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Numero do processo: 10921.000417/2006-38
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 07 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Jul 07 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS
Data do fato gerador: 21/09/2005
AUTO DE INFRAÇÃO. PRESENÇA DE ELEMENTOS SUFICIENTES PARA A LAVRATURA. INEXISTÊNCIA DE NULIDADE DO LANÇAMENTO.
O lançamento decorrente de classificação de mercadorias pode ter como base os elementos de convicção proporcionados pela interpretação das regras do Sistema Harmonizado, quando o Fisco
tiver elementos suficientes para apontar a classificação que
entender correta.
CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS. KITS DE COMPONENTES ELETRÔNICOS E PEÇAS IMPORTADOS NA MODALIDADE CKD.
Apurado que os kits de componentes eletrônicos e peças importadas são completos e exclusivos para as quantidades de artigos a serem montados, tendo sido importados na modalidade CKD (completamente desmontados), sem que se verifique a ocorrência de trabalho adicional para complementar sua condição de produto acabado, estes componentes eletrônicos e peças devem ser classificados em seu conjunto, como produto completo ou acabado, como estabelece a RGI 2, “a”, do Sistema Harmonizado.
MULTA DE OFÍCIO POR DECLARAÇÃO INEXATA
A aplicação da multa tem como motivação a declaração inexata, quando decorrer o pagamento a menor dos tributos. A alegação de boa-fé não exime o contribuinte da imposição da multa de ofício, tendo em vista as normas objetivas expressas no art. 94 e § 2o, do Decreto-Lei no 37/1966.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3202-000.317
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade do auto de infração e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: JOSE LUIZ NOVO ROSSARI
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Data do fato gerador: 21/09/2005 AUTO DE INFRAÇÃO. PRESENÇA DE ELEMENTOS SUFICIENTES PARA A LAVRATURA. INEXISTÊNCIA DE NULIDADE DO LANÇAMENTO. O lançamento decorrente de classificação de mercadorias pode ter como base os elementos de convicção proporcionados pela interpretação das regras do Sistema Harmonizado, quando o Fisco tiver elementos suficientes para apontar a classificação que entender correta. CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS. KITS DE COMPONENTES ELETRÔNICOS E PEÇAS IMPORTADOS NA MODALIDADE CKD. Apurado que os kits de componentes eletrônicos e peças importadas são completos e exclusivos para as quantidades de artigos a serem montados, tendo sido importados na modalidade CKD (completamente desmontados), sem que se verifique a ocorrência de trabalho adicional para complementar sua condição de produto acabado, estes componentes eletrônicos e peças devem ser classificados em seu conjunto, como produto completo ou acabado, como estabelece a RGI 2, “a”, do Sistema Harmonizado. MULTA DE OFÍCIO POR DECLARAÇÃO INEXATA A aplicação da multa tem como motivação a declaração inexata, quando decorrer o pagamento a menor dos tributos. A alegação de boafé não exime o contribuinte da imposição da multa de ofício, tendo em vista as normas objetivas expressas no art. 94 e § 2o, do DecretoLei no 37/1966. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 519DF CARF MF Emitido em 22/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/07/2011 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade do auto de infração e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. José Luiz Novo Rossari – Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros José Luiz Novo Rossari, Irene Souza da Trindade Torres, Rodrigo Cardozo Miranda, Gilberto de Castro Moreira Junior, Mara Cristina Sifuentes e Wilson Sampaio Sahade Filho. Relatório Tratase de recurso voluntário contra decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Florianópolis/SC que manteve o lançamento efetuado pela Alfândega da Receita Federal do Brasil no Porto de São Francisco do Sul/SC, de exigência de Imposto de Importação, IPI, PIS e Cofins, acrescidos de multas e de juros moratórios, incidentes no despacho aduaneiro promovido pela Declaração de Importação no 05/10172223, registrada em 21/9/2005. O lançamento teve como motivo o fato de a fiscalização ter entendido que a contribuinte classificou incorretamente os kits de componentes eletrônicos e peças afins em suas NCM específicas, quando deveria têlos classificado como produtos acabados, nos códigos 8473.30.49 (placas de rede), 8471.80.14 (hubs ethernet), 8517.50.10 (placas de fax modem) e 8517.30.62 (modems ADSL). Como histórico inicial dos fatos, transcrevo e adoto o relatório constante do Acórdão proferido pelo órgão julgador de primeira instância administrativa, verbis: “Trata o presente processo dos Autos de Infração de fls. 01 a 18 por meio dos quais são feitas as seguintes exigências: fls. 01 a 06 1 R$ 39.147,49 (trinta e nove mil, cento e quarenta e sete reais e quarenta e nove centavos) a título de Imposto de Importação. 2 R$ 29.360,62 (vinte e nove mil, trezentos e sessenta reais e sessenta e dois centavos) a título de Multa de Ofício de 75%. 3 – R$ 3.208,50 (três mil, duzentos e oito reais e cinqüenta centavos) a título de Multa Regulamentar de que trata o art. 84, I da MP no 2.15835/2001. fls. 07 a 10 4 R$ 34.588,65 (trinta e quatro mil, quinhentos e oitenta e oito reais e sessenta e cinco centavos) de Imposto sobre Produtos Industrializados. fls. 15 a 18 5 – R$ 274,63 (duzentos e setenta e quatro reais e sessenta e três centavos) a título de Pis – Importação. 6 – R$ 205,97 (duzentos e cinco reais e noventa e sete centavos) a título de Multa de Ofício de 75%. fls. 11 a 14 7 – R$ 1.264,91 (um mil, duzentos e sessenta e quatro reais e noventa e um centavos) a título de Cofins – Importação. Fl. 520DF CARF MF Emitido em 22/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/07/2011 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI Processo nº 10921.000417/200638 Acórdão n.º 320200.317 S3C2T2 Fl. 498 3 8 – R$ 948,68 (novecentos e quarenta e oito reais e sessenta e oito centavos) a título de Multa de Ofício de 75%. Os juros de mora lançados foram calculados até 28/07/2006. A autoridade autuante assim descreveu os fatos, fls. 20 a 28, em síntese: • Que o importador, por meio da DI no 05/10172223, registrada em 21/09/2005, submeteu a despacho diversas peças, classificandoas em sua NCM específica. • Que instruem o despacho as faturas KM0507141CKD1; KM 0507142CKD1; KM0507143CKD1 e KM0507144CKD1, todas de 13/07/2005. • Que as quatro faturas têm a terminação CKD, sendo que CKD é a abreviação de “Complete Knocked Down”, que quer dizer que se trata de kit completo para a montagem de determinado produto. • Que na primeira linha da coluna “Description of Goods” (Descrição das Mercadorias) de cada fatura está especificado o produto que será montado. Nº da Fatura Produto KM0507141CKD1 8139D Realtek Lan Card KM0507142CKD1 8309 Realtek 8 port hub KM0507143CKD1 LP420Agere PCI Fax Modem KM0507144CKD1 4Ports ADSL Modem Router AL2014P • Que o importador apresentou declaração de que se trata de importação de “todas as peças necessárias e exclusivas a produção de 10 mil placas de rede modelo CPR 8139D; 10 mil placas de Fax/Modem modelo CLP420; 3 mil HUBs Ethernet modelo CSH8039SB e 1 mil modems ADSL modelo CLP2014P, exceto embalagens”. • Que, de acordo com a RGI 2a do Sistema Harmonizado, as mercadorias devem ser classificadas como artigo completo ou acabado, da seguinte maneira: 1. NCM 8473.30.49 – 10 mil kits para montagem de placa de rede Ethernet, modelo “8139D Realtek Lan Card” com peças sobressalentes prevendo perdas no processo de montagem; 2. NCM 8471.80.14 – 3 mil kits pata montagem de HUB, modelo “8309D Realtek 8 Port HUB” com peças sobressalentes prevendo perdas no processo de montagem; 3. NCM 8517.50.10 – 10 mil kits para montagem de placa de Fax/Modem “LP420 Agere PCI Fax Modem” com peças sobressalentes prevendo perdas no processo de montagem; 4. NCM 8517.30.62 – 1 mil kits para montagem de modem roteador, modelo “4 Ports ADSL Modem Router AL2014P” com peças sobressalentes prevendo perdas no processo de montagem. Cientificada a autuada apresentou a impugnação de fls. 93 a 129; 213 a 245; 284 a 320 e 349 a 385, alegando, em síntese: Fl. 521DF CARF MF Emitido em 22/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/07/2011 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI 4 • Requer, em preliminar, a nulidade do auto de infração por descumprimento do art. 196 do Código Tributário Nacional e dos artigos 7º, §2º e 8º do Decreto no 70.235/1972 em razão da ausência de ato formal cientificando do início da ação fiscal. • Descreve, às fls. 107 a 113, os processos de desenvolvimento e industrias dos produtos objeto da presente exigência. • Que somente após todas as fases de desenvolvimento, manufatura e testes que os produtos poderão ser caracterizados como “produto da indústria de transformação” e serem enquadrados na correspondente NCM de produto acabado, apresentando condições de funcionamento correlato com as suas especificações. • Que o auto de infração foi baseado em uma suposição (de que as peças importadas seriam apenas submetidas a um processo de montagem), dissociada da realidade dos fatos. • Defende a descaracterização da infração, uma vez que a conduta da impugnante foi amparada na mais absoluta boafé. • Que é indevida a aplicação da multa de que trata o art. 44, I da Lei no 9.430/96, uma vez que não há que se falar na espécie em falta de declaração ou declaração inexata de classificação das mercadorias. Que a aplicação da referida multa fere o princípio da proporcionalidade. Por fim, requer: 1. Por decisão de mérito, ser declarado integralmente cancelado o auto de infração impugnado, uma vez que a RGI – SH 2“a” não se aplica ao caso em discussão ou; 2. Ser declarado nulo o auto de infração impugnado ante o descumprimento do art. 196 do CTN e artigos 7º, §2º e 8º do Decreto no 70.235/72 ou; 3. Ser declarado nulo o auto de infração impugnado em razão do descumprimento do disposto no art. 9º do Decreto no 70.235/72; 4. Em não sendo acolhidas nenhuma das teses de cancelamento integral do auto de infração, seja afastada a cobrança da multa isolada de que trata o art. 44 da Lei no 9.430/96 (75%).” A lide foi decidida pela 2ª Turma da DRJ em Florianópolis/SC que, por unanimidade de votos, concluiu pela procedência do lançamento nos termos do Acórdão DRJ/FNS no 0716.064, de 15/5/2009 (fls. 446/451), cuja ementa dispõe, verbis: “ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Data do fato gerador: 21/09/2005 ARTIGOS APRESENTADOS POR MONTAR. A Regra Geral para Interpretação do Sistema Harmonizado no 2, alínea “a”, amplia o alcance da posição para permitir a classificação com base nas Regras 1, 3 ou 4, na mesma posição, dos artigos completos e por montar, desde que se apresentem desta forma principalmente por necessidade ou por conveniência de embalagem, manipulação ou de transporte e, ainda, que os diferentes elementos não tenham recebido qualquer trabalho adicional para complementar sua condição de produto acabado. Fl. 522DF CARF MF Emitido em 22/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/07/2011 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI Processo nº 10921.000417/200638 Acórdão n.º 320200.317 S3C2T2 Fl. 499 5 Demonstrado nos autos que os componentes eletrônicos e as peças afins foram importados com o objetivo de montar outros produtos, estes componentes eletrônicos e peças afins devem ser classificados em seu conjunto, como artigo (mercadoria) completo ou acabado. MULTA PROPORCIONAL AO VALOR ADUANEIRO DA MERCADORIA. Aplicase a multa de 1% sobre o valor aduaneiro da mercadoria classificada de maneira incorreta na Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM), nas nomenclaturas complementares ou em outros detalhamentos instituídos para a identificação da mercadoria. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 21/09/2005 AUTO DE INFRAÇÃO E PROCEDIMENTO FISCAL. NULIDADE. Somente ensejam a nulidade os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Lançamento Procedente” O órgão julgador entendeu que, em vista de os componentes eletrônicos relacionados nas faturas KM0507141CKD1, KM0507142CKD1, KM0507143CKD1 e KM0507144CKD1 terem sido importados simultaneamente, para montar os produtos 8139D Realtek Lan Card, 8309 Realtek 8 port hub, LP420Agere PCI Fax Modem e 4Ports ADSL Modem Router AL2014P, respectivamente, esses componentes e peças devem ser classificados em seu conjunto como artigo completo ou acabado, nos termos do que explicita a RGI2 do Sistema Harmonizado, razão pela qual concluiu pela correção do procedimento fiscal, que . A interessada apresentou recurso às fls. 460/480, no qual mantém as alegações trazidas anteriormente em sua impugnação e requer seja conhecido e provido o recurso, com a reforma do acórdão recorrido para que seja cancelado o Auto de Infração impugnado, ou, seja declarada a sua nulidade por descumprimento do art. 9o do Decreto no 70.235/1972; ou ainda, caso não sejam acolhidas essas teses, seja afastada a exigência da multa de que trata o art. 44 da Lei no 9.430/1996, por ser indevida e por ter agido de boafé. É o relatório. Voto Conselheiro José Luiz Novo Rossari, Relator O recurso voluntário é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, razões por que dele tomo conhecimento. Preliminar de nulidade A recorrente suscita preliminar de nulidade do Auto de Infração, alegando que não foi observado o caput do art. 9o do Decreto no 70.235, de 1972, que dispõe que essa Fl. 523DF CARF MF Emitido em 22/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/07/2011 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI 6 peça básica deverá estar instruída com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito. Entendo descabida a preliminar, visto que o lançamento pertinente à classificação de mercadorias pode ter como base as Regras Gerais para Interpretação, as Regras Gerais Complementares e as Notas Complementares e, subsidiariamente, as Notas Explicativas do Sistema Harmonizado de Designação e de Codificação de Mercadorias (NESH), da Organização Mundial das Alfândegas (art. 94, parágrafo único, do Decreto no 4.543, de 2002 – Regulamento Aduaneiro), quando o Fisco tiver elementos suficientes apontar a classificação que entender correta. No caso sob exame, foi exatamente o que aconteceu, tendo em vista que o lançamento foi embasado em elementos de convicção proporcionados pela simples interpretação das regras do Sistema Harmonizado. Matéria similar tem entendimento pacífico neste Colegiado, tendo sido, em passant, objeto da Súmula no 46, divulgada pela Portaria CARF no 49, de 2010 (DOU de 9/12/2010), verbis: “O lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação ao sujeito passivo, nos casos em que o Fisco dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário.” De outra parte, a eventual necessidade de laudo técnico para dirimir questões sobre classificação de mercadorias, quando for o caso de dúvida substancial, pode ser requerida no curso do processo administrativo fiscal. No caso em exame a motivação da peça básica foi bem exposta e suficientemente clara, permitindo ao autuado apresentar as alegações de defesa necessárias e compatíveis com a acusação fiscal, razão pela qual entendo deva ser rejeitada a preliminar de nulidade. Classificação dos "kits" A lide tem como fulcro o questionamento sobre a aplicação da Regra Geral de Interpretação RGI 2, “a” do Sistema Harmonizado de Designação e de Codificação de Mercadorias no caso de importação de "kits" de peças e componentes constantes nas faturas comerciais como CKD (“completely knocked down”) para a industrialização de produtos finais (placas de rede, hubs ethernet, placas de fax modem e modems ADSL). O Fisco entendeu que as peças seriam em sua quase totalidade soldadas na placa principal, através de máquina especificamente programada, o que atenderia ao que preceitua o inciso VII das Notas Explicativas às Regras Gerais de Interpretação, referente a simples operação de montagem. Já a recorrente alega que a declaração de que todos os componentes necessários para a produção estavam no container (exceto embalagens), foi apresentada a pedido do AuditorFiscal, e que o Auto de Infração parte do pressuposto que os produtos são submetidos apenas a um processo de montagem, o que é dissociado da realidade dos fatos, visto que requer um trabalho adicional complementar ao produto acabado. Cumpre ressaltar, inicialmente, que a declaração apresentada pela autuada por ocasião do despacho aduaneiro é clara ao informar que “os insumos ou componentes eletrônicos e peças afins relativos ao processo de importação (...) compõem todas as peças necessárias e exclusivas à produção (...)”. Assim, não há dúvidas nesta parte, visto que: a um, há que se dar crédito à declaração fornecida pela contribuinte; e, a dois, se tal declaração não correspondesse à realidade dos fatos, a autuada deveria, quando de sua defesa, relacionar os insumos que consideraria faltantes para completar os produtos finais, o que não fez, limitando se a relacionar as fases de produção. Fl. 524DF CARF MF Emitido em 22/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/07/2011 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI Processo nº 10921.000417/200638 Acórdão n.º 320200.317 S3C2T2 Fl. 500 7 Por tais motivos, não vejo consistência nas alegações da recorrente ao questionar o procedimento que foi dispensado ao despacho aduaneiro de importação dos kits pelo AuditorFiscal responsável por essa atividade. Demais disso, não é o processo administrativo fiscal o foro apropriado para questionamentos e considerações a respeito das afirmações da recorrente, de externar estranheza e alegar coação por parte do agente da SRF quando do despacho aduaneiro. A recorrente relaciona todas as fases de produção, pretendendo, com isso, alicerçar entendimento de que há complementação de trabalhos adicionais que não permitiriam a aplicação da Regra 2, “a”. Tais fases de produção compreendem, essencialmente: processo de desenvolvimento; processo de compra e aquisição de insumos; fase de desenvolvimento de ferramental para produção específica dos produtos; fase de programação das máquinas de inserção SMD (montagem de superfície); fase de inserção dos insumos nas máquinas automáticas: fase de montagem e soldagem SMD; fase de preparação dos componentes PTH ou de inserção manual; fase de inserção manual de componentes PTH; processo de soldagem PTH ou solda por onda dupla; soldagem manual de componentes críticos; processo de inspeção de qualidade; processo de testes; e fase de montagem mecânica e embalagem. Ora, tais operações não levam ao entendimento pretendido. As fases iniciais respeitam à pesquisa de mercado, testes, aquisição de insumos, desenvolvimento de ferramental para a produção, programação de máquinas e inserção de insumos, que não tem qualquer influência na classificação de mercadorias. Restam as operações referentes às fases seguintes. No entanto, essas últimas apresentam, essencialmente, as operações de soldagem e montagem dos produtos finais, e ainda as de inspeção de qualidade, testes, montagem mecânica e embalagem, solidificando a interpretação no sentido de que, efetivamente, tratase de kits completos de peças exclusivas de produtos finais apresentados desmontados. No caso em exame tem aplicação a Regra 2, “a” do Sistema Harmonizado, que dispõe, verbis: “2. a) Qualquer referência a um artigo em determinada posição abrange esse artigo mesmo incompleto ou inacabado, desde que apresente, no estado em que se encontra, as características essenciais do artigo completo ou acabado. Abrange igualmente o artigo completo ou acabado, ou como tal considerado nos termos das disposições precedentes, mesmo que se apresente desmontado ou por montar.” No que respeita à regra acima transcrita, explicita a Nota Explicativa 2.2, verbis: “A segunda parte da Regra 2 a) classifica na mesma posição do artigo montado o artigo completo ou acabado que se apresente desmontado ou por montar; apresentamse desta forma principalmente por necessidade ou por conveniência de embalagem, manipulação ou de transporte. Esta Regra de classificação aplicase, também, ao artigo incompleto ou inacabado apresentado desmontado ou por montar, desde que seja considerado como completo ou acabado em virtude das disposições da primeira parte desta Regra. Deve considerarse como artigo apresentado no estado desmontado ou por montar, para a aplicação da presente Regra, Fl. 525DF CARF MF Emitido em 22/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/07/2011 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI 8 o artigo cujos diferentes elementos destinamse a ser montados, quer por meios de parafusos, cavilhas, porcas, etc., quer por rebitagem ou soldagem, por exemplo, desde que se trate de simples operações de montagem. Para este efeito, não se deve ter em conta a complexidade do método da montagem. Todavia, os diferentes elementos não podem receber qualquer trabalho adicional para complementar a sua condição de produto acabado.” (destaquei) Finalmente, essa regra é novamente repetida na Nota V das Considerações Gerais da Seção XVI, que assim dispõe, verbis: “V. MÁQUINAS E APARELHOS NÃO MONTADOS (Ver a Regra Geral Interpretativa 2 a) Por razões tais como necessidade ou comodidade de transporte, as máquinas, às vezes, apresentamse desmontadas. Embora se trate, de fato, de partes separadas, o conjunto é classificado como máquina ou aparelho e não, quando a posição existe, na posição relativa às partes. Esta regra é válida mesmo quando o conjunto corresponde a uma máquina incompleta com características da máquina completa, na acepção da parte IV acima descrita (...)” (destaquei) Como se verifica expressamente das NESH acima transcritas, as regras aplicáveis são claras no sentido de que deve ser aplicada a Regra 2, “a” nos casos em que se verifique a montagem de elementos para produzir um artigo final, devendo ser considerado, para esses efeitos, que: a) as operações de soldagem não descaracterizam a aplicação da regra; e b) a complexidade do método de montagem não é relevante para os efeitos de classificação. A única condição que poderia alterar a aplicação dessa regra seria a adição de trabalho adicional que complementasse o produto acabado. Entretanto, tal condição não fica caracterizada nas operações da recorrente, cumprindo ressaltar que a mera inclusão no produto do endereço MAC (de interface de rede) pertinente ao número privado da recorrente, é insignificante e insuficiente para satisfazer à condição de “trabalho adicional” referida nas Notas Explicativas, por não alterar a característica de produto acabado. Além do mais, em se tratando de importação de produtos na modalidade CKD (“completely knocked down”), própria de produtos completamente desmontados, não há dúvidas quanto ao fato de que todas as peças necessárias aos produtos foram importadas e discriminadas nas faturas comerciais correspondentes. Ao constarem nas faturas comerciais a modalidade de operação CKD, resta evidente que o que está sendo importado é um produto final desmontado, no caso, os produtos que tiveram as classificações fiscais retificadas pelo Fisco e com as quais tenho que concordar, por corretas. Diante dos elementos constantes dos autos, entendo que os kits importados devem ser classificados com base na Regra 2, “a”, por apresentar as características essenciais do produto completo ou acabado. Multas por declaração inexata A recorrente entende ser indevida a aplicação das multas previstas no art. 44, I da Lei no 9.430, de 1996, alegando que não deu causa a qualquer tipo de aplicação de multa em seu desfavor. Fl. 526DF CARF MF Emitido em 22/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/07/2011 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI Processo nº 10921.000417/200638 Acórdão n.º 320200.317 S3C2T2 Fl. 501 9 Cumpre ressaltar que a multa de ofício no percentual de 75% aplicada pelo Fisco tem como motivação a declaração inexata, do que decorre a falta de pagamento dos tributos, justamente o que ocorreu quando da importação, visto que, ao proceder à classificação incorreta das mercadorias, com a aplicação de alíquotas inferiores à correta, a recorrente incorreu em pagamento a menor dos tributos devidos na importação. De outra parte, a alegação de boafé não socorre a recorrente, tendo em vista as normas objetivas expressas no art. 94 e § 2o do DecretoLei no 37, de 1966, referidas no art. 602 do Decreto no 4.543, de 2002 (Regulamento Aduaneiro/2002)1 . Diante do exposto, voto por que seja rejeitada a preliminar de nulidade do Auto de Infração e, no mérito, seja negado provimento ao recurso voluntário. José Luiz Novo Rossari 1 “Art. 602. Constitui infração toda ação ou omissão, voluntária ou involuntária, que importe inobservância, por parte de pessoa física ou jurídica, de norma estabelecida ou disciplinada neste Decreto ou em ato administrativo de caráter normativo destinado a completálo (Decretolei nº 37, de 1966, art. 94). Parágrafo único. Salvo disposição expressa em contrário, a responsabilidade por infração independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, da natureza e da extensão dos efeitos do ato (Decretolei nº 37, de 1966, art. 94, § 2º).” Fl. 527DF CARF MF Emitido em 22/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/07/2011 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI
score : 1.0
Numero do processo: 10380.006590/2007-95
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 16 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Mar 16 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/11/1997 a 30/12/2006
DEIXAR DE EXIBIR DOCUMENTOS OU LIVROS RELACIONADOS COM AS CONTRIBUIÇÕES PREVISTAS NA LEI 8.212/91.
A empresa está obrigada a exibir todos os documentos relacionados às contribuições previdenciárias solicitados pela fiscalização, relativos à empresa sucedida.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2301-001.926
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso, nos termos do voto da relatora.
Matéria: Outras penalidades (ex.MULTAS DOI, etc)
Nome do relator: BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS
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ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/11/1997 a 30/12/2006 DEIXAR DE EXIBIR DOCUMENTOS OU LIVROS RELACIONADOS COM AS CONTRIBUIÇÕES PREVISTAS NA LEI 8.212/91. A empresa está obrigada a exibir todos os documentos relacionados às contribuições previdenciárias solicitados pela fiscalização, relativos à empresa sucedida. Recurso Voluntário Negado
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A empresa está obrigada a exibir todos os documentos relacionados às contribuições previdenciárias solicitados pela fiscalização, relativos à empresa sucedida. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto da relatora. Marcelo Oliveira Presidente. Bernadete De Oliveira Barros Relatora. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Adriano Gonzales Silverio, Bernadete De Oliveira Barros, Wilson Antonio De Souza Correa, Mauro Jose Silva, Leonardo Henrique Pires Lopes. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 13/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/04/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS Assinado digitalmente em 03/04/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, 06/04/2011 por MARCELO OLIVEIR A 2 Relatório Tratase de Auto de Infração, lavrado em 26/04/2007, por ter a empresa acima identificada deixado de exibir documentos relacionados com as contribuições previstas na Lei 8.212/91, ou apresentálos sem que atendam as formalidades legais exigidas, infringindo, dessa forma, o art. 33, §§ 2º e 3o, da referida Lei, c/c o art. 232 e 233, parágrafo único, do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto 3.048/99. Conforme consta do Relatório Fiscal da Infração (fls. 06), a recorrente deixou de apresentar, apesar de solicitado por meio de TIAD, os Livros Diários, Razão, Balancetes contábeis, Planos de Contas, e demais documentos listados pela fiscalização. A recorrente impugnou o auto e a Secretaria da Receita Federal do Brasil, por meio do Acórdão 111956, da 7a Turma da DRJ/REC, (fls. 45), julgou o lançamento procedente. Inconformada com a decisão, a autuada apresentou recurso voluntário tempestivo (fls. 56), alegando, em síntese, que vários documentos solicitados pela fiscalização não existem, e que os demais documentos, como Livros Diário, Razão, Balancetes Contábeis e Planos de Conta, não foram encontrados nas dependências da empresa, pois possivelmente foram extraviados quando do fornecimento para os fiscais do INSS durante a fiscalização da empresa coligada, Nacional Gás Butano Ltda. Entende ainda que alguns documentos solicitados não são de guarda obrigatória, tais como contratos de prestação de serviços e aditivos contratuais, logo não podem ser exigidos da empresa. É o Relatório. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 13/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/04/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS Assinado digitalmente em 03/04/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, 06/04/2011 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 10380.006590/200795 Acórdão n.º 230101.926 S2C3T1 Fl. 67 3 Voto Conselheira Bernadete De Oliveira Barros, Relatora O recurso é tempestivo e não há óbice para seu conhecimento. Preliminarmente, a recorrente alega cerceamento de defesa. No entanto, ao contrário do que afirma a recorrente, verificase que o auto foi lavrado de acordo com os dispositivos legais e normativos que disciplinam a matéria, tendo o agente autuante identificado, de forma clara e precisa, a obrigação acessória descumprida e os fundamentos legais da autuação e da penalidade, bem como demonstrado, de forma discriminada, o cálculo da multa aplicada. Nesse sentido, não há que se falar em nulidade por cerceamento de defesa, pois todos os relatórios integrantes do AI foram recebidos pelo contribuinte, e o Relatório Fiscal da Infração deixa claro que a empresa deixou de apresentar, apesar de solicitado por meio de TIAD, os documentos ali assinalados. Os relatórios integrantes do AI recebidos pela empresa contêm todas as informações necessárias ao exercício da ampla defesa, motivo pelo qual rejeito a preliminar de nulidade. No mérito, a recorrente tenta demonstrar que não houve a infração apontada pela fiscalização, argumentando que vários documentos solicitados pela fiscalização não existem, e que os demais documentos, como Livros Diário, Razão, Balancetes Contábeis e Planos de Conta, não foram encontrados nas dependências da empresa, pois possivelmente foram extraviados quando do fornecimento para os fiscais do INSS durante a fiscalização da empresa coligada, Nacional Gás Butano Ltda. Entende ainda que alguns documentos solicitados não são de guarda obrigatória, tais como contratos de prestação de serviços e aditivos contratuais, logo não podem ser exigidos da empresa. Contudo, não prova o alegado. Não traz, nos autos, provas de que os referidos documentos contábeis foram entregues à fiscalização. Da mesma forma, os documentos solicitados por meio de TIAD são, sim, relacionados às contribuições previdenciárias e, portanto, de guarda obrigatória pela empresa, conforme disposição legal. Assim, ao deixar de apresentar os documentos solicitados pela fiscalização por meio de TIAD, a recorrente infringiu o estabelecido no art. 33, §§ 2º e 3o, da Lei 8.212/91. O referido dispositivo legal estabelece que: Art.33. (...) Fl. 3DF CARF MF Emitido em 13/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/04/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS Assinado digitalmente em 03/04/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, 06/04/2011 por MARCELO OLIVEIR A 4 § 2º A empresa, o servidor de órgãos públicos da administração direta e indireta, o segurado da Previdência Social, o serventuário da Justiça, o síndico ou seu representante, o comissário e o liqüidante de empresa em liquidação judicial ou extrajudicial são obrigados a exibir todos os documentos e livros relacionados com as contribuições previstas nesta Lei. (grifei) § 3° O regulamento disporá sobre local, data e forma de entrega do documento previsto no inciso IV. (Acrescentado pela MP nº 1.59614, de 10/11/97, convertida na Lei nº 9.528, de 10/12/97) Os artigos 232 e 233, do RPS dispõe que: Art. 232. A empresa, o servidor de órgão público da administração direta e indireta, o segurado da previdência social, o serventuário da Justiça, o síndico ou seu representante legal, o comissário e o liquidante de empresa em liquidação judicial ou extrajudicial são obrigados a exibir todos os documentos e livros relacionados com as contribuições previstas neste Regulamento. Art. 233. Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, o Instituto Nacional do Seguro Social e a Secretaria da Receita Federal podem, sem prejuízo da penalidade cabível nas esferas de sua competência, lançar de ofício importância que reputarem devida, cabendo à empresa, ao empregador doméstico ou ao segurado o ônus da prova em contrário. Parágrafo único. Considerase deficiente o documento ou informação apresentada que não preencha as formalidades legais, bem como aquele que contenha informação diversa da realidade, ou, ainda, que omita informação verdadeira. Nesse sentido, a empresa deveria ter apresentado todos os documentos solicitados pela fiscalização, consoante à determinação contida no dispositivo legal transcrito acima. Ao deixar de proceder dessa forma, incorreu em infração à legislação previdenciária. E como não é facultado ao servidor público eximirse de aplicar uma lei, a Autoridade Fiscal, ao constatar o descumprimento de obrigação acessória, lavrou corretamente o presente auto, em observância ao art. 33 da Lei 8212/99 e art. 293 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto 3.048/99: Art.293. Constatada a ocorrência de infração a dispositivo deste Regulamento, a fiscalização do Instituto Nacional do Seguro Social lavrará, de imediato, autodeinfração com discriminação clara e precisa da infração e das circunstâncias em que foi praticada, dispositivo legal infringido e a penalidade aplicada e os critérios de sua gradação, indicando local, dia, hora de sua lavratura, observadas as normas fixadas pelos órgãos competentes. Nesse sentido e Fl. 4DF CARF MF Emitido em 13/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/04/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS Assinado digitalmente em 03/04/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, 06/04/2011 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 10380.006590/200795 Acórdão n.º 230101.926 S2C3T1 Fl. 68 5 Considerando tudo o mais que dos autos consta; Voto no sentido de CONHECER DO RECURSO e, no mérito, NEGAR LHE PROVIMENTO. É como voto Bernadete De Oliveira Barros Relatora Fl. 5DF CARF MF Emitido em 13/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/04/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS Assinado digitalmente em 03/04/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, 06/04/2011 por MARCELO OLIVEIR A
score : 1.0
Numero do processo: 12269.004136/2008-92
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 28 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Jul 27 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/08/2003 a 31/12/2006
COOPERATIVAS. EQUIPARAÇÃO ÀS EMPRESAS EM GERAL.
Nos termos da Lei de Custeio da Seguridade Social, as cooperativas são equiparadas às empresas em geral em relação aos segurados que lhes prestam serviços.
COOPERATIVAS. PAGAMENTO POR SERVIÇO PRESTADO POR CONTRIBUINTE INDIVIDUAL. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. RESPONSABILIDADE.
É de responsabilidade da cooperativa o recolhimento da contribuição previdenciária incidente sobre os pagamentos efetuados aos contribuintes individuais que lhe prestarem serviço.
INTEGRANTES DO CONSELHO FISCAL E CONSELHO ADMINISTRATIVO DAS COOPERATIVAS. ENQUADRAMENTO PREVIDENCIÁRIO COMO CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS.
Os membros de Conselhos Fiscal e Administrativo das cooperativas são enquadrados perante a Previdência Social na categoria de segurados contribuintes individuais.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2401-001.942
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar
provimento ao recurso.
Nome do relator: KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
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ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/08/2003 a 31/12/2006 COOPERATIVAS. EQUIPARAÇÃO ÀS EMPRESAS EM GERAL. Nos termos da Lei de Custeio da Seguridade Social, as cooperativas são equiparadas às empresas em geral em relação aos segurados que lhes prestam serviços. COOPERATIVAS. PAGAMENTO POR SERVIÇO PRESTADO POR CONTRIBUINTE INDIVIDUAL. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. RESPONSABILIDADE. É de responsabilidade da cooperativa o recolhimento da contribuição previdenciária incidente sobre os pagamentos efetuados aos contribuintes individuais que lhe prestarem serviço. INTEGRANTES DO CONSELHO FISCAL E CONSELHO ADMINISTRATIVO DAS COOPERATIVAS. ENQUADRAMENTO PREVIDENCIÁRIO COMO CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS. Os membros de Conselhos Fiscal e Administrativo das cooperativas são enquadrados perante a Previdência Social na categoria de segurados contribuintes individuais. Recurso Voluntário Negado
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EQUIPARAÇÃO ÀS EMPRESAS EM GERAL. Nos termos da Lei de Custeio da Seguridade Social, as cooperativas são equiparadas às empresas em geral em relação aos segurados que lhes prestam serviços. COOPERATIVAS. PAGAMENTO POR SERVIÇO PRESTADO POR CONTRIBUINTE INDIVIDUAL. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. RESPONSABILIDADE. É de responsabilidade da cooperativa o recolhimento da contribuição previdenciária incidente sobre os pagamentos efetuados aos contribuintes individuais que lhe prestarem serviço. INTEGRANTES DO CONSELHO FISCAL E CONSELHO ADMINISTRATIVO DAS COOPERATIVAS. ENQUADRAMENTO PREVIDENCIÁRIO COMO CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS. Os membros de Conselhos Fiscal e Administrativo das cooperativas são enquadrados perante a Previdência Social na categoria de segurados contribuintes individuais. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Elias Sampaio Freire Presidente Fl. 348DF CARF MF Emitido em 15/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/08/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Assinado digitalmente em 03/08/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, 15/08/2011 por ELIAS SAMPAIO FREI RE 2 Kleber Ferreira de Araújo Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Walter Murilo Melo de Andrade e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 349DF CARF MF Emitido em 15/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/08/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Assinado digitalmente em 03/08/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, 15/08/2011 por ELIAS SAMPAIO FREI RE Processo nº 12269.004136/200892 Acórdão n.º 240101.942 S2C4T1 Fl. 264 3 Relatório O lançamento Originalmente foi lavrado contra a contribuinte acima identificado o Auto de Infração AI n.º 37.124.2010, cujo valor consolidado em 18/08/2008, assumiu o montante de R$ 6.367.405,63 (seis milhões, trezentos e sessenta e sete mil e quatrocentos e cinco reais e sessenta e três centavos). Diante da impugnação parcial da lavratura, o crédito foi desmembrado, dando origem na parte impugnada ao Auto de Infração n° 37.199.2958, no valor de R$ 6.275.465,70 (seis milhões duzentos e setenta e cinco mil quatrocentos e sessenta e cinco reais e setenta centavos), mantendose a data de consolidação. O crédito em discussão contempla as contribuições da empresa para a Seguridade Social incidentes sobre remuneração paga a contribuintes individuais. De acordo com o Relatório Fiscal, fls. 159/162, os fatos geradores considerados no lançamento foram segregados por levantamentos (itens de apuração), conforme a seguir: a) CF valores pagos aos membros do Conselho Fiscal, como retribuição pelo trabalho prestado, quando do comparecimento às reuniões; b) DIR valores pagos aos membros do Conselho de Administração; c) GM valores pagos aos assessores e auditores médicos, como retribuição pelo trabalho de auditoria médica, cujas atribuições são, dentre outras: autorizar internações, exames, revisar prontuários e honorários médicos e revisar contratos de futuros clientes; d) PLN valores pagos a médicos cooperados pelos serviços prestados como plantonistas, nos Pronto Atendimentos da própria Cooperativa; e) PAL valores pagos a cooperados pela realização de palestras. Acrescenta o Fisco todas as contas contábeis de onde foram retirados os valores utilizados na apuração e que os mesmos não foram declarados na Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social – GFIP. A impugnação Cientificada da lavratura em 25/08/2008, fl. 34, a empresa ofertou impugnação, fls. 168/181, na qual, em apertada síntese, alegou que: a) os plantonistas, auditores, assessores, palestrantes e conselheiros são necessariamente médicos cooperados, nesse sentido, não teria a autuada obrigação de recolher as contribuições sobre os valores pagos pelos serviços prestados nas citadas funções; Fl. 350DF CARF MF Emitido em 15/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/08/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Assinado digitalmente em 03/08/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, 15/08/2011 por ELIAS SAMPAIO FREI RE 4 b) a justificativa da alegação do item anterior é o fato de que, nos termos do inciso IV do art. 22 da Lei n.º 8.212/1991, as contribuições sociais devidas pelas cooperativas em razão dos valores pagos aos seus cooperados é repassada ao tomador dos serviços; c) no serviço prestado por intermédio de cooperativa de trabalho, o destinatário do pagamento é o cooperado que prestou o serviço e não a cooperativa; d) esqueceuse o Fisco que os valores que deram ensejo ao lançamento são repassados aos usuários do plano de saúde; e) os tribunais pátrios têm reconhecido que sobre os valores pagos pelas cooperativas a seus cooperados não há incidência de contribuições previdenciárias, uma vez que tal encargo já é suportado pelos contratantes dos serviços; f) analisandose as características dos plantonistas, auditores/assessores, conselheiros e palestrantes, especialmente pelo fato dos mesmos não serem contratados pela Unimed Porto Alegre em regime trabalhista, mas efetivamente serem médicos cooperados, concluise que os mesmos não podem ser tidos como contribuintes individuais. Ao final, requereu a concessão do prazo de trinta (30) dias para a juntada de levantamento do faturamento da UNIMED Porto Alegre, de forma a demonstrar a preponderância da prestação de serviço tomada por empresas. A decisão de primeira instância A Delegacia da Receita Federal de Brasil de Julgamento DRJ em Porto Alegre (RS) declarou, fls. 218/223, manteve integralmente o crédito, em acórdão assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/08/2003 a 31/12/2006 AI n" 37.199.2958 CONTRIBUINTE INDIVIDUAL. As cooperativas são equiparadas ã empresa para fins de aplicação da legislação de custeio da Previdência Social, estando obrigadas ao recolhimento de contribuições patronais incidentes sobre as remunerações pagas/creditadas a contribuintes individuais no decorrer do mês. PRAZO. É vedada a prorrogação de prazo para a produção de provas quando não configurada as exceções legais. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Após ciência da decisão acima, a empresa apresentou, fls. 235/236, petição requerendo a juntada aos autos de documento, no qual apresenta o perfil de faturamento da cooperativa, cuja função seria demonstrar que, no período de 2003 a 2006, prestou serviços preponderantemente a empresas. Fl. 351DF CARF MF Emitido em 15/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/08/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Assinado digitalmente em 03/08/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, 15/08/2011 por ELIAS SAMPAIO FREI RE Processo nº 12269.004136/200892 Acórdão n.º 240101.942 S2C4T1 Fl. 265 5 O recurso Inconformado com a decisão da DRJ, a empresa interpôs recurso voluntário, fls. 244/256, no qual, após fazer retrospectiva dos fatos processuais, alegou em síntese apertada que: a) os médicos plantonistas, da mesma forma como os demais cooperados, prestam serviços aos usuários do plano de saúde, não se justificando o tratamento tributário diferenciado; b) a contribuição previdenciária sobre a remuneração paga a esses médicos plantonistas regese pelo inciso IV do art. 22 da Lei n.º 8.212/1991, tendo a responsabilidade pelo seu recolhimento pertencente ao tomador dos serviços da cooperativa; c) da mesma forma, os médicos que atuam na função de auditores e peritos, prestam serviços aos usuários do plano, não sendo devidas as contribuições lançadas; d) os membros do Conselho Fiscal não podem ser enquadrados como segurados contribuintes individuais por falta de previsão legal. Esses não podem ser abarcados pela alínea “f” do art. 12 da Lei n.º 8.212/1991, posto que não exercem função administrativa, mas apenas de fiscalização; e) o Decreto n. 3.048/99, art. 9.º, § 15, V, enquadra na categoria de contribuinte individual apenas os Conselheiros Fiscais das sociedades anônimas, nada referindo em relação à categoria de conselheiros nas cooperativas; f) para os membros do Conselho de Administração, que também não são considerados Diretores da Cooperativa, aplicase o mesmo raciocínio do item anterior. g) deve ser determinada a readequação da multa aplicada, por força dos novos percentuais ditados pela Lei n.º 11.941/2009. Ao final pede o provimento do recurso, para que se reconheça a improcedência do AI. É o relatório. Fl. 352DF CARF MF Emitido em 15/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/08/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Assinado digitalmente em 03/08/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, 15/08/2011 por ELIAS SAMPAIO FREI RE 6 Voto Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo, Relator Admissibilidade O recurso merece conhecimento, posto que preenche os requisitos de tempestividade e legitimidade. Enquadramento previdenciário Invertendo a ordem das questões apresentadas no recurso, inicio o meu voto pela análise do enquadramento previdenciário das pessoas físicas que o Fisco entendeu serem segurados contribuintes individuais. Fazendo uma breve recapitulação, no lançamento foram contemplados na condição de contribuintes individuais às pessoas físicas que atuaram na condição de plantonistas nas unidades de pronto atendimento da recorrente, aqueles que autuaram como auditores e assessores, os que ministraram palestras, além dos integrantes do Conselho Fiscal e Conselho de Administração. Para os plantonistas, os auditores, os assessores e os palestrantes, a UNIMED não questionou a sua condição de contribuintes individuais, apenas manifestando o seu inconformismo quanto aos integrantes dos Conselhos Fiscal e de Administração. Vejamos o que dispõe a legislação sobre o tema. O art. 12 da Lei n.º 8.212/1991, que prevê o enquadramento previdenciário para as várias categorias de trabalhadores, no seu inciso V, dispõe sobre o que se entende por contribuinte individual: Art. 12. São segurados obrigatórios da Previdência Social as seguintes pessoas físicas: (...) V como contribuinte individual: a) a pessoa física, proprietária ou não, que explora atividade agropecuária ou pesqueira, em caráter permanente ou temporário, diretamente ou por intermédio de prepostos e com auxílio de empregados, utilizados a qualquer título, ainda que de forma não contínua; b) a pessoa física, proprietária ou não, que explora atividade de extração mineral garimpo, em caráter permanente ou temporário, diretamente ou por intermédio de prepostos, com ou sem o auxílio de empregados, utilizados a qualquer título, ainda que de forma não contínua; c) o ministro de confissão religiosa e o membro de instituto de vida consagrada, de congregação ou de ordem religiosa; d) revogada; Fl. 353DF CARF MF Emitido em 15/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/08/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Assinado digitalmente em 03/08/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, 15/08/2011 por ELIAS SAMPAIO FREI RE Processo nº 12269.004136/200892 Acórdão n.º 240101.942 S2C4T1 Fl. 266 7 e) o brasileiro civil que trabalha no exterior para organismo oficial internacional do qual o Brasil é membro efetivo, ainda que lá domiciliado e contratado, salvo quando coberto por regime próprio de previdência social; f) o titular de firma individual urbana ou rural, o diretor não empregado e o membro de conselho de administração de sociedade anônima, o sócio solidário, o sócio de indústria, o sócio gerente e o sócio cotista que recebam remuneração decorrente de seu trabalho em empresa urbana ou rural, e o associado eleito para cargo de direção em cooperativa, associação ou entidade de qualquer natureza ou finalidade, bem como o síndico ou administrador eleito para exercer atividade de direção condominial, desde que recebam remuneração; g) quem presta serviço de natureza urbana ou rural, em caráter eventual, a uma ou mais empresas, sem relação de emprego; h) a pessoa física que exerce, por conta própria, atividade econômica de natureza urbana, com fins lucrativos ou não; Os membros do Conselho Fiscal, de fato não são considerados como integrantes de cargo de direção da Cooperativa, o seu trabalho diz respeito à fiscalização da administração da entidade, conforme dispõe o art. 46 do seu Estatuto. Os seus conselheiros, conforme afirmação do Relatório Fiscal, não contestada pela autuada, eram remuneradas pela participação em cada reunião. Diante disso, verificase que essas pessoas, não sendo empregados, e prestando serviço para a Cooperativa de forma eventual, ou seja, somente quando das reuniões do Conselho, são, conforme previsão constante da alínea “g” do inciso V do art. 12 da Lei n.º 8.212/1991, para efeito de enquadramento previdenciário, considerados contribuintes individuais. O fato de constar no Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n.º 3.048/1999, no inciso do § 15 do art. 9.º a disposição de que os membros de conselho fiscal de sociedades por ações são considerados contribuintes individuais não exclui esse mesmo enquadramento para aqueles que ocupam cargo análogo nas cooperativas. É que o rol citado no § 15 é meramente exemplificativo, como se vê da redação: Art.9º São segurados obrigatórios da previdência social as seguintes pessoas físicas: (...) V como contribuinte individual: (...) j) quem presta serviço de natureza urbana ou rural, em caráter eventual, a uma ou mais empresas, sem relação de emprego; l)a pessoa física que exerce, por conta própria, atividade econômica de natureza urbana, com fins lucrativos ou não; (...) Fl. 354DF CARF MF Emitido em 15/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/08/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Assinado digitalmente em 03/08/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, 15/08/2011 por ELIAS SAMPAIO FREI RE 8 §15.Enquadramse nas situações previstas nas alíneas "j" e "l" do inciso V do caput, entre outros: (...) V o membro de conselho fiscal de sociedade por ações; (...)(grifei) Portanto, tendose em conta que a lista apresentada no transcrito § 15 não exaure todas as hipóteses de enquadramento de pessoa física como contribuinte individual, não há de se entender que o seu inciso V excluiria dessa condição o membro de conselho fiscal de cooperativa. Pelo contrário, sendo os cargos similares, ao se entender que conselheiro de S.A. é contribuinte individual, o mesmo enquadramento deverá ser dado para correspondente função exercida em cooperativa. Quanto aos membros do Conselho de Administração, a questão é mais simples. Nos termos do art.37 do Estatuto da UNIMED Porto Alegre, é esse órgão que tem a função de administrar a Cooperativa. Vale a pena transcrever essa norma estatutária: Art. 37 A Cooperativa será administrada por um Conselho de Administração composto de quinze sócios com títulos de conselheiros, dos quais um terço será anualmente eleito pela Assembléia Geral, para um mandato de três anos, sendo obrigatoriamente, ao término de cada período, renovado de, no mínimo, um terço de seus componentes com mandato vencido. Dúvida não há de que esses conselheiros exercem função diretiva na entidade, devendo nos termos da alínea “f” do inciso V do art. 12 da Lei n.º 8.212/1991 receberem o enquadramento de contribuintes individuais. Eis que esse dispositivo, já transcrito, trata nessa categoria previdenciária “...e o associado eleito para cargo de direção em cooperativa...”. Assim, não devo acatar a tese recursal de que os membros dos Conselhos Fiscal e de Administração da Cooperativa não poderiam ser enquadrados como contribuintes individuais por falta de previsão legal. Incidência de contribuições sobre os valores pagos pela Cooperativa Um primeiro aspecto a ser considerado é que as cooperativas são equiparadas às empresas em geral, nos termos do parágrafo único do art. 15 da Lei n.º 8.212/1991: Art. 15. Considerase: I empresa a firma individual ou sociedade que assume o risco de atividade econômica urbana ou rural, com fins lucrativos ou não, bem como os órgãos e entidades da administração pública direta, indireta e fundacional; (...) Parágrafo único. Equiparase a empresa, para os efeitos desta Lei, o contribuinte individual em relação a segurado que lhe presta serviço, bem como a cooperativa, a associação ou entidade de qualquer natureza ou finalidade, a missão diplomática e a repartição consular de carreira estrangeiras. Fl. 355DF CARF MF Emitido em 15/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/08/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Assinado digitalmente em 03/08/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, 15/08/2011 por ELIAS SAMPAIO FREI RE Processo nº 12269.004136/200892 Acórdão n.º 240101.942 S2C4T1 Fl. 267 9 Tendo concluído que os membros dos Conselhos Fiscal e Administrativo são enquadrados como segurados contribuintes individuais e que prestaram serviço à recorrente, não há dificuldade em concluir pela incidência de contribuições previdenciárias sobre os valores que lhes foram pagos por esse labor. É essa a inteligência do art. 22, III, da Lei n.º 8.212/1991: Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: (...) III vinte por cento sobre o total das remunerações pagas ou creditadas a qualquer título, no decorrer do mês, aos segurados contribuintes individuais que lhe prestem serviços; (...) O mesmo dispositivo pode ser aplicado às pessoas físicas que receberam remuneração da Cooperativa para ministrarem palestras (levantamento PAL). Vale ressaltar que no recurso a empresa não se contrapõe à tributação desses valores. O inconformismo da recorrente recaiu, no que diz respeito à norma de incidência a ser aplicada sobre os valores pagos por serviço de auditoria, de perícia e de plantão médico. Sobre as remunerações por essas atividades, alega a Cooperativa que os serviços são dirigidos aos usuários do plano, majoritariamente empresas, e que essas é quem deveriam suportar o encargo previdenciário, nos termos do que dispõe o art. 22, IV, da Lei n.º 8.212/1991, verbis: Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: (...) IV quinze por cento sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, relativamente a serviços que lhe são prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho. (...) Ao fazer considerações acerca da remuneração paga às pessoas físicas que tratadas como plantonistas, auditores e assessores, o Fisco assim se pronunciou: A remuneração dos médicos plantonistas é paga através de uma parcela fixa (em função da quantidade de horas disponível no prontoatendimento) e de uma parcela variável (em função dos procedimentos efetivamente realizados), conforme dispõe o art. 34 do Regimento Interno das Unidades de Pronto Atendimento. A remuneração dos auditores e assessores médicos é fixa, em função da carga horária contratada, aprovada por Assembleia Geral Extraordinária, conforme copia da Ata da AGE de 26/04/2006 e anexos da Ordem do Dia Fls. 39 a 42. Fl. 356DF CARF MF Emitido em 15/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/08/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Assinado digitalmente em 03/08/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, 15/08/2011 por ELIAS SAMPAIO FREI RE 10 A remuneração dos auditores e assessores (chamados pela recorrente de peritos), de acordo com a tabela constante a fl. 46 do anexo único, é efetuada em valor fixo e decorre das atividades de autorizar internações, exames, revisar prontuários e honorários médicos, revisar contratos de futuros clientes, etc. Embora as atividades citadas sejam realizadas para viabilizar a consecução dos objetivos estatutários da entidade, que resumidamente consistem na prestação de serviços médicos, entendo que as atividades desses profissionais podem ser consideradas como prestadas aos destinatários do plano de saúde apenas de forma mediata. Eu me atreveria a dizer que são “atividades meio” que, para fins de incidência de contribuições previdenciárias devem ser tidas como serviços prestados à Cooperativa, de modo que concluo, quanto a essas remunerações, pela procedência do lançamento. Restame a análise dos pagamentos efetuados aos médicos plantonistas, que atuaram nas unidades de pronto atendimento. Vejamos o que diz o Regimento Interno das Unidades de Pronto Atendimento PAs, fls. 50/65 do anexo único: Art. 7° Participarão do PA, como prestadores de serviços médicos cooperativados, os associados da UNIPOA que preencherem as condições previstas neste Regimento e expressamente concordarem com o seu teor, bem como das normas dele derivadas, não registrando condenações cíveis penais incompatíveis com o exercício profissional em PAs. Verificase do texto transcrito que para prestar serviço na função de plantonista o médico teria que ser necessariamente associado à UNIMED. É com base nessa estipulação que a recorrente alega estarem as contribuições decorrentes dos pagamentos por essa atividade abrangidas pelo inciso IV do art. 22 da Lei n.º 8.212/1991, uma vez que os serviços seriam destinados não a cooperativa, mas aos seus contratantes, na maioria pessoas jurídicas. Para verificação dessa alegação, devo transcrever uma das regras relativas ao funcionamento dos plantões. Falo do art. 23 do citado Regimento Interno: Art 23 É obrigação do cooperativado plantonista atender todo e qualquer paciente que procurar os serviços do PA, esforçando se, nos limites de segurança para com a integridade do paciente, na resolução do atendimento no local, sem outros encaminhamentos. Pois bem, diante dessa determinação do Regimento das PAs, cai por terra a alegação da recorrente de que os serviços eram prestados não às cooperativas, mas as empresas contratantes, o que levaria o fato gerador à incidência da norma do art. 22, IV, da Lei n.º 8.212/1991. Nos plantões poderia o médico até atender a usuários decorrentes de contratos firmados entre a UNIMED e pessoas jurídicas, mas não devo acolher a tese de que os médicos atuavam apenas visando a atender a esses contratos. Nos termos do inciso II do “caput” do art. 333 do Código de Processo Civil, utilizado subsidiariamente no processo administrativo tributário, o ônus da prova recai sobre o réu, quando o fato alegado visa extinguir o direito do autor. Eis o preceptivo mencionado: Art.333.O ônus da prova incumbe: Fl. 357DF CARF MF Emitido em 15/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/08/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Assinado digitalmente em 03/08/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, 15/08/2011 por ELIAS SAMPAIO FREI RE Processo nº 12269.004136/200892 Acórdão n.º 240101.942 S2C4T1 Fl. 268 11 I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. (...) Esse dispositivo amoldase por inteiro a situação sob enfoque. Poderia o sujeito passivo para comprovar suas alegações, ter acostado o discriminativo dos serviços prestados indicando os atendimentos a conveniados empresas, a conveniados pessoas físicas e a não conveniados, de modo fazer valer as suas alegações. Verificase dos autos que a remuneração dos plantonistas era composta de parcela fixa e parte variável, essa em função dos atendimentos realizados. Não tenho dúvida, então, de que sobre a remuneração fixa não há o que se falar que decorreu de serviço prestado a contratantes pessoas jurídicas, haja vista que era paga independentemente de qualquer atendimento. Quanto à parcela variável a alegação da recorrente tem plausibilidade, todavia, para que fosse considerada deveria vir acompanhada das provas necessárias a segregar os atendimentos por tipo de destinatário. E essa era exatamente a exigência para as cooperativas de trabalho prevista na IN SRP n.º 03/2005: Art. 288. As cooperativas de trabalho e de produção são equiparadas às empresas em geral, ficando sujeitas ao cumprimento das obrigações acessórias previstas no art. 60 e às obrigações principais previstas nos arts. 86 e 92, todos desta IN, em relação: (...) § 3º A cooperativa de trabalho deverá elaborar folhas de pagamento nominais mensais, separando as retribuições efetuadas a seus associados decorrentes de serviços prestados às pessoas jurídicas e as decorrentes de serviços prestados às pessoas físicas, bem como efetuar os respectivos lançamentos contábeis em contas próprias. A mera observância dessa exigência da legislação seria suficiente para comprovar as alegações da recorrente, quanto à exclusão do lançamento dos serviços que teriam sido prestados nas PAs a pessoas jurídicas. Quanto ao documento de fl. 236, que apresenta o perfil do faturamento anual da Cooperativa para o período de 2003 a 2006, entendo que o mesmo não traz os dados necessários a comprovar o que pretende a recorrente. Isso porque menciona apenas a receita geral do plano de saúde, não se reportando especificamente aos fatos geradores constantes do presente lançamento. Fl. 358DF CARF MF Emitido em 15/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/08/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Assinado digitalmente em 03/08/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, 15/08/2011 por ELIAS SAMPAIO FREI RE 12 Conclusão Diante do exposto, voto pelo conhecimento do recurso, com negativa de provimento. Kleber Ferreira de Araújo Fl. 359DF CARF MF Emitido em 15/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/08/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Assinado digitalmente em 03/08/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, 15/08/2011 por ELIAS SAMPAIO FREI RE
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Numero do processo: 13052.000068/2005-48
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 29 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Mar 29 00:00:00 UTC 2011
Ementa: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES
Ano-calendário: 2005
SÓCIO PESSOA JURÍDICA PARTICIPANTE DO CAPITAL SOCIAL DA EMPRESA. VEDAÇÃO AO SIMPLES. REINCLUSÃO.
A participação de outra pessoa jurídica como sócia da empresa optante é causa impeditiva à opção pelo Simples. Ocorrida a situação impeditiva em 01/01/2005, a inclusão ao Simples somente poderia ocorrer a partir de 01/01/2006, quando cessada a causa da vedação e desde que presentes todas as demais condições para a opção.
Numero da decisão: 1202-000.504
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Matéria: Simples- proc. que não versem s/exigências cred.tributario
Nome do relator: Carlos Alberto Donassolo
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ementa_s : SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Ano-calendário: 2005 SÓCIO PESSOA JURÍDICA PARTICIPANTE DO CAPITAL SOCIAL DA EMPRESA. VEDAÇÃO AO SIMPLES. REINCLUSÃO. A participação de outra pessoa jurídica como sócia da empresa optante é causa impeditiva à opção pelo Simples. Ocorrida a situação impeditiva em 01/01/2005, a inclusão ao Simples somente poderia ocorrer a partir de 01/01/2006, quando cessada a causa da vedação e desde que presentes todas as demais condições para a opção.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1536; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C2T2 Fl. 127 1 126 S1C2T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13052.000068/200548 Recurso nº 143.960 Voluntário Acórdão nº 120200.504 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 29 de março de 2011 Matéria SIMPLES INCLUSÃO Recorrente FUNDIÇÃO CONCÓRDIA IND E COM LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2005 SÓCIO PESSOA JURÍDICA PARTICIPANTE DO CAPITAL SOCIAL DA EMPRESA. VEDAÇÃO AO SIMPLES. REINCLUSÃO. A participação de outra pessoa jurídica como sócia da empresa optante é causa impeditiva à opção pelo Simples. Ocorrida a situação impeditiva em 01/01/2005, a inclusão ao Simples somente poderia ocorrer a partir de 01/01/2006, quando cessada a causa da vedação e desde que presentes todas as demais condições para a opção. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) Nelson Lósso Filho Presidente. (documento assinado digitalmente) Carlos Alberto Donassolo Relator. Fl. 127DF CARF MF Emitido em 02/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/04/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Assinado digitalmente em 26/04/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, 27/04/2011 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 13052.000068/200548 Acórdão n.º 120200.504 S1C2T2 Fl. 128 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Nelson Lósso Filho, Carlos Alberto Donassolo, Valéria Cabral Géo Verçoza, Nereida de Miranda Finamore Horta João Bellini Júnior e Sérgio Luiz Bezerra Presta. Relatório O presente processo trata do exame do pedido de inclusão no Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte — Simples. Em sua petição inicial, datada de 05/04/2005, fls. 01, a interessada menciona que a sua opção pelo Simples foi vedada devido à existência, em 01/01/2005, de participação de outra pessoa jurídica em seu capital social. Alega que a participação societária mencionada deixou de existir em 03/01/2005, face a alteração efetuada em seu contrato social com essa mesma data, onde foi excluída a pessoa jurídica do seu quadro de sócios, sendo que a alteração foi levada a registro na Junta Comercial – JUCERGS, em 28/01/2005, fls. 02 a 06. O extrato da fl. 15, emitido pelos sistemas de processamento da Receita Federal, contém o motivo da vedação da inclusão nos seguintes termos: “Opção pelo SIMPLES vedada: capital com participação de outra pessoa jurídica”. Junta cópias de DARFSimples de recolhimentos dos períodos de apuração de janeiro e fevereiro de 2005, fls. 10. A solicitação da interessada foi indeferida, conforme Parecer DRF/SCS/SACAT n° 001/2007, fls. 51 a 58, sob o fundamento de que, em 01/01/2005, a interessada não atendia aos requisitos de admissibilidade de opção pelo Simples, devido à participação societária de outra pessoa jurídica em seu capital social, incidindo a vedação contida no inciso X, do art. 9° da Lei n° 9.317, de 05 de dezembro de 1996. Irresignada, a interessada apresentou sua manifestação de inconformidade, de fls. 63 a 68, argumentando, em síntese, que a sua sócia pessoa jurídica retirouse, efetivamente, da sociedade, em 03/01/2005, deixando de existir a situação impeditiva para inclusão na sistemática do SIMPLES. Assim, deveria ser acolhida a pretendida inclusão, e surtir os seus efeitos, para todo o anocalendário de 2005. Entende, ainda, que como a opção era válida já a partir de 2005, desnecessária a formulação de novo pedido de opção para o ano de 2006, porque pendente de decisão o pedido administrativo. A manifestação de inconformidade foi apreciada pela DRJ/Santa Maria, mantendo a vedação da inclusão no SIMPLES sob o fundamento de que ficou caracterizada a participação societária de sócio pessoa jurídica, em 01/01/2005, não podendo os efeitos da exclusão retroagir para antes da data de assinatura da alteração contratual, ocorrida em 03/01/2005. Sendo essa uma causa impeditiva de opção pelo Simples a contribuinte não teria o direito de ser incluída na sistemática do Simples no ano de 2005, conforme expresso no voto vencedor do Acórdão nº 189.554, de fls. 90 a 96, assim ementado: “OPÇÃO. SÓCIO PESSOA JURÍDICA. PRAZO. Fl. 128DF CARF MF Emitido em 02/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/04/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Assinado digitalmente em 26/04/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, 27/04/2011 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 13052.000068/200548 Acórdão n.º 120200.504 S1C2T2 Fl. 129 3 É vedada a opção pelo Simples pela pessoa jurídica que tenha tido como sócia outra pessoa jurídica no curso do ano calendário da opção. Solicitação Indeferida” Não satisfeita com a decisão, a contribuinte apresentou seu recurso voluntário a este colegiado, mediante arrazoado, de fls. 100 a 104, repisando praticamente os mesmos argumentos apresentados na manifestação de inconformidade. Adicionalmente, alega que o ano de 2005 se iniciou, em termos de dias úteis, apenas em 03/01/2005, uma segundafeira, quando já não mais havia aquele impedimento, o que significaria que a consideração do ano calendário, desde 01/01/2005, é um aspecto meramente formal. É o relatório. Voto Conselheiro Carlos Alberto Donassolo, Relator. O recurso é tempestivo e nos termos da lei. Dele tomo conhecimento. O ponto central abordado neste processo diz respeito à interpretação do inciso X do art. 9º da Lei nº 9.317, de 1996, que veda às pessoas jurídicas a opção pelo Simples quando em seu capital social houver participação, como sócio, de outra pessoa jurídica. Alega a recorrente que não seria razoável admitirse a vedação da inclusão em todo o ano de 2005, unicamente pelo fato da participação no seu capital social, da outra pessoa jurídica, ter durado apenas 3 (três) dias ao longo do ano de 2005. Inicialmente, é necessário transcrever o dispositivo legal questionado. O artigo 9°, X, da Lei 9317, de 1996, assim dispõe: Art. 9°. Não poderá optar pelo SIMPLES, a pessoa jurídica: X de cujo capital participe, como sócio, outra pessoas jurídica; (destaquei) Conforme se depreende dos autos, a não aceitação da empresa na sistemática do Simples se deu porque, no início do ano da opção, em 01/01/2005, a empresa encontrava óbice legal para essa opção contido no art. 9º do dispositivo acima transcrito. A esse respeito, cabe esclarecer ao recorrente que ao julgador administrativo cabe, unicamente, aplicar a norma legal vigente à época dos fatos, em atendimento ao princípio da legalidade que rege a administração pública, consoante disposição contida no caput do art. 37 da Constituição Federal de 1988. No âmbito administrativo, não há espaço para a apreciação do juízo de valor da norma legal, situação que garante a igualdade jurídica entre os administrados. Em outras palavras, a aplicação dos exatos termos da lei deve ser rigorosamente obedecido pelas autoridades administrativas. Fl. 129DF CARF MF Emitido em 02/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/04/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Assinado digitalmente em 26/04/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, 27/04/2011 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 13052.000068/200548 Acórdão n.º 120200.504 S1C2T2 Fl. 130 4 Sobre o princípio da legalidade, assim se manifesta o renomado mestre Hely Lopes Meirelles em sua obra Direito Administrativo Brasileiro, Malheiros Editores, 28ª edição, 2003, pg. 86: “A legalidade, como princípio de administração (CF, art. 37, caput) significa que o administrador público está, em toda a sua atividade funcional, sujeito aos mandamentos da lei e às exigências do bem comum, e deles não se pode afastar ou desviar, sob pena de praticar ato inválido e exporse a responsabilidade disciplinar, civil e criminal, conforme o caso. [...] Na Administração Pública não há liberdade nem vontade pessoal. Enquanto na administração particular é lícito fazer tudo que a lei não proíbe, na Administração Pública só é permitido fazer o que a lei autoriza.” (destaquei) Conforme demonstra o contrato social constante dos autos, fls. 02 a 06, inconteste que, em 01/01/2005, a empresa Jantsch Participações Ltda. fazia parte do quadro societário da recorrente, o que faz incidir a vedação legal para opção pelo Simples. Com efeito, o § 2° do art. 8º da Lei nº 9.317, de 1996, abaixo transcrito, determinava que a opção exercida pelo Simples somente surtia efeitos a partir do primeiro dia do anocalendário subseqüente ao da opção: Art. 8° A opção pelo SIMPLES darseá mediante a inscrição da pessoa jurídica enquadrada na condição de microempresa ou empresa de pequeno porte no Cadastro Geral de Contribuintes do Ministério da Fazenda CGC/MF, quando o contribuinte prestará todas as informações necessárias, inclusive quanto: (...) § 1° As pessoas jurídicas já devidamente cadastradas no CGC/MF exercerão sua opção pelo SIMPLES mediante alteração cadastral. § 2° A opção exercida de conformidade com este artigo submeterá a pessoa jurídica à sistemática do SIMPLES a partir do primeiro dia do anocalendário subseqüente, sendo definitiva para todo o período. (destaquei) Tendo a opção sido formalizada em 10/02/2005, fls. 14/15, a utilização da sistemática de apuração dos impostos e contribuições federais pelo Simples, somente poderia ocorrer no anocalendário subseqüente, em 2006, sendo definitiva para todo o período. Assim, em 01/01/2005, por já se encontrar em situação impeditiva de opção, não poderia a interessada ter se utilizado, ao longo do anocalendário de 2005, da sistemática Fl. 130DF CARF MF Emitido em 02/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/04/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Assinado digitalmente em 26/04/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, 27/04/2011 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 13052.000068/200548 Acórdão n.º 120200.504 S1C2T2 Fl. 131 5 de apuração dos impostos e contribuições federais pelo Simples, como corretamente entendeu o acórdão recorrido. Por fim, em que pese a matéria não estar sendo discutida no presente litígio, registrese que, conforme abordado no voto vencedor do Acórdão DRJ/Santa Maria, e também neste voto, a vedação aqui tratada se refere somente ao ano de 2005 e não mais incide no ano de 2006, podendo a contribuinte ser incluída na sistemática do Simples a partir do primeiro dia do ano seguinte ao que se alterou a situação impeditiva, ou seja, a partir de 01/01/2006, face à clara intenção da interessada em se manter nessa sistemática, salvo a ocorrência de outra situação impeditiva prevista em lei e aqui não examinada. Em face do exposto, voto para que seja negado provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Carlos Alberto Donassolo Fl. 131DF CARF MF Emitido em 02/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/04/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Assinado digitalmente em 26/04/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, 27/04/2011 por NELSON LOSSO FILHO
score : 1.0
Numero do processo: 15374.000868/2004-71
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 12 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed May 11 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF
Exercício: 1999
IRPF RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOA JURÍDICA.
Dos elementos constantes dos autos, em especial a Ficha Financeira, não representa documento oficial capaz comprovar a efetividade do valor recebido pelo contribuinte no ano-calendário
de 1998.
DESPESAS COM INSTRUÇÃO.
Deve ser aceita declaração firmada por estabelecimento de ensino,
materialmente fidedigna, que comprove o pagamento de despesas com
instrução pagas pelo contribuinte.
Numero da decisão: 2201-001.134
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade dar parcial provimento ao recurso para restabelecer a título de despesa de instrução o valor de R$ 1.355,00.
Matéria: IRPF- auto de infração eletronico (exceto multa DIRPF)
Nome do relator: EDUARDO TADEU FARAH
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Dos elementos constantes dos autos, em especial a Ficha Financeira, não representa documento oficial capaz comprovar a efetividade do valor recebido pelo contribuinte no anocalendário de 1998. DESPESAS COM INSTRUÇÃO. Deve ser aceita declaração firmada por estabelecimento de ensino, materialmente fidedigna, que comprove o pagamento de despesas com instrução pagas pelo contribuinte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade dar parcial provimento ao recurso para restabelecer a título de despesa de instrução o valor de R$ 1.355,00. (Assinado Digitalmente) Francisco Assis de Oliveira Júnior Presidente. (Assinado Digitalmente) Eduardo Tadeu Farah Relator. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 16/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/05/2011 por EDUARDO TADEU FARAH Assinado digitalmente em 30/05/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU, 29/05/2011 por EDUARDO TADEU FARAH 2 Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Pedro Paulo Pereira Barbosa, Rayana Alves de Oliveira França, Eduardo Tadeu Farah, Rodrigo Santos Masset Lacombe, Gustavo Lian Haddad e Francisco Assis de Oliveira Júnior (Presidente). Relatório Contra o contribuinte acima identificado foi lavrado Auto de Infração (fls. 14/18), relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física, exercício 1999, no qual se apurou crédito tributário no valor total de R$ 1.262,60. A fiscalização, por meio de revisão da Declaração de Ajuste Anual, efetuou alteração nos rendimentos recebidos de pessoas jurídicas para R$ 23.812,80 e nos rendimentos isentos e nãotributáveis para R$ 0,00. Fundamentalmente, a autoridade revisora apurou que os rendimentos foram indevidamente considerados como isentos por moléstia grave, em face de doença não prevista em lei. Cientificado do lançamento, o autuado apresentou tempestivamente Impugnação, informando que discorda dos valores apurados pela autoridade fiscal, conforme cálculos apresentados à fl. 4. A 4ª Turma da DRJ – Juiz de Fora/MG julgou integralmente procedente o lançamento, consubstanciado nas ementas abaixo transcritas: RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS. VALORES CONSTANTES EM DIRF. Os elementos constantes dos autos, em especial a DIRF apresentada pela fonte pagadora à Receita Federal, indicam que os rendimentos percebidos pelo contribuinte eram tributáveis e que o dimensionamento consistiu em monta maior do que a admitida na impugnação, que deixou de trazer quaisquer elementos de prova em contrário. DEDUÇÕES. CONTRIBUIÇÃO À PREVIDÊNCIA OFICIAL, DEPENDENTES, DESPESAS COM INSTRUÇÃO E DESPESAS MÉDICAS. Poderseia entender como erro de fato a exclusão de valores de deduções em DERPF retificadora, uma vez que a pretensão para a formulação dessa reportavase à identificação dos rendimentos como isentos ou nãotributáveis; contudo para que fossem aqueles admitidos caberia a sua efetiva demonstração, mediante a apresentação dos pertinentes documentos. Lançamento Procedente Intimado da decisão de primeira instância, João Antônio Fragoso de Souza apresenta tempestivamente Recurso Voluntário, sustentando, essencialmente, verbis: Com relação ao processo 15374.000868/200471 informo que a declaração retificadora está incompleta e, envio cópia da declaração correta. Envio ainda Fichas Financeiras 1998 e Declaração do Colégio Duplar. É o relatório. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 16/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/05/2011 por EDUARDO TADEU FARAH Assinado digitalmente em 30/05/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU, 29/05/2011 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 15374.000868/200471 Acórdão n.º 220101.134 S2C2T1 Fl. 2 3 Voto Conselheiro EDUARDO TADEU FARAH, Relator O recurso é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Segundo se colhe dos autos, a controvérsia essencial, nesta segunda instância, cingese, basicamente, em saber qual é o montante dos rendimentos tributáveis efetivamente recebidos pelo recorrente, bem como quais são as deduções legalmente admitidas, de acordo com as provas carreadas aos autos. Desta feita, compulsandose a DIRF – Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte, fl. 27, verifico que o valor efetivamente recebido pelo recorrente representou, no anocalendário 1998, o montante de R$ 23.812,80, em que pese alegue o suplicante que o valor correto deveria ser de R$ 22.896,18, conforme informação carreada à fls. 35/36. Com efeito, a informação relativa à “Ficha Financeira 1998”, fl. 35/36, não constitui documento oficial capaz comprovar a efetividade do valor recebido do Ministério do Exército no anocalendário de 1998. Além do mais, para que houvesse alteração dos valores informados a título de rendimentos tributáveis, deveria o recorrente colacionar aos autos retificação do comprovante de rendimentos fornecidos pela fonte pagadora, bem como providenciar a correção da informação prestada à Receita Federal do Brasil. Por fim, de acordo com a declaração prestada pelo Colégio Subtenente Duplar Pires de Mello, fl. 37, devese restabelecer a despesa de instrução com a dependente, Jaqueline Araújo de Souza, no valor de R$ 1.355,00. Ante ao exposto, voto por DAR parcial provimento ao recurso para considerar como despesa de instrução o valor de R$ 1.355,00. (Assinado Digitalmente) Eduardo Tadeu Farah Fl. 3DF CARF MF Emitido em 16/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/05/2011 por EDUARDO TADEU FARAH Assinado digitalmente em 30/05/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU, 29/05/2011 por EDUARDO TADEU FARAH 4 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA CÂMARA DA SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº: 15374.000868/200471 Recurso nº: 164.274 TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no § 3º do art. 81 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovados pela Portaria Ministerial nº 256, de 22 de junho de 2009, intimese o (a) Senhor (a) Procurador (a) Representante da Fazenda Nacional, credenciado junto a Segunda Câmara da Segunda Seção, a tomar ciência do Acórdão nº 220101.137. Brasília/DF, 12 de maio de 2011 ______________________________________ FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JUNIOR Presidente da Segunda Câmara / Segunda Seção Ciente, com a observação abaixo: (......) Apenas com ciência (......) Com Recurso Especial (......) Com Embargos de Declaração Data da ciência: _______/_______/_________ Procurador(a) da Fazenda Nacional Fl. 4DF CARF MF Emitido em 16/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/05/2011 por EDUARDO TADEU FARAH Assinado digitalmente em 30/05/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU, 29/05/2011 por EDUARDO TADEU FARAH
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Numero do processo: 10680.005642/2008-11
Turma: Terceira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 24 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed May 25 00:00:00 UTC 2011
Ementa: SIMPLES NACIONAL
Ano-calendário:2008
INÍCIO DE ATIVIDADE ECONÔMICA. PRAZO PARA OPÇÃO PELO REGIME DO SIMPLES NACIONAL. DILAÇÃO DO PRAZO POR NORMA POSTERIOR. IRRETROATIVIDADE.
No caso de início de atividade econômica o prazo de 10 (dez) dias para a opção pelo regime do Simples Nacional conta-se da data em que ocorreu o deferimento da última inscrição cadastral junto aos entes federativos.
A Resolução CGSN nº 41, de 1º de setembro de 2008, dilatou o prazo de opção, porém, somente para os atos praticados a partir do ano subseqüente à sua edição.
Numero da decisão: 1103-000.452
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR
provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Matéria: Simples- proc. que não versem s/exigências cred.tributario
Nome do relator: JOSE SERGIO GOMES
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PRAZO PARA OPÇÃO PELO REGIME DO SIMPLES NACIONAL. DILAÇÃO DO PRAZO POR NORMA POSTERIOR. IRRETROATIVIDADE. No caso de início de atividade econômica o prazo de 10 (dez) dias para a opção pelo regime do Simples Nacional contase da data em que ocorreu o deferimento da última inscrição cadastral junto aos entes federativos. A Resolução CGSN nº 41, de 1º de setembro de 2008, dilatou o prazo de opção, porém, somente para os atos praticados a partir do ano subseqüente à sua edição. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. documento assinado digitalmente ALOYSIO JOSÉ PERCÍNIO DA SILVA Presidente. documento assinado digitalmente JOSÉ SÉRGIO GOMES Relator. Participaram da Sessão de julgamento os Conselheiros Aloysio José Percínio da Silva (Presidente), Hugo Correia Sotero (VicePresidente), José Sérgio Gomes (Relator), Eric Moraes de Castro e Silva, Mário Sérgio Fernandes Barroso e Marcos Shigueo Takata. Fl. 41DF CARF MF Emitido em 28/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/06/2011 por JOSE SERGIO GOMES Assinado digitalmente em 01/06/2011 por JOSE SERGIO GOMES, 14/06/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA S ILVA Processo nº 10680.005642/200811 Acórdão n.º 110300.452 S1C1T3 Fl. 35 2 Relatório Em foco recurso voluntário visando a reforma da decisão da 4ª Turma de Julgamento da DRJ em Belo HorizonteMG, a qual negou o pedido da contribuinte de revisão do ato de indeferimento de sua inclusão no Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições devidos pelas Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (Simples Nacional), ultimado em 13 de abril de 2009 pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Belo HorizonteMG ao pressuposto de que a contribuinte não formalizou a opção dentro do prazo de 10 (dez) dias contados dos deferimentos das inscrições nos entes federativos, consignando, mais, ser incabível contar referido prazo a partir do registro do primeiro empregado, apontado como ocorrido em 02/05/2008. Em suas razões perante a Turma Recorrida, fls. 14/15, a contribuinte argüiu que de fato não funcionou até o dia 05/05/2008 porque não tinha conhecimento de sua Inscrição Estadual, que somente foi emitida em 06/05/2008, e também não possuía o Alvará de Licença e Funcionamento da Prefeitura Municipal, o que a levou a admitir o seu primeiro empregado em 02/05/2008 para começar a por o estabelecimento em condições de ser inaugurado tão logo tivesse condições legais para a sua abertura. Assim, como seu pedido de opção se deu em 12/05/2008 concluiu que a legislação fora atendida, de sorte que faz jus à sua inclusão no Simples Nacional no anocalendário de 2008. O inconformismo foi admitido e analisado pela douta 4ª Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belo HorizonteMG a qual entendeu, por unanimidade de votos, que o termo de início de contagem do prazo é a data do último deferimento de inscrição, não havendo previsão para que este seja o início de funcionamento ou a primeira contratação ou a primeira venda ou outro evento qualquer e que o Comprovante de Inscrição Estadual anexado pela própria contribuinte define a data da inscrição em 15/04/2008, de forma que ela teve até o dia 25/04/2008 para fazer a opção pelo Simples Nacional. Ciente do decisório em 30 de outubro de 2009, fl. 26v., a contribuinte apresentou em 30 do mês seguinte o recurso de fls. 27/28 argumentando que embora conste na ficha de Inscrição Estadual o seu deferimento em 15/04/2008 ela somente foi disponibilizada na internet em 06/05/2.009 (sic) e esta data é que deve ser considerada como termo inicial do prazo de opção porque até então não tinha a Recorrente conhecimento da sua existência, sendo que acompanhava diariamente na internet e sempre aparecia a mensagem em processamento, daí a razão do estabelecimento ter ficado fechado durante todo o mês de abril. Ainda, que é do conhecimento público que no início do Cadastro Nacional de Informações Fiscais ocorreram inúmeras dificuldades de informação que a todos perturbou, autoridades, contribuintes e contabilistas. Registra que o próprio Comitê Gestor, verificando as dificuldades dos contribuintes para formalizar a opção, passou o prazo para 30 (trinta) dias, conforme Resolução CGSN nº 41, de 1º de setembro de 2008. Além disso, noticia que foram disponibilizadas as guias de recolhimento no ano de 2008 e normalmente recebida a Declaração Simplificada, fatos que reúnem as condições necessárias para a confirmação da opção. Fl. 42DF CARF MF Emitido em 28/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/06/2011 por JOSE SERGIO GOMES Assinado digitalmente em 01/06/2011 por JOSE SERGIO GOMES, 14/06/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA S ILVA Processo nº 10680.005642/200811 Acórdão n.º 110300.452 S1C1T3 Fl. 36 3 É o relatório, em apertada síntese. Voto Conselheiro JOSÉ SÉRGIO GOMES, Relator Observo a legitimidade processual e o aviamento do recurso no trintídio legal. Assim sendo, dele tomo conhecimento. Inicialmente, registro a plena competência deste Colegiado para apreciação da matéria ventilada nos autos, eis que delineada no artigo 2º do Anexo II, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recurso Fiscais (CARF), aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, órgão resultante da unificação dos antigos Conselhos de Contribuintes feita pelo artigo 48 da Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009. Vejase: “Art. 2° À Primeira Seção cabe processar e julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de primeira instância que versem sobre aplicação da legislação de: (...........................................................................................) V exclusão, inclusão e exigência de tributos decorrentes da aplicação da legislação referente ao Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (SIMPLES) e ao tratamento diferenciado e favorecido a ser dispensado às microempresas e empresas de pequeno porte no âmbito dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, na apuração e recolhimento dos impostos e contribuições da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, mediante regime único de arrecadação (SIMPLESNacional); Registro, também, que o documento de fl. 11 atesta que a contribuinte encontrase inscrita no regime do Simples Nacional desde 1º de janeiro de 2009. Conseqüentemente, a questão posta a julgamento centrase na pretensão da opção operarse a partir de maio de 2008, época em que aviado o pedido de inclusão no regime, fl. 01. Tanto a argüição de que a efetivação da Inscrição Estadual só se operou pela internet e em data futura àquela em que efetivamente encontrase lançada no comprovante de fl. 21 quanto a de que houve efetivos recolhimentos e apresentação de declaração pelo Simples Nacional no anocalendário em 2008 não se encontram acompanhadas de elementos probantes, mínimos que sejam, daí impossibilitadas de serem levadas em conta. Fl. 43DF CARF MF Emitido em 28/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/06/2011 por JOSE SERGIO GOMES Assinado digitalmente em 01/06/2011 por JOSE SERGIO GOMES, 14/06/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA S ILVA Processo nº 10680.005642/200811 Acórdão n.º 110300.452 S1C1T3 Fl. 37 4 O Comitê Gestor de Tributação das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (CGSN) baixou a Resolução nº 4, de 30 de maio de 2007, regulamentando a opção pelo Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições devidos pelas Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (Simples Nacional). Em seu artigo 7º previu o legislador delegado a forma e o prazo para o exercício da opção pelo regime, verbis: “Art. 7º A opção pelo Simples Nacional darseá por meio da internet, sendo irretratável para todo o anocalendário. § 1º A opção de que trata o caput deverá ser realizada no mês de janeiro, até seu último dia útil, produzindo efeitos a partir do primeiro dia do anocalendário da opção, ressalvado o disposto no § 3º deste artigo e observado o disposto no § 3º do art. 21. (.......................................................................................) § 3º No caso de início de atividade da ME ou EPP no ano calendário da opção, deverá ser observado o seguinte: I a ME ou a EPP, após efetuar a inscrição no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ), bem como obter a sua inscrição estadual e municipal, caso exigíveis, terá o prazo de até 10 (dez) dias, contados do último deferimento de inscrição, para efetuar a opção pelo Simples Nacional; (........................................................................................)” A própria contribuinte noticia que em data de 06/05/2008 intentou sua inclusão no regime do Simples Nacional pela internet, porém, considerada inválida por ter ultrapassado o prazo de 10 (dez) dias após o deferimento da inscrição cadastral estadual. Depreendese, pois, que o sistema de dados já possuía as informações cadastrais da contribuinte, daí ter levado a efeito a crítica impeditiva. Ao formular o pedido em meio físico, em data de 12/05/2008, fl. 12, apegou se a então Requerente no fato de ter registrado seu primeiro funcionário naquele mesmo mês de maio, o que não foi aceito pela autoridade fiscal como marco inicial de contagem do prazo. Passo seguinte, em sede de recurso à Turma recorrida, engendrou a inconformidade pela possibilidade da contagem se dar pelo comprovante de inscrição estadual emitido também no mês de maio de 2008, o que também foi repelido em razão de que a validade do documento afetase à data da efetiva inscrição (15/04/2009) e não pela data da emissão do comprovante (06/05/2008), presumidamente colhido pela internet. Agora, no recurso voluntário, pugna a Recorrente pela retroatividade da Resolução CGSN nº 41, de 1º de setembro de 2008, a qual elasteceu o prazo para 30 (trinta) dias, mantido o mesmo marco temporal, a ver: Fl. 44DF CARF MF Emitido em 28/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/06/2011 por JOSE SERGIO GOMES Assinado digitalmente em 01/06/2011 por JOSE SERGIO GOMES, 14/06/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA S ILVA Processo nº 10680.005642/200811 Acórdão n.º 110300.452 S1C1T3 Fl. 38 5 “Art. 1° Os incisos I a IV do § 3° do art. 7° da Resolução CGSN n° 4, de 30 de maio de 2007, passam a vigorar com a seguinte redação: "Art. 7° .................................................................................... § 3° .......................................................................................... I a ME ou a EPP, após efetuar a inscrição no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ), bem como obter a sua inscrição municipal e estadual, caso exigíveis, terá o prazo de até 30 (trinta) dias, contados do último deferimento de inscrição, para efetuar a opção pelo Simples Nacional;” Todavia, a pretensão recursal esbarra na expressa disposição desta norma, a qual demarcou os efeitos da alteração introduzida somente para os atos praticados a partir do ano subseqüente à sua edição, in verbis: “Art. 2º Esta Resolução entra em vigor na data de sua publicação, produzindo efeitos a partir de 1º de janeiro de 2009.” Portanto, em existindo expressa disposição temporal quanto à eficácia da norma modificadora, encerrase qualquer interpretação modificativa ou em sentido contrário. Cai por terra, igualmente, a tese de que o instrumento normativo teria vindo ao encontro de pretensas dificuldades operacionais enfrentadas pelos contribuintes desejosos pela opção ao regime, pois, se assim fosse, não teria a norma previsto seus efeitos somente para atos futuros. Com tais razões, VOTO pelo improvimento do recurso. documento assinado digitalmente José Sérgio Gomes Fl. 45DF CARF MF Emitido em 28/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/06/2011 por JOSE SERGIO GOMES Assinado digitalmente em 01/06/2011 por JOSE SERGIO GOMES, 14/06/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA S ILVA
score : 1.0
Numero do processo: 16542.000272/2007-05
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 08 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Jun 08 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF
Exercício: 2004
OMISSÃO DE RENDIMENTOS DO TRABALHO. FALTA DE RETENÇÃO NA FONTE
Aplicação da Súmula CARF n° 12: Constatada a omissão de rendimentos sujeitos à incidência do imposto de renda na declaração de ajuste anual, é legitima a constituição do crédito tributário na pessoa física do beneficiário, ainda que a fonte pagadora não tenha procedido A. respectiva retenção.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2102-001.348
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar e, no mérito, em NEGAR provimento ao recurso, nos termos do voto da Relatora.
Matéria: IRPF- ação fiscal - omis. de rendimentos - PF/PJ e Exterior
Nome do relator: Acácia Sayuri Wakasugi
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Presidente Acordam os membro Relatora k i EDIT DO EM: 30/11/2011 1 S2-ClT2 Fl. 440 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n° 16542.000272/2007-05 Recurso n° Voluntário Acórdão n° 2102-01.348 — la Câmara / 2 Turma Ordinária Sessão de 08 de junho de 2011 Matéria IRPF - OMISSÃO DE RENDIMENTOS Recorrente ALFREDO SOUZA FILHO Recorrida 4' Turma da DRJ/FNS ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF Exercício: 2004 OMISSÃO DE RENDIMENTOS DO TRABALHO. FALTA DE RETENÇÃO NA FONTE Aplicação da Súmula CARF n° 12: Constatada a omissão de rendimentos sujeitos à incidência do imposto de renda na declaração de ajuste anual, é legitima a constituição do crédito tributário na pessoa fisica do beneficiário, ainda que a fonte pagadora não tenha procedido A. respectiva retenção. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Giovanni Christian Nunes Campos, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti, NAbia Matos Moura, Atilio Pitarelli, Rubens Mauricio Carvalho e Acácia Sayuri Wakasugi. Relatório Contra o contribuinte ALFREDO DE SOUZA FILHO, CPF/MF n° 179.522.399-53 , já qualificado neste processo, foi lavrado, em 09/04/2007, auto de infração (fls. 13 a 16), a partir da revisão de sua declaração de ajuste anual, referente ao ano-calendário 2004, com o lançamento do imposto de renda pessoa fisica no valor de R$ 45.211,54. 0 valor do crédito tributário apurado está assim constituído: i . Impo sto R$ 22.038,29; ii.Juros de Mora (cálculo até 30/04/2007) R$ 6.64,54 iii.Multa Proporcional (passível de redução) R$ 16.528,71 iv.Total do Crédito Tributário R$ 45.211,54 De acordo com o Auto de Infração, contra o contribuinte foi imputada a seguinte infração: • Omissão de rendimentos do trabalho com vinculo e/ou sem vinculo empregaticio, sujeitos A tabela progressiva, no valor de R$ 86.984,71, recebido(s) pelo titular e/ou dependentes, da(s) fonte(s) pagadora(s) relacionada(s) abaixo. Os rendimentos constantes de DIRF (R$ 86.984,71) não sofreram retenção de IRRF, tanto pela fonte pagadora quanto pelo beneficiário. Inconformado contribuinte apresenta impugnação A exigência tributária, As fls. 01 a 05, de onde se extrai os seguintes argumentos: • A origem dos rendimentos, advindos de honorários advocaticios, na qual atuou como procurador da autora, sendo que recebeu o valor informado em Dirf. Referiu-se, genericamente, ao CT1V, às leis e decretos que disciplinam a matéria, aduzindo ainda que a fonte pagadora não observou a legislação tributária. • Em Preliminar, remete ao art. 725 do RIR/99, referenciado no relatório fiscal, aludindo que a autoridade lançadora deixou de observar outros dispositivos legais aplicáveis ao fato, os quais, no seu entendimento, elucidariam a lide. • No mérito, alega que, de acordo com o art. 45 do CTN e o Decreto n°. 3.000/99, no seu art. 733, a responsabilidade pela retenção do imposto de renda. Trazendo, ainda, transcrições do art. 65 da Lei. no. 8.981/95, e dos artigos 717, 718, 722 do RIR199. • Por fim, requereu que a fonte pagadora fosse notificada para recolher • tributo e fornecer o respectivo comprovante, conforme o disposto no item I, do parágrafo único, do art. 733 do RIR/99, bem como que fosse cancelado o atual débito através de novo lançamento. A 4a Turma da DRJ/FNS, por unanimidade de votos, considerou procedente o lançamento , em decisão consubstanciada no Acórdão n° 07-15.685, de 09 de abril de 2009 (fls. 37 a 39). Processo n° 16542.000272/2007-05 S2-C I T2 Acórdão n.° 2102-01.348 Fl. 441 Informa-se que houve inúmeras tentativas de intimar o contribuinte (fls. 26 a 29), sendo este cientificado em da decisão a quo em 24/07/2009 (fls. 29), cujo qual interpôs recurso voluntário em 25/08/2009 (fls. 30 a 37), repisando os termos da impugnação, a aduzindo ainda que: i. Restou plenamente demonstrado que efetivamente ocorreu a inobservância parcial da legislação, por parte da fonte pagadora dos rendimentos, ignorando a responsabilidade pela obrigação tributária principal, qual seja o da retenção e recolhimento do tributo. No entanto, observou perfeitamente a norma legal quanto A obrigação acessória, envio da DIRF no prazo e para o órgão competente. Alega ainda que os rendimentos originaram-se do processo n.° 2003.72.00.018273-0, da la. Vara Federal, em que atuou como procurador, sendo para ele inexplicável que empresa pagadora da verba, deliberadamente, deixou de informar ao fi sco o DIRF referente aos valores pagos aos demais advogados que atuaram no feito, o que causa estranheza, que a obrigação. ii. A decisão não pode ser mantida, pois não possui embasamento legal afrontando assim o direito liquido e certo do recorrente, alegando, intrinsicamente, cerceamento de defesa e nulidade do auto de infração por desatendimento a norma constitucional. iii. Requer ainda que seja intimada a fonte pagadora para proceder ao recolhimento. Juntou documentos (fls. 45 a 52). É o Relatório. Voto Conselheira Acácia Sayuri Wakasugi 0 recurso é tempestivo, na conformidade do prazo estabelecido pelo artigo 33 do Decreto n° 70.235, de 06 de março de 1972, foi interposto por parte legitima e está devidamente fundamentado. Sendo assim, conheço-o e passo ao exame. Preliminar Nulidade do Acórdão por falta de Motivação e Cerceamento de Defesa: 0 contribuinte alega, intrinsicamente, a nulidade do aresto da DR.' pois este careceria de motivação não possuindo embasamento legal, afrontando assim o direito liquido e certo do recorrente, trazendo ainda a comento os princípios da Carta Magna, suscitando, ainda que de modo tangencial, o cerceamento ao direito de defesa. akasugi - Relatora Todavia, em que pese à irresignação do contribuinte, cumpre ressaltar que foi concedido prazo para a contribuinte apresentar resposta e juntar documentos, estando perfeito o procedimento do Fisco. A mera alegação que o Aresto da DRJ carece de motivação e embasamento legal não prospera, pois no voto a Ilma. Relator manifesta-se, expressamente, sobre os pontos aduzidos em sede de impugnação, havendo alusão inclusive da norma legal que embasa a manutenção do crédito tributário. Nesse sentido, ainda há de se observar que na legislação tributária brasileira o direito de defesa, ordinariamente, é exercido com a apresentação da impugnação ao lançamento. Deste modo, até a interposição de defesa (impugnação), não estava precluso o direito de o contribuinte apresentar todas as provas admitidas em direito e que entendesse necessárias para afastar as alegações do Fisco. Sendo assim, não observo qualquer falha na condução dos trabalhos fiscais, nem tampouco qualquer mitigação do direito de defesa do contribuinte, portanto, não merecendo acolhimento a alegação de cerceamento do direito de defesa ou ainda que tenha sido desrespeitada a ampla defesa e o contraditório, estes últimos presentes apenas na fase de instauração do processo administrativo por ocasião da apresentação da defesa (impugnação) por parte do contribuinte. Assim, sob tais aspectos, não merece reforma a decisão recorrida, nem tampouco o lançamento tributário em análise. Mérito As matérias trazidas em sede de mérito com o presente recurso não mais suscitam dissídio jurisprudencial, tratadas em súmula deste Conselho: SÚMULA CARF N° 12: Constatada a omissão de rendimentos sujeitos a incidência do imposto de renda na declaração de ajuste anual, é legitima a constituição do crédito tributário na pessoa fisica do beneficiário, ainda que a fonte pagadora não tenha procedido a respectiva retenção. Assim, constatadas as irregularidades descritas nos autos de infração, tendo sido observadas na autuação as respectivas legislações regentes das matérias e não tendo o contribuinte apresentado qualquer prova ou argumento capaz de elidir o que lhe foi imputado, devem ser mantidas as exigências lançadas. Pelo exposto, não merecendo reparos da decisão recorrida, NEGO PROVIMENTO AO RECURSO. Sala das Sessõ s 08 de junho de 2011. 4
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Numero do processo: 11065.101125/2006-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 10 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Aug 11 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins
Período de apuração: 01/04/2006 a 30/06/2006
COFINS NÃO CUMULATIVA — É lícito o aproveitamento de crédito na
hipótese de contratação de empresa para a realização de embalagem e acondicionamento de produtos exportados pelo contribuinte, ainda que haja indícios de que a empresa contratada tenha a ingerência da empresa contratante. Inexistência de vedação legal e insuficiência de indícios para caracterizar a ausência de substância econômica nos atos e negócios jurídicos praticados, de forma a deflagrar simulação.
Numero da decisão: 3201-000.769
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram
o presente julgado. Vencido o Conselheiro Luiz Eduardo Garrossino Barbieri.
Nome do relator: DANIEL MARIZ GUDINO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/04/2006 a 30/06/2006 COFINS NÃO CUMULATIVA — É lícito o aproveitamento de crédito na hipótese de contratação de empresa para a realização de embalagem e acondicionamento de produtos exportados pelo contribuinte, ainda que haja indícios de que a empresa contratada tenha a ingerência da empresa contratante. Inexistência de vedação legal e insuficiência de indícios para caracterizar a ausência de substância econômica nos atos e negócios jurídicos praticados, de forma a deflagrar simulação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Vencido o Conselheiro Luiz Eduardo Garrossino Barbieri. JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARMANDO Presidente. DANIEL MARIZ GUDIÑO Relator. EDITADO EM: 13/08/2011 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Judith do Amaral Marcondes Armando (presidente da turma), Robson José Bayerl, Luciano Lopes de Almeida Moraes (vicepresidente), Luiz Eduardo Garrossino Barbieri, Marcelo Ribeiro Nogueira e Daniel Mariz Gudiño. Ausente justificadamente a Conselheira Mércia Helena Trajano D'Amorim. Fl. 389DF CARF MF Emitido em 07/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/08/2011 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 13/08/2011 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 01/12/2011 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARM 2 Relatório Por bem descrever os fatos ocorridos até a data da prolação do acórdão recorrido, transcrevo abaixo o relatório do órgão julgador de 1ª instância, incluindo, em seguida, as razões de recurso voluntário apresentado pela Recorrente: Trata o presente do ressarcimento pleiteado pela interessada em epígrafe em 25/07/2006, relativo aos créditos de Cofins não cumulativa do segundo trimestre de 2006, no valor de R$ 363.651,91 (depois retificado para R$ 363.611,89, fls. 01 e 104). A DRF em Novo Hamburgo emitiu o Despacho Decisório DRF/NHO/2007 (fl. 101), com base no Relatório de Informação Fiscal de fls. 86 a 99, reconhecendo o crédito passível de ressarcimento no valor de R$ 321.180,94. Foram glosados os valores decorrentes de créditos de serviços prestados na industrialização por terceiros, ante constatação de que a empresa que prestava tais serviços (PUPPIES TIME, CNPJ 04.585.274/000140) era, na realidade, estabelecimento da própria interessada. O Relatório fiscal transcreve parte de relatório anterior, resultado de detalhado procedimento de fiscalização, efetuado para exame de solicitações referentes ao ano calendário 2004. São apontados os diversos aspectos que resultaram na constatação de inexistência de serviços prestados por empresa independente, em desacordo com o critério para a apuração de créditos estabelecido na legislação. Cabe frisar que não foram oferecidos pela empresa à tributação os valores decorrentes de transferências de créditos de ICMS a terceiros. Conforme o citado no relatório, tais valores não foram considerados para efeitos de glosa em função da determinação judicial no Mandato de Segurança 2006.04.01.016972/RS. Após efetuar as compensações, a DRF/NHO efetuou a ordem bancária do ressarcimento do saldo incontroverso (fl. 154). O contribuinte apresenta, em 23/05/2007, tempestivamente, sua manifestação de inconformidade (fls. 157 a 171, mais os anexos), através de representante devidamente habilitado, na qual se insurge contra a glosa dos créditos decorrentes dos serviços que outra pessoa jurídica terlheia prestado. Inicialmente, questiona o fato do auditorfiscal sequer ter comparecido nas empresas, tendo como base integralmente a fiscalização anterior. Aborda todos os aspectos levantados pela fiscalização e que levaram à conclusão da estreita vinculação entre as duas a ponto de concluir pela inexistência de créditos, com o objetivo de comprovar serem empresas diferentes e, em decorrência, ser legítimo o creditamento de PIS e Cofins sobre os serviços prestados pela empresa PUPPIES TIME. Observa que sendo a empresa Puppies de menor porte e em função da forma de atuação da IMS, que preza que os parceiros possuam uma relação de confiança e participem de programas de qualidade da empresa, a proximidade das empresas constatada pela fiscalização (sócia ser exfuncionária, uso de orientações e memorandos da IMS, uso de papel timbrado, bens em nome de IMS, comprovante de pagamento de seguro de Puppies encaminhado por IMS, entre outros fatos constatados) seria natural, nada caracterizando irregularidade. Sobre a assistência Fl. 390DF CARF MF Emitido em 07/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/08/2011 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 13/08/2011 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 01/12/2011 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARM Processo nº 11065.101125/200611 Acórdão n.º 320100.0769 S3C2T1 Fl. 384 3 de saúde da Unimed contratada por Puppies, na qual figura como representante autorizado um sócioadministrador da IMS, a empresa esclarece que ocorreu apenas um equívoco. Junta notas fiscais de remessa de mercadorias entre as empresas, contrato de locação, inventário de material de embalagem e documentação relativa ao contrato de seguro com a empresa Ola Frankfurt. Requer, por fim, que seja reformada a Decisão para reconhecer a procedência do pedido em relação aos itens abordados. Cumpre registrar que das Ações Fiscais realizadas, em decorrência dos mesmos fatos aqui abordados, resultaram glosas em outros processos e lançamentos de ofício em relação a valores já ressarcidos referentes a outros períodos de apuração. Na decisão de primeira instância, proferida na Sessão de Julgamento de 23/10/2009, a 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Porto Alegre (RS) indeferiu a solicitação da ora Recorrente, conforme Acórdão n° 1021.431 (fls. 365/366): Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/04/2006 a 30/06/2006 Ementa: COFINS NÃO CUMULATIVA — Corretas as glosas relativas aos créditos que a interessada se utilizou provenientes de serviços de industrialização prestados por estabelecimento industrial da própria fiscalizada, dissimulado como outra pessoa jurídica. Mantidas as glosas não contestadas pela interessada. Solicitação Indeferida A Recorrente foi cientificada do teor do referido acórdão em 17/03/2010 (f1.368), tendo protocolado seu recurso voluntário em 15/04/2008 (fls. 369/379), que, em síntese, reitera os argumentos da sua manifestação de inconformidade. Na forma regimental, o processo digitalizado foi distribuído e, posteriormente, encaminhado a este Conselheiro Relator em 27/08/2010. É o relatório. Voto Conselheiro Daniel Mariz Gudiño Por atender aos pressupostos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 1972, CONHEÇO o recurso voluntário e passo a analisálo. Fl. 391DF CARF MF Emitido em 07/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/08/2011 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 13/08/2011 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 01/12/2011 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARM 4 O referido recurso ataca a glosa do crédito de COFINS decorrente da contratação de mãodeobra terceirizada para processo de industrialização. Sobre esse aspecto, entendo que a questão merece muita cautela. Com efeito, a glosa dos créditos oriundos das despesas de contratação de mãodeobra terceirizada teve por base a premissa de que a Recorrente agiu dissimuladamente para reduzir a sua carga tributária. Tal premissa, segundo o juízo a quo, foi devidamente comprovada pela fiscalização, e, portanto, a glosa foi mantida. Inicialmente, é importante consignar que o emprego de dolo, fraude ou simulação em matéria tributária configura hipótese de evasão fiscal, e não de elisão fiscal. A distinção básica entre esses dois institutos é que a evasão é empreendida por meios ilícitos, enquanto a elisão é empreendida por meios lícitos. Configurada hipótese de evasão, a autoridade fiscalizadora deve proceder à lavratura de auto de infração, acrescida de multa qualificada e acompanhada de representação fiscal para fins penais, uma vez que evasão é crime contra ordem tributária capitulado na Lei nº 8.137 de 1990. Já a elisão, se empreendida com abuso de forma, abuso de direito, negócio jurídico indireto, entre outras figuras afins, permitiria à autoridade fiscalizadora desqualificar o negócio jurídico praticado pelo contribuinte para alcançar os efeitos tributários do negócio jurídico dissimulado. Entretanto, o fundamento legal para essa desqualificação é o art. 116, parágrafo único, do Código Tributário Nacional, que é norma de eficácia limitada, ou seja, a sua aplicação é condicionada à regulamentação posterior (fato que, nesse particular, ainda não há). Segundo a autoridade fiscalizadora, a Recorrente teria forjado a contratação de uma pessoa jurídica independente, que, em verdade, seria um estabelecimento próprio, o que inviabilizaria a tomada de créditos de COFINS na sistemática nãocumulativa dessas contribuições. Desse modo, desconsiderou a personalidade jurídica da empresa Puppies Time Ltda., glosando os referidos créditos. Na minha visão, a questão central em discussão é a seguinte: a Recorrente empreendeu evasão por ter simulado a contratação da empresa Puppies Time Ltda. ou elisão por ter reestruturado as suas atividades com o propósito de reduzir o seu custo de produção? Simular é mentir sobre algo, fazendoo parecer algo que não é. No caso concreto, a Recorrente realmente contratou uma empresa regularmente constituída para realizar uma etapa do processo de industrialização dos seus produtos, sendo que em momento algum a Recorrente alegou fazer outra coisa. Desse modo, não há mentira, e, portanto, simulação. Haveria simulação se a Recorrente emitisse notas fiscais de prestação de serviço de uma empresa fantasma para gerar créditos de COFINS. Também haveria simulação se os serviços que foram contratados não fossem efetivamente prestados, caso em que não poderia haver o creditamento de COFINS. Nenhuma dessas hipóteses se verificou, entretanto. Convém consignar que a jurisprudência deste Egrégio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais evoluiu no trato do assunto, pois até bem pouco tempo atrás a verificação da licitude do planejamento tributário limitavase ao aspecto formal dos atos e negócios jurídicos praticados pelo contribuinte, sendo certo que atualmente é necessário ir além, analisandose a substância econômica dos atos e negócios jurídicos efetivamente praticados pelo contribuinte. Vejamos: SIMULAÇÃO A simulação se caracteriza pela divergência entre a exteriorização e a vontade, isto é, são praticados determinados atos formalmente, enquanto subjetivamente, os que Fl. 392DF CARF MF Emitido em 07/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/08/2011 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 13/08/2011 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 01/12/2011 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARM Processo nº 11065.101125/200611 Acórdão n.º 320100.0769 S3C2T1 Fl. 385 5 se praticam são outros. Assim, na simulação, os atos exteriorizados são sempre desejados pelas partes, mas apenas no aspecto formal, pois, na realidade, o ato praticado é outro. (Acórdão nº 10423.129, Rel. Cons. Heloisa Guarita Souza, Sessão de 23.04.2008) ......................................................................................................... Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Exercício: 2005 Ementa: DESPESAS COM ÁGIO. CARACTERIZADA SIMULAÇÃO. INDEDUTIBILIDADE. PROVAS. É indedutível as despesas com ágio quando provado nos autos que as mesmas foram levadas a efeito a partir da prática de simulação através de negócio jurídico que aparenta transferir direitos a pessoa diversa daquela à qual realmente se transmitem. SIMULAÇÃO. CARACTERIZAÇÃO. O fato dos atos societários terem sido formalmente praticados, com registro nos órgãos competentes, escrituração contábil, etc. não retira a possibilidade da operação em causa se enquadrar como simulação, isso porque faz parte da natureza da simulação o envolvimento de atos jurídicos lícitos. Afinal, simulação é a desconformidade, consciente e pactuada entre as partes que realizam determinado negócio jurídico, entre o negócio efetivamente praticado e os atos formais (lícitos) de declaração de vontade. Não é razoável esperar que alguém tente dissimular um negócio jurídico dandolhe a aparência de um outro ilícito. GLOSA DE DESPESAS FINANCEIRAS DESNECESSIDADE. A tão só coexistência, com aplicações financeiras remuneradas a taxas inferiores, de empréstimos tomados a pessoas relacionadas não autoriza a inferência de serem desnecessárias as despesas havidas com estes empréstimos. RESERVA DE REAVALIAÇÃO. REALIZAÇÃO. INEXISTÊNCIA. A entrega de bens em pagamento do valor do capital subscrito, fato permutativo que é, não implica em realização da reserva de reavaliação. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA SIMULAÇÃO EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE A prática da simulação com o propósito de dissimular, no todo ou em parte, a ocorrência do fato gerador do imposto caracteriza a hipótese de qualificação da multa de ofício, nos termos do art. 44, II, da Lei nº 9.430, de 1996. Publicado no D.O.U. nº 141 de 24/07/2008. (Acórdão nº 10323.441, Redator Designado Cons. Antonio Bezerra Neto, Sessão de 17.04.2008) ......................................................................................................... NULIDADE DO LANÇAMENTO INCOMPETÊNCIA DA AUTORIDADE LANÇADORA INOCORRÊNCIA O Auditor Fiscal da Receita Federal é servidor competente para proceder a lançamento de ofício de tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal SRF, em nome desta. Não há falar em nulidade do lançamento quando a autuação foi feita por servidor competente e com a estrita observância da legislação tributária. DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA NULIDADE Fl. 393DF CARF MF Emitido em 07/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/08/2011 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 13/08/2011 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 01/12/2011 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARM 6 INOCORRÊNCIA. Não há falar em nulidade da decisão de primeira instância quando esta atende aos requisitos formais previstos no art. 31 do Decreto nº. 70.235, de 1972. SIMULAÇÃO SUBSTÂNCIA DOS ATOS Não se verifica a simulação quando os atos praticados são lícitos e sua exteriorização revela coerência com os institutos de direito privado adotados, assumindo o contribuinte as conseqüências e ônus das formas jurídicas por ele escolhidas, ainda que motivado pelo objetivo de economia de imposto. SIMULAÇÃO NEXO DE CAUSALIDADE A caracterização da simulação demanda demonstração de nexo de causalidade entre o intuito simulatório e a subtração de imposto dele decorrente. SIMULAÇÃO EFEITOS DA DESCONSIDERAÇÃO O lançamento, na hipótese de simulação relativa, deve considerar a realidade subjacente em todos os seus aspectos, com adequada consideração do sujeito passivo que praticou os atos que a conformam. Preliminares rejeitadas. Recurso provido. (Acórdão nº10421.729, Redator Designado Cons. Gustavo Lian Haddad, Sessão de 26.07.2006) Ora, a Recorrente reconhece que reestruturou suas atividades de forma a reduzir custos, passando a contratar empresa cuja sócia era sua exfuncionária e que efetivamente lhe prestava serviços. Além disso, como era a principal cliente da Puppies Time Ltda. (a Recorrente não era sua cliente exclusiva), reconhece que possuía ingerência sobre as atividades dessa empresa. Ocorre que isso, por si só, ainda não permite que a autoridade fiscalizadora desqualifique o negócio jurídico realizado entre as empresas, de modo a glosar as despesas incorridas pela Recorrente que originaram os seus créditos de COFINS. Para tanto, deveria provar que a relação entre a Recorrente e a Puppies Time Ltda. era meramente formal, sem substância econômica. Em outras palavras, a circunstância de que a Recorrente possuir ingerência sobre a Puppies Time Ltda. é totalmente irrelevante para revelar a falta de substância econômica nessa relação comercial. Impõese ressaltar que o critério da ingerência administrativa é totalmente alheio à legislação de regência da COFINS não cumulativa, uma vez que o art. 3º, II, da Lei nº 10.833 de 2003, não faz qualquer restrição relacionada à qualidade do prestador dos serviços ou da sua relação comercial com o tomador. Tanto é assim que uma matriz pode contratar a sua subsidiária para prestar serviços, e viceversa, sem que isso lhes impeça de tomarem crédito de COFINS, nos termos da legislação citada. A questão que se faz pertinente nesse caso é a adequação dos preços praticados aos padrões de mercado, mas a legislação de regência é omissa nesse aspecto. Convém mencionar, por fim, que se o legislador ordinário tivesse a intenção de evitar esse tipo de reestruturação operacional, ele deveria ter estabelecido vedação similar ao creditamento da locação ou arrendamento de bens que já tenham integrado o ativo permanente da empresa locatária ou arrendatária. Vejamos: Lei nº 10.833 de 2003 Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) Fl. 394DF CARF MF Emitido em 07/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/08/2011 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 13/08/2011 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 01/12/2011 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARM Processo nº 11065.101125/200611 Acórdão n.º 320100.0769 S3C2T1 Fl. 386 7 V aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa; (...) Lei nº 10.865 de 2004 Art. 31. (...) § 3º É também vedado, a partir da data a que se refere o caput, o crédito relativo a aluguel e contraprestação de arrendamento mercantil de bens que já tenham integrado o patrimônio da pessoa jurídica. Ante a falta de indícios suficientes que respaldem a desconsideração da personalidade da Puppies Time Ltda. e a inexistência de vedação legal ao planejamento tributário empreendido pela Recorrente, voto por DAR PROVIMENTO ao presente recurso voluntário, de modo a afastar a glosa dos créditos decorrentes da contratação da empresa Puppies Time Ltda. para o processo de embalagem dos produtos da Recorrente. É como voto. Daniel Mariz Gudiño Relator Fl. 395DF CARF MF Emitido em 07/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/08/2011 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 13/08/2011 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 01/12/2011 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARM
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Numero do processo: 16408.000951/2006-30
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Jul 01 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Fri Jul 01 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ
Ano-calendário: 2002
DÉBITOS INFORMADOS EM DIPJ, MAS NÃO DECLARADOS EM DCTF. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. CABIMENTO.
A partir do ano-calendário 1999, a DIPJ possui caráter meramente informativo. Não tendo os débitos sido recolhidos, nem tampouco declarados em DCTF, que possui caráter de confissão de dívida, mas tão somente informados em DIPJ, procedente o lançamento de ofício das parcelas não confessadas.
ADESÃO AO PAES. NÃO COMPROVAÇÃO DA INCLUSÃO DO DÉBITO.
Não logrando o contribuinte correlacionar os débitos informados no PAES com os valores autuados não há como se exonerar os valores pleiteados.
CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO - CSLL
Ano-calendário: 2002
DÉBITOS INFORMADOS EM DIPJ, MAS NÃO DECLARADOS EM DCTF. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. CABIMENTO.
A partir do ano-calendário 1999, a DIPJ possui caráter meramente informativo. Não tendo os débitos sido recolhidos, nem tampouco declarados em DCTF, que possui caráter de confissão de dívida, mas tão somente informados em DIPJ, procedente o lançamento de ofício das parcelas não confessadas.
ADESÃO AO PAES. DÉBITO INCLUÍDO NO PAES.
Comprovado que as parcelas lançadas de ofício foram objeto de inclusão no PAES em momento anterior à autuação fiscal, cancela-se a exigência de ofício das mesmas.
CONTRIBUIÇÂO PARA O PIS/PASEP
Ano-calendário: 2002
DÉBITOS INFORMADOS EM DIPJ, MAS NÃO DECLARADOS EM DCTF. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. CABIMENTO.
A partir do ano-calendário 1999, a DIPJ possui caráter meramente informativo. Não tendo os débitos sido recolhidos, nem tampouco declarados em DCTF, que possui caráter de confissão de dívida, mas tão somente informados em DIPJ, procedente o lançamento de ofício das parcelas não confessadas.
CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS
Ano-calendário: 2002
DÉBITOS INFORMADOS EM DIPJ, MAS NÃO DECLARADOS EM DCTF. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. CABIMENTO.
A partir do ano-calendário 1999, a DIPJ possui caráter meramente informativo. Não tendo os débitos sido recolhidos, nem tampouco declarados em DCTF, que possui caráter de confissão de dívida, mas tão somente informados em DIPJ, procedente o lançamento de ofício das parcelas não confessadas.
Numero da decisão: 1102-000.484
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR provimento PARCIAL ao recurso para, para cancelar as exigências relativas à CSLL, nos termos do voto do relator.
Nome do relator: João Otávio Oppermann Thomé
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 2002 DÉBITOS INFORMADOS EM DIPJ, MAS NÃO DECLARADOS EM DCTF. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. CABIMENTO. A partir do ano-calendário 1999, a DIPJ possui caráter meramente informativo. Não tendo os débitos sido recolhidos, nem tampouco declarados em DCTF, que possui caráter de confissão de dívida, mas tão somente informados em DIPJ, procedente o lançamento de ofício das parcelas não confessadas. ADESÃO AO PAES. NÃO COMPROVAÇÃO DA INCLUSÃO DO DÉBITO. Não logrando o contribuinte correlacionar os débitos informados no PAES com os valores autuados não há como se exonerar os valores pleiteados. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO - CSLL Ano-calendário: 2002 DÉBITOS INFORMADOS EM DIPJ, MAS NÃO DECLARADOS EM DCTF. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. CABIMENTO. A partir do ano-calendário 1999, a DIPJ possui caráter meramente informativo. Não tendo os débitos sido recolhidos, nem tampouco declarados em DCTF, que possui caráter de confissão de dívida, mas tão somente informados em DIPJ, procedente o lançamento de ofício das parcelas não confessadas. ADESÃO AO PAES. DÉBITO INCLUÍDO NO PAES. Comprovado que as parcelas lançadas de ofício foram objeto de inclusão no PAES em momento anterior à autuação fiscal, cancela-se a exigência de ofício das mesmas. CONTRIBUIÇÂO PARA O PIS/PASEP Ano-calendário: 2002 DÉBITOS INFORMADOS EM DIPJ, MAS NÃO DECLARADOS EM DCTF. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. CABIMENTO. A partir do ano-calendário 1999, a DIPJ possui caráter meramente informativo. Não tendo os débitos sido recolhidos, nem tampouco declarados em DCTF, que possui caráter de confissão de dívida, mas tão somente informados em DIPJ, procedente o lançamento de ofício das parcelas não confessadas. CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS Ano-calendário: 2002 DÉBITOS INFORMADOS EM DIPJ, MAS NÃO DECLARADOS EM DCTF. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. CABIMENTO. A partir do ano-calendário 1999, a DIPJ possui caráter meramente informativo. Não tendo os débitos sido recolhidos, nem tampouco declarados em DCTF, que possui caráter de confissão de dívida, mas tão somente informados em DIPJ, procedente o lançamento de ofício das parcelas não confessadas.
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Recorrente ALERTA SERVIÇOS DE VIGILÂNCIA SC LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2002 DÉBITOS INFORMADOS EM DIPJ, MAS NÃO DECLARADOS EM DCTF. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. CABIMENTO. A partir do anocalendário 1999, a DIPJ possui caráter meramente informativo. Não tendo os débitos sido recolhidos, nem tampouco declarados em DCTF, que possui caráter de confissão de dívida, mas tão somente informados em DIPJ, procedente o lançamento de ofício das parcelas não confessadas. ADESÃO AO PAES. NÃO COMPROVAÇÃO DA INCLUSÃO DO DÉBITO. Não logrando o contribuinte correlacionar os débitos informados no PAES com os valores autuados não há como se exonerar os valores pleiteados. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2002 DÉBITOS INFORMADOS EM DIPJ, MAS NÃO DECLARADOS EM DCTF. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. CABIMENTO. A partir do anocalendário 1999, a DIPJ possui caráter meramente informativo. Não tendo os débitos sido recolhidos, nem tampouco declarados em DCTF, que possui caráter de confissão de dívida, mas tão somente informados em DIPJ, procedente o lançamento de ofício das parcelas não confessadas. ADESÃO AO PAES. DÉBITO INCLUÍDO NO PAES. Comprovado que as parcelas lançadas de ofício foram objeto de inclusão no PAES em momento anterior à autuação fiscal, cancelase a exigência de ofício das mesmas. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Fl. 156DF CARF MF Emitido em 08/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/07/2011 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Assinado digitalmente em 18/07/2011 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, 05/08/2011 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO Processo nº 16408.000951/200630 Acórdão n.º 110200.484 S1C1T2 Fl. 149 2 Anocalendário: 2002 DÉBITOS INFORMADOS EM DIPJ, MAS NÃO DECLARADOS EM DCTF. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. CABIMENTO. A partir do anocalendário 1999, a DIPJ possui caráter meramente informativo. Não tendo os débitos sido recolhidos, nem tampouco declarados em DCTF, que possui caráter de confissão de dívida, mas tão somente informados em DIPJ, procedente o lançamento de ofício das parcelas não confessadas. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2002 DÉBITOS INFORMADOS EM DIPJ, MAS NÃO DECLARADOS EM DCTF. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. CABIMENTO. A partir do anocalendário 1999, a DIPJ possui caráter meramente informativo. Não tendo os débitos sido recolhidos, nem tampouco declarados em DCTF, que possui caráter de confissão de dívida, mas tão somente informados em DIPJ, procedente o lançamento de ofício das parcelas não confessadas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR provimento PARCIAL ao recurso para, para cancelar as exigências relativas à CSLL, nos termos do voto do relator. Documento assinado digitalmente. Ivete Malaquias Pessoa Monteiro Presidente. Documento assinado digitalmente. João Otávio Oppermann Thomé Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ivete Malaquias Pessoa Monteiro, João Carlos de Lima Júnior, João Otávio Oppermann Thomé, Silvana Rescigno Guerra Barretto, Leonardo de Andrade Couto, e Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo. Relatório Trata o presente processo de autos de infração lavrados contra a empresa acima identificada, para exigência de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica IRPJ (fls. 2 a 8), Fl. 157DF CARF MF Emitido em 08/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/07/2011 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Assinado digitalmente em 18/07/2011 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, 05/08/2011 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO Processo nº 16408.000951/200630 Acórdão n.º 110200.484 S1C1T2 Fl. 150 3 Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL (fls. 10 a 15), Contribuição para o Programa de Integração Social – PIS (fls. 17 a 24), e Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – COFINS (fls. 26 a 33), em razão da constatação, em procedimento de revisão interna, da existência de débitos informados na DIPJ, porém não declarados, ou declarados a menor, em DCTF, no ano calendário de 2002. O contribuinte apresentou impugnação, fls. 84 a 99, na qual alegou, em síntese, o seguinte: que, por equívoco contábil, informou nas DCTF do anocalendário de 2002 valores aquém dos realmente devidos, mas que tais valores foram prontamente corrigidos com a apresentação da DIPJ; que, tendo corrigido o equívoco, mediante a apresentação dos números corretos na DIPJ, sem que tenha havido qualquer intervenção dos agentes fiscalizadores, o recorrente refez o seu próprio lançamento por homologação, constituindo novo crédito tributário em favor da Fazenda Pública; que a DCTF e DIPJ constituem plenamente o crédito tributário, o que eleva seu status jurídico para o de confissão de dívida, possibilitando à Fazenda, no caso de tributo declarado, a imediata inscrição em Dívida Ativa para posterior cobrança judicial através da execução fiscal, conforme dispõe as próprias normas internas de procedimento da Receita Federal (art. 8º da IN SRF nº 255/02) e o art. 5º do Decretolei nº 2.124/84), bem como a jurisprudência do Egrégio Conselho de Contribuintes e do Poder Judiciário que cita; que, apesar de impossibilitado financeiramente de efetivar os recolhimentos, tranqüilizouse em relação ao cumprimento das obrigações formais; que na situação em que o contribuinte declara corretamente o tributo, constitui adequadamente o crédito tributário, mas não realiza o recolhimento, há previsão legal para aplicação da multa de mora (art. 61 da Lei nº 9.430/1996); que o lançamento direto ou de oficio é aquele que a autoridade administrativa efetua de própria iniciativa, sem a colaboração do sujeito passivo ou terceiro obrigado, nos termos do art. 149 do CTN, e que não há previsão legal para o lançamento de ofício de valores declarados na DIPJ; que, ainda que se suscite a incidência do art. 841, incisos I, III e IV do RIR/1999, e do art. 44, inciso I, da Lei nº 9.430/1996, que prevêem a multa pecuniária de 75%, há de analisar o aparente conflito de normas com relação à aplicação do art. 61 da Lei nº 9.430/1996, que prevê a multa pecuniária de 20% sobre o imposto não recolhido ao Erário, de sorte que se deve aplicar, a teor do disposto no art. 112, inciso I, do CTN, a lei mais benigna; ao final, requer a suspensão da exigibilidade do crédito tributário, bem como seja julgado totalmente improcedente o Auto de Infração lavrado, por inexistência de pressuposto jurídico autorizador de lançamento de oficio, ou, acaso não acatado este pedido, seja cancelada a incidência da multa punitiva de 75% sobre o valor declarado dos tributos, substituindoa pela multa moratória de 20% sobre o valor não recolhido, seja pela insustentabilidade da incidência de multa punitiva para esses casos, seja pela obrigatoriedade de aplicação da penalidade mais branda nos termos do art. 112, inciso I, do CTN. Fl. 158DF CARF MF Emitido em 08/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/07/2011 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Assinado digitalmente em 18/07/2011 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, 05/08/2011 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO Processo nº 16408.000951/200630 Acórdão n.º 110200.484 S1C1T2 Fl. 151 4 A 7ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro–I decidiu a lide por meio do Acórdão 1220.808, fls. 110 a 118, mantendo integralmente o lançamento efetuado, conforme ementa a seguir transcrita: “Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2002 FALTA DE RECOLHIMENTO DE IRPJ. DÉBITOS INFORMADOS EM DIPJ, MAS NÃO DECLARADOS EM DCTF. DÉBITOS NÃO DECLARADOS. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. CABIMENTO. Cabe registrar que os débitos informados, tão somente, em DIPJ não estão declarados e nem confessados, já que esta é meramente informativa. Portanto, é cabível o lançamento de ofício, uma vez comprovado que os débitos de IRPJ não foram declarados em DCTF e nem recolhidos. Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL Anocalendário: 2002 FALTA DE RECOLHIMENTO DE CSLL. DÉBITOS INFORMADOS EM DIPJ, MAS NÃO DECLARADOS EM DCTF. DÉBITOS NÃO DECLARADOS. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. CABIMENTO. Cabe registrar que os débitos informados, tão somente, em DIPJ não estão declarados e nem confessados, já que esta é meramente informativa. Portanto, é cabível o lançamento de ofício, uma vez comprovado que os débitos de CSLL não foram declarados em DCTF e nem recolhidos. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Anocalendário: 2002 FALTA DE RECOLHIMENTO DE PIS. DÉBITOS INFORMADOS EM DIPJ SUPERIORES AOS DECLARADOS EM DCTF. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. CABIMENTO. Uma vez comprovado que os débitos de Pis informados em DIPJ são superiores aos declarados (confessados) em DCTF, cabível o lançamento das diferenças apuradas. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Anocalendário: 2002 FALTA DE RECOLHIMENTO DE COFINS. DÉBITOS INFORMADOS EM DIPJ SUPERIORES AOS DECLARADOS EM DCTF. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. CABIMENTO. Uma vez comprovado que os débitos de Cofins informados em DIPJ são superiores aos declarados (confessados) em DCTF, cabível o lançamento das diferenças apuradas. MULTA DE OFÍCIO. Fl. 159DF CARF MF Emitido em 08/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/07/2011 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Assinado digitalmente em 18/07/2011 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, 05/08/2011 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO Processo nº 16408.000951/200630 Acórdão n.º 110200.484 S1C1T2 Fl. 152 5 FALTA DE RECOLHIMENTO DE TRIBUTOS. TRIBUTOS NÃO DECLARADOS EM DCTF. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. MULTA DE OFÍCIO. CABIMENTO. Cabível a aplicação da multa de ofício de 75% (setenta e cinco por cento), prevista na Lei nº 9.430/1996, art. 44, inciso I, nos casos de lançamento de ofício de tributos não declarados em DCTF e nem recolhidos.” Cientificada desta decisão em 22.09.2008, conforme AR de fls. 126, e com ela inconformada, a contribuinte interpôs recurso voluntário em 22.10.2008, fls. 130 a 135, no qual reprisa os argumentos já expostos por ocasião da inicial, e acrescenta, ainda, o seguinte: que o acórdão recorrido mantém a exigência do IRPJ no valor de R$ 178.601,86 e da CSLL de R$ 101.657,65, entretanto, estes tributos foram parcelados pela própria Receita Federal, através do PAES, na forma preceituada pela Lei 10.684/2003, conforme documentos que anexa (cópia do “Demonstrativo dos Débitos Consolidados”, onde constam os valores parcelados, e do “Extrato da Dívida PAES”); que, portanto, tem direito legal à redução da penalidade aplicada e da suspensão da exigência do crédito tributário relativo ao IRPJ e CSLL que estão sendo adimplidos através do referido parcelamento. É o relatório. Voto Conselheiro João Otávio Oppermann Thomé, Relator. O recurso é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade, dele tomo conhecimento. Quanto ao pedido de suspensão do crédito tributário, cumpre destacar que tal providência decorre diretamente do disposto no art. 151, inciso III, do Código Tributário Nacional – CTN. Diz o citado artigo: “Art. 151. Suspendem a exigibilidade do crédito tributário: ..... III as reclamações e os recursos, nos termos das leis reguladoras do processo tributário administrativo;” Assim, nos termos do disposto no art. 33 do Decreto nº 70.235/72 – PAF, que rege o processo administrativo fiscal, a interposição do presente recurso suspendeu a exigibilidade do crédito tributário aqui discutido até o presente momento. Aduz a recorrente que o lançamento é efetuado de ofício somente quando não é apresentada a declaração DCTF e DIPJ, que não há previsão legal para o lançamento de ofício de valores declarados na DIPJ, e que, no caso concreto, tratase de valores autolançados pelo próprio contribuinte. Fl. 160DF CARF MF Emitido em 08/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/07/2011 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Assinado digitalmente em 18/07/2011 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, 05/08/2011 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO Processo nº 16408.000951/200630 Acórdão n.º 110200.484 S1C1T2 Fl. 153 6 Por certo não há dúvida de que todos os tributos aqui em litígio (IRPJ, CSLL, PIS e COFINS) estão sujeitos à sistemática do lançamento por homologação, prevista no art. 150 do CTN, assim vazado: “Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 1º O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação ao lançamento. § 2º Não influem sobre a obrigação tributária quaisquer atos anteriores à homologação, praticados pelo sujeito passivo ou por terceiro, visando à extinção total ou parcial do crédito. § 3º Os atos a que se refere o parágrafo anterior serão, porém, considerados na apuração do saldo porventura devido e, sendo o caso, na imposição de penalidade, ou sua graduação. § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação.” No lançamento por homologação, a lei tributária atribui ao sujeito passivo a tarefa de verificar a ocorrência do fato gerador, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, e efetuar o seu pagamento, tudo sem o prévio exame da autoridade administrativa. Entretanto, constatando o fisco qualquer omissão ou inexatidão, por parte da pessoa legalmente obrigada, no exercício desta atividade, por dever de ofício incumbe à autoridade fiscal efetuar o lançamento de ofício, conforme determina o art. 149, inciso V, do mesmo CTN. Por outro lado, como forma de operacionalizar a administração dos tributos cobrados pela Receita Federal, o DecretoLei nº 2.124/84, no seu artigo 5º, autorizou a instituição de obrigação acessória com caráter de confissão de dívida e de instrumento hábil e suficiente para a exigência do crédito tributário. Confirase a redação do citado dispositivo, reproduzido no art. 933 do RIR/99: “Art. 933. O Ministro de Estado da Fazenda poderá eliminar ou instituir obrigações acessórias relativas ao imposto (DecretoLei nº 2.124, de 13 de junho de 1984, art. 5º). § 1º O documento que formalizar o cumprimento de obrigação acessória, comunicando a existência de crédito tributário, Fl. 161DF CARF MF Emitido em 08/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/07/2011 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Assinado digitalmente em 18/07/2011 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, 05/08/2011 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO Processo nº 16408.000951/200630 Acórdão n.º 110200.484 S1C1T2 Fl. 154 7 constituirá confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência do referido crédito (DecretoLei nº 2.124, de 1984, art. 5º, § 1º). § 2º Não pago no prazo estabelecido por este Decreto, o crédito, atualizado monetariamente, na forma da legislação pertinente (art. 874), e acrescido de multa de mora (art. 950) e de juros de mora (arts. 953 a 955), poderá ser imediatamente inscrito em Dívida Ativa da União, para efeito de cobrança executiva (DecretoLei nº 2.124, de 1984, art. 5º, § 2º). § 3º Sem prejuízo das penalidades aplicáveis pela inobservância da obrigação principal, o não cumprimento da obrigação acessória de que trata esta Seção sujeitará o infrator às multas previstas no art. 966 (DecretoLei nº 2.124, de 1984, art. 5º, § 3º).” Tal declaração, a que alude o citado dispositivo, é a DCTF – Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais, instituída pela Instrução Normativa SRF nº 126, de 30 de outubro de 1998. Assim, desde que estivessem os débitos declarados na competente DCTF, ainda que não pagos, sobre eles recairia tão somente a multa de mora, e isto por ser esta declaração um instrumento de confissão de dívida. Por outro lado, a DIPJ – Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica, instituída pela Instrução Normativa SRF nº 127, de 30 de outubro de 1998, consoante consolidado entendimento da administração tributária, bem como deste Egrégio Conselho, a partir do anocalendário de 1999, possui natureza meramente informativa, isto é, não constitui confissão de dívida, ao contrário do que sustenta a recorrente. Aliás, toda a jurisprudência relativa ao Conselho de Contribuintes, invocada pela recorrente desde sua peça inicial de defesa, faz menção apenas à DCTF como instrumento de confissão de dívida. Portanto, não pagos os tributos, e tampouco declarados (confessados) em DCTF, cabível é o seu lançamento de ofício pela autoridade administrativa, modalidade de lançamento a qual, por seu turno, atrai para si a aplicação da multa pecuniária de 75%, nos termos do artigo 44 da Lei nº 9.430, de 1996. Improcedentes, no caso, os apelos da recorrente para que lhe fosse cominada a penalidade de 20%, prevista no art. 61 da mesma Lei nº 9.430, de 1996, posto que esta pena não se aplica aos casos de lançamento de ofício, como o presente, não havendo margem a dúvidas quanto a este aspecto. Quanto ao mérito propriamente dito, de fato não há contestação da recorrente quanto aos valores lançados por meio dos autos de infração, posto que ela mesma reconhece que são corretos os números expressos na sua DIPJ, sendo certo que os lançamentos em questão abrangem justamente a diferença entre o que na DIPJ constava e o que na DCTF fora confessado. Entretanto, em sede recursal, informa a recorrente que efetuou adesão ao Programa de Parcelamento Especial, instituído pela Lei n° 10.684/03 (PAES), e que os débitos relativos ao IRPJ e à CSLL, a que atine o presente processo, estão incluídos entre aqueles submetidos ao referido parcelamento. Fl. 162DF CARF MF Emitido em 08/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/07/2011 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Assinado digitalmente em 18/07/2011 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, 05/08/2011 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO Processo nº 16408.000951/200630 Acórdão n.º 110200.484 S1C1T2 Fl. 155 8 Às fls. 137 consta a discriminação dos débitos referentes à CSLL que foram incluídos no PAES, e ali verificase que estes correspondem precisamente aos débitos desta contribuição que foram lançados de ofício (fls. 12), quais sejam, as diferenças (contribuição declarada a menor) relativas aos quatro trimestres de 2002. Consoante o “Extrato da dívida PAES” de fls. 138, a dívida foi consolidada em 03/07/2003. Já o lançamento de ofício, por sua vez, foi cientificado ao contribuinte somente em 16/08/2006 (fls. 81). Portanto, comprovado que os débitos referentes à CSLL foram incluídos no PAES antes da ação fiscal, deve ser cancelado o lançamento de ofício a eles relativos. Com relação ao IRPJ, entretanto, o “Demonstrativo dos Débitos Consolidados” de fls. 136 aponta débito de IRPJ de estimativa referente ao período de apuração 12/2002, no valor de R$ 187.599,00, enquanto que os débitos aqui lançados de ofício (fls. 4), são outros, mormente em razão de que a apuração, neste ano calendário, se deu pela modalidade do lucro real trimestral, consoante a DIPJ apresentada pela recorrente, a qual ela própria reconheceu correta, conforme antes já visto. Assim, não comprovada a correlação dos débitos, relativos ao IRPJ, e informados no PAES, com os valores autuados, vez que se trata de valores, períodos, e forma de apuração distintos, deve ser mantido o lançamento efetuado. No mesmo sentido, cito o seguinte precedente: “ADESÃO AO PAES Não logrando o contribuinte correlacionar os débitos informados no PAES com os valores autuados não há como se exonerar os valores pleiteados.” (Acórdão 10808.567, relatora Ivete Malaquias Pessoa Monteiro) Pelo exposto, dou parcial provimento ao recurso voluntário, para cancelar as exigências relativas à CSLL. É como voto. Documento assinado digitalmente. João Otávio Oppermann Thomé Relator Fl. 163DF CARF MF Emitido em 08/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/07/2011 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Assinado digitalmente em 18/07/2011 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, 05/08/2011 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO
score : 1.0
Numero do processo: 13701.003317/2008-16
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 10 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Feb 10 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF
Exercício: 2005
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. HIPÓTESES DE ISENÇÃO.
As exclusões do conceito de remuneração estabelecidas na Lei n°. 8.852, de 1994, não são hipóteses de isenção ou não incidência de IRPF, que requerem, pelo Principio da Estrita Legalidade em matéria tributária, disposição legal federal especifica.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2102-001.089
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto da Relatora.
Matéria: IRPF- auto de infração eletronico (exceto multa DIRPF)
Nome do relator: Acácia Sayuri Wakasungi
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF Exercício: 2005 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. HIPÓTESES DE ISENÇÃO. As exclusões do conceito de remuneração estabelecidas na Lei n°. 8.852, de 1994, não são hipóteses de isenção ou não incidência de IRPF, que requerem, pelo Principio da Estrita Legalidade em matéria tributária, disposição legal federal especifica. Recurso Voluntário Negado.
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conteudo_txt : Metadados => date: 2011-12-15T15:28:00Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 10; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2011-12-15T15:28:00Z; Last-Modified: 2011-12-15T15:28:00Z; dcterms:modified: 2011-12-15T15:28:00Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; xmpMM:DocumentID: uuid:c62bc6a9-208e-483e-861e-55a7b7147b67; Last-Save-Date: 2011-12-15T15:28:00Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2011-12-15T15:28:00Z; meta:save-date: 2011-12-15T15:28:00Z; pdf:encrypted: false; modified: 2011-12-15T15:28:00Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2011-12-15T15:28:00Z; created: 2011-12-15T15:28:00Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; Creation-Date: 2011-12-15T15:28:00Z; pdf:charsPerPage: 1219; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2011-12-15T15:28:00Z | Conteúdo => Presidente ACAQI EDITA : 09/1 /2011 S2-CIT2 Fl. 34 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n° 13701.003317/2008-16 Recurso n° 503.014 Voluntário Acórdão n° 2102-01.089 — la Camara / 2 Turma Ordinária Sessão de 10 de fevereiro de 2011 Matéria IRPF Recorrente ALDEMARIO DA TRINDADE Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF Exercício: 2005 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. HIPÓTESES DE ISENÇÃO. As exclusões do conceito de remuneração estabelecidas na Lei n°. 8.852, de 1994, não são hipóteses de isenção ou não incidência de IRPF, que requerem, pelo Principio da Estrita Legalidade em matéria tributária, disposição legal federal especifica. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discuti is os presentes autos. Acordam os Memb do Coleg . do, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos voto da Rel. ora. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Giovanni Christian Nunes Campos, Niabia Matos Moura, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, Rubens Mauricio Carvalho e Acácia Sayuri Wakasugi. Ausente, justificadamente, a Conselheira Vanessa Pereira Rodrigues Domene. Relatório Assim, contra ALDEMARIO DA TRINDADE foi lavrada Notificação de Lançamento, fls. 03/05, para alterar o resultado da Declaração de Ajuste Anual (DAA), ano- calendário 2004, exercício 2005, sendo que confrontando o valor dos Rendimentos Tributáveis Recebidos de Pessoa Jurídica declarados com o valor dos rendimentos informados pelas fontes pagadoras em Declaração do Imposto de Renda Retido na Fonte (Dirf), para o titular constatou-se omissão de rendimentos sujeitos A. tabela progressiva, no valor de R$ 8.302,50 percebido das fontes pagadoras. Na apuração do imposto devido, nada havia a ser compensado. Em síntese, o presente processo fiscal de lançamento, fora lavrado após o processamento da declaração de ajuste e resultado da solicitação de retificação de lançamento - SRL, por omissão de rendimentos recebidos. Cientificado, o recorrente insurgiu-se contra o lançamento focando primordialmente o inciso III do art 1° da Lei 8.852/94, o qual, segundo alega, enumera hipóteses que excluiriam rendimentos do campo de incidência do imposto de renda sobre a pessoa fisica e, assim, a Secretaria da Receita Federal deveria rever a autuação, tendo juntado documentos, fls. 06/15. A DRJ em acordão tombado sob o n°. 13-24.436 - l a. Turma da DRJ/RJOII , em sessão de julgamento datado de 30/04/2009, julgou, por unanimidade de votos, procedente o lançamento, fls. 20/24, tendo a seguinte ementa que ora transcrevo: "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF Exercício: 2005 OMISSÃO DE RENDIMENTOS As exclusões do conceito de remuneração, estabelecidas na Lei n° 8.852/94, não são hipóteses de isenção ou não incidência de IRPF, que requerem, pelo Principio da Estrita Legalidade em matéria tributária, disposição legal federal especifica. Lançamento Procedente" Cientificada, por AR em 03/06/2009, fls. 25, o contribuinte apresentou, em 26/06/2009, recurso voluntário, fls. 26/27, onde repisa os argumentos elencados na impugnação ao auto de lançamento, aduzindo ainda que de acordo com a Lei Federal no 8.852/94, em seu art. 1°, inc. III, o IRPF não incidiria sob as parcelas relativas aos vencimentos dos militares/servidores civis, entre outras: Gratificação de tempo de serviço; gratificação ou adicional natalino, ou 13° Salário, Compensação Orgânica e Salário Família. É 0 RELATÓRIO. Voto Conselheira Acácia Sayuri Wakasugi 0 recurso apresentado atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto n° 70.235, de 6 de março de 1972. Assim sendo, dele conheço. Em sede de recurso, não foram apresentados novos argumentos ou elementos de prova para contestar as razões utilizadas pelo relator do voto do acórdão da DRJ, apenas foi solicitada novamente que fosse aceita a tese de isenção sobre parcelas referentes a Processo If 13701.003317/2008-16 S2-C1 1'2 Acórdão n.° 2102-01.089 Fl. 35 Compensação Orgânica e Adicional de Tempo de Serviço e Compensação Orgânica, conforme a Lei 8.852, de 1994. De outro lado, o acórdão recorrido, foi minucioso acerca da impossibilidade legal e fática para que seja aceita a tese da defesa, conforme se vê no voto do julgamento prolatado pela de primeira instância que, aqui transcrevo, em partes: O Código Tributário Nacional, Lei 5.172/66, define no artigo 43 o imposto sobre a renda e proventos de qualquer natureza. A Lei 7.713/88, em seu art 3 0, § 10, dispõe que o imposto incidirá sobre o rendimento bruto, sem qualquer dedução, sobre todo o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos (renda), os alimentos e pensões percebidos em dinheiro, e ainda os proventos de qualquer natureza, assim também entendidos os acréscimos patrimoniais não correspondentes aos rendimentos declarados, ressalvadas as disposições dos artigos 90 a 14 desta mesma Lei. Ademais, o § 40 do art 3° da Lei 7.713/88 define que a tributação independe da denominação dos rendimentos, títulos ou direitos, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem dos bens produtores da renda e da forma de percepção das rendas ou proventos, bastando, para a incidência do imposto, o beneficio do contribuinte por qualquer forma e a qualquer titulo. Todavia, normas legais determinam a exclusão do rendimento bruto, para fins de incidência do imposto de renda da pessoa física, por serem isentos ou não tributáveis. Estas exclusões estão elencadas no artigo 39 do Decreto n° 3.000/99 (Regulamento do Imposto de Renda). A Lei 8.852/94 dispõe sobre a aplicação dos arts. 37, incisos XI e XII, e 39, § 1°, da Constituição Federal, além de dar outras providências, mas não contempla em seu artigo I°. III, hipóteses de isenção ou de não incidência do imposto de renda da pessoa física. 0 artigo 10 da Lei 8.852/94 define meramente aquilo que seja vencimento básico, vencimentos e remuneração para aplicação dos seus dispositivos. Com efeito, não outorga isenção ou enumera hipóteses de não incidência de imposto, mesmo porque, lei que concede isenção deve ser especifica, nos termos do § 6° do artigo 150 da CF/88, ou seja, deve tratar exclusivamente da matéria isentiva ou de determinada espécie tributária. As alíneas de "a" até "r" no inciso III do art 1° da Lei 8.852/94 são exclusões do conceito de remuneração, mas não são hipóteses de isenção ou não incidência de imposto de renda da pessoa fisica, em outras palavras, não determinam sua exclusão do rendimento bruto para fins de não incidência do imposto sobre a pessoa física, mas sim, repita-se, de sua exclusão do conceito de remuneração para os objetivos da Lei 8.852/94. (...)" Assim sendo, é imprescindível que as provas e argumentos sejam carreados aos autos, no sentido de refutar o procedimento fiscal, se revistam de toda força capaz de propiciar o necessário convencimento e, conseqüentemente, descaracterizar o que lhe foi imputado pelo fisco. No presente processo está clara pela instrução, provas prestadas e confirmadas pelos próprios interessados, que a parcela tributada não é isenta, pois, a Lei 8.852, de 1994 não é competente e não teve o objetivo de definir a isenção tributária sobre o IRPF, obrigando que a autoridade fiscal, em função da seu dever de oficio, promovesse o lançamento atendendo a legislação tributária vigente. Ademais essa matéria sobre o efeito da Lei 8.852, de 1994 em matéria tributária em tela já fora tema debates neste CARP, havendo pois, uniformidade de entendimentos: Processo n°. : 13701.000384/2006-17 Recurso n°. : 155.978 Matéria : IRPF - Ex(s): 2002 Sessão de : 25 de maio de 2007 Acórdão n°. : 104-22.484 IRPF - RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS - SERVIDORES PÚBLICOS A Lei n°. 8.852, de 1994, não veicula isenção do imposto de renda das pessoas físicas. As verbas recebidas a titulo de adicional por tempo de serviço, adicional de férias e gratificação constituem renda ou acréscimo patrimonial e devem ser tributadas, A mingua de enunciado isentivo na legislação. Recurso negado. Assim, constatadas as irregularidades descritas nos autos de infração, tendo sido observadas na autuação as respectivas legislações regentes das matérias e não tendo a contribuinte apresentado qualquer prova ou argumento capaz de elidir o que lhe foi imputado, devem ser mantidas as exigências Desta fo , estand \ co7to o lançamento e, por conseguinte, não merecendo reparos a decis e primeira instSn ia, NEGO PROVIMENTO AO RECURSO. Acá Yj Wa as g" - Relatora 4
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