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Numero do processo: 13973.720254/2011-53
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 16 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Apr 04 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2008
IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. AUTUAÇÃO POR DEDUÇÃO INDEVIDA DE DESPESAS COM DEPENDENTE
No caso de filhos de pais separados, poderão ser considerados dependentes os que ficarem sob a guarda do contribuinte, em cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2202-003.158
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Os Conselheiros MÁRCIO HENRIQUE SALES PARADA, EDUARDO DE OLIVEIRA, WILSON ANTÔNIO DE SOUZA CORRÊA (Suplente convocado) e MARCO AURÉLIO DE OLIVEIRA BARBOSA (Presidente) votaram pelas conclusões. O Conselheiro MÁRCIO HENRIQUE SALES PARADA apresentará declaração de voto.
Assinado digitalmente
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente.
Assinado digitalmente
Júnia Roberta Gouveia Sampaio - Relatora.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Junia Roberta Gouveia Sampaio, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Eduardo de Oliveira, José Alfredo Duarte Filho (Suplente Convocado), Martin da Silva Gesto, Wilson Antônio de Souza Corrêa (Suplente Convocado) e Márcio Henrique Sales Parada.
Nome do relator: JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO
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AUTUAÇÃO POR DEDUÇÃO INDEVIDA DE DESPESAS COM DEPENDENTE No caso de filhos de pais separados, poderão ser considerados dependentes os que ficarem sob a guarda do contribuinte, em cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Os Conselheiros MÁRCIO HENRIQUE SALES PARADA, EDUARDO DE OLIVEIRA, WILSON ANTÔNIO DE SOUZA CORRÊA (Suplente convocado) e MARCO AURÉLIO DE OLIVEIRA BARBOSA (Presidente) votaram pelas conclusões. O Conselheiro MÁRCIO HENRIQUE SALES PARADA apresentará declaração de voto. Assinado digitalmente Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente. Assinado digitalmente Júnia Roberta Gouveia Sampaio Relatora. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Junia Roberta Gouveia Sampaio, Paulo Maurício Pinheiro AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 3. 72 02 54 /2 01 1- 53 Fl. 55DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 29 /03/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 31/03/2016 por JUNIA ROBERTA GOU VEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 2 Monteiro, Eduardo de Oliveira, José Alfredo Duarte Filho (Suplente Convocado), Martin da Silva Gesto, Wilson Antônio de Souza Corrêa (Suplente Convocado) e Márcio Henrique Sales Parada. Relatório Transcrevo, a seguir, o relatório elaborado pela Delegacia Regional de Julgamento de Curitiba DRJCTA: "1. Em decorrência de revisão da Declaração de Ajuste Anual (DAA) do exercício 2008, por meio da Notificação de Lançamento (NL) 2008/815004467014031 (fls.04/07), exigese do contribuinte crédito tributário no valor de R$ 10.030,75, sendo: R$ 5.121,39 de Imposto de Renda Pessoa Física Suplementar, R$ 3.841,04 de multa de ofício e R$ 1.068,32 de juros de mora, calculados até 30.04.2010. 2. Após regulamento intimado a apresentar decisão/acordo judicial ou escritura pública onde configurasse a sua obrigação de pagar pensão alimentícia, o contribuinte não o fez. 3. Em função disso, foi lavrada a NL supramencionada e realizada a intimação do contribuinte em 01.08.2011. 4. Inconformado com a exigência, em 22.08.2011, o contribuinte apresentou impugnação, alegando, em síntese, que efetivamente ocorreu o pagamento de R$ 21.296,12 em pensão alimentícia decidida mediante acordo judicial (documentos anexos), bem como pedindo a inclusão de dependente em sua Declaração do exercício sob exame. Ao analisar os documentos trazidos aos autos pelo contribuinte (fls.08/14 e 21/24), a DRJ constatou que, de fato, os valores por ele declarados como pagamento de pensão alimentícia à menor ANNA CAROLINA MORAIS DO SANTOS (CPF 050.474.32955)e ao menor BRENO RODRIGUES DOS SANTOS (na pessoa de sua mãe MARIACLEUSA RODRIGUES – CPF 036.151.92907) estavam embasados em decisão judicial (fls 09/11 e 22), justificando, assim, a dedução da base de cálculo do IRPF constante de DAA. Quanto ao pagamento declarado, também a título de pensão alimentícia, à Sra. DANIELI RIBEIRO DA SILVA, mãe da menor EMANUELLY RIBEIRO DOS SANTOS (filha do contribuinte, conforme doc. às fls. 14), não foi apresentado qualquer decisão judicial ordenando o pagamento de alimentos à menor ou à sua mãe e, em virtude disso, foi mantida a glosa da dedução. Diante desses fatos, a Delegacia Regional de Julgamento julgou parcialmente procedente a Impugnação, conforme ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2008 IMPUGNAÇÃO. ALEGAÇÃO. PROVA. DEMONSTRAÇÃO. Afastados os pressupostos de fato sobre os quais baseouse o lançamento, com a apresentação de provas inequívocas pelo contribuinte, devese corrigir o lançamento. IMPUGNAÇÃO. ALEGAÇÃO DESACOMPANHADA DE PROVA. Fl. 56DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 29 /03/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 31/03/2016 por JUNIA ROBERTA GOU VEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 13973.720254/201153 Acórdão n.º 2202003.158 S2C2T2 Fl. 56 3 INEFICÁCIA. Alegações desacompanhadas de elementos materiais de prova não produzem efeito em sede de processo administrativo fiscal, sendo insuficientes para elidir o lançamento de ofício. DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL. DEDUÇÕES. EXERCÍCIO FACULDADE. ALTERAÇÃO DE OFÍCIO. IMPOSSIBILIDADE. Não cabe ao Fisco registrar de ofício informações a serem prestadas de forma facultativa pelo contribuinte (Art. 832 do Decreto 3000/99). Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Cientificado, o contribuinte apresentou o Recurso Voluntário, no qual reconhece a falha na dedução da pensão alimentícia paga espontâneamente a Daniela Ribeiro da Silva. Alega, no entanto, que, quando da apresentação das justificativas/comprovantes, uma vez identificada a falha, tentou fazer retificação através do site da Receita, o que não foi possível. Diante desse fato, procotolou a petição de fls.13 na qual requer a exclusão dos valores pagos à título de pensão à mãe (Daniela Ribeiro da Silva) e a inclusão da dedução de Emanuely Ribeiro dos Santos (sua filha) como dependente. Às fls. 14 foi juntada certidão de de nascimento na qual o Recorrente consta como pai. É o relatório Voto Conselheira Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Relatora O recurso está dotado dos pressupostos legais de admissibilidade devendo, portanto, ser conhecido. Conforme se verifica pelo voto da decisão proferida pela DRJ, a controvérsia dos autos se limita à análise da possibilidade ou não de dedução das depesas com a dependente Emanuelly Ribeiro dos Santos, em razão do pedido de retificação formulado pelo Recorrente e constante às fls. 13. A DRJ negou o referido pedido por entender que a inclusão de dependente em Declaração é, nos termos do art. 77 do RIR, uma faculdade do contribuinte que pode ou não exercêla. Sendo assim, não cabe ao Fisco exercer tal faculdade em lugar do titular do direito. Além disso, entendeu a DRJ que, nos termos do art. 832 do RIR, a autoridade administrativa somente poderá autorizar a retificação da declaração de rendimentos quando restar comprovada a ocorrência de erro nas informações prestadas. Em primeiro lugar, ao contrário do afirmado pela DRJ, não se trata de revisão de ofício da declaração do contribuinte para permitir a dedução com a dependente. Em outras, palavras, não se trata de exercer a faculdade em lugar do titular do direito. A análise dos autos demonstra que, em 25/05/2011, o contribuinte solicitou a retificação das informações prestadas (fls 13). Foi juntada a essa petição a certidão de nascimento para demonstrar que faria juz a dedução dos gastos com dependente, ao contrário dos valores declarado como pagos à título de pensão alimentícia à mãe da sua filha. Fl. 57DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 29 /03/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 31/03/2016 por JUNIA ROBERTA GOU VEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 4 No entanto, entendo que, como se trata de pais separados, permanece a exigência de comprovação da guarda da filha por meio de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente. É o que dispõe o artigo 77, §4º, nestes termos: "Art.77. Na determinação da base de cálculo sujeita à incidência mensal do imposto, poderá ser deduzida do rendimento tributável a quantia equivalente a noventa reais por dependente §1º Poderão ser considerados como dependentes, observado o disposto nos arts. 4º, §3º e 5º, parágrafo único: I cônjuge; I companheiro ou a companheira, desde que haja vida em comum por mais de cinco anos, ou por período menor se da união resultou filho; IIIa filha, o filho, a enteada ou o enteado, até vinte e um anos, ou de qualquer idade quando incapacitado física ou mentalmente para o trabalho; IVo menor pobre, até vinte e um anos, que o contribuinte crie e eduque e do qual detenha a guarda judicial; Vo irmão, o neto ou o bisneto, sem arrimo dos pais, até vinte e um anos, desde que o contribuinte detenha a guarda judicial, ou de qualquer idade quando incapacitado física ou mentalmente para o trabalho; VIos pais, os avós ou os bisavós, desde que não aufiram rendimentos, tributáveis ou não, superiores ao limite de isenção mensal; VIIo absolutamente incapaz, do qual o contribuinte seja tutor ou curador. §2 Os dependentes a que referem os incisos III e V do parágrao anterior poderão ser assim considerados quando maiores até vinte e quatro anos de idade, se ainda estiverem cursando estabelecimento de ensino superior ou escola técnica de segundo grau ; §3 Os dependentes comuns poderão, opcionalmente, ser considerados por qualquer um dos cônjuges. §4 No caso de filhos de pais separados, poderão ser considerados dependentes os que ficarem sob a guarda do contribuinte, em cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente. §5 É vedada a dedução concomitante do montante referente a um mesmo dependente, na determinação da base de cálculo do imposto, por mais de um contribuinte. (grifamos) Dessa forma, ao contrário do alegado pelo Recorrente, não basta, no caso de pais separados, a demonstração do vínculo familiar de dependência sendo indispensável a comprovação da guarda, nos termos do artigo acima transcrito. Fl. 58DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 29 /03/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 31/03/2016 por JUNIA ROBERTA GOU VEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 13973.720254/201153 Acórdão n.º 2202003.158 S2C2T2 Fl. 57 5 Em face do exposto, nego provimento ao Recurso Voluntário. Assinado digitalmente Júnia Roberta Gouveia Sampaio Declaração de Voto Conselheiro Marcio Henrique Sales Parada, Na fl. 13, o contribuinte pede para excluir Daniela Ribeiro da Silva como recebedora de pensão e incluir Emanuelly Ribeiro dos Santos como dependente. A Delegacia da Receita Federal entendeu que não era caso de revisão de ofício, porque os documentos foram anexados aos autos após a lavratura da Notificação. Ao analisar a questão, verificando os "documentos trazidos aos autos pelo contribuinte (fls. 08/14 e 21/24)", a DRJ observou que de fato os valores por ele declarados como pagamento de pensão alimentícia à menor Anna Carolina Morais Do Santos (CPF 050.474.32955) e ao menor Breno Rodrigues Dos Santos (na pessoa de sua mãe Maria Cleusa Rodrigues – CPF 036.151.92907) "estão embasados em decisão judicial (fls 09/11 e 22), portanto, justificam a dedução da base de cálculo do IRPF constante de DAA". Ou seja, deu provimento parcial à Impugnação. Entretanto, quanto ao pagamento declarado, também a título de pensão alimentícia, à Sra. Danieli Ribeiro Da Silva, mãe da menor Emanuelly Ribeiro Dos Santos "(filha do contribuinte, conforme doc. às fls. 14), não foi apresentada qualquer decisão judicial ordenando o pagamento de alimentos à menor ou à sua mãe" e, em virtude disso, o Julgador de 1ª instância decidiu manter a glosa realizada de tal dedução. Ainda, a DRJ indeferiu que Emanuelly fosse incluída como dependente, o que fora pedido pelo contribuinte, porque entendeu que tal extrapolava os limites da lide, uma vez que não fora objeto de inclusão na declaração, uma faculdade do contribuinte, nem objeto de revisão fiscal. No meu entender, o Recurso de fl. 48 pede revisão de ofício. Não há litígio a ser resolvido por esta instância recursal, já que o contribuinte expressamente concorda com a glosa parcial mantida pela DRJ, uma vez que reconhece que, de fato, não possui decisão judicial ou acordo homologado judicialmente ou escritura pública determinando o pagamento da pensão (R$ 3.600,00) à sua filha Emanuelly. Incluíla como dependente extravasa a lide e é de competência da DRF, se for o caso. Na lição clássica de Carnelutti, para que haja lide ou litígio é necessário que ocorra “um conflito de interesses qualificado por uma pretensão resistida”, sendo a pretensão “a exigência de uma parte de subordinação de um interesse alheio a um interesse próprio” Fl. 59DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 29 /03/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 31/03/2016 por JUNIA ROBERTA GOU VEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 6 (Apud THEODORO JR. Humberto, Curso de Direito Processual Civil, 41 ed, Forense, Rio de Janeiro: 2004, p. 32). Assim, importante estudar os contornos da lide. Segundo Marcos Vinicius NEDER e Maria Teresa Martinez LOPÉZ: “Para a solução do litígio tributário deve o julgador delimitar, claramente, a controvérsia posta à sua apreciação, restringindo sua atuação apenas a um território contextualmente demarcado. Esses limites são fixados, por um lado, pela pretensão do Fisco e, por outro, pela resistência do contribuinte, expressos respectivamente pelo ato de lançamento e pela impugnação....(grifei) A lei processual estabelece regras que deverão presidir as relações entre os intervenientes na discussão tributária. A atuação dos órgãos administrativos de julgamento pressupõe a existência de interesses opostos, expressos de forma dialética....Na lição de Calamandrei, “o processo se desenvolve como uma luta de ações e reações, de ataques e defesas, na qual cada um dos sujeitos provoca, com a própria atividade, o movimento dos outros sujeitos, e espera,depois, deles um novo impulso....”Se no curso deste processo, constatarse a concordância de opiniões, devese por fim ao processo, já que o próprio objeto da discussão perdeu o sentido. Da mesma forma, não há o que julgar se o contribuinte não contesta a imposição tributária que lhe é imputada.(NEDER, Marcos Vinícius e LOPEZ, Maria Teresa Martinez. Processo Administrativo Fiscal Comentado. 2ª ed,. Dialética, São Paulo, 2004, p. 265/266) ...esclarece Alberto Xavier que “nos caos em que o ato do lançamento impugnável seja ‘cindível’, a impugnação pode ser apenas parcial, de tal modo que o impugnante poderá individualizar o objeto do processo, especificando as ‘questões ou pedidos parciais’ que pretende impugnar, ficando as demais, em virtude da renúncia á impugnação, sujeitas á preclusão”(XAVIER. Alberto. Do lançamento...2ª ed. Forense, São Paulo, 1997, p. 333, Apud NEDER e LOPÉZ, Op. Cit, p. 269) Não se pode transformar a lide tributária a ser julgada pelos órgãos administrativos competentes, em 1ª instância e grau recursal, em pedido de revisão de ofício para que seja retificada uma declaração que teria sido apresentada com erro pelo contribuinte, como o próprio assinala e pretende em seu recurso. Ressalvadas algumas matérias de ordem pública, a competência do julgador para a revisão do lançamento restringese à hipótese prevista no art. 145 do CTN, sendo a revisão de ofício de iniciativa exclusiva da RFB (art. 149 do CTN). Não obstante as lições processuais retro transcritas, conforme o Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal, aprovado pela Portaria MF nº 203, de 14 de maio de 2012, temos que: Das Competências das Unidades Descentralizadas Art. 224. Às Delegacias da Receita Federal do Brasil DRF, à Delegacia Especial da Receita Federal do Brasil de Pessoas Físicas Derpf, às Alfândegas da Receita Federal do Brasil ALF e às Inspetorias da Receita Federal do Brasil IRF de Classes “Especial A”, “Especial B” e “Especial C”, quanto aos Fl. 60DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 29 /03/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 31/03/2016 por JUNIA ROBERTA GOU VEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 13973.720254/201153 Acórdão n.º 2202003.158 S2C2T2 Fl. 58 7 tributos administrados pela RFB, inclusive os destinados a outras entidades e fundos, compete, no âmbito da respectiva jurisdição, no que couber, desenvolver as atividades de arrecadação, controle e recuperação do crédito tributário, de análise dos dados de arrecadação e acompanhamento dos maiores contribuintes, de atendimento e interação com o cidadão, de comunicação social, de fiscalização, de controle aduaneiro, de tecnologia e segurança da informação, de programação e logística, de gestão de pessoas, de planejamento, avaliação, organização, modernização, e, especificamente: (Redação dada pelo(a) Portaria MF nº 512, de 02 de outubro de 2013) ... XXII proceder à retificação de declarações aduaneiras, à revisão de ofício de lançamentos e de declarações apresentadas pelo sujeito passivo, e ao cancelamento ou reativação de declarações a pedido do sujeito passivo; (sublinhei/grifei) Dessa feita, acompanho a ilustre Relatora por negar provimento ao recurso, entretanto, por suas conclusões, já que registro outras razões para a negativa. Assinado digitalmente Marcio Henrique Sales Parada Fl. 61DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 29 /03/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 31/03/2016 por JUNIA ROBERTA GOU VEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA
score : 1.0
Numero do processo: 12259.000115/2008-17
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Feb 19 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Jun 15 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/10/2003 a 31/12/2005
CONTRIBUIÇÃO A CARGO DA EMPRESA A QUE SE REFERE O INCISO IV DO ARTIGO 22 DA LEI Nº 8.212. INCONSTITUCIONALIDADE. Conforme decisão definitiva do STF,em julgamento com repercussão geral reconhecida, é inconstitucional o inciso IV do artigo 22 da Lei nº 8.212, incluído pela Lei nº 9.876 de novembro de 1999.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2401-004.190
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário para, no mérito, dar provimento, em virtude do reconhecimento da inconstitucionalidade do inciso IV, do artigo 22, da lei 8.212/91 pelo Supremo Tribunal Federal.
André Luis Marsico Lombardi - Presidente
Luciana Matos Pereira Barbosa - Relatora
Participaram do presente julgamento os conselheiros: André Luis Marsico Lombardi, Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Arlindo da Costa e Silva, Theodoro Vicente Agostinho, Carlos Henrique de Oliveira, Luciana Matos Pereira Barbosa e Rayd Santana Ferreira.
Nome do relator: LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/10/2003 a 31/12/2005 CONTRIBUIÇÃO A CARGO DA EMPRESA A QUE SE REFERE O INCISO IV DO ARTIGO 22 DA LEI Nº 8.212. INCONSTITUCIONALIDADE. Conforme decisão definitiva do STF,em julgamento com repercussão geral reconhecida, é inconstitucional o inciso IV do artigo 22 da Lei nº 8.212, incluído pela Lei nº 9.876 de novembro de 1999. Recurso Voluntário Provido.
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INCONSTITUCIONALIDADE. Conforme decisão definitiva do STF,em julgamento com repercussão geral reconhecida, é inconstitucional o inciso IV do artigo 22 da Lei nº 8.212, incluído pela Lei nº 9.876 de novembro de 1999. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 25 9. 00 01 15 /2 00 8- 17 Fl. 903DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 0 5/05/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 19/05/2016 por ANDRE LUIS MARS ICO LOMBARDI 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário para, no mérito, dar provimento, em virtude do reconhecimento da inconstitucionalidade do inciso IV, do artigo 22, da lei 8.212/91 pelo Supremo Tribunal Federal. André Luis Marsico Lombardi Presidente Luciana Matos Pereira Barbosa Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: André Luis Marsico Lombardi, Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Arlindo da Costa e Silva, Theodoro Vicente Agostinho, Carlos Henrique de Oliveira, Luciana Matos Pereira Barbosa e Rayd Santana Ferreira. Fl. 904DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 0 5/05/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 19/05/2016 por ANDRE LUIS MARS ICO LOMBARDI Processo nº 12259.000115/200817 Acórdão n.º 2401004.190 S2C4T1 Fl. 3 3 Relatório Período de apuração: 01/10/2003 a 31/12/2005 Data de lavratura (NFLD): 21/12/2007 Data de ciência (NFLD): 21/12/2007 Tratase de Recurso Voluntário interposto em face de Decisão Administrativa de 1ª Instância proferida pela 11ª Turma de Julgamento da DRJ em Rio de Janeiro/RJ que julgou improcedente a impugnação oferecida pelo sujeito passivo do crédito tributário lançado por intermédio do AI DEBECAD n° 37.110.1360 – Obrigação Principal contribuição patronal de 15% destinada a previdência social, incidente sobre o valor bruto da nota fiscal, relativo aos serviços que lhe foram prestados por cooperados – Valor Total: R$ 552.162,81; Nos termos do Relatório Fiscal, o fato gerador ocorreu com a contratação de serviços prestados por cooperados, conforme previsão legal constante do artigo 22, inciso IV da Lei nº 8.212/91, acrescentado pela Lei nº 9.876/99. Inconformada com o supracitado lançamento tributário, a INTENSIVE CARE SERVIÇOS MEDICOS HOSPITALARES apresentou Impugnação a fls. 675/723. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento Rio de Janeiro/RJ lavrou Decisão Administrativa textualizada no Acórdão nº 1222.180 11ª Turma da DRJ/RJOI, às fls. 799/826, julgando procedente o lançamento e mantendo o crédito tributário em sua integralidade. O Recorrente foi cientificado da decisão de 1ª Instância no dia 07/05/2009, conforme Aviso de Recebimento às fls. 833. Inconformado com a decisão exarada pelo órgão julgador a quo, o ora Recorrente interpôs Recurso Voluntário a fls. 834/866, ratificando parte de suas alegações anteriormente expendidas e respaldando sua inconformidade em argumentação desenvolvida nos termos a seguir expostos: A nulidade de pleno direito da NFLD, uma vez que foi lavrada no dia 21/12/2007, quando a auditora somente tinha poderes por um mandado de execução que vigorou tãosomente até o dia 12/12/2007. A impossibilidade de Lei Ordinária revogar Lei Complementar recepcionada pelo Ordenamento jurídico. Da falta de previsão constitucional que admita como correta a instituição de uma nova contribuição por meio de uma lei ordinária. Da impossibilidade de incidência de contribuição social sobre serviços prestados por pessoas jurídicas – expressa violação ao artigo 195, I, “a” da Constituição Federal. Fl. 905DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 0 5/05/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 19/05/2016 por ANDRE LUIS MARS ICO LOMBARDI 4 Da imprescindibilidade de lei complementar para instituir novas bases de cálculo distintas das previstas no texto constitucional afronta aos artigos 195, § 4° c/c 154, 1 da Constituição Federal. Não há o que se falar em cobranças sobre pagamentos feitos a contribuintes individuais, já que estes, na verdade, são os próprios cooperativados. Enfim, repete os argumentos expendidos na Instância Regional para ao final requer o acatamento do recurso de modo a alterar a decisão recorrida, objeto do Acórdão 12 22.180, para fins de declaração da insubsistência da autuação com sua total improcedência. Após, sem contrarrazões da Procuradoria da Fazenda Nacional, subiram os autos a este Eg. Conselho. É o relatório. Fl. 906DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 0 5/05/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 19/05/2016 por ANDRE LUIS MARS ICO LOMBARDI Processo nº 12259.000115/200817 Acórdão n.º 2401004.190 S2C4T1 Fl. 4 5 Voto Conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa, Relatora 1. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 1.1. DA TEMPESTIVIDADE O Recorrente foi cientificado da r. decisão em debate no dia 07/05/2009, conforme AR juntado às fls. 833, e o presente Recurso Voluntário foi apresentado, TEMPESTIVAMENTE, no dia 27/05/2009, razão pela qual CONHEÇO DO RECURSO já que presentes os requisitos de admissibilidade. 3. DO MÉRITO Inicialmente, cumpre salientar que o fato gerador do presente processo se deu com base no inciso IV do artigo 22 da Lei nº 8.212/91. Recordese: “O contribuinte na condição empresa, está sendo notificado a recolher ao Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) a contribuição a cargo da empresa, devidas a Seguridade Social, conforme preceitua o artigo 22 da Lei 8212/91,correspondentes A 15% (quinze por cento) sobre o valor bruto da nota fiscal, da fatura ou do recibo de prestação de serviços, relativamente aos serviços que lhes são prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho, para os fatos geradores ocorridos a partir de 1 de março de 2000..” (Relatório fls. 54) Nesse interregno, em Sessão Plenária realizada no dia 23 de abril de 2014 o Tribunal Pleno do Supremo Tribunal Federal por unanimidade e nos termos do voto do Relator, deu provimento ao Recurso Extraordinário nº 595838, com Repercussão Geral reconhecida, e declarou a inconstitucionalidade do inciso IV do artigo 22 da Lei nº 8.212 de 1991. Confirase: “Recurso extraordinário. Tributário. Contribuição Previdenciária. Artigo 22, inciso IV, da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99. Sujeição passiva. Empresas tomadoras de serviços. Prestação de serviços de cooperados por meio de cooperativas de Trabalho. Base de cálculo. Valor Bruto da nota fiscal ou fatura. Tributação do faturamento. Bis in idem. Nova fonte de custeio. Artigo 195, § 4º, CF. 1. O fato gerador que origina a obrigação de recolher a contribuição previdenciária, na forma do art. 22, inciso IV da Lei nº 8.212/91, na redação da Lei 9.876/99, não se origina nas remunerações pagas ou creditadas ao cooperado, mas na relação contratual estabelecida entre a pessoa jurídica da cooperativa e a do contratante de seus serviços. 2. A empresa tomadora dos serviços não opera como fonte somente para fins de retenção. A Fl. 907DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 0 5/05/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 19/05/2016 por ANDRE LUIS MARS ICO LOMBARDI 6 empresa ou entidade a ela equiparada é o próprio sujeito passivo da relação tributária, logo, típico “contribuinte” da contribuição. 3. Os pagamentos efetuados por terceiros às cooperativas de trabalho, em face de serviços prestados por seus cooperados, não se confundem com os valores efetivamente pagos ou creditados aos cooperados. 4. O art. 22, IV da Lei nº 8.212/91, com a redação da Lei nº 9.876/99, ao instituir contribuição previdenciária incidente sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura, extrapolou a norma do art. 195, inciso I, a, da Constituição, descaracterizando a contribuição hipoteticamente incidente sobre os rendimentos do trabalho dos cooperados, tributando o faturamento da cooperativa, com evidente bis in idem. Representa, assim, nova fonte de custeio, a qual somente poderia ser instituída por lei complementar, com base no art. 195, § 4º com a remissão feita ao art. 154, I, da Constituição. 5. Recurso extraordinário provido para declarar a inconstitucionalidade do inciso IV do art. 22 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99.” (STF, Tribunal Pleno, RE 595.838, rel. Min. Dias Toffoli, j. 23/04/2014, DJE 07/10/2014) A União opôs Embargos de Declaração contra a supracitada decisão, que foram rejeitados por unanimidade pela Corte. Recordese: “Embargos de declaração no recurso extraordinário. Tributário. Pedido de modulação de efeitos da decisão com que se declarou a inconstitucionalidade do inciso IV do art. 22 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99. Declaração de inconstitucionalidade. Ausência de excepcionalidade. Lei aplicável em razão de efeito repristinatório. Infraconstitucional. 1. A modulação dos efeitos da declaração de inconstitucionalidade é medida extrema, a qual somente se justifica se estiver indicado e comprovado gravíssimo risco irreversível à ordem social. As razões recursais não contêm indicação concreta, nem específica, desse risco. 2. Modular os efeitos no caso dos autos importaria em negar ao contribuinte o próprio direito de repetir o indébito de valores que eventualmente tenham sido recolhidos. 3. A segurança jurídica está na proclamação do resultado dos julgamentos tal como formalizada, dandose primazia à Constituição Federal. 4. É de índole infraconstitucional a controvérsia a respeito da legislação aplicável resultante do efeito repristinatório da declaração de inconstitucionalidade do inciso IV do art. 22 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99 5. Embargos de declaração rejeitados.” (STF, Tribunal Pleno, RE 595.838, rel. Min. Dias Toffoli, j. 18/12/2014, DJE 24/02/2015) Nesse sentido, o inciso I do § 1º do artigo 62 do Regimento Interno do Conselho Administrativo da Receita Federal – CARF, inserto no anexo II da Portaria MF nº 343 de 09/06/2015, determina que o Tribunal Administrativo deve afastar a aplicação de dispositivos declarados inconstitucionais, in verbis: “Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Fl. 908DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 0 5/05/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 19/05/2016 por ANDRE LUIS MARS ICO LOMBARDI Processo nº 12259.000115/200817 Acórdão n.º 2401004.190 S2C4T1 Fl. 5 7 § 1º O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal;” (Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015.) Pelo exposto, cabível a declaração de improcedência do auto de infração ora guerreado, haja vista o reconhecimento da inconstitucionalidade do inciso IV, do artigo 22 da Lei nº 8.212 de 1991, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99. 4. CONCLUSÃO: Pelos motivos expendidos, CONHEÇO do Recurso Voluntário para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO, excluindo todo o crédito previdenciário, em virtude do reconhecimento da inconstitucionalidade do inciso IV, do artigo 22, da lei 8.212/91 pelo Supremo Tribunal Federal. É como voto. Luciana Matos Pereira Barbosa. Fl. 909DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 0 5/05/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 19/05/2016 por ANDRE LUIS MARS ICO LOMBARDI
score : 1.0
Numero do processo: 10845.001920/96-55
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jun 07 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Jul 28 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/04/1992 a 30/11/1993
Ementa:
LANÇAMENTO DE OFÍCIO. JUROS E MULTA.
Nos termos do art. 63 da Lei 9.430/96, apenas a concessão de medida liminar antes da constituição obsta a inclusão da multa de ofício nos lançamentos de ofício. Consoante Súmula CARF nº 05, o afastamento dos juros de mora requer o depósito do montante integral do crédito tributário.
Numero da decisão: 9303-004.125
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por maioria de votos, dar provimento ao recurso especial. Vencidas as Conselheiras Vanessa Marini Cecconello (Relatora), Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Maria Teresa Martínez López, que negavam provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Júlio César Alves Ramos. O Conselheiro Henrique Pinheiro Torres apresentará declaração de voto.
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente
Vanessa Marini Cecconello - Relatora
Júlio César Alves Ramos - Redator Designado
Henrique Pinheiro Torres
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos (Substituto Convocado), Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello (Relatora), Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente).
Nome do relator: VANESSA MARINI CECCONELLO
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/04/1992 a 30/11/1993 Ementa: LANÇAMENTO DE OFÍCIO. JUROS E MULTA. Nos termos do art. 63 da Lei 9.430/96, apenas a concessão de medida liminar antes da constituição obsta a inclusão da multa de ofício nos lançamentos de ofício. Consoante Súmula CARF nº 05, o afastamento dos juros de mora requer o depósito do montante integral do crédito tributário.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por maioria de votos, dar provimento ao recurso especial. Vencidas as Conselheiras Vanessa Marini Cecconello (Relatora), Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Maria Teresa Martínez López, que negavam provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Júlio César Alves Ramos. O Conselheiro Henrique Pinheiro Torres apresentará declaração de voto. Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente Vanessa Marini Cecconello - Relatora Júlio César Alves Ramos - Redator Designado Henrique Pinheiro Torres Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos (Substituto Convocado), Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello (Relatora), Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente).
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ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/04/1992 a 30/11/1993 Ementa: LANÇAMENTO DE OFÍCIO. JUROS E MULTA. Nos termos do art. 63 da Lei 9.430/96, apenas a concessão de medida liminar antes da constituição obsta a inclusão da multa de ofício nos lançamentos de ofício. Consoante Súmula CARF nº 05, o afastamento dos juros de mora requer o depósito do montante integral do crédito tributário. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por maioria de votos, dar provimento ao recurso especial. Vencidas as Conselheiras Vanessa Marini Cecconello (Relatora), Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Maria Teresa Martínez López, que negavam provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Júlio César Alves Ramos. O Conselheiro Henrique Pinheiro Torres apresentará declaração de voto. Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente Vanessa Marini Cecconello Relatora Júlio César Alves Ramos Redator Designado Henrique Pinheiro Torres Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos (Substituto Convocado), Demes Brito, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 84 5. 00 19 20 /9 6- 55 Fl. 728DF CARF MF Impresso em 28/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 12/07/2 016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 26/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARR ETO, Assinado digitalmente em 15/07/2016 por VANESSA MARINI CECCONELLO, Assinado digitalmente em 12/ 07/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 14/07/2016 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S Processo nº 10845.001920/9655 Acórdão n.º 9303004.125 CSRFT3 Fl. 729 2 Gilson Macedo Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello (Relatora), Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente). Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto, tempestivamente, pela Fazenda Nacional com fulcro no art. 67, Anexo II, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/09, por meio do qual busca a reforma do Acórdão nº 330200.671 (efls. 597 a 606) proferido pela 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da Terceira Seção de julgamento em 28/10/2010, que deu parcial provimento ao recurso voluntário. A decisão foi objeto de Embargos de Declaração, acolhidos pelo Acórdão nº 3302002.557 (efls. 634 a 638), de 27/03/2014. As ementas e dispositivos seguem abaixo transcritas: ACÓRDÃO Nº 330200.671 (Recurso Voluntário) ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/04/1992 a 30/11/1993 CORREÇÃO MONETÁRIA CABIMENTO Deve ser aplicada correção monetária integral aos indébitos dos contribuintes, isto porque, correção monetária não é enriquecimento ilícito mas apenas manutenção do valor da moeda. DEPÓSITO JUDICIAL PARCIAL IMPOSSIBILIDADE DE COBRANÇA DE MULTA E JUROS SOBRE O VALOR DEPOSITADO Inteligência da Lei nº 9.703/98, resultado da conversão da MP nº 1.721/98, que alterou a sistemática dos depósitos judiciais, transferindo todos os valores depositados para Conta Única do Tesouro Nacional, onde os valores ficam integralmente à disposição da Receita Federal enquanto perdurar a ação judicial. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. Vencido o conselheiro José Antonio Francisco. ACÓRDÃO Nº 3302002.557 (Embargos de declaração) Fl. 729DF CARF MF Impresso em 28/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 12/07/2 016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 26/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARR ETO, Assinado digitalmente em 15/07/2016 por VANESSA MARINI CECCONELLO, Assinado digitalmente em 12/ 07/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 14/07/2016 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S Processo nº 10845.001920/9655 Acórdão n.º 9303004.125 CSRFT3 Fl. 730 3 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/04/1992 a 30/11/1993 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO ERRO DE FATO CABIMENTO É passível de embargos de declaração a decisão que contiver erro de fato. In casu, a decisão recorrida determinava o aproveitamento de valores depositados sendo que demonstrativos anexados aos autos comprovam a inexistência de saldo nos depósitos, posto os valores terem sido aproveitados para a “compensação” ou “pagamento” por meio de conversão com outros tributos. Embargos acolhidos, decisão retificada. Embargos Acolhidos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª câmara / 2ª turma ordinária da terceira seção de julgamento, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração para reratificar o acórdão embargado, nos termos do voto da Relatora. A controvérsia tem origem em auto de infração lavrado em 19/06/96 para constituição de crédito tributário de COFINS, dos fatos geradores compreendidos no período entre abril/1992 e novembro/1993. Transcrevese relato constante no acórdão de julgamento do recurso voluntário, o qual espelha o desenrolar do processo até o momento: [...] O auto de infração informa textualmente que o crédito tributário está em discussão nos autos da Ação Ordinária nº 92.02038031 e com a exigibilidade suspensa em virtude de liminar proferida nos autos da Medida Cautelar nº 92.02030987, com fundamento nos incisos II e IV do artigo 151 do Código Tributário Nacional CTN. Inconformada, a Recorrente interpôs recurso de impugnação por meio do qual pleiteou o cancelamento do auto de infração lavrado com base nos seguintes argumentos, em resumo: a) impossibilidade de autuação uma vez que o crédito estava sub judice e suspenso conforme liminar obtida nos processo judicial nº 92.02030987, a qual autorizou o depósito judicial dos valores em discussão; b) discorre sobre a inconstitucionalidade da Cofins; c) a nulidade da multa de mora aplicada, uma vez que os valores estão depositados e que não está clara qual é a fundamentação legal de sua exigência; Fl. 730DF CARF MF Impresso em 28/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 12/07/2 016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 26/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARR ETO, Assinado digitalmente em 15/07/2016 por VANESSA MARINI CECCONELLO, Assinado digitalmente em 12/ 07/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 14/07/2016 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S Processo nº 10845.001920/9655 Acórdão n.º 9303004.125 CSRFT3 Fl. 731 4 d) impossibilidade de utilização da UFIR/TR para corrigir o débito tributário, uma vez que tais índices foram declarados inconstitucionais. Os autos ficaram aguardando o resultado do julgamento no Grupo Intersistêmico de Medidas Judiciais – GIMJ (fls. 155), às fls. 190/191, consta parecer do GIMJ da DERAT/SPO, no qual se constata a imputação dos valores depositados judicialmente e os débitos da Recorrente, sendo que se por meio de tal trabalho se verificou que parte dos depósitos não foram integrais (fatos geradores de abril, julho, agosto e setembro/1992 e janeiro, março a junho, outubro a dezembro de 1993 – fls. 85/86). Tais diferenças resultaram em saldo devedor de 4.714 UFIR. Em 29/08/2006, a Nona Turma da Delegacia de Julgamento de São Paulo proferiu o acórdão nº 1610.217 (fls. 192/203), por meio do qual cancelou parcialmente o lançamento, cancelandose a multa de ofício instituída nos meses em que foi constatada a integralidade dos depósitos judiciais, verbis: “COFINS CONCOMITÂNCIA ENTRE PROCESSO ADMINISTRATIVO E JUDICIAL. Medida Cautelar com concessão de liminar suspendendo a exigibilidade do crédito tributário alusivo à contribuição, não impede o lançamento fiscal para prevenir a decadência. Não se toma conhecimento da impugnação no tocante à matéria que já é objeto da ação judicial. MULTA DE OFÍCIO. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. Tendo em vista a insuficiência, em alguns períodos de apuração, dos depósitos judiciais, convertidos em renda da União, cabe a manutenção da multa de lançamento de ofício para esses períodos. Lançamento procedente em parte.” Às fls. 210 consta informação da DERAT/SP de que em vista da constatação da integralidade dos depósitos nos períodos de apuração de maio, junho e dezembro de 1992, fevereiro, julho a setembro e novembro de 1993 (fls. 175/186); estes débitos foram transferidos para o processo nº 12157.000022/0750. Em despacho de fls. 211, a Eqcob da DICAT/DERAT/SP verificou que o v. acórdão deixou de exonerar o período de apuração referente ao mês de maio de 1992, apesar de o depósito deste mês ter sido realizado integralmente. Da mesma forma, a decisão manteve a multa no patamar de 100%, quando o voto da relatora indica a redução para 75%, em vista da existência de legislação posterior mais benéfica ao contribuinte. Em virtude da constatação do citado lapso manifesto, a Nona Turma de Julgamento proferiu novo acórdão às fls. 224/234, registrado com o nº 1612.793, por meio do qual retificouse o julgamento realizado, a saber: “LAPSO MANIFESTO. RETIFICAÇÃO DE VALORES. RATIFICAÇÃO DO ACÓRDÃO. Fl. 731DF CARF MF Impresso em 28/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 12/07/2 016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 26/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARR ETO, Assinado digitalmente em 15/07/2016 por VANESSA MARINI CECCONELLO, Assinado digitalmente em 12/ 07/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 14/07/2016 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S Processo nº 10845.001920/9655 Acórdão n.º 9303004.125 CSRFT3 Fl. 732 5 Constatada a existência de inexatidão material, decorrente de lapso manifesto, em acórdão anteriormente proferido, deve esse acórdão se corrigido, nos termos do art. 32 do Decreto nº 70.235/72 e art. 22, § 1º, da Portaria MF nº 58/2006. CONCOMITÂNCIA ENTRE PROCESSO ADMINISTRATIVO E JUDICIAL. Medida Cautelar com concessão de liminar suspendendo a exigibilidade do crédito tributário mediante depósito judicial não impede o lançamento fiscal para prevenir a decadência. Não se toma conhecimento da impugnação mo tocante à matéria já objeto da ação judicial. MULTA DE OFÍCIO. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. Tendo em vista a insuficiência, em alguns períodos de apuração, dos depósitos judiciais convertidos em renda da União, cabe a manutenção da multa de lançamento de ofício para esses períodos, reduzindose seu percentual a 75% conforme a Lei nº 9.430/96. MULTA DE OFÍCIO. RETROATIVIDADE BENÉFICA. Multa de ofício aplicada utilizandose percentual superior a 75% deve ser reduzida para adequarse àquele percentual. Retroatividade benéfica do art. 44 da Lei nº 9.430/96 (ADN nº 1/1997). JUROS DE MORA. TRD. Ao crédito não integralmente pago no vencimento são acrescidos juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta. Cabimento dos juros determinados pela TRD, com base na legislação ordinária. Lançamento procedente em parte.” Irresignada, a Recorrente interpôs recurso voluntário às fls. 255/260, por meio do qual reiterou suas razões de impugnação alegando, ainda, a inexistência de saldo devedor, posto que, de acordo com a legislação pertinente à COFINS (LC 70/91) a correção monetária apenas se aplica no momento do vencimento do tributo. Tal entendimento decorre da interpretação emprestada ao artigo 5º da LC 70/91, o qual ditava que “a contribuição será convertida no primeiro dia do mês subseqüente ao de ocorrência do fato gerador, pela medida de valor e parâmetro de atualização monetária diária utilizada para os tributos federais, e paga até o dia vinte do mesmo mês.” Conclui a Recorrente que a indexação monetária deve ser aplicada somente no primeiro dia do mês subseqüente ao fato gerador, sendo inadmissível a aplicação de juros até o momento da realização do depósito judicial. [...](grifouse) Conforme inicialmente relatado, sobreveio julgamento do recurso voluntário, no qual foi proferido o acórdão nº 330200.671, reratificado pelo acórdão de embargos de declaração nº 3302002.557, provendo parcialmente o recurso para: (i) excluir a exigência da Fl. 732DF CARF MF Impresso em 28/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 12/07/2 016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 26/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARR ETO, Assinado digitalmente em 15/07/2016 por VANESSA MARINI CECCONELLO, Assinado digitalmente em 12/ 07/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 14/07/2016 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S Processo nº 10845.001920/9655 Acórdão n.º 9303004.125 CSRFT3 Fl. 733 6 multa de ofício sobre a parcela do principal da contribuição já depositada anteriormente à lavratura do auto de infração, efetuada eventual imputação e (ii) reconhecer a suspensão da exigibilidade referente aos valores depositados, esclarecendo que sobre a parcela da contribuição eventualmente não coberta pelo depósito, deverá ser exigida com a incidência de multa de ofício e juros de mora. Devidamente intimada, a Fazenda Nacional interpôs recurso especial de divergência (efls. 640 a 649) para ver reformada a decisão e mantida a incidência da multa de ofício e dos juros de mora sobre os valores depositados judicialmente. Indicou como paradigmas os acórdãos nºs 20312.362 e CSRF/0105.148. Seu arrazoado fundamentase, em síntese, nos seguintes argumentos: (a) a decisão recorrida contraria os arts. 141 e 151, inciso II do Código Tributário Nacional (CTN) e o art. 63 da Lei nº 9.430/96; (b) não tendo ocorrido o depósito integral dos valores, permaneceu intacta a exigibilidade do crédito tributário como um todo; e (c) somente seria possível a não aplicação da multa de ofício e dos juros de mora sobre as parcelas depositadas se a exigibilidade do débito estiver suspensa. O Recurso foi admitido por meio do Despacho s/nº de 11 de abril de 2015 (efls. 651 a 654). A Contribuinte apresentou contrarrazões sustentando, em síntese, que a multa de ofício e os juros de mora são devidos apenas sobre o valor não depositado, e ao final requerendo seja negado provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. É o Relatório. Voto Vencido Conselheira Vanessa Marini Cecconello, Relatora Admissibilidade O recurso especial de divergência interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade constantes no art. 67, Anexo II, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22/06/2009, razão pela qual deve ser conhecido. Mérito A controvérsia posta no recurso especial e que demanda análise deste Colegiado cingese à exclusão da exigência de multa de ofício e juros de mora sobre a parcela do principal da contribuição depositada. Sobre a questão, o recurso voluntário da Contribuinte foi provido em parte, por voto proferido pela nobre Conselheira Fabíola Keramidas, com fulcro nos seguintes argumentos: Fl. 733DF CARF MF Impresso em 28/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 12/07/2 016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 26/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARR ETO, Assinado digitalmente em 15/07/2016 por VANESSA MARINI CECCONELLO, Assinado digitalmente em 12/ 07/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 14/07/2016 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S Processo nº 10845.001920/9655 Acórdão n.º 9303004.125 CSRFT3 Fl. 734 7 [...] A segunda questão a ser analisada referese à manutenção de multa de 75% sobre os valores quase totalmente depositados, isto é, a Recorrente deve recolher multa sobre valores que já estavam disponibilizados por meio de depósito judicial? Entendo que não. Não há sentido em penalizar o contribuinte, se este já disponibilizou valores para garantir seu débito com a Fazenda. A multa punitiva de 75% pretende coibir o comportamento negativo do contribuinte que simplesmente se abstiver do recolhimento de tributos. Imaginase que com a possibilidade de ter seu débito aumentado em 75% o contribuinte vai evitar a inadimplência. Esta multa é uma infração ainda maior do que a simples moratória, o que se evidencia pela análise do valor da multa de mora, que está limitada à grandeza de 20%. Quando o contribuinte realiza o depósito judicial de valores, deixa de ser titular deste valores, uma vez que está impedido de decidir o destino que lhes será dado. A disponibilidade dos depósitos judiciais não é do contribuinte, é do Juízo. Mais do que isso, há mais de 10 anos, a disponibilidade financeira deste dinheiro é da própria União Federal. Explico. A Lei n° 9.703/98, resultado da conversão da MP n° 1.721/98, alterou a sistemática dos depósitos judiciais. Definiu que todo o valor até então depositado à disposição do Judiciário Federal fosse transferido para uma Conta Única da Receita Federal, que passaria a ter a disponibilidade financeira deste dinheiro. Da mesma forma, o mandamento legal determinou que os novos depósitos fossem automaticamente transferidos para a citada Conta Única. Com as determinações mencionadas resta claro que, a partir de 1998, por força de lei todos os valores que eram ou seriam fruto de discussão judicial, estariam, ainda que temporariamente, disponibilizados para a Receita Federal. Tais fatos tornam evidentes, portanto, que quando o contribuinte opta por realizar um depósito judicial, deixa de ter a disponibilidade deste dinheiro, sendo que a disponibilidade jurídica passa ao Juízo e a financeira para a Receita Federal. Não há que se dizer, portanto, que o contribuinte que realizou depósito judicial incorre em mora e, menos ainda, em inadimplência, ainda que este depósito não seja integral. Como é possível permitir que a Receita Federal penalize o contribuinte com a aplicação de multa de 75%, se os valores autuados já lhe foram disponibilizados e estão em seu uso por diversos anos? Não é. Tal procedimento levaria ao enriquecimento ilegal da Fazenda, posto que os valores depositados estão em uso, não houve qualquer prejuízo. Cumpre esclarecer que esta interpretação não afronta o artigo 151 do Código Tributário Nacional — CTN — que prevê as hipóteses de suspensão da exigibilidade do crédito tributário, verbis: Fl. 734DF CARF MF Impresso em 28/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 12/07/2 016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 26/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARR ETO, Assinado digitalmente em 15/07/2016 por VANESSA MARINI CECCONELLO, Assinado digitalmente em 12/ 07/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 14/07/2016 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S Processo nº 10845.001920/9655 Acórdão n.º 9303004.125 CSRFT3 Fl. 735 8 "Art. 151. Suspendem a exigibilidade do crédito tributário: (..) II o depósito do seu montante integral;" É permitido à fiscalização exigir débito que não está depositado integralmente, mas não lhe é permitido constituir multa sobre valores que lhe foram disponibilizados antes de qualquer procedimento de fiscalização, por meio de depósito judicial. Neste sentido, entendo que não é possível ignorar a existência da Lei nº 9.703/98, que expressamente transferiu a disponibilidade financeira dos valores depositados judicialmente do Juízo para a Receita Federal. O ordenamento jurídico deve ser analisado como um todo e as normas interpretadas sistematicamente. [...] (grifouse) No mesmo sentido do entendimento exarado pela decisão do recurso voluntário, de que não deve haver a incidência de multa de ofício e juros de mora sobre a parcela depositada judicialmente, ainda que o depósito seja apenas parcial, manifestouse a Câmara Superior de Recursos Fiscais, ao proferir o acórdão nº 9303002.749, em 21/01/2014. Na referida decisão, ficou consignado em sua ementa que "no lançamento de ofício de crédito tributário, objeto de discussão judicial, dispensase a exigência dos juros de mora e da multa de ofício sobre os valores depositados, mantendose a exigência apenas sobre as parcelas diferenças não depositadas". Admitirse a não incidência de multa de ofício e de juros de mora sobre os valores depositados judicialmente, ao contrário do que afirmado pela Recorrente, não traz violação aos artigos 151, inciso II e 141 do CTN e ao art. 63 da Lei nº 9430/96, tendo em vista que o depósito judicial, além da suspensão da exigibilidade do crédito tributário, traz em seu âmago também como finalidade eximir o Sujeito Passivo do pagamento de penalidades, tal como a multa de ofício, e dos juros de mora. Por essas razões, incabível a incidência de multa de ofício e juros de mora sobre a parcela que foi depositada judicialmente pela Contribuinte, ficando ressalvados os valores que não foram depositados e possíveis diferenças, sobre os quais cabível a exigência da multa de ofício e dos juros de mora. Diante do exposto, negase provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional, mantendose incólume o acórdão que proveu parcialmente o Recurso Voluntário. É o voto. Vanessa Marini Cecconello Relatora Voto Vencedor Fl. 735DF CARF MF Impresso em 28/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 12/07/2 016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 26/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARR ETO, Assinado digitalmente em 15/07/2016 por VANESSA MARINI CECCONELLO, Assinado digitalmente em 12/ 07/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 14/07/2016 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S Processo nº 10845.001920/9655 Acórdão n.º 9303004.125 CSRFT3 Fl. 736 9 Conselheiro Júlio César Alves Ramos redator designado Designoume a presidência para redigir o acórdão certamente por ter eu proferido a posição que veio a prevalecer no sentido de acolher, na íntegra, a pretensão da Fazenda Nacional. Com isso restaram mantidos no lançamento tanto a multa de ofício aplicada quanto os juros de mora, calculados estes com base na taxa selic. No tocante à multa, como é de todos sabido, a Lei 9.430 somente previu sua dispensa nos casos de lançamento de ofício destinados a prevenir a decadência de créditos cuja exigibilidade se encontre suspensa por força de decisão judicial1. Como sua simples leitura indica, a Lei nem contemplou todas as hipóteses de suspensão de exigibilidade nem mesmo acresceu à existência de decisão judicial aquela aqui discutida (inciso II do art. 151). É importante ainda lembrar que a redação original da norma legal apenas contemplava a decisão em mandado de segurança. Somente em 2001 veio ela a sofrer alteração para incluir outras espécies de ação judicial passíveis de concessão de decisões liminares. Parece claro, com isso, que o legislador jamais teve a intenção de dispensar a multa para outras hipóteses de suspensão de exigibilidade distintas das ordens judiciais. Também não é desconhecido de ninguém que a atividade de lançamento tributário é vinculada e obrigatória nos termos do CTN2. Não pode, pois, a autoridade incumbida de sua realização dispensar a multa para hipótese não contemplada expressamente na legislação. E, entendo eu, tampouco os conselheiros integrantes deste Tribunal administrativo por força de suas disposições regimentais (hoje o art. 62 do anexo II da Portaria 343/2015) 3 . Vale dizer que dispositivo semelhante sempre presente nas edições anteriores. Nesses termos, nem mesmo se integrais os depósitos, a meu ver, cabe a dispensa da multa por absoluta falta de previsão legal. A suspensão da exigibilidade é requisito apenas quando se discute a inclusão de juros de mora. E isso por força da Súmula CARF nº 05: Súmula CARF nº 5: São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que 1 Art. 63 Na constituição de crédito tributário destinada a prevenir a decadência, relativo a tributo de competência da União, cuja exigibilidade houver sido suspensa na forma dos incisos IV e V do art. 151 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, não caberá lançamento de multa de ofício. (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) 2 Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. 3 Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade Fl. 736DF CARF MF Impresso em 28/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 12/07/2 016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 26/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARR ETO, Assinado digitalmente em 15/07/2016 por VANESSA MARINI CECCONELLO, Assinado digitalmente em 12/ 07/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 14/07/2016 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S Processo nº 10845.001920/9655 Acórdão n.º 9303004.125 CSRFT3 Fl. 737 10 suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral. Pareceme que a Súmula está a dizer que sempre há a exigência de juros quando o crédito não tenha sido pago no vencimento. Ela apena abre uma exceção: quando a exigibilidade do crédito estiver suspensa por força da realização de depósito no montante integral do crédito. Esse requisito de integralidade há muito é também exigido pelo e STJ em posicionamento já sumulado4. Considero, por isso, relevante reafirmar que essa integralidade se apura com respeito à parcela efetivamente discutida no Poder Judiciário, que não corresponde sempre à totalidade do crédito tributário de um dado período de apuração. Nesse sentido, quando os contribuintes pretendem discutir judicialmente a ampliação de uma dada exigência, seja por majoração da alíquota aplicável, ou por alargamento de sua base de incidência, o depósito deve cobrir toda a parcela acrescida, mas não precisa nem deve incluir a incidência sobre a base anterior não contestada. Por exemplo, no caso da COFINS, em que a Lei 9.718 tanto ampliou a alíquota de 2% para 3%, quanto alargou a base de cálculo, três situações poderiam ocorrer: a) contribuintes que apenas contestassem a ampliação da alíquota: entendo que, para serem integrais, os depósitos não podem ser inferiores a 1% da base de cálculo integral, devendose recolher em DARF toda a outra parte (2% sobre a base total). b) quem apenas contestasse a ampliação da base, por sua vez, deveria recolher em DARF 3% sobre a base não ampliada (faturamento nos termos da LC 70), depositando em DARF 3% sobre as "outras receitas". c) por fim, quem a grande maioria incluísse as duas contestações apenas deveria recolher em DARF 2% sobre a base antiga. Nesse caso, pois, só seriam integrais depósitos que alcançassem a totalidade da diferença entre o montante devido nos termos novos (3% sobre a base alargada) e a parcela devida nos termos da legislação alterada, isto é, 2% sobre a base restrita. Embora possa parecer óbvia, essa delimitação nem sempre é bem observada pela fiscalização, que, muitas vezes, exige que o sujeito passivo deposite todo o tributo devido no período de apuração para que considere os depósitos integrais. Definidos, porém, esses contornos, a Súmula CARF acima transcrita, a meu sentir, impede que dispensemos os juros quando os depósitos não sejam integrais. Notese que ela não se restringe a prever a inclusão dos juros em dada hipótese: ela afirma que eles são sempre devidos exceto quando haja depósitos integrais. A posição que prevaleceu na decisão recorrida parece pretender equiparar o depósito parcial ao "pagamento" de que fala a Súmula, especialmente por conta da alteração introduzida na forma de realização dos primeiros pela Lei 9.703/98. Para a relatora e o colegiado, a disponibilização dos recursos à Fazenda tornaria desnecessária a incidência de juros. 4 Súmula 112: O depósito somente suspende a exigibilidade do crédito tributário se for integral e em dinheiro. Fl. 737DF CARF MF Impresso em 28/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 12/07/2 016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 26/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARR ETO, Assinado digitalmente em 15/07/2016 por VANESSA MARINI CECCONELLO, Assinado digitalmente em 12/ 07/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 14/07/2016 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S Processo nº 10845.001920/9655 Acórdão n.º 9303004.125 CSRFT3 Fl. 738 11 Com todas as vênias sempre recomendáveis, não concordo com esse posicionamento. É que, embora os depósitos tenham mesmo passado a se realizar em DARF e os valores a ficar em conta do Tesouro não vejo como isso se possa equiparar a um efetivo pagamento. Somente neste último caso é que os valores são de titularidade plena do Tesouro que, aí sim, os pode destinar da forma que lhe aprouver. Valores depositados não; eles podem ter de ser devolvidos no caso de o sujeito passivo obter sucesso na discussão judicial que encetou. Assim, o que a Lei 9.703 fez foi permitir o uso imediato dos recursos objetos de contestação judicial, atento, porém, o Tesouro à possibilidade de ter de restituílos se a União vier a perder a ação. Destarte, configurado que o crédito tributário não foi pago no vencimento, cabe o lançamento de ofício. Este só é feito para prevenir a decadência quando sua exigibilidade estiver suspensa por uma das hipóteses do art. 151. Dentre elas apenas as hipóteses dos incisos IV e V levam à dispensa da multa e a do inciso II, a dos juros. Não ocorridas, no caso concreto, nenhuma dessas hipóteses, devidos tanto os juros quanto a multa. Votou o colegiado pelo provimento do recurso da Fazenda. Conselheiro Júlio César Alves Ramos Declaração de Voto Conselheiro Henrique Pinheiro Torres Como é bem sabido, já aderi à posição da decisão recorrida no tocante aos juros, isto é, que eles somente seriam devidos sobre a parcela não depositada. Não o fazia porque entendesse que haveria aí alguma espécie de "suspensão de exigibilidade parcial", mas em respeito a antigo entendimento esposado pela Coordenação de Tributação da própria Secretaria da Receita Federal segundo o qual os depósitos seriam considerados verdadeiros pagamentos na data em que realizados. Desse modo, a dispensa dos juros não requeria o depósito integral e podia, por isso mesmo, alcançar apenas a parte depositada. Embora, até onde saiba, essa continue sendo a interpretação da Administração em especial após a alteração introduzida pela Lei 9.703/98 convencime da maior justeza dos argumentos expendidos no voto vencedor. Com efeito, a dispensa dos juros requer, nos estritos termos da Súmula 05 do CARF que, antes, o crédito tributário esteja com sua exigibilidade suspensa e esta suspensão só se dá quando o depósito tenha sido integral, como aliás o afirma a Súmula 112 do STJ. Com essas considerações, revi o meu posicionamento e acompanhei o voto proferido pelo redator designado mantendo os juros. HENRIQUE PINHEIRO TORRES Fl. 738DF CARF MF Impresso em 28/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 12/07/2 016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 26/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARR ETO, Assinado digitalmente em 15/07/2016 por VANESSA MARINI CECCONELLO, Assinado digitalmente em 12/ 07/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 14/07/2016 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S
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Numero do processo: 10983.720669/2013-81
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Nov 06 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Importação - II
Data do fato gerador: 10/11/2010, 10/01/2011, 26/04/2011, 14/07/2011, 03/08/2011, 06/09/2011
OCULTAÇÃO DO REAL ADQUIRENTE. PENA DE PERDIMENTO. AUSÊNCIA DE PROVAS
Deve ser cancelada a pena de perdimento, convertida em multa pecuniária (inciso V do caput e §§ 1° e 3° do art. 23 do Decreto-lei n° 1.455/76), quando não há provas nos autos de que as operações teriam sido cursadas a conta e ordem ou por encomenda, com consequente ocultação do real adquirente.
Numero da decisão: 3301-005.129
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os conselheiros Liziane Angelotti Meira e Antônio Carlos da Costa Cavalcanti Filho. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Marcelo Costa Marques D´Oliveira.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente
(assinado digitalmente)
Liziane Angelotti Meira - Relatora
(assinado digitalmente)
Marcelo Costa Marques d'Oliveira - Redator do Voto Vencedor
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Candido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira.
Nome do relator: LIZIANE ANGELOTTI MEIRA
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PENA DE PERDIMENTO. AUSÊNCIA DE PROVAS Deve ser cancelada a pena de perdimento, convertida em multa pecuniária (inciso V do caput e §§ 1° e 3° do art. 23 do Decretolei n° 1.455/76), quando não há provas nos autos de que as operações teriam sido cursadas a conta e ordem ou por encomenda, com consequente ocultação do real adquirente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os conselheiros Liziane Angelotti Meira e Antônio Carlos da Costa Cavalcanti Filho. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Marcelo Costa Marques D´Oliveira. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente (assinado digitalmente) Liziane Angelotti Meira Relatora (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 3. 72 06 69 /2 01 3- 81 Fl. 539DF CARF MF Processo nº 10983.720669/201381 Acórdão n.º 3301005.129 S3C3T1 Fl. 478 2 Marcelo Costa Marques d'Oliveira Redator do Voto Vencedor Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Candido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira. Relatório Visando à elucidação do caso e a economia processual adoto e cito o relatório do constante do Acórdão nº 1655.768 11ª Turma da DRJ/SP1 (fls. 447/466): Trata o presente processo de Auto de Infração lavrado em 20/05/2013, pela prática da interposição fraudulenta de terceiros na importação. O Mandado de Procedimento Fiscal nº 09.2.52.002013000258 teve por objetivo proceder a auditoria das importações realizadas por conta própria no período de janeiro de 2010 a dezembro de 2011, especificamente aquelas amparadas pelas declarações de importação de nº 10/19939437, 11/00491629, 11/07459240, 11/13019931, 11/14442986 e 11/16814414. Segundo a fiscalização, a empresa RUELL IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA, doravante denominada RUELL , atuava como importador interposto sendo uma delas a empresa MIAKI SERVIÇOS E COMÉRCIO LTDA, doravante denominada MIAKI, CNPJ n° 73.009.425/000135, real adquirente das mercadorias importadas objeto das DIS constantes da Tabela de fl. 20/22. Tal conclusão foi baseada nas informações constantes nas Declarações de Importação, nos conhecimentos rodoviários de carga ou sua ausência, nas notas fiscais de entrada e de saídas das mercadorias importadas, nos livros e demonstrações contábeis da fiscalizada, nas informações prestadas por esta última, nas bases de dados da SRF e em outros elementos de convencimento obtidos durante os trabalhos. Constatouse que as mercadorias importadas ao amparo das DIs objeto da fiscalização haviam sido destinadas em sua totalidade para duas empresas, sendo uma delas a MIAKI. Como resultado, foi aplicada a pena de perdimento das mercadorias importadas nos termos do art. 23, V, § 1° do Decretolei n° 1.455/76 (art. 618, XXII, § 1° do Regulamento Aduaneiro de 2002). Tendo em vista o consumo dos bens importados, o perdimento foi convertido em multa equivalente ao valor aduaneiro das mercadorias nos termos do § 3° do mesmo art. 23. (§ 1° do art. 618 do RA de 2002). O valor da multa é de R$ 255.207,54 (duzentos e cinqüenta e cinco mil duzentos e sete reais e cinqüenta e quatro centavos). Fl. 540DF CARF MF Processo nº 10983.720669/201381 Acórdão n.º 3301005.129 S3C3T1 Fl. 479 3 A empresa MIAKI foi autuada como responsável solidária pelos créditos lançados, fl 10. Apenas a título de informação, a outra empresa real adquirente das mercadorias importadas pela RUELL é a empresa RM REVESTIMENTOS MONOLÍTICOS LTDA, CNPJ nº 07.446.039.000186, sendo o Auto de Infração objeto do processo de nº 10983.720672/201303. Tendo em vista os fatos narrados, foi lavrada Representação Fiscal para Fins Penais formalizada pelo processo administrativo n° 10983.720670/201314. Cientes do Auto de Infração, fls. 289, a empresa RUEL em 29/05/13 e fls. 290 a empresa MIAKI apresentaram suas devidas impugnações. A empresa RUELL através de seu representante alegou: a exigência fiscal mostrase totalmente indevida e ilegal. À medida que as operações de importação foram realizadas de forma lícita e regular, bem como ausentes os pressupostos caracterizadores da interposição fraudulenta; a multa aplicada somente pode ser cominada quando a mercadoria, estando sujeita à pena de perdimento, não for localizada ou tenha sido consumida. (Cita Acórdãos do CARF); no curso do procedimento fiscal, a Fiscalização intimou as empresas adquirentes para prestar informações, contudo, em nenhum momento, sequer indagou sobre a localização ou consumo das mercadorias; a intimação da empresa Miaki Serviços e Comércio Ltda, como se depreende do “Relatório de Procedimento Fiscal”, fl. 20, não foi realizada em razão da devolução da correspondência pela Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos com a anotação de que a empresa havia mudado de endereço; caberia ao Agente Fiscal uma nova tentativa, nos termos do art. 23,§ 1º, do Decreto nº 70.235/1973; a referida empresa, por outro lado, não estava em local incerto ou ignorado. Tanto é assim que foi intimada da lavratura do Auto de Infração no novo endereço; conforme consta do Relatório (fl. 31), simplesmente presumiu se que as mercadorias já teriam sido comercializadas, o que inviabiliza juridicamente a cominação da penalidade substitutiva; impõese, assim, a anulação do auto de infração; as mercadorias foram regulamente revendidas às empresas Miaki Serviços e Comércio Ltda e RM Revestimentos Monolíticos Ltda; Fl. 541DF CARF MF Processo nº 10983.720669/201381 Acórdão n.º 3301005.129 S3C3T1 Fl. 480 4 os indícios apontados pela Fiscalização não são idôneos nem tampouco suficientes para se concluir pela caracterização da interposição fraudulenta no caso concreto, uma vez que: (i) não é adequado afirmar que, de toda importação direta, decorrem “vendas pulverizadas no mercado interno”. A venda pode ocorrer no varejo ou no atacado; (ii) A armazenagem dos produos importados foi realizada no Município de Itajaí, nos depósitos das empresas Multilog S.A. e Poly Terminais Portuários S.A., que são alfandegadas pela Receita Federal e prestam tais serviços, conforme notas fiscais de prestação de serviços (anexos); (iii) as mercadorias foram contabilizadas no estoque. Tanto é assim que foram emitidas notas fiscais de entrada e de saída; (iv) as datas das notas (de entrada e de saída) e os números seqüenciais justificamse porque a venda ocorreu no atacado, logo após o ingresso no território nacional; (v) A habilitação das empresas adquirentes no Sistema Integrado de Comércio Exterior (Siscomex) não é exigida para a compra de bens no mercado interno; em relação ao “fator tempo” das operações, objeto do item 4.2 Do “Relatório de Procedimento Fiscal”, cumpre destacar que, entre a data de embarque em Hamburgo até a nacionalização, houve o decurso de 30 a 69 dias (vide fls. 394 – impugnação); segundo a Jurisprudência do CARF, “a existência de meros indícios não é suficiente para concluir pela interposição fraudulenta” (Cita Acórdão); a Fiscalização não demonstrou ter ocorrido o uso de recursos de terceiros na operação de importação; sequer foi aventado ou mencionado na fundamentação do ato administrativo. Nada se disse acerca da capacidade financeira da Impugnante para realizar as operações de importação; essa omissão no Relatório, foi um silêncio eloqüente para evitar fazer referência ao fato de que, na época, a Impugnante estava habilitada no Siscomex, na modalidade ordinária, para realizar operações de comércio exterior com cobertura cambial, em cada período consecutivo de seis meses até o limite de US$ 11.800.000,00 (doc. 04); no curso da fiscalização foram apresentadas provas documentais de que todas as despesas com o SISCOMEX, com os tributos incidentes na importação e fechamento de câmbio foram pagas e debitadas diretamente em conta correntes de titularidade da Impugnante, consoante extratos dos protocolos das DIs e contratos de câmbio anexados aos autos, resumidos nas tabelas de (fls. 42 ss); de acordo com a 6º alteração do contrato social de fls. 121132, a empresa “Neobrasil Com. Exterior Ltda”, teve sua razão social alterada para “Ruell Import. Export. Ltda.” Tratase, portanto, da mesma pessoa jurídica; Fl. 542DF CARF MF Processo nº 10983.720669/201381 Acórdão n.º 3301005.129 S3C3T1 Fl. 481 5 a margem de lucro adotada evidencia que o importador não atuou como prestador de serviço (remunerado com simples comissão). Mas que, ao contrário do que entendeu a Fiscalização, realizou uma operação em seu próprio interesse econômico, auferindo margem de lucro compatível com uma importação própria, real e efetiva; a prova cabal nesse sentido decorre do confronto entre as notas fiscais de entrada e saída (fls. 225250) que denotam a prática de margem de lucro da revenda no mercado interno de 30% (trinta por cento) a 70% (setenta por cento); houve um excesso na interpretação dos fatos. Não houve emprego de recursos de terceiros e as operações foram absolutamente compatíveis com a capacidade financeira da importadora; caso se entenda pela ocorrência da infração (apenas para efeitos de argumentação), devese ter presente que, com o advento da Lei nº 11.488/2007, a multa de 100% do valor aduaneiro deixou de ser aplicável ao importador ostensivo; a Impugnante, por meio do processo administrativo fiscal nº 10.983.720.539/201349, já foi penalizada com a multa do art. 33 da Lei nº 11.488/2007; Logo, diante da impossibilidade de aplicação concomitante das penalidades, impõese o afastamento da multa de 100% do valor aduaneiro, (Cita Acórdãos,fls. 311); Por sua vez a empresa MIAKI apresentou a impugnação de 384 e seguintes alegando: apesar de constar como responsável solidária, não houve qualificação da Impugnante como autuada no Auto de Infração, nos termos do art. 10 do Decreto nº 70.232/72. Tal vício, por si só, torna nulo o auto de Infração, (cita Acórdãos do CARF); para presumir a interposição fraudulenta de pessoas, a Autoridade Fiscal deveria ter demonstrado que as operações de importações fiscalizadas foram realizadas mediante utilização de recursos da Impugnante, conforme se depreende da jurisprudência do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Cita Acórdãos); a Impugnante não realizou importações de mercadorias por "conta e ordem", pois, conforme demonstrado, tal fato somente seria presumido mediante comprovação da utilização dos seus recursos nas operações; os elementos coletados pela Fiscalização revelam presunções simples, que não se apresentam suficientemente robustas e sérias para provar a infração, razão pela qual se impõe a declaração de nulidade da penalidade aplicada; não foi demonstrada a ocorrência do dano ao erário no procedimento fiscal, como prevê o art. 23 do DecretoLei n° 1.455/1976; Fl. 543DF CARF MF Processo nº 10983.720669/201381 Acórdão n.º 3301005.129 S3C3T1 Fl. 482 6 não havendo indício de máfé ou de lucro a ser obtido com a suposta infração, a pena de perdimento revelase totalmente desarrazoada; a compra das mercadorias no mercado interno, conforme cópia das notas fiscais em anexo (doc. 03), foi amparada por documentos idôneos, emitidas por pessoa jurídica regularmente estabelecida, razão pela qual, não pode ser responsabilizada por eventual irregularidade no processo de importação. a pena de perda de mercadoria de procedência estrangeira, nos termos do art. 87, II, da Lei n° 4.502/1964, somente é cabível quando não estiverem acompanhadas da nota fiscal; requerse o afastamento da exigência fiscal, porquanto não restou demonstrado pela fiscalização que a Impugnante realizou importações por "conta e ordem" ou, ainda, que tenha concorrido com a prática da infração ou dela se beneficiado; requer o cancelamento da exigência fiscal. A DRJ considerou improcedente a impugnação com a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Data do fato gerador: 10/11/2010, 10/01/2011, 26/04/2011, 14/07/2011, 03/08/2011, 06/09/2011 CONVERSÃO DA PENA DE PERDIMENTO EM MULTA. Ocultado o real adquirente, mediante prestação de informação falsa nas DI, segundo a qual o importador seria o “adquirente” das mercadorias importadas, acolhese a infração imputada (DL 1.455/1976, artigo 23, V). O artigo 33 da Lei 11.488/2007 não produz qualquer reflexo sobre a imposição da pena de perdimento ou multa substitutiva à hipótese de ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação (acórdão CARF nº 310200.662, de 24/5/2010). Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido São apresentados dois Recursos Voluntários, o primeiro da Ruell Importação e Exportação Ltda. e o segundo da Miaki Serviços e Comércio Ltda. A Ruell Importação e Exportação Ltda apresentou suas alegações organizadas nos nos seguintes itens, que são devidamente analisados no voto deste acórdão: II.1 Da ausência de demonstração de impossibilidade da aplicação da pena de perdimento II.2 Da fragilidade dos indícios apontados pela Fiscalização II.3 Da ausência dso pressupostos de caracterização da infração Fl. 544DF CARF MF Processo nº 10983.720669/201381 Acórdão n.º 3301005.129 S3C3T1 Fl. 483 7 II.4 Do princípio do ne bis in idem A Miaki Serviços e Comércio Ltda apresentou também recurso voluntário, com os itens abaixo, que são devidamente analisados no voto deste acórdão: II Preliminar de nulidade III.1 Da não ocorrência da infração III.2 Da ausência de dano ao erário III.3 Da ausência da responsabilidade pela infração Cumpre anotar que, na análise do Recurso Voluntário do Processo nº 10983.720672/201303, a 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento deste CARF, decidiu, por meio da Resolução nº 3301000.270 (fls. 590/594), converter o julgamento da lide em diligência, com a determinação de que fosse estabelecida a conexão com o processo no. nº 10983.720669/201381(presente processo) e de que o julgamento fosse conjunto. Os processos nº 10983.720669/201381, 10983.720672/201303 e 10983.720539/201349 serão julgados conjuntamente na mesma sessão desta turma do CARF. É o relatório. Voto Vencido Conselheira Liziane Angelotti Meira Os recursos voluntários são tempestivos e atendem aos demais pressupostos legais de admissibilidade e deve ser conhecido. Do Recurso Voluntário apresentado pela da Ruell Importação e Exportação Ltda. Nos próximos parágrafos haverá análise de cada um dos pontos levantados neste Recurso Voluntário (fls. 478/495). II.1 Da ausência de demonstração de impossibilidade da aplicação da pena de perdimento Segundo a Recorrente, o Fisco deveria demonstrar a impossibilidade de aplicação da pena de perdimento, para somente então aplicar a multa equivalente ao valor aduaneiro. Cita o art. 23 da Lei no. 10.833/2003 e o artigo 689 do Regulamento Aduaneiro. Fl. 545DF CARF MF Processo nº 10983.720669/201381 Acórdão n.º 3301005.129 S3C3T1 Fl. 484 8 Alega a Recorrente que o Fisco não esgotou as medidas necessárias para intimar a empresa Miaki Serviços e Comércio Ltda, nos seguintes termos: Anotese que o Fisco não precisa esgotar todas as possibilidades existentes de encontrar a mercadoria. Isso não está exigido pela lei e inviabilizaria a atuação fiscal. Na verdade, o Fisco deve verificar que as mercadorias não estão com a contribuinte ou que foram revendidas ou consumidas. No presente caso, a própria Recorrente, em sua primeira resposta à intimação (fls. 4/8), informou que as mercadorias não foram registradas no Livro Registro Inventário porque não ingressaram no seu estoque. Portanto, não cabe à própria Recorrente afirmar que o Fisco deveria ter envidado esforços para verificar que a mercadoria teria sido revendida ou consumida se ela mesma informou que não as tinha em mão. Fl. 546DF CARF MF Processo nº 10983.720669/201381 Acórdão n.º 3301005.129 S3C3T1 Fl. 485 9 A própria contribuinte, que no item III.2 do seu Recurso Voluntário afirmou se tratarem de "importações diretas de mercadorias oriundas da Alemanha" com o "objetivo de comercialização", mas informou que tais mercadorias não foram registradas no seu livro contábil porque não ingressaram no estoque. Naturalmente, com base nas afirmações da Recorrente, a Fiscalização tem elementos suficientes para concluir que se trata de mercadorias revendida ou consumida, conforme exige a legislação. II.2 Da fragilidade dos indícios apontados pela Fiscalização A Recorrente asseverou que realizou importações diretas de mercadorias oriundas da Alemanha" com o "objetivo de comercialização" e que a Fiscalização considerou haver interposição fraudulenta com base nos seguintes elementos: Fl. 547DF CARF MF Processo nº 10983.720669/201381 Acórdão n.º 3301005.129 S3C3T1 Fl. 486 10 Em relação ao tempo, afirma que entre a data de embarque em Hamburgo e a nacionalização se passaram de 30 a 69 dias e defende que os indícios considerados pela fiscalização para caracterização da interposição fraudulenta. Cumpre, por sua vez, retomar alguns fundamentos constantes da decisão recorrida: A fiscalização, diante dos fatos apurados, concluiu que a empresa RUELL importou mercadorias por conta e ordem da empresa Miaki, sem indicar esta operação à Receita Federal, ocultando o real adquirente, agindo como interposta pessoa. Entendeu, o fisco, que houve simulação na operação. A fiscalização intimou a interessada através do Termo de Início nº 011201 (Termo de Início 0112) a apresentar o conhecimento de frete/carga para o transporte entre o recinto alfandegado e a empresa pelo transportador, a devida nota fiscal de entrada e os assentamentos no Livro de Registro de Entradas e Inventário. Através da TABELA 4, fl. 25 a fiscalização compilou as informações fornecidas pela interessada: Fl. 548DF CARF MF Processo nº 10983.720669/201381 Acórdão n.º 3301005.129 S3C3T1 Fl. 487 11 As fls. 25 descreve a fiscalização: Desta Tabele 4 surgem algumas informações bastante significativas: a) Da coluna “Conhec. Transp. Recinto Empresa”: Para nenhuma das DIs fiscalizadas o contribuinte apresentou o conhecimento de carga da operação de transporte das mercadorias desde o recinto alfandegado até suas instalações. Como todas elas foram desembaraçadas em recintos alfandegados da cidade de Itajaí SC (Doctos. DI), onde a fiscalizada não possui instalações, obrigatoriamente deveria haver o transporte até um de seus endereços para a devida entrada e armazenagem. Considerando que, como veremos no item ‘b’ abaixo, a fiscalizada possui endereços em Florianópolis e Brasília, causa bastante estranheza a não comprovação já que as mercadorias teriam que ser transportadas por rodovias federais onde há fiscalização deste transporte; b) Ainda que não haja a prova do transporte desde o recinto até a empresa, passa esta fiscalização a analisar os endereços declarados do importador buscando localizar onde poderia haver sido armazenada a mercadoria importada. Para isto o primeiro passo é apurar a quantidade de mercadoria importada em cada DI, já que necessitaria a empresa possuir espaço físico suficiente e adequado para armazenagem. Dos extratos das DIs (Doctos. DI) verificase que apenas os vernizes importaram em: DI 10/19939437 13.910 Kg, 11/00491629 14.400 Kg, 11/07459240 14.450 Kg, 11/13019931 14.400 Kg, Fl. 549DF CARF MF Processo nº 10983.720669/201381 Acórdão n.º 3301005.129 S3C3T1 Fl. 488 12 11/14442986 14.400 Kg e 11/16814414 13.800 Kg. Acrescentamos que foram importados outros produtos nas mesmas DIs e aqui não consideramos, já que a análise do espaço necessário apenas para os vernizes irá exaurir o tema. Tendo as quantidades, passamos então a buscar pelos endereços declarados pelo contribuinte a esta SRF e também à junta comercial (Contrato e Doctos.). .../...” Ficou constatado que ambos os endereços declarados pelo contribuinte são salas em prédios comerciais, sendo inclusive ressaltado por este que sua matriz em Florianópolis estaria destinada APENAS a atividade de escritório conforme o parágrafo primeiro da cláusula segunda do contrato social. Embora a interessada RUELL alegue que as mercadorias foram contabilizadas no estoque, cabe destacar que, intimado a apresentar (item 5.3 da intimação): “5.3 Cópia do Livro Diário e Livro de Registro de Entradas e Saídas de Mercadorias e Inventário com o devido registro de entrada da mercadoria. Relacionar com a Declaração de Importação pertencente e destacar a entrada de interesse” (grifou), o contribuinte respondeu, fls. 44: ““4. Quanto a solicitação contida nos itens 5.3 e 5.7, informase que as mercadorias não foram registradas no Livro Registro de Inventário, haja vista que não ingressaram no estoque.” Ou seja, mercadorias importadas na modalidade direta, sem cliente prédefinido como deveria ser nesta modalidade, não foram registradas no Livro de Inventário simplesmente porque NÃO INGRESSARAM NO ESTOQUE. Na tabela 4 acima transcrita podemos observar que nas colunas “Data Desembaraço”, “NF Entrada” e “NF Saída” há uma proximidade entre estas três datas para todas as Declarações de Importação. Como bem destacou a fiscalização, esta proximidade entre as datas é mais compatível com operações de importação “por conta e ordem de terceiros” ou por “encomenda”. Entretanto a RUELL declara realizar importações na modalidade “por conta propria”. Analisadas as colunas “NF Entrada” e “NF Saída” observamos que os números das notas fiscais de saída são imediatamente seqüenciais aos das respectivas notas de entrada EM TODAS AS DIs. Exemplo para a DI de nº 10/19939437 que teve nota fiscal de entrada nº 314, as notas fiscais de saída foram 315 e 316. Ademais, as datas de emissão das notas de entrada e saída para uma mesma Declaração de Importaão SÃO AS MESMAS PARA TODOS OS CASOS. Fl. 550DF CARF MF Processo nº 10983.720669/201381 Acórdão n.º 3301005.129 S3C3T1 Fl. 489 13 Assim, pelas razões apresentadas, podemos concluir que na operação de importação albergada pelas DIs destacadas no Relatório deste Acórdão ocorreu a ocultação do real adquirente, através da interposição da empresa autuada, , caracterizando a ocorrência da infração descrita no art. 23, V, do Decretolei n.º 1.455/76. É obrigação do importador informar na Declaração de Importação quem é o adquirente da mercadoria, ou o encomendante, nos termos do artº 3º da IN SRF 225/2002 como também no artº 3º da IN SRF 634/2006. Mesmo que se alegue, como de fato alegou a empresa MIAKI, que o Erário não deixou de efetuar o recolhimento que lhe cabia, a burla dos controles aduaneiros ocorreu, pois não é o real importador que se apresenta perante à fiscalização com o seu nome no despacho aduaneiro. A fiscalização intimou a interessada através do Termo de Início nº 011201 (Termo de Início 0112) a apresentar o conhecimento de frete/carga para o transporte entre o recinto alfandegado e a empresa pelo transportador, a devida nota fiscal de entrada e os assentamentos no Livro de Registro de Entradas e Inventário. comprovantes de integralização do capital social, cópias dos extratos e documentos instrutivos das Declarações de Importação nº 10/19939437, 11/00491629, 11/07459240, 11/13019931, 11/14442986 e 11/16814414, cópias da notas fiscais de entrada e saída, conhecimentos de transporte tanto da operação de entrada quanto por ocasião da venda, cópia do livro Diário e de Registro de Entradas e Saídas de Mercadorias com o respectivo registro das entradas/saídas e Inventário, comprovante de pagamento das importações e cópia do extrato bancário comprovando o recebimento pelas vendas das mercadorias importadas. Também foram solicitados: declaração assinada pelos sócios informando a forma de processamento das importações, responsáveis pelas tratativas comerciais em nome da empresa, informações do fechamento de câmbio e preenchimento de uma tabela informativa a respeito dos pagamentos relativos às Declarações de Importação. Das notas fiscais de saí da apresentadas (Notas e Fretes), constatouse que as mercadorias importadas ao amparo das DIs objeto da fiscalização haviam sido vendidas em sua totalidade para duas empresas, sendo uma delas a Miaki Serviços e Comércio Ltda Dessa forma, considerando os fundamentos constantes do Auto de Infração/acórdão impugnado, dentre os quais a própria afirmação da Recorrente de que as mercadorias não foram registradas no seu livro contábil porque não ingressaram no estoque, propõese manter integralmente o entendimento da decisão recorrida. Fl. 551DF CARF MF Processo nº 10983.720669/201381 Acórdão n.º 3301005.129 S3C3T1 Fl. 490 14 II.3 Da ausência dos pressupostos de caracterização da infração Segundo a Recorrente, a Fiscalização não demonstrou ter ocorrido o uso de recursos de terceiros na operação de importação. Defende possuir capacidade financeira compatível com as importações realizadas. Afirma também que todas as despesas com o Siscomex e com os tributos incidentes na importação e no fechamento do câmbio foram pagas diretamente pela Recorrente. Afirma ainda a Recorrente que, do confronto entre as notas fiscais de entrada e saída, verificase que a margem de lucro de revenda no mercado interno foi entre 30% e 80%, o que denotaria sua real atividade econ No entanto, os elementos levantados pela Fiscalização constantes do item anterior são suficientes para evidenciar a infração, dentre os quais destacamse: Nas notas fiscais de saída apresentadas, verificouse que as mercadorias importadas ao amparo das DIs objeto da fiscalização haviam sido vendidas em sua totalidade para duas empresas, sendo uma delas a Miaki Serviços e Comércio Ltda. Para nenhuma das DIs fiscalizadas o contribuinte apresentou o conhecimento de carga da operação de transporte das mercadorias desde o recinto alfandegado até suas instalações. Como todas elas foram desembaraçadas em recintos alfandegados da cidade de Itajaí SC), onde a fiscalizada não possui instalações, obrigatoriamente deveria haver o transporte até um de seus endereços para a devida entrada e armazenagem. Não ha prova do transporte. Ficou constatado que ambos os endereços declarados pelo contribuinte são salas em prédios comerciais, sendo inclusive ressaltado por este que sua matriz em Florianópolis estaria destinada APENAS a atividade de escritório conforme o parágrafo primeiro da cláusula segunda do contrato social. Não havendo, portanto, espaço para receber as mercadorias. Embora a interessada RUELL alegue que as mercadorias foram contabilizadas no estoque, cabe destacar que, intimado a apresentar (item 5.3 da intimação): “5.3 Cópia do Livro Diário e Livro de Registro de Entradas e Saídas de Mercadorias e Inventário com o devido registro de entrada da mercadoria. Relacionar com a Declaração de Importação pertencente e destacar a entrada de interesse” (grifou), o contribuinte respondeu, fls. 44: ““4. Quanto a solicitação contida nos itens 5.3 e 5.7, informase que as mercadorias não foram registradas no Livro Registro de Inventário, haja vista que não ingressaram no estoque.” Ou seja, mercadorias importadas na modalidade direta, sem cliente prédefinido como deveria ser nesta modalidade, não foram registradas no Livro de Inventário simplesmente porque NÃO INGRESSARAM NO ESTOQUE. Fl. 552DF CARF MF Processo nº 10983.720669/201381 Acórdão n.º 3301005.129 S3C3T1 Fl. 491 15 Nas colunas “Data Desembaraço”, “NF Entrada” e “NF Saída” há uma proximidade entre estas três datas para todas as Declarações de Importação. Como bem destacou a fiscalização, esta proximidade entre as datas é mais compatível com operações de importação “por conta e ordem de terceiros” ou por “encomenda”. Entretanto a RUELL declara realizar importações na modalidade “por conta propria”. Analisadas as colunas “NF Entrada” e “NF Saída” observamos que os números das notas fiscais de saída são imediatamente seqüenciais aos das respectivas notas de entrada EM TODAS AS DIs. Exemplo para a DI de nº 10/19939437 que teve nota fiscal de entrada nº 314, as notas fiscais de saída foram 315 e 316. Ademais, as datas de emissão das notas de entrada e saída para uma mesma Declaração de Importaão SÃO AS MESMAS PARA TODOS OS CASOS. Em face do exposto, propõese também neste item manter o entendimento da decisão recorrida. II.4 Do princípio do ne bis in idem Defende a Recorrente que com o advento da Lei nº 11.488/2007, a multa de 100% do valor aduaneiro deixou de ser aplicável ao importador ostensivo. Contudo, esse não é o entendimento predominante neste Conselho. A multa de 10% destinase a apenar exclusivamente a cessão de nome a terceiro ao passo que a pena de perdimento aplicase no caso de importação com interposição fraudulenta, a qual deve ser substituída pela multa de 100% no caso de mercadoria não localizada, consumida ou revendida. Concernente à aplicação da multa de 10% por cessão de nome de que trata o artigo 33 da Lei nº 11.488/2007, salientase que sua aplicação é cabível no caso de interposição real e não no caso de interposição presumida de que trata o presente processo. Tal situação restou esclarecida na IN SRF 228/2002 em seu artigo 11: Art. 11. Concluído o procedimento especial, aplicarseá a pena de perdimento das mercadorias objeto das operações correspondentes, nos termos do art. 23, V do Decretolei nº 1.455, de 7 de abril de 1976, na hipótese de: I ocultação do verdadeiro responsável pelas operações, caso descaracterizada a condição de real adquirente ou vendedor das mercadorias; II interposição fraudulenta, nos termos do § 2º do art. 23 do Decretolei nº 1.455, de 1976, com a redação dada pela Medida Provisória nº 66, de 29 de agosto de 2002, em decorrência da não comprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados, inclusive na hipótese do art. 10. 1º Na hipótese prevista no inciso I do caput, será aplicada, além da pena de perdimento das mercadorias, a multa de que trata o Fl. 553DF CARF MF Processo nº 10983.720669/201381 Acórdão n.º 3301005.129 S3C3T1 Fl. 492 16 art. 33 da Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007.(Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1678, de 22 de dezembro de 2016) § 2º Na hipótese prevista no inciso II do caput, além da aplicação da pena de perdimento das mercadorias, será instaurado procedimento para declaração de inaptidão da inscrição da empresa no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ). (Incluído(a) pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1678, de 22 de dezembro de 2016) . De fato, com a edição do artigo 33 da Lei nº 11.488/2007, à hipótese de aplicação da multa por cessão de nome não se aplica a declaração de inaptidão de que trata o artigo 81 da Lei nº 9.430/1996, hipótese de que tratam estes autos: Lei nº 11.488/2007: Art. 33. A pessoa jurídica que ceder seu nome, inclusive ediante a disponibilização de documentos próprios, para a realização de operações de comércio exterior de terceiros com vistas no acobertamento de seus reais intervenientes ou beneficiários fica sujeita a multa de 10% (dez por cento) do valor da operação acobertada, não podendo ser inferior a R$ 5.000,00 (cinco mil reais). Parágrafo único. À hipótese prevista no caput deste artigo não se aplica o disposto no art. 81 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Lei nº 9.430/1996: Art. 81. Poderá ser declarada inapta, nos termos e condições definidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, a inscrição no CNPJ da pessoa jurídica que, estando obrigada, deixar de apresentar declarações e demonstrativos em 2 (dois) exercícios consecutivos. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 1o Será também declarada inapta a inscrição da pessoa jurídica que não comprove a origem, a disponibilidade e a efetiva transferência, se for o caso, dos recursos empregados em operações de comércio exterior. (Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) Colacionamos entendimento constante da decisão recorrida: O CARF exarou o acórdão nº 310200.662, de 24/05/2010, assim ementado: “REFLEXO DO ART. 33 da LEI nº 11.488, de 2007, SOBRE O INCISO V DO ART. 23 DO DECRETOLEI Nº 1.475, DE 1976. AUSÊNCIA. O art. 33 da Lei nº 11.488, de 2007 não produz qualquer reflexo sobre a imposição da pena de perdimento ou multa substitutiva à hipótese de ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação. Jurisprudência.” Fl. 554DF CARF MF Processo nº 10983.720669/201381 Acórdão n.º 3301005.129 S3C3T1 Fl. 493 17 Destacase, ainda que esse entendimento é consolidado, inclusive nesta turma: APLICAÇÃO DA MULTA POR CESSÃO DE NOME. SUBSTITUIÇÃO DA MULTA DO PERDIMENTO DA MERCADORIA PELA MULTA DO ART. 33 DA LEI Nº 11.488/07. A multa do art. 33 da Lei nº 11.488/07 veio para substituir a pena de inaptidão do CNPJ da pessoa jurídica, quando houver cessão de nome para a realização de operações de comércio exterior de terceiros com vistas no acobertamento de seus reais intervenientes ou beneficiários, e não prejudica e nem substitui a incidência da hipótese de dano ao erário, por ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, prevista no art. 23, V, do DL nº 1.455/76, apenada com perdimento da mercadoria (Acórdão nº 3301003.086 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária) Do Recurso Voluntário apresentado pela Miaki Serviços e Comércio Ltda II Preliminar de nulidade Em relação à preliminar, colaciono o entendimento constante da decisão recorrida, o qual adoto integralmente: Da alegada falta de reintimação para a empresa Miaki Alegaram as interessadas que caberia ao Agente Fiscal uma nova tentativa de intimação, nos termos do art. 23,§ 1º, do Decreto nº 70.235/1972 (intimação por Edital). Nos termos do artigo 234 do Código de Processo Civil: “intimação é o ato pelo qual se dá ciência a alguém dos atos e termos do processo, para que faço algo ou deixe de fazer alguma coisa”. Na interpretação de Ives Gandra da Silva Martins (“Aspectos do Processo Administrativo Tributário” – Processo Administrativo Fiscal, 4º vol., Dialética, São Paulo, 1999), o princípio do devido processo legal pode ser entendido como o conjunto de direitos e garantias, dentre os quais, o direito ao contraditório e a ampla defesa nos litígios administrativos e judiciais, assegurando aos litigantes todos os recursos e meios inerentes a seu exercício. E assim também deverá ocorrer no processo administrativo fiscal de determinação e exigência do crédito tributário, estando constitucionalmente assegurado, ao contribuinte o direito de se manifestar e impugnar o lançamento tributário, de modo mais lato possível. No entanto, antes de surgir a relação processual, administrativo tributária, tem lugar o procedimento fiscal de natureza eminentemente inquisitória, onde cabe ao contribuinte colaborar e respeitar os poderes legais dos quais a autoridade administrativa está investida. Neste momento não se tem ainda Fl. 555DF CARF MF Processo nº 10983.720669/201381 Acórdão n.º 3301005.129 S3C3T1 Fl. 494 18 formada a relação jurídica processual, e o sujeito passivo não atua como parte, o que somente vem ocorrer com a apresentação da impugnação contestando o lançamento de tributo e/ou de imposição de penalidade. Sobre esta questão, assim leciona James Marins (Direito Processual Tributário Brasileiro: Administrativo e Judicial, Ed. Dialética, São Paulo, 2001, pp. 222/223): “O procedimento administrativo fiscalizador interessa apenas ao Fisco e tem finalidade instrutória, estando fora da possibilidade, ao menos enquanto mera fiscalização, dos questionamentos processuais do contribuinte. É justamente a presença, ou não, de uma pretensão deduzida ante ao contribuinte, o que separa o procedimento, atinente exclusivamente ao interesse do Estado, do processo, que vincula além do Estado, o contribuinte. Só quando houver vinculação do contribuinte se fará lícito aludir a processo, antes não. Corroborando tal assertiva, basta se atinar para que nem todo procedimento fiscalizatório irá conduzir necessariamente a uma exação, havendo clara separação entre os dois momentos.” Essa exegese encontra coerência com o disposto no artigo 14 do Decreto 70.235/72, que preceitua: “a impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento”. Portanto, a autoridade competente, ao verificar a infração e entender presente as provas necessárias à caracterização da infração ou do ilícito fiscal, não está obrigada a conceder defesa antes da cientificação do respectivo lançamento ao sujeito passivo, posto que é com a apresentação da impugnação que o procedimento se verte em processo, estabelecendose, por conseguinte, o efetivo conflito de interesses: de um lado o Fisco que acusa a existência de débito tributário, fundando sua pretensão de recebêlo e, de outro, o sujeito passivo, que opõe resistência por meio da apresentação de defesa administrativa (impugnação). É a partir desse momento, ou seja, com o início da fase processual, que se impõe a aplicação, no âmbito administrativo, do princípio constitucional da garantia ao devido processo legal, no qual está compreendido o respeito à ampla defesa, nos termos do artigo 5º, inciso LV, da Constituição Federal. Da solidariedade não destacada no Auto de Infração A alegação da empresa MIAKI de que, apesar de constar como solidária, não houve sua qualificação como autuada no Auto de Infração não prospera tendo em vista que no “RELATÓRIO DE PROCEDIMENTO FISCAL”, parte integrante do Auto de Infração, fls. 10, temos claramente descrito no cabeçalho do Relatório o CONTRIBUINTE (IMPORTADOR) no caso a RUELL e o RESPONSÁVEL SOLIDÁRIO (REAL ADQUIRENTE) no caso a empresa MIAKI, perfeitamente qualificados. Fl. 556DF CARF MF Processo nº 10983.720669/201381 Acórdão n.º 3301005.129 S3C3T1 Fl. 495 19 III.1 Da não ocorrência da infração Alega a Recorrente que não ficou demonstrada a falta de capacidade econômica da empresa importadora ou mesmo a utilização de recursos financeiros de terceiros das operações de importação. Assevera que os elementos coletados pela Fiscalização revelam presenções simples que não se apresentam suficientemente robustas e sérias para provar a infração. Neste, item retomamos os fundamentos constantes dos itens do Recurso Voluntário da pela Ruell Importação e Exportação Ltda, acima II.2 Da fragilidade dos indícios apontados pela Fiscalização e II.3 Da ausência dos pressupostos de caracterização da infração para propor que seja mantido o entendimento da decisão recorrida. III.2 Da ausência de dano ao erário Quanto ao dano ao erário, os artigos 23 e 24 do Decreto nº 1.455/1976 estipulam o que se considera dano ao erário: Art 23. Consideramse dano ao Erário as infrações relativas às mercadorias: I importadas, ao desamparo de guia de importação ou documento de efeito equivalente, quando a sua emissão estiver vedada ou suspensa na forma da legislação específica em vigor; II importadas e que forem consideradas abandonadas pelo decurso do prazo de permanência em recintos alfandegados nas seguintes condições: a) 90 (noventa) dias após a descarga, sem que tenh sido iniciado o seu despacho; ou b) 60 (sessenta) dias da data da interrupção do despacho por ação ou omissão do importador ou seu representante; ou c) 60 (sessenta) dias da data da notificação a que se refere o artigo 56 do DecretoIei número 37, de 18 de novembro de 1966, nos casos previstos no artigo 55 do mesmo Decretolei; ou d) 45 (quarenta e cinco) dias após esgotarse o prazo fixado para permanência em entreposto aduaneiro ou recinto alfandegado situado na zona secundária. III trazidas do exterior como bagagem, acompanhada ou desacompanhada e que permanecerem nos recintos alfandegados por prazo superior a 45 (quarenta e cinco) dias, sem que o passageiro inicie a promoção, do seu desembaraço; IV enquadradas nas hipóteses previstas nas alíneas " a " e " b " do parágrafo único do artigo 104 e nos incisos I a XIX do artigo 105, do Decretolei número 37, de 18 de novembro de 1966. V estrangeiras ou nacionais, na importação ou na exportação, na hipótese de ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, mediante fraude ou Fl. 557DF CARF MF Processo nº 10983.720669/201381 Acórdão n.º 3301005.129 S3C3T1 Fl. 496 20 simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) VI (Vide Medida Provisória nº 320, 2006) § 1o O dano ao erário decorrente das infrações previstas no caput deste artigo será punido com a pena de perdimento das mercadorias. (Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) § 2o Presumese interposição fraudulenta na operação de comércio exterior a nãocomprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) § 3o As infrações previstas no caput serão punidas com multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria, na importação, ou ao preço constante da respectiva nota fiscal ou documento equivalente, na exportação, quando a mercadoria não for localizada, ou tiver sido consumida ou revendida, observados o rito e as competências estabelecidos no Decreto no 70.235, de 6 de março de 1972. (Redação dada pela Lei nº 12.350, de 2010) § 4o O disposto no § 3o não impede a apreensão da mercadoria nos casos previstos no inciso I ou quando for proibida sua importação, consumo ou circulação no território nacional.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) Art 24. Consideramse igualmente dano ao Erário, punido com a pena prevista no parágrafo único do artigo 23, as infrações definidas nos incisos I a VI do artigo 104 do Decretolei numero 37, de 18 de novembro de 1966. Percebese que o dano ao erário configurase por uma determinação específica legal, tratase de uma presunção legal ou absoluta de dano ao erário nos casos enumerados. Dessarte, propõese manter o entendimento constante da decisão recorrida neste item. III.3 Da ausência da responsabilidade pela infração Alega a Recorrente que a regra de responsabilidade não se aplica ao presente caso porque não ficou demonstrado que a empresa realizou importações por conta e ordem ou que tenha concorrido para a prática da infração ou dela se beneficiado. Contudo,dos elementos juntados para comprovação da infração, verificouse, dentre outros, que as importações em pauta (neste processo) eram destinadas diretamente e na totalidade à Miaki Serviços e Comércio Ltda; que não há prova do transporte para a RUELLL e depois para a Miaki Serviços e Comércio Ltda; que as importações não circularam pelo estabelecimento da RUELL, porque não havia espaço físico e porque a própria RUELL informou à Fiscalização que as mercadorias não ingressaram no estoque; as notas fiscais de entrada e saída das DI são todas do mesmo dia. Fl. 558DF CARF MF Processo nº 10983.720669/201381 Acórdão n.º 3301005.129 S3C3T1 Fl. 497 21 Assim, por essas razões e pelas demais constantes da decisão recorrida, proponho manter integralmente o entendimento da decisão recorrida neste item. Por todo o exposto voto no sentido de manter integralmente a decisão recorrida, pelos seus próprios fundamentos, nos termos do § 1° do art. 50 da Lei n° 9.784/98 e do § 3° da Portaria MF n° 343/15 (RICARF), e negar provimento ao Recurso Voluntário (assinado digitalmente) Liziane Angelotti Meira Voto Vencedor Conselheiro Marcelo Costa Marques d'Oliveira Redator Designado A fiscalização acusou a recorrente de ter declarado como diretas importações que na verdade teriam sido efetuadas a conta e ordem da empresa de RM Revestimentos Monolíticos Ltda e Miaki Serviços e Comércio Ltda.. O presente processo trata apenas das importações, cujas saídas tiveram como destino a empresa Miaki. Diante disto, capitulou a infração no inciso V do caput e no § 1° do art. 23 do Decretolei n° 1.455/76, com aplicação da pena de perdimento da mercadoria. Dada a impossibilidade de as mercadorias serem apreendidas, a penalidade foi convertida em multa pecuniária, equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria (§ 3° do art. 23 do Decretolei n° 1.455/76). O agente fiscal chegou a tal conclusão, em virtude de ter identificado o seguinte: i) Todas as mercadorias importadas pelas DI objetos de foram vendidas para as empresas RM e Miaki. A "característica básica para este tipo de transação são vendas pulverizadas no mercado interno" (fl. 28). ii) As mercadorias foram desembaraçadas no porto de Itajaí (SC), onde a recorrente não possui instalações. Não foram apresentados conhecimentos de transporte para estabelecimento da recorrente. iii) Nos conhecimentos de transporte das vendas, consta que as mercadorias partiram das cidades de Florianópolis (SC) e Brasília (DF), onde a recorrente não tinha estabelecimentos com capacidade para tanto. iv) Havia proximidade entre as datas das DI. Para todas as notas fiscais de entrada, havia duas de saída e para as mesmas compradoras. Tais fatos são típicos de operações a conta e ordem ou para revenda a encomendante predeterminado. Nestes casos, não há "risco de revenda das mercadorias importadas", o que é "característica essencial da importação direta". v) Em relação a algumas DI auditadas, as datas de emissão das notas fiscais de entrada e saída eram idênticas. E as vendas foram realizadas por meio de duas notas fiscais de saída de numeração sequencial. Fl. 559DF CARF MF Processo nº 10983.720669/201381 Acórdão n.º 3301005.129 S3C3T1 Fl. 498 22 vi) As mercadorias importadas não foram escrituradas no Livro de Inventário, o que "leva a fortes de indícios de que estas mercadorias sequer tenham sido fisicamente transportadas para a empresa". vii) Os importadores de fato não tinham habilitação para operar no comércio exterior. Com a devida vênia, discordo do agente fiscal e da i. Conselheira Relatora. Os fatos identificados pela fiscalização não são suficientes para que se conclua que as importações teriam sido efetuadas a conta e ordem ou mesmo por encomenda das empresas RM e Miaki. A Receita Federal do Brasil, no uso da atribuição que lhe foi conferida pelo inciso I do artigo 80 da Medida Provisória 2.15835, de 2001, § 1º do artigo 11 da Lei nº 11.281, de 2006, e pelo artigo 16 da Lei 9.779, de 1999, editou as Instruções Normativas SRF nº 225/02 e 634/06, que estabeleceram requisitos e condições para a realização de importações por conta e ordem de terceiros e por encomenda, respectivamente. Assim foram conceituadas: "IN SRF n° 225/02 Art. 1º O controle aduaneiro relativo à atuação de pessoa jurídica importadora que opere por conta e ordem de terceiros será exercido conforme o estabelecido nesta Instrução Normativa. Parágrafo único. Entendese por importador por conta e ordem de terceiro a pessoa jurídica que promover, em seu nome, o despacho aduaneiro de importação de mercadoria adquirida por outra, em razão de contrato previamente firmado, que poderá compreender, ainda, a prestação de outros serviços relacionados com a transação comercial, como a realização de cotação de preços e a intermediação comercial." "IN SRF n° 634/06 Art. 1º O controle aduaneiro relativo à atuação de pessoa jurídica importadora que adquire mercadorias no exterior para revenda a encomendante predeterminado será exercido conforme o estabelecido nesta Instrução Normativa." Não há nos autos uma única prova de que as importações em comento foram realizadas com recursos das empresas RM e Miaki., para que pudessem ser consideradas como realizadas a conta e ordem das mesmas, tais como: transferências de recursos dos ditos reais adquirentes para a recorrente, com o objetivo de liquidar as correspondentes operações de câmbio; e prática de margem de lucro nas vendas incompatível com os respectivos mercados e também insuficiente para cobrir os custos da operação e ainda gerar lucros. E igualmente não há elementos que comprovassem terem sido cursadas por encomenda, tais como, evidências documentais da existência de acordos comerciais prévios Fl. 560DF CARF MF Processo nº 10983.720669/201381 Acórdão n.º 3301005.129 S3C3T1 Fl. 499 23 entre a Miaki e a RM e a recorrente, em que constassem compromisso desta última identificar exportador capacitado para vender determinados tipos de mercadorias, respeitando prazos e quantidades definidos pelos encomendantes. Sendo assim, dou provimento do recurso voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) Marcelo Costa Marques d'Oliveira Fl. 561DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10120.907986/2009-84
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 14 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Dec 20 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 2005
PER/DCOMP. RECOLHIMENTO POR ESTIMATIVA. SALDO NEGATIVO. DIREITO CREDITÓRIO. .
A estimativa recolhida,. afastado eventual pagamento a maior ou indevido, forma o saldo negativo do contribuinte, devendo respeitar a sua metodologia própria para o pleito do direito creditório correspondente via PER/DCOMP.
PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO.
A retificação da PER/DCOMP deve respeitar as normas previstas para sua ocorrência, não cabendo ao CARF este feito por mero pedido em peça recursal.
Numero da decisão: 1402-003.240
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10120.904646/2009-00, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Paulo Mateus Ciccone - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:
Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Sergio Abelson (Suplente Convocado) , Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Eduardo Morgado Rodrigues (Suplente Convocado) e Paulo Mateus Ciccone.
Nome do relator: PAULO MATEUS CICCONE
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2005 PER/DCOMP. RECOLHIMENTO POR ESTIMATIVA. SALDO NEGATIVO. DIREITO CREDITÓRIO. . A estimativa recolhida,. afastado eventual pagamento a maior ou indevido, forma o saldo negativo do contribuinte, devendo respeitar a sua metodologia própria para o pleito do direito creditório correspondente via PER/DCOMP. PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO. A retificação da PER/DCOMP deve respeitar as normas previstas para sua ocorrência, não cabendo ao CARF este feito por mero pedido em peça recursal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 10120.904646/200900, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Presidente e Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 90 79 86 /2 00 9- 84 Fl. 92DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Sergio Abelson (Suplente Convocado) , Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Eduardo Morgado Rodrigues (Suplente Convocado) e Paulo Mateus Ciccone. Fl. 93DF CARF MF Processo nº 10120.907986/200984 Acórdão n.º 1402003.240 S1C4T2 Fl. 3 3 Relatório Trata o presente de Recurso Voluntário interposto em face de decisão proferida pela 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Brasília DF, em primeira instância administrativa, que julgou IMPROCEDENTE, a manifestação de inconformidade do contribuinte em epígrafe, agora recorrente. Do Despacho Decisório: Trata o presente processo da Declaração de Compensação, na qual a recorrente alega possuir crédito contra a Fazenda Pública, decorrente de pagamento a maior ou indevido, buscando extinguir por compensação de débito próprio, conforme detalhamento que consta no Despacho Decisório acostado aos autos. Transmitida, a DCOMP recebeu da DRF de origem o Despacho Decisório de ‘não homologação’ da compensação", cujas razões de negação se fundam na utilização integral do pagamento discriminado para a quitação de outro débito. Portanto, não haveria crédito disponível para a compensação em análise. Da Manifestação de Inconformidade: Inconformada com o despacho decisório, a recorrente interpôs a manifestação de inconformidade, na qual alega, em síntese, que efetuou recolhimentos a maior conforme apurado na DIPJ 2006, sob o regime de tributação com base em balancete de suspensão ou redução do imposto. Pediu revisão do despacho decisório. Da decisão da DRJ: A DRJ, em seu julgamento, considerou improcedente a manifestação de inconformidade, e não reconheceu o direito creditório pleiteado, e consequente não homologação da compensação da PER/DCOMP objeto do presente processo. Na decisão ora recorrida, entendeuse , que sob a égide dos artigos 2°, 6°, e 28 a 30 da Lei n° 9.430/1996; artigo 6°, parágrafo único, da Lei n° 7.689/1988; e artigos 221 a 232 do Decreto n° 3.000/99, os valores pagos a título de estimativa de IRPJ e CSLL não poderiam ser considerados crédito em favor do contribuinte, sob a qualificação de "pagamento indevido ou a maior". Sob o regime de apuração de IRPJ e CSLL em referência, o contribuinte ficaria obrigado a antecipar ao Fisco, mensalmente, parte desse tributo, calculado com base em sua receita bruta, e aplicação de um percentual pré definido com vistas ao cálculo do lucro real, com a faculdade de suspender ou reduzir o pagamento do tributo devido, desde que Fl. 94DF CARF MF 4 demonstrado por balancetes mensais, que o valor acumulado já pago até o mês anterior exceda o valor do tributo calculado com base no lucro real auferido até aquele mês. Dessa maneira, o fato gerador do IRPJ e da CSLL abrangeria todas as situações ocorridas durante o ano calendário, e o tributo devido seria apurado no encerramento do respectivo período. Do Recurso Voluntário: Irresignada com o a decisão, apresentou recurso voluntário em que expõe que as origem dos créditos compensados por meio do PER/DCOMP advém dos recolhimentos de IRPJ e da CSLL referentes ao anocalendário 2005, recolhidos a maior, conforme sua DIPJ. Na PER/DCOMP, onde deveria ser assinalado créditos de saldo negativo de IRPJ ou CSLL, fora preenchido pagamento indevido ou a maior. Contudo, entende demonstrado que houve saldo negativo de IRPJ ou CSLL, e tal circunstância seria mero erro formal. Ademais, requer autorização para retificar do PER/DCOMP, ou, ainda, sejam compensados os referidos débitos nesta com os créditos em foco. É o relatório. Fl. 95DF CARF MF Processo nº 10120.907986/200984 Acórdão n.º 1402003.240 S1C4T2 Fl. 4 5 Voto Conselheiro Paulo Mateus Ciccone Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1402003.327, de 14/06/2018, proferido no julgamento do Processo nº 10120.904646/2009 00, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1402003.327): "O recurso voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, podese dele conhecer. Antes de adentrar no mérito, cabe informar que o julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015, sendo o paradigma. Síntese dos fatos Primeiramente, fica bem claro nos autos, conforme anexo I da manifestação de inconformidade (demonstrativo do crédito utilizado no PER/DCOMP), que o direito creditório que está sendo pleiteado pela recorrente, e com seu conhecimento, é saldo negativo de IRPJ ou base de cálculo negativa de CSLL. A recorrente ao preencher a PER/DCOMP, informou que houve um pagamento indevido ou a maior de estimativa para justificar o direito creditório pelo qual objetivava extinguir o débito, conforme consta no pedido de compensação. Contudo, foi denegado pela autoridade fiscal conforme Despacho Decisório, pois o crédito pleiteado estava alocado, quitando o débito correspondente da antecipação do IRPJ (ou da CSLL). Fl. 96DF CARF MF 6 Sua manifestação de inconformidade vai ao encontro do informado acima, entendendo, contudo, que seria cabível a compensação, independente da designação dada. A decisão da DRJ considerou improcedente sua manifestação de inconformidade, pois, em linhas gerais, tal forma de compensar o saldo negativo do IRPJ (ou CSLL) não seria a correta, de acordo com as normas aplicáveis. Em sede recursal, reitera, o seu entendimento que tem o direito, reforçando nas suas alegações que é realmente um saldo negativo de IRPJ (ou CSLL), e que tal posicionamento de não homologação seria equivocado, pois teria ocorrido mero erro formal quando preencheu a sua PER/DCOMP. Adicionalmente, requer autorização para retificação do PER/DCOMP e mantidas as compensações pleiteadas. Do mérito O presente caso envolve uma questão recorrente neste CARF, que seria de qual a natureza jurídica do recolhimento das estimativas de IRPJ e CSLL, em que a recorrente entende que o recolhido antecipadamente a maior foi indevido, querendo que seja tratado como uma repetição de indébito. Conforme entendimento consolidado deste CARF e através de matéria já sumulada1, para ser caracterizada uma estimativa recolhida como indébito, é necessário que tenha ocorrido realmente um pagamento indevido ou maior, o que exigiria demonstração de erro na apuração. Ou seja, se fosse o caso, o valor pago de estimativas foi superior ao devido, com base na receita bruta, ou em balanço de suspensão/redução, e a repetição do indébito poderia ser até, inclusive, no curso do ano calendário da período que se refere o pagamento indevido. Compulsando os autos, em nenhum momento é mencionado, e muito menos demonstrado, pela recorrente que foi um pagamento indevido ou a maior de estimativa. Pelo contrário, reitera e reforça que o caso é de pagamentos de estimativas recolhidos devidamente e, que no final do ano apurou excesso de recolhimentos, além do necessário, o que se configura saldo negativo (tanto de IRPJ quanto de CSLL). Aqui, cabe destacar a importância da distinção material entre o direito creditório se basear em pagamento indevido de estimativa ou saldo negativo. Aquele, sendo um indébito, geraria o direito a atualização monetária a partir do mês seguinte da sua ocorrência. Este, só haveria sua apuração do encerramento do exercício, e sua atualização monetária no mês seguinte. No caso da recorrente, ao ser optante do lucro real anual no ano calendário de 2005, e há valores recolhidos em vários meses ao longo de ano, poderia haver alguma repercussão financeira, em seu favor (e por consequência em prejuízo ao erário) se seguisse 1 Súmula CARF nº 84: Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. Fl. 97DF CARF MF Processo nº 10120.907986/200984 Acórdão n.º 1402003.240 S1C4T2 Fl. 5 7 com a visão de eventuais estimativas recolhidas a maior seriam indébitos, e não saldo negativo. Não se quer aqui negar o direito da recorrente de tratar como indébito eventual estimativa recolhida a maior ou erroneamente, devidos a erro na sua apuração da base de cálculo, pois nestes casos tratável como repetição de indébito. Contudo, não resta alegado, e por consequência, nem comprovado em nenhum momento que houve um erro no pagamento da estimativa da sua parte, e como já dito anteriormente, muito pelo contrário, há sua afirmação que foram pagamentos de estimativas corretas que geraram o saldo negativo de IRPJ ou CSLL. Portanto, muito mais que um problema formal no preenchimento da PER/DCOMP, de qualificação como pagamento indevido ou saldo negativo, conforme alegado na sua peça recursal, estáse diante de um problema atinente à própria metodologia de apuração do IRPJ/CSLL, e suas consequências advindas, de acordo com a opção eleita pela recorrente. A recorrente estava bem ciente disso, pois trouxe planilhas (anexas à manifestação de inconformidade) que procuram demonstra a apuração do saldo negativo, o que denota que tinha compreensão da sistemática de apuração eleita. Nestas circunstâncias, corretas as negativas, tanto no despacho decisório quanto no acórdão a quo, do pleito da recorrente, pois se valeu erradamente do seu direito. Reforçase materialmente o posicionamento até agora deste voto, considerando vários processos de idêntico teor, envolvendo a recorrente e o mesmo anocalendário, e mesmas alegações, já julgados por este CARF em 2014 (exemplificando: processo 10120.904643/200968 acórdão 1302001.416). O mais importante destes processos para a presente lide é que anteriormente ao seu acórdão, fora convertido em diligência em 2012, para confirmação da existência ou não do crédito pleiteado, o qual o resultado da diligência foi concluindo pela inexistência do direito creditório, nos termos da PER/DCOMP, e a recorrente silenciou quando intimada. Desta sorte, não houve provimento ao recurso voluntário deste processo e dos demais julgados conjuntamente. Ademais, não cabe a este colegiado proceder a autorização para retificação da PER/DCOMP, como aduz e requer na sua peça recursal, algo a ser procedido pela recorrente, conforme disposto nas normais legais aplicáveis. Salientase que dadas as características próprias extintivas do crédito tributário, há restrições nas normas legais aplicáveis para retificação do pedido mediante a modificação do direito creditório aduzido na declaração de compensação, posto que tal procedimento desnaturaria o próprio objeto do processo e toda a discussão já ocorrida. Fl. 98DF CARF MF 8 Por isso limitamse as circunstâncias para retificação da PER/DCOMP, e independente das causas materiais que poderia ensejar tal situação, somente poderá ser retificada caso ainda se encontre pendente de decisão administrativa ou não houve intimação para apresentação de documentos comprobatórios, em eventual análise prévia ao despacho decisório. Agregase a isso o fato que no contencioso administrativo há limitações para tanto também. O art. 74 da Lei nº 9.430/1996, com a redação atual, previu que apenas a não homologação de compensação seria objeto de apreciação no contencioso administrativo2. E nos termos do parágrafo 1º do art. 7º do Anexo II da Portaria nº 343/2015 (Regimento Interno do CARF), a competência para julgamento de recurso envolve o crédito alegado3. Ou seja, não é caso de apreciação da retificação de PER/DCOMP, muito menos de autorizála. E entendo que ao caso não se aplica as inexatidões materiais para suscitar uma revisão de ofício, eventualmente aplicáveis conforme disposto no art. 32 do DecretoLei nº 70.235/19724. Pelo todo exposto, NEGO PROVIMENTO ao recurso voluntário. É como voto. 2 Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. § 1o A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados. (...) § 7o Não homologada a compensação, a autoridade administrativa deverá cientificar o sujeito passivo e intimálo a efetuar, no prazo de 30 (trinta) dias, contado da ciência do ato que não a homologou, o pagamento dos débitos indevidamente compensados. § 8o Não efetuado o pagamento no prazo previsto no § 7o, o débito será encaminhado à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional para inscrição em Dívida Ativa da União, ressalvado o disposto no § 9o. § 9o É facultado ao sujeito passivo, no prazo referido no § 7o, apresentar manifestação de inconformidade contra a nãohomologação da compensação. § 10. Da decisão que julgar improcedente a manifestação de inconformidade caberá recurso ao Conselho de Contribuintes § 11. A manifestação de inconformidade e o recurso de que tratam os §§ 9o e 10 obedecerão ao rito processual do Decreto no 70.235, de 6 de março de 1972, e enquadramse no disposto no inciso III do art. 151 da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional, relativamente ao débito objeto da compensação. 3 Art. 7º Incluise na competência das Seções o recurso voluntário interposto contra decisão de 1ª (primeira) instância, em processo administrativo de compensação, ressarcimento, restituição e reembolso, bem como de reconhecimento de isenção ou de imunidade tributária. (Redação dada pela Portaria MF nº 153, de 2018) § 1º A competência para o julgamento de recurso em processo administrativo de compensação é definida pelo crédito alegado, inclusive quando houver lançamento de crédito tributário de matéria que se inclua na especialização de outra Câmara ou Seção. 4 Art. 32. As inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os erros de escrita ou de cálculos existentes na decisão poderão ser corrigidos de ofício ou a requerimento do sujeito passivo. Fl. 99DF CARF MF Processo nº 10120.907986/200984 Acórdão n.º 1402003.240 S1C4T2 Fl. 6 9 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário, conforme voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Fl. 100DF CARF MF
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Numero do processo: 10882.721934/2016-20
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Nov 14 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/05/2015 a 31/08/2015
RETIFICAÇÃO DA GFIP DEPOIS DA DO DESPACHO DECISÓRIO. POSSIBILIDADE.
Não há impedimento para que a Gfip seja retificada depois do indeferimento do pedido ou da não homologação da compensação.
TERÇO CONSTITUCIONAL DE FÉRIAS. QUINZE PRIMEIROS DIAS DO AFASTAMENTO POR AUXÍLIO-DOENÇA OU AUXÍLIO-ACIDENTE.
Diante da moldura constitucional e em razão da amplitude conceitual e legislativa dos conceitos de remuneração e salário-de-contribuição, no caso do adicional constitucional de férias, bem como nos quinze primeiros dias de afastamento do empregado por auxílio-doença ou auxílio-acidente, temos típicas hipóteses de interrupção do contrato de trabalho, razão pela qual, a despeito de inexistir prestação de serviço, há remuneração e, havendo remuneração paga, devida ou creditada, há incidência de contribuições previdenciárias. Conseqüentemente, tais valores, recolhidos pela recorrente, não podem ser considerados pagamentos indevidos.
RECURSOS REPETITIVOS. SISTEMÁTICA DO ART. 543 DO CPC ANTIGO OU DOS ARTS. 1.036 A 1.041 DO NOVO CPC. VINCULAÇÃO. ART. 62-A DO RICARF. DECISÕES NÃO TRANSITADAS EM JULGADO.
O STJ, no REsp 1.230.957, julgado na sistemática do artigo 543-C do Código de Processo Civil (recurso repetitivo), estabeleceu a não incidência de contribuição previdenciária sobre a remuneração (i) nos 15 dias anteriores à concessão de auxílio-doença, (ii) do terço constitucional de férias indenizadas ou gozadas. Todavia, a vinculação de conselheiro ao quanto decidido na sistemática dos recursos repetitivos somente ocorre quanto às decisões definitivas de mérito (art. 62-A, do Ricarf), o que somente ocorre com o trânsito em julgado das decisões, o que não ocorreu até a presente data. Em sentido semelhante, o disposto na Nota/PGFN/CRJ/N° 640, de 2014.
ALÍQUOTA DO GILRAT/SAT. GRAUS DE RISCO. ATIVIDADE PREPONDERANTE. AUSÊNCIA DE DEMONSTRAÇÃO.
A alíquota da contribuição destinada ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho (GILRAT) é definida pelo grau de risco da atividade preponderante, assim considerada aquela que ocupa o maior número de segurados empregados e trabalhadores avulsos no estabelecimento. Se o contribuinte não comprova que recolheu esse tributo com alíquota superior à devida, não há como reconhecer o direito creditório em seu favor.
Numero da decisão: 2301-005.595
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado: (a) por unanimidade de votos, conhecer parcialmente do recurso, não conhecendo das matérias a respeito das quais não há negativa do fisco na concessão do reconhecimento do direito creditório, nos termos do voto do relator; (b) por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso para afastar o óbice da falta de retificação de Gfip na análise do direito creditório relativo ao SAT/RAT; (c) pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso, em relação às demais matérias; vencidos os conselheiros Alexandre Evaristo Pinto (relator), Wesley Rocha, Juliana Marteli Fais Feriato e Marcelo Freitas de Souza Costa, que davam provimento ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro João Bellini Júnior.
(assinado digitalmente)
João Bellini Junior Presidente e redator para o voto vencedor
(assinado digitalmente)
Alexandre Evaristo Pinto - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Mauricio Vital, Wesley Rocha, Reginaldo Paixão Emos (suplente convocado para completar a representação fazendária), Alexandre Evaristo Pinto, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll (suplente convocada para substituir o conselheiro Antônio Sávio Nastureles, ausente justificadamente), Juliana Marteli Fais Feriato, Marcelo Freitas de Souza Costa e João Bellini Junior (Presidente). Ausente o conselheiro Antônio Sávio Nastureles.
Nome do relator: ALEXANDRE EVARISTO PINTO
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POSSIBILIDADE. Não há impedimento para que a Gfip seja retificada depois do indeferimento do pedido ou da não homologação da compensação. TERÇO CONSTITUCIONAL DE FÉRIAS. QUINZE PRIMEIROS DIAS DO AFASTAMENTO POR AUXÍLIODOENÇA OU AUXÍLIO ACIDENTE. Diante da moldura constitucional e em razão da amplitude conceitual e legislativa dos conceitos de remuneração e saláriodecontribuição, no caso do adicional constitucional de férias, bem como nos quinze primeiros dias de afastamento do empregado por auxíliodoença ou auxílioacidente, temos típicas hipóteses de interrupção do contrato de trabalho, razão pela qual, a despeito de inexistir prestação de serviço, há remuneração e, havendo remuneração paga, devida ou creditada, há incidência de contribuições previdenciárias. Conseqüentemente, tais valores, recolhidos pela recorrente, não podem ser considerados pagamentos indevidos. RECURSOS REPETITIVOS. SISTEMÁTICA DO ART. 543 DO CPC ANTIGO OU DOS ARTS. 1.036 A 1.041 DO NOVO CPC. VINCULAÇÃO. ART. 62A DO RICARF. DECISÕES NÃO TRANSITADAS EM JULGADO. O STJ, no REsp 1.230.957, julgado na sistemática do artigo 543C do Código de Processo Civil (recurso repetitivo), estabeleceu a não incidência de contribuição previdenciária sobre a remuneração (i) nos 15 dias anteriores à concessão de auxíliodoença, (ii) do terço constitucional de férias indenizadas ou gozadas. Todavia, a vinculação de conselheiro ao quanto decidido na sistemática dos recursos repetitivos somente ocorre quanto às decisões definitivas de mérito (art. 62A, do Ricarf), o que somente ocorre com o AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 2. 72 19 34 /2 01 6- 20 Fl. 836DF CARF MF 2 trânsito em julgado das decisões, o que não ocorreu até a presente data. Em sentido semelhante, o disposto na Nota/PGFN/CRJ/N° 640, de 2014. ALÍQUOTA DO GILRAT/SAT. GRAUS DE RISCO. ATIVIDADE PREPONDERANTE. AUSÊNCIA DE DEMONSTRAÇÃO. 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Acordam os membros do colegiado: (a) por unanimidade de votos, conhecer parcialmente do recurso, não conhecendo das matérias a respeito das quais não há negativa do fisco na concessão do reconhecimento do direito creditório, nos termos do voto do relator; (b) por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso para afastar o óbice da falta de retificação de Gfip na análise do direito creditório relativo ao SAT/RAT; (c) pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso, em relação às demais matérias; vencidos os conselheiros Alexandre Evaristo Pinto (relator), Wesley Rocha, Juliana Marteli Fais Feriato e Marcelo Freitas de Souza Costa, que davam provimento ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro João Bellini Júnior. (assinado digitalmente) João Bellini Junior – Presidente e redator para o voto vencedor (assinado digitalmente) Alexandre Evaristo Pinto Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Mauricio Vital, Wesley Rocha, Reginaldo Paixão Emos (suplente convocado para completar a representação fazendária), Alexandre Evaristo Pinto, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll (suplente convocada para substituir o conselheiro Antônio Sávio Nastureles, ausente justificadamente), Juliana Marteli Fais Feriato, Marcelo Freitas de Souza Costa e João Bellini Junior (Presidente). Ausente o conselheiro Antônio Sávio Nastureles. Relatório O presente processo tem por objeto manifestação de inconformidade apresentada pelo sujeito passivo acima identificado contra despacho decisório da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Osasco/SP que considerou não homologadas as compensações de contribuições previdenciárias por ele efetuadas nas competências 05/2015, 06/2015, 07/2015 e Fl. 837DF CARF MF Processo nº 10882.721934/201620 Acórdão n.º 2301005.595 S2C3T1 Fl. 3 3 08/2015 (nos valores de R$ 2.660.065,28, R$ 2.708.418,82, R$ 2.511.438,26 e R$ 2.725.507,04, respectivamente). O conteúdo do Despacho Decisório DRF/OSA/SEORT nº 325/2016 (fls. 11 a 17) pode ser resumido da seguinte maneira: Após ser intimado para apresentar justificativas para a origem dos créditos utilizados nas compensações efetuadas nas Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social GFIP, o sujeito passivo alegou que se tratava de: (i) valores indevidamente recolhidos à Previdência Social sobre remunerações pagas a funcionários a título de adicional constitucional de férias e primeiros quinze dias de afastamento por motivo de doença ou acidente, conforme decisões do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais; (ii) valores recolhidos a maior a título de SAT/GILRAT, nos termos da Solução de Consulta COSIT nº 49/2014, que orienta que cada órgão da Administração Pública Direta com inscrição no CNPJ deve verificar sua atividade preponderante para fins de determinação do grau de risco. Contudo, os créditos alegados pelo sujeito passivo não foram acatados. Os recolhimentos de contribuições incidentes sobre o terço constitucional de férias e quinze primeiros dias de afastamento não foram considerados indevidos em virtude da orientação contida na Nota PGFN/CRJ nº 640/2014 e também porque o sujeito passivo não apresentou GFIP retificadora com exclusão dessas rubricas da base de cálculo das contribuições previdenciárias. Já os recolhimentos efetuados a título de SAT/GILRAT não foram considerados como créditos porque o sujeito passivo não apresentou GFIPs retificadoras com informação da nova atividade preponderante e também não esclareceu qual atividade estava sendo considerada anteriormente e não relacionou todos os seus trabalhadores com suas respectivas funções para demonstrar qual seria a nova atividade preponderante a ser considerada. Assim, considerouse que não há elementos de prova da ocorrência de pagamentos a maior ou indevidos, inexistindo, por conseguinte, previsão legal para restituição ou compensação. Destacouse que, nos termos do art. 170 do Código Tributário Nacional, cabe ao contribuinte a demonstração, por meio de provas hábeis, da composição e da existência do crédito que alega possuir, para que a autoridade administrativa possa aferir sua liquidez e certeza. Salientouse também que a GFIP é instrumento hábil e suficiente para a exigência do crédito tributário, constituindose em termo de confissão de dívida, nos termos do art. 32 da Lei 8.212/91, c/c o art. 225 do Decreto 3.048/99. Por fim, concluiuse que “resta claro que as compensações realizadas em GFIP pelo contribuinte não encontram arrimo na legislação tributária vigente e devem ser consideradas não homologadas e os créditos tributários que foram supostamente assim liquidados devem retornar a condição de exigíveis nos sistemas de controle da RFB, desde os respectivos vencimentos, com os acréscimos legais previstos na legislação tributária vigente”. O sujeito passivo tomou ciência do Despacho Decisório no dia 11/07/2016 (fls. 19) e apresentou manifestação de inconformidade tempestiva no dia 02/08/2016 (fls. 22 a 34), acompanhada de documentos (fls. 32 a 93), na qual alega, em síntese, que: A recorrente é empregadora de trabalhadores sujeitos ao regime geral da previdência social e nessa condição é obrigada ao recolhimento da contribuição previdenciária patronal incidente sobre a folha de salários e da contribuição previdenciária destinada ao custeio do seguro de acidente de trabalho, tributos sujeitos a lançamento por homologação. Fl. 838DF CARF MF 4 Foram verificados recolhimentos a maior desses tributos, realizados em até 60 meses, de modo que foi realizada a apuração do respectivo crédito e sua compensação administrativa, nos termos da legislação vigente. Esse crédito se refere a recolhimentos de contribuição previdenciária calculada sobre valores pagos aos empregados a título de adicional de férias e primeiros quinze dias de afastamento por doença ou acidente, bem como valores pagos a maior a título de contribuição para o seguro acidente de trabalho. A compensação efetuada tem fundamento no art. 74 da lei 9.430/96, no art. 89 da lei 8.212/91, no art. 251 do Decreto 3.048/99 e no art. 56 da Instrução Normativa RFB nº 1.300/2012, dispositivos que permitem ao contribuinte, sempre que ocorrido o recolhimento indevido, o uso da via administrativa da compensação. A fiscalização não homologou a compensação dos créditos referentes ao terço de férias e primeiros quinze dias do auxíliodoença sob o argumento de que a PGFN ainda não autorizou a dispensa de recurso e contestação sobre esses assuntos. Contudo, as compensações foram feitas a partir de informações e decisões oriundas do próprio sistema processual da RFB, pois buscou amparo em decisões do CARF, tais como as proferidas nos processos 13161.720148/201396, 10630.720315/201175, 16095.000066/201199 e 10783.722724/201162. Portanto, o Município de Osasco apurou créditos em conformidade com a orientação das mais recentes decisões proferidas pelo órgão de recurso ao qual a Receita Federal do Brasil está vinculada. A orientação do CARF segue critérios jurídicos adequados, pois a Lei 8.212/91, em seu art. 22, I, determina que a contribuição incida sobre os valores da remuneração paga em retribuição pelo trabalho prestado, o que não é o caso do terço constitucional de férias e do pagamento referente aos primeiros quinze dias de afastamento do segurado. Inexistem normativas que determinem a inclusão de tais valores na base de cálculo da contribuição da empresa, motivo pelo qual a RFB deveria promover interpretação mais criteriosa. Não houve questionamento no Despacho Decisório a respeito dos valores compensados, de modo que requer o reconhecimento do direito creditório. Quanto à compensação envolvendo o SAT/GILRAT, não houve discordância da DRF quanto ao mérito dos créditos utilizados, sendo a não homologação fundamentada exclusivamente no fato de a interessada não ter enviado GFIPs retificadoras relativas às competências que originaram os créditos compensados. Historicamente, o Município de Osasco sempre contribuiu para a previdência sob a atividade “administração pública em geral”, mas analisando a verdadeira atividade desenvolvida por cada um de seus funcionários, verificouse que a atividade que de fato ocupou o maior número de funcionários nos exercícios de 2011, 2012, 2013 e 2014 foi a atividade de “educação infantil – pré escola”, fazendose então necessário o ajuste de seu enquadramento para esses períodos, conforme determinado pela própria RFB na Solução de Consulta COSIT nº 49/2014. Foram prestadas informações a respeito da origem desse crédito, inclusive em relação à composição dos valores, e a RFB não apresentou nenhuma oposição quanto ao mérito do crédito, resumindose a discordância da autoridade fiscal à questão formal concernente à falta de envio de GFIPs retificadoras. A RFB poderia ter notificado o contribuinte para que esclarecesse qual era a atividade equivocada e qual era a correta, solicitando documentos comprobatórios, mas em vez disso preferiu apegarse a aspectos formais. O dever de retificação da GFIP não desqualifica o crédito compensado. A administração tributária não tem qualquer tipo de discricionariedade com relação ao lançamento tributário. Essa mesma lógica de legalidade aplicase ao procedimento de compensação, de modo que não cabe à administração pública manter para si valores que não lhe são devidos. Diante disso, se a RFB não manifestou inconformismo com o fundamento de mérito da compensação, não poderia exigir o pagamento do crédito tributário. Havendo irregularidade relativa a obrigações acessórias, ao invés de exigir o crédito tributário, a RFB deveria ter lavrado multa por descumprimento de obrigação acessória (prevista no art. 32A da Fl. 839DF CARF MF Processo nº 10882.721934/201620 Acórdão n.º 2301005.595 S2C3T1 Fl. 4 5 Lei nº 8.212/91). Como não foi aberto procedimento de fiscalização e o Município prestou todos os esclarecimentos solicitados pela RFB, esta deveria ter marcado prazo para apresentação das referidas retificações na GFIP. O CARF reconhece que a inexistência de retificação da GFIP não infirma a existência do direito creditório e não constitui óbice à compensação ou restituição, conforme se verifica na decisão proferida pela Câmara Superior daquele órgão no processo nº 10972.720122/201143. Há, portanto, inadequação entre os fatos narrados no Despacho Decisório e a hipótese legal utilizada pela RFB, pois ou não se concorda com a existência do crédito, determinandose sua exigência, ou se aponta irregularidade de obrigações acessórias, com aplicação de multa. O lançamento tributário é informado pela verdade material, de modo que a suposta irregularidade formal na qual a recorrente incorreu não serve de fundamento para a inexistência do crédito. O CARF admite retificação de obrigações acessórias após a notificação fiscal, conforme decisões proferidas nos processos nºs 13971.900878/200877 e 10909.902571/200957. No presente caso o Município efetuou essa retificação, o que se comprova pelos documentos em anexo. De qualquer forma, não existe previsão legal determinando que a retificação de obrigação acessória é condição para a realização de compensação. O art. 56 da Instrução Normativa RFB nº 1300/2012 não condiciona a compensação à retificação (apenas a restituição é condicionada no art. 3º, § 11), de modo que o Despacho Decisório carece de fundamento legal nesse ponto. O próprio site da RFB, ao explicar o procedimento de compensação, também não informa essa necessidade. A melhor interpretação e aplicação do princípio da legalidade e da moralidade deveria ter motivado a RFB a notificar a interessada a apresentar as retificações das GFIPs, ao invés de coibir o uso de um crédito que foi apurado conforme Solução de Consulta proferida pela própria RFB. Ao final, com base nesses argumentos, o interessado requereu o acolhimento total de sua manifestação de inconformidade, com a conseqüente homologação da compensação realizada. Requereu também a imediata suspensão da exigibilidade do crédito em questão. O Acórdão da DRJ (fls. 86 e ss.) julgou a impugnação improcedente, recebendo a seguinte ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/05/2015 a 31/08/2015 COMPENSAÇÃO. PRÉVIA RETIFICAÇÃO DA GFIP. REQUISITO. A prévia retificação da GFIP da competência em que ocorreu o recolhimento indevido é condição obrigatória para realização de compensação de contribuições previdenciárias. TERÇO CONSTITUCIONAL DE FÉRIAS. PRIMEIROS QUINZE DIAS DE AFASTAMENTO POR DOENÇA OU ACIDENTE. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. O adicional constitucional de férias e a remuneração referente aos quinze primeiros dias de afastamento do empregado por motivo de doença ou acidente integram a base de cálculo das contribuições previdenciárias. Conseqüentemente, os valores Fl. 840DF CARF MF 6 recolhidos pela empresa sobre tais verbas não podem ser considerados pagamentos indevidos. ALÍQUOTA DO GILRAT/SAT. GRAUS DE RISCO. ATIVIDADE PREPONDERANTE. AUSÊNCIA DE DEMONSTRAÇÃO. A alíquota da contribuição destinada ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho (GILRAT) é definida pelo grau de risco da atividade preponderante, assim considerada aquela que ocupa o maior número de segurados empregados e trabalhadores avulsos no estabelecimento. Se o contribuinte não comprova que recolheu esse tributo com alíquota superior à devida, não há como reconhecer o direito creditório em seu favor. Irresignado, o ora Recorrente apresentou Recurso Voluntário (fls. 107 e ss.) reiterando os argumentos trazidos na impugnação. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Alexandre Evaristo Pinto, relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. No tocante às alegações sobre a diminuição da alíquota da contribuição SAT/RAT, não conheço das alegações, uma vez que não houve julgamento do mérito no tocante a tal ponto no Despacho Decisório (fl. 37), ou seja, não se trata de matéria litigiosa quanto ao mérito. Da Questão da Análise do Direito Creditório do Contribuinte relativo à contribuição SAT/RAT antes da Retificação da GFIP A questão central do presente processo administrativo é determinar se há ou não a possibilidade de compensação de crédito de pagamento indevido de contribuição previdenciária sem que haja alteração da GFIP. Em voto proferido no âmbito do Acórdão n. 2401002.403, a Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira destacou que há possibilidade de compensação de crédito decorrente de pagamento indevido ainda que a GFIP não tenha sido alterada, conforme pode ser observado abaixo: "FALTA DE CORREÇÃO DAS GFIP. Por fim, quanto ao segundo argumento trazido pelo auditor que não procedeu o município a retificação das GFIP, entendo que também não é suficiente para indeferir direito a compensação, uma vez que o próprio auditor destaca a existência de contribuições indevidas. Entendo que o descumprimento da Instrução Normativa, quanto a retificação das GFIPs constitui falta, ou seja sujeita as penalidades da legislação. Ao proceder a compensação das contribuições recolhidas indevidamente à título de agente político, indicou o contribuinte que a dita verba não constitui Fl. 841DF CARF MF Processo nº 10882.721934/201620 Acórdão n.º 2301005.595 S2C3T1 Fl. 5 7 mais fato gerador de contribuição previdenciária, ou seja, deveria proceder a retificação das GFIP. Em não o fazendo incorre em falta sujeita a Auto de Infração de Obrigação Acessória, vez que faz constar em GFIP informação incorreta. Dessa forma, entendo que a aplicação de penalidade pelo descumprimento de obrigação acessória é sim possível, evitando que a GFIP permaneça incorreta, mas não ser determinante para indeferir restituição, ou mesmo declarar indevida compensação". No Acórdão 9202003.930 proferido pela Câmara Superior de Recursos Fiscais em 12 de abril de 2016, os conselheiros votaram por unanimidade em negar provimento ao recurso da Fazenda Nacional, sendo que o Acórdão recebeu a seguinte ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2007 a 30/04/2007 NÃO RETIFICAÇÃO DE GFIP INDEFERIMENTO DE PEDIDO DE COMPENSAÇÃO E RESTITUIÇÃO INAPLICABILIDADE. O fato de o ente público não retificar a GFIP, excluindo os agentes políticos, não pode constituir óbice à compensação ou restituição quando constatado o direito creditório do recorrente, uma vez que existe Auto de Infração de obrigação acessória próprio para informações incorretas no documento GFIP. Recurso Especial da Fazenda Negado Vale destacar, ainda, que o Parecer Normativo Cosit n. 5/12 já demonstrou o entendimento que a retificação de DCTF após o despacho decisório seria possível, conforme pode ser observado abaixo: Parecer Normativo Cosit n. 5/12 Assunto. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. RETIFICAÇÃO DA DCTF DEPOIS DA TRANSMISSÃO DO PER/DCOMP E CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. POSSIBILIDADE. IMPRESCINDIBILIDADE DA RETIFICAÇÃO DA DCTF PARA COMPROVAÇÃO DO PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. As informações declaradas em DCTF – original ou retificadora – que confirmam disponibilidade de direito creditório utilizado em PER/DCOMP, podem tornar o crédito apto a ser objeto de PER/DCOMP desde que não sejam diferentes das informações prestadas à RFB em outras declarações, tais como DIPJ e Dacon, por força do disposto no§ 6º do art. 9º da IN RFB nº 1.110, de 2010, sem prejuízo, no caso concreto, da competência da autoridade fiscal para analisar outras questões ou documentos com o fim de decidir sobre o indébito tributário. Fl. 842DF CARF MF 8 Não há impedimento para que a DCTF seja retificada depois de apresentado o PER/DCOMP que utiliza como crédito pagamento inteiramente alocado na DCTF original, ainda que a retificação se dê depois do indeferimento do pedido ou da não homologação da compensação, respeitadas as restrições impostas pela IN RFB nº 1.110, de 2010. Retificada a DCTF depois do despacho decisório, e apresentada manifestação de inconformidade tempestiva contra o indeferimento do PER ou contra a não homologação da DCOMP, a DRJ poderá baixar em diligência à DRF. Caso se refira apenas a erro de fato, e a revisão do despacho decisório implique o deferimento integral daquele crédito (ou homologação integral da DCOMP), cabe à DRF assim proceder. Caso haja questão de direito a ser decidida ou a revisão seja parcial, compete ao órgão julgador administrativo decidir a lide, sem prejuízo de renúncia à instância administrativa por parte do sujeito passivo. O procedimento de retificação de DCTF suspenso para análise por parte da RFB, conforme art. 9ºA da IN RFB nº 1.110, de 2010, e que tenha sido objeto de PER/DCOMP, deve ser considerado no julgamento referente ao indeferimento/não homologação do PER/DCOMP. Caso o procedimento de retificação de DCTF se encerre com a sua homologação, o julgamento referente ao direito creditório cuja lide tenha o mesmo objeto fica prejudicado, devendo o processo ser baixado para a revisão do despacho decisório. Caso o procedimento de retificação de DCTF se encerre com a não homologação de sua retificação, o processo do recurso contra tal ato administrativo deve, por continência, ser apensado ao processo administrativo fiscal referente ao direito creditório, cabendo à DRJ analisar toda a lide. Não ocorrendo recurso contra a não homologação da retificação da DCTF, a autoridade administrativa deve comunicar o resultado de sua análise à DRJ para que essa informação seja considerada na análise da manifestação de inconformidade contra o indeferimento/nãohomologação do PER/DCOMP. A não retificação da DCTF pelo sujeito passivo impedido de fazêla em decorrência de alguma restrição contida na IN RFB nº 1.110, de 2010, não impede que o crédito informado em PER/DCOMP, e ainda não decaído, seja comprovado por outros meios. O valor objeto de PER/DCOMP indeferido/não homologado, que venha a se tornar disponível depois de retificada a DCTF, não poderá ser objeto de nova compensação, por força da vedação contida no inciso VI do § 3º do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996. Retificada a DCTF e sendo intempestiva a manifestação de inconformidade, a análise do pedido de revisão de ofício do PER/DCOMP compete à autoridade administrativa de jurisdição do sujeito passivo, observadas as restrições do Parecer Normativo nº 8, de 3 de setembro de 2014, itens 46 a 53. Dispositivos Legais. arts. 147, 150, 165 170 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN); arts. 348 e 353 da Lei nº 5.869, de Fl. 843DF CARF MF Processo nº 10882.721934/201620 Acórdão n.º 2301005.595 S2C3T1 Fl. 6 9 11 de janeiro de 1973 – Código de Processo Civil (CPC); art. 5º do Decretolei nº 2.124, de 13 de junho de 1984; art. 18 da MP nº 2.18949, de 23 de agosto de 2001; arts. 73 e 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996; Instrução Normativa RFB nº 1.110, de 24 de dezembro de 2010; Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 20 de novembro de 2012; Parecer Normativo RFB nº 8, de 3 de setembro de 2014. eprocesso 11170.720001/201442 Diante do exposto, entendo que há a possibilidade, em tese, de compensação de crédito de pagamento indevido de contribuição previdenciária sem que haja alteração da GFIP, resta analisar a natureza dos pagamentos indevidos. No caso concreto, verificase no item 7 do Despacho Decisório (fl. 37) que a unidade preparadora não analisou os potenciais direitos creditórios decorrentes dos valores recolhidos a maior de título de SAT/RAT. Dessa forma, voto por dar provimento parcial ao Recurso Voluntário para que não seja obstada a análise do direito creditório relativa ao SAT/RAT, isto é, a análise de tal direito seja feita por Despacho Decisório. Da Incidência da Contribuição Previdenciária sobre Adicional Constitucional de Férias e sobre os Primeiros Quinze de dias de Afastamento por Motivo de Doença Nos itens 5 e 6 (fls. 36 e seguintes) do Despacho Decisório, verificase que tais questões foram analisadas. Dessa forma, conheço de tais alegações e passo a análise do mérito. Vale lembrar que os pagamentos indevidos se fundam em valores indevidamente recolhidos à Previdência Social sobre remunerações pagas a funcionários a título de adicional constitucional de férias e primeiros quinze dias de afastamento por motivo de doença ou acidente, conforme decisões do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Nesse sentido, cumpre citar o REsp 1230957/RS, julgado em 26/02/2014 como recurso representativo de controvérsia, pelo qual decidiuse que não incidiria contribuição previdenciária sobre o adicional relativo às férias indenizadas (o que decorreria de expressa previsão legal do artigo 28, §9º, d, da Lei n. 8.212/91) e sobre o adicional de férias concernente às férias gozadas (que possui natureza indenizatória e não é habitual), assim como os valores pagos pelo empregador nos primeiros quinze dias de afastamento por motivo de doença ou acidente não possuem natureza de remuneração, pois não tem por intuito retribuir o trabalho. Conclusão Com base no exposto, voto por conhecer parcialmente do recurso voluntário, não conhecendo das matérias a respeito das quais não há negativa do fisco na concessão do reconhecimento do direito creditório, e, na parte conhecida, darlhe provimento. É como voto. Fl. 844DF CARF MF 10 (assinado digitalmente) Alexandre Evaristo Pinto Voto Vencedor Conselheiro João Bellini Júnior, redator para o voto vencedor Divirjo do respeitado conselheiro Alexandre Evaristo Pinto, pelas razões que passo a elencar. Como relatado, os pagamentos indevidos decorrem de (i) valores pretensamente indevidamente recolhidos à Previdência Social sobre remunerações pagas a funcionários a título de adicional constitucional de férias e primeiros quinze dias de afastamento por motivo de doença ou acidente e a (ii) valores pretensamente recolhidos a maior a título de SAT/Gilrat, nos termos da Solução de Consulta COSIT nº 49/2014, que orienta que cada órgão da Administração Pública Direta com inscrição no CNPJ deve verificar sua atividade preponderante para fins de determinação do grau de risco. Quanto ao adicional constitucional de férias e primeiros quinze dias de afastamento por motivo de doença ou acidente, adoto como razões de decidir, mutatis mutandis, os argumentos do Conselheiro André Luís Mársico Lombardi em seu voto no Acórdão 2401003.943: A base de cálculo das contribuições previdenciárias está definida no art. 28 da Lei n° 8.212, de 24 de julho de 1991, que estabelece o conceito de saláriodecontribuição e discrimina as verbas que sofrem ou não a incidência da contribuição previdenciária. Em que pese os limites estabelecidos para a análise da inconstitucionalidade de lei no âmbito administrativo (Súmula CARF n° 2 e art. 62 do RICARF), não se pode dizer que o art. 28 tenha extrapolado os lindes normativos definidos pela Constituição Federal. Com efeito, conforme já observamos em nossa dissertação de mestrado, "o art. 195, I, a, da CF, estipula os limites constitucionais do fato gerador das contribuições previdenciárias da empresa, determinando que incidam sobre a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados". (A importância da execução de ofício das contribuições previdenciárias no processo do trabalho. 2012. Dissertação (Mestrado em Direito), USP, São Paulo, p. 54. Disponível em: http://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/2/2138/ tde05122012162954/ptbr.phpest. Acesso em 19/06/2014) No que se refere à contribuição dos segurados, a Constituição "não faz qualquer menção aos seus contornos básicos (art. 195, II), exceto quando estipula no § 11 do art. 201 que os ganhos habituais do empregado, a qualquer título, serão incorporados ao salário para efeito de contribuição previdenciária e conseqüente repercussão em benefícios, nos casos e na forma da Fl. 845DF CARF MF Processo nº 10882.721934/201620 Acórdão n.º 2301005.595 S2C3T1 Fl. 7 11 lei. De tal referência extraise apenas o elemento da base de cálculo".(Idem p. 57.) Assim, podese concluir que, fora destes limites da base imponível do tributo "folha de salários", "demais rendimentos" e "ganhos habituais", sendo que este último não deixa de ser "rendimento", "a lei não pode estabelecer a incidência, salvo mediante a instituição de nova fonte de custeio por lei complementar, conforme determinação do art. 195, § 4º, da CF". (Idem p. 68.) E, dentro dos mencionados parâmetros constitucionais, a Lei n° 8.212/1991, em seu art. 11, delimitou a base de cálculo da contribuição das empresas, a qual incide sobre a "remuneração paga ou creditada aos segurados a seu serviço" (parágrafo único, alínea a) e dos trabalhadores, que, por sua vez, incide, sobre o seu "saláriodecontribuição" (parágrafo único, alínea b). Portanto, temos que adentrar na análise da lei previdenciária para definir o conceito de "remuneração" e de "saláriode contribuição". Entendemos que remuneração "pode ainda abarcar os conceitos de vencimento, soldo, subsídios, prólabore, honorários ou qualquer outra espécie de retribuição que "remunere" (Ibidem p. 69 e seguintes.), de sorte a englobar, nos limites da Lei n° 8.212/91, não só a contraprestação (trabalho efetivamente prestado) e a disponibilidade (tempo à disposição"), como também outras obrigações decorrentes da relação de trabalho, inclusive as interrupções remuneradas do contrato de trabalho e outras conquistas sociais. Quanto ao conceito de saláriodecontribuição para empregados e avulsos, a Lei n° 8.212/91 foi generosa em termos extensivos, definindoo como a remuneração auferida, "assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho" (art. 28 da Lei n° 8.212/91). Notese que a Lei não falou em "contraprestação" (uma prestação por outra), mas sim em "retribuição", ressoando a crítica da doutrina trabalhista quanto à definição de salário contida no art. 457 da CLT, que faz uso da expressão "contraprestação" ao invés de "retribuição". Daí Alice Monteiro de Barros afirmar que: preferimos conceituar o salário como a retribuição devida e paga diretamente pelo empregador ao empregado, de forma habitual, não só pelos serviços prestados, mas pelo fato de se encontrar à disposição daquele, por força do contrato de trabalho. Como o contrato é sinalagmático no conjunto e não prestação por prestação, essa sua característica justifica o pagamento do salário nos casos de afastamento do empregado por férias, descanso semanal, intervalos remunerados, enfim, nas hipóteses de interrupção do contrato. (Curso de direito do trabalho. 7ª ed., São Paulo: LTr, 2011, p. 591) Assim, verificase que, quanto ao segurado empregado e avulso, o conceito legal estabelecido é amplo, de forma a abarcar todo e Fl. 846DF CARF MF 12 qualquer título que sirva para retribuir a prestação de serviços. Todavia, é preciso ressaltar que a base de cálculo é apurada mediante o cotejamento dos conceitos supradescritos com as regras de inclusão, exclusão e os limites descritos nos parágrafos do mesmo artigo. Todas essas regras valem também para a formação da base de cálculo da contribuição das empresas, que é a "remuneração paga ou creditada aos segurados a seu serviço" (parágrafo único, alínea a, do art. 11 da Lei n° 8.212/1991, bem como art. 22, I e II, da mesma lei). Assim, tanto nos QUINZE PRIMEIROS DIAS DE AFASTAMENTO DO EMPREGADO POR AUXÍLIO DOENÇA OU AUXÍLIOACIDENTE (art. 60, § 3°, da Lei n° 8.213/91), como no saláriomaternidade (art. 28, § 2°, da Lei n° 8.212/91) e nas férias (art. 7°, XVII, da CF, e art. 129 da CLT), bem como sobre o avisoprévio indenizado (art. 487 e seguintes da CLT), temos típicas hipóteses de interrupção do contrato de trabalho, razão pela qual, a despeito de inexistir prestação de serviço, há remuneração e, havendo remuneração paga, devida ou creditada, há incidência de contribuições previdenciárias. (Grifouse.) O caráter remuneratório dos ADICIONAIS DE FÉRIAS (art. 7°, XVII, da CF), de horas extras (art. 7°, XVI, da CF), noturno (art. 7°, IX, da CF), de insalubridade (art. 7°, XXIII, da CF) e de periculosidade (art. 7°, XXIII, da CF), é inequívoco, pois tratam se de conquistas sociais que nada mais representam senão uma retribuição legal pelo trabalho, de sorte que não haveria razão para se negar o seu caráter remuneratório. (Grifouse.) Notese que não se desconhece a recente decisão do Superior Tribunal de Justiça no julgamento do REsp 1.230.957, na sistemática do artigo 543C do Código de Processo Civil (recurso repetitivo), que estabeleceu a não incidência de contribuição previdenciária sobre a remuneração (i) nos 15 dias anteriores à concessão de auxíliodoença, (ii) DO TERÇO CONSTITUCIONAL DE FÉRIAS INDENIZADAS OU GOZADAS; e (iii) do aviso prévio indenizado. Ocorre que este relator opta por manter o seu entendimento quanto à base imponível do saláriodecontribuição, tendo em vista não estar ainda vinculado ao decisório, posto que não se trata de decisão definitiva de mérito (art. 62A, do RICARF). (Grifouse.) Em sentido semelhante, são os argumentos contidos na Nota/PGFN/CRJ/N° 640, de 2014, cuja ementa transcrevo: Art. 19 da Lei nº 10.522/2002. Pareceres PGFN/CRJ nº 492/2010; PGFN/CRJ nº 492/2011; PGFN/CDA nº 2025/2011; PGFN/CRJ/CDA nº 396/2013. Portaria PGFN nº 294/2010. Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 01/2014. Recurso Especial nº 1.230.957/RS. Recurso representativo de controvérsia. Processo submetido à sistemática do artigo 543C do CPC. Nota Explicativa para delimitação da matéria decidida e esclarecimentos acerca da aplicação do julgado. Nãoinclusão do tema em lista de dispensa de contestar e recorrer. (Grifou se.) Fl. 847DF CARF MF Processo nº 10882.721934/201620 Acórdão n.º 2301005.595 S2C3T1 Fl. 8 13 Em relação às compensações envolvendo supostos recolhimentos indevidos da contribuição para o SAT/Gilrat, não há demonstração ou comprovação dos pretensos créditos. A Solução de Consulta Cosit nº 49, de 2014, citada pelo letrado conselheiro relator, esclareceu que “para fins de determinação do grau de risco e, por conseguinte, da alíquota a ser utilizada no cálculo da contribuição do SAT/Gilrat, cada órgão da Administração Pública Direta, com inscrição própria no Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica (CNPJ), deve verificar a atividade preponderante exercida, assim considerada a que ocupa o maior número de segurados empregados em seu âmbito”. Assim, a alteração da alíquota deve ser feita à vista da situação concreta, verificandose qual é a atividade preponderante do órgão público, o que só pode ser feito mediante análise de todas as atividades exercidas pelo órgão e da alocação dos segurados empregados em cada uma dessas atividades. Desse modo, a retificação da alíquota SAT/Gilrat, informada na Gfip do ente público, não produz efeitos se não houver demonstração efetiva de sua atividade preponderante, nos termos da legislação pertinente. No presente caso, a demonstração da atividade preponderante não foi apresentada pelo sujeito passivo, nem perante a autoridade fiscal que efetuou o procedimento de verificação das compensações, nem perante o órgão de julgamento por ocasião da apresentação da manifestação de inconformidade. Embora o sujeito passivo alegue que apresentou toda a documentação pertinente, não há documentos no presente processo que amparem tal afirmação. Como muito bem assentou a decisão recorrida, “ao contrário do que afirma o sujeito passivo, a discordância da autoridade fiscal não se limitou à questão formal relacionada ao envio de GFIPs retificadoras. Não houve “concordância” da autoridade fiscal com o “mérito” da compensação que envolveu o SAT/GILRAT. Evidentemente, a autoridade fiscal não questionou o conteúdo da Solução de Consulta COSIT nº 49/2014 (e nem poderia fazêlo, pois se trata de solução de consulta com efeito vinculante para a RFB), mas questionou o fato de o contribuinte não ter esclarecido sua atividade e não ter relacionado os trabalhadores com as respectivas funções a fim de demonstrar a atividade preponderante”. Esse é o teor do item 5 do Despacho Decisório DRF/OSA/SEORT Nº 325/2016 (efl. 36), a seguir transcrito: 5. Fundamenta que parte do alegado crédito para compensação está em uma manifestação da própria RFB, por meio da Solução de Consulta COSIT nº 49/2014, que orienta que cada órgão da Administração Pública Direta, com inscrição no Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica (CNPJ), deve verificar a atividade preponderante exercida para fins de determinação do grau de risco e, por conseguinte da alíquota a ser utilizada no cálculo da contribuição do SAT/GILRAT. Alega que com base nesta orientação verificou ter declarado de forma equivocada sua atividade preponderante, de maneira que a correção acarretou a apuração de crédito, muito embora não tenha esclarecido qual atividade estava sendo considerada anteriormente e relacionado Fl. 848DF CARF MF 14 todos os trabalhadores com suas respectivas funções demonstrando assim qual a nova atividade preponderante a ser considerada e seu SAT/GILRAT. Conclusão Por tais fundamentos, deve ser negado provimento ao recurso voluntário, nessas questões. João Bellini Júnior Fl. 849DF CARF MF
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Numero do processo: 10983.721011/2012-14
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Sep 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Dec 03 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 10/07/2007 a 07/12/2007
IMPORTAÇÃO. INFRAÇÃO POR OCULTAÇÃO. INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA. IMPORTAÇÃO POR CONTA E ORDEM VERSUS IMPORTAÇÃO POR ENCOMENDA. ALTERAÇÃO DE CRITÉRIO JURÍDICO. EXCLUDENTE DE TIPICIDADE. INOCORRÊNCIA.
Não há que se falar em alteração no critério jurídico ou de ausência de subsunção do fato às normas quando, no auto de infração, considera-se ter ocorrido uma importação por conta e ordem de terceiros e a decisão de primeira instância, uma importação por encomenda. A interposição fraudulenta de terceiros está associada à falsidade das informações prestadas pelo contribuinte/solidário à Secretaria da Receita Federal. Declarada como importação por conta própria, sobressai incontroverso que a operação não se processou nos moldes em que foi declarada, mas no interesse de outro, independentemente de ter-se realizado com recursos de terceiros ou não.
Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 10/07/2007 a 07/12/2007
PENA DE PERDIMENTO. CONVERSÃO EM MULTA. DANO AO ERÁRIO. PREJUÍZO EFETIVO. DEMONSTRAÇÃO. DESNECESSIDADE. INFRAÇÃO DE CONDUTA.
Constitui infração por dano ao Erário a ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou do responsável pela operação. A conduta é apenada com o perdimento das mercadorias, convertido em multa equivalente ao seu valor aduaneiro, caso elas não sejam localizadas ou tenham sido consumidas.
A penalidade decorrente da infração por interposição fraudulenta coibe a conduta do administrado; não depende da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato.
Numero da decisão: 9303-007.453
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Érika Costa Camargos Autran (relatora), Tatiana Midori Migiyama e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal. Votou pelas conclusões, quanto ao conhecimento, a conselheira Tatiana Midori Migiyama. Declarou-se impedido de participar do julgamento o conselheiro Demes Brito, substituído pela conselheira Semíramis de Oliveira Duro.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Érika Costa Camargos Autran - Relatora
(assinado digitalmente)
Andrada Márcio Canuto Natal- Redator designado
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Semíramis de Oliveira Duro (suplente convocada), Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: ERIKA COSTA CAMARGOS AUTRAN
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ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 10/07/2007 a 07/12/2007 IMPORTAÇÃO. INFRAÇÃO POR OCULTAÇÃO. INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA. IMPORTAÇÃO POR CONTA E ORDEM VERSUS IMPORTAÇÃO POR ENCOMENDA. ALTERAÇÃO DE CRITÉRIO JURÍDICO. EXCLUDENTE DE TIPICIDADE. INOCORRÊNCIA. Não há que se falar em alteração no critério jurídico ou de ausência de subsunção do fato às normas quando, no auto de infração, considerase ter ocorrido uma importação por conta e ordem de terceiros e a decisão de primeira instância, uma importação por encomenda. A interposição fraudulenta de terceiros está associada à falsidade das informações prestadas pelo contribuinte/solidário à Secretaria da Receita Federal. Declarada como importação por conta própria, sobressai incontroverso que a operação não se processou nos moldes em que foi declarada, mas no interesse de outro, independentemente de terse realizado com recursos de terceiros ou não. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 10/07/2007 a 07/12/2007 PENA DE PERDIMENTO. CONVERSÃO EM MULTA. DANO AO ERÁRIO. PREJUÍZO EFETIVO. DEMONSTRAÇÃO. DESNECESSIDADE. INFRAÇÃO DE CONDUTA. Constitui infração por dano ao Erário a ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou do responsável pela operação. A conduta é apenada com o perdimento das mercadorias, convertido em multa equivalente ao seu valor aduaneiro, caso elas não sejam localizadas ou tenham sido consumidas. A penalidade decorrente da infração por interposição fraudulenta coibe a conduta do administrado; não depende da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 3. 72 10 11 /2 01 2- 14 Fl. 1715DF CARF MF Processo nº 10983.721011/201214 Acórdão n.º 9303007.453 CSRFT3 Fl. 3 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento, vencidas as conselheiras Érika Costa Camargos Autran (relatora), Tatiana Midori Migiyama e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal. Votou pelas conclusões, quanto ao conhecimento, a conselheira Tatiana Midori Migiyama. Declarouse impedido de participar do julgamento o conselheiro Demes Brito, substituído pela conselheira Semíramis de Oliveira Duro. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício (assinado digitalmente) Érika Costa Camargos Autran Relatora (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Redator designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Semíramis de Oliveira Duro (suplente convocada), Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas. Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência interposto pela Fazenda Nacional contra o acórdão nº 3402002.277, de 28 de janeiro de 2014 (fls. 1486 a 1518 do processo eletrônico), proferido Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção de Julgamento deste CARF, decisão que por maioria de votos de votos, deu provimento ao recursos voluntário, cancelandose a autuação. A discussão dos presentes autos tem origem no auto de infração lavrado em face do Contribuinte First S/A para exigência de crédito tributário no valor de R$ 298.164,37 referente a multa equivalente ao valor aduaneiro de mercadorias importadas. Fl. 1716DF CARF MF Processo nº 10983.721011/201214 Acórdão n.º 9303007.453 CSRFT3 Fl. 4 3 Depreendese da descrição dos fatos do auto de infração que o Contribuinte teve duas Declarações de Importação fiscalizadas em unidade de fronteira da Receita Federal do Brasil. No decorrer daquela fiscalização foram levantados indícios de que haveria a prática de ocultação dos reais adquirentes das mercadorias importadas pela interessada, pois as importações eram realizadas na modalidade “direta”. Foram tomados depoimentos dos intervenientes nas operações, transporta dor e despachante aduaneiro, bem como do próprio diretor da empresa. Também foram apreendidas mensagens eletrônicas que confirmaram as suspeitas iniciais. Assim, foi realizada fiscalização nas Declarações de Importação registradas pela interessada no período de 2007 a 2009. A descrição dos fatos do auto de infração foi assim resumida pela fiscalização em seu relatório fiscal: “Diante do relatado até aqui, podemos concluir que: A FIRST S/A atuava como intermediária nas operações de importação de preformas PET, que são objeto desta fiscalização, ocorridas entre novembro de 2007 e junho de 2009. As preformas PET a serem importadas eram definidas, em quantidade e características, pelas empresas clientes da FIRST, no caso do presente auto, a empresa Renosa Indústria Brasileira de Bebidas S/A. As empresas destinatárias das preformas PET mantinham contato direto com a empresa Cristalpet, inclusive definindo características das mercadorias a serem importadas. A empresa FIRST procurou ocultar da fiscalização, no decorrer tanto do procedimento especial de controle instaurado pela IRF/Santana do Livramento quanto no decorrer da presente fiscalização, que as preformas PET, por ela importadas, tinham destinatários predeterminados. A emissão de notas fiscais de venda para os reais adquirentes das preformas PET, antes mesmo da liberação das mercadorias pela alfândega, era uma prática recorrente da empresa, uma vez que os reais adquirentes já eram conhecidos pela FIRST antes mesmo da importação ocorrer. Fl. 1717DF CARF MF Processo nº 10983.721011/201214 Acórdão n.º 9303007.453 CSRFT3 Fl. 5 4 Os recursos utilizados nas operações de importação pertenciam, ao que tudo indica, à empresa FIRST S/A e eram reembolsados a ela, pelas reais adquirentes das mercadorias. A empresa FIRST S/A atuava como prestadora de serviços de importação para empresas que utilizavam preformas PET em seus processos produtivos, entre elas a Renosa Indústria Brasileira de Bebidas S/A. Houve ocultação do real adquirente (comprador no exterior) das mercadorias importadas por meio das DI sob fiscalização. As operações realizadas pela FIRST, por suas características e, tendo em vista que a mercadoria a ser importada (quantidade, tipo, preço) era sempre definida, previamente, em negociação direta entre o adquirente das mercadorias (Renosa) e o exportador, se enquadram como importações por conta e ordem de terceiros.” Com relação às penalidades, assim, concluiu a fiscalização: “Diante de todo exposto no presente Relatório e nos documentos citados, concluise que: A empresa FIRST S/A efetuou diversas operações de importação de preformas PET (DI constantes na Tabela 1), onde declarava importar em nome próprio, ocultando os reais adquirentes das operações, mediante simulação e fraude. Neste auto, a empresa ocultada foi a Renosa Indústria Brasileira de Bebidas S/A. Todas as operações de importação de preforma PET analisadas nesta fiscalização foram realizadas em nome da empresa Renosa Indústria Brasileira de Bebidas S/A. A conduta da empresa FIRST S/A configura a prática de ato simulado, uma vez que o verdadeiro negócio jurídico realizado (prestação de serviços de importação por conta e ordem de terceiros) permaneceu oculto. Houve, em tese, utilização indevida de benefício fiscal relativo ao ICMS pelas empresas FIRST e Renosa Indústria Brasileira de Bebidas S/A, o que configura fraude tributária. Fl. 1718DF CARF MF Processo nº 10983.721011/201214 Acórdão n.º 9303007.453 CSRFT3 Fl. 6 5 Restou demonstrado que a empresa FIRST S/A, mediante cessão de seu nome e seus documentos, importou preformas PET, na realidade, por conta e ordem da empresa Renosa Indústria Brasileira de Bebidas S/A, sendo esta empresa acobertada das relações obrigacionais tributárias formadas. Resumindo, concluise que a empresa FIRST S/A ocultou (acobertou) o verdadeiro destinatário das preformas PET importadas nas DI sob fiscalização (tabela 1), configurando a prática de OCULTAÇÃO DO REAL COMPRADOR E RESPONSÁVEL pelas operações de importação, mediante fraude e simulação.” Assim conclui a fiscalização: “Sendo assim e, tendo em vista que: 1. As mercadorias importadas não estavam mais na posse da importadora, uma vez que foram entregues às adquirentes; 2. As mercadorias foram importadas no período de julho de 2007 a agosto de 2009, para serem utilizadas no processo produtivo da adquirente; 3. Não haveria possibilidade de serem identificadas no estoque da adquirente (uma vez que incluída no estoque, não é possível diferenciar uma preforma PET importada numa data de outra importada numa outra ocasião, pelo fato de as mercadorias não terem uma identificação única e específica). Aplicase, então, a multa do art. 23, V, parágrafos 1° e 3° do DecretoLei 1455 de 1976. Resta esclarecer que, pela prática da infração descrita no artigo 23, inciso V, e parágrafos 1º e 3º, do DecretoLei nº 1.455, de 1976, respondem as empresas FIRST S/A e Renosa Indústria Brasileira de Bebidas S/A, em virtude da responsabilidade estabelecida no DecretoLei nº 37, de 1966, com as alterações feitas pela Medida Provisória nº 2.158, de 2001. Fl. 1719DF CARF MF Processo nº 10983.721011/201214 Acórdão n.º 9303007.453 CSRFT3 Fl. 7 6 Finalmente, então diante dos elementos analisados acima, concluise que essa conduta dolosa resultou no fornecimento de informações falsas nas declarações de importação, consubstanciando simulação para ocultação do real adquirente das mercadorias importadas, caracterizando a ocorrência da infração descrita no art. 23 do DecretoLei n.º 1.455/76, além de restar comprovada a responsabilidade solidária da empresa Renosa Indústria Brasileira de Bebidas S/A.” Cientificados do auto de infração, os Contribuintes First S/A e Renosa Indústria Brasileira de Bebidas S/A apresentaram suas respectivas impugnações. A 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Florianópolis/SC julgou improcedentes as impugnações apresentadas pelos Contribuintes. Irresignados com a decisão contrária aos seus pleitos, os Contribuintes First S/A e Renosa Indústria Brasileira de Bebidas S/A apresentaram seus recursos voluntários, o Colegiado por maioria de votos, deu provimento ao recurso voluntário, cancelandose a infração, conforme acórdão assim ementado in verbis: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Período de apuração: 10/07/2007 a 07/12/2007 VÍCIO NO ATO ADMINISTRATIVO. INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA NÃO CARACTERIZADA. IMPORTAÇÃO POR ENCOMENDA. INEXISTENCIA DE ATO DISSIMULADO E DE SIMULAÇÃO. CANCELAMENTO. A caracterização da interposição fraudulenta se justifica pela ocorrência de fraude ou simulação no ato de importar ou exportar, não bastado, para fins da capitulação de dano ao erário contida no art. 23, V do DL 1.455/76 a acusação de ocultação pura e simples. Restou verificado nos autos que as operações fiscalizadas não se tratam de importação por conta e ordem, cujo ato dissimulado seria a prestação do serviço, mas sim, eram de importação por encomenda, de modo que por não haver ato dissimulado Fl. 1720DF CARF MF Processo nº 10983.721011/201214 Acórdão n.º 9303007.453 CSRFT3 Fl. 8 7 não há simulação, devendo ser cancelado o lançamento fiscal nela lastreado. Recurso Voluntário Provido. A Fazenda Nacional opôs Embargos de Declaração às fls. 1530 a 1532, sendo que estes foram rejeitados, conforme despacho às fls. 1539 a 1542. A Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial de Divergência (fls. 1548 a 1562) em face do acordão recorrido que deu provimento aos recursos dos Contribuintes, a divergência suscitada pela Fazenda Nacional diz respeito aos elementos necessários à caracterização de interposição fraudulenta. Para comprovar a divergência jurisprudencial suscitada, a Fazenda Nacional apresentou como paradigma o acórdão de número 3201001.545. A comprovação do julgado firmouse pela juntada de cópia de inteiro teor do acórdão, documento de fls. 1563 a 1589. O Recurso Especial da Fazenda Nacional foi admitido, conforme despacho de fls. 1591 a 1594 sob o argumento que apesar de os casos analisados serem idênticos no que se refere a fundamentos, a decisão proferida pelo CARF no acórdão paradigma colacionado externa entendimento substancialmente divergente do constante no acórdão recorrido. Os Contribuintes First S/A e a Companhia Maranhense de Refrigerantes sucessora da Renosa Indústria Brasileira de Bebidas S/A foram cientificados para apresentarem contrarrazões (fls. 1602). Apenas o Contribuinte Companhia Maranhense de Refrigerantes apresentou as contrarrazões (fls. 1608 a 1641), manifestando pelo não provimento do Recurso Especial da Fazenda Nacional e que seja mantido v. acórdão. É o relatório em síntese. Voto Vencido Conselheira Érika Costa Camargos Autran Relatora Fl. 1721DF CARF MF Processo nº 10983.721011/201214 Acórdão n.º 9303007.453 CSRFT3 Fl. 9 8 Da admissibilidade Depreendendose da análise do Recurso interposto pela Fazenda Nacional, entendo que devo conhecêlos, eis que tempestivo e comprovada a divergência entre os arestos – acórdão recorrido e os indicados como paradigma, o que concordo com o exame de admissibilidade constante em Despacho de fls. 1591 a 1594. Do mérito A discursão dos presentes autos se referem aos elementos necessários à caracterização de interposição fraudulenta. Depreendendose da análise dos autos do processo, entendo o que de fato ocorreu foi importação por encomenda, e não por conta e ordem, bem como que há licitude dos recursos utilizados na importação – o que resta afastar qualquer caracterização de fraude, devendo ser cancelado o lançamento fiscal nela lastreado. Para melhor elucidar o meu entendimento, peço licença para transcrever o voto irretocável, voto vencedor do nobre ex. Conselheiro João Carlos Cassuli Jr: Para dar vasão a incumbência que me foi atribuída, relativa à redação do voto vencedor do julgamento ocorrido para estes autos, constato, inicialmente, que a contenda emerge da acusação fiscal de “interposição fraudulenta”, com fundamento no art. 23, inciso V, do DecretoLei n° 1.455/76, com as alterações trazidas pelo art. 59, da Lei n° 10.637/2002, e ainda, com imputação de responsabilidade solidária aos supostos reais adquirentes, que teriam sido fraudulentamente ocultados, com embasamento legal no art. 95, inciso V, do DecretoLei n° 37/66. Fl. 1722DF CARF MF Processo nº 10983.721011/201214 Acórdão n.º 9303007.453 CSRFT3 Fl. 10 9 Tais dispositivos, por constituíremse na “espinha dorsal” do ato administrativo e lhe conferirem a indispensável legalidade, merecem ser reproduzidos: Art 23. Consideramse dano ao Erário as infrações relativas às mercadorias: V estrangeiras ou nacionais, na importação ou na exportação, na hipótese de ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros. (Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) – Grifouse. Art.95 Respondem pela infração: (...) V conjunta ou isoladamente, o adquirente de mercadoria de procedência estrangeira, no caso da importação realizada por sua conta e ordem, por intermédio de pessoa jurídica importadora. (Incluído pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) Pelo que se vê, a peça acusatória fiscal parte da análise importações realizadas pelo contribuinte FIRST S.A., e que acabou lhe imputando as seguintes condutas: (a) Efetuou importações de proformas PET, declarando importar em nome próprio, ocultando os reais adquirentes das operações, mediante simulação e fraude; (b) As operações foram realizadas, de fato, em nome dos terceiros; (c) Praticou ato simulado, de venda no mercado interno, ocultando o verdadeiro negócio, que era a prestação de serviços de importação por conta e ordem de terceiro; (d) Utilizou indevidamente benefício fiscal de ICMS concedido pelo Estado de Santa Catarina; Fl. 1723DF CARF MF Processo nº 10983.721011/201214 Acórdão n.º 9303007.453 CSRFT3 Fl. 11 10 (e) Cedeu nome e documentos para os terceiros, reais importadores por conta e ordem, e que acobertaram relações obrigacionais de prestações de serviços e não de compra e venda; (f) “Resumindo, concluise que a empresa FIRST S/A ocultou (acobertou) o verdadeiro destinatário [dos bens] nas DI sob fiscalização, configurando a prática de ocultação do real comprador e responsável pelas operações de importação, mediante fraude e simulação.” As condutas imputadas à FIRST justificaram a autuação pela prática de “interposição fraudulenta” de terceiros (art. 23, inciso V, do DL 1.455/76), e como as mercadorias já não mais existiam, na maioria dos casos houve a aplicação da pena de multa substitutiva da pena de perdimento, no percentual de 100% do valor aduaneiro da mercadoria. Tenho, porém, que alguns elementos iniciais, a guisa de premissas, devem ser perquiridos antes que se possa chumbar definitivamente o acerto ou desacerto do ato fiscal, ou a lisura ou o deslize da conduta do contribuinte, até porque aqui estamos cuidando de uma questão capital, de expropriação do patrimônio do particular em virtude de uma acusação de fraude e simulação, que deve, antes de mais nada, estar suportada em prova robusta e inquestionável, convenhamos. Está claro que o ato fiscal, ao imputar as condutas de ocultação do real adquirente a empresa FIRST S/A, desqualificou a “importação direta” para importação “por conta e ordem de terceiro”, e ao qualificar o ato como sendo “simulado”, foi textual em dizer que o ato simulado foi a compra no mercado externo com a subsequente venda no mercado interno (da FIRST – importadora , para o terceiro real adquirente: ATO SIMULADO; para FIRST prestadora de serviços de importação por conta e ordem, para real adquirente, tomador de serviços e real importador: ATO DISSIMULADO). Daí porque é indispensável para que esteja presente o instituto da “simulação”, que tenha concretamente havido o negócio jurídico simulado, Fl. 1724DF CARF MF Processo nº 10983.721011/201214 Acórdão n.º 9303007.453 CSRFT3 Fl. 12 11 o qual foi claramente apontado, qual seja: prestação de serviços de “importação por conta e ordem”. Sabemos que em matéria de comércio exterior existem três modalidades de importação, a saber: direta, por encomenda, e por conta e ordem. Os ilustres Conselheiros desta Casa, Luiz Roberto Domingo e Ângela Sartori, em trabalho inserido no livro “Tributação Aduaneira à luz da jurisprudência do CARF”, conceituam as três modalidades de importação, nos seguintes termos: “A importação por conta própria é a tradicional modalidade de importação. É aquela modalidade de importação em que o importador adquire a mercadoria do exportador no exterior, fecha o câmbio em nome próprio, com recursos próprios, paga os tributos e a utiliza ou a vende no mercado interno para diversos compradores. Notese que nessa modalidade de importação tradicional o importador deverá fechar o câmbio e proceder ao pagamento diretamente ao exportador, recolhendo os tributos com recursos próprios...” (...) A importação por conta e ordem de terceiros é a operação pela qual uma empresa contratada, geralmente uma importadora, promove em seu nome o despacho aduaneiro de importação de mercadoria adquirida por outra empresa em razão de contrato previamente firmado entre as partes e registrado na Receita Federal do Brasil – RFB. O regramento da importação por conta e ordem foi dado pelos artigos 86 e 87 da IN n. 247 e ADI n. 07/02, os quais exigem determinados procedimentos e requisitos para sua caracterização. (...) As operações por conta e ordem são aplicáveis tão somente nas hipóteses em que a importadora atua como prestadora de serviços, isto é, uma intermediária nas importações. Em decorrência desta condição, a importadora que atua por conta e ordem não pode, em qualquer situação, Fl. 1725DF CARF MF Processo nº 10983.721011/201214 Acórdão n.º 9303007.453 CSRFT3 Fl. 13 12 adquirir a propriedade das mercadorias importadas, possuindo somente a posse até a transferência para a empresa adquirente. Sendo assim, na importação por conta e ordem de terceiros, a remessa da mercadoria da importadora para seus clientes não configura uma operação de venda, mas sim uma operação de remessa de mercadorias. (...) A importação por encomenda é aquela em que a empresa importadora adquire no exterior com recursos próprios e promove o seu despacho aduaneiro de importação, a fim de revendêlas, posteriormente, a uma empresa encomendante previamente determinada, em razão de contrato entre elas, cujo objeto deve compreender, pelo menos, o prazo ou as operações pactuadas (art. 2°, § 1°, da IN SRF n. 634/06). Assim, o importador deverá fazer a negociação com o exportador no exterior, adquirir a mercadoria junto ao exportador no exterior, providenciar sua nacionalização e a revender ao encomendante. Importante salientar que tal operação tem, para o importador contratado, os mesmos efeitos fiscais de uma importação própria. (...) Ressaltese ainda que, diferentemente da importação por conta e ordem, no caso de importação por encomenda, a operação cambial para pagamento da importação deve ser realizada exclusivamente em nome do importador, conforme determina o Regulamento do Mercado de Câmbio e Capitais Internacionais (RMCCI – Título 1, Capítulo 12, Seção 2) do Banco Central do Brasil (Bacen). (...)”1 Quanto a importação direta, não há dúvidas. Ela é a clássica, na qual o importador importa para si próprio ou para seu consumo ou revenda. Ele assume todos os riscos e procedimentos e usa ou revende o produto. Não há participação de terceiro. Nesse caso, é típico que ocorram dois fatos geradores dos diversos tributos, aqueles incidentes no desembaraço Fl. 1726DF CARF MF Processo nº 10983.721011/201214 Acórdão n.º 9303007.453 CSRFT3 Fl. 14 13 aduaneiro relativos a importação e os outros na operação de venda no mercado interno. Já no que diz respeito às outras duas modalidades, e agora buscando no próprio sítio na internet, vemos que a Receita Federal do Brasil distingue claramente as modalidades de importação “por encomenda” daquela “por conta e ordem”, de modo que, positivamente, são modalidades diversas, sendo que as mesmas se desigualam pelo fato de que, realmente, na modalidade “por encomenda”, o encomendante até pode escolher a mercadoria e mesmo participar de atos de negociação (conforme regra legal abaixo referenciada), mas há também duas operações, uma de importação, pelo importador, e outra de venda, deste para o encomendante, e nesse caso, quem assume todos os riscos da importação, tais como o pagamento do preço pela importação, riscos cambiais (oscilações etc.), é o importador e não o encomendante. Já na importação “por conta e ordem”, tratase de mera prestação de serviços, não havendo “operação de venda no mercado interno”, e quem assume o risco da operação é o ordenante, por conta de quem a operação se realiza. A análise dos emails que constam dos autos, dá conta de que os “supostos reais adquirentes” tiveram, uns mais e outros menos, algum conhecimento das negociações mantidas entre a FIRST e os exportadores sediados no exterior. Tal situação, a meu ver, caracteriza a hipótese do art. 11, §3°, da Lei n° 11.281/2006, pelo qual: “A importação promovida por pessoa jurídica importadora que adquire mercadorias no exterior para revenda a encomendante predeterminado não configura importação por conta e ordem .... participando ou não o encomendante das operações comerciais relativas à aquisição dos produtos no exterior”. Esse preceito legal, em cotejo com a prova dos autos, colhida pela fiscalização, não firma a existência de importação “por conta e ordem”, mas antes afasta acusação de fraude ou simulação, firmando, a meu sentir, a Fl. 1727DF CARF MF Processo nº 10983.721011/201214 Acórdão n.º 9303007.453 CSRFT3 Fl. 15 14 certeza da existência, na pior (ou melhor) das hipóteses, de importação “por encomenda”. No que diz respeito ao benefício do ICMS no Estado de Santa Catarina, relendo a legislação que implementou o denominado “PróEmprego” , não identifiquei nenhum condicionante que para usufruir do incentivo fiscal as importações devessem ser realizadas obrigatoriamente apenas por uma ou algumas dessas modalidades de importações (direta, por encomenda ou por conta e ordem); e, ainda, havia o benefício na revenda de mercadoria, mesmo para compradores fora do Estado, e não apenas para aqueles sediados em SC. Tais aspectos, no meu entendimento, acabam por retirar o possível interesse e até sentido lógico de se fraudar ou simular para ocultar o real adquirente, de modo que a questão do benefício do ICMS tornase fator irrelevante para o deslinde da causa e para sustentar a aplicação da pena de perdimento por dano ao erário, porque não se presta para servir de “motivo” de eventual simulação ou fraude. Outro aspecto incontroverso dos autos que entendo relevante para a conclusão, é o fato de que sempre quem efetivou o pagamento pelas importações foi a FIRST S.A. (fechamento de câmbio), e, portanto foi ela que assumiu os riscos da operação de importação (oscilações cambiais), subsequentemente emitindo nota fiscal de venda do produto para os “supostos reais adquirentes”. O fato de tais “supostos reais adquirentes” saberem os produtos que iriam adquirir, denota que tal operação poderia ser da modalidade “por encomenda”, mas jamais que se enquadraria na modalidade que foi capitulada pela autoridade fiscal, que foi taxativa em dizer tratarse de operação “por conta e ordem“ (§3°, do art. 11, da Lei 11.281/06). Tal fator recebe destaque pelos ilustres Conselheiros Luiz Roberto Domingo e Ângela Sartori, no já citado artigo, ao concluírem sua exposição sobre a modalidade de “importação por encomenda”, diferenciando a da “por conta e ordem”, a saber: Fl. 1728DF CARF MF Processo nº 10983.721011/201214 Acórdão n.º 9303007.453 CSRFT3 Fl. 16 15 “Com efeito, cumpre desde já salientar que o artigo 12 da IN SRF 247/02 estabelece que, SE nas operações de importação houver utilização de recursos de terceiros, poderá ser presumida a operação ‘por conta e ordem de terceiros’ o que implicaria o suposto ilícito de interposição fraudulenta de terceiros.” – grifouse. Vejase que a operação de importação não pode ser por conta OU ordem. Deve ser por conta E ordem, de modo que o elemento pagamento é fundamental para qualificar essa espécie de importação, e sendo o pagamento feito pela importadora, com recursos próprios, a importação será ou direta ou por encomenda, não havendo espaço para a importação por conta e ordem. Não se poderia ter olvidado que os recursos sempre foram da FIRST S/A, e, portanto, a operação não seria por conta e ordem, mas quando muito “por encomenda”. Isto está claro inclusive na decisão da DRJ, que reconhece esse fato, mas relevam pelo fato de que, de todo modo, teria havido o fato “ocultação”. O mesmo se dá com a sentença prolatada pelo Excelentíssimo Magistrado Gaúcho, que concedeu parcialmente a segurança para algumas DI’s na fronteira daquele estado, que reconheceu textualmente tratarseia de operação de “importação por encomenda”. E esse reconhecimento (que estamos diante de uma operação “por encomenda” e não de uma importação “por conta e ordem”), no meu entendimento, se afigura fundamental para o deslinde da questão pelo fato de que, não basta a “ocultação pura e simples”, essa ocultação deve ser qualificada pela fraude ou pela simulação, para que se qualifique como dano ao erário para os fins do art. 23, V, do DL nº 1.455/76. O conceito de fraude, dado pelo artigo 72, da Lei 4.502/644, em cotejo aos fatos dos autos, deixa claro que aqui não se está diante da hipótese de fraude, pois que não se impediu ou retardou o fato gerador e nem se excluiu ou modificou suas características essenciais, pois que não se deixou de Fl. 1729DF CARF MF Processo nº 10983.721011/201214 Acórdão n.º 9303007.453 CSRFT3 Fl. 17 16 recolher os tributos nas operações. Portanto, como bem sustentado pelo fiscal autuante, se trataria de simulação, cujo ato simulado teria sido a importação direta, e o ato dissimulado teria sido a “prestação de serviços” inerente à importação por conta e ordem. Se, porém, a importação não se qualifica legalmente como “por conta e ordem”, como reconhece a própria DRJ e mesmo os diversos elementos dos autos, e quando muito se qualificaria como “por encomenda”, que na verdade gera uma venda no mercado interno – tal e qual foi retratado nos documentos fiscais (o que põe em questionamento inclusive a máfé que está ínsita na acusação fiscal) – não há como se extrair ou caracterizar a simulação. Até pode ter havido “ocultação”, mas não há “simulação”, pois que o ato dissimulado, que era a “prestação de serviços” inerentes a importação “por conta e ordem”, inexistente no caso. Não havendo simulação e nem fraude, não se preenche a hipótese legal do art. 23, V, do DecretoLei n° 1.455/76, e, consequentemente, não deve subsistir o lançamento em questão. De qualquer forma, ainda que viesse a ser superada esta situação, quanto a responsabilidade solidária, do mesmo modo e pelos mesmos motivos, também não há como persistir, pois que, nos termos do art. 95, V, do DecretoLei n° 37/66, reportasse especificamente à imputação de responsabilidade solidária em caso de importação por conta e ordem, e não para os casos de importação por encomenda, caso que aqui está incontroverso que é a hipótese que realmente se molda ao fatos ocorridos. Deste modo, mesmo que se resolva manter a autuação pelo fato de que houvesse ocultação, embora da pessoa do encomendante (o que seria inadmissível, pois que no meu ver estarseia alterando o fundamento jurídico e a capitulação legal do lançamento e o motivo do ato tido por dissimulado), ainda assim, não se poderia estender a responsabilidade solidária por analogia, pois sabidamente a solidariedade não se presume. Fl. 1730DF CARF MF Processo nº 10983.721011/201214 Acórdão n.º 9303007.453 CSRFT3 Fl. 18 17 No entanto, a análise de mérito, atinente à inexistência de ato dissimulado à fazer contraponto à simulação, e eu leva à inexistência de ato simulado, consequentemente, já são plenamente suficientes para que se conclua pela impossibilidade de manutenção do lançamento tributário, pois que não se consumou a hipótese legal que dá sustentação ao ato administrativo pertinente. Com efeito, com a vênia ao ilustre relator, acabo por divergir seu brilhante voto, e, consequentemente, voto no sentido de dar provimento ao Recurso Voluntário, cancelandose a autuação, nos termos do que acima restou exposto. Como dito acima, a importação por encomenda é aquela em que uma empresa adquire mercadorias no exterior com recursos próprios e promove o seu despacho aduaneiro de importação, a fim de revendêlas, posteriormente, a uma empresa encomendante previamente determinada em contrato firmado entre ambas as empresas (a importadora e a encomendante). Em resumo, o importador adquire a mercadoria no exterior, providencia sua nacionalização e a revende ao encomendante. Assim, para o importador contratado, a operação tem os mesmos efeitos fiscais de uma importação por conta própria. Em última análise, embora exista a obrigação do importador de revender as mercadorias importadas ao encomendante predeterminado, é o importador que deve dispor de capacidade econômica para o pagamento da importação e, de forma semelhante, e o encomendante que deve ter capacidade econômica para adquirir, no mercado interno, as mercadorias revendidas pelo importador contratado. A despeito de a fiscalização ter enquadrado as operações de importação realizadas pela First como importação por conta e ordem, há manifestação expressa no Relatório de Ação Fiscal de que os recursos financeiros utilizados pela importadora eram próprios. Fl. 1731DF CARF MF Processo nº 10983.721011/201214 Acórdão n.º 9303007.453 CSRFT3 Fl. 19 18 Ora, se é verdade que a First dispunha de recursos próprios para dar curso às operações de comércio exterior que foram objeto da autuação ora discutida, isso já seria suficiente para afastar o enquadramento da fiscalização, eis que, como visto, a importação por conta e ordem pressupõe que os recursos empregados nas operações dessa natureza tenham origem alheia ao importador. Quando os recursos pertencem ao próprio importador, ou a importação é direta ou é por encomenda. O fato de a First emitir notas fiscais de venda à Renosa Indústria Brasileira de Bebidas S/A. antes do desembaraço aduaneiro das mercadorias importadas não tem qualquer relevância para fins de caracterização da importação por conta e ordem, se a própria fiscalização admitiu que os recursos eram da First. Cabe trazer que ainda que a First não tenha declarado as operações de importação de forma regular, considerando que tinha de antemão conhecimento de que as mercadorias importadas seriam vendidas à Renosa Indústria Brasileira de Bebidas S/A não confere a caracterização de fraude – mas apenas atesta que que descumpriu a obrigação de se declarar as operações como importação por encomenda, nos termos do art. 11 da Lei 11.281/06 e da IN SRF nº 634/06: “Lei 11.281/06 Art. 11. A importação promovida por pessoa jurídica importadora que adquire mercadorias no exterior para revenda a encomendante predeterminado não configura importação por conta e ordem de terceiros. § 1o A Secretaria da Receita Federal: I estabelecerá os requisitos e condições para a atuação de pessoa jurídica importadora na forma do caput deste artigo; e II poderá exigir prestação de garantia como condição para a entrega de mercadorias quando o valor das importações for incompatível com o capital social ou o patrimônio líquido do importador ou do encomendante. § 2o A operação de comércio exterior realizada em desacordo com os requisitos e condições estabelecidos na forma do § 1o deste artigo presume se por conta e ordem de terceiros, para fins de aplicação do disposto nos arts. 77 a 81 da Medida Provisória no 2.15835, de 24 de agosto de 2001.” Fl. 1732DF CARF MF Processo nº 10983.721011/201214 Acórdão n.º 9303007.453 CSRFT3 Fl. 20 19 “IN 634/06 Art. 1º O controle aduaneiro relativo à atuação de pessoa jurídica importadora que adquire mercadorias no exterior para revenda a encomendante predeterminado será exercido conforme o estabelecido nesta Instrução Normativa. Parágrafo único. Não se considera importação por encomenda a operação realizada com recursos do encomendante, ainda que parcialmente. Art. 2º O registro da Declaração de Importação (DI) fica condicionado à prévia vinculação do importador por encomenda ao encomendante, no Sistema Integrado de Comércio Exterior (Siscomex). § 1º Para fins da vinculação a que se refere o caput, o encomendante deverá apresentar à unidade da Secretaria da Receita Federal (SRF) de fiscalização aduaneira com jurisdição sobre o seu estabelecimento matriz, requerimento indicando: I nome empresarial e número de inscrição do importador no Cadastro Nacional de Pessoas Jurídicas (CNPJ); e II prazo ou operações para os quais o importador foi contratado. § 2º As modificações das informações referidas no § 1º deverão ser comunicadas pela mesma forma nele prevista. § 3º Para fins do disposto no caput, o encomendante deverá estar habilitado nos termos da IN SRF nº 455, de 5 de outubro de 2004. Art. 3º O importador por encomenda, ao registrar DI, deverá informar, em campo próprio, o número de inscrição do encomendante no CNPJ. Parágrafo único. Enquanto não estiver disponível o campo próprio da DI a que se refere o caput, o importador por encomenda deverá utilizar o campo destinado à identificação do adquirente por conta e ordem da ficha "Importador" e indicar no campo "Informações Complementares" que se trata de importação por encomenda. Art. 4º O importador por encomenda e o encomendante são obrigados a manter em boa guarda e ordem, e a apresentar à fiscalização aduaneira, quando exigidos, os documentos e registros relativos às transações em que intervierem, pelo prazo decadencial. Fl. 1733DF CARF MF Processo nº 10983.721011/201214 Acórdão n.º 9303007.453 CSRFT3 Fl. 21 20 Art. 5º O importador por encomenda e o encomendante ficarão sujeitos à exigência de garantia para autorização da entrega ou desembaraço aduaneiro de mercadorias, quando o valor das importações for incompatível com o capital social ou patrimônio líquido do importador ou do encomendante. Parágrafo único. Os intervenientes referidos no caput estarão sujeitos a procedimento especial de fiscalização, nos termos da Instrução Normativa SRF nº 228, de 21 de outubro de 2002, diante de indícios de incompatibilidade entre os volumes transacionados no comércio exterior e a capacidade econômica e financeira citada. Art. 6º Esta Instrução Normativa entra em vigor na data de sua publicação.” In casu, resta, assim, claro estarmos diante de uma operação por encomenda. No que tange às operações alegadamente simuladas pela autoridade fazendária vendas realizadas entre a First e a Renosa Indústria Brasileira de Bebidas S/A. temse que não devem ser consideradas simuladas, eis que as vendas declaradas inequivocamente foram realizadas. Sendo assim, depreendendose da análise dos fatos, não há como caracterizar a operação ora em discussão como fraude e simulação. O que, por conseguinte, entendo que se deve afastar a imputação da multa pecuniária prevista no art. 23, § 3º, do DecretoLei nº 1.455, de 1976, e alterações posteriores, pois no presente caso, não houve fraude ou simulação. Ademais, de acordo com os dispositivos citados, vêse claro que a aplicação da penalidade está vinculada a comprovação de fraude ou simulação, devendose manter afastada qualquer presunção dessas intenções. Por fim cabe ainda discorrer que para a autoridade fazendária, a adquirente das mercadorias importadas, objeto da DI, foi o Recorrido – que, por sua vez, segundo essa autoridade, pretendia se manter acobertada nas importações em questão e, assim, se eximir das obrigações tributárias principais e acessórias, dentre elas a de se submeter a procedimentos Fl. 1734DF CARF MF Processo nº 10983.721011/201214 Acórdão n.º 9303007.453 CSRFT3 Fl. 22 21 fiscais de habilitação para atuar no comércio exterior, bem como, de outra ponta, se beneficiar de incentivo fiscal estadual conferido pelo Estado de Santa Catarina. Não obstante, no caso vertente, a situação é diversa, pois, independentemente da conduta ou pretensão do fornecedora das mercadorias, a Recorrida é adquirente de boafé. Realizou compras de mercadorias de empresa regularmente instalada no país, mediante nota fiscal – o que foi comprovado nos autos. Aqui, a intenção que motiva a empresa Renosa ao comprar as mercadorias da empresa FIRST S/A é econômicofinanceiro, uma vez que, conforme constatado pela própria fiscalização, esta última empresa goza de benefícios fiscais de ICMS no Estado de Santa Catarina, benefício este que é conhecido como PRÓEMPREGO, capitulado na Lei Estadual nº 13.992/07. Referida questão, legitimidade ou não do benefício fiscal em comento, é um problema dos Estadosmembros da Federação e que, no presente caso, não serve para prejudicar a Recorrente, mas sim para beneficiála, já que demonstra a real intenção das partes envolvidas nesta operação, que apresenta notória índole econômica e não fraudulenta. Logo, tenho para mim que as questões aqui postas afastam a intenção dolosa na prática de pretensa ocultação de real importador, o que me motiva, no presente caso, a manter integralmente os termos do voto do acordão recorrido. Vêse que não houve nenhuma intenção de a Recorrida se ocultar na operação, vez que mantinha comunicação constante, até mesmo formal, diretamente com a fornecedora. O que, tal ato, já se direcionaria para infirmar a sua boafé. Ora, a aquisição no mercado interno de mercadoria importada, mediante nota fiscal emitida por firma regularmente estabelecida gera a presunção de boafé do adquirente. Nessa senda, em vista de todo o exposto, voto por negar provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Érika Costa Camargos Autran Fl. 1735DF CARF MF Processo nº 10983.721011/201214 Acórdão n.º 9303007.453 CSRFT3 Fl. 23 22 Voto Vencedor Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal, redator designado. Peço vênia à i. Relatora do processo para expor as razões pelas quais divirjo da decisão que propunha à solução da lide. Discutese exigência de multa por infração prevista no artigo 689, inciso XXII, § 1º, do Regulamento Aduaneiro Decreto 6.759/09 matriz legal Lei nº 10.637/02. Art. 689. Aplicase a pena de perdimento da mercadoria nas seguintes hipóteses, por configurarem dano ao Erário (Decreto Lei no 37, de 1966, art. 105; e DecretoLei no 1.455, de 1976, art. 23, caput e § 1o, este com a redação dada pela Lei no 10.637, de 2002, art. 59): (...) XXII estrangeira ou nacional, na importação ou na exportação, na hipótese de ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros. § 1o A pena de que trata este artigo convertese em multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria que não seja localizada ou que tenha sido consumida (DecretoLei no 1.455, de 1976, art. 23, § 3o, com a redação dada pela Lei no 10.637, de 2002, art. 59). (...) § 6o Para os efeitos do inciso XXII, presumese interposição fraudulenta na operação de comércio exterior a não comprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados (DecretoLei no 1.455, de 1976, art. 23, § 2o, com a redação dada pela Lei no 10.637, de 2002, art. 59). Como já tive a oportunidade de expressar em outras oportunidades, entendo que a conduta apenada está identificada no texto legal como ato de ocultação (i) do sujeito Fl. 1736DF CARF MF Processo nº 10983.721011/201214 Acórdão n.º 9303007.453 CSRFT3 Fl. 24 23 passivo, (ii) do real vendedor, (iii) comprador ou (iv) de responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, inclusive, interposição fraudulenta de terceiros. A não comprovação da origem dos recursos empregados na atividade faz presumir a ocorrência da infração. Quanto a isso, abrese parênteses para esclarecer que o § 6º apenas introduziu uma presunção legal do ato ilícito. Não exsurge dele infração diferente da prevista no inciso V do artigo 23 do Decretolei 1.455/76 (redação do art. 59 do Lei 10.637/02). Em outras palavras, não há que se falar em "interposição presumida" e "interposição comprovada". A infração é uma só, os meios de comprovála são muitos. Antes de adentrar ao caso concreto, importa fazer uma breve digressão histórica em torno do assunto. Ainda antes que fosse instituída pena específica para interposição fraudulenta de terceiros, os efeitos tributários das operações praticadas nessa modalidade negocial começaram a ser disciplinados. Por força do disposto no art. 77 da Medida Provisória nº 2.158 35/01, o adquirente da mercadoria importada por conta e ordem de terceiro foi revestido da condição de responsável/solidário pelo imposto e pelas infrações praticadas. Art. 32 É responsável pelo imposto: (...) Parágrafo único. É responsável solidário: (...) III o adquirente de mercadoria de procedência estrangeira, no caso de importação realizada por sua conta e ordem, por intermédio de pessoa jurídica importadora. Art. 95 Respondem pela infração: (...) V conjunta ou isoladamente, o adquirente de mercadoria de procedência estrangeira, no caso da importação realizada por sua conta e ordem, por intermédio de pessoa jurídica importadora. Foi também equiparado a estabelecimento industrial, tornandose contribuinte de direito do Imposto sobre Produtos Industrializados. Outrossim, foramlhe Fl. 1737DF CARF MF Processo nº 10983.721011/201214 Acórdão n.º 9303007.453 CSRFT3 Fl. 25 24 aplicadas as normas de incidência das contribuições para o PIS/Pasep e Cofins próprias do importador. Art. 79. Equiparamse a estabelecimento industrial os estabelecimentos, atacadistas ou varejistas, que adquirirem produtos de procedência estrangeira, importados por sua conta e ordem, por intermédio de pessoa jurídica importadora. Art. 81. Aplicamse à pessoa jurídica adquirente de mercadoria de procedência estrangeira, no caso da importação realizada por sua conta e ordem, por intermédio de pessoa jurídica importadora, as normas de incidência das contribuições para o PIS/PASEP e COFINS sobre a receita bruta do importador. Com fundamento no art. 80 da MP nº 2.15835/20011, a Secretaria da Receita Federal definiu requisitos e condições para a atuação de pessoa jurídica importadora por conta e ordem de terceiro. A Instrução Normativa 225/022 estabeleceu regras claras e rígidas para consecução do negócio. Esclareceu que a operação por conta e ordem de terceiro era aquela promovida em nome da pessoa jurídica para mercadoria adquirida por outra, mediante contrato previamente firmado. As informações a respeito da operação deveriam, obrigatoriamente, retratar a realidade, sob pena de perdimento das mercadorias importadas. Foi dois meses depois da IN SRF 225/2002 que a Lei 10.637/02 alterou o artigo 23 do Decretolei 1.455/76, criando pena específica para a interposição fraudulenta. 1 Art. 80. A Secretaria da Receita Federal poderá: I estabelecer requisitos e condições para a atuação de pessoa jurídica importadora por conta e ordem de terceiro; e II exigir prestação de garantia como condição para a entrega de mercadorias, quando o valor das importações for incompatível com o capital social ou o patrimônio líquido do importador ou do adquirente. 2 "Art. 1º O controle aduaneiro relativo à atuação de pessoa jurídica importadora que opere por conta e ordem de terceiros será exercido conforme o estabelecido nesta Instrução Normativa. Parágrafo único. Entendese por importador por conta e ordem de terceiro a pessoa jurídica que promover, em seu nome, o despacho aduaneiro de importação de mercadoria adquirida por outra, em razão de contrato previamente firmado, que poderá compreender, ainda, a prestação de outros serviços relacionados com a transação comercial, como a realização de cotação de preços e a intermediação comercial. (...) Art. 4º Sujeitarseá à aplicação de pena de perdimento a mercadoria importada na hipótese de: I inserção de informação que não traduza a realidade da operação, seja no contrato de prestação de serviços apresentado para efeito de habilitação, seja nos documentos de instrução da DI de que trata o art. 3º (art. 105, inciso VI, do Decretolei nº 37, de 18 de novembro de 1966); (...)" Fl. 1738DF CARF MF Processo nº 10983.721011/201214 Acórdão n.º 9303007.453 CSRFT3 Fl. 26 25 Mais tarde, a Lei 10.833/20033 trouxe para o campo de incidência do imposto de importação a mercadoria objeto da pena de perdimento não localizada, consumida ou revendida. Em 20/02/2006, a Lei 11.281/2006 previu nova modalidade de importação, denominada importação por encomenda4. A Instrução Normativa SRF nº 634/20065 definiu as regras a serem observadas neste tipo de operação. Como se vê, a opção pela importação por conta e ordem ou por encomenda traz relevantes requisitos e consequências: (i) obrigação de informar previamente à RFB a escolha dessa modalidade negocial, (ii) prestação de garantia como condição para a entrega de mercadorias, quando o valor for incompatível com seu capital social ou o patrimônio líquido; (iii) sujeição ao procedimento especial previsto na IN SRF 228/2002; (iv) responsabilidade solidária quanto ao imposto de importação; (v) responsabilidade conjunta ou isolada, quanto às 3 Art. 77. Os arts. 1º, 17, 36, 37, 50, 104, 107 e 169 do DecretoLei nº 37, de 18 de novembro de 1966, passam a vigorar com as seguintes alterações: "Art. 1º ........................................................................... ........................................................................... § 4º O imposto não incide sobre mercadoria estrangeira: (...) III que tenha sido objeto de pena de perdimento, exceto na hipótese em que não seja localizada, tenha sido consumida ou revendida." (NR) 4 Art. 11. A importação promovida por pessoa jurídica importadora que adquire mercadorias no exterior para revenda a encomendante predeterminado não configura importação por conta e ordem de terceiros. § 1o A Secretaria da Receita Federal: I estabelecerá os requisitos e condições para a atuação de pessoa jurídica importadora na forma do caput deste artigo; e II poderá exigir prestação de garantia como condição para a entrega de mercadorias quando o valor das importações for incompatível com o capital social ou o patrimônio líquido do importador ou do encomendante. § 2o A operação de comércio exterior realizada em desacordo com os requisitos e condições estabelecidos na forma do § 1º deste artigo presumese por conta e ordem de terceiros, para fins de aplicação do disposto nos arts. 77 a 81 da Medida Provisória no 2.15835, de 24 de agosto de 2001. § 3o Considerase promovida na forma do caput deste artigo a importação realizada com recursos próprios da pessoa jurídica importadora, participando ou não o encomendante das operações comerciais relativas à aquisição dos produtos no exterior. (Incluído pela Lei nº 11.452, de 2007) 5 Art. 2º O registro da Declaração de Importação (DI) fica condicionado à prévia vinculação do importador por encomenda ao encomendante, no Sistema Integrado de Comércio Exterior (Siscomex). § 1º Para fins da vinculação a que se refere o caput, o encomendante deverá apresentar à unidade da Secretaria da Receita Federal (SRF) de fiscalização aduaneira com jurisdição sobre o seu estabelecimento matriz, requerimento indicando: I nome empresarial e número de inscrição do importador no Cadastro Nacional de Pessoas Jurídicas (CNPJ); e II prazo ou operações para os quais o importador foi contratado. § 2º As modificações das informações referidas no § 1º deverão ser comunicadas pela mesma forma nele prevista. § 3º Para fins do disposto no caput, o encomendante deverá estar habilitado nos termos da IN SRF nº 455, de 5 de outubro de 2004 . Fl. 1739DF CARF MF Processo nº 10983.721011/201214 Acórdão n.º 9303007.453 CSRFT3 Fl. 27 26 infrações aduaneiras; (vi) sujeição ao pagamento dos tributos relativos ao IPI de sua saída por contribuinte por equiparação; (vii) sujeição ao pagamentos de PIS/Pasep e Cofins sob as normas de incidência sobre a receita bruta do importador. A toda evidência, se se pretende discutir a imputabilidade da pena àquele que incorre na conduta especificada em lei, é preciso ficar claro que o debate não se encerra na prescrição geral e abstrata encontrada no inciso XXII do artigo 689 do Regulamento Aduaneiro. Requer que todo o esforço normativo empreendido pelo poder público para coibir conduta lesiva ao interesse comum seja levado em consideração. A fim de alcançar o adquirente ou encomendante da mercadoria importada por sua conta e ordem, sujeitandoo às mesmas normas e condições próprias do importador, e evitar que o papel de cada interveniente fosse dissimulado, foram definidas regras inflexíveis para atuação das empresas prestadoras de serviço de importação e importadoras por encomenda. Com base nisso, parecenos sempre despropositada a discussão acerca da qualificação do ato ou da extensão dos efeitos dele decorrentes. O regramento definido para operações com esta formatação deixa nítido a intenção de coibir a forma de agir do administrado, potencialmente lesiva ao interesse coletivo, sem a necessidade que se aponte o prejuízo causado ou que se comprove a presença do elemento volitivo nos atos praticados. E, de fato, há muito as operações "triangulares" no âmbito do comércio exterior afetam decisivamente a condição da fiscalização tributária na identificação da pessoa com capacidade contributiva para responder pelos tributos devidos; assim como na indicação, com segurança, do enquadramento da operação nas regras de incidência nãocumulativa de impostos e contribuições; na definição da base de cálculo desses gravames; na avaliação da pertinência da aplicação de preço de transferência; determinação do valor aduaneiro das transações etc. Pelo menos em tese, há inúmeras vantagens na prática de operações comércio exterior mediante a interposição ilícita de pessoas como: (i) burla aos controles da habilitação para operar no comércio exterior; (ii) blindagem do patrimônio do real adquirente ou encomendante, no caso de eventual lançamento de tributos ou infrações; (iii) quebra da cadeia do IPI; (iv) sonegação de PIS e Cofins relativamente ao real adquirente, (v) lavagem de dinheiro e ocultação da origem de bens e valores, (vi) aproveitamento indevido de incentivos Fl. 1740DF CARF MF Processo nº 10983.721011/201214 Acórdão n.º 9303007.453 CSRFT3 Fl. 28 27 fiscais do ICMS. Isoladamente, para cada uma dessas situações há normas jurídicas aptas a sancionar o ato ilícito; contudo, o mais das vezes, a demonstração da finalidade pretendida pelo infrator ou mesmo do dano efetivo é improvável ou mesmo impossível, até porque a modalidade negocial de que se trata é particularmente suscetível à orquestração de papeis. Foi por essa razão que as regras de conduta foram definidas com o rigor que se observa. O ponto de partida dessa regulamentação foi a interpretação que a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional deu ao disposto no artigo 31 do DecretoLei nº 37/66 que, como se sabe, especifica como contribuinte do imposto de importação aquele que promove a entrada de mercadoria estrangeira no território nacional6. Conforme entendeu (Parecer PGFN CAT 1.316/01), o contribuinte do imposto é a pessoa cujo nome aparece no conhecimento de carga como sendo o proprietário da mercadorias importadas, independentemente de quem esteja efetivamente interessado na aquisição ou fizer as negociações prévias. Como consequência, os procedimentos fiscais levados a efeito no âmbito da RFB passaram a indicar, como importador, a pessoa informada como tal nas declarações de importação, mesmo que, na ótica de uns ou de outros, um terceiro fosse quem, verdadeiramente, "promovesse o ingresso das mercadorias em território nacional". No mesmo esteio, criaramse instrumentos legais capazes de resguardar os interesses do Erário, por meio das equiparações e condições para as operações por conta e ordem e por encomenda. A falta de informação fidedigna, pelo potencial lesivo que representa, foi tratada como infração gravíssima, sujeita à pena de perdimento dos bens, por dano ao Erário. Cumpre mencionar que não há inovação na graduação da pena associada à conduta do agente. A observação das demais hipóteses de infração por dano ao Erário previstas na legislação aduaneira evidencia essa prática. CAPÍTULO II DO PERDIMENTO DA MERCADORIA Art. 689. Aplicase a pena de perdimento da mercadoria nas seguintes hipóteses, por configurarem dano ao Erário (Decreto 6 Decreto 6.759/09 104. É contribuinte do imposto (DecretoLei no 37, de 1966, art. 31, com a redação dada pelo DecretoLei no 2.472, de 1988, art. 1o): I o importador, assim considerada qualquer pessoa que promova a entrada de mercadoria estrangeira no território aduaneiro; Fl. 1741DF CARF MF Processo nº 10983.721011/201214 Acórdão n.º 9303007.453 CSRFT3 Fl. 29 28 Lei no 37, de 1966, art. 105; e DecretoLei no 1.455, de 1976, art. 23, caput e § 1o, este com a redação dada pela Lei no 10.637, de 2002, art. 59): (...) II incluída em listas de sobressalentes e de provisões de bordo quando em desacordo, quantitativo ou qualitativo, com as necessidades do serviço, do custeio do veículo e da manutenção de sua tripulação e de seus passageiros; III oculta, a bordo do veículo ou na zona primária, qualquer que seja o processo utilizado; IV existente a bordo do veículo, sem registro em manifesto, em documento de efeito equivalente ou em outras declarações; V nacional ou nacionalizada, em grande quantidade ou de vultoso valor, encontrada na zona de vigilância aduaneira, em circunstâncias que tornem evidente destinarse a exportação clandestina; VI estrangeira ou nacional, na importação ou na exportação, se qualquer documento necessário ao seu embarque ou desembaraço tiver sido falsificado ou adulterado; VII nas condições do inciso VI, possuída a qualquer título ou para qualquer fim; VIII estrangeira, que apresente característica essencial falsificada ou adulterada, que impeça ou dificulte sua identificação, ainda que a falsificação ou a adulteração não influa no seu tratamento tributário ou cambial; (...) XI estrangeira, já desembaraçada e cujos tributos aduaneiros tenham sido pagos apenas em parte, mediante artifício doloso; XII estrangeira, chegada ao País com falsa declaração de conteúdo; Fl. 1742DF CARF MF Processo nº 10983.721011/201214 Acórdão n.º 9303007.453 CSRFT3 Fl. 30 29 (...) XVII estrangeira, em trânsito no território aduaneiro, quando o veículo terrestre que a conduzir for desviado de sua rota legal, sem motivo justificado; (...) XIX estrangeira, atentatória à moral, aos bons costumes, à saúde ou à ordem públicas; XX importada ao desamparo de licença de importação ou documento de efeito equivalente, quando a sua emissão estiver vedada ou suspensa, na forma da legislação específica; XXI importada e que for considerada abandonada pelo decurso do prazo de permanência em recinto alfandegado, nas hipóteses referidas no art. 642; e XXII estrangeira ou nacional, na importação ou na exportação, na hipótese de ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros. Como é fácil perceber, grande parte das infrações identificadas como dano ao Erário tem pouca ou nenhuma relação direta com o efetivo prejuízo aos cofres públicos. São infrações de conduta, se não vejamos: mercadoria (i) Em listas de sobressalentes (...) quando em desacordo com as necessidades do serviço; (ii) oculta, a bordo do veículo; (iii) destinadas à exportação clandestina; (iv) quando o documento necessário ao seu embarque ou desembaraço tiver sido falsificado; (v) em trânsito no território aduaneiro, quando o veículo terrestre (...) for desviado de sua rota legal (vi) estrangeira, atentatória à moral, aos bons costumes, à saúde ou à ordem públicas; (vii) importada ao desamparo de licença de importação ou documento de efeito equivalente, quando a sua emissão estiver vedada ou suspensa (...) e outras. O saudoso Ministro Teori Zavascki, quando ainda Ministro do Superior Tribunal de Justiça, proferiu relevante manifestação sobre o tema, em decisão tomada nos autos do recurso especial nº 954.526 PR (2007/01166420): Fl. 1743DF CARF MF Processo nº 10983.721011/201214 Acórdão n.º 9303007.453 CSRFT3 Fl. 31 30 No que diz respeito ao dano, destaco que a pena de perdimento, visa resguardar não apenas o interesse financeiro do Fisco, mas também regular as relações de comércio exterior e proteger a indústria nacional. Se o perdimento não prescinde da demonstração do dano para sua aplicação, não é menos verdade que, por vezes, o dano está caracterizado pela dificuldade imposta pela conduta do importador à fiscalização aduaneira, cuja incumbência é, por norma constitucional, da Receita Federal. Convém destacar, ainda, que, não embarcado o restante da mercadoria, poderia ela ser vendida no mercado interno, sem a incidência de tributos, propiciando riquíssimo ganho às apelantes. O dano ao erário, assim, seria inconteste, porque, com os benefícios fiscais (através da simulação de exportação), a apelante deixaria de recolher os tributos devidos (II, ICMS, dentre outros), fato que repercutiria na formação dos preços ao consumidor. (grifos meus) Percebese na conjugação dos verbos grifados no texto especial atenção ao dano potencial das circunstâncias descritas. Não há menção a prejuízo causado, mas ao risco que a conduta em si representa. Com base em todas as considerações precedentes, concluise que as regras de conduta definidas pelo Poder Público para a atuação de empresa importadora por conta e ordem ou por encomenda e a própria infração por interposição fraudulenta, que as integra, constituem elemento essencial de controle das operações de comércio exterior. Condicionar a imputação de pena à demonstração do efetivo prejuízo ou a demonstração do elemento volitivo subtrarlheia a própria essência instrumental, como meio apto a viabilizar o monitoramento fiscal dos atos praticados pelo particular. Feitas as considerações preambulares, passo ao exame do caso concreto. Compulsando os autos, identificamse no corpo do acórdão recorrido, as evidências de que a importação de mercadorias, pela First, estava previamente destinadas à empresa Renosa. Observese (efolhas 1.501 e segs). Fl. 1744DF CARF MF Processo nº 10983.721011/201214 Acórdão n.º 9303007.453 CSRFT3 Fl. 32 31 A operação de importação realizada pela First S/A e o envolvimento da empresa Renosa Indústria Brasileira de Bebidas S/A A fiscalização identificou, amparada em diversos informações e documentos fiscais, a relação da First com empresas que atuavam na área da produção e envasamento de refrigerantes, atuando como importadora e fornecedora de preformas. O trabalho da auditoria da receita federal foi detalhado e consegue comprovar de forma inequívoca o modo de operação. A seguir detalho informações extraídas do relatório fiscal, que motivaram a exigência fiscal. i) A Fiscalização identificou a existência de emissão de Notas Fiscais, na mesma data de liberação das mercadorias pela Alfândega, configurando que as mercadorias importadas já estavam com a destinação para Renosa. (fl. 19) "Conforme demonstrado na Tabela 2.2, verificamos que o fato ocorrido com relação às datas de emissão das notas fiscais de saída e de entrada durante o procedimento especial de controle acima relatado, longe de ser um engano da empresa FIRST, é uma prática corrente da empresa. Os dados da citada tabela revelam que as notas de saída (venda) para a empresa Renosa eram emitidas, em regra, na mesma data da liberação das mercadorias na fronteira, sendo a emissão das notas de saída sempre em ato contínuo à emissão das notas fiscais de entrada Ora, a empresa FIRST “vendia” as preformas PET antes mesmo de elas terem sido nacionalizadas e, portanto, estarem aptas a entrar em seu estoque. Isto demonstra claramente que as mercadorias, relacionadas nas DI sob análise e mencionadas na Tabela 2.2 tinha como destinatários predeterminados a empresa Renosa." ii) A Fiscalização identificou a ligação documental para amparar a logística da importação e transporte de mercadoria, vinculado as importações ao transporte e a emissão de documentos fiscais, conforme se verifica no trecho abaixo extraído do relatório fiscal. (fl. 21) "Para cada processo de importação era feita vinculação, documento a documento. Eram emitidas para cada processo, uma nota fiscal de entrada global que relaciona todas as mercadorias daquele processo/DI e várias notas fiscais de entradas parciais emitidas para acompanhar os transportes parciais (transporte fracionado). A nota fiscal de entrada global traz todas as informações do processo (seu código IMPXXXXXX, o número da DI, o número da Fatura Comercial (invoice)) e cada nota fiscal de entrada parcial traz, em seu corpo, o número da nota global. Importante notar também que, para controle da FIRST e do real adquirente da mercadoria, no corpo da nota Fl. 1745DF CARF MF Processo nº 10983.721011/201214 Acórdão n.º 9303007.453 CSRFT3 Fl. 33 32 fiscal de saída, além do número identificador do processo ao qual pertenciam as mercadorias, consta o número da fatura de importação da mesma, emitida pelo exportador no exterior" iii) A Fiscalização demonstra com riqueza de detalhes a vinculação entre as Declarações de Importação DI e as Notas Fiscais de Saída, comprovando a vinculação das importações a venda realizada à Renosa Indústria Brasileira de Bebidas S/A, confirmando que as importações foram realizadas para serem entregues a Renosa. "A Tabela 3 resume os dados referentes às importações realizadas extraídos do SISCOMEX (informações das DI), das Notas Fiscais de entrada e saída apresentadas pela empresa, da contabilidade (apresentada em meio magnético), e das informações dos pagamentos referentes às vendas dos produtos importados e dos contratos de câmbio, também apresentadas pela empresa. A Tabela 3 mostra as 4 operações realizadas pela FIRST no período de julho a dezembro de 2007 como importadordireto de garrafas PET, onde as mercadorias importadas foram destinadas à Renosa. Já vimos que cada importação realizada é destinada a apenas uma empresa em sua totalidade. Este fato é verificado comparando a quantidade total e o tipo (descrição) das mercadorias constante de cada DI com a quantidade total e o tipo (descrição) das mercadorias nas notas fiscais de saída, sempre iguais, assim como destinadas a um único cliente. Esta vinculação entre quantidade de mercadorias de uma DI e suas notas fiscais de saída pode ser verificada na tabela 3, onde a vinculação entre DI e notas fiscais de vendas correspondentes (que deram saída às mercadorias importadas por meio desta DI) foi feita pelo número de controle interno da empresa FIRST (vide explicação do item 5.2.1), uma vez que esse número é sempre mencionado nas notas fiscais de entrada global e nas notas fiscais de saída das mercadorias importadas por uma DI, bem como nos livros contábeis. Cada DI possui um código do tipo “IMPXXXXXX” e esse código é informado na nota fiscal de entrada global da citada DI e nas notas fiscais de saída, sendo possível fazer uma perfeita vinculação entre a mercadoria importada por uma DI e sua venda nas notas fiscais de saída. Observouse então que TODAS as mercadorias de uma DI é sempre destinada a uma única empresa, no presente caso, Renosa Indústria Brasileira de Bebidas S/A. O fato de as notas fiscais de saída serem emitidas muitas vezes em sequência às notas fiscais de entrada (item 5.2.1) e na mesma Fl. 1746DF CARF MF Processo nº 10983.721011/201214 Acórdão n.º 9303007.453 CSRFT3 Fl. 34 33 quantidade e tipo (item 5.2.2) mostra que as mercadorias importadas tinham um destinatário prédeterminado." iv) A investigação da Fiscalização verificou que a empresa não apresentava estoques de preformas importadas, sendo os produtos enviados diretamente após o desembaraço aduaneiro para os seus reais adquirentes. O funcionamento do estoque da empresa foi detalhado no Relatório Fiscal. (fl. 25) "Ao analisar a contabilidade da empresa, notamos que não existe estoque de preformas PET na empresa FIRST, na realidade o saldo do estoque é muitas vezes credor, ou seja, toda mercadoria importada é imediatamente destinada a uma terceira empresa. As notas fiscais de entrada e saída das preformas PET emitidas em sequência já é um indicativo de que realmente não seria possível haver estoque dessas mercadorias na FIRST. Este fato foi questionado ao Senhor Natanael que, em declaração prestada à fiscalização (Termo Declaração Diretor) informou que “nunca aconteceu de a mercadoria importada não ter sido vendida e nem mesmo de ter permanecido em estoque por longo período”. Na verdade esse estoque não existe, já que as mercadorias importadas são entregues diretamente aos reais adquirentes. Os gráficos de séries temporais de saldos dos períodos de julho a dezembro de 2007, mostram a evolução do saldo contábil do estoque de garrafas PET (conta 1.1.03.01.017 MERCADORIASIMPORTADAS GARRAFAS PET) no período de registro das importações analisadas. Verificamos que o saldo apresenta picos lançamentos das notas fiscais de entrada para liberação dasimportações – e retorna a zero – lançamento das notas fiscais de saída, evidenciando que, contabilmente, os produtos importados apenas passavam pela empresa e eram imediatamente destinados a seus reais adquirentes." v) Os pagamentos referentes as mercadorias não guarda relação com as Notas Fiscais de Saída, mas com os processos de importação, conforme apuração dos registros financeiros na contabilidade da empresa First, detalhados no relatório fiscal (fl. 27) "Começamos esta análise com o primeiro pagamento relacionado com cada DI, verificamos que o valor é sempre igual ao valor dos impostos pagos na importação, nos casos analisados PIS e COFINS já que as importações são originárias do MERCOSUL, e a alíquota do IPI é zero, e ocorre sempre sete dias após o registro da DI, ou em raros casos muito próximo disso. Tomando como exemplo a primeira DI da Tabela 3, a de número 07/08973455, vemos que a data de seu registro foi 10/07/2007 e os impostos recolhidos totalizaram Fl. 1747DF CARF MF Processo nº 10983.721011/201214 Acórdão n.º 9303007.453 CSRFT3 Fl. 35 34 R$ 68.156,46. Na seção da tabela 3 referente aos pagamentos realizados confirmamos o pagamento do mesmo valor dos impostos que ocorreu 7 dias após o registro da DI. A regra observada quanto aos pagamentos é que existam mais dois pagamentos relacionados a cada importação e, eventualmente, um quarto pagamento de pequeno valor, algumas vezes, inclusive negativo, tipicamente referente a algum ajuste, provavelmente de câmbio. Usando ainda a mesma DI como exemplo verificamos que o terceiro pagamento ocorreu em 10/09/2007, quinze dias antes da liquidação do contrato de câmbio e onze dias antes da contratação do câmbio, sendo o valor praticamente o mesmo da liquidação do contrato de câmbio. Esse terceiro pagamento ocorre aproximadamente 60 dias após o registro da DI, e sempre antes da liquidação do contrato de câmbio. O segundo pagamento ocorre aproximadamente 30 dias após o registro da DI e seu valor equivale a aproximadamente 25% do valor CIF das mercadorias." vi) A empresa First foi intimada a apresentar mensagens trocadas com seu transportador a empresa TORA. Em procedimento posterior, a Fiscalização realizou diligência na empresa TORA transportadora, que franqueou o acesso à correspondência eletrônica trocada ntre a transportadora, a First e as empresas fabricantes de bebidas e a Cristalpet empresa exportadora das preformas. As operações de importação realizadas pela First para a empresa Renosa foram detalhadas no trabalho da auditoria aduaneira. Transcrevo a seguir, trecho extraído do Relatório Fiscal, que trata das apurações realizadas pela Fiscalização no que concerne a empresa Renosa Indústria Brasileira de Bebidas S/A. (fls. 39 a 42). A empresa Renosa estava habilitada para operar no comércio exterior desde 2004. Foi aberto o Mandado de Procedimento Fiscal – Diligência nº 0925200.2011.001516, solicitando documentos e informações sobre as operações sob fiscalização, por meio de aviso de recebimento dos Correios, cuja ciência ocorreu em 31/10/2011 (AR RENOSA), intimouse a empresa a apresentar: (1)Declaração, informando se a empresa mantém algum contrato de fornecimento, ou de qualquer outra espécie, com a empresa FIRST S/A. Em caso afirmativo, a empresa deverá apresentar cópia autenticada do contrato. 2) Cópia de todos os pedidos de preformas PET efetuados à empresa FIRST, no período de janeiro de 2007 a dezembro de 2009. Se os pedidos foram Fl. 1748DF CARF MF Processo nº 10983.721011/201214 Acórdão n.º 9303007.453 CSRFT3 Fl. 36 35 efetuados através de correio eletrônico, a empresa deverá imprimílos e apresentálos em atendimento à intimação. Em 09/11/2011, a Renosa respondeu que (RESP RENOSA): “Em esclarecimento a questão (1), declaramos que a empresa Renosa não possui nenhum contrato em vigor com a empresa FIRST S/A. Outrossim, informamos que houve a assinatura do Instrumento Particular de Contrato de Prestação de Serviços de Importação por Encomenda, entre RENOSA e a empresa FIRST S/A em 10/10/2006, com o prazo de vigência de 2 anos, porém a contratante utilizou os serviços da contratada, objeto do referido contrato, somente até dezembro/2007 (g/n)” No contrato firmado entre FIRST e Renosa (RESP RENOSA.) vemos, na Cláusula Primeira das Declarações Preliminares (logo abaixo), que foi, na verdade, a empresa Contratante (Renosa) quem manteve contato com os fornecedores no exterior, ajustando com estes todas as condições para efetivação da compra. Notese também a referência, no parágrafo segundo, à Contratante (Renosa) como legítima proprietária dos produtos. (…) A Cláusula Segunda do Objeto do Contrato é também bastante esclarecedora das relações mantidas entre FIRST (contratada) e Renosa (contratante). Apesar de o contrato ser denominado de “Instrumento Particular de Contrato de Prestação de Serviços de importação por Encomenda”, seu Objeto (abaixo) define uma relação de importação entre adquirente e importador por conta e ordem de terceiros. (…) Ao contrário do que afirma o Diretor da FIRST, em seu depoimento (item 5.2.9), ela (FIRST) não tem qualquer responsabilidade por informações, preços e outras condições, ajustadas diretamente entre contratante (Renosa) e os fornecedores estrangeiros. Não esponde sequer pelo correto enquadramento das mercadorias importadas na TEC (tarifa externa comum). (…) Vêse, na Cláusula Décima Quinta das disposições gerais, mais uma vez, que quem realmente adquire as mercadorias dos exportadores no exterior, mantendo com estes vínculo comercial é a Renosa (Contratante), sem qualquer participação da FIRST (contratada). (…) Fl. 1749DF CARF MF Processo nº 10983.721011/201214 Acórdão n.º 9303007.453 CSRFT3 Fl. 37 36 Apesar de se ter denominado o contrato de “Instrumento Particular de Contrato de Prestação de Serviços de Importação Por Encomenda” e de se ter incluído no início do contrato a expressão “nos moldes da IN/SRF 634, de 24 de março de 2006, seus termos definem relação entre adquirente e importador por conta e ordem. A IN SRF 634/2006 define o importador por encomenda como aquele que adquire mercadoria do exterior para revendêla a encomendante predeterminado. Em todo o contrato, e especialmente em sua Cláusula Décima Quinta das Disposições Gerais, vemos que quem adquire a mercadoria do exterior é a Contratante (Renosa). A relação entre adquirente e importador por conta e ordem é definida na IN SRF 25, de 18 de outubro de 2002. O Parágrafo nico do art. 1° da IN SRF 225/2002 define o importador por conta e ordem de terceiros: "Art 1°..........… Parágrafo único. Entendese por importador por conta e ordem de terceiro a pessoa jurídica que promover, em seu nome, o despacho aduaneiro de importação de mercadoria adquirida por outra, em razão de contrato previamente firmado, que poderá compreender, ainda, a prestação de outros serviços relacionados com a transação comercial, como a realização de cotação de preços e a intermediação comercial" A empresa Renosa, portanto, possuía um contrato de importação com a FIRST e utilizou os serviços desse contrato até dezembro de 2007. Esse contrato não foi apresentado à Receita Federal. Portanto, todas as importações de preforma de PET com Notas Fiscais de Saída de emissão da FIRST para a empresa RENOSA foram realizadas como se fossem por conta própria da FIRST e a condição de real adquirente da RENOSA foi ocultada pela FIRST ao registrar as DI na modalidade de importação direta ou por conta própria. Diante do exposto, resta evidente que todas as importações registradas na modalidade “importação direta” pela FIRST e cuja mercadoria foi destinada à empresa RENOSA, conforme notas fiscais de saída demonstram e de acordo com o contrato firmado entre as duas empresas, eram, na verdade, importações realizadas pela FIRST por conta e ordem da RENOSA. Em todas essas importações houve ocultação do real adquirente das mercadorias, ou seja, havia desde o início um destinatário redeterminado para estas operações, as empresas RENOSA e FIRST ocultaram esse fato à Receita Federal." À luz dos fatos apurados pela Fiscalização Federal, não vejo como deixar de reconhecer que as importações não foram realizadas na modalidade por conta própria, mas no Fl. 1750DF CARF MF Processo nº 10983.721011/201214 Acórdão n.º 9303007.453 CSRFT3 Fl. 38 37 interesse de terceiro, ao qual estavam previamente destinadas; no caso em apreço, à empresa Renosa. Uma vez que isto esteja claro, necessário que se decida acerca das questões jurídicas postas nos autos, em relação à correta interpretação da legislação tributária aplicável à situação fática identificada. Quanto a isso, releva dizer que não vejo como possa prosperar o entendimento de que houve alteração de critério jurídico, ausência de subsunção dos fatos à norma, ou qualquer outro vício ou imprecisão que maculasse o procedimento fiscal, a decisão de piso, ou que, com base em qualquer outra interpretação do direito aplicável, importasse na dispensa da exigência consignado nos autos, com base em suposta revisão do enquadramento dos fatos apurados pelo Fisco, já por ocasião da decisão de primeira instância, quando considerou que a operação estaria melhor enquadrada como importação por encomenda e não importação por conta e ordem, como entenderam os AuditoresFiscais autuantes. De fato, em consonância com os fundamentos até aqui declinados, demonstrase absolutamente irrelevante o fato de a simulação ter origem em operação realizada por encomenda de outro ou por conta e ordem daquele. O elemento nuclear da simulação encontrase na confrontação entre a operação declarada ao Fisco, que foi de importação por conta própria, e operação efetivamente levada a efeito pelo contribuinte, que, conforme demonstrado nos autos, não pode ser reconhecida como tal. É de interesse secundário o enquadramento das operações como tendo sido realizadas por encomenda ou por conta e ordem de terceiros. O que importa saber é se a conduta declarada pelo contribuinte é ou não condizente com aquilo que foi apurado e comprovado pela Fiscalização Federal. No caso concreto, não era. Disso decorre a prática de conduta passível de ser apenada pela aplicação do disposto na legislação retrocitada. Sob outra perspectiva, é possível dizer que a infração, por ocultação ou por interposição, nada tem a ver com o título sob o qual darseia a importação se tivesse sido corretamente declarada: se por encomenda ou por conta e ordem. A infração ocorre no momento em que o é declarado como sendo por conta própria, operação realizada por conta e ordem e/ou por encomenda de outro, ocultando, por interposição, a pessoa jurídica que estava por trás das transações. Na mesma toada, como já foi dito na parte introdutória do vertente voto, a discussão acerca da imputabilidade da pena àquele que incorre na conduta especificada em lei Fl. 1751DF CARF MF Processo nº 10983.721011/201214 Acórdão n.º 9303007.453 CSRFT3 Fl. 39 38 não se encerra na prescrição geral e abstrata encontrada no inciso XXII do artigo 689 do Regulamento Aduaneiro, requer que todo o esforço normativo empreendido pelo poder público para coibir conduta lesiva ao interesse comum seja levado em consideração. A fim de alcançar o adquirente ou encomendante da mercadoria importada por sua conta e ordem, sujeitandoo às mesmas normas e condições próprias do importador, e evitar que o papel de cada interveniente fosse dissimulado, foram definidas regras inflexíveis para atuação das empresas prestadoras de serviço de importação e importadoras por encomenda. Não há que se falar, portanto, em qualificação do ato, se doloso ou de boafé, ou da extensão dos efeitos dele decorrentes com ou sem prejuízo ao Erário. O regramento definido para operações realizadas por conta e ordem de terceiro ou no interesse de terceiro encomendante deixa nítida a intenção de coibir a forma de agir do administrado, potencialmente lesiva ao interesse coletivo, sem a necessidade que se aponte o prejuízo causado ou que se comprove a presença do elemento volitivo nos atos praticados. Isto posto, com base nos fundamentos expendidos, voto dar provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Fl. 1752DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10840.904254/2012-11
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 02 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Nov 05 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2005
PAGAMENTO A MAIOR. INEXISTÊNCIA.
Uma vez que o pagamento foi integralmente utilizado para o débito fiscal correspondente, inexiste direito creditório. Consequentemente, não há como homologar a compensação requerida.
PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. ÔNUS DA PROVA.
É do contribuinte o ônus de comprovar a certeza e a liquidez do crédito pleiteado através de documentos contábeis e fiscais revestidos das formalidades legais.
PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. DIREITO PROBATÓRIO. MOMENTO PARA A APRESENTAÇÃO DE PROVAS. PRECLUSÃO.
O sujeito passivo deve trazer aos autos todos os documentos aptos a provar suas alegações, em regra, no momento da apresentação de sua Impugnação/Manifestação de Inconformidade, sob pena de preclusão.
Admite-se a apresentação de provas em outro momento processual, além das hipóteses legalmente previstas, quando estas reforcem o valor probatório das provas já oportunamente apresentadas.
Numero da decisão: 1001-000.828
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar proposta de diligência suscitada no recurso e, no mérito, negar provimento ao Recurso Voluntário. Votou pelas conclusões o conselheiro Eduardo Morgado Rodrigues.
(assinado digitalmente)
Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Edgar Bragança Bazhuni - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues e Jose Roberto Adelino da Silva.
Nome do relator: EDGAR BRAGANCA BAZHUNI
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2005 PAGAMENTO A MAIOR. INEXISTÊNCIA. Uma vez que o pagamento foi integralmente utilizado para o débito fiscal correspondente, inexiste direito creditório. Consequentemente, não há como homologar a compensação requerida. PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. ÔNUS DA PROVA. É do contribuinte o ônus de comprovar a certeza e a liquidez do crédito pleiteado através de documentos contábeis e fiscais revestidos das formalidades legais. PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. DIREITO PROBATÓRIO. MOMENTO PARA A APRESENTAÇÃO DE PROVAS. PRECLUSÃO. O sujeito passivo deve trazer aos autos todos os documentos aptos a provar suas alegações, em regra, no momento da apresentação de sua Impugnação/Manifestação de Inconformidade, sob pena de preclusão. Admite-se a apresentação de provas em outro momento processual, além das hipóteses legalmente previstas, quando estas reforcem o valor probatório das provas já oportunamente apresentadas.
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INEXISTÊNCIA. Uma vez que o pagamento foi integralmente utilizado para o débito fiscal correspondente, inexiste direito creditório. Consequentemente, não há como homologar a compensação requerida. PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. ÔNUS DA PROVA. É do contribuinte o ônus de comprovar a certeza e a liquidez do crédito pleiteado através de documentos contábeis e fiscais revestidos das formalidades legais. PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. DIREITO PROBATÓRIO. MOMENTO PARA A APRESENTAÇÃO DE PROVAS. PRECLUSÃO. O sujeito passivo deve trazer aos autos todos os documentos aptos a provar suas alegações, em regra, no momento da apresentação de sua Impugnação/Manifestação de Inconformidade, sob pena de preclusão. Admitese a apresentação de provas em outro momento processual, além das hipóteses legalmente previstas, quando estas reforcem o valor probatório das provas já oportunamente apresentadas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar proposta de diligência suscitada no recurso e, no mérito, negar provimento ao Recurso Voluntário. Votou pelas conclusões o conselheiro Eduardo Morgado Rodrigues. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 84 0. 90 42 54 /2 01 2- 11 Fl. 70DF CARF MF Processo nº 10840.904254/201211 Acórdão n.º 1001000.828 S1C0T1 Fl. 71 2 Lizandro Rodrigues de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) Edgar Bragança Bazhuni Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues e Jose Roberto Adelino da Silva. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pela Recorrente em face de decisão proferida pela 2ª Turma da Delegacia Regional de Julgamento em São Paulo (SP), mediante o Acórdão nº 1663.766, de 28/11/2014 (efls. 38/42). O relatório elaborado por ocasião do julgamento em primeira instância bem sintetiza o ocorrido, pelo que peço vênia para transcrevêlo, com a finalidade de privilegiar o princípio da celeridade processual: (grifos não constam do original) Trata o presente processo de Despacho Decisório emanado pela Autoridade Administrativa que analisou o Per/Dcomp nº 31740.70992.301210.1.2.04 1359 (fls. 2 a 4) e indeferiu a restituição declarada, em razão da localização de um ou mais pagamentos integralmente utilizados para a quitação de débitos do contribuinte, não restando, quanto ao Darf apresentado, crédito disponível a ser aproveitado no presente Per/Dcomp. O referido Darf, conforme os sistemas da Receita Federal do Brasil RFB possui: nº de pagamento 2273100341; período de apuração –31/12/2005; data de arrecadação – 10/01/2006; código de receita – 6106 (Pagamento de Microempresa e Empresa de Pequeno Porte Simples); valor total do Darf R$ 4.981,34; valor total original utilizado R$ 4.981,34. 1.1. O limite do crédito analisado, correspondente ao valor do crédito original na data de transmissão, informado no Per/Dcomp é de R$ 1.660,45, conforme Despacho Decisório de 05/11/2012 (fl. 5). A transmissão do Per/Dcomp ocorreu em 31/12/2010. 2. A empresa apresentou Manifestação de Inconformidade, protocolada em 13/12/2012 (fls. 10 a 12, com anexos às fls. 13 a 32), com a seguinte alegação: (...) 2. Conforme resultado de consulta no processo 11610.003039/200700, formulada pela ABRIGAF NACIONAL (doc. 4, anexo), da qual é filiada (doc. 5, anexo), a requerente é titular de crédito líquido e certo contra a Fazenda Nacional, por recolhimento feito em montantes maiores que o devido, de janeiro de 2.004 a maio de 2.006, (doc. 6, anexo), faltando acrescentar os valores legais de correção monetária e juros, mediante simples operação aritmética. Fl. 71DF CARF MF Processo nº 10840.904254/201211 Acórdão n.º 1001000.828 S1C0T1 Fl. 72 3 3. Por força do previsto no Código Civil, artigos 368 e seguintes, no Código Tributário Nacional, artigo 156, II e na Lei 10.637 de 30.12.2002, artigo 49, o contribuinte tem direito assegurado de extinguir crédito tributário da Fazenda com créditos seus contra a mesma, até o montante em que se compensarem. 4. Pelo exposto e com os documentos acostados, vem requerer a reforma e inversão do despacho decisório de indeferimento (rastreamento 040198195), a fim de que o PER/DECOMP, tal como requerido, seja acatado. (...) O r. acórdão conclui pela improcedência da manifestação de inconformidade apresentada, cujo excerto do voto vencedor transcrevo a seguir: 4. Configuramse os requisitos de admissibilidade da Manifestação de Inconformidade apresentada pelo sujeito passivo, visto que protocolizada no prazo legal (art.15 do Decreto nº 70.235/1972). 4.1. As matérias não expressamente questionadas presumemse legítimas e não deverão ser objeto de análise, vez que não se tornaram controvertidas nos termos do art.17 do Decreto no 70.235/1972, na redação dada pela Lei nº 9.532/1997. 4.2. Também estabelece o art. 16 do citado Decreto que a Impugnação deverá mencionar os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir. Em complemento, o § 4º do citado artigo é manifesto ao prescrever que a prova documental deverá ser apresentada na impugnação, precluindo o direito do impugnante fazêlo em outro momento processual, ressalvados os casos específicos descritos. 4.3. Ressaltase que o regramento previsto no Decreto nº 70.235/1972 é aplicável à Manifestação de Inconformidade em decorrência da previsão contida no § 11 do art. 74 da Lei nº 9.430/1996, incluída pela Lei nº 10.833/2003. 5. No caso concreto, a verificação dos dados informados pela Insurgente foi realizada de forma eletrônica, tendo resultado no Despacho Decisório em discussão (fl. 5). 5.1. O referido DD aponta como causa do indeferimento o fato de que foram localizados um ou mais pagamentos integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição. 5.2. Assim, o exame das declarações prestadas pela própria interessada à Administração Tributária revelou a inexistência do pretenso crédito declarado e requerido para a restituição. 5.3. Em suma, os motivos do indeferimento residiram nas próprias declarações e documentos produzidos pela Insurgente. Estes foram, portanto, a prova e o motivo do ato administrativo. 6. O Contribuinte questiona o Despacho Decisório, que indeferiu a restituição, afirmando que em razão de consulta formulada pela Associação Brasileira da Indústria Gráfica (ABIGRAF NACIONAL – acostou documento às fls. 24 a 28), possui crédito em face da Fazenda Pública, em função de recolhimentos efetuados Fl. 72DF CARF MF Processo nº 10840.904254/201211 Acórdão n.º 1001000.828 S1C0T1 Fl. 73 4 em montantes superiores ao devido, no período de janeiro/2004 a maio/2006 (acostou planilha com alteração dos valores de débitos do Simples Federal à fl. 30). 6.1. Quanto à Planilha elaborada pela defendente (fl. 30), na qual há alteração no débito do Simples Federal relativo ao Período de Apuração dezembro/2005 (de R$ 4.981,34 (valor que consta na Declaração Simplificada entregue, conforme pesquisa efetuada no sistema IRPJ da RFB) para R$ 3.320,89) é de se observar, inicialmente, que a elaboração de Planilha retificadora, não é, por si só, suficiente para fazer prova em favor do contribuinte. Mantémse, nesses casos, a necessidade de comprovação documental do quanto alegado (ou seja, do pagamento indevido, conforme definido no art. 165 do CTN), por meio da apresentação da escrituração contábil/fiscal do período, em conformidade com a legislação de regência do regime simplificado e em obediência ao disposto no art. 16 do Decreto n° 70.235/1972. 6.2. Observese, ainda, que, em consonância com a legislação acima citada, consta das “Orientações para apresentação de manifestação de inconformidade” (disponível ao Contribuinte a partir da ciência da não homologação do crédito no sítio da Secretaria da Receita Federal do Brasil), a instrução de que a manifestação de inconformidade deve mencionar os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir, como, por exemplo, comprovação de que o recolhimento indicado como crédito foi efetuado de forma indevida. 6.3. Verificada a não existência de parte ou mesmo da totalidade do crédito, pela Autoridade Administrativa, cumpre ao autor a comprovação do direito alegado, cuja negativa restou demonstrada no Despacho Decisório, conforme dispõe o art. 333 do Código Processual Civil: Art. 333. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Parágrafo único. É nula a convenção que distribui de maneira diversa o ônus da prova quando: I recair sobre direito indisponível da parte; II tornar excessivamente difícil a uma parte o exercício do direito. 6.4. Ou seja, no presente caso, caberia à Manifestante, em respeito à verdade material, além de apresentar cópia da retrocitada Planilha e da Declaração Simplificada retificadora, indicar os motivos fáticos que ensejaram a redução do Simples Federal devido, bem como demonstrar documentalmente a correção das alterações na referida Declaração, em conjunto articulado com o anocalendário relacionado ao documento de arrecadação que ela consignou no Per/Dcomp. 6.5. Ademais, conforme o art. 16 do Decreto nº 70.235/1972, o prazo para apresentação de provas documentais visando a esclarecer eventual equívoco consubstanciado em ato da Administração finda no mesmo prazo para a apresentação da Manifestação de Inconformidade, precluindo o direito de o Contribuinte fazêlo em outra oportunidade. Fl. 73DF CARF MF Processo nº 10840.904254/201211 Acórdão n.º 1001000.828 S1C0T1 Fl. 74 5 7. Além disso, cabe asseverar que a Autoridade Julgadora vêse livre quanto ao convencimento quando da apreciação das provas trazidas aos autos, consoante previsto no art. 29 do Decreto nº 70.235/1972. 7.1. Nessas circunstâncias, não comprovado o erro cometido no Despacho Decisório, com documentação hábil, idônea e suficiente, a alteração dos valores declarados não pode ser acatada, pelo que se mantém correto o não deferimento do pedido de restituição. CONCLUSÃO 8. Em consonância com o exposto e de tudo mais que do processo consta, voto por julgar improcedente a manifestação de inconformidade da contribuinte, mantendose o Despacho Decisório à fl. 5. É como voto. O acórdão foi assim ementado: ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2005 DCOMP. PAGAMENTO INDEVIDO. A mera alegação da existência do crédito, desacompanhada de elementos cabais de prova quanto aos motivos determinantes das alterações nos débitos declarados originalmente por intermédio de Declaração Simplificada, não é suficiente para reformar a decisão de indeferimento de restituição. DESPACHO DECISÓRIO. AUSÊNCIA DE SALDO DISPONÍVEL. MOTIVAÇÃO. Motivada é a decisão que, por conta da vinculação total de pagamento a débito do próprio interessado, expressa a inexistência de direito creditório disponível para fins de restituição. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Ciente da decisão em 23/12/2014, conforme Termo de ciência por decurso de prazo à efl. 69, a Recorrente apresentou recurso voluntário em 07/01/2015 (efls. 47/55), conforme carimbo aposto à fls. 47. É o Relatório. Voto Fl. 74DF CARF MF Processo nº 10840.904254/201211 Acórdão n.º 1001000.828 S1C0T1 Fl. 75 6 Conselheiro Edgar Bragança Bazhuni, Relator O recurso apresentado atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, que regula o processo administrativofiscal (PAF). Dele conheço. No recurso interposto, a recorrente reitera os argumentos apresentados em sede de primeira instância, ou seja, que o "crédito objeto da PER/DCOMP originouse do recolhimento a maior do Simples efetuado pelo Recorrente. É que o mesmo entendia estar submetido à majoração de 50% das alíquotas do Simples, determinada pelo art. 2 da Lei 10.034/00". que "a Receita Federal emitiu Solução de Consulta n. 20 COSIT, de 27/06/2008, pelo qual esclareceu que a receita de industrialização não estaria submetida à majoração da alíquota", consulta esta "formulada pela ABRIGAF NACIONAL, da qual a Recorrente é filiada" que "Tal situação foi devidamente demonstrada quando da apresentação da manifestação de inconformidade...". Alega que "não houve qualquer análise de sua escrita fiscal, tão somente o cruzamento de dados pelo sistema da Receita Federal"e que "a JULGADORA A QUO falhou em não deferir diligência fundamental ao deslinde da questão". Transcreve acórdãos do CARF favoráveis à sua tese. E assim, requer que seja o julgamento convertido em "diligência para que seja determinado, com base nos livros e documentos da empresa e demais verificações necessárias a apuração da receita bruta proveniente de atividade sujeita ao incremento de 50% das alíquotas do Simples e daquela que não se sujeita a tal incremento, conforme definido na mencionada solução de consulta, qual o real valor do Simples a pagar no PA 31/12/2005". Alega, ainda, que a recorrente é empresa de pequeno porte com "presumidamente hipossuficiente em relação ao adequado assessoramento técnico e de recursos humanos" e que "Neste contexto, evidenciase que a administração pública deve atuar com menor rigor processual em relação a tais entes, sob pena de se cometer injustiças em total desrespeito aos ditames constitucionais que lhe garante tratamento jurídico diferenciado." Quanto a este último argumento de "que a administração pública deve atuar com menor rigor processual" por presumir a hipossuficiência da empresa de pequeno porte, entendo que o tratamento diferenciado no citado artigo 179 da Constituição não está sendo descumprido pelo presente e escorreito julgamento. Cabe esclarecer que a autoridade administrativa é vinculada à legalidade estrita, seja nos termos da Lei 8.112 de 1990, em seu artigo 116, III, seja pelo artigo 41, inciso IV, do Anexo II, do atual Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09/06/2015. Assim, a partir do momento em que a norma é inserida em nosso sistema legislativo, é obrigação da autoridade administrativa a sua aplicação, não cabendo ao julgador Fl. 75DF CARF MF Processo nº 10840.904254/201211 Acórdão n.º 1001000.828 S1C0T1 Fl. 76 7 administrativo expressar seu juízo de valor por eventuais injustiças que esta norma tenha causado, papel este incumbido aos tribunais competentes. Quanto aos argumentos apresentados na manifestação de inconformidade e reiterado no presente recuso, estes foram fundamentadamente afastados em sede de primeira instância, conforme voto condutor do acórdão recorrido transcrito no relatório, pelo que peço vênia para adotar como razões de decidir, nos termos do § 1º do art. 50 da Lei nº 9.784/1999. Importante frisar que não basta ter apresentado documentos, que não guardam nenhum valor probatório no caso concreto analisado, há que ter sido juntado na Impugnação/Manifestação de Inconformidade um conjunto probatório mínimo. Assim, as provas excepcionalmente juntadas de forma extemporâneas são aceitáveis, quando apenas reforçam o valor probatório do material já anteriormente apresentado. Agir de forma diversa, aceitando qualquer tipo de prova, em qualquer circunstância, sem que tenha sido apresentado um conjunto probatório no momento fatal definido em lei, a fim de privilegiar a verdade material, significaria, data venia, se emprestar uma força absoluta e soberana a um Princípio em detrimento aniquilar dos outros. Ademais, estariase diante de uma verdadeira derrogação do § 4º do art. 16 do Decreto 70.235, realizada pelo intérprete e aplicador da norma, pois, na prática, o seu disposto não seria aplicado em hipótese alguma, excluindoo do ordenamento jurídico, fato que somente poderia ser realizado por lei. Quanto às jurisprudências citadas, não cabe ao agente do Fisco nem a este Carf deixar de aplicar a legislação tributária com base em decisões judiciais ou de seus próprios colegiados em que o sujeito passivo não foi parte do processo ou decisões sem efeito erga omnes. Esta última assertiva está reforçada no próprio Regimento Interno deste tribunal, em especial em seus artigos 62, 72 e 74. Neste sentido, voto por REJEITAR o PEDIDO DE DILIGÊNCIA e, no mérito, por NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Edgar Bragança Bazhuni Fl. 76DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10680.909990/2015-80
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 27 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Dec 21 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 25/08/2011
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. PRECLUSÃO.
Argumento trazido em sede de recurso voluntário não foi colocado ao tempo da manifestação de inconformidade, precluindo o direto fazê-lo em outro momento processual, nos termos do art. 17 do Decreto 70.235/72.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3301-005.256
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10680.904943/2015-40, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Cândido Brandão Júnior, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 25/08/2011 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. PRECLUSÃO. Argumento trazido em sede de recurso voluntário não foi colocado ao tempo da manifestação de inconformidade, precluindo o direto fazê-lo em outro momento processual, nos termos do art. 17 do Decreto 70.235/72. Recurso Voluntário Negado
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PRECLUSÃO. Argumento trazido em sede de recurso voluntário não foi colocado ao tempo da manifestação de inconformidade, precluindo o direto fazêlo em outro momento processual, nos termos do art. 17 do Decreto 70.235/72. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 10680.904943/201540, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Cândido Brandão Júnior, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 90 99 90 /2 01 5- 80 Fl. 102DF CARF MF Processo nº 10680.909990/201580 Acórdão n.º 3301005.256 S3C3T1 Fl. 3 2 Relatório Trata o presente processo administrativo pedido de restituição formalizado por meio de PER/DCOMP para obter reconhecimento de direito creditório do tributo por suposto pagamento a maior ou indevido. Em análise ao referido documento, a autoridade tributária proferiu Despacho Decisório Eletrônico, formalizado no sentido do indeferimento da restituição pretendida pela interessada, explicando que o pagamento indicado já estava integralmente alocado, não restando, assim, crédito disponível para restituição e eventuais compensações vinculadas à esse crédito. Inconformado, o interessado apresentou manifestação de inconformidade tempestiva esclarecendo que durante procedimento de auditoria interna, realizada nas apurações dos tributos da companhia, foram identificados pagamentos a maior em determinados períodos e a menor em outros. Para regularizar a situação fiscal perante a Receita Federal do Brasil, providenciou a quitação dos débitos pagos a menor e solicitou a restituição dos pagamentos a maior, retificando as DCTF para informar os novos valores. Entende que a Per/Dcomp está em conformidade com o art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996 e com a Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 2012, restando demonstrada a insubsistência e improcedência do despacho decisório. A DRJ julgou a manifestação de inconformidade improcedente, nos termos do Acórdão nº 06055.945. Inconformada com decisão de primeira instância, a contribuinte apresentou recurso voluntário, em síntese, trazendo argumento novo, de que o pagamento indevido seria da conta de Sociedades em Conta de Participação da qual é sócia ostensiva. É o relatório. Fl. 103DF CARF MF Processo nº 10680.909990/201580 Acórdão n.º 3301005.256 S3C3T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3301005.223, de 27 de setembro de 2018, proferido no julgamento do processo 10680.904943/201540, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3301005.223): "O recurso voluntário apresentado é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade1. A acórdão recorrido desce a detalhes do ocorrido: Segundo a versão apresentada pela defesa, o crédito apontado (R$ 275,20) decorreu da revisão da base de cálculo da COFINS de 31/03/2010, conforme informado na DCTF retificadora apresentada em 06/11/2014. Constatouse que o despacho decisório foi emitido levando em conta as informações contidas na DCTF retificadora, transmitida em 06/11/2014, a qual, como se vê, tratase da DCTF retificadora que a contribuinte alega conter as informações corretas correspondente ao débito do período. Nessa DCTF, o débito de COFINS confessado do período de apuração de 31/03/2010 é de R$ 1.134.352,27 – que foi quitado por meio de vários pagamentos (DARF) que totalizam R$ 871.733,98 e compensações no valor de R$ 696,80 – restando, saldo a pagar de R$ 261.921,49 – conforme a tela extraída do sistema de controle de declarações: 1 Ressaltese ser desnecessário responder todos as questões levantadas pelas partes, em já havendo motivo suficiente para decidir (Lei n° 13.105/15, art. 489, § 1o , IV. STJ, 1ª Seção, EDcl no MS 21.315DF, julgado de 8/6/2016, rel. Min. Diva Malerbi). Fl. 104DF CARF MF Processo nº 10680.909990/201580 Acórdão n.º 3301005.256 S3C3T1 Fl. 5 4 Essas mesmas informações constam da DCTF que está ativa no sistema de controle de declarações, transmitida em 08/01/2015. No sistema de controle de arrecadação, verificouse que os pagamentos apontados na DCTF retificadora – no valor total de R$ 871.733,98 – foram validados e vinculados ao débito de Cofins do período (código 2172). No entanto, tendo em vista que os pagamentos validados foram insuficientes para a extinção do débito e verificada a existência de outros pagamentos para o mesmo período de apuração, dentre os quais o pagamento pleiteado no PER em tela, o sistema informatizado alocou esses pagamentos para amortizar parte do saldo devedor confessado na DCTF, como se vislumbra nas telas copiadas a seguir: Fl. 105DF CARF MF Processo nº 10680.909990/201580 Acórdão n.º 3301005.256 S3C3T1 Fl. 6 5 Desse modo, o pagamento por meio do DARF discriminado no PER – de R$ 275,20 – foi integralmente utilizado para quitar o débito de COFINS de 31/03/2010, em face das informações prestadas pela própria contribuinte na DCTF retificadora apresentada à Receita Federal, não restando crédito para a restituição pretendida: [...] Destaca ainda a decisão de piso que "desde a constituição da DCTF pela Instrução Normativa SRF nº 126, de 30/10/1998, e suas alterações posteriores, e de acordo com o disposto no DecretoLei nº 2.124, de 13/06/1984", tal declaração constituise em confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência do crédito tributário. A recorrente, alega que o pagamento indevido de R$275,20, seria provenientes e originário "de SCP’s (Sociedades em Conta de Participação), das quais" [...] "é sócia ostensiva". E acrescenta: O débito montante de R$ 1134352,27, declarado em DCTF, alberga valores devidos de Cofins de várias SCP’s que tem a Recorrente como sócia ostensiva e outras empresas como sócias participantes. A título de lembrete sabese que os sócios ostensivos de SCP’s são aquelas pessoas jurídicas que se obrigam perante terceiros, enquanto que os sócios participantes (antigos sócios ocultos), não têm essa obrigação. Em vista dessa situação, a Recorrente é responsável pelas obrigações acessórias tributárias, dentre elas, a apresentação de DCTF com os competentes recolhimentos tributários. Fl. 106DF CARF MF Processo nº 10680.909990/201580 Acórdão n.º 3301005.256 S3C3T1 Fl. 7 6 No caso em questão, o valor recolhido, R$ 275,2 é proveniente da atividade da SCP, "Laguna Beach" contrato anexo, Doc. 1, que recolheu este valor. Contudo, como já informado, tinha como valor devido a quantia de R$ 0 Ao manter a decisão que indeferiu o crédito pleiteado, a Receita Federal acaba violando a individualidade de outra pessoa jurídica, uma vez que o crédito solicitado diz respeito a uma sociedade em conta de participação específica que tem a Recorrente como sócia ostensiva. O quadro abaixo, demonstra muito bem a composição deste crédito. Tanto que o código do imposto é o 217208, cujo dígito identifica ser o crédito decorrente de sociedade em conta de participação. Portanto, no caso da decisão ser mantida, permanecerseá uma verdadeira invasão no patrimônio da SCP Laguna Beach, visto o desrespeito à sua individualidade e atividade empresarial, pois está sendo punida por conta de débitos tributários que não são dela. “Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica – IRPJ Anocalendário: 2008 SOCIEDADES EM CONTA DE PARTICIPAÇÃO. SUJEIÇÃO TRIBUTÁRIA. Na apuração dos resultados da sociedade em conta de participação serão observadas as normas aplicáveis às demais pessoas jurídicas. Tendo em vista que a sociedade em conta de participação não se confunde com o sócio ostensivo, os resultados daquela não podem ser tributados diretamente neste mas apenas distribuídos na proporção da participação.” (CARF, Recurso Voluntário Recurso de Ofício, PTA 15504.724276/201314, Acórdão 1402 002.208. Relator Dr. Leonardo de Andrade Couto , DJ 27.06.2016) (destacouse) Diante do exposto, não há que se falar na aplicação da IN SRF 126/98, pois o saldo a pagar da Recorrente não pode prejudicar uma SCP em que ela é a sócia ostensiva e que, por isso, é obrigada ao cumprimento das obrigações acessórias, dentre elas, a entrega de DCTF. Ocorre, no entanto, que tal argumento de defesa não foi trazido em sede de manifestação de inconformidade, precluindo o direto de fazêlo em outro momento processual, nos termos do art. 17 do Decreto 70.235/72. Também não localizei a prova da liquidez e certeza do crédito em foco, que não a DCTF retificada e o DARF dado como pago indevidamente. Tal Fl. 107DF CARF MF Processo nº 10680.909990/201580 Acórdão n.º 3301005.256 S3C3T1 Fl. 8 7 comprovação é exigência do art. 170 do Código Tributário Nacional e ônus do peticionário, nos termos do art. 373 do Código do Processo Civil. Assim, por todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o Colegiado decidiu negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 108DF CARF MF
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Numero do processo: 13888.721631/2014-83
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jan 08 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3201-001.513
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência.
(assinado digitalmente)
CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Laercio Cruz Uliana Junior e Charles Mayer de Castro Souza (Presidente).
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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RECOF. SUSPENSÃO DO PIS/COFINS. Recorrente WIPRO DO BRASIL INDUSTRIAL S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência. (assinado digitalmente) CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Laercio Cruz Uliana Junior e Charles Mayer de Castro Souza (Presidente). RELATÓRIO Por bem descrever os fatos do presente processo, reproduzo fragmentos do relatório da DRJ: Tratase de Pedido de Restituição de suposto pagamento indevido ou a maior formalizado em papel. Na apreciação do Pedido de Restituição, por meio do Despacho Decisório (...), a autoridade fiscal disse que, na inicial, a contribuinte destacou que um de seus principais clientes é a empresa Caterpillar Brasil Ltda, a qual, consoante Ato Declaratório Executivo ADE SRF nº 8, de 18/03/2004, é pessoa jurídica homologada no RECOF –Regime Aduaneiro de Entreposto Industrial sob Controle Informatizado. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 88 .7 21 63 1/ 20 14 -8 3 Fl. 346DF CARF MF Processo nº 13888.721631/201483 Resolução nº 3201001.513 S3C2T1 Fl. 3 2 Explicou que, a Caterpillar, por ser homologada no RECOF, seu cliente usufrui, além da não incidência do IPI e ICMS, da suspensão do PIS e COFINS e ainda, informou que a peticionante, como fornecedor da Caterpillar, não aplicou a suspensão prevista em relação ao PIS e COFINS, apurando tais tributos a maior e os extinguindo por meio de compensação (Declaração de Compensação – DCOMP) com saldo de crédito proveniente de ressarcimento de IPI. O Auditorfiscal observou que no presente processo a interessada não pagou ou recolheu qualquer débito por meio de DARF ou GPS, mas, sim, realizou a declaração de compensação de débito de COFINS com crédito de ressarcimento de IPI, por meio de apresentação de DCOMP com crédito de ressarcimento de IPI e ainda: Embora tanto o pagamento como a compensação sejam modalidades de extinção do crédito tributário – conforme incisos I e II, do artigo 156 do CTN –, tais modalidades possuem institutos jurídicos distintos, não sendo possível a aplicação de um em outro. Tanto é assim que a compensação tem seu regramento fundamentado nos artigos 170 e 170A, os quais estão disciplinados, na esfera federal, no artigo 74 da Lei 9.430/96. Quanto ao pagamento, o regramento está disciplinado nos artigos 157 a 164 do CTN, e a restituição de eventual pagamento indevido encontrase nos artigos 165 a 169 do aludido diploma legal. A autoridade administrativa explicou que o crédito utilizado na compensação de débitos não se originou de pagamento indevido ou a maior, mas, sim, de ressarcimento de IPI e que ressarcimento não é sinônimo de restituição, uma vez que o ressarcimento tem natureza de beneficio fiscal, o qual decorre de política estatal, não havendo um prévio pagamento indevido ou a maior. Já a restituição pressupõe a existência de um prévio pagamento indevido, que foi, de fato, recolhido pelo contribuinte e completou: Portanto, além de a pretensão do contribuinte não se tratar de restituição de pagamento indevido ou a maior, tampouco a DCOMP, declarada pelo contribuinte, estava amparada em crédito de pagamento indevido ou a maior. Observou, também, que embora a contribuinte tenha solicitado a restituição do crédito (ressarcimento) informado sem amparo legal, não caberia atualização por falta de previsão legal. Situação diferente de quando o crédito é originado de pagamento indevido ou a maior, hipótese em que há previsão legal de atualização. O Auditorfiscal entendeu que outro óbice ao pedido seria o pedido ter sido protocolizado após a homologação da DComp pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, fato jurídico que não permitiria a retificação da DComp e a consequente redução do valor do débito, isto porque, a compensação declarada só poderá ser retificada na hipótese de a mesma se encontrar pendente de decisão administrativa à data do envio do documento retificador. (...) Cientificada do Despacho Decisório, a interessada apresentou a Manifestação de Inconformidade (...), tecendo seus argumentos conforme segue: Inicialmente informa que a RKM Equipamentos Hidráulicos S/A passou a se denominar WIPRO DO BRASIL INDUSTRIAL S/A. Após narrar os fatos contidos no processo, faz a abertura de sua argumentação em fase preliminar: Fl. 347DF CARF MF Processo nº 13888.721631/201483 Resolução nº 3201001.513 S3C2T1 Fl. 4 3 Da possibilidade de deferimento do pedido de restituição no formato realizado 1) Quitação dos tributos por meio de compensação de crédito de ressarcimento de IPI – crédito oriundo do princípio da nãocumulatividade que pressupõe o pagamento antecipado pelo contribuinte 2) Artigo 165 do CTN que não contempla a restrição proposta – 3) Prevalência do direito material sobre o rigor formal – 4) Violação dos princípios que regem a Administração Pública (artigo 2º e seguintes da Lei nº 9.784/99) Explica que a negativa preliminar proposta pela autoridade fiscal se pauta no sentido da impossibilidade de deferimento do pedido de restituição formulado, uma vez que o indébito sustentado decorreu de uma compensação a maior realizada com crédito de ressarcimento de IPI e não por meio de recolhimento em DARF ou GPS. Para basear sua tese, sustenta que a IN RFB nº 1300/2012 apenas permite a restituição de valores pagos pelos contribuintes por meio de DARF ou GPS. Ainda, que a liquidação por meio de compensação de crédito de ressarcimento de IPI não permitiria aludido pleito, uma vez que o ressarcimento teria natureza de benefício fiscal decorrente de política estatal, enquanto que a restituição pressupõe um prévio pagamento indevido, seu cliente (Caterpillar) está habilitado no regime do RECOF, ele, como fornecedor, deveria ter efetuado a venda com suspensão do PIS e COFINS. (...). Entende que os créditos originados dos pedidos de ressarcimento de IPI não decorrem de benefício fiscal, mas sim do estrito atendimento ao princípio da nãocumulatividade previsto na Constituição Federal, que visa evitar o efeito cascata da incidência tributária e não possui qualquer caráter de benesse estatal. Argúi que o caso em comento não guarda qualquer relação com o processo de ressarcimento de IPI, mas com pedido de restituição da COFINS que foi quitada por meio de PER/DCOMP com origem no ressarcimento de IPI. Sob essa premissa, o que foi pugnado junto à União Federal é a devolução de valor efetivamente quitado da COFINS, cujo montante restou reduzido após a recomposição de sua base de cálculo. Discorda do contido no Despacho Decisório, pois o Código Tributário Nacional não impõe qualquer restrição e/ou formato de quitação do tributo objeto do indébito: E nem se alegue que a limitação ao pleito se baseia exclusivamente no disposto pela IN RFB nº 1300/2012. Isto porque, é insuscetível a aplicação isolada de ato administrativo em desacordo com o contido no Código Tributário Nacional. Extraise do texto da lei, que de forma ampla estabeleceu regra geral quanto à possibilidade de restituição, não destacando nenhuma hipótese de exceção e/ou restrição, concernente ao formato de pagamento. Esposa o entendimento de que se o Código Tributário Nacional não pretendeu restringir os direitos dos contribuintes no exercício do direito de restituição dos valores indevidamente recolhidos aos cofres públicos, não poderia a Receita Federal, por meio de interpretação isolada em Instrução Normativa, sob o pretexto de regulamentação, impor limites à previsão legal e: O objetivo da lei sempre foi fornecer aos contribuintes mecanismos de reaver os valores indevidamente cobrados pela administração pública ou objeto de equívoco por parte dos sujeitos passivos. Fl. 348DF CARF MF Processo nº 13888.721631/201483 Resolução nº 3201001.513 S3C2T1 Fl. 5 4 Importante salientar, que na hipótese em comento, conforme já consignado no pleito de restituição, a única forma da Manifestante reaver o que lhe é de direito consistia no deferimento do pedido de restituição, sob pena de esvaziamento do direito legalmente assegurado. Isto porque, uma vez homologada a compensação que liquidou o débito a maior da COFINS, insuscetível de qualquer retificação/cancelamento, sendo de rigor o único formato adotado pela Manifestante, que, inclusive, se baseou em orientação verbal da própria Receita Federal em atendimento no plantão fiscal. Cita a os princípios constitucionais (artigo 37, da CF) que regem a relação entre fisco e contribuintes e a Lei nº 9.784/99, afirmando que tais comandos devem ser seguidos, pois são os pilares do ordenamento jurídico. Entende que em nenhum momento o texto da lei estabelece que somente será passível de restituição os valores pagos em DARF ou GPS, tal como fez crer a autoridade fiscal em seus fundamentos e também: Na hipótese tratada, a violação ao princípio da legalidade potencializase na medida em que o pedido de restituição era a única forma da Manifestante buscar seu direito em face da União Federal, uma vez não previsto na legislação qualquer outro formato para as circunstâncias narradas. Entende cabíveis os princípios da proporcionalidade, razoabilidade, oficialidade e da verdade material e que não podem ser mitigados pelo formalismo: Para que o formalismo não se torne um instrumento que restringe a observância da forma e distancia a verdade material, deve a administração alcançar a função social do processo para que haja a prevalência da justiça sobre a forma, uma vez que está submissa ao princípio da legalidade, sendolhe imposto, inclusive, para o alcance da norma, o poderdever de revisão de ofício seus próprios atos. Em outras palavras, não deve o formalismo se sobrepor à matéria e à verdade dos fatos e a autoridade tem o dever de buscar a verdade material, não devendo se satisfazer com as informações trazidas pelas partes. Cita doutrina e jurisprudência que entende aplicáveis ao caso e conclui: Diante dos argumentos traçados, com amparo na melhor doutrina e jurisprudência pátrias, inconteste a possibilidade da administração pública analisar os pleitos dos contribuintes evitandose o formalismo excessivo e considerando a boafé das relações, tudo em busca ao alcance da verdade material e respeito aos preceitos estampados no artigo 37, da Constituição Federal e artigo 2º, da Lei nº 9.784/99. Após ou argumentos preliminares, a interessada continua sua defesa com o título "Do direito": Do efetivo amparo legal para suspensão de PIS e COFINS objeto de venda realizada à empresa habilitada no RECOF – Inexistência de obrigatoriedade de cohabilitação para fornecimento – Benefícios legais destinados à compradora que produzem efeitos automáticos – Direito material que pode ser aferido com base nos elementos probatórios ainda que existente erro formal no preenchimento das Notas Fiscais. Inicialmente a interessada explica que no exercício de suas atividades dentro dos períodos de 2007 a 2011, a Manifestante realizou diversas vendas em favor da Caterpillar Brasil Ltda, inscrita no CNPJ sob nº. 61.064.911/000177, que, por sua vez, consoante Ato Declaratório Executivo SRF nº 8, de 18 de março de Fl. 349DF CARF MF Processo nº 13888.721631/201483 Resolução nº 3201001.513 S3C2T1 Fl. 6 5 2004 e Ato Declaratório Executivo SRF nº 53, de 24 de julho de 2006 é homologada no RECOF (Regime Aduaneiro de Entreposto Industrial sob Controle Informatizado) (doc. anexo aos autos) instituído através do Decreto n° 2.412 de 3 de Dezembro de 1997. Expõe sua compreensão do funcionamento do Regime Aduaneiro Especial de Entreposto Industrial sob Controle Aduaneiro Informatizado (RECOF), o qual permite à empresa beneficiária importar ou adquirir no mercado interno, com suspensão do pagamento de tributos, mercadorias a serem submetidas a operações de industrialização de produtos destinados à exportação ou mercado interno. É também permitido que Parte da mercadoria admitida no regime, no estado em que foi importada ou depois de submetida a processo de industrialização, seja despachada para consumo. A mercadoria, no estado em que foi importada, poderá também ser exportada, reexportada ou destruída. Desta feita, informa os benefícios: Na época dos fatos em exame, o RECOF era regulamentado pela Instrução Normativa SRF 757/2007, que, além de estabelecer todos os requisitos impostos às empresas habilitadas, dentre vários benefícios oferecidos pelo regime é de que a empresa homologada goza da permissão de importar todos os insumos com suspensão de II, IPI e PIS/COFINS, bem como efetuar compras nacionais com a suspensão do IPI e PIS/COFINS, conforme estabelecido em seu artigo 28. Diante dos benefícios contidos nas normas citadas, a interessada defende que em que pese ter fornecido para empresa homologada no RECOF – Caterpillar do Brasil Ltda, não excluiu de sua base de cálculo tributável a suspensão de PIS e COFINS previstas na legislação, mas sim, equivocadamente, apurou e recolheu A MAIOR os citados tributos. Em outras palavras, ao constituir sua base de cálculo de PIS e do COFINS não desconsiderou as vendas para a Caterpillar Brasil Ltda, portanto, a empresa recolheu mais do que deveria. É certo, que os valores das vendas com suspensão de PIS e COFINS não podem contemplar a base de cálculo para fins de tributação dessas contribuições, sob pena de esvaziamento da benesse legal/normativa do RECOF. A interessada cita a SOLUÇÃO DE CONSULTA Nº 28 de 26 de Setembro de 2007 ASSUNTO: Regimes Aduaneiros EMENTA: Regime Especial de Entreposto Industrial sob Controle Informatizado Recof. Somente as mercadorias de origem nacional remetidas às empresas autorizadas a operar o regime Recof poderão sair do estabelecimento do fornecedor nacional com suspensão do IPI, da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins. A venda de mercadorias de origem nacional à empresas que estão no regime Recof, com suspensão do IPI e das Contribuição para o PIS/Pasep e da cofins, não geram direito à manutenção dos créditos. E conclui que diante do equívoco no cômputo na base de cálculo das contribuições das vendas a Caterpillar com suspensão de PIS e COFINS, a Manifestante reconstituiu sua escrita suprimindo essas operações da base tributável, o que motivou a redução dos valores devidos na competência objeto dos presentes autos. Informa que retificou a Dacon e a DCTF do período e ainda que: Fl. 350DF CARF MF Processo nº 13888.721631/201483 Resolução nº 3201001.513 S3C2T1 Fl. 7 6 Por outro lado, a fim de complementar as informações e documentos anexados aos autos, que por si só comprovariam o direito sustentado, a Manifestante apresenta “Laudo Técnico Contábil”, assinado por profissional devidamente habilitado no Conselho Regional de Contabilidade – CRC/SP, contratado para fins de corroborar as questões trazidas à julgamento, que, além das informações constantes do seu corpo, contempla documentação anexa que permite essa conclusão, com o fito de exaustivamente comprovar a origem e procedência do direito creditório. Entende que os fornecedores de mercadorias às empresas habilitadas no RECOF não necessitam de cohabilitação no regime, uma vez que nessa hipótese os únicos beneficiados da operação são as adquirentes dos bens: A cohabilitação prevista pelos artigos 8º e seguintes, da IN RFB nº 757/2007, além de facultativa, permite aos fornecedores industriais das empresas habilitadas se beneficiarem conjuntamente dos benefícios do regime do RECOF, com a aquisição/importação de partes, peças e componentes necessários à produção dos bens que industrializar também com suspensão tributária prevista na legislação. (...) A interpretação contida no despacho decisório impugnado é deveras equivocada, uma vez ausente a imposição de cohabilitação em toda a legislação do RECOF para os casos de simples fornecimento às empresas habilitadas. Até porque, caso a legislação exigisse a cohabilitação de todos os fornecedores das empresas habilitadas, o RECOF não sairia do papel, uma vez que dificilmente as empresas de porte inferior que fornecem os bens contemplariam todos os requisitos impostos pelos artigos 4º e 5º, da IN RFB 757/2007. Argumenta que a falta de registro nas notas fiscais de saída dos produtos com suspensão das referidas contribuições, seria somente formalidade, confirase: Por sua vez, é sabido que também existe a exigência do artigo 28, do mesmo texto normativo, que indica as informações a serem imprimidas nas Notas Fiscais de saída dos fornecedores (“Saída com suspensão do IPI, da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, para estabelecimento habilitado ao Recof ADE SRRF nº xxx, de xx/xx/xxxx"), as quais de fato não compuseram as notas emitidas pela Manifestante. Porém, consoante já sustentado nesta peça, a formalidade de informação em Nota Fiscal não pode se sobrepor ao direito material decorrente do RECOF, haja vista inequívoca comprovação de que a destinação das mercadorias objeto de análise foram à empresa devidamente habilitada no regime (Caterpillar), a qual é a efetiva destinatária da norma e não pode ser prejudicada por eventual lapso de informação na Nota Fiscal de compra. É certo, portanto, que eventual equívoco formal não deve prevalecer sobre a verdade material consubstanciada nos demais meios probatórios existentes no processo administrativo fiscal, sobretudo quando não há prejuízo a fazenda nacional. Cita jurisprudência administrativa na qual consta que demonstrados nos autos os erros nos procedimentos adotados pelo contribuinte, há que ser reapreciado o pleito desconsiderandose tais equívocos, haja vista inexistir prejuízo à fazenda nacional e conclui: Fl. 351DF CARF MF Processo nº 13888.721631/201483 Resolução nº 3201001.513 S3C2T1 Fl. 8 7 Nesse sentido, em que pese as Notas Fiscais emitidas à Caterpillar não terem feito menção à saída com suspensão de PIS e COFINS, restando comprovada a destinação das mercadorias no formato da legislação à empresa habilitada no RECOF, é de rigor seja admitido o lançamento da suspensão prevista na legislação, que, conforme parágrafo único, do artigo 27, da IN RFB 757/2007 se consuma automaticamente. Por fim, solicita: Preliminarmente: 1) Considerando todas as premissas adotadas, com convicção acerca da possibilidade de análise material do direito de restituição pleiteado pela Manifestante, ainda que sob outra roupagem ou mesmo sobre o formato de revisão da compensação que liquidou a maior o valor objeto do pedido, em como a busca pela verdade material e formalismo moderado, é de rigor seja admitida a aferição material do pleito realizado. No mérito: 1) Diante da inexistência de obrigatoriedade da Manifestante se cohabilitar no regime do RECOF para fornecimento à empresa habilitada, sem prejuízo da insofismável viabilidade de mitigação de erro formal no preenchimento das Notas Fiscais de saída, prestigiandose a verdade material, necessário se faz o reconhecimento do direito creditório sustentado, com o consequente deferimento da restituição pleiteada. Seguindo a marcha processual normal, irresignado com r. decisão proferida pela DRJ/Ribeirão Preto, o Contribuinte apresentou Recurso Voluntário repisando os argumentos apresentados na Manifestação de Inconformidade, requerendo total reforma do julgado. VOTO Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução 3201001.492, de 24/10/2018, proferida no processo 13888.721005/201497, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela Resolução (3201001.492): "O Recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade. No caso em tela reclama o Contribuinte que efetuava venda de produtos para empresa Caterpillar Brasil, qual era detentora do RECOF. Que a Caterpillar como adquirente de produtos da Contribuinte, a saída dos produtos teria isenção tributária. Em caso idêntico, o assunto foi enfrentado por esse CARF no acórdão no. 3401001.275, com o seguinte fundamento: Fl. 352DF CARF MF Processo nº 13888.721631/201483 Resolução nº 3201001.513 S3C2T1 Fl. 9 8 "(...) observo que o fundamento inicial da não homologação da compensação realizada se lastreou em uma suposta utilização do direito creditório para “quitação” de outros tributos, de forma tal que não haveria saldo disponível para a compensação realizada. Na linha adotada pela decisão de primeira instância, o acolhimento da manifestação de inconformidade, em situações como estas, exigiria a demonstração cabal dos argumentos deduzidos, através de documentação hábil suficiente a amparálos. Todavia, entendo draconiano impor ao sujeito passivo a intuição de qual acervo probatório deveria dispor para atender suficientemente as expectativas do julgador administrativo. É inconteste que, tratandose de restituição de tributos, é do contribuinte o encargo de provar o direito vindicado, ex vi do art. 36 da Lei nº 9.784/99 e art. 373, I, do novo Código de Processo Civil, de tal sorte que deveria haver uma prova mínima das razões aventadas, não sendo suficiente a tal desiderato a mera juntada de declarações retificadoras, pois, como adrede exposto, não amparam direito à restituição de tributo pago indevidamente. No caso vertente, entretanto, constam dos elementos coligidos aos autos, ainda na manifestação de inconformidade, cópias das notas fiscais de venda à CATERPILLAR, empresa beneficiária do RECOF e, por conseqüência, com benefício da suspensão do PIS/Pasep e Cofins em suas aquisições no mercado interno, com discriminação dos documentos e a pretensa demonstração que essas faturas compuseram a base de cálculo daquelas exações. Como pontuado alhures, não é possível exigir que o sujeito passivo traga, de imediato, toda a documentação, que reputa o julgador necessária à demonstração do indébito, em um extremado exercício de predição. Nessa toada, à luz dos termos do despacho decisório eletrônico, parecialhe suficiente a justificativa da retificação, a demonstração dos cálculos e as notas fiscais respectivas, agregandose, após decisão de primeiro grau administrativo, o extrato do livro Registro de Saídas. Poderseia indagar acerca da preclusão temporal para coleção da prova documental complementar, à luz do art. 16 do Decreto nº 70.235/72, como fez a decisão recorrida, contudo, não se pode olvidar que o despacho decisório contestado é fruto de verificações automáticas de sistema, realizadas a partir de declarações prestadas pelo contribuinte, sem qualquer participação das autoridades administrativas, que sequer assinam o despacho decisório, pois validado por meio de chancela eletrônica. Não se deseja, aqui, ser refratário à modernidade ou às inovações tecnológicas, porém, não se pode perder de vista os princípios norteadores do processo administrativo fiscal, valendo registrar que esta Terceira Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais tem orientado sua jurisprudência no sentido que, em situações como a deste processo, onde há um robusto princípio de prova, formado não apenas por declarações ou debates eminentemente retóricos, deve o julgamento ser convertido em diligência para análise da procedência do direito postulado. (...) Com isso, adoto nos exatos termos como fundamento os argumentos exteriorizado pelo Conselheiro Robson José Bayerl, para converter o feito em diligência para a unidade preparadora realize: Fl. 353DF CARF MF Processo nº 13888.721631/201483 Resolução nº 3201001.513 S3C2T1 Fl. 10 9 Aferição da procedência e quantificação do direito creditório indicado pelo contribuinte, empregado sob forma de compensação; Informação se, de fato, o crédito foi utilizado para outra compensação, restituição ou forma diversa de extinção do crédito tributário, como registrado no despacho decisório; Informação se o crédito apurado é suficiente para liquidar a compensação realizada; e, Elaboração de relatório circunstanciado e conclusivo a respeito dos procedimentos realizados e conclusões alcançadas. Após, vista ao contribuinte se manifestar pelo prazo de 30 (trinta) dias, retornando os autos a este Conselho." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado decidiu converter o julgamento em diligência para que a unidade de origem realize: a) aferição da procedência e quantificação do direito creditório indicado pelo contribuinte, empregado sob forma de compensação; b) informação se, de fato, o crédito foi utilizado para outra compensação, restituição ou forma diversa de extinção do crédito tributário, como registrado no despacho decisório; c) informação se o crédito apurado é suficiente para liquidar a compensação realizada; e, d) elaboração de relatório circunstanciado e conclusivo a respeito dos procedimentos realizados e conclusões alcançadas; e) após, vista ao contribuinte para se manifestar no prazo de 30 (trinta) dias. Cumprida a diligência, os autos devem retornar a este Conselho para julgamento. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 354DF CARF MF
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