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Numero do processo: 10425.900178/2008-81
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 17 00:00:00 UTC 2012
Ementa: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE - SIMPLES Ano-calendário: 2004 COMPENSAÇÃO. REQUISITO. Comprovado que o mesmo crédito foi utilizado em outra DCOMP, só será admitido como crédito passível de compensação a parte indicada como disponível nos sistemas de controle da RFB. Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 1801-000.835
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: EDGAR SILVA VIDAL
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ementa_s : SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE - SIMPLES Ano-calendário: 2004 COMPENSAÇÃO. REQUISITO. Comprovado que o mesmo crédito foi utilizado em outra DCOMP, só será admitido como crédito passível de compensação a parte indicada como disponível nos sistemas de controle da RFB. Recurso Voluntário Negado.
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REQUISITO. Comprovado que o mesmo crédito foi utilizado em outra DCOMP, só será admitido como crédito passível de compensação a parte indicada como disponível nos sistemas de controle da RFB. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator (Documento assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes – Presidente (Documento assinado digitalmente) Edgar Silva Vidal – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Tadeu Matosinho Machado, Magda Azario Kanaan Polanczyk, Jaci de Assis Junior, Edgar Silva Vidal, Marcos Vinicius Barros Ottoni e Ana de Barros Fernandes Fl. 63DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2012 por EDGAR SILVA VIDAL, Assinado digitalmente em 13/03/2012 po r ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 11/03/2012 por EDGAR SILVA VIDAL 2 Relatório A Recorrente transmitiu no dia 08/12/2004 a PER/DCOMP nº 14072.31128.081204.1.3.045250, no valor original de R$ 7.254,48, referente a DARF SIMPLES, código 6106, recolhido em 10/03/2004, visando compensar débitos de sua responsabilidade.. Em Despacho Decisório eletrônico, de 24/03/2008, a DRF em Campina Grande – PB não homologou a compensação pleiteada, sob o argumento de que o DARF indicado no PER/DCOMP não fora localizado nos sistemas da RFB. e cobrou o valor correspondente aos débitos indevidamente compensados, acrescido de multa e de juros. A Recorrente apresentou Manifestação de Inconformidade, alegando que o crédito utilizado referese ao DARF recolhido em 10/03/2004, no valor de R$ 7.254,64, requereu a improcedência do Despacho Decisório. e o cancelamento do débito fiscal reclamado. Em sessão de 11 de fevereiro de 2011, a DRJ em Recife, com o Acórdão nº 1132.890, julgou a Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte e reconheceu o Direito Creditório em Parte, no valor de R$ 2.813,29. Intimada do Acórdão em 25/04/2011, apresentou Recurso Voluntário em 19/05/2011, alegando que a PER/DCOMP foi homologada parcialmente e o controle encontra se no processo nº 10425.900293/200855. Reconhece o erro do pleiteado em parte na PER/DCOMP, pede o provimento do Recurso Voluntário e o cancelamento do débito fiscal reclamado. É o relatório. Fl. 64DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2012 por EDGAR SILVA VIDAL, Assinado digitalmente em 13/03/2012 po r ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 11/03/2012 por EDGAR SILVA VIDAL Processo nº 10425.900178/200881 Acórdão n.º 1801000.835 S1TE01 Fl. 64 3 . Voto Conselheiro Edgar Silva Vidal, Relator O Recurso Voluntário é tempestivo e dele conheço. A empresa foi excluída do SIMPLES Federal, com efeitos a partir de 01/01/2003 sujeitandose, daí em diante, às regras de tributação como as demais pessoas jurídicas e, em 29/06/2005, apresentou DIPJ sob a forma de Lucro Presumido. Em 08/12/2004, ela transmitiu PER/DCOMP objetivando compensar crédito oriundo de pagamento relativo ao SIMPLES (código 6106) com os débitos dos impostos e contribuições, de sua responsabilidade, devidos pelas demais pessoas jurídicas não optantes. Ao transmitir a PER/DCOMP a Recorrente informou no campo período de apuração a data de 28/02/2004 e no campo valor total R$ 7.254,48, documento este não encontrado nos sistemas da RFB, pois no DARF recolhido, no período de apuração a data era 29/02/2004 e no valor total era de R$ 7.254,64, equívocos estes que ensejaram a não homologação da compensação efetuada. A DRJ verificou que o referido crédito foi objeto das seguintes PER/DCOMP: a) n° 19994.62350.091204.1.3.043223 transmitida em 09/12/2004 a qual está sendo analisada através do processo n° 10425.900669/200821 (fl.47); b) n° 21679.16967.181005.1.3.044443 transmitida em 18/10/2005, a qual, de acordo com o histórico à fl.43, foi concluída a análise do direito creditório concedendo, do crédito originário de R$ R$ 7.254,64, o valor de R$ 4.441,35 (fls.43/45). A citada PER/DCOMP se encontra pendente de análise relativo à identificação dos débitos informados.Desta forma, do crédito originário de R$ 7.254,64, se encontra reservado o valor de R$4.441,35 para a mesma, restando um saldo passível de compensação de R$ 2.813,29 (fl.46)., já deferido conforme Acórdão da 1ª Instância Diante do exposto, voto para negar provimento ao Recurso Voluntário. (Documento assinado digitalmente) Edgar Silva Vidal Relator Fl. 65DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2012 por EDGAR SILVA VIDAL, Assinado digitalmente em 13/03/2012 po r ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 11/03/2012 por EDGAR SILVA VIDAL 4 Fl. 66DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2012 por EDGAR SILVA VIDAL, Assinado digitalmente em 13/03/2012 po r ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 11/03/2012 por EDGAR SILVA VIDAL
score : 1.0
Numero do processo: 10935.721398/2011-95
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 03 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Imposto Sobre a Renda Pessoa Jurídica IRPJ
Ano calendário: 2006, 2007
OMISSÃO DE RECEITA. FALTA DE ESCRITURAÇÃO DE PAGAMENTOS EFETUADOS.
Registros em contas do Razão do Passivo Circulante conta Fornecedores e em contas de Despesas e cópias de comprovantes de pagamento não são documentos suficientes a ilidir lançamento fiscal referente a omissão de receitas devido a pagamentos efetuados e não contabilizados.
PREJUÍZO FISCAL E BASE DE CÁLCULO NEGATIVA JÁ CONSIDERADOS NA APURAÇÃO DE OFÍCIO.
Improcedente o pleito para que sejam deduzidos prejuízo fiscal e base de cálculo negativa, na apuração fiscal de IRPJ e CSLL, se tais valores já foram considerados na autuação.
PIS. COFINS. SALDOS CREDORES JÁ CONSUMIDOS.
Descabida a reivindicação de que se deduza da apuração saldos credores de PIS e Cofins, apurados pelo contribuinte com incidência não cumulativa na Dacon, se tais créditos já foram por ele totalmente consumidos na apuração das contribuições de períodos de apuração seguintes.
MULTA QUALIFICADA. CABIMENTO.
Submeter à tributação receita bruta em valor inferior aos recursos provenientes da venda de mercadorias, ocultando do fisco a verdadeira base de cálculo da obrigação tributária, constitui conduta que justifica a aplicação de multa qualificada.
PROCEDIMENTO FISCAL. INÍCIO. PERDA DA ESPONTANEIDADE.
RETIFICAÇÃO DA DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS. SÚMULA Nº 33 DO CARF.
Conforme súmula nº 33 do CARF, a declaração entregue após o início do procedimento fiscal não produz quaisquer efeitos sobre o lançamento de ofício.
JUROS DE MORA TAXA SELIC SÚMULA Nº 4 DO CARF.
Conforme súmula nº 4 do CARF, a partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais.
DEMAIS TRIBUTOS. Aplica-se à tributação reflexa idêntica solução dada ao lançamento principal em face da estreita relação de causa e efeito.
Recurso Voluntário desprovido.
Numero da decisão: 1402-001.094
Decisão: ACORDAM os membros da 4ª câmara / 2ª turma ordinária da primeira SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Nome do relator: CARLOS PELA
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anomes_sessao_s : 201207
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Imposto Sobre a Renda Pessoa Jurídica IRPJ Ano calendário: 2006, 2007 OMISSÃO DE RECEITA. FALTA DE ESCRITURAÇÃO DE PAGAMENTOS EFETUADOS. Registros em contas do Razão do Passivo Circulante conta Fornecedores e em contas de Despesas e cópias de comprovantes de pagamento não são documentos suficientes a ilidir lançamento fiscal referente a omissão de receitas devido a pagamentos efetuados e não contabilizados. PREJUÍZO FISCAL E BASE DE CÁLCULO NEGATIVA JÁ CONSIDERADOS NA APURAÇÃO DE OFÍCIO. Improcedente o pleito para que sejam deduzidos prejuízo fiscal e base de cálculo negativa, na apuração fiscal de IRPJ e CSLL, se tais valores já foram considerados na autuação. PIS. COFINS. SALDOS CREDORES JÁ CONSUMIDOS. Descabida a reivindicação de que se deduza da apuração saldos credores de PIS e Cofins, apurados pelo contribuinte com incidência não cumulativa na Dacon, se tais créditos já foram por ele totalmente consumidos na apuração das contribuições de períodos de apuração seguintes. MULTA QUALIFICADA. CABIMENTO. Submeter à tributação receita bruta em valor inferior aos recursos provenientes da venda de mercadorias, ocultando do fisco a verdadeira base de cálculo da obrigação tributária, constitui conduta que justifica a aplicação de multa qualificada. PROCEDIMENTO FISCAL. INÍCIO. PERDA DA ESPONTANEIDADE. RETIFICAÇÃO DA DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS. SÚMULA Nº 33 DO CARF. Conforme súmula nº 33 do CARF, a declaração entregue após o início do procedimento fiscal não produz quaisquer efeitos sobre o lançamento de ofício. JUROS DE MORA TAXA SELIC SÚMULA Nº 4 DO CARF. Conforme súmula nº 4 do CARF, a partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. DEMAIS TRIBUTOS. Aplica-se à tributação reflexa idêntica solução dada ao lançamento principal em face da estreita relação de causa e efeito. Recurso Voluntário desprovido.
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FALTA DE ESCRITURAÇÃO DE PAGAMENTOS EFETUADOS. Registros em contas do Razão do Passivo Circulante conta Fornecedores e em contas de Despesas e cópias de comprovantes de pagamento não são documentos suficientes a ilidir lançamento fiscal referente a omissão de receitas devido a pagamentos efetuados e não contabilizados. PREJUÍZO FISCAL E BASE DE CÁLCULO NEGATIVA JÁ CONSIDERADOS NA APURAÇÃO DE OFÍCIO. Improcedente o pleito para que sejam deduzidos prejuízo fiscal e base de cálculo negativa, na apuração fiscal de IRPJ e CSLL, se tais valores já foram considerados na autuação. PIS. COFINS. SALDOS CREDORES JÁ CONSUMIDOS. Descabida a reivindicação de que se deduza da apuração saldos credores de PIS e Cofins, apurados pelo contribuinte com incidência não cumulativa na Dacon, se tais créditos já foram por ele totalmente consumidos na apuração das contribuições de períodos de apuração seguintes. MULTA QUALIFICADA. CABIMENTO. Submeter à tributação receita bruta em valor inferior aos recursos provenientes da venda de mercadorias, ocultando do fisco a verdadeira base de cálculo da obrigação tributária, constitui conduta que justifica a aplicação de multa qualificada. Fl. 4498DF CARF MF Impresso em 10/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2012 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 09/10/2012 por LEON ARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 02/10/2012 por CARLOS PELA Processo nº 10935.721398/201195 Acórdão n.º 1402001.094 S1C4T2 Fl. 2 2 PROCEDIMENTO FISCAL. INÍCIO. PERDA DA ESPONTANEIDADE. RETIFICAÇÃO DA DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS. SÚMULA Nº 33 DO CARF. Conforme súmula nº 33 do CARF, a declaração entregue após o início do procedimento fiscal não produz quaisquer efeitos sobre o lançamento de ofício. JUROS DE MORA TAXA SELIC SÚMULA Nº 4 DO CARF. Conforme súmula nº 4 do CARF, a partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. DEMAIS TRIBUTOS. Aplicase à tributação reflexa idêntica solução dada ao lançamento principal em face da estreita relação de causa e efeito. Recurso Voluntário desprovido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 4ª câmara / 2ª turma ordinária da primeira SSEEÇÇÃÃOO DDEE JJUULLGGAAMMEENNTTOO, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente (assinado digitalmente) Carlos Pelá Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Leonardo de Andrade Couto. Relatório Fl. 4499DF CARF MF Impresso em 10/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2012 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 09/10/2012 por LEON ARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 02/10/2012 por CARLOS PELA Processo nº 10935.721398/201195 Acórdão n.º 1402001.094 S1C4T2 Fl. 3 3 Tratase de auto de infração de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS (fls. 3334/3359), relativos aos anoscalendário 2006 e 2007, cumulados com multa de ofício qualificada (150%) e juros de mora, em razão da suposta (i) omissão de receitas da atividade, relativas a pagamentos não contabilizados; e (ii) falta de adição ao lucro contábil de despesas de depreciação de bens do ativo imobilizado reavaliados, conforme Termo de Verificação Fiscal às fls. 3328/3332. É de se notar que a autuada apresentou as DIPJ de 2006 e 2007 com todos os campos zerados. O regime de tributação escolhido foi o de lucro real anual com recolhimentos de estimativas mensais de IRPJ e CSLL com base na receita bruta e acréscimos (conforme DIPJ de fls. 557/603) e, conseqüentemente, o PIS e a COFINS apurados com incidência não cumulativa. Quando já sob fiscalização, em 23/11/2010 e 21/12/2010, a autuada apresentou as correspondentes DIPJ retificadoras (fls. 604/651), alterando a opção para Lucro Real Anual, apurado a partir de estimativas mensais, com base em balanço ou balancete de suspensão ou redução, apontado ter apurado prejuízos fiscais e bases de cálculo negativas em todos os meses dos anos 2006 e 2007. A autuada apresentou impugnação (fls. 3363/3416), acompanhada dos documentos Anexos I a V (fls. 3417/4162), aduzindo, em síntese, o relatado pela DRJ/CTA: 6. Após relatar a autuação e transcrever trechos da mesma, classifica o valor exigível de “impagável” e afirma que é totalmente improcedente. 7. Afirma que foi surpreendido com os autos de infração, porque apresentou as comprovações mediante as provas e demonstrativos que anexa, que não foram analisados pelo autuante porque este não os aceitou, dado o exíguo prazo que concedeu, quando o contribuinte necessitava de no mínimo 60 (sessenta) dias para atendêlo. 8. Destaca que não estava obrigado a apresentar à RFB os arquivos magnéticos do sistema SINCO e que readequou seu sistema de processamento de dados da contabilidade a fim de suprir a exigência, o que de nada lhe adiantou porque, além de entregar a contabilidade via magnética, entregou também os livros e documentos contábeis, notas fiscais, livro inventário, DCTF, Dacon, DIPJ, LALUR, documentação bancária; que esclareceu a origem dos depósitos/créditos recebidos, provando a inexistência de omissão de receitas; entregou mapas de depreciação do ativo imobilizado, jamais tendo criado qualquer embaraço à fiscalização que justificasse a aplicação de multa de 150% a qual deve ser reduzida a 75% por uma questão de justiça; que não entende como o fiscal não pode localizar os lançamentos dos pagamentos. 9. Que após suprir todo o exigido no Termo de Intimação Fiscal TIF nº 1, recebeu o de nº 2, em 30/06/2011, exigindo a comprovação de pagamentos em 2006 e 2007, devidamente entregues pelo litigante (relatório, documentos e Razão) e que em caso de dúvida bastava confrontar o número do lançamento Fl. 4500DF CARF MF Impresso em 10/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2012 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 09/10/2012 por LEON ARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 02/10/2012 por CARLOS PELA Processo nº 10935.721398/201195 Acórdão n.º 1402001.094 S1C4T2 Fl. 4 4 constante do Razão com o do arquivo magnético, que é o mesmo e reitera não entender porque o fiscal não localizou os lançamentos dos pagamentos e diz que só não pode especificar a linha do arquivo onde constava cada registro porque entregou o DVD original com os arquivos magnéticos ao fiscal, ficando sem nenhuma cópia; destaca que nenhuma omissão de registro em 2006 foi detectada e pergunta, então porque não se pode considerar o mesmo em relação a 2007, se a sistemática de contabilização é a mesma. 10. Em 29/07/2011, recebeu o TIF nº 3, requerendo comprovação dos meses 01 a 03/2007, devidamente entregue por amostragem e, apesar de o fiscal não têlos encontrado, eles existem, afirma: “e foram devidamente comprovados e entregues mediante protocolo datado de 06.09.2011, cabendo ressaltar que a Contribuinte não contabilizou comprovantes em datas posteriores as suas respectivas quitações, e sim em algumas vezes têm lançado por equívoco na data do vencimento referido boleto, ou seja, de forma antecipada; não cabendo Auto de Infração por Omissão de Receita, em virtude ter ocorrido justamente o contrário, vez que utilizou a disponibilidade de caixa de forma antecipada;” 11. O TIF nº 4 foi recebido em 14/09/2011, com prazo de resposta de apenas 10 dias, requerendo a comprovação de escrituração de pagamentos efetuados de 04 a 12/2007 e reiterando a referente a 01 a 03/2007; afirma que qualquer um entende que este prazo é inexeqüível, sendo necessários no mínimo 60 dias, por isso optou por comprovar por amostragem enquanto dava seguimento ao levantamento, tendo sido surpreendido com o presente auto de infração em 19/10/2011; por isso, requer que a referida comprovação seja examinada em sede de impugnação e explica: a. Que em 2006 e 2007, antes da Nota Fiscal Eletrônica, os fornecedores somavam todas as notas fiscais emitidas ao mesmo cliente no mês e emitiam a fatura/ duplicatas e cobravam pelo total ou dividindo em duas ou três duplicatas, sendo esta a razão porque nem sempre as duplicatas e as notas fiscais contêm os mesmos valores “porém é de se verificar que os valores representados como saldo de fornecedores em 31.12.2007, é bastante a quem aos dos valores das aquisições mensais de mercadorias.” b. Que possuía elevado valor de cheques em carteira o que evidencia origem de disponibilidade para tais pagamentos e contrapartida dos supostos pagamentos não contabilizados; c. Que o confronto dos boletos de duplicatas com as notas fiscais evidencia diferenças a maior nos primeiros que são valores adicionados pela agência bancária, referentes a custo do boleto e despesas financeiras de cobrança; Fl. 4501DF CARF MF Impresso em 10/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2012 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 09/10/2012 por LEON ARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 02/10/2012 por CARLOS PELA Processo nº 10935.721398/201195 Acórdão n.º 1402001.094 S1C4T2 Fl. 5 5 d. Também que muitas vezes pagou mais de uma duplicata no dia, agrupandoas, o que pode ser causa de divergência entre o lançamento e o boleto; e. Requer bom senso do julgador, para que, “in dúbio, pro reo” e que se baseie nos princípios da Razoabilidade e Capacidade Contributiva do contribuinte;f. Conclui reiterando que comprovou por amostragem, por falta de tempo hábil,mas confia que servirão de base para análise e comprovação. 12. Informa que, em preliminar, elabora demonstrativos dos anos 2006 e 2007, para provar que inexistem valores a serem tributados em 2006 e 2007, em função de glosa de depreciação de ativo imobilizado – conta Veículos: (...). 13. Quanto à omissão de receitas, pagamentos não contabilizados, assevera que estão comprovados, bastando examinar os documentos do Doc. Anexo III, e: a. que não foram analisados pelo fiscal as provas do TIF nº 2, meses 01 a 03/2007, entregues em 06/09/2011, sendo que talvez tenham sido desconsiderados por não ter sido mencionado o nº das contas a que se referem os lançamentos, mas a cópia do boleto e do Razão permitem a identificação; b. que além dos livros contábeis Diário e Razão, também forneceu ao autuante os arquivos em meio magnético Sinco e que foram juntado aos autos Razões Caixa; c. que se colocou à disposição para esclarecimentos e, no silêncio do Fisco, concluiu terem sido aceitas as comprovações; d. que, como não lhe foi oportunizado apresentar comprovação referente aos meses de 04 a 12/2007, apresentaos junto com a impugnação, para análise, exercendo sue direito constitucional de defesa e assim, provará a inexistência de omissão de receitas. 14. Quanto ao lançamento de PIS, argumenta que o fiscal considerou corretamente preenchidos os Dacon Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais, apurados com incidência não cumulativa e no qual o contribuinte apurou saldos credor de R$ 22.196,02 em 31/12/2007, que em confronto com a exigência de R$ 19.841,85, evidencia que o lançamento foi indevido e em duplicidade, cabendo sua exoneração: a. Porque restou comprovada a inexistência de pagamentos não contabilizados; b. Pela imputação do valor exigido com o crédito disponível, restando ainda uma sobra de crédito ao contribuinte de R$ 2.354,17. 15. Quanto ao lançamento de Cofins, analogamente, apurou no Dacon crédito em 31/12/2007 de R$ 102.236,08 que, em Fl. 4502DF CARF MF Impresso em 10/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2012 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 09/10/2012 por LEON ARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 02/10/2012 por CARLOS PELA Processo nº 10935.721398/201195 Acórdão n.º 1402001.094 S1C4T2 Fl. 6 6 confronto com a exigência de R$ 91.392,99, resulta no crédito ao contribuinte de R$ 10.843,09. 16. Mesmo assim, segue em anexo relatório referente a Levantamento de Comprovação por Amostragem de pagamento de fornecedores, totalizando 90 laudas (Doc.Anexo II), e provas documentais no Doc. Anexo IV. 17. Destaca que requer, em preliminar, anulação dos autos de infração, por serem inadmissíveis as incorreções nele identificadas. 18. No mérito, reitera que foram indevidos os lançamentos relativos à glosa de depreciação do imobilizado – Veículos e os de PIS e Cofins, conforme comprovou nas preliminares da impugnação; quanto à omissão de receitas, pagamentos não contabilizados, restou não comprovada a infração porque o valor das obrigações é muito menor que dos disponíveis e realizáveis, sem contar os Estoque, no valor de R$ 4.595.383,01: a. Neste caso, sua contabilidade teria apresentado passivo fictício, o que não ocorreu, devendose verificar as disponibilidades dos saldos nas contas contábeis em 31/12/2007: Caixa/bancos – R$ 139.189,07; contas a receber – R$ 2.138.379,51; cheques em carteira – R$ 3.157.062,75 e outras a receber – R$ 869.133,82, totalizando R$ 6.303.765,15; b. E os financiamentos tomados (obrigações financeiras) que serviram anteriormente de origem de Caixa para outros pagamentos: Fornecedores a pagar – R$ 1.601.997,84 e Empréstimos bancários R$ 940.164,48, totalizando obrigações de R$ 2.542.162,32, em 31/12/2007, conforme Balanço. c. Que só o confronto entre Fornecedores e Cheques em Carteira já evidencia não haver omissão de receita por falta de lançamento de pagamentos; d. Confrontando a base de cálculo da infração por omissão de receitas por pagamentos não contabilizados de R$ 1.202.540,16, com o saldo de R$ 1.601.997,84 a pagar a fornecedores em 31/12/2007 da contabilidade, restaria apenas um saldo a pagar a fornecedores de R$ 399.457,68, o que significaria que o litigante teria pago 90% das compras à vista; no entanto, nenhuma compra à vista consta da documentação; também é incompatível tal saldo para uma empresa que comprava à base de R$ 3.800.000,00 por mês; e. destaca que entregou todos os livros de Registro de Inventário, onde não foram detectadas irregularidades. 19. Pelo exposto, evidente que não criou embaraço ao fisco, nem teve máfé, nem há indícios de sonegação, tanto que o próprio fisco detectou a veracidade dos valores contábeis constantes dos Balanços e DRE’s de 2006 e 2007, por estarem de acordo com as DIPJ, DCTF e Dacon apresentados e correspondentes Fl. 4503DF CARF MF Impresso em 10/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2012 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 09/10/2012 por LEON ARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 02/10/2012 por CARLOS PELA Processo nº 10935.721398/201195 Acórdão n.º 1402001.094 S1C4T2 Fl. 7 7 escritas fiscal e contábil e pergunta, onde fica a aplicabilidade dos princípios da legalidade, razoabilidade. 20. Assevera que é desautorizada a presunção de omissão de receitas com base em passivos fictícios, se o contribuinte comprovar com base em lançamentos contábeis e documentação que os pagamentos ocorreram no ano seguinte, conforme acórdãos do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF. 21. Invoca as limitações ao poder de tributar, art, 150 da Constituição Federal de 05 de outubro de 1988 CF de 1988, os princípios da legalidade, não cumulatividade, vedação ao confisco e capacidade contributiva, pois a exigência excede o patrimônio do contribuinte; afirma que no seu entender, o critério do autuante para apurar os valores autuados não é suficientemente claro, sendo os autos improcedentes. 22. Afirma que a autuação exige valores que o contribuinte já havia oferecido à tributação na DIPJ . 23. Investe contra o excesso de carga tributária no País. 24. Afirma sobre as bases de cálculo das exigências: a. IRPJ e CSLL – que tem como base de cálculo o valor lançado no lucro real com balanço de suspensão, conforme a DIPJ entregue; b. PIS – com base na LC nº 7, de 1970, alterada péla LC nº 17, de 1973 e alterações posteriores por leis ordinárias e medidas provisórias, porém foi comprovado que a exigência é improcedente, assim com a da Cofins. 25. Reclama do caráter confiscatório da multa de 150% , aplicada com excesso de exação, por se tratar de medida excepcional aplicável somente em casos de evidente intuito de fraude, que não é o caso, pois não houve sonegação, conluio e ação ou omissão dolosa, pois o contribuinte cooperou e entregou todos os livros; transcreve jurisprudência. 26. Também taxa de ilegais os juros de mora pela taxa referencial do Sistema de Liquidação e Custódia para títulos federais – Selic, porque excedem a 1% am ou 12% aa, não sendo permitidos pelo art. 161, § 1º, do Código Tributário Nacional CTN, Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, e uma lei ordinária pode modificar estes valores, somente para percentuais menores; que a cobrança em percentuais superiores a estes, com base na Lei nº 9.069, de 1995 e outras, constitui usura pecuniária, pois a taxa referencial do Sistema de Liquidação e Custódia para títulos federais – Selic, divulgadas pelo Sr. Coordenador Geral do Sistema de Arrecadação, através de Atos Declaratórios mensais, é acumulada mensalmente e é muito superior ao permitido pelo CTN. Fl. 4504DF CARF MF Impresso em 10/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2012 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 09/10/2012 por LEON ARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 02/10/2012 por CARLOS PELA Processo nº 10935.721398/201195 Acórdão n.º 1402001.094 S1C4T2 Fl. 8 8 No Anexo I e II (fls. 3417/3428 e 3429/3519) constam procuração, cartão do CNPJ, alteração de contrato social consolidada e cópias das respostas aos TIF nº 3 e 4. No Anexo III (fls. 3520/3587), consta cópia dos Balanços Patrimoniais, DRE, DIPJ 2006 e 2007. No Anexo IV (fls. 3589/4377), intitulado “Comprovação por amostragem resumos comprovando provas documentais e lançam. de pagtos. correpond. aos meses de janeiro a dezembro de 2007”, verificase: (i) às fls. 3590/3679, resposta ao TIF nº 3 e 4, discriminando e descrevendo pagamentos; e (ii) às fls. 3680/4377, cópias do Razão e documentos atinentes a estes pagamentos. Os julgadores da 2ª Turma da DRJ/CTA, por unanimidade de votos, rejeitaram a preliminar argüida e julgaram improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário exigido, conforme ementa a seguir transcrita: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2006, 2007 AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. Somente ensejam a nulidade os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2006, 2007 PREJUÍZO FISCAL E BASE DE CÁLCULO NEGATIVA JÁ CONSIDERADOS NA APURAÇÃO DE OFÍCIO. Improcedente o pleito para que sejam deduzidos prejuízo fiscal e base de cálculo negativa, na apuração fiscal de IRPJ e CSLL, se tais valores já foram considerados na autuação. OMISSÃO DE RECEITA. FALTA DE ESCRITURAÇÃO DE PAGAMENTOS EFETUADOS. Registros em contas do Razão do Passivo Circulante conta Fornecedores e em contas de Despesas e cópias de comprovantes de pagamento não são documentos suficientes a ilidir lançamento fiscal referente a omissão de receitas devido a pagamentos efetuados e não contabilizados. PIS. COFINS. SALDOS CREDORES JÁ CONSUMIDOS. Descabida a reivindicação de que se deduza da apuração saldos credores de PIS e Cofins, apurados pelo contribuinte com incidência não cumulativa no Dacon, se tais créditos já foram por ele totalmente consumidos na apuração das contribuições de períodos de apuração seguintes. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2006, 2007 Fl. 4505DF CARF MF Impresso em 10/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2012 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 09/10/2012 por LEON ARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 02/10/2012 por CARLOS PELA Processo nº 10935.721398/201195 Acórdão n.º 1402001.094 S1C4T2 Fl. 9 9 CAPACIDADE CONTRIBUTIVA. PROPORCIONALIDADE RAZOÁVEL. A autoridade administrativa não dispõe de poder discricionário para alterar lançamento de ofício efetuado em obediência à legislação e normas legais e administrativas. INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. APRECIAÇÃO. VEDAÇÃO. Não compete à autoridade administrativa manifestarse quanto à inconstitucionalidade ou ilegalidade da legislação que embasou a autuação, por ser essa prerrogativa exclusiva do Poder Judiciário. DOLO. Caracteriza a intenção dolosa de ocultar os fatos geradores da obrigação tributária, efetuar pagamentos a fornecedores e não registrálos na contabilidade e lançar valores indevidos de depreciação como despesa, apurar créditos indevidos no Dacon enquanto apresenta DIPJ com valores todos zerados. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. SONEGAÇÃO. DOLO. Considerandose a intenção dolosa de ocultar os fatos geradores da obrigação tributária, aplicase multa de ofício qualificada sobre os correspondentes impostos e contribuição sociais exigidos. MULTA DE OFÍCIO. PERCENTUAL. LEGALIDADE. O percentual de multa qualificada aplicável é aquele determinado expressamente em lei. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. LEGALIDADE. Aplicamse juros de mora por percentuais equivalentes à taxa Selic por expressa previsão legal. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Regularmente intimada, a autuada apresentou o Recurso Voluntário (fls. 4472/4495), repisando os argumentos de sua peça impugnatória, pleiteando, em resumo, que: A entrega das DIPJ’s com saldo zerado não obstou ou dificultou a ação fiscal, mesmo porque as declarações retificadoras foram apresentadas no curso da ação fiscal. Diferentemente do que afirma a decisão recorrida, a Recorrente não apresentou nos autos somente os livros fiscais com registros das compras de mercadorias. Conforme se observa dos documentos anexos à Impugnação, os documentos juntados tratamse de razões analíticos de cada fornecedor, estando em cada pagamento indicado a contra partida contábil do lançamento a crédito. Dessa forma, não se pode falar em meras alegações ou lançamentos de notas fiscais. Os documentos anexados à impugnação demonstram que a empresa efetuou o pagamento e efetivamente contabilizou os pagamentos realizados. Contudo, pela dinâmica dos negócios que envolvem a atividade de supermercados, os lançamentos foram realizados de forma agrupada e, muitas vezes, a contrapartida não é exclusiva na conta bancos, podendo o Fl. 4506DF CARF MF Impresso em 10/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2012 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 09/10/2012 por LEON ARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 02/10/2012 por CARLOS PELA Processo nº 10935.721398/201195 Acórdão n.º 1402001.094 S1C4T2 Fl. 10 10 pagamento ser realizado via caixa, com diversas faturas agrupadas num único lançamento contábil. Se a Recorrente possuía disponibilidades de mais de dois milhões de reais mesmo após os lançamentos como apontados pela autoridade fiscal, por certo que não cometeria o "absurdo" de deixar de lançar os pagamentos em sua contabilidade. Incorreto o lançamento de IRPJ e reflexos decorrentes da glosa da depreciação do imobilizado (reavaliação ativo imobilizado veículos), pois mesmo adicionando os valores ao resultado apurado (DRE) não se verificam valores passíveis de lançamento. É indevido o lançamento de PIS e COFINS, uma vez que existe saldo credor no período. A multa de 150% só é cabível quando resta demonstrado nos autos a ação ou omissão dolosa pela qual o sujeito passivo visa impedir ou retardar a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária e o conhecimento dela pela fazenda pública. A simples falta de registro ou o registro inexato desses valores na escrituração caracteriza falta de declaração ou declaração inexata, com infração prevista no inciso I do art. 44 da Lei n° 9.430/96, sujeitandose o infrator à multa de 75%, mais ainda quando provado que tal ato não restou em tempo algum em omissão de receitas, pois os saldos da conta do Circulante superam todos os pagamentos apontados pela fiscalização. A aplicação de juros de mora à taxa Selic é ilegal. É o Relatório. Voto Conselheiro CARLOS PELÁ, Relator Conheço do Recurso por ser tempestivo, por atender aos requisitos de admissibilidade e por conter matéria de competência deste Conselho. Digase, para logo, que a Recorrente não apresenta argumentos ou provas novas capazes de alterar as razões de decidir da decisão recorrida. O cotejo entre os documentos acostados à peça impugnatória e a listagem fiscal de pagamentos cujo registro contábil o fiscal não localizou (fls. 3276/3307), permite concluir que é procedente a autuação por omissão de receitas da atividade, relativas a pagamentos não contabilizados. Isso porque, a Recorrente anexa apenas cópias do Livro Razão – Passivo Circulante – Fornecedores, despesas ou de comprovantes de pagamento, sem, contudo, apresentar quaisquer registros nas contas Caixa ou Bancos, que comprovassem a contabilização dos pagamentos. Além disso, não merece guarida o argumento no sentido de que a divergência entre notas fiscais e pagamentos decorreria do fato de os fornecedores parcelarem o total em Fl. 4507DF CARF MF Impresso em 10/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2012 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 09/10/2012 por LEON ARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 02/10/2012 por CARLOS PELA Processo nº 10935.721398/201195 Acórdão n.º 1402001.094 S1C4T2 Fl. 11 11 duplicatas ou que os boletos de duplicatas incluíam taxas cobradas pelos bancos, já que nenhum desses argumentos afasta a necessidade de comprovação da efetiva contabilização dos pagamentos efetuados. Na mesma seara, as alegações no sentido de que a Recorrente possuía elevado valor de disponibilidades, recebíveis e créditos, garantindolhe liquidez suficiente para a realização de todos os pagamentos, é incapaz de afastar a falta de contabilização dos pagamentos. Por tudo isso, corroboro a assertiva da decisão a quo para afirmar que a Recorrente não comprovou a contabilização dos pagamentos indicados pela Fiscalização e objeto do lançamento fiscal. Destarte, pretende a Recorrente ver afastada a autuação relativa à falta de adição ao lucro contábil de despesas de depreciação de bens do ativo imobilizado reavaliados, sob o argumento de que, somados os valores glosados ao prejuízo fiscal apurado, a base de cálculo continuaria negativa e, conseqüentemente, os lançamentos fiscais seriam indevidos. Nesse ponto, cabe transcrever os argumento da decisão de primeira instância: 56. No TVF, o autuante descreve que o contribuinte adquiriu veículos usados em 09, 10 e 11/2005, pelo valor total de R$ 455.000,00; e em 20/12/2005, reavaliou estes veículos para R$ 1.949.976,70. 57. Em todos os meses dos anos de 2006 e 2007, contabilizou a despesa de depreciação, ao percentual de 20% ao ano sobre o montante total reavaliado, conforme o Razão às págs. 130/154 e 167/196; contudo, não adicionou os valores dessa despesa de depreciação ao lucro contábil como determinam os art. 4º da Lei nº 9.959, de 2000, e o art. 435, II, “b” do RIR de 1999 (págs. 3042/3042, 3308/3316, 1365/1366, 1373/1375, 1333/1360). 58. Conforme pág. 3317, o autuante apurou os valores indevidamente deduzidos como despesa de R$ 17.399,44 ao mês, durante os anos de 2006 e 2007, totalizando os mesmos totais de R$ 208.073,32 nos anos de 2006 e de 2007. 59. O litigante não contestou o valor indevidamente contabilizado, pelo qual foi autuado. 60. Sua inconformidade centrouse no argumento de que, somados os valores glosados ao prejuízo que apurou, ainda continuaria no negativo, portanto, sem lucro real ou base de cálculo positiva para apurar a CSLL, conseqüentemente os lançamentos fiscais seriam indevidos. 61. No entanto, o contribuinte havia apresentado as DIPJ dos anoscalendário 2007 e 2007, nas quais constava R$ 0,00 (zero) de lucro real e de base de cálculo da CSLL, págs. 562, 572, 584 e 594. 62. Acresça que as Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais – DCTF dos dois semestres de 2006 e do 1º semestre de Fl. 4508DF CARF MF Impresso em 10/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2012 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 09/10/2012 por LEON ARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 02/10/2012 por CARLOS PELA Processo nº 10935.721398/201195 Acórdão n.º 1402001.094 S1C4T2 Fl. 12 12 2007 foram entregues na condição de “Esta declaração não tem débitos” e na referente ao 2º semestre de 2007, o contribuinte somente confessou, em relação ao período de apuração 12/2007, os débitos de R$ 2.484,94 de IRPJ e R$ 1.709,36 de CSLL, sendo que estes valores devidos, confessados em DCTF, foram deduzidos da autuação conforme págs. 3335 e 3355. 63. O autuante descreveu no TVF que o contribuinte lhe entregou a contabilidade, e que as retificadoras entregues já sob fiscalização, corrigiram as anteriormente entregues zeradas e que os prejuízos fiscais foram levados em conta na apuração das exigências de IRPJ e CSLL; de fato, verificase das DIPJ retificadoras que: a. Pág. 609 – Lucro Real, 31/12/2006, R$ () 273.504,94; b. Pág. 619 – Base de Cálculo da CSLL, 31/12/2006, R$ () 273.504,94; c. Pág. 632 – Lucro Real, 31/12/2007, R$ () 410.203,32; d. Pág. 642 – Base de Cálculo da CSLL, 31/12/2007, R$ () 410.203,32. 64. Nas DRE: a. Pág. 3526 Prejuízo Líquido Exercício em 31/12/2006, R$ 273.504,94; b. Pág. 3558 – Resultado em 31/12/2007 – R$ 410.203,32. 65. E da apuração de exigências de IRPJ e CSLL nos autos de infração que: a. Pág. 3334 – IRPJ anocalendário 2006: Infração R$ 208.073,32 () Prejuízo compensado do Período no mesmo valor, resultando no valor tributável R$ 0,00 (Zero); b. Pág. 3354 – CSLL anocalendário 2006: Infração R$ 208.073,32 () Prejuízo compensado do Período no mesmo valor, resultando no valor tributável R$ 0,00 (Zero); c. Pág. 3335 – IRPJ anocalendário 2007: Infrações no total de R$ 1.410.613,48 (sendo R$ 208.073,32 referentes à Depreciação dos Veículos e R$ 1.202.540,16 de Omissão de receita, Pagamentos não contabilizados) () Prejuízo compensado do período de R$ 411.912,68 () Prejuízo do ano anterior de R$ 65.431,62, resultando no valor do tributável de R$ 933.269,18; d. Pág. 3355 CSLL ano calendário 2007: Infrações no total deR$ 1.410.613,48 () Base de cálculo compensada no período de R$ 410.203,32 () base negativa do ano anterior de R$ 65.431,62, resultando no valor do tributável de R$ 934.978,54. Fl. 4509DF CARF MF Impresso em 10/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2012 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 09/10/2012 por LEON ARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 02/10/2012 por CARLOS PELA Processo nº 10935.721398/201195 Acórdão n.º 1402001.094 S1C4T2 Fl. 13 13 66. Da simples verificação supra resulta que o impugnante quer fazer crer que os prejuízos fiscais e bases de cálculo negativas que apurou não teriam sido considerados pela fiscalização e tenta convencer que seria o caso de deduzilos mais uma vez. 67. No entanto, é evidente que improcede a alegação de que, em vez de lucro real tributável, a empresa tivesse simplesmente reduzido o seu prejuízo fiscal e base de cálculo negativa. Adicionalmente, também é de se afastar a pretensão da Recorrente no sentido de que na apuração sejam deduzidos os saldos credores de PIS e COFINS apurados na Dacon em 31/12/2007, já que tais créditos foram totalmente aproveitados em períodos seguintes (conforme Dacon de 01/2008 às fls. 4406/442 e Dacon de 03/2009 às fls. 4443/4445). No que toca à aplicação de multa qualificada, compartilho o entendimento das autoridades julgadoras de primeira instancia, pois restou configurado o intuito de fraudar o Fisco. Muito embora a Recorrente tenha mostrado presteza à fiscalização, não é possível conceber a ausência de dolo de contribuinte que não escritura suas movimentações e que entrega a DIPJ zerada em dois anoscalendário consecutivos (2006 e 2007), sabendo não ser esta a sua realidade. Assim, mostrase evidente o intuito da Recorrente em evadirse da fiscalização, obstruindo a conferência dos valores efetivamente apurados. Nesse passo, ao contrário do que pretende a Recorrente, a entrega das DIPJ’s 2006 e 2007 retificadoras após o início da ação fiscal apenas corrobora essa afirmativa. Importa salientar, ainda, que, de acordo com o §1° do artigo 7° do Decreto 70.235/72 e Súmula nº. 33 deste Conselho, o inÍcio do procedimento fiscal exclui a espontaneidade do sujeito passivo em relação aos atos anteriores e, independentemente de intimação, a dos demais envolvidos as infrações verificadas. Vejamos: Súmula CARF nº 33: A declaração entregue após o início do procedimento fiscal não produz quaisquer efeitos sobre o lançamento de ofício, Portanto, mantenho a multa qualificada. Finalmente, a Recorrente alega que é ilegal a utilização da taxa SELIC como juros de mora. O tema não exige maiores elucubrações, vez que a solução do litígio se orienta pelo entendimento da Súmula nº. 4 do CARF: Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Quanto aos demais impostos lançados (CSLL, PIS e COFINS), sendo esse lançamento decorre da mesma infração tributária que motivou a autuação relativa ao IRPJ (lançamento principal), entendo correta a aplicação de idêntica solução. Fl. 4510DF CARF MF Impresso em 10/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2012 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 09/10/2012 por LEON ARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 02/10/2012 por CARLOS PELA Processo nº 10935.721398/201195 Acórdão n.º 1402001.094 S1C4T2 Fl. 14 14 Posto isso, voto por negar provimento ao recurso voluntário, para manter integralmente os autos de infração. (assinado digitalmente) Carlos Pelá Fl. 4511DF CARF MF Impresso em 10/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2012 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 09/10/2012 por LEON ARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 02/10/2012 por CARLOS PELA
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Numero do processo: 10675.900103/2009-39
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 15 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Período de Apuração: 01/10/2003 a 31/12/2003 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. COMPROVAÇÃO DA CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO. O art. 170 do CTN exige, para que seja possível a compensação, que o crédito do sujeito passivo contra o Fisco seja líquido e certo. Não reconhecido o direito creditório em favor do contribuinte, impõe-se, por decorrência, a não homologação das compensações pleiteadas.
Numero da decisão: 1301-000.846
Decisão: ACORDAM Os membros da turma, por unanimidade, negar provimento ao
recurso, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator.
Nome do relator: PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS
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COMPROVAÇÃO DA CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO. O art. 170 do CTN exige, para que seja possível a compensação, que o crédito do sujeito passivo contra o Fisco seja líquido e certo. Não reconhecido o direito creditório em favor do contribuinte, impõese, por decorrência, a não homologação das compensações pleiteadas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Os membros da turma acordam, por unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator. (assinado digitalmente) Alberto Pinto Souza Junior Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Jakson da Silva Lucas Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Junior, Valmir Sandri, Waldir Veiga Rocha, Paulo Jakson da Silva Lucas, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier. Fl. 117DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 27/ 03/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 02/05/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 2 Relatório Por bem descrever os fatos adoto o relatório do acórdão recorrido: Trata o presente processo das DCOMP's eletrônicas n°s 01975.35649.080504.13.020705 (fls. 01/03) e 15990.85597.280504.1.3.02 4502 que foram retificadas, respectivamente, pelas de n°s 12617.94109.230808.1.7.022167 transmitida em 23/08/2008 (fls. 06/08) e 04557.10568.260907.1.7.023271 transmitida em 26/09/2007, que ora são analisadas no presente processo. O objetivo das DCOMP n°s 12617.94109.230808.1.7.022167 e 04557.10568.260907.1.7.023271 retificadoras e ativas no sistema (fl. 36), foi declarar a extinção dos débitos nelas apontados, com crédito proveniente de saldo negativo de IRPJ, no valor de R$ 14.463,11, composto por IRRF discriminado à fl. 07 e DARF no valor de R$ 11.244,19 código de receita 2362 e data de arrecadação 27/02/2004 (fl. 07v). A matéria foi objeto de decisão proferida por intermédio do Despacho Decisório eletrônico Rastreamento n° 816113948, de 19/01/2009 (fl. 09), exarado pela Delegacia da Receita Federal em Uberlândia/MG, segundo o qual restaram não homologadas as compensações consignadas nas DCOMP's eletrônicas n°s 12617.94109.230808.1.7.022167 e 04557.10568.260907.1.7.023271, tendo em vista a existência de saldo a pagar no 4o. trimestre de 2003 conforme DIPJ/2004. Regularmente cientificado do Despacho Decisório, por via postal, consoante AR recebido em 04/02/2009 (fl. 12), o contribuinte protocolou suas contrarazões em 03/03/2009 (fls. 13/16), alegando, em síntese, que: a) o despacho decisório indica que a Impugnante em seus PER/DCOMP não teria saldo negativo de IRPJ na DIPJ e sim saldos de IMPOSTO DE RENDA a pagar. O problema decorreu de informações equivocadas apresentadas nas referidas PER/DCOMP. Na época ... não havia treinamento (cursos) para preenchimento das mesmas ... o que culminou no lançamento das informações considerando saldo negativo de IMPOSTO DE RENDA PESSOA JURÍDICA, o que, no entendimento da Impugnante, se a mesma possuía saldo em 31/12/2002 a compensar de R$ 5.154,61 e saldo de DARF's pagos a maior de R$ 5.430,82 e R$ 4.057,68, totalizaria RS 14.643,11... E assim, foi lançado no sistema, o valor total como saldo negativo e não como pagamento indevido e daí é que se originou o erro. b) Só após alguns anos é que a Receita Federal nos solicitou retificações das PER/DCOMP, alegando que em nossa DIPJ constava saldo de IRPJ à recolher e não à compensar; c) Embora providenciada a retificação o tipo de crédito não é permitido retificar na PER/DCOMP de saldo negativo do IRPJ para pagamentos indevidos ou à maior e viceversa, erro que persistiu sem correção. Fl. 118DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 27/ 03/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 02/05/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10675.900103/200939 Acórdão n.º 1301000.846 S1C3T1 Fl. 2 3 Neste contexto, transparece claro e cristalino que o despacho decisório fundouse em erro de fato (não existência de imposto a compensar) tendo em vista o simples lançamento com erro no sistema. Para comprovação dos fatos a impugnante apresenta os seguintes documentos: a) Para comprovar saldo negativo de IRPJ — saldo em 31/12/2002 RS 5.154,61 anexamos fotocópia da declaração de compensação e saldo negativo de IRPJ e CSLL ano calendário/2002 com protocolo de entrega processo 10675.001226/200308, solicitação de retificação dos valores ( declaração de compensação e saldo negativo IRPJ e CSLL ano calendário/2002 datada de 30/01/2008 e entregue em 31/01/2008, esclarecimento da solicitação de retificação dos valores do saldo negativo de IRPJ e da CSLL e dos valores do saldo negativo de IRPJ e das CSLL e dos respectivos valores compensados e fichas 12 A e 17 da DIPJ/2002. b) Para comprovar crédito de RS 5.430,82 pagamento a maior, anexamos fotocópia DARF IRPJ período de apuração 30/09/2003 – vencimento 31/10/2003 RS 13.577,02. c) Para comprovar R$ 4.057,68 pagamento a maior, anexamos fotocópia DARF IRPJ período de apuração 31/12/2003 vencimento 30/01/2004 RS7.000,00, fotocópia DARF IRPJ período de apuração 31/12/2003 – vencimento 27/02/2007 RS 4.298,09. A autoridade julgadora de primeira instancia decidiu a matéria por meio do Acórdão DRJ/JFA, 0934.666, de 29/04/2011 (fl.56), não reconhecendo o direito ao crédito pleiteado, tendo sido lavrada a seguinte ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/10/2003 a 31/12/2003 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE SALDO NEGATIVO DE IRPJ. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. A configuração da inexistência de saldo negativo de IRPJ, implica em não homologar a compensação declarada. A Declaração de Compensação somente poderá ser retificada pelo sujeito passivo caso se encontre pendente de decisão administrativa à data do envio do documento retifícador. É o relatório. Passo ao voto. Fl. 119DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 27/ 03/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 02/05/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 4 Voto Conselheiro Paulo Jakson da Silva Lucas O recurso voluntário é tempestivo e assente em lei. Dele conheço. Como visto do relatório e voto guerreado, os autos do presente processo trata de compensação não homologada no valor de R$.14.643,11 oriundos de saldo negativo de IRPJ decorrentes de IRRF referente ao 4o. trimestre do ano calendário de 2003 no valor de R$ 5.430,82 e, pagamentos indevidos ou a maior, conforme DARFs nos valores de R$ 4.057,68 e R$ 5.154,61. No recurso voluntário a interessada renova as argumentações trazidas anteriormente, alegando, em síntese, ter havido erro de fato, pois, pleiteou na DCOMP um saldo negativo de IRPJ quando, na realidade deveria ter solicitado um crédito oriundo de pagamento indevido ou a maior. Compulsando os documentos trazidos aos autos, constatase na DIPJ de fls. 39/41, que para o 4o. trimestre do ano calendário de 2003, registro de Imposto de Renda a Pagar no valor de R$ 7.186,51 aí compensados Imposto de Renda na Fonte no valor de R$ 4.057,68. De se ressaltar que tratase de DIPJ retificadora entregue em 02/12/2008, conquanto que na DIPJ anteriormente entregue consta Imposto de Renda a Pagar no valor de R$ 11.244,19. Da análise do IRRF contido nas DIRF's em que a recorrente consta como beneficiária (fls. 42/48), ressalta o erro cometido, pois, foi lançado como IRRF para o 4o. trimestre de 2003 (DIPJ/2004) todas as retenções havidas durante todo o ano, assim, o valor consignado na linha "Imposto de Renda Retido na Fonte" para o 4o. trimestre não é R$ 4.057,68, mas, tão somente, as retenções do período no valor de R$ 972,08. Segundo a legislação que rege a matéria, para as pessoas jurídicas submetidas ao regime de tributação com base no lucro real trimestral, somente poderão ser deduzidas do imposto de renda apurado trimestralmente, as retenções incidentes sobre as receitas que integraram o lucro real no mesmo trimestre. Refeito estes cálculos permanece a existência de IRPJ a pagar no valor de R$ 10.272,11 e não o valor de R$ 7.186,51 (DIPJ de fls. 40/41) e, permanece também a inexistência de saldo negativo de IRPJ, não havendo desta forma o crédito pleiteado pela empresa na Dcomp de saldo negativo de IRPJ. Inclusive, tal valor é exatamente o valor consignado em DCTF original de fls. 54. Com relação aos DARF apontado na Dcomp como componente do saldo negativo do imposto de renda referente ao 4o. trimestre do ano de 2003, no valor de R$ 11.244,19 (cód. 2362), na realidade em pesquisa nos sistemas da Receita Federal a autoridade de primeira instancia constatou tratarse de dois DARFs nos valores de R$ 7.000,00 e R$ 4.244,19, (fls. 50/51), utilizados para pagamentos do IRPJ, código 0220. Concluindo, a alteração do tipo de crédito de saldo negativo de imposto de renda para pagamento indevido ou a maior quando da manifestação de inconformidade, ou seja, após a ciência do Despacho Decisório, não merece prosperar. A compensação, por ser forma de extinção do crédito tributário, consoante art. 156, inciso II, do CTN, exige a certeza e liquidez dos créditos a compensar, bem como Fl. 120DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 27/ 03/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 02/05/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10675.900103/200939 Acórdão n.º 1301000.846 S1C3T1 Fl. 3 5 prova efetiva de sua realização, o que só reforça o ônus da contribuinte de provar os fatos extintivos do direito do Fisco. Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Jakson da Silva Lucas Relator Fl. 121DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 27/ 03/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 02/05/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR
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Numero do processo: 13011.000104/2005-50
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 14 00:00:00 UTC 2012
Ementa: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES
Ano-calendário: 2005
INCLUSÃO. IMPEDIMENTO. DÉBITOS INSCRITOS EM DÍVIDA ATIVA DA UNIÃO. PEDIDO DE REVISÃO NÃO APRECIADO. Não é possível decidir pedido de inclusão no SIMPLES Federal enquanto pendentes
de apreciação pedidos de revisão dos débitos que, inscritos em Dívida Ativa da União, impediram a opção da contribuinte por aquela sistemática de recolhimento.
INSCRIÇÕES EM DÍVIDA ATIVA DA UNIÃO EXTINTAS. EFICÁCIA
RETROATIVA. Desconstituído o impedimento, deve ser admitida a opção da contribuinte pelo SIMPLES Federal. PEDIDO EM MAIOR EXTENSÃO VEICULADO EM RECURSO VOLUNTÁRIO. A inclusão deve ser
admitida no ano-calendário em que formalizada a opção, inexistindo motivo de fato ou de direito para antecipá-la
em um ano.
Numero da decisão: 1101-000.752
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR
PROVIMENTO PARCIAL ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Nome do relator: EDELI PEREIRA BESSA
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ementa_s : SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Ano-calendário: 2005 INCLUSÃO. IMPEDIMENTO. DÉBITOS INSCRITOS EM DÍVIDA ATIVA DA UNIÃO. PEDIDO DE REVISÃO NÃO APRECIADO. Não é possível decidir pedido de inclusão no SIMPLES Federal enquanto pendentes de apreciação pedidos de revisão dos débitos que, inscritos em Dívida Ativa da União, impediram a opção da contribuinte por aquela sistemática de recolhimento. INSCRIÇÕES EM DÍVIDA ATIVA DA UNIÃO EXTINTAS. EFICÁCIA RETROATIVA. Desconstituído o impedimento, deve ser admitida a opção da contribuinte pelo SIMPLES Federal. PEDIDO EM MAIOR EXTENSÃO VEICULADO EM RECURSO VOLUNTÁRIO. A inclusão deve ser admitida no ano-calendário em que formalizada a opção, inexistindo motivo de fato ou de direito para antecipá-la em um ano.
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IMPEDIMENTO. DÉBITOS INSCRITOS EM DÍVIDA ATIVA DA UNIÃO. PEDIDO DE REVISÃO NÃO APRECIADO. Não é possível decidir pedido de inclusão no SIMPLES Federal enquanto pendentes de apreciação pedidos de revisão dos débitos que, inscritos em Dívida Ativa da União, impediram a opção da contribuinte por aquela sistemática de recolhimento. INSCRIÇÕES EM DÍVIDA ATIVA DA UNIÃO EXTINTAS. EFICÁCIA RETROATIVA. Desconstituído o impedimento, deve ser admitida a opção da contribuinte pelo SIMPLES Federal. PEDIDO EM MAIOR EXTENSÃO VEICULADO EM RECURSO VOLUNTÁRIO. A inclusão deve ser admitida no anocalendário em que formalizada a opção, inexistindo motivo de fato ou de direito para antecipála em um ano. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) VALMAR FONSECA DE MENEZES Presidente. (documento assinado digitalmente) Fl. 169DF CARF MF Impresso em 08/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2012 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 18/06/2012 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/10/2012 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 13011.000104/200550 Acórdão n.º 110100.752 S1C1T1 Fl. 88 2 EDELI PEREIRA BESSA Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Valmar Fonseca de Menezes (presidente da turma), José Ricardo da Silva (vicepresidente), Edeli Pereira Bessa, Benedicto Celso Benício Júnior, Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro e Nara Cristina Takeda Taga. Fl. 170DF CARF MF Impresso em 08/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2012 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 18/06/2012 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/10/2012 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 13011.000104/200550 Acórdão n.º 110100.752 S1C1T1 Fl. 89 3 Relatório O presente processo retorna de diligência solicitada por esta Turma, por meio da Resolução nº 110100.019, em sessão de 27 de janeiro de 2011. Transcrevese, a seguir, o relatório antes apresentado: CREDI IMPERIAL DESENVOLVIMENTO MERCANTIL LTDA EPP, já qualificada nos autos, recorre de decisão proferida pela 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Juiz de Fora/MG, que por unanimidade de votos, INDEFERIU manifestação de inconformidade interposta contra indeferimento de inclusão retroativa no SIMPLES Federal. Em 09/03/2005 a interessada apresentou pedido de inclusão no SIMPLES Federal assim motivado: 1. Em fevereiro de 2.004 foi cobrado pela PGFN débito relativo a IRPJ e CSLL relativo ao 4o período de 1.999. Encaminhamos oficio aquela repartição informando que houve erro de fato no preenchimento da D1PJ/99, informando o valor correto da receita daquele trimestre e os valores dos impostos devidos e que fossem efetuadas as devidas correções junto a Secretaria da Receita Federal; 2. Quando do pedido de enquadramento no Simples, em janeiro passado, a opção pelo Simples foi vedada tendo como motivo: empresa com pendências junto a PGFN. 3. Deslocamonos até a PGFN em Varginha, onde encontravamse pendentes, além daquelas já descritas no item 1, acima, outras duas cobranças, indevidas, as quais também foram objeto de Pedido de Revisão de Débitos Inscrito em Divida Ativa da União, por se tratar de erro de fato no preenchimento da DIPJ conforme já exposto acima. 4. Cabe ressaltar que a solicitação da correção, feita em março/2004 ainda não foi efetuada e o motivo alegado pelo atendente daquela autarquia foi de que é por falta física (de funcionários). 5. Assim sendo, solicitamos seja a empresa em tela enquadrada de oficio no Simples, uma vez que a mesma preenche TODOS os requisitos dispostos no ordenamento jurídico e normativo para seu enquadramento e não pode ser penalizada por problemas internos da PGFN. Analisando a situação da contribuinte, a autoridade administrativa da DRF/Varginha identificou outras duas inscrições em Dívida Ativa da União, datadas de 09/12/2003, as quais se mantinham na situação “ativa”. Por esta razão, o pedido da contribuinte foi indeferido. A interessada manifestou sua inconformidade alegado, segundo relato contido na decisão recorrida, que: 1) Depois do indeferimento de seu pedido, procurou a PGFN e verificou que não procederam à análise do seu pedido de revisão de 08/03/2004 e ainda constataram outras duas pendências; 2) Não tinha conhecimento dessas novas pendências que provinham de erro no preenchimento de DCTF, uma vez que deixou de informar dedução de 1/3 da Fl. 171DF CARF MF Impresso em 08/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2012 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 18/06/2012 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/10/2012 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 13011.000104/200550 Acórdão n.º 110100.752 S1C1T1 Fl. 90 4 Cofins de débito de CSLL. Preencheu Pedido de Revisão por ser também essa cobrança totalmente indevida; 3) O inciso XV do artigo 9° é no mínimo discrepante, uma vez que enquanto não houver apreciação do pedido de revisão de suposta dívida ativa, não poderá optar pelo Simples. A Turma Julgadora rejeitou estas alegações argumentando que: Resta estampado que, no presente caso, em conformidade com a legislação supra, a empresa não poderia exercer sua opção pelo SIMPLES para o anocalendário de 2004, por incidir em expressa vedação à opção, qual seja: inscrição em Dívida Ativa da União, cuja exigibilidade não se encontra suspensa. O reclamante alega que as inscrições são indevidas, protocolou pedido de revisão dos débitos inscritos, em 27/01/2005, para algumas inscrições e novamente após ciência do despacho de fl. 32 para outros débitos. Ocorre que, enquanto persistirem as inscrições sem suspensão de exigibilidade, também persiste a vedação legal à opção pelo Simples e não cabe a essa autoridade administrativa decidir, nesse processo, sobre a validade ou não das aludidas inscrições. A lei é clara e não há discrepância em seu texto. Parece que houve inércia da empresa que somente após o indeferimento de seu pedido procurou sanar suas pendências, quando essas pendências teriam que estar resolvidas antes do exercício da opção pelo Simples, como definido em lei. Por outro lado, o pedido de revisão do crédito tributário inscrito em Divida Ativa não é hipótese de suspensão da exigibilidade União. Cientificada da decisão de primeira instância em 15/09/2008 (fl. 47), a contribuinte interpôs recurso voluntário, tempestivamente, em 26/09/2008 (fls. 48/53), no qual reprisa os argumentos apresentados na manifestação de inconformidade/impugnação. Relata que foi excluída do SIMPLES com efeitos retroativos a 31/12/2001, mas promoveu sua regularização fiscal perante a Secretaria da Estadual. Seguiuse, então, cobrança de tributos pela PGFN em fevereiro/2004, contra a qual apresentou pedido de revisão de débitos em 08/03/2004, cuja apreciação não havia se verificado até janeiro/2005, quando do pedido de nova inclusão no SIMPLES, resultando na inadmissibilidade deste. Em consulta junto à PGFN, a contribuinte teria constatado outras 2 (duas) novas pendências, que também resultariam de erro de fato, e para as quais foram apresentados os correspondentes pedidos de revisão. Além disso, questionando atendente daquela repartição em 27/01/2005, soube que a não revisão do pedido anterior decorreria da falta de RECURSOS FÍSICOS para tal procedimento. Reproduz texto doutrinário acerca desta situação verificada em outros casos concretos, e destaca que a demora na revisão destes débitos impede a sua opção pela tributação na sistemática do SIMPLES. Acrescenta que posteriormente ao Despacho Fundamentado n° 245/2005, de 16 de maio de 2.005 os débitos em questão, relativos as cobranças indevidas permaneceram no banco de dados da Procuradoria Geral da Fazenda Nacional. E, especificamente, aduz: Segue anexo ao RECURSO, cópia de pedido de parcelamento junto a Procuradoria da Fazenda, onde pode ser verificado que ainda encontrase pendente débito inscrito em divida ativa, relativo ao IRPJ (inscrito sob n° 60.2.03.00968172). A inscrição n° 60.6.03.03074970 referente a Contribuição Social s/ Lucro Líquido relativo a Fl. 172DF CARF MF Impresso em 08/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2012 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 18/06/2012 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/10/2012 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 13011.000104/200550 Acórdão n.º 110100.752 S1C1T1 Fl. 91 5 mesma base de cálculo foi BAIXADA pela Receita Receita Federal e o IRPJ ainda continua com a inscrição ativa. Perguntase: Se os dois tributos, cobrados indevidamente, os quais pertencem a mesma base de cálculo porque somente o tributo denominado Contribuição Social foi baixado e o IRPJ não? O pedido foi requerido em 08 de março de 2.004 e quando foi efetivada a baixa? Os comprovantes referente ao erro de fato no preenchimento da DCTF do segundo e quarto trimestres, protocolados em 28/01/2005, referente as inscrições n's 60.6.04.01626969 e 60.6.04.00689320, conforme Pedido de Revisão de Débitos Inscritos em Dívida Ativa da União, protocolados em 28/05/2005, quando foram baixados os referidos tributos? Ora, Doutos Julgadores, como esta empresa poderia reenquadrar como optante do SIMPLES se tais inscrições de débito junto a Procuradoria da Fazenda ainda se encontravam ativas? É de conhecimento geral que a partir do pedido de parcelamento de débito inscrito em divida ativa implica em confissão irretratável da divida e tal procedimento não poderia ser feito em virtude do total descabimento da cobrança em tela. Pede, assim, o deferimento de seu pedido, determinadose, por conseqüência, o reenquadramento junto ao Simples, retroativo a 01/01/2004. O encaminhamento do processo em diligência se fez necessário porque a contribuinte apresentara pedidos de revisão de débitos inscritos em Dívida Ativa da União antes do indeferimento de seu pleito de inclusão retroativa no SIMPLES, acerca dos quais assim se posicionou esta Relatora: Quanto ao efeito de tais pedidos de revisão, de fato, não se constituem em hipótese de suspensão de exigibilidade, na medida em que, nos termos do art. 151 do CTN, somente têm este condão as reclamações e os recursos, nos termos das leis reguladoras do processo tributário administrativo, e inexiste processo administrativo fixado em lei para discussão de débitos confessados em declaração. Não se pode olvidar, porém, que o acúmulo destes pedidos de revisão, pendentes de análise, ensejou a edição da seguinte disposição na Lei nº 11.051/2004: Art. 13. Fica a administração fazendária federal, durante o prazo de 1 (um) ano, contado da publicação desta Lei, autorizada a atribuir os mesmos efeitos previstos no art. 205 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional, à certidão quanto a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal – SRF e à dívida ativa da União de que conste a existência de débitos em relação aos quais o interessado tenha apresentado, ao órgão competente, pedido de revisão fundado em alegação de pagamento integral anterior à inscrição pendente da apreciação há mais de 30 (trinta) dias. § 1º Para fins de obtenção da certidão a que se refere o caput deste artigo, o requerimento deverá ser instruído com: I cópia do pedido de revisão de débitos inscritos em dívida ativa da União instruído com os documentos de arrecadação da Receita Federal – DARF que comprovem o pagamento alegado; II declaração firmada pelo devedor de que o pedido de revisão e os documentos relativos aos pagamentos referemse aos créditos de que tratará a certidão. § 2º A concessão da certidão a que se refere o caput deste artigo não implica o deferimento do pedido de revisão formulado. § 3º Será suspenso, até o pronunciamento formal do órgão competente, o registro no Cadastro Informativo de Créditos NãoQuitados do Setor Público Federal Cadin, Fl. 173DF CARF MF Impresso em 08/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2012 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 18/06/2012 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/10/2012 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 13011.000104/200550 Acórdão n.º 110100.752 S1C1T1 Fl. 92 6 de que trata a Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002, quando o devedor comprovar, nos termos do § 1º deste artigo, a situação descrita no caput deste artigo. § 4º A certidão fornecida nos termos do caput deste artigo perderá sua validade com a publicação, no Diário Oficial da União, do respectivo cancelamento. § 5º (VETADO) § 6º A falsidade na declaração de que trata o inciso II do § 1º deste artigo implicará multa correspondente a 50% (cinqüenta por cento) do pagamento alegado, não passível de redução, sem prejuízo de outras penalidades administrativas ou criminais. § 7º A ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional PGFN e a Secretaria da Receita Federal SRF expedirão os atos necessários ao fiel cumprimento das disposições deste artigo. A matéria foi tratada na Portaria Conjunta PGFN/SRF nº 1, publicada em 21/03/2005 – momento no qual já se encontravam pendentes de análise os pedidos apresentados em 08/03/2004 e 28/01/2005 –, admitindo, naquelas circunstâncias, a emissão de Certidão com efeitos equivalentes aos daquela prevista no art. 205 do CTN. Aqui, embora a alegação apresentada pela contribuinte não se limite ao pagamento integral do débito, mas também ao erro na declaração de seu valor, de forma a reduzilo ao valor efetivamente pago, não é possível decidir o cabimento, ou não, da sua opção pelo SIMPLES Federal, em 2005, sem se esclarecer o que foi decidido em relação aos alegados erros. Se assim fosse, estarseia negandolhe um direito definitivamente, no âmbito administrativo, sob a incerteza da efetiva existência de créditos tributários que se encontravam inscritos em Dívida Ativa da União, e sob o risco de o erro vir a ser, ou até já ter sido admitido, com o efeito ex tunc próprio da desconstituição das relações jurídicas nas quais se constata inexistir objeto. Por tais motivos, o presente voto é no sentido de CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA para que se informe a decisão proferida em face dos pedidos de revisão apresentados pela contribuinte contra as inscrições em Dívida Ativa da União de nº 60.6.04.01626969, 60.6.04.00689320, 60.2.03.00968172 e 60.6.03.03074970. A contribuinte deverá ser cientificada destas informações, com a reabertura do prazo de 30 (trinta) dias para complementação de suas razões de defesa, antes da devolução dos autos para apreciação deste órgão julgador. A autoridade administrativa juntou aos autos informações sobre as inscrições em Dívida Ativa da União (fls. 64/68) bem como relatório de informações de apoio para emissão de certidão, emitido em 03/06/2011 (fls. 69/80). Consignou à fl. 81 que, em face da Resolução nº 110100.019, providenciou consulta das inscrições junto à PGFN e, concluindo que os procedimentos devidos a esta DRF/VAR/SAORT foram tomados, encaminhou os autos à ARF/Alfenas para ciência à contribuinte e reabertura do prazo de 30 (trinta) dias para complementação de suas razões de defesa. A contribuinte foi cientificada da informação fiscal de fl. 81 em 24/06/2011, e em 04/07/2011 foi elaborado despacho encaminhando os autos ao SAORT da DRF/Varginha. Em 02/09/2011 os autos foram encaminhados à DRJ/Juiz de Fora, que os movimentou para seu destino correto, qual seja, esta 1a Seção de Julgamento. Não há notícia de que a interessada tenha se manifestado acerca da informação fiscal que lhe foi cientificada. Fl. 174DF CARF MF Impresso em 08/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2012 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 18/06/2012 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/10/2012 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 13011.000104/200550 Acórdão n.º 110100.752 S1C1T1 Fl. 93 7 Voto Conselheira EDELI PEREIRA BESSA O indeferimento da inclusão pretendida pela recorrente foi motivado pela existência de débitos inscritos em Dívida Ativa da União sob nºs 60.6.04.01626969, 60.6.04.00689320, 60.2.03.00968172 e 60.6.03.03074970. As informações gerais da inscrição juntadas pela autoridade administrativa em diligência evidenciam que: • as inscrições Nº 60.6.04.01626969, 60.6.04.00689320 encontramse na situação extinta por anulação com ajuizamento a ser cancelado, e expressam esclarecimentos semelhantes como motivo da extinção: ERRO NO PREENCH. DA DCTF E COMPENSAÇÃO INTEGRAL DO DEBITO NA FASE ADMINIST. CONF. DESP DA PSFN/VGA ou COMPENSAÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO NA FASE ADMINIST., CONF. DESP. DA PSFN/VGA AS FLS.; • a inscrição nº 60.2.03.00968172 consta como extinta por cancelamento com ajuizamento a ser cancelado em razão do motivo REMISSÃO ART. 14 DA MP 449/2008; • a inscrição nº 60.6.03.03074970 encontrase extinta por anulação devolvida ou arquivada, em razão de ERRO NO PREENCHIMENTO DA DIPJ, CONFORME DESPACHO DA PSFN/VGA AS FLS. 78 DO P.A. 10660.201941/200308. Nestes termos, subsistiria dúvida apenas em relação à inscrição nº 60.2.03.00968172, cancelada por remissão concedida pela Medida Provisória nº 449/2008, que alcançou débitos vencidos há 5 (cinco) anos ou mais, e cujo valor total consolidado fosse igual ou inferior a R$ 10.000,00 (dez mil reais). Todavia, por ocasião do encaminhamento dos autos em diligência, já se constatara que esta inscrição e a de nº 60.6.03.03074970 decorriam do mesmo erro de fato: tratarseiam de débitos de IRPJ e CSLL declarados no 4o trimestre de 1998, apurados indevidamente a partir da receita acumulada dos 3o e 4o trimestre de 1998 (fl. 10). Logo, é razoável inferir que aquela inscrição apenas não mereceu o mesmo destino da inscrição nº 60.6.03.03074970 em razão de seu baixo valor submeterse à hipótese de remissão, mormente nada tendo ressalvado a autoridade administrativa quando questionada a respeito. Tais constatações seriam suficientes para afastar o óbice apresentado à contribuinte para admitir sua inclusão no SIMPLES Federal a partir de 2005 (fl. 02) e para indeferir seu pleito apresentado nestes autos (fl. 31). De toda sorte, cumpre observar que as informações de apoio para emissão de certidão juntadas pela autoridade administrativa em diligência indicam a existência de débitos de diversos tributos apurados a partir de julho/2007, além de débitos de COFINS, Contribuição Fl. 175DF CARF MF Impresso em 08/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2012 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 18/06/2012 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/10/2012 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 13011.000104/200550 Acórdão n.º 110100.752 S1C1T1 Fl. 94 8 ao PIS, IRPJ e CSLL apurados a partir de 09/2002, mas estes, embora indicados na situação – devedor, estão vinculados a processos administrativos localizados na SAORT da DRF/Varginha, com Declarações de Compensação – DCOMP associadas, apresentadas em 14/10/2003 e 21/01/2005. Logo, à míngua de qualquer informação acerca da ineficácia destas compensações, os débitos anteriores à opção da contribuinte não afetam o seu deferimento. Constam, também, informações de inscrições com exigibilidade suspensa na PGFN, promovidas a partir de 03/07/2006, mas todas na condição ATIVA NÃO AJUIZ EXIG SUSP – DECLARAÇÃO INCLUSÃO CONSOL PARCL, possivelmente em razão da opção, da contribuinte, pelo parcelamento da Lei nº 11.941/2009, no qual indicou a inclusão da totalidade dos débitos nos termos da Portaria PGFN/RFB 003/2010, como apontado no cabeçalho do referido documento. Assim, além de tais inscrições terem sido promovidas após a opção da contribuinte pelo SIMPLES Federal, observase que elas estão com exigibilidade suspensa, inexistindo qualquer razão expressa pela autoridade administrativa a impedir o acolhimento do pedido da contribuinte. Apenas observese que, embora afirmando em seu recurso voluntário ter pedido nova inclusão no Simples apenas em janeiro de 2005 (fl. 50), a recorrente pleiteou o reenquadramento junto ao Simples, retroativo a 01/01/2004, conforme pedido efetuado junto à Delegacia da Receita Federal em Varginha/MG (fl. 53). Ocorre que a opção pelo SIMPLES Federal devia ser efetivada até o último dia útil do mês de janeiro do anocalendário, consoante dispôs, à época, a Instrução Normativa SRF nº 355/2003, editada com fundamento na Lei nº 9.317/96. Vejase: Lei nº 9.317, de 1996: Art. 8° A opção pelo SIMPLES darseá mediante a inscrição da pessoa jurídica enquadrada na condição de microempresa ou empresa de pequeno porte no Cadastro Geral de Contribuintes do Ministério da Fazenda CGC/MF, quando o contribuinte prestará todas as informações necessárias, inclusive quanto: I especificação dos impostos, dos quais é contribuinte (IPI, ICMS ou ISS); II ao porte da pessoa jurídica (microempresa ou empresa de pequeno porte). § 1° As pessoas jurídicas já devidamente cadastradas no CGC/MF exercerão sua opção pelo SIMPLES mediante alteração cadastral. § 2° A opção exercida de conformidade com este artigo submeterá a pessoa jurídica à sistemática do SIMPLES a partir do primeiro dia do anocalendário subseqüente, sendo definitiva para todo o período. § 3° Excepcionalmente, no anocalendário de 1997, a opção poderá ser efetuada até 31 de março, com efeitos a partir de 1° de janeiro daquele ano. § 4° O prazo para a opção a que se refere o parágrafo anterior poderá ser prorrogado por ato da Secretaria da Receita Federal. § 5° As pessoas jurídicas inscritas no SIMPLES deverão manter em seus estabelecimentos, em local visível ao público, placa indicativa que esclareça tratar se de microempresa ou empresa de pequeno porte inscrita no SIMPLES. Instrução Normativa SRF nº 355, de 2003: Art. 16. A opção pelo Simples darseá mediante a inscrição da pessoa jurídica enquadrada na condição de microempresa ou de empresa de pequeno porte no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ), quando o contribuinte prestará todas as informações necessárias, inclusive quanto: Fl. 176DF CARF MF Impresso em 08/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2012 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 18/06/2012 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/10/2012 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 13011.000104/200550 Acórdão n.º 110100.752 S1C1T1 Fl. 95 9 I aos impostos dos quais é contribuinte (IPI, ICMS, ISS); II ao porte da pessoa jurídica (microempresa ou empresa de pequeno porte). § 1º A pessoa jurídica, inscrita no CNPJ, formalizará sua opção para adesão ao Simples, mediante alteração cadastral efetivada até o último dia útil do mês de janeiro do anocalendário. § 2º A pessoa jurídica em início de atividade poderá formalizar sua opção para adesão ao Simples imediatamente, mediante utilização da própria Ficha Cadastral da Pessoa Jurídica (FCPJ). § 3º As opções e alterações cadastrais relativas ao Simples serão formalizadas mediante preenchimento da FCPJ. § 4º No caso de a empresa iniciar as suas atividades no mês de janeiro e não exercer a opção pelo Simples quando da inscrição no CNPJ, poderá fazêla mediante alteração cadastral até o último dia útil do mês de janeiro desse ano calendário, retroagindo a opção para a data de início das atividades. § 5º O indeferimento da opção pelo Simples, mediante despacho decisório de autoridade da Secretaria da Receita Federal, submeterseá ao rito processual do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. (Incluído pela IN SRF 391, de 30/01/2004) Por estas razões, o presente voto é no sentido de DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário, para admitir a inclusão da contribuinte no SIMPLES Federal a partir do anocalendário de 2005. (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA – Relatora Fl. 177DF CARF MF Impresso em 08/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2012 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 18/06/2012 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/10/2012 por VALMAR FONSECA DE MENEZES
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Numero do processo: 13005.900378/2010-97
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 30 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Mar 21 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/07/2002 a 30/09/2002
IPI. RESSARCIMENTO. SÁIDA DE PRODUTO NT. CRÉDIDO PRESUMIDO PARA RESSARCIMENTO PIS E COFINS
Há direito ao crédito presumido do IPI para ressarcimento do PIS e da Cofins, incidentes sobre aquisições, no mercado interno, de matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem, utilizados no processo produtivo de mercadorias exportadas para o exterior, mesmo que o produto exportado seja NT pelo IPI.
RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO. TAXA SELIC A PARTIR DO PEDIDO.
RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO EM PARTE
Numero da decisão: 3102-001.734
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Vencido(a) o(a) Conselheiro(a) Luis Marcelo Guerra de Castro. O conselheiro Winderley Morais Pereira votou pelas conclusões.
LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO - Presidente.
(assinado digitalmente)
ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO - Relator.
EDITADO EM: 27/02/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luis Marcelo Guerra de Castro, Ricardo Paulo Rosa, Nanci Gama, Helder Kanamaru, Winderley Morais Pereira e Álvaro Almeida Filho.
Nome do relator: ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO
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RESSARCIMENTO. SÁIDA DE PRODUTO NT. CRÉDIDO PRESUMIDO PARA RESSARCIMENTO PIS E COFINS Há direito ao crédito presumido do IPI para ressarcimento do PIS e da Cofins, incidentes sobre aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, utilizados no processo produtivo de mercadorias exportadas para o exterior, mesmo que o produto exportado seja NT pelo IPI. RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO. TAXA SELIC A PARTIR DO PEDIDO. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO EM PARTE Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Vencido(a) o(a) Conselheiro(a) Luis Marcelo Guerra de Castro. O conselheiro Winderley Morais Pereira votou pelas conclusões. LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Presidente. (assinado digitalmente) ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO Relator. EDITADO EM: 27/02/2013 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 00 5. 90 03 78 /2 01 0- 97 Fl. 102DF CARF MF Impresso em 21/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2013 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO, Assinado digitalmen te em 28/02/2013 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO, Assinado digitalmente em 21/03/2013 por L UIS MARCELO GUERRA DE CASTRO 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luis Marcelo Guerra de Castro, Ricardo Paulo Rosa, Nanci Gama, Helder Kanamaru, Winderley Morais Pereira e Álvaro Almeida Filho. Relatório Tratase de recurso voluntário visando a reforma do acórdão nº 1033.908 da 3ª Turma da DRJ/POA, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade. De acordo com o relatório da decisão recorrida se pode observar que: Tratase de processo digital, contendo a manifestação de inconformidade tempestiva das fls. 2 a 13, protocolizada em 2 de setembro de 2010, firmada pelos representantes legais do interessado, credenciados pelos documentos das fls. 15 a 18, contestando o Despacho Decisório eletrônico (DDE) da fl. 14, emitido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Santa Cruz do Sul (DRF/SCS). A ciência do despacho referido ocorreu em 13 de agosto de 2010, conforme consta nas fls. 41 e 42. O DDE objeto da inconformidade não reconheceu o crédito demonstrado no Pedido Eletrônico de Restituição ou Ressarcimento e Declaração de Compensação (PER/DCOMP) no 08362.51049.201206.1.1.016032, em que foi solicitado, a título de ressarcimento do IPI, do terceiro trimestre de 2002, o valor de R$ 835.397,16, pela ocorrência de glosa de crédito presumido considerado indevido em procedimento fiscal. Consta no Termo de Verificação Fiscal das fls. 36 a 40 que o interessado adquire tabaco em folhas, de produtores rurais pessoas físicas e de comerciantes atacadistas, para posterior beneficiamento, realizado por terceiros, sob encomenda, consistente em destala, corte, classificação, tratamento contra pragas e embalagem. Segue o autor do procedimento fiscal dizendo que o fumo, nessas condições, é classificado na Tabela de Incidência do IPI (TIPI) na posição 2401, referente a “Fumo (tabaco), não manufaturado; desperdícios de fumo (tabaco)”, sendo que, no período analisado, esse produto figurava na referida tabela como nãotributado (NT). O Termo de Verificação Fiscal consigna que o crédito presumido do IPI de que trata a Lei no 9.363, de 13 de dezembro de 1996, é destinado a empresas que sejam produtoras e exportadoras, esclarecendo que, segundo o art. 8o do Decreto no 2.637, de 25 de junho de 1998, Regulamento do IPI (RIPI), de 1998, e o art. 8o do Decreto no 4.544, de 26 de dezembro de 2002, Regulamento do IPI (RIPI), de 2002, estabelecimento industrial é o que executa qualquer das operações referidas no art. 4o do mesmo diploma, de que resulte produto tributado, ainda que de alíquota zero ou isento. O autor do procedimento fiscal concluiu, em nome da interpretação sistemática da legislação mencionada, que as empresas que fabricam produtos NT não são consideradas Fl. 103DF CARF MF Impresso em 21/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2013 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO, Assinado digitalmen te em 28/02/2013 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO, Assinado digitalmente em 21/03/2013 por L UIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 13005.900378/201097 Acórdão n.º 3102001.734 S3C1T2 Fl. 3 3 estabelecimentos industriais, razão pela qual o interessado não faz jus ao benefício pleiteado no PER/DCOMP de início referido, com a ressalva de que o valor apurado pelo estabelecimento não foi objeto de conferência, dado o motivo do indeferimento. Na manifestação de inconformidade, o interessado argumenta que a Lei no 9.363, de 1996, não estabelece que a empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais deva exportar produtos industrializados tributados para fazer jus ao crédito presumido do IPI, tanto que o referido diploma legal utiliza a expressão “exportadora e mercadoria”. Pelo motivo referido no item precedente, alega que o DDE e o Termo de Verificação Fiscal são manifestamente ilegais, porque não cabe ao interprete exigir mais do que a lei estabelece, sendo que a jurisprudência do antigo Segundo Conselho de Contribuintes e do atual Conselho Administrativo de Recursos Fiscais diverge da fundamentação do despacho hostilizado, conforme ementas de acórdãos que cita e transcreve. O interessado acrescenta que as aquisições de matéria prima de pessoas físicas, segundo a jurisprudência dos colegiados referidos no item anterior, também geram o crédito em comento. A propósito, diz que adquiriu fumo “in natura” de produtores rurais pessoas físicas e de pessoas jurídicas comerciais atacadistas, para industrialização por terceiros, sob encomenda, sendo relevante notar que a exportação de fumo “in natura” é vedada. A industrialização por encomenda não descaracteriza o estabelecimento requerente como industrial, segundo o art. 9o, IV, do RIPI de 2002, posição também amparada na jurisprudência administrativa. Pelas razões expostas, o manifestante requer a reforma do DDE, para reconhecimento do direito creditório, devidamente acrescido da taxa Selic, desde a data do protocolo do pedido até a do efetivo ressarcimento. Após analisar a impugnação, decidiu a DRJ pela improcedência da manifestação de inconformidade nos termos da ementa abaixo: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI. Período de apuração: 01/07/2002 a 30/09/2002 CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI. EXPORTAÇÃO DE PRODUTO NT. A exportação de produto NT não gera direito ao crédito presumido do IPI, instituído para ressarcimento da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins. ABONO DE JUROS SELIC. DESCABIMENTO. Fl. 104DF CARF MF Impresso em 21/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2013 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO, Assinado digitalmen te em 28/02/2013 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO, Assinado digitalmente em 21/03/2013 por L UIS MARCELO GUERRA DE CASTRO 4 Por falta de previsão legal, é incabível o abono de juros Selic, aos ressarcimentos de créditos do IPI. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Em recurso voluntário a contribuinte reitera as alegações apresentadas em sede de impugnação, alegando em síntese que: a) o art. 1º da Lei nº 9.363/96 concede aos contribuintes produtores e exportadores de mercadorias nacionais, a exemplo do Recorrente, crédito presumido de IPI, não fazendo qualquer referência ao fato de ditos produtos terem classificação diversa de não tributado. Corroborando este entendimento, cita jurisprudências, a exemplo do CARF; b) o fato da industrialização ter ocorrido via encomenda não retirar o status de industrializador por parte da Recorrente, conforme preceito normativo à época, a saber art.9º, Inciso IV, RIPI/2002, para tanto, elenca jurisprudências neste sentido; c) a Taxa SELIC deve incidir desde a data do objeto do pedido de restituição(protocolo) até a data da efetiva restituição, com vistas a manter o equilibro Fisco contribuinte. É o relatório. Voto Conselheiro Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho Conheço do presente recurso por ser tempestivo e tratar de matéria de competência da terceira sessão. Como demonstrado no relato acima a recorrente após requerer o ressarcimento de crédito de IPI com base na lei nº 9.363/1997, para ser restituído o PIS/PASEP e a COFINS, teve seu pedido negado, sob o argumento de que quando da exportação de produto “Não Tributado” não há direito a crédito presumido de IPI, para ser ressarcido o PIS e a Cofins. Sustenta ainda a decisão recorrida que seria aplicável ao caso a súmula CARF nº 20. A lei nº 9.363/96 estabeleceu o crédito presumido de IPI para ressarcimento da COFINS e PIS/PASEP ao definir em seu art. 1º1 que empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais terá direito a crédito presumido do Imposto sobre produtos industrializados, com o ressarcimento das contribuições que incidam sobre as aquisições no mercado interno de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, utilizados no processo produtivo. 1 Lei nº 9.363/96 Art. 1º A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nos 7, de 7 de setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro de 1970, e 70, de 30 de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo. Fl. 105DF CARF MF Impresso em 21/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2013 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO, Assinado digitalmen te em 28/02/2013 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO, Assinado digitalmente em 21/03/2013 por L UIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 13005.900378/201097 Acórdão n.º 3102001.734 S3C1T2 Fl. 4 5 Observando o art. 6 da lei nº 10.451/2002, mencionada no acórdão recorrido, afastase do campo de incidência do IPI os produtos a que corresponde a notação NT(não Tributado), portanto não há que se falar em fato gerador do IPI diante de produtos não tributáveis. Acontece, que o crédito outorgado pela Lei nº 9.363/96, é uma presunção, e essa norma não estabelece restrições ao crédito presumido, apenas aos contribuintes de IPI, permitindo assim que mesmo os exportadores de produtos NT definidos para fins de IPI, sejam ressarcidos da Contribuição para o PIS/PASES e da Cofins. Este Conselho, através da 1ª Câmara, 1º Turma Ordinária da 3ª Seção, já se posicionou sobre o tema no seguinte sentido: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Período de apuração: 01/01/2004 a 31/03/2004 IPI. RESSARCIMENTO. SAÍDA DE PRODUTOS NÃO TRIBUTADOS (NT). EXPORTAÇÃO DE PRODUÇÃO PRÓPRIA. CRÉDITO PRESUMIDO PARA RESSARCIMENTO PISPASEP E COFINS. O direito ao crédito presumido do IPI para ressarcimento do PIS/Pasep e da Cofins incidentes sobre as aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem utilizados no processo produtivo de mercadorias exportadas para o exterior, restrito às pessoas jurídicas qualificadas, cumulativamente, como produtoras (lato sensu) e exportadoras, alcança, inclusive, produtores de mercadorias não tributadas pelo IPI (NT). Precedentes da CSRF. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/01/2004 a 31/03/2004 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. JULGAMENTO EM DUAS INSTÂNCIAS. É direito do contribuinte submeter o exame da matéria litigiosa às duas instâncias administrativas. Forçosa é a devolução dos autos para apreciação das demais questões de mérito pelo órgão julgador a quo quando superados, no órgão julgador ad quem, pressupostos que fundamentavam o julgamento de primeira instância. Recurso não conhecido nas demais razões de mérito, devolvidas ao órgão julgador a quo para correção de instância. 2 Quanto a súmula nº 203 do CARF, é oportuno destacar que não se trata de posicionamento contrário, pois a súmula dispõe especificamente sobre crédito de IPI, enquanto 2 Processo 13005.902374/200829 Acórdão nº 310101.124 3 Súmula CARF nº 20: Não há direito aos créditos de IPI em relação às aquisições de insumos aplicados na fabricação de produtos classificados na TIPI como NT. Paradigmas Acórdão nº 20215266, de 05/11/2003 Acórdão nº 20215366, de 03/12/2003 Acórdão nº 202 15455, de 17/02/2004 Acórdão nº 20216141, de 28/01/2005 Acórdão nº 20400488, de 11/08/2005 Fl. 106DF CARF MF Impresso em 21/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2013 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO, Assinado digitalmen te em 28/02/2013 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO, Assinado digitalmente em 21/03/2013 por L UIS MARCELO GUERRA DE CASTRO 6 o caso dos autos decorre de crédito presumido de IPI para ressarcimento da COFINS e PIS/PASEP, assim tal posicionamento não viola o Regimento em seu art. 45. Da utilização da Taxa Selic Quanto a este tema vale destacar o posicionamento do Superior Tribunal de Justiça no julgamento do recurso especial nº 1.035.847 submetido ao regime do art. 543C, representativo de controvérsia, reconheceu que o pedido de ressarcimento de crédito de IPI enseja a incidência de correção monetária, decisão essa que transitou em julgado em 10/03/2010. Assim, deve prevalecer o mesmo entendimento a caso em tela, aplicandose o disposto no art. 62A do regulamento do CARF, sendo, portanto devida a correção monetária dos créditos pretendidos que foram deferidos, atualizados a partir do protocolo dos pedidos administrativos. Por todo exposto dou parcial provimento ao recurso voluntário para afastar o óbice à fruição do ressarcimento de crédito presumido de IPI em face da saída de produtos não tributados, devendo ser atualizado a partir do protocolo do pedido de ressarcimento, devolvendo os autos ao órgão julgador para apreciar os créditos pretendidos. Sala de sessões 30 de janeiro de 2013. (assinado digitalmente) Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho Relator Fl. 107DF CARF MF Impresso em 21/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2013 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO, Assinado digitalmen te em 28/02/2013 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO, Assinado digitalmente em 21/03/2013 por L UIS MARCELO GUERRA DE CASTRO
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Numero do processo: 10880.915463/2009-18
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 19 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Apr 16 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 3801-000.448
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e votos que integram a presente resolução
Flavio de Castro Pontes, Presidente
(assinado digitalmente)
Sidney Eduardo Stahl
(assinado digitalmente)
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Flavio De Castro Pontes, (Presidente), Marcos Antonio Borges, Jose Luiz Bordignon, Paulo Antonio Caliendo Velloso Da Silveira, Maria Ines Caldeira Pereira da Silva Murgel e eu, Sidney Eduardo Stahl, Relator
Nome do relator: SIDNEY EDUARDO STAHL
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e votos que integram a presente resolução Flavio de Castro Pontes, Presidente (assinado digitalmente) Sidney Eduardo Stahl (assinado digitalmente) Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Flavio De Castro Pontes, (Presidente), Marcos Antonio Borges, Jose Luiz Bordignon, Paulo Antonio Caliendo Velloso Da Silveira, Maria Ines Caldeira Pereira da Silva Murgel e eu, Sidney Eduardo Stahl, Relator
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A DCOMP foi analisada de forma eletrônica pelo sistema de processamento de dados da Receita Federal do Brasil RFB, que emitiu em 23/10/2009 o Despacho Decisório (N° de Rastreamento) 849856974 (fl. 01), assinado pelo titular da unidade de jurisdição do contribuinte. De acordo com o Despacho Decisório, a compensação não foi homologada, uma vez que o pagamento indicado no PER/DCOMP foi integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados. Cientificada do Despacho Decisório a contribuinte apresentou em 07/12/2009 Manifestação de Inconformidade, acompanhada de documentos. A DRJ de São Paulo negou o pedido da contribuinte consubstanciada a decisão na seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 16/01/2007 Ementa: CORREÇÃO DE ALTERAÇÃO DE DCTF NÃO COMPROVADA EM DOCUMENTAÇÃO IDÔNEA. A mera alegação da existencia do crédito, desacompanhada de elementos de prova não é suficiente para afastar a exigência do ddbito decorrente de compensação não homologada. DCOMP. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. DCTF. ERRO NO PREENCHIMENTO. VALORES CORRETOS. COMPROVAÇÃO. Consideramse confissões de dívida os débitos declarados em DCTF, motivo pelo qual qualquer alegação de erro no seu preenchimento, cuja correção resulte em crédito ao sujeito passivo, precisa ser comprovada mediante documentos contábeis e fiscais que justifiquem as alterações realizadas no cálculo dos tributos devidos. ÔNUS DA PROVA. Compete ao interessado ônus da prova a respeito de suposto crédito perante a Fazenda Pública. São os livros fiscais e contábeis mantidos pela contribuinte elementos capazes de fomecer à Fazenda Nacional conteúdo substancial válido juridicamente para a busca da verdade material dos fatos. Fl. 143DF CARF MF Impresso em 16/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 15/04/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 15/04/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10880.915463/200918 Resolução nº 3801000.448 S3TE01 Fl. 144 3 Não apresentada a escrituração contábil/fiscal, nem outra documentação hábil e suficiente, que justifique a alteração dos valores registrados em DCTF, mantémse a decisão proferida, sem o reconhecimento de direito creditório, com a conseqüente não homologação das compensações pleiteadas. DA OFENSA À VERDADE MATERIAL, AOS PRINCÍPIOS DA RAZOABILIDADE, PROPORCIONALIDADE E EFICIÊNCIA. INOCORRÊNCIA. É atribuição do julgador, antes de proferir decisão em processo administrativo fiscal, buscar a verdade material não se contentando apenas com os dados trazidos aos autos pelos sujeitos envolvidos na lide. Não há que se falar em ofensa aos princípios da razoabilidade, proporcionalidade e eficiência quando o ato administrativo encontra se revestido das formalidades legais, tendo sido emitido de acordo com os dispositivos legais e normativos que disciplinam o assunto. PEDIDO DE DILIGÊNCIA/PERÍCIA. INDEFERIMENTO. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis. PRODUÇÃO DE PROVAS. INDEFERIMENTO. A apresentação de provas no contencioso administrativo deve ser feita juntamente com a impugnação, precluindo o direito de fazêlo em outro momento, salvo se fundamentado nas hipóteses expressamente previstas. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Direito Creditório Não Reconhecido. Inconformada apresentou o presente recurso voluntário que se vale das seguintes alegações: Que o presente requerimento administrativo foi apresentado pela Requerente com o objetivo de ter compensado "valor pago a maior" a título de COFINS no mês 12/2006. Que, mesmo tendo a Requerente retificado a DCTF antes da apresentação do pedido de compensação eis que a DCTF retificadora foi apresentada em 28/07/2009 (doc. 02) e o PER/DCOMP em 17/08/2009, esta não teve homologado seu crédito. Que houve uma evidente distorção frente à situação contábil da Requerente, a qual está scndo compelida, por meio da presente decisão, a efetuar o recolhimento de tributo que, em verdade, foi regularmente compensado em créditos existentes em seu favor, tendo havido sua competente extinção, nos termos do artigo 156, II, do CTN, fato este que impõe ofensa ao Princípio da Verdade Material. Fl. 144DF CARF MF Impresso em 16/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 15/04/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 15/04/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10880.915463/200918 Resolução nº 3801000.448 S3TE01 Fl. 145 4 Que a manutenção da decisão recorrida não leva em conta a verdade material dos fatos, eis que se apega às formalidades para desconsiderar os dados reais da contabilidade da Requerente, culminando numa cobrança desconexa à sua realidade fática e contábil. Que o seu crédito está comprovado no Termo de Verificação Fiscal que anexa aos autos. À final, requer seja homologada a compensação. É o que importa relatar. Fl. 145DF CARF MF Impresso em 16/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 15/04/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 15/04/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10880.915463/200918 Resolução nº 3801000.448 S3TE01 Fl. 146 5 Voto Conselheiro Sidney Eduardo Stahl, O recurso é tempestivo e reúne os demais pressupostos de admissibilidade, razão pela qual dele se conhece. Como se pode abstrair do relatório a Recorrente pretende compensar crédito decorrente de recolhimento a maior ou indevido de COFINS (Código de Receita 5856), que teria ocorrido em 07/01/2007, para quitação de débito próprio de IRRF (Códigos de Receita 0561) e para isso apresentou, como prova de seu direito dois documentos: o um DCTF retificadora de fls. 51 e um termo de verificação fiscal juntado com o Recurso Voluntário às fls. 111/124. Ambos os documentos estão juntados parcialmente, entretanto demonstram que existe diferença paga a maior. O que é certo é que, do mesmo modo que não existe meia grávida, não existe meia prova, ou se prova, ou não se prova. Não há no presente processo prova adequada quanto ao crédito da contribuinte , nem prova quanto à negativa da fazenda. A verificação fiscal é indício da existência do direito, entretanto em que pese o direito da interessada, do exame dos elementos comprobatórios, constata se que, no caso vertente, os documentos apresentados são insuficientes para se apurar o valor correto da contribuição. Ante ao exposto, voto no sentido de converter o presente julgamento em diligência para que a Delegacia de origem faça o levantamento dos valores dos créditos da contribuinte, com base na escrituração fiscal e contábil cientificandose a Recorrente do resultado da diligência para, desejando, manifestarse no prazo de trinta dias. Após a conclusão da diligência, retornar o processo a este CARF para julgamento. É como voto, (assinado digitalmente) Sidney Eduardo Stahl Relator Fl. 146DF CARF MF Impresso em 16/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 15/04/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 15/04/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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Numero do processo: 18471.000406/2005-24
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Jun 10 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2003
MULTA ISOLADA E MULTA DE OFÍCIO. CONCOMITÂNCIA.
IMPOSSIBILIDADE.
A multa isolada não pode ser exigida concomitantemente com a multa de ofício. Precedentes da 2ª Câmara e da Câmara Superior de Recursos Fiscais.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2102-001.381
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, DAR provimento ao recurso. Vencida a Conselheira Núbia Matos Moura que negava provimento.
Matéria: IRPF- ação fiscal - omis. de rendimentos - PF/PJ e Exterior
Nome do relator: RUBENS MAURICIO CARVALHO
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2003 MULTA ISOLADA E MULTA DE OFÍCIO. CONCOMITÂNCIA. IMPOSSIBILIDADE. A multa isolada não pode ser exigida concomitantemente com a multa de ofício. Precedentes da 2ª Câmara e da Câmara Superior de Recursos Fiscais. Recurso Voluntário Provido
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CONCOMITÂNCIA. IMPOSSIBILIDADE. A multa isolada não pode ser exigida concomitantemente com a multa de ofício. Precedentes da 2ª Câmara e da Câmara Superior de Recursos Fiscais. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, DAR provimento ao recurso. Vencida a Conselheira Núbia Matos Moura que negava provimento. Assinado digitalmente. Giovanni Christian Nunes Campos Presidente. Assinado digitalmente. Rubens Maurício Carvalho Relator. EDITADO EM: 23/09/2011 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Atilio Pitarelli, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, Giovanni Christian Nunes Campos, Núbia Matos Moura, Acácia Sayuri Wakasugi e Rubens Maurício Carvalho. Relatório Fl. 1DF CARF MF Impresso em 11/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2011 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 23/09/ 2011 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 26/09/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 18471.000406/200524 Acórdão n.º 210201.381 S2C1T2 Fl. 110 2 Para descrever a sucessão dos fatos deste processo até o julgamento na Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ), adoto o relatório do acórdão de fls. 89 a 98 da instância a quo, in verbis: Foi lavrado Auto de Infração do Imposto de Renda Pessoa Física, fls. 25/34, em nome de JORGE DUARTE PIRES VALERIO, relativo ao exercício de 2003, anocalendário 2002, o qual resultou em crédito tributário no montante de R$33.420,83, sendo R$12.100,00 de imposto, R$9.075,00 de multa de oficio proporcional, R$8.440,38 de multa isolada por falta de recolhimento de carnêleão e R$3.805,45 de juros de mora (calculados até 28/02/2005). 2 O referido lançamento teve origem na constatação das infrações "Rendimentos classificados indevidamente na D1RF" e "Falta de Recolhimento do IRPF devido a título de CarnêLeão", conforme Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal de fls. 26/27 e Termo de Constatação Fiscal de fls. 23/24. 3 Inconformado(a) com a exigência, da qual tomou ciência em 31/03/2005 (fls. 25), o(a) interessado(a) apresentou impugnação em 28/04/2005 (fls. 36/49), alegando, em síntese e resumidamente, que: • é perito/assistente técnico de organismo internacional (PNUD) e assim, com base na legislação brasileira, bem como nos Tratados, Acordos e Convenções Internacionais, está isento do Imposto de Renda sobre os rendimentos recebidos do referido organismo; • os peritos de assistência técnica, contratados localmente pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), são beneficiários da imunidade conferida aos funcionários daquele organismo internacional; • tributar seus rendimentos seria o mesmo que tributar as receitas da ONU, que disponibiliza verbas para aplicação no desenvolvimento econômico e social da nação, havendo, assim, um desvio de finalidade para passar a integrar a base geral de arrecadação do governo Federal; • as normas de tributação do país, a exemplo dos arts. 22 e 25 do RIR199 e da IN SRF n° 208/2002 não podem se sobrepor às disposições do Acordo Básico de Assistência Técnica com a Organização das Nações Unidas, aplicadas em conjunto com a Convenção sobre Privilégios e Imunidades da Organização das Nações Unidas; • inúmeras decisões do Conselho de Contribuintes e da Câmara Superior de Recursos Fiscais reconhecem a imunidade/isenção dos rendimentos pagos pelo PNUD. 4 Por fim, requer seja declarada a insubsistência do auto de infração, com a subseqüente inexigibilidade do crédito tributário lançado. Diante desses fatos, as alegações da impugnação e demais documentos que compõem estes autos, o órgão julgador de primeiro grau, ao apreciar o litígio, em votação unânime, julgou procedente em parte o lançamento, mantendo o crédito consignado no auto de Fl. 2DF CARF MF Impresso em 11/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2011 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 23/09/ 2011 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 26/09/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 18471.000406/200524 Acórdão n.º 210201.381 S2C1T2 Fl. 111 3 infração referente a infração 001 Omissão de Rendimentos e reduzindo a infração 002 Multa Isolada de 75% para 50%, , resumindo o seu entendimento na seguinte ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2003 FUNCIONÁRIOS DA ORGANIZAÇÃO DAS NAÇÕES UNIDAS. ISENÇÃO. Os rendimentos decorrentes da prestação de serviços junto ao PNUD/ONU são tributáveis, quando recebidos por nacionais contratados no país, por faltarlhes a condição de funcionários de organismos internacionais, pois nem todos fazem jus à isenção, mas tão somente os funcionários internacionais mais graduados, que gozam de privilégios semelhantes aos dos agentes diplomáticos para o bom desempenho de suas funções. MULTA ISOLADA. NOVO PERCENTUAL.REVISÃO DO LANÇAMENTO. RETROATIVIDADE BENIGNA. Em função do princípio da retroatividade benigna, impositiva se torna a revisão do lançamento correlato à multa isolada com vistas a adequálo ao novo disciplinamento legal. Inconformado, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário parcial, de fls. 100 a 105, requerendo: I. O RECORRENTE desde já esclarece que o presente Recurso Voluntário é parcial, tão somente no que tange à imposição da multa isolada, com fundamento no art. 44, § único, inciso III, da Lei n. 9.430/96 (lançamento cód. 6352) e II. Em relação à cobrança do IRPF, juros e multa de oficio (lançamento cód. 2904), o RECORRENTE informa que procederá à adesão do parcelamento previsto na Lei n. 11.941/09, razão pela qual não tecerá mais considerações sobre o fato de os valores recebidos pela prestação de serviços vinculada a PNUD estarem ou não sujeitos à incidência do Imposto de Renda. Dando prosseguimento ao processo este foi encaminhado para o julgamento de segunda instância administrativa. É O RELATÓRIO. Voto Conselheiro Rubens Maurício Carvalho. ADMISSIBILIDADE O recurso apresentado atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. Assim sendo, dele conheço. Conforme consta às fls. 100/101 o presente recurso restringese a Infração 002 – Multa Isolada. Fl. 3DF CARF MF Impresso em 11/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2011 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 23/09/ 2011 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 26/09/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 18471.000406/200524 Acórdão n.º 210201.381 S2C1T2 Fl. 112 4 Essa questão cobrança da multa exigida isoladamente concomitantemente com a multa de ofício é conhecida e já foi objeto de vários julgamentos neste órgão. Alinhome com pacífico entendimento dos julgados desse órgão e voto pelo seu cancelamento, pelo Princípio da Moralidade e para adequarme à jurisprudência desse órgão julgador, especialmente, da Câmara Superior de Recursos Fiscais: MULTA ISOLADA Art. 44, I, da Lei 9430/96 – Inaplicabilidade. NÃO CUMULATIVIDADE A multa isolada prevista no artigo 44 § 1º, somente pode ser exigida uma vez não podendo portanto ser aplicada quando a base para seu lançamento já tiver sido parâmetro para exigência da mesma multa por falta de pagamento de tributo. O legislador, quando quer, determina a cumulatividade de multas, na ausência de previsão legal, sobre o mesmo fato somente pode ser lançada uma multa.( Acórdão: CSRF/0105.078) CONCLUSÃO Pelo exposto, VOTO PELO PROVIMENTO DO RECURSO, para que seja cancelada a multa exigida isoladamente. Assinado digitalmente. Rubens Maurício Carvalho Relator. Fl. 4DF CARF MF Impresso em 11/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2011 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 23/09/ 2011 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 26/09/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS
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Numero do processo: 10980.005755/2005-81
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Sep 25 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF
Ano-calendário: 1999
IRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. GLOSAS DESPESAS MÉDICAS E INSTRUÇÃO. DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. OCORRÊNCIA ANTECIPAÇÃO PAGAMENTO. IMPOSTO RETIDO NA FONTE. APROVEITAMENTO. APLICAÇÃO ARTIGO 150, § 4º, CTN. ENTENDIMENTO STJ. OBSERVÂNCIA OBRIGATÓRIA.
Tratando-se de tributo sujeito ao lançamento por homologação, havendo a ocorrência de pagamento, constatado a partir do imposto retido na fonte e demais recolhimentos apurados na Declaração de Ajuste Anual, é entendimento uníssono deste Colegiado a aplicação do prazo decadencial de 05 (cinco) anos, contados da ocorrência do fato gerador do tributo, nos termos do artigo 150, § 4º, do Códex Tributário, ressalvados entendimentos pessoais dos julgadores a propósito da importância ou não da antecipação de pagamento para efeito da aplicação do instituto, sobretudo após a alteração do Regimento Interno do CARF, notadamente em seu artigo 62-A, o qual impõe à observância das decisões tomadas pelo STJ nos autos de Recursos Repetitivos - Resp n° 973.733/SC.
Recurso especial negado.
Numero da decisão: 9202-002.372
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
Matéria: IRPF- auto de infração eletronico (exceto multa DIRPF)
Nome do relator: RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA
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OMISSÃO DE RENDIMENTOS. GLOSAS DESPESAS MÉDICAS E INSTRUÇÃO. DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. OCORRÊNCIA ANTECIPAÇÃO PAGAMENTO. IMPOSTO RETIDO NA FONTE. APROVEITAMENTO. APLICAÇÃO ARTIGO 150, § 4o, CTN. ENTENDIMENTO STJ. OBSERVÂNCIA OBRIGATÓRIA. Tratandose de tributo sujeito ao lançamento por homologação, havendo a ocorrência de pagamento, constatado a partir do imposto retido na fonte e demais recolhimentos apurados na Declaração de Ajuste Anual, é entendimento uníssono deste Colegiado a aplicação do prazo decadencial de 05 (cinco) anos, contados da ocorrência do fato gerador do tributo, nos termos do artigo 150, § 4º, do Códex Tributário, ressalvados entendimentos pessoais dos julgadores a propósito da importância ou não da antecipação de pagamento para efeito da aplicação do instituto, sobretudo após a alteração do Regimento Interno do CARF, notadamente em seu artigo 62A, o qual impõe à observância das decisões tomadas pelo STJ nos autos de Recursos Repetitivos Resp n° 973.733/SC. Recurso especial negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Fl. 1DF CARF MF Impresso em 16/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/10/2 012 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 09/10/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAE S DE OLIVEIRA 2 (Assinado digitalmente) Valmar Fonseca de Menezes Presidente em exercício (Assinado digitalmente) Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira – Relator EDITADO EM: 26/09/2012 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Valmar Fonseca de Menezes (Presidente em exercício), Gonçalo Bonet Allage (VicePresidente em exercício), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Pedro Anan Junior, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Relatório JOSIANE DE FÁTIMA FABIANO, contribuinte, pessoa física, já devidamente qualificada nos autos do processo administrativo em epígrafe, teve contra si lavrado Auto de Infração, em 03/06/2005, exigindolhe crédito tributário concernente ao Imposto de Renda Pessoa Física IRPF, decorrente de omissão de rendimentos constatada a partir de glosas de deduções indevidas de despesas médicas e instrução, em relação ao ano calendário 1999, conforme peça inaugural do feito, às fls. 11/14, e demais documentos que instruem o processo. Após regular processamento, interposto recurso voluntário à Segunda Seção de Julgamento do CARF contra Decisão da 4a Turma da DRJ em Curitiba/PR, consubstanciada no Acórdão nº 0613.904/2007, às fls. 34/38, que julgou procedente o lançamento fiscal em referência, a Egrégia 2a Turma Especial, em 26/07/2010, por unanimidade de votos, achou por bem DAR PROVIMENTO AO RECURSO VOLUNTÁRIO DA CONTRIBUINTE, o fazendo sob a égide dos fundamentos inseridos no Acórdão nº 280200.385, sintetizados na seguinte ementa: “ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2000 IRPF. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECADÊNCIA. O imposto de renda das pessoas físicas é tributo sujeito ao lançamento por homologação. Em assim sendo, o prazo decadencial para a constituição de créditos tributários é de cinco anos contados do fato gerador, que, como regra geral, ocorre em 31 de dezembro de cada anocalendário. Preliminar de decadência acolhida. Fl. 2DF CARF MF Impresso em 16/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/10/2 012 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 09/10/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAE S DE OLIVEIRA Processo nº 10980.005755/200581 Acórdão n.º 920202.372 CSRFT2 Fl. 92 3 Recurso voluntário provido.” Irresignada, a Procuradoria interpôs Recurso Especial, às fls. 64/71, com arrimo no artigo 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 256/2009, procurando demonstrar a insubsistência do Acórdão recorrido, desenvolvendo em síntese as seguintes razões: Após breve relato das fases ocorridas no decorrer do processo administrativo fiscal, insurgese contra o Acórdão atacado, alegando ter contrariado entendimento levado a efeito pelas demais Câmaras dos Conselhos de Contribuintes/CARF e, bem assim, da Câmara Superior de Recursos Fiscais a respeito da mesma matéria, conforme se extrai do Acórdão nº 10249.395, impondo seja conhecido o recurso especial da recorrente, uma vez comprovada a divergência arguida. Sustenta que a jurisprudência deste Colegiado, corroborada pelo entendimento adotado pelo Superior Tribunal de Justiça, impõe que a aplicação do prazo decadencial inserido no artigo 150, § 4º, do CTN, pressupõe a antecipação de pagamento, ainda que parcialmente. Contrapõese ao Acórdão recorrido, por entender que o artigo 150, § 4º, do Códex Tributário, estaria dispondo sobre prazo para o ato de “homologação” de um procedimento do contribuinte, e não sobre o prazo para lançamento. Assevera que inexistindo recolhimento, ou seja, antecipação de pagamento, não há o que se homologar, não estando o lançamento de ofício previsto no artigo 150, § 4º, do CTN, mas, sim, no artigo 173, inciso I, daquele Diploma legal, conforme doutrina transcrita na peça recursal. Em defesa de sua pretensão, infere que adotandose o artigo 173, inciso I, do CTN, o prazo decadencial começaria a contar do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que poderia ter sido efetuado o lançamento. In casu, tendo sido efetuada a entrega da Declaração de Ajuste Anual relativa ao anocalendário de 1999, em 4 de abril de 2000, o termo para contagem do prazo quinquenal se iniciou em 1o de janeiro de 2001, haja vista que o Fisco somente poderia efetuar o lançamento após o prazo de entrega da DAA. Assim sendo, não há que se falar em decadência do lançamento cuja ciência se deu em 3 de março de 2005. Por fim, requer o conhecimento e provimento do Recurso Especial, impondo a reforma do decisum ora atacado, nos termos encimados. Submetido a exame de admissibilidade, o ilustre Presidente da 2ª Câmara da 2a SJ do CARF, entendeu por bem admitir o Recurso Especial da Procuradoria, sob o argumento de que a recorrente logrou comprovar que o Acórdão recorrido divergiu do entendimento consubstanciado no paradigma, Acórdão nº 10249.395, conforme Despacho nº 220800.436/2010, às fls. 73/75. Instada a se manifestar a propósito do Recurso Especial da Fazenda Nacional, a contribuinte ofereceu suas contrarrazões, às fls. 79/85, corroborando as razões de decidir do Acórdão recorrido, em defesa de sua manutenção, trazendo à colação jurisprudência judicial e administrativa ratificando seu entendimento. É o relatório. Fl. 3DF CARF MF Impresso em 16/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/10/2 012 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 09/10/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAE S DE OLIVEIRA 4 Voto Conselheiro Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Relator Presentes os pressupostos de admissibilidade, sendo tempestivo e acatada pelo ilustre Presidente da 2ª Câmara da 2a Seção de Julgamento do CARF a divergência suscitada, conheço do Recurso Especial da Procuradoria e passo à análise das razões recursais. Conforme se depreende da peça recursal, como já robustamente demonstrado nos autos, a contribuinte deduziu de seu imposto de renda as despesas médicas e de instrução suportadas no anocalendário fiscalizado. Uma vez intimada a comprovar a efetividade e pagamento de tais serviços, a autuada não logrou comproválo em sua integralidade, na forma que a legislação de regência exigia, ensejando a respectiva glosa e a lavratura do presente auto de infração. Por seu turno, a Câmara recorrida, entendeu por bem rechaçar a pretensão fiscal, acolhendo a decadência total da exigência fiscal, com esteio no prazo contemplado no artigo 150, § 4°, do CTN, independentemente da ocorrência de antecipação de pagamento, em razão da natureza do tributo, sujeito ao lançamento por homologação. Inconformada, a Procuradoria da Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial, aduzindo, em síntese, que as razões de decidir do Acórdão recorrido contrariaram a jurisprudência deste Colegiado, traduzida no Acórdão nº 10249.395 e, bem assim, do Superior Tribunal de Justiça a propósito da matéria, a qual exige a existência de recolhimentos, ou seja, a antecipação de pagamento, para que se aplique o prazo decadencial do artigo 150, § 4º, do CTN, o que não se vislumbra na hipótese dos autos, impondo sejam levados a efeito os ditames do artigo 173, inciso I, uma vez que inexistindo autolançamento do autuado, com a ocorrência de recolhimentos antecipados, não há o que se homologar. Em que pesem os argumentos da recorrente, seu inconformismo, contudo, não tem o condão de prosperar. Da simples análise dos autos, concluise que o Acórdão recorrido apresentase incensurável, devendo ser mantido em sua plenitude, como passaremos a demonstrar. Indispensável ao deslinde da controvérsia, mister se faz elucidar, resumidamente, as espécies de lançamento tributário que nosso ordenamento jurídico contempla, como segue. Primeiramente destacase o lançamento de ofício ou direto, previsto no artigo 149 do CTN, onde o fisco toma a iniciativa de sua prática, por razões inerentes a natureza do tributo ou quando o contribuinte deixa de cumprir suas obrigações legais. Já o lançamento por declaração ou misto, contemplado no artigo 147 do mesmo Diploma Legal, é aquele em que o contribuinte toma a iniciativa do procedimento, ofertando sua declaração tributária, colaborando ativamente. Alfim, o lançamento por homologação, inscrito no artigo 150 do Códex Tributário, em que o contribuinte presta as informações, calcula o tributo devido e promove o pagamento, ficando sujeito a eventual homologação por parte das autoridades fazendárias. Dessa forma, estando o Imposto sobre a Renda de Pessoas Físicas IRPF sujeito ao lançamento por homologação, defende parte dos julgadores e doutrinadores que a Fl. 4DF CARF MF Impresso em 16/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/10/2 012 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 09/10/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAE S DE OLIVEIRA Processo nº 10980.005755/200581 Acórdão n.º 920202.372 CSRFT2 Fl. 93 5 decadência a ser aplicada seria aquela constante do artigo 150, § 4º, do CTN, levandose em consideração a natureza do tributo atribuída por lei, independentemente da ocorrência de pagamento, entendimento compartilhado por este conselheiro. Ou seja, a regra para os tributos submetidos ao lançamento por homologação é o artigo 150, § 4º, do Código Tributário, o qual somente não prevalecerá nas hipóteses de ocorrência de dolo, fraude ou conluio, o que ensejaria o deslocamento do prazo decadencial para o artigo 173, inciso I, do mesmo Diploma Legal. Não é demais lembrar que o lançamento por homologação não se caracteriza tão somente pelo pagamento. Ao contrário, tratase, em verdade, de um procedimento complexo, constituído de vários atos independentes, culminando com o pagamento ou não. Observese, pois, que a ausência de pagamento não desnatura o lançamento por homologação, especialmente quando a sujeição dos tributos àquele lançamento é conferida por lei. E, esta, em momento algum afirma que assim o é tão somente quando houver pagamento. Não fosse assim, o que se diria quando o contribuinte apura prejuízos e não tem nada a recolher, ou mesmo quando encontrase beneficiado por isenções e/ou imunidades, onde, em que pese haver o dever de elaborar declarações pertinentes, informando os fatos geradores dos tributos dentre outras obrigações tributárias, deixa de promover o pagamento do tributo em razão de uma benesse fiscal? Cabe ao Fisco, porém, no decorrer do prazo de 05 (cinco) anos, contados do fato gerador do tributo, nos termos do artigo 150, § 4º, do CTN, proceder à análise das informações prestadas pelo contribuinte homologandoas ou não, quando inexistir concordância. Neste último caso, promover o lançamento de ofício da importância que apurar devida. Aliás, como afirmado alhures, a regra nos tributos sujeitos ao lançamento por homologação é o prazo decadencial insculpido no artigo 150, § 4º, do CTN, o qual dispôs expressamente os casos em que referido prazo deslocarseá para o artigo 173, inciso I, na ocorrência de dolo, fraude ou simulação comprovados. Somente nessas hipóteses a legislação específica contempla a aplicação de outro prazo decadencial, afastandose a regra do artigo 150, § 4º. Como se constata, a toda evidência, a contagem do lapso temporal em comento independe de pagamento. Ou seja, comprovandose que o contribuinte deixou efetuar o recolhimento dos tributos devidos e/ou promover o autolançamento com dolo, utilizandose de instrumentos ardilosos (fraude e/ou simulação), o prazo decadencial será aquele inscrito no artigo 173, inciso I, do CTN. Afora essa situação, não se cogita na aplicação daquele dispositivo legal. É o que se extrai da perfunctória leitura das normas legais que regulamentam o tema. Por outro lado, alguns julgadores e doutrinadores entendem que somente aplicarseia o artigo 150, § 4º, do CTN quando comprovada a ocorrência de recolhimentos relativamente ao fato gerador lançado, seja qual for o valor. Em outras palavras, a homologação dependeria de antecipação de pagamento para se caracterizar, e a sua ausência daria ensejo ao lançamento de ofício, com observância do prazo decadencial do artigo 173, inciso I. Fl. 5DF CARF MF Impresso em 16/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/10/2 012 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 09/10/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAE S DE OLIVEIRA 6 Ressaltase, ainda, o entendimento de outra parte dos juristas, suscitando que o artigo 150, 4º, do Código Tributário Nacional, prevalecerá quando o contribuinte promover qualquer ato tendente a apuração da base de cálculo do tributo devido, seja pelo pagamento, escrituração contábil, declaração do imposto em documento próprio, etc. Melhor elucidando, o contribuinte deverá adotar algum procedimento com o fito de apurar o tributo para que pudesse se cogitar em “homologação”. Afora posicionamento pessoal a propósito da matéria, por entender que o Imposto de Renda Pessoa Física deve observância ao prazo decadencial do artigo 150, § 4o, do Códex Tributário, independentemente de antecipação de pagamento, salvo quando comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, o certo é que a partir da alteração do Regimento Interno do CARF (artigo 62A), introduzida pela Portaria MF nº 586/2010, os julgadores deste Colegiado estão obrigados a “reproduzir” as decisões do STJ tomadas por recurso repetitivo, razão pela qual deixaremos de abordar aludida discussão, mantendo o entendimento que a aplicação do dispositivo legal retro depende da existência de recolhimentos do mesmo tributo no período objeto do lançamento, na forma decidida por aquele Tribunal Superior nos autos do Resp n° 973.733/SC, assim ementado: “PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: Resp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, Fl. 6DF CARF MF Impresso em 16/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/10/2 012 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 09/10/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAE S DE OLIVEIRA Processo nº 10980.005755/200581 Acórdão n.º 920202.372 CSRFT2 Fl. 94 7 sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008.” Na esteira desse raciocínio, uma vez delimitado pelo STJ e, bem assim, pelo Regimento Interno do CARF que nos lançamentos por homologação a antecipação de pagamento é indispensável à aplicação do instituto da decadência, nos cabe tão somente nos quedar a aludida conclusão e constatar ou não a sua ocorrência. Entrementes, a controvérsia em relação a referido tema encontrase distante de remansoso desfecho, se fixando agora em determinar o que pode ser considerado como antecipação de pagamento no Imposto de Renda Pessoa Física, sobretudo em face das diversas modalidades e/ou procedimentos adotados por ocasião do lançamento fiscal. In casu, porém, despiciendas maiores elucubrações a propósito da matéria, uma vez que a simples análise dos autos nos leva a concluir pela existência de antecipação de pagamento relativamente ao anocalendário 1999, a partir das retenções de IRPF efetuadas antecipadamente e submetidas à Declaração de Ajuste Anual 1999, às fls. 16/19. Na esteira dessas considerações, vislumbrandose a ocorrência de recolhimentos – antecipação de pagamento , fato relevante para a aplicação do instituto da decadência, nos termos da decisão do STJ acima ementada, a qual estamos obrigados a observar, é de se manter a ordem legal no sentido de aplicar o prazo decadencial inscrito no artigo 150, § 4o, do CTN. Destarte, tendo a fiscalização constituído o crédito tributário em 03/06/2005, com a devida ciência do contribuinte constante do Aviso de Recebimento – AR, de fl. 33, a Fl. 7DF CARF MF Impresso em 16/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/10/2 012 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 09/10/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAE S DE OLIVEIRA 8 exigência fiscal resta totalmente fulminada pela decadência, eis que o fato gerador ocorreu em 31/12/1999, fora do prazo decadencial de 05 (cinco) anos do artigo 150, § 4º, do Códex Tributário, impondo seja mantida a improcedência do feito. Assim, escorreito o Acórdão recorrido devendo, nesse sentido, ser mantido o provimento ao recurso voluntário da contribuinte, na forma decidida pela 2ª Turma Especial da 2a SJ do CARF, uma vez que a recorrente não logrou infirmar os elementos que serviram de base ao decisório atacado. Por todo o exposto, estando o Acórdão guerreado em consonância com os dispositivos legais que regulam a matéria, VOTO NO SENTIDO DE NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO ESPECIAL DA PROCURADORIA, pelas razões de fato e de direito acima esposadas. (Assinado digitalmente) Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira Fl. 8DF CARF MF Impresso em 16/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/10/2 012 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 09/10/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAE S DE OLIVEIRA
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Numero do processo: 10580.010887/2006-18
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jan 29 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Mar 13 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2003
ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. REMESSAS DE RECURSOS PARA O EXTERIOR.
São tributáveis os valores relativos ao acréscimo patrimonial, quando não justificados pelos rendimentos tributáveis, isentos ou não tributáveis, tributados exclusivamente na fonte ou objeto de tributação definitiva.
O Fisco se desincumbiu do ônus de tornar evidente o fato constitutivo do seu que está perfeitamente evidenciado nos autos.
Compete ao contribuinte comprovar, mediante a apresentação de documentos hábeis e idôneos, que tais dispêndios foram suportados por rendimentos tributáveis, isentos ou tributados exclusivamente na fonte, visto que é dele, e não do Fisco, o dever de provar a origem dos rendimentos.
Devem ser considerados como aplicações de recursos, no demonstrativo de análise da evolução patrimonial, os valores relativos as remessas de recursos para o exterior.
Recurso especial provido.
Numero da decisão: 9202-002.492
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, dar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Gonçalo Bonet Allage, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Marcelo Freitas de Souza Costa e Susy Gomes Hoffmann.
(Assinado digitalmente)
Otacílio Dantas Cartaxo - Presidente
(Assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Relatora
EDITADO EM: 07/02/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Susy Gomes Hoffmann (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Gonçalo Bonet Allage, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo, Marcelo Freitas de Souza Costa (suplente convocado) e Elias Sampaio Freire.
Matéria: IRPF- ação fiscal - Ac.Patrim.Descoberto/Sinais Ext.Riqueza
Nome do relator: MARIA HELENA COTTA CARDOZO
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REMESSAS DE RECURSOS PARA O EXTERIOR. São tributáveis os valores relativos ao acréscimo patrimonial, quando não justificados pelos rendimentos tributáveis, isentos ou não tributáveis, tributados exclusivamente na fonte ou objeto de tributação definitiva. O Fisco se desincumbiu do ônus de tornar evidente o fato constitutivo do seu que está perfeitamente evidenciado nos autos. Compete ao contribuinte comprovar, mediante a apresentação de documentos hábeis e idôneos, que tais dispêndios foram suportados por rendimentos tributáveis, isentos ou tributados exclusivamente na fonte, visto que é dele, e não do Fisco, o dever de provar a origem dos rendimentos. Devem ser considerados como aplicações de recursos, no demonstrativo de análise da evolução patrimonial, os valores relativos as remessas de recursos para o exterior. Recurso especial provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, dar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Gonçalo Bonet Allage, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Marcelo Freitas de Souza Costa e Susy Gomes Hoffmann. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 01 08 87 /2 00 6- 18 Fl. 1DF CARF MF Impresso em 26/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/03/2 013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 15/02/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 2 (Assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo Presidente (Assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Relatora EDITADO EM: 07/02/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Susy Gomes Hoffmann (VicePresidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Gonçalo Bonet Allage, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo, Marcelo Freitas de Souza Costa (suplente convocado) e Elias Sampaio Freire. Relatório Em sessão plenária de 1º/12/2009, foi julgado o Recurso Voluntário 158.433, exarandose o Acórdão 280200.193 (fls. 461 a 464), assim ementado: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2003 VARIAÇÃO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. REMESSAS DE RECURSOS AO EXTERIOR. PROVA INDICIARIA. Para caracterizar a infração de omissão de rendimentos a prova indiciária deve ser constituída de indícios que sejam veementes, graves, precisos e convergentes, que examinados em conjunto levem ao convencimento do julgador. Recurso provido. Cientificada do acórdão em 21/05/2010 (fls. 463), a Fazenda Nacional interpôs, na mesma data, o Recurso Especial de fls. 466 a 499, com fundamento no art. 67 do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22/06/2009. Ao Recurso Especial foi dado seguimento, conforme Despacho 220200.303, de 20/10/2010 (fls. 500 a 505). No Recurso Especial, a Fazenda Nacional alega, em síntese: o Auto de Infração está fundamentado na presunção de omissão de rendimentos decorrente de acréscimo patrimonial a descoberto — APD, constatado a partir do excesso de aplicações sobre origens, não respaldado por rendimentos declarados/comprovados, conforme previsão dos arts. 2º e 3º da Lei n9 7.713, de 1988; Fl. 2DF CARF MF Impresso em 26/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/03/2 013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 15/02/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 10580.010887/200618 Acórdão n.º 9202002.492 CSRFT2 Fl. 20 3 a partir do exame dos dispositivos declinados, depreendese que devem ser confrontadas, mensalmente, as variações patrimoniais com os rendimentos auferidos, a fim de se apurar a evolução patrimonial do contribuinte; caso seja constatada a existência de acréscimo patrimonial a descoberto, verificase a ocorrência da omissão de rendimentos, até prova em contrario, a cargo do contribuinte; assim, cabe ao Fisco somente demonstrar o fato definido na lei como necessário e suficiente ao estabelecimento da presunção para que fique evidenciada a omissão de rendimentos; dessa forma, a lei mencionada dispõe que uma vez verificada omissão de rendimentos, autorizado está o lançamento do imposto correspondente, uma vez demonstrado pela autoridade lançadora que os valores dos dispêndios/aplicações ultrapassaram os recursos disponíveis segundo apuração mensal; de tal raciocínio, concluise que o acréscimo patrimonial não justificado pelos rendimentos tributáveis, isentos ou não tributáveis, tributados exclusivamente na fonte e sujeitos à tributação definitiva, está sujeito ao lançamento de oficio por caracterizar omissão de rendimentos; apenas a apresentação de provas inequívocas, que justifiquem o acréscimo patrimonial em face do montante da renda liquida, é hábil a afastar a presunção legal de omissão de rendimentos, o que não foi apresentada no feito; ocorre que, na hipótese vertente, houve inequívoca identificação do contribuinte Paulo Roberto Tannus Freitas como responsável (ordenante), juntamente com Angela Maria Reis Cavalcante Freitas (cônjuge), pela remessa de recursos ao exterior de US$ 50.000,00, creditados em nome de 226 e 54TH S STREET SUIT 701 NEW YORK NY 10022 3703, em 11 de junho de 2002, conforme transferência de número 0289809162FF, a partir de Salvador, com destino para a conta YORK NY 100223703; tal circunstância está demonstrada pela mídia fornecida pelos bancos nos EUA que, inclusive, foi atestada em perícia técnica do Instituto Nacional de Criminalística, vinculado ao Departamento de Policia Federal (Laudo n. 9 1.032/041NC), após a devida autorização da Corte norteamericana e da Justiça Federal Brasileira; de fato, compulsandose os autos, verificase a existência de ordem de pagamento, em que consta a identificação, como remetente ou ordenante, do contribuinte em epígrafe, juntamente com seu cônjuge; os interessados foram devidamente intimados, pelo termo de fls. 20/21, para apresentar esclarecimentos sobre as razões dessas movimentações financeiras, bem como demonstrar onde e a que titulo os valores monetários movimentados encontramse informados na declaração de IRPF; entretanto, o contribuinte e seu cônjuge apenas negaram a conduta, apesar das inequívocas provas apresentadas; Fl. 3DF CARF MF Impresso em 26/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/03/2 013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 15/02/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 4 nessa senda, irretocável o lançamento, ratificado, ademais, pela decisão administrativa de primeiro grau; ademais, como ressaltado no Termo de Verificação Fiscal de fls. 10/17, a remessa de recursos ao exterior multicitada, apenas originou a fiscalização do contribuinte; isso significa que a eventual fragilidade da prova apresentada pelo Fisco, consoante aduziu a decisão recorrida, não seria motivo suficiente para elidir todo o lançamento, uma vez que este encontrase respaldado, como já se disse, em prova inequívoca do fato de que se trata (remessas de recursos ao exterior) cuja autenticidade e veracidade não foi afastada em nenhum momento nem pelo contribuinte nem pelo acórdão atacado, assim como na perfeita demonstração pelo Fisco da omissão de rendimentos, tendo em vista a variação patrimonial a descoberto, onde se verificou excesso de aplicações sobre origens, não respaldado por rendimentos declarados/comprovados pelo contribuinte; com efeito, o lançamento com base em acréscimo patrimonial a descoberto já estava previsto no Código Tributário Nacional em seu artigo 43, inciso II; posteriormente, em 1988, a Lei nº 7.713, no artigo 3°, § 1°, preceituou que constituem rendimento bruto os proventos de qualquer natureza, assim também entendidos os acréscimos patrimoniais não correspondentes aos rendimentos declarados; desta forma, a autoridade administrativa, em procedimento fiscal, utilizase de fluxos de caixa com o objetivo de verificar a ocorrência de inconformidades entre a renda declarada e os dispêndios realizados pelo contribuinte; o resultado dos demonstrativos poderá indicar variação patrimonial a descoberto, ou seja, a aquisição de bens e/ou gastos acima dos rendimentos informados; assim, podese dizer que o levantamento de acréscimo patrimonial não justificado é forma indireta de apuração de rendimentos omitidos, posto que a autoridade lançadora cabe somente comprovar a sua existência que, uma vez ocorrido, a lei permite presumir a omissão de rendimentos; tratase de uma presunção que, além de legal, é perfeitamente lógica, posto que ninguém realiza gastos desprovido de disponibilidade financeira, sendo certo que, da mesma forma que para se adquirir um veículo, por exemplo, devem existir rendimentos/recursos suficientes, também estes devem existir para seja efetuada uma remessa de dinheiro para o exterior; ressaltese que a presunção contida no dispositivo citado (CTN, art. 43, II) não é absoluta, mas relativa, na medida em que admite prova em contrário; tratase de prova que deve ser feita pelo próprio contribuinte interessado, uma vez que a legislação define o acréscimo patrimonial não justificado como fato gerador do imposto de renda, sem impor outras condições ao sujeito ativo, além da demonstração do referido desequilíbrio; ainda sobre o tema, pontifica Jose Luiz Bulhões Pedreira ("Imposto sobre a Renda Pessoas Jurídicas", JUSTEC RJ, 1979, pig. 806): "0 efeito prático da presunção legal é inverter o ônus da prova: invocandoa, a autoridade lançadora fica dispensada de provar, no caso concreto, que ao negócio jurídico com as características Fl. 4DF CARF MF Impresso em 26/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/03/2 013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 15/02/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 10580.010887/200618 Acórdão n.º 9202002.492 CSRFT2 Fl. 21 5 descritas na lei corresponde, efetivamente, o fato econômico que a lei presume cabendo ao contribuinte, para afastar a presunção (se é relativa) provar que o fato presumido não existe no caso." (grifos acrescidos) dessa forma, não é a autoridade lançadora quem presume a omissão de rendimentos, mas a lei, especificamente a Lei nº 7.713/1988, art. 32, § 1°; provada, então, pelo Fisco a aquisição de bens e/ou aplicações de recursos, cabe ao contribuinte a prova da origem dos recursos utilizados, ou seja, ocorre a inversão do ônus da prova; aduz a decisão atacada que não consta dos autos prova suficiente de que o autuado é responsável pelas remessas para o exterior apontadas pela fiscalização; contudo, consta as fls. 25, documento produzido por meio de elementos obtidos nos trabalhos desenvolvidos pela Equipe Especial de Fiscalização, instituída pela Portariaria 463, de 2004, identificando as remessas para o exterior tendo como ordenante o interessado e seu cônjuge; a esse respeito, cumpre aduzir que tal fato, aliás, já foi admitido pelo CARF, no Acórdão n° 220100351, no qual o il. Conselheiro Pedro Paulo P. Barbosa afirmou que "não estou entre os que acham que o Lançamento com base nas informações repassadas a Secretaria da Receita Federal a respeito dos remetentes e beneficiários de remessas para o exterior nas contas ligadas ao Beacon Hill não são válidos por se tratar de simples indicação de nomes, sem outros elementos que corrobore a informação. Penso que se trata de situação especifica em que os remetentes e beneficiários de tais remessas optaram por essa forma de realizar a operação exatamente para evitar o conhecimento por parte das autoridades de tais operações e, portanto, não se pode esperar que existam outros documentos que registrem as movimentações financeiras, bem como não se pode exigir do Fisco que reúna esses elementos para comprovar o fato. Portanto, penso ser legitima como prova da remessa dos recursos para o exterior a presença do nome na relação fornecida pela instituição financeira estrangeira e repassada às autoridades brasileiras". fazse oportuno tecer um relato histórico dos fatos que levaram ao procedimento fiscal e à exigência imputada ao contribuinte, já que foi identificado como ordenante de remessas de recursos ao exterior; decorre o procedimento de uma operação mais abrangente desencadeada por autoridades públicas nacionais no combate a transferência ilícita de recursos ao e do exterior, e aos crimes correlacionados, destacandose o crime de lavagem de dinheiro; foi constatada pelo Banco Central e pelo Ministério Público Federal a remessa de quantias milionárias para o exterior através de contas CC5 mantidas em instituições financeiras em Foz do Iguaçu, tendo sido instaurado inquérito policial; no curso das investigações houve o afastamento do sigilo bancário da empresa "Beacon Hill Service Corporation" que atuava como preposto bancáriofinanceiro de pessoas físicas ou jurídicas e utilizavase de contas/subcontas mantidas no "JP Morgan Chase Bank"; Fl. 5DF CARF MF Impresso em 26/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/03/2 013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 15/02/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 6 a Promotoria do Distrito de Nova Iorque apresentou as mídias eletrônicas e documentos contendo dados financeiros da empresa Beacon Hill e, de posse dessa documentação, o Departamento de Policia Federal emitiu Laudos Periciais, a fim de trazer elementos de provas necessários a subsidiar os esclarecimentos dos fatos relativos às movimentações financeiras; os dados obtidos no afastamento de sigilo e na investigação criminal foram transferidos a Secretaria da Receita Federal conforme decisões judiciais; em relação à conta Chello, mantida no JP Morgan Chase Bank, foi elaborado o Laudo de Exame EconômicoFinanceiro nº 1.032/04INC (fls. 26 e seguintes), do qual consta que a íntegra das informações existentes nas ordens de pagamento encontradas no material disponibilizado pela Promotoria do Distrito de Nova Iorque, constaram dos anexos do Laudo, por meio de relatório analítico, no qual se descreveu cada uma dessas ordens, a fim de permitir a Autoridade solicitante conhecimento amplo e irrestrito da referida base de dados; os dados de tais anexos foram gravados em um meio digital de armazenamento denominado CDR (Compact Disc Recordable), tipo de mídia óptica que permite a gravação permanente de informações sem a possibilidade de alterações posteriores, e, para garantir a integridade das informações armazenadas no CDR, foi efetuada autenticação eletrônica dos arquivos, utilizandose um programa que implementa o algoritmo de domínio público MD5, que funciona como uma função matemática que trabalha sobre o conteúdo de um arquivo e produz um resultado específico (a integridade do conteúdo é garantida em razão da ínfima probabilidade de que dois ou mais arquivos produzam o mesmo resultado); portanto, ao contrário do afirmado pela decisão atacada, resta totalmente afastada qualquer alegação de "fragilidade" ou "incerteza" da prova apresentada pelo Fisco; ao contrário do alegado na decisão recorrida, a fiscalização trouxe aos autos a prova da ocorrência do fato gerador, que lhe cabia; o documento de fls. 25 comprova que o autuado constou como ordenante de remessa para o exterior no valor total de US$ 50,000.00, e como visto, originouse a partir dos dados e arquivos eletrônicos disponibilizados pela Justiça Federal, e do Laudo Pericial elaborado pelo INC, constatado nos documentos acostados aos autos o rigor na elaboração do laudo supracitado, a lisura dos peritos criminais do Departamento de Policia Federal envolvidos e a confiabilidade dos dados (pela total impossibilidade de eles sofrerem qualquer tipo de alteração), não havendo necessidade de qualquer outra prova adicional, como, por exemplo, ordem de transferência assinada; a alegação de que o contribuinte não efetuou as remessas para o exterior e de que os recursos não lhe pertenciam, não se sustenta; como já dito, o referido documento (fls. 25), que é prova, tem força probante suficiente para sustentar a ocorrência das remessas e do ordenante de tais remessas, sendo que e esse fato que da sustentação à imputação de que houve acréscimo patrimonial a descoberto; assim, caberia ao contribuinte exercitar seu direito de defesa para demonstrar que tal fato não ocorreu; poderia, para esse fim, por exemplo, conseguir declaração do JP Morgan Chase Bank de que nunca originou remessa de recursos para qualquer conta mantida naquela instituição financeira norteamericana e/ou de que o ordenante das remessas seria outra pessoa; Fl. 6DF CARF MF Impresso em 26/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/03/2 013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 15/02/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 10580.010887/200618 Acórdão n.º 9202002.492 CSRFT2 Fl. 22 7 outrossim, não se verifica nos autos qualquer indicação de que o contribuinte tenha tomado qualquer medida, seja perante a Policia ou perante o Poder Judiciário, para verificação da utilização indevida de seu nome nestas operações; assim, conquanto o contribuinte alegue que não existem provas de que tenha realizado as citadas remessas, essa não é a verdade dos autos, como se viu, pelo que as provas acostadas são suficientes para comprovar as remessas a ele atribuídas; observase que foi o contribuinte que não se desincumbiu de seu ônus probatório, limitandose a meras alegações; nesse teor, a decisão recorrida, ao acolher as alegações do autuado, encontrase em sentido diametralmente oposto à jurisprudência mantida neste Conselho Administrativo; o ônus de provar o acréscimo patrimonial era da fiscalização e ela o fez; se o contribuinte alega que não realizou determinada aplicação/dispêndio, cabe a ele ou provar a falsidade/ilegitimidade do documento que amparou a conclusão do Fisco, ou provar que não incorreu no dispêndio indicado e/ou não realizou a aplicação especificada; essas provas não são impossíveis de serem obtidas, consoante já alinhavado acima – ex.: documento da JP MORGAN atestando a inexistência ou não ocorrência ou ainda a não titularidade dessas operações; essa é a chamada prova do "fato impeditivo, extintivo ou modificativo" a que se refere o art. 333 do Código de Processo Civil; percebese, portanto, que o Fisco comprovou o acréscimo patrimonial a descoberto, concretizado pela Ordem de Remessa devidamente descrita à fl. 25, bem como nos Termos de Verificação Fiscal acostados aos autos, por tratar de aplicação de recursos não respaldada por rendimentos declarados/comprovados; por conseguinte, o Fisco estava autorizado a realizar o lançamento; o ônus da prova em contrário, nos termos do artigo 3º, §1º, da Lei nº 7.713/1988, caberia aos interessados que, no entanto, apenas negaram a conduta, sem trazer prova da origem dos recursos; por fim, segue transcrição de trecho do voto proferido no acórdão paradigma 10614.451, que bem ilustra o assunto: O acréscimo patrimonial a descoberto é fato gerador do imposto de renda como proventos de qualquer natureza, como definido no inciso II do art. 13 do CTN, pelo simples fato de que ninguém aumenta seu patrimônio sem a obtenção dos recursos para isso necessários. A eventual diferença ou descompasso demonstrado na evolução patrimonial evidencia a obtenção de recursos não conhecidos pelo Fisco. Porem, a presunção contida no dispositivo citado (CTN, art. 13, II) não e absoluta, mas relativa, na medida em que admite prova em contrário. Fl. 7DF CARF MF Impresso em 26/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/03/2 013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 15/02/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 8 Entretanto, essa prova deve ser feita pelo autuado, uma vez que a legislação define o descompasso patrimonial como fato gerador do imposto, sem impor condições ao sujeito ativo, além da demonstração do referido desequilíbrio. O levantamento de acréscimo patrimonial não justificado é forma indireta de apuração de rendimentos omitidos. Neste caso, cabe a autoridade lançadora comprovar apenas a existência de rendimentos omitidos, que são revelados pelo acréscimo patrimonial não justificado. Nenhuma outra prova a lei exige da autoridade administrativa. por todo o acima exposto, o aresto recorrido merece total reforma, de forma a prevalecer a decisão de primeira instancia em sua integralidade. Ao final, a Fazenda Nacional pede seja dado provimento ao recurso para reformar o acórdão recorrido, mantendose o lançamento tributário. Cientificado do Recurso Especial em 17/03/2011 (AR de fls. 505), o contribuinte ofereceu, em 30/03/2011, as ContraRazões de fls. 506 a 521, contendo os seguintes argumentos, em síntese: confrontandose o acórdão recorrido com aquele apontado como paradigma, verificase a total falta de identidade entre eles; o primeiro trata de presunção de rendimento em virtude de suposta emissão de recursos do contribuinte para o exterior, fundandose apenas e tão somente em documento produzido de forma unilateral pela SRF, com base em informações fornecidas em processo estranho ao contribuinte, ou seja, em flagrante violação ao princípio do contraditório e da ampla defesa; já o segundo acórdão apontado como paradigma trata de presunção legal de omissão de rendimento em virtude de que "o titular da conta bancária, regularmente intimado, não comprovou, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta de depósito ou de investimento"; notese que o acórdão paradigma somente cita a apuração de remessa de recursos para o exterior pelo contribuinte para afastar a aplicação de multa qualificada. Confirase: "MULTA QUALIFICADA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS — A apuração de remessa de recursos para o exterior pelo contribuinte que ensejaram omissão de rendimentos em sua declaração de ajuste anual, por si só, não caracteriza evidente intuito de fraude, que justifique a imposição de multa qualificada." cumpre asseverar que o acórdão que ensejou a interposição do Recurso Especial que ora se contrapõe afastou a presunção de omissão de rendimento em virtude da fragilidade da prova que embasou a autuação, pois, consoante já exaustivamente esclarecido, a autuação se sustentou tão somente em um único documento produzido unilateralmente pela SRF de forma alheia ao contribuinte; Fl. 8DF CARF MF Impresso em 26/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/03/2 013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 15/02/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 10580.010887/200618 Acórdão n.º 9202002.492 CSRFT2 Fl. 23 9 registrese que o acórdão recorrido não negou aplicação da presunção ou interpretou a legislação de forma divergente, mas sim afastou sua aplicação por não se encontrar as circunstâncias ensejadoras para amparar o suposto fato gerador; podese verificar que no caso do acórdão paradigma certamente a "remessa" de recurso para o exterior foi apurada com base na análise dos extratos bancários do contribuinte tido como "ordenante", fornecido por ele ou pelo banco a pedido da SRF, tendo sido oportunizado esclarecimento e produção de provas de origem dos valores que transitaram em sua conta; assim, diante da comprovada ausência de identidade entre o acórdão recorrido e aquele apontado como paradigma, e por via de consequência ausente também está o pressuposto de admissibilidade do Recurso Especial, nos termos do art. 67 do Regimento Interno, mister se faz se reconhecer a inadmissibilidade do recurso ora contrarrazoado; entretanto, caso essa ilustre Câmara entenda por admitir o recurso, o que se cogita apenas em nome do principio da eventualidade, o Recorrido passa a adentrar no mérito da autuação; no mérito, vale a pena registrar que foram lavrados dois Autos de Infração, o presente e outro contra a esposa do ora Recorrido, envolvendo idêntica acusação de omissão de rendimentos e baseado no mesmo indicio de prova — documento produzido unilateralmente que indica apenas o ora Recorrido como ordenante de transferência para o exterior; asseverese que em nenhum momento a cônjuge do ora Recorrido foi apontada como ordenante de depósito, tampouco no único documento que embasa a autuação (operação de representação fiscal n° 516/05), tendo o Auto de infração sido lavrado contra ela apenas sob a justificativa de que "como a contribuinte Angela Maria Reis Cavalcante Freitas também foi fiscalizado pela remessa acima explicitada e ambos negaram a titularidade do referido valor, consideramos US$ 25.000,00 para cada um deles". entendeu acertadamente a 2ª Turma Especial de Julgamento, todavia, por dar provimento ao Recurso Voluntário, para afastar a autuação, em face da fragilidade da prova utilizada pelo Fisco; Nesse sentido, tornase válido transcrever conclusivos trechos do voto do ilustre Relator SIDNEY FERRO BARROS: "Ora, o que se vê neste caso é que a suposta prova de remessa é suportada unicamente pelo documento de fls. 25, elaborada pela Equipe Especial de Fiscalização, constituída pela portaria SRF nº 463/04. 0 exame dos demais documentos que compõe o processo revela que o nome do Recorrente somente é mencionado naquela relação. Nos documentos oriundos da Justiça Federal não vislumbro seu nome sequer uma única vez. Concluo que o documento de fls. 25, em que pese ter sido elaborada por Equipe Especial de Fiscalização, constituída por portaria da Secretaria da Receita Federal do Brasil, não é prova suficiente de que o contribuinte de fato tenha realizado as operações ali indicadas. Fl. 9DF CARF MF Impresso em 26/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/03/2 013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 15/02/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 10 Também não restou comprovado nos autos que o contribuinte seja titular de contacorrente no exterior. Nem foram acostados aos autos documentos assinados pelo recorrente ou mesmo fornecidos por instituições financeiras brasileiras ou americanas, os quais indicassem o contribuinte, de modo efetivo e indubitável, como remetente ou beneficiário de recursos ao exterior. A meu ver, os elementos trazidos pela autoridade fiscal aos autos não sick suficientes para comprovar, de forma inequívoca, que o contribuinte realizou as remessas de recursos ao exterior, o que é razão bastante para retirar a certeza do lançamento. Por isso dou provimento ao recurso". durante o curso da fiscalização, tanto o contribuinte Recorrido quanto seu cônjuge, intimados para prestar os esclarecimentos devidos, apresentaram cópia completa de suas respectivas Declarações de Imposto de Renda anocalendário 2002, cópias dos comprovantes de rendimentos recebidos no ano de 2002, cópias de pagamentos efetuados, cópias de diversos extratos bancários e afirmaram desconhecer a empresa "BEACON HILL"; todavia, ao término da fiscalização, o digno auditor autuante, mesmo não verificando a existência de qualquer outro indício que pudesse convergir para a conclusão de que o Recorrido e seu cônjuge eram os titulares dos recursos objeto da remessa de divisas para o exterior, lavrou Auto de Infração que imputa ao Recorrido "metade" da responsabilidade por um suposto debito, relativo a uma pretensa omissão de rendimentos caracterizada por suposta variação patrimonial a descoberto no ano de 2002, além de aplicar multa qualificada de 150%, em que pese a inexistência de qualquer indício que pudesse levar à. conclusão de existência de fraude; os fundamentos que sustentam tanto o lançamento do tributo tido por devido quanto a multa aplicada não resistem a. mais simples e superficial análise da situação fática em questão; com efeito, não existe sequer prova indiciária de que o ora Recorrido seja o remetente beneficiário do envio de divisas identificado na representação fiscal; outrossim, evidenciase, pela total inexistência de prova em contrário, que o Recorrente não praticou qualquer ato tendente a impedir ou retardar a ocorrência do fato gerador da obrigação principal; finalmente, tivessem sido considerados pela fiscalização os recursos originados de rendimentos comprovados do cônjuge, verificar seia a inexistência de variação patrimonial a descoberto para os meses de janeiro a agosto de 2002; da análise do demonstrativo de Variação Patrimonial, anexo à autuação, verificase que a fiscalização não somente considerou a remessa supostamente ordenada como recurso dispendido pelo Recorrido e seu cônjuge no mês de junho de 2002, mesmo sem nenhum outro indício que pudesse levar logicamente a essa conclusão, como também desconsiderou totalmente os recursos originados de rendimentos comprovados do cônjuge; conforme anteriormente apontado e encontrado textualmente explanado no Termo de Verificação Fiscal anexado à Autuação, a Fiscalização, respaldada exclusivamente em um único indício, concluiu que o Recorrido e seu cônjuge, Sra. Ângela Maria Reis Fl. 10DF CARF MF Impresso em 26/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/03/2 013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 15/02/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 10580.010887/200618 Acórdão n.º 9202002.492 CSRFT2 Fl. 24 11 Cavalcante Freitas, seriam os titulares dos US$ 50.000,00 (cinquenta mil dólares), supostamente remetidos de Salvador para a Conta York NY 100223703, em 11 de junho de 2002; como o cônjuge do Recorrido também foi fiscalizado, a autuação optou por atribuir a cada um a responsabilidade por metade da remessa US$ 25.000,00 (vinte e cinco mil dólares); essa situação fez a fiscalização incorrer em um crasso equívoco, não considerar em nenhum dos dois autos de infração lavrados os rendimentos de origem comprovada do respectivo cônjuge; notese que, confrontandose o demonstrativo de Variação Patrimonial anexo à presente autuação com aquele elaborado para o cônjuge do contribuinte ora Recorrido (em anexo ao Recurso voluntário outrora interposto), restará elidida a variação patrimonial a descoberto em ambas as autuações e para todos os meses, exceto para o mês de junho de 2002, em que se considerou como dispêndio de ambos a apócrifa remessa de recursos para o exterior; especificamente no caso em tela, verificase que os dispêndios efetuados pelo Recorrente nos meses de janeiro a agosto de 2002 são completamente absorvidos pelos rendimentos de origem comprovada do seu cônjuge para esse mesmo período, mesmo levando se em conta os dispêndios efetuados pelo próprio cônjuge; nesse sentido, encontrase pacificado no Primeiro Conselho de Contribuintes o entendimento de que não se tributa acréscimo patrimonial quando o contribuinte comprova a origem dos recursos por meio do rendimento de seu cônjuge; Confira se: (*) ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. PROVA — Admitese como recurso, devendo compor o demonstrativo de evolução patrimonial, os rendimentos auferidos e tributados pelo cônjuge virago no ano calendário de 1998. Recurso provido. (Sexta Camara, Recurso Voluntário n° 140205, 17/06/2005). (*) IRPF — VARIAÇÃO PATRIMONIAL — Não se tributa acréscimo patrimonial quando o contribuinte justifica a origem dos recursos, através de rendimentos de seu cônjuge, com o qual é casada em comunhão de bens. Recurso provido. (Sexta Camara, Recurso voluntário n° 013593, Relator Thaiza Jansen Pereira, 08/06/1999). em assim sendo, uma vez considerados os rendimentos de origem comprovada do seu cônjuge, verificase que inexiste variação patrimonial a descoberto do Recorrido em todos os meses fiscalizados exceto para aquele em que se imputou a suposta remessa de Recursos para o exterior; consoante exaustivamente relatado, a autuação que deu origem ao presente processo se embasou apenas e tão somente em um indicio de prova – documento produzido Fl. 11DF CARF MF Impresso em 26/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/03/2 013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 15/02/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 12 unilateralmente pela SRF em processo alheio ao Recorrido, no qual este foi apontado como ordenante de transferência de valores para o exterior; não há qualquer outro indício de prova que corrobore com tal presunção; a fiscalização se limitou ao multimencionado documento, sem empreender qualquer esforço pela busca da verdade; inexiste prova de titularidade da suposta quantia transferida para o exterior, seja comprovante de saque da conta corrente do Autuado, ou de transferência dessa quantia para outra conta, documentos assinados pelo recorrente ou mesmo fornecidos por instituições financeiras brasileiras ou americanas, tampouco que o Recorrido fosse titular de contacorrente no exterior, nada foi provado; fato é que o fisco tem o dever de provar o fundamento e a legitimidade de sua pretensão, como bem salientou o saudoso professor Gian Antônio Micheli: "a presunção de legitimidade do ato administrativo confere à administração uma "relevatio ah one agendi" e não uma "relevatio ab onere probandi", isto é, a presumida legitimidade do ato permite à administração aparelhar e exercitar, diretamente, sua pretensão e de forma executória, mas esse atributo não a exime de provar o fundamento e a legitimidade de sua pretensão". (Ed. LTR, 1992, p. 93) o aclamado doutrinador Hugo de Brito, em seu Livro Mandado de Segurança em Matéria Tributária, também se manifesta: "0 desconhecimento da teoria da prova, ou a ideologia autoritária, tem levado alguns a afirmarem que no processo administrativo fiscal o ônus da prova é do contribuinte. Isso Não é, nem poderia ser correto em um estado de Direito democrático. O ônus da prova no processo administrativo fiscal é regulado pelos princípios fundamentais da teoria da prova, expressos, aliás, pelo Código de Processo Civil, cujas normas são aplicáveis ao processo Administrativo de lançamento tributário, autor é o Fisco. A ele, portanto, incumbe o ônus de provar a ocorrência do fato gerador". (Hugo de Brito Machado, Mandado de Segurança em Matéria Tributária, p. 272, editora dialética, São Paulo, 2003) o Auto de Infração só pode se basear em prova irrefutável, e o contribuinte não é obrigado a produzir prova contra si mesmo e nem a fazer prova negativa; assim decidiu o STJ: Tributário — Lançamento Fiscal — Requisitos do Auto de Infração e ônus da prova — 0 lançamento fiscal, espécie de ato administrativo, goza de presunção de legitimidade; essa circunstância, todavia, lac) dispensa a Fazenda Pública de demonstrar, no correspondente auto de infração, a metodologia seguida para o arbitramento do imposto — exigência que nada tem a ver com a inversão do ônus da prova, resultado da natureza do lançamento fiscal, que deve ser motivado." (Acórdão Unânime da 2 turma do STJ, Relator Ministro Ari Pargendler — Rec Especial 48.516, in DJU de 13/10/1997, p. 51.553) Fl. 12DF CARF MF Impresso em 26/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/03/2 013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 15/02/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 10580.010887/200618 Acórdão n.º 9202002.492 CSRFT2 Fl. 25 13 destarte, esse único indício é insuficiente para comprovar que o recorrente e seu cônjuge seriam os titulares dos recursos remetidos para o exterior; primeiro porque ambos figurariam como simples ordenantes da referida remessa; como bem distinguiu a própria autuação fiscal, eles não seriam os remetentes, tampouco os beneficiários de tal remessa; segundo porque ninguém está livre de ter sua identidade e CPF utilizados por terceiros para a prática de atos ilegais, são notórios os fatos em que terceiros utilizaram os documentos de pessoas inocentes para fraudar o Estado; terceiro porque as declarações de Imposto de Renda Completas do ano calendário 2002 do Recorrente e seu cônjuge não demonstram disponibilidade financeira para que sejam titulares do valor remetido ao exterior. ademais, como bem ressaltou o ilustre Relator do julgamento a quo em seu voto, "Durante todas as fases do processo, o contribuinte sempre negou ter efetuado remessas de recursos ao exterior", sendo pacifico o entendimento da jurisprudência no sentido de que "os esclarecimentos prestados pelo contribuinte só poderão ser impugnados pelos lançadores com prova clara ou indicio veemente de falsidade ou inexatidão”; da mesma forma decidiu o Primeiro Conselho de Contribuintes: "PRESTAÇÃO DE ESCLARECIMENTOS – Os esclarecimentos prestados só poderão ser impugnados pelos lançadores com elemento seguro de prova ou indício veemente de falsidade ou inexatidão". (decreto lei n.5844/43, art. 79, parágrafo 1°). (2' Câmara, 06/05/81, acórdão 1021821 (DOU de 24/8/81) o caso em comento encontrase inteiramente dentro dos parâmetros norteadores do entendimento firmado por esse egrégio Primeiro Conselho e corroborado pela mais abalizada doutrina, no sentido de que meros indícios não são elementos suficientes para configurar o requisito da certeza que reclama todo e qualquer lançamento tributário; esse egrégio Primeiro Conselho, por sinal, tem firmado o entendimento de que a prova indiciária somente é idônea quando resultante de vários indícios convergentes, não sendo aceita no Processo Administrativo autuação sustentada em indicio isolado. Transcreve se: (*) "Ementa: PAF PROVA INDICIARIA A prova indiciária, quando resultante da soma de indícios convergentes, é meio idôneo para referendar uma autuação. É o caso dos autos onde a glosa de custos/despesas, por incapacidade dos supostos fornecedores e pela impossibilidade fática da utilização do material adquirido, está apoiada num encadeamento lógico de fatos e indícios convergentes que levam ao convencimento do julgador. (Numero Recurso: 139896; SÉTIMA CÂMARA; Numero Processo: 10670.001429/200336)" (*)Ementa: "PAF PROVA INDICIARIA A prova indiciária é meio idôneo para referendar uma autuação, desde que ela resulte da soma de indícios convergentes. 0 que não se aceita no Processo Administrativo Fiscal é a autuação sustentada em Fl. 13DF CARF MF Impresso em 26/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/03/2 013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 15/02/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 14 indicio isolado". (Recurso n° 138484; SÉTIMA CÂMARA; Processo n° 13924.000151/200349) portanto, deveria a ação fiscal produzir outros indícios que, reunidos e coordenados em processo lógico, convergissem para a conclusão de que a contribuinte Recorrente e seu cônjuge são os titulares dos recursos remetidos ao exterior e, assim, lavrar o auto de infração ou, concluindo pela inexistência de qualquer outro indício ou prova da titularidade dos recursos, se abster de efetuar a autuação do contribuinte, o que não foi feito; assim, mesmo sem qualquer tipo de prova, a fiscalização considerou a remessa supostamente ordenada como recurso dispendido pelo Recorrente e seu cônjuge no mês de junho de 2002 e lavrou o auto de infração por omissão de rendimentos caracteriza por variação patrimonial a descoberto; ora, se cabe a autoridade lançadora provar o direito de lançar do Fisco (Recurso 140466); se o Fisco tem que trazer aos autos indícios que reunidos e coordenados resultam em um fato até então desconhecido (Recurso 0 135400); se a prova indiciária somente é idônea quando resultante de vários indícios convergentes (Recurso_139896); se não aceita no Processo Administrativo Fiscal a autuação sustentada em indício isolado (Recurso 138484), então, no caso em tela, o Fisco não se desincumbiu do seu dever de provar; destarte, constatase que não há qualquer fato que respalde o Auto de Infração lavrado, inexistindo prova do direito do Fisco de efetuar o lançamento impugnado, pelo que resta demonstrada a improcedência da autuação, principalmente no que se refere a variação patrimonial a descoberto do mês de junho de 2002, caracterizada pelo pretenso dispêndio materializado na suposta remessa de divisas para o exterior; não satisfeita com todas as impropriedades já apontadas, a Autuação Fiscal ora questionada aplicou ao Recorrido a multa qualificada de 150% do valor do tributo supostamente devido, prevista no inciso II do art. 44 da lei n° 9.430/96, sob o fundamento de que, no caso em tela, teria havido evidente intuito de fraude; tal acusação foi feita sem qualquer prova de cometimento de fraude por parte do contribuinte, tendo a fiscalização, absurdamente, atribuído ao contribuinte a intenção de fraudar com base em um único indício, o multicitado documento produzido unilateralmente pela SRF; a verdade é que não há nos autos qualquer prova que tenha permitido à. Fiscalização concluir que o Recorrido tenha agido com intuito de fraude, muito pelo contrário, nos autos existem provas de que o Recorrido comprovou os rendimentos declarados por si e pelo seu cônjuge por meio de documentação idônea, acostada à autuação e devidamente reconhecida pela Fiscalização; com efeito, é uníssono o entendimento da doutrina e da jurisprudência no sentido de que o não pagamento de tributo, por si só, não caracteriza o evidente intuito de fraude, sendo inclusive matéria sumulada pelo 1° Conselho de Contribuintes: Súmula 1°CC no 14: "A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de oficio, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo". o próprio acórdão paradigma apontado pela Recorrente, e anteriormente transcrito, afastou a multa qualificada, uma vez que a apuração de remessa de recursos para o Fl. 14DF CARF MF Impresso em 26/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/03/2 013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 15/02/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 10580.010887/200618 Acórdão n.º 9202002.492 CSRFT2 Fl. 26 15 exterior pelo contribuinte, por si só, não caracteriza evidente intuito de fraude, que justifique a imposição de multa qualificada; como visto, a multa qualificada não pode ser aplicada sem que se faça prova robusta e definitiva sobre sua existência, o que não ocorreu no caso em comento, razão pela qual caso esse emérito órgão julgador entenda pela improvável subsistência da autuação, o que se cogita em nome do principio da eventualidade, a multa qualificada inquestionavelmente deverá ser afastada. Ao final, o contribuinte pede o não conhecimento do recurso interposto, ou, caso se entenda pelo seu conhecimento, o que se cogita pelo amor ao debate, que se negue provimento, mantendo integralmente o acórdão recorrido, a fim de serem desconstituídos os lançamentos fiscais que deram origem ao presente processo. Voto Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo, Relatora O Recurso Especial, interposto pela Fazenda Nacional, é tempestivo, restando perquirir acerca do cumprimento dos demais pressupostos de admissibilidade. Em sede de ContraRazões, oferecidas tempestivamente, o contribuinte pede o não conhecimento do apelo, alegando falta de similitude fática entre o acórdão recorrido e paradigma. Em face de tal alegação, importa salientar que a Fazenda Nacional indicou dois julgados à guisa de paradigma, sendo um deles o Acórdão 10249.445, que, tal como o recorrido, trata de acréscimo patrimonial a descoberto envolvendo remessas de numerário ao exterior, no contexto da “CPI do Banestado”. Nesse sentido, a própria Fazenda Nacional transcreveu a ementa e trecho do relatório desse paradigma, que não deixa dúvidas acerca da similitude fática em relação ao recorrido. Confirase às fls. 469/470: “A autuação teve origem em investigações realizadas em contribuintes que movimentavam recursos no exterior em contas no ‘JP Morgan Chase Bank’ pela empresa ‘Beacon Hill Service Corporation’, representando doleiros brasileiros e /ou empresas ‘off shore’". Assim, conheço do Recurso Especial, interposto pela Fazenda Nacional. No mérito, esclareçase que, embora tenha sido apurado acréscimo patrimonial de janeiro a agosto do anocalendário de 2002, dito acréscimo em função da remessa de numerário ao exterior somente ocorreu no mês de junho de 2002. Tratase de uma única remessa, no valor de US$ 50.000,00, cuja autuação foi desmembrada entre o contribuinte e sua esposa, Angela Maria Reis Cavalcante Freitas, atribuindose 50% para cada um. Esse processo é o de nº10580.010888/200662 e foi julgado nesta Segunda Turma em 08/11/2012, oportunidade em que foi prolatado o Acórdão 9202 002.455. Nesse passo, relativamente ao acréscimo patrimonial apurado em junho de 2002, em função da remessa ao exterior, adoto o brilhante voto condutor, da lavra do Ilustre Conselheiro Fl. 15DF CARF MF Impresso em 26/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/03/2 013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 15/02/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 16 Elias Sampaio Freire, e passo à sua transcrição, como minhas próprias razões de decidir, promovendo as necessárias adaptações: “Em decorrência das investigações promovidas a partir da CPI do Banestado, verificouse que a empresa Beacon Hill Service Corporation BHSC foi identificada como uma das maiores beneficiárias de recursos oriundos daquele banco brasileiro, configurando um verdadeiro sistema financeiro paralelo globalizado. Ficou evidenciado que diversos contribuintes nacionais enviaram e/ou movimentaram divisas no exterior à revelia do Sistema Financeiro Nacional, ordenando, remetendo ou se beneficiando de recursos em divisas estrangeiras, utilizandose de contas/subcontas mantidas no "JP Morgan Chase Bank" pela empresa "Beacon Hill Service Corporation", a qual representava ‘doleiros’ brasileiros e/ou empresas offshore com participação de brasileiros. Do aprofundamento das investigações, apurouse que outros bancos foram utilizados pelo mesmo esquema como o BANESTADONY, SAFRA, MERCHANTS BANK E 0 MTB HUDSON BANK. Uma operação com a empresa Beacon Hill Service Corporation — BHSC e similares possui os seguintes intervenientes: • Remetente/ordenante • Intermediador financeiro • Beacon Hill Service Corporation – BHSC • Banco JP Morgan Chase/NY/Outros Bancos • Beneficiário Remetente: Quando o contribuinte, figura na transcrição da mídia como responsável pela remessa das divisas ao exterior. Confundese, em várias situações, com a figura do ordenante, abaixo descrita; Ordenante: Quando o contribuinte, figura na transcrição da mídia, como responsável pela ordem/determinação de movimentação de recursos no exterior. Em geral, pode ser encontrado nas colunas "order Customer" e/ou "details of payment", antecedido da sigla B.0.(By order); Beneficiário: Quando o contribuinte, figura na transcrição da mídia, como destinatário final das divisas ordenadas/remetidas. Em geral, pode ser encontrado nas colunas "ACC Party" e/ou "Ult.Benef', podendo estar antecedido da sigla FFC ("for further credit"); Intermediário: Pessoa física ou jurídica, responsável pela intermediação de compra e venda de moeda estrangeira, à margem do Sistema Financeiro, atuando nas operações de remessa/repatriação de recursos para/do exterior ou na movimentação de recursos no exterior. Em algumas transações, o beneficiário figura, simultaneamente, como ordenante/remetente dos recursos.” Fl. 16DF CARF MF Impresso em 26/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/03/2 013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 15/02/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 10580.010887/200618 Acórdão n.º 9202002.492 CSRFT2 Fl. 27 17 No presente caso, em que pese que o contribuinte afirme não tem qualquer conhecimento sobre a empresa Beacon Hill Service Corporation, e que o lançamento ocorreu tendo por base em indícios, verificase nos autos, que o contribuinte juntamente com seu cônjuge, Sra. Ângela Maria Reis Cavalcante Freitas, foram ordenantes de uma remessa ao exterior, de U$$ 50.000 (cinqüenta mil dólares), fls. 26, para serem creditados na conta de YORK NY 100223703, devidamente comprovados pelo Laudo de Exame Econômico Financeiro de Peritos Criminais Federais, fls. 27/34. Ao contrário do que alega o contribuinte, em sede de Contra Razões, documento em que ele, juntamente com seu cônjuge, constam como ordenantes de remessa ao exterior, não podem ser considerados como meros indícios e sim devem ser considerados como prova cabal da sujeição passiva. Com efeito, as provas contidas nos autos demonstram a participação do contribuinte na operação de remessa de dólar ao exterior, realizando significativa movimentação financeira, quando comparada aos rendimentos declarados, à margem do sistema financeiro nacional e sem a devida menção na declaração de imposto de renda. Ademais, há de se ressaltar que o objetivo da análise patrimonial é verificar a situação do contribuinte, pela comparação, em determinado período, dos valores que ingressaram no seu patrimônio (origens de recursos) com aqueles efetivamente saídos (aplicações de recursos); a metodologia permite detectar se houve excesso de aplicações com relação as origens de recursos, situação que somente pode ser explicada pela omissão de rendimentos por parte do contribuinte; em outras palavras, a ocorrência de acréscimo patrimonial a descoberto pressupõe a disponibilidade econômica ou jurídica de renda. No caso sob exame, como o contribuinte ordenou a remessa de US$ 50.000,00 (cinqüenta mil dólares americanos) em 11 de junho de 2002, juntamente com o seu cônjuge, Ângela Maria Reis Cavalcante Freitas, que também foi fiscalizada pela remessa acima explicitada, e ambos negaram a titularidade do referido valor, foi considerada pela fiscalização como sendo US$ 25.000,00 para cada um dos contribuintes. Destarte, a remessa de numerário para o exterior foi, então, considerada como aplicação de recursos do contribuinte e confrontadas com as fontes ou origens dos recursos comprovadas, para fins de apuração de variação – patrimonial, consoante os Demonstrativos de Evolução Patrimonial, tendo sido apurado acréscimo patrimonial a descoberto, o que evidenciou a omissão de rendimentos perante o Fisco. Salientese que, para comprovar a existência de acréscimo patrimonial por parte do contribuinte, a fiscalização elaborou demonstrativo em que comparou a cada mês o total de recursos disponíveis pelo mesmo, versus as aplicações destes recursos. Fl. 17DF CARF MF Impresso em 26/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/03/2 013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 15/02/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 18 A sistemática de se considerar a remessa ao exterior como aplicação de recursos está correta, eis que, por óbvio, a aplicação de recursos em uma conta bancária é, indubitavelmente, uma aplicação de recursos do contribuinte e, como tal, deve, necessariamente, estar amparada em rendimentos tributáveis, isentos/não tributáveis, tributados exclusivamente na fonte ou objeto de tributação definitiva. São tributáveis os valores relativos ao acréscimo patrimonial, quando não justificados pelos rendimentos tributáveis, isentos ou não tributáveis, tributados exclusivamente na fonte ou objeto de tributação definitiva. O fisco se desincumbiu do ônus de tornar evidente o fato constitutivo do seu direito, ou seja, demonstrar o excesso de gastos sobre a origem de recursos. E isto está perfeitamente evidenciado nos autos. Diante desse fato, compete ao contribuinte comprovar, mediante a apresentação de documentos hábeis e idôneos, que tais dispêndios foram suportados por rendimentos tributáveis, isentos ou tributados exclusivamente na fonte, visto que é dele, e não do Fisco, o dever de provar a origem dos rendimentos. Nesse contexto, a mera alegação de que não efetuou as operações apontadas pela fiscalização, desacompanhada de qualquer outro meio de prova, não é suficiente para elidir a tributação. Portanto, devem ser considerados como aplicações de recursos no demonstrativo de análise da evolução patrimonial os valores relativos às remessas de recursos para o exterior.” Quanto ao acréscimo patrimonial apurado nos demais meses de 2002, embora o contribuinte suscite, em sede de ContraRazões, que sejam considerados os rendimentos do cônjuge, o acórdão recorrido expressamente rechaçou o pedido, às fls. 462: “Inicialmente, alinhome com a decisão de primeira instância em sua conclusão de que não seria possível atender o pedido do interessado para que o acréscimo patrimonial fosse considerado tomandose sua renda em conjunto com a de seu cônjuge, pela boa e simples razão de que as declarações IRPF do ano calendário em foco (2002) foram apresentadas separadamente. Sem a prova de que houve transferências de valores entre os contribuintes, não há como acolher a solicitação de cálculo conjunto.” O tema obviamente não foi suscitado pela Fazenda Nacional em seu recurso, portanto somente poderia ser rediscutido caso houvesse Recurso Especial por parte do contribuinte, o que não ocorreu. Quanto à qualificação da multa de ofício, aplicada somente quanto ao acréscimo patrimonial em função da remessa ao exterior, não houve manifestação expressa da Fazenda Nacional, sendo que no paradigma por ela indicado, que, como já foi dito, trata de caso também envolvendo a “CPI do Banestado”, foi promovida a desqualificação da penalidade. Ademais, no processo em nome do cônjuge do contribuinte, a qualificação da Fl. 18DF CARF MF Impresso em 26/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/03/2 013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 15/02/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 10580.010887/200618 Acórdão n.º 9202002.492 CSRFT2 Fl. 28 19 multa foi afastada já na Câmara Baixa, sem interposição de Recurso Especial por parte da Fazenda Nacional. Diante do exposto, conheço do Recurso Especial, interposto pela Fazenda Nacional e, no mérito, doulhe provimento, esclarecendo que a exigência deve ser restabelecida, acrescida de multa de ofício no percentual de 75%, inclusive no que tange ao acréscimo patrimonial a descoberto apurado em junho de 2002. (Assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Fl. 19DF CARF MF Impresso em 26/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/03/2 013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 15/02/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO
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Numero do processo: 35383.000021/2005-75
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Sep 24 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/1994 a 31/08/2004
RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. FALTA DE REQUISITO ESSENCIAL. NÃO CONHECIMENTO.
Sem a comprovação da divergência, não há de ser conhecido o recurso especial interposto para a uniformização de interpretação de legislação tributária. Hipótese em que os paradigmas apresentados cuidavam genericamente sobre a distribuição do ônus da prova, matéria inexistente no acórdão recorrido, que, tratando de decadência de contribuições previdenciárias, decidiu que, nos casos em que não é possível se saber se existe pagamento antecipado, deve-se contar a decadência a partir do fato gerador, nos termos do art. 150, §4 o, do CTN.
Recurso especial não conhecido.
Numero da decisão: 9202-002.326
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso. Votou pelas conclusões o Conselheiro Elias Sampaio Freire.
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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FALTA DE REQUISITO ESSENCIAL. NÃO CONHECIMENTO. Sem a comprovação da divergência, não há de ser conhecido o recurso especial interposto para a uniformização de interpretação de legislação tributária. Hipótese em que os paradigmas apresentados cuidavam genericamente sobre a distribuição do ônus da prova, matéria inexistente no acórdão recorrido, que, tratando de decadência de contribuições previdenciárias, decidiu que, nos casos em que não é possível se saber se existe pagamento antecipado, devese contar a decadência a partir do fato gerador, nos termos do art. 150, §4o, do CTN. Recurso especial não conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso. Votou pelas conclusões o Conselheiro Elias Sampaio Freire. Fl. 2422DF CARF MF Impresso em 16/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/10/2 012 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 02/10/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 35383.000021/200575 Acórdão n.º 920202.326 CSRFT2 Fl. 2.827 2 (Assinado digitalmente) Valmar Fonseca de Menezes Presidente em exercício (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Relator EDITADO EM: 26/09/2012 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Valmar Fonseca de Menezes (Presidente em exercício), Gonçalo Bonet Allage (VicePresidente em exercício), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Pedro Anan Junior, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Relatório O Acórdão nº 240101.188, da 1a Turma Ordinária da 4a Câmara da 2a Seção do Conselho de Administrativo de Recursos Fiscais (fls. 2.776 a 2.783), julgado na sessão plenária de 28 de abril de 2010, por unanimidade de votos, declarou a decadência das contribuições apuradas até a competência 11/1999, rejeitou o pedido de diligência, e, no mérito, negou provimento ao recurso voluntário do contribuinte. Transcrevese a ementa do julgado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1994 a 31/08/2004 DOCUMENTAÇÃO QUE NÃO APRESENTA DADOS SUFICIENTES PARA VERIFICAÇÃO DA REGULARIDADE FISCAL. POSSIBILIDADE DE APURAÇÃO DAS CONTRIBUIÇÕES MEDIANTE ARBITRAMENTO. Ao exibir documentos e esclarecimentos insuficientes para verificação de sua regularidade fiscal, o sujeito passivo abre ao fisco a possibilidade de arbitrar o tributo devido, sendo do contribuinte o ônus de fazer prova em contrário. EMISSÃO DE CND. POSSIBILIDADE DE APURAÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES EM AÇÃO FISCAL FUTURA. O fornecimento de Certidão Negativa de Débito não impede que o fisco possa exigir posteriormente contribuições que porventura venham a ser apuradas à posteriori. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Fl. 2423DF CARF MF Impresso em 16/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/10/2 012 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 02/10/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 35383.000021/200575 Acórdão n.º 920202.326 CSRFT2 Fl. 2.828 3 Período de apuração: 01/01/1994 a 31/08/2004 PREVIDENCIÁRIO. PRAZO DECADENCIAL. FALTA DE DEMONSTRAÇÃO PELO FISCO DA AUSÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. CONTAGEM A PARTIR DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR Não se podendo constatar, com esteio nos elementos constantes dos autos, se houve ou não antecipação de pagamento das contribuições, aplicase, para fins de contagem do prazo decadencial, o critério previsto no § 4.° do art. 150 do CTN, ou seja, cinco anos contados da ocorrência do fato gerador. LEGISLAÇÃO QUE ESTABELECE NOVOS CRITÉRIOS DE APURAÇÃO. POSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO RETROATIVA. Podese aplicar retroativamente a legislação que venha a estabelecer novos critérios de apuração do crédito tributário. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO EM PARTE. Em face dessa decisão, a Fazenda Nacional apresentou embargos de declaração (fls. 2.786 a 2.787) indicando omissão no julgado, porque ele não teria explicitado porque tirou o ônus da empresa de desconstituir os levantamentos fiscais. Entretanto, os embargos não foram acolhidos pela informação e decisão de fls. 2.789 e verso. Cientificado dessa decisão em 26/8/2010 (fl. 2.789v), a Fazenda Nacional apresentou, no dia seguinte, recurso especial de divergência (fls. 2.792 a 2.798), onde afirma ser do contribuinte o ônus de comprovar os fatos impeditivos, modificativos ou extintivos do direito de lançar do Fisco, cabendo a ele trazer a prova da antecipação do pagamento. O recurso foi admitido pelo despacho de fls. 2.799 a 2.800. Devidamente cientificado do acórdão recorrido, dos embargos e do recurso especial da Fazenda em 28/10/2010 (fls. 2.801 a 2.802), o contribuinte apresentou, em 12/11/2010, contrarrazões ao recurso da Fazenda (fls. 2803 a 2.823), onde afirma: a) que o recurso especial não deveria ser admitido devido às diferenças entre o acórdão recorrido e os paradigmas, b) que realmente cabe ao Fisco provar a inexistência de pagamento antecipado para a aplicação da regra de decadência do art. 173 do CTN, que é excepcional com relação à regra do art. 150, §4o, do CTN; c) que está juntado aos autos documento que comprova a existência de pagamentos antecipados na matrícula CEI do imóvel cuja regularização se pretende. É o relatório. Fl. 2424DF CARF MF Impresso em 16/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/10/2 012 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 02/10/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 35383.000021/200575 Acórdão n.º 920202.326 CSRFT2 Fl. 2.829 4 Voto Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Relator Tratase de lançamento das contribuições à Seguridade Social incidentes sobre a remuneração paga aos segurados empregados na obra de construção civil de propriedade do recorrente, estando a presente discussão restrita à decadência que foi reconhecida para parte dos tributos lançados. Como preliminar, o recorrente defende que o recurso não deveria ter sido admitido, devido às diferenças entre o acórdão recorrido e os paradigmas. Argumenta que os paradigmas analisaram hipóteses de lançamentos de Imposto de Renda, referindose genericamente ao ônus da prova. Pondera que o primeiro acórdão apontado analisa situação em que o contribuinte não se desincumbiu do ônus de provar as despesas e os custos incorridos pela empresa, que teriam o condão de afastar a acusação de omissão de receitas feita pela Fiscalização, e o segundo cuida da análise do ônus da prova do contribuinte que alega possuir direito creditório em face do Fisco. Concordo com os argumentos. Em nenhum momento o acórdão recorrido decidiu sobre a distribuição do ônus da prova, mas sim entendeu que se deve aplicar a regra do art. 150, §4o, do CTN, quando – pela natureza da apuração do tributo, devido ao longo do decorrer de uma obra – não for possível verificar pagamento antecipado para período específico. Transcrevo o trecho do acórdão que trata do assunto (fl. 2.780): No caso vertente, a ciência do lançamento deuse em 28/12/2004, restame, então verificar a qual período se refere o crédito em questão. Verifico do Aviso para Regularização de Obra — ARO, fl. 1971, que o cálculo relativo a área denominada "Regularização Bloco I" engloba o período de 07/1998 a 06/2002. Considerandose que, para esse tipo de apuração, não há como se verificar dos elementos constantes dos autos se houve ou não recolhimento antecipado de contribuições, deve ser aplicado, para fins de contagem do prazo decadencial, a norma prevista no art. 150, § 4o do CTN, tomandose como marco inicial a data do fato gerador. É assim que tem entendido esse Colegiado. Questionado, em sede de embargos, porque se retirou o ônus do contribuinte de desconstituir o lançamento fiscal, o relator do acórdão repetiu o entendimento de que, nos casos em que não é possível se saber se existe pagamento antecipado, devese contar a decadência a partir do fato gerador, como demonstra o trecho a seguir transcrito (fls. 2.789 e verso): No acórdão embargado decidiuse, por unanimidade, o reconhecimento da decadência parcial das contribuições lançadas, devendo serem excluídas as competências de 07/1998 a 11/1999. Entendeu o colegiado que a contagem do prazo decadencial deveria ser feita pela regra inserta no § 4.° do art. 150 do CTN, haja Fl. 2425DF CARF MF Impresso em 16/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/10/2 012 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 02/10/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 35383.000021/200575 Acórdão n.º 920202.326 CSRFT2 Fl. 2.830 5 vista que a NFLD, tendo sido lançada por arbitramento pelo método CUB, não haveria como se concluir pela existência ou não de recolhimento antecipado. É nesse ponto que a embargante vislumbra a ocorrência de omissão no decisum atacado, afirmando que, se o processo não revela a antecipação de pagamento, a contagem do prazo decadencial deveria se dar pela norma encartada no inciso I do art. 173 do CTN. Em que pese o esforço da Fazenda Nacional em demonstrar a ocorrência de omissão no decisum embargado, deixo de concordar com sua tese. É que no lançamento de contribuições cuja a base tributável é aferida indiretamente com base no método CUB não se tem sequer segurança para se afirmar que as obras foram executadas durante um todo o período da apuração, portanto, não há como se afirmar categoricamente pela existência ou não de recolhimentos. O Acórdão embargado se reporta ao ARO de fls. 1971 e seguintes, esse demonstrativo indica regularização de área para a maioria das competências declaradas decadentes, todavia, isso não quer dizer que para as demais não tenha havido recolhimento, posto que não há nem como afirmar que as obras se realizaram em período contínuo. Nessas situações essa Turma de Julgamento tem reiteradamente se posicionado pela aplicação da regra do art. 150, § 4o, do CTN, segundo a qual a contagem do prazo decadencial deve ter como marco inicial a ocorrência dos fatos geradores. Repitase: o acórdão recorrido não decidiu se cabia ao Fisco ou ao contribuinte comprovar a existência de pagamento antecipado, mas entendeu não ser possível, no caso em discussão (arbitramento pelo método CUB), afirmarse categoricamente sobre esse fato, e que essa situação implicava a adoção da regra de decadência do art. 150, §4o, do CTN. Se quisesse trazer a discussão para a instância especial, deveria a Fazenda Nacional ter trazido paradigma que, em caso de lançamento onde não fosse possível se saber sobre a existência de pagamento antecipado, como o de contribuições cuja base tributável é aferida indiretamente com base no método CUB, tenha se decidido por aplicar a regra de decadência do art. 173, inciso I, do CTN. Para esse propósito, não servem acórdãos que versaram genericamente sobre o ônus da prova. Diante do exposto, não tendo sido comprovada a divergência jurisprudencial, voto no sentido de não conhecer do recurso. (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Fl. 2426DF CARF MF Impresso em 16/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/10/2 012 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 02/10/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 35383.000021/200575 Acórdão n.º 920202.326 CSRFT2 Fl. 2.831 6 Fl. 2427DF CARF MF Impresso em 16/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/10/2 012 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 02/10/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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