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Numero do processo: 13888.000492/2003-06
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jan 14 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 1997
COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS FISCAIS. LIMITAÇÃO.
Os prejuízos fiscais de períodos anteriores somente podem ser compensados até o limite de trinta por cento.
ÔNUS DA PROVA. As alegações apresentadas devem vir acompanhadas das provas documentais correspondentes, sob risco de impedir sua apreciação pelo julgador administrativo.
MULTA DE OFÍCIO.
Aplica-se a multa de ofício nos casos de declaração inexata.
Numero da decisão: 1301-003.484
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente
(assinado digitalmente)
Bianca Felícia Rothschild - Relatora
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente), Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Giovana Pereira de Paiva Leite, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Bianca Felícia Rothschild.
Nome do relator: BIANCA FELICIA ROTHSCHILD
1.0 = *:*
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LIMITAÇÃO. Os prejuízos fiscais de períodos anteriores somente podem ser compensados até o limite de trinta por cento. ÔNUS DA PROVA. As alegações apresentadas devem vir acompanhadas das provas documentais correspondentes, sob risco de impedir sua apreciação pelo julgador administrativo. MULTA DE OFÍCIO. Aplicase a multa de ofício nos casos de declaração inexata. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 00 04 92 /2 00 3- 06 Fl. 282DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente (assinado digitalmente) Bianca Felícia Rothschild Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente), Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Giovana Pereira de Paiva Leite, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Bianca Felícia Rothschild. Fl. 283DF CARF MF Processo nº 13888.000492/200306 Acórdão n.º 1301003.484 S1C3T1 Fl. 283 3 Relatório Inicialmente, adotase o relatório da decisão recorrida, o qual bem retrata os fatos ocorridos e os fundamentos adotados até então: Em revisão da declaração de rendimentos da empresa supra, segundo consta da descrição dos fatos, foi apurado compensação indevida de prejuízos fiscais, referente ao anocalendário de 1997, por inobservância do limite máximo legal de 30% do lucro real antes das compensações. O crédito tributário lançado totalizou R$ 23.143,49, tendo sido lavrado o auto de infração de fls. 66/67, com fulcro no Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto n° 1.041, de 11 de janeiro de 1994 (RIR/1994), arts. 193, 196, III, e 197, parágrafo único, e na Lei n° 9.065, de 20 de junho de 1995, art. 15 e parágrafo único. Notificada do lançamento, a interessada, por seu representante legal, ingressou com a impugnação de fls.74/81, alegando, em suma, que a administração se alheou da verdade material, criando uma constrição ilegítima. Acrescentou que foram colhidos apenas os dados que ofereciam, escrituralmente, vantagens à Fazenda, abandonando os outros, cuja combinação revelaria que a verdade não era aquela apurada. Aduziu que a empresa foi autuada pelo que ela mesma informou, inobstante a informação contraria fatos e não prestar para a conclusão fiscal. Afirmou que, na totalidade do anocalendário, como o lucro líquido foi de R$ 19.058,31, este deveria ser o valor base para efeito do cálculo do excesso de composição de prejuízos anteriores. Alegou serem flagrantes os artifícios que levaram à lavratura de auto de infração, quando poderia ser resolvido com simples revisão interna, que se desaguaria em lançamento suplementar, com incidência de multa de mora, não superior a 20%, e não de 75%. Acrescentou ser aplicável à espécie o § 4o do art. 835 do RIR, que, na chamada revisão de declaração, sujeita o contribuinte ao lançamento de ofício apenas quando deixar de atender a pedido de esclarecimento. A autoridade de primeira instancia julgou procedente a impugnação da contribuinte, cuja acórdão encontrase as fls. 94 e segs. e ementa encontrase abaixo transcrita: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 1997 Ementa: COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS FISCAIS. LIMITAÇÃO. Os prejuízos fiscais de períodos anteriores somente podem ser compensados até o limite de trinta por cento do lucro real. Fl. 284DF CARF MF 4 Assunto: Processo Administrativo Fiscal Anocalendário: 1997 Ementa: IMPUGNAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. As alegações apresentadas na impugnação devem vir acompanhadas das provas documentais correspondentes, sob risco de impedir sua apreciação pelo julgador administrativo. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 1997 Ementa:MULTA DE OFÍCIO. Aplicase a multa de ofício nos casos de declaração inexata. Lançamento Procedente Cientificado da decisão de primeira instancia em 02/08/2006, o contribuinte apresentou, fl. 104 e segs, em 24/08/2006, recurso voluntário, repisando os argumentos levantados em sede de impugnação. Em sessão de 17 de setembro de 2007, a 3a Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes deu provimento ao Recurso Voluntário do contribuinte reconhecendo a decadência de ofício através do acórdão 10516.670 (fl. 118 e segs), cuja ementa passase a reproduzir abaixo: DECADÊNCIA TRIBUTOS ADMINISTRADOS PELA SRF A partir de janeiro de 1992, por força do artigo 38 da Lei 8.383/91, os tributos administrados pela SRF passaram a ser sujeitos ao lançamento por homologação. O inicio da contagem do prazo decadência é o da ocorrência do fato gerador do tributo, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, nos termos do parágrafo 4o do artigo 150 do CTN. Lançamento insubsistente Uma vez admitido Recurso Especial protocolado pela Fazenda Nacional, a Câmara Superior de Recursos Fiscais deste Conselho, em sessão 10 de novembro de 2008 apreciou o tema e acordou em negar provimento ao referido Recurso Especial, em acórdão de no. 105158.494. Transcrevese abaixo ementa do citado acórdão: DECADÊNCIA. Nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação, o termo inicial para contagem do prazo qüinqüenal de decadência para constituição do crédito é a ocorrência do respectivo fato gerador, a teor do art. 150, parágrafo 4o do CTN. Precedentes da CSRF. Recurso Especial não provido. Uma vez admitido Recurso Extraordinário protocolado pela Fazenda Nacional, o Pleno da Câmara Superior de Recursos Fiscais deste Conselho, em sessão 7 de dezembro de 2011 apreciou o tema e acordou em dar provimento ao referido Recurso Extraordinário para afastar a argüição de decadência, em acórdão de no. 9100000.217, solicitando retorno dos autos a câmara a quo para julgamento das demais razões de defesa do contribuinte em sede de recurso voluntário. Transcrevese abaixo ementa do citado acórdão: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 1998 REGIMENTO INTERNO CARF. DECISÃO DEFINITIVA DE Fl. 285DF CARF MF Processo nº 13888.000492/200306 Acórdão n.º 1301003.484 S1C3T1 Fl. 284 5 MÉRITO STJ ART. 62A DO ANEXO II DO RICARF. UTILIZAÇÃO ADMINISTRATIVA DE PRECEDENTES JUDICIAIS. IDENTIDADE DAS SITUAÇÕES FÁTICAS. NECESSIDADE. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelo artigo 543C do Código de Processo Civil, devem ser reproduzidas no julgamento dos recursos no âmbito deste Conselho (Art. 62A do Anexo II do Regimento Interno do CARF, acrescentado pela Portaria MF nº 586, de 21 de dezembro de 2010). O disposto no art. 62A do RICARF não implica o dever do julgador administrativo em reproduzir a decisão proferida em sede de recurso repetitivo, sem antes analisar a situação fática e jurídica que ensejou a decisão do precedente judicial. A finalidade da disposição regimental é impedir que decisões administrativas sejam contrárias a entendimentos considerados definitivos pelo Superior Tribunal de Justiça, na sistemática prevista pelo art. 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil. DECADÊNCIA. TRIBUTO SUJEITO AO LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. AUSÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. APLICAÇÃO DO ART. 173, INCISO I, DO CTN. TERMO INICIAL. INTERPRETAÇÃO CONFORME RECURSO ESPECIAL Nº 973.733/SC. IMPOSSIBILIDADE. A contagem do prazo decadencial, na forma do art. 173, I, do CTN, deve se iniciar a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em poderia ter sido efetuado o lançamento de ofício, nos exatos termos do aludido dispositivo. Recurso Extraordinário Provido. Tendo em vista o acima, os autos retornaram à Turma ordinária para julgamento dos temas de mérito levantados em sede de recurso voluntário. É o relatório. Fl. 286DF CARF MF 6 Voto Conselheira Bianca Felícia Rothschild Relatora Recurso Voluntário Admissibilidade A admissibilidade do Recurso Voluntário já foi apreciada desta forma passa se a analise do mérito. Fatos O presente caso tratase de analisar lançamento referente ao IRPJ do ano calendário de 1997, em que se apurou compensação indevida de prejuízos fiscais, por inobservância do trava legal de 30% do lucro. A Recorrente repisa seus argumentos levantados em sede de impugnação, defendendo que adotou em sua contabilizarão o sistema de caixa, quando deveria utilizarse o sistema de competência. Vale mencionar que o tema de decadência levantado de ofício pela 3a Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes apesar de confirmado pela turma ordinária da Câmara Superior de Recursos Fiscais CSRF deste Conselho foi derrubado pelo Pleno da CSRF em julgamento de Recurso Extraordinário protocolado pela Procuradoria da Fazenda Nacional. Tendo em vista o acima, passase a analise das questões de mérito suscitadas pela Recorrente. Mérito Entendo que caberia à contribuinte fazer prova de suas alegações, não havendo como se determinar tal fato apenas pela análise de sua declaração de rendimentos, como pretendido. No que se refere à alegação de que se deveria usar o valor do lucro líquido do anocalendário como base para o cálculo do excesso de compensação de prejuízos fiscais, há que se ressaltar que a contribuinte apurou seu lucro no referido anocalendário trimestralmente (fl.14). A legislação do IRPJ permite à pessoa jurídica compensar os prejuízos fiscais apurados em períodosbase anteriores, mensais, trimestrais ou anuais. A partir de 1 o de janeiro de 1995, essa compensação está limitada a um máximo de 30 % (trinta por cento) daquele lucro. Segundo a Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, arts. 1o e 2o, a partir do anocalendário de 1997, o IRPJ é determinado com base no lucro real, presumido ou arbitrado, por períodos de apuração trimestrais, podendo a pessoa jurídica optar pelo pagamento do Fl. 287DF CARF MF Processo nº 13888.000492/200306 Acórdão n.º 1301003.484 S1C3T1 Fl. 285 7 imposto, em cada mês, sobre base de cálculo estimada, com apuração do lucro real em 31 de dezembro de cada ano. No presente caso, como dito anteriormente, a opção expressa da Recorrente para o anocalendário de 1997, na declaração de rendimentos respectiva, foi pela sistemática de apuração por períodosbase trimestrais. Se equívoco houve, decorreu apenas da incorreta interpretação, por parte da contribuinte, quanto à possibilidade de compensação integral de prejuízos fiscais de períodos base anteriores em cada trimestre do anocalendário. E que, na sistemática de apuração do IRPJ anual, temse, como conseqüência, uma absorção automática de prejuízos fiscais de um mês com os lucros de outros meses do mesmo anocalendário, uma vez que a apuração em 31 de dezembro envolve o resultado de todo o anocalendário. Já a sistemática de apuração trimestral está sujeita às regras de limitação da compensação de prejuízos fiscais de períodosbase anteriores, a cada trimestre. Logo, considerandose que, no presente caso, a contribuinte efetuou a opção de tributação pela sistemática de apuração trimestral, estão corretas as glosas efetuadas, não merecendo reparos a exigência fiscal. Multa No que se refere à solicitação de que se aplicasse a multa máxima de 20%, esclareçase que essa multa se aplica aos casos de recolhimento fora do prazo, mas espontâneo, de débitos decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal. A multa de 75% foi aplicada com base na legislação que rege a matéria, qual seja a Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, art. 44. Portanto, a determinação da multa é efetuada por determinação legal, e não pelo tipo de lançamento efetuado. Não há nada que corrobore a tese da Recorrente de que o contribuinte "apenas" estará sujeito a lançamento de ofício se deixar de atender a pedido de esclarecimento. Fl. 288DF CARF MF 8 Conclusão Diante de todo o acima exposto, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Bianca Felícia Rothschild. Fl. 289DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10283.724916/2015-78
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jan 09 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Exercício: 2011
RESERVA DE REAVALIAÇÃO. USO PARA INTEGRALIZAÇÃO DE CAPITAL SOCIAL.
A empresa que aumentar seu capital social mediante a utilização de reserva decorrente da reavaliação de bens do ativo deverá obedecer aos requisitos legais para que o valor não seja computado na determinação de seu lucro real do período. Ademais, tratando-se de benefício fiscal, deve ser interpretada restritivamente a legislação, sendo certo que a utilização de bem para integralização de capital em outra sociedade equivale a realização da reserva.
MULTA CONFISCATÓRIA.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (Súmula CARF nº 2).
Numero da decisão: 1401-003.001
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado por unanimidade de votos, afastar a preliminar de nulidade e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente.
(assinado digitalmente)
Letícia Domingues Costa Braga - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Lívia De Carli Germano, Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin, Daniel Ribeiro Silva, Abel Nunes de Oliveira Neto, Letícia Domingues Costa Braga, Cláudio de Andrade Camerano e Sérgio Abelson (suplente convocado).
Nome do relator: LETICIA DOMINGUES COSTA BRAGA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Exercício: 2011 RESERVA DE REAVALIAÇÃO. USO PARA INTEGRALIZAÇÃO DE CAPITAL SOCIAL. A empresa que aumentar seu capital social mediante a utilização de reserva decorrente da reavaliação de bens do ativo deverá obedecer aos requisitos legais para que o valor não seja computado na determinação de seu lucro real do período. Ademais, tratando-se de benefício fiscal, deve ser interpretada restritivamente a legislação, sendo certo que a utilização de bem para integralização de capital em outra sociedade equivale a realização da reserva. MULTA CONFISCATÓRIA. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (Súmula CARF nº 2).
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado por unanimidade de votos, afastar a preliminar de nulidade e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente. (assinado digitalmente) Letícia Domingues Costa Braga - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Lívia De Carli Germano, Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin, Daniel Ribeiro Silva, Abel Nunes de Oliveira Neto, Letícia Domingues Costa Braga, Cláudio de Andrade Camerano e Sérgio Abelson (suplente convocado).
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 11; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1513; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T1 Fl. 3.359 1 3.358 S1C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10283.724916/201578 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1401003.001 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 20 de novembro de 2018 Matéria IRPJ RESERVA DE REAVALIAÇÃO Recorrente NOVACKI INDUSTRIAL S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 2011 RESERVA DE REAVALIAÇÃO. USO PARA INTEGRALIZAÇÃO DE CAPITAL SOCIAL. A empresa que aumentar seu capital social mediante a utilização de reserva decorrente da reavaliação de bens do ativo deverá obedecer aos requisitos legais para que o valor não seja computado na determinação de seu lucro real do período. Ademais, tratandose de benefício fiscal, deve ser interpretada restritivamente a legislação, sendo certo que a utilização de bem para integralização de capital em outra sociedade equivale a realização da reserva. MULTA CONFISCATÓRIA. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (Súmula CARF nº 2). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado por unanimidade de votos, afastar a preliminar de nulidade e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente. (assinado digitalmente) Letícia Domingues Costa Braga Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 72 49 16 /2 01 5- 78 Fl. 3377DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Lívia De Carli Germano, Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin, Daniel Ribeiro Silva, Abel Nunes de Oliveira Neto, Letícia Domingues Costa Braga, Cláudio de Andrade Camerano e Sérgio Abelson (suplente convocado). Relatório Adoto como relatório, aquele da decisão de primeira instância, complementando a seguir: Cuidam os presentes autos de infrações apuradas no imposto de renda e reflexos na Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, sendo o contribuinte cientificado, por via postal em 28/12/2015, referente ao anocalendário 2010, multa de 75%, com valores de créditos descritos abaixo: A autoridade lançadora resume a fiscalização como se segue: II. DOS FATOS APURADOS E DOCUMENTOS ANALISADOS 4. Em procedimento fiscal de verificação do cumprimento das obrigações tributárias pelo sujeito passivo supracitado nos anoscalendário 2010, 2011 e 2012, referentes aos Tributos IRPJ, CSLL, PIS, COFINS E IPI, demos início aos trabalhos, emitindo o competente Termo de Início do Procedimento Fiscal em 01/09/2014, tendo sido cientificado o sujeito passivo por via postal, mediante de aviso de recebimento (anexo), intimandoo apresentar documentos e as informações constantes no Termo de Início de Procedimento Fiscal. 4.1 A auditoria constatou o seguinte: 4.1.1 O sujeito não informou a Receita Federal através da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF à existência de débitos sobre o IRPJ, CSLL, PIS, COFINS e IPI. 4.1.2 No ano calendário de 2010 o sujeito passivo declarou em DIPJ que suas atividades industriais proporcionaram Lucro Operacional (1.693.898,21) e Imposto de Renda e Contribuição Social sobre o lucro líquido CSLL a pagar. Contudo, foram deduzidos desses débitos valores de CSLL e IRPJ supostamente retidos em fonte, o que resultou na redução a zero dos valores a pagar desses tributos, conforme tabela a seguir: 4.1.3 A auditoria intimou o sujeito passivo a apresentar os documentos referentes aos valores retidos informados em DIPJ, mencionados acima, mas até presente data Fl. 3378DF CARF MF Processo nº 10283.724916/201578 Acórdão n.º 1401003.001 S1C4T1 Fl. 3.360 3 não foram entregues os referidos documentos. Na resposta apresentada em 04/12/2015, a empresa reconhece que não há valores retidos na fonte a abater do valor do IRPJ apurado na DIPJ, conforme transcrevemos a seguir: "Ainda com relação a elaboração da DIPJ2010/2011, no ato de seu preenchimento, em relação a essas fichas foram informadas compensações ou reduções, como se retidas na fonte, mesmo que indevidamente e inexistentes, tendo como justificativa a falta de uma linha específica para informar a diferença pela utilização da trava, procedimentos que não foram devidamente revisados antes da entrega da DIPJ 2010/2011, o que evitaria questionamentos fiscais" (Sic). 4.1.4 O sujeito passivo limitouse a apresentar cópia de um Diário do ano calendário 2000 argumentando que possuía crédito de IRPJ e CSLL e efetuou esta compensação em 2010. Os argumentos apresentados não foram acatados haja vista que o sujeito passivo não apresentou documentos hábeis e idôneos a fim de respaldar a compensação efetuada: A compensação deve ser formalizada por meio de PROCESSO ESPECÍFICO PERDCOMP , mediante o qual devem ser demonstradas as origens dos créditos utilizados na compensação, os débitos compensados e os saldos subsistentes a pós a compensação. Tais elementos não foram apresentados pela fiscalizada. 4.1.5 No período fiscalizado o sujeito passivo possuía 04(quatro) estabelecimentos em atividade fabril. A autoridade tributária, na sua visão, define a principal infração apurada: 4.1.8 DO IMPOSTO DE RENDA DE PESSOA JURÍDICA (IRPJ) e CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE LUCRO LIQUIDO (CSLL). Quanto à apuração desses tributos, foram constatados os seguintes fatos: 4.1.8.1 O sujeito passivo efetuou avaliação dos bens do ativo em 2003 através de laudo técnico (em anexo) e contabilizou o valor de R$ 45.065.819,34 na conta contábil 22201000 Reserva de Reavaliação (crédito), a qual foi mantida até a data de 30/06/2010. A seguir, demonstraremos que o referido saldo foi realizado em decorrência daquilo que a legislação estabelece como "alienação sob qualquer forma" e, devido a esse fato, o respectivo valor deveria ter sido oferecido à tributação do IRPJ e da CSLL. 4.1.8.1.1 Com o lançamento dos valores de Avaliação do seu ativo na conta de reserva, o sujeito apurou o imposto de renda e CSLL, efetuando as provisões constante nas contas contábeis 21401017 Provisão para Imposto de Renda no valor de R$11.751.839,77 e 21401018 Provisão p contr. Social no valor de R$ 4.230.374,30. 4.1.7.1.2 Em 30/06/2010 foram contabilizados inúmeros lançamentos em função dos valores constantes na conta 22201000 Reserva de Reavaliação conforme relatamos abaixo: a) Efetuou lançamento a débito na conta 22201000 — Reserva de Reavaliação no valor de R$ 45.065.819,34 em contrapartida a credito da conta 13201100 AJUSTES A VALORES DE MERCADO. b) Foi solicitado esclarecimento (tese n. 2) ao sujeito passivo referente a este lançamento, com relação ao qual o mesmo simplesmente respondeu que estava atendendo às normas do CPC (Comitê de Pronunciamentos Contábeis). c) Inicialmente, verificase que o fato de ter baixado o valor da conta de reserva de reavaliação indica a realização da mesma, no ano de 2010, fato esse confirmado pela auditoria, conforme expomos abaixo. A matéria é regulada, para o caso em espécie, pelo dispositivo a seguir: Fl. 3379DF CARF MF 4 Medida Provisória n° 2.013/99, art. 4o, convertida na Lei n° 9959/2000 e art 435 inciso II do RIR/99: Art. 4º A contrapartida da reavaliação de quaisquer bens da pessoa jurídica somente poderá ser computada em conta de resultado ou na determinação do lucro real e da base de cálculo da contribuição social sobre o lucro líquido quando ocorrer a efetiva realização do bem reavaliado. Por fim a fiscalização conclui: g) Concluímos, portanto, que os inúmeros lançamentos contábeis acima descritos tinham como objetivo principal mascarar a realização da Reserva de Reavaliação no valor de R$45.065.819,34 (Quarenta cinco milhões, sessenta cinco mil, oitocentos e dezenove reais, trinta e quatros centavos). DA IMPUGNAÇÃO A fiscalizada alega cerceamento de direito de defesa: CERCEAMENTO DE DEFESA MPF e TDPF Diz o Auto de Infração que a autuação foi realizada em cumprimento ao Termo de Distribuição de Procedimento Fiscal TDPF n° 0220100.2014.00397. O Auto de Infração, o Termo de Início de Procedimento Fiscal e todos os Termos de Intimação, de Constatação e Solicitação de Esclarecimentos fazem referência ao MPF 0220100.2014.00397. Todavia, a fiscalização não cumpriu as determinações da Portaria RFB n° 3014, de 29 de junho de 2011, nem da Portaria RFB n° 1687, de 17 de setembro de 2014, que revogou a de 2011. A impugnante pretende que a DIPJ tenha efeitos de declaração de dívida a semelhança da DCTF: DA INFORMAÇÃO DE DÉBITOS EM DIPJ E DA INAPLICABILIDADE DE MULTA PUNITIVA A autoridade fiscal pretende a aplicação de multa punitiva à impugnante, no importe de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto não recolhido artigo 44, I da Lei n° 9430 de 1996, sob ausência de declaração dos valores devidos em DCTF. Ocorre que referida punição não pode permanecer, haja vista que a ausência de DCTF não pode simplesmente se sobrepor à DIPJ entregue, como se declaração não houvesse. A DIPJ possui efeitos jurídicos de declaração e espontaneidade, e precisa ser aqui considerada como forma de constituição dos créditos do IPI com lançamento por homologação. A impugnante se insurge contra a infração mais relevante lhe imputada no auto de infração: Fl. 3380DF CARF MF Processo nº 10283.724916/201578 Acórdão n.º 1401003.001 S1C4T1 Fl. 3.361 5 INEXISTÊNCIA DE ALIENAÇÃO/REALIZAÇÃO DE RESERVA NA INTEGRALIZAÇÃO DE BENS NO CAPITAL SOCIAL DA PATRIMÔNIA A situação fática da presente autuação é simples: alega o Fisco que a Impugnante, ao INTEGRALIZAR bens no capital social da Empresa Patrimônia Administração e Participação Ltda., conforme o mesmo valor contábil de seus registros, teria feito uma alienação, que seria equivalente a uma realização de reserva sobre a qual haveria incidência de IRPJ/CSLL Ocorre que INTEGRALIZAÇÃO é muito diferente de ALIENAÇÃO. Argumenta o sr. auditor fiscal que a integralização de bens no capital social de outra empresa constitui ato de alienação, na prevêm os artigos 247, 249 em inciso III, 439 em seu parágrafo único e inciso 1,111 e IV5 e artigo 440 no parágrafo único, todos do Regulamento do Imposto de Renda/99. Entretanto, nem sempre tal operação implica em disponibilidade jurídica ou econômica de renda, sendo de direito o esclarecimento do significado dos termos jurídicos que envolvem o presente caso em tela. Ademais, tanto que não foi realizada a reserva de reavaliação que o fato foi, inclusive, colocado na pág. 6 do Relatório Fiscal do auto de infração aqui impugnado: e) Corroborando com a tese da realização da reserva de reavaliação em 30/06/2010, verificase que o sujeito passivo efetuou lançamento a credito da conta de ativo 13201100 AJUSTES A VALORES DE MERCADO com a contrapartida 13102001 PATRIMONIA ADM PART LTDA no valor de R$40.770.395,00 (Quarenta milhões, setecentos e setenta mil, trezentos noventa cinco reais), referente a transferência de ativos (cópia em anexos) para empresa Patrimonia Adm Part Ltda. que pertence à empresa INDUSTRIAS NOVACKI S/A. e o Sr. Mauro Novacki. Surpreende ainda como o Sr. auditor fiscal pode ter alegado alienação com realização de reserva/ganho, se os bens foram integralizados na Patrimonia pelo mesmo montante registrado no ativo da impugnante: g) Concluímos, portanto, que os inúmeros lançamentos contábeis acima descritos tinham como objetivo principal mascarar a realização da Reserva de Reavaliação no valor de R$ 45.065.819,34 (Quarenta cinco milhões, sessenta cinco mil, oitocentos e dezenove reais, trinta e quatros centavos). A fiscalizada se insurge contra glosas de créditos PIS/Cofins: MERAS PRESUNÇÕES: AUSÊNCIA DE PROVAS PELA FISCALIZAÇÃO Fl. 3381DF CARF MF 6 O Sr. auditor, ao glosar os créditos de Pis e Cofins, o fez com base em meras presunções. Ocorre que é dever da fiscalização provar a insubsistência dos créditos para que a glosa seja legítima. Não foi o que ocorreu neste caso, porque a fiscalização não conseguiu reunir provas contra a impugnante. Ao contrário, sem qualquer respaldo documental, o Sr. Auditor, apenas por "acreditar" que os lançamentos nas contas correntes poderiam ser fictícios, decidiu lavrar Auto de Infração para promover uma glosa. A empresa argumenta que não se pode cobrar juros sobre multas de ofício: IMPOSSIBILIDADE DE EXIGIR JUROS SOBRE MULTAS PUNITIVAS A incidência de juros só é permitida por lei no caso de não pagamento do tributo, e não para penalidades Para a multa punitiva, caso venha a ser mantida, não há lei que preveja a incidência de juros ou correção monetária, uma vez que o art. 61 da Lei n° 9.430/96 prevê a aplicação de juros somente débitos decorrentes de tributos e contribuições. Pela mesma razão falta de previsão legal é indevida a incidência dos juros com base no art. 161 do CTN sobre a multa de ofício. A imputação de juros em multa de ofício fere dois princípios jurídicos deveras importantes, que devem ser aplicados com mais ênfase no Direito Tributário: o da Segurança Jurídica e o da Não Surpresa. Finaliza a contribuinte com o seguinte pedido: DO PEDIDO Diante do exposto, requer seja recebida e provida a presente impugnação, para ao final reconhecer a nulidade e ou a improcedência da autuação, com os devidos efeitos (cancelamento/exclusões/reduções). A decisão de primeira instância restou assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2010 NULIDADE. INOCORRÊNCIA. São considerados nulos somente atos e termos lavrados por pessoa incompetente e despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa, nos termos do art. 59, incisos I e II, do Decreto nº 70.235, de 1972, hipóteses cuja ocorrência não restou comprovada, sobretudo tendo em conta que os autos de infração e seus anexos foram formalizados de modo a Fl. 3382DF CARF MF Processo nº 10283.724916/201578 Acórdão n.º 1401003.001 S1C4T1 Fl. 3.362 7 permitir à contribuinte a perfeita compreensão das infrações que lhe foram imputadas, tanto que delas se defendeu de forma detalhada e consistente. FASE INQUISITÓRIA DO PROCEDIMENTO FISCAL.CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INEXISTÊNCIA. No curso do procedimento investigatório de cumprimento de obrigação tributária injustificável a alegação de cerceamento do direito de defesa. CONTRADITÓRIO E AMPLA DEFESA. Os conceitos constitucionais de contraditório e ampla defesa somente estão presentes quando, como resultado do procedimento fiscal, se formalize processualmente qualquer exigência. DCTF CONFISSÃO DE DÍVIDA X DIPJ INFORMATIVA. A partir do exercício de 2000, anocalendário de 1999, os saldos a pagar de IRPJ e CSLL informados na DIPJ não mais se constituem em confissão de dívida, exceto se os valores estiverem confessados em DCTF (ac. 203 09.922/2004 CARF, no DOU de 160306). Com isso, se os saldos devedores informados na DIPJ não estiverem informados na DCTF, o prazo decadencial para efetuar os lançamentos está correndo. ÔNUS DA PROVA. É do sujeito passivo o ônus de reunir e apresentar conjunto probatório capaz de demonstrar o alegado em sua defesa em sede de impugnação, sob pena de em não fazêlo ser perempto o seu direito. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Inconformada com a decisão da DRJ, foi interposto recurso voluntário alegando as mesmas razões da impugnação, que são em síntese: 01) Mérito que não houve a realização da reserva de reavaliação tendo em vista que apenas deuse a integralização de capital de outra sociedade. 02) Excesso de multa punitiva; 03) juros sobre multa; 04) Vícios de forma no MPF 05) Ilegalidade na lavratura do Auto de Infração pois o débito deveria ter sido inscrito em dívida ativa. Argui ainda que as glosas não fundamentadas de crédito e PIS e COFINS cerceou o direito de defesa do recorrente. Fl. 3383DF CARF MF 8 Este é o relatório do essencial. Voto Conselheira Letícia Domingues Costa Braga Relatora O recurso é tempestivo e dele conheço. Pois bem, cuidam os autos de IRPJ e CSLL de 2010, quando a sociedade utilizouse de uma reserva de reavaliação para integralizar o capital social de outra sociedade da qual essa era sócia, qual seja, a PATRIMÔNIA ADM E PART. LTDA.. Considerou a fiscalização que, tendo em vista que a autuada integralizou o capital social de uma controlada com a reserva de reavaliação, a baixa de tal reserva equivaleria a uma alienação por qualquer forma e, portanto, o valor da reavaliação deveria ser acrescido à base de cálculo do IRPJ e da CSLL. Subsumindose a situação real à hipótese descrita na norma, esta estabelece a consequência jurídica: o valor da reserva de reavaliação deve ser computado na determinação do lucro real do período em que se verificou sua utilização. A base legal da autuação foi o art. 390 do RIR. Dúvidas não restam que o valor de reserva de reavaliação de foi utilizado para integralização de capital em outra sociedade. Conforme dispõe a norma, o valor da reserva de deveria ter sido baixado em 2008 ou mantidos até a sua efetiva realização: LEI Nº 11.638, DE 28 DE DEZEMBRO DE 2007. (...) Art. 6o Os saldos existentes nas reservas de reavaliação deverão ser mantidos até a sua efetiva realização ou estornados até o final do exercício social em que esta Lei entrar em vigor.. Assim, poderia recorrente ter optado pela baixa do valor em 2008 e, se houvesse a integralização do capital social com esses mesmos bens, deveria ter sido pago ganho de capital em razão desses valores. Contudo, optou a sociedade por não baixar a reserva e aguardar a sua realização. O que ocorreu quando da integralização do capital social de outra sociedade. Esse tipo de tentativa do contribuinte de aumentar o seu capital social sem o pagamento do imposto está vedado pela própria legislação que prevê que a reserva de reavaliação reflexa deve ser tributada, conforme demonstrado abaixo (RIR): Reavaliação de Bens na Coligada ou Controlada Art. 390. A contrapartida do ajuste por aumento do valor do patrimônio líquido do investimento em virtude de reavaliação de bens do ativo da coligada ou controlada, por esta utilizada para Fl. 3384DF CARF MF Processo nº 10283.724916/201578 Acórdão n.º 1401003.001 S1C4T1 Fl. 3.363 9 constituir reserva de reavaliação, deverá ser compensada pela baixa do ágio na aquisição do investimento com fundamento no valor de mercado dos bens reavaliados (art. 385, § 2º, inciso I) (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 24). § 1º O ajuste do valor de patrimônio líquido correspondente à reavaliação de bens diferentes dos que serviram de fundamento ao ágio, ou a reavaliação por valor superior ao que justificou o ágio, deverá ser computado no lucro real do contribuinte, salvo se este registrar a contrapartida do ajuste como reserva de reavaliação (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 24, § 1º). § 2º O valor da reserva constituída nos termos do parágrafo anterior deverá ser computado na determinação do lucro real do período de apuração em que o contribuinte alienar ou liquidar o investimento, ou em que utilizar a reserva de reavaliação para aumento do seu capital social (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 24, § 2º). § 3º A reserva de reavaliação do contribuinte será baixada mediante compensação com o ajuste do valor do investimento, e não será computada na determinação do lucro real (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 24, § 3º): I nos períodos de apuração em que a coligada ou controlada computar sua reserva de reavaliação na determinação do lucro real (art. 435); ou II no período de apuração em que a coligada ou controlada utilizar sua reserva de reavaliação para absorver prejuízos. Como se pode observar, na vigência do art. 390, § 2º do RIR/99 (Decreto Lei 1598/77, art. 24, § 2º), a reserva de reavaliação reflexa deveria ser computada na determinação do lucro real do período de apuração em que o contribuinte alienasse ou liquidasse o investimento, bem como quando utilizasse a reserva de reavaliação para aumento do seu capital social. Estamos pois diante de um caso análogo onde a contribuinte se utiliza de valor de reserva de reavaliação para, de certa forma, aumentar seu capital social. Ou seja, também seria, a meu ver, uma realização da reserva de reavaliação de forma reflexa. Por esse motivo entendo que efetivamente ocorreu a realização da reserva de reavaliação, pois a alienação de qualquer forma comporta o efetivo recebimento de valor. Como a recorrente teve efetivamente seu capital social majorado em virtude de participação societária quando foi integralizado em outra sociedade bens reavaliados, não há como desconsiderar que foi realmente realizada a sua reserva. Por outro lado, a hipótese de inocorrência de tributação da reserva de reavaliação somente seria possível se fosse utilizada essa reserva para majorar o capital social da mesma sociedade e não de uma controlada ou coligada. Diante de todo o exposto, entendo como regulares os créditos tributários de IRPJ (e, consequentemente, de CSLL) constituídos pela Fiscalização em função da ausência de Fl. 3385DF CARF MF 10 adição, ao lucro real, do valor das reservas de reavaliação utilizadas para fins de integralização do capital social de outra empresa no anocalendário de 2010. Por esta razão, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário interposto pela contribuinte. Em relação à confiscatoriedade da multa e seu eventual excesso, certo é que esse Conselho não tem competência para verificar inconstitucionalidades da legislação tributária: A autoridade administrativa não tem competência legal para decidir sobre a legalidade ou inconstitucionalidade de normas legais, sendo o contencioso administrativo foro impróprio para discussões desta natureza. Os mecanismos de controle da constitucionalidade das leis estão regulados na própria Constituição Federal, todos passando necessariamente pelo Poder Judiciário, que detém com exclusividade essa prerrogativa, conforme se infere dos artigos 97 102 da Carta Magna. Essa orientação tem sido igualmente seguida pelo Conselho de Contribuintes, conforme súmula 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Em relação ao juros sobre multa, essa matéria foi recentemente sumulada por esse Conselho, nos seguintes termos: Súmula CARF 108: Incidem juros moratórias, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia – SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício. Já sobre a alegado vício de forma do MPF, certo é que nenhum prejuízo trouxe ao contribuinte, não cabendo qualquer nulidade. Com relação a outra ilegalidade de que não deveria ter o fiscal lançado o valor de sim inscrito em dívida ativa o débito e, ainda quanto a alegada PIS e COFINS que foi sequer autuada, não alterou nada a recorrente a sua fundamentação, devendo ser mantida a decisão por seus próprios fundamentos conforme abaixo: A impugnante no tópico: MERAS PRESUNÇÕES: AUSÊNCIA DE PROVAS PELA FISCALIZAÇÃO, se insurge contra a fiscalização em virtude de glosas de créditos de PIS e Cofins, porém o presente processo trata apenas de IRPJ e CSLL, como o procedimento fiscal também gerou o processo 10283 724.761/201570, onde estão controlados autos de infração de PIS e Cofins acredito que houve um engano da empresa, posto que é razoável supor que as alegações apresentadas tenham o endereço do citado processo. Com relação à CSLL, tratandose de lançamentos reflexos, a decisão prolatada no lançamento matriz é aplicável, no que couber, aos decorrentes, em razão da íntima relação de causa e efeito que os vincula. Conclusão Pelo acima exposto, conduzo meu voto para negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Fl. 3386DF CARF MF Processo nº 10283.724916/201578 Acórdão n.º 1401003.001 S1C4T1 Fl. 3.364 11 Letícia Domingues Costa Braga Fl. 3387DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10280.720223/2015-36
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 16 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Feb 08 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2009
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. SEM NOVOS ARGUMENTOS OU PROVAS NO RECURSO VOLUNTÁRIO.
A verificação da liquidez e a certeza do crédito são indispensáveis para a homologação da Declaração de Compensação. A Ausência desses requisitos impede a compensação. Cabe ao contribuinte produzir provas de liquidez e certeza do crédito.
Numero da decisão: 1003-000.366
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do voto da relatora.
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva Presidente
(assinado digitalmente)
Bárbara Santos Guedes - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sérgio Abelson, Bárbara Santos Guedes, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente).
Nome do relator: BARBARA SANTOS GUEDES
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1376; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C0T3 Fl. 2 1 1 S1C0T3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10280.720223/201536 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1003000.366 – Turma Extraordinária / 3ª Turma Sessão de 16 de janeiro de 2019 Matéria DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO Recorrente ALBINO F SANTOS & CIA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2009 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. SEM NOVOS ARGUMENTOS OU PROVAS NO RECURSO VOLUNTÁRIO. A verificação da liquidez e a certeza do crédito são indispensáveis para a homologação da Declaração de Compensação. A Ausência desses requisitos impede a compensação. Cabe ao contribuinte produzir provas de liquidez e certeza do crédito. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva – Presidente (assinado digitalmente) Bárbara Santos Guedes Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sérgio Abelson, Bárbara Santos Guedes, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 0. 72 02 23 /2 01 5- 36 Fl. 86DF CARF MF Processo nº 10280.720223/201536 Acórdão n.º 1003000.366 S1C0T3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso voluntário contra acórdão de nº 1152.790, de 29 de abril de 2016, da 4ª Turma da DRJ/REC, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade da Recorrente, não reconhecendo o direito creditório. A Recorrente apresentou pedido de compensação, PER/DCOMP nº 05588.45319.280410.1.3.043567, em razão de suposto crédito de pagamento indevido ou a maior oriundo da CSLL paga por estimativa, código 6773. O crédito informado, no valor original na data da transmissão de R$ 2.891,13, seria decorrente de pagamento indevido relativo ao DARF de valor R$ 3.593,67, recolhido em 29/10/2009. Por meio do Despacho Decisório Eletrônico nº 051, de 02/02/2015, às fls. 13, a Autoridade Competente decidiu não homologar a compensação fundamentando o seguinte: O presente processo trata da Declaração de Compensação (DCOMP) no 05588.45319.280410.1.3.04 3567 (fls. 02/06), por meio da qual o contribuinte compensa débito com crédito proveniente de Pagamento Indevido ou Maior, sob o código de receita 6773, período de apuração 08/08/1980, discriminado à fl. 04. À fl. 07, constatase que o DARF foi integralmente utilizado para quitação de débito do processo nº 10280.006.088/200893, não restando crédito disponível para compensação do débito informado na DCOMP. Diante do exposto, com base nas informações e documentos constantes deste processo e no uso da competência estabelecida pelo art. 302, inciso VI, da Portaria MF nº 203/2012, DOU de 17/5/2012, c/c a delegação prevista no art. 3°, III da Portaria DRF/BEL nº 107/2012, DOU de 22/8/2012 resolvo: a) NÃO RECONHECER o direito creditório correspondente a pagamento indevido ou a maior, código de receita 6773, período de apuração 08/08/1980, no valor original de R$ 2.891,13, por inexistência de crédito; b) NÃO HOMOLOGAR a compensação pretendida na DCOMP no 05588.45319.280410.1.3.043567; c) DETERMINAR A COBRANÇA do débito confessado na DCOMP acima mencionada, uma vez que a DCOMP constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para cobrança dos débitos nela declarados, nos termos do art. 74, § 6º da Lei nº 9.430/1996. A contribuinte apresentou tempestivamente manifestação de inconformidade e defendeu o seguinte: (i) que a empresa apurou CSLL em sua DIPJ/2006, anocalendário 2005, valor a pagar de R$ 2.891,13. Informa que efetuou o pagamento indevidamente do mesmo valor, via DARF, pela Lei nº 11.941/2009, no dia 20/11/2009, sendo esse pagamento Fl. 87DF CARF MF Processo nº 10280.720223/201536 Acórdão n.º 1003000.366 S1C0T3 Fl. 4 3 indevido compensado através do PER/DCOMP nº 05588.45319.280410.1.3.043567; (ii) pelo exposto, requereu a improcedência da cobrança e a homologação da compensação pleiteada. A DRJ/REC analisou a impugnação e julgou o pedido da Recorrente improcedente, nos moldes da ementa abaixo: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2009 COMPENSAÇÃO. CRÉDITO EXISTENTE Comprovada a existência de direito creditório, referente a pagamento indevido ou a maior, é permitida a sua utilização na extinção de débitos mediante apresentação de Declaração de Compensação. COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. A certeza e a liquidez dos créditos são requisitos indispensáveis para a compensação autorizada por lei. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada com a decisão, a Recorrente apresentou recurso voluntário que repetiu os argumentos e provas acostados na manifestação de inconformidade. É o Relatório. Voto Conselheira Bárbara Santos Guedes, Relatora O recurso é tempestivo e cumpre com os demais requisitos legais de admissibilidade, razão pela qual deles tomo conhecimento e passo a apreciar. A Recorrente fundamenta seu recurso sob a alegação de que o crédito em análise foi gerado em razão de pagamento indevido, visto que a empresa apurou CSLL na DIPJ/2006, anocalendário 2005, valor a pagar de R$ 2.891,13 e efetuou o pagamento da mesma. Contudo, afirma que teria efetuado o pagamento do citado valor indevidamente, via DARF, pela Lei nº 11.941/2009, no dia 20/11/200. A PER/DCOMP apresentada pela Recorrente de nº 05588.45319.280410.1.3.043567 (fls. 2 a 6), informa ser o crédito originado a partir do DARF, CSLL, código de receita 6773, com vencimento em 30/10/2009, no valor de R$ 3.593,67.. Fl. 88DF CARF MF Processo nº 10280.720223/201536 Acórdão n.º 1003000.366 S1C0T3 Fl. 5 4 A Autoridade administrativa, ao analisar a liquidez e certeza do crédito, identificou, através do Despacho Decisório (fls. 13), que o DARF informado no PER/DCOMP como pagamento indevido foi integralmente utilizado para quitação de débito do processo nº 10280.006.088/200893, não restando crédito disponível para compensação do débito informado na DCOMP. A DRJ, ao analisar as informações da manifestação de inconformidade e confrontar com as informações constantes nos sistemas da RFB, verificou o seguinte: a contribuinte apresentou, em 15/05/2008, a Declaração de Informações Econômicofiscais da Pessoa Jurídica – DIPJ 2006 –, relativa ao anocalendário de 2005, onde consta, no período de Dez/2004, na FICHA 16 CÁLCULO DA CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO MENSAL POR ESTIMATIVA , CSLL a pagar no valor apurado de R$ 8.013,65: a contribuinte apresentou, em 30/10/2008, a Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais – DCTF Retificadora relativa a Julho/2004, onde consta no período CSLL cód. 6773 no valor apurado de R$ 2.891,13, sem informação de qualquer espécie de quitação: Por outro lado, o DARF informado no PER/DCOMP, ora apreciado, no valor total de R$ 3.593,67 (valor principal R$ 2.891,13 e valor dos juros R$ 702,54), arrecadado em 29/10/2009, foi totalmente utilizado e está vinculado ao processo nº 10280.006088/200893, o qual se encontra arquivado: Verificase que apenas a Autoridade Fiscal se referiu ao Processo nº 10280.006088/200893, sendo justamente nesse processo onde se encontra vinculado o DARF no valor de R$ 3.593,67, recolhido em 29/10/2009. Todavia, a Impugnante não negou a existência desse processo, nem alegou ser inválido. A contribuinte referese, em sua Manifestação de Inconformidade, a parcelamento pela Lei nº 11.941/2009, mas não informa o número do processo que supostamente conteria outro pagamento em duplicidade. Observese que na DCTF do período não consta a forma de quitação do débito de CSLL cód. 6773, ou seja, encontrase em aberto. A contribuinte, portanto, não conseguiu demonstrar e comprovar a ocorrência de pagamento em duplicidade Dessa forma, concluise que o DARF no valor total de R$ 3.593,67, arrecadado em 29/10/2009, encontrase integralmente vinculado ao débito de CSLL cód. 6773 do período de apuração dez/2005, no processo nº 10280.006088/200893, não sendo possível reconhecer o direito creditório pleiteado.. Assiste razão à DRJ. Não há nos autos informações ou provas que pudessem corroborar as alegações de pagamento em duplicidade realizado pela contribuinte. Pelas informações constantes no processo, o DARF está alocado no processo de nº 10280.006088/200893 e o parcelamento informado foi realizado para quitar o débito de CSLL do período. Fl. 89DF CARF MF Processo nº 10280.720223/201536 Acórdão n.º 1003000.366 S1C0T3 Fl. 6 5 Não há outros documentos nos autos que suportem a alegação de pagamento em duplicidade. Ademais, todos os argumentos de defesa e as provas devem ser colacionadas na Manifestação de Inconformidade, sob pena de preclusão do direito, nos moldes determinados pelo Decreto nº 70.235/1972, art.16. No presente caso, nem a manifestação de inconformidade nem o recurso voluntário esclarecem como foi realizado o pagamento em duplicidade e nem traz documentos que possam corroborar a tese ventilada nas defesas. O extrato do Processo de nº 10280720250/201517 e o DARF de recolhimento de CSLL do período de apuração 08/08/1980 acostados no Recurso Voluntário, desprovidos de outras informações que o integrem à demanda, não ajudam na solução da questão. A Lei nº 11.941/2009 alterou a legislação tributária federal relativa ao parcelamento ordinário de débitos tributários e concedeu remissão nos casos em que especificados na citada norma. A Recorrente, contudo, não informou se estava enquadrada nos requisitos da Lei, nem juntou qualquer documento que comprovasse ter havido a remissão no caso concreto, fato que também não foi identificado pelas autoridades administrativas que instruíram o processo. Isto posto, voto pela improcedência do recurso voluntário, mantendo a decisão da DRJ/REC. (assinado digitalmente) Bárbara Santos Guedes Fl. 90DF CARF MF
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Numero do processo: 13876.000472/2006-17
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 24 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Feb 12 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Classificação de Mercadorias
Exercício: 2003
INCENTIVOS FISCAIS. FINOR. OPÇÃO. ATIVIDADE REGIONAL. PROJETOS DE INTERESSE. COMPROVAÇÃO DE CUMPRIMENTO DOS REQUISITOS
A aplicação em incentivos fiscais em projetos considerados de interesse para o desenvolvimento e o incremento de atividades regionais, baseada na Lei n. 8.167, de 1991, requer correspondência entre o beneficiário do incentivo e o efetivo aplicador, ou ainda, para empresas coligadas que detenham mais de 50% do capital da empresa incentivada, o que foi comprovado no caso concreto.
A diligência logrou êxito em comprovar o cumprimento de todos os requisitos para fruição do benefício.
Numero da decisão: 1401-003.107
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente
(assinado digitalmente)
Daniel Ribeiro Silva - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Daniel Ribeiro Silva (Vice-Presidente), Abel Nunes de Oliveira Neto Carlos André Soares Nogueira, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça (Conselheira Suplente convocada), Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Cláudio de Andrade Camerano e Letícia Domingues Costa Braga.
Nome do relator: DANIEL RIBEIRO SILVA
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ementa_s : Assunto: Classificação de Mercadorias Exercício: 2003 INCENTIVOS FISCAIS. FINOR. OPÇÃO. ATIVIDADE REGIONAL. PROJETOS DE INTERESSE. COMPROVAÇÃO DE CUMPRIMENTO DOS REQUISITOS A aplicação em incentivos fiscais em projetos considerados de interesse para o desenvolvimento e o incremento de atividades regionais, baseada na Lei n. 8.167, de 1991, requer correspondência entre o beneficiário do incentivo e o efetivo aplicador, ou ainda, para empresas coligadas que detenham mais de 50% do capital da empresa incentivada, o que foi comprovado no caso concreto. A diligência logrou êxito em comprovar o cumprimento de todos os requisitos para fruição do benefício.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente (assinado digitalmente) Daniel Ribeiro Silva - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Daniel Ribeiro Silva (Vice-Presidente), Abel Nunes de Oliveira Neto Carlos André Soares Nogueira, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça (Conselheira Suplente convocada), Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Cláudio de Andrade Camerano e Letícia Domingues Costa Braga.
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FINOR. OPÇÃO. ATIVIDADE REGIONAL. PROJETOS DE INTERESSE. COMPROVAÇÃO DE CUMPRIMENTO DOS REQUISITOS A aplicação em incentivos fiscais em projetos considerados de interesse para o desenvolvimento e o incremento de atividades regionais, baseada na Lei n. 8.167, de 1991, requer correspondência entre o beneficiário do incentivo e o efetivo aplicador, ou ainda, para empresas coligadas que detenham mais de 50% do capital da empresa incentivada, o que foi comprovado no caso concreto. A diligência logrou êxito em comprovar o cumprimento de todos os requisitos para fruição do benefício. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente (assinado digitalmente) Daniel Ribeiro Silva Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 87 6. 00 04 72 /2 00 6- 17 Fl. 1261DF CARF MF 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Daniel Ribeiro Silva (VicePresidente), Abel Nunes de Oliveira Neto Carlos André Soares Nogueira, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça (Conselheira Suplente convocada), Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Cláudio de Andrade Camerano e Letícia Domingues Costa Braga. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face do acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal em Ribeirão Preto (SP) que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada pelo contribuinte. Por sua vez, a Manifestação de Inconformidade fora apresentada, tendo em vista o indeferimento do Pedido apresentado de Revisão de Ordem de Emissão de Incentivos Fiscais (PERC) relativo ao anocalendário de 2003, cujas ocorrências impeditivas de aplicação listadas no extrato de fls. 793, registram, dentre outras, a de nº 11, correspondente à existência de débitos e a de n. 15, que se refere à opção sem efeito, em face de a empresa não estar enquadrada no art. 9º da Lei n. 8.167, de 1991. O PERC foi indeferido, por meio do despacho decisório DRF/SOR/SEORT n° 475/2008 de fls. 825/827, por entender a autoridade fiscal que “a recorrente não apresentou todos os documentos necessários para a análise do processo”. Diante da decisão supracitada, a parte apresenta Manifestação de Inconformidade, alegando “não ter recebido a intimação nº 923/2008 (fls. 807) embora sua regularidade fiscal tivesse sido comprovada em outra oportunidade, nos termos de certidões positivas com efeitos de negativa emitidas no âmbito do presente processo administrativo, contemporâneas ao pedido (fls. 20,21 e794)”. O Acórdão ora Recorrido (1428.183 – 3ª Turma da DRJ / RPO) recebeu a seguinte ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário. Exercício: 2003 INCENTIVOS FISCAIS. FINOR. OPÇÃO. A Medida Provisória n. 2.1285, publicada em 27/12/2000, aboliu a opção de investimento por meio de recolhimento aos cofres públicos ou quando da entrega da Declaração de Informações Econômicofiscais (DIPJ), restringindoo à modalidade de depósitos efetuados na rede bancária credenciada. INCENTIVOS FISCAIS. FINOR. OPÇÃO. ATIVIDADE REGIONAL. PROJETOS DE INTERESSE. A aplicação em incentivos fiscais em projetos considerados de interesse para o desenvolvimento e o incremento de atividades regionais, baseada na Lei n. 8.167, de 1991, requer correspondência entre o beneficiário do incentivo e o efetivo aplicador. Fl. 1262DF CARF MF Processo nº 13876.000472/200617 Acórdão n.º 1401003.107 S1C4T1 Fl. 1.262 3 Impugnação Improcedente. Conforme entendimento da Turma julgadora, “não poderia optar por aplicação em incentivo fiscal no anocalendário de 2003, tendo em vista que a medida provisória n° 2.128, publicada em 27/12/2000, aboliu a opção de investimento por meio de recolhimento aos cofres públicos ou quando da entrega da DIPJ, restringindoo à depósitos efetuados na rede bancária credenciada”. E de que “não poderia optar por aplicar em investimento em projetos considerados de interesse para o desenvolvimento, nos termos do art. 9° da lei n° 8.167/1991, haja vista que a autorização para o investimento foi dirigida expressamente para a empresa Primo Schincariol Indústria de Cervejas e Refrigerantes do Nordeste S/A”. Ciente da decisão do Acórdão em 31/02/2012 (fls. 1052) o interessado interpõe Recurso Voluntário em 01/03/2012 (fls. 1053/1058), trazendo as seguintes razões: 1. Do preenchimento dos requisitos exigidos pelo art. 90 da lei n° 8.167/1991 a autorizar a aplicação do incentivo em questão: Afirma que “o artigo 9° da lei 8.167/1991, trata da aplicação de recursos em projetos próprios, por pessoas jurídicas ou grupos de empresas coligadas que, isolada ou conjuntamente, detenham, pelo menos, 51% do capital votante de sociedade titular de projeto beneficiário do incentivo”. 2. Aduz que é “beneficiária dos incentivos do FINOR a pessoa jurídica PRIMO SCHINCARIOL INDÚSTRIA DE CERVEJAS E REFRIGERANTES DO NORDESTE S/A, inscrita no CNPJ sob o n° 01.278.018/000112. Ocorre que, à época da opção pela aplicação em incentivos, isto é, em junho de 2004, a recorrente detinha 55,48% do capital votante da Primo Schincariol Indústria de cervejas e Refrigerantes do Nordeste S/A(...) O capital da Primo Schincariol Indústria de Cervejas e Refrigerantes do Nordeste S/A era composto por 77.929.246 ações, sendo 19.140.000 ordinárias, conforme Ata da Assembleia Geral Ordinária e Extraordinária da Sociedade de 19 de maio de 2004”. 3. Concluindo que “em junho de 2004, a recorrente detinha 55,48% do capital votante da sociedade incentivada Primo Schincariol Indústria de Cervejas e Refrigerantes do Nordeste S/A. Assim, restaram preenchidos os requisitos do artigo 90 da lei n° 8.167/1991, merecendo ser acolhido o PERC formulado”. 4. Requereu o provimento do recurso interposto para o deferimento do PERC apresentado. Fl. 1263DF CARF MF 4 Às fls. 1091/ 1093 dos autos – Petição do Contribuinte – Reiterando os termos do R.V interposto. Às fls. 1121/1127 dos autos Resolução de nº 1401000.233 da 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária do CARF – CONVERSÃO DO FEITO EM DILIGÊNCIA para: 1. Aprofundar “a investigação no sentido de verificar o real atendimento a todas as condições do art. 9 da Lei n. 8.167/91 e Instrução Normativa SRF nº 267, de 23 de dezembro de 2002, ultrapassando no caso o entendimento de questão de direito relativa à interpretação o referido artigo, baseandose na interpretação já acima mencionada”; 2. Investigar, inclusive, a seguinte ressalva feita pela DRJ: “Abstraindo se o fato de a aprovação do Parecer (fls. 991/992) viger à época em que a contribuinte efetuou recolhimentos à conta do Finor, dado que fora emitido em 1997”; 3. Caso “os pressupostos e condições acima sejam atendidos, avançar nas demais questões relativas ao indeferimento do PERC, ou seja, verificar quais eram os débitos efetivamente existentes por ocasião da entrega a Declaração de Rendimentos da Pessoa Jurídica na qual se deu a opção pelo incentivo na linha da Súmula do CARF n. 37”. 4. Caso “se torne impossível aferir tal regularidade no momento da entrega da declaração através do cotejo de pesquisas nos sistemas da SRF e PFN e a documentação já acostada aos autos, intimar a contribuinte de forma a lhe oportunizar dessa feita, a sua regularidade fiscal atual, por qualquer meio de prova, inclusive através de certidões (negativas ou positivas com efeitos de negativas)”. Às fls. 1139/1141 dos autos – Petição do Contribuinte, afirmando que “a Empresa Primo Schincariol Indústria de Cerveja e Refrigerantes do Nordeste S/A estava devidamente regular com os pressupostos exigidos na concessão do incentivo fiscal ao FINOR, assim, está devidamente amparada pela legislação tributária à aplicação de parte do Imposto de Renda em projetos financiados pelo FINOR”. Às fls. 1178 dos autos DRF/SOR/SEORT Nº798/2017 requerendo: 1. Comprovação documental de que o projeto da empresa Primo Schincariol Indústria de Cervejas e Refrigerantes do Nordeste S/A(CNPJ 01.278.018/000112), referente ao Parecer DAI/ATT 027/97(PROCESSO 03040000181/9648), aprovado pela RESOLUÇÃO Nº11.113, em Junho/2004 encontravase em situação de regularidade, cumpridos todos os requisitos previstos e os cronogramas aprovados, nos termos determinados pelo §1º do artigo 105 da Instrução Normativa SRF 267/2002; 2. Documento referente ao projeto supracitado que informe o prazo final para a sua implantação. Fl. 1264DF CARF MF Processo nº 13876.000472/200617 Acórdão n.º 1401003.107 S1C4T1 Fl. 1.263 5 Esclarecemos que os laudos apresentados em 07/11/2017, referentes ao processo 03040 004656/9756, diverso daquele requerido, não atendem às solicitações presentes na Intimação DRF/SOR/SEORT nº 712/2017 como entende o contribuinte. Às fls. 1191 dos autos – Petição do Contribuinte, aduzindo que “cumpriu com todas as solicitações indicadas na Intimação DRF/SOR/SEORT nº 798/2017 ASKK, e concluise que a empresa Primo Schincariol Indústria de Cervejas e Refrigerantes do Nordeste S/A estava devidamente regular com os pressupostos exigidos na concessão do incentivo fiscal ao FINOR, assim está devidamente amparada pela legislação tributária a aplicação de parte do IR em projetos financiados pela FINOR”. Às fls. 1202/1208 dos autos Despacho da DRF SOR/SEORT nº 002, de 21 de junho de 2018, trazendo a informação de que “em 29/06/2004 não havia certidão que comprovasse a regularidade do contribuinte, e não há documentos, neste processo, que possibilitem averiguar tal regularidade”. Dessa forma, despachouse no sentido de intimar o contribuinte para apresentar a sua regularidade fiscal atual”. Às fls. 1209 dos autos INTIMAÇÃO DRF/SOR/SEORT Nº091/2018– ASKK. Às fls. 1215 dos autos – Juntada de CERTIDÃO POSITIVA COM EFEITOS DE NEGATIVA DE DÉBITOS RELATIVOS AOS TRIBUTOS FEDERAIS E À DÍVIDA ATIVA DA UNIÃO. Às fls. 1237/1244 dos autos Despacho da DRF SOR/SEORT nº 101, de 25 de julho de 2018, comprovando que fora juntado pelo contribuinte os documentos solicitados na intimação, em seguida, encaminhando os autos para as demais providências determinadas. Concluiu ainda que: 1. No ano de 2003, Primo Schincariol Indústria de Cervejas e Refrigerantes S/A(CNPJ 50.221.019/000136) detinha 55,48% do capital votante de Primo Schincariol Indústria de Cervejas e Refrigerantes do Nordeste S/A(01.278.018/000112); 2. A Resolução nº11.113/97 e o Parecer DAI/ATT 027/97 encontramse às fls.1195/1196 e 1197 a 1199, respectivamente. O Projeto de Primo Schincariol Indústria de Cervejas e Refrigerantes do Nordeste S/A foi considerado como de interesse para o desenvolvimento do Nordeste e, consequentemente, merecedor da colaboração financeira do FINOR. 3. Entendeu que o contribuinte, no anocalendário 2003, encontravase apto, no tocante à existência de projetos aprovados e em implantação nos termos do artigo 9º da Lei 8167/1991, para aplicar parcelas do IRPJ nos Fundos de Investimentos Regionais. 4. Em 19/07/2018, foi juntada, ao presente processo, a Certidão Positiva com Efeitos de Negativa de Débitos Relativos aos Tributos Federais e Fl. 1265DF CARF MF 6 à Dívida Ativa da União de fls.1215, emitida em 11/07/2018, com validade até 07/01/2019, a qual comprova a regularidade fiscal ora solicitada. Às fls. 1253 dos autos – Petição do contribuinte, afirmando que cumpriu com todos os requisitos necessários ao deferimento do Pedido de Revisão de Ordem de Emissão de Incentivos Fiscais PERC, e que tal fato restou comprovado na diligência realizada. É o relatório do essencial. Voto Conselheiro Daniel Ribeiro Silva Relator. Observo que as referências a fls. feitas no decorrer deste voto se referem ao eprocesso. O recurso é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade, por isto dele conheço. Tratase de pedido de Revisão de Ordem de Emissão de Incentivos Fiscais – PERC, referente à declaração de Imposto de Renda Pessoa Jurídica, anocalendário de 2003. O fundamento da não emissão do Incentivo Fiscal foi a revogação da opção para aplicação nos Fundos de Investimentos FINOR/FINAM; bem assim irregularidades nos recolhimentos de tributos e contribuições sociais a teor do art. 60 da Lei nº 9.069/95. A DRJ manteve o indeferimento analisando apenas a primeira motivação por entender bastante o suficiente para tal. Segundo ela, não se comprovou o contribuinte era detentor de projeto próprio beneficiário do incentivo, prioritário para o desenvolvimento regional, caracterizado no art. 9 da Lei n° 8.167,de 1991. Para fazer face a essa prova o contribuinte trouxe em sede impugnatória, indícios suficientes para no mínimo se fazer uma investigação melhor a respeito. Trouxe estatutos consolidados de Primo Schincariol Indústria de Cervejas e Refrigerantes S.A. e Primo Schincariol Indústria de Cervejas e Refrigerantes do Nordeste S.A., cópias de ata de assembléia geral de Schincariol Participações e Representações S.A., cópias dos Livros de Registro de Ações Nominativas de Primo Schincariol Indústria de Cervejas e Refrigerantes S.A. e Primo Schincariol Indústria de Cervejas e Refrigerantes do Nordeste S.A., além de cópia do aceite da Resolução n. 11.113, que aprovou o Parecer DAI/ATT027/97, ambos do Ministério do Planejamento e Orçamento, que aprovou o Parecer DAI/ATT027/ 97, que considerou viável projeto de implantação abrangido pelo Finor, em favor de Primo Schincariol Indústria de Cervejas e Refrigerantes do Nordeste S.A. Como bem ressaltado na Resolução proposta pelo antigo Relator Conselheiro Antônio Bezerra, a negativa da DRJ deuse principalmente pelo motivo de não haver a correspondência direta entre a destinatária da autorização para investir em projeto considerado de interesse para o desenvolvimento de atividade regional, no caso, a Primo Schincariol Indústria de Cervejas e Refrigerantes do Nordeste S. A., e a efetiva aplicadora no incentivo fiscal. (Recorrente). Fl. 1266DF CARF MF Processo nº 13876.000472/200617 Acórdão n.º 1401003.107 S1C4T1 Fl. 1.264 7 Entretanto, a interpretação abraçada pela DRJ vai de encontro ao que dispõe o teor do Art. 9 da Lei 8.167/91: Art. 9o As Agências de Desenvolvimento Regional e os Bancos Operadores assegurarão às pessoas jurídicas ou grupos de empresas coligadas que, isolada ou conjuntamente, detenham pelo menos cinqüenta e um por cento do capital votante de sociedade titular de empreendimento de setor da economia considerado, pelo Poder Executivo, prioritário para o desenvolvimento regional, a aplicação, nesse empreendimento, de recursos equivalentes a setenta por cento do valor das opções de que trata o art. 1o, inciso I. (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.199 14, de 2001) E nesse sentido foi que o processo foi convertido em diligência através da Resolução de nº 1401000.233 (fls. 1121/1127), para se verificar o cumprimento de todos os requisitos para fruição do benefício. A conclusão da diligência, como já relatado, foi absolutamente favorável ao contribuinte, razão pela qual, acolhendo o seu resultado, voto por dar provimento integral ao Recurso Voluntário apresentado. É como voto. (assinado digitalmente) Daniel Ribeiro Silva Fl. 1267DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16327.904943/2010-41
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 17 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Feb 13 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Data do fato gerador: 30/06/2003
COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO. DIREITO AO CRÉDITO NEGADO.
Não se reconhece o direito creditório quando o contribuinte não logra comprovar com documentos hábeis e idôneos que houve pagamento indevido ou a maior.
Numero da decisão: 2201-004.847
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente.
(assinado digitalmente)
Douglas Kakazu Kushiyama - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushiyama, Debora Fofano, Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente).
Nome do relator: DOUGLAS KAKAZU KUSHIYAMA
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PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO. DIREITO AO CRÉDITO NEGADO. Não se reconhece o direito creditório quando o contribuinte não logra comprovar com documentos hábeis e idôneos que houve pagamento indevido ou a maior. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo Presidente. (assinado digitalmente) Douglas Kakazu Kushiyama Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushiyama, Debora Fofano, Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente). Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 90 49 43 /2 01 0- 41 Fl. 115DF CARF MF 2 Tratase de Recurso Voluntário de fls. 81/85 interposto contra decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo (SP), de fls. 63/66, a qual indeferiu a manifestação de inconformidade apresentada, mediante a qual a DEINF SÃO PAULO homologou parcialmente a compensação declarada com base nos seguintes fundamentos: A análise do direito creditório está limitada ao "crédito original na data de transmissão" informado no PER/DCOMP, no valor de R$ 71.401,74. Valor do crédito reconhecido: 68.754,39. A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PERDCOMP. Da Manifestação de Inconformidade Recebida a cientificação da mencionada decisão, a interessada apresentou manifestação de inconformidade, alegando em síntese: a) A empresa UFJ Bank Ltd., residente e domiciliada no Japão, ao receber juros sobre o capital próprio de ações do Banco Bradesco S/A, pagos no período de 3/7/2000 a 3/1/2005, sofreu tributação do IRRF à alíquota de 15% quando o correto seria de 12,5%, nos termos do art. 10, §2°, da Convenção entre os Estados Unidos do Brasil e o Japão. b) Ao preencher a DCTF do 2° trimestre de 2003, declarou como devido o valor de R$ 5.764.745,61, relativo ao recolhimento de IRRF, código 9453, período de apuração 30/06/2003. Foi recolhido o valor de R$ 5.850.000,00. c) Tendo efetuado corretamente o lançamento na DCTF, onde se pode identificar o crédito relativo ao valor recolhido a maior, deve ser reconhecido o direito creditório de R$ 71.401,74. Da Decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo (SP) Quando da apreciação do caso, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo (SP) entendeu pelo não reconhecimento do direito creditório que a interessada afirmava ter, conforme ementa abaixo (fl. 63): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE I R R F Data do fato gerador: 30/06/2003 COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. Não se reconhece o direito creditório quando o contribuinte não logra comprovar com documentos hábeis e idôneos que houve pagamento indevido ou a maior. Fl. 116DF CARF MF Processo nº 16327.904943/201041 Acórdão n.º 2201004.847 S2C2T1 Fl. 116 3 Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Do Recurso Voluntário A Recorrente, devidamente intimada da decisão da DRJ apresentou o recurso voluntário de fls. 81/85, praticamente repete os argumentos apresentados em sede de manifestação de inconformidade Este recurso compôs lote sorteado para este relator em Sessão Pública. É o relatório do necessário. Voto Conselheiro Relator Douglas Kakazu Kushiyama O Recurso Voluntário é tempestivo e dele conheço. No caso em questão, aplicável o disposto no artigo 57, § 3º do RICARF Art. 57. Em cada sessão de julgamento será observada a seguinte ordem: (...). § 1º A ementa, relatório e voto deverão ser disponibilizados exclusivamente aos conselheiros do colegiado, previamente ao início de cada sessão de julgamento correspondente, em meio eletrônico. (...) § 3º A exigência do § 1º pode ser atendida com a transcrição da decisão de primeira instância, se o relator registrar que as partes não apresentaram novas razões de defesa perante a segunda instância e propuser a confirmação e adoção da decisão recorrida. (Redação dada pela Portaria MF nº 329, de 2017) O Recorrente apresentou o Per/DComp nº 33735.88423.111105.3.043810 declarando o crédito existente no valor de R$ 71.401,74. O despacho decisório reconheceu o crédito no valor de R$ 68.754,39. Conforme relatado anteriormente, o Recorrente alegou que: a) A empresa UFJ Bank Ltd., residente e domiciliada no Japão, ao receber juros sobre o capital próprio de ações do Banco Bradesco S/A, pagos no período de 3/7/2000 a 3/1/2005, sofreu tributação do IRRF à alíquota de 15% quando o correto seria de Fl. 117DF CARF MF 4 12,5%, nos termos do art. 10, §2°, da Convenção entre os Estados Unidos do Brasil e o Japão. b) Ao preencher a DCTF do 2° trimestre de 2003, declarou como devido o valor de R$ 5.764.745,61, relativo ao recolhimento de IRRF, código 9453, período de apuração 30/06/2003. Foi recolhido o valor de R$ 5.850.000,00. c) Tendo efetuado corretamente o lançamento na DCTF, onde se pode identificar o crédito relativo ao valor recolhido a maior, deve ser reconhecido o direito creditório de R$ 71.401,74. De acordo com o Recorrente, trouxe provas suficientes à comprovação do alegado e serviriam como prova: •Cópia de Darf no valor de R$ 5.850.000,00 (fls. 26); •Cópia do Termo de Quitação (fls. 28); •Demonstrativo "Pagamento de Juros sobre o Capital Próprio" (fls. 29); •Extrato para simples conferência 2ª via Valores a ressarcir IR UFJ Bank (fls. 31); •Planilha para lançamentos contábeis (fls. 32/33); •Cópia de recibo de entrega da DCTF e das páginas 1 a 3 da DCTF relativa ao 4º trimestre de 2003 (fls. 35/37) Na fundamentação do despacho decisório constante à fl. 65, extraímos o seguinte trecho: O Darf de R$ 500.000,00 foi recolhido fora do prazo, em 10/07/2003. Por isso, parte do pagamento de R$ 5.850.000,00 foi alocado aos acréscimos legais, no valor total de R$ 21.500,00 (fls. 56). O valor do principal utilizado foi de R$ 16.500,00 (11.500 + 5000 fls. 57/59). Por conseguinte o valor disponível do pagamento foi de R$ 68.754,39 (5.850.000,00 5.764.745,61 11.500,00 5.000,00). Este valor foi reconhecido como direito creditório no despacho decisório. A diferença entre o valor original pleiteado no Per/Dcomp e o valor reconhecido é de R$ 22.507,60. Na planilha de fls. 29 consta que na Assembléia de 30/6/2003 foi deliberado pagamento de R$ 2.856.069,53 ao UFJ Bank Limited, com retenção de R$ 428.410,42 (alíquota de 15%). A diferença corresponde a R$ 71.401,74. A cópia do termo de quitação demonstra que a manifestante assumiu o encargo, nos termos do art. 166 do CTN: "Art. 166. A restituição de tributos que comportem, por sua natureza, transferência do respectivo encargo financeiro somente será feita a quem prove haver assumido o referido encargo, ou, no caso de têlo transferido a terceiro, estar por este expressamente autorizado a recebêla. " Fl. 118DF CARF MF Processo nº 16327.904943/201041 Acórdão n.º 2201004.847 S2C2T1 Fl. 117 5 No entanto, não foi anexado nenhum elemento da escrituração contábil para demonstrar que foi pago ao UFJ Bank Limited o valor líquido de R$ 2.427.659,11 (2.856.069,53 428.410,42). Apenas foram anexados cópias dos registros contábeis relativos ao reembolso da diferença de IRRF ao UFJ Bank Limited. Além disso, também é necessária a demonstração dos cálculos e registros contábeis que levaram à apuração do IRRF devido no 30° dia de junho de 2003. Conforme ressaltado na decisão recorrida, caberia ao Recorrente demonstrar, com base em documentação, a liquidez e certeza do direito creditório para que fosse possível aferir que os valores pagos à título de Imposto de Renda Retido na Fonte é o correto e, por consequência, o direito ao crédito também é o que alega ter direito, conforme preceitua o disposto no artigo 74 da Lei nº 9.430/96: “Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. § 1º A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados. Nos termos do disposto no artigo 74 da Lei nº 9.430/96 com as alterações introduzidas pelas Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003, acima transcrito, verificase a possibilidade de se compensar os valores desde que seja administrado pela Secretaria da Receita Federal e que sejam passíveis de restituição ou de ressarcimento. Devese ressaltar que o Recorrente teve tempo hábil a comprovar ou mesmo trazer aos autos os elementos que afastariam as dúvidas quanto à certeza e liquidez do crédito pleiteado, de modo que devese negar provimento ao recurso. Sendo assim, não há o que reparar na decisão proferida em primeira instância. Conclusão Diante do exposto, nego provimento ao recurso voluntário. Relator Douglas Kakazu Kushiyama Fl. 119DF CARF MF 6 Fl. 120DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10580.011712/2003-85
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Nov 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Feb 06 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 31/10/2002 a 31/12/2002
DCTF. DÉBITOS DECLARADOS. SALDO A PAGAR ZERADO. SUSPENSÃO NÃO COMPROVADA. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. POSSIBILIDADE.
Os débitos tributários declarados nas respectivas DCTFs com saldos zerados, vinculados à suspensão de suas exigibilidades, cuja liminar em mandado de segurança não foi comprovada, podem e devem ser lançados de ofício, inclusive, com exigibilidade imediata.
MULTA DE OFÍCIO. LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. APLICAÇÃO. RETROATIVIDADE BENIGNA.
Tratando-se de ato não definitivamente julgado aplica-se retroativamente a lei nova quando mais favorável ao contribuinte que a lei vigente ao tempo do lançamento, excluindo a multa de ofício pelo fato de os débitos lançados terem sido declarados na respectiva DCTF
Numero da decisão: 9303-007.626
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer do Recurso Especial, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que não conheceram do recurso. No mérito, por maioria de votos, acordam em dar-lhe provimento parcial, para restabelecer o auto de infração sem a aplicação da multa de ofício, vencido o conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas (relator), que lhe deu provimento integral e as conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento. Portanto, perfazem sete votos pela exclusão da multa de ofício. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal.
(Assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e relator
(assinado digitalmente)
Andrada Márcio Canuto Natal - Redator designado
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 31/10/2002 a 31/12/2002 DCTF. DÉBITOS DECLARADOS. SALDO A PAGAR ZERADO. SUSPENSÃO NÃO COMPROVADA. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. POSSIBILIDADE. Os débitos tributários declarados nas respectivas DCTFs com saldos zerados, vinculados à suspensão de suas exigibilidades, cuja liminar em mandado de segurança não foi comprovada, podem e devem ser lançados de ofício, inclusive, com exigibilidade imediata. MULTA DE OFÍCIO. LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. APLICAÇÃO. RETROATIVIDADE BENIGNA. Tratando-se de ato não definitivamente julgado aplica-se retroativamente a lei nova quando mais favorável ao contribuinte que a lei vigente ao tempo do lançamento, excluindo a multa de ofício pelo fato de os débitos lançados terem sido declarados na respectiva DCTF
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer do Recurso Especial, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que não conheceram do recurso. No mérito, por maioria de votos, acordam em dar-lhe provimento parcial, para restabelecer o auto de infração sem a aplicação da multa de ofício, vencido o conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas (relator), que lhe deu provimento integral e as conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento. Portanto, perfazem sete votos pela exclusão da multa de ofício. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal. (Assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e relator (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal - Redator designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
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ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 31/10/2002 a 31/12/2002 DCTF. DÉBITOS DECLARADOS. SALDO A PAGAR ZERADO. SUSPENSÃO NÃO COMPROVADA. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. POSSIBILIDADE. Os débitos tributários declarados nas respectivas DCTFs com saldos zerados, vinculados à suspensão de suas exigibilidades, cuja liminar em mandado de segurança não foi comprovada, podem e devem ser lançados de ofício, inclusive, com exigibilidade imediata. MULTA DE OFÍCIO. LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. APLICAÇÃO. RETROATIVIDADE BENIGNA. Tratandose de ato não definitivamente julgado aplicase retroativamente a lei nova quando mais favorável ao contribuinte que a lei vigente ao tempo do lançamento, excluindo a multa de ofício pelo fato de os débitos lançados terem sido declarados na respectiva DCTF Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer do Recurso Especial, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que não conheceram do recurso. No mérito, por maioria de votos, acordam em darlhe provimento parcial, para restabelecer o auto de infração sem a aplicação da multa de ofício, vencido o conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas (relator), que lhe deu provimento integral e as conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento. Portanto, perfazem sete votos pela exclusão da multa de ofício. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 01 17 12 /2 00 3- 85 Fl. 312DF CARF MF Processo nº 10580.011712/200385 Acórdão n.º 9303007.626 CSRFT3 Fl. 3 2 (Assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas – Presidente em exercício e relator (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Redator designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello. Relatório Tratase de Recurso Especial interposto tempestivamente pela Fazenda Nacional contra o Acórdão nº 3102001.579, de 17/07/2012, proferido pela Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção de Julgamento deste CARF. O Colegiado da Câmara Baixa, por unanimidade de votos, negou provimento ao recurso de ofício interposto pela DRJ e, pelo voto de qualidade, negou provimento ao recurso voluntário interposto pelo contribuinte, nos termos da seguinte ementa, transcrita na parte que interessa ao litígio, nesta fase recursal: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/1999 a 28/02/1999, 01/04/1999 a 30/06/1999, 01/08/1999 a 31/10/2000, 01/12/2000 a 31/01/2001, 01/03/2001 a 31/03/2001, 01/07/2001 a 31/07/2001, 01/09/2001 a 31/12/2001 COFINS. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. VALORES CONFESSADOS É inexequível o lançamento de ofício em relação aos valores confessados por intermédio de DCTF por se tratar de exigência em duplicidade, tendo em vista que os débitos confessados nessa modalidade podem ser objeto de inscrição em Dívida Ativa da União independentemente de lançamento de ofício.” Intimado desse acórdão, a Fazenda Nacional interpôs recurso especial, suscitando divergência, quanto ao improvimento do recurso de ofício, apresentando como paradigmas os acórdãos nºs. 20309.707 e 20400.187, cujas ementas foram reproduzidas em seu recurso. Segundo seu entendimento, o lançamento dos valores declarados em DCTFs com saldos zerados tem amparo no art. 142 do CTN. Alegou que de acordo com a sistemática vigente para as declarações apresentadas até 29/10/2003, somente o "saldo a pagar" era dívida confessada e que, nos casos destes autos, a DCTF apresentada, em 14/02/2003, informou saldo a pagar zerado para todos os débitos declarados. As INs SRF nº 45/1998, 77/1998 e 126/1998 determinavam o lançamento de ofício dos débitos informados em DCTFs e não pagos. Fl. 313DF CARF MF Processo nº 10580.011712/200385 Acórdão n.º 9303007.626 CSRFT3 Fl. 4 3 Por meio do despacho às fls. 262e/266e, o Presidente da Primeira Câmara da Terceira Seção deu seguimento ao recurso especial interposto pela Fazenda Nacional. Notificado do acórdão recorrido, do recurso especial da Fazenda Nacional e do despacho da sua admissibilidade, o contribuinte apresentou suas contrarazões, requerendo, em preliminar, o seu não conhecimento, sob os argumentos de que a matéria não foi prequestionada e que os paradigmas apresentados não servem para comprovar a suscitada divergência; pugnou pela manutenção da decisão recorrida pelos seus próprios fundamentos. É o Relatório. Voto Vencido Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, relator. O recurso apresentado pela Fazenda Nacional atende aos pressupostos de admissibilidade e deve ser conhecido. A preliminar de não conhecimento suscitada pelo contribuinte, em suas contrarrazões, não merece prosperar. Ao contrário do seu entendimento, a matéria foi prequestionada, ou seja, decidida no acórdão recorrido. Também, os paradigmas apresentados comprovam a divergência suscitada. Ambos tratam de lançamentos de débitos e/ ou saldos devedores a pagar declarados em DCTFs. Assim, rejeito as preliminares suscitadas pelo contribuinte e conheço do recurso da Fazenda Nacional. A matéria em discussão nesta fase recursal se restringe ao recurso de ofício interposto pela DRJ, pelo fato de ter exonerado a parte do crédito tributário correspondente às competências de outubro a dezembro de 2002, declarados em DCFF, cujo valor extrapolou seu limite de alçada. O contribuinte transmitiu, 14/02/2003, a DCTF do 4º trimestre de 2002, cópia às fls. 129e/132e, declarando saldos da Cofins zerados para todos os meses. Os valores a pagar foram zerados, sob o argumento de que os débitos estavam com suas exigibilidades suspensas por conta de liminar concedida no mandado de segurança nº 1998330032953. Contudo, tal suspensão não foi comprovada, em momento algum. Ao contrário, a cópia do mandado de segurança anexada aos autos, às fls. 110/125, comprova que a suspensão da exigibilidade da contribuição não foi requerida naquele mandado. Além disto, consulta ao sítio do TRF da Primeira Região consta que o processo já foi baixado para arquivos, com decisão desfavorável ao contribuinte. As normas assim dispõem, quanto ao lançamento de tributários declarados em DCTF: Medida Provisória (MP) Nº 2.15835, DE 24/08/2001: "Art.90. Serão objeto de lançamento de ofício as diferenças apuradas, em declaração prestada pelo sujeito passivo, decorrentes de pagamento, parcelamento, compensação ou Fl. 314DF CARF MF Processo nº 10580.011712/200385 Acórdão n.º 9303007.626 CSRFT3 Fl. 5 4 suspensão de exigibilidade, indevidos ou não comprovados, relativamente aos tributos e às contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal. (destaque não original) IN SRF nº 45/1998: "Art. 2º Os saldos a pagar, relativos a cada imposto ou contribuição, serão enviados para inscrição em Dívida Ativa da União, imediatamente após o término dos prazos fixados para a entrega da DCTF. § 1º Os saldos a pagar relativos ao Imposto de Renda das Pessoas Jurídicas IRPJ e à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL serão objeto de verificação fiscal, em procedimento de auditoria interna, abrangendo as informações prestadas nas DCTF e na Declaração de Rendimentos, antes do envio para inscrição em Dívida Ativa da União. § 2º Os demais valores informados na DCTF, serão, também, objeto de auditoria interna. § 3º Os créditos tributários, apurados nos procedimentos de auditoria interna a que se referem os parágrafos anteriores, serão exigidos por meio de lançamento de ofício, com o acréscimo de juros moratórios e multa, moratória ou de ofício, conforme o caso, efetuado com observância do disposto na Instrução Normativa SRF Nº 094, de 24 de dezembro de 1997. (...)." IN SRF nº 77/1998: "Art. 1º Os saldos a pagar, relativos a tributos e contribuições, constantes das declarações de rendimentos das pessoas físicas e jurídicas e da declaração do ITR, quando não quitados nos prazos estabelecidos na legislação, e da DCTF, serão comunicados à Procuradoria da Fazenda Nacional para fins de inscrição como Dívida Ativa da União. (...). Art. 2º Os débitos apurados nos procedimentos de auditoria interna, decorrentes de verificação dos dados informados na DCTF, a que se refere o art. 2º da Instrução Normativa SRF n° 45, de 1998, na declaração de rendimentos da pessoa física ou jurídica e na declaração do ITR, serão exigidos por meio de auto de infração, com o acréscimo da multa de lançamento de ofício e dos juros moratórios, previstos, respectivamente, nos arts. 44 e 61, § 3º, da Lei n.º 9.430, de 27 de dezembro de 1996, observado o disposto nas Instruções Normativas SRF nºs 94, de 24 de dezembro de 1997, e 45, de 1998.”(Redação original) . (destaque não original)" IN SRF nº 126/1998 Fl. 315DF CARF MF Processo nº 10580.011712/200385 Acórdão n.º 9303007.626 CSRFT3 Fl. 6 5 "Art. 7º Todos os valores informados na DCTF serão objeto de procedimento de auditoria interna. § 1º Os saldos a pagar relativos a cada imposto ou contribuição, informados na DCTF, serão enviados para inscrição em Dívida Ativa da União, imediatamente após a entrega da DCTF. § 2º Os saldos a pagar relativos ao imposto de renda e à contribuição social sobre o lucro líquido das pessoas jurídicas sujeitas à tributação com base no lucro real, apurado anualmente, serão, também, objeto de auditoria interna, abrangendo as informações prestadas na DCTF e na Declaração Integrada de Informações da Pessoa Jurídica ‑ DIPJ, antes do envio para inscrição em Dívida Ativa da União. § 3º Os débitos apurados nos procedimentos de auditoria interna serão exigidos de ofício, com o acréscimo de multa, moratória ou de ofício, conforme o caso, efetuado com observância do disposto nas Instruções Normativas SRF nº 094, de 24 de dezembro de 1997, e nº 077, de 24 de julho de 1998.” (Redação original) (destaque não original). Segundo estes dispositivos, os débitos e/ ou saldos devedores, em aberto, declarados nas DCTFs devem ser exigidos por meio de lançamento de ofício. A Nota Conjunta COSIT/COFIS/COSAR n° 535, de 23 de dezembro de 1997, determina que, para os débitos declarados em DCTF, não é necessária a formalização da exigência por meio de auto de infração, sendo suficiente tãosomente a própria DCTF, que, além de se constituir em confissão de dívida, é instrumento hábil para se prosseguir na cobrança do débito, juntamente com os juros de mora e a multa de mora devidos. Assim dispõe a referida nota: "4.4 no caso em que já tenha sido efetuado o lançamento de oficio de valores constantes da DCTF; (...) 4.4.2 existente a impugnação, ;deverá ser eliminada, inicialmente, a eventual duplicidade de cobrança (controladas pelo contacorrente e PROFISC), suspendendose o registro no contacorrente até que seja cancelada a exigência constante do processo; 4.4.3 — quando do julgamento, compete o cancelamento da referida exigência porquanto desnecessárias (subitens 3.1, 3.2 e 3.3), devendo a Unidade apôs cientificada pela DRJ, reativar o débito no contacorrente; 4.4.4 havendo recurso, de oficio ou voluntário, o feito terá prosseguimento normal" No entanto, no presente caso, conforme demonstrado e provado, o contribuinte transmitiu a DCTF do 4º trimestre de 2002, com a informação falsa de que os valores declarados para todas as competências mensais, daquele trimestre, estavam com a Fl. 316DF CARF MF Processo nº 10580.011712/200385 Acórdão n.º 9303007.626 CSRFT3 Fl. 7 6 exigibilidade suspensa, por força de liminar concedida no mandado de segurança nº 1998.33.0032953. Contudo, conforme demonstrado e provada tal liminar, de fato, não existia. O lançamento de ofício de débitos declarados em DCTF somente é dispensável, quando também são informados os saldos devedores a pagar. Nessa situação, a DCTF constitui confissão de dívida e instrumento legal para a cobrança dos saldos devedores declarados. Se não há saldos devedores, o Fisco não tem como cobrar. Foi o que aconteceu neste caso. O contribuinte transmitiu a DCTF do 4º trimestre de 2002, objeto do lançamento em discussão, com saldos devedores zerados, quando, de fato, havia saldos devedores para todas as competências mensais daquele trimestre. Como os saldos foram zerados, de forma indevida, não há como cobrar os débitos por meio da DCTF. O extrato da DCTF processada, às fls. 169e, demonstra que, para aquele trimestre, os débitos declarados totalizaram apenas R$ 285,86 e os créditos vinculados R$ 285,86; e, saldos a pagar zerados. Onde estão os débitos do 4º trimestre de 2002, no valor total de R$1.321.988,93? Como cobrálos, senão por meio de lançamento de ofício!? Conforme já demonstrado, na decisão judicial foi discutida a exigência Cofins, nos termos em que foi lançada e exigida. Contudo tal decisão transitou em julgado desfavoravelmente ao contribuinte, conforme consta às fls. 174e. Dessa forma, correto o lançamento de ofício para exigir a contribuição devida para o 4º trimestre de 2002. A luz do exposto, DOU PROVIMENTO ao recursos especial da Fazenda Nacional, para restaurar integralmente o lançamento, exigindose a contribuição pelo total lançado no auto de infração. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Relator Fl. 317DF CARF MF Processo nº 10580.011712/200385 Acórdão n.º 9303007.626 CSRFT3 Fl. 8 7 Voto Vencedor Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal, redator designado Com todo respeito ao voto do ilustre Relator, mas discordo de suas conclusões, apenas e tão somente, quanto à exigência da multa de ofício sobre o lançamento de débitos declarados nas respectivas DCTF. A multa de ofício teve como fundamento o art. 44, inciso I, da Lei nº 9.430/1996, pelo fato de o contribuinte ter declarado os débitos da Cofins, para as competências mensais do 4º trimestre de 2002 a ao mesmo tempo ter informado valores zerados para todos os meses deste trimestre sobre o entendimento equivocado de dispunha de liminar em mandado de segurança suspendido suas exigências. O art. 18 da Lei nº 10.833/2003 assim dispõe sobre o lançamento de ofício, como no presente caso: "Art. 18. O lançamento de ofício de que trata o art. 90 da Medida Provisória no 2.15835, de 24 de agosto de 2001, limitar seá à imposição de multa isolada sobre as diferenças apuradas decorrentes de compensação indevida e aplicarseá unicamente nas hipóteses de o crédito ou o débito não ser passível de compensação por expressa disposição legal, de o crédito ser de natureza não tributária, ou em que ficar caracterizada a prática das infrações previstas nos arts. 71 a 73 da Lei no4.502, de 30 de novembro de 1964." Ora, segundo este dispositivo legal, a aplicação de penalidade no lançamento de débito declarados na respectiva DCTF, em decorrência de compensação indevida e/ ou suspensão de suas exigibilidades por medida judicial, sem comprovação, limitarseá à imposição de multa isolada e deverá ser aplicada unicamente nas hipóteses elencadas no art. 18 citado e transcrito acima. Assim, por força do princípio da retroatividade benigna das leis, previsto no art. 106, II, "c", do CTN, a multa de ofício, exigida com fundamento no inciso I do art. 44 da Lei nº 9.430/1996, deve ser exonerada. Ante o exposto, DOU PROVIMENTO PARCIAL ao recurso especial interposto pela Fazenda Nacional, para restabelecer o auto de infração, sem a aplicação da multa de ofício, exigindose os valores das parcelas mensais acrescidas apenas dos juros de mora à taxa Selic. Depois de concluído o julgamento deste processo, foi juntada uma petição do contribuinte, no eProcesso, na qual informa e alerta que os débitos do 4º trimestre/2002 foram Fl. 318DF CARF MF Processo nº 10580.011712/200385 Acórdão n.º 9303007.626 CSRFT3 Fl. 9 8 incluídos no parcelamento, depois de terem sido executados pela PFN. Assim, a Autoridade Administrativa, na execução deste acórdão deve verificar se, de fato, os débitos em discussão neste, Cofins correspondentes aos fatos geradores de outubro a dezembro de 2002, foram realmente parcelados, evitando a cobrança em duplicidade. (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal. Fl. 319DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.660635/2012-06
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jan 30 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2012
APRESENTAÇÃO DE PROVAS. PRECLUSÃO. MOMENTO PROCESSUAL
A prova documental deve ser produzida até o momento processual da reclamação, precluindo o direito da parte de fazê-lo posteriormente, salvo prova da ocorrência de qualquer das hipóteses que justifiquem sua apresentação tardia.
Consideram-se preclusas as alegações não submetidas ao julgamento de primeira instância, apresentadas somente na fase recursal.
DCTF. CONFISSÃO DE DÍVIDA. RETIFICAÇÃO. DESPACHO DECISÓRIO. DIREITO CREDITÓRIO
A DCTF é instrumento formal de confissão de dívida, e sua retificação, posterior à emissão de despacho decisório, exige comprovação material a sustentar direito creditório alegado.
Numero da decisão: 3201-004.625
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Larissa Nunes Girard (suplente convocado para substituir o conselheiro Leonardo Correia Lima Macedo), Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. Ausente, justificadamente, o conselheiro Leonardo Correia Lima Macedo.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2012 APRESENTAÇÃO DE PROVAS. PRECLUSÃO. MOMENTO PROCESSUAL A prova documental deve ser produzida até o momento processual da reclamação, precluindo o direito da parte de fazê-lo posteriormente, salvo prova da ocorrência de qualquer das hipóteses que justifiquem sua apresentação tardia. Consideram-se preclusas as alegações não submetidas ao julgamento de primeira instância, apresentadas somente na fase recursal. DCTF. CONFISSÃO DE DÍVIDA. RETIFICAÇÃO. DESPACHO DECISÓRIO. DIREITO CREDITÓRIO A DCTF é instrumento formal de confissão de dívida, e sua retificação, posterior à emissão de despacho decisório, exige comprovação material a sustentar direito creditório alegado.
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Larissa Nunes Girard (suplente convocado para substituir o conselheiro Leonardo Correia Lima Macedo), Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. Ausente, justificadamente, o conselheiro Leonardo Correia Lima Macedo.
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DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Recorrente AGT ARMAZÉNS GERAIS E TRANSPORTES LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2012 APRESENTAÇÃO DE PROVAS. PRECLUSÃO. MOMENTO PROCESSUAL A prova documental deve ser produzida até o momento processual da reclamação, precluindo o direito da parte de fazêlo posteriormente, salvo prova da ocorrência de qualquer das hipóteses que justifiquem sua apresentação tardia. Consideramse preclusas as alegações não submetidas ao julgamento de primeira instância, apresentadas somente na fase recursal. DCTF. CONFISSÃO DE DÍVIDA. RETIFICAÇÃO. DESPACHO DECISÓRIO. DIREITO CREDITÓRIO A DCTF é instrumento formal de confissão de dívida, e sua retificação, posterior à emissão de despacho decisório, exige comprovação material a sustentar direito creditório alegado. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Larissa Nunes Girard (suplente convocado para substituir o conselheiro Leonardo Correia Lima Macedo), Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. Ausente, justificadamente, o conselheiro Leonardo Correia Lima Macedo. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 66 06 35 /2 01 2- 06 Fl. 144DF CARF MF Processo nº 10880.660635/201206 Acórdão n.º 3201004.625 S3C2T1 Fl. 3 2 Relatório O interessado recorre a este Conselho de decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belo Horizonte. O presente processo trata de Per/Dcomp transmitida com o objetivo de compensar o(s) débito(s) nele discriminado(s) com crédito de COFINS. A unidade de origem indeferiu o pleito do contribuinte sob o fundamento de que, "a partir das características do DARF descrito no PerDcomp, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PerDcomp". Assim, diante da inexistência de crédito, a compensação declarada NÃO FOI HOMOLOGADA. O interessado apresentou manifestação de inconformidade alegando que houve erro no preenchimento da DCTF, já retificada, após a ciência do despacho. A DRJ/Belo Horizonte julgou improcedente a manifestação de inconformidade por intermédio do Acórdão 02056.778. A decisão foi assim ementada: ASSUNTO: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Anocalendário: 2012 PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Não se admite compensação com crédito que não se comprova existente. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformado, o contribuinte apresentou recurso voluntário visando a reforma da decisão recorrida, para que lhe seja reconhecido o direito creditório e homologada a sua compensação. Traz como argumento novo que o crédito decorre do ativo imobilizado, com fundamento nas Leis nº 10.865/2004 e 12.546/2011, conforme o documento "Demonstrativo Contábil", cujo valor é o que informa no documento "Planilha para credito de PIS/Cofins sobre ativo imobilizado". Por fim, afirma que a exigência de certeza e liquidez do direito creditório está comprovada com os documentos que apresenta em sede de recurso voluntário. É o relatório. Fl. 145DF CARF MF Processo nº 10880.660635/201206 Acórdão n.º 3201004.625 S3C2T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3201004.621, de 12/12/2018, proferido no julgamento do processo 10880.660628/201204, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201004.621): (...) "O Recurso Voluntário atende aos requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. Consta dos autos que o litígio versa sobre o inconformismo do contribuinte em face do despacho decisório, mantido hígido na decisão a quo, que não homologou a Dcomp em razão de inexistência de comprovação de certeza e liquidez do crédito pretendido. Não há matéria preliminar, passemos à questão de mérito. O despacho decisório consignou que o Darf a que a contribuinte atribuiu o crédito por pagamento a maior que o devido foi integralmente utilizado para quitação de débitos, não restando crédito disponível para a compensação informada. Interposta manifestação de inconformidade, a contribuinte alegou ter demonstrado pagamento a maior na apresentação de sua DCTF retificadora e DARF de pagamento da Contribuição, após a prolação do despacho decisório. Em sede de julgamento na DRJ, o relator assentou que as retificações no Dacon e DCTF não evidenciaram o suposto pagamento a maior, porquanto apenas informaram um valor diverso do original. Conquanto os julgadores entenderam que as retificações após a ciência no despacho decisório não produzem efeitos para a redução dos débitos, porque não tem força de convencimento, o fundamento da decisão a quo é a ausência de prova do erro nas declarações anteriormente transmitidas. No recurso voluntário, a recorrente alega que "... tenha efetivamente demonstrado o seu direito ao crédito mediante a apresentação de toda a documentação necessária...". Faz menção ao DARF, ao lançamento fiscal da Contribuição devida originalmente e ao valor a qual foi reduzido o débito. Pois bem; constatase a inexistência nos autos de qualquer documento que demonstra lançamentos efetuados para a pretendida redução da Contribuição do PIS/Cofins em função da apuração de créditos com ativo imobilizado. A recorrente, agora em recurso voluntário, apresenta quadro demonstrativo com informações de bens e serviços (benfeitorias, adaptações, manutenções, pintura e instalações) Fl. 146DF CARF MF Processo nº 10880.660635/201206 Acórdão n.º 3201004.625 S3C2T1 Fl. 5 4 de seu ativo imobilizado e o documento "Planilha para Credito de PIS/Cofins sobre Ativo Imobilizado" no qual relaciona possível fornecedores e valores das Contribuições, que informa materializarse nos créditos. Como se vê, a esses documentos a contribuinte atribui a certeza e liquidez de seu direito creditório, que sequer demonstra a apuração e os registros em sua escrita contábil dos pretensos créditos, antes e após as retificações de Dacon e DCTF, e que resultaram em pagamento a maior de PIS e Cofins. A transmissão de Dacon e DCTF retificadoras consignando um valor de tributo menor que o originalmente informado não é suficiente para comprovar a certeza e liquidez de seu créditos. Esse era o fundamento sustentado pela contribuinte em sua manifestação de inconformidade. Os documentos que pretendem fazer prova do direito creditório, não apresentados em sede de julgamento de 1ª instância, mas somente em recurso voluntário, são meras informações sem a comprovação de lastro na escrita regular e em documentos idôneos, e tampouco submetido à análise fiscal quanto aos insumos e despesas com direito ao crédito de PIS e Cofins dispostos no art. 3º das Leis nº 10.637/02 e 10.833/03. Ademais, a recorrente não observou e não atendeu aos dispositivos legais que trazem regramentos às declarações retificadoras do contribuinte, ao momento da apresentação da prova, sua ausência na instauração da fase litigiosa e ao ônus probatório de quem alega os fatos constitutivos de seu direito. As matérias estão disciplinadas nos artigos 14 a 17 do Decreto nº 70.235/76 PAF, art. 373 da Lei nº 13.105/2015 Novo CPC, e art. 147 da Lei nº 5.172/1966 CTN: Decreto n° 70.235, de 1972: Art. 14. A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento. Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. [...] Art. 16. A impugnação mencionará: [...] III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir. [...] § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente; (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) Fl. 147DF CARF MF Processo nº 10880.660635/201206 Acórdão n.º 3201004.625 S3C2T1 Fl. 6 5 c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997). Lei nº 13.105/2015 CPC: "Art. 373. O ônus da prova incumbe: I — ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; II — ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor." Lei nº 5.172/1966 CTN: Art. 147. O lançamento é efetuado com base na declaração do sujeito passivo ou de terceiro, quando um ou outro, na forma da legislação tributária, presta à autoridade administrativa informações sobre matéria de fato, indispensáveis à sua efetivação. § 1º. A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento Cabe assinalar que à luz do art. 170 do CTN1, o reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige a averiguação da liquidez e certeza do suposto pagamento indevido ou a maior de tributo, fazendose necessário verificar a exatidão das informações a ele referentes, confrontandoas com os registros contábeis e fiscais efetuados com base na documentação pertinente, com análise da situação fática, de modo a se conhecer qual seria o tributo devido e comparálo ao pagamento efetuado. A fim de comprovar a certeza e liquidez do crédito, o interessado deve, sob pena de preclusão, instruir sua manifestação de inconformidade com os motivos de fato e de direito que fundamentam sua pretensão, acompanhados dos documentos que respaldem suas afirmações, considerando o que dispõem os dispositivos legais transcritos. Este Colegiado tem flexibilizada o entendimento quanto à preclusão, mormente em face de despacho decisório em que o tratamento do Perdcomp tenha sido apenas eletronicamente, desde que a apresentação de provas, apenas em recurso voluntário, tenha respaldo em algumas das hipóteses elencadas no § 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235/72 ou se consubstanciam (as provas) na complementação de elementos indiciários que indubitavelmente já apontavam para a provável veracidade da pretensão creditória é o que se denomina "prova mínima" ou "início de prova". Tratandose de direito creditório pleiteado, decorrente de retificação de DCTF com a redução de PIS/Cofins devido no período de apuração, sem respaldo na escrita contábil regular e em documentos fiscais que comprovassem de forma hábil e idônea o alegado pagamento a maior, importa em reconhecer o acerto da decisão recorrida em não homologar a compensação declarada 1 Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. Fl. 148DF CARF MF Processo nº 10880.660635/201206 Acórdão n.º 3201004.625 S3C2T1 Fl. 7 6 É dever/ônus do contribuinte municiar sua defesa com os elementos de prova que suportassem as informações consignadas em suas DCTFs retificadoras. A simples retificação da DCTF, com a redução do valor do PIS devido, sem qualquer comprovação de erro no preenchimento da declaração original não atribui certeza e liquidez à pretensão de pagamento a maior e importa inadmissibilidade da DCTF retificadora, consoante o § 1º do art. 147 do CTN. Denotase ainda que as explicações e demonstrativos apresentados no tocante aos supostos créditos decorrentes de encargos de depreciação, sem a necessária força probatória e apenas no julgamento do recurso voluntário são extemporâneos pois ausentes os requisitos que autorizariam o afastamento da preclusão de que trata as alíneas do § 4º do art. 16 do PAF. Ademais, consoante o art. 17 do PAF, considerase não impugnada a matéria que não tenha sido diretamente contestada pelo impugnante, sendo inadmissível a apreciação em grau de recurso de matéria não suscitada na instância a quo. Desse modo, a contribuinte não se desincumbiu do ônus probatório do seu direito creditório, que restou incerto e ilíquido. Assim, não vislumbro espaço para reanálise do despacho decisório, tampouco qualquer reforma na decisão recorrida, mantendose não reconhecido o direito creditório e não homologada a compensação declarada. Conclusão Diante de todo o exposto, voto para negar provimento ao recurso voluntário." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado NEGOU PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 149DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13846.000791/2008-33
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 05 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jan 23 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Ano-calendário: 2003
DECADÊNCIA. MULTA.
O prazo decadencial para lançamento da multa por falta de entrega da DCTF e de cinco anos a partir do primeiro dia do exercicio seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado.
DCTF. FALTA DE ENTREGA. MULTA.
A falta de entrega da DCTF sujeita o contribuinte à multa estabelecida pela legislação tributária.
LITISPENDÊNCIA.
A litispendência entre processos, na forma preconizada pelo CPC, é verificada a partir da igualdade das partes, do pedido e da causa de pedir.
Numero da decisão: 1001-001.008
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA - Presidente.
(assinado digitalmente)
EDUARDO MORGADO RODRIGUES - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues, José Roberto Adelino da Silva e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente)
Nome do relator: EDUARDO MORGADO RODRIGUES
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Ano-calendário: 2003 DECADÊNCIA. MULTA. O prazo decadencial para lançamento da multa por falta de entrega da DCTF e de cinco anos a partir do primeiro dia do exercicio seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. DCTF. FALTA DE ENTREGA. MULTA. A falta de entrega da DCTF sujeita o contribuinte à multa estabelecida pela legislação tributária. LITISPENDÊNCIA. A litispendência entre processos, na forma preconizada pelo CPC, é verificada a partir da igualdade das partes, do pedido e da causa de pedir.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2003 DECADÊNCIA. MULTA. O prazo decadencial para lançamento da multa por falta de entrega da DCTF e de cinco anos a partir do primeiro dia do exercicio seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. DCTF. FALTA DE ENTREGA. MULTA. A falta de entrega da DCTF sujeita o contribuinte à multa estabelecida pela legislação tributária. LITISPENDÊNCIA. A litispendência entre processos, na forma preconizada pelo CPC, é verificada a partir da igualdade das partes, do pedido e da causa de pedir. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA Presidente. (assinado digitalmente) EDUARDO MORGADO RODRIGUES Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 84 6. 00 07 91 /2 00 8- 33 Fl. 73DF CARF MF Processo nº 13846.000791/200833 Acórdão n.º 1001001.008 S1C0T1 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues, José Roberto Adelino da Silva e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente) Relatório Tratase de Recurso Voluntário (fls. 60 a 69) interposto contra o Acórdão nº 1425093, proferido pela 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto/SP (fls. 50 a 53), que, por unanimidade, julgou improcedente a Impugnação apresentada pela ora Recorrente, decisão esta consubstanciada na seguinte ementa: " Assumo: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendario: 2003 DECADÊNCIA. MULTA. O prazo decadencial para lançamento da multa por falta de entrega da DCTF e de cinco anos a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. DCTF. FALTA DE ENTREGA. MULTA. A falta de entrega da DCTF sujeita o contribuinte à multa estabelecida pela legislação tributária. LITISPENDÊNCIA. A litispendência entre processos, na forma preconizada pelo CPC, é verificada a partir da igualdade das partes, do pedido e da causa de pedir. Lançamento Procedente" Por sua precisão na descrição dos fatos que desembocaram no presente processo, peço licença para adotar e reproduzir os termos do relatório da decisão da DRJ de origem: " Versa o presente processo sobre auto de infração (fl. 12), mediante o qual é exigido da contribuinte acima identificada crédito tributário relativo à multa por falta de entrega da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), relativa ao 3° trimestre do anocalendário de 2003, no valor de R$ 500,00. Ciente do lançamento, a contribuinte ingressou com impugnação (fls. 1/11) na qual alegou que, por ter sido excluída do Simples, em 01/03/1999, por atividade econômica não permitida, ingressou com ação declaratória de reconhecimento de enquadramento em regime tributário especial e conseqüente declaração de nulidade de ato cancelatório de inscrição, com pedido de tutela antecipada (processo n° 2004.61.22.0005157). Informou que, em razão da improcedência da apelação, apresentou recursos especial ao STJ (processo n° 2008.03.00.0129108) e extraordinário ao STF (processo n° 2008.03.00.00129110), tendo o TRF da 3ª Região negado seguimento a tais recursos, estando pendentes de julgamento os agravos de instrumento impetrados (2008.065.009AGRESP/DRAD e 2008065010AGREX/DRAD). Fl. 74DF CARF MF Processo nº 13846.000791/200833 Acórdão n.º 1001001.008 S1C0T1 Fl. 4 3 Concluiu que ocorreu litispendência, pois se a ação declaratória for julgada procedente, a consequência será a extinção da presente execução. Assim, o presente lançamento deve ser cancelado ou, no mínimo, sobrestado até que a decisão final daquela ação seja transitada em julgado. Alegou que ocorreu a decadência do direito de a Fazenda Pública lançar a multa exigida nos autos de infração n° 803737701, 803737715, 803737729 e 803737732. Solicitou, se não for decretada a extinção do lançamento, que seja determinada a suspensão da exigência dos períodos em que não ocorreu decadência, tendo em vista a existência de litispendência, porque demonstrada a existência de ação tramitando na Justiça Federal”. Inconformada com a decisão de primeiro grau que indeferiu a sua Impugnação, a ora Recorrente apresentou o recurso sob análise com base nos mesmos elementos que já havia apresentado em primeira instância. É o relatório. Voto Conselheiro Eduardo Morgado Rodrigues O presente Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Em atenção ao disposto no §3º do art. 57 do RICARF, e por concordar com seu teor, adoto as razões exaradas pela decisão da DRJ ora combatida. Para tanto, reproduzo os tópicos atinentes às matérias ora tratadas: "(...) Tratase de analisar lançamento referente à multa por falta de entrega da DCTF relativa ao 3° trimestre do anocalendário de 2003, no valor de R$ 500,00. A contribuinte alega que ocorreu litispendência, pois ingressou com ação declaratória de reconhecimento de enquadramento em regime tributário especial (processo n° 2004.61.22.0005157), devendo, o presente lançamento ser cancelado ou, no mínimo, sobrestado até que a decisão final daquela ação seja transitada em julgado. Cabe esclarecer que a litispendência busca evitar pronunciamentos diversos sobre a mesma matéria, proferidos por juízos distintos. A verificação de litispendência impede a instauração válida de um segundo processo Fl. 75DF CARF MF Processo nº 13846.000791/200833 Acórdão n.º 1001001.008 S1C0T1 Fl. 5 4 idêntico a outro já em curso, mas o impedimento só se aplica quando ambos os processos correm perante o Poder Judiciário; sendo um judicial e o outro administrativo, isso não ocorre. Ademais, no presente caso não se configura a identidade entre este processo administrativos a ação judicial mencionada, pois enquanto aqui se discute a cobrança de multa por falta de entrega da DCTF, na Justiça o litígio se refere ao enquadramento no Simples. Assim, não ha que se falar em cancelamento ou sobrestamento do presente processo, tendo em vista a ocorrência de litispendência. Quanto à decadência, tratandose de lançamento de oficio de multa, aplicase o disposto no art. l73, I do Código Tributário Nacional (CTN) verbis: Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I. do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; Assim, o crédito tributário referente à multa aplicada no 3° trimestre de 2003 poderia ter sido lançado ainda no ano de 2003, sendo, 01/01/2004 o primeiro dia do exercício seguinte, e, 31/12/2008, o prazo final para cientificar a contribuinte do lançamento. Tendo, o auto de infração sido cientificado ao sujeito passivo em 16/12/2008, verificase que não ocorreu a decadência do lançamento. A contribuinte afirma na impugnação que foi excluída do Simples em 01/03/1999 e ingressou na justiça solicitando o cancelamento dessa exclusão. Entretanto, não obteve nenhum provimento judicial que lhe beneficiasse. Dessa forma, permanece excluída do referido regime, estando obrigada a entregar a DCTF. Não tendo cumprido essa obrigação estabelecida pela legislação, mantémse o lançamento. (...)" Assim, com base nos argumentos supra colacionados, provenientes da DRJ de origem, entendo que os argumentos esposados pela Recorrente não devem ser acolhidos. Portanto, a decisão de primeira instância não merece qualquer reparo. Desta forma, VOTO no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, mantendo in totum a decisão de primeira instância. É como voto. (assinado digitalmente) Fl. 76DF CARF MF Processo nº 13846.000791/200833 Acórdão n.º 1001001.008 S1C0T1 Fl. 6 5 Eduardo Morgado Rodrigues Relator Fl. 77DF CARF MF
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Numero do processo: 19740.720027/2009-23
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jan 17 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005
PIS/COFINS . BASE DE CÁLCULO. FOMENTO MERCANTIL.
Nas aquisições de direitos creditórios, resultantes de vendas mercantis a prazo ou de prestação de serviços, efetuadas por empresas de fomento comercial (Factoring), a receita bruta corresponde à diferença verificada entre o valor de aquisição e o valor de face do título ou direito creditório adquirido, não havendo previsão legal para exclusão de eventuais despesas.
Numero da decisão: 1201-002.683
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Rafael Gasparello Lima - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (presidente), Eva Maria Los, Luis Henrique Marotti Toselli, Edgar Bragança Bazhuni (suplente convocado), Rafael Gasparello Lima, Gisele Barra Bossa e Leonam Rocha de Medeiros (suplente convocado). Ausente, justificadamente, o conselheiro Jose Carlos de Assis Guimarães, por atestado médico.
Nome do relator: RAFAEL GASPARELLO LIMA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005 PIS/COFINS . BASE DE CÁLCULO. FOMENTO MERCANTIL. Nas aquisições de direitos creditórios, resultantes de vendas mercantis a prazo ou de prestação de serviços, efetuadas por empresas de fomento comercial (Factoring), a receita bruta corresponde à diferença verificada entre o valor de aquisição e o valor de face do título ou direito creditório adquirido, não havendo previsão legal para exclusão de eventuais despesas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) Rafael Gasparello Lima Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (presidente), Eva Maria Los, Luis Henrique Marotti Toselli, Edgar Bragança Bazhuni (suplente convocado), Rafael Gasparello Lima, Gisele Barra Bossa e Leonam Rocha de Medeiros (suplente convocado). Ausente, justificadamente, o conselheiro Jose Carlos de Assis Guimarães, por atestado médico. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 74 0. 72 00 27 /2 00 9- 23 Fl. 3472DF CARF MF 2 A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento do Rio de Janeiro (DRJ/RJ1) julgou improcedente a impugnação administrativa, como se infere da ementa do acórdão nº 1258.347: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005 PIS/COFINS BASE DE CÁLCULO EMPRESAS DE FOMENTO MERCANTIL. Nas aquisições de direitos creditórios, resultantes de vendas mercantis a prazo ou de prestação de serviços, efetuadas por empresas de fomento comercial (Factoring), a receita bruta corresponde à diferença verificada entre o valor de aquisição e o valor de face do título ou direito creditório adquirido, não havendo previsão legal para exclusão de eventuais despesas. Resumidamente, o acórdão recorrido narrou os fatos que proporcionaram a imposição fiscal: Trata o presente processo de auto de infração lavrado contra o contribuinte acima identificado, para exigência da Cofins devida nos períodos de apuração 01/2005 a 12/2005 (fls. 1.119 a 1.126), com multa de ofício de 75% e juros de mora calculados até 30/01/2009, totalizando um crédito tributário de R$ 49.332,73, sendo R$ 22.227,90 relativos à contribuição. Também foi lavrado auto de infração para a exigência do PIS relativo aos mesmos períodos, com os mesmos acréscimos (fls. 1.111 a 1.118), no valor total de R$ 10.710,22, sendo R$ 4.825,75 relativos à contribuição. No Termo de Verificação Fiscal (fls. 1.128 a 1.156), a autoridade fiscal informa, em resumo, que: · A fiscalizada é empresa de factoring (fomento mercantil), desempenhando atividade comercial atípica, que compreende a prestação de serviços de apoio e fomento aos clientes, estes sim empresas mercantis; · Conforme estabelecem o art. 10, § 3º, do Decreto nº 4.524/2004 e a IN/SRF nº 247/2002, a receita bruta das empresas de fomento mercantil é obtida pela subtração, dos valores nominais dos títulos adquiridos, das importâncias referentes à aquisição desses mesmos títulos; · Apesar de, no curso da fiscalização, restar comprovada a compatibilidade entre a movimentação financeira do contribuinte e suas operações de factoring no ano de 2005, bem como o registro de ambas em sua contabilidade, não se pode afirmar que a empresa tenha procedido corretamente quanto à apuração das receitas obtidas nas operações de fomento mercantil; · O contribuinte informa que, sempre que é realizada uma operação de fomento mercantil, são efetuados lançamentos a crédito das contas “Fator” e “Ad valorem”, respectivamente, Fl. 3473DF CARF MF Processo nº 19740.720027/200923 Acórdão n.º 1201002.683 S1C2T1 Fl. 3.472 3 pelos valores do deságio na aquisição dos títulos e da receita de ad valorem sobre a aquisição dos títulos; · O contribuinte entende que a receita obtida em uma operação de factoring seria justamente a soma desses dois valores, mas não é o que ocorre; · De fato, como já dito, a receita de uma operação de fomento mercantil é obtida pela diferença entre o valor de face dos títulos adquiridos e o valor pago pela aquisição desses mesmos títulos; · Tomandose por base o relatório de fls. 137 a 488, constatase que a receita de factoring calculada para uma determinada operação, de acordo com o determinado na norma, é distinta e maior do que aquela calculada pelo contribuinte mediante a soma dos campos “Fator” e “Ad valorem”; · A título de exemplo, tomase a operação registrada à fl. 216, realizada em 14/04/2005 com GMC Transportes e Representações. A soma dos valores de face desta operação é R$ 13.293,32, enquanto o valor total pago pelos títulos é de R$ 12.475,95. Assim, a receita obtida pela autuada nesta operação, de acordo com a definição legal, foi de R$ 817,37. Já o valor obtido pela soma dos campos “Fator” e “Ad valorem” é de R$ 801,06; · Concluise que a fiscalizada vem apurando sua receita com operações de factoring por um procedimento errado, tornandoa menor do que deve ser pela definição legal; · Essa forma de apuração da receita com operações de factoring constituise em metodologia da fiscalizada, extensível a todas as operações realizadas no ano de 2005, o que pode ser confirmado pelo documento de fl. 546 e pelos lançamentos contábeis da empresa; · Assim, a fim de determinar a receita bruta mensal da fiscalizada em operações de fomento mercantil, elaborouse a planilha de fls. 745 a 774, com base no relatório de fls. 137 a 488, cujas operações podem ser atestadas pelos contratos de fls. 489 a 539; · Obtidas as receitas brutas mensais, procedeuse à apuração da base de cálculo mensal do PIS e da Cofins, adicionandose as receitas financeiras constantes do Livro Razão (conta 310501 01); · Os créditos constantes das planilhas de fls. 553 a 556, utilizáveis pelo contribuinte conforme sistemática da não cumulatividade, foram retificados para menor, pois as somas das despesas financeiras de encargos e tarifas (fls. 35 a 136) são inferiores aos valores constantes da planilha original confeccionada pela fiscalizada; · Apurados os novos valores de receitas e de créditos em virtude de despesas financeiras, procedeuse a nova apuração das Fl. 3474DF CARF MF 4 contribuições, comparadas com os valores declarados em DCTF e recolhidos, constituindose a diferença por meio dos presentes lançamentos, com os respectivos acréscimos. O contribuinte tomou ciência dos lançamentos em 25/02/2009 (fl. 1.192) e apresentou impugnação tempestiva em 26/03/2009 (fls. 1.162/1.163 e 1.170), alegando, em resumo, que: · O agente fiscal demonstra a apuração de receitas nas operações de factoring de forma parcialmente correta, pois, apesar do disposto na IN/SRF nº 247/2002, há que se avaliar mais detalhadamente o valor de face, pois na sua composição são deduzidas as pendências (títulos em atraso do facturizado de operações anteriores) e o IOF de titularidade da própria SRF; · Observese que nos aditivos dos contratos de operação de fomento mercantil as receitas estão calculadas corretamente, já que a diferença entre o valor de face e o de compra estão corretos, acrescidos do ad valorem (prestação de serviços) e a diferença entre o valor apurado pelo agente fiscal e a metodologia de cálculo da empresa é, ora o IOF, e ora o IOF mais as pendências debitadas na operação; · Nas operações de factoring as pendências são: títulos vencidos de uma operação debitada na atual para recompor o saldo devedor do cliente, logo não se tratam nem de receita e nem de despesas, ou reembolso de taxas pela transmissão de valores via DOC ou TED, portanto reembolso de despesas contabilizadas como redutora da despesa originária, não se tratando de receita auferida pela empresa. A contribuinte interpôs o tempestivo Recurso Voluntário, reiterando os mesmos argumentos da impugnação administrativa. Em sessão de julgamento de 13 de março de 2018, durante minha ausência justificada, esta 1ª Turma Ordinária proferiu acórdão nº 1201002.083, relatado pela i. Conselheira, Eva Maria Los, por votação unânime, negando provimento ao Recurso Voluntário, referente a incidência do Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) sobre a mesma receita omitida (processo administrativo fiscal nº 19740.720024/200990). É o relatório. Voto Conselheiro Rafael Gasparello Lima, Relator. O Recurso Voluntário é tempestivo, havendo os demais pressupostos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. O acórdão recorrido explicitou a base de cálculo (critério quantitativo) para incidência da contribuição ao Programa de Integração Social (PIS) e da Contribuição para Financiamento da Seguridade Social (COFINS), inerente à atividade de fomento mercantil (factoring): Fl. 3475DF CARF MF Processo nº 19740.720027/200923 Acórdão n.º 1201002.683 S1C2T1 Fl. 3.473 5 Inicialmente, cabe observar que considerase atividade de factoring, conforme a legislação em vigor, a atividade de prestação cumulativa e contínua de serviços de assessoria creditícia, mercadológica, gestão de crédito, seleção de riscos, administração de contas a pagar e a receber, compras de direitos creditórios resultantes de vendas mercantis a prazo ou de prestação de serviços. O tipo de atividade efetuado por empresas de fomento comercial (factoring) não é equiparado ao das instituições financeiras, seu ramo de atividade é o mercantil. A principal fonte de receita dessas empresas deriva da aquisição dos direitos creditórios resultantes das vendas mercantis praticadas por seus clientes. Essa receita é representada pela diferença entre a quantia expressa no título de crédito adquirido (valor de face) e o valor efetivamente pago, sendo ela reconhecida, para efeito de apuração do Lucro Líquido do período, na data da operação. De acordo com o artigo 28, § 1º da Lei nº 8.981/1995 (atualmente artigo 14, VI da Lei nº 9.718/1998), as empresas de factoring são pessoas jurídicas de fomento mercantil, que exploram as atividades de prestação cumulativa e contínua de serviços de: 1. assessoria creditícia e mercadológica, gestão de crédito, seleção e riscos, administração de contas a pagar e a receber; e 2. compra de direitos creditórios resultantes de vendas e bens a prazo ou de prestação de serviços. Na alienação de títulos de créditos realizada entre a empresa cliente e a empresa de fomento mercantil (factoring), o pagamento do preço pactuado (valor fácil do título deságio) é realizado no momento da transferência dos títulos. Neste momento a empresa de fomento mercantil também deverá registrar o ganho obtido na aquisição desses títulos, o qual é representado pela diferença entre a quantia expressa no título de crédito adquirido (valor de face) e o valor pago, sendo esta diferença composta por dois tipos distintos de receita: receita de ad valorem: corresponde à receita pela prestação de serviços, e receita de diferencial na compra (fator de compra): corresponde ao ganho na aquisição do título. A expressão ad valorem é empregada para designar o valor cobrado pelas empresas de factoring, de seus clientes, pela prestação contínua de serviços, comprovados por meio da emissão de nota fiscal. Tal valor independe do grau de risco do título de crédito, bem como do prazo de quitação do mesmo. A comissão ad valorem incide sobre o valor de face dos títulos negociados, sendo que na sua determinação analisarseá o grau de parceria mantido entre a empresacliente e a empresa de fomento mercantil e o grau de responsabilidade da orientação e da assistência a ser realizada pela empresa de fomento mercantil. Fl. 3476DF CARF MF 6 A compra e venda de títulos de crédito serão realizadas mediante a pactuação de um preço denominado diferencial ou fator de compra, representado pelo diferencial entre o valor de face e o valor de aquisição dos títulos negociados e compõese dos seguintes itens: custo de oportunidade dos recursos da contratada, despesas operacionais e de cobrança, carga tributária e expectativa de lucro e risco. As empresas de fomento comercial não foram expressamente excluídas do PIS e da Cofins nãocumulativos. Além disso, de acordo com o já citado inciso VI do artigo 14 da Lei nº 9.718/1998, são obrigadas à apuração do IRPJ pelo lucro real, de sorte que a nãocumulatividade é regra para as empresas de factoring. (...) No presente caso, vêse que os lançamentos decorreram de diferenças apuradas entre a base de cálculo considerada pela empresa, e aquela apurada pela autoridade fiscal. Esta última corresponde à diferença verificada entre o valor de aquisição e o valor de face do título ou direito creditório adquirido, nos termos em que dispõem as normas acima transcritas, e considerando os registros contábeis da autuada. O artigo 10, § 3º, do Decreto nº 4.524/2002, especificamente, quanto à atividade exercida pela Recorrente, regulamentou que " Nas aquisições de direitos creditórios, resultantes de vendas mercantis a prazo ou de prestação de serviços, efetuadas por empresas de fomento comercial (Factoring)" , a base de cálculo, isto é, "a receita bruta corresponde à diferença verificada entre o valor de aquisição e o valor de face do título ou direito creditório adquirido. prazo ou de prestação de serviços, efetuadas por empresas de fomento comercial (Factoring), a receita bruta corresponde à diferença verificada entre o valor de aquisição e o valor de face do título ou direito creditório adquirido." Divergindo do acórdão recorrido, a contribuinte argumenta que existiriam custos dedutíveis da receita omitida, quando da reapuração do PIS e da COFINS, mediante a lançamento de ofício, in litteris: 28. Ora, o fato de entender a julgadora que não se tratam de despesas, não faz com os valores referentes aos seus efetivos custos operacionais, tais como comprovadamente constantes da Impugnação, deixem de ser! Ora, despesas financeiras; juros; custos cartorários, custos com TEDs e DOCs e os insumos, como consultas aos órgãos de crédito, como SPC/SERASA, por certo não podem entrar na base de cálculo para aferição do valor devido de PIS e COFINS. 29. Que não se alegue a omissão de receitas — tal já está de plano afastado, conforme consta do acórdão ora combatido. Quanto à inadimplência, firmase e renovase que a lei é clara em excluir da base de cálculo destes tributos, o prejuízo, ou seja, a inadimplência de seus clientes. 30. Portanto, deve ser reformada a decisão, para, analisando detidamente os documentos, que porá junta, pertinentemente, apreciar as razões de recurso e as razões apresentadas na impugnação. Fl. 3477DF CARF MF Processo nº 19740.720027/200923 Acórdão n.º 1201002.683 S1C2T1 Fl. 3.474 7 31. Isto posto, observem que nos aditivos dos contratos de operação de fomento mercantil, as receitas estão calculadas corretamente, já que a diferença entre o valor de face e o valor de compra está correta, acrescidos do ad valorem (prestação de serviços) e a diferença entre o valor apurado pelo agente fiscal e a metodologia de cálculo da empresa é ora o IOF e ora o IOF mais as pendências debitadas na operação. 32. Nas operações de factoring as pendências em algumas operações são: a) títulos vencidos de uma operação debitada na atual para recompor o saldo devedor do cliente, logo não se tratam nem de receita e nem de despesas; b) reembolso de taxas pela transmissão de valores via DOC ou TED, portanto reembolso de despesas contabilizadas como redutora da despesa originária, não se tratando, portanto de receita auferida pela empresa. Neste sentido, o acórdão nº 1201002.083, relatado pela i. Conselheira, Eva Maria Los, analisou a eventual dedutibilidade das noticiadas despesas na apuração do Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), sobretudo, considerando a diligência executada naqueles autos (processo administrativo fiscal nº 19740.720024/200990): 1. Termo de Diligência Fiscal 11. O órgão preparador, em atendimento à Resolução que determinou diligências, respondeu: a) Que o contribuinte foi intimado a apresentar os Livros Diário e Razão, referentes ao período de setembro a dezembro de 2005, em 3 (três) oportunidades durante a fiscalização: Termo de Início de Ação Fiscal, datado de 09/04/2008 (fls. 3 a 4); Termo de Intimação Fiscal n° 02, datado de 02/07/2008 (fls. 12 a 16) e Termo de Intimação n° 05, datado de 12/11/2008 (fls. 557 a 558), porém o contribuinte não apresentou o solicitado. b) Que durante sua impugnação à DRJ/RJ1, o contribuinte alega que mais ou menos 80% das operações foram com prazo de vencimento superior ao ano fiscal, porém não apresentou nenhum documento comprobatório de suas alegações. A DRJ/RJ1 assim decidiu: a) julgo procedente o lançamento de IRPJ, no valor de R$ 7.093,37 (segundo trimestre) dos quais R$ 6.358,00 devem ser declarados como definitivamente constituídos na esfera administrativa, em face de o interessado terlhes reconhecido a procedência; b) julgo procedentes os lançamentos de IRPJ, no valor de R$ 23.257,05 (terceiro trimestre) e R$ 28.717,10 (4o trimestre); c) julgo procedentes os lançamentos de CSLL, no valor de R$ 10.532,54 (terceiro trimestre), e no valor de R$ 12.498,16 (quarto trimestre) (fls. 1200 a 1212). Fl. 3478DF CARF MF 8 c) Que em resposta ao Termo de Intimação Fiscal n° 04 (fls. 531 a 536), o contribuinte apresentou planilha assinada com os valores devidos de IRPJ e CSLL, conforme discriminado abaixo: d) O contribuinte em sua 2ª impugnação (fls. 1244 a 1262), endereçada ao CARF, apresenta um Balancete de 31/08/2005 a 31/12/2005 informando: "ter apurado prejuízo no ano de 2005 (período fiscalizado), e que havendo prejuízo não há que se falar em incidência de IRPJ e CSLL. As perdas operacionais, conforme balancete oportunamente juntado, comprovam que a inconformidade da impugnação tem por fundamento um prejuízo de R$ 423.660,84 (quatrocentos e vinte e três mil, seiscentos e sessenta reais e oitenta e quatro centavos)". e) Da análise do balancete apresentado ao CARF, constatase que o mesmo não coincide com o declarado em sua DIPJ, nem tampouco com a planilha apresentada pelo próprio em resposta ao Termo de Intimação Fiscal n° 04 (item "c"). O novo documento não pode ser confrontado com os Livros Contábeis e Fiscais porque mais uma vez não apresentou o Livro Razão, nem o Livro Diário com Balanço e Demonstrativo de Resultado do Exercício assinados e registrados na Junta. f) O contribuinte teve 5 (cinco) oportunidades de apresentar o Livro Diário e o Razão do período de setembro a dezembro de 2005 a fim de comprovar suas alegações: 3 durante o procedimento fiscal; 1 no recurso à DRJ e 1 no recurso ao CARF. g) Apesar do alegado princípio da verdade real e da eficiência, existe preclusão consumativa, conforme disposto no art. 16, § 4º, do Decreto 70.235/1972, que rege o Procedimento Administrativo Fiscal (PAF). h) Quanto ao regime de apuração, citamos a decisão da DRJ que informa: "Dessa forma, o interessado, empresa de fomento mercantil, submetido à apuração do lucro real, deve contabilizar suas receitas pelo regime de competência, regime contra o qual, aliás, o interessado não se havia insurgido em sede do procedimento fiscal". i) Quanto à "dedução do título em atraso do facturizado de operações anteriores e o IOF" também citamos a decisão da DRJ que informa: "As alegações do interessado, no sentido de que as diferenças de receitas apontadas pelo autuante se referem a IOF e a pendências debitadas na operação não encontram amparo nem na legislação de regência, nem em seus registros contábeis". O contribuinte também não apresentou qualquer documento comprobatório complementar em seu recurso ao CARF. Fl. 3479DF CARF MF Processo nº 19740.720027/200923 Acórdão n.º 1201002.683 S1C2T1 Fl. 3.475 9 j) Diante do exposto, encerramos a diligência solicitada. 2. Documentos comprobatórios apresentados pela Recorrente. 12. É o Balancete de 31/08/2005 até 31/12/2005, págs. 1.256/1.262, no qual consta: 13. No entanto, na DIPJ 2006/2005, de págs. 581/610, retificadora espontânea, apresentada em 28/11/2007, no regime de Lucro Real Trimestral, informou lucros (Lucro real: 1º trim R$34.745,78; 2º trim R$137.434,18; 3º trim R$113.706,19 e 4º trim R$136.676,12) e valores de IRPJ e CSLL devidos (IRPJ a pagar 1º trim R$5.211,87; 2º trim R$28.358,55; 3º trim R$22.426,55 e 4º trim R$28.169,03 e CSLL a pagar 1º trim R$3.127,12; 2º trim R$12.369,08; 3º trim R$10.233,56 e 4º trim R$12.300,85), que totalizaram no ano 2005, R$82.056,96 e R$38.030,61, respectivamente, valores próximos dos que respondeu ao TIF nº 04 descrito na diligência, onde os totais foram R$84.166,00 e R$38.030,61: 14. E na Ficha 38 Demonstração de Lucros e Prejuízos Acumulados, consta o Saldo de Lucros Acumulados de R$365.128,17, resultante de Saldo Anterior de R$63.250,67, menos ajustes de R$637,20, mais R$302.504,70 de Lucro Líquido do Ano. Fl. 3480DF CARF MF 10 15. Comparandose o documento apresentado no Recurso com os da Impugnação, temse que junto àquela apresentou, além da procuração e contrato social: a. págs. 1.172/1.175, termos Aditivos 25/2005, 23/2005, 24/2005, 39/2005, ao Contrato de Fomento Mercantil firmado em 10/02/2005, Compra de Crédito Pagamento à Vista, Carteira de Duplicatas no qual se baseia o quadro já descrito constante da impugnação, reproduzido no Recurso. 3. Análise. 3.1 MATÉRIA NÃO IMPUGNADA/IMPUGNADA. 16. Em relação ao IRPJ exigido no 2º trim/2005, cabe reproduzir a análise correta da DRJ/RJ1( não houve exigência de CSLL): 25 Quanto ao segundo trimestre, vêse, no quadro 2, que, na DIPJ, a receita de prestação de serviços foi informada como igual a R$ 200.338,00, enquanto que o fiscal apuroua como sendo R$ 203.235,50. 26 Em resposta à intimação do autuante (fls.3) para esclarecer as diferenças entre o valor do IRPJ devido informado em DIPJ (R$ 28.358,55) e o informado em DCTF (R$ 21.990,50), o interessado assim se manifestou (fls.6): b) a diferença apresentada no confronto entre a DIPJ e DCTF no 2º trimestre de 2005, referese a erro no preenchimento da DCTF, sendo a diferença de R$ 6.368,00 passível de cobrança por parte desta receita. Oportunamente com autorização de V.Sas. retificaremos a DCTF correspondente e procederemos o recolhimento aos cofres públicos parceladamente, já que a empresa se encontra parcialmente paralisada e sem fluxo de caixa suficiente para recolhimento à vista.(grifei e sublinhei) 27 Ante a isso, a diferença entre o valor do IRPJ a Pagar informado em DIPJ e o informado em DCTF (R$ 28.358,55 – R$ 21.990,55 = R$ 6.368,00) configura débito que o interessado reconheceu, e expressamente, como devido. 28 Do valor do [IRPJ a pagar apurado em procedimento (R$ 29.082,92), o fiscal deduziu o valor de R$ 21.990,55 (porque já confessado em DCTF), efetuando o lançamento da diferença: R$ 7.092,37, como ressaltado a seguir:(...) 29 Todavia, considerando que, desses RS 7.092,37, o interessado reconheceu, expressamente, R$ 6.368,00 (nosso item 26), temse que apenas a diferença, no valor de R$ 724,37, é que decorreu da diferença efetivamente apurada em sede de fiscalização, configurando matéria impugnável: (Grifouse.) 17. Em relação aos lançamento de IRPJ do 3º e 4º trimestres, também correta a análise pela DRJ/RJ1, que se reproduz: 40 Quanto ao terceiro trimestre, temse que há diferença entre a receita da prestação de serviços informada em DIPJ (R$ 172.708,84) e a apurada pelo autuante (R$ 176.030,83), o mesmo se verificando no quarto trimestre, em que a receita Fl. 3481DF CARF MF Processo nº 19740.720027/200923 Acórdão n.º 1201002.683 S1C2T1 Fl. 3.476 11 informada em DIPJ foi de R$ 171.222,20, e a apurada pelo autuante foi de R$ 173.414,49, como se vê no quadro 2 (item 20). 41 Em ambos os trimestres, o interessado apurou IRPJ a Pagar de R$ 22.426,55 (3o trimestre) e R$ 28.169,03 (4º trimestre). Todavia, como se vê no quadro 2, independentemente da diferença de receitas apuradas, o interessado não havia apresentado DCTF, relativamente aos débitos que já tinham sido declarados em DIPJ, de sorte que, aqui, houve o acúmulo de infrações. (...) 44 Em sede de impugnação, o interessado alega que não existem as diferenças exigidas, porque "mais ou menos 80% das operações tinham prazo de vencimento superior ao ano fiscal". 45 Na forma do Ato Declaratório Normativo n° 51, de 28 de setembro de 1994, da Coordenação do Sistema de Tributação (Cosit) desta Secretaria, "a receita obtida pela empresa de factoring, representada pela diferença entre a quantia expressa no título de crédito adquirido e o valor pago, deverá ser reconhecida, para efeito de apuração do lucro líquido, na data da operação." 18. Quanto à CSLL dos 3º e 4º trimestres de 2005, da mesma forma o contribuinte não confessou os débitos em DCTF, e os valores apurados foram objeto do lançamento fiscal. 3.2 OPERAÇÕES COM PRAZO DE VENCIMENTO SUPERIOR AO ANO FISCAL 19. No que tange aos regime de apuração do lucro, a empresa, que opera em fomento mercantil (factoring) está obrigada à apuração pelo lucro real e ao regime de tributação por competência, o que evidencia que sua argumentação neste ponto é descabida, ou seja, mesmo se os contratos não estavam encerrado, a apropriação pelo regime de competência, evidenciaria os rendimentos do período. 3.3 BALANCETE APRESENTADO NO RECURSO. 20. Este voto confirma a conclusão da diligência, de que não há qualquer respaldo para este balancete relativo ao período de 08 a 12/2005), não confirmado pelos livros Razão e Diário, (dado que apenas apresentou relativamente ao período de 01 a 08/2005, págs. 785/1.102), apesar das intimações e reintimações; divergente da DIPJ e respostas a Termos de Intimação, durante a fiscalização. 21. Quanto à Provisão de Perdas no valor de R$423.660,84, para uma Receita Bruta de R$425.759,07, cabe acrescer que a Provisão para Perdas no Recebimento de Créditos é regida pelo art. 9º da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, para fins de dedutibilidade do lucro real e base de cálculo da CSLL: Fl. 3482DF CARF MF 12 Perdas no Recebimento de Créditos Dedução Art.9º As perdas no recebimento de créditos decorrentes das atividades da pessoa jurídica poderão ser deduzidas como despesas, para determinação do lucro real, observado o disposto neste artigo. §1º Poderão ser registrados como perda os créditos: I em relação aos quais tenha havido a declaração de insolvência do devedor, em sentença emanada do Poder Judiciário; II sem garantia, de valor: a) até R$ 5.000,00 (cinco mil reais), por operação, vencidos há mais de seis meses, independentemente de iniciados os procedimentos judiciais para o seu recebimento; b) acima de R$ 5.000,00 (cinco mil reais)até R$ 30.000,00 (trinta mil reais), por operação, vencidos há mais de um ano, independentemente de iniciados os procedimentos judiciais para o seu recebimento, porém, mantida a cobrança administrativa; c)superior a R$ 30.000,00 (trinta mil reais), vencidos há mais de um ano, desde que iniciados e mantidos os procedimentos judiciais para o seu recebimento; III com garantia, vencidos há mais de dois anos, desde que iniciados e mantidos os procedimentos judiciais para o seu recebimento ou o arresto das garantias; IV contra devedor declarado falido ou pessoa jurídica em concordata ou recuperação judicial, relativamente à parcela que exceder o valor que esta tenha se comprometido a pagar, observado o disposto no § 5o. (Redação dada pela Lei nº 13.097, de 2015) (...) 22. A Solução de Consulta nº 142 SRRF08/ Disit, de 04 de junho de 2012, esclareceu: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ FATO GERADOR. O fato gerador do Imposto de Renda (IRPJ) e da Contribuição Social Sobre o Lucro Líquido (CSLL), no caso de aquisição de direitos creditórios incorporados em títulos vencidos ou a vencer por empresa de fomento comercial, ocorre na data da operação de aquisição. A receita a ser reconhecida no lucro líquido, seja para fins de apuração do Lucro Real ou da base de cálculo da CSLL é a diferença entre a quantia expressa no título de crédito adquirido (valor de face) e o valor da aquisição, diferença esta denominada “deságio”. DEDUTIBILIDADE DAS PERDAS. Aplicamse aos direitos creditórios adquiridos vencidos as condições de dedutibilidade a título de perdas expressas no art. 9º. da Lei n.° 9.430, de 1996, ressalvandose a necessidade de reconhecimento no resultado tributável do deságio quando da Fl. 3483DF CARF MF Processo nº 19740.720027/200923 Acórdão n.º 1201002.683 S1C2T1 Fl. 3.477 13 aquisição, para fins de aplicabilidade do mesmo art. 9º. ao valor de face do título. De outra forma, o montante dedutível a título de perda, ainda na forma do mesmo art. 9º.,devese limitar ao valor de aquisição. Dispositivos Legais: ADN COSIT n.° 51, de 28 de setembro de 1994 e Lei 9.430, de 27 de dezembro de 1996, art. 9º. 23. A Recorrente nenhuma evidência apresentou em relação à alegada Provisão para Perdas, que a Recorrente caracteriza como prejuízo, a justificar que não devia IRPJ nem CSLL no ano calendário 2005. 3.4 APURAÇÃO DA RECEITA BRUTA. 24. Cabe reproduzir explicação do Autuante no termo de Verificação Fiscal, págs. 1.151/1.152: De fato, o Relatório de Operações Efetuadas de fls. 137 a 488, documento original produzido pelo contribuinte a partir de seu sistema de gerenciamento (fl, 540), contem todas as operações de fomento mercantil realizadas pela fiscalizada no ano de 2005. De acordo com a resposta do contribuinte de fls. 564, toda vez que é realizada uma operação de fomento mercantil, são efetuados lançamentos a crédito das contas contábeis "Fator" e "Advatorem, respectivamente, pelos valores do deságío na aquisição dos títulos e da receita de advalorem sobre a aquisição dos títulos. A receita obtida em uma operação de factoring, ainda segundo o contribuinte (fls. 546, ín fine) seria justamente a soma desses dois valores. NÃO É 0 QUE OCORRE. 25. E o Autuante apurou que a Recorrente não apurou corretamente a parcela "Valor", que é a diferença entre o valor de face e o de aquisição; a Recorrente alega que na avaliação da receita bruta, "têm que se avaliar mais detalhadamente o valor de face, pois na sua composição é deduzido as pendências (títulos em atraso do facturizado de operações anteriores) e o IOF (Imposto sobre operações financeiras) de titularidade da própria SRF." 26. O mesmo argumento já apresentado na impugnação, foi corretamente analisado pela DRJ/EJ1, o que se reproduz: 13 Relativamente ao cálculo da receita bruta das pessoas jurídicas de fomento mercantil, no Decreto n° 4.254, de 17 de dezembro de 2002, lêse que o seu cálculo se dá pela diferença entre o valor de aquisição do título/direito creditório e o seu valor de face: Art. 10 (reproduzido pág.1.204) Na mesma dicção, a Instrução Normativa (SRF) nº 247, de 21 de novembro de 2002, dispõe: Art.10. (reproduzido pág.1.204) Fl. 3484DF CARF MF 14 15 Temse, pois, que, na forma da legislação de regência, a receita bruta da empresa de fomento mercantil (factoring) é a diferença entre o valor que o interessado pagou ao alienante pela aquisição do título/direito de crédito e o valor que o título traz estampado (valor de face). 16 Foi o próprio interessado que, esclarecendo como era efetuada a sua contabilidade, afirmou, no Relatório fornecido à fiscalização, que as suas receitas eram obtidas pelo somatório dos valores informados nas colunas "Fator" e "Advalorem", valores que afirmou terem sido extraídos de sua contabilidade. 17 Anotese que os valores da coluna "Fator" representam a receita de deságio (valor que, do lado de quem alienou o título, equivale a uma despesa, observese), enquanto que os da coluna "Advalorem" correspondem a uma percentagem que incide sobre o valor de face do título, independentemente de seu prazo de vencimento. 18 Não obstante as informações prestadas pelo interessado acerca do modo de cálculo da receita, o autuante, conforme planilhas de fls.745/774 planilhas que contêm a data, o nome, o CNPJ/CPF do cliente, o valor de face, o valor de aquisição, e a diferença entre estes dois últimos, apurou que a receita era superior ao somatório apontado pelo interessado: coluna "Fator" + coluna "Advalorem". 19 Relativamente às diferenças de receitas apuradas, o fiscal elaborou os quadros às fls.776/783, nos quais, para cada trimestre, comparou a receita calculada segundo a definição legal, com aquela informada em DIPJ. 20 O autuante efetuou, então, a demonstração do lucro real e o cálculo do IRPJ devido, comparandoo com o débito confessado em DCTF e com o recolhido (fis.780/783), a saber (aqui, os quatro trimestres estão reunidos em um só quadro e a numeração das linhas não é a constante da DIPJ): (quadro de págs. 1.205/1.206) (...) 33 Nas planilhas às fls.745/774, o autuante, em cada operação de factoring contida no Relatório de Operações produzido pelo interessado (fls. 137/488), subtrai, do valor de face, o valor pago, obtendo a receita auferida. 34 O cálculo da receita efetuado pelo autuante está não só de acordo com a legislação de regência, como, também, de acordo com o modo pelo qual o interessado lhe havia informado que, com base em seus registros contábeis, apurara a receita. 35 As alegações do interessado, no sentido de que as diferenças de receitas apontadas pelo autuante se referem a IOF e a "pendências debitadas na operação" não encontram amparo nem na legislação de regência, nem em seus registros contábeis. Portanto, irreformável as seguintes conclusões do acórdão recorrido: Fl. 3485DF CARF MF Processo nº 19740.720027/200923 Acórdão n.º 1201002.683 S1C2T1 Fl. 3.478 15 A impugnante alega que, do valor de face do título, deveriam ser deduzidas pendências relativas a títulos em atraso do cliente (operações anteriores), assim como o valor do IOF incidente sobre a operação. Observa que as referidas pendências corresponderiam a títulos vencidos de uma operação debitada na atual para recompor o saldo devedor do cliente (não se trataria nem de receita, nem de despesa), ou reembolso de taxas pela transmissão de valores via DOC ou TED (reembolso de despesas contabilizadas como redutora da despesa originária, não se tratando de receita auferida pela empresa). Conclui que seriam estas exclusões a origem das diferenças tributadas pela autoridade fiscal. Conforme se verifica pelas informações contidas no relatório de fls. 137 a 488, a empresa registra na coluna “Fator” os valores correspondentes à receita de diferencial na compra (fator de compra), relacionados ao ganho na aquisição do título, e na coluna “Adval.” os valores correspondentes à receita de ad valorem, relacionados à receita pela prestação de serviços, nos termos em que definidos acima. A soma do total destas duas colunas, em cada operação, deveria corresponder à base de cálculo das contribuições em tela, uma vez que o somatório do fator de compra e da receita de ad valorem deve corresponder à diferença entre o valor de aquisição e o valor de face do título ou direito creditório adquirido. No entanto, tal fato não se verifica, justamente em função das exclusões feitas pela autuada no valor de face do título: IOF e pendências. Conforme demonstram as normas acima transcritas, as exclusões pretendidas pelo contribuinte não encontram amparo legal, considerando que a base de cálculo do PIS e da Cofins nãocumulativos é a diferença entre o valor de aquisição do título e seu valor de face, correspondendo este à quantia expressa no título de crédito adquirido, não havendo previsão legal para a exclusão de qualquer valor ou despesa. Destaquese que, ainda que a empresa deduza efetivamente do valor de face eventuais despesas relativas a operações anteriores do mesmo cliente, para fins de apuração da receita de ad valorem e/ou do fator de compra, tais deduções não devem ser consideradas para fins de apuração da base de cálculo das contribuições em questão, considerando a sua definição estabelecida nas normas aplicáveis. Não há qualquer argumento jurídico que infirmasse a constituição do crédito tributário, ocasionando sua preservação integral, convergindo com o acórdão recorrido. Embora havendo a perspectiva de dedução de créditos no regime não cumulativo das aludidas contribuições sociais, imprescindível a prova de cada dispêndio através de documentos hábeis e idôneos, demonstrando sua essencialidade à atividade desenvolvida pela Recorrente e, por fim, observando o período de apuração mensal. Isto posto, voto pelo conhecimento e NEGO PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. Fl. 3486DF CARF MF 16 (assinado digitalmente) Rafael Gasparello Lima Relator Fl. 3487DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10680.006043/2004-82
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 04 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Feb 04 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2000, 2001, 2002
ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Não conhecimento.
CERCEAMENTO DE DEFESA. INEXISTÊNCIA.
Não ocorre cerceamento de defesa quando consta no Auto de Infração a clara descrição dos fatos e circunstâncias que o embasaram, justificaram e quantificaram.
PROVA PERICIAL. DESNECESSIDADE. INDEFERIMENTO.
A realização da prova pericial somente deve ser deferida quando a parte explicitar e demonstrar a sua necessidade, como, por exemplo, quando o fato somente puder ser comprovado através de instrução que demande conhecimento técnico ou científico, ou quando o fato não puder ser provado através da juntada de documentos.
GANHO DE CAPITAL. Na apuração do ganho de capital serão consideradas as operações que importem alienação, a qualquer título, de bens ou direitos ou cessão ou promessa de cessão de direitos à sua aquisição, tais como as realizadas por compra e venda, permuta, adjudicação, desapropriação, dação em pagamento, doação, procuração em causa própria, promessa de compra e venda, cessão de direitos ou promessa de cessão de direitos e contratos afins.
IMÓVEL CEDIDO GRATUITAMENTE. RENDIMENTO TRIBUTÁVEL. A cessão gratuita de imóvel constitui rendimento tributável para fins de tributação pelo Imposto de Renda.
MULTA DE OFÍCIO. LEGALIDADE
A multa de ofício está prevista no artigo 44, I da Lei 9.430/96 e se lança de ofício quando constatada a ocorrência do fato gerador não declarado pelo Contribuinte. Legalidade.
JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. SÚMULA 4 CARF.
Súmula CARF nº 4. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.
A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de oficio, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic.
Numero da decisão: 2301-005.770
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso, não conhecendo das alegações de inconstitucionalidade (Súmula Carf nº 2), em rejeitar a preliminar e, no mérito, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, vencida a relatora e o conselheiro Marcelo Freitas de Souza Costa, que a acompanhou. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Mônica Renata Mello Ferreira Stoll.
João Mauricio Vital - Presidente em Exercício.
(assinado digitalmente)
Juliana Marteli Fais Feriato - Relatora.
(assinado digitalmente)
Mônica Renata Mello Ferreira Stoll - Redatora Designada
(assinada digitalmente)
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Maurício Vital (Presidente em Exercício), Antônio Sávio Nastureles, Alexandre Evaristo Pinto, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll (suplente convocada para substituir o conselheiro Reginaldo Paixão Emos), Wesley Rocha, Sheila Aires Cartaxo Gomes (suplente convocada para substituir o conselheiro João Bellini Junior), Marcelo Freitas de Souza Costa e Juliana Marteli Fais Feriato. Ausentes justificadamente os conselheiros João Bellini Junior e Reginaldo Paixão Emos.
Nome do relator: JULIANA MARTELI FAIS FERIATO
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SÚMULA CARF Nº 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Não conhecimento. CERCEAMENTO DE DEFESA. INEXISTÊNCIA. Não ocorre cerceamento de defesa quando consta no Auto de Infração a clara descrição dos fatos e circunstâncias que o embasaram, justificaram e quantificaram. PROVA PERICIAL. DESNECESSIDADE. INDEFERIMENTO. A realização da prova pericial somente deve ser deferida quando a parte explicitar e demonstrar a sua necessidade, como, por exemplo, quando o fato somente puder ser comprovado através de instrução que demande conhecimento técnico ou científico, ou quando o fato não puder ser provado através da juntada de documentos. GANHO DE CAPITAL. Na apuração do ganho de capital serão consideradas as operações que importem alienação, a qualquer título, de bens ou direitos ou cessão ou promessa de cessão de direitos à sua aquisição, tais como as realizadas por compra e venda, permuta, adjudicação, desapropriação, dação em pagamento, doação, procuração em causa própria, promessa de compra e venda, cessão de direitos ou promessa de cessão de direitos e contratos afins. IMÓVEL CEDIDO GRATUITAMENTE. RENDIMENTO TRIBUTÁVEL. A cessão gratuita de imóvel constitui rendimento tributável para fins de tributação pelo Imposto de Renda. MULTA DE OFÍCIO. LEGALIDADE AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 00 60 43 /2 00 4- 82 Fl. 168DF CARF MF 2 A multa de ofício está prevista no artigo 44, I da Lei 9.430/96 e se lança de ofício quando constatada a ocorrência do fato gerador não declarado pelo Contribuinte. Legalidade. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. SÚMULA 4 CARF. Súmula CARF nº 4. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de oficio, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso, não conhecendo das alegações de inconstitucionalidade (Súmula Carf nº 2), em rejeitar a preliminar e, no mérito, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, vencida a relatora e o conselheiro Marcelo Freitas de Souza Costa, que a acompanhou. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Mônica Renata Mello Ferreira Stoll. João Mauricio Vital Presidente em Exercício. (assinado digitalmente) Juliana Marteli Fais Feriato Relatora. (assinado digitalmente) Mônica Renata Mello Ferreira Stoll Redatora Designada (assinada digitalmente) Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Maurício Vital (Presidente em Exercício), Antônio Sávio Nastureles, Alexandre Evaristo Pinto, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll (suplente convocada para substituir o conselheiro Reginaldo Paixão Emos), Wesley Rocha, Sheila Aires Cartaxo Gomes (suplente convocada para substituir o conselheiro João Bellini Junior), Marcelo Freitas de Souza Costa e Juliana Marteli Fais Feriato. Ausentes justificadamente os conselheiros João Bellini Junior e Reginaldo Paixão Emos. Relatório Fl. 169DF CARF MF Processo nº 10680.006043/200482 Acórdão n.º 2301005.770 S2C3T1 Fl. 132 3 Tratase de Recurso Voluntário apresentado pelo Contribuinte nas fls. 148/162, contra a decisão proferida pela 5ª Turma da DRJ/BHE, que julgou procedente o lançamento do crédito tributário, conforme fundamentação do Acórdão da Impugnação de nº 0218.008, proferido em 06/06/2008 (fls. 134/139), cuja Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2001, 2002, 2003 GANHO DE CAPITAL Na apuração do ganho de capital serão consideradas as operações que importem alienação, a qualquer título, de bens ou direitos, cessão ou promessa de cessão de direitos à sua aquisição. RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS. OMISSÃO. Será efetuado lançamento de oficio, no caso de omissão de rendimentos tributáveis. Lançamento Procedente Conforme consta do Auto de Infração lavrado (fls. 4/10), o contribuinte teve seu Imposto de Renda de PF do ano calendário de 2000, 2001 e 2002 fiscalizado, especificamente no que se refere à omissão de rendimentos recebidos de ganhos de capital na alienação de bens e direitos adquiridos em reais. Contra o Contribuinte, foi lançado o crédito tributário no valor de R$380.257,51, sendo R$ 170.257,51 de imposto; R$ 82.519,17 de juros de mora; e R$ 127.693,12 de multa proporcional. Segundo o Termo de Verificação (fls. 11 e ss.), verificouse, através de Escritura Pública de Dação em Pagamento lavrada em 12 de julho de 2001, pelo Serviço Notarial do Segundo Oficio da Comarca e Município de Vespasiano MG, que o contribuinte efetivou dação em pagamento, pelo valor total de RS1.099.00,00 (um milhão e noventa e nove mil reais), tendo como objeto dois imóveis de sua propriedade, docs. fls. 23/25. São os imóveis: · Um terreno constituído pelo lote 10 na Quadra10, 2 seção, bairro de Vila São Francisco, situado à rua Santana, era Belo Horizonte, dado em pagamento pelo valor de R$499.000,00(Quatrocentos noventa nove mil reais), docs. fls. 24. Tal imóvel foi adquirido pelo contribuinte em 26 de fevereiro de 1993, pelo valor de Cr$3.000.000,00(Três milhões de cruzeiros), conforme Escritura Pública de Compra e Venda lavrada pelo Cartório do 6" Oficio de Notas de Belo Horizonte, docs. de fls. 73/30. · Um terreno situado na localidade denominada Córrego Sujo, constituído por uma área de 54.687 m2 no município e comarca de Fl. 170DF CARF MF 4 Vespasiano, MG, dado em pagamento pelo valor de R$600.000,00 (Seiscentos mil reais), docs. fls. 24 verso. Tal imóvel foi adquirido pelo contribuinte em 12 de maio de 1998, pelo valor de R$33.687,00 (Trinta e três mil e seiscentos oitenta e sete reais), conforme Escritura Pública de Compra e Venda lavrada pelo Cartório do 2° Oficio de Notas de Vespasiano, no livro 009N, fls. 1551156, registrada no Cartório de Registro de Imóveis de Vespasiano R.1/2.547 em_ 10/09/1998, docs. de fls. 32/34. A dação em pagamento foi uma transação comercial realizada entre a recebedora dos bens, Indústria Cosmética Coper Ltda., credora da empresa Casa do Perfume Ltda., representada pelo sócio Eduardo Luiz de Castro Alves, filho de Luiz Gonzaga de Castro Alves, ora Contribuinte, antigo sócio da empresa Casa do Perfume. Nesta transação o contribuinte fiscalizado, Luiz Gonzaga de Castro Alves deu em garantia hipotecária os dois imóveis retro citados, conforme estipulado em Escritura Pública de Confissão de Dívida com garantia Hipotecária lavrada em 17 de janeiro de 2000, pelo Serviço Notarial de 2° Oficio da Comarca e Município de Vespasiano MG, docs. fls. 20/22. Posteriormente, não cumprido o pagamento, tal como estipulado na escritura de hipoteca, Luiz Gonzaga de Castro Alves e sua esposa Marlene da Conceição de Castro Alves deram em pagamento os imóveis já citados, docs. fls. 23/25. No entanto, não foi recolhido o respectivo imposto sobre ganho de capital, docs. fls. 47/48. Constatouse, também, que, em 19 de fevereiro de 2001, o contribuinte transferiu pelo valor de R$222.071,30 (Duzentos e vinte e dois mil e setenta e um reais e trinta centavos), o imóvel situado à Rua Mandacaru 201, Belo Horizonte, para a empresa LG Participações e Empreendimentos Ltda, CNN: 04.120292/000157, para integralização de capital da firma adquirente. Entretanto, o contribuinte continuou a usar o referido imóvel como sua residência, conforme verificase pelo endereço informado em todas as Declarações de Ajuste Anual de Imposto de Renda de Pessoa Física e demais documentos juntados aos auto. Em sua resposta nas fls. 17, o contribuinte juntou cópias de contratos de compra e venda, escrituras públicas e certidões de registro dos citados imóveis, ratificando o já constatado por esta fiscalização. Entretanto, não apresentou contrato de locação do imóvel, o qual é usado como sua residência, ou quaisquer outros documentos que comprovassem pagamento efetuado pelo contribuinte pelo uso do imóvel cedido. Considerando que de acordo com a Lei 8383 de 1991, art. 74 e também com o art. 32 da Instrução Normativa SRF n° 15, de 06 de fevereiro de 2001 considerase rendimento tributável o valor locativo de imóvel cedido gratuitamente, concluiuse pela omissão de rendimentos recebidos pelo contribuinte em 2000, 2001 e 2002 da empresa LG Participações e Empreendimentos Ltda referente à locação do imóvel transferido em 01/09/2000. Para a apuração do valor, temse que, conforme determina o parágrafo único do art. 32 da Instrução Normativa SRF n° 15, de 06 de fevereiro de 2001, para cada ano, utilizase o valor tributável equivalente a 10% de R$222.071,30 (Duzentos e vinte e dois mil e setenta e um reais e trinta centavos), que foi o valor de transferência do imóvel. Para o ano da transferência, 2000, considerouse a omissão a partir de setembro, visto que o contribuinte informou que o bem foi incorporado ao capital da empresa LG Participações e Empreendimentos Ltda. em 1° de setembro de 2000 (fl. 54). Ao ratear o valor de Fl. 171DF CARF MF Processo nº 10680.006043/200482 Acórdão n.º 2301005.770 S2C3T1 Fl. 133 5 R$22207,13(vinte e dois mil e duzentos e sete reais e treze centavos) por 12 (número de meses do ano) e multiplicar o resultado por 4 (número de meses os quais o contribuinte utilizou o imóvel), resulta em um valor tributável de R$7.40237 E, levandose em consideração que, de acordo com a Lei n° 7.713 de 1998, art. 3º, § 3º, dação em pagamento é considerada operação que importa em apuração de ganho de capital, concluiuse pelo ganho de capital no valor total de R$1.065.053,96 auferido na alienação de imóveis: O terreno constituído pelo lote n°10 na Quadra10, 2ª Seção, bairro de Vila São Francisco, situado à rua Santana, em Belo Horizonte, dado em pagamento pelo valor de RS499.000,00, sendo que foi adquirido por Cr$3.000.000,00, que de acordo com a Instrução Normativa SRF n° 84, de 11/10/2001, aplicase o índice de 11580,825 e fica apurado o custo do referido imóvel em RS259,04, havendo ganho de capital de R$498.740,96. Já o terreno situado na localidade denominada Córrego Sujo, constituído por uma área de 54.687 m2, no município e comarca de Vespasiano, MG, dado em pagamento pelo valor de RS600.000,00, foi adquirido pelo contribuinte em 12 de maio de 1998, pelo valor de RS33.687,00. Portanto, o contribuinte obteve ganho de capital no valor de RS566.313,00. Nas fls. 100/126, o contribuinte apresenta sua Impugnação, na qual afirma que: 1. A operação imobiliária apontada não pode importar em ganho de capital, uma vez que se trata de dação em pagamento decorrente de aval, consoante escritura pública. Assim, não houve disponibilidade de renda ou acréscimo patrimonial, pois nada recebeu em troca dos imóveis que perdeu com a dívida. O fato gerador somente ocorrerá, se e quando, o autuado receber o valor da garantia prestada à sociedade avalizada; 2. Requer perícia na empresa credora para comprovar que não foi contabilizada perda em decorrência do inadimplemento da empresa devedora, indicando perito e estabelecendo quesitos, sob pena de cerceamento do direito de defesa; 3. Que não houve omissão de rendimentos sujeitos ao ajuste anual, eis que mora de favor com a filha; 4. As exigências de multa de oficio e juros de mora são indevidas. Subtraiuse do contribuinte o direito à denúncia espontânea. Nas fls. 134/139 consta o Acórdão da Impugnação proferido pela 5ª Turma da DRJ/BHE, na qual considerou o lançamento procedente e indeferiu os termos da impugnação, ante a seguinte razão: · Todos os elementos essenciais do procedimento fiscal, portanto, constam no Auto, dos quais foi regularmente cientificado o contribuinte, de modo a lhe permitir conhecer o inteiro teor do ilícito que lhe foi imputado. O princípio da garantia de defesa, portanto, foi observado; Fl. 172DF CARF MF 6 · Do exame do Auto de Infração observase que a exigência está, entre outros, enquadrada no art. 3°, § 3°, da Lei n°7.713, de 22 de dezembro de 1988, sendo que diante da ocorrência de uma das hipóteses de incidência previstas no art. 3°, § 3° da Lei n° 7.713, de 1988, permite ao fisco constituir o respectivo crédito tributário. · Com a Escritura Pública de Dação em Pagamento às fls. 23 a 25, em 12/07/2001, operouse consoante o dispositivo precitado, o fato gerador, que enseja a apuração de ganho de capital, nos moldes da legislação vigente. Concluise que a alienação dos bens se reputa perfeita e acabada, constituindo se em fato gerador, nos termos da legislação tributária, para efeito de cobrança do imposto sobre o ganho de capital, sendo irrelevante, para a apuração do ganho de capital, perquirir se houve disponibilidade de renda ou acréscimo patrimonial · Quanto ao requerimento de perícia, considerando que a alienação dos bens se reputa perfeitamente documentada nos autos, o exame do mérito dela prescinde, de modo que não se cogita a sua realização. · Em relação à omissão de rendimentos sujeitos ao ajuste anual, o autuado transferiu imóvel para integralização de capital da empresa LG Participações e Empreendimentos Ltda, mas após essa transferência, permaneceu morando nele. Consoante art. 74 da Lei n° 8.383, de 30 de dezembro de 1991 e art. 32 da Instrução Normativa SRF n° 15, de 6 de fevereiro de 2001, considerase rendimento tributável, na Declaração de Ajuste Anual, o valor locativo de imóvel cedido gratuitamente, sendo este equivalente a dez por cento do valor venal do imóvel cedido, ainda que o beneficiado não faça parte do quadro societário da empresa cedente. O fato de o autuado morar, ou ter morado, de favor com a filha, sóciadiretora da referida empresa, em períodos subsequentes não é suficiente para cancelar a exigência. · Quando à subtração do direito de denúncia espontânea do Contribuinte, a espontaneidade foi excluída pelo início do procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionado com a infração, e não foi readquirida (fls. 14 a 16 e 35 a 37). Dessa forma, não se verificando a ocorrência de denúncia espontânea da infração, cabível a exigência de multa de oficio, conforme inciso I do art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996 · Correta a utilização da taxa SELIC para cômputo de juros de mora, nos termos do art. 161 do CTN. Nas fls. 148/162 o Contribuinte apresenta seu Recurso Voluntário, no qual alega que: Fl. 173DF CARF MF Processo nº 10680.006043/200482 Acórdão n.º 2301005.770 S2C3T1 Fl. 134 7 · A autoridade lançadora parte do pressuposto de que, tendo havido uma escritura de dação em pagamento por valor certo, tal valor representa o montante das receitas do Recorrente, dela subtraindo os custos dos imóveis e consequentemente apurando o ganho de capital. Ocorre que na operação não houve ganho de capital pois o Recorrente nada recebeu em troca dos imóveis que perdeu. · Houve sim, uma operação em que o Recorrente avalizou a empresa Casa do Perfume Ltda., e esta, não adimplindo a sua obrigação, acabou por trazerlhe os transtornos naturais causados pela prática de AVAL, sendo que o maior dano foi exatamente ter sido o AVAL seguido de hipoteca de imóveis seus para garantia da dívida. Portanto, não houve a manifestação de aquisição de disponibilidade jurídica de econômica de renda ou proventos de qualquer natureza, ao teor do art. 43 do CTN: não houve produto nem de capital e muito menos de trabalho. Por outro lado, também não houve acréscimo patrimonial de nenhuma espécie, eis que o Recorrente nada recebeu, porque apenas PERDEU os imóveis numa malfadada operação em que figurou como avalista; · Evidenciase a inocorrência do fato gerador do Imposto de Renda Pessoa Física. A disponibilidade jurídica e econômica da renda e proventos de qualquer natura, ao teor do art. 43 do CTN que dispõe sobre a matéria somente se materializará no momento em que e se tal ocorrer o Recorrente receber da empresa Casa do Perfume Ltda., o valor objeto da dação. Sendo assim, o que importa para a configuração do fato gerador do imposto de renda, não é a natureza da dação dos imóveis para pagamento de dívida oriunda de AVAL, e sim a efetiva disponibilidade econômica ou jurídica da própria renda. Aqui, ocorreu a quitação da obrigação de terceiros (assumida em razão de AVAL), sem o correspondente e efetivo recebimento da renda, tendo havido, apenas, a assunção do direito de receber da empresa AVALIZADA. · Requer a realização de perícia para evidenciar que a perda dos imóveis não significou em qualquer ganho ao Contribuinte; · Com relação à segunda parte do AI, que diz respeito ao arbitramento de renda em razão de utilização gratuita de imóvel vendido à empresa LG Participações e Empreendimentos Ltda, o contribuinte afirma que não é sócio e hoje reside em companhia de sua filha, sendo ela a sócia diretora da referida empresa, não podendo atribuir valores de renda se ele mora de favor com sua descendente aqui não há a manifestação da aquisição da disponibilidade jurídica e econômica de renda e proventos de quaisquer natureza; · Com relação à multa lançada, havendo no regulamento do Imposto de Renda, a previsão de multa específica para a infração que se pretende caracterizar, não há justificativa plausível para a penalidade de 75%, Fl. 174DF CARF MF 8 uma vez que não restou comprovado que o contribuinte deliberadamente procurou dificultar a ação do fisco. Este é o relatório do processo. Voto Vencido Conselheira Relatora Juliana Marteli Fais Feriato Admissibilidade Conforme constatase nas fls. 147, o Contribuinte teve ciência do resultado do julgamento em 07/11/2008 e apresenta seu Recurso Voluntário em 25/11/2008 (fl. 148), sendo, portanto, tempestivo o mesmo. Com relação à inconstitucionalidade da multa de ofício lançada em 75%, que, segundo o Contribuinte tem efeito confiscatório e contrária às decisões do STF, verificase na Súmula 2 deste Conselho que o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Diante disso, conheço parcialmente do Recurso Voluntário interposto e passo à análise de seu mérito. Mérito Tratase de lançamento de ofício, diante da omissão de recolhimento de imposto de renda do Contribuinte durante o ano de 2000, 2001 e 2002, referente à dois fatos geradores: ganho de capital não declarado e nem pago referente à dação em pagamento de dois imóveis de propriedade do Contribuinte que, na pessoa de avalista de terceiros, transferiu a propriedade aos credores, sem que houvesse o recolhimento do IRPF pelo ganho de capital; omissão de rendimentos recebidos na modalidade de comodato, visto que o Contribuinte vendeu o imóvel que residia, mas mesmo depois da transferência, permaneceu residindo no local, sem que houvesse recolhimento de qualquer aluguel, sendo entendido como rendimento a residência gratuita. Passase à análise das preliminares para então julgar o mérito do recurso interposto. Nulidade – Cerceamento de Defesa Sustenta o Contribuinte que o processo administrativo é nulo, diante do rompimento com o cerceamento de defesa, pois necessária a realização da perícia para a constatação de que não houve a manifestação de aquisição de disponibilidade jurídica de econômica de renda ou proventos de qualquer natureza, ao teor do art. 43 do CTN. Sem razão o Contribuinte. Determina a legislação (Decreto nº 70.235, de 1972): Fl. 175DF CARF MF Processo nº 10680.006043/200482 Acórdão n.º 2301005.770 S2C3T1 Fl. 135 9 Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Verificase que, no presente caso, não ocorreu quaisquer dos incisos do artigo 10 que ensejassem a nulidade do auto de infração, ou do artigo 59 que ensejassem a nulidade do procedimento. O auto foi lavrado por servidor competente, havendo a qualificação do autuado, o local, a data e a hora da lavratura, a descrição do fato, a disposição legal infringida e a penalidade aplicável, a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugná la no prazo legal, a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula, houve o correto respeito ao direito de defesa. Com relação à prova pericial, não vislumbro a necessidade de realização, visto que os autos se encontram com provas suficientes para comprovar a sujeição passiva, o fato gerador e a base de cálculo. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Anocalendário: 2009 PROVA PERICIAL. DESNECESSIDADE. INDEFERIMENTO. A realização da prova pericial somente deve ser deferida quando a parte explicitar e demonstrar a sua necessidade, como, por exemplo, quando o fato somente puder ser comprovado através de instrução que demande conhecimento técnico ou científico, ou quando o fato não puder ser provado através da juntada de documentos. Acórdão 2402006.633 – 2ª Seção de Julgamento/ 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária. Sessão de 02 de outubro de 2018. A realização da prova pericial somente deve ser deferida quando explicitada e demonstrada a sua necessidade. Não se vislumbra a sua necessidade. Fl. 176DF CARF MF 10 Portanto, não há que se falar em nulidade do presente processo administrativo por cerceamento de defesa quando o mesmo regularmente cientifica o sujeito passivo, sendo lhe concedido prazo para sua manifestação e quando o Auto se utiliza de documentação idôneo para averiguar a ocorrência do fato gerador e lançar o crédito tributário, bem como os demais elementos oferecem as condições necessárias para que o contribuinte conheça o procedimento fiscal e apresente a sua defesa ao lançamento. Mérito – Ganho de Capital Conforme se denota do Auto de Infração, houve o lançamento, visto que, de acordo com a Lei n° 7.713 de 1998, art. 3º, § 3º, dação em pagamento é considerada operação que importa em apuração de ganho de capital e restou comprovado o ganho de capital no valor total de R$1.065.053,96 auferido na alienação de imóveis, restando da seguinte forma: 1. Terreno constituído pelo lote n°10 na Quadra10, 2ª Seção, bairro de Vila São Francisco, situado à rua Santana, em Belo Horizonte, dado em pagamento pelo valor de RS499.000,00, foi adquirido por Cr$3.000.000,00, que de acordo com a Instrução Normativa SRF n° 84, de 11/10/2001, aplicase o índice de 11580,825 e fica apurado o custo do referido imóvel em RS259,04, havendo ganho de capital de R$498.740,96. 2. Terreno situado na localidade denominada Córrego Sujo, constituído por uma área de 54.687 m2, no município e comarca de Vespasiano, MG, dado em pagamento pelo valor de RS600.000,00, foi adquirido pelo contribuinte em 12 de maio de 1998, pelo valor de RS33.687,00. Portanto, o contribuinte obteve ganho de capital no valor de RS566.313,00. O Contribuinte afirma que não houve disponibilidade jurídica econômica de renda ou proventos de qualquer natureza, ao teor do art. 43 do CTN, razão pela qual o lançamento deve ser cancelado. Importa referir que os §§ 2º, 3º e 4º do art. 3º da Lei nº 7.713, de 1988, estabelecem: Art. 3º O imposto incidirá sobre o rendimento bruto, sem qualquer dedução, ressalvado o disposto nos arts. 9º a 14 desta Lei. § 2º Integrará o rendimento bruto, como ganho de capital, o resultado da soma dos ganhos auferidos no mês, decorrentes de alienação de bens ou direitos de qualquer natureza, considerandose como ganho a diferença positiva entre o valor de transmissão do bem ou direito e o respectivo custo de aquisição corrigido monetariamente, observado o disposto nos arts. 15 a 22 desta Lei. § 3º Na apuração do ganho de capital serão consideradas as operações que importem alienação, a qualquer título, de bens ou direitos ou cessão ou promessa de cessão de direitos à sua aquisição, tais como as realizadas por compra e venda, permuta, adjudicação, desapropriação, dação em pagamento, doação, procuração em causa própria, promessa de compra e venda, Fl. 177DF CARF MF Processo nº 10680.006043/200482 Acórdão n.º 2301005.770 S2C3T1 Fl. 136 11 cessão de direitos ou promessa de cessão de direitos e contratos afins. § 4º A tributação independe da denominação dos rendimentos, títulos ou direitos, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem dos bens produtores da renda, e da forma de percepção das rendas ou proventos, bastando, para a incidência do imposto, o benefício do contribuinte por qualquer forma e a qualquer título. A legislação é clara ao estipular que a dação em pagamento importa em incidência de Ganho de Capital. Conforme consta das Escrituras Públicas, há a comprovação da ocorrência do Fato Gerador, visto que o Contribuinte efetivamente deu em pagamento dois imóveis seus e não declarou em seu IRPF o efetivo ganho de capital. Independentemente da condição financeira do Contribuinte, este Conselho é órgão administrativo e rege pelo Princípio da Legalidade, portanto, não poderá dar interpretação diversa ao que determina a lei. Em caso semelhante, este Conselho entendeu recentemente pela incidência do Ganho de Capital sobre as operações de dação em pagamento: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2004 GANHO DE CAPITAL. Na apuração do ganho de capital serão consideradas as operações que importem alienação, a qualquer título, de bens ou direitos ou cessão ou promessa de cessão de direitos à sua aquisição, tais como as realizadas por compra e venda, permuta, adjudicação, desapropriação, dação em pagamento, doação, procuração em causa própria, promessa de compra e venda, cessão de direitos ou promessa de cessão de direitos e contratos afins. (...) CARF. Acórdão 2202004.756 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária / 2ª Seção de Julgamento. Julgamento na sessão de 11/09/2018. Portanto, indefiro o pedido e permanece hígido o lançamento sobre o Ganho de Capital. Omissão de Rendimentos Recebidos de Pessoa Jurídica Com relação à segunda parte do Auto de Infração, diz respeito ao arbitramento de renda em razão de utilização gratuita de imóvel vendido à empresa LG Participações e Empreendimentos Ltda, em que o contribuinte afirma que não é sócio e hoje reside em companhia de sua filha, sendo ela a sócia diretora da referida empresa, não podendo atribuir valores de renda se ele mora de favor com sua descendente, passase à sua análise. A Autoridade Fiscal considerou que, diante do fato de o Contribuinte vender o imóvel à empresa LG Participações e Empreendimentos LTDA, sendo que, mesmo depois da venda continuou a utilizar o imóvel como seu endereço tributário/fiscal, visto que todas as suas Fl. 178DF CARF MF 12 Declarações de Ajuste Anual com data posterior tiveram como endereço destinatário o endereço do imóvel vendido, sendo entendido como rendimento tributável o valor locativo de imóvel cedido gratuitamente, nos termos do art. 74 da Lei 8383/1991 c/c art. 32 da Instrução Normativa SRF n° 15, de 06 de fevereiro de 2001. Conforme consta das fls. 53 o imóvel foi transferido à empresa LG para a integralização das quotas sociais: Conforme o contribuinte noticia aos autos nas fls. 70, o mesmo deixou de ser sócio da empresa em 1º de fevereiro de 2003. Assim sendo, segundo a Autoridade Fiscal, desde a transferência do imóvel à empresa LG como integralização de suas quotas, em 19/02/2001, data em que o Contribuinte passou a ser sócio da pessoa jurídica, até a data de 01/02/2003, que foi quando o Contribuinte deixou de ser sócio da pessoa jurídica, ele continuou a residir no imóvel que já não era mais seu. Neste ponto houve, portanto, a cessão gratuita do imóvel, visto que não há a comprovação de pagamento de qualquer aluguel à empresa LG, da qual era sócio. Para a prova de que o Contribuinte continuou a utilizar o imóvel como sua residência se deu diante do fato de que todas as Declarações de Ajuste Anual de Imposto de Renda de Pessoa Física DIRPF do contribuinte, docs. fls. 71/93, todas as escrituras públicas constantes deste processo, docs. fls. 22/45, todas as intimações enviadas para o contribuinte e respondidas, docs. fls.16/19 e 46/51 e todas as informações prestadas a esta fiscalização pelo contribuinte de que residiu naquele endereço em 2000, 2001 e 2002 docs. fls. 52/58. Foram duas legislações utilizadas no auto de infração para a imposição do crédito tributário: a Lei n. 8.383 de 30 de dezembro de 1991 e a Instrução Normativa n. 15/2001: Lei n. 8.383/1991: Art. 74. Integrarão a remuneração dos beneficiários: I a contraprestação de arrendamento mercantil ou o aluguel ou, quando for o caso, os respectivos encargos de depreciação, atualizados monetariamente até a data do balanço: a) de veículo utilizado no transporte de administradores, diretores, gerentes e seus assessores ou de terceiros em relação à pessoa jurídica; Fl. 179DF CARF MF Processo nº 10680.006043/200482 Acórdão n.º 2301005.770 S2C3T1 Fl. 137 13 b) de imóvel cedido para uso de qualquer pessoa dentre as referidas na alínea precedente; II as despesas com benefícios e vantagens concedidos pela empresa a administradores, diretores, gerentes e seus assessores, pagos diretamente ou através da contratação de terceiros, tais como: a) a aquisição de alimentos ou quaisquer outros bens para utilização pelo beneficiário fora do estabelecimento da empresa; b) os pagamentos relativos a clubes e assemelhados; c) o salário e respectivos encargos sociais de empregados postos à disposição ou cedidos, pela empresa, a administradores, diretores, gerentes e seus assessores ou de terceiros; d) a conservação, o custeio e a manutenção dos bens referidos no item I. § 1º A empresa identificará os beneficiários das despesas e adicionará aos respectivos salários os valores a elas correspondentes. § 2º A inobservância do disposto neste artigo implicará a tributação dos respectivos valores, exclusivamente na fonte, à alíquota de trinta e três por cento.; IN 15/2001: CESSÃO GRATUITA DE IMÓVEL Art. 32. Considerase rendimento tributável, na Declaração de Ajuste Anual, o valor locativo de imóvel cedido gratuitamente. Parágrafo único. O rendimento tributável é equivalente a dez por cento do valor venal do imóvel cedido, podendo ser adotado o constante na guia do Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU) correspondente ao anocalendário da Declaração de Ajuste Anual E a Jurisprudência consolidada deste Conselho: IMPOSTO DE RENDA DAS PESSOAS FÍSICAS — São rendimentos da pessoa física para fins de tributação do Imposto de Renda aqueles provenientes do trabalho assalariado, as remunerações por trabalho prestado no exercício de empregos, cargos, funções e quaisquer proventos ou vantagens percebidas tais como salários, ordenados, vantagens, gratificações, honorários, entre outras denominações. (Acórdão n°: 9202 002.451 – 08/11/2012) No presente caso não vislumbro que foi correta a legislação aplicada pela Autoridade Fiscal no Auto de Infração. Fl. 180DF CARF MF 14 Isto, pois o Contribuinte não é e nunca foi funcionário da empresa, mas sim sócio, de fevereiro de 2001 a fevereiro de 2003 e a legislação aplicada pela Autoridade Fiscal diz respeito a empregados. Portanto, se continuou a residir no imóvel que este era de propriedade da empresa, sem que houvesse qualquer contraprestação, podese entender que isto se deu diante do fato de o mesmo ser sócio da empresa. A moradia do Contribuinte no local poderia ter sido paga através da distribuição de lucros ou de outra forma. Não ficou elucidado pela Autoridade Fiscal se houve ou não qualquer pagamento para a utilização do imóvel. Não ficou sequer comprovado pela Autoridade Fiscal se de fato o Contribuinte reside no local ou se apenas utiliza como seu domicílio fiscal de correspondência. Deveria a fiscalização ter sido realizada na própria empresa LG, em seu livro caixa, ou então ter sido realizada a constatação fiscal no imóvel. Não há sequer a juntada dos Contratos Sociais. Ademais, o RIR 99, em seu artigo 39, IX determina a isenção para utilização do imóvel pelo proprietário e sendo o Contribuinte aparentemente sócio da empresa proprietária do imóvel, entendo que se aplica a isenção deste artigo. Em suma, verificase que a Autoridade Fiscal não comprovou a efetiva disponibilidade econômica do Contribuinte e, portanto, se não há renda, não há fato gerador. Ante ao exposto, por falta de provas que não podem ser presumidas contra o Contribuinte, voto pelo indeferimento do lançamento neste aspecto. Multa de Ofício Não se vislumbra ilegalidade com a Multa, visto que aplicada à correta aplicação da legislação. A norma legal que determina a aplicação da multa de ofício no artigo 44, I da Lei 9.430/96, abaixo transcrito: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; Lançase de ofício quando constatada a ocorrência do fato gerador não declarado pelo Contribuinte. Com relação ao seu valor (75%) e seu efeito confiscatório, observa que a Multa de Ofício é lançada conforme determina a legislação e seu valor é passível de redução, como elucidado pelo próprio Auto de Infração. Não há que se falar em ilegalidade do valor arbitrado, visto que a legislação determina o valor de 75% para a multa de ofício. Fl. 181DF CARF MF Processo nº 10680.006043/200482 Acórdão n.º 2301005.770 S2C3T1 Fl. 138 15 Taxa SELIC Sobre o requerimento de inutilização da taxa SELIC na apuração do crédito, verificase que a cobrança de juros de mora em percentual equivalente à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia (SELIC) foi fixada pela Lei n° 9.065/1995 em seu art. 13. Exigência que foi mantida para débitos cujos fatos geradores ocorreram a partir de r de janeiro de 1997 pelo art. 61, § 3°, da Lei n° 9.430/1996. Sobre a legalidade da utilização, temse a Jurisprudência consolidada: JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de oficio, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic.(Acórdão nº 9202003.955 14/04/2016) Assim como Súmula deste Conselho: Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia – SELIC para títulos federais. Portanto, indefiro o pedido. Ademais, necessário pontuar que há a incidência de juros moratórios sobre o valor de multa de ofício: Súmula CARF nº 108 Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício. Portanto, devida a utilização da taxa SELIC e a imposição dos juros sobre a multa de ofício. CONCLUSÃO Pelo exposto, voto por conhecer parcialmente do Recurso Voluntário, para que na parte conhecida, rejeitar a preliminar e no mérito, dar parcial provimento ao Recurso Voluntário, para cancelar apenas o lançamento referente à omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica pela cessão gratuita de imóvel. É como voto. Juliana Marteli Fais Feriato Relatora. (assinado digitalmente) Fl. 182DF CARF MF 16 Voto Vencedor Conselheira Mônica Renata Mello Ferreira Stoll Redatora Designada Com a devida vênia, divirjo do relator quanto ao afastamento da omissão de rendimentos referente à cessão gratuita do imóvel situado à Rua Mandacaru 201, vendido pelo recorrente à empresa LG Participações e Empreendimentos Ltda para integralização de capital. A autuação se deu com base no art. 74 da Lei 8.383/91 e no art. 32 da Instrução Normativa SRF n° 15/01, conforme item 2.1 do Termo de Verificação Fiscal (efls. 11/15): Considerando que de acordo com a Lei 8383 de 1991, art. 74 e também com o art. 32 da Instrução Normativa SRF n° 15, de 06 de fevereiro de 2001 considerase rendimento tributável o valor locativo de imóvel cedido gratuitamente, concluímos pela omissão de rendimentos recebidos pelo contribuinte em 2000, 2001 e 2002 da empresa LG Participações e Empreendimentos Ltda referente à locação do imóvel transferido em 01/09/2000 para aquela empresa. Conforme determina o parágrafo único do art. 32 da Instrução Normativa SRF n° 15, de 06 de fevereiro de 2001, consideramos para cada ano, como valor tributável o equivalente a 10% de R$222.071,30 (Duzentos e vinte e dois mil e setenta e um reais e trinta centavos), que foi o valor de transferência constante da escritura do referido bem, docs. fls. 43, como também o informado pelo contribuinte em sua Declaração de Ajuste Anual de Imposto de Renda de Pessoa Exercício 2001, docs. fls. 71. Para o ano da transferência, 2000, consideramos a omissão a partir de setembro, visto que o contribuinte informou que o bem foi incorporado ao capital da empresa LG Participações e Empreendimentos Ltda. em 1° de setembro de 2000, docs. fls. 54. [...] Com efeito, extraise do art. 74, I, "b", da Lei 8.383/91 que integra a remuneração do beneficiário o aluguel de imóvel cedido por empresa para o uso de qualquer pessoa dentre as referidas em sua alínea "a", ou seja, administradores, diretores, gerentes e seus assessores ou terceiros. Da mesma forma, de acordo com o art. 32 da Instrução Normativa SRF n° 15/01, considerase rendimento tributável na Declaração de Ajuste Anual o valor locativo do imóvel cedido gratuitamente. Impõese observar, portanto, que a legislação não está restrita a empregados, ao contrário do que entende a relatora, podendo ser aplicada ao presente caso, uma vez que o recorrente ainda era sócio da pessoa jurídica no período objeto do lançamento, como se depreende de sua resposta ao Termo de Intimação Fiscal nº 127/2004 (efls. 70). Também não há dúvida de que o recorrente residia no imóvel em questão nos anos calendário 2000 a 2002, conforme indicado em sua resposta ao Termo de Intimação Fiscal nº 83/2004 (efls. 51). Cumpre ressaltar que no item 6 do referido Termo a autoridade fiscal Fl. 183DF CARF MF Processo nº 10680.006043/200482 Acórdão n.º 2301005.770 S2C3T1 Fl. 139 17 intima o contribuinte a informar o seu "local de residência" nesse período (efls. 46/49), não sendo possível concordar com a afirmação da relatora de que não ficou comprovado se o contribuinte de fato residia no local ou se apenas o utilizava como seu domicílio fiscal de correspondência. Importa salientar, por fim, que o recorrente foi intimado através do Termo de Intimação Fiscal nº 52/2004 a apresentar contrato de locação ou documento equivalente com a empresa LG Participações e Empreendimentos Ltda referente ao imóvel transferido para a mesma, assim como os respectivos comprovantes de pagamento (efls. 16/18). Não obstante, verificase que este não apresentou nenhum elemento de prova com o intuito de demonstrar a existência de pagamento pelo uso do imóvel cedido para sua residência (efls. 19). Dessa forma, considero correto o presente lançamento, devendo ser mantida a omissão de rendimentos que aqui se aprecia. Em vista do exposto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Mônica Renata Mello Ferreira Stoll Fl. 184DF CARF MF
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