Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,282)
- Segunda Câmara (27,810)
- Primeira Câmara (25,086)
- Segunda Turma Ordinária d (17,885)
- Primeira Turma Ordinária (16,419)
- Primeira Turma Ordinária (16,225)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (16,216)
- Primeira Turma Ordinária (16,172)
- Segunda Turma Ordinária d (15,905)
- Segunda Turma Ordinária d (14,489)
- Primeira Turma Ordinária (13,087)
- Primeira Turma Ordinária (12,513)
- Segunda Turma Ordinária d (12,438)
- Quarta Câmara (11,514)
- Primeira Turma Ordinária (11,488)
- Quarta Câmara (85,202)
- Terceira Câmara (67,872)
- Segunda Câmara (56,642)
- Primeira Câmara (20,751)
- 3ª SEÇÃO (16,216)
- 2ª SEÇÃO (11,306)
- 1ª SEÇÃO (6,854)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (126,714)
- Segunda Seção de Julgamen (115,210)
- Primeira Seção de Julgame (77,082)
- Primeiro Conselho de Cont (49,053)
- Segundo Conselho de Contr (48,968)
- Câmara Superior de Recurs (37,972)
- Terceiro Conselho de Cont (25,979)
- IPI- processos NT - ressa (5,020)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,062)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,963)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,868)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,251)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,102)
- IRPJ - restituição e comp (2,088)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,551)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,508)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,270)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- PEDRO SOUSA BISPO (3,905)
- HELCIO LAFETA REIS (3,868)
- ROSALDO TREVISAN (3,233)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,930)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,801)
- WILDERSON BOTTO (2,650)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,636)
- RODRIGO LORENZON YUNAN GA (2,589)
- 2020 (41,088)
- 2021 (35,842)
- 2019 (30,960)
- 2018 (26,046)
- 2024 (25,923)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,472)
- 2014 (22,376)
- 2013 (21,088)
- 2011 (20,979)
- 2025 (19,615)
- 2010 (18,059)
- 2008 (17,137)
- 2017 (16,841)
- 2009 (15,846)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2025 (19,745)
- 2026 (16,690)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,857)
- 2022 (13,225)
Numero do processo: 16327.720680/2011-08
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 11 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ano-calendário: 2006 AUTO DE INFRAÇÃO. AJUSTE ANUAL. INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO. INOCORRÊNCIA. Exonera-se a exigência formulada com base em divergência de valores a pagar declarados na DIPJ e na DCTF, quando o contribuinte faz prova, mediante informações e documentos, de ter havido mero erro de preenchimento de declaração, evidenciando a inexistência do crédito tributário lançado.
Numero da decisão: 1301-001.035
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade, negar provimento ao recurso de ofício, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator.
Nome do relator: EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201209
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ano-calendário: 2006 AUTO DE INFRAÇÃO. AJUSTE ANUAL. INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO. INOCORRÊNCIA. Exonera-se a exigência formulada com base em divergência de valores a pagar declarados na DIPJ e na DCTF, quando o contribuinte faz prova, mediante informações e documentos, de ter havido mero erro de preenchimento de declaração, evidenciando a inexistência do crédito tributário lançado.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
numero_processo_s : 16327.720680/2011-08
conteudo_id_s : 5213739
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Aug 14 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 1301-001.035
nome_arquivo_s : Decisao_16327720680201108.pdf
nome_relator_s : EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR
nome_arquivo_pdf_s : 16327720680201108_5213739.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade, negar provimento ao recurso de ofício, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator.
dt_sessao_tdt : Tue Sep 11 00:00:00 UTC 2012
id : 4565791
ano_sessao_s : 2012
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 08:58:38 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713041394967248896
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1578; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C3T1 Fl. 1 1 S1C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16327.720680/201108 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1301001.035 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 11 de setembro de 2012 Matéria CSLL. Recorrente FAZENDA NACIONAL. Recorrida PORTO SEGURO SEGURO SAÚDE S/A Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL Anocalendário: 2006 AUTO DE INFRAÇÃO. AJUSTE ANUAL. INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO. INOCORRÊNCIA. Exonerase a exigência formulada com base em divergência de valores a pagar declarados na DIPJ e na DCTF, quando o contribuinte faz prova, mediante informações e documentos, de ter havido mero erro de preenchimento de declaração, evidenciando a inexistência do crédito tributário lançado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade, negar provimento ao recurso de ofício, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator. (assinado digitalmente) Alberto Pinto Souza Junior Presidente (assinado digitalmente) Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior Fl. 89DF CARF MF Impresso em 06/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2012 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 26/09/2012 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/10/2012 p or ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 2 Relator Participaram do julgamento os Conselheiros: Alberto Pinto Souza Junior, Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Guilherme Pollastri Gomes da Silva. Relatório Cuidase de Recurso de Ofício interposto na forma regimental ante a exoneração do crédito tributário lançado, pela 8ª Turma da DRJ em São Paulo/SP. Depreendese dos autos que em desfavor da contribuinte acima identificada fora lavrado auto de infração (fls. 29 a 34), relativo à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, referente a fato gerador ocorrido em 31/12/2006. Consoante Termo de Verificação Fiscal (fls. 27 e 28), constatouse que, em procedimentos de exame da DIPJ do anocalendário 2006, a recorrida teria deixado de recolher a diferença de CSLL – Ajuste Anual, de R$ 1.077.858,54, apurada pelo cotejo com informações consignadas em DCTF e em DARF´s de recolhimento. Devidamente cientificada da autuação (fl. 32), a contribuinte apresentou Impugnação (fl. 36 41), alegando, em resumo, que a exigência lançada decorreria de divergência entre o valor total de estimativa de CSLL declarado na DIPJ do anocalendário 2006, de R$ 9.876.289,12 (fl. 17) e o consignado na DCTF, de R$ 8.793.172,20 (fl. 25), divergência essa originária da estimativa de 08/2006, assinalando ter declarado na DIPJ, com base em Balancete de Suspensão, valor devido de IRPJ, para o mês 08/2006, de R$ 1.517.679,36 (fl. 16), enquanto na DCTF, consignara o valor de R$ 434.562,49 (fl. 26), com diferença de R$ 1.083.116,87. Justificou a recorrida, destarte, que esta diferença, por sua vez, seria decorrente do fato de o valor tributável do Auto de Infração (R$ 12.034.631,96 = R$ 5.238.246,37 + R$ 6.796.385,59) (fls. 59 a 66), objeto do PAF nº 16327.001102/200611, lavrado em razão de dedução, nas bases de cálculo do IRPJ e da CSLL dos anoscalendário de 2003 e 2004, de valores devidos de PIS e de COFINS com exigibilidade suspensa, ter sido adicionado à base de cálculo da CSLL de 08/2006 (fls. 16 e 22), sem que fosse informado, na DCTF, o recolhimento do imposto incidente sobre esse acréscimo, efetuado também naquele mês (fls. 69 e 70). Aduziu ainda, que o pagamento total do Auto de Infração teria sido de R$ 1.841.559,56, correspondendo a parcelas de R$ 842.184,28 (fl. 69) e de R$ 999.415,28 (fl. 70), cuja soma do principal pago equivaleria à referida diferença, de R$ 1.083.116,87 (R$ 471.442,17 + R$ 611.674,70 = R$ 1.083.116,87) e que teria informado na DCTF de 08/2006 (fl. 26), o recolhimento de apenas R$ 434.562,49, código 2469, deixando de indicar o valor do lançamento de ofício, por impossibilidade de preenchimento do código de receita de lançamento de ofício, 2973, concluindo assim que o valor lançado no presente Auto de Infração, de R$ 1.077.858,54, corresponderia exatamente ao valor pago no PAF nº 16327.001102/200611, de R$ 1.083.116,87, diminuído do Saldo Negativo de CSLL a Pagar do anocalendário 2006, declarado na DIPJ, de R$ 5.258,33 (fl. 17) e que a autoridade fiscal, Fl. 90DF CARF MF Impresso em 06/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2012 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 26/09/2012 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/10/2012 p or ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 16327.720680/201108 Acórdão n.º 1301001.035 S1C3T1 Fl. 2 3 tendo acesso a todas as Declarações do contribuinte, DARF´s e PER/DCOMP, poderia ter verificado a ocorrência do recolhimento dos tributos em tela, em observância do princípio da verdade material, da segurança jurídica e do caráter vinculado de sua atividade, e em consonância com os princípios da moralidade, eficácia e celeridade, previstos no artigo 37 da CF. A 8ª Turma da DRJ em São Paulo/SP, nos termos do acórdão e voto de folhas 78 a 84, julgou insubsistentes as acusações fiscais, conforme observase da ementa do aresto recorrido: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDOCSLL Anocalendário: 2006 AUTO DE INFRAÇÃO. AJUSTE ANUAL. INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO. INOCORRÊNCIA. Exonerase a exigência formulada com base em divergência de valores a pagar declarados na DIPJ e na DCTF, quando o contribuinte faz prova, mediante informações e documentos, de ter havido mero erro de preenchimento de declaração, evidenciando a inexistência do crédito tributário lançado. Impugnação Procedente Crédito Tributário Exonerado. Substancialmente, entendeu a decisão recorrida que a insuficiência de R$ 1.077.858,54 objeto do presente lançamento foi apurada pela autoridade fiscal com base na constatação de que o autuado declarou na DIPJ do anocalendário 2006, valor de Estimativas pagas, no ano, de R$ 9.876.289,12 (fl. 17), enquanto na DCTF (fls. 25 e 26) fez constar valores de recolhimento via DARF´s, de R$ 7.818.497,73, e depósito judicial de R$ 974.674,47, totalizando R$ 8.793.172,20. Destacouse assim, que consoante as informações trazidas e os documentos juntados pelo autuado, essa foi provocada pela divergência de R$ 1.083.116,87, entre o valor declarado de CSLL a Pagar de 08/2006, na DIPJ (fl. 16), apurado mediante Balanço de Suspensão, de R$ 1.517.679,36, que veio compor o referido valor anual de R$ 9.876.289,12, e o pagamento consignado na DCTF, de R$ 434.562,49, que integrou o mencionado total de recolhimento, via DARF, de R$ 7.818.497,73. Verificouse também, que na apuração da CSLL a pagar de 08/2006, o autuado adicionou à base de cálculo do mês (fls. 16 e 22) o valor tributável do Auto de Infração (R$ 12.034.631,96 = R$ 5.238.246,37 + R$ 6.796.385,59) (fls. 59 a 66), objeto do PAF nº 16327.001102/200611, lavrado em razão de dedução, nas bases de cálculo do IRPJ e da CSLL dos anoscalendário de 2003 e 2004, de valores devidos de PIS e de COFINS com exigibilidade suspensa, sem informar, na DCTF, o recolhimento da contribuição, de R$ 1.841.599,56 (fls. 69 e 70), incidente sobre esse montante acrescentado. Fl. 91DF CARF MF Impresso em 06/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2012 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 26/09/2012 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/10/2012 p or ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 4 Concluiuse assim, que o valor do auto de infração (fl. 59), de R$ 2.224.264,75, foi liquidado em 29/08/2006, com redução de 50% da multa, por R$ 1.841.599,56, mediante dois DARF´s, um, de R$ 842.184,28 (fl. 69), e outro, de R$ 999.415,28 (fl. 70), cujos principais correspondem à diferença de R$ 1.083.116,87 (R$ 471.442,17 + R$ 611.674,70). Este valor, deduzido do Saldo Negativo de CSLL a Pagar de 2006, de R$ 5.258,38 (fl. 17), corresponderia exatamente ao valor aqui lançado, de R$ 1.077.858,54, mencionando ser evidente que a formulação da presente exigência fiscal foi provocada por erro de preenchimento da DIPJ, por parte do autuado, ao adicionar à base de cálculo da CSLL de 08/2006 (fl. 22) o valor tributável de Auto de Infração pago naquele mês, relativo à CSLL devida dos anoscalendário 2003 e 2004, tratandose, portanto, de lançamento de crédito relativo a diferença inexistente de CSLLAjuste Anual do anocalendário 2006, sendo, destarte, improcedente a autuação. Em vista da total exoneração, submeteuse o feito ao recurso de Ofício. É o relatório. Voto Conselheiro Edwal Casoni de Paula Fernandes Jr., Relator. Fl. 92DF CARF MF Impresso em 06/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2012 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 26/09/2012 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/10/2012 p or ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 16327.720680/201108 Acórdão n.º 1301001.035 S1C3T1 Fl. 3 5 Atento aos pressupostos legais e regimentais, admito o Recurso de Ofício. Destaquese, por primeiro, que a presenta autuação decorreu de constatada insuficiência no recolhimento efetuado a título de ajuste anual da CSLL atinente ao ano calendário 2006. A metodologia da zelosa Fiscalização pode ser observada no item 2 do Termo de Verificação Fiscal (fls. 27 – 28) e se traduziu no confronto entre os valores contidos na DIPJ do período e aqueles confessados em DCTF, confirase: (2 ) Conforme retro demonstrado, o valor relativo à diferença de CSLL foi apurado cotejandose as informações constantes, relativamente ao AC/2006, na DIPJ, em DCTF e nos respectivos DARF’s; (...) Como visto, portanto, ao proceder o cotejo dos elementos da escrituração da contribuinte, contatou a Fiscalização uma diferença entre as escriturações que geraria a contribuição aqui exigida. A decisão recorrida, por seu turno, analisando os elementos de prova e de direito trazidos pela contribuinte, concluiu ter havido mero erro formal no preenchimento das declarações, entendendo suficientemente provado não haver parcela tributável a hospedar o presente auto de infração, mencionandose que o contribuinte teria provado essas meras irregularidades procedimentais no preenchimento. Confirase a ementa do julgado objeto desta apreciação: (...) ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDOCSLL. Anocalendário: 2006 AUTO DE INFRAÇÃO. AJUSTE ANUAL. INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO. INOCORRÊNCIA. Exonerase a exigência formulada com base em divergência de valores a pagar declarados na DIPJ e na DCTF, quando o contribuinte faz prova, mediante informações e documentos, de ter havido mero erro de preenchimento de declaração, evidenciando a inexistência do crédito tributário lançado. Impugnação Procedente Crédito Tributário Exonerado. Remanesce para enfrentamento, portanto, a mesma situação. Ou seja, saber se âmbito de um processo administrativo fiscal que verse exigência de contribuição a título de ajuste anual de CSLL, subsiste apenas pela constatada diferença entre os valores escriturados e os efetivamente declarados ou, se por outro lado, tal como entendeu a decisão recorrida, a contribuinte comprovou que as apontadas diferenças decorreram de mero equívoco procedimental. Cumprindo esse mister investigativo, a exemplo do que fez a decisão recorrida, registro que a insuficiência apontada, no valor de R$ 1.077.858,54, foi constatada Fl. 93DF CARF MF Impresso em 06/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2012 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 26/09/2012 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/10/2012 p or ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 6 mediante a verificação de que o autuado declarou na DIPJ do anocalendário 2006 valor de Estimativas pagas no total de R$ 9.876.289,12 (fl. 17), enquanto na DCTF (fls. 25 e 26) fez constar valores de recolhimento via DARF´s, de R$ 7.818.497,73, e depósito judicial de R$ 974.674,47, totalizando R$ 8.793.172,20. Tem razão a decisão recorrida ao verificar que esta diferença, conquanto realmente exista, foi provocada pela divergência de R$ 1.083.116,87, entre o valor declarado de CSLL a Pagar de 08/2006, na DIPJ (fl. 16), apurado mediante Balanço de Suspensão, de R$ 1.517.679,36, que veio compor o referido valor anual de R$ 9.876.289,12, e o pagamento consignado na DCTF, de R$ 434.562,49, que integrou o mencionado total de recolhimento, via DARF, de R$ 7.818.497,73. A despeito da diferença gerada, ocorreu que na apuração do IRPJ a pagar de 08/2006, o contribuinte adicionou à base de cálculo do mês (fl. 18), o valor tributável de Auto de Infração (R$ 12.034.631,96 = R$ 5.238.246,37 + R$ 6.796.385,59) (fls. 58 a 63), objeto do PAF nº 16327.001102/200611, lavrado em razão de dedução, nas bases de cálculo do IRPJ e da CSLL dos anoscalendário de 2003 e 2004, de valores devidos de PIS e de COFINS com exigibilidade suspensa, sem informar, na DCTF, o recolhimento da contribuição, de R$ 1.841.599,56, incidente sobre esse montante acrescentado. Inegavelmente, o valor do auto de infração, de R$ de R$ 2.224.264,75, foi liquidado em 29/08/2006, com redução de 50% da multa, por R$ 1.841.599,56, mediante dois DARF´s, um, de R$ 842.184,28 (fl. 69), e outro, de R$ 999.415,28 (fl. 70), cujos principais correspondem à diferença de R$ 1.083.116,87 (R$ 471.442,17 + R$ 611.674,70). Este valor, deduzido do Saldo Negativo de CSLL a Pagar de 2006, de R$ 5.258,38 (fl. 17), corresponde exatamente ao valor aqui lançado, de R$ 1.077.858,54. Andou bem a decisão recorrida, portanto, ao concluir que a formulação da presente exigência fiscal foi provocada por erro de preenchimento da DIPJ, por parte do contribuinte, ao adicionar à base de cálculo da CSLL de 08/2006 o valor tributável de Auto de Infração pago naquele mês, relativo à CSLL devida dos anoscalendário de 2003 e 2004. Com essas ponderações, encaminho meu voto no sentido de NEGAR provimento ao Recurso de Ofício, mantendo a total exoneração do crédito tributário objeto do presente processo administrativo. Sala das Sessões, em 11 de setembro de 2012 (assinado digitalmente) Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior. Fl. 94DF CARF MF Impresso em 06/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2012 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 26/09/2012 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/10/2012 p or ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 10730.001881/2001-84
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Sep 25 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Imposto de Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 1995 a 1999
TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL DE CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO.
O Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - CARF, através de alteração promovida pela Portaria do Ministro da Fazenda n.º 586, de 21.12.2010 (Publicada no em 22.12.2010), passou a fazer expressa previsão no sentido de que “As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543-B e 543-C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF” (Art. 62-A do anexo II).
O STJ, em acórdão submetido ao regime do artigo 543-C, do CPC definiu que “o dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial rege-se pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação” (Recurso Especial nº 973.733).
O termo inicial será: (a) Primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, se não houve antecipação do pagamento (CTN, ART. 173, I); (b) Fato Gerador, caso tenha ocorrido recolhimento, ainda que parcial (CTN, ART. 150, § 4º).
Recurso especial negado.
Numero da decisão: 9202-002.354
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
Matéria: IRPF- auto de infração eletronico (exceto multa DIRPF)
Nome do relator: GUSTAVO LIAN HADDAD
1.0 = *:*
toggle all fields
materia_s : IRPF- auto de infração eletronico (exceto multa DIRPF)
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201209
camara_s : 2ª SEÇÃO
ementa_s : Imposto de Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 1995 a 1999 TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL DE CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO. O Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - CARF, através de alteração promovida pela Portaria do Ministro da Fazenda n.º 586, de 21.12.2010 (Publicada no em 22.12.2010), passou a fazer expressa previsão no sentido de que “As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543-B e 543-C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF” (Art. 62-A do anexo II). O STJ, em acórdão submetido ao regime do artigo 543-C, do CPC definiu que “o dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial rege-se pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação” (Recurso Especial nº 973.733). O termo inicial será: (a) Primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, se não houve antecipação do pagamento (CTN, ART. 173, I); (b) Fato Gerador, caso tenha ocorrido recolhimento, ainda que parcial (CTN, ART. 150, § 4º). Recurso especial negado.
turma_s : 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
numero_processo_s : 10730.001881/2001-84
conteudo_id_s : 5211160
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Sep 30 00:00:00 UTC 2020
numero_decisao_s : 9202-002.354
nome_arquivo_s : Decisao_10730001881200184.pdf
nome_relator_s : GUSTAVO LIAN HADDAD
nome_arquivo_pdf_s : 10730001881200184_5211160.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
dt_sessao_tdt : Tue Sep 25 00:00:00 UTC 2012
id : 4557167
ano_sessao_s : 2012
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 08:58:25 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713041395019677696
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2437; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT2 Fl. 1 1 CSRFT2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10730.001881/200184 Recurso nº 163.636 Especial do Procurador Acórdão nº 920202.354 – 2ª Turma Sessão de 25 de setembro de 2012 Matéria IRPF Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado MÁRIO JORGE SYM CARDOSO Assunto: Imposto de Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 1995 a 1999 TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL DE CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO. O Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, através de alteração promovida pela Portaria do Ministro da Fazenda n.º 586, de 21.12.2010 (Publicada no em 22.12.2010), passou a fazer expressa previsão no sentido de que “As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF” (Art. 62A do anexo II). O STJ, em acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC definiu que “o dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação” (Recurso Especial nº 973.733). O termo inicial será: (a) Primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, se não houve antecipação do pagamento (CTN, ART. 173, I); (b) Fato Gerador, caso tenha ocorrido recolhimento, ainda que parcial (CTN, ART. 150, § 4º). Recurso especial negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Fl. 168DF CARF MF Impresso em 13/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 06/11/2 012 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 16/10/2012 por GUSTAVO LIAN HADDAD 2 (Assinado digitalmente) Valmar Fonseca de Menezes Presidente em exercício (Assinado digitalmente) Gustavo Lian Haddad Relator EDITADO EM: 26/09/2012 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Valmar Fonseca de Menezes (Presidente em exercício), Gonçalo Bonet Allage (VicePresidente em exercício), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Pedro Anan Junior, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Relatório Em face de Mário Jorge Sym Cardoso foi lavrado o auto de infração de fls. 139/141, objetivando a exigência do Imposto de Renda de Pessoa Física em decorrência da omissão de rendimentos recebidos de pessoa física, bem como da glosa de despesas médicas para os anoscalendário de 1995 a 1999. A Quarta Câmara da Primeira Turma Ordinária da Terceira Seção de julgamento do CARF, ao apreciar o recurso voluntário interposto pelo contribuinte, exarou o acórdão n° 340100.064, que se encontra às fls. 370/375 e cuja ementa é a seguinte: “IRPF. DECADÊNCIA. Não caracterizada a ocorrência de dolo fraude ou simulação, o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário, nos casos de lançamento por homologação, como é o caso do imposto de renda da pessoa fisica em relação aos rendimentos sujeitos à declaração de ajuste anual, extinguese com o transcurso do prazo de cinco anos contados do fato gerador, nos termos do § 40 do art. 150 do Código Tributário Nacional. IRPF. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. COMPROVAÇÃO DA ORIGEM. Não pode prevalecer o lançamento fundado no acréscimo patrimonial a descoberto quando o contribuinte comprova ter recursos suficientes para acobertar a aplicação que ensejou o referido lançamento. IRPF. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. Meras alegações, desacompanhadas da documentação que as suportem, não podem ser acolhidas para demonstrar a origem de recursos que suportariam os dispêndios que originaram o lançamento com base na apuração de variação patrimonial a descoberto. Fl. 169DF CARF MF Impresso em 13/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 06/11/2 012 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 16/10/2012 por GUSTAVO LIAN HADDAD Processo nº 10730.001881/200184 Acórdão n.º 920202.354 CSRFT2 Fl. 2 3 IRPF. DEDUÇÕES. DESPESAS MÉDICAS. Não podem ser acolhidos, em sede de Impugnação ou de Recurso Voluntário, recibos médicos relacionados a despesas não pleiteadas na Declaração de Ajuste, eis que os mesmos fogem ao objeto do lançamento (decorrente da glosa de despesas deduzidas pelo contribuinte).” Recurso parcialmente provido.” A anotação do resultado do julgamento indica que a Câmara, por unanimidade de votos, deu provimento parcial ao recurso para reconhecer que a decadência do crédito tributário para o anocalendário de 1995 e, por maioria de votos, excluiu da base de cálculo do lancamento o acréscimo patrimonial a descoberto do anocalendário 1996 o valor de R$ 31.204,92. Intimada do acórdão em 08/10/2010 (fls. 376), a Fazenda Nacional interpôs o recurso especial de fls. 379/388, em que pleitea seja afastada a decadência declarada pela decisão recorrida e demonstra divergência entre o acórdão recorrido e paradigmas quanto à aplicação do art. 150, parágrafo 4º do CTN a situações em que não houve antecipação de pagamento. O recurso especial foi admitido conforme se verifica do despacho nº 2202 00398, de 30/11/2010 (fls. 398/399). Intimada sobre a admissão do recurso especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional, a contribuinte apresentou contrarrazões de fls. 424/425. É o Relatório. Voto Conselheiro Gustavo Lian Haddad, Relator O recurso especial da Procuradoria da Fazenda Nacional preenche os requisitos de admissibilidade. Dele conheço. Quanto ao mérito, no tocante à decadência, já manifestei entendimento em diversas oportunidades segundo o qual o IRPF é tributo sujeito ao lançamento por homologação, sendo que o prazo decadencial para efetuar o lançamento de tal tributo seria, em regra, o do art.150, §4º do CTN. Dessa forma, o prazo decadencial para o lançamento seria de cinco anos a contar do fato gerador. Ocorre que o Regimento Interno deste E. Conselho, conforme alteração promovida pela Portaria MF n.º 586/2010 no artigo 62A do anexo II, introduziu dispositivo que determina, in verbis, que: “As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de Fl. 170DF CARF MF Impresso em 13/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 06/11/2 012 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 16/10/2012 por GUSTAVO LIAN HADDAD 4 janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF” No que diz respeito à decadência dos tributos lançados por homologação, o Superior Tribunal de Justiça, ao julgar o RESP nº 973.733, nos termos do artigo 543C, do CPC, consolidou entendimento diverso do que sempre adotei, conforme se verifica da ementa a seguir transcrita: “PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL .ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Fl. 171DF CARF MF Impresso em 13/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 06/11/2 012 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 16/10/2012 por GUSTAVO LIAN HADDAD Processo nº 10730.001881/200184 Acórdão n.º 920202.354 CSRFT2 Fl. 3 5 Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543 C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Com o advento da decisão acima referida, temse que nos casos em que não houve antecipação de pagamento devese aplicar a regra do art. 173, I, do CTN, ou seja, contarse o prazo decadencial a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Nos casos em que há recolhimento, ainda que parcial, aplicase a regra do art. 150, § 4º do CTN, ou seja, o prazo iniciase na data do fato gerador. No presente caso a decisão recorrida reconheceu a decadência em relação aos fatos geradores ocorridos no anocalendário de 1995. Compulsando os autos, verifico pela cópia da declaração de ajuste anual do exercício de 1996 (fls 18) que durante o anocalendário de 1995 ocorreu a antecipação do imposto de renda por meio de retenções de imposto de renda por fontes pagadoras. Logo, aplicase no presente caso o disposto no artigo 150, §4º, do CTN, sendo que o início do prazo de decadência dáse com a ocorrência do fato gerador, em consonância com o que foi decidido no v. acórdão recorrido. Na data em que a contribuinte tomou ciência do lançamento 30/04/2001 (fls. 139), os fatos geradores referentes ao anocalendário de 1995 encontravamse fulminados pela decadência. Deve, assim, ser mantida a decisão recorrida para reconhecer a decadência em relação ao anocalendário de 1995. Destarte, conheço do recurso especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional para, no mérito, NEGAR LHE PROVIMENTO. (Assinado digitalmente) Gustavo Lian Haddad Fl. 172DF CARF MF Impresso em 13/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 06/11/2 012 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 16/10/2012 por GUSTAVO LIAN HADDAD 6 Fl. 173DF CARF MF Impresso em 13/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 06/11/2 012 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 16/10/2012 por GUSTAVO LIAN HADDAD
score : 1.0
Numero do processo: 10976.000385/2008-05
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 01 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO - CSLL Ano-calendário: 2004, 2005 DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEI N° 7.689/88 - LIMITES OBJETIVOS DA COISA JULGADA. O STJ decidiu que declarada a inexistência de relação jurídico-tributária entre o contribuinte e o fisco, mediante declaração de inconstitucionalidade da Lei 7.689/88 que instituiu a CSLL, afasta-se a possibilidade de sua cobrança com base nesse diploma legal, até a data do trânsito em julgado da ADI 15, uma vez que leis supervenientes apenas modificaram a alíquota e a base de cálculo da contribuição instituída pela Lei 7.689/88, ou dispuseram sobre a forma de pagamento, alterações que não teriam o condão de criar nova relação jurídico-tributária no período compreendido até setembro de 2007, o que impede o Fisco de cobrar a exação, em respeito à coisa julgada material. (Recurso Especial nº. 1.118.893/MG [2009/0011135-9], sujeito ao regime do art. 543-C do Código de Processo Civil e da Resolução 8/STJ; Parecer PGFN/CRJ/Nº 492/2011 e Parecer PGFN/CRJ/Nº 975/2011). As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543-B e 543-C da Lei nº. 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (Regimento Interno do CARF - Art. 62-A)
Numero da decisão: 1801-000.870
Decisão: Acordam, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora.
Nome do relator: MARIA DE LOURDES RAMIREZ
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201202
ementa_s : CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO - CSLL Ano-calendário: 2004, 2005 DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEI N° 7.689/88 - LIMITES OBJETIVOS DA COISA JULGADA. O STJ decidiu que declarada a inexistência de relação jurídico-tributária entre o contribuinte e o fisco, mediante declaração de inconstitucionalidade da Lei 7.689/88 que instituiu a CSLL, afasta-se a possibilidade de sua cobrança com base nesse diploma legal, até a data do trânsito em julgado da ADI 15, uma vez que leis supervenientes apenas modificaram a alíquota e a base de cálculo da contribuição instituída pela Lei 7.689/88, ou dispuseram sobre a forma de pagamento, alterações que não teriam o condão de criar nova relação jurídico-tributária no período compreendido até setembro de 2007, o que impede o Fisco de cobrar a exação, em respeito à coisa julgada material. (Recurso Especial nº. 1.118.893/MG [2009/0011135-9], sujeito ao regime do art. 543-C do Código de Processo Civil e da Resolução 8/STJ; Parecer PGFN/CRJ/Nº 492/2011 e Parecer PGFN/CRJ/Nº 975/2011). As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543-B e 543-C da Lei nº. 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (Regimento Interno do CARF - Art. 62-A)
turma_s : Primeira Turma Especial da Primeira Seção
numero_processo_s : 10976.000385/2008-05
conteudo_id_s : 5203404
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Oct 19 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 1801-000.870
nome_arquivo_s : Decisao_10976000385200805.pdf
nome_relator_s : MARIA DE LOURDES RAMIREZ
nome_arquivo_pdf_s : 10976000385200805_5203404.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora.
dt_sessao_tdt : Wed Feb 01 00:00:00 UTC 2012
id : 4555035
ano_sessao_s : 2012
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 08:57:52 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713041395027017728
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 23; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2374; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1TE01 Fl. 1.451 1 1.450 S1TE01 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10976.000385/200805 Recurso nº 501.512 Voluntário Acórdão nº 180100.870 – 1ª Turma Especial Sessão de 1 de fevereiro de 2012 Matéria AI CSLL Recorrente KUTTNER DO BRASIL EQUIPAMENTOS SIDERURGICOS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2004, 2005 DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEI N° 7.689/88 LIMITES OBJETIVOS DA COISA JULGADA. O STJ decidiu que declarada a inexistência de relação jurídicotributária entre o contribuinte e o fisco, mediante declaração de inconstitucionalidade da Lei 7.689/88 que instituiu a CSLL, afastase a possibilidade de sua cobrança com base nesse diploma legal, até a data do trânsito em julgado da ADI 15, uma vez que leis supervenientes apenas modificaram a alíquota e a base de cálculo da contribuição instituída pela Lei 7.689/88, ou dispuseram sobre a forma de pagamento, alterações que não teriam o condão de criar nova relação jurídicotributária no período compreendido até setembro de 2007, o que impede o Fisco de cobrar a exação, em respeito à coisa julgada material. (Recurso Especial nº. 1.118.893/MG [2009/00111359], sujeito ao regime do art. 543C do Código de Processo Civil e da Resolução 8/STJ; Parecer PGFN/CRJ/Nº 492/2011 e Parecer PGFN/CRJ/Nº 975/2011). As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº. 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (Regimento Interno do CARF Art. 62A) Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. Fl. 1470DF CARF MF Impresso em 26/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 08/02/ 2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 27/02/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES 2 (assinado digitalmente) ______________________________________ Ana de Barros Fernandes – Presidente (assinado digitalmente) ______________________________________ Maria de Lourdes Ramirez – Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Carmen Ferreira Saraiva, Magda Azario Kanaan Polanczyk, Maria de Lourdes Ramirez, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes. Relatório Trata o presente processo de auto de infração à legislação da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, CSLL, cientificado em 06/11/2008 (fls. 01/47), que exige da empresa acima qualificada o crédito tributário no montante total de R$ 956.485,58, aí incluídos o principal, a multa de ofício e os juros de mora calculados até a data lavratura, além da multa de ofício exigida isoladamente, tendo em conta a constatação de que a CSLL anual devida nos anoscalendário 2004 e 2005 não fora recolhida, impondo a exigência da contribuição acrescida de multa de ofício e juros de mora. Da mesma forma verificouse que a CSLL mensal calculada com base em estimativas mensais também não foi recolhida, ensejando sobre esta última infração a aplicação da multa isolada unicamente, calculada sobre os valores que deixaram de ser recolhidos, conforme descrito no Termo de Verificação Fiscal de fls. 11/46, parte integrante das exigências. De acordo com o relato da autoridade fiscal a empresa teria impetrado algumas ações contra a exigência da CSLL. A seguir, resumo da situação, extraído do Termo de Verificação Fiscal: Mandado de Segurança n° 89.00.00810 Tratase de Mandado de Segurança impetrado por diversas empresas, formando litisconsórcio, com o objetivo de que a Autoridade coatora "se abstenha de exigir a contribuição Social instituída pela Lei n° 7.689/88, até que Lei complementar a defina, ou, sucessivamente (CPC, art. 289), pelo menos, que não a exija em relação aos resultados do período encerrado em 31.12.88". A sentença de 1a. instância teria exonerado as impetrantes do recolhimento da contribuição calculada sobre lucros apurados em 31/12/1988. No julgamento dos recursos interpostos o TRF da 1a. Região considerou: “a Lei n° 7.689/88 é inconstitucional em razão, pois, de ter infringido os arts. 146, inc.III; 154, inc. I; 165, § 5o. Inc. III; e 195,§§ 4° e 6°, da Constituição Federal de 1988", dando provimento ao Recurso Adesivo das impetrantes, concedendo "exoneração integral das empresas do recolhimento da exação" e negando provimento ao recurso da União. O STF negou seguimento ao RE da União e a Ação Rescisória 94.01.127883/DF, distribuída em 12/05/1994, foi julgada extinta sem julgamento de mérito. Ainda de acordo com o TVF: Fl. 1471DF CARF MF Impresso em 26/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 08/02/ 2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 27/02/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10976.000385/200805 Acórdão n.º 180100.870 S1TE01 Fl. 1.452 3 É de interesse notar que às fls. 272 e 273 a fiscalizada alega que o ajuizamento da rescisória faria prova de que a legislação superveniente conteria os mesmos "vícios" que a anterior adiante veremos que não há vicio que desautorize a eficácia sequer da Lei 7.689/88, visto que tribunais superiores declararam a validade desta e de legislação pertinente superveniente e que a própria rescisória faz prova de coisa julgada no AMS n º 89.01.136147/MG. Entretanto, embora desconheça ou pretenda desconhecer, é notório que a extensão da coisa julgada e da pretendida ação rescisória no caso em tela referese ao anobase para qual a sentença foi emitida 1988 e que pode haver cobrança de tributo após cada fato gerador nos períodos subseqüentes à coisa julgada pela presença de relações jurídicotributárias de trato sucessivo, como a apuração e cobrança da CSLL, que a cada ano se renovam, razão pela qual a própria fiscalizada solicitou prevenção judicial no biênio seguinte; é o que veremos mais detalhadamente adiante no presente Termo. Mandado de Segurança n°90.00036178 Impetrado individualmente pela empresa contra a exigência da CSLL relativa ao ano de 1989. Liminar concedida mediante depósitos. A sentença de 1a. instância concedeu em parte a segurança, reconhecendo a constitucionalidade da contribuição para o ano de 1989, determinando a aplicação da alíquota imposta pela Lei 7.689/88 (3,8%) e não a da Lei 7.856/89. Embargos de Declaração interpostos pela interessada foram julgados improcedentes. No julgamento dos recursos interpostos pela parte e pela União o TRF da 1a. Região julgou procedente o recurso da parte e declarou a inconstitucionalidade incidental da CSLL. O STF admitiu parcialmente o RE da União e assim se pronunciou: "A questão veiculada no presente recurso foi decidida, pelo Egrégio Plenário da Corte (...), ocasião em que, por unanimidade dos presentes, da decisão eu não participei, se repeliu a alegação de inconstitucionalidade da Lei n° 7689/88, exceto quanto ao seu art. 8°, que foi acolhida." Afastada a argüição de inconstitucionalidade os autos retornaram para apreciação das demais questões não apreciadas. Foram interpostos embargos de declaração de embargos de declaração considerados protelatórios, pois já teria ficado claro no julgamento dos primeiros embargos que “Não há que se falar em existência de coisa julgada nestes autos, visto que, se assim era, nenhuma razão havia para que a ora embargante pleiteasse em sua inicial o provimento judicial no sentido de absterse da Contribuição instituída pela Lei 7.689/88, até que Lei Complementar a definisse. Nem era exigível que esta Corte, de oficio, conhecesse da aventada coisa julgada e da prejudicialidade do extraordinário, pois vez alguma esta questão foi ventilada nos autos, sendo esta a primeira vez que o fato é argüido neste Tribunal.” Os autos foram baixados definitivamente em 2004 noticiandose que houve questionamento da majoração das alíquotas em sede deste mandamus. Mandado de Segurança n°91.00238198 Impetrado individualmente contra a CSLL do ano de 1990. Sentença de 1a. instância negou a segurança e declarou a constitucionalidade da contribuição a partir de março de 1989, inclusive à alíquota de 10%. Foram interpostos embargos de declaração, julgado improcedente, e apelação improvida. Interpôs embargos, não acolhidos, contra o julgamento do Tribunal. Recursos Extraordinário e Especial admitidos, mas seus seguimentos foram negados pelo STF. Fl. 1472DF CARF MF Impresso em 26/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 08/02/ 2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 27/02/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES 4 O agente fiscal, após tecer considerações sobre os efeitos da coisa julgada, concluiu que a empresa somente obteve decisão favorável contra a cobrança da CSLL apenas em relação ao anocalendário 1988, razão pela qual foram objeto de lançamento a CSLL anual devida nos anoscalendário 2004 e 2005 acrescidas de multa e juros – incidente sobre o lucro tributável apurado a partir das DIPJ e escrituração contábil e fiscal, assim como a multa isolada pelo não recolhimento da CSLL devida por estimativa mensal apurada com base em balanços e balancetes, verificações no sistema SINAL e análise de DCTFs. Cientificada do lançamento em 06/11/2008, apresentou a interessada a impugnação tempestiva de fls. 1.235 a 1.262, acompanhada dos documentos de fls. 1.263/1.397. Em sua defesa alegou que não poderia ser autuada por estar amparada por decisão judicial transitada em julgado e que a própria fiscalização teria reconhecido sua existência que teria força de lei entre as partes. Contesta o entendimento de que a coisa julgada deve ser afastada no presente caso, o que ensejaria violação ao principio da igualdade tributária. Pediu pelo cancelamento ou redução das multas isoladas e que fossem recalculadas as bases de cálculo da CSLL para dedução das multas e tributos com exigibilidade suspensa. Apreciando o litígio a 4a. Turma da DRJ em Belo Horizonte/MG proferiu o Acórdão de fls. 1.399 a julgou procedente a exigência. Observou aquela autoridade, no tocante à coisa julgada: Contrariamente à tese da defesa, no caso vertente, a decisão declaratória incidental de inconstitucionalidade da Lei n° 7.689/88, como coisa julgada entre as partes, foi concreta e juridicamente afetada com o advento da Lei n° 8.212/91. Ocorre que esta lei não apenas reproduziu a obrigação constitucional das empresas contribuírem sobre lucro, como reafirmou as disposições contidas na Lei n° 7.689/88, concernentes à base de cálculo e à alíquota. Diante disso, a discordância da impugnante, alegando que possui a seu favor decisão judicial transitada em julgado, não se sustenta. Mesmo estando a impugnante sob o manto da coisa julgada, não se lhe podendo cobrar, nos termos da Lei n° 7.689/88, a contribuição, ainda assim, a Lei n° 8.212/91, e as leis que lhe foram posteriores mantém esse lançamento. A alegação de bis in idem oposta contra as penalidades aplicadas foi afastada ao argumento de se tratarem de fatos distintos aqueles que ensejaram a aplicação de ambas as multas. Também foram consideradas improcedentes as argüições atinentes à falta de compensação de bases negativas e redução das multas e tributos sub judice no cálculo das estimativas mensais. Notificada da decisão, em 20/07/2009, como atesta a cópia do AR à fl. 1.413, apresentou a interessada, em 19/08/2009 o recurso voluntário de fls. 1.416 a 1.442, no qual reafirma, uma vez mais, não estar obrigada ao recolhimento da CSLL por força de decisão judicial transitada em julgado. Alega que a CSLL não foi reinstituída por leis posteriores. Colaciona julgados judiciais e administrativos. Pugna pela exclusão das bases de cálculo da CSLL dos valores relativos a multa e tributos com exigibilidade suspensa, assim como da CSLL retida sobre prestação de serviços a terceiros. Afirma haver bis in idem na exigência dupla de penalidade e protesta pela compensação de bases negativas de CSLL de meses anteriores no cálculo das estimativas mensais. É o relatório. Fl. 1473DF CARF MF Impresso em 26/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 08/02/ 2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 27/02/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10976.000385/200805 Acórdão n.º 180100.870 S1TE01 Fl. 1.453 5 Voto Conselheira Maria de Lourdes Ramirez, Relatora O Recurso é tempestivo. Dele tomo conhecimento. Pelo que se depreende dos autos o cerne do litígio diz respeito aos limites objetivos da coisa julgada a favor da empresa recorrente que a teria desobrigado do recolhimento da CSLL. Uma vez que essa é a questão principal posta nos autos para apreciação, cumpre, inicialmente, retroceder à análise da primeira ação judicial interposta pela empresa recorrente, contra a cobrança da CSLL, na qual teria havido a coisa julgada: MANDADO DE SEGURANÇA N º 89.00.00811. Na petição inicial do MS acima mencionado, impetrado por diversas empresas, dentre elas a recorrente, em litisconsórcio, o pedido constante da exordial foi o seguinte: Pedido do MS 89.00.00811 (fl. 303/304): “...esperando, a Impetrante, a procedência da presente Ação Mandamental, com a conseqüente rejeição "in totum" do ato potencial hostilizado, e ordem à Autoridade coatora para que se abstenha de exigir a Contribuição Social instituída pela Lei n º 7.689/88, até que Lei complementar a defina, ou, sucessivamente (CPC, art. 289 ), pelo menos, que não a exija em relação aos resultados do período encerrado em 31.12.88”. (destaques acrescidos) Na sentença exarada no mandado de segurança foi declarada a inconstitucionalidade da CSLL em relação ao fato gerador apurado em 31/12/1988: (fl. 322/324): “A alegação de que o fato gerador, no caso, o lucro, se completa no último átimo de tempo do anobase é uma realidade. Ocorre que começa no primo átimo de tempo do dia 1o. de janeiro. A lei fiscal deve ser necessariamente prévia em relação ao início do fato gerador. Dizer que se está exigindo o pagamento a partir de 30/04/89 é irrelevante. A data aí era para pagamento da 1a. prestação. Esse não é o sentido que a constituição dá ao princípio da nãosurpresa. Além disso quem recolhe a contribuição é a Receita Federal. Deveria ser a Previdência Social por isso que a contribuição social foi idealizada pelo constituinte para o sistema previdenciário. Por este ângulo a exação salvase pela previsão de repasse para o orçamento da Previdência. Estou em que a contribuição ora impugnada só pode ser exigida em Fl. 1474DF CARF MF Impresso em 26/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 08/02/ 2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 27/02/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES 6 relação aos lucros das empresas apurados a partir de 15 de março de 88 e daí em diante, procedente o “writ” apenas ao fundamento que acabo de expor: atropelo ao princípio da nãosurpresa”. Ex positis, concedo a segurança para que o(s) impetrante(s) não recolham a contribuição social relativamente aos lucros apurados em 31.12.88.” (destaques acrescidos) Houve interposição de Recurso de Apelação pela União e Recurso Adesivo pela Parte. No Recurso Adesivo a Parte requereu a declaração de inconstitucionalidade in totum, da CSLL ou seja, para os demais exercícios futuros, nos seguintes termos (fls. 396): Por todos esses atropelos, a instituição da exação padece de vícios insanáveis ao exercício regular do poder de tributar, impedindo sua cobrança válida não só no exercício financeiro de 1989, mas em todos que lhe seguirem, pelo que deve o r. Decisório ser reformado nesse sentido. E o que esperam e requerem as Recorrentes. (destaques acrescidos) O TRF da 1a. Região não proveu o recurso de apelação da União e deu provimento ao recurso adesivo (acima). Considerou que somente Lei Complementar pode instituir Contribuição Social e que a “Lei n° 7.689/88 é inconstitucional em razão, pois, de ter infringido os arts. 146, inc.III; 154, inc. I; 165, § 5 º. Inc. III; e 195,§§ 4° e 6°, da Constituição Federal de 1988", e para, em harmonia com o pedido inaugural, reformar, em parte, a sentença, com a exoneração integral das empresas do recolhimento da exação. A União interpôs Recurso Extraordinário, que foi admitido em 05/05/92 e distribuído no STF em 02/06/92. Na data de 29/09/92 o Recurso Extraordinário teve seu seguimento negado e esta decisão transitou em julgado em 03/11/92.(fl. 324). A União interpôs Ação Rescisória visando a desconstituir a coisa julgada. Recurso Extraordinário interposto pela Casa dos Pescadores em seio de Ação Rescisória 94.01.127883/DF, ajuizada pela União, foi julgado procedente para declarar que o autor da ação rescisória deveria ter providenciado a citação de todos os litisconsortes da ação no prazo decadencial. Em não tendo havido a citação de todos os litisconsortes a Ação Rescisória foi declarada extinta sem julgamento de mérito. (fls. 336, 337, 338). Estes são os fatos. ANÁLISE DOS FATOS FRENTE AOS FUNDAMENTOS JURÍDICOS DO AUTO DE INFRAÇÃO E DA DECISÃO DE 1A. INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. Verificase, pois, que a empresa recorrente obteve decisão favorável, transitada em julgado, que a exonerou integralmente do pagamento da CSLL. E a expressão “integral” foi adotada, não por esta Relatora, mas pelo Relator do Acórdão do TRF da 1a. Região. O AFRFB, com o fito de dar sólida sustentação à autuação, analisou os efeitos e possíveis limites da alegada “coisa julgada” e afirmou, no Termo de Verificação Fiscal, às fls. 14/15 e 21: É de interesse notar que às fls. 272 e 273, a fiscalizada alega que o ajuizamento da rescisória faria prova de que a legislação superveniente conteria os mesmos "vícios" que a anterior adiante veremos que não há vicio que desautorize a Fl. 1475DF CARF MF Impresso em 26/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 08/02/ 2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 27/02/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10976.000385/200805 Acórdão n.º 180100.870 S1TE01 Fl. 1.454 7 eficácia sequer da Lei 7.689/88, visto que tribunais superiores declararam a validade desta e de legislação pertinente superveniente e que a própria rescisória faz prova de coisa julgada no AMS no 89.01.136147/MG. Entretanto, embora desconheça ou pretenda desconhecer, é notório que a extensão da coisa julgada e da pretendida ação rescisória no caso em tela referese ao anobase para qual a sentença foi emitida 1988 e que pode haver cobrança de tributo após cada fato gerador nos períodos subseqüentes coisa julgada pela presença de relações jurídicotributárias de trato sucessivo, como a apuração e cobrança da CSLL, que a cada ano se renovam, razão pela qual a própria fiscalizada solicitou prevenção judicial no biênio seguinte; é o que veremos mais detalhadamente adiante no presente Termo. [...] Concluise, diante do que ora se expõe, que a empresa fiscalizada impetrou três mandados de segurança visando furtarse ao recolhimento da CSLL, conforme acima descrito; que pretende estar desobrigada da apuração e recolhimento da CSLL com base no primeiro destes processos acima analisado, no qual obteve sentença favorável transitada em julgado oriunda de Tribunal Regional Federal, cuja matéria foi a seu tempo pacificada pelo Supremo Tribunal Federal em sentido oposto ao pretendido pela interessada; que decisões judiciais das mais altas esferas do judiciário federal foram emanadas em sentido oposto ao pretendido pela fiscalizada, declarando a constitucionalidade da CSLL no caso concreto, em ações por ela mesma intentada para desobrigarse da contribuição em anos posteriores; e que a fiscalizada pretende, ainda neste novo milênio, e virtualmente ad aeternum, eximir se definitivamente de obrigação tributária, qual seja, a apuração e conseqüente recolhimento da CSLL. Ora, a pretensão da fiscalizada não resiste à análise técnica dos efeitos da decisão oposta ao fisco e constatase a omissão de cumprimento de obrigação tributária relativa à CSLL, haja vista que o Superior Tribunal de Justiça já enfrentou essa matéria, no que se refere aos efeitos e limites da coisa julgada em situação idêntica a esta. Vale reproduzir aqui o voto do Exm° Sr. Ministro José Delgado, proferido no Recurso Especial n° 233662/GO: E o AFRFB transcreve o inteiro teor do voto e do Acórdão proferido no Recurso Especial n° 233662/GO. O acórdão proferido no Recurso Especial n° 233.662/GO recebeu a seguinte ementa: "PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. COISA JULGADA. EFEITOS E LIMITES. LEI 7.689/88. APLICAÇÃO. I. Pode haver cobrança de tributo após cada fato gerador nos períodos subseqüentes A coisa julgada pela presença de relações jurídicas de trato sucessivo. 2.0s Tribunais, de qualquer grau, podem declarar a inconsti tucionalidade de lei ou ato normativo do poder público, mas com efeito meramente declaratório, sem qualquer carga de executabil idade, mesmo que alcance a coisa julgada. 3. Há l imites a serem impostos à segurança jurídica, em face de regras postas na Carta Maior, como o de que ela, quando construída pelo direi to formal, não pode se impor sobre os princípios consti tucionais. 4. Recurso especial provido." Fl. 1476DF CARF MF Impresso em 26/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 08/02/ 2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 27/02/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES 8 Para evitar tornar este voto muito mais extenso, transcrevo, do referido decisum, os seguintes trechos: [. . .] A questão de mér ito, c ingese na definição sobre a possibil idade de a empresa recorr ida ter direi to ao fornecimento de cert idão negativa de débitos tr ibutários, sob a alegação de que está protegida por decisão transitada em julgado. De modo concreto, o que pretende a empresa recorrida é que a decisão transitada em julgado, reconhecendo a inconsti tucionalidade da Lei n° 7.689/88 (contribuição social) , produza efei tos de lhe ser reconhecido o direi to de obter cert idão de inexistência de débito para com a Fazenda Pública. A respeito, é de amplo conhecimento que o Colendo Supremo Tribunal Federal reconheceu a consti tucionalidade da Lei n° 7.689/88, com exceção do seu ar t . 8°. Configurandose esse panorama processual , perguntase: o trânsito em julgado da referida decisão exonera a empresa de, em qualquer exercício, não recolher a contribuição social mencionada? O acórdão recorr ido entende de modo posit ivo. Confirase o af irmado às fls . 219/221: "Com relação à coisa julgada, vejamos. No mandado de segurança anterior, impetrado pela Associação Comercial e Industrial de Goiás, pretendeuse a suspensão da cobrança da contribuição social sobre o lucro, instituída pela Lei n° 7.689/88, sem se referir a qualquer exercício. A sentença, considerando inconstitucional a referida lei, concedeu a segurança pleiteada, confirmando a liminar. Essa sentença foi confirmada por este Tribunal, mediante acórdão transitado em julgado em data de 05/03/92 (fl. 52). Não há noticia de que tenha sido ajuizada ação rescisória. Tratase, portanto, de coisa soberanamente julgada. No entanto, a Fazenda Nacional alega, por primeiro, que o fato de o Supremo Tribunal Federal haver declarado constitucional a Lei n° 7.689/88, com exceção do seu art. 8°, influi na relação jurídica de trato sucessivo. A decisão da Suprema Corte a que se refere a apelante foi proferida em recurso extraordinário como ela mesmo afirma , não possuindo, portanto, eficácia erga omnes, senão inter partes, não tendo, muito menos, o condão de desconstituir a coisa julgada. Assim sendo, referida decisão não constitui modificação no estado de fato ou de direito, de molde a determinar a revisão do que foi estatuído na sentença, conforme dispõe o art. 471, I, do CPC. Aliás, o que a norma autoriza é o pedido de revisão da sentença o que a União, em nenhum momento, alega ter formulado ao juízo competente. Afinal, não se pode deixar de cumprir uma sentença apenas porque se entende, de mota próprio, que houve modificação no estado de fato ou de direito. E necessário que se requeira a revisão para que o Juiz possa Fl. 1477DF CARF MF Impresso em 26/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 08/02/ 2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 27/02/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10976.000385/200805 Acórdão n.º 180100.870 S1TE01 Fl. 1.455 9 decidir novamente as questões já decididas, relativas à mesma lide. Esse argumento é válido, também, para a alegação de direito superveniente. Ora, se existe sentença transitada em julgado, enquanto esta não foi revista ou modificada, a eficácia do seu comando permanece entre as partes. Em segundo lugar, a apelante pretende trazer em seu socorro o preceito da Súmula 239 do STF, segundo a qual a decisão que declara indevida a cobrança do imposto em determinado exercício não faz coisa julgada. Acontece que, no caso concreto, a sentença não declarou indevida a contribuição em determinado exercício, mas em qualquer exercício que fosse, pois considerou, ou simplesmente, indevida a exação por inconstitucionalidade da lei que a instituiu. De modo que é inaplicável a Súmula 239 do STF no caso concreto. Por último, a alegação de que lei nova prestou a reger diferentemente os fatos ocorridos a partir de sua vigência. Na verdade, o que se quer dizer é que a partir da Lei Complementar n° 70/91, que, no seu art. 11, referiuse à Lei n° 7.689/88, a contribuição social sobre o lucro passou a ser cobrada com base naquele diploma legal e não neste, que fora considerado inconstitucional pelo Tribunal Regional Federal da 1 °. Região. Isso para contornar a inércia da Fazenda Nacional, que deixou transitar soberanamente em julgado diversas decisões iguais a que estamos tratando, ou o insucesso de suas ações rescisórias que sistematicamente têm sido julgadas improcedentes nesta Corte de Justiça. A alegação, contudo, não tem qualquer consistência jurídica. O art. 11 da Lei Complementar n° 70/91 não instituiu a contribuição social sobre o lucro, resumindose apenas, em aumentar a sua alíquota, no que se refere a determinados contribuintes, de modo que o referido tributo continua sendo cobrado com base na Lei n° 7.689/88, que foi o diploma legal que estabeleceu todos os seus elementos estruturais. Aliás, a Lei n º 7.689/88 continua em vigor e foi declarada constitucional pelo Supremo Tribunal Federal, com exceção do seu art. 8°, que previa a cobrança já sobre o lucro apurado em 31/12/88. Assim, não há nenhuma necessidade de uma lei complementar para "regularizar" a lei anterior. Finalmente, caso idêntico ao da espécie, originário do mesmo mandado de segurança impetrado pela ACIEGO, já foi decidido pela col.Terceira Turma deste Tribunal, sendo relator o eminente JUIZ TOURINHO NETO, em acórdão cuja ementa ficou assim redigida: [...] Naturalmente que desfecho diferente não pode ser dado ao presente. Fl. 1478DF CARF MF Impresso em 26/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 08/02/ 2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 27/02/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES 10 Diante do exposto, a r. sentença apelada deve ser mantida de vez que, estando acobertado pelo manto da coisa julgada, o apelante não é devedor da contribuição social sobre o lucro, tendo direito liquido e certo, portanto, à expedição da Certidão Negativa no que se refere a este tributo. Nego provimento à apelação e à remessa oficial." A prevalecer a tese posta no acórdão supramencionado, resta indagar: como concil iar tal decisão com os princípios maiores postos na CF, ar t . 150, II, que veda à União, aos Estados, ao DF e aos Municípios "inst i tuir t ratamento desigual entre contr ibuintes que se encontrem em si tuação equivalente , proibida qualquer dist inção em razão de ocupação profissional ou função por eles exercida, independentemente de denominação jurídica dos rendimentos, tí tulos ou direi tos". O meu entendimento não segue a conclusão do acórdão recorrido. [ . . .] Por últ imo, considerese o já acentuado, de modo pacifico, na doutrina e na jurisprudência, de que a relação jurídico tributária é de natureza continuativa. Essas relações se sucedem no tempo, mês a mês, pelo que não tem caráter de imutabil idade qualquer declaração de inconsti tucionalidade a seu respeito. Por isso, tenho af irmado que pode haver cobrança de tr ibuto, após cada fato gerador, nos períodos supervenientes à coisa julgada, pela presença de relações jur ídicas de trato sucessivo. Isto posto, por tais fundamentos, dou provimento ao recurso da Fazenda Nacional . É como voto Assim, com base no Acórdão acima e no Parecer PGFN/CRJN/N° 1.277/94, a auditoria fiscal concluiu (fl. 35): Face às decisões judiciais proferidas nos Mandados de Segurança impetrados pela fiscalizada e às razões presentes nas decisões de tribunais superiores e naquelas apreendidas da melhor doutrina, conforme ora transcrevemos à exaustão, concluise que a Kuttner possui decisão favorável contra a cobrança da CSLL apenas em relação ao exercício de 1989, anobase 1988. Nos períodos ora analisados não cabe tal pretensão, demonstrada pela fiscalizada, de eximirse obrigação de apurar e recolher esta contribuição social, sendo a exação perfeitamente devida de conformidade com aquilo que é reconhecido pelas demais empresas que apuram e recolhem esta contribuição social neste pais. De fato, penoso seria ao contribuinte pagador de seus tributos admitir que um seu concorrente estivesse exonerado do pagamento da exação, em face de coisa julgada material contraria ao entendimento do Pretório Excelso em matéria constitucionaltributária. Neste sentido, a preponderância futura e interpartes da decisão judicial que decidiu pela inconstitucionalidade da contribuição firmaria um travestido regime jurídico privilegiado, o qual é repudiado pela ordem constitucional pátria. Fl. 1479DF CARF MF Impresso em 26/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 08/02/ 2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 27/02/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10976.000385/200805 Acórdão n.º 180100.870 S1TE01 Fl. 1.456 11 Ademais, ainda que se considerasse a Lei n° 7.689/88 totalmente inconstitucional, a cobrança da contribuição em questão, a partir do balanço de 1991, seria plenamente válida, em face da aplicação dos dispositivos da Lei n° 8.212/91, a qual foi concebida para disciplinar toda a matéria concernente as fontes de recursos da previdência social. Se, para instituir um tributo a lei deve definirlhe o fato gerador, os contribuintes, a alíquota e base de cálculo, nenhum desses elementos essenciais falta à citada lei. A seguir transcreve os artigos 11, 15 e 23 da Lei 8.212/91. E prossegue: Diante de todo o exposto, concluise que a Kuttner encontrase amparada tão somente pela decisão judicial proferida no Mandado de Segurança n° 89.00008110 referente à cobrança da contribuição social sobre o lucro relativa ao anobase de 1988. Portanto, a apuração e a cobrança da exação nos períodos fiscalizados (anos calendário 2004 e 2005) é perfeitamente válida, seja em respeito As decisões proferidas nos acima referidos processos, seja em obediência às disposições constitucionais e legais que regem a matéria. Destarte, procedeuse à apuração e ao lançamento de oficio da CSLL devida pela fiscalizada nos anoscalendário de 2004 e 2005, de acordo com o lucro real anual, com balancetes de suspensão/redução mensais, de acordo com as informações encontradas nas Declarações de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ) anocalendário 2004, DIPJ/2005, de fls. 182 a 269, e anocalendário 2005, DIPJ/2006, de fls. 145 a 181, que guardam conformidade com os lançamentos constantes dos Livros Razão, fls. 953 a 1.119 Livros de Apuração de Lucro Real (LALUR), fls. 656 a 959 e Diário, fls. 1.121 a 1.233. NOVO POSICIONAMENTO DO STJ A RESPEITO DOS EFEITOS, EXTENSÃO E LIMITES DE DECISÃO JUDICIAL TRANSITADA EM JULGADO DECLARANDO A INCONSTITUCIONALIDADE FORMAL E MATERIAL DA CSLL CONFORME CONCEBIDA PELA LEI 7.689/88, ASSIM COMO A INEXISTÊNCIA DE RELAÇÃO JURÍDICA MATERIAL A SEU RECOLHIMENTO. Em que pese muito bem fundamentada a proposição da auditoria fiscal, justificadamente compartilhada pela autoridade julgadora da DRJ em Belo Horizonte, o entendimento exposto no Recurso Especial n° 233.662/GO foi modificado pelo próprio STJ. Sobreveio, assim, a tese acolhida no acórdão recentemente exarado no RECURSO ESPECIAL Nº 1.118.893 MG (2009/00111359), julgado em 23/03/2011, ao qual se aplica o regime do art. 543C do Código de Processo Civil e da Resolução 8/STJ. RECURSO ESPECIAL Nº 1.118.893 MG (2009/00111359) CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. RITO DO ART. 543C DO CPC. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO – CSLL. COISA JULGADA. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEI 7.689/88 E DE INEXISTÊNCIA DE RELAÇÃO JURÍDICO TRIBUTÁRIA. SÚMULA 239/STF. ALCANCE. OFENSA Fl. 1480DF CARF MF Impresso em 26/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 08/02/ 2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 27/02/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES 12 AOS ARTS. 467 E 471, CAPUT, DO CPC CARACTERIZADA. DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL CONFIGURADA. PRECEDENTES DA PRIMEIRA SEÇÃO DO STJ. RECURSO ESPECIAL CONHECIDO E PROVIDO 1. Discutese a possibi l idade de cobrança da Contribuição Social sobre o Lucro – CSLL do contribuinte que tem a seu favor decisão judicial t ransitada em julgado declarando a inconsti tucionalidade formal e material da exação conforme concebida pela Lei 7.689/88, assim como a inexistência de relação jurídica material a seu recolhimento. 2. O Supremo Tribunal Federal , reafirmando entendimento já adotado em processo de controle difuso, e encerrando uma discussão conduzida ao Poder Judiciário há longa data, manifestouse, ao julgar ação direta de inconsti tucionalidade, pela adequação da Lei 7.689/88, que insti tuiu a CSLL, ao texto consti tucional , à exceção do disposto no art . 8º , por ofensa ao princípio da irretroatividade das leis, e no art . 9º , em razão da incompatibil idade com os arts . 195 da Consti tuição Federal e 56 do Ato das Disposições Consti tucionais Transitórias – ADCT (ADI 15/DF, Rel. Min. SEPÚLVEDA PERTENCE, Tribunal Pleno, DJ 31/8/07). 3. O fato de o Supremo Tribunal Federal poster iormente manifestar se em sentido oposto à decisão judicial t ransitada em julgado em nada pode al terar a relação jurídica estabil izada pela coisa julgada, sob pena de negar validade ao próprio controle difuso de consti tucionalidade. 4. Declarada a inexistência de relação jurídicotr ibutár ia entre o contr ibuinte e o f isco, mediante declaração de inconsti tucionalidade da Lei 7.689/88, que inst i tuiu a CSLL, afastase a possibil idade de sua cobrança com base nesse diploma legal , ainda não revogado ou modif icado em sua essência. 5. "Afirmada a inconsti tucionalidade material da cobrança da CSLL, não tem aplicação o enunciado nº 239 da Súmula do Supremo Tribunal Federal , segundo o qual a "Decisão que declara indevida a cobrança do imposto em determinado exercício não faz coisa julgada em relação aos poster iores" (AgRg no AgRg nos EREsp 885.763/GO, Rel. Min. HAMILTON CARVALHIDO, Primeira Seção, DJ 24/2/10). 6. Segundo um dos precedentes que deram origem à Súmula 239/STF, em matéria tributária, a parte não pode invocar a existência de coisa julgada no tocante a exercícios poster iores quando, por exemplo, a tutela jurisdicional obtida houver impedido a cobrança de tributo em relação a determinado período, já transcorr ido, ou houver anulado débito fiscal . Se for declarada a inconsti tucionalidade da lei inst i tuidora do tributo, não há falar na restrição em tela (Embargos no Agravo de Petição 11.227, Rel. Min. CASTRO NUNES, Tribunal Pleno, DJ 10/2/45). Fl. 1481DF CARF MF Impresso em 26/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 08/02/ 2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 27/02/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10976.000385/200805 Acórdão n.º 180100.870 S1TE01 Fl. 1.457 13 7. "As Leis 7 .856/89 e 8.034/90, a LC 70/91 e as Leis 8.383/91 e 8.541/92 apenas modificaram a al íquota e a base de cálculo da contr ibuição inst i tuída pela Lei 7.689/88, ou dispuseram sobre a forma de pagamento, al terações que não criaram nova relação jurídico tributária . Por isso, está impedido o Fisco de cobrar a exação relat ivamente aos exercícios de 1991 e 1992 em respeito à coisa julgada material" (REsp 731.250/PE, Rel. Min. ELIANA CALMON, Segunda Turma, DJ 30/4/07). 8. Recurso especial conhecido e provido. Acórdão sujei to ao regime do art . 543C do Código de Processo Civil e da Resolução 8/STJ. Trechos extraídos do voto do Ministro Relator Arnaldo Esteves Lima [...] Ocorre que, em favor da parte recorrente, conforme vimos, há sentença transitada em julgado que, ao reconhecer a inconstitucionalidade da Lei 7.689/88, declarou haver inexistência de relação jurídicotributária que lhe obrigasse ao pagamento da CSLL. A decisão transitada em julgado, oriunda de ação declaratória, foi proferida, em última análise, conforme narram os autos (fl. 39e), com base no julgamento proferido pelo Plenário do Tribunal Regional Federal da 1ª Região nos autos da AMS 89.01.136147/MG, Rel. Juiz TOURINHO NETO, que declarou a inconstitucionalidade tanto formal quanto material desse diploma legal. A ementa foi assim publicada: [...] Diversos acórdãos, que foram proferidos com fundamento nesse precedente, transitaram em julgado. Logo, muitos contribuintes encontramse albergados pela coisa julgada, em vários tipos de ações. Não obstante, a Fazenda Nacional insiste na cobrança da exação. Daí a multiplicidade de recursos especiais a respeito dessa questão de direito. [...] Consoante se verifica, segundo um dos precedentes que deram origem à Súmula 239/STF, em matéria tributária, a parte não pode invocar a existência de coisa julgada no tocante a exercícios posteriores quando, por exemplo, a tutela jurisdicional obtida houver impedido a cobrança de tributo em relação a determinado período, já transcorrido, ou houver anulado débito fiscal. Se for declarada a inconstitucionalidade da lei instituidora do tributo, não há falar na restrição em tela. Com efeito, uma interpretação literal da Súmula 239/STF pode conduzir ao entendimento precipitado de que aquilo que for assegurado por decisão judicial ao contribuinte, em matéria tributária, deve ser sempre limitado a determinando exercício, razão pela qual o sujeito ativo estaria livre para cobrar tributos no tocante aos subseqüentes. Essa equivocada compreensão limita sobremaneira a jurisdição. É como se o contribuinte, ao ingressar em juízo, independentemente da relação de direito material em discussão, do meio processual escolhido e da natureza do pedido formulado, já soubesse que, com o início do novo exercício, aquilo que lhe for assegurado perderá sua eficácia. Hipótese em que o ente tributante estaria Fl. 1482DF CARF MF Impresso em 26/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 08/02/ 2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 27/02/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES 14 permanentemente seguro de que a sucumbência estaria restrita ao exercício no qual proposta a ação judicial, o que não se mostra razoável, tampouco consentâneo com a garantia da segurança jurídica. [...] Outrossim, o fato de o Supremo Tribunal Federal posteriormente manifestar se em sentido oposto à decisão judicial transitada em julgado em nada pode alterar a relação jurídica estabilizada pela coisa julgada, sob pena de negar validade à própria existência do controle difuso de constitucionalidade, fragilizando, sobremodo, a res judicata , com imensurável repercussão negativa no seio social. [...] No caso específico da CSLL, alegase, ainda, que, não obstante a existência de decisão judicial transitada em julgado reconhecendo a inconstitucionalidade da Lei 7.689/88, há diplomas supervenientes legitimando sua exigibilidade, a saber: Leis 7.856/89, 8.034/90, 8.212/91 e Lei 8.383/91, além da Lei Complementar 70/91. Ocorre que referida tese já foi conduzida à apreciação deste Tribunal nos autos do REsp 731.250/PE (Rel. Min. ELIANA CALMON, Segunda Turma, DJ 30/4/07), apontado como paradigma no presente recurso especial, oportunidade em que se decidiu que as alterações veiculadas por tais diplomas não revogaram a disciplina da referida contribuição, que continuou a ser cobrada em sua forma primitiva. Transcrevo a ementa do acórdão: [...] Ademais, a Primeira Seção, em pronunciamento mais recente, Relator o eminente Ministro HAMILTON CARVALHIDO, reafirmou o posicionamento de ofensa à coisa julgada na hipótese, consoante atesta a seguinte ementa: [...] O acórdão do Tribunal de origem, ora recorrido, proferido em apelação nos embargos à execução fiscal, concluiu pela exigência da Contribuição Social sobre o Lucro – CSLL com base, ainda, na Lei 8.212/91, que dispõe: [...] Segundo o acórdão recorrido, o inciso II do art. 23 da Lei 8.212/91 teria estabelecido nova disciplina para a CSLL. Ocorre que referido preceito, ao prever a alíquota aplicável, referese ao art. 2º da Lei 8.034/90, que cuida dos ajustes da sua base de cálculo, o qual, por sua vez, foi concebido com fundamento na Lei 7.689/88, consoante se verifica no trecho do voto da eminente Ministra ELIANA CALMON, acima transcrito. Logo, o preceito em referência não destoa do sentido e do alcance dos demais diplomas legais supervenientes que tratam da CSLL. Quer dizer, ao cuidar da alíquota aplicável, não alterou, em substância, a regra padrão de incidência da contribuição. Daí a sua inaptidão para comprometer a coisa julgada. Com efeito, a relação de direito material albergada pela decisão judicial transitada em julgado teve origem com a contestada Lei 7.689/88, declarada inconstitucional incidentalmente (RE 146.733), que instituiu a CSLL. Diante do fato de que o diploma legal em tela não foi revogado, mas tão somente alteradas, ao longo dos anos, alíquota e base de cálculo da CSLL, principalmente no tocante ao indexador monetário, permanecendo incólume a regra padrão de incidência, não há como deixar de reconhecer a ofensa à coisa julgada e, Fl. 1483DF CARF MF Impresso em 26/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 08/02/ 2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 27/02/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10976.000385/200805 Acórdão n.º 180100.870 S1TE01 Fl. 1.458 15 em conseqüência, aos arts. 467 e 471, caput, do CPC, pelo acórdão que permite a cobrança da referida contribuição Se o preceito de lei declarado inconstitucional por decisão judicial transitada em julgado, que instituiu o tributo, trazendo a regramatriz de incidência, continua em vigor e a ele fazem referência os diplomas legais supervenientes que o disciplinam, não há como permitir, por esse motivo, a cobrança da exação no tocante a períodos posteriores. De fato, a Súmula 239/STF fixou, porém nos idos de 1963, quando editada: "Decisão que declara indevida a cobrança do imposto em determinado exercício não faz coisa julgada em relação aos posteriores". Sua aplicação, todavia, não deve ser linear, sob pena de maltrato às garantias que emergem diretamente da Constituição Federal, sobressaindose a coisa julgada, a segurança jurídica, sobretudo quando o substrato normativo sucedido no curso dos exercícios fiscais não se alterou, acrescendose que a ação utilizada foi a declaratória, cujo desiderato é, precisamente, alcançar a certeza ou não, da existência ou inexistência de determinada relação jurídica, tal como ocorreu. [...] Ante o exposto, conheço do recurso especial e doulhe provimento. Julgo procedente o pedido formulado nos embargos à execução fiscal para anular a CDA 6069600474909. Condeno a Fazenda Nacional ao pagamento das custas e despesas processuais antecipadas pela recorrente, assim como ao pagamento da verba honorária, a qual fixo no percentual de 10% (dez por cento) sobre o valor atribuído à causa atualizado Verificase, pois, do teor do Acórdão acima parcialmente reproduzido que o STJ acolheu outro entendimento a respeito dos efeitos, extensão e limites de decisão judicial transitada em julgado declarando a inconstitucionalidade formal e material da CSLL como instituída pela LEI 7.689/88, assim como a inexistência de relação jurídica material a seu recolhimento. Nesse contexto o novo posicionamento prega que o fato de o Supremo Tribunal Federal posteriormente manifestarse em sentido oposto à decisão judicial transitada em julgado, em nada pode alterar a relação jurídica estabilizada pela coisa julgada. E esse é exatamente o cerne do litígio posto em discussão nestes autos. POSSIBILIDADE DE COMANDOS SUPERVENIENTES LEGITIMAREM A EXIGIBILIDADE DA CSLL NÃO OBSTANTE A EXISTÊNCIA DE DECISÃO JUDICIAL TRANSITADA EM JULGADO RECONHECENDO A INCONSTITUCIONALIDADE DA LEI 7.689/88. Cumpre, ainda, analisar a seguinte afirmação feita pela auditoria fiscal no Termo de Verificação Fiscal: Ademais, ainda que se considerasse a Lei n° 7.689/88 totalmente inconstitucional, a cobrança da contribuição em questão, a partir do balanço de 1991, seria plenamente válida, em face da aplicação dos dispositivos da Lei n° 8.212/91, a qual foi concebida para disciplinar toda a matéria concernente as fontes de recursos da previdência social. Se, para instituir um tributo a lei deve definirlhe o fato gerador, os contribuintes, a alíquota e base de cálculo, nenhum desses elementos essenciais falta à citada lei. O fato gerador encontrase discriminado em seu art. 11, parágrafo único, letra "d": Fl. 1484DF CARF MF Impresso em 26/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 08/02/ 2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 27/02/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES 16 "Art. 11 — No âmbito federal, o orçamento da Seguridade Social 6 composto das seguintes receitas: I — receitas da União; II — receitas das contribuições sociais; III — receitas de outras fontes. Parágrafo único — Constituem contribuições sociais: (...) d) as das empresas, incidentes sobre o faturamento e lucro; Os contribuintes encontramse definidos em seu art. 15: "Art. 15 Considerase: I empresa a firma individual ou sociedade que assume o risco da atividade econômica urbana ou rural, com fins lucrativos ou não, bem como os órgãos e entidades da administração pública direta, indireta e fundacional." A base de cálculo e a alíquota da contribuição são determinadas pelo art. 23: "Art. 23 — As contribuições a cargo da empresa provenientes do faturamento e do lucro, destinadas à Seguridade Social, além do disposto no art. 22, são calculadas mediante a aplicação das seguintes alíquotas: I ... II 10% (dez por cento) sobre o lucro liquido do períodobase, antes da provisão para o Imposto de Renda, ajustado na forma do art. 2° da Lei n° 8.034, de 12 de abril de 1990. (...) As disposições citadas já são suficientes para a instituição de qualquer espécie tributária, mas o legislador prossegue: no art. 30 trata da forma de arrecadação; no art. 33 dispõe sobre a fiscalização e sobre o lançamento de oficio; no art. 34 estabelece critério de correção monetária dos débitos em atraso e no art. 55 institui hipótese de isenção. Esta lei goza da presunção de legitimidade, considerandose que proveio do órgão competente e considerando que o Poder Judiciário não a julgou inconstitucional. Portanto, pelo amplo tratamento que lhe conferiu e por não ter sido contestada judicialmente, a Lei n º 8.212/91 legitimaria por si só a exigência da contribuição social sobre o lucro. Por fim, não é demais lembrar que o STF considera a lei ordinária federal como instrumento válido para instituir e majorar as contribuições destinadas a custear a seguridade social. O que se depreende da afirmação acima é que a auditoria presume que com a possibilidade de existir, a favor da contribuinte, declaração de inconstitucionalidade da Lei 7689, de 1988, a empresa, ainda assim, estaria obrigada ao recolhimento da CSLL, pois automaticamente estaria submetida aos comandos da Lei 8.212, de 1991. Esse entendimento, entretanto, deve ser repelido. No voto condutor do Acórdão proferido no Resp nº. 1.118.893 MG (2009/00111359), o Ministro Arnaldo Esteves Lima se pronunciou à respeito da possibilidade de comandos legais supervenientes legitimarem a cobrança da CSLL nos casos em que há transito em julgado de decisão que tenha declarado a inconstitucionalidade da Lei 7.689/88. Vejamos, a propósito, os seguintes trechos extraídos do voto proferido no Resp nº. 1.118.893 – MG: Fl. 1485DF CARF MF Impresso em 26/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 08/02/ 2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 27/02/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10976.000385/200805 Acórdão n.º 180100.870 S1TE01 Fl. 1.459 17 No caso específico da CSLL, alegase, ainda, que, não obstante a existência de decisão judicial t ransitada em julgado reconhecendo a inconsti tucionalidade da Lei 7 .689/88, há diplomas supervenientes legit imando sua exigibil idade, a saber: Leis 7.856/89, 8 .034/90, 8.212/91 e Lei 8.383/91, além da Lei Complementar 70/91. Ocorre que referida t ese j á foi conduzida à apreciação deste Tribunal nos autos do REsp 731.250/PE (Rel. Min. ELIANA CALMON, Segunda Turma, DJ 30/4/07), apontado como paradigma no presente recurso especial , oportunidade em que se decidiu que as al terações veiculadas por tais diplomas não revogaram a disciplina da referida contr ibuição, que continuou a ser cobrada em sua forma primitiva. Transcrevo a ementa do acórdão: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO – EMBARGOS À EXECUÇÃO FISCAL – CONTRIBUIÇÃO SOCIAL – ALCANCE DA SÚMULA 239/STF – COISA JULGADA: VIOLAÇÃO – ART. 471, I DO CPC NÃO CONTRARIADO. 1. A Súmula 239/STF, segundo a qual "decisão que declara indevida a cobrança do imposto em determinado exercício, não faz coisa julgada em relação aos posteriores", aplicase tão somente no plano do direito tributário formal porque são independentes os lançamentos em cada exercício financeiro. Não se aplica, entretanto, se a decisão tratou da relação de direito material, declarando a inexistência de relação jurídico tributária. 2. A coisa julgada afastando a cobrança do tributo produz efeitos até que sobrevenha legislação a estabelecer nova relação jurídicotributária. 3. Hipótese dos autos em que a decisão transitada em julgado afastou a cobrança da contribuição social das Leis 7.689/88 e 7.787/89 por inconstitucionalidade (ofensa aos arts. 146, III, 154, I, 165, § 5º, III, 195, §§ 4º e 6º, todos da CF/88). 4. As Leis 7.856/89 e 8.034/90, a LC 70/91 e as Leis 8.383/91 e 8.541/92 apenas modificaram a alíquota e a base de cálculo da contribuição instituída pela Lei 7.689/88, ou dispuseram sobre a forma de pagamento, alterações que não criaram nova relação jurídicotributária. Por isso, está impedido o Fisco cobrar a exação relativamente aos exercícios de 1991 e 1992 em respeito à coisa julgada material. 5. Violação ao art. 471, I do CPC que se afasta. 6. Recurso especial improvido. Do voto condutor do julgado extraio o seguinte trecho, que bem esclarece os fundamentos que prevaleceram: Na específica hipótese dos autos, a decisão transitada em julgado atingiu a relação de direito material, ao concluir que a cobrança da contribuição social das Lei 7.689/88 e 7.787/89 seria inconstitucional, e a exação somente poderia ser cobrada a Fl. 1486DF CARF MF Impresso em 26/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 08/02/ 2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 27/02/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES 18 partir de uma nova relação jurídicotributária estabelecida em lei nova. Por isso, pertinente verificar quais foram as alterações introduzidas pelas Leis 7.856/89, 8.034/90, LC 70/91, 8.383/91 e 8.541/92. Vejamos: Neste ponto da transcrição do voto proferido no REsp 731.250/PE, a Ministra Eliana Calmon passa a analisar cada um dos comandos legais mencionados, a saber: art. 2o. e parágrafo único da Lei 7.856/89; art. 2o. da Lei 8.034/90; art. 11 da Lei Complementar 70/91; artigos 10; 44 e parágrafo único, 79 e parágrafo único, 89, incisos I e II da Lei 8.383/91; artigos 38, parágrafos 1o., 2o. e 3o.; e 39 da Lei 8.5.41/92 Para concluir: As referidas leis tãosomente modificaram a alíquota e a base de cálculo da exação e dispuseram sobre a forma de pagamento, alterações que não tiveram o condão de estabelecer uma nova relação jurídicotributária entre o Fisco e a executada, fora dos limites da coisa julgada. Por isso, está impedido o Fisco cobrar a exação relativamente aos exercícios de 1991 e 1992 em respeito à coisa julgada material. O Ministro Arnaldo Esteves Lima, Relator do Resp nº. 1.118.893 – MG, buscou, ainda, fundamentos nas razões de decidir expostas em outros votos citados no corpo de sua decisão EREsp 731.250/PE Relator Ministro JOSÉ DELGADO e AgRg no AgRg nos EREsp 885.763/GO, Relator Ministro HAMILTON CARVALHIDO para concluir: Segundo o acórdão recorrido, o inciso II do ar t . 23 da Lei 8.212/91 ter ia estabelecido nova disciplina para a CSLL. Ocorre que refer ido preceito, ao prever a al íquota aplicável , referese ao art . 2º da Lei 8 .034/90, que cuida dos ajustes da sua base de cálculo, o qual , por sua vez, foi concebido com fundamento na Lei 7.689/88, consoante se verif ica no trecho do voto da eminente Ministra ELIANA CALMON, acima transcri to. Logo, o preceito em referência não destoa do sentido e do alcance dos demais diplomas legais supervenientes que tratam da CSLL. Quer dizer, ao cuidar da al íquota aplicável , não al terou, em substância, a regra padrão de incidência da contr ibuição. Daí a sua inaptidão para comprometer a coisa julgada . Com efeito, a relação de direi to material albergada pela decisão judicial t ransitada em julgado teve origem com a contestada Lei 7.689/88, declarada inconsti tucional incidentalmente (RE 146.733), que inst i tuiu a CSLL. Diante do fato de que o diploma legal em tela não foi revogado, mas tão somente al teradas, ao longo dos anos, al íquota e base de cálculo da CSLL, principalmente no tocante ao indexador monetário, permanecendo incólume a regra padrão de incidência, não há como deixar de reconhecer a ofensa à coisa julgada e, em consequência, aos arts . 467 e 471, caput, do CPC, pelo acórdão que permite a cobrança da refer ida contribuição. Fl. 1487DF CARF MF Impresso em 26/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 08/02/ 2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 27/02/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10976.000385/200805 Acórdão n.º 180100.870 S1TE01 Fl. 1.460 19 Se o preceito de lei declarado inconsti tucional por decisão judicial transitada em julgado, que inst ituiu o tributo, t razendo a regramatr iz de incidência, continua em vigor e a ele fazem referência os diplomas legais supervenientes que o disciplinam, não há como permitir , por esse motivo, a cobrança da exação no tocante a períodos poster iores. Cumpre reconhecer que, além da Lei ° 7.689/88, os mesmos comandos legais analisados pelo Ministro Arnaldo Esteves Lima, no voto proferido no Resp nº. 1.118.893/MG, foram utilizados no auto de infração. Eis o embasamento legal da autuação: Constituição Federal de 1988, art. 195; Art. 1° ao 7°da Lei n° 7.689/88; Lei n° 8.034/90, art. 2°; Lei 8.212/91, arts. 10, 11, 15, 22 e 23 Lei n° 8.383/91, art. 41, 44 e 45; IN SRF n° 11, de 21/02/96 e 390, de 02/02/2004 Lei n° 9.316/96, art. 1 ° ; Art. 28 a 30, 43 e 44 da Lei n° 9.430/96 e Art. 37 da Lei n° 10.637/02. A questão, portanto, também já foi dirimida no voto do Ilustre Ministro Arnaldo Esteves Lima: Não há possibilidade de que comandos legais supervenientes venham legitimar a cobrança da CSLL nos casos de transito em julgado de decisão que tenha declarado a inconstitucionalidade da Lei 7.689/88. POSICIONAMENTO DA PGFN FRENTE AO ENTENDIMENTO DO STJ A RESPEITO DOS EFEITOS, EXTENSÃO E LIMITES DA COISA JULGADA DECLARANDO A INCONSTITUCIONALIDADE DA CSLL Cumpre observar que a douta PGFN, com o fito de orientar os membros da carreira da Procuradoria Nacional da Fazenda Nacional e de Auditoria da Receita Federal, emitiu o Parecer PGFN/CRJ/Nº 492, de 30/03/2011 à propósito, fruto de brilhante trabalho daqueles que possuem maior familiaridade com o assunto – com o escopo definido no item 1 do referido Parecer: Definição do objeto do presente Parecer e registros preliminares O presente Parecer tem por escopo enfrentar questão cujo pano de fundo é o intrigante e atual tema dos “reflexos gerados pela alteração da jurisprudência do Supremo Tribunal Federal (STF) em relação à coisa julgada em matéria tributária”. Mais especificamente, e indo direto ao ponto, o questionamento que se pretende responder ao longo deste Parecer é o seguinte: em que medida a eficácia da decisão transitada em julgado que se volta para uma relação jurídica tributária sucessiva, considerandoa existente ou inexistente, é impactada, em relação aos seus desdobramentos futuros, pela superveniência de jurisprudência do STF em sentido contrário ao sufragado pela referida decisão? As conclusões do estudo são as seguintes, em apertada síntese: DECISÃO TRANSITADA EM JULGADO QUE Fl. 1488DF CARF MF Impresso em 26/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 08/02/ 2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 27/02/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES 20 DISCIPLINA RELAÇÃO JURÍDICA TRIBUTÁRIA CONTINUATIVA. MODIFICAÇÃO DOS SUPORTES FÁTICO/JURÍDICO. LIMITES OBJETIVOS DA COISA JULGADA. SUPERVENIÊNCIA DE PRECEDENTE OBJETIVO/DEFINITIVO DO STF. CESSAÇÃO AUTOMÁTICA DA EFICÁCIA VINCULANTE DA DECISÃO TRIBUTÁRIA TRANSITADA EM JULGADO. POSSIBILIDADE DE VOLTAR A COBRAR O TRBUTO, OU DE DEIXAR DE PAGÁLO, EM RELAÇÃO A FATOS GERADORES FUTUROS. 1. A alteração das circunstâncias fáticas ou jurídicas existentes ao tempo da prolação de decisão judicial voltada à disciplina de uma dada relação jurídica tributária de trato sucessivo faz surgir uma relação jurídica tributária nova, que, por isso, não é alcançada pelos limites objetivos que balizam a eficácia vinculante da referida decisão judicial. Daí por que se diz que, alteradas as circunstâncias fáticas ou jurídicas existentes à época da prolação da decisão, esta naturalmente deixa de produzir efeitos vinculantes, dali para frente, dada a sua natural inaptidão de alcançar a nova relação jurídica tributária. 2. Possuem força para, com o seu advento, impactar ou alterar o sistema jurídico vigente, por serem dotados dos atributos da definitividade e objetividade, os seguintes precedentes do STF: (i) todos os formados em controle concentrado de constitucionalidade, independentemente da época em que prolatados; (ii) quando posteriores a 3 de maio de 2007, aqueles formados em sede de controle difuso de constitucionalidade, seguidos, ou não, de Resolução Senatorial, desde que, nesse último caso, tenham resultado de julgamento realizado nos moldes do art. 543B do CPC; (iii) quando anteriores a 3 de maio de 2007, aqueles formados em sede de controle difuso de constitucionalidade, seguidos, ou não, de Resolução Senatorial, desde que, nesse último caso, tenham sido oriundos do Plenário do STF e confirmados em julgados posteriores da Suprema Corte. 3. Os precedentes objetivos e definitivos do STF constituem circunstância jurídica nova, apta a fazer cessar, prospectivamente, eficácia vinculante das anteriores decisões tributárias transitadas em julgado que lhes forem contrárias. 4. A cessação da eficácia vinculante da decisão tributária transitada em julgado operase automaticamente, de modo que: (i) quando se der a favor do Fisco, este pode voltar a cobrar o tributo, tido por inconstitucional na anterior decisão, em relação aos fatos geradores praticados dali para frente, sem que necessite de prévia autorização judicial nesse sentido; (ii) quando se der a favor do contribuinteautor, este pode deixar de recolher o tributo, tido por constitucional na decisão anterior, em relação aos fatos geradores praticados dali para frente, sem que necessite de prévia autorização judicial nesse sentido. 5. Face aos princípios da segurança jurídica, da não surpresa e da proteção à confiança, bem como por força do art. 146 do CTN, nas hipóteses em que o advento do precedente objetivo e definitivo do STF e a conseqüente cessação da eficácia da decisão tributária transitada em julgado sejam pretéritos ao presente Parecer, a publicação deste configura o marco inicial a partir do qual o Fisco retoma o direito de cobrar o tributo em relação aos fatos geradores praticados pelo Fl. 1489DF CARF MF Impresso em 26/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 08/02/ 2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 27/02/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10976.000385/200805 Acórdão n.º 180100.870 S1TE01 Fl. 1.461 21 contribuinteautor. Sobreveio, entretanto, o entendimento adotado pelo Ministro Arnaldo Esteves de Lima no já amplamente mencionado REsp nº. 1.118.893 – MG. Diante do novo posicionamento do STJ a PGFN julgou necessário editar um novo parecer, desta vez o Parecer PGFN/CRJ/Nº 975, de 02/05/2011, que teve por escopo, nos termos do seu item 1: O presente Parecer tem por escopo esclarecer eventuais dúvidas aos membros da carreira de Procurador da Fazenda Nacional sobre o possível impacto causado pelo julgamento proferido pelo Superior Tribunal de Justiça – STJ no REsp nº 1.118.893MG em relação ao conteúdo do Parecer PGFN/CRJ/Nº 492/2011, da lavra da Dra. Luana Vargas Macedo, notadamente sobre a questão relativa à cessação da eficácia vinculante de sentença judicial declaratória de inexistência de relação jurídicotributária em decorrência de posterior decisão do Supremo Tribunal Federal – STF em sentido contrário. Diante da importância do tema e de seus impactos sobre o caso sob análise, cumpre extrair, do referido Parecer PGFN/CRJ/Nº 975/2011, os seguintes trechos: 16. Nessa linha de entendimento, não há que se falar em divergência entre o Parecer PGFN/CRJ/Nº 492/2011 e a posição firmada pelo STJ no julgamento do REsp nº 1.118.893MG quanto ao alcance da ADI nº 152/DF, pois, em momento algum, tal Parecer defende a cessação de eficácia retroativa de decisão judicial transitada em julgado, que, se assim fosse, colidiria com o entendimento exarado no REsp nº 1.118.893MG, mas, na verdade, sustenta a cessação de eficácia de forma exclusivamente prospectiva. 17. Explicase: defende o Parecer PGFN/CRJ/Nº 492/2011 que o contribuinte que tiver, a seu favor, decisão judicial transitada em julgado em que foi declarada a inconstitucionalidade de tributo e, em momento posterior, o STF manifestarse pela constitucionalidade da exação, a Administração Tributária Federal poderá cobrar o tributo em relação aos fatos geradores ocorridos após o trânsito em julgado da decisão do STF. Nunca em relação aos fatos geradores ocorridos anteriormente! ... 20. Por conseguinte, as orientações tecidas no Parecer PGFN/CRJ/Nº 492/2011 geram conseqüências jurídicas somente para os fatos geradores do tributo realizados após o trânsito em julgado de decisão do STF, nunca para os anteriores, protegendo, assim como o REsp nº 1.118.893MG, as situações pretéritas à decisão da Corte Suprema. Saliento, uma vez mais, que o cerne do litígio no caso concreto sob apreciação diz respeito, exatamente, à discussão a respeito dos efeitos e dos limites da coisa julgada declarando a inconstitucionalidade da CSLL. Nesse sentido devo me submeter ao que determina o art. 62A do RICARF, curvandome ao entendimento proposto no RECURSO ESPECIAL Nº. 1.118.893 MG (2009/00111359) e nos Pareceres PGFN/CRJ/Nº 492/2011 e PGFN/CRJ/Nº 975/2011. Regimento Interno do CARF: Fl. 1490DF CARF MF Impresso em 26/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 08/02/ 2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 27/02/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES 22 Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Concluo, assim, que a empresa recorrente, nos anoscalendário 2004 e 2005, e mais precisamente até o mês de setembro de 2007 – [quando se operou o trânsito em julgado da Ação Direta de Inconstitucionalidade – ADI 15, declarando a constitucionalidade da CSLL nos moldes em que instituída pela Lei 7.689/88, à exceção dos artigos 8 º e 9 º] – encontravase acobertada pela coisa julgada obtida no Acórdão do TRF da 1a. Região que determinou a “exoneração integral das empresas do recolhimento da exação”,desobrigandoa do pagamento da referida CSLL. A exigência sob análise deverá, pois, ser exonerada. Nesse contexto entendo prejudicada a análise dos demais Mandados de Segurança interpostos pela empresa recorrente contra a cobrança da CSLL para os demais períodos seguintes. O último ponto a ser analisado diz respeito à seguinte afirmação da auditoria fiscal (TVF à fl. 39): Há que se realçar que nos demonstrativos de fls. 57 e 58 a fiscalizada faz uso de compensação de base de cálculo negativa apurada em períodos anteriores em ambos os anos fiscalizados. E que, às fls. 268 a 270, , anexamos Demonstrativos de Base de Cálculo Negativa da CSLL, cujo acompanhamento e controle de valores por parte desta Secretaria da Receita Federal do Brasil dáse através do Sistema de Acompanhamento de Prejuízo, Lucro Inflacionário e Base de Cálculo Negativa da CSLL (SAPLI). Pois bem, neste demonstrativo vemos que a fiscalizada nos anos calendário compreendidos entre 1994 a 1998 apura e registra os dados relativos à CSLL, compensando a base de cálculo negativa ordinariamente. Isto configura, com mais clareza ainda, o fato de que a própria fiscalizada cumpriu durante algum tempo sua obrigações tributárias referentes à CSLL, de acordo com as conclusões ora descritas neste Termo. O fato de a empresa fiscalizada proceder aos cálculos da CSLL nos anosbase de 1994 e 1995 não significa uma “declaração de culpa” ou “uma assunção de dívida”, como parece querer crer a fiscalização. Ao contrário, é natural que haja tais cálculos, afinal nos anos de 1994 e 1995 ainda transcorria a lide instaurada junto ao Judiciário questionando a constitucionalidade da exação e não havia, contudo, a decisão transitada em julgado a respeito da questão, que veio a ser proferida posteriormente e que já existia e estava consumada no período fiscalizado. Por todo o exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) ______________________________________ Maria de Lourdes Ramirez – Relatora Fl. 1491DF CARF MF Impresso em 26/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 08/02/ 2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 27/02/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10976.000385/200805 Acórdão n.º 180100.870 S1TE01 Fl. 1.462 23 Fl. 1492DF CARF MF Impresso em 26/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 08/02/ 2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 27/02/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES
score : 1.0
Numero do processo: 10880.934559/2009-77
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 26 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Mar 19 00:00:00 UTC 2013
Ementa: null
null
Numero da decisão: 3803-003.541
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares de nulidade suscitadas e, no mérito, negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(Assinado digitalmente)
ALEXANDRE KERN - Presidente.
(Assinado digitalmente)
JORGE VICTOR RODRIGUES - Relator.
EDITADO EM: 07/03/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alexandre Kern (Presidente), João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: JORGE VICTOR RODRIGUES
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201209
ementa_s : null null
turma_s : Terceira Turma Especial da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Mar 19 00:00:00 UTC 2013
numero_processo_s : 10880.934559/2009-77
anomes_publicacao_s : 201303
conteudo_id_s : 5200154
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Mar 26 00:00:00 UTC 2013
numero_decisao_s : 3803-003.541
nome_arquivo_s : Decisao_10880934559200977.PDF
ano_publicacao_s : 2013
nome_relator_s : JORGE VICTOR RODRIGUES
nome_arquivo_pdf_s : 10880934559200977_5200154.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares de nulidade suscitadas e, no mérito, negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (Assinado digitalmente) ALEXANDRE KERN - Presidente. (Assinado digitalmente) JORGE VICTOR RODRIGUES - Relator. EDITADO EM: 07/03/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alexandre Kern (Presidente), João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, Jorge Victor Rodrigues.
dt_sessao_tdt : Wed Sep 26 00:00:00 UTC 2012
id : 4538543
ano_sessao_s : 2012
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 08:57:14 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713041395053232128
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2392; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE03 Fl. 9 1 8 S3TE03 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10880.934559/200977 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3803003.541 – 3ª Turma Especial Sessão de 26 de setembro de 2012 Matéria COMPENSAÇÃO Recorrente ARCELORMITTAL TUBARÃO COMERCIAL S.A. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2005 PRELIMINAR. CISÃO. PESSOA JURÍDICA INCORPORADORA. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA SUBSIDIÁRIA. LEGITIMIDADE PASSIVA. DESCABIMENTO. A pessoa jurídica de direito privado que adquirir de outra, por qualquer título, estabelecimento comercial, industrial ou profissional, e continuar a respectiva exploração, sob a mesma razão social ou sob firma ou nome individual, em relação ao estabelecimento adquirido, responde, subsidiariamente, com o alienante, pelos tributos devidos até o ato, se este prosseguir na exploração ou iniciar dentro de seis meses a contar da data da alienação, nova atividade no mesmo ou em outro ramo de comércio, indústria ou profissão e, integralmente, se o alienante cessar com a exploração dos mesmos. PRELIMINAR. COMPETÊNCIA TERRITORIAL E POR MATÉRIA. DELEGACIA DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL DE JULGAMENTO. LIMITE. A regra geral, no âmbito da Receita Federal do Brasil, é de que o preparo do processo compete à autoridade local do órgão encarregado da administração do tributo. Entretanto, quando o ato for praticado por meio eletrônico, a administração tributária poderá atribuir esse preparo por unidade diversa daquela originariamente prevista. Quando se tratar de competência para julgamento de processos administrativos tributários a regra passa a obedecer a critérios de territorialidade e por matéria, sendo a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamentos de São Paulo I, competente para o desiderato. Não se sustenta a alegação de incompetência do órgão para o julgamento da lide, na forma proposta. MATÉRIA TRIBUTÁRIA. ÔNUS DA PROVA. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 93 45 59 /2 00 9- 77 Fl. 199DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2013 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 07/03/20 13 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 07/03/2013 por ALEXANDRE KERN 2 Cabe ao transmitente do Per/DComp o ônus probante da liquidez e certeza do crédito tributário alegado. À autoridade administrativa cabe a verificação da existência desse direito, mediante o exame de provas hábeis, idôneas e suficientes a essa comprovação. PROVA. MOMENTO DE APRESENTAÇÃO. Os motivos de fato, de direito e a prova documental deverão ser apresentadas com a impugnação/manifestação de inconformidade, precluindo o direito de fazêlo em outro momento processual, ressalvadas as situações previstas nas hipóteses previstas no § 4o do artigo 16 do Decreto n° 70.235/72. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO. Cabe a autoridade administrativa autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública. A ausência de elementos imprescindíveis à comprovação desses atributos impossibilita à homologação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares de nulidade suscitadas e, no mérito, negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (Assinado digitalmente) ALEXANDRE KERN Presidente. (Assinado digitalmente) JORGE VICTOR RODRIGUES Relator. EDITADO EM: 07/03/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alexandre Kern (Presidente), João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, Jorge Victor Rodrigues. Relatório O contribuinte por meio da DComp eletrônica n° 12892.55594.230906.1.7.048708, retificadora da DComp n° 22362.48981.290705.1.3.043054, transmitida em 23/09/2006, buscou homologar a compensação de créditos tributários oriundos de pagamento a maior de PIS/PASEP, no valor de R$ 153.608,50, com débito próprio de CSLL da competência de janeiro/2005. O Despacho Decisório proferido pela DERART/SPI fl 08, após análise eletrônica realizada pelo sistema de processamento de dados da RFB, se pronunciou pela inexistência do crédito alegado pelo contribuinte, posto que foi integralmente utilizado para Fl. 200DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2013 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 07/03/20 13 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 07/03/2013 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10880.934559/200977 Acórdão n.º 3803003.541 S3TE03 Fl. 10 3 liquidação de débitos próprios, não restando saldo para a compensação informada no Per/DComp, por conseguinte deliberou o órgão administrativo pela não homologação da compensação declarada. Ao tomar ciência da exação e manifestando a sua inconformidade (fls. 12), o contribuinte postulou, preliminarmente, pela alteração da parte que figura no pólo passivo da relação jurídicotributária, por restar evidenciado a ilegitimidade passiva. Esclareceu o contribuinte, inicialmente, que em 01/09/2008, mediante a realização de Assembléia Geral Extraordinária, por deliberação dos acionistas, a Companhia Siderúrgica de Tubarão CST, foi parcialmente cindida (aproximadamente 95% de seu PL), havendo a empresa Arcelormittal Brasil S.A., se tornado a incorporadora e, a CST, incorporada, teve alterada a sua denominação para Arcelormittal Tubarão Comercial, bem assim a sua sede que se transferiu para São Paulo capital, sendo esta a razão que ensejou o requerimento para a alteração retroassinalada, eis que o órgão judicante tornarseia incompetente para apreciação dos autos, em face da mudança de domicílio fiscal. em relação ao alegado juntou aos autos documentos probantes. No mais a interessada admite haver cometido erro no preenchimento do Per/DComp, e que tal evento não impede o reconhecimento do direito creditório, cuja origem encontrase registrada na DCTF recepcionada pela RFB , referente ao 4° trimestre de 2004 (doc 06), entregue pela Arcelormittal Tubarão Comercial, onde o valor recolhido é igual ao montante do débito apurado quando da transmissão da Per/DComp original. Aduziu o contribuinte que a simples análise da DCTF original não é capaz de demonstrar de forma clara, a existência de crédito disponível na compensação; que não se pode obstar o direito à compensação mediante meros erros formais no preenchimento da DCTF ou de PER/DComp. O interessado ainda esclareceu que apurou, inicialmente, a título de contribuições devidas determinado valor e efetuou o recolhimento com o DARF desse mesmo valor, que foram informados na DCTF original e que, posteriormente, verificando suas declarações, identificou ajustes de créditos que não haviam sido apropriados no momento oportuno, o que fez com que fosse reduzido o tributo devido incidente sobre operações próprias; que em virtude dessas inconsistências o despacho eletrônico parametrizado e emitido não identificou a origem do crédito; e que de boafé promoveu a retificação tempestiva de suas DCTF (doc. 06), com a liberação do crédito contido no DARF mencionado, inclusive que a realização de uma nova análise parametrizada das declarações certamente levaria à homologação, tendo em vista que a suposta irregularidade não mais subsistiria. Ao final o contribuinte requer a insubsistência do despacho decisório e a homologação da compensação transmitida. Foram os autos encaminhados conclusos para o julgamento da lide pela 12a Turma da DRJ/SPI, que proferiu a decisão, cuja ementa adiante se transcreve por meio do Acórdão n° 1634.893, DE 24/11/11: Data do Fato Gerador: 14/01/2005 DCTF. CONFISSÃO DE DÍVIDA. ERRO NO PREENCHIMENTO. VALORES CORRETOS. COMPROVAÇÃO. Fl. 201DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2013 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 07/03/20 13 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 07/03/2013 por ALEXANDRE KERN 4 Considerase confissão de dívida os débitos declarados em DCTF, motivo pelo qual qualquer alegação de erro nos valores nela declarados deve vir acompanhada de declaração retificadora munida de documentos hábeis e suficientes para justificar as alterações realizadas no cálculo dos tributos devidos. COMPENSAÇÃO. CRÉDITOS. COMPROVAÇÃO. É requisito indispensável ao reconhecimento da compensação a comprovação dos fundamentos da existência e a demonstração do montante do crédito que lhe dá suporte, sem o que não pode ser admitida. DESPACHO DECISÓRIO. INSUBSISTÊNCIA. INOCORRÊNCIA. É válido o despacho decisório que apresenta todas as informações necessárias para o entendimento do contribuinte quanto aos motivos da não homologação da compensação declarada. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada com o teor da decisão de primeira instância, cuja ciência deu se em 27/02/2012, conforme registra o AR, dela recorreu o contribuinte , conforme atesta o protocolo do recurso aviado27/03/2012, deduzindo em síntese termos que repisam de forma minudente e melhor fundamentados os argumentos constantes da exordial. Nesse sentido argüiu pela preliminar de ilegitimidade do sujeito passivo e pela incompetência da DRJ de origem, quando reiterou pela alteração do pólo passivo da relação jurídicoprocessual, por ilegitimidade passiva da controlada, que deve ser substituída pela pessoa jurídica da incorporadora, ex vi do art. 229, § 1°, da Lei n° 6.404/76, mencionando, inclusive, jurisprudência administrativa do 1° CC, Acórdão n° 10703.310, de 17/09/06, onde "havendo sucessão, a responsabilidade tributária é da sucessora, nos termos do art. 133 do CTN, sendo ilegítimo o lançamento na pessoa jurídica sucedida'". Outra preliminar suscitada pelo recorrente é pela nulidade, por vício substancial, do despacho decisório eletrônico, eis que a limitação dos processos eletrônicos os torna incapazes de superar eventuais erros de declaração, que seriam facilmente perceptíveis pela autoridade fiscal, pois não analisa o conjunto do material probatório atinente à matéria, mas sim campos específicos da cada declaração, sem analisar sua integralidade como um todo, situação em que poderia reconhecer o direito do contribuinte e retificar, de ofício, como determina o art. 147, § 2° do CTN, as declarações eventualmente eivadas de erro. No seu entendimento, quando muito, a adoção de tais sistemas eletrônicos poderia constituir um valioso instrumento de fiscalização e levantamento preliminar de informações, mas não para constituir provas conclusivas contra o contribuinte. Mencionou o recorrente que diversas Delegacias de Julgamento vêm reconhecendo que o cruzamento eletrônico de dados no sentido de liberar os valores pleiteados podem ser um meio auxiliar, mas nunca determinante da imediata recusa do crédito informado pelo contribuinte, e que nesse sentido foi o acórdão 1518.513 da 1a Turma da DRJ de Salvador, proferido em sessão realizada no dia 27/02/2009, ao julgar o PTA 10510.900125/200639. Fl. 202DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2013 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 07/03/20 13 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 07/03/2013 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10880.934559/200977 Acórdão n.º 3803003.541 S3TE03 Fl. 11 5 Argüiu, ainda, que se a RFB tivesse dado tratamento manual aos documentos fiscais da empresa (DIPJ e DCTF), e não a simples análise parametrizada, o crédito informado no PER/DComp teria sido identificado e reconhecido na sua integralidade. Por tais argumentos aduziu o recorrente que o seu direito de defesa foi cerceado, o que enseja a nulidade do despacho decisório, conforme expresso pelo inciso II do art. 69 do Dec. n° 70.235/72. No que atine às razões de mérito, informou o recorrente que a origem do crédito decorre de um aproveitamento de crédito sobre despesa de depreciação do ativo imobilizado pela CST em conseqüência de um projeto de expansão da Usina, cujo início se deu em 2004, e que a empresa apurou como devido a título de PIS, em outubro de 2004, o valor de R$ 96.982,93, conforme comprovante de arrecadação anexado aos autos, valor que foi devidamente declarado em sua DCTF original do 4° trimestre de 2004. Aduziu que, posteriormente, fazendo uma revisão fiscal, a empresa verificou a existência de despesa de depreciação sobre ativo imobilizado, o que gera direito a crédito de PIS/Cofinse que não foram aproveitados quando da primeira apuração. Neste sentido juntou as contas de resultado do balancete, a fim de comprovar contabilmente de onde foram retirados os valores constantes da base de cálculo da apuração, detalhada na planilha anexa aos autos. E mais, o recorrente informou que a empresa efetuou os ajustes devidos na apuração, descontando os créditos relativos à despesa com depreciação de ativo imobilizado. Com isso, não houve contribuição a pagar, pois os créditos superaram os débitos. Alegou o contribuinte que por um equívoco não procedeu, oportunamente,à retificação de sua DCTF, sendo que a última retificação antes de proferido o despacho decisório ocorreu em (20/04/09), conforme se verifica do documento anexo (doc.07). Deixou o recorrente de juntar a DCTF em sua integralidade para não avolumar o processo administrativo, porém se este Conselho entenda que ela deve ser juntada aos autos, pede que o processo seja baixado em diligência para que a autoridade administrativa informe se houve a declaração da contribuição (cujo crédito se busca) na DCTF ativa ou não. É o relatório. Voto Conselheiro Jorge Victor Rodrigues O recurso voluntário interposto preenche os requisitos necessários à sua admissibilidade, dele tomo conhecimento. Como dito, o contribuinte pretendeu compensar crédito indevido ou a maior, com débitos próprios de CSLL, no período de apuração de outubro/2004, não logrando êxito Fl. 203DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2013 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 07/03/20 13 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 07/03/2013 por ALEXANDRE KERN 6 nesse desiderato perante o juízo a quo, que concluiu a partir de análise efetuada nos autos pela inexistência de crédito, considerando, inclusive que o sujeito passivo não acostou aos autos documentos que demonstrassem inequivocamente a comprovação de sua existência. Documentos outros foram apresentados em sede de recurso voluntário, a título de complementação àqueles já colacionados, oportunamente, com o fito de comprovação do alegado na exordial. O deslinde da querela circunscrevese, então, à matéria probatória acerca do reconhecimento da existência de direito creditório alegado pelo contribuinte, matéria que foi devolvida para esta Corte, em razão de não restar pacificada em sede de primeira instância, e também a questões de direito suscitadas pelo contribuinte em sede de apelo, inclusive mediante preliminar de nulidade, por vício substancial, do despacho decisório, tema este não abordado na exordial. A PRELIMINAR DE ILEGITIMIDADE PASSIVA. Acerca deste tema o teor do decidido no aresto recorrido encontra respaldo na lei de regência (CTN, art. 133), senão vejamos: Art. 133. A pessoa natural ou jurídica de direito privado que adquirir de outra, por qualquer título, fundo de comércio ou estabelecimento comercial, industrial ou profissional, e continuar a respectiva exploração, sob a mesma ou outra razão social ou sob firma ou nome individual, responde pelos tributos, relativos ao _fundo ou estabelecimento adquirido, devidos até à data do ato: I integralmente, se o alienante cessar a exploração do comércio, indústria ou atividade; II subsidiariamente com o alienante, se este prosseguir na exploração ou iniciar dentro de seis meses a contar da data da alienação, nova atividade no mesmo ou em outro ramo de comércio, indústria ou profissão Vêse do texto suso transcrito que o tipo jurídico ali descrito se adéqua ao ato negocial e que a responsabilidade subsidiária é secundária, sendo certo que o alienante é aquele que transfere o domínio. Portanto, se há continuidade da exploração da atividade após a cisão parcial pela incorporada, não há como eximir a titularidade da empresa parcialmente cindida pela responsabilidade de tributos devidos. Verificouse que a Companhia Siderúrgica de Tubarão CST, CNPJ n° 27.251.974/000102, continua ativa nos sistemas informatizados da RFB, mesmo com nova denominação e sede instalada em São Paulo, capital. PRELIMINAR. COMPETÊNCIA TERRITORIAL E POR MATÉRIA. LIMITE. A regra geral,no âmbito da Receita Federal do Brasil, é de que o preparo do processo compete à autoridade local do órgão encarregado da administração do tributo. Entretanto, quando o ato for praticado por meio eletrônico, a administração tributária poderá atribuir esse preparo por unidade diversa daquela originariamente prevista. Quando se tratar de competência para julgamento de processos administrativos tributários a regra passa a obedecer Fl. 204DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2013 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 07/03/20 13 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 07/03/2013 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10880.934559/200977 Acórdão n.º 3803003.541 S3TE03 Fl. 12 7 a critérios de territorialidade e por matéria, esta relacionada às turmas de julgamento, sendo a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamentos de São Paulo, competente para o desiderato. Não se sustenta a alegação de incompetência do órgão para o julgamento da lide, na forma proposta. E isto ocorre por força do por força do contido no parágrafo único do art. 24 do Decreto n° 70.235/72 (redação dada pela MP 449/08) e por disposição da Portaria RFB n° 1.916/10, que disciplina a competência territorial e por matéria das Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento e relaciona as matérias de julgamento por turma. Neste caso também não há reparo a fazer. A PRELIMINAR DE NULIDADE, POR VÍCIO SUBSTANCIAL, DO DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. O recorrente em sede de recurso voluntário argüiu pela nulidade do despacho decisório, ante o cerceamento ao exercício de seu amplo direito de defesa, diversamente do que houvera alegado por ocasião da manifestação de inconformidade, quando postulou pela improcedência do feito, conforme expressamente assinalado no pedido formulado na peça inaugural, ou seja, ousou inovar quanto à extensão da matéria em debate e quanto aos efeitos do pedido ali endereçado às autoridades julgadoras. Ao percorrer o iter processual e se deslocar para além do limite já delineado nos autos pela decisão de primeira instância, que enfrentou a matéria sob o pressuposto de "improcedência", o recorrente ao fazer a abordagem do tema em sede de recurso, desta feita sob a preliminar de "nulidade" inovou, deu azo ao surgimento do instituto processual denominado de preclusão consumativa, gerando um óbice à análise da matéria sob este novo enfoque. Superada resta esta questão relacionada a eficácia do despacho decisório. AS RAZÕES QUE JUSTIFICAM A REFORMA DO ACÓRDÃO. Ao inserirse neste contexto o recorrente tratou inicialmente de explicitar acerca da origem do crédito, fato este que se resumira por ocasião da impugnação ao contido na DComp e DCTF, pois o mesmo não aludira acerca de um aproveitamento de crédito sobre despesa de depreciação do ativo imobilizado pela CST em conseqüência de um projeto de expansão da Usina, cujo início se deu em 2004, dados os quais certamente os documentos apresentados não disponibilizaram. Portanto não vale alegar que a análise isolada da DCTF original não é capaz de demonstrar de forma clara a existência de crédito disponível à compensação. O que se conhece da Per/DComp é que na data de sua transmissão em 31/12/2005 (fl. 01), são os dados submetidos à análise da suficiência do crédito indevido ou a maior, sabese também que havia um DARF referente ao pagamento da contribuição ao PIS no mês de outubro de 2004, no valor de R$ 96.982,93, tido como suposto crédito e um débito de CSLL no valor de R$ 107.757,73 e, com isso posicionouse o despacho decisório pela inexistência de crédito, ao constatar que o recolhimento informado no Per/DComp houvera sido integralmente utilizado na quitação de débitos informados na DCTF, não restando saldo passível de compensação, e mais: ante a falta de apresentação de livros contábeis e fiscais, além de outros documentos que atestassem de forma inconteste a existência do alegado pelo contribuinte, ex vi do art. art. 923 do RIR/99, não haveria como se pronunciar de forma diversa. Fl. 205DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2013 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 07/03/20 13 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 07/03/2013 por ALEXANDRE KERN 8 No mais, a fase processual em trâmite não possibilita o revolvimento de provas. Também não resta dúvida acerca dos elementos contidos nos autos que venha a impactar na convicção deste julgador acerca do deslinde da querela. Portanto despiciendo seria o requerimento para a baixa dos autos em diligência para juntada de DCTF, conforme sugerido no apelo. A questão da prova na atividade administrativotributária resolvese ante o discernimento acerca da responsabilidade de quem deve provar o alegado. Para esclarecer esta questão buscase a orientação no Código de Processo Civil, subsidiariamente utilizado nos julgamentos dos processos administrativos fiscais pelo CARF, em seu art. 333, assim alude: Art. 333. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo, ou extintivo do direito do autor. É inconteste que coube ao contribuinte a iniciativa de transmitir eletronicamente DComp, tendo em vista a homologação do crédito alegado. Neste sentido a autoridade fiscalizadora, no cumprimento do dever legal, após verificar a existência de fato impeditivo/extintivo ao reconhecimento do crédito informado na DComp, decidiu por não homologálo. De acordo com o texto legal caberia ao contribuinte, então, por ocasião da manifestação de inconformidade, apresentar todos os elementos materiais probantes do alegado às autoridades julgadoras do feito com vista à sua pacificação, restando demonstrado nos autos pelo próprio contribuinte que tal medida não foi adotada, fazendose necessário o apelo ao reexame da lide, com pedido de reforma daquilo que já fora decidido, mediante a apresentação de novos documentos para exame pelo juízo ad quem. Na intenção de suprir essa lacuna, mediante a juntada de novos documentos além dos já existentes, alegou o contribuinte possuir convicção que não mais restaria dúvidas acerca da comprovação do seu direito ao crédito, conforme alegado na peça inaugural, eis que tais documentos conteriam as informações necessárias e suficientes, porém que não foram apresentadas à instância a quo para apreciação do direito creditório. Nesta parte, encontrase escorreito o aresto recorrido. OS DOCUMENTOS COLACIONADOS AOS AUTOS COM O RECURSO VOLUNTÁRIO. No que atine à idoneidade dos documentos acostados aos autos, temse que em nenhum momento foi mencionado que tais elementos materiais de prova oferecidos pelo contribuinte seriam inábeis e/ou inidôneos, porém consta da decisão recorrida que os mesmos foram insuficientes à comprovação do alegado, portanto ineficazes. Da mesma sina padece aqueles documentos acostados após a decisão de primeira instância, senão vejamos: determina o disposto no artigo 16 do Dec. n° 70.235/72, que da impugnação deverá constar os motivos de fato e de direito em que se fundamenta o pleito Fl. 206DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2013 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 07/03/20 13 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 07/03/2013 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10880.934559/200977 Acórdão n.º 3803003.541 S3TE03 Fl. 13 9 formalizado, como também as razões da discordância e as provas que comprovem o direito a que faz jus o interessado. Ademais disso dispõe o § 4° deste mandamus que a prova documental será apresentada com a impugnação, precluindo o direito de fazêlo em outro momento processual. Inferese dos elementos contidos nos autos que o Recorrente não laborou para demonstrar a razão superveniente que o impediu de apresentar os documentos trazidos com o recurso voluntário, oportunamente, ou seja, por ocasião da protocolização da manifestação de inconformidade. É certo que ao não atentar para este detalhe o recorrente incorreu em duas situações que lhe são desfavoráveis, quais sejam: (i) impediu que o juízo a quo pudesse analisar e se pronunciar acerca dos elementos de prova material, de forma a impactar diversamente no resultado da peleja e, para não que não reste caracterizada a supressão de instância, fica este colegiado impedido de apreciar as provas sonegadas àquele Tribunal; e (ii) com a desídia ora assinalada deu azo ao surgimento do instituto processual denominado de preclusão temporal, que reside na perda do direito de apresentação de documentos em momento inoportuno, uma homenagem ao princípio da razoável duração do processo, que busca à celeridade dos deslindes das querelas, eis que o direito não socorre àqueles que dormem. Ante o exposto, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Jorge Victor Rodrigues – Relator. Declaração de Voto zzzzzzzzzz Fl. 207DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2013 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 07/03/20 13 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 07/03/2013 por ALEXANDRE KERN
score : 1.0
Numero do processo: 13807.003663/2005-65
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 18 00:00:00 UTC 2012
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/04/2004 a 30/06/2004 RECURSO VOLUNTÁRIO. DECISÃO DE PRIMEIRO GRAU. MATÉRIA ESTRANHA. Não se toma conhecimento da parte do recurso voluntário cujas matérias de mérito suscitadas são estranhas ao objeto do processo e da decisão de primeiro grau. CRÉDITO FINANCEIRO. COMPENSAÇÃO. PROVAS. ÔNUS. Cabe ao requerente o ônus de provar a certeza e liquidez do crédito financeiro declarado na Declaração de Compensação (Dcomp). ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 31/01/2001, 31/01/2002, 31/01/2004 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO A homologação de compensação de débito fiscal, efetuada pelo próprio contribuinte, mediante a transmissão de Declaração de Compensação (Dcomp), está condicionada à certeza e liquidez do crédito financeiro declarado. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO
Numero da decisão: 3301-001.561
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. Fez sustentação oral pela recorrente, o advogado, Vinícius Montserrat Trevisan, OAB/SP 197.208.
Nome do relator: JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201207
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/04/2004 a 30/06/2004 RECURSO VOLUNTÁRIO. DECISÃO DE PRIMEIRO GRAU. MATÉRIA ESTRANHA. Não se toma conhecimento da parte do recurso voluntário cujas matérias de mérito suscitadas são estranhas ao objeto do processo e da decisão de primeiro grau. CRÉDITO FINANCEIRO. COMPENSAÇÃO. PROVAS. ÔNUS. Cabe ao requerente o ônus de provar a certeza e liquidez do crédito financeiro declarado na Declaração de Compensação (Dcomp). ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 31/01/2001, 31/01/2002, 31/01/2004 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO A homologação de compensação de débito fiscal, efetuada pelo próprio contribuinte, mediante a transmissão de Declaração de Compensação (Dcomp), está condicionada à certeza e liquidez do crédito financeiro declarado. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
numero_processo_s : 13807.003663/2005-65
conteudo_id_s : 5214940
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Apr 16 00:00:00 UTC 2013
numero_decisao_s : 3301-001.561
nome_arquivo_s : Decisao_13807003663200565.pdf
nome_relator_s : JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS
nome_arquivo_pdf_s : 13807003663200565_5214940.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. Fez sustentação oral pela recorrente, o advogado, Vinícius Montserrat Trevisan, OAB/SP 197.208.
dt_sessao_tdt : Wed Jul 18 00:00:00 UTC 2012
id : 4566280
ano_sessao_s : 2012
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 08:58:52 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713041395066863616
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1904; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T1 Fl. 895 1 894 S3C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13807.003663/200565 Recurso nº 000.001 Voluntário Acórdão nº 330101.561 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 18 de julho de 2012 Matéria COFINS DCOMP Recorrente PASTÍFICIO SANTA AMÁLIA S/A. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/04/2004 a 30/06/2004 RECURSO VOLUNTÁRIO. DECISÃO DE PRIMEIRO GRAU. MATÉRIA ESTRANHA. Não se toma conhecimento da parte do recurso voluntário cujas matérias de mérito suscitadas são estranhas ao objeto do processo e da decisão de primeiro grau. CRÉDITO FINANCEIRO. COMPENSAÇÃO. PROVAS. ÔNUS. Cabe ao requerente o ônus de provar a certeza e liquidez do crédito financeiro declarado na Declaração de Compensação (Dcomp). ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 31/01/2001, 31/01/2002, 31/01/2004 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO A homologação de compensação de débito fiscal, efetuada pelo próprio contribuinte, mediante a transmissão de Declaração de Compensação (Dcomp), está condicionada à certeza e liquidez do crédito financeiro declarado. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. Fez sustentação oral pela recorrente, o advogado, Vinícius Montserrat Trevisan, OAB/SP 197.208. (Assinado Digitalmente) Fl. 902DF CARF MF Impresso em 29/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/08/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 13 /08/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 16/10/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 2 Rodrigo da Costa Pôssas – Presidente (Assinado Digitalmente) Jose Adão Vitorino de Morais – Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Possas, Maria Teresa Martínez López, José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso, Paulo Guilherme Déroulède e Andréa Medrado Darzé. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da DRJ Juiz de Fora que julgou improcedente a manifestação de inconformidade interposta contra despacho decisório que não homologou a compensação dos débitos fiscais de IRPJ, vencidos em 31/01/2001, 31/01/2002, e 31/01/2004, declarados na Declaração de Compensação (Dcomp) às fls. 02, protocolada em 27/05/2005, com saldo credor de Cofins não cumulativa, decorrente de exportações, apurado no segundo trimestre de 2004. Por meio do Relatório Fiscal às fls. 120/123, do Parecer às fls. 153/154 e do Despacho Decisório às fls. 155, a DRF em Varginha não homologou a compensação dos débitos declarados sob o fundamento de inexistência do crédito financeiro utilizado. Cientificada da decisão daquela DRF, inconformada, a recorrente interpôs manifestação de inconformidade insistindo na homologação da compensação dos débitos declarados, alegando razões assim resumidas por aquela DRJ: “a) ‘a Recorrente celebrou contrato de prestação de serviços de assessória tributária com a empresa Lógica Administração de Serviços Ltda.’, sendo que ‘o objetivo do contrato era o de adquirir um planejamento tributário, por meio de um contrato de performance para exportações, o que geraria, por conseguinte, direito a créditos fiscais, visando além do caráter econômico do negócio, reduzir a carga tributária da empresa, no que concerne ao pagamento do ICMS e de Impostos Federais’; b) ‘a Recorrente comprava grãos de soja das empresas Centúria S/A Industrial, Comercial e Agrícola e Santa Cruz Industrial, Comercial, Agrícola e Pecuária Ltda., e ordenava a realização da entrega das mercadorias na sede da empresa Rubi S/A para a realização de seu esmagamento para produção de óleo de soja e farelo de soja, cujo objetivo era a exportação, que no caso, foi realizado de forma indireta, ou seja, por intermédio de uma empresa comercial importadora e exportadora, a empresa trading Canorp – Cooperativa Agropecuária Norte Pioneiro’; c) ‘em todos os casos de exportação, a empresa trading exportadora Canorp Cooperativa Agropecuária Norte Pioneiro, enviava à impugnante documentação que comprovava que as mercadorias foram efetivamente exportadas, tais como Declaração de Exportação averbada, Memorando – Exportação e Registro de Exportação (RE) com as respectivas telas “Consulta de RE Específico’ do Sistema Integrado de Comércio (SISCOMEX)’; d) ‘a impugnante, dentro da lei, realizou um planejamento tributário nos moldes da norma tributária e assim o fez através de contato com as empresas que venderiam a soja, industrializariam as mesmas e posteriormente venderiam para o exterior, tudo com a anuência e confirmação das empresas de consultoria de que Fl. 903DF CARF MF Impresso em 29/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/08/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 13 /08/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 16/10/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 13807.003663/200565 Acórdão n.º 330101.561 S3C3T1 Fl. 896 3 houve a efetiva exportação pelas empresas tradings’, assim, ‘em tese, se tivesse havido fraude ou simulação, e se partimos do pressuposto que não houve a exportação, isto teria se dado pelas EMPRESAS COMERCIAIS EXPORTADORAS, que teriam induzido a autuada em erro’; e) ‘a norma antielisão somente pode abranger os casos em que os atos ou negócios jurídicos tenham sido praticados com a finalidade de dissimular a ocorrência do fato gerador do tributo ou a natureza dos elementos constitutivos da obrigação tributária’. ‘Não é possível ao aplicador da lei desconsiderar o negócio jurídico indireto adotado pelas partes, sob o argumento de que teria havido abuso de forma ou simulação e dissimulação, submetendo os efeitos fiscais a que se submeteria o negócio jurídico direito’; f) ‘todos os contratos realizados junto às empresas, Centúria S/A Industrial, Comercial e Agrícola, Santa Cruz Industrial, Comercial, Agrícola e Pecuária Ltda, Rubi e Canorp Cooperativa Agropecuária Norte Pioneiro, foram realizados respeitando a validade destes negócios jurídicos nos moldes do artigo 104 do Código Civil, vez que apresentou em todos eles, que os agentes eram capazes, o objeto era lícito e não havia proibição em lei’; g) ‘nos contratos de compra e venda de soja, as vendedoras eram responsáveis para a entrega da soja na empresa industrializadora, sem realizar a entrega da mercadoria em depósitos da autuada. Nos contratos de industrialização, havia expressa menção nos contratos de que a responsabilidade era do industrializador que recebera a soja do fabricante pela autuada. Por último, com relação aos contratos de venda para o fim de exportação que a autuada realizou com a empresa exportadora trading tinha como responsável pela busca da soja já industrializada a própria trading/exportadora CANORP’; h) ‘nulidade em virtude da não entrega da documentação comprobatória que serviu de base para o lançamento – restrição a ampla defesa e ao contraditório’, sendo que ‘quando da entrega de cópia da não homologação da declaração de compensação PELO CORREIO, a documentação que serviu de suporte para a não homologação, não foi anexada ao mesmo, ou seja, não foi colocado, de foram estranha, à disposição do contribuinte’. i) ‘o despacho que não aceitou a compensação realizada se ateve tão somente a somente a norma prevista no artigo 74 da lei 9.430/96 que dispõe sobre a compensação tributária tão somente’; j) ‘da inexistência do MPF em virtude da ausência de emissão de ordem escrita pelo Delegado da Receita Federal de Varginha – MG para autorizar o agente fiscal a promover o reexame da fiscalização’; k) ‘o Agente Fiscal que lavrou o atuo de infração em São Paulo, é incompetente em razão da matéria em virtude de não possuir a qualificação de contador (conforme declaração do CRC de SP anexo), devendo ser considerado nulo de pleno direito o crédito tributário constituído’; l) ‘a Fiscalização Federal Mineira se reportou em seu relatório fiscal a descrição dos fatos no Termo de Verificação de fls. 53 a 75’, porém, ‘em momento algum, foram demonstrados documentos conclusivos da existência de operações “reais” e “fictícias” e, tampouco, qualquer indicação dos critérios ou provas usadas para se distinguir quais operações eram “reais” e quais eram “fictícias” e quais eram “supostas””; Fl. 904DF CARF MF Impresso em 29/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/08/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 13 /08/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 16/10/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 4 m) ‘para comprovar a existência das operações anteriores a exportação, trazemos aos autos o comprovante que eram entregues pelas fornecedoras à conta e ordem do Pastifício Santa Amália S/A’. ‘A documentação trazida no presente momento, fazem prova cabal de forma evidente, que as mercadorias existiram e transitaram fisicamente entre os estabelecimentos fornecedores, industrializadores e exportadores’. m) ‘da nulidade do auto de infração em virtude do erro na identificação do sujeito passivo em virtude da responsabilização pelo pagamento do tributo em caso de inexistência da exportação’; o) ‘do Conceito de Fraude e sua inexistência no caso concreto, inclusive por intermédio de declaração deste Estado Federal e do Estado Mineiro’, o que torna injustificável a aplicação da multa de 150%’.” Analisada a manifestação de inconformidade, aquela DRJ julgoua improcedente, conforme Acórdão nº 0930.537, datado de 15/07/2010, às fls. 809/830, sob as seguintes ementas: “NULIDADE. NÃO OCORRÊNCIA. Somente serão considerados nulos os atos em que estejam presentes quaisquer das circunstâncias previstas pelos incisos I e II do art. 59, do Decreto nº 70.235/72. CERCEAMENTO DE DEFESA. Não há que se falar em cerceamento de defesa quando é facultado ao contribuinte pleno acesso à documentação que instruiu o procedimento de fiscalização, inclusive com a possibilidade de extração de cópias. OPERAÇÕES SIMULADAS. GLOSAS DE DESPESAS. Por se tratar de simulação de compra, industrialização e exportação de produtos derivados de soja, as despesas com industrialização devem ser glosadas. Despesa incorrida com prestador de serviço de assessoria tributária, sobre operações fictícias com soja, não se caracteriza como necessária à atividade da empresa e à manutenção da respectiva fonte produtora, condição para ser aceita como dedutível.” Cientificada dessa decisão, a recorrente interpôs recurso voluntário (fls. 838/893) requerendo o seu provimento a fim de ser anulado o auto de infração e de imposição de multa, alegando, em síntese, que a autoridade julgadora de primeira instância realizou o julgamento como melhor lhe conveio, omitindose sobre matérias fundamentais à procedência do lançamento, tais como: a existência da soja; as declarações da Advocacia Geral do Estado de Minas e da Secretaria da Fazenda de Poços de Caldas; a incompetência do Agente Fiscal que lavrou o auto de infração; sua qualificação técnica e profissional; a nulidade do auto de infração; falta de apresentação de provas para a lavratura do auto de infração; procedimento fiscal realizado com base em amostragem; adulteração de registro de exportações; fraudes em emissões de notas fiscais; responsabilidades das comerciais exportadoras; erro de identificação do sujeito passivo; a multa de ofício aplicada; e multa agravada. Quanto à compensação declarada na Dcomp em discussão, alegou apenas que o indeferimento de restituição e a não homologação da compensação do débito declarado é uma espécie de lançamento tributário a ser pago pelo contribuinte e, ainda, que, para o Fisco não homologar a compensação declarada tornouse necessária, obrigatória e imprescindível o reexame de período já fiscalizado o que é proibido sem ordem do Delegado da respectiva Delegacia da Receita Federal. Sustentou, também, que o fato de ter sido lavrado o auto de infração somente para determinados meses do ano de 2005 não retira a afirmação de que todo Fl. 905DF CARF MF Impresso em 29/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/08/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 13 /08/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 16/10/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 13807.003663/200565 Acórdão n.º 330101.561 S3C3T1 Fl. 897 5 aquele ano foi fiscalizado, ou seja, janeiro a dezembro. Fez referência ao julgamento de um lançamento de multa isolada pela DRJ Juiz de Fora, reconhecendo sua improcedência. É o relatório. Voto Conselheiro José Adão Vitorino de Morais O recurso apresentado atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Assim, dele conheço. O presente processo trata exclusivamente da homologação da declaração de compensação dos débitos fiscais de IRPJ, vencidos em 31/01/2001, 31/01/2002 e 31/01/2004, com crédito financeiro decorrente de Cofins Exportação, apurado para o segundo trimestre de 2004, conforme provam a Dcomp às fls. 02 e o Demonstrativo de Créditos da Cofins às fls. 03. Dessa forma, não se toma conhecimento do recurso voluntário quanto às matérias suscitadas contra auto de infração exigindo crédito tributário e de imposição de multa de ofício de agravamento desta, em virtude de fraudes em operações com soja em grão, exportações que teriam sido realizadas no ano de 2005, por se tratar de matérias estranhas a este processo e à decisão recorrida. Como os débitos tributários foram confessados pela recorrente na Dcomp em discussão, a matéria a ser examinada se restringe a certeza e liquidez do crédito financeiro declarado. A autoridade julgadora de primeira instância não reconheceu o credito financeiro declarado e, conseqüentemente, não homologou a compensação dos débitos declarados, mantendo as glosas dos créditos de Cofins, apurados para o segundo trimestre de 2004, sob os fundamentos de que as operações com soja, compras, industrialização e exportação dos produtos derivados, não ocorreram, havendo apenas uma simulação, e, ainda, que as despesas incorridas com prestação de serviços de assessória tributária não são necessárias à atividade operacional da recorrente. No entanto, em seu recurso voluntário, em momento algum, apresentou razões, argumentos e provas de que as operações com soja em grão, ou seja, compras da matéria prima, industrialização e exportação dos produtos industrializados, de fato, ocorreram nem que as despesas com prestação de serviços de assessória tributária constituem insumos imprescindíveis ao seu processo produtivo. A documentação apresentada, “Comprovantes De Pagamentos Industrialização Soja”, às fls. 585/793, refere apenas a cópias de notas fiscais de prestação de serviços, de duplicatas e respectivos comprovantes de pagamentos, mas somente de operações realizadas no ano de 2002, sendo que o crédito financeiro em discussão decorreu de fatos geradores ocorridos no segundo trimestre de 2004. Em relação à não homologação da compensação dos débitos tributários declarados, limitouse às alegações de que: a) o indeferimento da restituição e da não homologação é uma espécie de lançamento tributário, nos termos do CTN, art. 142, a ser pago Fl. 906DF CARF MF Impresso em 29/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/08/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 13 /08/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 16/10/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 6 pelo contribuinte; b) a falta de impugnação torna sua exigência definitiva; c) a não homologação da compensação declarada tornou necessário, obrigatório e imprescindível o reexame de período já fiscalizado o que é proibido sem ordem do Delegado da respectiva Delegacia da Receita Federal; d) o fato de ter sido lavrado o auto de infração somente para determinados meses do ano de 2005 não retira a afirmação de que todo aquele ano foi fiscalizado. Ora, ao contrário do entendimento da recorrente, não foi realizado nenhum lançamento de ofício, os créditos tributários (débitos declarados) foram constituídos por ela própria, mediante lançamento por homologação, nos termos do art. 150 do CTN, e confessado, via Dcomp, nos termos do § 6º do art. 74, da Lei nº 9.430, de 27/12/1996. Assim não homologada a compensação suas exigências permanecem. Também a não homologação não implica reexame de período já fiscalizado, visando cumprimento de obrigação tributária. Além disto, o período de fiscalização a que a recorrente fez referência é diferente do período de competência a que se refere o crédito financeiro em discussão. Para verificar a certeza e liquidez do crédito financeiro declarado, a autoridade competente pode e deve solicitar e analisar a documentação que lhe deu origem, inclusive, determinando diligência para apurar o valor declarado, conforme previsto no § 14 do art 74 da Lei nº 9.430, de 27/12/1996, e no art. 4º da IN SRF nº 600, de 2005. Nos pedidos de restituição/compensação o ônus de provar a certeza e liquidez do crédito financeiro utilizado na Dcomp é do requerente e não do Fisco. A Lei nº 9.784, de 29/01/1999, art. 36, assim estabelece: “Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no artigo 37 desta Lei.” Também, segundo a Lei nº 5.869, de 11/01/1973 (Código de Processo Civil), art. 333, o ônus da prova é de quem alega, assim dispondo: “Art. 333. O ônus da prova incumbe: (...); II – ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor.” Dessa forma, não tendo a recorrente apresentado documentos comprovando o saldo credor da Cofins Exportação, apurado para o 2º trimestre de 2004, não há que se falar em ressarcimento/compensação do valor pleiteado e compensado. Quanto à homologação da compensação de débito fiscal, efetuada pelo próprio sujeito passivo, mediante a apresentação de Declaração de Compensação (Dcomp) e sua extinção, nos termos da Lei nº 9.730, de 27/12/1996, aquela está condicionada à certeza e liquidez do crédito financeiro declarado. No presente caso, a recorrente não comprovou a certeza e liquidez do crédito financeiro declarado na Dcomp em discussão. Assim, não há que se falar em homologação da compensação dos débitos tributários declarados. Em face do exposto e de tudo o mais que consta dos autos, não tomo conhecimento do recurso voluntário, quanto às matérias suscitadas contra auto de infração e de imposição de multa e, na parte conhecida, negolhe provimento. Fl. 907DF CARF MF Impresso em 29/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/08/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 13 /08/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 16/10/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 13807.003663/200565 Acórdão n.º 330101.561 S3C3T1 Fl. 898 7 (Assinado Digitalmente) José Adão Vitorino de Morais Relator Fl. 908DF CARF MF Impresso em 29/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/08/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 13 /08/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 16/10/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS
score : 1.0
Numero do processo: 19647.005657/2007-71
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Sep 24 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Contribuições Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/96 a 31/12/2005
AUTO DE INFRAÇÃO DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA.
A inobservância da obrigação tributária acessória é fato gerador do auto de infração, o qual se constitui, principalmente, em forma de exigir que a obrigação seja cumprida.
A obrigação que tem por finalidade auxiliar o INSS na Administração previdenciária.
A conduta apontada [art. 30, I, “a”, Lei n. 8.212/91 c/c art. 216, I, “a”, do Decreto n. 3.048/99]não se amolda as normas citadas na fundamentação do lançamento. Somente se configura esse tipo de infração quando o sujeito passivo deixa de efetuar a retenção da contribuição ao efetuar o pagamento da remuneração aos segurados. A situação posta a lume e outra. Pelo que ficou claramente explicitado no relatório da Auditoria, não houve omissão na retenção, mas urna suposta retenção efetuada a menor em razão da recorrente não haver considerado determinada verba como sujeita à incidência tributária.
Há de se levar em conta que a norma que instituiu esse dever legal prescreve a como núcleo da conduta o verbo "arrecadar", do qual a empresa efetivamente não se afastou, pois, reconhecidamente, houve desconto das contribuições nos pagamentos efetuados aos empregados e lançados nas folhas de salário. Eis que as normas de regência não mencionam o termo "arrecadar todas as contribuições", mas se refere apenas a conduta de efetuar
o desconto. Não se deve olvidar que, no caso concreto, o próprio Auditor aponta apenas a omissão no desconto de determinada verba.
Tivesse o fisco apontado que não houve o desconto da contribuição de um segurado que fosse, sem dúvida estaríamos diante da infração que deu ensejo à presente autuação, contudo, estou convencido que não foi isso que ocorreu.
Diferentemente, v. g., ocorre com a infração de omitir fatos geradores em GFIP, haja vista que a conduta é prestar as informações com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, assim, caso não se declare as remunerações na totalidade fere-se a norma. Também a preparação folha de pagamento nos padrões estabelecidos pelo órgão arrecadador constitui infração à legislação, posto
que obrigatoriamente têm que ser lançadas na folha todas as parcelas incidentes e não incidentes de contribuição.
Recurso especial negado.
Numero da decisão: 9202-002.334
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencido o Conselheiro Marcelo Oliveira.
Nome do relator: MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201209
camara_s : 2ª SEÇÃO
ementa_s : Contribuições Previdenciárias Período de apuração: 01/01/96 a 31/12/2005 AUTO DE INFRAÇÃO DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. A inobservância da obrigação tributária acessória é fato gerador do auto de infração, o qual se constitui, principalmente, em forma de exigir que a obrigação seja cumprida. A obrigação que tem por finalidade auxiliar o INSS na Administração previdenciária. A conduta apontada [art. 30, I, “a”, Lei n. 8.212/91 c/c art. 216, I, “a”, do Decreto n. 3.048/99]não se amolda as normas citadas na fundamentação do lançamento. Somente se configura esse tipo de infração quando o sujeito passivo deixa de efetuar a retenção da contribuição ao efetuar o pagamento da remuneração aos segurados. A situação posta a lume e outra. Pelo que ficou claramente explicitado no relatório da Auditoria, não houve omissão na retenção, mas urna suposta retenção efetuada a menor em razão da recorrente não haver considerado determinada verba como sujeita à incidência tributária. Há de se levar em conta que a norma que instituiu esse dever legal prescreve a como núcleo da conduta o verbo "arrecadar", do qual a empresa efetivamente não se afastou, pois, reconhecidamente, houve desconto das contribuições nos pagamentos efetuados aos empregados e lançados nas folhas de salário. Eis que as normas de regência não mencionam o termo "arrecadar todas as contribuições", mas se refere apenas a conduta de efetuar o desconto. Não se deve olvidar que, no caso concreto, o próprio Auditor aponta apenas a omissão no desconto de determinada verba. Tivesse o fisco apontado que não houve o desconto da contribuição de um segurado que fosse, sem dúvida estaríamos diante da infração que deu ensejo à presente autuação, contudo, estou convencido que não foi isso que ocorreu. Diferentemente, v. g., ocorre com a infração de omitir fatos geradores em GFIP, haja vista que a conduta é prestar as informações com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, assim, caso não se declare as remunerações na totalidade fere-se a norma. Também a preparação folha de pagamento nos padrões estabelecidos pelo órgão arrecadador constitui infração à legislação, posto que obrigatoriamente têm que ser lançadas na folha todas as parcelas incidentes e não incidentes de contribuição. Recurso especial negado.
turma_s : 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
numero_processo_s : 19647.005657/2007-71
conteudo_id_s : 5217043
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Sep 29 00:00:00 UTC 2020
numero_decisao_s : 9202-002.334
nome_arquivo_s : Decisao_19647005657200771.pdf
nome_relator_s : MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR
nome_arquivo_pdf_s : 19647005657200771_5217043.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencido o Conselheiro Marcelo Oliveira.
dt_sessao_tdt : Mon Sep 24 00:00:00 UTC 2012
id : 4567062
ano_sessao_s : 2012
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 08:59:05 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713041395077349376
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2506; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT2 Fl. 1 1 CSRFT2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 19647.005657/200771 Recurso nº 255.891Especial do Procurador Acórdão nº 920202.334–2ª Turma Sessão de 24 de setembro de 2012 Matéria CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado KOBLITZ S.A Assunto: Contribuições Previdenciárias Período de apuração: 01/01/96 a 31/12/2005 AUTO DE INFRAÇÃO DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. A inobservância da obrigação tributária acessória é fato gerador do auto de infração, o qual se constitui, principalmente, em forma de exigir que a obrigação seja cumprida. A obrigação que tem por finalidade auxiliar o INSS na administração previdenciária. A conduta apontada [art. 30, I, “a”, Lei n. 8.212/91 c/c art. 216, I, “a”, do Decreto n. 3.048/99]não se amolda as normas citadas na fundamentação do lançamento. Somente se configura esse tipo de infração quando o sujeito passivo deixa de efetuar a retenção da contribuição ao efetuar o pagamento da remuneração aos segurados. A situação posta a lume e outra. Pelo que ficou claramente explicitado no relatório da Auditoria, não houve omissão na retenção, mas urna suposta retenção efetuada a menor em razão da recorrente não haver considerado determinada verba como sujeita à incidência tributária. Há de se levar em conta que a norma que instituiu esse dever legal prescreve a como núcleo da conduta o verbo "arrecadar", do qual a empresa efetivamente não se afastou, pois, reconhecidamente, houve desconto das contribuições nos pagamentos efetuados aos empregados e lançados nas folhas de salário. Eis que as normas de regência não mencionam o termo "arrecadar todas as contribuições", mas se refere apenas a conduta de efetuar o desconto. Não se deve olvidar que, no caso concreto, o próprio Auditor aponta apenas a omissão no desconto de determinada verba. Tivesse o fisco apontado que não houve o desconto da contribuição de um segurado que fosse, sem dúvida estaríamos diante da infração que deu ensejo à presente autuação, contudo, estou convencido que não foi isso que ocorreu. Fl. 1DF CARF MF Impresso em 16/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/10/2 012 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 04/10/2012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNI OR 2 Diferentemente, v. g., ocorre com a infração de omitir fatos geradores em GFIP, haja vista que a conduta é prestar as informações com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, assim, caso não se declare as remunerações na totalidade ferese a norma. Também a preparação folha de pagamento nos padrões estabelecidos pelo órgão arrecadador constitui infração à legislação, posto que obrigatoriamente têm que ser lançadas na folha todas as parcelas incidentes e não incidentes de contribuição. Recurso especial negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencido o Conselheiro Marcelo Oliveira. (Assinado digitalmente) Valmar Fonseca de Menezes Presidente em exercício (Assinado digitalmente) Manoel Coelho Arruda Junior Relator EDITADO EM: 26/09/2012 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Valmar Fonseca de Menezes (Presidente em exercício), Gonçalo Bonet Allage (VicePresidente em exercício), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Pedro Anan Junior, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Relatório Tratase de Recurso Especial (fls. 225/237), interposto pela r. Procuradoria da Fazenda Nacional, em face do Acórdão nº 240100.921 (fls. 219/ss) da Primeira Turma da Quarta Câmara da Segunda Seção de Julgamento, proferido em 27/01/2010, que, por maioria de votos, deu provimento ao recurso voluntário do contribuinte. Tratase de Auto de Infração (AI) para a aplicação de multa por descumprimento de obrigação acessória, em razão de a empresa ter deixado de arrecadar, mediante desconto das remunerações, as contribuições dos segurados empregados a seu serviço no período de 10/2001 a 07/2002, conforme descrição sumária da infração à fl. 1. No Relatório Fiscal (fls. 24/25) registrouse que a empresa remunerou segurados empregados, por meio de cartões magnéticos (FLEXCARD, PREMIUN CARD,EXPERT CARD e EXCHANGE CARD), a título de incentivo à produtividade, por intermédio das empresas INCENTIVE HOUSE S/A e EXPERTISE COMUNICAÇÃO TOTAL S/C LTDA. Fl. 2DF CARF MF Impresso em 16/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/10/2 012 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 04/10/2012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNI OR Processo nº19647.005657/200771 Acórdão n.º 920202.334 CSRFT2 Fl. 2 3 Entretanto, ao pagar proceder tal pagamento, a empresa supostamente deixou de arrecadar, mediante desconto da remuneração, as contribuições dos segurados empregados. Esta conduta foi caracterizada pela Administração Tributária como infração ao art. 30, inciso I, alínea "a" da Lei n°. 8.212/91 combinado com o art. 216, inciso I, alínea "a" do Regulamento da Previdência Social (RPS), aprovado pelo Decreto n°. 3.048/99. Em sua defesa, a contribuinte alegou, em sede de preliminar, que a Fiscalização cominou multa prevista apenas no Decreto n°. 3.048/99, o que não é possível em razão de afrontar o princípio da estrita legalidade e por ferir ao disposto no art. 97, V do CTN. No mérito, argumentou que os valores pagos a funcionários por meio dos sistemas expert card e flexcard correspondem a verbas compensatórias consistentes em ganhos eventuais, que não integram a remuneração, por exclusão prevista no art. 458 da CLT. Por igual razão, os valores não integram o saláriodecontribuição, por exclusão prevista no art. 28, I, §9°., 7 da Lei n.° 8.212/91, e assim são dispensados de contabilização discriminada. Ao analisar a impugnação da contribuinte, a Delegacia da Receita Previdenciária de Recife/PE considerou o lançamento procedente, conforme a Decisão Notificação nº 15.401.4/0079/ 2007: EMENTA: I INFRAÇÃO À LEGISLAÇÃO PREVIDENCIÁRIA. DEIXAR A EMPRESA DE ARRECADAR, MEDIANTE DESCONTO DAS REMUNERAÇÕES, AS CONTRIBUIÇÕES DOS SEGURADOS., EMPREGADOS A SEU SERVIÇO. II OBRIGAÇÃO, ACESSÓRIA E MULTA EXPRESSAMENTE PREVISTAS EM LEI. III PRÊMIOS POR PRODUTIVIDADE. HABITUALIDADE. FATO GERADOR DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. CONTRIBUIÇÃO DOS SEGURADOS. ARRECADAÇÃO MEDIANTE DESCONTO. Os prêmios por aumento da produtividade consistem em contraprestação pelo trabalho dos empregados, e seu pagamento caracterizase como fato gerador de contribuição previdenciária, decorrendo a obrigação da empresa arrecadar a contribuição dos segurados mediante desconto da remuneração. LANÇAMENTO PROCEDENTE. Em sede de Recurso Voluntário (fls. 269/ss), o contribuinte reiterou as alegações apresentadas na primeira instância, argumentando afronta ao Princípio da Legalidade por ferir os dispostos nos art. 97, inciso V do CTN, tendo em vista que a multa aplicada esta fundamentada apenas no Decreto n° 3.048/99. Quanto aos valores pagos aos funcionários através da utilização de cartão Flexcard, Premium Card, Expert Card e Exchange Card, afirmou tratarse de verbas compensatórias não sendo assim integrante da remuneração (art. 458 da CLT), bem como a não obrigatoriedade de incluir tais valores nas folhas de pagamento tendo em vista a exclusão prevista no art. 28, inciso I, § 9°, alínea "e" da Lei 8.212/91. Em janeiro de 2010, ao analisar o recurso interposto pelo contribuinte da Primeira Turma da Quarta Câmara da Segunda Seção de Julgamento, decidiu, por maioria de votos, dar provimento ao recurso voluntário do contribuinte, conforme o teor do Acórdão 240100.921: Fl. 3DF CARF MF Impresso em 16/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/10/2 012 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 04/10/2012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNI OR 4 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1996 a 31/12/2005 AUTO DE INFRAÇÃO DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. A inobservância da obrigação tributária acessória é fato gerador do auto de infração, o qual se constitui, principalmente, em forma de exigir que a obrigação seja cumprida; obrigação que tem por finalidade auxiliar o INSS na administração previdenciária. Inobservância do artigo 30, inciso I da Lei n.° 8.212/91. APLICAÇÃO DA MULTA PREVISÃO LEGAL A aplicação da multa tem previsão legal e foi devidamente capitulada na autuação. REMUNERAÇÃO. CARTÕES DE PREMIAÇÃO PARCELA DE INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. PRECEDENTES. Integram o salário de contribuição os valores pagos a título de prêmios de incentivo. Por depender do desempenho individual o trabalhador, o prêmio tem caráter retributivo, ou seja, contraprestação de serviço prestado, razão pela qual, possui natureza jurídica salarial. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO. O que se observa do acórdão combatido é que, segundo o voto condutor, a conduta apontada como violadora das normas foi a ausência do retenção das contribuição apenas com relação aos valores relativos às diárias e ajuda de custo. Entendeu a Primeira Turma que a conduta apontada não se amolda as normas citadas na fundamentação do lançamento, sendo que somente se configura esse tipo de infração quando o sujeito passivo deixa de efetuar a retenção da contribuição ao efetuar o pagamento da remuneração aos segurados. De acordo com o julgado, a situação posta a análise é outra, já que pelo que ficou explicitado no relatório da Auditoria, não houve omissão na retenção, mas uma suposta retenção efetuada a menor em razão da recorrente não haver considerado determinada verba como sujeita à incidência tributária. Ademais, entendeu a decisão recorrida que a norma que instituiu esse dever legal prescreve a como núcleo da conduta o verbo "arrecadar", do qual a empresa efetivamente não se afastou, pois houve desconto das contribuições nos pagamentos efetuados aos empregados e lançados nas folhas de salário. Desse modo, as normas de regência não mencionariam o termo "arrecadar todas as contribuições", mas apenas se refeririam a conduta de efetuar o desconto. Nesse sentido, o acórdão entendeu pelo provimento do recurso voluntário, tendo em vista não haver subsunção da conduta apontada à norma legal que fundamenta a autuação. Inconformada, a PGFN interpôs Recurso Especial com o fundamento com fundamento nos art 67 do Regimento Interno do CARF. Sustenta a recorrente que, ao contrário do que ficou consignado no acórdão recorrido, o art. 30, I, a da Lei n° 8212/91 descreve a conduta que deve ser realizada pela empresa, qual seja, arrecadar as contribuições dos segurados empregados e trabalhadores avulsos, sem qualquer exceção. Assim, argumenta a PGFN não caber ao contribuinte interpretar a norma impositiva a seu modo, de forma a considerar que algumas rubricas pudessem ou não ter natureza salarial e se seriam ou não fatos geradores das contribuições previdenciárias cuja retenção é obrigatória Desta forma, em não havendo a arrecadação integral das contribuições dos segurados empregados e/ou trabalhadores Fl. 4DF CARF MF Impresso em 16/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/10/2 012 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 04/10/2012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNI OR Processo nº19647.005657/200771 Acórdão n.º 920202.334 CSRFT2 Fl. 3 5 avulsos sob sua tutela, defende a recorrente o surgimento da infração à norma acima descrita, e, por consequência, cogente, por força de lei, a aplicação da multa pela Fiscalização. No sentido de fundamentar a controvérsia, a PGFN traz à balia jurisprudência da Sexta Turma Especial do então Segundo Conselho de Contribuintes como paradigma: Acórdão 280600.074 PREVIDENCIÁRIO. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. OMISSÃO NA ARRECADAÇÃO DA CONTRIBUIÇÃO DOS SEGURADOS A SERVIÇO DA EMPRESA. Ao deixar de efetuar a arrecadação, mediante o desconto na remuneração, da contribuição dos segurados a seu serviço, o sujeito passivo incorre em descumprimento de obrigação legal assunto: Normas de Administração Tributária Período de apuração: 01/09/2002 a 31/12/2006 RELATÓRIO DE REPRESENTANTES LEGAIS. INEXISTÊNCIA DE RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. DESNECESSIDADE DE CIENTIFICAÇÃO DAS PESSOAS ALI ARROLADAS. O Relatório de Representantes Legais representa mera formalidade exigida pelas normas de fiscalização, em que é feita a discriminação das pessoas que representavam a empresa ou participavam do seu quadro societário no período do lançamento, não acarretando, na fase administrativa do procedimento, qualquer responsabilização das pessoas constantes daquela relação. Inexiste, portanto, para perfectibilização do lançamento, necessidade de cientificação das mesmas. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO. Em Despacho à fls. 242/ss, o Presidente da Quarta Câmara da Segunda Seção deu seguimento ao recurso especial, tendo vislumbrado a similitude das situações fáticas nos acórdãos recorrido e paradigma, motivo pelo qual entendeu que está configurada divergência jurisprudencial apontada. É o que tenho a relatar. Fl. 5DF CARF MF Impresso em 16/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/10/2 012 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 04/10/2012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNI OR 6 Voto Conselheiro Manoel Coelho Arruda Júnior, Relator O Recurso é tempestivo, tendo sido demonstrada a divergência entre as decisões, pressupostos de admissibilidade previstos no Regimento Interno, razão pela qual conheço do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. Segundo a recorrente, a Turma a quoentendeu por prover o recurso voluntário esboçando entendimento no sentido de que a conduta descrita não se subsume às normas citadas na fundamentação do lançamento. Aduziu o voto condutor que não houve ausência de arrecadação e recolhimento das contribuições previdenciárias, mas sim retenção a menor em razão da empresa recorrente não ter considerado determinada verba como sujeita à incidência tributária. Afirma que, ao assim decidir, a r. Turma contrariou o Acórdão n.° 2806 00.074, cuja ementa será reproduzida abaixo: "PREVIDENCIÁRIO. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. OMISSÃO NA ARRECADAÇÃO DA CONTRIBUIÇÃO DOS SEGURADOS A SERVIÇO DA EMPRESA. Ao deixar de efetuar a arrecadação, mediante o desconto na remuneração, da contribuição dos segurados a seu serviço, o sujeito passivo incorre em descumprimento do obrigação legal. RELATÓRIO DE REPRESENTANTES LEGAIS. INEXISTÊNCIA DE RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. DESNECESSIDADE DE CIENTIFICAÇÃO DAS PESSOAS ALI ARROLADAS. O Relatório de Representantes Legais representa mera formalidade exigida pelas normas de fiscalização, em que é feita a discriminação das pessoas que representavam a empresa ou participavam do seu quadro societário no período do lançamento, não acarretando, na fase administrativa do procedimento, qualquer responsabilizaçã o das pessoas constantes daquela relação. Inexiste, portanto, para pelfectibilização do lançamento, necessidade de cientificação das mesmas. . RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO." Entende que os acórdãos enfrentaram situações semelhantes, mas chegaram a conclusões inteiramente distintas. Isso porque o acórdão recorrido decidiu pelo cancelamento da multa por entender que não houve subsunção do fato à norma, uma vez que se tratava da ausência de arrecadação e recolhimento de contribuições previdenciárias apenas sobre uma determinada rubrica, cuja incidência tributária não havia sido reconhecida pelo contribuinte. Não obstante o entendimento exposto na peça recursal, entendo que o decisum recorrido não merece reparo. Como razões de decidir, peço vênia para colacionar ao presente os fundamentos que arrimaram a decisão colegiada a quo: Fl. 6DF CARF MF Impresso em 16/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/10/2 012 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 04/10/2012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNI OR Processo nº19647.005657/200771 Acórdão n.º 920202.334 CSRFT2 Fl. 4 7 Ademais, entendeu a decisão recorrida que a norma que instituiu esse dever legal prescreve a como núcleo da conduta o verbo "arrecadar", do qual a empresa efetivamente não se afastou, pois houve desconto das contribuições nos pagamentos efetuados aos empregados e lançados nas folhas de salário. Desse modo, as normas de regência não mencionariam o termo "arrecadar todas as contribuições", mas apenas se refeririam a conduta de efetuar o desconto. Sobre este tema, o entendimento majoritário desta turma é no sentido da improcedência da autuação, conforme se depreende em questão análoga em outro julgado, no voto proferido pelo ilustre conselheiro Kleber Ferreira de Araújo no RV 150.274, o qual peço vênia para transcrevêlo: Não vou entrar no mérito quanto à incidência ou não de contribuições previdenciárias sobre os valores relativos ao pagamento das diárias. Entendo que o cerne da questão, qual seja, a ocorrência da infração apontada pelo fisco, passa ao largo dessa problemática. A Auditoria invoca o art. 30, I, "a", da Lei n.° 8.212/1991 combinado com o art. 216, I, "a", do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n.° 3.048, de 06/05/1999, para fundamentar a existência da infração. Vale a pena transcrever os preceptivos: Lei n.° 8.212/1991 Art. 30. A arrecadação e o recolhimento das contribuições ou de outras importâncias devidas à Seguridade Social obedecem às seguintes normas: 1 a empresa é obrigada a: a) arrecadar as contribuições dos segurados empregados e trabalhadores avulsos a seu serviço, descontandoas da respectiva remuneração; RPS Art.216. A arrecadação e o recolhimento das contribuições e de outras importâncias devidas à seguridade social, observado o que a respeito dispuserem o Instituto Nacional do Seguro Social e a Secretaria da Receita Federal, obedecem às seguintes normas gerais: Ia empresa é obrigada a: a)arrecadar a contribuição do segurado empregado, do trabalhador avulso e do contribuinte individual a seu serviço, descontandoa da respectiva remuneração; A conduta apontada como violadora das normas acima, como se pode ver do Relatório Fiscal da Infração, foi a ausência do desconto das contribuição apenas com relação aos valores relativos às diárias e ajuda de custo. Entendo que a conduta apontada não se amolda as normas citadas na fundamentação do lançamento. Somente se configura esse tipo de infração quando o sujeito passivo deixa de efetuar a Fl. 7DF CARF MF Impresso em 16/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/10/2 012 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 04/10/2012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNI OR 8 retenção da contribuição ao efetuar o pagamento da remuneração aos segurados. A situação posta a lume é outra. Pelo que ficou claramente explicitado no relatório da Auditoria, não houve omissão na retenção, mas uma suposta retenção efetuada a menor em razão da recorrente não haver considerado determinada verba como sujeita à incidência tributária. Há de se levar em conta que a norma que instituiu esse dever legal prescreve a como núcleo da conduta o verbo "arrecadar", do qual a empresa efetivamente não se afastou, pois, reconhecidamente, houve desconto das contribuições nos pagamentos efetuados aos empregados e lançados nas folhas de salário. Eis que as normas de regência não mencionam o termo "arrecadar todas as contribuições", mas se refere apenas a conduta de efetuar o desconto. Não se deve olvidar que, no caso concreto, o próprio Auditor aponta apenas a omissão no desconto de determinada verba. Tivesse o fisco apontado que não houve o desconto da contribuição de um segurado que fosse, sem dúvida estaríamos diante da infração que deu ensejo à presente autuação, contudo, estou convencido que não foi isso que ocorreu. Diferentemente, v. g., ocorre com a infração de omitir fatos geradores em GFIP, haja vista que a conduta é prestar as informações com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, assim, caso não se declare as remunerações na totalidade ferese a norma. Também a preparação folha de pagamento nos padrões estabelecidos pelo órgão arrecadador constitui infração à legislação, posto que obrigatoriamente têm que ser lançadas na folha todas as parcelas incidentes e não incidentes de contribuição. Assim, não havendo subsunção da conduta apontada à norma legal que fundamenta a autuação, voto pelo provimento do recurso. No presente caso, a suposta infração cometida foi a falta ausência de recolhimento sobre os pagamentos efetuados através de Cartões de Premiação. Também não houve a retenção dos valores pagos a este título com a falta de repasse que ensejasse a lavratura do AI. Por todo o exposto, voto em negar provimento ao Recurso Especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional. É como voto. (Assinado digitalmente) Manoel Coelho Arruda Júnior Fl. 8DF CARF MF Impresso em 16/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/10/2 012 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 04/10/2012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNI OR Processo nº19647.005657/200771 Acórdão n.º 920202.334 CSRFT2 Fl. 5 9 Fl. 9DF CARF MF Impresso em 16/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/10/2 012 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 04/10/2012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNI OR
score : 1.0
Numero do processo: 13052.000170/2006-24
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Aug 14 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI PARA RESSARCIMENTO DE PIS E
COFINS O crédito presumido de IPI para ressarcimento de PIS e de
COFINS tem natureza de recuperação de custo. No âmbito do lucro real, o custo então recuperado deve ser adicionado à base de cálculo do IRPJ e da CSLL. Se o contribuinte apurou o IRPJ e a CSLL pelo lucro presumido, devem ser observadas as condições estipuladas para a tributação ou não, conforme artigo 53 da Lei nº 9.430/96.
CESSÃO DE CRÉDITO DE ICMS. A cessão de crédito tributário
classificado em conta própria como “ICMS a recuperar” só é passível de tributação se o valor da cessão for superior ao valor despendido para aquisição do referido crédito contabilizado no ativo (desde que este não tenha
sido lançado a custo).
Numero da decisão: 9101-001.441
Decisão: ACORDAM os membros da 1ª TURMA DA CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS
FISCAIS, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso.
Matéria: IRPJ - AF- lucro presumido(exceto omis.receitas pres.legal)
Nome do relator: KAREM JUREIDINI DIAS
1.0 = *:*
toggle all fields
materia_s : IRPJ - AF- lucro presumido(exceto omis.receitas pres.legal)
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201208
camara_s : 1ª SEÇÃO
ementa_s : CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI PARA RESSARCIMENTO DE PIS E COFINS O crédito presumido de IPI para ressarcimento de PIS e de COFINS tem natureza de recuperação de custo. No âmbito do lucro real, o custo então recuperado deve ser adicionado à base de cálculo do IRPJ e da CSLL. Se o contribuinte apurou o IRPJ e a CSLL pelo lucro presumido, devem ser observadas as condições estipuladas para a tributação ou não, conforme artigo 53 da Lei nº 9.430/96. CESSÃO DE CRÉDITO DE ICMS. A cessão de crédito tributário classificado em conta própria como “ICMS a recuperar” só é passível de tributação se o valor da cessão for superior ao valor despendido para aquisição do referido crédito contabilizado no ativo (desde que este não tenha sido lançado a custo).
turma_s : 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
numero_processo_s : 13052.000170/2006-24
conteudo_id_s : 5210405
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Jun 21 00:00:00 UTC 2016
numero_decisao_s : 9101-001.441
nome_arquivo_s : Decisao_13052000170200624.pdf
nome_relator_s : KAREM JUREIDINI DIAS
nome_arquivo_pdf_s : 13052000170200624_5210405.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : ACORDAM os membros da 1ª TURMA DA CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso.
dt_sessao_tdt : Tue Aug 14 00:00:00 UTC 2012
id : 4557123
ano_sessao_s : 2012
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 08:58:23 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713041395096223744
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2176; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT1 Fl. 1 1 CSRFT1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 13052.000170/200624 Recurso nº 161.755 Especial do Procurador Acórdão nº 910101.441 – 1ª Turma Sessão de 14 de agosto de 2012 Matéria IRPJ e CSLL Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado INDÚSTRIA DE CALÇADOS GERMÂNIA LTDA. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI PARA RESSARCIMENTO DE PIS E COFINS O crédito presumido de IPI para ressarcimento de PIS e de COFINS tem natureza de recuperação de custo. No âmbito do lucro real, o custo então recuperado deve ser adicionado à base de cálculo do IRPJ e da CSLL. Se o contribuinte apurou o IRPJ e a CSLL pelo lucro presumido, devem ser observadas as condições estipuladas para a tributação ou não, conforme artigo 53 da Lei nº 9.430/96. CESSÃO DE CRÉDITO DE ICMS. A cessão de crédito tributário classificado em conta própria como “ICMS a recuperar” só é passível de tributação se o valor da cessão for superior ao valor despendido para aquisição do referido crédito contabilizado no ativo (desde que este não tenha sido lançado a custo). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 11ªª TTUURRMMAA DDAA CCÂÂMMAARRAA SSUUPPEERRIIOORR DDEE RREECCUURRSSOOSS FFIISSCCAAIISS, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo Presidente (assinado digitalmente) Karem Jureidini Dias Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Alberto Pinto Souza Junior, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, João Carlos de Lima Junior, Jorge Celso Freire da Silva, José Ricardo da Silva, Karem Jureidini Dias, Suzy Gomes Hoffmann, Albertina Silva Santos de Lima (suplente convocada), Valmir Sandri. Fl. 166DF CARF MF Impresso em 29/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2012 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 26/11/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 13052.000170/200624 Acórdão n.º 910101.441 CSRFT1 Fl. 2 2 Relatório Tratase de Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional em face do Acórdão n° 10517.300, proferido pela então Quinta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes. O Auto de Infração exige Imposto de Renda da Pessoa Jurídica e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido relativos ao anocalendário de 2005, em razão da ausência de cômputo na base de cálculo (lucro presumido) de receitas provenientes de transferências/cessões de créditos de ICMS para terceiros, bem como omissão parcial de receitas oriundas de créditos presumidos de IPI, vez que o contribuinte submeteu as últimas aos coeficientes de presunção. O contribuinte apresentou Impugnação ao Auto de Infração, tendo a Delegacia da Receita Federal de Julgamento considerado o lançamento procedente. Sobrevieram, então, Recurso Voluntário e o Acórdão nº 10771.300 o qual, por maioria de votos, deu provimento ao recurso voluntário. A decisão restou assim ementada: Exercício: 2006 CESSÃO DE CRÉDITOS DE ICMS A cessão de crédito de ICMS representa apenas uma recomposição do valor despendido com o tributo, que deveria ter sido repassado para adquirente do produto. Sua venda não constitui receita tributável, mas mera recomposição do prejuízo. CRÉDITOS PRESUMIDOS DE IPI Ao adquirir produto nacional e empregálo no produto a ser exportado, o Contribuinte suporta o custo do Imposto e sua posterior utilização, nos moldes da Lei, apenas recupera o custo anteriormente suportado. INCONSTITUCIONALIDADES A autoridade administrativa cumpre, no exercício da atividade de lançamento, o fiel cumprimento da lei. Exorbita à competência das autoridades julgadoras a apreciação acerca de suposta inconstitucionalidade ou ilegalidade de ato integrante do ordenamento jurídico vigente a época da ocorrência dos fatos. JUROS SELIC A partir de 10 de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, A. taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. PEDIDO DE PERÍCIA A luz do regramento processual vigente, a autoridade julgadora é livre para, diante da situação concreta que lhe é submetida, deferir ou indeferir pedido de perícia formulado pelo sujeito passivo, ex vi do disposto no art. 18 do Decreto no 70.235, de 1972. No caso vertente, demonstradas, evidência, a dispensabilidade do procedimento e ausência de atendimento dos requisitos impostos pela legislação Fl. 167DF CARF MF Impresso em 29/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2012 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 26/11/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 13052.000170/200624 Acórdão n.º 910101.441 CSRFT1 Fl. 3 3 de regência, há que se indeferir o pedido correspondente. Recurso Voluntário Provido. A Fazenda Nacional interpôs, então, Recurso Especial, no qual alega ter o acórdão recorrido violado o disposto no artigo 2º, caput e §§ 1º e 2º da Lei nº 7.689/88; artigo 20 da Lei nº 9.249/95; artigos 28 e 29 da Lei nº 9.430/96; artigo 520 do RIR/99 e artigo 111 do Código Tributário Nacional, tendo em vista o entendimento pela não tributação dos valores oriundos da cessão de créditos de ICMS e de crédito presumido de IPI pelo IRPJ e pela CSLL. O despacho de fls. 147/148 deu seguimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional. O contribuinte foi intimado por edital, tendo em vista que a intimação via AR retornou sem sua localização, conforme fls. 152/153. Não houve apresentação de contrarrazões. É o relatório. Fl. 168DF CARF MF Impresso em 29/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2012 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 26/11/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 13052.000170/200624 Acórdão n.º 910101.441 CSRFT1 Fl. 4 4 Voto Conselheira Karem Jureidini Dias, Relatora O Recurso Especial foi interposto em face de acórdão não unânime, com fundamento em contrariedade à lei. A despeito de tal hipótese não mais estar prevista no atual Regimento Interno do CARF, o acórdão recorrido foi proferido em sessão anterior a 30/06/2009, quando vigente o Regimento anterior. Desta forma, conheço do Recurso Especial da Fazenda. O acórdão recorrido deu provimento integral ao recurso voluntário, cancelando o auto de infração e afastando a tributação, pelas mesmas razões, da cessão de crédito de ICMS e de crédito presumido de IPI. O Recurso Especial da Fazenda Nacional requer a reforma do acórdão recorrido para ambas as questões. No tocante à tributação da cessão de crédito de ICMS, descreveu o acórdão recorrido: “a contribuinte, ao promover a aquisição de bens aplicados na sua produção, pagou um determinado preço, estando embutido neste o ICMS. Diante da não cumulatividade de tal tributo, o valor de tributo pago nessa operação pode ser abatido na operação subseqüente.. Assim, tratandose, pois, de imposto recuperável, a contribuinte se creditou do montante pago nas referidas aquisições. Autorizada pela legislação, a contribuinte cedeu, de forma onerosa, tais créditos para terceiros. Como sabido, o que ocorre nas vendas para o exterior é que há uma segregação, primeiro há a venda do produto sem o tributo já custeado pelo vendedor e, em segundo, há a recuperação do tributo que deveria ter sido repassado para o adquirente”. Portanto, entendo que em referida operação houve apenas recuperação do custo e não receita, isso porque a venda de crédito é apenas uma recomposição do valor despendido com o tributo, que deveria ter sido repassado para adquirente do produto, e por razões variadas, como por exemplo a de política econômicas não o foi.” Por tais razões, entendeu o referido acórdão que a cessão de crédito de ICMS não constitui “receita tributável, mas mera recomposição do valor despendido (troca de crédito por dinheiro)”. Alega a Fazenda Nacional que a transferência de créditos de ICMS se configura como espécie de alienação de direitos e, portanto, como receita tributável, mas sobre a qual não se deve aplicar o percentual para determinação do lucro presumido, mas deve ser incluída como “demais receitas, nos termos do artigo 29 da Lei nº 9.430/96, artigo 521 do RIR/99 e artigo 20 da Lei nº 9.249/95”. Fl. 169DF CARF MF Impresso em 29/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2012 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 26/11/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 13052.000170/200624 Acórdão n.º 910101.441 CSRFT1 Fl. 5 5 Assim como quanto ao crédito de ICMS, no tocante ao crédito presumido de IPI, o acórdão recorrido também entendeu que houve apenas uma recuperação do prejuízo anteriormente suportado pelo contribuinte, não havendo aumento da receita: “Isto porque o crédito presumido de IPI instituído pela Lei n ° 9363/96 tem o claro objetivo de incentivar a atividade de exportação, reduzindo a carga tributária. Assim, o contribuinte exportador de mercadorias obteve o direito a créditos presumidos do Imposto sobre Produtos Industrializados — IPI sobre as matériasprimas, produtos industrializados e material de embalagem, adquiridas no mercado internos e utilizadas na fabricação de produtos cujo destino é o exterior. Dessa forma, ao adquirir o produto nacional e empregarlo no produto a ser exportado, o Contribuinte suporta o custo do Imposto e sua posterior utilização, nos moldes da Lei, apenas recupera o custo anteriormente suportado.” De outra parte, argumenta a Fazenda Nacional que o valor correspondente ao crédito presumido de IPI não está compreendido na definição de receita bruta, devendo ser receita classificada como “outra receita operacional” e que, portanto, deve ser adicionada diretamente à base de cálculo do IRPJ e da CSLL. Aduz que a recuperação de custos representa um aumento do lucro do período, conforme artigos 521 do RIR/99 e 53 da Lei nº 9.430/96. Tratarei de forma segregada as hipóteses da cessão de crédito de ICMS e de crédito presumido de IPI para ressarcimento do crédito de PIS e COFINS. Crédito Presumido de IPI para ressarcimento do PIS e COFINS De acordo com a Lei nº 9.363/96 e Lei nº 10.276/01, incentivando a atividade de exportação por meio da redução da carga tributária, foi determinado que a empresa exportadora de mercadorias nacionais faz jus à crédito presumido de IPI como ressarcimento da contribuição ao PIS e da COFINS, nas sistemáticas das Leis nº 07/70 e 70/91, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matéria prima, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo. Esse direito foi conferido inclusive no caso da empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação. O crédito presumido de IPI é determinado mediante aplicação, sobre o valor total, dos valores de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, do percentual correspondente à relação entre a receita de exportação e a receita operacional bruta do exportador. De longa data se discute a natureza desse crédito presumido de IPI. A natureza desse crédito presumido deve definir o tratamento fiscal a lhe ser conferido. Há respeitável entendimento, como aquele exposto no acórdão 180200.338, no sentido de que o crédito presumido de IPI, quando ressarcido implica num incentivo financeiro, já que nasce a obrigação do Estado em entregar recursos ao contribuinte após o nascimento da obrigação de pagar o tributo. Essa relação jurídica de Direito Financeiro consubstanciarseia em uma forma de subvenção. Em se tratando de subvenção concedida sem condição vinculada a implantação ou expansão de empreendimento econômico e sem qualquer contrapartida do contribuinte, podendo o ressarcimento ser utilizado por diversas formas, inclusive parte sobre a dedução do IPI e parte sobre a forma de ressarcimento em dinheiro, esse Fl. 170DF CARF MF Impresso em 29/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2012 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 26/11/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 13052.000170/200624 Acórdão n.º 910101.441 CSRFT1 Fl. 6 6 incentivo financeiro, que teria natureza de subvenção para custeio (corrente), corresponderia a uma verdadeira receita do exercício e, portanto, sujeita à incidência tributária. Enquanto as subvenções para investimento possuem regras próprias de escrituração e para elas se afasta a tributação, a subvenção para custeio constitui receita operacional, nos termos do artigo 44 da Lei das S.A.. Nesse sentido o acórdão nº 10806.049, sessão de 15/03/2000: SUBVENÇÃO PARA CUSTEIO — Os valores recebidos a título de subvenção para custeio integram a receita operacional. Em se tratando de subvenção para custeio, por decorrência, estarseia diante de receita operacional, pelo que assim como esclarecido no próprio manual de preenchimento da DIPJ, submetido ao cálculo das receitas operacionais, mas não se aplicando o tratamento de receita bruta, o que no lucro presumido implicaria, in casu, na não aplicação do percentual de 8% antes do cálculo do imposto, e sim de tributação direta. Da leitura atenta do acórdão que menciono, me surgiu dúvida até se, diante das razões expostas, o valor do crédito presumido limitado ao valor do débito de IPI apurado, não corresponderia tão somente a um incentivo fiscal e, nessa medida, diverso do incentivo financeiro. Como dito no acórdão mencionado, incentivo fiscal é aquele que atua na fase de apuração do tributo devido, nascendo a obrigação tributária após o cômputo do incentivo fiscal, já pelo seu valor líquido. De se esclarecer desde logo, que a fiscalizada submeteu o crédito presumido de IPI ao efeito redutor de 8%, conforme descrito às fls. 9 do TVF. Segundo o TVF, esse montante deveria ser integralmente acrescido à base de cálculo, conforme artigo 25 da Lei 9.430/96 e artigo 521 do RIR/99. Também respeitável entendimento, conforme bem exposto no acórdão nº 110200.318, assevera que o crédito presumido de IPI é uma recuperação de custo e, nos termos do artigo 53 da Lei nº 9.430/96, deveria ser incluído na apuração do lucro presumido diretamente, vale dizer, também sem a aplicação do percentual de apuração de 8%, porquanto já se configuraria a sua dedução do custo ressarcido no cálculo de presunção sobre as vendas efetuadas. Há também entendimento no sentido de que esse valor, mormente para efeito do lucro presumido, salvo exceção expressa em lei, sequer há que ser incluído na base de cálculo da tributação do IRPJ e da CSLL, como o acórdão recorrido, fulcrado na natureza do ingresso de mera recuperação de custo. Entendo que, inclusive por disposição expressa de lei, o crédito presumido de IPI corresponde à recuperação de custos, porquanto é legalmente um ressarcimento do PIS e da COFINS embutidos no custo de aquisição de insumos utilizados na fabricação de mercadorias exportadas. É uma recuperação de custos, ainda que em montante presumido. Em caso de comprovada impossibilidade de utilização do crédito presumido para a compensação do IPI pelo exportador, nas operações de mercado interno, poderá este requerer o ressarcimento com moeda corrente, compensálo com débitos relativos a outros tributos e contribuições federais, ou transferilo para outros estabelecimentos da mesma empresa, observadas as normas pertinentes. Fl. 171DF CARF MF Impresso em 29/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2012 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 26/11/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 13052.000170/200624 Acórdão n.º 910101.441 CSRFT1 Fl. 7 7 O acórdão recorrido entendeu que, por ser uma recuperação de custos, não deveria integrar a base de cálculo do IRPJ e da CSLL. Entendo que deve se fazer uma distinção no efeito da recuperação do custo quando se trata da tributação apurada no lucro real, daquela apurada na sistemática do lucro presumido. Muito bem, no que tange ao crédito presumido de IPI que estamos a tratar, temos que a recuperação de custo é regulada no artigo 53 da Lei nº 9.430/96, que assim dispõe: Art. 53. Os valores recuperados, correspondentes a custos e despesas, inclusive com perdas no recebimento de créditos, deverão ser adicionados ao lucro presumido ou arbitrado para determinação do imposto de renda, salvo se o contribuinte comprovar não os ter deduzido em período anterior no qual tenha se submetido ao regime de tributação com base no lucro real ou que se refiram a período no qual tenha se submetido ao regime de tributação com base no lucro presumido ou arbitrado. Ora, não há dúvidas sobre a tributação pelo IRPJ e pela CSLL do crédito presumido do IPI no âmbito do imposto sobre a renda e da CSLL apurados pelo lucro real, uma vez que uma recuperação de valor correspondente a custo que, a princípio, o contribuinte já deduziu, gera, por decorrência lógica, a necessidade da tributação quando de sua recuperação. Ocorre que, no âmbito do lucro presumido, o valor recuperado de custo só deve ser adicionado ao lucro presumido para determinação do imposto de renda se o contribuinte estava, em período anterior, submetido ao lucro real e o deduziu como custo. Vale dizer, se o contribuinte recuperou o custo de período no qual tenha já se submetido à tributação pelo lucro presumido e nele permaneça, por disposição do artigo 53 da Lei nº 9.430/96, não haveria que se falar em adição à base de cálculo do Imposto sobre a Renda da recuperação de custo. O mesmo raciocínio se aplica à CSLL. Mesmo que se admita que, em última instância, o ressarcimento tem a natureza de subvenção para custeio, enfim e a princípio tributável, inegável que, in casu, corresponde a uma devolução de um custo, presumivelmente calculado, relativo às contribuições incidentes sobre os insumos empregados nos produtos exportados. No mesmo sentido, o acórdão 10194.342 define que “O registro na escrituração mercantil do crédito presumido do IPI tem como fundamento a desoneração do custo dos produtos vendidos, classificandose como recuperação de custos ou ainda em receita operacional, porém, inadmissível a sua exclusão na apuração do lucro real”. Muito bem, se estamos diante de apuração do lucro presumido, por determinação do artigo 53 da Lei nº 9.430/96, esse valor deve ser adicionado ao lucro presumido, para determinação do imposto de renda, se o contribuinte não comprovar que não deduziu o custo então ressarcido do lucro real, caso tenha adotado esse regime de tributação. Verifico que o contribuinte apurou para os anos de 2003 e 2004, o lucro pelo regime de apuração presumido, mas adotou o regime de tributação para o lucro real para os anos calendário de 2001 e 2002. Tal informação consta do relatório da ação fiscal no processo nº 13052.000162/200505 (fls. 09). Por fim, se a recuperação do custo é tributável, quando este por presunção foi deduzido do lucro real, a tributação se dá diretamente sobre o valor, no caso do reconhecimento da recuperação do custo (antes deduzido) agora no presumido. Não pode tal Fl. 172DF CARF MF Impresso em 29/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2012 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 26/11/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 13052.000170/200624 Acórdão n.º 910101.441 CSRFT1 Fl. 8 8 valor ser tratado como receita bruta, porquanto não corresponde a venda de mercadoria e a prestação de serviço. Assim, a tributação do IRPJ e da CSLL ocorre diretamente sobre o valor do custo recuperado. O tratamento dado pelo contribuinte, como depreendo do Termo de Verificação Fiscal (fls. 16) foi o seguinte: “A fiscalizada, equivocadamente, submeteu a receita oriunda do crédito presumido de IPI ao efeito redutor do coeficiente de presunção de 8%. Tal receita, sem dúvida alguma configura espécie enquadrada no conceito de demais receitas do art. 521 do RIR/99 e deve ser integralmente adicionada à base de cálculo do IRPJ, sem o efeito redutor do coeficiente.” No próprio Recurso Especial da Fazenda, às fls. 139 do processo, reproduz instrução de preenchimento da DIPJ 2003/2004, citando a alínea “c) os créditos presumidos do IPI, para ressarcimento do valor da Contribuição ao PIS/Pasep e Cofins;” que por sua vez se reporta a Linha 06A/30 — Outras Receitas Operacionais”, não se lhe aplicando o percentual de presunção. Do exposto, voto por DAR PROVIMENTO ao recurso especial da Fazenda Nacional nesta parte. Cessão de Crédito de ICMS De acordo com o Termo de Verificação Fiscal: “Quanto aos créditos de ICMS, a transferência/cessão dos mesmos configura espécie de alienação, pois a empresa transfere o direito aos créditos de ICM S em troca de uma vantagem patrimonial. O caso clássico, e procedimento comum no mercado, é a aquisição de insumos para a industrialização em que a divida com o fornecedor é quitada através da cessão dos créditos. Tal negócio jurídico possibilita a capitalização da empresa, uma vez que não saem recursos do seu caixa. Não saindo recursos do seu caixa, mas havendo o fornecimento de insumos por parte do fornecedor, não resta dúvida de que a empresa obteve disponibilidade financeira e patrimonial com a cessão do crédito de ICMS.” Pensemos novamente sobre a lógica do lucro real, para que se configure a natureza desse ingresso e se verifique o tratamento fiscal também para o lucro presumido, situação versada no caso concreto. O IPI e o ICMS pagos na aquisição de mercadorias para revenda e de insumos da produção industrial (matériasprimas, materiais intermediários e embalagens) não devem integrar o custo, quando forem recuperáveis mediante crédito nos livros fiscais pertinentes. Os impostos recuperáveis pagos na aquisição de mercadorias e insumos da produção podem ser contabilizados, por ocasião da aquisição desses bens, em contas próprias, classificáveis no ativo como “IPI a Recuperar” e "ICMS a Recuperar”. Do exposto, verificase que o crédito de ICMS a que faz jus o contribuinte e compõe o crédito acumulado, passível de cessão para terceiros, não compõe sequer o custo, mas é desde início um ativo da empresa que por ele pagou. É um ativo porque ao adquirir insumo, o ICMS recolhido nessa aquisição lhe gera direito a crédito para apuração do ICMS ao final devido. A manutenção desse crédito, ainda que a saída não seja tributada ou seja imune, a exemplo da exportação, e a apuração do crédito acumulado passível de cessão, decorre da Fl. 173DF CARF MF Impresso em 29/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2012 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 26/11/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 13052.000170/200624 Acórdão n.º 910101.441 CSRFT1 Fl. 9 9 disposição de lei no âmbito da competência tributária respectiva. Contabilmente, esse crédito, insisto, é um ativo, que antes implicou num sacrifício financeiro da empresa quando da aquisição do insumo. Esse ativo pode ser trocado por outro, conforme requisitos do ente tributário respectivo, na cessão do crédito do ICMS, não havendo, in casu, qualquer acréscimo patrimonial ou sequer recuperação de custo, porquanto é desde início segregado do custo do produto adquirido. No âmbito do Imposto sobre a Renda apurado pelo lucro real, a cessão desse crédito só comporia sua apuração se, por alguma razão, o montante do ICMS recolhido não implicasse em crédito e tivesse sido lançado a custo e, aí sim, estarseia diante de uma recuperação de custo anteriormente apropriada. Apesar de o acórdão recorrido ter tratado como recuperação de custo, diferenciando a natureza de tal ingresso com aquele que corresponde a uma receita, e concluindo também pela sua não tributação, ainda que por razão de decidir diversa, não divirjo da conclusão do acórdão recorrido. Se de um lado a cessão de crédito desempenha, segundo o Direito Civil, o mesmo papel da compra e venda de bens corpóreos e, em última instância, dessa transação se tenha ingresso em definitivo que possa se classificar como receita, tal natureza de crédito, por outro lado, não é classificada como receita bruta, porquanto não se trata de venda de bens nem de serviços prestados, tampouco de operação de conta alheia, hipóteses abarcadas na definição de receita bruta dada pela Lei nº 8.981/95. O que se tem, no limite, é a possibilidade de existir um ganho de capital, se o valor da cessão for superior ao valor do crédito registrado. Uma coisa é a receita que deve ser integralmente adicionada à base do imposto, outra coisa é uma eventual alienação que gere ganho de capital, sendo tão somente o resultado positivo passível de tributação. De outra parte, e como usualmente ocorre, se o valor da cessão é inferior ao crédito, esse deságio gera um ganho tributável no adquirente. Ora, no presente caso não há qualquer acusação de diferença positiva entre o valor da cessão e do crédito de ICMS, mas a mera acusação que o ICMS recuperável deveria ser tributado pelo valor integral quando de sua cessão, do que discordo frontalmente. Nesse sentido, cito trecho do acórdão nº 110200.318, sessão de 02/09/2010: Concluindo, na esteira do raciocínio antes expendido, de que o crédito de ICMS não é um custo, mas sim um direito do contribuinte, integrante do seu ativo, forçoso reconhecer que o custo de aquisição deste direito corresponde precisamente ao valor que foi registrado em sua contabilidade como "ICMS Recuperável" por ocasião das compras efetuadas, lembrando que, no momento da aquisição, conforme antes exposto, o adquirente registra em seu ativo dois valores distintos: o valor da matériaprima estocada e o valor do ICMS incidente sobre a referida compra. Tendo este crédito sido cedido a terceiros, houve receita, conforme demonstrado. Contudo, tratandose de alienação de direito pertencente à pessoa jurídica, não será esta receita que deverá ser acrescida à base de cálculo do imposto de renda com base no lucro presumido, mas sim o resultado positivo dela decorrente, se houver. As mesmas conclusões aplicamse à CSLL, por força do disposto no artigo 29, II da Lei nº 9.430/96. Assim, voto por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Especial da Fazenda Nacional nesta parte. Fl. 174DF CARF MF Impresso em 29/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2012 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 26/11/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 13052.000170/200624 Acórdão n.º 910101.441 CSRFT1 Fl. 10 10 Por todo o exposto, concluo por DAR PARCIAL PROVIMENTO ao Recurso da Fazenda para reestabelecer a exigência fiscal, no que tange à tributação pelo IRPJ e pela CSLL do crédito presumido de IPI para ressarcimento do PIS e COFINS. (assinado digitalmente) Karem Jureidini Dias Relatora Fl. 175DF CARF MF Impresso em 29/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2012 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 26/11/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO
score : 1.0
Numero do processo: 13896.720015/2008-68
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 01 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR
Exercício: 2004
Ementa:
RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. COPROPRIETÁRIO.
Por responsabilidade solidária, é válido o lançamento lavrado contra um dos coproprietários. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. COMPROVAÇÃO.
EXCLUSÃO DA TRIBUTAÇÃO. A comprovação da área de preservação
permanente, para efeito de sua exclusão da base de cálculo do ITR, não depende exclusivamente de seu reconhecimento pelo IBAMA por meio de Ato Declaratório Ambiental ADA ou da protocolização tempestiva do requerimento do ADA, uma vez que a efetiva existência pode ser comprovada por meio de Laudo Técnico e outras provas documentais idôneas.
ÁREA DE RESERVA LEGAL. COMPROVAÇÃO. A averbação à margem
da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, faz prova da existência da área de reserva legal, independentemente da apresentação tempestiva de Ato Declaratório Ambiental (ADA).
ÁREA DE INTERESSE ECOLÓGICO. A exclusão da área de interesse
ecológico ou imprestável para exploração depende do reconhecimento por ato dos órgãos ambientais do Poder Público Federal ou Estadual (art. 11, parágrafo 1º, inciso II, alínea b´ e ‘c’ da Lei n. 9.393, de 1996).
ÁREA TOTAL DO IMÓVEL. DIVERGÊNCIA ENTRE A MEDIÇÃO E O REGISTRO. NECESSIDADE DE RETIFICAÇÃO DO REGISTRO. Na apuração do ITR, deve prevalecer, como área do imóvel, aquela constante do seu Registro. No caso de alegada divergência entre o registro e a área efetiva, o Contribuinte deve providenciar a retificação daquele.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2201-001.373
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para restabelecer a integralidade da área de reserva legal de 96,8ha e a área de preservação permanente comprovada através de Laudo Técnico de 24,92ha. Vencidos os conselheiros Rayana Alves de Oliveira França (relatora) e Rodrigo Santos Masset Lacombe que davam provimento em maior extensão e o conselheiro Eduardo Tadeu Farah que negava provimento pela ausência do ADA. Designado para elaborar o voto vencedor o conselheiro
Pedro Paulo Pereira Barbosa em relação à retificação da área total do imóvel.
Nome do relator: RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201112
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR Exercício: 2004 Ementa: RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. COPROPRIETÁRIO. Por responsabilidade solidária, é válido o lançamento lavrado contra um dos coproprietários. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. COMPROVAÇÃO. EXCLUSÃO DA TRIBUTAÇÃO. A comprovação da área de preservação permanente, para efeito de sua exclusão da base de cálculo do ITR, não depende exclusivamente de seu reconhecimento pelo IBAMA por meio de Ato Declaratório Ambiental ADA ou da protocolização tempestiva do requerimento do ADA, uma vez que a efetiva existência pode ser comprovada por meio de Laudo Técnico e outras provas documentais idôneas. ÁREA DE RESERVA LEGAL. COMPROVAÇÃO. A averbação à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, faz prova da existência da área de reserva legal, independentemente da apresentação tempestiva de Ato Declaratório Ambiental (ADA). ÁREA DE INTERESSE ECOLÓGICO. A exclusão da área de interesse ecológico ou imprestável para exploração depende do reconhecimento por ato dos órgãos ambientais do Poder Público Federal ou Estadual (art. 11, parágrafo 1º, inciso II, alínea b´ e ‘c’ da Lei n. 9.393, de 1996). ÁREA TOTAL DO IMÓVEL. DIVERGÊNCIA ENTRE A MEDIÇÃO E O REGISTRO. NECESSIDADE DE RETIFICAÇÃO DO REGISTRO. Na apuração do ITR, deve prevalecer, como área do imóvel, aquela constante do seu Registro. No caso de alegada divergência entre o registro e a área efetiva, o Contribuinte deve providenciar a retificação daquele. Recurso Voluntário Provido em Parte.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
numero_processo_s : 13896.720015/2008-68
conteudo_id_s : 5212700
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Dec 20 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 2201-001.373
nome_arquivo_s : Decisao_13896720015200868.pdf
nome_relator_s : RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA
nome_arquivo_pdf_s : 13896720015200868_5212700.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para restabelecer a integralidade da área de reserva legal de 96,8ha e a área de preservação permanente comprovada através de Laudo Técnico de 24,92ha. Vencidos os conselheiros Rayana Alves de Oliveira França (relatora) e Rodrigo Santos Masset Lacombe que davam provimento em maior extensão e o conselheiro Eduardo Tadeu Farah que negava provimento pela ausência do ADA. Designado para elaborar o voto vencedor o conselheiro Pedro Paulo Pereira Barbosa em relação à retificação da área total do imóvel.
dt_sessao_tdt : Thu Dec 01 00:00:00 UTC 2011
id : 4557296
ano_sessao_s : 2011
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 08:58:29 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713041395101466624
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 13; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2369; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T1 Fl. 1 1 S2C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13896.720015/200868 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 220101.373 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 01 de dezembro de 2011 Matéria ITR Recorrente ARMANDO ANGELINI Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR Exercício: 2004 Ementa: RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. COPROPRIETÁRIO. Por responsabilidade solidária, é válido o lançamento lavrado contra um dos co proprietários. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. COMPROVAÇÃO. EXCLUSÃO DA TRIBUTAÇÃO. A comprovação da área de preservação permanente, para efeito de sua exclusão da base de cálculo do ITR, não depende exclusivamente de seu reconhecimento pelo IBAMA por meio de Ato Declaratório Ambiental ADA ou da protocolização tempestiva do requerimento do ADA, uma vez que a efetiva existência pode ser comprovada por meio de Laudo Técnico e outras provas documentais idôneas. ÁREA DE RESERVA LEGAL. COMPROVAÇÃO. A averbação à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, faz prova da existência da área de reserva legal, independentemente da apresentação tempestiva de Ato Declaratório Ambiental (ADA). ÁREA DE INTERESSE ECOLÓGICO. A exclusão da área de interesse ecológico ou imprestável para exploração depende do reconhecimento por ato dos órgãos ambientais do Poder Público Federal ou Estadual (art. 11, parágrafo 1º, inciso II, alíneab´ e ‘c’ da Lei n. 9.393, de 1996). ÁREA TOTAL DO IMÓVEL. DIVERGÊNCIA ENTRE A MEDIÇÃO E O REGISTRO. NECESSIDADE DE RETIFICAÇÃO DO REGISTRO. Na apuração do ITR, deve prevalecer, como área do imóvel, aquela constante do seu Registro. No caso de alegada divergência entre o registro e a área efetiva, o Contribuinte deve providenciar a retificação daquele. Recurso Voluntário Provido em Parte. Fl. 215DF CARF MF Impresso em 30/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2012 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 27/11/2012 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/11/2012 por PEDRO PA ULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 19/09/2012 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para restabelecer a integralidade da área de reserva legal de 96,8ha e a área de preservação permanente comprovada através de Laudo Técnico de 24,92ha. Vencidos os conselheiros Rayana Alves de Oliveira França (relatora) e Rodrigo Santos Masset Lacombe que davam provimento em maior extensão e o conselheiro Eduardo Tadeu Farah que negava provimento pela ausência do ADA. Designado para elaborar o voto vencedor o conselheiro Pedro Paulo Pereira Barbosa em relação à retificação da área total do imóvel (Assinado Digitalmente) Francisco Assis de Oliveira Júnior Presidente. (Assinado Digitalmente) Rayana Alves de Oliveira França Relatora. (Assinado Digitalmente) Pedro Paulo Pereira Barbosa Redator designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Pedro Paulo Pereira Barbosa, Rayana Alves de Oliveira França, Eduardo Tadeu Farah, Rodrigo Santos Masset Lacombe, Gustavo Lian Haddad e Francisco Assis de Oliveira Júnior (Presidente). Relatório Contra o contribuinte acima identificado, foi lavrado Notificação de Lançamento (fls.01/02) para exigir crédito tributário de ITR, exercício 2004, no montante total de R$269.054,56, incluído multa de ofício de 75% e juros de mora, incidente sobre o imóvel rural, denominado Sítio ItaqueriSerra do Voturuna ou Boturuna (NIRF 4.774.2186), localizado no município de Pirapora do Bom Jesus/SP e cuja área total declarada é 484ha. Conforme se depreende do Demonstrativo de Apuração de ITR (fls.07), que acompanhou o Auto de Infração foi alterado, com base no menor valor da tabela SIPT (fls.17), o VTN do imóvel declarado de R$404.812,50 para R$3.762.276,68 e glosadas integralmente as seguintes áreas: 80,0ha de preservação permanente, 96,8ha de Reserva Legal e 176,2ha de interesse ecológico. Cientificado do lançamento, o contribuinte apresentou tempestivamente impugnação, acostada às fls.54/70, acompanhada dos documentos de fls.71/110. Após analisar a matéria, os Membros da 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Campo Grande/MS, acordaram, por unanimidade de votos, em julgar procedente o lançamento para rejeitar as preliminares de nulidade arguidas pelo interessado, indeferir pedido de juntada de documentos e realização de diligencia e, no mérito, considerar procedente o lançamento, nos termos do Acórdão DRJ/CGE n°04 17.406, fls.117/130 de 17 de abril de 2009, em decisão assim ementada: “ILEGALIDADE/INCONSTITUCIONALIDADE. Em processo administrativo é defeso apreciar argüições de ilegalidade e/ou inconstitucionalidade dos Atos Públicos, por tratarse de matéria reservada ao Poder Judiciário. Fl. 216DF CARF MF Impresso em 30/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2012 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 27/11/2012 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/11/2012 por PEDRO PA ULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 19/09/2012 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA Processo nº 13896.720015/200868 Acórdão n.º 220101.373 S2C2T1 Fl. 2 3 CONDOMÍNIO. A responsabilidade do recolhimento do crédito tributário lançado sobre um bem em condomínio, pelo principio da solidariedade, cabe a qualquer um dos condôminos. PRESERVAÇÃO PERMANENTE UTILIZAÇÃO LIMITADA RESERVA LEGAL. Para que a Área de Preservação Permanente APP seja isenta, além do laudo técnico especificando em quais artigos da legislação se enquadram, é necessário seu reconhecimento mediante o Ato Declaratório Ambiental ADA, cujo requerimento deve ser protocolado no Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis IBAMA, em até seis meses após o prazo final para entrega da Declaração do ITR. Da mesma forma as Áreas de Utilização Limitada AUL, como a Reserva Legal ARL, necessitam do ADA no prazo legal para sua isenção, além de estarem devidamente averbadas na matricula do imóvel até a data da ocorrência do fato gerador. ÁREA DE PROTEÇÃO AMBIENTAL – APA. As Áreas de interesse ecológico, de preservação permanente ou APA, assim declaradas em caráter geral, por região local ou nacional, não serão isentas do ITR se estiverem embasadas, somente, nessa declaração genérica, mas, sim, apenas as comprovadas e declaradas, em caráter especifico, para determinadas Áreas da propriedade particular e estarem devidamente regularizadas VALOR DA TERRA NUA VTN LAUDO TÉCNICO. O lançamento que tenha alterado o VTN declarado, utilizando valores de terras constantes do Sistema de Pregos de Terras da Secretaria da Receita Federal SIPT, nos termos da legislação, é passível de modificação somente se, na contestação, forem oferecidos elementos de convicção, embasados em Laudo Técnico elaborado em consonância com as normas da Associação Brasileira de Normas Técnicas ABNT, que apresente valor de mercado diferente ao do lançamento, relativo ao mesmo município do imóvel e ao ano base questionado. Lançamento Procedente.” Cientificado da decisão da DRJ em 16/10/2009 (fls.133), o interessado apresentou na data de 16/11/2009, tempestivamente, o Recurso Voluntário de fls. 136/152, acompanhado dos documentos de fls.153/184, alegando em síntese, preliminarmente a violação ao princípio legal da verdade material e a inexistência de responsabilidade do recorrente pelo pagamento do ITR do imóvel rural, por ser proprietário de apenas 12,5%, além dos seguintes pontos: a) Equívoco quanto à base de calculo, quando da entrega da Declaração do ITR em 2004, foi informado que o imóvel rural possuía área de 484,0ha. Contudo, em novembro de 2003, foi requerido a uma empresa de consultoria especializada, um parecer técnico sobre as dimensões reais da propriedade, parecer este juntado aos autos, no qual foi constatado que a área real do imóvel é de 314,54 ha, sendo o referido laudo o fundamento da Ação de Retificação de Área e Registro ajuizada pelo Espólio de Thereza Cassettari Angelini, dando origem ao Processo n° Fl. 217DF CARF MF Impresso em 30/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2012 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 27/11/2012 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/11/2012 por PEDRO PA ULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 19/09/2012 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA 4 290/2004, em trâmite perante a 2a Vara Cível da Comarca de Barueri, cujas cópias foram juntadas aos autos. b) Indevido arbitramento do valor da terra nua, nos termos do artigo 14 da Lei n° 9.393/1996. Apenas em casos de falta de entrega do DIAC ou do DIAT, de subavaliação ou prestação de informações inexatas, incorretas ou fraudulentas é que a Secretaria da Receita Federal do Brasil poderia arbitrar o Valor da Terra Nua. c) O lançamento desconsiderou as áreas do imóvel que foram tombadas pelo Estado de São Paulo; destinadas à reserva legal e a área de servidão utilizada pela USELPA (Usinas Elétricas do Paranapanema S/A), violando o disposto nos artigos 10 e 11 da Lei no 9.393/96; d) Foi demonstrado, por meio de laudo técnico que o Recorrente juntou nos autos, a existência de uma Faixa de Servidão da linha de transmissão de energia que corta a propriedade em sua porção Norte, com cerca de 1.328,44m de perímetro, perfazendo uma área de 29.435,36 m2, o que é confirmado pela Certidão emitida pelo Oitavo Oficio de Registro de Imóveis também juntada aos autos. Por isso, tal área deveria ter sido excluída da base de cálculo para fins de quantificação do valor do ITR, nos termos da alínea "d", do inciso II, do artigo 10 da Lei 9.393/96. e) O Acórdão recorrido, no entanto, desconsiderou os documentos apresentados, mencionando a necessidade de laudo atestando a localização da servidão de passagem. f) Além da servidão, a Resolução do Estado de São Paulo n° 17, de 04 de agosto de 1983, determinou o tombamento da Serra do Boturuna, onde está localizada a propriedade rural objeto da autuação, o que comprova que parte da mesma é de utilização limitada e de interesse ecológico, nos termos da alínea "h" do inciso II do artigo 10, supracitado e deveria ter sido considerado para fins de quantificação do ITR. Se fosse necessário fazer esta prova, bastaria à Delegacia de Julgamento determinar a realização de diligência. g) Para demonstrar claramente este seu direito, requer a juntada do Relatório de Distribuição das Áreas de Interesse Ecológico e de Preservação Permanente da Propriedade Sitio Itaqueri, que demonstra a área abrangida pelo tombamento da Serra do Botoruna. Conforme a conclusão do laudo, tratase de 216,22 ha, praticamente 70% da área do imóvel, considerado o valor retificado (314,54 ha). h) Por fim, a Escritura Pública Declaratória emitida pelo Cartório de Pirapora também juntada aos autos, comprova que a Área de Reserva Legal do Sitio Itaqueri é de 20% da Área Total do Imóvel, o que também deveria ter sido excluído da base de cálculo do imposto federal, nos termos da alínea "a", do inciso II, do artigo 10 da Lei n° 9.393/96. i) A decisão de primeira instancia desconsiderou as áreas de reserva legal, por entender necessária a protocolização tempestivamente do ADA. Fl. 218DF CARF MF Impresso em 30/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2012 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 27/11/2012 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/11/2012 por PEDRO PA ULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 19/09/2012 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA Processo nº 13896.720015/200868 Acórdão n.º 220101.373 S2C2T1 Fl. 3 5 j) O contribuinte requer a juntada do Ato Declaratório Ambiental — ADA (fls.280), obtido no exercício de 2008, cuja área informada para a Reserva Legal já considera a Área de Interesse Ecológica mencionada no Relatório de Distribuição das Áreas de Interesse Ecológico e de Preservação Permanente da Propriedade Sitio Itaqueri. O processo foi distribuído a esta Conselheira, numerado até as fls.186 (última). É o relatório. Voto Vencido Conselheira Rayana Alves de Oliveira França Relatora O Recurso preenche as condições de admissibilidade. Dele conheço. A.1) DA INEXISTÊNCIA DE RESPONSABILIDADE DO RECORRENTE PELO PAGAMENTO DO ITR DO IMÓVEL RURAL Antes de adentrarmos no mérito, devemos analisar a preliminar de nulidade por ilegitimidade passiva. Em linhas gerais alega o recorrente que o lançamento deveria ter sido feito em nome de cada um dos coproprietários, visto que é proprietário de apenas 12,5% do imóvel. Não obstante, esse entendimento não pode prosperar, devido a solidariedade entre todos os condomínios, enquanto indiviso o imóvel, nos termos do art. 124, I do CTN que dispõe: “SEÇÃO II Solidariedade Art. 124. São solidariamente obrigadas: I as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; II as pessoas expressamente designadas por lei. Parágrafo único. A solidariedade referida neste artigo não comporta benefício de ordem.” A solidariedade aplicase a todas as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal. Referente expressamente ao ITR, o art. 1º da Lei nº 9.393, de 19 de dezembro de 1996 prescreve: Art. 1º O Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR, de apuração anual, tem como fato gerador a propriedade, o domínio útil ou a posse de imóvel por natureza, localizado fora da zona urbana do município, em 1º de janeiro de cada ano. (grifei) Fl. 219DF CARF MF Impresso em 30/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2012 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 27/11/2012 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/11/2012 por PEDRO PA ULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 19/09/2012 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA 6 Como se depreende da leitura do referido artigo, o fato gerador é a propriedade, o domínio útil ou a posse de imóvel, todavia, a lei não acolheu qualquer forma de benefício de divisão, de tal sorte que o ITR poderá ser exigido de qualquer das pessoas que se prenda ao imóvel rural, em uma das modalidades elencadas. Assim, a Fazenda Pública está autorizada a exigir o tributo de qualquer co proprietários, posto que, repise, não há na referida legislação, ordem de preferência quanto à responsabilidade pelo pagamento do imposto. Sob este aspecto, portanto, o lançamento processouse nos limites da legalidade, devendo ser afastada a preliminar A.2) DO EQUÍVOCO QUANTOÀ BASE DE CALCULO O Recorrente, afirma que quando da entrega da Declaração do ITR em 2004, informou que o imóvel rural possuía área de 484,0ha. Contudo, em novembro de 2003, antes de iniciado o procedimento fiscal, conforme a data do Termo de Intimação Fiscal, 05/10/2007 (fls.13/14) foi requerido a uma empresa de consultoria especializada, um parecer técnico sobre as dimensões reais da propriedade (fls.164/174), no qual foi constatado que a área real do imóvel é de 314,54 ha, sendo o referido laudo o fundamento da Ação de Retificação de Área e Registro ajuizada pelo Espólio de Thereza Cassettari Angelini, dando origem ao Processo n° 290/2004, em trâmite perante a 2a Vara Cível da Comarca de Barueri, cujas cópias foram juntadas aos autos. A área do imóvel informada na DITR deve ser a mesma da escritura, sendo constatada que a mesma está incorreta, inclusive havendo ação judicial para retificação do mesmo, entendo que diante da verdade material deve ser esta a área considerada no lançamento. Até mesmo porque a retificação da declaração só poderá ocorrer quando transitado em julgado o processo judicial. Em vários outros julgados nesse Conselho, tenho acompanhado situações em que diante do georeferenciamento, o cartório altera a matrícula do imóvel, sem se fazer necessário qualquer demanda judicial. Essa diferença apurada entre as áreas foi assim explicada no Laudo: "Considerase que a retificação de limites identificados, dentro dos limites da técnica empregada, representa de forma precisa as divisas existentes da propriedade Sitio Itaqueri. "Devese ressaltar porém, o novo valor encontrado para a área da propriedade, significativamente menor em relação aos cerca de 484,08 ha, indicados no registro do imóvel de 1954. Atribui se esta diferença.a eventuais erros de cálculos ou escalas, haja visto que podese observar uma grande semelhança entre na forma do perímetro apresentado e o demarcado na planta de 1938" Ademais, a atual obrigatoriedade do georeferenciamento está prevista em Lei, conforme preceito do art.176, § 4º, da Lei 6.015/75, com redação dada pela Lei 10.267/01. Neste tocante, entendo que cabe razão ao recorrente, devendo ser considerada como base de cálculo da área do imóvel passível de tributação, a área constante no Laudo de 314,54 ha. Fl. 220DF CARF MF Impresso em 30/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2012 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 27/11/2012 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/11/2012 por PEDRO PA ULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 19/09/2012 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA Processo nº 13896.720015/200868 Acórdão n.º 220101.373 S2C2T1 Fl. 4 7 B) DO INDEVIDO ARBITRAMENTO DO VALOR DA TERRA NUA Referente ao valor do VTN, o contribuinte não trouxe aos autos qualquer Laudo Técnico. É entendimento pacífico desse colegiado que para fazer prova do valor da terra nua é imprescindível laudo de avaliação expedido por profissional qualificado e deve atender aos padrões técnicos recomendados pela ABNT. A decisão de primeira instância procedeu a um julgamento minucioso neste ponto. Apesar das inúmeras considerações constantes do Acórdão recorrido, o contribuinte não apresentou no seu recurso voluntário Laudo Técnico ou qualquer documento novo que levasse ao convencimento que sua terra valeria bem menos do que as terras da mesma região. Assim, não há reparos a fazer nesse tocante. C) DA ISENCÃO DAS ÁREAS DE PRESERVACÁO PERMANENTE E DE UTILIZACAO LIMITADA Como é do conhecimento dos Nobres Conselheiros desse Colegiado, discordo do entendimento de que para exclusão das áreas de reserva legal e preservação permanente seja imprescindível a apresentação tempestiva do ADA, sendo esse mais um elemento de prova a pretensão do contribuinte. Analisando a legislação concluo que a finalidade precípua do ADA foi a instituição de uma Taxa de Vistoria que deve ser paga sempre que o proprietário rural se beneficiar de uma redução de ITR com base em Ato Declaratório Ambiental – ADA, não tendo portanto o condão de definir áreas ambientais, de disciplinar as condições de reconhecimento de tais áreas e muito menos de criar obrigações tributárias acessórias ou regular procedimentos de apuração do ITR. A obrigatoriedade do ADA está prevista no art. 1º da Lei nº 10.165, de 27/12/2000, que deu nova redação ao artigo 17O da Lei nº 6.938/81, in verbis: “Art. 170. Os proprietários rurais que se beneficiarem com redução do valor do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural — ITR, com base em Ato Declaratório Ambiental — ADA, deverão recolher ao Ibama a importância prevista no item 3.11 do Anexo VII da Lei nº 9.960, de 29 de janeiro de 2000, a título de Taxa de Vistoria. [...] § 1º A utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagar do ITR é obrigatória.” Da leitura em conjunto dos dispositivos legais acima, verificase que o § 1º instituiu a obrigatoriedade apenas para situações em que o benefício de redução do ITR ocorra com base no ADA, ou seja, depende do reconhecimento ou declaração por ato do Poder Público. Por outro lado, a exclusão de áreas ambientais cuja existência decorre diretamente da lei, independentemente de reconhecimento ou declaração por ato do Poder Público, não pode ser entendida como uma redução “com base em Ato Declaratório Ambiental – ADA”. Fl. 221DF CARF MF Impresso em 30/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2012 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 27/11/2012 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/11/2012 por PEDRO PA ULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 19/09/2012 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA 8 Assim, a apresentação tempestiva do ADA não é condição indispensável para a exclusão das áreas de preservação permanente e de reserva legal, de que tratam os art.2º e 16 da Lei n.4.771/65 da base de cálculo do ITR, que dispõem, ex legis: Art. 2° Consideramse de preservação permanente, pelo só efeito desta Lei, as florestas e demais formas de vegetação natural situadas: a) ao longo dos rios ou de qualquer curso d'água desde o seu nível mais alto em faixa marginal cuja largura mínima será: 1 de 30 (trinta) metros para os cursos d'água de menos de 10 (dez) metros de largura; 2 de 50 (cinquenta) metros para os cursos d'água que tenham de 10 (dez) a 50 (cinquenta) metros de largura; 3 de 100 (cem) metros para os cursos d'água que tenham de 50 (cinquenta) a 200 (duzentos) metros de largura; 4 de 200 (duzentos) metros para os cursos d'água que tenham de 200 (duzentos) a 600 (seiscentos) metros de largura; 5 de 500 (quinhentos) metros para os cursos d'água que tenham largura superior a 600 (seiscentos) metros; b) ao redor das lagoas, lagos ou reservatórios d'água naturais ou artificiais; c) nas nascentes, ainda que intermitentes e nos chamados "olhos d'água", qualquer que seja a sua situação topográfica, num raio mínimo de 50 (cinquenta) metros de largura; d) no topo de morros, montes, montanhas e serras; e) nas encostas ou partes destas, com declividade superior a 45°, equivalente a 100% na linha de maior declive; f) nas restingas, como fixadoras de dunas ou estabilizadoras de mangues; g) nas bordas dos tabuleiros ou chapadas, a partir da linha de ruptura do relevo, em faixa nunca inferior a 100 (cem) metros em projeções horizontais; h) em altitude superior a 1.800 (mil e oitocentos) metros, qualquer que seja a vegetação. (...) Art. 16. As florestas e outras formas de vegetação nativa, ressalvadas as situadas em área de preservação permanente, assim como aquelas não sujeitas ao regime de utilização limitada ou objeto de legislação específica, são suscetíveis de supressão, desde que sejam mantidas, a título de reserva legal, no mínimo: (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) (...) §8o A área de reserva legal deve ser averbada à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, sendo vedada a alteração de sua destinação, nos casos de transmissão, a qualquer título, de desmembramento ou de retificação da área, com as exceções previstas neste Código. (Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001). Fl. 222DF CARF MF Impresso em 30/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2012 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 27/11/2012 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/11/2012 por PEDRO PA ULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 19/09/2012 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA Processo nº 13896.720015/200868 Acórdão n.º 220101.373 S2C2T1 Fl. 5 9 No caso específico, relativa a análise das áreas declaradas de preservação permanente e interesse ecológico, assim se pronunciou a decisão recorrida: “39. Com base nisso, para verificar a correição da declaração, o interessado foi regularmente intimado a apresentar documentos comprobatórios das áreas de florestas, tais como: Laudo Técnico, para comprovar a existência da Preservação Permanente, Matriculas do imóvel para comprovar averbação de AUL e ADA para comprovar a regularização para obtenção da isenção do ITR, bem como Laudo Técnico de Avaliação para demonstrar as fontes de pesquisas e critérios utilizado para obtenção do VTN declarado. 40. Os documentos apresentados pelo interessado são diversos ao solicitados, não sendo trazidos nenhum dos comprovantes necessários sendo, então, glosadas as áreas isentas e alterado o VTN, com a utilização dos valores constantes da tabela do SIPT, o menor de todos.” Sobre cada uma das áreas glosadas foram apresentadas as seguintes provas: Preservação permanente (80,0ha) Relatório de Distribuição das Áreas de Interesse Ecológico e de Preservação Permanente da Propriedade Sítio Itaqueri (fls.156/162), acompanhado da devida ART (fls.163), ADA protocolado em 2008, nos quais consta como área de preservação permanente área de 24,92ha. Reserva Legal (96,8ha) – Averbação de 20% na matricula do imóvel, fls.108/109, consubstanciado no Memorial Descritivo da Área de Reserva Legal (fls.109), no total de 968.000 m2, ou seja, os 96,8ha e pelo Termo de Responsabilidade de Preservação de Reserva Legal (fls.110). Interesse ecológico (176,2ha) – Na fl. 160 do Laudo consta área de Interesse Ecológico de 216,22ha, compreendida pela Área Tombada e seu entorno imediato de 300 metros (Zona Tampão). Referida área se sobrepõe as áreas anteriormente declarada de Reserva Legal e Preservação Permanente, conforme Mapa CONDEPHAAT — Resolução 17 do Tombamento da Serra do Boturuna ou Voturuna. (fls.179). Servidão de Passagem utilizada pela USELPA (Usinas Elétricas do Paranapanema S/A) Certidão emitida pelo Oitavo Oficial de Registro de Imóveis, cuja área registrada é de 29.435,36 m2 (fls.99/100), a qual indica expressamente: “Consta do titulo, entre outras condições, que a presente servidão foi instituída, sobre o terreno descrito, para a passagem dos cabos de transmissão de energia elétrica, ficando assegurado aos devedores o direito à exploração do subsolo de tal terreno, obrigandose estes a respeitar uma Área circular com um eixo de 40ms, em volta das torres, a fim de não prejudicar a solidez e segurança das mesmas. Averbações: Não há” Passemos a analise de cada uma das áreas acima especificadas. No que se refere a área de Preservação Permanente dos 80,0ha, declarados, apenas 24,92ha foram comprovados através de Laudo. Por sua vez, a integralidade da área 96,8ha de Reserva Legal está averbada. Desse modo, referidas áreas que estão devidamente comprovadas devem ser afastadas do lançamento. Fl. 223DF CARF MF Impresso em 30/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2012 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 27/11/2012 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/11/2012 por PEDRO PA ULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 19/09/2012 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA 10 No que se refere a Área de Interesse Ecológico, instituída pela Resolução do Estado de São Paulo n° 17, de 04 de agosto de 1983, que determinou o tombamento da Serra do Boturuna, onde está localizada a propriedade rural objeto da autuação, a mesma não pode ser reconhecida como área de interesse ecológico para fins de exclusão da base de cálculo do ITR. A área de interesse ecológico para proteção dos ecossistemas e comprovadamente imprestáveis para atividade rural, são aquelas declaradas mediante ato do órgão competente federal ou estadual, conforme previsão das alíneas “b” e “c do art.10, § 1º, II da lei nº 9.393/96: “b) de interesse ecológico para a proteção dos ecossistemas, assim declaradas mediante ato do órgão competente, federal ou estadual, e que ampliem as restrições de uso previstas na alínea anterior; c) comprovadamente imprestáveis para qualquer exploração agrícola, pecuária, granjeira, aqüícola ou florestal, declaradas de interesse ecológico mediante ato do órgão competente, federal ou estadual;” A legislação do ITR não prevê a exclusão de áreas genericamente inseridas em Áreas de Proteção Ambiental (APA), sem que se examine, em cada caso, o tipo de restrição da propriedade, o que deverá ser estabelecida por meio de ato específico. A norma, acima transcrita, referese explicitamente a ato do poder público reconhecendo a área como sendo de interesse ecológico. O ato que, genericamente, cria uma Área de Proteção Ambiental APA não exclui, automaticamente, a possibilidade de exploração econômica da propriedade, apenas a submete a um regime especial, com certas restrições e limitações, como as impostas Resolução do Estado de São Paulo n° 17, de 04 de agosto de 1983, no art.11 do Decreto 99.278/90 que proibiu instalações industriais e núcleos de carvoaria (art.10), mas permitiu a exploração de projetos turísticos (art. 04), base de pesquisa cientificas, parques industriais (art.05), inclusive permitiu a continuação das mineradoras, que tenham autorização do D.M.P.N e determinando que madeiras retiradas de glebas de sivilcutura, devem ser trabalhada fora da área de tombamento (art.10). A jurisprudência deste E. Colegiado é pacífica no sentido da necessidade de ato do órgão público especifico reconhecendo a área como de interesse ecológico, sob pena de glosa dos valores declarados a esse título, como se verifica das ementas abaixo transcritas: “ÁREA DE INTERESSE ECOLÓGICO. O sujeito passivo deve comprovar que a área que pretende excluir da base de cálculo do ITR foi reconhecida como de interesse ecológico por ato do Poder Público Federal ou Estadual. Recurso voluntário negado.” (Acórdão n° 220200.540 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária , Sessão de 13 de maio de 2010) “ÁREAS DE DECLARADO INTERESSE ECOLÓGICO. ISENÇÃO. NECESSIDADE DE RECONHECIMENTO ESPECIFICO. Ainda que o imóvel rural se encontre dentro de área declarada em caráter geral como de interesse ecológico, para fins de isenção do ITR, é necessário também o reconhecimento específico de órgão competente federal ou estadual para a área da propriedade particular. Recurso negado.” (Acórdão nº 220200.580 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária , Sessão de 17 de junho de 2010 ) Fl. 224DF CARF MF Impresso em 30/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2012 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 27/11/2012 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/11/2012 por PEDRO PA ULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 19/09/2012 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA Processo nº 13896.720015/200868 Acórdão n.º 220101.373 S2C2T1 Fl. 6 11 No tocante a Servidão de Passagem utilizada pela USELPA (Usinas Elétricas do Paranapanema S/A), conforme explicitado na Certidão emitida pelo Oitavo Oficial de Registro de Imóveis, (fls.99/100), trata de um compromisso assumido pelo proprietário da terra que transmitiu , via contrato particular, a USELPA o direito da utilização da servidão de passagem. Assim não há que se falar em servidão ambiental, nos termos da alínea "d", do inciso II, do artigo 10 da Lei 9.393/96, mas de servidão contratada entre interesses particulares, inclusive ficou assegurado aos proprietários o direito a exploração do subsolo do terreno, obrigandose estes a respeitar uma área circular com um eixo de 40ms, em volta das torres, a fim de não prejudicar a solidez e segurança das mesmas. Neste ponto também não cabe razão ao recorrente. Quanto ao Valor do VTN arbitrado, não há reparos a fazer a decisão recorrida, pois sequer o contribuinte apresentou Laudo Técnico elaborado por engenheiro agrônomo ou florestal, acompanhado de Anotação de Responsabilidade Técnica ART, devidamente registrada no CREA, com a devida observância dos requisitos da Associação Brasileira de Normas Técnicas – ABNT. Não cabendo, portanto revisão do arbitramento feito pela fiscalização, com base na tabela SIPT. Diante do exposto, dou provimento PARCIAL ao recurso para considerar como base de cálculo da área do imóvel passível de tributação 314,54 ha e restabelecer a integralidade da área de reserva legal de 96,8ha e a área de preservação permanente comprovada através de Laudo Técnico de 24,92ha. (assinado digitalmente) Rayana Alves de Oliveira França Voto Vencedor Conselheiro Pedro Paulo Pereira Barbosa – Redator designado Fundamentação Divergi do bem articulado voto da i. Relatora apenas quanto à retificação da área total do imóvel. É que tanto o registro do imóvel, quanto o Cadastro do ITR apontam uma área de 484,0ha. Se, de fato, conforme alega o Recorrente, a área efetiva do imóvel é menor do que esta, deveria ter providenciado, primeiramente, a retificação do registro, e, em seguida o Cadastro do ITR. Notese que o Registro do Imóvel é o documento por excelência que define as características, localização e ocorrências relevantes do imóvel, não sendo mera formalidade que possa ser desprezada diante de informações prestadas por terceiros. Por estas razões, entendendo que deve prevalecer a área constante do Registro, é que não dou provimento ao recurso quanto a este aspecto. Fl. 225DF CARF MF Impresso em 30/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2012 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 27/11/2012 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/11/2012 por PEDRO PA ULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 19/09/2012 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA 12 Conclusão Ante o exposto, dou provimento parcial ao recurso para restabelecer a integralidade da área de reserva legal de 96,8ha e a área de preservação permanente comprovada através de Laudo Técnico de 24,92ha. (assinado digitalmente) Pedro Paulo Pereira Barbosa Fl. 226DF CARF MF Impresso em 30/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2012 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 27/11/2012 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/11/2012 por PEDRO PA ULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 19/09/2012 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA Processo nº 13896.720015/200868 Acórdão n.º 220101.373 S2C2T1 Fl. 7 13 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA CÂMARA DA SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no § 3º do art. 81 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria Ministerial nº 256, de 22 de junho de 2009, intimese o (a) Senhor (a) Procurador (a) Representante da Fazenda Nacional, credenciado junto à Segunda Câmara da Segunda Seção, a tomar ciência da decisão consubstanciada no acórdão supra. __________(assinado digitalmente)_____________ Francisco Assis de Oliveira Júnior Presidente da Segunda Câmara / Segunda Seção Ciente, com a observação abaixo: (......) Apenas com ciência (......) Com Recurso Especial (......) Com Embargos de Declaração Data da ciência: _______/_______/_________ Procurador(a) da Fazenda Nacional Fl. 227DF CARF MF Impresso em 30/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2012 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 27/11/2012 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/11/2012 por PEDRO PA ULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 19/09/2012 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA
score : 1.0
Numero do processo: 13795.000006/2007-12
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 20 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Mar 18 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2004
IRPF. MOLÉSTIA GRAVE. REFORMA OU RESERVA REMUNERADA. ISENÇÃO.
Os proventos de aposentadoria, reforma ou reserva remunerada, motivadas por acidente em serviço e os percebidos por portador de moléstia profissional ou grave, ainda que contraída após a aposentadoria, reforma ou reserva remunerada, são isentos do imposto de renda. (Súmula CARF nº 43)
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2801-002.930
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relatora.
Assinado digitalmente
Antonio de Pádua Athayde Magalhães - Presidente
Assinado digitalmente
Tânia Mara Paschoalin - Relatora
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Antonio de Pádua Athayde Magalhães, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos César Quadros Pierre, Tânia Mara Paschoalin e Ewan Teles Aguiar. Ausente o Conselheiro Sandro Machado dos Reis. Ausente, ainda, justificadamente, o Conselheiro Luiz Cláudio Farina Ventrilho.
Nome do relator: TANIA MARA PASCHOALIN
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201302
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2004 IRPF. MOLÉSTIA GRAVE. REFORMA OU RESERVA REMUNERADA. ISENÇÃO. Os proventos de aposentadoria, reforma ou reserva remunerada, motivadas por acidente em serviço e os percebidos por portador de moléstia profissional ou grave, ainda que contraída após a aposentadoria, reforma ou reserva remunerada, são isentos do imposto de renda. (Súmula CARF nº 43) Recurso Voluntário Provido.
turma_s : Primeira Turma Especial da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Mar 18 00:00:00 UTC 2013
numero_processo_s : 13795.000006/2007-12
anomes_publicacao_s : 201303
conteudo_id_s : 5199990
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Mar 26 00:00:00 UTC 2013
numero_decisao_s : 2801-002.930
nome_arquivo_s : Decisao_13795000006200712.PDF
ano_publicacao_s : 2013
nome_relator_s : TANIA MARA PASCHOALIN
nome_arquivo_pdf_s : 13795000006200712_5199990.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relatora. Assinado digitalmente Antonio de Pádua Athayde Magalhães - Presidente Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin - Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Antonio de Pádua Athayde Magalhães, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos César Quadros Pierre, Tânia Mara Paschoalin e Ewan Teles Aguiar. Ausente o Conselheiro Sandro Machado dos Reis. Ausente, ainda, justificadamente, o Conselheiro Luiz Cláudio Farina Ventrilho.
dt_sessao_tdt : Wed Feb 20 00:00:00 UTC 2013
id : 4538379
ano_sessao_s : 2013
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 08:57:06 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713041395144458240
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 3; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1853; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2TE01 Fl. 60 1 59 S2TE01 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13795.000006/200712 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2801002.930 – 1ª Turma Especial Sessão de 20 de fevereiro de 2013 Matéria IRPF Recorrente JORGE LUIZ RODRIGUES BAPTISTA DE PAULA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2004 IRPF. MOLÉSTIA GRAVE. REFORMA OU RESERVA REMUNERADA. ISENÇÃO. Os proventos de aposentadoria, reforma ou reserva remunerada, motivadas por acidente em serviço e os percebidos por portador de moléstia profissional ou grave, ainda que contraída após a aposentadoria, reforma ou reserva remunerada, são isentos do imposto de renda. (Súmula CARF nº 43) Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relatora. Assinado digitalmente Antonio de Pádua Athayde Magalhães Presidente Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Antonio de Pádua Athayde Magalhães, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos César Quadros Pierre, Tânia Mara Paschoalin e Ewan Teles Aguiar. Ausente o Conselheiro Sandro Machado dos Reis. Ausente, ainda, justificadamente, o Conselheiro Luiz Cláudio Farina Ventrilho. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 79 5. 00 00 06 /2 00 7- 12 Fl. 60DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2013 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 23/02/201 3 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 26/02/2013 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALH AES Processo nº 13795.000006/200712 Acórdão n.º 2801002.930 S2TE01 Fl. 61 2 Tratase de recurso voluntário apresentado contra decisão proferida pela 2ª Turma da DRJ/RJ2/RJ. Por bem descrever os fatos, reproduzse abaixo o relatório da decisão recorrida: “Contra o contribuinte foi lavrada notificação de fls. 02 a 04 relativa ao Imposto sobre a Renda de Pessoa Física, ano calendário 2003, para apurar crédito tributário no valor de R$ 13.059.70. Foi apurada omissão de rendimentos da fonte pagadora Rio de Janeiro Secretaria de Estado de Segurança Pública, CNPJ 42.498.725/000363, no valor de R$ 70.331,16, com inclusão de IRRF de R$2792,59. Em 01 de junho de 2007, o interessado ingressou com a solicitação de fl. 01, requerendo a impugnação da Notificação de Lançamento. Em seu recurso, alega estar em situação de reserva e ser portador de moléstia grave, tendo apresentado declaração retificadora.” A impugnação foi julgada improcedente, conforme Acórdão de fls. 29/30, que restou assim ementado: PROVENTOS RECEBIDOS PELO MILITAR NA RESERVA. NÃO ISENÇÃO DE IRPF. Não estão isentos do IRPF os proventos recebidos pelo militar em decorrência de transferência para a reserva remunerada, sendo que a isenção motivada pela existência de moléstia grave atinge apenas os proventos recebidos na reforma Regularmente cientificado daquele Acórdão em 14/04/2011 (AR fl. 32), o interessado, representado por seu advogado (fl. 40), interpôs o recurso de fls. 33/39, em 13/05/2011. Em sua defesa, pretende seja reconhecida a isenção de Imposto de Renda, sobre seus proventos pagos pela Policia Militar do Estado do Rio de Janeiro, no anocalendário 2003. É o relatório. Voto Conselheira Tânia Mara Paschoalin, Relatora. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. A única razão da Turma Julgadora de primeira instância para negar a isenção foi o fato de que esse beneficio não é extensivo a outra espécie de provento como o decorrente da Reserva Remunerada recebida pelo militar. Fl. 61DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2013 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 23/02/201 3 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 26/02/2013 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALH AES Processo nº 13795.000006/200712 Acórdão n.º 2801002.930 S2TE01 Fl. 62 3 O tema está pacificado pela Súmula CARF nº 43, por expressa referência em equiparação de reforma a reserva remunerada, nos seguintes termos: Os proventos de aposentadoria, reforma ou reserva remunerada, motivadas por acidente em serviço e os percebidos por portador de moléstia profissional ou grave, ainda que contraída após a aposentadoria, reforma ou reserva remunerada, são isentos do imposto de renda. Diante do exposto, voto por dar provimento ao recurso. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Fl. 62DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2013 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 23/02/201 3 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 26/02/2013 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALH AES
score : 1.0
Numero do processo: 10120.002557/2007-57
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 08 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/07/2001 a 30/11/2003
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PRAZO DECADENCIAL. CINCO ANOS. TERMO A QUO. AUSÊNCIA DE RECOLHIMENTO ANTECIPADO SOBRE AS RUBRICAS LANÇADAS. ART. 173, INCISO I, DO CTN.
O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento sumulado, Súmula Vinculante de nº 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei nº 8.212 de 1991.
Não tendo havido pagamento antecipado sobre as rubricas lançadas pela fiscalização, há que se observar o disposto no art. 173, inciso I do CTN.
RETENÇÃO DE 11 %. CESSÃO DE MÃO DE OBRA.
A empresa contratante de empreitada parcial é obrigada a reter 11% sobre o valor bruto dos serviços contidos na nota fiscal e prestados pela contratada.
Numero da decisão: 2302-001.623
Decisão: Acordam os membros do colegiado, Por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado, reconhecendo a fluência do prazo decadencial nos termos do art. 173, inciso I do CTN. Vencido o Conselheiro Manoel Coelho Arruda Junior que entendeu aplicar-se
o art. 150, parágrafo 4 do CTN para todo o período. Para o período não decadente não houve divergência. Designado para redigir o voto quanto a preliminar da decadência o Conselheiro Marco André Ramos Vieira.
Nome do relator: MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201202
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/07/2001 a 30/11/2003 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PRAZO DECADENCIAL. CINCO ANOS. TERMO A QUO. AUSÊNCIA DE RECOLHIMENTO ANTECIPADO SOBRE AS RUBRICAS LANÇADAS. ART. 173, INCISO I, DO CTN. O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento sumulado, Súmula Vinculante de nº 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei nº 8.212 de 1991. Não tendo havido pagamento antecipado sobre as rubricas lançadas pela fiscalização, há que se observar o disposto no art. 173, inciso I do CTN. RETENÇÃO DE 11 %. CESSÃO DE MÃO DE OBRA. A empresa contratante de empreitada parcial é obrigada a reter 11% sobre o valor bruto dos serviços contidos na nota fiscal e prestados pela contratada.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
numero_processo_s : 10120.002557/2007-57
conteudo_id_s : 5211305
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Jan 18 00:00:00 UTC 2021
numero_decisao_s : 2302-001.623
nome_arquivo_s : Decisao_10120002557200757.pdf
nome_relator_s : MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR
nome_arquivo_pdf_s : 10120002557200757_5211305.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, Por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado, reconhecendo a fluência do prazo decadencial nos termos do art. 173, inciso I do CTN. Vencido o Conselheiro Manoel Coelho Arruda Junior que entendeu aplicar-se o art. 150, parágrafo 4 do CTN para todo o período. Para o período não decadente não houve divergência. Designado para redigir o voto quanto a preliminar da decadência o Conselheiro Marco André Ramos Vieira.
dt_sessao_tdt : Wed Feb 08 00:00:00 UTC 2012
id : 4557189
ano_sessao_s : 2012
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 08:58:25 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713041395151798272
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 15; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2130; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C3T2 Fl. 62 1 61 S2C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10120.002557/200757 Recurso nº 149.274 Voluntário Acórdão nº 230201.623 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 08 de fevereiro de 2012 Matéria Retenção cessão de mãodeobra Recorrente SOCIEDADE GOIANA DE CULTURA Recorrida DRJ BRASÍLIA/DF ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/07/2001 a 30/11/2003 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PRAZO DECADENCIAL. CINCO ANOS. TERMO A QUO. AUSÊNCIA DE RECOLHIMENTO ANTECIPADO SOBRE AS RUBRICAS LANÇADAS. ART. 173, INCISO I, DO CTN. O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento sumulado, Súmula Vinculante de n º 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212 de 1991. Não tendo havido pagamento antecipado sobre as rubricas lançadas pela fiscalização, há que se observar o disposto no art. 173, inciso I do CTN. RETENÇÃO DE 11 %. CESSÃO DE MÃODE OBRA. A empresa contratante de empreitada parcial é obrigada a reter 11% sobre o valor bruto dos serviços contidos na nota fiscal e prestados pela contratada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, Por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado, reconhecendo a fluência do prazo decadencial nos termos do art. 173, inciso I do CTN. Vencido o Conselheiro Manoel Coelho Arruda Junior que entendeu aplicarse o art. 150, parágrafo 4 do CTN para todo o período. Para o período não decadente não houve divergência. Designado para redigir o voto quanto a preliminar da decadência o Conselheiro Marco André Ramos Vieira. Fl. 584DF CARF MF Impresso em 08/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/ 10/2012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/10/2012 por LIEGE LACROIX THOMA SI 2 (assinado digitalmente) LIEGE LACROIX THOMASI Presidente Substituta (na datada formalização do acórdão) (assinado digitalmente) MANOEL COELHO ARRUDA JÚNIOR Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco André Ramos Vieira (Presidente de Turma), Manoel Coelho Arruda Junior (Vicepresidente de turma), Liége Lacroix Thomasi, Adriana Sato e Arlindo da Costa e Silva. Relatório Tratase de crédito lançado em face da Empresa acima identificada que, de acordo com o Relatório Fiscal de fls. 165/169, referese às contribuições previdenciárias destinadas à Seguridade Social referentes à retenção de onze por cento, a titulo de substituição tributária, incidente sobre as notas fiscais das prestadoras de serviços contratadas pela notificada mediante empreitada parcial na construção civil, no período de 07/2001 a 11/2003, não recolhidas em épocas próprias e previstas no art. 31 da Lei n° 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei n°9.711, de 1998. O sujeito passivo apresentou impugnação que alegou, em síntese, que a notificação não deve prevalecer, pois as obras executadas, objeto da presente notificação, referemse a contratos por empreitada global, circunstância que, nos termos do item 15 da Ordem de Serviço INSS/DAF n° 209, de 1999, determina a responsabilização por solidariedade, conforme o inciso VI do art. 30 da Lei n° 8 .212, de 1991 [fls. 173/177]. Para comprovar sua alegação, a notificada informa que a empresa CTESA ENGENHARIA LTDA foi contratada para a construção das juntas A, B e A/13 do Bloco "D", enquanto que a junta C foi realizada pela empresa DÁRIO JARDIM ENGENHARIA E CONTRUÇÃO LTDA. Além dessas informações, foram anexados documentos diversos que registram a regularidade das obrigações das empresas prestadoras de serviços, em especial: folhas de pagamentos distintas para cada estabelecimento ou obra, com a relação dos segurados alocados na prestação dos serviços; GFIP individualizada por obra; demonstrativo mensal por contratante e por contrato; arrecadação dos valores recolhidos no mês com vinculação, à matricula CEI da obra. Também foram juntadas as plantas das referidas obras, procurando demonstrar a realização dos contratos mediante empreitada global. Em 14 de agosto de 2007, a DRJ em BrasíliaDF julgou procedente o lançamento [fls. 518521]. Fl. 585DF CARF MF Impresso em 08/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/ 10/2012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/10/2012 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 10120.002557/200757 Acórdão n.º 230201.623 S2C3T2 Fl. 63 3 Inconformada com a decisão exarada pelo órgão administrativo julgador a quo, a ora Recorrente interpôs recurso voluntário, a fls. 526530, reitera os argumentos colacionados na impugnação e assevera: (i) tratase de empreitada global; (ii) a obra do Bloco "D", junta A, B e NB, foi realizada pela CTESA ENGENHARIA LTDA., no período de julho de 2001 a novembro de 2002, enquanto que a Junta C, foi realizada pela DARIO JARDIM ENGENHARIA E CONSTRUÇÃO LTDA., no period de novembro de 2002 a dezembro de 2003 Tais obras foram realizadas por Empreitada Global e, neste caso, prevê a Lei o Instituto da Solidariedade; (iii) constatase pela documentação comprobatória acostada os seguintes registros realizadas pela empresa Contratada — CTESA: iii.1 A elaboração de folhas de pagamento distintas e o respectivo resumo geral para cada estabelecimento ou obra de construção civil relacionando todos os segurados alocados na prestação de Serviços; iii.2 Elaboração GFIP, com vinculação ao tomador de serviços para cada obra de construção Civil; iii.3 Realização do demonstrativo mensal por contratante e por contrato, assinado pelo representante legal, constando: denominação social e o CNPJ do contratante, matrícula CEI da obra, número e data da emissão da nota fiscal, fatura ou recibo, o valor bruto, o valor retido e o valor liquido recebido relativo à prestação de serviços e a totalização dos valores e sua consolidação por obra de construção civil ou estabelecimento; iii.4 Apresentação das folhas de pagamento dos trabalhadores lotados na obra; iii.5 Comprovantes de arrecadação dos valores recolhidos no mês — GPS com vinculação ao CEI da obra; iii.6 GFIP referente aos trabalhadores da obra com ao CEI da obra; (iv) a obrigação dos registros dos funcionários da obra está regular, com identificação da matrícula CEI e a respectiva informação ao INSS através da guia SEFIP; (v) Quanto à empreiteira Dario Jardim Engenharia e Construção Ltda., esta realizou a junta C, no período de novembro de 2002 a dezembro de 2003, onde não foi aberta uma CEI; (vi) Entretanto, por tratarse de empreitada global, a SGC deixou de reter os 11%(onze por cento) do INSS, em face do que dispõe o item 15 da OS N. 209/199 em vigência, à época; e Fl. 586DF CARF MF Impresso em 08/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/ 10/2012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/10/2012 por LIEGE LACROIX THOMA SI 4 (vii) Para tanto, juntou ao processo, a planilha de levantamento da Junta C, com o fim de comprovar o recolhimento, por parte daquela Empreiteira, do imposto devido à Previdência, pela obra de Construção Civil. Requer, ao final, seja o recurso recebido e conhecido, para que seja julgado improcedente o lançamento questionado. É o relatório. Voto Conselheiro Manoel Coelho Arruda Júnior, Relator. 1 DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE O sujeito passivo foi válida e eficazmente cientificado da decisão recorrida no dia 21/09/2007. Havendo sido o recurso voluntário postado na agência dos correios em 22 de outubro de 2007, há que se reconhecer a tempestividade do recurso interposto. Presentes os demais requisitos de admissibilidade do recurso, dele conheço. Ante a ausência de questões preliminares, passamos diretamente ao exame do mérito. 2 DO MÉRITO 2.1 DECADÊNCIA O artigo 45, inciso I, da Lei nº 8.212/91, estabelece prazo decadencial de 10 (dez) anos para a apuração e constituição das contribuições previdenciárias, como segue: “Art. 45 – O direito da Seguridade Social apurar e constituir seus créditos extinguese após 10 (dez) anos contados: I – do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o crédito poderia ter sido constituído; [...]” Por outro lado, o Código Tributário Nacional em seu artigo 173, caput, determina que o prazo para se constituir crédito tributário é de 05 (cinco) anos, contados do exercício seguinte àquele em que poderia ter sido lançado, in verbis: “Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: Fl. 587DF CARF MF Impresso em 08/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/ 10/2012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/10/2012 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 10120.002557/200757 Acórdão n.º 230201.623 S2C3T2 Fl. 64 5 I – do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; [...]” Com mais especificidade, o artigo 150, § 4º, do CTN, contempla a decadência para os tributos sujeitos ao lançamento por homologação, nos seguintes termos: “Art. 150 O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. [...] § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação.” O núcleo da questão reside exatamente nesses três artigos, ou seja, qual deles deve prevalecer para as contribuições previdenciárias, tributos sujeitos ao lançamento por homologação. Ocorre que, após muitas discussões a respeito do tema, o Supremo Tribunal Federal, em 11/06/2008, ao julgar os RE’s nºs 556664, 559882 e 560626, por unanimidade de votos, declarou a inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei nº 8.212/91, oportunidade em que aprovou a Súmula Vinculante nº 08, abaixo transcrita, rechaçando de uma vez por todas a pretensão do Fisco: “Súmula nº 08: São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário.” Registrese, ainda, que na mesma Sessão Plenária, o STF achou por bem modular os efeitos da declaração de inconstitucionalidade em comento, estabelecendo, em suma, que somente não retroagem à data da edição da Lei em relação a pedido de restituição judicial ou administrativo formulado posteriormente à 11/06/2008, concedendo, por conseguinte, efeito ex tunc para os créditos pendentes de julgamentos e/ou que não tenham sido objeto de execução fiscal. Não bastasse isso, é de bom alvitre esclarecer que o Pleno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, em sessão de julgamento realizada no dia 15/12/2008, por maioria de votos (21 x 13), firmou o entendimento de que o prazo decadencial a ser aplicado para as contribuições previdenciárias é o insculpido no artigo 150, § 4º, do CTN, independentemente de ter havido ou não pagamento parcial do tributo devido, o que veio a ser ratificado, também por maioria de votos, pelo Pleno da CSRF em sessão ocorrida em 08/12/2009, com a ressalva da existência de qualquer atividade do contribuinte tendente a apurar a base de cálculo do tributo devido. Fl. 588DF CARF MF Impresso em 08/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/ 10/2012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/10/2012 por LIEGE LACROIX THOMA SI 6 Consoante se positiva da análise dos autos, a controvérsia a respeito do prazo decadencial para as contribuições previdenciárias, após a aprovação/edição da Súmula Vinculante nº 08, passou a se limitar a aplicação dos artigos 150, § 4º, ou 173, inciso I, do Código Tributário Nacional. Indispensável ao deslinde da controvérsia, mister se faz elucidar, resumidamente, as espécies de lançamento tributário que nosso ordenamento jurídico contempla, como segue. Primeiramente destacase o lançamento de ofício ou direto, previsto no artigo 149 do CTN, onde o fisco toma a iniciativa de sua prática, por razões inerentes a natureza do tributo ou quando o contribuinte deixa de cumprir suas obrigações legais. Já o lançamento por declaração ou misto, contemplado no artigo 147 do mesmo Diploma Legal, é aquele em que o contribuinte toma a iniciativa do procedimento, ofertando sua declaração tributária, colaborando ativamente. Alfim, o lançamento por homologação, inscrito no artigo 150 do Códex Tributário, em que o contribuinte presta as informações, calcula o tributo devido e promove o pagamento, ficando sujeito a eventual homologação por parte das autoridades fazendárias. Dessa forma, estando às contribuições previdenciárias sujeitas ao lançamento por homologação, defende parte dos julgadores e doutrinadores que a decadência a ser aplicada seria aquela constante do artigo 150, § 4º, do CTN, levandose em consideração a natureza do tributo atribuída por lei, independentemente da ocorrência de pagamento, entendimento compartilhado por este conselheiro. Ou seja, a regra para os tributos sujeitos ao lançamento por homologação é o artigo 150, § 4º, do Código Tributário, o qual somente não prevalecerá nas hipóteses de ocorrência de dolo, fraude ou conluio, o que ensejaria o deslocamento do prazo decadencial para o artigo 173, inciso I, do mesmo Diploma Legal. Não é demais lembrar que o lançamento por homologação não se caracteriza tão somente pelo pagamento. Ao contrário, tratase, em verdade, de um procedimento complexo, constituído de vários atos independentes, culminando com o pagamento ou não. Observese, pois, que a ausência de pagamento não desnatura o lançamento por homologação, especialmente quando a sujeição dos tributos àquele lançamento é conferida por lei. E, esta, em momento algum afirma que assim o é tão somente quando houver pagamento. Não fosse assim, o que se diria quando o contribuinte apura prejuízos e não tem nada a recolher, ou mesmo quando encontrase beneficiado por isenções e/ou imunidades, onde, em que pese haver o dever de elaborar declarações pertinentes, informando os fatos geradores dos tributos dentre outras obrigações tributárias, deixa de promover o pagamento do tributo em razão de uma benesse fiscal? Cabe ao Fisco, porém, no decorrer do prazo de 05 (cinco) anos, contados do fato gerador do tributo, nos termos do artigo 150, § 4º, do CTN, proceder à análise das informações prestadas pelo contribuinte homologandoas ou não, quando inexistir concordância. Neste último caso, promover o lançamento de ofício da importância que imputar devida. Aliás, como afirmado alhures, a regra nos tributos sujeitos ao lançamento por homologação é o prazo decadencial insculpido no artigo 150, § 4º, do CTN, o qual dispôs Fl. 589DF CARF MF Impresso em 08/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/ 10/2012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/10/2012 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 10120.002557/200757 Acórdão n.º 230201.623 S2C3T2 Fl. 65 7 expressamente os casos em que referido prazo deslocarseá para o artigo 173, inciso I, na ocorrência de dolo, fraude ou simulação comprovados. Somente nessas hipóteses a legislação específica contempla a aplicação de outro prazo decadencial, afastandose a regra do artigo 150, § 4º. Como se constata, a toda evidência, a contagem do lapso temporal em comento independe de pagamento. Ou seja, comprovandose que o contribuinte deixou efetuar o recolhimento dos tributos devidos e/ou promover o autolançamento com dolo, utilizandose de instrumentos ardilosos (fraude e/ou simulação), o prazo decadencial será aquele inscrito no artigo 173, inciso I, do CTN. Afora essa situação, não se cogita na aplicação daquele dispositivo legal. É o que se extrai da perfunctória leitura das normas legais que regulamentam o tema. Por outro lado, alguns julgadores e doutrinadores entendem que somente aplicarseia o artigo 150, § 4º, do CTN quando comprovada a ocorrência de recolhimentos relativamente ao fato gerador lançado, seja qual for o valor. Em outras palavras, a homologação dependeria de antecipação de pagamento para se caracterizar, e a sua ausência daria ensejo ao lançamento de ofício, com observância do prazo decadencial do artigo 173, inciso I. Ressaltase, ainda, o entendimento de outra parte dos juristas, suscitando que o artigo 150, 4º, do Código Tributário Nacional, prevalecerá quando o contribuinte promover qualquer ato tendente a apuração da base de cálculo do tributo devido, seja pelo pagamento, escrituração contábil, declaração do imposto em documento próprio, etc. Melhor elucidando, o contribuinte deverá adotar algum procedimento com o fito de apurar o tributo para que pudesse se cogitar em “homologação”. Esta, aliás, é a tese que prevaleceu na última reunião do Conselho Pleno da Câmara Superior de Recursos Fiscais. Destarte, tendo a fiscalização constituído o crédito previdenciário em 23/04/2007, com a devida ciência da contribuinte constante da folha de rosto da notificação, a exigência fiscal resta parcialmente fulminada pela decadência – até a competência 03/2002 , eis que os fatos geradores ocorreram durante o período de 01/07/2001 a 30/11/2003, 05 (cinco) anos do CTN, com base no artigo 150, § 4º. 2.2 DA RETENÇÃO DE 11% E DO DECISUM A QUO Com a finalidade de simplificar a arrecadação das mencionadas contribuições previdenciárias e bem assim para facilitar a fiscalização, a Lei n. 9.711/98, alterou o citado art. 31, da Lei n. 8.212/91, modificando a forma de recolhimento das contribuições estabelecendo a responsabilidade pelo seu reconhecimento às empresas contratantes dos serviços de mãode obra. O Supremo Tribunal Federal entendeu, quando do julgamento do RE n. 393.946/MG e consubstanciado no voto do Ministro Carlos Mário Veloso, que: [...] alteração introduzida pela Lei 9.711, de 1998, objetiva, apenas, simplificar a arrecadação do tributo e facilitar a fiscalização do seu recolhimento. No caso, nem há falar que o fato gerador do tributo ocorreria posteriormente ao recolhimento. Não, aqui, simplesmente está o sujeito passivo obrigado a reter onze por cento do valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços e recolher a importância Fl. 590DF CARF MF Impresso em 08/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/ 10/2012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/10/2012 por LIEGE LACROIX THOMA SI 8 retida até o dia dois do mês subseqüente ao da emissão da respectiva nota fiscal ou fatura, em nome da empresa cedente da mãodeobra, observado o disposto no §5º, do art. 33 e as disposições inscritas nos parágrafos do citado art. 31. Prevê a lei, inclusive, a restituição de saldos remanescentes, na impossibilidade de haver compensação integral na forma do §1º do art. 31 (art. 31, §2º) A Constituição autoriza coisa maior: a lei poderá atribuir a sujeito passivo de obrigação tributária a condição de responsável pelo pagamento do imposto ou contribuição, cujo fato gerador deva ocorrer posteriormente, assegurada a imediata e preferencial restituição da quantia paga, caso não se realize o fato gerador presumido. CF, art. 150 §7º. E o Código Tributário Nacional. art. 128, prescreve que, “ Sem prejuízo do disposto neste capítulo, a lei pode atribuir de modo expresso a responsabilidade pelo crédito tributário a terceira pessoa, vinculada ao fato gerador da respectiva obrigação, excluindo a responsabilidade do contribuinte ou atribuindoa a este em caráter supletivo do cumprimento total ou parcial da referida obrigação.” Nesse sentido, a fonte pagadora tem o dever legal de efetuar determinada retenção, diminuindo o valor pago. Logo, é uma prestação positiva imposta a determinada pessoa, no interesse da arrecadação de exações devidas. Assim, o egrégio STF manifestou que não se trata de nova contribuição, mas sim de mera “obrigação acessória” [RE n. 393.946/MG]. Diante desse posicionamento do STF e em atendimento ao objeto da presente NFLD, aponto que para a transposição dos obstáculos apresentados se faz mister uma análise dos conceitos de obrigação, lançamento e crédito, no âmbito do Direito Tributário. A obrigação tributária nasce independentemente de manifestação de vontade do sujeito passivo dirigida à sua criação. Vale dizer, não se requer que o sujeito passivo queira obrigarse; o vínculo obrigacional tributário abstrai a vontade e até o conhecimento do obrigado: ainda que o devedor ignore ter nascido a obrigação tributária, esta o vincula e o submete ao cumprimento da prestação que corresponda ao seu objeto [AMARO, Luciano. Direito Tributário Brasileiro. 11. ed. São Paulo: Saraiva, 2005, p. 246.]. Na sistemática do Código, a obrigação tributária é a relação jurídica que nasce com a ocorrência do fato gerador, que é regida pelo título II do CTN [art. 123 ss.]; o crédito tributário é a situação jurídica que, decorrendo de obrigação tributária, é constituída pelo lançamento, sendo objeto de disciplina do título III [art. 139 ss.]. Por outras palavras: a obrigação tributária é a situação jurídica subjacente; o crédito tributário, a situação jurídica abstrata [XAVIER, Alberto. Do lançamento no direito tributário brasileiro. 3. ed. Rio de Janeiro: Editora Forense, 2005, p. 405406.]. Não obstante o reconhecimento da autonomia ou independência de uma situação tributária subjacente e de uma situação tributária abstrata, não se pode afirmar que o lançamento possui dupla eficácia: uma declarativa da obrigação tributária e outra constitutiva do crédito tributário. Ora, a obrigação e o crédito não são realidades juridicamente distintas. Bem pelo contrário, o crédito é a própria obrigação, uma vez o objeto de lançamento, ou seja, é a obrigação tributária titulada. Encontrase, pois, perante a obrigação como a imagem que no espelho reflete a pessoa. Na verdade, a obrigação tributária não morre com a constituição do crédito, como sucederia se se tratasse de situações jurídicas distintas na sua identidade. Ela Fl. 591DF CARF MF Impresso em 08/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/ 10/2012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/10/2012 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 10120.002557/200757 Acórdão n.º 230201.623 S2C3T2 Fl. 66 9 subsiste como tal [isto é, como relação subjacente] só se extinguindo quando se extinguir a situação jurídica abstrata, conforme estabelece o artigo 113, §1º, do CTN [XAVIER, Alberto. Ob. cit. p. 408409.]. Da análise do instituto da retenção [art. 33, da Lei n. 8.212, de 1991] denota se que existe apenas uma obrigação, isto é, a do recolhimento das contribuições incidentes sobre os serviços executados mediante cessão de mãodeobra. Ora, como bem disse o Min. Carlos Veloso, não se trata no caso de instituição de nova contribuição, mas de procedimento de simplificação da arrecadação do tributo e facilitação da fiscalização do seu recolhimento. Nesse sentido, a priori, existindo a obrigação e o crédito tributário um liame jurídico, extinto o crédito referente às contribuições incidentes sobre os serviços executados mediante cessão de mãodeobra, não há que se falar em crédito decorrente de retenção. Ocorre que, os mais cautelosos diriam que o legislador transferiu a responsabilidade pelo crédito ao Contratante dos serviços, logo, seria esse o substituto tributário. O substituto absorve totalmente, no caso, o debitum, assumindo, na plenitude, os deveres de sujeito passivo, quer os pertinentes à prestação patrimonial, quer os que dizem respeito aos expedientes de caráter instrumental, que a lei costuma chamar de “obrigações acessórias”. Paralelamente, os direitos porventura advindos do nascimento da obrigação, ingressam no patrimônio jurídico do substituto, que poderá defender suas prerrogativas, administrativa ou judicialmente, formulando impugnações ou recursos, bem como deduzindo suas pretensões em juízo para, sobre elas, obter a prestação jurisdicional do Estado [CARVALHO, Paulo de Barros. Direito tributário: fundamentos jurídicos da incidência. 3. ed. rev. atual. São Paulo: Saraiva, 2004, p. 164.]. Entretanto, não se perde de vista o substituído, ainda que não seja compelido ao pagamento do tributo, nem a proceder ao implemento dos deveres instrumentais que a ocorrência suscita, tudo isso a cargo do substituto, mesmo assim permanece à distância, como importante fonte de referência para o esclarecimento de aspectos que dizem com o nascimento, a vida e a extinção da obrigação tributária [CARVALHO, Paulo de Barros. Ob. cit. p. 164.]. Então, se o substituído for imune ou estiver protegido por isenção, por exemplo, o substituto exercitará os efeitos correspondentes. É sabido que, atualmente, o instituto da substituição está difundindo e apresentase como um poderoso instrumento de controle racional e de fiscalização eficiente no processo de arrecadação dos tributos. No entanto, no mesmo passo que corresponde aos anseios de conforto e segurança das entidades tributantes, provoca sérias dúvidas no que concerne aos limites jurídicos de sua abrangência e à extensão de sua aplicabilidade, pois o impacto da repercussão fiscal mexe com valores fundamentais da pessoa humana propriedade e liberdade , de tal sorte que não se pode admitir transponha o legislador certos limites, representados por princípios lógicojurídicos e também jurídicopositivos [CARVALHO, Paulo de Barros. Ob. cit. p. 165.]. Ante a divergência entre os pressupostos, filiome ao posicionamento do Professor PAULO DE BARROS CARVALHO que manifesta, verbis: Fl. 592DF CARF MF Impresso em 08/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/ 10/2012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/10/2012 por LIEGE LACROIX THOMA SI 10 Na verdade, pareceme extremamente difícil abrir mão de valores que as civilizações modernas conquistaram com muita luta e de modo paulatino, no sentido de acolher uma diretriz fundada unicamente em critérios de comodidade administrativa, para realizar melhores padrões de conforto na arrecadação dos tributos. Interessa a todos, não há dúvida, o bom êxito da gestão tributária, concretizada pelos órgãos da Administração Pública. Ao mesmo tempo, ninguém desconhece a constante preocupação dos funcionários especializados, na busca de providências racionalizadoras, que diminuam o risco e aumentem o rendimento dos procedimentos de cobrança. Todavia, aquilo que choca o sentimento jurídico do cidadão é que isso se faça à custa de valores tão caros e obtidos com tanto sacrifício [Direito tributário: fundamentos jurídicos da incidência. 3. ed. rev. atual. São Paulo: Saraiva, 2004, p. 166]. Dessa forma, não se pode perder de vista o substituído, ou melhor, a empresa cedente de mãodeobra, que está adstrita ao cumprimento da obrigação tributária [recolhimento das contribuições sociais]. Ignorar essa situação e esses pressupostos, seria prestigiar o excesso de arrecadação, com arrimo no in bis in idem. Ademais, não deve a tida “substituição” sobrepor o cumprimento da obrigação tributária pelo substituído, pois, como assevera o TRF 1ª Região, quando do julgamento do AMS1999.01.00.1146818/MG: CONSTITUCIONAL E TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL. RETENÇÃO DE 11% (ONZE POR CENTO) SOBRE O VALOR BRUTO DA NOTA FISCAL OU DA FATURA DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. ARTIGO 31 DA LEI Nº 8.212/91, COM A REDAÇÃO DA LEI Nº 9.711/98. ORDEM DE SERVIÇO 209/99. LEGALIDADE E CONSTITUCIONALIDADE.1. As modificações introduzidas pela referida Lei 9.711/98 visam, apenas e tãosomente, facilitar a arrecadação e a fiscalização do recolhimento das contribuições para a Previdência Social, prevenindo a sonegação, não havendo nisso nenhuma ilegalidade ou inconstitucionalidade. Ora, a então 2ª CAJ firmou entendimento, em relação à solidariedade passiva, que a apuração do crédito tributário junto ao prestador é necessária. Caso ocorra a não apresentação ou apresentação, deficiente pelo prestador, da documentação contábil ou trabalhista necessária a comprovar a extinção previdenciária, poderia o INSS arbitrar, junto ao responsável solidário, as contribuições que entender devidas. Ademais, aquele órgão do CRPS demonstrou preocupação pela cobrança indevida ou em duplicidade, in bis in idem, em relação ao tomador e prestador de serviços. Tal entendimento está consubstanciado no Parecer nº 2.376, de 21 de dezembro de 2000: 14. O que não pode haver é a cobrança de uma obrigação já paga ou negociada, ou seja, se um dos sujeitos passivos do tributo extinguir a obrigação pelo pagamento ou se ocorrer uma das hipóteses previstas de suspensão da exigibilidade do crédito tributário, não poderá o INSS cobrar, ou continuar cobrando, a obrigação do outro sujeito passivo. [...] 16. Desta forma, temos que o ordenamento jurídico não veda a possibilidade de existência de mais de um crédito sobre a mesma Fl. 593DF CARF MF Impresso em 08/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/ 10/2012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/10/2012 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 10120.002557/200757 Acórdão n.º 230201.623 S2C3T2 Fl. 67 11 obrigação tributária. O que não pode ser admitido é a cobrança de um débito já pago. [...] 21. A extinção ou a suspensão da obrigação importará, necessariamente, a extinção ou a suspensão da obrigação em relação aos demais responsáveis, exatamente porque a obrigação é uma só. O INSS deve, portanto, providenciar uma sistemática de acompanhamento de cobrança que possibilite a verificação destas ocorrências, evitandose o pagamento e o recebimento de obrigações já quitadas ou suspensas, bem como um sistema que possibilite verificar o valor real do estoque de dívida, afastandose a contagem em dobro, ou seja, dos valores devidos pelos contribuintes e pelos responsáveis sobre a mesma dívida. [...] 26. Em relação à arrecadação fiscal, temos que o mesmo fato gerador da obrigação tributária deve sempre constar do mesmo débito, evitandose, assim, que a mesma obrigação seja cobrada duas vezes em duas NFLS’s distintas, uma relação ao contribuinte e outra em relação ao responsável tributário. Portanto, em cada NFLD deve constar o nome não só do contribuinte como também de todos os responsáveis tributários. 27. A arrecadação não deve lançar, sobre o mesmo fato gerador, duas NFLD’s, uma contra o contribuinte e outra contra o responsável. No caso da retenção, entendo que o legislador apenas alterou determinado procedimento de exigibilidade do crédito previdenciário, entretanto, não buscou a exclusão do substituído como forma de referência para a verificação do cumprimento da obrigação previdenciária. Como disse alhures, existe apenas uma obrigação, isto é, a do recolhimento das contribuições incidentes sobre os serviços executados mediante cessão de mãodeobra, que se extingue com o pagamento, conforme dispõe o art. 113, do CTN: Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. O procedimento alterado simplesmente facilita a arrecadação e a fiscalização do recolhimento das contribuições para a Previdência Social, prevenindo a sonegação, isto é, exige o cumprimento pelo tomador dos serviços, ou melhor, transfere a esse o ônus de comprovar adimplemento da obrigação com a quitação do crédito previdenciário. Tanto é verdade este fato que, a lei prevê, inclusive, a restituição de saldos remanescentes, na impossibilidade de haver compensação integral na forma do §1º do art. 31 (art. 31, §2º): Fl. 594DF CARF MF Impresso em 08/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/ 10/2012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/10/2012 por LIEGE LACROIX THOMA SI 12 Art. 31. A empresa contratante de serviços executados mediante cessão de mãodeobra, inclusive em regime de trabalho temporário, deverá reter onze por cento do valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços e recolher a importância retida até o dia dois do mês subseqüente ao da emissão da respectiva nota fiscal ou fatura, em nome da empresa cedente da mãodeobra, observado o disposto no § 5º do art. 33. § 1º O valor retido de que trata o caput, que deverá ser destacado na nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, será compensado pelo respectivo estabelecimento da empresa cedente da mãodeobra, quando do recolhimento das contribuições destinadas à Seguridade Social devidas sobre a folha de pagamento dos segurados a seu serviço. § 2º Na impossibilidade de haver compensação integral na forma do parágrafo anterior, o saldo remanescente será objeto de restituição. Nesse contexto, ao meu ver, entendo que ao revés do procedimento adotado na solidariedade [da Secretaria da Receita Previdenciária verificar a existência de crédito], na retenção cabe ao tomador a prova do recolhimento. Ressaltese, portanto, que o fito da Administração Tributária, ao caso em julgamento, é pelo recolhimento das contribuições incidentes da tida prestação mediante cessão de mãodeobra. Ocorre que, diferentemente da solidariedade passiva, na retenção cabe ao Notificado a comprovação do cumprimento da obrigação pela prestadora. Segundo consta do Relatório Fiscal [fls. 165166], o presente lançamento tratase de: […] 5 Para realizar suas obras de construção civil, edificios, salas de administração, salas de aula, estacionamento, igreja / auditório, /oteamentos etc, a SGC mantém equipe de engenharia, empregados com formação na área de construção civil, além de contratar construtoras para executarem serviços ou empreitadas parciais, de modo que suas obras são executadas, concomitantemente ou sequencialmente, por diversas pessoas jurídicas e pessoas fisicas. Os materiais de consunção são fornecidos pelas construtoras/empresas contratadas, como também, são adquiridos pela própria SGC quando se tratam de materiais com custo significativo. Nas suas construções, a SGC assina diversos contratos para suas obras, inclusive com mais de uma construtora, para executar o serviço ou empreitada parcial estipulada em seu contrato e aditivos. As ART Anotação de Responsabilidade Técnica para execução das obras são cadastradas no CREAGO em nome de diversas construtoras e de profissionais habilitados e, inclusive, em nome dos engenheiros empregados da SGC. Enfim, as obras de construção civil da SGC são executadas através de empreitadas parciais e não através de empreitadas globais, como se pode verificar no objeto de contratos com construtoras CTESA e Dano Jardim, cópia às fls.108 a 125, 55 a 75, cópia de parte de plantas, às fis.51 a 54, listagem de pagamentos, fls.144 a 146, listagem de ART de execução de obras na Área II em nome de Fl. 595DF CARF MF Impresso em 08/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/ 10/2012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/10/2012 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 10120.002557/200757 Acórdão n.º 230201.623 S2C3T2 Fl. 68 13 vários profissionais e empresas, como: Engesol, CTESA, Dario e Jardim, Nishi Engenharia, Eliane Garcia da Silva (engenheira empregada da SGC/UCG), Liderança Impermeabilizações, Pireus Tecnologia, as fis.49 e 50, listagem de contratos apresentados, às fls.159 a 161. 6 Durante esta ação fiscal, não foram apresentados todos os contratos de construção civil e outros documentos e informações que se faziam necessárias, inclusive planilhas orçamentárias e anexos integrantes dos contratos. A não apresentação destes documentos e de outras informações acarretou o Al Auto de Infração n°.370746341. Constatouse que não foi providenciado Alvará de Construção antes do inicio de algumas de suas obras, como também, Habitese na conclusão de diversas obras. Também, não foi providenciada matrícula junto ao INSS de diversas obras de construção civil, conforme listagem das suas três matrículas CEI as 118.162 a 164,.o que acarretou o AI n°370746350. Constatouse que o edificio destinado a igreja /auditório ainda não foi concluído, encontrando paralisada aquela obra. Consta no cadastro informatizado do INSS que a matrícula CEI 38780004531178 de 23.05.2001, à Av.Universitario, n.400, Qd 87, referese a 14.278,70 m3, enquanto consta nos poucos projetos arquitetônicos apresentados, um deles datado de Mar/2007, outro desenhado em Mar/2004 e aprovado em 12.05.05, área de construção/obra de 19.986,47 m 2. e de 26.655,39 m2, fis.162, 51 a 54. 7 O débito constante na presente NFLD referese as contribuições não recolhidas, tendo sido apurado com base em NFS Notas Fiscais de Serviço pagas e contabilizadas, referentes a empreitadas parciais em obras de construção civil realizadas na Área II. Nenhuma contribuição constante neste débito foi descontada das duas empreiteiras, conforme documentação de pagamentos e preenchimentos das Notas Fiscais das empreiteiras, o que acarretou o AlAuto de Infração n°370746368. Nos documentos contabilizados, verificase que foram retidas e recolhidas as contribuições de 11% de outras empresas que realizaram diversas outras empreitadas parciais nas obras da Área II. 8 O débito constante na presente NFLD foi apurado por meio de arbitramento da base de calculo da retenção de 11%, ou seja, arbitramento dos valores dos serviços prestados na Área II pelas empresas CTESA Engenharia Ltda, CNPJ03.696.499/000101, e Dado Jardim Engenharia e Construção Ltda, CNN 25.076.373/000177, como previsto nos parágrafos 3° e 50 do artigo 33 da Lei 8.212/91. O procedimento de arbitramento do valor do serviço, com base no valor contido em NFSNotas Fiscais de Serviços, encontrase regulamentado nos artigos 233 do Decreto 3.048 de 06/05/1999, na Ordem de Serviço INSS/DAF n°209 de 20.05.1999, além dos artigos 149 a 186 da Instrução Normativa INSS/DC n°.100 de 18.12.2003, e nos artigos 140 a 177 da Instrução Normativa MPS/SRP n°.03 de 14.07.2005. Fl. 596DF CARF MF Impresso em 08/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/ 10/2012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/10/2012 por LIEGE LACROIX THOMA SI 14 9 Constituem fatos geradores do presente Crédito Previdenciário, o valor arbitrado para o service prestado pelas construtoras CTESA e Dano Jardim, que empreitaram parte das obras na Área II da UCG, no período de 2001 a 2003, recebendo através de NFS, conforme cópia de NES e listagens as fis.76 a 107, 126 a 143, 148. Tendo em vista que constava em contratos o fornecimento de materiais, porém, não constava na documentação apresentada, nem nas NFS das citadas construtoras, o valor do serviço e o valor da retenção para a Previdência Social, apurouse como serviço da construtora Dado Jardim o percentual de 50% (cinqu enta por cento) do valor contido nas suas NES, conforme planilha as fls.107, visto não foi apresentado nenhum recolhimento. Para a apuração do valor do serviço prestado pela construtora CTESA, em cujos contratos também constava fornecimento de materiais, visto que entregou GFIP e recolheu (IPS na matricula CEI 3878004531/78, fls.147, foi considerado como serviço o percentual de 50% (cinqu enta por cento) do valor das NFS, aproveitandose os valores recolhidos pela CTESA, no CEI 387804531/78, para calcular o valor das NES cobertas por recolhimento providenciado, conforme planilha às fls.148. Realizandose o cotejo entre os argumentos dispostos no Relatório Fiscal e aqueles apresentados pelo Sujeito Passivo, entendo que a Recorrente não conseguiu elidir a responsabilidade pela retenção. Além disso, consta do “Termo Aditivo” assinado em 16/07/2002, cujo objeto foi “obra da Igreja Apóstolo João (infraestrutura) Área II, a execução da SuperEstrutura dos níveis 1, 0, +1,”, consta da Cláusula Quarta que compete à Contratante [fl. 57]: [...] a retenção da contribuição dos encargos sociais em 11% [onze por cento], que deverá ser recolhida pela empresa Contratante em GPS – Guia de Previdência Social anexada a Nota Fiscal – conforme Ordem de Serviço n. 203 de 29 de janeiro de 1999. 4 CONCLUSÃO: Pelos motivos expendidos, CONHEÇO do recurso voluntário, para no mérito DARLHE PROVIMENTO PARCIAL, para excluir do lançamento à exigência fiscal até a competência 03/2002. É como voto. (assinado digitalmente) MANOEL COELHO ARRUDA JÚNIOR Conselheiro Fl. 597DF CARF MF Impresso em 08/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/ 10/2012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/10/2012 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 10120.002557/200757 Acórdão n.º 230201.623 S2C3T2 Fl. 69 15 Fl. 598DF CARF MF Impresso em 08/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/ 10/2012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/10/2012 por LIEGE LACROIX THOMA SI
score : 1.0
