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Numero do processo: 10580.721055/2009-73
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 11 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Oct 07 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005, 2006, 2007
Ementa:
INCONSTITUCIONALIDADE. APRECIAÇÃO. INCOMPETÊNCIA. SÚMULA CARF Nº 2.
Falece competência a este órgão julgador para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
IMPOSTO DE RENDA NA FONTE. RESPONSABILIDADE. SÚMULA CARF Nº 12.
Constatada a omissão de rendimentos sujeitos à incidência do imposto de renda na declaração de ajuste anual, é legítima a constituição do crédito tributário na pessoa física do beneficiário, ainda que a fonte pagadora não tenha procedido à respectiva retenção.
IRRF. COMPETÊNCIA.
A repartição do produto da arrecadação entre os entes federados não altera a competência tributária da União para instituir, arrecadar e fiscalizar o Imposto sobre a Renda.
IMPOSTO DE RENDA. DIFERENÇAS SALARIAIS. URV.
Os valores recebidos por servidores públicos a título de diferenças ocorridas na conversão de sua remuneração, quando da implantação do Plano Real, são de natureza salarial, razão pela qual estão sujeitos aos descontos de Imposto de Renda.
ISENÇÃO. NECESSIDADE DE LEI.
Inexistindo lei federal reconhecendo a alegada isenção, incabível a exclusão dos rendimentos da base de cálculo do Imposto de Renda.
IRPF. PARCELAS ATRASADAS RECEBIDAS ACUMULADAMENTE. TABELA MENSAL. APLICAÇÃO DO ART. 62-A DO RICARF.
O imposto de renda incidente sobre os rendimentos tributáveis recebidos acumuladamente deve ser calculado com base nas tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, conforme dispõe o Recurso Especial nº 1.118.429/SP, julgado na forma do art. 543-C do CPC. Aplicação do art. 62-A do RICARF (Portaria MF nº 256/2009).
IRPF. MULTA. EXCLUSÃO. SÚMULA CARF Nº 73.
Erro no preenchimento da declaração de ajuste do imposto de renda, causado por informações erradas, prestadas pela fonte pagadora, não autoriza o lançamento de multa de ofício.
IRPF. JUROS DE MORA SOBRE VERBAS TRIBUTADAS. INCIDÊNCIA DO IMPOSTO.
No julgamento do REsp 1.227.133/RS, sob o rito do art. 543C do CPC, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) decidiu que apenas os juros de mora pagos em virtude de decisão judicial proferida em ação de natureza trabalhista, por se tratar de verba indenizatória paga na forma da lei, são isentos do imposto de renda, por força do inciso V do art. 6º da Lei n° 7.713/1988.
Numero da decisão: 2201-002.534
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para que sejam aplicadas aos rendimentos recebidos acumuladamente as tabelas progressivas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido pagos à Contribuinte, bem como excluir da exigência a multa de ofício.
Assinado Digitalmente
MARIA HELENA COTTA CARDOZO - Presidente.
Assinado Digitalmente
EDUARDO TADEU FARAH - Relator.
EDITADO EM: 25/09/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARIA HELENA COTTA CARDOZO (Presidente), VINICIUS MAGNI VERCOZA (Suplente convocado), GUILHERME BARRANCO DE SOUZA (Suplente convocado), FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, EDUARDO TADEU FARAH e NATHALIA MESQUITA CEIA. Ausente, justificadamente, o Conselheiro GUSTAVO LIAN HADDAD. Presente ao julgamento o Procurador da Fazenda Nacional, Dr. JULES MICHELET PEREIRA QUEIROZ E SILVA.
Nome do relator: Eduardo Tadeu Farah
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APRECIAÇÃO. INCOMPETÊNCIA. SÚMULA CARF Nº 2. Falece competência a este órgão julgador para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. IMPOSTO DE RENDA NA FONTE. RESPONSABILIDADE. SÚMULA CARF Nº 12. “Constatada a omissão de rendimentos sujeitos à incidência do imposto de renda na declaração de ajuste anual, é legítima a constituição do crédito tributário na pessoa física do beneficiário, ainda que a fonte pagadora não tenha procedido à respectiva retenção”. IRRF. COMPETÊNCIA. A repartição do produto da arrecadação entre os entes federados não altera a competência tributária da União para instituir, arrecadar e fiscalizar o Imposto sobre a Renda. IMPOSTO DE RENDA. DIFERENÇAS SALARIAIS. URV. Os valores recebidos por servidores públicos a título de diferenças ocorridas na conversão de sua remuneração, quando da implantação do Plano Real, são de natureza salarial, razão pela qual estão sujeitos aos descontos de Imposto de Renda. ISENÇÃO. NECESSIDADE DE LEI. Inexistindo lei federal reconhecendo a alegada isenção, incabível a exclusão dos rendimentos da base de cálculo do Imposto de Renda. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 10 55 /2 00 9- 73 Fl. 154DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por EDUARDO TADEU FARAH 2 IRPF. PARCELAS ATRASADAS RECEBIDAS ACUMULADAMENTE. TABELA MENSAL. APLICAÇÃO DO ART. 62A DO RICARF. O imposto de renda incidente sobre os rendimentos tributáveis recebidos acumuladamente deve ser calculado com base nas tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, conforme dispõe o Recurso Especial nº 1.118.429/SP, julgado na forma do art. 543C do CPC. Aplicação do art. 62A do RICARF (Portaria MF nº 256/2009). IRPF. MULTA. EXCLUSÃO. SÚMULA CARF Nº 73. “Erro no preenchimento da declaração de ajuste do imposto de renda, causado por informações erradas, prestadas pela fonte pagadora, não autoriza o lançamento de multa de ofício”. IRPF. JUROS DE MORA SOBRE VERBAS TRIBUTADAS. INCIDÊNCIA DO IMPOSTO. No julgamento do REsp 1.227.133/RS, sob o rito do art. 543C do CPC, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) decidiu que apenas os juros de mora pagos em virtude de decisão judicial proferida em ação de natureza trabalhista, por se tratar de verba indenizatória paga na forma da lei, são isentos do imposto de renda, por força do inciso V do art. 6º da Lei n° 7.713/1988. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para que sejam aplicadas aos rendimentos recebidos acumuladamente as tabelas progressivas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido pagos à Contribuinte, bem como excluir da exigência a multa de ofício. Assinado Digitalmente MARIA HELENA COTTA CARDOZO Presidente. Assinado Digitalmente EDUARDO TADEU FARAH Relator. EDITADO EM: 25/09/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARIA HELENA COTTA CARDOZO (Presidente), VINICIUS MAGNI VERCOZA (Suplente convocado), GUILHERME BARRANCO DE SOUZA (Suplente convocado), FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, EDUARDO TADEU FARAH e NATHALIA MESQUITA CEIA. Ausente, justificadamente, o Conselheiro GUSTAVO LIAN HADDAD. Presente ao julgamento o Procurador da Fazenda Nacional, Dr. JULES MICHELET PEREIRA QUEIROZ E SILVA. Relatório Fl. 155DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10580.721055/200973 Acórdão n.º 2201002.534 S2C2T1 Fl. 3 3 Adoto o relatório de primeira instância por bem traduzir os fatos da presente lide até aquela decisão. Tratase de auto de infração relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física – IRPF correspondente aos anos calendário de 2004, 2005 e 2006, para exigência de crédito tributário, no valor de R$ 197.075,26, incluída a multa de ofício no percentual de 75% (setenta e cinco por cento) e juros de mora. Conforme descrição dos fatos e enquadramento legal constantes no auto de infração, o crédito tributário foi constituído em razão de ter sido apurada classificação indevida de rendimentos tributáveis na Declaração de Ajuste Anual como sendo rendimentos isentos e não tributáveis. Os rendimentos foram recebidos do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia a título de “Valores Indenizatórios de URV”, em 36 (trinta e seis) parcelas no período de janeiro de 2004 a dezembro de 2006, em decorrência da Lei Estadual da Bahia nº 8.730, de 08 de setembro de 2003. As diferenças recebidas teriam natureza eminentemente salarial, pois decorreram de diferenças de remuneração ocorridas quando da conversão de Cruzeiro Real para URV em 1994, conseqüentemente, estariam sujeitas à incidência do imposto de renda, sendo irrelevante a denominação dada ao rendimento. O contribuinte foi cientificado do lançamento fiscal e apresentou impugnação, alegando, em síntese, que: a) não classificou indevidamente os rendimentos recebidos a título de URV, pois o enquadramento de tais rendimentos como isentos de imposto de renda encontrase em perfeita consonância com a legislação instituidora de tal verba indenizatória; b) o STF, através da Resolução nº 245, de 2002, reconheceu a natureza indenizatória das diferenças de URV recebidas pelos magistrados federais, e que por esse motivo estariam isentas da contribuição previdenciária e do imposto de renda. Este tratamento seria extensível aos valores a mesmo título recebidos pelos membro do magistrados estaduais; c) o Estado da Bahia abriu mão da arrecadação do IRRF que lhe caberia ao estabelecer no art. 5º da Lei Estadual da Bahia nº 8.730, de 2003, a natureza indenizatória da verba paga, sendo a União parte ilegítima para exigência de tal tributo. Além disso, se a fonte pagadora não fez a retenção que estaria obrigada, e levou o autuado a informar tal parcela como isenta em sua declaração de rendimentos, não tem este último qualquer responsabilidade pela infração; d) independentemente da controvérsia quanto à competência ou não do Estado da Bahia para regular matéria reservada à Lei Federal, o valor recebido a título de URV tem a natureza indenizatória. Neste sentido já se pronunciou o Supremo Tribunal Federal, o Presidente do Conselho da Justiça Federal, Primeiro Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda, Poder Judiciário de Rondônia, Ministério Publico do Estado do Maranhão, bem como, ilustres doutrinadores; e) caso os rendimentos apontados como omitidos de fato fossem tributáveis, deveriam ter sido submetidos ao ajuste anual, e não tributados isoladamente como no lançamento fiscal; f) ainda que as diferenças de URV recebidas em atraso fossem consideradas como tributáveis, não caberia tributar os juros e correção monetária incidentes sobre elas, tendo em vista sua natureza indenizatória; Fl. 156DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por EDUARDO TADEU FARAH 4 g) mesmo que tal verba fosse tributável, não caberia a aplicação da multa de ofício e juros moratórios, pois o autuado teria agido com boafé, seguindo orientações da fonte pagadora, que por sua vez estava fundamentada na Lei Estadual da Bahia nº 8.730, de 2003, que dispunha acerca da natureza indenizatória das diferenças de URV; h) o Ministério da Fazenda, em resposta à Consulta Administrativa feita pela Presidente do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia, também, teria manifestadose pela inaplicabilidade da multa de ofício, em razão da flagrante boafé dos autuados, ratificando o entendimento já fixado pelo AdvogadoGeral da União, através da Nota AGU/AV 12/2007. Na referida resposta, o Ministério da Fazenda reconhece o efeito vinculante do comando exarado pelo Advogado Geral da União perante à PGFN e a RFB. Foi determinada diligência fiscal para que o órgão de origem adotasse as medidas cabíveis para ajustar o lançamento fiscal ao Parecer PGFN/CRJ/Nº 287/2009, de 12 de fevereiro de 2009, da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, que, em razão de jurisprudência pacificada no Superior Tribunal de Justiça, concluiu pela dispensa de apresentação de contestação, de interposição de recursos e pela desistência dos já interpostos, desde que inexistisse outro fundamento relevante, com relação às ações judiciais que visassem obter a declaração de que, no cálculo do imposto renda incidente sobre rendimentos pagos acumuladamente, deveriam ser levadas em consideração as tabelas e alíquotas das épocas próprias a que se referem tais rendimentos, devendo o cálculo ser mensal e não global. A 3ª Turma da DRJ em Salvador/BA julgou integralmente procedente o lançamento, consubstanciado nas ementas abaixo transcritas: DIFERENÇAS DE REMUNERAÇÃO. INCIDÊNCIA IRPF. As diferenças de remuneração recebidas pelos Magistrados do Estado da Bahia, em decorrência da Lei Estadual da Bahia nº 8.730, de 08 de setembro de 2003, estão sujeitas à incidência do imposto de renda. MULTA DE OFÍCIO. INTENÇÃO. A aplicação da multa de ofício no percentual de 75% sobre o tributo não recolhido independe da intenção do contribuinte. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Intimada da decisão de primeira instância, Maria Eleonora Ribeiro Cajahyba apresenta tempestivamente Recurso Voluntário, sustentando, essencialmente, os mesmos argumentos defendidos em sua Impugnação. O processo em apreço foi julgado em 14 de agosto de 2012 e os membros da Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), por meio do Acórdão nº 2201001.755, decidiram por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para excluir a multa de ofício. Posteriormente, em sessão realizada em 23 de janeiro de 2013, o Colegiado, por meio do Acórdão de Embargos nº 2201001.974, de 23 de janeiro de 2013, acolheu os Embargos de Declaração para anular o Acórdão nº 2201001.755, de 14 de agosto de 2012, e sobrestar o julgamento do recurso, conforme a Portaria CARF nº 1, de 2012. É o relatório. Fl. 157DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10580.721055/200973 Acórdão n.º 2201002.534 S2C2T1 Fl. 4 5 Voto Conselheiro Eduardo Tadeu Farah O recurso reúne os requisitos de admissibilidade. Cuidam os presentes autos de lançamento originário de verbas recebidas a título de “Valores Indenizatórios de URV”, no período de janeiro de 2004 a dezembro de 2006. De início, cumpre esclarecer que a Portaria MF n° 545/2013 revogou os parágrafos 1º e 2º do art. 62A do anexo II do RICARF (Portaria MF n° 256/2009). Assim, o procedimento de sobrestamento não é mais aplicado no CARF. Antes de se entrar no mérito da questão insta examinar, de antemão, a preliminar suscitada pela defesa. Ilegitimidade da União Federal Quanto à alegada ilegitimidade ativa para exigir o tributo, penso que o inciso III do art. 153 da Constituição Federal atribui à União competência exclusiva para legislar sobre imposto de renda e proventos de qualquer natureza. Em que pese o produto da arrecadação do IRRF pertencer ao Estado da Bahia, conforme prevê o inciso I do art. 157 da CF, tal fato não tem o condão de alterar a competência da União relativa ao Imposto sobre a Renda, conforme prevê o parágrafo único do art. 6º do Código Tributário Nacional (CTN). Com efeito, o contribuinte, na qualidade de beneficiário dos rendimentos, não pode se furtar da tributação do imposto. A lei, ao disciplinar a elaboração da Declaração Anual de Ajuste, expressamente determina a inclusão na base de cálculo do imposto de todos os rendimentos percebidos no ano, independentemente de ter ou não havido retenção na fonte (arts. 7º e 8º da Lei nº 9.250/1995). É nesse sentido a Súmula CARF nº 12: Constatada a omissão de rendimentos sujeitos à incidência do imposto de renda na declaração de ajuste anual, é legítima a constituição do crédito tributário na pessoa física do beneficiário, ainda que a fonte pagadora não tenha procedido à respectiva retenção. Portanto, não há relação entre o dever de reter o imposto e o fato de o produto da arrecadação do imposto retido pertencer ao Estado da Bahia. Dessarte, estéril o argumento suscitado pela defesa para anular a exigência. No que tange à alegação de constituição inadequada da exigência, como a matéria se confunde com o mérito, será examinada mais adiante. No mérito, verifico que as verbas recebidas a título de “Valores Indenizatórios de URV” advêm de diferenças salariais ocorridas na conversão da remuneração do servidor público, quando da implantação do Plano Real. Logo, tais valores se referem a salários (vencimentos) não recebidos ao longo dos anos. Nesse passo, o objetivo da ação judicial e/ou da Lei do estado da Bahia foi simplesmente pagar ao recorrente aquilo que antes Fl. 158DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por EDUARDO TADEU FARAH 6 deixou de ser pago. E o que antes deixou de ser pago é salário. Assim, o que veio a ser posteriormente pago é salário. Nessa ordem de idéias, penso que a verba trazida à discussão configura acréscimo patrimonial e, consequentemente, sujeita à incidência do IR, consoante dispõe o art. 43 do CTN: Art. 43. O imposto, de competência da União, sobre a renda e proventos de qualquer natureza tem como fato gerador a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica: I de renda, assim entendido o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos; II de proventos de qualquer natureza, assim entendidos os acréscimos patrimoniais não compreendidos no inciso anterior. § 1o A incidência do imposto independe da denominação da receita ou do rendimento, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem e da forma de percepção. (Incluído pela Lcp nº 104, de 10.1.2001) Portanto, a definição prevista no art. 43 do CTN se subsume ao caso em questão, isso porque as quantias percebidas pelo contribuinte de fato constitui produto do trabalho (salário). Quanto à alegada afronta ao princípio constitucional da isonomia, percebo que a Resolução do Supremo Tribunal Federal (STF) nº 245/2002, conferiu natureza jurídica indenizatória ao abono variável apenas aos Magistrados do Poder Judiciário Federal e, posteriormente, aos membros do Ministério Público da União (Lei nº 9.655/1998 e Lei nº 10.474/2002). Embora alegue a defesa que a verba recebida pelos servidores estaduais é exatamente igual àquela percebida pelos seus pares da União e, portanto, não se poderia dispensar tratamento diferenciado àqueles que se encontram em mesma situação, penso que não há como estender o entendimento a outros contribuintes, haja vista inexistir lei federal determinando o mesmo tratamento tributário, pois a norma que concede isenção deve ser interpretada sempre literalmente, conforme inciso II do art. 111 do CTN. Com efeito, o Código Tributário veda o emprego da analogia ou de interpretações extensivas para alcançar sujeitos passivos em situação semelhantes. Pensar diferente implicaria na concessão de isenção sem lei federal própria, o que ofenderia o § 6º do art. 150 da CF e o art. 176 do CTN. Ressaltese que a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional, por meio do Parecer PGFN/Nº 529/2003, aprovado pelo Ministro da Fazenda, reconheceu a natureza indenizatória do abono apenas para a Magistratura Federal e Ministério Público Federal, respeitando a interpretação do STF. Pelos fundamentos expostos, entendo que a verba em exame deve ser tributada. No que tange à tributação dos rendimentos recebidos acumuladamente, verificase que a autoridade lançadora aplicou sobre o total do crédito, a tabela do imposto de renda vigente no mês do recebimento. Contudo, de acordo com o art. 62A do RICARF (Portaria MF nº 256/2009), devese aplicar à espécie o REsp nº 1.118.429/SP, julgamento sob o rito do art. 543C do CPC. Na ocasião, o STJ decidiu que a tributação dos rendimentos recebidos acumuladamente deve ser calculada de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos. Vejase: Fl. 159DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10580.721055/200973 Acórdão n.º 2201002.534 S2C2T1 Fl. 5 7 TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. AÇÃO REVISIONAL DE BENEFÍCIO PREVIDENCIÁRIO. PARCELAS ATRASADAS RECEBIDAS DE FORMA ACUMULADA. 1. O Imposto de Renda incidente sobre os benefícios pagos acumuladamente deve ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, observando a renda auferida mês a mês pelo segurado. Não é legítima a cobrança de IR com parâmetro no montante global pago extemporaneamente. Precedentes do STJ. 2. Recurso Especial não provido. Acórdão sujeito ao regime do art. 543C do CPC e do art. 8º da Resolução STJ 8/2008. Resp 1.118.429/SP, julgado em 24/03/2010. (grifei) Pelo que se vê, o REsp nº 1.118.429/SP versa exatamente sobre o caso dos autos, ou seja, parcelas atrasadas recebidas acumuladamente. Assim, devese aplicar sobre os rendimentos pagos acumuladamente as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos. No que toca à imposição da multa de ofício, penso que deve ser excluída, pois o sujeito passivo foi de fato induzido ao erro pela fonte pagadora. É cediço que o comprovante de rendimento elaborado pela fonte pagadora classificou a referida verba como rendimentos isentos e não tributável, e ao apresentar sua Declaração de Ajuste o sujeito passivo meramente copiou os dados constantes do comprovante, acreditando estar agindo de forma correta. Assim, se houve erro no apontamento da natureza dos rendimentos auferidos, esse erro não foi provocado pelo sujeito passivo. Desse modo, o erro é escusável e, consequentemente, inaplicável a multa de ofício, conforme dispõe a Súmula CARF nº 73: Erro no preenchimento da declaração de ajuste do imposto de renda, causado por informações erradas, prestadas pela fonte pagadora, não autoriza o lançamento de multa de ofício. Nessa conformidade, deve ser excluída a multa de ofício aplicada ao lançamento. Em relação à incidência do imposto de renda sobre juros de mora, as recentes decisões da STJ, no julgamento do REsp 1.227.133/RS, sob o rito do art. 543C do CPC, restringiu o entendimento de que é inexigível o imposto de renda sobre os juros de mora decorrentes do pagamento a destempo de verbas trabalhistas de natureza indenizatória, oriundas de condenação judicial, por força da norma isentiva prevista no inciso V do art. 6º da Lei nº 7.713/1988: TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA. INCIDÊNCIA. JUROS DE MORA. CARÁTER REMUNERATÓRIO. TEMA JULGADO PELO STJ SOB A SISTEMÁTICA DO ART. 543C D O CPC. 1. Por ocasião do julgamento do REsp 1.227.133/RS, pelo regime do art. 543C do CPC (recursos repetitivos), consolidou se o entendimento no sentido de que "não incide imposto de renda sobre os juros moratórios legais em decorrência de sua natureza e função indenizatória ampla." Todavia, após o Fl. 160DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por EDUARDO TADEU FARAH 8 julgamento dos embargos de declaração da Fazenda Nacional, esse entendimento sofreu profunda alteração, e passou a prevalecer entendimento menos abrangente. Concluiuse neste julgamento que "os juros de mora pagos em virtude de decisão judicial proferida em ação de natureza trabalhista, devidos no contexto de rescisão de contrato de trabalho, por se tratar de verba indenizatória paga na forma da lei, são isentos do impo sto de renda, por força do art. 6º, V, da Lei 7.713/88, até o limite da lei". 2. Na hipótese, não sendo as verbas trabalhistas decorrentes de despedida ou rescisão contratual de trabalho, assim como por terem referidas verbas (horas extras) natureza remuneratória, deve incidir o imposto de renda sobre os juros de mora. Agravo regimental improvido. (AgRg no REsp 1235772 RS – julgado em 26/06/2012) PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NOS EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA EM RECURSO ESPECIAL. IMPOSTO DE RENDA. JUROS DE MORA DECORRENTES DO PAGAMENTO EM ATRASO DE VERBAS TRABALHISTAS. NÃO INCIDÊNCIA. MATÉRIA JÁ PACIFICADA PELA PRIMEIRA SEÇÃO. RECUR SO ESPECIAL REPETITIVO 1.227.133/RS. 1. A Primeira Seção, por ocasião do julgamento do REsp 1.227.133/RS, sob o rito do art. 543C do CPC, fixou orientação no sentido de que é inexigível o imposto de renda sobre os juros de mora decorrentes do pagamento a destempo de verbas trabalhistas de natureza indenizatória, oriundas de condenação judicial. 2. Agravo regimental não provido.” (AgRg nos REsp 1163490 SC – julgado em 14/03/2012) (grifei) Depreendese da análise do julgamento do Recurso Repetitivo 1.227.133/RS, que são isentos do imposto de renda os juros de mora decorrentes do pagamento a destempo de verbas trabalhistas de natureza indenizatória, oriundas de condenação judicial, conforme a regra do “accessorium sequitur suum principale”. Dessarte, não sendo as verbas trabalhistas de natureza indenizatória, o imposto de renda deve incidir sobre os juros de mora. Por fim, cumpre registrar que as decisões administrativas ou judiciais, sem caráter vinculante, não obrigam os julgadores dos processos administrativos fiscais, assim como os pareceres emitidos por ilustres doutrinadores, a exemplo do Dr. Roque Antônio Carrazza e do Dr. Paulo Modesto. Ante ao exposto, voto no sentido de rejeitar a preliminar e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para aplicar aos rendimentos recebidos acumuladamente as tabelas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido pagos, bem como excluir a aplicação da multa de ofício. Assinado Digitalmente Eduardo Tadeu Farah Fl. 161DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10580.721055/200973 Acórdão n.º 2201002.534 S2C2T1 Fl. 6 9 Fl. 162DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por EDUARDO TADEU FARAH
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Numero do processo: 10680.015653/2004-77
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 15 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Nov 06 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 31/01/1999 a 31/12/1999
PAF - EMBARGOS DECLARATÓRIOS - PRECLUSÃO LÓGICA - ART. 66 DO RICARF
A jurisdição administrativa se processa em escala ascendente, sem hiatos e por via de recursos pré-determinados, de tal forma que uma vez instaurada a jurisdição da instância superior, com a admissão do Recurso Especial, opera-se a preclusão lógica do direito de interpor embargos, não havendo como inverter a ordem processual, para analisar serôdios embargos, sob pena de inversão tumultuária da ordem processual.
Embargos Rejeitados
Sem Crédito em Litígio
Numero da decisão: 3402-002.528
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, os embargos foram conhecidos e rejeitados.
GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO
Presidente Substituto
FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D'EÇA
Relator
Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente Substituto), Fernando Luiz da Gama Lobo d'Eça (Relator), Fenelon Moscoso de Almeida (Suplente), Pedro Sousa Bispo (Suplente), João Carlos Cassuli Júnior e Maurício Rabelo de Albuquerque Silva.
Nome do relator: FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA
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ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 31/01/1999 a 31/12/1999 PAF EMBARGOS DECLARATÓRIOS PRECLUSÃO LÓGICA ART. 66 DO RICARF A jurisdição administrativa se processa em escala ascendente, sem hiatos e por via de recursos prédeterminados, de tal forma que uma vez instaurada a jurisdição da instância superior, com a admissão do Recurso Especial, opera se a preclusão lógica do direito de interpor embargos, não havendo como inverter a ordem processual, para analisar serôdios embargos, sob pena de inversão tumultuária da ordem processual. Embargos Rejeitados Sem Crédito em Litígio Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, os embargos foram conhecidos e rejeitados. GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Presidente Substituto FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D'EÇA Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 01 56 53 /2 00 4- 77 Fl. 266DF CARF MF Impresso em 06/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 27/10/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO 2 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente Substituto), Fernando Luiz da Gama Lobo d'Eça (Relator), Fenelon Moscoso de Almeida (Suplente), Pedro Sousa Bispo (Suplente), João Carlos Cassuli Júnior e Maurício Rabelo de Albuquerque Silva. Relatório Tratase de Embargos Declaratórios (constante de arquivo em PDF sem numeração de páginas do processo físico) interpostos pelo d. Presidente da 4ª Câmara da 3ª Seção (Cons. Gilson Macedo Rosenburg Filho), por suposta inexatidão material no v. Acórdão nº 340200.449 exarado pela C. 2ª Turma da 4ª Câmara da 3ª Seção do CARF (fls. 205/207) em sede de Recurso Voluntário que, acolhendo o voto de minha relatoria, em sessão de 03/02/10, por maioria de votos (vencida a Cons. Nayra Bastos Manatta, que aplicava o art. 173 do CTN) houve por bem em dar provimento ao recurso, “para reconhecer a decadência até 31.11.99, nos termos do art. 150 do CTN”, aos fundamentos sintetizados nas seguintes ementa e súmula: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 31/01/1999 a 31/12/1999, 31/10/2000 a 31/03/2003 COFINS. DECADÊNCIA. RESERVA DE LEI COMPLEMENTAR CTN, ART. 150, § 4°. PREVALÊNCIA. LEI N° 8.212/91. INAPLICABILIDADE. SÚMULA VINCULANTE DO STF N° 8/08. As contribuições sociais, inclusive as destinadas a financiar a seguridade social (CF, art. 195), têm natureza tributária e estão submetidas ao principio da reserva de lei complementar (art. 146, III, b, da CF/88), cuja competência abrange as matérias de prescrição e decadência tributárias, compreendida nessa cláusula inclusive a fixação dos respectivos prazos, em razão do que os EE. STF e STJ expressamente reconheceram que padece de inconstitucionalidade formal o art. 45 da Lei 8.212/91, que fixou em dez anos o prazo de decadência para o lançamento das contribuições sociais, em desacordo com o disposto na lei complementar. DECADÊNCIA. CTN , ARTS, ARTIGOS 150, § 4° E 173. APLICAÇÃO EXCLUDENTE. As normas dos arts. 150, § 4° e 173" do CTN não são de aplicação cumulativa ou concorrente, mas antes são reciprocamente excludentes, tendo em vista a diversidade dos pressupostos da respectiva aplicação: o art. 150, §4° aplicase exclusivamente aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa; o art. 173, ao revés, aplicase tributos em que o lançamento, em principio, antecede o pagamento. Fl. 267DF CARF MF Impresso em 06/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 27/10/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10680.015653/200477 Acórdão n.º 3402002.528 S3C4T2 Fl. 3 3 Recurso Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado por maioria de votos, deuse provimento parcial ao recurso, para reconhecer a decadência até 31.11.99, nos termos do art. 150 do CTN. Vencida a Conselheira Nayra Bastos Manatta que aplicava o art. 173 do CTN. Nayra Bastos Manatta Presidente FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D'EÇA Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Julio César Alves Ramos, Ali Zraik Junior, Silvia de Brito Oliveira e Leonardo Siade Manzan presentes à sessão.” Sob invocação expressa do art. 66 do RICARF o então Presidente da C. 4ª Câmara manejou os Embargos nos seguintes termos: “O processo em tela, encaminhado à Secat/DRF/BHE/MG para ciência ao contribuinte do recurso especial manejado pela Fazenda Nacional, foi devolvido a este Conselho Administrativo em razão de erro na confecção do acórdão 340200.449, de 03/02/2010, proferido pela 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara. Consoante informação lançada por aquela Unidade, restou consignado no aresto o resultado “recurso provido em parte”, quando o correto, em sua visão, seria “recurso provido”, eis que abrangeria todo o período discutido, a teor da matéria devolvida pelo recurso voluntário. Revendo os autos, mormente o acórdão em questão, verificase do seu relatório e voto, que, de fato, há a um lapso manifesto, quando não uma contradição, entre a fundamentação e a conclusão do voto condutor, tendo em conta que o recurso voluntário se circunscreveu ao período 01/99 a 12/99, sendo que, no terceiro parágrafo do voto, o Conselheiro relator assevera o seguinte raciocínio: “Nessa ordem de idéias, entendo que a r. decisão recorrida merece reforma, eis que verifico a ocorrência da decadência em relação ao período de 31/01/99 a 31/12/99” (destaques no original). Mais adiante, acentua que o auto de infração foi notificado em 20/12/2004. Na sequência, dá parcial provimento para reconhecer a decadência no período de 31/01/99 a 31/11/99 (sic). Considerando que o mês de novembro só possui 30 (trinta) dias, resta a dúvida se o voto decide que ocorreu a decadência até o mês de novembro/99 ou se alcançou também dezembro/99. Fl. 268DF CARF MF Impresso em 06/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 27/10/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO 4 Isto posto e tendo em conta as disposições do art. 66 do RICARF aprovado pela Portaria MF nº 256/09, determino o encaminhamento destes autos à Presidente da Segunda Turma Ordinária desta Quarta Câmara para saneamento da inexatidão material e, em seguida, à Fazenda Nacional para (re)ratificar o recurso especial interposto. GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Presidente da Câmara” É o relatório Voto Conselheiro FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D'EÇA, Relator Os Embargos Declaratórios não podem ser conhecidos, por se ter consumado a preclusão lógica para o seu exame. Como é curial e já assentou a Jurisprudência, a jurisdição administrativa se processa em escala ascendente, sem hiatos e por via de recursos prédeterminados, na qual a autoridade de grau superior não pode, estribada apenas em sua preeminência, sem forma, nem figura de juízo, desfazer o ato de grau inferior, mormente, quando este já produziu seus efeitos de direito e foi editado em consonância com a lei (cf. Ac. do STF – Pleno no MS nº 7853GB, em sessão de 19/10/60, Rel. Min. HENRIQUE D'AVILA, EMENT vol. 0044701, pág. 186, publ. in DJU de 21/12/60, ADJ de 17/07/61, pág. 161), operandose a preclusão lógica quando a parte pratica um ato incompatível com outro já praticado. No caso concreto, verificase que o referido processo foi julgado pela 2ª Turma da 4ª Câmara em sede de Recurso Voluntário através do Acórdão nº 430200.449 de 03/02/10, intimado à PGFN em 13/07/10, contra o qual foi interposto Recurso Especial pela PGFN (em 14/07/10 fls. 210/217), que foi admitido em 27/01/11, por despacho do então d. Presidente da 4ª Câmara (fls. 224/225), o que, por si não só implica em exaurimento da jurisdição da referida Câmara que já não pode rediscutir questão já resolvida , como instaura a jurisdição da superior instância (CSRF) remetendolhe a discussão das matérias objeto do Recurso Especial admitido. Assim, uma vez instaurada a jurisdição da instância superior, com a admissão do Recurso Especial da PGFN, não haveria como inverter a ordem processual, para analisar os serôdios embargos, sob pena de inversão tumultuária da ordem processual. Por outro lado, na regulamentação do processo administrativo tributário, a legislação de regência faz clara distinção entre as decisões e despachos nulos de pleno direito – assim considerados aqueles proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa (art. 59, inc. II do Decreto nº 70.235/72 Decreto nº 70.235/72), e cuja nulidade deve ser declarada de ofício pela autoridade competente para praticar o ato ou julgar a sua legitimidade (art. 61 do Decreto nº 70.235/72) – daqueles cujas “irregularidades, incorreções e omissões” eventualmente ocorridas, por não importarem em nulidade, serão sanadas, somente quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio (art. 60). Fl. 269DF CARF MF Impresso em 06/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 27/10/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10680.015653/200477 Acórdão n.º 3402002.528 S3C4T2 Fl. 4 5 Essa distinção se justifica plenamente, pois enquanto a nulidade processual absoluta decorrente da violação dos direitos de defesa, por consubstanciar “matéria de ordem pública, irrenunciável e assegurada no art. 5º, LV, CR/88”, deve ser “reconhecida, de ofício”, pela autoridade julgadora (tal como ocorre no processo judicial cf. art. 267, § 3º, do CPC), em homenagem aos princípios da eficiência e celeridade processual (arts. 5º inc. LXXVIII e art. 37 da CF/88) constitucionalmente assegurados, as “irregularidades, incorreções e omissões” eventualmente ocorridas, por não importarem em nulidade, somente serão sanadas, quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo ou quando influírem na solução do litígio. No caso concreto, desde logo verificase que a suposta inexatidão material acusada, não trouxe qualquer prejuízo para o sujeito passivo eis que o v. Acórdão embargado é claro em “reconhecer a decadência até 31.11.99, nos termos do art. 150 do CTN” Finalmente releva notar que o art. 66 do RICARF, invocado nos embargos expressamente estabelece que “as inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os erros de escrita ou de cálculo existentes na decisão serão retificados pelo presidente de turma”, o que mais uma vez inviabiliza o exame dos presentes embargos por esse colegiado, sob pena de invasão ou usurpação da competência privativa do presidente da Turma, pois como já assentou a suprema Corte que: “(...) quando o poder conferido a um determinado órgão ou entidade é distribuído pelas autoridades que o integram, sob o critério de hierarquia, nenhuma delas, seja a de grau inferior, seja a de grau superior, pode realizar ato válido na esfera de competência da outra, se inexiste lei que autorize a atividade de que se trata. A competência administrativa, sendo um requisito de ordem pública, é intransferível e improrrogável ad nutum do administrador, só podendo ser delegada ou avocada de acordo com a lei regulamentadora da administração.” (cf. Ac. do STF Pleno no MS nº 21.1172DF,, em sessão de 28/05/92, Rel. Min. Ilmar Galvão, publ. in DJU de 14/10/94, e in JSTF/Lex vol. 195/135) Por estas razões, preliminarmente entendo que os embargos sequer devem ser conhecidos por se ter consumado a preclusão lógica para o seu exame; se vencido na preliminar de não conhecimento, voto pela rejeição dos embargos, devendo o processo ser remetido à Câmara Superior para exame do Recurso Especial, retomandose o seu rito regular. É como voto. Sala das Sessões, em 15 de outubro de 2014 FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D'EÇA Fl. 270DF CARF MF Impresso em 06/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 27/10/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO 6 Fl. 271DF CARF MF Impresso em 06/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 27/10/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO
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Numero do processo: 10074.000579/2009-47
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 26 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Oct 07 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 3302-000.403
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator.
WALBER JOSÉ DA SILVA - Presidente.
(Assinado Digitalmente)
GILENO GURJÃO BARRETO - Relator.
(Assinado Digitalmente)
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, Mara Cristina Sifuentes, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes, Fabiola Cassiano Keramidas e Gileno Gurjão Barreto.
Nome do relator: GILENO GURJAO BARRETO
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Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente. (Assinado Digitalmente) GILENO GURJÃO BARRETO Relator. (Assinado Digitalmente) Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, Mara Cristina Sifuentes, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes, Fabiola Cassiano Keramidas e Gileno Gurjão Barreto. Adotase o relatório da decisão recorrida, por bem refletir a contenda. Trata o presente processo de auto de infração no valor de R$ 81.148.697,00 (fls. 0719) com relatório fiscal em anexo. Seguem as alegações da fiscalização aduaneira. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 00 74 .0 00 57 9/ 20 09 -4 7 Fl. 2418DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 30/05/201 4 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/05/2014 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 10074.000579/200947 Resolução nº 3302000.403 S3C3T2 Fl. 3 2 I. O procedimento da Receita Federal decorre da operação Dilúvio da Policia Federal e de ordem judicial de folha 285/290. II. O esquema de fraudes era controlado por um grupo de pessoas denominado Grupo Principal, constituído pela impugnante (PLENA COMERCIAL ATACADISTA LTDA), pela PRINCIPAL DO BRASIL COMERCIAL ATACADISTA LTDA e pela RANGER ASSESSORIA EM VENDAS, TREINAMENTO E PARTICIPAÇÕES. III. As empresas Plena e Principal foram constituídas no mesmo dia 22/07/2004, tendo como única acionista a empresa Ranger. A Plena e a Principal possuíam as mesmas instalações e o mesmo grupo controlador e os mesmos empregados. O patrimônio inicial de ambas as empresas de R$ 152.000.000,00 proveio de uma suposta cisão parcial da empresa Ranger. Tal integralização não foi comprovada, tratandose de artificio contábil com o fim de inflar a capacidade da empresa para realizar operações milionárias. IV. Até 19/05/2006, a Plena não estava habilitada a operar no comércio exterior. Para isso utilizavase de interpostas pessoas. 0 objetivo era fugir da condição de equiparada a estabelecimento industrial para efeitos de IPI, afastar questionamentos acerca da origem dos recursos empregados e da integralização do capital social de R$ 152.000.000,00 e evitar os controles referentes às transações no comércio exterior, controles estes que se tornaram mais rigorosos com o advento da Lei n° 10.637/2002 e da IN SRF n°225/2002. V. Basicamente o esquema fraudulento consistia na compra pelo grupo Principal dos produtos diretamente no exterior para revenda no Brasil. Na seqüência, a empresa orientava seus exportadores a emitir a documentação do despacho de importação no nome das importadoras (tradings) contratadas pela Plena para figurarem como adquirentes dos produtos adquiridos. VI. Grande parte das operações do GRUPO PRINCIPAL pode ser dividida em duas partes. Urna parte era relativa à importação de copiadoras, impressoras multifuncionais da marca Sharp e respectivos suprimentos comercializados pela Plena e outra parte era relativa a produtos eletrônicos como aparelhos de DVD, home theater e televisões de plasma, todos produzidos na China da marca Principal Eletrônicos, comercializados pela Principal. Embora a Plena esteja inserida no grupo Principal, o foco da fiscalização se restringiu a Plena e a sua relação corn a marca Sharp. VII. A despeito da existência de contrato de distribuição exclusivo entre a Sharp Electronics e o grupo Principal, as mercadorias não eram comercializadas entre as empresas, sendo utilizado um complexo esquema de ocultação entre o real vendedor e o real comprador. No decorrer do relatório apresenta a fiscalização o suposto esquema incluía empresas supostamente compradoras e vendedoras, corno tradings no Brasil e outras empresas sediadas no exterior. VIII. A fraude se iniciava no exterior. Documentos apreendidos na "Operação Dilúvio" (Processo 10980.005074/200784) revelam que o grupo Principal, além de utilizar importadoras (tradings) no Brasil, utilizavase também de um esquema fraudulento no exterior para refaturar suas cargas com o apoio de outras empresas de fachada como a Costa Oriental e a 5 Continentes. No caso da empresa Plena, o esquema consistia na aquisição dos produtos Sharp previamente pelo Grupo Principal em Miami e remetidos ao Brasil pela empresa 5 Continentes ou ao Uruguai de onde eram reenviados ao Brasil como uma exportação de outra empresa: Port Capria. Entre os documentos apreendidos na Operação Dilúvio há um contrato Fl. 2419DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 30/05/201 4 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/05/2014 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 10074.000579/200947 Resolução nº 3302000.403 S3C3T2 Fl. 4 3 de exclusividade de distribuição da marca Sharp no Brasil através da empresa Ranger e faturas emitidas pela Sharp diretamente para Plena de mercadorias que foram desembaraçadas pelas tradings, provas cabais, portanto, de que as importações foram realizadas por conta e ordem desta última, caracterizando a interposição fraudulenta. IX. 0 esquema consistia basicamente de um exportador A, um exportador fictício B, um importador laranja C e o real adquirente D (empresas Plena e Principal). Estas empresas são listadas em diversos quadros, como o de folha 33. As negociações eram resolvidas entre A e D, sendo que, no entanto, a operação de comércio exterior era praticada por B e C, sendo estas empresas B e C que figuravam no comércio exterior. X. Este modelo busca ocultar o real importador das mercadorias adquiridas 'D') junto a uma empresa no exterior ( A'), também geralmente oculta. Eram estas duas empresas que transacionavam e de fato definiam a transação comercial. XI. Durante a denominada "Operação Dilúvio", os elementos de informação colhidos no local de busca SPC 29 (PRINCIPAL/PLENA) demonstram que as empresas do GRUPO PRINCIPAL (no momento atual PLENA/RANGER, PRINCIPAL DO BRASIL entre outras) e seus proprietários SERGIO EDUARDO ADLER, CPF 082.619.71830 e MAURO LUIZ ZYNGIER, CPF 131.956.36867 com o apoio de seu diretor comercial RUBENS MORANTE BARCELLOS, CPF 157.317.08878 agiram em conluio para a prática sistemática de importações na qual ocultavam a condição de real adquirente das empresas do Grupo Principal através do uso de documentos ideologicamente falsos. XII. Prosseguindo na análise da documentação, aquele grupo especial constatou que os emails trocados entre os diretores da SHARP desaconselhavam a emissão de faturas diretamente da SHARP ELECTRONICS nos EUA para vendas ao Brasil, ao menos até final do ano de 2005, diante dos problemas com a SDB (a falida SHARP DO BRASIL) que continuavam a impactar seus negócios no Brasil. Segundo conclusão do relatório da "Operação Dilúvio", o esquema de ocultação dos reais participantes das operações ora questionadas gerava benefícios tanto aos interessados no Brasil quanto à própria SHARP CORPORATION, que desta forma minimizava os riscos de arresto ou bloqueio judicial de cargas nos portos brasileiros que eventualmente ocorressem em virtude das discussões judiciais, em nosso pais, quanto à titularidade da marca SHARP. XIII. A empresa PLENA COMERCIAL ATACADISTA foi constituída em 22/07/2004 com o capital social de R$ 400.000,00, divididos em 400.000 ações ordinárias nominativas, sem valor nominal a serem totalmente integralizadas no período de 24 meses da data da constituição. A única acionista era a empresa RANGER ASSESSORIA EM VENDAS, TREINAMENTO E PARTICIPAÇÕES, CNPJ 05.511.909/000128 e o Diretor Presidente era o Sr. PAULO ALVES URUGA, CPF 054.078.39865. XIV. A empresa RANGER é uma sociedade simples limitada cujo capital é integralmente detido pelas sócias REVERE EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES LTDA, CNPJ 06.372.776/000119, e SEA VENTURE EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES LTDA, CNPJ 06.372.766/000183. XV. Em 30/10/2004, foi formalizado protocolo de cisão parcial da empresa RANGER, cujo patrimônio foi avaliado em R$ 152.081.148,85. Deste valor R$ 152.000.000,00 foram transferidos para as empresas PLENA (R$ 92.000.000,00) e PRINCIPAL (R$ 60.000.000,00). Fl. 2420DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 30/05/201 4 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/05/2014 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 10074.000579/200947 Resolução nº 3302000.403 S3C3T2 Fl. 5 4 XVI. Em 26/07/2005, foi realizada Assembleia Geral Extraordinária em que se decidiu pela alteração do Diretor Presidente PAULO ALVES URUGA em favor de LUIZ AUGUSTO PAULINO, alteração de endereço da filial do Espirito Santo e abertura de filial em Brasilia. XVII. Cita a fiscalização uma série de irregularidades A. folha 26 da autuação: a) a empresa PLENA COMERCIAL ATACADISTA LTDA apresentou em sua DIPJ ano calendário 2004, ano de sua constituição, os valores de R$ 87.400.000,00 a titulo de ágios em Investimentos e R$ 92.000.000,00 a títulos de outras reservas; b) no anocalendário de 2005, o valor de R$ 92.000.000,00 passou para o capital social integralizado da empresa, não tendo sido identificada a origem destes recursos; c) em pesquisas nos sistemas da Receita Federal, mais especificamente no RADAR/DW Aduaneiro, verificouse que a empresa começou a operar no comércio exterior oficialmente somente no ano de 2006, tendo importado R$ 7.786.790,76 neste ano, R$ 10.320.973,26 em 2007 e R$ 2.921.433,75 em 2008 (até 14/05/2008); d) em pesquisa no IRPJ, verificouse que nas DIPJ apresentadas em 2005, 2006 e 2007 a empresa declara sempre valores na conta ágios de investimentos, sem informar os investimentos e que a partir de 2005 esses valores são a contrapartida para o capital integralizado. Ao final conclui a fiscalização que estão evidenciados os indícios de incompatibilidade entre os volumes transacionados no comércio exterior e a capacidade financeira da empresa. XVIII. Tanto a empresa PLENA COMERCIAL ATACADISTA quanto a PRINCIPAL DO BRASIL têm como sócios a SEA VENTURE EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES LTDA, CNPJ 06.372.766/000183, e REVERE EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES LTDA, CNPJ 06.372.776/000119, ambas criadas na mesma data, 21/06/2004, com 50% de participação societária e localizadas no mesmo endereço na Avenida Paulista 14° andar, Sao Paulo. 0 administrador da empresa é LUIZ AUGUSTO PAULINO, CPF 035.415.31886. XIX. As duas empresas sócias da Plena possuem os mesmos sócios MAURO LUIZ ZYNGIER e SERGIO EDUARDO ADLER. XX. Os dois sócios acima citados (MAURO LUIZ ZYNGIER e SERGIO EDUARDO ADLER) eram também sócios da RANGER ASSESSORIA EM VENDAS, TREINAMENTO E PARTICIPAÇÕES, cujo património foi objeto de protocolo de cisão do capital em favor das empresas PLENA COMERCIAL ATACADISTA (empresa autuada) e PRINCIPAL DO BRASIL. XXI. As empresas RANGER, PLENA E PRINCIPAL são denominadas pela fiscalização como GRUPO PRINCIPAL. XXII. A fiscalização apresenta fluxograma à folha 35. XXIII. Contrato traduzido de fls. 09/83 do Anexo XIX demonstra que as vendas da SHARP ELECTRONICS CORPORATION eram em verdade com o GRUPO PRINCIPAL (RANGER, PRINCIPAL e, em especial, PLENA), conforme folhas 81/135 do mesmo anexo. 0 contrato lista uma série de obrigações a serem cumpridas pela PLENA. XXIV. Conforme documentos juntados aos autos, o GRUPO PRINCIPAL havia assumido através da RANGER a obrigação de efetuar compras semestrais mínimas, sendo que os pedidos deviam ser efetuados cinco meses antes do inicio da produção dos produtos. Tais Fl. 2421DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 30/05/201 4 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/05/2014 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 10074.000579/200947 Resolução nº 3302000.403 S3C3T2 Fl. 6 5 obrigações contratuais contrapostas As datas das faturas usadas em despacho já seriam suficientes para demonstrar que todas as supostas compras de produtos SHARP efetuadas pelas "tradings" como MERCOTEX e MTRADING eram mera simulação. Como determina o próprio contrato, as cargas eram faturadas nos EUA para empresas do Grupo Principal como a própria PLENA. XXV. Diversos documentos vinculados ao CP 13 nos quais constam cópias de emails trocados entre funcionários da MERCOTEX e Karina Paganelli, funcionária da PLENA. Como exemplo temos o de fls. 95 do anexo XXV, em que a Sra Patricia, da MERCOTEX, solicita a Sra. Karine, da PLENA, a correção da invoice e packing list referentes ao BL 1102. Ou seja, quem de fato produzia os documentos de desembaraço era a funcionária da PLENA. Além disso, ternos ainda neste anexo, várias DFs, faturas e packing list de operações envolvendo produtos SHARP que demonstram que MERCOTEX e MTRADING cederam seus nomes para as importações (fls. 105/273, anexo XXV). Foram inclusive localizados os pedidos e a confirmação de compra dos produtos SHARP pela PLENA (fls. 111, anexo XXVI), demonstrando que a carga já pertencia ao grupo Principal antes de seu embarque no exterior. No CP 14 há grande quantidade de solicitações de numerário acompanhadas das respectivas cópias dos documentos de transferência bancária do Grupo Principal para as pessoas jurídicas interpostas. No anexo VI, fls. 08/109 e anexo XXVI, fls. 161/164, há diversas faturas emitidas pela SHARP em 2005 cujo destinatário é a empresa PLENA. Estes documentos provavelmente não foram apresentados na ocasião do desembaraço, pois a fiscalizada não estava habilitada a operar no comércio exterior nesta época, estando impossibilitada de registrar Declaração de Importação em seu nome.Concluise, por óbvio, que no desembaraço foram apresentados outros documentos, provavelmente falsos, pois os que instruíram os despachos na aduana deveriam estar em nome das "tradings" que realizavam as importações. XXVI. Além da ocultação do real importador, houve também a ocultação do real exportador. Conforme relatório SPC 29, as vendas para PLENA, antes de chegar no Brasil, eram processadas de SHARP ELECTRONICS para a empresa PELLHAM nos EUA, em nome da qual assinava o Sr. RUBENS BARCELOS. Com relação ao Sr. RUBENS BARCELOS, CPF 157.317.08878, as investigações no curso da operação SPC 29 demonstram que ele se apresentava, ao menos ate dezembro de 2004, como executivo envolvido na distribuição de produtos da SHARP no Brasil e como responsável pela gerência da PLENA, vinculandose através desta também com RANGER ASSESSORIA. Constatase do relatório SPC 29 que a empresa PELLHAN, em nome da qual a SHARP nos EUA faturava as cargas vendidas ao Grupo Principal, era de fato controlada pelo senhor Rubens M. Barcellos, como demonstram as diversas faturas e próformas de faturas onde consta o aceite dele nas compras de PELLHAN junto a SHARP nos EUA. (fls.205/247 do anexo XIX). Portanto, temos que Barcellos, Sergio Adler e Mauro Zyngier tinham atividade comercial em comum na distribuição de produtos da marca SHARP através da PLENA COMERCIAL, sendo que BARCELLOS tinha a propriedade de "PRINCIPAL ELETRONICS", parte essencial da atividade da PRINCIPAL DO BRASIL COMERCIO ATACADISTA, que se fundamenta na venda a redes varejistas de produtos eletrônicos com a referida marca. Em fls. do Relatório SPC 29 constam diversas informações apontando que este grupo de pessoas já exerciam atividades comerciais anteriores em comum utilizandose de empresas de fachada para importar os produtos que comercializavam, que empregaram o nome de terceiras pessoas para figurar como sócios ou responsáveis de empresa as quais controlavam, todas condutas típicas da ocultação do sujeito passivo. Fl. 2422DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 30/05/201 4 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/05/2014 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 10074.000579/200947 Resolução nº 3302000.403 S3C3T2 Fl. 7 6 XXVII. Com relação A. venda dos produtos da SHARP para PELLHAN nos EUA cabem outras considerações. Segundo levantamento apontado no Relatório SPC 29 (fls. 11) as cargas vendidas ao Grupo Principal nos EUA eram depois embarcadas através do serviço de empresas de "freight forwarding" que, além dos serviços de logística, emitiam faturas como se fossem as reais exportadoras; a exemplo da empresa 5 CONTINENTES. Portanto, temos a ocultação do real vendedor, a SHARP ELECTRONICS. XXVIII. Emails impressos e o chamado "INTEROFFICE MEMORANDUM" (fls. 103/110 do anexo XIX) tratam de negociações comerciais diretas entre Adler, Zyngier, representando a PLENA e o senhor Edward Fuller, que seria o vicepresidente da SHARP Latina América. XXIX. 0 relacionamento comercial direto entre o Grupo Principal e a SHARP, independente da intermediação de terceiros, é também documentado por diversos relatórios que seguem o arquivo em discussão (anexo XIX, fls. 143) onde temos valores a serem pagos a. SHARP, pela empresa PLENA, números de faturas das vendas realizadas e os valores a elas vinculados e um documento denominado "LETTER OF GUARANTEE OF PLENA COMERCIAL ATACADISTA TO SHARP ELECTRONICS CORPORATION" (anexo XIX, fls. 128) de 16/12/2005 onde constam números de faturas e seus respectivos valores. Portanto, não resta qualquer dúvida que o real negócio entabulado. sempre foi entre PLENA e a SHARP ELECTRONICS. XXX. Observese, ainda, que parecer do escritório F&G CONSULTORIA (anexo XIX, fls. 152/156) consta anexo do email, de 03/12/05, trocado entre os diretores da SHARP que detalha a forma de funcionamento das operações por conta e ordem, bem como as vantagens auferidas por aqueles que violam os termos da legislação de regência (IN/SRF 225/02). 0 parecer chega a afirmar que: "grande parte das importações brasileiras é feita através de "tradings" para evitar o recolhimento de IPI por ocasião da venda no mercado interno". XXXI. Também é claro nos citados emails trocados entre os diretores da SHARP que a emissão de faturas diretamente da SHARP ELECTRONICS nos EUA para vendas ao Brasil era desaconselhada pelos seus advogados diante dos problemas com a SDB (a falida SHARP DO BRASIL) que continuavam a impactar seus negócios no Brasil. XXXII. Entre os documentos encontrados no local de busca SPC 29 também são dignos de nota os chamados "DEBIT MEMO" (anexo XIX, fls. 185/246) onde RANGER aparece faturando serviços de apoio a vendas, marketing, manutenção de show room e outras despesas de promoção de vendas para a SHARP ELECTRONICS. Chama a atenção que tais documentos sejam subscritos por Rubens Barcellos em nome da PELLHAM CORP, empresa sediada nos EUA, fato que leva a crer na existência de acertos financeiros entre os envolvidos diretamente no exterior e fora dos controles normais de câmbio. Tais "DEBIT MEMO" ainda dizem respeito a um desconto de 3% pelo cumprimento da quota de vendas, ou seja, a vinculação entre os envolvidos afetou os valores de transação. Os referidos "DEBIT MEMO" demonstram a estreita relação entre SHARP e o Grupo Principal e o fato de que os mesmos estavam na condição de real comprador e vendedor das operações questionadas respectivamente. XXXIII. Supostas "invoices" de fls. 89/104, anexo XXIII eram produzidas parcialmente no Pais. Como exemplo temos as de n° 0013, 046 e 047, em que os campos "quantidade" e "preço" estão em branco para que fossem preenchidos segundo a conveniência do Grupo Principal. Fl. 2423DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 30/05/201 4 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/05/2014 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 10074.000579/200947 Resolução nº 3302000.403 S3C3T2 Fl. 8 7 XXXIV. Ainda temos, no CP 2, provas de que o grupo principal não media esforços para a falsificação de documentos, desta vez envolvendo a XOCECO da CHINA. No anexo VI, fls. 190/191, há um conjunto de cópias de emails trocados entre 18 de julho e 15 de agosto de 2006 entre Karina Paganelli (que usa o titulo de Supply Chain Manager da PRINCIPAL/PLENA) e Jeffrey Lee, bem como com outros funcionários que usam o email com a extensão SHARPD1GITAL. Tais emails tratam da compra e nacionalização de 249 aparelhos de televisão LCD de 27 a 32 polegadas exportados pela XOCECO da China. Em 15 de agosto de 2005, quando se encerram os preparativos da importação, a senhora Paganelli determina que as faturas sejam enviadas ao Brasil sem assinatura e sobre tal decisão é questionada por Jeffrey Lee que alega não compreender a razão disto. Juntos a tais emails estão os set's de faturas objeto da discussão, em nome das fachadas SUPPORT IMPORTAÇÃO e RIO LAGOS, sem assinaturas conforme determinou a gerente Paganelli caracterizada, assim, a ocultação do real adquirente e a falsidade ideológica. XXXV. Documento denominado "Processos conduzidos através da trading CLAC de São Paulo" onde a empresa PRINCIPAL/PLENA orienta os procedimentos internos para trazer cargas do Uruguai. Em tal documento consta em destaque a expressão "IMPORTADOR DE FATO E 0 ADQUIRENTE", por óbvio tal alerta foi feito em função da praxe de não se informar quem era o importador de fato e real adquirente por ocasião do des acho fls. 1018, anexo XXI). XXXVI. Prestações de contas do Grupo MDO, que inclui a MTRADING, encontradas em poder da empresa PLENA trazem inclusive dados sobre fechamento de câmbio, o que seria de interesse somente do real comprador (MTRADING) junto ao fornecedor no exterior e não de uma empresa que adquire bens de outra no mercado nacional (PLENA). Em alguns casos tais prestações de contas são seguidas da respectiva nota de saída da MTRADING onde consta o número da DI usada para internação, bem como das faturas forjadas em nome desta importadora de fachada (observese que algumas faturas chegam a mencionar o respectivo PO e o número do BL). Seguem junto as planilhas de custos e cópias das transferências bancárias do Grupo Principal para a importadora de fachada iniciar despacho ou fechar câmbio, conforme CP 12. XXXVII. Documentos intitulados "PROC. MGO" de números 67/05, 442, 571, 572 e 550, sendo que não foi possível ainda identificar a que DI se referem, entretanto, todos contêm faturas em nome de MTRADING de cargas vendidas por SHARP e na maioria deles temos também faturas de mesmo número e descrição de carga onde a transação se dá entre e SHARP e PELLHAN, ou seja, mais elementos a demonstrar a ocultação e a fabricação de faturas para tanto. Mas o elemento de prova mais importante que segue junta tais faturas forjadas é o documento interno da PLENA denominado "Listagem de Posições de Embarque", onde consta explicitamente que esta repassa recursos para que MTRADING proceda ao registro das respectivas DI's, ou seja, MTRADING não opera com recursos próprios e sim com recursos do cliente e real adquirente que é o GRUPO PRINCIPAL. XXXVIII. Email impressos, de janeiro, fevereiro e abril de 2005, onde o diretor do Grupo Principal (RANGER/PLENA e PRINCIPAL), senhor Rubens M. Barcellos, determina a utilização de disponíveis do Grupo para que efetuasse pagamento a SHARP, mas deixando claro que esses recursos devem ser repassados para a MTRAD1NG para que esta efetuasse o fechamento do câmbio. Os recursos utilizados não pertencem a quem se identifica junto a SRF como importador e adquirente. Junto aos emails com as instruções do senhor Fl. 2424DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 30/05/201 4 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/05/2014 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 10074.000579/200947 Resolução nº 3302000.403 S3C3T2 Fl. 9 8 Barcellos temos cópias dos respectivos documentos de transferência bancária e para alguns há a previa solicitação de numerário da MTRADING para fechamento de câmbio. XXXIX. Controles de movimentação financeira entre MTRADING e PLENA com destaque para os documentos com o titulo ICMS TRADING onde consta o campo adiantamentos, ou seja, PLENA adiantava valores para que a trading efetuasse pagamentos de ICMS mais um elemento a demonstrar o vinculo como prestadora de serviços de MTRADING e não uma situação real de compra e venda de mercadorias CP 17. XL. Não obstante dez intimações da fiscalização, a contribuinte não apresentou as notas fiscais de 2004 ou sua identificação, as cópias dos livros Diário e Razão 2004, os documentos fiscais que teriam originado os respectivos lançamentos contábeis. Houve também negativa da apresentação dos livros contábeis de 2005 e demais documentos fiscais, tornando se impossível o rastreamento da origem dos recursos que transitaram pela empresa. XLI. Não se deve ignorar também que operações comerciais realizadas posteriormente tiveram como lastro estas operações cuja documentação não foi apresentada pela fiscalizada. XLII. Argumenta as folhas 114124 que foi simulada a incorporação dos valores pela Sea Venture e Revere. Não houve pagamento dos ágios ou ingresso de recursos financeiros nos bancos ou caixa das empresas. Isto significa que o patrimônio liquido da Plena e da Principal, nos itens Capital e Reserva de Lucros, não tem correspondência financeira no Ativo, através de Caixa/Bancos. XLIII. As fls folhas 131132, conclui a fiscalização pelo lançamento da multa de conversão da pena de perdimento, nos termos do artigo 23, inciso V e parágrafos 2° e 3° do DecretoLei n° 1455/1976 (redação dada pela Lei n° 10.637/2002) e artigo 105, inciso VI do Decreto Lei n°37/1966. Intimada (fls. 09 e 13), ingressou a contribuinte As folhas 422423 com pedido de reabertura do prazo de impugnação tendo em vista que, a despeito de pedido prévio, não foi disponibilizada a empresa cópia integral do processo, mas tãosomente das primeiras 134 folhas. Seguem as alegações da empresa autuada/interessada/impugnante. Pedido deferido folha 426. Novamente intimada à folha 427 e 431, apresentou impugnação de folha 433 502. Seguem os argumentos da empresa/contribuinte interessada/autuada/impugnante. 1. A fiscalização estabeleceu um marco divisório com parâmetro na data de 19/05/2006, data em que a impugnante foi habilitada no comércio exterior. Até esta data, entende a fiscalização que a infração foi de ocultação do real importador (art. 23, V, DL 1.455/76), e, após esta data, argüi a fiscalização a interposição fraudulenta de terceiros (art. 23, V. DL 1.455/76). 2. A impugnante não praticava importações por conta e ordem de terceiros. Até estar habilitada nos registros aduaneiros, utilizavase da estrutura da importação por encomenda, conforme ADI n° 7/2002, que determinava que uma importação somente poderia ser considerada corno "por conta e ordem" nas hipóteses em que a trading atuava como prestadora de serviço. Não havia adiantamento de valores por parte da impugnante, e sim pagamento por processos de importação passados, razão pela qual era às vezes devedora das Fl. 2425DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 30/05/201 4 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/05/2014 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 10074.000579/200947 Resolução nº 3302000.403 S3C3T2 Fl. 10 9 tradings, sendo que a fiscalização registra â. fl. 58 (tópico "outras provas obtidas"), a existência de haveres da Mtrading contra a impugnante. Em relatório, a fiscalização afirma a necessidade de identificar a quais DIs se referem os numerários, providência lido adotada pelo Fisco. Folha 261 demonstra que os pagamentos se referem a processos antigos. 3. Argumenta que, se as importações prescindiam de recursos da impugnante, nada mais lógico que as mercadorias não fossem desembaraçadas enquanto esses recursos não tivessem sido transferidos. E, se os recursos tivessem sido adiantados, não poderia existir planilha de haveres. Assim, para as operações tidas por conta e ordem, a autuação é manifestamente improcedente. 4. Após a obtenção do Radar, a impugnante passou a importar diretamente (e não mais por encomenda), o que afasta a acusação de interposição fraudulenta, sendo que a fiscalização alega que a pena é devida pelo fato de a empresa se recusar a informar a origem dos recursos que deram suporte às suas operações. 5. Protesta contra a conclusão de que as operações de importação realizadas a partir do ano de 2006, nas quais a autuada figurou como importadora direta ou adquirente em importações por conta e ordem, que a fiscalização concluiu que "somente puderam ser realizadas com o lastro financeiro das operações fraudulentas (interposição) realizadas no nascedouro da sociedade, com a utilização de recursos cuja origem o contribuinte preferiu não revelar". 6. A fim de demonstrar a capacidade financeira, alega a impugnante que: a) as operações de comércio exterior foram realizadas com recursos financeiros obtidos em bancos nacionais Bradesco, Real, Rural, Cruzeiro do Sul e Safra); b) fornecedores internacionais concediam crédito à impugnante, tanto por questões de fomento comercial quanto em razão da relação comercial com a impugnante, sendo que tal linha de crédito foi concedida em 20 de julho de 2006, conforme contrato em anexo; c) diante dos benefícios comerciais que as operações com a marca Sharp poderiam trazer, as tradings muitas vezes concediam crédito à impugnante; d) as próprias atividades desenvolvidas geraram receita, e, conseqüentemente, capital necessário para realização das operações. 7. A nãoapresentação de tradução juramentada dos documentos acostados aos autos importa em cerceamento de defesa; 8. Por exigência da Sharp, a empresa Ranger, já consolidada no mercado, não participou das empresas Plena e Principal, sofrendo uma cisão parcial, vertendo parte de seu patrimônio à impugnante. 9. Não há ilegalidade no fato de as pessoas jurídicas Ranger, Plena e Principal serem dirigidas pelas mesmas pessoas físicas. Muitas das alegações da fiscalização dizem respeito à Principal, e não à impugnante, sendo que eventual irregularidade da Principal importa em erro de sujeição passiva. 10. Em momento algum, a impugnante afirmou que sua capacidade financeira advinha do ágio. Pelo contrário, a impugnante sempre informou que a contabilização do ágio não gerou recursos financeiros, ou que o ágio foi utilizado para realizar as importações. Em verdade, a impugnante expressamente demonstrou que sua capacidade financeira provinha de empréstimos bancários, financiamentos com fornecedores internacionais e das próprias operações mercantis. Ademais, o Fisco não demonstrou que a impugnante somente poderia Fl. 2426DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 30/05/201 4 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/05/2014 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 10074.000579/200947 Resolução nº 3302000.403 S3C3T2 Fl. 11 10 realizar as operações de comércio exterior em razão da contabilização do ágio, o que é pressuposto necessário para caracterizar a presunção legal de interposição fraudulenta. 11. Até 20/02/2006, edição da Lei n° 11.281/2006, não havia qualquer regramento editado pela RFB quanto As operações por encomenda. Logo, as regras instituídas na IN SRF n° 634/2006, com base na Lei n° 11.281/2006, somente são aplicáveis a fatos posteriores. Portanto, não há como exigir, por exemplo, que a impugnante tivesse sido mencionada como encomendante nas DIs anteriores a 27/03/2006 (IN SRF n° 634/2006). 12. Solicita A folha 14 da impugnação, a aplicação do artigo 1 0, §3°, da Lei n° 11.281/2006 como regra interpretativa. 13. A pena de perdimento requer que a infração seja grave em sua substância, e não sob o aspecto meramente formal, sendo que houve no máximo a não indicação do nome da impugnante nas DIs, que sequer poderia ser exigido anteriormente à Lei n° 11.281/2006. Não havia sequer campo para indicação do encomendante das mercadorias. 14. 0 fato de as vendas não serem realizadas diretamente corn a Sharp Electronics Corporation (SEC) não importa em irregularidade uma vez que a forma como a mercadoria era encaminhada ao Brasil diz respeito exclusivamente ao fabricante no exterior e que a impugnante estaria cumprido o acordo de distribuição firmado. 15. Fato importante é a ausência de subfaturamento, fato reconhecido muitas vezes pelo Fisco. Não houve prejuízo ao Fisco brasileiro. 16. Na medida em que a impugnante era urna das distribuidoras dos produtos Sharp no Brasil, não há qualquer ilegalidade na existência de negociações entre os diretores da Plena e a Sharp Latino América ou na prestação de serviço pela empresa Ranger. 17. Somente a ocultação de real importador é considerada ilegalidade. No ha que se falar em exportador ou "exportador fictício", mas sim no comprometimento da SEC em vender os produtos Sharp e fazêlos chegar, direta ou indiretamente, à impugnante. 18. Não há prova de fraude como conduta ilícita da contribuinte em cada ato inquinado de doloso, fraudulento ou simulado. 19. Não houve adiantamento de recursos para as tradings, mas somente pagamento antecipado pelas mercadorias já importadas (i.e. de importação/desembaraço já concluído). 20. Apesar da multa lançada de 81 milhões, o Fisco possui informação de solicitação de numerário referente ao montante de 12 milhões (vide fl. 135). Não se pode apenar com pena máxima de perdimento com base em levantamento parcial. 21. Este valor de R$ 12 milhões se refere a apenas alguns meses de 2005 e em quase sua totalidade se refere as operações corn a MTRADING. 22. É ilógica a alegação de "esquema de fraude" para obter um proveito de apenas 1,5% ou R$ 250.000,00 (correspondentes a 15% de IPI sobre a margem média de venda de 30% menos 9,65% de PIS e Cofins). Fl. 2427DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 30/05/201 4 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/05/2014 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 10074.000579/200947 Resolução nº 3302000.403 S3C3T2 Fl. 12 11 23. Não houve recolhimento de IPI por ausência de previsão legal. Quando a Lei n° 11.281/2006 entrou em vigor, a impugnante passou à condição de equiparada à industrial e passou a recolher automaticamente o tributo. 24. A fiscalização localizou notas fiscais de saída emitidas pela Mtrading contra a impugnante no valor de aproximadamente R$ 23.000.000,00, sendo que foi aplicada pena de perdimento superior a R$ 43.000,000,00 (fl. 178). A diferença de R$ 20.000.000,00 se refere a pedido de outras empresas já que a impugnante não era distribuidora exclusiva dos produtos Sharp. 25. As tradings utilizadas são empresas de renome nacional, estando muitas constituídas há mais de dez anos. Somente urna das tradings está suspensa no CNN e mesmo assim em data posterior aos fatos deste processo. 26. 0 Fisco não comprova fraude na sua alegação de que possui documentos com a fachada SUPPORT que vem a ser parte do esquema de fraude operado através da RIO LAGOS TRADING. Na verdade, se analisado apenas operações corn a MTRADING, não há menção da CARDIN, PORTES, RIO LAGOS, SAB COMPANY, CLAC OU DSBORGES, não obstante todas estas tradings terem sido arroladas como interpostas pessoas no relatório da fiscalização. 27. Indaga como a fiscalização afirma que as faturas e os CTRCs são falsos se sequer conseguiu localizar tais documentos. Não há sequer provas que a impugnante seja a destinatária de todos os bens importados pelas tradings. A impugnante está sendo punida por bens que sequer adquiriu. 28. Não há prova de adiantamento de recursos para as tradings, sendo que, em momento algum, questionase a capacidade financeira das tradings, sendo que as mesmas sequer foram fiscalizadas. A fiscalização não investigou se as tradings eram financiadas pela impugnante, sendo que a fiscalização não fez o mesmo por saber que tal investigação revelaria que as tradings utilizadas são de renome nacional. 29. Argui que o ponto fundamental para anular integralmente o auto de infração é o fato de os pedidos de solicitação de numerário se referirem a operações passadas (importações concluídas). Em nenhum dos documentos anexados pela fiscalização, há prova de que a MERCOTEX não tinha capacidade financeira para regularizar as importações. 30. Apresenta incongruências no levantamento dos contratos de câmbio à folha 463. Por exemplo, Mega que o anexo IV possui apenas cinco contratos de fechamento de câmbio (todos referentes a MTRAD1NG). No tocante às transferências bancárias que a fiscalização alega serem para tais contratos, observase que o de fl. 7 não possui indicação de valor, o de fl. 12 não possui qualquer indicação e o de fl. 13 indica cinco valores, sendo que na DI supostamente referente a tal câmbio ha apenas três valores. 31. Nos documentos anexados no Anexo I, especificamente nas solicitações de remessa de valores, não há menção da DI, tratandose de pagamento de importação já concluída. Logo, não é verdadeira a afirmação que o grupo Principal é a fonte dos recursos da Mercotex. 32. 0 mesmo se afirma em relação Mtrading. Documento de folha 149 do Anexo III se trata de um controle da Mtrading quanto a títulos vencidos de dezembro de 2005. Fl. 2428DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 30/05/201 4 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/05/2014 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 10074.000579/200947 Resolução nº 3302000.403 S3C3T2 Fl. 13 12 Documento de folha 261 do Anexo I possui o rótulo de numerário para fechamento de câmbio e traz a ressalva "processo antigo Carga já está no estoque". 33. Protesta contra a investigação por amostragem nos contratos de cambio tendo em vista a gravidade da acusação e o valor do lançamento. 34. Afirma que os documentos fiscais foram apreendidos pela Policia Federal. 35. Lista como origem de recursos empréstimos bancários e linha de crédito com o fornecedor estrangeiro no valor de US$ 7,000,000.00, conforme folha 471. Cita também os lucros das operações mercantis (vendas). 36. As folhas 463464, alega que a fiscalização anexa somente cinco contratos de câmbio da Mtrading e levanta fragilidades em relação a estes contratos. Além disso, a fiscalização analisou somente duas operações de câmbio e que, apesar de haver oito tradings, a fiscalização fez prova apenas em relação a Mtrading. 37. Alega que parte da documentação não foi apresentada por conta de apreensão da Policia Federal. Os documentos estão atualmente com a Justiça Federal, sendo que não foi apreciado pedido de restituição dos documentos. 38. As folhas 469 em diante, apresenta elementos acerca do empréstimo junto a bancos nacionais (R$ 35.000.000,00) e a fornecedor estrangeiro (US$ 7.000.000,00). 39. Argui que também obteve lucro com suas operações mercantis, sendo lançado inclusive tributos internos em virtude deste lucro. Tal lucro foi superior a R$ 47.000.000,00 em 2006 e a 17.000.000.00 em 2007. 40. Sobre a formação do ágio, alega que tal operação é licita, que não há relação da contabilização do ágio com as atividades de comércio exterior praticadas e que o Fisco não provou que as operações de comércio exterior somente poderiam ser realizadas em razão da contabilização do ágio. 41. Os documentos encontrados com a empresa (faturas e registros de pagamento) não indicam qualquer irregularidade, pois apenas demonstram o controle paralelo da encomendante em relação às mercadorias importadas, o que é totalmente licito e compreensível. 42. A Sra. Karina Paganelli não é e nunca foi funcionária da PLENA ou da PRINCIPAL, e sim assessora da SHARP e justamente por isso efetuava ajustes em relação aos documentos de responsabilidade da fornecedora estrangeira, conforme folha 148 do Anexo 26. 43. Alega que a fiscalização não indicou em qual das 8000 folhas do processo estão as DIs que justificam a autuação, o que impossibilita a defesa, notadamente em relação às planilhas de fls. 135/195. 44. Defende que nas DIs do processo, os valores aduaneiros são muito inferiores aos registrados na autuação fiscal. Fl. 2429DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 30/05/201 4 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/05/2014 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 10074.000579/200947 Resolução nº 3302000.403 S3C3T2 Fl. 14 13 45. A aplicação da pena de perdimento representa enriquecimento ilícito da União haja vista os tributos pagos pela trading ou pela própria impugnante após a sua equiparação a estabelecimento industrial. 46. Alega o caráter confiscatório da multa e o principio da proporcionalidade e razoabilidade. 47. As empresas Plena e Principal são empresas distintas e clientes distintos, além de produtos diferenciados. 0 auto de infração contempla muitos negócios que poderia ter sido praticados pela Principal ou outras empresas, jamais a impugnante. No Anexo II, fls. 2/21, foram anexados documentos de titularidade da Principal, sendo citada, inclusive, a mercadoria TV de Plasma, que não poderia fazer parte do portfólio da impugnante. Em outras partes da autuação são citados documentos da Principal. 48. As tradings adquiriram a propriedade das mercadorias e por elas pagaram ao exportador sem qualquer adiantamento por parte da impugnante. Algumas vezes a impugnante efetuou pagamentos antecipados por processo de importação passados, prática comum do comércio exterior, e não desconstituídos nos autos. 49. Sem a vinculação por parte do Fisco dos pagamentos em relação a cada DI, é mera especulação a conclusão de que os pagamentos constituem em antecipação. 50. A Lei n° 11.281/2006 não define como infração por importação por conta e ordem de terceiros a importação para revenda a encomendante prédeterminado. Solicita a procedência da impugnação. Protesta por juntada posterior de documentos. À folha 980, encaminhouse o processo para julgamento e informouse a tempestividade da impugnação. Em diligência de folha 981, solicitavase: 1) resposta ao questionamento se houve revaloração aduaneira das mercadorias ou se o valor apurado corresponde ao constante nas DIs e Notas Fiscais, 2) a indicação das folhas onde se encontram os documentos citados nas tabelas de folhas 135/195, 3) a elaboração de tabela organizada por trading que informe as DIs objeto da autuação fiscal, a data de registro, o valor registrado em DI, a folha em que se encontram a DI, o valor apurado no auto de infração com a indicação da folha que comprova tal valor. Em resposta à diligência, informa a fiscalização que, com relação ao item 1, a) o valor da autuação se baseia nos valores constantes nas DIs, b) as tabelas organizadas por tradings importadoras, c) a informação de erro em duplicidade apenas para as DIs 05/1335832 8 e 05/05475582 , com a correção às folhas 982/993. Com relação ao item 2, informa que a) as planilhas refletem informações prestadas nas Dls, tendo anexado na contracapa deste processo o CD com os extratos das DIs registradas pela própria PLENA e que foram objeto de autuação por não comprovação de origem. Com relação ao item 3, informa que as planilhas de fis. 145/195 já se encontram, desde a lavratura do auto de infração, organizadas por Trading e demais informações. Fl. 2430DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 30/05/201 4 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/05/2014 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 10074.000579/200947 Resolução nº 3302000.403 S3C3T2 Fl. 15 14 As folhas 10261034, apresenta a empresa autuada manifestação sobre a diligência. 51. As DIs juntadas corroboram a necessidade de anulação do trabalho fiscal uma vez que as DIs demonstram que foram realizadas importações por tradings, referentes a produtos produzidos pela Sharp. As DIs não provam que a PLENA foi destinatária dos produtos ou que a PLENA adiantou qualquer recurso para as tradings. Não há prova de que a PLENA estava supostamente oculta nas importações. 52. Uma vez que não há exclusividade entre a PLENA e a SHARP, a PLENA não pode ser autuada por toda e qualquer importação que conste a SHARP como exportadora e/ou fabricante. No contrato de folhas 9/30 do Anexo XIX (CP10), constatase que o contrato não era de exclusividade entre as empresas (clausula 2 (a) e (c) de fls. 11). 53. 0 conjunto probatório mínimo necessário para provar vinculação entre a PLENA e as tradings seria: Declarações de importação, contratos de importação entre a PLENA e as tradings, notas fiscais de venda dos produtos importados e comprovantes bancários dos adiantamentos de recursos com vinculação entre os pagamentos x as DIs x notas fiscais de saída. Em vez de tais documentos, a fiscalização apresentou apenas as DIs. 54. Às folha 1031, alega que o valor da autuação fiscal corresponde ao dobro do constante em documentos com relação às tradings MTRADING e MERCOTEX, sendo que para as demais Tradings nada foi dito ou juntado aos autos, não obstante requerimento da DRJ. 55. Lista à folha 1031 quadro com o intuito de demonstrar o descabimento da autuação fiscal. 56. Em nenhum dos documentos anexados não há prova de que as tradings não, tinham capacidade financeira para realizar as importações, sendo que não houve adiantamento de recursos, e sim pagamento por mercadorias já importadas. 57. Diferentemente do afirmado pela fiscalização, os documentos de folhas 113/260 do Anexo IX não demonstram de forma discriminada as operações realizadas pela MTRADING com os respectivos valores. O documento juntado pela fiscalização é apenas um controle gerencial da MTRADING, não sendo documentos fiscal, além de não conter comprovação dos pagamentos. Reitera o pedido de procedência da impugnação. Vistos, relatados e discutidos os autos, acordaram os membros da 2ª Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, julgar procedente em parte a impugnação, CANCELANDO o crédito tributário no valor de R$ 47.082,86 referente à importação da Trading Portes Importação e Exportação Ltda. Intimada do acórdão supra, em 10.11.2010 inconformada a Recorrente interpôs recurso voluntário em 06.12.2010. É o relatório. Fl. 2431DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 30/05/201 4 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/05/2014 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 10074.000579/200947 Resolução nº 3302000.403 S3C3T2 Fl. 16 15 Conselheiro GILENO GURJÃO BARRETO, Relator O presente recurso preenche os requisitos de admissibilidade, por isso dele conheço. A acusação fiscal tem por cerne o eventual acobertamento dos reais intervenientes ou beneficiários da operação, o que caracterizaria a interposição fraudulenta por parte da Recorrente face a simulação da referida operação. Isto porque, a operação praticada entre a contribuinte e responsável solidária se revestiu da forma de uma importação em nome próprio, seguida da venda de mercadorias, quando, na verdade, observandose o conjunto de normas que disciplinam as operações de importação por conta e ordem de terceiros já explicitadas, deveria ter se formalizado como tal, o que não ocorrera no presente caso, restando caracterizado a presunção legal do artigo 27, da Lei nº 10.637/02. Verifico às fls. 05 que são relacionados 42 Anexos como sendo “conjunto de provas”, a partir das quais a fiscalização chegou às conclusões do lançamento de ofício. Verifico que no Termo de Verificação Fiscal, em inúmeras oportunidades, faz se referência aos “CP´s”, onde há inclusive referência escrita à mão por quem analisou em princípio o processo, às folhas específicas dos mencionados anexos. A exemplo, fls. 39 a 60. Esses documentos constituem o conjunto probatório a partir do qual as autoridades aduaneiras concluíram pela fraude ora analisada. Por isso, são igualmente fundamentais para que esse Julgador possa avaliar a fraude fiscal da qual a contribuinte é acusada. Isso posto, voto por converter o presente recurso em Diligência, para que a D. fiscalização digitalize e apense ao presente processo os Conjuntos Probatórios relacionados às fls. 05 e 06. É como voto. GILENO GURJÃO BARRETO (Assinado Digitalmente) Fl. 2432DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 30/05/201 4 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/05/2014 por GILENO GURJAO BARRETO
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Numero do processo: 13851.904682/2009-07
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 25 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Nov 17 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/07/2005 a 30/09/2005
PEDIDO DE RESSARCIMENTO. CRÉDITO DECLARADO RECONHECIDO. RETIFICAÇÃO.
O pedido de ressarcimento somente pode ser retificado pelo sujeito passivo, se requerido por meio de instrumento próprio e caso se encontre pendente de decisão administrativa ao tempo da entrega do documento retificador. Uma vez reconhecido integralmente, o valor do crédito pleiteado por meio de PER/DCOMP é o limite máximo para a compensação dos débitos declarados pela contribuinte.
COMPENSAÇÃO DE DÉBITOS EM ATRASO. ACRÉSCIMOS LEGAIS.
Na compensação, os débitos já vencidos na data de transmissão da DCOMP devem ser acrescidos de juros e multa de mora.
IPI. RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. TAXA SELIC. DESCABIMENTO.
O ressarcimento de crédito de IPI não enseja atualização monetária ou incidência de juros, por falta de previsão legal.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3801-003.144
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Paulo Sergio Celani Presidente Substituto e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sergio Celani, Marcos Antônio Borges, José Luiz Feistauer de Oliveira, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: PAULO SERGIO CELANI
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CRÉDITO DECLARADO RECONHECIDO. RETIFICAÇÃO. O pedido de ressarcimento somente pode ser retificado pelo sujeito passivo, se requerido por meio de instrumento próprio e caso se encontre pendente de decisão administrativa ao tempo da entrega do documento retificador. Uma vez reconhecido integralmente, o valor do crédito pleiteado por meio de PER/DCOMP é o limite máximo para a compensação dos débitos declarados pela contribuinte. COMPENSAÇÃO DE DÉBITOS EM ATRASO. ACRÉSCIMOS LEGAIS. Na compensação, os débitos já vencidos na data de transmissão da DCOMP devem ser acrescidos de juros e multa de mora. IPI. RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. TAXA SELIC. DESCABIMENTO. O ressarcimento de crédito de IPI não enseja atualização monetária ou incidência de juros, por falta de previsão legal. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Sergio Celani – Presidente Substituto e Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 85 1. 90 46 82 /2 00 9- 07 Fl. 110DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/11/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 16/11/2014 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 13851.904682/200907 Acórdão n.º 3801003.144 S3TE01 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sergio Celani, Marcos Antônio Borges, José Luiz Feistauer de Oliveira, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. Relatório Adoto o relatório do acórdão recorrido, por retratar suficientemente a lide. “Tratase de manifestação de inconformidade contra a decisão proferida pela repartição fiscal de origem, de homologar parcialmente a compensação declarada através do PER/DCOMP especificado, embora se tenha reconhecido integralmente o direito creditório apontado para a compensação. A interessada identificada em epígrafe pretendia utilizar o saldo credor de IPI requerido, com relação ao trimestre/ano indicado no PER/DCOMP, para quitar os débitos de tributos administrados pela Receita Federal ali especificados, no entanto, o valor do saldo credor alegado, e reconhecido/confirmado pela autoridade competente, é inferior ao valor da soma dos débitos tributários indicados para compensação. O Despacho Decisório recorrido apontou que o direito creditório declarado foi integralmente reconhecido, porém representa valor insuficiente para compensar todos os débitos declarados. Por essa razão foi homologada apenas parcialmente a compensação declarada no PER/DCOMP em tela. Cientificada da decisão, a interessada protocolou tempestivamente sua manifestação de inconformidade, cujas razões se resumem essencialmente em alegar que conforme documentos anexados, o saldo credor ao final do trimestre especificado no PER/DCOMP seria suficiente para homologação em valor superior ao que foi reconhecido pela Receita Federal. À vista do exposto, demonstrada a insubsistência do Despacho Decisório, requer que seja acolhida a presente manifestação de inconformidade, para o fim de se cancelar o débito fiscal reclamado. Por força da Portaria RFB/Sutri nº 2.440, de 30 de novembro de 2012, o presente processo foi encaminhado a esta DRJ/REC, para o julgamento de sua competência. É o relatório.” A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Recife (DRJ/REC) indeferiu a manifestação de inconformidade conforme ementa a seguir: “Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Período de apuração: 01/07/2005 a 30/09/2005 CRÉDITO DECLARADO RECONHECIDO. CRÉDITO INSUFICIENTE PARA A COMPENSAÇÃO PRETENDIDA. HOMOLOGAÇÃO PARCIAL DA COMPENSAÇÃO. O saldo credor solicitado/utilizado no PER/DCOMP com referência ao trimestrecalendário ali especificado foi integralmente reconhecido pela autoridade administrativa fiscal competente, porém seu valor é insuficiente para a compensação Fl. 111DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/11/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 16/11/2014 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 13851.904682/200907 Acórdão n.º 3801003.144 S3TE01 Fl. 4 3 de todos os débitos ali indicados. Mantémse a decisão exarada pela repartição fiscal de origem, de homologação apenas parcial da compensação pretendida.” Contra esta decisão, a contribuinte apresentou recurso voluntário em que alega o seguinte: i) a autoridade fiscal cometeu equívoco no encontro de contas, ao não considerar saldo credor de IPI de período anterior; ii) demonstrou com documentos que a homologação total da compensação no valor informado se impõe; iii) não haveria que se falar na aplicação de juros e correção monetária sobre o débito compensado; iv) se fosse admitida tal aplicação, o crédito também deveria ser atualizado. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Sergio Celani, Relator. Admissibilidade do recurso. O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade para julgamento nesta turma especial. Sobre o direito de crédito reconhecido. Está claro no processo que todo o direito creditório solicitado pela contribuinte no PER/DCOMP, com relação ao trimestrecalendáro nele especificado, foi integralmente reconhecido pela autoridade fiscal competente. Porém o valor foi insuficiente para a compensação dos débitos tributários indicados no mesmo PER/DCOMP. Por isto, a compensação declarada foi apenas parcialmente homologada. Como bem esclarecido no acórdão recorrido, a Secretaria da Receita Federal do BrasilRFB procedeu à análise do PER/DCOMP com base em informações apresentadas pela própria contribuinte e outras constantes de seus sistemas, obtidas de declarações também da contribuinte, após o que, concluiu que o crédito pleiteado era igual ao saldo credor de IPI passível de ressarcimento. Considerar o saldo credor de período anterior informado na manifestação de inconformidade para fins de homologação da compensação declarada implicaria alteração do valor requerido a título de ressarcimento, logo, retificação do pedido originalmente apresentado. Isto estava vedado pelo art. 77 da IN RFB nº 900, de 2008, que dispunha que a retificação somente poderia ser admitida no caso em que o pedido ainda se encontrasse pendente de decisão administrativa, quando da apresentação de documento retificador para análise pela autoridade originalmente competente. Fl. 112DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/11/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 16/11/2014 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 13851.904682/200907 Acórdão n.º 3801003.144 S3TE01 Fl. 5 4 Esta vedação encontrase, também, nas demais instruções normativas que trataram ou tratam da matéria, e está amparada no que dispõe o art. 38, da Lei nº 9.784, de 29/01/1999, que regula o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal: “Art. 38. O interessado poderá, na fase instrutória e antes da tomada da decisão, juntar documentos e pareceres, requerer diligências e perícias, bem como aduzir alegações referentes à matéria objeto do processo. (...)” Assim, o pedido inicial poderia ser retificado ou até cancelado, se atendidas algumas formalidades, em especial, que o requerimento fosse efetuado em documento próprio e apresentado antes de decisão administrativa. No presente caso, a decisão da autoridade competente da RFB foi cientificada à contribuinte, sem que qualquer requerimento de retificação tivesse sido apresentado. Apenas após a ciência do despacho decisório, por meio de manifestação de inconformidade, a contribuinte afirmou que o crédito pleiteado deveria ser maior, porque faltara computar saldo credor de período anterior. Naquele momento, o pedido não estava pendente de decisão administrativa, não se admitindo sua retificação. A recorrente não demonstra haver incongruência entre o despacho decisório e os valores constantes do pedido de ressarcimento e. Aceitar os argumentos do recurso voluntário implicaria aceitar pedido de retificação do PER em forma e momento diferentes dos preceituados na legislação. Uma vez que no presente caso todo o valor pleiteado foi deferido, levandose em consideração informações apresentadas pela própria requerente, dar provimento ao recurso implicaria também deferir ressarcimento de valores ultra petita. Incidência de multa e de juros moratórios sobre débitos vencidos. Os débitos que a contribuinte compensou estavam vencidos por ocasião da transmissão do PER/DCOMP. Ao efetuar a imputação do crédito, o Sistema de Controle de Créditos da RFB – SCC detectou diferenças em relação ao cálculo efetuado pela contribuinte, o que deu origem ao valor exigido no DDE. A incidência de acréscimos legais nos pagamentos efetuados em atraso decorre do disposto no art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, abaixo transcrito: “Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. Fl. 113DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/11/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 16/11/2014 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 13851.904682/200907 Acórdão n.º 3801003.144 S3TE01 Fl. 6 5 § 1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento”. (destaquei) A imputação do crédito está de acordo com o disposto na Instrução Normativa RFB nº 900, de 2008, conforme os artigos a seguir reproduzidos. Igual entendimento consta no art. 44, caput e § 1º da IN RFB 1.300, de 2012, que sucedeu a IN RFB nº 900, de 2008. INSTRUÇÃO NORMATIVA RFB nº 900, de 2008: “Art. 36. Na compensação efetuada pelo sujeito passivo, os créditos serão valorados na forma prevista nos arts. 72 e 73 e os débitos sofrerão a incidência de acréscimos legais, na forma da legislação de regência, até a data de entrega da Declaração de Compensação. § 1º A compensação total ou parcial de tributo administrado pela RFB será acompanhada da compensação, na mesma proporção, dos correspondentes acréscimos legais. § 2º Havendo acréscimo de juros sobre o crédito, a compensação será efetuada com a utilização do crédito e dos juros compensatórios na mesma proporção. ... Art. 38. O tributo objeto de compensação não homologada será exigido com os respectivos acréscimos legais.” Atualização monetária no ressarcimento. O ressarcimento não se trata de restituição de indébito tributário, pois não decorre de pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido, nem de erro na identificação do sujeito passivo ou no cálculo do montante ou da alíquota aplicável, nem de reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória, tal como previsto no art. 165 do Código Tributário Nacional. Não há lei que determine seja o ressarcimento corrigido monetariamente ou acrescido de juros, não se aplicando ao caso o art. 39 da Lei n.º 9.250/95. Por outro lado, diversas instruções normativas que tratam da matéria dispõem ser incabível a incidência de juros compensatórios no ressarcimento de créditos do IPI. Fl. 114DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/11/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 16/11/2014 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 13851.904682/200907 Acórdão n.º 3801003.144 S3TE01 Fl. 7 6 Exemplos são o art. 38, §2º, da IN SRF 210, de 2002, o art. 51, §5º, da IN SRF nº 460, de 2004, o art. 83, inc. I, § 5º, da IN RFB nº 1.300, de 2012. São precedentes no âmbito do CARF os seguintes: Acórdão 20402.945, de 22/11/2007, da 4ª Câmara do 2º CC: “Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializado IPI Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2000. Ementa: RESSARCIMENTO DE IPI. INCIDÊNCIA DE JUROS. IMPOSSIBILIDADE. A figura do ressarcimento não se confunde com a da restituição. Inexistindo previsão legal, impossível o acréscimo de juros ao valor pleiteado em ressarcimento, ainda que isso venha denominado como "atualização monetária. Recurso Voluntário Negado.” Acórdão 20181.500, de 10/10/2008, da 1ª Câmara do 2º CC. “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS – IPI PERÍODO DE APURAÇÃO: 01/04/2001 a 30/06/2001 IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. PESSOAS FÍSICAS E COOPERATIVAS. A lei não autoriza o ressarcimento referente às aquisições que não sofreram incidência da contribuição ao PIS e da Cofins no fornecimento ao produtor exportador. CRÉDITO PRESUMIDO. INSUMOS NÃO ADMITIDOS NO CÁLCULO. Não são suscetíveis do benefício de crédito presumido de IPI os gastos com combustíveis, energia elétrica, consoante Súmula n9 12 do Segundo Conselho de Contribuintes, e outros que, embora sendo necessários ao estabelecimento industrial, não se revestem da condição de matériaprima, produto intermediário ou material de embalagem, visto que sequer entram em contato direto com o produto fabricado. TAXA SELIC. RESSARCIMENTO. 1NAPLICABILIDADE. O ressarcimento não se confunde com a restituição pela inocorrência de indébito. Não se justifica a correção em processos de ressarcimento de créditos, visto não haver previsão legal. Recurso voluntário negado. No julgamento do recurso especial 1.035.847/RS, representativo de controvérsia, cuja matéria era a correção monetária de créditos de IPI decorrentes do princípio Fl. 115DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/11/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 16/11/2014 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 13851.904682/200907 Acórdão n.º 3801003.144 S3TE01 Fl. 8 7 da nãocumulatividade, sobre os quais não incidiria a correção por falta de previsão legal, o STJ decidiu que a oposição constante de ato legal estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito a estes créditos, postergaria o reconhecimento do direito pleiteado, “exsurgindo legítima a necessidade de atualizálos, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco”. Esta decisão, que transitou em julgado em 10/03/2010, não pode ser aplicada ao caso, pois não ocorreu oposição por resistência ilegítima do Fisco. Como salientado na decisão recorrida, o direito de crédito pleiteado pela contribuinte foi integralmente reconhecido pela administração tributária. A Súmula STJ nº 411, de 25/11/2009 (DJe 16/12/2009), evidencia a necessidade de que tenha ocorrido resistência ilegítima do Fisco para que seja devida atualização monetária em direitos de crédito de IPI. Vejase seu enunciado: “Correção Monetária Creditamento do IPI Resistência Ilegítima do Fisco. É devida a correção monetária ao creditamento do IPI quando há oposição ao seu aproveitamento decorrente de resistência ilegítima do Fisco.” Logo, não se está diante de fatos que, por força do art. 62A do RICARF, ensejariam a reprodução da decisão judicial. Conclusão. Pelo exposto, tendo em vista que o pedido de ressarcimento foi integralmente deferido, que a incidência de multa e juros moratórios sobre os débitos vencidos possui previsão legal, que não houve resistência ilegítima do Fisco e que não há previsão legal para atualização monetária de ressarcimento de IPI, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Sergio Celani. Fl. 116DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/11/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 16/11/2014 por PAULO SERGIO CELANI
score : 1.0
Numero do processo: 13005.000822/2007-77
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 23 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Oct 31 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/08/2005 a 31/12/2006
Ementa:
COMPENSAÇÃO. PIS/COFINS. LEI Nº 10.833/2003. REGIME ESPECIAL DE APURAÇÃO. OPÇÃO DO CONTRIBUINTE.
Os fabricantes de bebidas tributados pelo lucro presumido, que se enquadram no art. 49 da Lei 10.833/03. O art. 52 da Lei 10.833/03 outorgava ao contribuinte nessa situação a opção pelo regime especial de apuração ali previsto. Essa opção deveria ser formalizada perante a Secretaria da Receita Federal a teor do que determina a IN SRF 388/2004. Não o fazendo, o regime de apuração volta a ser o previsto no art. 49 da mesma norma .
Recurso Voluntário desprovido.
Numero da decisão: 3301-002.397
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos, negou-se provimento ao recurso, nos termos do voto do relator.
RODRIGO PÔSSAS - Presidente.
FÁBIA REGINA FREITAS - Relator.
FÁBIA REGINA FREITAS - Redator designado.
EDITADO EM: 12/08/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo Costa Pôssas,Andrada Marcio Canuto Natal, Jose Paulo Puiatti, Jacques Mauricio Ferreira Veloso de Melo Maria Teresa Martinez Lopez e Fábia Regina de Freitas (Relatora).
Nome do relator: FABIA REGINA FREITAS
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/08/2005 a 31/12/2006 Ementa: COMPENSAÇÃO. PIS/COFINS. LEI Nº 10.833/2003. REGIME ESPECIAL DE APURAÇÃO. OPÇÃO DO CONTRIBUINTE. Os fabricantes de bebidas tributados pelo lucro presumido, que se enquadram no art. 49 da Lei 10.833/03. O art. 52 da Lei 10.833/03 outorgava ao contribuinte nessa situação a opção pelo regime especial de apuração ali previsto. Essa opção deveria ser formalizada perante a Secretaria da Receita Federal a teor do que determina a IN SRF 388/2004. Não o fazendo, o regime de apuração volta a ser o previsto no art. 49 da mesma norma . Recurso Voluntário desprovido.
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PIS/COFINS. LEI Nº 10.833/2003. REGIME ESPECIAL DE APURAÇÃO. OPÇÃO DO CONTRIBUINTE. Os fabricantes de bebidas tributados pelo lucro presumido, que se enquadram no art. 49 da Lei 10.833/03. O art. 52 da Lei 10.833/03 outorgava ao contribuinte nessa situação a opção pelo regime especial de apuração ali previsto. Essa opção deveria ser formalizada perante a Secretaria da Receita Federal a teor do que determina a IN SRF 388/2004. Não o fazendo, o regime de apuração volta a ser o previsto no art. 49 da mesma norma . Recurso Voluntário desprovido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos, negouse provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. RODRIGO PÔSSAS Presidente. FÁBIA REGINA FREITAS Relator. FÁBIA REGINA FREITAS Redator designado. EDITADO EM: 12/08/2014 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 00 5. 00 08 22 /2 00 7- 77 Fl. 298DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2014 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 25/08/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo Costa Pôssas,Andrada Marcio Canuto Natal, Jose Paulo Puiatti, Jacques Mauricio Ferreira Veloso de Melo Maria Teresa Martinez Lopez e Fábia Regina de Freitas (Relatora). Relatório O caso em tela cuida de Autos de Infração lavrados contra a contribuinte para exigir lhe valores a título de Contribuição para o PIS e Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – COFINS, acrescidos dos consectários legais, que teriam sido recolhidos a menor no período compreendido entre agosto de 2005 e novembro de dezembro de 2006. Os Relatórios Fiscais das mencionadas autuações e que esclarecem todo o procedimento fiscal adotado no caso dos autos encontrase às fls. 174/179 e 190/195 dos autos. O fator que desencadeou a presente autuação e que, portanto, originou a diferença entre o valor recolhido e o valor efetivamente devido foi o seguinte: A despeito de a empresa, ora recorrente estar adstrita ao regime normal de apuração do PIS e da COFINS, já que é fabricante e importador de refrigerantes e tributada pelo lucro presumido, recolheu as mencionadas contribuições com base no regime especial de apuração do PIS e da COFINS. Ocorre que o recolhimento pela sistemática especial de apuração não veio precedida pela opção do contribuinte pelo regime especial, conforme previsto no art. 5º. Da IN SRF 526/2005, razão pela qual o regime especial não poderia ter sido adotado pela contribuinte, pois desatendido a forma. A contribuinte apresentou Impugnação às fls. 404/415, mediante a qual teceu diversas considerações sobre a autuação. O fundamento principal trazido pela recorrente em sua impugnação voltouse essencialmente à opção pelo regime especial de apuração. A respeito desse ponto a contribuinte reconhece que recolheu as contribuições sob a sistemática especial e que entende ter agido corretamente, a apenas por uma fatalidade "LAPSO" não solicitou ou melhor não realizou ao Termo de Opção. A Delegacia da Receita Federal em Santa Maria, por meio de aresto de fls 556/563, concluiu por desprover a defesa da Recorrente : ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/08/2005 a 31/12/2006 INDUSTRIALIZADORES DE REFRIGERANTES. REGIME DE APURAÇÃO. OPÇÃO. OBRIGATORIEDADE. A pessoa jurídica que opta pela apuração do imposto de renda pelo sistema o lucro presumido enquadrase obrigatoriamente no regime cumulativo. Aplica e obrigatoriamente o art. 49 da Lei n° 10.833, de 2003, ao fabricante das bebida nele mencionadas, aí incluídos os refrigerantes classificados na posição 22.02 a TIPI. Alternativamente, é facultado a esses contribuintes optar pelo regime especial previsto no art. 52 da Lei n° 10.833, de 2003. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/08/2005 a 31/12/2006 INDUSTRIALIZADORES DE REFRIGERANTES. REGIME DE APURAÇÃO. OPÇÃO. OBRIGATORIEDADE. A pessoa jurídica que opta pela apuração do imposto de renda pelo sistema do lucro presumido enquadrase obrigatoriamente no regime cumulativo. Fl. 299DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2014 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 25/08/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 13005.000822/200777 Acórdão n.º 3301002.397 S3C3T1 Fl. 3 3 Aplica–se obrigatoriamente o art. 49 da Lei n° 10.833, de 2003, ao fabricante das bebidas nele mencionadas, aí incluídos os refrigerantes classificados na posição 22.0 da TIPI. Alternativamente, é facultado a esses contribuintes optar pelo regime especial previsto no art. 52 da Lei n° 10.833, de 2003. Em face do mencionado acórdão foi interposto recurso voluntário pela contribuinte (fls. 580/592), mediante o qual repisa todos os argumentos levantados na impugnação. Quanto ao ponto nodal da presente discussão, reitera a Recorrente que, de fato, recolheu as contribuições com base no regime especial de apuração e, igualmente, não formalizou a opção pelo regime como preconizava a norma. É o relatório. Voto Conselheira Fábia Regina Freitas O recurso apresentado atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto n. 70.235, de 06 de março de 1972, assim dele tomo conhecimento. A controvérsia do presente processo resumese no seguinte: É lícito que a contribuinte, mesmo sem formalizar a opção pelo regime especial de apuração do PIS e da COFINS, recolha as contribuições com base nesse benefício? A resposta, no caso em tela, pareceme negativa. Isso porque, como se depreende dos autos, a recorrente é pessoa jurídica fabricante de bebidas, tributada pelo lucro presumido, enquadrandose no art. 49 da Lei 10.833/03. A possibilidade de apuração das contribuições na modalidade especial, analisada pelo acórdão recorrido, está prevista no art. 52 da mesma norma que prevê, in verbis: Art. 52. A pessoa jurídica industrial dos produtos referidos no art. 49 poderá optar por regime especial de apuração e pagamento das contribuições para o PIS/PASEP e da COFINS, no qual os valores das contribuições são fixados por unidade de litro do produto, respectivamente, em: (...) § 1º A pessoa jurídica industrial que optar pelo regime de apuração previsto neste artigo poderá creditarse dos valores das contribuições estabelecidos nos incisos I a III do art. 51, referentes às embalagens que adquirir, no período de apuração em que registrar o respectivo documento fiscal de aquisição. (Redação dada pela Lei nº 10.925/04) § 3º A opção prevista neste artigo será exercida, segundo normas e condições estabelecidas pela Secretaria da Receita Federal, até o último dia útil do mês de novembro de cada ano calendário, produzindo efeitos, de forma irretratável, durante todo o ano calendário subseqüente ao da opção. Fl. 300DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2014 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 25/08/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 4 § 4º Excepcionalmente para o ano calendário de 2004, a opção poderá ser exercida até o último dia útil do mês subseqüente ao da publicação desta Lei, produzindo efeitos, de forma irretratável, a partir do mês subseqüente ao da opção, até 31 de dezembro de 2004. § 5º No caso da opção efetuada nos termos dos §§ 3º e 4º, a Secretaria da Receita Federal divulgará o nome da pessoa jurídica optante e a data de início da opção. Efetivamente, caso a recorrente tivesse feito a opção pelo Regime Especial previsto em lei, não haveria dúvidas de que teria direito à apuração dos valores das contribuições para o PIS/PASEP e da COFINS com base nessa sistemática especial. No entanto, conforme reconhece a própria Recorrente, não houve formalização da opção pelo regime especial de apuração para o fim de haver o pagamento das contribuições na forma do art. 52 da Lei 10.833/03. Esta opção, como já previa a lei, foi regulamentada pela IN SRF nº 388, de 28 de janeiro de 2004, que assim dispunha: Art. 1º A pessoa jurídica que proceda a industrialização dos produtos classificados nos códigos 2202 (exclusivamente refrigerante), 2203 (cervejas) e 2106.90.10 Ex 02 (preparações compostas não alcoólicas, para elaboração de bebidas refrigerantes), todos da Tipi, aprovada pelo Decreto nº 4.542, de 26 de dezembro de 2002, pode optar por regime especial de apuração e pagamento do PIS/PASEP e da COFINS de que trata art 52 da Lei nº 10.833, de 2003, no qual os valores das contribuições são fixados por unidade de litro do produto. § 1º A opção prevista neste artigo deve ser formalizada por meio de Termo de Opção dirigido a SRF, conforme modelo constante do Anexo I desta Instrução Normativa, até o último dia útil do mês de novembro de cada ano calendário, produzindo efeitos, de forma irretratável, durante todo o ano calendário subsequente ao da opção. § 2º O Termo de Opção deve ser apresentado em duas vias à unidade da SRF com jurisdição sobre o estabelecimento matriz da pessoa jurídica, que acolhe a primeira via e devolve a segunda com o registro do respectivo recebimento. A despeito da alegação da Recorrente no sentido de que apenas cometeu um lapso e acabou por não formalizar a opção pelo regime especial, mas que atendeu todos os demais requisitos para a sua inserção no artigo 52 da Lei n° 10.833, entendo que não se trata de se discutir boa fé. O gozo de benesses fiscais passa pelo cumprimento de prazos, formalidades e procedimentos previstos na Lei e nas normas que o regulamentam. A IN 388, que instrumentalizou o benefício previsto no art. 52 da Lei n° 10.833, apenas regulamentou o que estava na norma principal. Assim sendo, e para que não houvesse qualquer beneficiamento de alguns contribuintes em detrimento de outros, estipulou as regras aplicáveis de forma geral e impessoal. Assim, deixar de observálas em relação a um determinado contribuinte em detrimento dos demais acaba por violar os princípios da legalidade e da isonomia. Não cabe admitir que regras possam ser violadas ou descumpridas e, igualmente, que se admita escusa genérica para justificar descumprimento ou gerar direito não exercido a tempo e modo, conforme o devido processo legal. CONCLUSÃO Diante do exposto, entendo que o recolhimento dos valores das contribuições para o PIS/PASEP e da COFINS na forma estabelecida pelo regime especial só poderia ser Fl. 301DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2014 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 25/08/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 13005.000822/200777 Acórdão n.º 3301002.397 S3C3T1 Fl. 4 5 exercida caso houvesse sido atendida a formalidade estabelecida para tanto. Não tendo o contribuinte, exercido a formalização dessa opção no prazo legal concedido, não poderá usufruir desse direito. Nesse sentido, VOTO por NEGAR PROVIMENTO o presente recurso do contribuinte. Fábia Regina Freitas – Relator Fl. 302DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2014 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 25/08/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS
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Numero do processo: 10120.723744/2012-35
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 23 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Nov 03 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 3402-000.556
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em sobrestar o julgamento nos termos da Portaria CARF nº 01/2012.
GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO
Presidente Substituto
FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D'EÇA
Relator
EDITADO EM 24/07/2013
Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente Substituto), Fernando Luiz da Gama Lobo DEça (Relator), Silvia de Brito Oliveira, Winderley Moraes Pereira (Substituto), João Carlos Cassuli Júnior, Leonardo Mussi da Silva (Suplente).
Nome do relator: Não se aplica
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decisao_txt : Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em sobrestar o julgamento nos termos da Portaria CARF nº 01/2012. GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Presidente Substituto FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D'EÇA Relator EDITADO EM 24/07/2013 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente Substituto), Fernando Luiz da Gama Lobo DEça (Relator), Silvia de Brito Oliveira, Winderley Moraes Pereira (Substituto), João Carlos Cassuli Júnior, Leonardo Mussi da Silva (Suplente).
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GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Presidente Substituto FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D'EÇA Relator EDITADO EM 24/07/2013 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente Substituto), Fernando Luiz da Gama Lobo D’Eça (Relator), Silvia de Brito Oliveira, Winderley Moraes Pereira (Substituto), João Carlos Cassuli Júnior, Leonardo Mussi da Silva (Suplente). Relatório Tratase de Recurso Voluntário (constante de arquivo em PDF sem numeração de páginas do processo físico) contra o v. Acórdão DRJ/BSB nº 0349.470 de 19/10/12 (fls. 1155/1164) exarado pela 2ª Turma da DRJ de Brasília DF que, por unanimidade de votos, houve por bem “julgar procedente” a impugnação aos lançamentos originais no valor total de RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 01 20 .7 23 74 4/ 20 12 -3 5 Fl. 1189DF CARF MF Impresso em 03/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2013 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 28/08/2013 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 24/09/2013 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10120.723744/201235 Resolução nº 3402000.556 S3C4T2 Fl. 3 2 R$ 21.321.285,49 relativos a Contribuições de COFINS – NÃO CUMULATIVO (MPF nº 0120100.2012.00420; COFINS R$ 8.230.512,04; juros R$ 3.114.633,03; Multa 75% R$ 6.172.884,06) e para o PIS NÃO CUMULATIVO (MPF nº 0120100.2012.00420; PIS R$ 1.786.887,49; Juros R$ 676.203,23; Multa 75% R$ 1.340.165,64), notificados em 30/03/07 (fls. 207 e 218), que acusaram a ora Recorrente de “insuficiência de recolhimento” das contribuições no período de 31/01/08 a 31/12/08, conforme explicitado no TVF (constante de arquivo em PDF sem numeração de páginas do processo físico) nos seguintes termos: “Descrição dos Fatos do Auto de Infração Processo Administrativo: 10120.723744/201235. Contribuinte: Indústria e Comércio de Carnes e Derivados Boi Brasil Ltda. CNPJ: 04.603.630/000888 A presente ação fiscal teve início com a ciência do contribuinte ao Termo de Início do Procedimento Fiscal, lavrado em 24/02/2011, fls. 02/05. A ciência ao Termo de Início foi realizada em 01/03/2011. Em síntese foram solicitados do contribuinte os livros contábeis e fiscais, bem como os arquivos digitais da contabilidade e também os arquivos digitais fiscais relativos aos anos calendários 2007 e 2008, que foram os períodos designados a esta fiscalização para verificar a correta apuração do IRPJ/CSLL/PIS e Cofins conforme Mandado de Procedimento Fiscal – MPF n° 0120100.2010018010. Como o contribuinte já havia sofrido uma outra ação fiscal para o período de janeiro a dezembro de 2007, foi emitida a Ordem de Novo Exame, fl. 06. Em atendimento ao Termo de Início, o contribuinte apresentou resposta datada de 05/04/2011, fl. 07, na qual informa que todos os documentos e livros fiscais e contábeis estarão à disposição do fisco nas dependências da filial, CNPJ 04.603.630/000888, situada na Rua dos Missionários n° 643, Qd. 31, Lote 22, sala 06, Bairro Rodoviário, GoiâniaGO. Juntamente com esta resposta foi entregue a esta fiscalização a 21a Alteração Contratual a qual contém a consolidação do Contrato Social, fls. 40/48,por meio da qual foi transferida a matriz para a cidade de São Paulo, além de outras alterações. Também foram entregues os seguintes itens: a) Memória de Cálculo da apuração do PIS/Cofins relativa ao ano calendário 2008, sem assinatura do contribuinte, fl. 49; b) Cópia autenticada dos documentos pessoais do Sócio Administrador, Sr. Hélio Barbosa de Araújo, fl. 08/09; c) CD contendo os arquivos contábeis gerados pelo SINCO relativos ao ano calendário de 2008. Na oportunidade foi informado verbalmente pelo contador da empresa, Sr. Uilson Monteiro, que os arquivos contábeis relativos ao ano calendário 2007 haviam sido entregues à Sapac/DRF/GOI. Em 29/04/2011, foi lavrado o Termo de Intimação Fiscal, fls. 50/52, por meio do qual o contribuinte foi informado quanto a divergências encontradas nos arquivos digitais da contabilidade, sendo intimado a Fl. 1190DF CARF MF Impresso em 03/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2013 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 28/08/2013 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 24/09/2013 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10120.723744/201235 Resolução nº 3402000.556 S3C4T2 Fl. 4 3 apresentálos corretamente, bem como foi intimado a apresentar diversos itens listados no referido termo. Em 31/05/2011, fl. 53, o contribuinte apresentou entre outros elementos, os Livro Lalur dos anos calendários 2007 e 2008, os balancetes mensais dos referidos anos e um Pen Drive contendo os arquivos da contabilidade referentes aos anos 2007 e 2008. Às fls. 54/71, constam os recibos gerados pelo sistema validador de arquivos digitais SVA, relativos aos arquivos digitais constantes do Pen Drive. Como novamente os arquivos digitais estavam incompletos esta fiscalização, por meio do Termo de Intimação Fiscal n° 002, de 03/06/2011, fls. 72/73, reintimou o contribuinte a apresentálos, bem como os arquivos de notas fiscais, além de outras solicitações. Em 25/07/2011, fls. 76/77, o contribuinte encaminhou documento no qual consta a entrega dos arquivos digitais da contabilidade, relativo ao período de 01/01 a 30/04/2007, conforme recibos gerados pelo sistema validador SVA, fls. 78/84. Nesta oportunidade informou que os arquivos digitais da escrituração fiscal haviam sido entregues ao Auditor Fiscal Adroaldo Bernardino da Costa, que à época efetuava ação fiscal para apuração da Contribuição Previdenciária, inclusive amparado pelo mesmo Mandado de Procedimento Fiscal desta fiscalização. Nesta mesma data, 25/07/2011, o contribuinte apresentou o documento de fl. 77, no qual informa que a pessoa designada para acompanhar a presente fiscalização é o Contador Sr. Uilson Monteiro de Araújo, CPF n° 121.908.96134. Em 22/09/2011, foi dada ciência ao Contribuinte do Termo de Ciência e de Continuação do Procedimento Fiscal n° 001, fl. 86. Em 17/11/2011, por meio do Termo de Intimação Fiscal n° 003, fls. 87/89, o contribuinte foi reintimado a apresentar os arquivos digitais da escrituração fiscal do ano calendário de 2008. Em 16/12/2011, fls. 90/91, o contribuinte entregou 05 Cds com os arquivos digitais de notas fiscais. APURAÇÃO DA COFINS E PIS ANO CALENDÁRIO 2008 Quando do atendimento do Termo de Início do Procedimento Fiscal, o contribuinte entregou a esta fiscalização uma planilha com a memória de cálculo do PIS e da Cofins relativa ao ano calendário de 2008, fl. 49. Como esta planilha está um pouco ilegível em função do tamanho da letra utilizada, esta fiscalização efetuou a sua ampliação para facilitar a sua visualização. A ampliação da planilha está às fls. 102/104. Confrontando os dados constantes desta planilha com os valores da apuração constantes dos Demonstrativos de Apuração das Contribuições Sociais – DACON entregues pelo contribuinte, fls. 532/839, os valores declarados em DCTF, fls. 840/851, com os valores lançados na contabilidade, balancetes mensais às fls. 852/1023, apuramos diferenças de PIS e Cofins a pagar durante todos os meses do ano calendário 2008. Desta forma elaboramos uma planilha de apuração por mês demonstrando estas diferenças apuradas, fls. Fl. 1191DF CARF MF Impresso em 03/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2013 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 28/08/2013 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 24/09/2013 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10120.723744/201235 Resolução nº 3402000.556 S3C4T2 Fl. 5 4 309/320. As planilhas foram elaboradas em 3 colunas de valores da apuração, sendo uma o espelho da memória de cálculo apresentada pelo contribuinte, a outra os valores declarados no DACON e um terceira com os valores apurados por esta fiscalização com base na contabilidade do contribuinte. As diferenças decorrem basicamente de três fatores. Primeiro: há diferenças nos valores da receita de vendas no mercado interno. Os valores constantes dos balancetes mensais são maiores do que os valores registrados na memória de cálculo e no DACON. Segundo, o contribuinte retira mensalmente os valores do ICMS sobre as vendas da base de cálculo do PIS e COFINS e não há permissivo legal para esta dedução. Terceiro na apuração dos créditos das contribuições para fins de calcular a não cumulatividade, o contribuinte se credita integralmente dos valores das compras de matériaprima, a qual se trata basicamente da compra de animais vivos para abate (bovinos). Ocorre que, de acordo com o art. 8°, § 3°, inc. III da Lei 10925/2004 e art. 8°, § 1°, inc. II da IN SRF 660/2006, esta aquisição de animais vivos para abate, quando adquiridos de pessoas físicas e de pessoas jurídicas que exerçam a atividade agropecuária ou cooperativa de produção agropecuária, geram direito a crédito presumido das contribuições no montante de 35% do valor das alíquotas normais sobre o montante das aquisições, ou seja, 0,5775% para o PIS e 2,66% no caso da Cofins. Para separar o valor das aquisições de animais vivos para abate que geram crédito presumido de 35% do valor das demais aquisições de produtos e serviços que geram crédito integral das contribuições, elaborei duas planilhas por mês com estes valores, fls. 105/308. Estes valores foram retirados do razão da conta contábil n° 401010100032 intitulada "compra de matériaprima", fls. 321/519. Assim os valores da planilha intitulada "DEMONSTRATIVO DA AQUISIÇÃO DE MATÉRIAS PRIMAS COM CRÉDITO PRESUMIDO DE PIS E COFINS CORRESPONDENTE A 35%", referemse a operações de aquisição cujo direito ao crédito presumido é de 35% da alíquota normal. Constatamos em verificação por amostragem que os lançamentos com histórico que se inicia da seguinte forma: "2000Compra de Matéria prima de...." correspondem a compras de animais vivos, em regra de pessoas físicas. Na outra planilha intitulada "DEMONSTRATIVO DAS AQUISIÇÕES DIVERSAS COM CRÉDITO INTEGRAL DE PIS E COFINS" estão demonstrados os valores dos lançamentos que esta fiscalização entendeu que se referem a aquisições de produtos e insumos que geram crédito integral de PIS e COFINS. As duas planilhas acima citadas estão separadas por mês às fls. 105/308. A título de exemplo, as planilhas do mês de janeiro/2008, fls. 105/120, contém o valor das aquisições com direito ao crédito presumido de 35% no total de aquisições de R$ 9.446.054,15, fl. 111, e um total de aquisições com direito ao crédito integral de PIS e Cofins no valor de R$ 883.126,87, fl. 120. Estas divergências foram demonstradas ao contribuinte por meio do Termo de Constatação Fiscal n° 001, de 25/01/2012, fls. 98/101, Fl. 1192DF CARF MF Impresso em 03/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2013 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 28/08/2013 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 24/09/2013 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10120.723744/201235 Resolução nº 3402000.556 S3C4T2 Fl. 6 5 oportunidade em que foram entregues ao contribuinte todas as planilhas acima citadas. Em 07/02/2012, fls. 521/523, o contribuinte apresentou resposta ao Termo de Constatação Fiscal n° 001, de 25/01/2012, no qual solicita dilação de prazo de 30 dias para que fosse apurado o motivo das divergências apuradas por esta fiscalização. Afirmou, no que chamou de Segundo Fator, que é inconstitucional a inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS/COFINS, conforme entendimento do STF no Recurso Extraordinário n° 357950. Por fim ao que o contribuinte chamou de Terceiro Fator, afirma que o crédito presumido de PIS e Cofins corresponde a 60% na aquisição de animais vivos para abate (bovinos), conforme artigo 8°, § 3°, inciso I da Lei 10.925/2004. Em 10/02/2012, fls. 524/526, foi lavrado o Termo de Constatação Fiscal n° 002, cientificado ao contribuinte nesta mesma data, por meio do qual foram feitas algumas observações quanto à solicitação de prorrogação de prazo e que a análise dos argumentos trazidos pelo contribuinte seriam analisados por ocasião do lançamento tributário. Em 27/02/2012, fls. 527/528, o contribuinte apresentou a resposta ao Termo de Constatação Fiscal n° 002, reafirmando que, de acordo com os art. 8° e 9° da Lei 10925/2004 que o crédito presumido do PIS/COFINS sobre aquisições de origem animal é de 60%. Que este entendimento está consolidado no mercado e anexa duas matérias extraídas da internet, fls. 529/531, de entidades que representam o setor e citam a aplicação do crédito presumido de 60%. Analisando as argumentações do contribuinte em relação às planilhas , fls. 309/320, que contém a apuração efetuada por esta fiscalização das diferenças de PIS e Cofins, concluímos que a apuração efetuada nas planilhas estão corretas, pelos seguintes motivos: Primeiro Fator: o Valor das Receitas Mensais de Vendas no Mercado Interno utilizados na planilha por esta fiscalização estão em consonância com os valores registrados na contabilidade. A título de exemplo: o valor das receitas de vendas de janeiro/2008, que consta na planilha de apuração, fl. 309, soma R$ 12.280.725,61 que é o valor registrado na contabilidade na conta 311010100001 "Vendas de Produtos" que está no balancete de Janeiro/2008, fl. 858. Segundo Fator: Dedutibilidade do ICMS sobre vendas da Base de Cálculo do PIS e da Cofins. Na apuração do contribuinte ele efetuou a dedução em todos os meses do ano calendário. Em sua resposta de fls. 521/523, o contribuinte alega que "a inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS/COFINS é inconstitucional.... conforme entendimento do STF no Recurso Extraordinário n° 357950". Na verdade o Recurso Extraordinário citado pelo contribuinte trata da discussão da constitucionalidade da ampliação do base de cálculo do PIS e da Cofins efetuada pelo art. 3° da Lei 9718/98. Outros Recursos que estão no STF tratam especificamente da inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e Cofins. Conforme pesquisa efetuada no site do STF existe a Ação Direta de Constitucionalidade — ADC n° 18 proposta pela Presidência da República, que ainda não foi julgada. Portanto esta fiscalização entende que não existe base legal para exclusão do Fl. 1193DF CARF MF Impresso em 03/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2013 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 28/08/2013 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 24/09/2013 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10120.723744/201235 Resolução nº 3402000.556 S3C4T2 Fl. 7 6 ICMS da base de cálculo da Cofins não cumulativa prevista na Lei 10833/2003 e do PIS não cumulativo previsto na Lei 10637/2002. Terceiro Fator: Crédito presumido de PIS e Cofins correspondente a 35% do valor das aquisições de boi vivo. O contribuinte em sua resposta, fl 522, ao Termo de Constatação Fiscal n° 001, afirma que "o enquadramento correto para a apuração do crédito presumido é o artigo 8°, § 3°, inciso I, da Lei 10925/2004, já que a aquisição é de produtos de origem animal. Portanto, o montante do crédito será determinado mediante aplicação sobre o valor da aquisição da alíquota correspondente a 60% e não 35% que é descrito no inciso III deste mesmo artigo...". Posteriormente, em resposta, fl. 527, ao Termo de Constatação Fiscal n° 002 ele reafirma este posicionamento e junta duas matérias extraídas da internet, fls. 529/531, de entidades que representam o setor, que citam a aplicação do crédito presumido de 60%. Quanto a esta afirmação esta fiscalização continua a entender que o crédito presumido na aquisição de animais vivos é o correspondente a 35% sobre o valor das aquisições, conforme dispõe os atos legais abaixo transcritos: Art. 8° da Lei 10925/2004: Art. 8° As pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas nos capítulos 2, 3, exceto os produtos vivos desse capítulo, e 4, 8 a 12, 15, 16 e 23, e nos códigos 03.02, 03.03, 03.04, 03.05, 0504.00, 0701.90.00, 0702.00.00, 0706.10.00, 07.08, 0709.90, 07.10, 07.12 a 07.14, exceto os códigos 0713.33.19, 0713.33.29 e 0713.33.99, 1701.11.00, 1701.99.00, 1702.90.00, 18.01, 18.03, 1804.00.00, 1805.00.00, 20.09, 2101.11.10 e 2209.00.00, todos da NCM, destinadas à alimentação humana ou animal, poderão deduzir da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, devidas em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens referidos no inciso ll do caput do art. 32 das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física. (Redação dada pela Lei n° 11.051, de 2004) (Vide art. 37 da Lei n° 12.058, de 13 de outubro de 2009) (Vide art. 57 da Lei n° 12.350, de 20 de dezembro de 2010) § 1° O disposto no caput deste artigo aplicase também às aquisições efetuadas de: 1 cerealista que exerça cumulativamente as atividades de limpar, padronizar, armazenar e comercializar os produtos in natura de origem vegetal, classificados nos códigos 09.01, 10.01 a 10.08, exceto os dos códigos 1006.20 e 1006.30, 12.01 e 18.01, todos da NCM; (Redação dada pela Lei n2 11.196, de 21/11/2005); II pessoa jurídica que exerça cumulativamente as atividades de transporte, resfriamento e venda a granel de leite in natura; e III pessoa jurídica que exerça atividade agropecuária e cooperativa de produção agropecuária.(Redação dada pela Lei n° 11.051, de 2004). Fl. 1194DF CARF MF Impresso em 03/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2013 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 28/08/2013 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 24/09/2013 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10120.723744/201235 Resolução nº 3402000.556 S3C4T2 Fl. 8 7 § 2° O direito ao crédito presumido de que tratam o caput e o § 1° deste artigo só se aplica aos bens adquiridos ou recebidos, no mesmo período de apuração, de pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no País, observado o disposto no § 4° do art. 3° das Leis n°s 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003. § 3° O montante do crédito a que se referem o caput e o § 1° deste artigo será determinado mediante aplicação, sobre o valor das mencionadas aquisições, de alíquota correspondente a: I 60% (sessenta por cento) daquela prevista no art. 2° das Leis n°s 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, para os produtos de origem animal classificados nos Capítulos 2 a 4, 16, e nos códigos 15.01 a 15.06, 1516.10, e as misturas ou preparações de gorduras ou de óleos animais dos códigos 15.17 e 15.18; e II 50% (cinqüenta por cento) daquela prevista no art. 22 das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, para a soja e seus derivados classificados nos Capítulos 12, 15 e 23, todos da TIPI; e (Redação dada pela Lei n° 11.488, de 15 de junho de 2007) III 35% (trinta e cinco por cento) daquela prevista no art. 22 das Leis n2s 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, para os demais produtos. (Renumerado pela Lei n2 11.488, de 15 de junho de 2007) .... supressões nossas. Em resumo o artigo prevê que as pessoas jurídicas que produzem mercadorias de origem animal, destinadas à alimentação humana ou animal, caso da fiscalizada, podem se apropriar de crédito presumido nas aquisições efetuadas de pessoas físicas e também de pessoas jurídicas que exerçam atividades agropecuária e cooperativas de produção agropecuária. Já o § 3° determina o montante do crédito presumido em três situações: 60%, 50% e 35%. Conforme inciso I do § 3°, acima transcrito, o crédito presumido de 60% serão concedidos para as aquisições de produtos de origem animal classificados nos capítulos 2 a 4 (resumindo aos capítulos que interessa à presente discussão) da NBM. Conforme NBM, fls. 1085/1098, o capítulo 2 referese a carnes e miudezas, comestíveis, o capítulo 3 referese a Peixes e Crustáceos e o capítulo 4 referese a Leites e Laticínios (entre outros). O inciso II do § 3° é relativo ao crédito presumido de 50% nas aquisições de soja e seus derivados, o que não é o caso do contribuinte. O inciso III do § 3° estabelece o crédito presumido de 35% sobre as aquisições dos demais produtos. O contribuinte adquire animais vivos da espécie bovina, conforme ele mesmo escreveu em sua resposta à fl. 522. Conforme NBM, fl. 1085, animais vivos do tipo bovino está no capítulo 1 da NBM e portanto sua Fl. 1195DF CARF MF Impresso em 03/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2013 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 28/08/2013 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 24/09/2013 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10120.723744/201235 Resolução nº 3402000.556 S3C4T2 Fl. 9 8 aquisição gera crédito presumido na ordem de 35%, conforme interpretação literal do art. 8° da Lei 10.925/2004, acima transcrita. Desta forma esta fiscalização procede ao presente lançamento de ofício para exigência das diferenças apuradas de PIS e Cofins, cujos valores calculados estão demonstrados na planilha de fls. 309/320. ESCLARECIMENTO QUANTO A PROCEDIMENTOS ADMINISTRATIVOS NO PRESENTE LANÇAMENTO DE OFÍCIO Toda a ação fiscal transcorreu amparada no Mandado de Procedimento Fiscal n° 0120100.2010018010 com o CNPJ 04.603.630/000101 que era o estabelecimento centralizador (matriz) do contribuinte, cujo endereço era à Rua Capitão João de Godoy, 39, Vila Cruzeiro, São PauloSP. Ocorre que, por meio do Processo Administrativo n° 10120.722219/201201, o Chefe do Serviço de Acompanhamento Tributário da Delegacia da Receita Federal em GoiâniaGO – Secat/DRF/GOI, atendendo representação desta fiscalização transferiu o estabelecimento centralizador da empresa para o CNPJ 04.603.630/000888, com endereço à Rua dos Missionários, n° 643, Qd. 31, Lt. 22, Sala 06, Bairro Rodoviário, GoiâniaGO. Para ilustrar estão anexadas cópia da Representação, fls. 1099/1101, do Despacho Secat/DRFGOI, de 03/04/2012, fls. 1102/1103 e Despachos corretivos, fls. 1104/1105. Tendo em vista a mudança do CNPJ do estabelecimento centralizador para o número 04.603.630/000888, houve necessidade de abertura do Mandado de Procedimento Fiscal n° 0120100.2012004203 com o único objetivo de que o presente lançamento fosse efetuado no atual estabelecimento centralizador.” Reconhecendo expressamente que as impugnações oportunamente apresentadas atendiam aos requisitos de admissibilidade, a r. decisão de fls. 1155/1164 da 2ª Turma da DRJ de Brasília DF houve por bem “julgar procedente” a impugnação aos lançamentos originais de COFINS e PIS NÃO CUMULATIVOS, aos fundamentos sintetizados em sua ementa nos seguintes termos: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2008 a 3 1/12/2008 REGIME NÃOCUMULATIVO. ICMS. EXCLUSÃO. FALTA DE PREVISÃO LEGAL. Consoante disposto na Lei nº 10.637, de 2002, não há previsão legal para excluir da base de cálculo da contribuição social o ICMS incidente sobre a operação, o qual integra o preço de venda, salvo quando o tributo é cobrado sob a forma de substituição tributária. PROVA. ESCRITURAÇÃO. BALANCETES MENSAIS. Os balancetes mensais consolidam os saldos das contas escrituradas nos livros Diário e/ou Razão, e uma vez elaborados devem ser mantidos em boa guarda e ordem como qualquer demonstrativo contábil, e servem como prova para determinar a ocorrência de um fato econômico, consoante dispõe o art. 923 do RIR/99. CRÉDITO PRESUMIDO. BASE DE CÁLCULO. AQUISIÇÕES DE BOI VIVO. PERCENTUAL APLICÁVEL. Fl. 1196DF CARF MF Impresso em 03/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2013 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 28/08/2013 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 24/09/2013 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10120.723744/201235 Resolução nº 3402000.556 S3C4T2 Fl. 10 9 As aquisições de boi vivo conferem o direito de aproveitamento de crédito presumido, para as pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal classificadas nos capítulos 2, 3, exceto os produtos vivos desse capítulo, e 4, 8 a 12, 15, 16 e 23, e nos códigos 03.02, 03.03, 03.04, 03.05, 0504.00, 0701.90.00, 0702.00.00, 0706.10.00, 07.08, 0709.90, 07.10, 07.12 a 07.14, exceto os códigos 0713.33.19, 0713.33.29 e 0713.33.99, 1701.11.00, 1701.99.00, 1702.90.00, 18.01, 18.03, 1804.00.00, 1805.00.00, 20.09, 2101.11.10 e 2209.00.00, todos da NCM, destinadas à alimentação humana ou animal, mediante aplicação do percentual de 35% sobre as referidas compras, inteligência da norma prevista no inciso III, § 3º do art. 8º da Lei nº 10.925, de 2004. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2008 a 3 1/12/2008 REGIME NÃOCUMULATIVO. ICMS. EXCLUSÃO. FALTA DE PREVISÃO LEGAL. Consoante disposto na Lei nº 10.833, de 2003, não há previsão legal para excluir da base de cálculo da contribuição social o ICMS incidente sobre a operação, o qual integra o preço de venda, salvo quando o tributo é cobrado sob a forma de substituição tributária. PROVA. ESCRITURAÇÃO. BALANCETES MENSAIS. Os balancetes mensais consolidam os saldos das contas escrituradas nos livros Diário e/ou Razão, e uma vez elaborados devem ser mantidos em boa guarda e ordem como qualquer demonstrativo contábil, e servem como prova para determinar a ocorrência de um fato econômico, consoante dispõe o art. 923 do RIR/99. CRÉDITO PRESUMIDO. BASE DE CÁLCULO. AQUISIÇÕES DE BOI VIVO. PERCENTUAL APLICÁVEL. As aquisições de boi vivo conferem o direito de aproveitamento de crédito presumido, para as pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal classificadas nos capítulos 2, 3, exceto os produtos vivos desse capítulo, e 4, 8 a 12, 15, 16 e 23, e nos códigos 03.02, 03.03, 03.04, 03.05, 0504.00, 0701.90.00, 0702.00.00, 0706.10.00, 07.08, 0709.90, 07.10, 07.12 a 07.14, exceto os códigos 0713.33.19, 0713.33.29 e 0713.33.99, 1701.11.00, 1701.99.00, 1702.90.00, 18.01, 18.03, 1804.00.00, 1805.00.00, 20.09, 2101.11.10 e 2209.00.00, todos da NCM, destinadas à alimentação humana ou animal, mediante aplicação do percentual de 35% sobre as referidas compras, inteligência da norma prevista no inciso III, § 3º do art. 8º da Lei nº 10.925, de 2004. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido” Nas razões de Recurso Voluntário (constante de arquivo em PDF sem numeração de páginas do processo físico) oportunamente apresentado, a ora Recorrente sustenta a insubsistência da r. decisão e dos lançamentos por ela mantidos, tendo em vista: a) que as Diferenças de Valores da Receita de Vendas no Mercado Interno, o feito fiscal teria desconsiderado os valores informados nos DACON e DCTF, vez que os balancetes elaborados pela empresa sseriam para conferências, e não representam os reais números da movimentação econômica em um Fl. 1197DF CARF MF Impresso em 03/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2013 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 28/08/2013 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 24/09/2013 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10120.723744/201235 Resolução nº 3402000.556 S3C4T2 Fl. 11 10 determinado período e a Fiscalização deveria ter examinado a contabilidade da impugnante, e não apenas os balancetes, para verificar se efetivamente ocorreu a diferença entre os valores escriturados e os DACON e DCTF, donde as diferenças lançadas pelo Fisco foram apuradas a partir de documentos imprestáveis (balancetes), razão pela qual devem ser afastadas b) que as Exclusões de Valores de ICMS da Base de Cálculo do PIS e da Cofins seria matéria em exame no STF, Recurso Especial 240.785, no qual já seriam seis votos favoráveis à inconstitucionalidade da inclusão do valor de ICMS na base de cálculo do PIS e da Cofins, razão pela qual o ICMS não deveria não deve ser incluído na base de cálculo das contribuições sociais em comento porque o valor do ICMS não é abrangido pelo conceito de faturamento, pois nenhum agente econômico fatura o imposto, mas apenas as mercadorias ou serviços para a venda; c) quanto aos Créditos Integrais dos Valores Das Compras de Matéria Prima, no caso concreto, o enquadramento correto para a apuração do crédito presumido seria o do artigo 8º, § 3º, inciso I da Lei nº 10.925, de 2004, que dispõe o percentual de 60% aplicável sobre as aquisições analisadas pela Fiscalização, sendo que a IN SRF 660, de 2006, determinaria que os créditos presumidos de 60% aplicamse aos insumos de origem animal classificados nos capítulos 2 a 4 da NBM, onde está incluída a carne bovina, tal como já proclamado pelo CARF, nas decisões que cita. É o relatório. Voto O recurso reúne as condições de admissibilidade, razão pela qual dele conheço. Entretanto, desde logo constato que a questão de os valores do ICMS integrarem ou não a base de cálculo das contribuições para o PIS e COFINS não cumulativas encontrase em Processo de Repercussão geral reconhecida em 01/07/10 (DJU nº 154 de 19/08/10 publ. em 20/08/10) no RE nº 606107 (Rel. Ellen Gracie), o que impõe o sobrestamento do julgamento do recurso nos termos dos §§ 1º e 2º do art. 62A do CARF que expressamente determina que: “Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543 C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. {2} § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B. {2} § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes.” Isto posto, com ressalva de minha posição pessoal, voto no sentido de sobrestar o julgamento do presente recurso, nos termos dos §§ 1º e 2º do art. 62A do CARF até que seja proferida decisão definitiva pela Suprema Corte. É como voto. Fl. 1198DF CARF MF Impresso em 03/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2013 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 28/08/2013 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 24/09/2013 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10120.723744/201235 Resolução nº 3402000.556 S3C4T2 Fl. 12 11 Sala das Sessões, em 23 de julho de 2013 FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D'EÇA Fl. 1199DF CARF MF Impresso em 03/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2013 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 28/08/2013 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 24/09/2013 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO
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Numero do processo: 11831.007484/2002-21
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 08 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Oct 31 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2001
Ementa:
COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO DE IRPJ. IRRF. COMPROVANTE DE RENDIMENTOS.
A apresentação de comprovante de rendimentos fornecido pela fonte pagadora, é suficiente para comprovar a retenção do IRRF pleiteado no saldo negativo de IRPJ informado em DCOMP, ainda que a fonte pagadora não tenha informado tais valores em DIRF.
COMPENSAÇÃO. ESTIMATIVAS. QUITAÇÃO POR COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA.
Correta a glosa do saldo negativo de IRPJ, de estimativas que teriam sido quitadas por compensação, mas que não restaram homologadas.
Numero da decisão: 1301-001.532
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
VALMAR FONSÊCA DE MENEZES - Presidente.
(assinado digitalmente)
LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Valmar Fonsêca de Menezes, Wilson Fernandes Guimarães, Valmir Sandri, Luiz Tadeu Matosinho Machado (substituto convocado), Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior, Carlos Augusto de Andrade Jenier. Ausente, justificadamente o Conselheiro Paulo Jakson da Silva Lucas.
Nome do relator: LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2001 Ementa: COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO DE IRPJ. IRRF. COMPROVANTE DE RENDIMENTOS. A apresentação de comprovante de rendimentos fornecido pela fonte pagadora, é suficiente para comprovar a retenção do IRRF pleiteado no saldo negativo de IRPJ informado em DCOMP, ainda que a fonte pagadora não tenha informado tais valores em DIRF. COMPENSAÇÃO. ESTIMATIVAS. QUITAÇÃO POR COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. Correta a glosa do saldo negativo de IRPJ, de estimativas que teriam sido quitadas por compensação, mas que não restaram homologadas.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) VALMAR FONSÊCA DE MENEZES - Presidente. (assinado digitalmente) LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Valmar Fonsêca de Menezes, Wilson Fernandes Guimarães, Valmir Sandri, Luiz Tadeu Matosinho Machado (substituto convocado), Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior, Carlos Augusto de Andrade Jenier. Ausente, justificadamente o Conselheiro Paulo Jakson da Silva Lucas.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2001 Ementa: COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO DE IRPJ. IRRF. COMPROVANTE DE RENDIMENTOS. A apresentação de comprovante de rendimentos fornecido pela fonte pagadora, é suficiente para comprovar a retenção do IRRF pleiteado no saldo negativo de IRPJ informado em DCOMP, ainda que a fonte pagadora não tenha informado tais valores em DIRF. COMPENSAÇÃO. ESTIMATIVAS. QUITAÇÃO POR COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. Correta a glosa do saldo negativo de IRPJ, de estimativas que teriam sido quitadas por compensação, mas que não restaram homologadas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) VALMAR FONSÊCA DE MENEZES Presidente. (assinado digitalmente) LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Valmar Fonsêca de Menezes, Wilson Fernandes Guimarães, Valmir Sandri, Luiz Tadeu Matosinho Machado AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 83 1. 00 74 84 /2 00 2- 21 Fl. 690DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/06/2014 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 06 /06/2014 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 11831.007484/200221 Acórdão n.º 1301001.532 S1C3T1 Fl. 691 2 (substituto convocado), Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior, Carlos Augusto de Andrade Jenier. Ausente, justificadamente o Conselheiro Paulo Jakson da Silva Lucas. Fl. 691DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/06/2014 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 06 /06/2014 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 11831.007484/200221 Acórdão n.º 1301001.532 S1C3T1 Fl. 692 3 Relatório SL PARTICIPAÇÕES S.A., já devidamente qualificada nestes autos, recorre a este Conselho contra a decisão prolatada pela 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em SÃO PAULOI/SP, que indeferiu os pedidos veiculados através de manifestação de inconformidade apresentada contra a decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Administração Tributária em São Paulo/SP – DERAT/SP. Trata a lide de pedido de compensação de saldo negativo de IRPJ relativo ao anocalendário 2001. A unidade administrativa (DERAT/SP) que primeiro analisou os pedidos formulados pela empresa os indeferiu, após concluir que não restou comprovada a existência de IRRF no montante de 172.116,90 em relação ao total pleiteado (R$ 2.949.972,39) e ainda que não foi comprovada a quitação de estimativas no valor de R$ 52.138,25 relativa ao mês de janeiro de 2001 . Inconformada, a empresa apresentou manifestação de inconformidade à DRJ SÃO PAULOI(SP) trazendo, em resumo, os seguintes argumentos: a) Que a diferença de R$ 172.116,90, com relação ao imposto na fonte, está resulta da glosa de retenções no valor de R$ 175.293,98, realizadas pela empresa PROMON IP, CNPJ 33.042.953/000171, retenções essas que realmente ocorreram, como se verifica pelos comprovantes de arrecadação por ela fornecidos, dos quais segue cópia em anexo (docs. 2 a 8). Apresenta ainda a cópia do Informe de Rendimentos (doc. 1), com retenções de IRRF no valor de R$176.862,52 e observa que as retenções na fonte foram até maiores do que as declaradas. b) Que, no tocante ao imposto mensal por estimativa, a diferença entre o montante declarado e o considerado correto, pelo Despacho Decisório é de R$ 52.138,25, ou seja, precisamente o valor da antecipação referente ao mês de janeiro do anobase, cuja existência está atestada pelo próprio despacho (subitem 2.13.). A 4ª Turma da DRJSÃO PAULOI(SP) analisou a manifestação de inconformidade apresentada pela contribuinte e, mediante o Acórdão nº 1633.868, de 22/09/2011, indeferiu a solicitação, conforme ementa a seguir transcrita: CRÉDITO LÍQUIDO E CERTO. O contribuinte tem direito a restituição e/ou compensação do tributo pago indevidamente, desde que faça prova de possuir crédito líquido e certo contra a Fazenda Pública. DIREITO CREDITÓRIO. IRPJ. Não tendo sido apurado crédito líquido e certo em favor do contribuinte, referente ao IRPJ apurado no AC 2001, em valor diferente do já reconhecido no Despacho Decisório, mantémse a decisão recorrida. Fl. 692DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/06/2014 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 06 /06/2014 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 11831.007484/200221 Acórdão n.º 1301001.532 S1C3T1 Fl. 693 4 Ciente da decisão de primeira instância em 02/12/2011, e com ela inconformada, a empresa apresentou recurso voluntário em 21/12/2011, mediante o qual oferece, em apertada síntese, os seguintes argumentos: A) Que não obstante a comprovação da retenção e recolhimento do Imposto Retido na Fonte pela empresa PROMON IP, CNPJ 33.042.953/000171, a decisão recorrida indeferiu a solicitação ao argumento de que não restou efetivamente comprovado o recolhimento do IRRF pela fonte pagadora, na medida em que os DARF’s apresentados não possuíam a identificação do beneficiário dos rendimentos e que, especificamente em relação ao mês de dezembro o DARF apresentado era de R$ 30.000,00 e não de R$ 31.568,54 e, ainda, que os fatos geradores nele informados correspondiam ao mês de janeiro do ano seguinte (2002) e não a dezembro de 2001. B) Que tal decisão é equivocada, pois não existe campo no DARF para a indicação do beneficiário dos rendimentos sujeitos à retenção do IRRF neles (DARFs) recolhidos e que o recolhimento à menor pela fonte pagadora ou com erro na indicação do fato gerador do IRRF (relativo ao mês de dezembro) não impede a compensação pelo beneficiário. C) Que restou comprovada, inclusive com cópias dos livros contábeis da recorrente e da fonte pagadora o registro dos rendimentos e da respectiva retenção na fonte, além do informe de rendimentos apresentado. D) Que, com relação à quitação das estimativas do mês de janeiro de 2001, não encontrou o comprovante do pagamento, em face do lapso de tempo decorrido, o que não afasta o dever da administração tributária considerála, pois tratase de documento em poder dela própria, nos termos do art. 37 da Lei nº 9.784/1999. Em 23/12/2011, a recorrente apresentou nova manifestação à autoridade preparadora na qual alega existir, no processo, erro material, sanável de ofício, nos termos do art. 32 do Decreto nº 70.235/1972, consistente na utilização indevida dos créditos pleiteados neste processo, relativo ao saldo negativo do anocalendário 2001, com débitos informados em diversas DCOMP que, não obstante tenham informado inicialmente a utilização de créditos do anocalendário 2001, restaram retificadas tempestivamente com a indicação de compensação de créditos de saldo negativo de IRPJ do anocalendário 2002. É o Relatório. Fl. 693DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/06/2014 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 06 /06/2014 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 11831.007484/200221 Acórdão n.º 1301001.532 S1C3T1 Fl. 694 5 Voto Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado O recurso voluntário é tempestivo e atende aos pressupostos e requisitos legais e regimentais. Assim, dele conheço. Tratase de examinar a formação de saldo negativo de IRPJ do ano calendário 2001, cuja compensação foi pleiteada pela recorrente mediante a apresentação de diversas DCOMP. A autoridade administrativa competente analisou os pedidos, deferindoos parcialmente. O acórdão recorrido, que analisou a manifestação de inconformidade da interessada, houve por bem rejeitála, mantendo o despacho decisório da autoridade administrativa. A querela se dá em torno de dois pontos específicos. O primeiro ponto referese à comprovação do IRRF retido sobre rendimentos pagos pela empresa PROMON IP SA que, segundo a recorrente teria o montante de R$ 175.293,98, sendo suficiente para justificar a diferença de R$ 172.116,90 indeferida pela autoridade administrativa ao argumento de não constarem em DIRF tais valores. A recorrente trouxe aos autos, em sua impugnação, cópia do comprovante de rendimentos fornecido pela fonte pagadora (fls. 373 do eprocesso) indicando a retenção de IRRF no valor de R$ 176.862,52 e, ainda, cópias de DARF’s recolhidos pela fonte pagadora em valores coincidentes com os montantes retidos mensalmente, informados no comprovante de rendimentos, com exceção do mês de dezembro que apresenta diferenças de valor e de indicação do fato gerador. O acórdão recorrido atevese tão somente às cópias de DARF’s apresentadas, questionando sua vinculação aos valores informados no comprovante de rendimentos apresentado e recusando a comprovação. No meu entendimento, equivocase a decisão recorrida pois, a despeito de não existir a possibilidade de vinculação dos DARF’s de recolhimento de IRRF com os beneficiários dos rendimentos pagos, como alega a recorrente, não existe obrigação do beneficiário comprovar o recolhimento do IRRF pela fonte pagadora. A previsão legal se resume à necessidade de apresentação do comprovante anual de retenção para fins de compensação do imposto de renda retido na fonte, nos termos do art. 55 da Lei nº 7.450/1985, in verbis: Art 55 O imposto de renda retido na fonte sobre quaisquer rendimentos somente poderá ser compensado na declaração de pessoa física ou jurídica, se o contribuinte possuir comprovante de retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora dos rendimentos. Fl. 694DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/06/2014 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 06 /06/2014 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 11831.007484/200221 Acórdão n.º 1301001.532 S1C3T1 Fl. 695 6 Ora, tendo a recorrente apresentado o comprovante de rendimentos fornecido pela fonte pagadora, resta comprovada a retenção do IRRF pleiteado nas DCOMP, ainda que a fonte pagadora não tenha informado tais valores em DIRF. Assim, impõese reconhecer o direito creditório relativo ao IRRF pleiteado em relação à fonte pagadora PROMON IP SA, limitado ao valor de R$ 172.116,90, consoante pleiteado nas DCOMP apresentadas. O segundo aspecto do recurso referese à comprovação de quitação de estimativas relativas ao mês de janeiro/2001, no montante de R$ 52.138,25. Alega a recorrente que não encontrou o comprovante de recolhimento do valor, mas que a própria administração deve reconhecêlo na medida em que se trata de documento que detém em seu poder. Quanto a este aspecto, o acórdão recorrido assim se pronunciou: 10.2. IR Mensal Calculado por Estimativa 10.2.1. Segundo a Recorrente, a diferença de R$52.138,25 referese ao valor da antecipação relativo ao mês de janeiro de 2001, cuja existência está atestada pelo próprio despacho (subitem 2.13.). 10.2.2. Seguem excertos do Despacho Decisório: “constatouse que a estimativa de janeiro/2001 foi compensada sem processo com o SNIRPJ de 2000 (fl. 252). A análise desse saldo credor foi realizada no processo n° 11831.001354/200102, cuja cópia do despacho decisório encontrase às fls. 253 a 255 desse processo. Verificouse que esse crédito foi deferido parcialmente no valor de R$1.726.463,25, e que foi utilizado totalmente em outras compensações pleiteadas pelo interessado (fl. 258) ... Segundo a Ficha 11 da DIPJ 2002 (fls. 232 a 235), houve imposto a pagar (linha 11) no mês de janeiro. Constatouse o seguinte: ... o débito de janeiro foi compensado com o SNIRPJ de 2000” (subitens 2.6. e 2.13.1.). (grifei). 10.2.3. Em relação ao IR Mensal calculado por estimativa relativo a janeiro de 2001, temse a tecer o seguintes comentários: 10.2.3.1. na DCTF (fl. 252) foi informado que o débito no código 2362, período de apuração janeiro/2001, no valor de R$52.138,25, foi compensado “sem processo” com SNIRPJ AC 2000; 10.2.3.2. o processo administrativo nº 11831.001354/200102 controla o crédito referente ao SNIRPJ AC 2000 e compensação com débitos nele indicados. Dentre estes débitos, não se encontra o supracitado (código 2362; janeiro/2001), conforme fls. 256 a 258. Observase que o SNIRPJ AC 2000 deferido foi integralmente utilizado na compensação dos débitos que constavam do processo referido; 10.2.3.3. nada foi trazido de modo a comprovar a alegada compensação com a estimativa referente a janeiro de 2001. Ademais, não restou crédito referente ao SNIRPJ AC 2000. Portanto, correta a Autoridade Administrativa ao não considerar tal valor na apuração do saldo negativo do AC 2001. 10.2.4. Como foi utilizado, na Ficha 11 (Cálculo do Imposto de Renda Mensal por Estimativa) da DIPJ 2002 (fls. 232 a 235), IRRF de R$1.514.929,50, este é o Fl. 695DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/06/2014 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 06 /06/2014 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 11831.007484/200221 Acórdão n.º 1301001.532 S1C3T1 Fl. 696 7 valor a ser informado na linha 16 (Imposto de Renda Mensal Pago por Estimativa) da Ficha 12A (Cálculo do Imposto de Renda sobre o Lucro Real; fl. 236). Como se constata do excerto transcrito do acórdão recorrido a diferença referese à estimativa que teria sido quitada por meio de compensação com saldo negativo de IRPJ do ano 2000. Ocorre que tal débito não restou extinto por compensação, na medida em que as compensações relativas ao saldo negativo de IRPJ do ano 2000, analisadas no processo administrativo nº 11831.001354/200102, não incluem este período, uma vez que o crédito reconhecido não foi suficiente para quitar todas as compensações pleiteadas. Não se trata, portanto, de recolhimento mediante DARF que a própria administração teria registro em seus arquivos, como alega a recorrente. Desta feita, não tendo sido homologada a compensação pleiteada, com o saldo negativo de IRPJ do ano 2000, deve ser mantida a glosa do valor de R$ 52.138,25 do montante do direito creditório reconhecido. Por fim, no que tange à manifestação da recorrente, apresentado mediante petição aditiva ao recurso voluntário, quanto à existência de erro material na vinculação indevida de diversas DCOMP’s à presente análise relativa ao saldo negativo de IRPJ do ano calendário 2001, entendo que tratase de matéria de fato a ser verificada pela autoridade administrativa por ocasião da liquidação do presente acórdão, cabendo a este colegiado manifestarse tão somente sobre as matérias em litígio, ou seja, apenas quanto ao valor do direito creditório a ser reconhecido, o que já foi feito. Ante ao exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer o direito creditório adicional de R$ 172.116,90 relativo ao saldo negativo de IRPJ do anocalendário 2001 e homologar as compensações pleiteadas até o montante do direito creditório reconhecido. Sala de sessões, em 08 de Maio de 2014. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Relator Fl. 696DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/06/2014 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 06 /06/2014 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VALMAR FONSECA DE MENEZES
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Numero do processo: 14041.000156/2009-65
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 05 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Nov 20 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/03/1996 a 31/12/1996
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO
Os embargos de declaração não se prestam para a rediscussão da matéria enfrentada no acórdão embargado.
Constatada a inexistência de obscuridade, omissão ou contradição no acórdão embargado, rejeita-se a pretensão da embargante.
Embargos Rejeitados.
Numero da decisão: 2402-004.407
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os embargos opostos.
Julio César Vieira Gomes - Presidente
Nereu Miguel Ribeiro Domingues - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio César Vieira Gomes, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Luciana de Souza Espíndola Reais, Thiago Taborda Simões, Ronaldo de Lima Macedo e Lourenço Ferreira do Prado.
Nome do relator: NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES
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ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/03/1996 a 31/12/1996 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO Os embargos de declaração não se prestam para a rediscussão da matéria enfrentada no acórdão embargado. Constatada a inexistência de obscuridade, omissão ou contradição no acórdão embargado, rejeitase a pretensão da embargante. Embargos Rejeitados. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os embargos opostos. Julio César Vieira Gomes Presidente Nereu Miguel Ribeiro Domingues Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio César Vieira Gomes, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Luciana de Souza Espíndola Reais, Thiago Taborda Simões, Ronaldo de Lima Macedo e Lourenço Ferreira do Prado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 04 1. 00 01 56 /2 00 9- 65 Fl. 136DF CARF MF Impresso em 20/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 18/11/20 14 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GO MES 2 Relatório Tratase de embargos de declaração opostos em face do acórdão que reconheceu a nulidade material do lançamento, por ausência de comprovação da ciência do resultado do julgamento que declarou a nulidade formal do lançamento anterior, assim ementado: “LANÇAMENTO SUBSTITUTIVO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DE QUE FOI REALIZADO DENTRO DO PRAZO DECADENCIAL. VÍCIO MATERIAL. Conforme previsto no art. 173, II, do CTN, o direito da Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 anos contados da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Não tendo o Fisco comprovado a expedição da intimação ou a data em que o sujeito passivo teve ciência da decisão que anulou o lançamento anterior, o lançamento é nulo por vício material, vez que não restou comprovado que o lançamento substituto foi realizado dentro do prazo decadencial. Recurso Voluntário Provido.” A Embargante sustenta que o acórdão foi omisso e contraditório em sua fundamentação, haja vista que: (i) é fato incontroverso que o contribuinte foi intimado em 18/02/2004 das decisões que anularam as NFLD’s por vício formal; (ii) de acordo com o próprio contribuinte, a notificação teria ocorrido em fevereiro de 2004; (iii) o contribuinte não se opôs à data da intimação, defendendo tão somente que o prazo decadencial de que trata o art. 173, inc. II do CTN deveria contar a partir da data da prolação dos acórdãos; (iv) nos termos do art. 334 do Código Civil, não depende de prova os fatos tidos no processo como incontroversos; (v) os atos administrativos estão revestidos de presunção de veracidade; e (vi) ainda que se entenda não existir prova do recebimento da intimação, devese reconhecer que o Embargado foi intimado quinze dias após a data da expedição da intimação, nos termos do Decreto nº 70.235/72, art. 23, § 2º, inciso II. É o relatório. Fl. 137DF CARF MF Impresso em 20/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 18/11/20 14 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GO MES Processo nº 14041.000156/200965 Acórdão n.º 2402004.407 S2C4T2 Fl. 3 3 Voto Conselheiro Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Relator Analisando os embargos opostos tempestivamente, constatase que os mesmos não atendem aos requisitos de admissibilidade previstos no art. 65 do Regimento Interno do CARF, conforme apreciação realizada abaixo. Como se verifica no presente caso, foi travada discussão acerca da data em que o contribuinte teria sido intimado das decisões que anularam os lançamentos paradigmas, de forma a possibilitar a correta contagem do prazo decadencial previsto no art. 173, inc. II do CTN. Diante das questões levadas à apreciação, este Conselho determinou que a fiscalização juntasse aos autos o documento que comprovasse a data em que o contribuinte foi notificado das decisões anuladas. Após a fiscalização ter informado que os documentos solicitados não foram localizados, este Conselho anulou o lançamento por vício material, sob o argumento de que a comprovação da data da intimação das decisões anuladas é condição material para o lançamento realizado sob a égide do art. 173, inc. II do CTN. Mesmo após as dúvidas levantadas no processo e a resposta dada pela fiscalização quando da realização da diligência, a Fazenda Nacional interpôs os presentes embargos sustentando que “é fato incontroverso neste feito que o Embargado foi intimado 18 de fevereiro de 2004, por via postal”. Contudo, vale reprisar que não há nos autos qualquer documento que ateste o recebimento da intimação pelo Embargado, para fins de contagem do prazo decadencial, não havendo que se falar em “fato incontroverso”. Como já exposto no v. acórdão embargado, a fiscalização não comprovou a data da intimação das decisões que anularam os lançamentos anteriores, não sendo possível realizar a contagem do prazo decadencial de que trata o art. 173, inc. II do CTN. Não é possível utilizarse de teses subjetivas para buscar suprir requisito inerente a qualquer lançamento realizado com suporte no art. 173, inc. II do CTN, qual seja, a data da intimação da decisão que anulou o lançamento anterior. Outrossim, o fato é tão controverso que a própria Embargante pontuou que, “ainda que se entenda não existir prova do recebimento da intimação”, deve ser considerado que o embargado foi intimado quinze dias após a data da expedição da intimação, nos termos do Decreto nº 70.235/72, art. 23, § 2º, inciso II, abaixo transcrito: “Art. 23. Farseá a intimação: (...) II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário Fl. 138DF CARF MF Impresso em 20/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 18/11/20 14 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GO MES 4 eleito pelo sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) § 2° Considerase feita a intimação: (...) II no caso do inciso II do caput deste artigo, na data do recebimento ou, se omitida, quinze dias após a data da expedição da intimação; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997)” Para a aplicação do dispositivo acima, é essencial que haja a comprovação do envio da intimação e a “prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo”, hipótese em que, sendo omitida a data do recebimento, serão considerados quinze dias após a data da expedição da intimação. Entretanto, não se verificam tais requisitos no processo, não havendo que se falar na aplicação da referida norma. Alega a Embargante também que o Embargado nunca arguiu que a intimação teria ocorrido em data diversa daquela apontada pelo Fisco, ou ainda que não teria sido intimado das referidas decisões, tornandose incontroversa a data da intimação. Contudo, independentemente de ter atacado os pontos acima, arguiu o Embargado a decadência do lançamento, a qual só pode ser devidamente analisada com a comprovação da data da intimação da decisão que anulou o lançamento anterior. Nesse sentido, caso não fosse esse o entendimento, estarseia convalidando um lançamento com fundamentação deficiente, possivelmente decaído, em patente ofensa ao art. 142 do CTN, o que não se admite. Por essas razões, concluise que não há contradição ou omissão no v. acórdão embargado, visando os presentes embargos apenas a rediscussão da matéria, o que não é possível nos termos do art. 65 do Regimento Interno do CARF. Ante o exposto, voto pela REJEIÇÃO DOS EMBARGOS DE DECLARAÇÃO opostos pela Fazenda Nacional. É o voto. Nereu Miguel Ribeiro Domingues. Fl. 139DF CARF MF Impresso em 20/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 18/11/20 14 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GO MES
score : 1.0
Numero do processo: 15471.001938/2008-33
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 15 00:00:00 UTC 2013
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2005
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL RECURSO
INTEMPESTIVO
O prazo para interposição do recurso voluntário é de 30 dias, contados da ciência da decisão de primeira instância. O recurso interposto após esse prazo não deve ser conhecido pelo Colegiado.
Numero da decisão: 2102-002.564
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NÃO
CONHECER do recurso, por intempestivo.
Nome do relator: Conselheira Acácia Sayuri Wakasugi
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O recurso interposto após esse prazo não deve ser conhecido pelo Colegiado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NÃO CONHECER do recurso, por intempestivo. Assinado digitalmente José Raimundo Tosta Santos – Presidente Assinado Digitalmente Carlos André Rodrigues Pereira Lima – Redator “ad hoc” EDITADO EM: 15/05/2013 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 47 1. 00 19 38 /2 00 8- 33 Fl. 57DF CARF MF Impresso em 15/10/2014 por MARIA MADALENA SILVA EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/01/2014 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalment e em 05/01/2014 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalmente em 28/01/2014 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS 2 Participaram da Sessão de julgamento os Conselheiros JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS (Presidente), RUBENS MAURICIO CARVALHO, NUBIA MATOS MOURA, ACACIA SAYURI WAKASUGI, ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA. Relatório Assim, contra VAGNER PONTES DOS SANTOS, inscrito no CPF nº 312.819.90787, foi lavrada Notificação de Lançamento, fls. 0307, para alterar o resultado da Declaração de Ajuste Anual (DAA), anocalendário 2004, exercício 2005, sendo que confrontando o valor dos Rendimentos Tributáveis Recebidos de Pessoa Jurídica declarados com o valor dos rendimentos informados pelas fontes pagadoras em Declaração do Imposto de Renda Retido na Fonte (Dirf), para o titular, constatouse omissão de rendimentos sujeitos à tabela progressiva, no valor de R$ 18.007,60, percebido da fonte pagadora. Cientificado, por meio do AR de fls. 23 em 17/01/2008, houve a tentativa de notificação pelo correio, tendo retornado AR, com endereço insuficiente. Posteriormente, as fls. 2526, o contribuinte foi notificado através de edital, insurgiuse contra o lançamento as fls. 0102, em 10/07/2008, focando primordialmente o inciso III do art 1° da Lei 8.852/94, o qual, segundo alega, enumera hipóteses que excluiriam rendimentos do campo de incidência do imposto de renda sobre a pessoa física e, assim, a Secretaria da Receita Federal deveria rever a autuação, tendo juntado documentos, fls. 08/20. Em acordão tombado sob o nº. 1324.765 1ª. Turma da DRJ/RJOII , em sessão de julgamento datado de 21 de maio de 2009, julgou, por unanimidade de votos, procedente o lançamento, tendo a seguinte ementa que ora transcrevo: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2005 OMISSÃO DE RENDIMENTOS As exclusões do conceito de remuneração, estabelecidas na Lei n° 8.852/94, não são hipóteses de isenção ou não incidência de IRPF, que requerem, pelo Principio da Estrita Legalidade em matéria tributária, disposição legal federal especifica. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA Consolidase administrativamente o crédito tributário relativo à matéria não impugnada (Decreto nº 70.235, de 1972, art. 17). Lançamento Procedente” Cientificado, por AR em 04/09/2009, fls. 35verso, o contribuinte apresentou, em 16/11/2009, recurso voluntário, fls. 3435, onde repisa os argumentos elencados na impugnação ao auto de lançamento, aduzindo ainda que de acordo com a Lei Federal nº 8.852/94, em seu art. 1º, inc. III, o IRPF não incidiria sob as parcelas relativas aos vencimentos dos militares/servidores civis, mais especificamente, sobre adicional por tempo de serviço. Fl. 58DF CARF MF Impresso em 15/10/2014 por MARIA MADALENA SILVA EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/01/2014 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalment e em 05/01/2014 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalmente em 28/01/2014 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 15471.001938/200833 Acórdão n.º 2102002.564 S2C1T2 Fl. 49 3 É o Relatório. Voto Conselheira Acácia Sayuri Wakasugi Relatora O contribuinte foi intimado da decisão da DRJ em 04/09/2009, sextafeira, e interpôs recurso voluntário somente em 16/11/2009, segundafeira, quando já fluíra o trintídio legal, que teve seu termo final em 07/10/2009, quartafeira. Verificase nos autos a presença da devolução do AR (fls. 35verso), para o endereço constante, inclusive, na identificação do contribuinte em seu Recurso Voluntário (fls. 36). Sendo assim, o prazo para apresentação do recurso voluntário está disciplinado nos arts. 5º e 33 do Decreto nº 70.235, de 1972, que dispõe: Art. 5o. Os prazos serão contínuos, excluindose na sua contagem o dia do início e incluindose o do vencimento. Parágrafo único. Os prazos só se iniciam ou vencem no dia de expediente normal no órgão em que corra o processo ou deva ser praticado o ato. [...] Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. Desta forma, o sujeito passivo deveria apresentar o recurso voluntário a este colegiado nos 30 (trinta) dias seguintes à ciência da decisão de primeiro grau. Vencido o referido prazo, sem que haja a apresentação do citado recurso, está materializada a preclusão do direito de recorrer, sendo este recurso tratado nos termos do art. 35 do Decreto nº 70.235, de 1972: “O recurso, mesmo perempto, será encaminhado ao órgão de segunda instância, que julgará a perempção.” Assim, este Colegiado está impossibilitado de conhecer as razões de defesas suscitadas, tornandose definitiva, na esfera administrativa, a decisão de primeiro grau. Ante ao exposto, uma vez comprovada à intempestividade do presente recurso, Voto no sentido de Não Conhecer do recurso. Sala das Sessões, em 15 de maio de 2013. Assinado Digitalmente Carlos André Rodrigues Pereira Lima – Redator “ad hoc” Fl. 59DF CARF MF Impresso em 15/10/2014 por MARIA MADALENA SILVA EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/01/2014 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalment e em 05/01/2014 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalmente em 28/01/2014 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS 4 Fl. 60DF CARF MF Impresso em 15/10/2014 por MARIA MADALENA SILVA EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/01/2014 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalment e em 05/01/2014 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalmente em 28/01/2014 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS
score : 1.0
Numero do processo: 10950.904980/2012-88
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 16 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Oct 30 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 30/04/2005
CONTRIBUIÇÃO PIS/COFINS. EXCLUSÃO DOS VALORES DECORRENTES DE VENDAS INADIMPLIDAS. IMPOSSIBILIDADE.
Para as pessoas jurídicas em geral as exclusões da base de cálculo estão todas discriminadas em Lei, assim os valores decorrente de vendas inadimplidas não podem ser excluídas da base de cálculo.
CONTRIBUIÇÃO COFINS/PIS. VENDAS INADIMPLIDAS APLICAÇÃO DE DECISÃO DO STF NA SISTEMÁTICA DA REPERCUSSÃO GERAL.
Nos termos regimentais, reproduz-se as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) na sistemática de repercussão geral. Assim sendo, não se pode equiparar as vendas inadimplidas com as hipótese de cancelamento de vendas.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3801-004.526
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Marcos Antônio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Sérgio Celani, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Jacques Mauricio Ferreira Veloso de Melo.
Nome do relator: FLAVIO DE CASTRO PONTES
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do fato gerador: 30/04/2005 CONTRIBUIÇÃO PIS/COFINS. EXCLUSÃO DOS VALORES DECORRENTES DE VENDAS INADIMPLIDAS. IMPOSSIBILIDADE. Para as pessoas jurídicas em geral as exclusões da base de cálculo estão todas discriminadas em Lei, assim os valores decorrente de vendas inadimplidas não podem ser excluídas da base de cálculo. CONTRIBUIÇÃO COFINS/PIS. VENDAS INADIMPLIDAS APLICAÇÃO DE DECISÃO DO STF NA SISTEMÁTICA DA REPERCUSSÃO GERAL. Nos termos regimentais, reproduz-se as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) na sistemática de repercussão geral. Assim sendo, não se pode equiparar as vendas inadimplidas com as hipótese de cancelamento de vendas. Recurso Voluntário Negado.
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EXCLUSÃO DOS VALORES DECORRENTES DE VENDAS INADIMPLIDAS. IMPOSSIBILIDADE. Para as pessoas jurídicas em geral as exclusões da base de cálculo estão todas discriminadas em Lei, assim os valores decorrente de vendas inadimplidas não podem ser excluídas da base de cálculo. CONTRIBUIÇÃO COFINS/PIS. VENDAS INADIMPLIDAS APLICAÇÃO DE DECISÃO DO STF NA SISTEMÁTICA DA REPERCUSSÃO GERAL. Nos termos regimentais, reproduzse as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) na sistemática de repercussão geral. Assim sendo, não se pode equiparar as vendas inadimplidas com as hipótese de cancelamento de vendas. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes – Presidente e Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 95 0. 90 49 80 /2 01 2- 88 Fl. 102DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 29/10/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10950.904980/201288 Acórdão n.º 3801004.526 S3TE01 Fl. 3 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Marcos Antônio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Sérgio Celani, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Jacques Mauricio Ferreira Veloso de Melo. Fl. 103DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 29/10/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10950.904980/201288 Acórdão n.º 3801004.526 S3TE01 Fl. 4 3 Relatório Adotase, em regra, o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que narra bem os fatos: Tratase de Pedido de Restituição de pagamento que teria sido realizado a maior. A Delegacia da Receita Federal de origem emitiu Despacho Decisório Eletrônico indeferindo o pleito, tendo em vista que o pagamento apontado como origem do direito creditório estaria integralmente utilizado na quitação de débito do contribuinte. Em manifestação de inconformidade a contribuinte afirma que o direito de crédito tem origem no pagamento de contribuição sobre valores de vendas não recebidas que foram incluídos como receita na base de cálculo. Em resumo, argumenta que as cifras relativas às vendas não adimplidas não constituem receitas porque não representam acréscimo patrimonial, cabendo a correspondente exclusão da base de cálculo, nos mesmos moldes do tratamento dispensado às vendas canceladas, já que o inadimplemento do comprador implicaria verdadeiro cancelamento do contrato de venda. Ademais, prossegue, insistir na tributação de valores relativos às vendas não recebidas culmina por ofender o princípio da capacidade contributiva. Dessa forma, conclui, o pagamento da contribuição calculada sobre as vendas não quitadas é indevido e o direito de crédito deve ser restituído. Requer ainda a atualização do direito de crédito de acordo com a variação da taxa Selic. Pretende ainda que sejam examinadas as provas do direito de crédito conforme indica. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto (SP) julgou improcedente a manifestação de inconformidade, nos termos da ementa abaixo transcrita: BASE DE CÁLCULO. VENDAS INADIMPLIDAS. EXCLUSÃO. IMPOSSIBILIDADE. O inadimplemento de clientes não se confunde com cancelamento de vendas, não podendo os valores correspondentes às vendas inadimplidas ser excluídos da base de cálculo do PIS e da COFINS. O pagamento da contribuição calculada sobre os mencionados valores não é indevido sendo correto o indeferimento do correspondente pedido de restituição. Fl. 104DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 29/10/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10950.904980/201288 Acórdão n.º 3801004.526 S3TE01 Fl. 5 4 Discordando da decisão de primeira instância, a recorrente interpôs recurso voluntário. Em síntese, apresentou as mesmas alegações suscitadas na manifestação de inconformidade em relação à ilegalidade da cobrança das contribuições PIS e Cofins sem a exclusão dos valores referentes às vendas não recebidas. Por fim, requereu que fosse conhecido e provido seu recurso voluntário. Outrossim, postulou que os créditos a serem por fim restituídos fossem acrescidos de juros remuneratórios a base da taxa selic, desde seu pagamento indevido até a data da restituição/compensação. É o relatório. Fl. 105DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 29/10/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10950.904980/201288 Acórdão n.º 3801004.526 S3TE01 Fl. 6 5 Voto Conselheiro Flávio de Castro Pontes O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, portanto, dele tomase conhecimento. Como relatado, o litígio tem como controvérsia a exclusão da base de cálculo da contribuição dos valores relativos a vendas canceladas. Para o período de apuração em discussão, segundo o código de receita do pagamento a maior, 2172, 8109, 5856 ou 6912, aplicavamse os dispositivos das Leis 9.718, de 1998, 10.637, de 2002 e 10.833, de 2003: Lei 9.718/98: Art. 2° As contribuições para o PIS/PASEP e a COFINS, devidas pelas pessoas jurídicas de direito privado, serão calculadas com base no seu faturamento, observadas a legislação vigente e as alterações introduzidas por esta Lei Art. 3º "O faturamento a que se refere o artigo anterior corresponde à receita bruta da pessoa jurídica. Lei 10.637/02 Art. 1o A contribuição para o PIS/Pasep tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. § 1o Para efeito do disposto neste artigo, o total das receitas compreende a receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica. (grifouse) Lei 10.7637/2002 Lei 10.833/03 Art. 1o A Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, com a incidência nãocumulativa, tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. § 1o Para efeito do disposto neste artigo, o total das receitas compreende a receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica.(grifouse) Lei 10.833/2003 (...) Fl. 106DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 29/10/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10950.904980/201288 Acórdão n.º 3801004.526 S3TE01 Fl. 7 6 Como visto, as Leis citadas estabelecem a natureza das receitas, em regra, o total das receitas compreende a receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica. Por outro lado, as exclusões da base de cálculo estão todas discriminadas nas respectivas leis e os valores decorrentes de vendas inadimplidas não fazem parte desse rol, logo não podem ser excluídas da base de cálculo da contribuição. Insistase que a norma estabelece a incidência da contribuição sobre a totalidade das receitas e não prevê estas exclusões. Tenhase presente que a discriminação das exclusões e deduções da base cálculo da contribuição foi uma opção do legislador no período em referência, não sendo a seara administrativa o fórum adequado para questionálo. Para por fim a discussão, como bem colocado pela decisão de primeira instância, o Pleno do Egrégio Supremo Tribunal Federal (STF), no julgamento do Recurso Extraordinário n.ºs 586.482/RS, publicado no DJE no dia 19/06/2012, Relator Ministro Dias Toffoli, sistemática de repercussão geral, pacificou o entendimento de que não é permitido a exclusão das chamadas vendas inadimplidas da base de cálculo das contribuições PIS e Cofins Os aludido acórdão foi assim ementado: TRIBUTÁRIO. CONSTITUCIONAL. COFINS/PIS. VENDAS INADIMPLIDAS. ASPECTO TEMPORAL DA HIPÓTESE DE INCIDÊNCIA. REGIME DE COMPETÊNCIA. EXCLUSÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. IMPOSSIBILIDADE DE EQUIPARAÇÃO COM AS HIPÓTESES DE CANCELAMENTO DA VENDA. 1. O Sistema Tributário Nacional fixou o regime de competência como regra geral para a apuração dos resultados da empresa, e não o regime de caixa. (art. 177 da Lei nº 6.404/¨76). 2. Quanto ao aspecto temporal da hipótese de incidência da COFINS e da contribuição para o PIS, portanto, temos que o fato gerador da obrigação ocorre com o aperfeiçoamento do contrato de compra e venda (entrega do produto), e não com o recebimento do preço acordado. O resultado da venda, na esteira da jurisprudência da Corte, apurado segundo o regime legal de competência, constitui o faturamento da pessoa jurídica, compondo o aspecto material da hipótese de incidência da contribuição ao PIS e da COFINS, consistindo situação hábil ao nascimento da obrigação tributária. O inadimplemento é evento posterior que não compõe o critério material da hipótese de incidência das referidas contribuições. 3. No âmbito legislativo, não há disposição permitindo a exclusão das chamadas vendas inadimplidas da base de cálculo das contribuições em questão. As situações posteriores ao nascimento da obrigação tributária, que se constituem como excludentes do crédito tributário, contempladas na legislação do PIS e da COFINS, ocorrem apenas quando fato superveniente venha a anular o fato gerador do tributo, nunca quando o fato gerador subsista perfeito e acabado, como ocorre com as vendas inadimplidas. Fl. 107DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 29/10/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10950.904980/201288 Acórdão n.º 3801004.526 S3TE01 Fl. 8 7 4. Nas hipóteses de cancelamento da venda, a própria lei exclui da tributação valores que, por não constituírem efetivos ingressos de novas receitas para a pessoa jurídica, não são dotados de capacidade contributiva. 5. As vendas canceladas não podem ser equiparadas às vendas inadimplidas porque, diferentemente dos casos de cancelamento de vendas, em que o negócio jurídico é desfeito, extinguindose, assim, as obrigações do credor e do devedor, as vendas inadimplidas a despeito de poderem resultar no cancelamento das vendas e na consequente devolução da mercadoria , enquanto não sejam efetivamente canceladas, importam em crédito para o vendedor oponível ao comprador. 6. Recurso extraordinário a que se nega provimento (grifouse). Destarte, são inúteis e desnecessárias eventuais discussões de outras teses sobre a possibilidade de se excluir da base de cálculo da contribuição as denominadas vendas inadimplidas. As autoridades administrativas têm que se submeter ao entendimento do Supremo Tribunal Federal e, de fato, atribuir eficácia em relação ao mérito. Neste sentido, alterouse o Regimento Interno do Conselho Administrativo Fiscais (CARF), aprovado pela Portaria nº 256/2009 do Ministro da Fazenda, com alterações das Portarias 446/2009 e 586/2010. O artigo 62A dispõe que os Conselheiros têm que reproduzir as decisões do STF proferidas na sistemárica da repercussão geral, in verbis: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. {*} (...) {*} alteraçãos introduzida pela Port. MF nº 586, de 21 de dezembro de 2010–DOU de 22.12.2010 ( grifouse) Em remate, não é permitido excluir da base de cálculo da contribuição as vendas inadimplidas. Por óbvio, seu pedido e argumentação de atualização dos créditos pela taxa Selic ficam prejudicados Em face do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Relator Fl. 108DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 29/10/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10950.904980/201288 Acórdão n.º 3801004.526 S3TE01 Fl. 9 8 Fl. 109DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 29/10/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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