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Numero do processo: 10660.003855/2007-57
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 16 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Oct 23 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2003
IRPF. DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO.
Recibos emitidos por profissionais da área de saúde com observância aos requisitos legais são documentos hábeis para comprovar dedução de despesas médicas, salvo quando comprovada nos autos a existência de indícios veementes de que os serviços consignados nos recibos não foram de fato executados ou o pagamento não foi efetuado.
Recurso voluntário provido.
Numero da decisão: 2802-001.934
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário nos termos do voto do relator.
(Assinado digitalmente)
Jorge Claudio Duarte Cardoso Presidente e Relator.
EDITADO EM: 18/10/2012
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jaci de Assis Júnior, Sidney Ferro Barros, Dayse Fernandes Leite, Ewan Teles Aguiar, German Alejandro San Martín Fernández e Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente).
Nome do relator: JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2003 IRPF. DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO. Recibos emitidos por profissionais da área de saúde com observância aos requisitos legais são documentos hábeis para comprovar dedução de despesas médicas, salvo quando comprovada nos autos a existência de indícios veementes de que os serviços consignados nos recibos não foram de fato executados ou o pagamento não foi efetuado. Recurso voluntário provido.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1667; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2TE02 Fl. 189 1 188 S2TE02 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10660.003855/200757 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2802001.934 – 2ª Turma Especial Sessão de 16 de outubro de 2012 Matéria IRPF Recorrente MARCIA SAYURI MURAO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2003 IRPF. DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO. Recibos emitidos por profissionais da área de saúde com observância aos requisitos legais são documentos hábeis para comprovar dedução de despesas médicas, salvo quando comprovada nos autos a existência de indícios veementes de que os serviços consignados nos recibos não foram de fato executados ou o pagamento não foi efetuado. Recurso voluntário provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário nos termos do voto do relator. (Assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso – Presidente e Relator. EDITADO EM: 18/10/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jaci de Assis Júnior, Sidney Ferro Barros, Dayse Fernandes Leite, Ewan Teles Aguiar, German Alejandro San Martín Fernández e Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 66 0. 00 38 55 /2 00 7- 57 Fl. 189DF CARF MF Impresso em 23/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 18 /10/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 2 Relatório Tratase de lançamento de Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF) do exercício 2003 , anocalendário 2002, em virtude de glosa de dedução de dependente (R$1.272,00) por falta de atendimento ao pedido de esclarecimentos e não comprovação de dependência e de despesas médicas (R$36.575,30) porque, intimado a comprovar o efetivo pagamento, o contribuinte apresentou recibos sem as devidas contrapartidas de cheques emitidos ou extrato bancário e porque os profissionais emitentes declararam rendimentos dentro da faixa de isentos ou com rendimentos tributáveis elevados e reduzidos a isentos por utilização de despesas elevadas lançadas em livro caixa e pela inclusão de recibos de despesas realizadas com não dependentes (fls. 20). Após a glosa, as despesas médicas admitidas foram de R$1.515,33 relativas ao Plano Bradesco saúde em favor da recorrente, com a glosa do valor de R$1.515,30 em favor do cônjuge. Não foi contestada a glosa de dependente. A impugnação fundamentouse no direito à dedução das despesas médicas com base nos recibos apresentados conforme exige a lei e que não há base legal para as exigências feitas pela DRF Varginha. A impugnante apresenta, juntamente com sua defesa, para apreciação da autoridade julgadora, os seguintes documentos: 1) Os recibos anexados às fls.43/46, no montante de R$ 6.050, 00, emitidos pela cirurgiadentista Dra. Vânia Cristina Bernardo; 2) Os recibos anexados às fls.48/52, no montante de R$ 3.800,00, emitidos pela fisioterapeuta Dra. Maria Cláudia Massa Coli Reis; 3) Os recibos anexados às fls.54/65, no montante de R$ 8.250,00, emitidos pelo cirurgiãodentista Dr. Creso Teixeira de Carvalho; 4) Os recibos anexados a fls.67, no montante de R$ 4.000,00, emitidos pela cirurgiãdentista Dra. Andréa Miranda de Araújo; 5) Os recibos anexados às fls.69/73, no montante de R$ 10.000, emitidos pela dentista Dra. Christiany Assis Guedes e 6) 6) A Nota Fiscal de Prestação de Serviços anexada a fls.75, no valor de RS 3.000, 00, emitida pelo Instituto Varginhense de Cirurgia Vídeo Endoscopia Ltda. O acórdão recorrido deferiu em parte a impugnação, acatando exclusivamente a dedução de R$1.515,30 do Plano de Saúde Bradesco. Considerou não comprovado o efetivo desembolso referente às despesas médicas declaradas, tendo em conta que a autoridade fiscal dispõe da prerrogativa de exigir outros elementos de prova além dos recibos, ao final aponta precedentes deste Conselho e fundamenta a exigência da multa de ofício e dos juros de mora na existência de previsão legal. Ciente da decisão de primeira instância em 07/12/2009, em 18/12/2009 o recorrente remeteu pelos Correio por Sedex o recurso voluntário, no qual argumenta, em síntese: Fl. 190DF CARF MF Impresso em 23/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 18 /10/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10660.003855/200757 Acórdão n.º 2802001.934 S2TE02 Fl. 190 3 1) que os recibos médicos apresentados são hábeis e idôneos para comprovar as despesas a que se referem pois atendem às exigências do art. 80 do RIR1999, art. 8º, §2º, inciso III da Lei 9.250/1995 e do art. 46 da In SRF 21/2001, sendo indevidas as exigências adicionais feitas pela instância julgadora de primeiro grau; 2) ainda assim, constam dos autos comprovantes de pagamentos bancários das despesas com AGF Brasil Seguros S/A (R$1.262,52) e Caixa Vida Previdência (R$400,00); 3) aponta doutrina, precedentes administrativos e judiciais; 4) a multa é confiscatória e fere o princípio da gradação da penalidade, corresponde a desvio de finalidade e abuso de poder, devendo ser excluída ou ao menos reduzida a 20%; 5) ilegalidade da exigência de juros de mora pela taxa Selic, por contrariar o Código Tributário Nacional – CTN. É o relatório. Voto Conselheiro Jorge Claudio Duarte Cardoso, Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, dele devese tomar conhecimento. O litígio trata de comprovação de despesas médicas em que a autoridade fiscal fundamenta a autuação na falta de comprovação do efetivo pagamento. Em casos desta natureza, a princípio, os recibos emitidos por profissionais legalmente habilitados que atendam às formalidade legais são hábeis a comprovar as deduções pleiteadas, mas, em havendo fortes indícios de que a documentação é inidônea, existe o direito dever de o fisco intimálo a comprovar o efetivo desembolso e prestação do serviço. Assim, a decisão sobre a dedutibilidade ou não da despesa médica merece análise caso a caso, consoante os elementos trazidos aos autos, tanto pelo fisco como pelo contribuinte, os quais serão decisivos para a formação da livre convicção do julgador. O ponto de partida é a imputação feita no lançamento. Verificase que a exigência de outros elementos de prova decorre da premissa de que os profissionais emitentes declararam rendimentos dentro da faixa de isentos ou com rendimentos tributáveis elevados e reduzidos a isentos por utilização de despesas elevadas Fl. 191DF CARF MF Impresso em 23/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 18 /10/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 4 lançadas em livro caixa e que houve a inclusão de recibos de despesas realizadas com não dependentes (fls. 20). Não há apontamento algum de falta de cumprimento de requisitos legais nos documentos apresentados e as razões apontadas pela autoridade fiscal não representam indícios suficientes em desfavor dos documentos apresentados pelo recorrente, logo não há nos autos elementos que permitam afastar a idoneidade dos documentos apresentados pelo requerente para fazer jus às deduções pleiteadas. Os documentos comprobatórios estão acostados a partir das fls. 43. Não havendo prova em desfavor dos recibos e das declarações dos profissionais – ainda que por meio de um conjunto forte de indícios e enquanto não houver disciplina legal mais adequada, atende ao verdadeiro interesse público privilegiar o devido processo legal e as demais garantias ínsitas ao Estado Democrático de Direito, cujos valores superam eventual perda arrecadatória. Portanto, DOU PROVIMENTO ao recurso voluntário. (Assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso Fl. 192DF CARF MF Impresso em 23/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 18 /10/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10660.003855/200757 Acórdão n.º 2802001.934 S2TE02 Fl. 191 5 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA CÂMARA DA SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no § 3º do art. 81 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria Ministerial nº 256, de 22 de junho de 2009, intimese o (a) Senhor (a) Procurador (a) Representante da Fazenda Nacional, credenciado junto à Segunda Câmara da Segunda Seção, a tomar ciência do Acórdão identificado em epígrafe. Brasília/DF, 18 de outubro de 2012 (assinado digitalmente) JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Presidente Segunda Turma Especial da Segunda Câmara/Segunda Seção Ciente, com a observação abaixo: (......) Apenas com ciência (......) Com Recurso Especial (......) Com Embargos de Declaração Data da ciência: _______/_______/_________ Procurador(a) da Fazenda Nacional Fl. 193DF CARF MF Impresso em 23/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 18 /10/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 6 Fl. 194DF CARF MF Impresso em 23/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 18 /10/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
score : 1.0
Numero do processo: 11020.915067/2009-75
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 28 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Jan 22 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/03/2005 a 31/03/2005
PRELIMINAR. NULIDADE DA DECISÃO A QUO E DO DESPACHO DECISÓRIO. OFENSA AO REQUISITO CONSTITUCIONAL DA FUNDAMENTAÇÃO DO ATO ADMINISTRATIVO E AOS PRINCÍPIOS DA AMPLA DEFESA, DO CONTRADITÓRIO E DO DEVIDO PROCESSO LEGAL.
Uma vez observados os requisitos formais e materiais exigidos na legislação, é válido o despacho decisório que não homologou a compensação com base nas informações declaradas pelo próprio interessado.
É válida a decisão da Delegacia de Julgamento proferida em total conformidade com as normas que regem o Processo Administrativo Fiscal (PAF).
RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. INDÉBITO. ÔNUS DA PROVA.
O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa que não reconheceu o direito creditório e não homologou a compensação, amparada em informações prestadas pelo sujeito passivo e presentes nos sistemas internos da Receita Federal.
ARGUMENTOS DE DEFESA. PRECLUSÃO.
Questão não levada a debate no primeiro momento de pronúncia da parte após a instauração da fase litigiosa no Processo Administrativo Fiscal (PAF) constitui matéria preclusa.
Numero da decisão: 3803-003.742
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Alexandre Kern - Presidente.
(assinado digitalmente)
Hélcio Lafetá Reis - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alexandre Kern (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, Jorge Victor Rodrigues, Juliano Eduardo Lirani e João Alfredo Eduão Ferreira.
Nome do relator: HELCIO LAFETA REIS
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/03/2005 a 31/03/2005 PRELIMINAR. NULIDADE DA DECISÃO A QUO E DO DESPACHO DECISÓRIO. OFENSA AO REQUISITO CONSTITUCIONAL DA FUNDAMENTAÇÃO DO ATO ADMINISTRATIVO E AOS PRINCÍPIOS DA AMPLA DEFESA, DO CONTRADITÓRIO E DO DEVIDO PROCESSO LEGAL. Uma vez observados os requisitos formais e materiais exigidos na legislação, é válido o despacho decisório que não homologou a compensação com base nas informações declaradas pelo próprio interessado. É válida a decisão da Delegacia de Julgamento proferida em total conformidade com as normas que regem o Processo Administrativo Fiscal (PAF). RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. INDÉBITO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa que não reconheceu o direito creditório e não homologou a compensação, amparada em informações prestadas pelo sujeito passivo e presentes nos sistemas internos da Receita Federal. ARGUMENTOS DE DEFESA. PRECLUSÃO. Questão não levada a debate no primeiro momento de pronúncia da parte após a instauração da fase litigiosa no Processo Administrativo Fiscal (PAF) constitui matéria preclusa.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/03/2005 a 31/03/2005 PRELIMINAR. NULIDADE DA DECISÃO A QUO E DO DESPACHO DECISÓRIO. OFENSA AO REQUISITO CONSTITUCIONAL DA FUNDAMENTAÇÃO DO ATO ADMINISTRATIVO E AOS PRINCÍPIOS DA AMPLA DEFESA, DO CONTRADITÓRIO E DO DEVIDO PROCESSO LEGAL. Uma vez observados os requisitos formais e materiais exigidos na legislação, é válido o despacho decisório que não homologou a compensação com base nas informações declaradas pelo próprio interessado. É válida a decisão da Delegacia de Julgamento proferida em total conformidade com as normas que regem o Processo Administrativo Fiscal (PAF). RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. INDÉBITO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa que não reconheceu o direito creditório e não homologou a compensação, amparada em informações prestadas pelo sujeito passivo e presentes nos sistemas internos da Receita Federal. ARGUMENTOS DE DEFESA. PRECLUSÃO. Questão não levada a debate no primeiro momento de pronúncia da parte após a instauração da fase litigiosa no Processo Administrativo Fiscal (PAF) constitui matéria preclusa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 91 50 67 /2 00 9- 75 Fl. 97DF CARF MF Impresso em 22/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/11/2012 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 29/11/2012 p or ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 28/11/2012 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11020.915067/200975 Acórdão n.º 3803003.742 S3TE03 Fl. 98 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Alexandre Kern Presidente. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alexandre Kern (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, Jorge Victor Rodrigues, Juliano Eduardo Lirani e João Alfredo Eduão Ferreira. Relatório Tratase de Recurso Voluntário (fls. 64 a 83) interposto em decorrência da decisão da DRJ Porto Alegre/RS (fls. 57 a 60) que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade (fls. 7 a 43) apresentada pelo contribuinte para se contrapor à não homologação da compensação pleiteada (fls. 1 a 5), nos termos do despacho decisório eletrônico exarado pela repartição de origem (fl. 6). O contribuinte havia transmitido à Receita Federal, em 16 de fevereiro de 2009, Pedido de Restituição e Declaração de Compensação (PER/DCOMP), relativos a pretenso pagamento da Cofins não cumulativa efetuado a maior, cujo direito creditório reclamado totaliza o valor de R$ 27.610,29. Por meio de despacho decisório eletrônico, a repartição de origem decidiu por não homologar a compensação, sob o fundamento de que o pagamento informado já havia sido integralmente utilizado para quitação de débito da titularidade do contribuinte. Cientificado da decisão, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade, protestou, com base no princípio da verdade material, pela juntada de outros documentos e outras provas e requereu a declaração de nulidade do despacho decisório, assim como o cancelamento de qualquer cobrança dele advinda, alegando, aqui apresentado de forma sucinta, o seguinte: a) ausência de fundamentação do despacho decisório e violação dos princípios constitucionais da ampla defesa, do contraditório e do devido processo legal; b) a Fiscalização deveria ter intimado o contribuinte para obter as informações relativas à origem do crédito, tendo ocorrido ofensa ao “dever de instrução” prescrito no art. 7º do Decreto nº 70.123/1972; c) o despacho decisório extrapolou sua função, tendo se tornado meio oblíquo para a interrupção do prazo de homologação da compensação declarada, configurandose desvio de finalidade; d) a defesa do contribuinte restou prejudicada por desconhecimento das razões da não homologação da compensação; Fl. 98DF CARF MF Impresso em 22/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/11/2012 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 29/11/2012 p or ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 28/11/2012 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11020.915067/200975 Acórdão n.º 3803003.742 S3TE03 Fl. 99 3 e) inaplicabilidade da multa em razão do princípio constitucional do não confisco e dos princípios administrativos da razoabilidade e da proporcionalidade; f) inaplicabilidade da taxa Selic a título de juros de mora, em razão da limitação dada pelo § 1º do art. 161 do Código Tributário Nacional (CTN), em que se fixam os juros em 1% ao mês, percentual esse passível de redução por lei, mas nunca de ampliação. Junto à Manifestação de Inconformidade, o contribuinte trouxe aos autos cópias de documentos societários. A DRJ Porto Alegre/RS julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade sob os seguintes fundamentos: 1) inocorrência de preterição do direito de defesa, tendo em vista que o despacho decisório consigna, de forma clara e concisa, o motivo da não homologação da compensação, tendo sido observados todos os requisitos formais e materiais para a sua validade; 2) a motivação para a não homologação da compensação foi devidamente explicitada, tendo sido apontado que o pagamento declarado havia sido localizado, mas que teria sido integralmente utilizado na quitação de débito do contribuinte, não restando saldo credor disponível para a quitação do débito informado na declaração de compensação; 3) no que tange à multa de ofício e aos juros de mora, por se tratar o presente processo de compensação, a competência das delegacias de julgamento se limita ao julgamento da manifestação de inconformidade contra a não homologação da compensação declarada, falecendolhes competência para a análise de questões atinentes à cobrança de eventuais débitos. Inconformado, o contribuinte recorre a este Conselho, repisa os argumentos de defesa acerca da nulidade do despacho decisório, exceto em relação à multa de ofício e aos juros de mora, estes não mais contestados, e requer a declaração de nulidade da decisão recorrida por violação do requisito constitucional da fundamentação do ato administrativo e por afrontar os princípios da ampla defesa, do contraditório e do devido processo legal, valendose dos mesmos argumentos apresentados na Manifestação de Inconformidade. Por fim requer o retorno dos autos à origem para novo julgamento ou o provimento do recurso com a consequente homologação da compensação. Junto à peça recursal, o contribuinte traz aos autos cópias de documentos societários. É o relatório. Voto Conselheiro Hélcio Lafetá Reis Fl. 99DF CARF MF Impresso em 22/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/11/2012 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 29/11/2012 p or ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 28/11/2012 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11020.915067/200975 Acórdão n.º 3803003.742 S3TE03 Fl. 100 4 O recurso é tempestivo, atende as demais condições de admissibilidade e dele tomo conhecimento. Conforme acima relatado, controvertese nos autos sobre Pedido de Restituição cumulado com Declaração de Compensação (PER/DCOMP), não acatados pela Receita Federal por se referir a pagamento integralmente utilizado na quitação de outro débito do sujeito passivo. I. Preliminares. Violação do requisito constitucional da fundamentação do ato administrativo e ofensa aos princípios da ampla defesa, do contraditório e do devido processo legal. O Recorrente requer a anulação do despacho decisório e da decisão da Delegacia de Julgamento por ofender o requisito constitucional da fundamentação do ato administrativo e os princípios da ampla defesa, do contraditório e do devido processo legal, em razão da falta de intimação prévia voltada à obtenção de informações relativas à origem do crédito e da ofensa ao “dever de instrução” prescrito no art. 7º do Decreto nº 70.235/1972. Segundo ele, o despacho decisório extrapolou sua função, tendo se tornado meio oblíquo para a interrupção do prazo de homologação da compensação declarada, configurandose desvio de finalidade, tendo havido, ainda, prejuízo a sua defesa por desconhecimento das razões da não homologação da compensação. De pronto, devemse afastar tais alegações do Recorrente, pois tanto o despacho decisório quanto a decisão recorrida foram exarados em conformidade com os dispositivos legais e regulamentares que regem o Processo Administrativo Fiscal (PAF), este disciplinado primordialmente pelo Decreto nº 70.235/1972. No despacho decisório, emitido que fora com observância da legislação de regência, consta de forma evidente a razão da não homologação da compensação, qual seja, a inexistência do indébito em razão do fato de que o pagamento declarado em PER/DCOMP, ou seja, pelo próprio sujeito passivo, já ter sido integralmente utilizado na quitação de outro débito da titularidade do contribuinte, constando, ainda, individualizada e pormenorizadamente, todas as informações relativas ao referido pagamento e à compensação pleiteada, de forma que nenhuma informação foi suprimida em prejuízo da defesa do interessado. Inexiste qualquer desvio de finalidade no despacho decisório, pois que ele decorreu de pedido formulado pelo próprio sujeito passivo, cujos termos delimitaram a extensão da matéria a ser analisada pela Administração tributária, encontrandose esta autorizada por lei (art. 74 e §§ da Lei nº 9.430/1996) a proceder daquela forma, com base em informações prestadas pelo próprio contribuinte (PER/DCOMP e DCTF), informações essas suficientes à apreciação do pleito. Uma vez apresentada a declaração de compensação, a Autoridade administrativa tributária, obervado o prazo para a homologação previsto no § 5º do art. 74 da Lei nº 9.430/1996, já se encontra apta a decidir acerca do pedido formulado, pois que todos os contornos já se encontram definidos desde então, inexistindo na lei ou no decreto a estipulação de prazo mínimo para tal apreciação, em razão do que não se cogita de decisão desvirtuada e destinada unicamente à interrupção do prazo de homologação da compensação declarada. Fl. 100DF CARF MF Impresso em 22/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/11/2012 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 29/11/2012 p or ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 28/11/2012 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11020.915067/200975 Acórdão n.º 3803003.742 S3TE03 Fl. 101 5 No acórdão da DRJ Porto Alegre/RS, constam, de forma objetiva, todos os fundamentos que nortearam a decisão tomada, inexistindo qualquer violação aos princípios da ampla defesa, do contraditório e do devido processo legal, pois que não se preteriu o direito do contribuinte a recorrer a este Conselho, oportunidade em que poderiam ter sido trazidos aos autos todos os elementos probatórios que pudessem infirmar os fundamentos da decisão recorrida. Devese ressaltar que, inobstante haver, indubitavelmente, o direito fundamental à ampla defesa e ao contraditório (art. 5º, inciso LV, da Constituição Federal), não se pode perder de vista que inexistem direitos absolutos, devendo todos os direitos e as garantias assegurados pela ordem jurídica ser compreendidos em conjunto e dialogicamente. Os princípios da ampla defesa e do contraditório devem ser sopesados dialeticamente com outros princípios, como o da celeridade processual (art. 5º, inciso LXXVIII, da Constituição Federal), assim como com o dever do postulante de comprovar as suas alegações contrapostas à decisão administrativa amparada nos elementos fáticos declarados pelo próprio sujeito passivo (artigos 15 e 16, § 4º, do Decreto nº 70.235/1972). As regras de funcionamento do litígio administrativo, conforme já apontado, devem ser buscadas, primariamente, no Decreto nº 70.235/1972 e, subsidiariamente, nas demais regras que regulam o processo administrativo e/ou judicial, sendo que, não se vislumbrando qualquer ofensa a tais atos normativos, inexiste fundamento a apoiar a pretendida declaração de nulidade do despacho decisório e da decisão da DRJ Porto Alegre/RS. Nesse contexto, afastamse as preliminares de nulidade arguidas. II. Mérito. Origem do crédito. No mérito, registrese que o contribuinte, tanto na Manifestação de Inconformidade – que corresponde à fase de Impugnação prevista no PAF, por força do disposto no art. 74, § 11, da Lei nº 9.430/1996 –, quanto no Recurso Voluntario, restringiu o seu pedido ao reconhecimento do direito creditório decorrente de pagamento indevido, nada dizendo sobre a natureza desses créditos, se referentes, por exemplo, a aquisições de insumos ou a outra forma de creditamento autorizada pela lei, inexistindo, portanto, pronúncia quanto às razões de fato ou de direito que deram ensejo ao indébito. Alega o contribuinte que o crédito pleiteado poderia ser comprovado por meio de investigações por parte da Fiscalização, a partir de intimações a ele direcionadas, não fazendo qualquer referência aos dados declarados em DCFT e no PER/DCOMP, restringindo sua defesa às preliminares de nulidade e à referida ausência de auditoria fiscal. Nesse sentido, temse que, desde a primeira instância, por força do contido no § 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235/1972 (Processo Administrativo Fiscal – PAF), tornouse definitiva na esfera administrativa a discussão acerca dos motivos fáticos e de direito que deram origem ao crédito que se pretende compensar. Esclareçase que matéria não suscitada em sede de defesa no Processo Administrativo Fiscal (Impugnação ou Manifestação de Inconformidade) submetese à preclusão processual, não devendo ser conhecidas possíveis razões que, em tese, pudessem ser apuradas, como sugere o Recorrente, a partir do retorno dos autos à origem para a prolação de nova decisão, esta pautada em dados apurados de ofício pela Fiscalização. Fl. 101DF CARF MF Impresso em 22/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/11/2012 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 29/11/2012 p or ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 28/11/2012 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11020.915067/200975 Acórdão n.º 3803003.742 S3TE03 Fl. 102 6 Registrese que o Recorrente não trouxe aos autos qualquer elemento que pudesse comprovar o indébito alegado, não havendo nenhuma prova, ou mesmo alguma referência, relativamente aos dados declarados. Não há nos autos cópia da DCTF ou de qualquer outro documento ou declaração que pudesse ao menos indicar a origem do pagamento indevido. Dessa forma, mesmo que se superasse a ocorrência de preclusão, temse que nenhuma prova foi apresentada pelo interessado, não havendo como decidir, nos termos do seu pedido, pela homologação da compensação, dado o total desconhecimento da origem e da natureza do crédito. Mesmo considerando o princípio da verdade material, em que a apuração da verdade dos fatos pelo julgador administrativo vai além das provas trazidas aos autos pelo interessado, nos casos da espécie ao ora analisado, a prova encontrase em poder do próprio Recorrente, e uma vez que foi dele a iniciativa de instauração do presente processo, pois que relativo a um direito que ele alega ser detentor, não se vislumbra razão à preponderância do princípio da verdade material sobre, por exemplo, o princípio constitucional da celeridade processual (art. 5º, inciso LXXVIII, da Constituição Federal de 1988). Nos processos administrativos originados de pleito do interessado, como o de pedidos de restituição e de declaração de compensação, “prevalece o princípio do dispositivo, de modo que a atividade probatória deve se desenvolver dentro dos limites do pedido formulado pelo contribuinte. O regime jurídico da prova nesta classe de processos administrativos tributários aproximase muito mais do regime jurídico da prova do processo civil, com as peculiaridades decorrentes do fato de que a prova é produzida e apreciada no âmbito administrativo” 1 Nos termos do art. 16 do Decreto n° 70.235/1972, que regula o Processo Administrativo Fiscal (PAF), aplicável na discussão de processos envolvendo compensação tributária, cabe ao impugnante o ônus da prova de suas alegações contrapostas à decisão de não homologação baseada na DCTF e na base de dados de arrecadação. O referido art. 16 do PAF assim dispõe: Art. 16. A impugnação mencionará: I a autoridade julgadora a quem é dirigida; II a qualificação do impugnante; III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) – Grifei (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) 1 BIANCHINI, Marcela Cheffer. O prazo para apresentação de provas no processo administrativo tributário e os princípios da verdade material e da ampla defesa. Brasília: ESAF, 2008, p. 25. (Disponível em: www.esaf.fazenda.gov.br/ esafsite/biblioteca/monografias/marcela_cheffer.pdf. Consulta realizada em 3 de setembro de 2012). Fl. 102DF CARF MF Impresso em 22/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/11/2012 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 29/11/2012 p or ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 28/11/2012 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11020.915067/200975 Acórdão n.º 3803003.742 S3TE03 Fl. 103 7 a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) As exceções previstas no § 4º do art. 16 do PAF, supra reproduzidos, não se aplicam ao presente processo, pois não se trata de (i) impossibilidade de apresentação de provas por motivo de força maior, (ii) de fato ou direito superveniente ou (iii) de prova destinada a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa que não reconheceu o direito creditório e não homologou a compensação, amparada em informações prestadas pelo sujeito passivo e presentes nos sistemas internos da Receita Federal (DCTF e sistemas de arrecadação), inexistindo, nos casos da espécie, autorização legal para a inversão do ônus da prova, como pretende o Recorrente ao requerer que esta Turma, no caso de não prover seu pedido de homologação da compensação, anule o despacho decisório e determine a prolação de um outro, este baseado em informações a serem apuradas pela Fiscalização. Nesse contexto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso. É como voto. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis – Relator Fl. 103DF CARF MF Impresso em 22/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/11/2012 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 29/11/2012 p or ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 28/11/2012 por HELCIO LAFETA REIS
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Numero do processo: 10070.000410/2007-65
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 17 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Oct 30 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2004
RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS.
Confirmado mediante documentação hábil e idônea o montante dos rendimentos tributáveis efetivamente recebidos, retifica-se o lançamento.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2801-002.740
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para excluir da base de cálculo do lançamento a parcela de R$ 11.790,47, nos termos do voto da Relatora.
Assinado digitalmente
Antonio de Pádua Athayde Magalhães - Presidente
Assinado digitalmente
Tânia Mara Paschoalin - Relatora
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Antonio de Pádua Athayde Magalhães, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Tânia Mara Paschoalin e Luiz Claudio Farina Ventrilho. Ausente o Conselheiro Sandro Machado dos Reis.
Nome do relator: TANIA MARA PASCHOALIN
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Confirmado mediante documentação hábil e idônea o montante dos rendimentos tributáveis efetivamente recebidos, retificase o lançamento. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para excluir da base de cálculo do lançamento a parcela de R$ 11.790,47, nos termos do voto da Relatora. Assinado digitalmente Antonio de Pádua Athayde Magalhães Presidente Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Antonio de Pádua Athayde Magalhães, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Tânia Mara Paschoalin e Luiz Claudio Farina Ventrilho. Ausente o Conselheiro Sandro Machado dos Reis. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 07 0. 00 04 10 /2 00 7- 65 Fl. 50DF CARF MF Impresso em 30/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2012 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 23/10/201 2 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 25/10/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALH AES Processo nº 10070.000410/200765 Acórdão n.º 2801002.740 S2TE01 Fl. 51 2 Tratase de recurso voluntário apresentado contra decisão proferida pela 7ª Turma de Julgamento da DRJ/RJOII/RJ. Por bem descrever os fatos, reproduzse abaixo o relatório da decisão recorrida: “Tratase de Notificação Fiscal, de fls. 03/05, de lançamento de crédito tributário de Imposto de Renda da Pessoa Física, realizado em 07/03/2007, relativo ao Ano Calendário 2003, em face do contribuinte acima identificado, no montante de R$ 12.289,13, sendo RS 5.381,45 de Imposto Suplementar; R$ 4.036,08 de multa de ofício; RS 2.414,65 de juros de mora calculados até 30/03/2007; RS 277,16 de Imposto sujeito à multa de mora: RS 55,43 de multa de mora e R$ 124,36 de juros de mora calculados até 30/03/2007. De acordo com a Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal, houve omissão de rendimentos de RS 25.572,54 da fonte pagadora PREVHAB Previdência Complementar e compensação indevida de Imposto de Renda Retido na Fonte IRRF de RS 350,72 da mesma fonte pagadora. O contribuinte apresentou defesa, de fl. 01, alegando que os rendimentos da Declaração de Ajuste Anual diferem daquele constante no Informe de Rendimentos porque a fonte pagadora Prevhab colocou no rodapé a informação de que estava suspensa a exigibilidade da parcela de RS 13.962,07. Acrescenta o sujeito passivo que, caso a Receita Federal entenda que o valor acima é exigível, que não seja cobrada a multa e os juros de mora porque não foi o caso de omissão.” A impugnação foi julgada procedente em parte, conforme Acórdão de fls. 42/45, que restou assim ementado: DECISÃO JUDICIAL TRANSITADA EM JULGADO. Devem ser oferecidos à tributação os valores discutidos em ação judicial, cuja liminar foi revogada, em sentença definitiva, que julgou extinto o processo sem julgamento do mérito. IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE. A totalidade do imposto de renda retido na fonte, inclusive a parcela depositada judicialmente e que foi convertida em renda para a União, pode ser compensada na Declaração de Ajuste Anual para fins de cálculo do imposto devido. Regularmente cientificado daquele acórdão em 23/09/2011 (fl. 34), o interessado interpôs recurso voluntário de fls. 36/39, em 07/10/2011. Em sua defesa, alega que a soma de todas as parcelas de rendimento tributáveis corresponde ao total de RS 49.148,81, sendo R$ 37.358,34 provenientes da PREVHAB e R$ 11.790,47 do INSS, e não o montante de R$ 60.939,28 considerado pela Fisco. Informa que, em 27/03/2007, efetuou o recolhimento do imposto suplementar, que considerou devido, emitindo um DARF cuja cópia se encontra no ANEXO 4, tendo em vista o arquivamento da ação judicial referente à exigibilidade suspensa Fl. 51DF CARF MF Impresso em 30/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2012 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 23/10/201 2 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 25/10/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALH AES Processo nº 10070.000410/200765 Acórdão n.º 2801002.740 S2TE01 Fl. 52 3 de R$ 13.962,07, que foi abatida do Total de Rendimentos Tributáveis na DIRPF sob exame (anocalendário 2003). Assim, solicita a correção dos rendimentos tributáveis que estão majorados, a revisão dos cálculos do imposto suplementar do ano calendário de 2003, bem como o abatimento do valor atualizado já recolhido mediante o DARF de 30/03/2007. É o relatório. Voto Conselheira Tânia Mara Paschoalin, Relatora. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. O recorrente contesta o valor apurado a título de omissão de rendimentos, bem como solicita seja considerado o recolhimento efetuado, conforme DARF de fl. 47. Quanto à omissão de rendimentos, temse que foi apurada omissão de rendimentos de R$ 25.752,54, a partir do confronto das informações prestadas pelo contribuinte na Declaração de Ajuste Anual com as informações registradas pela PREVHAB na Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte DIRF apresentada à Receita Federal do Brasil RFB. Observase que a DIRF (fl.25) registra rendimentos tributáveis pagos ao contribuinte, no montante de R$ 49.148,81, com IRRF no valor de R$ 2.727,51 e depósito judicial de R$ 453,66 (R$ 350,72 referente a rendimentos tributáveis e R$ 102,94 referente a rendimentos tributáveis exclusivamente na fonte – 13º salário). O comprovante de rendimentos, referente ao anocalendário de 2003, emitido pela PREVHAB ASSOCIAÇÃO DE PREVIDÊNCIA DOS EMPREGADOS DO BNH, à fl. 12, informa rendimentos tributáveis da PREVHAB de R$ 37.358,34 e rendimentos tributáveis do INSS de R$ 11.790,47, perfazendo, portanto, o montante de R$ 49.148,81 de rendimentos tributáveis, consoante consignado em DIRF. Nas “INFORMAÇÕES COMPLEMENTARES” do referido comprovante de rendimentos, ainda, consta: 1) Contribuinte com exigibilidade suspensa(IRF DEP.JUDICIAL) Num. Proc = 2003.51.01.0169737; Vara= 21!; Seção= RJ Os rendimentos seguintes estão informados nas linhas: RENDIMENTOS TRIBUTÁVEISPREVHAB e/ou TRIBUTAÇÃO EXCLUSIVA(I.R. FONTE) "Parcela com exigibilidade suspensa:R$13.962,07 Depósito Judicial R$453,66. Resta claro, pelo que foi exposto, que a parcela com exigibilidade suspensa de R$13.962,07 está incluída no valor dos rendimentos tributáveis da PREVHAB de R$ 37.358,34, e que o valor dos rendimentos tributáveis recebidos pelo contribuinte, no ano calendário de 2003, corresponde ao montante de R$ 49.148,81. Fl. 52DF CARF MF Impresso em 30/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2012 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 23/10/201 2 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 25/10/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALH AES Processo nº 10070.000410/200765 Acórdão n.º 2801002.740 S2TE01 Fl. 53 4 Assim, considerando que o contribuinte declarou rendimentos tributáveis, no montante de 35.186,74, sendo R$ 23.396,27 da fonte pagadora PREVHAB e R$ 11.790,47 da fonte pagadora INSS, concluise que foi omitida a parcela de R$ R$13.962,07 dos rendimentos tributáveis recebidos da PREVHAB, e não o valor de R$ R$ 25.752,54 constatado pela autoridade lançadora. Por conseguinte, deve ser cancelado o lançamento da parcela de R$ 11.790,47. Quanto ao pagamento efetuado mediante o DARF de fl. 47, que segundo o contribuinte foi preenchido erroneamente, é de se esclarecer que discrepâncias na alocação do pagamento aos débitos correspondentes ou erros materiais no preenchimento do DARF são questões a serem tratadas pela autoridade responsável pela cobrança do crédito tributário, não podendo ser solucionadas no âmbito do contencioso administrativo. De qualquer forma, eventuais recolhimentos efetivamente realizados poderão ser aproveitados por ocasião da execução deste acórdão. Diante do exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso, para excluir da base da cálculo do lançamento a parcela de R$ 11.790,47 referente à omissão de rendimentos. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Fl. 53DF CARF MF Impresso em 30/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2012 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 23/10/201 2 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 25/10/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALH AES
score : 1.0
Numero do processo: 10510.903631/2009-22
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 04 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Dec 19 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 18/05/2006
PRECLUSÃO DA DEFESA. RECURSO INTEMPESTIVO. DEFESA NÃO CONHECIDA.
Segundo o Decreto nº 70.235/72, o contribuinte deve protocolar sua defesa no prazo de 30 (trinta) dias contados da data da ciência do acórdão. Corrido esse prazo, precluso está o direito do contribuinte de se defender na esfera administrativa.
Numero da decisão: 1802-001.468
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NÃO CONHECER do recurso nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Gustavo Junqueira Carneiro Leão - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Marco Antonio Nunes Castilho, Marciel Eder Costa, José de Oliveira Ferraz Correa, Nelso Kichel.
Nome do relator: GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO
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RECURSO INTEMPESTIVO. DEFESA NÃO CONHECIDA. Segundo o Decreto nº 70.235/72, o contribuinte deve protocolar sua defesa no prazo de 30 (trinta) dias contados da data da ciência do acórdão. Corrido esse prazo, precluso está o direito do contribuinte de se defender na esfera administrativa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NÃO CONHECER do recurso nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) Gustavo Junqueira Carneiro Leão Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Marco Antonio Nunes Castilho, Marciel Eder Costa, José de Oliveira Ferraz Correa, Nelso Kichel. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 51 0. 90 36 31 /2 00 9- 22 Fl. 71DF CARF MF Impresso em 20/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 14/12/2012 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 10510.903631/200922 Acórdão n.º 1802001.468 S1TE02 Fl. 37 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Salvador (BA), que por unanimidade de votos julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela contribuinte. A interessada transmitiu o PER/DCOMP eletrônico (folhas 1 a 5), visando utilizar um crédito no valor original de R$ 7.032,42, código 6106, decorrente de pagamento supostamente indevido do Simples do Período de Apuração (PA) de 31/03/2002, para compensação de débito de mesma rubrica, referente ao PA de 30/04/2006. A DRF/Aracaju emitiu Despacho Decisório eletrônico, onde não homologou a compensação, argumentando que o pagamento já havia sido integralmente utilizado na quitação de débito da contribuinte, não restando assim crédito disponível para a desejada compensação (fl. 10). Irresignada, a contribuinte apresentou sua Manifestação de Inconformidade onde alegou que foi excluída do Simples no anocalendário 2002, ficando obrigada a apurar os impostos pelo lucro presumido, conforme Declaração de Imposto de Renda Pessoa Jurídica DIPJ entregue em 16/09/2003. Porém, como apresentara em 27/05/2003 a Declaração Simplificada DSPJ, "cancelada" em virtude da apresentação da DIPJ, houve erro nos sistemas da RFB ao continuar vinculando o DARF do crédito à declaração anterior. Ante o exposto, solicita a desvinculação do Simples pago, referente ao AC/2002, para que o PER/DCOMP acima mencionada seja homologada e suspenso o débito cobrado no referido despacho decisório, por ser improcedente. A DRJ de Salvador (BA) julgou improcedente a manifetação de inconformidade, consubstanciando sua decisão na seguinte ementa: “ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Data do fato gerador: 18/05/2006 COMPENSAÇÃO. Mantémse o despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte por inexistência de direito creditório, tendo em vista que o recolhimento alegado como origem do crédito estava integralmente alocado para a quitação de débito confessado. Manifestação de Inconformidade Improcedente Fl. 72DF CARF MF Impresso em 20/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 14/12/2012 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 10510.903631/200922 Acórdão n.º 1802001.468 S1TE02 Fl. 38 3 Direito Creditório Não Reconhecido” Inconformada com essa decisão, da qual tomou ciência em 10/06/2011 (sextafeira), a Contribuinte apresentou recurso voluntário em 14/07/2011, onde argumenta a existência de erros contábeis que não foram levados em conta pelo fiscal e ao fim requer a anulação do auto de infração. Este é o Relatório. Fl. 73DF CARF MF Impresso em 20/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 14/12/2012 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 10510.903631/200922 Acórdão n.º 1802001.468 S1TE02 Fl. 39 4 Voto Conselheiro Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Relator. O presente recurso é intempestivo, portanto dele não tomo conhecimento. Conforme podemos observar no AR acostado às fls. 33, a contribuinte tomou ciência do acórdão nº 1526.916, da 4ª Turma da DRJ/SDR, no dia 10 de junho de 2011, sexta feira. O Recurso Voluntário que chega a nossa apreciação foi protocolado no dia 14 de julho de 2011. Sendo de 30 (trinta) dias o prazo para a interposição do recurso voluntário, de acordo com o Decreto nº 70.235/72, art. 33, contados na forma do art. 5º do mesmo diploma legal, a contagem do prazo iniciouse no dia 13 de junho de 2011, tendo seu término ocorrido em 12 de julho de 2011. A entrega após essa data é considerada intempestiva, havendo portanto a preclusão do direito da contribuinte de se defender na esfera administrativa. “Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão.” xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx “Art. 5º Os prazos serão contínuos, excluindose na sua contagem o dia do início e incluindose o do vencimento. Parágrafo único. Os prazos só se iniciam ou vencem no dia de expediente normal no órgão em que corra o processo ou deva ser praticado o ato.” Diante do exposto, voto no sentido de NÃO CONHECER do recurso voluntário. (assinado digitalmente) Gustavo Junqueira Carneiro Leão Fl. 74DF CARF MF Impresso em 20/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 14/12/2012 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 10510.903631/200922 Acórdão n.º 1802001.468 S1TE02 Fl. 40 5 Fl. 75DF CARF MF Impresso em 20/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 14/12/2012 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA
score : 1.0
Numero do processo: 19515.005327/2009-42
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 20 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Feb 07 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 2301-000.325
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do(a) Relator(a).
Nome do relator: MAURO JOSE SILVA
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Numero do processo: 10920.001380/2009-18
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 25 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Feb 20 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 3401-000.557
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
RESOLVEM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência para aguardar decisão final no processo nº 10920.006841/2008-68, nos termos do voto do relator.
Júlio César Alves Ramos - Presidente
Emanuel Carlos Dantas de Assis - Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros Emanuel Carlos Dantas de Assis, Jean Cleuter Simões Mendonça, Odassi Guerzoni Filho, Ângela Sartori, Fernando Marques Cleto Duarte e Júlio César Alves Ramos.
Nome do relator: EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. RESOLVEM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência para aguardar decisão final no processo nº 10920.006841/2008-68, nos termos do voto do relator. Júlio César Alves Ramos - Presidente Emanuel Carlos Dantas de Assis - Relator Participaram do julgamento os Conselheiros Emanuel Carlos Dantas de Assis, Jean Cleuter Simões Mendonça, Odassi Guerzoni Filho, Ângela Sartori, Fernando Marques Cleto Duarte e Júlio César Alves Ramos.
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RESOLVEM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência para aguardar decisão final no processo nº 10920.006841/200868, nos termos do voto do relator. Júlio César Alves Ramos Presidente Emanuel Carlos Dantas de Assis Relator Participaram do julgamento os Conselheiros Emanuel Carlos Dantas de Assis, Jean Cleuter Simões Mendonça, Odassi Guerzoni Filho, Ângela Sartori, Fernando Marques Cleto Duarte e Júlio César Alves Ramos. Relatório Tratase de recurso voluntário contra decisão da 4ª Turma que manteve auto de infração da Cofins nãocumulativa no período de apuração janeiro de 2008. Conforme o RELATÓRIO DE ATIVIDADE FISCAL, a autuação tem origem na insuficiência de créditos da Contribuição no mês referido, conforme o Despacho Decisório que integra o Pedido de Ressarcimento e Declaração de Compensação (PER/DCOMP) que integra o processo nº 10920.006841/200868. No RELATÓRIO da autuação é transcrito o Despacho Decisório daquele processo, cujo item 2.4 informa o valor de R$ 11.296,30 como saldo devedor a pagar, que correspondente exatamente à Contribuição lançada de ofício (valor RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 20 .0 01 38 0/ 20 09 -1 8 Fl. 543DF CARF MF Impresso em 21/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/01/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 02/01/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 12/01/2013 por JULIO CESAR A LVES RAMOS Processo nº 10920.001380/200918 Resolução nº 3401000.557 S3C4T1 Fl. 540 2 principal), juntamente com a multa de ofício no percentual de 75% e os juros de mora respectivos. Na Impugnação a contribuinte alega, além de razões atinentes ao mérito, a nulidade do auto de infração por estar pendente decisão final naquele processo administrativo do ressarcimento. A DRJ manteve a autuação, observando que a redução do crédito disponível para desconto da Cofins nãocumulativa ocorreu “no âmbito do procedimento de análise de pedido de ressarcimento/compensação (processo nº 10920.006841/200868).” O Recurso Voluntário, tempestivo, a contribuinte insiste na improcedência da autuação, mencionando mais uma vez, ao argüir a nulidade da autuação de infração, aquele processo. Também requer a realização de prova pericial técnica e contábil. É o relatório, elaborado a partir do processo digitalizado. Voto Conselheiro Emanuel Carlos Dantas de Assis, Relator O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos legais exigidos pelo Processo Administrativo Fiscal, pelo que foi conhecido. Todavia, não se encontra em condições de ser julgado por depender do desfecho do Pedido de Ressarcimento e Declaração de Compensação (PER/DCOMP) que integram o processo nº 10920.006841/200868. Como relatado, a presente autuação devese à insuficiência de créditos da nãocumulatividade apurada naquele, sendo que o valor principal da Contribuição aqui lançada de ofício correspondente exatamente ao saldo devedor constante do Despacho Decisório utilizado no RELATÓRIO DE ATIVIDADE FISCAL deste. Por ser o crédito aqui alegado oriundo daquele pedido de ressarcimento, há necessidade de se aguardar a decisão final naquele. Conforme informações do site do CARF (consulta em 14/08/2012), aquele processo onde se discute o ressarcimento e compensação encontrase no CARF, sendo distribuído a esta Terceira Seção em 02/04/2012. Visando evitar decisões dissonantes, por prevenção aquele deve distribuído para mim, nos termos do § 7º do art. 49 do Anexo do Regimento Interno do CARF aprovado pela Portaria MF nº 256/20091. Pelo exposto, voto por converter o julgamento em diligência determinando que se aguarde a decisão final no processo 10920.006841/200868, que já se encontra nesta Terceira Seção do CARF desde 02/04/2012. Após, deve ser acostada ao presente decisão definitiva naquele processo, com retorno dos autos a este Colegiado para apreciação. 1 Art. 49. Os processos recebidos pelas Câmaras serão sorteados aos conselheiros. (...) § 7° Os processos que retornarem de diligência, os com embargos de declaração opostos e os conexos, decorrentes ou reflexos serão distribuídos ao mesmo relator, independentemente de sorteio, ressalvados os embargos de declaração opostos, em que o relator não mais pertença ao colegiado, que serão apreciados pela turma de origem, com designação de relator ad hoc. Fl. 544DF CARF MF Impresso em 21/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/01/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 02/01/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 12/01/2013 por JULIO CESAR A LVES RAMOS Processo nº 10920.001380/200918 Resolução nº 3401000.557 S3C4T1 Fl. 541 3 Emanuel Carlos Dantas de Assis Fl. 545DF CARF MF Impresso em 21/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/01/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 02/01/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 12/01/2013 por JULIO CESAR A LVES RAMOS
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Numero do processo: 13971.901608/2011-89
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 22 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Sep 03 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2004
PRELIMINAR DE NULIDADE. CERCEAMENTO DO DEREITO DE DEFESA. OMISSÃO DA DECISÃO RECORRIDA. ANÁLISE DE TODA A ARGUMENTAÇÃO. Não implica em cerceamento de defesa decisão que adota fundamentação suficiente para o deslinde da controvérsia, revelando-se desnecessário à instância de piso rebater cada um dos argumentos declinados pelo Recorrente. PEDIDO DE RESSARCIMENTO IPI. SALDO CREDOR ACUMULADO DE TRIMESTRES ANTERIORES. PEDIDO PRÓPRIO A partir de 01/01/1999, o pedido de ressarcimento ou compensação de IPI, efetuado por PER/DCOMP, deve ser requerido em relação aos créditos escriturados no trimestre referencia. O saldo credor passível de ressarcimento de cada trimestre calendário deve ser pleiteado em PER/DCOMP próprio. ART. 11 DA LEI N. 9779/99. SALDO CREDOR DE IPI. COMPENSAÇÃO E RESSARCIMENTO. O artigo 11 da Lei nº 9.779/99 preconiza seja compensado o saldo credor de IPI com débitos do imposto, admitindo o ressarcimento dos créditos que não puderem ser compensados com débitos do próprio imposto. O referido artigo determina ainda seja formalizado o pedido de ressarcimento em períodos trimestrais. RESSARCIMENTO. COMPENSAÇÕES SUCESSIVAS. MENOR SALDO CREDOR. Tendo o contribuinte formado saldo credor de IPI no intervalo de 2003 a 2006 e tendo registrado saldo devedor do imposto em alguns períodos, de modo a diminuir seu crédito, o saldo credor remanescente correspondente ao menor saldo credor do imposto verificado em sua escrita fiscal é o que deverá ser selecionado para ressarcimento, e não o saldo credor formado a cada trimestre-calendário. DESNECESSIDADE DE ANÁLISE DOS PERÍODOS ANTERIORES AO TRIMESTRE REFERENCIA, PARA QUE SEJA RECONHECIDO O DIREITO PLEITEADO. Os créditos de períodos anteriores não interferem na análise do direito creditório em exame, pois os trimestres-calendários são independentes e os créditos anteriores não maculam os créditos anteriores. Preliminar de nulidade da decisão de primeira instância por cerceamento do direito de defesa rejeitada. No mérito, recurso voluntário negado.
Numero da decisão: 3202-000.558
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar nulidade da decisão de primeira instância e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. Irene Souza da Trindade Torres - Presidente Gilberto de Castro Moreira Junior Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Irene Souza da Trindade Torres, Luis Eduardo Garrossino Barbieri, Charles Mayer de Castro Souza, Gilberto de Castro Moreira Junior, Rodrigo Cardozo Miranda e Octávio Carneiro Silva Corrêa.
Nome do relator: GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2004 PRELIMINAR DE NULIDADE. CERCEAMENTO DO DEREITO DE DEFESA. OMISSÃO DA DECISÃO RECORRIDA. ANÁLISE DE TODA A ARGUMENTAÇÃO. Não implica em cerceamento de defesa decisão que adota fundamentação suficiente para o deslinde da controvérsia, revelando-se desnecessário à instância de piso rebater cada um dos argumentos declinados pelo Recorrente. PEDIDO DE RESSARCIMENTO IPI. SALDO CREDOR ACUMULADO DE TRIMESTRES ANTERIORES. PEDIDO PRÓPRIO A partir de 01/01/1999, o pedido de ressarcimento ou compensação de IPI, efetuado por PER/DCOMP, deve ser requerido em relação aos créditos escriturados no trimestre referencia. O saldo credor passível de ressarcimento de cada trimestre calendário deve ser pleiteado em PER/DCOMP próprio. ART. 11 DA LEI N. 9779/99. SALDO CREDOR DE IPI. COMPENSAÇÃO E RESSARCIMENTO. O artigo 11 da Lei nº 9.779/99 preconiza seja compensado o saldo credor de IPI com débitos do imposto, admitindo o ressarcimento dos créditos que não puderem ser compensados com débitos do próprio imposto. O referido artigo determina ainda seja formalizado o pedido de ressarcimento em períodos trimestrais. RESSARCIMENTO. COMPENSAÇÕES SUCESSIVAS. MENOR SALDO CREDOR. Tendo o contribuinte formado saldo credor de IPI no intervalo de 2003 a 2006 e tendo registrado saldo devedor do imposto em alguns períodos, de modo a diminuir seu crédito, o saldo credor remanescente correspondente ao menor saldo credor do imposto verificado em sua escrita fiscal é o que deverá ser selecionado para ressarcimento, e não o saldo credor formado a cada trimestre-calendário. DESNECESSIDADE DE ANÁLISE DOS PERÍODOS ANTERIORES AO TRIMESTRE REFERENCIA, PARA QUE SEJA RECONHECIDO O DIREITO PLEITEADO. Os créditos de períodos anteriores não interferem na análise do direito creditório em exame, pois os trimestres-calendários são independentes e os créditos anteriores não maculam os créditos anteriores. Preliminar de nulidade da decisão de primeira instância por cerceamento do direito de defesa rejeitada. No mérito, recurso voluntário negado.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2004 PRELIMINAR DE NULIDADE. CERCEAMENTO DO DEREITO DE DEFESA. OMISSÃO DA DECISÃO RECORRIDA. ANÁLISE DE TODA A ARGUMENTAÇÃO. Não implica em cerceamento de defesa decisão que adota fundamentação suficiente para o deslinde da controvérsia, revelandose desnecessário à instância de piso rebater cada um dos argumentos declinados pelo Recorrente. PEDIDO DE RESSARCIMENTO IPI. SALDO CREDOR ACUMULADO DE TRIMESTRES ANTERIORES. PEDIDO PRÓPRIO A partir de 01/01/1999, o pedido de ressarcimento ou compensação de IPI, efetuado por PER/DCOMP, deve ser requerido em relação aos créditos escriturados no trimestre referencia. O saldo credor passível de ressarcimento de cada trimestre calendário deve ser pleiteado em PER/DCOMP próprio. ART. 11 DA LEI N. 9779/99. SALDO CREDOR DE IPI. COMPENSAÇÃO E RESSARCIMENTO. O artigo 11 da Lei nº 9.779/99 preconiza seja compensado o saldo credor de IPI com débitos do imposto, admitindo o ressarcimento dos créditos que não puderem ser compensados com débitos do próprio imposto. O referido artigo determina ainda seja formalizado o pedido de ressarcimento em períodos trimestrais. RESSARCIMENTO. COMPENSAÇÕES SUCESSIVAS. MENOR SALDO CREDOR. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 1. 90 16 08 /2 01 1- 89 Fl. 133DF CARF MF Impresso em 03/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2012 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIO, Assinado digitalmente e m 02/09/2012 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIO, Assinado digitalmente em 02/09/2012 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 13971.901608/201189 Acórdão n.º 3202000.558 S3C2T2 Fl. 134 2 Tendo o contribuinte formado saldo credor de IPI no intervalo de 2003 a 2006 e tendo registrado saldo devedor do imposto em alguns períodos, de modo a diminuir seu crédito, o saldo credor remanescente correspondente ao menor saldo credor do imposto verificado em sua escrita fiscal é o que deverá ser selecionado para ressarcimento, e não o saldo credor formado a cada trimestrecalendário. DESNECESSIDADE DE ANÁLISE DOS PERÍODOS ANTERIORES AO TRIMESTRE REFERENCIA, PARA QUE SEJA RECONHECIDO O DIREITO PLEITEADO. Os créditos de períodos anteriores não interferem na análise do direito creditório em exame, pois os trimestrescalendários são independentes e os créditos anteriores não maculam os créditos anteriores. Preliminar de nulidade da decisão de primeira instância por cerceamento do direito de defesa rejeitada. No mérito, recurso voluntário negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar nulidade da decisão de primeira instância e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. Irene Souza da Trindade Torres Presidente Gilberto de Castro Moreira Junior – Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Irene Souza da Trindade Torres, Luis Eduardo Garrossino Barbieri, Charles Mayer de Castro Souza, Gilberto de Castro Moreira Junior, Rodrigo Cardozo Miranda e Octávio Carneiro Silva Corrêa. Relatório Tratase de recurso voluntário (fls. 123 a 131) tempestivamente interposto contra decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto (DRJ/RPO), que julgou improcedente manifestação de inconformidade (fls. 2 a 5) manejada por BAUMGARTEN GRÁFICA LTDA, ora Recorrente. Para descrever os fatos, e também por economia processual, transcrevo o relatório constante do Acórdão citado, in verbis: Fl. 134DF CARF MF Impresso em 03/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2012 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIO, Assinado digitalmente e m 02/09/2012 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIO, Assinado digitalmente em 02/09/2012 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 13971.901608/201189 Acórdão n.º 3202000.558 S3C2T2 Fl. 135 3 “Tratase de Manifestação de Inconformidade apresentada por Baumgarten Gráfica Ltda, em nome do estabelecimentofilial CNPJ 82.637.109/000441, em contrariedade ao despacho decisório que reconheceu parcialmente o direito ao ressarcimento do crédito demonstrado no PER/DCOMP nº 17025.85901.111006.1.3.019977, relativo ao saldo credor de IPI apurado no 3º trimestre de 2004. O valor pleiteado do crédito foi de R$ 35.000,00 (trinta e cinco mil reais), sendo reconhecidos apenas R$ 17.551,32 (dezessete mil, quinhentos e cinquenta e um reais, trinta e dois centavos). Por conseqüência, a compensação declarada foi homologada parcialmente. De acordo com o despacho decisório, o valor pleiteado foi parcialmente reconhecido em razão da constatação de que o saldo credor passível de ressarcimento era menor e de que houve utilização, na escrita fiscal,de parte desse saldo em períodos subseqüentes ao trimestre de referência. A interessada foi regularmente cientificada da decisão em 14/04/2011. Não se conformando, apresentou manifestação de inconformidade em 16/05/2011, na qual aduz, em síntese, que: 1) Apurou saldos credores de IPI ao longo do período de 2003 a 2006, acumulando o montante de R$ 318.815,41. Em 13/06/2006, ingressou com vários pedidos de ressarcimento através do sistema PER/DCOMP, em face do qual realizou diversas compensações. 2) No final de maio de 2006, estornou, antecipada e indevidamente, o valor de R$ 200.000,00, informando, no PER/DCOMP, tratarse apenas de estorno de crédito, e não de estorno por ressarcimento. As cópias do Livro de Apuração do IPI do período confirmam tais informações. 3) O “Demonstrativo de Apuração do Saldo Credor Ressarcível” considerou isoladamente o crédito apurado no período indicado, ignorando completamente o fato de existir saldo credor remanescente de períodos anteriores. Na data em que as compensações foram realizadas, a empresa dispunha em sua conta gráfica de saldo credor de IPI suficiente para tanto. 4) Não se pode excluir do montante de crédito utilizado em compensação os saldos credores apurados em períodos anteriores e transferidos para os períodos subseqüentes, sob pena de acarretar o pagamento de encargos indevidos (considerando que as compensações realizadas não foram acatadas), quando a empresa detinha saldo credor suficiente em conta gráfica. 5) Enquanto não houver decisões definitivas em relação aos períodos anteriores, que acarretam conseqüências nos trimestres subseqüentes, não se pode acatar a decisão proferida. Ou seja, precisam ser definidos os créditos nos períodos anteriores para se saber qual o efetivo saldo credor que será Fl. 135DF CARF MF Impresso em 03/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2012 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIO, Assinado digitalmente e m 02/09/2012 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIO, Assinado digitalmente em 02/09/2012 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 13971.901608/201189 Acórdão n.º 3202000.558 S3C2T2 Fl. 136 4 transferido para o período seguinte(considerando que o crédito foi acumulado até o período de 06/2006). Ao final, requer: a) A reforma do despacho decisório para o deferimento do pedido de ressarcirnento inicialmente pleiteado. b) Quando menos, o cancelamento da exigência, com a reanálise do pedido após decisão em relação aos períodos anteriores. Ou, que sejam baixados os autos em diligência, com a suspensão do processo e da cobrança até que haja a definição do montante de crédito em relação aos períodos anteriores. c) Seja oportunizada a produção de provas complementares, se necessárias. d) Seja conhecida e provida a manifestação, cancelandose o despacho decisório e homologandose integralmente a compensação. É o relatório.” A 8ª Turma de Julgamento da DRJ/POR proferiu o acórdão n° 1436.075, de 13 de dezembro de 2011, julgando improcedente o pedido ora Recorrente. A ementa do julgado foi formulada nos seguintes termos: “ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2004 DILIGÊNCIA. NECESSIDADE. Os pedidos de diligência, quando o processo contém todos os elementos necessários para a formação da convicção do julgador, devem ser indeferidos. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/04/2003 a 30/06/2003 SALDO CREDOR DE IPI PASSÍVEL DE RESSARCIMENTO. PERIODICIDADE TRIMESTRAL. SALDO CREDOR ACUMULADO DE TRIMESTRES ANTERIORES. PEDIDO PRÓPRIO. O pedido de ressarcimento de IPI e/ou a compensação, efetuado por meio do PER/DCOMP, deve ser pleiteado em relação aos créditos escriturados no trimestre de referência. Somente é passível de ressarcimento o saldo credor composto pelos créditos escriturados no trimestre de referência. Ou seja, para cada trimestrecalendário, o saldo credor acumulado de trimestres anteriores não é passível de ressarcimento. Assim, o saldo credor passível de ressarcimento de cada trimestre deve ser pleiteado em PER/DCOMP próprio. Fl. 136DF CARF MF Impresso em 03/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2012 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIO, Assinado digitalmente e m 02/09/2012 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIO, Assinado digitalmente em 02/09/2012 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 13971.901608/201189 Acórdão n.º 3202000.558 S3C2T2 Fl. 137 5 ERRO DE PREENCHIMENTO DE DECLARAÇÃO. Constatado erro no preenchimento do PER/DCOMP, e restando comprovada a existência do crédito, reconhecese o correspondente direito creditório. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte” Inconformada com tal decisão, a Recorrente interpôs recurso voluntário com o objetivo de reformála, alegando, em breve síntese, o quanto segue: a) Em preliminar, alega cerceamento de defesa, por ter a decisão recorrida sido omissa ao deixar de analisar toda a argumentação exposta pela Recorrente. Entende que na ausência de decisão definitiva dos pedidos de ressarcimento precedentes, não poderia a autoridade tributária acatar o despacho decisório em apreço; b) No mérito, sustenta a Recorrente que cumulou os créditos e os solicitou dentro do prazo decadencial, afirmando que o procedimento adotado pela empresa em nada alterou o crédito a que faria jus, devendo prevalecer o princípio da verdade material, ainda que se entenda que o procedimento por ela adotado foi equivocado; c) Por fim, reclama o exame dos créditos de períodos anteriores para saber qual o efetivo saldo credor que será transferido para o seguinte. É o relatório. Voto Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Junior, Relator O recurso voluntário é tempestivo e preenche os pressupostos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. PRELIMINAR DE NULIDADE. Entende a Recorrente que a decisão recorrida incorreu em nulidade ao deixar de examinar toda a argumentação por ela exposta em sua manifestação de inconformidade, o que resultaria em cerceamento de defesa. Fl. 137DF CARF MF Impresso em 03/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2012 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIO, Assinado digitalmente e m 02/09/2012 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIO, Assinado digitalmente em 02/09/2012 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 13971.901608/201189 Acórdão n.º 3202000.558 S3C2T2 Fl. 138 6 Contudo, diversamente do que alega a Recorrente, não vislumbro como a decisão recorrida teria prejudicado sua defesa, pois a decisão a quo relata e contrapõe as razões pelas quais cada argumento da Recorrente não mereceu ser acolhido. É certo que a decisão recorrida poderia ter melhor discorrido sobre o motivo pelo qual o crédito pleiteado não foi acolhido, pois a questão posta nos autos reclama a análise de toda a apuração de IPI da Recorrente, e não apenas o saldo credor pleiteado apenas no 3º Trimestre de 2004, objeto do pedido de ressarcimento em pauta. Essa demonstração está plasmada na decisão a quo em tabelas (fls. 109111 e 29) que mostram a evolução do saldo credor do imposto, chegandose à conclusão de que o saldo passível de ressarcimento era o menor saldo credor dentre todos os períodos analisados. Outrossim, é bom remarcar que ao decidir sobre a necessidade de se rebater argumento a argumento do Recorrente, o Superior Tribunal de Justiça tem entendido que: AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO DE INSTRUMENTO AÇÃO DE INDENIZAÇÃO POR DANO MATERIAL FURTO DE VEÍCULO DECISÃO MONOCRÁTICA NEGANDO PROVIMENTO AO AGRAVO. INSURGÊNCIA DA RÉ. 1. Inexiste violação dos arts. 458 e 535 do CPC, porquanto clara e suficiente a fundamentação adotada pelo Tribunal de origem para o deslinde da controvérsia, revelandose desnecessário ao magistrado rebater cada um dos argumentos declinados pela parte. Nesse sentido: AgRg no Ag 1.402.701/RS, Rel. Ministro Luis Felipe Salomão, Quarta Turma, DJe 6.9.2011 e REsp 1.264.044/RS, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe 8.9.2011. (...) (STJ. Quarta Turma. Rel. Min. Marco Buzzi. AgRg no Ag nº 1.370.528/MT. DJe 10/08/2012) PROCESSUAL CIVIL E ADMINISTRATIVO. CONTRATO ADMINISTRATIVO. SENTENÇA EM CONSONÂNCIA COM O TEOR DO ART. 458, II, DO CPC. FUNDAMENTAÇÃO SUFICIENTE. NULIDADE AFASTADA. NECESSIDADE DE REEXAME DE MATÉRIA FÁTICA. SÚMULA 7/STJ. 1. Segundo entendimento consolidado nesta Corte Superior, não se exige que a decisão seja extensamente fundamentada, mas sim que o magistrado ou Tribunal demonstre as razões de seu convencimento, não se obrigando a aterse às alegações e argumentos deduzidos pelas partes, nem tampouco a responder detidamente cada tese ou dispositivo legal suscitado. (...) Fl. 138DF CARF MF Impresso em 03/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2012 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIO, Assinado digitalmente e m 02/09/2012 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIO, Assinado digitalmente em 02/09/2012 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 13971.901608/201189 Acórdão n.º 3202000.558 S3C2T2 Fl. 139 7 (STJ. Segunda Turma. Rel. Min. Campbell Marques. AgRg no AREsp nº 84.127/AC. DJe 09/08/2012) Com isso, absolutamente não se quer dizer que possam prosperar decisões omissas ou lacônicas, nem é isso o que está plasmado nas decisões do STJ. Apenas afastase a necessidade de se rebater argumento a argumento do Recorrente quando a decisão recorrida compõe a lide de modo suficiente e adequado, dispensandose esforço vão de se rebater todos os argumentos trazidos pela parte. Tais decisões, aliás, não são mais que a solução insculpida no próprio Código Processual Civil. Pois bem, tendo a decisão recorrida posto termo à lide de modo a evidenciar a razão pela qual manteve a homologação parcial ora impugnada e deixando a Recorrente de indicar o argumento que deixou de ser apreciado, vulnerando sua defesa, não vislumbro em que medida a defesa da Recorrente foi cerceada, portanto, rejeito a preliminar. Nos parágrafos seguintes, passo à análise da formação do saldo credor de IPI da Recorrente visàvis com os comandos que regem o ressarcimento do imposto. MÉRITO. A Lei nº 9.779, de 16 de janeiro de 1999 estatui que: “Art. 11. O saldo credor do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, acumulado em cada trimestrecalendário, decorrente de aquisição de matéria prima, produto intermediário e material de embalagem, aplicados na industrialização, inclusive de produto isento ou tributado à alíquota zero, que o contribuinte não puder compensar com o IPI devido na saída de outros produtos, poderá ser utilizado de conformidade com o disposto nos arts. 73 e 74 da Lei nº 9.430, de 1996, observadas normas expedidas pela Secretaria da Receita Federal SRF, do Ministério da Fazenda.” (g.n.) Da leitura do dispositivo surgem duas conclusões relevantes para o deslinde da controvérsia: (i) somente será passível de ressarcimento o saldo credor de IPI acumulado em cada trimestrecalendário e (ii) o saldo credor só será admitido se não puder ser compensado com o IPI devido na saída de outros produtos. Breve exame da norma já mostra que eventual pedido de restituição de IPI deve ser formalizado por trimestrecalendário, descartando pretensão de se recuperar o imposto em período maior que esse interstício. Em seguida, o comando normativo em apreço define que o saldo credor de IPI passível de ressarcimento é aquele que remanescer depois de descontadas as compensações Fl. 139DF CARF MF Impresso em 03/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2012 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIO, Assinado digitalmente e m 02/09/2012 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIO, Assinado digitalmente em 02/09/2012 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 13971.901608/201189 Acórdão n.º 3202000.558 S3C2T2 Fl. 140 8 do imposto, mesmo na saída de outros produtos, pois a Lei preconiza pela primazia de se utilizar o saldo credor de IPI para abater o próprio imposto, antes que possa ser usado para abater outro tributo. A tabela colacionada pela DRF às fls.29 (demonstrativo da apuração após o período do ressarcimento) demonstra a evolução do saldo credor de IPI da Recorrente de outubro de 2004, data do pedido em apreço, até o mês de maio de 2006, data em que o saldo credor foi utilizado para abater o IPI devido naquele mês. O acórdão recorrido reportase ao mesmo demonstrativo, parcialmente reproduzindoo às fls.119120, donde saca a conclusão de que o montante a ressarcir seria o menor saldo credor verificado no 3º Trimestre de 2004. Frente ao argumento de que não foi considerado o saldo credor do imposto de períodos pretéritos, digase que a Recorrente também não trouxe aos autos qualquer outro elemento que permitisse concluir que há saldo credor antes do PER em apreço. E ainda que o tivesse feito, acompanho o entendimento de que tal providência não teria interferido no quadro decisório dos autos. Isto porque, restou demonstrado (fls. 2829 e 119120) que o saldo credor noticiado no 3º Trimestre de 2004 foi compensado até esse período. A tabela retrocitada indica que ao longo dos anos de 2004 a 2006, a Recorrente ora apresentou sado credor, ora devedor. Quando devedor o saldo de IPI em determinado período, o imposto devido foi compensado com o saldo credor de período precedente. Dessa forma, o saldo exibido no PER, na importância de R$ 35 mil foi parcialmente compensado. Desse modo, demonstrandose que o saldo credor do 3º Trimestre de 2004 foi compensado nos períodos em que a Recorrente apresentou débitos maiores que seus créditos, o saldo credor que pode ser objeto de ressarcimento é o menor saldo credor compreendido entre outubro de 2004 (primeiro saldo noticiado) e maio de 2006 (período de apuração do débito). O menor saldo credor das apurações da Recorrente mantémse de outubro de 2004 a maio de 2006, no montante de R$ 30.062,13. Esse foi o valor parcialmente homologado na decisão recorrida e que reputo devido, pois o demonstrativo da apuração após o período de ressarcimento (fls.29) mostra que o saldo que a Recorrente diz fazer jus foise compensando com débitos do imposto, até o limite da importância parcialmente homologada. Simples exercício matemático bem ilustraria o que sucedeu. Fosse transposto o saldo credor da Recorrente num gráfico, a curva inicial indicaria o acumulo de créditos do imposto em dado período. Essa curva ascendente mostraria, portanto, o acumulo de créditos e formação de saldo credor (pico). Ocorre que num dado momento, a curva entra em declive, indicando que o saldo credor então acumulado foi sendo abatido do imposto devido em outros períodos. Há, portanto, decréscimo do saldo cuja causa é a compensação (vale). Isso indica que nesses períodos o contribuinte usou seu saldo credor para abater seus débitos de IPI. O menor saldo credor, portanto, seria saldo credor residual percebido após as compensações. E preferir as compensações de IPI com débitos do próprio imposto é um dos claros desígnios da Lei. Se após as compensações o saldo não puder ser utilizado, aí sim surge o pleno direito ao ressarcimento, pois conservando o contribuinte um direito creditório contra o Fl. 140DF CARF MF Impresso em 03/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2012 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIO, Assinado digitalmente e m 02/09/2012 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIO, Assinado digitalmente em 02/09/2012 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 13971.901608/201189 Acórdão n.º 3202000.558 S3C2T2 Fl. 141 9 Estado, impõese a compensação ou ressarcimento na forma do artigo 74 da Lei nº 9.430, de dezembro de 1996. Ainda tomandose por base o exemplo, porém, em cenário diverso, fosse formado o saldo credor apenas em escala ascendente, sem qualquer decréscimo, a conclusão seria de que há acumulo de créditos do imposto (naturalmente, se assegurada a manutenção do crédito), sem correspondente débito ou cujos débitos sejam menores que o crédito. Nessa hipótese, não há débito de IPI a ser abatido do crédito, restando, portanto, saldo credor de forma crescente e linear. Nessa hipótese, é o caso de o saldo credor de IPI ser ressarcido ou compensado com outros tributos, pois não pode ser abatido do próprio imposto, como exigido pela Lei. São esses os efeitos que se verificam na hipótese de ressarcimento de saldo credor de IPI, daí a negativa ao crédito, limitandoo ao menor saldo credor do período. Não tivesse compensado o saldo credor de IPI de um trimestrecalendário em outros trimestres, a Recorrente até poderia ressarcirse do imposto no montante pleiteado. Ocorre que o fato de ela ter apurado imposto a pagar a levaria ao pagamento do IPI quando havia saldo credor acumulado de outros períodos. Como visto, o comando legal preconiza pela compensação do imposto. Assim, embora fixe as apurações do ressarcimento em trimestrescalendário, nada prejudica seja o crédito de um trimestre aproveitado em outro, até mesmo porque a regra preconiza pela compensação do saldo credor do imposto com débitos do próprio imposto. Como estampado na regra, o ressarcimento é feito a cada trimestre. Todavia, o direito ao ressarcimento, só surge quando o saldo credor não pode ser abatido do próprio IPI. Logo, o saldo credor que faz jus a Recorrente, é o menor saldo credor que se verifique em ao longo de certo período (saldo remanescente, não compensado em outros períodos). Ora, se o direito ao ressarcimento só surge quando não há mais saldo credor a compensar, nada impede a regra determine seja o mesmo ressarcido ao contribuinte por certo interstício de tempo (o trimestre, no caso). Mas isso não leva a concluir que o saldo acumulado num trimestre deve ser ressarcido, gerando um ressarcimento a cada trimestre, quando a regra prestigia a compensação e quando se verifique saldo devedor de imposto no período. Sendo essa a verdade material que desponta das provas, não há falar em sua violação, como genericamente o faz a Recorrente em seu recurso. Superada a questão central da lide, quanto ao estorno de crédito praticado pela Recorrente, acompanho a decisão recorrida ao firmar o entendimento de que o mesmo não interferiu no quadro decisório que ensejou a homologação parcial do crédito. Vindo a ocorrer o estorno somente em 2006, não afetou o saldo credor ressarcível, que remonta o ano de 2004. Aliás, tratandose de estorno indevido, não vislumbro óbice para que não se retifique o erro. Fl. 141DF CARF MF Impresso em 03/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2012 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIO, Assinado digitalmente e m 02/09/2012 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIO, Assinado digitalmente em 02/09/2012 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 13971.901608/201189 Acórdão n.º 3202000.558 S3C2T2 Fl. 142 10 Face ao exposto, rejeito a preliminar de nulidade da decisão de primeira instância e, no merito, NEGO PROVIMENTO ao recurso voluntário, mantendo o acórdão recorrido por seus próprios fundamentos. Gilberto de Castro Moreira Junior Fl. 142DF CARF MF Impresso em 03/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2012 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIO, Assinado digitalmente e m 02/09/2012 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIO, Assinado digitalmente em 02/09/2012 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES
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Numero do processo: 13807.004238/2005-93
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Sep 24 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Jan 14 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 3201-000.345
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, Acordam os membros do colegiado, ACORDAM os membros da 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, converter o processo em diligência.
MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO - Presidente
LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES - Relator.
EDITADO EM: 27/11/2012
Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorin, Daniel Mariz Gudiño e Paulo Sérgio Celani, ausente justificadamente o conselheiro Marcelo Ribeiro Nogueira.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, Acordam os membros do colegiado, ACORDAM os membros da 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, converter o processo em diligência. MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO - Presidente LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES - Relator. EDITADO EM: 27/11/2012 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorin, Daniel Mariz Gudiño e Paulo Sérgio Celani, ausente justificadamente o conselheiro Marcelo Ribeiro Nogueira. http://decisoes-w.receita.fazenda/pesquisa.asp
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, Acordam os membros do colegiado, ACORDAM os membros da 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, converter o processo em diligência. MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO Presidente LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES Relator. EDITADO EM: 27/11/2012 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorin, Daniel Mariz Gudiño e Paulo Sérgio Celani, ausente justificadamente o conselheiro Marcelo Ribeiro Nogueira. http://decisoesw.receita.fazenda/pesquisa.asp Relatório Por bem descrever os fatos relativos ao contencioso, adoto o relato do órgão julgador de primeira instância até aquela fase: Tratase de Manifestação de Inconformidade interposta em face do Despacho Decisório, em que foi apreciado Pedido de Ressarcimento relativo a um crédito de PIS não cumulativo decorrente de operações RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 07 .0 04 23 8/ 20 05 -9 3 Fl. 154DF CARF MF Impresso em 14/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2012 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 04/01/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 27/11/2012 por LUCIANO LOPE S DE ALMEIDA MORAES Processo nº 13807.004238/200593 Resolução nº 3201000.345 S3C2T1 Fl. 137 2 de exportação no 1º trimestre de 2005. Originalmente a empresa ingressou com o pedido de ressarcimento no valor de R$ 205.429,80, conforme documentos de fls. 1 ao qual foram anexadas Declarações de Compensação em que o contribuinte pretende compensar débitos utilizando o crédito deste processo. O contribuinte baseou seu pleito no previsto no §2º do art. 6º da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003. Em 21/09/2007 a DRF de São José do Rio Preto, SP, foi notificada da decisão judicial exarada nos autos da Ação Cautelar nº 2007.61.00.0060715 que determinou a apreciação, com brevidade, dos pedidos de ressarcimentos feitos pela INDUSTRIAS REUNIDAS CMA LTDA. A fiscalização efetuou então os procedimentos fiscais com vistas a verificar a regularidade do valor pleiteado para ressarcimento. Em função de uma operação desencadeada pela Polícia Federal, denominada “Operação Grandes Lagos”, descobriuse que os principais fornecedores da INDUSTRIAS REUNIDAS CMA LTDA faziam parte de uma grande organização criminosa criada com o objetivo de fraudar a administração tributária cujo modus operandi é a interposição de pessoas físicas e jurídicas com o objetivo de eximir os titulares de fato do pagamento de tributos e contribuições sociais. Um dos fornecedores da CMA é uma empresa criada para vender notas fiscais “frias” a sonegadores. Outra é uma empresa “fantasma” criada com o único objetivo de vender notas fiscais “frias” para terceiros, com receita fictícia de R$172 milhões sem ter movimentado um centavo sequer em suas contas bancárias. Como essas e outras empresas do esquema estavam entre os fornecedores da CMA nos anoscalendários 2004 e 2005, foi necessário que a fiscalização fizesse uma análise minuciosa da contabilidade da empresa, da forma adotada para a apuração de seus lucros, assim como das declarações enviadas à Receita Federal do Brasil, o que envolveu, entre outros, a verificação da escrituração de seus livros comerciais. Após intimações parcialmente atendidas e verificações efetuadas, detalhadamente descritas na Informação Fiscal de fls. 29/40 e tendo em vista que a escrituração da CMA, relativamente aos anos calendários 2004 e 2005 continha evidentes indícios de fraudes e vícios, erros e deficiências que a tornaram imprestável para a apuração do lucro real e que, regularmente intimada, deixou de apresentar os livros auxiliares de sua escrituração referente ao mesmo período, a fiscalização decidiu arbitrar o seu lucro em cada um dos trimestres desses anoscalendários, de acordo com o disposto no RIR/99, art. 530 , II, b e III. O arbitramento do lucro da CMA nos períodos supracitados implicou na lavratura dos autos de infração de IRPJ, CSLL, PIS e Cofins, nos quais foram descritas de forma detalhada as irregularidades constatadas na contabilidade da CMA, bem como as fraudes por ela praticadas. Tendo em vista que nos trimestres dos anoscalendários 2004 e 2005 o lucro da CMA foi arbitrado de ofício, a base de cálculo do PIS e da Cofins foi também apurada de ofício, mensalmente, na sistemática Fl. 155DF CARF MF Impresso em 14/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2012 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 04/01/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 27/11/2012 por LUCIANO LOPE S DE ALMEIDA MORAES Processo nº 13807.004238/200593 Resolução nº 3201000.345 S3C2T1 Fl. 138 3 cumulativa, haja vista que a sistemática nãocumulativa dessas contribuições é exclusiva para contribuintes tributados com base no lucro real, conforme dispõe o art. 8º, II da Lei 10.637 de 2002 (PIS), e o art. 10, II, da Lei 10.833, de 2003 (Cofins). Assim sendo, tendo em vista a necessidade da apuração do PIS e da Cofins na sistemática cumulativa para as pessoas jurídicas tributadas pelo imposto de renda com base no lucro arbitrado, os pedidos de ressarcimento de créditos de PIS e Cofins não cumulativos foram indeferidos pelo Despacho Decisório de fls. 52/56 e as compensações não homologadas. Irresignada, a contribuinte interpôs manifestação de inconformidade às fls. 60/68, na qual alega, em síntese, que: A empresa ofereceu impugnação ao processo que contém os autos de infração resultantes do arbitramento do lucro e, não havendo decisão administrativa transitada em julgado a respeito do arbitramento, isso não pode ser utilizado pelo Fisco como escusa para negar ao contribuinte seu direito à compensação pretendida; A negativa da administração em reconhecer um direito creditício regularmente comprovado por um contribuinte por qualquer razão traz um abalo na confiança que este contribuinte depositou na administração, bem como um abalo na segurança jurídica em abstrato, nas relações entre contribuintes e Fazenda Pública; É cediço em nossa doutrina jurídica que o arbitramento não pode ter caráter de penalidade, mas tão somente como forma de aferição de lucros com o fim de definirse a base de cálculo do imposto perseguido. Não havendo caráter punitivo, este não pode ter o condão de interferir negativamente em um direito do contribuinte. Se há quantificação do valor devido, bem como do direito ao ressarcimento por créditos da mesma natureza, não se justifica a negativa oferecida; A compensação traduzse na concreção de um direito do contribuinte oponível ao Estado. Se há um crédito do contribuinte em relação ao Estado, este não pode, ao arbitrar o lucro da empresa ou sob qualquer outro pretexto, negarlhe a restituição; O crédito existe, portanto, o devedor, no caso a Fazenda, deve satisfazêlo sob pena de incorrer em apropriação indébita ou enriquecimento ilícito; O direito à compensação tem inegável fundamento na Constituição Federal. Isto quer dizer que nenhuma norma inferior pode, validamente, negar esse direito, seja por via oblíqua, tornando impraticável seu exercício; O crédito do contribuinte é parcela de seu patrimônio. É sua propriedade. Na medida em que não se admite a compensação de créditos do contribuinte com dívidas fiscais suas, está se admitindo verdadeiro confisco de seus créditos; Acerca da investigação criminal em andamento conhecida como “Operação Grandes Lagos”, a fiscalização tributária deve pautarse nas operações investigadas em cada auto, não podendo presumirse fraudes ou irregularidades pelo fato de haver uma investigação Fl. 156DF CARF MF Impresso em 14/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2012 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 04/01/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 27/11/2012 por LUCIANO LOPE S DE ALMEIDA MORAES Processo nº 13807.004238/200593 Resolução nº 3201000.345 S3C2T1 Fl. 139 4 criminal contra a autuada, quanto mais que não há condenação penal que pese contra a recorrente. Ao final, requereu que seja acolhida a presente manifestação de inconformidade reconhecendose o direito do contribuinte aos créditos pretendidos bem como homologando as compensações pleiteadas. Na decisão de primeira instância, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Ribeirão Preto/SP indeferiu o pleito da recorrente, conforme Decisão DRJ/RPO nº 32.825, de 10/03/2011: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2005 a 31/03/2005 Ementa: DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. O direito creditório só é passível de ser reconhecido se lastreado em documentação fiscal e contábil, demonstrada nos autos pelo contribuinte. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional. LUCRO ARBITRADO. IMPOSSIBILIDADE DE APURAÇÃO DO PIS E DA COFINS PELA SISTEMÁTICA NÃO CUMULATIVA. As pessoas jurídicas tributadas pelas regras do lucro arbitrado ficam impossibilitadas de apurar o PIS e a Cofins pelo regime da não cumulatividade, ficando sujeitas à apuração pela sistemática cumulativa. Manifestação de Inconformidade Improcedente Intimado da decisão, a recorrente interpõe recurso voluntário. É o relatório. Voto Conselheiro Luciano Lopes de Almeida Moraes O recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade. Como podemos observar do processo, este discute o direito ao crédito de PIS sobre operações de exportação. Como decidiu a decisão recorrida, o crédito foi negado porque, nos autos do processo n.º 16004.000029/200938, a contabilidade da empresa foi desconsiderada e seu lucro foi arbitrado, o que impediria o direito ao crédito daquela contribuição. Como o julgamento daquele outro processo administrativo impacta no julgamento deste, se faz necessária a juntada de cópia integral daquele, com a respectiva decisão final proferida. Fl. 157DF CARF MF Impresso em 14/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2012 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 04/01/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 27/11/2012 por LUCIANO LOPE S DE ALMEIDA MORAES Processo nº 13807.004238/200593 Resolução nº 3201000.345 S3C2T1 Fl. 140 5 Somente com estes documentos é possível julgar este processo. Diante do exposto, voto por baixar este processo em diligência para que a autoridade lançadora junte cópia integral do processo n.º16004.000029/200938. Realizada a diligência, deverá ser dado vista ao recorrente para se manifestar, querendo, pelo prazo de 30 dias. Após, devem ser encaminhados os autos para vista à PGFN da diligência realizada. Por fim, devem os autos retornar a este Conselheiro para julgamento. Sala de sessões, 24 de setembro de 2012. Luciano Lopes de Almeida Moraes Relator Fl. 158DF CARF MF Impresso em 14/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2012 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 04/01/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 27/11/2012 por LUCIANO LOPE S DE ALMEIDA MORAES
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Numero do processo: 13808.003332/2001-91
Turma: Quinta Câmara
Seção: Primeiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Tue Nov 06 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Fri Jan 11 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 1996
LUCRO REAL. CONTABILIDADE. AVALIAÇÃO DAS PROVAS. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. LIQUIDEZ E CERTEZA.
O lançamento tributário deve ser liquido e certo. Não se pode aceitar que a fase litigiosa se transforme num exercício continuado de identificação de erros e acertos nos cálculos da auditoria fiscal e do julgamento de primeiro grau. Conforme dispõe o artigo 112 do CTN, o lançamento requer prova segura da ocorrência do fato gerador do tributo. Tratando-se de atividade plenamente vinculada (Código Tributário Nacional, arts. 3o. e 142), cumpre à fiscalização realizar as inspeções necessárias para a obtenção dos elementos de convicção e certeza indispensáveis à constituição do crédito tributário.
Apesar das dificuldades relatadas e das incertezas decorrentes dos lançamentos contábeis da contribuinte, tendo os próprios lançamentos contábeis servido de base para apuração da glosa efetuada, é esta contabilidade que deverá servir para avaliação das provas apresentadas.
Numero da decisão: 1301-001.081
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator.
(documento assinado digitalmente)
Plínio Rodrigues Lima - Presidente.
(documento assinado digitalmente)
Paulo Jakson da Silva Lucas - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Plínio Rodrigues Lima, Valmir Sandri, Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Edwal Casoni de Paula Fernandes e Carlos Augusto de Andrade Jenier.
Nome do relator: PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS
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CONTABILIDADE. AVALIAÇÃO DAS PROVAS. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. LIQUIDEZ E CERTEZA. O lançamento tributário deve ser liquido e certo. Não se pode aceitar que a fase litigiosa se transforme num exercício continuado de identificação de erros e acertos nos cálculos da auditoria fiscal e do julgamento de primeiro grau. Conforme dispõe o artigo 112 do CTN, o lançamento requer prova segura da ocorrência do fato gerador do tributo. Tratandose de atividade plenamente vinculada (Código Tributário Nacional, arts. 3o. e 142), cumpre à fiscalização realizar as inspeções necessárias para a obtenção dos elementos de convicção e certeza indispensáveis à constituição do crédito tributário. Apesar das dificuldades relatadas e das incertezas decorrentes dos lançamentos contábeis da contribuinte, tendo os próprios lançamentos contábeis servido de base para apuração da glosa efetuada, é esta contabilidade que deverá servir para avaliação das provas apresentadas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator. (documento assinado digitalmente) Plínio Rodrigues Lima Presidente. (documento assinado digitalmente) Paulo Jakson da Silva Lucas Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 80 8. 00 33 32 /2 00 1- 91 Fl. 1630DF CARF MF Impresso em 15/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 19/ 12/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 21/12/2012 por PLINIO RODRIGUES LI MA 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Plínio Rodrigues Lima, Valmir Sandri, Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Edwal Casoni de Paula Fernandes e Carlos Augusto de Andrade Jenier. Fl. 1631DF CARF MF Impresso em 15/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 19/ 12/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 21/12/2012 por PLINIO RODRIGUES LI MA Processo nº 13808.003332/200191 Acórdão n.º 1301001.081 S1C3T1 Fl. 11 3 Relatório Trata a presente autuação do anocalendário de 1996, exigidos IRPJ e CSLL (lucro real anual) no montante de R$ 1.656.202,25, incluindo imposto, contribuição, multas de 75% e juros de mora calculados até 29/06/2001, em razão de contabilização e declaração de Compras em valor superior ao registrado no livro de Entradas, tendo sido apurada a diferença de R$ 1.932.526,76 entre a escrituração fiscal e a contábil (fls. 6 a 141). A empresa apresentou impugnação, em 09/08/2001 (fl. 143), alegando que a fiscalização confrontou o "valor de compras e o Somatório dos Códigos Fiscais de Operação CFOP's 1.12 e 2.12 do Livro de registro de Entradas", mas deixou de considerar "a soma das BONIFICAÇÕES (CF0Ps 1.99 e 2.99), no montante de Compras no Exercício de 1.996, como também, não considerou os ajustes e estornos feitos nos Livros de Entrada, conforme documentação arquivada nos autos" (sic). Acosta demonstrativos dos cálculos de cada depósito, por mês, com cópias de partes da escrituração fiscal, de partes de "extrato" correspondente ao razão contábil e de notas fiscais das bonificações (fls. 172 a 1059). A autoridade julgadora de primeira instância (DRJ/SPOI) por meio do Acórdão 1610.765, de 22/09/2006 (fls. 1.087 e s.s.), decidiu a matéria considerando procedente o lançamento, tendo sido lavrada a seguinte ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica/IRPJ Anocalendário: 1996 Ementa: MAJORAÇÃO DAS COMPRAS. CUSTO DAS MERCADORIAS VENDIDAS/CMV. BONIFICAÇÕES. ESTORNOS. AJUSTES. A contabilização e a declaração de Compras em valor superior ao registrado no livro de Entradas configura majoração indevida das Compras e, portanto, do CMV, visto que as mercadorias recebidas a titulo de bonificações não podem ser contabilizadas como se tivessem tido algum custo efetivo e que os estornos e os outros ajustes devem ser demonstrados, tanto na escrituração fiscal como na contábil, para justificar suas exclusões do valor tributável. AUTO REFLEXO. CSLL. 0 voto referente ao IRPJ refletese na CSLL. É o relatório do essencial a decidir. Passo ao voto. Fl. 1632DF CARF MF Impresso em 15/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 19/ 12/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 21/12/2012 por PLINIO RODRIGUES LI MA 4 Voto Conselheiro Paulo Jakson da Silva Lucas O recurso voluntário é tempestivo e assente em lei. Dele conheço. A peça recursal repisa com algumas variações as argumentações iniciais, das quais transcrevo alguns excertos. “A Recorrente buscou demonstrar a improcedência do lançamento pela apresentação de farta prova documental, cuja análise indica de forma suficientemente clara que a diferença de R$ 1.932.526,76 entre compras registradas e compras declaradas é fruto da desconsideração, pelos agentes fiscais, das mercadorias recebidas pela empresa a titulo de bonificação, indicadas no livro de entrada pelos CF0Ps n° 1.99 e 2.99. Nesse sentido, as autoridades julgadoras de primeira instância mantiveram integralmente o Auto de Infração, por considerarem, grosso modo, que os valores representativos das bonificações recebidas pela empresa não poderiam ser lançados em conta de estoque, porquanto seu custo de aquisição critério imposto para avaliação dos elementos do ativo circulante — equivaleria a zero. A metodologia observada pela fiscalização para consolidar o lançamento foi imprópria, haja vista que eventual conclusão acerca da redução do lucro tributável no período deveria, necessariamente, ser precedida da análise dos valores representativos das bonificações que foram efetivamente baixados como custo no anocalendário de 1996; e (ii) a contabilização das bonificações como custo de aquisição de mercadorias para revenda não trouxe qualquer prejuízo ao Fisco, uma vez que teve como contrapartida lançamento a crédito em conta de receita. Assim, a suposta redução do lucro tributável pelo aumento do custo de aquisição teve seus efeitos fiscais anulados pelo oferecimento à tributação das receitas decorrentes do recebimento de bonificações.” Por pertinente, vejamos trechos do TVF: “No exercício das funções de Auditor Fiscal da Receita Federal (...) verificamos que a fiscalizada, na determinação dos custos das mercadorias vendidas, super avaliou o montante das compras com os valores lançados na contabilidade em comparação com os valores lançados no livro de registro de entradas, conforme tabela em anexo que passa a fazer parte integrante do presente termo. (...). Em função da diferença acima apurada ficou alterado para maior o custo das mercadorias vendidas implicando em redução indevida do lucro liquido do exercício no mesmo montante. (...). A diferença de R$ 1.932.526,76 será adicionada ao lucro liquido do exercício na determinação do lucro real, conforme disposto no art. 249 do RIR/99, e será tributada de acordo com o disposto no art. 289 do mesmo Regulamento." A metodologia fiscal limitouse, portanto, à mera valoração das compras realizadas no período, a partir do que concluíram os agentes fazendários que o Fl. 1633DF CARF MF Impresso em 15/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 19/ 12/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 21/12/2012 por PLINIO RODRIGUES LI MA Processo nº 13808.003332/200191 Acórdão n.º 1301001.081 S1C3T1 Fl. 12 5 resultado do exercício teria sido indevidamente reduzido, sem, contudo, adotarem procedimento algum tendente à verificação da parcela de estoque superavaliado efetivamente computada na apuração do lucro liquido do ano calendário de 1996. É exatamente essa a falha no critério eleito pela fiscalização que inviabiliza a exigência de todo o valor constituído no presente Auto de Infração. (...) Não por outro motivo, a indicação de estoque superavaliado não permite, a principio, que se conclua pela redução do lucro tributável no período. A bem da verdade, essa redução só se verifica quando a venda da mercadoria for concretizada, momento em que o contribuinte procede a baixa de seu estoque, lançando, em contrapartida, o custo da mercadoria vendida a resultado. A redução do lucro tributável pelo aumento do custo de aquisição de mercadoria é compensado, na mesma proporção, pelo registro da parcela de bonificação em conta de receita. Ou seja, as contas de resultado são afetadas por lançamentos a débito (custo de mercadoria vendida) e a crédito (receita de bonificação) de idêntico valor, sendo, portanto, nulo o efeito fiscal verificado. Aliás, esclareçase que os valores relativos às bonificações lançados como receitas foram efetivamente tributados pelo IRPJ e pela CSLL, na medida em que, de acordo com o que se verifica da Ficha 07 da DIRPJ, ¡untada as fls. 39 dos autos, as únicas exclusões verificadas no período para apuração do Lucro Real referemse à diferença de correção monetária IPC/BTNF, que em nada se relacionam com o caso em questão.” Os autos do presente processo veio a julgamento nesta Corte Administrativa ocasião em que a Quinta Câmara do Egrégio Primeiro Conselho de Contribuintes, sob a relatoria do Conselheiro Marcos Rodrigues de Mello, analisando a impugnação e a vista dos documentos apresentados (cópia da conta "bonificações e amostras" do seu livro Razão relativas ao mês de março, que revelam o procedimento contábil adotado pela empresa), decidiu converter o julgamento em diligencia para que a autoridade lançadora traga aos autos o livro razão dos demais meses do ano calendário e se manifeste sobre a contabilização das bonificações e a interferência no resultado do exercício (Resolução 1051.453, de 04/02/2009, às fls.1224). Encontrase às fls. 1.545 dos autos “Relatório de Encerramento de Diligencia Fiscal”, do qual, por pertinente ao deslinde da matéria, transcrevo suas conclusões: Considerando a enormidade do Livro Razão dispensei a apresentação do todo solicitado na primeira intimação; bem como tendo em vista a falta dos lançamentos detalhados acima, por TERMO DE INTIMAÇÃO FISCAL — 2, abri novo prazo para a autuada apresentar: “• Cópia do livro razão completo, todos os meses do ano em apreço, das contas com a classificação contábil: 115010002 MERCADORIAS ADQUIRIDAS e 344020006 BONIFICAÇÕES E AMOSTRAS GRATIS; Fl. 1634DF CARF MF Impresso em 15/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 19/ 12/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 21/12/2012 por PLINIO RODRIGUES LI MA 6 • Colocar A disposição todos os livros de entradas de mercadorias correspondentes ao ano acima reportado; ou seja, dos locais em que adentram mercadorias para revenda na empresa; • Outras solicitações, se necessárias, serão requeridas no transcorrer do trabalho; Toda e quaisquer dúvidas, informações ou esclarecimentos, devem ser prestadas/solicitadas sempre por escrito em papel timbrado da empresa ". Resposta: “3. Nossa solicitação com relação à conta 115010002 — Mercadorias Adquiridas, do grupo 115010000 — Mercadorias para Revenda, na qual temos movimento até o mês d junho/1996, prendese ao aspecto do controle dos estoques. A partir do mês julho/1996, a empresa passou a utilizar a conta: 115010001 do mesmo grupo. Encaminho em anexo o movimento anual de ambas para eventualmente, caso seja necessário alguma classe de informação quanto ao movimento de mercadorias na empresa. 4. Com relação a conta: 344020006 — Bonificações e Amostras Grátis, do grupo: 344020000 — Outras Receitas Operacionais, encaminho razão anual da mesma acompanhado de planilha na qual procedi a levantamento das contrapartidas a débito existentes na conta. Entendo que a planilha substitui os lançamentos contábeis e é explicativa. 5. Para complemento e confronto com o item acima, encaminho planilhas elaboradas pela empresa, mês a mês, nas quais podemos observar o montante (total) das mercadorias enviadas para estoque; o pagamento aos fornecedores e os totais apropriados de bonificações e amostras grátis. Acompanha movimento consolidado anual.” 1. Por derradeiro dou ciência da tentativa de conciliar as planilhas. Baldados foram nossos esforços, pois na contabilidade da empresa ocorrem meses em que a contabilidade apresenta lançamentos não acusados pela empresa nas planilhas e vice versa em outros, isto pode ser observado do confronto entre os anexos. 2. Se me for permitido opinar no tocante a forma de apropriação das bonificações nos estoques, entendo, s.m.j, que a despeito dos lançamentos efetuados na conta outras receitas operacionais, ocorre na apropriação do estoque final mês a mês, com relação ao valor da mercadoria bonificada não às quantidades, distorção do item já que está gravado com valor indevido. Assim colocado, considerando, ter atendido a solicitação do eminente Relator da Quinta Câmara do Egrégio Primeiro Conselho de Contribuintes; por termo próprio abro prazo à empresa para conhecimento do que neste consta, fornecendo no ato cópia de inteiro teor deste relatório, reiterando que dentro do prazo estipulado, fica aberta à mesma a possibilidade de apresentar novas ponderações tão somente com relação ao exposto, se entender pertinente, sempre por escrito, para posterior prosseguimento. É o que submeto à consideração superior. Entendo, que a diligencia conforme proposta não foi atendida em seu inteiro teor. Fica claro que a principal lide discutida no presente processo diz respeito a diferença de valores da “Conta Compras”, no montante de R$ 1.932.526,76, registrado a maior na contabilidade (Livro Diário) em confronto com o Livro Registro de Entradas. Fl. 1635DF CARF MF Impresso em 15/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 19/ 12/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 21/12/2012 por PLINIO RODRIGUES LI MA Processo nº 13808.003332/200191 Acórdão n.º 1301001.081 S1C3T1 Fl. 13 7 Vêse que a autoridade fiscal que procedeu a diligencia não cotejou os lançamentos contábeis (Livro Diário) com os lançamentos das bonificações descritas em planilhas elaboradas pela própria recorrente, deixando, desta maneira, de se manifestar sobre a contabilização das bonificações e a interferência no resultado do exercício, itens solicitados na Resolução 1051.453. Fato este reconhecido até pela recorrente conforme constatase em suas razões alegadas após a diligência. A regra do processo administrativo fiscal é de que são conhecidos todos os documentos que instruíram a impugnação formalizada tempestivamente (arts. 14, 15 e 16, inc. III, do Decreto 70.235, de 1972), com alterações posteriores. A impugnação apresentada em primeira instancia administrativa sustenta que as bonificações, estornos e ajustes justificam as diferenças apuradas pela fiscalização. Colaciona provas de cada mês, por depósito, em planilhas e quadros na tentativa de provar que boa parte da diferença entre as compras registradas na escrituração fiscal e as contabilizadas e declaradas, para fins de apuração do CMV, prendese ao tratamento contábil dado pela impugnante às bonificações. O relatório e voto condutor de primeira instância após conceituar o termo “Bonificação” conclui que a base elementar de contabilização dos estoques é o seu custo efetivo. Aduz, mais: “que no caso de bonificação especificada em Nota Fiscal própria, sob o CFOP 1.99 ou 2.99, como é o caso em exame, que sempre representa parcela redutora do custo para o comprador, o registro contábil deve ser efetuado pelo custo efetivo das mercadorias adquiridas, ou seja, considerando como compra a mercadoria da Nota Fiscal de Venda e a da Nota Fiscal de Bonificação e rateando a bonificação obtida por todo o lote das mercadorias adquiridas, procedimento consentâneo com o principio contábil do custo como base do valor, visto que esse custo é o que foi efetivamente despendido para adquirir o lote das mercadorias. E se a Nota Fiscal de Bonificação for isolada, ou seja, se não houver o lote, simplesmente não deve ser contabilizada (qual seria a contrapartida?), pois o seu custo é zero. Em resumo: tratar bonificações recebidas a custo zero como se houvesse um custo efetivo é um procedimento contábil inaceitável, que poderia, todavia, ser remediado por meio das respectivas adições por ocasião da determinação do lucro real e da base de cálculo da CSLL. Não foi esse o procedimento adotado pela impugnante.” Contudo, alega a ora recorrente que contabiliza os valores das bonificações a debito da conta “Estoque” o que aumenta o seu custo e, a crédito em conta de “Resultado”sendo, por conseguinte, tributada pelo IRPJ e CSLL, resultado que de fato tornaria nulo o efeito fiscal dos valores referentes as “bonificações”. Insiste a recorrente: “Não por outro motivo, a indicação de estoque superavaliado não permite, a principio, que se conclua pela redução do lucro tributável no período. A bem da verdade, essa redução só se verifica quando a venda da mercadoria for concretizada, momento em que o contribuinte procede a baixa de seu estoque, lançando, em contrapartida, o custo da mercadoria vendida a resultado.” Fl. 1636DF CARF MF Impresso em 15/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 19/ 12/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 21/12/2012 por PLINIO RODRIGUES LI MA 8 Pois bem, apesar da própria fiscalização reconhecer que as planilhas de contabilização elaboradas pela recorrente refletem as bonificações contabilizadas no respectivo Livro Diário não encontro nos autos o cotejo ou a confrontação relativas aos lançamentos efetuados mesmo que por amostragem. Melhor explicando, não foi realizada aferição dos lançamentos contábeis (nem mesma na diligencia determinada) em que a contribuinte alega a baixa do estoque lançando, em contrapartida, o custo da mercadoria vendida em conta de resultado, demonstrando por amostragem que tais lançamentos, não obstante possa ter havido impropriedade técnica na realização dos mesmos (lançamentos contábeis), o efeito fiscal foi nulo. E mais, os artigos 923, 924 e 925 do RIR/1999 estabelecem que a contabilidade faz prova em favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentação hábil, cabendo à autoridade administrativa a prova da inveracidade dos fatos registrados, salvo quando a lei atribua ao contribuinte a produção da prova daqueles: Art. 923. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais (Decreto Lei n 1.598, de 1977, art. 9o, § 1o.); Art. 924. Cabe à autoridade administrativa a prova da inveracidade dos fatos registrados com observância do disposto no artigo anterior (DecretoLei n 1.598, de 1977, art.9o., § 2o.) Art. 925. O disposto no artigo anterior não se aplica aos casos em que a lei, por disposição especial, atribua ao contribuinte o ônus da prova de fatos registrados na sua escrituração (Decreto Lei n 1.598, de 1977, art. 9o., § 3o.) Finalizando, entendo que a fase litigiosa não se presta a exercícios de identificação de erros e acertos nos cálculos da auditoria fiscal e do julgamento de primeiro grau, mesmo assim, constato dos lançamentos contábeis apresentados, por amostragem, a veracidade da nulidade dos efeitos fiscais da conta “Bonificações”. Por isso, dou provimento ao recurso para declarar insubsistente o lançamento. (documento assinado digitalmente) Paulo Jakson da Silva Lucas Relator Fl. 1637DF CARF MF Impresso em 15/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 19/ 12/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 21/12/2012 por PLINIO RODRIGUES LI MA
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Numero do processo: 10480.905172/2010-50
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 23 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Nov 27 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/02/2003 a 28/02/2003
COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO NÃO DEMONSTRADAS. IMPOSSIBILIDADE DE EXTINÇÃO DOS DÉBITOS PARA COM A FAZENDA PÚBLICA.
A compensação, hipótese expressa de extinção do crédito tributário (art. 156 do CTN), só poderá ser autorizada se os créditos do contribuinte em relação à Fazenda Pública, vencidos ou vincendos, se revestirem dos atributos de liquidez e certeza, a teor do disposto no caput do artigo 170 do CTN.
A não comprovação da certeza e da liquidez do crédito alegado impossibilita a extinção de débitos para com a Fazenda Pública mediante compensação.
Recurso a que se nega provimento.
Numero da decisão: 3802-001.349
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Regis Xavier Holanda - Presidente
(assinado digitalmente)
Francisco José Barroso Rios - Relator
EDITADO EM: 31/10/2012
Participaram, ainda, da presente sessão de julgamento, os conselheiros Cláudio Augusto Gonçalves Pereira e José Fernandes do Nascimento. Ausente, momentaneamente, o conselheiro Solon Sehn.
Nome do relator: FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS
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Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/02/2003 a 28/02/2003 COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO NÃO DEMONSTRADAS. IMPOSSIBILIDADE DE EXTINÇÃO DOS DÉBITOS PARA COM A FAZENDA PÚBLICA. A compensação, hipótese expressa de extinção do crédito tributário (art. 156 do CTN), só poderá ser autorizada se os créditos do contribuinte em relação à Fazenda Pública, vencidos ou vincendos, se revestirem dos atributos de liquidez e certeza, a teor do disposto no caput do artigo 170 do CTN. A não comprovação da certeza e da liquidez do crédito alegado impossibilita a extinção de débitos para com a Fazenda Pública mediante compensação. Recurso a que se nega provimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Regis Xavier Holanda Presidente (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios Relator EDITADO EM: 31/10/2012 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 48 0. 90 51 72 /2 01 0- 50 Fl. 81DF CARF MF Impresso em 27/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2012 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 06/ 11/2012 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 26/11/2012 por REGIS XAVIER HOLAND A 2 Participaram, ainda, da presente sessão de julgamento, os conselheiros Cláudio Augusto Gonçalves Pereira e José Fernandes do Nascimento. Ausente, momentaneamente, o conselheiro Solon Sehn. Relatório Este processo decorre da não homologação de compensação pleiteada por meio de PER/DCOMP (retificadora), uma vez que, para a quitação do débito apontado pela suplicante, não foi confirmado o direito creditório por esta alegado, relativamente à COFINS de fevereiro de 2003, no valor de R$ 390,83. Inconformada, a recorrente apresentou manifestação de inconformidade onde alegou que o direito creditório estaria demonstrado na DACON retificadora do período e que, por limitação técnica da Receita Federal, não procedera à correspondente retificação da DCTF. Tais argumentos, todavia, não foram acolhidos pela 2a Turma da DRJ Recife, a qual, por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade formalizada pela interessada, fundamentada, basicamente, na não comprovação do direito creditório alegado (vide fls. 63/69). A ciência da decisão de primeira instância ocorreu em 05/03/2012 (fls. 72). Inconformada, a autuada apresentou, em 21/03/2012, o recurso voluntário de fls. 75/78, onde alega que a receita apontada como “outras receitas” na DIPJ do anocalendário de 2004, trata se exclusivamente de receita financeira, não tendo o contribuinte, no período, nada faturado a título de resultado de sua atividade de prestação de serviços. Ressalta, ainda, que a análise da ficha 06A da DIPJ (que alega anexar) seria suficiente para se chegar à conclusão de que nada recebera pela prestação de serviços (linha 08), portanto, o faturamento e a receita bruta do período corresponderiam a zero. Por sua vez, a receita financeira, indicada na linha 24 da DIPJ, não entraria na composição da Receita Bruta. Defende que a Lei no 11.941/09, ao revogar expressamente o § 1o do art. 3o da Lei no 9.718/98, mudou o conceito anterior de receita bruta, deixando claro que esta corresponde ao faturamento. Assim, a receita financeira, mera compensação parcial do capital de giro no tempo, não poderia ser confundida com a “receita do faturamento”, a qual decorre principalmente das vendas e revendas de mercadorias e da prestação de serviços. Por todo o exposto, requer seja provido integralmente seu recurso. É o relatório. Voto Conselheiro Francisco José Barroso Rios O recurso há que ser conhecido por preencher os requisitos formais e materiais exigidos para a sua aceitação. Fl. 82DF CARF MF Impresso em 27/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2012 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 06/ 11/2012 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 26/11/2012 por REGIS XAVIER HOLAND A Processo nº 10480.905172/201050 Acórdão n.º 3802001.349 S3TE02 Fl. 82 3 A discussão diz respeito à existência ou não de direito creditório decorrente de alegado pagamento indevido da COFINS de competência de fevereiro de 2003 (regime cumulativo). É verdade que a Lei no 11.941, de 27/05/2009, em seu artigo 79, inciso XII, revogou expressamente o § 1o do artigo 3o da Lei no 9.718/98, que ampliara a base de cálculo do PIS e da COFINS. Este dispositivo, contudo, já fora declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal, ao entender que o alargamento do conceito de faturamento prescrito pela norma em evidência estava maculado por vício formal de constitucionalidade. Com a declaração de inconstitucionalidade do § 1o do artigo 3o da Lei no 9.718/98, o STF entendeu que o PIS e a COFINS somente poderiam incidir sobre as receitas operacionais das empresas, ou seja, aquelas ligadas às suas atividades principais. O alcance desse entendimento, em relação à COFINS regida pelo regime da nãocumulatividade, prevaleceu até a edição da Medida Provisória no 135, de 20/10/2003, posteriormente convertida na Lei no 10.833, de 29/12/2003, que trouxe nova ampliação da base de cálculo da contribuição, agora, sem o vício da inconstitucionalidade, dada a edição da EC no 20, de 15/12/1998. A ampliação da base de cálculo para as empresas submetidas ao novo regime edificado pela norma em evidência – da nãocumulatividade – passou a viger a partir de 1o de fevereiro de 2004. Portanto, referida ampliação da base de cálculo da COFINS, nos termos acima observados, não alcança o período cujo direito creditório é reclamado pela empresa (fevereiro de 2003). Consequentemente, considerando a natureza jurídica da reclamante – empresa de natureza comercial –, para o mês de fevereiro de 2003, a exigência da contribuição sobre receitas outras além das originadas da venda de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza, em tese, não é legítima. Abstraindose dessa questão, temse, contudo, que a recorrente não comprova o crédito tributário reclamado. A título comprobatório do direito, esta alega anexar a ficha 06A da DIPJ, a qual, segundo defende, seria suficiente para demonstrar que a base de cálculo da contribuição teria sido composta unicamente por receitas financeiras não integrantes da citada base de cálculo. Tal documento, contudo, não foi acostado aos autos e, ainda que o fosse, o mesmo, por si só, não seria suficiente para demonstrar o alegado equívoco e o consequente direito creditório que a suplicante alega fazer jus. Com efeito, a interessada não juntou ao processo nenhuma documentação contábil ou fiscal capaz de confirmar o direito reclamado. Constam dos autos unicamente as DACON original e retificadora, bem como a ficha 26A da DIPJ do período, documentos que são insuficientes para a comprovação do direito. Para tanto, deveria a suplicante, por exemplo, ter apresentado o Livro Razão acompanhado do Livro Diário com os lançamentos que alicerçassem as correções aduzidas como legítimas. Não custa lembrar que a compensação, como uma das formas de extinção do crédito tributário (art. 156 do CTN), só poderá ser autorizada se os créditos do contribuinte em relação à Fazenda Pública, vencidos ou vincendos, se revestirem dos atributos de liquidez e certeza, a teor do disposto no caput do artigo 170 do CTN. Assim, a certeza e a liquidez do direito creditório alegado deverá ser cabalmente demonstrada pela interessada na extinção do crédito tributário mediante Fl. 83DF CARF MF Impresso em 27/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2012 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 06/ 11/2012 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 26/11/2012 por REGIS XAVIER HOLAND A 4 compensação. A não comprovação da certeza e da liquidez dos referidos créditos não poderia redundar na extinção do débito para com a Fazenda Pública mediante compensação. Da Conclusão Por todo o exposto, voto para negar provimento ao recurso voluntário interposto pelo sujeito passivo. Sala de Sessões, em 23 de outubro de 2012. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios Relator Fl. 84DF CARF MF Impresso em 27/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2012 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 06/ 11/2012 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 26/11/2012 por REGIS XAVIER HOLAND A
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