte implica a aquisição pelo empregador dos Vales-Transporte necessários aos deslocamentos do trabalhador no percurso residência-trabalho e vice-versa. Porém, o plenário do Supremo Tribunal Federal (STF), no RE 478.410, transitado em julgado em 02/03/2012, decidiu por unanimidade que a cobrança de contribuição previdenciária sobre o valor pago, em dinheiro, a esse título afronta a Constituição em sua totalidade normativa. Havendo autorização para afastamento da norma legal por inconstitucionalidade no art. 26-A do Decreto 70.235/72 e considerando a existência de Súmula 60 da Advocacia Geral da União (AGU), concluímos, em homenagem ao princípio da eficiência e para evitar a edição de ato administrativo sem finalidade, que o benefício não pode ser incluído na base de cálculo da contribuição previdenciária apenas por ter sido pago em pecúnia.
ALIMENTAÇÃO FORNECIDA PELO EMPREGADOR. INCIDÊNCIA E ISENÇÃO COM REQUISITOS NO INTERESSE DA SAÚDE DO TRABALHADOR. ACATAMENTO DE PARECER DA PGFN EM HOMENAGEM AO PRINCÍPIO DA EFICIÊNCIA.
A alimentação fornecida pelo empregador tem natureza salarial e está no campo da incidência da contribuição previdenciária, mas goza de isenção segundo o requisito legal. O requisito de inscrição no Programa de Alimentação do Trabalhador (PAT) atende à proporcionalidade, pois objetiva proteger a saúde do trabalhador e não representa óbice excessivamente gravoso para a empresa. Sem obediência a tal requisito legal não haveria como reconhecer o direito à isenção. Porém, considerando a existência do Parecer PGFN 2.117/2011 associado aos efeitos do art. 19 da Lei 10.522/2002, concluímos, em homenagem ao princípio da eficiência e para evitar a edição de ato administrativo sem finalidade, que não pode prevalecer a inclusão do benefício na base de cálculo da contribuição apenas motivada pela inexistência de inscrição no PAT.
PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. IMUNIDADE QUANTO À INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA NA REMUNERAÇÃO. FINALIDADES DA LEI REGULADORA.
O benefício fiscal concedido aos pagamentos a título de Participação nos Lucros ou Resultados tem natureza de imunidade quanto à incidência da contribuição previdenciária sobre a remuneração. A lei reguladora da imunidade tem como finalidades contribuir para o combate à fraude - contra os trabalhadores ou contra a solidariedade no financiamento da seguridade social - e para a melhoria da qualidade das relações entre capital e trabalho. Sem o preenchimento dos requisitos legais, não há como reconhecer o benefício fiscal.
MAJORAÇÃO DA MULTA POR DESATENDIMENTO DE INTIMAÇÃO. APLICAÇÃO A FATOS GERADORES ANTERIORES A MP 449. POSSIBILIDADE SOMENTE SE FOR MAIS BENÉFICA AO CONTRIBUINTE.
A majoração da multa de ofício prevista no §2º do art. 44 da Lei 9.430/96 só é aplicável no lançamento das contribuições previdenciárias para fatos geradores anteriores a 12/2008 se esta penalidade revelar-se mais benéfica ao contribuinte em demonstrativo presente nos autos.
LANÇAMENTOS REFERENTES FATOS GERADORES ANTERIORES A MP 449. MULTA MAIS BENÉFICA. APLICAÇÃO DA ALÍNEA C, DO INCISO II, DO ARTIGO 106 DO CTN. LIMITAÇÃO DA MULTA MORA.
A mudança no regime jurídico das multas no procedimento de ofício de lançamento das contribuições previdenciárias por meio da MP 449 enseja a aplicação da alínea c, do inciso II, do artigo 106 do CTN, considerando cada ato ou fato pretérito punido no lançamento. No tocante à multa mora, esta deve ser limitada ao percentual previsto no art. 61 da lei 9.430/96, 20%.
LANÇAMENTOS REFERENTES FATOS GERADORES ANTERIORES A MP 449. MULTA MAIS BENÉFICA. APLICAÇÃO DA ALÍNEA C, DO INCISO II, DO ARTIGO 106 DO CTN. INFRAÇÕES RELATIVAS A GFIP.
A mudança no regime jurídico das multas no procedimento de ofício de lançamento das contribuições previdenciárias por meio da MP 449 enseja a aplicação da alínea c, do inciso II, do artigo 106 do CTN considerando cada ato ou fato pretérito punido no lançamento. No tocante às penalidades relacionadas com a GFIP, deve ser feito o cotejamento entre o novo regime - aplicação do art. 32-A para as infrações relacionadas com a GFIP - e o regime vigente à data do fato gerador - aplicação dos parágrafos do art. 32 da Lei 8.212/91, prevalecendo a penalidade mais benéfica ao contribuinte em atendimento ao art. 106, inciso II, alínea c do CTN.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2301-002.990
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, I) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em manter a multa aplicada; II) Por unanimidade de votos: a) em retirar o agravamento da multa, nos termos do voto do Relator; b) em dar provimento ao recurso nas questões do vale transporte e do auxílio alimentação, nos termos do voto do Relator; c) em negar provimento ao recurso na questão da Participação dos Lucros e Resultados, nos termos do voto do Relator; d) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a).
(assinado digitalmente)
Marcelo Oliveira - Presidente.
(assinado digitalmente)
Mauro José Silva - Relator.
Participaram do presente julgamento a Conselheira Bernadete de Oliveira Barros, bem como os Conselheiros Leonardo Henrique Pires Lopes, Damião Cordeiro de Moraes, Wilson Antonio de Souza Correa, Mauro José Silva e Marcelo Oliveira.
Nome do relator: MAURO JOSE SILVA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2006 a 30/06/2007 VALE TRANSPORTE PAGO EM DINHEIRO. DESOBEDIÊNCIA DO ART. 4º DA LEI 7.418/85. PRECEDENTE DO STF QUE DISPENSA A AQUISIÇÃO DOS VALES. SÚMULA AGU. Conforme dispõe o art. 4º da Lei 7.418/85, a concessão do benefício do vale transporte implica a aquisição pelo empregador dos Vales-Transporte necessários aos deslocamentos do trabalhador no percurso residência-trabalho e vice-versa. Porém, o plenário do Supremo Tribunal Federal (STF), no RE 478.410, transitado em julgado em 02/03/2012, decidiu por unanimidade que a cobrança de contribuição previdenciária sobre o valor pago, em dinheiro, a esse título afronta a Constituição em sua totalidade normativa. Havendo autorização para afastamento da norma legal por inconstitucionalidade no art. 26-A do Decreto 70.235/72 e considerando a existência de Súmula 60 da Advocacia Geral da União (AGU), concluímos, em homenagem ao princípio da eficiência e para evitar a edição de ato administrativo sem finalidade, que o benefício não pode ser incluído na base de cálculo da contribuição previdenciária apenas por ter sido pago em pecúnia. ALIMENTAÇÃO FORNECIDA PELO EMPREGADOR. INCIDÊNCIA E ISENÇÃO COM REQUISITOS NO INTERESSE DA SAÚDE DO TRABALHADOR. ACATAMENTO DE PARECER DA PGFN EM HOMENAGEM AO PRINCÍPIO DA EFICIÊNCIA. A alimentação fornecida pelo empregador tem natureza salarial e está no campo da incidência da contribuição previdenciária, mas goza de isenção segundo o requisito legal. O requisito de inscrição no Programa de Alimentação do Trabalhador (PAT) atende à proporcionalidade, pois objetiva proteger a saúde do trabalhador e não representa óbice excessivamente gravoso para a empresa. Sem obediência a tal requisito legal não haveria como reconhecer o direito à isenção. Porém, considerando a existência do Parecer PGFN 2.117/2011 associado aos efeitos do art. 19 da Lei 10.522/2002, concluímos, em homenagem ao princípio da eficiência e para evitar a edição de ato administrativo sem finalidade, que não pode prevalecer a inclusão do benefício na base de cálculo da contribuição apenas motivada pela inexistência de inscrição no PAT. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. IMUNIDADE QUANTO À INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA NA REMUNERAÇÃO. FINALIDADES DA LEI REGULADORA. O benefício fiscal concedido aos pagamentos a título de Participação nos Lucros ou Resultados tem natureza de imunidade quanto à incidência da contribuição previdenciária sobre a remuneração. A lei reguladora da imunidade tem como finalidades contribuir para o combate à fraude - contra os trabalhadores ou contra a solidariedade no financiamento da seguridade social - e para a melhoria da qualidade das relações entre capital e trabalho. Sem o preenchimento dos requisitos legais, não há como reconhecer o benefício fiscal. MAJORAÇÃO DA MULTA POR DESATENDIMENTO DE INTIMAÇÃO. APLICAÇÃO A FATOS GERADORES ANTERIORES A MP 449. POSSIBILIDADE SOMENTE SE FOR MAIS BENÉFICA AO CONTRIBUINTE. A majoração da multa de ofício prevista no §2º do art. 44 da Lei 9.430/96 só é aplicável no lançamento das contribuições previdenciárias para fatos geradores anteriores a 12/2008 se esta penalidade revelar-se mais benéfica ao contribuinte em demonstrativo presente nos autos. LANÇAMENTOS REFERENTES FATOS GERADORES ANTERIORES A MP 449. MULTA MAIS BENÉFICA. APLICAÇÃO DA ALÍNEA C, DO INCISO II, DO ARTIGO 106 DO CTN. LIMITAÇÃO DA MULTA MORA. A mudança no regime jurídico das multas no procedimento de ofício de lançamento das contribuições previdenciárias por meio da MP 449 enseja a aplicação da alínea c, do inciso II, do artigo 106 do CTN, considerando cada ato ou fato pretérito punido no lançamento. No tocante à multa mora, esta deve ser limitada ao percentual previsto no art. 61 da lei 9.430/96, 20%. LANÇAMENTOS REFERENTES FATOS GERADORES ANTERIORES A MP 449. MULTA MAIS BENÉFICA. APLICAÇÃO DA ALÍNEA C, DO INCISO II, DO ARTIGO 106 DO CTN. INFRAÇÕES RELATIVAS A GFIP. A mudança no regime jurídico das multas no procedimento de ofício de lançamento das contribuições previdenciárias por meio da MP 449 enseja a aplicação da alínea c, do inciso II, do artigo 106 do CTN considerando cada ato ou fato pretérito punido no lançamento. No tocante às penalidades relacionadas com a GFIP, deve ser feito o cotejamento entre o novo regime - aplicação do art. 32-A para as infrações relacionadas com a GFIP - e o regime vigente à data do fato gerador - aplicação dos parágrafos do art. 32 da Lei 8.212/91, prevalecendo a penalidade mais benéfica ao contribuinte em atendimento ao art. 106, inciso II, alínea c do CTN. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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PREV VALE TRANSPORTE EM PECÚNIA ALIMENTAÇÃO SEM PAT PLR DIFERENÇAS DE DISSÍDIO Recorrente GP TECCALL SERVIÇOS DE TELEMARKETING LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2006 a 30/06/2007 VALE TRANSPORTE PAGO EM DINHEIRO. DESOBEDIÊNCIA DO ART. 4º DA LEI 7.418/85. PRECEDENTE DO STF QUE DISPENSA A AQUISIÇÃO DOS VALES. SÚMULA AGU. Conforme dispõe o art. 4º da Lei 7.418/85, a concessão do benefício do vale transporte implica a aquisição pelo empregador dos ValesTransporte necessários aos deslocamentos do trabalhador no percurso residênciatrabalho e viceversa. Porém, o plenário do Supremo Tribunal Federal (STF), no RE 478.410, transitado em julgado em 02/03/2012, decidiu por unanimidade que a cobrança de contribuição previdenciária sobre o valor pago, em dinheiro, a esse título afronta a Constituição em sua totalidade normativa. Havendo autorização para afastamento da norma legal por inconstitucionalidade no art. 26A do Decreto 70.235/72 e considerando a existência de Súmula 60 da Advocacia Geral da União (AGU), concluímos, em homenagem ao princípio da eficiência e para evitar a edição de ato administrativo sem finalidade, que o benefício não pode ser incluído na base de cálculo da contribuição previdenciária apenas por ter sido pago em pecúnia. ALIMENTAÇÃO FORNECIDA PELO EMPREGADOR. INCIDÊNCIA E ISENÇÃO COM REQUISITOS NO INTERESSE DA SAÚDE DO TRABALHADOR. ACATAMENTO DE PARECER DA PGFN EM HOMENAGEM AO PRINCÍPIO DA EFICIÊNCIA. A alimentação fornecida pelo empregador tem natureza salarial e está no campo da incidência da contribuição previdenciária, mas goza de isenção segundo o requisito legal. O requisito de inscrição no Programa de Alimentação do Trabalhador (PAT) atende à proporcionalidade, pois objetiva proteger a saúde do trabalhador e não representa óbice excessivamente gravoso para a empresa. Sem obediência a tal requisito legal não haveria como reconhecer o direito à isenção. Porém, considerando a existência do AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 89 6. 00 19 69 /2 01 0- 92 Fl. 82DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 15/01/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 13896.001969/201092 Acórdão n.º 2301002.990 S2C3T1 Fl. 78,5 2 Parecer PGFN 2.117/2011 associado aos efeitos do art. 19 da Lei 10.522/2002, concluímos, em homenagem ao princípio da eficiência e para evitar a edição de ato administrativo sem finalidade, que não pode prevalecer a inclusão do benefício na base de cálculo da contribuição apenas motivada pela inexistência de inscrição no PAT. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. IMUNIDADE QUANTO À INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA NA REMUNERAÇÃO. FINALIDADES DA LEI REGULADORA. O benefício fiscal concedido aos pagamentos a título de Participação nos Lucros ou Resultados tem natureza de imunidade quanto à incidência da contribuição previdenciária sobre a remuneração. A lei reguladora da imunidade tem como finalidades contribuir para o combate à fraude contra os trabalhadores ou contra a solidariedade no financiamento da seguridade social e para a melhoria da qualidade das relações entre capital e trabalho. Sem o preenchimento dos requisitos legais, não há como reconhecer o benefício fiscal. MAJORAÇÃO DA MULTA POR DESATENDIMENTO DE INTIMAÇÃO. APLICAÇÃO A FATOS GERADORES ANTERIORES A MP 449. POSSIBILIDADE SOMENTE SE FOR MAIS BENÉFICA AO CONTRIBUINTE. A majoração da multa de ofício prevista no §2º do art. 44 da Lei 9.430/96 só é aplicável no lançamento das contribuições previdenciárias para fatos geradores anteriores a 12/2008 se esta penalidade revelarse mais benéfica ao contribuinte em demonstrativo presente nos autos. LANÇAMENTOS REFERENTES FATOS GERADORES ANTERIORES A MP 449. MULTA MAIS BENÉFICA. APLICAÇÃO DA ALÍNEA “C”, DO INCISO II, DO ARTIGO 106 DO CTN. LIMITAÇÃO DA MULTA MORA. A mudança no regime jurídico das multas no procedimento de ofício de lançamento das contribuições previdenciárias por meio da MP 449 enseja a aplicação da alínea “c”, do inciso II, do artigo 106 do CTN, considerando cada ato ou fato pretérito punido no lançamento. No tocante à multa mora, esta deve ser limitada ao percentual previsto no art. 61 da lei 9.430/96, 20%. LANÇAMENTOS REFERENTES FATOS GERADORES ANTERIORES A MP 449. MULTA MAIS BENÉFICA. APLICAÇÃO DA ALÍNEA “C”, DO INCISO II, DO ARTIGO 106 DO CTN. INFRAÇÕES RELATIVAS A GFIP. A mudança no regime jurídico das multas no procedimento de ofício de lançamento das contribuições previdenciárias por meio da MP 449 enseja a aplicação da alínea “c”, do inciso II, do artigo 106 do CTN considerando cada ato ou fato pretérito punido no lançamento. No tocante às penalidades relacionadas com a GFIP, deve ser feito o cotejamento entre o novo regime aplicação do art. 32A para as infrações relacionadas com a GFIP e o regime vigente à data do fato gerador aplicação dos parágrafos do art. 32 da Lei 8.212/91, prevalecendo a penalidade mais benéfica ao contribuinte em atendimento ao art. 106, inciso II, alínea “c” do CTN. Fl. 83DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 15/01/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 13896.001969/201092 Acórdão n.º 2301002.990 S2C3T1 Fl. 79 3 Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em manter a multa aplicada; II) Por unanimidade de votos: a) em retirar o agravamento da multa, nos termos do voto do Relator; b) em dar provimento ao recurso nas questões do vale transporte e do auxílio alimentação, nos termos do voto do Relator; c) em negar provimento ao recurso na questão da Participação dos Lucros e Resultados, nos termos do voto do Relator; d) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Presidente. (assinado digitalmente) Mauro José Silva Relator. Participaram do presente julgamento a Conselheira Bernadete de Oliveira Barros, bem como os Conselheiros Leonardo Henrique Pires Lopes, Damião Cordeiro de Moraes, Wilson Antonio de Souza Correa, Mauro José Silva e Marcelo Oliveira. Fl. 84DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 15/01/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 13896.001969/201092 Acórdão n.º 2301002.990 S2C3T1 Fl. 79,5 4 Relatório Registramos que serão julgados nesta sessão de julgamento o Auto de Infração de exigência de obrigação principal – AIOP (13896.001968/201048; DEBCAD nº 37.288.5942) e os juntados por apensação os processos nº 13896.001969/201092 (DEBCAD nº 37.288.5950), nº 13896.001970/201017 (DEBCAD nº 37.288.5969) e nº 13896.001977/201039 (DEBCAD nº 37.276.3154), este último por descumprimento de obrigação acessória – AIOA. O lançamento nº 37.288.5950, lavrado em 23/08/2010, constituiu crédito tributário relativo de contribuições sociais devidas à seguridade social, relativas à parte do empregado, incidentes sobre as remunerações pagas a estes conforme os levantamentos que serão a seguir relacionados, no período de 01/2006 a 06/2007, tendo resultado na constituição do crédito tributário de R$ 49.795,63, fls. 01. Conforme consta do Acórdão a quo, o lançamento é composto pelos seguintes levantamentos: PR1 Participação de Resultados (SC Salário de Contribuição) referente aos valores pagos aos segurados empregados a título de participação nos lucros e resultados, período de 01/2006 a 05/2006; FP e FP1 Folha de Pagamento (SC Salário de Contribuição) referente a valores pagos em folha aos segurados empregados, período de 01/2006 a 06/2007; DD1 Diferença de Dissídio (SC Salário de Contribuição) referente a uma diferença paga aos segurados empregados, no período de 01/2006 a 05/2006; VT e VT1 Vale Transporte (SC Salário de Contribuição) referente a valores pagos aos segurados empregados como vale transporte, período de 01/2006 a 06/2007; VR e VR1 Vale Alimentação (SC Salário de Contribuição) referente ao fornecimento de alimentação sem o PAT, período de 01/2006 a 06/2007; O desdobramento dos lançamentos referentes aos fatos geradores em dois diferentes lançamentos (FP/FP1, VT/VT1 e VR/VR1), deveuse à diferença na aplicação da multa. Os valores correspondentes aos levantamentos FP,VT e VR, são aqueles em que prevaleceu o valor da multa aplicada conforme a legislação anterior a dezembro de 2008. Os valores correspondentes aos levantamentos FP1, VT1 e VR1, são aqueles em que foi aplicada a multa conforme a legislação atual, embora os fatos geradores tenham ocorrido em competências anteriores a dezembro de 2008. Fl. 85DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 15/01/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 13896.001969/201092 Acórdão n.º 2301002.990 S2C3T1 Fl. 80 5 A fiscalização motivou o lançamento de acordo com os levantamentos da seguinte maneira: PR1 – não havia regulamentação do pagamento da participação nos resultados conforme exige a lei; DD1 – diferenças de dissídio; VT e VT1 vale transporte pago em pecúnia; VR e VR1 – Vale refeição foi pago sem inscrição no PAT; Após tomar ciência pessoal da autuação em 07/08/2010, fls. 01(processo original), a recorrente apresentou impugnação, fls. 229/234, na qual apresentou argumentos similares aos constantes do recurso voluntário. A 7ª Turma da DRJ/Campinas, no Acórdão de fls. 351/361, julgou a impugnação improcedente, tendo a recorrente sido cientificada do decisório em 05/10/2011, fls. 390. O recurso voluntário, apresentado em 04/11/2011, fls. 410/424, apresentou argumentos conforme a seguir resumimos. Inicia insistindo que fez a opção pelo SIMPLES. Teria feito vários recolhimentos por tal sistemática e só posteriormente teria tido seu pedido indeferido. Se o fisco aceitou os pagamentos, estes são válidos e a opção deve ser respeitada, nada havendo, conseqüentemente, de equivocado em suas Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações Previdência Social (GFIP). Entende indevida a inclusão dos pagamentos a título de vale transporte na base de cálculo, uma vez presente a natureza indenizatória da verba. A inscrição no PAT seria irrelevante para a isenção dos valores pagos a título de auxílio alimentação. Defende a aplicação imediata do art. 7º inciso XI da Constituição Federal (CF). Quanto ao SAT, argumenta ainda que a definição de grau de risco não poderia ser feita por Decreto. É o relatório. Fl. 86DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 15/01/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 13896.001969/201092 Acórdão n.º 2301002.990 S2C3T1 Fl. 80,5 6 Voto Conselheiro Mauro José Silva Reconhecemos a tempestividade do recurso apresentado e dele tomamos conhecimento. A recorrente alega que fez a opção do SIMPLES por meio dos pagamentos mensais que realizou. Porém, a fiscalização apurou que esta nunca fez a opção nos moldes previstos na legislação. A pretensão da recorrente de um enquadramento automático não encontra respaldo nas leis que regem a sistemática do SIMPLES. Os arts. 8º a 13º da Lei 9.317/96 (aplicável ao caso) prescrevem as condições de opção e de exclusão no SIMPLES, afastando a possibilidade de enquadramento por meio de pagamentos como quer a recorrente. Passamos a enfrentar os argumentos da recorrente em relação aos fatos geradores constantes do lançamento. Vale transporte. Requisitos para a isenção. Possibilidade de pagamento em pecúnia. O transporte concedido pelo empregador ao empregado em deslocamento para o trabalho era considerado salárioutilidade até a alteração da CLT em 06/2001 pela Lei 10.243/2001. A partir desse diploma normativo, tal utilidade deixou de ser considerada salário, mas não perdeu sua condição de utilidade fornecida pela empregador, o que ainda a deixa no campo da incidência da contribuição previdenciária, conforme a segunda parte do inciso I, do art. 28 da Lei 8.212/91. No entanto, o empregador poderá desfrutar da isenção prevista na alínea “f”, §9º do art. 28, desde que o vale transporte obedeça a legislação própria. Foi a Lei 7.418/85 que instituiu o vale transporte e que disciplina as condições para sua concessão. A imensa maioria da jurisprudência e da doutrina tem concluído que nesta lei existe a exigência de que o empregador faça o desconto de 6% do salário base do empregado como requisito para desfrute da isenção. Com a devida vênia, não conseguimos assim concluir. Vejamos o texto de alguns dispositivos da lei: Art. 2º O ValeTransporte, concedido nas condições e limites definidos, nesta Lei, no que se refere à contribuição do empregador: (Artigo renumerado pela Lei 7.619, de 30.9.1987) a) não tem natureza salarial, nem se incorpora à remuneração para quaisquer efeitos; (...) Fl. 87DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 15/01/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 13896.001969/201092 Acórdão n.º 2301002.990 S2C3T1 Fl. 81 7 Art. 4º A concessão do benefício ora instituído implica a aquisição pelo empregador dos ValesTransporte necessários aos deslocamentos do trabalhador no percurso residência trabalho e viceversa, no serviço de transporte que melhor se adequar. (Artigo renumerado pela Lei 7.619, de 30.9.1987) (Vide Medida Provisória nº 2.18949, de 2001) (Vide Medida Provisória nº 280, de 2006) Parágrafo único O empregador participará dos gastos de deslocamento do trabalhador com a ajuda de custo equivalente à parcela que exceder a 6% (seis por cento) de seu salário básico. No art. 2º acima transcrito vemos que a parte custeada pelo empregador não tem natureza salarial, ao passo que no art. 4º temos a determinação de que o empregador custeará aquilo que exceder 6% do salário básico do empregado. Em outras palavras, o empregado deve suportar o custo do vale transporte com seu próprio salário até o limite de 6%. Não interpretamos existir no art. 4º uma condição expressa para o desfrute da isenção, mas uma delimitação daquilo que será custeado pelo empregado e daquilo que será custeado pelo empregador. Se o empregador resolve, por vontade própria ou por força de acordo coletivo, nada descontar do empregado, equivale a ter concedido uma nova parcela salarial ao empregado, mas não na totalidade do valor pago a título de vale transporte, mas somente até 6% do salário base, pois é esta parte que o empregado deve suportar. A parcela que exceder 6% ainda continuará custeada pelo empregador. Com relação ao requisitos para a isenção, vislumbramos estarem estes nos arts. 1º e 4º da Lei 7.418/85: · utilização efetiva em despesas de deslocamento residênciatrabalho e viceversa; · utilização através do sistema de transporte coletivo público, urbano ou intermunicipal e/ou interestadual com características semelhantes aos urbanos, geridos diretamente ou mediante concessão ou permissão de linhas regulares e com tarifas fixadas pela autoridade competente, excluídos os serviços seletivos e os especiais; · não serem pagos em dinheiros, uma vez que o art. 4º fala em aquisição de Vales Transporte, o que afasta a possibilidade de o valor respectivo ser entregue em moeda ao trabalhador. Esse último requisito conflito com o que decidiu o STF no RE 478.410, in verbis: RE 478410 / SP SÃO PAULO EMENTA: RECURSO EXTRAORDINÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INCIDÊNCIA. VALETRANSPORTE. MOEDA. CURSO LEGAL E CURSO FORÇADO. CARÁTER Fl. 88DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 15/01/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 13896.001969/201092 Acórdão n.º 2301002.990 S2C3T1 Fl. 81,5 8 NÃO SALARIAL DO BENEFÍCIO. ARTIGO 150, I, DA CONSTITUIÇÃO DO BRASIL. CONSTITUIÇÃO COMO TOTALIDADE NORMATIVA. 1. Pago o benefício de que se cuida neste recurso extraordinário em valetransporte ou em moeda, isso não afeta o caráter não salarial do benefício. 2. A admitirmos não possa esse benefício ser pago em dinheiro sem que seu caráter seja afetado, estaríamos a relativizar o curso legal da moeda nacional. 3. A funcionalidade do conceito de moeda revelase em sua utilização no plano das relações jurídicas. O instrumento monetário válido é padrão de valor, enquanto instrumento de pagamento sendo dotado de poder liberatório: sua entrega ao credor libera o devedor. Poder liberatório é qualidade, da moeda enquanto instrumento de pagamento, que se manifesta exclusivamente no plano jurídico: somente ela permite essa liberação indiscriminada, a todo sujeito de direito, no que tange a débitos de caráter patrimonial. 4. A aptidão da moeda para o cumprimento dessas funções decorre da circunstância de ser ela tocada pelos atributos do curso legal e do curso forçado. 5. A exclusividade de circulação da moeda está relacionada ao curso legal, que respeita ao instrumento monetário enquanto em circulação; não decorre do curso forçado, dado que este atinge o instrumento monetário enquanto valor e a sua instituição [do curso forçado] importa apenas em que não possa ser exigida do poder emissor sua conversão em outro valor. 6. A cobrança de contribuição previdenciária sobre o valor pago, em dinheiro, a título de valestransporte, pelo recorrente aos seus empregados afronta a Constituição, sim, em sua totalidade normativa. Recurso Extraordinário a que se dá provimento. A referida decisão do STF transitou em julgado em 02/03/2012. Ademais, existe a Súmula AGU 60, in verbis: Ementa: "Não há incidência de contribuição previdenciária sobre o valetransporte pago em pecúnia, considerando o caráter indenizatório da verba". Logo, a insistência na tese da incidência no caso de pagamento em pecúnia do benefício, atentaria contra o princípio da eficiência e da moralidade administrativa, bem como resultaria na emissão de ato administrativo sem finalidade, portanto nulo, pois o próprio órgão encarregado da defesa da União no Poder Judiciário já admitiu a tese não incidência. Diante disso, concluímos que os valores entregues em pecúnia ao empregado ma título de vale transporte não podem, por esse motivo, integrar a base de cálculo da contribuição previdenciária. Auxílio alimentação. Necessidade de inscrição no PAT. Alinhamento com Parecer PGFN. Princípio da eficiência. Fl. 89DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 15/01/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 13896.001969/201092 Acórdão n.º 2301002.990 S2C3T1 Fl. 82 9 Conforme previsto no caput do art. 458 da CLT, a alimentação fornecida ao trabalhador está compreendida no conceito de salário. Apesar do dispositivo legal suscitar poucas dúvidas, temos que acrescentar que o Tribunal Superior do Trabalho (TST) já editou a Súmula 241 sobre o assunto, in verbis: Súmula Nº 241 do TST SALÁRIOUTILIDADE. ALIMENTAÇÃO O vale para refeição, fornecido por força do contrato de trabalho, tem caráter salarial, integrando a remuneração do empregado, para todos os efeitos legais. Estando compreendida no conceito de salário, é verba que está no campo de incidência da contribuição previdenciária. No entanto, quis o legislador, no art. 28, §9º, alínea “c” instituir uma isenção para a alimentação concedida in natura, ou seja, para a alimentação fornecida pela própria empresa. Como requisito para o gozo da isenção, foi estabelecido que a parcela in natura seja “recebida de acordo com os programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social, nos termos da Lei nº 6.321, de 14 de abril de 1976”. A referida Lei, em seu art. 3º, traz texto similar à Lei 8.212/91, conforme segue: Art 3º Não se inclui como salário de contribuição a parcela paga in natura , pela empresa, nos programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho. Vêse, pois, que a exigência de que a alimentação fornecida in natura esteja de acordo com programa de alimentação aprovado pelo Ministério do trabalho tem dupla previsão legal. Tal constatação, por si só, já seria suficiente para afastarmos qualquer possibilidade de afastarmos, na aplicação da lei, a exigência de tal requisito para o reconhecimento da isenção. No entanto, a título argumentativo, compulsamos a legislação do Ministério do Trabalho que trata do assunto para verificarmos quais as exigências do referido programa, de modo a concluirmos se seriam exigências que atendem ao princípio da proporcionalidade. No art 1º da Portaria 03/2002 há a previsão de que o Programa de Alimentação do Trabalhador “tem por objetivo a melhoria da situação nutricional dos trabalhadores, visando a promover sua saúde e prevenir as doenças profissionais.”. Notase, portanto, que a regulamentação do PAT traz em si uma preocupação com o bem estar dos trabalhadores. Nesse sentido, o art 5º da mesma Portaria estabelece critérios para garantir que o trabalhador receba uma alimentação saudável, com respeito aos alimentos regionais e ao significado socioeconômico e cultural dos vários alimentos. Prossegue a norma infralegal com preocupações sobre os macronutrientes que devem estar contidos em cada uma das refeições do dia. Quanto às formalidades necessárias para adesão ao PAT, não vislumbramos serem demasiadamente excessivas de modo a, consideradas as finalidades de interesse público do PAT, ferirem a proporcionalidade. Fl. 90DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 15/01/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 13896.001969/201092 Acórdão n.º 2301002.990 S2C3T1 Fl. 82,5 10 A necessidade de obediência ao PAT, portanto, é uma exigência legal para o benefício da isenção que tem objetivo proteger o trabalhador, evitando que o empregador forneça alimentação inadequada para sua saúde e bem estar, e que foi regulada atendendo ao princípio da proporcionalidade. Desconsiderar a adesão ao PAT, além de afrontar o texto legal, é operar em desfavor do trabalhador na medida em que implicaria afastar norma que tenta preservar sua saúde. A par disso, não ignoramos que o STJ tem jurisprudência que afasta a incidência da contribuição previdenciária sobre a alimentação in natura, estando ou não a empresa vinculada ao PAT. No entanto, ao analisarmos os vários Acórdãos nesse sentido, observamos, mais uma vez, um encadeamento de referências a precedentes que acabam por tomar como leading case o RESP 85.306DF de 1996 com a seguinte ementa: CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. ALIMENTAÇÃO FORNECIDA POR EMPRESA.PROGRAMA DE ALIMENTAÇÃO AO TRABALHADOR (PAT). NATUREZA NÃO SALARIAL. REEXAME DE PROVAS. IMPOSSIBILIDADE PELA VIA ELEITA DO ESPECIAL. I AFIGURASE ESCORREITO O V. ACÓRDÃO VERGASTADO AO DECIDIR QUE A ALIMENTAÇÃO PAGA, ESTEJA O EMPREGADOR INSCRITO OU NÃO NO PROGRAMA DE ALIMENTAÇÃO DO TRABALHADOR (PAT), NÃO E SALÁRIO "IN NATURA", NÃO E SALÁRIO UTILIDADE, POR ISSO QUE NÃO PODE, NUM OU NOUTRO CASO, HAVER INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. ADEMAIS, NÃO E O RECURSO ESPECIAL O MEIO HABIL PARA REEXAMINAR PROVAS. II RECURSO NÃO CONHECIDO. Indo além da ementa, o voto condutor do leading case assumiu as conclusões do Parecer do Ministério Público Federal que fez considerações sobre a alimentação fornecida de maneira não gratuita aos funcionários de uma empresa. Ora, é fora de dúvidas que se o trabalhador paga pela alimentação que recebe, não podemos cogitar que isso seja salário. Não sendo salário, não seria mesmo necessário cogitar da inscrição ou não no PAT, pois não faz parte do campo de incidência da contribuição previdenciária. Mas veja que o leading case, tantas vezes repetido no STJ, tratava de uma situação específica de alimentação paga pelo trabalhador e não pela empresa em benefício do trabalhador. Apesar disso, a partir de tal Acórdão foram se multiplicando os Acórdãos que tomavam tal decisum como precedente para, em situação diversa, não exigir o registro no PAT em casos de alimentação in natura fornecidas gratuitamente ao trabalhador. Escapando da reiterada confusão, o RESP 476.194 fez uma clara distinção da situação para a qual não se exige o PAT: REsp 476194 / PR TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. EMPREGADOR NÃO INSCRITO NO PROGRAMA DE ALIMENTAÇÃO AO TRABALHADOR. FORNECIMENTO DE REFEIÇÕES DECORRENTE DE Fl. 91DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 15/01/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 13896.001969/201092 Acórdão n.º 2301002.990 S2C3T1 Fl. 83 11 CONVENÇÃO COLETIVA DE TRABALHO. NÃO INCIDÊNCIA. TAXA SELIC. 1. Empresa não cadastrada no Programa de Alimentação ao Trabalhador não faz jus aos benefícios fiscais previstos na Lei 6.321/76, que exclui o custo da alimentação fornecida pelo empregador da parcela incorporada ao salário para fins de contribuição previdenciária. 2. Fornecida a alimentação pelo empregador não inscrito no PAT e havendo desconto do salário do empregado que a usufrui, para cobrir custos dos alimentos auferidos, não se caracteriza como salário in natura, e, por isso, como salário de contribuição para a receita da seguridade. Por outro lado, não sendo integral o pagamento da refeição, fica caracterizada como parcela salarial a diferença do que foi pago, integrando este excedente a base de cálculo da contribuição previdenciária. 3. É pacífico na jurisprudência da Corte o entendimento segundo o qual é legítima a incidência, tanto na cobrança de dívida fiscal,quanto na repetição de indébito tributário, da Taxa SELIC. 4. Recurso especial a que se nega provimento. Lamentavelmente, o Acórdão acima não prevaleceu, tendo sido objeto de Embargos de divergência que acabaram por retomar o conteúdo da jurisprudência reiterada que não exige a inscrição no PAT. De nossa parte, com a devida vênia, assinalamos que a repetida jurisprudência do STJ que dispensa a vinculação ao PAT em qualquer caso está amparada em premissa específica que não permitiria sua aplicação genérica como vem sendo feita. Assim, nossa posição é, seguindo a expressa determinação legal, no sentido de exigir a inscrição no PAT como requisito para desfrutar da isenção em relação à alimentação in natura. A posição acima registrada diz respeito ao mérito da discussão sem considerar os efeitos do art. 19 da Lei 10.522/2002 e o princípio da eficiência. A respeito da incidência da contribuição previdenciária sobre o seguro em vida em grupo temos que considerar o teor do Parecer PGFN/CRJ/Nº 2.117/2011, aprovado pelo Ministro da Fazenda em Despacho de 24/11/2011, que concluiu pela dispensa de apresentação de contestação, de interposição de recursos e pela desistência dos já interpostos, desde que inexista outro fundamento relevante, com relação às ações judiciais que visem obter a declaração de que sobre o pagamento in natura do auxílioalimentação não há incidência de contribuição previdenciária. Diante da existência do Parecer PGFN aprovado pelo Ministro da Fazenda, ocorrerão os efeitos do art. 19 da Lei 10.522/2002, in verbis: Art. 19. Fica a ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional autorizada a não contestar, a não interpor recurso ou a desistir do que tenha sido interposto, desde que inexista outro fundamento relevante, na hipótese de a decisão versar sobre: (Redação dada pela Lei nº 11.033, de 2004) Fl. 92DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 15/01/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 13896.001969/201092 Acórdão n.º 2301002.990 S2C3T1 Fl. 83,5 12 I matérias de que trata o art. 18; II matérias que, em virtude de jurisprudência pacífica do Supremo Tribunal Federal, ou do Superior Tribunal de Justiça, sejam objeto de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, aprovado pelo Ministro de Estado da Fazenda. § 1o Nas matérias de que trata este artigo, o Procurador da Fazenda Nacional que atuar no feito deverá, expressamente, reconhecer a procedência do pedido, quando citado para apresentar resposta, hipótese em que não haverá condenação em honorários, ou manifestar o seu desinteresse em recorrer, quando intimado da decisão judicial. (Redação dada pela Lei nº 11.033, de 2004) § 2o A sentença, ocorrendo a hipótese do § 1o, não se subordinará ao duplo grau de jurisdição obrigatório. § 3o Encontrandose o processo no Tribunal, poderá o relator da remessa negarlhe seguimento, desde que, intimado o Procurador da Fazenda Nacional, haja manifestação de desinteresse. § 4o A Secretaria da Receita Federal não constituirá os créditos tributários relativos às matérias de que trata o inciso II do caput deste artigo. (Redação dada pela Lei nº 11.033, de 2004) § 5o Na hipótese de créditos tributários já constituídos, a autoridade lançadora deverá rever de ofício o lançamento, para efeito de alterar total ou parcialmente o crédito tributário, conforme o caso. (Redação dada pela Lei nº 11.033, de 2004) Do dispositivo acima transcrito, extraímos a conclusão de que a Secretaria da Receita Federal do Brasil irá rever de ofício o lançamento que tratar de matérias objeto de parecer da PGFN aprovado pelo Ministro. Ou seja, ainda que o CARF decida pela manutenção do lançamento nesse aspecto, o crédito tributário não prevalecerá para inscrição em dívida ativa. Se insistirmos em expressar nossa posição de mérito em Acórdão do Colegiado, tal ato administrativo restará desprovido de finalidade e em dissonância com o princípio da eficiência. Portanto, mesmo não concordando com as conclusões do referido Parecer PGFN, adotaremo las para evitarmos a emissão de um ato administrativo (Acórdão) sem finalidade e em homenagem ao princípio da eficiência. Assim, votamos por excluir da base de cálculo os valores do auxílio alimentação pago in natura. Participação nos resultados. Requisitos. Inicio a análise do litígio sobre a participação nos resultados posicionando me sobre a natureza jurídica do benefício fiscal concedido aos pagamentos a esse título. Fl. 93DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 15/01/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 13896.001969/201092 Acórdão n.º 2301002.990 S2C3T1 Fl. 84 13 Definir a natureza jurídica do benefício fiscal será crucial para adotarmos a metodologia jurídica de interpretação, pois , como sabemos, para a isenção o CTN exige uma interpretação literal, ou seja, veda uma interpretação analógica ou extensiva, preferindo a interpretação restritiva dentro do sentido possível das palavras. Ainda que isso não represente uma exclusividade do método literal ou gramatical na interpretação da isenção – tarefa hermenêutica impossível diante da pluralidade de sentidos do conteúdo de algumas normas isencionais , a interpretação da isenção deve buscar o sentido mais restritivo da norma. Por outro lado, para a imunidade o processo interpretativo é livre para percorrer todos os métodos – literal, histórico, sistemático e teleológico. É nesse sentido a lição de Amílcar de Araújo Falcão (FALCÃO, Amílcar de Araújo. Fato Gerador da obrigação tributária. São Paulo: Revista dos tribunais, 1977, p. 120 121): “A distinção [entre não incidência, imunidade e isenção], além da importância que possui sob o ponto de vista doutrinário ou teórico, tem conseqüências práticas importantes, no que se refere à interpretação. É que, sendo a isenção uma exceção à regra de que, havendo incidência, deve ser exigido o tributo, a interpretação dos preceitos que estabeleçam isenção deve ser estrita, restritiva. Inversamente, a interpretação, quer nos casos de incidência, quer nos de nãoincidência, que, portanto, nos de imunidade, é ampla, no sentido de que todos os métodos, inclusive o sistemático, o teleológico etc., são admitidos”. Adotamos, para a interpretação das imunidades, a sistematização de suas características e limites fornecida por Ricardo Lobo Torres (TORRES, Ricardo Lobo. Tratado de direito constitucional financeiro e tributário, v. III; os direitos humanos e a tributação: imunidades e isonomia. Rio de Janeiro: Renovar, 1999, p. 97): “Nessa perspectiva podemos dizer que a interpretação das imunidades fiscais: a) adota o pluralismo metodológico, com o equilíbrio entre os métodos literal, histórico, lógico e sistemático, todos eles iluminados pela dimensão teleológica[das finalidades]; b) modera os resultados da interpretação, admitindo assim a interpretação extensiva que a restritiva, tanto a objetiva quanto a subjetiva, todas em equilíbrio e a depender do texto a ser interpretado; c) apóiase no pluralismo teórico, com o princípio respectivo da nãoidentificação com ideologias triviais; d) recusa, da mesma forma que a interpretação das isenções, a analogia, que implica a extensão da imunidade a direitos nãofundamentais; e) busca o pluralismo dos valores, com o equilíbrio entre liberdade, justiça e segurança jurídica”. Tendo tomado tais lições, passemos à busca da natureza jurídica do benefício fiscal concedido os pagamentos a título de PLR. Encontramos duas posições a respeito da natureza jurídica do benefício fiscal concedido aos pagamentos a título de PLR: os que o consideram uma imunidade e os que o consideram uma isenção. Haveria imunidade na medida em que o art. 7º, inciso XI da CF desvincula a PLR da remuneração, o que equivaleria a afastar a natureza de remuneração e, em Fl. 94DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 15/01/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 13896.001969/201092 Acórdão n.º 2301002.990 S2C3T1 Fl. 84,5 14 conseqüência, afastar a possível incidência prevista no art. 195, inciso I, alínea “a” e inciso II. Dessa forma, estaria configurada uma supressão da competência constitucional impositiva atendendo ao conceito clássico de imunidade. Na jurisprudência, encontramos o anterior presidente desta Câmara, Júlio César Vieira Gomes que, em declaração de voto no Acórdão 20500.563, asseverou: “Outra importante constatação é que a participação nos lucros e resultados goza de imunidade tributária. Não é caso de isenção, como a maioria das rubricas excluídas da incidência de contribuições previdenciárias por força do artigo 28, 9º' da Lei 8.212 de 24/07/91. Isto porque cuidou a própria Constituição Federal de desvincular o beneficio da remuneração dos trabalhadores(...)” Entre doutrinadores, Kyoshi Harada e Sydnei Sanches assumiram a natureza jurídica de imunidade no texto a seguir: “O legislador constituinte, objetivando incentivar as empresas a repartirem seus lucros ou resultados com os seus empregados, promovendo a ‘socialização dos lucros’ como meio de alcançar o justo equilíbrio entre o capital e o trabalho, prescreveu no inciso XI do art. 7º da Carta Política, que a PLR fica desvinculada da remuneração. Em outras palavras, retirou do campo do exercício da competência impositiva prevista no art. 195, I, a da CF tudo o que for pago pela empresa a título de participação nos lucros, ou resultados. (...)A PLR, uma vez imunizada pela Constituição, jamais poderia integrar a base de cálculo da contribuição previdenciária, sem gravíssima ofensa ao texto constitucional.” (HARADA, Kiyoshi; SANCHES, Sydney. Participação dos empregados nos lucros ou resultados da empresa: incidência de contribuições previdenciárias. Jus Navigandi, Teresina, ano 11, n. 962, 20 fev. 2006. Disponível em: <http://jus.uol.com.br/revista/texto/16671>. Acesso em: 13 jan. 2011) A princípio, não entendemos que houve a total supressão da competência constitucional impositiva, pois não podemos deixar de considerar que a competência constitucional impositiva da União para a contribuição previdenciária inclui não só o que está inserto no art. 195, mas também o que está previsto no §11º do art. 201 (ganhos habituais a qualquer título). Nesse sentido o Ministro Marco Aurélio anotou em seu voto no RE 398.284: “não vejo cláusula a abolir a incidência de tributos, cláusula a limitar a regra específica do artigo 201,§11º, da Constituição Federal”. Portanto, houve supressão constitucional apenas da competência da União instituir contribuição previdenciária sobre a PLR na forma de remuneração, mas não na forma de ganho habitual. Ocorre que, a despeito de possuir competência constitucional para criar contribuição previdenciária sobre ganhos habituais a qualquer título, a União somente o fez em relação aos ganhos habituais sob a forma de utilidades, conforme consta da segunda parte do inciso I do art. 22(contribuição da empresa sobre pagamentos a empregados) e da segunda parte do inciso I do art. 28 (definição de salário decontribuição). Logo, a PLR só estará no campo de incidência da contribuição previdenciária se tomar a forma de remuneração. E isso só poderá ocorrer se houver desobediência à lei reguladora da imunidade. Fl. 95DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 15/01/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 13896.001969/201092 Acórdão n.º 2301002.990 S2C3T1 Fl. 85 15 Curioso notar que a natureza jurídica de imunidade que o benefício fiscal concedido ao pagamento de PLR alcança colocanos diante da ausência de uma norma reguladora constitucionalmente válida, pois, como limitação constitucional ao poder de tributar, a imunidade, em obediência ao art. 146, inciso II da Constituição Federal, só pode ser regulada por lei complementar, status que a Lei 10.101/200 não possui. Se confirmada pelo STF a tese de que o inciso XI do art. 7º é norma de eficácia limitada, teríamos, em conseqüência, que considerar todos os pagamentos de PLR como desamparados de imunidade. Mas a Lei 11.941/2009 incluiu o art. 26A no Decreto 70.235/72 prescrevendo explicitamente a proibição dos órgãos de julgamento no âmbito do processo administrativo fiscal acatarem argumentos de inconstitucionalidade, o que nos obriga a acatar a Lei 11.101/200 como norma reguladora da imunidade. Não ignoramos que o STJ já se manifestou no sentido de considerar como isenção o benefício fiscal concedido aos valores pagos a título de PLR, conforme ementas que transcrevemos: RE 865.489 – Relator Ministro Luis Fux PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. CARACTERIZAÇÃO. MATÉRIA FÁTICOPROBATÓRIA. INCIDÊNCIA DA SÚMULA 07/STJ. PROCESSO CIVIL. TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS. SÚMULA 07/STJ. 1. A isenção fiscal sobre os valores creditados a título de participação nos lucros ou resultados pressupõe a observância da legislação específica a que refere a Lei n.º 8.212/91. RE 856.160 – Relatora Ministra Eliana Calmon PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. ISENÇÃO. NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA À LEGISLAÇÃO ESPECÍFICA. (...) 2. O gozo da isenção fiscal sobre os valores creditados a título de participação nos lucros ou resultados pressupõe a observância da legislação específica regulamentadora, como dispõe a Lei 8.212/91. Com o respeito devido aos Ministros do STJ que assumiram tal posição, reiteramos que nossa conclusão é a de que existe imunidade para os pagamentos a título de PLR na forma de remuneração. Estabelecida a natureza jurídica do benefício fiscal concedido aos pagamentos a título de PLR no tocante às contribuições previdenciárias como imunidade, Fl. 96DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 15/01/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 13896.001969/201092 Acórdão n.º 2301002.990 S2C3T1 Fl. 85,5 16 passemos a investigação de quais finalidades devem ser atendidas pela norma reguladora exigida no texto constitucional. Iniciamos a investigação sobre as finalidades da norma reguladora da imunidade com a lição de Luís Eduardo Schoueri. Para o autor, não existem tributos que tenham uma função estritamente fiscal (arrecadatória) sem que possuam qualquer efeito indutor a atuar no Domínio Econômico. (SCHOUERI, Luís Eduardo. Normas tributárias indutoras e intervenção econômica. Rio de Janeiro: Forense, 2005, p. 16). Porém, prossegue afirmando que há normas que possuem o caráter indutor em destaque. Assim, as normas indutoras são normas por meio das quais “o legislador vincula a determinado comportamento um conseqüente, que poderá consistir em vantagem (estímulo) ou agravamento da natureza tributária”.( op.cit., p. 30). Em outras palavras, uma norma indutora é o que a doutrina clássica chamaria de norma extrafiscal stricto sensu. Parecenos que a norma do art. 7º, inciso XI da Constituição, bem como as normas que criaram requisitos para a fruição da imunidade possuem nítido caráter indutor de comportamento. Ao desvincular da remuneração o pagamento de PLR, conforme requisitos a serem estabelecidos pela lei, quis o legislador constituinte, de um lado, conforme interpretação do Ministro Marco Aurélio no RE 398.284, proteger o trabalhador de fraude que poderia ser perpetrada pelos empregadores que poderiam compensar o direito constitucional com o salário do trabalhador. Nas palavras do Ministro: “É uma cláusula pedagógica para evitar o drible pelos empregadores, a compensação, o esvaziamento do direito constitucional” A fraude que pode estar relacionada à PLR não está relacionada apenas à compensação do salário com o direito de índole constitucional. A solidariedade no financiamento da seguridade social, prevista no caput do art. 195 da CF, pode ser violada na medida em que for revestida de PLR parcela verdadeiramente salarial, na tentativa de evasão da contribuição previdenciária. Esse é outro aspecto da fraude que a regulamentação tenta evitar e que já foi assinalado pelo antigo presidente desta Câmara, Júlio César Viera Gomes, em trecho da Declaração de Voto no Acórdão 20500.563 ao afirmar que: “é possível que esse importante direito trabalhista [a participação nos lucros e resultados] seja malversado em prejuízo dos próprios trabalhadores e do fisco. Comprovando a autoridade fiscal dissimulação do pagamento de salários com participação nos lucros, deverá aplicar o . Princípio da Verdade Material para considerar os valores pagos integrantes da base de cálculo , das contribuições previdenciárias”. Por outro lado, o próprio direito em si à participação nos lucros pretende, em sintonia com um dos fundamentos de nosso Estado Democrático de Direito – o valor social do trabalho e da livre iniciativa (art. 1º, inciso IV da CF) , incrementar os meios para o atingimento de, pelo menos, dois dos objetivos da Republica: construir uma sociedade livre, justa e solidária e garantir o desenvolvimento nacional( art. 3º, incisos I e II da CF). Nesse sentido, alguns Ministros do STF viram no dispositivo um “avanço no sentido do capitalismo Fl. 97DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 15/01/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 13896.001969/201092 Acórdão n.º 2301002.990 S2C3T1 Fl. 86 17 social”(Ministro Ricardo Lewandowiski, RE 398.284) que contribuiria para a “humanização do capitalismo”(Ministro Carlos Britto, RE 398.284) na medida em que tenta “implantar uma nova cultura, uma nova mentalidade, a mentalidade do compartilhamento do progresso da empresa com seus atores sociais, com os seus protagonistas” (Ministro Carlos Britto, RE 398.284). Como se vê, os Ministros do STF capturaram as duas preocupações que devem nos nortear na interpretação dos reflexos tributários da norma que estatui os requisitos exigidos pelo Texto Magno: evitar a fraude e levar as relações entre capital e trabalho a um patamar mais harmônico. Assim agindo, o intérprete estará garantindo que a finalidade indutora ou o caráter extrafiscal stricto sensu da norma regulamentadora da imunidade seja atingido. Portanto, no transcorrer do processo hermenêutico não perderemos de vista que os requisitos da lei reguladora da imunidade devem contribuir para o combate à fraude contra os trabalhadores ou contra a solidariedade no financiamento da seguridade social e para a melhoria da qualidade das relações entre capital e trabalho. Passamos a analisar algumas questões específicas que interessam no presente caso. Data da assinatura dos acordos Questão recorrente nas discussões sobre a incidência da contribuição previdenciária sobre pagamentos a título de PLR é aquela que versa sobre a data de assinatura dos acordos. Em suma, o que se questiona é se deve existir alguma relação entre três datas: (i) data da assinatura do acordo coletivo ou data da assinatura do acordo entre as partes; (ii) data do fim do período a que se referem os lucros ou resultados; e (iii) data do recebimento, pelo empregado dos pagamentos de PLR. Para tal análise tomamos o conteúdo do art. 2º da Lei 10.101/200, in verbis: Art. 2o A participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante um dos procedimentos a seguir descritos, escolhidos pelas partes de comum acordo: I comissão escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria; II convenção ou acordo coletivo. § 1o Dos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, podendo ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições: Fl. 98DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 15/01/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 13896.001969/201092 Acórdão n.º 2301002.990 S2C3T1 Fl. 86,5 18 I índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa; II programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente. § 2o O instrumento de acordo celebrado será arquivado na entidade sindical dos trabalhadores. Faremos a interpretação de tal dispositivo considerando as finalidades dos requisitos para fruição da imunidade, conforme anteriormente esclarecemos: contribuir para o combate à fraude contra os trabalhadores ou contra a solidariedade no financiamento da seguridade social e para a melhoria da qualidade das relações entre capital e trabalho. Inicialmente, extraímos do dispositivo legal que é necessário que haja uma negociação entre empresa e empregados. Tal requisito está em harmonia, principalmente, com o objetivo de contribuir para a melhoria das relações entre capital e trabalho. Certamente, a norma se refere a uma negociação concluída e não a uma negociação em curso, o que nos coloca diante de um primeiro requisito temporal: a negociação entre empresa e empregados deve estar concluída antes do pagamento da PLR. Justificamos tal posição com a constatação de que, antes de assinado, antes de se tornar um ato jurídico perfeito, a proposta da empresa pode ser retirada ou alterada, bem como o pleito dos trabalhadores pode ser alterado. Em adição, devemos considerar que, em tese, a demora na conclusão de uma negociação em andamento pode servir para ganhar tempo para que os lucros ou resultados a serem pactuados sejam estabelecidos em patamares já sabidamente atingidos, de forma a garantir que uma verba salarial possa ser revestida de PLR sem que os trabalhadores tenham motivos para obstaculizar o acordo. É uma porta aberta para a fraude. Como somente com a assinatura do termo de acordo entre as partes ou do acordo coletivo é que teremos a formalização do término da negociação e estaremos diante de um ato jurídico perfeito apto a exarar efeitos jurídicos, concluímos que o termo de acordo entre as partes ou o acordo coletivo deve estar assinado antes do pagamento da PLR. Além de assinado, o instrumento de acordo deve estar arquivado na entidade sindical dos trabalhadores. Tal exigência, constante do §2º pretende dar transparência ao instrumento de acordo e permitir que sejam evitadas fraudes com a lavratura pósdatada de um acordo entre as partes. Restanos desvendar se a data de encerramento do período a que se referem os lucros ou resultados deve se considerada. Tomando o conteúdo do inciso II do §1º do dispositivo acima transcrito, poderíamos concluir que há a exigência de uma pactuação prévia dos programas de metas, resultados e prazos. Mas não podemos deixar de considerar que os incisos do §1º não são taxativos, o que poderia nos levar a concluir que a necessidade de pactuação prévia não é extensível, por exemplo, aos casos enquadrados no inciso I. Esse argumento isolado, portanto, é frágil. Tomamos outro caminho. É certo que o dispositivo do art. 2º da Lei 10.101/200 exige regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo. Tratase de exigência que está em harmonia tanto com a finalidade de combater a fraude quanto com a finalidade de contribuir para a melhoria da qualidade das relações entre capital e trabalho. Se não houver a estipulação das regras quanto Fl. 99DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 15/01/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 13896.001969/201092 Acórdão n.º 2301002.990 S2C3T1 Fl. 87 19 ao atingimento dos lucros ou resultados antes do término do período a que se referem, não haverá meios para evitarmos as fraudes. Ou seja, não haverá meios para evitarmos que, diante de um lucro ou resultado já conhecido, sejam revestidos de pagamento de PLR determinados valores entregues aos empregados e que a eles já seriam ou serão devidos pela contraprestação dos serviços. Conhecidos os lucros ou resultados, seria possível instituir objetivos para os empregados que, de antemão, a empresa saberia que seriam atingidos. Diante da certeza do pagamento, o empregado, ou mesmo seus representantes, aceitaria assinar um acordo que, na sua visão, só estaria mudando a nomenclatura da verba devida por seu trabalho. A impossibilidade de haver certeza de que o acordado seja cumprido é uma determinação legal que extraímos do trecho da lei que determina que existam”mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado”. Se deve haver aferição do que foi acordado é porque não deve o lucro ou resultado estar totalmente configurado no momento da assinatura do instrumento de acordo. Portanto, harmonizando o texto da norma com suas finalidades, concluímos que o instrumento do acordo deve estar assinado e arquivado na entidade sindical antes do término do período a que se refiram os lucros ou resultados. Tendo concluído que o instrumento de acordo deve ser assinado e arquivado na entidade sindical antes do término do período a que se refiram os lucros ou resultados, podemos indagar se cumpriria a exigência da norma se, por exemplo, a assinatura e arquivamento ocorresse um dia antes do encerramento do período a que se refiram os lucros ou resultados. Evidentemente que não, pois estaríamos em situação em tudo similar à assinatura posterior. Os lucros e resultados já estariam, com um alto grau de previsibilidade, consolidados. É preciso que entre a data de assinatura e arquivamento dos acordos e a data de término do período a que se refiram os lucros ou resultados haja um intervalo temporal que tanto permita ao empregado direcionar seus melhores esforços para alcançar o que foi acordado como afaste a possibilidade de ser uma alternativa para a empresa fraudar a solidariedade no financiamento da seguridade social. Como a lei – ou qualquer norma infralegal não esclarece qual seria o prazo necessário entre tais datas, mas a finalidade da norma exige que o intérprete adote uma posição, utilizaremos como data limite para a assinatura e arquivamento dos instrumentos de acordo o último dia do semestre anterior ao encerramento do período a que se refiram os lucros ou resultados. Caso a empresa comprove que as negociações estavam em curso e que os empregados tinham amplo conhecimento de sua proposta quanto aos lucros ou resultados a serem atingidos, consideraremos como prazo limite para a assinatura e arquivamento do instrumento de acordo o último dia do trimestre anterior ao encerramento do período a que se refiram os lucros ou resultados. É certo que encontramos respeitosas posições mais conservadoras em relação à data de assinatura dos acordos. A Conselheira Ana Maria Bandeira concluiu que os Acordos devem estar assinados antes do início do período a que se refiram os lucros ou resultados, tendo se manifestado no voto condutor do Acórdão 240100.276 nos seguintes termos “Entendo que para fazer valer o que dispõe o § 1º do art. 2º da Lei n° 10/101/2000 que determina a existência de regras claras e objetivas, mecanismos de aferição etc, é imprescindível que tais questões sejam decididas a priori, ou seja, antes do início do exercício, findo o qual, a empresa pretende dividir os lucros com seus empregados. Fl. 100DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 15/01/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 13896.001969/201092 Acórdão n.º 2301002.990 S2C3T1 Fl. 87,5 20 Os acordos firmados pela recorrente foram todos posteriores ao início do exercício para o qual deveria ser aferida a participação dos empregados na obtenção do lucro ou resultado.” No mesmo sentido temos o Acórdão 240100.545 cuja redatora designada foi a Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira. A despeito dos méritos dos argumentos acima, entendemos que os limites que adotamos passam pelo teste da razoabilidade, pois asseguram que após os três primeiros meses do ano – normalmente um período difícil para que as partes se reúnam os interessados tenham três meses para iniciar e avançar nas negociações e três meses adicionais para sua total conclusão. Além de razoáveis, os limites adotados atendem à finalidade de que haja tempo hábil para negociações de modo contribuir para a melhoria da qualidade das relações entre capital e trabalho. Exigir a assinatura do acordo antes de iniciado o período atenderia apenas a uma das finalidades da norma regulamentadora – combater a fraude , mas acabaria por criar um significativo obstáculo para a concessão da PLR, o que impediria que o acesso dos trabalhadores a uma direito social previsto no art. 7º, inciso XI da Constituição Federal. Em resumo, concluímos que os instrumentos de acordo (entre as partes ou coletivo) que versem sobre pagamentos de PLR a empregados devem estar assinados e arquivados na entidade sindical até o último dia do semestre anterior ao encerramento do período a que se refiram os lucros ou resultados. Caso a empresa comprove que as negociações estavam em curso e que os empregados tinham amplo conhecimento de sua proposta quanto aos lucros ou resultados a serem atingidos, consideraremos como prazo limite para a assinatura e arquivamento do instrumento de acordo o último dia do trimestre anterior ao encerramento do período a que se refiram os lucros ou resultados. Regras claras e objetivas A Lei 10.101/2000 determinou que a PLR seja objeto de negociação entre empresas e empregados, seja por meio de comissão escolhida entre as partes ou por acordo coletivo, devendo o instrumento de acordo conter regras claras e objetivas. De plano, portanto, podemos afastar possibilidade de as regras para o recebimento da PLR serem estabelecidas unilateralmente. Todo o contorno das regras deve ser objeto de negociação entre as partes. É uma exigência legal que contribui para a melhoria das relações entre capital e trabalho. Mas o que seriam regras claras e objetivas? Entre os sentidos possíveis para a expressão “regras claras”, segundo o dicionário Michaelis, temos: regras fáceis de entender, evidentes, explícitas, inequívocas, manifestas. Regras objetivas, segundo a mesma fonte, seriam regras que se referem ao mundo exterior; regras que existem fora do espírito e independentemente do conhecimento que dele possua o sujeito pensante; ou regras que não se relacionam com os sentimentos pessoais do sujeito pensante. Em síntese, regras claras e objetivas são regras inequívocas, fáceis de Fl. 101DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 15/01/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 13896.001969/201092 Acórdão n.º 2301002.990 S2C3T1 Fl. 88 21 entender pelo empregado e que se referem ao mundo dos objetos, não podendo estar relacionadas com sentimentos pessoais. Como já vimos, as regras impostas pela Lei 10.101/2000 tem como objetivo tanto evitar a fraude que pode ser cometida pelo empregador ao pagar salário sob o manto de parcela de PLR como melhorar a s relações entre capital e trabalho. Nessa toada, não podemos deixar de considerar que a fixação da PLR por meio de regras subjetivas pode ensejar o assédio moral e todo o tipo de discriminação no ambiente do trabalho, o que não contribui para a melhoria da relação entre capital e trabalho e, sobretudo, atenta contra a dignidade da pessoa humana (art. 1º, inciso III da CF). Com relação a esse aspecto, no julgamento do Recurso 144.015, o Conselheiro Júlio Cesar Vieira Gomes, assim se manifestou: “Como se constata pelas disposições acima, a regulamentação é no sentido de proteger o trabalhador para que sua participação nos lucros se efetive. Não há regras detalhadas na lei sobre os critérios e as características dos acordos a serem celebrados. Os sindicatos envolvidos ou as comissões, nos termos do artigo 2º, têm liberdade para fixarem os critérios e condições para a participação do trabalhador nos lucros e resultados. A intenção do legislador foi impedir que critérios ou condições subjetivos obstassem a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados. As regras devem ser claras e objetivas para que os critérios e condições possam ser aferidos. Com isto, são alcançadas as duas finalidades da lei: a empresa ganha em aumento da produtividade e o trabalhador é recompensado com sua participação nos lucros.” (o negrito é nosso) Além de serem claras e objetivas, as regras devem estar presentes no Acordo e devem ter sido estipuladas conforme negociação entre as partes, conforme podemos extrair dos arts. 1º e 2º da Lei 10.101/200. Nesse sentido o voto do Conselheiro Marco André Ramos Vieira, no Acórdão 230200.256 “As regras claras e objetivas quanto ao direito substantivo referemse à possibilidade de os trabalhadores conhecerem previamente, no corpo do próprio instrumento de negociação, quanto irão receber a depender do lucro auferido ou do resultado obtido pelo empregador se os objetivos forem cumpridos. “ Questiono se, a despeito de a Lei exigir regras claras e objetivas, deveremos aceitar o conteúdo de acordo coletivo que, nitidamente, convencionou uma avaliação individual baseada em critérios subjetivos. A autonomia privada pode prevalecer ainda que ultrapasse os limites estabelecidos pela Lei? O caso não suscita a aplicação do art 123 do CTN? Vejamos o comando da norma complementar in verbis: Art. 123. Salvo disposições de lei em contrário, as convenções particulares, relativas à responsabilidade pelo pagamento de tributos, não podem ser opostas à Fazenda Pública, para Fl. 102DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 15/01/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 13896.001969/201092 Acórdão n.º 2301002.990 S2C3T1 Fl. 88,5 22 modificar a definição legal do sujeito passivo das obrigações tributárias correspondentes. Com efeito, já assentamos que a lei tributária estabelece que a empresa que paga parcela a título de PLR que foi regida por regras subjetivas não pode beneficiarse da imunidade da contribuição previdenciária respectiva. Se a parte paga com base em critérios subjetivos não for atingida pela tributação, por conta do conteúdo de acordo coletivo, estaremos diante de uma situação na qual uma convenção entre particulares alterou a definição do sujeito passivo da obrigação tributária – a empresa , configurando ofensa frontal ao estabelecido no art. 123 do CTN. Nesse sentido, em sua manifestação no RE 398.2842 que discutiu o aspecto temporal da PLR(possibilidade de cobrança da contribuição sobre tais verbas antes da MP 794), o Ministro Marco Aurélio expressou sua compreensão de que “no campo da tributação, não há espaço para a autonomia da vontade”. Parecenos que o posicionamento do ilustre Conselheiro Elias Sampaio Freire no Acórdão 920200.503, quanto à possibilidade de as partes poderem definir soberanamente as regras a que se submeterão para tornar devido o pagamento da PLR, não diz respeito àqueles casos nos quais as regras convencionadas estão em afronta à lei, mas, ao contrário, diz respeito àquela situação na qual as regras estão em consonância com a lei, mas são questionadas pela fiscalização. Alguns trechos do voto daquele julgado evidenciam a posição do mencionado relator: Existe sim, a obrigação de se negociar com os empregados regras claras e objetivas, combinando de que forma e quando haverá liberação de valores, caso os objetivos e metas estabelecidas e negociadas forem atingidas. (..) Destarte, face ao exposto e considerando as cláusulas do acordo coletivo acima transcritas, neste ponto, não tenho como divergir dos fundamentos adotados pelo relator do voto condutor do acórdão recorrido, ao concluir que foram atendidas as exigências de que dos instrumentos decorrentes da negociação entre empregador e empregados constem regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo,... Além de representar ofensa ao art. 123 do CTN, o conteúdo de Acordo Coletivo que viola a lei não pode prevalecer com força normativa, pois, mesmo no âmbito da Justiça do Trabalho, o TST já reconheceu que o conteúdo do Acordo não pode derrogar norma cogente que protege ou beneficia o trabalhador, conforme consta do OJ 31 da SDC daquele Tribunal: Fl. 103DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 15/01/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 13896.001969/201092 Acórdão n.º 2301002.990 S2C3T1 Fl. 89 23 OJ 31 SEÇÃO DE DISSÍDIOS COLETIVOS Nº31 ESTABILIDADE DO ACIDENTADO. ACORDO HOMOLOGADO. PREVALÊNCIA. IMPOSSIBILIDADE. VIOLAÇÃO DO ART. 118 DA LEI Nº 8.213/91 (inserida em 19.08.1998) Não é possível a prevalência de acordo sobre legislação vigente, quando ele é menos benéfico do que a própria lei, porquanto o caráter imperativo dessa última restringe o campo de atuação da vontade das partes. Assim considerado, nossa conclusão é de que o Acordo deve conter as regras claras e objetivas, ou seja, regras inequívocas, fáceis de entender pelo empregado e que se refiram ao mundo dos objetos. Ou seja, as regras estipuladas no Acordo não podem conter critérios subjetivos para a concessão da PLR de modo a contrariar o que determina a Lei, conclusão que está em consonância com a jurisprudência da Justiça do Trabalho e respeita os preceitos do art. 123 do CTN. Pagamento mínimo sem que a meta seja atingida Ainda que o Acordo traga regras claras e objetivas, entre estas poderá existir a determinação de um pagamento mínimo no caso de as metas não serem atingidas? Entendemos que a resposta a esse questionamento só pode ser negativa, pois é uma exigência da finalidade de combate à fraude que a norma reguladora da imunidade assume. O pagamento mínimo permite que uma verba remuneratória seja substituída pelo pagamento de PLR, dada a certeza de seu recebimento. É uma ofensa direta ao conteúdo do caput do art. 3º da Lei 10.101/2000 no trecho em que prescreve que a PLR “não substitui ou complementa a remuneração devida a qualquer empregado”. Nesse sentido, o Conselheiro Elias Sampaio Freire já destacou que os valores de PLR só são liberados se os objetivos e metas forem atendidos. Vejamos o trecho do voto do Conselheiro no Acórdão CSRF 920200.503: “Existe sim, a obrigação de se negociar com os empregados regras claras e objetivas, combinando de que forma e quando haverá liberação de valores, caso os objetivos e metas estabelecidas e negociadas forem atingidas.” Fl. 104DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 15/01/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 13896.001969/201092 Acórdão n.º 2301002.990 S2C3T1 Fl. 89,5 24 Logo, ainda que constante do Acordo, valores pagos a título de PLR em situações nas quais as metas de lucros ou resultados não forem atingidas, não possuem a natureza pretendida, o que lhes impõe a natureza de remuneração e sua inclusão na base de cálculo da contribuição previdenciária. A par das digressões jurídicas genéricas já apresentadas, passamos a analisar o caso concreto. A recorrente não apontou os elementos probantes que poderiam demonstrar o preenchimento dos requisitos tendo se limitado a defender a aplicação imediata do art. 7º, inciso XI da CF. No entanto, tal argumento foi afastado pelo STF, conforme podemos constatar da Ementa do RE 386.636: “(...) Conforme se infere dos votos proferidos no Mandado de Injunção 102PE, Plenário, DJ de 25.10.2002, Redator para o acórdão o Ministro Carlos Velloso, somente com a superveniência da Medida Provisória n. 794, sucessivamente reeditada, foram implementadas as condições indispensáveis ao exercício do direito dos trabalhadores no lucro das empresas. Dessa maneira, embora o inciso XI do artigo 7º da Constituição assegurasse o direito dos empregados à participação nos lucros da empresa e previsse que essa parcela participação nos lucros é algo desvinculado da remuneração, o exercício desse direito não prescindia de lei disciplinadora que definisse o modo e os limites de sua participação, bem assim a natureza jurídica dessa benesse, quer para fins tributários, quer para fins de incidência de contribuição previdenciária...." Assim, a aplicação da imunidade o art. 7º, inciso XI da Constituição Federal depende do atendimento da lei regulamentadora. Sem o preenchimento dos requisitos legais correta a atuação da fiscalização ao incluir tais pagamentos na base de cálculo da contribuição. Por fim, esclarecemos quer n ao houve lançamento de SAT/RAT no presente caso, sendo impertinentes os argumentos com tal conteúdo. Multas no lançamento de ofício após a edição da MP 449 convertida na Lei 11.941/2009. Enfrentamos a seguir a questão do regime jurídico das multas, ainda que tal questão não tenha sido suscitada no Recurso Voluntário, por entendermos tratarse de questão de ordem pública. Antes da MP 449, se a fiscalização das contribuições previdenciárias constatasse o não pagamento de contribuições, sejam aquelas já declaradas em GFIP, omitidas da GFIP ou mesmo omitidas da escrituração ocorria a aplicação de multa de mora, sendo que esta partia de 12% e poderia chegar a 100%, segundo o inciso II do art. 35 da Lei 8.212/91. Além disso, a fiscalização lançava as multas dos §§4º, 5º e 6º do art. 32 por incorreções ou omissões na GFIP. O §4º tratava da não apresentação da GFIP, o §5º da apresentação do Fl. 105DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 15/01/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 13896.001969/201092 Acórdão n.º 2301002.990 S2C3T1 Fl. 90 25 documento com dados não correspondentes aos fatos geradores e o §6º referiase a apresentação do documento com erro de preenchimento nos dados não relacionados aos fatos geradores. Com a edição da referida MP, foi instituído o art. 32A da Lei 8.212/91 que trata da falta de apresentação da GFIP, bem como trata da apresentação com omissões ou incorreções. Porém, foi também previsto, no art. 35A, a aplicação do art. 44 da Lei 9.430/96 para os casos de lançamento de ofício. Interessanos o inciso I do referido dispositivo no qual temos a multa de 75% sobre a totalidade do imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata. Tais inovações legislativas associadas ao fato de a fiscalização realizar lançamento que abrangem os últimos cinco anos e de existirem lançamentos pendentes de definitividade na esfera administrativa no momento da edição da novel legislação colocamnos diante de duas situações: · Lançamentos realizados após a edição da MP 449 e referentes a fatos geradores posteriores a esta; · Lançamentos referentes a fatos geradores anteriores a MP 449, porém ainda não definitivamente julgados na esfera administrativa. Vamos analisar individualmente cada uma das situações. Lançamentos realizados após a edição da MP 449 e referentes a fatos geradores posteriores a esta Para os lançamentos realizados após a edição da MP 449 e referentes a fatos geradores posteriores a esta, o procedimento de ofício está previsto no art. 35A da Lei 8.212/91, o que resulta na aplicação do art. 44 da Lei 9.430/96 e na impossibilidade de aplicação da multa de mora prevista no art. 35 da Lei 8.212/91. Assim, se constatar diferença de contribuição, a fiscalização, além do próprio tributo, lançará a multa de ofício que parte de 75% e pode chegar a 225% nas hipóteses de falta de recolhimento, falta de declaração ou declaração inexata. A falta de recolhimento é uma hipótese nova de infração que, portanto, só pode atingir os fatos geradores posteriores a MP 449. Por outro lado, com relação às contribuições previdenciárias, a falta de declaração e a declaração inexata referemse a GFIP e são infrações que já eram punidas antes da MP 449. A falta de GFIP era punida pelo §4º do art. 32 da Lei 8.212/91 e a declaração inexata da GFIP era punida tanto pelo §5º quanto pelo 6º do mesmo artigo, a depender da existência (§5º) ou não (§6º) de fatos geradores da contribuição relacionados com as incorreções ou omissões. É certo que, a princípio, podemos vislumbrar duas normas punitivas para a não apresentação e a apresentação inexata da GFIP relacionada a fatos geradores de contribuições: o art. 32A da Lei 8.212/91 e o inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96. Tendo em Fl. 106DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 15/01/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 13896.001969/201092 Acórdão n.º 2301002.990 S2C3T1 Fl. 90,5 26 conta o princípio geral do Direito Tributário de que a mesma infração não pode ser sancionada com mais de uma penalidade, temos que determinar qual penalidade aplicar. Numa primeira análise, vislumbramos que o art. 44, inciso I da Lei 9.430/96 seria aplicável para os casos relacionados à existência de diferença de contribuição ao passo que o art. 32A da Lei 8.212/91 seria aplicável aos casos nos quais não houvesse diferença de contribuição. No entanto, tal conclusão não se sustenta se analisarmos mais detidamente o conteúdo do art. 32A da Lei 8.212/91. No inciso II, temos a previsão da multa de “de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, (...)”. Claramente, o dispositivo em destaque estipula a multa aplicável quando houver contribuições apuradas, recolhidas ou não, nos casos nos quais a GFIP não for apresentada ou for apresentada fora de prazo. Logo, podemos concluir que tal inciso aplicase também àquelas situações em que há apuração de diferença de contribuição. Confirmando tal conclusão, temos o inciso II do §3º do mesmo artigo que estipula a multa mínima aplicável nos casos de omissão de declaração com ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária. Portanto, diversamente do que preliminarmente concluímos, tanto o art. 44, inciso I da Lei 9.430/96 quanto o art. 32A da Lei 8.212/91 são aplicáveis aos casos de falta de declaração ou declaração inexata de GFIP quando for apurada diferença de contribuição em procedimento de ofício. Temos, então, configurado um aparente conflito de normas que demanda a aplicação das noções da teoria geral do Direito para sua solução. Três critérios são normalmente levados em conta para a solução de tais antinomias: critério cronológico, critério da especialidade e critério hierárquico. O critério cronológico (norma posterior prevalece sobre norma anterior) não nos ajuda no presente caso, uma vez que a determinação de aplicarmos o art. 44, inciso I da Lei 9.430/96 e a inclusão do art. 32A da Lei 8.212/91 foram veiculados pela mesma Lei 11.941/2009. O critério hierárquico também não soluciona a antinomia, posto que são normas de igual hierarquia. Restanos o critério da especialidade. Observamos que o art. 44, inciso I da Lei 9.430/86 referese, de maneira genérica, a uma falta de declaração ou declaração inexata, sem especificar qual seria a declaração. Diversamente, o art. 32A faz menção específica em seu caput à GFIP no trecho em que diz “o contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei(...)”. Logo, consideramos que no conflito entre o art. 44, inciso I da Lei 9.430/96 e o art. 32A da Lei 8.212/91, este último é norma específica no tocante à GFIP e, seguindo o critério da especialidade, deve ter reconhecida a prevalência de sua força vinculante. Em adição, a aplicação do art. 32A da Lei 8.212/91 pode ser justificada pelo nítido caráter indutor que a penalidade do art. 32A assume, facilitando , no futuro, o cálculo do benefício previdenciário. Pretende a norma do art. 32A estimular a apresentação da GFIP na medida em que a penalidade é reduzida à metade se a declaração for apresentada antes de qualquer procedimento de ofício (§2º, inciso I); ou reduzida a 75% se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação(§2º, inciso II). Esse estímulo pode ser compreendido Fl. 107DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 15/01/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 13896.001969/201092 Acórdão n.º 2301002.990 S2C3T1 Fl. 91 27 em benefício do trabalhador na medida em que as informações da GFIP servirão como prova a favor deste no cálculo da benefício previdenciário, tendo em conta que, segundo o §3º do art. 29 da Lei 8.213/91, “serão considerados para cálculo do saláriodebenefício os ganhos habituais do segurado empregado, a qualquer título, sob forma de moeda corrente ou de utilidades, sobre os quais tenha incidido contribuições previdenciárias, exceto o décimo terceiro salário (gratificação natalina).” Se o cálculo do saláriodebenefício considerará a base de cálculo das contribuições, certamente a GFIP é um importante meio de prova dos valores sobre os quais incidiram as contribuições. Se aplicássemos o art. 44, inciso I da Lei 9.430/96, não haveria qualquer mecanismo de estímulo ao empregador para apresentar a GFIP. Iniciado o procedimento de ofício, seria aplicada, no mínimo, a multa de 75% sobre a diferença das contribuições sem que a apresentação da GFIP pudesse alterar tal valor. O empregador poderia simplesmente pagar a multa e continuar omisso em relação à GFIP, deixando o empregado sem este importante meio de prova para o cálculo do benefício de aposentadoria. Assim, a hermenêutica sistemática considerando o regime jurídico previdenciário reforça a necessidade de prevalência do art. 32A. Portanto, seja pela aplicação do critério da especialidade ou pela hermenêutica sistemática considerando o regime jurídico previdenciário, temos justificada a aplicação do art. 32A no caso de omissão na apresentação da GFIP ou apresentação desta com informações inexatas. Acrescentamos que não há no regime jurídico do procedimento de ofício previsto na MP 449, convertida na Lei 11.941/2009, a previsão para multa de mora pelo fato de ter ocorrido atraso no recolhimento. Tratase de infração – o atraso no recolhimento que deixou de ser punida por meio de procedimento de ofício. Outra infração similar, mas não idêntica, foi eleita pela lei: a falta de recolhimento. Apesar de mantermos nossa posição a respeito da inexistência de multa de mora no novo regime do procedimento de ofício, deixamos de apresentar tal voto em homenagem ao princípio da eficiência devido às reiteradas decisões do Colegiado no sentido de manter a multa de mora que registraram nossa posição isolada. Assim, nosso voto é no sentido de, acompanhando os demais membros do Colegiado, manter a aplicação da multa de mora. No entanto, mantida a multa de mora, esta deve ser limitada a 20% com a retroatividade benéfica do art. 61 da Lei 9.430/96. Podemos assim resumir o regime jurídico das multas a partir de 12/2008: · A multa de mora, se aplicada, deve ser mantida e limitada a 20%; · A multa de ofício de 75% é aplicada pela falta de recolhimento da contribuição, podendo ser majorada para 150% em conformidade com o §1º do art. 44 das Lei 9.430/96, ou seja, nos casos em que existam provas de atuação dolosa de sonegação, fraude ou conluio. A majoração poderá atingir 225% no caso de não atendimento de intimação no prazo marcado, conforme §2º do art. 44 da Lei 9.430/96; · A multa pela falta de apresentação da GFIP ou apresentação deficiente desta é aquela prevista no art. 32A da Lei 8.212/91. Fl. 108DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 15/01/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 13896.001969/201092 Acórdão n.º 2301002.990 S2C3T1 Fl. 91,5 28 Nesses termos, temos como delineado o novo regime jurídico das multas em lançamento de ofício das contribuições previdenciárias previsto pela MP 449, convertida na Lei 11.941/2009, aplicável aos fatos geradores ocorridos após a edição da referida MP. Lançamentos referentes a fatos geradores anteriores a MP 449, porém ainda não definitivamente julgados na esfera administrativa. Com base nesse novo regime jurídico vamos determinar a penalidade aplicável à outra situação, ou seja, para os casos de lançamento relacionado aos fatos geradores anteriores à edição da MP porém ainda não definitivamente julgados na esfera administrativa. Para tanto, devemos tomar o conteúdo do art. 144 do CTN em conjunto com o art. : Art. 144. O lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. § 1º Aplicase ao lançamento a legislação que, posteriormente à ocorrência do fato gerador da obrigação, tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliado os poderes de investigação das autoridades administrativas, ou outorgado ao crédito maiores garantias ou privilégios, exceto, neste último caso, para o efeito de atribuir responsabilidade tributária a terceiros. § 2º O disposto neste artigo não se aplica aos impostos lançados por períodos certos de tempo, desde que a respectiva lei fixe expressamente a data em que o fato gerador se considera ocorrido. Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. A interpretação conjunta desses dois dispositivos resulta na conclusão de que devemos aplicar o regime jurídico das penalidades conforme a lei vigente na data da ocorrência Fl. 109DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 15/01/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 13896.001969/201092 Acórdão n.º 2301002.990 S2C3T1 Fl. 92 29 dos fatos geradores, salvo se lei posterior houver instituído penalidade menos severa ou houver deixado de definir um fato como infração. O que devemos ressaltar é que o art. 106 do CTN determina a comparação da penalidade mais benéfica por infração e não em um conjunto. Assim, cada infração e sua respectiva penalidade deve ser analisada. Para os lançamentos referentes a fatos geradores anteriores a MP 449, de plano devemos afastar a incidência da multa de mora, pois a novo regime jurídico do lançamento de ofício deixou de punir a infração por atraso no recolhimento. O novo regime pune a falta de recolhimento que, apesar de similar, não pode ser tomada como idêntica ao atraso. O atraso é graduado no tempo, ao passo que a falta de recolhimento é infração instantânea e de penalidade fixa. No regime antigo, o atraso era punido com multa de mora de 12% a 100%, ao passo que no regime atual o atraso não é punível em procedimento de ofício e pode atingir até 20% nos casos em que não há lançamento de ofício. Nossa conclusão de afastar a multa de mora pode também ser amparada no princípio da isonomia. Vejamos um exemplo. Duas empresas, A e B, atuam no mesmo ramo, tem a mesma estrutura de pessoal e de remuneração, bem como utilizam o mesmo escritório contábil para tratar de sua vida fiscal. A empresa A foi fiscalizada em 2007 com relação aos fatos geradores de 2006 e teve contra si lançada a contribuição, a multa de mora e a multa por incorreções na GFIP prevista no art. 32, §5º da Lei 8.212/91. Quando do julgamento de seu processo, considerando o novo regime de multas segundo nossa interpretação, o órgão julgador manteve o lançamento, mas determinou que a multa relacionada à GFIP fosse comparada com a multa do 32A da Lei 8.212/91. A empresa B foi fiscalizada em 2009 com relação aos fatos geradores de 2006 e teve contra si lançada a contribuição, sem aplicação de multa de mora, e a multa pela declaração inexata da GFIP com base no art. 32A da Lei 8.212/91 ou com base no art. 32, §5º da Lei 8.212/91, o que lhe for mais favorável. Facilmente pode ser notado que a empresa B responde por crédito tributário menor que a empresa A, pois não foi aplicada a multa de mora. Somente com a aplicação do art. 106, inciso II, alínea “a” do CTN para afastar a multa de mora no caso da empresa A é que teremos restaurada a situação de igualdade entre as empresas A e B. Conforme já assinalamos, apesar de mantermos nossa posição a respeito da inexistência de multa de mora no novo regime do procedimento de ofício, deixamos de apresentar tal voto em homenagem ao princípio da eficiência devido às reiteradas decisões do Colegiado no sentido de manter a multa de mora que registraram nossa posição isolada. Assim, nosso voto é no sentido de, acompanhando os demais membros do Colegiado, manter a aplicação da multa de mora. No entanto, mantida a multa de mora, esta deve ser limitada a 20% com a retroatividade benéfica do art. 61 da Lei 9.430/96. No tocante às penalidades relacionadas com a GFIP, deve ser feito o cotejamento entre o novo regime – aplicação do art. 32A para as infrações relacionadas com a GFIP – e o regime vigente à data do fato gerador – aplicação dos parágrafos do art. 32 da Lei 8.212/91, prevalecendo a penalidade mais benéfica ao contribuinte em atendimento ao art. 106, inciso II, alínea “c”. Tal procedimento aplicase, inclusive, para a multa de ofício aplicada com Fl. 110DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 15/01/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 13896.001969/201092 Acórdão n.º 2301002.990 S2C3T1 Fl. 92,5 30 fundamento no art. 44, inciso I da Lei 9.430/96 motivada por falta de declaração ou declaração inexata. Passamos a resumir nossa posição sobre o regime jurídico de aplicação das multas para fatos geradores até 11/2008. A aplicação do art. 106, inciso II, alínea “c” do CTN deve ser feita ato ou fato pretérito considerado como infração no lançamento de modo que: · A penalidade relativa ao atraso no pagamento, a multa de mora, deve ser mantida, mas limitada a 20%; · As multas por infrações relacionadas a GFIP (falta de apresentação ou apresentação deficiente), previstas nos parágrafos do art. 32 da Lei 8.212/91, devem ser comparadas com a multa do art. 32A da Lei 8.212/91, devendo prevalecer aquela que for mais benéfica ao contribuinte. De início cabenos afastar a majoração da multa para 112,5% promovida pela fiscalização, uma vez que tal majoração só foi possível após a MP 449/2008 (12/2008) e os fatos geradores são anteriores a tal competência. Sendo incabível a aplicação retroativa de multa, salvo se demonstrado que é mais benéfica ao contribuinte, a majoração prevista no §2º do art. 44 da Lei 9.430/96, motivada pela não atendimento de intimação, só seria aplicável ao caso se a multa por não atendimento de intimação vigente à época dos fatos geradores fosse mais severa que o valor da majoração, o que não foi demonstrado. A ausência da discussão sobre a multa mais benéfica em relação ao desatendimento de intimação representa ausência dos pressupostos jurídicos e impõe o afastamento dessa parte do lançamento. É de ser observado que a fiscalização considerou duas infrações na apuração das multas aplicáveis: atraso e GFIP não apresentada ou apresentada em desacordo com a legislação. No entanto, conforme acima explanado, cada uma das infrações deve ter sua penalidade analisada quanto à retroatividade benéfica: · A penalidade aplicável à infração relativa ao atraso, a multa de mora, deve ser mantida em todas as competências, mas limitada a 20%; · A penalidade aplicável à infração relativa à GFIP, nas competências em que estiver presente no lançamento, deve ser comparada com a penalidade do art. 32A da Lei 8.212/91, prevalecendo a que for mais favorável ao contribuinte. No caso em tela, consta do processo 13896.001977/201039, fls. 09, o Anexo V que demonstra a forma como a fiscalização aplicou a multa menos severa ao contribuinte. Fl. 111DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 15/01/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 13896.001969/201092 Acórdão n.º 2301002.990 S2C3T1 Fl. 93 31 Nos meses de 01/2006 a 08/2006, 13/2006 e 04/2007 a 06/2007 a penalidade deve ser mantida no valor equivalente a: multa de mora limitada a 20% e multa mais benéfica quando comparada a multa do art. 32 com a multa do art. 32A da Lei 8.212/91. Nos meses de 09/2006 a 12/006 e 01/2007 a 03/2007 foi aplicada somente a multa de mora no presente lançamento. Conforme nossa posição sobre a multa de mora, deve esta ser limitada a 20%. Por todo o exposto, voto no sentido de CONHECER e DAR PROVIMENTO PARCIAL ao RECURSO VOLUNTÁRIO de modo a: (a) excluir do lançamento os levantamentos VT, VT1, VR e VR1; (b) afastar a majoração da multa de 75% para 112,5%; (c) nos meses de 01/2006 a 08/2006, 13/2006, e 04/2007 a 06/2007 manter a penalidade equivalente a: multa de mora limitada a 20% e multa mais benéfica quando comparada a multa do art. 32 com a multa do art. 32A da Lei 8.212/91; (d) nos meses de 09/2006 a 12/006 e 01/2007 a 03/2007 deve a multa de mora aplicada ser limitada a 20%. (assinado digitalmente) Mauro José Silva Relator Fl. 112DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 15/01/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por MAURO JOSE SILVA
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