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Numero do processo: 10821.000600/2009-12
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Apr 26 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri May 13 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 08/02/2005 a 30/11/2005
PENALIDADE ADMINISTRATIVA. ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO OU PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE.
A denúncia espontânea não alcança as penalidades infligidas pelo descumprimento de deveres instrumentais, como os decorrentes da inobservância dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira, mesmo após o advento da nova redação do art. 102 do Decreto-Lei nº 37/1966, dada pelo art. 40 da Lei nº 12.350, de 2010.
Recurso Especial Provido em Parte.
Numero da decisão: 9303-003.590
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em dar provimento parcial ao recurso especial para considerar inaplicável ao caso a denúncia espontânea, devendo o processo retornar à instância a quo para apreciação das demais questões trazidas no recurso voluntário e que não foram objeto de deliberação por aquele Colegiado. Vencidos os Conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Maria Teresa Martínez López, que negavam provimento.
CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente).
Nome do relator: CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO OU PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE. A denúncia espontânea não alcança as penalidades infligidas pelo descumprimento de deveres instrumentais, como os decorrentes da inobservância dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira, mesmo após o advento da nova redação do art. 102 do DecretoLei nº 37/1966, dada pelo art. 40 da Lei nº 12.350, de 2010. Recurso Especial Provido em Parte. Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em dar provimento parcial ao recurso especial para considerar inaplicável ao caso a denúncia espontânea, devendo o processo retornar à instância a quo para apreciação das demais questões trazidas no recurso voluntário e que não foram objeto de deliberação por aquele Colegiado. Vencidos os Conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Maria Teresa Martínez López, que negavam provimento. CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Presidente e Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 82 1. 00 06 00 /2 00 9- 12 Fl. 256DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10821.000600/200912 Acórdão n.º 9303003.590 CSRF‐T3 Fl. 257 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente). Relatório Tratase de Auto de Infração que exige da contribuinte a multa pelo atraso na prestação de informações sobre veículo ou carga nele transportada, penalidade prevista no art. 107, inciso IV, alínea "e", do DL 37, de 1966, cuja redação foi alterada pela Lei 10.833, de 2003. Julgando o feito, a Turma recorrida deu provimento ao recurso voluntário, nos termos do Acórdão 3801003.254, aplicando a denúncia espontânea para afastar a exigência da multa em comento. Cientificada do acórdão mencionado o Representante da Fazenda Nacional apresentou recurso especial suscitando divergência quanto à exoneração da penalidade em comento por aplicação da denúncia espontânea prevista no art. 102, § 2º, do Decretolei nº 37/1966, com a nova redação dada pela Lei 12.350, de 2010. O recurso foi admitido por intermédio de despacho do Presidente da Câmara recorrida, e o contribuinte apresentou contrarrazões. É o relatório, em síntese. Voto Carlos Alberto Freitas Barreto, relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º a 3º do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303003.551, de 26/04/2016, proferido no julgamento do processo 10715.004458/201015, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido naquela decisão (Acórdão 9303003.551): "O recurso é tempestivo e, ao contrário do alegado pelo sujeito passivo em suas contrarrazões, atende aos demais requisitos de admissibilidade, merecendo, por isso, ser admitido. Fl. 257DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10821.000600/200912 Acórdão n.º 9303003.590 CSRF‐T3 Fl. 258 3 De fato, ao cotejarmos o objeto desta lide com o da discutida no acórdão paradigma, vêse que tratam exatamente da mesma matéria, in casu, a multa prevista na alínea "e" do inciso IV do art. 107 do DecretoLei nº 37/1966, com a redação dada pela Lei nº 10.833/2003: Art. 107. Aplicamse ainda as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) . I omissis ..................................................................................................... IV de R$ 5.000,00 (cinco mil reais): (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) . a) omissis ....................................................................................................... e) por deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada à empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de serviços de transporte internacional expresso portaaporta, ou ao agente de carga; e As situações fáticas discutidas em ambos os acórdãos, recorrido e paradigma, como dito anteriormente, são, exatamente, as mesmas, a entrega fora do prazo das informações previstas na alínea transcrita acima, que não faz qualquer distinção se o transporte é marítimo ou aéreo. O dispositivo legal interpretado é, absolutamente, idêntico, mas os resultados dos julgamentos foram distintos. No recorrido, aplicouse a denúncia espontânea, já no acórdão paradigma, não. Acrescentese ainda que a matéria foi prequestionada e o recurso foi apresentado, no tempo regimental, por quem de direito. Importante frisar que recorrido e paradigma, além de tratarem da mesma matéria, foram proferidos após 28/07/2010 (data da publicação da MP 497, convertida na Lei 12.350, de 20/12/2010), portanto, posteriormente à alteração promovida no art. 102, § 2º, do DecretoLei 37/66, que trata da denúncia espontânea nas infrações aduaneiras. Atendido, assim, todos os requisitos de admissibilidade, é de se conhecer do apelo apresentado pela Fazenda Nacional. A matéria devolvida ao Colegiado cingese, exclusivamente, à possibilidade de aplicar a denúncia espontânea após a alteração promovida pela Lei 12.350/2010, para afastar a exigência da multa pelo atraso na prestações de informações sobre veículo ou carga nele transportada. O instituto da denúncia espontânea está para o Direito Tributário assim como o arrependimento eficaz e a desistência voluntária estão para o Direito Penal. Esses institutos são como uma ponte de ouro, como diriam os penalistas, para aqueles que se encontram à margem da lei, a esses é oferecida uma oportunidade de regressar ao caminho da lei, uma ponte de ouro para a legalidade. Por essa ponte só podem passar aqueles que, voluntariamente, desistem de consumar o ato ilícito, ou, se já o praticaram, evitamlhe o resultado. Fl. 258DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10821.000600/200912 Acórdão n.º 9303003.590 CSRF‐T3 Fl. 259 4 Nos delitos unissubsistentes1 não se admite desistência voluntária, uma vez que, praticado o primeiro ato, já se encerra a execução, tornando impossível a sua cisão. Já os crimes de mera conduta2 e os formais3 "não comportam arrependimento eficaz, uma vez que, encerrada a execução, o crime já está consumado, não havendo resultado naturalístico a ser evitado". No direito tributário, a ponte de ouro é a denúncia espontânea que nada mais é do que o reconhecimento voluntário do ilícito, e a reparação do dano ao bem jurídico violado, o que não veio a ocorrer no caso em exame. Todavia, assim como no Direito Penal, no Tributário algumas infrações não são suscetíveis de denúncia espontânea. São aquelas em que a mera conduta, por si só, já configura o ilícito, o qual, uma vez ocorrido, não há possibilidade jurídica, ou até mesmo física, de se evitar o resultado. O exemplo mais característico desse tipo de infração, é, justamente, a referente ao atraso no cumprimento de obrigação acessória, pois, no exato momento em que se exauriu o prazo legal sem que a obrigação tenha sido adimplida, a infração está configurada e o atraso não poderá ser reparado. Em outras palavras, atendose às normas do Direito Tributário, o dano relativo ao descumprimento de obrigação principal pode ser reparado, pagandose o tributo e os consectários legais. Todavia, se se tratar de infrações referentes a obrigações acessórias autônomas, a ser prestada em determinado prazo, o dano não pode ser sanado, posto que o núcleo do bem jurídico protegido, uma vez violado, não tem como ser restabelecido. Assim, por exemplo, se a obrigação era apresentar declaração até determinada data, e se esta não foi apresentada no prazo determinado, não há como cumprir a obrigação acessória tempestivamente, salvo se se voltar no tempo, ainda não possível com a tecnologia disponível hoje. No caso dos autos, a obrigação acessória autônoma, descumprida pelo transportador ou seus representantes, consistia no dever de o sujeito passivo informar os dados de embarque de mercadorias no prazo estabelecido pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. Notese que, uma vez exaurido o prazo para se prestar as informações sem que elas tenham sido prestadas ao órgão competente, a infração restou configurada, não havendo mais possibilidade de se evitar o resultado. Notese que, se a sanção fosse destinada, apenas e tãosomente, a punir o não cumprimento da obrigação acessória, poderseia admitir que, o adimplemento a destempo, desde que espontâneo, poderia ser beneficiado com a norma excludente da penalidade. Entretanto, se a sanção é destinada a coibir o atraso no cumprimento da obrigação, uma vez ocorrida a mora, não há que se falar em denúncia espontânea. 1 Crime unissubsistente é aquele que é realizado por ato único, não sendo admitido o fracionamento da conduta. 2 Crime de mera conduta. Assim como nos crimes formais, no crime de mera conduta o criminoso não precisa produzir um resultado. Mas, diferente do crime formal, a lei sequer olha qual era a intenção do criminoso ou se ele poderia produzir determinado resultado: basta que o criminoso aja de uma forma que a lei considera não desejada. 3 O crime formal não exige a produção do resultado para sua consumação, ainda que possível que ele ocorra. Fl. 259DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10821.000600/200912 Acórdão n.º 9303003.590 CSRF‐T3 Fl. 260 5 Essa questão da denúncia espontânea envolvendo descumprimento de obrigação acessória encontravase apascentada, tanto no Judiciário4 quanto no âmbito administrativo, tendo sido, inclusive, objeto de Súmula no CARF, mais precisamente, a de nº 49, cujo enunciado transcrevese a seguir: Súmula CARF nº 49: A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. Todavia, com a edição da Lei nº 12.350/2010, cujo art. 405 deu nova redação ao art. 102 do DecretoLei nº 37/1966, a questão foi reaberta e gerou celeuma na jurisprudência e na doutrina, mas, a meu sentir, não há razão alguma para se modificar o entendimento anteriormente firmado, pois, pela razões expostas linhas acima, a novel legislação não alcança a infração objeto destes autos. Neste sentido, impecável a decisão da 2ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da Terceira Seção, Acórdão 310200.988, cujo voto condutor foi da lavra do insigne Conselheiro José Fernandes do Nascimento, que, com as merecidas loas, peço licença para aqui transcrever o entendimento lá adotado, como arrimo deste voto. "O objetivo da norma em destaque, evidentemente, é estimular que o infrator informe espontaneamente à Administração aduaneira a prática das infrações de natureza tributária e administrativa instituídas na legislação aduaneira. Nesta última, incluída todas as obrigações acessórias ou deveres instrumentais (segundo alguns) que tenham por objeto as prestações positivas (fazer ou tolerar) ou negativas (não fazer) instituídas no interesse fiscalização das operações de comércio exterior, incluindo os aspectos de natureza tributária, administrativo, comercial, cambial etc. Não se pode olvidar que, para aplicação do instituto da denúncia espontânea, é condição necessária que a infração de 4 'TRIBUTÁRIO. MULTA MORATÓRIA. ART. 138 DO CTN. ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS. 1. O STJ possui entendimento de que a denúncia espontânea não tem o condão de afastar a multa decorrente do atraso na entrega da declaração de rendimentos, pois os efeitos do art. 138 do CTN não se estendem às obrigações acessórias autônomas. 2. Agravo Regimental não provido.” (STJ. 2ª T. AgRg nos EDcl no AREsp 209663/BA. Rel. Min. Herman Benjamin. DJe 10/05/2013).' 5 Art. 102. A denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do imposto e dos acréscimos, excluirá a imposição da correspondente penalidade. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988). § 1º Não se considera espontânea a denúncia apresentada: (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) a) no curso do despacho aduaneiro, até o desembaraço da mercadoria; (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) b) após o início de qualquer outro procedimento fiscal, mediante ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, tendente a apurar a infração. (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) § 2º A denúncia espontânea exclui a aplicação de penalidades de natureza tributária ou administrativa, com exceção das penalidades aplicáveis na hipótese de mercadoria sujeita a pena de perdimento. (Redação dada pela Lei nº 12.350, de 2010). (...) Fl. 260DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10821.000600/200912 Acórdão n.º 9303003.590 CSRF‐T3 Fl. 261 6 natureza tributária ou administrativa seja passível de denunciação à fiscalização pelo infrator. Em outras palavras, é requisito essencial da excludente de responsabilidade em apreço que a infração seja denunciável. No âmbito da legislação aduaneira, em consonância com o disposto no retrotranscrito preceito legal, as impossibilidades de aplicação dos efeitos da denúncia espontânea podem decorrer de circunstância de ordem lógica (ou racional) ou legal (ou jurídica). No caso de impedimento legal, é o próprio ordenamento jurídico que veda a incidência da norma em apreço, ao excluir determinado tipo de infração do alcance do efeito excludente da responsabilidade por denunciação espontânea da infração cometida. A título de exemplo, podem ser citadas as infrações por dano erário, sancionadas com a pena de perdimento, conforme expressamente determinado no § 2º, in fine, do citado art. 102. A impossibilidade de natureza lógica ou racional ocorre quando fatores de ordem material tornam impossível a denunciação espontânea da infração. São dessa modalidade as infrações que têm por objeto as condutas extemporâneas do sujeito passivo, caracterizadas pelo cumprimento da obrigação após o prazo estabelecido na legislação. Para tais tipos de infração, a denúncia espontânea não tem o condão de desfazer ou paralisar o fluxo inevitável do tempo. Compõem essa última modalidade toda infração que tem o atraso no cumprimento da obrigação acessória (administrativa) como elementar do tipo da conduta infratora. Em outras palavras, toda infração que tem o fluxo ou transcurso do tempo como elemento essencial da tipificação da infração. São dessa última modalidade todas as infrações que têm no núcleo do tipo da infração o atraso no cumprimento da obrigação legalmente estabelecida. A título de exemplo, pode ser citada a conduta do transportador de registrar extemporaneamente no Siscomex os dados das cargas embarcadas, infração objeto da presente autuação. Veja que, na hipótese da infração em apreço, o núcleo do tipo é deixar de prestar informação sobre a carga no prazo estabelecido, que é diferente da conduta de, simplesmente, deixar de prestar a informação sobre a carga. Na primeira hipótese, a prestação intempestiva da informação é fato infringente que materializa a infração, ao passo que na segunda hipótese, a mera prestação de informação, independentemente de ser ou não a destempo, resulta no cumprimento da correspondente obrigação acessória. Nesta última hipótese, se a informação for prestada antes do início do procedimento fiscal, a denúncia espontânea da infração configurase e a respectiva penalidade é excluída. Fl. 261DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10821.000600/200912 Acórdão n.º 9303003.590 CSRF‐T3 Fl. 262 7 De fato, se registro extemporâneo da informação da carga materializasse a conduta típica da infração em apreço, seria de todo ilógico, por contradição insuperável, que o mesmo fato configurasse a denúncia espontânea da correspondente infração. De modo geral, se admitida a denúncia espontânea para infração por atraso na prestação de informação, o que se admite apenas para argumentar, o cometimento da infração, em hipótese alguma, resultaria na cobrança da multa sancionadora, uma vez que a própria conduta tipificada como infração seria, ao mesmo tempo, a conduta configuradora da denúncia espontânea da respectiva infração. Em consequência, ainda que comprovada a infração, a multa aplicada seria sempre inexigível, em face da exclusão da responsabilidade do infrator pela denúncia espontânea da infração. Esse sentido e alcance atribuído a norma, com devida vênia, constitui um contrassenso jurídico, uma espécie de revogação da penalidade pelo intérprete e aplicador da norma, pois, na prática, a sanção estabelecida para a penalidade não poderá ser aplicada em hipótese alguma, excluindo do ordenamento jurídico qualquer possibilidade punitiva para a prática de infração desse jaez." No mesmo sentido, posicionouse o Conselheiro Solon Sehn no Acórdão 3802002.314, de 27/11/2013, do qual transcrevo os seguintes excertos: "Destarte, a aplicação da denúncia espontânea às infrações caracterizadas pelo fazer ou nãofazer extemporâneo do sujeito passivo implicaria o esvaziamento do dever instrumental, que poderia ser cumprido há qualquer tempo, ao alvedrio do sujeito passivo. Exegese dessa natureza comprometeria toda a funcionalidade dos deveres instrumentais no sistema tributário. Destacase, nesse sentido, a doutrina de Yoshiaki Ichihara: 'Caso se entenda que o descumprimento de dever instrumental formal possa ser denunciado e corrigido sem o pagamento das multas decorrentes, na prática não haverá mais infração da obrigação acessória. Seria, a rigor, uma verdadeira anistia, que somente poderá ser concedida por lei específica. Exemplificando, uma empresa que deixou de registrar e escriturar livros fiscais, com a denúncia espontânea da infração, se assim se entender, não haverá mais multa, e a aplicação da lei tributária estará integralmente frustrada' 6. 6 ICHIHARA, Yoshiaki. Sanções tributárias questões sugeridas. In: MACHADO, Hugo de Brito (coord.). Sanções administrativas tributárias. São Paulo: DialéticaICET, 2004, p. 502. Fl. 262DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10821.000600/200912 Acórdão n.º 9303003.590 CSRF‐T3 Fl. 263 8 Entendese, portanto, que a denúncia espontânea (art. 138 do CTN e art. 102 do DecretoLei n° 37/1966) não alcança as penalidades exigidas pelo descumprimento de dever instrumental caracterizado pelo atraso na prestação de informação à administração aduaneira. (...)" Não destoando desse entendimento, manifestouse recentemente o e. Tribunal Regional Federal da 4ª Região, conforme se infere do enunciado da ementa e dos trechos do voto condutor do julgado, a seguir transcritos: EMBARGOS À EXECUÇÃO FISCAL. MULTA DECORRENTE DA INFORMAÇÃO INTEMPESTIVA DE DADOS DE EMBARQUE. AGENTE MARÍTIMO. LEGITIMIDADE PASSIVA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA AUTÔNOMA. INAPLICABILIDADE DA DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA. PROPORCIONALIDADE E RAZOABILIDADE. VALOR QUE NÃO OFENDE O PRINCÍPIO DA VEDAÇÃO DE CONFISCO. 1. O agente marítimo assume a condição de representante do transportador perante os órgãos públicos nacionais e, ao deixar de prestar informação sobre veículo ou carga transportada, concorre diretamente para a infração, daí decorrendo a sua responsabilidade pelo pagamento da multa, nos termos do artigo 95, I, do DecretoLei nº 37, de 1966. 2. Não se aplica a denúncia espontânea para os casos de descumprimento de obrigações tributárias acessórias autônomas. 3. A finalidade punitiva e dissuasória da multa justifica a sua fixação em valores mais elevados, sem que com isso ela ofenda os princípios da razoabilidade, proporcionalidade e vedação ao confisco. [...]Voto. [...] Não é caso, também, de acolhimento da alegação de denúncia espontânea. A Lei nº 12.350, de 2010, deu ao artigo 102, § 2º, do DecretoLei nº 37, de 1966, a seguinte redação: [...] Bem se vê que a norma não é inovadora em relação ao artigo 138 do CTN, merecendo, portanto, idêntica interpretação. Nesse sentido, é pacífico o entendimento no sentido de que a denúncia espontânea não se aplica para os casos em que a infração seja à obrigação tributária acessória autônoma. [...] (BRASIL. TRF4. 2ª Turma. Apelação Cível nº 5005999 81.2012.404.7208/SC. rel. Des. Rômulo Pizzolatti, j. 10.12.2013) (grifo acrescido) Importante ressaltar que o entendimento acerca da impossibilidade de aplicar a denúncia espontânea para afastar a multa capitulada no artigo no art. 107, inciso IV, alínea "e", do DL 37, de 1966, alcança, indistintamente, a exigência dessa penalidade nas diversas situações nas quais é aplicada, tais como: atraso na prestação de informações sobre mercadoria embarcada, atracação de embarcação, vinculação de manifesto de carga, etc. Fl. 263DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10821.000600/200912 Acórdão n.º 9303003.590 CSRF‐T3 Fl. 264 9 Afastada a aplicação da denúncia espontânea, necessário verificar o efeito desse entendimento sobre o resultado do julgamento, tendo em vista que a decisão neste processo será aplicada a diversos outros, na sistemática prevista nos §§ 1º a 3º do art. 47 do RICARF (recursos repetitivos). Como a denúncia espontânea é questão prejudicial de mérito, impede o julgamento das demais questões afetas à exigência da penalidade em foco. Portanto, ainda que o voto condutor do recorrido tenha se pronunciado sobre outras questões de mérito, tal pronunciamento não representa julgamento pelo colegiado a quo, constituindo, apenas, manifestação pessoal do relator. Por isso, afastada a denúncia espontânea, deve o processo retornar à instância a quo para que sejam enfrentadas as questões de mérito trazidas pelo Sujeito Passivo no recurso voluntário. Com essas considerações, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso interposto pela Fazenda Nacional, para considerar inaplicável ao caso a denúncia espontânea, devendo o processo retornar à instância a quo para apreciação das demais questões trazidas no recurso voluntário e que não foram objeto de deliberação por aquele Colegiado." Aplicandose as razões de decidir, o voto e o resultado acima do processo paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º a 3º do art. 47 do RICARF, dáse provimento parcial ao recurso interposto pela Fazenda Nacional, para considerar inaplicável ao caso a denúncia espontânea, devendo o processo retornar à instância a quo para apreciação das demais questões trazidas no recurso voluntário e que não foram objeto de deliberação por aquele Colegiado. CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Fl. 264DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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Numero do processo: 10680.720565/2007-33
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 12 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Aug 11 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2004
ITR. ISENÇÃO. ÁREA DE RESERVA LEGAL. A isenção de ITR para área de reserva legal está condicionada à existência de averbação tempestiva da área pleiteada.
EMBARGOS. ACOLHIMENTO. Estando configurada na decisão a omissão, erro, contradição e/ou obscuridade, há que se acolher os embargos declaratórios interpostos para sanar a irregularidade ou erro da decisão embargada.
Embargos Acolhidos.
Numero da decisão: 2401-004.438
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em acolher os embargos, com efeitos infringentes, para que sejam considerados isentos de ITR, para toda propriedade, 704,852 ha de área de reserva legal (pela existência de averbação tempestiva), e de 3.600 ha de área de preservação permanente (comprovados com a apresentação do ADA tempestivo). Vencidos os conselheiros Andréa Viana Arrais Egypto, Carlos Alexandre Tortato, Luciana Matos Pereira Barbosa e Rayd Santana Ferreira, que não conheciam dos embargos.
Miriam Denise Xavier Lazarini - Presidente
Maria Cleci Coti Martins - Relatora
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Maria Cleci Coti Martins, Marcio de Lacerda Martins, Andréa Viana Arrais Egypto, Carlos Alexandre Tortato, Luciana Matos Pereira Barbosa, Cleberson Alex Friess e Rayd Santana Ferreira.
Nome do relator: MARIA CLECI COTI MARTINS
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ISENÇÃO. ÁREA DE RESERVA LEGAL. A isenção de ITR para área de reserva legal está condicionada à existência de averbação tempestiva da área pleiteada. EMBARGOS. ACOLHIMENTO. Estando configurada na decisão a omissão, erro, contradição e/ou obscuridade, há que se acolher os embargos declaratórios interpostos para sanar a irregularidade ou erro da decisão embargada. Embargos Acolhidos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 72 05 65 /2 00 7- 33 Fl. 389DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 29/07/ 2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 29/07/2016 por MIRIAM DENISE XAVIER LAZA RINI 2 Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em acolher os embargos, com efeitos infringentes, para que sejam considerados isentos de ITR, para toda propriedade, 704,852 ha de área de reserva legal (pela existência de averbação tempestiva), e de 3.600 ha de área de preservação permanente (comprovados com a apresentação do ADA tempestivo). Vencidos os conselheiros Andréa Viana Arrais Egypto, Carlos Alexandre Tortato, Luciana Matos Pereira Barbosa e Rayd Santana Ferreira, que não conheciam dos embargos. Miriam Denise Xavier Lazarini Presidente Maria Cleci Coti Martins Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Maria Cleci Coti Martins, Marcio de Lacerda Martins, Andréa Viana Arrais Egypto, Carlos Alexandre Tortato, Luciana Matos Pereira Barbosa, Cleberson Alex Friess e Rayd Santana Ferreira. Fl. 390DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 29/07/ 2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 29/07/2016 por MIRIAM DENISE XAVIER LAZA RINI Processo nº 10680.720565/200733 Acórdão n.º 2401004.438 S2C4T1 Fl. 3 3 Relatório Tratase de Embargos Declaratórios interpostos tempestivamente pela Fazenda Pública em face do Acórdão 210100.570– 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária que deu proveu parcialmente o recurso voluntário apresentado pelo contribuinte e negou provimento ao recurso de ofício. A decisão embargada está assim ementada. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2004 IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL. ÁREA DE RESERVA LEGAL. A partir do exercício de 2.002, a localização da reserva legal deve ser aprovada pelo órgão ambiental competente, observandose a função social da propriedade e os critérios previstos no §4º do art. 16 do Código Florestal. ITR. VALOR DA TERRA NUA. É cabível o arbitramento com base na tabela SIPT quando o laudo técnico elaborado por profissional habilitado não atender aos requisitos essenciais das normas da ABNT. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. EXCLUSÃO. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL. Para fins de exclusão da base de cálculo do ITR, após a vigência da Lei n° 10.165, de 27/12/2000, é imprescindível a informação em ato declaratório ambiental protocolizado no prazo legal. MULTA CONFISCATÓRIA. INEXISTÊNCIA. O princípio que veda o confisco, a teor do que dispõe o art. 150, IV, da Constituição da República, aplicase aos tributos e não às penalidades. Ademais, a aferição do argumento do contribuinte, por implicar na análise da constitucionalidade dos dispositivos infraconstitucionais utilizados, não pode ser acatada, em razão da vedação expressa referida pelo art. 26A do Decreto 70.235/72. O dispositivo da decisão está como segue: ACORDAM os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso de ofício e em DAR provimento PARCIAL ao recurso voluntário para excluir da tributação 700,35 hectares da área de reserva legal e 757,5 hectares da área de preservação permanente. Por voto de Fl. 391DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 29/07/ 2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 29/07/2016 por MIRIAM DENISE XAVIER LAZA RINI 4 qualidade, em NEGAR provimento ao recurso voluntário em relação ao restante da área de preservação permanente. 1. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE O voto do relator do acórdão (vencido) reconhecia a existência de área não tributável de 9.372ha, na forma como declarado pelo recorrente em DITR. Em adotando tal decisão, o relator aquiesceu para o restabelecimento de exclusão de uma ára de APP passível de exclusão da base tributável de 2.842,5ha (conforme declarado na DITR pelo contribuinte). Entretanto, o voto vencedor reconheceu uma área maior, de 3.600ha, que fora declarada em Ato Declaratório Ambiental, tempestivamente. A embargante entende que a decisão a quo fora extra petita nesse ponto, pois reconheceu isenção para uma área de preservação permanente 757,5ha, além de ter também reconhecido a que fora glosada pela autoridade fiscal. Mais ainda, que tal decisão fora adotada sem qualquer fundamentação legal. 2. ÁREA DE RESERVA LEGAL Neste item também a decisão final diverge do que foi fundamentado pelo relator do processo. Enquanto o relator do processo entendia que se deveria excluir toda a área de Reserva Legal constante na DITR, de 6.529,5 ha, no dispositivo foi exonerado 700,35 ha a título de reserva legal. A tabela a seguir apresenta os quantitativos de áreas conforme documentos e decisões constantes do processo. ADA DITR AI DRJ RELATOR (CARF) ACÓRDÃO (CARF) APP 3.600 2.842,5 0 2842,5 2.842,5 3.600 * ARL 42 6.529,5 0 42 6.529,5 700,35 INT. ECOLÓGICO 6.951 TOTAL 10.593,7 9.372 0 2.884,5 9.372 4.300,35 * voto vencedor Na DIAT o contribuinte informa 3.284,9ha utilizadas na atividade rural, sendo que o total da propriedade é de 12.656,9ha. Por outro lado, o laudo técnico apresentado pelo contribuinte relaciona áreas de reserva legal averbadas (1.320,95ha) e de preservação permanente (11.082,71ha), que totalizam 98% da área da propriedade. Entendo que o laudo técnico é imprestável para corroborar quaisquer das decisões contidas no dispositivo com relação à APP e ARL. As áreas averbadas como reserva legal não resultam no total informado na DITR. Averbações de áreas de reserva legal antes do ano sob análise estão às fls. 187(efl.213 33,5 ha), 190(efl.217 76ha), 199(efl. 233 209,89 ), 203(efl. 238 385,462ha) corroboram o quantitativo aproximado do reconhecido no dispositivo do acórdão. É o relatório. Fl. 392DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 29/07/ 2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 29/07/2016 por MIRIAM DENISE XAVIER LAZA RINI Processo nº 10680.720565/200733 Acórdão n.º 2401004.438 S2C4T1 Fl. 4 5 Voto Conselheira Maria Cleci Coti Martins Relatora Os embargos foram interpostos tempestivamente e, conforme o despacho de admissibilidade, passo a analisar. O art. 1022 da Lei 13.105/2015, o Novo Código de Processo Civil Brasileiro, a seguir transcrito, define as hipóteses de cabimento de embargos declaratórios, que pode ser utilizada no Direito Tributário. Cabem embargos de declaração contra qualquer decisão judicial para: I esclarecer obscuridade ou eliminar contradição; II suprir omissão de ponto ou questão sobre o qual devia se pronunciar o juiz de ofício ou a requerimento; III corrigir erro material. Assim, para a análise dos embargos é necessário investigar se a decisão embargada contêm os elementos essenciais e a fundamentação da decisão, determinados pelo art. 489 da mesma lei(13.105/2015), a seguir transcritos. Art. 489. São elementos essenciais da sentença: ... § 1o Não se considera fundamentada qualquer decisão judicial, seja ela interlocutória, sentença ou acórdão, que: I se limitar à indicação, à reprodução ou à paráfrase de ato normativo, sem explicar sua relação com a causa ou a questão decidida; II empregar conceitos jurídicos indeterminados, sem explicar o motivo concreto de sua incidência no caso; III invocar motivos que se prestariam a justificar qualquer outra decisão; IV não enfrentar todos os argumentos deduzidos no processo capazes de, em tese, infirmar a conclusão adotada pelo julgador; V se limitar a invocar precedente ou enunciado de súmula, sem identificar seus fundamentos determinantes nem demonstrar que o caso sob julgamento se ajusta àqueles fundamentos; VI deixar de seguir enunciado de súmula, jurisprudência ou precedente invocado pela parte, sem demonstrar a existência de Fl. 393DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 29/07/ 2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 29/07/2016 por MIRIAM DENISE XAVIER LAZA RINI 6 distinção no caso em julgamento ou a superação do entendimento. Entendo que a decisão embargada não contemplou a fundamentação de todos os pontos que infirmaram a conclusão adotada pelo julgador. Desta forma, outra alternativa não há senão conhecer dos embargos para sanar as irregularidades ou erros apontados pelo embargante. O relator do processo expressa à fl. 307 o entendimento pessoal, para aquele ano, de que a averbação da área de reserva legal era apenas declaratória, i.e., visava apenas conferir publicidade ao gravame fixado, e não poderia afastar a possibilidade de isenção do tributo. Mais ainda, entendia que o ADA, apresentado tempestivamente, tem a função de inverter o ônus da prova, passando esta a ser do Fisco a partir da sua entrega, conforme texto a seguir transcrito daquele voto: Entendo tal alteração na legislação da seguinte forma: o ADA, apresentado tempestivamente, tem a função de inverter o ônus da prova, passando este a ser do Fisco a partir da sua entrega. Caso não ocorra a entrega do ADA, pode o contribuinte se valer de outros meios de prova visando à fruição da redução da base de cálculo. Entretanto, mais à frente,(fl. 308), argumenta que "não há como afastar a exigência do ADA para o fim específico de possibilitar a redução da base de cálculo do ITR." Assim, o relator do processo, considerou não tributável a área total de 9.372hectares, conforme declarado pelo contribuinte. Considerou (fl. 313) que devem ser acatadas as áreas de preservação permanente e de reserva legal constantes do laudo técnico de fls. 92/169, limitado a 9.372ha (2.842,5ha mais 6.529,5ha), pois teriam sido devidamente comprovadas pelo contribuinte. O relator do processo utilizou uma metodologia de valoração de provas bastante peculiar (ora aceita o laudo técnico, ora não aceita, e reconhece o ADA como elemento único necessário à concessão de isenção independentemente da tempestividade de apresentação do mesmo ao IBAMA, desde que antes do início do procedimento fiscalizatório) e entendo seja este o fato que originou a solução divergente. A seguir transcrevo a motivação de decidir do Conselheiro Relator do processo e que foi vencida no julgamento. Tendo em vista que no caso concreto foi apresentado o Ato Declaratório Ambiental – ADA e, como visto, este tem a função de inverter o ônus da prova, competiria ao IBAMA ou à fiscalização comprovar que as áreas declaradas como não tributáveis não existiam ou eram menores do que as declaradas. Além disso, cumpre esclarecer que a contribuinte apresentou laudo elaborado por engenheiro agrônomo (fls. 92/169) com a respectiva Anotação de Responsabilidade Técnica – ART, no qual restou declarado que o imóvel apresenta Área de Preservação Permanente de 11.082,71 ha. e Área de Reserva Legal (já averbadas) de 1.320,95 ha., totalizando a área não tributável do imóvel 12.403,66 ha. Por tais razões, pois, especialmente em virtude da apresentação, por parte da contribuinte, de laudo devidamente subscrito por engenheiro agrônomo, com ART, entendo cabível Fl. 394DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 29/07/ 2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 29/07/2016 por MIRIAM DENISE XAVIER LAZA RINI Processo nº 10680.720565/200733 Acórdão n.º 2401004.438 S2C4T1 Fl. 5 7 a exclusão de referidas áreas da base de cálculo do ITR, tal como determina a Lei n.º 9.393/96. Contudo, sendo certo que não compete a este órgão julgador a função de lançar ou refazer a constituição do crédito tributário, mas, pura e simplesmente de aferir a correção do lançamento de ofício feito pelo órgão competente, cumpriria à contribuinte a elaboração de declaração retificadora, apta a demonstrar, assim, a existência de erro de fato e eventual pedido de restituição dos valores recolhidos a maior. Nesse sentido, pois, inexistindo qualquer declaração retificadora, in casu, apenas é cabível a consideração das áreas apontadas pela contribuinte em sua declaração (DITR), e não aquelas que teriam deixado de constar na apuração do imposto por eventual erro de fato. Por esta razão, entendo que deva ser considerada, no presente caso, a área não tributável de 9.372 hectares, na forma como declarado oportunamente pela Recorrente. Diante do exposto, devem ser acatadas as áreas de preservação permanente e de reserva legal constantes do laudo técnico de fls. 92/169, com ART de fls. 90/91, limitadas a 9.372 hectares, uma vez que devidamente comprovadas pela contribuinte. Por oportuno, transcrevo a seguir o dispositivo legal, vigente à época, relativo à obrigatoriedade de averbação da área e reserva legal na matrícula do imóvel, para fins de isenção tributária de ITR: Art. 16, da Lei nº 4.771/1965 (Código Florestal) § 8o A área de reserva legal deve ser averbada à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, sendo vedada a alteração de sua destinação, nos casos de transmissão, a qualquer título, de desmembramento ou de retificação da área, com as exceções previstas neste Código.(grifei) Conforme o dispositivo, a votação relativa à área de preservação permanente ocorreu por voto de qualidade, sendo vencido o relator. Apesar do contribuinte ter declarado na DITR apenas 2.842,5ha como área isenta por ser de preservação permanente, também declarou área de interesse ecológico de 6.951ha. Por outro lado, o redator do voto vencedor, considerou que, como o ADA apresentado tempestivamente informou área de 3600ha de área de preservação permanente, farseia necessário reconhecer, além do que fora reconhecido pela decisão a quo, uma área adicional de 757,5 ha como área de preservação permanente isenta de tributação. Observase que o ADA apresentado tempestivamente é o único documento que dá suporte à decisão contida no voto vencedor. Observo, todavia, que o colegiado, por voto de qualidade, teria adotado uma solução intermediária entre o que fora reconhecido pelo relator(9.372ha) e o que fora declarado pelo contribuinte na DITR(2.842,5ha) e que possui documento que possibilita a isenção (no caso, ADA), no quantitativo de 3600 ha. Assim, entendo que teria sido essa a justificativa do redator do voto vencedor para a exoneração de adicionais 757,5ha para a área de preservação permanente. Fl. 395DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 29/07/ 2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 29/07/2016 por MIRIAM DENISE XAVIER LAZA RINI 8 Entendo que, em restando vencido o voto do relator, a única solução integradora do dispositivo com as razões de decidir seria de que o Conselheiro Redator não consignou no seu voto o reconhecimento de 704,522ha de área de reserva legal, tempestivamente averbada na matrícula do imóvel conforme os documentos a seguir. efl 213 mat 23.169 av.1 10/08/1994 33,5ha efl. 217 mat. 23.171 av.1 10/08/1994 76ha. efl. 233 mat. 24.050 av. 1 29/09/1999 209,89ha efl. 237/238 mat. 24.982 av. 2 19/12/2000 área de 385,4620ha Desta forma, voto por acolher os embargos, com efeitos infringentes, para que sejam considerados isentos de ITR, para toda a propriedade, 704,852ha de área de reserva legal (pela existência de averbação tempestiva dessa área nas matrículas que compõem o imóvel), e de 3.600 ha de área de preservação permanente (comprovados com a apresentação do ADA tempestivo). Maria Cleci Coti Martins. Fl. 396DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 29/07/ 2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 29/07/2016 por MIRIAM DENISE XAVIER LAZA RINI
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Numero do processo: 11516.722380/2011-12
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 16 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Mar 30 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2007 a 01/01/2011
ASSISTÊNCIA À SAÚDE FORNECIDA PELO EMPREGADOR POR INTERMÉDIO DE COOPERATIVA DE TRABALHO MÉDICO. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. INTEMPESTIVOS. RECONHECIMENTO DE EXISTÊNCIA DE MATÉRIA DE ORDEM PÚBLICA. INEXATIDÃO MATERIAL NO ACÓRDÃO DO RECURSO VOLUNTÁRIO. EQUIVOCO NA CONTAGEM DO PRAZO RECURSAL ANTE A NOTIFICAÇÃO DA DECISÃO DE PRIMEIRO GRAU EM ENDEREÇO DIVERSO DO ENDEREÇO TRIBUTÁRIO DO CONTRIBUINTE. NOTIFICAÇÃO QUE SÓ SE APERFEIÇOA NO MOMENTO EM QUE O CONTRIBUINTE DELA TOMA CONHECIMENTO, VALENDO PARA TANTO A DATA POR ELE DECLARADA. INOCORRÊNCIA DA HIPÓTESE DE INCIDÊNCIA DA EXAÇÃO. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA NORMA DE EXIGÊNCIA TRIBUTÁRIA PELO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL - STF.
Embargos Acolhidos.
Numero da decisão: 2202-003.174
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter os embargos de declaração em embargos inominados, para acolhê-los, com efeitos infringentes, para dar provimento ao recurso.
(Assinado digitalmente).
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente
(Assinado digitalmente).
Eduardo de Oliveira. - Relator
Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Junia Roberta Gouveia Sampaio, Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro, Eduardo de Oliveira, Jose Alfredo Duarte Filho (Suplente Convocado), Wilson Antonio de Souza Correa (Suplente Convocado), Martin da Silva Gesto, Marcio Henrique Sales Parada.
Nome do relator: EDUARDO DE OLIVEIRA
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Embargante SINDICATO DOS TRABALHADORES DA UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA CATARINA. Interessado FAZENDA NACIONAL. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2007 a 01/01/2011 ASSISTÊNCIA À SAÚDE FORNECIDA PELO EMPREGADOR POR INTERMÉDIO DE COOPERATIVA DE TRABALHO MÉDICO. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. INTEMPESTIVOS. RECONHECIMENTO DE EXISTÊNCIA DE MATÉRIA DE ORDEM PÚBLICA. INEXATIDÃO MATERIAL NO ACÓRDÃO DO RECURSO VOLUNTÁRIO. EQUIVOCO NA CONTAGEM DO PRAZO RECURSAL ANTE A NOTIFICAÇÃO DA DECISÃO DE PRIMEIRO GRAU EM ENDEREÇO DIVERSO DO ENDEREÇO TRIBUTÁRIO DO CONTRIBUINTE. NOTIFICAÇÃO QUE SÓ SE APERFEIÇOA NO MOMENTO EM QUE O CONTRIBUINTE DELA TOMA CONHECIMENTO, VALENDO PARA TANTO A DATA POR ELE DECLARADA. INOCORRÊNCIA DA HIPÓTESE DE INCIDÊNCIA DA EXAÇÃO. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA NORMA DE EXIGÊNCIA TRIBUTÁRIA PELO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL STF. Embargos Acolhidos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter os embargos de declaração em embargos inominados, para acolhêlos, com efeitos infringentes, para dar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente). Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 72 23 80 /2 01 1- 12 Fl. 231DF CARF MF Impresso em 30/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 11516.722380/201112 Acórdão n.º 2202003.174 S2C2T2 Fl. 232 2 (Assinado digitalmente). Eduardo de Oliveira. Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Junia Roberta Gouveia Sampaio, Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro, Eduardo de Oliveira, Jose Alfredo Duarte Filho (Suplente Convocado), Wilson Antonio de Souza Correa (Suplente Convocado), Martin da Silva Gesto, Marcio Henrique Sales Parada. Fl. 232DF CARF MF Impresso em 30/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 11516.722380/201112 Acórdão n.º 2202003.174 S2C2T2 Fl. 233 3 Relatório O presente Processo Administrativo Fiscal PAF contempla o Auto de Infração de Obrigação Principal AIOP DEBCAD 51.007.8702, que objetiva o lançamento das contribuições sociais previdenciárias decorrentes da prestação de serviços de cooperados por intermédio de cooperativa de trabalho, conforme Relatório Fiscal do Auto de Infração – REFISC, de fls. 48 e 51, com período de apuração de 01/2007 a 12/2010, conforme Termo e Início de Procedimento Fiscal TIPF, de fls. 43 e 44. O sujeito passivo foi cientificado da autuação, em 23/11/2011, conforme Folha de Rosto do Auto de Infração de Obrigação Principal – AIOP, fls. 01. O contribuinte apresentou petição de defesa com razões, as fls. 88 a 99, recebida, em 16/12/2011, acompanhada dos documentos, de fls. 100 a 132. O órgão julgador de primeiro grau emitiu o Acórdão Nº 0734.342 5ª, Turma DRJ/FNS, em 13/03/2014, fls. 135 a 147. No qual a impugnação foi considerada improcedente. O contribuinte tomou conhecimento do decisório da DRJ, em 01/04/2014, conforme AR, de fls. 200. Irresignado o contribuinte impetrou Recurso Voluntário, em 05/05/2014, fls. 152 a 164, acompanhada dos documentos, de fls. 165 a 198. As razões recursais não serão sumariadas, o que se explicará no voto. A autoridade preparadora informou que o recurso é INTEMPESTIVO, fls. 201. Os autos subiram ao CARF, fls. 201. Os presentes autos foram sorteados e distribuídos a esse conselheiro, em 18/07/2014, despacho, de fls. 202. O Recurso Voluntário foi julgado na assentada de, 22/01/2015, tendo sido prolatado o Acórdão nº 2803004.004, fls. 203 a 205, no qual as razões de mérito não foram conhecidas por ter sido o recurso voluntário considerado INTEMPESTIVO. O contribuinte foi intimado desse decisório em, 16/03/2015, AR, de fls. 210 e 211, remetido ao endereço RUA JOÃO PIO DUARTE SILVA, Nº 241, BAIRRO CÓRREGO GRANDE. Descontente com o resultado do julgamento o contribuinte impetrou Embargos de Declaração em, 07/04/2015, fls. 213 a 222, assim sendo os Embargos de Declaração são nitidamente INTEMPESTIVOS, pois o contribuinte foi cientificado em seu Fl. 233DF CARF MF Impresso em 30/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 11516.722380/201112 Acórdão n.º 2202003.174 S2C2T2 Fl. 234 4 domicílio tributário de eleição, diferentemente, do que alegado por ele nos embargos e na data supramencionada. Todavia, apesar da clara INTEMPESTIVIDADE dos embargos de declaração os admiti, pois entendo que o citado recurso veicula matéria de ordem pública, reconhecível de ofício em qualquer grau de jurisdição, órgão decisório e fase processual. Tais matérias são a inexatidão material contida no acórdão do Recurso Voluntário, a questão da não incidência tributária – contribuição social previdenciária – artigo 22, IV, da Lei 8.212/91, devido a prestação de serviços de cooperados por intermédio de cooperativa de plano de saúde, bem como o reconhecimento da inconstitucionalidade da norma do artigo 22, IV, da Lei 8.212/91 pelo Supremo Tribunal Federal – STF no RE 595838, o qual já teve seu trânsito em julgado reconhecido. Cumpre, ainda, esclarecer que reconheço e saneio por intermédio deste a inexatidão material contida no Despacho 280368, que admitiu os presentes embargos, uma vez que lá encontrase consignado o contribuinte/embargante como sendo SINDICATO DE TRABALHADORES EM EDUCAÇÃO DAS INSTITUIÇÕES PÚBLICAS DE ENSINO SUPERIOR DO ESTADO DE SANTA CATARINA, enquanto o correto é SINDICATO DOS TRABALHADORES DA UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA CATARINA SINTUFSC. É o Relatório. Fl. 234DF CARF MF Impresso em 30/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 11516.722380/201112 Acórdão n.º 2202003.174 S2C2T2 Fl. 235 5 Voto Conselheiro Eduardo de Oliveira. Os Embargos de Declaração foram propostos, INTEMPESTIVAMENTE, porém àqueles foram recebidos e convertidos em Embargos Inominados e, assim, admitidos, pois como demonstrado no relatório estes expõe questões de ordem pública reconhecíveis em qualquer fase processual e por qualquer agente público competente, uma vez que visa a correção de inexatidão material, bem como compreende a inocorrência da hipótese de incidência da contribuição social previdenciária e o reconhecimento da inconstitucionalidade do artigo 22, IV, da Lei 8.212/91 pelo Supremo Tribunal Federal – STF no RE 595838, assim sendo os embargos merecem ser apreciados. Deixei de sumariar as razões recursais no julgamento do recurso voluntário, por têlo considerado intempestivo. Novamente, nesse momento deixo de sumariar tais questões em razão dos embargos, pois estava consolidado, desde janeiro/2014, na Terceira Turma Especial da Segunda Seção, ora extinta, ainda, que por maioria que a contribuição do artigo 22, IV, da Lei 8.212/91 não incide sobre a prestação de serviços de cooperados por intermédio de cooperativa de trabalho médico. No que tange a questão da ocorrência da inexatidão material no Acórdão do Recurso Voluntário, isto é, a validade da notificação da decisão da DRJ ao contribuinte quando do julgamento de sua impugnação, pois tal decisão foi endereçada a local diverso do domicílio tributário do contribuinte, razão assiste a ele contribuinte, observese o que a seguir extraise dos autos. A decisão da DRJ foi remetida ao endereço Rua Roberto Sampaio Gonzaga, s/n, 241, Trindade – CEP 88040970, conforme imagem abaixo, do AR remetido ao contribuinte. Fl. 235DF CARF MF Impresso em 30/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 11516.722380/201112 Acórdão n.º 2202003.174 S2C2T2 Fl. 236 6 Porém, conforme consta da Folha de Rosto do Auto de Infração de Obrigação Principal – AIOP, de fls. 05, o endereço do contribuinte é R. João Pio Duarte Silva, nº 241, Bairro Córrego Grande – Florianópolis – SC. Aliás, o mesmo se verifica do Termo de Início de Procedimento Fiscal – TIPF, de fls. 43 e 44, dos Termo de Início de Fiscalização – TIF nºs 1 e 2, de fls. 45 e 46, Termo de Encerramento de Procedimento Fiscal – TEPF, 47, e, ainda, do Relatório Fiscal do Auto de Infração e da Impugnação apresentada pelo contribuinte. Observei, também, que a Intimação 20/2014, de fls. 150, consta o endereço do contribuinte R. João Pio Duarte Silva, nº 241, Bairro Córrego Grande – Florianópolis – SC, mas o AR, de remessa supramencionado cuja imagem colacionei, foi remetido a endereço diverso e tudo demonstra que por exclusiva iniciativa do fisco. Quando da cientificação do Acórdão do Recurso Voluntário o AR foi remetido ao endereço correto, conforme imagem a seguir destacada, ao contrário do que alegado pela embargante. O recebimento por terceira pessoa é irrelevante, o que importa é que a comunicação foi remetida ao endereço tributário do contribuinte, é que diz a Súmula CARF nº 09 e a precedente judicial que transcrevo. Súmula CARF nº 9: É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário. Fl. 236DF CARF MF Impresso em 30/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 11516.722380/201112 Acórdão n.º 2202003.174 S2C2T2 Fl. 237 7 PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. EMBARGOS À EXECUÇÃO FISCAL. NULIDADE DA CDA AFASTADA. AUSÊNCIA DE REGULAR NOTIFICAÇÃO ADMINISTRATIVA NÃO DEMONSTRADA. PRESUNÇÃO DE CERTEZA E LIQUIDEZ DA CDA NÃO ILIDIDA. RECURSO DESPROVIDO. 1. Primeiramente, quanto à alegação de "ausência de nexo causal entre a alegada ação ou omissão da autuada e a suposta infração", observo que esta somente foi alegada em sede de apelação, não tendo havido, por esta razão, apreciação da questão pelo MM. Juízo monocrático. 2. Não se pode olvidar que em decorrência do efeito devolutivo do recurso de apelação (artigo 515, § 1º, CPC), o tribunal apenas manifestarseá acerca da matéria discutida em primeira instância e devolvida ao conhecimento dele, não podendo a parte inovar no recurso em razão da proibição da supressão de instância; foi o que ocorreu no caso em tela, pois o argumento expendido foge ao objeto do pedido inicial, baseado na nulidade da execução embargada, face à falta de comprovação da constituição do crédito fiscal pelo lançamento (ausência de notificação e assinatura no auto de infração e erro na identificação do sujeito passivo). Assim, não conheço da apelação no particular. 3. Quanto à alegação de nulidade da certidão de dívida ativa, a Lei nº 6.830/80 não exige a apresentação de procedimento administrativo da constituição do crédito fiscal com a inicial da execução fiscal. Tenhase ainda em consideração o disposto no art. 41, da Lei n. 6.830/80, que dispõe sobre a possibilidade de o devedor ter acesso ao processo administrativo, o qual é mantido na repartição competente. Por tal razão, desnecessária sua apresentação por ocasião do ajuizamento da execução fiscal. 4. Oportuno salientar que, no caso em tela, o próprio Município de Campinas, na oportunidade em que ofereceu impugnação aos embargos, apresentou nos autos cópia do procedimento administrativo por meio do qual houve a constituição do crédito fiscal em discussão. 5. No tocante à alegação de ausência de notificação no âmbito do processo administrativo, melhor sorte não assiste à apelante. A dívida ativa regularmente inscrita na repartição competente goza da presunção de certeza e liquidez e tem o efeito de prova préconstituída. Necessária, para ilidila, prova em contrário, concretamente demonstrável, e não simplesmente meras alegações desprovidas de conteúdo, como ocorre na espécie dos autos. 6. Assim, pois, cabia à embargante o ônus da prova da desconstituição da dívida ativa por ocasião da interposição dos embargos e por isso a insurgência contra a higidez do processo administrativo, lançada de forma genérica, não se mostra suficiente para ilidir a presunção legal que goza o título em execução. 7. Não bastasse isso, consta dos autos prova de que a notificação do auto de infração foi encaminhada, por carta, com aviso de recebimento, ao domicílio da autuada à época, conforme AR juntado às fls. 32. Ainda há que se destacar que a jurisprudência pátria é firme no sentido de que notificação administrativa aperfeiçoase com a entrega da carta no endereço do autuado, não ensejando nulidade o fato de ter sido recebida por terceiros. Assim, tenho que eventual ausência Fl. 237DF CARF MF Impresso em 30/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 11516.722380/201112 Acórdão n.º 2202003.174 S2C2T2 Fl. 238 8 de assinatura da autuada no auto de infração não acarreta a nulidade do lançamento fiscal, haja vista a inequívoca ciência da autuada acerca da lavratura do auto de infração, por meio de carta recebida em seu endereço, conforme aviso de recebimento devidamente assinado. 8. No que se refere à alegação de erro na indicação do sujeito passivo, não merece qualquer reparo a sentença prolatada pelo d. Juízo "a quo", visto que cabia ao proprietário do imóvel manter seus dados atualizados perante a municipalidade; ora, diante da ausência de atualização cadastral por parte do proprietário do imóvel, não havia outra alternativa ao Fisco Municipal senão proceder ao lançamento fiscal em face do contribuinte constante em seu sistema. 9. Apelação parcialmente conhecida e, na parte conhecida, improvida. (AC 00046994720114036105, DESEMBARGADORA FEDERAL CECÍLIA MARCONDES, TRF3 TERCEIRA TURMA, eDJF3 Judicial 1 DATA:25/10/2013 (destaquei). A alegação do fisco feito no despacho de remessa dos Embargos de Declaração ao CARF, de que o procedimento de remessa de correspondência é feito por sistema eletrônico e que esse prioriza o CEP como a seguir transcrito é irrelevante, pois cabe ao fisco diligenciar para fins da remessa correta das correspondências aos contribuintes segundo informações do seu próprio banco de dados. 3. Informase, que o procedimento de envio de correspondências da Receita Federal do Brasil é efetuado através do Gerenciador de Postagem dos Correios – SIGEP WEB, o qual prioriza o CEP informado. 4. Em consulta aos sistemas da RFB e análise das PEÇAS PROCESSUAIS (impugnação/recurso voluntário) apresentadas pelo contribuinte, constatase que o CEP 88040970, presente em todos os endereços do Sindicato, foi informado pelo próprio contribuinte. Uma simples consulta aos Correios via Web demonstraria o desacerto do CEP, pois o resultado é de um CEP especial e específico. 1.1.1 Busca CEP Faça suas consultas individuais de CEP, destinadas a endereçamentos de objetos de correspondências a serem postadas nos Correios. 1 Logradouro(s) Logradouro Bairro Localidade UF CEP AC Cidade Universitária Trindade Florianópolis SC 88040970 Aliás, os precedentes abaixo citados são pela invalida da notificação no endereço incorreto. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 2005 IMPUGNAÇÃO. ENDEREÇO INFORMADO EM RETIFICADORA DIFERENTE DAQUELE CONSTANTE EM DECLARAÇÃO DE EXERCÍCIO POSTERIOR. IMPOSSIBILIDADE DE ALTERAR O DOMICÍLIO TRIBUTÁRIO PARA FINS DE INTIMAÇÃO. O endereço Fl. 238DF CARF MF Impresso em 30/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 11516.722380/201112 Acórdão n.º 2202003.174 S2C2T2 Fl. 239 9 informado em declaração retificadora de exercício passado, sendo diferente daquele constante em declaração de exercício posterior, mesmo se a retificadora foi enviada mais recentemente, não deve ser considerado como domicílio tributário para fins de intimação, em especial quando o contribuinte alega a matéria em sua defesa, devendose considerar a alteração como erro escusável. Postada a autuação para endereço incorreto do fiscalizado, há que se admitir que a ciência do lançamento só ocorreu na data informada pelo contribuinte, devendose considerar tempestiva a impugnação. Superada a intempestividade proclamada pelo julgador a quo, há que se cancelar o julgamento de 1a instância, e se enviar os autos para nova decisão, agora com a apreciação dos argumentos do recurso. Recurso Voluntário Provido. Proc: 10680.0204444/200798. Acórdão: 2101001.265. Cons. Rel. José Evande Carvalho Araújo. Data: 22/08/2011. TRIBUTÁRIO. PROCESSUAL CIVIL. MANDADO DE SEGURANÇA. VIA ELEITA. CORRETA. PENA DE PERDIMENTO DE VEÍCULO DE PROPRIEDADE DE ARRENDANTE. TERMO DE INTIMAÇÃO NÃO ENTREGUE NO SEU DOMICÍLIO TRIBUTÁRIO. NULIDADE. DO PROCEDIMENTO ADMINISTRATIVO. CERCEAMENTO DE DEFESA. 1. Se o deslinde da controvérsia dispensa dilação probatória para se verificar ofensa a direito líquido e certo da impetrante, temse como adequada a via mandamental eleita. 2. Se a pena de perdimento de veículo depende da prova de que o seu proprietário concorreu para a prática do ilícito (Súmula 138 do E. TFR), e havendo provas de que a proprietária do veículo era a impetrante (arrendante), configurase imprescindível a sua intimação no procedimento administrativo para que possa afastar sua responsabilidade e livrar o bem da constrição. 3. É consabido que nos casos de arrendamento mercantil (leasing), o endereço que consta no Certificado de Registro e Licenciamento de Veículo é o do arrendatário, para que o condutor do veículo possa ser localizado pelo DETRAN. 4. Sendo atualmente a notificação por via postal a mais utilizada, a condição essencial para a sua validade é de ser dirigida para o domicílio tributário correto e atualizado do sujeito passivo, nos termos do art. 23II do Dec. 70.235/72. 5. A intimação realizada em lugar diverso ao do domicílio da impetrante (proprietária do veículo) configurase inócua, na medida em que não 'dá ciência a alguém dos atos e termos do processo, para que faça ou deixe de fazer alguma coisa' (art. 235 do CPC). Dessarte, havendo o comparecimento espontâneo da impetrante, em sede administrativa, para apresentar sua impugnação, deveria a autoridade impetrada obrigatoriamente aceitála, nos termos do art. 214, § 1º, do CPC. 6. Se a impugnação administrativa da impetrante não foi aceita por intempestiva, tendo sido mantido o termo de revelia e a decretação da pena de perdimento de seu veículo, ainda que a mesma não tenha sido validamente intimada do procedimento administrativo, temse caracterizado, Fl. 239DF CARF MF Impresso em 30/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 11516.722380/201112 Acórdão n.º 2202003.174 S2C2T2 Fl. 240 10 procedimento administrativo, temse caracterizado, obviamente, o seu cerceamento ao direito de defesa, motivo suficiente para ser anulado, desde este momento, o procedimento administrativo, nos termos do artigo 59, II, do Decreto nº. 70.235/72 c/c art. 247 do CPC. 7. Por garantia de defesa devese entender não só a observância do rito adequado como a cientificação do processo ao interessado, a oportunidade para contestar a acusação, produzir provas de seu direito, acompanhar os atos da instrução e utilizarse dos recursos cabíveis. 8. Remessa oficial improvida. REO 199971060014052 REO REMESSA EX OFFICIO ALCIDES VETTORAZZI TRF4 SEGUNDA TURMA DJ 23/01/2002 PÁGINA: 317 (grifei as citações). Assim sendo, sendo fica evidente a ocorrência de erro material na contagem do prazo recursal, quando da apresentação do Recurso Voluntário, pois a correspondência que pretendia notificar a decisão da DRJ foi remetida a endereço diverso do endereço tributário do contribuinte registrado na repartição fiscal, o que enseja o acolhimento dos presentes embargos, após sua conversão em Embargos Inominados, além das demais situações de ordem pública relatadas. Da leitura do Relatório Fiscal do Auto de Infração – REFISC – AIOP, de fls. 48 a 51, especialmente, os itens 5 a 8 e os subitens internos fica evidente que o lançamento exigido nos presente autos se reporta a plano de saúde por intermédio de cooperativa de trabalho e da contribuição fundando no artigo 22, IV, da Lei 8.212/91, observese as transcrições. Fl. 240DF CARF MF Impresso em 30/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 11516.722380/201112 Acórdão n.º 2202003.174 S2C2T2 Fl. 241 11 Aliás, a observação do Discriminativo de Débito – DD, de fls. 06 a 14, outra coisa não informa, haja vista que os únicos dois levantamentos consignado naquele são os levantamentos C9 – UNIMED CUSTO DESDE 2009 e U9 – UNIMED MENSAL DESDE 2009, ambos, exigindo a rubrica 1C Cooper de trab 15,0000. Fl. 241DF CARF MF Impresso em 30/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 11516.722380/201112 Acórdão n.º 2202003.174 S2C2T2 Fl. 242 12 Dessa forma, esclareço que a exação em tela vinha sendo objeto de muitas discussões no âmbito do contencioso administrativo e até pouco tempo atrás me posicionava ao lado de sua validade. Todavia, após novas reflexões e análise de vários elementos passei a adotar novo entendimento, o qual discorro e explicito a seguir. Realmente, de um olhar mais aguçado verifico que a questão em tela não se subsume ao que consta do artigo 22, IV, da Lei 8.212/91, observese os esclarecimentos. O citado texto legal diz que “...relativamente a serviços que lhe são prestados por cooperados...”, e, como bem disse a recorrente os serviços não são prestados a ela recorrente, mas sim aos seus trabalhadores. A diferença pode ser sutil, mas implica em uma significativa mudança de direção. Um exemplo, talvez, possa por luz sobre a matéria. Imaginese uma cooperativa de trabalho típica – como a de carregadores e descarregadores de carga, em uma empresa transportadora. Ora a transportadora vai contratar e a cooperativa colocará nas dependências desta ou de terceiros indicados por aquela, os cooperados que realizarão os serviços. Ou seja, uma pessoa jurídica contrata uma cooperativa e recebe serviços dos cooperados por intermédio da cooperativa, serviços esses que trarão à contratante desempenho e desenvolvimento de suas atividade operacionais, com a consequente geração de riqueza, hipótese da Lei 8.212/91, artigo 22. IV. No caso dos autos a empresa contrata a cooperativa que disponibilizará os cooperados que prestarão os serviços, nos seus consultórios próprios ou nas dependências de hospitais e clínicas conveniadas e os serviços serão prestados aos trabalhadores pessoas físicas e não a empresa contratante, que não terá nenhum benefício direito decorrente da prestação dos serviços pelos cooperados e muito menos produção de riqueza. Além disso, ainda, se pode indagar, por que a contratação de uma cooperativa ensejaria a contribuição do artigo 22, IV, da Lei 8.212/91 e a contratação de uma empresa comercial de assistência a saúde não ensejaria esta contribuição, mas apenas as contribuições convencionais. E por que a empresa que fornece assistência à saúde a seus empregados por intermédio de cooperativa não pode beneficiarse da isenção do artigo 28, § 9º, alínea “q”, sendo que a que contrata empresa comercial de assistência à saúde faria jus a esta isenção. Destarte, penso que se tem duas possibilidades que excluem a exação ou a situação não se amolda ao artigo 22, IV, da Lei 8.212/91, pois o serviço não é prestado a favor da empresa contratante, mas sim dos empregados ou a empresa que presta assistência à saúde a seus trabalhadores dentro das determinações legais independentemente do tipo de prestador contratado faz jus a isenção do artigo 28, § 9º, alínea “q”, como citado. Qualquer que seja a tese que se abrace a exação tornase indevida, isto é, deixa de ter suporte e substrato a sua exigência. Fl. 242DF CARF MF Impresso em 30/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 11516.722380/201112 Acórdão n.º 2202003.174 S2C2T2 Fl. 243 13 Além do que dita acima, que já seria suficiente para afastar a exação, o STF declarou a inconstitucionalidade da contribuição que supostamente daria suporte a essa exação, esclarecendo, ainda, que os embargos de declaração que pedia modulação dos efeitos foi rejeitado, sendo que a ação transitou em julgado. EMENTA Recurso extraordinário. Tributário. Contribuição Previdenciária. Artigo 22, inciso IV, da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99. Sujeição passiva. Empresas tomadoras de serviços. Prestação de serviços de cooperados por meio de cooperativas de Trabalho. Base de cálculo. Valor Bruto da nota fiscal ou fatura. Tributação do faturamento. Bis in idem. Nova fonte de custeio. Artigo 195, § 4º, CF. 1. O fato gerador que origina a obrigação de recolher a contribuição previdenciária, na forma do art. 22, inciso IV da Lei nº 8.212/91, na redação da Lei 9.876/99, não se origina nas remunerações pagas ou creditadas ao cooperado, mas na relação contratual estabelecida entre a pessoa jurídica da cooperativa e a do contratante de seus serviços. 2. A empresa tomadora dos serviços não opera como fonte somente para fins de retenção. A empresa ou entidade a ela equiparada é o próprio sujeito passivo da relação tributária, logo, típico “contribuinte” da contribuição. 3. Os pagamentos efetuados por terceiros às cooperativas de trabalho, em face de serviços prestados por seus cooperados, não se confundem com os valores efetivamente pagos ou creditados aos cooperados. 4. O art. 22, IV da Lei nº 8.212/91, com a redação da Lei nº 9.876/99, ao instituir contribuição previdenciária incidente sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura, extrapolou a norma do art. 195, inciso I, a, da Constituição, descaracterizando a contribuição hipoteticamente incidente sobre os rendimentos do trabalho dos cooperados, tributando o faturamento da cooperativa, com evidente bis in idem. Representa, assim, nova fonte de custeio, a qual somente poderia ser instituída por lei complementar, com base no art. 195, § 4º com a remissão feita ao art. 154, I, da Constituição. 5. Recurso extraordinário provido para declarar a inconstitucionalidade do inciso IV do art. 22 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99. (RE 595838, Relator(a): Min. DIAS TOFFOLI, Tribunal Pleno, julgado em 23/04/2014, ACÓRDÃO ELETRÔNICO DJe196 DIVULG 07102014 PUBLIC 08102014) (grifei). Decisão: O Tribunal, por unanimidade e nos termos do voto do Relator, rejeitou os embargos de declaração. Ausentes, justificadamente, os Ministros Gilmar Mendes e Cármen Lúcia. Presidiu o julgamento o Ministro Ricardo Lewandowski. Plenário, 18.12.2014 Fl. 243DF CARF MF Impresso em 30/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 11516.722380/201112 Acórdão n.º 2202003.174 S2C2T2 Fl. 244 14 Assim sendo, acolho os Embargos de Declaração, convertendoos em Embargos Inominados e dou a estes efeitos infringentes da decisão anterior, ou seja, do Acórdão 2803004.004, datado de 22/01/2015, dando provimento ao Recurso Voluntário para declarar a exação improcedente. CONCLUSÃO: Pelo exposto voto por acolher os Embargos de Declaração convertendoos em Embargos Inominados, dandolhes efeitos infringentes da decisão anterior, para dar provimento ao Recurso Voluntário, declarando improcedente a exigência tributária aqui discutida. (Assinado digitalmente). Eduardo de Oliveira. Fl. 244DF CARF MF Impresso em 30/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA
score : 1.0
Numero do processo: 11968.000739/2008-75
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Apr 26 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri May 20 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 02/09/2008
PENALIDADE ADMINISTRATIVA. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO OU PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE.
A modificação introduzida pela Lei 12.350, de 2010, no § 2º do artigo 102 do Decreto-lei 37/66, que estendeu às penalidades de natureza administrativa o excludente de responsabilidade da denúncia espontânea, não se aplica nos casos de penalidade decorrente do descumprimento dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira.
Recurso Especial do Contribuinte Negado.
Numero da decisão: 9303-003.707
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento recurso especial. Vencidos os Conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Maria Teresa Martínez López, que davam provimento.
CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente).
Nome do relator: CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 12; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1947; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRF‐T3 Fl. 230 1 229 CSRFT3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 11968.000739/200875 Recurso nº Especial do Contribuinte Acórdão nº 9303003.707 – 3ª Turma Sessão de 26 de abril de 2016 Matéria Denuncia espontânea multa por atraso na prestação de informações sobre veículo ou carga nele transportada Recorrente ALIANCA NAVEGACAO E LOGISTICA LTDA. Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 02/09/2008 PENALIDADE ADMINISTRATIVA. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO OU PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE. A modificação introduzida pela Lei 12.350, de 2010, no § 2º do artigo 102 do Decretolei 37/66, que estendeu às penalidades de natureza administrativa o excludente de responsabilidade da denúncia espontânea, não se aplica nos casos de penalidade decorrente do descumprimento dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira. Recurso Especial do Contribuinte Negado. Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento recurso especial. Vencidos os Conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Maria Teresa Martínez López, que davam provimento. CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 96 8. 00 07 39 /2 00 8- 75 Fl. 230DF CARF MF Impresso em 20/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11968.000739/200875 Acórdão n.º 9303003.707 CSRF‐T3 Fl. 231 2 Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente). Relatório Tratase de Auto de Infração que exige da contribuinte a multa pelo atraso na prestação de informações sobre veículo ou carga nele transportada, penalidade prevista no art. 107, inciso IV, alínea "e", do DL 37, de 1966, cuja redação foi alterada pela Lei 10.833, de 2003. Julgando o feito, a Turma recorrida negou provimento ao recurso voluntário, nos termos do Acórdão 3801004.836. No que diz respeito à denúncia espontânea, o Colegiado a quo decidiu que esse instituto é inaplicável para afastar a exigência da multa em comento. Após tomar ciência do mencionado acórdão, a Contribuinte apresentou recurso especial suscitando divergência quanto à possibilidade de aplicar a denúncia espontânea, prevista no art. 102, § 2º, do Decretolei nº 37/1966, com a redação dada pela Lei 12.350, de 2010, para afastar a multa que lhe foi imputada pelo Fisco. O recurso foi admitido por intermédio de despacho do Presidente da Câmara recorrida, e a Fazenda Nacional apresentou contrarrazões. É o relatório, em síntese. Voto Carlos Alberto Freitas Barreto, relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º a 3º do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303003.552, de 26/04/2016, proferido no julgamento do processo 11128.007573/200648, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido naquela decisão (Acórdão 9303003.552): "O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos para sua admissibilidade. Dele tomo conhecimento. Importante observar, quanto à comprovação da divergência, que recorrido e paradigma trataram da exigência da mesma penalidade (art. 107, inciso IV, alínea "e", do DL 37, de 1966) e foram proferidos após 28/07/2010 (data da publicação da MP 497, convertida na Fl. 231DF CARF MF Impresso em 20/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11968.000739/200875 Acórdão n.º 9303003.707 CSRF‐T3 Fl. 232 3 Lei 12.350, de 20/12/2010). Além disso, ambos citaram expressamente as alterações promovidas pela mencionada lei na redação do art. 102, § 2º, do DecretoLei 37/66, que trata da denúncia espontânea, apesar de tal consignação não ser imprescindível. Todavia, os arestos confrontados, que guardam identidade fática e jurídica, chegaram a resultados opostos quanto à possibilidade de aplicar a denúncia espontânea sobre a exigência da penalidade em foco. Não há dúvida, portanto, quanto à existência de dissenso jurisprudencial. A matéria devolvida a este Colegiado cingese, exclusivamente, à possibilidade de aplicar a denúncia espontânea, após a alteração promovida pela Lei 12.350/2010, para afastar a exigência da multa pelo atraso na prestações de informações sobre veículo ou carga nele transportada. Não vejo como dar razão à pretensão da Contribuinte, sob pena de aniquilar o cumprimento, com observância dos prazos estabelecidos pela legislação, do dever instrumental de prestar informação. Aplicandose o entendimento defendido pela Recorrente, os prazos estipulados pela legislação aduaneira, para prestar informações à RFB, poderiam ser descumpridos pelo sujeito passivo sem punição, tendo como única condição que a prestação das informações seja efetuada antes do início de ação fiscal. Ou seja, os prazos para a apresentação de informações seriam bastante elásticos, a depender de cada caso, e não prazos fatais, como é a regra na legislação tributária. Por concordar na íntegra com os fundamentos, e por aplicarse à solução do presente litígio, adoto o voto proferido pelo ilustre Conselheiro Solon Sehn no Acórdão 3802 002.314, de 27/11/2013, do qual transcrevo os seguintes excertos: "O Recorrente alega ainda que as informações sobre o embarque foram prestadas antes da lavratura do auto de infração. Portanto, nos termos do art. 138, caput, do Código Tributário Nacional (CTN), a multa deveria ter sido excluída em razão da caracterização da denúncia espontânea: Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração. A aplicabilidade da denúncia espontânea às “obrigações acessórias” é sustentada por parte da doutrina com base na expressão “se for o caso”, encontrada no caput do art. 138 do CTN. Nesse sentido, cumpre destacar as lições de Hugo de Brito Machado, Luciano Amaro e Sacha Calmon Navarro Coêlho: 'Como a lei diz que a denúncia há de ser acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido, resta induvidoso que a exclusão da responsabilidade tanto se Fl. 232DF CARF MF Impresso em 20/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11968.000739/200875 Acórdão n.º 9303003.707 CSRF‐T3 Fl. 233 4 refere a infrações das quais decorra o não pagamento do tributo como a infrações meramente formais, vale dizer, infrações das quais não decorra o não pagamento do tributo. Inadimplemento de obrigações tributárias meramente acessórias' 1. 'A expressão ‘se for o caso’ explicase em face de que algumas infrações, por implicarem desrespeito a obrigações acessórias, não acarretam, diretamente, nenhuma falta de pagamento de tributo, embora sejam também puníveis, porque a responsabilidade não pressupõe, necessariamente, dano (art. 136). Outras infrações, porém, de um modo ou de outro, resultam em falta de pagamento. Em relação a estas é que o Código reclama o pagamento' 2. 'Se quisesse excluir uma ou outra, teria adjetivado a palavra infração ou teria dito que a denúncia espontânea elidiria a responsabilidade pela prática de infração à obrigação principal excluindo a assessória, ou viceversa. Ora, onde o legislador não distingue não é lícito ao intérprete distinguir segundo cediço princípio de hermenêutica' 3 Essa interpretação, porém, não foi acolhida pela Jurisprudência, consoante se depreende dos seguintes julgados do Superior Tribunal de Justiça: 'TRIBUTÁRIO. MULTA MORATÓRIA. ART. 138 DO CTN. ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS. 1. O STJ possui entendimento de que a denúncia espontânea não tem o condão de afastar a multa decorrente do atraso na entrega da declaração de rendimentos, pois os efeitos do art. 138 do CTN não se estendem às obrigações acessórias autônomas. 2. Agravo Regimental não provido.” (STJ. 2ª T. AgRg nos EDcl no AREsp 209663/BA. Rel. Min. Herman Benjamin. DJe 10/05/2013).' (...) A mesma interpretação foi adotada no âmbito do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, conforme Súmula CARF nº 49: 'A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na 1 MACHADO, Hugo de Brito. Curso de direito tributário. 27. Ed. São Paulo: Malheiros, 2006, p. 182 e ss. 2 AMARO, Luciano. Direito tributário brasileiro. 10 Ed. São Paulo: Saraiva, 2004, p. 437. 3 COÊLHO, Sacha Calmon Navarro. Teoria e prática das multas tributárias. 2. Ed. Rio de Janeiro: Forense, 1995, p. 105106. Fl. 233DF CARF MF Impresso em 20/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11968.000739/200875 Acórdão n.º 9303003.707 CSRF‐T3 Fl. 234 5 entrega de declaração', que foi fruto de reiterados julgados do Câmara Superior de Recursos Fiscais (...). A discussão, entretanto, foi reaberta em face da nova redação do art. 102 do DecretoLei nº 37/1966, decorrente do art. 40 da Lei nº 12.350/2010: Art. 102. A denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do imposto e dos acréscimos, excluirá a imposição da correspondente penalidade. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988). § 1º Não se considera espontânea a denúncia apresentada: (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) a) no curso do despacho aduaneiro, até o desembaraço da mercadoria; (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) b) após o início de qualquer outro procedimento fiscal, mediante ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, tendente a apurar a infração. (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) § 2º A denúncia espontânea exclui a aplicação de penalidades de natureza tributária ou administrativa, com exceção das penalidades aplicáveis na hipótese de mercadoria sujeita a pena de perdimento. (Redação dada pela Lei nº 12.350, de 2010). (...) De fato, a Lei nº 12.350/2010 resultou da conversão da Medida Provisória n.º 497/2010. De acordo com a exposição de motivos desta, seu objetivo foi 'deixar claro' que o instituto da denúncia espontânea aplicase a todas as penalidades pecuniárias, inclusive multas isoladas vinculadas ao descumprimento de obrigação acessória, conforme se depreende da leitura da exposição de motivos: '40. A proposta de alteração do § 2º do art. 102 do DecretoLei nº 37, de 1966, visa a afastar dúvidas e divergência interpretativas quanto à aplicabilidade do instituto da denúncia espontânea e a consequente exclusão da imposição de determinadas penalidades, para as quais não se tem posicionamento doutrinário claro sobre sua natureza. [...] 43. Fundamentalmente, o Linha Azul é um procedimento simplificado que propicia às empresas habilitadas um menor percentual de seleção para os canais de verificação amarelo e vermelho e conferência aduaneira das declarações selecionadas realizada prioritariamente, Fl. 234DF CARF MF Impresso em 20/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11968.000739/200875 Acórdão n.º 9303003.707 CSRF‐T3 Fl. 235 6 inclusive com compromisso de tempo máximo para essa conferência estipulado. Esse procedimento segue a orientação internacional de Operadores Econômicos Autorizados OEA, ou seja, de credenciamento de operadores legítimos e confiáveis para operar no comércio exterior com menores entraves burocráticos. 44. A avaliação sistêmica da empresa candidata ao Linha Azul inclui a realização, previamente à adesão, de uma auditoria de controles internos para autoavaliação de seus controles e procedimentos aduaneiros, referente, no mínimo, aos quatro últimos semestres civis. O objetivo dessa autoavaliação é induzir a empresa a verificar o cumprimento da legislação aduaneira (controles administrativos e fiscais), com reflexo na garantia da regularidade dos registros aduaneiros e do recolhimento dos tributos devidos. Exigese, sempre que a auditoria de controles internos aponte irregularidades, que sejam apresentados documentos que comprovem o seu saneamento ou a adoção das providências cabíveis para a sua solução. 45. No caso específico, o que se tem verificado é que, durante o processo de auditoria, as empresas têm constatado reiterados erros em declarações de importação registradas e desembaraçadas no canal verde de conferência e, como forma de sanear a irregularidade para cumprimento do programa, apresentado a relação desses erros na unidade de jurisdição e adotado as respectivas providências para a retificação das declarações aduaneiras. 46. Todavia, ao adotar essa providência, mesmo que a empresa não tenha que recolher quaisquer tributos, ela pode estar sujeita à imposição da referida multa de um por cento sobre o valor aduaneiro da mercadoria (multa isolada), disciplinada no art. 711 do Regulamento Aduaneiro, ainda que espontaneamente tenha apurado tais erros e adotado as providências para a sua regularização, o que onera por demais o processo de adesão à Linha Azul. 47. A proposta de alteração objetiva deixar claro que o instituto da denúncia espontânea alcança todas as penalidades pecuniárias, aí incluídas as chamadas multas isoladas, pois nos parece incoerente haver a possibilidade de se aplicar o instituto da denúncia espontânea para penalidades vinculadas ao nãopagamento de tributo, que é a obrigação principal, e não haver essa possibilidade para multas isoladas, vinculadas ao descumprimento de obrigação acessória.' (EMI nº 111/MF/MP/ME/MCT/ MDIC/MT). Todavia, cumpre considerar que, nas obrigações acessórias ou deveres instrumentais, o sujeito passivo está Fl. 235DF CARF MF Impresso em 20/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11968.000739/200875 Acórdão n.º 9303003.707 CSRF‐T3 Fl. 236 7 vinculado a um fazer ou nãofazer, sem expressão econômica, destinado a facilitar a fiscalização e a arrecadação dos tributos4. Podem assumir os conteúdos mais variados, desde a manutenção de escrituração fiscal regular, da descrição adequada do bem importado na declaração de importação, emissão de nota fiscal, bem como da apresentação de informações para a Fazenda Pública dentro dos prazos previstos na legislação tributária. Em razão disso, na aplicação do art. 102 do DecretoLei nº 37/1966, devese analisar o conteúdo da “obrigação acessória” violada. Isso porque nem todas as infrações pelo descumprimento de deveres instrumentais são compatíveis com a denúncia espontânea, como é o caso das infrações caracterizadas pelo fazer ou nãofazer extemporâneo do sujeito passivo. Essa importante distinção foi evidenciada em voto do eminente Conselheiro José Fernandes do Nascimento, no Acórdão 310200.988. 3ª SJ, C1, 2ª TO, S. de 22/08/2013: O objetivo da norma em destaque, evidentemente, é estimular que o infrator informe espontaneamente à Administração aduaneira a prática das infrações de natureza tributária e administrativa instituídas na legislação aduaneira. Nesta última, incluída todas as obrigações acessórias ou deveres instrumentais (segundo alguns) que tenham por objeto as prestações positivas (fazer ou tolerar) ou negativas (não fazer) instituídas no interesse fiscalização das operações de comércio exterior, incluindo os aspectos de natureza tributária, administrativo, comercial, cambial etc. Não se pode olvidar que, para aplicação do instituto da denúncia espontânea, é condição necessária que a infração de natureza tributária ou administrativa seja passível de denunciação à fiscalização pelo infrator. Em outras palavras, é requisito essencial da excludente de responsabilidade em apreço que a infração seja denunciável. No âmbito da legislação aduaneira, em consonância com o disposto no retrotranscrito preceito legal, as impossibilidades de aplicação dos efeitos da denúncia espontânea podem decorrer de circunstância de ordem lógica (ou racional) ou legal (ou jurídica). No caso de impedimento legal, é o próprio ordenamento jurídico que veda a incidência da norma em apreço, ao excluir determinado tipo de infração do alcance do efeito excludente da responsabilidade por denunciação espontânea da infração cometida. A título de exemplo, podem ser citadas as infrações por dano erário, sancionadas com a pena de perdimento, conforme 4 CARVALHO, Paulo de Barros. "Curso de direito tributário". 13. ed. São Paulo: Saraiva, 2000, p. 277349. Fl. 236DF CARF MF Impresso em 20/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11968.000739/200875 Acórdão n.º 9303003.707 CSRF‐T3 Fl. 237 8 expressamente determinado no § 2º, in fine, do citado art. 102. A impossibilidade de natureza lógica ou racional ocorre quando fatores de ordem material tornam impossível a denunciação espontânea da infração. São dessa modalidade as infrações que têm por objeto as condutas extemporâneas do sujeito passivo, caracterizadas pelo cumprimento da obrigação após o prazo estabelecido na legislação. Para tais tipos de infração, a denúncia espontânea não tem o condão de desfazer ou paralisar o fluxo inevitável do tempo. Compõem essa última modalidade toda infração que tem o atraso no cumprimento da obrigação acessória (administrativa) como elementar do tipo da conduta infratora. Em outras palavras, toda infração que tem o fluxo ou transcurso do tempo como elemento essencial da tipificação da infração. São dessa última modalidade todas as infrações que têm no núcleo do tipo da infração o atraso no cumprimento da obrigação legalmente estabelecida. A título de exemplo, pode ser citada a conduta do transportador de registrar extemporaneamente no Siscomex os dados das cargas embarcadas, infração objeto da presente autuação. Veja que, na hipótese da infração em apreço, o núcleo do tipo é deixar de prestar informação sobre a carga no prazo estabelecido, que é diferente da conduta de, simplesmente, deixar de prestar a informação sobre a carga. Na primeira hipótese, a prestação intempestiva da informação é fato infringente que materializa a infração, ao passo que na segunda hipótese, a mera prestação de informação, independentemente de ser ou não a destempo, resulta no cumprimento da correspondente obrigação acessória. Nesta última hipótese, se a informação for prestada antes do início do procedimento fiscal, a denúncia espontânea da infração configurase e a respectiva penalidade é excluída. De fato, se registro extemporâneo da informação da carga materializasse a conduta típica da infração em apreço, seria de todo ilógico, por contradição insuperável, que o mesmo fato configurasse a denúncia espontânea da correspondente infração. De modo geral, se admitida a denúncia espontânea para infração por atraso na prestação de informação, o que se admite apenas para argumentar, o cometimento da infração, em hipótese alguma, resultaria na cobrança da multa sancionadora, uma vez que a própria conduta tipificada como infração seria, ao mesmo tempo, a conduta configuradora da denúncia espontânea da respectiva infração. Em consequência, ainda que comprovada a infração, a multa aplicada seria sempre inexigível, em face Fl. 237DF CARF MF Impresso em 20/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11968.000739/200875 Acórdão n.º 9303003.707 CSRF‐T3 Fl. 238 9 da exclusão da responsabilidade do infrator pela denúncia espontânea da infração. Esse sentido e alcance atribuído a norma, com devida vênia, constitui um contrassenso jurídico, uma espécie de revogação da penalidade pelo intérprete e aplicador da norma, pois, na prática, a sanção estabelecida para a penalidade não poderá ser aplicada em hipótese alguma, excluindo do ordenamento jurídico qualquer possibilidade punitiva para a prática de infração desse jaez. Destarte, a aplicação da denúncia espontânea às infrações caracterizadas pelo fazer ou nãofazer extemporâneo do sujeito passivo implicaria o esvaziamento do dever instrumental, que poderia ser cumprido há qualquer tempo, ao alvedrio do sujeito passivo. Exegese dessa natureza comprometeria toda a funcionalidade dos deveres instrumentais no sistema tributário. Destacase, nesse sentido, a doutrina de Yoshiaki Ichihara: 'Caso se entenda que o descumprimento de dever instrumental formal possa ser denunciado e corrigido sem o pagamento das multas decorrentes, na prática não haverá mais infração da obrigação acessória. Seria, a rigor, uma verdadeira anistia, que somente poderá ser concedida por lei específica. Exemplificando, uma empresa que deixou de registrar e escriturar livros fiscais, com a denúncia espontânea da infração, se assim se entender, não haverá mais multa, e a aplicação da lei tributária estará integralmente frustrada' 5. Entendese, portanto, que a denúncia espontânea (art. 138 do CTN e art. 102 do DecretoLei n° 37/1966) não alcança as penalidades exigidas pelo descumprimento de dever instrumental caracterizado pelo atraso na prestação de informação à administração aduaneira. (...)" O objetivo do art. 138 do CTN é estimular o contribuinte que não pagou os tributos a fazêlo e regularizar a situação, resgatando as pendências deixadas e não conhecidas pelo fisco, que recebe o que deveria ter sido pago e cuja satisfação, não fosse a iniciativa do contribuinte, talvez jamais ocorresse. Tal norma objetiva estimular o cumprimento espontâneo das obrigações tributárias. Porém, a responsabilidade pelo cometimento das infrações restará afastada apenas com o reconhecimento e cumprimento da obrigação, preservando assim a higidez do sistema, não se podendo ver nela nenhum estímulo à inadimplência. De fato, a jurisprudência dominante em nossos tribunais não admite a configuração da denúncia espontânea ante a prática de determinados atos, que representam 5 ICHIHARA, Yoshiaki. Sanções tributárias questões sugeridas. In: MACHADO, Hugo de Brito (coord.). Sanções administrativas tributárias. São Paulo: DialéticaICET, 2004, p. 502. Fl. 238DF CARF MF Impresso em 20/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11968.000739/200875 Acórdão n.º 9303003.707 CSRF‐T3 Fl. 239 10 infrações à legislação tributária. Várias são as decisões no sentido da inaplicabilidade do art. 138 do CTN no descumprimento do prazo quanto às obrigações acessórias. Vejamos: “DENÚNCIA ESPONTÂNEA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. INAPLICABILIDADE. 1. Inaplicável o instituto da denúncia espontânea quando se trata de multa isolada imposta em face do descumprimento de obrigação acessória.” (STJ, 2ª T. AgRg no Resp 916.168/SP, Herman Benjamin, mar/09) No mesmo sentido do entendimento ora defendido, manifestouse recentemente o e. Tribunal Regional Federal da 4ª Região, conforme se infere do enunciado da ementa e dos trechos do voto condutor do julgado, a seguir transcritos: EMBARGOS À EXECUÇÃO FISCAL. MULTA DECORRENTE DA INFORMAÇÃO INTEMPESTIVA DE DADOS DE EMBARQUE. AGENTE MARÍTIMO. LEGITIMIDADE PASSIVA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA AUTÔNOMA. INAPLICABILIDADE DA DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA. PROPORCIONALIDADE E RAZOABILIDADE. VALOR QUE NÃO OFENDE O PRINCÍPIO DA VEDAÇÃO DE CONFISCO. 1. O agente marítimo assume a condição de representante do transportador perante os órgãos públicos nacionais e, ao deixar de prestar informação sobre veículo ou carga transportada, concorre diretamente para a infração, daí decorrendo a sua responsabilidade pelo pagamento da multa, nos termos do artigo 95, I, do DecretoLei nº 37, de 1966. 2. Não se aplica a denúncia espontânea para os casos de descumprimento de obrigações tributárias acessórias autônomas. 3. A finalidade punitiva e dissuasória da multa justifica a sua fixação em valores mais elevados, sem que com isso ela ofenda os princípios da razoabilidade, proporcionalidade e vedação ao confisco. [...]Voto. [...] Não é caso, também, de acolhimento da alegação de denúncia espontânea. A Lei nº 12.350, de 2010, deu ao artigo 102, § 2º, do DecretoLei nº 37, de 1966, a seguinte redação: [...] Bem se vê que a norma não é inovadora em relação ao artigo 138 do CTN, merecendo, portanto, idêntica interpretação. Nesse sentido, é pacífico o entendimento no sentido de que a denúncia espontânea não se aplica para os casos em que a infração seja à obrigação tributária acessória autônoma. [...] (BRASIL. TRF4. 2ª Turma. Apelação Cível nº 5005999 81.2012.404.7208/SC. rel. Des. Rômulo Pizzolatti, j. 10.12.2013) (grifo acrescido) Fl. 239DF CARF MF Impresso em 20/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11968.000739/200875 Acórdão n.º 9303003.707 CSRF‐T3 Fl. 240 11 Importante observar que, no mesmo sentido da mencionada decisão do TRF da 4ª RF, existe a Súmula CARF nº 49 A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. Todavia, não se trata aqui de aplicar a Súmula 49 para resolver o presente litígio, uma vez que proferida antes das alterações promovidas pela Lei 12.350/2010. A intransigência em matéria de controles administrativos aduaneiros se justifica, muito mais do que pela questão tributáriofinanceira, pela questão da defesa do Estado nacional. A falta de pagamento de tributo, ou de parte dele, não é o único dano que se faz aos cofres públicos e à sociedade no descumprimento das regras de controle aduaneiro. Muitas vezes, a administração tributária prioriza a arrecadação de tributos e não enfatiza as razões dos controles não tributários ou aduaneiros. Assim, pode ficar a impressão de que não havendo falta de pagamento de tributos não há dano efetivo ao erário, mas essa é uma falsa observação. Cabe a administração aduaneira cumprir as decisões dos demais órgãos do Poder Executivo e de Acordos Internacionais, relativamente à saúde, à defesa da economia, à defesa dos interesses culturais, do patrimônio histórico, da segurança pública, entre outros. São atribuições fundamentadas em conhecimentos que ultrapassam largamente aqueles necessários à excelência do trabalho de fiscalização. Ao fazer o julgamento, especialmente por que não há tantos julgadores especializados em nuances do comércio internacional, passase ao largo dos verdadeiros delitos que são cometidos à sombra da ausência de danos fiscais explícitos — quero dizer — da falta de pagamento de impostos. Por último, é de se observar que o entendimento acerca da impossibilidade de aplicar a denúncia espontânea para afastar a multa capitulada no artigo no art. 107, inciso IV, alínea "e", do DL 37, de 1966, alcança, indistintamente, a exigência dessa penalidade nas diversas situações nas quais é aplicada, tais como: atraso na prestação de informações sobre mercadoria embarcada, sobre atracação de embarcação, sobre vinculação de manifesto de carga, etc. Afastada a aplicação da denúncia espontânea, e diante de recurso do contribuinte, o resultado do julgamento é por negar provimento ao recurso especial, resultado que deve ser aplicado aos demais processos vinculados ao julgamento deste, na sistemática prevista nos §§ 1º a 3º do art. 47 do RICARF (recursos repetitivos). À luz do exposto, voto por negar provimento ao recurso especial interposto pelo sujeito passivo, por considerar inaplicável a denúncia espontânea como excludente da multa pelo atraso na prestação de informações sobre veículo ou carga nele transportada." Aplicandose as razões de decidir, o voto e o resultado do processo paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º a 3º do art. 47 do RICARF, negase provimento ao recurso especial interposto pelo sujeito passivo, por Fl. 240DF CARF MF Impresso em 20/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11968.000739/200875 Acórdão n.º 9303003.707 CSRF‐T3 Fl. 241 12 considerar inaplicável a denúncia espontânea como excludente da multa pelo atraso na prestação de informações sobre veículo ou carga nele transportada. CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Fl. 241DF CARF MF Impresso em 20/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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Numero do processo: 13634.720461/2014-00
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 14 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri May 13 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2011
MOLÉSTIA GRAVE. ISENÇÃO. CONDIÇÕES. LEI Nº 7.713/1988. PROVA DOCUMENTAL. SÚMULA CARF Nº 63
Para gozo da isenção do imposto de renda da pessoa física pelos portadores de moléstia grave, os rendimentos devem ser provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão e a moléstia deve ser devidamente comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios (Súmula CARF nº 63).
A isenção passa a ser reconhecida com a presença cumulativa desses dois requisitos, a partir da data do início da doença atestada no laudo médico.
DIRPF RETIFICADORA. PAGAMENTO FEITO COM BASE NA DECLARAÇÃO ORIGINAL. EXCLUSÃO DA MULTA DE OFÍCIO E JUROS DE MORA.
No caso de DIRPF Retificadora que pleiteia restituição indevida, se configurada a extinção do crédito tributário por pagamento realizado pelo contribuinte na declaração original, deves-se excluir a multa de ofício e os juros de mora incidentes sobre os valores de imposto exigidos, para os quais houve o recolhimento espontâneo.
Numero da decisão: 2202-003.362
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial para excluir a multa de ofício e os juros de mora incidentes sobre o imposto de R$ 3.328,29, vencido o Conselheiro Marcio Henrique Sales Parada, que negou provimento.
Assinado digitalmente
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Márcio Henrique Sales Parada, Martin da Silva Gesto, Márcio de Lacerda Martins (Suplente convocado), Junia Roberta Gouveia Sampaio, Marcela Brasil de Araújo Nogueira (Suplente convocada), Dílson Jatahy Fonseca Neto e José Alfredo Duarte Filho (Suplente convocado).
Nome do relator: MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA
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ISENÇÃO. CONDIÇÕES. LEI Nº 7.713/1988. PROVA DOCUMENTAL. SÚMULA CARF Nº 63 Para gozo da isenção do imposto de renda da pessoa física pelos portadores de moléstia grave, os rendimentos devem ser provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão e a moléstia deve ser devidamente comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios (Súmula CARF nº 63). A isenção passa a ser reconhecida com a presença cumulativa desses dois requisitos, a partir da data do início da doença atestada no laudo médico. DIRPF RETIFICADORA. PAGAMENTO FEITO COM BASE NA DECLARAÇÃO ORIGINAL. EXCLUSÃO DA MULTA DE OFÍCIO E JUROS DE MORA. No caso de DIRPF Retificadora que pleiteia restituição indevida, se configurada a extinção do crédito tributário por pagamento realizado pelo contribuinte na declaração original, devesse excluir a multa de ofício e os juros de mora incidentes sobre os valores de imposto exigidos, para os quais houve o recolhimento espontâneo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial para excluir a multa de ofício e os juros de mora incidentes sobre o imposto de R$ 3.328,29, vencido o Conselheiro Marcio Henrique Sales Parada, que negou provimento. Assinado digitalmente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 63 4. 72 04 61 /2 01 4- 00 Fl. 105DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 13634.720461/201400 Acórdão n.º 2202003.362 S2C2T2 Fl. 106 2 Marco Aurélio de Oliveira Barbosa – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Márcio Henrique Sales Parada, Martin da Silva Gesto, Márcio de Lacerda Martins (Suplente convocado), Junia Roberta Gouveia Sampaio, Marcela Brasil de Araújo Nogueira (Suplente convocada), Dílson Jatahy Fonseca Neto e José Alfredo Duarte Filho (Suplente convocado). Relatório Reproduzo o relatório do Acórdão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro I (RJ) DRJ/RJ1: Tratase de Notificação de Lançamento, de fls. 36, lavrada em face da contribuinte acima identificada em decorrência de revisão de sua Declaração de Ajuste Anual do Imposto de Renda referente ao Exercício de 2011, AnoCalendário de 2010, resultando no crédito tributário apurado de R$ 7.607,23, já acrescido da multa de ofício e dos juros de mora. De acordo com o documento “Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal”, de fls. 37, foi apurada omissão de rendimentos recebidos da fonte pagadora CAIXA DE PREVIDÊNCIA DOS FUNCIONÁRIOS DO BANCO DO BRASIL no valor de R$ 61.993,69 e da fonte pagadora Cooperforte – Coop. de Econ. e Créd. Mutuo dos Func. de Instituições Financeiras Públicas Federais Ltda. no valor de R$ 338,68. Foi apresentada Solicitação de Retificação de Lançamento, que foi indeferida, fls. 44, sendo especificado, como segue: “ A isenção do IRPF sobre proventos de aposentadoria recebidos por portadores de moléstia grave depende de comprovação por meio de laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. O laudo pericial é o documento que formaliza uma perícia médica realizada por profissional médico investido na função de perito por ato administrativo, ou na falta de perito, por junta médica com atribuição pericial. De acordo com o Laudo Pericial emitido pelo INSS, a doença foi diagnosticada em 03 de dezembro de 2011”. Cientificada do resultado da Solicitação da Retificação de Lançamento em 12/02/2014, conforme documento de fls. 45, a Contribuinte apresentou impugnação ao Lançamento em 13/03/2014, doc. fls. 2, apresentando as seguintes alegações: Fl. 106DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 13634.720461/201400 Acórdão n.º 2202003.362 S2C2T2 Fl. 107 3 Quanto à omissão de rendimentos de R$ 338,68 o valor corresponde a cotas de IRPF 2011 já quitadas a qual pleiteia restituição em virtude de doença grave, aguardando deferimento do INSS. Os rendimentos de R$ 61.993,69 são isentos por se tratarem de proventos de aposentadoria, reforma ou pensão de portador de moléstia grave. É o relatório. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro I (RJ) DRJ/RJ1 julgou improcedente a impugnação, cuja decisão foi assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2010 MOLÉSTIA GRAVE ISENÇÃO DO IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA A PARTIR DA DATA DO INÍCIO DA DOENÇA. Comprovado que os rendimentos referemse à previdência complementar e tendo em vista a existência de laudo ou parecer emitido por serviço médico oficial atestando ser o contribuinte portador de moléstia grave, justificada está a isenção prevista no artigo 6º, inciso XIV, da Lei nº 7.713/1988, com a redação dada pela Lei nº 11.052, de 29 de dezembro de 2004, sendo esta cabível a partir da data do início da doença, deve ser mantida a omissão de rendimentos apurada. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. O lançamento é efetuado de ofício quando o contribuinte deixa de informar rendimentos em sua Declaração de Ajuste Anual, implicando redução do imposto a pagar ou devido. (art. 841 do Regulamento do Imposto de Renda aprovado pelo Decreto 3.000 de 26/03/1999 RIR/1999 e art. 149, inc. II e IV, do CTN). Impugnação Improcedente Cientificado dessa decisão em 07/10/2014, por via postal (A.R. de fl. 60), o Contribuinte apresentou Recurso Voluntário em 05/11/2014 (fls. 61 a 102), no qual repisa os argumentos da impugnação e combate a decisão de primeira instância. Anexa ao recurso as cópias das declarações de ajuste anual originais, atestados e declarações sobre a doença, comprovantes de DARFs recolhidos e cópia do recurso ao INSS. É o relatório. Voto Conselheiro Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Relator. Fl. 107DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 13634.720461/201400 Acórdão n.º 2202003.362 S2C2T2 Fl. 108 4 O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade. Portanto, merece ser conhecido. São necessárias duas condições para que os rendimentos recebidos por portadores de moléstias graves definidas em lei sejam isentos do imposto sobre a renda: (i) ser a moléstia atestada em laudo emitido por serviço médico oficial da União, Estados, DF ou Municípios; (ii) os rendimentos serem provenientes de aposentadoria ou reforma. Lei nº 7.713/1988 Art. 6º Ficam isentos do imposto de renda os seguinte rendimentos percebidos por pessoas físicas: [...] XIV – os proventos de aposentadoria ou reforma motivada por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, hepatopatia grave, estados avançados da doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome da imunodeficiência adquirida, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma; (destaquei) A Súmula CARF Nº 63 assim dispõe sobre as condições para gozo da isenção do imposto de renda: Para gozo da isenção do imposto de renda da pessoa física pelos portadores de moléstia grave, os rendimentos devem ser provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão, e a moléstia deve ser devidamente comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. Pela análise da documentação acostada aos autos, concluise que a data do início da doença de Parkinson (CID10: G20), conforme laudo médico apresentado (fl. 50), é 03/12/2011, sendo esse o momento em que a contribuinte passou a preencher os dois requisitos para usufruir a isenção pleiteada. Como o presente processo trata do anocalendário 2010, os rendimentos por ela recebidos nesse anocalendário estão sujeitos à tributação do imposto de renda. A própria Contribuinte reconhece em seu recurso voluntário que essa questão da data de início da doença está pendente de julgamento no âmbito do INSS. Ou seja, o que prevalece nesse momento é a data constante do laudo médico do INSS de fl. 50. Observase que a Contribuinte apresentou DIRPF retificadora retirando da base tributável a parcela que seria isenta, do que decorreu o lançamento de ofício. Ocorre que foram efetuados recolhimentos de imposto de renda nas seguintes datas e valores, por meio de DARFs sob o código 0211 (fl. 99), com base na declaração original: Data Valor do imposto (principal) em R$ Fl. 108DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 13634.720461/201400 Acórdão n.º 2202003.362 S2C2T2 Fl. 109 5 29/04/2011 475,47 31/05/2011 475,47 30/06/2011 475,47 29/07/2011 475,47 31/08/2011 475,47 30/09/2011 475,47 30/11/2011 475,47 Total: 3.328,29 O total do imposto recolhido (principal), sob o código 0211, corresponde a R$ 3.328,29. Não consta o recolhimento do DARF relativo à quota de 10/2011. Os valores recolhidos pela Contribuinte antes do início do procedimento fiscal, quando ela gozava de espontaneidade, não podem ser exigidos com multa de ofício. CTN Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração. Não se pode exigir, por meio de Notificação de Lançamento, multa de ofício sobre um crédito tributário que foi extinto pelo pagamento, nos termos do artigo 156, inciso I, do Código Tributário Nacional – CTN. O pagamento antecipado, conforme dispõe o § 1º do artigo 150 do CTN, extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação ao lançamento. Mesmo que não ocorra a homologação, o pagamento feito extingue a obrigação tributária. Apenas se o pagamento realizado não for suficiente para extinguila totalmente, caberá o lançamento de ofício para exigência da diferença. CTN Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 1º O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação ao lançamento. Fl. 109DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 13634.720461/201400 Acórdão n.º 2202003.362 S2C2T2 Fl. 110 6 [..] Art. 156. Extinguem o crédito tributário: I o pagamento; [...] Muito embora a declaração retificadora realmente substitua a declaração original, fato é que o pagamento extingue o crédito tributário, conforme prevê o inciso I do art. 156 do CTN. No presente caso, devem ser excluídos do lançamento de ofício a multa de ofício e os juros de mora incidentes sobre os valores recolhidos tempestivamente antes do início da ação fiscal, por meio dos DARFs de código 0211, que correspondem a R$ 3.328,29 (valor do imposto). Nesse sentido temos a seguinte decisão do CARF: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 2001 Ementa: IRPF – PAGAMENTO – COMPROVAÇÃO. O pagamento tempestivo da obrigação tributária constante da declaração original posteriormente retificada exclui a aplicação de multa de ofício e juros de mora sobre o imposto apurado em revisão de ofício da retificadora que não tenha resultado em exigência de principal superior àquela constante da original. (Acórdão nº 220101.153, de 06/06/2011, Rel. Gustavo Lian Haddad). Em relação à omissão de rendimentos da fonte pagadora Cooperforte – Coop. de Econ. e Créd. Mutuo dos Func. de Instituições Financeiras Públicas Federais, no valor de R$ 338,68, a Contribuinte alega que mesmo admitindose a omissão, por esquecimento e nunca por máfé, o valor a ser pago não é o que está sendo cobrado. Menciona, ainda, a existência de um parcelamento de 60 meses para quitação dos débitos. Tendo em vista que a Contribuinte não declarou e não recolheu o imposto incidente sobre os rendimentos recebidos da Cooperforte – Coop. de Econ. e Créd. Mutuo dos Func. de Instituições Financeiras Públicas Federais, no valor de R$ 338,68, está correto o lançamento de ofício nesse ponto. Também não consta dos autos nenhuma informação sobre parcelamento de débitos efetuado pela Contribuinte. Diante do exposto, voto no sentido de DAR PARCIAL provimento ao recurso voluntário, para excluir da Notificação de Lançamento a multa de ofício e os juros de mora incidentes sobre o valor do imposto de R$ 3.328,29. A DRF de origem deverá alocar ao imposto lançado de ofício os valores pagos antes do procedimento fiscal. Assinado digitalmente Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Relator Fl. 110DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 13634.720461/201400 Acórdão n.º 2202003.362 S2C2T2 Fl. 111 7 Fl. 111DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA
score : 1.0
Numero do processo: 16306.000072/2007-37
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 10 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed May 25 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2003
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DIRF. RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS. DESCARACTERIZAÇÃO. PROVA. NECESSIDADE.
Descabe o pedido de restituição de imposto de renda retido na fonte incidente sobre rendimentos tributáveis informados em DIRF pela fonte pagadora quando o contribuinte não comprova que tais rendimentos estão fora do campo de tributação do imposto de renda.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2201-003.139
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
Assinado digitalmente
Eduardo Tadeu Farah - Presidente.
Assinado digitalmente
Marcelo Vasconcelos de Almeida - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Eduardo Tadeu Farah (Presidente), Carlos Alberto Mees Stringari, José Alfredo Duarte Filho (Suplente convocado), Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos César Quadros Pierre, Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecília Lustosa da Cruz e Maria Anselma Coscrato dos Santos (Suplente convocada). Presente ao Julgamento a Procuradora da Fazenda Nacional Sara Ribeiro Braga Ferreira.??
Nome do relator: MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA
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DIRF. RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS. DESCARACTERIZAÇÃO. PROVA. NECESSIDADE. Descabe o pedido de restituição de imposto de renda retido na fonte incidente sobre rendimentos tributáveis informados em DIRF pela fonte pagadora quando o contribuinte não comprova que tais rendimentos estão fora do campo de tributação do imposto de renda. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Assinado digitalmente Eduardo Tadeu Farah Presidente. Assinado digitalmente Marcelo Vasconcelos de Almeida Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Eduardo Tadeu Farah (Presidente), Carlos Alberto Mees Stringari, José Alfredo Duarte Filho (Suplente convocado), Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos César Quadros Pierre, Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecília Lustosa da Cruz e Maria Anselma Coscrato dos Santos (Suplente convocada). Presente ao Julgamento a Procuradora da Fazenda Nacional Sara Ribeiro Braga Ferreira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 30 6. 00 00 72 /2 00 7- 37 Fl. 165DF CARF MF Impresso em 25/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 16306.000072/200737 Acórdão n.º 2201003.139 S2C2T1 Fl. 166 2 Relatório Tratase de Pedido de Restituição de imposto de renda pessoa física incidente sobre verba recebida em decorrência de ação judicial que a contribuinte afirma se tratar de indenização percebida em virtude da quebra de estabilidade no emprego, em razão de rescisão unilateral de seu contrato de trabalho (fls. 2/4). Anteriormente ao pedido a Interessada já havia retificado sua declaração de ajuste anual do anocalendário de 2002. Contudo, a declaração retificadora incidiu em malha fiscal e foi alterada de ofício pela Autoridade fiscal, conforme Despacho Decisório de fls. 126/127. A contribuinte apresentou a Manifestação de Inconformidade de fls. 131/136. Por meio do acórdão de fls. 145/150 a insurgência da Interessada foi julgada improcedente e o seu direito creditório não foi reconhecido. Cientificado da decisão de primeira instância, a contribuinte interpôs, em 29/09/2011, o recurso de fls. 153/161. Na peça recursal aduz, em síntese, que: A Recorrente comprovou que o valor recebido em virtude de determinação judicial decorre de indenização devido à quebra de estabilidade por parte do empregador, razão pela qual não deveria ter sido retido imposto de renda, por constituir hipótese de não incidência. Basta verificar a sentença condenatória, especificamente o seu item "e". É indiscutível que a indenização em questão não implica acréscimo patrimonial, mas mera recomposição. E, como se sabe, o fato gerador do imposto de renda é o acréscimo patrimonial, não ocorrido no caso. Nesse sentido, aliás, já se manifestou a Câmara Superior de Recursos Fiscais. A fonte pagadora cometeu equívoco ao informar como rendimento tributável o valor recebido por força de medida judicial que reconheceu a quebra da estabilidade da relação empregatícia. Os dispositivos legais arrolados pelas Autoridades administrativas que proferiram o Despacho Decisório não são aplicáveis ao presente caso, uma vez que mencionados dispositivos tratam do instituto tributário da “isenção”, sendo que o caso é de “não incidência” tributária. O valor correto dos rendimentos tributáveis é igual a R$ 17.392,34, ou seja, os R$ 214.553,14 subtraídos dos R$ 197.160,80, recebidos por força da indenização. O valor correto dos rendimentos isentos e não tributáveis decorrentes da indenização por rescisão de contrato de trabalho é igual a R$ 125.462,39, ou seja, o valor bruto recebido por força judicial de R$ 197.160,80 subtraídos dos honorários advocatícios de R$ 61.455,78 e dos honorários periciais de R$ 10.242,63. Na DIRPF retificadora a ora Requerente efetuou as seguintes modificações: a) alterou de R$ 142.854,73 para 17.392,34 o campo “Rendimentos Tributáveis Recebidos de Pessoas Jurídicas pelo Titular”; e b) alterou de R$ 0,00 para R$ 125.462,39 o campo “Rendimentos Isentos e Não Tributáveis Indenizações por rescisão de contrato de trabalho". Fl. 166DF CARF MF Impresso em 25/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 16306.000072/200737 Acórdão n.º 2201003.139 S2C2T1 Fl. 167 3 Ao final, requer a reforma da decisão recorrida para que seja determinado à Delegacia da Secretaria da Receita Federal do Brasil DRF de São Paulo que efetue a imediata restituição do imposto sobre a renda indevidamente retido na fonte. Voto Conselheiro Marcelo Vasconcelos Almeida, Relator As folhas citadas neste voto referemse à numeração do processo digital. A data de recebimento constante do AR de fl. 152 está ilegível. O recurso voluntário veio subscrito pela própria Interessada. Nesse cenário, conheço do recurso, porquanto há de se presumir que o recurso é tempestivo. A Recorrente afirma ter recebido, por força de decisão judicial, indenização por quebra da estabilidade contemplada no art. 19 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias ADCT da CF/1988. Ocorre que os documentos carreados aos autos não comprovam que o montante recebido é decorrente da referida estabilidade. É o que se constata da leitura da parte dispositiva da decisão judicial que julgou parcialmente procedente a ação trabalhista ajuizada pela Interessada e outras pessoas. Confira (fl. 99): Do exposto, resolve a 21a.JCJ/SP, sem divergência e nos termos da fundamentação, julgar.PARCIALMENTE PROCEDENTE a presente reclamação para: I Reconhecer a relação empregatícia havida entre as partes, com termo inicial nas datas constantes da inicial, determinando ao reclamado as pertinentes anotações nas CTPS dos autores, no prazo de cinco dias após o trânsito em julgado, sob as penas do art. 39 da CLT. As opções pelo regime do FGTS deverão ser feitas nos termos constantes da fundamentação. II Reconhecer aos autores a estabilidade, nos termos do art. 19 das Disposições Transitórias da Constituição Federal de 5.10.88. III Determinar o enquadramento dos autores no plano de cargos e salários do reclamado, com todas as vantagens, vencidas e vincendas e consequentes pagamentos das diferenças de salários, 13°s salários, de férias e de depósitos de FGTS. IV Determinar a reintegração de Edson Tonello e Tereza Regina Horácio Lopes com os consequentes salários vencidos e vincendos. V Determinar o pagamento de três horas e trinta minutos extras por dia, nos termos fundamentados, e a integração das mesmas nos DSRs, feriados e FGTS. Fl. 167DF CARF MF Impresso em 25/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 16306.000072/200737 Acórdão n.º 2201003.139 S2C2T1 Fl. 168 4 O documento juntado pela Interessada revela que o que houve foi o reconhecimento da estabilidade e não a quebra da estabilidade. Nenhuma das condenações trata da suposta indenização recebida pela Recorrente. Posteriormente houve a confirmação, in totum, pelo Tribunal Regional do Trabalho da 2ª Região, da sentença de 1ª instância (fl. 38). A Interessada aduz, também, que o valor correto dos rendimentos tributáveis seria igual a R$ 17.392,34, resultantes da subtração de R$ 214.553,14 (valor dos rendimentos informados na DIRF da fonte pagadora) menos R$ 197.160,80 (valor da indenização informada em planilha fornecida pela fonte pagadora). Os rendimentos isentos e não tributáveis decorrentes da indenização por rescisão de contrato de trabalho seria R$ 125.462,39, ou seja, o valor bruto recebido por força judicial de R$ 197.160,80 subtraídos dos honorários advocatícios de R$ 61.455,78 e dos honorários periciais de R$ 10.242,63. A planilha de fl. 67 fornecida pela fonte pagadora realmente informa que o valor atualizado recebido pela Recorrente foi R$ 197.160,80, mas não especifica a natureza do montante pago. Observo, ademais, em obter dictum, que os honorários periciais deduzidos pela Interessada (R$ 10.242,63) estão em descompasso com os honorários periciais informados na mesma planilha fornecida pela fonte pagadora (R$ 548,26). Em resumo: a Interessada não se desvencilhou de seus ônus de comprovar que ocorreu determinação judicial no sentido de pagamento da denominada “indenização por quebra de estabilidade”, no valor de R$ R$ 125.462,39, devendo ser mantida a natureza dos rendimentos informados na DIRF da fonte pagadora (rendimentos tributáveis). Nesse contexto, voto por negar provimento ao recurso. Assinado digitalmente Marcelo Vasconcelos Almeida Fl. 168DF CARF MF Impresso em 25/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH
score : 1.0
Numero do processo: 10530.724547/2009-14
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Feb 15 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Apr 07 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2006 a 30/04/2008
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - MULTA DE OFÍCIO - EXCLUSÃO
O lançamento reporta-se à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e rege-se pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada.
Se à época dos fatos geradores a multa de ofício não existia para o tributo em questão, ela deve ser excluída do lançamento.
PARCELAMENTO. PRAZO PARA SOLICITAÇÃO.
A opção pelo parcelamento não será aceita após encerrado o prazo estabelecido para sua formalização.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Crédito Tributário Mantido em Parte
Numero da decisão: 2201-002.857
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar. No mérito, por maioria de votos, dar parcial provimento ao recuso para excluir a multa de ofício até a competência 11/2008, vencidos o Conselheiro EDUARDO TADEU FARAH, que negava provimento ao recurso e o Conselheiro MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, que dava provimento em menor extensão.
Carlos Alberto Mees Stringari
Relator
Eduardo Tadeu Farah
Presidente Substituto
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros EDUARDO TADEU FARAH (Presidente Substituto), CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, MARCIO DE LACERDA MARTINS (Suplente convocado), IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, MARIA ANSELMA COSCRATO DOS SANTOS (Suplente convocada), MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, CARLOS CESAR QUADROS PIERRE e ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2006 a 30/04/2008 PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - MULTA DE OFÍCIO - EXCLUSÃO O lançamento reporta-se à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e rege-se pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. Se à época dos fatos geradores a multa de ofício não existia para o tributo em questão, ela deve ser excluída do lançamento. PARCELAMENTO. PRAZO PARA SOLICITAÇÃO. A opção pelo parcelamento não será aceita após encerrado o prazo estabelecido para sua formalização. Recurso Voluntário Provido em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar. No mérito, por maioria de votos, dar parcial provimento ao recuso para excluir a multa de ofício até a competência 11/2008, vencidos o Conselheiro EDUARDO TADEU FARAH, que negava provimento ao recurso e o Conselheiro MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, que dava provimento em menor extensão. Carlos Alberto Mees Stringari Relator Eduardo Tadeu Farah Presidente Substituto Participaram do presente julgamento, os Conselheiros EDUARDO TADEU FARAH (Presidente Substituto), CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, MARCIO DE LACERDA MARTINS (Suplente convocado), IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, MARIA ANSELMA COSCRATO DOS SANTOS (Suplente convocada), MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, CARLOS CESAR QUADROS PIERRE e ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ.
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Se à época dos fatos geradores a multa de ofício não existia para o tributo em questão, ela deve ser excluída do lançamento. PARCELAMENTO. PRAZO PARA SOLICITAÇÃO. A opção pelo parcelamento não será aceita após encerrado o prazo estabelecido para sua formalização. Recurso Voluntário Provido em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar. No mérito, por maioria de votos, dar parcial provimento ao recuso para excluir a multa de ofício até a competência 11/2008, vencidos o Conselheiro EDUARDO TADEU FARAH, que negava provimento ao recurso e o Conselheiro MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, que dava provimento em menor extensão. Carlos Alberto Mees Stringari AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 53 0. 72 45 47 /2 00 9- 14 Fl. 205DF CARF MF Impresso em 07/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 4/03/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 10/03/2016 por EDUARDO TADEU F ARAH 2 Relator Eduardo Tadeu Farah Presidente Substituto Participaram do presente julgamento, os Conselheiros EDUARDO TADEU FARAH (Presidente Substituto), CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, MARCIO DE LACERDA MARTINS (Suplente convocado), IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, MARIA ANSELMA COSCRATO DOS SANTOS (Suplente convocada), MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, CARLOS CESAR QUADROS PIERRE e ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ. Fl. 206DF CARF MF Impresso em 07/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 4/03/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 10/03/2016 por EDUARDO TADEU F ARAH Processo nº 10530.724547/200914 Acórdão n.º 2201002.857 S2C2T1 Fl. 3 3 Relatório Tratase de recurso voluntário apresentado contra Decisão da Delegacia da Secretaria da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Salvador, Acórdão 15030.467 da 7ª Turma, que julgou a impugnação improcedente. O lançamento e a impugnação foram assim relatadas no julgamento de primeira instância: Do Lançamento. Tratase de ação fiscal desenvolvida perante o sujeito passivo identificado em epígrafe, na qual foi lavrado o Auto de Infração (AI), cadastrado sob o nº 37.054.5656, correspondente às contribuições sociais descontadas das remunerações dos segurados empregados, não declaradas nas Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP) apresentadas antes do início da ação fiscal, e não recolhidas na época própria, referentes aos períodos de 01/2006, 08/2007 a 12/2007 e 01/2008 a 04/2008. O presente crédito constituído, consolidado em 07 de dezembro de 2009, perfaz o montante de R$ 32.436,02 (trinta e dois mil e quatrocentos e trinta e seis reais e dois centavos). A ação fiscal foi autorizada através do Mandado de Procedimento Fiscal –Fiscalização (MPFF) nº 0510200.2009.004060, com código de acesso na internet n° 47079028. Tratase de Órgão do Poder Público Municipal (Prefeitura Municipal) que não possui regime próprio de Previdência Social. O contribuinte apresentou os Resumos Mensais das Folhas de Pagamentos dos servidores. Após comparação entre as remunerações pagas aos servidores constantes desses resumos e as remunerações pagas aos servidores constantes das GFIP, verificouse que os valores das remunerações constantes das GFIP estavam menores. Para a apuração dessas diferenças foram criados dois levantamentos: a) Levantamento FPA – para apuração das diferenças até a competência de 11/2008 (antes da vigência da MP 449/2008, convertida posteriormente na Lei nº 11.941/2009); Os valores dessas diferenças constam do Relatório de Lançamentos – RL, que é parte integrante deste AI. Essas diferenças apuradas referemse tão somente aos valores das Fl. 207DF CARF MF Impresso em 07/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 4/03/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 10/03/2016 por EDUARDO TADEU F ARAH 4 contribuições previdenciárias descontadas dos servidores e não declaradas em GFIP. A crédito foram lançadas as contribuições previdenciárias recolhidas mediante Guias da Previdência Social – GPS, conforme constam do Relatório de Documentos Apresentados – RDA e do Relatório de Apropriação de Documentos Apresentados – RADA, integrantes deste AI. Com o advento da MP 449/2008, de 03/12/2008 (DOU de 04/12/2008), posteriormente convertida na Lei nº 11.941/2009, nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, devese aplicar a multa disposta no art. 44 da Lei nº 9.430, de 27/12/1996, ou seja, devese aplicar multa de 75% sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata. Todavia, em observância ao art. 106, inc. II, “c”, do CTN, o somatório das multas calculadas na sistemática antiga (parágrafo 5º do artigo 32 da Lei nº 8.212/1991; e alínea “a” do inciso II do artigo 35 da Lei nº 8.212/1991, com redação dada pela Lei nº 9.876/1999) deve ser confrontado com a nova forma de cálculo prevista no art. 35A da Lei n° 8.212/91, introduzido pela Lei n° 11.941/2009, aplicandose a mais benéfica. Face o exposto foi aplicada, para as competências a partir de 08/2007, a penalidade disposta no artigo 35A da Lei nº 8.212, de 1991, inserida pela Lei nº 11.941/2009, por ser a mais benéfica, conforme quadro demonstrativo (SAFIS – Comparação de multas). O SAFIS criou automaticamente o seguinte levantamento: a) Z1 – levantamento criado a partir do desmembramento do levantamento FPA. A conduta de não repassar à Previdência Social a integralidade das contribuições previdenciárias descontadas dos servidores caracteriza, em tese, crime de Apropriação Indébita Previdenciária, tipificado no artigo 168 – A do Código Penal, DecretoLei nº 2.848 de 07/12/1940, com redação dada pela Lei nº 9.983, de 14/07/2000, razão pela qual, em cumprimento do dever funcional, foi emitida Representação Fiscal para Fins Penais a ser encaminhada à autoridade competente. Em decorrência da mesma ação fiscal, foram lavrados os seguintes AI: 37.054.5516, 37.054.5540 e 37.054.5656. Da impugnação. O sujeito passivo foi cientificado deste lançamento, em 11 de dezembro de 2009, por via postal, mediante AR anexado às fls. 146/147. Apresentou impugnação em 08 de janeiro de 2010, alegando, em síntese, o que se relata a seguir. Das preliminares. Fl. 208DF CARF MF Impresso em 07/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 4/03/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 10/03/2016 por EDUARDO TADEU F ARAH Processo nº 10530.724547/200914 Acórdão n.º 2201002.857 S2C2T1 Fl. 4 5 a) Requer seja considerada a legitimidade dos seus atos, bem como sejam aceitos os documentos apresentados em cópias. Requer seja considerada a legitimidade dos seus atos, inclusive por respeito ao princípio da isonomia, bem como sejam aceitos os documentos apresentados em cópias, tendo em vista os princípios e disposições das normas que regulam o Programa Nacional de Desburocratização do Governo Federal, assim como o que se encontra disposto no art. 20 da Lei n° 9.469/97, e também por se tratar de Pessoa Jurídica de Direito Público. b) Ilegalidade da Multa aplicada – Lei nº 11.941/2009. A Lei 11.941/2009 autoriza retirada do dispositivo que permitia ao fisco alcançar pessoalmente os dirigentes de órgãos públicos. Ao tratar da aplicação da lei tributária o CTN assim estabelece: Art. 106 A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: Vêse que, para esses dirigentes, a lei deixou de definir a falta de cumprimento das obrigações acessórias previdenciárias como ilícitos, assim, por conseguinte, devese aplicar a lei nova aos processos ainda não definitivamente julgados. Logo, restam elididas todas as penalidades decorrentes de autuações lavradas com fulcro no art. 4l da Lei n° 8.212/91. Todavia, tratase de ente público, que é pessoa diversa do gestor, por conta disso, não pode sofrer danos em razão da má gestão de quem ocupa a sua Administração. No caso do Al em apreço está se tratando de fatos geradores anteriores à edição da referida norma, não podendo a mesma retroagir para prejudicar o interessado, ora contribuinte, como foi feito na lavratura do referido Al. Cumpre salientar que o pleito de parcelamento remonta aos idos de 2008, quando o Colendo Supremo Tribunal Federal apreciou a inconstitucionalidade dos art. 45 e 46 da Lei nº 8.212 de 1991, declarandoos inconstitucionais, inclusive editando a Súmula Vinculante nº 08. Ora, está se tratando de fatos geradores anteriores a 2008 que foi a data da edição da Súmula Vinculante nº 08, quando o Município contava com uma dívida nitidamente atingida pelos efeitos da referida Súmula. Todavia somente seria possível a adoção de um procedimento administrativo de apuração dos valores devidos e indevidos, após a adesão a uma modalidade de parcelamento convencional (máximo de 60 prestações), o que comprometeria o orçamento e as finanças municipais, sem falar na conduta vedada nos últimos 06 meses de mandato, de um jeito ou de outro, incorrendo na violação do art. 42 da LRF, o que necessariamente, geraria um colapso financeiro no Município e Fl. 209DF CARF MF Impresso em 07/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 4/03/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 10/03/2016 por EDUARDO TADEU F ARAH 6 reflexo nas futuras gestões, dado a impossibilidade de parcelamento dos débitos de contribuições previdenciárias dos segurados. Ainda com relação à questão em tela, sobre o débito para com o INSS no decorrer do exercício de 2008, principalmente no segundo semestre, temse a esclarecer que muito embora já invocado o quanto contido expressamente na Lei 11.960/2009, que dispõe sobre o Município e outros entes públicos para com a Previdência Social, cuja norma foi oriunda da Medida Provisória n° 457 de 10 de fevereiro de 2009, devese ressaltar esse argumento como princípio constitucional a ser levantado. A própria Receita Federal do Brasil baixou a Norma de Execução Conjunta n° 01, de 31 de dezembro de 2008. Conforme dispõe o preâmbulo da Norma, o seu objeto é a procedibilidade do processo administrativo para fins de cumprimento da Sumula Vinculante n° 08 do STF. A Norma de Execução Conjunta é datada de 31 de dezembro de 2008 e estabelece os requisitos para fins de requerimento de processo de revisão, pelos contribuintes cujos débitos foram alcançados pela Sumula Vinculante n° 08 do STF. Adequando os fundamentos ao caso em apreço, temse que o parcelamento das dívidas deve retroagir à data do fato gerador, o que garante a solvabilidade das obrigações, pelo ente federado. Fora efetuado parcelamento junto à Receita Federal do Brasil, com vistas a garantir o cumprimento da Lei nº 11.960/2009, cujo objeto é contribuições previdenciárias. Os valores originalmente parcelados remontam acúmulo de multa, atualizações e correções, bem como parcelas dos débitos correntes, valores que estavam na dívida flutuante e com o parcelamento, deverão migrar para a dívida fundada, através de consolidação. Todavia no que tange à multa, pugna sejam as mesmas anuladas de pleno direito por serem emanadas de aplicação retroativa de norma prejudicial ao ente público, em razão da exoneração da responsabilidade dos gestores, restando aos cofres públicos sofrerem com aplicação de penalidades fundadas em norma posterior a sua ocorrência. Ante o exposto, pugna seja acolhida a presente preliminar para tornar insubsistente as multas aplicadas. Do mérito. Incorporação do crédito lançado ao parcelamento efetuado na forma da Lei nº 11.960/2009. Tendo sido notificado dos Autos de Infração em epígrafe e tendo em vista o disposto na Lei nº 11.960/2009, solicitase que tais créditos tributários sejam incorporados ao parcelamento da citada Lei, tendo em vista o pedido protocolado dentro do prazo fatal determinado pela Lei, pelos motivos abaixo enumerados Fl. 210DF CARF MF Impresso em 07/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 4/03/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 10/03/2016 por EDUARDO TADEU F ARAH Processo nº 10530.724547/200914 Acórdão n.º 2201002.857 S2C2T1 Fl. 5 7 O citado parcelamento ainda não foi consolidado, portanto essa consolidação (ainda não foi efetivada) será efetuada em data posterior ao pagamento da 1a parcela paga. A data do protocolo do parcelamento encontrase dentro do prazo hábil determinado pela Lei. Devese observar que o parcelamento como confissão de dívida permite que o crédito tributário seja constituído e devidamente exigido. O Município agiu de boa fé, pois, no momento que efetuou o protocolo de parcelamento estava reconhecendo os débitos declarados, e, naquele momento, não tinha condições de saber os valores que porventura estivessem pendentes, referentes ao exercício de 2009. A RFB não informou a existência de qualquer pendência no momento do protocolo. Além disso, devese salientar que o ente credor não terá nenhum prejuízo, já que o ente devedor goza da presunção de solvência. A legislação federal e o CTN determinam, quanto à multa, que seja observada a retroatividade benigna no momento que seja detectada qualquer infração previdenciária e que o preposto fiscal deverá efetuar comparação das multas, utilizando a legislação vigente à época do fato gerador com a atual, devendo a multa aplicada ser a menos gravosa para o contribuinte. Portanto, se quanto à multa o instituto da retroatividade benigna é utilizado, então nada impede sua aplicação aos créditos com fatos geradores anteriores a 12/2008 e apurados antes e durante a expiração do prazo para parcelamento. As ocorrências dos fatos geradores que originaram os lançamentos em tela foram de 01/2006 a 12/2008, portanto, no lapso de tempo que a Lei permite que seja parcelado. O parcelamento previdenciário tem uma particularidade em relação aos demais. Só após a sua consolidação é que se pode saber o valor total devido e os valores pagos parceladamente serão apropriados diretamente no processo original. Portanto, não existe um processo de parcelamento propriamente dito, já que os valores pagos mensalmente são apropriados por processo, fato que implica em dizer que a qualquer momento pode ser incluído um novo processo, sem qual quer prejuízo para a segurança jurídica do processo de parcelamento original. A MP 449 e a legislação determinam a comparação dos valores das multas em vigor na época do fato gerador com as multas aplicadas pela legislação atual, fato que demonstra a utilização da retroatividade benigna. Portanto, os fatos geradores apurados nos AI, por se referirem ao período de 01/2006 a 12/2008, estão amparados pela MP 449/2008, convertida em Lei. Se desconsiderar a utilização do instituto da retroatividade benigna implica excesso de exação. Fl. 211DF CARF MF Impresso em 07/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 4/03/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 10/03/2016 por EDUARDO TADEU F ARAH 8 Pagamento dos tributos que tem como característica o lançamento por homologação não é condição de constituição do crédito tributário, portanto, a constituição do crédito tributário se dá com a confissão da dívida, fato que demonstra a adimplência do ente municipal em 30/11/2009. Aduz que ao se comparar a RLC atual com os valores cobrados no AI temse a demonstração de impossibilidade de quitação do referido AI. Dos pedidos a) Seja recebida a presente impugnação total para que após processada seja julgada na forma legal, b) Sejam acolhidas as preliminares, tornando as multas aplicadas insubsistentes, haja vista terem sido utilizados fundamentos de normas posteriores que foram retroagidas para prejudicar o contribuinte, c) Cumulativamente, no mérito, sejam acolhidas as presentes razões, para em acolhendo a impugnação seja julgado totalmente improcedente o AI em epígrafe. d) Protesta pela produção de todos os meios de prova admitidos em direito, especialmente a documental. Inconformada com a decisão, a recorrente apresentou recurso voluntário onde alega/questiona, em síntese: · Multa aplicada a dirigentes. Artigo 41 da Lei 8.212/91. · Direito ao parcelamento. · Apresentação de provas a qualquer momento. Verdade material. · Multa aplicada ao lançamento. É o relatório. Fl. 212DF CARF MF Impresso em 07/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 4/03/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 10/03/2016 por EDUARDO TADEU F ARAH Processo nº 10530.724547/200914 Acórdão n.º 2201002.857 S2C2T1 Fl. 6 9 Voto Conselheiro Carlos Alberto Mees Stringari, Relator O recurso é tempestivo e por não haver óbice ao seu conhecimento, passo à análise das questões pertinentes. Observo que a questão da multa aplicada a dirigentes com fundamento no artigo 41 da Lei 8.212/91 não tem pertinência com este processo. PRELIMINAR APRESENTAÇÃO DE PROVAS A recorrente alega o direito de apresentação de provas a qualquer tempo no processo administrativo. O fundamento é o princípio da verdade material. No campo das idéias, reconheço a possibilidade de conflito entre o princípio da preclusão temporal para a apresentação de provas e o da verdade material, observando que o Decreto 70.235 prevê hipóteses para apresentação de provas após a impugnação. Art. 16. A impugnação mencionará: ... § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que:(Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997)(Produção de efeito) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997)(Produção de efeito) b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997)(Produção de efeito) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997)(Produção de efeito) Fl. 213DF CARF MF Impresso em 07/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 4/03/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 10/03/2016 por EDUARDO TADEU F ARAH 10 No ambiente concreto deste processo, constato que a recorrente não solicitou a inclusão de provas após a impugnação. Por essa razão, considero, neste processo, a discussão impertinente. MÉRITO DIREITO AO PARCELAMENTO A recorrente argumenta em favor do direito a incluir o lançamento em discussão neste processo no parcelamento instituído pela Lei 11960/2009 (alterou a Lei 11.196/2005). Concordo com o que foi exposto no voto condutor da decisão de primeira instância e não dou razão à recorrente. O prazo legal para solicitar o parcelamento encerrouse em 31/08/2009 (artigo 96, § 8º da Lei 11.196, abaixo) sendo que a autuação aqui discutida foi lavrada em 11 de dezembro de 2009. Voto DRJ: Todavia, para ter direito à forma de parcelamento apontada no parágrafo anterior, deve ser observado o prazo estabelecido no § 6º do art. 96 da Lei 11.196, de 21 de novembro de 2005, na redação dada pela Lei nº 11.960, de 2009, qual seja: último dia útil do segundo mês subsequente ao da publicação da Lei nº 11.960, de 2009 (DOU de 30/06/2009). Assim, o parcelamento só poderia ser formalizado até 31/08/2009. No caso em apreço, durante ação fiscal desenvolvida junto ao Município de Irecê (Prefeitura Municipal), a fiscalização constatou a não declaração em GFIP e não recolhimento de contribuições sociais, lançando de ofício o valor devido, mediante emissão do presente Auto de Infração. O AI ora combatido foi lavrado em 11 de dezembro de 2009, portanto, a constituição do crédito se deu em data posterior à data limite para formalizar o pedido de parcelamento na forma da Lei nº 11.960/2009. Destarte, fica demonstrada a impossibilidade de inclusão do presente débito no parcelamento formalizado nos termos da Lei nº 11.960/2009, como deseja o impugnante. Lei 11.196/2005 Fl. 214DF CARF MF Impresso em 07/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 4/03/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 10/03/2016 por EDUARDO TADEU F ARAH Processo nº 10530.724547/200914 Acórdão n.º 2201002.857 S2C2T1 Fl. 7 11 “Art. 96.Os Municípios poderão parcelar seus débitos e os de responsabilidade de autarquias e fundações municipais relativos às contribuições sociais de que tratam as alíneas a e c do parágrafo único do art. 11 da Lei no8.212, de 24 de julho de 1991, com vencimento até 31 de janeiro de 2009, após a aplicação do art. 103A, em: ... § 6oA opção pelo parcelamento deverá ser formalizada até o último dia útil do segundo mês subsequente ao da publicação desta Lei, na unidade da Secretaria da Receita Federal do Brasil de circunscrição do Município requerente, sendo vedada, a partir da adesão, qualquer retenção referente a débitos de parcelamentos anteriores incluídos no parcelamento de que trata esta Lei. MULTA APLICADA AO LANÇAMENTO MULTA DE OFÍCIO A recorrente questiona a multa de ofício aplicada ao lançamento. O débito compreende as competência 01/2006 a 04/2008. Concordo com a recorrente. A MP nº 449, convertida na Lei nº 11.941/09, que deu nova redação aos arts. 32 e 35 e incluiu os arts. 32A e 35A na Lei nº 8.212/91, trouxe mudanças em relação à multa aplicada no caso de contribuição previdenciária. Assim dispunha o art. 35 da Lei nº 8.212/91 antes da MP nº 449, in verbis: Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). I para pagamento, após o vencimento de obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento: a) oito por cento, dentro do mês de vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) quatorze por cento, no mês seguinte; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) vinte por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). Fl. 215DF CARF MF Impresso em 07/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 4/03/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 10/03/2016 por EDUARDO TADEU F ARAH 12 II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). d) cinqüenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). (sem destaques no original) Verificase, portanto, que antes da MP nº 449 não havia multa de ofício. Havia apenas multa de mora em duas modalidades: a uma decorrente do pagamento em atraso, desde que de forma espontânea a duas decorrente da notificação fiscal de lançamento, conforme previsto nos incisos I e II, respectivamente, do art. 35 da Lei nº 8.212/91, então vigente. Com o advento da MP nº 449, que passou a vigorar a partir 04/12/2008, data da sua publicação, e posteriormente convertida na Lei nº 11.941/09, foi dada nova redação ao art. 35 e incluído o art. 35A na Lei nº 8.212/91, in verbis: Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). (sem destaques no original) Nesse momento surgiu a multa de ofício em relação à contribuição previdenciária, até então inexistente. Logo, tendo em vista que o lançamento se reporta à data da ocorrência do fato gerador, nos termos do art. 144 do CTN, temse que, em relação aos fatos geradores ocorridos antes de 12/2008, data da MP nº 449, aplicase apenas a multa de mora. Já em relação aos fatos geradores ocorridos a partir de 12/2008, aplicase apenas a multa de ofício. Fl. 216DF CARF MF Impresso em 07/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 4/03/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 10/03/2016 por EDUARDO TADEU F ARAH Processo nº 10530.724547/200914 Acórdão n.º 2201002.857 S2C2T1 Fl. 8 13 Art. 144. O lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. § 1º Aplicase ao lançamento a legislação que, posteriormente à ocorrência do fato gerador da obrigação, tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliado os poderes de investigação das autoridades administrativas, ou outorgado ao crédito maiores garantias ou privilégios, exceto, neste último caso, para o efeito de atribuir responsabilidade tributária a terceiros. § 2º O disposto neste artigo não se aplica aos impostos lançados por períodos certos de tempo, desde que a respectiva lei fixe expressamente a data em que o fato gerador se considera ocorrido. Por essa inexistência à época dos fatos geradores, entendo que a multa de ofício não poderia ser aplicada Entendo ser esse motivo suficiente para determinar sua exclusão do lançamento. CONCLUSÃO Voto pelo provimento parcial do recurso determinando a exclusão da multa de ofício até a competência 11/2008. Carlos Alberto Mees Stringari Fl. 217DF CARF MF Impresso em 07/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 4/03/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 10/03/2016 por EDUARDO TADEU F ARAH
score : 1.0
Numero do processo: 11080.728245/2014-82
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 17 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Apr 08 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2012
DESPESA COM PREVIDÊNCIA OFICIAL. DEDUÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. COMPROVAÇÃO. DEDUTIBILIDADE.
Na determinação da base de cálculo sujeita à incidência do imposto de renda pessoa física, poderão ser deduzidas as contribuições à previdência oficial devidamente comprovadas, que foi o caso dos autos.
Apresentada documentação comprobatória das despesas com previdência oficial que motivaram a autuação por dedução indevida da base de cálculo do imposto de renda, resta a glosa insubsistente.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2402-005.019
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário.
Ronaldo de Lima Macedo - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Kleber Ferreira Araújo, Ronnie Soares Anderson, Marcelo Oliveira, Lourenço Ferreira do Prado, João Victor Ribeiro Aldinucci e Natanael Vieira dos Santos.
Nome do relator: RONALDO DE LIMA MACEDO
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DEDUÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. COMPROVAÇÃO. DEDUTIBILIDADE. Na determinação da base de cálculo sujeita à incidência do imposto de renda pessoa física, poderão ser deduzidas as contribuições à previdência oficial devidamente comprovadas, que foi o caso dos autos. Apresentada documentação comprobatória das despesas com previdência oficial que motivaram a autuação por dedução indevida da base de cálculo do imposto de renda, resta a glosa insubsistente. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário. Ronaldo de Lima Macedo Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Kleber Ferreira Araújo, Ronnie Soares Anderson, Marcelo Oliveira, Lourenço Ferreira do Prado, João Victor Ribeiro Aldinucci e Natanael Vieira dos Santos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 72 82 45 /2 01 4- 82 Fl. 61DF CARF MF Impresso em 08/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 10/03/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO 2 Relatório Tratase de Notificação de Lançamento relativa ao Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF) por meio da qual se exige crédito tributário oriundo de dedução da base de cálculo de Previdência Oficial, incluídos multa de ofício no percentual de 75% (setenta e cinco por cento) e juros de mora. O crédito tributário foi constituído em razão de ter sido apurado, na Declaração de Ajuste Anual do contribuinte, referente ao exercício de 2012, ano calendário 2011 dedução indevida de Previdência Oficial, resultando em alteração do Saldo de Imposto a Restituir Declarado no valor de R$4.321,08 em Saldo de Imposto a Restituir Ajustado no valor de R$ 1.885,68 , conforme Notificação de Lançamento fls. 04/08. Inconformado(a) com a exigência, o(a) contribuinte apresentou impugnação, conforme fls. 02/03, alegando, em síntese, que o valor glosado (R$ 8.856,00) corresponde a pagamento à Previdência Oficial do contribuinte. Cientificado da decisão de primeira instância em 17/11/2014, o interessado interpôs, em 09/12/2014, o recurso de fls. 49/55. Nas razões recursais aduz que os recolhimentos efetuados no ano calendário de 2011 montam em R$8.856,00 (10 x R$737,93 + 2 x R$738,35) e não R$8.117,65 (10 x R$737,93 + 2 x R$738,35), este afirmado pela decisão de primeira instância. Ao fim, requer seja acolhido o presente recurso para cancelar o débito fiscal reclamado. É o relatório. Fl. 62DF CARF MF Impresso em 08/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 10/03/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 11080.728245/201482 Acórdão n.º 2402005.019 S2C4T2 Fl. 3 3 Voto Conselheiro Ronaldo de Lima Macedo, Relator O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade. Portanto, merece ser conhecido. GLOSA DE PREVIDÊNCIA OFICIAL A decisão de primeira instancia entendeu que o Recorrente comprovou, em parte, as despesas realizadas a título de previdência oficial, nos seguintes termos: “[...] Na Declaração de Ajuste Anual em análise (fls. 24/30), o contribuinte declarou rendimentos tributáveis no valor de R$ 104.519,86 , IRRF no valor de R$ 17.250,41 bem como dedução a título de Contribuição à Previdência Oficial no valor total de R$ 17.527,03 (fl. 30). Desse valor, R$ 8.671,03 já foi acatado pela Autoridade Lançadora (retido pela fonte pagadora Previmpa – Departamento Municipal de Previdência CNPJ 05.332.568/000123 , Comprovante de fl. 17, e Declaração de Ajuste Anual fl. 25. A Fiscalização glosou a diferença, qual seja: R$ 8.856,00 (R$ 17.527,03 R$ 8.671,03), referente a Previdência Oficial declarada pelo interessado (fl. 30) em sua Declaração de Ajuste Anual. Em sua defesa, o interessado anexou aos autos as cópias de fls. 09/13, pertinentes aos Comprovantes de Pagamento de Guia de Recolhimento – GPS Guia da Previdência Social, código de pagamento 1007, que encontram respaldo parcial no extrato do sistema CNIS (Cadastro Nacional de Informações Sociais) de fl. 40. Vemos que os recolhimentos efetuados no ano calendário de 2011 (regime de caixa) montam em R$ 8.117,65 (10 x R$ 737,93 + R$ 738,35). Neste momento cabe a transcrição do art. 37 da Instrução Normativa nº 15/2001 vigente a época do fato gerador: Deduções Contribuição previdenciária Art. 37. São admitidas, a título de dedução, as contribuições, cujo ônus tenha sido do próprio contribuinte e desde que destinadas a seu próprio benefício: I para a Previdência Social da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios; Fl. 63DF CARF MF Impresso em 08/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 10/03/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO 4 II para as entidades de previdência privada domiciliadas no Brasil e as contribuições para os Fapi, cujo ônus tenha sido do contribuinte, destinadas a custear benefícios complementares assemelhados aos da Previdência Social. § 1º A dedução mensal das contribuições para as entidades de previdência privada aplicase, exclusivamente, à base de cálculo relativa a rendimentos do trabalho com vínculo empregatício, bem assim de administradores, de aposentados, de pensionistas, quando a fonte pagadora for responsável pelo desconto e respectivo pagamento das contribuições previdenciárias. § 2º Quando a fonte pagadora não for responsável pelo desconto da contribuição previdenciária, o valor pago a esse título pode ser considerado para fins de dedução da base de cálculo sujeita ao imposto mensal, desde que haja anuência da empresa e que o beneficiário lhe forneça o original do comprovante de pagamento. § 3º Às contribuições não deduzidas na forma dos parágrafos anteriores é assegurada a dedução dos valores pagos a esse título na Declaração de Ajuste Anual. De igual forma, cabe a transcrição da pergunta / resposta nº 312, constante do Manual de Perguntas e Respostas, constante do sítio da Secretaria da Receita Federal do Brasil na internet, a disposição dos contribuintes quando do preenchimento da Declaração de Ajuste Anual (Exercício 2012 Ano Calendário 2011): Contribuição à Previdência Oficial 312 A contribuição à previdência oficial, descontada de rendimentos isentos do próprio contribuinte ou por este recolhida na condição de contribuinte individual (autônomo), é dedutível na Declaração de Ajuste Anual? Sim, desde que o contribuinte tenha rendimentos tributáveis sujeitos ao ajuste na declaração anual. Face ao exposto, por restar comprovada em parte a retenção da Contribuição à Previdência Oficial glosada pela Fiscalização, deve ser alterado o valor da glosa de R$ 8.856,00 para R$ 738,35 (R$ 8.856,00 R$ 8.117,65). [...]” O Recorrente alega que os recolhimentos efetuados no ano calendário de 2011 montam em R$8.856,00 (10 x R$737,93 + 2 x R$738,35) e não R$8.117,65 (10 x R$737,93 + 2 x R$738,35), este afirmado pela decisão de primeira instância. Assiste razão o Recorrente, pois constatase que os recolhimentos efetuados a título de previdência oficial, no ano calendário de 2011 (regime de caixa), montam em R$8.856,00 (10 x R$ 737,93 + 2 x R$ 738,35), conforme as copias das Guias de Recolhimento da Previdência Social (GPS), código de pagamento 1007 (fls. 51/55), que encontram respaldo no extrato do sistema CNIS (Cadastro Nacional de Informações Sociais) de fl. 50. Assim, não deve ser mantida a glosa oriunda da previdência oficial, pois o Recorrente se desincumbiu satisfatoriamente do ônus de prova as despesas realizadas a título de previdência oficial. Fl. 64DF CARF MF Impresso em 08/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 10/03/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 11080.728245/201482 Acórdão n.º 2402005.019 S2C4T2 Fl. 4 5 CONCLUSÃO: Voto no sentido de CONHECER do recurso e DARLHE PROVIMENTO, nos termos do voto. Ronaldo de Lima Macedo. Fl. 65DF CARF MF Impresso em 08/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 10/03/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO
score : 1.0
Numero do processo: 13808.000771/99-85
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 05 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu May 12 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 1995
OMISSÃO DE RECEITAS. LUCRO PRESUMIDO. FLUXO FINANCEIRO.
Da constatação, com amparo em informações prestadas pelo sujeito passivo, de que os dispêndios excederam os recursos financeiros, conclui-se que a diferença não justificada provém de receitas omitidas, mormente quando a fiscalização, em diligência solicitada em sede impugnatória e em grau de recurso, verifica inexistir documentos que comprovariam as alegações do contribuinte quanto a inexistência de tais omissões.
LANÇAMENTOS DECORRENTES- Pela relação de causa e efeito, aplica-se ao lançamento decorrente o mesmo decidido quanto àquele do qual decorre, se não houver elemento de prova novo ou argüição de matéria específica.
Numero da decisão: 1401-001.581
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Por unanimidade de votos, Acordam os membros do Colegiado, DAR provimento PARCIAL, mantendo apenas as bases tributáveis dos meses de fevereiro, abril e junho de 1995 nos valores de R$ 32,97; R$ 13.311,27; R$ 29.280,83, respectivamente, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
.
.
.
(assinado digitalmente)
Antonio Bezerra Neto Relator e Presdiente
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Marcos de Aguiar Villas Boas, Ricardo Marozzi Gregorio, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Fernando Luiz Gomes de Souza, Aurora Tomazini de Carvalho e Antonio Bezerra Neto.
.
Nome do relator: ANTONIO BEZERRA NETO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 1995 OMISSÃO DE RECEITAS. LUCRO PRESUMIDO. FLUXO FINANCEIRO. Da constatação, com amparo em informações prestadas pelo sujeito passivo, de que os dispêndios excederam os recursos financeiros, conclui-se que a diferença não justificada provém de receitas omitidas, mormente quando a fiscalização, em diligência solicitada em sede impugnatória e em grau de recurso, verifica inexistir documentos que comprovariam as alegações do contribuinte quanto a inexistência de tais omissões. LANÇAMENTOS DECORRENTES- Pela relação de causa e efeito, aplica-se ao lançamento decorrente o mesmo decidido quanto àquele do qual decorre, se não houver elemento de prova novo ou argüição de matéria específica.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Por unanimidade de votos, Acordam os membros do Colegiado, DAR provimento PARCIAL, mantendo apenas as bases tributáveis dos meses de fevereiro, abril e junho de 1995 nos valores de R$ 32,97; R$ 13.311,27; R$ 29.280,83, respectivamente, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. . . . (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto Relator e Presdiente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Marcos de Aguiar Villas Boas, Ricardo Marozzi Gregorio, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Fernando Luiz Gomes de Souza, Aurora Tomazini de Carvalho e Antonio Bezerra Neto. .
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COIMBRA DE FERRAGENS S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1995 OMISSÃO DE RECEITAS. LUCRO PRESUMIDO. FLUXO FINANCEIRO. Da constatação, com amparo em informações prestadas pelo sujeito passivo, de que os dispêndios excederam os recursos financeiros, concluise que a diferença não justificada provém de receitas omitidas, mormente quando a fiscalização, em diligência solicitada em sede impugnatória e em grau de recurso, verifica inexistir documentos que comprovariam as alegações do contribuinte quanto a inexistência de tais omissões. LANÇAMENTOS DECORRENTES Pela relação de causa e efeito, aplica se ao lançamento decorrente o mesmo decidido quanto àquele do qual decorre, se não houver elemento de prova novo ou argüição de matéria específica. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Por unanimidade de votos, Acordam os membros do Colegiado, DAR provimento PARCIAL, mantendo apenas as bases tributáveis dos meses de fevereiro, abril e junho de 1995 nos valores de R$ 32,97; R$ 13.311,27; R$ 29.280,83, respectivamente, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. . . . AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 80 8. 00 07 71 /9 9- 85 Fl. 2924DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 13808.000771/9985 Acórdão n.º 1401001.581 S1C4T1 Fl. 68 2 (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto – Relator e Presdiente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Marcos de Aguiar Villas Boas, Ricardo Marozzi Gregorio, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Fernando Luiz Gomes de Souza, Aurora Tomazini de Carvalho e Antonio Bezerra Neto. . Fl. 2925DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 13808.000771/9985 Acórdão n.º 1401001.581 S1C4T1 Fl. 69 3 Relatório Tratase de recurso voluntário contra o Acórdão nº 8544 a 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em SÃO PAULOSP. Por economia processual, adoto e transcrevo o relatório constante na decisão de primeira instância: “A empresa acima identificada foi submetida a procedimento fiscal que redundou na lavratura de autos de infração, sendo exigidos os recolhimentos de IRPJ (fls. 40/43), PIS (fls. 44/47), COFINS (fls. 48/51), CSLL (fls. 52/55) e IRFON (fls. 56/59), além de multa de ofício e dos demais acréscimos legais. 2 No Termo de Constatação (fls. 37), foi consignado que: 2.1 A fiscalização, baseandose nos Quadros de Informações Gerais, de fls. 04/15, e demais documentos apresentados pela empresa, elaborou as planilhas de fls. 17/23, onde, no confronto dos recursos auferidos com os dispêndios, constatouse excesso deste último, nos meses de janeiro, março, maio, junho, setembro, outubro e novembro de 1995. 2.2 Dada a existência desses excessos de dispêndios, a contribuinte foi devidamente intimada a esclarecer (fls. 16). Ao se manifestar, a interessada alegou que havia extraído os dados do Diário, motivo pelo qual houve algumas distorções no fluxo de caixa. Além dos recursos auferidos não contemplarem as receitas financeiras, incorreuse em erro na apuração do valor das despesas efetivamente pagas (fl. 24). 2.3 Todavia, a fiscalização, ao examinar os novos quadros apresentados, constatou outras distorções, uma vez que, ao alterar algumas rubricas de despesas, a empresa não procedeu o acerto nos saldos das contas passivas. Assim, considerouse os mesmos imprestáveis para apuração do fluxo de caixa. 2.4 Por outro lado, deuse razão à contribuinte quanto à necessidade de se inserir as receitas financeiras aos recebimentos dos períodos. 2.5 Diante disso, foram elaborados os Demonstrativos de Ajuste do Fluxo de Caixa – Anocalendário de 1995, de fls. 38/39, constatandose, assim, excessos de dispêndios sobre os recursos auferidos nos meses de janeiro, fevereiro, abril, junho, setembro e outubro de 1995. 3 Foram citadas as seguintes disposições legais infringidas: Fl. 2926DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 13808.000771/9985 Acórdão n.º 1401001.581 S1C4T1 Fl. 70 4 3.1. IRPJ Fundamento legal: artigo 5231, § 3º , 7392 e 8923 do RIR/1994. 3.2. PIS Fundamento legal: artigo 3o, alínea “b”, da Lei Complementar n° 7/1970, c/c artigo 1o, parágrafo único, da Lei Complementar n° 17/1973, Título 5, capítulo 1, seção 1, alínea “b”, itens I e II, do Regulamento do PIS/PASEP, aprovado pela Portaria MF n° 142/1982, artigo 43 da Lei 8.541/1992, com redação dada pelo art. 3º da MP 492/1994 e suas reedições, convalidadas pela Lei 9.064/1995 e artigos 2o, inciso I, 3o, 8o, inciso I, e 9o da MP 1.249/1995 e suas reedições, convalidadas pela Lei 9.715/1998. 3.3. COFINS Fundamento legal: artigos 1o a 3o da Lei Complementar n° 70/1991 e artigo 43 da Lei 8.541/1992, com redação dada pelo art. 3º da MP 492/1994 e suas reedições, convalidadas pela Lei 9.064/1995. 3.4. CSLL Fundamento legal: artigo 2º, caput e §§, da Lei 7.689/1988, artigo 43 da Lei 8.541/1992, com redação dada pelo art. 3º da MP 492/1994 e suas reedições, convalidadas pela Lei 9.064/1995 e artigo 57 da Lei 8.981/1995, com redação do artigo 1º da Lei 9.065/1995. 3.5. IRFON Fundamento legal: artigo 739 do RIR/1994, artigo 44 da Lei 8.541/1992, com redação dada pelo art. 3º da MP 492/1994 e suas reedições, convalidadas pela Lei 9.064/1995 e artigo 62 da Lei 8.981/1995 4 Em 16/06/1999, a interessada tomou ciência dos autos de infração e, em 15/07/1999, apresentou defesa, fls. 62/89, por intermédio de seu procurador (fl. 91), alegando em síntese que 4.1 O lançamento de tributo ou contribuição social efetuado mediante análise de documentos contábeis carece de validade jurídica e deve ser considerado nulo caso o agente fiscal não comprove ser profissional legalmente habilitado para exercer a atividade mencionada no item 36 e parágrafo 1º do art. 3º da Res. CFC 560/1983 e art. 25 do Decretolei 9.295/1946. 4.2 Assim, ficam configuradas as infrações previstas na Lei 4.898/1965, art. 5º, incisos XIII e XXXIV, 22, inciso XVI, “a” e art. 37 da Constituição Federal, além da Súmula do CFC 1 § 3º Verificada omissão de receitas, os valores serão tributados na forma dos arts. 739 e 892 (Lei nº 8.541/92, arts. 43 e 44). 2 Art. 739. Está sujeita à incidência do imposto, exclusivamente na fonte, à alíquota de 25%, a receita omitida ou a diferença verificada na determinação dos resultados da pessoa jurídica por qualquer procedimento que implique redução indevida do lucro líquido, a qual será considerada automaticamente recebida pelos sócios, acionistas ou titular da empresa individual, sem prejuízo da incidência do imposto da pessoa jurídica (Lei nº 8.541/92, art. 44). 3 Art. 892. Verificada omissão de receita, a autoridade tributária lançará o imposto de renda, à alíquota de 25%, de ofício, com os acréscimos e as penalidades de lei, considerando como base de cálculo o valor da receita omitida (Lei nº 8.541/92, art. 43). (V. NOTA 1563 APÓS O § 2º) § 1º O valor da receita omitida não comporá a determinação do lucro real e o imposto incidente sobre a omissão será definitivo (Lei nº 8.541/92, art. 43, § 2º). Fl. 2927DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 13808.000771/9985 Acórdão n.º 1401001.581 S1C4T1 Fl. 71 5 04/1980, do art. 3º, item 36, e § 1º da Res. do CFC 560/1983, do art. 82, 129, 130 e 145, incisos III e IV da Lei 3.071/1916 (Código Civil), do art. 2º, inciso III, da Lei 8.027/1990, do art. 177, § 4º, da Lei 6.404/1976 e do DL 24.337/1948. 4.3 A empresa colocou à disposição da fiscalização todos os documentos societários, comerciais e fiscais, conforme termos elaborados durante a ação fiscal no estabelecimento. 4.4 Apesar de ter analisado e constatado que a contabilidade da empresa estava corretamente registrada de acordo com as leis comerciais, a ficalização insistiu na apresentação de formulário planejado para receber informações escrituradas em livro caixa. 4.5 O autuante considerou em seus ajustes as contas Fornecedores, Contas a Pagar, Obrigações Trabalhistas e Fiscais, e Comissões a Pagar. Porém, deixou de considerar as demais contas patrimoniais, tais como Adiantamento a Fornecedores, Adiantamento de Salários, Depósitos Judiciais, Imobilizado e Provisões Passivas. 4.6 Os balanços patrimoniais, balancetes mensais e Razão das contas Caixa, Bancos e Aplicações Financeiras deveriam, por princípio legal e contábil, servir de base para os levantamentos fiscais. 4.7 Os registros nesses documentos confirmam que a empresa não apresentou insuficiência de recursos para fazer frente aos dispêndios registrados. 5 A impugnante requer a produção de todas as provas em direito admitidas, especialmente juntada de novos documentos, depoimento do autuante, diligências ou perícias que se fizerem necessários, indicando o perito, os motivos e os quesitos às fls. 89, nos termos do art. 16, inciso IV, do Decreto 70.235/1972. 6 Por ocasião da diligência efetuada, foram acostados aos autos os documentos de fls. 1319/1482.” A DRJ, por unanimidade de votos, manteve os lançamentos, nos seguintes termos: “Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Exercício: 1996 Ementa: ATRIBUIÇÕES DO AFRF. VALIDADE DOS AUTOS DE INFRAÇÃO. Dentre as atribuições do Auditor Fiscal da Receita Federal, especificadas na legislação federal, incluise o exame de livros e documentos contábeis, atividade que não se confunde com o exercício da profissão de contador. OMISSÃO DE RECEITAS. LUCRO PRESUMIDO. FLUXO FINANCEIRO. Da constatação, com amparo em informações prestadas pelo sujeito passivo, de que os dispêndios excederam os recursos financeiros, concluise que a diferença não justificada provém de receitas omitidas. Fl. 2928DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 13808.000771/9985 Acórdão n.º 1401001.581 S1C4T1 Fl. 72 6 AUTOS REFLEXOS. Aplicase aos lançamentos reflexos de PIS, COFINS, CSLL e IRRF o que foi decidido quanto à exigência matriz, devido à íntima relação de causa e efeito existente entre eles.” Irresignada com a decisão de primeira instância, a interessada interpôs recurso voluntário a este Primeiro Conselho de Contribuinte, repisando os tópicos trazidos anteriormente na impugnação e aduzindo em complemento: A DRJ indeferiu a prova pericial alegando de forma singela que essa seria dispensável, considerando que os documentos presentes nos autos eram suficientes para dirimir a questão. Se os documentos eram suficientes para tanto, ainda assim ficou evidente que os julgadores não compreenderam ou por algum motivo dúvida restou, que se deferisse a prova pericial nos termos do devido processo legal e do consagrado direito de defesa; A DRJ informa que abriu nova oportunidade para que se pudesse produzir as provas e isso não foi feito. É que a Intimação Fiscal solicita que se comprove o montante de compras efetuadas e despesas efetivamente pagas e não dos recursos para tanto. E mesmo assim o fiscal se dá por satisfeito no cumprimento da diligência. Ademais para recorrente, os recursos estavam sobejamente comprovados, mas mesmo assim requereu prova pericial para provar isso aos julgadores. O processo foi novamente baixado em diligência pelo CARF. Às fls. 2003/2006, consta retorno de diligência desfavorável à Recorrente. Às fls.2011/2023 consta a manifestação de inconformidade contra o retorno de diligências. O Carf baixou novamente o feito em diligência. Consta Informação Fiscal parcialmente favorável à Recorrente. É o relatório. Fl. 2929DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 13808.000771/9985 Acórdão n.º 1401001.581 S1C4T1 Fl. 73 7 Voto Conselheiro Antonio Bezerra Neto, Relator O recurso preenche os requisitos de admissibilidade, pelo que tomo conhecimento. A fiscalização, baseandose nos Quadros de Informações Gerais, de fls. 04/15, e demais documentos apresentados pela empresa, elaborou as planilhas de fls. 17/23, onde, no confronto dos recursos auferidos com os dispêndios, constatouse excesso deste último, nos meses de janeiro, março, maio, junho, setembro, outubro e novembro de 1995. Dada a existência desses excessos de dispêndios, a contribuinte foi devidamente intimada a esclarecer (fls. 16). Ao se manifestar, a interessada alegou que havia extraído os dados do Diário, motivo pelo qual houve algumas distorções no fluxo de caixa. Além dos recursos auferidos não contemplarem as receitas financeiras, incorreuse em erro na apuração do valor das despesas efetivamente pagas (fl. 24) O Fiscal então considerou alguns ajustes em parte favoráveis e outros não, uma vez que o contribuinte não também havia considerado todos os saldos de contas a pagar da contabilidade. Feitos os referidos ajustes constatouse, dessa feita, excessos de dispêndios sobre recursos auferidos nos meses de janeiro, fevereiro, abril, junho setembro e outubro, conforme tabela abaixo: Período do anocalendário de 1995 Base tributável Janeiro 326,43 Fevereiro 32,97 Abril 13.311,27 Junho 30.941,66 Setembro 12.211,20 Outubro 8.169,25 Saldo Credor do Fluxo de Caixa O principal ponto do litígio foi o pedido de perícia e diligência, tendo em vista que a contribuinte apresentou livros contábeis que aparentemente continham divergências entre os valores indicados nas planilhas elaboradas por ele próprio e que deram suporte à autuação. Fl. 2930DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 13808.000771/9985 Acórdão n.º 1401001.581 S1C4T1 Fl. 74 8 Este colegiado vislumbrou a necessidade de se baixar o feito em diligência por duas oportunidades em face do fato de constarem inúmeras inconsistências carentes de esclarecimentos e pelo fato de a anterior ter sido ainda inconclusiva. Na última diligência este colegiado discordou do autuante quando afirmou que a Recorrente não demonstrou em momento algum quais os valores que entende como efetivos para efeito da composição do fluxo de caixa: É que ela trouxe aos autos várias planilhas denominadas Composição Comparativa dos Valores Informados pelo Regime de Caixa nos Quadros de Informações Gerais" (docs. VI a XVII do "Laudo Pericial Contábil"), onde tenta demonstrar analiticamente os pagamentos efetuados pelo regime de caixa no período, correlacionando com os Livros Diário e Razão. Afora isso, a Recorrente apontou ainda inúmeras inconsistências ou duplicidades cometidas pelo autuante que mereceram ainda ser esclarecidas. Nesse contexto, diante das inconsistências não de todo resolvidas na diligência, na forma que fora proposta; por não ter analisado as planilhas trazidas pela Recorrente informando o que ela reputa como correto, tornouse indispensável a conversão novamente do julgamento em diligência. O novo retorno de diligência que teve a participação ativa do perito da parte do contribuinte teve o seguinte teor, naquilo que é essencial: (...) No trabalho realizado foram levantadas diversas dúvidas nos lançamentos referentes na maioria dos casos, em que a contrapartida do lançamento destacado se deu em conta de Passivo ou no Caixa/Bancos. Igualmente surgiram questionamentos da possibilidade de não estarem computando contas de despesas que, à priori, deveriam fazer parte delas; além de haver diminuído o total das despesas, como demonstrado em totalização anterior. Essas dúvidas levaram a diligências com o Perito Contábil onde concordou com a dificuldade de se demonstrar exatamente o total das despesas efetivamente pagas pelo regime de caixa, seja na conta Caixa ou nas contas de Bancos Movimento, em face dos lançamentos contábeis levados a efeito no ano calendário de 1995. Foram constatadas dificuldades ao tentar ler as folhas digitalizadas do PAF, pois elas foram realizadas de forma não muito criteriosa, impossibilitando a leitura pela baixa resolução, pelo corte do texto ao se colocarem as folhas no scanner, ou simplesmente por não encontrarmos as respectivas Folhas indicadas do Razão. III CONCLUSÃO FINAL Examinando detalhadamente todos os "ajustes" elaborados pelo Perito Contábil José Carlos, auxiliado pelo seu Assistente Marcos e os testes efetuados nos meses de janeiro a março de 1995 que integram este Relatório Conclusivo, podese constatar que: III. 1 EXAME DOS AJUSTES EFETUADOS PELO PERITO CONTÁBIL Fl. 2931DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 13808.000771/9985 Acórdão n.º 1401001.581 S1C4T1 Fl. 75 9 Em que pese todos os ajustes efetuados em seu quadro "Composição Anual dos Ajustes Realizados nos Quadros de Informações Gerais de Janeiro a Dezembro de 1995", observase que mesmo com aqueles ajustes, apenas para argumentar, APRESENTAM EXCESSO DE DISPÊNDIOS conforme se comprova na análise técnica procedida conforme quadros elaborados por este Auditor Fiscal a seguir: (...) TABELA I Período do anocalendário de 1995 Base tributável Anterior Excesso Excesso após 2a Diligência do CARF Nova base tributável Excesso Janeiro 326,43 0,00 0,00 Fevereiro 32,97 3.284,22 32,97 Abril 13.311,27 15.354,03 13.311,27 Junho 30.941,66 29.280,83 29.280,83 Setembro 12.211,20 0,00 0,00 Outubro 8.169,25 0,00 0,00 *Após a segunda diligência do CARF também foram identificados excessos em meses que não foram autuados: Agosto (R$ 2.182,26), Novembro (R$ 8.119,29) e Dezembro (19.754,93) Como se verifica, subsistiu para efeito de tributação apenas os meses de fevereiro, Abril (em parte) e junho (em parte), uma vez que não se pode agravar o lançamento mesmo que o fiscal com o auxílio do perito tenha encontrado excessos em outros meses não autuados ou mesmo valores maiores em meses já autuados (fevereiro e abril). Como é sabido o saldo credor do fluxo de caixa inverte o ônus da prova, cabendo à recorrente fazer a prova em contrário e que foi feito e está aqui sendo acatado no quantum que ela conseguiu demonstrar que a base de cálculo não espelhava a realidade. Nesse ponto ha de se ressaltar que os erros foram provocados pela própria contribuinte na medida em que não espelhou a sua realidade contábil nos quadros que continham as variáveis contábeis necessárias para se identificar a ocorrência ou não de dispêndios totais sobre recursos totais. A jurisprudência deste Conselho caminha também nesse sentido: “IRPJ LUCRO PRESUMIDO OMISSÃO DE RECEITA FLUXO FINANCEIRO Se do confronto dos elementos correspondentes aos ingressos e saídas de recursos financeiros durante o períodobase, fornecidos pela pessoa jurídica, for constatado que as saídas superaram os recursos, a diferença ficará sujeita à tributação como receita omitida se o sujeito passivo Fl. 2932DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 13808.000771/9985 Acórdão n.º 1401001.581 S1C4T1 Fl. 76 10 não lograr comprovar que os recursos empregados em tais pagamentos tiveram origem externa ao caixa da empresa.”(Acórdão 10704266, sessão de 08/07/1997) “IRPJ LUCRO PRESUMIDO OMISSÃO DE RECEITAS DETECTADA PELO DEMONSTRATIVO DE FLUXO DE CAIXA CABIMENTO. Procede o lançamento que, baseado nas informações prestadas pelo próprio contribuinte no denominado demonstrativo de fluxo de caixa, detecta receitas mantidas à margem da escrita regular, mormente quando a fiscalização, em diligência solicitada em grau de recurso, verifica inexistir documentos que comprovariam as alegações do contribuinte quanto a inexistência de tais omissões.” (Acórdão 10704902, sessão de 14/04/1998) Por todo o exposto, mantenho a exigência relativa à omissão de receita evidenciada por saldo credor de fluxo de caixa, nos termos da segunda diligência do CARF, ou seja mantendo a base tributável abaixo discriminada: TABELA II Nova base tributável após 2ª Diligência do CARF Período do anocalendário de 1995 Nova base tributável Excesso Janeiro 0,00 Fevereiro 32,97 Abril 13.311,27 Junho 29.280,83 Setembro 0,00 Outubro 0,00 Tributação reflexa Em virtude da relação de causa e efeito e, ainda, na ausência de argüição de matéria específica, o decidido quanto ao lançamento matriz se aplica aos lançamentos reflexos. Por todo o exposto, DOU provimento ao recurso para manter a base tributável nos termos da Tabela II acima. (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto Fl. 2933DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 13808.000771/9985 Acórdão n.º 1401001.581 S1C4T1 Fl. 77 11 Fl. 2934DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO
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Numero do processo: 13767.720205/2014-07
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 10 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue May 31 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 2202-000.670
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Martin da Silva Gesto - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Martin da Silva Gesto, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Eduardo de Oliveira, José Alfredo Duarte Filho (Suplente Convocado), Wilson Antônio de Souza Corrêa (Suplente Convocado) e Márcio Henrique Sales Parada.
Nome do relator: MARTIN DA SILVA GESTO
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1871; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T2 Fl. 55 1 54 S2C2T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13767.720205/201407 Recurso nº Voluntário Resolução nº 2202000.670 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Data 10 de março de 2016 Assunto IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Recorrente CLEVELANDE NICACIO DE SOUZA Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente. (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Martin da Silva Gesto, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Eduardo de Oliveira, José Alfredo Duarte Filho (Suplente Convocado), Wilson Antônio de Souza Corrêa (Suplente Convocado) e Márcio Henrique Sales Parada. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto nos autos do processo nº 13767.720205/201407, em face do acórdão nº 0435.787, julgado pela 2ª. Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campo Grande (DRJ/CGE), na sessão de julgamento de 25 de junho de 2014, no qual os membros daquele colegiado entenderam por julgar improcedente a impugnação apresentada pelo contribuinte. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 37 67 .7 20 20 5/ 20 14 -0 7 Fl. 55DF CARF MF Impresso em 31/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2016 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 30/05/201 6 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 31/05/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBO SA Processo nº 13767.720205/201407 Resolução nº 2202000.670 S2C2T2 Fl. 56 2 Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de origem, que assim relatou os fatos: Trata o presente processo de impugnação à exigência formalizada através notificação de lançamento de imposto de renda pessoa física n° 2013/057075937681725, f. 06, resultante de procedimento de revisão de declaração de ajuste do exercício 2013, anocalendário 2012, por meio do qual foi reduzido o saldo de imposto a restituir ao contribuinte, conforme discriminado a seguir: Imposto a Restituir Declarado: 2.400,00 Imposto a Restituir apurado após a Revisão da Declaração: 0,00 Segundo a descrição dos fatos e enquadramento legal, o lançamento de ofício decorre das seguintes infrações: Compensação Indevida de Imposto de Renda Retido na Fonte: R$ 2.400,00. A ciência do lançamento se deu por aviso de recebimento postal, em 16/04/2014, conforme consta da f. 15. IMPUGNAÇÃO Foi apresentada impugnação, em 13/05/2014, através da qual o interessado, após qualificarse e resumir os fatos, apresentou sua defesa cujo ponto relevante para a solução do litígio é a apresentação dos documentos que entende suficientes para comprovar a compensação glosada, arrazoando que são todos de que dispõe e que são suficientes para comprovar a retenção e seu direito a restituição, independentemente da fonte pagadora ter efetuado o recolhimento do imposto. A 2ª. Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campo Grande entendeu improcedência da impugnação apresentada pelo contribuinte. Colaciono a ementa do referido julgado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2013 COMPENSAÇÃO INDEVIDA DE IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE Não apresentados documentos adicionais a que foi intimado o contribuinte, com a finalidade de corroborar a retenção, deve ser mantida a glosa. Notificação de Lançamento 2013/057075937681725 Impugnação Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformado com a improcedência da impugnação, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário à fls. 38/40, reiterando os argumentos lançados na impugnação, alegando também a impossibilidade de juntar o contrato de prestação de serviços com a fonte pagadora em razão de enchente ocorrida no Município, apresentando documentos para comprovar o alegado. É o relatório. Fl. 56DF CARF MF Impresso em 31/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2016 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 30/05/201 6 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 31/05/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBO SA Processo nº 13767.720205/201407 Resolução nº 2202000.670 S2C2T2 Fl. 57 3 Voto Conselheiro Martin da Silva Gesto Relator O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. Consoante se verifica, o lançamento decorre de compensação indevida de imposto de renda declarado como retido na fonte, no valor de R$ 2.400,00, tendo o contribuinte sido intimado a apresentar documentação comprobatória. Na ocasião, apresentou aos autos comprovante de rendimentos e cópia da DIRF prestada pela fonte pagadora. Nos termos do acórdão da 2a. Turma da DR/CGE, "a DIRF é um documento idôneo para o fim de comprovação dos valores dos rendimentos tributáveis e do Imposto Retido na Fonte, havendo, pois, uma presunção de veracidade dos valores nela contidos", porém "evidentemente que a presunção ora enfocada é relativa, podendo tanto o contribuinte quanto o Fisco afastála". Deste modo, concluíram os julgadores da DRJ que: "O presente lançamento teve por fundamento fático a falta de apresentação do contrato de prestação de serviços, o que poderia ter sido feito com facilidade pelo interessado, tanto em atendimento à autoridade lançadora como em sede de impugnação, para comprovar sua vinculação jurídica com a fonte pagadora e afastar a possibilidade de que se trate de uma declaração graciosa, que visaria unicamente obter a restituição pleiteada, hipótese que não se afigura implausível, ainda mais na falta de recolhimento do imposto supostamente retido, conforme arrazoa o contribuinte em sua impugnação. Assim, na falta de apresentação da prova documental indicada, entendo que deva ser mantida a glosa." (grifouse ) No presente caso, o contribuinte alega que realizou sua declaração de ajuste anual conforme Informe de Rendimentos recebido pela fonte pagadora. Todavia, diante do cruzamento de informações da fonte pagadora e o informado pelo contribuinte, realizouse a glosa do valor do IRRF declarado em sua Declaração de Ajuste Anual. Conforme mencionado, o contribuinte apresentou aos autos comprovante de rendimentos e cópia da DIRF prestada pela fonte pagadora em Impugnação. Todavia, o lançamento se manteve pela falta de apresentação do contrato de prestação de serviços entre o contribuinte e a fonte pagadora (Mardu Transportes Ltda. ME). Em recurso voluntário o contribuinte alega a impossibilidade de apresentar tal documento em razão de enchente que atingiu sua região, que inundou seu escritório. Apresentou ele elementos comprobatórios do ocorrido, inclusive Decreto Municipal decretando estado de calamidade pública, laudo técnico de desastres naturais, formulário preenchido pelo contribuinte direcionado à Secretaria Municipal de Defesa Social, em razão de ter sido atingido Fl. 57DF CARF MF Impresso em 31/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2016 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 30/05/201 6 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 31/05/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBO SA Processo nº 13767.720205/201407 Resolução nº 2202000.670 S2C2T2 Fl. 58 4 pela enchente de dezembro de 2013, bem como Boletim de Ocorrência nº 01461/201, fotos de seu escritório após enchente, notícias de jornais locais tratando da enchente. Além disso, anexa ao processo protocolo de petição onde o contribuinte narra a mesma situação aqui descrita em um processo judicial. No presente caso, temse que o contribuinte é advogado (OAB/ES 3.878) e contabilista (CRC/ES 1.455), conforme fl. 47. O contrato que a fiscalização solicitou ao contribuinte se trata do contrato de prestação de serviços contábeis entre ele e a Mardu Transportes Ltda. ME. Todavia, diante dos fatos narrados pelo contribuinte, parece justificável que ele não apresente este documento a fiscalização, haja vista que motivo se dá por força maior, em razão da enchente que ocorreu no município do contribuinte, atingindo seu escritório, conforme devidamente comprovado nestes autos. Deste modo, compreendo que pode ser afastada a necessidade do contribuinte apresentar o contrato de prestação de serviços contábeis entre ele e a Mardu Transportes Ltda. ME., devendo ser analisado se houve a retenção com base em outros documentos. Acrescento que o contrato exigido pela fiscalização seria uma forma apenas de corroborar que houve a retenção, mas não é forma única de analisar se esta de fato ocorreu. Ocorre que no presente processo administrativo fiscal o contribuinte já havia apresentado aos autos documentos diversos para provar seu direito, havendo, entre eles: recibo, comprovante de rendimentos e cópia da DIRF prestada pela fonte pagadora em anexo à Impugnação, conforme fls. 10/13. No entanto, considero que estes elementos não seriam, por si só, suficientes para comprovar que a retenção ocorreu. Entendo que para prosperarem as razões apresentadas pelo contribuinte, necessário que seja intimada a fonte pagadora Mardu Transportes Ltda. ME. (06.044.257/000121), para que ela preste esclarecimentos a este processo administrativo fiscal. Conclusão. Ante o exposto, voto por CONVERTER o presente julgamento em DILIGÊNCIA, para que a Unidade da Receita Federal do Brasil de jurisdição do contribuinte proceda a intimação da fonte pagadora (Mardu Transportes Ltda. ME. CNPJ nº 06.044.257/000121), para que ela preste os seguintes esclarecimentos aos autos quanto ao pagamento realizado por ela, no valor de R$ 12.000,00 (doze mil reais) ao contribuinte Clevelande Nicacio de Souza, no anocalendário 2012, devendo necessariamente a fonte pagadora: 1. Ratificar se este pagamento efetivamente ocorreu; 2. Especificar qual a natureza do referido pagamento; Fl. 58DF CARF MF Impresso em 31/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2016 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 30/05/201 6 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 31/05/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBO SA Processo nº 13767.720205/201407 Resolução nº 2202000.670 S2C2T2 Fl. 59 5 3. Esclarecer se há contrato entre as partes em relação a este pagamento; 4. Informar se procedeu a retenção de IRRF, bem como se o IRRF foi efetivamente recolhido; 5. Por fim, apresentar aos autos documentos comprobatórios que confirmem as respostas apresentadas, em relação ao item anterior. Após a diligência ser realizada, necessária a intimação do contribuinte, oportunizandolhe prazo de 30 (trinta) dias para manifestação quanto o retorno da diligência. Tomadas as providências acima, os autos devem retornar a este Colegiado para apreciação. (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto Relator Fl. 59DF CARF MF Impresso em 31/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2016 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 30/05/201 6 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 31/05/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBO SA
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