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Numero do processo: 13971.910873/2009-33
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 23 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon May 06 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/02/2009 a 28/02/2009
COMPENSAÇÃO. REQUISITOS.
É vedada a compensação de débitos com créditos desvestidos dos atributos de liquidez e certeza.
Recurso Voluntário Negado
Direito Creditório Não Reconhecido
DILAÇÃO PROBATÓRIA. DILIGÊNCIAS.
A realização de diligências destina-se a resolver dúvidas acerca de questão controversa originada da confrontação de elementos de prova trazidos pelas partes, mas não para permitir que seja feito aquilo que a lei já impunha como obrigação, desde a instauração do litígio, às partes componentes da relação jurídica.
Numero da decisão: 3403-002.105
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Antônio Carlos Atulim Presidente
(assinado digitalmente)
Alexandre Kern - Relator
Participaram do julgamento os conselheiros Antônio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Rosaldo Trevisan, Domingos de Sá Filho, Ivan Allegretti e Marcos Tranchesi Ortiz.
Nome do relator: ALEXANDRE KERN
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/02/2009 a 28/02/2009 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. INDÉBITOS. DÉBITOS CONFESSADOS. ERRO. COMPROVAÇÃO. O deferimento de pedido de restituição de pagamento indevido de débito depende da prova do erro na confissão, passível de ser produzida, mesmo no curso do contencioso administrativo fiscal, até o momento processual da reclamação, prescindindo, nesse caso, de prévia retificação da DCTF. ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. DILAÇÃO PROBATÓRIA. DILIGÊNCIAS. A realização de diligências destinase a resolver dúvidas acerca de questão controversa originada da confrontação de elementos de prova trazidos pelas partes, mas não para permitir que seja feito aquilo que a lei já impunha como obrigação, desde a instauração do litígio, às partes componentes da relação jurídica. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/02/2009 a 28/02/2009 COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. É vedada a compensação de débitos com créditos desvestidos dos atributos de liquidez e certeza. Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 1. 91 08 73 /2 00 9- 33 Fl. 109DF CARF MF Impresso em 06/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 30/04/2013 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 29/04/2013 por ALEXANDRE KERN 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Antônio Carlos Atulim – Presidente (assinado digitalmente) Alexandre Kern Relator Participaram do julgamento os conselheiros Antônio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Rosaldo Trevisan, Domingos de Sá Filho, Ivan Allegretti e Marcos Tranchesi Ortiz. Relatório INDUSTRIAL REX LTDA. formulou o Pedido de Restituição e Declaração de Compensação, por meio do qual pretendeu restituirse de indébito de Cofins (Cód. 5856), por pagamento efetuado em 25/03/2009, e compensar o direito creditório com débitos de mesma contribuição. Por Despacho Decisório Eletrônico, a DRF/BlumenauSC indeferiu o pleito e não homologou a compensação porque o pagamento indigitado foi integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Sobreveio reclamação, por meio da qual o contribuinte alega que o despacho decisório contestado não adentrou no mérito do crédito postulado . Pleiteia a declaração de nulidade do ato administrativo, em razão de faltarlhe motivação, fundamentação, o que feriria o direito ao contraditório e à ampla defesa. Argúi também a ausência de fundamentação , desvio de finalidade e prejuízo ao contraditório, à ampla defesa e ao devido processo legal . E argumenta no sentido da necessidade da busca pela verdade material, princípio reitor da atuação administrativa. Complementarmente, pugna pela não exigência da multa de mora em razão da necessária subordinação aos princípios da vedação ao confisco, da razoabilidade e da proporcionalidade. E contesta, por fim, a imposição dos juros de mora calculados com base na taxa Selic, chamando à colação à limitação dos juros de mora pretensamente posta no Código Tributário Nacional. Pleiteia, por fim, a decretação da nulidade do despacho decisório e a obstaculização de qualquer cobrança de valores resultantes do referido ato administrativo. A DRJ/FNS4ª Turma julgou a Manifestação de Inconformidade improcedente. O Acórdão no 07029.069, de 25 de maio de 2012, fls. 59 a 63, teve ementa vazada nos seguintes termos: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2006 COMPENSAÇÃO. INDÉBITO ASSOCIADO A ERRO EM VALOR DECLARADO EM DCTF. REQUISITO PARA HOMOLOGAÇÃO. Fl. 110DF CARF MF Impresso em 06/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 30/04/2013 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 29/04/2013 por ALEXANDRE KERN Processo nº 13971.910873/200933 Acórdão n.º 3403002.105 S3C4T3 Fl. 110 3 Para que os recolhimentos relativos a débitos declarados em DCTF sejam tidos como indevidos e passíveis de repetição, é preciso que o sujeito passivo retifique a declaração originalmente apresentada, alterando os valores daqueles débitos para, com isso, consubstanciar juridicamente a existência do indébito. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Cuidase agora de recurso interposto contra a decisão da DRJ/FNS4ª Turma. O arrazoado de fls. 67 a 89, após síntese dos fatos relacionados com a lide, retoma as arguições de nulidade já cogitadas na manifestação de continuidade. Invoca o princípio da verdade material para protestar por seu direito de provar o crédito mesmo na fase recursal. Tacha de nula a aplicação da multa de mora de 20% sobre os valores que diz serem indevidamente compensados. Da mesma forma, rechaça a incidência de juros Selic sobre o débito emergente da não homologação da compensação. Conclui, requerendo integral provimento ao Recurso Voluntário, a fim de que sejam homologadas as compensações declaradas. O processo administrativo correspondente foi materializado na forma eletrônica, razão pela qual todas as referências a folhas dos autos pautarseão na numeração estabelecida no processo eletrônico. É o Relatório. Voto Conselheiro Alexandre Kern, Relator Presentes os pressupostos recursais, a petição de fls. 67 a 89 merece ser conhecida como recurso voluntário contra o Acórdão DRJFNS4ª Turma nº 07029.069, de 25 de maio de 2012. Matéria controvertida A decisão recorrida não conheceu da reclamação quanto aos acréscimos legais incidentes sobre o valor do débito que emergiu inadimplido pela não homologação da compensação declarada. Fêlo bem. Tratandose de cobrança propriamente dita, a matéria escapa do rito instituído pelo Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. Incidentalmente, saiba a recorrente que os acréscimos legais sobre os débitos não pagos na data de seu vencimento estão expressamente previstos no art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, não cabendo aos agentes da Administração deixar de aplicálos em face de argumentos de inconstitucionalidade ou ilegalidade. Fl. 111DF CARF MF Impresso em 06/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 30/04/2013 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 29/04/2013 por ALEXANDRE KERN 4 Preliminares de nulidade do Despacho Decisório Nesse ponto, adoto os fundamentos da decisão recorrida, que, forte no § 1º do art. 50 da Lei no 9.784, de 29 de janeiro de 1999, passam a fazer parte integrante desse voto. O despacho decisório preenche todos os requisitos formais e materiais para sua validade, devendo ser refutada a argüição. Ainda que de forma sintética, o despacho decisório contém motivação, base legal e permitiu ao contribuinte total conhecimento das irregularidades imputadas a seu pleito, habilitandolhe o exercício pleno do seu direito de defesa. Também não há que se falar em desvio de finalidade do ato administrativo, até mesmo porque este está corretamente fundamentado. Mérito Afastadas as preliminares argüidas e não conhecida a insurgência contra procedimentos de cobrança, a inconformidade manifestada na reclamação ficou vazia. Nada obstante, a decisão recorrida, assentandose sobre a premissa de que a liquidez e a certeza do crédito oposto na compensação reclama a prévia retificação do valor do débito pretensamente confessado em erro em DCTF, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade sumariamente, sem qualquer menção ao “deserto” em que se transformou o presente processo no que diz respeito à prova do direito creditório aventado. Já é entendimento assentado nesta Turma o de que tal óbice deve ser afastado, em face do contido no art. 16 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 (PAF), reproduzido no art. 57 do Regulamento do Processo Administrativo Fiscal, aprovado pelo Decreto nº 7.574, de 29 de setembro de 2011, norma com aplicação autorizada aos processos da espécie pelo § 4º do art. 66 da Instrução Normativa RFB no 900, de 30 de dezembro de 2008. Na verdade, a prévia retificação da DCTF apenas viabiliza o processamento automático dos PER/Dcomp, mas jamais poderia ser tida como requisito para a verificação da liquidez e certeza de direito creditório. Se é certo que a espontaneidade da confissão do débito implica a sua irretratabilidade, também o é que o art. 214 do Código Civil – CC Lei nº 10.406, de 10 de janeiro de 2002, admite sua revogação quando produzida em erro de fato. E, conforme visto, mesmo na fase contenciosa do procedimento administrativo fiscal, que ora se desenrola, o requerente, enquanto manifestante, pode (e deve) produzir a prova necessária para a demonstração de seu direito, entre elas, a do erro no preenchimento de declaração. Tecidas essas considerações preambulares, por meio das quais se refuta a necessidade de prévia retificação da DCTF e se reafirma o direito de produção probatório do crédito postulado até o momento processual da reclamação, não se pode deixar de reconhecer que não há o menor início de prova do indébito. O recorrente, a certa altura de sua peça recursal, protestou por seu direito de provar o direito creditório. Mas a insurgência limitouse a isso. O recorrente não alega erro na declaração, não questiona legalidade ou inconstitucionalidade da norma de incidência tributária, nem qualquer outra das fantasiosas construções de indébitos freqüentes depois da edição da Medida Provisória nº 66, de 29 de agosto de 2002. Nada. Fl. 112DF CARF MF Impresso em 06/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 30/04/2013 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 29/04/2013 por ALEXANDRE KERN Processo nº 13971.910873/200933 Acórdão n.º 3403002.105 S3C4T3 Fl. 111 5 Matéria de extremada importância em sede processual é a referente à repartição do ônus da prova nas questões litigiosas. Com efeito, da delimitação do onus probandi depende a definição de grande parte das responsabilidades processuais. Assim é nas relações de direito privado e, igualmente, nas relações de direito público, dentre as quais as relacionadas à imposição tributária. Neste campo, a legislação processual administrativotributária inclui disposições que, em regra, reproduzem aquele que é, por assim dizer, o principio fundamental do direito probatório, qual seja o de que quem acusa e/ou alega deve provar. Assim é que, nos casos de lançamentos de oficio, não basta a afirmação, por parte da autoridade fiscal, de que ocorreu o ilícito tributário; pelo contrário, é fundamental que a infração seja devidamente comprovada, como se depreende da parte final do caput do artigo 9° do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, que determina que os autos de infração e notificações de lançamento "deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito". De outro lado, ao contribuinte a legislação impõe o ônus de provar o que alega em face das provas carreadas pela autoridade fiscal, como expresso no inciso III do artigo 16 do mesmo Decreto nº 70.235, de 1972, que determina que a impugnação conterá "os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir". Esse, portanto, o quadro nos lançamentos de oficio: à autoridade fiscal incumbe provar, pelos meios de prova admitidos pelo direito, a ocorrência do ilícito; ao contribuinte, cabe o ônus de provar o teor das alegações que contrapõe às provas ensejadoras do lançamento. Já nos casos de repetição de indébito, como no presente processo, entretanto, o quadro resta um pouco modificado, como a seguir se verá. Quando a situação posta se refere à restituição, compensação ou ressarcimento de créditos tributários, é atribuição do contribuinte a demonstração da efetiva existência do indébito. Tanto é assim que a Instrução Normativa SRF nº 900, de 30 de dezembro de 2008, que rege atualmente os processos de restituição, compensação e ressarcimento de créditos tributários, assim expressa em vários de seus dispositivos: Art. 3° A restituição a que se refere o art. 2° poderá ser efetuada: I a requerimento do sujeito passivo ou da pessoa autorizada a requerer a quantia; ou II mediante processamento eletrônico da Declaração de Ajuste Anual do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física (DIRPF). § Iº A restituição de que trata o inciso I do caput será requerida pelo sujeito passivo mediante utilização do programa Pedido de Restituição, Ressarcimento ou Reembolso e Declaração de Compensação (PER/DCOMP). § 2º Na impossibilidade de utilização do programa PER/DCOMP, o requerimento será formalizado por meio do formulário Pedido de Restituição, constante do Anexo I, ou mediante o formulário Pedido de Restituição de Valores Indevidos Relativos a Contribuição Previdenciária, constante cio Anexo II, conforme o caso, aos quais deverão ser anexados documentos comprobatórios do direito creditório. Fl. 113DF CARF MF Impresso em 06/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 30/04/2013 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 29/04/2013 por ALEXANDRE KERN 6 [..1 § 4° Tratandose de pedido de restituição formulado por representante do sujeito passivo mediante utilização do programa PER/DCOMP, os documentos a que se refere o § 3° serão apresentados à RFB após intimação da autoridade competente para decidir sobre o pedido. [..1 Art. 65. A autoridade da RFB competente para decidir sobre a restituição, o ressarcimento, o reembolso e a compensação poderá condicionar o reconhecimento do direito creditório à apresentação de documentos comprobatórios do referido direito. inclusive arquivos magnéticos, bem como determinar a realização de diligência fiscal nos estabelecimentos do sujeito passivo a fim de que seja verificada. mediante exame de sua escrituração contábil e fiscal, a exatidão das informações prestadas. Como se percebe, em qualquer dos tipos de repetição é exigida a apresentação dos documentos comprobatórios da existência do direito creditório como prerrequisito ao conhecimento do pleito. E o que se deve ter por documentos comprobatórios do crédito? Por óbvio que os documentos que atestem, de forma inequívoca, a origem e a natureza do crédito; sem tal evidenciação, o pedido repetitório fica inarredavelmente prejudicado. É certo que as normas acima transcritas prevêem a realização de diligências, por parte da autoridade fiscal, destinadas à verificação da exatidão das informações trazidas pelos contribuintes, mas é preciso ter em conta que tal previsão não existe com o fim de suprir o ônus da prova colocado às partes, mas sim de elucidar questões pontuais mantidas controversas mesmo em face dos documentos trazidos pelo contribuinte/pleiteante; em outras palavras, as diligências servem para esclarecer pontos duvidosos específicos, e não para que a autoridade fiscal, diante da falta de comprovação da existência do crédito, supra tal omissão do contribuinte. No caso específico dos pedidos de restituição, compensação ou ressarcimento de créditos tributários, o contribuinte cumpre o ônus que a legislação lhe atribui, quando traz os elementos de prova que demonstrem a existência do crédito. E tal demonstração, no caso das pessoas jurídicas, está, por vezes, associada a uma conciliação entre registros contábeis e documentos que respaldem tais registros. Assim, para comprovar a existência de um crédito vinculado a um registro contábil, não basta apresentar o registro, mas também indicar, de forma específica, que documentos estão associados a que registros; ainda, é importante, quando a natureza da operação escriturada/documentada for importante para a caracterização ou não do direito creditório, que a descrição da operação constante dos registros e documentos seja clara, sem abreviaturas ou códigos que dificultem ou impossibilitem a perfeita caracterização do negócio. Não é lícito ao julgador, tanto em sede de apreciação de lançamento de oficio, quanto em sede de pleito repetitório, dispensar a autoridade lançadora ou o pleiteante, conforme o caso, do ônus que a lei impõe a cada um deles; tanto quanto não lhe é lícito valer se das diligências e perícias para, por vias indiretas, suprir o ônus probatório que cabia a cada parte. Diligências existem para resolver dúvidas acerca de questão controversa originada da confrontação de elementos de prova trazidos pelas partes, mas não para permitir que seja feito aquilo que a lei já impunha como obrigação, desde a instauração do litígio, às partes componentes da relação jurídica. Já as perícias existem para fins de que sejam dirimidas Fl. 114DF CARF MF Impresso em 06/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 30/04/2013 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 29/04/2013 por ALEXANDRE KERN Processo nº 13971.910873/200933 Acórdão n.º 3403002.105 S3C4T3 Fl. 112 7 questões para as quais exigese conhecimento técnico especializado, ou seja, matéria impassível de ser resolvida a partir do conhecimento das partes e do julgador. De se ressaltar, igualmente, que o fato de o processo administrativo ser informado pelo principio da verdade material, em nada macula tudo o que foi até aqui dito. É que o referido princípio destinase a busca da verdade que está para além dos fatos alegados pelas partes, mas isto num cenário dentro do qual as partes trabalharam proativamente no sentido do cumprimento do seu ônus probandi. Em outras palavras, o principio da verdade material autoriza o julgador a ir além dos elementos de prova trazidos pelas partes, quando tais elementos de prova induzem à suspeita de que os fatos ocorreram não da forma como esta ou aquela parte afirma, mas de uma outra forma qualquer (o julgador não está vinculado às versões das partes). Mas isto, à evidência, nada tem a ver com propiciar à parte que tem o ônus de provar o que alega/pleiteia, a oportunidade de, por via de diligências, produzir algo que, do ponto de vista estritamente legal, já deveria compor, como requisito de admissibilidade, o pleito desde sua formalização inicial. Dito de outro modo: da mesma forma que não é aceitável que um lançamento seja efetuado sem provas e que se permita posteriormente, em sede de julgamento e por meio de diligências, tal instrução probatória, também não é aceitável que um pleito repetitório seja proposto sem a minudente demonstração e comprovação da existência do indébito e que posteriormente, também em sede de julgamento e por via de diligências, se oportunize tais demonstração e comprovação. Se, de um lado é certo que o DARF informado no PER/Dcomp comprova um recolhimento, de outro, inexiste nos autos qualquer prova de que o pagamento seja indevido. Há tãosomente a alegação do requerente, ora recorrente. Nada mais. E, em sede de prova, nada alegar e alegar, mas não provar o alegado se equivalem (allegare nihil et allegatum non probare paria sunt). A esse propósito, reportome à Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999. De acordo com o seu art. 36, que regulamenta o sistema de distribuição da carga probatória no Processo Administrativo Federal: o ônus de provar a veracidade do que afirma é do requerente: Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no artigo 37 desta Lei. No mesmo sentido o art. 330 da Lei no 5.869, de 11 de janeiro de 1973 (CPC). A jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça também corrobora esse entendimento: Allegare nihil et allegatum non probare paria sunt — nada alegar e não provar o alegado, são coisas iguais.(HABEAS CORPUS Nº 1.1710 — RJ, R. Sup. Trib. Just., Brasília, a. 4, (39): 211276, novembro 1992, p. 217) Alegar e não provar significa, juridicamente, não dizer nada.(INTERVENÇÃO FEDERAL Nº 83 — PR, R. Sup. Trib. Just., Brasília, a. 7, (66): 93116, fevereiro 1995. 99) RECURSO ORDINÁRIO EM MANDADO DE SEGURANÇA – APOSENTADORIA – NEGATIVA DE REGISTRO – TRIBUNAL DE CONTAS – ATOS ADMINISTRATIVOS NÃO COMPROVADOS – ART. 333, INCISO II, DO CPC – PAGAMENTO DOS PROVENTOS DE NOVEMBRO/96 E DÉCIMO TERCEIRO SALÁRIO DAQUELE MESMO ANO – IMPOSSIBILIDADE – SÚMULAS 269 E 271 DA SUPREMA CORTE – 1. O ônus da prova incumbe ao réu, quanto à Fl. 115DF CARF MF Impresso em 06/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 30/04/2013 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 29/04/2013 por ALEXANDRE KERN 8 existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor (art. 333, II, do Código de Processo Civil). Incumbe às Secretarias de Educação e da Fazenda a demonstração de que a professora havia sido notificada da suspensão de sua aposentadoria. 2. Não cabe em mandado de segurança para cobrança de proventos não recebidos, a teor das súmulas 269 e 271 da Suprema Corte. 3. Recurso parcialmente provido. (STJ – ROMS 9685 – RS – 6ª T. – Rel. Min. Fernando Gonçalves – DJU 20.08.2001 – p. 00538)JCPC.333 JCPC.333.II TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL – IMPOSTO DE RENDA – VERBAS INDENIZATÓRIAS – FÉRIAS E LICENÇAPRÊMIO – NÃO INCIDÊNCIA – COMPENSAÇÃO – AJUSTE ANUAL – ÔNUS DA PROVA – O ônus da prova incumbe ao autor quanto ao fato constitutivo de seu direito e ao réu quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Cabe ao contribuinte comprovar a ocorrência de retenção na fonte do imposto de renda incidente sobre verbas indenizatórias e à Fazenda Nacional incumbe a prova de eventual compensação do imposto de renda retido na fonte no ajuste anual da declaração de rendimentos. Recurso provido. (STJ – REsp 229118 – DF – 1ª T. – Rel. Min. Garcia Vieira – DJU 07.02.2000 – p. 132) PROCESSO CIVIL E TRIBUTÁRIO – EXECUÇÃO FISCAL – EMBARGOS DO DEVEDOR – NOTIFICAÇÃO DO LANÇAMENTO – IMPRESCINDIBILIDADE – ÔNUS DA PROVA – 1. Imprescindível a notificação regular ao contribuinte do imposto devido. 2. Incumbe ao embargado, réu no processo incidente de embargos à execução, a prova do fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor (CPC, art. 333, II). 3. Recurso especial conhecido e provido. (STJ – REsp 237.009 – (1999/00996607) – SP – 2ª T. – Rel. Min. Francisco Peçanha Martins – DJU 27.05.2002 – p. 147) TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL – IRPF – REPETIÇÃO DE INDÉBITO – VERBAS INDENIZATÓRIAS – RETENÇÃO NA FONTE – ÔNUS DA PROVA – VIOLAÇÃO DE LEI FEDERAL CONFIGURADA – DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL NÃO COMPROVADA – SÚMULA 13/STJ PRECEDENTES – Cabe ao autor provar que houve a retenção do imposto de renda na fonte, por isso que é fato constitutivo do seu direito; ao réu competia a prova de eventual compensação na declaração anual de rendimentos dos recorrentes, do imposto de renda retido na fonte, fato extintivo, impeditivo ou modificativo do direito do autor – Incidência da Súmula 13 STJ – Recurso especial conhecido pela letra a e provido. (STJ – RESP 232729 – DF – 2ª T. – Rel. Min. Francisco Peçanha Martins – DJU 18.02.2002 – p. 00294) À falta da prova do erro, capaz de afastar o atributo de irretratabilidade da confissão de dívida, milita contra a alegação do requerente a presunção de que o pagamento não lhe confere qualquer direito creditório porque foi alocado a débito espontaneamente confessado em DCTF. Fl. 116DF CARF MF Impresso em 06/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 30/04/2013 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 29/04/2013 por ALEXANDRE KERN Processo nº 13971.910873/200933 Acórdão n.º 3403002.105 S3C4T3 Fl. 113 9 Conclusão Nego provimento ao recurso. Sala das Sessões, em 23 de abril de 2013 Alexandre Kern Fl. 117DF CARF MF Impresso em 06/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 30/04/2013 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 29/04/2013 por ALEXANDRE KERN
score : 1.0
Numero do processo: 11020.000937/2010-43
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 10 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI
Período de apuração: 01/07/2007 a 30/09/2007
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO. NECESSIDADE DE LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO.
A homologação de compensação de débito fiscal, efetuada pelo próprio sujeito passivo, mediante a transmissão de Pedido de Restituição/Declaração de Compensação (Per/Dcomp), está condicionada à certeza e liquidez dos créditos financeiros declarados.
Recurso Improvido.
Numero da decisão: 3301-001.199
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
Nome do relator: ANTONIO LISBOA CARDOSO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/07/2007 a 30/09/2007 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO. NECESSIDADE DE LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. A homologação de compensação de débito fiscal, efetuada pelo próprio sujeito passivo, mediante a transmissão de Pedido de Restituição/Declaração de Compensação (Per/Dcomp), está condicionada à certeza e liquidez dos créditos financeiros declarados. Recurso Improvido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. RODRIGO DA COSTA PÔSSAS Presidente. ANTÔNIO LISBOA CARDOSO Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Adão Vitorino de Moraes, Antônio Lisboa Cardoso (relator), Maurício Taveira e Silva, Fabio Luiz Nogueira, Maria Teresa Martínez López e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente). Fl. 177DF CARF MF Impresso em 17/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 17/04/20 12 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 31/01/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO 2 Relatório Cuida o presente processo de pedido de ressarcimento do saldo credor do IPI, de que trata o art. 11 da Lei n 9.979, de 19 de janeiro de 1999, referente ao terceiro trimestre de 2007, conforme Pedido Eletrônico de Restituição ou Ressarcimento e Declaração de Compensação (PER/DCOMP) impresso nas fls. 1 a 28. O direito creditório solicitado não foi reconhecido, conforme Despacho Decisório de 30 de abril de 2010, das fls. 31 e 32, do Chefe do Serviço de Orientação e Análise Tributária (Seort) da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Caxias do Sul (DRF/CXL), por delegação de competência, sob o argumento de que o interessado foi autuado no Processo nº 11020.000977/201095, por falta de lançamento do IPI, decorrente de erro de classificação fiscal e de alíquota do referido imposto, autuação em que foi efetuada a reconstituição da escrita fiscal do estabelecimento, com absorção integral dos créditos cujo ressarcimento foi solicitado no presente processo, tornando o pleito descabido. 0 mesmo Despacho Decisório não homologou as compensações objeto do PER/DCOMP de inicio referido. O acórdão recorrido que manteve o indeferimento é assim ementado: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/07/2007 a 30/09/2007 SALDO CREDOR. RESSARCIMENTO. DENEGAÇÃO. É vedado o ressarcimento a estabelecimento pertencente a pessoa jurídica com processo judicial e_ com processo administrativo fiscal de determinação e exigência de crédito do IPI, cuja decisão definitiva, judicial ou administrativa, possa alterar o valor a ser ressarcido. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido.” Cientificada em 22/09/2010 (AR fl. 144), a Recorrente protocolou em 06/10/2010, o recurso voluntário de fls. 145/159, onde reitera os argumentos constantes de sua manifestação de inconformidade, alega estar correta a classificação fiscal e a alíquota que adota para os seus produtos, motivo pelo qual restam improcedentes os débitos constituídos no lançamento de oficio do IPI formalizado no Processo nº 11020.000977/201095, fato que libera os créditos solicitados nos processos de ressarcimento. Alternativamente requer a suspensão deste processo, até o julgamento da Ação Declaratória nº 2009.71.07.0048303, que tramita na Vara Federal de Caxias do Sul, por ele interposta em 29 de setembro de 2009, cumulada com ação de anulação de ato declaratório de lançamento de divida tributária, no caso, a divida formalizada no já mencionado Processo n 11020.003868/200210, pedindo, na referida ação, o enquadramento dos produtos que fabrica no código 4908.90.00 da TIPI, inclusive em relação aos decalques plásticos autoadesivos, faixas decorativas e etiquetas plásticas autoadesivas, objeto da autuação formalizada no já mencionado Processo nº 11020.000977/201095. Fl. 178DF CARF MF Impresso em 17/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 17/04/20 12 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 31/01/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO Processo nº 11020.000937/201043 Acórdão n.º 330101.199 S3C3T1 Fl. 168 3 É o relatório. Voto Conselheiro ANTÔNIO LISBOA CARDOSO O recurso é tempestivo e revestido dos demais requisitos indispensáveis à sua admissibilidade, devendo o mesmo ser conhecido. Conforme relatado, Recorrente foi autuada no Processo nº 11020.000977/201095, por falta de lançamento do IPI, decorrente de erro de classificação fiscal e de alíquota do referido imposto, autuação em que foi efetuada a reconstituição da escrita fiscal do estabelecimento, com absorção integral dos créditos cujo ressarcimento foi solicitado no presente processo, tornando o pleito descabido, da mesma forma o referido Despacho Decisório não homologou as compensações objeto do PER/DCOMP de inicio referido. Desta forma o pleito da Recorrente encontra óbice no art. 74, §3, VI, da Lei nº 9.430, de 1996, pois, conforme relatado, in verbis: “Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão.(Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) § 1o A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) § 2o A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) § 3o Além das hipóteses previstas nas leis específicas de cada tributo ou contribuição, não poderão ser objeto de compensação mediante entrega, pelo sujeito passivo, da declaração referida no § 1o: (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) (...) VI o valor objeto de pedido de restituição ou de ressarcimento já indeferido pela autoridade competente da Secretaria da Receita Federal SRF, ainda que o pedido se Fl. 179DF CARF MF Impresso em 17/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 17/04/20 12 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 31/01/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO 4 encontre pendente de decisão definitiva na esfera administrativa. (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004)” Ademais disto, a homologação de compensação de débito fiscal, efetuada pelo próprio sujeito passivo, mediante a transmissão de Pedido de Restituição/Declaração de Compensação (Per/Dcomp), está condicionada à certeza e liquidez dos créditos financeiros declarados, o que impede, inclusive, a possibilidade de suspensão do presente processo até o trânsito em julgado de ação judicial, na qual é discutida a legalidade do outro processo administrativo, porquanto inexiste notícia nos autos de qualquer medida antecipatória de tutela que pudesse assegurar o direito da contribuinte. Em face do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso. Ademais disto, ANTÔNIO LISBOA CARDOSO Relator Fl. 180DF CARF MF Impresso em 17/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 17/04/20 12 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 31/01/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO
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Numero do processo: 10980.725971/2010-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 18 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri May 17 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 2202-000.474
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Conselheiro Relator.
(Assinado digitalmente)
Maria Lucia Moniz de Aragão Calomino Astorga- Presidente. Substituta
(Assinado digitalmente)
Rafael Pandolfo - Relator.
Nome do relator: RAFAEL PANDOLFO
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Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Conselheiro Relator. (Assinado digitalmente) Maria Lucia Moniz de Aragão Calomino Astorga Presidente. Substituta (Assinado digitalmente) Rafael Pandolfo Relator. Participaram do julgamento os Conselheiros Antonio Lopo Martinez, Rafael Pandolfo, Márcio de Lacerda Martins, Fábio Brun Goldschmidt, Pedro Anan Junior e Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga . RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 80 .7 25 97 1/ 20 10 -1 1 Fl. 197DF CARF MF Impresso em 17/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2013 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 16/05/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado digitalmente em 10/05/2013 por RAFAEL PANDOLF O Processo nº 10980.725971/201011 Resolução nº 2202000.474 S2C2T2 Fl. 198 2 Relatório 1 Procedimento de Fiscalização Em 25/11/10, o recorrente recebeu intimação (fls. 35 do eprocesso) requisitando os seguintes documentos ligados ao imóvel “GLEBA SAIBRO”, relativos aos exercícios de 2006, 2007 e 2008:: a) matrícula atualizada do registro imobiliário, com averbação da área de reserva legal b) comprovação da existência da ARL — Área de Reserva Legal; c) ADA — Ato Declaratório Ambiental –, requerido tempestivamente junto ao IBAMA; d) documentos comprobatórios das APP — Áreas de Preservação Permanente —, como laudos técnicos acompanhados de ART — Anotação de Responsabilidade Técnica; e) no caso de APP constituída pelo poder público, apresentar o ato normativo que constituiu a área; f) laudo de avaliação técnica de acordo com a NBR 14.653 da ABNT, com grau de precisão e fundamentação II, acompanhado de ART; A intimação continha relação dos valores a serem utilizados para o arbitramento do VTN — Valor da Terra Nua — em caso de não apresentação de laudo técnico, de acordo com a aptidão agrícola. Esta intimação não foi respondida. 2 Auto de Infração Em face da inércia do representante do espólio em atender à intimação, o Fisco lavrou auto de infração de ITR para os anos de 2006 a 2008, constituindo um crédito tributário total de R$647.920,72, incluídos imposto, multa de ofício de 75% e juros de mora. O fundamento do auto de infração foi a reconstituição do lançamento, com a desconsideração das áreas de preservação permanente e área de reserva legal declaradas, incluindoas na base de cálculo do tributo, em virtude da falta de comprovação das áreas isentas. Ainda, devido à discrepância entre o valor de VTN registrado no SIPT para a região e o declarado pelo recorrente, foi considerada existente subavaliação do valor da terra, que ensejou arbitramento da VTN. O arbitramento foi realizado da seguinte forma: as áreas declaradas como de BENFEITORIAS foram consideradas de aptidão “Terra mista mecanizada”, as com áreas declaradas como de PRODUTOS VEGETAIS foram consideradas de aptidão “Terra mista mecanizável”, e as DEMAIS ÁREAS foram consideradas “Terra mista Fl. 198DF CARF MF Impresso em 17/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2013 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 16/05/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado digitalmente em 10/05/2013 por RAFAEL PANDOLF O Processo nº 10980.725971/201011 Resolução nº 2202000.474 S2C2T2 Fl. 199 3 não mecanizável”. O arbitramento levou em consideração o município — Guaraqueçaba/PR — e a data de cada fato gerador para estipular os valores. Por fim, a mudança nas áreas tributáveis modificou o grau de utilização de 100% para 30,9%, implicando a modificação da alíquota aplicável para a de 6%. O recorrente foi intimado do lançamento em 28/12/10. 3 Impugnação Inconformado com o lançamento, o espólio do contribuinte apresentou impugnação ao auto de infração, por meio de sua inventariante judicialmente constituída. Os argumentos esgrimidos foram: a) não foram atendidas as solicitações devido à extensa lista de documentos requisitados ao recorrente, que recebeu, ao mesmo tempo, intimação semelhante em relação a outros três imóveis de propriedade do espólio. O prazo exíguo de 30 dias estendido pela fiscalização inviabilizou a juntada de toda a documentação. Ademais, toda essa documentação fora requisitada anteriormente, em relação aos exercícios de 2004 e 2005, que tiveram lançamento suplementar realizado no processo administrativo nº 10980.008675/200820, que ainda pendia de julgamento definitivo. Nessa oportunidade, inclusive, já fora constatada a entrega de ADA e a existência de averbação de área de reserva legal; b) existe Área de Preservação Ambiental constituída pelo poder público Na área onde está situado o imóvel autuado. Essa APA existe pelo fato de a propriedade estar inserta no ecossistema da Mata Atlântica. O Decreto Federal nº 90.883/85 e o Decreto Estadual PR nº 1.228/92 comprovam que estas áreas foram declaradas como de Preservação Ambiental pelo poder público; c) as Áreas de Preservação Ambiental são isentas de ITR, vez que são áreas de interesse ecológico para proteção de ecossistemas, e se encaixam na isenção prevista no art. 10, II, b, da Lei 9.393/97; d) além disso, a área é de topografia acidentada, coberta por topos, encostas de morros, serras, montanhas, rios, riachos, córregos, etc, sendo imprópria para qualquer exploração que não a ecológica. A título exemplificativo, o acesso é tão limitado que somente pode ser realizado através de barcos, utilizando os diversos braços de mar que circundam a área, já que não existe qualquer estrada ou caminho pela via terrestre; e) o ADA nº 118.930 demonstra que toda a área da Fazenda está inserta em APA, motivo que levou o contribuinte a, em anos anteriores, declarar a totalidade da área como de interesse ecológico, embora nos últimos anos a prática fosse declarar 621,6 ha a título de APP e 253,7 ha como ARL; Fl. 199DF CARF MF Impresso em 17/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2013 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 16/05/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado digitalmente em 10/05/2013 por RAFAEL PANDOLF O Processo nº 10980.725971/201011 Resolução nº 2202000.474 S2C2T2 Fl. 200 4 f) mais de 50% da propriedade são florestas em manejo e/ou matas naturais existentes, averbadas nas matrículas e identificadas em mapa anexo às matrículas; g) o contribuinte, quando vivo, era criador de gado em outras propriedades, mas desde a aquisição das terras objeto deste auto de infração não exerceu qualquer atividade econômica em sua extensão devido à impossibilidade de exploração do terreno, seja pelo fato de ser área de preservação ambiental, seja pela dificuldade de desenvolver qualquer cultura no terreno; h) é considerada como área de relevante interesse ecológico a área de Mata Atlânica, havendo, inclusive, jurisprudência do CARF nesse sentido, reconhecendo a isenção de áreas análogas; i) o laudo técnico ambiental reconhece que as áreas da propriedade são tanto de interesse ecológico como de preservação permanente; j) não procede o argumento do fiscal de que é possível a cultura da terra em casos específicos, motivo pelo qual não pode ser considerada isenta a área, pois a regra é a limitação, e a exploração só pode ser realizada mediante autorização e nos moldes definidos pelo IBAMA; k) o tributo é obrigação pecuniária decorrente de lei, mediante a constatação da ocorrência do fato jurídico tributário. Desse modo, a falta de declaração do contribuinte não é capaz de fazer surgir tributo. Ainda, o arbitramento ignora totalmente os documentos apresentados à Fiscalização em procedimento de fiscalização em relação aos anos anteriores, pois toma como áreas não mecanizáveis áreas que são de preservação permanente, composta de manguezais, banhados, morros, serras, montanhas, dentre outras formações geográficas consideradas APP; l) O VTN da terra, de acordo com o valor da compra atualizado monetariamente à época do fato gerador é de R$ 2,42 por hectare, devendo ser utilizado este valor para fins de base de cálculo do lançamento. É impossível avaliar o valor das terras de outra forma, pois não se encaixam nas aptidões agrícolas disponíveis, e, ainda por cima, são áreas que não contém propriedade semelhante comerciada recentemente, o que inviabiliza a comparação para fins de apuração de valor. Inclusive, tal imóvel seria incomerciável, pois seu valor não é comercial, mas sim ambiental. Em anexo à impugnação, o recorrente apresentou os seguintes documentos: a) matrículas atualizadas dos imóveis, acompanhadas de plantas e memoriais descritivos das propriedades (fls. 7798 do eprocesso); b) laudo técnico (fls. 99105 do eprocesso); Fl. 200DF CARF MF Impresso em 17/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2013 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 16/05/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado digitalmente em 10/05/2013 por RAFAEL PANDOLF O Processo nº 10980.725971/201011 Resolução nº 2202000.474 S2C2T2 Fl. 201 5 c) Decreto nº 90.883/85 (fls. 108111 do eprocesso); d) Decreto Estadual PR nº 1.228/92(fls. 112115 do eprocesso); e) ADA’s relativos aos exercícios de 2010 e 2011 (fls. 116119); f) Tabela de cálculo da atualização monetária do preço da terra desde a aquisição (fls. 121123 do eprocesso); 4 Acórdão de Impugnação A 1ª Turma da DRJ/CGE julgou, por unanimidade, improcedente a impugnação do recorrente, com base nos seguintes fundamentos: a) não há nulidade por cerceamento de defesa, posto que o recorrente foi intimado previamente ao lançamento para apresentar comprovação dos fatos registrados em sua DITR, e não o fez no prazo estendido, o que levou a Fiscalização a lavrar auto de infração; b) o laudo técnico apresentado não consegue retratar com a exatidão necessária a natureza das APP’s, somente listando o tamanho das APA’s, que não são isentas de ITR, por falta de disposição legal. As APA’s não podem ser compreendidas como APP’s, pois não impedem a exploração da área, apenas a limitam, e a prova disso é que há exploração agrícola em parte da propriedade, conforme declarado na DITR; c) as averbações constantes na matrícula são referentes a uma espécie de áreas de preservação permanente e áreas de manejo florestal para fins de exploração. Sendo assim, a área de reserva legal carece de averbação, motivo pelo qual não deve ser reconhecida; d) foram apresentados três ADA’s, um anterior a 2007, outro de 2009 e outro de 2010. Desde 2007 é necessária a protocolização anual de ADA no prazo de até seis meses após a entrega da DITR. Desse modo, somente estaria preenchido este requisito formal em relação ao exercício de 2006. De qualquer sorte, devido à falta de comprovação nenhuma das APP’s foi acolhida; e) frente à falta de laudo de avaliação do valor do imóvel, deve prevalecer o arbitramento realizado; 5 Recurso Voluntário Ciente do resultado do julgamento, em 18/04/12, o recorrente apresentou recurso voluntário tempestivo, em 11/05/12, reiterando os argumentos da impugnação, adicionando que a falta de averbação da área de reserva legal implica multa, de acordo com a legislação regente da matéria, mas nunca a sua desconsideração para fins de isenção do ITR. Nenhum documento novo foi apresentado junto ao recurso voluntário. É o relatório. Fl. 201DF CARF MF Impresso em 17/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2013 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 16/05/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado digitalmente em 10/05/2013 por RAFAEL PANDOLF O Processo nº 10980.725971/201011 Resolução nº 2202000.474 S2C2T2 Fl. 202 6 Voto Conselheiro Rafael Pandolfo O presente recurso voluntário reúne todos os requisitos de admissibilidade exigidos pelo Decreto nº 70.235/72, motivo pelo qual deve ser conhecido. O deslinde do presente processo depende da resolução de três pontos: a) glosa de Áreas de Preservação Permanente; b) glosa da Área de Reserva Legal; c) arbitramento da base de cálculo do tributo. Contudo, ao compulsar os autos é possível verificar que o mapa anexo à impugnação (fl. 105 do eprocesso) está incompleto, com observação manuscrita apócrifa, a qual indica que o mapa completo encontrase disponível no processo nº 14486.000072/2011 17, o qual se encontrava “nesta EQCOF/SECAT”. Entendo que a resolução do caso demanda a obtenção do mapa completo, posto que há averbação de área de reserva legal, mas não existe prova além do mapa de que ela exista. Ainda, o mapa é necessário à verificação da correção dos critérios utilizados no arbitramento, posto que o próprio recorrente alega que as áreas caracterizadas como “mecanizáveis” pelo Fisco são, em verdade, áreas acidentadas, manguezais, declives, que são impassíveis de serem cultivadas. Sendo assim, entendo por bem converter este julgamento em diligência, solicitando à “EQCOF CONTENCIOSO FISCALEACDRFCTAPR” — unidade na qual, de acordo com o COMPROT, se encontra o referido processo — que envie cópia integral do mapa existente no Processo nº 14486.000072/201117, para ser juntado a este processo, e para que seja dado seguimento à resolução da lide. (Assinado digitalmente) Fl. 202DF CARF MF Impresso em 17/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2013 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 16/05/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado digitalmente em 10/05/2013 por RAFAEL PANDOLF O
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Numero do processo: 10665.907680/2009-71
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 27 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu May 23 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/07/2006 a 30/09/2006
CRÉDITO PRESUMIDO DO ART. 1º DA LEI Nº 9.363/1996. BASE DE CÁLCULO. MATÉRIA-PRIMA PRÓPRIA - A extração de minério (pedra de ardósia) de mina, pertencente a filial, para ser industrializada e exportada pela empresa-matriz recorrente não permite a apuração do crédito presumido do art. 1º da Lei nº 9.363/1996, pois este exige a aquisição de matéria-prima, a qual pressupõe, necessariamente, que o insumo tenha sido adquirido de terceiros.
CRÉDITO PRESUMIDO DO ART. 1º DA LEI Nº 9.363/1996. BASE DE CÁLCULO. CONCEITO DE PRODUTO INTERMEDIÁRIO. ÓLEO DIESEL E ENERGIA ELÉTRICA. MINERADORA. Ressalvado o entendimento do Relator, impende aplicar a Súmula CARF nº 19, segundo a qual não integram a base de cálculo do crédito presumido da Lei nº 9.363, de 1996, as aquisições de combustíveis e energia elétrica, uma vez que não são consumidos em contato direto com o produto, não se enquadrando nos conceitos de matéria-prima ou produto intermediário.
TAXA SELIC. RESSARCIMENTO.
Por falta de previsão legal, a taxa SELIC não incide sobre o ressarcimento de tributos.
Recurso voluntário negado.
Numero da decisão: 3202-000.661
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Vencido o Conselheiro Thiago Moura de Albuquerque Alves. Designado para redigir o voto vencedor: o Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza
(assinado digitalmente)
Irene Souza da Trindade Torres - Presidente.
(assinado digitalmente)
Thiago Moura de Albuquerque Alves - Relator.
EDITADO EM: 22/05/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres, Gilberto de Castro Moreira Junior, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Thiago Moura de Albuquerque Alves e Charles Mayer de Castro Souza.
Nome do relator: THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES
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BASE DE CÁLCULO. MATÉRIAPRIMA PRÓPRIA A extração de minério (pedra de ardósia) de mina, pertencente a filial, para ser industrializada e exportada pela empresamatriz recorrente não permite a apuração do crédito presumido do art. 1º da Lei nº 9.363/1996, pois este exige a aquisição de matériaprima, a qual pressupõe, necessariamente, que o insumo tenha sido adquirido de terceiros. CRÉDITO PRESUMIDO DO ART. 1º DA LEI Nº 9.363/1996. BASE DE CÁLCULO. CONCEITO DE PRODUTO INTERMEDIÁRIO. ÓLEO DIESEL E ENERGIA ELÉTRICA. MINERADORA. Ressalvado o entendimento do Relator, impende aplicar a Súmula CARF nº 19, segundo a qual “não integram a base de cálculo do crédito presumido da Lei nº 9.363, de 1996, as aquisições de combustíveis e energia elétrica, uma vez que não são consumidos em contato direto com o produto, não se enquadrando nos conceitos de matériaprima ou produto intermediário”. TAXA SELIC. RESSARCIMENTO. Por falta de previsão legal, a taxa SELIC não incide sobre o ressarcimento de tributos. Recurso voluntário negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Vencido o Conselheiro Thiago Moura de Albuquerque Alves. Designado para redigir o voto vencedor: o Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 66 5. 90 76 80 /2 00 9- 71 Fl. 349DF CARF MF Impresso em 23/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 2/05/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 23/05/2013 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 23/05/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES 2 (assinado digitalmente) Irene Souza da Trindade Torres Presidente. (assinado digitalmente) Thiago Moura de Albuquerque Alves Relator. EDITADO EM: 22/05/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres, Gilberto de Castro Moreira Junior, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Thiago Moura de Albuquerque Alves e Charles Mayer de Castro Souza. Relatório O ora Recorrente protocolou pedido de ressarcimento, combinado com Declarações Eletrônicas de Compensação – PER/DCOMP, na Delegacia da Receita Federal DRF de sua jurisdição, postulando o reconhecimento de crédito presumido de IPI, como ressarcimento do PIS/COFINS, previsto no art. 1º da Lei nº 9.363/1996, gerado de 01/07/2006 a 30/09/2006, no valor de R$ 153.884,00. Analisando o pleito da contribuinte, a DRF deferiu parcialmente o crédito requerido, no valor de R$ 124.530,99, e, consequentemente, homologou de forma parcial as compensações através do Despacho Decisório de fl. 02. Inconformada, a Recorrente apresentou manifestação de inconformidade, que, depois de realizadas diligências, foi julgada procedente em parte pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento – DRJ competente para acrescentar, ao saldo credor já reconhecido pela DRF, a quantia de R$ 695,26 (fl. 298). Efetivamente, a DRJ julgou que a DRF havia glosado indevidamente produtos que, em parte, se enquadram no conceito de insumos para fins de apuração de crédito presumido. Eis suas palavras: Certamente não foram aceitos as compras de ardósias já computadas originalmente, os combustíveis, a energia elétrica, os gastos com telefonia, materiais de construção, aparelho de jantar, rolamento, escada de madeira para uso geral, material de uso e consumo, retentores, rolamentos, poste de concreto para construção de galpão, imobilizado, mercadorias que não foram identificadas; peças de reposição diversas; arame para concreto; avental de PVC, etc. Tais glosas são plenamente justificadas pela legislação que rege o incentivo. Contrário senso, foram acatados: o esmeril; o disco de corte; os rebolos, quando ainda não incluídos no cálculo original; pregos; parafusos; produtos identificados como material de embalagem; serra ticotico; serra mármore; lixadeiras; disco de desbaste; madeira serrada roxinho, etc. Outros não foram aceitos simplesmente porque já considerados no cálculo original. Os exemplos mais importantes foram as aquisições de ardósia; de Segmento 65E diamantado; madeira cupressus e até Fl. 350DF CARF MF Impresso em 23/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 2/05/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 23/05/2013 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 23/05/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10665.907680/200971 Acórdão n.º 3202000.661 S3C2T2 Fl. 232 3 discos de cortes, se já consideradas no Termo de Verificação Fiscal inicialmente lavrado. Por outro lado, a DRJ negou a pretensão da Recorrente de ver reconhecido o direito de calcular o crédito presumido sobre produtos oriundos de sua filial, nos seguintes termos: De posse da documentação apresentada pelo contribuinte, o auditor fiscal realizou as verificações necessárias de que resultaram as planilhas e demonstrativos de fls..., que abrangeram o período compreendido entre 01/01/2005 e 31/12/2006. Na planilha intitulada Anexo I Insumos a serem adicionados à base de cálculo (BC) do Crédito Presumido (CP) possíveis anomalias na apuração inicial foram afastadas e justificativas foram dadas para a computação ou não de certos valores na base de cálculo do crédito presumido. Por exemplo, as ardósias adquiridas de terceiros já tinham sido devidamente computadas na base de cálculo do crédito presumido já na sua apuração inicial. Assim, elas não foram obviamente consideradas uma segunda vez, para evitar duplicidade de inserção na base cálculo dessas aquisições. Outros exemplos: materiais que constavam com CFOP diferente de 1.101 ou 2.101, classificados como matériasprimas, produtos intermediários ou material de embalagem passaram a compor a base de cálculo do incentivo (disco de desbaste, CFOP 1.407 ou 1.556; pregos e parafusos, serra ticotico e disco de corte, CFOP 1.556; lixadeira angular 7”, CFOP 1.407, etc.). Concluindo, todas transferências foram consideradas: se não inicialmente, o foram após a diligência solicitada pela DRJ/JFA/MG, desde que correspondessem, cumulativamente, a matériasprimas, produtos intermediários ou material de embalagem e a aquisições no mercado interno, ainda que escrituradas com CFOP diferente de 1.101 e 2.101. Ficou assim solucionado o questionamento do contribuinte quanto a não consideração de itens simplesmente por não constaram com os referidos CFOP (1.101 e 2.101). Resta examinar o segundo aspecto relativo às transferências, que equivale àquelas ocorridas entre matriz e filial, especificamente em relação às ardósias, cujas origens reportam à lavra em mina pertencente ao contribuinte: ou seja, a extração de um bem que é registrado no ativo imobilizado do contribuinte. Nesse aspecto, com relação à lavra em mina de propriedade do solicitante, cumpre destacar que, de acordo com o art. 1º da Lei nº 9.363, de 13/12/1996, a base de cálculo do crédito presumido é representada pela aquisição, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem. Vejase o texto da lei: [...] A expressão no mercado interno implica uma relação bilateral, dentro do território nacional, de um lado o vendedor de um bem ou serviço, de outro lado o comprador dos referidos bens ou Fl. 351DF CARF MF Impresso em 23/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 2/05/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 23/05/2013 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 23/05/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES 4 serviços. Portanto, a aquisição não pode ser tomada como simples operação primária de mineração, mas uma relação comercial entre o interessado e o vendedor desses minerais, caracterizandose ambos como partícipes do mercado de compra e venda desses insumos. Não pode ser simplesmente uma operação interna da empresa. Na operação em mina própria não há a intervenção de terceiros. Nenhuma circunstância que se amolde ao art. 1º da Lei 9.363, de 1996, que exige que a operação sobre cujo valor incidirá o incentivo deva se dar na forma de aquisição no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo. Infelizmente, nesse caso, embora trate de matériaprima, a obtenção do insumo se dá no âmago da empresa que pleiteia o incentivo. Essa hipótese de obtenção de pedras não é passível de se computar como base de cálculo do crédito presumido. Assim sendo, ratificamse, no tocante às transferências de insumos, os cálculos realizados na DRF em Divinópolis, MG, a pedido da DRJ/JFA/MG. A DRJ, igualmente, negou o pedido de creditamento dos custos com energia elétrica e óleo diesel, conforme se observa do seguinte trecho do acórdão: A leitura da parte do Parecer CST nº. 65, de 1979, antes reproduzida, demonstra seu objetivo de esclarecer a equivocada interpretação de que quaisquer elementos consumidos nas instalações do contribuinte ou utilizados nos limites do seu parque industrial, certamente necessários ao desenvolvimento de suas atividades, ainda que indiretamente, sejam considerados matériaprima ou produto intermediário com o fim de gerarem o respectivo direito ao crédito e serem, obviamente, incluídas suas aquisições na base de cálculo do crédito presumido. Tornase patente, assim, que nem tudo que se consome ou se utiliza na produção pode ser conceituado como matériasprimas ou produtos intermediários, de acordo com a legislação do IPI. É de se concluir, portanto, que os gastos com ENERGIA ELÉTRICA, COMBUSTÍVEIS, MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO, MATERIAIS DE USO E CONSUMO, PEÇAS DE REPOSIÇÃO E TODOS OS DEMAIS ELEMENTOS MINUCIOSAMENTE RELACIONADOS NO ANEXO 1, NÃO ACEITOS NA DILIGÊNCIA FISCAL, não podem ser computados na base de cálculo do crédito presumido, uma vez que não revestem a condição de matériaprima ou produto intermediário, nos termos da legislação de regência, pois não sofrem alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em razão de ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, ou, viceversa. Acrescentese que o entendimento sobre os gastos com energia elétrica e óleo combustível se tornou explícito, primeiramente com a manifestação da Secretaria da Receita Federal encontrada no Boletim Central nº. 147, de 04/08/1998, que, em resposta à questão 17, enunciou que não é admitido crédito presumido de energia elétrica, e de combustíveis, quando Fl. 352DF CARF MF Impresso em 23/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 2/05/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 23/05/2013 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 23/05/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10665.907680/200971 Acórdão n.º 3202000.661 S3C2T2 Fl. 233 5 utilizados como fonte de energia motriz, eletromagnética ou térmica, por não se enquadrarem no conceito de MP, PI ou ME. Muito embora, o regime de cálculo do crédito presumido de IPI adotado pelo contribuinte seja o da Lei nº 9.363, de 1996, destacase que com a publicação da Lei nº.10.276, de 10/09/2001, os gastos com energia elétrica e óleo combustível passaram a integrar a base de cálculo do crédito presumido, num regime alternativo àquele disposto na Lei nº. 9.363, de 13/12/1996. O dispositivo legal não os considera como matéria prima ou produto intermediário, mas apenas autoriza a pessoa jurídica produtora e exportadora de mercadorias a determinar o valor do crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI),como ressarcimento relativo às contribuições para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público (PIS/PASEP) e para a Seguridade Social (Cofins), utilizandose de base de cálculo do crédito presumido formada pela soma não só dos custos com aquisição de insumos, correspondentes a matérias primas, a produtos intermediários e a material de embalagem, mas também dos gastos com energia elétrica e com combustíveis, desde que adquiridos no mercado interno e utilizados no processo produtivo. A redação do inciso I do §1º do art. 1º da Lei nº. 10.276, de 2001, não deixa dúvidas sobre a correta visão que se deve ter sobre a matéria: [...] Não há confusão entre os conceitos. A energia elétrica e os combustíveis aparecem no dispositivo acima em destaque, fora daqueles insumos classificados como matériasprimas, os produtos intermediários e os materiais de embalagem. É possível no regime alternativo computar gastos com energia elétrica a e combustíveis, impensável tal aproveitamento no regime da Lei nº. 9.363, de 1996, adotado pelo contribuinte. Assim sendo, não se considera no presente voto, como integrante da base de cálculo do crédito presumido, os gastos com energia elétrica e combustível. No que diz respeito ao pedido de aplicação da Taxa SELIC sobre o crédito presumido, o acórdão da DRJ julgouo improcedente, nas seguintes palavras: Sobre a aplicação de juros Selic sobre o crédito requerido, alertese o reclamante de que os registros de créditos e débitos do IPI efetuados na escrita fiscal (registros escriturais) e utilizados na sistemática da não cumulatividade devem ser feitos pelos valores nominais do imposto destacados nas respectivas notas fiscais de aquisição de insumos onerados pelo IPI e de saída de produtos industrializados (também onerados), sem qualquer aplicação de correção monetária ou de juros. O mesmo se aplica aos saldos credores trimestrais decorrentes do confronto entre créditos e débitos de IPI, sejam eles os chamados créditos básicos ou créditos escriturais decorrentes de incentivos fiscais, no caso, o crédito presumido de IPI. E a explicação para tanto Fl. 353DF CARF MF Impresso em 23/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 2/05/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 23/05/2013 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 23/05/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES 6 decorre da inexistência, na legislação tributária, de previsão que expressamente autorize o cômputo de tais acréscimos àqueles registros escriturais. Assim, a admissão da incidência de consectários relativos à correção monetária ou juros sobre créditos escriturais, entre os quais, o crédito presumido de IPI, ou o saldo credor trimestral pela autoridade administrativa representaria uma indevida inovação da ordem jurídica, cuja competência cabe privativamente ao legislador. Não há, destarte, como aceitála. Intimada do acórdão, a contribuinte interpôs o presente recurso voluntário, pedindo o reconhecimento integral do crédito e expressamente que: 1) Seja incluída na base de cálculo do crédito presumido de IPI as aquisições de energia elétrica e oléo diesel e as transferências realizadas de matériaprima da filial para a matriz. 2) Seja o crédito presumido de IPI apurado corrigido pela Taxa SELIC. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Thiago Moura de Albuquerque Alves: O recurso voluntário é tempestivo e, por isso, merece ser conhecido seu mérito. Primeiramente, é preciso esclarecer que não se esta discutindo, in casu, a possibilidade genérica de calcular o crédito presumido sobre produtos oriundos da filial da Recorrente. Como bem destacou a DRJ, pelo menos desde o advento do art. 15, II, da Lei nº 9.779/1999, com a apuração do incentivo centralizadamente pela matriz, nesta deve se concentrar todas as compras de matériasprimas, produtos intermediários ou materiais de embalagens para o cálculo do crédito presumido. In verbis: Art.15.Serão efetuados, de forma centralizada, pelo estabelecimento matriz da pessoa jurídica: [...] IIa apuração do crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI de que trata a Lei no 9.363, de 13 de dezembro de 1996; Entretanto, embora seja possível em tese o creditamento, o caso dos autos é peculiar, pois se trata de creditamento da matériaprima (pedra de ardórsia), extraída de mina própria da filial e remetida à Recorrentematriz. Para a DRJ, em tais circunstâncias, inexiste direito ao creditamento, por considerar que o uso da palavra aquisição, pelo art. 1º da Lei nº 9.363/1996, pressupõe que o estabelecimento do contribuinte, seja matriz ou filial, tenha adquirido de terceiros a matéria Fl. 354DF CARF MF Impresso em 23/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 2/05/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 23/05/2013 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 23/05/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10665.907680/200971 Acórdão n.º 3202000.661 S3C2T2 Fl. 234 7 prima, o produto intermediário ou material de embalagem, para fazer jus ao crédito presumido, o que não ocorre quando a matériaprima pertence a filial da própria empresa. No meu entender, é correto o raciocínio do acórdão recorrido, que espelha o disposto no art. 1º da Lei nº 9.363/1996. Confirase: Art. 1ºA empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nos 7, de 7 de setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro de 1970, e 70, de 30 de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo. Parágrafoúnico.O disposto neste artigo aplicase, inclusive, nos casos de venda a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação para o exterior. Assim, não dou provimento ao recurso voluntário, na parte em que pede o direito de se creditar de matériaprima extraída de mina (predreira) da sua filial. No que diz respeito, porém, a parte do acórdão que negou o creditamento dos custos de energia elétrica e oléo diesel, utilizados no processo produtivo da Recorrente como força motriz ou como fonte de luz, discordo, com o devido respeito, do entendimento adotado pela DRJ. É que, segundo a DRJ, o contato físico do bem com o produto final é essencial para o seu enquadramento ou não como produto intermediário, quando, na verdade, o art. 147 do RIPI/2002 – norma utilizada como fundamento pelo acórdão recorrido – é claro ao estabelecer tanto a integração (=contato físico) na nova mercadoria quanto o consumo do produto intermediário no processo (ideia mais abragente que contato físico) de industrialziação, como possibilidades de creditamento no IPI. Leiase: Art. 147 – Os estabelecimentos industriais, e os que lhes são equiparados, poderão creditarse (Lei nº 4.502, de 1964, art, 25): I – do imposto relativo a matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, adquiridos para emprego na industrialização de produtos tributados, incluindo se, entre as matériasprimas e produtos intermediários, aqueles que, embora não se integrando ao novo produto, forem consumidos no processo de industrialização, salvo se compreendidos entre os bens do ativo permanentes. Não bastasse a redação do art. 147 do RIPI/2002 autorizar a exegese ora propalada, a parte final do art. 1º da Lei nº 9.363/1996 assenta, por igual, que são creditáveis a MP, o ME ou o PI destinados à utilização no processo produtivo. Embora seja esse meu entendimento, em homenagem a segurança jurídica, submetome à interpretação constante na Súmula CARF nº 19, segundo a qual “não integram a base de cálculo do crédito presumido da Lei nº 9.363, de 1996, as aquisições de combustíveis e Fl. 355DF CARF MF Impresso em 23/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 2/05/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 23/05/2013 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 23/05/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES 8 energia elétrica uma vez que não são consumidos em contato direto com o produto, não se enquadrando nos conceitos de matériaprima ou produto intermediário”. Desse modo, considerando o teor da Súmula CARF nº 19, não merece provimento o recurso voluntário, devendo ser mantido o acórdão na parte em que não reconheceu o direito ao crédito presumido sobre gastos com energia e oléo diesel. Por fim, entendo que merece reforma o acórdão do DRJ, na parte em que negou a atualização pela Taxa SELIC do crédito presumido, porquanto, nos termos do art. 39, § 4º da Lei nº 9.250/95, a partir de 01.01.96, a compensação é acrescida de Taxa SELIC, abrangendo, por isso, o ressarcimento e a restituição isonômica e igualmente. Nesse sentido, colhase o seguinte precedente da lavra do Conselheiro Fernando Luiz da Gama Lobo D'Eça: CARF 3a. Seção / 2a. Turma da 4a. Câmara / ACÓRDÃO 3402 00.610, em 24/05/2010 IPI RESSARCIMENTO CORREÇÃO SELIC ASSUNTO: IPI RESSARCIMENTO COMPLEMENTAR DE CRÉDITO INCENTIVADO CORREÇÃO MONETÁRIA TAXA SELIC. EMENTA Incidindo a Taxa SELIC sobre a restituição a partir de 01.01,96 (art. 39, § 4º da Lei nº 9.250195) e, sendo o ressarcimento urna espécie do gênero restituição, a referida Taxa incide também sobre o ressarcimento de créditos de IPI. Precedentes da CSRF e do STJ. Recurso Provido, Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, para reconhecer a incidência da taxa Selic a partir do protocolo do pedido. Vencidos os Conselheiros Júlio César Alves Ramos e Nayra Bastos Manatta que negavam provimento, nos termos do voto do Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Raquel Mota Brandão Minatel (Suplente), Silvia de Brito Oliveira, Fernando Luiz da Gama Lobo D'Eça, Leonardo Siade Manzan e Nayra Bastos Manatta. Publicado no DOU em: 16.02.2011 Recorrente: RGS INDÚSTRIA DE COUROS LTDA. Recorrida: FAZENDA NACIONAL Sem discrepar desse entendimento, decidiu esta douta 2ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 3ª Seção do CARF, fundada em recurso repetitivo do STJ (543C, do CPC), proferido no REsp 993164/MG: Processo nº 13811.000874/9879 Recurso nº 868.113 Voluntário Acórdão nº 3202000.471 Sessão de 21 DE MARÇO DE 2012 Fl. 356DF CARF MF Impresso em 23/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 2/05/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 23/05/2013 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 23/05/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10665.907680/200971 Acórdão n.º 3202000.661 S3C2T2 Fl. 235 9 Matéria IPI CRÉDITO PRESUMIDO Recorrente BRASWEY S/A INDUSTRIA E COMERCIO Recorrida FAZENDA NACIONAL CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO PELA TAXA SELIC. A oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito de IPI (decorrente da aplicação do princípio constitucional da nãocumulatividade), descaracteriza referido crédito como escritural (assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil), exsurgindo legítima a incidência de correção monetária, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco (Precedentes da Primeira Seção submetido ao rito do artigo 543C, do CPC: REsp 993164/MG, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2010; e REsp REsp 1035847/RS, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 26.04.2009). Pelas razões, conheço do recurso voluntário para lher dar parcial provimento parcial, de modo a fazer incidir a Taxa SELIC sobre o saldo credor do crédito presumido de IPI, reconhecido pela DRF e pela DRJ, a partir do protocolo do pedido de ressarcimento. Sala de sessões 29 de janeiro de 2013. (assinado digitalmente) Alvaro Arthur Lopes de Almeida Filho de Albuquerque Alves Relator Fl. 357DF CARF MF Impresso em 23/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 2/05/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 23/05/2013 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 23/05/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES 10 Voto Vencedor Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Redator. Com a devida vênia do il. Relator, não concordo com a incidência da taxa Selic sobre os valores a serem ressarcidos. É que ressarcimento não é espécie de restituição, que, por expressa previsão legal, somente comporta os casos de pagamento indevido ou a maior de tributo (art. 165, I, do CTN), e o art. 39, § 4º, da Lei nº 9.250, de 1995, foi expresso ao permitir a aplicação dessa taxa apenas sobre os casos de restituição e compensação de tributos. Também oposição não houve. Afinal, a interessada promoveu a compensação de todo o crédito pleiteado, só posteriormente reduzido porque abrangera valores não autorizados pela regra matriz do benefício, situação bem diversa da hipótese aventada na decisão do STJ, quando, por exemplo, um ato normativo infralegal promove, ao disciplinar a lei, restrição indevida ao mesmo benefício. Não sendo o caso, resta impossível a aplicação da taxa Selic sobre o crédito ressarcido. É como voto. Charles Mayer de Castro Souza Fl. 358DF CARF MF Impresso em 23/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 2/05/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 23/05/2013 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 23/05/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES
score : 1.0
Numero do processo: 10860.001867/99-74
Turma: PLENO DA CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: Pleno
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Aug 29 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Fri May 03 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/1989 a 30/09/1995
PIS. PRESCRIÇÃO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO PARA RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. 5 (CINCO) ANOS PARA HOMOLOGAR (ARTIGO 150, § 4º, DO CTN) MAIS 5 (CINCO) ANOS PARA PROTOCOLAR O PEDIDO DE RESTITUIÇÃO (ARTIGO 168, I, DO CTN). IRRETROATIVIDADE DO ARTIGO 3º DA LC 118/2005. ARTIGO 65-A DO REGIMENTO INTERNO DO CARF.
Este Conselho está vinculado às decisões definitivas de mérito proferidas pelo STF, bem como àquelas proferidas pelo STJ em recurso especial repetitivo. Com efeito, cabe a aplicação simultânea dos entendimentos proferidos pelo STF no julgamento do RE nº 566.621, bem como aquele proferido pelo STJ no julgamento do REsp nº 1.002.932 (tese dos 5 + 5), para pedidos de restituição/compensação de tributos sujeitos a lançamento por homologação que tenham sido protocolados antes da aplicação, em 09/06/2005, da Lei Complementar 118, a qual não é interpretativa, conforme entendimento do STF. Em se tratando a contribuição para o PIS de tributo sujeito a lançamento por homologação, bem como do fato de o pedido de restituição/compensação ter sido protocolado em 03/09/1999, antes da vigência da Lei Complementar 118/2005, plenamente cabível a aplicação do prazo de 5 (cinco) anos previsto no artigo 150, § 4º, do CTN somado ao de 5 (cinco) anos previsto no artigo 168, I, desse mesmo diploma legal para o contribuinte pleitear restituição/compensação. Assim, prescrito encontra-se o pedido de restituição/compensação no que se refere apenas dos valores de PIS relativos aos períodos compreendidos entre janeiro e agosto de 1989.
Recurso Extraordinário Provido em Parte.
Numero da decisão: 9900-000.776
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso extraordinário.
Otacílio Dantas Cartaxo - Presidente
Nanci Gama - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo, Marcos Tranchesi Ortiz que substituiu Susy Gomes Hoffmann, Valmar Fonseca de Menezes, Alberto Pinto Souza Júnior, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, João Carlos de Lima Júnior, Jorge Celso Freire da Silva, José Ricardo da Silva, Karem Jureidini Dias,Valmir Sandri, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Elias Sampaio Freire, Gonçalo Bonet Allage, Gustavo Lian Haddad, Manoel Coelho Arruda Junior, Marcelo Oliveira, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Henrique Pinheiro Torres, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Júlio César Alves Ramos, Maria Teresa Martínez López, Nanci Gama, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Mércia Helena Trajano DAmorim que substituiu Marcos Aurélio Pereira Valadão.
Matéria: PIS - proc. que não versem s/exigências de cred. Tributario
Nome do relator: NANCI GAMA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/1989 a 30/09/1995 PIS. PRESCRIÇÃO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO PARA RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. 5 (CINCO) ANOS PARA HOMOLOGAR (ARTIGO 150, § 4º, DO CTN) MAIS 5 (CINCO) ANOS PARA PROTOCOLAR O PEDIDO DE RESTITUIÇÃO (ARTIGO 168, I, DO CTN). IRRETROATIVIDADE DO ARTIGO 3º DA LC 118/2005. ARTIGO 65-A DO REGIMENTO INTERNO DO CARF. Este Conselho está vinculado às decisões definitivas de mérito proferidas pelo STF, bem como àquelas proferidas pelo STJ em recurso especial repetitivo. Com efeito, cabe a aplicação simultânea dos entendimentos proferidos pelo STF no julgamento do RE nº 566.621, bem como aquele proferido pelo STJ no julgamento do REsp nº 1.002.932 (tese dos 5 + 5), para pedidos de restituição/compensação de tributos sujeitos a lançamento por homologação que tenham sido protocolados antes da aplicação, em 09/06/2005, da Lei Complementar 118, a qual não é interpretativa, conforme entendimento do STF. Em se tratando a contribuição para o PIS de tributo sujeito a lançamento por homologação, bem como do fato de o pedido de restituição/compensação ter sido protocolado em 03/09/1999, antes da vigência da Lei Complementar 118/2005, plenamente cabível a aplicação do prazo de 5 (cinco) anos previsto no artigo 150, § 4º, do CTN somado ao de 5 (cinco) anos previsto no artigo 168, I, desse mesmo diploma legal para o contribuinte pleitear restituição/compensação. Assim, prescrito encontra-se o pedido de restituição/compensação no que se refere apenas dos valores de PIS relativos aos períodos compreendidos entre janeiro e agosto de 1989. Recurso Extraordinário Provido em Parte.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso extraordinário. Otacílio Dantas Cartaxo - Presidente Nanci Gama - Relatora Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo, Marcos Tranchesi Ortiz que substituiu Susy Gomes Hoffmann, Valmar Fonseca de Menezes, Alberto Pinto Souza Júnior, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, João Carlos de Lima Júnior, Jorge Celso Freire da Silva, José Ricardo da Silva, Karem Jureidini Dias,Valmir Sandri, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Elias Sampaio Freire, Gonçalo Bonet Allage, Gustavo Lian Haddad, Manoel Coelho Arruda Junior, Marcelo Oliveira, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Henrique Pinheiro Torres, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Júlio César Alves Ramos, Maria Teresa Martínez López, Nanci Gama, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Mércia Helena Trajano DAmorim que substituiu Marcos Aurélio Pereira Valadão.
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ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/1989 a 30/09/1995 PIS. PRESCRIÇÃO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO PARA RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. 5 (CINCO) ANOS PARA HOMOLOGAR (ARTIGO 150, § 4º, DO CTN) MAIS 5 (CINCO) ANOS PARA PROTOCOLAR O PEDIDO DE RESTITUIÇÃO (ARTIGO 168, I, DO CTN). IRRETROATIVIDADE DO ARTIGO 3º DA LC 118/2005. ARTIGO 65A DO REGIMENTO INTERNO DO CARF. Este Conselho está vinculado às decisões definitivas de mérito proferidas pelo STF, bem como àquelas proferidas pelo STJ em recurso especial repetitivo. Com efeito, cabe a aplicação simultânea dos entendimentos proferidos pelo STF no julgamento do RE nº 566.621, bem como aquele proferido pelo STJ no julgamento do REsp nº 1.002.932 (tese dos 5 + 5), para pedidos de restituição/compensação de tributos sujeitos a lançamento por homologação que tenham sido protocolados antes da aplicação, em 09/06/2005, da Lei Complementar 118, a qual não é interpretativa, conforme entendimento do STF. Em se tratando a contribuição para o PIS de tributo sujeito a lançamento por homologação, bem como do fato de o pedido de restituição/compensação ter sido protocolado em 03/09/1999, antes da vigência da Lei Complementar 118/2005, plenamente cabível a aplicação do prazo de 5 (cinco) anos previsto no artigo 150, § 4º, do CTN somado ao de 5 (cinco) anos previsto no artigo 168, I, desse mesmo diploma legal para o contribuinte pleitear restituição/compensação. Assim, prescrito encontrase o pedido de restituição/compensação no que se refere apenas dos valores de PIS relativos aos períodos compreendidos entre janeiro e agosto de 1989. Recurso Extraordinário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 0. 00 18 67 /9 9- 74 Fl. 572DF CARF MF Impresso em 07/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2013 por NANCI GAMA, Assinado digitalmente em 24/04/2013 por NANCI GAMA, Assinado digitalmente em 26/04/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso extraordinário. Otacílio Dantas Cartaxo Presidente Nanci Gama Relatora Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo, Marcos Tranchesi Ortiz que substituiu Susy Gomes Hoffmann, Valmar Fonseca de Menezes, Alberto Pinto Souza Júnior, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, João Carlos de Lima Júnior, Jorge Celso Freire da Silva, José Ricardo da Silva, Karem Jureidini Dias,Valmir Sandri, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Elias Sampaio Freire, Gonçalo Bonet Allage, Gustavo Lian Haddad, Manoel Coelho Arruda Junior, Marcelo Oliveira, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Henrique Pinheiro Torres, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Júlio César Alves Ramos, Maria Teresa Martínez López, Nanci Gama, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Mércia Helena Trajano D’Amorim que substituiu Marcos Aurélio Pereira Valadão. Relatório Tratase de recurso extraordinário interposto pela Fazenda Nacional em face do acórdão de nº 0202.819, proferido pela Segunda Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, que, por maioria de votos, negou provimento ao recurso especial interposto pela Fazenda Nacional para reconhecer o direito de o contribuinte pleitear, em 03/09/1999, restituição/compensação de valores de PIS relativos aos períodos compreendidos entre janeiro de 1989 e setembro de 1995. Para tanto, a Segunda Turma considerou que o prazo para o contribuinte pleitear restituição/compensação de valores de PIS nos presentes autos seria de 5 (cinco) anos contados a partir da publicação da Resolução do Senado Federal de nº 49, a qual suspendeu a execução dos inconstitucionais DecretosLeis 2.445 e 2.449, ambos de 1988. Inconformada, a Fazenda Nacional, com fulcro nos artigos 9º e 43 do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais aprovado pela Portaria MF nº 147/2007, interpôs recurso extraordinário com base no acórdão da Câmara Superior de Recursos Fiscais utilizado como paradigma, qual seja, o de nº 0400.810, para aduzir que o prazo para pleitear restituição/compensação é de 5 (cinco) anos contados a partir da data de extinção do crédito tributário conforme previsão dos artigos 165 e 168, I, do CTN. O acórdão paradigma restouse assim ementado: “PEDIDO DE RESTITUIÇÃO – ILL – O direito de pleitear restituição de tributo indevido, pago espontaneamente, perece com o decurso do prazo de cinco anos, contados da data de extinção do crédito tributário, sendo irrelevante que o indébito tenha por fundamento inconstitucionalidade ou simples erro (art. Fl. 573DF CARF MF Impresso em 07/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2013 por NANCI GAMA, Assinado digitalmente em 24/04/2013 por NANCI GAMA, Assinado digitalmente em 26/04/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10860.001867/9974 Acórdão n.º 9900000.776 CSRFPL Fl. 413 3 165, incisos I e II, e 168, inciso I, do CTN, e entendimento do Superior Tribunal de Justiça). Recurso Especial do Procurador Provido.” A Recorrente complementa, ainda, que o advento da Lei Complementar 118/2005 teria encerrado definitivamente a controvérsia sobre o tema, tendo em vista que o seu artigo 3º prevê que “para efeito de interpretação do inciso I do art. 168 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional, a extinção do crédito tributário ocorre, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, no momento do pagamento antecipado de que trata o § 1º do art. 150 da referida Lei”. E, entendendo que aludido dispositivo deteria caráter interpretativo, a Fazenda Nacional alega que caberia a sua aplicação retroativa nos presentes autos, conforme previsão do artigo 106, I, do CTN. A Recorrente alega, também, a necessidade de observância ao disposto no Ato Declaratório SRF nº 96, de 1999, o qual considera que “o prazo para que o contribuinte possa pleitear a restituição de tributo ou contribuição pago indevidamente ou em valor maior que o devido, inclusive na hipótese de o pagamento ter sido efetuado com base em lei posteriormente declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal em ação declaratória ou em recurso extraordinário, extinguese após o transcurso do prazo de 5 (cinco) anos, contado da data da extinção do crédito tributário”. O i. Presidente do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais reconheceu o dissídio jurisprudencial e deu seguimento ao recurso extraordinário. Regularmente intimado, o contribuinte apresentou contrarrazões às fls. 548/561, por meio das quais requereu fosse negado provimento ao recurso extraordinário interposto pela Fazenda Nacional. É o relatório. Voto Conselheira Nanci Gama, Relatora O recurso extraordinário é tempestivo, razão pela qual passo a analisar seus pressupostos de admissibilidade em conformidade ao Regimento Interno aprovado pela Portaria MF nº 147/2007. Primeiramente, quanto à divergência entre acórdãos recorrido e paradigma, entendo ter a mesma sido devidamente demonstrada. Isso porquê ao passo que o acórdão recorrido respaldou o entendimento de que o prazo de 5 (cinco) anos, para o contribuinte pleitear restituição/compensação de tributo sujeito a lançamento por homologação (PIS), se inicia a partir da edição do ato normativo que dispensa o pagamento desse tributo, o acórdão paradigma respaldou entendimento de que o prazo de 5 (cinco) anos, para o contribuinte pleitear restituição/compensação de tributo sujeito a lançamento por homologação (ILL), se inicia a partir da data da extinção do crédito tributário “sendo irrelevante que o indébito tenha por fundamento inconstitucionalidade ou simples erro”. Fl. 574DF CARF MF Impresso em 07/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2013 por NANCI GAMA, Assinado digitalmente em 24/04/2013 por NANCI GAMA, Assinado digitalmente em 26/04/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 4 Quanto aos demais pressupostos de admissibilidade previstos nos artigos 9º e 43 do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais aprovado pela Portaria MF nº 147/20071, o qual é aplicado por força do artigo 4º do atual Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais aprovado pela Portaria MF nº 256/20092, também entendo terem os mesmos sido devidamente demonstrados, razão pela qual conheço do recurso extraordinário interposto pela Fazenda Nacional. A controvérsia aduzida nos presentes autos cingese, basicamente, em determinar o prazo para o contribuinte pleitear restituição dos valores de PIS recolhidos com base nas sistemáticas instituídas pelos DecretosLeis nºs 2.445/88 e 2.448/88, os quais tiveram suas execuções suspensas por força da Resolução do Senado Federal de nº 49/95, publicada com base em decisão do STF que reconheceu as suas inconstitucionalidades. Conforme se infere do relatório, o acórdão recorrido entendeu que o prazo para pleitear restituição deve ser de 5 (cinco) anos contados a partir da data da publicação de aludida Resolução do Senado Federal. Em contrapartida, a Fazenda Nacional entende que o prazo para pleitear restituição é de 5 (cinco) anos contados a partir das datas de extinção do crédito tributário, ocorridas entre janeiro de 1989 e setembro de 1995, e que, portanto, o pedido de restituição, protocolado em 03/09/1999, já estaria prescrito. Considerando que o artigo 62A3 do atual Regimento Interno do CARF, qual seja, o aprovado pela Portaria MF nº 256/2009, vincula os Conselheiros do CARF às decisões definitivas de mérito proferidas pelo STF, bem como àquelas proferidas pelo STJ em sede de recurso especial repetitivo, cabe a esta Relatora aplicar ao presente caso o entendimento do STF consubstanciado no julgamento do RE nº 566.621, bem como o entendimento do STJ objeto do julgamento do REsp nº 1.002.932. De acordo com referida jurisprudência, o prazo para o contribuinte pleitear restituição/compensação de tributos sujeitos a lançamento por homologação será, para os pedidos de compensação protocolados antes da vigência da Lei Complementar 118 ocorrida em 09/06/2005, o de 10 (dez) anos, ou seja, 5 (cinco) anos para homologar (artigo 150, § 4º, do CTN) mais 5 (cinco) anos, a partir dessa homologação, para pleitear restituição (artigo 168, I, do CTN). E, em se tratando a contribuição para o PIS de tributo sujeito a lançamento por homologação, bem como do fato de o pedido de restituição/compensação ter sido protocolado antes do dia 09/06/2005 (vigência da LC 118/05), plenamente aplicável ao presente caso a tese dos 5 (cinco) anos mais 5 (cinco) anos objeto do REsp nº 1.002.932, por força da decisão do STF objeto do RE nº 566.621. 1 “Art. 9º Compete ao Pleno julgar recurso extraordinário de decisão de Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais que der à lei tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra Turma ou o Pleno da Câmara Superior de Recursos Fiscais.” 2 “Art. 4º Os recursos com base no inciso I do art. 7º, no art. 8º e no art. 9º do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 147, de 25 de junho de 2007, interpostos contra os acórdãos proferidos nas sessões de julgamento ocorridas em data anterior à vigência do Anexo II desta Portaria, serão processados de acordo com o rito previsto nos artigos 15 e 16, no art. 18 e nos artigos 43 e 44 daquele Regimento. (Redação dada pela Portaria MF nº 446, de 27 de agosto de 2009).” 3 “Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF.” Fl. 575DF CARF MF Impresso em 07/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2013 por NANCI GAMA, Assinado digitalmente em 24/04/2013 por NANCI GAMA, Assinado digitalmente em 26/04/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10860.001867/9974 Acórdão n.º 9900000.776 CSRFPL Fl. 414 5 O acórdão do Supremo Tribunal Federal restou assim ementado: “DIREITO TRIBUTÁRIO – LEI INTERPRETATIVA – APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005 – DESCABIMENTO – VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA – NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS – APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. Quando do advento da LC 118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, §4º, 156, VII, e 168, I, do CTN. A LC 118/05, embora tenha se autoproclamado interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido. Lei supostamente interpretativa que, em verdade, inova no mundo jurídico deve ser considerada como lei nova. Inocorrência de violação à autonomia e independência dos Poderes, porquanto a lei expressamente interpretativa também se submete, como qualquer outra, ao controle judicial quanto à sua natureza, validade e aplicação. A aplicação retroativa de novo e reduzido prazo para a repetição ou compensação de indébito tributário estipulado por lei nova, fulminando, de imediato, pretensões deduzidas tempestivamente à luz do prazo então aplicável, bem como a aplicação imediata às pretensões pendentes de ajuizamento quando da publicação da lei, sem resguardo de nenhuma regra de transição, implicam ofensa ao princípio da segurança jurídica em seus conteúdos de proteção da confiança e de garantia do acesso à Justiça. Afastandose as aplicações inconstitucionais e resguardandose, no mais, a eficácia da norma, permitese a aplicação do prazo reduzido relativamente às ações ajuizadas após a vacatio legis, conforme entendimento consolidado por esta Corte no enunciado 445 da Súmula do Tribunal. O prazo de vacatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não apenas que tomassem ciência do novo prazo, mas também que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos seus direitos. Inaplicabilidade do art. 2.028 do Código Civil, pois, não havendo lacuna na LC 118/05, que pretendeu a aplicação do novo prazo na maior extensão possível, descabida sua aplicação por analogia. Além disso, não se trata de lei geral, tampouco impede iniciativa legislativa em contrário. Fl. 576DF CARF MF Impresso em 07/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2013 por NANCI GAMA, Assinado digitalmente em 24/04/2013 por NANCI GAMA, Assinado digitalmente em 26/04/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 6 Reconhecida a inconstitucionalidade do art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tãosomente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 543B, §3º, do CPC aos recursos sobrestados. Recurso extraordinário desprovido.” Face ao exposto, conheço do recurso extraordinário interposto pela Fazenda Nacional e, no mérito, voto no sentido de lhe dar parcial provimento para reconhecer a prescrição do pedido de restituição/compensação, protocolado pelo contribuinte em 03/09/1999, no que se refere apenas aos valores de PIS relativos ao período de apuração de janeiro a agosto de 1989. Nanci Gama Fl. 577DF CARF MF Impresso em 07/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2013 por NANCI GAMA, Assinado digitalmente em 24/04/2013 por NANCI GAMA, Assinado digitalmente em 26/04/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO
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Numero do processo: 10880.675115/2009-94
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 08 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu May 16 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 1802-000.224
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, CONVERTER o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator.
(documento assinado digitalmente)
Ester Manques Lins de Sousa- Presidente.
(documento assinado digitalmente)
Nelso Kichel- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Nelso Kichel, Marciel Eder Costa, Marco Antônio Nunes Castilho e Gustavo Junqueira Carneiro Leão.
Relatório
Nome do relator: NELSO KICHEL
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, CONVERTER o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. (documento assinado digitalmente) Ester Manques Lins de Sousa- Presidente. (documento assinado digitalmente) Nelso Kichel- Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Nelso Kichel, Marciel Eder Costa, Marco Antônio Nunes Castilho e Gustavo Junqueira Carneiro Leão. Relatório
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, CONVERTER o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. (documento assinado digitalmente) Ester Manques Lins de Sousa Presidente. (documento assinado digitalmente) Nelso Kichel Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Nelso Kichel, Marciel Eder Costa, Marco Antônio Nunes Castilho e Gustavo Junqueira Carneiro Leão. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 80 .6 75 11 5/ 20 09 -9 4 Fl. 53DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 10880.675115/200994 Resolução nº 1802000.224 S1TE02 Fl. 54 2 Relatório Cuidam os autos do Recurso Voluntário de fls. 32/47 contra decisão da 5ª Turma da DRJ/São Paulo I (fls. 26/30) que julgou a Manifestação de Inconformidade improcedente. Quanto aos fatos, consta que em 29/12/2006 a contribuinte transmitiu eletronicamente via internet, por meio do Programa PER/DCOMP, a declaração de compensação tributária nº 04431.32950.291206.1.3.040093 (fls.01/03), onde consta: a) débito informado (confessado): IRPJ estimativa mensal, código de receita 5993, do PA março/2006, data de vencimento 28/04/2006, assim especificado: principal: R$ 6.342,00; multa moratória: R$ 1.268,40; juros de mora: R$ 574,58; Total: R$ 8.184,98. b) crédito utilizado: aproveitamento de suposto direito creditório de R$ 45.574,08 (valor original), referente pagamento indevido ou a maior de CSLL estimativa mensal, código de receita 2484, do PA 30/11/2003 de R$ 5.574,82 (valor original), data do recolhimento 29/12/2003. Entretanto, na DIPJ 2004, anocalendário 2003 (Ficha 16), consta, quanto ao PA 30/11/2003, débito informado da CSLL estimativa mensal o valor de R$ 5.574,82. Da mesma forma, na DCTF desse PA consta débito confessado da CSLL = R$ 5.574,82 (fl. 25). Por isso, o despacho decisório da DERAT/São Paulo, de 23/10/2009, não reconheceu o direito creditório pleiteado, não homologando a compensação tributária informada, pois o recolhimento citado está vinculado ao débito do respectivo PA informado na respectiva DIPJ e DCTF. A propósito, transcrevo o disposto no Despacho Decisório eletrônico (fl. 06), in verbis: (...) 3FUNDAMENTAÇAO, DECISÃO E ENQUADRAMENTO LEGAL Limite do crédito analisado, correspondente ao valor do crédito original na data de transmissão informado no PER/DCOMP: R$ 5.574,82. A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. (...) Fl. 54DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 10880.675115/200994 Resolução nº 1802000.224 S1TE02 Fl. 55 3 Diante da inexistência do crédito, NAO HOMOLOGO a compensação declarada. (...) Inconformada com essa decisão da qual tomou ciência (fl.07), a contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade em 07/12/2009 (fls. 08/15), cujas razões, em síntese, são as seguintes: a) direito creditório utilizado, pleiteado na DCOMP: que o recolhimento da CSLL estimativa mensal do PA novembro/2003 foi indevido ou maior, em face do resultado apurado no encerramento do anocalendário 2003; que, consoante previsto no art. 165 do Código Tributário Nacional, tem direito, independentemente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo, seja qual for a modalidade do seu pagamento, no caso de cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior em face da legislação tributária aplicável; b) do débito informado na DCOMP: que houve equívoco na apresentação da DCOMP, pois no anocalendário 2006 teria apurado prejuízo fiscal e que, então, não haveria débito a compensar relativo à IRPJ estimativa mensal do PA março/2006; que a DCOMP não expressa confissão de dívida; que, ainda, o débito do PA março/2006 não teria sido confessado em DCTF; que a Administração Pública não deve utilizarse de um equívoco da contribuinte (a qual solicitou uma compensação quando o correto seria um pedido de restituição do crédito) para constituir débito e exigilo; Por fim, com base nessas razões, a contribuinte pediu o cancelamento do débito informado e que seja restituído o crédito pleiteado com aplicação dos juros SELIC. A DRJ/São Paulo I, apreciando a lide, julgou a manifestação de inconformidade improcedente, conforme Acórdão de 27/10/2010 (fls. 26/30), cuja ementa transcrevo a seguir, in verbis: (...) ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE o LUCRO LÍQUIDO – CSLL Data do fato gerador: 29/12/2003 ESTIMATIVA MENSAL. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO INDEVIDO. Considerando que o DARF indicado no PER/DCOMP como origem do crédito corresponde exatamente à estimativa devida no período, não há que se falar em pagamento indevido. ESTIMATIVA MENSAL. PAGAMENTO INDEVIDO. UTILIZAÇÃO. Fl. 55DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 10880.675115/200994 Resolução nº 1802000.224 S1TE02 Fl. 56 4 A pessoa jurídica tributada pelo lucro real que efetuar pagamento indevido ou a maior a título de estimativa mensal somente poderá utilizar o valor pago na dedução do tributo devido ao final do período de apuração. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido (...) Ciente desse decisum em 21/12/2010 (fl. 31verso), a contribuinte apresentou Recurso Voluntário em 14/01/2011 (fls. 32/47), reiterando as razões já aduzidas na instância a quo, acrescentando ainda: que não pode acatar o argumento, fundamento da decisão recorrida, de que valor pago a maior de CSLL (PA novembro/2003) só pode ser utilizado na dedução da CSLL devida ao final do período de apuração em que houve o pagamento a maior, ou para compor o saldo negativo de CSLL do período. Por fim, sob alegação de que a DCOMP foi transmitida indevidamente (débito do IRPJ informado seria inexistente quanto ao PA março/2006), pediu a restituição do direito creditório (valor da CSLL pago indevidamente ou a maior do PA novembro/2003). É o relatório. Fl. 56DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 10880.675115/200994 Resolução nº 1802000.224 S1TE02 Fl. 57 5 VOTO Conselheiro Nelso Kichel, Relator O recurso é tempestivo e atende aos pressupostos para sua admissibilidade. Por conseguinte, dele conheço. Conforme relatado, os autos tratam de processo de compensação tributária. Vale dizer, em 29/12/2006 a contribuinte transmitiu eletronicamente via internet, por meio do Programa PER/DCOMP, a declaração de compensação tributária nº 04431.32950.291206.1.3.040093 (fls.01/03), informando que compensara débito do IRPJ estimativa mensal, código de receita 5993, do PA março/2006, data de vencimento 28/04/2006, utilizando direito creditório – pagamento indevido ou a maior de CSLL estimativa mensal, código de receita 2484, do PA novembro/2003, data do recolhimento 29/12/2003. A decisão a quo, na mesma esteira do despacho decisório, não reconheceu o direito creditório pleiteado, pois o valor integral do referido recolhimento de 29/12/2003 já fora, integralmente, consumido ou utilizado para quitação do débito da CSLL estimativa mensal do PA novembro/2003, declarado na respectiva DIPJ/DCTF. Nas razões do recurso, a recorrente rebelase contra a decisão recorrida, alegando: a) que tem direito à restituição do que pagara indevidamente a título de CSLL estimativa mensal do PA novembro/2003, pois teria recolhido CSLL estimativa mensal indevidamente ou superior ao valor da CSLL apurado na declaração de ajuste anual, nesse ano calendário; b) ou que teria apurada os resultados com base em balancetes de suspensão/redução; c) que, além disso, o débito do IRPJ estimativa mensal do PA março/2006, informado na DCOMP, seria incabível sua exigência, pois nesse anocalendário teria apurado prejuízo fiscal na declaração de ajuste anual; d) que, em suma, teria laborado em equívoco quando da apresentação da DCOMP, pois seria caso de pedido de restituição de direito creditório e não de compensação tributária. Compulsando os autos, observase que nos anoscalendário 2003 e 2006 a contribuinte estava submetida ao regime de apuração do IRPJ e da CSLL, com base no Lucro Real anual, com obrigação de antecipação de pagamento dessas exações por estimativa mensal. À luz da legislação tributária federal, sempre que há, comprovadamente, pagamento indevido ou maior, é cabível a repetição do indébito tributário. No caso de pagamento indevido ou a maior de estimativa mensal da CSLL, cabe observar o seguinte: Fl. 57DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 10880.675115/200994 Resolução nº 1802000.224 S1TE02 Fl. 58 6 a) os contribuintes que fizeram opção, para determinado anocalendário, pelo lucro real anual têm obrigação de antecipar pagamento do IRPJ e da CSLL por estimativa mensal com base na receita bruta mensal ou com base em balancete mensal de suspensão/redução, independentemente de eventual apuração de prejuízo no final de ano, na declaração de ajuste. Sendo assim, não há que se falar ou objetar recolhimentos mensais, pagamentos por antecipação, indevidos ou a maior dessas exações fiscais, quando efetuados em estrita observância da legislação de regência e em estrita observância da base de cálculo (receita bruta mensal ou com base em balancete de suspensão/redução). O simples fato de apuração no final do ano de eventual prejuízo não torna os recolhimentos, pagamentos por antecipação, indevidos, pois foram antecipados na forma da legislação de regência. Ainda, na hipótese de apuração de prejuízo fiscal no encerramento do anocalendário, os pagamentos assim antecipados de estimativa mensal serão devolvidos como saldo negativo; b) entretanto, considerase pagamento indevido ou a maior de estimativa mensal quando, de plano, observase que ele não tem relação com a receita bruta ou com o balanço de suspensão/redução. Nessa situação, é cabível a restituição ou devolução/aproveitamento apenas do excesso do pagamento mensal por antecipação do referido período de apuração (não relacionado com a receita bruta ou com balancete de suspensão ou redução), sem necessidade de leválo para o saldo negativo, em face da revogação do art. 10, 2ª parte, da IN SRF 600/2005 pelo art. 11 da IN RFB 900/2008. Nesse sentido, também é o entendimento do CARF, conforme Súmula CARF nº 84, in verbis: Súmula CARF nº 84: Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. Mas, no caso há falhas na instrução do processo; salta aos olhos a falta de elementos de prova para formação de convicção do julgador quanto ao mérito da lide, pois: 1) Quanto ao pretenso direito creditório da CSLL do PA novembro/2003: a) não há sequer cópia completa da DIPJ 2004, anocalendário 2003, para apurar, verificar, cotejar, se o valor pleiteado constou ou não de eventual saldo negativo na declaração de ajuste desse anocalendário; b) não se sabe se o valor do crédito pleiteado já foi aproveitado, ou não, em balancete de suspensão ou redução, nos termos do art. 35 da Lei nº 8.981/95; c) não há cópia da escrituração contábil (livros razão, Diário e Lalur). 2) Quanto ao débito confessado na DCOMP, PA março/2006: a) não há nos autos sequer cópia completa da DIPJ 2007, anocalendário 2006, para apurar, verificar, cotejar, se o valor do débito foi declarado na DIPJ e se foi confessado da DCTF respectiva; b) não há nos autos cópia de balancete de suspensão ou redução, nos termos do art. 35 da Lei nº 8.981/95; c) não há cópia da escrituração contábil e fiscal (livros razão, Diário e Lalur). Fl. 58DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 10880.675115/200994 Resolução nº 1802000.224 S1TE02 Fl. 59 7 Diante do exposto, e em observância ao princípio da verdade material, propugno, por conseguinte, pela conversão do julgamento em diligência, para retorno dos autos à DERAT/São Paulo para: a) à luz da escrituração contábil e fiscal da contribuinte, apurar se existe, ou não, o direito creditório pleiteado. Na hipótese de existir o direito creditório pleiteado, apurar se ele decorreu de excesso de pagamento por antecipação no referido mês (recolhimento sem relação com a receita bruta mensal ou sem relação com o balancete mensal de suspensão/redução) ou se, simplesmente, é hipótese de restituição de saldo negativo, em face do pagamento, por antecipação, ter sido realizado exatamente nos termos da legislação de regência, mas, no encerramento do anocalendário respectivo, houve apuração de prejuízo; b) apurar, à luz da escrituração contábil e fiscal, se houve realmente equívoco na apuração e confissão do débito na DCOMP (apurar se o débito foi regularmente apurado pela própria contribuinte em sua escrituração contábil e fiscal, com base na receita bruta ou com base em balancete de suspensão ou redução, ou se o débito, em parte, não tem relação com a respectiva base de cálculo do período de apuração mensal. Considerase indevido apenas a parte do débito que extrapolou, ou seja, que não tem relação com a respectiva base de cálculo mensal (receita bruta ou com o balancete de redução/suspensão do referido período de apuração mensal); c) elaborar relatório circunstanciado e conclusivo, embasado na escrituração contábil e fiscal, apresentando as conclusões e resultados da diligência fiscal quanto ao direito creditório pleiteado e quanto à existência/regularidade, ou não, do débito informado na DCOMP; d) intimar a contribuinte do relatório da diligência, contendo as conclusões/resultado da diligência, abrindo prazo de 30 (trinta) dias a partir da ciência para, se quiser, apresentar contrarrazões. Transcorrido o prazo com ou sem manifestação da contribuinte, retornem os autos a este CARF, para prosseguimento do julgamento. Por todas essas razões, voto para converter o julgamento em diligência, conforme proposto. (documento assinado digitalmente) Nelso Kichel Fl. 59DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por NELSO KICHEL
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Numero do processo: 15885.000207/2007-28
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 24 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed May 08 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/04/2004 a 31/12/2004
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. LAPSO MANIFESTO. ACOLHIMENTO.
As inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os erros de escrita ou de cálculo existentes na decisão serão retificados mediante requerimento de conselheiro da turma, do Procurador da Fazenda Nacional, do titular da unidade da administração tributária encarregada da execução do acórdão ou do recorrente. Por proposta do Relator, os Embargos podem ser submetidos à deliberação da Turma. Havendo provas do lapso manifesto, impõe-se o acolhimento dos Embargos.
MULTA POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DEIXAR DE ELABORAR, MANTER ARQUIVADO E ENTREGAR AO TRABALHADOR, NO MOMENTO DA RESCISÃO DO CONTRATO DE TRABALHO, O PERFIL PROFISSIOGRÁFICO.
Segundo o §4º da Lei 8.213/91, a empresa deverá elaborar e manter atualizado perfil profissiográfico abrangendo as atividades desenvolvidas pelo trabalhador e fornecer a este, quando da rescisão do contrato de trabalho, cópia autêntica desse documento. O descumprimento de tal obrigação enseja a aplicação de penalidade por cada documento não entregue ao trabalhador. Eventuais duplicidades na apuração do quantitativo de omissões devem ser excluídas do lançamento, bem como devem ser excluídos os fatos geradores relativos a estagiários.
Embargos Acolhidos.
Numero da decisão: 2301-003.281
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado: I) Por unanimidade de votos: a) em acolher os embargos, nos termos do voto do Relator; b) acolhidos os embargos, em retificar o acórdão, a fim de excluir do lançamento as contribuições referentes a estagiários e lançamentos em duplicidade, conforme diligência fiscal, nos termos do voto do Relator.
Marcelo Oliveira - Presidente.
(assinado digitalmente)
Mauro José Silva - Relator
Participaram, do presente julgamento, a Conselheira Bernadete de Oliveira Barros, bem como os Conselheiros Adriano Gonzalez Silvério, Wilson Antonio de Souza Correa, Mauro José Silva (relator) e Marcelo Oliveira (presidente).
Nome do relator: MAURO JOSE SILVA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/04/2004 a 31/12/2004 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. LAPSO MANIFESTO. ACOLHIMENTO. As inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os erros de escrita ou de cálculo existentes na decisão serão retificados mediante requerimento de conselheiro da turma, do Procurador da Fazenda Nacional, do titular da unidade da administração tributária encarregada da execução do acórdão ou do recorrente. Por proposta do Relator, os Embargos podem ser submetidos à deliberação da Turma. Havendo provas do lapso manifesto, impõe-se o acolhimento dos Embargos. MULTA POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DEIXAR DE ELABORAR, MANTER ARQUIVADO E ENTREGAR AO TRABALHADOR, NO MOMENTO DA RESCISÃO DO CONTRATO DE TRABALHO, O PERFIL PROFISSIOGRÁFICO. Segundo o §4º da Lei 8.213/91, a empresa deverá elaborar e manter atualizado perfil profissiográfico abrangendo as atividades desenvolvidas pelo trabalhador e fornecer a este, quando da rescisão do contrato de trabalho, cópia autêntica desse documento. O descumprimento de tal obrigação enseja a aplicação de penalidade por cada documento não entregue ao trabalhador. Eventuais duplicidades na apuração do quantitativo de omissões devem ser excluídas do lançamento, bem como devem ser excluídos os fatos geradores relativos a estagiários. Embargos Acolhidos.
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LAPSO MANIFESTO. ACOLHIMENTO. As inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os erros de escrita ou de cálculo existentes na decisão serão retificados mediante requerimento de conselheiro da turma, do Procurador da Fazenda Nacional, do titular da unidade da administração tributária encarregada da execução do acórdão ou do recorrente. Por proposta do Relator, os Embargos podem ser submetidos à deliberação da Turma. Havendo provas do lapso manifesto, impõese o acolhimento dos Embargos. MULTA POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DEIXAR DE ELABORAR, MANTER ARQUIVADO E ENTREGAR AO TRABALHADOR, NO MOMENTO DA RESCISÃO DO CONTRATO DE TRABALHO, O PERFIL PROFISSIOGRÁFICO. Segundo o §4º da Lei 8.213/91, a empresa deverá elaborar e manter atualizado perfil profissiográfico abrangendo as atividades desenvolvidas pelo trabalhador e fornecer a este, quando da rescisão do contrato de trabalho, cópia autêntica desse documento. O descumprimento de tal obrigação enseja a aplicação de penalidade por cada documento não entregue ao trabalhador. Eventuais duplicidades na apuração do quantitativo de omissões devem ser excluídas do lançamento, bem como devem ser excluídos os fatos geradores relativos a estagiários. Embargos Acolhidos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado: I) Por unanimidade de votos: a) em acolher os embargos, nos termos do voto do Relator; b) acolhidos os embargos, em retificar o acórdão, a fim de excluir do lançamento as contribuições referentes a estagiários e lançamentos em duplicidade, conforme diligência fiscal, nos termos do voto do Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 88 5. 00 02 07 /2 00 7- 28 Fl. 585DF CARF MF Impresso em 08/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 29/04/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 27/03/2013 por MAURO JOSE SILVA 2 Marcelo Oliveira Presidente. (assinado digitalmente) Mauro José Silva Relator Participaram, do presente julgamento, a Conselheira Bernadete de Oliveira Barros, bem como os Conselheiros Adriano Gonzalez Silvério, Wilson Antonio de Souza Correa, Mauro José Silva (relator) e Marcelo Oliveira (presidente). Fl. 586DF CARF MF Impresso em 08/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 29/04/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 27/03/2013 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 15885.000207/200728 Acórdão n.º 2301003.281 S2C3T1 Fl. 3 3 Relatório Tratase de embargos opostos pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Administração Tributária de São Paulo, fls. 393/394, apontando a ocorrência de inexatidão material. O erro que justificaria os Embargos diz respeito ao fato de o Acórdão embargado não ter levado em consideração o resultado da diligência de 09/02/2007 que constatou a existência de 26 estagiários e 13 empregados demitidos (lançados por duplicidade). Não tendo considerado tal diligência o resultado do Acórdão deixou de reduzir a multa em relação aos estagiários, conforme podemos observar no trecho a seguir: “Deixamos de reduzir a multa em relação aos estagiários em vista de a empresa não ter feito prova de tal fato.” Fomos encarregados pelo Presidente da Turma da análise dos Embargos e nos pronunciamos que havia razão nos argumentos da embargante, o que recomendava o envio dos Embargos para a deliberação da Turma. Acatando nossa recomendação, o Presidente da Turma submete os Embargos à deliberação do Colegiado. É o relatório. Fl. 587DF CARF MF Impresso em 08/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 29/04/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 27/03/2013 por MAURO JOSE SILVA 4 Voto Conselheiro Mauro José Silva, Relator A razão para o acolhimento dos Embargos é a existência de lapso manifesto no resultado do Acórdão embargado. O erro que justifica os Embargos diz respeito ao fato de o Acórdão embargado não ter levado em consideração o resultado da diligência de 09/02/2007 que constatou a existência de 26 estagiários e 13 empregados demitidos (lançados por duplicidade). A referida diligência foi solicitada pela autoridade julgadora de primeira instância após a emissão da respectiva decisão daquele órgão, o que não tem previsão legal, uma vez que emitido decisório está exaurida a competência do órgão julgador de primeira instância. Como este Colegiado não havia solicitado diligência, não era esperado que houvesse tal informação nos autos, o que nos induziu na omissão de sua existência. No entanto, acolhemos o resultado da diligência que consta dos autos em homenagem ao princípio da verdade material. O segundo de julgamento de primeira instância, entretanto, consideramos como inexistente, por carência de competência. Não tendo considerado tal diligência o resultado do Acórdão deste Colegiado deixou de reduzir a multa em relação aos estagiários, conforme podemos observar no trecho a seguir: “Deixamos de reduzir a multa em relação aos estagiários em vista de a empresa não ter feito prova de tal fato.” De fato, observamos que nossa análise anterior não havia considerado o resultado da diligência referida, o que nos levou a concluir pela ausência de provas quanto aos estagiários. Logo, evidenciada a ocorrência de lapso manifesto em relação à verdade material, os Embargos devem ser acolhidos para sanálo, mantendo os demais argumentos do Acórdão embargado. Por todo o exposto, voto no sentido de ACOLHER E DAR PROVIMENTO AOS EMBARGOS de modo a retificar o Acórdão consignando que deve a multa ser reduzida considerando a exclusão do lançamento da parte referente a estagiários e aos lançamentos em duplicidade, ambos apontados em diligência fiscal. (assinado digitalmente) Mauro José Silva Relator Fl. 588DF CARF MF Impresso em 08/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 29/04/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 27/03/2013 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 15885.000207/200728 Acórdão n.º 2301003.281 S2C3T1 Fl. 4 5 Fl. 589DF CARF MF Impresso em 08/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 29/04/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 27/03/2013 por MAURO JOSE SILVA
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Numero do processo: 10980.017787/2007-91
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 27 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA
Ano calendário: 2001
DECADÊNCIA. IRPF
Na falta de recolhimento a título de imposto de renda, a contagem do prazo decadencial se dá com base no art. 173, I do Código Tributário Nacional, notadamente, quando através da DIRPF, o contribuinte busca se beneficiar da restituição de valor que, colocando-se na condição de sócio de suposta empresa, não logrou comprovar o recolhimento. Assim, não se aplicando no presente caso, o fenômeno da decadência.
SUJEITO PASSIVO DO IMPOSTO
A Alegação de ilegitimidade passiva deve constar de documentos que infirme o trabalho fiscal, não podendo ser acolhida, quando o contribuinte admite participação acionária na fonte pagadora.
Numero da decisão: 2102-001.544
Decisão: Acordão os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso.
Nome do relator: ATILIO PITARELLI
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ementa_s : IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA Ano calendário: 2001 DECADÊNCIA. IRPF Na falta de recolhimento a título de imposto de renda, a contagem do prazo decadencial se dá com base no art. 173, I do Código Tributário Nacional, notadamente, quando através da DIRPF, o contribuinte busca se beneficiar da restituição de valor que, colocando-se na condição de sócio de suposta empresa, não logrou comprovar o recolhimento. Assim, não se aplicando no presente caso, o fenômeno da decadência. SUJEITO PASSIVO DO IMPOSTO A Alegação de ilegitimidade passiva deve constar de documentos que infirme o trabalho fiscal, não podendo ser acolhida, quando o contribuinte admite participação acionária na fonte pagadora.
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IRPF Na falta de recolhimento a título de imposto de renda, a contagem do prazo decadencial se dá com base no art. 173, I do Código Tributário Nacional, notadamente, quando através da DIRPF, o contribuinte busca se beneficiar da restituição de valor que, colocandose na condição de sócio de suposta empresa, não logrou comprovar o recolhimento. Assim, não se aplicando no presente caso, o fenômeno da decadência. SUJEITO PASSIVO DO IMPOSTO A Alegação de ilegitimidade passiva deve constar de documentos que infirme o trabalho fiscal, não podendo ser acolhida, quando o contribuinte admite participação acionária na fonte pagadora. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordão os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso. Assinado digitalmente GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Presidente Fl. 57DF CARF MF Impresso em 11/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2012 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 24/02/2012 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 27/02/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10980.017787/200791 Acórdão n.º 2102001.544 S2C1T2 Fl. 57 2 Assinado digitalmente ATILIO PITARELLI Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Atilio Pitarelli, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, Giovanni Christian Nunes Campos, Núbia Matos Moura, Rubens Maurício Carvalho e Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti. Relatório Tratase de Recurso Voluntário face decisão da 4a. Turma da DRJ/CTA, de 8 de junho de 2.010 (fls. 28/32), que por unanimidade de votos negou procedência à impugnação, mantendo a exigência fiscal no valor total de R$ 37.269,12 sendo R$ 14.032,58 a título de imposto, R$ 10.524,43 de multa e R$ 12.712,11 de juros de mora. De acordo com o Auto de Infração (fls. 19/25), a exigência fiscal decorre do seguinte fato: DEDUÇÃO INDEVIDA DE IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE. EXCLUSÃO DE R$ 16.466,25 DE IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE DECLARADO, POR FALTA DE COMPROVAÇÃO DE SEU RECOLHIMENTO. A FONTE E ORI GINÁRIA DE RENDIMENTOS PRÓLABORE, SENDO PORTANTO, 0 CONTRIBUINTE RESPONSÁVEL PELA FONTE PAGADORA. ENQUADRAMENTO LEGAL: ART. 12, INCISO V DA LEI 9.250/95. Na impugnação o Recorrente expõe que era sócio minoritário da empresa Autelcom Componentes Eletrônicos Ltda., detendo 0,0000526% das cotas, e que quando notificado, apresentou carteira profissional e comprovantes dos recebimentos, onde figuravam os valores dos impostos retidos na fonte, que teria incidido sobre os valores percebidos no ano base 2001, ficando ainda mais surpreso, quando recebeu em 04 de dezembro de 2.007, o auto de infração lavrado em 11 de setembro de 2.007, alegando em sua defesa o fenômeno da decadência, com citação doutrinária, inclusive, sobre a modalidade de homologação que reveste o imposto de renda, razão pela qual, o crédito tributário deveria ter sido constituído até o dia 31/12/2006 e uma vez ocorrido em 04/12/2007, o auto de infração é nulo, pois cobra crédito extinto. A decisão recorrida afasta a nulidade alegada sob o pretexto da decadência, afirmando que o auto de infração foi lavrado por agente com atribuição para tanto, não se enquadrando nos casos do art. 59 do Decreto n.o 70.235/72, e que quando esta ocorre, não seria considerada de aspecto formal do lançamento, mas sim, atingiria o seu conteúdo material, não podendo ser confundida com preliminar de nulidade. Fl. 58DF CARF MF Impresso em 11/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2012 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 24/02/2012 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 27/02/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10980.017787/200791 Acórdão n.º 2102001.544 S2C1T2 Fl. 58 3 Neste sentido, menciona que o art. 150, par. 4o do CTN só se aplica quando há antecipação do pagamento do tributo, onde o sujeito passivo apura o montante devido, de forma comparável aos procedimentos descritos no art. 142 deste diploma legal, recolhendo antecipadamente o valor apurado. Assim, no caso em questão, o lançamento é de ofício, previsto no art. 149, V do CTN, face a omissão ou incorreção do contribuinte, e como tal, o prazo decadencial é o previsto no art. 173 desta lei ordinária, com força de lei complementar. O relator da decisão recorrida ainda destacou (fl. 32): De qualquer modo, no caso concreto em discussão, a declaração apresentada, à fl. 12, evidencia que não houve pagamento antecipado, uma vez que o contribuinte apurou pretenso "imposto a restituir" e o lançamento decorreu justamente da falta de comprovação de efetiva retenção de imposto de renda na fonte. Ou seja, não houve retenção comprovada e nem pagamento antecipado pelo ajuste anual, o que, por si só, já afastaria a aplicação do art. 150, § 4°, do CTN, porquanto não tenha havido o procedimento que desencadearia o chamado lançamento "por homologação". Assim, é possível o lançamento de oficio dentro do prazo previsto no art.173, I do Código Tributário Nacional. Em relação ao fato gerador ocorrido em 31/12/2001, considerando que a Declaração de Ajuste Anual correspondente deveria ser entregue pelo contribuinte até o último dia útil do mês de abril de 2002, o lançamento só poderia ser efetuado pelo Fisco a partir do mês maio de 2002; portanto, tinha a Administração Tributária cinco anos para efetuar o lançamento de oficio, a contar do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, ou seja, de 1°/01/2003 a 31/12/2007, não havendo decadência no caso concreto. Ao final, menciona a decisão recorrida: Em relação ao mérito da glosa de imposto de renda retido na fonte, o impugnante não suscitou contrariedade, limitandose, em descrição aos fatos, a dizer que era sócio minoritário da empresa e que disporia de recibos de comprovação da retenção, relato que não se encontra acompanhado da prova correspondente, não sendo, portanto, hábil para a modificação do lançamento efetuado. Em grau de Recurso Voluntário a este colegiado (fls. 47/53), o Recorrente reitera a alegação da ocorrência da decadência do direito do fisco de constituir o crédito tributário, destacando a modalidade de lançamento por homologação do imposto de renda, que é diferente do IPTU, portanto, somente aplicável o prazo previsto no art. 150, par. 4o do CTN. Argumenta ainda a ilegitimidade passiva, nos seguintes termos: Fl. 59DF CARF MF Impresso em 11/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2012 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 24/02/2012 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 27/02/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10980.017787/200791 Acórdão n.º 2102001.544 S2C1T2 Fl. 59 4 18. De acordo com o artigo 45 do Código Tributário Nacional a condição de contribuinte pode ser atribuída pela lei ao possuidor, a qualquer titulo, dos bens produtores de renda ou de proventos sujeitos ao imposto. 19. Também o artigo 45 do Código Tributário Nacional admite que o possuidor de um bem possa ser contribuinte do imposto de renda, não o faz porque a pessoa é possuidor e quanto ao valor do bem possuído, mas, sim, porque os rendimentos produzidos pelo bem possuído pertencem a ela, desde que possuidora de boafé (artigo 1214 do Código Civil). 20. Exemplificativamente, um pagamento de remuneração de trabalho configura uma situação de acréscimo patrimonial, da espécie renda, sobre o qual a lei pode instituir a incidência do imposto e pode situar a sujeição passiva na pessoa do próprio contribuinte (o titular da remuneração) ou na fonte pagadora (a responsável tributária porque tem em mãos os recursos do pagamento, de onde pode retirar o valor do imposto), caso da empresa Autelcom Componentes Eletrônicos Ltda. 21. Todavia, na mesma situação, a lei não pode atribuir a responsabilidade a uma pessoa absolutamente alheia ao fato gerador, por exemplo, ao vizinho do contribuinte ou da fonte pagadora. 22. Significa que a responsabilidade da fonte pagadora, portanto, corresponde a uma das hipóteses de sujeição tributária, derivando sempre e necessariamente de disposição legal expressa. Isto significa que uma pessoa qualquer, ao efetuar qualquer pagamento de renda ou provento, pode se tornar — e somente se torna — sujeito passivo da obrigação tributária correspondente se houver uma previsão em lei que a obrigue a recolher o imposto incidente sobre tal renda ou provento. 23. Como visto acima, ante o artigo 128 do Código Tributário Nacional, é perfeitamente possível que a responsabilidade seja exclusiva ou supletiva. 24. Segundo o ilustre Professor Ricardo Mariz de Oliveira, 'no caso do imposto de renda, a responsabilidade da fonte pagadora da renda é exclusiva, vale dizer, com exclusão da responsabilidade do contribuinte que aufere a renda ou o provento. Temse, assim, uma hipótese de contribuinte não sujeito passivo, porque, segundo a lei, há um sujeito passivo que não é contribuinte'. 25. É necessário esclarecer que a exclusividade da responsabilidade da fonte pagadora não decorre de que a lei estabelece a condição de responsável, e a declara expressamente como exclusiva. 0 que ocorre é a ausência de norma prescritora da responsabilidade meramente supletiva. 26. Assim, a responsabilidade exclusiva da fonte decorre da norma que lhe outorga sujeição, sem o beneficio de ser supletiva Fl. 60DF CARF MF Impresso em 11/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2012 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 24/02/2012 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 27/02/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10980.017787/200791 Acórdão n.º 2102001.544 S2C1T2 Fl. 60 5 do contribuinte. Em outras palavras, a lei limitase a colocar a fonte como sujeito passivo, logo exclusivo. 27. Continuando em sua exposição, o ilustre Professor Ricardo Mariz de Oliveira afirma: "Em virtude desse regime, a relação jurídica tributária se estabelece desde o momento da ocorrência do fato gerador entre a União Federal e a fonte pagadora, mantendo o contribuinte uma relação meramente econômica com a relação jurídica tributária, já que o imposto pode lhe ser descontado, sendo tal possibilidade decorrente de que é ele o detentor da capacidade contributiva relacionada com o respectivo fato gerador. Em outras palavras, neste casos o contribuinte não é sujeito passivo porque não participa da relação jurídica tributária, eis que o sujeito passivo dessa relação é a fonte pagadora, mas ele tem participação econômica porque detém a capacidade contributiva e é com recursos dele descontados que o imposto deve ser recolhido." 28. Ao final conclui, entre as conseqüências decorrentes da sujeição passiva exclusiva da fonte pagadora, o fato de que "a pessoa pagadora do rendimento, isto 6, a fonte pagadora, é o único sujeito sobre o qual pode recair qualquer procedimento de cobrança do imposto." 1 29. Por tudo isso, sendo a fonte pagadora o sujeito passivo exclusivamente designado para responder pelo crédito tributário em questão, não restam dúvidas quanto ilegitimidade passiva do RECORRENTE para sofrer a presente ação fiscal. É o Relatório. Voto Conselheiro Atilio Pitarelli, Relator. O recurso é tempestivo, na conformidade do prazo estabelecido pelo artigo 33 do Decreto n.o 70.235, de 06 de março de 1.972, foi interposto por representante legal devidamente constituído e está fundamentado. Sendo assim, conheçoo e passo à apreciação. Com efeito, da peça recursal se extraem duas questões que são postas a este colegiado, quais sejam, a decadência do direito de constituir o crédito tributário e a legitimidade passiva. O Recorrente alega que por ser o imposto de renda sujeito ao lançamento por homologação, os valores pertinentes ao ano base de 2001 deveriam, com fundamento par. 4o do art. 150 do CTN, ser constituídos até 31/12/2006, o que não ocorreu. Fl. 61DF CARF MF Impresso em 11/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2012 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 24/02/2012 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 27/02/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10980.017787/200791 Acórdão n.º 2102001.544 S2C1T2 Fl. 61 6 A decisão recorrida bem apreciou a matéria, inclusive, com o entendimento que vem prevalecendo no Superior Tribunal de Justiça, com reflexo neste colegiado, assim, fundamentando o entendimento: Nessa matéria, esclareçase que o art. 150, § 4°, do CTN, diz respeito ao prazo ofertado A Fazenda Pública para homologar o lançamento no qual o sujeito passivo tenha antecipado o pagamento do tributo. Referido artigo trata, portanto, daqueles lançamentos para os quais é admitida a participação do sujeito passivo nas atividades de levantar o fato gerador ocorrido e de quantificar o montante do tributo devido, de forma comparável aos procedimentos descritos no art. 142 do CTN, recolhendo o tributo antecipadamente ao erário no tempo e na forma estabelecidos pela legislação própria. Contudo, o presente caso enquadrase na hipótese de lançamento de oficio, previsto no art. 149, V do CTN, tendo em vista a omissão ou inexatidão por parte do contribuinte no exercício da atividade a que se refere o art. 150 do CTN. Os lançamentos de oficio, arrolados no art. 149 do Código Tributário, sujeitamse ao prazo decadencial estipulado no art. 173, I do mesmo diploma legal, in verbis: "Art. 149 — 0 lançamento é efetuado e revisto de oficio pela autoridade administrativa nos seguintes casos: (..) V— quando se comprove omissão ou inexatidão, por parte da pessoa legalmente obrigada, no exercício da atividade a que se refere o artigo seguinte; Art. 173. 0 direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; (...)" (Grifouse) O Recorrente apurou o imposto de renda, de forma que resultou valor a restituir (fl. 12), portanto, nada recolhendo aos cofres da União, aplicandose assim, a contagem com fundamento no art. 173, I do CTN, expirando o prazo em 31/12/2007, prazo este, observado para a lavratura do auto de infração. Como o auto de infração foi lavrado em 11/09/2007, dele tomando ciência o Recorrente em 04/12/2007, e a DIRPF entregue em 07/04/2002, entendo não ter ocorrido o fenômeno da decadência, não restando dúvidas, sobre a aplicação da contagem prevista no art. 173, I do CTN, corroborando neste sentido, entendimento do STJ, uma vez que o Recorrente nada recolheu aos cofres da União, apenas, dele querendo extrair a título de restituição, de importância que não deu conta do recolhimento, na condição de sócio da suposta fonte pagadora. Fl. 62DF CARF MF Impresso em 11/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2012 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 24/02/2012 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 27/02/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10980.017787/200791 Acórdão n.º 2102001.544 S2C1T2 Fl. 62 7 Relativamente à questão da alegada ilegitimidade passiva, entendo que também não assiste razão ao Recorrente. Com efeito, no decorrer de todo o processo, lhe foi assegurado a oportunidade de juntar documentos que evidenciassem a natureza do vínculo com a empresa Autelcom Componentes Eletrônicos Ltda., da qual teria auferido rendimentos no valor de R$ 74.736,67 e IRRF de R$ 16.466,25 (fl. 13), não obstante, nada apresentou, além da alegação na impugnação de que dela possuía 0,0000526% das cotas, não reproduzindo na peça recursal, e nem mesmo, na declaração de bens, também acostada neste processo, objeto da fl. 13. Por essas razões, NEGO provimento ao recurso. Assinado digitalmente ATILIO PITARELLI Fl. 63DF CARF MF Impresso em 11/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2012 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 24/02/2012 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 27/02/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS
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Numero do processo: 10675.903781/2009-53
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 09 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue May 07 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 1801-000.198
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento na realização de diligência, nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
Ana de Barros Fernandes Presidente
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva - Relatora
Composição do Colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria de Lourdes Ramirez, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Carmen Ferreira Saraiva, João Carlos de Figueiredo Neto, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes.
Nome do relator: CARMEN FERREIRA SARAIVA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento na realização de diligência, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Presidente (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva - Relatora Composição do Colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria de Lourdes Ramirez, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Carmen Ferreira Saraiva, João Carlos de Figueiredo Neto, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes.
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento na realização de diligência, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes – Presidente (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Relatora Composição do Colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria de Lourdes Ramirez, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Carmen Ferreira Saraiva, João Carlos de Figueiredo Neto, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes. RELATÓRIO A Recorrente formalizou o Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação (Per/DComp) nº 42751.77679.110504.1.3.038700, fls. 2533, em 23.02.2005, utilizandose do saldo negativo de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) no valor original de R$41.339,05 do anocalendário de 2003 apurado pelo regime do lucro real anual, para compensação dos débitos e confessados nas Per/DComp nºs RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 06 75 .9 03 78 1/ 20 09 -5 3 Fl. 80DF CARF MF Impresso em 07/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 16/04/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/04/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10675.903781/200953 Resolução nº 1801000.198 S1TE01 Fl. 81 2 19622.10507.271004.1.3.038078, 31932.98455.271004.1.3.039639, 17320,00885.271004.1.3.035051 e 14901.60027.221104.1.3.039334. Em conformidade com o Despacho Decisório, fl. 22, as informações relativas ao reconhecimento do direito creditório foram analisadas das quais se concluiu pelo deferimento em parte do pedido. Restou esclarecido que Valor original do saldo negativo informado no PER/DCOMP com demonstrativo de crédito: R$41.399,05 Somatório das parcelas de composição do crédito na DIPJ: R$57.991,52 CSLL devida: R$16.592,47. Valor do saldo negativo disponível = (Parcelas confirmadas limitado ao somatório das parcelas na DIPJ) (CSLL devida) Valor do saldo negativo disponível: R$27.239,29 O credito reconhecido foi insuficiente para compensar integralmente os débitos informados pelo sujeito passivo, razão pela qual: HOMOLOGO PARCIALMENTE a compensação declarada no PER/DCOMP: 19622.10507.271004.1.3.038078 NÃO HOMOLOGO a compensação declarada no(s) seguinte(s) PER/DCOMP: 31932.98455.271004.1.3.039639, 17320,00885.271004.1.3.035051 e 14901.60027.221104.1.3.039334. Para tanto, cabe indicar o seguinte enquadramento legal: art. 165, art. 168 e 170, da Lei nº 5.172 de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional CTN), art. 3º da Lei Complementar nº 118, de 19 de fevereiro de 2005 e art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Cientificada em 30.04.2009, fl. 23, a Recorrente apresentou a manifestação de inconformidade em 26.05.2009, fls. 0111, com os argumentos a seguir sintetizados. Aduz que os débitos de CSLL determinados sobre a base de cálculo estimada referentes aos fatos geradores de abril, maio e junho de 2003, respectivamente, nos valores de R$4.894,42, R$4.866,41 e R$4.398,93 estão formalizados no processo nº 13687.000088/2003 91, fl. 1620 e ainda que [...] os débitos correspondentes aos meses 04/2003 a 06/2003, não constaram de outro Per/DComp cuja transmissão fora exaustivamente tentada, porém sem sucesso, máxime em razão de mensagem vinda a tela com a informação de que o processo encontrase arquivado. Inobstante a frustração no procedimento tentado, é induvidoso de que o saldo negativo constante da linha 42 da ficha 17 da DIPJ 2003, ano calendário 2002 é suficiente para recepcionar mencionados valores. [...] Em razão de as parcelas das competências abr/03 (R$4.894,42), mai/03 (R$4.866,41) e jun/03 (R$4.398,93) não terem sido relacionadas no processo/Dcomp 13687.000088/200391 a R. Autoridade Revisora acabou sendo induzida a considerar como saldo negativo disponível o montante de R$27.239,29, quando o saldo negativo, conforme o anteriormente demonstrado, é de R$41.399,05; Fl. 81DF CARF MF Impresso em 07/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 16/04/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/04/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10675.903781/200953 Resolução nº 1801000.198 S1TE01 Fl. 82 3 Procura demonstrar que o valor de R$14.159,76 não reconhecido de ofício a título de saldo negativo de CSLL do anocalendário de 2003, corresponde ao somatório dos débitos de CSLL determinados sobre a base de cálculo estimada referentes aos fatos geradores de abril, maio e junho de 2003 não deduzido do IRPJ devido no período. Suscita que decaiu o direito de a Fazenda Pública proceder a constituição do crédito tributário pelo lançamento, nos termos do inciso I do art. 173 do Código Tributário Nacional. Acrescenta Reportandose a fatos geradores supostamente ocorridos em meados do ano de 2003, é de elementar inferência que quando da emissão do Despacho Decisório em abril de 2009 decaído, s.m.j., está o direito de a Fazenda Nacional constituir o crédito tributário de que cuida referido ato [...]. Emerge do despacho decisório objurgado que a cobrança de IRPJ e seus acessórios proposta pelo Il. AFRB dimana de glosa de créditos legítimos que o contribuinte compensou sem atentar para o fato de que teria de adotar procedimento burocrático capaz de conferirlhes formalidades [...]. No entanto, impende frisar que a compensação questionada pela fiscalização se deu 6 (seis) anos ANTES da revisão procedida, o que equivale dizer que, se alguma anomalia existiu, à esta altura está completamente purgada, desafiando sua relevação [...]. A reconstituição dos cálculos para a sua conseqüente adequação à verdadeira materialidade dos fatos, ou seja a alocação no devido tempo e espaço dos valores compensados em abril, maio e junho de 2003, fará com que desapareça a suposta anomalia apontada pelo Fisco [...]. Caso alguma dúvida ainda persista, o contribuinte franqueia ao Fisco, desde já, todos os livros e documentos que dispõe, requerendo a realização de diligência fiscal que deverá ser acompanhada por um de seus prepostos capaz de prestar os esclarecimentos que o questionamento requer. Com o objetivo de fundamentar as razões apresentadas na peça de defesa, interpreta a legislação pertinente, indica princípios constitucionais que supostamente foram violados e faz referências a entendimentos doutrinários e jurisprudenciais em seu favor. Conclui Restando sobejamente contrariadas as pretensões fiscais, é de toda a evidência que o lançamento vergastado não se credencia à prosperidade [...]. Apresenta [...] No sentido de que seja julgada procedente a presente IMPUGNAÇÃO, com a conseqüente determinação do cancelamento das exigências tributárias constantes do Despacho Decisório contraditado, por ser, inequivocamente, de inteira justiça [...]. Protesta o Autor, se assim entender conveniente esse R. Órgão Julgador, por provar o alegado por todos os meios em direito admitidos, especialmente através de realização de perícia e juntada de documentos. Termos em que, P. Deferimento. Está registrado como resultado do Acórdão da 2ª TURMA/DRJ/JFA/MG nº 09 37.183, de 05.10.2011, fls. 3537: “Manifestação de Inconformidade Improcedente”. Restou ementado Fl. 82DF CARF MF Impresso em 07/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 16/04/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/04/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10675.903781/200953 Resolução nº 1801000.198 S1TE01 Fl. 83 4 ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2003 COMPENSAÇÃO. A compensação só se concretiza com a transmissão da Dcomp respectiva. Notificada em 26.01.2012, fls. 41, a Recorrente apresentou o recurso voluntário em 14.02.2012, fls. 4156, esclarecendo a peça atende aos pressupostos de admissibilidade. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge e reitera os argumentos apresentados na manifestação de inconformidade. É o Relatório. VOTO Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Relatora O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência, em especial no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Assim, dele tomo conhecimento. Compulsando os presentes autos, resta constatado que não se encontram em condições de julgamento, pelas razões que passo a expor. A Recorrente suscita que as Per/DComp devem ser deferidas. O sujeito passivo que apurar crédito relativo a tributo administrado pela RFB, passível de restituição, pode utilizálo na compensação de débitos. A partir de 01.10.2002, a compensação somente pode ser efetivada por meio de declaração e com créditos e débitos próprios, que ficam extintos sob condição resolutória de sua ulterior homologação. Também os pedidos pendentes de apreciação foram equiparados a declaração de compensação, retroagindo à data do protocolo. Posteriormente, ou seja, em de 30.12.2003, ficou estabelecido que a Per/DComp constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados, bem como que o prazo para homologação tácita da compensação declarada é de cinco anos, contados da data da sua entrega. Ademais, o procedimento se submete ao rito do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, inclusive para os efeitos do inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional. O procedimento de apuração do direito creditório não prescinde comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de tributo pago a maior1. Compete antes de examinar as demais razões da defesa, analisar a objeção de prescrição por ser matéria de ordem pública que pode ser conhecida a requerimento da parte ou de ofício, a qualquer tempo e em qualquer instância de julgamento. Este instituto pode ser 1 Fundamentação legal: art. 165, art. 168, art. 170 e art. 170A do Códido Tributário Nacional, art. 9º do Decreto Lei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, 1º e art. 2º, art. 51 e art. 74 da Lei nº 9.430, de 26 de dezembro de 1996, art. 49 da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002 e art. 17 da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003. Fl. 83DF CARF MF Impresso em 07/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 16/04/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/04/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10675.903781/200953 Resolução nº 1801000.198 S1TE01 Fl. 84 5 definido como a perda da pretensão do direito de a Fazenda Pública cobrar o crédito tributário já constituído pelo lançamento, tendo em vista o decurso do prazo de cinco anos previsto em lei. Em relação aos tributos sujeitos ao lançamento por homologação e pagos antecipadamente, o termo de início da contagem do prazo prescricional de cinco anos começa a fluir a partir da data da homologação tácita ou expressa do pagamento no caso de a petição de indébito ter sido formalizada até 08.06.2005 e da data do pagamento antecipado e indevido de tributo no caso de a petição de indébito ter sido formalizada a partir de 09.06.2005. Este é o entendimento constante na decisão definitiva de mérito proferida pelo Supremo Tribunal Federal (STF) no Recurso Extraordinário nº 566.621/RS2, substituto do paradigma da Repercussão Geral no Recurso Extraordinário nº 561.908/RS3, que deve ser reproduzido pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF4. No que se refere aos Pedidos de Ressarcimento ou Restituição/Declarações de Compensação (Per/DComp) apresentados após 08.06.2005, cabe a aplicação do art. 165, art. 168 e art. 174 do Código Tributário Nacional e art. 3º da Lei Complementar nº 118, de 9 de fevereiro de 2005, bem como a Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 20 de novembro de 2012, que determina que o sujeito passivo pode apresentar Declaração de Compensação que tenha por objeto crédito apurado ou decorrente de pagamento efetuado há mais de 5 (cinco) anos, desde que referido crédito tenha sido objeto de pedido de restituição ou de ressarcimento apresentado à RFB antes do transcurso do referido prazo e, ainda, que sejam satisfeitas as seguintes condições (a) o pedido não tenha sido indeferido, mesmo que por decisão administrativa não definitiva, pela autoridade competente da RFB, e (b) se deferido o pedido, ainda não tenha sido emitida a ordem de pagamento do crédito. Feitas essas considerações normativas, tem cabimento a análise da situação fática tendo em vista os documentos já analisados pela autoridade de primeira instância de julgamento e aqueles produzidos em sede de recurso voluntário. A autoridade julgadora de primeira instância assim se pronunciou: A empresa confirma que não transmitiu Dcomp para quitação das estimativas de CSLL dos meses 04, 05 e 06 de 2003, mas alega que o saldo negativo de 2002 era suficiente para tal quitação. [...] Como se vê, a compensação só será efetuada com a transmissão da Dcomp respectiva, o que a manifestante confessa não ter feito. Assim, independentemente de existir o crédito que a empresa usaria na compensação, sem a Dcomp esta não pode sequer ser considerada. Vale esclarecer, todavia, que a Recorrente apresentou os Pedidos de Restituição dos saldo negativo do anocalendário de 2002 apurados pelo lucro real anual em 15.05.2003 formalizados no processo nº 13687.000088/200391, fl. 1620: 2 BRASIL. Supremo Tribunal Federal. Recuso Extraordinário de nº 566621/RS. Ministra Relatora: Ellen Gracie. Plenário, Brasília, DF, 4 de agosto de 2011. Disponível em:<http://www.stf.jus.br/portal/informativo/verInformativo.asp?s1=566621&numero=634&pagina=1&base=INF O> . Acesso em> 25 aog. 2011. 3 BRASIL. Supremo Tribunal Federal. Repercussão Geral em Recurso Extraorniário nº561908/RS. Ministro Relator: Marco Aurélio. Plenário, Brasília, DF, 16 de agosto de 2011. Disponível em: <http://www.stf.jus.br/portal/jurisprudenciaRepercussao/verAndamentoProcesso.asp?incidente=2554040&numero Processo=561908&classeProcesso=RE&numeroTema=4> . Acesso em: 25 ago. 2011. 4 Fundamentação legal: art. 106, art. 165, art. 168 e art. 174 do Código Tributário Nacional, art. 3º da Lei Complementar nº 118, de 2005, art. 28 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 e art. 62A do Anexo II do Regimento Interno do CARF. Fl. 84DF CARF MF Impresso em 07/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 16/04/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/04/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10675.903781/200953 Resolução nº 1801000.198 S1TE01 Fl. 85 6 (a) de IRPJ no valor de R$32.353,00; e (b) de CSLL no valor de R$27.858,23. Na Declaração de Compensação que instrui os referidos autos, a Recorrente solicita a homologação dos débitos nos valores: (a) de IRPJ determinado sobre a base de cálculo estimada (código de arrecadação nº 5993) relativos aos fatos geradores de janeiro a março de 2003 no total de R$18.364,03; e (c) de CSLL determinada sobre a base de cálculo estimada (código de arrecadação nº 2484) relativos aos fatos geradores de janeiro a março de 2003 no total de R$13.698,47. Tendo em vista a controvérsia entre a alegação do Erário e o argumento da Recorrente, a realização da diligência se torna imprescindível para esclarecer a situação fática. Em assim sucedendo e com observância do disposto no art. 18 do Decreto nº 70.235, de 1972, voto pela conversão do julgamento em diligência para que a autoridade preparadora da Unidade da Receita Federal do Brasil que jurisdiciona a Recorrente, referente aos supostos pagamentos a maior, informar: (a) se os Pedidos de Restituição formalizados no processo nº 13687.000088/200391 foram deferidos identificando da data e o valor, se for o caso, ou seja, a situação fiscal recente dos mencionados procedimentos; (b) se deferido os pedidos, se ainda resta saldo remanescente de direito creditório ainda não utilizado e disponível e se foi emitida a ordem de pagamento do crédito. Caso ainda reste saldo remanescente de direitos creditórios ainda não utilizados e disponíveis, intimar a Recorrente a apresentar as DComp utilizandose desse supostos créditos tributário para fins de compensar os débitos de CSLL determinados sobre a base de cálculo estimada referentes aos fatos geradores de abril, maio e junho de 2003, respectivamente, nos valores de R$4.894,42, R$4.866,41 e R$4.398,93, uma vez que a legislação expressamente permite que Recorrente apresente DComp que tenha por objeto crédito apurado ou decorrente de pagamento efetuado há mais de 5 (cinco) anos, desde que referido crédito tenha sido objeto de pedido de restituição apresentado à RFB antes do transcurso do referido prazo, como é o caso tratado no processo nº 13687.000088/200391, fl. 1620. A autoridade fiscal designada ao cumprimento da diligência solicitada deverá cotejar os dados constantes nos registros internos da RFB para aferir a verossimilhança, bem como elaborar o Relatório Fiscal sobre os fatos apurados, em especial relativamente à existência de direitos creditórios relativos aos supostos saldos remanescentes ainda não utilizados e disponíveis dos Pedidos de Restituição formalizados no processo nº 13687.000088/200391, fl. 1620, e sugerir à Recorrente, se for o caso, a apresentar as Declarações de Compensação com utilização desses créditos para extinção de débitos tributários, bem como instruir os autos com as cópias desses documentos, se houver. Fl. 85DF CARF MF Impresso em 07/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 16/04/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/04/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10675.903781/200953 Resolução nº 1801000.198 S1TE01 Fl. 86 7 A Recorrente deve ser cientificada dos procedimentos referentes às diligências efetuadas e do Relatório Fiscal para que, desejando, se manifeste a respeito dessas questões com o objetivo de lhe assegurar o contraditório e a ampla defesa com os meios e recursos a ela inerentes5 . (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva 5 Fundamentação legal: inciso LV do art. 5º da Constituição da República. Fl. 86DF CARF MF Impresso em 07/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 16/04/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/04/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES
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Numero do processo: 19515.004316/2009-45
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 14 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu May 23 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 2402-000.265
Decisão:
RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência.
Júlio César Vieira Gomes Presidente
Lourenço Ferreira do Prado Relator
Participaram do presente Julgamento os Conselheiros: Julio César Vieira Gomes, Ana Maria Bandeira, Thiago Taborda Simões, Ronaldo de Lima Macedo, Nereu Miguel Ribeiro Domingues e Lourenço Ferreira do Prado.
Nome do relator: LOURENCO FERREIRA DO PRADO
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 3; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1178; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T2 Fl. 134 1 133 S2C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 19515.004316/200945 Recurso nº Voluntário Resolução nº 2402000.265 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Data 14 de agosto de 2012 Assunto Solicitação de Diligência Recorrente START SERVIÇOS TEMPORÁRIOS Recorrida FAZENDA NACIONAL RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência. Júlio César Vieira Gomes – Presidente Lourenço Ferreira do Prado – Relator Participaram do presente Julgamento os Conselheiros: Julio César Vieira Gomes, Ana Maria Bandeira, Thiago Taborda Simões, Ronaldo de Lima Macedo, Nereu Miguel Ribeiro Domingues e Lourenço Ferreira do Prado. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 95 15 .0 04 31 6/ 20 09 -4 5 Fl. 147DF CARF MF Impresso em 23/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2013 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 17/04/20 13 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 20/05/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 19515.004316/200945 Resolução nº 2402000.265 S2C4T2 Fl. 135 2 RELATÓRIO Tratase de recurso de voluntário interposto por START SERVIÇOS TEMPORÁRIOS, em face do acórdão de fls. 83, por meio do qual foi mantida parcialmente a multa lançada no Auto de Infração n. 37.235.7873, por ter a recorrente apresentado GFIP sem a informação de todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias a que estava sujeita, no caso a remuneração da sócia Cleuza de Almeida e diversos contribuintes individuais e segurados empregados. O lançamento compreende as competências de 01/2004 a 12/2004, com a ciência do contribuinte acerca do lançamento efetivada em 27/10/2009 (fls. 01). Devidamente intimado do julgamento de primeira instância, foi interposto o competente recurso voluntário, através do qual sustenta: 1. a decadência do direito de o fisco efetuar o lançamento, com arrimo no art. 150, 4o do CTN; 2. que o Auto de Infração deve ser anulado pelo cerceamento de direito da recorrente em razão de não haver clareza quanto aos elementos constantes do lançamento fiscal; Sem contrarrazões da Procuradoria da Fazenda Nacional, vieram os autos a este Eg. Conselho. É o relatório. Fl. 148DF CARF MF Impresso em 23/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2013 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 17/04/20 13 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 20/05/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 19515.004316/200945 Resolução nº 2402000.265 S2C4T2 Fl. 136 3 VOTO Conselheiro Lourenço Ferreira do Prado, Relator Conforme já relatado, tratase da imposição de multa pela apresentação da GFIP nas quais foram omitidos fatos geradores de contribuições previdenciárias que foram objeto de lançamento em algum dos demais Autos de Infração lavrados pela fiscalização, conforme resta indicado no TEAF de fls. 30 De todos os Autos de Infração e NFLD´s indicadas no TEAF, sejam relativos a obrigações principais ou acessórias, não foi possível descobrirse o paradeiro de todos eles, especialmente nos quais foram lançadas as contribuições previdenciárias cujos fatos geradores não foram informados em GFIP e que originaram a multa objeto deste Auto de Infração. Se o lançamento principal conexo vier a ser anulado, concluise, por óbvio, que não havia a obrigatoriedade da recorrente informar os fatos geradores em GFIP, o que elidiria a aplicação da multa lançada no presente Auto de Infração, que tem estreita ligação e é acessório ao deslinde das NFLD´s nas quais foram lançadas a obrigações principais. Por tais motivos, tenho que o julgamento do presente Auto de Infração deve se dar somente em conjunto com as NFLD´s correlatas, ou, quando este já esteja definitivamente julgado. Assim sendo, voto no sentido de que o presente julgamento seja CONVERTIDO EM DILIGÊNCIA, para que os autos do presente processo passem a tramitar em conjunto com os relativos ao lançamento da obrigação principal. É como voto. Lourenço Ferreira do Prado Fl. 149DF CARF MF Impresso em 23/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2013 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 17/04/20 13 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 20/05/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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